Última atualização: 03/11/19

Capítulo 1

observava seu irmão ouvir a mais uma das infinitas histórias de seu pai com um sorriso no olhar. Amava seus pais, mas dispensava as aulas de história que George insistia em contar em todos os jantares. Pior era quando ele começava seus longos e chatos testes sobre todos os antepassados de sua família.
Viu William segurar um bocejo, algo que para os Lucan era algo inadmissível durante um jantar, e escondeu sua risada com um gole do vinho que seus pais tinham trazido da recém viagem feita pela região do Douro, em Portugal.

- Darling, as crianças querem aproveitar o final de semana deles, hoje é aniversário do filho do Michael e da Hilary, como é o nome dele mesmo, William? - os irmãos se entreolharam, sua mãe sempre os chamava pelo nome inteiro.
- Jack, mummy, e já estamos atrasados, combinei de buscar o Jamie antes. - disse, pedindo licença antes de se levantar.
- Tenham uma boa noite e divirtam-se. Cuide da sua irmã. - Anne-Sofie, mais conhecida como Fie, pediu ao seu primogênito, embora fosse por apenas 2 minutos de diferença. Algo que ouvia pelo menos uma vez na semana, desde o momento em que os dois começaram a falar.
- Sempre. - o garoto respondeu, dando um beijo na testa de Fie e observou a irmã fazer o mesmo com seu pai. - Boa noite.

Os irmãos entraram no corredor que os levaria para seus respectivos quartos e fez uma cara feia para as diversas fotografias que preenchiam o local.

- Quando será que o papai vai deixar a gente trocar essas coisas velhas por fotos mais atuais? - falou, tirando uma risada de seu irmão.
- Não reclama ou ele vai mandar fazer um retrato nosso e eu me recuso a andar por essa casa com um quadro meu, como se eu tivesse morrido no século passado.

Os Lucan eram uma das famílias mais importantes da Inglaterra, George vinha de uma linhagem nobre, o que lhe dava o título de Oitavo Conde de Lucan, e por consequência, seus filhos herdaram os títulos de Lord e Lady. Desde pequenos, William e aprenderam sobre etiqueta, estudaram nos melhores internatos do Reino Unido e frequentavam algumas das residências reais, já que o pai deles tinha estudado por muitos anos com o Príncipe Charles e era sua afilhada.
Hoje em dia, George atuava como Lorde Chanceler, um membro do Gabinete do Reino Unido, responsável pelo funcionamento eficiente e independente da corte. Já a mãe dos gêmeos, Anne-Sofie Foghsgaard, de origem dinamarquesa, havia sido uma grande bailarina e quando finalmente se aposentou, passou a trabalhar no Royal Ballet School como Professora Sênior e, com o passar dos anos, acabou migrando para a área administrativa, trabalhando como Vice Presidente da famosa instituição.

- Já está bebendo, Will? - A garota perguntou com uma cara feia, enquanto ajeitava o seu cabelo pela última vez. Ela observava por meio do espelho seu irmão levar um copo aos lábios.
- Isso aqui? Não é nada. - Ele disse abrindo um belo sorriso, a irmã sabia o quanto as garotas gostavam daquele sorriso - Já está pronta?
- Acho que vou trocar de brinco. – disse, enquanto bufava ao se olhar no espelho. - Esse está muito chamativo.

William nada disse, sabia que sua irmã não gostava de chamar atenção. Desde criança acreditava que menos era mais, e no caso dela, ele concordava completamente, ela não precisava de muita coisa para ficar linda. Não sabia se era algo que somente irmãos que eram gêmeos sentiam, mas os dois tinham uma conexão que nem eles sabiam explicar e ela já tinha feito tanto por ele, que hoje tudo que ele mais queria, era estar ali por ela da mesma forma.
era a pessoa mais importante em sua vida e por ela daria a própria.
Apesar de muito diferentes, os gêmeos eram melhores amigos e ele contava com ela todos os dias de sua vida. Na época em que cursaram faculdades em países diferentes, fazia questão de falar com a menina todos os dias e não tinha a menor vergonha em assumir que, apesar das oportunidades de estágio que tivera nos Estados Unidos, decidiu voltar para a Inglaterra para ficar mais próximo dela.
Ele se aproximou sorrindo e começou a mexer na gaveta de jóias da irmã.

- Esse aqui. Combina com a cor dos seus olhos.
- Então esse será. - Ela sorriu para o irmão – Obrigada, Will, vamos?
- Vamos, nós compramos presente pro Jack? – perguntou, dando um sorriso ladino.
- “Compramos” - a garota riu - Mandamos entregar uma caixa de Bollinger na casa dele, cortesia da imensa coleção dos Lucan.

A festa de aniversário de Jack Whitehall seria no famoso e exclusivo clube Annabel's. A casa era composta de 8 ambientes distintos, para agradar a todos gostos e momentos. Para o aniversariante, a escolha óbvia foi o The Nightclub & The Jungle Bar, que tinha uma decoração um tanto quanto diferente. Uma enorme mistura de estampas e ornamentos animais, que deixavam o local ainda mais extravagante e aconchegante. Os tabloides britânicos pareciam torcer para que algum furo acontecesse ali, já que logo na entrada os três amigos viram alguns paparazzi já na porta.

- Bloody paps - Jamie resmungou ao lado dos dois - O Jack tem sorte que eu gosto dele e ainda mais da lista de coquetéis daqui, senão nem saía desse carro.
- Eu não sabia que agora os coquetéis se chamavam Olivia Watson - a amiga piscou, fazendo Jamie se encolher no banco.
- Vamos logo. Boa noite, Hugo, nós pegamos um Uber para casa. - o irmão disse ao motorista, antes de abrir o seu maior sorriso, junto com a porta.

William parecia ter nascido para os holofotes, adorava sair em fotos e ser badalado, para o desconforto de seus pais. Acenou para os fotógrafos, enquanto ajudava a irmã a sair do carro. era o exato oposto, gostava de viver sua vida no maior anonimato possível e sempre que podia, preferia ficar no conforto do seu lar a sair para algum lugar que a fosse colocar em algum jornal estúpido. Claro que isso não era motivo suficiente para não comparecer ao aniversário de uma pessoa muito querida por ela e seu irmão.
Os dois garotos se colocaram cada um de um lado da inglesa e ela sorriu ao dar o braço a eles, para que seguissem juntos para dentro do local. A entrada triunfal logo foi desfeita porque Jamie avistou Olivia logo de cara e, para criar coragem de ir conversar com ela, foi primeiro ao bar.

💂

sorria enquanto observava alguns conhecidos já bem alterados darem em cima de algumas garotas que estavam no bar, ele mesmo já as tinha avaliado, mas nenhuma chegou a chamar sua atenção, a ponto de fazê-lo ir atrás. Não era só porque tinha saído que precisava encontrar alguém para passar a noite, estava surpreendentemente se divertindo naquele lugar tão excêntrico.
Em meio a um gole, ele observou o aniversariante se levantar e ir até a entrada para receber dois convidados recém chegados. O jogador estranhou o comportamento, pois o mesmo não havia agido assim com os outros. Com o seu cotovelo esquerdo, cutucou seu melhor amigo e colega de equipe, Eric Dier, que levou os olhos para onde estava indicando.

- Quem são? - perguntou despojado, não queria parecer muito curioso.

A verdade era que tinha uma leve impressão que já tinha visto o garoto antes, só não sabia onde e o por que aquele rosto lhe parecia tão familiar. Ao seu lado estava uma garota que devia ser sua irmã, pois eram bastante parecidos, mas o que mais chamou sua atenção foi o fato dela parecer estar sem maquiagem alguma, mas ainda assim ser a mulher mais bonita que ele vira aquela noite.

- Você não os conhece? - O amigo perguntou surpreso.
- Deveria? - se virou para ele com o cenho franzido.
- Lord William e Lady Lucan, os gêmeos mais polêmicos da Inglaterra. Não sei se você vai se lembrar de um acidente que teve uns anos atrás envolvendo os dois? Foi o maior escândalo.

O jogador olhou desacreditado para Eric, que apenas balançou a cabeça, confirmando. , assim como a maioria dos britânicos, sabia muito bem quem eram os gêmeos Lucan. Por anos eles ficaram nas primeiras páginas dos maiores tabloides ingleses, sempre por conta do excesso de bebida, gastos ou escândalos envolvendo eles e seus amigos, algo que o jogador abominava completamente.
havia crescido em Milton Keynes, uma cidade onde a falta de dinheiro e o excesso de álcool e drogas era a realidade de muitos e se não fosse o futebol, talvez fosse ele entregue à violência e aos excessos também, e era por isso que não se conformava como os dois, que sempre tiveram de tudo, puderam escolher esse tipo de vida para si. Até que houve um acidente grave envolvendo os dois e acabaram sumindo das páginas de jornal para sempre.
Por isso se surpreendeu o mesmo tanto que se decepcionou ao descobrir aquela informação, a Lady estava muito diferente do que ele lembrava, mas mesmo assim o interesse que havia sentido pela garota parecia ter sumido tão rápido quanto havia começado, mesmo que ele não conseguisse tirar seus olhos dela.
seguiu o irmão e o aniversariante e riu ao ver Jamie já agarrado a uma garrafa de scotch no bar. Quando percebeu para onde Jack os estava levando, se viu surpresa, e Eric Dier, duas promessas do futebol inglês e que infelizmente jogavam para o Tottenham Hotspurs, estavam logo a sua frente.
Sua surpresa não veio do fato de serem jogadores, sabia que Jack era amigo de vários. Ela mesma conhecia alguns de vista, já que sempre esbarrava com eles nas festas que frequentava, mas nunca tinha visto pessoalmente e se surpreendeu consigo mesma ao se ver nervosa e até um pouco tímida, algo que não era comum em sua personalidade, ao ficar frente a frente com ele. O jogador era muito mais bonito e interessante do que ela tinha imaginado. Ele era alto e amava homens altos.

- Oras, Jack, eu pensei que você fosse um gunner! - falou zombeteira para o amigo, que revirou os olhos - Por que tem dois jogadores do Spurs aqui?

Eric e a encararam surpresos, não esperavam que ela soubesse o nome de um time de futebol que fosse, quanto mais quem eles eram. Já estranhava toda a curiosidade de , que não parava de encará-la de forma estranha. Ele a analisava de cima a baixo, causando um certo desconforto na inglesa, que não conseguia traduzir o que seus olhos diziam.
Não que não estivesse mais do que acostumada a isso, tinha crescido sob os holofotes por conta de quem era e ainda mais por conta dos fantasmas de seu passado. No geral, a olhavam com curiosidade, sem muita malícia, mas ainda assim não podia evitar se sentir como um animal de circo às vezes e era isso que sentia no momento.
era um jogador famoso e devia estar mais que acostumado a conviver com vários tipos de pessoas, o que fez com que ela ficasse ainda mais intrigada em desvendar o que ele poderia estar pensando sobre ela.

- Prazer, . – disse sorridente e cordial, enquanto se aproximava e estendia a mão.
- Lady - Jack interveio, aumentando ainda mais o sotaque posh, para irritar a garota.
- Muito prazer, milady. - Eric disse, se levantando e fazendo uma reverência para a garota, que prontamente imitou o gesto do jogador, o fazendo rir. ao seu lado, revirou os olhos pro gesto do amigo, mas também se levantou.
- Olha o que você fez, Jack! - falou segurando a risada, enquanto dava um leve tapa no amigo - É , apenas , por favor.
- Eu sou o William, muito prazer - O rapaz disse, repetindo as ações da irmã. - Como inglês, mal posso esperar para ver vocês na copa, mas na Premier League sou Blues até morrer…
- O que ainda tá fazendo torcendo pra esse time? O Jack realmente tem os piores amigos, fala aí, ? O mínimo que eu espero dessa noite é que você saia daqui cantando “I love Eric Dier…”
- É tradição de família, mate. Menos a , essa daqui gosta do West Ham. Meu avô quase morreu de desgosto quando ela trocou de time. - William abraçou a irmã, que ainda tinha os olhos fixos em . Ela percebeu que o jogador não tinha sequer oferecido a mão para eles, algo que para ela era bastante rude e indelicado. Aprendera desde pequena a sempre cumprimentar todas as pessoas em um ambiente e o descaso dele fez com que ela se sentisse como há muito não sentia.
- Por quê?! - Eric a indagou, chocado.
- Vou deixar você curioso sobre essa. - respondeu ao olhar o celular e pediu licença para atender a ligação - É a Poppy, ela acabou de chegar.
- Poppy?! - disse rindo e o encarou, incomodada com a cara de deboche que ele fazia.
- Sério? ? - rebateu prontamente, vendo o jogador fechar o sorriso e voltou a atenção para sua ligação.
- Vamos no bar?! - pediu ao melhor amigo, um pouco desconfortável.
- Precisa ser agora? - Eric o encarou confuso, ainda estavam conversando com Jack e William.
- Eu vou encontrar a Poppy, ela já chegou. - os interrompeu e deu um beijo em Jack e Will - Pelo visto seu amigo tem coisas mais interessantes a fazer do que conversar com a gente. Foi um prazer, Eric. – disse, surpreendendo o irmão pelo tom usado e se virou sem nem esperar resposta.

💂

estava com sua melhor amiga, Penélope Rutherford, mais conhecida como Poppy e também com Olivia Watson, Louise Belfort e Imogen Waterhouse. As garotas se conheciam de longa data e entre os muitos conhecidos de , confiava nelas como ninguém.

- Quem vive de passado é museu. - Poppy encarou o lugar de onde a amiga veio, após ela contar o que tinha acontecido - Ninguém mais lembra disso, .
- Que seja, e suas irmãs, Immy? - deu de ombros, querendo trocar de assunto.
- Modelando pelo mundo, como sempre. Vocês querem dançar um pouco? Faz tanto tempo que não danço.
- Só por você, eu definitivamente não nasci com os genes da dança.

As meninas acabaram puxando mais alguns amigos e conhecidos pelo caminho, até chegarem à pequena pista de dança. William apareceu com seus amigos e a festa parecia enfim ter começado.
William era o tipo de cara que animava qualquer ambiente, ele conversava com todo mundo, dançava como se não houvesse amanhã e seu charme deixava muitas garotas suspirando por dias. Quando Will, Jamie e Ollie entravam numa pista de dança, a diversão era garantida.

- Vamos lá? - Eric apontou para onde o amigo estava olhando.
- Eu vou ficar por aqui mesmo, vai você.

Eric deu de ombros, sem entender qual era a do amigo, que até há pouco parecia bastante empolgado, e foi aproveitar um pouco da pista de dança. Prontamente foi aberto um espaço entre todos para que o jogador ficasse com eles e o tirou pra dançar, o fazendo rir de seus passos exagerados.
estava sentado no bar tentando decidir se ia embora ou ficava. Tinha passado tempo demais observando o pequeno grupo se divertir e ficou irritado consigo mesmo, pois toda hora seu olhar caía novamente sobre . Não sabia se era o tom de seu cabelo, que parecia iluminar todo seu rosto, ou a forma dela se vestir e agir, que era tão diferente de qualquer pessoa que já tivesse conhecido.
Eric parecia estar se divertindo com o grupo e Jack estava ocupado demais dando atenção a todos. Tinha alguns outros conhecidos pelo local, mas parecia ter perdido o gosto pela noite e sabia muito bem o motivo. As lembranças de seu passado.

💂

- Sua Alteza Real! O que te traz aqui? - ouviu o barman dizer a sua frente e o encarou confuso.
- Olá, meu humilde plebeu - respondeu metida, enquanto se sentava em um dos bancos do bar. O jogador virou a cabeça para ela no mesmo momento em que ouviu a sua voz - A sede, me sirva.
- O que vai ser hoje?
- Um gimlet? - a garota perguntou em dúvida, vendo um sorriso de aprovação do barman.
- É sério isso? - perguntou, se virando de frente para ela, assim que o outro foi preparar seu drink. não havia notado a presença do jogador até então e tomou um susto.
- Isso o quê? - perguntou curiosa e o garoto riu, desacreditado.
- Essa sua forma de ordenar que ele te sirva?
- Senhor... - O barman começou a dizer, mas fez um sinal para que ele não prosseguisse. Ela também se virou de frente para o jogador, que se odiou ao notar as sardas que preenchiam o rosto dela.
- Você está falando sério? – perguntou, estranhando a reação dele - Qual é o seu problema?
- Pessoas vazias como você, que estão mais preocupadas em encher a cara e tratar os outros com superioridade. Que pensam que o dinheiro pode comprar qualquer coisa.
- Você me acha vazia? - ela perguntou provocante e observou Eric Dier, que tinha acabado de aparecer entre eles, os encarar confuso.
- Acho. – afirmou, se levantando, e notou que ele estava realmente irritado, a forma que a suas narinas se abriram quase a fizeram rir.
- Vazia que nem a sala de troféus do Spurs?

O choque ao ouvir a resposta da menina foi tão grande, que ficou sem reação. A única coisa que ouviram a seguir foi a gargalhada que Eric deu.

- De onde você saiu? - disse para a menina, bagunçando seu cabelo, antes de olhar para o amigo - O que deu em você?
- Talvez na próxima você queira evitar uma festa do Jack, afinal, ele sai com bastante pessoas vazias. Obrigada, Samir. Até mais, Eric. - dito isso, ela voltou para a pista de dança, sem deixar transparecer o quão incomodada tinha ficado com as palavras do jogador.

A verdade era que ninguém sabia o que tinha acontecido com ela e seu irmão, era muito fácil julgar o seu passado através do que fora publicado pela mídia, mas assim como todas as histórias, a sua era bem diferente da que fora contada. Tinha sido uma escolha que havia feito anos atrás e precisava lidar com as consequências.
Sabia que as pessoas adoravam fazer especulações e julgamentos, era da natureza humana, mas esperava que , uma pessoa ainda mais famosa do que ela, tivesse discernimento em não acreditar em tudo que se lia, mas se ele quisesse agir dessa forma, ela que não iria ouvir calada. Os anos que fizera teatro na escola a ajudaram a esconder como realmente tinha se sentido ao voltar a ser chamada de vazia.

- Garota mimada. - bufou, ainda irritado com a resposta que levou.
- Mas o que aconteceu aqui?!
- Ela é uma fresca, tratou o garçom com o maior desprezo.
- A ?! - o loiro encarou a garota que estava de volta na pista de dança, se perguntando se ela tinha um clone, pois estivera conversando com ela até então e não sabia se um dia tinha conhecido alguém mais doce e amável do que ela.
- Ela e o irmão, continuam sendo uns otários. Lembra aquela festa do Walker que no camarote do lado pediram umas 15 garrafas de champanhe e depois vieram encher o nosso saco, chamando as garotas que estavam com a gente para ir para lá, porque estava mais interessante.
- O que tem? - o loiro perguntou com o cenho franzido.
- Eram aqueles dois ali, o William e o outro.
- Qual é, , ele devia estar bêbado… Não é como se a gente não tivesse respondido a altura.
- Não importa, ele é o tipo de cara que não precisa ficar bêbado para ser um babaca e pelo histórico dos dois, está bem claro que ainda são os mesmos.
- Deixa isso para lá. - Eric revirou os olhos sem o amigo perceber - Quando é que você vai começar a aproveitar a festa? Tem uma garota que está super interessada em você…
- Quem? - perguntou curioso, vendo o loiro apontar para uma morena.

💂

acordou no dia seguinte extremamente cansada, sabia que isso ia acontecer, mas era responsável e tinha que fazer seu trabalho. A sua sorte era que não ficou esperando William para ir embora, senão não teria acordado na hora.
Depois de dançar mais um pouco, a garota foi atrás de Jack e os dois se sentaram para conversar um pouco. Não era sempre que se viam, mas o mais velho tinha um carinho enorme pela garota. Tinham se conhecido através de seus pais e tinham tanto em comum que até esqueciam da diferença de quase cinco anos entre eles.
Após darem muita risada, ela se despediu de todos e foi pra casa, mas não sem antes ver o jogador ocupado demais com uma morena estonteante em um vestido que deixava todas suas curvas à mostra. A mulher tinha a pele bronzeada, os lábios preenchidos e uma maquiagem que com certeza levou horas para fazer, a típica garota de Essex. Não que ela tivesse algo contra as garotas de lá, era só que ela era o exato oposto, e se dar conta daquilo mexeu um pouco com sua autoestima, que já não estava alta desde que o conheceu.
nem parecia o mesmo que ela tinha conhecido horas antes, o jeito dele de agir e até sorrir para a tal mulher era como ela sempre imaginou que ele fosse, um fofo, não quem ele tinha sido com ela.
Enquanto observava os dois trocarem risadinhas, os olhos de encontraram os seus e ele pareceu um pouco surpreso. apenas chacoalhou a cabeça e deu as costas ao casal.

“Ele é um jogador como todos os outros, o que eu estava esperando?”

