Capítulo Único
O som do noticiário em coreano preenchia o pequeno apartamento de como um sussurro distante, quase inaudível, mas presente o suficiente para manter seu coração em alerta. As imagens na TV mostravam o portão de ferro do centro militar se abrindo, revelando dois rostos conhecidos que ela esperava rever há tanto tempo. Entre eles, o dele. Kim Namjoon. Seu Namjoon.
Ela estava sentada no sofá, as mãos entrelaçadas sobre o colo, o olhar fixo na tela. O café na caneca em cima da mesa já havia esfriado, esquecido ali enquanto ela contava os minutos desde que acordou naquela manhã. Sabia que não poderia estar lá. Sabia que não poderia nem mesmo mandar uma mensagem naquele instante. Mas mesmo assim, o coração parecia teimar em ignorar a lógica.
Do outro lado da cidade, ele sorria. O cabelo mais comprido do que ela se lembrava, os traços ligeiramente mais maduros. Mas os olhos... os olhos eram os mesmos. Os que a olhavam com tanta delicadeza nos raros momentos a sós, os que percorriam cada traço dela como se memorizassem um poema.
Ela encostou a cabeça no encosto do sofá, e uma lembrança veio, quase como uma brisa suave.
"Eu volto antes do próximo Dia dos Namorados. Prometo."
O sussurro dele, no último dia que passaram juntos antes dele se alistar, ainda a fazia arrepiar. Na época, o 12 de junho parecia tão distante. Agora, faltavam apenas dois dias.
— Você ainda está vendo isso? — a voz de Lay invadiu o cômodo pelo viva-voz do celular, que tocava em cima da mesinha de centro.
— Claro que estou. Você acha que eu ia perder o dia em que meu... — cortou a frase no meio, mesmo estando sozinha.
— Seu quê, ? Vai, completa. Seu "militar"? — brincou a amiga, rindo.
— Idiota — ela respondeu, sem conseguir esconder o sorriso que escapou. — Eu só... queria ver ele chegar bem.
— E chegou. Todo lindo, inclusive. — Lay fez uma pausa. — Você tá bem? — Tô. Só com o coração do tamanho de um grão de arroz.
— Ele vai te ver no dia 12, como prometeram. Você confia nele, né?
— Mais do que em mim mesma — respondeu , quase num sussurro.
Quando desligou o telefone, levantou-se e foi até a varanda. A brisa da primavera coreana soprava leve, trazendo com ela o cheiro da cidade e um pouco de esperança. O celular vibrou em sua mão. Um nome que ela conhecia bem piscou na tela — Hana, umas das staffs que sempre foi responsável pelo líder e que tinha virado uma das melhores amigas de .
"Está tudo certo para o dia 12. Ele falou comigo. Vai te esperar em casa. Me pediu para garantir que você não tenha compromissos nesse dia. Ele ainda não te mandou mensagem, nem ligou, porque está lotado de câmeras aqui e sabe como é.”
sorriu, um daqueles sorrisos que se guardam no fundo da alma. A saudade ainda pulsava forte, mas agora havia algo mais. A certeza de que, mesmo em silêncio, eles continuavam sendo um do outro. Então respondeu a amiga:
”Obrigada por avisar e por tudo, você é a melhor”
As primeiras notícias sobre a dispensa dos integrantes do BTS ecoavam por toda parte. Artigos, vídeos, stories, entrevistas rápidas. Cada site tinha uma nova imagem, uma nova manchete, uma nova análise sobre os próximos passos da carreira deles. E entre os flashes e o burburinho digital, o rosto de Namjoon aparecia com mais frequência do que ela podia suportar sem sentir o coração apertar.
E então pelo menos uma hora depois de falar com Hana o celular vibrou de novo. Era ele, aquela mensagem que ela estava esperando há muito tempo.
"Você viu os portais explodindo? Tô rindo e suando ao mesmo tempo. Ainda tenho que ligar a live agora, só queria que você soubesse que estou bem. E pensando em você. Muito. Sinto muito a sua falta"
segurou o celular com as duas mãos, como se temesse que ele escapasse. Uma resposta rápida, breve, mas cheia de significados. Sabia o quanto aquele momento era importante — para os fãs, para a carreira, para o grupo. E, mesmo assim, ele arranjara um segundo para pensar nela.
