Última atualização: 11/12/2019

Aviso: Olá leitoras, esta história era para pertencer ao ficstape de Descendants of The Sun, na faixa sete. Porém, eu tive que repassar o ficstape para outra autora, a Pâms. Então, para não perder a linearidade, eu enviei esta história ao site como um spin-off. Recomenda-se a leitura de “06. Say It” e “05. Once Again”, nesta respectiva ordem. Mas, caso você não queira ler, não terá problemas com a história.


Capítulo 1

Aqui estou, você pode me ouvir? Meu coração que tem estado
oculto. Estará ao seu lado, no caso de você se sentir
magoado...


Março.

Três meses já haviam passado. não aceitou a notícia da morte de facilmente. Ela telefonou diversas outras vezes para seus sogros que haviam desaparecido totalmente, bem como . Eles não atendiam mais, o número passou a constar como inexistente, e foi ali que percebeu que precisaria desistir. havia beijado-a meses antes no calor da emoção de consolá-la pela notícia, e nos dias seguintes ao beijo ocorrido entre e , sua melhor amiga Hyun insistia em entender o que havia acontecido para o Dr. sair tão cabisbaixo da casa naquele dia e consequentemente eles não se verem mais. contou sobre o beijo, e Hyun ficou alarmada. Eram coisas demais para a cabeça de Hyun:
1 - O noivo e amor de infância de é internado em um hospital às vésperas de seu casamento;
2 - Ainda no hospital os sogros de descobrem o passado tenebroso dela;
3 - Eles expulsam do hospital e a proíbem de ver o noivo;
4 - A família de desaparece junto com ele;
5 - Depois de meses procurando notícias do noivo, com a ajuda de , finalmente descobre que está morto;
6 - beija na mesma noite.
Eram de fato, acontecimentos demais para qualquer mente, imagine a mente fragilizada de . Hyun tranquilizava a amiga:
— Pelo menos, agora você não tem mais que ver , unni*. Por mais que o motivo fosse … Pelo menos não vai se deparar com ele e ter que falar sobre o beijo.
O que não contara é que estava apenas há alguns passos de distância delas.
— Eu não me importo com isso, Hyun. O pior é lidar com a morte de . Eu nem pude dizer adeus…
iniciou o choro seco habitual, sobre a voz embargada e recebeu o abraço da melhor amiga, como conforto. Os dias foram seguindo lentos e mórbidos como havia acostumado-se.
Ela estava no kombini* com Joong-Ki, que havia retornado da viagem familiar de final de ano, e descoberto tudo através de Hyun, e parte dos fatos através de . Ela omitiu ao melhor amigo sobre o beijo ocorrido. Foi Hyun quem lhe contara. Joong-Ki agora sabendo da situação real de luto, fazia o possível para distrair e cuidar de . Agora ele sabia que aquela situação depressiva teria um tempo, e deveria logo desaparecer. Por pior que fosse a verdade, era ainda melhor do que a dúvida que viviam pela omissão da família .
— A senhora Na-Young foi até a loja ontem. – disse de repente.
Joong-Ki focou a atenção de seu celular para a feição da amiga à sua frente.
— Ela me viu bem vestida e disse que as portas da casa estariam abertas.
— E você mandou aquela bruxa montar na vassoura e seguir voando, não é?
— A questão não é essa, sunbae*. A senhora Moyoto perguntou-me de onde eu conhecia ela.
— E você contou a verdade?
— Não. Disse que não a conhecia. Mas, com certeza a ajumma* está com o pé atrás comigo agora.
— Não se preocupe com isso, hubae*.

*Unni: pronome usado de uma moça mais nova para uma moça mais velha, amigas, irmãs...
*Kombini: tipo de loja de conveniências.
*Sunbae: pronome usado para se referir a alguém de um grau mais elevado.
*Ajumma: “Senhora”, “tia”.
*Hubae: pronome usado para se referir a alguém de um grau mais baixo.


observou a reação de Joong-Ki, a fala preocupada e entendia o medo dele. Ele olhava-a analítico, e respirou fundo abaixando a cabeça num breve silêncio entre eles até que decidiu dizer para a amiga, algo que não faria mal lembrar:
— Eu evito tocar o nome dele, . Mas, sinto que é necessário lembrá-la, que te resgatou disso. Não caia na lábia de falsa felicidade daquela mulher novamente. Pela memória de .
deixou uma lágrima de culpa escorrer em seus olhos. E Joong-Ki lamentou por tê-la feito pensar nele. A mulher não ligou, na verdade, compreendia Ki. Depois de comerem, eles levantaram-se juntos para sair dali e seguir o combinado de ir ao cinema assistir algum filme.
— Onde está Hyun?
— Ela arrumou um novo namorado. – respondeu sorrindo ao falar na amiga.
Uwa*!
— Está surpreso?
— Um pouco.
— Por quê? Hyun é bonita, inteligente e muito interessante. Não ficaria sozinha por muito tempo.
— Eu apenas não achei que ela fosse assim.
— Assim como?
— Ligada a relações.
— Como assim, Joong-Ki? Ela era noiva! –   riu confusa e curiosa pela reação do amigo.
— Eu só não esperava.
o analisou durante alguns passos.
Sunbae… Acaso está com ciúme de Hyun?
Mwo*? O que está a dizer, babo*!
— Tudo bem, acalme-se... Eu só tive a impressão.
— Não me interesso nem um pouco, em sua amiguinha, .
sorriu travessa e entrelaçou o braço ao braço de Joong-Ki antes de entrar no cinema.

*Uwa: “Nossa!”, “Uau!”, exclamação de surpresa.
*Mwo: “O quê?”.
*Babo: idiota, tonto, bobo.


Capítulo 2

Durante toda a manhã daquele dia, as coisas estavam estranhas na loja. sentia-se observada desde o dia que a senhora Na-Young pisara ali. Entretanto, os burburinhos estavam maiores naquele dia de trabalho.
, por favor, me acompanhe?
Disse a senhora Moyoto ao fim do expediente para ela, e seguiu-a obediente e discreta.
— Preciso que seja sincera comigo, .
— Claro, ajumma.
— Você conhece aquela mulher, a senhora Na-Young?
ponderou.
— Sim, senhora.
— Por que mentiu?
— É uma parte do meu passado que eu me empenho em apagar.
A senhora Moyoto observou cautelosamente a mulher à sua frente.
— Você é a funcionária favorita das clientes, sabia? Elas apreciam seu atendimento, sutileza e bom gosto. Te veem como um modelo. E desde que você passou a vestir a nossa marca, as vendas aumentaram.
— Sei disso senhora, por isso prezo pela discrição de fatos que possam atrapalhar.
— Eu não quero demitir você . Mas, burburinhos tem sido ditos a seu respeito. O que você sugere que eu faça?
— Não sei, senhora. Mas sei que fará a escolha certa.
— Preciso pensar em como lidar com esta situação. Eu vou afastá-la por algumas semanas. Aproveite este tempo para pensar .
— Pensar?
— Pense no que levou você à tais escolhas, e atente-se ao que poderia levá-la de volta ao seu passado. Pode ir por hoje, obrigada.
assentiu encarando o olhar indecifrável da mais velha. Aquilo era um conselho ou uma praga? Ao deixar a loja, não ponderou para pegar um táxi.
Caminhava lenta pela rua de sua casa, havia chegado mais tarde do que o habitual devido à escolha em voltar de táxi. Cabisbaixa percebeu um carro passar lento na rua ao seu lado e ao ver de quem se tratava desviou o olhar. O carro chegou antes dela ao seu destino, estacionou na própria garagem e quando seguiu até a porta de sua própria casa, olhou para . Ele ergueu uma mão em aceno para ela, e a mulher pensava se responderia. Ao se dar conta de que ser educada não seria um crime, ou entendido da forma errada, ela ergueu a mão em cumprimento para ele também. Ambos sorriram fraco um para o outro e entraram em suas respectivas residências.
não contou a Hyun e muito menos a Joong-Ki o que aconteceu na loja. Ela escondeu a situação, e aceitou sair numa noite para encontrar Joong-Ki. Ele estava estressado no trabalho, e pediu que ela fosse com ele ao mesmo bar de sempre, onde poderia beber em silêncio. Ela concordou e quando ele mencionou buscá-la na loja, ela disse que não era preciso. Inventou uma desculpa em ter saído mais cedo e que estava próxima ao lugar. Quando chegou atrasada, Joong-Ki estranhou a incoerência entre a fala da amiga e o tempo para chegar ali. Novamente, mentiu.
— Precisei passar em outro lugar antes. Desculpe o atraso.
Ela percorreu os olhos por toda a extensão do lugar.
— Tem certeza que não há problema de bebermos aqui? – Ki perguntou analisando a amiga.
— Não é aqui o seu refúgio?
— Sim. Mas aqui foi a sua perdição.
Ela encarou a maneira natural como Joong-Ki pronunciou aquilo e arqueou as sobrancelhas. Certamente ele não teve intenção de ser rude, mas a verdade dita caiu como um tapa na face de .
— E salvação também. Acaso esqueceu de que foi aqui onde reencontrei ?
— Se você ficar depressiva, eu juro que te carrego daqui para uma balada.
sorriu para Joong-Ki que virava seu soju* de modo desesperado. Ela notou que o amigo estava realmente estressado.

*Soju: bebida alcoólica típica da Coréia.

— O que aconteceu Ki?
— Acho que estou amando.
Ele disse simplesmente. Ela arregalou os olhos surpresa e deixou o queixo cair.
Mworago*?
— Não ria de mim!
— Quem é ela?
— Não vou lhe dizer.
Aigo*! Primeiro Hyun, agora você… – ria admirada, com a cabeça apoiada nas mãos a olhar o amigo: — Espera… É a Hyun, não é?
— Não. Não é ela. Pare.
— Então quem é?
Aish*! Não quero falar.
— Como isso aconteceu?
— Não sei. Quando dei por mim, estava sofrendo.
riu contida pelo drama do amigo. Ele pediu licença para ir ao banheiro e deixou a mulher ali no balcão pensativa sobre o que acabara de ouvir. A senhora Na se aproximou.
… Está ainda mais bonita, honi*.
— Olá senhora Na-Young. Como vai?
— Como sempre. E você? Não convidou a senhora Na, ao seu casamento.
— Não houve casamento. Ele faleceu.
A mais velha lamentou e serviu para a mais nova um drinque que sempre pedia ali.

*Mworago: “O que você disse?”
*Aigo: "Meu Deus!”, “Céus!”.
*Aish: interjeição de descontentamento, irritação.
*Honi: querido/querida (como “honey” no inglês).


— Eu lamento, honi. Mas não cometa besteiras. Agora você está onde deveria estar. Aproveite as oportunidades que a loja de roupa lhe trouxer. Agarre-as. Seja independente, e feliz.
Piscou para sorrindo e deixou a mulher ali pensativa. A senhora Na-Young nunca havia forçado nenhuma de suas moças a trabalhar para ela, ela estava ali e as interessadas que vinham. sabia que no fundo, pelo menos com ela, a senhora Na torcia para que arrumasse um emprego mais digno.
Joong-Ki retornou perguntando para ela o que a dona do estabelecimento queria.
— Dizer para eu não cometer besteiras.
Joong-Ki encarou confuso, a amiga puxou o próprio drinque para um brinde, e Ki correspondeu.


Capítulo 3

Hyun havia se mudado para um apartamento próprio há alguns meses. E tudo caminhava bem para a melhor amiga de . Ela avisou que algumas coisas, ainda haviam ficado no quarto de hóspedes de . Numa manhã de primavera, pensava se iria até a loja conversar com a senhora Moyoto sobre o que ela havia decidido mesmo o prazo não tendo passado, quando a campainha se fez ouvir. Era Hyun que parecia visivelmente desesperada.
— Desculpe vir sem avisar unni, mas eu deixei uma caixa com documentos importantes aqui.
— Claro, suba. Pode pegar amiga.
Hyun subiu em disparada deixando curiosa. Ela seguiu até a cozinha para pegar um copo de água e ao ouvir os passos da amiga retornando do corredor superior, se adiantou até a sala.
Unni, não está vestida para o trabalho?
Sem dar-se conta de que era para estar no trabalho, inventou uma desculpa:
— Ganhei folga extra, hoje.
— Oh! Que bom.
— Deixe-me ajudar com isso!
direcionou-se à escada com braços estendidos para tirar a caixa das mãos de Hyun, mas a outra puxou a caixa para si novamente. olhou-a confusa e Hyun, na tentativa de sair imediatamente dali tropeçou na escada. segurou a amiga, e a caixa foi ao chão deixando todos os papéis de carta e um pequeno diário cair.
Hyun soltou-se da mão da amiga e com a face assustada apressou-se a reunir todos os papéis. imediatamente pegou o diário aberto e pôs-se a folheá-lo. Inúmeras fotos de desde a sua infância, declarações de amor em letras infantis, corações e desenhos adolescentes. Hyun percebendo a inércia da amiga olhou para trás e arregalou os olhos ao perceber que encarava-a com os olhos cheios de lágrima.
— Era o ? – ela apenas perguntou.
Unni…
— Foi por causa de que Jacques desistiu de se casar com você?
… São apenas coisas de criança.
— Então por que você escondeu-as? Por que nunca me contou?
, por favor, não entenda mal…
— Hyun! Você ainda amava ?
O olhar aflito da amiga ao chão, com aquelas inúmeras cartas em mãos respondiam a pergunta de .
— O que são estas cartas?
— São só cartas que trocamos enquanto eu estava na França.
sabia dos seus sentimentos?
— Ele sempre soube, mas não dava atenção.
sabia que não adiantava nada sofrer por aquilo. estava morto, mas algo em seu coração a fazia sentir-se traída. Ela encarou Hyun com mágoa, e a outra chorava silenciosa de cabeça baixa. abriu a porta de sua casa e jogou longe o diário, em seguida gritou para que Hyun saísse dali. Sem discutir, Hyun pegou suas coisas e saiu chorando de cabeça baixa. Abaixou-se e pegou o diário no meio do gramado em frente à casa. encarou a amiga a sair chorosa.
passeava com seu cachorro quando viu a cena. Ele estava parado na calçada observando o ocorrido e quando mencionou caminhar até , ela entrou e bateu a porta.
não atendeu nenhuma das ligações de Hyun. Não retornou à loja para falar com a senhora Moyoto. Apenas levantou-se ao escurecer, arrumou-se e foi ao bar da senhora Na-Young.
Quando a mulher mais velha a viu ali serviu a ela um drinque e tornou a repetir:
— Não retorne. Fique onde está, .
— Não pretendo voltar a trabalhar para a senhora. – ela respondeu convicta.
— Não precisa trabalhar para mim para voltar à sua vida infeliz de antes.
A senhora Na-Young saiu de perto da mais jovem, e deixou o local. O garçom reconheceu e puxou assunto. Ela admitiu a ele que jamais voltaria a trabalhar para a senhora Na-Young. bebeu um drinque, dois, três, ao ponto de voltar para a casa aos tropeços. Seu coração doía tamanho o ódio. Sentia-se traída por Hyun. E também por que nunca lhe contou sobre os sentimentos de sua melhor amiga. Ela nem sabia se estava certa em julgar e nutrir aquele ódio momentâneo, apenas o sentia. E como aprendeu durante sua vida: emoções não devem ser reprimidas. Caminhava trôpega pelas ruas quando notou que vagarosamente um carro a seguia. Olhou para o lado e viu o vidro baixar lentamente. Continuou caminhando sem parar, e o carro prosseguiu. Ela parou para encarar o automóvel, que também parou revelando uma face conhecida:
— Senhor Hoon?
— Entre, .
A porta do carro abriu e a mulher hesitou um tempo, mas entrou.


