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Última atualização: 08/04/2021

Capítulo 1

Minha história com Harry Styles começou antes mesmo de descobrirmos que sequer tínhamos uma.

Não se tratou de um momento, uma ação, ou uma frase; não foi de uma hora para outra. Na verdade, foi uma coleção de momentos — bons e ruins —, centenas de ações — de todos ao nosso redor —, um conjunto de frases — ditas e não ditas — e anos. Longos e tortuosos anos. Gosto de pensar que não fluiu de escolhas e, sim, de coincidências, várias delas. Tantas que fariam qualquer pessoa cética passar a acreditar em destino.

Portanto, levando em consideração que todos os acontecimentos, por mínimos que pareceram ser naquela época, têm sua parcela de culpa sobre o que eu e Harry nos tornamos hoje, resolvi partir do princípio.

Logo, minha história com Harry Styles realmente começa no dia 23 de Julho de 2010.

Era um dia bonito; o sol brilhava no céu ao mesmo tempo que uma brisa fresca fazia cócegas nas folhas das árvores. Uma tarde digna do início de um romance clichê, eu diria. Mas quem me dera eu e Harry nos encaixássemos nessa definição. Se me perguntassem, eu certamente responderia que nós estamos mais para um drama pra lá de excêntrico, muito embora a primeira vez que nossos caminhos se cruzaram possuísse um grande potencial para se tornar, sim, um conto de fadas adolescente.

Seria o início de uma nova temporada do programa de televisão, The X-Factor, e eu estava em uma cadeira ali pela terceira fileira, junto com minha mãe e mais duas amigas, para assistir ao vivo a gravação das audições. Não era segredo nenhum que dona Amanda amava esses shows de talentos, pois lembrava ela da época que sonhava ser cantora e, já que não conseguiu realizar esse desejo, torcia para que os outros conseguissem. Era bonito de sua parte, eu reconhecia, só não entendia a necessidade de me arrastar junto para essa besteira. Não tinha interesse algum nesse tipo de conteúdo, achava um desperdício do meu tempo estar ali, mas minhas amigas, e Valerie, em contrapartida, estavam mais do que empolgadas com tudo aquilo e acabaram se juntando com a minha mãe para me convencer de ir.

Para ser franca, aquela não era minha primeira vez no programa. Já estive lá com minha mãe duas vezes quando era criança, mas, assim que ela percebeu que não era exatamente meu passatempo favorito, ia apenas com meu pai ou com suas amigas.

De alguma forma, minha mãe conseguiu comprar ingressos de última hora para nós quatro e bem de frente ao palco, o que melhorou minha visão para todos os apresentadores e participantes. Pode ter sido Deus, talvez destino ou qualquer outro poder maior que você acredite, mas eu tinha que estar presente ali, naqueles acentos e naquele ângulo em relação ao palco. Isso sim, foi o momento perfeito para meus olhares e sorrisos cruzarem com o de Harry.

Passei a maior parte do tempo olhando para meu celular, trocando mensagens com um colega da aula de matemática, e, toda vez que algum participante se apresentava no palco, apenas fazia expressões faciais para minha mãe e minhas amigas entenderem que eu estava prestando atenção.

Algumas caretas daqui, assentimentos e negações dali e finalmente Harry entrou. Não precisei olhá-lo, porque o que me chamou a atenção foi a música que cantou. Minha expressão para ele foi bem diferente das que fiz para todos os que tinham se apresentado até aquele momento — minha mãe e minhas amigas perceberam — mas eu não comentei nada sobre. Não sabia como definir o que senti ao vê-lo, mas posso dizer que não foi algo deste mundo. De alguma forma, eu senti algo que nunca havia sentido antes: um arrepio percorreu meu corpo, eu soltei um suspiro quando ouvi Isn’t She Lovely, e terminei com um grande sorriso no final da apresentação.

Desde então, nunca parei de pensar em Harry. Claro, como uma fã. Eu, Valerie e tínhamos virado as maiores fãs de One direction da história após aquela noite.

E essa foi a primeira vez que vi Harry Styles.

[...]

Um ano e meio após meu destino e de Harry finalmente terem se cruzado - o meu mais que o dele -, o vi pela segunda vez em um dia normal. Era 12 de maio de 2011, havia acabado de me despedir de e Valerie pois havíamos chegado na esquina que nós separaríamos após a aula acabar, embora morássemos relativamente perto, existia um exato ponto em que cada uma iria para um lado. Eu me lembro exatamente de como o céu estava aquele dia: nublado, garoando e sem nenhum raio de sol para melhorar meu humor, que costuma estar um pouco nervoso após uma aula de química.

Assim, caminhei até minha casa e o carro dos meus pais não estava parado em frente. Pensei que poderia ter acontecido alguma coisa de errado, porque nós três sempre almoçávamos juntos. Era nosso combinado, pois nunca conseguíamos jantar juntos por conta do meu treino de natação. Ao entrar em casa, não senti cheiro de comida e não ouvi barulho algum, o que me levou a pegar meu celular para escrever para minha mãe. No entanto, quando estava para digitar a mensagem, um pequeno papel em cima da mesa da cozinha acaba me chamando a atenção. Não demorei a pegá-lo, logo percebendo que se tratava de um bilhete dos meus pais. O bilhete dizia que eu precisava ir ao mercado e que poderia almoçar no restaurante ao lado.

Então, troquei meus tênis por chinelos mais confortáveis, peguei minha carteira e fui caminhando até o restaurante, ambos ficavam a apenas três quadras da minha casa, portanto, não demoraria para chegar.

Como eu já disse, algumas coisas precisavam acontecer para nossos destinos se cruzarem mais uma vez e foi neste dia que eu consegui uma foto com Harry Styles e Zayn Malik. Chegando a entrada do mercado, observei um grupinho de quinze meninas ou mais, gritando e com celulares em mãos. Consegui ver Zayn, entre duas meninas e eu corri até o aglomerado, na intenção de também conseguir uma foto com eles. A esse ponto, todas as adolescentes da Inglaterra já os conheciam e todas ouviam Up All Night durante dia e noite, compravam revistas e colavam pôsteres nas paredes de seus quartos.

Esperei o segurança que estava com eles organizar as meninas em uma fila única e tentei ficar por último, mas o segurança tinha me dito que os meninos precisavam ir embora e que não tinham tempo para tirar com todas as meninas, mas fiquei por perto até chegarem na última menina da fila, e foi assim que eu agradeci a Deus por ter me proporcionado uma personalidade sem vergonha alguma. Cheguei perto do segurança e falei:

— Por favor, estou sozinha! Serei a última — implorei ao segurança, o que custava ele me deixar tirar uma foto?

— Me desculpe senhorita, mas...

Antes que o homem terminasse de falar, Zayn o interrompeu:

— Está tudo bem, ela será a última e podemos ir. — Zayn, se eu pudesse ter dado um beijo naquele exato momento, eu daria!

Nessa segundo, meu coração palpitou e abri um sorriso em meu rosto. Acredito que até meus ancestrais ficaram felizes, pois um raio de luz chegou bem onde estávamos parados, deixando a foto mais perfeita do que poderia estar. Fiquei entre Harry e Zayn, sorrindo de orelha a orelha e o segurança tirou nossa foto. Dei um sorriso aos dois quando acabamos, eles acenaram com as mãos, falando obrigada e foram embora.

Harry havia encostado suas mãos em minha cintura e assim que senti, um calafrio correu por todo o meu corpo, me fazendo corar. Se não fosse o mísero raio de sol, teria parecido uma lagosta de tão vermelha.

E essa foi minha primeira foto com Harry, a primeira vez que nos tocamos e a primeira vez que trocamos sorrisos. Após meu coração se normalizar, entrei no mercado para fazer as tarefas que me pediram e, após longos quinze minutos na fila do caixa, fui embora.

Quando cheguei em casa, meus pais já tinham voltado, então mostrei-os a foto, com sorrisos no rosto e olhos brilhando. Pensei sobre a mesma durante a tarde toda, a noite toda e também no dia seguinte, e no outro...

[...]

Alguns meses já haviam se passado e a One Direction já estava conhecida por todo o mundo. Todas as garotas entre 12 e 18 anos já tinham ouvido falar sobre Harry, Zayn, Liam, Louis e Niall; algumas mais do que outras e algumas com mais sorte que as outras.

A banda já havia lançado seu primeiro clipe “What Makes You Beautiful” e, agora, “One Thing” estava por vir. Logo, a produção decidiu preparar uma surpresa para todas as fãs de Londres, proporcionando-nos a chance de participar do clipe. Na verdade, as cenas seriam gravadas na rua, então muitas pessoas apareceriam de alguma forma, mas tal promoção permitia ver os garotos ainda mais de perto e ainda ganhar uma foto com eles.

Dez meninas teriam essa sorte.

Bom, eu, Valarie e tentamos de muitas formas diferentes pensar sobre o que falaríamos, afinal, tínhamos que fazer um vídeo inventando uma dancinha para a música e ainda explicar o porquê merecíamos ganhar essa promoção. Nossas tentativas foram falhas, no final das contas, e para ser franca, acredito que nem chegamos perto de passar na seleção, pois enviamos o vídeo errado e não havia uma forma de apagar. Nós três ficamos muito desapontadas com essa situação, porque se vissem o primeiro vídeo, provavelmente, ignorariam o próximo a ser mandado.

Porém essa história não acaba assim.

Eu, como uma grande aventureira, passei uma noite com as meninas imaginando diferentes formas de participarmos do clipe, mesmo que fosse apenas em uma pequena parte. Naquele sábado, tive que cancelar meu treino de natação e, praticamente, implorei para minha mãe concordar com nosso plano. Ela me fez prometer que eu iria acompanhá-la na próxima edição do The X Factor.

O dia estava normal em Londres, pouco ensolarado, alguns graus acima de zero e ventava um pouco. Confesso que passei a noite sem dormir, então não estava com meu melhor rosto para aparecer em um clipe, mas não poderia perder essa chance. As garotas dormiram em casa e tivemos que acordar super cedo para chegarmos no local.

Passei o caminho todo olhando pela janela, pensando nas situações que poderiam ocorrer, porém, nunca imaginaria que meu dia terminaria desmaiando na frente de Harry Styles.

Chegando no local, minha mãe nos perguntou mil vezes se tínhamos certeza de que queríamos fazer aquilo, pois estava extremamente lotado e eu tinha alguns problemas com lugares cheios, misturado com ansiedade. Parece até que ela previu o que aconteceria. Não havia lugar para estacionar, quase nem para ficar em pé, mas de alguma forma, fomos parar bem próximas do camarim principal e gritou bem alto que eles estavam exatamente ao nosso lado.

Era nossa chance de conseguirmos uma foto.

Havia milhões de seguranças no local, além de fitas amarelas para indicar que as passagens eram proibidas, mas precisávamos passar por isso, caso contrário minha história com Harry não existiria. Esse momento foi o momento crucial para nossos destinos finalmente baterem de frente um com o outro.

Conversamos e ouvimos minha mãe por alguns minutos, até decidirmos que iríamos tentar passar e pedir ao menos uma foto. Dito e feito, passamos por trás de algumas árvores e chegamos em um pedacinho onde não havia ninguém olhando, tendo visão dos meninos conversando e mexendo em seus celulares. Seria o momento perfeito.

Logo, eu, Valerie e demos as mãos e corremos em direção a eles, decididas.

O primeiro a nos notar foi Liam, que franziu o cenho e perguntou:

— Quem são vocês?

— Somos da promoção, só queremos uma foto – mentiu na cara dura, sem nenhuma vergonha ou nervosismo, mesmo que fosse óbvio que não éramos da promoção, pois não estávamos muito arrumadas e não tínhamos nenhum crachá.

— As fotos da promoção já foram! — interviu um segurança, que havia aparecido de trás de uma placa. — Tirem elas daqui.

Antes que pudéssemos falar alguma coisa, eu já estava paralisada e não conseguia retirar minha expressão de surpresa do rosto. A única coisa que consegui ouvir foi a voz suave de Harry, dizendo:

— Fecha a boca, senão entra mosquito. — E, em coro, muitas gargalhadas femininas.

Assim que Harry terminou sua fala, levantou de onde estava sentado e parou em minha frente, acredito que talvez fosse tirar uma foto conosco, o que fez meu coração quase voar pela boca. De repente, meu estômago ardeu como nunca e pude sentir meu corpo inteiro ficando fraco.

Foi assim que desmaiei na frente de Harry Styles.

Apenas lembro de alguém me segurando, gritos de “Tia Amanda...” e de acordar poucas horas depois no hospital mais próximo dali.

Ninguém realmente soube me contar o que aconteceu naquele dia, pois todos ficaram nervosos demais para pensar em alguma coisa. Porém posso afirmar que essa foto não aconteceu, mas que aquele momento ficaria marcado para sempre, não só em mim, como em Harry também.


Capítulo 2

O vento morno fazia cócegas em minhas orelhas, ao mesmo tempo que soprava meus cabelos para trás em uma bagunça de fios. Naquela tarde, logo depois do término da escola, peguei minha bicicleta e iniciei minha missão de espalhar por aí alguns panfletos sobre os filhotinhos da minha gata que precisavam de adoção. Portanto, fazia quase duas horas que rodava meu bairro, pedalando para cima e para baixo, parando apenas para pregar as folhas pelo caminho.

Andei, andei e andei mais um pouco até chegar em casa. Sentia-me cansada, porém, feliz de já ter conseguido doar quatro gatinhos, estes ainda antes de entregar os panfletos. Agora, faltavam apenas dois, pois decidimos ficar com um dos filhotes.

Assim que abri a porta de casa, senti um cheiro maravilhoso de alho e cebola fritando e imaginei que minha mãe estivesse fazendo a janta, o que me levou direto para a cozinha.

— Oi mãe, o que está fazendo? — Abracei-a pelas costas. — Esse cheiro pode matar qualquer pessoa que passar aqui em frente — falei, rindo, e ela abriu um sorriso.

— Panquecas com carne moída, o que combinamos no almoço. — Ela sorriu e acariciou meus cabelos.

— Ah, é verdade! Vai demorar muito para ficar pronto? Estou morrendo de fome — disse, colocando as duas mãos em meu estômago, e a observei negar com a cabeça.

— Daqui alguns minutos — respondeu, colocando a carne moída no fogão. — Alguma sorte com os panfletos?

— Ainda não — suspirei —, mas espero que consigamos logo. É difícil demais cuidar de três gatinhos filhotes.

Nós rimos juntas.

Sentei-me no balcão da cozinha e fiquei alguns minutos observando-a. Eu amo passar o tempo ao lado de minha mãe, ela é meu conforto diário e sinto que recarrego minhas energias só de me aproximar dela.

Meu pai ainda não havia chegado do trabalho, ele normalmente se enrolava com as papeladas e se atrasava, quase sempre chegava quando terminávamos de colocar a mesa, exatamente o que eu estava prestes a fazer. No entanto, ao me levantar, senti meu celular vibrando em meu bolso.

Eu nunca recebo chamadas, pois todos meus amigos sabem que conversar por ligação não é exatamente meu passatempo preferido, a não ser que seja necessário. Peguei meu celular e vi que era um número diferente, levando-me a pensar que seria alguém querendo adotar os gatinhos. Ou não, ou pode ser que tenha sido uma péssima ideia colocar meu celular por quatro bairros diferentes e agora alguém pode querer me sequestrar...

— Alô? — atendi ao colocar o celular no ouvido, enquanto pegava três pratos para pôr a mesa.

Oi, ? — disse uma voz feminina que não reconheci.

— Sim, sou eu. Com quem eu falo?

Meu nome é Rosa, tudo bem com você? — ela perguntou, simpática.

— Tudo sim, obrigada por perguntar. E você? — respondi e olhei para minha mãe, que me observava com uma expressão de “quem é? ”.

Tudo também. Eu gostaria de saber sobre os gatinhos, queria adotar dois, se ainda estiverem disponíveis — a mulher disse, fazendo-me sorrir de orelha a orelha.

— Estão sim! Posso levá-los até você quando quiser — prontifiquei-me, entusiasmada. Minha mãe fez um “yay” ao fundo.

Que ótimo! — ela exclamou e eu pude ouvir vários gritos de felicidade ao fundo. — Será que consegue trazer hoje ainda, mais tarde? O endereço é Vertmont st, 2345.

— Claro, daqui uma hora levo até vocês. Obrigada.

Eu e minha mãe suspiramos, aliviadas. Agora eu finalmente poderia ter uma noite de sono tranquila e em paz. Também me senti bem por ter encontrado um lar para os gatinhos, todas as vozes que consegui ouvir pareceram animadas quando eu falei que eles poderiam adotá-los. Além do mais, fiquei um pouco espantada, Vertmont fica em um bairro muito rico daqui, é até estranho pensar em levar gatinhos para lá.

Terminei de arrumar a mesa e, como eu disse, poucos segundos depois, meu pai apareceu na cozinha com sua maletinha e seu sorriso contagiante. Ele me abraçou, depois beijou minha mãe e falou que o cheiro estava maravilhoso.

Durante a janta, conversamos sobre nossos dias e nossos planos sobre o final de semana. Antes não costumávamos jantar juntos, por conta do meu treino, mas agora eu almoço na escola e jantamos em família todos os dias. Era meu momento preferido: ouvir meu pai contar sobre seu dia na empresa e minha mãe falar sobre seus alunos na faculdade. Meu pai tinha uma fábrica de meias e minha mãe era professora de história da América na faculdade e era incrível ouvir minhas duas inspirações contando sobre suas experiências diárias.

Após um jantar maravilhoso, eu e meu pai lavamos a louça e eu fui tomar um banho rápido para poder sair. Contei a ele que precisava levar os gatinhos e depois perguntei se poderia me levar até a casa de , pois tínhamos combinado de assistirmos filmes juntas.

Tomei meu banho quente, troquei-me, sequei meu cabelo e arrumei minha mochila, pois provavelmente passaria a noite na casa de .

Por algum motivo, estava ansiosa para entregar os gatinhos. Talvez tenha me apegado demais a eles. Peguei uma caixinha e os coloquei dentro, meu pai já estava me esperando para levarmos eles.

Passei o caminho todo batendo o pé no chão e roendo minhas unhas, meu estado ansioso era deplorável, não conseguia parar quieta um minuto sequer. Meu pai até brincou perguntando se eu queria um chá de camomila.

Chegando no local, olhei espantada para o meu pai, pois a casa era enorme. Era uma mansão e ficava em um bairro bem afastado. Nunca havia entrado em uma casa tão grande e, por algum motivo, ela me parecia muito familiar.

Meu pai e eu descemos do carro, totalmente maravilhados com o que víamos e, assim que fui tocar a campainha, a porta foi aberta por uma mulher baixinha, de no máximo 60 anos, com um sorriso enorme no rosto.

— Você deve ser a ! — exclamou. — Entre, por favor.

— Oi! — Sorri. — Este é o meu pai, Thomas. Com licença. — Apontei para ele, ao mesmo tempo que dava um passo adentro.

Andamos por um corredor que havia muitas guitarras e quadros pendurados. Também haviam prêmios e discos de ouro espalhados pelas prateleiras. Ficamos maravilhados com cada detalhe, até chegarmos na sala principal, onde havia meias, papeis, camisas e palhetas espalhadas por todos os cantos.

— Por favor, não reparem na bagunça, eles chegaram de viagem ontem e... — Rosa falava, mas foi interrompida por uma voz familiar.

Eu engasguei, quase soltando a caixa com os gatinhos no chão, enquanto sentia meu corpo todo se arrepiar ao ver Louis Tomlinson descendo as escadas.

— ESSES SÃO MEUS GATOS? — ele gritou, olhando para mim, e eu não conseguia responder. — Rosa, ela fala ou é muda?

— Está tudo bem, ? — Meu pai me olhou apreensivo e eu assenti. Acho que ele não reconheceu.

— Louis, comporte-se, eu não contei a ela que você e os meninos iriam adotar os gatos. — Ela o olhou, franzindo o cenho.

— Ah... — eu, finalmente, disse e meu pai gargalhou, compreendendo melhor a situação.

Olhei para frente e Harry Styles estava descendo as escadas sem camisa e sorrindo, falando com Liam que vinha logo atrás dele.

— Posso pegá-los? – Louis veio até mim. — Eles estão vacinados?

Assenti e entreguei a caixinha para Louis.

— Você é muda? — ele sussurrou e eu neguei.

Liam olhou para Harry e Niall logo desceu as escadas dando risada. Parecia que eu estava sonhando. Parecia não, eu com certeza estava. Meu pai até me deu um leve tapinha no ombro, eu precisava falar alguma coisa.

— Cara, é a menina que desmaiou na frente do Harry! — Niall exclamou, apontando diretamente para mim.

— Se eu não lembro, não aconteceu! — Sorri. — Mas sim, olá. Niall, como você se lembra disso? — perguntei, envergonhada.

— Harry ficou todo preocupado aquele dia! Você foi a primeira fã que desmaiou na frente da gente — ele respondeu, animado. — Quais as chances, né?

— É verdade, ele quase correu atrás de suas amigas. — Zayn entrou na sala. Parei por alguns segundos e coloquei a mão na cabeça, precisava ter certeza de que não estava sonhando ou delirando.

Harry estava olhando para os dois com apreensão e eu não conseguia assimilar o que estava acontecendo. Qualquer pessoa iria querer estar em meu lugar. Qualquer uma mesmo.

— Quer um chá? — Ouvi Rosa perguntar, indo em direção a cozinha.

— Não, não quero incomodar, obrigada. Acho que precisamos ir, né pai? — Sorri de lado.

— Posso bater uma foto com vocês? — Thomas pediu e eu senti meu corpo todo ficar vermelho.

— Pai... — disse, nervosa.

— Vocês podem ficar mais um pouco se quiserem. Não estão atrapalhando. — Aquela voz rouca passou por meus ouvidos como se fosse uma melodia, olhei para baixo e mordi o lábio. Qualquer um poderia notar meu desconforto e nervosismo naquela hora.

— Então Harry é seu favorito? Eu não te culpo, ele é meu favorito também, né Harold? — Louis gargalhou e deu um soquinho no braço de Harry.

— Chega! Estão deixando ela com vergonha, olhem a cor que ela está — ele se pronunciou. Fingi pegar meu telefone e começar uma conversa falsa com minha mãe, mas não deu muito certo. Meu pai só gargalhava. Louis tirou o celular da minha mão e falou para todos os meninos que eu estava tentando "fugir do momento privilegiado com os meninos mais lindos do mundo" e eu acabei me rendendo.

— Não ligue para Louis, ele não vai crescer nunca. — Rosa chegou com uma bandeja cheia de xícaras e me entregou uma logo em seguida.

— Rosa, você é uma guerreira por aguentar esses meninos — falei e todos olharam indignados para mim. — O que? Olhem a bagunça dessa sala!

Rosa deu risada e concordou.

— Pode ir embora, você não merece nossa companhia! — Louis disse, fingindo chorar.

— Louis, sempre tão dramático — Niall zombou. — Ela tem razão, nós somos uns terrores. Mas ela ainda não viu nada. — Então ele joga em mim uma camisa que estava em cima do sofá.

— Nossa, que cheiro é esse? Que perfume delicioso — eu disse, tirando a camisa que tinha caído sobre a minha cabeça.

— Droga, eu podia jurar que não estava com um cheiro agradável — Niall falou, rindo. – É do Harry, é o perfume dele.

Outro momento para voltar as bochechas vermelhas.

— Muito bom esse perfume, Harry — elogiei, entregando-lhe a camisa.

— Obrigado. — Ele sorriu, passando a mão na cabeça e pegando a peça de roupa.

— Foi muito, muito, muito bom mesmo conhecer vocês, meninos — eu sou sincera —, mas temos que ir agora. Posso tirar uma foto antes?

Eles assentem no mesmo segundo. Louis pega um gatinho e Niall pega o outro para a foto, enquanto eu entrego meu celular ao meu pai. Posiciono-me entre Harry e Louis, este que estava com um dos gatos praticamente na cara dele. Tiramos a foto e me despedi de todos, pensando que talvez essa seria a última vez que veria Harry Styles, pois minha cota de sorte da vida já havia se esgotado.

Vi Harry pegar o celular e digitar alguma coisa e, logo em seguida, meu celular apitou (leiam gritou) uma notificação. Eu simplesmente fingi que nada aconteceu e logo ouvi de novo. Também ouvi Harry dando risada e ninguém entendendo nada.

Peguei meu aparelho discretamente, vendo que ele tinha tweetado algo como "Max or Rod?", se referindo ao gatinho macho e, logo depois, "Oi, !".

Sorri, abri meu twitter e respondi.

@Jones1: Oi, Harry!

Meu celular apitou novamente.

@Harry_Styles: Como é desmaiar na frente do menino mais lindo do mundo, ?

@Jones1: Não sei, ainda não desmaiei na frente do Zayn!

— Espero que saiba que estou brincando — eu disse e Harry mostrou a língua, rindo.

— Vamos ver... — Ele se dirigiu a Zayn e bagunçou seu cabelo. — Ele parece menos bonito agora?

Olhei para o lado e todos estavam com cara de quem não estavam entendendo nada, fazendo-me rir.

— Cara, que merda é essa? — Zayn parece ficar bravo, o que só aumenta minha risada.

— Vou embora, meninos. Até algum dia. Foi um prazer enorme conhecê-los, de verdade agora. — Eu aceno e eles retribuem o gesto.

Caminhei até a porta da frente com meu pai, que conseguia enxergar o quanto eu estava eufórica. Ele sabia que esse dia seria assunto para hoje, amanhã e quem sabe para todos os próximos dias do resto da minha vida.

Agora, era a hora da reação que eu queria ter tido no momento. Entrei no carro e soltei pequenos gritos, meu pai só sabia rir.

Bom, pelo menos e eu teríamos assunto para o resto da noite...


Capítulo 3

Dito e feito. Eu e tivemos assunto para o resto da noite de sexta-feira. Conversamos sobre One direction, sonhos, casamento, garotos e mensagens de texto. Não conseguia ficar um minuto sequer sem pensar no cheiro do perfume que havia sentido e nas palavras que foram trocadas.

O que eu não esperava era receber um follow de Harry Styles naquela mesma noite.

Por algum motivo do destino – acredite você, ou não –, Harry havia me seguido no twitter, após uma simples reply sobre qual deveria ser o nome do seu gato filhote macho.

No dia seguinte, pensei sobre chamá-lo na DM, mas a vergonha de mandar mensagem para um Rockstar era maior que meu sonho.

No entanto, graças ao destino, não foi necessário. Foi preciso apenas um tweet para que começássemos a conversar de verdade. Minha postagem foi mais do que intencional, e eu implorei aos céus para que ele visse.

@Jones1: Sexta feira a noite foi o melhor dia da minha vida.

Harry_Styles: Ah é? Por qual razão?

Para evitar qualquer problema, Harry me mandou essa mensagem pelo chat privado, assim, não precisaria se explicar para algumas milhões de fãs.

Jones1: Conheci meus cantores favoritos! Niall, Zayn, Louis e Liam, daquela banda One Direction, sabe?

Harry_Styles: Não conheço, o que eles cantam?

Jones1: Pop Rock, eles são muito famosos! Como você não os conhece?

Harry_Styles: Acho que não é muito meu estilo musical. Mas então, são quatro integrantes?

Jones1: Sim, acredita que fui na casa deles sexta feira? Quase arranquei meus cabelos, sou a primeira fã da One direction na face da terra.

Harry_Styles: Ah é?

Jones1: Sim, eu estava lá no dia em que o grupo se formou, virei a primeira fã deles! Hahaha

Harry_Styles: Vou pesquisar mais sobre, quem sabe eu gosto também, né?

Jones1: Já posso surtar agora, Styles?

Harry_Styles: Pode sim, Jones.

[...]

Domingo:

@Harry_Styles: Você dormiu, né? Acho que sim, mas eu também. Fazia tempo que não ficava até tarde conversando.

@Jones1: Ah, você é real? Jurava que tinha sonhado.

@Harry_Styles: , supera.

@Jones1: Como superar o insuperável?

@Harry_Styles: Dramática, estamos conversando há horas já.

@Harry_Styles: Enfim, você dormiu bem?

@Jones1: Sim, nossa! Igual a um urso. Tive vários sonhos loucos, quer que eu conte?

@Harry_Styles: Eu tenho escolha?

@Jones1: Na verdade, não.

[...]

Terça-feira:

@Jones1: Eu odeio matemática.

@Harry_Styles: Estou familiarizado.

@Jones1: É tão cansativa!

@Harry_Styles: Vou começar a contar as vezes que você falar isso.

@Jones1: Desculpa a demora, o twitter é muito ruim para dar notificação, nossa.

@Harry_Styles: Me passa seu número então.

@Jones1: Como vou saber se não estou conversando com um louco que hackeou o twitter de Harry Styles?

@Harry_Styles: Foto.

E, então, Harry me enviou uma foto, segurando um papel escrito: “, manda seu número”.

[...]

Quarta-feira:

J. [08:09]: Mas me fala, por que você acordou tão cedo?

Harry Styles [08:10]: Nós temos uma reunião hoje.

J. [08:10]: Não vão tirar seu celular e te deixar de castigo?

Harry Styles [08:10]: Ainda não começamos, engraçadinha. Estou aqui olhando Niall fazer malabarismo.

J. [08:11]: Sério? Quero ver.

Harry Styles [08:11]: Ok.

Chamada de vídeo de Harry Styles

J. [08:11]: Harry, estou em aula! O professor está vindo

Harry Styles [08:12]: Ops.

Harry Styles [08:15]: Te fiz perder o celular?

J. [12:45]: Não, tive que guardar. Não acredito que me ligou.

Harry Styles [13:14]: Por que?

J. [13:24]: Não é estranho ter Harry Styles ligando em seu celular?

Harry Styles [13:25]: Não acho. Minha mãe adora.

J. [13:25]: Seria apropriado... se eu não estivesse em aula.

Harry Styles [14:03]: Então posso te ligar outra hora?

J. [14:09]: Hmm... Pode?

Harry Styles [14:10]: Legal.

[...]

— Isso vai ser legen... espere por isso... — Barney diz, abrindo os braços para dar ênfase em sua próxima palavra: — Dário! — conclui, animado, fazendo Ted revirar os olhos pela milésima vez desde que aquele conversa se iniciou.

Eu rio da cena que se passa na tela do meu notebook, enquanto levo mais um punhado de salgadinho à boca.

Eram umas sete da noite quando subi para o meu quarto, logo depois do jantar, e decidi assistir How I met your Mother, vulgo a melhor série do mundo. Na verdade, quando subi as escadas na pressa, quase tropeçando no meio delas, estava na expectativa de que tivesse alguma mensagem de Harry à minha espera, mas me decepcionei ao encontrar meu celular apenas com uma notificação da minha operadora. Portanto, achei que seria uma boa matar minha ansiedade assistindo a alguma série.

Até que estava funcionando, em certo ponto, mas volta e meia pegava minha mente vagando para algumas das conversas descontraídas que eu e Harry tivemos no decorrer da semana. Estávamos conversando há exatamente cinco dias, porém, eu ainda desconfiava que a qualquer momento eu iria acordar e perceber que tudo não passava de um sonho.

— Nada de bom acontece depois das duas da manhã — é Ted quem diz.

Desculpe, Ted, mas vou ter que discordar de você nessa. Minhas conversas favoritas com o Harry até agora, para não falar todas, aconteceram na madrugada, quando já estávamos drogados demais de sono para sabermos o que estávamos dizendo. Ontem, descobrimos que os dois só comemos maçã se ela for descascada.

Nem me pergunte como que o tópico da conversa foi parar em maçãs, porque eu não faço ideia.

Graças ao Harry, acabei cochilando em duas aulas essa semana, e isso que hoje ainda é quarta-feira. Entretanto, nem em um milhão de anos eu trocaria nossas mensagens por uma boa noite de sono e aulas de matemática assistidas. Que se dane a probabilidade de dois dados caírem em um número ímpar ao jogados ao mesmo tempo.

A única probabilidade com a qual eu me importo é a de eu ter encontrado Harry Styles quatro vezes na minha vida e ainda estarmos virando amigos. Afinal, quais eram as chances de isso acontecer de verdade e não só nas fanfics que eu lia? Pois bem, essa eu sei responder: uma entre milhares de fãs doidas por uma foto com a One Direction.

É loucura.

Eu já havia desistido de tentar prestar atenção na série quando o toque do meu celular ecoou pelo meu quarto. Em primeiro momento, eu estranho, pois não conseguia pensar em ninguém que pudesse estar me ligando àquela hora, mas assim que eu me inclino em direção à cômoda, tentando ler o nome no identificador de chamadas, minha mente clareia instantaneamente.

Harry.

Meu corpo inteiro congela ao se deparar com aquelas cinco letrinhas brilhando na tela do meu aparelho. Ele havia perguntado mais cedo se poderia me ligar hoje, mas eu realmente não achei que ele estivesse falando sério. E muito menos que seria por chamada de vídeo.

Eu pego o celular na mão, em dúvida se deveria atender ou se deixava tocar até que ele desistisse, mas esse pensamento logo foi descartado pelo meu consciente. Não, com toda a certeza, ignorar uma ligação de Harry Styles não era uma opção. Eu mesma me socaria se ousasse fazer isso.

No entanto, quando direciono a câmera ao meu rosto, prestes a aceitar a chamada, me deparo com a minha imagem deplorável na tela do meu celular. Eu, definitivamente, não poderia aparecer para Harry com o cabelo parecendo uma juba de leão e minha boca suja de farelo de salgadinho.

Em um pulo, levanto-me da cama e corro em direção ao banheiro. A primeira coisa que faço quando alcanço a pia, é agarrar a escova e passá-la em meus cabelos apressadamente, ignorando a dor em meu coro cabeludo ao enroscar as cerdas em alguns nós. Em seguida, ligo a torneira e lavo todo o meu rosto, então secando-o de qualquer jeito na minha blusa, enquanto corro de volta até meu celular.

Estou sem fôlego quando me jogo na cama e dou uma última arrumada no meu cabelo, antes de atender:

— Oi — cumprimentei-o, envergonhada.

O garoto, então, sorri, deixando à mostra suas adoráveis covinhas.

— Oi — diz, parecendo um pouco tímido também. — Por que está ofegante?

Eu rio nervosamente e mordo o interior da minha bochecha, pensando em alguma resposta. A verdade era um tanto constrangedora, eu certamente não a contaria.

— Estava fazendo uma caminhada noturna.

— De pijama? — Harry questiona, na lata. Havia certo divertimento em sua voz.

Eu olho para as minhas roupas, analisando o pijama rosa com pequenos sorvetinhos desenhados por todo o tecido. Ai, que droga.

Nem estou preocupada mais em sustentar minha mentira diante do fato de estar com aquele pijama ridículo na frente de Harry.

— Sim... Mas, então, o que você está fazendo? — mudo de assunto.

Com o pouco que eu conseguia observar do ambiente ao seu redor, constatei que estivesse na cozinha.

— Vou fazer um bolo, aí pensei que talvez você pudesse me ajudar com isso. — Ele direciona a câmera rapidamente para a bancada, onde posso notar alguns ingredientes, mas logo seu rosto ocupa a tela novamente. — Achei que não fosse atender.

— Em que mundo isso seria possível?

— Não sei. Vai que enjoou. — Harry dá de ombros, enquanto sua boca se fecha em uma linha reta.

Em resposta, eu deixo escapar uma risada, como se o que ele tivesse acabado de falar fosse a coisa mais estúpida da face da terra. E era.

— Até parece, Styles. A questão é: Não sei como você tem paciência para falar comigo.

Harry sorri, balançando a cabeça em negação, antes de responder:

— Deixa de besteira, Jones. Gosto das nossas conversas da madrugada.

Tento imediatamente reprimir o sorriso bobo, mordendo o lábio inferior, mas é inútil. Ainda mais quando Harry nem faz questão de esconder o seu.

— Eu também... — é o que consigo responder. — Não achei que realmente fosse me ligar.

— Eu disse que ligaria, não disse? Aliás, vai me contar o real motivo de ter demorado para atender?

Eu acabo rindo novamente, percebendo que ele não iria cair na história da corrida.

— Eu fui correndo até o banheiro pentear o cabelo, ok? Dá para me deixar em paz agora? — confesso de uma vez e sinto minhas bochechas ficando quentes quando ele cai na risada. — Vai se ferrar, Styles. Em minha defesa, estava parecendo um ninho de passarinhos, você não merecia olhar para aquilo.

— Tenho certeza de que você continuava bonita do mesmo jeito.

Eu realmente não estava esperando por aquele elogio repentino, o que me desconcertou instantaneamente. Sentia que estava prestes a virar um grande tomate vermelho.

— Bolo, certo? Vamos fazer o bolo. — desviei a conversa, o que parece o divertir ainda mais.

— Certo, o bolo. Por onde começamos?

Naquela noite, passamos horas e horas conversando sobre assuntos que nunca haviam passado pela minha cabeça. Depois de quebrarmos a timidez dos primeiros minutos conversando por vídeo, os assuntos simplesmente fluíram.

Eu sabia que precisava tirar minha cabeça das nuvens para não correr o risco de uma ilusão amorosa com um Rockstar de primeira linha – isso, com certeza, seria o fim da minha saúde mental, no entanto, eu continuei me enganado pelo resto da semana; e na seguinte também.

[...]

Uma semana depois:

Hoje, já é quinta-feira à noite e estamos conversando sobre os maiores micos da One direction no palco.

Harry Styles [22:07]: O Niall, ele com certeza é o pior de todos.

J. [22:07]: Imagino que seja, por causa dos pulos que dá. Uma vez passei a noite com assistindo aos desastres no palco.

Harry Styles [22:08]: Às vezes esqueço que você é nossa fã. E, às vezes, eu também esqueço que sou Harry Styles. Não é para qualquer um, né? É bom conversar com alguém normalmente. Não costumo ter muitos amigos.

J. [22:09]: Ha-ha, o senhor é bem convencido, né? Baixa a bola, capitão. Você se acha demais.

Harry Styles [22:10]: É só brincadeira, no fundo sou um pobre jovem inseguro...

J. [22:10]: Ah, pronto. Quer que eu marque uma sessão de terapia para você? Conheço ótimas recomendações...

Harry Styles [22:10]: Você está cheia das gracinhas hoje, não, Jones?

J. [22:11]: Você nem imagina, dormi com o palhaço noite passada!

Harry Styles [22:11]: Só se o palhaço for seu livro de física.

J. [22:11]: Falando em física, eu deveria dormir. Amanhã tenho aquela prova e preciso de horas suficientes de sono para, no mínimo, um 6.

Harry Styles [22:12]: Ei, falando em dormir... Os meninos e eu vamos chamar alguns colegas no sábado. Uma mini-festinha.

J. [22:12]: O que dormir tem a ver com sua mini festinha?

J. [22:12]: Uh, quer dizer então que sem conversas da madrugada?

Harry Styles [22:13]: Sim…

J. [22:13]: Poxa, uma pena! Deve ser péssimo para você trocar uma madrugada comigo por garrafas de cerveja, sinto muito!

Harry Styles [22:14]: Bom, posso ter os dois, né?

