Capitulo Único
A casa era grande o suficiente para abrigar três festas ao mesmo tempo, mas aconchegante o bastante para fazer parecer que todo mundo estava conectado de algum jeito. Pelas paredes, luzes quentes refletiam em bolas de cristal espalhadas, e no som ambiente tocava algum R&B coreano que deixava o clima perigosamente convidativo — daquele tipo que parecia envolver a pele, escorregar pelos ossos, prometer algo.
ajeitou o vestido vermelho que abraçava sua cintura com precisão cirúrgica. Não conhecia metade das pessoas ali — ainda assim, sorriu. Não era todo dia que se passava o Ano Novo em Seul, ainda mais convidada por uma amiga coreana que conhecera durante um projeto de design.
Ela estava prestes a servir mais champanhe quando ouviu a voz atrás dela.
— Desculpa…
A voz era profunda, aveludada… e perfeitamente inconfundível. Ela virou devagar — quase teatral — e então o mundo pareceu perder o foco por meio segundo.
.
Alto, elegante, com o blazer preto que destacava ainda mais a linha forte dos ombros. O cabelo estava penteado, mas levemente bagunçado como se tivesse passado a mão por ele minutos antes. O rosto parecia ainda mais bonito sob as luzes douradas — e a forma como ele apertava os lábios, como se estivesse ponderando o que dizer, quase fez esquecer de respirar.
Ele parecia tão surpreso quanto ela.
— Eu acho que devo ter te molhado… — ele murmurou, indicando a pequena gota de champanhe que escorria pelo pulso dela.
— Foi só uma gotinha — respondeu, sorrindo, embora sentisse o coração acelerar de uma forma indecente. — Nada que eu não consiga lidar.
Ele riu baixo. Sincero. Quente.
— Ainda bem. Eu definitivamente ia me sentir culpado se tivesse arruinado seu vestido… — Ele olhou para ela dos pés à cabeça, com a educação de um cavalheiro e a intensidade de um homem que sabe muito bem o efeito que causa.
Ela engoliu em seco.
— Você é amiga da Sunhee, certo? — ele perguntou, inclinando a cabeça para o lado de um jeito que fez se perguntar se ele tinha consciência do quanto era bonito.
— Sou — ela confirmou. — E… você também?
Ele ergueu a taça. — Sim. O mundo é menor do que parece. — Deu um sorriso torto. — Ou talvez a Sunhee seja boa demais em juntar pessoas interessantes na mesma sala.
riu, mas estava ocupada demais tentando se acostumar ao fato de que o ator que ela sempre achou absurdamente charmoso estava olhando para ela com atenção. Atenção demais. Ela respirou fundo, decidindo não se acovardar. — Acho que não nos apresentaram oficialmente. Eu sou .
— Prazer, . — Ele estendeu a mão, grande, quente, firme. — .
O toque foi rápido… mas durou o suficiente para acender algo.
— Posso te fazer companhia? — ele perguntou, sem rodeios, a voz baixa demais para ser inocente.
— Precisa pedir? — Ela ergueu uma sobrancelha, mantendo o sorriso.
. — Melhor prevenir do que correr o risco de parecer inconveniente. — Ele riu, um pouco mais perto agora
— Você não parece inconveniente.
— Que bom — ele respondeu, inclinando-se ligeiramente, como se dividisse um segredo. — Porque eu realmente não quero ir pra muito longe daqui.
O clima mudou. Devagar. Quase imperceptível.
Mas mudou.
A música parecia mais lenta. O ambiente, mais quente. E, por um momento, teve certeza de que o Ano Novo ainda nem tinha chegado, mas ela já tinha encontrado a parte mais interessante da noite.
Ela tentou recuperar a taça da mão dele — que ele tinha segurado enquanto eles se cumprimentavam — mas ele a afastou levemente, sem tirar o sorriso do rosto.
— Espere — ele disse. — Acho que ficou mesmo uma gota aqui.
Ele segurou o pulso dela, exatamente onde a champanhe tinha caído, e passou o polegar devagar, quase num carinho distraído. Ela sentiu o ar preso nos pulmões.
— Pronto — ele disse, como se o gesto tivesse sido perfeitamente normal.
— Isso estava… incomodando você? — ela perguntou, meio desafiando, meio buscando entender.
