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Última atualização: 27/01/2021

1.

O sol tinha nascido há pouco tempo no horizonte quando dois estampidos puderam ser ouvidos por toda a rua, o que fez alguns cachorros próximos latirem, mas não foi o suficiente para acordar os Trouxas.
Os Black seguiram juntos até a terceira casa à direita, encarando-se por um instante antes de passarem pela porta azul. Olharam ao redor, notando o silêncio do local, mas logo escutaram passos apressados vindos do segundo andar da casa. Andrômeda chegou às escadas, descendo afoita e olhando para os lados, sorrindo assim que seus olhos pararam em Sirius e , abraçando-os ao mesmo tempo;
— Ouvi a notícia de que Você-Sabe-Quem está morto tem poucos minutos, naquela rádio clandestina! — Disse aliviada, olhando de um para o outro — Parecem cansados! Vamos, sentem-se, vou fazer um lanche para vocês, devem estar famintos! Como estão todos? Por que Ninfadora não está com vocês? Ficou para ajudar no Ministério?
— Andrômeda… — Sirius começou com a voz baixa.
— Daqui há pouco Teddy acorda de novo, ela precisa estar aqui para amamentá-lo — a mulher dizia distraída, andando de um lado para o outro na cozinha, pegando canecas para um chá.
— Andrômeda! — O homem repetiu, segurando-a pelos ombros, abriu a boca, mas sentiu-se incapaz de proferir aquelas palavras.
— O que aconteceu? Dora está bem? — Questionou no mesmo instante, colocando as mãos sobre o peito - Sirius… — Tornou nervosa ao notar a demora por uma explicação, logo sentindo os olhos marejarem — Onde está Ninfadora? Onde está minha filha?
aproximou-se de cabeça baixa, puxando a varinha da prima do bolso, deixando-a sobre a mesa da cozinha, incapaz de segurar as lágrimas que voltaram a seus olhos.
Andrômeda gritou desesperada ao reconhecer a varinha da filha, negando com a cabeça, aos prantos, enquanto era abraçada por Sirius;
— Não! Não! Minha filha! Não! Sirius?! — Gritava histérica, incapaz de controlar-se — Ninfadora! Não!
Sirius a abraçava com força, a mulher tremia em seus braços, soluçando conforme o choro aumentava. Logo ouviram o choro de Teddy vindo do andar de cima, e virou-se em direção ao segundo andar, incapaz de olhar para a mais velha e ver o sofrimento estampado em seu rosto.
— Eu sinto muito… — Sirius murmurava para a mulher com a voz rouca.
— O que aconteceu? — Questionou desamparada, encarando-o por um instante, os olhos vermelhos.
— Bellatrix, — respondeu em voz baixa, olhando-a nos olhos — Bellatrix e Rodolfo atacaram os dois…
— Dois…? — Questionou confusa, o cenho franzido por um instante, parecendo então dar-se conta de que faltava mais uma pessoa com eles — Remo…?
Sirius concordou com um aceno, vendo-a fechar os olhos, desacreditada. Levou-a até o sofá, antes de buscar um copo d’água, permanecendo ao seu lado durante todo o tempo, abraçando-a.
— O que vai ser de Teddy agora, Sirius? — Virou-se para olhá-lo, chorando ainda mais ao lembrar-se do neto - Sem mãe e pai? Eles estavam tão felizes… Como vou criá-lo, Sirius?
— Vocês não estarão sozinhos, Andrômeda. Estaremos aqui o tempo todo!

olhava o garotinho em seu colo, parecendo distraído ao brincar com os cabelos soltos da mulher, não parecendo incomodar-se com o fato de estarem sujos e um tanto molhados. Teddy havia acordado assustado com os gritos, mas logo acalmou-se, permanecendo quietinho em seu colo, fazendo barulhos vez ou outra, ou colocando a mãozinha na boca, olhando para a mulher que estava com ele e, vez ou outra, em direção à porta, como se esperasse que mais alguém entrasse para vê-lo.
Black respirou fundo, fungando para evitar voltar a chorar enquanto estava com ele, mas sentiu um aperto no peito ao pensar que Dora não estaria mais ali, e Teddy cresceria sem a mãe e o pai, assim como ela;
— Seus pais são os melhores do mundo, sabia? — Disse baixinho, atraindo sua atenção por alguns instantes - Eles te amavam muito, Teddy, foi por isso que a Dora foi para Hogwarts, porque ela e o Remo queriam garantir que você não sofreria por causa do Riddle, ok? Seu pai foi um dos melhores professores que eu tive, sabia disso? Ele era realmente incrível! E sua mãe é uma das pessoas mais maravilhosas do mundo todo! Ela sempre me ajudava com tudo, até acordava à noite para dormir comigo quando chovia muito forte, porque sabia que eu tinha medo de trovão. E sempre me mandava chocolates da Dedos de Mel quando estava em Hogwarts. Você vai ser tão incrível quanto seus pais, tenho certeza disso! E eu nunca vou deixar você sozinho, ok? Eu sempre estarei do seu lado, assim como a Dora esteve do meu, eu prometo para você!

Cedrico afastou-se de sua mãe após incontáveis minutos sendo abraçado pela mesma, que não parava de chorar contra seu peito; feliz pelo filho estar a salvo, contente por Voldemort estar morto e, ao mesmo tempo, triste ao saber de todos aqueles que tinham perdido suas vidas durante a Batalha.
— Imagino que Shacklebolt organizará todo o funeral, não é mesmo? — Amos questionou sentado no sofá, tão triste quanto a mulher e, ao mesmo tempo, sentindo-se mal por não ter ajudado como podia na luta, nem mesmo sabendo que tudo aquilo havia acontecido antes de Cedrico contar-lhes.
— Sim, mas o Conselho deve se reunir primeiro para escolher um novo Ministro da Magia, não? — Respondeu, ainda dando palmadinhas nas costas de Rachel, que aos poucos se acalmava — Quem mais poderia concorrer ao cargo além de Quim?
O mais velho ponderou, passando a mão pela barba rala;
— Consigo pensar em mais um ou dois nomes, mas Shacklebolt deve ser escolhido como Ministro ao menos temporariamente, principalmente por ter participado de toda a luta contra Você-Sabe-Quem. Já havia rumores de que ele seria escolhido após Fudge renunciar…
— Tenho certeza de que ele fará um trabalho maravilhoso, — a mulher fungou, finalmente afastando-se do filho, antes de virar-se em direção a cozinha, pensando em preparar algo para ele comer — Kingsley sempre foi um ótimo funcionário e um excelente bruxo para o Ministério, não é?
— Sim, sempre muito humilde também, e, claro, devemos lembrar que se não fosse por ele, você teria tido problemas maiores nos últimos meses, não? — Amos apontou para o mais novo, lembrando-se da invasão do Ministério.
Cedrico concordou, sorrindo sem graça ao sentar-se ao lado do pai no sofá da sala.
— Espero que agora que tudo acabou eu possa recuperar meu emprego… — Comentou, cruzando os braços atrás da cabeça, sentindo o corpo todo dolorido ao recostar-se melhor. — Vou precisar de algum dinheiro… — Fez uma careta leve, vendo Amos rir baixo;
— Sua namorada não é rica, filho? Trabalhar pra quê? — Perguntou divertido.
— Quero que Sirius pense que sou responsável até casarmos, depois disso vou largar o emprego e viver às custas dela! — respondeu no mesmo tom, piscando para o mais velho.
— Falando em Sirius e , — Rachel comentou sorrindo ao voltar para a sala com uma bandeja com sanduíches e suco — como eles estão com tudo o que aconteceu com Ninfadora e Remo?
— Nada bem, — suspirou, agradecendo pela comida antes de pegar o sanduíche de carne feito pela mulher — não pude conversar muito com depois da batalha, mas não vai ser nada fácil contarem para Andrômeda, não é?
— Por Merlin, — Rachel concordou, colocando a mão sobre o peito e negando com a cabeça — vou fazer uma visita amanhã, mas não imagino como ela possa estar: perder o marido, filha e genro em menos de um ano!
— E duas irmãs também. — Cedrico relembrou, terminando de engolir — Embora não estivessem próximas, as coisas devem ser diferentes agora que sabemos sobre Victoria, não sei qual deles vai estar pior com tudo isso…
— Victoria Lestrange? O que aconteceu? — Amos questionou curioso ao ouvir o nome da mulher.
— Na verdade ela era inocente igual ao Sirius, bem, talvez não inocente, mas tudo o que ela fez foi tentando proteger a família. Morreu tentando derrotar Voldemort como todos nós, e só soube disso horas antes…
— Pelas barbas de Merlin! — Amos exclamou chocado com a reviravolta, passando a mão pelos cabelos curtos. — Caramba, essa família não tem um momento de sossego?
— Sirius sabia sobre isso? — Rachel perguntou tão surpresa quanto o marido.
— Aparentemente sim, não sei bem como foi que descobriu, mas ao que tudo indica, foi Victoria quem o ajudou a escapar de Azkaban, e os dois vinham se comunicando desde que ela fugiu da prisão junto com os outros Comensais…
— Em que foi que você se meteu, Ced? — O homem comentou, encarando-o por um instante ao negar com a cabeça — Como deve estar a cabeça dessa garota com tudo isso? Os pais em Azkaban, para depois de anos descobrir que os dois não eram Comensais, e depois perder a mãe e prima na mesma noite?
— E matar a tia… — Acrescentou, suspirando ao lembrar-se do momento, virando-se para os pais — Ninfadora foi morta por Bellatrix, a matou depois...
— Eu acho… — Rachel começou em voz baixa, parecendo cada vez mais chocada com o que escutava — Acho que você deveria tomar um banho, descansar um pouco e então visitá-la, vai precisar de você e do seu apoio!
— Sei que sim, — concordou, levantando-se do sofá, pronto para um banho — mas só amanhã. vai ficar com Andrômeda essa noite.

Sirius tornou a abraçar a prima antes de despedirem-se, beijou a testa da filha e aparatou de volta para casa. Parou no galpão de Bicuço, jogando-lhe duas doninhas para comer e acariciando-lhe a cabeça por alguns minutos, antes do cansaço vencê-lo por completo e seguir para a casa. Foi direto para seu quarto tomar um banho e trocar de roupa, não se permitindo nem por um instante pensar em tudo o que havia acontecido nas últimas horas. Precisava aliviar um pouco os pensamentos e o coração de toda aquela dor, embora não fosse uma tarefa fácil.
Sirius já descia as escadas, vestindo uma roupa mais velha e confortável, quando ouviu o estampido alto no quintal. Andou até a porta ao ver pela janela da sala o afilhado atravessando o terreno, carregando apenas uma mochila pequena, parecendo tão cansado quanto ele próprio.
O garoto sorriu assim que o viu parado à porta, abrindo os braços para dar-lhe as boas-vindas, após tantos meses distantes;
— Bem vindo à sua nova casa, Harry Potter! — Disse ao abraçá-lo apertado, sendo correspondido da mesma forma.
— Nem sei como agradecer, Sirius! — Respondeu em voz baixa, sentindo-se genuinamente feliz ao pensar que finalmente era bem vindo no lugar que passaria a morar.
— Tente não me dar tanto trabalho ou preocupação nos próximos meses, será o suficiente. — Pediu sorrindo, dando-lhe espaço para entrar e mostrando-o a casa: — A cozinha é por ali, sinta-se à vontade para atacar a geladeira e os armários, apesar de que preciso comprar mais comida essa semana… Talvez faça isso amanhã. — Coçou a barba, distraído.
— Você tem uma televisão? — Surpreendeu-se ao ver o objeto na sala de estar.
Sirius o encarou com a sobrancelha arqueada;
— Não é porque a maioria dos bruxos evitam os trouxas que eu não aproveite algumas coisas úteis que eles inventaram, televisão e pizza sendo duas delas.
Harry riu, concordando com a cabeça, enquanto o mais velho apontava para o outro canto após a sala;
— Temos um banheiro aqui embaixo e no andar de cima, — começou a subir as escadas, sendo seguido pelo mais novo — você e vão dividir esse aqui, boa sorte, ela passa horas no banho. — Avisou, olhando-o por sobre o ombro. — Meu quarto é o no final do corredor, este claramente é de — apontou para a porta pintada de roxo, cor a qual ambos sabiam ser a preferida da loira — e esse é o seu. Ainda tem algumas roupas de Diggory espalhadas, mas eu não sou contra você jogar tudo fora se quiser. Podemos fingir que foi um acidente! — Piscou, vendo-o rir ao negar.
— Jogar fora? Eu vou é pegar para mim, estou carregando duas camisas a meses! — Contou, fazendo uma careta antes de entrar no cômodo.
— Podemos resolver isso também. — Acrescentou, parando de braços cruzados na porta, enquanto o afilhado deixava a mochila sobre a cama e olhava ao redor. — Não decoramos muito além do básico, porque achamos melhor você mesmo montá-lo como preferir, — começou, aproximando-se de uma caixa mais ao canto — mas imaginei que você gostaria de ver isso aqui primeiro!
O homem deixou a caixa de papelão em cima da cama, ao lado do garoto, antes de colocar a mão em seu ombro, apertando-o gentilmente;
— Espero que você goste de morar aqui, Harry, e que seja feliz como merece — sorriu — Depois é melhor você tomar banho e comer alguma coisa, deve estar faminto, não? E descanse, você está acabado! — Piscou, virando-se para sair do quarto.
— Cadê a ?
— Vai dormir na casa dos Tonks, deve voltar em alguns dias. — Explicou, sorrindo pequeno antes de sair, fechando a porta atrás de si.
Harry tornou a olhar ao redor, sorrindo sozinho ao pensar que tinha um quarto só pra ele, após todos aqueles anos. As paredes eram todas brancas, a cama de casal ficava de frente a uma janela que dava visão para o grande terreno verde ao redor da casa. Ao canto um armário de quatro portas, a qual ele abriu para deixar suas coisas: uma camiseta azul, um par de jeans e seu pijama que consistia em uma bermuda velha e uma camisa branca com alguns furos. Tirou a jaqueta que vestia, deixando-a de canto, sabendo que precisaria lavá-la antes de guardar. Na segunda porta do armário notou algumas roupas bem dobradas, que deveriam pertencer a Cedrico.
Tirou os tênis deixando-os de lado, e então voltou a sentar-se na cama, abrindo curioso a caixa que Sirius havia deixado ali, imaginando ser algum presente de boas-vindas.
Entretanto, ao abri-la, notou um livro de Transfigurações usado, folheando-o curioso, e então viu o nome escrito ao canto da primeira página: James Potter.
Sorriu sozinho ao notar a caligrafia do pai, passando para as páginas seguintes, anotações aleatórias sobre feitiços ou desenhos de pomos-de-ouro.
Deixou o livro de canto e tornou a olhar a caixa, pegando um punhado de fotos antigas que estavam ali; A primeira delas, cortada, conseguia ver James, Lily, Sirius e Remo, todos mais jovens, ainda usando as vestes de Hogwarts em frente ao Lago Negro. Na seguinte, James segurava e Sirius carregava Harry, os amigos rindo para a foto enquanto as duas crianças se encaravam, não parecendo tão animadas quanto os pais com a interação. Sentiu as lágrimas começarem a escorrer por seu rosto ao ver a fotos dos pais o segurando no que deveria ser seu aniversário de um ano; O pequeno Harry estava no colo do pai, batia palmas animado para a vela no bolo que sua mãe segurava. Na última imagem, um homem mais velho de óculos o segurava sorrindo e James abraçava a mulher ao lado; Harry passou algum tempo olhando para o casal, notando alguns traços similares aos avós.
Por fim, ao olhar mais uma vez dentro da caixa, puxou uma camisa comprida, parecida com seu uniforme de Quadribol, embora mais gasta e um tanto desbotada, o número 7 e o nome POTTER na parte de trás ainda eram visíveis. Harry sorriu, deitando-se na cama de barriga para cima enquanto encarava a foto dos pais.

A loira olhou para os braços machucados enquanto a água quente caia sobre seu corpo, fez uma careta leve ao reparar que em alguns pontos os machucados estavam mais doloridos e profundos que outros, olhou a água avermelhada que descia pelo ralo antes de virar-se para pegar um pouco de shampoo. Demorou incontáveis minutos para conseguir tirar a camada grossa de sangue seco de seus cabelos embolados, para finalmente passar um pouco de condicionador e então limpar o restante dos cortes que havia sobre si com o sangue coagulado.
Secou-se ainda dentro do box antes de enrolar a toalha nos cabelos compridos, e então vestiu um pijama que havia deixado na casa dos tios. Andou o mais silenciosamente que pôde pelo corredor, imaginando que a tia havia voltado a descansar, devido ao horário, mas notou a luz acesa no quarto de Andrômeda, pensou por um momento antes de caminhar até lá, batendo na porta e abrindo um fresto, logo vendo a tia a olhar sorrindo triste, sentada na cama com as mãos sobre o colo;
— Não consigo dormir! — Confessou baixinho, passando a mão pelo rosto molhado.
concordou com um aceno, sentando ao seu lado na cama e passando o braço por seus ombros, a mais velha suspirou, encostando a cabeça entre o ombro e pescoço da sobrinha, chorando em silêncio, vez ou outra fungando.
— Você sabe que sempre vai ser minha família e que não está sozinha, né tia? — Perguntou baixo, apertando-lhe o ombro em consolo, sentindo as próprias lágrimas rolarem — Independente do que tenha acontecido nos últimos anos eu sempre considerei você e Ted como meus pais desde o começo. Eu sei que não é a mesma coisa, mas eu vou sempre estar do seu lado, do mesmo jeito que vocês estiveram do meu.
— Sei que sim, ! — A mais velha sorriu triste, passando as mãos pelo rosto, antes de suspirar e encara a mais nova, olhando para os pequenos cortes em seu rosto e braços — Tem certeza que está bem? Talvez devêssemos fazer curativos...
— Não se preocupe, — negou com um aceno — não foi nada grave.
Andrômeda a abraçou por incontáveis minutos, antes de levantar-se da cama puxando uma cadeira mais afastada, colocando-a na frente da loira;
— Sente-se, — pediu ao tempo que procurava por uma escova de cabelos, voltando e tirando a toalha dos cabelos compridos da mais nova, secando-os por alguns instantes antes de se sentar na cama, começando a penteá-los — fazem alguns anos que não precisa mais da minha ajuda com isso, não é? Lembra quando você era pequena e não queria cortar os cabelos porque achava que eles não cresceriam de volta? Foi só quando você viu que eu havia cortado e, com o tempo, os meus voltaram ao tamanho anterior, que você me deixou cortar os seus. Quase um ano depois! Estavam enormes!
A garota riu, sentindo as mãos habilidosas da mais velha separar mechas de seu cabelo para desembaraçá-lo aos poucos.
— Você tentou me enganar cortando o da Dora, mas ela mudava sempre que queria! — Comentou, lembrando-se do momento.
— Sim, você passou dias chorando quando descobriu que não poderia mudar as cores ou o tamanho do seu como ela fazia… — Sorriu tristemente com a memória.
— Você lembra da vez que ela se escondeu para vocês acharem que tinha fugido?
— Oh, é claro que sim! Passei horas desesperada, para depois descobrir que ela estava escondida embaixo da sua cama o tempo todo! E você nem mesmo para nos dizer, começou a chorar dizendo que estava com saudades dela… — Negou com a cabeça, relembrando do momento — Vocês duas eram impossíveis! — Sorriu sozinha.
As duas mulheres ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas ouvindo o barulho da escova passando pelos cabelos da mais nova, até Andy terminar e deixar o objeto na cama, logo começando a separar algumas mechas para fazer uma trança.
— Obrigada por ter ficado querida, — disse pouco mais alto que em um sussurro — não sei como farei sozinha nessa casa, apenas com Teddy.
— Vocês poderiam morar com a gente, tia, você ouviu o que meu pai disse…
— Não, não — negou com um aceno, embora ela não pudesse ver — não poderia sair daqui, principalmente agora.
— Eu volto para cá então, te ajudo a cuidar do bebê e você não fica sozinha. — Sugeriu, olhando-a por sobre o ombro.
— Você deve ficar com seu pai, , depois de tanto tempo, vocês dois merecem uma vida sossegada.
— Papai não vai se importar tia, além do mais, agora que tudo acabou, não temos mais com o que nos preocupar, posso visitá-lo todos os dias!
— Ou você pode fazer o contrário: morar com seu pai e vir nos visitar sempre que quiser! Além do mais, eu não posso ficar responsável por você e seu namorado, — comentou, rindo baixo — Sirius ficaria louco se soubesse que eu não me importo com Cedrico dormindo aqui!

Andrômeda abriu a porta vendo Rachel e o filho parados, a mais velha logo se adiantou a abraçando apertado, sendo correspondida da mesma forma pela amiga;
— Eu sinto tanto, Andy! Não consigo nem imaginar… — Disse baixo, consolando-a como podia.
— Obrigada. — Respondeu sorrindo triste, virando-se para Cedrico, o qual carregava uma torta feita pela mãe, passando-a para o braço esquerdo antes de curvar-se ligeiramente sobre a mulher, abraçando-a sem jeito. — Fico feliz que esteja bem, querido!
— Eu sinto muito de verdade…— Beijou-lhe a bochecha, escutando-a fungar baixo, agradecendo.
A mulher pegou a forma com a torta, agradecendo novamente a gentileza, virando-se para o rapaz;
está no quarto com Teddy, pode subir!
Diggory sorriu pequeno, vendo as duas mulheres andarem em direção a cozinha, antes de virar-se para as escadas, subindo de dois em dois degraus. Viu a namorada em pé, balançando o garotinho que mexia-se agitado em seus braços;
— Ei!
sorriu, virando o rosto em sua direção quando ele aproximou-se o suficiente, beijando-lhe por alguns segundos, e então mexendo com o bebê, segurando-lhe a mão e apertando-a gentilmente.
— Quer ajuda?
— Por favor! Faz pelo menos uns trinta minutos que estou com ele no colo e nada de se acalmar, Andy deixou a mamadeira pouco antes de vocês chegarem, mas ele não pegou.
Cedrico concordou, pegando com cuidado o pequeno Teddy em seus braços, balançando-o um pouco desajeitado por alguns minutos, até que o garotinho, aos poucos, se acalmou.
— Inacreditável! — A loira negou com a cabeça, cruzando os braços.
Diggory riu baixo, sentando-se na cama, ainda balançando-o devagar. o entregou a mamadeira e, pouco depois, a criança abriu a boca aceitando de bom grado o leite que lhe era dado.
— Parabéns, Cedrico, está contratado! — Sorriu, virando-se pelo quarto a procura de um prendedor de cabelo, ao tempo que o namorado encostava-se na parede, ficando mais confortável.
— Vai ficar aqui mais alguns dias? — Questionou ao vê-la amarrar os cabelos loiros em um coque frouxo.
— Sim, falei que poderia voltar a morar aqui, pelo menos por um tempo — contou, procurando por outra camisa no armário, já que a que estava usando estava com um pouco de vômito do bebê —, mas Andy não quis, então vou ficar por pelo menos estas primeiras duas semanas, garantir que os dois estejam bem.
Ele concordou com um aceno, vez ou outra olhando para o garotinho, garantindo que ele estava bem e não se afogaria com o leite, enquanto a namorada trocava de blusa, aproveitando para assobiar, apenas para vê-la rolar os olhos, rindo sem graça. Cedrico tornou a olhar para seu rosto por alguns instantes, notando o quão cansada ela parecia;
— Conseguiu dormir?
— Quase nada, durante o dia fiquei conversando com Andy, e depois Teddy acordou e demorou a voltar a dormir. Quando realmente consegui dormir eram quase seis horas, dormia e acordava de tempos em tempos, e você?
— Muito menos do que eu esperava pelo cansaço que estou sentindo, — confessou — se quiser pode tentar dormir mais um pouco, eu fico com ele.
— Não, tudo bem, não estou com sono agora, só cansada. — Deu de ombros, finalmente sentando-se ao seu lado na cama, cruzando as pernas e olhando de Cedrico para o afilhado.
Permaneceram admirando o bebê em silêncio por alguns minutos, até que ele terminou a mamadeira e Diggory o segurou em pé, dando duas palmadinhas em suas costas até que ele arrotasse.
— Como é que você sabe tanto sobre crianças?
— Tenho primos menores — deu de ombros —, além de ter visto Ninfadora fazendo isso algumas vezes.
concordou com a cabeça, sorrindo triste ao pensar na prima. Cedrico a encarou de canto, passando a língua pelos lábios antes de tornar a perguntar em voz baixa;
— Como você está?
— Bem, só cansada — respondeu de imediato, sem nem mesmo olhá-lo.
, — suspirou — você sabe o que quero dizer.
Cedrico esperou pacientemente até que a namorada começasse a falar, aproveitando para mexer o bebê em seu colo, balançando-o com cuidado tentando fazê-lo dormir.
Black encostou-se na cabeceira da cama, olhando para as próprias mãos enquanto pensava em como colocar o que sentia em palavras; havia uma confusão enorme entre seu coração e cabeça.
— Estou feliz que tudo acabou finalmente, — começou em voz baixa, sem olhá-lo, mas sabendo que Diggory a encarava — obviamente triste por todos que perdemos, não só na batalha, mas durante todos esses anos. Também estou mal pela Dora, gostava de todos, mas ela é a que mais me faz falta. Os Tonks foram tudo o que eu tive como família por treze anos, não sei o que fazer agora que Dora e Ted não estão mais aqui… — A voz saiu falha e o nó em sua garganta apareceu, ainda maior que das outras vezes, sentia como se aos poucos sufocasse com tudo aquilo.
Cedrico estendeu a mão, envolvendo a da loira e apertando-lhe gentilmente, tentando transmitir algum conforto. olhou para suas mãos juntas por alguns instantes, antes de virar-se para ele;
— Não sei, Ced, eu sinto que estou triste, mas não sei… — Suspirou, fechando os olhos por alguns segundos — Dora era a pessoa que eu tive mais próxima por anos, e eu mal consigo chorar pela morte dela… Passei horas conversando com a Andy, mas não parecia certo, é como se eu não estivesse triste o suficiente…
Diggory negou com a cabeça, passando a língua pelos lábios;
— Você não pode comparar a forma que sente a perda de alguém com outra pessoa, você pode só reagir a isso de forma diferente, não significa que não está triste. Ou talvez só demore um pouco mais para realmente assimilar tudo isso.
— Mesmo assim Cedrico, algumas vezes eu acho que estou mais aliviada de tudo ter acabado do que realmente triste…
— É claro que você está aliviada, , todos estamos. Voldemort está morto, Comensais estão sendo presos. Não precisa se sentir mal por isso, não quer dizer que você sofre menos a perda de Ninfadora e todos os outros por também se sentir feliz por tudo ter terminado.
Black suspirou, concordando devagar e tornando a olhar para suas mãos, mordendo o lábio inferior.
— O que foi?
— Bellatrix, — começou olhando-o por alguns segundos antes de continuar — eu sei que de fora pode parecer que foi uma decisão lógica tê-la matado, estávamos em uma guerra, talvez ela tivesse matado várias outras pessoas, — disse lentamente — mas eu não consigo me sentir culpada por ter feito aquilo. Não digo nem pela parte de termos o mesmo sangue, porque não éramos próximas e foi ela quem matou Dora, mas por de fato ter matado outra pessoa. Achei que me sentiria mal por isso, sabe? Mas não sinto nada. Na hora até me senti aliviada… E eu tenho plena consciência que só o fiz para me vingar, porque não estava pensando na batalha nem em ninguém mais...
Cedrico sorriu pequeno, concordando;
— Sinceramente, eu me senti extremamente feliz e aliviado quando isso aconteceu. — Deu de ombros, tornando a passar a língua pelos lábios antes de se explicar — Me senti horrível por saber que não podia te ajudar naquele momento, e saber que ela esteve tão próxima de te matar acabou comigo, — sentiu a própria voz quebrar — porque eu senti que falhei com você, em não poder te ajudar. E pensar que algo poderia realmente ter acontecido com você… — Negou com um sorriso triste.
A garota aproximou-se, beijando-lhe a bochecha, antes de encostar-se ao seu lado, colocando a cabeça sobre seu ombro, fazendo carinho na cabeça do afilhado;
— Mesmo que algo tivesse acontecido, não teria como você evitar, Ced, nós dois sabíamos disso quando resolvemos entrar na Ordem, não é? Teriam coisas que ficariam fora de nosso controle; eu me senti péssima todas as vezes que você se machucou em alguma missão, por saber que não estava com você…
Cedrico concordou, beijando-lhe o topo da cabeça;
— Pelo menos nossa cota de hospital e missões está completa, não?
A garota riu fraco, e então continuaram a olhar Teddy, sonolento, fechando os olhos lentamente.
— Você não precisa se preocupar por nada disso, , — o rapaz começou a dizer após alguns minutos de silêncio — faz todo o sentido você sofrer mais pela perda da Ninfadora, e sua confusão de sentimentos não é nada tão fora do comum; você tem que se dar um tempo, em algum momento isso tudo vai passar, você vai sofrer o que precisa pelas perdas que teve, e também vai seguir em frente quando estiver pronta pra isso. — Cedrico sorriu pequeno para a namorada, mirando seus olhos cinzentos nos — Você não é uma má pessoa por sentir tudo isso, .
— Espero que não… — Concordou em voz baixa, vendo o afilhado dormir nos braços do outro.
Diggory pensou por um instante, mordendo o lábio inferior antes de fazer a próxima pergunta que tinha em mente;
— Você e Sirius conversaram sobre Victoria?
— Ainda não, — negou com a cabeça — não tivemos tempo ainda, ele só explicou o que aconteceu na batalha para Andy, mas não deu muitos detalhes… Estavam de fato se comunicando o tempo todo, mas não explicou como tudo aconteceu, vamos conversar quando eu voltar para casa…
— Você está bem? — Tornou instantes depois, prestando atenção em suas reações. coçou o nariz, mexendo a cabeça e tornando encostar-se em seu ombro.
— Não sei ao certo o que sentir disso tudo, fico triste pelo o que ela passou, mas não é como se estivesse chorando, sabe? Não éramos próximas, nunca me importei com ela, então é apenas estranho…
— Imagino que seja, mesmo. — Concordou baixo, sorrindo de canto para ela em seguida — Sabe que se precisar de algo, estou aqui, não?
— Sempre! — Sorriu, beijando-lhe a bochecha, Diggory fez careta:
— Errou o lugar, era aqui — fez um bico, vendo-a rir ao negar, apontando com a cabeça para o afilhado;
— Temos uma criança presente, talvez mais tarde. — Piscou, vendo-o rir baixo.
aproveitou que o garotinho estava dormindo, ficando em pé e pegando-o com cuidado, para levá-lo de volta a seu berço, deixando-o deitado e esperando alguns minutos para garantir que ele não acordaria. Quando voltou a seu quarto, encontrou Diggory esparramado por sua cama, os tênis jogados de qualquer jeito no chão, seus olhos fechados, respirando tranquilo.
Black parou no batente da porta, os braços cruzados, sorriu de canto enquanto o olhava, reparando em alguns machucados que ele tinha espalhados por seus braços, além de um corte no supercílio e outro em seu queixo. Notou as marcas do incidente de pouco mais de um mês antes, ainda visíveis e um tanto avermelhadas, mas muito melhores do que nos primeiros dias.
— Vai ficar me olhando por quanto tempo? — Questionou, ainda de olhos fechados, embora um sorriso pequeno estivesse presente em seus lábios finos.
— Sei lá, pra sempre. — Respondeu baixo, ouvindo a risada rouca do namorado, aproximando-se instantes depois e sentando-se ao seu lado — Como é que você continua bonito desse jeito?
Diggory abriu os olhos, arqueando a sobrancelha;
— Olha só quem fala… — Respondeu baixo, sorrindo de canto. Ela negou por um instante.
— Estou falando sério, Ced, mesmo todo machucado você ainda é o cara mais lindo que eu já vi na vida!
Cedrico riu sem graça, sentindo as bochechas esquentarem:
— Fico feliz que continue pensando isso após todo esse tempo juntos, estaria com problemas se você pensasse o contrário — respondeu em voz baixa, inclinando-se alguns centímetros ao colocar os cotovelos sobre a cama, elevando o tronco — , mas você realmente não deve se olhar no espelho com muita frequência, não é? — Questionou sorrindo — Mesmo quando estava com metade do corpo coberto de sangue, estava incrível como sempre. Ainda que esteja cansada e com olheiras, continua sendo a garota mais linda e, sinceramente, gostosa, que eu já conheci. Como foi que eu dei sorte de você me dar uma segunda chance? Não sei, mas graças a Merlin que me quis de volta.
Diggory viu a garota corar fortemente, tentando segurar a risada ao desviar o olhar do dele:
— É irreal você achar que eu sou a pessoa mais bonita dessa relação quando você é simplesmente perfeita em todos os sentidos.
Black fez uma careta negando veementemente:
— Sabe que isso não está nem perto de ser verdade, Cedrico.
— Pra mim é, mas eu sou apaixonado por você, então é diferente… — Respondeu pensativo, passando a língua pelos lábios, ouvindo-a rir baixo. — Definitivamente os beijos e o sexo são bem satisfatórios.
Satisfatórios? — A outra questionou com a sobrancelha arqueada — Me respeita, Diggory, satisfatório vai ser o soco que eu vou dar nessa sua cara, seu palhaço.
Cedrico começou a rir mais alto, não conseguindo se conter da reação exagerada da mais nova;
— Estou brincando, meu amor, os beijos são sempre a melhor parte do meu dia, — piscou — e, bem, fico triste de não conseguir me esconder no seu quarto mais vezes, porque o sexo é realmente uma loucura!
— Ai, cala boca, Diggory! — negou com a cabeça, segurando a risada, o rosto ainda mais vermelho do que antes.
— Uhmm, com licença, — Andrômeda apareceu na porta, olhando para o lado, claramente segurando a vontade de rir da conversa que havia escutado — se vocês quiserem descer para comer, está tudo pronto…
— Obrigada, tia! — Respondeu por sobre o ombro, sorrindo pequeno.
— Não se preocupem, não escutei nada, Sirius não vai saber de nada por mim! — Avisou, olhando o rapaz por um instante, antes de sair do quarto.
Cedrico Diggory continuou a encarar a porta, estático. A cor sumiu de seu rosto por um momento, para em seguida tomar uma cor vermelha, conforme ele processava a informação do que a mulher havia acabado de ouvir.
— Eu nunca mais piso nessa casa. — Sussurrou, completamente sem graça.
— Não se preocupe, ela já sabia. — avisou, dando risadinhas — Definitivamente não precisava te escutar falando sobre, mas diferente de papai ela não acha que estamos só andando de mãos dadas.
— Ela… — Começou, encarando-a confuso por alguns segundos — Você contou?
— Não tive escolha, não é como se ela e Dora não tivessem notado que ficamos horas sozinhos na praia e depois voltamos aos risos para casa, não é?
— Pelas barbas de Merlin, como você nunca me falou isso? Caramba, você acha que meus pais também sabem?
— Ficaria surpresa se não soubessem. — Deu de ombros, embora também se sentisse um tanto constrangida.
— Vai lá e pega um pedaço de bolo pra mim, não vou sair desse quarto tão cedo… Nunca mais vou olhar pra Andy, por Merlin… Todo esse tempo… — Negou apreensivo, ainda desacreditado que outras pessoas soubessem sobre aquilo. — E se seu pai também souber?
— Ced, quais as chances do meu pai não ser a pessoa mais inconveniente do mundo quando descobrir?