Capítulo 4

Recordava-se por flashes da conversa com Hoon em seu carro. Ele indagando sobre o tal homem que ela amava, perguntando o que havia acontecido. Ela respondendo que ele a deixou. Ele perguntando o que ela pretendia fazer, e ela convicta dizendo que não trabalharia mais para a senhora Na-Young. E enfim, numa última recordação que a fez abrir os olhos, o senhor Hoon dizendo-lhe: “Seja minha outra vez, . Ela ergueu-se da cama assustada e notou-se nua. A cama ao seu lado vazia, e o apartamento que já conhecia. Apoiou a cabeça entre as próprias mãos, e pôs-se a chorar. Desta vez o dinheiro não estava exposto em lugar algum do quarto. Havia bebido demais e dormido de graça com outro homem. Pelo menos se sentia menos suja por não receber por aquilo. Fez o que queria fazer.
Saiu do quarto após o banho, enrolada num roupão e para a sua surpresa o senhor Hoon estava sentado à mesa de café da manhã lendo um jornal.
— Bom dia. – ele disse observando a expressão confusa dela, com um sorriso plácido.
— Bom dia. Não vai sair?
— Ah, vou sim, minha querida. Minha esposa está no hospital me aguardando.
— O que houve com ela? – perguntou confusa sentando-se à mesa.
— Nasceu nosso primogênito!
Ele deu a notícia com um sorriso esplendoroso em sua face. E sentiu faltar-lhe chão abaixo dos pés. Piscou incrédula. Hoon era um homem pouco mais velho que ela, muito bonito e charmoso. Tinha uma empresa que só lhe dava altos lucros. E agora uma família. Quando a procurava, ele dizia que a falta de um filho havia tornado seu casamento algo de fachada. Mas, agora a notícia comprovou que alguns homens simplesmente não têm caráter.
— Eu preciso ir. – ela falou envergonhada e enojada de estar ali, e quando mencionou levantar, ele a impediu:
— Espere. Eu aguardei você acordar porque precisamos definir o que faremos. Você quer voltar a ser como antes?
— Eu me lembro de dizer que não trabalho mais com isso, senhor Hoon. Esta noite foi um erro, um momento de insanidade.
— Tudo bem. Mas, já que não pago à senhora Na-Young e nem a você, como a faço ficar?
Ela encarou o homem, extremamente confusa. E ele adiantou as explicações ao notar a confusão de :
— Eu disse que gostava de você, mas você preferiu seguir com o homem que a abandonou.
Ela sabia que não havia sido abandonada, mas não devia explicações ao Hoon.
— Quero você de volta . Como minha namorada.
— O que está dizendo!? Você é um homem casado!
— Isso nunca significou nada para nós. Deixe-me te amar, . Deixe-me cuidar de você.
Ela estava bamba sob as pernas. Não sabia se por ressaca física ou moral. E não falava nada, apenas encarava o olhar sedutor do homem à sua frente. E não percebeu quando a mão dele pousou em suas costas puxando-a para perto e beijando .
— Deixe seu novo número. – ele estendeu o celular para ela, mas ela negou.
— Não estou interessada, senhor Hoon.
— Eu vou conseguir encontrar você. Não tem problema.
— Não estou interessada!
Ela bradou, e o homem a olhou com deboche e saiu do apartamento. vestiu suas roupas e saiu imediatamente dali.
Após algumas semanas, a senhora Moyoto pediu que retornasse à loja. E ela agradeceu aos céus, já estava difícil inventar desculpas à Joong-Ki sobre suas “saídas”, mais cedo do expediente. Precisaria agradecer Hyun também, por causa da briga entre elas Joong-Ki estava empenhando-se em fazê-la perdoar a amiga e nem se lembrava dos horários estranhos dela.
Na loja, a senhora Moyoto ofereceu a não mais um cargo de vendedora, mas sim, de modelo da marca. Ela estava confusa, mas a mais velha esclareceu que assim ela poderia usufruir da imagem positiva que impunha sob a marca, sua elegância, bom gosto e beleza. E não teriam que se preocupar caso uma cliente não aceitasse ser atendida por ela, devido aos burburinhos das demais funcionárias da loja. Moyoto também esclareceu que a proposta não veio do céu, muito pelo contrário. Ela já planejava uma assessoria de marketing para a loja, que a aconselhou investir numa imagem física, em campanhas de moda e publicidade. Porém ao invés de contratarem uma modelo profissional, por que não inserir uma nova modelo no mercado? receberia um pouco mais do que recebe, e menos ainda do que um cachê profissional. Seria agenciada e aprenderia o necessário, desde que assinasse exclusividade à Moyoto.
— Senhora… O que a faz pensar que o meu passado não virá à tona com muito mais força, caso eu estampe outdoors da marca?
— Mas o impacto não tenderia a ser negativo. Pelo menos não para a minha assinatura. É claro que você estará se expondo, mas não creio que isso abriria uma cratera sob seus pés.
Ela analisou o discurso da senhora Moyoto e sua expressão paciente. Não é que a mulher fosse ruim, apenas pensou primeiramente em si e, em sua marca. E depois, o que teria a perder? Além é claro da possibilidade de escancarar a sua vida? Talvez assim, o efeito das decepções à sua volta a atingissem emocionalmente menos.
Ela aceitou. Joong-Ki não se surpreendeu com a proposta repentina recebida, ele sempre dissera à o quanto ela tinha “porte” de artista. E imaginou que os horários flexíveis com que Moyoto liberava deviam-se ao futuro que ela já articulava para a mulher. passou um mês preparando-se com a tal agência de modelos. Vez ou outra, enquanto saía de casa avistava indo ou voltando de seus plantões. Não se falavam como antes, mas eram educados. Quando o seu primeiro ensaio fotográfico foi estampado num outdoor comercial da cidade, Ki e fizeram festa. Eles estavam sentados em uma mesa de bar, a música agitada denunciando a alegria do local. conversava animada com Ki, quando Hyun aproximou-se da mesa.
— O que ela faz aqui? – ela perguntou olhando brava para Joong-Ki.
— Eu posso ter comentado que estaria aqui hoje… – ele disse indiferente.
— Francamente, Ki! – revirou os olhos sem encarar Hyun.
— Por favor, unni. Eu só quero me explicar.
olhou para Hyun com raiva, mas ao ver o arrependimento no olhar da ex-melhor amiga sentiu que estava sendo infantil. Joong-Ki levantou-se e saiu da mesa, com a desculpa de perceber uma mulher lhe paquerar. Hyun sentou-se onde antes ele estava.
… Eu fui apaixonada desde criança por . E ele nunca percebia. Quando você chegou à escola ele se apaixonou por você. E eu soube que havia perdido. Mas, na adolescência, depois que vocês terminaram eu tive coragem de dizer a ele o que sentia. Não era como se eu esperasse que ele ficasse comigo, eu apenas queria me livrar daquilo. E ele confessou que por mais que doesse não estar ao seu lado, era a ti que o coração dele pertencia. E desde então, nunca mais falamos sobre os meus sentimentos.
— O que me magoou não foi o fato de você ter sido apaixonada por ele, mas de ter me escondido isso. E ele também. Não vê que isso faz parecer que algo proibido estivesse acontecendo?
— Eu sei. Mas, eu não achava que fosse algo necessário uma vez que confessei ao e fui rejeitada.
— Se você realmente não achasse um segredo desnecessário não teria feito esforço em esconder de mim.
— Eu agi daquele jeito, , porque agora que … – Hyun hesitou.
— Morreu. Pode falar que ele morreu. Não é como se eu tivesse me esquecido.
— Eu não queria lhe fazer sofrer por algo tão infantil… – disse Hyun envergonhada com o olhar baixo.
— Eu só farei uma pergunta Hyun e espero que seja sincera.
Hyun encarou-a em expectativa.
— Você ainda sentia este amor por quando ele e eu planejamos o casamento?
— Não. Já havia me conformado.
— Não está mentindo?
— Fiquei muito feliz por vocês. Fui para França logo que ele me disse que seus sentimentos por você não mudariam. Recuperei-me deste amor platônico, mas confesso que tinha medo de como seria vê-los no altar. Porém, eu sei aceitar quando perco . E no momento que vocês reataram eu respeitei a felicidade de ambos e me empenhei em ser feliz com você também. Guardei todas as cartas, talvez porque queria aguardar o momento que me apaixonaria verdadeiramente por outra pessoa ao ponto, daquelas serem apenas cartas de criança.
encarava o olhar tristonho de Hyun e decidiu que nada adiantaria perder mais uma pessoa importante em sua vida. Suspirou pesadamente e falou:
— Como está o seu namoro? Quando irei conhecer o felizardo?
Hyun iluminou-se com a fala da amiga e sorriu agradecida. Pegou a mão dela e as duas se abraçaram. Aquela era a forma de dizer que havia perdoado. Joong-Ki não tinha ido ao encontro de nenhuma paquera. Estava sentado ao balcão do bar, a fim de dá-las privacidade e sorria observando as amigas abraçadas. Hyun olhou na direção dele e sorriu agradecida. Ele mencionou sair dali quando uma mulher o parou. olhou para trás, após Hyun indicá-la o lugar em que ele estava. Notou o cenho franzido e confuso de Joong-Ki com aquela mulher à sua frente, e observou cautelosa ao amigo.
— Quem é aquela? – perguntou Hyun.
— Não faço ideia. Eu acho.
Joong-Ki encarava silencioso à mulher, e quando mencionou falar algo outro homem se aproximou pondo a mão às costas dela. E sentiu um embargo em sua garganta ao ver que o homem era o Senhor Hoon. Joong-Ki disfarçou o olhar na direção da mulher e saiu de encontro à e Hyun.
— Quem era aquela senhora, Joong-Ki? Pareciam surpresos. – perguntou Hyun.
Tanto ele quanto mantinham-se calados. Até que recordou-se de algo, e o encarou surpresa:
— É ela, Ki? A mulher por quem está apaixonado?
— Como? – Hyun perguntou confusa.
— Estava, . Ela não é uma boa pessoa para mim.
— Aquele com ela... É o marido dela?
— Sim. Como sabe?
o encarou vagamente. E ele entendeu. Provavelmente um ex-cliente de . Ele sentiu o ódio em sua garganta. E Hyun nada entendia. Os três decidiram que não comemorariam o novo trabalho de ali. Ao se encaminhar à saída, cruzou olhares com Hoon. Ele sorriu discreto para ela, e a mulher saiu rapidamente puxando Hyun.
Os três amigos seguiram para a praça do parque ecológico. Eles sempre estavam por aquela região do centro que se tornava ainda mais um lugar comum, visto que andavam pela noite ali, rindo e conversando como um programa normal quando a intenção era comemorar com bebedeiras. Nenhum deles sentia falta do clima agitado.
— Quer que eu deixe você em casa?
Ki perguntou para , após terem acompanhado Hyun até o ponto de táxi. Ela negou a carona de Ki, mas aceitou. No carro a caminho de sua casa, ela não pôde evitar as perguntas dele:
— Ele era seu cliente, não é ?
— Sim. Era o principal. – falou envergonhada.
— Que mundo estranho. Quem diria que um dia eu me apaixonaria pela esposa do homem que lhe deu um mundo de conforto enquanto traía a mulher.
— É…
— Eles têm uma filha.
— Verdade? – perguntou recordando-se de ter ouvido aquilo através de Hoon.
— Tem um pouco mais de um mês.
— Como a conheceu, sundae?
— Esbarramos na rua. Clichê, não? Eu a ajudei a pegar suas coisas e dali, nós conversamos num café e trocamos telefones, e nos encontramos com frequência até ela contar que estava grávida. Perguntei se era casada e ela mentiu. Confessei meus sentimentos, ela correspondeu e um dia quando estávamos juntos o celular dela tocou e eu vi a chamada. Era ele. O nome dele indicando que ela era casada, e havia mentido. Não nos vimos mais, e quando me dei conta, estava apaixonado por ela…
— Na noite que bebemos no clube. – constatou.
— E após algumas noites em que ela deu à luz ao bebê.
— Como soube?
. Ele estava de plantão no hospital.
— O quê?
estava muito confusa.
— O que sabe sobre vocês?
— Um pouco depois que desapareceu, eu retornei ao hospital sozinho, para conseguir informações com . Conversava com ele quando a vi sair na recepção. O médico que a acompanhava veio até , pelo visto ela tinha uma gravidez arriscada e como cardiologista ele acompanhava o caso. Não nos falamos, mas eu fiquei bastante abalado. Desabafei com o naquele dia. Não nos vimos mais, Kyara e eu.
— Kyara é o nome dela?
Joong-Ki acenou afirmativo. E sentiu-se mal por perceber que passara anos ao lado de Hoon, enquanto ele traía a mulher que ela mal sabia o nome.
— Parece que tem o dom de ouvir os desabafos alheios. – ela constatou disfarçando.
— E ninguém para escutar os dele.
encarou confusa a face de Joong-Ki.
— E por que ele te contaria sobre o nascimento da filha dela?
— Por que naquela noite eu telefonei para ele, e ele me contou no dia seguinte.
— Ah…
pensava sobre tudo aquilo. Como tantas linhas podiam se cruzar daquela forma? Ki estacionou a frente da casa dela, e o carro de passou ao lado do dele. Os dois observaram dirigir até sua garagem, pensativos.
.
— Hm?
— Eu sei do beijo.
— O quê? – ela olhou assustada para Ki.
— Ele deve gostar de você, realmente.
— Não acredito que ele contou isso a você!
Ela ficou extremamente nervosa com aquilo, e Joong-Ki analisou a amiga de um modo curioso. Resolveu não contar a verdade.
— Parece que ele tem alguém para desabafar pelo visto! – ela falou brava para Joong-Ki e fez menção a sair do carro, mas o amigo a impediu:
— Não foi culpa dele.
— Boa noite Ki, e obrigada pela carona.
— Nos vemos depois. Se cuide.
Ela desceu do carro e Joong-Ki sorria travesso observando a amiga parada na calçada. Partiu com o carro, e olhou na direção da casa de . Ele já tinha visto-a e estava parado ao lado do próprio carro a observando. Os dois ficaram ali sem ação, até se por a caminhar em direção a ela. abaixou a cabeça envergonhada. Era um pouco tarde para dar as costas, e seria muito mal educado. caminhava cauteloso atravessando a rua. Ela o olhou novamente, e notou a figura cansada e receosa dele, com sua bolsa atravessada no tronco. Alguns botões de sua camisa social amarrotada, abertos. O jaleco em um dos braços. Ela colocou alguns fios de cabelo atrás da orelha, e segurou sua bolsa com os braços à frente do corpo, como uma adolescente tímida. Ele parou a uma razoável distância dela e sorriu.
sentiu que o olhar dele havia deixado-a corada, o que não era comum.
— Boa noite, senhorita . – ele disse.
— Boa noite… – ela pensou sobre como chamá-lo.
Não havia gostado de vê-lo direcionar-se a ela tão formalmente.
— Eu vi sua foto num outdoor, hoje.
— Ah! Sim… – ela sorriu sem graça — Eu estou iniciando uma carreira de modelo.
— Fico feliz por você. Estava realmente chamativo o anúncio.
enrugou a testa como quem procurava saber se aquilo era positivo ou negativo. Ele notou a confusão e riu pelo nariz.
— Eu quis dizer que estava lindo.
— Ah sim… Obrigada. Chamar atenção para a marca é o meu trabalho, que bom que deu certo…
— Como tem passado?
— Bem.
O silêncio acomodou-se entre eles. E engoliu sua saliva de modo nervoso.

Ela encarou a ele, atenta, ao modo informal como ele chamou-a se aproximando alguns passos.
— Eu queria me desculpar, realmente. Eu não deveria ter feito aquilo, num momento de fragilidade seu.
— Esqueça isso, . Foi um momento frágil para ambos.
— Eu não posso esquecer. Desculpe-me.
o olhou, desconcertada, e pensava numa desculpa para sair de perto dele, mas agiu primeiro.
— Só não quero que fique um clima estranho entre nós. Podemos ser amigos?
— Cla-claro…
— Ótimo. Eu vou para casa, tive um dia cheio. Saiba que se precisar de algo, pode me procurar, huh? – ele sorriu afastando a nuvem de vergonha entre eles, e abaixou a cabeça olhando nos olhos de .
Ela apenas afirmou com um sorriso mais amplo. E ele viu que o sorriso que almejava um dia descobrir na face dela, ainda não havia surgido.
— Parabéns pelo trabalho, mais uma vez.
— Obrigada. Boa noite, .
— Boa noite, .
Algo na forma como ele disse o sobrenome dela, a deixara estranha. afastava-se e então ela notou que estava parada ali, tempo demais.