Já com suas roupas esportivas e mochila em mãos, saiu de seu quarto e viu que a porta do irmão estava aberta, embora tudo estivesse escuro. Colocou o rosto pra dentro e riu ao vê-lo jogado atravessado na cama, ainda com as roupas da noite anterior. Fechou a porta e foi em direção à copa para tomar seu café da manhã.
A inglesa tinha se formado em Literatura Inglesa em Oxford e desde então focava suas atividades para o terceiro setor. De início, seu pai queria que, assim como William, ela seguisse a profissão da família, porém ela nunca conseguiu se ver como advogada. Antes de entrar na faculdade, estava perdida em relação a que profissão seguir, mas depois do acidente e de sua sentença, tudo ficou claro, era como se aquilo tivesse que ter acontecido para que ela encontrasse sua verdadeira paixão.
Seus avós, Edward e Catherine, eram patronos e apoiadores de diversas instituições filantrópicas e por sempre tê-los acompanhado, acabou sendo bem sucedida em seu trabalho voluntário obrigatório. Quando ele acabou, decidiu que não queria parar ali, queria ter a sua própria fundação. Não importava sobre o que seria, sua única vontade era que envolvesse crianças e oportunidades.
Seu pai e avô, tocados com sua atitude, decidiram ajudá-la com seu projeto e de quebra realizaram um sonho em família. Os Lucan eram Chelsea aficionados e conseguiram que ela estagiasse com eles por um tempo, ajudando o clube a encontrar meninos e meninas que tinham muito potencial, mas nenhuma renda, a ingressar em suas academias. De início ela se sentiu realizada, mas quando percebeu que estava negando oportunidades a mais crianças do que aceitando, decidiu que precisava fazer algo a respeito.
Amava a chance que tinha tido com o Chelsea e entendia porque eles não podiam custear o programa de todas as crianças que se inscreviam, mas ela sabia que podia fazer mais e fez. Criou uma academia de futebol para crianças de baixa renda, dando uma chance àqueles que de contrário nunca teriam, de um dia se tornarem jogadores de futebol profissional.
Após muita pesquisa, ela encontrou a área ideal para implantar seu projeto e ficou ainda mais feliz quando o West Ham, de olho em um dos garotos que ela tinha em sua academia, ofereceu um dos campos da Fundação West Ham para que as crianças pudessem treinar em um local seguro e profissional. E, era lá que podia ser encontrada praticamente todos os dias da semana.

- Ei, , esqueceu de acordar? - um dos treinadores da Fundação chamou sua atenção, chutando a bola na garota.
- Ai, Anthony, que susto. - ela deu um pulinho ao ver o objeto vindo em sua direção, mas logo dominou a bola, chutando de volta para o treinador. - Cheguei em casa às duas da manhã.
- Eu acho que o que eu tenho pra te contar vai te acordar de vez. - o outro se aproximou dela.
- O quê?
- O Tottenham finalizou a lista das instituições que vão acompanhar os jogadores na próxima temporada e adivinha quem está entre as 5 escolhidas?
- Mentira?! - a garota o encarou perplexa.
- Pois pode acreditar, recebemos o e-mail hoje de manhã, a Lady Lucy Foundation está dentro!!
- Eu não acredito!!! - disse animada. - Não vejo a hora de contar para eles!! – completou, indo em direção ao seu escritório.

encarou o local com lágrimas nos olhos, muitos podiam pensar que só porque ela tinha dinheiro, o começo tinha sido fácil, mas poucas eram as pessoas que sabiam todo o sangue e suor que tinha colocado em seu projeto. Olhou para o pequeno porta retrato em sua mesa e o tocou com cuidado, saudosa. Mas foi então que ela teve um estalo e abriu um sorriso divertido.

Ela o veria de novo e mal podia esperar para ver a cara de quando a visse novamente, dessa vez em seu local de trabalho.


Capítulo 2

Duas semanas tinham se passado desde a primeira vez que viu , ela já tinha praticamente esquecido do jogador quando entrou na Chiltern Firehouse, um dos restaurantes mais badalados de Londres, situado em um antigo prédio do corpo de bombeiros. Ela iria se encontrar com Poppy para colocar as fofocas em dia e tinha certeza que também encontraria outros conhecidos, afinal, Londres não era tão grande assim e todos seus conhecidos frequentavam quase sempre os mesmos lugares.

- Lady Lucan, um prazer recebê-la aqui de novo.
- Obrigada, Emma, você conseguiu a minha mesa de sempre? Como está o movimento hoje?
- Sempre. Está um pouco cheio, um grupo em particular está fazendo bastante barulho, mas por enquanto sem nenhuma problema. Vamos lá?

A inglesa andava por entre as mesas com maestria, o restaurante era praticamente sua segunda casa e conhecia quase todos os funcionários e ambientes do local. Viu alguns conhecidos que não estava com a menor vontade de conversar no momento e apenas acenou de longe, fingindo responder uma mensagem no celular, quando ouviu algo familiar.
se mexeu desconfortável em sua cadeira assim que Eric gritou para que todo local o ouvisse.

- Milady !
- É o que?! - Ben Davies encarou o amigo, assim como toda sua mesa.
- Mate, não. - implorou, fazendo uma cara feia pro amigo, mas era tarde demais, a garota já os tinha visto.

e seus companheiros de time, Eric Dier, Ben Davies, Harry Winks, Kieran Trippier e Erik Lamela estavam no local jantando, quando ele viu entrar. Não sabia o que a menina tinha que assim que a via num ambiente, parecia que ela tomava conta do lugar. Viu algumas pessoas apontarem em sua direção e isso o irritou, ela naturalmente chamava atenção.
Assim que viu Eric acenando em sua direção, abriu um sorriso e deu o casaco para a hostess, pedindo licença para algumas mesas, até chegar a eles. Ela passou o olho por todos os jogadores, se demorando um pouco mais em , que não conseguiu definir o que aquilo queria dizer.

- Boa noite! – disse com um sorriso a todos e quando Dier tentou falar alguma coisa, ela o interrompeu - Me chamo ! - disse rapidamente - Meu nome é e somente . – falou, mostrando a língua para o loiro e fez questão de cumprimentar a todos com um beijo no rosto, inclusive , e pôde constatar que ele era bastante cheiroso. Já o jogador, só conseguiu notar o cheiro de lavanda em seus cabelos e em como o rosto dela estava quente. - O que trás metade do Spurs aqui?
- Saímos de um compromisso do time aqui perto e nós quatro vamos numa festa depois, esses dois voltam para a vida de acorrentados. - Eric disse enquanto dava um soquinho no ombro de Lamela e um tapa na nuca de Trippier, que revidou. - Como era aqui perto, decidimos vir. E você?
- Poppy - explicou - Não a vejo desde o aniversário do Jack, precisamos colocar as fofocas em dia e esse é um dos meus restaurantes favoritos.
- Vão comparar as compras que fizeram durante a semana? - alfinetou ao seu lado e ela apenas riu desacreditada.
- Não sou eu que estou cheia de anéis e um relógio Cartier, jogador. - respondeu sorrindo, fazendo os outros colocarem a mão na boca e se entreolharem, segurando a risada.

bem que queria responder alguma coisa a altura, mas a verdade era que não poderia estar mais simples. Ele já tinha reparado naquilo assim que colocou os olhos nela. A garota usava uma blusinha de alça branca, uma saia curta verde esmeralda e tinha os cabelos soltos. As únicas jóias em seu corpo eram um colar delicado que destacava ainda mais seus olhos e um anel que ele sabia que a maioria das famílias nobres inglesas usavam com o símbolo de seus brasões.

- Enfim, eu não sei se o Eric contou pra vocês, mas ele e meu irmão praticamente acabaram com o estoque do Annabell’s no dia que nos conhecemos. Fui trabalhar e quando voltei o William ainda estava na cama.
- Nunca vi alguém beber igual seu irmão. - Eric respondeu - O estômago dele deve ser feito de aço. Passei o final de semana todo tentando me recuperar pra não levar bronca do clube. Falando no diabo… - Dier abriu um sorriso ainda maior e olhou para trás alegre, mas não surpresa.
- Everywhere we go, it’s the Tottenham boys - todos na mesa olharam para onde o som tinha vindo. - Everywhere we go...
- Pra quem torce para o blues, você conhece nossas músicas bem demais - o inglês respondeu na mesma altura, chamando ainda mais atenção para a mesa deles.

Apesar de não terem combinado, era muito comum que os gêmeos se encontrassem sem querer em algum restaurante, loja ou clube, por isso se animou ao ver o irmão chegar. Os dois se abraçaram como se não se vissem há meses e se sentiu um pouco estranho, não conhecia de certa forma esse amor entre irmãos, ainda mais forte daquela forma.

- Eu não acredito que você está aqui traindo o West Ham... Com todos esses jogadores? - fez uma careta para a irmã e passou por cada jogador, cumprimentando a todos.
- É verdade, você ainda não disse como foi acabar torcendo pra eles. - Eric perguntou e a olhou curioso pela resposta, desde o dia da festa tinha ficado intrigado com o fato dela parecer conhecer futebol.
- Eu poderia contar, mas então precisaria matar todos vocês. - brincou, tentando fazer uma cara de má, mas a única coisa que conseguiu foi fazer com que todos a achassem ainda mais fofa, especialmente Harry Winks.
- O seu vídeo bombou no Instagram, hein? - Dier disse sorrindo para William, que levantou as mãos para o alto rindo junto a ele. - Recebi milhares de notificações no dia seguinte.
- Nosso pai quase o matou. - falou, provocando o irmão, que revirou os olhos. - Achou um absurdo ver o Will com um jogador do Tottenham… Aliás, eu tô achando que o Eric está certo, você está sabendo muitas músicas do time adversário.
- Sou blues até morrer, mas até que o time de vocês tem alguns jogadores razoáveis…
- Poderia ser pior - começou - Você poderia ser um Hammer e não saber o que é ganhar títulos desde os anos oitenta…
- Você realmente quer entrar na discussão sobre títulos novamente? - abriu um sorriso para o jogador, que revirou os olhos - Vocês dos Spurs não tem muita sorte quando jogam contra a gente, não é mesmo? Quais dos últimos jogos vocês venceram, huh?

a encarou novamente chocado, mas com uma vontade enorme de dar risada, a menina não levava desaforo para casa e ele se viu intrigado com aquilo, quase como se fosse um desafio pessoal. Ver até onde ela aguentava.

- Me passa o seu número, Will, com certeza precisamos repetir aquela noite - Dier disse se levantando e pegando o celular que estava em seu bolso traseiro, sem reparar o olhar mortal que recebeu de seu melhor amigo. - Eu estava bêbado demais na festa do Jack pra pedir.
- Você não era o único, mate - o loiro disse sorrindo enquanto também pegava o celular.
- Aí , me passa o seu também, vou te convidar pra ver um jogo de um time de verdade - disse todo fofo e a menina sorriu, sem retrucar. – E, por favor, me chama quando tiver um almoço com a Rainha, nunca fui convidado pra algo tão importante assim – completou a cutucando com o cotovelo, o que fez os irmãos rirem.
- Vocês conhecem a Rainha Elizabeth? - Harry Winks perguntou impressionado.
- Quem, a Lilibeth? - retrucou debochada, mas logo desfez a cara de metida.
- Não tem nada mais chato que ir a compromissos reais, parece algo legal, mas dura uma eternidade. A gente só pode comer depois que ela chega e tem que terminar antes que ela acabe. Sempre agradeço que a foi a escolhida para ser afilhada do Charles, meus padrinhos me levam em shows de rock.
- Você é afilhada do Príncipe de Gales? - Trippier questionou.
- Não foi uma escolha minha, meu pai estudou com ele quando eram mais novos. - disse dando de ombros, não gostava muito daquele assunto.
- Vocês querem se sentar com a gente? - Ben perguntou simpático e quando olhou para ele, viu lhe dando uma cotovelada discreta.
- Eu tenho um encontro. - Will respondeu galanteador, trocando um cumprimento com Dier que só homens entendiam. - Foi um prazer conhecer vocês. - falou para todos e deu um beijo no rosto da irmã. - Nos vemos em casa, sis.
- ? - Dier perguntou ansioso e a menina voltou a encarar de canto de olho, que jogou a cabeça para trás, claramente irritado com a persistência dos amigos.
- Acho melhor não… - falou um pouco tímida.
- Ah, qual é! - Dier disse a cutucando na barriga, a fazendo rir - Por favor?!
- Ela já disse não, mate - revirou os olhos, e a inglesa pôde vê-lo murmurar.
- !! - Eric o encarou de olhos arregalados. estava da mesma maneira, mas evitou encarar o jogador para não demonstrar o quanto estava desconfortável.
- Eu agradeço, mas fica pra uma próxima. – disse, por fim, ainda doce - Boa noite, meninos.

💂

- O que deu em você?? - Ben Davies perguntou, franzindo as sobrancelhas para o jogador.
- O não é o maior fã do gêmeos, eu só ainda não entendi o porquê - Eric respondeu pelo amigo, enquanto tomava um gole de seu suco.
- Por que não? - Lamela se virou curioso, assim como os seus colegas de time. Estava confuso, nunca tinha visto agir daquela forma.
- Ela parece ser legal. - Trippier falou - E o irmão também.
- Além de ser linda - Harry Winks disse, abrindo um sorriso tímido, fazendo Trippier rir ao seu lado.
- Não vejo nada demais - falou impaciente - São muito metidos, os dois. – comentou, voltando seu olhar para onde ela estava sentada, a tempo de ver o garçom deixar uma garrafa de prosecco em sua mesa que o fez revirar os olhos.
- Mas precisava expulsar ela daquele jeito? - O jogador galês voltou a falar.
- Eu não fiz nada, só não quero chegar ainda mais atrasado do que já estamos, precisamos terminar de comer - bufou para o amigo, que levou as mãos ao ar em rendição, não iria insistir mais.
- Isso deve ser falta de sexo. - Lamela provocou.
- Por quê? Está se oferecendo? - perguntou com um sorrisinho de lado para o amigo, que revirou os olhos, mas logo todos caíram na gargalhada.

Esses tipos de brincadeiras era algo comum entre os jogadores, mas sabia que Lamela sempre ficava desconfortável e por isso adorava tirar com a cara do colega de time.

- tem razão, é melhor a gente ir, estamos realmente atrasados - Ben Davies disse enquanto chamava o garçom para pagar a conta.

Enquanto os jogadores deixavam o estabelecimento, não pôde evitar olhar para , que sorria e gesticulava animada enquanto conversava com Poppy. O jogador começou a andar enquanto ainda a encarava e acabou esbarrando em Harry Winks, que para a sua surpresa, olhava na mesma direção.

- Olha para onde anda, Winks - disse para o amigo, que tinha um sorriso bobo no rosto.
- Foi mal, mate - O outro respondeu enquanto ainda encarava a menina, que agora prendia o cabelo em um rabo de cavalo - Ela é linda, né?
- Se você acha. - respondeu dando de ombros e esbarrando no amigo um pouco mais forte que o necessário - Eu vou esperar vocês todos pararem de babar nessa garota lá no carro.

estava encostado na frente da porta da Range Rover de Eric com cara de poucos amigos, os jogadores vinham rindo em sua direção, quando Trippier e Davies foram parados por dois torcedores que pediram para tirar fotos com os jogadores do Spurs. Ele agradeceu por ter saído antes, pois seu humor não estava dos melhores e não queria ser grosso com ninguém.

- Mate, o que deu em você? Por que você tá tratando a desse jeito? - o amigo perguntou enquanto abria a porta do motorista, fazia a mesma coisa do lado do passageiro.
- Ela me lembra a Denyse - disse com as mãos no colo e o amigo se odiou por um instante, não tinha reparado.

e Eric eram melhores amigos, ambos haviam sido contratados pelo Tottenham Hotspurs ainda muito jovens. O mais velho, após passar toda sua adolescência morando em Portugal, voltou para a Inglaterra ao ser contratado pelo time da capital inglesa e seu início não tinha sido exatamente como ele esperava.
chegou um ano depois e após acharem que um não ia com a cara do outro, perceberam que possuíam mais coisas em comum do que pensavam, e hoje não se viam mais longe um do outro. Gostavam de acreditar que teriam longos anos pela frente no mesmo time, mas caso isso não acontecesse, uma coisa era certa: eles nunca deixariam de poder contar um com o outro.

- Ela não me parece ser como a sua mãe, - Eric disse atencioso enquanto encarava o amigo, que não o olhou de volta. - Primeiro que ela já nasceu com mais dinheiro do que nós juntos e tudo bem, o William tem cara de quem bebe dia sim e no outro também, mas a … Eu acho que você devia dar uma chance a ela.

Como o jogador se manteve quieto, Eric decidiu deixar ele pensando no assunto, conhecia o amigo bem demais para saber quando não insistir. Sabia do passado de e não podia imaginar o que ele tinha vivido, então entendia que tinha coisas que por mais que para ele não fizessem o menor sentido, se o amigo estava sentindo, elas eram válidas.
Assim que o restante dos jogadores que iam para a festa entraram no carro, rindo por conta de alguma piada que Ben havia feito, Eric olhou mais uma vez para antes de dar partida no carro, mas o amigo continuava pensativo.

- Pessoas assim… Elas nunca mudam - disse após um longo tempo, apenas para que Eric ouvisse.

Aquilo fez Eric ficar triste pelo amigo. Suas feridas eram tão profundas, que as vezes o impediam de ver além.

💂

Mais um mês se iniciava para os jogadores do Tottenham, os treinamentos estavam ficando cada vez mais intensos com o final da temporada da Premier League e as quartas de finais da FA Cup e todos pareciam contar as horas para irem embora e aproveitar o único dia de descanso que teriam em algum tempo.
caminhava para o vestiário do centro de treinamento do time, rindo com seus colegas de equipe por conta da caneta que tinha dado em Son Heung-min. O coreano sempre gostava de provocá-lo, mas dessa vez foi o inglês que terminou o treino bem sucedido. Os dois tinham uma guerrinha pessoal em todo treino, onde um tentava passar a bola por baixo das pernas do outro o máximo de vezes possível, o que gerava muitas gargalhadas do restante da equipe.

- Aê galera, amanhã quem quiser, só chegar em casa. Tô liberando pra uma partidinha de FIFA e minha nova mesa de sinuca chegou também... - Harry Winks disse abrindo um enorme sorriso, algo típico dele, que adorava receber pessoas em sua casa.
- Eu vou, é amanhã mesmo que vou mostrar que sou o melhor jogador desse time. - Eric disse animado e olhou para - Vamos?
- Já tenho que ver vocês todos os dias, ainda quer que eu te veja no meu único dia de folga? - falou rindo e Eric apenas fez uma careta para o amigo.

Harry observava a conversa sem querer deixar transparecer que estava ouvindo, mas assim que teve a confirmação de que não iria, criou a coragem para perguntar ao colega do time.

- Ei, Eric.
- Fala, garoto.
- Você tem o número da , né? - perguntou enquanto coçava a cabeça, bastante nervoso de ser zuado pelo amigo.
- Tenho sim - Ele respondeu o olhando de lado e sorrindo - Por quê? - Dier sabia a resposta, só queria fazer o mais novo suar um pouquinho.
- Pensei que talvez você pudesse convidar ela para ir na minha casa amanhã... - Harry soltou de uma vez, sentindo seu rosto esquentar levemente. Dier teve que segurar a risada - Isso é, se ela não tiver nenhum namorado ou se você ou o não estiverem interessados.
- O definitivamente não - o loiro respondeu enquanto virava a sua cabeça para trás para observar o amigo, que mexia no celular - Eu vou mandar uma mensagem pra ela, ver se ela está a fim de ir, ok?
- Valeu, Eric - o moreno abriu um sorriso e pegou a sua mochila que estava jogada no chão, se despedindo de todos, antes de sair do local.
- Mate - Dier disse se sentando ao lado de , que ainda estava ocupado em seu celular, ele odiava a obsessão do amigo com o Snapchat - Você não vai mesmo amanhã na casa do Winks?
- Não, por quê? - O outro perguntou confuso.
- Nada não. Vou ficar com saudade. - disse para brincar com o amigo, sem querer revelar o motivo real da conversa.
- Eu também. - respondeu brincalhão - Só não tô a fim, prefiro jogar Fortnite do que FIFA. Qualquer coisa na volta me liga, a gente pode sair pra jantar.

Eric deu um leve tapa na cabeça de , e assim como Winks, pegou a sua mochila e deixou o vestiário. Quando já estava no carro, sacou seu celular e começou a digitar uma mensagem para . Apesar da visão do melhor amigo, tinha adorado o jeito dela de ser. O sotaque e o jeito posh mostravam que ela vinha sim de uma família rica, mas suas ações o faziam esquecer daquilo. Tinha se divertido na noite em que se conheceram e adorou a espontaneidade dela ao se cruzaram no restaurante dias antes.
Embora não concordasse, entendia os motivos de para não ser o maior fã da menina, mas isso não mudava a opinião que ele tinha sobre ela e até mesmo sobre William. Era fácil de ver o porquê o garoto era tão adorado.