desceu as escadas sozinhas, visto que o namorado parecia constrangido demais para encarar qualquer uma das mulheres, principalmente considerando que Andrômeda talvez contasse para Rachel e sobre o que havia escutado. Black não considerou a segunda opção por confiar na tia, sabia que a mais velha seria discreta, assim como foi quando a sobrinha contou sobre o que tinha acontecido entre o casal.
A garota sorriu sem graça quando viu a mãe de Cedrico sentada no sofá, tomando uma xícara de chá. Sra. Diggory sorriu tão sem jeito quando a outra, mas se levantou segundos depois, aproximando-se para abraçá-la, um tanto constrangida;
— Eu sinto muito, — começou a dizer em voz baixa, afastando-se alguns centímetros da loira para encará-la nos olhos —, por tudo o que aconteceu, por todos os que você perdeu e, também, porque sei que errei com você vezes demais por me preocupar com meu filho. Espero que possa me perdoar algum dia, e que saiba que por mais que não tenha sido a melhor das pessoas com você, nunca te quis mal. E, por mais estranho que pareça, também sempre fiz muito gosto do namoro de vocês, tenho certeza que Ced não poderia achar uma pessoa melhor.
Black concordou, ainda um tanto sem jeito;
— Não se preocupe, entendi todas as vezes seu posicionamento. Talvez tivesse feito o mesmo se estivesse no seu lugar.
— Estamos bem? — Quis garantir, sorrindo mais confiante, vendo-a acenar positivamente.
— Com certeza.
A mulher tornou a abraçá-la, com um pouco mais de força, sendo correspondida da mesma maneira.
sentiu-se genuinamente feliz com aquilo, gostava de Rachel e, definitivamente, não gostaria de estar brigada com a mãe do namorado, principalmente por saber que o relacionamento dela com o filho era tão bom quanto o que a loira tinha com Andrômeda.
— E cadê o Cedrico? — Andy arqueou a sobrancelha, olhando para as escadas, como se esperasse que ele estivesse descendo atrasado.
— Disse que está muito cansado para descer, vai tentar dormir um pouco — a mais nova a encarou por alguns instantes, vendo-a concordar, ao entender o motivo.

abriu à porta, vendo Kingsley Schaklebolt parado do lado de fora, parecendo ainda mais cansado desde que o tinha visto, após a batalha. Sorriu leve para o homem, dando espaço para que entrasse na casa;
— Como está, Quim? Já passou a ser Ministro? — Perguntou, abraçando-o por alguns instantes.
O homem negou com a cabeça, piscando lentamente.
— No momento temos coisas mais importantes para fazer antes de pensarmos nisso. O próprio Conselho achou melhor esperar alguns dias antes de decidirmos qualquer coisa.
— Pode ser que esteja na hora de você descansar também, não é? — Comentou, vendo-o suspirar ao concordar.
— Infelizmente isso também terá que esperar. Andrômeda está? — Pediu, enquanto sentava-se no sofá.
— Só um minuto, está colocando Teddy para dormir. — Explicou, sentando-se ao seu lado. — Como estão as coisas?
— Melhor do que estavam nos últimos meses, mas ainda temos trabalho pela frente. Comensais foragidos, Trouxas que precisamos apagar a memória e coisas do tipo… E por aqui? Fiquei um pouco surpreso de não te ver na casa de Sirius, passei lá mais cedo.
— Ah, achei melhor passar uns dias por aqui antes de voltar — Deu de ombros, sorrindo pequeno.
Quim concordou com um aceno, levantou-se quando viu Andrômeda descendo as escadas, adiantando-se para abraçá-la.
— Eu sinto muito, qualquer coisa que vocês precisem…
— Eu sei, muito obrigada.
Andrômeda não queria mais chorar na frente dos outros, gostaria de passar uma imagem forte. Gostaria de ser tão corajosa quanto a filha, achava que Ninfadora merecia isso de sua parte, mas era sempre mais difícil à noite, quando se deitava e os pensamentos dominavam sua cabeça. Durante o dia conseguia se distrair com o neto e seus afazeres, mas quando se deitava, ficava sozinha com suas memórias.
— Parece cansado, Quim, talvez seja hora de você tirar uns dias de folga, não? — Tornou quando se sentaram, o homem sorriu pequeno.
— Como falei para , isso vai ter que esperar um pouco mais. — Suspirou, assumindo em seguida sua pose profissional, a voz profunda e calma de sempre — É por isso que estou aqui, Andrômeda. O Conselho aceitou a proposta de um funeral em Hogwarts. Será uma forma de relembrarmos a todos que perderam suas vidas da Batalha e tentarmos, de alguma forma, homenageá-los. Preciso saber se você está de acordo, se podemos incluir Tonks e Remo nessas homenagens.
A mulher sorriu triste, assentindo.
— Não vejo lugar melhor para fazerem isso — começou, fungando — de quem foi a ideia?
Schaklebolt sorriu pequeno, modesto.
— Por que não estou surpresa? Muito obrigada, Quim. Até mesmo por ter vindo até aqui, outros teriam mandado uma coruja...
— Outros não lutaram ao lado de Ninfadora e Remo. Era o mínimo que eu poderia fazer. — Explicou, com a voz calma — O funeral será na próxima sexta-feira, quando completarmos sete dias desde a Batalha, começará às onze horas.
— Obrigada, Kingsley!
— Todo mundo aceitou? — questionou quando o bruxo tornou a levantar-se.
— Sim, tivemos um pequeno problema para conversar com os pais de Colin Creevy, mas eles também aceitaram, apenas pediram para levar o corpo para o velório da própria família no sábado.
— Será apenas para os familiares? — Andrômeda perguntou quando aproximaram-se da porta, Quim negou.
— Será aberto para todos que quiserem prestar suas homenagens, assim como foi o de Dumbledore, pois todos são tão importantes para nosso mundo quanto ele.


2.

O decorrer da semana na casa dos Tonks e, na grande maioria das casas bruxas, não foi muito agitada. A maioria das famílias voltava aos poucos as suas rotinas, aliviados pela derrota de Lorde Voldemort e mais confiantes em um futuro melhor para toda a comunidade. Aquelas que haviam perdido algum parente ou amigo, no entanto, embora felizes com o final daquela Guerra, ainda sentiam o luto recente.
O Profeta Diário e outros jornais estampavam em suas capas algumas notícias mais importantes e recentes; A Queda do Lorde das Trevas, a História de Harry Potter, a Indicação de Kingsley Schaklebolt como Primeiro Ministro Interino e, nos últimos dois dias, as Homenagens da Batalha de Hogwarts.
Andrômeda, é claro, continuava chorando sempre que pensava na filha, marido e genro, por isso tratava de ocupar a cabeça com o neto. Mesmo que fosse trabalhoso cuidar do pequeno Teddy, preferia quando tinha a desculpa de seu choro para ficar acordada no meio da noite, embora também conversasse bastante com a sobrinha durante aqueles dias. Algumas amigas a visitavam para oferecer palavras de conforto, mas sempre parecia pior para a mulher lembrar-se de que aquilo não era apenas um sonho ruim ou que Dora não estava apenas no trabalho. Mesmo inconscientemente acabava olhando o relógio próximo às 5 horas, esperando que a mulher chegasse do Ministério, tagarelando como sempre.
Sirius e Harry também haviam passado na casa duas vezes durante a semana, o mais novo para conhecer o afilhado e dizer o quanto sentia pelas perdas de Andy, garantindo que poderia ajudar com qualquer coisa que precisassem, inclusive dinheiro. Cedrico, apesar de ser bem vindo e saber que não precisava se preocupar com a mais velha contando sobre suas visitas a Sirius, preferiu ficar alguns dias longe depois da mulher ter escutado aquela conversa um tanto constrangedora. No terceiro dia ele apareceu para ajudar, tendo até mesmo feito compras para facilitar a vida das duas que estavam focadas no bebê. Andrômeda de certa forma preferia quando o rapaz estava visitando, ou quando tinha Sirius ou mesmo Harry Potter, embora sua presença não fosse tão comum no seu dia a dia, qualquer coisa que a distraísse dos últimos acontecimentos e a ajudasse a se manter ocupada; fosse com conversas ou cozinhando.
se sentia ainda mais cansada do que no dia após a Batalha, ainda não conseguia dormir por horas seguidas e se sentia culpada por vários acontecimentos, apesar de saber que não eram necessariamente sua culpa. Também queria conversar com o pai sobre Victoria e entender por completo toda a história das Horcruxes, mas achava que tudo aquilo poderia esperar; sua prioridade naquele momento era saber que sua tia e afilhado estavam bem.
Havia feito uma promessa de que os ajudaria da mesma forma que os Tonks sempre a ajudaram e protegeram, qualquer outra coisa que não envolvesse Andrômeda e Teddy naquele momento teria que esperar.


Na sexta-feira a campainha tocou pela segunda vez aquela manhã, às 10h30 Cedrico apareceu usando vestes sociais escuras. Assim como Sirius e Harry, já sentados no sofá enquanto esperavam as duas mulheres descerem. Sirius brincava com Teddy, que sempre parecia desconfiado ao olhar para o homem nos primeiros minutos, mas logo depois começava a sorrir, mexendo-se agitado sempre que tentava pegar seu cabelo ou barba.
Quando tia e sobrinha apareceram, também usando roupas escuras, os homens levantaram-se, prontos para saírem; Cedrico, e Harry aparataram em Hogsmeade, caminhando os metros que faltavam até os terrenos de Hogwarts, enquanto Sirius e Andrômeda usaram Pó de Flu por causa do bebê, chegando pela lareira da sala do Diretor, assim como vários outros bruxos.
A circulação de pessoas por toda Hogsmeade e Hogwarts estava muito maior que o normal, bruxos vindos de vários lugares da Inglaterra, e alguns de outros países, vinham prestar suas homenagens. E, entre eles, muitos Nascidos-Trouxas acompanhados de seus pais e outros familiares, porque o Ministério resolveu abrir uma exceção aquele dia; Trouxas poderiam se misturar com os bruxos, visitar Hogsmeade e Hogwarts pois, assim como os bruxos, muitos deles também haviam sofrido nos últimos anos, fossem com os filhos bruxos ou no dia-a-dia dos Trouxas.
Era estranho para todos os bruxos que já conheciam o Castelo verem a Escola com tantas paredes e torres caídas, destruída após a Batalha. Hogwarts só começaria a ser reconstruída após as homenagens em um sinal de que, mesmo com tudo o que havia acontecido, os bruxos teriam um recomeço, assim como a própria Escola.
A comunidade bruxa se reergueria, maior e melhor do que nunca, pois Kingsley estava determinado a aproveitar seu tempo de Ministro Interino para começar vários projetos que deveriam ter continuidade.
Embora precisassem manter o sigilo como forma de proteção, ele se empenharia em acabar de uma vez por todas com todo o preconceito dos bruxos Sangue-Puros com os Nascidos-Trouxas, além, é claro, de esforçar-se para melhorar as condições em Azkaban, retirando os Dementadores da prisão, e também melhorar as condições de julgamentos, para evitarem o máximo possível novos casos como Sirius Black, principalmente nos próximos dois anos, sabendo que teriam muito trabalho com os Comensais da Morte que sobreviveram.


O trio andou lado a lado pelos terrenos de Hogwarts, em direção à frente do Lago Negro, local no qual estariam realizando as homenagens. O dia estava claro, com poucas nuvens no céu, o sol já estava alto, mas a brisa gelada amenizava o calor que as roupas escuras causavam. Sirius e Andrômeda, a qual segurava o pequeno Teddy, estavam em pé, junto aos Diggory e Hagrid, próximos às fileiras de cadeiras brancas, de frente a um tablado, com um grande mural ao redor, com fotos e nomes de todos os bruxos, Centauros, Duendes e Elfos que haviam perdido a vida.
Andavam lentamente até eles quando viram os Weasley sentados em cadeiras mais ao canto. Rony e Gina andaram até eles assim que o viram chegando, o ruivo tocou no ombro de Hermione, que estava sentada ao lado dos pais.
Conversaram por alguns minutos, ninguém parecendo no clima para piadas ou conversas descontraídas;
— E seus pais? — perguntou ao olhá-los de longe.
— Ah, estão um pouco confusos com tudo — Hermione suspirou, passando a mão pelos cabelos —, mas entenderam meus motivos. Só preciso levá-los ao St. Mungus mais algumas vezes, para garantir que eles estão bem com todos esses feitiços da memória.
— Foi difícil para encontrá-los? — Harry tornou, sabendo que a amiga passou dias na Austrália, a procura dos pais.
— Menos do que eu imaginava — confessou, sorrindo pequeno —, imaginei que não conseguiria chegar em tempo, mas nosso voo chegou em Londres há algumas horas.
— E você os trouxe direto para cá? — Cedrico tornou surpreso, olhando a movimentação ao redor.
— Não, passamos no St. Mungus antes — avisou, passando as mãos pelo rosto, cansada — mas achei que seria bom para eles também virem aqui, sabe? Sempre ficaram curiosos com Hogwarts…
— E como foi quando eles descobriram que vocês dois estão juntos? — sorriu, apontando da amiga para Rony, que avermelhou no mesmo segundo, olhando para o outro lado.
— Eles ainda não sabem — Mione sussurrou, o rosto corado — achei melhor esperar um pouco, muita informação ao mesmo tempo.
— Eu acho que você deveria ter dito antes — Gina palpitou, atraindo a atenção dos amigos —, que qualquer coisa você apagava a memória deles de novo!
— Há.Há. — Rony riu irônico para a irmã, logo puxando outro assunto, tentando distrair-se por mais alguns minutos.
Cedrico apertou o ombro da namorada por um momento, apontando com a cabeça para o outro lado do terreno, ao ver seu melhor amigo andando de braços dados com uma ex-colega de sala, uma sonserina com quem ele vivia de implicância;
— É isso que eu chamo de reviravolta — sussurrou, sorrindo pequeno — jamais imaginei que Winter fosse dar uma chance ao Monty.
— Eu pensei que eles se detestavam — a loira comentou, olhando-os conversarem com Rogério Daves e mais uma corvina da sala de Gina. a reconheceu da Batalha, lembrando-se de que a menina duelou ao seu lado por alguns minutos contra os Comensais.
— Acho que é verdade o que dizem — Cedrico deu de ombros —, é uma linha tênue entre amor e ódio.
— E como estão as coisas com o Sirius? — Gina perguntou ao casal.
— Não o vi com muita frequência essa semana — explicou —, passei os últimos dias com a Andy.
— Pelo menos quer dizer que você não precisa se preocupar tanto antes de darem uns beijos, não é? — Mione sorriu, vendo-os rirem baixo ao concordar. Harry arqueou a sobrancelha;
— Não esqueça que eu posso falar pro Sirius sobre isso — apontou para eles.
— Aham, e eu aproveito e conto certas coisas sobre os últimos sete anos. — Black retrucou, vendo-o rir pequeno e negar com a cabeça;
— Estava só brincando, calma.


Quim subiu no tablado de madeira, pegando um pequeno megafone e olhando ao redor. Não muito depois as conversas cessaram por completo e todos se sentaram.
— Não temos palavras para expressar a dor presente desse último ano, em especial nos últimos sete dias — começou a dizer, com sua voz calma — com o número de vidas que perdemos, sendo elas mágicas ou não. Todos aqueles que perdemos farão uma imensa falta para nós; pais e mães, filhos e filhas, irmãos e irmãs, amigos… Muitos dos Trouxas que morreram não estavam envolvidos, nem mesmo sabiam sobre nosso mundo. Os bruxos e criaturas mágicas que perdemos, todos sacrificaram-se por algo maior, sabendo que talvez não tivéssemos uma nova chance de encerrar o domínio de Voldemort e seus Comensais. — Quim respirou fundo, tentando manter a compostura, embora fosse difícil, ainda mais ouvindo o choro que não demorou a chegar aos seus ouvidos. — Nenhum deles morreu em vão, nenhum sacrifício foi à toa. Nós seguiremos em frente, sabendo que foi por todos nós que eles se sacrificaram, para que nós pudéssemos continuar em um mundo melhor. — Pigarreou, olhando para baixo por alguns instantes antes de continuar — Com tudo isso, mais uma vez ficamos com a lição de que o mais importante não é o nosso sangue ou a quantia de ouro no Gringotes, mas o caminho que decidimos seguir, os amigos e familiares que temos ao nosso lado, pessoas que amamos e que nos amam, independentemente de qualquer situação.
Schaklebolt continuou seu discurso por mais de vinte minutos, por vezes precisando parar, a voz falhando aos poucos.
— Sei que alguns dos nomes que estão aqui talvez não façam sentido para todos — continuou, tendo ouvido comentários sobre Severo Snape e Victoria Lestrange —, mas garanto que nenhum está em vão. Todos sacrificaram-se de alguma forma por nosso mundo, por seus amigos e familiares. Amanhã teremos uma edição especial em todos os jornais, com os nomes de todos aqueles que perderam suas vidas, contando um pouco de quem eram. — O homem respirou fundo, tentando manter a voz forte, antes de tornar a olhar para todos à sua frente — Que a Batalha de Hogwarts seja lembrada como o dia em que todos nos unimos para derrotarmos as Artes das Trevas, e que fique como um aviso para o futuro; Nós sempre estaremos aqui para defender nosso mundo, para defender nossos amigos e todos aqueles que amamos. E que o dia de hoje seja marcado como nosso recomeço; A Escola, que é o maior símbolo do nosso mundo, estará aberta no dia Primeiro de Setembro para mais um ano letivo. E como Alvo Dumbledore dizia: Hogwarts estará sempre aqui para ajudar à todos que dela precisarem! E assim seguiremos, juntos, mais unidos e fortes do que nunca.
Quando Kingsley terminou seu discurso, todos os presentes se levantaram, batendo palmas por um minuto completo.
Os Elfos Domésticos de Hogwarts também estavam presentes, e também quiseram homenagear os amigos que haviam morrido durante a Batalha, estalando os dedos três vezes e fazendo assim luzes coloridas aparecerem.
Instantes depois uma chuva de flechas caiu dos céus, vindas da orla da Floresta Proibida, de onde os Centauros permaneceram, prestando uma homenagem silenciosa.

Poucas pessoas haviam ido embora, a maioria permanecendo após as homenagens feitas por todos, conversando uns com os outros. havia acabado de deixar Teddy com Harry quando notou uma figura mais afastada, olhando tudo de longe. Passou a língua pelos lábios, antes de andar naquela direção.
Draco Malfoy viu a prima andando até ele, colocando as mãos no bolso da calça e olhando-a por alguns segundos, desconfiado, até que ela sorriu pequeno;
— Por que está aqui, sozinho?
— Não sabia se era uma boa ideia — disse baixo, olhando para o lago —, mas achei que seria certo vir.
— Ninguém iria te azarar por vir prestar condolências, Draco.
— Será? — Tornou, encarando-a com a sobrancelha erguida — Meu pai era um Comensal, assim como eu e minha mãe.
— Mas todos vimos o que você fez durante a Batalha, acredite, algo assim se espalha rápido. — Avisou, passando a mão pelos cabelos antes de voltar a olhá-lo — Por que fez aquilo? Se tivesse dado errado poderia estar morto.
Draco deu de ombros, encarando os sapatos;
— Sua voz irritante ficou martelando na minha cabeça — confessou —, se eu quisesse realmente resolver a situação da minha família, não poderia continuar me escondendo. — Suspirou, olhando-a de lado — Imagino que não seja tão nobre quanto os outros, mas…
— Não é sobre ser nobre, Draco — a garota o cortou — é sobre fazer a coisa certa, e foi isso o que você fez. Todos temos nossos motivos; seus pais são sua família e você se importava com eles, independente de terem sido Comensais. — Passou a língua pelos lábios, acrescentando em seguida — Embora eu realmente tivesse vontade de bater em você e no seu pai algumas vezes.
Malfoy rolou os olhos, passando a mão pelos cabelos loiros;
— Como se isso fosse de agora — a encarou, contrariado —, você nunca perdeu uma chance de tentar me azarar, .
— Tinha meus motivos, não tinha? — Piscou — E não é como se você não se aproveitasse para tentar me fazer ser expulsa, principalmente quando Snape estava por perto.
Draco sorriu pequeno, concordando com um aceno ao suspirar;
— Quem diria que esses seriam os menores dos nossos problemas.
concordou, olhando para o castelo.
— E seus pais?
— Minha mãe pensou em vir, mas depois achou melhor não. Meu pai vai passar por um julgamento, mas é provável que fique uns meses em Azkaban.
— Você também vai precisar? — Perguntou, vendo-o negar com um único aceno.
— Tive que falar com o Ministério essa semana, mas por hora é só.
— Espero que fique tudo bem — Disse sincera, encarando-o nos olhos.
Malfoy suspirou, pensando por um instante antes de estender a mão;
— Obrigado.
— Por? — Perguntou confusa, embora tivesse aceito o aperto.
— Sei lá, tentar me ajudar mesmo quando eu não merecia. — Deu de ombros, constrangido.
A loira sorriu para o primo, concordando;
— No fundo você não é tão insuportável quanto aparenta, Draco. Só precisa andar com as pessoas certas.
O loiro sorriu de lado, dizendo irônico;
— Pior você que mesmo com quem anda continua sendo chatinha assim.
A prima riu, dando de ombros;
— Tem certas coisas que não mudam mesmo.

achou que após a cerimônia em homenagem a Batalha de Hogwarts os dias passaram mais rápidos; Talvez fosse a sensação de encerramento que todos repetiam sem parar nos jornais e ao conversarem uns com os outros, porque, teoricamente, tudo havia tido um final e todos poderiam começar a seguir em frente.
Na prática, é claro, as coisas não eram tão fáceis; Andy continuava sofrendo tanto quanto no primeiro dia, e foi por isso que a loira resolveu passar o mês todo com ela, sabendo que seria bom para ambas.
Sirius, embora sentisse falta da filha dentro de casa, entendia seus motivos e ele mesmo visitava Andrômeda com frequência, para distraí-la, ajudar com Teddy, comprar comida ou levar roupas para . A única coisa que o incomodava naquilo tudo era saber que não tinha controle das horas que Cedrico passava junto de sua filha, e menos ainda se ele estava ou não dormindo na casa, mesmo que o casal sempre garantisse que não.
Com o passar dos dias, foi junto de Harry para o Beco Diagonal e para lojas dos Trouxas, comprando algumas roupas e outras coisas que o afilhado precisava, conversaram bastante no decorrer das semanas, tanto para Potter se inteirar do que havia acontecido durante os meses que esteve longe, quanto para explicar tudo que Sirius não sabia sobre as conversas que havia tido com Dumbledore desde seu quinto ano em Hogwarts.
Harry finalmente estava começando a se sentir feliz, ainda sentia o peso de tudo o que havia acontecido nos últimos meses, mas ao mesmo tempo parecia chegar ao ponto em que poderia aproveitar a vida que tinha, algo que parecia lhe ter sido negado por anos.
Se sentia realmente bem-vindo na casa de Sirius, uma casa em que, pela primeira vez na vida, também poderia chamar de sua. O padrinho gostava de contar sobre momentos diferentes que havia passado junto a James e Remo, e todas as vezes que Potter precisou se desculpar com Lily, na esperança que, em algum momento, a ruiva resolvesse dar uma chance a ele. Contou sobre como o amigo estava nervoso no primeiro encontro deles e de como esteve perto de atrasar mais do que Lily no dia do casamento. Harry gostava de ouvir aquelas histórias, o fazia imaginar o quanto seus pais haviam sido felizes e no quando James era apaixonado por sua mãe.
Quando voltou para casa, após passar semanas com Andrômeda, os três ficaram acordados até o dia amanhecer, conversando sobre diversos assuntos, incluindo várias das vezes que os dois amigos haviam quebrados as regras em Hogwarts, o que fazia Sirius gargalhar, dizendo o quão orgulhoso estava dos dois.
Aquele havia sido o primeiro dia em meses na qual todos se sentiram em paz, como se tirassem um peso dos ombros e do peito, por algumas horas pareceram esquecer tudo o que estava fora daquela sala, qualquer problema que precisavam resolver, poderia esperar.
E foi entre uma conversa e outra, enquanto estavam rindo, que Harry confirmou algo que já suspeitava; Só enxergava como sua melhor amiga, mais próximo até de uma irmã. Sentia por ela o mesmo sentimento de afeto que tinha por Hermione, embora, no fundo, achasse que preferia um pouco mais a loira por serem mais parecidos. Sabia que tinha realmente se apaixonado em algum momento dos últimos anos, e só percebeu de verdade o que era no quarto ano, não era por menos que sentia tanta raiva de Cedrico naquela época, e até achava que havia sido importante pra ele passar por aquilo, achava que tinha amadurecido um bom tanto após a conversa que tiveram no Três Vassouras, no qual revelou seus sentimentos, e que a amizade dos dois até mesmo fortaleceu depois daquilo. Contudo, estava ainda mais satisfeito ao saber que tinha realmente superado o amor não correspondido dela, o que significava que poderia, oficialmente, seguir em frente, e até mesmo já sabia quem gostaria de chamar para sair, só esperava que tivesse mais sorte com Gina.