Capítulo 5

entrou na agência de modelos, e não acreditou quando se deparou com a figura do senhor Hoon ao lado de seu consultor. Cho observou a mulher que acabara de chegar e sorriu fazendo com que Hoon direcionasse o olhar na mesma direção. manteve-se inerte até ser chamada para perto. Hoon lhe sorria discreto com o olhar sempre sedutor.
. Este é o senhor Hoon. Ele é o dono do lugar onde o nosso desfile será feito. E fez questão de acompanhar-nos pessoalmente.
— Prazer. – a mulher respondeu fingindo não o conhecer.
— O prazer é todo meu. – ele pegou a mão dela e beijou-a.
— Senhor Hoon? Presidente da Events & Associates?
— Conhece meus negócios? – ele perguntou entrando na farsa.
— Ouvi falar. Desculpem-me, mas a MM terá condições de pagar por um desfile da alta costura em um dos espaços Hoon?
— Certamente a Moyoto Modas, ainda é peixe pequeno se comparada aos grandes nomes do mercado.
Cho respondeu ao Hoon a pergunta indiscreta de e olhou-a com certa restrição.
— Eu sei disso e por isso resolvi patrocinar a Moyoto.
— Patrocinar? – estava confusa.
— Eu sei que Moyoto é uma estilista com muito potencial, e vejo que a senhorita é uma forte aposta de imagem. Sem dúvidas, estamos rodeados de muitos talentos…
Após deixar a fala cheia de segundas intenções no ar, Hoon foi encaminhado a uma sala com Cho, e seguiu a preparar-se para as fotos que faria naquela tarde.
Cho acompanharia Hoon até outro local, por isso apareceram ambos no meio do ensaio de , a mulher ao vê-lo ali se distanciou dos holofotes e seguiu até a maquiadora. Cho caminhou até ela informando que ao final do ensaio ela poderia ir, fariam a reunião em outro momento. Ela assentiu enquanto encarava o olhar cobiçado de Hoon sobre si.
saiu da estação de metrô e caminhou até o mercado próximo à sua casa, pensando sobre as coisas que estavam lhe acontecendo nos últimos tempos. Imaginou que talvez fosse hora de ir ao templo e oferecer orações à alma de . Por mais que não acreditasse na morte dele, sabia que ficar aguardando o dia em que seus sogros lhe diriam a verdade não aconteceria. Eles desapareceram, abandonaram-na sem qualquer respeito pela história que ela viveu ao lado de . Mal sabia ela como o noivo foi enterrado, ou qual cerimônia fúnebre optaram. Será que sabiam que desejava ser cremado após doar todos os órgãos que fossem possíveis?
sacudiu a cabeça de um lado ao outro, a fim de afastar as lembranças e a dor. Entrou no mercado que estava vazio e fez as compras que necessitava, com a mente focada em Hoon. O que ele estaria tramando em aproximar-se de Moyoto daquela forma? Certamente não era difícil imaginar. Ele disse que encontraria . Como ela sairia daquela situação, que começava a amedrontá-la? E Kyara… Será que desejou apenas se vingar do marido e traí-lo também, ou ela tinha sentimentos reais e sinceros por Joong-Ki? bufou triste pelo amigo, enquanto caminhava ao caixa. Joong-Ki merecia alguém que lhe amasse verdadeiramente. Sempre implicou com ele, chamando-o de “Don Juan barato”, mas a verdade é que Ki era um homem admirável. queria tanto que o amigo se apaixonasse e fosse feliz, ao lado de uma pessoa que o desse valor. E agora ele estava apaixonado, por uma mulher que não poderia ter.
— Dinheiro ou cartão? – a atendente de caixa perguntou despertando de seus pensamentos.
— Oh, desculpe. Dinheiro.
Ela estendeu o valor pedido, e após receber o troco ajudou a moça a empacotar as compras. Pensava em como o amor pregava peças. Viu-se se lembrando do beijo com e dando-se conta daquilo, ela bateu levemente em sua cabeça e a sacudia.
— Não, não, não, ! – falava para si.
A atendente de caixa assustada a olhou inquisitiva.
— A senhora está bem?
— Sim, obrigada.
pegou os pacotes de compra, atrapalhada e envergonhada. Saiu rapidamente do mercado tamanha a vergonha que ficou. Não sabia se por seus pensamentos, ou por suas ações estranhas perante a funcionária do estabelecimento. Empurrou a porta do mercado com as próprias costas e ao sair ajeitou os sacos de compra a fim de enxergar o caminho.
Não sabia como ele surgiu, mas o cachorro agitado passou-lhe entre as pernas jogando-a no chão e espalhando as suas compras para todo lado.
— Kito! Kito!
Uma voz masculina gritou e em seguida retirou o animal que lambia a face, de cima de :
— Me desculpe! Desculpe-me senhorita! Deixe-me ajudar.
O homem tirou o animal de cima dela, prendendo a coleira novamente à guia que ele segurava. Quando se levantou e encarou o homem aturdido, ela não podia acreditar.
?
Ele a encarou e olhou para o cachorro como se pedisse explicações do que ele estava fazendo.
! – ele sorriu e ajudou-a a levantar do chão.
limpava suas roupas, e pediu-lhe para segurar a guia do canino e ela o fez, receosa. recolheu as compras dela caídas ao chão.
— Me desculpe! Eu me abaixei para apertar a guia à coleira quando ele se soltou.
— Tudo bem, ele só queria brincar.
Ela encarou o animal que balançava o rabo animado. E voltou a olhar . Aquela camiseta branca suada e colada ao corpo dele lhe parecia muito errado. E ainda mais errado ela olhá-lo daquele jeito. E como não havia notado o corpo atlético dele, antes?
— Eu não sabia que você tinha um cachorro.
— Sério? Eu me lembro de passar por você, enquanto corria com ele algumas vezes. – respondeu sem cerimônia.
— Ah… É… Eu não reparei.
ergueu-se com as sacolas em seus braços.
— Posso acompanhar você? – ele perguntou.
— Si-sim.
— Ótimo. Eu carrego as compras para você. – disse risonho.
Os dois puseram-se a caminhar e o cachorro nem parecia mais tão apressado, como no momento que a derrubou.
— Qual o nome dele?
— Kito. Você não tem nenhum animal de estimação, não é?
— Tenho um peixe. Mas, eu queria um lago de carpas.
— Carpas são ótimos peixes para se ter em casa.
— É… ia construir um lago em nossa casa… – ela falou amena recordando-se e sentiu-se pesado com o assunto.
— Sobre isso… Como se sente, ?
— Acho que cada dia eu aceito um pouco mais.
— É gradativo mesmo. Fico tranquilo por perceber que apesar de tudo, você está seguindo.
— Não é como se houvesse outra forma, não é?
— É.
Eles caminharam entre olhares, sorrisos discretos e pouco diálogo até a casa dela. perguntou se gostaria de fazer companhia a ele num jantar. Ela sentiu-se desconfortável com a proposta e notando a interpretação que poderia ter sobre aquilo, ele tratou de se explicar:
— Podemos sair. Não quero que pense mal. É apenas um momento entre amigos.
Ela sorriu e concordou. Despediram-se e ela foi guardar as compras, em seguida se arrumou. apareceu no horário marcado e perguntou a ela onde gostaria de ir. não queria que aquilo parecesse algo que não era então ela sugeriu um karaokê. Eles foram, comeram, beberam, cantaram, riram bastante e no final da noite deixou-a na porta de sua casa. Ele beijou a testa de num claro respeito e ela sorriu despedindo-se e agradecendo.
Aquele programa se estendeu outras vezes, em algumas com a presença de Ki e Hyun, outras apenas entre eles. nem se recordava mais do beijo ou da vergonha que sentiu por .
Ao invés disso, a cabeça de estava ocupada por outras preocupações. Fora convidada a um jantar de negócios com Hoon, Cho, Moyoto, alguns representantes das partes interessadas e Kyara. Ela não conseguia encarar a esposa de Hoon. E nem sentir-se confortável.
Estava à uma hora sentada à mesa interpretando. Kyara a analisava vez ou outra, não por desconfiar das relações antigas entre e Hoon, mas pelos elogios que a mulher recebia de todos à mesa. Ao final da noite, todos se despediram e antes que fosse embora, Hoon a cumprimentou com dois beijos no rosto e sussurrou em seu ouvido:
— Esteja na senhora Na, amanhã. Horário de sempre. Se não aparecer, Moyoto não vai perdoá-la.
engoliu seco.
No dia seguinte ela fez exatamente o que Hoon pediu.
Lá estava ela, deslumbrante encarando-se no espelho. Como um deja vú. Sentiu o passado lhe surgir às memórias.
Quando a senhora Na-Young viu a mulher entrando no estabelecimento, olhou-a com decepção e indicou a mesa onde um homem a esperava. Hoon levantou-se sorridente e indicou que ela sentasse.
— Está maravilhosa, .
— Eu vim apenas para dizer que pare.
— Parar com o quê?
— Com esta ideia fixa em mim.
Ele bebeu um gole de seu drinque olhando-a desentendido.
— Você é uma mulher livre, . Pode fazer o que quiser, eu nem tanto. Tenho esposa e filha. Por que eu teria uma ideia fixa em você? Sou muito ocupado.
— O que quer, afinal?
— Com todas as minhas ocupações eu preciso me distrair às vezes. E a única que foi capaz de fazer isso tão bem por tanto tempo, foi você.
— Já disse que não me prostituo mais, senhor Hoon.
— Eu sei! – ele falou orgulhoso: — Agora você é uma modelo! E as portas podem se abrir para você e para a senhora Moyoto, . Basta passar mais uma noite comigo.
— Uma noite? – ela ponderou: — Está dizendo que me deixará em paz depois?
— Se for o que você quiser.
Ela olhou-o em dúvida.
— Veja … Logo você será uma figura mais pública. E eu não poderei me arriscar. Eu realmente gosto de você, . Mas você não quis acreditar quando eu lhe disse. E não acredita agora, não é?
— Por que isso tudo, Hoon?
— Eu não pude me despedir.
— Recentemente você e eu… – ela parou de falar.
— Sim. A paternidade faz o homem mudar, e por mais que eu não tenha nenhum amor por Kyara, e nem ela por mim… Eu tenho uma filha e quero cuidar bem dela. Mas você foi a minha paixão . E eu preciso dizer adeus. Prometo deixar você em paz, e não atrapalhar a sua carreira se fizer a minha última vontade.
— E se não fizer?
— Veja… Eu estou tentando ser gentil aqui, .
Ela abaixou o olhar, e silenciou afirmativa. Hoon sorriu e levantou-se da cadeira, estendeu a mão para que saiu do lugar de cabeça baixa. A senhora Na-Young lamentou pelo que ela fazia.
Os dois encaminharam-se para o mesmo restaurante de sempre. A garçonete que os reconheceu sorriu largamente ao vê-los. E sentia um enjôo lhe tomar o estômago por se pegar num cenário tão conhecido, e tão sujo.
Quando o vinho foi servido aos dois, ela colocou a mão em sua taça, mas outra mão lhe puxou o punho de forma agressiva. Hoon levantou-se da mesa encarando o homem à frente dela, surpreso.
— O que pensa que está fazendo, ?
?
— Quem é ele ? – Hoon perguntou preocupado com a cena que se formava.
— Cretino! Gosta de humilhar as mulheres, desta forma?
! Eu lhe fiz uma pergunta! – Hoon perguntou grosseiro.
— Ele… – ela levantou-se e não conseguiu responder.
puxou-a para trás de si ainda segurando sua mão. Hoon encarou os dois à sua frente.
— É ele o homem que tirou você de mim? – Hoon perguntou encarando de modo agressivo.
— Grave bem o meu rosto. Porque se aproximar-se novamente dela, este será o último rosto que você verá senhor Hoon. – falou ameaçador.
Ele conhecia bem o rosto do homem, cuja paciente mostrara uma foto momentos antes de dar a luz à sua filha.
saiu dali puxando para fora do lugar. Eles caminharam até o local onde o carro estava estacionado e soltou a mão dela. Agitado, andava de um lado ao outro bagunçando os cabelos. Respirou fundo, e após acalmar-se minimamente ele encarou . Ela estava parada, assustada olhando diretamente para ele. Não havia lágrimas em sua face, nem vergonha, mas confusão.
— Como me encontrou? – ela perguntou.
— Te vi entrando no bar da senhora Na-Young. E fiquei imaginando, porque voltaria para aquele lugar. E lembrei que ali você reencontrou , não foi isso que me contou? E também lembrei que ali você encontrava os seus clientes. Ou estou enganado?
continuava o olhando inexpressiva.
— Pensei: “talvez ela esteja ali apenas para beber com Joong-Ki”. Mas, achei prudente esperar um pouco e ver se sairia com Joong-Ki. E então você saiu, acompanhada daquele cretino que deixou a esposa sozinha, num trabalho de parto cheio de riscos para ela e para o bebê! De repente pensei: “onde este cretino estava na noite em que eu fazia de tudo para a filha dele vir ao mundo deixando a mãe em segurança?”.
— Por que está aqui? – perguntou confusa, como se não tivesse escutado nada que ele disse antes.
— O que você estava fazendo com ele, ? – ignorou a pergunta anterior.
— Ele me perseguia. Prometeu me deixar em paz, depois de hoje.
— E você acreditou? ! O que houve com a promessa feita à ? Como pôde feri-lo desta forma? Ele se orgulharia disso? Você se orgulha disso?
pareceu retomar a consciência do que fazia, e desesperadamente arrependida começou a chorar. encostou-se no próprio carro, passou a mão sobre os cabelos, cansado, e encarou a mulher ao seu lado. estava apoiada ao carro com uma das mãos, e com a outra tampava a boca num choro doloroso. aproximou-se dela e a abraçou.
— Está doendo, . Dói não tê-lo aqui para me proteger de mim. Dói não ser capaz de fazer as escolhas certas. Dói viver sem ele. Dói…
Shiii…
interrompeu-a no intuito de que ela parasse de falar:
— Você não está sozinha, . E você é capaz de seguir com sua vida, você é uma boa pessoa, . Uma pessoa boa, a quem coisas ruins aconteceram.
— Minha sogra tinha razão, . Ela estava certa em me odiar…
puxava a camisa de como na primeira vez que ele lhe acolheu em seus braços.
— Não diga bobagens. – ele pegou o rosto dela entre suas mãos e a fez encarar seus olhos: — Vamos esquecer isso, tudo bem? Vamos para casa.
apenas assentiu e seguiu para dentro do carro de . Durante o percurso eles não falaram nada. E quando encarou sua casa, com as luzes apagadas, a memória de a levou até acendendo a luz da sala, e olhando-a ler um livro na varanda, pela janela.
— Não quero ficar aqui.
Ela falou baixo dentro do carro, enquanto aguardava estacionado, por alguma reação dela.
— O que quer dizer? – ele perguntou confuso.
virou o rosto para ele, a face vermelha de choro:
— Ele está em todo lugar desta casa, .
Ele concordou afirmativo e dirigiu um pouco mais à frente, estacionando em sua própria garagem. Eles desceram do carro, e assim que abriu a porta para ela entrar, Kito pulou na mulher.
— Ei Kito! – ela falou calma, abaixando-se para acariciar o canino.
observou a cena e assim que entrou, ele indicou a ela que ficasse à vontade em sua casa enquanto ele tomaria banho. Ao retornar, havia adormecido no sofá. Ele jogou a toalha que usava para secar os cabelos, em uma poltrona e pegou-a no colo. Subiu as escadas e se aconchegou mais em seu corpo.
sentiu o coração apertar. Ele deitou-a em sua própria cama, e ficou observando-a dormir durante um tempo até que o próprio sono veio.


Capítulo 6

Aqui estou, você consegue ouvir? O pequeno tremor em meu coração, provavelmente é amor. Eu penso em você...

O sol que batia em seus rostos foi o culpado pelo despertar ao mesmo tempo. abriu os olhos revelando a figura de ao lado também abrindo os olhos. Os dois encaravam-se confusos, e envergonhados. Ele adormeceu sem notar, com a cabeça apoiada na beira da cama e o corpo desajeitado no chão. Suas costas doíam e ao notar aquele incômodo muscular, ele pigarreou baixo e levantou-se. que o observava em dúvida, sentou-se à cama no mesmo momento em que ele levantou. Ela observou o lugar em que estava e a cama em que havia deitado.
— Bom dia, .
— Bom dia, .
Eles continuaram confusos com a situação.
— Você adormeceu no sofá ontem, então eu te trouxe ao meu quarto.
— Ah… – ela encarou dos pés a cabeça.
Ele ainda estava vestido com a roupa da noite anterior, o que a deixou mais tranquila por perceber que ele deve ter adormecido de qualquer jeito quando a trouxe.
— Obrigada . Eu já vou indo, não quero incomodar.
se levantou enquanto o homem à sua frente coçava a nuca, nervoso.
— Não! – ele disse tentando parecer tranquilo, mas percebeu que ele estava nervoso: — Não está incomodando... Vamos descer? Tomar café pelo menos?
— Tudo bem.
sorriu e tomou frente à porta do quarto, o encarava pelas costas, pouco tímida. Quando abriu a porta o susto foi tão grande, que não conteve um grito. Kito pulou imediatamente sobre ele, como se estivesse se preparando para o momento que a porta abrisse e foi ao chão junto com . , do susto com as mãos à boca passou ao riso com as mãos no rosto.
afastava o cão que tentava a todo custo, lamber sua face.
— Kito, não! Não!
abaixou-se para ajudar a chamar a atenção do cão para outra coisa. Ela acariciou o canino que ao notá-la abanava o rabo animado. Ela estalou os dedos o chamando e saindo do quarto com o cachorro a seguindo. expirou pesadamente e levantou-se ainda sentindo as costas.
Desceram as escadas e não conseguiu se livrar da animação canina, ela corria em volta do sofá, a fim de que o cachorro animado não pulasse mais sobre ela. riu ao ver a cena. Todas as manhãs, ele corria com o cachorro, antes de dar sua hora de trabalho e certamente era aquilo que Kito queria. direcionou-se à tigela de comida de Kito recordando-se que não deu tempo de colocar uma última porção de comida para o canino antes de dormir. Ou seja, o cachorro estava faminto. Ele serviu a tigela e a sacudiu o chamando:
— Kito!
O cão veio imediatamente, fazendo arfar em alívio.
— Coma sua ração garoto, e desculpe por ter te esquecido ontem. – ele sussurrou para o animal acariciando seu pêlo.
aproximou-se da cozinha no momento em que lavava as mãos.
— Ele é animado, né?
— Eu faço cooper matinal com ele, então ele sempre tem muita energia neste horário.
— Ah! Um cão atleta!
— Há um banheiro no andar de cima, na segunda porta ao lado do meu quarto.
— Ah, obrigada, eu vou lavar o rosto.
— Se quiser, tem escovas de dente novas na primeira gaveta.
acenou afirmativa e subiu. Ela observou o banheiro grande, com uma hidromassagem também grande e imaginou se teria tempo de “curtir” todos os confortos daquela casa, notoriamente grande. Abriu a primeira gaveta, e pegou uma escova de dente, procurou a pasta e enquanto escovava os dentes pensava na noite anterior. Lembrou-se das reações de ao tirá-la da mesa do senhor Hoon. Ele não estava apenas decepcionado. Havia revolta no olhar dele.
Ao terminar sua higiene, ela depositou a escova recém-aberta no porta-escovas dele. Deixaria ali no banheiro, ou levaria consigo para casa? De qualquer forma, não seria elegante descer com a escova em mãos e tomar café à mesa com ela. havia acabado de ligar a cafeteira, e preparava o tamagoyaki*. Olhou para Kito, o cão que terminara de comer estava deitado com olhos fechados sobre as patas. sorriu pelo animal travesso.