💂

estava adorando a casa de Harry, apesar de ser março, a primavera estava prestes a começar, o que deixava todo mundo de bom humor e até um pouco aventureiro, já que muitas pessoas estavam conversando pelo grande jardim da casa do jogador.
Tinha ido com Louise, já que Poppy estava ocupada demais, e para sua surpresa, as duas estavam se divertindo muito. Alguns dos jogadores que tinha conhecido no restaurante também estavam lá e apresentaram ela e sua amiga para suas namoradas e esposas. Sem perceber, se viu conversando com a esposa de Lamela, que estava grávida, por um longo tempo.
Ela já tinha jogado um pouco de FIFA, mas sempre se confundia com todos os botões e não tinha muita paciência para ficar sentada jogando algo que não dominava completamente. Por isso, quando Harry a chamou para jogar uma partida de sinuca, aceitou prontamente. Também não era experiente, mas só de fazer algo mais movimentado, se animou.

- Ei, Eric. - ela chamou pelo loiro quando passou por ele - Quer jogar sinuca com a gente?
- Opa, vamos lá.

Desde o dia que trocaram telefone, os dois vinham se falando quase que diariamente. adorava o humor de Eric, ele sempre a fazia gargalhar, ainda mais quando discutiam sobre futebol. O inglês adorava falar sobre o esporte com ela.
riu de si mesmo ao encarar a casa do companheiro de equipe. Tinha acordado tarde e passado um bom tempo jogando Fortnite, quando cansou, tentou ligar para Eric, que não atendeu sua chamada. Foi a cozinha pegar algo pra comer e quando viu que teria que sair para fazer compras, decidiu que iria até a casa de Harry Winks, afinal, ele sempre se divertida com seus amigos.
Muitos jogadores eram apenas colegas de seus companheiros de equipe, mas ali no Tottenham era visível a amizade que tinham, considerava muitos deles grandes amigos e, inclusive, viajavam juntos nas férias.
Após ativar o alarme do carro, caminhou calmamente até a porta do amigo e bateu, não demorou muito para ouvir o som das risadas que vinham de dentro da casa. Reconheceu uma em especial, Sonny, o coreano tinha uma risada bem chamativa e engraçada. Quando finalmente Harry veio recebê-lo, estranhou a cara que ele fez ao vê-lo parado em sua porta.

- ? O que você está fazendo aqui? - Winks perguntou enquanto coçava a cabeça.
- Ué, você convidou todo mundo! - disse um pouco intrigado.
- É que você disse que não vinha…
- Vamos, Winks! É a sua vez, falta muito pouco pra gente ganhar de vocês. - Eric disse se aproximando da porta - ? O que você está fazendo aqui?
- É um encontro secreto? - o jogador perguntou, sem entender por que estavam agindo como se ele não fosse bem vindo.

Os dois se encararam e Harry abriu mais a porta, dando espaço para que entrasse. Ele já tinha ido ali tantas vezes que sabia até onde o amigo escondia as bebidas mais caras. Ao chegar na sala de TV, onde também ficava a sala de jogos, tomou um susto ao ver sentada em cima da mesa de sinuca, com uma taça de bellini nas mãos e um belo sorriso no rosto, que se desfez assim que ela o viu entrar. O jogador não saberia dizer o que o tinha afetado mais.

- O que ela está fazendo aqui? - perguntou se virando para os amigos, que estavam logo atrás dele.
- Eu sabia que você não tinha ido com a minha cara, só não imaginei que fosse tanto assim – ela disse enquanto descia da mesa, bastante chateada. a observou, demorando tempo demais em sua barriga, que estava um pouquinho a mostra, por conta da blusa mais curta que usava - Eu só vim porque me disseram que você não vinha, tá? - admitiu, saindo do local um pouco apressada.
- Foi o que ele me disse. - Dier comentou quando a inglesa passou ao seu lado, ainda sem tirar os olhos do amigo, que deu de ombros, um pouco irritado com o loiro por ter escondido aquela informação.
- , fico muito feliz que tenha vindo. - Sonny disse enquanto passava o braço pelos ombros do inglês, o coreano pareceu não notar o clima que tomou conta da sala - O Walker é muito ruim no Playstation.
- Na vida real também. - disse um pouco mais alto e se esquivou da almofada que Kyle lançou em sua direção, agradecendo a distração do que tinha acabado de acontecer - Vamos acabar com ele, Son!

Enquanto foi para o grande sofá, Son foi atrás de alguma coisa para beber, o que fez com que o inglês observasse um pouco de quem estava naquela reunião. Viu Winks aparecer no jardim e entregar mais uma taça para , junto com um casaco, e ele não podia negar que se sentiu incomodado vendo aquela cena, ainda mais ao ver o sorriso e olhares do amigo para a inglesa. Nem ele entendia o que era, mas mais uma vez não conseguia tirar os olhos de e, pelo visto, nem Winks.
Quando e Son venceram metade do campeonato, decidiram dar uma pausa e procurar algo para comer. Assim que ele se levantou e deu a volta no sofá, deu de cara com a garota sentada em uma poltrona, aparentemente vendo eles jogarem.

- Não é que você joga bem? - a menina disse sorrindo, era sua tentativa de trégua entre eles por algo que nem ela entendia o motivo. - Eu sempre me confundo com tantos botões.
- Claro que jogo, ao contrário do seu time. - estava surpreso pelo fato dela tê-lo procurado e até mesmo um pouco nervoso e por isso não percebeu que o que disse tinha saído muito mais rude do que planejava.
- O que eu te fiz, além de ter tentado ser legal com você? - A garota perguntou e o jogador percebeu que o rosto dela ficou vermelho rapidamente.
- Não precisa tentar nada, Lady - disse sério, antes de esbarrar com leveza em seu ombro em um sinal de brincadeira, mas a inglesa não entendeu e abriu a boca incrédula.
- Quer saber, eu tentei. Prometi pro Eric e tentei, mas se você não quer nem me conhecer antes pra saber que me odeia, o que eu posso fazer? - O jogador se virou pra ela, achando graça de sua reação, o que a frustrou ainda mais. - Se você é um mal educado, eu não sou.

Assim que a garota saiu da sala, riu. Irritá-la era muito mais fácil e divertido do que ele tinha imaginado.

💂

Apesar de jogarem bola todos os dias, lá estavam os jogadores, algumas namoradas e amigos numa animada partida de futebol, eram 5 contra 5 e eles davam mais risada do que jogavam. Son e Lamela eram os mais altos e por isso estavam no gol. A esposa de Kieran Trippier, Charlotte, estava no mesmo time que o marido e . Louise estava até então no time de Eric Dier e Harry Winks, mas seus dons no futebol eram praticamente nulos, aumentando consideravelmente as risadas que soavam do pequeno campo improvisado.
assistia ao jogo com um sorriso no rosto, todos pareciam estar se divertindo bastante. parecia tranquilo, relaxado, o que a deixou ainda mais incomodada. Não entendia o que ela tinha que o fazia a tratar tão diferente de todos, Eric tinha lhe dito que ele não era assim normalmente e que talvez ela o tivesse pegado num mal dia, mas era difícil achar que aquilo não era pessoal.

- , você joga?

A garota que estava distraída, brincando com os filhos de Kyle Walker e Kieran Trippier, se virou de frente para Harry Winks e foi inevitável não se contagiar ao ver o sorriso bonito no rosto do jogador. O fato dele estar suado, só aumentou o sorriso no rosto da garota. Ela inclinou a cabeça para o lado, um pouco indecisa por conta de quem estava em campo e quando ia responder, foi interrompida por , que jogou a bola em sua direção.

- Deve ser ruim igual a Louise - soltou rindo ao se aproximar dos dois. até tentou ignorar, mas o garoto estava sem camisa e ela gostou muito do que viu, o tom escuro da sua pele o deixava ainda mais atraente. Ele não era grande nem forte, mas seu corpo era bastante definido e aquilo era o suficiente para , ela nunca se interessou por homens fortes demais.
- Eu jogo sim, Harry - Ela respondeu, fazendo uma careta com a língua para .
- Tem certeza? A princesa não quer correr o risco de quebrar a unha, quer? - disse de propósito, só para irritá-la.
- Tenho sim. - afirmou, ainda decidida.Ele não perdia por esperar.
- Com esse sapato?
- Do tanto que você está reclamando parece até que está com medo de perder pra mim. - retrucou, vendo fechar o rosto e riu ao se abaixar para tirar sua bota. - Pronto, satisfeito? – questionou, também tirando o agasalho que Winks havia lhe emprestado.
- Acho melhor todo mundo tirar o tênis, senão vamos acabar te machucando. - Winks falou já tirando os seus e sorriu encantada com a delicadeza. - Só que infelizmente não tem nada mais feio que pé de jogador.
- Tem a cara do . - a menina respondeu tão natural que Harry chegou a ter lágrimas nos olhos, de tanto que riu. apenas a encarou fazendo uma careta, ele mesmo tinha que reconhecer que aquilo tinha sido engraçado.

Os três se aproximaram do pequeno campo e antes que ela se colocasse em sua posição, fez questão de esbarrar levemente no ombro de .

- Que vença o melhor. - disse metida, virando a cara para ele.

observou com mais atenção que pretendia a menina prender os cabelos em um rabo de cavalo alto e dar o ok para que Dier começasse o novo jogo. O amigo passou a bola imediatamente para a garota e viu a oportunidade que tanto queria chegar, correu para tomar a bola dela, mas antes que ele pudesse sequer chegar perto, ela o driblou, avançando para o campo dele, dando um passe perfeito para Winks, o deixando, mais uma vez, sem reação.
era boa.

- Você sabe jogar!!! - Eric disse animado ao correr até e a abraçar, girando seu corpo no ar.

estava oficialmente impressionado, a garota não parava de sorrir enquanto jogava e, por conta do esforço, seu rosto estava vermelho, destacando ainda mais suas sardas, coisa que o jogador achou adorável. Mas apesar de muito boa, eles eram profissionais e ele riu após ver a Lady levar uma caneta de Kieran, e riu mais ainda quando ela empurrou o amigo pelo ombro. Quando ele reclamou de brincadeira que era falta, ergueu as mãos para o alto e disse que havia sido sem querer com uma carinha de anjo. Porém viu o sorriso esperto em seu rosto, quando Trippier lhe deu as costas.
O jogo estava empatado e prestes a acabar, estava se divertindo ao ver tentar roubar a bola dele, ela era boa, mas ele era muito melhor. Quando ele foi passar a bola para Charlotte, acabou sem querer acertando o pé da inglesa, que caiu, soltando um grito de dor.

- Droga! - exclamou segurando o dedo do pé.
- Você tá bem? - se abaixou, preocupado, tentando ver se tinha machucado a inglesa.
- Machucou? - Harry também se abaixou, mas ele estava mais próximo do rosto dela - Tá doendo?
- Pra caramba. - ela riu, mas era visível que estava com dor - Mas não acho que quebrou… Ah não! Não é que quebrei mesmo uma unha? - disse ao reparar na mão que protegia o dedo do seu pé, fazendo rolar os olhos.
- Eu te ajudo, vem. - Winks a ajudou a se levantar e insistiu em segurá-la no colo, apesar da garota dizer que aquilo não era necessário.

se sentiu incomodado ao ver os dois, mas por estar preocupado, se aproximou e segurou o tornozelo da garota com cuidado, deixando escapar um sorriso ao ver que ela usava uma tornozeleira simples e delicada. sentiu o momento em que o jogador tocou sua pele, apesar do tempo estar um pouco frio, os dedos dele estavam quentes e segurou um sorriso ao vê-lo analisando seu pé com o cenho franzido. Nem parecia o grosso que ele fazia questão de ser com ela.
Ao perceber o que estava fazendo, fechou a cara e começou a prestar atenção no dedo que ela havia machucado, estava vermelho e até um pouco inchado. Queria ver se estava quebrado, mas não queria que ela sentisse mais dor.

- Eu vou ficar bem, é sério - disse após Harry deixá-la sentada em uma cadeira na cozinha. tinha os seguido para saber como ela estava, afinal, havia sido ele que tinha chutado a garota - Já estou acostumada a me machucar jogando bola.
- Como assim? - Winks perguntou curioso, enquanto pegava um pacote de gelo do freezer.
- Eu joguei no Chelsea. - Ela agradeceu o jogador e sorriu tímida ao ver a encarar com atenção - Mas acabei saindo, eu mais me lesionava do que jogava.
- Seria você, Bale? - Harry disse brincalhão, sobre o atacante galês que atualmente jogava no Real Madrid, mas que por anos foi uma estrela do Tottenham e com isso arrancou um sorriso de .

Ele estava impressionado com a garota, jamais passaria por sua cabeça que uma menina como ela teria feito escolinha de futebol profissional.

- Quem me dera, tô mais parecida com o campeão de lesão da Bundesliga, o…
- Você assiste futebol alemão? - a interrompeu surpreso, erguendo uma sobrancelha.
- O Reus - completou e se virou para o jogador assentindo. - Não sempre e nem todos os times...
- Uau! - Winks sorriu e sentou de frente para ela, entrando no meio da visão de , que revirou os olhos - Você não para de me surpreender, .

Ao perceber o evidente interesse do amigo na inglesa e reparar que estava sobrando naquele lugar, decidiu voltar para o jardim da casa, onde a partida de futebol continuava, agora com novos participantes. Mas não quis voltar a jogar, em vez disso, pegou um suco e se sentou em um dos sofás que ficavam do lado de fora da casa.
Observou com os cantos dos olhos Eric se aproximar e se sentar ao seu lado no sofá.

- Como a tá?
- Pergunta pro Winks - respondeu mal humorado. - Parece cão de guarda da garota.
- Isso te incomoda?
- Claro que não.

Eric não acreditou nas palavras do amigo.

💂

estava se sentindo uma rainha, seu pé estava no colo de Eric Dier com o pacote de gelo em cima do dedo machucado, enquanto tomava um chá preparado por Harry Winks. Ao seu lado, Ben Davies mostrava uns vídeos de times do País de Gales para ela. Estava com frio por conta do gelo, mas os jogadores a fizeram prometer que ficaria com ele por pelo menos quinze minutos e agora mal sentia o próprio pé.
Vários convidados já tinham ido embora, em sua maioria os casados e com filhos. Louise estava tentando aprender coreano com Sonny, que estava adorando, já que ela sabia um pouco de Mandarim e conseguia pronunciar as palavras certinho, ainda mais depois das diversas taças de mimosa e bellini que viu a amiga tomar.

- Tá com fome? - Harry se aproximou de e ela sorriu.
- Um pouco, tem pipoca? - pediu com um sorriso sapeca e Harry apertou a bochecha dela confirmando - Eu faço. - disse animada, tentando se levantar.
- Onde a senhorita pensa que vai? - Dier a segurou pelo tornozelo.
- Já se passaram mais de vinte minutos, daqui a pouco meu pé cai, de tão gelado que tá. - resmungou embrulhando o pacote na toalha e deu um beijo no rosto de Eric - Eu vou fazer pipoca e já volto.
- Faz doce também, tem gente que gosta.
- Deixa comigo, tenho a receita perfeita.

Já na cozinha, ela pediu a Harry os ingredientes que precisava e se surpreendeu ao ver a pequena despensa que ele tinha.

- Quando me mudei, minha mãe fez uma compra enorme de coisas de cozinha e mercado. - disse dando de ombros com a surpresa da menina em encontrar coisas que ele com certeza nem sabia para o que serviam - Ela disse que eu poderia precisar e pelo visto estava certa.
- Já adorei sua mãe. - disse animada ao pegar o corante vermelho das mãos do jogador.

estava concentrada em dividir o milho em duas grandes panelas enquanto na terceira ela faria sua receita, quando ouviu alguém se aproximar.
entrou na cozinha e se assustou ao dar de cara com em frente ao fogão, notou que ela mantinha o pé machucado apoiado na outra perna, sem tocar o chão e se sentiu mal.

- Como está seu dedo? Parece um pouco mais inchado. - perguntou e ao vê-la se virar para ele com um sorriso forçado, pronta para ser educada, ele completou – Me fala a verdade...
- Tudo bem. - riu ao ver que estava sendo previsível. - Tá doendo pra caramba, mas não tem problema, como disse, eu estou acostumada.
- Eu queria te pedir desculpas, foi sem querer. Faz tempo que não jogo descalço e meu outro pé deslizou mais do que planejei.
- Eu me preocuparia se você dissesse que não foi sem querer. - a menina piscou para ele divertida e sorriu de lado um pouco tímido, causando em algo que nem ela saberia descrever. Aquele lado de era simplesmente adorável.
- O que você está fazendo? - perguntou curioso.
- Pipoca, vou fazer doce e salgada. O Eric disse que vocês também gostam de doce? - assentiu, anotando mentalmente “matar meu melhor amigo” quando voltasse pra sala. Afinal, de todos os jogadores, ele era o único obcecado em pipoca doce.
- Quer alguma coisa? - o jogador perguntou ao vê-la olhar para todos os lados.
- O corante vermelho, estava na minha mão ag... Ah está ali. - a menina girou o corpo, pronta para ir pulando até o canto da bancada, só que ela não esperava que já tivesse dado um passo a frente para pegar o pacote para ela e os dois acabaram esbarrando com tudo um no outro.

Com medo de machucá-la novamente, o jogador a segurou e só quando o susto passou, percebeu que sua mão estava na pele descoberta da cintura da inglesa. Mesmo com a calça com a cintura um pouco alta, a blusa deixava aquele pedaço de seu corpo exposto e era impossível para os dois negar que aquele pouco contato que tiveram não os fizeram estremecer.

- Desculpa. - se soltou um pouco atordoado - Eu estava apenas tentando prevenir mais um acidente.
- Não tem problema. - desviou do olhar dele, voltando sua atenção para o fogão - Você pega pra mim?
- Sim. - foi a única coisa que ele disse, agradecendo ao fato de que, por conta do tom de sua pele, era impossível ver o quão tímido ele tinha ficado. - O que é isso?
- Você gosta de pipoca doce? - viu o jogador assentir - Ah, então eu vou te apresentar para a melhor do universo. Na copa de 2014 minha família foi para o Brasil assistir aos jogos e eu sou apaixonada por pipoca doce e em vários pontos do Rio de Janeiro tem esses carrinhos vendendo doces e eu não estava mais me aguentando em curiosidade de saber o que elas eram e depois que eu provei, bem… Digamos que eu voltei lá pelos próximos dez dias, acredita? Tudo que eu te digo é: é muito bom!!

ouvia a menina explicar os ingredientes enquanto observavam as pipocas estourarem, ele tinha um sorriso permanente no rosto ao descobrir a obsessão dela pela tal pipoca vermelha.

- Tá tudo bem por aqui? - Winks apareceu, fazendo com que fechasse o sorriso. O amigo parecia babá da garota. - Querem tomar alguma coisa? - o jogador ergueu o copo de suco que tinha pego na geladeira. - E você, , mais um bellini?
- Tá sim, vão acabar de estourar a qualquer momento. E eu aceito sim, por favor. - disse para Winks e acabou não vendo o olhar que lhe lançou.

Ele não estava contando, mas sabia que aquele não era nem o primeiro, nem o segundo drink dela e percebeu que em todas as vezes em que se viram, ela estava tomando algo alcoólico. Aquilo o incomodou ainda mais do que da primeira vez que se conheceram.

- Vou pegar os potes então. - Harry disse e se virou a tempo de ver saindo do local, sem nem se despedir.
- Ei, . - ela o chamou, o fazendo se virar - Obrigada!

O jogador apenas assentiu e voltou para a sala, onde Louise e Eric disputavam uma acirrada partida entre o Tottenham e o Man City e ele acabou fazendo cócegas no amigo para ajudar a menina a ganhar a partida.

💂

não queria parecer um drogado em abstinência, mas ele simplesmente não conseguia parar de comer a tal pipoca vermelha. Ele não imaginava que pipoca doce poderia ser ainda mais gostosa do que ele sempre achou, tanto que ele estava sentado ao lado de , dividindo o último pote, enquanto assistiam a um episódio qualquer de Friends na TV. Ela ria com as piadas antes mesmo delas terminarem e o jogador se deu conta que gostava do que via.
Quase todo mundo já tinha ido embora, só restavam Son, Eric, , e Louise na casa.

- , consegui a lixa pra você. - Harry apareceu na sala - Minha irmãzinha sempre esquece alguma coisa quando vem me visitar e tinha essa no banheiro dela.
- Obrigada, Winks. - disse ao amigo e colocou o pote no colo de - Você pode terminar, estou um pouco cheia.
- A princesa acha que vai sobreviver? - o jogador apontou para a mão dela, que já estava na posição para que ela lixasse a unha que estava quebrada.

A inglesa suspirou cansada, quantas vezes mais ele a chamaria de Lady e Princesa daquela forma debochada? Acreditou terem deixado as provocações para trás, mas pelo visto o jogador não as esqueceria tão facilmente.