Um dos momentos mais complicados para Sirius e , após o funeral, havia acontecido poucos dias após o retorno dela para casa, aproveitando que Harry tinha ido visitar os Weasley para finalmente conversarem sobre Victoria.
Antes de mesmo começar a explicar tudo o que havia acontecido, Sirius pegou uma caixa azul que tinha guardada em seu quarto, pedindo para que ela abrisse.
retirou de dentro um medalhão de ouro, com um pingente em forma de coração. Ao abrí-lo, reparou em duas fotos já gastas, na primeira seu pai, muito mais novo, sorria ao piscar. Na segunda, viu a si mesma quando era apenas um bebê, mexendo-se inquieta, olhando para os lados.
— Kingsley soube que você ainda não tinha pego o que Dumbledore havia te deixado no testamento. — Explicou em voz baixa, sentado na poltrona, encarando a mais nova.
— Por que estava com ele?
— Porque ele sempre soube de tudo. — Suspirou, passando a mão pelos cabelos — Victoria achou que se algo desse errado, em algum momento você precisaria saber da verdade, Dumbledore poderia te explicar o que aconteceu.
— Ele sempre soube o motivo dela? — Perguntou surpresa, vendo o mais velho acenar com a cabeça.
— Victoria é o melhor exemplo de: o inferno está cheio de boas intenções. Ela sabia que havia errado no começo, e não teria como voltar atrás, tentou nos proteger e, principalmente, te proteger, como pode. Claramente não foi a melhor das ideias a forma que ela escolheu, mas no final funcionou; você cresceu bem e está viva.
Bem é uma palavra forte. — Replicou, umedecendo os lábios.
Sirius concordou;
— Talvez não tão bem quanto seria se tivesse nós dois ao seu lado, e, sinceramente, não posso imaginar como foi quando você descobriu que estávamos em Azkaban, mas pelo menos você passou todo esse tempo com os Tonks, teve uma família para te apoiar e te educar. Poderia ter sido bem pior, .
— Sei que sim — concordou, suspirando — poderia ter acabado com os Malfoy…
Sirius riu baixinho;
— Foi Narcisa quem sugeriu à Victoria a se passar por uma Comensal, embora eu tenha certeza de que ela não imaginou que sua mãe fosse continuar agindo como agiu após todos esses anos.
— Eles também sabiam? — Tornou com o cenho franzido, sentindo como se todos soubessem tudo sobre sua família, menos ela mesma.
— Acredito que só Narcisa.
concordou, ainda segurando o medalhão em mãos, pensativa;
— Como você soube?
Black respirou fundo, olhando para as mãos por um momento;
— Quando Victoria foi levada à Azkaban, semanas após eu ter sido preso, só o que eu queria saber era se você estava bem. Passei boa parte dos anos em que fiquei preso em silêncio na minha cela, evitando ao máximo prestar atenção no que os Comensais diziam. Todo dia, um funcionário do Ministério aparecia para nos levar comida e, quando necessário, cobertores ou agasalhos para o frio, não que fossem o suficiente — acrescentou — de qualquer forma, Victoria estava em uma cela próxima à minha, vez ou outra ela tentava conversar comigo, mas não se arriscava a dizer muito, porque outros Comensais estavam ao redor. — Contava em voz baixa, embora odiasse se lembrar do tempo em que passou preso, sabia que era importante que sua filha entendesse tudo o que havia acontecido — Sua mãe era uma mulher muito bonita, você deve ter reparado — Dizia, escolhendo com cuidado as palavras —, e era bem comunicável, facilmente ganhava a atenção das pessoas ao seu redor. Foi em uma dessas vezes que ela conseguiu que esse funcionário do Ministério me entregasse uma carta. Passei meses com ela escondida embaixo do meu colchão — riu sem humor —, considerei jogá-la fora inúmeras vezes, mas nunca tive coragem, queria saber o que havia acontecido, em que momento ela tinha mudado tanto e como eu nunca percebi. Meu maior problema desde que sua mãe chegou em Azkaban foi meu ego, não suportava o fato de ter sido manipulado daquela forma.
Fez uma pausa, esfregando o rosto com as mãos, parecendo exausto, antes de continuar;
— Em algum momento resolvi finalmente deixar meu orgulho de lado e ler aquela carta. Victoria dizia que havia, de fato, passado informações de dentro da Ordem, mesmo sabendo que não deveria. Ela sempre teve uma necessidade de ser aceita pelas irmãs — explicou, olhando para a filha —, Bellatrix e Narcisa nunca superam a decisão dela de se casar comigo, e Victoria não aguentava mais ser ignorada pela família que ela tanto prezava. Sinceramente, hoje eu penso que foi realmente algum tipo de milagre termos nos casado e você ter nascido — sorriu pequeno —, porque se não tivéssemos sido impulsivos para casar tão rápido, nada teria acontecido. Acho que casar comigo foi o único ato de rebeldia que Victoria conseguiu realizar, ela gostava de mim, é claro — adicionou rápido ao ver a expressão chocada no rosto da loira —, mas não acho que fosse o suficiente para pensar em termos uma família… De qualquer forma, — continuou, passando a língua pelos lábios — foi por isso que ela começou a passar informações da Ordem. Primeiro coisas pequenas, que ela não achava terem muita importante. Mas o Lorde sabia que poderia conseguir algo a mais dela, Victoria era a Comensal que ele precisava; casada com um membro da Ordem, com acesso fácil ao Dumbledore e a maioria dos segredos que tínhamos. — Respirou fundo, coçando a barba antes de continuar — Em algum momento Voldemort a convidou pessoalmente para ser uma Comensal, e, como você deve imaginar, esse não é o tipo de convite que se pode recusar. Victoria sabia que se recusasse estaria com problemas e, não só ela, nós dois também.
permanecia em silêncio, deixando seu cérebro processar lentamente todas aquelas informações, vez ou outra olhando para seu pai, quase como se quisesse confirmar que o que escutava era verdade.
— Voldemort prometeu-lhe que, se aceitasse, não precisaria se preocupar conosco, nós dois estaríamos protegidos, pois os Comensais teriam ordens de não me machucar. Imagino que aquilo foi um baque para Bellatrix, talvez você se lembre — disse, um tanto irônico — nós nunca nos demos muito bem. Sempre quisemos matar um ao outro. — Sirius riu rouco, lembrando-se de conversas e duelos passados que havia tido com a mulher — De qualquer forma, Victoria aceitou porque não tinha mais o que fazer. Pelo menos ela achou que não, talvez se tivesse me dito em tempo o que estava acontecendo poderíamos ter nos escondido, assim como James e Lily. — Suspirou, antes de tornar a encarar os olhos da filha — Em determinado momento, todos sabíamos que ele estava atrás dos Potter, mas não sabíamos exatamente o motivo, apenas que ele queria matar Harry. Eram poucos de nós que sabíamos sobre a casa em Godric’s Hollow e, quando fizemos o feitiço, decidimos apenas entre James e eu trocarmos, ao invés de eu ser o fiel, o que é claro, imaginamos ser óbvio para Voldemort, resolvemos colocar Rabicho. — Fungou baixo ao lembrar-se, passando a mão pelos olhos — Parecia o plano perfeito, mas Victoria já estava passando muito mais informações para ele. Foi ela quem contou ao Lorde das Trevas que Rabicho era o novo Fiel do Segredo.
encarou o pai por incontáveis minutos, a boca aberta. Sentiu o coração apertar ao saber daquilo, sua mãe havia entregado os pais de Harry à Voldemort.
— É claro que Voldemort não teve muito trabalho para persuadir Rabicho, meia dúzia de palavras e ele se vendeu como o rato que era. — Respirou fundo, a voz falhando por um momento — Depois que tudo aconteceu, Victoria sabia que não tinha realmente acabado. Antes de querer matar Harry, Voldemort tinha outro segredo, já estava fazendo todas suas Hocruxes sem que ninguém mais soubesse. — Sirius parou por um momento, sentindo a garganta seca — Régulo foi o primeiro a descobrir sobre isso, ele também sabia que Victoria estava passando informações para tentar te manter em segurança, os dois eram muito amigos. — Disse, sentindo-se estranho ao lembrar do irmão mais novo, o qual, por anos, nem mesmo sabia o que havia acontecido — Contou tudo para Victoria antes de tentar destruir uma delas, sabendo que talvez não voltasse. Depois que eu fui preso, sua mãe sabia que era uma questão de tempo até ela acabar em Azkaban, foi quando contou tudo o que sabia ao Dumbledore, sabendo que em algum momento Voldemort retornaria. Foi por isso que deixou com ele esse medalhão — apontou com a cabeça para a jóia nas mãos da filha — para que no momento certo você soubesse de tudo o que aconteceu.
olhou para baixo, sem saber o que pensar com tudo aquilo.
— Harry já sabe que foi ela…?
— Já. — Concordou — Eu contei alguns dias atrás, não dei muitos detalhes, mas ele sabe, sim. Não se preocupe, ele não nos culpa por nada disso. E, é claro, ficou com raiva ao saber, mas também ficou preocupado ao pensar em como você reagiria quando descobrisse.
A loira acenou, olhando pela janela por alguns instantes, com o cenho franzido.
— Eu não espero que você entenda ou perdoe tudo o que sua mãe fez, ela sabia que estava errada. Eu mesmo não à desculpei por tudo, só espero que você perceba que, por mais errado que tenha sido as decisões que ela tomou, no fundo ela achou que era por um bom motivo.
o encarou por um momento, negando com a cabeça;
— Não melhora em nada saber que ela fez tudo isso por minha causa, pai.
— Eu sei que não — suspirou, passando a mão pelos cabelos —, mas agora você sabe da verdade e dos motivos dela. Já é meio caminho para seguir em frente, não?


Sirius abriu à porta, dando de cara com Cedrico parado do outro lado, com um sorriso educado. Suspirou, negando com a cabeça antes de dar espaço para o loiro;
— Eu deveria saber que de volta significava sua presença constante na casa.
Diggory riu, colocando as mãos nos bolsos;
— Depois de tudo o que passamos, Sirius? Já até morei aqui!
O moreno arqueou a sobrancelha, encarando-o por alguns segundos:
— Podem se passar dez anos e nem assim você vai ter minha aprovação total, Cedrico. — Cruzou os braços, respirando fundo no instante seguinte, dando-se por vencido — Contudo, hoje até estou feliz que você tenha dado as caras.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou curioso, olhando ao redor a procura da namorada.
— Eu contei sobre Victoria, — explicou, olhando por um momento em direção ao segundo andar, passando a mão pelos cabelos — não acho que ela vá aceitar tão bem o que aconteceu. Pelo menos não agora.
Cedrico concordou com um aceno, travando a mandíbula. Sentiu a curiosidade dominar seu corpo e quase perguntou ao homem o que havia acontecido, mas imaginou que não seria o melhor momento para aquilo, também sabendo o quão difícil deveria ser para Sirius.
— Você está bem? — Questionou ao encará-lo, o cenho franzido.
Black sorriu pequeno, acenando com a cabeça;
— Já tive meu tempo para assimilar tudo. Pode subir — disse, subindo ele mesmo as escadas, em direção ao próprio quarto —, e hoje nem mesmo vou cobrar a porta aberta.
Cedrico o seguiu para o segundo andar, bufando;
— É claro que não, ela provavelmente está chorando. Que golpe baixo! — Resmungou, vendo-o rir baixo ao concordar, sumindo pelo corredor. O rapaz bateu na porta da namorada, escutando-a responder segundos depois.
Diggory entrou no quarto seguindo diretamente para o lado dela na cama, ao vê-la encolhida, abraçada ao travesseiro.
— Vai ficar tudo bem, — sussurrou, tirando os sapatos e deitando-se junto a ela, abrindo os braços para que se aconchegasse contra seu peito, abraçando-a apertado instantes depois. — Vai ficar tudo bem, meu amor.



3.

Com o passar das semanas, aos poucos, as coisas voltavam ao normal para os bruxos. O Ministério da Magia voltava a trabalhar integralmente e, com isso, o Departamento de Execução de Leis da Magia e todas as suas subcategorias tinham o triplo de trabalho; Os Aurores ainda caçavam e prendiam Comensais foragidos, os bruxos do Controle do Uso Indevido de Magia e do Controle de Mal uso dos Artefatos Trouxas ainda estavam abarrotados de casos para examinarem e, o pessoal da parte de Julgamentos ainda precisavam catalogar todas as provas e testemunhos contra os bruxos que, por hora, estavam em Azkaban antes dos julgamentos começarem.
Trabalhos que ainda demorariam muitos meses para serem finalizados e, com isso, não foi surpresa para ninguém o número excessivo de horas extras que os funcionários de todo o departamento estavam fazendo.
Muitos bruxos que haviam perdido o emprego ou fugido para salvarem suas vidas durante o último ano retornaram para seus cargos, dentre eles, Cedrico Diggory, que ficou extremamente feliz ao receber sua carta de readmissão, voltando ao trabalho duas semanas após o funeral em Hogwarts.

A Escola, conforme informado pelo Profeta Diário, havia começado a ser reconstruída e, mesmo que não estivesse totalmente pronta em setembro seria reaberta. Com isso, levantou-se a possibilidade dos quatro amigos que não haviam finalizado seus estudos, retornarem para Hogwarts, já que Minerva McGonagall era a nova diretora e estava oferecendo essa chance a eles.
Hermione, conforme esperado por todos, aceitou no mesmo instante, enviando sua resposta na mesma Coruja. Também não foi um choque para ninguém quando Harry e Rony agradeceram o convite, mas negaram alegando já terem passado da fase de estudos. era a única que não tinha decidido o que faria, em partes porque estava acostumada a ficar com a família e o namorado, além de achar que ajudaria mais se ficasse para ajudar com Teddy, parte porque não se imaginava voltando para a Escola depois de tudo, apesar de saber que aquela seria a opção mais fácil: estudaria mais alguns meses para completar seus estudos, faria os NIEM’S, se formaria com uma média razoável e ainda, possivelmente, seria a Capitã do time de Quadribol da Grifinória - o que a fazia realmente considerar retornar para o castelo. E, o ponto principal, daria a ela mais tempo para planejar seu futuro, já que era a única sem ideia do que faria desde que Voldemort havia sido derrotado;
Harry e Rony já estavam inscritos no curso de Auror que começaria após o verão e Hermione tentaria algum cargo importante no Ministério, embora estivesse dividida entre dois ou três departamentos que achava interessante.
Black era a única que não tinha ideia do que fazer da vida, nunca planejou muito o passo pós-Hogwarts porque sempre pareceu muito distante.
Agora que já não tinha mais Comensais da Morte ou Voldemort para se preocupar, voltou a se sentir completamente perdida com a ideia de uma vida adulta. Ainda se considerava até bem imatura para já precisar pensar em uma profissão para a vida toda.
Nem mesmo sabia quais seriam suas principais qualidades para buscar algo;
Gostava de Quadribol e sabia jogar muito bem, mas seria boa o suficiente para tentar uma carreira profissional?
Sempre foi muito bem nas aulas de Transfiguração, mesmo que não se esforçasse tanto quanto Hermione, e o mesmo valia para Defesa Contra as Artes das Trevas e Feitiços.
Considerou juntar-se aos dois amigos e também tentar virar uma Auror, com certeza teria alguma vantagem após o último ano participando da Ordem da Fênix e duelando contra os Comensais, mas era aquilo mesmo que queria para si?
Em que momento deveria ter parado e decidido o que fazer da vida?
No quinto ano, quando McGonagall perguntou quais eram seus planos, disse a primeira coisa que veio à cabeça; Quadribol.
Quando mais nova achou que seria a melhor coisa que poderia fazer. Jogar profissionalmente sempre pareceu um sonho difícil, porém possível, mas agora já não tinha a mesma certeza.
Também pensou no Ministério da Magia, pegou vários folhetos com informações sobre diferentes departamentos, mas nenhum fez seus olhos brilharem; não sabia se gostaria de passar a vida trabalhando em um escritório, seguindo ordens.
Conversou sobre aquilo com Sirius, mas achou que foi uma péssima ideia;
, eu passei doze anos preso. — Respondeu, negando com a cabeça sem nem mesmo tirar os olhos do jornal — E antes disso minha preocupação era azarar alguns Comensais e chamar algumas garotas para sair, não necessariamente nessa ordem. — Deu de ombros, olhando-a por um instante — Provavelmente teria tentado fazer carreira como Auror, agora já estou cansado demais para qualquer coisa e, felizmente, tenho dinheiro o suficiente no Gringotes para não me preocupar com nada disso.
A segunda pessoa com quem tentou conversar a respeito foi Harry, que estava sentado embaixo de uma árvore, aproveitando o fim de tarde tranquilo enquanto via Bicuço em um canto, atrás de uma toupeira;
— Eu nunca pensei em muita coisa — disse com o cenho franzido —, Quadribol por alguns anos e depois passei a querer ser um Auror. Claramente tenho vantagem no segundo! — Piscou, rindo pequeno. — Como é que você nunca pensou em nada além de Quadribol?
deu de ombros;
— Sempre achei que fosse boa o suficiente para pensar apenas em jogar profissionalmente.
Considerou que o namorado fosse a melhor opção, afinal, além de mais velho Cedrico sempre foi muito centrado nos estudos e preocupado com seu futuro, não perdendo tempo para perguntar à ele assim que o loiro entrou em seu quarto aquela noite, jogando-se em sua cama;
— Sei lá, … Sempre soube que queria algo no Ministério — passou a língua pelos lábios —, mas também não queria nada muito monótono. Achei que o Departamento de Cooperação Internacional poderia me fornecer algumas viagens também, e eu sempre quis conhecer outros lugares… Pareceu uma boa ideia, ainda mais depois que organizaram o Torneio Tribruxo…
— E você simplesmente soube? — Questionou frustrada.
Cedrico negou, rindo pequeno;
— Passei dois anos procurando mais informações para saber se era aquilo mesmo, mas, sinceramente, depois desse último ano, embora eu continue gostando do meu trabalho, tenho achado a coisa mais entediante possível… — Resmungou, passando a mão pelos cabelos.
— Não quer tentar outra coisa?
Diggory meneou a cabeça, sorrindo pequeno;
— É só uma fase, me conheço o suficiente para saber que daqui há dois meses isso vai passar e se eu trocar de área vou me arrepender.
Black bufou, jogando-se na cama, ao seu lado e olhando para o teto, nervosa.
— Como é que eu sou a única pessoa que não sabe o que fazer da vida?
— Tenho certeza que não é a única — riu, apertando-lhe a mão — só está confusa. Precisa decidir agora o que fazer?
— Basicamente, só tenho mais alguns dias para responder a Minerva, e se resolver voltar para Hogwarts tenho que comprar todo meu material e uniforme… As aulas voltam em três semanas — suspirou, passando as mãos pelo rosto, cansada.
Diggory fez um barulho com a boca, começando a dizer em voz baixa;
— Se voltar para a Escola ganha mais um ano antes de precisar tomar alguma decisão…
— Eu sei, pensei muito nisso, mas não sei se quero mesmo voltar a estudar.
— Só que você tá esquecendo uma coisa, — continuou, passando a língua pelos lábios antes de olhá-la de lado — se for tentar qualquer coisa no Ministério vai precisar prestar seus NIEM’s e tem que estudar pra isso.
A loira bufou, sentando-se na cama e cruzando as pernas, negando com um aceno;
— Isso é um absurdo. Os Weasley não fizeram!
— Mas os gêmeos abriram um negócio próprio — respondeu, passando a mão por suas costas, tentando acalmá-la com o carinho —, a menos que seja essa sua ideia…
— E eu abriria uma loja do quê, Cedrico? — O olhou por sobre o ombro, vendo-o dar de ombros.
— Poderia trabalhar em alguma, não? Tem várias lojas no Beco Diagonal… Ganhar experiência até descobrir o que quer fazer… Até nas Gemialidades mesmo, aposto que eles não se importariam de te contratar!
o olhou por um segundo, levantando as sobrancelhas e considerando aquela ideia, não parecia ruim.
— E se eu não gostar de nada? E se passarem dez anos e eu ainda não souber?
Diggory riu baixo;
— Não tem um prazo para você descobrir, pode ser que realmente só saiba com certeza daqui há dez anos, ou que trabalhe em várias coisas até achar algo que se identifica. Não tem nada de errado nisso.
— Fácil pra você que já sabe o que quer… — Resmungou, tornando a jogar-se contra o travesseiro. Cedrico aproveitou a proximidade para curvar-se levemente sobre ela, beijando-lhe a bochecha;
— A menos que realmente considere voltar para Hogwarts, não precisa de tanta pressa para decidir, , pode pensar com calma… — disse baixo, beijando-lhe o queixo.
— Sei que sim — respondeu, virando-se e voltando a ficar em pé, andando pelo quarto, não reparando no olhar desapontado nos olhos cinzentos do outro — Mas quero ter algo para me distrair, sabe? Ocupar a cabeça, qualquer coisa.
O loiro soltou o ar lentamente, passando os braços por trás da cabeça;
— Por que não faz uma lista? Poderia colocar suas qualidades e coisas que quer para sua vida, e aí tentamos ver algo que se encaixe em ambas as colunas.
— O problema é esse, Ced, eu não sei o que eu quero. — Respondeu derrotada, sentando-se no canto da cama e olhando para baixo.
Diggory arqueou a sobrancelha, quase ofendido com a resposta, porque sabia que independentemente de qualquer coisa ele queria passar a vida ao lado da namorada: era a única certeza que ele tinha para absolutamente tudo. Contudo, apenas se levantou, ignorando a pontadinha em seu peito, sabendo que ela estava nervosa demais com a situação toda, agachando-se em sua frente;
— Comece aos poucos: no que você é boa? Do que você gosta? Quais são seus hobbies? O que você planeja fazer nos próximos cinco anos?
— Eu diria que a resposta de três das quatro perguntas são a mesma: Quadribol.
— E qual a resposta da quarta? — Perguntou rindo.
deu de ombros, pensando por um tempo;
— Não é exatamente um plano, mas gostaria de viajar um pouco, conhecer algum outro país, preferencialmente com você — o olhou por um segundo, vendo-o sorrir de lado — e sei lá, em cinco anos... Definitivamente já ter encontrado algo que eu queira trabalhar… Talvez ter meu próprio dinheiro, embora papai não fosse me negar o dele… — Riu fraco. Diggory concordou, aproveitando para sentar ao seu lado. — Como você se vê em cinco anos, Ced? — Questionou curiosa, olhando-o de lado.
O loiro passou a mão pelos cabelos, pensando por um instante;
— Primeiro, com um salário maior do que eu tenho agora — começou, fazendo uma careta e escutando-a rir —, definitivamente morando sozinho — então a olhou de canto — ou melhor dizendo, morando com você, talvez…
levantou as sobrancelhas, fazendo a maior cara de chocada que pode.
— Sei lá, — suspirou — com uma independência maior, quem sabe viajando nas férias para lugares novos? — Deu de ombros, parecendo um tanto incerto.
— Bom, acho que já está a meio caminho de conseguir tudo isso, não?
— Tá se oferecendo para morar comigo, é? — Perguntou brincalhão, a loira deu um soco leve em seu braço.
— E perder a vida boa que meu pai me dá? — Negou de imediato.
Diggory passou a língua pelos lábios;
— É, mas não tem sido muito vantajoso para nós — arqueou a sobrancelha — zero privacidade.
— Não foi você quem disse que começaria a escalar a janela?
Cedrico a olhou por um momento, sem saber se ela estava falando sério ou não.
Dias antes, quando Sirius entrou no quarto e os viu aos beijos, deu um sermão de quase dez minutos sobre como Diggory estava quebrando a confiança que lhe era dada. Pouco depois Cedrico fez uma brincadeira com a namorada, dizendo que começaria a escalar a janela após o homem ir dormir, assim ele nunca mais o veria lá e pensaria que era a melhor pessoa do mundo para ter ao lado. Naquele momento a loira apenas sorriu pequeno, sem se importar muito.
Na verdade, aquele tinha sido o primeiro “amasso” que haviam dado em semanas, porque estava cada vez mais distante, fosse por ainda estar mal com os acontecimentos ou por estar sempre ajudando Andrômeda com Teddy, e, nos últimos dois dias, toda a preocupação sobre o futuro que, até então, Black não havia considerado.
Embora estivesse um tanto chateado com o distanciamento, Cedrico não falava nada sobre porque tentava entender o lado da garota, mesmo que sentisse falta de estar com ela. Não era como se ele fosse virar e falar “e aí, vamos transar?” quando a namorada chorava boa parte da semana, e o tempo que passavam juntos era basicamente voltado para o loiro garantir que em algum momento tudo passaria e ela ficaria bem.
Com tudo isso, o comentário dela o pegou desprevenido, porque não sabia se era apenas uma brincadeira ou se tinha algum fundo de verdade.
Diggory apenas sorriu pequeno, piscando em sua direção;
— É só dizer o dia, gata!
riu baixo e então se levantou, puxando um pedaço de pergaminho, pena e tinta para escrever sua carta e enviá-la para Minerva. Não escreveu muito, Cedrico reparou, e então o olhou da cadeira em que estava sentada, franzindo o cenho;
— Acha que eu teria chances de conseguir jogar se tentasse?
— Profissionalmente? — Perguntou segundos depois, ao entender o que ela dizia. concordou com um aceno, o olhando incerta — Pelo o que eu vi em Hogwarts, com certeza. Mas você está há tempos sem jogar Quadribol, precisaria treinar bastante.
— Hm… E se eu passasse esses meses treinando? — Começou em voz baixa, falando conforme a ideia surgia em sua mente — Os testes para as Harpias são sempre em janeiro e julho. Posso treinar até lá e, nesse meio tempo, consigo ajudar Andy com o Teddy. O que acha?
— Não vai mesmo voltar para a escola?
— Não, Teddy precisa de mim agora, não posso deixar minha tia sozinha com ele. Além do mais, nem teria muita graça, era capaz da Hermione me arrastar o ano todo para a biblioteca, ainda mais sem você, Harry e Rony para passar o tempo… — Suspirou, negando com um aceno. Diggory riu baixo.
— E os NIEM’s?
— Não preciso deles para Quadribol, Ced. Se não der certo, me preocupo com isso daqui um ano!



— E aí, Harry, você já chamou a Gina para um encontro ou não? — Diggory perguntou ao ver o garoto entrar na casa, sentando-se ao lado dos dois no sofá e vendo o que eles assistiam na televisão.
— Mas você não sabe ficar quieta mesmo, ein, ? — Reclamou ao virar-se para a loira, que ergueu as sobrancelhas, dando de ombros. — Sua fofoqueira.
— Não é como se eu tivesse contado ao Rony — respondeu —, além do mais eu não guardo segredos do Ced.
— Então ele já sabe que no quinto ano você pensou em s… — Interrompeu-se ao reparar no olhar que a outra lhe lançou.
— Quer uma morte precoce, Potter?
— O que foi que ela pensou? — Cedrico perguntou curioso, inclinando-se para olhar melhor o moreno — Pode terminar essa frase!
— Fica quieto aí, Diggory — Black replicou — E você, fica na sua, Cicatriz.
— E toda a história de não ter segredos? — Harry debochou arqueando a sobrancelha.
— Isso é do sexto ano pra frente, quando voltamos, o que aconteceu antes disso não faz diferença!
— Você estava interessada em alguém, não é? — Cedrico tornou, vendo-a rolar os olhos, antes de virar-se para Harry;
— E então, já chamou a Gina para sair ou nada? Não se esqueça que ela volta para Hogwarts em uma semana!
Potter olhou para a televisão, tentando ignorar o casal ao lado;
— Fala logo, Harry, não é como se a gente fosse espalhar pra todo mundo. Nem para o papai eu falei! Só para o Ced, e ele não fala muito com os Weasley, não se preocupe.
— Na verdade eu falo bastante com o Gui — respondeu baixo, vendo Potter o olhar assustado — mas diferente de , eu sei guardar segredos, não se preocupe.
— Ah, ótimo. Nunca mais te conto nada! — Resmungou, cruzando os braços — O que foi? — Perguntou ao ver a expressão sem graça do amigo.
— Ela recusou? — Cedrico questionou surpreso.
— Não! — Negou rápido, pigarreando em seguida — Não deu para a gente conversar muito, porque Rony está sempre perto…
— Por Merlin, nem agora que ele está com a Mione tá dando paz? — negou com um aceno — Weasley sempre foi inconveniente mesmo…
Potter riu baixo, ainda com o rosto vermelho.
— E por que você está tão constrangido se nem conseguiu chamá-la para sair? — Diggory tornou a perguntar.
Harry respirou fundo, soltando baixo;
— A gente se beijou algumas vezes.
— Vocês o que? — gritou, completamente chocada com a informação — E você nem me contou, Harry Potter?
Diggory gargalhou;
— Parece que Rony estar por perto não é, de fato, um empecilho!
— Não é bem assim — Potter respondeu, olhando para as mãos.
— Como foi que isso aconteceu e… — interrompeu-se ao ouvir um barulho na maçaneta da porta, sabendo que seu pai havia retornado.
— Não vão falar nada pra ele — O moreno pediu rapidamente — O que menos preciso agora é Sirius fazendo piadas o tempo todo!
— Hmm… — Cedrico coçou o queixo, passando o braço pelos ombros da namorada ao voltar a recostar-se no sofá — Mas não era nada mal pra gente se ele começasse a implicar com você…
— Nem pense!
— Diggory, você voltou a morar aqui, por acaso? — Sirius perguntou ao entrar na casa com duas caixas de pizza, vendo o loiro sentado no sofá, junto de , com Harry mais ao canto, esparramado com as pernas esticadas na mesa de centro.
— Isso é um convite? — Perguntou sorridente, o mais velho rolou os olhos, segurando a vontade de respondê-lo como queria, sabendo que talvez reclamasse.
— Nem nos seus sonhos, Cedrico, nem nos seus sonhos. — Disse, andando para a cozinha e logo sendo seguido pelos três, que se dividiram em pegar pratos, talheres e copos, além de pegarem um suco.
Após alguns minutos de silêncio, enquanto aproveitavam a comida, Harry virou-se para o padrinho, mastigando devagar;
— O que você tanto faz em Londres, Sirius?
O homem continuou a comer, dando de ombros em seguida;
— Tenho muito assuntos pendentes para resolver…
— Aham, e aquela Trouxa francesa não tem nada a ver com isso, né? — provocou, sorrindo pequeno.
Sirius a encarou por alguns instantes, passando a língua pelos lábios;
— Mas você não sabe mesmo ficar de boca fechada, não é?
— Eu quase preferia quando essa garota estava trancada no quarto sem falar com ninguém! — Potter concordou, não se esquecendo de que a loira também havia falado para Cedrico sobre seu interesse em Gina.
— Ei! — Reclamou, jogando uma azeitona no rapaz, que estava sentado em frente a ela.
— E aí, como estão as coisas? Já falou com ela? — Cedrico perguntou para Sirius, subitamente interessado no desenrolar daquele relacionamento; se o homem estivesse ocupado com a própria namorada, talvez não se importasse tanto com o loiro passando horas a mais com .
Black rolou os olhos, colocando mais um pedaço de pizza na boca;
— Vocês três não tem mais o que fazer? — Tornou, ao notar o olhar deles em sua direção.
— Eu não! — respondeu rápido, apoiando o rosto na mão fechada sobre a mesa — Qual é, pai, quero conhecer sua namorada!
— Já estou considerando te mandar morar com Andrômeda de novo — respondeu, antes de tomar um gole de sua bebida — e não estou namorando ninguém.
— Por que? — Harry perguntou rápido — Precisa de dicas para conquistá-la?
— E desde quando você entende de namoro? — A loira replicou debochada — Se bem me lembro, você foi péssimo com a Cho! — Sorriu de canto ao notar o amigo avermelhar. Cedrico tomou um gole de seu suco para disfarçar a vontade de rir.
— Eu iria dizer do Diggory — respondeu baixo, apontando-o com a cabeça —, ele com certeza é o que melhor entende, até consegue enganar o Sirius.
— Como é? — Black ergueu o tom de voz, travando a mandíbula.
O loiro terminou de engolir antes de virar-se para o mais novo;
— Primeiro, quem está te provocando é a , eu não tenho nada com isso, então não joga nas minhas costas, Potter — então olhou para Sirius, com sua melhor cara de inocente — Fazem dias que mal nos vemos e só ficamos na sala, com você ou Harry junto, lembra?
O homem o encarou por mais alguns instantes, antes de respirar fundo, voltando sua atenção para o prato.
— Realmente, estou até surpreso, embora feliz.
Cedrico sorriu debochado ao olhar para Harry, vendo-o rolar os olhos.
— Mas sério, pai, — retomou — o que aconteceu? Achei que você queria sair com ela de novo, não?
Sirius respirou fundo, levando seu copo de suco a boca e tomando um longo gole antes de voltar a falar, achando o assunto muito delicado para um sábado à noite.
— Como você mesmo disse, Genevieve é Trouxa, não sei se vale à pena eu voltar a procurá-la. Primeiro passei meses sem aparecer, e dei uma desculpa fraca para isso. E, de qualquer forma, não sei se seria um relacionamento bem-sucedido.
— Mas você não pensa em contar para ela? — Diggory começou confuso. — Se você realmente gosta dela, teria que contar, não é?
— O problema é justamente esse, — concordou, passando a mão pelos cabelos compridos — não podemos expor nosso mundo para os Trouxas.
— Mesmo se vocês realmente ficarem juntos? — Harry perguntou surpreso, vendo-o concordar. — Mas não faz sentido nenhum! Como alguém conseguiria esconder e…
— A maioria dos bruxos faz isso, — Sirius o interrompeu — quando tem filhos só contam quando está na hora deles irem para Hogwarts, é lei. Não podemos expor nosso mundo aos Trouxas, são pequenas as exceções.
— Pai, mas você ouviu o discurso do Quim, ele falou que vai tentar mudar algumas coisas, talvez isso seja uma dessas coisas; além do mais, você só contaria para ela, não é? Se ela surtar você poderia apagar a memória, ninguém mais saberia. — Sugeriu, vendo-o menear a cabeça — Além do mais, mesmo se for contra as regras, não é como se fossem te mandar para Azkaban por contar à sua namorada que é um bruxo!
Sirius concordou a contragosto, sorrindo minimamente;
— Alguma vantagem eu teria que ter depois de tudo — disse baixo.
— Você deveria falar com ela, — Cedrico sorriu confiante quando o mais velho o olhou — convide-a para um jantar, retome o namoro e depois você pensa em um jeito de contar.
— Sim, mesmo porque, não vai conseguir esconder muito tempo se ela começar a frequentar a casa! — concordou.
— Não seja medroso, Sirius! — Harry encerrou, rindo da cara de desagrado que o padrinho fez.
— Já sei! — A loira sorriu, virando-se animada para o pai — A convide para vir aqui!
— Você está louca? — Sirius negou no mesmo segundo, balançando a cabeça.
— Está com vergonha de nós? — replicou, estreitando o olhar — Como é que eu tive que apresentar meu namorado, Harry provavelmente fará o mesmo, e você passa impune sem a gente aprovar nada?
— Teoricamente você não me apresentou ninguém — respondeu arqueando a sobrancelha — eu já o conhecia, não foi? — Apontou com a cabeça para Cedrico, que sorriu sem graça ao lembrar-se da época em que o homem fingia ser um cachorro. Era sempre embaraçoso pensar em tudo aquilo, por isso Diggory normalmente preferia fingir que havia sido uma alucinação.
— Que seja! O mínimo é trazê-la aqui em casa para que possamos conhecê-la!