— Estava incomodando eu não ter tirado — ele admitiu.
Ela precisou olhar para o lado por um segundo, tentando não mostrar como as pernas pareceram perder firmeza.
— Você sempre fala assim com todo mundo? — perguntou, tentando manter o tom leve.
— Só quando alguém chama minha atenção.
— E eu chamei? — Ela piscou.
— Bastante.
O silêncio entre eles ganhou outra textura — mais densa, mais quente — como se a festa inteira tivesse ficado em câmera lenta.
Para quebrar o clima, ela cruzou os braços, mas o movimento fez o decote do vestido deslizar um pouco. O olhar dele desceu por reflexo, e ele pigarreou discretamente antes de voltar para os olhos dela.
— Então… — ela começou. — De onde você conhece a Sunhee?
— Trabalhamos juntos num projeto há uns dois anos. Ela é como uma irmã pra mim. Nunca imaginei que ela conhecia gente tão… — ele a analisou dos pés à cabeça. — Internacional.
— Isso é bom ou ruim?
— No caso dela? Ótimo. — Ele inclinou a cabeça, um sorriso leve no canto da boca. — No meu… perigoso.
— Por quê? — Ela mordeu o lábio.
— Porque você parece alguém com quem eu poderia facilmente perder a noção do tempo.
— Já bebeu muito? — Ela riu, nervosa.
— Infelizmente, não — ele respondeu. — Queria culpar o álcool, mas acho que é só você mesmo.
sentiu o calor subir pelo corpo todo — e não era por causa da bebida.
— Então é culpa minha? — ela provocou.
— Com certeza.
E pela primeira vez naquela noite, ela pensou que o Ano Novo ainda estava longe — e que isso poderia ser uma vantagem enorme.
— Quer ir para um lugar menos barulhento? — ele perguntou, como se lesse o pensamento dela.
— Contanto que não seja um lugar totalmente vazio — ela respondeu. — Ou vão acabar achando que eu estou me aproveitando de você.
— Eu prometo que não vou deixar. — Ele soltou uma risada que quase a fez derreter.
— E como faria isso?
Ele aproximou o rosto apenas o suficiente para que ela sentisse o perfume dele — amadeirado, quente, perigosamente viciante.
— Fácil — ele sussurrou. — Falaria que eu fui atrás de você primeiro.
Ela sorriu, mordendo o lábio para não soltar outro suspiro.
— Então acho que você deveria me mostrar esse lugar menos barulhento — sugeriu.
— Com o maior prazer.
ofereceu o braço, e ela aceitou, sentindo a eletricidade que percorreu os dois no contato. Enquanto ele a guiava pelo corredor iluminado por luzes quentes, percebeu que a noite tinha acabado de mudar — drasticamente.
A música parecia mais distante conforme eles se afastavam do salão principal, caminhando por um corredor iluminado apenas por algumas luzes âmbar que criavam sombras suaves nas paredes. A casa tinha tantos cômodos que era quase fácil esquecer que lá dentro havia dezenas de vozes celebrando o fim do ano.
sentia as próprias pernas responderem à proximidade dele — não apenas por saber quem ele era, mas pela forma como caminhava ao lado dela: firme, silencioso, com uma presença que parecia ocupar todo o espaço.
Encontraram um dos quartos de hóspedes abertos. Era grande, arrumado com perfeição coreana, mas o que realmente chamava atenção era a pequena varanda que se abria para a noite fria de Seul.
Ele empurrou a porta de vidro e deixou o ar gelado entrar. sentiu o contraste imediato na pele quente causada pelo champagne, pela festa, e agora… por ele.
— Aqui é mais tranquilo — disse , segurando a porta para que ela passasse antes.
— Bem mais — ela respondeu, saindo para a varanda.
A cidade brilhava abaixo deles, como se alguém tivesse derramado ouro líquido sobre cada rua. Fogos isolados pipocavam aqui e ali, pessoas testando os primeiros ensaios para a virada oficial.
Ele se aproximou. Não rápido. Não devagar. Do jeito exato para fazê-la sentir cada centímetro diminuindo entre os dois.
Apoiou o antebraço no parapeito, virando-se para ela com o corpo inteiro — e com uma atenção que parecia absurdamente dedicada.