Ela digitou com o coração acelerado:
"Te vi pela TV. Estou orgulhosa. E com saudade. Vai brilhar, como sempre. Não esquece que eu te amo"
Ele não demorou a responder:
“Eu te amo mais. 💜 Live em 3, 2, 1.”
No dia seguinte, tentou seguir a vida normalmente. No trabalho, os projetos da diplomacia cultural continuavam exigindo seu foco, mas era impossível não ficar à flor da pele. Cada vez que o celular vibrava, seu coração dava um pulo, e quase sempre era ele. Mensagens curtas, como códigos silenciosos só deles dois.
"Mamãe pediu para eu ficar esses dois dias em casa. Tô preso no interior, entre comidas boas e minha avó falando do meu peso."
"Tô cansado, mas feliz. Tudo vai fazer sentido logo, prometo."
"Você tá bem? Tá se cuidando? Dorme cedo, por favor. (Mesmo que eu saiba que você não vai)."
respondia com fotos do dia a dia: uma xícara de café com o emoji de coração; um print do tempo frio; o livro que estava relendo pela terceira vez desde que ele se foi. Ela sorria com cada troca de mensagem. A saudade era constante, mas também era doce. E a promessa do reencontro a mantinha firme.
Na noite do dia 11, ela recebeu uma última mensagem antes de dormir:
"Finalmente é quase amanhã!. Na minha casa às 18. Eu preciso ver você."
Ela leu aquelas palavras umas dez vezes, tentando entender se havia algo escondido ali. Mas não havia como saber. A única certeza era a ansiedade que dominava o peito, como se o próprio destino estivesse prestes a mudar.
O coração de batia num ritmo estranho — acelerado, mas contido. O carro seguia pelas ruas estreitas de Hannam-dong, e ela reconhecia o caminho até a casa dele com facilidade. Já estivera ali antes, muitas vezes, em silêncio, sempre escondida do mundo, mas jamais do coração dele.
Ao descer do carro, reconheceu a calçada, o muro discreto. O portão se abriu automaticamente. Não havia uma alma na rua e o condomínio era extremamente seguro, muitos idols e celebridades moram por ali, então não tinha perigo. Apenas ela e aquele friozinho no estômago que nem os anos ao lado dele haviam conseguido apagar.
Foi só ao atravessar o pequeno jardim da casa que percebeu algo diferente.
Luzes suaves e quentes, como pequenos vaga-lumes presos em fios transparentes, pendiam do teto da varanda até a porta, tremeluzindo como se dançassem ao som do vento. Dentro, através da janela de vidro, ela viu a sala iluminada apenas por mais luzes miúdas e velas espalhadas. Tudo calmo. Quente. Familiar.
Quando a porta se abriu, ele estava ali.
Kim Namjoon, depois de meses.
Cabelos ligeiramente bagunçados, uma blusa preta de tecido leve, olhos que a olhavam como se o tempo tivesse parado ali. Ele sorriu pequeno — aquele sorriso que exibia bem suas covinhas, aquele que só ela conhecia de verdade — e abriu os braços, mas não disse nada.
Ela entrou devagar. Não era timidez. Era reverência. Ao tempo, à espera, ao amor que se mantinha firme sem precisar de plateia. Quando enfim seus corpos se encontraram, o abraço foi mais do que físico — foi um alívio. Um reencontro de almas.
— Você tá aqui mesmo — ela murmurou, com o rosto enterrado no peito dele.
— Sempre estive — ele respondeu, apertando-a com um pouco mais de força. — E você segurou tudo sozinha. Como sempre.
Ela se afastou só o suficiente para olhá-lo. Aquele olhar — inteiro, intenso, seguro — estava de volta.
— Não sozinha. Nunca sozinha. Eu tinha você — sussurrou, tocando o rosto dele com as duas mãos.
Namjoon a guiou pela sala decorada de forma simples, mas cheia de pequenos símbolos que só ela entenderia. Uma foto dos dois no porta-retratos antigo que ela deixara ali anos atrás. O vinil de qualquer coisa do Caetano Veloso tocando baixinho. O livro de Drummond com a fita vermelha ainda marcando a página do poema que ela tinha lido chorando no último Natal. Um buquê de lavandas secas — suas flores preferidas.
E, no centro da mesa de centro, um pequeno envelope com seu nome escrito à mão.
— Abre depois — ele disse, tocando de leve as costas dela.
Ela assentiu, emocionada demais para falar qualquer coisa. Era como se cada detalhe dissesse: “Eu esperei por esse dia tanto quanto você.”