Cedrico afastou-se de poucos segundos depois, ao ouvir Sirius pigarreando ao entrar na sala, olhando o casal se despedindo na porta.
— Tchau, Sirius! — Sorriu amarelo para o homem, que apenas acenou com a cabeça, logo subindo as escadas. — Te vejo depois! — Disse ao voltar a atenção para a namorada, roubando-lhe mais um beijo antes de se afastar, mas a loira o puxou pela mão antes que ele se virasse, beijando-lhe a bochecha e sussurrando próximo ao seu ouvido;
— A janela está aberta, Diggory.
Cedrico mordeu o lábio, tentando evitar o sorriso largo que se espalhava por seu rosto.
— Uns quarenta minutos? — Perguntou baixo, vendo-a concordar, antes de fechar a porta.
subiu as escadas, entrando em seu quarto e pegando suas coisas antes de ir para o banho, sentindo-se um tanto mais tranquila. Ainda tinha aquela sensação estranha no peito, como uma ferida que não cicatrizava.
Já haviam se passado quase 4 meses desde a Batalha de Hogwarts, mas continuava com aquele incômodo dentro de si. Aos poucos parecia começar a acostumar-se com ele, achando que talvez nunca mais se livrasse daquele sentimento, no fundo se perguntava se mais alguém sentia aquilo, mas não iria puxar aquele assunto com ninguém. Todos tentavam voltar ao normal, não seria ela quem traria aquilo de volta, era algo particular de cada um e não queria ser a responsável por fazer qualquer pessoa se sentir mal. Havia conversado mais algumas vezes com Andrômeda, que, aos poucos, também parecia se acostumar com o vazio, embora Teddy ocupasse muito de seu tempo.
Respirou fundo ao ligar o chuveiro, sentindo a água quente cair por sobre sua cabeça e corpo, pensou por alguns instantes se havia tomado a decisão certa ao convidar o namorado para passar à noite com ela, tinha sido algo impulsivo, apenas queria passar mais um tempo com Cedrico.
Parte de si sabia que não estava sendo a melhor das namoradas, mas também sabia que ele entendia e não a cobraria. Talvez fosse aquele um dos motivos de amá-lo tanto; Diggory sempre entendia o momento que cada um passava, era muito empático. Por isso não dizia nada, passou semanas apenas consolando-a sempre que precisava, e até quando ela não dizia nada ele estava lá, abraçando-a e garantindo que tudo ficaria bem.
Sorriu sozinha ao lembrar-se da conversa de semanas antes, na qual ele disse que esperava morar com ela em algum momento. desejava o mesmo, queria passar a vida toda ao seu lado. Ao pensar nisso soube que tinha feito a coisa certa ao chamá-lo, mesmo que tivesse sido impensado.
Desligou o chuveiro ao ouvir uma batida na porta e Harry gritar que também queria tomar banho, fazendo-a rolar os olhos. Colocou seu pijama e saiu, minutos depois, secando os cabelos. Potter apareceu no corredor com uma toalha sobre o ombro, soltando um “finalmente” antes de entrar no cômodo. A loira ainda parou para desejar boa noite a Sirius, que vinha subindo as escadas com um copo d’água e beijou-lhe a testa, antes de seguir para o final do corredor. entrou em seu quarto, acendendo a luz e virando-se para pendurar a toalha atrás da porta, antes de pentear os cabelos compridos, os quais já precisavam de um corte há algumas semanas, antes de voltar-se para a cama, jogando-se sobre a mesma e encarando o teto.
Ouviu Harry sair do banho minutos depois, dando duas batidinhas em sua porta como sempre fazia ao passar, antes de trancar-se no próprio quarto.
Bocejou instantes depois sentindo-se sonolenta, franziu o cenho ao olhar o relógio, considerando se Diggory talvez tivesse desistido e ido para a própria casa. Resmungou baixo, apagando a luz e virando-se na cama, pronta para dormir.
Quando já estava quase pegando no sono, ouviu uma movimentação e, pouco depois, pode ouvir a voz baixa do loiro;
— Ué, já está dormindo?
— Por que demorou tanto? — Disse no mesmo tom, vendo apenas a luz que saia da ponta da varinha que Cedrico segurava iluminar o quarto, enquanto ele fechava a janela.
— Estava esperando Sirius e Harry apagarem as luzes, queria garantir que não apareceriam aqui de surpresa. — Dizia, retirando os sapatos antes de subir na cama, deitando-se ao seu lado — Você está cheirando a morangos! — Riu ao mexer em seus cabelos úmidos.
— Troquei o shampoo — respondeu, sorrindo ao notar ele aproximar seus rostos.
— Já vai dormir?
— Talvez mais tarde! — Sussurrou, antes de juntar seus lábios aos dele, passando os braços por seu pescoço ao sentir as mãos grandes do rapaz apertarem sua cintura, juntando seus corpos.
Foi em meio aquele primeiro beijo, e todos os outros que vieram depois, que soube que, por mais que tivessem dias mais difíceis do que outros, estava na hora dela também seguir em frente, e ter Cedrico ao seu lado fazia tudo parecer mais possível. Diggory era como seu sol particular; sempre iluminava seus dias após uma noite tempestuosa.


4.

pousou a vassoura para descansar e tomar um pouco d’água antes de voltar para seu treino, encostou-se em uma das árvores no campo aberto atrás do terreno da casa de Sirius: O local era um tanto isolado e, embora tivessem algumas casas de Trouxas na redondeza, não era uma região de fácil acesso. Não que fosse problema para qualquer um deles, mas considerou que Harry estava certo quando disse que era difícil para os Trouxas, afinal tudo era distante e eles precisavam de transporte para se locomover.
Contudo, mesmo com a distância aparente entre os terrenos, Sirius considerou de bom tom manter o feitiço de proteção ao redor de toda aquela área; assim nem mesmo os bruxos conseguiriam bisbilhotar a vida de nenhum dos residentes daquela casa, e só eles sabiam o quanto precisavam de privacidade.
E, também graças ao feitiço, não tinha qualquer problema para treinar Quadribol ali. Sirius havia colocado três aros distantes para que a filha pudesse treinar perto de casa, e, quando não tinha o pai, Cedrico ou Harry para ajudá-la, a loira enfeitiçava algumas goles e balaços para jogar.
Duas vezes na semana ela aproveitava um campo aberto ao sudoeste de Londres, no qual sempre tinha gente jogando, para entrar em algum time e participar da partida, para melhorar seu ritmo de jogo com times completos.
Sua rotina estava sendo a mesma há algumas semanas, sempre que terminava seus treinos, voltava para casa para tomar um banho e então visitava Andy, ajudando com Teddy, que agora já estava com quase oito meses e muito mais esperto para brincar; Conseguia ficar sentado sozinho e gargalhava batendo as mãozinhas sempre que via algum feitiço. Seu preferido parecia ser quando bolhas grandes e coloridas saiam das varinhas, o que sempre fazia Andromeda rir, por lembrar que também eram os favoritos de Dora e quando elas eram pequenas.
Harry os visitava com certa frequência, embora seu curso de Auror tivesse começado e ele parecesse sempre cansado, chegando tarde em casa e, por vezes, trabalhando aos finais de semana, mas sempre que tinha um tempo visitava o afilhado, querendo ajudar como podia na criação de Teddy.
Em uma dessas vezes, pareceu um tanto chateado ao notar que o garotinho chorava em seu colo, mas parecia extremamente à vontade quando Diggory o pegava, até mesmo dormindo nos braços do loiro, o que foi “justificado” pela presença constante de Cedrico na casa, fazendo com que a criança o reconhecesse com mais facilidade. Além de suas obrigações como padrinho, Potter tentava conciliar seu tempo livre com pequenas visitas a Hogsmeade para ver Gina, e aproveitava a desculpa de ir com Rony ver Mione e alguns outros colegas. Incrivelmente, ninguém desconfiava de suas intenções nessas visitas, embora fossem bem frequentes.

Quando chegou em casa, após passar a tarde brincando com Teddy, que agora tentava engatinhar, encontrou Sirius na cozinha, ajudando-o com o jantar, nenhum dos dois era muito bom com a tarefa, mas ambos gostavam de passar aqueles minutos juntos, conversando enquanto cortavam legumes e cozinhavam alguma coisa. Semanalmente experimentavam alguma receita diferente e, vez ou outra, alguma comida dos Trouxas.
— E seu namorado? — Sirius emendou após terminarem uma conversa sobre os treinos da garota;
— Acho que não aparece por aqui antes de sábado, pelo menos, disse que está bem ocupado no Ministério… — Respondeu baixo, tentando soar chateada.
A verdade era que, já há quase um mês, Cedrico estava, de fato, bem ocupado com seu trabalho, mas fazia visitas pelo menos três vezes na semana, após Sirius e Harry já terem ido dormir e saía bem cedo de volta para casa, para se arrumar antes de ir trabalhar.
— Você vai fazer alguma coisa sábado, pai?
— Talvez eu saia com Genevieve… Ela quer ver uma peça ou sei lá…
— E quando vai trazer ela aqui? Não me diga que terei que aparatar no meio do encontro de vocês para conhecê-la?
Sirius sorriu irônico;
— O dia em que eu quiser terminar eu trago ela aqui para conhecer você e Harry, ela não vai aguentar vocês dois bombardeando com perguntas e vai embora bem rápido…
— Às vezes você me ofende! — Resmungou enquanto lavava as mãos e se virava para ir tomar um banho.
— E você? Algum plano?
— Vou ficar com Teddy pra Andy, parece que ela e a mãe do Ced vão sair juntas…
— Aposto que já devem estar planejando o casamento de vocês, ou algo do tipo — Black negou com a cabeça.
— Provavelmente — riu concordando — uma pena para elas que isso não vá acontecer tão cedo! Aliás, já que a Andy se dá tão bem com a Rachel, você poderia sair mais vezes com o Amos, não? Ao invés de só vê-lo em alguma festa…
— Ele é muito velhaco, — avisou, fazendo uma careta.
— Pai, você também está virando um velhaco, lembre-se disso!
— É assim que você quer me convencer a ser amigo do pai do seu namorado? — Gritou ao vê-la sair rindo da cozinha, em direção às escadas — Velhaco… Estou na flor da idade!


Potter saiu do chuveiro com os cabelos ainda molhados e a toalha sobre o ombro desnudo, espreguiçando-se cansado antes de bater na porta do quarto de , entrando instantes depois e encontrando-a jogada sobre a cama, parecendo rabiscar alguma coisa em um pedaço de pergaminho;
— O que está fazendo?
— Calculando a velocidade que eu precisaria enfeitiçar uma goles para tentar um Giro da Preguiça, mas sem correr o risco de cair da vassoura e acabar no St. Mungus…
Harry a encarou por alguns instantes, arqueando a sobrancelha ao se aproximar, sentando-se no canto da cama;
— Desde quando você consegue fazer esses cálculos?
— Ced me explicou algumas coisas que ele fazia quando era Capitão da Lufa-Lufa — deu de ombros — e peguei algumas informações em alguns livros…
— Caramba, Hermione estaria emocionada se soubesse que você anda lendo e fazendo cálculos… — riu ao vê-la rolar os olhos — Falando na Mione, o que acha de ir para Hogsmeade esse final de semana?
— E atrapalhar os casaizinhos? — Debochou, vendo-o negar.
— Leve seu namorado, que aí quando a gente quiser te dispensar você não fica sozinha! — Disse, piscando para a amiga.
— Está tentando me usar para enganar meu pai e os Weasley, Cicatriz?
— Talvez… E aí, vamos?
suspirou, meneando a cabeça segundos depois;
— Só porque faz tempo que não vejo Mione e Gina, e quero aproveitar para conversar com a ruiva sobre a última carta que ela me mandou… — Passou a língua pelos lábios — Mas você me deve duas cervejas amanteigadas, pela audácia de precisar de mim e ainda insinuar que sou dispensável!
Harry riu, levantando-se da cama e saindo pelo quarto;
— Potter!
— Eu?
— O que acha de um jogo de Quadribol domingo? Preciso treinar, e não seria nada mal ter você e sua Firebolt…
— Quem está se aproveitando de quem agora? — Ironizou, embora concordasse com a cabeça, nunca dispensava um jogo.
— A diferença é que todo mundo sabe que eu estou treinando — deu de ombros, sorrindo de lado — mas podemos contar sobre seus encontros secretos com a ruiva, se preferir…
— Ah, cala boca, ! — Resmungou, fechando a porta do quarto ao sair fazendo um sinal com o dedo médio, o que a fez rir;
— Mal educado!


Durante o restante da semana, focou-se mais nos treinos, aproveitando a ajuda de Sirius para tentar novas jogadas, dentre elas um Passe de Revés, que consistia em lançar a goles por sobre o ombro, na direção de um companheiro de time, mas demorou até que conseguisse acertar. Sorriu satisfeita ao também conseguir executar o Balé de Blitzen sem enjoar, pois precisava girar várias vezes e todas as vezes anteriores que tentou, acabou vomitando no canto do gramado.
No sábado, Potter esperava sentado no sofá, aflito com a demora da loira, Sirius já havia saído para o Beco Diagonal e deveria voltar apenas à noite;
— Vamos logo, ! — Gritou, passando a mão pelos cabelos pela quarta vez.
— Para de me apressar — resmungou descendo as escadas — e se Rony e Ced não estão aqui, por que tá gritando?
— Porque você demora muito, precisa levar uma hora para se arrumar?
— Foram só quarenta minutos — corrigiu, cruzando os braços — e a culpa não é minha se você demorou para tomar banho e eu voltei a dormir…
Potter rolou os olhos, pronto para argumentar, quando ouviram uma batida na porta;
— Às vezes eu tenho pena do Diggory, sinceramente. — Negou com a cabeça, indo abrir a mesma.
— E, às vezes, eu quero alertar a Gina da furada em que ela está se metendo!
— Mas já estão brigando? — Cedrico perguntou divertido, entrando na casa seguido de Rony, que também parecia rir ao ver o que acontecia: volta e meia Potter reclamava da loira no Ministério, pois agora que moravam na mesma casa, embora continuassem muito próximos, também começaram a implicar um com o outro muito mais do que na época de Hogwarts.
— Porque sua namorada demora horas para se arrumar — disse, já puxando os recém-chegados para fora da casa — Agora vamos logo, já estamos atrasados.
— Você já foi menos chato, Potter.
— Infelizmente não posso dizer o mesmo sobre você — debochou enquanto andavam pelo terreno, para saírem da área com o feitiço de proteção e poderem aparatar —, já que sempre foi assim!
abriu a boca para respondê-lo, mas no instante seguinte sentiu a mão de Cedrico apertando a sua, e a sensação incômoda de aparatar a distraiu da pequena discussão.

Os quatro aparataram juntos no meio da rua do vilarejo, seguindo juntos em direção ao Três Vassouras e encontrando Mione e Gina à espera deles na porta de entrada. Black adiantou-se para abraçar as amigas que não via há várias semanas, mas logo separou-se delas para beijarem seus respectivos namorados.
— Quanto tempo mais vocês dois vão continuar escondendo o relacionamento? — Cedrico questionou após cumprimentá-las, apontando para o casal de mãos dadas.
— É, Gina. Tá com vergonha do Potter ou o que? Deveria saber que ele estava quase morrendo para te ver logo… Ai! — Resmungou ao sentir a cutucada do moreno.
— Na verdade é ele quem não quer contar nada — A ruiva avisou, antes de entrarem juntos no bar, rindo baixo da cara que ele fez devido ao comentário de .
— Nossa, Cicatriz, não tem vergonha na cara, não? Vai enrolar a garota por quanto tempo?
— Olha, ela tem um pai e vários irmãos — defendeu-se — não é tão fácil!
— Ai, Harry — Mione interviu ao sentarem-se em uma das mesas — todos os Weasley gostam de você, Molly e Arthur só faltam te chamar de filho!
— Hm, olha só a Granger, começou a beijar o Rony e já até esqueceu de chamar os Weasley de senhor e senhora!
— Perdeu totalmente o respeito — Gina concordou com a loira, rindo da cara envergonhada de Hermione.
— Cedrico também chama o Sirius de Sirius, ao invés de "senhor"! — A garota argumentou, Diggory deu de ombros, fazendo sinal para um dos funcionários os atenderem;
— Mas é bem diferente, e foi só depois de uns dois anos... — Explicou — Nos primeiros dias eu até mesmo evitava ficar perto da .
— Tá vendo, Harry, tudo mais simples pra você, não tem com o que se preocupar, pode já chamar eles de Molly e Arthur assim como a Mione!
— A menos que você só esteja enrolando minha irmã! — Rony resmungou, cruzando os braços ao encarar o moreno.
— E se você estiver não tem problema, — Gina disse confiante, jogando os cabelos para trás — estou me divertindo bastante!
Harry sorriu constrangido, mais ainda ao ver o funcionário do bar parado ao lado deles, pegando o pedido com Cedrico. e Hermione davam risadinhas, enquanto Rony parecia ter sido estuporado, a expressão chocada presente em seu rosto.
— Na verdade estou mais preocupado com Sirius — o moreno disse, ajeitando os óculos —, tenho quase certeza de que será impossível ficar sozinho com a Gina se Sirius descobrir… Depois de Hogwarts, quero dizer. — Acrescentou ao ver Granger abrir a boca para comentar algo.
— Provavelmente, Sirius não dá um descanso — Cedrico concordou, passando a mão pelos cabelos loiros.
— Mas para que é que serve aquela Capa da Invisibilidade se você nem mesmo a utiliza da forma correta? — questionou, piscando para o casal de amigos.
A ruiva sorriu largamente, parecendo gostar da ideia, enquanto Potter ficou um tanto constrangido, embora mantivesse um sorriso de canto nos lábios.
— Nem por cima do meu cadáver! — Rony exasperou-se — Deixo de permitir isso no mesmo instante!
— E desde quando eu me importo com o que você diz, Roniquinho? — Gina debochou, arqueando a sobrancelha — Além do mais, não seria trabalho nenhum para mim sumir com seu corpo!
— E se você fizer isso na época certa, Mione nem mesmo vai reparar, porque estará estudando para os NIEM’s! — acrescentou, adorava quando alguém deixava Rony sem graça.
— Falando em NIEM’s — Cedrico adicionou rapidamente, ao ver Weasley vermelho, parecendo a ponto de explodir — Como estão as coisas em Hogwarts? — Virou-se curioso para as duas garotas;
— O time de Quadribol está razoável — Gina disse antes que Hermione começasse a falar sobre as aulas —, mas não estou tão confiante na Taça — suspirou, colocando uma mecha atrás da orelha — estou a ponto de matar metade deles!
— Admita, ninguém seria tão bom quanto nós — Harry apontou dele para e Rony.
— E a Lufa-Lufa? — Diggory questionou ansioso.
— Até que está bem, ganharam o jogo contra a Corvinal!
— Você deveria passar mais tempo estudando conosco, Gina, Quadribol não vai te levar a nad… — Interrompeu-se e olhou assustada para , que abanou a mão no ar, não parecendo se importar com o comentário.
— Você diz isso porque era péssima na aula de voo, Mione — Rony lembrou, rindo baixo ao ver a cara ofendida da namorada.
— E com quem é que você está estudando? — Harry perguntou após tomar um gole da bebida entregue — Já fez novas amizades, foi?
— Obviamente — empertigou-se, sorrindo satisfeita — fiz amizade com uma menina da Corvinal e…
— Ah, pronto, agora você realmente não deve sair mais da biblioteca… — O ruivo negou com um aceno, fazendo os outros rirem — Madame Pince já deve estar preocupada em perder o emprego para você!
O grupo continuou conversando e rindo por mais de uma hora, até Gina levantar-se, chamando a atenção de todos;
— Não me entendam mal, pois gostei muito de ver vocês dois — disse, olhando para e Cedrico — mas não temos muitas horas disponíveis, e não sei quando verei Harry de novo! — Justificou-se, piscando para Potter, que não demorou a terminar sua cerveja e levantar-se.
— Nos vemos em casa! — O moreno acenou, afastando-se junto a namorada.
— Aposto que Harry trouxe a Capa de Invisibilidade hoje — provocou, olhando de canto para Rony, que engasgou-se com a bebida.
— O que você…
— Não é melhor nós aproveitarmos um pouco também, Rony? — Hermione interrompeu o ruivo, notando o quão irritado ele pareceu ficar ao ouvir o que havia dito.
— O que… Ah! — Gaguejou, logo ficando com o rosto e pescoço em um novo tom de vermelho.
— E a gente pensando que Hermione era a mais comportada de todos nós… — Black negou com um aceno, fazendo a amiga corar.
— Até depois gente — Mione sorriu sem graça, acenando com a mão e puxando Rony para fora do Três Vassouras.
Cedrico riu, passando o braço pelos ombros da namorada, sentada ao seu lado;
— Por que é que você implica tanto com o Weasley?
— Ah, eu sei lá, sempre foi divertido — disse sem se importar muito, dando um gole em sua cerveja — além do mais, ele é muito hipócrita; reclamava da Gina saindo com outros garotos, mas quando teve a chance de sair com uma menina ficava se amassando em todos os cantos!
— O que será que ele pensa que Harry e Gina estão fazendo para ter se incomodado tanto com o seu comentário sobre a Capa? — O loiro perguntou retoricamente, logo encarando-a de lado — E como é que você nunca emprestou essa Capa do Potter?
riu, piscando em sua direção;
— Não é como se precisássemos dela, é? Você tem feito um bom trabalho subindo pela janela!
Diggory sorriu de canto, aproveitando que estavam sozinhos;
— Que tal darmos uma volta e relembrar os velhos tempos?
— Achei que não fosse pedir nunca!


O casal saiu do bar, acenando vez ou outra para algum conhecido, logo dando as mãos e andando pelas ruas de Hogsmeade;
— Tenho certeza que pelo menos um deles foi para os lados da Casa dos Gritos, a gente poderia usar a passagem para...
— Não é o Daves ali? — Cedrico perguntou franzindo o cenho. — O que será que ele está fazendo aqui?
olhou na direção que o namorado apontava, vendo Rogério sair da Dedos de Mel, logo passando o braço sobre os ombros de uma garota loira, a mesma que havia visto no funeral, meses atrás.
— Acho que está explicado! — Sorriu, vendo o rapaz concordar rindo baixo.
Daves conversava com a garota, até olhar para frente enquanto começavam a andar, logo reconhecendo Cedrico e sorrindo para o ex-colega, aproximando-se junto a namorada instantes depois;
— Diggory! Fazem meses que não te vejo — cumprimentou-o sorridente, abraçando-o em um gesto rápido. — — Sorriu, beijando-a no rosto, o que surpreendeu a garota por um instante, afinal ela e Rogério não conversavam nos tempos de Hogwarts, embora soubesse que o moreno tinha uma boa amizade com Cedrico. — Conhecem a Evie, certo?
— Apontou para a namorada, que sorriu tímida para eles, cumprimentando-os com beijos no rosto.
— Claro, foi você quem me ajudou durante a Batalha, não é? — sorriu para a garota, que concordou com um aceno. — Acho que nunca tive a chance de agradecer!
— Imagina, não foi nada! — Respondeu sorridente.
— E o que vocês estão fazendo por aqui? — Daves perguntou curioso. — Você voltou pra terminar os estudos?
— Você claramente não me conhece! — A garota riu ao negar.
— Só viemos passear, queria ver as amigas e eu tomar uma cerveja! — Diggory explicou, virando para Evie — E o que você faz com o Daves? Que eu me lembre você era bem inteligente, não?
Darling riu, olhando de canto para o namorado;
— Acho que quis me rebelar um pouco!
— É isso que eu sou para você? — Questionou com a sobrancelha arqueada — Um ato de rebeldia?
— Provavelmente! — Evie deu de ombros, rindo junto ao casal.
Rogério passou a mão pelos cabelos;
— Deixa só eu contar para seus pais, eles me adoram! — Piscou em sua direção, antes de virar-se para os colegas — Estávamos indo ao Três Vassouras, querem vir também?
Cedrico e se entreolharam, a garota deu de ombros, concordando com um aceno; Poderiam aproveitar um tempo só deles depois.
— Claro, mas vocês não querem ficar sozinhos? — Cedrico perguntou, vendo-os negarem aos risos.
— Tá tudo bem, já aproveitamos um bom tanto... — O moreno respondeu dando um sorrisinho sacana.
— Rogério! — Darling acertou-lhe um tapa ardido no braço, fazendo o rapaz gargalhar, jogando os cabelos para trás.
— Calma, Evellyn, não é nada demais... Duvido que seja muito diferente do que esses dois fazem! Conheço Diggory o suficiente para saber, lembro quando...
— Tá querendo iniciar uma briga aqui? — Cedrico o interrompeu, apontando para a namorada, que cruzou os braços, esperando Rogério terminar a frase.
— Não liga, não — Evie avisou, olhando para Black — esse aqui não sabe ser discreto, sempre inconveniente!
— Tirou o dia pra falar mal de mim? Vamos logo antes que piore! — Puxou-a pela mão em direção ao bar.
— Não acredite em tudo o que o Daves fala, ele sempre foi muito exagerado — Cedrico cochichou com , quando notou que ela ainda parecia um tanto mal-humorada.
— Sei, sei. Vou fingir que acredito em você pra não estragar meu dia!
— E então, o que vocês têm feito? — Rogério perguntou alguns passos à frente, chamando a atenção deles, antes de voltarem a andar juntos. Diggory passou o braço pelos ombros da namorada, um tanto inseguro, mas relaxou ao ver que ela não desviou dele, sorrindo antes de continuar a conversa com o moreno.
O quarteto passou um bom tempo juntos, comentando sobre diversos assuntos: Rogério contou que estava trabalhando há alguns meses como um Desfazedor de Feitiços, o que, de forma geral, era até mais legal do que ele havia imaginado inicialmente. Sempre tinha algo inusitado acontecendo, o que sempre rendia boas histórias, contudo, conforme Evie e Cedrico alertaram diversas vezes , não dava para acreditar cem por cento no que o moreno dizia, pois ele era muito exagerado.
Evie, é claro, continuava em Hogwarts, contando animada sobre algumas mudanças na Escola agora que Minerva era a nova diretora. Disse ainda que havia se aproximado bastante de Hermione, que agora estava na mesma sala que ela e Gina, já que as duas tinham bastante em comum e agora até mesmo estudavam para o NIEM’s juntas.
Black adorou Evie, talvez porque a lembrasse muito de Mione pela inteligência e aparente dedicação aos estudos, mas tinha algo de diferente que ela não sabia exatamente como definir;
Nos anos em que esteve em Hogwarts, havia visto a loira algumas vezes pelos corredores, mas nunca haviam conversado, no máximo a cumprimentou quando Gina estava próxima. Lembrava-se de tê-la visto durante a Armada de Dumbledore, tinha quase certeza que haviam treinado juntas em uma das reuniões, ou pelo menos trocaram algumas dicas em um dos feitiços. Sabia também que Evie, assim como Gina, costumava ter uma paixãozinha em Potter, pois ainda ria da ruiva ao lembrar que ela havia chego alarmada contando que Darling queria convidá-lo para o Baile de Inverno, fato que fez gargalhar imaginando que Harry era lento o suficiente para precisar que uma garota o convidasse, ao invés do contrário. Mas no geral, a única vez que realmente interagiu com Evie, foi quando a loira a ajudou durante a Batalha, juntando-se a Dino e Parvati para lutarem contra Comensais, enquanto falava com Victoria.
Quando se despediram, mais ao final do dia, e Evie combinaram de manter o contato e até mesmo saírem juntas quando Darling estivesse livre, o que até mesmo rendeu uma piadinha sem graça de Daves, o qual também marcava de almoçar com Cedrico durante a semana.


O casal aparatou sorridente em Mopla Road , andando os metros que faltavam até a casa de dois andares. Sabiam que poderiam passar um tempo sozinhos já que Harry ainda passaria nos Weasley antes de voltar para Tutshill, e Sirius estaria com a namorada em Londres. Contudo, ao passarem de mãos dadas pela porta, deram de cara com o homem sentado no sofá, com cara de poucos amigos, enquanto Teddy estava no chão, brincando com seus bichos de pelúcia.
— Finalmente, . — Exclamou assim que a viu entrar, notando quando ela fechou os olhos, fazendo uma leve careta — Esqueceu, não foi?
— Foi mal, pai… — Aproximou-se junto com Cedrico, sentando-se no chão ao lado de Teddy e pegando o afilhado — Faz tempo que Andy passou aqui?
— Quase uma hora, estava pronto para sair… — Avisou, levantando-se e cumprimentando Diggory com um aperto de mão, antes de pegar o casaco — Sua sorte é que não preciso de mais do que alguns minutos para chegar em Londres, e posso dizer que tive um problema com o transporte.
— Sirius, — Cedrico começou, sentando-se no sofá e passando a mão pelos cabelos azulados da criança, que sorriu para ele — sua namorada não acha estranho você viajar toda essa distância para vê-la quase todos os dias? Quanto tempo daria daqui até Londres?
— Umas duas horas, mais ou menos — deu de ombros, ajeitando os cabelos.
— E como você diz que chega lá se não tem um carro? — perguntou, também curiosa.
— Normalmente digo que pego carona com um vizinho, mas não estranhe se logo menos eu aparecer com uma moto, faz um tempo que tenho pensado nisso — piscou, antes de abrir a porta — Se comportem, lembrem-se que Teddy está em casa, vocês não querem traumatizar uma criança!
Diggory resmungou quando a porta bateu, sentando-se ao chão ao lado do garotinho, que empurrou um dos brinquedos em seu colo;
— Parece que tudo hoje está contribuindo para não rolar uns beijos, ein?
A loira riu, concordando, antes de ficar momentaneamente séria e arquear a sobrancelha em sua direção;
— Aparentemente isso não era um problema para você, não é? Não vai me contar o que o Rogério quis dizer?
Cedrico sentiu o rosto esquentar no mesmo instante, voltando sua total atenção para a criança;
— Acho melhor não falarmos disso na frente do garoto, — passou a língua pelos lábios, olhando de canto para a namorada — não queremos arriscar dele ver você me azarando ou algo do tipo, não é?
— Sabe que toda vez que você faz isso piora a situação? Porque me faz imaginar que saiu com o dobro de garotas!
— Não foram tantas assim, — negou com um aceno, coçando a nuca — e não é como se eu gostasse de alguma delas… Por que quer falar disso agora?
— Sinceramente, não quero — suspirou, brincando com o afilhado —, mas me incomoda sempre que encontramos algum dos seus amigos eles falarem que você beijava Hogwarts inteira, mesmo eu sabendo que era verdade.
— Acho que você está me confundindo com o Daves — sorriu pequeno —, sai com algumas, sim, mas quem beijou quase todas as garotas do castelo não fui eu. Além do mais, no meu quinto ano sai apenas com uma garota antes de começarmos a ficar… — Relembrou, vendo-a menear a cabeça.
— Não saiu com ninguém quando terminamos? — Perguntou com o cenho franzido, vendo-o negar com um aceno.
— Estava chateado demais para aquilo — sorriu pequeno — e no fundo ainda tinha esperanças de conseguir você de volta! — Piscou, vendo-a rir baixo.
— Então, qual seu número, Diggory?
Cedrico negou com a cabeça, fazendo uma careta;
— Muito menos do que você pensa, tenho certeza, mas não quero falar sobre isso. Por que faz tanta diferença pra você? Foi antes de começarmos a sair, não é?
— Se fosse o contrário — começou, passando a língua pelos lábios —, não iria querer saber com quantos caras eu saí?
— Tenho certeza de que não — negou de imediato —, provavelmente teria muito mais ciúmes do que já tinha no começo! — Disse sem graça, esticando a mão para alcançar a dela — Não basta saber que você é a única que eu quero? E por quem eu escalo uma janela quase todas as noites?
sorriu pequeno, concordando com um aceno;
— Imagino que sim, talvez seja melhor não saber mesmo, não sei se reagiria bem…
Diggory aproximou-se mais da namorada, sorrindo em sua direção;
— Eu posso ter saído com algumas garotas, mas nunca, com nenhuma delas, eu me senti como eu me sinto quando estou com você, sabia?
— Acho bom continuar assim — avisou brincando, vendo-o rir ao aproximar seus rostos;
— Disso eu não tenho dúvidas!
Quando estavam a poucos centímetros de encostarem seus lábios, Teddy mexeu-se no colo de , erguendo a mãozinha gorducha e babada, colocando no rosto de Cedrico, o qual fez uma careta ao olhar para o garotinho;
— Foi o Sirius que te mandou fazer isso, não é? Aposto que ele está te treinando!
riu, erguendo o afilhado nos braços e olhando em seus olhos;
— Pois bem, parece que hoje à noite é toda desse garotão aqui!