*Tamagoyaki: receita asiática de omelete.
desceu as escadas e sentindo o cheiro vindo da cozinha ela sorriu animada:
Tamagoyaki?
— Sim. Você gosta?
— Eu adoro!
Eles sorriram.
— Você sabe cozinhar? – perguntou.
— Não é como se eu tivesse muito tempo para treinar meus dotes culinários, mas eu sempre faço a minha comida, inclusive para levar ao hospital. A vida de médico já é pouco saudável, principalmente ao sono, então pelo menos com a minha alimentação eu tento ser mais atencioso.
— Está certo.
— Eu vou lavar o meu rosto, tudo bem? Pode terminar aqui?
fez que sim e subiu apressado. Ao descer de volta à sala, a campainha tocou e , estranhando aquele fato incomum, foi em direção à porta. terminou de preparar os tamagoyakis, na opinião dela quantidade a mais do que o necessário para duas pessoas, e sorrateiramente observava da cozinha a movimentação na sala. Quando abriu a porta, uma mulher muito parecida com ele, e muito bonita entrou com uma criança.
— Jang-Mi? Você não chegaria amanhã?
— Oi, . Como vai? – ela falou abrançando-o de volta — Eu precisei antecipar a vinda, desculpe.
— Remarcaram a entrevista?
— Exatamente! – a mulher olhou para a criança e bronqueou: — Não vai cumprimentar seu tio, Nari?
sorriu para a menina e abaixou-se recebendo o abraço e cumprimento respeitoso da criança. Jang-Mi correu os olhos pela casa de e ao avistar a cozinha, caminhou-se até lá deixando suas coisas pelo sofá.
— Sua casa é maravilhosa, ! A mamãe estava certa sobre seu bom gosto! E…
Jang-Mi deparou-se com encostada na pia com braços cruzados, e sem graça calou-se.
— Você deveria ter me visitado muito antes, não é? – respondeu se aproximando de mãos dadas com a criança.
Ele viu a irmã reagindo estranhamente à presença de e sorriu. curvou-se sorridente em cumprimento, e Jang-Mi correspondeu ainda calada. sorriu e tratou de apresentá-las:
— Jang-Mi, esta é , uma amiga e vizinha. , estas são a minha irmã mais velha, Jang-Mi e minha sobrinha, Nari.
— É um prazer conhecê-las.
— O prazer é meu… – Jang-Mi disse sem graça analisando a figura de e — Bem! Eu não posso demorar, -minho!
— Não vai tomar café? Que horas é a entrevista?
— Eu tenho que estar lá às dez!
— Suba, tome um banho e desça para tomar café. Depois eu me arrumo e te levo.
— Ótimo! Nari tome café com seu tio, certo? E comporte-se! Mamãe já volta.
Ela beijou a testa da filha, e pedindo licença à saiu.
— Vamos comer? – perguntou para as duas: Nari e .
Elas assentiram. serviu a garota, em seguida serviu a si. E sorriu para ela, animado.
— Lembro de ter dito que sua família morava longe. Sua irmã está de mudança?
— Sim. Uma longa história, que eu te conto depois, pode ser? – ele falou apontando a presença da sobrinha, discretamente com a cabeça.
— Entendo… Bem, se eu puder ajudar em alguma coisa, contem comigo.
— Obrigada, ! – sorriu e os dois ficaram se encarando contemplativos, até que Nari chamou-lhes a atenção.
— Quero mais, tio .
Ele serviu a menina e sorriu para ela, enquanto a garota olhava-a envergonhada. Jang-Mi chegou apressada e sentou-se à mesa com eles. Ela era bem agitada. Contrária ao que era sempre objetivo, e tranquilo. Ela serviu-se e o irmão subiu para arrumar-se.
— Então você é vizinha do ? – Jang-Mi perguntou curiosa à .
— Sim. Moro há três casas daqui. Do outro lado da rua.
— Ah sim… Fico feliz que ele tenha amizades na vizinhança. Mamãe e eu nos preocupamos muito com o isolamento dele em virtude do trabalho.
limitou-se a sorrir e ficou ali conversando aleatoriedades com Jang-Mi, até o momento em que desceu as escadas, já arrumado.
— Pronto! Livrei-me daquele cheiro de hospital. – ele disse para a sobrinha sorridente.
— Estava o puro éter, realmente. – a irmã falou em implicância e sorriu: — Você pode ficar com a Nari hoje? Eu não consegui te avisar então...
— Posso sim, amanhã que não vou poder. Havia pensado em pagar para olhá-la se possível. – ele falou encarando a amiga.
— Ah! Não precisam me pagar, imagine. Eu fico com a Nari amanhã, com prazer. Eu não tenho nenhum ensaio.
— Ensaio? – Jang-Mi perguntou analisando a mulher.
é modelo de uma grife da região.
— Ah! Uma modelo Nari! Olha só!
A menina animou-se e sorriu.
— Eu quero ser modelo quando crescer!
— Bem, então eu vou te dar algumas dicas amanhã! Podemos brincar de modelo, o que acha?
A garota ficou ainda mais animada. E enquanto as duas conversavam Jang-Mi olhou para e sussurrou se era seguro deixar Nari com ela. E ele respondeu tranquilamente: “eu não deixaria se não fosse”.
pediu para ficar com Nari até ele levar à irmã dele para a tal entrevista. A vizinha aceitou e levou Nari até a casa dela, pois precisava tirar aquela roupa chamativa do dia anterior e enquanto as duas atravessavam a rua, Jang-Mi comentava com dentro do carro observando a mulher com sua filha:
— Esta garota… O que há entre vocês -minho?
— Ela é uma amiga.
— Tem certeza? Porque ao que me parece, ela dormiu na sua casa…
— Sim, e o que tem?
— Ela estava vestida de “ontem”.
— Ela estava numa festa e eu a encontrei com na volta do meu plantão, então dei uma carona pra… Espera! Jang-Mi, eu não tenho que dar explicações de nada.
concluiu irritado enquanto sua irmã sorria.
— Só quero o melhor pra você. Acha que ela merece seu amor?
— Amor? Do que você está falando?
— Então é só um caso esporádico? – Jang-Mi levou as mãos à boca e alarmada falou: — Mamãe não vai gostar de saber disso!
— Não tem caso nenhum, babo.
— Tudo bem… Então, certifique-se se ela é a mulher ideal para você antes de declarar o que sente.
— Jang-Mi…
— Está nos seus olhos . Eles brilham para ela. E foi nítido que você adorou que eu conhecesse a moça.
— Jang-Mi… Ela estava noiva até alguns meses e perdeu o noivo que era meu paciente por uma patologia cardíaca.
— Oh… Nossa, , quando vai descomplicar seus relacionamentos?
Aish… Você é impossível.
— Então vocês se conheceram por causa desse noivo dela?
— Sim.
Jang-Mi suspirou tristonha. Pareceu-lhe que o irmão havia entrado numa daquelas enrascadas do amor que não há como prever. Assim como ela.

— x —

Enquanto entravam na casa, sorriu para Nari que tímida sentou-se ao sofá.
— Nari, eu tenho que tomar um banho rápido. Você pode ficar sozinha alguns instantes?
— Sim.
— Hm… Gosta de doramas?
— Meu favorito é Strong Girl Bong Soong.
— Ei! Este dorama é muito legal! Eu tenho assinatura aqui em casa, então é só escolher pela televisão.
ligou o aparelho mostrando à menina como mexer nos controles.
— Qual o seu favorito? – Nari perguntou à mulher mais velha.
— Uow… Eu gosto de tantos, mas com certeza Descendants of The Sun vem em primeiro e Hello My Tweenties, em segundo!
Elas sorriram uma para outra e quando virou-se de costas para a menina, Nari lançou então uma pergunta que lhe incomodava desde que viu a mulher na casa do tio:
— Você é namorada do tio ?
virou-se sem graça e respondeu calma:
— Não. Sou só uma amiga.
A menina acenou afirmativa, silenciosamente e pensativa. disse que não demoraria e foi ao banho.

– x –

Ao retornar, tocou a campainha da casa de e tanto ela quanto à sobrinha assistiam a um dorama, e sorriam como duas adolescentes entre uma piadinha e outra. Ele observou surpreso àquela cena e foi até a sobrinha. Sentou-se no sofá da sala de e abraçou a menina que contava eufórica as muitas coisas em comum que descobriu ter, com a vizinha.
— Fico feliz, princesa! Então amanhã vocês terão um dia e tanto!
— Sim, tio ! Eu já vi que vamos nos divertir muito, não é ?
— Claro! Podemos pensar numa lista de coisas que você queira fazer aqui.
— Ela é muito legal, tio ! Eu aprovo ela ser sua namorada!
e se olharam surpresos e constrangidos sorriram leve, enquanto a sobrinha os olhava disfarçadamente.
— Bem… Gostaria de almoçar conosco, ?
— Ah , eu adoraria, mas eu tenho que ir para a M&M. Daqui algumas semanas é o desfile.
— Você vai desfilar?! – a menina pulou do sofá com os olhos brilhando.
— Sim. Se você e sua mãe puderem ir, eu posso arranjar ingressos.
— Ah, mas nós vamos com certeza! Eu vou convencer a mamãe!
Os três riram e logo se despediram. agradeceu pela gentileza e cada um seguiu seu dia com seus planos.
No dia seguinte, surgiu cedo à porta de . Ele terminava de abotoar o colarinho da blusa, quando Nari abriu a porta tomando um suco de caixinha.
— Bom dia, unnie!
— Bom dia Nari. Ajudou seu tio com o café da manhã?
— Aham. Enquanto ele corria com o Kito pela vizinhança.
sorriu acariciando o cachorro alegre.
— Obrigada por vir . Você tem total liberdade para ficar aqui em casa, ou na sua com ela…
— Tudo bem , obrigada.
— Desculpe a correria, eu tenho que ir…
Ele terminou de abotoar o relógio em seu punho e lhe estendeu a mala médica dele que estava próxima a ela. O rapaz beijou a testa da vizinha e abraçou a sobrinha e saiu apressado.
— Ele não está pronto para ter filhos. – disse Nari ao lado de , ambas na porta paradas observando o carro dele se afastando.
As duas se olharam e concordaram rindo.
— Sua mãe?
— Foi trabalhar! Ela conseguiu o emprego!
Uwa! Que ótimo!
— Sabe o que significa? Que nós vamos morar aqui agora.
— Sério? Com seu tio?
— Não… Mamãe deve arrumar algum lugar para nós.
— Vai ser bom estar perto do seu tio, não é?
— É… Mas, pra isso eu estou longe do meu pai. – a garota deixou o sorriso em seu rosto morrer.
— Eu não sei o que houve, mas se quiser conversar sobre isso saiba que pode contar comigo viu?
— Obrigada unnie. Mas, eu quero mesmo é terminar aquele episódio de ontem!
Mwo? Você não assistiu sem mim?
— Não teria a mesma graça!
Elas riram e correram à tevê, com Kito se embolando entre as duas no sofá. e Nari passaram o dia se conhecendo melhor. A garota era bastante tímida, mas conseguiu se abrir com e conversaram sobre muitas coisas. Andaram de bicicleta, tomaram sorvete, almoçaram, ensinou algumas coisas que havia aprendido sobre o universo das modelos para Nari. Depois elas foram até o parque da cidade, e enquanto Nari corria com Kito, encarava o lago plácido. Lembrou-se de : “o rio sempre toma seu curso”. Ficou reflexiva sobre aquilo por alguns instantes, e não conteve uma lágrima fina que escorreu o canto dos seus olhos. Olhava fixamente para um ponto do outro lado do lago, e foi então que teve a impressão de vê-lo.
Levantou-se rápida e caminhou na direção do leito do lago, Nari ao notar o comportamento estranho da mulher, chamou-a. olhou para a menina e quando voltou a olhar do outro lado do lago não havia ninguém perto da árvore de sombra grandiosa.
— O que foi? – Nari aproximou-se com Kito.
— Nada… Eu achei ter visto alguém.
— Não tem ninguém do outro lado do lago, unnie. Você está bem?
— Sim… Sim, eu estou.
Ela sorriu para a menina e as duas saíram dali. olhou para trás algumas vezes e uma angústia reverberou em seu peito.
Elas também passaram no mercado e compraram ingredientes para fazer um bolo de comemoração ao emprego de Jang-Mi. A mãe da menina retornaria por volta das dez horas da noite, e o tio às oito. Então, as duas teriam bastante tempo para fazer o bolo. Começaram cedo, por volta das três da tarde. Nari foi tomar banho as seis, e preparou pipoca para elas assistirem a um filme.
abriu a porta da sala estranhando o silêncio, e as luzes acesas. “Elas devem estar no andar de cima”, ele pensou. Caminhou calmo, desabotoando parte da camisa, e deixando sua maleta médica em uma das poltronas quando se deparou com a cena mais fofa que já havia visto: Nari e adormecidas no sofá. O controle da tv sob a mão de que abraçada à criança afagava os cabelos de sua sobrinha. Ela adormeceu fazendo cafuné na menina que lhe abraçava a cintura.
deixou um sorriso escapar e aproximou se abaixando para admirá-las. Apertou os olhos num sorriso contente quando contemplou a serenidade do rosto de sua sobrinha. E seu sorriso esmoreceu, com os olhos tornando-se globos de dúvida e desejo ao contemplar o rosto da mulher à sua frente. Umedeceu os lábios, e pouco a pouco se aproximou dos lábios de . Como se tivesse sido pego em um flagrante, ele levantou-se rápido afastando-se e dando as costas. Respirava ofegante com a mão à nuca, e virou-se confuso para encarar a mulher novamente.
abriu os olhos naquele exato momento e ao perceber que havia dormido na sala de , e vendo-o com uma expressão urgente e confusa, ela analisou a situação melhor. Nari remexeu-se em seus braços, e ele fez sinal para que não se mexesse. Pegou a menina no colo, e após dar uma última encarada demorada aos olhos de levou a sobrinha para seu quarto.
observava silenciosa às reações de e levantou-se também, o acompanhando até o andar de cima. Precisaria de sua bolsa, que havia deixado no quarto de hóspedes onde a menina se hospedava com a mãe, para ir para casa. Quando saiu pela porta do referido quarto, colocava Nari na cama e ela ficou observando ele cuidando da criança. Não evitou sorrir quando ele beijou a testa da menina, e pegou um boneco velho e colocou perto da sobrinha. Devia ter algo entre eles naquele ato.
saiu do quarto deparando-se com olhando-o da porta. Ele sorriu para ela, mais calmo e fechou a porta. Ele mantinha o sorriso como se esperasse a vizinha dizer algo, o encarava inerte, com o olhar mais profundo que ele já havia visto e ao notar que ela não diria nada, abriu a boca para falar. Mas a mulher deu passos em sua direção e aproximou-se demais. Levou um dos dedos aos lábios dele, e encarou-os. Depois suas respirações tornaram-se ofegantes e levou a mão ao rosto de aproximando-se mais… Ele permaneceu quieto. Ela aproximou mais o rosto, sem desgrudar seus olhos dos dele. Ele continuou quieto. E quando os olhos dela se fecharam, agiu rápido: cessou distância entre as bocas, e puxou-a delicadamente pela cintura e manteve entre seus braços. O beijo aprofundou-se assim como o abraço de em seu corpo, e ele também a segurou mais firme com uma mão na cintura e outra na nuca dela. A mulher jogou seu corpo na direção do corpo dele, e deu passos para trás até sentir a parede atrás de si.
Bem como quem iniciara aquele momento, fora que parou também. Ela afastou-se aos poucos sem olhar nos olhos de . Eles respiravam descompassados recuperando o fôlego.
— Eu já vou indo… – ela falou ajeitando a bolsa em seu corpo.
— Tudo bem… – ele respondeu tímido, pigarreando.
Ela desceu as escadas e demorou um pouco para segui-la. Sem aguardar que ele abrisse a porta para ela, saiu rápida da casa, mas parou para refletir o que havia feito no gramado em frente a casa dele.
observou a porta da sala fechada, local por onde sua vizinha havia acabado de sair, e bufou confuso. Deu as costas à porta sacudindo seus cabelos de modo ansioso.
Outra vez a porta se abriu revelando uma apressada e decidida que tirava a bolsa jogando-a num canto qualquer e surpreendendo com outro beijo. Ela lançou-se sobre ele, e o rapaz automaticamente a tomou em seus braços. Eles se beijavam com desejo, com intimidade, mas com cautela.
… – ele segurou a face dela e a encarou.
— Eu não sei o que isso significa. Mas, eu precisava fazer isso… Desculpe-me, .
— Não, não peça desculpas.
O silêncio foi novamente interrompido por um beijo que partiu dele. encostou o corpo de à parte de trás do sofá, e à medida que as carícias tornaram-se intensas, ele parou imediatamente o que fazia.
— Talvez seja melhor…
— Eu ir embora! – ela afirmou sem dúvidas e tão ofegante quanto ele.
— É. Isso… Não é que eu não queira, só que…
— Tudo bem . Eu também acho que por hoje deu… – ela interrompeu-o novamente ajeitando suas roupas.
sorriu cúmplice para ele, e correspondeu o sorriso enquanto estendia a bolsa dela à mulher. Abriu a porta da casa e despediu-se num aceno discreto de cabeça.
fechou a porta, ainda mais eufórico que antes, e subiu as escadas desabotoando sua camisa por completo. Entrou no banheiro do corredor superior extremamente confuso e feliz.
“Por hoje deu…”
O pequeno trecho dito por não saiu de sua cabeça. E ele ficou pensativo sobre o que aquilo poderia significar. Entrou em seu quarto para pegar roupas limpas, após sair do banho enrolado em seu hobby, fazendo o mínimo de barulho possível naquele andar para não acordar Nari.
Aquela noite ele dormiu após ter conversado brevemente com sua irmã, sobre o que ela faria agora que tinha conseguido o trabalho. Na verdade, dormir foi algo custoso depois do que ocorreu.
Do outro lado da rua, quando chegou a sua casa, sorria animada e mordia os próprios lábios enquanto se direcionava ao banho. Ela não se permitia sentir algo daquela forma, desde . E imediatamente o sorriso em sua face deu lugar ao choro. O que ela fazia era certo? Estava sentindo-se mal, como se estivesse traindo novamente.
“Não é que eu não queira…”
A frase dita por ecoava em sua cabeça, e ela lembrava-se do olhar dele quando se encontraram no corredor. Respirou fundo e após sacudir a cabeça para afastar aqueles pensamentos, ela apagou a luz do abajour forçando-se a dormir. Tarefa que não foi fácil.