Namjoon a puxou pela mão e a levou até a varanda. Lá fora, havia uma pequena tenda de tecido branco com almofadas por dentro. Não era grandiosa. Era íntima. Como eles. Sobre a manta, uma cesta com comidas simples que ela amava. E duas taças.
— Você lembra disso? — ele perguntou.
Ela sorriu. Era a mesma tenda do aniversário dela em 2019. Só os dois, vinho, estrelas e juras sussurradas entre beijos.
— Eu lembro de tudo.
Eles sentaram ali, próximos, os dedos entrelaçados, como se o mundo não existisse.
A noite seguiu com risos, confissões, silêncios que diziam mais que palavras. E quando ela achou que não poderia se sentir mais completa, ele a olhou com aquela intensidade que fazia o tempo parar.
A madrugada já havia avançado quando voltou do banheiro, descalça, com os cabelos soltos caindo sobre os ombros. Namjoon ainda estava na varanda, deitado entre as almofadas, uma taça de vinho esquecida ao lado, o olhar perdido no céu de Seul. Ela parou um instante só para observá-lo.
Não era a primeira vez que o via assim. Sereno. Bonito de um jeito que só quem o amava conseguia enxergar por completo. Mas algo naquela noite tinha mudado. Havia uma firmeza nova nos olhos dele. Uma tranquilidade que só quem está em paz com as próprias escolhas carrega no peito.
— Tá frio — ela disse baixinho, cobrindo os dois com o cobertor macio antes de se sentar ao lado dele novamente.
Namjoon virou o rosto na direção dela e sorriu. Um sorriso pequeno, mas cheio de afeto.
— Eu queria que essa noite durasse pra sempre.
se aproximou mais, enlaçando o braço no dele.
— Ela já dura… desde 2017 — respondeu, com uma ternura leve nos lábios.
Ele riu baixo, encostando a testa na dela.
— Eu pensei nisso todos os dias no quartel. Sobre como… tudo sempre volta pra você. Sobre como, por mais que o mundo me puxasse pra longe, minha paz sempre esteve aqui.
Ela não respondeu. Não precisava. Seu olhar dizia tudo.
Namjoon então se levantou devagar, como quem está prestes a fazer algo que pensou por muito tempo. Entrou na casa por um instante e voltou com o envelope que ela ainda não tinha aberto.
— Eu ia deixar pra você abrir depois que fosse embora. Mas não faz sentido adiar mais.
pegou o envelope com mãos um pouco trêmulas e, com cuidado, deslizou o dedo por dentro dele.
Lá havia uma única folha. Um poema. Escrito à mão. Com traços que ela reconhecia melhor do que a própria caligrafia. Era simples. Direto. Em coreano, com palavras que diziam muito mais entre as linhas:
"Você sabe.
Que sempre soube.
Que cada escolha minha te envolvia.
Mesmo em silêncio.
Mesmo escondido.
Mesmo sozinho.
Eu não te pedi pra esperar…
Mas você esperou.
E agora, quero passar o resto da vida agradecendo por isso."
Ela o olhou, os olhos marejados.
Foi quando ele se ajoelhou.
Nada ensaiado. Nada grandioso. Apenas ele, ajoelhado sobre o tapete da varanda, com uma caixinha de veludo escuro na mão.
— Eu não posso te prometer o mundo todo agora — ele disse, a voz embargada. — Não posso te prometer uma cerimônia, nem flashs, nem flores em público… pelo menos por enquanto. — A emoção era tanta que o ar parecia preso entre os dois. — Mas eu posso te prometer que você é minha escolha. A única. E que quando esse tempo passar — e ele vai passar — eu vou fazer tudo do jeito que você sempre sonhou. Mas hoje, eu preciso que você saiba, oficialmente, que é com você que eu quero envelhecer.
Ele abriu a caixinha. Um anel simples, delicado. Sem diamantes, sem extravagância. Mas com um brilho que ela reconhecia: o brilho das coisas que duram.
— … você aceita ser minha noiva?
Ela não hesitou.
Caiu de joelhos na frente dele e o abraçou com força, o rosto colado ao pescoço dele, como se quisesse cravar aquele momento na pele.
— Sim, Namjoon. Sempre sim. Desde sempre.
Eles ficaram ali, abraçados, as lágrimas silenciosas correndo dos olhos dela, enquanto ele a envolvia como quem abraça o próprio lar.