- Olha aqui, . - falou de propósito, usando do mesmo tom que ele usava para pronunciar “princesa”.
- Não me chama de . - retrucou um pouco irritado e a menina sorriu contente, tinha conseguido o efeito que queria.
- Engraçado, você pode ser grosso comigo, mas eu tenho que ser uma princesa com você?! Já foi no médico ver se você é bipolar? Eu achava que essas alterações de humor ficavam só em campo. - disse sentindo seu rosto esquentar e se levantou do sofá.

a observou sair da sala mancando e se sentiu um idiota, mas não conseguia evitar, nem ele entendia suas próprias reações quando o assunto era ela. Ele cresceu vendo pessoas se perderem com a bebida, principalmente sua própria mãe e, por mais que soubesse que não era a mesma coisa, ele não conseguia parar de juntar os fatos. Sabia do passado da menina e de todo potencial e oportunidades que ela tinha e não entendia por que ela continuava a beber daquela forma.
Na época, a batida de carro tinha sido divulgada como um “acidente”, mas no fundo todos sabiam que ela devia estar bêbada atrás do volante e sua família comprou o silêncio dos jornalistas. E lá estava ela, anos depois, ainda com os mesmos hábitos.Ele sabia que tinha razão, pessoas assim, elas nunca mudavam.

- Eu vou embora. - anunciou para todos, que a encararam surpresos - Lou, você vem comigo ou quer ficar mais um pouco? - tinha percebido como a amiga estava encantada com Son e não queria atrapalhar.
- Mas eu não ia te levar? - Dier a encarou confuso e olhou para com uma cara de interrogação.
- A princesa não dirige também?
- Pode ficar, Eric. - ignorou o jogador, mas sentiu a garganta doer por conta da vontade de chorar - Eu vou chamar um Uber.
- Eu te levo. - o loiro disse decidido, se levantando, antes de encarar - Qual o seu problema, mate?

Assim que Harry se despediu de Eric e , ele voltou para a sala e ouviu Louise dizer para :

- A não dirige há cinco anos, desde o dia do acidente. Eu sei que ela é conhecida como uma metade dos gêmeos mais polêmicos da Inglaterra, mas ao contrário do que a mídia diz, ela é realmente uma princesa, mas no melhor sentido da palavra.

💂

William chegou em casa depois de passar o dia jogando polo com Jamie e Ollie e após tomar um banho, foi direto para o quarto da irmã.

- Mas o que aconteceu? - perguntou preocupado ao ver o pé dela para fora da coberta com um pacote de gelo em cima.
- . - ela disse dando de ombros - Jogamos bola e ele me chutou sem querer, a gente tava descalço.
- E doeu tanto assim pra você chorar ? - William passou os dedos pela bochecha da irmã, ele a conhecia bem o suficiente para saber que ela tinha chorado.
- Um pouco, está horrível, mas acho que não quebrei. O Harry disse que eu sou a Bale. - falou dando um sorrisinho pro irmão. - Ele disse que se amanhã ainda estiver doendo, vai me levar no médico.
- Harry, huh? Mais um? - William perguntou divertido - Não esquece que preciso aprovar antes.
- Assim como eu aprovo todas as suas conquistas?
- Nenhuma me prendeu ainda. O dia que for sério, você vai ser a primeira a saber.

revirou os olhos para o irmão, que deu uma risada gostosa em resposta, a que ela tanto amava ouvir. Só de conversar com ele já se sentia melhor. William sempre teve esse poder sobre ela e por esse e muitos outros motivos que eles eram inseparáveis.

O irmão resolveu ir à cozinha buscar algo para eles comerem, deixando sozinha com seus pensamentos sobre o dia que teve.
Ela estava com raiva de si mesma por ter se deixado abater pelo que havia dito, já sabia desde o aniversário de Jack que o jogador a julgava pelo seu passado, ele não era o único. Com os anos, aprendeu a responder cada um deles com humor e educação, exatamente como ela vinha fazendo até então, mas depois do acidente com seu pé, chegou a acreditar que as coisas mudariam, ainda mais depois do momento que dividiram na cozinha. Ela sabia que ele também havia sentido.

Sabia que era tola por se sentir atraída por um cara que não dividia dos mesmos sentimentos, mas queria que ao menos ele percebesse que quem ela foi, não era a definição de quem havia se tornado.
Tinha decidido que não se esforçaria mais com ele, já tinha sido trouxa o suficiente. Mas isso não queria dizer que ia parar de falar com Eric ou Harry, que havia pedido seu telefone antes dela ir embora. Estava gostando de conhecer aos dois e mal podia esperar para ver a cara deles quando a visse em apenas alguns dias.


Capítulo 3

As crianças, que geralmente não paravam de falar, estavam todas quietas, ansiosas. os observava feliz e realizada, era o primeiro grande clube que ela conseguia levar sua fundação que não fosse o West Ham e não podia conter o orgulho de si mesma e todos os funcionários que faziam aquilo acontecer, dia após dia.

Todas já estavam acostumadas a assistir e, às vezes, até entrar em jogos da English Football League, a segunda divisão do Campeonato Inglês, que era dividido em três categorias, mas aquele era o Tottenham Hotspurs, o time que tinha a mais nova sensação do futebol Inglês, Harry Kane.
Ele vinha se destacando mais e mais a cada jogo e teve que fazer um sorteio para decidir quem iria entrar de mãos dadas com ele.

estava focado no jogo das quartas de finais da FA Cup que viria a seguir contra o Millwall, mas seu olhar não saia da garota que estava conversando com as crianças que entrariam em campo com eles. Os jogadores tinham sido avisados no ônibus a caminho do estádio que algumas fundações tinham sido convidadas a acompanhar eles agora no final da temporada, o que o deixou feliz.
Ele sempre fora fã de Steve Gerrard e se espelhava no jogador do Liverpool e em sua paixão pelo jogo para melhorar a cada dia. Sabia o que significava para aquelas crianças terem uma oportunidade, por mais simples que pudesse parecer aos olhos das outras pessoas.

Desde seu último dia de folga, quando tinha ido a casa de Harry Winks, que ele vinha pensando em . Um pouco pela curiosidade em saber se ela estava bem após o chute que tinha dado nela, afinal, poderia não ir muito com a cara da princesa, mas nem por isso deixava de se sentir culpado pelo que tinha acontecido. E o outro, que ele mesmo tinha dificuldade em aceitar, era porque tinha sonhado com ela.
No sonho, não tinha acontecido nada demais, ela fazia pipoca doce e o sorriso que quase sempre mantinha no rosto, estava presente. O jogador convenceu a si mesmo que o único motivo daquilo era porque tinha passado o dia anterior tentando fazer a tal pipoca e em nenhuma das vezes tinha dado certo, mas agora ele já estava se achando um pouco maluco, porque tinha certeza que a garota falando com aquelas crianças era .
De modo quase que automático, saiu do seu lugar na fila e foi em direção do pequeno grupo.

- O que você tá fazendo aqui? - perguntou curioso e bastante confuso ao se aproximar e perceber que realmente era ela.
- Ai que susto! - disse se levantando e fechou o sorriso ao ver quem era. - Ah é você?! Não estou com tempo pra suas grosserias, estou ocupada.
- ?! - Harry Winks soltou, fazendo Eric Dier se virar para ele confuso.
- O que é isso? Tá tão vidrado na garota, que já está alucinando?
- Não, idiota. Ali. - respondeu dando um tapa na cabeça do amigo e foi em direção a inglesa, a abraçando. Dier, bastante confuso, o seguiu.
- O que você tá fazendo aqui? - a frase era a mesma, mas o tom usado dessa vez era de surpresa e alegria. aumentou ainda mais o sorriso ao ver Eric se aproximar com os braços abertos.
- Essas são minhas crianças. - respondeu orgulhosa, trazendo um dos meninos para mais perto. - Eu… queria fazer uma surpresa pra vocês. - deu de ombros, reparando que a observava atento, mas um pouco afastado. - Ah não, Luke, por que você está chorando agora? - Os jogadores a observaram se ajoelhar no chão para pegar o menininho, que assim que subiu em seu colo, pareceu se acalmar.

, assim como os outros, estava bastante curioso com o que estava acontecendo à sua frente. Aquelas crianças pareciam realmente apegadas a inglesa e percebeu que assim que abraçou o pequeno Luke, ele parou de chorar e disse algo em seu ouvido que a fez o abraçar mais forte.

- Você… ajuda nesse... Você faz o quê? - Eric tentou perguntar ao perceber que nunca tinha conversado com a garota sobre o que ela fazia da vida.

sorriu para ele enquanto checava seu relógio, arregalou os olhos ao ver que horas eram.

- Preciso organizar eles antes que eu leve uma bronca, nos falamos depois do jogo? - O loiro apenas concordou com a cabeça, viu como ela parecia estar ansiosa. Winks se aproximou mais uma vez, mas para a surpresa de ele apenas apertou a bochecha do garotinho que estava agarrado a ela e os dois se entreolharam quando Luke soltou uma risadinha.
- Até depois. - o moreno passou de leve sua mão pelo braço da inglesa e retornou para o seu lugar na fila.

observou a garota ajudar as crianças a formar uma fila, relembrando um a um em qual momento eles deveriam voltar correndo até ela depois que saíssem do gramado. Seu cabelo estava preso em uma trança e ela usava um uniforme parecido ao das crianças, com as letras LLF gravadas em cada uma. , após conseguir fazer com que Luke voltasse para a fila, ficou surpresa ao ver ainda a encarando. Com receio, se aproximou do jogador, que desviou o olhar quando viu que havia sido pego a observando.

- ? - Ela chamou, um pouco tímida, e teve que segurar o riso ao vê-lo virar a cabeça para ela, tentando se mostrar surpreso - Esse é o Thomas, você é o jogador favorito dele. - disse se ajoelhando para ficar na mesma altura que o menino, o jogador também se abaixou, fazendo a garota sorrir.
- Oi, Thomas, tudo bem? - ofereceu sua mão para o garoto, que bateu nela sorridente.
- Ele joga na mesma posição que você, não é, Tom? - a garota disse tão feliz e orgulhosa que foi impossível para não abrir um sorriso em resposta. Eles estavam tão próximos que ele pôde finalmente notar a quantidade de sardas que a inglesa tinha no rosto.
- É um meia-atacante, então?
- Sou, eu também faço muitos gols, que nem você.
- Futuro jogador do Tottenham? - o jogador perguntou com a sobrancelha enviesada, o que fez o menino rir.
- De jeito nenhum, West Ham, não é, Thomas? - retrucou, entrando na brincadeira e tanto ela quanto gostaram da interação pacífica. Era algo inédito entre os dois.
- Seria legal jogar no Tottenham, tia…
- Thomas! - fez uma cara falsa de brava para logo em seguida fazer cócegas no menino, algo que fez o jogador rir alto.
- Desculpa, tia . - O garotinho falou enquanto mordia a ponta dos dedos, fazendo os mais velhos trocarem um olhar cúmplice.
- Vocês vão ficar até o final do jogo? - perguntou a inglesa, que concordou - Então me procurem. Tenho um presente para você, Thomas - piscou para o menino, que concordou animado com a cabeça, antes de se posicionar ao lado do jogador com quem iria entrar.
- Boa sorte e lembra do que eu te disse, ok? - pediu e se virou para com a feição um pouco dura, que não entendeu sua repentina mudança de humor. - ... - Ela tocou no braço dele para chamar sua atenção sem que alguém ouvisse. - Não prometa algo que talvez não possa cumprir, essas crianças não tem muitas coisas e qualquer tipo de esperança falsa acaba com eles.
- Eu nunca faria isso com uma criança. - retrucou bastante ofendido com o que tinha acabado de ouvir. revirou os olhos como se já esperasse aquela reação e foi então que o jogador percebeu que o motivo dela reagir daquela forma era culpa dele mesmo. - Eu prometi que iria dar um presente para ele e vou dar, princesa.

deu uma piscadinha marota ao pronunciar a última palavra e , apesar de querer ficar com raiva por conta da provocação, acabou se deixando levar e abriu um sorriso para ele que até então ela nunca tinha dado. O jogador decidiu que preferia quando ela o olhava daquela forma.
O jogo estava prestes a começar e se afastou, tirando algumas fotos e rezando para que as crianças se lembrassem do que deveriam fazer, senão o caos seria completo.
, por sua vez, quando viu a menina se afastar, deu a mão a criança com quem ele entraria e, curioso, perguntou:

- O que você acha da ? Ela é chata?
- Não é não, a Tia é bem legal, ela vai levar a gente no McDonalds depois que a gente sair daqui. - o jogador riu da resposta do menino e levantou o olhar, vendo a garota conversar com uma pessoa que usava o mesmo uniforme que ela.

Com a sensação de que alguém a estava observando, se voltou para a fila de jogadores e seus olhos rapidamente encontraram os de . A verdade era que a inglesa esperava encontrar uma cara de desgosto, mas para sua surpresa, ele abriu um sorrisinho de lado, antes de desviar os olhos dos seus, bastante tímido.
Sem que percebessem, os dois estavam sendo observados por Eric Dier, que balançou a cabeça em negação, rindo de si mesmo por ter demorado até demais a entender o porquê irritava tanto .

💂


- Não é possível, tá pior que você com o snapchat, .

O jogador se virou para Eric, que apontava desacreditado para Son, ele sorria aberto enquanto mexia em seu celular. O coreano não largava o aparelho já fazia alguns dias e todos os jogadores do Tottenham sabiam muito bem o motivo. A amiga de .
Louise e Son tinham trocado número quando ele a deixou em casa e vinham se falando diariamente desde então.

Vários jogadores estavam na sala de fisioterapia, cada um fazendo um tratamento diferente e todos tinham seus celulares em mãos para ajudar a passar mais rápido o longo tempo que ficavam dentro daquela sala.

- Aê Sonny, ouvi dizer que você se deu bem na reunião da casa do Winks? - Harry Kane se aproximou, fazendo o coreano lhe dar atenção.
- Como é que ela chama, Sonny? - Eriksen entrou na conversa enquanto tinha suas pernas massageadas pelo fisioterapeuta do time.
- Louise, e só estamos conversando. – disse, não querendo chamar muita atenção para si, o jogador era super reservado.
- Esse “só estamos conversando” tem uma semana já. - Kyle Walker provocou do outro lado da sala, rindo.
- Conheço esse tipo de conversa. - Dier deixou escapar uma risada desacreditada - Pelo menos você não virou um stalker igual o Winks.

Harry levantou os olhos de seu celular e ficou tímido, tinha sido pego no flagra, olhando o Instagram de . O loiro estava em pé atrás dele de braços cruzados e segurava uma risada.

- Eu só tava olhando a foto nova. - deu de ombros, tentando esconder a vergonha.
- Ela andando a cavalo? - Dier questionou e o encarou curioso. - Você viu a foto dela com o carinha do One Direction? Pelo jeito ela curte um Harry… - terminou batendo de leve nos ombros do amigo.
- Não enche. - Winks respondeu com um sorrisinho bobo de lado, enquanto bloqueava o aparelho. - Será que eles já ficaram? - perguntou para ninguém em específico, mas Sonny, curioso, procurou no Google a resposta.
- Aqui tem uma foto deles juntos, olha. - levantou o aparelho e como estava mais próximo, acabou vendo a foto antes que todos.

estava de mãos dadas com o cantor e os dois pareciam sair de alguma festa. Era a típica foto de paparazzi, ambos pareciam bastante desconfortáveis. entregou o aparelho a Eric e Harry e sentou na maca ao lado de Son para que começasse o seu tratamento. Não diria a ninguém, mas aquela foto o incomodou, era óbvio que uma Lady só se interessaria por caras iguais a Harry Winks e Styles, o típico padrão inglês. Algo que ele, definitivamente, não era.

- Ah, eu sei quem é ela. - Eriksen disse ao olhar a foto - A mãe dela é famosa na Dinamarca, uma dançarina… Acho até que já a conheci em algum evento qualquer. Peraí, foi ela que driblou o ?
- Eu não estava jogando pra valer. - O jogador respondeu mal humorado. Kyle Walker tinha mostrado o vídeo da inglesa o driblando para todos os jogadores.
- Ainda assim… - Eric riu do amigo, sabia que aquilo tudo era pose. Estavam mais que acostumados a tirar sarro um do outro.
- Olha esse vídeo. - Winks tinha o celular em mãos novamente - Ela disse que jogou no Chelsea quando era mais nova e achei esse post de uns meses atrás.
- Stalker! - alguns jogadores disseram em uníssono, gerando uma gargalhada geral.

Eriksen se aproximou curioso, assim como alguns outros jogadores. também queria ver, mas estava fazendo seu tratamento.

- Não falei que era boa? - Kyle perguntou a Eriksen, que concordou.
- Deixa eu ver esse vídeo - pediu, fingindo desinteresse.
- Vê no seu celular, folgado - Dier provocou o amigo, que revirou os olhos, mas pegou o aparelho e pediu ao amigo que falasse o handle de .
- É privado. - bufou, jogando a cabeça para trás irritado. Sabia que Eric tinha feito de propósito.
- É sim. - o loiro se levantou da maca e pegou o celular da mão dele. - Pronto.
- Pronto o quê? - perguntou sentindo um pânico tomar conta de si e o sorriso maldoso no rosto do outro não ajudou em nada.

Ainda sem querer acreditar, pegou com pressa seu celular de volta e sentiu o seu coração disparar ao ver o que Eric havia feito.

havia acabado de pedir para seguir Lucan no Instagram. Ele queria morrer.

💂

Nem saberia dizer como tinha ido parar no Pizza East em Shoreditch, um dos bairros mais descolados do leste de Londres, conhecido por seus restaurantes, bares e clubes alternativos. Eric e Harry o avisaram que William e o tinham convidado para um jantar entre amigos e ele já tinha dito de prontidão que não iria. Desde o dia em que seu melhor amigo, embora ele estivesse em dúvida se Eric ainda merecia aquele título, havia pego seu celular, solicitando a amizade da garota, que rezava para não a encontrar em mais nenhum lugar pelos próximos seis meses. Mas ali estava ele, chegando a sala privativa do restaurante que os gêmeos tinham reservado.

- Finalmente!! - William disse alto, o que fez rolar os olhos. Tinha se prometido e também a Eric que daria uma chance ao garoto e assim o faria, mas não conseguia evitar suas reações.

Dando uma breve olhada pelo local, reconheceu diversos rostos já sentados nas duas grandes mesas comunais que o espaço tinha. Sorriu ao ver seus colegas de time, Harry e Son e também Jack Whitehall e Roman Kemp. Se divertia muito com os dois e a presença deles era sinal de que a noite seria regada a muitas risadas. Imediatamente seu humor melhorou.

- Guardamos lugar na nossa mesa. A quer muito que vocês sentem com a gente. - William falou, passando o braço em volta dos dois. - Se bem que com você eu preciso ter uma conversinha, não? Como assim você faz minha irmã chorar?
- Eu? - encarou Dier e voltou seu olhar para o gêmeo - Quando?!
- No dia da casa do Piscadinha ali. - apontou para Harry Winks, que estava sentado de frente para a garota. - Cheguei em casa e na hora já sabia que tinha acontecido alguma coisa, os olhos dela ficam inchados quando ela chora.
- Eu… - ficou sem palavras, não imaginava que a tinha feito chorar com suas palavras.
- Ih relaxa, eu tô brincando, ela nem está mancando mais. Tinha que ver quando a gente era mais novo, ela voltava dos jogos de futebol com a perna toda roxa. Ei sis, olha quem chegou. - quando William se soltou dos dois, Eric deu um soco leve no braço do amigo.
- Eu falei que você tinha ido longe demais.

usava um delicado vestido branco que marcava sua cintura, sem mangas e salto alto. Seus cabelos, como sempre, estavam soltos e ela não usava quase nenhuma maquiagem. gostava daquele contraste que parecia só funcionar nela.

- Ei! - ela sorriu e abraçou Eric com vontade e abriu um sorriso, em dúvida do que fazer para , que tocou seu braço e a cumprimentou com um beijo no rosto. - Fico feliz que tenha vindo, . Guardei lugar pra vocês perto da gente.
- O Sonny já tá com a Louise? - perguntou rindo.
- Esses dois, não sei não, acho que vai dar alguma coisa. - respondeu olhando para os amigos.
- Qual o motivo dessa reunião secreta? - Eric perguntou enquanto os dois cumprimentavam as pessoas mais próximas a eles.
- A gente sempre faz esses encontros. - a menina deu de ombros - É só um jantar onde todo mundo pode fazer o que quiser, sem se preocupar com video caindo na internet, paparazzi tirando foto, essas coisas. Foi o meio que eu e meu irmão encontramos de ainda nos divertir sem ter nossa vida documentada em algum tabloide estúpido.
- Não é nada novo também, todos os nossos amigos fazem, ainda mais em dias como hoje. - William falou ao ver quem entrava no local. - Sempre o último a chegar.

se virou curioso ao ver os dois irmãos se levantarem animados e não conseguiu esconder a surpresa ao ver o Príncipe Harry e a Princesa Beatrice, junto ao namorado, entrarem no lugar. Se sentiu menos bobo ao ver que não era o único, mas a maioria das pessoas pareciam acostumadas com a presença deles e logo voltaram para suas conversas, enquanto outros se levantaram para cumprimentar os recém chegados.
fez a reverência e , apesar de não querer admitir, achou um tanto quanto bonitinho ver a inglesa se curvar para os dois. Mas se surpreendeu ao vê-la, logo em seguida, ser envolvida pelos braços de Harry, que a tirou do chão, a fazendo gargalhar.