Capítulo 7

— Você tem todo direito de se permitir amar de novo, .
— Que amar o quê, Joong-Ki! Eu nem sei por que fiz aquilo!
tem sido um bom companheiro para você.
— Ki… Eu estou tão confusa… Eu tive a impressão de ver no lago ontem, e tem essa história com o senhor Hoon… Ele…
— Espera… O marido de Kyara?
— É. Ele me chantageou para ficar com ele, e o nos viu no restaurante. E o resto, eu já te contei.
Aish… Ela não merece aquele homem. – Joong-Ki falou referindo-se à esposa do empresário Hoon.
— Você deveria sair com alguém. Pra te ajudar a esquecê-la sabe?
— Você está se ouvindo?
revirou os olhos e levou às mãos a cabeça como se sentisse uma enxaqueca absurda. Aquilo era frustração. Límpida e clara, pois, por mais que sua mente pensasse uma coisa e sua língua dissesse outra, ainda tinha no meio de tudo isso um coração. Um coração que se culpava por querer bater mais forte por um homem que não fosse .
— Bem. A conta é sua. – ela falou se levantando da mesa deixando Joong-Ki boquiaberto.
— Aonde você vai?
— Para casa. Decidi que hoje eu vou eliminar…
— Eliminar?—Joong-Ki motivou-a a continuar a fala.
— Vou jogar fora os preparativos.
Joong-Ki sabia que aquela decisão era um fardo para ela. Ele e Hyun foram responsáveis por reorganizar todos os preparativos do casamento da amiga, guardar em caixas e esconder, porque mesmo após várias tentativas não conseguira. E agora ela dizia que iria “jogar tudo fora”. Era o tipo de situação que por mais força de vontade que ela demonstrasse, Ki deveria estar preparado.
— Eu vou com você.
— Não precisa Ki.
— Eu vou. – ele sorriu amigável e saiu em direção ao caixa para pagar a conta.

-:-:-:-

Joong-Ki remexia na caixa de convites, enquanto tinha acabado de pegar um papel em suas mãos. Ele olhou para a amiga com piedade, afinal, era um desperdício jogar fora, todos aqueles lindos convites. Ele e Hyun já tinham os seus guardados de lembrança. Encarou por uma segunda vez e viu a lágrima escorrer sua face pálida. Respirou fundo e se aproximou dela segurando em seus ombros.
— São os votos dele. – ela respondeu assim que sentiu a mão do amigo em seu ombro.
— Você já tinha os encontrado? – ele perguntou surpreso.
— Nunca tive coragem de ler. Até agora. – ela encarou o amigo e o abraçou profundamente.
Joong-Ki fechou os olhos a confortando e em sua mente, veio a memória daquele dia.

Flashback

Joong-Ki. Você poderia me fazer um favor?
havia acabado de escrever seus votos e desceu as escadas ao encontro do melhor amigo de sua noiva, e dele também. estava em compras com a sogra e Joong-Ki havia chegado há pouco tempo. pediu que ele aguardasse um momento enquanto ia até o quarto, então terminou de fechar o envelope com o papel escrito à mão e desceu as escadas. Joong-Ki que mastigava o sanduíche despreocupado vendo TV, largou imediatamente o prato ao notar o semblante sério de .
— Mas é claro, o que houve?
— Eu escrevi meus votos de casamento e…
— Uwa! Já entendi!
– Ki se animava e ria dando tapinhas em como um adolescente imaturo — Você quer minha opinião!
— Não, quero dizer… Sim, também. Mas, o favor que te peço é que os guarde com você.
não vai procurá-los, ela quer ser surpreendida no altar.
– Joong-Ki respondeu convencido chacoalhando as mãos.
— Eu sei… É para o caso de… Se acontecer algo comigo eu quero que você entregue a ela depois.
— Aish… Que conversa mórbida é essa? Por acaso está pensando em desistir?
— Claro que não! Mas… Nunca se sabe…
— Está acontecendo algo, ?
– o amigo perguntou mais sério.
Outra fisgada foi sentida no peito de e ele sabia o que aquilo significava. Respirou fundo escondendo o sintoma de dor.
Ei, você está bem? – Joong-Ki arqueou as sobrancelhas perguntando mais sério e próximo.
Tem razão! É uma bobagem te pedir isso! Nada vai acontecer. Mas, saiba que eu os guardarei na minha caixa secreta.
falou olhando para o chão e subiu novamente ao quarto. Discretamente levou a mão ao peito o pressionando. Joong-Ki não havia entendido nada, mas não conseguia explicar a preocupação que apontou em sua mente. A porta da sala se abriu revelando uma estonteantemente alegre, mas que implicante reclamava do amigo já estar novamente em sua sala devorando sua comida.

Fim do Flashback

Ele soltou-se do abraço com e pegou o papel das mãos dela.
— Você leu tudo?
— Sim.
— E… Eu posso?
acenou afirmativa e logo foi guiada por Ki a sentar-se de frente para ele, no chão do sótão. Os olhos atentos e marejados de Joong-Ki devoravam cada letra do papel. Eram lindas palavras, mas aquilo não poderia ser chamado de votos. Aquilo era uma despedida. Joong-Ki já havia contado quantas vezes ele suspirou pesadamente naquele dia, mas quando encarou a amiga a sua frente lhe estendendo o papel, o olhar vazio dela o ansiava a dizer:
— Sei que tem sentido nos últimos dias, que traiu a confiança de onde quer que ele esteja por causa do que houve com Hoon. E sei que continua se culpando por traí-lo. Mas... Perceba que ele já sabia de tudo. Ele te tirou do fundo do poço, te amou, e desejou uma vida ao seu lado para que você fosse feliz. E mesmo acreditando no tempo curto que teria contigo, ele continuou se preocupando quando pediu para que você continuasse em frente. Não acha que ele realmente quer que você seja amada novamente?
— Ele não podia ter me escondido isso…
… Ele realmente escondeu algo grave, mas… O que você faria? Se fosse você, sabendo que sua saúde estava frágil, você diria isso para ele às vésperas de se casarem?
— No fim ele condenou os dois ao sofrimento. Não poder me despedir dele, foi muito cruel Joong-Ki. Eu não pude dizer adeus, e ele se foi sozinho.
— Talvez tudo que ele não quisesse era partir com a lembrança do seu rosto encharcado por causa dele.
respirou fundo e se levantou de súbito. Secou as lágrimas que inundavam sua face maquiada e dobrou aquele papel carinhosamente. Antes que pudesse guardá-lo e Joong-Ki falar algo mais, a campainha se fez ouvir.
Os dois desceram deixando de lado a tarefa por um tempo. Joong-Ki caminhou à cozinha, pois sentia muita sede e foi atender a porta. Ao abri-la sentiu os pés falharem. Ela e não haviam se encontrado desde a noite anterior, e ela ainda não sabia o que dizer sobre os beijos trocados.
— Boa tarde, ! Tudo bem?
… Sim, e… – olhou para o semblante sério de e o atento de Nari atrás dele — Vocês?
— Preciso novamente de um favor. Nari ainda não foi matriculada em uma escola integral, eu estava em casa, mas tenho um chamado de urgência você poderia ficar com ela?
— Claro! Claro. O que houve? É algo com Jang-Mi?
estendeu a mão para a menina de doze anos que pegou a sua abraçando-lhe animada enquanto aguardava explicações de . Joong-Ki havia terminado de beber água e retornava à sala sem ser visto ou ver quem estava ali.
— Não. É com a filha de uma paciente. Eu não sei se deveria te dizer isso, mas a filha daquele homem entrou em parada cardíaca e eu realmente tenho que ir agora, obrigada! Mais tarde eu passo aqui, tudo bem? – ) saiu falando apressado e acenando discreto.
— Ele nem falou para eu me comportar. – Nari comentou preocupada.
— É realmente urgente… Venha.
levou a menina para dentro, e quando viu Joong-Ki ali, Nari avermelhou-se e encarou o chão.
— Quem é essa princesa?
— Joong-Ki, esta é a Nari. Sobrinha do .
Uwa! Gosto muito do seu tio Nari! Você está bem?
Ki se abaixou para falar melhor com a garota, e foi à cozinha preparar lanches. Pensativa sobre o que havia acabado de dizer.
Não demorou para que Nari fosse assistir aos doramas deixando Joong-Ki com toda a atenção voltada para . Ele aproximou-se da amiga que terminava de compor a bandeja de lanche.
— De que homem falava? Ouvi algo como uma emergência.
olhou para o amigo, cautelosa, e sorriu.
— Pode terminar de guardar as caixas no sótão enquanto eu levo os lanches para Nari?
Ele percebeu o desvio proposital de assunto, mas fez o que a amiga pediu. Ela serviu a garota que estava sentindo-se bastante confortável e foi ao encontro de Ki. No corredor ele tinha caixas de lixo em suas mãos, mas foi impedido de descer.
— O que houve ? – perguntou soltando as caixas no chão.
— O bebê de Kyara. Entrou em parada cardíaca.
Joong-Ki arregalou os olhos e saiu em disparada pela casa. mordia o lábio sem saber se deveria ter dito aquilo. Quando terminou de levar as caixas de lixo para fora, Nari pausou a sua novela para perguntá-la:
— Ele é seu namorado?
— Nari… – pela primeira vez sorriu abertamente naquele dia — Não. Por que sempre me pergunta isso?
— Você tem um namorado?
— Não. E você não me respondeu.
— Seria legal que você fosse namorada do meu tio. Vocês combinam, eu gosto de você e ele te olha como se você fosse o oxigênio dele.
A menina deu de ombros bebendo seu suco e retornando à exibição de sua novela. queria sorrir com o que ouviu, mas sentia-se incomodada demais por aquele sentimento. Então apenas juntou-se à garota no sofá.