— Não achei que teria brasileiros aqui hoje — comentou, com aquele sorriso discreto que não chegava a ser um sorriso completo, mas era fatal do mesmo jeito.
— Nem eu. Mas a Sunhee é… bem convincente quando quer, e eu não poderia negar, meu primeiro ano novo aqui em Seul. — brincou , encostando de leve no parapeito, tentando não demonstrar o quanto estava hipnotizada pelo rosto dele sob as luzes da varanda.
Ele riu baixo, o ar branco escapando dos lábios por causa do frio. — Isso ela definitivamente é. E você? — ele perguntou. — Está gostando da Coreia?
— Bastante. Mais do que achei que fosse gostar.
— Isso é bom. — inclinou a cabeça, observando-a. — Você… — uma pausa calculada — …está acostumada a atores te encarando em festas?
mordeu o interior da bochecha para não sorrir forte demais.
— Eu ia perguntar a mesma coisa — devolveu. — Está acostumado com estrangeiras te encarando em festa?
— Eu notei que você não desviou o olhar. — A risada dele veio outra vez — mais profunda dessa vez, quase rouca, quase quente demais para a temperatura da varanda.
— E você desviou? — ela retrucou, firme, desafiadora.
O sorriso dele sumiu. Não de decepção — mas para dar lugar a algo que queimava devagar, como brasas seguradas na ponta dos dedos.
— Não — ele disse, direto, sem deixar espaço para interpretação.
O silêncio que veio depois não era desconfortável. Era o oposto.
Um silêncio carregado, elétrico.
Ainda mais íntimo do que se eles tivessem se tocado.
A respiração dela ficou leve demais. A dele, profunda demais.
A contagem regressiva estava prestes a começar.
Do lado de dentro, a música pulsava abafada atrás da porta entreaberta. Do lado de fora, na varanda do quarto de hóspedes, o ar frio fazia contraste com o calor que queimava discretamente entre eles desde o primeiro olhar. As luzes da cidade refletiam nos olhos de , dando a ele um brilho perigoso — daqueles que avisam, sem palavras, que algo está prestes a acontecer.
Ele não estava nervoso. Ele parecia… decidido.
E essa decisão tinha um alvo claro: ela.
tentou manter a respiração estável, mas era feito de detalhes que atrapalhavam qualquer tentativa: o jeito como o blazer aberto deixava à mostra a camisa escura contra o peito, o perfume quente, o olhar que parecia capaz de encostar nela sem usar as mãos.
— Sabe… — ele começou, a voz baixa, arrastada, como se tivesse pensado demais antes de falar — tem algo em você que não me deixa… olhar para outro lado.
piscou devagar, sentindo a frase atravessar direto pelo estômago e subir ao peito.
— Espero que seja algo bom — ela disse, mas sua voz saiu mais suave do que pretendia.
Ele deu um meio sorriso — lento, calculado.
— É perigoso — corrigiu, aproximando-se meio passo. — Mas muito bom.
Ela riu, mas não houve leveza ali. Foi um riso curto, quase preso, como se seu corpo já soubesse que estava em território arriscado.
— E você é sempre assim direto? — ela perguntou, tentando disfarçar o impulso de encostar nele.
— Só quando vale a pena — ele respondeu, e havia zero brincadeira no rosto dele.
Dentro da casa, o relógio digital da sala começou a marcar a contagem final.
10… 9… 8…
As vozes lá dentro se tornavam mais altas, mas ali fora tudo parecia quieto. Como se o tempo tivesse desacelerado especificamente para eles.
— Vai fazer algum pedido para o Ano Novo? — ergueu o queixo, mantendo a provocação nos lábios.
inclinou o rosto até a distância ser perigosamente pequena, como se estivesse lendo cada microexpressão dela.
— Já fiz.
7… 6… 5…
Ela piscou, sentindo o coração pular.
— E qual é? — sussurrou.
A mão dele subiu devagar, como se pedisse permissão ao corpo dela mesmo antes de tocar. O polegar roçou a linha de sua mandíbula, quente demais para alguém que tinha acabado de sair do vento frio.
Ele olhou para a boca dela antes de responder.
4… 3…
— Você deixa eu mostrar? — a voz dele estava mais grave, quase um murmúrio.