- E não é que ela gosta mesmo de um Harry? - Eric disse brincalhão, olhando de canto a reação do amigo.

Os dois conversavam com Winks, Son, Louise e sua irmã, Zara, quando os gêmeos voltaram com o convidado especial.

- Meninos, não sei se vocês já se conhecem, mas queria apresentar a vocês um apaixonado por futebol. - se virou, dando de cara com o príncipe os encarando divertido.

Os quatro jogadores se levantaram e riu ao perceber que eles estavam um pouco nervosos. Estava acostumada a isso, quando Harry decidia aparecer em alguns de seus encontros.

- Spurs?! - O ruivo encarou divertido. - Pensei que fossem os Hammers. É doloroso pensar que deixamos passar o Kane. - ele disse oferecendo a mão aos jogadores, que sorriram divertidos.
- Você pode sempre trocar o Arsenal pelo Tottenham. - Eric disse dando de ombros, os fazendo rir.
- Ele já me prometeu que se for virar a casaca, vai torcer pro West Ham. - abraçou o ruivo e mostrou a língua para Dier.
- Seria o sonho da minha avó e dessa aqui. - falou dando um beijo no rosto da menina, que sorriu.
- Vai lá com o Skippy que eu tenho certeza que vocês tem muito o que conversar e manda um beijo pra Meghan.

Apesar de seus receios, a noite de estava sendo muito melhor do que ele esperava. Quando todos terminaram de jantar, os convidados foram se espalhando pelo local, trocando de lugar um com o outro, ele mesmo já tinha conversado com todos os seus conhecidos e sido apresentado a diversas pessoas novas. Encontrou Eric junto a William e outros rapazes numa rodinha e resolveu não se aproximar. O amigo sempre tivera uma enorme facilidade em se enturmar e foi por isso que se tornou um dos primeiros amigos dele nos Spurs, mas aparecer do nada em um grupo que ele não era o maior fã, era um pouco demais para .

O jogador decidiu então ir para o bar pedir uma bebida e enquanto observava a todos, encontrou e Winks conversando animadamente no mesmo lugar em que tinham jantado, ela tirava uma selfie dos dois. Bufou sem nem perceber ao ver o amigo dar um beijo demorado na bochecha da inglesa e seguir em direção ao banheiro.
Dier reparou que o amigo estava sozinho no bar e resolveu falar com ele, mas freiou no mesmo momento em que o viu escanear o local e parar seu olhar em , que parecia estar se divertindo com o colega de time, Harry Winks. Decidiu que tentaria fazer alguma coisa a respeito, mas para sua própria surpresa, assim que Harry saiu, a garota se levantou e foi atrás de por vontade própria.

- Posso me sentar aqui? - perguntou enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- A festa é sua, você senta onde quiser. - respondeu um pouco mal humorado e , que estava prestes a sentar no banco em frente ao bar, arregalou os olhos, congelando no lugar. se odiou, não tinha motivo para ser tão grosso com ela. - Me desculpa, é claro que você pode se sentar aqui.
- Não é minha festa, eu só organizei. Cada encontro, uma pessoa diferente escolhe o lugar. - Ela explicou enquanto pegava uma taça de champagne. - Aceita uma?
- Não, obrigado - ele respondeu curto e seco, mais uma vez assustando a garota. Aquilo seria difícil.

percebeu que o problema que tinha com ela era a confusão de sentimentos que sua presença trazia. Em alguns momentos ela era exatamente quem ele esperava que fosse e por isso não queria ficar ao seu lado. Ele não via como sua presença poderia fazer bem a ele ou seus amigos. Mas em outros, o surpreendia de forma positiva e ele gostava daquilo. Gostava do que sentia quando tinham momentos como aquele.

- Eu já reparei que você não curte muito essas festas, ou melhor, não curte eu e o meu irmão. - o jogador a encarou surpreso por conta de sua sinceridade, o que a fez rir. - Não é como se você tentasse esconder - deu de ombros, encarando a própria taça.

No fundo ela queria que o jogador a interrompesse e dissesse que era sim coisa de sua cabeça, que ele não tinha nada contra ela, mas isso não aconteceu.
percebeu que estava mais pra baixo do que ele a tinha visto até então naquela noite e não lhe agradou perceber que ele tinha, mais uma vez, sido o culpado.

- Eu pedi para o Eric te chamar porque queria te agradecer… - a menina continuou e ele a encarou curioso. - Eu nunca vi o Thomas tão feliz, e olha que apesar das dificuldades, aquele garoto está sempre sorridente. Você tinha que ver a carinha que ele fez quando cheguei no ônibus com a sua camisa assinada… E bem fedida, por sinal. - Acrescentou rindo, fazendo o jogador gargalhar.
- Não foi nada. - respondeu enquanto brincava com um de seus anéis. Sentiu seu estômago revirar ao ver a garota sorrir pra ele daquela forma, apesar de tudo. - Quando eu era mais novo, meu sonho era ter uma camisa assinada pelo meu jogador favorito.
- Steve Gerrard? - perguntou se virando de frente para ele, que notou o movimento do seu vestido, revelando um pouco mais de sua perna.
- Como você… - e foi a vez dele de girar seu banco, para também ficar de frente pra ela.
- O Eric me contou. - procurou pelo amigo, curioso sobre o que os dois poderiam ter conversado sobre ele. O loiro o encarava de volta.
- Você faz o que naquela fundação? - soltou, já não se aguentando mais de curiosidade.
- É por isso que você pediu pra me seguir? - E ali estava, o momento que vinha tentando evitar a todo custo. tinha um olhar sapeca que o fez rir junto, mas por dentro estava morrendo de vergonha.
- Não fui eu, foi o Eric. - se arrependeu no mesmo segundo em que pronunciou as palavras, o clima que estava bem mais leve, se fechou no momento que a inglesa se deu conta que nada tinha mudado. - É que ele…
- Não tem problema. - o interrompeu, colocando a mão em cima da sua, querendo mostrar que estava tudo bem. - Nem todo mundo agrada a todos e você não precisa ser simpático comigo.

O celular da garota se iluminou e ele pôde ver que o papel de parede de seu celular era uma foto dela com o irmão, os dois pareciam estar esquiando. Ele observou enquanto encarava o aparelho, parecendo em dúvida se devia ou não atender a ligação. Também notou pela primeira vez que ela tinha uma cicatriz na testa, certamente resultado do acidente de anos atrás.
A garota, ao ver que ele encarava a marca em seu rosto, jogou o cabelo para lado, como sempre fazia, para escondê-la. não entendeu a reação, ele mesmo tinha uma cicatriz em uma de suas sobrancelhas e a adorava.

- Pode atender. - disse indicando com as mãos o aparelho da inglesa.
- É a Poppy. - a garota deu de ombros, negando a ligação e a encarou com uma cara de interrogação - É complicado… Nós somos melhores amigas e eu a amo, mas às vezes eu preciso pensar em mim também. - finalizou com um sorriso triste e o jogador sentiu uma vontade inexplicável de abraçá-la. - Eu vou te deixar em paz, obrigada mesmo, , não precisa se preocupar em pagar nada, porque hoje a noite é tudo por minha conta. - A inglesa desceu do banco em um pulo e deu um abraço inesperado no jogador, que retribuiu, sentindo novamente seu corpo reagir ao tê-la tão perto de si.

O cheiro dela ficou preso ao corpo dele pelo resto daquela noite.

💂

Os olhinhos das crianças estavam arregalados, andava atrás deles enquanto Anthony e Nicholas, seus dois treinadores, iam na frente e no meio da fila, para ter certeza que nenhuma daquelas 15 crianças iriam se perder dentro das dependências do centro de treinamento do Tottenham Hotspur.

Quando Eric e Harry apareceram com o convite, a inglesa ficou um pouco receosa, não queria fazer algo que pudesse prejudicar sua fundação por conta de sua nova relação com alguns dos jogadores do time, mas eles a asseguraram que era algo que vez ou outra acontecia e quando recebeu o convite oficial, vindo diretamente do e-mail da pessoa responsável pela Fundação do próprio clube, aceitou prontamente e juntou as crianças, tanto do time feminino quanto do masculino, que ela sabia terem grande potencial de se tornarem profissionais e fez a excursão até o local.

Andy Rogers, o gerente global de treinamentos do Spurs estava mostrando onde eram realizados alguns dos cursos que o clube oferecia para crianças e adolescentes durante todo o ano, e ouvia atentamente. Fazia parte de seu trabalho conseguir que clubes por todo o país se interessassem pelos seus maiores talentos e os levassem para treinar com eles.

Como a Lady Lucy Foundation ainda era relativamente nova, ela só tinha espaço e orçamento para treinar crianças entre 5 e 8 anos. Tinha planos e sonhos de estender não só a quantidade de crianças que atendia, como também a idade, mas enquanto não conseguia, tentava levar aqueles que ela podia ver que eram talentos natos a participar de alguns desses cursos de verão, para aumentar ainda mais as chances delas de serem chamadas por um grande time.

- Aqui fica uma das quadras cobertas, sei que as crianças não vieram com chuteiras, mas vamos liberar para elas brincarem por quarenta minutos aqui, tudo bem?
- Eu acho que eles vão amar! Muito obrigada, Andy! - A inglesa respondeu sorridente, enquanto se abaixava para amarrar o cadarço de um dos meninos, que batia nos ombros da garota, ansioso para poder ir jogar com o restante dos seus amigos.
- Eu vou dar uma olhada como andam os outros treinos e volto às onze, ok?
- Combinado. - respondeu, antes de ver o homem voltar pelo corredor de onde tinham vindo – Pronto, Bobby, pode ir. - falou enquanto bagunçava o cabelo do garoto, que correu em direção ao gramado.

estava no gol se divertindo com as crianças, ela sempre assumia aquela posição e não fazia a menor questão de tentar defender os chutes que os alunos davam, sabia o quão fortes eles podiam ser, ainda mais sem luvas.
Defendeu por acaso uma das bolas e encarou as crianças, confusa ao vê-las gritarem animadas. Não demorou a entender o porquê, , Eric Dier, Harry Winks, Son Heung-min, Christian Eriksen e Kyle Walker estavam vindo em sua direção e, antes que a inglesa sequer pudesse pedir para que se comportassem, as viu sair correndo em direção aos jogadores.

- Mas o que é isso? - perguntou rindo e puxou pela mão Lilly, a mais tímida das meninas, que estava agarrada a sua perna, com vergonha - Não queremos assustar eles, não?
- Não tem problema. - Walker disse se aproximando para cumprimentá-la.

O zagueiro, após dar um beijo em , se agachou e fez uma careta para Lilly, que sorriu e aceitou a mão que ele lhe ofereceu. já havia reparado que ele tinha jeito com crianças, viu como tinha encantado o filho de Trippier na casa de Harry Winks. Os próprios filhos o olhavam como se ele fosse o próprio Capitão América.
Vendo que Lilly estava bem, se aproximou de Christian.

- Fala dinamarquês? - o loiro perguntou, para a surpresa de , que balançou a cabeça negando, mas não o suficiente para convencê-lo - Nem um pouquinho?
- Lidt, at min mor ikke lytter til mig. - respondeu, fazendo com que os outros jogadores a encarassem surpresos.
- Lidt intet, snak super godt. - A inglesa sorriu envergonhada por ter todos prestando atenção em sua conversa - Vai torcer pra Dinamarca na copa, né? - Ele perguntou erguendo uma sobrancelha, enquanto encarava os jogadores ingleses como se visse um desafio.
- De jeito nenhum, vai apoiar a gente. - Dier falou um tanto quanto indignado, abraçando a garota pelos ombros, a puxando para si. Ela só conseguia pensar o quão fofo Eric podia ser. Estava adorando a amizade que vinham criando desde o dia em que se conheceram.
- Infelizmente nessa disputa sou inglesa até morrer. - admitiu, apesar de ser de conhecimento geral que a seleção inglesa não se destacava em nada há anos.
- Há. - Eric soltou vencedor, fazendo com que Eriksen revirasse os olhos.

cumprimentou Son, enquanto apresentava seus treinadores a todos os jogadores. estava logo ao lado do coreano e por estar sem saltos, a garota teve que se pôr na ponta dos pés para alcançar seu rosto.

- Ei, princesa. - Kyle voltou a chamar sua atenção e sorriu ao ver que ele estava de mãos dadas com Lilly. - Eu quero saber se posso chamar alguns deles para treinar chutes a gol, já que a atual goleira deles estava tomando altos frangos. - o moreno falou, rindo ao ver a cara de indignada de .
- E por que não defesa? Não é essa sua posição?
- E você já conheceu alguma criança que tem o sonho de ser zagueiro?
- Eu ué. Um dos meus maiores ídolos é um zagueiro. - disse dando de ombros e se aproximou dos outros - Mas no Chelsea eu jogava na lateral.

Não passou despercebido por quando seu colega a chamou de princesa e muito menos o sorriso tonto que Winks tinha na cara, quando a garota se virou para cumprimentá-lo. Porém algo que ele não esperava, era que ela fosse retribuir o gesto, abrindo um sorriso ainda maior que o amigo. Pelo visto eles vinham se falando bastante.
abriu os braços, se jogando em Harry, que a abraçou forte. Ela simplesmente o adorava, ele sempre estava sorrindo, de bom humor e a tratava como um perfeito cavalheiro. Vinham formando uma amizade leve que a fazia se sentir bem só de ler uma de suas mensagens ao acordar.

- Piscadinha! - ela disse rindo, ainda abraçada a ele.
- Que pombinhos. - Sonny soltou, enquanto Dier e Walker emitiam sons com a garganta, fazendo com que a inglesa ficasse com o rosto um pouco vermelho.
- Isso tudo é inveja porque eu sou o favorito. - Harry comentou divertido, levando um tapa na nuca de .
- Pode ser o favorito, mas como eu sou um dos seus maiores ídolos... Quer aprender com o melhor?
- Tonto, precisaria assistir alguns jogos do Spurs para avaliar melhor seu desempenho primeiro. - se escondeu de brincadeira atrás de , quando o outro fez uma cara feia pra ela.
- Quem é então? - Harry perguntou se colocando ao lado da inglesa.
- Sergio Ramos, claro. Conhece algum melhor? - respondeu ainda escondida atrás de , que estava achando graça da situação.
- Você tá de brincadeira? - Dier perguntou sério, tentando ver se tinha algum tom de pegadinha em sua resposta - Não tem jogador mais sujo do que ele.
- Eu prefiro a palavra “apaixonado”. Ele respira Real Madrid, faz o que tiver que ser feito para garantir uma vitória e ainda marca gols de cabeça aos 93 minutos. Eu tenho certeza que todo time gostaria de ter alguém como ele em sua equipe.
- Que decepção. - o loiro apoiou o braço em Sonny, negando com a cabeça, que concordava com o amigo, imitando sua ação.
- Acho que a gente tem que fazer algo a respeito. - o coreano falou, ganhando a atenção da inglesa.
- Como assim?! - perguntou, arrumando o cabelo, que insistia em cair em seu rosto.
- Quem derrubar a primeiro ganha uma bola autografada! - Eric falou alto, fazendo com que todas as crianças fossem atrás da mulher, que ria do esforço dos pequenos em alcançá-la.

De qualquer forma, todos sairiam dali com fotos autografadas, mas a motivação extra foi suficiente para que ela os deixasse derrubá-la no chão e gargalhou alto quando Harry Winks também lhe fez cócegas. observava a cena com um sorriso no rosto ao ver a garota no chão, sem se importar com mais nada que não fosse a alegria daquelas crianças. Ele nunca a tinha achado tão linda.

Enquanto observava as crianças brincarem e outras ouvirem o que os jogadores tentavam ensinar, conversava com Harry num canto do ginásio coberto. O jogador brincava com sua pulseira, enquanto contava como tinha sido os gols de Eriksen e contra o Southampton no último jogo que tiveram. Tinham mais quinze minutos, antes que ambos precisassem ir embora.

- Nenhum treino é tão cansativo quanto jogar bola com crianças. - Eric se jogou ao lado deles, parecendo exausto. Harry logo soltou a mão da inglesa, envergonhado pelo olhar sugestivo que o loiro lançou.
- Obrigada pelo convite, sei como vocês tem o dia cheio e tiraram esses trinta minutos para fazer o dia dessas crianças. Significa muito pra mim e não sei nem como começar a agradecer. - falou um pouco emocionada e Harry sorriu de lado, achando bonitinha a reação dela.
- Não precisa agradecer. - comentou se levantando. - Mas se você fizer realmente questão, essa ideia não foi nossa. - o garoto piscou para a inglesa e saiu correndo atrás de algumas crianças, tomando o lugar do amigo.
- Eu não entendi. - disse olhando para Eric, que encarava com um sorriso no rosto.

voltou seu olhar para o jogador e sorriu ao vê-lo fazer seu famoso “aceno” para cada uma daquelas crianças. Não importava quantas vezes ele fazia, elas sempre gargalhavam, fazendo com que ele exagerasse ainda mais o gesto.
encarou e Eric e ficou tímido ao ver que tinha sido pego no flagra.

- De verdade? - questionou, em dúvida.
- Ele me perguntou o que você fazia, eu disse que se ele realmente quisesse saber deveria perguntar a você. - O jogador deu de ombros e sorriu - Vai lá!
- Eu vou. - rebateu e se levantou, caminhando com calma e até um pouco ansiosa em direção a ele.

até tentou esquecer o olhar chateado que a inglesa tinha lhe lançado quando conversaram na pizzaria semanas antes, mas tinha sido em vão. Ela estava em sua cabeça mais vezes que gostaria, ainda mais depois da surpresa que teve ao vê-la com aquelas crianças no White Hart Lane, o estádio de seu time.
Dier tinha lhe contado algumas coisas e até o convidado para ir ao cinema com os gêmeos, Sonny, Louise e Poppy, mas recusou, ainda não se sentia parte daquele novo grupo que se formava.

- Eu confesso que estou bastante surpresa - ela soltou assim que o jogador terminou de interagir com as crianças - Obrigada. Eu te abraçaria, mas sei que não somos amigos - completou, claramente nervosa. Ela nunca sabia como agir ao certo perto do jogador.
- Pelo quê? - a encarou com a sobrancelha enviesada e achou uma graça a confusão em seu rosto.
- Eu já sei que foi você que fez isso acontecer - ele cruzou os braços e sorriu - Foi curiosidade pra saber se eu trabalho de verdade ou se sou só uma garota mimada tentando limpar a minha imagem?
- Mais ou menos isso. - disse sério - É difícil imaginar uma princesa, fazendo esse tipo de coisa. - Mas antes que sequer tivesse tempo para ficar chocada, abriu um sorriso, deixando bem claro que era só mais uma de suas provocações.
- Você é um idiota mesmo. - ela disse, o empurrando de leve com o corpo - Essa fundação é minha mesmo, eu participei de todo o processo de criação. Arrecadei e doei dinheiro para fazer ela funcionar. São 25 meninos e 10 meninas que treinam comigo. Os que eu vejo mais potencial treinam três vezes na semana e os iniciantes duas vezes. Enquanto eles treinam, eu procuro times que possam estar dispostos a dar uma chance a eles. Satisfeito?

Com poucos minutos para acabar o tempo dos jogadores com as crianças e também a excursão, tentou perguntar o máximo de coisas que conseguiu sobre a tal fundação. Não podia negar que estava bastante impressionado.
Quando as crianças começaram a juntar as bolas e os pequenos cones, Eric e Sonny se aproximaram dos dois e também pararam para ouvir atentamente as explicações de . Era impossível não se deixar contagiar ao ver a paixão que ela tinha por seu projeto.
O brilho no olhar a cada resposta, fazia o estômago de se revirar, por ele, passaria o resto da tarde lhe fazendo perguntas, apenas para ver aquele sorriso, que vinha pouco a pouco se tornando a coisa favorita dele em .
Quando Andy apareceu pelos corredores, foi hora de dar tchau a todos. As crianças iam aos poucos se despedindo dos jogadores e formando uma fila com o auxílio dos treinadores.
se surpreendeu quando a puxou de canto mais uma vez.

- , o que significa LLF? No seu uniforme? - Ele tinha uma das mãos no braço da garota e pode perceber que ela se assustou com o contato. Ela não esperava aquela pergunta, ainda mais vinda de .
- Lady Lucy Foundation. - respondeu sorrindo, quando dois alunos grudaram em suas pernas.
- Não tinha um nome melhor? - perguntou debochado, mas sorrindo. Em sua cabeça, ele estava fazendo uma piada. - Princesa , talvez?

O jeito convencido e brincalhão de sumiu no segundo que viu os olhos da inglesa perderem toda a alegria que tinham até aquele momento. Ela apenas fechou o sorriso, pegando uma das crianças no colo, enquanto deu a mão a outra e lhe deu as costas.
O jogador colocou as mãos no bolso sem entender o que tinha feito, mas sabia que tinha errado. Não conseguiu evitar fazer a piada, mas obviamente era algo que importava para ela, caso contrário não teria dado aquele nome à sua fundação.

- O que foi? - Dier se aproximou do amigo, ele era o último dentro do campo.
- Eu não faço nada certo.