Capítulo 8

No Hospital…

Joong-Ki corria pelos corredores à procura do semblante de Kyara. Ela provavelmente estaria com o marido, mas ele não se importou. Queria estar com ela para dizer que tudo ficaria bem. Uma enfermeira o parou ao vê-lo desesperado correndo a fim de prestar alguma informação, cujo próprio Ki fez questão de buscar com ela. E no momento em que ela o informou onde estava a mãe do bebê que entrou em parada cardíaca, Joong-Ki se acalmou, engoliu seco a saliva espessa que se formara em sua boca e caminhou devagar até o lugar próximo ao indicado. Eles estavam na sala de espera da maternidade, aguardando resultados com o doutor.
Ele adentrou à sala de espera, com passos ainda duvidosos. Encontrou a mulher sentada com uma das mãos à testa, e uma espécie de artigo religioso na outra. Pouco a pouco se aproximou e sentou ao lado dela. Quando Kyara deu-se conta da presença de Ki, ela assustou-se e os dois ficaram se encarando por um tempo, em silêncio e muitas dúvidas. Até que ela lançou-se aos braços dele, em um abraço apertado.
— O que faz aqui? – ela perguntou em dúvida.
— Eu soube que... Sua filha.
— Como soube?
A expressão confusa da mulher o fazia pensar se deveria dizer a verdade.
— Eu conheço o Dr. ...
— Estava com ele quando o chamei?
— Na verdade... Isso não importa agora. Como ela está?
— Myo está na sala cirúrgica desde que cheguei, ainda não tenho notícias. – a mulher mexia desesperadamente em suas mãos.
— Cadê o seu marido?
— Ele... Ele não virá.
— Como não!? – Ki levantou-se nervoso — Não é possível que este homem não esteja nem ao lado da própria filha!
— Joong-Ki...
A voz titubeante de Kyara o fizera se acalmar e atento observá-la.
— Aquele dia no bar... Era ela, não é?
— Como?
— A mulher que estava com você, era a amante do meu marido, certo?
A expressão de Ki tornou-se dura. Ele não sabia como dizer para Kyara que sim, era a mulher que seu marido fazia questão de atormentar.
— Ela não é amante dele. Não mais, há algum tempo. Ela conseguiu se livrar dele e se casar com outro. Infelizmente o noivo dela sofreu um acidente e, só soubemos de sua morte depois de alguns meses. Ela não pôde nem mesmo despedir-se. Nem eu. era meu amigo também.
Joong-Ki sentou-se ao lado da mulher aflita e decidiu que explicá-la que era tão vítima do machismo do mundo quanto ela, fosse uma boa alternativa.
— Hoon surgiu há pouco quando a reencontrou tentando fazer com que o aceitasse de volta, mas ela não quer. Na verdade, prostituir-se não era uma escolha que ela gostaria de fazer, mas o fez por seus motivos.
— Como pode ser amigo dela? – a voz de Kyara era cheia de desgosto.
— Ela é uma mulher de carácter com uma história ruim, apenas. Não a julgo pelas escolhas que fez, até porque eu estive com ela em seus momentos mais difíceis, então sei o que ela teve que enfrentar. O importante é que não queria ferir você ou ninguém, e tem tentado se livrar das ameaças de seu marido mesmo agora, quando está tentando honestamente levar sua vida.
— Você é alguma espécie de... Namorado dela?
A pergunta da mulher soou a ele como uma grande ofensa.
— Você tem coragem de perguntar uma coisa dessas?
— Você a defende muito. A vítima aqui sou eu.
— Ela é uma grande amiga, e se há alguma vítima aqui, sou eu. Ela pode ter cometido os erros dela, mas você também cometeu. Tanto quanto eu sempre fomos sinceros, com as pessoas ao nosso redor.
— Se me julga assim, o que faz aqui então? – Kyara sentia-se enciumada por Joong-Ki.
— Eu não deveria mesmo estar aqui, mas como agir diferente se me preocupo com você? – ela encarou-o confusa e emocionada — Eu me apaixonei por alguém proibida para mim.
— Joong-Ki...
— E o mais frustrante é saber que não ser amada por um homem de verdade é uma escolha sua.
Kyara sentia-se enjoada. Sua voz desapareceu ao ouvir as palavras duras e românticas de Joong-Ki. Seu desejo era realmente abraça-lo, e largar tudo para ficar com ele. Mas, ela não poderia fazer aquilo. Não queria abrir mão de tantas coisas, assumir tantos riscos e viver algo que não sabia se era apenas uma paixão de momento. surgiu abrindo a porta da sala de espera e interrompendo o olhar entre os dois.
— O que faz aqui Joong-Ki?
— Olá ... acabou me contando e eu não pude...
— Você estava lá? – perguntou confuso.
— Estava com ela então? – Kyara falou novamente enciumada.
Os olhares dos homens presentes foram à direção da mulher e ela levantou-se para falar com . O médico tomou sua postura de trabalho acalmando a mulher. Informou que a cirurgia cardíaca da pequena Myo correu bem, e por isso ela poderia ir até o quarto acompanhar a filha até que ela fosse liberada. não se espantou por não ver o pai da criança ali num momento tão delicado, mas não conseguia deixar de sentir raiva daquele homem. Por aquela, e muitas outras razões.
— Joong-Ki. Talvez você devesse esquecer Kyara... Ela não pretende se divorciar embora devesse.
— Eu sei. Mas, você conseguiria ficar longe da mulher que amasse?
— Certamente não.
refletiu sobre a frase de Ki, e sua mente foi até . Embora não tivesse clareza de seus sentimentos pela , ele sabia o quanto ela mexia com ele. E talvez, aquilo fosse o início de um sentimento de necessidade extrema de cuidar dela.
Ele e Joong-Ki se puseram a voltar para a casa de quando o médico havia terminado de se trocar. Eles haviam acabado de estacionar em frente à casa de e estavam encostados nos seus respectivos carros, conversando antes de irem até a residência.
— Foi uma cirurgia simples, mas complexa para Myo pela idade. Ela ainda é só um bebê... – respondia à pergunta de Joong-Ki.
— Precisará transplante?
— Não. Pelo menos não por enquanto. Mas, Ki... Você precisa fazer algo com este sentimento.
me disse hoje cedo que seria bom eu sair com outra pessoa.
— Eu concordo com ela. Dar uma nova chance para você e para alguém é um bom caminho para esquecer outra pessoa...
Joong-Ki avaliou a frase de , encarando a expressão dele. Havia similaridade na conversa tida com mais cedo.
— Engraçado. Você e ela estão me dizendo as mesmas coisas.
— Minha irmã está divorciada, embora eu não tenha certeza se ela está buscando conhecer outras pessoas no momento. – ele falou risonho para Ki.
— Eu agradeço, mas, acho que preciso de um tempo.
— Entendo. Você sabe o que faz, sei que vai conseguir sair dessa.
se ajeitava para ir até a porta da casa, mas Ki segurou seu braço chamando sua atenção. Então ele retornou a encostar-se ao carro atencioso ao novo amigo.
— Por que você e ela – ele apontou à casa da amiga — Dão os mesmos conselhos, mas não buscam fazer o mesmo por vocês?
— Bem, eu... Eu me acostumei a ser sozinho. Já ... – ele olhou na direção da residência pensativo — Ela tem muitas questões ainda em torno da morte de . Não acho que ela queira conhecer alguém agora, e eu bem... Eu também não quero ir atrás de outra mulher.
Aish... Você me entendeu . Não estou falando de vocês irem atrás de outras pessoas. Estou falando de encararem o fato de que há algo acontecendo entre vocês e assumirem isso.
permaneceu encarando Joong-Ki mudo, e sem saber como reagir.
— Ela me contou que te beijou ontem. E está confusa. Sente-se culpada por pensar em você enquanto mal pôde digerir a morte de .
— Ela... Você acha que ela está sentindo algo por mim?
A voz de soava insegurança e uma pontinha de esperança e Joong-Ki tocou o ombro do amigo, risonho, e piscou um olho para ele antes de se por a caminhar na direção da casa da amiga.
seguiu-o e quando abriu a porta com o rosto sujo de chocolate, os dois se entreolharam confusos.
— Entrem! – ela ordenou sorrindo.
— Nari? Está tudo bem? – Joong-Ki adentrou procurando a menina e perguntando em tom de diversão.
— Olá sundae Joong-Ki! A unnie e eu apenas estamos fazendo um bolo!
fechou a porta da casa assim que adentrou ouvindo a voz da sobrinha ecoando pela cozinha da casa da vizinha. Eles se olharam sorrindo e aproximou-se pouco a pouco de . Ela assustada, olhou para os lados e deu-se conta de que estavam sós. Ela caminhou alguns passos para trás e quando sua costa bateu no sofá da sala, ela encarou que sorriu travesso.
— Ou o bolo que está fazendo você e Nari? – ele passou o polegar na marca de chocolate em sua bochecha mostrando-a a sujeira que estava em seu rosto e se afastou.
pôs-se a respirar novamente. Ela não tinha notado que prendera a respiração. lambeu o dedo indo até a cozinha, onde Joong-Ki e Nari estavam falantes e risonhos terminando de confeitar o bolo com a calda de chocolate.
observou a cena pensando no que havia dito para Ki há pouco, sobre sua irmã estar solteira. juntou-se a eles na cozinha e ficou ao lado de também observando a cena à sua frente.
Sunbae! – Nari reclamou quando viu Joong-Ki passar o dedo numa parte confeitada e comer o chocolate.
— Te devo um sorvete por isso.
— Eu vou confeitar de novo, e se roubar outro dedinho de chocolate, estará me devendo dois sorvetes! – ela falou responsável.
Ki encarava a menina, risonho. E notou que fazia um tempo que não o via sorrir daquela forma.
— Vocês são bonitos juntos. – Nari falou chamando a atenção do tio e da vizinha.
— O que disse Nari?
— Eu falei com a unnie, que vocês podiam namorar tio . Vocês dois formam um casal bonito.
perdeu a fala e ruborizou, mas já havia se acostumado com as tentativas de Nari de juntá-la ao seu tio. Joong-Ki encarou a amiga sorrindo, e piscou. Antes que ela dissesse qualquer coisa, a campainha tocou e ela foi até a porta. também encarou Joong-Ki que com a mesma expressão de antes e demonstrava concordar com a sobrinha do amigo. Nari estava novamente concentrada no bolo e Jang-Mi surgiu ao lado de com as mãos à cintura vendo a travessura da filha.
— Está dando trabalho para a , não é mocinha?
— Mamãe! – ela saltou do banco e correu até a mãe abraçando-a.
— O que você fez hoje? – a mãe perguntou encarando o rosto animado da filha.
— A unnie me ensinou mais algumas dicas de modelagem, e também me ensinou à fazer esse bolo, e... – olhou confusa para que completou a narrativa.
— Assistimos doramas!
— Verdade!
A menina voltou ao bolo e sua mãe agradeceu à vizinha do irmão com certa expressão de pesar.
— Está tudo bem Jang-Mi? – perguntou ao cumprimentar a irmã.
— Só mais um dia procurando um apartamento...
— Não achou nada?
— Nada que dê para eu assumir um aluguel no momento. – ela respondeu e atentou-se à presença de Ki ali.
— Este é meu amigo, Joong-Ki. E está é Jang-Mi, irmã de . – falou .
Os dois recém-apresentados se cumprimentaram cordiais e encarou Joong-Ki com um sorriso enviesado. O outro apenas sorriu sem graça na direção do médico e notou aquilo.
— Vamos filha?
— Mas mãe, o sundae me deve um sorvete!
— Nari!
A mãe da menina ralhou e todos os outros responderam com risadas.
— Tudo bem, eu não vejo problemas em pagar a minha dívida agora. A menos que tenha algum problema para a senhora. – ele falou na direção da mãe da menina.
— Apenas Jang-Mi, por favor. Tudo bem... Vamos lá Nari. Você é mesmo muito inconveniente!
— Espera! – a menina falou enquanto já ia acompanhar à mãe para saída — E o bolo!?
— Quer comer tudo o que vê pela frente também, menina? – Jang-Mi sorriu impressionada.
— Que tal se jantarmos lá em casa? Assim, leva o bolo que vocês fizeram como sobremesa.
— Ou podemos comer aqui! – Nari falou alto.
— Não acha que bagunçou muito a casa da minha amiga por hoje não? – perguntou surpreso à sobrinha.
— Gosto daqui tio .
— Não tem problema... Vão. Eu vou subir para tomar um banho e preparo um jantar para nós. – falou feliz por saber que a menina gostava da sua casa.
— Então eu te ajudo.
— Não precisa Jang-Mi. Vá com Nari e Joong-Ki. – respondeu simpática.
Joong-Ki olhou para a amiga tentando ler em sua face se havia intenção de ficar a sós com , mas não conseguiu perceber nada, e parecia que Jang-Mi tentava ler o mesmo.
Os dois saíram da casa, acompanhados pela criança e foram a pé numa caminhada amigável até uma loja de conveniência do bairro. No caminho Jang-Mi e Joong-Ki conversaram superficialmente sobre suas histórias, e também sobre o possível casal que havia ficado para trás.
— Eu posso ajudá-la com o jantar, se quiser.
— Não é preciso. Deve estar cansado. Pode ir para sua casa se preparar. – falou enquanto guardava o bolo na geladeira.
— Eu faço questão.
Eles se olharam ainda sem jeito após a noite passada.
— E o bebê de Kyara? – ela perguntou.
— Fiz uma cirurgia simples, embora complexa para Myo.
— O nome dela é Myo?
— Sim. E ela está fora de perigo por enquanto.
— Que bom.
Novamente recostou-se à bancada da cozinha, e encarava sem graça. Mordeu o lábio, confusa, e fugiu do olhar do homem.
— Acho que precisamos conversar sobre ontem, não é? – ele proferiu pondo as mãos aos bolsos.
— É... Eu...
— Não peça desculpas. Eu sei que você está confusa. Eu também estou, mas gostaria que não atrapalhássemos nosso bom relacionamento de novo pelo o que aconteceu.
— Concordo. Eu gosto da sua amizade, .
A frase da mulher deixou-o nervoso. Algo em seu peito revirou ao ouvir que ela preferia sua amizade.
— Claro, mas... Também não posso lidar com a situação sem saber se... É só amizade o que você procura em nós, ?
— Eu, eu não sei... – ela falou sussurrando.
— Quero que saiba que da minha parte, te desejo como mulher.
Os olhos dela foram de encontro aos dele, que estavam tão mais chamativos a ela.
— Mas, eu respeitarei seu tempo e suas escolhas, é claro.
Ele sorriu e ela acenou afirmativa. deu-lhe as costas em direção à sala de . A mulher encarou uma das caixas que estavam à mesa da copa e lembrando-se de mais cedo, do momento em que ela e o amigo limpavam o sótão. Relembrou da carta de e caminhou apressada e ansiosa até que já havia alcançado a porta da casa.
!
Ela chamou o homem que se virou tranquilo para olhá-la. Aos poucos ela aproximou-se dele atenta e confusa.
— Eu acho que... Podemos deixar acontecer.
— Tem certeza? – ele aproximou-se mais dela, olhando-a esperançoso em seus olhos.
— Tenho.
O silêncio constrangedor foi quebrado pelo leve abraço que fez surgir entre os dois. Beijou o topo da cabeça dela e sorriu saindo da casa da vizinha.
levou as mãos à cabeça, de modo surpresa e risonha. Havia dado um grande passo desde muito tempo.

– x –

Jang-Mi e Joong-Ki tornaram-se amigos aos poucos. Estavam cada vez mais próximos, mas sem qualquer interesse amoroso entre si, o que fazia com que acreditasse ainda mais que aquela possibilidade um dia, viria a dar certo.
Jang-Mi ainda buscava um apartamento ou casa para alugar e deixar seu irmão à vontade, embora o próprio dissesse que não via problema algum em tê-las ali.
Hyun também havia se simpatizado com Nari e Jang-Mi, além de estar torcendo bastante pelo médico e sua amiga como um casal. Sabia que ambos eram pessoas merecedoras de muita felicidade. Seu namorado novo ainda não havia sido apresentado aos amigos, mas o modo como ela se mostrava feliz, fazia com que Joong-Ki e sentissem-se mais seguros quanto àquele relacionamento da amiga.
No dia do desfile de Moyoto, o qual havia convidado Nari, sua mãe e seu tio, além de seus amigos, estavam presentes também Kyara e Hoon. Lógico que ele estaria presente, mas o que espantou a todos que conheciam aquela história era a presença de sua esposa.
Kyara soube quando viu na passarela que o marido estava ali com um propósito diferente de apenas fazer “bons negócios”. Seu bebê dormia tranquila em seus braços e evitou olhar à mulher e a criança, já que evitar Hoon não era difícil para ela. E mesmo com a presença de ali, o que estava intimidando à Kyara, eram os olhares que vez ou outra Joong-Ki deixavam escapar a ela. E por mais que sentisse que o homem tentava evitá-la, a presença da mulher ao lado dele sorrindo e conversando bastante, e da criança ao outro lado ainda deixavam-na mais desconfortáveis.
— Ela está tão linda! – Hyun disse quando a amiga entrou pela quarta vez na passarela.
— Realmente... – disse com um sorriso bobo em sua face.
— Você está apaixonado por ela, não está? – Hyun perguntou de surpresa.
— Acho que... Apaixonei-me pela desde o dia em que a vi pedindo para ajudá-la a ver o noivo. Sinto-me um pouco sujo por isso.
— Tenho certeza que não pensaria em outro homem melhor para fazê-la feliz.
A frase de Hyun trouxe à uma tranquilidade que ele precisava e eles retornaram a atenção ao desfile. Quando acabou o desfile, havia uma recepção no salão ao lado para os convidados. trocou sua roupa para a ocasião e estava ao lado de seu agente, e de Moyoto, quando Hoon pôs-se a aproximar com Kyara ao lado.
Joong-Ki cutucou o braço de que estava disperso com as conversas de Nari, Jang-Mi e Hyun. Assim que viu o homem direcionando-se à , ele mesmo pôs-se a ir de encontro à vizinha. Chegou antes que o empresário e entrelaçou seu braço à cintura de que lhe sorriu surpresa. Seu agente e a senhora Moyoto olharam-nos curiosos.
— Seu namorado, ? – Moyoto perguntou atenciosa.
— Bem... – encarou que pelo olhar lhe passou uma confiança a qual ela não compreendia o motivo, e respondeu: — Podemos dizer que estamos neste caminho.
— Ora, ora... Alegro-me muito por ti, querida! – Moyoto sorriu sincera, assim como o agente de .
Então Hoon aproximou-se com a esposa, chamando a atenção dos quatro presentes, e o sorriso de esmoreceu-se. Primeiro pela presença inadequada do empresário, e depois por perceber as intenções de em defendê-la, apenas. Kyara sentia-se tão desconfortável quanto e evitava olhar a jovem mulher, concentrando-se apenas no bebê.
— Ora... Você não é o médico que atendeu à nossa pequena Myo? – Hoon perguntou diretamente ao após ter trocado palavras entre eles.
— Exatamente, espanta-me que me reconhece como o médico de sua filha.
Hoon encarou-o de forma arrogante e reconheceu-o como o homem que, impediu que há alguns meses, ele saísse novamente com .
— Como ela está Kyara? – perguntou para mulher sobre o bebê.
— Graças a você, muito bem Dr. .
— É médico então? – o agente sorriu para de forma brincalhona — É uma mulher realmente de classe, .
Ela sentiu-se sem graça, e Kyara não se conteve.
— De classe? Tem certeza que a conhece? Todos a olharam surpresos, menos que já esperava algo do tipo ao ver aquela família aproximando-se.
— De muita classe, embora seu passado não faça parecer. Moyoto é uma mulher inteligente, que reconhece quando outra mulher inteligente precisa apenas de uma oportunidade. – Hoon respondeu à altura.
Por mais que sua tentativa fosse defender sua ex-amante, aquilo tornou as coisas ainda mais desconfortáveis para , que sentiu a mão forte de apertar sua cintura e a raiva se estampar em sua face aos poucos.
— Bem, se me dão licença eu também tenho alguns convidados a cumprimentar.
manifestou-se e Moyoto a abraçou despedindo e agradecendo-a. Ela e retornaram aos seus amigos, e no caminho ela desculpara-se com o médico.
— Desculpe por fazê-lo passar por tal constrangimento. – ela o disse notando a sua expressão ainda irritada.
— Você não tem nada que pedir desculpas, é só que...Aquele homem me tira do sério.
— Não permita, não vale à pena.
— Eu quem tenho que me desculpar por chegar daquela forma e te constranger.
— Tudo bem... Eu não tinha entendido o gesto, mas achei que deveria ter dito aquilo, me desculpe se...
— Pode dizer para o mundo inteiro que sou seu namorado se quiser , mesmo que ainda não sejamos eu não me importarei.
falou acariciando o rosto de e lhe fazendo sorrir.
Hyun e Nari não paravam de comentar sobre as roupas elegantes das pessoas que por ali transitavam, e Joong-Ki as observava risonho até que notou Jang-Mi com a face mais alva do que o normal. Ela encarava seu celular com uma expressão de susto.
— Está tudo bem Jang-Mi? – ele falou discreto para que Nari não notasse.
— Preciso tomar um ar.
— Eu te acompanho.
Eles levantaram-se discretos. E embora animada Nari notou-os, achou estranho, mas não se importou. Gostava de Joong-Ki, ele e sua mãe estavam se tornando bons amigos.
e chegaram a tempo de ver os dois saírem pelo portão do salão em direção a uma sacada. Hyun esclareceu que não sabia o que havia ocorrido e não deu muito atenção aquilo. pensou que talvez, algo a mais estivesse acontecendo entre os dois. E Kyara do outro lado do lugar, também se atentou àquilo ficando ainda mais incomodada em estar ali. Ela sussurrou algo para Hoon que concordou e levantou-se se pondo a sair do ambiente.
— O que aconteceu? – Joong-Ki falou tocando o ombro de Jang-Mi e lhe oferecendo um copo de água que ele havia buscado.
— Acabo de ver uma foto do meu ex-marido assumindo uma relação com outra mulher.
Aigo... Isso certamente é de incomodar.
Ele falou sem ter muita noção do que deveria dizê-la.
— Não deveria ser. Não é como se eu ainda sentisse algo por ele. Quando se passa por uma traição, amar se torna mais difícil. Mas, me incomoda o fato de que a vida dele continua seguindo sem tantas mudanças enquanto eu... – ela suspirou pesadamente — Tive que recomeçar do zero.
— Entendo.
— E me revolta ainda mais ele não ter falado sobre isso com Nari. Ao menos a preparado. Ela só está lidando bem com o divórcio porque viemos para cá, e ela acabou conhecendo todos vocês. Isto foi importante para que ela distraísse do assunto e restabelecesse seus sonhos.
— Nari é uma menina madura, embora ainda seja criança Jang-Mi. Creio que ela lidará bem com a situação se for você a contar. Mas, entendo também que esta obrigação era do pai...
Ela olhou para Joong-Ki, curiosa, e ele fechou sua expressão murmurando descontente.
Aish... Certos homens não deveriam ser pais.
— Eu vi o homem ao qual você me disse no outro dia... Era aquele que se aproximou de no momento em que foi até ela, não é?
— Sim, ele é o marido da mulher por quem eu me apaixonei.
— De onde ele conhece ?
— Na verdade... – Joong-Ki disfarçou o assunto — Ele é patrocinador da estilista Moyoto.
— Ah claro, trabalha para ele de certa forma, então.
— Não ela, mas Moyoto.
— E aquela mulher com ele, era ela, a Kyara?
— Sim.
— Ela é realmente uma linda mulher. Você tem um bom gosto, Ki. – Jang-Mi falou brincalhona arrancando um sorriso dele.
— Pena que ela não tenha.
— Realmente... Se ela soubesse que homem maravilhoso você é, não deixaria encantar-se somente pelo seu lindo rosto.
Joong-Ki encarou Jang-Mi com um sorriso surpreso e ela corou, rindo e disfarçando o elogio:
— Pode dizer que eu sou uma excelente amiga!
Joong-Ki percebeu que ela havia ficado sem jeito, e resolveu retribuir verdadeiramente ao elogio verdadeiro que ela lhe deu.
— E uma excelente e adorável mulher também.
Os dois se olharam agradecidos e sorriram. Quando notaram um par de olhos surpresos os encarando.
— Nari? – ele perguntou confuso.
— Vocês estão namorando!? – a menina perguntou surpresa e assustada.
— Não filha. Que ideia é essa?
— Ah... Eu achei que sim...
Os dois observaram-se assustados e curiosos com o rosto triste da menina.
— Há algum problema Nari? – Joong-Ki perguntou.
A menina estendeu o próprio celular mostrando a ele a foto que o pai dela havia postado há pouco em sua rede social. Era a mesma foto que Jang-Mi viu. A mãe da menina pegou o telefone da mão de Ki e encarou a filha com um embargo na garganta. Ao se deparar com a situação, Joong-Ki interviu.
— Sabe que seu pai te ama muito, não é Nari? – ele perguntou à menina. — Não me importo com isso de verdade, sunbae. Mas... Ver que meu pai está feliz é tão injusto. Mamãe está lidando com tudo sozinha, e quando vi vocês dois achei que pelo menos ela poderia voltar a ser feliz.
Ki encarou à menina com certa admiração e a puxou para um abraço. A mãe da menina chorava silenciosa com uma das mãos na boca, surpresa e com pena da filha.
— Você é mesmo muito madura e especial, Nari. – ele falou afagando o cabelo da menina e encarando o olhar da mãe dela em sua direção.