Ela sentiu um arrepio subir pela espinha inteira — não apenas desejo, mas reconhecimento. Como se algo nela tivesse esperado exatamente aquele instante sem perceber.
— … — ela tentou, mas não teve tempo de terminar.
2… 1…
Ele não esperou o zero.
A boca dele encontrou a dela em um beijo firme, quente, decidido — mas ao mesmo tempo cuidadoso, como se ele estivesse descobrindo o ritmo dela e convidando-a a fazê-lo perder o próprio. O toque não foi hesitante; foi certeiro, mas com aquela intensidade que promete que, se ela deixar, ele aprofunda.
respondeu sem pensar, segurando-o pela lapela como se já soubesse exatamente como encaixar aquele corpo no dela. Sentiu o sorriso dele surgir no meio do beijo, um aviso silencioso de que ele também tinha perdido o controle — e gostado disso.
O beijo se aprofundou devagar, quente e fatal, como algo que não deveria acontecer… mas era tarde demais para evitar.
Lá fora, os fogos explodiram no céu — mas por um instante, nem mesmo o barulho deles parecia real.
A única coisa que existia era o som das respirações deles misturadas, o calor entre seus corpos.
Eles se separaram devagar, ainda próximos, como se o ar entre eles tivesse ficado íntimo demais para ser ignorado.
— Acho que entendi seu pedido — brincou, com a voz um pouco falha.
— Não foi um pedido. Foi só o começo. — passou o polegar pelo canto da boca dela, devagar, quase reverente.
— Confiança é seu nome do meio? — Ela riu.
— Não. — Ele aproximou o rosto mais uma vez, sem tocar. — Mas você pode me dar um, se quiser.Ela riu.
— Acho que prefiro descobrir aos poucos. — tocou o peito dele levemente.Ela riu.
Ele segurou a mão dela, entrelaçando os dedos com firmeza — um gesto simples, mas tão íntimo quanto o beijo havia sido.
— Então fica comigo mais um pouco — ele pediu.
— Eu ficaria a noite inteira — ela respondeu sem hesitar.
Seu sorriso foi lento, satisfeito, quase perigoso.
— Ótimo. Porque eu ainda tenho muita coisa que quero começar com você nesta noite.
E, com isso, ele a puxou de volta para dentro da festa — onde a noite, claramente, estava longe de acabar.
ajeitou o vestido vermelho que abraçava sua cintura com precisão cirúrgica. Não conhecia metade das pessoas ali — ainda assim, sorriu. Não era todo dia que se passava o Ano Novo em Seul, ainda mais convidada por uma amiga coreana que conhecera durante um projeto de design.
Ela estava prestes a servir mais champanhe quando ouviu a voz atrás dela.
— Desculpa…
A voz era profunda, aveludada… e perfeitamente inconfundível. Ela virou devagar — quase teatral — e então o mundo pareceu perder o foco por meio segundo.
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Alto, elegante, com o blazer preto que destacava ainda mais a linha forte dos ombros. O cabelo estava penteado, mas levemente bagunçado como se tivesse passado a mão por ele minutos antes. O rosto parecia ainda mais bonito sob as luzes douradas — e a forma como ele apertava os lábios, como se estivesse ponderando o que dizer, quase fez esquecer de respirar.
Ele parecia tão surpreso quanto ela.
— Eu acho que devo ter te molhado… — ele murmurou, indicando a pequena gota de champanhe que escorria pelo pulso dela.
— Foi só uma gotinha — respondeu, sorrindo, embora sentisse o coração acelerar de uma forma indecente. — Nada que eu não consiga lidar.
Ele riu baixo. Sincero. Quente.
— Ainda bem. Eu definitivamente ia me sentir culpado se tivesse arruinado seu vestido… — Ele olhou para ela dos pés à cabeça, com a educação de um cavalheiro e a intensidade de um homem que sabe muito bem o efeito que causa.
Ela engoliu em seco.
— Você é amiga da Sunhee, certo? — ele perguntou, inclinando a cabeça para o lado de um jeito que fez se perguntar se ele tinha consciência do quanto era bonito.
— Sou — ela confirmou. — E… você também?