💂

estava em seu escritório lendo as cartas dos pais e crianças que tinham se inscrito, tentando uma vaga em sua escolinha para o próximo ano, quando tomou um dos maiores sustos de sua vida. estava à sua frente, com um boné, capuz e óculos escuros.

- Agora eu sei porque você torce pro West Ham. - o jogador sorriu de lado ao ver a cara de espanto da inglesa enquanto tirava seus óculos.
- O que você está fazendo aqui? Como v… - o encarava perplexa.
- Eu digitei no Google Lady Lucy Foundation, foi o primeiro resultado que apareceu. - explicou o óbvio - Posso me sentar? - perguntou com as mãos no bolso, incerto se era bem vindo no local.
- Claro - ainda surpresa com aquela situação se levantou e indicou para ele a cadeira vazia na frente da sua mesa, mas ao fazer isso, acabou esbarrando e derrubando alguns papéis no chão.

, que estava quase se sentando, se abaixou para pegá-los e fez o mesmo. Quando a garota percebeu que estavam perto demais, achou melhor se afastar e esperou que ele pegasse o restante dos papéis e lhe entregasse.

- Obrigada. Você quer alguma coisa pra tomar? - estava sem saber o que fazer e um pouco desconfortável, os dois não se viam há um tempo e não imaginou que o veria justo ali.
- Por que você sempre me trata bem? Mesmo eu sendo um idiota às vezes? - perguntou sincero, finalmente se sentando.
- Às vezes? - ela virou a sua cabeça em direção ao jogador, que sorriu torto para ela. - Não tem porquê eu ser quem não sou, só porque você não gosta de mim.
- Eu não... - respirou fundo antes de continuar - Não gosto de você... se isso faz algum sentido.

lhe entregou a xícara de chá e voltou para a sua cadeira, ela evitava encará-lo justamente por saber que ele tinha os olhos fixos nela.

- Você me julga pelo acidente de anos atrás. - ela afirmou confiante e o jogador manteve o mesmo olhar, confirmando suas suspeitas - Você não é o primeiro e nem será o último, . São consequências das minhas escolhas do passado, mas eu não sou mais aquela menina.

O jogador não sabia o que falar, sabia que estava errado, mas não eram próximos o suficiente para que ele pedisse desculpas ou a abraçasse, era uma situação esquisita e ele se sentia desconfortável, mas sabia que era algo que precisava fazer.

- Vai ficar com esse disfarce ridículo mesmo? - a garota disse para melhorar o clima.
- Se alguém me vê aqui, estou ferrado. - falou, mas logo puxou o capuz para trás, ficando apenas de boné.

Curioso, começou a olhar em volta do lugar, e um retrato em especial chamou sua atenção. Nele, conseguiu reconhecer , William e no meio dos dois, no colo da garota, tinha uma bebê com um chapéu de aniversário. Os dois sorriam por entre o beijo que davam na bochecha dela. Lucy. Ninguém precisava lhe dizer, ele sabia quem era ela. E odiava o sentimento que surgiu dentro de si, ainda mais forte do que da última vez que a vira.
O jogador conseguia sentir a tensão de ao vê-lo encarar a tal foto por tempo demais e assim que ele virou o rosto em sua direção, ela lhe deu as costas rapidamente e ele nada disse. Não gostava de contar sua história para quase ninguém e sabia que não tinham intimidade alguma para que ele perguntasse o que tinha acontecido com Lucy.

- O chá está muito bom. - disse de repente para quebrar aquele silêncio, e apenas concordou, incerta de como agir.

Os dois ficaram um tempo daquele modo, sem saber o que dizer um para o outro, mas surpreendentemente, não se sentiam desconfortáveis.

- Eu trouxe algumas coisas pra você. Vem comigo. - se levantou de repente e , curiosa, o seguiu.

Os dois foram caminhando calmamente até o estacionamento e logo a garota avistou um Bentley preto muito bonito e ao lado um carro mais simples.

- Esse é o seu, né? - disse brincalhona, tirando uma careta do jogador. Ele gostava quando ela tentava preencher o silêncio.

O porta malas do carro dele estava lotado. Ela o encarou boquiaberta.

- É pra sua Lady Lucy Foundation. Não sei se o site está atualizado, mas eu pedi pro meu irmão conferir a quantidade de crianças, se faltar algo é só me falar que eu completo.

segurava as lágrimas, estava entregando diversos uniformes e chuteiras novas para todas as crianças. Sem saber o que dizer, os dois caminharam lado a lado com todas as sacolas e caixas para o escritório. Quando finalmente terminaram e já de volta a sala, riram por conta do trabalho que foi carregar tudo.

- Eu juro que tento, , mas não consigo te decifrar.
- Eu sei. É por isso que eu decidi fazer isso. - visivelmente nervoso, não sabia colocar em palavras o que queria dizer. - É uma forma de me desculpar por ter sido um idiota tantas vezes e talvez, de repente, começarmos de novo?
- Eu adoraria. - a inglesa respondeu sucintamente.
- Só isso? Não vai me dar nenhuma resposta atravessada? - ele com certeza estava esperando alguma de suas reações que o deixavam sem saber o que dizer.
- Como eu disse, essa sou eu, uma princesa. - a garota respondeu rindo, fazendo com que o jogador a acompanhasse. - Posso te dar um abraço de obrigado?
- Deve! - finalmente entendeu a reação de seus amigos sempre que a viam. gostava de abraçar e ele percebeu que adorava ser abraçado por ela.

Com o clima infinitamente mais leve entre os dois, sabia que era hora de ir embora. Com uma ideia na cabeça, sacou seu aparelho do bolso, o desbloqueando, e foi até seu Instagram, procurando o perfil de . A garota o encarou em dúvida, sem entender nada quando ele mostrou a tela de seu celular, com sua página aberta, mas sorriu genuinamente ao vê-lo apertar o botão para segui-la novamente.

- Vou pensar no seu caso. - rebateu metida, vendo a notificação aparecer no próprio aparelho.
- Tudo bem, eu sei que mereço. - admitiu derrotado.

Já de volta a sua casa em Elstree, tinha acabado de entrar na cozinha para jantar com seu irmão, Harry Hickford, quando ouviu seu celular apitar.
Abriu um sorriso ao ver que tinha aceitado seu pedido e o seguido também.
Logo, checou suas mensagens e DMs e gargalhou alto ao ver uma em especial.

"Bem vindo a minha vida de princesa 😉 "


Capítulo 4

e Eric observavam Harry Winks com uma expressão curiosa, o amigo tinha demorado mais que o normal se arrumando para o treino da tarde e quanto mais o treino se aproximava do fim, mais ele olhava para a entrada de visitantes.
Não foi preciso muito mais tempo para que os dois pudessem entender o motivo, e era um belo motivo. Os cabelos de foram a primeira coisa que a dupla reconheceu, eram inconfundíveis, mas assim como Harry, seus queixos caíram quando viram como ela estava vestida.

A inglesa usava um vestido de seda claro, com saltos da mesma cor e um blazer preto, a deixando ainda mais bonita do que já era. sentiu um incômodo na boca do estômago ao ver o sorriso e aceno que ela trocou com seu companheiro de equipe, mas não conseguiu esconder o próprio quando ela se virou para ele e imitou seu famoso “tchauzinho”, pelo qual ficara conhecido, assim que assinou com o Spurs. Achou adorável a forma que ela sorriu para ele ao fazer seu aceno.
Eric observava de canto de olho os olhares de para e ria sozinho, o amigo realmente não fazia ideia de como deixava seus sentimentos transparecem quando o assunto era ela, ainda mais para ele, que o conhecia como poucos.

- O que a tá fazendo aqui? - Son perguntou e agradeceu internamente, não queria dar o braço a torcer, mas a curiosidade o estava corroendo.
- Nós vamos sair. - Harry respondeu um pouco tímido ao ter todas as atenções voltadas para si. o encarou com o cenho franzido.
- Não perde tempo, hein? - Kyle Walker passou o braço pelos ombros do mais novo. - Tá certo, ela é uma princesa. Vou lá falar com ela. - finalizou indo ao encontro da garota.
- E onde é que vocês vão, posso saber? - Eric perguntou sorrindo para o amigo, mas sem desviar o olhar de .
- Em uma apresentação de ballet da escola da mãe dela, vai ter um coquetel antes, algo assim - Harry disse dando de ombros, ajeitando o cabelo antes de se aproximar de .

Desde que e começaram a se seguir no Instagram, ela passou a enviar memes do Tottenham para ele, que apesar de não amar ver seu time ser zuado, ria dos esforços da garota em sempre achar os piores memes possíveis. Como ele, apesar de tudo, estava mais do que acostumado a tirar sarro dos próprios colegas de time, decidiu retribuir o "carinho", enviando alguns do West Ham. Às vezes trocavam algumas poucas palavras e ele sempre encontrava uma forma de chamá-la de princesa, mas não tinham passado daquilo, afinal não fazia muito tempo que tinha tomado coragem de procurá-la em sua fundação e estavam ainda em território desconhecido.

- Desde quando você entende de ballet? - provocou incomodado, desde quando eles vinham se falando a ponto de marcarem encontros?
- E precisa entender pra aceitar um convite da ? - Winks piscou para os amigos e por algum motivo que não soube compreender, não gostou da forma sugestiva que Harry se referiu a garota. Em resposta, bagunçou o cabelo do amigo de propósito.

Harry o chutou de leve resmungando e voltou a ajeitar o cabelo indo em direção a inglesa. Eric que observava a interação, segurou no cotovelo do amigo, o forçando a diminuir o passo.

- Você não vai dar oi pra ? - perguntou erguendo as sobrancelhas.
- Vou sim. - respondeu, fazendo Dier rir da forma que o nariz do jogador ficava quando ele não gostava de algo.

O meia se aproximou da inglesa, que conversava animadamente com Harry e a primeira coisa que notou foi a maquiagem que ela usava, nunca a tinha visto arrumada daquela forma e mesmo que também a achasse linda daquele jeito, já sabia que preferia sem. Preferia a garota que o tinha intrigado desde o momento que seus olhos pararam nela, na primeira vez que a vira no aniversário de Jack.
A inglesa não era muito alta, mas de saltos parecia ficar quase do tamanho dele. Nem entendia porque estava reparando em tudo aquilo.
viu os dois amigos se aproximarem e sorriu incerta, ainda não tinha se acostumado que as coisas entre ela e estavam resolvidas, esperava mais uma de suas caras feias, o que não veio, muito pelo contrário, aquele sorrisinho fofo e tímido que ela vira algumas vezes agora era direcionado para ela, a fazendo sentir suas bochechas corarem.

- Tá sorrindo assim pra quem? - Eric o cutucou divertido.
- Só tô lembrando da última noite com a sua irmã. - disse zombeteiro, fazendo com que Dier colocasse o pé a sua frente para que ele tropeçasse.
- Acho que o seu irmão não é o único que está andando demais com jogadores do melhor time inglês… Eu entendo, é difícil não amar a gente. Ainda mais o camisa 15, ouvi dizer que ele é o melhor jogador do time...O mais bonito também.
- Ei, Eric. - sorriu animada e se aproximou para abraçá-lo, mas o loiro colocou os braços na frente do corpo, a impedindo de se aproximar.
- Vai por mim, você não quer me abraçar vestida desse jeito. Você está linda e cheirosa, e eu estou o total oposto. Só não estou pior que o Winks porque a feiúra dele é de nascença.
- Não sou eu que tenho um chulé insuportável. - Harry retrucou na mesma hora, fazendo a todos rir.
- Vamos ver se tenho mesmo. - o outro disse tirando a chuteira e indo em direção ao colega de time que tentava se esquivar.
- Oi, - se virou na direção do jogador e por mais que ele tivesse dito a si mesmo que conseguiria se controlar, viu seus olhos descerem para o decote da inglesa, notando o colar diferente, mas bastante delicado que caia por todo seu colo. - Também está suado e fedido?
- Eu? - sorriu convencido - Eu não tenho defeitos, mesmo depois dos treinos continuo sempre lindo e cheiroso. - disse abrindo os braços e sorrindo aberto, não dando outra alternativa à inglesa, a não ser se aproximar dele e o abraçar rapidamente, pois mesmo com toda aquela “convicção", ele também estava suado.
- Eu vou me arrumar, tá? - Harry apareceu com as bochechas vermelhas e se aproximou da garota, tocando de leve sua cintura, antes de ir em direção ao vestiário. Eric riu sozinho ao ver os olhos de acompanharem o gesto de seu colega de time.
- Essa apresentação que vocês vão, é legal? - o loiro perguntou curioso, cruzando os braços. - Acho que meu convite se perdeu no correio.
- Eu tô indo pela minha mãe, Eric, não sou muito fã de ballet. - sorriu um pouco sem graça. - Ainda bem que o Harry aceitou ir comigo, vocês não tem noção do quão chato uma apresentação pode ser quando sou a única com menos de 40 anos na plateia. Sério, o Will só vai quando meu pai vai, ou seja, nunca. Minha mãe fica super chateada.
- É, não é para mim também. - Eric disse enquanto coçava a cabeça. - Vou me arrumar, tenho um jantar com os meus pais hoje. - Ele sorriu dando um beijo no rosto de e um tapa na bunda de para implicar. - Vejo vocês depois.

O jogador seguiu o mesmo caminho que Winks havia feito, deixando sozinho com a inglesa, que sorriu mais uma vez para ele, um pouco envergonhada porque agora só havia eles ali. Ainda estavam aprendendo a não se provocar e ela não sabia muito bem o que dizer. sabia que tinha que ir tomar banho e se trocar, mas não queria perder a oportunidade de ter só para ele, percebeu que as vezes em que tinha ficado a sós com ela, tinham sido suas favoritas.

- Me surpreende que a princesa não goste de ballet. - comentou olhando de canto de olho e riu vitorioso ao vê-la o encarar em dúvida.
- Que susto, achei que tinha imaginado a última conversa que tivemos. – falou caminhando com em direção ao interior do prédio onde ficavam os vestiários. - O maior trauma da minha mãe foi eu ter me recusado a aprender ballet, mas a Lu… Bem, o que importa é que estarei lá para apoiar minha mãe e meu padrinho. - o jogador viu dor nos olhos da inglesa e se sentiu triste por ela. Talvez, o que sabia sobre ela até então, fosse apenas uma pequena parte de tudo que ela tinha passado.
- E de todas as pessoas que você conhece, o Harry foi o escolhido?
- Bem, eu sou uma amiga legal, cada vez escolho uma vítima. Até pensei em te chamar, pensei que podia ser uma forma de me vingar um pouco pela forma que você me tratou. Você não tem cara de quem gosta de ballet também, mas não tenho seu telefone e fiquei com medo de você não ver minhas DMs a tempo e eu acabar tendo que ir sozinha.
- Sinto-me lisonjeado, milady. - disse, fazendo a inglesa rolar os olhos e trombar com ele brincalhona.

A verdade era que estava realmente se sentindo muito melhor do que há minutos atrás, saber que ela e Harry não estavam saindo em um encontro romântico o deixou mais tranquilo do que imaginara.

- Eu tô sem meu telefone aqui, me dá o seu. - pediu, vendo a menina abrir sua pequena bolsa e tirar o aparelho com um sorriso no rosto. - Pronto, agora você tem o meu número, só não me chama pra ver ballet, o resto eu topo quase tudo. - o jogador disse dando um beijo nela e bloqueou a tela rápido demais para os olhos da inglesa. - Eu vou me arrumar, aposto que saio mais rápido que o Winks. - disse divertido e correu para o vestiário, deixando sentada num sofá próximo ao local.
Curiosa, a inglesa imediatamente destravou o celular, a tempo de ouvir sua gargalhada ao ver como ele tinha salvo seu contato no celular dela.

", o plebeu"

💂

O mês de abril parecia ter começado com tudo para o time do norte de Londres. O Spurs tinha ganhado os três primeiros jogos pela Premier League e se preparavam para o quarto contra o Bournemouth, mas vinham trabalhando mais especificamente para a partida contra o Chelsea na semifinal da FA Cup que teriam no final do mês.
O time todo se encontrava nas dependências do centro de treinamento, onde faziam a recuperação necessária após cada jogo e aproveitavam para relaxar o corpo e a mente das semanas intensas de treinamentos.

- E então, Harry. - começou quando o colega de equipe se juntou a ele e aos demais, que apenas relaxavam na piscina, antes de irem embora. - Curtiu a apresentação de ballet?
- Foi bonita, a mãe da até me explicou um pouco a história antes de entrarmos, mas não entendi nada. - Ele sorriu um pouco sem graça. - Bonita mesmo estava a .
- Hmmm, já conheceu a mãe? - Eriksen perguntou se metendo na conversa - Ela foi uma grande dançarina, e pelo que me lembro, ela tem um ótimo senso de humor.
- Tem mesmo. - Winks olhou para o amigo, rindo ao se lembrar do encontro com a Lucan mais velha. - A é muito parecida com ela, quando estão lado a lado fica ainda mais óbvio.
- Tudo muito lindo e muito fofinho, mas o que a gente realmente quer saber... - Kylie Walker começou enquanto se afundava um pouco na piscina - Já rolou algo entre você e a princesinha? Já posso encomendar o fraque e a cartola pro casamento real?

Antes que Harry conseguisse responder, os jogadores ouviram um barulho e quando olharam pro local, deram de cara com no chão e a gargalhada geral tomou conta do ambiente, fazendo até mesmo o jogador rir, sabia que seria zuado no segundo que parou no chão. Para se vingar, se jogou na piscina com força, espalhando água para todos os lados.

- E então, Winks? - dessa vez foi Dier que perguntou, o inglês tentava segurar a risada da reação de , estava na cara que o amigo não estava gostando do rumo daquela conversa.
- Depois da apresentação a convidei pra jantar, fomos no Sabor, um restaurante espanhol em Mayfair, mas não quero apressar nada, a não é como outras garotas.

Eric sorriu de lado para o amigo e voltou a sua atenção para , que agora saia da piscina sem muitas explicações. O loiro decidiu que faria o mesmo, saiu da água e parou ao lado do jogador que se enxugava com uma cara feia.

- E aí ? - Dier começou, segurando a risada.
- E aí, o quê? - retrucou mal humorado.
- Foi um belo tombo - Eric já não escondia a risada.
- Eu escorreguei, porra - falou jogando a toalha com um pouco mais de força no cesto.
- Eu não sabia que você era tão ciumento assim…
- Ciúmes? Ciúmes de quê?
- Do Harry e da - Eric soltou com obviedade para o amigo, que desviou o olhar.
- Eu que cai e você que bateu a cabeça? Você sabe que a não faz meu tipo, não curto esse tipo de garota.
- Que tipo? O que qualquer homem seria sortudo em ter uma chance?
- Vai dizer que tá interessado também? - o jogador perguntou debochado, abrindo as narinas.
- Por quê? Vai confessar que também está?
- Aff, não dá pra conversar quando você cisma com alguma coisa.
- Se você diz… - Eric falou dando de ombros e seguiu seu caminho para o vestiário, deixando bastante pensativo para trás.

💂

não achava que lugares como aquele existiam de verdade, não que ele não tivesse começado a frequentar lugares parecidos desde que despontou em sua carreira, mas aquela academia parecia mais um hotel cinco estrelas. Desde que deu seu telefone a , ela vinha o chamando para os passeios mais absurdos possíveis e ele nunca sabia se ela estava falando sério ou não, mas quando ela o chamou para treinar com ela, ele sabia que não perderia a oportunidade em ver a princesa se exercitar e era por isso que ele tinha ido até a tal da KX Gym naquela manhã.
Após se trocar e guardar suas coisas no armário, procurou no celular a mensagem onde dizia estar. E, mesmo atento ao seu redor e as pessoas que frequentavam o local, reparou em uma certa garota dançando de forma engraçada ao lado de um aparelho de musculação. O cabelo de estava preso em um rabo de cavalo alto e o headphone vermelho, chamava ainda mais atenção para si. O jogador se pegou rindo ao vê-la dançar e ao invés de se aproximar, diminuiu os passos para que pudesse observar um pouco mais daquela cena.
Como se soubesse que estava sendo vigiada, mas ainda sem parar de dançar e cantar, se virou e quase tropeçou nos próprios pés ao ver a encarando com um sorriso de canto no rosto. Sentiu suas bochechas esquentarem e apertou o botão para pausar a música.