Capítulo 9

Hyun surgiu no corredor do hospital apressada, acompanhada de Joong-Ki. estava na sala cirúrgica e não fazia ideia de que os dois estavam ali o aguardando. Assim como também não. A modelo da Moyoto Modas estava em mais uma sessão de fotos e não havia atendido às ligações em seu celular por conta daquilo.
Quando saiu da ala cirúrgica, esticando as costas e exausto pelas três horas de muita tensão, Joong-Ki dormia na cadeira de espera. Estranhando a presença do amigo ali, ele aproximou-se devagar e cutucou-o.
— Ah! Finalmente! – Ki falou ao ser despertado pelo outro homem curioso à sua frente: — Como foi a cirurgia?
— Difícil, mas tudo ocorreu bem... Agora... O que faz aqui?
! – a voz de Hyun soou alta um pouco afastada no corredor.
A mulher apressou-se tendo cuidado em não derrubar o chá que trazia em mãos. Estendeu um copo para Joong-Ki, e o outro que havia trazido para si, ela acabou entregando ao médico aparentemente exausto.
— Hyun. O que vocês dois fazem aqui? Aconteceu alguma coisa com ?!
O olhar cansado desfez-se em espanto, em imaginar o motivo pelo qual estariam ali.
— Eu recebi um telefonema importante . – Hyun afirmou cautelosa.
O médico sentou-se na cadeira de espera ao lado de Joong-Ki que bebia seu chá concentradamente. Hyun sentou-se ao lado do doutor, e pôs-se a falar o que estava acontecendo.

– x –

despediu-se da equipe e pegou o celular em sua bolsa, finalmente. Ela estranhou as duas ligações desconhecidas que não foram atendidas, e as retornou, assim também não sendo atendida. Reuniu suas coisas e foi em direção à sua casa.
Caminhava tranquilamente pela calçada da rua, observando vitrines e sentindo a brisa fria do final de tarde.
Pegou um táxi, logo depois de sair de uma pâtisserie com um embrulho de cupcakes. Assim que desceu do táxi, observou a casa do médico. Não havia sinal de movimentação ali. Ele estaria em plantão, e certamente Jang-Mi e Nari não haviam chegado.
adentrou sua casa, deixou o embrulho na geladeira e subiu aos seus aposentos, retornando meia hora depois com a toalha de banho enrolada à cabeça e vestida em sua camisola.
Ligou a televisão escolhendo algum canal de dorama para assistir, e encaminhou-se à cozinha. Decidira preparar uma torta rápida de frango com a massa que mais cedo havia deixado pronta. Recheou o tabuleiro e logo o levou ao forno. Preparou um chá e assim que ele estava pronto, estava deitada em seu sofá. O relógio marcava dezoito horas, e o dorama que passava na TV faziam-na dividir sua atenção entre o chá, as redes sociais, e o programa.
rolava o dedo pela tela do smartphone percebendo as recentes publicações do instagram. Viu que Joong-Ki postou mais uma vez uma fotografia com Nari e não pôde deixar de sorrir. Desde o dia do desfile, Ki havia se aproximado mais da irmã e sobrinha de . Ele havia a contado o quão o divórcio havia deixado Jang-Mi fragilizada, e que embora Nari estivesse lidando bem melhor do que o imaginado com aquela situação, a menina também sentia muito a falta do pai. Aparentemente, o pai de Nari não fazia muita questão de ser presente na vida da menina.
torcia para que Joong-Ki e Jang-Mi ficassem juntos um dia, pois, era notória a sintonia entre eles.
As coisas entre ela e o Dr. também estavam caminhando melhor do que ela poderia imaginar. não a pressionava a nada. Desde o dia do desfile, os dois haviam se aproximado mais. Saíram juntos algumas vezes, trocaram mais beijos e carinhos, no entanto, não rotulavam nada. Ainda havia um vazio estranho no peito de . Mesmo depois de todo aquele tempo, mesmo depois de ter se permitido viver um romance com outra pessoa, o fato de não ter se despedido ou até mesmo ter tido evidências contundentes da morte de ainda corroíam-na em culpa.
O cheiro do assado invadindo a sala foi o que a fez desgrudar os olhos da tela da televisão e caminhar até a cozinha. Enquanto colocava a travessa sobre a bancada, seu aparelho celular tocou e ela só notou quando ao se reaproximar do sofá, viu o brilho da tela se apagar. Ia a sua direção para ver quem estava a ligando, mas a campainha foi mais rápida.
abriu a porta sem encarar o olho mágico e não esperava encontrar parado com o celular em uma mão, e a outra no bolso, distraído em pensamentos. Esperou o homem se pronunciar, mas quando o mesmo não se moveu nem um milímetro, ela o tocou.
?
! – falou assustado despertando-se de seus pensamentos.
— Tudo bem? – ela perguntou preocupada.
Os olhos do homem mapearam a face da mulher, e desceram por seu corpo desenhado sob a camisola.
— Tudo sim. Eu telefonei antes, mas...
— Entra. – ela o interrompeu sorrindo e o puxando para dentro.
Ficaram se olhando risonhos por um tempo, logo depois que ela fechou a porta. E foi ela quem se aproximou lentamente colando seus lábios timidamente.
— Achei que estaria em plantão.
— E estava, mas consegui que alguém me substituísse.
— Você não é disso... – ela falou estranhando — O que aconteceu?
— Eu... Queria estar com você essa noite.
O olhar da mulher adquiriu um brilho de admiração e surpresa e facilmente um sorriso se estendeu em sua face. coçou a nuca e pigarreou demonstrando constrangimento. Os dois riram e logo o puxou para a cozinha. Serviu dois pedaços de torta em dois pratos.
— Hm... Cheguei numa boa hora.
— Chegou sim! Como estão as meninas? – ela perguntou referindo-se à irmã e sobrinha dele.
— Saíram com Joong-Ki.
— Nossa... Eles estão mesmo próximos, não?
Caminharam até a sala e sentaram ao sofá um do lado do outro.
— Ki e Jang-Mi estão saindo juntos. Nari me contou escondido.
— Oh! Por que eles estão escondendo uma notícia boa dessa? – perguntou surpresa.
— Não faço ideia, mas Nari e eu estamos nos divertindo com isso.
— Nari... Aposto que teve dedo dela para que isso acontecesse.
concordou sorrindo, saboreando a torta.
Os dois ficaram ali comendo e desfrutando da presença um do outro, sem muita conversa apenas atentos à novela coreana que passava.
Ao acabarem de comer foi quem se levantou retirando às louças e as lavando na cozinha. subiu até seu quarto, retirou a toalha da cabeça e ajeitou os cabelos devidamente. Encarou-se no espelho, preocupada com sua aparência. Ao dar-se conta daquilo, piscou algumas vezes, inerte. Estava a cada dia, mais e mais entregue às sensações da conquista entre ela e o médico. Ao se dar por satisfeita com a própria imagem sem maquiagem, pegou um edredom e desceu as escadas encontrando pensativo ao sofá, de braços cruzados. Ele olhou a mulher à sua frente e não entendeu o que ela pretendia.
— Pode tirar os sapatos se quiser. Vou abrir o sofá para deitarmos.
— Como? – ele perguntou confuso e um pouco ansioso.
apenas sorriu e ele retirou o tênis que calçava, ajudando-a a preparar o sofá com as almofadas. Os dois deitaram lado a lado e se cobriram. sorriu para ele aumentando um pouco o volume da televisão.
Era a primeira vez que os dois dividiam um sofá para assistir algo daquele jeito, e estava petrificado. Ansioso, nervoso, constrangido e até um pouco excitado pela situação. ao notar o desconforto dele, decidiu puxar algum assunto. Ela estava consciente do passo ao qual estava dando. E ela não queria fugir daquilo.
— Como foi o seu dia? – perguntou a ele.
respirou mais calmo e olhou-a, concentrado em mentalmente organizar os fatos do seu dia.
— Tive quatro cirurgias complexas hoje. Passei praticamente o dia na sala de operações. Mas, não acho que seja agradável falar sobre os procedimentos para você... – eles riram concordando — E o seu dia, como foi?
— Bem, eu deixei a massa da torta preparada logo de manhã, e fiz ginástica no lago da cidade hoje bem cedo. Depois, tive uma sessão de fotos para uma campanha nova de um novo cliente. Almocei com a Moyoto, e conversamos até o fim do horário de almoço. Depois fui para a agência para outra sessão de fotos, dessa vez para a marca dela. E no fim da tarde, encerrado o trabalho comprei cupcakes e voltei para casa.
— Foi um dia tranquilo apesar das duas longas sessões?
— Sim. Pode-se dizer que sim. – ela respondeu ponderando a pergunta.
— Não aconteceu nada de diferente?
— Como assim?
— Não sei... – ele respondeu dando de ombros despreocupado.
— Nada fora do comum.
Eles sorriram um para o outro, e olhou novamente para o programa de TV. Algo estava deixando curiosa.
— Tem alguma coisa te incomodando ?
— Por quê?
— Estou achando você um pouco tenso.
Ele ficou encarando o olhar da mulher, de modo apreensivo e ela notou aquilo.
— É porque... Porque nós estamos assim? – ela perguntou tímida apontando a situação dos dois deitados.
— Ah... Não... Quer dizer... Não vou mentir. Estou me controlando para não agarrar você.
O riso divertido tomou os lábios de ambos, e cautelosamente aproximou-se mais do corpo do médico que a observava atento. Passou seu braço pela cintura dele e recostou sua cabeça em seu peito. O coração de acelerou imediatamente, e com a mesma cautela que ela teve, ele a aconchegou em seus braços.
— Você pode me agarrar se quiser... – ela falou brincalhona e ele riu.
...
— Sim? – perguntou direcionando o olhar a ele.
Os dois estavam bem próximos, e os olhares se completavam. não conseguiu conter-se. Beijou a mulher, com tamanha vontade e delicadeza a ponto de terminar o beijo arrependido do que faria.
— Eu te amo, . – ele disse e a mulher não esperava ouvir aquilo, percebendo por sua expressão — Eu estou cada dia mais apaixonado por você, e estou morrendo de medo disso.
ajeitou-se melhor nos braços dele, erguendo um pouco seu corpo de frente para ele. Precisava olhar nos olhos dele, e ser cuidadosa ao que diria.
— Não precisa ter medo. Nós estamos indo muito bem... Estamos vivendo algo muito bom, confortável e...
— Não é isso .
A voz séria do homem, interrompendo a sua fala fizera preocupar-se um pouco. Ele ergueu-se também, recostando-se mais ao sofá e fazendo sentar-se por completo a encará-lo.
— Estou com medo do que tenho para te contar.
— O que houve?
— Hyun... Ela e Ki estiveram no hospital hoje, ao final da tarde. Ela me contou que a mãe de telefonou e disse que... Precisa encontrar Hyun.
— Como assim? Porque Hyun não me falou nada?
— Ela não faz ideia do que seja, mas estranhou muito e pediu para que eu e Joong-Ki a ajudássemos a pensar no que fazer. Sem falar que... Hyun acha que por nós dois estarmos juntos agora, eu deveria saber.
— Só você? Ela deveria me contar também!
— Ela estava com medo de despertar algum tipo de sentimento em você que... Enfim. Eu só sei que ela queria ter total certeza sobre o assunto antes de te falar.
— Mas afinal, o que a senhora quer com ela? – a voz trêmula de denunciava o choro contido.
— Não sabemos.
— Eu vou ligar para Hyun!
Antes que se levantasse, puxou seu punho fazendo-a observá-lo ansiosa.
— Ela foi para Busan* encontrar a sua... A senhora .
Busan? Ela estava lá esse tempo todo?

*Cidade da Coreia do Sul, próxima à capital.

estava abalada. Não conseguiu conter as lágrimas e puxou-a para um abraço apertado. Conteve a mulher acariciando seus cabelos. adormeceu sem perceber, nos braços do homem que agora chorava por medo de que, ao acordar, fosse até Busan. Medo de que estivesse mais próximo de retornar do que todos imaginavam. Medo de que, não tivesse tempo de se apaixonar por ele, por estar ocupada demais nos braços do ex-noivo. Medo de ter se apaixonado por uma mulher que não poderia ser sua.