5.

Cedrico atravessou a rua quando notou os carros parando no sinal vermelho, andando pela faixa de pedestres junto com os Trouxas e mais alguns bruxos que ele reconheceu dos corredores do Ministério. Olhou para frente e logo reconheceu o pequeno restaurante que o amigo havia indicado, passando pelas portas e olhando ao redor, reconhecendo Emmett em uma mesa mais ao canto, conversando com uma garçonete.
— Ah, finalmente, Ced, já estava morrendo de fome! — Monty sorriu ao vê-lo se aproximando.
— Você está sempre com fome, cara! — Diggory negou com um aceno, comprimentando-o com um abraço rápido. — Já pediu?
— Só as bebidas! — Avisou, recostando-se no encosto da cadeira — Você vai gostar da comida daqui, é bem boa.
— Espero que seja mesmo, porque estava mais interessado em ir no Caldeirão e tomar uma cerveja.
— Ah, cara, a comida de lá é péssima! — Montgomery fez uma careta, negando com um aceno — E aí? Como vão as coisas? não quis vir?
— Ela foi cuidar do Teddy — respondeu enquanto olhava o cardápio —, mas mandou um beijo — o olhou por um instante, ao passar o recado — e mandou eu dizer que espera saber de todas as fofocas do Ministério agora que você entrou no Departamento de Mistérios.
— Eu bem que gostaria! — Suspirou pesaroso — Mas seria demitido antes de começar…
— Na verdade, — Cedrico o encarou, passando a língua pelos lábios finos — você iria para Azkaban por repassar informações sigilosas, mas quando eu falei isso, disse que te visitaria na prisão!
Monty gargalhou ao negar com a cabeça, cruzando os braços sobre a mesa e inclinando-se um pouco;
— Mas pelo menos alguém vai me visitar se eu for preso, esperava o mesmo de você! — Apontou, fingindo desapontamento.
— E estragar minha imagem de bom funcionário? Preciso dos galeões. — Riu, baixando o cardápio quando a funcionária apareceu, trazendo suas bebidas. Cedrico tomou um gole, era gelado e tinha gosto de morango e creme, misturado com mais um ingrediente desconhecido por ele, franziu o cenho ao encarar o amigo; — O que é isso?
— Frappuccino, achei que iria gostar — explicou após tomar um gole de sua própria bebida.
— O que é esse outro gosto? — Questionou ao tomar outro gole, tentando desvendar o sabor.
— Café, é uma das bebidas favoritas dos Trouxas, mas achei que tomar um café puro seria muito pra você — riu, ao vê-lo franzir o cenho.
— Enfim, e como estão indo as coisas agora que foi efetivado?
— Sabe que não posso contar muito, — resmungou entediado — mas tem sido mais legal do que eu imaginava, porém bem sério também, no geral fico fazendo vários relatórios sobre assuntos diversos.
— Jamais imaginaria você com um trabalho desses!
— E você acha que eu imaginava, Ced? — Monty ergueu as sobrancelhas, negando com um sorriso leve nos lábios — Mas é melhor do que trabalhar no St. Mungus, meu pai estava louco para eu fazer o curso deles, porque pagavam bem.
Diggory riu, concordando, lembrando-se das vezes que o pai do amigo também tentou convencê-lo de que daria um bom medibruxo.
— E as coisas com a Winter? Ainda estão juntos?
— Como assim ainda? É claro que estamos! Ela não perderia um partidão como eu! — Estufou o peito, passando a mão pelos cabelos escuros, fazendo o amigo rolar os olhos — Falei pra ela que viria encontrar com você hoje, Soph disse que deveríamos marcar algo para fazer, nós quatro. Já que nós dois somos amigos, de repente ela e se entendem também…
— Por mim tudo bem, só temos que ver o dia… Ah, sabe quem eu encontrei em Hogsmeade? Daves — Respondeu antes que o amigo pudesse dar um palpite —, almoçamos juntos semana passada e agora estamos tentando marcar um dia para ir beber, ele falou para te chamar.
— Desde que seja só a gente, a última coisa que eu preciso é perder a namorada para o Rogério — fez careta, vendo o loiro concordar.
— Parece que ele ainda está sério com aquela garota, Darling, foi pra Hogsmeade para vê-la…
— Nossa, quem diria que o maior pegador de Hogwarts iria firmar com uma garota tão certinha quanto a Darl… — Interrompeu-se, rindo baixo — Bem, temos você e a Black, que também são completamente opostos, talvez não seja tão surpreendente Rogério estar com a garota!
— Ha-ha.
— Então, podemos tentar sair eu, Soph, você e no final da próxima semana, e marcamos com o Daves na seguinte, o que acha?
— Só preciso confirmar o dia, porque tem o aniversário da na próxima semana…
— Melhor ainda, já fazemos uma comemoração!
Cedrico riu;
— Se for pra ter uma festa, Sirius vai aparecer…
— E qual o problema? Não quer seu sogro empatando sua noite, é? — Monty questionou segurando a risada, Cedrico rolou os olhos.
— Como se ele pudesse... — disse baixo, fazendo o amigo gargalhar antes de fazer um sinal para a garçonete, para que pudessem fazer seus pedidos, antes de virar-se afobado na direção do amigo;
— Caramba, Ced, quase esqueci! Você viu o que aconteceu com a Cho?


Potter entrou em casa sentindo-se acabando, pronto para dormir por semanas, mas sabia que não conseguiria mais do que algumas horas de descanso. Estranhou ao não ouvir nenhum barulho na casa, sempre que chegava encontrava Sirius ou na sala ou na cozinha, mas aquele dia estava tudo quieto. Franziu o cenho, deixando seu casaco no cabideiro ao lado da porta e tirando as botas, andando de meia em direção as escadas, estalando o pescoço em uma tentativa de relaxar um pouco do dia estressante. Andou pelo corredor, batendo na segunda porta e logo ouvindo um ‘entre’;
— Ah, você está aí — sorriu pequeno ao ver parada de frente ao armário, organizando suas roupas — Sirius está no quarto?
— Não, não vai dormir em casa — rolou os olhos, negando com a cabeça — a hipocrisia, sabe?
Harry riu, concordando com um aceno.
— E o Diggory não vem?
— Não, — suspirou pesarosa — parece que vai trabalhar até mais tarde. O único dia que papai não estaria aqui… Você está com uma cara horrível! — Avisou ao prestar atenção no moreno, que sorriu irônico.
— Obrigado. Já comeu?
— Já sim, deixei as coisas pra você na mesa. Acho que só precisa esquentar um pouco.
— Valeu, vou tomar um banho antes, se eu demorar mais de cinco minutos, bata na porta para ver se eu respondo, talvez tenha morrido! — Disse de forma dramática, fazendo-a rir.
— O que aconteceu?
— Quim acabou comigo hoje, achei que não sairia nunca mais…
— Sério? Achei que você fosse o favorito!
— Eu também — fez careta —, mas se acha que eu estou acabado, é porque não viu o Rony, não conseguia nem andar!
riu antes de virar-se para terminar de guardar as roupas limpas;
— Graças a Merlin que eu não quis fazer esse treinamento!
— Pois é, — Harry concordou — você não conseguiria, estaria chorando na primeira semana!
Black virou-se com as mãos na cintura, a sobrancelha arqueada;
— Está me chamando de fraca, Harry Potter?
— Eu? — Apontou para si mesmo, segurando a vontade de rir — É claro que não, não faço ideia de onde tirou isso! — Gargalhou ao vê-la lançar um tinteiro em sua direção, saindo do quarto segundos depois — Estava só brincando, , você anda muito sensível!

Harry desceu as escadas de dois em dois degraus, vestindo uma calça de moletom e camiseta, os cabelos úmidos e os óculos ainda um pouco embaçados no vapor do banho quente. Encontrou deitada no sofá, entretida com algum programa na televisão;
— Algo bom? — Perguntou ao olhar rapidamente a tela, antes de andar para a cozinha para ver o que tinha para o jantar.
— Estou procurando — respondeu um pouco mais alto, para que ele pudesse escutar do outro cômodo.
— E como foi o dia? — Perguntou no mesmo tom, pegando o prato de ensopado e dois pedaços de pão, andando para a sala para comer enquanto assistia, após esquentar a comida com um aceno da varinha. Deixou o prato na mesa de centro, voltando para pegar um copo de suco de abóbora e talheres.
— O de sempre, mas Teddy deu uns passos — contou, sorrindo pequeno ao lembrar — ele caiu segundos depois, mas Andy falou que ele já para em pé sozinho.
— Caramba, — arqueou as sobrancelhas ao voltar para o cômodo, sentando-se na poltrona e pegando o prato — têm dias que não o vejo, quero ver se passo lá na sexta depois do trabalho.
— É por isso que ele não lembra da sua cara — riu ao vê-lo fazer uma careta, antes de pegar o controle e mudar de canal, olhando para a TV.
— Não é que eu não queira — rebateu, mastigando devagar —, mas ele estaria dormindo se eu fosse depois do trabalho.
— Sei, sei — o encarou debochada — e os dias que você passa o sábado com a Ginevra ao invés de ver seu afilhado? Ein?
— Ah, cala boca! — Virou-se para o eletrônico, mostrando o dedo do meio para a loira — Já resolveu se vai fazer alguma coisa no seu aniversário? — Perguntou, tomando um gole de suco.
— Ainda não, vou sair com o Ced e o Monty na sexta, mas não sei se quero algo no meu aniversário… Aliás, se quiser ir também — deixou o convite no ar, Potter negou;
— Ficar no meio dos casais? Não, obrigado. — Fez careta, vendo-a rolar os olhos — Mas deveríamos pelo menos ir beber, não acha? Não pode vir me cobrar um bom presente se não tiver comemorações!
— O que vai me dar de presente? — Questionou no mesmo instante, curiosa.
Potter negou com um aceno;
— Nada se não tiver uma festa… Deixa nesse! — Pediu ao ver o filme de terror que começava, fez uma careta, negando com a cabeça;
— Quer me fazer passar a noite acordada, é? Sem chances.
— Deixa de ser chata, nem dá medo, é só você saber que vai todo mundo morrer!
— Ah, nossa, realmente muito melhor! — Ironizou, rolando os olhos, mas deixando no canal — Se eu não conseguir dormir essa noite vou te acordar para ficarmos conversando!


Na sexta-feira, Sirius e Harry jogavam uma partida de xadrez de bruxo quando ouviram uma batida na porta, Potter levantou-se para abrir, mal olhando para Diggory antes de voltar para o sofá, querendo garantir que Black não roubaria o jogo. Cedrico arqueou as sobrancelhas, mas riu ao entender o que acontecia;
— Boa noite! — Disse baixo, aproximando-se para ver o tabuleiro, escutando os dois acenarem, não desviando muito a atenção da partida.
— Nem sei por quê você ainda bate na porta — Potter comentou baixo, antes de fazer sua jogada —, já até morou aqui…
— Tenho certeza que Sirius não vai querer que eu me sinta muito em casa! — Riu, vendo o mais velho concordar com um aceno, antes de sorrir vitorioso ao conseguir destruir a torre do afilhado. — já está pronta? — Perguntou, olhando para o segundo andar da casa, ouvindo a risada nasalada do homem;
— Não conhece a namorada que tem, Diggory? — Sirius negou, olhando-o por um segundo, notando-o todo arrumado — Mal deve ter saído do banho…
Cedrico suspirou, passando a mão pelos cabelos, tirando a jaqueta e sentando-se no sofá, sabendo que ainda demorariam para sair, logo começando a prestar atenção na partida dos dois.
desceu as escadas quase quarenta minutos depois, terminando de colocar os brincos e logo olhando ao redor, rolando os olhos ao notar que Cedrico já havia chego e nem mesmo a avisou, entretido em uma partida de xadrez com Sirius, o qual ria satisfeito ao derrotá-lo;
— Xeque-mate! — Virou-se vitorioso para o mais novo — Como sempre, o melhor de todos!
— Não valeu isso, não! — Cedrico resmungou contrariado.
— Eu te falei que ele tá roubando! — Harry concordou, ainda olhando emburrado para o padrinho, que riu debochado;
— Não posso fazer nada se vocês são péssimos. — Disse ao levantar-se em direção a cozinha, finalmente reparando na filha;
— Que bom que estão todos se divertindo! — comentou, parada no último degrau com os braços cruzados — Já estamos atrasados, sabia?
— É claro que eu sei, — disse ao levantar — mas queria que eu fizesse o que se você não estava pronta?
— E quem disse que eu não estava? Fiquei esperando você chegar, estou pronta há horas! — Mentiu, fazendo sua melhor expressão ofendida. Diggory arqueou a sobrancelha, ao tempo que pegava a jaqueta e tornava a vestí-la. — Tá, fazem cinco minutos. Vamos?
— Claro, não quero aguentar seu pai rindo de mim!
— Eu ouvi isso! — Sirius resmungou ao voltar com uma taça de Hidromel em mãos — E acho bom não chegar muito tarde, ! Vou esperar acordado!
— Não sei se você está na idade de passar a noite toda acordado, Sirius — Harry comentou de seu canto, com um sorriso cínico nos lábios, enquanto arrumava o tabuleiro para mais uma partida. Cedrico e disfarçaram a risada, apressando-se a saírem de casa ao notarem a expressão de perplexidade na cara do homem;
— Como você se atreve, Harry Potter?!
— Não gosto de dizer em voz alta, principalmente perto do seu pai, — Diggory disse aos risos ao andarem pelo terreno — mas adoro quando alguém fala que ele está ficando velho!
— Eu sei — sorriu concordando —, outro dia ele só faltou me mandar pra fora de casa porque eu disse que a dor nas costas que ele estava era da idade!
Gargalharam até chegarem à divisa do terreno com a rua, aparatando instantes depois para o centro de Londres.*

Samantha suspirou antes de abrir à porta, notando a luz acessa na sala.
— Até que enfim! — Sirius baixou o livro que lia ao ver a filha entrar, a loira sorriu culpada, aproximando-se para beijar-lhe a bochecha antes de seguir para seu quarto, um tanto afobada — Isso são horas, Samantha?
— Desculpa, pai — parou no começo da escada, fazendo sua melhor expressão de inocência — acabamos perdendo a noção do tempo…
— Sei, sei — a encarou com a sobrancelha erguida, negando com um aceno ao deixar o livro de lado, logo subindo também, pronto para dormir — pelo menos não está completamente bêbada, o que quer dizer que mesmo que Diggory tentasse se aproveitar de você, não conseguiria!
Sam segurou a risada, respondendo em voz baixa;
— Pai, Ced sabe que se tentar algo vai acabar no St. Mungus, seja por você ou por mim mesma, ele não é nem louco! — Disse, ao parar na porta do quarto, fazendo o mais velho rir.
— Essa é a minha garota! — Beijou-lhe a testa, antes de desejar-lhe boa noite e seguir para o próprio quarto.
Sirius rolou na cama, encarando o teto escuro, batucando os dedos contra a mão, pensativo. Passou a mão pelo bigode crescido, pensando na foto de capa do Profeta, o qual anunciava a gravidez de Glenda Chittock, uma bruxa cantora de pop, da qual era grande fã e vivia cantando pelos cantos.
Não era o tipo de coisa que estava ansioso para fazer, mas com a filha prestes a completar dezenove anos, e namorando, julgou mais do que necessário conversar com ela, e decidiu que faria isso pela manhã, antes que mudasse de ideia, e acabasse sendo avô com menos de quarenta.

Eram quase nove horas quando Sirius Black se levantou, andando até o quarto da filha e batendo à porta, antes de entrar instantes depois, vendo-a de pijama, jogada na cama de barriga para cima, porém parecendo assustada com a aparição repentina;
— Está ocupada? — Perguntou ligeiramente confuso, com a reação da loira.
— Não, só pensando que foi uma péssima escolha ter bebido tanto ontem! — Resmungou baixo, olhando de canto para a janela aberta.
— E é sobre isso que eu quero conversar com você.
— Sobre eu beber? — Questionou confusa, vendo-o negar enquanto fechava à porta, andando até a cama e sentando-se na beirada;
— Sobre má escolhas. — Avisou, mexendo-se inquieto ao ver o olhar questionador e curioso da mais nova — Amanhã é seu aniversário, já vai completar dezenove anos… — Começou rodeando, pensando em como iniciar o assunto.
— E...? — Questionou confusa, o cenho franzido.
Sirius levantou-se, andando pelo quarto e pegando um porta-retratos com a foto da mais nova, junto ao namorado e o pequeno Teddy, poucas semanas após o garotinho ter nascido.
— Por mais que me incomode pensar sobre isso, você está crescendo! — Disse incerto, tornando a deixar o objeto no lugar e virando-se para a filha, aproximando-se da cama mais uma vez — Já faz alguns anos que está namorando com Diggory, não é?
— Se não contarmos o tempo que terminamos… Quase quatro anos…
— Exato, e Cedrico é mais velho… Imagino… — Passou a mão pelos cabelos, olhando para baixo, sem jeito — Imagino que em algum momento, o qual espero que demore, — a encarou por alguns instantes, a garota continuou o olhando com curiosidade — ele… Vocês… Bem, vocês vão falar de sexo, não é?
Sirius tornou a olhá-la, notando quando a filha ficou vermelha, totalmente constrangida, assim como ele;
— Pai!
— Você acha que eu quero falar sobre isso? Não quero. Longe de mim. Contudo, é meu dever de pai… Quer dizer…
— Pai, tudo bem, não precisa explicar nada! — Gaguejou em voz baixa — Dora já me falou sobre isso anos atrás, ok? Por Merlin, não continue com essa conversa!
— Ela… Explicou? — Perguntou aliviado, colocando a mão sobre o peito — Graças a Merlin! Ninfadora era realmente um anjo! Eu não fazia ideia de como explicar qualquer coisa… Menos uma para me preocupar! — Então tornou a encará-la, desconfiado — Você e Diggory…?
— NÃO! — Negou desesperada, colocando as mãos no rosto vermelho — Claro que não, pai!
Sirius só faltava chorar de alegria, tamanho o alívio com a informação.
— De qualquer forma — pigarreou —, embora eu espere que ainda vá demorar bastante…— encarou as próprias mãos, tentando por tudo não olhar para os olhos do mais velho — É importante também vocês lembrarem de se cuidarem, . Eu estou muito novo para ser avô!
— O que?
— É, você sabe, não tem nada muito seguro, mas fiquei sabendo que eles melhoraram uma poção que você pode tomar mensalmente, tem que ser sempre em lua minguante, não é cem por cento, mas a melhor que temos atualmente! Quando vocês… Bem, você sabe, procure saber mais sobre isso, ok?
concordou com a cabeça, sem coragem de encará-lo, por medo de Sirius descobrir ao olhá-la nos olhos que nada daquilo era uma novidade para ela, e que, inclusive, já fazia visitas mensais no St. Mungus para tomara a poção.
— Veja o meu caso com sua mãe, na nossa época não existiam essas poções de hoje em dia, não é para menos que acabamos com você tão jovens, não é? E não é nada fácil ter filho tão novo, ser responsável por uma criança… — Suspirou — É claro que você é muito mais responsável do que nós éramos naquele tempo, e por mais que eu não goste de admitir, Diggory também é… Mas é sempre melhor prevenir, correto?
— C-claro — concordou sem jeito, respirando fundo antes de olhá-lo —, não se preocupe pai, está tudo certo.
— Essa é a minha garota! — Sorriu orgulhoso, dando-lhe tapinhas na cabeça antes de se levantar, sentindo-se mais leve — Agora vamos descer para comer alguma coisa!
— Pai? — perguntou de repente, ao pensar sobre o assunto — Você já falou disso com Harry?
— Não ainda, mas não acho que tenha muito com o que me preocupar agora, nem uma namorada ele tem! — Disse rindo, negando com a cabeça ao sair do quarto.
sorriu de canto, pensando qual seria a surpresa do mais velho quando descobrisse que o afilhado já estava com Gina desde o começo do verão.



O casal andava pelo parque próximo à casa dos Tonks, o loiro carregava a criança no colo, enquanto segurava a bolsa com alguns brinquedos e a mamadeira do afilhado, até pararem em um canto do parque, estendendo uma toalha grande e deixando Teddy ali, junto de seus brinquedos. Sentaram-se próximo a ele, conversando e rindo de alguma coisa que a criança fazia, ao tempo que viam Trouxas caminhando pelo local junto de outras crianças ou cachorros.
— Eu ainda não acredito que Sirius foi falar disso com você — Diggory soltou pela terceira vez, negando com um aceno —, mas antes com você do que comigo! — Sorriu largo, vendo-a rolar os olhos.
— Não me surpreenderia se ele te chamasse também — deu de ombros, vendo-o erguer as sobrancelhas, um tanto desacreditado —, sério foi a coisa mais constrangedora que eu já vivi. E isso inclui a vez que eu caí da vassoura na frente de todo mundo!
Cedrico riu, passando a mão pelos cabelos;
— Por Merlin, eu já tive essa conversa com meu pai há alguns anos, não preciso de outra desse nível… Tem certeza que ele acreditou em você?
— Diggory, se meu pai soubesse que a gente já está transando ele teria feito um escândalo! — Suspirou, voltando sua atenção para o garotinho, que colocava um brinquedo na boca. — Edward Tonks Lupin — chamou sua atenção, tocando-lhe gentilmente nos braços, fazendo o menino a olhar confuso —, já que seus dentes estão nascendo e você é uma criança grande, sua primeira palavra deveria ser meu nome, seria um ótimo presente de aniversário! — Dialogou com ele, que continuava a encará-la curioso — Vamos lá: . . . — Dizia lentamente, esperando que ele começasse a repetir o som produzido — Qual é, Teddy, nem é um nome tão difícil; .
Diggory gargalhou, balançando a cabeça;
— Estou torcendo pra não ser seu nome a primeira palavra, você vai ficar insuportável!
— Você diz isso porque está com inveja — rebateu, dando de ombros, pegando o afilhado no colo — sabe que ele gosta mais de mim!
— É óbvio que não! — Cedrico negou de imediato — Eu sou o favorito, ele para de chorar sempre que vem comigo! Até sua tia já falou isso.
— Porque ele tem medo que você brigue com ele — respondeu —, essa sua cara de quem vai brigar com todo mundo que faz algo errado, até ele se assusta!
Cedrico fez careta, rolando os olhos, logo vendo-a elevar a criança até a altura de seus olhos e tornar a dizer seu nome, na tentativa de que Teddy repetisse a qualquer momento.
Após alguns instantes, na qual o máximo que o garoto fez foi resmungar algo sem sentido, Black desistiu e voltou a sentá-lo na toalha, vendo-o engatinhar para o lado, para pegar uma folha que havia caído da árvore.
— Tem gente olhando — Diggory avisou pouco depois, notando algumas pessoas passando por eles e olhando o garoto com o cenho franzido.
— Não estão acostumados com um bebê de cabelos azuis — relembrou, passando a língua pelos lábios. Voltaram a brincar com o garotinho, não se importando com os olhares alheios, afinal, não era como se algum dos Trouxas pudessem fazer algo.
Diggory achou um dente de leão próximo a eles, soprando-o para Teddy, o qual começou a rir animado quando viu as pétalas voarem, batendo palminhas animadamente.
Repetiu mais duas vezes, até que na quarta a criança pareceu perder o interesse, voltando a brincar com suas coisas.
— Deveríamos ter um desses — Cedrico comentou um tempo depois, atraindo a atenção da namorada —, não agora, mas daqui há alguns anos…
— Se com “alguns” você quer dizer uns oito ou dez…
O loiro concordou apressado, não imaginava que pudessem ser pais tão cedo, eram novos demais e ainda tinham muitos planos antes de começarem a pensar em filhos, mas, às vezes, quando Teddy estava por perto, imaginava como seria quando tivessem uma criança.
— Não imagino que pudéssemos ter um antes disso, — concordou com um aceno, sorrindo para a namorada — até porque, eu não acho que você suportaria nosso filho dizendo “papai” antes de “mamãe” — disse debochado, sentindo um tapa em sua perna pouco depois.
— Mas isso não vai acontecer nunca! Eu vou passar horas por dia com a criança, vou dizer “mamãe” até vencê-la no cansaço!
Diggory gargalhou, inclinando-se por um instante para beijar-lhe os lábios, mas só até escutarem a risada animada do garotinho, vendo-o engatinhar pelo gramado atrás de um cachorro preto correndo mais à frente;
— Calma, calma, aquele lá não é o Sirius! — Cedrico chamou, puxando-o aos risos.


No domingo pela manhã mexeu-se na cama ao sentir seu corpo ser apertado contra algo, ou melhor dizendo, alguém. Manteve os olhos fechados por mais alguns instantes, mas logo ouviu a voz rouca do namorado próxima a sua orelha;
— Feliz Aniversário, meu amor!
Sorriu pequeno ao notar os vários beijinhos que ele lhe dava entre seu pescoço e rosto, querendo despertá-la por completo, fazendo-a rir baixo.
— Sabe o que seria um bom presente? Você me deixar dormir até mais tarde! — Resmungou, fazendo-o rir antes de ficar sobre ela na cama.
— Dezenove anos e já está rabugenta desse jeito?
Black abriu os dois olhos, arqueando a sobrancelha ao encará-lo;
— Se eu não me engano, no seu aniversário você passou o dia todo na cama, reclamando de tudo!
— Foi diferente — deu de ombros, tornando a sorrir —, agora será que você pode me deixar te parabenizar?
sorriu largo, concordando com um aceno;
— Cadê meu presente?
— Só vou trazer mais tarde e...
— Não é desse que eu estou falando, Diggory. — Piscou, vendo-o sorrir de canto, aproximando-se para beijá-la — Mas quero o outro que você comprou, também! — Soprou contra seus lábios, fazendo-o rir por um instante.
— Feliz aniversário, ! — Disse sorrindo, apertando-a contra si.
Instantes depois, enquanto estava ocupada arranhando as costas desnudas do loiro, escutou um barulho vindo do corredor, e, segundos depois, seu coração pareceu parar uma batida ao entender o que era. Empurrou Cedrico para o outro lado da cama, com força, fazendo-o cair no chão, olhando-a assustado e, ao mesmo tempo, com uma careta de dor;
— O que...?
— Meu pai! — Avisou, apontando para a porta, e só então Diggory pareceu notar os passos do lado de fora do quarto, ouviu vozes, embora não entendesse o que diziam, e então suspirou, arrastando-se para baixo da cama da namorada, antes que fosse tarde. jogou-lhe sua camisa que estava caída sobre a cama, e o loiro também puxou os tênis que estavam no chão, do outro lado, antes de virar-se, encarando o colchão, ainda com uma careta no rosto; Por que sempre acabava se machucando ao tentar se esconder? Era a terceira vez naquele mês.
Menos de trinta segundos depois, a porta do quarto foi aberta de supetão, Harry e Sirius entraram juntos. Potter assoprava uma corneta encantada, que quando era tocada, confetes coloridos saíam de dentro, enquanto Sirius gritava para acordá-la;
— Feliz Aniversário, ! — Disseram ao aproximarem-se da cama, a garota os encarando segurando a risada, principalmente ao ver os dois usando chapéus de festa, embora Harry parecesse ter acabado de acordar, os cabelos mais bagunçados que o usual e a camiseta vestida do lado contrário.
— Nem acredito que já tenho uma filha de dezenove anos, sou tão jovem pra isso — Sirius falava, abraçando-a apertado.
— Já está quase quarentando, Sirius, se conforme — Harry cutucou, antes de jogar-se na cama da loira, abraçando-a desengonçado — Parabéns, , espero que você seja menos chata agora que está ficando velha! — Riu quando a garota se afastou, socando-lhe o braço com certa força. — Coitado do Diggory de te aguentar, você é muito violenta.
— Será que podemos parar de falar dele? O dia começou tão bem… — Sirius resmungou, passando as mãos pelos cabelos compridos. segurou uma risada, apenas negando com a cabeça, enquanto Diggory rolava os olhos embaixo da cama.
— Sim, e vai ficar melhor ainda quando eu receber meus presentes! — Completou sorridente, cruzando os braços e esperando pelos mesmos. Harry negou com a cabeça;
— Quer presente melhor do que a honra de me ter em sua vida?
Pai e filha o encararam, debochada e Sirius surpreso, dizendo juntos;
— Será que aceitam devolução?
— Vocês dois estão passando muito tempo juntos! — Black riu mais ainda ao ver o afilhado soprar a corneta próximo ao rosto da loira, jogando vários confetes em sua cara. — Muito bem, vamos comer, comprei seu bolo favorito!
— E não esqueçam meus presentes! — Tornou a dizer, enquanto os dois andavam para fora do quarto, virando-se e olhando para ela, sem entender o motivo de não ter levantado da cama — Eu ainda preciso trocar de roupa, ao contrário do Cicatriz, eu não gosto que as pessoas me vejam descabelada!
Harry soprou de novo a corneta que tinha um barulho alto, aproveitando para fazer um sinal com o dedo, recebendo um resmungo de Sirius;
— Não é pra isso que eu te criei, garoto!
riu, esperando os dois saírem antes de virar-se, inclinando-se sobre a cama para ver Cedrico encolhido embaixo dela;
— Você está bem?
— Poderia estar melhor! — Suspirou, saindo dali e puxando suas roupas, vestindo-se apressado. — E não pense que não escutei seu pai tentando falar mal de mim! Não acredito que após todos esses anos juntos eu ainda precise me esconder...
— Sinto muito, Ced, mas não queria levar meu pai ao St. Mungus no dia do meu aniversário! — Debochou, vendo-o rolar os olhos, concordando com um aceno ao sentar-se no canto da cama, calçando os tênis. Abraçou-o por trás, beijando-lhe próximo a orelha, fazendo-o arrepiar-se: — Talvez você possa me dar meu presente mais tarde!?
Diggory virou-se por sobre o ombro, estreitando o olhar;
— Espero que no dia que Sirius descobrir o que fazemos, você conte que em grande parte das vezes é você quem começa!
A garota riu, negando com um aceno;
— Como se você não gostasse…
— Vamos, ! Estou com fome! — Potter gritou ao bater na porta, soprando a corneta mais uma vez, antes de descer as escadas.
— Eu juro que se ele soprar aquilo mais uma vez, eu vou fazê-lo engolir!
Cedrico concordou aos risos, inclinando-se para roubar mais um beijo da namorada, antes de sair pela janela:
— Te vejo mais tarde para comemorarmos!