- Não pára não. - o jogador pediu rindo ao se aproximar - Eu preciso aprender esses passos para a próxima vez em que eu fizer um gol, essa sua dança definitivamente vai ser a minha nova comemoração.
- Há, há, engraçadinho - estava vermelha e não era por conta dos exercícios que já tinha feito. - Eu estava só me distraindo esperando você chegar. Achei que fosse se atrasar.
- É, eu tive que acordar quase uma hora mais cedo pra chegar aqui na hora, bem longe da minha casa.
- Eu tenho culpa que você resolveu morar em Elstree? - a garota colocou as mãos na cintura, um gesto que achou adorável.
- Nem todo mundo mora em Chelsea, princesa.
- Nem eu, eu moro em Westminster. - respondeu, mas logo percebeu a besteira que tinha feito. Morar lá era considerado ainda mais esnobe.
- Vai dizer que mora no Palácio de Buckingham?
- Por favor, não vamos começar com isso. - pediu com um sorriso nos lábios.
- Isso o quê? - perguntou, fingindo não entender.
- As provocações…Eu não tenho culpa de morar onde moro.
- Mas, é a nossa forma de se comunicar. - Ele falou tirando o casaco, mas sua camiseta acabou ficando presa na peça, fazendo arregalar os olhos ao ver o abdômen definido do jogador, algo que ela não imaginou existir. - Certo, princesinha, o que vamos fazer hoje? Está esperando o seu personal trainer? - perguntou notando com curiosidade as bochechas dela um pouco avermelhadas, mas não entendeu o motivo.
- Ele não vem hoje - explicou, mostrando a língua por causa do apelido usado por ele. - Pensei em fazermos meu treino funcional, quero ver se esse seu fôlego de jogador aguenta.
- É uma aposta? - ergueu uma das sobrancelhas de forma provocativa. - O vencedor ganha o quê?
- Eu não disse que era uma aposta.
- Vamos lá, - Ele sorriu esperto para ela. - Se você perder…
- Não, esquece, eu nunca vou usar uma blusa do Spurs. - A garota balançou as mãos de forma engraçada, fazendo o jogador rir.
- Tá com medo? Meu fôlego de jogador é demais para você, princesa?
- Dá pra parar de me chamar assim?! - pediu séria, mas ao ver o sorriso no rosto do jogador acabou caindo na gargalhada. - Tudo bem, eu aceito apostar, mas o perdedor vai ter que… Que foi? Tá com medo, ?
- Eu? Eu não sinto medo de nada. - falou todo metido - Ok, se eu ganhar você tem que ir a um jogo nosso com a nossa camisa e também quero aprender essa sua dancinha maravilhosa.
- E se eu ganhar você vai ter que ir em uma apresentação de ballet comigo… - , apesar da careta, concordou. - E também vai um dia lá na fundação dar umas dicas pros meus jogadores mais experientes.
- Fechado. Já vou pedir uma camisa extra pra você lá no clube. - retrucou apenas para irritá-la e riu ao ver que tinha conseguido.

Os dois apertaram a mão confirmando a aposta e o jogador a seguiu para um espaço maior, onde poderiam fazer o treino que ela tinha sugerido.
Após terminarem o circuito, os dois se jogaram no chão, exaustos, ficou impressionado com o condicionamento de , ela não parecia ser alguém que frequentava academia. Já a garota, sem perceber, se viu encarando o jogador que respondia mensagens em seu celular. Ela notou as tatuagens que tinha no braço e se viu curiosa em saber o que cada uma significava.

- Dói? - Ela perguntou do nada, surpreendendo o jogador.
- O quê? - Ele a olhou em dúvida, sorrindo pra ela.
- As tatuagens... - A inglesa apontou para o braço do jogador. - Eu tive um namorado que tinha várias, ele até tentou me convencer a fazer uma vez, mas acabei desistindo.
- Vocês da realeza não podem ter tatuagem?
- Eu não sou da Família Real, . - A garota sorriu sem graça, encarando os próprios pés. - Mesmo assim, a mídia provavelmente falaria algo como “Lady de volta aos seus anos rebeldes" ou “Como pode uma Lady da alta sociedade estragar o próprio corpo.” - A garota imitou uma voz ridícula, fazendo o jogador rir alto.
- Uau! - apoiou seus cotovelos nas próprias pernas antes de continuar a falar - Eles pegam pesado assim?
- Você sabe que sim, não foram eles que te fizeram me julgar sem nem me conhecer? - A garota disse um pouco chateada.
- Me desculpa, eu não...
- Tá tudo bem, já deixamos isso pra trás, mas não me vejo com uma tatuagem de qualquer forma. Não sei se combinaria comigo, com quem eu sou, entende? - falou dando de ombros.
- Pois eu acho que ficaria muito legal. - Ele respondeu olhando nos olhos dela. - Mas, você já é linda assim, não precisa de nenhuma tatuagem. - arregalou os olhos ao perceber o que tinha dito e coçou a cabeça um pouco sem graça, tentando esconder o rosto. Nem ele sabia de onde tinha saído aquilo. - No começo doí, mas agora já me acostumei, parece cócegas. - falou tentando mudar de assunto.

se arrastou ficando mais próxima dele e passou a observar as tatuagens que ele tinha no braço direito. sempre as considerou algo pessoal e não gostava que as pessoas a olhassem tão de perto, mas com , ele ainda tentava entender o que era que ela tinha que quebrava todas suas barreiras.
Num impulso, Philipa segurou no pulso do jogador e o virou para observar o enorme anjo que ele tinha em seu antebraço direito e, sem perceber, passou o dedo delicadamente pelas asas tatuadas, causando um arrepio no corpo do jogador que ele realmente não esperava sentir.
Sem coragem de ser grosso mais uma vez, segurou a vontade de puxar o braço e apenas fechou os olhos derrotado, apoiando a cabeça na parede que estava encostado, tentando se livrar daquela sensação gostosa que nem ele se lembrava da última vez que a tinha sentido. Se é que alguma vez ele tinha sentido.
Shape of You do Ed Sheeran começou a tocar e a cantava baixinho, ainda alheia ao fato de estar observando há tempo demais o braço do jogador.

- Eu amo essa música. - os dois disseram ao mesmo tempo e acabaram rindo pela coincidência.
- Esse álbum é maravilhoso demais, eu ouvi algumas demos no ano passado, estava louca para que fosse lançado.
- Você conhece o Ed Sheeran? Mas é claro que conhece… - disse de forma engraçada.
- Ah nem vem, você sabe como essas coisas funcuinam e aposto que também conhece um monte de famoso. O Harry e o Eric eu sei que são fãs dele, você também é? - A garota perguntou levantando a cabeça e podia ver os desenhos que seus olhos tinham, de tão próximo que estavam. Nem o fato dela ter trazido Harry Winks para o assunto conseguiu tirar o sorriso do rosto dele.
- Não, eu prefiro o Drake. - O jogador disse fazendo uma cara de badboy, o que só fez suas narinas abrirem ainda mais, fazendo gargalhar.
- Ok, eu vou fingir que acredito… Pelo visto só iremos eu, o Eric e o Harry no show dele. - disse dando de ombros, finalmente se levantando.
- Sabe o que eu lembrei? Você tem uma aposta a pagar, pode me ensinar a sua dança! - pediu, também se levantando do chão.
- Não, esquece, não vou dançar pra você, . Requer muita técnica e habilidade pra dançar daquele jeito, não sei se você aprenderia assim tão rápido. - a garota falava rindo de sua própria desculpa, fazendo o jogador aumentar ainda mais o sorriso.
- Quem disse que é pra você dançar pra mim? Vamos dançar juntos. - viu o quanto ela estava tímida e resolveu tentar se mover no ritmo da música o que fez a garota corar - Vamos , só tem eu e você aqui…
- Não vale, você até que dança bonitinho.

até que tentou, mas estava decidido e não iria desistir tão cedo, então, mesmo sem graça, aceitou a mão que ele oferecia e se assustou ao ser girada por ele, soltando um gritinho animado. Mesmo não sendo o melhor dançarino, estava se esforçando para fazer a garota se soltar, , por sua vez, estava achando adorável como ele se divertia e acabou fazendo a dança que ele tanto queria ver.
não ria daquela forma com uma garota há tempos, era divertida e desengonçada e não se importava em parecer boba ao lado dele, não tinha pose ou classe social que os separava naquele momento. Aos poucos ele estava aprendendo, que assim como Jack, vinha de uma realidade completamente oposta a dele, mas nem por isso era algo ruim.
Mesmo com ambos cansados e suados do treino que tinham feito, os dois não estavam com a menor vontade de se despedir.

- Eu achava que toda garota sabia dançar, mas depois de te ver, nem o Sonny dança tão mal assim.
- Vem aqui. - pediu séria e o jogador se aproximou em dúvida. Quando ele estava próximo o suficiente ela tentou fazer cócegas nele, o assustando com a atitude.

Os dois acabaram travando uma pequena luta, onde tentava a qualquer custo fazer cócegas em e ele se divertida desviando de suas tentativas. Vendo que ela já não aguentaria muito mais tempo daquela brincadeira, num movimento rápido, a virou contra si, trazendo ela para mais perto de seu corpo e passou seus braços pela cintura dela, a prendendo dentro de seu abraço. A risada dos dois logo foi trocada pelo som da respiração cansada que ambos tinham, mas para , aquela mesma sensação que sentia toda vez que se tocavam, voltou.
Envergonhado, a soltou e não teve coragem de voltar a olhar pra ela imediatamente, por isso se encaminhou para a geladeira que ficava do outro lado da sala e tirou duas garrafas, abrindo uma e tomando metade, antes de voltar para o pequeno espaço que os dois dividiam.
A garota arrumava o cabelo se olhando no espelho e acabou não vendo ele se aproximar.

- ! - a chamou por cima do som da academia. - Toma! - falou, fazendo menção de jogar a água e a garota se esquivou, assustada.
- Achei que você fosse jogar em mim. - confessou ao vê-lo rir de uma forma extremamente fofa com sua reação.
- Não se preocupa, princesa, eu também sei ser um príncipe.

💂

Faltavam poucos dias para a semifinal do Spurs contra o Chelsea, algo que tinha aumentado consideravelmente a troca de mensagens entre e , ele tentava convencê-la a assistir do lado deles como pagamento de sua aposta, mas ela estava irredutível, já que, seguindo a tradição, iria assistir com seu pai, irmão e avô a partida em Wembley.
ria da conversa que estava tendo com a garota enquanto estava a caminho da casa de Eric, ele o tinha convidado para assistir um filme com , Louise, Son, William e um amigo do gêmeo. De início pensou em não aceitar, tanto que sua primeira resposta para o melhor amigo foi um sonoro não, mas bastou uma mensagem de perguntando se ele iria para que se visse em dúvida. A certeza veio no segundo que ela lhe enviou uma foto com os ingredientes de sua pipoca doce ao qual ele só conseguiu responder de uma única forma.

: 😋😋😋
: Vou entender isso como um sim! 😍😍


- Fala ae, perdedor! - Eric falou rindo do amigo, que tinha perdido a partida de videogame que jogaram pela manhã.
- Nah, você roubou. Sou o primeiro? - perguntou curioso, olhando por sobre os ombros do amigo.
- Sonny tá aí também, a e a Louise disseram estar chegando.
- E o playboy e não sei quem?
- Ah, então. - Eric convidou o amigo pra entrar, tentando disfarçar a própria risada. - O William disse que não vem mais, ele e o amigo tinham alguma festa pra ir, algo assim.
- Puxa, que pena. - respondeu debochado e Eric se virou para ele rindo. - Tava tão empolgado pra passar uma noite com o Made in Chelsea.
- Não fala assim , você tem que se dar bem com o seu futuro cunhado, ele e a irmã são muito próximos.
- Não começa. - O outro respondeu na mesma hora com a cara fechada, mas logo abriu o sorriso quando deu de cara com Son largado no sofá mexendo no celular. - Sonny! Não se preocupe a Louise já está chegando.
- Muito engraçado. - O coreano respondeu enquanto se cumprimentavam.
- Que filme a gente vai ver? - perguntou enquanto se sentava ao lado de Sonny, que ainda tinha os olhos fixados na tela do celular.
- Não sei, a que ficou de escolher. - Eric respondeu dando de ombros.
- Aposto que vai ser um filme romântico. - debochou - Diário da Princesa, talvez?
- Você é insuportável mesmo. – o loiro soltou rindo - Eu deveria ganhar um prêmio por ser seu melhor amigo.
- Elas chegaram. - Sonny anunciou enquanto se levantava do sofá.
- Como você sabe? - perguntou erguendo uma sobrancelha apenas para provocar, mas não obteve resposta, pois no segundo seguinte ouviu a campainha ser tocada.

Embora ansioso, mesmo sem entender o porque, o jogador se conteve e ficou na sala de TV esperando todos voltarem.

- Miladies. - Dier abriu a porta com um gesto exagerado ao ver como elas estavam vestidas.
- Oi garotos. - Louise e falaram juntas, entrando na casa do amigo.

Eric abriu os braços e as duas o abraçaram ao mesmo tempo, rindo. Adoravam como ele estava sempre de bom humor e pronto para dar sua famosa gargalhada, que contagiava a todos.

- Não sabia que tinha que ter me arrumado pra ficar na minha própria casa. - Eric comentou por estar usando uma calça jeans preta e moletom.
- Viemos direto de um compromisso, por isso estamos vestidas assim. - respondeu fazendo a corte, tirando um sorriso do amigo.
- Que compromisso? - rebateu curioso, afinal ambas usavam vestidos mais formais, que geralmente via as mulheres usando em corridas de cavalo.
- O veio mesmo? - perguntou enquanto olhava pelos arredores da casa, observando sorridente a forma que Son e Louise se cumprimentavam.
- Tá na sala, por quê? - Dier a encarou suspeito.
- Estávamos num chá das cinco na Fortnum & Mason, e se ele me ver vestida desse jeito e eu falar onde estava já vai começar com a zoação, e eu realmente quero evitar isso. Podemos ir nos trocar?
- Ouvi dizer que a princesa chegou? - resolveu aparecer de tanto que os outros estavam demorando e não sabia dizer se aquilo era uma benção ou um castigo disfarçado.

e Louise estavam lindas, a primeira usava um vestido branco, soltinho, mas mais uma vez, sua cintura e parte de suas costas estavam a mostra por conta dos recortes no tecido, o que fez o jogador automaticamente sorrir, tinha que admitir o quanto ela estava encantadora. Louise não estava muito diferente, mas ao contrário de que tinha um jeito mais inocente, de menina, a outra usava um vestido que mostrava suas curvas e elegância. Son era um tremendo de um sortudo por ter uma mulher como ela interessada nele.

- Tarde demais. - a inglesa comentou derrotada e se aproximou do jogador para dar um beijo em seu rosto. Quando a garota começou a se afastar, ele roubou o chapéu que ela segurava e colocou na cabeça, fazendo todos rirem com as poses engraçadas que fazia.
- Já posso ser uma dama da alta sociedade?
- Eu vou me trocar que eu ganho mais - a inglesa falou ainda rindo - Pode ser no seu quarto Eric?
- Pode sim.
- Aqui, pega meu iPad. Você lembra a senha, né? - viu o outro concordar - Eu já deixei uns filmes separados pra escolhermos juntos. Vai conectando na TV que a gente já volta.

puxou Louise pela mão e começou a subir as escadas, mas antes fez questão de mostrar a língua para que agora forçava Son a usar o chapéu para que ele pudesse tirar uma foto.
Enquanto as garotas se trocavam, Eric conectou o iPad de no aparelho. já tinha um sorrisinho debochado no rosto, pronto para tirar sarro da tal lista de filmes que ela tinha selecionado, mas quando viu os filmes começarem a aparecer, sentiu seu queixo cair.
Eram filmes terror. Apenas filmes de terror. morria de medo de filmes de terror.

Como uma garota que até pouco ele achava inocente, podia só ter aquilo pra assistir.

- Isso é sério? - soltou para ninguém em específico. - Essa garota tá tirando com a minha cara, foi você né? - acusou Eric, que não se aguentava mais de rir da cara de medo que o amigo tinha - Não tem outros filmes? Só terror?
- Não julgue o livro pela capa, . Alguns desses nem dão medo.
- Eu não vou ver isso, depois não vou dormir a noite. - resmungou se levantando do sofá, no mesmo momento que as meninas apareceram na sala.
- Tudo bem por aqui? - usava uma calça jeans e camiseta e tinha os pés descalços, o completo oposto de minutos atrás - Vou fazer a pipoca, gostaram de algum?
- Adoramos todos. - respondeu entre dentes, fazendo seus amigos rirem.
- Quer me ajudar a fazer a pipoca, ? Assim você pode aprender… - perguntou apontando com os olhos para Louise que tinha acabado de se sentar ao lado de Sonny. - Vem você também, Eric.
- Com muito prazer. - O inglês se levantou e fez um careta para o casal que nem prestava atenção no restante dos amigos - Vocês vão tomar vinho, né? - disse vendo Louise concordar, assim como . - Eu vou buscar na adega.
- Filmes de terror, hm? - começou enquanto observava a garota tirar os ingredientes da mochila - Não sabia que fazia o seu estilo…
- Ah eu adoro, quanto mais assustador, melhor. - respondeu alheia com um sorriso no rosto, o que serviu para assustar ainda mais o jogador - Cresci assistindo com meu pai, o William nem tanto, ele sempre fala que sou estranha por gostar de filmes assim…
- É. - O inglês apoiou o braço no balcão enquanto forçava um sorriso - Nessa eu tenho que concordar com seu irmão…
- Você gosta? - Ela se virou mais uma vez para ele e o brilho no olhar dela era evidente - De filmes de terror?
- Oi?! Já vou! - falou um pouco alto, assustando a garota. - Eu acho que o Eric está me chamando, vou ver se ele precisa de ajuda, você fica bem aqui por um segundo, né? Não vai queimar a casa, sim? Ok, até já.

fez uma cara de quem não tinha entendido nada e deu de ombros, voltando a olhar a pipoca quando ouviu uma estourar.

- Você sabia, não sabia? - encarou o amigo que estava vermelho de tanto rir - Que ela só gosta de filme de terror? Eu achei que fossemos amigos.
- Eu imaginei que se eu te dissesse que ela ama filmes assim, você não viria.
- E você estava certo.
- Ah qual é , quem sabe você não larga mão de ser frouxo.
- Depois vem uma entidade puxar o meu pé, eu morro e você vai ficar chorando a minha perda. - falou dramático voltando para a cozinha.

Quando os dois voltaram para a cozinha, a inglesa até que tentou explicar a como fazer sua pipoca vermelha, mas ele parecia mais interessado em comer o sushi que Eric havia pedido mais cedo e que agora colocava em pratos, do que prestar atenção no que ela falava. Talvez, mesmo que inconscientemente, o jogador sabia que seria uma desculpa para contatá-la numa próxima vez.

- E então, o que está rolando entre sua amiga e o Son? Você sabe que ele é nosso mascote, né?
- Eu também não sei, nunca vi a Lou assim. Ela geralmente é muito mais atirada, vocês acreditam que até então eles só trocaram um beijo de boa noite aquele dia que fomos no cinema?
- Mentira?! - e Eric perguntaram ao mesmo tempo, e a cara que fizeram fez temer pelo coreano.
- Olha só, estou contando isso a vocês em confidência, se forem fofocar pro resto do time eu nunca mais falo com vocês.

Os dois se entreolharam segurando a risada, mas levantaram as mãos em rendição, concordando em manter aquilo em silêncio.
Depois de todos os pratos estarem prontos e a pipoca feita, os três voltaram para sala. Durante o jantar improvisado na mesa de centro do zagueiro inglês, os cinco amigos conversaram sobre a semana que tiveram e explicou um pouco dos filmes que ela tinha separado para assistirem, até achou bonitinho a empolgação dela ao falar, mas, em retrospectiva, preferia assistir ao Diário da Princesa, à ter que assistir aquilo.
Louise e Son se sentaram lado a lado, dividindo a mesma bacia de pipoca. Eric, apesar de ter consciência de seu papel de vela, sabia que era por uma boa causa e estava no meio do sofá logo ao lado de .

tinha se jogado na enorme poltrona que o inglês tinha em casa e que ela simplesmente adorava. Já tinha ido a casa de Eric algumas vezes e elegeu o local como seu lugar favorito. sentiu inveja da garota, ela tinha coragem de assistir a um filme de terror sozinha, sem nem um cobertor para esconder o rosto.
A garota assistia vidrada ao filme Quando As Luzes Se Apagam, nem ela se lembrava o que a tinha feito amar filmes de terror, mas desde que seu pai descobriu sua paixão pela temática, passou a ser algo que os dois sempre faziam juntos.
Por algumas vezes se assustou com algumas cenas do filme, mas sempre dava risada de si mesma, já dos outros, não podia dizer o mesmo, sabia como Louise tinha medo, apesar de sempre no final falar que não tinha sido tão assustador assim. Son parecia se assustar mais com os gritos da garota ao seu lado, do que com o filme em si, mas isso só fazia os dois se aproximarem ainda mais a cada novo susto.

Eric, assim como ela bem sabia, também amava o gênero e apesar dos sustos, estava tranquilo, mas mais parecia com uma criancinha assustada. já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha ouvido ele gritar, no último, ele inclusive tinha um cobertor próximo aos olhos e a inglesa deixou de assistir o filme para observar o jogador, ele parecia aterrorizado.
Com dó de , ela se levantou de sua poltrona e pediu licença para se sentar ao lado dele. O jogador não entendeu porque ela estava se mudando de lugar, mas não se importou, agora estava entre Dier e e por mais bobo que parecesse, se sentia mais seguro.

- Fiquei com um pouco de frio. - disse dando de ombros, mas Eric entendeu o que a garota estava tentando fazer.
- Aqui. - estendeu a peça para que ela se ajeitasse também.