Ele ergueu a taça. — Sim. O mundo é menor do que parece. — Deu um sorriso torto. — Ou talvez a Sunhee seja boa demais em juntar pessoas interessantes na mesma sala.
riu, mas estava ocupada demais tentando se acostumar ao fato de que o ator que ela sempre achou absurdamente charmoso estava olhando para ela com atenção. Atenção demais. Ela respirou fundo, decidindo não se acovardar. — Acho que não nos apresentaram oficialmente. Eu sou .
— Prazer, . — Ele estendeu a mão, grande, quente, firme. — .
O toque foi rápido… mas durou o suficiente para acender algo.
— Posso te fazer companhia? — ele perguntou, sem rodeios, a voz baixa demais para ser inocente.
— Precisa pedir? — Ela ergueu uma sobrancelha, mantendo o sorriso.
. — Melhor prevenir do que correr o risco de parecer inconveniente. — Ele riu, um pouco mais perto agora
— Você não parece inconveniente.
— Que bom — ele respondeu, inclinando-se ligeiramente, como se dividisse um segredo. — Porque eu realmente não quero ir pra muito longe daqui.
O clima mudou. Devagar. Quase imperceptível.
Mas mudou.
A música parecia mais lenta. O ambiente, mais quente. E, por um momento, teve certeza de que o Ano Novo ainda nem tinha chegado, mas ela já tinha encontrado a parte mais interessante da noite.
Ela tentou recuperar a taça da mão dele — que ele tinha segurado enquanto eles se cumprimentavam — mas ele a afastou levemente, sem tirar o sorriso do rosto.
— Espere — ele disse. — Acho que ficou mesmo uma gota aqui.
Ele segurou o pulso dela, exatamente onde a champanhe tinha caído, e passou o polegar devagar, quase num carinho distraído. Ela sentiu o ar preso nos pulmões.
— Pronto — ele disse, como se o gesto tivesse sido perfeitamente normal.
— Isso estava… incomodando você? — ela perguntou, meio desafiando, meio buscando entender.
— Estava incomodando eu não ter tirado — ele admitiu.
Ela precisou olhar para o lado por um segundo, tentando não mostrar como as pernas pareceram perder firmeza.
— Você sempre fala assim com todo mundo? — perguntou, tentando manter o tom leve.
— Só quando alguém chama minha atenção.
— E eu chamei? — Ela piscou.
— Bastante.
O silêncio entre eles ganhou outra textura — mais densa, mais quente — como se a festa inteira tivesse ficado em câmera lenta.
Para quebrar o clima, ela cruzou os braços, mas o movimento fez o decote do vestido deslizar um pouco. O olhar dele desceu por reflexo, e ele pigarreou discretamente antes de voltar para os olhos dela.
— Então… — ela começou. — De onde você conhece a Sunhee?
— Trabalhamos juntos num projeto há uns dois anos. Ela é como uma irmã pra mim. Nunca imaginei que ela conhecia gente tão… — ele a analisou dos pés à cabeça. — Internacional.
— Isso é bom ou ruim?
— No caso dela? Ótimo. — Ele inclinou a cabeça, um sorriso leve no canto da boca. — No meu… perigoso.
— Por quê? — Ela mordeu o lábio.
— Porque você parece alguém com quem eu poderia facilmente perder a noção do tempo.
— Já bebeu muito? — Ela riu, nervosa.
— Infelizmente, não — ele respondeu. — Queria culpar o álcool, mas acho que é só você mesmo.
sentiu o calor subir pelo corpo todo — e não era por causa da bebida.
— Então é culpa minha? — ela provocou.
— Com certeza.
E pela primeira vez naquela noite, ela pensou que o Ano Novo ainda estava longe — e que isso poderia ser uma vantagem enorme.
— Quer ir para um lugar menos barulhento? — ele perguntou, como se lesse o pensamento dela.
— Contanto que não seja um lugar totalmente vazio — ela respondeu. — Ou vão acabar achando que eu estou me aproveitando de você.
— Eu prometo que não vou deixar. — Ele soltou uma risada que quase a fez derreter.
— E como faria isso?
Ele aproximou o rosto apenas o suficiente para que ela sentisse o perfume dele — amadeirado, quente, perigosamente viciante.
— Fácil — ele sussurrou. — Falaria que eu fui atrás de você primeiro.
Ela sorriu, mordendo o lábio para não soltar outro suspiro.
— Então acho que você deveria me mostrar esse lugar menos barulhento — sugeriu.