J. [22:15]: Sim, prometo que não vou marcar nenhum compromisso para trocar mensagens com você.

J. [22:15]: Boa noite, Styles.

Harry Styles [22:16]: Boa noite, Jones.

[...]

— Você consegue acreditar que Harry Styles está te mandando mensagens? Às vezes sinto que estou sonhando por você — disse , enquanto estávamos fazendo duplas na aula de química.

A verdade, é que ela estava com essa mesma frase na cabeça desde que fui à sua casa na sexta-feira. E para ser sincera, eu também estava. Desde aquele dia me sinto diferente, me sinto viva e também um pouco iludida. A cada mensagem, sinto toda minha espinha arrepiar. Era como se estivesse ouvindo suas palavras em meu ouvido.

Hoje, duas semanas depois, os dias parecem mais curtos e as horas parecem passar mais rápido quando falo com ele. Entretanto, nossas conversas não passavam de meras piadas e assunto casuais, longe de romances e flertes. Era como se fôssemos amigos há anos.

Neste momento, observo segurando meu celular, lendo as mensagens que trocamos ontem à noite. Ainda não tivemos a oportunidade de conversar hoje, pois era o dia de folga dos meninos e eu vim mais cedo para a aula, pois tinha um grupo de estudos.

Horas como essas, durante uma aula de química, parecem ser eternas.

— Ele está totalmente afim de você! — falou, empolgada.

Espiro pesadamente ao ouvir a mesma frase pela décima vez.

— Silêncio! — a professora gritou, do outro lado da sala, apontando para onde estávamos.

— Cai na real, . Ele é Harry Styles. — Eu pego meu celular de volta.

— E daí? Vocês estão conversando há duas semanas — sussurrou, evitando que nossa professora ouvisse.

, você viu nossas conversas. Falamos de balões e batatas fritas, isso não é nada romântico.

— Ele te convidou para sair! — ela exclamou e, graças a Deus, o sinal tocou junto. Já estava pronta para tomar outra bronca.

— Ele não me convidou para sair, ele comentou que teria uma festa na casa dele amanhã, apenas isso — repliquei, pegando meus livros e colocando-os na mochila.

, você só pode estar brincando! — me encara, indignada.

, estou procurando manter meus pés no chão. Não quero me iludir com Harry Styles, isso seria a maior decepção amorosa na vida de qualquer garota, é impossível se recuperar de uma ilusão como essa — eu digo, por fim, encerrando o assunto, segundos antes de sairmos da sala.

me falava disso todos os dias e eu – sabendo que é praticamente impossível – estou realmente tentando manter meus pés no chão em relação a isso. Eu não quero ser mais um caso de Harry Styles. E olha, já estou me iludindo...

Caminhamos até a biblioteca da escola para encontrarmos nossa amiga Valerie. Precisávamos que ela nos ensinasse física, pois teríamos uma prova às 15h.

Harry ainda não havia me mandado mensagem e eu já estava ficando preocupada, mas eu disse que não me iludiria, né? Fui o caminho todo até a biblioteca com o celular em mãos, esperando uma resposta para minha mensagem de bom dia, que eu já havia mandado há horas...

, oi! — Valerie disse, colocando as mãos em meu rosto.

— Oi! — respondi com um sorriso, colocando o celular em meu bolso.

— Ela não está iludida não, né, ? — a garota perguntou e riu.

— Claro que não, Vava, eles são só amigos — respondeu, em um tom irônico e eu mostrei a língua a ela.

— Vamos logo, temos a prova da nossa vida em uma hora, — falei, enquanto puxava as duas pelo braço, entrando na biblioteca.

entendeu que realmente precisávamos estudar e decidimos focar na física. Desse modo, Valerie passou a última uma hora tentando nos explicar a equação de peso e também nos dando as respostas para a prova, porque ela já havia feito a mesma prova no segundo horário.

Por mais que estivesse tentando, não conseguia focar meus pensamentos em equações, apenas checava meu celular a cada cinco minutos, copiava algumas respostas nesse meio tempo e Valerie chamava minha atenção quando eu acabava olhando para o nada.

Não, eu não estou apaixonada por Harry Styles, apenas não consigo assimilar a ideia de que talvez sejamos amigos. Isso é algo que realmente faz a serotonina em meu corpo transbordar.

Na verdade, sinto que isso deveria aparecer no currículo de alguém:

- Estudou em escola tal;

- Trabalhou em tal lugar;

- Foi voluntária em tal lugar;

- É amiga de Harry Styles.

É uma situação que agrega, não?

Me sentia feliz em poder conversar com ele como apenas pessoas normais, ver outros lados de Harry e rir de suas piadas ruins. Agora, passava horas pensando em quando receberia outra mensagem.

Tirei minha cabeça das nuvens quando começou a me cutucar:

, temos que ir. São 14h45min.

— Vamos, mas tenho quase certeza de que vou reprovar. Não aprendi nada disso — repliquei, colocando minha mochila nas costas.

Odiava provas, nunca conseguia tirar notas altas. Pelo menos aquele era nosso último dia na escola antes das férias de inverno. Natal e ano novo já estavam próximos e eu mal podia esperar por eles.

— Você tem as respostas, é só colocar no papel — Valerie disse, tentando me acalmar.

Assenti com a cabeça e fomos em direção a sala de aula, onde faríamos a prova. Estava a cinco passos de pisar na sala, quando meu celular vibrou. Consegui apenas visualizar a mensagem, pois quando entramos na sala, o professor pediu para entregarmos nossos celulares. E é claro, que meu coração bateu um pouco mais forte...

Harry Styles [14:51]: Boa tarde, acabei de acordar. Você vem amanhã, né?


Capítulo 4

A noite de sexta-feira arrastou-se até o sábado de manhã, mas é claro que foi bem aproveitada. Após a mensagem sobre a festa, eu e demos alguns gritinhos pela rua, antes de eu, finalmente, responder que tentaria ir, mas que teria que ser convidada também.

Toda sexta — ou quase todas —, e eu tínhamos um combinado de dormir uma na casa da outra. Valerie nunca ia, porque tinha compromisso com a família às sextas de noite, então ela só saía aos sábados, portanto, não poderia ir para a festa. Desta vez, ela teria que ir até o interior visitar sua avó e, embora amasse a companhia da senhorinha, nunca ficou tão triste por não poder sair com a gente. Insistimos muito para sua mãe deixá-la ficar, mas fazia meses que Valerie não via sua avó, então teve que ir.

Eu já havia conversado com minha mãe sobre Harry, pois contava tudo a ela, até os detalhes que não precisavam ser contados. Dona Amanda adorava ouvir o que eu tinha a dizer e sempre estava disposta a ajudar, compreender e rir. Isso significa que não foi preciso muito esforço para contar sobre a festa que e eu tínhamos essa noite, ela apenas reforçou que meu pai nos buscaria se precisasse e que eu podia ligar em caso de alguma emergência.

Às vezes, eu pensava que estava sonhando. Outras vezes, pensava que estava sob efeito de drogas ilícitas. Acho que só irei acreditar no que estou vivendo na noite de hoje, quando conversar pessoalmente com Harry Styles, como amigos. Sinto que estou vivendo uma fantasia.

e eu passamos a madrugada toda pensando sobre a festa e agradecendo minha gata por ter tido filhotes no momento certo. Nós também passamos horas escolhendo o que íamos usar, mas no final não foi tão trabalhoso, pois ela escolheu um vestido para mim e eu escolhi um para ela.

Nosso sábado se desdobrou tão devagar que as vezes me sentia em uma aula de química infinita. Jogamos vídeo game, assistimos a filmes, andamos de bicicleta, fizemos almoço e, mesmo assim, a hora não passava. Até meu pai tinha começado a perceber que eu estava mais nervosa do que para minha prova de ontem.

Ah, eu passei! também.

[...]

Quando a hora finalmente chegou, minha amiga e eu estávamos prontas a uma hora e meia atrás. Avisei Harry que estávamos indo e que em 25 minutos estaríamos lá.

— Você consegue acreditar aonde estamos indo? – olhou-me, enquanto entrávamos no banco de trás do carro. Meus pais estavam no banco da frente.

— Não fala comigo, estou nervosa demais para pensar em qualquer coisa. – Fechei os olhos, cruzando minhas mãos.

— Não seja dramática, filha – minha mãe disse, paciente. – Estou feliz por você estar passando por isso, eu gostaria de ter tido esse privilégio com o Elvis Presley.

— Ok, você tem razão. Preciso acalmar meus nervos, senão vou vomitar antes de beber uma gota de álcool. — Respirei fundo e riu.

— Tia, como você aguenta essa menina? — apontou para mim e eu semicerrei meus olhos. — Olha! Valerie está nos mandando boa sorte e amanhã quer todos os detalhes. – Ela me mostrou seu celular.

, não beba muito, ok? Você não conhece as pessoas que vão e não sabe o que pode acontecer — meu pai disse –, isso vale para você também, .

— Pode deixar, Tio Matt! Vou cuidar da muito bem! – Ela ri.

— Minha querida, quem cuida de alguém sou eu! — protestei e todos riram.

Minha relação com meus pais era incrível. Eles confiavam em mim, me amavam e me davam todo o suporte e apoio no mundo.

Passamos o caminho todo ouvindo One Direction, até finalmente chegarmos em nosso destino final. Minhas borboletas estão sapateando dentro de mim neste exato momento.

— Me liguem caso precisarem, mas não acho que será necessário – meu pai disse quando viu os 15 seguranças em frente à mansão dos meninos. – Se cuidem!

Mandamos beijos e paramos em frete à grande entrada. e eu nos entreolhamos e fomos até a segurança que estava revistando e conferindo as meninas. Demos nossos nomes e recebemos um pequeno carimbo em nossas mãos.

Segurei bem forte na mão de antes de entrarmos. Eu estava tão nervosa que até pensei que fosse desmaiar novamente, mas isso não aconteceu.

Para começar, eu tinha certeza de que “alguns amigos” significava todos os famosos de Londres e região. Sentia que todos os olhares estavam sendo direcionados a nós a todo momento.

Minha sensação ruim foi embora quando avistei Harry Styles vindo em minha direção, acompanhado de Niall e trazendo duas bebidas a mais nas mãos.

— Olha quem chegou, Harry! A maior fã da One direction da história! – Niall disse, cumprimentando nós duas.

— Quem, eu? – perguntei. – Eu nem conheço essa banda aí... – brinquei, abraçando eles.

Não lembro se comentei, mas às vezes, eu também conversava com Niall. Trocamos algumas mensagens após aquela chamada de vídeo que Harry e eu fizemos, a qual ele invadiu em certo momento. Niall era muito divertido e engraçado.

— Olha, eu posso te provar que conhece, sim, hein... Me lembro de ver vários pôsteres na parede do seu quarto quando conversamos outro dia – Harry disse, levantando a sobrancelha e rindo, deixando à mostra o sorriso mais lindo do mundo tomar chão na sala.

— Vocês estão sob efeito de álcool, tudo o que pensarem pode ser alterado por componentes químicos – respondi, rindo. – Harry, Niall, essa aqui é .

Quando a olhei, ela estava quase branca. Pude notar seu nervosismo e sua timidez e, então, gargalhei.

— Olha, daqui umas doses de álcool prometo que ela melhora.

— É verdade, onde arrumamos isso? – minha amiga pergunta, passando a mão na cabeça.

— Aqui, estávamos levando essas para Zayn e Louis, podem ficar. – Harry entregou para nós os dois copos.

— Como vou saber que não tem alucinógenos aqui dentro? – perguntou, brincando.

— Você não vai. – Harry pegou o copo de volta e deu um gole. – Mas se tiver, ficaremos todos alucinados. – Riu.

— Vamos para lá? Os meninos devem estar esperando – Niall perguntou, apontando para parte de fora da mansão.

— Acompanhem-nos, por favor. – Harry estendeu as mãos.

Olhei para , que estava sorrindo. Eu também estava. Qualquer um poderia notar nossa felicidade e se contagiar com ela.

Acompanhamos Harry e Niall até a parte de fora. Nesse pequeno caminho, vimos vários outros famosos, enquanto nos entreolhávamos e sorríamos, extasiadas.

Quando chegamos, Harry nos apresentou a Josh, Sandy, Jon e Nick, a banda. Cumprimentamos Liam e sua namorada Danielle, Louis e também Zayn.

Estar cara a cara com todos eles finalmente me fez voltar a realidade. Aquele momento estava acontecendo, eu estava ali presente, exalando felicidade e nervosismo.

, né? Muito Prazer, sou Zayn – disse, quando terminamos de cumprimentar a todos.

— Ah, sério?! – Louis exclamou. – Ninguém sabia, Zayn. – Todos na roda riram, inclusive Zayn.

— Me desculpe, só queria ser mais educado. – Ele sorriu.

me deu uma beliscadinha para eu prestar atenção nela e, então, ela apontou para Shawn Mendes parado na roda ao lado.

— Já sei onde vou mais tarde, amiga – ela sussurrou ao se aproximar do meu ouvido.

— Só me avisa antes de sumir, senão depois fico te procurando – sussurrei de volta. – Vai na fé, amiga. – Rimos juntas.

— Ei, Hazz, onde estão nossas bebidas? – Louis perguntou e eu levantei o copo.

— Culpada – eu disse –, mas você pode ficar com essa se quiser, o Styles pode me pegar outra.

— Você é folgada, né? O bar está logo ali – Harry franziu o cenho, rindo e apontando para onde o barman estava.

— Meu bem, você é o dono da casa. Eu sou uma mera estudante que fez 18 anos poucos meses atrás. – Torci a boca e ele deu de ombros.

— Louis, vou pegar sua bebida e de Zayn – Harry se pronunciou – Vem, vamos comigo, ele encostou as mãos em meus ombros, me empurrando em sua frente.

— Mas e ? – perguntei e ele apontou para onde ela estava – Ah! Eu já deveria ter notado. – Observei minha amiga e Niall conversando, muito empolgados no assunto.

Harry e eu fomos pegar bebida e, entre vários cumprimentos por parte dele, aproveitamos para tirar sarro da roupa de algumas pessoas, afinal, não é nenhuma novidade que a maioria dos famosos têm um estilo um tanto... peculiar.

Como já havia terminado meu copo, pedi para Harry pegar mais uma bebida para mim.

— Que rápida – Harry tirou sarro, me entregando mais um copo.

— Essa bebida está muito boa. O que é? – perguntei, dando um gole em meu copo.

— Sex on the beach – respondeu, rindo.

— Hum, assim que é bom – brinquei – Nossa, eu adoro essa música – disse, prestando atenção no som que ecoava por trás de mim.

— Desculpa, , não sei dançar. Mas adoraria te ver ali dançando – Harry comentou e eu arregalei os olhos. Meu coração disparou. – Ops, quis dizer que adoraria te ver se divertindo. Por que não chama para dançar?

— É uma ótima ideia! – Sorri. – Espero que ela já não tenha desaparecido – respondi e Harry me deu um olhar curioso. – Ela tem uma mania muito estranha de desaparecer nas festas. Na maioria das ocasiões, está com outra pessoa.

— Bom, é uma pena – concluiu, enquanto caminhávamos de volta para o grupo de amigos – Pronto, Louis, aqui está.

— Obrigado! – Zayn e Louis disseram em um uníssono.

[...]

Conversa vai, conversa vem, álcool vai, álcool vem... Duas horas depois já havia desaparecido. Aparentemente Niall era muito amigo de Shawn e apresentou os dois, já imagino o resultado. Eu já estava bêbada, Harry já estava bêbado, Niall já estava bêbado, Zayn já estava bêbado e nós quatro estávamos rindo de um garoto tentando dançar na pista de dança. Após alguns minutos de risadas, Niall chamou Harry.

— Harry, Liam está mandando mensagem. Aparentemente Louis está dando algum vexame, dizendo que quer ligar para Elisa. Vamos lá, você é o único que consegue tirar o celular dele.

— Eu mereço... – Harry respondeu. – Já voltamos, ainda preciso conversar com alguns amigos meus.

— Está tudo bem, eu e Zayn estamos adorando rir das pessoas dançando – disse, sorrindo, e eles desapareceram no meio de grupos de pessoas.

Ficamos ali conversando sobre relacionamentos, one night stands, amigos e festas, até dar meu último gole em minha bebida. Olhei para Zayn, que estava sorrindo em direção a pista de dança. Pisquei algumas vezes, até minha visão se neutralizar.

— Quer dançar? – Ele me olhou.

— Ah, por que não? – repliquei, mas na verdade, achei que estivesse pensando alto – Estou indo dançar com Zayn Malik, amigos! – exclamei e ele gargalhou.

Já havia decidido que aquele era meu último copo de bebida com álcool, pois precisaria de forças para encontrar mais tarde.

Zayn e eu chegamos até a pista de dança, onde estava tocando Rihanna, era impossível ficar parado. Ele não tinha nenhum pouco de ritmo e gingado, mas eu conseguia ver que estava se divertindo, volta e meia ainda olhávamos para aquele menino que estava tentando dançar e ríamos.

Na quarta música, entretanto, sou pega de surpresa ao sentir as mãos de Zayn pousarem em minha cintura, trazendo-me para mais perto, até que minhas costas estejam coladas em seu peitoral. Nos primeiros segundos, estou tentando processar toda aquela proximidade e o que ela me causa, porém, assim que concluo que estou gostando mais do que devia daquela situação, deixo meu corpo me guiar e permito-me aproveitar o momento. De repente, tudo havia se tornado sensual demais e eu só conseguia prestar atenção nos nossos corpos se roçando à medida que seguíamos as batidas da melodia. Eu fecho os meus olhos para saborear aquela sensação, focando em seus dedos que fazem carícias sobre o meu vestido. Talvez fosse o fato de eu estar em constante movimento há algum tempo, mas de um segundo para o outro o ambiente parecia ter se tornado quente como o inferno. Portanto, constatei que aquele clima tendencioso não era só coisa da minha cabeça quando Zayn aproximou seus lábios do meu ouvido e pronunciou certas palavras maliciosamente, fazendo-me arrepiar com sua respiração morna contra minha pele:

— Ei, quer sair daqui?

Eu me virei para ele, olhando-o nos olhos ao sorrir sugestivamente e assenti sem pudor. Sabia bem que era o álcool falando por mim, mas também sabia que era algo que a sóbria totalmente apoiaria, por mais que não tivesse a mesma coragem de dizer.

Zayn então segura a minha mão e me guia entre as pessoas bêbadas que dançavam desajeitadamente, enquanto eu me perguntava se aquilo realmente estava acontecendo. Passei a noite conversando com Harry Styles, bebendo com Niall, Louis e Liam e agora estava “saindo dali” com Zayn Malik. Não tinha como a noite ficar melhor.

Quero dizer, tinha. Se fosse Harry com seus dedos entrelaçados aos meus, me levando para algum lugar mais afastado, eu com certeza estaria nas nuvens. Entretanto, não me prenderia à ilusão de algum dia poder beijar Harry Styles enquanto tinha Zayn ali, disposto a realizar comigo o sonho de qualquer fã que gostaria de ter seus lábios tocados pelos dele. Eu não seria nem louca de perder essa chance.

Atravessamos a cozinha, que também estava lotada de gente, e então viramos num corredor estreito onde haviam duas portas fechadas, uma das quais Zayn não demorou a abrir e me puxar para dentro. Nem tive tempo de avaliar o lugar, só percebi que se tratava de uma lavanderia devido ao feixe de luz, provindo da porta semiaberta, que refletiu na máquina de lavar assim que entramos, mas ela logo foi engolida pelo breu que invadiu a sala. O som da tranca foi a única coisa que ouvi antes de mãos firmes agarrarem a minha cintura. Sou prensada contra a parede imediatamente, sentindo o corpo esguio de Zayn se chocar contra o meu. Meu coração está acelerado em expectativa quando sinto seus lábios tocando delicadamente a pele do meu pescoço, deixando o lugar em chamas. Aproveito para levar uma de minhas mãos até seu cabelo, fazendo meus dedos se emaranharem entre os fios, enquanto a outra está agarrada ao seu braço, sentindo seu músculo firme sob minha pele.

Zayn me tortura com uma trilha de beijos quentes até o meu maxilar, então arranha-o com os dentes, o que me faz suspirar fundo. Ele ri, sabendo exatamente o que está fazendo comigo, mas quando penso em xingá-lo, ele puxa meus cabelos para trás em um aperto firme e cobre minha boca com a sua em um beijo ávido. Sou imediatamente consumida pela sensação dos seus lábios contra os meus, em uma mistura de halls preto e bebida doce. Sua língua macia envolve a minha de maneira ágil, o que envia vibrações para todo o meu corpo, o qual em resposta se movimenta contra o de Zayn à procura de mais contato. Suas mãos nem um pouco inocentes logo foram direto ao encontro da minha bunda, agarrando-a com força, e aproveitei a deixa para levar as minhas até seu abdômen, por debaixo da camisa. Zayn sorriu contra a minha boca assim que sentiu meu toque quente sobre a sua pele.

— Se estiver te atrapalhando, posso tirar — ele diz, sugestivamente, ao romper o beijo.

— Se você não tirar, eu mesma vou ter que fazer isso — provoquei, fazendo-o rir.

— Acho que prefiro que você faça — sussurra ao meu ouvido e ao final da frase morde o lóbulo da minha orelha, fazendo-me arrepiar.

Eu sorrio maliciosamente diante de seu pedido, mesmo que sejamos apenas duas silhuetas no meio daquela sala escura e ele não possa ver o meu rosto. No segundo seguinte, já estou levando minhas mãos até a barra da sua camisa, puxando-a para cima lentamente ao mesmo tempo que raspo minhas unhas pelo caminho. Eu cesso meus movimentos, no entanto, quando batidas intensas são depositadas na porta.

— Está ocupado! – Zayn gritou, seu tom de voz demonstrando certa frustração.

— Está zoando? Abre essa porta, preciso entrar! – continuaram gritando.

O moreno revirou os olhos e eu ri.

– Abre aqui!

Sinto Zayn se afastar e, de repente, a luz se acende, revelando-o próximo a porta, ajeitando seus cabelos que se encontravam em uma completa bagunça. Ele me envia um sorriso cúmplice, fazendo-me morder o lábio inferior para esconder o sorriso, e então sua mão toca a chave na fechadura, girando-a.

— O que você está fazendo aqui trancado? – Harry, que estava parado na porta com a camisa suja, perguntou. – Ah. – Ele me olha e eu dou um sorriso de lado.

— O que você quer? – Zayn perguntou.

— Louis vomitou em mim e na sala, preciso limpar – Harry respondeu, sério. – Desculpe atrapalhar, mas acho melhor você vir ajudar, Niall também está dando trabalho.

— Eu até me ofereceria para ajudar, mas a partir do momento que descobri que isso em sua camisa é vômito, já quero vomitar junto – disse, descendo da máquina e me aproximando dele. – É melhor eu ir procurar , já está na hora de irmos embora.

— Ela está te procurando – Harry enunciou.

— Vamos, vou acompanhar vocês e ir embora. Meu pai mandou mensagem que chegaria daqui a pouco – falei, enquanto observava Zayn pegar baldes e pano de chão.

Evitei olhar para a camisa de Harry até chegarmos onde Louis e Niall estavam. O estado de Louis era deplorável, já o de Niall, era engraçado. estava sentada ao lado dele. Zayn foi até Niall e Harry foi limpar Louis.

— OLHA MINHA NOVA AMIGA, ! – Niall gritou e eu ri – ELA TAMBÉM É SUA AMIGA, NÉ?

— Ele está bêbado – disse e eu a olhei.

— Jura? – perguntei, irônica, fazendo-a rir. – Acho melhor irmos, já está ficando tarde.

— Eu sei, estava te procurando. Onde estava? – ela perguntou e eu apontei para Zayn com a cabeç.a – VOCÊ ESTÁ BRINCANDO? – gritou e eu coloquei a mão em sua boca.

— Não grita, tem gente olhando. Depois eu te conto. – Pisquei e a puxei em direção aos meninos. – Pessoal, estamos indo. Muito boa sorte com os bêbados de vocês.

— Já vai? – Zayn me olhou, enquanto estava sentado, segurando Niall.

— Preciso ir, mas se quer saber... – Aproximei-me dele e abaixei-me até encostar em seu ouvido. – Eu teria adorado ser sua One night stand.

Fiz menção de me afastar, mas Zayn foi mais rápido ao puxar meu queixo e me beijar. No entanto, o contato dos nossos lábios, infelizmente, durou apenas segundos, já que fomos interrompidos pelo meu celular, que começou a tocar.

Era meu pai, então, rejeitei a ligação e mandei uma mensagem dizendo que já estava saindo.

— Tchaaaau, pessoal! – Mandei beijo a todos e acenou.

— Tchau, Niall, boa sorte com seus cobertores voadores! – Minha amiga disse e Niall gargalhou.

— Só não te abraço porque você está com vômito na camisa. – Aproximei-me de Harry – De qualquer forma, muito obrigada por ter me convidado, amei ter vindo. Depois me conte como esses dois ficaram.

— Uhum... – ele respondeu, sem graça. – Amanhã conversamos, então. – Piscou rapidamente e voltou sua atenção para Louis.

e eu caminhamos até a porta de entrada, onde meu pai estava parado. Mal esperava para chegar em casa e ouvir o que a garota tinha para falar sobre a festa e aposto que ela também queria ouvir minha história.


Capítulo 5

Eu me reviro na cama, à procura de uma posição confortável, mas o movimento acaba fazendo com que parte do meu corpo escorregue para fora da coberta quentinha. No mesmo momento, meus pelos se arrepiam com o frio, provindo do ar condicionado e, ainda de olhos fechado, agarro o tecido, puxando-o uma, duas, três vezes, até que concluo que o mesmo está preso em algum lugar. Emitindo alguns sons incompreensíveis, obrigo-me a levantar as pálpebras, então virando-me novamente na cama, na intenção de detectar a fonte do problema. Coço os olhos, confusa, ao perceber que a fonte do problema era, na verdade, uma bunda magra, sentada bem em cima da coberta e, quando subo o olhar para o rosto da garota, a mesma está me encarando atenta e curiosamente.

... — resmunguei, enquanto conferia o relógio ao lado da minha cama. – São 10 da manhã, vai dormir. — Eu tento puxar o tecido novamente, mas meus braços finos, recém recuperando os estímulos, eram equivalentes à força de uma criança de cinco anos.

— Você tem o resto do dia para dormir, agora tem que me contar todos os detalhes do que aconteceu ontem.

— Por que você quer saber? – perguntei, rouca, ainda sonolenta. — Você já sabe, eu e o Zayn estávamos conversando, dançando, fugimos, rolou.

— Rolou? Rolou, ROLOU? — Ela questiona, excessivamente alegre, enquanto agarra meu tornozelo com seus dedos gelados e chacoalha-me.

— Não, a gente só se beijou – suspirei. – Adivinha... Harry interrompeu.

— Sério? – Ela arregala os olhos, mas se distrai quando pega seu celular, que não parava de apitar.

— Muito sério, mas não foi proposital, ele precisava entrar na lavanderia. – Sentei-me na cama, finalmente.

— Mas e Harry? – quis saber, parecendo confusa.

— Harry e eu conversamos a noite toda, ele teve muitas chances para me beijar e, se não beijou, foi porque escolheu não beijar. – Passei a mão por meus cabelos. – O que um não quer, dois não fazem, não é? Eu te falei que somos amigos.

— E você acha que ele não ficou com ciúmes de você ter beijado um dos melhores amigos dele? – perguntou. Esse questionário estava muito suspeito.

— Não, , não acho – respondi. – Mas e você, hein? – questionei e logo a expressão de seu rosto foi de suspeita para alguém que poderia distribuir felicidade.

— Fiquei com Shawn e com o Niall! – ela, praticamente, gritou e eu abri a boca, surpresa. – Sim, fiquei com Shawn e, quando fui agradecer Niall, ele estava muito bêbado e me beijou.

— Não acredito que você beijou Niall Horan! – exclamei, animada. – Ele é seu favorito!

— Pois é, eu também não acredito. Oportunidade única na vida de alguém. — Ela sorriu, verdadeiramente. Eu nunca tinha a visto tão feliz.

Antes que eu pudesse falar algo, seu celular apitou cinco vezes.

— Com quem você tanto fala? – indaguei.

— Estou falando com o Harry, ele está perguntando por que você não acordou ainda – respondeu e eu franzi o cenho. – Ok, ele está perguntando se você comentou algo sobre ontem.

, como ele tem seu número?

— É só essa parte que chama a sua atenção? – sacudiu a cabeça e eu revirei os olhos.

Se acalme, , muita excitação e fatos acontecendo de uma só vez. Estava Harry, realmente, querendo saber sobre Zayn? E, se sim, por que não tentou ficar comigo noite passada, então?

Bom, não me arrependo de nenhum segundo. A noite toda foi um sonho, cheguei até a me lembrar de um filme que havia assistido essa semana. Instigada, peguei meu celular para falar com Harry, afinal, disse a ele que o chamaria hoje para perguntar como Niall e Louis ficaram. Mas já haviam várias mensagens de Harry não respondidas.

Harry Styles [03:06]: Hey, , gostou da festa?

Harry Styles [03:06]: Espero que sim, uma pena que tive que cuidar dos meninos...

Harry Styles [04:14]: Então, acho que você já deve estar dormindo, mas queria perguntar se você perdeu um colar de coração, eu encontrei na lavanderia.

Harry Styles [04:14]: Quer dizer, minha equipe de limpeza achou.

Harry Styles [04:16]: Mas pode ser de outra pessoa, né?

Arregalei os olhos e passei os dedos por meu peito: Meu colar havia sumido. Ainda bem que acharam antes de eu precisar procurar, pois aquele colar é muito importante para mim.

— Perdi meu colar na lavanderia ontem. Harry disse que ele encontrou e depois disse que a equipe de limpeza dele encontrou. Depois perguntou se era meu e disse que poderia ser de outra pessoa.

— Você sabe que foi ele que encontrou e que ele sabe que é seu, né? – arqueou a sobrancelha. – Mas olha que bom, agora podemos ir até lá buscar.

— Não vou me convidar para ir até lá – respondi, enquanto sorria. Meu celular apitou mais uma vez.

Harry Styles [10:37]: me disse que o colar é seu, você pode vir buscá-lo hoje?

Olhei para meu celular e olhei para no segundo seguinte, semicerrando os olhos. Ela retribuiu o olhar e riu.

— Me dá esse celular! – Estendi minhas mãos e a mesma levantou da cama com pressa.

estava conversando com Harry a manhã toda e, se ela estava com tanta certeza do que falava, deveria saber algo sobre essas perguntas de Harry.

— Para, não estamos falando sobre você. Eu disse que o colar era seu e ele perguntou se podíamos ir até lá e eu disse que sim.

— Ele falou algo sobre Zayn? – questionei, curiosa.

— Você não beijou Zayn só para fazer ciúmes no Harry, não é, ? – perguntou, incrédula.

— Não! É claro que não, eu só não queria esperar mais três horas até Harry decidir fazer alguma coisa e beijei Zayn, ele estava ali, querendo, com aquele corpo, aquela boca... – confessei, mordendo os lábios. Aquele momento tinha sido exageradamente propício e oportuno.

Passei as mãos nos lábios, lembrando dos lábios de Zayn tocando os meus.

Eu não estava mentindo, realmente fiquei com Zayn porque tive a chance. Não era uma coisa que qualquer pessoa em sã consciência recusaria. Até porque Harry se portou como meu amigo durante a festa toda.

— Tem certeza que Harry é seu favorito?

— Tenho, mas qualquer uma ficaria assim após beijar Zayn Malik. Você não está assim em relação a Niall? – retruquei.

— Estou sim, passei a manhã inteira pensando em nós dois em uma ilha isolada nas Filipinas vivendo uma lua de mel inacabável. – respondeu, colocando as mãos no queixo.

— Depois eu que sou iludida! – exclamei. – Você combinou algo com Harry?

— Sim, ele disse que vem nos buscar logo após o almoço. – respondeu e eu engasguei enquanto bebia água.

— Ele o que?

— Ele vem nos buscar logo após o almoço – minha amiga repetiu e meu coração disparou. – Não precisa ficar nervosa, bobinha.

Mas é claro que eu ficaria nervosa. Ainda estava muito cedo para assimilar todos os acontecimentos recentes, até contei meus dedos algumas vezes para ter certeza de que não estava sonhando. E eu não estava. Harry Styles viria me buscar no portão da minha própria casa, quem consegue digerir?

e eu decidimos forrar o estômago antes do almoço ficar pronto, então descemos até a cozinha, onde encontramos meus pais conversando no balcão da cozinha. Após algum tempo, meu pai disse que iria até a padaria comprar refrigerante e pão e ficamos apenas eu, minha mãe e .

Minha mãe perguntou sobre a festa e eu contei tudo a ela, desde a parte das bebidas, danças e conversas, até quando fomos embora.

— E você não, hmm... Ficou de verdade com Zayn? – Dona Amanda quis saber.

— Não, Harry interrompeu – contei e ela gargalhou.

— Filha, você tem dois astros correndo a 80km/h para ver quem te conquista primeiro, como se sente? – minha mãe brincou.

e eu gargalhamos e minha amiga contou a parte dela da noite. Minha mãe repetiu a pergunta e ficamos conversando sobre tudo até meu pai voltar. Eu os contei sobre o colar e perguntei se Harry poderia vir nos buscar, sabendo que não teria problema algum.

— Claro, mas vou conversar com ele – disse meu pai.

— Já estava esperando. – Eu rio. – Vamos comer? Estou morrendo de fome.

Almoçamos, conversamos, rimos e minha mãe falou com a mãe de sobre as cenas recentes de nossas vidas. Elas passaram vinte minutos rindo ao telefone, enquanto eu e fomos tomar banho, separar roupa e nos arrumarmos.

Por algum motivo, eu estava tão nervosa que não conseguia colocar minha pulseira, tive que pedir ajuda a . Talvez eu esteja com medo do que Harry está pensando, com medo de agir diferente comigo após ontem e eu realmente espero que isso não aconteça.

Uma hora e vinte minutos havia se passado desde a última mensagem de Harry, alegando que estava vindo. Quando finalmente ouvimos a campainha, eu já estava quase subindo pelas paredes e , rindo. Descemos as escadas com uma certa pressa, mas fomos surpreendidas por meu pai, que estava sentado com Harry e Zayn no sofá. Minha mãe, quando me viu, bateu uma mão contra a outra, sinalizando um “se fodeu”, gargalhando, e a acompanhou na risada. Parei nos degraus antes que pudessem me ver e subi alguns de volta.

— Vem, ! – gritou ao chegar no primeiro andar, e eu a olhei com cara feia.

Respirei fundo, coloquei um sorriso amigável no rosto para esconder meu nervosismo e segurei no braço da garota, para ir até o sofá comigo. Harry e Zayn se levantaram ao mesmo tempo para nos cumprimentar. Abracei Zayn e depois Harry, seguida por , e sentei ao lado de meu pai.

— Então, vocês conseguem trazê-las mais tarde? – Meu pai decidiu continuar a conversa que já estavam tendo e Harry assentiu. – Coloque seu número no meu celular, por favor, em caso de emergência.

— Claro! – Harry pegou o celular de Thomas e anotou seu número.

— Já podemos ir? – indaguei, batendo os pés, e meu pai assentiu.

— Até depois, filha. — Meu pai disse e eu o abracei, em despedida. Em seguida, fiz o mesmo com a minha mãe.

Fomos até a porta de entrada, na qual meus pais pararam para nos olhar. Observei o conversível de Harry e engoli em seco. Zayn abriu a porta para eu e entrarmos no carro e entrou logo depois de nós. O dia estava muito gelado, pois era comecinho de dezembro, então Harry teve que fechar o teto do carro, anulando a possibilidade que eu havia imaginado de levantar e cantar One Direction ao vento.

Acenamos para meus pais, enquanto e eu nos entreolhávamos, na tentativa de processar o momento.

— Aqui está seu colar, . – Zayn olhou para trás e me entregou o colar.

— Obrigada, esse colar é muito importante para mim. – Peguei-o e virei de costas, para colocá-lo.

— Então, o que acharam da festa? – Harry perguntou, enquanto dava partida no carro.

Engoli em seco.

— Foi muito bom! – Minha amiga sobressaiu.

— Ouvi falar que você beijou o Shawn, verdade? – Zayn perguntou, curioso.

— Sim, verdade! – ela respondeu, animada, encostando as mãos na parte de trás do bando da frente, onde Zayn estava sentado.

— Ela estava toda sonhadora hoje de manhã – dedurei. – Beijou Niall também!

— Sério? – Harry indagou e mordeu os lábios, sorridente.

— Muito sério, mas acho que ele nem deve lembrar! – Ela disse, em um tom desanimado.

— Claro que lembra, , impossível não se lembrar de quem você beija – respondi. Harry me olhou pelo retrovisor e Zayn olhou para trás, sorrindo de lado.

— É, verdade. Espero que não seja estranho – Ela colocou a mão no queixo, pensativa.

— Não vai. Niall vai ficar com vergonha, mas não será nada demais – Harry explicou.

Passamos o resto do caminho conversando sobre a situação de Niall e Louis no dia anterior. Dei altas risadas quando contaram que Louis não parava de ligar para a ex namorada, ele realmente estava triste por dentro. Por outro lado, Valerie ficaria muito feliz em saber que ele está oficialmente solteiro.

Pedimos a Zayn para colocar One Direction para tocar e ele concedeu nosso desejo, levando-nos a pular e cantar durante o resto do caminho. Após chegarmos, Harry nos pediu ajuda para tirar as sacolas do porta malas, onde se encontravam cervejas, vodcas, gins e afins.

— Vão dar outra festa? – perguntei. – Se for assim, preciso voltar para casa buscar um vestido – brinquei, enquanto pegava duas sacolas e as entregava a .

— Sim, mas hoje será uma só nossa – Zayn replicou, ajudando-me a tirar a última sacola que tinha ali.

— E por que não fomos avisadas? – perguntou, olhando para Harry.

— Porque decidimos no caminho. – Harry deu de ombros. – Já que vocês gostam de festas, imaginei que topariam.

— Você tem toda a razão! – Ela disse e todos nos gargalhamos.

Entramos pela porta dos fundos, que dava até a cozinha. Zayn e eu desempacotamos todas as bebidas e eu o ajudei a colocá-las no freezer. Harry e foram até a sala principal para encontrar os meninos. Assim, fiquei sozinha com Zayn por alguns minutos e meu corpo arrepiava-se apenas ao pensar na lavanderia ao lado.

Noite passada, Zayn me contou que não gostava de se envolver com as pessoas e que sempre ficava apenas com elas por uma noite, ou seja, one night stand. Eu contei a ele que não costumava fazer isso, pois tinha apenas 18 anos e não tive muito tempo para viver esse tipo de coisa, mas que sempre tem uma primeira vez para tudo. Porém a verdade é que nossa noite ficou inacabada. Não fui sua one night stand e nós apenas nos beijamos.