– x –

Duas semanas haviam se passado desde que a senhora refez contato. Hyun não havia retornado ainda, não atendia as ligações de , mas havia deixado clara a situação para e Joong-Ki.
— E agora, o que você vai fazer ?
— Eu não posso esconder dela que o noivo está vivo, Joong-Ki.
— Tem certeza que deve ser você a contar?
— Eu sei que você é amigo de a mais tempo do que eu, mas... Eu confessei a ela que a amo. Não acha que se eu não encarar essa situação, eu posso perder a de vez?
Joong-Ki e decidiram contar a verdade que Hyun estava escondendo da amiga. Embora estivessem felizes pela notícia da não morte de , estavam igualmente tristes, porque agora não sabiam que rumo o romance iria tomar.
— Eu estou dividido. Eu quero ver feliz, e sei o quanto vocês dois tem feito bem um ao outro. Sei o quanto você a ama, mas...
— É injusto com , dada, a condição dele. – concluiu interrompendo a fala de Joong-Ki.
E naquele exato momento, Jang-Mi adentrou a porta da casa de na companhia de Nari e . A menina ao avistar Ki ali saiu correndo para abraçá-lo.
— Como você o abraça primeiro? – se fez de enciumado brincando com a sobrinha.
— É que... Ele é novidade né.
Os outros riram e aproximou-se feliz sorrindo abertamente para e para seu amigo. Jang-Mi também cumprimentou o irmão e sentou-se ao lado de Ki abraçando-o discretamente.
— Vocês acham que enganam a quem, hein? – perguntou ao perceber os dois tentando disfarçar.
Joong-Ki sorriu e Jang-Mi ruborizou, mas foi Nari quem embarcou na onda do tio jogando tudo no ventilador.
— Também acho! Já estou cansada de fingir que não sei que vocês estão namorando!
— Nari! – a mãe da menina interviu.
Ao notar que não estava escondendo mais nada de ninguém, Jang-Mi sorriu envergonhada afundando o rosto nas mãos e Joong-Ki a abraçou cuidadoso. A pré-adolescente subiu as escadas dizendo que iria conversar com as amigas no computador, e somente os adultos ficaram ali. A troca de olhares cautelosos entre Ki e não passou batida pela .
— O que estão me escondendo?
Ela perguntou e Jang-Mi não compreendeu, mas Joong-Ki sem rodeios tomou à reposta.
— Você anda muito desconfiada não acha?
— E nos conhecemos há tempo demais para você achar que eu não tenho motivos de desconfiar de você, não acha?
— O que está acontecendo? – Jang-Mi perguntou.
— Seu irmão e seu namorado querem dizer alguma coisa, e estão pensando se devem ou não. – ela respondeu à amiga.
— Por que ele é o namorado dela, mas eu não sou o “seu” namorado? – perguntou fazendo drama com a frase recém-proferida de .
— Porque você não me pediu em namoro.
Então o foco que deveria ser um, tornou-se outro.
A irmã de começou a provocá-lo dizendo que ele deveria fazer o pedido, mas todo aquele momento que ele tanto aguardava só o fizera ter ainda mais medo. Ele estava tenso, Joong-Ki estava tenso, e as duas mulheres estavam curiosas.
— Você só deixou as coisas mais difíceis para o , Jang-Mi. – Joong-Ki afirmou.
ergueu-se coçando a cabeça e pediu para conversar com a sós. Ela não entendia nada, mas encarou o melhor amigo sentado ao sofá na sua frente fazendo-a entender que era necessário. Então ela apenas seguiu até o quarto dele. Enquanto os dois subiam, Joong-Ki contava toda a história para Jang-Mi.
abriu a porta do seu quarto esperando cavalheiramente que entrasse. Ela sentou-se na cama dele observando-o atenta. Ao se aproximar dela, pegou uma cadeira sentando-se à sua frente. Segurou firme às mãos da garota e encarou os próprios pés, pensativo.
— Tem a ver com , não é?
Uhum. – ele apenas murmurou.
— Hyun está me evitando, mas contou tudo a vocês, não é?
Ele suspirou pesadamente concordando com a cabeça. Os olhos dela, urgentes por notícias eram como uma lança rasgando o peito de . Ele precisava contar para .
— Depois de ser transferido, passou por algumas outras intervenções cirúrgicas. Ele esteve em coma todo este tempo, .
— Então... Ele...
tentava formular frases, mas o choro desesperado em sua garganta a impedia. chorou também, por outros motivos, mas chorou. Abraçou a mulher assustada e sentou-se na cama junto a ela. Com em seus braços, como uma criança que acorda de um pesadelo, ele continuou dizendo a verdade.
— A senhora não quis e ainda não quer que você tenha contato com ele. Por não saber quando o filho acordaria, eles acharam melhor sumir sem dar notícias. Mantiveram esse segredo todo, mas agora que ele acordou...
— O quê!!? – interrompeu encarando-o surpresa e assustada.
— Sim, ele acordou. E ele ainda tem as memórias de antes de tudo... E...
respirou pesadamente se levantando e passando a mão pelos cabelos. Caminhou até a janela do próprio quarto de onde podia ver a casa de .
— A senhora achou melhor informar você. Telefonou-te, mas não conseguiu contato. Então, recorreu à Hyun que acabou sendo uma alternativa melhor para eles. Ela pediu que Hyun fosse até Busan que é onde ele está internado. Hyun já contou para todo o acontecido, e ele ainda quer ver você. Mas os pais dele não querem. Hyun não teve coragem de dizer isso tudo pra você e por essas semanas está tentando convencê-los a permitir que você o veja.
Quando voltou o olhar para , percebeu a mulher totalmente fora de órbita. Ele aproximou-se preocupado, abaixou-se à altura do olhar dela e afagou seu rosto num carinho necessitado. Ela respirou profunda e enxugou as lágrimas, o encarando firmemente. sabia exatamente o que deveria fazer.
... – ela falou com voz embargada e pigarreou continuando: — Eles não têm direito de proibir que eu o veja mais. E eu quero e vou até ele. Eles me tiraram a chance de... Dar um conforto ao meu coração. Eles... Eles...
— Shiiiu... – sussurrou abraçando a mulher em seu choro incontido — Você deve fazer o que quiser .
— Você vai comigo?
E a pergunta o pegou de surpresa. Não imaginava que fosse querer que ele estivesse ao lado dela naquele momento. Na verdade, internamente se convencia de tê-la perdido.
— Eu acho que vocês precisam desse momento. Eu não ficaria confortável em...
parou de falar, e o sorriso de demonstrava-o que ela compreendia.
— Se importa de chamar Joong-Ki?
— Não, não... Imagina! Ki sempre acompanhou as minhas tragédias de perto... – ela falou compreensiva.
— Não é que eu não queira estar contigo, mas... Eu te amo . E eu não sei até onde tudo isso pode nos levar...
— Eu te entendo .
levantou-se puxando para um abraço forte. Mentalmente estava se odiando. “Eu te entendo” não eram as palavras que ela desejava ter dito, mas compreendia de fato a situação do médico. Beijou-o como uma despedida. E logo depois de mais um abraço, ela saiu.


Capítulo Final

Joong-Ki acompanhou na viagem até Busan. Já fazia um mês desde que ele retornara. Aos poucos as coisas iam tomando rumos mais organizados na vida de todos ali.
Nari e o pai se encontraram algumas vezes, ela conheceu a madrasta e embora ainda estivesse ferida pelo abandono do pai naquele tempo, decidiu que deveria dar uma chance de construírem uma nova relação.
E por falar em nova relação, Nari estava a cada dia mais feliz por ter encontrado Joong-Ki. O namorado da mãe da garota era bonito, divertido, carinhoso com ela e muito atencioso.
Jang-Mi também estava se sentindo uma nova mulher. Ela conseguiu firmar-se num bom emprego e há uma semana havia mudado da casa do irmão, para um apartamento pequeno, mas confortável o suficiente para ela e Nari.
Joong-Ki quando retornou de sua viagem, informou para que não viria por um tempo, mas que ela não queria perder o contato com ele. E a mulher de fato telefonou ao médico constantemente, mas ele não queria atendê-la.
estava chegando a sua casa numa noite, quando Joong-Ki o surpreendeu na varanda.

Flashback

— Por que você está a evitando!? – falou com certa raiva por saber o quanto a indiferença de estava matando por dentro.
— Eu só estou dando o tempo que acho que ela precisa.
— Se ela quisesse esse tempo ela o pediria ! Você disse que a amava!
— E eu a amo! Foi ela que não me disse se me amava ou não. Simplesmente não voltou mais, saiu de qualquer jeito e não retornou. Eu acho que não preciso ouvir claramente na voz da mulher que amo, que ela decidiu ficar com o noivo dela.
Joong-Ki não teve direito a resposta, pois saiu de sua visão entrando em sua própria casa que escura estava, e escura permaneceu. Joong-Ki nem poderia dizer nada se quisesse, pois, não havia falado com ele sobre seus sentimentos. Apenas pediu ao amigo para implorar que a atendesse, já que ela estava confusa sobre os motivos do médico não mais corresponder a ela.
Joong-Ki saiu dali e foi até o bar que antes ele bebia com sua amiga. Muitas memórias estavam presentes na sua cabeça, sobre os tempos antes de todo o ocorrido com . Enquanto virava um gole de sua bebida, seu celular informava Hyun ligando para ele.
— Alô?
— Onde você está? Preciso te mostrar uma coisa urgente!

Joong-Ki deu as coordenadas do lugar para Hyun, que ao surgir eufórica mostrou a ele um grande desastre.
Hoon havia entregado o passado de à imprensa. As principais mídias jornalísticas estavam noticiando que a recente modelo, com carreira promissora na Moyoto Modas, se tratava de uma ex-prostituta.
Moyoto havia telefonado à , buscando uma alternativa para o problema, mas tudo o que a mulher fez foi agradecer à sua chefa e dizer que iria publicamente se expor e encerrar o contrato com a marca. Ainda a contragosto, Moyoto decidiu aguardar os passos de para só então, tomar suas definitivas conclusões.
Hyun estava mostrando ao Joong-Ki o vídeo da amiga que estava veiculado pela internet, onde ela contava a sua história toda. contava sobre como Moyoto foi gentil e compreensiva dando a ela uma chance de carreira. Sobre como o noivo desaparecido reapareceu há pouco tempo, e ela estava o ajudando a se recuperar. E que por isso, Hoon que foi seu principal cliente por anos, havia decidido detonar a sua carreira ao saber que ela estava afastada dos trabalhos por este motivo.
deixou clara a obsessão de Hoon por ela. Para o empresário que não havia pegado nenhum relance da sujeira que o mesmo jogou ao ventilador, o vídeo de significou um grande fracasso em sua reputação.
terminou o vídeo desculpando-se com os amigos e familiares por toda a exposição, sentindo-se aliviada por livrar-se daquele segredo, dizendo que sentia vergonha de seu passado, mas se orgulhava do caráter que tinha resgatado nos últimos contratempos de sua vida. Informou que estava abrindo mão da carreira e que esperava que as pessoas não perseguissem a ela e a quem ela amava.
Em sua casa, que havia recebido o link do vídeo por amigos do hospital, sentia-se extremamente preocupado com ela. Telefonou, mas foi a vez de não o atender. estava sentindo-se perdido. Entre perguntas preocupadas de alguns colegas de trabalho a piadas sobre o envolvimento dele com uma ex-garota de programa, o medico só conseguia pensar em como ela estaria.
A porta de sua casa ressonou as batidas fortes e ao abrir, deu de cara com Nari chorosa e sua irmã preocupada pedindo explicações. Ele conversou com as duas, explicou onde sua história se entrelaçava com a de e pediu que as duas fossem compreensivas.
Para sua surpresa, tanto Jang-Mi quanto Nari, amavam e a conheciam-na suficiente para não julgá-la por seu passado sofrido.
Ainda enquanto não voltava, Kyara havia procurado Joong-Ki. Furiosa por toda a exposição que a amiga do rapaz e seu marido haviam feito-a passar, e arrependida por não ter escolhido separar-se de Hoon e ficar com Joong-Ki. Certa de que Ki estaria disposto a perdoá-la e aceitá-la, Kyara não podia acreditar quando Joong-Ki mostrou a ela, a foto de sua nova família. Ele sorria enquanto falava de Jang-Mi e Nari, e defendeu ainda que soubesse o quanto a amiga era uma vítima de Hoon assim como Kyara.
Aquela história estava terminada de uma vez por todas, e Ki agradecia imensamente por ter conhecido alguém capaz de amá-lo o suficiente para ele saber, que o amor pode ser tão justo quanto um dia foi injusto.
Já Hyun, novamente estava solteira. O namoro não durou e não resistiu à história que ela contou de ter ido a Busan porque era um amigo querido. Na verdade, Hyun sentiu-se balançada na semana em que contou a sobre e . Sentiu-se balançada pela fragilidade do amigo. E como se o amor de infância, proibido e escondido retornasse ela decidiu que não poderia ser inteira a ninguém, enquanto não tivesse mais nenhum resquício de em seu coração.
A mulher estava mais distante de Joong-Ki, e apenas falava com seus amigos por telefone. Concentrou-se em seu trabalho e frequentemente telefonava para a fim de saber como ela estava, e claro como também estava.

Fim do Flashback

A casa escura demonstrava que há algum tempo era daquela forma que se sentia: apagado. As últimas semanas e todos os ocorridos foram um turbilhão de exaustões à sua volta.
Ele caminhou desanimado até a porta de entrada, abriu-a, e entrou sem acender as luzes. Foi até a cozinha, acendeu a luz ali e percebeu que o relógio marcava 03h30min da manhã. Puxou uma jarra de suco da geladeira e serviu-se. Embora sentisse fome, não queria comer nada.
Enquanto bebia seu suco observou um embrulho no sofá. Caminhou até a sala e seus olhos lacrimejaram com a visão que teve. deitada dormindo aconchegada no edredom. Ele piscou algumas vezes a fim de entender se aquela era uma miragem. Ao ver a mulher remexer-se um pouco, levou a mão à boca, deixando um rio de lágrimas extravasar de seus olhos. Queria beijá-la, queria tocá-la, abraçá-la e se desculpar. Mas, conteve-se em pegar em seu colo e levá-la para sua cama. O sono profundo da mulher demonstrava que ela estava cansada demais, e extremamente confortável de dormir ali, onde poderia se derramar em descanso. deitou no sofá da sala. Pregou os olhos por pouco tempo, estava feliz demais por ter em sua casa, e ansioso demais para saber o que aquilo significava.
Na manhã seguinte o cheiro do café da manhã despertou o médico. Ele abriu os olhos, confuso por ter sonhado com de modo a parecer-lhe tão real. Quando percebeu que estava no sofá, o sonho passou a indicá-lo que havia alguma realidade naquela ilusão vivida. Foi até o seu quarto, a cama estava feita e nem sombra de por ali. Certamente, o cansaço pelo plantão fizera delirar. Tomou seu banho, e ao descer o cheiro do café da manhã ainda era forte. Não poderia ter sido ele a fazer aquilo. Seria Jang-Mi que resolveu surpreender ao irmão pela recente depressão em que ele se encontrava?
A porta da sala abriu e a mulher deixou seu chapéu de palha sobre a mesa de centro ao caminhar pelo cômodo. da escada de sua casa observava àquela cena, emocionado. Não era sonho. estava ali.
— Oi... Bom dia. – o silêncio dele a fez continuar: — Desculpe por invadir sua casa. Jang-Mi me entregou a chave e eu quis fazê-lo uma surpresa, embora não soubesse se você queria me ver.
O homem continuou mudo e atento à mulher. deixou a sacola que tinha em sua mão sobre a mesa de centro e olhou apreensiva para o médico continuando a se explicar:
— Eu precisei ficar para ajudar a compreender algumas coisas, se recuperar... Enfim. Eu não poderia dar as costas a alguém que me ajudou tanto. Eu só não esperava que você fosse me ignorar, depois de dizer que me amava. Eu pedi para o Ki falar com você e eu ia vir pessoalmente se você ainda não me quisesse mais, só que aí... Hoon aprontou e tanta coisa aconteceu que...
— Eu sei. – interrompeu deixando-a aliviada — Você está bem?
apenas acenou com a cabeça, fracamente e sorriu. permanecia paralisado e atento a ela. Ela abaixou o olhar e decidiu que deveria continuar falando o que estava em seu coração.
— Não era “eu te entendo, que eu queria dizer aquele dia. Eu saí daqui arrependida de não deixar as coisas claras a você, mas eu não conseguia assimilar todas as prioridades. Eu estava muito abalada. Quando reencontrei eu soube que, não era mais a mesma coisa. E só quando Joong-Ki me contou que você desistiu de mim por achar que não era correspondido, foi que eu entendi a necessidade de esclarecer o que eu deveria ter esclarecido antes. Mas... Eu não queria voltar para dizer que te amo e sair de novo. Eu precisava terminar de acompanhar o ... E eu tive medo de você não me querer mais. Então agora ele está bem. Ele está recuperado e... Eu voltei pra minha vida, ou pro que sobrou dela.
desceu as escadas devagar, com semblante confuso e com os olhos marejados e enquanto se aproximava que também chorava retomava seu discurso encorajado:
— Eu te amo . E queria ter dito antes, mas... Não consegui. E eu preciso saber se... Sobrou alguma coisa de nós dois também.
sorriu se aproximando cauteloso, e não fazia questão de esconder o choro emocionado por ter a mulher que amava ali. Ele tocou a face de e encarava-a como se fosse uma mentira a mulher à sua frente.
— E ?
— Ele quer redescobrir a própria vida, e vai viajar por um tempo... Hyun vai levá-lo para a França. Ela, meio que deixou as coisas dela por lá de qualquer jeito, quando retornou para me apoiar, e acho que os dois estão num bom momento de organizar a bagunça de suas vidas. Ela ainda o ama, e descobrimos isso nesse tempo que eu estive com ele. Mas, ainda não percebeu e nem creio que esteja pronto para isso. Eu quero que ele seja feliz . Ele é especial para mim, e eu para ele. Mas... e eu agora, só podemos ser amigos.
explodiu as últimas lágrimas de medo e beijou aliviado. Não podia acreditar que finalmente, ele havia acertado em amar alguém. Os dois se abraçaram apertado, e depois de muito carinho e contemplação um do outro, foram tomar café juntos.
— Aliás... Eu ia te pedir em namoro, mas com a notícia de eu não podia fazer antes de te contar a verdade. – confessou abraçado à garota no sofá bebendo seu café.
— E o que está esperando para pedir agora? – ela perguntou sorrindo.
. Aceita ser minha namorada, minha noiva, e futura mãe dos meus filhos?
— Por que essa pressa? – ela brincou com o pedido extensivo dele.
— Acho que você e eu já esperamos tempo demais para sermos felizes. Então, se você disser sim agora, é melhor que seja para tudo, não?
— Sim. Eu quero ser sua .
E novamente, num beijo e abraço quentes, os dois decidiram tentar serem felizes juntos.

Quando em meu coração
O vento frio soprava
Eu vi você
Meu amor
(With You – Lyn)


FIM



Nota da autora: Olá queridxs! O que acharam dessa fic? Ela é continuação de duas outras histórias, “06. Say It” – o início do casal, “05. OnceAgain” – o desaparecimento do noivo, ambas do ficstape #130. Obrigada por estar aqui, e por ter lido essa história. Se você comentar, nossa... Eu vou ficar MUITO feliz.
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Te vejo em breve?



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Essa fanfic é de total responsabilidade da autora. Eu não a escrevo e não a corrijo, apenas faço o script. Qualquer erro nessa fanfic, somente no e-mail.


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