* Para saber mais sobre o passeio de B&D você pode ler a shortfic (restrita) nos links ao final da fic.


6.

— Será que eu vou precisar ficar junto com vocês o tempo todo para garantir que essa porta permaneça aberta? — Sirius resmungou ao abrir a porta de supetão, fazendo o casal o olhar sem graça. — Já está meio tarde, não? — Tornou, arqueando a sobrancelha.
Cedrico concordou, rindo baixo ao levantar-se da cama, calçando os sapatos enquanto Sirius voltava para o andar de baixo.
— Impressionante! — negou com a cabeça, ainda deitada na cama, com o livro que lia de lado. — Imagina só se tivesse visto a gente se beijando uns minutos atrás?
— Das duas uma: ou ele teria um ataque no coração ou faria o meu coração parar por ousar beijar minha própria namorada na sua casa! — Comentou divertido, rindo em seguida.
— Talvez ele devesse saber, pode ser que a decepção faça ele se importar menos com a porta fechada… — Ponderou, sentando-se para calçar as pantufas ao notar que Diggory já colocava a jaqueta, ajeitando os cabelos bagunçados pouco depois.
— Prefiro não arriscar tão cedo! — Deu de ombros, tornando a aproximar-se da loira para beijar-lhe os lábios demoradamente — Te vejo amanhã?
— Com certeza! — Sorriu de volta, passando os braços por sua cintura — Que horas mesmo?
— Às sete fica bom pra você? Tenho que ir pra casa tomar banho e trocar de roupa depois do trabalho.
— Sem problemas, passa aqui ou nos encontramos lá?
— Eu venho te buscar, da última vez fiquei quase quarenta minutos te esperando. Se você for atrasar, prefiro ficar sentado no sofá ao invés de passar frio!
— Nossa, que exagero, Diggory! — Rolou os olhos, logo sentindo a mão do mais velho envolver a sua e puxar-lhe em direção à porta, descendo as escadas instantes depois.
— Aham, queria ver se fosse o contrário, teria ficado dias sem falar comigo. — Respondeu, escutando-a dar risadinhas abafadas, pararam no começo da escada olhando para Sirius, o qual parecia entretido com o filme que passava na televisão.
— Vamos ao festival de inverno dos Trouxas amanhã, quer ir junto, pai? — A loira perguntou, apoiando-se no corrimão. O homem ponderou por um instante, negando em seguida.
— Embora seja tentadora a ideia de ficar no meio de vocês dois o tempo todo, tenho outro compromisso.
— Não se preocupe, vamos levar Teddy conosco — Cedrico avisou rindo, vendo o mais velho sorrir satisfeito.
— E Harry deve ir também, ficou de confirmar... Ele já chegou? — questionou olhando para o segundo andar, como se esperasse vê-lo saindo do quarto
— Ele vai dormir n’A Toca! — Sirius respondeu sem se alterar, voltando sua atenção ao filme quando ouviu uma explosão vindo do aparelho.
o encarou por alguns instantes, a boca ligeiramente aberta antes de cruzar os braços;
— Isso é tão injusto! Por que é que ele pode dormir nos Weasley o tempo todo, mas Ced não pode ficar aqui?
O casal encarou o homem, que deu de ombros sem nem mesmo olhá-los;
— Porque Cedrico é seu namorado. Se você quiser dormir nos Granger ou Weasley, ou se umas de suas amigas resolverem vir pra cá, serão todas muito bem-vindas para passar a noite!
— E o que isso tem a ver com a minha reclamação? — Questionou com a sobrancelha arqueada.
Cedrico fez um barulho com a boca, cruzando os braços e sorrindo em direção ao homem;
— Você acha que Harry está dormindo lá para ficar conversando com Rony, não é?
Pai e filha o encaram, confusos por um instante, antes da mais nova começar a rir debochada:
— Eu não acredito que você está sendo inocente a esse ponto, pai!
— O que querem dizer? — Perguntou intrigado, não gostando nenhum pouco de ser motivo de piadas.
— Potter está passando o tempo todo na casa dos ruivos por causa da Gina! Você não achou realmente que ela estava vindo aqui tantas vezes na semana para conversarmos, né?
Sirius piscou lentamente, sentindo o queixo cair por alguns instantes;
— Como é que é? Desde quando?
— Fazem meses, pai! — avisou, dando de ombros — Antes até dela voltar pra Hogwarts.
— O que? — Tornou perplexo, negando no instante seguinte — Não pode ser, por que ele não me diria?
— Talvez porque você não me deixa dormir aqui, nem a ir lá pra casa, Potter deve saber que não seria diferente com ele e Gina — Cedrico explicou pensativo. — Você não sabia mesmo que eles estão juntos?
— É claro que não! Todas as vezes que ela veio aqui entrou perguntando de você! — Apontou para a filha que riu ao negar com a cabeça;
— E quantas vezes ela veio sem eu nem estar em casa?
Black fechou os olhos, respirando fundo.
— Arthur e Molly já sabem?
O casal se entreolhou, negando com a cabeça um para o outro;
— Acho que só Rony e Mione estão sabendo. Fico até surpresa o ruivo ter aceitado tão bem, no primeiro dia parecia que estava tendo um ataque de tão vermelho que ficou!
Sirius levantou-se apressado, olhando ao redor procurando por seu casaco, antes de andar até à porta;
— Aonde vai?
— Aparatar n’A Toca e trazer aquele garoto nem que seja pelos cabelos!
— Sirius, — Diggory começou, embora achasse a situação toda muito divertida — se me permite, — passou a língua pelos lábios, continuando ao ver o mais velho encará-lo — se você aparecer lá fazendo um escândalo, eu particularmente acho ótimo, mas só vai piorar as coisas: Gina provavelmente vai ficar de castigo e ela e Harry passarão a se encontrar escondidos. O que será muito pior do que vocês todos sabendo que pelo menos eles estão aqui ou nos Weasley!
Black o encarou por um momento, voltando a olhar para a porta, a mão na maçaneta, antes de suspirar, negando com a cabeça e andando de volta para o sofá;
— Você continua sendo uma pedra no meu sapato, Diggory.
Cedrico e riram;
— Só estou dizendo o que provavelmente nós dois faríamos em uma situação dessas — apontou dele para a namorada, vendo o outro concordar a contragosto.
— Bom, mas não pensem que isso muda alguma coisa! — Encarou sério o jovem casal — Já faço muito em deixar vocês dois passarem tantas horas sozinhos no quarto e…
— Com a porta aberta! — A garota completou entediada.
— … Já deixei Diggory morar aqui quando precisou, — continuou, fingindo não escutar a reclamação da mais nova — mais do que isso já é pedir muito.
— Tudo bem, Sirius, já é o suficiente! — Cedrico respondeu, sorrindo para o mais velho. teve que se esforçar muito para não rir da cara de pau do namorado. — Bem, já vou indo! — Aproximou-se o suficiente para apertar a mão de Sirius, antes de virar para a namorada, dando-lhe um selinho rápido.
— Tchau, Ced! Manda um oi para seus pais!
— Agradeça a Rachel pelo bolo!
— Pode deixar, boa noite!
— Não esqueça de perguntar se eles querem passar o Natal conosco! — adicionou, vendo-o concordar rindo, antes de se afastar pelo terreno, aparatando instantes depois.



Conforme combinado, Cedrico chegou nos Black às 19h em ponto, ouvindo a risada alegre de Teddy antes mesmo de tocar a campainha, sorriu de canto e esperou por alguns segundos, logo vendo Harry abrir a porta.
— Pontual como sempre! — Falou, esticando a mão para um cumprimento.
— É pra contrabalancear com a que tá sempre atrasada!
— Engano seu — a loira respondeu ao descer as escadas, ajeitando o cachecol envolta do pescoço —, estou prontíssima!
— Isso sim é uma surpresa! — Riu ao aproximar-se para um selinho, antes de andar na direção do sofá, cumprimentando Sirius e então agachando-se ao lado de Teddy, que bateu palminhas, balbuciando qualquer coisa.
— Vamos indo? Ou não vamos aproveitar nada do festival antes de voltarmos — Harry avisou, apontando com a cabeça para o garotinho —, daqui a pouco ele já vai dormir.
— Aham, — Sirius debochou, passando a mão pelos cabelos — tenho certeza que sua preocupação é com o Teddy, claro.
— O que quer dizer? — Potter perguntou, franzindo o cenho.
O padrinho sorriu sarcástico, sem nada responder. Harry sentiu-se ansioso por um instante, olhando um tanto aflito para o casal ao lado, que não parecia prestar atenção na conversa; Cedrico pegava a bolsa de Teddy e colocava sobre o ombro, enquanto ajeitava um gorro de tricô sobre os cabelos azulados do afilhado, pegando-o no colo pouco depois.
— Até mais tarde, pai!
— Divirtam-se, mas não muito. Tem uma criança com vocês!
O trio balançou a cabeça, rindo sem graça antes de se afastarem pelo terreno e, instantes depois, com muito cuidado pois Teddy agora estava com eles, aparataram juntos na frente do Hyde Park de Londres, para aproveitarem o Winter Wonderland.
Andaram por alguns minutos, conversando e apontando para alguns cantos, Cedrico tinha o braço sobre os ombros da namorada, que segurava o garotinho, enquanto Harry estava ao lado, explicando algumas coisas que eles não pareciam entender. Pouco depois viram alguém acenar na direção deles, e Gina Weasley caminhou sorridente até o grupo, cumprimentando-os antes de ficar de braços dados com Harry.
— Se divirtam, mas não muito — Diggory repetiu o que Sirius havia dito, estreitando o olhar para o casal.
— Não se preocupem, depois encontramos com vocês para pegar o Teddy… — Potter começou, mas riu ao ver a cara cética dos dois.
— É claro que vão — fez careta, vendo-os se afastarem apressados — Eu juro que, se quando esse garoto crescer, Harry for o favorito, eu não me responsabilizo por minhas ações!
Diggory gargalhou ao seu lado, embora concordasse com a cabeça já que, de fato, em noventa por cento das vezes, eram eles quem saíam com Teddy para os cantos, ainda mais agora que ele já estava grande o suficiente para conseguirem aparatar sem problemas.
Continuaram andando entre os Trouxas, olhando algumas barracas com comidas e brincadeiras, enquanto conversavam e, vez ou outra, paravam em algo que chamava a atenção da criança. Em uma dessas vezes, Cedrico aceitou brincar de tiro ao alvo para conseguir um bicho de pelúcia, frustrando-se cada vez mais ao errar em todas as tentativas.
— Só pode ser brincadeira! — Resmungou, tirando mais uma nota da carteira e entregando para o homem responsável pela barraca, o qual tinha um grande sorriso no rosto.
— Deixa eu tentar, Ced! — A loira pediu ao vê-lo errar mais uma vez. Diggory suspirou derrotado, virando-se para pegar Teddy e entregando-lhe as bolinhas que restavam.
mirou por um instante e não demorou a acertar os três alvos seguintes;
— Tá vendo isso, garoto? — O rapaz virou-se para o mais novo — Na próxima a gente já começa com a sua tia!
Black riu, pegando o brinquedo que o afilhado queria, antes de voltar a andar de mãos dadas com o namorado;
— Você era apanhador, Ced, é por isso que tem mais dificuldade…
— Não posso nem tentar impressionar minha garota, que humilhação…
— Não precisa ganhar num jogo para me impressionar, Diggory! — Sorriu docemente, e, embora soubesse que era verdade, Cedrico ainda sentiu-se um pouco derrotado com a situação.
— Tudo bem, vamos procurar algo para comer pra eu esquecer essa derrota! — Disse, antes de passar o braço pelos ombros da namorada, segurando o garotinho com um só braço.

já terminava de dar a papinha para Teddy, enquanto ela e Cedrico comiam aos poucos, conversando sobre diversas coisas. Estavam sentados em uma das várias mesas de uma área aberta para alimentação, saboreando algumas guloseimas dos Trouxas que eles, até então, desconheciam. Teddy estava entretido entre uma colherada e outra de sua papinha de abóbora, volta e meia olhando as pessoas que passavam por eles ou as luzes de Natal que enfeitavam todo o local. Quando estava quase terminando, talvez por reparar que havia perdido um pouco da atenção dos outros dois, os quais riam juntos depois de Cedrico virar-se para deixar um beijo estalado na bochecha da loira, que Teddy colocou os dedinhos gorduchos no potinho e no instante seguinte, os passou sobre a bochecha do loiro, o qual estava mais próximo do seu alcance.
Diggory virou-se assustado, piscando duas vezes antes de entender o que tinha acontecido, passando a mão pelo local e reparando na sujeira. Estreitou o olhar para o garoto, fazendo uma cara de bravo:
— Foi você? Eu não acredito nisso!
Teddy começou a gargalhar da careta que o rapaz fez enquanto passava o guardanapo no rosto, logo tornando a passar o dedo no restinho do pote e, dessa vez, esfregando na mão de , já que não alcançava seu rosto.
— Ei! O que você acha que está fazendo?
O garotinho, mais uma vez, gargalhou alto, batendo suas mãozinhas animadamente. O casal apenas se entreolhou rindo junto dele antes de jogar fora o pote, para evitar que ele sujasse mais do que as mãos.
— Vai ter castigo agora! — Cedrico disse, aproximando os dedos da barriga da criança, fazendo cócegas por alguns segundos, escutando-o rir ainda mais alto, e parando para que ele recuperasse o fôlego.
— Eu disse que eles tinham tudo sob controle aqui! — Viraram-se ao ouvir uma voz próxima, encontrando Harry e Gina de braços dados atrás deles. — Nem precisávamos vir.
— Mas ele também é seu afilhado — a ruiva lembrou rindo, antes de sentar junto dos amigos — conseguiram ver bastante coisas?
— Mais ou menos, ainda tem tanta barraca aqui… — respondeu, terminando seu suco e olhando ao redor — Tudo parece incrível!
— Sim, acabamos de ir na… Como é o nome, Harry? — Virou-se para o moreno, que mexia nos cabelos de Teddy.
— Roda gigante!
— Isso, é tão legal! Dá pra ver o parque todo, vocês deveriam ir também! Ficamos uns minutos na fila, mas valeu muito a pena.
— Ah, vamos, Ced? Nunca conseguimos ir naquela outra grandona que tem aqui em Londres…
— Por que não? — Harry perguntou curioso, ao sentar-se ao lado da namorada.
— Sempre tem uma fila muito grande e ficamos com preguiça — Diggory explicou, dando de ombros —, mas fomos em uns outros passeios Trouxas, tem uns bem legais mesmo…
— Bom, essa não é da mesma altura da London Eye, mas é legal ver o parque todo decorado para o Natal… — O garoto disse, vendo os amigos parecerem interessados com a ideia.
— Falando em Natal — jogou os cabelos para trás, cruzando os braços ao olhar o casal —, vocês já sabem o que vão fazer?
— Bem, eu vou passar lá em casa — Gina contou, encolhendo os ombros —, mas vocês também poderiam ir, não? Vocês também vão passar com os Black, Cedrico?
— Vamos sim, eu só consegui dia 24 e 25 de folga então não dá pra viajar, e não pude passar com meus pais o último, ent…
— Trocando a família pela namorada, Diggory? Que coisa feia.. — Harry negou com a cabeça, segurando a risada. O loiro arqueou a sobrancelha, olhando-o debochado:
— E você vai passar o Natal com seu padrinho ou com os ruivos?
Potter abriu e fechou a boca, fazendo-os rir.
— O sujo falando do mal lavado! — debochou, negando com a cabeça. — E você vai passar com os Weasley? Com qual pretexto?
— Não o tempo todo, mas talvez depois da ceia…
— Pra sobremesa, né? Eu sabia! — Gina riu — Minha mãe vai fazer aquela torta de caramelo porque você gosta!
— Já conquistou a sogra e ela nem sabe que vocês estão saindo — Cedrico comentou, negando com um aceno —, eu disse que seu pai pega no meu pé por nada, viu?
— Eu salvei o mundo bruxo, Diggory — o mais novo piscou — sou um ótimo partido!
— Pois bem — levantou-se, interrompendo o que seria a resposta do namorado —, já que você é o grande Harry Potter, salvador do mundo bruxo, não vai se importar de cuidar do seu afilhado, não é? Afinal, para quem derrotou o Lorde das Trevas, cuidar de um bebezinho vai ser super fácil! — Beijou a bochecha do afilhado antes de sair de mãos dadas com Cedrico, que já estava em pé, acenando para o casal — Se comportem e não percam meu afilhado!
O casal andou entre os Trouxas sem grandes dificuldades, não demorando para verem a roda-gigante que os amigos haviam mencionado, entrando na fila minutos mais tarde, ainda conversando sobre alguns acontecimentos do dia.
Menos de meia hora depois, sentaram-se em um dos bancos do brinquedo, olhando animados para todos os lados e reparando melhor nos enfeites e no tamanho do parque. Quando chegaram ao alto, apenas se mantiveram em silêncio, aproveitando a paisagem;
— É lindo!
— Não tanto quanto você.
virou-se para o namorado, não demorando para notar que o mesmo segurava o riso, explodindo em risadas segundos depois;
— Por Merlin, Ced! Que clichê!
— Quis compensar pelo brinquedo que eu não ganhei pra você — disse, ainda rindo com o braço sobre seus ombros — posso não conseguir prêmios, mas pelo menos garanti algumas risadas!
— Você sempre garante muito mais do que isso, Diggory! — Piscou, inclinando-se alguns centímetros para encostar os lábios aos dele, sendo correspondida de imediato. — Eu te amo, sabia? — Soprou baixinho, mantendo os olhos fechados e um sorriso leve.
— Não mais do que eu amo você!



Na manhã do dia 24 de dezembro, Cedrico rolou na cama quando os raios de sol entraram pela janela, virando-se e encontrando ainda adormecida ao seu lado. Sorriu pequeno encarando a namorada por algum tempo e, assim como outras tantas manhãs que havia acordado ao seu lado, pensou em como aquilo era bom e como seria ainda melhor não ter que sempre se esconder e sair pela janela para que Sirius não o visse.
Cruzou os braços atrás da cabeça, olhando para o teto claro do quarto, já fazia um tempo que Diggory vinha pensando em ter um lugar só seu, era confortável para ele morar com os pais, mas teria muito mais liberdade e independência se tivesse uma casa só sua, embora soubesse que não seria muito fácil de poder passar a noite por lá, afinal Sirius continuava super protetor, mal concordava com ela indo até a casa dos Diggory, por não saber se os pais do rapaz estariam presentes, já imaginava ele aparatando em sua casa no mesmo instante em que descobrisse que estava lá. Contudo, mesmo sabendo que essa parte possivelmente não mudasse tanto, ainda assim seria bom ter um lugar próprio no qual ele seria responsável por suas coisas, sem precisar dar satisfações sobre seus afazeres e horários.
Além de, é claro, saber que mesmo que não pudesse passar as noites com a namorada, ainda poderiam “fugir” para lá durante algumas horas, e aquilo por si só já parecia atrativo o suficiente.
Também estava com vinte e um anos, já estava, de fato, na hora de procurar um lugar para morar, sem contar que, se pensasse no futuro, ter uma casa própria já adiantaria bastante para quando ele e resolvessem morar juntos. Não que estivessem conversando sobre o assunto no momento.
Franziu o cenho, olhando de canto para a namorada; Já estavam juntos há cinco anos e nunca conversavam de verdade sobre o futuro. O que ele sabia era que gostaria de passar a vida toda com ao seu lado, não se importaria de dormir e acordar ao seu lado todo dia, quanto antes melhor. E, pelo menos imaginava, que Black também tinha a mesma intenção em algum ponto no futuro. Mas o que realmente significava esse futuro. Quando seria o tempo certo para começarem a pensar nele e, mais importante ainda, quando seria a época de começar a vivê-lo?
Para Diggory, poderiam começar a morar juntos no dia seguinte, porém ele sabia que também não seria tão fácil; Primeiro precisava de uma casa, e, mais do que isso, dinheiro. Seu salário atual talvez não fosse o suficiente. Tinha um dinheiro guardado em Gringotes, mas sabia que precisaria de mais do que aquilo, não conseguiria sustentar a ele e com seu salário atual. Principalmente se considerasse a vida boa que ela levava morando com o pai: não trabalhava, o pai pagava tudo e ainda lhe dava uma quantia mensal, fora o dinheiro que ela havia herdado de Victoria.
Fez uma careta, o único jeito de, talvez, ter mais dinheiro que a namorada, seria sendo o próprio Ministro da Magia.
— Eu deveria ter tentado jogar Quadribol profissionalmente… — Resmungou, esfregando o rosto com as mãos.
Não teria como se igualar ao valor financeiro que os Black tinham no banco e, no fundo, sempre soube daquilo, mas até então aquilo não parecia um problema. Contudo, começar a considerar que ela dependeria dele e ele, possivelmente, não conseguiria oferecer o mesmo que ela tinha, o deixava preocupado. Sabia que não se importava muito com dinheiro, mas porque ela tinha de sobra. E se as coisas começassem a mudar quando percebesse que Cedrico, de fato, não teria o suficiente para ela?
Mexeu-se desconfortável na cama, sentando-se na mesma e abraçando os joelhos, o cenho franzido, pensativo sobre o que poderia fazer para tentar melhorar sua situação financeira.
Black respirou fundo, abrindo os olhos lentamente, esfregou o rosto e então notou Cedrico sentado no meio da cama, parecendo preocupado com algo. Sorriu de canto, estendendo a mão e tocando-lhe as costas desnudas, contornando algumas das cicatrizes que ele tinha na área, assim como nos braços. Cedrico assustou-se com o toque, virando-se por sobre o ombro e vendo a namorada o encarar com um sorriso pequeno, ainda um tanto sonolenta;
— Algum problema?
— Não, não — respondeu, antes de voltar a deitar-se ao seu lado, olhando os olhos da garota — só estava pensando em algumas coisas do trabalho…
fez careta, negando com um aceno, aproximando seus corpos e passando os braços por sua cintura, encostando o rosto contra seu peito e tornando a fechar os olhos.
— Você está de folga, Ced, se preocupa com isso segunda-feira.
O loiro concordou com um aceno, passando o braço pelas costas dela, fazendo um carinho leve enquanto sentia a respiração tranquila dela bater próxima a seu pescoço.
— Você tem razão — respondeu baixo, sorrindo leve e fechando os olhos, aproveitando aquela sensação de tranquilidade —, vou me preocupar com isso quando chegar a hora.


Sirius agitava a varinha, arrumando os últimos enfeites, enquanto e Harry olhavam, sentados à mesa que estava no jardim, palpitando sobre a altura correta;
— Tem que colocar mais à direita, pai, tá torto.
— Agora abaixe um pouco mais!
— Não, mais alto!
— Já chega! — Almofadinhas virou-se frustrado, cruzando os braços — Ou vocês dois vem arrumar ou param de falar! Não estão ajudando em nada!
— Está muito bom assim! — Disseram ao mesmo tempo, sorrindo inocentes para o mais velho, que rolou os olhos, passando a mão pelos cabelos compridos.
Andrômeda saiu para o quintal carregando Teddy, o qual já usava uma roupinha de Natal e estava distraído com os enfeites em sua toca.
— Precisa de alguma ajuda, tia? — perguntou quando a mulher sentou ao seu lado, vendo-a negar com a cabeça.
— Não, já está tudo pronto!
— Então vou terminar de me arrumar antes que os Diggory cheguem!
— Mas não está pronta ainda? — Sirius perguntou confuso, a garota riu, negando com a cabeça enquanto andava para dentro da casa.
— Mulheres, — Harry negou, apoiando o queixo na mão fechada sobre a mesa — sempre enroladas.
— E desde quando você sabe disso? — O homem virou-se curioso, sentando-se em uma das cadeiras, ao tempo que servia uma taça de Hidromel para os três.
— Eu não… Quer dizer…
— Então o famoso Harry Potter tem uma namorada secreta? — Ouviram a voz de Amos Diggory, o qual se aproximava junto da esposa e filho, carregavam alguns presentes, uma garrafa de Uisque de Fogo e um prato de sobremesa.
Sirius riu com gosto ao ver o afilhado ficar vermelho, negando sem graça. Cedrico segurava a risada, não querendo se comprometer, enquanto deixava os pacotes próximos a árvore de Natal que estava mais ao canto, com outros presentes embaixo. Aproximou-se para cumprimentar todo mundo, pegando Teddy no colo quando se aproximou o suficiente, beijando-lhe a bochecha gordinha e mexendo em sua toca, fazendo-o rir.
— Cadê a ? — Perguntou ao notar a ausência da namorada, sentando-se ao lado de Harry, enquanto Amos sentava-se próximo a Sirius, aceitando uma taça de Hidromel, e Rachel e Andrômeda começavam a conversar sobre a ceia.
— Acabou de subir para se arrumar… Atrasadinha como sempre — Harry riu, vendo o loiro negar com um aceno.
Pouco depois Potter foi buscar um baralho e logo os quatro homens começaram a jogar. Quando já estavam na segunda rodada, apareceu, cumprimentando os recém chegados, antes de sentar-se ao lado do namorado, beijando-lhe a bochecha.
Conforme as horas foram passando, a conversa e as risadas fluíam, as garrafas de bebida diminuíram e as comidas e aperitivos foram sendo servidos.
Teddy já estava sonolento no colo de Andy, agarrado com o brinquedo que havia ganho mais cedo de Harry, um bichinho de pelúcia com a forma de um Pelúcio.
Sirius contava uma história sobre a época de Hogwarts junto dos Marotos e como fizeram Minerva sofrer durante aqueles anos, e, com isso, Andy apontou para os dois adolescentes ao seu lado, dizendo que a pena não cai longe do hipogrifo, já que Harry e costumavam dar tanto problema quanto os pais;
— Tá vendo, Cedrico? Você nunca soube a sensação de ficar de castigo — Sirius piscou para o loiro, que riu concordando —, não viveu bem seus anos em Hogwarts!
— Sim, nunca fez seus pais receberem uma Coruja da Minerva falando que você perdeu cinquenta pontos por invadir a sala de um professor! — concordou, fazendo Amos e Rachel rirem.
— Eu, sinceramente, acho que não passar por isso é muito melhor — Andy rebateu aos risos — pelo menos duas vezes por mês eu recebia cartas da Minerva e da Pomona, Ninfadora não ficava atrás, o tempo todo perdia pontos por alguma brincadeira… — Disse rindo, então virou-se séria para a sobrinha — Mas é claro que nunca perdeu pontos por bater em alguém!
— Ah, mas o Draco mereceu — Harry e disseram juntos.
— E ele já superou, tia! — Piscou, vendo-a negar com um aceno.
Pouco depois a sobremesa que a Sra. Diggory levou foi servida, estavam todos aproveitando as taças de sorvetão, ainda rindo sobre diversos assuntos, quando notaram Harry em silêncio, comendo rapidamente, até terminar. Sirius arqueou a sobrancelha, olhando de canto para a filha, que segurava a risada com o desespero do amigo.
— Bom, se me dão licença, tudo muito bom, mas eu tenho que passar nos Weasley deixar alguns presentes…
— Sabemos bem o presente que ele vai levar — Cedrico cochichou com a namorada, fazendo-a rir.
— Por que essa pressa toda? Não pode levar amanhã? — Sirius perguntou, vendo-o sorrir constrangido.
— Eu disse pra Sra. Weasley que passaria hoje…
— Está certo — o homem concordou antes de tomar um gole de sua taça —, tem que agradar os sogros, é por isso que Cedrico ainda pode entrar aqui em casa.
Potter olhou para o padrinho, que olhava displicente para sua sobremesa, segurando a vontade de gritar apontando um dedo na cara do mais novo, por achar que continuaria fazendo-o de bobo por mais tempo.
— Não entendi o que você quis dizer… — Disse baixo, sentindo o rosto todo esquentar.
Os outros olhavam divertidos para a cena, segurando a risada.
— Ora, ora, acha que vai continuar me fazendo de idiota, Harry Potter? Quando é que você vai trazer a garota aqui para apresentar como sua namorada? Ou está achando que vai continuar nessa festa embaixo do meu teto? Se e Cedrico têm regras, você e Gina também terão!
— Finalmente uma notícia boa! — comentou do seu canto, o loiro concordou com um aceno — Era só o que faltava os dois terem mais liberdade do que a gente!
— Você contou! — Harry acusou ao virar-se para a loira, que negou com um aceno.
— Eu descobri sozinho — Sirius mentiu, fazendo o moreno voltar a encará-lo —, muito ousado da sua parte achar que poderia me enganar por tanto tempo. E, se eu fosse você, contaria para os Weasley antes que eu encontre com algum deles, porque pode ser que eu deixe algo escapar…
— Ah, então a puxou você na fofoca também? — Cedrico questionou brincando.
— Cuidado, Diggory, estou de bom humor, mas pode mudar rapidinho!
— Eu só quero saber uma coisa — pediu enquanto Harry se levantava, extremamente constrangido —, cadê meu presente? Depois de me entregar você pode ir correndo pra casa dos ruivos.
— Está junto com os outros — apontou com a mão para a árvore mais ao canto — e pode deixar o meu também! — Pediu, antes de se despedir do pessoal e, minutos depois, sair de casa com mais alguns presentes e aparatar em direção A Toca.
— Jovens, — Sirius negou com um aceno — fazem tudo pela namoradinha...
— Conhecendo a Gina, — Cedrico sussurrou, olhando na direção que o mais novo tinha sumido — aposto que ela o ameaçou.
— Eu também acho — riu, e então bateu palmas animada ao ver que todo mundo já havia terminado de comer —, vamos abrir os presentes?