— Com o maior prazer.
ofereceu o braço, e ela aceitou, sentindo a eletricidade que percorreu os dois no contato. Enquanto ele a guiava pelo corredor iluminado por luzes quentes, percebeu que a noite tinha acabado de mudar — drasticamente.
A música parecia mais distante conforme eles se afastavam do salão principal, caminhando por um corredor iluminado apenas por algumas luzes âmbar que criavam sombras suaves nas paredes. A casa tinha tantos cômodos que era quase fácil esquecer que lá dentro havia dezenas de vozes celebrando o fim do ano.
sentia as próprias pernas responderem à proximidade dele — não apenas por saber quem ele era, mas pela forma como caminhava ao lado dela: firme, silencioso, com uma presença que parecia ocupar todo o espaço.
Encontraram um dos quartos de hóspedes abertos. Era grande, arrumado com perfeição coreana, mas o que realmente chamava atenção era a pequena varanda que se abria para a noite fria de Seul.
Ele empurrou a porta de vidro e deixou o ar gelado entrar. sentiu o contraste imediato na pele quente causada pelo champagne, pela festa, e agora… por ele.
— Aqui é mais tranquilo — disse , segurando a porta para que ela passasse antes.
— Bem mais — ela respondeu, saindo para a varanda.
A cidade brilhava abaixo deles, como se alguém tivesse derramado ouro líquido sobre cada rua. Fogos isolados pipocavam aqui e ali, pessoas testando os primeiros ensaios para a virada oficial.
Ele se aproximou. Não rápido. Não devagar. Do jeito exato para fazê-la sentir cada centímetro diminuindo entre os dois.
Apoiou o antebraço no parapeito, virando-se para ela com o corpo inteiro — e com uma atenção que parecia absurdamente dedicada.
— Não achei que teria brasileiros aqui hoje — comentou, com aquele sorriso discreto que não chegava a ser um sorriso completo, mas era fatal do mesmo jeito.
— Nem eu. Mas a Sunhee é… bem convincente quando quer, e eu não poderia negar, meu primeiro ano novo aqui em Seul. — brincou , encostando de leve no parapeito, tentando não demonstrar o quanto estava hipnotizada pelo rosto dele sob as luzes da varanda.
Ele riu baixo, o ar branco escapando dos lábios por causa do frio. — Isso ela definitivamente é. E você? — ele perguntou. — Está gostando da Coreia?
— Bastante. Mais do que achei que fosse gostar.
— Isso é bom. — inclinou a cabeça, observando-a. — Você… — uma pausa calculada — …está acostumada a atores te encarando em festas?
mordeu o interior da bochecha para não sorrir forte demais.
— Eu ia perguntar a mesma coisa — devolveu. — Está acostumado com estrangeiras te encarando em festa?
— Eu notei que você não desviou o olhar. — A risada dele veio outra vez — mais profunda dessa vez, quase rouca, quase quente demais para a temperatura da varanda.
— E você desviou? — ela retrucou, firme, desafiadora.
O sorriso dele sumiu. Não de decepção — mas para dar lugar a algo que queimava devagar, como brasas seguradas na ponta dos dedos.
— Não — ele disse, direto, sem deixar espaço para interpretação.
O silêncio que veio depois não era desconfortável. Era o oposto.
Um silêncio carregado, elétrico.
Ainda mais íntimo do que se eles tivessem se tocado.
A respiração dela ficou leve demais. A dele, profunda demais.
A contagem regressiva estava prestes a começar.
Do lado de dentro, a música pulsava abafada atrás da porta entreaberta. Do lado de fora, na varanda do quarto de hóspedes, o ar frio fazia contraste com o calor que queimava discretamente entre eles desde o primeiro olhar. As luzes da cidade refletiam nos olhos de , dando a ele um brilho perigoso — daqueles que avisam, sem palavras, que algo está prestes a acontecer.
Ele não estava nervoso. Ele parecia… decidido.
E essa decisão tinha um alvo claro: ela.
tentou manter a respiração estável, mas era feito de detalhes que atrapalhavam qualquer tentativa: o jeito como o blazer aberto deixava à mostra a camisa escura contra o peito, o perfume quente, o olhar que parecia capaz de encostar nela sem usar as mãos.