— Estou feliz que esteja aqui – confessou Zayn –, sinto muito por nossa noite não ter terminado do jeito que queríamos.

— Também estou feliz de estar aqui. – Eu sorrio, envergonhada, passando a mão por meu pescoço — Ainda estou sóbria, mas quem sabe mais tarde podemos conversar sobre isso.

Antes que ele pudesse falar alguma coisa, e Harry apareceram na cozinha.

Zayn era perfeito, não era possível controlar meus hormônios ao seu lado, sabendo que ele está atraído por mim. Normalmente não sou assim e, sendo bem sincera, estou dessa forma porque é Zayn Malik. Meus pensamentos se encontram muito confusos, porque eu gosto muito de conversar com Harry e até olhar para ele me deixa em paz, como se tudo o que eu sempre quis estivesse ali em minha frente. A única barreira que eu esperava ser quebrada ontem, em relação aos meus sentimentos, não foi. No entanto, não poderia ser a primeira a ter atitude, afinal, quem é Jones para dar em cima de Harry Styles? Ele pode conseguir qualquer garota que quiser, logo, se quisesse a mim, teria feito alguma coisa. Além do mais, estamos conversando por apenas alguns dias, quais as chances de ele me ver apenas como uma amiga?

Enfim, só sei que me encontro frustrada emocionalmente, porém, tal sentimento ganha segundo plano entre meus pensamentos diante da possibilidade de beijar Zayn outra vez.

, vamos! – gritou, fazendo-me desviar de meus pensamentos.

— Opa, alguém disse álcool? – brinquei, sorrindo, enquanto observava Zayn pegar algumas cervejas que já estavam na geladeira. – Eu não bebo cerveja. – Mostrei a língua e revirou os olhos.

— Aqui, eu bebo por ela. – Minha amiga foi até Zayn e pegou uma das bebidas para ela.

Fomos até a sala de tv, onde haviam vários sofás, almofadas, travesseiros e uma tv de muitas polegadas. Niall, Louis, Liam e sua namorada, Danielle, estavam sentados jogando banco imobiliário na mesa de centro da sala. e eu cumprimentamos todos e Niall ficou extremamente vermelho quando a viu.

— Own, não fica com vergonha não – eu disse, apertando uma de suas bochechas. – Você é um fofo, Niall.

— Para. – Ele colocou uma almofada no rosto e todos os meninos riram.

— Vergonha tinha que ter o Harry, dorme com as pessoas e depois não lembra quem foi – Louis exclamou, puxando a almofada do rosto de Niall.

Arregalei os olhos e olhei para , sentindo minhas expectativas finais sendo cortadas naquele exato momento. Harry não havia me beijado, porque não estava afim de mim. Não foi por falta de oportunidade e nem de dúvida, pois minha parte eu fiz, até não poder esperar mais.

— É verdade, ele acordou desesperado hoje sem saber quem estava em sua cama – Liam completou. Harry o olhou de cara feia. – O que? Não podia falar?

fitou-me, entendendo exatamente o que se passava por minha cabeça. Respirei fundo, lembrando do que eu também havia feito noite passada e lembrando que não tinha motivo para ter ciúme ou raiva, aquilo não tinha nada a ver comigo.

— Então, posso jogar? – perguntei, cortando o clima que estava presente na sala.

Niall assentiu.

— Acabamos de começar, pode entrar – respondeu, me entregando um peão e um cartão de crédito do jogo.

, Harry e Zayn ficaram apenas observando e conversando, pois não havia peões o suficiente para eles e, também, não faziam muita questão de jogar.

— Louis, você está roubando! – exclamei. Eu sou muito competitiva, não admito quem rouba em jogos.

— Cuidado que ela morde, Louis – minha amiga disse, rindo, e eu olhei para trás, mostrando a língua.

estava sentada atrás de mim, em cima do sofá, e eu estava no chão. Com tantos lugares, ela estava exatamente grudada em mim pois ficava no meio de Niall e Zayn. Pensa que me engana, com todos esses anos de amizade, falando que estava ali pois queria mexer no meu cabelo.

— É vacinada? – Louis perguntou, rindo, e assentiu – Então tudo bem!

— Vocês dois estão engraçadinhos hoje, né? – falei. – Já estou cansada desse jogo, por que não vemos um filme?

— Correção: Já estou cansada de perder, vamos fazer outra coisa? – zombou, raspando a garganta, e eu ri.

, vou começar a te deixar em casa – retruquei. – Mas sério, vamos ver alguma coisa? Ainda está cedo para encher a cara e esse frio não ajuda também.

— Por mim tudo bem – Niall disse.

— Por mim também, já estou cansado de ver vocês jogando – Harry também se pronunciou e todos assentiram.

— Você não tem vergonha, Jones? – Louis perguntou e todos riram. – Espere que o seu está guardado.

Guardamos as peças que faltavam, Danielle colocou o jogo em uma prateleira, junto com os outros jogos, e Liam pegou o controle da televisão.

— Terror!

Eu, Niall e protestamos diante da fala de Zayn.

— Não, terror não – Niall resmungou.

— Terror siiiiim! – Louis também quis opinar.

— Por mim tanto faz – Harry disse –, vou acabar dormindo de qualquer forma.

— A noite foi boa, né? – Zayn alfinetou e Harry deu um sorriso sem graça. – Qual é, mano, animação. Você está estranho desde ontem.

— Não estou, só estou cansado, porque nossa semana foi bem agitada.

No final, Liam acabou por colocar um filme de terror mesmo, cheio de gritos e com muito, muito sangue. Chamava-se The purgue e sua história girava em torno da descriminalizado do assassinato durante 12h de uma noite.

Eu havia sentado em um sofá ao lado de Harry, pois não queria ficar afastada de todos em um sofá sozinha e o lado de Harry estava vago. Não gostava desse tipo de filme, então não me importei em prestar atenção, fiquei mexendo em meu celular até Harry me cutucar, sussurrando:

— Tem medo? – perguntou e eu assenti.

Harry foi até um canto da sala e pegou uma manta para nos cobrir.

— Pronto, agora pode esconder a cara quando quiser e ficar quentinha também. – Ele colocou a manta sobre nossas pernas.

— Shhhh! – Louis exclamou, fazendo Harry revirar os olhos.

— Para falar a verdade, estou com muito sono também – sussurrei. – me acordou muito cedo hoje.

— Aposto que dormiu mais que eu. Acho que dormi umas quatro horas – Harry respondeu, bocejando. Bocejei também e nós rimos baixinho. Vem cá. – Ele abriu o braço direito e apontou para seu peito.

Não hesitei em responder ao seu pedido e encostei minha cabeça ali. Conseguia sentir seu coração a mil por hora, aposto que ele também conseguia sentir meu nervosismo percorrendo por meus dedos trêmulos e gelados, que passaram por seu abdômen, até chegarem na lateral de seu corpo, abraçando-o. Aquela sensação de paz passou por todos meus neurônios, até finalmente assimilarem tudo e descansarem. Levei menos de dois minutos para dormir nos braços de Harry Styles, que acredito ter dormido antes de mim, pois senti sua respiração ficar mais pesada, segundos antes de cair no sono.

[...]

— Vamos acordá-los – alguma voz, que não reconheci, disse.

— Não, Zayn. Deixa eles dormirem – outra voz, dessa vez mais fina, retrucou. Parecia ser .

— Já se passaram três horas, já anoiteceu – a primeira pessoa, que assimilei ser Zayn, repetiu.

— E daí? Vamos voltar para a cozinha, daqui a pouco eles acordam. — Danielle também se fez presente na cena.

Relutei contra meu corpo para que eu voltasse a dormir, mas não tive sucesso, pois Harry começou a se mexer e resmungar. Então, finalmente, abri meus olhos. As lâmpadas do cômodo ainda estavam apagadas, porém, mesmo com a ausência do brilho da televisão, ainda era possível enxergar a silhueta dos móveis devido ao feixe de luz provindo do corredor. Percebi que Harry ainda estava com uma respiração pesada e decidi ficar ali mais alguns minutos, mentindo e iludindo meu cérebro, pensando se aquilo poderia, algum dia, se tornar rotina.

Após alguns minutos no paraíso, vulgo o abraço quentinho de Harry Styles, decidi levantar. Bocejei algumas vezes, retirei minha cabeça, que se encontrava repousada em seu peito, e o cobri com a manta. Antes que pudesse levantar, no entanto, ele levantou sua cabeça, mal conseguindo abrir os olhos.

— Que horas são? – Sua voz rouca dominou o silencio da sala.

— Não sei, mas já anoiteceu – respondi, com calma.

Eu fico meio lerda após acordar de cochilos da tarde, precisava de 20 minutos até meus neurônios voltarem a funcionar.

— Sério? – Harry levou suas mãos até os olhos, esfregando-os. Parecia que ele queria ficar ali até amanhã.

— Sim, mas você pode ficar dormindo se quiser. Afinal, a casa é sua. – disse, sorrindo. – Acabei acordando com Zayn, Danielle e vindo nos acordar, acho melhor ir para lá.

— Não, vou levantar também. – Ele retirou a manta quentinha de seu colo e o suéter que estava usando. – Senão terei problemas para dormir mais tarde. Vamos? – Harry ajeitou sua calça jeans e levantou.

— Vamos – respondi, levantando. – Posso pegar seu suéter? Está frio. – Perguntei e ele assentiu.

Acompanhei Harry até a cozinha. Aquela cena pareceria estranha, se olhássemos com outros olhos. Ele, com a blusa amassada e o cabelo bagunçado. Eu, com cara de cansada, maquiagem com altas probabilidades de estar borrada e com uma roupa que não era minha. Afinal, o que esperar dos comentários que estavam por vir? Nota mental: nunca esperar comentários bem intencionados vindos de , eu já estava preparada para o que estava por vir em situações como essa.

Em contrapartida, esse foi um dos melhores sonos que já tive em toda minha vida. Harry poderia me emprestar seu abraço durante minha aula de matemática, aposto que faria muito bom uso dele.

— Boa noite? – Harry abriu as portas da cozinha.

Nossos amigos estavam bebendo, conversando e ouvindo música. A cozinha da casa era bem grande: Nos cantos, muitos armários, fogão geladeira, pia. No centro, uma mesa grande, junto a uma bancada mais alta.

— Até que vocês vieram rápido, né/

Não preciso dizer quem foi que disse isso. Está claro.

— Boa noite amigos da terra, vim visitar vocês por alguns instantes, mas logo pretendo voltar para meu sono da beleza. – Juntei minhas mãos, em um cumprimento diferente.

— Boa noite, bela adormecida. Achei que vocês dormiriam para sempre, nós assistimos a um filme e meio – Zayn disse, entregando-me uma gin tônica.

— Acordei com sua voz, na verdade – respondi. – A sua, a da Daniella e a da .

— Sim, nós fomos lá faz pouco tempo – Danielle ingressou-se na conversa. – Zayn achou que vocês estavam demorando demais.

— Está com ciúmes, Zayn? – zombou. – Fica tranquilo, mais uns copos de gin tônica e ninguém é de ninguém.

— Eu sou da Dani – Liam apressou-se em falar, fazendo-nos rir.

— Tudo bem, amigo. A gente já sabia – Louis respondeu, colocando a mão no ombro de Liam.

— Eu estou com muito sono – Harry disse, bocejando. – Vocês vão fazer algo? Se não, vou voltar a dormir.

— Não! – Louis protestou. – Essa noite, nós vamos jogar vários jogos, e vocês não vão poder escapar. Estou planejando há tempos, ninguém vai me deter.

— Ah, pronto. – Niall faz uma careta. – Eu não gosto de jogar esses jogos.

— Não ligo. – Louis sorri. – O primeiro jogo só terá somente duas regras: toda vez que alguém falar “sério?”, terá que beber um shot de tequila. Se falar “Não quero jogar”, bebe três.

— Uh, lembranças de How I met your mother — Harry sorriu e eu concordei.

— Eu não quero jogar isso – Liam disse e Louis colocou uma garrafa de tequila em sua frente. – Ok, vou jogar.

— Está valendo! – Louis anunciou, bebendo um shot e raspando sua garganta.

— E o fígado, amigos? Como fica? – perguntei. – Ontem você já não estava bem.

, entenda uma coisa. – Louis chegou perto de mim e colocou as mãos em meu rosto. – Ficamos MESES... – fez uma pausa dramática –, meses... sem poder beber, por conta das tours. Agora, que estamos parando para as festas de fim de ano, nós precisamos esculachar.

— Ok, senhor esculacho. — Eu reviro os olhos, rindo. – Qual o segundo jogo?

— O segundo jogo... – Louis colocou a mão no queixo, pensativo. – Vamos pedir pizza, não podemos encher a cara de estômago vazio.

— Nisso ele tem razão – disse —, mas a não come pizza.

— Tudo bem, podem pedir. Eu como qualquer coisa de mozarela.

— Vamos pedir lanche, então – Harry sugeriu e todos concordaram.

Harry pegou seu celular e começou a conversar com alguém que não entendi o nome, levou cinco minutos para fazer o pedido e desligar o telefone. Ficamos conversando e contando piadas por meia hora, até um homem grande, vestido em um terno, aparecer com algumas sacolas do McDonald’s onde estávamos. Por alguns segundos, me senti chocada com a situação, mas logo passou, pois lembrei na cozinha de quem estava.

Comemos, dividimos lanches e Niall derrubou refrigerante em Zayn, que teve de ir até seu quarto trocar de roupa. Eu estava sentada entre e Harry, o qual de minuto a minuto, me olhava e sorria. Na verdade, parecia que queria garantir de que eu estava me divertindo e me sentindo confortável. Só Deus sabe como eu estava me sentindo com o homem dos meus sonhos em minha frente, sendo exatamente do jeito que eu sempre imaginei.

Ele era perfeito. Seus olhares, sorrisos e, principalmente, a forma que usava faixas para jogar seus cachos para trás..., mas não era só isso. Cada detalhe me encantava, desde a forma como segurava seu lanche e como passava um guardanapo em seus lábios a cada mordida, certificando-se de que não estava com a boca suja, até sua delicadeza ao falar e se posicionar sobre qualquer assunto. Além de tudo, ele era inteligente! Como não se apaixonar?

Perdida em meus pensamentos, voltei a realidade quando Louis gritou “UM SHOT” para , que não hesitou em beber. Negar bebida era uma coisa que minha amiga não fazia de forma alguma. Pode estar no auge do auge do limite, mas ela sempre vai dar um jeito de empurrar até a última gota. Eu não conseguia agir dessa forma, pois quando estou começando a me sentir mal, eu paro e como alguma coisa.

Após nossa janta eu, Harry, Zayn e Niall ficamos limpando a cozinha, enquanto , Liam, Danielle e Louis foram até a sala onde estávamos horas antes para “preparar o ambiente”, de acordo com Louis. O que eu achei ser somente uma desculpa para não arrumar a cozinha.

Harry e Zayn desistiram da cozinha, pois Niall e eu ficávamos cantando alto e rindo, o que fizeram os dois voltarem para a sala.

— Então, você ainda está conversando com Harry? – Niall perguntou, assim que Harry e Zayn deixaram a cozinha.

— Estou, por que não estaria? – arqueei minhas sobrancelhas, olhando-o, enquanto guardava alguns copos.

— Ele me contou que você ficou com o Zayn ontem à noite e que encontrou vocês. Não fica estranho? – Niall questionou.

— Por que seria estranho? Dei brecha para Harry tomar esse posto durante a noite toda, ele não o fez. Então, aproveitei a chance que tive – contestei. – Não se perde uma chance de beijar Zayn Malik, Niall.

Nós dois rimos juntos.

— Você tem razão – ele respondeu.

— Mas... por que seria estranho? – repeti, intrigada com sua pergunta.

— Vocês dois estavam se dando bem, achei que ele beijaria você noite passada. Não sei o que aconteceu – Niall pontuou. Estávamos quase terminando de arrumar a cozinha.

— É... Não posso esperar Harry Styles se apaixonar por mim. – Faço uma pausa. – Não posso me iludir dessa forma, então só estou levando as coisas como se fossem extremamente normais e vendo no que vai dar.

Niall abriu a boca para falar, quando Louis revela-se na porta:

— Já acabaram o papo cabeça? Estamos todos prontos para jogar. – Ele sorri, travesso.

— Louis, há quanto tempo está aí? – pergunto.

— Faz uns 10 minutos, por quê? – fala, delicadamente.

— Sério? – questiono, assustada. Louis estava ouvindo escondido?

— Não, era só para você falar “sério?” – Louis, que estava segurando uma garrafa de tequila, fez sinal para eu abrir a boca e veio até mim, fazendo-me revirar os olhos.

— Você me paga. – Abri a boca para receber alguns goles da bebida, sentindo toda minha garganta arder... Tenho certeza que aquilo tinha sido mais de um shot.

Niall e Louis foram o caminho todo até a sala rindo das caretas que eu fazia, ainda sentindo o gosto da bebida em minha boca. Tenho certeza de que vou me arrepender disso mais tarde, portanto, preciso parar de falar “sério?”. Além de que fico bêbada muito rápido, tomei apenas um copo de gin tônica e já posso notar as alterações que trouxe em meu corpo. Ao menos, por enquanto, está tudo bem, não cheguei no meu primeiro estágio bêbada ainda.

Bom, para contextualizar, eu acredito que tenha estágios quando estou bêbada. Meu primeiro estágio é ficar com calor, muito calor. O segundo é onde começo a beber mais rápido, o terceiro desando a rir, fazer piadas e cantar. O quarto, é o estágio da decadência: quando começo a falar as coisas sem pensar, dançar e já não respondo mais por mim. Geralmente, eu paro nesse estágio, que fica por volta da minha quinta ou sexta bebida. O quinto é minha fase triste, onde eu choro, faço ligações e mando mensagens. O melhor sobre essas informações é que, após o quarto ou quinto, eu fico sóbria. Com sóbria, eu digo normal e ajudo quem precisa, não entendo porque meu corpo funciona desse jeito.

Informações desnecessárias a parte, Niall e eu encontramos o pessoal em uma roda, com um celular no meio de todos e dois espaços livres: um entre e Harry, outro entre Liam e Zayn. Por algum motivo, Niall sentou ao lado de e Harry, o que me sobrou sentar ao lado de Liam e Zayn. Suspirei fundo e segui até meu lugar.

— Agora que estamos todos presentes — Louis engatou a falar –, começaremos nossa cerimônia da noite: todos precisam ter bebido pelo menos um copo inteiro de algo com álcool.

Todos, menos Liam e Danielle, levantaram seus copos vazios e Louis fez eles beberem o resto de seus copos em apenas um gole. Niall deu uma gargalhada com a careta de Liam e todos os outros riram da situação.

— Pronto, todos preparados? Vamos começar – Louis dizia como se estivesse palestrando.

— Sim, Louis. Vamos logo. – Harry bocejou.

Havia um frigobar dentro da sala, para qual Zayn se dirigiu e pegou uma bebida para ele e para mim, pois a minha havia acabado.

— Vamos jogar eu nunca – Louis declarou, sorridente.

— Ai, preciso estar muito bêbada para jogar isso, Louis – disse.

— Então bebe, toma – Niall entregou sua cerveja a ela, que pegou a mesma e deu um gole.

Estávamos sentados na seguinte sequência: Louis, Zayn, eu, Liam, Danielle, Harry, Niall, e voltamos para Louis.

— Precisamos jogar agora, para ficarmos muito bêbados e jogarmos verdade ou desafio depois! — Louis disse e todos concordamos – Eu vou começar, seguiremos com a pessoa da minha direita. Eu nunca pintei o cabelo.

Eu, , Niall, Danielle e Zayn bebemos.

— Sério isso? – Zayn perguntou. Levou alguns segundos para perceber que teria de beber novamente. – Ok, minha vez. Eu nunca beijei ninguém da roda.

Todos beberam.

— Zayn, o intuito do jogo é você fazer as outras pessoas beberem – disse, colocando a mão em seu ombro. Nessa hora, meu corpo já havia começado a esquentar, tive que tirar aquele moletom de Harry que estava usando.

— Eu sei, só foi a primeira coisa que veio na mente – Zayn respondeu e eu sorri.

— Opa, o que eu perdi aqui? – Louis se jogou na conversa – Quando vocês se beijaram?

— Ontem, quando você estava choramingando que queria ligar para uma tal de Elisa. – Eu rio e Louis fecha a cara. – Minha vez. – Olhei para cima, pensando em alguma frase. – Eu nunca quebrei algo enquanto ficava com alguém. – Olhei para , que me encarou.

Ela, Harry, Louis e Danielle beberam.

— Eu nunca corri atrás de uma zebra – Liam disse e somente Louis bebeu, mostrando-lhe o dedo do meio. – Você quase não bebeu.

— Quero ficar sóbrio para as próximas cenas.

— Eu nunca achei que estivesse grávida/engravidei alguém – Danielle falou e apenas Harry bebeu. – Nossa, não sábia dessa! – Todos riram.

— Foi quando eu era mais novo, depois desse susto, nunca mais se repetiu – Harry confessou, não parecendo muito animado. – Eu nunca tive Dexter ou How I Met you Mother sendo minhas séries preferidas. – Harry olhou para mim, arqueando as sobrancelhas e segurando seu copo com a boca.

— Isso não vale – resmunguei. – Não vou beber.

— Vai sim, o Liam fez o Louis beber – disse e eu revirei os olhos, levando meu copo até a boca. Harry bebeu com sua própria rodada e Niall também.

— Eu nunca beijei alguém de outro país. – Foi a vez de Niall.

Eu, Harry, Louis, Liam e Danielle bebemos.

— Não vai beber, Zayn? – perguntou e ele a olhou confuso. – é metade brasileira.

— Sério? – Ele voltou seus olhos para mim e eu assenti. – Muita coisa se explica agora. – Fez uma pausa e Louis o olhou. – Ah, droga, vou ter que beber duas vezes.

, fala alguma coisa em português — Louis pediu.

— Eu quero beijar alguém — falei, em português, e todos me olharam, confusos.

— O que ela disse, ? — Liam perguntou.

— Não sei, eu não falo português. Minha vez! Eu nunca transei na cama de um amigo.

Louis e Niall beberam e deram de ombros. – Coitados dos seus amigos. — Ela riu.

— Finalmente, sou eu de novo – Louis disse, sorridente. – Eu nunca tive crush em alguém da roda.

A esse ponto, meu corpo já fervia, mesmo eu já tendo tirado a blusa mais quente que estava usando, e também já estava mais para lá do que para cá.

— Nossa, eu beberia uma garrafa inteira agora – falei, rindo e minha amiga olhou-me com os olhos arregalados.

Zayn, Harry, eu, , Louis, Liam e Danielle bebemos.

— Gente, somos suas fãs há muito tempo... – tentou disfarçar, fixando os olhos em mim. – Já podemos jogar verdade ou desafio, né?

— Isso, já cansei desse jogo – Zayn disse, sendo acompanhado por Harry e Liam.

— Então me dá sua garrafa vazia. – Louis estendeu a mão para Zayn, recebendo a garrafa e colocando-a no meio da roda. Ele girou a mesma e caiu em perguntando para Liam.

— Verdade ou desafio?

— Verdade – Liam respondeu e todos reviraram os olhos.

— É verdade que a Danielle dança para você? – perguntou e Liam se envergonhou.

— Sim, é verdade. – Ele corou. Todos fizemos um “own” em conjunto.

Gira a garrafa para lá, gira a garrafa para cá: Louis fez lap dance em , Niall teve que ligar para sua mãe dizendo que engravidou uma garota, Danielle falou algumas verdades sobre o Liam, Zayn contou sobre sua vida, ganhou alguns minutos no banheiro com Niall e, por incrível que pareça, a garrafa ainda não havia caído nem em mim, nem em Harry para verdades ou desafios, apenas perguntas. Meus pensamentos já não se encaixavam muito bem e eu já havia dançado algumas músicas que tocaram de fundo, juntamente com Danielle, enquanto esperávamos e Niall. Enquanto eles estavam sumidos, Harry chamou Zayn para conversar, mas não consegui entender nenhuma palavra, apenas vi Zayn colocando as mãos para cima, enquanto Harry o olhava com os braços cruzados.

Quando e Niall voltaram, todos estavam de volta na roda, em seus devidos lugares.

, sua vez – Zayn apontou e eu levei minhas mãos até a garrafa. Finalmente a garrafa caiu em Niall para perguntar para mim.

— Verdade ou desafio, ? – Niall olhou-me, sorridente.

—Desafio – respondi, mordendo meu lábio inferior.

— Está esperando o que? – disse para Niall, que estava pensando. – Vai, , beija o Zayn.

— Sério? – Harry perguntou – Ela está bêbada e...

Não ouvi mais nenhuma palavra, pois Zayn já havia me puxado para mais perto pela cintura, juntando seus lábios aos meus o mais rápido que podia. Mais uma vez, beijar Zayn não estava nos meus planos, mas acabou acontecendo. Quem eu quero não me quer, mas quem me quer vou querer, sim. Acontecimentos como esses são acontecimentos que não se jogam fora. E lá estava eu, mais uma vez, beijando os lábios de Zayn Malik. Após alguns segundos, Zayn, que estava sentado com as pernas esticadas, me puxou para seu colo, como se mais ninguém estivesse ali. Meu corpo estava fraco demais para resistir a isso, mesmo que estivéssemos em uma roda, sendo observados. Não sei quanto tempo fiquei ali, mas fomos interrompidos por Liam, que jogou uma almofada em minha cabeça.

— Arrumem um quarto! – Liam disse, após nos interromper.

Louis, que parecia estar em outro mundo, gargalhou, sendo acompanhado por Niall.

— Quem sabe mais tarde. – Voltei meus olhos para Zayn e sentei em meu lugar. Zayn pegou a almofada e colocou em seu colo.

— Vou para o quarto – Harry disse, levantando-se –, estou exausto.

— Sério isso, Harry? – se voltou a ele, que assentiu com a cabeça. – Já bebo, Louis.

— Já vai, baby Hazz? – Levantei-me, pegando meu copo que estava em cima da mesa. Meu corpo estava pesado e eu cambaleei um pouco. Não estava me sentindo muito bem.

— Acho que já está bom de bebida para você, . – Ele pegou o copo que estava em minha mão e me segurou.

— Então bebe você. – Eu sorrio.

— Não, estou cansado. Tenho um compromisso amanhã cedo. – Harry olhou dentro de meus olhos.

, acho que já está na hora de irmos. – também se levantou, aproximando-se e segurando em meu braço.

— Louis, querem me sequestrar! – Corri até ele, que fingiu tirar uma espada de seu bolso e apontar para todos.

— Deixem ela em paz, humanos! Viemos em paz – ele disse, enquanto nós dois riamos.

E o resto dos acontecimentos não ficaram tão claros...


Capítulo 6

Harry’s POV

A luz da janela lateral incomodava meus olhos, porém não foi ela a responsável por me fazer despertar naquela manhã. O que me acordou, de verdade, foi a risada de , ecoando do outro lado da porta e acabando com qualquer chance de mau humor matinal.

No entanto, os acontecimentos da noite anterior vieram como uma onda, deixando-me mais confuso do que esperava estar: a noite começou de uma forma incomum, na qual e eu dormimos abraçados durante um filme, fazendo-me repensar sobre tudo o que estava acontecendo. Seguindo, tivemos verdades, desafios, conversas inesperadas e um ato final, resultando em um beijo em um dos meus melhores amigos, de novo.

Eu sei que e eu somos só amigos, mas não posso negar que adoraria estar no lugar do Zayn. Não havia muitas justificativas para isso, entretanto: A garota é bonita e ponto, qualquer um gostaria de beijá-la. Contudo, havia uma questão muito importante nessa equação. As coisas ficavam um pouco complicadas ao levar em consideração que ainda é nossa fã, e que podemos passar uma ideia errada a ela se algum de nós começar com essa ideia de pegações aqui e ali. Talvez possa soar um pouco presunçoso, mas sentia que essa situação poderia iludi-la de alguma forma. Inclusive, noite passada, chamei Zayn em um canto justamente para conversar sobre isso, porém, ele alegou que já havia esclarecido tudo com a e que ela estava bem, que não estava iludida com ele. Entretanto, realmente não esperava que ele fosse beijá-la outra vez, minutos após termos conversado. Parece que não entendeu uma palavra do que eu disse e isso me deixou tremendamente incomodado.

Ouço sua voz ecoar mais uma vez pela porta do meu quarto, agora não mais lenta e embaralhada pelo álcool, como se encontrava ontem à noite. Uma pena que ela não deve se lembrar das nossas últimas conversas, enquanto eu a entregava um copo d’agua e uma barra inteira de chocolate.

À propósito, era bem estranho ela ainda estar aqui em uma segunda-feira na semana do natal. Noite passada, e eu tentamos ligar para o Sr. Thomas, mas seu carro quebrou na garagem e ele não queria que as duas pegassem um táxi de madrugada, então, elas dormiram no quarto de visitas, que se localizava exatamente em frente ao meu. Esse é o motivo pelo qual ouvia sua risada, era inevitável não sorrir junto.

Em poucos segundos, fui surpreendido por batidas na porta:

— Haaaarry? – a voz de ecoou. Se fosse qualquer outra pessoa, ficaria incomodado por estar me acordando às 9h da manhã em um dia de folga. – Posso entrar? Eu vou entrar, se estiver pelado, vista-se.

Por incrível que pareça, eu estava com uma calça de moletom, pois passei frio durante a noite, senão provavelmente estaria com meu pijama usual: boxer. De repente, ouvi a porta ranger e fingi estar dormindo, apesar de que ainda estava sonolento para acordar totalmente.

— Harry... – sua voz era calma e rouca, aposto que havia acabado de acordar – Só queria te desejar feliz natal e tal, meu pai está vindo me buscar daqui alguns minutos.

Podia sentir sua voz mais perto, até ouvi-la ao lado de minha cama e sentir o colchão afundar um pouco.

— Ei! – Ela começou a cutucar meus ombros, seguindo por dedos afundados em meus cabelos bagunçados.

— Se eu te contratar, você me acorda assim todos os dias? – falei, ainda de olhos fechados.

— Sim, será um prazer – respondeu, mexendo-se um pouco mais no colchão.

— O que está fazendo? – perguntei, sentindo a coberta também se mexer.

— Cobrindo minhas pernas, seu quarto está bem gelado. Não sei como está sem blusa – disse. – Seu colchão parece melhor que o do quarto de hóspedes.

“Dorme aqui, na próxima.” Foi o que pensei em dizer.

— Sim, preciso do meu sono da beleza em perfeitas condições – foi o que eu realmente respondi, abrindo meus olhos e admirando seu cabelo preso, resquícios de maquiagem e um sorriso encantador.

— Vim te acordar, mas não quero acordar Niall, Louis e Zayn. Liam e Danielle já estão acordados fazendo panquecas – contou, continuando a afagar meus cabelos.

— Você está bem? – indaguei, preocupado com noite passada.

— Sim, eu não tenho ressaca e lembro de tudo. Inclusive, obrigada por me dar comida ontem, se não fosse você, provavelmente teria passado mal. Acho que exagerei um pouco.

— Está tudo bem. Aposto que foi o eu nunca. – Eu sorrio, quebrando a vergonha que ela demonstrava sentir. – Também tenho quase certeza de que os meninos pararam de raciocinar na metade da noite.

— Que bom, me sinto mil vezes melhor depois dessa notícia. – Ela boceja, após terminar sua fala. – Estou com muito sono, queria ter ficado dormindo, mas meu pai me disse que poderia vir me buscar somente agora.

— Te entendo. – Acabo acompanhando-a, também bocejando, então estico-me para pegar minha blusa, em cima da escrivaninha.

— Desculpe por te acordar, eu só queria falar tchau. Não sei quando vamos nos ver de novo, né? – Ela esfregava seus olhos. – Vai voltar só em fevereiro, estou certa?

— Sim – minha fala é desanimada –, vou para Homes Chapel amanhã, passar uns dias com minha família e depois entramos em tour novamente na segunda semana de Janeiro, vou ficar apenas dois dias aqui, ensaiando e arrumando as malas.

— Bom, acho que então... – Antes que ela pudesse terminar, seu celular apitou. – Meu pai está vindo, vou descer para comer as panquecas do Liam, porque estão com um cheiro muito bom. Se não comer, ficarei com lombrigas – disse, retirando meu edredom de suas pernas. – Pode voltar a dormir.

— Vou esperar até você ir embora, porque depois só poderei te encher o saco quando voltar – confessei e ela arqueou a sobrancelha.

— Você não está me enchendo o saco – ela disse e, quando abriu a boca para falar novamente, levantei em um movimento inesperado, segurei suas pernas com uma mão e fiz cócegas em seu abdômen com a outra.

gargalhou durante alguns segundos, até finalmente conseguir se levantar e pular para fora do meu colchão.

— Era disso que estava falando – expus, fazendo-a rir.

— Não vou te contar mais nada, você usa isso contra mim – falou, cruzando os braços e apoiando seu joelho em meu colhão. – Falando em usar as coisas contra alguém, tirei umas fotos suas muito engraçadas ontem.

— Que fotos? – questionei, intrigado.

— Meu bem, só saberá quando elas aparecerem de surpresa em muitas revistas de fofoca – Ela esconde as mãos no seu casaco, junto com seu celular. Na verdade, era meu casaco, que a emprestei noite passada para dormir.

, quero ver! – Coloquei-me de joelhos, alcançando sua altura, na intenção de pegar seu celular.

Ela dá um passo desorientado, impedindo-me de colocar minhas mãos no bolso de seu casaco. Então, levanto-me em sua direção e ela dá mais alguns passos para trás, até finalmente começar a correr pelo quarto, quando percebe que eu não iria desistir. Ela para atrás de uma mesa, tentando se esquivar de mim, mas quando vai para o lado, consigo alcançá-la, encurralando-a no canto do quarto. Neste momento, consigo sentir sua respiração perto do meu rosto e noto seus olhos encarando a minha boca. Meu cérebro apita, avisando o desastre iminente que aquele simples gesto poderia ocasionar, porém não seria hipócrita ao ponto de dizer que também não estava fissurado no dela.

Novamente estou pensando em beijá-la, assim como pensei durante toda a festa de sábado e durante todo o tempo em que ela esteve em meus braços na tarde de ontem. Afinal, que culpa eu tenho se os lábios de são tão convidativos?

No entanto, eu não permitiria que meus desejos carnais tomassem controle dos meus atos. A verdade é que eu não posso prometer a tudo o que seus sorrisos bonitos me pedem. Talvez, no máximo, poderia lhe oferecer alguns beijos casuais, além da amizade, mas algo entre os olhares que direciona a mim, diz-me que ela não se contentaria apenas com isso. Afinal, eu não consigo espantar o pensamento imbecil de que, antes de tudo, ela é minha fã e que, como qualquer outra, tem em seu interior a fantasia de algum dia conseguir namorar seu ídolo.

Por fim, meu lado consciente acaba vencendo a briga contra a irracionalidade, optando por dar meia volta e se afastar da linha perigosa que eu estava prestes a cruzar, por mais que os olhos à minha frente implorassem para que eu fizesse exatamente o contrário.

Nós havíamos construído uma amizade tão descontraída e leve nesses últimos dias, não posso – e não vou – jogar tudo pelo ralo por causa de uma atração física boba.

— Ei, . As panquecas estão prontas.

Salvo pelo gongo, eu diria. E com gongo, eu digo , que estava parada no batente da porta, de braços cruzados.

Nós dois a olhamos no mesmo segundo.

— Estou indo. – disse, com um sorriso frouxo.

Notei que ela se envergonhou, abaixando a cabeça e entregando-me o celular desbloqueado. Olhei as fotos, que não estavam tão ruins assim, eram apenas fotos nossas na cozinha, devorando hambúrgueres. provavelmente havia tirado sem notarmos e mostrou hoje de manhã.

— Essas fotos estão bonitas – falei, entregando-lhe de volta o celular.

— Eu sei, só queria te fazer ficar preocupado. Não esperei que fosse ficar tão desesperado. – Ela sorriu, colocando o celular de volta em seu bolso. – Vamos? – Olhou-me, andando até a porta.

continuou parada no batente da porta, até nós dois passarmos por ela, olhando-me com os olhos semicerrados. Eu apenas retribuí, com um sorriso amigável. Observei encaixar seu braço no de e segui o caminho até a cozinha atrás delas.

— Bom dia – eu disse a Liam e Danielle, assim que chegamos na cozinha, vendo-os sentados no balcão da cozinha. – Por que acordaram tão cedo?

— Bom dia! – Liam respondeu, sorrindo. – Vamos na casa dos pais de Danielle daqui a pouco. Encontramos e arrumando o quarto de visitas. – Ele coloca algumas panquecas em seu prato. – E você? Por que está acordado?

— Ah... – Olhei para , que fingiu esconder o rosto. — Vou te dar uma dica.

— Ela te acordou? – Danielle perguntou, apontando para a garota e eu assenti. – Fácil desse jeito? Você nem está de cara fechada.

— O que você fez para acordá-lo? – Liam olhou-a, desconfiado, e eu sorri com seu rosto envergonhado.

— Só bati na porta e o cutuquei, foi bem fácil – ela respondeu, após terminar de mastigar sua panqueca.

— Só o cutucou? – Liam engasgou. – Se algum de nós fizer isso, ele fica super emburrado.

— Nossa, que exagero! – protestei, indignado.

— A é assim também, ela odeia ser acordada e acordar – disse, tomando seu suco.

— Não vou negar, odeio mesmo. – concordou, dando de ombros. – Dormir é algo muito sagrado para mim.

— Eu não ligo muito para dormir, eu só não gosto de ser acordado por eles, porque não são nada delicados e só é preciso um pouquinho mais de força para arrancarem a porta – eu disse. – Mas só vim acompanhá-la, vou voltar a dormir daqui a pouco.

— Fofo. – Danielle ri, acompanhada por Liam e .

— É, baby Hazz, já pode contar para todos que você ama muito minha companhia e que vai sentir minha falta. — provoca, sorrindo e encostando seus dedos em meu braço.

— Impossível negar. – Olhei-a nos olhos.

Era impossível de negar mesmo, sua companhia me deixava feliz e calmo, como um suco de maracujá em um dia bem quente.

— Quanto frufru. – manifestou-se, colocando um dedo na boca e fingindo que iria vomitar.

— Você só está com inveja porque não tem Harry como melhor amigo. — retrucou, mostrando a língua.

— Sou seu melhor amigo? – Questionei, surpreso.

— Você acha que eu fico conversando de madrugada, contando meus podres, com qualquer pessoa? – Ela perguntou, indignada.

Sorri antes de responder qualquer coisa, mas fomos surpreendidos com um dos nossos seguranças abrindo a porta da cozinha, alegando que o pai de estava esperando em frente ao portão. A garota, então, terminou de mastigar seu último pedaço de panqueca e levantou, pegando sua bolsa que estava em cima do balcão, seguido por abraços em Liam e Danielle. seguiu os passos da amiga, também se despedindo dos dois.

Fiz sinal de que ia acompanhá-las até a saída e seguimos juntos para onde o pai de se encontrava.

se dirigiu até mim, me agradecendo por tudo ao se despedir, e avisou que esperaria dentro do carro.