estava bastante contente com os ganhos daquela noite; Andy deu um par de brincos e pulseiras que sabia que a loira havia gostado, semanas antes, no Beco Diagonal. Os Diggory lhe deram um vestido meia estação muito bonito, preto com alguns detalhes em dourado, Sirius já havia dado o dinheiro para que a garota comprasse seu presente, já que estava cada vez mais difícil saber o que ela gostava, então com os galeões ganho, comprou duas saias e uma camisa estampada, enquanto Harry tinha deixado uma camiseta da Harpias de Holyhead, time o qual ela torcia. Hermione e Gina também tinham enviado uma grande cesta de doces da Dedos de Mel, Rony mandou um jogo de pergaminhos para que ela pudesse se comunicar a distância com as amigas que estavam em Hogwarts e, é claro, também ganhou o suéter tricotado por Molly Weasley, o que era sempre um dos seus presentes favoritos.
O único presente que estava faltando era de Cedrico, o qual ela imaginava que ele ainda não havia conseguido, pois não tinham mais caixas por perto. Diggory agradecia Sirius pelo relógio que tinha ganho, o qual gritava quando estava na hora de algum compromisso. Minutos depois, quando estavam todos distraídos, puxou o namorado em direção ao seu quarto, entrando em silêncio, já que Teddy estava dormindo em sua cama;
— Hora de receber meu segundo presente de Natal, é? — Cedrico perguntou sacana, antes de juntar seus lábios aos da namorada, passando os braços por suas costas e cintura, apertando-a contra si. Logo sentiu os dedos da loira entre seus cabelos, puxando-os vez ou outra.
— Acho melhor pararmos por aqui — disse entre o beijo quando Diggory tentou levantar a saia de seu vestido —, temos uma criança no quarto, Ced.
O loiro soltou o ar contra seu pescoço, concordando com um aceno;
— Uma pena, pois esse vestido parece muito fácil de tirar. Falando nisso — acrescentou ao tornar a encará-la —, está muito bonita hoje.
Black riu, dando-lhe um selinho em agradecimento.
— Quem sabe mais tarde…
— Teddy não vai dormir aqui? — Questionou confuso, franzindo o cenho.
tornou a passar os braços por seu pescoço, ficando na ponta dos pés para dar-lhe mais um selinho;
— Pensei que, para variar, eu poderia subir à sua janela hoje! — Piscou marota, vendo-o levantar as sobrancelhas, surpreso com a proposta, antes de sorrir largo.
— É isso que eu chamo de presente de Natal! E não precisa subir pela janela, eu abro a porta, não é como se meus pais fossem se importar — riu baixo, antes de darem as mãos e saírem do quarto para voltarem à sala, antes que Sirius aparecesse gritando.
— Te vejo em uma hora, mais ou menos. — Sussurrou no ouvido do namorado quando estavam descendo às escadas.
— Não esqueceram nada? — Sirius perguntava aos pais de Cedrico, que estavam carregados com os pacotes dos presentes recebidos. — Bem, qualquer coisa podem pegar amanhã, vocês vem para o almoço, certo?
— Tem certeza que não querem fazer lá em casa? Assim não dá tanto trabalho… — Rachel sugeriu, vendo-o abanar a mão, negando com um aceno.
— Casa grande só serve se estiver cheia!
— Então por que você sempre fala que eu ocupo muito espaço? — Cedrico questionou divertido, com os braços cruzados.
— O problema é justamente o contrário, Diggory, se você passasse mais tempo longe da minha filha eu não precisaria te mandar embora todo dia. Mas, aparentemente, vocês nasceram grudados, porque estão sempre um em cima do outro.
— Não sei do que está falando! — O loiro negou, sorrindo inocente.
— Jovens são assim mesmo, Sirius — Andy riu — e você era muito pior!
— Ei, não é de mim que estamos falando!
— Pois eu concordo, — Rachel disse, olhando de canto para o filho — às vezes acho que ele esqueceu o endereço de casa, quase não o vejo!
— Ih, que exagero — Cedrico negou — e se não passo mais tempo em casa, é porque Sirius não deixa me visitar.
— E continuo não deixando! — O homem afirmou, passando o braço pelos ombros da filha — é apenas uma criança, não tem idade para dormir na casa do namorado.
A garota rolou os olhos, segurando a risada.
— Bom, então vamos indo antes que as coisas piorem para o seu lado, Ced — Amos brincou, despedindo-se de todos.
— Ah, já estava esquecendo — Cedrico parou próximo a porta, virando-se sorridente para a namorada, e retirando um envelope da jaqueta: — Feliz Natal!
franziu o cenho, confusa com o presente, abrindo-o curiosa.
— Pelas barbas de Merlin! Cedrico Diggory! Como você conseguiu? — Gritou animada, pulando nos braços do namorado — Estão esgotados há semanas!
— Tem suas vantagens trabalhar no departamento de Cooperação, eu faço contatos! — Piscou, logo recebendo um beijão, porque naquele instante não se importou com o pai ao lado, e menos ainda com os pigarros do homem.
! — Sirius resmungou, vermelho.
A garota virou-se sorridente para o pai;
— Mas, pai, eu vou ver minhas bandas favoritas! E na virada do ano! Merecia um beijo!
— Como é? — Andy e Rachel perguntaram confusas, mas rindo da reação exagerada de Black.
— São ingressos para o Festival Bruxo de Reveillon! As Esquisitonas, Weird Sisters, Marina and the Bezoar, Wicked e até a Glenda Chittock vai estar lá! Caramba, Cedrico! — Tornou a virar-se para o namorado, abraçando-o apertado.
— Infelizmente eu sou do tempo da Celestina Warbeck, não conheço a maioria dos músicos jovens — Rachel riu, Andy concordou com a amiga, aproveitando para comentar sobre a nova música da bruxa, a qual não parava de tocar nas rádios bruxas.
— Bem, então parece que vocês já têm planos para o Ano Novo! — Amos sorriu para o casal, que concordou empolgado. Cedrico não era tão fã daquelas bandas, mas 4U! e Cane eram dois shows que ele mal podia esperar para ver. — Mas vemos isso depois, já está tarde! Muito obrigado pela hospitalidade e pelos presentes, estava tudo ótimo!
— Te vejo daqui uma hora! — sussurrou ao despedir-se do namorado, o qual beijou-lhe a bochecha, tentando conter o sorriso;
— Quer dizer que eu me comportei bem o suficiente esse ano pra ganhar um presente, é?
— Isso você vai descobrir mais tarde!


7.

virou-se assustada quando alguém encostou em seu braço, estava distraída com sua lista de compras e nem mesmo percebeu Draco Malfoy a chamando.
— Caramba, quanto tempo, Draco! — Sorriu contente ao vê-lo após tantos meses, haviam trocado algumas cartas após o funeral, mas Malfoy estava enrolado com os depoimentos no Ministério sobre os últimos dois anos. — Como estão as coisas?
O loiro deu de ombros, colocando as mãos nos bolsos da calça;
— Começando a melhorar, por assim dizer.
— Seu pai ainda está em Azkaban?
— Sim, deve ficar mais uns meses, pelo menos até o próximo julgamento…
concordou com um aceno, sem saber exatamente o que poderia dizer para ajudar.
— Sinto muito…
— Sente mesmo? — O loiro perguntou com um sorriso fraco — Nós dois sabemos que ele merecia e, se formos sinceros, eu também.
Black negou com um aceno;
— Seu pai é medroso, mas você resolver fazer algo a respeito quando teve a oportunidade, não é? — Comentou, quase como se o elogiasse. Draco deu de ombros, mantendo um sorriso leve nos lábios.
— Mas e aí? Como estão as coisas? E os treinos?
— Ah, tudo bem — deu de ombros — o teste é daqui algumas semanas, mas imagino que só vou ficar nervosa mesmo dias antes, por enquanto estou levando numa boa.
— Bom, eu queria te perguntar uma coisa — o loiro começou, pouco depois, atraindo a curiosidade da prima —, você tem planos para amanhã à noite?
— Nenhum importante, o que tem em mente?
— Poderíamos sair para jantar, não é? Eu, você, Diggory e minha namorada…
Black fez um barulho com a boca, não conseguindo conter a risadinha ao ver Draco corado.
— Ah, por Merlin! Mas é claro que eu vou! E perder a chance de te fazer passar vergonha? Jamais! — Gargalhou ao ver a cara de poucos amigos do outro. — E quem é a garota? Eu conheço?
— Não sei — deu de ombros, soando um tanto arrependido do convite —, Astoria Greengrass, era aluna da Sonserina…
— Ah, sabe que eu não prestava atenção em ninguém da sua Casa — sorriu sem graça, vendo-o concordar rolando os olhos. — Pode ter certeza que nós vamos! Mas por que o convite repentino?
Draco ficou ainda mais sem graça, passando a mão pelo pescoço e olhando para baixo por alguns instantes, respondendo quase em um sussurro;
— Eu conheci a família dela semanas atrás, achei que seria legal se ela conhecesse alguém da minha, sabe…?
sorriu ao ouvir aquilo, ficava feliz em saber que Draco também queria aproximar-se dela, talvez voltar a amizade que uma vez, há muitos anos, já tiveram. Ambos sabiam das suas diferenças, mas estavam dispostos a deixar as coisas para trás e recomeçarem.
— É só falar o lugar e o horário, vou me esforçar para te elogiar bastante, Draco!

Harry estava escorado na batente da porta do quarto de , vendo-a terminar de arrumar o cabelo, enquanto Cedrico estava deitado na cama, esperando a namorada para poderem sair;
— Então você vai jantar com o Malfoy mesmo? Assim do nada? — Potter perguntou, desconfiado. rolou os olhos, concordando pela terceira vez.
— Ele queria apresentar alguém pra nova namorada, não achei que seria nada demais, sem contar que, querendo ou não, ele é meu primo…
— É, um que você sempre odiou! — Rebateu, um tanto incomodado ao saber dessa aproximação repentina.
Cedrico riu da cama, atraindo a atenção dos dois;
— Está com ciúmes, Harry?
— O que? É claro que não! — Negou de imediato, sentindo o rosto e pescoço esquentarem.
— Se eu quem estou indo no jantar não estou reclamando, por que você está fazendo todo esse drama? — Tornou risonho, também encarou o moreno com um sorriso largo nos lábios.
— Não estou fazendo drama nenhum! Só achei estranho, os dois nunca se falam, de repente Malfoy convida para um encontro de casais?
— Quem disse que nunca nos falamos? — o encarou com a sobrancelha arqueada, pegando sua bolsa, pronta para sair — Trocamos cartas regularmente, só não conversamos mais porque ele está estudando!
Harry a encarou completamente surpreso, Cedrico não pareceu se incomodar e o moreno cogitou que ele já soubesse sobre essa troca de cartas.
— O que ele está estudando mesmo? — Diggory perguntou ao levantar, vestindo sua jaqueta — É bom saber, que eu até já chego perguntando, pra demonstrar interesse! — Piscou, vendo-a rir ao concordar.
— Ele está fazendo um curso no St. Mungus, para ser um medibruxo.
— Draco Malfoy medibruxo? — Potter quase gritou, completamente surpresa, antes de seguir com o casal para o andar debaixo — Caramba, quando foi que isso aconteceu?
— Não faço ideia, — deu de ombros, vestindo seu sobretudo — mas ele mudou bastante nos últimos meses, provavelmente por causa de tudo o que aconteceu nesse último ano…
Harry concordou a contragosto, parando no último degrau da escada enquanto os dois se despediam, prontos para sair.
— Ah, papai disse que não volta tão cedo — avisou, piscando para o mais novo —, talvez devesse convidar Gina para vir!
Harry sorriu de lado, agradecendo pela dica antes de subir correndo para seu quarto.
— Você é muito boazinha! — Diggory riu ao caminharem de mãos dadas até o limite do terreno — Aposto que se fosse o contrário ele não teria nos dito nada!
— Ah, disso que tenho certeza! Mas achei melhor ele se distrair com a ruiva do que passar a noite imaginando se perderia o posto de meu melhor amigo para o Draco, porque eu tenho certeza que ele ficou com ciúmes!
Diggory gargalhou, concordando de imediato antes de aparatarem.

Entraram juntos no restaurante, olhando ao redor e logo reconhecendo Draco, sentado em uma mesa mais distante junto com a namorada. Assim que viu os recém chegados, Malfoy ficou em pé para cumprimentá-los; deu um abraço rápido e um beijinho na bochecha da prima e um aperto de mão firme em Diggory, antes de virar-se para a namorada;
— Astoria, essa é e este Cedrico, — apontou, vendo a morena cumprimentá-los com beijos no rosto — essa é Astoria, minha namorada.
— Que bom finalmente te conhecer! — sorriu animada, sentando-se em uma das cadeiras entre o namorado e o primo. — Draco falou muito sobre você!
— Ah, é? — Perguntou tímida, vendo-a concordar — Achei que ele não falasse de mim para ninguém! — O olhou de canto, vendo-o tomar um gole de sua bebida.
deu uma risadinha, piscando para a morena;
— Por Merlin, você quem pensa! Draco não para de falar sobre você! Ontem mesmo nos encontramos e ele ficou um tempão falando sobre como queria que a gente te conhecesse!
! — Draco a encarou assustado, com o tanto que a loira estava aumentando a conversa, mas Astoria pareceu gostar de saber daquilo.
— Draco, Draco — Cedrico sorriu para o outro —, deveria saber que não sabe guardar segredos, menos ainda uma fofoca!
— Ei! Estou apenas fazendo amizades! — Resmungou, dando um tapinha leve no braço de Diggory.
Pouco depois fizeram seus pedidos e, enquanto esperavam e bebiam, foram conversando sobre diversos assuntos. Astoria conhecia o casal de vista, pelos corredores de Hogwarts, embora nunca tivesse conversado com nenhum deles e, sinceramente, não fosse muito fã de , mas ela não se importou com aquilo: Sempre teve implicância com sonserinos, então não era, exatamente, uma novidade que os alunos da Casa também não gostassem dela. Relembraram alguns acontecimentos da Escola, alguns professores e aulas que tiveram e, também, momentos em que Draco e tinham sido amigos, o que realmente surpreendeu a morena que tinha certeza que os dois se odiavam desde sempre.
As horas passaram e a conversa continuou, assim como as risadas, pediram uma segunda e terceira garrafa de hidromel, gargalhando por qualquer coisa quando o nível de álcool subiu para os quatro. Ao final da noite, próximo da meia noite, foram quase expulsos do restaurante, já que os funcionários esperavam apenas eles saírem para fecharem.
— Isso foi bem divertido! — sorriu, de braços dados com Cedrico do lado de fora do restaurante, encarando sorridente o casal à sua frente.
— Foi mesmo, não imaginei que seria tanto! — Astoria concordou rindo, parecendo tão bêbada quanto , já que as duas já estavam se abraçando como se fossem velhas conhecidas, combinando de saírem juntas para fazerem compras e, é claro, fofocarem.
Diggory e Malfoy encararam a cena com as sobrancelhas erguidas, rindo da cena antes de se despedirem com um abraço educado.
— Vamos repetir a dose! — gritou, apontando para o primo — Pode ir tratando de marcar alguma coisa pra gente fazer!
— Ah, mas ele vai, sim! — Greengrass disse aos risos — Em último caso eu mesmo organizo!
— É disso que eu gosto! — A loira aplaudiu — Mostra quem manda! Não deixe ele se folgar, não!
— Por Merlin, vai dormir, ! — Draco gargalhou, vendo-a dar língua.
— É melhor irmos mesmo, ou Sirius vai dizer que foi tudo minha culpa! — Cedrico fez uma careta, vendo-os rirem — Até a próxima!
Os quatro se despediram uma segunda e terceira vez no caso das duas mulheres, e então aparataram para suas casas. Não demorando para Cedrico escalar a janela de após garantir que todos já estavam dormindo, naquela noite, entretanto, apenas aconchegou-se ao lado da namorada, pois ela já estava dormindo quando ele entrou pela janela.

Na tarde do dia 31 o casal já estava pronto para sair para o festival, sabendo que precisariam chegar cedo para conseguirem um bom lugar e aproveitarem todos os shows que queriam, o único problema, para variar, era Sirius em cima dos dois, desconfiado que talvez eles não estivessem indo diretamente para a arena;
— Se comportem! — Dizia, olhando sério para Cedrico.
— Estaremos em um local cheio de pessoas, Sirius, e nós dois sabemos que vai querer aproveitar todos os shows, o que acha que poderia acontecer? — Perguntou inocente, vendo-o estreitar os olhos.
— Não sei, mas não confio tanto assim em você!
— Tudo bem, pai, fica tranquilo! Agora vamos logo que eu não quero me atrasar! — Pediu, dando pequenos pulinhos para a saída — Tchau, pai, até depois!
— Não cheguem muito tarde! Estarei de olho! — Gritou enquanto o casal andava pelo terreno, apenas acenando com a mão para o mais velho.
— É impressionante o quanto seu pai desconfia de mim… — Cedrico suspirou, negando com um aceno.
— E ele tem motivos, não é? — riu, segurando no braço do namorado para poderem aparatar na entrada da arena em que os shows aconteceriam. — Não que eu esteja reclamando! — Piscou, sorrindo marota para o namorado.
— E eu espero ser muito bem recompensado mais tarde, não foi fácil conseguir esses ingressos! — Relembrou, escutando-a gargalhar ao seu lado.
e Cedrico assim que chegaram no local do show foram andando entre a multidão, de mãos dadas para não se separarem, e, pouco a pouco, aproximavam-se como podiam do palco, no qual tocavam bandas menores e menos conhecidas.
Volta e meia algum bruxo vendendo bebidas e lanches passavam entre as pessoas e eles logo trataram de aproveitar para comerem antes de se distraírem com os shows que queriam assistir. Curtiram os shows enquanto conversavam, e, vez ou outra, trocavam alguns beijos.
— Eu só quero ver como você vai estar daqui algumas horas, pulando nesse salto! — Apontou para o sapato da namorada, que riu negando com um aceno.
— Querido, estou contando com você me levando carregada de volta pra casa!
Pouco depois as Weird Sisters subiram no palco e, desse show em diante, já quase não conversaram, embora comentassem algumas performances, empolgados com as músicas e toda a gritaria que estava ao redor, aproveitando cada minuto. A meia-noite, virando-se para desejar um feliz Ano Novo para o outro, não se importando em trocarem um longo beijo na frente de todos.

O casal entrou de mãos dadas na casa, Cedrico ainda ria ao fechar a porta, ouvindo a voz da namorada chamar por Sirius e Harry;
— Tem alguém aqui? — Gritou mais uma vez, colocando as mãos na cintura e virando-se para Diggory — Que estranho, achei que pelo menos meu pai fosse ficar em casa.
— Talvez estejam todos dormindo e vão ficar bravos com você gritando às 3h da manhã!
— Ah, é claro que não! Dúvido que meu pai não estivesse acordado esperando a gente voltar — Abanou a mão — De repente ele foi ver a namorada… — Piscou, vendo-a rir ao concordar.
— Está com fome? — Perguntou, apontando para a cozinha, o rapaz negou.
, não tem nem uma hora que comemos aquele pastelão, e eu ainda comi metade do seu.
— Eu disse que não estava com vontade de comer pastelão! — Retrucou, cruzando os braços ao negar com a cabeça. Cedrico riu, aproximando-se o suficiente para passar os braços por sua cintura, beijando-lhe os lábios.
— Era tudo o que a gente tinha sem precisar enfrentar fila! Na próxima nós esperamos para comprar outra coisa...
A loira concordou ao enlaçar o pescoço do namorado, sorrindo de canto;
— Quer aproveitar que estamos sozinhos? — Arqueou a sobrancelha, encostando os lábios nos dele, vendo-o sorrir, apertando as mãos em sua cintura.
— Jamais perderia a chance de começar um ano bem desse jeito! — Respondeu baixo, logo juntando seus lábios nos dela, beijando-a avidamente.
sorriu entre o beijo, puxando os cabelos curtos do namorado e mordendo-lhe o lábio inferior, quando sentiu a parede contra suas costas.
— Ced, é melhor subirmos. — Sussurrou em seu ouvido ao sentir os beijos dele em seu pescoço.
Diggory resmungou contra sua pele, descendo as mãos por suas pernas, fazendo com que a garota tomasse impulso e enlaçasse as mesmas em sua cintura, ao tempo que voltava a beijar-lhe nos lábios. Ainda aos beijos, subiram lentamente até o segundo andar, em direção ao quarto da garota, tropeçando vez ou outra ou esbarrando em alguma coisa, o que só os fazia rir sem se separarem.
Cedrico abriu a porta do quarto, encostando-a segundos depois, aproveitando para afastar-se apenas o suficiente para abrir e retirar a jaqueta que usava, jogando-a em algum canto, antes de a encostá-la na parede mais próxima.
Black sentia a corrente elétrica de sempre passando por seu corpo, em cada local que sentia as mãos ou os lábios do namorado. Manteve os olhos fechados por alguns instantes, tentando controlar a respiração entrecortada, conforme Cedrico descia os beijos por seu pescoço, logo começando a puxar sua blusa, retirando-a com facilidade. Diggory tirou sozinho sua própria jaqueta e, pouco depois ajudou-o a abrir a camisa de botões do namorado, vendo-o distanciar-se alguns centímetros para retirá-la por completo e, então voltar a beijar-lhe os lábios.
Cedrico sentia o corpo arrepiar sempre que a garota arranhava suas costas ou suspirava próximo ao seu ouvido quando ele beijava seu pescoço. Sentia o corpo todo quente e o desconforto crescente em suas calças.
Apertou-lhe as coxas, aproveitando para abrir-lhe o botão e o zíper da calça, ouvindo-a gemer baixinho quando Cedrico baixou os beijos por seu colo. As mãos da garota logo foram de encontro a sua cintura, desabotoando o cinto e os jeans que ele usava, fazendo-o sorrir sozinho ao perceber que ela parecia tão desesperada quanto ele. Diggory tornou a subir a mão esquerda por seu corpo, enquanto a direita se mantinha por sua cintura, apertando-a vez ou outra. mordeu o próprio lábio ao sentir o beijo molhado do namorado sobre seu seio, na parte descoberta por seu sutiã preto, a mão esquerda tentando destravar o fecho;
— Ced… — Chamou baixinho, sentindo qualquer controle que ainda tinha acabar ao notar o quão excitado ele se encontrava.
— Hm?
— Cama… Agora…
Cedrico sorriu ao ouvir aquilo, ainda mais ao notar que finalmente havia conseguido desprender o fecho do sutiã que ela usava.
, já chegou?! Como foi a fes...
O casal se separou no mesmo instante, olhando assustados para a porta, aberta de supetão. Cedrico a colocou no chão no mesmo segundo, dando um passo para o lado, enquanto a loira puxava as mãos para o peito, cobrindo-se como podia.
Sirius os encarou estático pelo o que pareceu uma eternidade, seu cérebro não parecendo capaz de processar o que seus olhos viam. Depois do que poderiam ser consideradas horas, o homem deu as costas, fechando a porta atrás de si.
Cedrico soltou todo o ar que prendeu desde o momento que viu Black parado na entrada do quarto. Passou as mãos pelo cabelo, nervosamente, antes de olhar para a namorada, que ainda encarava a porta fechada, mal piscando.
? — Perguntou, tocando-lhe o ombro.
A loira piscou duas vezes, respirando fundo e exalando o ar todo de uma vez. Mexeu-se para tornar a prender o sutiã e saiu em busca de sua blusa, perdida em algum canto do quarto, enquanto Cedrico abotoava a calça e afivelava o cinto. Nenhum dos dois falou nada por alguns instantes, vestindo-se com rapidez. Black então começou a rodar pelo quarto, passando a mão pelos cabelos soltos;
— Isso não pode estar realmente acontecendo. Definitivamente não tinha um jeito pior dele descobrir.
— Na verdade, se ele tivesse entrado dois minutos depois nos pegaria, literalmente, na pior situação possível… — Cedrico ponderou, sentando-se no canto da cama e imaginando por um instante o que poderia ter acontecido. — Que péssimo jeito de se começar o ano!
— Não tem graça, Ced.
— Eu não disse que tinha.
A garota suspirou, tornando a andar de um canto para o outro, considerando o que poderia tentar fazer para amenizar a situação inteira. Nos piores cenários que vinham à sua mente, Sirius a expulsaria de casa ou a faria terminar com Diggory. A segunda opção não aconteceria, por mais que o pai pudesse estar bravo com ela, não terminaria com Cedrico, mas era a primeira opção que a assustava; E se ele estivesse tão decepcionado ao ponto de expulsá-la, o que faria?
— Eu poderia sair pela janela… — Ouviu a voz de Cedrico, virando-se e vendo-o encarar pensativo a janela fechada. negou no mesmo instante.
— Se você fizer isso, ele vai desconfiar que da mesma forma que você pode sair, também poderia entrar por ela.
Diggory considerou o argumento, tornando a passar a mão pelos cabelos. Nem em um milhão de anos se imaginou naquela situação com a namorada e, de fato, seria ainda pior se Sirius Black descobrisse que Cedrico vinha entrando escondido no quarto de pelo menos duas vezes na semana.
— E então? Vamos descer agora? Não é como se pudéssemos ficar trancados no seu quarto para sempre. — Cedrico comentou, passando a língua pelos lábios — Talvez ele ainda não tenha assimilado o que aconteceu, podemos ter uma chance agora… Quero dizer, ele nem mesmo gritou ou tentou me matar… Acho que devemos aproveitar essa oportunidade!
Ela concordou, embora parecesse ainda mais desconfortável que o rapaz por ter que encarar Sirius. Cedrico levantou-se da cama, abraçando-a apertado;
— Vai ficar tudo bem, . No máximo eu vou passar algumas semanas escalando sua janela depois que ele for dormir, nada que já não tivéssemos feito, não é?
A loira sorriu minimamente, concordando com um aceno, antes de saírem do quarto.
— Vai na frente — Cedrico indicou em voz baixa, começando a descer as escadas — Ele pode ficar bravo, mas não vai te matar, agora eu não posso garantir o mesmo por mim! — Explicou, ainda aos sussurros, fazendo-a rolar os olhos.
Viram Sirius parado, de braços cruzados, olhando pela janela o terreno escuro.
— Hm… Pai? — A garota chamou, vendo-o mexer a cabeça, sem virar-se — Eu… Uh… A gente… Bem… Ahn…
— Você não ouse me dizer que não era o que parecia, Black. — Cortou no mesmo instante, virando-se sério para a garota, a qual estalou os dedos, constrangida.
— Eu só queria saber se tá tudo bem…
Sirius suspirou, olhando de um para o outro por incontáveis segundos. Por fim negou com a cabeça, tornando a olhar pela janela;
— Bem não está, — começou, passando a mão pela barba — mas não é como se eu não esperasse algo do tipo em algum momento. — Resmungou fechando os olhos, parecendo apavorado com a ideia de que , sua filha, sua bebezinha, já estivesse andando sem roupas junto do namorado. — Agora vocês dois sentem logo, porque precisamos conversar!


8.

Amos viu o filho descer as escadas vestindo uma calça de moletom gasta e uma camiseta da Lufa-Lufa do seu antigo uniforme de Quadribol, virou a página do Profeta Diário, questionando ao vê-lo passar ao seu lado;
— Qual o motivo de não visitar sua namorada no primeiro final de semana do ano?
Cedrico parou, olhando-o com a cenho franzido a meio caminho da cozinha:
— Como sabe que não vou vê-la?
— Você sempre se veste bem quando vai para a casa dos Black, está usando roupas velhas demais para chamar a atenção da garota...
Cedrico riu sem graça, olhando para as próprias vestes por um instante, logo passando a mão pelos cabelos e respondendo em voz alta, enquanto buscava algo para comer nos armários;
— Achei melhor não aparecer lá por um tempo, pode ser que Sirius esteja bravo comigo. Quero evitar um conflito maior.
— O que aconteceu? — Amos perguntou curioso, virando-se no sofá para olhar o filho, que logo voltou mordendo um pedaço de uma barra de chocolate que encontrou.
Cedrico sentou na ponta contrária do sofá, mastigando devagar enquanto pensava se era realmente uma boa ideia contar aquilo para o pai, sabia o quão constrangedor a conversa poderia ser.
— E então? — Insistiu o mais velho.
O rapaz suspirou, quebrando com a mão outro pedaço do doce, antes de responder:
— Talvez ele tenha nos encontrado em uma situação um tanto comprometedora…
— Que tipo de situação?
Cedrico encarou o pai por alguns instantes, até que o viu abriu a boca surpreso, as sobrancelhas erguidas;
— Está me dizendo que vocês estavam…?
— Não exatamente, mas quase… — Negou, tornando a passar a mão pelos cabelos, nervoso só com a lembrança. — Ele entrou no quarto e, bom...
— Vocês estavam pelados? — Interrogou cada vez mais chocado.
— Não, não! Mas, bem, — coçou o pescoço, sentindo o rosto esquentar — eu ainda estava de calça, mas… Entende?
Para surpresa do filho, Amos começou a rir; colocou as duas mãos na barriga e gargalhou. Cedrico negou com a cabeça, fazendo careta;
— Não foi nada engraçado, pai.
— Tenho certeza que não! — Concordou, ainda aos risos — Como é que vocês não trancaram a porta?
— Eu sei lá... Acho que ficamos confiantes, porque nunca tivemos problemas, e bem, achamos que não havia ninguém em casa… Mas ele estava deitado no quarto dele quando chegamos do show… Então ele simplesmente abriu a porta e nos viu…
— O que foi que ele fez? — Perguntou, tentando se conter com as risadas, sabendo que o mais novo estava extremamente constrangido.
— Nada, só ficou nos encarando por um tempo, depois quando eu estava saindo ele nos chamou para conversar… — Suspirou, fechando os olhos por um instante — Só não foi mais constrangedor do que a conversa que tive com você alguns anos atrás…
Amos tornou a sorrir, lembrando-se do dia;
— Estava apenas cumprindo meu dever de pai! — Deu de ombros, tornando a olhá-lo de canto — É por isso que não está indo lá?
Cedrico concordou no mesmo momento:
— Achei melhor ficar uns dias longe, deixar ele esquecer… — Comentou, mastigando mais um pedaço de chocolate.
— Filho, ele nunca vai esquecer. Sempre que olhar para você, ele vai lembrar do que aconteceu.
— Obrigado, me sinto muito melhor agora — Ironizou, esticando as pernas sobre a mesa de centro.
— Estou de fato surpreso que ele tenha imaginado que, após todos esses anos, vocês
nunca tivessem feito nada, especialmente considerando que você até mesmo morou lá por alguns meses…
acha que ele já sabia, só não estava preparado para admitir que estava realmente acontecendo. — Contou, vendo o mais velho concordar, rindo baixo, negando com a cabeça.
Passaram alguns instantes em silêncio, no qual Amos voltou a folhear o jornal e Cedrico comeu seu chocolate, olhando para uma flor ao canto, distraído com os próprios pensamentos:
— Ced?
— Hm?
— Ela foi a primeira?
— A primeira o que? — Questionou confuso, ainda olhando a folhagem colorida da planta, ao mastigar devagar seu chocolate.
Amos pareceu sem jeito por um instante, mas pigarreou e tornou a perguntar:
— Você já esteve com outras garotas ou foi sua primeira?
Cedrico ficou vermelho entendendo ao que ele se referia, negando no mesmo instante:
— Pai, não quero falar disso. Por Merlin, eu já sofri demais ontem para passar por isso agora!
— Não quero saber de detalhes nem nada, — garantiu, olhando-o de canto — só fiquei curioso de saber, eu sei que você namorou com várias garotas em Hogwarts, é só isso…
— Não namorei várias garotas, pai, — negou, suspirando — tive vários encontros, é diferente. Só namorei com e, bem, Cho, mas não foram mais do que dois meses então… — Deu de ombros.
— Certo, certo… Então foi só com sua namorada mesmo? — Insistiu, vendo-o fazer uma careta — Só estou perguntando, não é nada demais…
Cedrico respirou fundo, soltando o ar lentamente;
— Não, tive algumas outras antes… — Respondeu em voz baixa, passando a língua pelos lábios. — Não vai falar disso com a minha mãe!
— É claro que não, Ced! — Amos abanou a mão no ar — sabe?
— Não sabe com quantas e nem quem foram, mas sabe sim.
Amos concordou, curioso em perguntar mais, contudo, achou melhor dar-lhe espaço.
O loiro tornou a olhar para o nada, mordendo o lábio inferior, pensando se deveria ou não continuar o assunto;
— Hm… É estranho pensar nisso agora…
— O que quer dizer?
— Bem, não que eu não tivesse gostado, sabe? Talvez não tanto minha primeira vez, porque foi estranho e eu estava nervoso — fez careta ao lembrar-se, vendo o pai rir ao concordar — mas agora parece que não foi tão bom quanto eu achei que fosse na época, entende?
— É claro que sim, Cedrico! Agora você está com alguém por quem é apaixonado, faz toda a diferença!
— Imagino que sim, — concordou pensativo — é só que às vezes parece estranho tudo ser tão bom. Eu lembro a primeira vez que saímos e nos beijamos; A única coisa que eu pensava era como não tinha feito aquilo antes, e no quão ruim os outros beijos que eu dei pareciam se eu comparava.
— Ainda bem, não é? Valeu à pena sua espera de meses! — Alfinetou, lembrando do desespero do rapaz por não conseguir seu encontro com a garota.
— Valeu sim. — Concordou — É só um pouco estranho pensar nisso, porque sempre me senti muito bem com outras garotas, agora parece tão sem sentido…
— E vai continuar sendo assim enquanto estiver apaixonado por ela, oras. — O mais velho explicou, sorrindo para o filho — Quando gostamos de alguém dessa forma, nada nem ninguém vai ser melhor do que as coisas que fazemos ao lado dessa pessoa. Fico feliz que você tenha encontrado alguém que te faça se sentir assim sendo tão novo, mais ainda por ser recíproco.
— Nem me fale, nem sei o que faria se não fosse… — Respondeu, sorrindo de canto — Só espero que as coisas melhorem logo, é um saco não poder passar um tempo com a , ainda mais agora que estou de folga... — Resmungou, passando a mão pelos cabelos — Não sei o motivo de tanta proteção… Sirius está ficando paranoico!
— Bom, e com motivos, não é? — O outro riu — Se com tanto cuidado você deu um jeito de passar por tudo isso para ter alguns momentos a sós com a garota, imagine se ele não cuidasse?!
Cedrico riu sem graça, concordando.
— Mas ele não é assim com Potter e a Weasley, é só comigo e a Samanha.
— Entendo que seja frustrante para você, Ced, mas faz sentido: você mesmo não coloca sua namorada à frente de tudo? Não quer protegê-la de tudo e todos? — Perguntou, encarando os olhos cinzentos do filho.
— Não que eu ache que ela precise, tenho quase certeza que ela é muito mais forte do que eu… — Concordou pensativo, sem graça por confessar aquilo ao pai.
Amos apenas sorriu, antes de continuar seu raciocínio;
— Pois bem, e você é apenas o namorado. De repente terminam em uma semana e dias depois você segue em frente. é filha de Sirius, ele sempre vai vê-la como alguém que precisa proteger de todos, incluindo de você, Ced. Não importa quantos anos ela tenha, Black sempre vai olhar para ela como uma garota indefesa...
indefesa? — Cedrico riu — Eu que deveria ser protegido dela! O dia que a quiser, me mata e ninguém nem sabe. Me preocupo muito mais quando ela está brava comigo do que quando Sirius me ameaça. Não teria nem tempo de me defender!
Amos gargalhou, concordando com a cabeça;
— É bom que você aprenda mais uma lição cedo, Ced: as mulheres sempre tem razão e, no fundo, todos nós sabemos que teremos problemas se as contrariarmos. Quanto mais você evitar isso, menos problemas vai arranjar!
— Ah, mas isso eu já sabia desde a primeira semana com ela, pai!