Sem plateia. Sem testemunhas.
Apenas os dois. E uma promessa.
Ela estava sentada no sofá, as mãos entrelaçadas sobre o colo, o olhar fixo na tela. O café na caneca em cima da mesa já havia esfriado, esquecido ali enquanto ela contava os minutos desde que acordou naquela manhã. Sabia que não poderia estar lá. Sabia que não poderia nem mesmo mandar uma mensagem naquele instante. Mas mesmo assim, o coração parecia teimar em ignorar a lógica.
Do outro lado da cidade, ele sorria. O cabelo mais comprido do que ela se lembrava, os traços ligeiramente mais maduros. Mas os olhos... os olhos eram os mesmos. Os que a olhavam com tanta delicadeza nos raros momentos a sós, os que percorriam cada traço dela como se memorizassem um poema.
Ela encostou a cabeça no encosto do sofá, e uma lembrança veio, quase como uma brisa suave.
"Eu volto antes do próximo Dia dos Namorados. Prometo."
O sussurro dele, no último dia que passaram juntos antes dele se alistar, ainda a fazia arrepiar. Na época, o 12 de junho parecia tão distante. Agora, faltavam apenas dois dias.
— Você ainda está vendo isso? — a voz de Lay invadiu o cômodo pelo viva-voz do celular, que tocava em cima da mesinha de centro.
— Claro que estou. Você acha que eu ia perder o dia em que meu... — cortou a frase no meio, mesmo estando sozinha.
— Seu quê, ? Vai, completa. Seu "militar"? — brincou a amiga, rindo.
— Idiota — ela respondeu, sem conseguir esconder o sorriso que escapou. — Eu só... queria ver ele chegar bem.
— E chegou. Todo lindo, inclusive. — Lay fez uma pausa. — Você tá bem? — Tô. Só com o coração do tamanho de um grão de arroz.
— Ele vai te ver no dia 12, como prometeram. Você confia nele, né?
— Mais do que em mim mesma — respondeu , quase num sussurro.
Quando desligou o telefone, levantou-se e foi até a varanda. A brisa da primavera coreana soprava leve, trazendo com ela o cheiro da cidade e um pouco de esperança. O celular vibrou em sua mão. Um nome que ela conhecia bem piscou na tela — Hana, umas das staffs que sempre foi responsável pelo líder e que tinha virado uma das melhores amigas de .
"Está tudo certo para o dia 12. Ele falou comigo. Vai te esperar em casa. Me pediu para garantir que você não tenha compromissos nesse dia. Ele ainda não te mandou mensagem, nem ligou, porque está lotado de câmeras aqui e sabe como é.”
sorriu, um daqueles sorrisos que se guardam no fundo da alma. A saudade ainda pulsava forte, mas agora havia algo mais. A certeza de que, mesmo em silêncio, eles continuavam sendo um do outro. Então respondeu a amiga:
”Obrigada por avisar e por tudo, você é a melhor”
As primeiras notícias sobre a dispensa dos integrantes do BTS ecoavam por toda parte. Artigos, vídeos, stories, entrevistas rápidas. Cada site tinha uma nova imagem, uma nova manchete, uma nova análise sobre os próximos passos da carreira deles. E entre os flashes e o burburinho digital, o rosto de Namjoon aparecia com mais frequência do que ela podia suportar sem sentir o coração apertar.
E então pelo menos uma hora depois de falar com Hana o celular vibrou de novo. Era ele, aquela mensagem que ela estava esperando há muito tempo.
"Você viu os portais explodindo? Tô rindo e suando ao mesmo tempo. Ainda tenho que ligar a live agora, só queria que você soubesse que estou bem. E pensando em você. Muito. Sinto muito a sua falta"
segurou o celular com as duas mãos, como se temesse que ele escapasse. Uma resposta rápida, breve, mas cheia de significados. Sabia o quanto aquele momento era importante — para os fãs, para a carreira, para o grupo. E, mesmo assim, ele arranjara um segundo para pensar nela.
Ela digitou com o coração acelerado:
"Te vi pela TV. Estou orgulhosa. E com saudade. Vai brilhar, como sempre. Não esquece que eu te amo"
Ele não demorou a responder:
“Eu te amo mais. 💜 Live em 3, 2, 1.”