— Então, até daqui um tempo! – parou de frente para a porta e de costas para o carro de seu pai. – Obrigada por esse final de semana, você sabe que foi praticamente um sonho para mim.

E aí estava a palavra. Sonho. A prova de que eu precisava para saber que havia feito a escolha certa ao não a beijar.

— Você não tem que agradecer, eu também adorei esses últimos dias – respondi, passando as mãos por meus braços. – Vejo você em um tempo.

Então, eu abro meus braços, indicando que queria abraçá-la e, assim, ela o fez.

Posso sentir seu coração acelerado e um suspiro faz contato com o meu ombro, arrepiando os pelos de minha nuca. Porém eu poderia facilmente culpar o frio por isso.

— Até mais, baby Hazz! – Ela falou, assim que nos separamos, então começou seu caminho em direção ao carro, entrando no mesmo.

— Até mais, ! – Sorri, observando-a ir embora com um dos meus casacos preferidos, que ficava mil vezes melhor nela do que em mim.

Espero ter uma próxima vez para tê-lo de volta, mas não pela peça em si.

[...]

’s POV

Ventos quentes, que entravam pela janela lateral, faziam meu coração se apertar de nostalgia e amor. Aquela sensação de ter terminado o semestre, pegar um avião, atravessar o atlântico e rever toda minha família, não tinha igual. Era saudade da infância, misturada com desejo de comidas brasileiras, uma pitada de bronze aos pés da água salgada e o cheiro de mofo praiano do quarto.

Festas de fim de ano são, definitivamente, meus feriados preferidos. Nós comemos muito, dançamos muito, fazemos piadas que nunca iremos cansar de ouvir, trocamos presentes e desejamos alcançar novos sonhos. Nestes últimos meses, pude riscar muitos itens da minha lista de metas, 99% de certeza que este tenha sido o melhor ano que já vivi.

Uma semana antes do Natal, passei três dias seguidos com Valerie e , alternando as casas de cada uma. e eu contamos a Valerie todas as situações loucas que estivemos nos últimos dias e ela nos contou sobre como foram seus longos e tediosos dias no interior da Inglaterra, com direito a alimentar cavalos e galinhas. Passar tempo com minhas amigas é sempre a melhor parte do meu dia, de alguma forma, acho que encontrei minhas almas gêmeas. Chegamos a até fazer um pacto que se, todas nós estivéssemos solteiras aos quarenta anos, iríamos morar juntas em Los Angeles. O que também pode acontecer mais cedo do que esperamos, nunca se sabe, a esperança é sempre a última que morre.

Após nossos três dias, havia chegado a parte mais esperada das festas de fim de ano: ir para o Brasil visitar minha família. Eu amava o Brasil, amava cada detalhe, desde a cultura, passando pela língua, até as festas e praias brasileiras. Desde quando fizemos quinze anos, eu e minhas primas temos muitas tradições durante as duas semanas que passo aqui: primeiro, vamos sempre ao meu restaurante preferido. Segundo, planejamos as festas. Terceiro, compramos nossas roupas que usaremos no final de ano e, em quarto e último lugar, dançamos nossa música quando o relógio bate 00:00.

Porém, esse ano tive uma surpresa diferente.

e Valerie pegaram um avião no dia vinte e oito de dezembro, diretamente para São Paulo, e vão passar o final de ano comigo. Meus pais arranjaram alguma desculpa para voltarmos do litoral até o apartamento dos meus tios na cidade grande para buscá-las, foi uma surpresa inédita. Na realidade, esse era o presente de aniversário que não havia ganhado de nenhuma delas, conseguindo me esconder até pisarem em solo brasileiro. E, um detalhe, meu aniversário foi em Junho. Como dito, o melhor ano da minha vida até agora.

Hoje é o dia em que o relógio bate meia noite e estamos cheios de esperança e amor, principalmente entre minha família, que comemorou o natal até de madrugada e continuou a comemoração na próxima manhã, em frente à praia preferida deles. Apesar de alguns pesares familiares, tudo tinha sido muito bom até agora, o que me fez até tirar alguns pensamentos de Londres.

Eu, e Valerie passamos o dia na praia e agora estamos nos arrumando para a reunião de família na varanda, acompanhado de uma festa com minhas primas pós meia noite.

, podemos trocar de salto? – perguntou, enquanto se analisava no espelho.

— Ah, mas eu fiquei muito bonita nesse salto. – Fiz um bico, levantando-me, então desamassando meu vestido.

— Sim, mas vai ficar muito melhor com minha roupa. – Ela olhou para a saia em que usava.

— Ok, mas se você reclamar de dor no pé mais tarde, vou dar risada – repliquei, tirando o salto e a entregando.

— Vocês duas vão reclamar de dor e nós três sabemos disso – Valerie disse, terminando de passar seu batom. Eu e a olhamos – O que? Daqui duas horas vocês duas vão querer trocar de sapato.

— Sim, mas serão duas horas que ficarei fabulosa – respondi.

— Até porque não precisamos muito deles, né? Somos bem altas já – disse e Valerie a mostrou a língua.

— Não ligo, ficarei maravilhosa a noite toda! – Ela nos mandou um beijo.

— Toc toc. – Meu pai bateu na porta e eu fui abri-la. – Uau, que princesas lindas! – ele falou, abraçando-me — Só passei para confirmar onde vocês irão depois.

— Para a casa de algum amigo muito rico de Julia, acho que o nome dele é Matheus. Te mandei o endereço por mensagem – falei.

— Onde sua prima arruma esses amigos? – meu pai perguntou, confuso, e eu neguei com a cabeça.

— Não tenho ideia, sinceramente. Mas fique tranquilo, é o mesmo do ano passado, fica aqui do lado – eu tranquilizei-o, pegando minha bolsa que estava em cima da cama.

— Aaaaaah, o Matheus! – exclamou. – Ele é filho do Jorge.

— Aaaaah, o Jorge... – Fiz uma cara de surpresa. – Não sei quem é, pai – disse e todos rimos. – Já estamos prontas, vamos descer?

Meu pai, eu e minhas amigas descemos para a varanda, onde toda minha família estava reunida, tirando fotos e comendo alguns amendoins. Aproveitamos para usar nossos saltos enquanto as fotos estavam sendo tiradas e colocar nossos chinelos logo em seguida, pois e eu precisávamos guardar nossos pés para a festa.

Eu adoro ver meus tios e tias ficando bêbados perto da meia noite, porque quando o relógio bate, eles nem percebem e começam os abraços cinco minutos depois do horário. Eles também não aguentavam esperar até meia noite para comer, exatamente as 22:30 era quando nossa ceia era servida. Passei as horas que tínhamos sobrando, traduzindo falas, rindo, bebendo e conversando, então decidi que estava cansada de traduzir as falas e fui sentar com os pés na piscina, com e Valerie, que me seguiram até lá.

— Vava, o que é um pontinho laranja que pisca visto do espaço? – perguntou, colocando as mãos no queixo.

— Não faço ideia do que você esteja falando – Valerie respondeu com uma expressão confusa.

— Não é nada, eu só ia fazer uma piada sobre o celular da que não para de apitar nem por um minuto – disse, revirando os olhos. – Está falando com quem?

— Com Niall, estamos falando sobre fogos de artifício – respondi, mostrando meu celular a elas. – Ele passou a tarde falando sobre como estava cansado de tomar champanhe e estamos conversando até agora.

— Ele falou algo de mim? – perguntou, com os olhos brilhando.

— Sim, disse que Zayn te acha muito bonita – respondi, sincera.

— Sério? – Seus olhos brilharam um pouco mais.

— Ai, eu também quero ser amiga deles. – Valerie cruzou os braços.

— Quando tivermos mais uma oportunidade, prometo que te levamos junto – eu garanti.

Apesar de ser amiga de Harry, Niall e eu nos aproximamos bastante também. Isso, sim, posso dizer que foi algo esperado, pois nos mandávamos fotos fazendo caretas e áudios rindo todos os dias, desde a última vez em que os vi. Além disso, Harry e eu trocamos mensagens todos os dias, mas isso já estava na rotina. Ontem ficamos um tempo conversando sobre como nosso final de ano está sendo, mostrei fotos das praias que tinha ido, algumas fotos de amizades antigas que havia encontrado e ele me disse que queria voltar para o Brasil quando pudesse para conhecer as “praias”. Assumi que ele não estava falando sobre a beleza de minhas amigas e simplesmente troquei de assunto, escondendo meu ciúme bobo e perguntando sobre sua família.

Meus pensamentos foram interrompidos por , que dizia ser 23:56.

— Vamos, seus pais estão nos chamando.

Observei-a levantar. Valerie e eu fizemos o mesmo.

Seguimos até onde minha família estava e todos nós nos ajuntamos para um grande abraço, no qual fiquei entre e meu pai. Meu tio decidiu fazer uma oração até meia noite, minhas primas fizeram a contagem e todos nós começamos a tradição de abraços, beijos e palavras esperançosas para o que estava por vir. Eu espero muito para esse ano, pois finalmente vou acabar o ensino médio e tentar passar na faculdade dos meus sonhos, sem contar que minha vida amorosa pode se encaixar. A esperança é realmente a última que morre quando o assunto sou eu.

Por falar em esperança, meu celular, que havia deixado em cima da mesa, começou a tocar, interrompendo minha tradição da dança com minhas primas.

Feliz ano novo brasileiro, . – A voz rouca de Harry entrou pelos meus ouvidos, me fazendo sorrir imediatamente.

— Feliz ano novo, baby Hazz – respondi.

Obrigado por esses últimos dias de muitas conversas e por estar aqui por mim, sempre que eu preciso. Você começou a fazer parte da minha vida de uma forma muito inesperada e está me fazendo enxergar a vida com outros olhos. – Harry falava calmo, com uma voz sonolenta. Eram 4h da manhã em Londres.

— Obrigada também, não tenho palavras para descrever como os últimos dias foram importantes para mim. Você é muito especial.

Ainda bem que Harry não estava me olhando agora, caso contrário estaria rindo da minha expressão boba.

— Hey, , vamos para a festa? – Julia, minha prima, se aproximou.

— Só um minuto, já estou indo. – Sorri e ela seguiu até a porta de entrada. Coloquei meu celular de volta no ouvido.

Vai para uma festa? – Harry perguntou, curioso.

— Sim, quer ir? – indaguei, brincando.

Claro, seria um prazer.

— Eu sei que seria, você possivelmente desapareceria em alguns minutos com alguma garota. É impossível não fazer isso por aqui, ficaria rodeado.

Ah, é? – questionou. – E você?

— Eu? Bem, vou me divertir também.

Agora, parecíamos não estar mais brincando.

, só um minuto – Harry interrompeu. – Minha mãe está me chamando e consigo ouvir te gritar daqui.

— Preciso desligar também, minhas primas estão me chamando. Até mais, foi muito bom falar com você. Te mando mensagem amanhã?

Sim, boa festa, . Se divirta muito e até amanhã. – Sua voz era doce, fazendo-me sorrir.

— Obrigada, você também – e desliguei a chamada, suspirando.

— Vamos, ? – Julia se posicionou à minha frente, com uma garrafa de champanhe em mãos e um cooler na outra.

— Vamos! – respondi, animada.

Sinceramente, eu não era muito fã de ir a festas como essas, não me sentia confortável o suficiente para dançar, cantar e ficar muito bêbada, gostava de me reunir com meus amigos em casa e lá podíamos fazer todas as coisas que quiséssemos. Por mim, ficaria em casa jogando Just Dance e comendo morango com chocolate. Essas festas fora de casa só funcionam muito bem para quem está solteiro e quer aproveitar. Não que eu não esteja, exatamente por isso que estou concordando em ir, única motivação plausível. e Valerie, por outro lado, amavam sair de casa, socializar e todas as outras situações que você passa, enquanto você está em uma festa, com muitas pessoas por m2.

Nós três, Julia e Gabriela (minha outra prima), entramos no carro com meu pai, que nos levou até a festa no outro quarteirão, conversou conosco sobre horários, emergências e disse que não queria que nós separássemos tanto, por segurança. Concordamos sorridentes, seguimos até a entrada e fomos surpreendidas pela música incrivelmente alta que saía da grande porta em nossa frente. Uma segurança nos revistou e nos deu uma pulseira dourada, e então, o amigo de Julia acenou para nós de dentro da festa.

Após nos apresentarmos, conhecemos também alguns amigos de Matheus e ficamos levemente maravilhadas pelo tamanho da casa em que estávamos, pela decoração e pelo estoque de Jack Daniels em uma estante.

Felizmente, eu já estava levemente alterada para puxar minhas amigas para a pista de dança e aproveitamos da cultura brasileira mais um pouco, em forma de dança e som. Foi lá que passamos boa parte da nossa noite, dançando, rindo e aproveitando nosso tempo juntas.

[...]

Como esperado, havia sumido com alguém, minhas primas estavam conversando com seus amigos e sobramos somente eu e Valerie, dividindo um saco de batatinhas e uma caipirinha de limão. Estamos cansadas e um pouco bêbadas, só não liguei para meu pai ainda porque precisava esperar mais um pouco, até voltar.

Surpreendentemente, me mandou uma mensagem de texto, assim que me desliguei de meus pensamentos:

[03:05]: Por favor, vem até aqui e finge que temos que ir embora. Estou beijando um menino que beija muito mal, mas ele é uma graça e não quero magoar o coração dele.

[03:05]: Estou atrás da piscina.

— Vava, você não vai acreditar. – Aumentei o brilho do celular e mostrei para ela, que caiu na risada.

— A deixa que precisávamos para ir embora. – Ela conclui, enquanto nos levantamos.

Enviei uma mensagem para meu pai assim que pude, pedindo para vir nos buscar. Conversei com Julia e Gabriela, que também queriam ir embora e nos esperariam na entrada. Valerie e eu, portanto, seguimos para onde estava. Combinamos de fazer um pequeno teatro.

— Amiga, temos que ir – falei, segurando Valerie com meu braço direito. – Ela não está passando muito bem, deve ter comido alguma coisa estragada.

— Você não pode cuidar dela, por favor? – o garoto, que estava com as mãos na cintura de , perguntou.

— É melhor eu ir também, comi as mesmas coisas que ela na festa – disse, em um tom tristonho. – Foi muito bom te conhecer, até o próximo ano. – Ela não estava sendo sincera, mas ele, que não tinha ideia da verdadeira questão aqui, sorriu esperançoso.

— Vamos, meu pai deve estar chegando. – Apressei a despedida.

Assim que o perdemos de vista, começamos a gargalhar, devido a situação e fomos até a porta de entrada. Meu pai já estava nos esperando e minhas primas também já estavam no carro com ele. Meus pés já não aguentavam o salto que estava usando, então, tirá-los foi a primeira coisa que fiz quando entrei no carro.

No caminho de alguns metros para a casa, Julia e Gabriela foram conversando, eu estava quase dormindo, Valerie e ainda estavam conversando sobre o garoto e meu pai também estava sonolento. Assim que chegamos em casa, fomos cada um para seu quarto, mas como minhas amigas ainda não estavam com sono, decidimos tirar nossas maquiagens, tomar um banho rápido, colocar um pijama e ir assistir a algum filme na sala.

Enquanto elas escolhiam um filme, fui até a cozinha fazer pipoca para nós comermos e, enquanto esperava, ouvi algumas conversas altas na sala e deduzi que eram apenas elas conversando com minhas primas. Porém, quando voltei com o balde de pipoca, estava segurando meu celular e conversando com Harry por facetime.

— O que vocês estão fazendo? – perguntei, quase derrubando o balde de pipoca no chão. Meus batimentos aceleraram e um sorriso apareceu em meu rosto, deixando de lado todo o sono que estava sentindo.

— Harry te mandou uma mensagem, perguntando se estava ocupada e eu liguei – respondeu, sorrindo amigavelmente.

— Oi, Harry – exclamei, acenando, sentando ao lado delas no sofá.

Oi, . – Ele retribuiu. – Achei que ficariam na festa até tarde.

— Estou tendo um ataque cardíaco – Valerie disse, fazendo Harry rir.

Vocês duas já passaram dessa fase, né? – ele questionou, referindo-se a e eu.

— Nunca, toda vez que ouço sua voz acho que estou vendo algum vídeo no youtube – revelei rapidamente, fazendo-o sorrir. Senti minhas bochechas queimarem.

Nem parece que estava brincando com o Louis de lutinha há algumas semanas.

— Você brincou com o Louis de lutinha? – Valerie perguntou, surpresa, e cruzou os braços. – Eu também quero.

Quando voltarmos, prometo que te apresento a ele – Harry garantiu e Vava voltou a sorrir.

, eu amo seus novos amigos! – exclamou – Mas isso vai demorar, não vai? , estava toda triste falando que só te veria de novo no final de fevereiro.

— Não disse não! – Olhei-a com os olhos semicerrados.

— Disse sim! – concordou.

Também estou com saudades, bobinha – Harry revelou, olhando para mim, e eu sorri.

— Vou matar vocês duas! – exclamei, colocando uma almofada no rosto.

Como foi a festa? – Harry perguntou.

Conversamos por uma hora, Harry precisou desligar pois iria tomar café em seu fuso-horário e ficamos apenas trocando mensagens.

Harry e eu parecíamos duas crianças conversando, fazíamos piadas que só nós entendíamos e inventávamos, conversávamos sobre frutas e como nós dois queremos ter plantações de todas as frutas possíveis quando tivermos nossas casas e sobre nossos jogos de videogame favoritos.

Minhas amigas haviam colocado o filme, enquanto eu continuava a conversar com Harry e levar meus pensamentos o mais longe que podia.

Seria possível eu estar gostando do real Harry Styles, longe das câmeras e holofotes?

Durante meus pensamentos atordoados, acabei adormecendo e não preciso nem dizer quem apareceu por meus sonhos...


Capítulo 7

Voltei para minha terra com muita dor no coração, porque amo minhas férias de final de ano.

E agora, Londres está passando por seus piores meses; dias sem sol e vento gelado por onde vamos, conseguindo combinar com meu humor nos últimos dias. Sempre que volto do Brasil, meu humor fica um pouquinho diferente do normal, principalmente quando tenho que retornar às aulas dia 12 de janeiro – mais precisamente, hoje, enquanto poderia estar curtindo o verão em outro lugar. Janeiro e fevereiro são meses mais gelados por aqui, onde vemos um pouquinho de flocos de neve caindo e todos usando casacos quentinhos – de longe, a pior época.

— Alguém parece super animada hoje! – disse, assim que nos encontramos na entrada da sala, abrindo os braços para que eu fosse lhe dar um abraço.

— Estou muito irritada.

— Jura? – Vava perguntou em um tom irônico.

— O que te aflige? – indagou .

— Preciso de mais tempo de férias – respondi, sentando em minha carteira, colocando meus braços na mesa e apoiando minha cabeça sobre eles.

— Tem certeza que é só isso?

— Não, estou de tpm.

— Isso eu sei, eu também estou – diz –, mas você não costuma ficar tão irritada assim, apenas bravinha.

— Isso me cheira a Harry Styles – Vava conclui.

— SIM! – respondi alto, percebendo que havia levantado minha voz. – Você acredita que eu tive aquele sonho de novo? Não estou mais suportando meu subconsciente, vocês precisam resolver, entrego em suas mãos.

, hoje é segunda-feira. Não posso te levar em uma boate, desculpa. Já pensou em criar um tinder?

— Não, , eu não vou criar um tinder. Eu quero Harry Styles, você está me entendendo?

— Pensa no pior, vai que ele beija mal.

— Eu tenho certeza que não. – Passei as mãos no rosto. – Estou entrando em um estado caótico. Não consigo parar de encarar a pulseira que ele me deu.

— Amiga, tem vários homens bonitos por aqui. Sacia sua vontade com alguém e esse aí você aguenta mais um pouco – Valerie sugeriu. — Deixa eu ver essa pulseira.

Estendi o pulso para ela e mostrei o presente que Harry havia mandado entregar em minha casa. Era uma pulseira de prata, com vários corações pendurados. Eu havia deixado na portaria de sua casa uma coleção de livros do Harry Potter, porque Harry me disse há alguns dias que sua mãe deu sua coleção para um garotinho, sem querer, junto a uma caixa de doação.

Valerie sorriu, passando seus dedos pelos pingentes. Ela estava encantada e chegou a bater palminhas de emoção.

Porém, o sinal tocou e tivemos que ficar quietas, pois o professor dessa aula era um pouco rígido, o que ajudava um pouco, porque é uma boa deixa para tirar meus pensamentos desse sonho.

Desde a noite de ano novo, comecei a flertar, de verdade, com Harry e eu acredito que ele esteja retribuindo, mas não tenho certeza. Algumas coisas não ficam muito claras quando estamos falando de superstars, nada poderia ser esperado. E então, meu subconsciente começou a formular muitas possibilidades de acontecimentos para quando Harry voltasse. Todos os sonhos acabavam com a mesma cena, nós dois dentro de um quarto. Há alguma possibilidade de ilusão por aqui? Acho que não.

Por outro lado, quando estava acordada, pensava nas milhões de festas que ele teria possibilidade de ir e nas garotas que poderia encontrar... Eu falei que meu estado era deplorável.

— Senhorita Jones. – Mr. Matthews raspou a garganta.

— Presente! – Levantei minhas mãos, acordando de meu transe, fazendo todos rirem.

— Senhorita Jones, estou perguntando sobre sua escolha de curso. – Segurou os óculos, parecendo mais sério do que o normal.

— Ah, me desculpe. Ainda não sei muito bem, mas talvez algo relacionado a fotografia ou psicologia.

— Já pensou sobre as faculdades que quer se inscrever?

— Tem tantas... Mas quero ir para UCLA.

— Los Angeles. Bem longe, não é? – perguntou.

— Sim.

— Interessante. E você, senhorita Collins? – Sr. Matthews se dirigiu a .

— Ainda não me decidi sobre o curso. Mas também quero ir para UCLA. – Ela sorri e eu também.

— Imagino que a senhorita também, Senhorita Miller. – Dessa vez, seu foco era Valerie, que assentiu – O que quer fazer?

— Publicidade.

Sr. Matthews se virou para outro aluno e voltei aos meus pensamentos. Na verdade, peguei meu celular, que estava dentro da mochila.

Harry Styles [08:58]: Bom dia, baby. Daqui a pouco pegarei o avião, só queria te mandar tchau antes de decolar.

Harry Styles [08:58]: Se eu morrer, saiba que não tenho dinheiro embaixo do colchão e que tudo o que eu tenho vai para minha família.

Harry Styles [08:59]: Menos meu moletom preferido, você pode ficar com ele.

J. [09:20]: Oi. Já decolou?

Harry Styles [09:20]: Ainda não, estamos esperando resolverem alguns problemas.

Harry Styles [09:20]: Você está bem?

J. [09:21]: Não, estou com muito sono.

Harry Styles [09:21]: Eu também, pelo menos vou dormir no avião.

Harry Styles [09:21]: Mas é só isso mesmo?

J. [09:22]: Não, eu preciso de uma festa igual a última que você deu, mas com um tempo mais longo e resultados diferentes.

Harry Styles [09:25]: Está na seca, Jones? Quer mais tempo com Zayn, uh?

J. [09:26]: Não, Harry. Zayn está conversando com e você sabe disso.

Harry Styles [09:28]: Então, com quem?

Não é possível, esse homem é a pessoa mais lerda do mundo ou está brincando comigo. Depois de semanas, não estava visível que era a ele quem eu queria?

Deixei-o falando sozinho por alguns minutos, pois minha aula terminaria em pouco tempo.

. – Chamei a atenção de minha amiga. – Olha isso, por favor. O que sugere? Um assassino de aluguel? – Entreguei meu celular a ela.

E então, o sinal para trocarmos de aula tocou.

, ele quer um pouquinho de amolação de ego, dá isso para ele – ela disse, entregando o celular para Valerie.

— Não estou com paciência para isso. – Bufei.

— Minha querida amiga, não sei por que está com tanta pressa. Irá vê-lo só daqui muitos dias, aquiete-se – Valerie se pronunciou, devolvendo meu celular.

— O que eu respondo? – Suspirei, abrindo a mensagem.

— Qualquer coisa, . Você está na melhor parte de uma relação: o flerte e os joguinhos.

J. [09:37]: Nossa, que pergunta difícil para se fazer em uma segunda-feira de manhã, tente mais tarde.

Harry Styles [09:39]: Baby, tenho que ir, a gente conversa mais tarde.

Harry Styles [09:39]: Se cuida, te mando mensagem quando chegar.

J. [09:40]: Bom voo, Baby Hazz. Não morre não, hein?

Magicamente, minha expressão zangada foi embora e meus pensamentos apenas focavam nas mensagens de texto trocadas. Nesse ponto, não há como enganar que estou completamente apaixonada por Harry Styles. Ele era melhor do que eu sempre sonhei: doce, gentil, carinhoso e sempre faz tudo para me deixar feliz, como não se apaixonar?

Quando conversávamos, sentia que estava sobrevoando o mundo todo. Principalmente quando me ligava, sua voz era a mais perfeita melodia e meus sentimentos eram de puro desejo. Desejo de estar ao seu lado, desejo de sentir seu cheiro novamente e, quando ia dormir, passava a noite pensando como seriam as conversas do próximo dia.

Eu sei, eu estou ferrada.

[...]

Durante as próximas aulas, e também durante o intervalo, ficamos conversando sobre o fato de estar conversando com Zayn Malik. Desde a noite de ano novo – na qual ela descobriu que Zayn a achava bonita, ela pediu seu número para Harry, que lhe mandou sem hesitar. Levou algum tempo para acumular coragem o suficiente para chamá-lo, até que dois dias depois o fez. Diferente de Harry e eu, suas conversas eram baseadas em pura malícia e flerte, porém não conversavam o tempo todo, apenas durante as madrugadas, não resultando em conversas adequadas para menores de dezesseis anos.

Valerie e eu não ficamos chocadas pela parte de , porque já a conhecíamos há tempo o suficiente para sabermos que ela era assim. Já sobre Zayn, fiquei bem chocada, pensava que ele era bem quietinho e tímido.

Bom, parece que me enganei.

No dia de hoje, seríamos liberadas mais cedo, pois não teríamos esportes, visto que estava bem frio e os treinadores decidiram liberar. De qualquer forma, o dia parecia que não acabaria nunca, estava tão cansada que só queria minha cama.

Eu e minhas amigas estávamos caminhando para o portão central da escola, onde iríamos até a próxima esquina juntas e nos separaríamos. Não diferente de todos os outros dias letivos, parecia animada demais para chegar até o portão. Pude perceber pois não parava de olhá-lo e, quando parei em meu armário, ela bufou algumas vezes.

— Está com pressa, ? – perguntei.

— Sim, estou morrendo de fome. Podemos ir?

— Eu queria conversar com a professora de biologia, podem ir, encontro vocês amanhã.

— Não! – gritou e eu franzi o cenho .– Quero dizer, amanhã você conversa com ela. Quero te mostrar uma coisa lá fora.

— E não pode mostrar amanhã? – revirou os olhos e pegou seu celular. Este era o sinal de que ela estava brava com alguma coisa, então decidi acompanhá-las. – Ok, eu falo com ela amanhã.

Um sorriso surgiu em seu rosto no mesmo momento.

Caminhamos até o portão e fomos em direção a esquina, porém, quando estávamos quase chegando, elas começaram a rir. Estava preparando-me para pegar meus fones de ouvido, quando meu celular começou a tocar. O nome de Harry apareceu no visor.

— Alô? – perguntei, sorrindo.

Heeeeey, !

— O que aconteceu? Achei que estivesse no avião. – Olhei para e Valerie, que pareciam não estar surpresas.

É... aconteceu uma coisa terrível.

No entanto, sua voz não parecia trêmula e podia jurar que estava sorrindo do outro lado da linha.

— Você está bem? – Suspirei. – Me fala logo, Harry. Sabe que eu não gosto disso.

— Não, acho que estou em pedaços.

— Harry?

Sim, o sorriso que você deu quando atendeu o telefone me fez ter um ataque cardíaco, preciso ir para o hospital.

— Do que você está falando? – Eu estava surpresa, sorrindo novamente.

, dê dois passos para frente, vire a esquerda e depois atravesse a faixa. – Harry pediu e eu o fiz. e Valerie estavam atrás de mim.

— O que e Valerie estão aprontando, hein? – Encarei-as e elas riram.

Quando atravessei a faixa, parei na esquina, olhei para um lado e depois para o outro. Não havia nada.

— Gente, sério, parem de me fazer de tonta.

— Quem está te fazendo de tonta? – Harry perguntou, abaixando o vidro do carro que estava parado bem em minha frente. O vidro era tão escuro que não pude vê-lo por fora. – Quer uma carona para casa?

Meu coração parou e o tempo congelou. Aquela cena de Harry com o braço apoiado sobre a janela do carro, seu sorriso encantador e seus óculos escuros na cabeça, embaralhados entre o cabelo encaracolado, marcou-me. Era como se aquela fosse a foto perfeita.

Olhei para minhas amigas, que pareciam mais animadas que eu. Sussurrei um “obrigada” e elas fizeram sinais para que eu entrasse no carro. A porta se abriu antes que eu pudesse puxar a maçaneta e eu entrei no mesmo.

— O que está fazendo aqui? – ingaquei, indo ao seu encontro para um abraço apertado e acolhedor.

— Meu voo só sai daqui a uma hora, queria te fazer uma surpresa – ele sussurrou com seus lábios perto do meu ouvido.

— Parabéns, tudo no sigilo e discretamente, do jeito que eu gosto. – Ri, acompanhada por ele.

— Fiquei sabendo... disse que você odiaria se eu fizesse uma coisa cheia de frufru. Que bom que a ouvi.

— É bom te ver. Tinha esquecido de como você era pessoalmente.

— Que exagerada, me assiste desde 2010 e não se lembrava de como eu sou? – Harry colocou as mãos na cintura e fez uma careta.

— Não, tenho memória de peixe. – Nós dois rimos.

— Na verdade, , tenho tempo de te acompanhar até em casa e tenho que pegar a estrada para o aeroporto.

— Vamos, então. Mas... você sabe que minha casa fica a quatro quarteirões, né? – perguntei.

— Claro, mas vou fazer parecer vinte minutos. – Harry deu partida e iniciou um caminho diferente do que eu estava acostumada. Aproveitou para ligar o rádio enquanto o sinal estava fechado e estava tocando Ed Sheeran. – Perguntaria como foi seu final de ano, mas como já sei tudo em cada detalhe, não vou perguntar.

— Vou te contar de novo, finge surpresa, tá? – falei e cantarolei um pouco da música.

Harry realmente fez o caminho de casa parecer mais longo do que o normal, porém, ao mesmo tempo parecia que o tempo estava voando e 20 minutos voltaram a ser cinco. Conversamos sobre como nosso dia tinha sido tedioso e trabalhoso, como sempre.

Quando percebi, estava em frente de casa e o relógio tinha passado de 13:30 para 13:50.

— Não acredito que já estou em casa. – Faço um bico. – Queria que você pudesse ficar mais um pouco.

— Nem eu, você sabe que ficaria o dia todo desse jeito. – Ele sorriu. – Não faz essa cara, .

— Que cara?

—Essa que você fez, estou quase ligando para irem sem mim – ele disse e eu mordi os lábios, envergonhada. – Essa também não.

— Por que?

— Porque desse jeito eu não me aguento – Harry confessou, fazendo meu corpo todo arrepiar.

Apenas meio metro de distância e nossas bocas estariam unidas. Seus lábios chamavam pelos meus.

— Você passa vontade porque quer. – Revirei os olhos.

— Já que é assim... – Harry se debruçou sobre o banco em que eu estava e colocou sua mão por cima da minha, que estava apoiada em minha coxa.

Meu coração bateu mais forte no peito, minhas pernas se estremeceram com seu toque quente e pude observar como seus olhos ficavam mais bonitos a cada centímetro que iam se aproximando. Olhei para baixo, envergonhada com a situação e Harry dirigiu sua outra mão para meu queixo, levantando-o em sua direção.

Antes que pudesse encostar seus lábios nos meus, fechei os olhos. Mas tudo o que ouvi foi sua voz, se afastando de meu rosto, soando irritada na cena escura que passava por minha cabeça. Abri os olhos, enquanto Harry chamava por meu nome.

– Harry passou sua mão por meu rosto. – – chamou firme, me acordando do transe. Ele carregava seu celular perto do ouvido e logo o desligou.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntei.

— Preciso ir embora, me desculpe. Achei que o voo fosse daqui a um tempo, mas é daqui vinte minutos, realmente preciso ir – informou, desapontado, passando a mão por meus cabelos.

— Obrigada por ter vindo. – Eu sorrio, sem graça. Acredito que ele pode notar a decepção em meus olhos.

— Me desculpe, eu volto daqui a alguns dias. – Harry abaixou a cabeça, ligando o carro novamente. – Até mais.

— Até mais — repito suas palavras, à contragosto.

Eu pego minha mochila no chão do carro e saio do mesmo com um meio sorriso. Harry estava com tanta pressa que seu carro desapareceu de vista rapidamente.

Quando o perdi de vista, rumei até a porta da minha casa, a qual abri e fechei o mais rápido que pude, indo em direção ao meu quarto. Meu corpo estava trêmulo e minha cabeça com um turbilhão de pensamentos.

Me sinto estranhamente vazia, por que ele não me beijou? Aposto que alguns segundos a mais não fariam diferença alguma. Ou ele não iria me beijar, apenas me abraçar e eu fiquei congelada por alguns segundos, de olhos fechados, preparada para receber o beijo que tanto esperava. Harry deve estar pensando tantas coisas sobre mim e sobre essa cena agora.

Porém, não acredito estar sofrendo uma ilusão, ele ia me beijar, não ia? Eu tenho certeza de que colocar as mãos no queixo de alguém indica que você vai beijá-la, certo?

Pego meu celular no bolso de minha mochila, que se encontra com várias mensagens de e Valerie, perguntando o que havia acontecido, se eu estava feliz e que elas estavam ansiosas para saber cada detalhe. Suspirei fundo, derrotada pelos pensamentos que rondavam minha cabeça e joguei meu celular em cima da cama.

Não consigo mais negar que estou apaixonada por Harry, não mais nessa altura do campeonato. Pensar sobre o outro resultado que os últimos minutos poderiam ter gerado deixa meu coração a mil. Harry e eu poderíamos ter passado para a fase dois, se não fosse aquele maldito celular e talvez seus pensamentos atordoados. Nós já havíamos falado sobre relacionamento antes, ele sempre me falava que é inseguro demais por conta de sua rotina e eu concordava, até agora.

Ah... meu diário vai ficar bem movimentado hoje.


Capítulo 8

N/A: Antes de começar a leitura, recomendo colocar NYLA - blackbear para tocar.

— Alô?

?

— Harry, é a terceira vez que você me liga em menos de dois minutos.

— Eu gosto de te ouvir falando "Alô?".

— Se você desligar e me ligar mais uma vez, eu vou falar outra coisa!

(Ligação desliga e volta a tocar)

— Harry, eu vou te matar!

— Se você não falar alô, eu vou desligar e ligar de novo.

— Eu estou estudando!

(Ligação desliga e volta a tocar)

— Harry... — resmunguei e ouvi sua respiração baixa pelo telefone.

— Se eu desligar e ligar, você vai falar Harry assim de novo?

— Não, eu vou até aí te bater! Eu estou estudando, já te falei.

— São duas da manhã em Londres, você deveria estar dormindo.

— Está me ligando por que, então? Esse é o único tempo que me sobrou para estudar para a prova.

— Gosto de te ouvir falar "alô".

— Você já disse isso pelo menos umas trinta vezes hoje. NÃO DESLIGA!

— Você já colocou minha blusa para lavar?

— Como você sabe que eu estou usando sua blusa?

— Estou atrás de você.

— Não está, não.

— Droga, esqueci que já fiz essa piada essa semana. Semana que vem eu tento de novo.

— Como você sabe que eu estou usando sua blusa?

— Você estava usando ontem, não tem porque não estar usando hoje de novo. Você ama reciclar roupas.

— Esse moletom é confortável, eu não vou devolver mais.

— Compra um para você, esse preto é meu favorito.

— Qual é, Harry, se você abrir a boca eles te mandam outra.

— E daí? Eu gosto dessa.

— Como os meninos estão?

— O mesmo de sempre. Zayn está quieto, Liam com saudade da namorada, Louis pregando peças em todo mundo o tempo todo e Niall disse que está com saudades de você.

— Queria ter tido mais tempo com todos.

— E como eu fico?

— Sinto sua falta também.

— Mais que sente deles?

— Menos, Harry. Beeeeem menos.

— Você machuca meu coração.

— Você me liga para me ouvir falar "alô?"

(Ligação desliga e volta a tocar)

— Alô?

— Obrigado.

— Não entendo essa sua obsessão por meu "Alô".

— Nem eu. Como você está?

— Ah, Harry...você sabe como eu estou. Conversamos anteontem.

— É verdade. Eu estou normal também.

— Está de folga essa noite?

— Sim, acabei de chegar em Nova York.

— Você é chique, né? E meu presente?

— Que presente?

— Se você me falar que esqueceu...

— Ok! Não esqueci, estou pegando um pin de cada cidade para te levar, quando consigo.

— Obrigada.

— Adoro essa sua risadinha vitoriosa.

— Você está me elogiando muito hoje, está com febre?

— Você está reclamando?

— Eu não. Pode me mimar mais.

— Eu não, você só me esnoba. Como está ?

— Está bem, não vê a hora de ver Zayn. – Bocejo.

— Vamos conversar só mais um pouco, vai. Me conta como foi seu dia.

— Hazz, foi o mesmo de sempre. Acordei com sono porque fui dormir muito tarde, fui para a escola, voltei, almocei, treinei, voltei para casa... E o seu?

— Louis me acordou jogando um sapo de plástico em cima de mim, quase me matou! Tomamos café no hotel, pegamos o voo para NY, conversamos sobre a tour na América em geral, ensaiamos por pelo menos umas seis horas, Niall falou que estava com saudade de falar com você, mas isso você já deve saber, Zayn mostrou uma foto sua jogada no chão bêbada com um urso de pelúcia meu para todo mundo, jogamos sinuca e agora estou no quarto. Louis está falando com alguém no telefone e eu estou trancado no banheiro.

— A rotina de vocês parece exaustiva. – Suspirei. — Não acredito que Zayn ainda tem essa foto! Ele me disse que apagaria.

— Sinto falta de Londres, mas estamos acostumados, é bom conhecer lugares.— Parou por um instante. —Quando você falou com Zayn?

— Por que quer saber?

— Só estou curioso.

— Nós conversamos antes do natal e há alguns dias, ele queria saber sobre .

— Hum, entendi.

— Harry, vou te matar se você começar a falar sobre o Zayn de novo.

— Desculpa, estou carente.

— Harry Styles está carente, o que acontece com o mundo?

— Queria que você fizesse tranças no meu cabelo.

(Silêncio)

— Sinto sua falta.

— Também sinto falta de vocês.

— Não, . Eu sinto sua falta.