Harry mastigava sua torrada quando viu entrar na cozinha, ficando vermelha assim que encarou Sirius, dando um “bom dia” baixo. Menos de dois minutos depois, Sirius deixou seu prato na pia e saiu carregando o exemplar do Profeta Diário que lia.
Potter encarou a loira ao vê-la sentar-se na cadeira a sua frente, mantendo o olhar na torrada que passava geleia;
— O que foi que aconteceu nesta casa? — Perguntou curioso, vendo-a dar de ombros, negando com um aceno — Ah, qual é? Tem dois dias que vocês mal conversam e você fica vermelha igual um tomate quando se encontram!
— Nada, ele só me viu beijando o Ced — respondeu baixo, dando uma mordida na comida. O moreno estreitou os olhos, desconfiado;
, , você já foi melhor do que isso. O que aconteceu? Diggory não aparece aqui desde sexta-feira e vocês dois não se desgrudam!
— Por que você não cuida da sua vida, Cicatriz? — A outra retrucou irritada — Já contou para a Molly que você está beijando a Gina?
Harry sentiu o rosto esquentar, mas manteve o olhar preso aos olhos castanhos da loira;
— Não muda de assunto, não. Se você não me falar eu pergunto para o Sirius!
— Vai em frente, mas se eu fosse você iria para o trabalho, porque você já está atrasado! — Apontou, olhando para o relógio na parede. Potter resmungou ao notar que o que ela dizia era verdade, precisando deixar a curiosidade de lado e levantar-se para ir ao Ministério.
— Não pense que eu não vou descobrir, se você não quer me contar nada eu vou direto na fonte! — Respondeu, passando a mão nas roupas, tirando qualquer vestígio de migalhas — Diggory sempre se entrega mesmo… — Sorriu vitorioso, andando para fora da cozinha ao ver fechar a cara.
Harry vestia seu casaco, pronto para sair de casa, quando ouviu a voz do padrinho o chamando, enquanto descia as escadas;
— Dê isso para o Diggory, por favor. — Pediu, ao entregar-lhe um pergaminho enrolado e selado.
— O que é? — Perguntou curioso, guardando-o no bolso.
— Você vai saber depois, aliás, amanhã às sete horas esteja em casa e de banho tomado, pode convidar sua namorada também.
— Na-namorada? — Balbuciou nervoso, Sirius rolou os olhos, cruzando os braços;
— Não me diga que ainda não falou com a Molly e com o Arthur?
— Eu, hm… Ela já vai voltar pra Hogwarts essa semana… — Explicou-se sem graça.
— Ah, claro que sim. — O encarou com a sobrancelha arqueada, negando com um aceno.
— Então, o que temos amanhã à noite? — Tornou, mudando de assunto.
— Vai saber quando tiver que saber, Potter. Pode ir andando!
Harry rolou os olhos, acenando com a cabeça antes de sair da casa, andando pelo terreno e aparatando pouco depois em frente ao Ministério da Magia.

Potter terminou o relatório da missão anterior que teve, conversando vez ou outra com Rony e com Andrew McGuire, um grandalhão poucos anos mais velho com quem tinham feito amizade durante o treinamento dos Aurores. Espreguiçou-se e levantou de sua mesa, pronto para sair para almoçar. Riu fraco ao ver Sophie Winter, outra Auror recém efetivada, fazendo uns truques e deixando Weasley extremamente impressionado;
— Como é que você não trabalha nas Gemialidades Weasley? — O ruivo disse gargalhando, sendo acompanhado da morena.
Já estava pensando no que pegaria para comer, quando lembrou-se da carta que deveria entregar a Cedrico, aproveitando que o elevador parou no Nivel 5, o Departamento de Cooperação Internacional de Magia, seguiu pelo corredor em busca da sala do loiro. Acenou com a cabeça para algumas pessoas que passaram por ele, aproveitando e perguntando de Diggory, o qual, foi informado, estava em uma das últimas salas do corredor, ajudando nos relatórios para a próxima reunião da Confederação Internacional que aconteceria em poucas semanas.
Parou na porta de carvalho aberta e não precisou de mais do que dois segundos para localizar o bruxo, o qual tinha uma pena de repetição rápida flutuando ao seu lado, enquanto escrevia em um pergaminho comprido. Vez ou outra, Harry reparou, o loiro negava com a cabeça, procurando mais alguma informação nos outros papéis em sua mesa, parecendo realmente estressado com tudo aquilo. Havia ainda mais uma bruxa na sala, uma bonitona que Potter já havia visto outras vezes no Ministério, a qual parecia procurar algo em outra torre de documentos.
Potter bateu na porta, logo vendo os dois pararem o que faziam para olhar em sua direção, confusos com sua presença;
— Diggory — acenou, entrando na sala quando o loiro fez sinal para que ele se aproximasse, Harry acenou para Scarlett, que logo voltou o olhar para suas atividades, retirando o pergaminho do bolso quando parou na mesa de frente ao outro —, Sirius pediu para te entregar isso aqui.
Cedrico franziu o cenho, agradecendo, embora confuso com a carta recebida. Imaginou se Black estaria ameaçando-o para nunca mais se aproximar de , e respirou aliviado ao notar que, ao menos, não era um berrador, aquilo sim seria constrangedor.
Harry esperou enquanto o loiro abria a carta, notando o cenho cada vez mais franzido ao ler o conteúdo, deixando-o ainda mais curioso;
— E então? O que foi?
— Você não sabe? — Cedrico tornou, parecendo surpreso, logo vendo-o negar — É um convite para jantar amanhã, só pediu para eu ir bem arrumado e chegar cedo.
— Só isso? — Harry questionou sem entender — O que acha que vai ter de especial nesse jantar? Ele me disse para chamar a Gina também, mas não explicou nada…
Diggory deu de ombros, tão confuso quanto o moreno, mas aliviado por não ser nada preocupante.
— De qualquer forma, preciso voltar ao trabalho agora, nos falamos depois, ok? — Suspirou, apontando para a pilha em sua mesa. Potter riu fraco, desejando-o boa sorte antes de sair.

Na terça-feira, próximo às seis e meia da tarde, desceu as escadas já arrumada, embora ainda não soubesse o motivo, e surpreendeu-se ao dar de cara com Cedrico e Gina, entrando juntos com Harry na casa.
— Ah, pronto — Potter resmungou, correndo escada acima —, se até você está arrumada eu estou mesmo atrasado!
— Há.Há — resmungou, acertando-lhe de leve no ombro quando se esbarraram nos degraus, antes de aproximar-se dos outros — Até vocês?
— Nem me fala — Gina riu, cumprimentando a amiga antes de sentar-se no sofá — o que seu pai está armando?
— Não faço ideia! — Respondeu ao sorrir para o namorado, dando um leve beijo em seus lábios, aproveitando que Sirius não estava por perto, antes de se sentarem juntos da ruiva. — E o que você falou para seus pais para vir aqui hoje?
— Que você me convidou! — Apontou para a loira, sorrindo sem graça.
— Por que estão demorando tanto para contar sobre vocês dois? — Cedrico perguntou intrigado, vendo-a dar de ombros.
— Eu acho que Harry está com medo, porque minha família gosta muito dele, não estavam esperando que ele me chamaria para sair, não é?
— Mas é ainda melhor, eles já gostam dele mesmo! Só facilita as coisas! — respondeu, vendo-a concordar com um aceno.
— Eu disse o mesmo, mas ele quer esperar mais um pouco…
— E tudo bem por você? — Diggory perguntou, vendo-a concordar com um aceno.
— Por enquanto, sim. Estamos aproveitando bem e não tenho muito o que ficar cobrando, sabe? Ainda mais que não nos vemos o tempo todo, mas quando eu me formar as coisas mudam de figura! — Avisou, jogando os cabelos para trás, riu fazendo um high five com a amiga;
— Essa é a ruiva que eu conheço!
Viraram-se ao ouvirem a porta da sala se abrir mais uma vez, com Sirius entrando carregando várias sacolas nas mãos.
— Ainda bem que estão todos aqui! — Disse rápido, andando para a cozinha e sendo seguido pelos outros três, que olhavam com curiosidade todas as sacolas que ele abria.
— Comida? — Gina franziu o cenho, ainda mais confusa, logo vendo-o agitar a varinha e virar a comida em pratos diferentes.
— Comida de Trouxas! — Sirius corrigiu, virando um assado e batatas em uma travessa que havia comprado no dia anterior.
— Pra que tudo isso? — perguntou finalmente, abrindo uma das sacolas e vendo um pudim de aparência duvidosa.
Sirius travou a mandíbula, terminando de ajeitar as coisas antes de começar a explicar, vendo Harry aproximar-se pouco depois, tentando ajeitar os cabelos molhados.
— Vocês queriam conhecer Genevieve, não é? Pois bem, ela está vindo jantar hoje.
— Hoje? — Os quatro gritaram ao mesmo tempo.
— Como você não avisou antes?
— Eu iria avisar, mas algo aconteceu e tirou esse jantar da minha cabeça! — Disse sério, olhando da filha para Cedrico, o qual virou a cabeça, olhando pro teto no mesmo instante.
Harry e Gina olharam para o casal de amigos, segurando a risada ao imaginar o que poderia ter acontecido. Segundos depois o homem mandou todos voltarem para a sala até ele terminar, para conversarem antes que a francesa chegasse.
Ficaram vendo Sirius andar pra cima e pra baixo, ajeitando as coisas e parando em frente ao espelho de pouco em pouco, arrumando os cabelos.
— Pai, relaxa. Vai dar tudo certo! — tentou tranquilizá-lo, mas como resposta teve apenas um resmungo.
— Certo, vamos as regras; — suspirou olhando para cada um dos quatro adolescentes à sua frente, espalhados pelo sofá e poltrona — Ninguém fala nada referente a qualquer coisa sobre nosso mundo.
— Eu ainda não acredito que você não contou… — Gina negou com a cabeça, segurando a risada — Não acha que será pior contar depois?
Black negou, abanando a mão;
— Não tem jeito fácil, de repente ela vendo que somos pessoas normais não ache tão estranho depois…
— Pessoas normais? O que os Trouxas acham que somos ou fazemos? — Cedrico questionou com a sobrancelha arqueada, o braço envolta dos ombros da namorada.
— Eles não acham nada, Ced, porque eles nem sabem que existem bruxos, lembra? — A loira respondeu, dando de ombros.
— Na verdade eles meio que suspeitam, não é? Antigamente eles queimavam os bruxos e ainda fazem filmes de terror e… Desculpe! — Harry interrompeu-se ao ver o padrinho olhá-lo aflito.
— Como eu estava dizendo: ninguém fala nada que possa levar a perguntas que não podemos responder!
— O que ela sabe exatamente? — Harry questionou curioso.
Sirius passou a mão pelos cabelos;
— Sabe que eu estava separado e Victoria morreu recentemente… Em um assalto! — Avisou quando viu a filha abrir a boca para questionar — Que Harry mora conosco porque os pais morreram anos atrás, não me aprofundei no assunto, mas agradeço se ninguém falar nada sobre Comensais e Voldemort. Sabe que vocês namoram — apontou para os casais — e que se conheceram na escola…
— O que você disse sobre Azkaban?
— Nada! — Respondeu como se fosse óbvio, respirando fundo — Disse que passei anos fora do país porque trabalhava no exército e por isso foi criada pelos tios… — Passou a língua pelos lábios. — Não me aprofundei nisso também, disse que era tudo muito delicado…
— E como foi que explicou todas essas tatuagens? — A filha questionou divertida, vendo-o dar de ombros;
— Disse que fui um adolescente rebelde!
— Eu tenho uma dúvida, como é que ela vai chegar aqui? Não é como se a casa fosse perto de qualquer coisa, não? — A ruiva questionou.
— Está vindo de carro, — explicou, vendo Cedrico e Gina parecerem extremamente surpresos — isso me lembra; nada de vocês aparatarem, ninguém vai embora antes dela. Se ela perguntar digam que vão dormir aqui, mas não vão! — Alertou, olhando principalmente para Diggory, o qual desmanchou o sorriso no mesmo instante. Sirius então encarou o loiro por alguns instantes — Ainda não estou nenhum pouco feliz com você, mas vou ignorar isso agora porque essa sua cara de bom moço pode servir pra alguma coisa!
Cedrico abriu a boca para responder, mas ouviram um barulho no terreno e uma luz vindo de fora. Black respirou fundo, fechando os olhos por um instante antes de andar em direção à porta, abrindo-a segundos depois e, virando-se por sobre o ombro, antes de sair por ela;
— Por Merlin, se comportem, é a única coisa que eu peço para vocês!
— O que a gente vai dizer que faz? — Diggory tornou rápido em voz baixa, olhando principalmente para Harry que tinha mais conhecimento sobre os Trouxas. Potter franziu o cenho, pensando por alguns instantes;
— Diga que está estudando, Relações Internacionais — disse segundos depois —, é o mais próximo que consigo imaginar do seu trabalho atual. Fale que você faz um estágio e por isso tem tanta papelada!
— O que é estágio? — Gina perguntou curiosa.
— É o trabalho que você tem antes de se formar na faculdade.
— O que é faculdade? — A ruiva questionou mais uma vez, Harry suspirou.
— Depois que os Trouxas se formam na escola, eles normalmente estudam por mais alguns anos…
— Nossa, que tédio! — comentou surpresa, vendo-o concordar no mesmo instante.
— E o que vocês vão dizer que fazem? — Cedrico perguntou, ouvindo risadas do lado de fora da casa.
— Vou dizer que estou treinando para entrar na Polícia! — Harry sorriu, e então apontou para a namorada — Você ainda está na escola e, … — A encarou por algum tempo, dando de ombros — Diz que está gastando o dinheiro do Sirius até descobrir o que quer fazer da vida!
— Moleza! — A loira sorriu largo, no mesmo instante que Sirius entrou na casa junto de uma mulher alta e morena, de cabelos cacheados, olhos amendoados e com as bochechas rosadas, fosse por frio ou por constrangimento.
— Essa é Genevieve Laurent — apresentou, apontando da mulher para os adolescentes, vendo-os levantarem aos poucos para cumprimentarem-na —, esses são Harry, Gina, Cedrico e .
A francesa pareceu um tanto tímida, mas sorriu ao cumprimentar cada um dos quatro com dois beijos na bochecha, dizendo como era bom finalmente conhecê-los.
Os quatro se espremeram no sofá, deixando as poltronas disponíveis para Genevieve e Sirius, o qual foi buscar um pouco de vinho para a namorada e ofereceu suco para os outros, afinal, segundo as leis Trouxas, eles eram menores de idade para bebidas alcoólicas, o que gerou caretas nos quatro ao notarem.
— Então, — Gina foi a primeira a perguntar, atraindo a atenção de todos, já que estavam com medo de começarem uma conversa e acabarem falando o que não deviam — como vocês dois se conheceram? Sirius nunca nos contou!
— Nos esbarramos um dia e eu acabei derrubando minhas compras, Sirius me ajudou a levar tudo…
— Que cavalheiro! — Harry e falaram juntos, olhando sorridente para o mais velho, que rolou os olhos. Genevieve riu constrangida;
— Conversamos um pouco e marcamos de sair para um jantar dias depois…
— Que galanteador, Sirius! — Gina brincou, vendo-o arquear a sobrancelha enquanto tomava um gole de seu vinho.
— E vocês quatro? — A mulher perguntou, querendo saber mais sobre todos, já que Sirius não lhe dava muitos detalhes, havia até mesmo ficado bem surpresa quando o homem a chamou para o jantar.
Os quatro se olharam por um instante, até Cedrico olhar sorrindo para a mulher;
— Nós todos estudávamos na mesma escola, começamos a conversar — apontou dele para a namorada — porque ela estava precisando de ajuda com os estudos.
— É, o Diggory sempre foi um nerd mesmo — Harry acrescentou rindo, vendo o loiro o encarar com a sobrancelha arqueada, embora não tenha questionado o que aquilo significava. — E nós dois estávamos na mesma sala — apontou dele para , e depois para Gina —, e ela é a irmã mais nova do meu melhor amigo.
— Que inclusive, você ainda não assumiu! — cutucou — Os jovens estão assim agora, nem contam pros pais que estão namorando… — Negou com um aceno, fazendo a francesa rir baixinho enquanto Harry xingava, logo ouvindo Sirius chamar atenção dele.
— E o que vocês têm feito agora que terminaram os estudos? — Perguntou curiosa.
— Eu ainda estou na escola, tenho mais um semestre — a ruiva respondeu tranquila.
— Eu estou fazendo um curso da Policia Metropolitana, se tudo der certo devo começar a trabalhar mesmo em alguns meses — Harry disse confiante, vendo-a muito impressionada, fazendo alguns comentários os quais ele conseguiu responder com naturalidade.
Cedrico apertou levemente a mão da namorada, preocupado de a francesa começar a perguntar coisas que ele não saberia responder, olhando de canto para Sirius, que também não parecia muito tranquilo.
— Nossa, Sirius não tinha dito que você queria ser policial, que bacana! — A morena dizia, vendo-o concordar com um sorriso calmo, e então virou-se para Cedrico e — E vocês?
— Ced está na faculdade de Relações Internacionais — sorriu, olhando de canto para o namorado, que concordou com um aceno —, e já trabalha na área, enquanto isso, eu estou aqui gastando o dinheiro do meu pai até descobrir o que fazer da vida! — Sorriu amarelo, vendo-a gargalhar.
— Na sua idade eu tinha o mesmo problema, — contou — resolvi então aproveitar e viajar um pouco, foi assim que eu acabei na Inglaterra!
— Ah, tá vendo, pai? Pelo menos eu não estou longe de casa! — Virou-se, vendo-o menear a cabeça.
— Talvez não fosse tão ruim se estivesse…
— O que? — e Cedrico falaram ao mesmo tempo, fazendo-o arquear a sobrancelha apontando para Diggory.
— Justamente por isso!
Harry e Gina deram risadinhas, sorrindo largamente ao ver o constrangimento do casal.
— Não se preocupe — a morena piscou para os dois —, Sirius volta e meia fala muito bem de você pra mim!
— Ah, é mesmo? — Diggory sorriu, olhando dela para o mais velho, o qual estava vermelho e negava com a cabeça.
— É claro que não, eu só disse que talvez poderia encontrar opções piores…
— Não sei não, pai, se bem me lembro uma vez o Remo disse que você elogiava bastante o Ced… — relembrou, segurando a risada. Sirius levantou-se afoito.
— Acho melhor irmos jantar antes que eu seja obrigado a expulsar o Diggory daqui para provar meu ponto!
O grupo gargalhou antes de segui-lo para a cozinha, vendo-o retirar a travessa de carne e batatas do fogão e, discretamente, acenar com a varinha, para garantir que tudo estivesse quente para comerem.
Começaram a comer, elogiando Sirius para que Genevieve achasse que havia sido ele quem cozinhou toda a refeição, e, após alguns minutos, a francesa voltou a perguntar sobre os adolescentes. Harry continuava não tendo problema para responder, afinal tinha convivido com Trouxas por anos. também sabia algumas coisas, embora se enrolasse com uma pergunta ou outra e, Cedrico e Gina, volta e meia olhavam nervosos sem saber o que dizer ou sem entender o que era dito.
— Mas e você? — perguntou assim que o pai terminou de dizer que Cedrico estava pegando o metrô para chegar até a casa, já que, por enquanto, não tinha carro. — Sua família toda mora aqui?
— Ah, não, não, ficaram na França, nos vemos algumas vezes por ano… Mas também tenho uma irmã em Amsterdã — sorriu, simpática, tomando um gole de seu vinho.
— E onde você morava na França? — Gina perguntou curiosa, antes de levar uma garfada à boca.
— Marselha, muito bonita! Recomendo como passeio se vocês, algum dia, resolverem ir para a França!
Nos minutos seguintes, a mulher contou sobre como era sua vida no país e como foi a mudança para a Inglaterra, há quase 20 anos. Contou também que tinha sua própria empresa e trabalhava com eventos, sendo principalmente festas de casamento o seu forte, explicando um pouco como funcionava, notando os quatro muito curiosos e impressionados com tudo, o que a fez sorrir, principalmente com Gina e , que perguntavam de tudo.
Ao final da noite, após a sobremesa, embora Sirius tivesse convidado para que a morena passasse a noite ali, pois a viagem para Londres era demorada, Genevieve negou com um aceno, até mesmo oferecendo carona para Cedrico e Gina, os quais disseram que passariam a noite na casa. Assim que a mulher foi embora de carro, Sirius virou-se com as mãos nos bolsos da calça, olhando para os mais novos, em especial para a filha e o afilhado.
— E então? O que acharam dela?
— Ela vai surtar quando descobrir que mentimos a noite toda! — Harry apontou, encarando-o por alguns segundos.
— Vai mesmo, mas eu gostei dela, pai. — sorriu — Parece que o bom gosto vem de família mesmo!
Black rolou os olhos, fingindo não ter escutado a última parte, embora estivesse feliz por saber que os dois haviam gostado da mulher e, sabia, Genevieve também tinha simpatizado com todos. Virou-se então para Weasley e Diggory quando os dois também começaram a elogiar a mulher, concordando com um aceno e agradecendo pelos quatro terem-no ajudado com tudo.
— Muito bem, agora vocês dois já podem se despedir e voltar para suas casas! — Sorriu cínico, antes de subir as escadas para seu quarto.
— Engraçado, Genevieve vem aqui uma vez e já recebeu convite para ficar… — Harry comentou em voz alta, mas Sirius nem mesmo se deu ao trabalho de rebater.
— Não dou um mês para ela já estar morando aqui — Gina adicionou rindo, Harry e se entreolharam, dando de ombros.
— Se isso acontecer ele não tem mais como dizer que vocês não podem ficar — Potter sorriu confiante.
— Por favor, — Cedrico negou com um aceno — até parece que ele vai deixar…
— Ah, você ele não vai mesmo — Potter ironizou.
— É melhor vocês irem mesmo — disse rápido, interrompendo o que o moreno diria a seguir —, antes que eu seja obrigada a bater no Raio na frente de vocês!
Despediram-se rindo e com um abraço mais forte em Gina, que voltaria para Hogwarts no domingo e não tinha certeza se conseguiria ver a amiga antes do embarque, pouco depois dos loiro e da ruiva aparatarem para suas casas, subiram para seus quartos, empurrando-se na escada como de costume;
— Vai lá que eu vou fingir que não sei que seu namorado vai subir as escadas — sorriu debochado, vendo-a dar de dedo em sua direção.
— Primeiro assuma sua namorada, Potter, depois você vem de piadinha pra cima de mim!

Com o passar das semanas as coisas voltaram ao normal com Sirius, principalmente porque estava realmente focada nos treinos de Quadribol, pois o teste seria realizado no último final de semana de janeiro. Cedrico também passou quatro dias na Bélgica, devido ao trabalho e, quando retornou, ajudou com o treino, assim como Harry.
No dia 30, saiu cedo de casa, despedindo-se de qualquer jeito, antes de pegar sua vassoura e aparatar em Londres.
Havia passado a última semana estressada e nervosa com os testes, sentindo-se nervosa com todas as possibilidades. Se fosse selecionada, jogaria profissionalmente com as Harpias, se não fosse boa o suficiente, teria perdido meses treinando para nada, além de ter perdido seu último ano em Hogwarts, teria que achar outra forma de prestar seus NIEM’S e assim conseguir um bom emprego, em quê ela não fazia ideia.
Respirou fundo, andando para a área de inscrição e, só então, se dando conta do número absurdo de bruxos e bruxas que estavam ao redor, todos tentando por uma chance de jogarem Quadribol. Naquele momento sentiu-se idiota por ter achado que seria tão fácil, por pensar que se quer teria chances; era fácil se destacar em Hogwarts, ainda mais jogando em um time bom como era o da Grifinória. Agora ali, no meio de tanta gente que não conhecia, que nunca havia visto jogar, como conseguiria mostrar que era melhor que qualquer um deles?
Com o passar das horas sentia-se cada vez mais nervosa, já estava considerando dar as costas e voltar para casa, talvez chorar pelos próximos dias e passar semanas tentando descobrir o que mais poderia fazer com sua vida.
É claro que teria uma concorrência enorme, todo bruxo ou bruxa que gostava de voar já havia pensado em ser jogador de Quadribol, além de ser o melhor esporte do mundo, ainda pagava muito bem. Era muito melhor do que passar a vida em um escritório para ganhar alguns galeões por mês; Bruxos do Ministério, geralmente, trabalhavam o ano todo para ganhar o que um jogador profissional ganhava em um mês, e, em alguns casos, o salário era ainda maior que a média nacional, quem não iria querer aquele emprego?
Tentava se acalmar enquanto esperava por sua vez; com o número alto de jogadores para os testes foram divididos em vários times, os quais jogavam um contra o outro por uma hora, ou menos, caso o apanhador conseguisse pegar o Pomo-de-Ouro antes dos 60 minutos terminarem. Aquilo já tinha acontecido por duas vezes e, embora fosse bom para o apanhador, imaginou que era desastroso para o restante do time: em 20 minutos você não conseguiria chamar a atenção de nenhum olheiro.
Durante aquele dia, olheiros, treinadores e diretores de todos os times da liga nacional estavam presentes, procurando um ou mais jogadores para preencherem seu elenco. Black, é claro, estava focada nas Harpias de Holyhead, mas, embora soubesse que seria difícil, não imaginou que poderia ser tanto. As Harpias seriam apenas o décimo segundo time a poder escolher um jogador, pois os organizadores davam preferência para os clubes que tiverem um pior desempenho na última temporada, afinal, eram eles que precisavam dos melhores jogadores.
O primeiro time a escolher seria o Chudley Cannons, que haviam terminado em último da temporada anterior e, na atual, não estavam lá aquelas coisas: só conseguiram ganhar um jogo, e apenas porque o apanhador do Caerphillly levou um balaço na cabeça e desmaiou. As Harpias haviam terminado em segundo, perdendo a final para o Ballycastle.
tinha apenas uma chance de tentar uma boa partida e, com muita sorte, chamar atenção das Harpias, time que só precisava de uma jogadora para o time principal, mas Black não se importava de ficar nas bases inferiores até que achassem que ela estava pronta para entrar para o time, desde que a chamassem, estava disposta até mesmo a carregar as vassouras do time.
Quando a partida que antecedeu a sua acabou, sentiu que poderia vomitar a qualquer segundo, tamanho seu nervosismo. Olhou para os “companheiros”, todos mais velhos e mais experientes, a maioria já estando na sua segunda ou terceira tentativa. Justin, um batedor grandalhão, já estava na sua quarta tentativa e, por isso, havia sido escolhido o capitão do time, mas Justin não estava interessado nas outras posições, embora soubesse que, se ganhassem, aquilo poderia lhe render pontos extras.
— Boa sorte e façam um bom jogo, será bom para todos nós. — Foi tudo o que ele disse antes de serem chamados para o meio do gramado, naquele segundo a loira sentiu falta de Wood com seus discursos intermináveis, os quais tentavam motivar o time de todas as maneiras possíveis, mesmo que, às vezes, fossem tão enrolados que parte do time ficasse sonolenta.
Respirou fundo várias vezes, sentindo a mão tremer e o estômago rodar, subiu em sua vassoura quando ouviu o primeiro apito, ganhando certa altitude instantes depois, junto do restante. Fechou os olhos, puxando todo o ar que conseguiu, soltando-o de um só vez quando escutou o segundo apito:
Segundos depois a goles foi lançada e esqueceu-se de todo o resto.




Continua...



Nota da autora: OLHA QUEM VOLTEI!
E eu queria agradecer porque NESSE COMEÇO DE 2021, B&D III FOI FANFIC DO MÊS AQUI NO FFOBS!!!! Coração ficou quentinho demais, porque, em todos esses anos de B&D (7 anos amigas, SETE), nunca tinha ganhado destaque, E AGORA JÁ GANHOU NO COMEÇO DO ANO!!! Sucesso DEMAIS! Obrigada por acompanharem esse casal, espero que continuem gostando e QUE 2021 TRAGA MUITA ATT!
Beijão

PS: Abaixo, além das fics relacionadas ao universo de B&D e UNH, temos shorts novas que, na maioria, escrevi junto de mais duas amigas, Izadora e Adriana!
São universos alternativos: KISSES com referências de Black & Diggory, mas com acontecimentos diferentes, e SOMETIMES que é em um universo no qual a pp é gêmea do Harry e os Potter estão vivos! Sim, o par continua sendo o Cedrico rsrs
Espero que vocês também gostem dessas!
PS2: Para acompanhar o facebook e instagram com algumas novidades e, possivelmente, spoilers dessa e de outras fics, os links também estão aqui embaixo!




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