No dia seguinte, tentou seguir a vida normalmente. No trabalho, os projetos da diplomacia cultural continuavam exigindo seu foco, mas era impossível não ficar à flor da pele. Cada vez que o celular vibrava, seu coração dava um pulo, e quase sempre era ele. Mensagens curtas, como códigos silenciosos só deles dois.
"Mamãe pediu para eu ficar esses dois dias em casa. Tô preso no interior, entre comidas boas e minha avó falando do meu peso."
"Tô cansado, mas feliz. Tudo vai fazer sentido logo, prometo."
"Você tá bem? Tá se cuidando? Dorme cedo, por favor. (Mesmo que eu saiba que você não vai)."
respondia com fotos do dia a dia: uma xícara de café com o emoji de coração; um print do tempo frio; o livro que estava relendo pela terceira vez desde que ele se foi. Ela sorria com cada troca de mensagem. A saudade era constante, mas também era doce. E a promessa do reencontro a mantinha firme.
Na noite do dia 11, ela recebeu uma última mensagem antes de dormir:
"Finalmente é quase amanhã!. Na minha casa às 18. Eu preciso ver você."
Ela leu aquelas palavras umas dez vezes, tentando entender se havia algo escondido ali. Mas não havia como saber. A única certeza era a ansiedade que dominava o peito, como se o próprio destino estivesse prestes a mudar.
O coração de batia num ritmo estranho — acelerado, mas contido. O carro seguia pelas ruas estreitas de Hannam-dong, e ela reconhecia o caminho até a casa dele com facilidade. Já estivera ali antes, muitas vezes, em silêncio, sempre escondida do mundo, mas jamais do coração dele.
Ao descer do carro, reconheceu a calçada, o muro discreto. O portão se abriu automaticamente. Não havia uma alma na rua e o condomínio era extremamente seguro, muitos idols e celebridades moram por ali, então não tinha perigo. Apenas ela e aquele friozinho no estômago que nem os anos ao lado dele haviam conseguido apagar.
Foi só ao atravessar o pequeno jardim da casa que percebeu algo diferente.
Luzes suaves e quentes, como pequenos vaga-lumes presos em fios transparentes, pendiam do teto da varanda até a porta, tremeluzindo como se dançassem ao som do vento. Dentro, através da janela de vidro, ela viu a sala iluminada apenas por mais luzes miúdas e velas espalhadas. Tudo calmo. Quente. Familiar.
Quando a porta se abriu, ele estava ali.
Kim Namjoon, depois de meses.
Cabelos ligeiramente bagunçados, uma blusa preta de tecido leve, olhos que a olhavam como se o tempo tivesse parado ali. Ele sorriu pequeno — aquele sorriso que exibia bem suas covinhas, aquele que só ela conhecia de verdade — e abriu os braços, mas não disse nada.
Ela entrou devagar. Não era timidez. Era reverência. Ao tempo, à espera, ao amor que se mantinha firme sem precisar de plateia. Quando enfim seus corpos se encontraram, o abraço foi mais do que físico — foi um alívio. Um reencontro de almas.
— Você tá aqui mesmo — ela murmurou, com o rosto enterrado no peito dele.
— Sempre estive — ele respondeu, apertando-a com um pouco mais de força. — E você segurou tudo sozinha. Como sempre.
Ela se afastou só o suficiente para olhá-lo. Aquele olhar — inteiro, intenso, seguro — estava de volta.
— Não sozinha. Nunca sozinha. Eu tinha você — sussurrou, tocando o rosto dele com as duas mãos.
Namjoon a guiou pela sala decorada de forma simples, mas cheia de pequenos símbolos que só ela entenderia. Uma foto dos dois no porta-retratos antigo que ela deixara ali anos atrás. O vinil de qualquer coisa do Caetano Veloso tocando baixinho. O livro de Drummond com a fita vermelha ainda marcando a página do poema que ela tinha lido chorando no último Natal. Um buquê de lavandas secas — suas flores preferidas.
E, no centro da mesa de centro, um pequeno envelope com seu nome escrito à mão.
— Abre depois — ele disse, tocando de leve as costas dela.
Ela assentiu, emocionada demais para falar qualquer coisa. Era como se cada detalhe dissesse: “Eu esperei por esse dia tanto quanto você.”
Namjoon a puxou pela mão e a levou até a varanda. Lá fora, havia uma pequena tenda de tecido branco com almofadas por dentro. Não era grandiosa. Era íntima. Como eles. Sobre a manta, uma cesta com comidas simples que ela amava. E duas taças.