— Eu queria poder fazer algo quanto a isso.

— Você nem imagina o quanto eu queria poder fazer qualquer coisa.

— Imagino sim.

— É, talvez você imagine.

— Eu imagino.

— Aproveitando o momento, acha que podemos falar sobre a última vez que nos vemos?

— Agora não é uma boa hora, eu preciso dormir.

— É a terceira vez que você puxa isso para longe.

— Estou com medo dos resultados.

— Você não acha que ambos queremos a mesma coisa?

— Não. Você foi bem claro quando falou sobre relacionamentos, quando conversamos pela última vez sobre.

— Relacionamentos? Vamos com calma.

— Ah, esquece...

— Estou brincando. Mas sim, fui bem claro quando falei sobre isso, você tem razão. Não deveríamos quase termos nos beijado, mas...

— Sim, não devíamos mesmo. – Minha respiração pesa. – Preciso dormir. Boa noite, Harry.

— Eu vou quebrar seu coração, .

— Está lendo as falas do roteiro?

— Espera, não acabei de falar.

— Harry, eu sei o que você vai falar. Você vai dizer que não pode passar por isso agora, que vive longe de casa, que somos bons amigos...

— Sim, era exatamente o que eu iria falar. Está com uma bola de Cristal por aí?

— Boa noite, Harry.

— Boa noite, .


Capítulo 9

— Por que você me ignora? — Harry começou.

— Porque você me liga incansáveis vezes.

— Não nos falamos há uma semana!

— Por ligação.

— Você tem razão. Mas você demora um século para me responder.

— Você sabe como eu sou distraída, eu sempre deixo meu celular longe.

— Você mora no mundo da lua.

— Não moro, não.

— O que eu acabei de falar?

— Que eu moro no mundo da lua.

— Não, a outra coisa.

— O que, Harry?

— Viu?!

— Isso não significa que eu seja distraída.

, você nunca lembra de nada.

— Isso é verdade...

— Suas provas já acabaram?

— Eu só tive duas provas, as de verdade começam em março.

— Você foi bem?

— Na medida do possível.

— Eu disse!

— Não disse, não.

— Tem razão, não disse. Mas queria ter dito.

— Tudo bem, acredito que você tenha pensado e não falado, você faz bastante isso.

— Oi?

— Oi, tudo bom?

— Você está jogando diretas em minha cara, Jones?

— Talvez, Harry Styles.

— Vai valer a pena.

— Ainda é estranho falar seu nome sem ser com um pôster.

— Fala de novo.

— Harry Styles.

Harry desliga e liga de novo.

— Por que você continua fazendo isso?

— Já esqueceu?

— Se você continuar desligando, vou começar a te ignorar de verdade.

— Tudo bem, desculpa.

— Onde vocês estão agora?

— Flórida.

— Quanto tempo para voltarem?

— Algumas semanas.

— Muito tempo, nem do seu cheiro eu lembro mais.

— E o do Zayn, você lembra?

— Vai se foder, Styles. Claro que eu lembro.

— Como ousa esquecer do meu cheiro?

— Não era você que estava falando que minha cabeça não funciona?

— Shit.

— "Shit".

— Sua voz nunca será tão rouca quanto a minha, não tente me imitar.

— "Sua voz nunca será tão rouca quanto a minha, não tente me imitar."

...

— Harry...

— O que você está fazendo?

— Deitada no sofá com as meninas.

— Elas estão me ouvindo?

— Não.

— Os meninos estão mandando Oi.

— Diga a eles que elas também estão.

— Por que não me deixa falar com elas?

— Porque eu estou falando com você, se quer falar com elas, liga no celular delas.

— Ouviu, Niall?

— Os meninos estão me ouvindo?

— Talvez.

— Harry!

— Desculpe. Você saiu da sala?

— Como sabe?

— O fundo ficou quieto. Onde você está?

— Por que quer saber?

— Gosto de te imaginar.

— Você é estranho.

— Pode ser.

— Em uma escala de zero a dez, o quanto você está com saudade de mim agora?

— Oito, talvez. Por quê?

— Porque minha resposta é sete. Sinto menos a sua falta do que você sente a minha.

— Isso não é justo. Você pode ter inventado qualquer número.

— Eu não inventei. De zero a dez, o quanto aquela notícia sobre você e Zayn totalmente fora da casinha no hotel é verdade?

— Dez.

— De zero a dez, o quanto você gosta de esconder as coisas de mim?

— Quatro. Você é pior que nicotina, talvez eu tenha mais danos com você do que com ela.

— Você disse que não bebeu mais.

— Eu não bebi.

— O que você fez, então?

— Por que quer saber? Qual o problema?

— Nenhum. Eu tenho que ir.

— Onde você vai?

— Por que quer saber?

— Quero conversar mais, estava com saudade da sua voz.

— Não tem nada demais com minha voz.

— Sua voz tem tudo de mais incrível.

— Falou o Harry Styles.

— Tem mesmo que ir?

— Não, só queria fazer um draminha.

— Por que?

— Porque se não, não seria eu.

— Faz sentido. Está sozinha, né?

— Sim.

— O que você está usando?

— Harry, o que é isso?

— Curiosidade?

— Ótima tentativa.

— Eu estou passando necessidades.

— Precisando, só chamar.

— Você sabe que isso é injusto, né?

— Eu continuo em Londres.

— Como se fosse escolha minha eu não estar.

— Eu não te culpo.

— Sinto sua falta.

— Eu sei, você me mandou umas trinta mensagens falando isso.

— Estou arrependido, você sabe.

— Sim, mas não precisa disso.

— Eu sei.

— Vamos ter bastante tempo até você voltar para a tour de novo.

— Então...

— Você terminou a música? – o cortou, antes que pudesse terminar o que tinha para falar.

— Sim. , fevereiro de 2015 e você é minha música preferida.

— Eu quero ouvir.

— Só no próximo CD.

— Isso não é justo, eu sou a inspiração e não posso ouvir a própria música que escreveram para mim?

— Sim.

— Harry!

Harry desliga e liga de novo.

— Atende!

Desliga e liga de novo.

— Vamos, .

Desliga e liga de novo.

— Harry, não vou falar com você até você voltar se continuar fazendo isso.

— Eu não tenho culpa.

— Não?

— Não, não escolhi gostar de ouvir você falar meu nome.

— Isso ficou estranho.

— Posso perguntar o que você está usando de novo?

— Não!

— Por que não?

— Porque eu não vou fazer isso.

— Ok, me convenceu. Como está sua família?

— Estão bem. Minha mãe está doidinha para te convidar para um jantar.

—Que bom, fico feliz em ouvir isso.

— Ela te mandou um beijo.

— Outro para você, sogrinha.

— Ela não é sua sogra.

— Ainda não.

— Talvez.

— Talvez? Por quê? Está pensando na possibilidade de apresentar o Zayn pra ela?

— Você tenta me zoar quanto a isso, mas sabe que não me arrependo de ter ficado com ele.

— Ok, não quero detalhes.

— Você que começa a falar dele.

— Como você sempre tem a resposta na ponta da língua?

— Talvez seja isso que eu esteja fazendo no meu mundo da lua que você tanto fala.

— Faz sentido. Falando sério, por que talvez?

— Por que talvez? Você é o indeciso da história e me pergunta isso?

— Ah.

— Ah?

— Odeio o fato de você sempre ter razão.

— Como Louis e Liam estão? Faz tempo que não falo com eles.

— Louis está carente, Liam normalmente está de bom humor, como sempre.

— E você? O que tem feito?

— Eu? Eu e os meninos nos divertimos sempre que possível.

— Sempre que possível?

— Sim, sempre que temos algum tempo livre. E também sempre somos convidados para irmos nas festas.

— Festas?

— É.

— Harry, você ficou com alguém durante a tour?

(Silêncio)

— Harry, estou falando com você.

, precisamos conversar sobre uma coisa.

— Com quantas?

— Quantas o que?

— Meninas, Harry.

— O que? Não é isso.

— O que é, então?

— Olha, amanhã você verá algumas notícias que talvez não sejam tão agradáveis. Mas isso não mudará nada, meu sentimento é o mesmo.

— Meu Deus, você vai ser pai?

— Pelo amor de Deus, não! Me deixa falar. A Modest fechou contrato com uma banda e eu fui sorteado para bancar o namorado de alguém. Pela fama, apenas pela fama.

— Está brincando, certo? E Niall, Zayn, Louis...?

— Eles acham que comigo terá mais visibilidade, mas é só por alguns meses.

— Meus parabéns?

— Juro que é só marketing, vai durar três meses, é pouco tempo.

— Tudo bem. Ela é bonita?

— Sim. Mas você é muito mais.

— Duvido. — O tom da sua voz já não era o mesmo. — Mas... que bom, eu acho. Espero que dê tudo certo.

— Você está bem, ?

— Por que sentiu necessidade de me contar isso?

— Não sabia como você reagiria se acabasse vendo por aí.

— Harry, minha mãe está me chamando. Depois te ligo, beijo.

— Beij... – E então, ela desligou.

[...]

— Hey, Niall! — disse animada, por finalmente estar conversando com seu amigo.

— Oi, ! Como você está? — Sua voz era tão animada quanto a da amiga.

— Estou bem, você sabe... e você?

— Estou muito bem, ontem ganhei no poker que fizemos. — Fez um “yes” com as mãos.

— E qual era o prêmio?

— Escolher se todos ficaríamos em casa ou iriamos para uma festa.

— Vocês devem ter ido para a festa, só por sua voz rouca e por essa cara de ressaca.

— Sim! Foi muito legal, conheci uma garota muito bonita.

— Qual o nome dela?

— Não me lembro... — Niall coçou a cabeça. — Droga, esqueci de perguntar o nome dela.

— Niall. gargalhou. — Não acredito que você esqueceu o nome da menina.

— Me dei muito mal! Mas ela era MUITO bonita.

— Sinto muito por você.

— Tudo bem, tem muitas garotas por aí. Mas e você, o que fez ontem de madrugada?

— Eu assisti 10 coisas que eu odeio em você.

— Bem simbólico. Chorou?

— Não, já te falei que não choro com filmes. Achei fofinho, queria um Patrick para mim, sem a parte da cantoria em frente à escola inteira.

— Você não acha o Harry parecido com Heath Leager?

— Nesse filme, sim. Por isso queria um.

— SIM! Eles se parecem muito nesse filme. Você tem falado com ele?

— Não muito.

— Quando foi a última vez que conversaram?

— Hoje, mas só trocamos algumas mensagens de bom dia, a última conversa séria que tivemos foi quando ele me contou aquilo.

— Você está brava?

— Levemente triste.

— Mas por que? Vocês não são amigos?

— O que? Nós quase nos beijamos quando ele veio até minha casa.

— Sério?

— Niall, sim! – Ela o olhou com uma expressão duvidosa. — Achei que você soubesse. Nós também passamos vários dias dos últimos meses conversando de madrugada por ligações. Ele foi todo fofo e tal.

— Não. Apenas sabia da sua queda por ele, mas não sabia sobre isso.

— Acho que esqueci de mencionar...

— Sinto muito por isso, mas você sabe que serão apenas alguns meses, né?

— Sim, porém essa bola poderia ter sido passada para outro.

— Louis disse que poderia fazer, até porque “faria a ex namorada dele ficar com ciúmes”. — Fez aspas com as mãos.

— Louis sendo Louis.

— Sim, mas não quiseram. A garota disse que só namoraria o Harry e, então, ele não teve escolha.

— Mas isso será uma coisa de mentirinha, certo? Acha que preciso me preocupar?

— Sendo bem sincero, acho que não. Ele não está nem aí para ela, apenas finge em público.

— Você tem certeza? Eu vi algumas fotos bem desagradáveis.

— Acho que sim, ele sempre fala de você e vive pendurado no telefone com você, então...

— Falando nisso, estou ouvindo muitas vozes aí.

— Os garotos acabaram de chegar no quarto do hotel, vamos arrumar as malas. Quer falar oi?

— Quero sim.

— Oi, ! — Liam apareceu sorridente.

— Olá, Jones. — Louis também se pronunciou.

— Hey, linda! Como você está? — Zayn.

— Estou bem e vocês?

— Bem também. — Todos responderam. — Onde Harry está?

— Seu namorado está tomando banho. — Louis disse e engasgou.

— Pelo o que estou sabendo, a namorada não sou eu.

— Sim, mas todos sabemos que poderia ser.

— Assim você me ilude, Lou. — Fez um bico.

— Para de graça, Jones. Você sabe que ele está afim de você. – Louis respondeu, sério.

— Foi o que eu falei para ela. — Niall intrometeu-se — Mas ela não acredita.

está aí? — Zayn entrou na frente da câmera e eu neguei.

— Meu querido, é só chamar ela para conversar.

— Eu sei, mas assim é mais descontraído. Onde ela está?

— Provavelmente vindo para minha casa com Valerie, vamos sair daqui a pouco.

— Hum, onde vocês vão? — Zayn perguntou, intrigado.

— Nós temos uma festa de um amigo hoje. contou, sorridente.

— Que amigo? Eu não estou dando festa — Niall protestou, ela riu do ciúme do amigo.

— Um colega de sala, é apenas uma festa de aniversário.

— Quero ir. – Zayn disse e Niall concordou.

— Sosseguem, vocês foram para uma festa ontem, alcoólatras.

— Estamos com três semanas de férias, precisamos aproveitar. – Louis apareceu novamente.

— Vamos sair novamente? — A voz de Harry preencheu o local. não podia vê-lo, até Niall virar a câmera em sua direção. Ele estava somente de toalha.

— Não, a vai. — Niall disse.

— Ah. Hey, Baby. Como está? – Harry pegou o celular de Niall.

— Estou bem, e você?

— Estou bem também.

— E esse cabelo molhado?

— É estilo. — Harry bagunçou seu cabelo. — Vai sair hoje?

— Vou sim, tenho uma festa de aniversário.

— Hum, divirta-se. — Respondeu e devolveu o celular para Niall.

— Meninos, minhas amigas chegaram. Beijos de luz! — fugiu do alvoroço.

— Tchau! — Louis, Liam e Zayn disseram.

— Tchau, , encha a cara por nós. — Niall falou e eu assenti, mandando um beijo.

— Pode deixar. — Acenou.

[...]

Harry Styles [00:34]: Hey, meu aniversário está chegando. Quero saber onde vamos comemorar?

Harry Styles [01:39]: Tudo bem por ai? Estou no maior tédio.

Harry Styles [02:12]: Estou começando a ficar preocupado.

Jones [05:23]: Oi, bonitão. Eu também me divirto. Foto

O queixo de Harry caiu. Seus olhos rolaram com tanta força que chegaram a doer. Bonitão? Que caralho de foto era aquela? Ela estava tentando provocá-lo?


Capítulo 10

— Que foto foi aquela?

— Foi um surto momentâneo, não aconteceu.

— Aconteceu sim.

— Ok, foi um leve ataque de ciúme, mas já passou.

— Passou mesmo?

— Já superei.

— Que bom, você sabe que não tem motivo para ter ciúme.

— Eu não sei de nada com certeza.

— Preciso deixar mais claro?

— Vamos, Styles, fale com todas as palavras.

— Como foi seu dia hoje?

— Aquela agencia de modelo entrou em contato comigo.

— E como foi?

— Minha mãe esta receosa, mas acho que vai dar certo.

— Você está nervosa?

— Mais ou menos, para ser sincera. Fiz algumas fotos quando eu era criança, mas nada grande.

— E de onde surgiu essa vontade de ser modelo?

— Eu sempre quis, mas nunca achei que fosse conseguir. Foi uma surpresa quando mandei as fotos na semana anterior, não esperava que fossem entrar em contato tão rápido.

— Eles que estariam perdendo.

— Mas também, né. Foi por causa do vídeo com o Louis, aposto que viram que eu tinha alguns k de seguidores.

— Pode ser, mas seu corpo, rosto, etc. ajudam.

— É verdade, é o ar brasileiro.

— Sem dúvida alguma.

[...]

“Ok! Megazine: O astro do pop Harry Styles da banda mais amada de todos os tempos foi visto com a modelo Sophie Johnson, logo após o show de ontem!”

— Feliz aniversário, Harry.

— Adorei o boné que você me deu, obrigada.

— Niall já te entregou? Que rápido!

— Assim que eu acordei. Ele disse que achou importante.

— Esse loirinho oxigenado... Você gostou mesmo?

— Sim, se você não tivesse me dado, iria compra-lo amanhã.

— Espero que você use no show de hoje à noite, prometo que vou assistir.

— Já é o terceiro que você fala que irá ver.

— Sim, mas os dois últimos eu realmente não consegui. Fiquei sem internet em um e no outro meu computador pifou.

— Hoje você vai?

— Sim, é seu aniversário! Vou assistir com as meninas.

— Acho bom, mesmo.

— Vai sair depois do show?

— Bem provável, Louis quer ir em uma boate.

— Legal, só chega de me ligar bêbado, hein...

— É inevitável, você sabe.

— Sufocando com as palavras que não podem ser ditas sóbrias, Styles?

— Não.

— Umas doses de tequila e você está chorando no telefone, dizendo que não quer namorar a Sophie.

— Você sabe o que eu quero.

— Sei?

— Claro que sim!

— Conta outra, Styles.

— Eu juro que é tudo marketing.

— Não parece, cada vez parece menos.

[...]

“Breaking News: Harry Styles é visto aos beijos com sua nova garota Sophie Johnson! Os pombinhos foram vistos saindo do avião em Los Angeles juntinhos, que casal mais lindo!”

— Você está brincando comigo, não é?

— Não, . Por que eu faria isso?

— Eu não consigo conversar com você dessa forma.

— O que você está dizendo?

— Me sinto uma idiota, o tempo todo.

— Eu te prometo que essa espera vai valer a pena.

— Não sei o que dizer.

“TMZ: O TMZ informa que o casal Sarry é real! Entrevistamos Harry Styles alguns dias antes de seu aniversário e ele nos contou tudinho sobre o casal favorito do mundo teen!”

— Acho que vou vomitar lendo essa notícia.

— Com o tempo você se acostuma. Imagine como eu estou, precisando fingir que gosto de um relacionamento que não existe.

— Eu não vou me acostumar com isso.

— Mais dois meses, aguenta o coração.

— O Instagram dela está cheia de fotos suas.

— O seu também.

— E daí? Para de rir, Styles.

— Eu acho uma graça esse seu ciúme.

— Eu não acho o seu uma graça, não.

— Só por que eu queria brigar com um cara que não para de comentar “casa comigo” em todas as suas fotos?

— Sim.

— Para de rir, Jones.

— Me fala, o que você iria falar para o cara que está em tour com você? “Para de comentar nas fotos da minha amiga, por favor? Estou com ciúme, mas sem razão alguma.”

— Sim, foi isso mesmo...

[...]

“VOGUE: Jones é a nova aposta de André Santini. A jovem de 18 anos, que ficou conhecida por um vídeo brincando com o pop star Louis Tomlinson, fechou contrato com sua primeira marca de alto escalão. Ainda não foi divulgada para a imprensa, mas logo saberemos.”

— LA já é realidade, não é?

— Espero que sim, em breve!

— Calvin Klein vai precisar de um modelo bem bonito para chegar ao teu nível.

— Fofo. Vou até tirar um print dessa mensagem.

— Ei, eu sou fofo quase sempre.

— Quase nunca, você quis dizer?

— Ontem mesmo falei que você tinha ficado linda naquela foto.

— Não conta, eu estou sempre linda.

— Você está ficando muito famosinha, isso sim.

— Ian Somerhalder que se cuide, não é? Mais alguns M de seguidores e eu tomo o lugar da Nina Dobrev.

— Esse cara, de novo? Ele tem o dobro da sua idade.

— É verdade, queria ser um pouco mais velha.

— Estou rolando os olhos pelo outro lado da tela.

— Tinha certeza.

(Silêncio)

— Ei, amor, os meninos estão te chamando. — Uma voz feminina ecoou do outro lado da linha.

— Sophie, só um minutinho — Harry falou.

— Ei, amor. Até mais. desligou o telefone, com um nó na garganta.

Para falar a verdade, estava devastada. Ela não conseguia suportar esse tipo de coisa. Não conseguia digerir a ideia de que estava flertando com Harry Styles, que ele estava flertando de volta, porém, ao mesmo tempo, existia um abismo entre eles.

Muitas vezes, ficava sem palavras diante o telefone. Momentos como este a faziam querer desaparecer do mundo e esquecer que todas aquelas conversas e momentos já existiram algum dia. Parecia tudo uma brincadeira. Aquilo não era real.

Harry a levava as nuvens e a empurrava para longe. A trazia de volta e a voz de Sophie apagava todas as suas esperanças novamente. dizia que estava tudo bem, mas não conseguia esconder o que estava sentindo e não sabia se comportar como se tudo estivesse tudo bem. Seu maior medo, na verdade, era olha-lo nos olhos novamente. Não tinha ideia de como se comportaria após esses últimos meses as cegas, com o coração a loucura.

O que mais a incomodava era Sophie. Mas, não por ser ela e sim porque ela era perfeita, e esse era o problema. Sophie fazia questão de se comportar das melhores maneiras possíveis e fazer tudo direitinho.

Mas ele sempre tentava traze-la de volta. Do jeito dele, mas tentava. Esse seu comportamento era outro quesito que a deixava totalmente confusa: Harry não expunha seus sentimentos, ela nunca sabia exatamente o que ele sentia e não os demonstrar não fazia diferença alguma para ele. Pelo menos, era o que ela achava.

Ela estava em sua sacada quando ouviu, pela última vez, a voz de Sophie. Última vez, porque havia decidido não ligar mais para Harry. Não podia mais mentir para si mesma, ela sentia algo por ele. Algo que nunca havia sentido antes, pois nunca havia gostado de verdade de ninguém. Ninguém nunca teve a capacidade de laçar seu coração, que, agora, estava destrancado e pronto para lançar-se a Styles.

Suas amigas estavam esperando-a em seu quarto, terminando um trabalho da escola. Elas entendiam que, por conta do fuso horário, precisava falar com Harry em horários muito específicos.

voltou para sua cama com uma expressão nada boa. Seus olhos não conseguiam esconder a decepção com a cena que acabara de ouvir, logo, percebeu o desconforto da amiga e perguntou o que havia acontecido, mesmo já prevendo a resposta.

— O que aconteceu?

— Sophie interrompeu nossa conversa — ela respondeu, tristonha.

— Tenho vontade de pega-la pelos cabelos — afirmou.

Ela realmente estava com vontade de xingar Sophie, mas nunca permitiu, pois não queria interferir com o respeito que Harry tinha por ela, apesar de parecer muito mais que um respeito.

— Por que você não larga a mão? — Valerie interferiu.

Para ela, a solução era tão simples. Estava cansada de todo esse drama adolescente desnecessário, mesmo não sabendo lidar com seus próprios. Já havia falado milhões de vezes para a amiga simplesmente viver a vida e esperar esses meses passarem. Uma dessas vezes resultou naquela merda de foto.

— Eu não quero largar a mão.

— O que ela fez dessa vez? — a morena perguntou, curiosa.

— Ela o chamou de amor, na minha frente. Sem hesitar.

— Ela gosta dele, isso não é novidade.

— Mas podia ter um pouco mais de noção. Ela sabe que conversamos. — abaixou a cabeça, inquieta. Não queria mais falar sobre aquilo. — Mudando de assunto, como está o Zayn, ?

— Zayn? Quem é esse?

— De novo, isso? — Valerie revirou os olhos.

— Zayn está livre, leve e solto, amigas. Assim como eu.

— E você não gosta dele? — perguntou e negou. — Me engana que eu gosto, querida.

[...]

Harry estava confuso e perdido. Pela primeira vez, em muitos anos, estava finalmente se permitindo digerir sentimentos por alguém e vibrante que era claramente correspondido. não tinha freio na língua para se expressar e essa parte era a que mais o encantava.

Uma mistura de “provocação e desejo" eram as palavras que definiam a garota perfeitamente.

Mas, ele estava com medo. Sua vida era agitada e desordenada. Cada mês viajava para um continente diferente e não tinha ideia de quando aquilo acabaria. Além do mais, se a carreira da garota tivesse êxito, a vida dela seria tão agitada quanto a dele. Não podia fazer isso com ela. Não podia fazer isso consigo mesmo.

Após desligar diretamente em sua cara, Harry sabia o que estava por vir. De qualquer forma, não havia nenhuma forma de culpar Sophie por aquele momento, pois sabia como ela se sentia em relação a ele. Nunca foi fingimento.

— Eu estava conversando com , Sophie. — Ele se levantou da cadeira em que estava sentado, com um olhar nada agradável.

— Hum, me desculpe, Harry. — Ela colocou suas mãos em seus ombros e Harry fez questão de tirar imediatamente.

— Nós já conversamos diversas vezes sobre isso.

— Eu sei, mas você está comigo agora.

— Por contrato.

— Mas está. — Arqueou as sobrancelhas, sentindo-se vitoriosa. — Viva o que tem para agora. — Sophie colocou as mãos por dentro da camisa branca que Harry usava.

— Eu não quero.

— Mas vai. Você um dia vai me querer.


Capítulo 11

N/A: Música do capítulo: That way – Tate McRae (no repeat).

Os olhos verdes de Harry fitavam com tamanha seriedade e tristeza, do outro lado do cômodo. Sua respiração era pesada e seus dentes passavam por seus lábios a cada cinco segundos, indicando tremenda preocupação sobre o que estava prestes a sair da boca da garota. Harry entendia, mas não concordava com o que estava acontecendo. , por outro lado, concordava com o que estava acontecendo e não entendia seu ponto de vista.

O que estava acontecendo naquele cômodo?

Como chegaram aqui? Essa parte, é um pouco mais complicada do que o normal.

Tudo começou há alguns dias atrás, quando não suportava mais encontrar fotos de Harry e Sophie por toda a internet. Parecia perseguição, onde entrava, encontrava fotos e notícias diferentes. Porém, participava das conversas por trás das câmeras, onde Harry e Sophie estavam se dando super bem, muito além do fingimento que a mídia precisava saber.

De alguma forma, Harry e ela ainda conversavam e, quando estavam conversando, tinha certeza de que ele gostava dela, até Niall a enviar um vídeo acidentalmente, no qual Harry e Sophie estavam de mãos dadas dentro do set. Não foi acidentalmente, Niall queria lhe mostrar Louis e Zayn pregando uma peça em Liam e ela acabou vendo o background.

Passaram-se dias, semanas e a volta de Harry parecia cada vez mais longa.

, nesse meio tempo, tentou conhecer outras pessoas, ir a festas, beijar garotos e provocar um ciúme desnecessário em Harry. Mal sucedida, se arrependeu de mandar uma foto “acidentalmente” beijando um desconhecido, pois Harry pareceu não se importar nenhum pouco.

Sentia que estava andando em círculos, passando horas no telefone flertando com alguém bem distante e ao mesmo tempo insegura por não saber o que Harry estava sentindo de verdade. Então, quando viu esse vídeo, diminuiu a intensidade dos flertes e das mensagens de texto, que acabaram sendo zeradas de um dia para o outro. A última vez que trocaram palavras foi há alguns dias atrás.

Ele havia mandado uma mensagem enquanto ela ainda estava em festa e, quando ela respondeu, eram cinco e quarenta da manhã do outro dia, bêbada e com algum garoto ao lado. Harry sabia disso porque tentou ligar, preocupado se ela estava sóbria e bem e outra pessoa atendeu. Portanto, quando acordou, era tarde demais para tentar consertar.

E então, no outro dia, fotos de Harry com Sophie se beijando, preencheram toda a timeline do twitter. Não conseguia nem pensar por onde começar.

Como vieram parar nesse quarto?

Os garotos já haviam voltado para Londres há seis dias, mas levou alguns dias até Niall chamá-las para ir até a casa deles. Na verdade, ele tem chamado desde o segundo dia, mas ela estava com medo de passar pela situação em que se encontra neste exato momento. Por esses dias, pensou muito se Harry estava brincando com ela para massagear seu ego ou se as conversas que tivemos foram reais o suficiente para um sentimento verdadeiro nascer entre nós.

Logo, Niall sabia o porquê de estar negando ir até a casa deles e combinou com de que ela a levaria até lá para a festa surpresa que teria no sábado. No caso, hoje. A festa era para comemorar o aniversário de Harry, que aconteceu há algumas semanas atrás, mas ela não fazia ideia.

Valerie e juraram de pés juntos que iriam para uma boate, no centro de Londres. Mas acabou desconfiando quando estavam indo na direção oposta com o táxi, que as deixou em frente a mansão. Seus pés e mãos se encontravam em um estado congelado e seus órgãos pareciam estar em uma pista de dança, principalmente quando foram recebidas com Niall ao lado de Paul.

Qualquer um poderia notar seu desconforto naquele momento. Paul, o segurança, chegou a perguntar se ela estava me sentindo bem, porque a expressão nervosa que carregava no rosto, a entregava sem hesitar. Os quatro, tiveram uma leve discussão sobre o acontecido, mas a garota se acalmou quando Niall disse que Harry não estava presente, mas que poderia chegar a qualquer momento, e ela se perguntou várias vezes porque ele não estava em sua própria festa.

Niall alegou que não fez nada daquilo para obriga-la vê-lo, que apenas queria vê-la pessoalmente e que ela poderia ir embora assim que Harry chegasse na festa, então concordou em ficar.

cumprimentou todos os garotos e quem estava presente na roda, dançou um pouco com as garotas, bebeu alguns copos de champanhe e, exatamente uma hora da manhã, as luzes foram apagadas, a música parou, todos se esconderam e ela entendeu que era uma festa surpresa. 01:05, Harry entrou pela porta da frente, de mãos dadas com Sophie, soltando-a no mesmo segundo que todos gritaram “surpresa! ”. , Valerie e se entreolharam e ela balançou a cabeça negativamente, analisando a cena que havia acabado de presenciar, vindo à tona toda a onda de decepção que já estava sentindo. Controlada por algumas doses de álcool, se virou completamente na direção oposta e fui em direção a varanda, onde já não se encontrava ninguém, pois todos estavam cumprimentando Harry.

Não sabia por quanto tempo ficou por ali, mas foi o suficiente para as músicas voltarem a tocar e os garçons voltarem a distribuir bebidas para todos. Niall a encontrou depois de um tempo, sentou-se ao lado dela e me contou uma piada, na tentativa de me alegrar.

Minutos depois de longas risadas, conseguiu convence-la a voltar para onde todos estavam e terminar de aproveitar a festa. Seus argumentos foram muito válidos.

De qualquer forma, o terceiro estágio de bêbada já havia sido atingido e agora não teria mais volta, a não ser que parasse de beber completamente. Todos sabemos que isso não aconteceu.

Meia hora depois de todos os cumprimentos, Harry chegou na roda em que todos estavam. Seus olhares foram trocados algumas vezes e foi a última pessoa a ser cumprimentada. Enquanto chegava mais perto, o olfato de se encontrou com o cheiro do seu perfume e o coração da garota podia ser ouvido do outro canto da sala, acompanhando as batidas do DJ. Antes que pudesse parar em sua frente, Sophie se juntou a nós, soltando um:

— Estava te procurando, baby. — Enquanto passava as mãos pelos ombros de Harry.

Como dito, ela se encontrava sem controle algum de seu corpo para pensar de formas lógicas, consequentemente se dirigindo a própria ruina.

Harry parou na frente dela e, ela virou as costas, indo em direção ao único lugar silencioso daquele ambiente: a lavanderia. Alguns “!” foram ouvidos e completamente ignorados, o que levou a um pequeno jogo de pega-pega, até Harry finalmente conseguir puxa-a pela mão — como crianças de 10 anos.

Poucos argumentos tomaram posse do local, no qual a música ainda se sobressaia, no entanto, todos os argumentos gesticulados conseguiam ser vistos por quem estava presente. Frases como “não acredito no que você está fazendo” ou “você é um mentiroso” estavam sendo ditas em público. Louis chegou, empurrando-os para o quarto mais próximo, onde eles estavam agora.

— Você me iludiu. — cuspiu as palavras, com os olhos fervendo de ódio.

— Pela milésima vez, eu não te iludi. Eu não faria isso. — Harry suspirava fundo.

— Como quer que eu acredite em qualquer coisa que você fale, baby? — Chamou-o dessa forma, como Sophie. — Como pretende que eu engula esse tipo de coisa?

— Por que está cobrando isso de mim, ? Você fez exatamente igual.

— Ah! Agora você vem com isso para cima de mim? — Ela se aproximou de onde ele estava. — Você. Tentou. Me. Beijar. — Apontou para seu peito. — Você conversava comigo toda noite, falando que estava sentindo minha falta e que queria me ver...

— Eu não estava mentindo.

— Não? Então que porra é aquela?

— Aquilo é um namoro falso, que irá acabar em dois meses.

— Não me parece nem um pouco falso.

— Significa que estou fazendo o trabalho direito, não é?

— Sophie não parece estar atuando.

— Ela não está. Ela gosta de mim. Mas eu deixei claro milhões de vezes que estou com ela somente pela mídia, e mais nada.

— Harry, eu vi um vídeo seu de mãos dadas com ela dentro do set. — Disse, e ele arregalou os olhos. — Niall me mandou um vídeo, no qual você apareceu no fundo, com ela.

— Eu tive que fazer aquilo.

— Harry, você não é obrigado a nada. Todos lá dentro sabem que é de mentira.

— Você não pode me cobrar nada. — Ele estava sério. — Nós somos amigos e mais nada.

— Vai para o inferno, Styles! O que foram aquelas conversas que tivemos? Por que você tentou me beijar? — Finalmente, os olhos dela demonstraram a tristeza que sentia, deixando algumas lágrimas escorrerem pelas bochechas.

Harry não disse nada, apenas abaixou a cabeça, passando a mãos por seu rosto. Quando estava nervoso, falava milhões de coisas que não poderiam ser desditas. Onde estava com a cabeça, afinal?

— Harry.

— Eu não quis dizer isso, eu sei que não somos só amigos.

— Se você sabe, o que você está fazendo?

— Eu só estou vivendo o que eu tenho para agora.

— Harry, o que você tem para agora está bem aqui na sua frente e você decidiu me jogar para escanteio. Sem aviso, sem prévia, sem conversa! — se exaltou. — Não acredito que você fez isso comigo, não me procura mais. — Deu alguns passos para trás. — Quer saber? Ainda bem que não nós beijamos. Você é um babaca.

Seus passos seguiram até a porta do quarto, mas não chegou a alcançá-la, pois, mais uma vez, a mão firme de Harry puxou a dela. Dessa vez, para perto de seu corpo, fazendo-a sentir sua respiração há poucos centímetros de seus lábios. Sua mão esquerda, por outro lado, se dirigiu até a nuca dela, por baixo de seus cabelos, puxando seu rosto mais perto e fazendo suas bocas se tocarem. Os lábios de Harry eram macios e gelados, o que a fez estremecer e se deixar levar por alguns segundos. Foram realmente poucos segundos de choque, pois o sabor de gloss de morango invadiu o beijo. O batom de não tinha sabor algum, e, mesmo se tivesse, seria de cereja, o que sempre estava usando.

Percebendo o que havia acabado de acontecer, depositou as mãos nos ombros do astro, empurrando seu corpo para longe.

— Seus lábios estão com sabor de morango. — Disse, com a cara fechada.

— Merda.

E foi a última coisa que conseguiu ouvir, antes de, por fim, passar pela porta do quarto e ir a procura dos amigos. Harry havia beijado Sophie, minutos antes de beijá-la. Pode ser que exista alguém que consiga passar por isso, mas ela não era esse alguém. Não conseguia entender a ideia de um namoro falso, nem de flertar com outra pessoa enquanto você finge estar com outra. Não tem cabimento, não tem estrutura. Harry tinha razão, eles eram só amigos e deveriam ter permanecido dessa forma. Por que foi ter uma queda por Harry Styles, onde estava com a cabeça em pensar que poderia dar certo, de alguma forma?

Para facilitar a procura, tirou os saltos que estava usando e caminhou até a pista de dança. Finalmente, encontrou e Zayn, que estavam se beijando, quer dizer, se engolindo perto da lareira. Respirou fundo, não queria atrapalhar a amiga finalmente tendo seu momento de glória. Procurou por Vava com os olhos e não teve muito sucesso, suspirou fundo e foi para a área da piscina, onde Liam, Louis e Niall estavam. Caminhou até eles, que não perceberam que a garota estava ali até cutucar Niall, que a olhou assustado quando viu as poucas marcas de lágrimas que ainda restavam em seu rosto.

— E esse batom, ? Escorregou no copo? — Louis disse, brincando, sem olhar exatamente para o rosto de .

— Cala a boca, cara. — Niall o olhou sério e o fez perceber o que havia acabado de dizer.

— Foi mal, ... — Louis disse, passando a mão por sua nuca. A garota o ignorou.

— Sabe onde Valerie está? Quero ir embora. Não quero atrapalhar e... — Falou rapidamente e Niall a cortou.

— Valerie foi buscar uma garrafa d’agua, já chega aqui. — Ele passou o braço por cima da cabeça de e a abraçou. — Quer conversar sobre o que aconteceu?

— Não, quero sair daqui. — Sua voz embragou novamente.

— Ela está chegando. — Niall respondeu, olhando para o lado.

— O que aconteceu? — Perguntou Valerie, olhando para os dois.

— Vamos embora? — Perguntou e ela assentiu com a cabeça. — Vou ligar para meu pai.

— Querem que eu leve vocês? Estou indo para a casa de Danielle agora. — Liam anunciou. — Não bebi nada.

— Se você puder, por mim seria ótimo.

— Vamos então. — Ele pegou a chave no bolso. — vai ficar?

— Vai sim, acabei de passar por ela. Disse que passará a noite aqui. — Valerie disse.

Se despediram de Niall e Louis, que a deram um abraço apertado e Niall disse que a ligaria no dia seguinte.

Os três seguiram a garagem e ao carro de Liam. Valerie se sentou no banco da frente e foi para o banco de trás, em que jogou seus saltos no chão e encostou a cabeça no vidro da janela.

Longa noite, péssimas consequências. Como dizia Ted Mosby, nada de bom acontece após as duas da manhã. Palavras são ditas sem pensarmos no antes e no depois, e também não podemos tê-las de volta, temos somente a memória do que aconteceu.

Quando estavam no meio do caminho, provavelmente cansados de ouvirmos as músicas tediosas do rádio, Valerie perguntou o que aconteceu. E repassou toda a história em voz alta.

[...]

Harry estava arrasado. Não sabia o que sentia com aquele turbilhão de pensamentos. Para dois amigos, aquilo tinha sido muito além do que uma discussão e Harry sabia disso. sabia disso.

Ambos não conseguiam nem imaginar como seriam os próximos dias de férias.

Harry deixou o quarto, após chutar um balde que estava próximo ao seu pé. Mesmo sem uma gota de álcool em seu organismo, decisões tinham sido tomaras e sabia que aquele momento tinha sido crucial para seu não-relacionamento com .

Ele queria que aquela noite tivesse sido diferente. Queria que aquele beijo tivesse se transformado em gotas de suor espalhadas por sua cama e roupas no avesso jogadas pelo chão.