— Sabe… — ele começou, a voz baixa, arrastada, como se tivesse pensado demais antes de falar — tem algo em você que não me deixa… olhar para outro lado.
piscou devagar, sentindo a frase atravessar direto pelo estômago e subir ao peito.
— Espero que seja algo bom — ela disse, mas sua voz saiu mais suave do que pretendia.
Ele deu um meio sorriso — lento, calculado.
— É perigoso — corrigiu, aproximando-se meio passo. — Mas muito bom.
Ela riu, mas não houve leveza ali. Foi um riso curto, quase preso, como se seu corpo já soubesse que estava em território arriscado.
— E você é sempre assim direto? — ela perguntou, tentando disfarçar o impulso de encostar nele.
— Só quando vale a pena — ele respondeu, e havia zero brincadeira no rosto dele.
Dentro da casa, o relógio digital da sala começou a marcar a contagem final.
10… 9… 8…
As vozes lá dentro se tornavam mais altas, mas ali fora tudo parecia quieto. Como se o tempo tivesse desacelerado especificamente para eles.
— Vai fazer algum pedido para o Ano Novo? — ergueu o queixo, mantendo a provocação nos lábios.
inclinou o rosto até a distância ser perigosamente pequena, como se estivesse lendo cada microexpressão dela.
— Já fiz.
7… 6… 5…
Ela piscou, sentindo o coração pular.
— E qual é? — sussurrou.
A mão dele subiu devagar, como se pedisse permissão ao corpo dela mesmo antes de tocar. O polegar roçou a linha de sua mandíbula, quente demais para alguém que tinha acabado de sair do vento frio.
Ele olhou para a boca dela antes de responder.
4… 3…
— Você deixa eu mostrar? — a voz dele estava mais grave, quase um murmúrio.
Ela sentiu um arrepio subir pela espinha inteira — não apenas desejo, mas reconhecimento. Como se algo nela tivesse esperado exatamente aquele instante sem perceber.
— … — ela tentou, mas não teve tempo de terminar.
2… 1…
Ele não esperou o zero.
A boca dele encontrou a dela em um beijo firme, quente, decidido — mas ao mesmo tempo cuidadoso, como se ele estivesse descobrindo o ritmo dela e convidando-a a fazê-lo perder o próprio. O toque não foi hesitante; foi certeiro, mas com aquela intensidade que promete que, se ela deixar, ele aprofunda.
respondeu sem pensar, segurando-o pela lapela como se já soubesse exatamente como encaixar aquele corpo no dela. Sentiu o sorriso dele surgir no meio do beijo, um aviso silencioso de que ele também tinha perdido o controle — e gostado disso.
O beijo se aprofundou devagar, quente e fatal, como algo que não deveria acontecer… mas era tarde demais para evitar.
Lá fora, os fogos explodiram no céu — mas por um instante, nem mesmo o barulho deles parecia real.
A única coisa que existia era o som das respirações deles misturadas, o calor entre seus corpos.
Eles se separaram devagar, ainda próximos, como se o ar entre eles tivesse ficado íntimo demais para ser ignorado.
— Acho que entendi seu pedido — brincou, com a voz um pouco falha.
— Não foi um pedido. Foi só o começo. — passou o polegar pelo canto da boca dela, devagar, quase reverente.
— Confiança é seu nome do meio? — Ela riu.
— Não. — Ele aproximou o rosto mais uma vez, sem tocar. — Mas você pode me dar um, se quiser.Ela riu.
— Acho que prefiro descobrir aos poucos. — tocou o peito dele levemente.Ela riu.
Ele segurou a mão dela, entrelaçando os dedos com firmeza — um gesto simples, mas tão íntimo quanto o beijo havia sido.
— Então fica comigo mais um pouco — ele pediu.
— Eu ficaria a noite inteira — ela respondeu sem hesitar.
Seu sorriso foi lento, satisfeito, quase perigoso.
— Ótimo. Porque eu ainda tenho muita coisa que quero começar com você nesta noite.
E, com isso, ele a puxou de volta para dentro da festa — onde a noite, claramente, estava longe de acabar.
FIM
Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Sim, eu estou vendo o beijo explosivo e estou obcecada pelo principal, foi só por isso essa historia mesmo. kkkkkk Espero que goste e não esquece de comentar, ok?
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