— Você lembra disso? — ele perguntou.
Ela sorriu. Era a mesma tenda do aniversário dela em 2019. Só os dois, vinho, estrelas e juras sussurradas entre beijos.
— Eu lembro de tudo.
Eles sentaram ali, próximos, os dedos entrelaçados, como se o mundo não existisse.
A noite seguiu com risos, confissões, silêncios que diziam mais que palavras. E quando ela achou que não poderia se sentir mais completa, ele a olhou com aquela intensidade que fazia o tempo parar.
A madrugada já havia avançado quando voltou do banheiro, descalça, com os cabelos soltos caindo sobre os ombros. Namjoon ainda estava na varanda, deitado entre as almofadas, uma taça de vinho esquecida ao lado, o olhar perdido no céu de Seul. Ela parou um instante só para observá-lo.
Não era a primeira vez que o via assim. Sereno. Bonito de um jeito que só quem o amava conseguia enxergar por completo. Mas algo naquela noite tinha mudado. Havia uma firmeza nova nos olhos dele. Uma tranquilidade que só quem está em paz com as próprias escolhas carrega no peito.
— Tá frio — ela disse baixinho, cobrindo os dois com o cobertor macio antes de se sentar ao lado dele novamente.
Namjoon virou o rosto na direção dela e sorriu. Um sorriso pequeno, mas cheio de afeto.
— Eu queria que essa noite durasse pra sempre.
se aproximou mais, enlaçando o braço no dele.
— Ela já dura… desde 2017 — respondeu, com uma ternura leve nos lábios.
Ele riu baixo, encostando a testa na dela.
— Eu pensei nisso todos os dias no quartel. Sobre como… tudo sempre volta pra você. Sobre como, por mais que o mundo me puxasse pra longe, minha paz sempre esteve aqui.
Ela não respondeu. Não precisava. Seu olhar dizia tudo.
Namjoon então se levantou devagar, como quem está prestes a fazer algo que pensou por muito tempo. Entrou na casa por um instante e voltou com o envelope que ela ainda não tinha aberto.
— Eu ia deixar pra você abrir depois que fosse embora. Mas não faz sentido adiar mais.
pegou o envelope com mãos um pouco trêmulas e, com cuidado, deslizou o dedo por dentro dele.
Lá havia uma única folha. Um poema. Escrito à mão. Com traços que ela reconhecia melhor do que a própria caligrafia. Era simples. Direto. Em coreano, com palavras que diziam muito mais entre as linhas:
"Você sabe.
Que sempre soube.
Que cada escolha minha te envolvia.
Mesmo em silêncio.
Mesmo escondido.
Mesmo sozinho.
Eu não te pedi pra esperar…
Mas você esperou.
E agora, quero passar o resto da vida agradecendo por isso."
Ela o olhou, os olhos marejados.
Foi quando ele se ajoelhou.
Nada ensaiado. Nada grandioso. Apenas ele, ajoelhado sobre o tapete da varanda, com uma caixinha de veludo escuro na mão.
— Eu não posso te prometer o mundo todo agora — ele disse, a voz embargada. — Não posso te prometer uma cerimônia, nem flashs, nem flores em público… pelo menos por enquanto. — A emoção era tanta que o ar parecia preso entre os dois. — Mas eu posso te prometer que você é minha escolha. A única. E que quando esse tempo passar — e ele vai passar — eu vou fazer tudo do jeito que você sempre sonhou. Mas hoje, eu preciso que você saiba, oficialmente, que é com você que eu quero envelhecer.
Ele abriu a caixinha. Um anel simples, delicado. Sem diamantes, sem extravagância. Mas com um brilho que ela reconhecia: o brilho das coisas que duram.
— … você aceita ser minha noiva?
Ela não hesitou.
Caiu de joelhos na frente dele e o abraçou com força, o rosto colado ao pescoço dele, como se quisesse cravar aquele momento na pele.
— Sim, Namjoon. Sempre sim. Desde sempre.
Eles ficaram ali, abraçados, as lágrimas silenciosas correndo dos olhos dela, enquanto ele a envolvia como quem abraça o próprio lar.
Sem plateia. Sem testemunhas.
Apenas os dois. E uma promessa.
Fim
Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? MEU MARIDO SAIU DO EXÉRCITO FINALMENTE, EU TE AMO KIM NAMJOON KKKKKKK. Espero que goste e não esquece de comentar, ok?
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
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AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