Precisava conversar com Louis. Passou por várias pessoas bêbadas, que estavam dançando no centro de sua sala de estar e, quando chegou perto do amigo, observou Niall abraçando e ela indo embora com Liam e Vava. Um garçom passou ao seu lado com uma bandeja cheia de copinhos de shot e ele fez questão de pará-lo e tomar — não se sabe quantas — doses de tequila. Assim que a garota saiu de cena, foi até Louis e Niall.

— Você está com uma cara péssima — seu melhor amigo, o disse.

— O que aconteceu? — Niall perguntou, curioso.

aconteceu. — O garoto, que ainda estava em um estado agitado, passou a mão pelos cabelos e tomou o copo de cerveja que Louis estava segurando.

— Tem certeza que é seguro você beber? Você estava com muita dor no corpo hoje à tarde, deve estar doente.

— Foda-se. — E Harry virou o copo de cerveja, misturando com a tequila.

Louis e Niall se entreolharam, imaginando como o resto da noite seria cansativo para os dois. Harry nunca se deu muito bem com o álcool, porque não sabia a hora de parar.

E, sim, o resto da noite foi exaustivo. Harry tentava ligar para a todo momento e tiveram que tirar o celular dele. Com Liam longe e Zayn ocupado, não tinham muita ideia do que fazer com o Styles, a não ser colocá-lo embaixo do chuveiro. Mas, não poderiam fazer muito alvoroço, haviam muitas pessoas ali, então pediram ajuda para Sophie.

Sophie o acompanhou até o quarto primeiro e Louis e Niall chegariam lá após 15 minutos, para não suspeitarem muito do que estava acontecendo. Porém, quando chegaram no cômodo, não presenciaram a cena mais agradável de se ver. Sophie, ao invés de estar dando banho em Harry, estava tomando banho com Harry, se aproveitando de seu estado deplorável. Nem haviam se dado o trabalho de trancar a porta do banheiro.

Louis e Niall fecharam a porta rapidamente, antes de qualquer outra pessoa chegasse ali e foram pedir para os seguranças começarem a evacuar a festa, pois estavam cansados demais para aguentarem mais algumas horas de álcool e música.


Capítulo 12

se remexeu algumas vezes antes de abrir os olhos, sentindo o colchão duro em duas costas. Aquela não era sua cama e aquele travesseiro cheirava a Coco Mademoiselle, Channel. Segundos depois, abriu os olhos e se deparou com Valerie sentada ao seu lado, mexendo no celular.

Argh, suas costas doíam, sua cabeça doía e sentia que havia sido atropelada por um caminhão, aqueles do tipo que carregam concreto. Nunca se encontrara em uma situação parecida, pois tinha manejado seus sentimentos muito bem até o presente momento. Olhou para Valerie, sem saber exatamente o que dizer, porque nem se recordava exatamente como havia parado naquela cama.

— Bom dia, amiga. — Ela deu um sorriso amigável.

Resmungou algumas palavras, porque tinha certeza de que ela entenderia como um bom dia. A verdade é que não conseguia pensar muito bem ao acordar, levaria uns 10 minutos para entender a dimensão do espaço e do tempo. Esfregou os olhos, tentando se lembrar de como viera parar no quarto de Valerie, sendo que estava indo para casa. Sua amiga a olhou apreensiva, imaginando o que estava pensando.

— Amiga, por que não estamos na minha cama? — perguntou com a voz rouca, que não parecia querer ir embora com algumas raspadas na garganta.

— Você não lembra? — Arqueou a sobrancelha. — Que estranho. Nós viemos para cá porque era mais perto e facilitava o caminho para Liam.

— Ah, é verdade. — Se recordou dos acontecimentos da noite passada. — Alguma notícia de ?

As lembranças pareciam machucar. Machucar de uma forma que nunca haviam sido machucadas antes. Machucar de parecer que seu coração estava sendo apertado.

— Sim, ela está lá ainda. Pediu para que fossemos busca-la, ia te acordar daqui a pouco. — Valerie deu de ombros. — Você está bem?

Enquanto terminava de ouvir sua amiga falar, parou para analisar a pergunta. Ela não estava bem. Seu coração, que nunca havia sido quebrado antes, estava se desmanchando pouco a pouco, todas as vezes que se lembrava da noite passada. Aquela conversa poderia ter terminado de tantas outras formas diferentes, mas eles haviam escolhido o pior caminho de todos. Ela poderia simplesmente tê-lo ignorado ou fingir que não tinha o visto. Por outro lado, essa conversa viria à tona a qualquer momento, não poderia fugir dela.

E o beijo. Aquele maldito beijo. Aquela maldita boca macia, que chamava pela a dela mesmo a milhas de distância. Os lábios de Harry a fazia tremer as pernas, apenas um toque foi suficiente para saber que gostaria de beijá-lo novamente. E suas mãos repousadas em sua cintura deixavam toda a região formigante. A sensação era incrível, inimaginável e indescritível para qualquer um que perguntasse.

— Tirando a dor de cabeça, hum... não? Quero dizer, não sei. Acho que não... sei. — Se embolou nas palavras.

— Quero matá-lo, posso?

— Queria que pudesse. Não podemos esquecer de que ele é um cantor famoso, nós seriamos pegas — suspirou. — Não acredito que ele está ficando com Sophie.

— Eu acredito. Ele é homem — Valerie afirmou.

— Coloquei muitas expectativas, — assumiu — fui muito idiota.

— É... eu não posso discordar. — Valerie se levantou, indo em direção ao banheiro. — Mas, para ser sincera, eu faria a mesma coisa.

Valerie já estava com uma roupa casual e deixou uma roupa para , aos pé da cama. Após terminar de se vestir, escovar seus dentes e se arrumar um pouco, elas desceram para tomar café. Conversaram um pouco os pais de Vava enquanto comiam, a família dela sempre foi muito bem receptiva com e ela adorava passar um tempo com a irmã da amiga, sempre que possível. Então, após terminarem nosso café, Valerie conversou com sua mãe sobre irem buscar , e ela concordou, desde que dirigisse. Sua irmã, Paola, insistiu muitas vezes para ir junto, mas os pais dela negaram, pois ela tem apenas onze anos.

Ela também prometeu ao seus pais que ficariam no máximo uma, por motivos óbvios.

sempre disse que tem muitas teorias sobre a vida, uma delas é sempre procurar evitar qualquer tipo de situação que a coloque em uma posição muito triste, apesar desse lema não estar sendo muito bem aplicado nos últimos dias.

O dia estava com uma temperatura neutra e nublado, certamente combinando com seu humor, nada agradável. Dias nublados aumentavam toda a tristeza que seu corpo poderia conter e nada, a não ser os raios solares, poderia melhorá-lo.

O caminho para o destino era bem menor, comparado ao de sua casa, por isso, estariam lá em apenas dez minutos. Em uma tentativa de melhorar o humor da amiga, Valerie colocou uma das suas músicas preferidas no rádio: Young Blood. E foi no repeat, pois ouvir 5SOS é pisar em ovos, ou seja, você nunca sabe o que vai ouvir na próxima. Pode ser uma música bem animada, ou pode ser uma música que levem todo o resto de serotonina que meu corpo carrega embora. Para garantir, era melhor deixar a mesma música tocar.

— Say you want me, say you want me, out of your life! — cantou , com a voz que mal saia das cordas vocais, acompanhando a letra e sua amiga sorriu vitoriosa, sabendo que havia conseguido levantar o humor da garota.

cruzou todos os dedos, esperando que Harry não estivesse lá, e, caso estivesse, que seus olhares não se cruzassem. Francamente, desejou algumas vezes para a noite passada ter sido apenas mais um dos seus sonhos inexplicáveis. Todavia, as memórias ficavam cada vez mais claras enquanto aproximavam da mansão.

Estacionou o carro em frente ao portão, onde o segurança o pegaria e o colocaria na garagem, era um procedimento padrão, de acordo com Niall e sua última mensagem de texto.

Valerie e desceram do carro e foram acompanhadas até a porta de entrada, a qual foi aberta por Louis.

! Vava! Que surpresa inesperada — ele disse, levantando um copo de coca cola que segurava.

— Louis, você não sabia que nós viriamos? — Valerie perguntou.

— Sabia sim, mas não posso ficar feliz por estarem aqui? — Louis revirou os olhos, rindo.

— Oi Lou, licença — pediu , depois que se separaram de um abraço.

— Oi Lou, licença — Louis imitou a voz da amiga. — Que voz é essa, ? Engoliu um louro com depressão?

— Acordei desse jeito. — Deu de ombros.

— Que jeito? Triste?

— Não, mané. Rouca e com dores de cabeça — riu. — Mas triste também. Não consigo acompanhar seus gritos hoje, desculpa.

— Que pena, vou ter que encontrar outra dupla. — Louis brincou, enquanto as acompanhava até a área da piscina, onde parecia estar acontecendo um churrasco, com poucas pessoas.

A área era bem aberta, havia uma piscina relativamente grande para Londres, uma churrasqueira e uma mesa que coubesse no máximo 20 pessoas. Alguns rostos familiares eram vistos, outros nem tanto. A cena que presenciava era inacreditável.

se surpreendeu ao encarar o rosto de Luke Hemmings, que estava parado sua frente, com a mão direita estendida, provavelmente dizendo “muito prazer. ”

— Valerie, você está aí? — perguntou a morena, sem olhar para o lado.

— Sim — ela respondeu, soando desentendida.

— Acho que eu morri.

— Oi? — Luke riu.

— Você é bem mais bonito pessoalmente, nossa — admitiu.

, Vava, temos convidados especiais hoje — Louis afirmou. — Acredito que vocês já notaram.

— Estou vendo. Muito prazer, sou .

— Muito prazer, . Vava. — Ele estendeu as mãos para Valerie, que olhava com uma expressão assustada.

Se dirigiram até a mesa, onde encontraram , Zayn, Ashton, Michael e Niall. Calum não estava presente, mas assumiu que estava com a namorada e decidiu não perguntar, apenas se apresentar e aceitar, mais uma vez, que estou vivendo um sonho.

— O que aconteceu com você? — perguntou, se referindo a voz de .

— Não faço ideia.

Sua voz estava realmente muito estranha. Não era normal ficar rouca dessa forma, a não ser que estivesse doente, ou algo parecido. Entregou a peça de roupa que ela havia pedido, então foi até o banheiro trocar.

— Sério? — Niall a olhou despercebido.

— Não sei, acordei assim. Minha garganta está doendo um pouco também, acho que estou resfriada — concluiu, sentando em uma das cadeiras vazias, ao lado de Niall.

— Sabe quem mais está resfriado? Harry. Ele está deitado e com febre — Zayn falou, inocentemente.

— Filho da puta! Além de quebrar meu coração, me passa doença? Vou ter que jogá-lo da sacada, não vai ter jeito — respondeu a garota, com toda a força da voz que ainda tinha e cruzou os braços.

Seu coração doeu quando Zayn disse que ele estava doente. Poucos neurônios ainda sobraram para se manter ereta na cadeira, segurada pelos pensamentos de que Sophie estaria lá, não se aguentaria em ver os dois juntos, mesmo que apenas de mãos dadas. Apenas em se recordar, seu sangue fervia.

— O que aconteceu? — Zayn perguntou e ela levantou as mãos.

— Muita história, vamos mudar de assunto — Valerie disse, cortando-o. — Vem cá, por que eles estão aqui? — Apontou para os rostos, nem tão desconhecidos assim.

— Bem direta — Michael disse, sorrindo. — Estamos aqui porque temos uma reunião com eles amanhã, e estamos nos hospedando aqui.

— E Calum? — perguntou . — Afinal, onde vocês estavam ontem?

— Ele está dormindo, não conseguiu dormir direito no avião — disse. — Nós chegamos há duas horas.

— Devem estar cansados.

— Sim, mas nem tanto. Podemos curtir um churrasco — Luke anunciou, enquanto levava uma garrafa de cerveja de encontro com seus lábios.

não pode deixar de reparar nesse movimento. Depois de Harry Styles e da One direction inteira, Luke era seu terceiro top celebridade. Ele perdia apenas para Damon Salvatore, que era um personagem fictício. Estar sentada com ele na mesma mesa, bebendo uma cerveja, não faziam seus pensamentos sedentos sossegarem. Sinceramente, não conseguia tirar seus olhos dele. Não conseguia dizer se era a carência, apenas a atração ou os dois ao mesmo tempo. Afinal, a pessoa com quem gostaria de estar abraçada neste momento, estava, provavelmente, engolindo outra mulher em seu quarto. A vida não para não, é? As coisas funcionavam de uma forma muito simples em sua cabeça, a resolução para este problema era mais descomplicado do que parecia: não se privaria de nada. Nem por Harry, nem por ninguém.

— Sobre o que estávamos falando mesmo? — Niall perguntou, enquanto olhava a amiga pensativa.

— Não me lembro! — Louis se pronunciou. — Quem você beijou ontem, Niall?

— Não beijei ninguém.

— Sério? — perguntou curiosa e ele assentiu. — Niall, você ainda está pensando naquela garota da tour?

— Não... eu só...

— Você é um bebe, Niall. — Apertou suas bochechas, que coraram no mesmo segundo.

, você está muito engraçada com essa voz. — voltou a mesa com uma sacolinha em mãos.

— Sim! Parece um gatinho que não consegue miar — Valerie disse, fazendo todos rirem.

— Eu achei fofo — Luke admitiu, fitando-a. — Não me importaria de ouvir você falando assim, pelo resto do dia.

A garota sorriu de lado, gratificada por seus olhares com segundas intenções estarem sendo recíprocos. Porém, algo por trás de sua cabeça chamou a atenção do loiro, fazendo-o voltar seu olhar para a cerveja e o pão de alho que estavam em sua frente. Luke estava desconfortável e tinha notado.

— Achou? — Uma voz atrás dela, que ainda não fazia parte da roda, se manifestou.

— Como você está? — Niall olhou para trás.

— Não muito bem...

Quando seus neurônios assimilaram, deixou de sorrir e suspirou fundo, dizendo para si mesma que não precisava passar por um momento de estresse agora. Então, decidiu ignorar a imagem de Harry atrás dela e de Niall.

A voz rouca e com um tom ciumento de Harry, fez seus batimentos cardíacos acelerarem, suas pernas começaram com movimentos involuntários e sentia seus lábios secos. O que ele causava nela era único.

— Estou com fome. — cortou o clima, passando a mão por seu estomago, que logo fez um barulho para afirmar o que havia acabado de dizer.

— Estou vendo, dragão. — Louis replicou e todos gargalharam.

Niall se levantou e foi em direção para onde Harry estava, porque aparentemente ele precisava de algo. não pode evitar de ouvir algumas coisas como: “Não me sinto bem”, “O que foi aquilo?” e “Vou pedir para chamarem um médico.” Estava tão distraída, prestando atenção na conversa que acontecia atrás de onde estava, que não percebeu que estavam chamando-a.

— Quer jogar beerpong? — Zayn perguntou.

— Ah, não da. Estou dirigindo — respondeu rapidamente. — Preciso ir ao banheiro, já volto.

Ela não precisava ir ao banheiro, mas por algum motivo, sentiu-se na necessidade de passar por perto do astro. Quando estava finalmente se distraindo, ele apareceu, trazendo à tona toda nossa conversa de ontem, que ecoava em seus pensamentos. Ainda não teve tempo suficiente de assimilar o que foi dito e ouvido e seus sentimentos haviam escolhido aquele exato momento para isso acontecer. Se afastou da mesa, passando por Niall e Harry, que estavam no caminho. Pediu licença para passar e dirigiu-se ao banheiro.

aproveitou este tempo para reforçar os resquícios de maquiagem que usava, pois, apresar de ter acostumado com a presença dos meninos, a de Luke ainda era uma surpresa, podendo também ser um investimento.

Quando saiu do banheiro, a provável e ilustre presença de Harry estava ali, encostada na parede branca do corredor, supostamente aguardando-a. Cruzou meus braços, esperando que ele falasse alguma coisa. O momento a deixava seriamente incomodada, só não sabia dizer se era algo bom ou ruim.

— Posso ajudar? — perguntou ela.

— Você está bem?

— Não, acho que estou resfriada.

— Desculpe por isso, também não me sinto muito bem.

— Deixe-me ver. — A garota deu um passo para frente, colocando suas mãos geladas nas bochechas de Harry, que estavam fervendo. — Você está com febre.

— Niall já chamou um médico — ele disse, manhoso.

estava enfraquecida. Queria acompanha-lo até o quarto de cuidar do garoto por quanto tempo pudesse.

— Melhoras, então — respondeu, com muito esforço.

— Será que nós podemos conversar?

— Ham... Conversar sobre o que?

— Sobre ontem, você sabe que...

— Não, Harry. Não sei sobre nada — o cortou. Não precisava ouvir sua explicação, ontem já ficou bem claro. — Não quero conversar, vamos fingir que todas as nossas últimas conversas e ontem a noite não existiram.

— É isso o que você quer?

assentiu.

— Está muito ocupada dando em cima de outra pessoa, não é? — Falou em um tom provocativo. Se a situação não fosse a atual, a garota provavelmente teria achado essa fala brevemente sexy.

— Qual o seu nome mesmo? — ela perguntou, irritada.

— Harry? — retrucou, confuso.

— Bom lembrar que não é Thomas e nem Amanda, o que significa que não te devo satisfação nenhuma — cuspiu as palavras, caminhando para onde os outros se encontravam, ocultando quaisquer outras palavras que Harry dissesse.

Harry não sabia o que dizer. Ela o havia deixado parado, sem palavras. Ele a observou voltar para o grupo de amigos, sem olhar para trás e ele voltou para o quarto, no qual Sophie havia acabado de deixá-lo.

voltou para a mesa, onde se sentou e decidiu comer alguma coisa. Todos estavam muito entretidos no jogo e na bebida, então pegou o celular, que havia deixado em cima da mesa e se que o plano de fundo havia sido mudado, e que agora era uma foto de Niall e de Louis, completando um coração com as mãos.

— Hey, não vai mesmo jogar? — Luke, sentou-se ao seu lado, colocando seus braços em cima da mesa.

— Eu não posso, estou dirigindo. — Fez um bico. — E o carro é dos pais da Valerie. Eu queria, muito mesmo.

— Entendo, que pena. Quem sabe podemos marcar para bebermos um dia desses, estarei por aqui pelas próximas duas semanas — ele disse, passando a mão por seus cabelos louros.

— Claro! Desde que seja em um final de semana, por mim tudo bem.

— Posso te perguntar uma coisa? — Olhou em seus olhos, ela já previa o que Luke queria saber. Assenti.

— Você e Harry...

— Não. Não temos nada — retrucou rapidamente, Luke sorriu.

— Não foi o que pareceu.

— Ah, aquilo? — suspirou. — Foi parte de um teatrinho que ele começou ontem e terminou agora pouco. Não há nada com que se preocupar.

Mentira, havia muito motivos para se preocupar. Estava caidinha por Harry e, para ser franca, seu show de ciúmes a fez ficar um pouco menos triste. Apenas não poderia pegar leve, ou ele pensa que a pode ter na palma das mãos quando quiser? Nem em seus melhores sonhos.

, precisamos ir embora, meus pais precisam do carro. — Valerie aproximou-se da mesa, juntamente a .

— Que pena, estava me divertindo.

— Então, você pode me passar seu telefone? — Luke perguntou, enquanto ela se levantava.

— Claro. — Pegou seu celular, que estava sendo entregue em suas e anotou o número. — Tchau, lindos! — Mandou um beijo de longe para os meninos, que ainda estavam jogando.

— Me liga depois! Quero conversar com você — Niall gritou e assentiu, sorridente.

Deram seus últimos acenos, seguindo em direção a garagem e indo para o carro. Enquanto esperavam o portão ser aberto, aguardava começar a contar sobre sua noite dos sonhos com Zayn.

— Pode começar, os vidros estão fechados — falou e Valerie riu.

— Eu. Transei. Com. Zayn. Malik! — Disse pausadamente, com uma animação fora do comum.

— Pelo menos alguma de nós está fazendo alguma coisa que presta. — Valerie falou. — Agora conta, como foi?

— Vocês não têm a mínima noção...

E então, seguiu falando sobre todas as partes incríveis da noite passada, com todos os detalhes possíveis. Coitada, mal imaginava que ouviria a perspectiva triste de sobre a noite passada...


Capítulo 13

Domingo á tarde

[Luke H. 16:25]: Olá, garota do Harry!

[ J. 16:26]: Quem é?

[Luke H. 16:26]: O garoto mais bonito que você conheceu até hoje.

[ J. 16:27]: Ian Somerhalder?

[Luke H. 16:29]: Errou. Você conhece o Ian Somerhalder?

[ J. 16:29]: Sim, fui em um meet uma vez. Se não é o Ian, quem é?

[Luke H. 16:32]: O segundo garoto mais bonito que você conhece?

[ J. 16:33]: Hm... Eu tenho o número do Zayn.

[ J. 16:33]: Estou brincando! Oi, Luke! A que devo a honra da sua mensagem?

[...]

Segunda-feira

[Luke H. 07:41]: Acordou junto com o sol?

[ J. 07:40]: Sim, infelizmente. Tenho que ir para a escola.

[Luke H. 07:41]: Aww, você ainda vai para a escola.

[ J. 07:46]: Luke, você estava na escola até ano passado.

[Luke H. 07:48]: Verdade.

[ J. 07:50]: O que faz acordado?

[Luke H. 07:50]: Esqueceu que cheguei da Austrália ontem?

[ J. 07:59]: Ah! Isso é muito ruim. Conseguiu dormir pelo menos um pouco?

[Luke H. 08:02]: Sim, as três da tarde ontem. Consegui tirar um cochilo de madrugada também, não mais que duas horas.

[ J. 08:05]: Por isso estávamos conversando tarde ontem.

[Luke H. 08:06]: Sim, mas já estou ficando com sono de novo.

[ J. 08:10]: Falar comigo te deixa com sono? Bom saber.

[Luke H. 08:10]: Não! Totalmente o contrário.

[ J. 08:11]: Bom saber, também.

[Luke H. 08:11]: Não está na aula?

[ J. 08:15]: Sim. É melhor eu ir. Mais tarde te chamo, beijos.

[Luke H. 08:15]: Até mais.

[...]

Quinta-feira

[Luke H. 16:10]: Acredita que o Louis caiu da escada?

[ J. 16:10]: Ah, não! Sério?

[Luke H. 16:10]: Sim! Ainda tem um vídeo, vou te enviar.

[ J. 16:11]: Não acredito que vocês filmaram esse tombo maravilhoso.

[Luke H. 16:11]: Foi muito engraçado.

[ J. 16:12]: Coitadinho, eu entendo ele. Sou muito desastrada também.

[Luke H. 16:12]: Sério?

[ J. 16:10]: Sim, eu vivo tropeçando nas coisas, é ridículo. Já tive muitos ossos quebrados.

[Luke H. 16:14]: E se você tropeçar em alguém?

[ J. 16:14]: Eu peço desculpas, né. Mas sempre acontece.

[Luke H. 16:15]: Podia tropeçar em mim, vai que acabamos de lábios selados.

[ J. 16:15]: Não preciso tropeçar para fazer isso.

[Luke H. 16:15]: Então, você vem até aqui amanhã? Niall me disse que te chamou.

[...]

Sexta-feira

[ J. 12:30]: Estou muito cansada, acho que vou dormir a tarde toda.

[Luke H. 12:31]: Descansa mesmo, hoje a festa dura até amanhã.

[ J. 12:31]: Que animação, Luke. As 01:00 já estou deitadinha na cama, dormindo.

[Luke H. 12:40]: Dormindo?

[ J. 13:10]: Depende de como a noite desenrola.

[Luke H. 13:11]: Eu duvido que dormirá tão cedo.

[ J. 13:35]: O que tem em mente?

[Luke H. 13:35]: Segredo, algumas garrafas de cerveja e, quem sabe, eu te conto.

[Luke H. 16:06]: ?

[ J. 17:21]: Desculpa! Meu professor pegou meu celular, minha mãe teve que ir até a escola buscar. Acabei de pega-lo.

[Luke H. 17:22]: Hm... estou te causando problemas?

[ J. 17:22]: Sim!

[Luke H. 17:23]: Sua mãe brigou com você?

[ J. 17:24]: Sim, não vou poder ir hoje a noite.

[Luke H. 17:25]: Ah, sério?

[ J. 17:25]: Não! Estou brincando. Minha mãe não faria isso. Ela não liga para essas coisas.

[Luke H. 17:25]: Ufa! Achei que teria que pegar o carro e ir até aí.

[ J. 17:26]: Achei que não tivesse carta.

[Luke H. 17:26]: Eu não tenho. Quero te ver.

[ J. 17:27]: Fica tranquilo, daqui algumas horas estou ai.

[ J. 17:27]: Preciso ir agora, vou fazer lição de casa, jantar, me arrumar e te aviso quando estiver indo. Beijos, até mais.

[Luke H. 17:27]: Finalmente posso dizer: até daqui a pouco. Beijos.

E hoje era o dia. O dia em que finalmente iria sair de sua seca de alguns meses — sem contar o garoto da festa, ela apenas o beijou e nem se lembra o nome dele direito —, os lábios de Luke Hemmings estavam a sua espera e quase não teve tempo para pensar que Harry Styles quebrou seu coração na semana anterior.

Não.

Espera.

Quem ela estava querendo enganar? A verdade, é que não conseguia parar de pensar em Harry.

Seus olhos de esmeralda num quarto escuro marcavam presença em seus tempos livres, também durante seus sonhos e, é claro, durante as aulas tediosas de matemática. Sentia falta de trocar mensagens com ele. Sentia falta de como ele a chamava de “baby”, — mesmo sem malicia alguma — quando queria insinuar algo fofo. E, por último, sentia falta do seu cheiro, mas isso já havia virado rotina há muito tempo.

O cheiro das pessoas era algo muito marcante para ela, acreditava que seja pelo motivo de que era bem esquecida em vários aspectos. Harry cheirava a um perfume de quase 100 euros, difícil não ser o único a marcar seu olfato.

Sabia que não deveria estar pensando nele, não após a última conversa que tiveram, que não foi muito agradável. Por sorte, Luke conseguia mantê-la distraída por poucos momentos e amava a forma com que ele era bem direto e atirado, sem enrolação nenhuma. Totalmente diferente de vocês sabem quem...

e Valerie chegaram em sua casa, logo após o jantar com seus pais e agora estavam conversando com Amanda na sala de estar. nunca entendia como não enjoavam uma da cara da outra, se viam quase vinte e quatro horas por dia.

— Vava, cuida da , ok? Você sabe que ela fica meio fora da casinha quando bebe. — Amanda, que estava sentada no tapete, disse.

— Mãe, você sabe que quem faz isso é a — respondeu, indignada. — De qualquer forma, não vou beber. Hoje é uma noite para recordar! Um brinde. — Levantou o copo de agua que segurava.

— Por que? — Perguntou, curiosa.

— Hoje, mamãe, vou ficar com Luke Hemmings. Pode anotar no meu diário. — sorriu, animada.

— Você vai dormir em casa?

— Acho que sim, mas os meninos disseram que podemos ficar no quarto de hospedes, para não incomodar vocês.

— Ótimo, durma lá.

— Hummm, Tia Amanda, tem planos para a noite? — insinuou.

— De fato, sim. Portanto, me liguem somente amanhã.

— Arruma mais um filho, por favor! Queria um bebe nessa casa — fez um bico.

— Não é porque você gosta de bebes e se dá bem com eles, que sua mãe tem que passar por aquela tortura de engravidar de novo — Vava disse, e mostrou a língua.

— É verdade, esse cargo é seu, desculpe — Dona Amanda respondeu. — Preciso de netos agora.

— Deus me livre, mas quem me dera — admitiu. — Quem sabe daqui uns 6 anos.

, acho que precisamos ir, já são quase oito horas — cortou.

— Está com pressa, Collins? — Valerie a olhou, piscando.

— Sim, quero ver Zayn de novo. Vamos?

— Vou pegar minha mochila — disse — Mandem uma mensagem para Niall, avisando que vamos dormir lá.

— Vou chamar Thomas — Amanda também se levantou.

Chegando em seu quarto, respirou fundo algumas vezes em frente ao espelho, ansiosa para o que estava por vir. Mas, é claro, que era pelo fato de que iria encontrar o garoto que gostava, abraçado no sofá com outra pessoa... seus neurônios reconheciam o sofrimento antes dele chegar. Pegou sua mochila, um travesseiro, conferiu se havia pegado tudo e desceu as escadas. Todos já estavam dentro do carro, esperando-a. Então, trancou a porta da frente e foi para o carro.

Há alguns dias, tinham combinado de que toda vez que estivessem indo para a casa da One Direction, colocariam os cds mais antigos deles para tocar e iriam cantando até chegarem lá.

Foi o que fizerem, foram de I wish, para Heart Attack, voltando para Tell me a lie, e assim foi...

— Então, amanhã você me manda mensagem? — Thomas olhou para trás e assentiu. — Tudo bem, divirtam-se.

— Lembrando: se a mãe da perguntar...

— ...Ela está dormindo em casa, já sei. —Amanda completou.

— Obrigada, amo vocês. — Deu um beijo em cada um.

Suas amigas agradeceram e todas foram guiadas por Paul até a entrada.

— Você ficou mais baixinha, foi? — Paul olhou para Valerie, que semicerrou os olhos.

— Olha aqui, Paul. — Colocou as mãos na cintura, indignada. — Eu tenho uma altura normal, ok? Vocês que são muito grandes.

Todos riram e ele abriu a porta para entrarem. O estômago de parecia estar sendo esmagado por dinossauros. Mas, de alguma forma, ela já estava se acostumando com essa ansiedade.

— Olha quem chegouuuuuuuuuuuu! — Louis e Niall foram em direção a porta. — Olá, amigas queridas.

— Viemos para ficar hoje. — mostrou seu travesseiro.

, temos travesseiros suficientes nessa casa — Louis disse.

— Ela não consegue dormir sem o travesseiro dela — Collins interferiu e Jones sorriu travessa.

— Ah, meu Deus, trouxe a mamadeira também? — Niall perguntou e ela deu o dedo do meio para ele. — Agressiva, vou te pôr no cantinho do castigo.

— Vou te bater, Niall. — Disse, deixando as coisas em uma cadeira e abraçando-o. — Saudades, você já está cheirando a cerveja. Como isso é possível?

— Louis derramou um copo em mim, estou indo trocar de roupa neste exato momento.

— Valerie, você é muito tímida — Louis disse, olhando-a. — Fale mais conosco.

— Pode deixar — ela riu.

— Vamos. — Louis fez um sinal com a mão. — Podem deixar suas coisas aí, depois nós pegamos.

O loiro separou-se de todos e foi até o quarto, enquanto , Louis, Vava e foram em direção a sala de estar, onde todos estavam sentados, conversando e bebendo cervejas. Quando a garota viu Luke, sorriu de orelha a orelha e foi cumprimenta-lo, pois ele estava no acento mais próximo. Ele se levantou, colocou as mãos em sua cintura e disse:

— Bom te ver.

— Digo o mesmo.

— Ei, não vai me falar oi? — Liam, puxou uma das mãos da amiga, atrapalhando seu abraço com Luke.

— Quem é você? Integrante novo? — perguntou brincalhona e ele fez uma expressão triste. — Estou brincando, bebê. — Abraçou-lhe.

Harry não estava na roda novamente, portanto, não teve que se dar o trabalho de ser simpática ou de passar por um momento embaraçoso. Por outro lado, ficou triste de não o ver por ali, será que estava evitando-a?

Terminou de cumprimentar os meninos da 5sos, Zayn e a Danielle. e Valerie fizeram o mesmo. Ela se sentou entre Luke e Liam, onde tinha um lugar vago. Niall chegou após alguns minutos, juntando-se aos amigos.

— Estou animada para essa noite — Valerie disse. — As meninas disseram que a última foi muito legal.

— Você lembra da última noite? — Liam olhou para , que assentiu.

— Fato sobre mim: Sou uma bêbada consciente. — Fez um “joinha”.

— Verdade, ela lembra melhor das coisas com álcool no sangue do que sem — afirmou.

— O que vamos fazer? — Calum perguntou, animado.

— Filme de terror! — Louis e Zayn falaram em um uníssono.

— Comer! — Niall e interferiram.

— Não pedimos nada ainda... — Zayn coçou a cabeça.

— Não queria comer comida da rua. Comemos quase todos os dias — Michael disse.

, quer cozinhar? — Niall a olhou e ela franziu o cenho. — Você vem me mandando foto dos seus pratos há dias, por favor.

— Nossa, a comida dela é muito boa — Valerie ajudou o amigo.

— Por mim tudo bem, mas o que vocês querem?

— Comida Brasileira!

— Eu duvido que vocês tenham tudo aqui.

— Então faz macarrão. — Liam sugeriu e todos assentiram.

— Quem vai comigo para a cozinha? — Ergueu as mãos, esperando alguém se pronunciar.

— Eu vou. — Luke levantou um dos braços. — Gosto de ver as pessoas cozinhando.

Ela se levantou, acompanhada por Luke. Todos os outros decidiram ficar na sala, jogando uno. Liam apenas se juntou aos dois amigos para mostrar onde os ingredientes estavam e tudo o que ela precisaria, mas deixou a cozinha em questão de minutos.

— Você está linda hoje — Luke disse, sentando-se no balcão.

— Obrigada — sorriu, pegando os ingredientes para fazer o molho, após colocar o macarrão na água fervendo.

— Você não quer beber nada? Vou pegar mais uma cerveja.

— Claro, pegue qualquer coisa que não seja cerveja, por favor.

— Não gosta?

— Não, tem gosto de xixi.

— Como você é exagerada.

— Hipérbole é meu sobrenome, qual é — Riram juntos.

Luke foi até a geladeira e a levou um drink que encontrou, mas não fazia ideia o que era. Sentou-se novamente no balcão e começaram a conversar sobre a última tour que eles fizeram com os meninos. Ele contou algumas histórias sobre o Niall, que a fez rir muito e evitou ao máximo a lembrar da existência de Harry Styles.

Mal sabia que as mãos de Luke estavam suando frio, de tão nervosas. Ele não se sentia nervoso assim há anos! , por outro lado, estava ansiosa, mas não chegava nem aos pés do que sentia quando Styles estava por perto. Seu estomago não revirava e nem mordia os lábios de nervosismo, apenas queria se divertir e somente isso.

— Agora é só esperar o macarrão cozinhar — falou, assim que finalizou o molho.

estava com fome, o que a fez levar um pouco do molho até a boca, após deslizar o dedo pela colher de madeira que segurava com a outra mão. Quando voltou seu olhar para Luke, viu que ele estava olhando-a de uma forma diferente, o que a fez rir.

— Que cara é essa? — questionou, percebendo um sorriso ardiloso se formar no canto de seus lábios.

— Posso experimentar também?

Ela estreitou os olhos, desconfiada, mas mesmo assim caminha até ele, entregando-lhe a colher suja de molho. Assiste enquanto Luke imita seu gesto e passa o dedo sobre o talher, o que a deixa em expectativa se ele irá gostar do sabor. No entanto, em vez de levar o molho para a própria boca, ele desvia o caminho e pincela o canto da boca da garota.

— Luke! — protesta em desaprovação, mas acaba não resistindo ao riso diante à gargalhada do garoto. — O que você estava pensando? — perguntou, tentando inutilmente fingir uma cara de brava.

Luke ainda está sorrindo quando leva uma das mãos à bochecha dela, acariciando o local, ao que seu corpo reage, pela primeira vez, com um arrepio dos pés à cabeça. Seus olhos azuis têm tanta intensidade que acabam hipnotizando-a.

— Nisso. — É o que ele responde, segundos antes de me puxar pela cintura com sua mão livre, colocando-me entre as suas pernas.

A única reação que tem quando noto o rosto do garoto se aproximando ao dela, é prender a respiração. O toque de seus lábios contra o canto de sua boca, onde ele havia acertado o molho segundos antes, é quente e macio, fazendo o lugar formigar com as sensações despertadas. No entanto, o afasta instantaneamente quando sente sua língua molhada em contato com a pele dela.

— Eca! — Faz uma careta, limpando a região com as costas da mão, o que o faz rir.

— Como se minha língua não fosse se esfregar na sua daqui a pouco, pela lógica é muito mais nojento.

— Daqui a pouco? Tipo quando? — Arqueou as sobrancelhas em desafio.

— Que tal agora?

— Está com pressa? — Provocou mais um pouco.

— Tempo não pode ser desperdiçado.

Ele, então, a puxa pela nuca, em direção a sua boca novamente. Entretanto, seus lábios nunca se encontraram. Pois no segundo seguinte, a porta da cozinha é aberta abruptamente, o que a fez se afastar de Luke no mesmo instante, tentando disfarçar o que estava prestes a acontecer.

— Estou com fomeeeeeeeee! — Louis gritou, entrando na cozinha. — Opa, atrapalhei alguma coisa?

— Não, tudo bem. — respondeu , vermelha como um pimentão. — Está quase pronto, pode arrumar a mesa.

Louis deu uma risadinha e gritou mais uma vez, chamando todos para irem até a cozinha. para Luke, que encostava seus dedos nos lábios, sorrindo, enquanto balançava a cabeça negativamente. Sua vergonha era notável por qualquer um que entrasse por aquela porta.

Ele desceu do balcão que estava sentado, indo em direção a Louis, para ajudá-lo com a mesa.

aproveitou este momento para terminar de montar o macarrão com o molho, levando-os até a mesa.

— O cheiro está ótimo, vamos ver se meu estomago aprova — Niall falou, entrando no cômodo.

Todos os outros o acompanharam até a mesa e quando estavam prestes a começar a colocar o macarrão em seus pratos, Harry também marcou presença.

— Que cheiro bom! — Colocou as mãos em sua barriga. — Você cozinhou, Louis?

— Hm... foi a — ele respondeu, coçando o coro cabeludo.

— O gosto está tão bom quanto o cheiro? — Harry juntou-se a eles, sentando-se no lugar vago a frente de . Sua voz soava arrastada e ele parecia um tanto desengonçado. Mais do que o normal.

— Espero que sim — sorriu, envergonhada. — Você está bem?

— Melhor agora. — ele disse, enquanto colocava uma garfada na boca, me deixando de olhos arregalados.

Sua boca estava longe, mas perto o suficiente para que sentisse seu hálito de whisky.

— Você bebeu, Harry? — Louis, que estava sentado ao seu lado, tocou o ombro do amigo.

— Só um pouquinho. — Harry fez um sinal de “pouco” com os dedos. — Que macarrão delicioso, Baby.

— Ah... Obrigada? — Ela agradeceu, depois seguiu seu olhar para Niall, depois para e Valerie, seguido por Luke, que não estava com uma cara agradável.

— Viu, — Liam a interrompeu, enquanto mastigava. — Esse macarrão está muito bom, vamos te contratar. — Todos concordaram.

— Eu disse que ela cozinhava bem. — Valerie comentou.

— Então, continuando nosso assunto... — Zayn inteferiu, mudando o rumo da conversa. — O nome do meu pato era Jailson, ele morreu quando eu tinha 10 anos.

Zayn e Liam procuraram cortar o clima da mesa, relembrando do assunto que estavam conversando antes de chegarem a cozinha.

— Como ele morreu? — Michael perguntou.

— Ele comeu um cogumelo envenenado.

— Que triste. Eu tive um coelho que morreu assim também. — Michael continuou.

— Meus cachorros nunca morreram envenenados, só de velho. — Louis comentou.

O assunto sobre animais de estimação se estendeu até o final do jantar, no qual, todos contaram nossas histórias pessoais. contou sobre seus dois coelhos, que foram envenenados pelo vizinho, contou que nunca teve muitos animais, mas que agora tinha um gato, totalmente influenciada pela melhor amiga. Valerie contou sobre suas cachorras, Niall sobre seus gatos e assim foi...

No momento em que acabaram, todos ficaram alguns minutos refletindo sobre o tanto que haviam comido, chegando à conclusão que a comida da amiga era realmente incrível e teria sido perfeito, se Harry não estivesse completamente bêbado, rindo a todo momento e trocando olhares sérios com Luke. Quando eu morrer, na minha lápide estará escrito: “Aqui jaz Jones, a destruidora de bandas”, pensou a garota, que se sentia desconfortável. Mesmo com o desconforto, Luke brincava com seus pés embaixo da mesa, a cutucando sempre que possível para que ela o olhasse e sorrir era inevitável. Não achava que tenha feito por mal, apenas para tirar a distração de Harry, pois não era uma cena agradável de se presenciar.

— Quem vai colocar a louça na máquina? — Zayn perguntou.

— Eu que não, já fiz a janta.

— Nem eu, ajudei a a fazer janta. — Luke disse.

— Não ajudou não, só marcou presença.

— Ei, minha companhia é suficiente.

— Ok, foi mesmo. — Ela disse, sorrindo.

— Se todos colocarem seus pratos, todo mundo faz um pouco — Liam sugeriu e assim fizeram.

Terminaram de colocar nossas louças na lava-louça e foram todos para a sala de tv. Liam e Louis pegaram algumas bebidas para abastecer o frigobar e Harry estava tão ruim, que Niall teve de ajudá-lo a andar até o sofá mais próximo, no qual deitou-se, com as mãos na barriga.

Se não fosse seu estado decadente e as circunstâncias atuais, provavelmente pularia por cima de seu corpo, faria cocegas e esperaria o momento em que ele me abraçaria. Ficariam ali pelo resto da noite. E essa cena era tudo o que Harry desejava naquele momento, mesmo sem precisar dizer alguma coisa.

A garota sorriu com seus pensamentos, perdidos pelo espaço. O querer viver aquela cena estava marcado em seu peito de uma forma... que esperava que se fosse real, algum dia.

— Vamos jogar uno alcoólico? — Zayn sugeriu, aparecendo na sala com uma caixinha em mãos.

— Como isso funciona? — Valerie perguntou, sentando-se no sofá.

— É simples: +2 = 2 shots, +4 = 4 shots, bloqueio = 1 shot. Quem termina primeiro, escolhe alguém para tomar 2 shots e quem terminar por úlitmo, tem que beber a quantia de carta que tem em mãos.

— Posso só assistir? Sinto que não sobrevivo a esse jogo — falou, desanimada.

— Uma rodadinha só. — Niall a olhou, juntando suas mãos e a encarando nos olhos.

— Ok. — Revirou os olhos. — Vamos logo com isso.

Animados, decidiram tomar um shot cada para começarem o jogo, menos Harry, que tomou água, achando que bebia tequila.

— Uau, isso está forte. — Raspou a garganta. Niall e seguraram o riso e começaram a distribuir as cartas.

— Você embaralhou isso direito, ? — Calum perguntou, encarando suas cartas.

— Verdade, o que é isso? — mostrou suas cartas amarelas. — Troca aqui, por favor.

— Se trocar o dela, tem que trocar o meu. — Liam levantou suas mãos.

— Não vou trocar carta de ninguém, podem começar.

— Ela está roubando, certeza. — Luke apontou para mim.

— Não estou não. Niall?

— Não mesmo, eu dei as cartas dela.

— Viram? Vamos.

[...]

— Toma essa, Valerie! — Louis gritou, jogando um +4 na mesa, Vava revirou os olhos.

— Desculpa, Zayn. — Valerie juntou mais um +4.

— Me desculpa, ... — Zayn fingiu que jogaria uma carta, mas botou-a de volta em mãos. — É mentira, vou ter que beber.

— Você me chamou? — , que já havia tomado 6 shots, o olhou.

— Do que vocês estão falando? — Michael perguntou.

— Zayn, bebe aí. — disse, rindo da situação em que seus amigos se encontravam.

— Ainda bem que parei de beber na outra rodada. — Valerie comentou, mexendo a cabeça negativamente.

— Calum, o que você está fazendo? — Michel perguntou, observando o amigo brincar com o cabelo de .

— É... — Foi tudo o que ele disse, antes de cair na gargalhada.

— Foi uma boa ideia deixá-lo fumar maconha? — olhou para Luke, que estava sentado ao seu lado.

— Provavelmente não. Daqui a pouco isso aqui estará virado de cabeça para baixo. — Luke falou, cutucando suas pernas. Ela sentiu um arrepio por baixo do jeans que usava.

Estavam assistindo a terceira rodada. Aquilo estava um caos.

— ALL MY FAVORITE CONVERSATIONS — Harry gritou, com um copo de água em mãos.

— ALWAYS MADE IN THE AM! — Liam o abraçou, cantando.

— Que música é essa? — se dirigiu para Niall, que também deixou o jogo na primeira rodada.

— Uma música que o Harry escreveu há um tempo.

— CAUSE WE DON’T KNOW WHAT WE ARE SAYING! — Continuou. Suspirou fundo, pensando em Sophie. — , posso falar com você um segundo?

— Eu? — Apontou para seu peito e ele afirmou. Olhou para Niall, que a lançou um olhar desconfiado. — Ok.

Harry caminhou até o corredor e ela seguiu seus passos. As batidas do seu coração apaixonado já podiam ser sentidas sem muito esforço e suas mãos ficaram gélidas. Ele mal conseguia ficar em pé, precisou segura-lo algumas vezes até apoia-lo na parede, sentado.

— Pode falar. — Ela se ajoelhou ao seu lado e, por motivos óbvios, Harry desabou a chorar. — Ah, pronto.

, minha barriga está doendo. — Choramingava, com lágrimas escorrendo por seu rosto.

— Você bebeu demais — a garota riu.

— Não bebi não.

— Bebeu sim.

— Baby, minha barriga está...

Assim que Harry fechou a boca, desistindo de falar, se ajoelhou no chão o mais rápido que pode e vomitou.

Vomitou tudo o que tinha direito de vomitar. sentiu sua barriga se remexer várias vezes, antes de segurar os cabelos de Harry e olhar para o lado.

— Vem, vamos para o banheiro. — Puxou-o pelo braço e levou-o até o vaso sanitário mais próximo. — Ah, meu Deus. — Colocou a mão livre sobre a boca.

Era extremamente fraca para situações como essa.

— NIALL! — gritou. — NIALL!

Demorou poucos segundos para Niall aparecer com um olhar surpreso e preocupado nos olhos. Ele segurou os cabelos longos de Harry, que ela segurava e fez sinal para que a amiga saísse do banheiro e chamasse Luke, que também era a única alma sóbria, além de Valerie, que havia sobrado.

Por sorte, Luke já estava indo na direção deles, com as mãos para os lados, insinuando um “o que aconteceu? ” e ela o esperou chegar, para mostra-lo. O estado de Harry era triste, nunca havia pensado que o veria dessa forma, não entendia porque bebeu tanto nessa noite e ainda tinha em mente o que queria conversar com ela.

Em poucos segundos, Harry estava sendo arrastado por Niall e Luke, direto para o quarto mais próximo. Os acompanhou até o cômodo, onde os dois discutiram se o dariam banho, mas Harry já havia apagado na cama mais próxima e nem se mexia. A situação toda a deixou tão incomodada, que voltou para a sala o mais rápido possível. Se sentou ao lado de Valerie, que perguntou o que tinha acontecido e ela explicou, mesmo sem entender totalmente.

A sala, por outro lado, estava uma paz, porque todos os outros decidiram que seria uma ótima hora para irem a piscina. Valerie e decidiram ir até lá. O local possuía uma cobertura, pois a piscina era aquecida e apenas as luzes azuis da piscina iluminavam, era inacreditável. Zayn, Liam, Louis, , Michael e Calum estavam bricando de guerra de galo, enquanto Ash, Valerie e ficaram sentados, rindo, até Niall e Luke voltarem.

— Não vale, vocês ganharam de novo! — Louis disse, carregando Michael nos ombros.

— Louis, como você está em pé? — Valerie perguntou e ele riu.

— Acho que eu sou o superman!

— Eu sou o batman! — Zayn gritou e Liam o beliscou.

— Eu que sou o batman.

— Hey. — Luke caminhou até a cadeira onde ela estava se sentou ao seu lado. — Trocamos as roupas dele, acho que ele vai ficar bem.

— Harry passou dos limites. — Niall disse sério, sentando-se ao lado de Valerie. — Enfim, como as crianças estão?

— Desse jeito. — Ash apontou para Zayn e Louis, que estavam tentando fazer uma pirâmide.

— Acho que vou entrar, mas preciso subir para trocar de roupa. — Luke levanta-se, mas não antes de cutucar a perna de , apenas por provocação. — Já volto.

— Boa sorte para sair depois, está congelando. — Ela dá de ombros.

, então, pega-se observando o garoto enquanto ele caminha rumo ao interior da casa, pensando em como ele conseguia ser sexy até na forma de andar. No entanto, não esperava ser pega no flagra quando ele torna a olhar para trás, encontrando seus olhos, assim como não esperava o sorriso ladino que, discretamente, tomou seus lábios, antes de Luke, finalmente, cruzar a porta de vidro.

No momento, a garota não parou para pensar muito bem no que seu gesto significava, pois estava ocupada demais tentando controlar o ardor em suas bochechas. Entretanto, assim que Luke sumiu do seu campo de visão, a mente de começou a trabalhar nos fatos. Quando, por fim, chegou à conclusão do que aquela singela cutucada em sua perna e o tal sorriso sorrateiro queriam lhe dizer, não hesitou em murmurar alguma desculpa para sair dali o mais rápido possível, indo em direção às escadas.

Já no segundo piso, seguiu em direção ao fim do corredor, onde sabia que ficavam os quartos de hóspede. Ela estava disposta a invadir todos eles até encontrar o de Luke, mas não foi preciso, pois no segundo seguinte uma movimentação se fez na porta a sua direita e, antes que ela sequer pudesse raciocinar o que estava acontecendo, uma mão quente envolveu seu pulso, puxando-a para si.

De repente, já estava dentro do quarto, sendo prensada contra a porta que acabara de ser fechada. À sua frente, um belo par de olhos azuis a encaravam em uma mistura de diversão e desejo. sorriu travessa, se perguntando o que exatamente passava pela cabeça do astro, torcendo para que fosse a mesma coisa que ela estava pensando.

Com uma das mãos apoiadas na madeira, rente a cabeça de , Luke afastou-se um pouco apenas para olhar a garota de cima a baixo, aproveitando a outra livre para brincar com a barra da blusa da mesma.

— Você não está com calor com esse tanto de roupa?

— Minha quantia de roupa te incomoda, Hemmings? — Ela arqueou uma sobrancelha, provocativa.

— Mais do que você imagina — disse e, enquanto mantinham o contato visual, ele deixou que sua mão a invadisse por baixo do tecido, alisando sua cintura em um carinho cheio de segundas intenções.

As mãos de Luke estavam quentes e úmidas, devido a tensão que ele também sentia, o que fez suspirar. Ainda se encontrava em dúvida se estava fazendo o certo em transar com Luke para amenizar a carência que havia sido mascarada por meses, porém seu coração acelerado e suas mãos trêmulas indicavam que estava atraída até demais por ele.

— Você sabe como resolver isso, não sabe? ─ ela suplicou, sutilmente.

Luke sorriu com malícia diante do pedido explícito na frase da garota, e não perdeu tempo ao levar seus lábios de encontro aos dela, estes tão macios quanto ele lembrava que eram. devolveu o beijo, o qual logo se transformou em algo mais intenso, produzindo uma chama inapagável entre seus corpos. Suas línguas brincavam ao passo em que Luke induzia ambos para mais perto da cama e , por sua vez, aproveitava os espaços de tempo para se livrar de algumas peças de roupas.

A garota não conseguia pensar em mais nada. De repente, tudo era sobre as mãos quentes de Luke deslizando pela sua pele arrepiada, aflorando cada vez mais a vontade de tê-lo por inteiro naquela noite. O rapaz, partilhando do mesmo desejo que ela, não pôde deixar de sorrir ao notar que a mesma se encontrava rendida aos seus beijos, enquanto trilhava uma sequência por seu pescoço.

Sem mais tempo a perder, foi ali onde passaram o restante da madrugada.


Capítulo 14

N/A: Música do capítulo: Unsaid - Ruel (deem play quando eu falar).

O som de vozes risonhas ecoando pela porta entrou pelos ouvidos de , fazendo-a remexer na cama, até se render à luz do dia. Olhou para o lado, onde Luke dormia abraçado a um travesseiro, em seguida olhou para o chão, avistando roupas do avesso espalhadas e cacos de vidro perto do banheiro. Havia dormido tão bem, que não fazia ideia de que horas eram e há quanto tempo estava ali. Se encontrou sorrindo, tendo em mente as lembranças mais recentes da noite passada.

Ela pegou seu celular, que estava na bancada e se deparou com uma mensagem de Valerie, dizendo que deixou sua mochila pendurada na maçaneta da porta. Agradeceu por ter amigas tão prestativas.

Enquanto Luke ainda dormia tranquilamente, com a cara amassada em um travesseiro, pegou sua mochila na porta e foi até o banheiro, tomar um banho e fazer sua higiene matinal. Longos minutos depois, ela deixou o chuveiro sentindo-se renovada. Adorava tomar banhos. Vestiu as roupas que estavam separadas em sua mochila e resgatou as outras peças que estavam espalhadas pelo banheiro. Decidiu deixar o quarto quando ouviu a voz de Valerie ao fundo.

Entretanto, antes de chegar na sala, avistou a figura de Harry encostada na parede, com as duas mãos repousadas na cabeça e os olhos fechados, ele não parecia estar bem. Sentiu-se mal por ver aquela cena, ele realmente parecia estar mal, de novo.

— Hey — ela disse, aproximando-se —, tudo bem?

— Harry sorri fraco.

Quando levantou sua cabeça, pode notar que eles estavam vermelhos, olhos de quem não havia dormido nenhum pouco. Suas olheiras estavam enormes.

— Você não está bem, não é?

— Não.

— Volte para a cama, vou levar remédio e alguma coisa para você comer — Colocou as mãos em seu rosto.

Harry assentiu e voltou para o quarto. Sinceramente, era deprimente ver Harry dessa forma. Ela queria colocá-lo em um potinho e mimá-lo pelo resto do dia.

Antes de ir para a cozinha, voltou-se para o quarto, em direção a mochila e pegou uma cartela de remédio que, com certeza, poderiam ajudar Harry a se recuperar. Fato engraçado sobre : ela sempre carrega consigo variados tipos de remédios na bolsa, caso passasse mal. Odiava se sentir mal de qualquer forma. Olhou novamente para Luke, que continuava na mesma posição. Como consegue ter um sono tão pesado? Finalmente, colocou a cartela no bolso e seguiu para a cozinha, na qual estavam Valerie, Niall, Louis e Ashton.

— Bom dia, flores do dia — disse. — Obrigada pela mochila — abraçou Valerie, que estava sentada em um banco alto, ficando na altura dos ombros da amiga.

Louis, Niall e Ashton deram um sorriso simpático.

— Bom dia, amiga. Como você está?

— Bom dia, . Dormiu bem? — Niall perguntou, a entregando um copo de suco de laranja.

— Muito bem, obrigada por perguntar — confessou. — Por que acordaram tão cedo?

— Louis me acordou para fazer café — Valerie disse.

— Acordei com o barulho que Louis fez ao sair do quarto — Ashton concluiu e Niall concordou.

— Você não sabe fazer café, Louis? — perguntou .

— Sei. — Ele sorriu. — Mas ontem ela me disse que fazia café forte, então quis experimentar.

— Niall, me passe quatro torradas por favor. — Pediu gentilmente e Niall a lançou um olhar confuso.

Aproveitou para pegar um copo de água para Harry.

— Preciso alimentar um dragãozinho que está com uma ressaca ridícula.

— Luke? Mas ele nem bebeu — Niall perguntou, curioso.

— Harry, ele está passando bem mal.

— E você vai cuidar dele? — Valerie dirigiu seu olhar para a amiga.

— Vou. — Ela suspirou fundo. — Meu coração não aguenta.

— Então tá...

Sabia que os amigos estavam julgando-a mentalmente, mas não ligava nenhum pouco. Afinal, era Harry Styles.

Niall colocou as torradas em um prato, enquanto terminava o resto do suco, segurou o prato com uma mão e um outro copo na outra, indo em direção ao quarto de Harry. Repensou um pouco antes de entrar, imaginando se estava fazendo a coisa certa. De algum modo, sabia que estava, porém isso podia acabar influenciando seu inconsciente e consciente, já danificados por dias passados.

Encontrou a porta entreaberta, deu algumas batidinhas com o joelho e terminou de abri-la com a perna. Harry estava sentado em sua cama, com as cobertas até a cintura e com uma garrafa de agua em mãos.

— Toc toc — falou, observando o sorriso que se formou nos lábios do rapaz assim que a viu.

Harry fez sinal para que ela se sentasse ao seu lado. , então, deixou o prato de torradas e o copo d’agua na cômoda, tirou a cartela de remédios do bolso, destacou um e o entregou. Ele estava claramente nervoso, isso acontecia todas as vezes que a garota estava por perto. Era difícil controlar as mãos suadas e seus batimentos acelerando a cada segundo.

— Desculpe por vomitar em você. — Harry abaixou a cabeça e riu.

— Não vomitou em mim, só perto de mim — afirmou. — Fica tranquilo, Niall me socorreu e deu tudo certo.

— Eu sou patético. Me desculpa.

— Toma o remédio, vai se sentir melhor.

— Ei...

— Está tudo bem — ela concluiu, ajeitando as pernas entre o edredom.

— Obrigado por cuidar de mim.

— Não foi nada, agora me passe uma torrada que eu estou com fome.

Harry a entregou uma torrada e observou devorá-la. A garota acabou engasgando, porque ele a fez rir e, então, riram mais ainda da situação atual. Ficar ao lado de Harry a fazia tão bem, por que as coisas não podiam ser mais simples? Poderiam estar juntos, sem corações quebrados, sem discussões, sem provocações e sem ficarem com outras pessoas por diversão.

— Quer ver how i met your mother? — Harry perguntou, procurando o controle da tv pelos lençóis.

— Quero. Em que temporada você está?

— Na sexta.

— Eu sabia que você iria gostar!

— Fui totalmente influenciado por você.

— Meu gosto para série é ótimo.

— Não posso discordar, já é a segunda que assisto por sua causa.

Harry ligou a tv e colocou no episódio que havia parado. Volta e meia pegava-o a olhando de lado, parecendo que estava conferindo se ela ainda estava ali. Estavam quase terminando o episódio, quando Harry começou a bocejar incansáveis vezes.

— Faz cafuné em mim? — Olhou-a nos olhos, sorrindo.

— Como negar? — bateu a mão em seu colo. — Sua namorada não vai ficar com ciúmes?

— Ela não é minha namorada. — Ele suspirou, repousando sua cabeça nas coxas dela.

— É sim.

— De mentira só. — Sua voz ficava mais baixa a cada segundo.

Ele estava confortável, sentindo-se mais do que feliz de estar na presença dela. Já , ignorou sua última fala, voltando a prestar atenção na televisão. Não demorou 30 segundos, a cabeça de Harry ficou mais pesada e sua respiração mais leve. O barulho da televisão ocupava todo o silencio do quarto gelado e a cena de Ted Mosby deitado no sofá com sua Ex namorada acendeu uma lembrança nela.

Desligou a tv, procurando acalmar os pensamentos agitados. Todavia, não teve sucesso algum. Meu Deus, o que ela estava fazendo? Estava 100% rendida ao charme de Harry Styles. Não podia fazer tal ato, não podia deixá-lo pensar que estava se sentindo bem com tudo o que estava acontecendo entre eles e agir normalmente. Essa não era ela. Estar ali, fazendo pequenas tranças em seus cabelos macios era errado e ela tinha pura consciência, mas, então, por que se submetia tanto a isso?

Não podia se deixar levar por essa cena, resquícios de um relacionamento utópico. Afastou os braços de Harry, que estavam abraçados envolta de sua cintura e retirou a cabeça de seu colo. Levantou-se da cama, com cuidado para não o acordar, conferiu se ainda estava dormindo e seguiu para a sala, onde conseguia ouvir muito mais vozes do que da última vez. Olhou para o relógio na parede e se surpreendeu ao ver que ainda eram onze e meia, porque tinha certeza de que eram três da tarde.

— Olá, amigos! — falou, aproximando-se do sofá maior.

— Hey, caiu da cama cedo? — Luke, que estava sentado na ponta, fitou-a.

— Sim, acordei com a risada do Louis.

— Que mentira, a risada era do Niall — defendeu-se.

— Cadê o Zayn? — perguntou, curiosa.

— Está dormindo ainda, é impossível acordar esse homem — pronunciou-se.

olhou-a com malícia.

— Onde você estava?

A garota hesitou rapidamente antes de responder e levou o olhar para Niall, que estava balançando a cabeça negativamente.

— Estava ajudando Harry. Ele não estava se sentindo bem — disse, ligeira.

— Até agora? — Louis questionou, fazendo todos prestarem atenção na resposta dela, incluindo Luke.

— Sim, Louis. Até agora.

Luke voltou seus olhos para e ela desviou o olhar. Estava consciente do que havia acabado de fazer, porém, já havia deixado bem claro para ele que seu coração já tinha dono, mesmo com todo o drama que vinha acontecendo.

— O que nós vamos comer? Estou com fome! — Niall exclamou, procurando mudar o rumo da conversa.

— Eu também — disse Michael, que estava deitado com as mãos na cabeça.

? — Liam a olhou.

— Nem pensem, estou de folga. Peçam alguma coisa.

— Comida japonesa? — Valerie sugeriu.

— Não, eu não gosto. — falou.

— Você não gosta de comida japonesa? — Louis perguntou.

— Não.

— Como eu sou seu amigo?

— Também não sei — revirou os olhos.

— Niiiiiiiiiiiiiiiall! — chegou mais perto de onde ele estava sentado e o abraçou por cima dos ombros. — Sabe o que eu quero?

— Lá vem, o que você quer? — Virou sua cabeça na direção de , sorrindo.

— Ela quer churrasco, certeza — Vava concluiu.

— Sério? — Ele segurou os braços de sua melhor amiga com as mãos.

Ela assentiu com a cabeça, sorrindo.

— Todos de acordo? — perguntou e todos balançaram as cabeças. — Não sei se temos carne.

— Vamos no mercado, então — Liam sugeriu, levantando-se do sofá.

— Não podemos sair, vamos causar um fuzuê — Ashton falou.

— Merda, vou pedir para Paul falar com alguém.

— Vamos para a área de lazer — Louis disse, levantando-se.

Todos foram para onde estava localizada a churrasqueira portátil, bem ao lado da piscina. O dia estava ensolarado, porém, a temperatura ainda não passava de 15 graus. A única salvação era a cobertura da piscina.

Liam foi conversar com Paul, os outros meninos foram pegar copos, pratos, talheres, etc. e , e Valerie foram para a cozinha, pois Luke sugeriu que a garota, que cozinhava muito bem, fizesse alguns acompanhamentos simples para o churrasco. Na verdade, suas amigas a acompanharam pois estavam curiosas demais para saber o que aconteceu noite passada e agora de manhã. Não as culpava, também estava curiosa para saber o resto de noite delas.

— Você começa. — apontou para , que estava sentada em cima do balcão.

— Não lembro direito o que aconteceu e minha cabeça dói demais para pensar em alguma coisa.

— Não lembra de nada?

— Ah, me lembro de beber mais do que deveria e de, provavelmente, ter ficado com Zayn de novo — deu de ombros —, em algum ponto da noite.

— Mas ela dormiu comigo — Valerie afirmou.

— Então como você tentou acordar o Zayn?

— Fiquei batendo na porta incansáveis vezes, ele não acorda.

— E você? — perguntou para Valerie, enquanto juntava queijos, azeitonas e salames em uma bandeja.

— Fiquei conversando com Ashton e Louis enquanto os outros estavam na piscina — respondeu sorridente. — Mais tarde, Ashton foi dormir e Louis e eu ficamos conversando, até me implorar para irmos para o quarto. Tive que ajudá-la a tomar banho e vestir pijama, foi um auê.

— Nós queremos saber de você, agora — bateu palminhas. — Como foi?

— Como foi o que?

— Você sabe o quê — Valerie revirou os olhos.

— Foi bom, gente.

— Só isso? — arqueou a sobrancelha.

— Sim, não sei o que dizer. Foi bom, nos divertimos e só.

, o que é isso? — a amiga levantou as mãos, indignada com o que ouvira.

— Sim, o que aconteceu? — Valerie juntou-se.

— Ela quer o Harry.

— Sim — abaixou a cabeça, pensativa.

(PLAY NA MÚSICA)

— Tudo bem, mas não deu para esquecê-lo nem um pouco?

— Deu, claro que deu — confessou —, mas as memórias já voltaram hoje de manhã. Ele estava muito mal quando o encontrei no corredor, então, levei café da manhã, dei remédio, deixei-o dormir em meu colo... sou uma completa idiota.

— Vocês precisam conversar, isso sim. — Vava sugeriu.

— Conversar sobre o que? Eles vão acabar quebrando a casa, do jeito que eles brigam — disse, abrindo um pacote de doritos.

— Não tem muito o que conversar. Ele sabe como eu me sinto, em relação a tudo.

— Ok, . Então, faça o favor de deixar isso para lá — concluiu. — Você transou com Luke Hemmings!

— Ham? — Ouviram uma voz, vinda da porta lateral da cozinha, raspando a garganta.

Neste momento, todo o resto do mundo parou em volta e congelou. Todo o seu corpo sentiu arrepios ao ouvir o som da voz de Harry, que estava sob o batente da porta, segurando um prato e um copo vazios. arregalou os olhos, olhou para Valerie e em seguida para , que fechou os olhos, desejando que ela tivesse falado mais baixo e pensando no que estava por vir.

— Vem, vamos sair daqui — Valerie se levantou, puxando pelo braço. Cada uma pegou uma bandeja de petiscos, antes de chegarem a porta.

sussurrou um “me desculpa” antes de saírem.

O silencio tomou conta do cômodo. conseguir ouvir seu coração bater, apoiou as mãos no balcão, filtrando cada palavra que sairia da sua boca ali.

Ela não devia satisfações a Harry. Não namoravam e ele deixou claro algumas vezes que eram somente amigos. Não queria precisar ter essa conversa, o que tiveram hoje de manhã foi tão bom e inesperado. De qualquer forma, ficou esperando Harry dizer alguma coisa, mas ele não o fez.

Ele estava triste demais para falar alguma coisa.

Então, ela toma a rédea da situação.

— Harry, podemos conversar?

— Não temos o que conversar — cuspiu as palavras.

Harry não a olhava nos olhos.

Isso é injusto.

— Então é isso? Você vai fingir que não faz a mesma coisa com sua não namorada?

— Aconteceu uma vez. Nós transamos no dia em que você e eu brigamos. Depois disso, decidi que não podia mais mentir para mim mesmo e cortei as relações verdadeiras que nós tínhamos.

— Harry, eu... — tentou cortá-lo, mas foi interrompida pela voz grave de Harry.

— Tudo o que temos agora é no papel. Era o que eu estava tentando te dizer ontem e o que estava sufocando para falar hoje.

— Como você espera que eu saiba disso? Acha que tenho bola de cristal? — a garota bateu os pés, se aproximando.

— Não sei o que te falar — cruzou os braços, olhando para o teto.

Harry estava desapontado. Mas, não conseguia dizer se era com ela ou com ele mesmo. E, na verdade, eram as duas opções.

— Fala o que quer falar.

, eu gosto muito de você. Mas saber sobre Luke me deixa irritado, triste e desapontado.

— Te deixa desapontado? — ela se exaltou. — Você queria que eu ficasse esperando por você até seu contratinho acabar? Entendo você ficar com ciúme, mas não entendo você querer jogar isso para cima de mim.

Harry suspirou fundo. Sentindo-se o maior idiota da história.

Ela estava começando a se sentir extremamente irritada, ele não tem moral para vir cobrar qualquer coisa.

— Escuta aqui, Harry. Você não tem o direito de agir assim! Você me disse que éramos amigos, você me disse que estava aproveitando o que tinha para agora e você mentiu para mim, para começar.

— O que foi aquilo então, merda? Você age como se eu fosse seu namorado e não quer me deixar ficar chateado por você ter transado com outra pessoa dentro da minha própria casa?

— Ah, e você queria o que? Que fossemos para um motel com vários paparazzis nos seguindo?

— Eu não sei o que eu queria, porra!

— Você. Quebrou. Meu. Coração. — gritou — Não estou falando que o que eu fiz foi digno de aplauso, estou dizendo que você não é meu namorado, mas que eu queria que fosse. Desde o começo.

— Você fez isso sozinha. Levou tudo muito a sério e se iludiu.

— Perdão? O que você está dizendo?

Ela estava desacreditada que Harry estava falando dessa forma. Por que ele está fazendo isso? Um minuto atrás, falou que gostava dela e que queria ter dito isso. Agora, fala que ela se levou para o fundo do poço sozinha?

— Estou dizendo que você fez isso sozinha. Eu avisei que quebraria seu coração. Só não esperava quebrar o meu também.

E então, pela primeira vez, se encontrou derrubando algumas lágrimas. Lágrimas nem um pouco merecidas. Tratou de seca-las rapidamente.

Harry falava alto. Ela falava alto. Alguém — não reconhecido — precisou vir até a cozinha fechar as portas, pois, estavam sendo ouvidos por outros cômodos da casa.

— Você é uma filha da puta arrogante — A garrota soltou, balançando a cabeça, negativamente. — Não acredito que você está fazendo esse drama por uma coisa boba e fácil de resolver.

— Você é mimada e acha que eu tenho que aceitar tudo o que você faz — finalmente, olhou nos olhos.

Ela se engasgou ao tentar falar novamente. As palavras não saiam mais. Pensou em sair correndo e deixa-lo falando sozinho. Pensou se gostaria de falar alguma coisa. Na realidade, estava encarando-o, indignada com as circunstancias e palavras.

Mais uma vez, não conseguiu conter seus olhos. Estavam brigando por suas ações, de novo. Isso nunca vai dar certo.

— Não quero mais nada que seja seu — manifestou, levando as mãos até o pulso, em seguida para o gancho da pulseira que usava. O presente que ele a havia dado de Natal. — Daqui algumas horas, seu moletom estará aqui.

Harry se recusou a estender a mão, então, colocou a pulseira em seu bolso direito. balançou o passo, perdida em seus pensamentos e no momento.

— Você vai mesmo fugir? É o que você sempre faz, não é?

— Eu não estou fugindo. Estou cansada de você agir dessa forma todas as vezes que temos uma discussão.

Esgotada da discussão que acabaram de ter, ela saiu da cozinha como um vulto, deixando Harry parado, de cabeça baixa e em profunda negação. Como ambos conseguiam brigar tanto?

Valerie e estavam sentadas na sala, esperando voltar, sabendo que, provavelmente, teriam que ir embora. Ela não disse nada, foi para o quarto em que dormira buscar sua mochila, não conseguiria ficar ali mais nem um segundo. Porém, foi surpreendida por Niall, que entrou no quarto logo atrás dela, fazendo-a jogar a mochila no chão e a abraçando. Não disse nada. Sabia que não precisaria dizer nada. Apostou que todos tinham ouvido cada palavra do que havia acontecido ali, pois a cozinha estava bem estratégica entre vários cômodos, incluindo a área de lazer e a sala de estar. Niall a abraçava tão forte que seus braços estavam cansados, havia sentado com a amiga no chão, ao lado da cama. Ela ainda não havia dito nenhuma palavra, o que o preocupava muito, sabendo que seria uma longa tarde.

Harry ficou parado na cozinha por muito tempo. Na verdade, nem conseguia imaginar quanto tempo havia ficado ali parado, com as mãos nos bolsos e a cabeça prestes a explodir. Não bastava a ressaca, todos os seus músculos doendo, teria que aguentar o sermão de alguém, que provavelmente defenderiam de todo aquele alvoroço. Mas, porra, ela também estava errada. Se eu tivesse feito o que ela fez, provavelmente cairiam em cima dele de primeira, sem hesitações.

Louis entrou na cozinha, suspirando alto o suficiente para que Harry deixasse de olhar para o chão e o encarasse. Seu amigo deu mais alguns passos para frente, olhou em seus olhos e encostou as mãos em seu ombro.

— Irmão, você está fodido.


Capítulo 15

N/A: Sugestão de música para o capítulo: Ódio e Rancor - Hiosaki (Podem dar play quando quiserem).

Três semanas depois

As frases ecoavam como um estrondo pela minha cabeça, não possuía força o suficiente para assimilar cada pedaço das cenas que fui a protagonista nas últimas semanas. Minha expressão descolorida anulava todos os resquícios de esperança e entusiasmo que havia dentro de mim, como nunca. Meu Deus, quanto drama! Não podia entender o que estava acontecendo dentro da minha cabeça agora; sinto como se todas as borboletas estivessem perdendo a cor e o vigor. Já havia quebrado a perna e um dedinho do pé há alguns anos, mas nada se comparava ao que estou sentindo agora e é difícil compreender exatamente o porquê de estar me sentindo assim. Harry não era meu namorado, não havia chegado nem perto disso, mas as marcas de suas palavras deixarão uma cicatriz imensa em mim.

Egh, quanto frufru, sinto vontade de vomitar só de pensar que realmente estou falando sobre isso, logo eu. Mas, realmente, meus dias tem sido mais cinzas e mais lentos desde minha última conversa com Harry. O dia parece durar 36h e as músicas de amor finalmente faziam algum sentido para mim, inédito.

Meus dias eram resumidos em ir à escola, comer e assistir as últimas temporadas de Dexter. Era difícil compreender porque eu me sentia dessa forma, vazia. Talvez porque minhas aulas de matemática não eram mais as mesmas e minhas conversas da madrugada, agora se resumiam em perguntar ao Niall qual filme eu deveria assistir, mas ele sempre dormia cedo demais para responder. e Valerie me viam apenas durante algumas aulas, sempre procurando saber se eu estava bem e a resposta era sempre sim, quando, evidentemente, não estava. Evitar falar sobre o que passava em minha cabeça era minha maneira de escape de driblar os possíveis breakdowns que apareceriam, eventualmente.

Me sinto uma tola por estar me sentindo dessa forma. Me sinto uma tola por estar me sentindo dessa forma por um homem. Alguém que claramente não consegue manejar seus sentimentos e colocá-los em prática. Gostaria que as coisas fossem mais simples. Que merda, , você precisava se apaixonar por Harry Styles? Eu não fazia ideia do que estava acontecendo em sua vida, nem onde estava, não sabia mais sobre suas músicas e nem se quer sobre Sophie.

Sabia apenas o que Niall me contava. Eles terminaram os últimos shows do Four na América do Sul, também sabia que Zayn queria deixar a Banda, e estava apenas esperando os meninos decidirem o que iriam fazer. Estavam sofrendo muito com todas as idiotices que precisavam passar, nenhum deles, de fato, estava conseguindo segurar as pontas de tudo. Era questão de dias para a One Direction ter um fim. Não queríamos, mas estávamos dando todo o suporte possível para que eles ficassem bem, em todos os sentidos.

Cessando meus pensamentos, estava sentada em meu quarto, arrumando as prateleiras repletas de livros de romance, quando minha porta foi brutalmente aberta por um rosto familiar e nenhum pouco contente. Olhei para trás, encarando a figura de parada no batente da porta, que encarava diretamente o computador tocando Somebody Else, do The 1975.

— Ok, já chega — disse, se aproximando do computador e desligando a música deprimente. — Desfaz essa cara de cachorro que se perdeu na mudança e levanta essa bunda daí, agora.

— Quem te deixou entrar? — Arqueei a sobrancelha, surpresa por ela estar ali.

— Sua mãe me ligou, disse que não aguenta mais ouvir essa caralha de música.

— Quanto drama, minha playlist é exclusivamente diária. — Sorri, cínica.

— Tira esse pijama, agora — falou, abrindo meu guarda roupa — vamos a praia.

— Meu amor, está frio.

— Sim, não vamos nadar, . — Ela revirou os olhos, impaciente — Vamos apenas sentar por lá e você vai me contar exatamente o que aconteceu naquela cozinha, sem desculpas e sem fugir.

— Cof cof — tossi — acho que estou resfriada, não posso comparecer ao seu convite. Mas você pode deixar os chocolates na geladeira, farei bom uso deles em breve.

, você vai, eu não estou pedindo — Amanda, que provavelmente estava ouvindo a conversa do outro lado da porta, interrompeu.

— Mãe, você sabe que eu estou bem — respondi, balançando a cabeça.

— Filha, se você não levantar dessa cama agora, vou tirar sua televisão do quarto — disse, ameaçadora.

A olhei com indignação.

— Você não seria má dessa forma.

— Quer pagar para ver?

— Tá — retruquei, incrédula.

estava parada perto a mesa, apoitada na cadeira com os dois braços cruzados, enquanto eu escolhia uma roupa para vestir. Coloquei um suéter confortável que, surpreendentemente, cheirava a Tom Ford, provavelmente porque estava ao lado do moletom nunca devolvido que não pertencia a mim. Vesti a roupa, penteei meus cabelos e passei um perfume por cima do cheiro para disfarçar a nostalgia que rodeava minha mente. Em uma mochila, coloquei uma garrafa d’agua e uma canga, para não sujar tanto meu short de areia. Pelo menos, minha melhor amiga me conhecia como ninguém, ela sabia que o mar me ajudaria a pensar com a cabeça mais fria e me acalmaria de muitas maneiras.

— Estou pronta — suspirei com um sorriso frouxo.

— Pelo amor de Deus, , parece que você assassinou o natal com essa cara.

— Como você é exagerada, . — Dei de ombros.

— Vamos? — Ela balançou a chaves.

— Você vai dirigir? Desde quando você dirige?

— Se a senhora não tivesse ficado confinada neste quarto por anos, saberia que eu peguei minha licença semana passada.

— Ouch, era só você ter me falado, nós estudamos juntas. — Revirei os olhos.

— Ah, você não estava muito no clima.

— Ok, então podemos comemorar mais tarde, pode ser? — soltei e me olhou surpresa. Provavelmente porque eu estava sugerindo sair de casa sem que alguém pedisse ou algo assim.

— Uhh, ok.

Após terminar de juntar meus pertences, dei um beijo em minha mãe e avisei que voltaria para tomar um banho, em algum momento do dia. Ela assentiu, falou para eu me cuidar e disse para avisar onde estava e o que estava fazendo. e eu fomos em direção a porta e ao carro de seus pais, que estava parado em frente à minha casa.

Tem sido dias complicados e melodramáticos demais, nunca imaginei que algum dia me sentiria dessa forma, ainda mais por um homem. As lembranças eram gritantes demais para meu coração não se queixar que sentia falta delas.

Sentei-me no banco do passageiro, com a cabeça encostada no vidro e os dedos inquietos procurando algo pelo rádio, até finalmente encontrar alguma música que não deixasse meu psicológico nostálgico.

— Agora que já estamos em movimento, preciso te contar uma coisa... — disse.

Franzi a testa, a olhando de lado.

— Preciso buscar minha carteira.

— Ok? — respondi, fitando-a — Mas sua casa é do outro lado.

— Sim, minha carteira está com Niall. Eu deixei ela lá ontem. — mordeu os lábios, provavelmente esperando que eu falasse alguma coisa.

— Hum, você sabe que não quero ir até lá.

— Eu sei, mas ele me mandou mensagem que achou e eu preciso da carteira.

Dei de ombros em silencio. Nem parecia que fazia tanto tempo que havia pisado naquela casa pela última vez. Estava mais nervosa do que nunca esteve, mais do que a primeira vez que estive por ali. Uma sensação inexplicável de tristeza e ansiedade invadiu meu peito, seria melhor ficar no carro? Seria normal entrar e falar oi para todos após desaparecer por semanas? E se eu esbarrar com Harry? E se eu chorar? E se eu o agarrar e fingir que nada aconteceu?

— ela estalava os dedos em meu rosto — você vai ficar no carro?

— Não, vou descer. Quero ver o Niall. — Mentira, queria ver Harry.

Parcialmente mentira, eu queria ver o Niall, mas queria muito mais ver Harry; seus olhos de esmeralda, seus cachos que passavam por seus ombros, formando ondas perfeitas por ali e seu sorriso deslumbrante. Harry é irresistível. Eu queria encontrar Harry. Queria dizer tudo o que vinha ensaiando nos últimos dias e deixar claro todos os sentimentos que não havia deixado claro antes, mas a dúvida de não ser reciproco me quebrava.

— Vamos, então? — parou ao lado do carro, arqueando a sobrancelha e impaciente com minha demora.

Coloquei o celular no bolso e deixei a mochila por lá. Minhas mãos suavam frio — que ridículo —, uma verdadeira pamonha. Uma segurança que estava a porta abriu quando viu , aparentemente ela estava frequentando a casa mais do que o normal, para deixarem-na entrar facilmente.

Fomos recebidas por Liam, que estava de saída, como sempre. Ele estava diferente. Tinha algo de errado.

— Oi, Liam! — disse, logo que entramos.

— Oi, e — fez uma pausa dramática — ? Que bom ver você por aqui. Tenho que ir agora...

— Liam? Está tudo bem? — perguntei.

— Não, mas preciso ir agora. Você vai entender.

E ele saiu.

— Tem algumas coisas que você precisa saber, mas eu acho melhor os meninos te contarem — minha melhor amiga falou, virando-se.

Assenti. Quando chegamos a sala, Niall estava sentado no sofá, com os cotovelos apoiados no joelho e suas mãos se encontravam, parecendo preocupado. Harry estava apoiado na parede, com as mãos na cabeça, prendendo o cabelo num coque alto. Zayn estava muito bravo. Louis estava sentado, com as pernas cruzadas, deixando transparecer a tristeza.

Niall notou que estávamos nos aproximando e se levantou, vindo em nossa direção.

, nossa! — Ele me olhou assustado.

— Oi pra você também! — protestou, cruzando os braços e vendo Niall se achegar a mim com um abraço caloroso.

— Nossa, parece que eu morri — disse rindo, enquanto o abraçava.

— E não morreu? Tá quase desaparecendo! Estão te alimentando? — Ele perguntou, apertando meus braços.

— Que drama, Niall! Tenho comido mais do que nunca!

— É genético, né? Quer me passar um pouco do DNA?

— Pode ser!

Niall sorriu e abraçou . Os meninos deram um Oi de longe.

Foi assim que percebi que algo realmente estava errado.

— O que aconteceu? — indagou, acho que ela estava tão preocupada quando eu.

— Estou deixando a One Direction. — Zayn soltou rapidamente.

Engasguei.

— Oi? — dissemos em um uníssono.

— Estou cansado. Não aguento mais — disse sincero — Não posso produzir o que eu gosto, não posso falar sobre o que eu quero, não sou autorizado a fazer nada! Eu cansei!

— Você quer que eu diga algo? — perguntei, tentando não ser muito invasiva.

— Não, já está feito.

— Uma decisão completamente rebelde e impulsiva! — Louis gritou, se levantando do sofá.

— Chega, Louis — Harry o interrompeu — falamos sobre isso mais tarde.

O clima na sala estava tenso na sala. e eu nos entreolhamos várias vezes, procurando assimilar o que estava acontecendo por ali. Eles não conseguiam trocar olhares.

Em choque e assustada, observei Zayn deixar a sala, Niall e comentarem sobre a carteira, procurando sair dali o mais rápido possível e Louis dizer, pouco antes de também deixar o cômodo:

— Eu vou sair, mas não é como se eu não fosse ouvir toda essa conversa daqui uma hora — ele revirou os olhos e saiu.

Harry e eu ficamos. Alguns metros de distância. Merda, queria sair correndo! Não deveria ter vindo, meu coração vai sair pela boca. Olhei para baixo, desviando o olhar, que, de alguma forma, era inevitável. O silencio tomou a sala, nenhum de nós sabia o que dizer e eu já nem lembrava como se pronunciava uma palavra. Ele bufou algumas vezes, como se não quisesse estar ali, algo me dizia que eu também não deveria.

— Você não atende minhas ligações — ele disse, suspirando.

Silencio

— Eu não quero atender suas ligações, Harry.

— Eu queria te pedir desculpa, mas eu sabia que pessoalmente não seria possível.

— Pedir desculpa pelo o que? — olhei em sua direção — Por ter me iludido, por me tratar como se eu fosse sua propriedade ou por ter sido babaca todo esse tempo?

— Será que dá para você parar de ser tão dramática? — revirou os olhos — Estou tentando te pedir desculpa.

— Mas você nem sabe porque está me pedindo desculpa! — me exaltei — você só quer consertar as coisas e fingir que está tudo bem, até voltar a fazer tudo aquilo de novo!

— Por que você não me escuta? — ele perguntou, se aproximando cuidadosamente.

— Você não merece todo esse gasto de energia — balancei a cabeça, negativamente — você é totalmente diferente do que eu achei que fosse.

— Eu estou tentando fazer a coisa certa! — Harry olhou em meus olhos.

— Eu não vou te pedir desculpa por ter transado com o Luke, se é isso o que você também quer ouvir — despejei.

Harry abriu a boca, procurando palavras soltas pelo ar, mas não conseguiu dizer nada.

Sua expressão era séria, mas eu não conseguia engolir isso. Era como se ele estivesse falando exatamente o que eu queria ouvir, não era isso o que eu queria. Isso tinha que partir dele, precisava ser algo que eu saberia que vinha com cem por cento de sinceridade. Seus olhos azuis irresistíveis me encaravam, imobilizando qualquer frase que eu havia planejado dizer por semanas.

— Eu não consigo entender porque você fez isso — finalmente, uma palavra sincera saiu de sua boca.

— Porque eu quis, Harry, e é só isso que você precisa saber e entender. Luke estava lá, você não estava e acabou — coloquei minhas mãos na altura de meu rosto, imaginando a dor de cabeça que viria após o termino dessa conversa. — Você não sabe o que quer, me enrola durante meses e ainda quer que eu adivinhe o que se passa na sua cabeça. Já sei! Vou te indicar um terapeuta ótimo e...

— Eu sei o que eu quero, . — Harry cerrou os lábios, me interrompendo rapidamente.

— Não sabe. Você não consegue nem ser sincero consigo mesmo, por que seria comigo?

— Então é isso?

— Eu vou esperar. Mas não vou esperar para sempre. — suspirei — Se cuida, Harry.

Ele assentiu com a cabeça, pensativo. Foi a primeira vez que finalmente conseguimos ter uma conversa civilizada, sem gritos e portas batendo pelos cômodos. O que eu queria mesmo, era que após nossa briga, ele tivesse ido até minha casa, com um balde de pipoca doce e Coca-Cola e um balde de desculpas sinceras, vindas dele. Ele sabia que isso também era o que eu queria, só precisava de um tempo para descobrir sozinho, sem que outras pessoas interferissem nisso. Quando eu descobri que ele não iria de nenhuma forma, eu simplesmente tentei me desprender disso, por dias! Procurava evitar saber o que ele fazia, com quem estava e por que, mas foi inevitável descobrir que ele sempre estava perdido em um bar, bêbado e com alguns amigos que Niall desaprova. Ele não sabia o que queria, nem o que estava fazendo. Quero dizer, ainda não sabe.

Acenei para Harry, evitando o contato físico — que me levaria a perder a postura — e segui para a entrada da casa, onde e Niall conversavam sério. Quando foi que meus melhores amigos me trocaram e eu não percebi? Cheguei mais perto e eles estavam se despedindo. Fiz um sinal para que ele me ligasse mais tarde e ele assentiu, sorrindo. e eu entramos no carro em silencio, eu disse a ela que gostaria de dizer o que havia acontecido quando chegássemos a praia e ela concordou, colocou música para tocar e seguiu nossa viagem. 65 minutos de viagem até Whistable Beach que resultaram em uma hora de cantoria de High School músical e debates sobre Crepúsculo ser ou não um bom filme para adolescentes, não chegamos a nenhuma conclusão exata.

seguiu a direção enquanto meus pensamentos ficavam perdidos pela estrada e as músicas que tocavam no rádio. Ela estacionou o carro e me observou fazer uma expressão de surpresa e confusão. Como eu disse...

Harry S. [15:46]: mensagem deletada

Harry S. [15:46]: mensagem deletada

... ele não sabe o que está fazendo. Demorou um pouco para que eu compreendesse isso.

havia comprado alguma coisa para bebermos e mais alguns salgadinhos. Nós fomos para mais perto da praia e estendemos uma canga pelo chão. A praia era tão linda, havia uma arquitetura única por ali, muitas casas do mesmo estilo, coloridas, espalhando um gostinho de vida por todo o local, combinando perfeitamente com a paisagem do mar. Estava tão frio que me arrependi profundamente de estar de shorts, mas nada mais importava além daquela visão incrível a minha frente.

— E então, quem começa? — perguntei e ela apontou para mim — tudo bem. Primeiramente, gostaria de contar uma novidade: fui chamada para fazer um trabalho para a Calvin Klein essa semana.

abriu um sorriso imenso. Meu sonho estava se tornando realidade e eu conseguia enxergar que ela estava mais feliz do que eu naquele momento.

— MEU. DEUS. SERIO? — ela gritou, animada.

— Sim — respondi, sorrindo — estou muito nervosa.

— Não, calma! Vai dar certo, você consegue, respira...

— Venho treinando muito esses dias que fiquei fora — bebi um gole da garrafa — agora me conta o que aconteceu com os meninos.

— Eu não sei muito bem, sabia que eles vinham brigando por coisas ridículas. Mas Niall disse que irá nós explicar com mais calma essa semana e contar tudo o que aconteceu. — suspirou — o negócio é sério, parece que Louis e Zayn tiveram que ser separados de uma briga durante uma reunião.

— Nossa, sério?

— Sim, tenta falar com Louis depois.

— Mas e o Zayn? — indaguei.

— O que tem o Zayn? — desviou o olhar.

Collins. E você e o Zayn?

— Não sei, não me faz pergunta difícil. Estou dando um tempo para ele neste momento difícil — deu de ombros — ele não quer minha ajuda, eu tentei muitas coisas, ele nunca se abre.

— Você tentou perguntar como ele está?

Ela encarou as ondas e abaixou a cabeça.

— Eu não sei me comportar dessa forma, — respondeu sincera — eu nunca cheguei nessa parte de relacionamento com ninguém e quando se trata dele, parece que eu me esqueço como se formam frases.

— Você está AMANDOOOOOOO! — gritei, jogando um salgadinho em sua direção e ela revirou os olhos.

— Obvio que não, para com essas suas coisas.

— Você pode se enganar, mas não me engana! — Bati palminhas.

— E o Harry, hein?

Abracei meus joelhos, pensando sobre a pergunta. A verdade é que eu não sabia a resposta. Eu estava machucada, ainda me lembrava de cada pequena palavra que ele havia me dito e pensava se aquele era o Harry que havia conhecido, nunca imaginei que seu ciúme chegaria a aquele ponto. Por outro lado, ainda me encontrava apaixonada por ele, difícil admitir isso. Seu rosto foi o primeiro que procurei na sala, sua voz me causava calafrios e seu toque me deixava de pernas bambas. Seu instagram cansou de contar minhas visualizações e eu abri sua conversa tantas vezes, que daria para escrever um livro. As sensações eram de que ele queria me fazer ser sua o tempo todo, mas não queria ser meu. Eu não sou qualquer pessoa em sua vida, ele não tem o direito de me magoar e me ter de volta logo quando quisesse, mesmo que fosse mais irresistível que uma picanha mal passada com limão.

— Ele me pediu desculpas.

— Nossa finalmente! Eu não aguentava mais ele ME pedindo desculpas, pedindo para que eu falasse para você atender o telefone.

— Por que você não me falou?

— Achei que você precisasse do seu tempo, eu sabia que uma hora você iria falar com ele e preferia que fosse pessoalmente.

— Eu te amo, você sabe, né?

— Sei — ela riu — mas, eai?

— Eu não sei, a gente quase se beijou, ele disse que eu estava linda — suspirei fundo — não sei como tive tanto autocontrole. Disse que precisava de um tempo para pensar e assimilar tudo.

— E você precisa?

— Eu não! Quero pular no pescoço dele e correr pra um quarto — admiti, gargalhando — mas ele não pode me ter tão fácil assim. Será bom, eu vou conseguir enxergar se ele realmente está disposto a ficar comigo, pipipipopopo..

— pipipi popopo — riu, me acompanhando — só isso?

— Sim, só isso.

Ela me encarou, sorrindo. Sabia que me apoiaria qualquer que fosse minha decisão e estaria ali caso eu fizesse algo de errado. Nós duas olhamos em direção ao mar, o sol estava começando a se pôr e mais algumas pessoas se ajuntaram ali para observar aquela maravilha. Momentos que eu gostaria que durassem para sempre.

aproveitou para tirar uma foto minha e só me mostrou depois de tirar quinhentas — nada que eu não tenha gostado — e eu a postei, com um trecho de um cover. Que as indiretas comecem, não é?

@joness: *foto no instagram dela* miss your skin, i fall for you once more

Comments

@collins1: a fotografa era bonita?

@collins1: mas voce também ta bonitinha

@harrystyles: você tá linda nesse suéter branco 


Capítulo 16

N/A: Música do capítulo: Do I wanna know – Arctic Monkeys, deem play quando eu falar.

A ansiedade era de matar. Era como se nunca tivesse ao menos pisado em um set de fotos antes, mesmo que isso tenha sido recorrente nas últimas semanas. Hoje, finalmente, seria o maior trabalho de sua — pequena — carreira até agora: Calvin Klein. Ela usava um roupão branco, de frente ao espelho e sua vestimenta estava por baixo, na qual, iria fotografar com lingerie, jeans, tops, blusas e tudo o que tivesse direito! Seu dia estava reservado por completo para uma das maiores marcas no mercado da moda, e não conseguia tirar um tempo se quer para assimilar o que estava acontecendo ali. A maquiadora passava um pó Laura Mercier em seu rosto, que possuía um leve cheiro de rosas e fazia ter cocegas e levar alguns esporros de vez em quando por não parar quieta na cadeira desconfortável. Mas que culpa ela tinha? Aquela cadeira era ruim demais de sentar. Além do mais, depois de Luke Hemmings, nunca poderia achar algo melhor.

Que dia maravilhoso, seu sonho se concretizava a cada teste de clique que ouvia do produtor com o fotografo. O set era tão comum quanto os outros, mas ela se sentia como se fosse a mulher mais importante daquela sala e talvez fosse mesmo. Eles a escolheram, com muita cautela e seriedade. Ela havia sido escolhida entre várias outras garotas durante um casting pessoalmente e se sentia lisonjeada. Sentiu-se triste por sua mãe e não estarem ali, pois gostaria que elas acompanhassem esse momento tão importante da vida dela, mas não podia levar elas para todos os lugares, não é?

— Carol, você vai retocar quantas vezes esse rímel? — perguntou a garota, brincando, com a intimidade que tinha com a maquiadora.

— Quantas vezes forem necessárias para deixar esses cílios grandes, meu bem — ela respondeu, piscando.

As duas já haviam se conhecido há poucos meses, no primeiro trabalho em que fez para uma loja de roupa local. Se deram muito bem nos primeiros segundos de preparação de pele, Carol já tinha feito tantas piadas que não conseguia parar de rir por um segundo. E, desde então, sempre torce para que Carol esteja lá.

Para passar o tempo, trocava mensagens com , mas se surpreendeu com uma mensagem inesperada.

Luke H. [08:30]: Hey, pretty girl. Estou em Londres pelo fim de semana, quer fazer algo?

deu um sorrisinho bobo, acompanhada pelo olhar malicioso que Carol deu.

— Quem é, hein?

— Ninguém.

— Ninguém?

— Ok, é o Luke.

— Luke? Que Luke?

— O Luke do 5sos. O loirinho vocalista.

— Hum, posso saber como a senhorita conhece o vocalista de 5sos? — Carol perguntou curiosa, enquanto prendia o cabelo da modelo em um rabo de cavalo alto.

— Pela One Direction, é claro — deu de ombros — Niall nos apresentou.

J. [08:44]: Hey, pretty boy. É claro. O que está fazendo por aqui?

Luke H. [08:44]: Reunião com a diretoria da 1D, parece que vão quebrar um contrato ou algo assim.

J. [08:45]: Deve ser algo relacionado com a saída do Zayn. Estou com dó dos meninos. Eles anunciaram essa semana, está tudo uma loucura.

Luke H. [08:45]: Sim, tenho certeza de que é. Acho que não faremos mais shows juntos, pelo menos por enquanto.

J. [08:46]: É, mas ele teve um bom motivo pra sair. Estavam recusando todas as músicas que ele escrevia.

Luke H. [08:46]: Sério? Que merda. Mas ele está bem?

J. [08:46]: Não. Ele não queria ter saído, mas não aguentou. Está recebendo uma caralhada de hate.

Luke H. [08:46]: Vou tentar falar com ele mais tarde, nos encontramos amanhã de manhã para a reunião.

Luke H. [08:49]: Enfim... o que você está fazendo agora? Escola?

J. [08:49]: Estou fazendo um shooting para Calvin Klein, meu amor!

Luke H. [08:49]: E nem me chamaram para fazer junto?

J. [08:50]: Desculpe, só para a mais bonita de Londres.

Luke H. [08:50]: Tudo bem, eu supero.

J. [08:55]: Tenho que ir, Canguru, mais tarde a gente conversa.

Luke H. [08:55]: Beijos.

Luke H. [08:55]: Mas queria da-los pessoalmente.

J. [08:55]: Você não tem jeito, não é?

Luke H. [08:56]: Impossível resistir.

— Então você vai dar pra ele? — Carol indagou, curiosíssima.

— Sem comentários para sua pergunta. — virou os olhos. — Óbvio que eu vou, de novo.

— Mulher! — Carol caiu na risada.

Enquanto as duas riam e conversavam, o produtor bateu na porta, interrompendo-as. Elas o olharam e ele se encontrava com sorrisinho no rosto, completamente animado e com um humor diferente do de mais cedo.

— Houve uma mudança de planos — disse, calmamente. — Os shootings feminino e masculino seriam feitos em dias diferentes. Porém, agora serão os dois no mesmo dia. Você entrará nas fotos agora e daqui a pouco faremos vocês dois juntos. Mais tarde, faremos o masculino. Vejo que já está pronta. — Ele a olhou de cima a baixo. — Pode ir, então, vamos fazer com a calça jeans primeiro.

— Claro, sem problemas. — respondeu, sorrindo. — Já sabem quem vai fotografar comigo?

— Sim, tiveram uma mudança de última hora, o modelo que viria amanhã teve de cancelar pelo resto da semana e conseguimos um para hoje, ele chegará em alguns minutos.

e Carol se entreolharam, instigantes. O estomago da garota já voltara a doer assim que o produtor entrou na sala, nervosa. Pensava o que achariam dela em set, se iriam guia-la, se iriam colocar alguma música para descontrair o momento, se todos seriam muito sérios... eram tantas expectativas. Infelizmente, situações que não podia controlar e dependia totalmente de seus companheiros de trabalho. Por sua surpresa, o fotógrafo se apresentou dizendo que ela estava esplendida com aquele top cinza e um jeans azul escuro.

Pediram para que ela ficasse no centro do fundo branco, onde batia uma luz lateral em seus cabelos. Alguns cliques começaram para teste, até finalmente o sinal foi dado para que ela começasse a se movimentar. Por sorte, pediram para que Carol a acompanhasse enquanto o modelo não chegava, e ela colocou música para tocar. Os movimentos precisavam ser leves e descontraídos, sem muita pose, pois o foco era na marca e não nela.

Quase duas horas depois, já estava vestindo outra peça. Dessa vez, sentada em uma cadeira de madeira, com os braços entre as pernas e o cabelo havia sido solto. Os cliques eram infinitos, não parava de pensar no trabalho que daria escolher aquelas fotos a dedo, para edição de mais ou menos dez! Carol, já não estava mais na sala. Havia sido requisitada pelo produtor para arrumar o modelo e isso já fazia um tempo. Enquanto isso, os produtores não paravam de cochichar, o que a deixava agoniada sem saber o que estava acontecendo, se estavam gostando, o que aconteceria agora e coisas assim. Eram muitos pensamentos que a incomodavam, mas nada se comparava a felicidade de estar na frente das lentes daquela Nikon. Era como se, finalmente, estivesse fazendo tudo o que sempre desejou e isso a fazia transbordar de alegria, dando seu melhor em tudo o que pudesse fazer. Em um momento, começou a tocar Arctic Monkeys e foi à loucura, dançando alguns movimentos dentro do set, que agradou muito ao fotografo.

— Acho que está bom — interrompeu o produtor. — Vamos chamar o garoto, as outras peças podem ser tiradas com ele. , vá trocar de roupa.

Ela se enrolou no roupão, calcou os chinelos e foi entregue a ela um lingerie preto, rendada, em formato triangular. Entrou no provador que se encontrava ao lado direito do set e trocou de roupa, amando o que via no espelho a sua frente. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo ali.

Segundos depois, ouviu alguém dizendo “Meu Deus!” e “Como você conseguiu?”. Ela ainda estava dentro do provador e, foi interrompida por Carol que acabara de invadir o mesmo, sem perguntar se podia.

— Escuta aqui, mulher. O que vai acontecer agora vai te deixar de pernas bambas, — ela disse, séria — mas preste atenção, aproveite ao máximo que puder, faça muito contato visual, não perca essa oportunidade e lembre-se: eu te avisei.

PLAY NA MÚSICA

Uma de suas músicas preferidas começara a tocar — Do I Wanna know —, mal via a hora de fotografar ao som dela.

E ela saiu, sem que pudesse dizer alguma coisa. Seus dedos gelaram, pensando na pior hipótese possível. Deixou seu roupão de lado e abriu o pano branco, dando de cara com seu maior problema possível. Era quase inacreditável que ele estaria ali, olhando-a de cima a baixo, vestido em apenas uma boxer preta, com os cabelos presos em um coque alto. A garota ficou vermelha como um pimentão, querendo se enfiar embaixo de um buraco.

Have you gor colors in your cheek? — Harry parou em sua frente, acompanhando a música.

Merda. Ele estava incrivelmente gostoso naquela boxer.

— Sei que vocês já se conhecem, vamos agilizar — o produtor disse, batendo palminhas. — Vão para seus lugares.

E eles fizeram, sem dizer nada. estava em um estado de transe, sem olhar para o cantor e Harry a tentava encará-la irritavelmente milhões de vezes.

— Estão ouvindo essa música? — perguntou o produtor e os dois assentiram. — Finjam que vocês estão tremendamente apaixonados, não se veem há semanas e querem transar loucamente, com os hormônios que eu sei que vocês têm.

E então, ele voltou a música para o começo.

How many secrets can you keep? (Quantos segredos você pode guardar?) — Harry cantarolou.

Eles foram posicionados por Carol e pelo fotógrafo.

— Escuta aqui — disse, levando seu olhar em direção aos dele. — Não fode com tudo.

— Talvez não com tudo. — E ele levou as mãos a cintura dela, puxando-a para mais perto.

Crawling back to you

Ever thought of calling when you've had a few?

Cause I always do

Maybe I'm too busy being yours to fall for somebody new

Now, I've thought it through

Crawling back to you

(Me arrastando de volta para você

Já pensou em ligar quando você tomou umas?

Porque eu sempre penso

Talvez eu esteja muito ocupado sendo seu para me apaixonar por outra pessoa

Agora pensei bem sobre isso

Me arrastando de volta para você)

Eles se encontravam virados um para o outro, com as mãos pelo pescoço do garoto e ele com as mãos pela lateral de sua coxa, apertando-as de leve. Suas mãos se arrastavam pelo corpo um do outro, Harry deu a volta na garota, passando as mãos por toda a lateral de seu corpo e parou atrás dela, encaixando seu maxilar pela extensão do pescoço dela, fazendo-a arrepiar. Volta e meia ele cantava partes da música em seu ouvido, mantendo-a paralisada.

So have you got the guts?

Been wondering if your heart's still open

And if so, I wanna know what time it shuts

Simmer down and pucker up

(Então, você tem coragem?

Estive pensando se seu coração ainda está aberto

E se estiver, quero saber que horas ele fecha

Se acalme e prepare seus lábios)

Foi pedido a Harry para que ele se deitasse pelo chão, com as penas esticadas e puxasse para cima dele. E foi a coisa mais difícil a se fazer em toda sua vida. Não suportava ver daquele jeito e não poder agarra-la ali mesmo, da forma que realmente queria.

sentou-se de frente para ele, em seu colo, puxou seu queixo para cima e acompanhou a música:

I'm sorry to interrupt, it's just I'm constantly on the cusp of trying to kiss you. I don't know if you feel the same as I do but we could be together if you wanted to... (Sinto muito interromper, é que apenas estou constantemente à beira de tentar te beijar. Não sei se você sente o mesmo que eu sinto, mas poderíamos ficar juntos se você quisesse. — Provocou-o, com os lábios quase colados aos dele.

Harry tentou falar, mas não conseguia. Ela sorriu, jogando os cabelos para cima e levantando o tronco, deixando a cabeça dele a altura de seu peito. As mãos firmes de Harry passavam pela coxa tremula de , que tentava se manter com o mínimo de sanidade mental ao colo de Harry.

Aquele set parecia cada vez mais quente, se tornando quase impossível olhar para a câmera a frente deles. E eles acharam que estavam passando apertado, até pedirem a Harry para pega-la no colo. Agora, sim, estava impossível sobreviver naquele calor infernal e a tensão entre os dois estava sendo notada por todos. Carol estava se divertindo, vendo aquela cena de camarote.

N/A: A próxima música é Skin – Rihanna

A música já era outra e, em um ato inesperado, Harry dirigiu ambos os corpos para a parede branca mais próxima, quase derrubando as luzes que estavam ao redor deles, fazendo as pessoas que estavam por perto darem gritinhos surpresos e alvoroçados. Gostavam do que viam, mas nem tanto quanto Styles e Jones estavam se divertindo ali. Com as costas para a parede, apertou as pernas que envolviam a cintura árdua do parceiro, o fazendo suspirar alto. Segurou um risinho, que provava que ele estava 100% rendido a ela ali, ele não suportava mais,

Na verdade, ambos não suportavam mais.

I got a secret that I wanna show you,

I got a secret so I'mma drop it to the floor

No teasin', you waited long enough

Go deep, Imma throw it at cha can't catch it

Don't hold back, you know I like it rough

You know I'm feelin you huh, know you likin

(Eu tenho um segredo que quero te mostrar oh

Eu tenho um segredo, então vou descer até o chão oh

Sem provocar, você já esperou o bastante

Vai fundo, eu vou te dar o que você não consegue pegar

Não se contenha, você sabe que eu gosto de quando é selvagem

Você sabe que eu estou te sentindo, sabe que você está gostando)

Por um momento, o cômodo ficou vazio e eles estavam sozinhos ali, com a luz principal refletindo em suas peles e um silencio ensurdecedor. Os olhos de penetraram os esverdeados como nunca, como se nunca tivesse os encarado antes, como se nunca tivesse percebido a profundidade em seu olhar, quando ele se voltava a ela. Faltaram milésimos de segundo para que ela soltasse seus braços e puxasse seu rosto para mais perto.

— Corta — disse o produtor, trazendo os sons de câmera, luzes se movendo, pessoas conversando e a música alta à tona.

Harry soltou as pernas da garota e colocou-a no chão.

— Os dois já podem trocar de figurino.

Oh, boy, aí vamos nós novamente, pensou . Imediatamente, Carol puxou-a pelos braços, levando-a para a sala de maquiagem. Seus braços tremiam, sua maquiagem havia borrado um pouco e seus cabelos estavam mais bagunçados do que nunca. Acompanhou Carol como se estivesse saindo de outra realidade, em choque.

— Acho que minha pressão caiu — foi o que ela disse, rindo.

— A sua? E eu que tive que ficar vendo sem poder bater palma? — A Maquiadora parou atrás da garota, arrumando seu cabelo.

— Meu coração está a mil. O que acabou de acontecer?

— Se você não sabe, meu bem, como eu vou saber? A sala estava pegando fogo ali.

— Como ninguém me avisou que seria ele?

— Como que alguém ia saber do seu draminha com ele? — Carol perguntou, sincera.

— É... Você sabe qual o próximo figurino?

— É esportivo, não deve ser tão sensual.

— Ai, graças a Deus.

— Sério? — debochou. — Até parece que você não queria mais.

— Até queria, né? Mas não aqui e nem agora. Ainda estou brava.

— Para de drama, mulher, o cara está doidinho por você.

— O cara está doidinho por você — imitou-a.

Dez minutos voaram, enquanto elas terminavam a produção e trocavam o figurino. comeu duas maças inteiras e três bolachas nesse meio tempo, visto em que seu estomago estava implorando por comida. Orou muitas vezes internamente para que Deus a desse muita paciência e autocontrole para as próximas cenas, pois Harry estava da mesma forma, porém com uma boxer de outra cor.

Entretanto, esse foi mais tranquilo. As músicas já haviam mudado e era algo mais dinâmico, quase não pareceu que ambos estavam quase sem respirar alguns minutos atrás.

O ensaio foi terminar por volta das cinco da tarde. O sol já estava se pondo, o estomago de já não aguentava mais dois minutos sem comida e ela esperava por sua carona em frente ao estúdio.

— Quer que eu te leve? — a voz calma de Harry atravessou seus ouvidos e ele parou ao seu lado. — Vou chamar o motorista.

— Não precisa, já tenho carro.

— Quer me dar uma carona, então?

— Não posso, a minha acabou de chegar.

E então, Luke estacionou o carro na frente deles, buzinando de leve. Harry estava atônito, acenando serenamente para o garoto, que também pareceu surpreso ao vê-lo.

— O que faz aqui, Hazz? — perguntou o loiro, despreocupado.

— Me chamaram de última hora para o shooting.

— Ah, sim. Nos vemos amanhã, então? — Luke deu um sorrisinho amigável.

— Sim, até mais.

deu a volta e entrou no carro, sorridente. Harry a olhou despercebido e ela notou sua expressão desapontada pelo retrovisor do carro, abaixou a cabeça e seguiu o caminho com Luke. Ele parecia confortável sentado ali, rindo baixo, animado de ver a garota no banco do passageiro. Ligou a música e deu partida no carro, esperando a garota falar alguma coisa.

Não estava bravo ou algo do tipo, só não queria iniciar a conversa e deixar que entendesse algo errado. Harry não era uma ameaça, porque Luke tinha plena consciência de que a garota já era do outro e, o que aqueles dois tinham, ele nunca iria ter. Não existia amor entre Luke e , apenas um relacionamento entre amigos que se beijam às vezes, entre outras coisas.

— Eu não sabia que ele estaria ali — defendeu-se, mesmo sem ele ter dito nada.

— Tudo bem, vou fingir que você odiou que ele tenha participado com você.

— Que bom que você me conhece, não quero falar sobre isso. — olhou pela janela, observando Londres. — Preciso comer urgente.

— Mc Donalds? — perguntou, sorrindo.

— Mc Donalds! — Ela bateu palminhas, animada.

— Quer me contar como foi o resto, então?

— Meu Deus, foi incrível. Já quero de novo, quero mais fotos, passarela, capas de revista e viajar! — Seus olhos sorriam enquanto falava e sua animação contagiava a todos que a olhassem.

— Eu disse que você iria se dar bem! — disse Luke, sorridente. — Só não sei se quero ver essas fotos...

— Seu mané, também fiz fotos sozinha. — Sorriu. — Mas, sim, também não quero ver a outras. Nem sei quando elas chegam, acho que dentro de um mês.

— Nossa, daqui um mês já casei e mudei.

— Duvido, quem vai querer casar com você?

— Você? Uma lista enorme de fãs que estão na porta do meu hotel gritando... — Luke contava os dedos.

— Eu? Só se você prometer me dar dois goldens e cinco gatos.

— Eu sou alérgico a gatos.

— Poxa, então não vai dar.

— Mas eu já tinha até data marcada!

— Desculpa, vou estar gripada nesse dia — brincou e Luke riu.

Entrou com o carro pelo drive thru e fez os pedidos dos dois. Enquanto esperavam, continuaram falando sobre os interesses futuros, como realmente queria dois goldens e cinco gatos e como Luke queria morar em uma casa super afastada da cidade, ele também contou sobre uma garota que conhecera poucos dias atrás, mas que não dava a mínima bola para ele.

Como o local se encontrava vazio, os lanches não demoraram a chegar e colocou as sacolas em seus pés. O cheiro estava matando-a, então beliscava umas batatinhas enquanto não decidiam onde iriam. Por fim, foram para a casa de assistir um filme. Amanda foi receptiva, como sempre. Os esperou com sanduiches, refrigerantes e uma barra de chocolate, pois ela não sabia que eles já haviam comprado comida. De qualquer forma, eles comeram os dois.

e Amanda conversaram um pouco antes de irem para a sala, contando sobre como foi tudo e a garota escolheu deletar a parte de Harry, pelo menos enquanto Luke estivesse por lá. Não era agradável falar sobre isso. Depois de uns minutos de sanduiches e bate papo, foi tomar um banho e deixou Luke escolhendo o filme na sala.

[...]

Ela colocou um pijama confortável e encontrou com o garoto na sala. Ele estava conversando com Dona Amanda sobre os últimos shows que fizeram, com brilho nos olhos. Luke amava o que fazia, queria crescer como cantor e como pessoa cada vez mais.

As coisas não seriam tão mais fáceis se ela simplesmente estivesse apaixonada por Luke? Argh, gostava muito de vê-lo, de estar com ele, contar piadas e jogar conversa fora. Mas não era ele. Em meio a beijos e abraços, seu coração pertencia a outra pessoa, se ela ao menos pudesse escolher, ou tivesse controle sobre isso, não estaria sofrendo desta forma. Mas, de qualquer forma, esse tempo com ele era insubstituível, se tornaram amigos e sabia que poderia contar com ele sempre que precisasse, mesmo que fosse para desabafar sobre Harry, ele não estava nem aí, pois também não era quem ele realmente queria.

Ela sorriu com seus pensamentos e, logo, correu para se sentar ao lado de Luke, que segurava uma bandeja de pipoca.

— Vem cá, você vai sair daqui rolando, sabia? — perguntou.

— Eu não posso evitar se sua mãe está me preparando vários lanchinhos — respondeu Luke, colocando uma mão cheia de pipoca na boca.

— O que você escolheu?

— Não escolhi... sou muito indeciso.

— Então vamos ver A escolha.

— É romance?

— Sim.

— Se eu dormir você promete não me bater?

— Prometo de dedos cruzados. — Ele riu.

— Dá play, então.

Luke deu play no filme e se aconchegou nos braços do garoto, que estavam em volta de seu pescoço. Definitivamente, as coisas seriam mil vezes mais fáceis com ele, não tinha drama, não tinha crise, apenas um casal normal de namorados. Mas, não, ela tinha que amar a novela mexicana. Fala isso, mas aquele draminha adolescente a agradava de vez em quando, como se realmente estivesse vivendo uma novela.

Em uma hora, estava caída em lágrimas e Luke dormia profundamente, com a cabeça na parede e as mãos enroscadas nas dela. Riu da situação, pegou seu celular e tirou uma foto despercebida dele dormindo.

“@joness: e o filme, Luke?”

N/A: A foto está no insta real da com o mesmo @.

As curtidas foram subindo e as fãs a loucura, como sempre. Depois de algumas fotos, ela havia ficado um pouco mais conhecida entre os dois fandoms mais amados de 2015 e amava deixar um gostinho de dúvida nos fãs, que sempre comentavam sobre as postagens e fotos.

Não demorou muito para aparecer comentando alguma coisa engraçada, Niall mandando emojis e a curtida de Harry. Logo após, uma mensagem que fez o coração da garota palpitar:

Harry S. [08:45pm]: been wondering if your heart's still open and if so, i wanna know what time it shuts

(Estive pensando se seu coração ainda está aberto E se estiver, quero saber que horas ele fecha)


Continua...



Nota da autora: OI JNJKFKFDKKFK AAAAAAAAAAAAAAAAAAA ESCREVER ESSE CAP FOI UM DESAFIO ABSURDO P MIM EU ESPERO MT Q VCS TENHAM GOSTADO!!!!

Perdão a demora, as atts serao um pouco mais lentass agr pq minha faculdade voltou e tal etc..

Meu Deus to em surto com esse ensaio niufsdnvkjnkn ouçam as músicas, prestem atenção nas referencias !!!!!

Me falrem mt oq acharam por favor!!!! O discuss ta com problema ent n consigo ver os comentários de vcs!

Fiz um instagram para a personagem principal, vou postar spoilers lá! Sigam @babsjoness

Grupo do facebook: https://www.facebook.com/groups/1236293263387719/?ref=share

Playlist no Spotify: https://open.spotify.com/playlist/3Ac4NfLGNVlYv8M8CR0Ryl?si=gG4G0UdQTZal79dAcF0BHw



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