Mesmo focada na história, mantinha um olho também em , ele sempre se encolhia quando a música de suspense começava e para tentar confortá-lo, sem que ele percebesse, a inglesa apoiou a cabeça no ombro dele, o surpreendendo.
Agora tinha que, não só controlar seu medo, mas também as batidas aceleradas de seu coração.

💂


- Eu preciso ir ao banheiro. - anunciou depois de ver que a parte mais tensa do filme estava chegando.

levantou a cabeça de seu ombro, agradecendo por estar escuro, ela não queria ter que admitir para Louise o quanto estava gostando de estar tão perto de , sentindo o perfume amadeirado que ele usava.

- Quer que eu vá com você? Eu posso segurar a sua mão. - Eric provocou e piscou para Sonny que nem retribuiu, estava ocupado demais mexendo no cabelo de Louise.

mostrou o dedo do meio para amigo, que para seu azar pausava o vídeo, ele preferia que eles continuassem a assistir sem ele. Quando ele chegou nas escadas, acendeu a luz e continuou a acender todas até chegar ao banheiro. Queria se distrair o suficiente para tentar esquecer o medo que estava sentindo.
Após usar o banheiro, abriu a porta e se assustou ao ver todas as luzes que ele tinha acendido, apagadas.

- Eric, eu vou te matar, mate. - falou chamando pelo amigo, mas o silêncio foi sua resposta.

Sabia que o loiro não era muito discreto e já teria se revelado com sua gargalhada, o que fez com que todo seu medo voltasse com força total. Pegou seu celular para ajudá-lo a encontrar o interruptor, mas no segundo que ia acender a lanterna do aparelho, a luz do corredor se acendeu e deu um berro, fazendo com que tropeçasse para trás nos próprios pés, caindo no chão.

- Ai meu Deus, você se assustou mesmo. Se machucou? - ela correu até ele se ajoelhando ao seu lado - Desculpa, , eu achei que você pudesse me ver no meio da escuridão.
- Não, claro que não - ele tinha certeza que estava tendo um ataque cardíaco - Eu apenas escorreguei.
- Vem cá, eu te ajudo - a garota deu a mão para ele e abriu um sorriso de lado para o gesto - O Eric pediu para eu vim ver se você estava ok, você estava demorando bastante…
- Ele que disse para você me assustar também? - perguntou ao se levantar.
- Não… Essa ideia foi minha, você me desculpa? - A garota tentava segurar a risada - As vezes eu esqueço que não é todo mundo que curte essas coisas, quer dizer, eu tinha uma queda pelo Jason quando era mais nova…
- Jason? - perguntou incrédulo.
- É, o Jason de Sexta-Feira 13, sabe?
- Eu sei quem é. - Ele concordou ainda em choque - Eu só queria confirmar que ouvi direito, é sério isso?
- É sim, eu também não sei de onde surgiu. - Ela torceu a boca um pouco sem graça, o que fez o jogador sorrir - Você podia ter me contado.
- O quê?
- Que você tem medo de filme de terror…
- Quem disse que eu tenho medo? - Ele perguntou desviando o olhar, se sentindo um pouco tolo.
- Qual é , você deu gritos durante o filme todo e quase teve um infarto agora. Não tem problema não gostar. - Ela olhou sério para ele de repente - Se você tivesse dito, a gente podia ter assistido outro filme.
- Eu não tenho medo. - ele continuou negando.
- Certo, você sempre berra que nem uma galinha quando vê uma raposa, então? - provocou erguendo uma sobrancelha.
- É exatamente por isso que não te falei, já basta ser zoado pelo Eric.
- Ei! Não tô zoando ninguém aqui não, eu não tenho medo de filmes com fantasmas e serial killers, mas morro de medo de filmes com aliens.
- Não é muito másculo...Ter medo de filme de terror, quando as duas garotas na sala adoram.
- Ai que brega, - revirou os olhos. - Larga mão de ser bobo, esse tipo de pensamento não leva a nada.
- A princesa aqui é você, não eu…
- Esqueci que você é o plebeu. - Ela sorriu tímida ao lembrar do nome que ele tinha posto no contato em seu celular. - Não falta muito pra acabar, você acha que aguenta os vinte minutos finais?
- Eu espero que sim.
- Eu prometo segurar a sua mão. - disse mostrando a língua e bagunçou o cabelo dela em resposta.

Os dois voltaram para sala e Eric tinha se mudado propositalmente para a poltrona em que ela esteve sentada por metade do filme, a garota não percebeu, mas sabia muito bem o que o amigo estava tentando fazer e se sentiu consciente, mas não tinha muito que ele pudesse fazer, não podia negar que estava gostando da companhia da inglesa, muito mais do que tinha imaginado.
assistia ao filme, mas cumpria sua promessa, tinha a mão de em seu colo e brincava distraidamente com os anéis em seus dedos. Já o jogador tentava não demonstrar muita coisa para não ter que aguentar Dier o enchendo mais tarde, mas não tinha como não reparar como as mãos da inglesa eram macias e seu toque delicado.
Enquanto a garota estava vidrada no filme, se virou para ela, observando melhor a cicatriz em sua testa, era bem maior que a que ele tinha na sobrancelha. Aquilo o fez se lembrar das antigas reportagens que saíram na época do acidente. Por ter o status que tinham, as fotos dos destroços do carro apareceram em todos os tabloides do país, tinham inclusive, mais uma vez, trazido à tona o acidente da Princesa Diana, madrinha de .
Ele tinha feito uma nova busca sobre o acidente por curiosidade e viu que William tinha saído do hospital logo no dia seguinte, mas tinha ficado internada por mais tempo, mas apesar da curiosidade sobre aquele dia e principalmente sobre Lucy, que ele não tinha encontrado nada a respeito na internet, sabia que não eram íntimos o suficiente ainda para fazer perguntas, mas para ele era muito difícil ver que garota ao seu lado, era a mesma de anos atrás. Pareciam até pessoas completamente diferentes.

- Adorei! - Louise comentou se levantando e acendendo a luz, fazendo com que todos resmungassem e fechassem os olhos até se acostumarem novamente com a claridade.
- Adorou sim, minha mão que o diga. - Sonny respondeu e a garota lhe deu um tapinha em resposta.
- A gente já vai embora? - Louise perguntou para a amiga.
- Só se os meninos tiverem que treinar cedo amanhã? - os encarou e viu os três se entreolharem.
- Fica mais, se ficar tarde vocês podem dormir aqui, sem problemas. Você também, , se ficar com medo de ir pra casa sozinho... Só não vou dividir cama com você, já aviso.
- Vai a merda antes que eu me esqueça.
- Por que a gente não assiste algo mais light, então? Eu tenho alguns filmes bobinhos por aqui... Talvez, o Diário da Princesa? - a garota encarou , fazendo Eric cair na gargalhada.
- Esse a gente já vê diariamente convivendo com você. - retrucou já sabendo que receberia uma careta dela.

Depois de alguma discussão e muitas risadas o grupo de amigos chegou ao consenso de assistir a um filme de comédia.

- Já que você não quer ver o Chelsea perder pra gente usando nossa camisa, vamos ter um jogo contra o Southampton e um contra o West Ham, quer assistir seu time perder do nosso lado?
- Nem pensar, eu vou no do Saints, afinal, não tenho opção, né ? Nunca mais aposto com você. - a garota cruzou os braços emburrada, mais parecendo uma criancinha mimada. - Depois a gente combina direito. - completou bocejando.

O filme tinha passado da metade, quando sentiu a cabeça de pesar sob seu ombro. Ele tentou se virar, mas Eric, que os encarava, fez um sinal para o amigo confirmando que ela dormia pesado e ele então assentiu, voltando a assistir o filme tentando não se mexer muito para não incomodá-la. Pouco depois, sem nem perceber o sono chegar, era a vez dele de encostar a cabeça nela.

- A passou o dia na Fundação, tadinha, sabia que não ia aguentar fazer tudo que tínhamos planejado. - Louise ponderou, encarando a amiga e dormindo juntos, de forma extremamente fofa.
- A gente acorda eles? - Son perguntou em dúvida e viu Dier negar.
- Deixa eles descansarem, o sofá é grande o suficiente. Vocês vieram de carro?
- Não, táxi.- Louise respondeu - A dorme super profundo, vai ser difícil ela acordar.
- Eu posso te deixar em casa. - Sonny disse vendo Louise concordar.
- Eu vou buscar minhas coisas lá em cima.

Dier olhou para Sonny com uma cara safada e o jogador ficou tímido, gostava muito de Louise, apesar dela ser bastante diferente dele. Nunca imaginou que se interessaria por uma mulher como ela, mas quanto mais se conheciam, mais encantado com ela o coreano ficava. A carona que ele lhe daria viria a calhar, iria convidá-la para um encontro oficial.
Quando Eric fechou a porta de casa, voltou para sala se sentindo vitorioso, sua armação, fingir para que o grupo seria muito maior, tinha dado certo. Entre Louise e Son ele sabia que as coisas estavam andando, mas os outros dois amigos pareciam precisar de um empurrão e pelo visto, tinha sido bem sucedido.
Se posicionou de frente para os dois e tirou algumas fotos que faria questão de mandar para e todo o time no dia seguinte.

💂

ria alto em sua casa, conversava com há um bom tempo e estava se divertindo tanto, que até tinha deixado seu videogame de lado e estava deitado na cama para dar total atenção a garota.

: Eu não queria falar, mas você se mexe muito. 😖
: Eu estou tentando ser um cavalheiro aqui, mas você roncou pra caramba. 😜
: Não ronquei não. Uma princesa não faz esse tipo de coisa. 💅


Os dois estavam há horas se enviando bobeiras do tipo, desde quando acordaram naquela manhã no sofá da casa de Eric Dier. O que a garota não imaginava, era que tinha acordado antes que ela, sentindo todo seu corpo doer, a claridade o incomodar e também o peso jogado contra seu corpo. Ele tinha aberto os olhos confuso por não se lembrar onde estava e a primeira coisa que viu foi o cabelo dela, só então que se situou onde estava e com quem estava. Pela respiração pesada ele percebeu que a garota ainda dormia e, com todo cuidado do mundo, se levantou, notando que ainda por cima, dividiam o mesmo cobertor.
dormia profundamente e a paz que ela parecia sentir o fez abrir um sorriso involuntário. Sem se conter, tinha levado uma mão para o rosto dela, tirando alguns fios de cabelo que o escondiam. Ele ficou a observando por algum tempo perdido em seus próprios pensamentos, até que riu de si mesmo ao perceber o que estava fazendo.
Talvez não tivesse se importado tanto com sua atitude, se não tivesse ouvido um celular vibrar e, ao procurar de onde vinha o barulho, encontrou o aparelho de indicando que ela tinha recebido uma mensagem de Harry Winks.

: Olha essa foto que o ridículo do seu melhor amigo me mandou.

O jogador saiu de seus devaneios e encarou a tal foto que tinha recebido e se viu sorrindo, claro que iria matar Dier quando o visse novamente, mas não ia negar que tinha gostado dela. Os dois dormiam completamente desconfortáveis, mas ele só conseguia enxergar a mão de ainda presa à dele.

: Eu acho que ele é muito mais seu amigo, apesar de você estar babando no meu ombro.
: Não estava não, o que posso fazer se seu ombro é confortável o suficiente e o filme feliz demais para me fazer dormir.
: Você é doente, deve ter pesadelos com animais fofinhos e sonhar com seu casamento com o Jason.
: Ei, eu te contei isso em confidência, . Mas, sei que é tudo inveja, não se preocupa eu te convido para o nosso casamento. 👰
: Claro, me coloque para entrar com a Samara na igreja.👹
: 😂😂 Você é um tonto, mas falando sério agora, espero que eu realmente não tenha roncado, eu durmo muito pesado e nunca lembro de nada.
: Não se preocupa, foi um prazer dividir o sofá e o cobertor com você.


- Ei, que sorriso é esse? - William cutucou o pé da irmã.

Os dois estavam deitados na cama de William enquanto o irmão preparava um documento para a reunião que teria no dia seguinte e ela o fazia companhia.

- Não é nada, estou falando com o , ele é muito tonto.
- ?! Uau.
- O quê? - abaixou o celular, encarando o irmão curiosa.
- Eu não sabia que você gostava assim dele.
- Eu não gosto assim dele, de onde você tirou essa ideia?
- Esse seu sorriso, ele só aparece quando você está gostando de alguém.
- Eu não estou gostando do . - Ela respondeu convicta e o irmão continuou a encará-la com uma expressão que ela conhecia muito bem, era quando William sabia estar certo sobre ela. - Estou?


Capítulo 5

- Eu ainda não acredito que você me convenceu a assistir um jogo de futebol. - Poppy tinha sua melhor cara de nojo, o que fez revirar os olhos.
- Se não estou enganada, era você quem estava reclamando que te troquei pela Louise. - disse dando de ombros, enquanto agradecia ao segurança que abriu o portão reservado aos convidados do White Hart Lane, Estádio do Tottenham, para que seu carro entrasse - Fora que você adora um jogador que eu bem sei.
- Sim, mas quando eles estão limpos e cheirosos, prontos para me pagar um drink e me levar pra cama. - ergueu uma das sobrancelhas para a amiga que apenas sorriu - Quem gosta de vê-los correr atrás da bola é você…
- Para de reclamar Poppy, eu nunca reclamo quando você me convida para seus passeios furados. Se você quer sair mais comigo, tem que aprender a gostar dos meus amigos também.
- Que horas devo buscá-las, Lady ? - seu motorista perguntou, interrompendo mais uma discussão entre as duas.
- Odeio quando você me chama de Lady. - a menina fez uma careta, tirando um sorriso do homem - Não se preocupe com a gente, damos um jeito. Vá descansar, Hugo, boa noite. - a garota disse e fechou a porta a tempo de ouvi-lo dizer para que tivessem juízo.
- Espero que a área VIP tenha bastante álcool. - Poppy retrucou, tirando um sorriso da amiga.

conheceu Penélope no primeiro dia de aula de sua nova escola, quando ambas tinham apenas onze anos. Poppy tinha estudado no local a vida toda e logo de cara se encantou com a garotinha que tinha entrado em sua sala, não demorou para que se tornassem inseparáveis, adoravam o fato de terem nomes incomuns e apelidos parecidos. Em apenas um mês, a escola inteira sabia quem eram as Ladies e Poppy.
As duas viviam grudadas pelos corredores da escola e aprontaram muito ao longo dos anos e entre altos e principalmente baixos, ainda se mantinham melhores amigas. Apesar de Poppy ter mudado e muito com o passar dos anos, quando eram apenas as duas, ela voltava a ser a menina que tinha conhecido quase treze anos antes e talvez por isso, mesmo com tudo que tinha passado com ela, não conseguia dar as costas a melhor amiga. Sabia o quanto ela podia ser amorosa e leal e o quanto precisava dela em suas muitas batalhas.

- Já avisei aos meninos que chegamos, o Harry disse que podemos assistir ao aquecimento deles já em nossos lugares.
- Espero que estejam todos sem camisa.
- Tonta. - disse brincalhona, enquanto abaixava o zíper de sua jaqueta, resmungando alguns palavrões ao se lembrar como estava vestida.
- Uau, quem é aquele gatinho vindo em nossa direção.
- O Harry!! - abriu um sorriso enorme ao ver o amigo se aproximar e reparou que logo atrás estavam e Eric.
- Como você nunca me contou que o tal "Harry" é um gato? Olha o sorriso dele ! - a amiga soltou quando o jogador abriu os braços para ela.
- Nem pensa nisso, o Harry é um ser puro. Ele não está pronto para ser corrompido por você.

estava bastante ansioso aquela tarde, tinha passado na sala de uniformes algumas horas antes para pegar sua encomenda, uma camisa do Spurs com seu número, mas com o nome de gravado no material. Não via a hora de ver a inglesa vestindo a camisa de seu time, ainda mais a força.

Quando recebeu a mensagem dela, avisando que tinha chegado, foi com Harry e Eric atrás da inglesa e Poppy, que apesar de já ter visto de longe, ainda não havia conhecido pessoalmente. Bufou um pouco frustrado com os passos rápidos que Winks dava em direção a entrada do local e encarou Dier, que andava como se não tivesse a menor pressa de chegar a lugar algum e, embora de início aquilo tivesse o irritado, ao que estava vendo, agradecia ao amigo por ser sempre tranquilo e relaxado, já que teve tempo suficiente para preparar sua reação.
Após abraçar Harry e apresentá-lo a Poppy, ela tirou sua jaqueta e se virou para o amigo, a tempo de ver que ela já usava uma camisa do Tottenham, uma com Harry Winks nas costas. O jogador parou em seus calcanhares sem saber o que fazer, estava com a camisa em mãos e não queria parecer um idiota.

- Dá isso aqui. - Dier puxou a blusa da mão do amigo lhe dando um tapa na cabeça para fazer da situação constrangedora, algo comum entre eles.

se voltou para Eric a tempo de vê-lo colocar a camisa dentro do moletom que usava e dar de ombros, voltando a se aproximar das garotas. O jogador encarou o chão e sorriu, muitas vezes o loiro podia ser insuportável, mas era em momentos como aquele que amava o amigo.

- E então? - abriu um sorriso ainda maior para , o que amenizou um pouco a decepção que estava sentindo. - Promessa é dívida para os Lucan.
- Pena que você está usando esse número, o meu ficaria muito melhor em você. - Eric soltou para descontrair e bagunçou o cabelo de Winks em vingança pelo amigo.
- Só vou usar o seu número se for com a camiseta da seleção.
- Já sei o que te dar de aniversário então. - o loiro respondeu todo feliz, piscando para a garota.
- Ai, minha pele está irritada, acho que estou com alergia dessa camisa. - fez uma careta, fingindo se coçar, arrancando uma risada dos jogadores - A culpa é toda sua !
- Quem mandou debochar do meu fôlego de jogador? - ele ergueu as sobrancelhas, fazendo a inglesa revirar os olhos - Se eu fizer um gol hoje, vou comemorar com a sua dança.
- Ah não! - O rosto da garota ficou corado rapidamente, o que não passou despercebido por Poppy, que aproveitou para se meter na conversa.
- Que dança? A não sabe dançar nada além de alguns passos de ballet e valsa.
- Não dá atenção, Poppy, o é meio doido. - A inglesa respondeu fingindo sussurrar, enquanto fazia gestos com a mão encarando o jogador.
- Doido? Se eu não me engano a dança era assim. - no que o jogador tentou imitá-la, se atirou desesperada na frente dele, o prendendo com os braços para que ele não se mexesse, fazendo a todos rir.
- Vocês não tem que se aquecer, não? - suplicou a Winks e Dier que só sabiam rir.
- Nós vamos - Eric disse abrindo um sorriso gigante - Mas primeiro vamos tirar uma foto com você pra postar no Instagram.
- Você pirou? Quer que eu seja deserdada pela minha família?! - disse com a voz esganiçada, fazendo rir alto - Se meu pai vê essa foto ele morre de desgosto. - disse emburrada ao ver o amigo se aproximar para tirar uma selfie.
- Essa vai direto pro seu irmão... - Eric disse enquanto apertava o seu rosto contra o da garota que fazia uma careta de desgosto. - Ele duvidou que isso fosse acontecer. - continuou enquanto enviava a foto para William. - Vamos, estão te esperando…O resto do time está louco pra te conhecer.
- Como assim? Por que eles estariam loucos pra me conhecer?! - encarava os três jogadores curiosa, enquanto dois deles riam e um fazia uma cara emburrada.
- Seu melhor amigo mandou nossas fotos dormindo juntos pro chat do grupo. - disse com as mãos no bolso, dando um chute de leve em Eric - Quando cheguei no CT na segunda as fotos estavam impressas por todo o vestiário.
- Eu te odeio. - esbravejou com o loiro, que a arrastava estádio adentro.

Harry e Poppy seguiam os dois rindo e ficou para trás observando a cena. Ele não tinha tanta certeza se queria passar por toda a vergonha que os amigos o fizeram passar, agora na frente da inglesa.

💂

respirou fundo enquanto esperava no corredor os jogadores saírem do vestiário. Apesar de tudo, estava se divertindo e podia ver que Poppy também. De canto de olho, viu Harry sair pela porta sorrindo para ela e em seguida Eric com a cara que ele sempre fazia quando estava aprontando alguma, chamando sua atenção. Logo, vários jogadores começaram a aparecer e a inglesa se viu tímida, eles a encaravam divertidos, a fazendo se questionar o que tinha sido dito sobre ela.

- Então é você quem driblou o na casa do Winks ? - Hugo Lloris perguntou, a fazendo sorrir aliviada.
- Eu mesma! - disse orgulhosa, procurando por com os olhos, que parecia observar a cena de longe.
- Bela camisa. - Walker apareceu dando uma risadinha, antes de abrir a câmera do celular e tirar uma selfie, a qual ela definitivamente não estava preparada.
- Ah não, se eu tenho que tirar essas fotos que eu ao menos esteja bonita nelas, vamos tirar outra.
- Você terá umas vinte oportunidades. - o homem falou misterioso, fazendo a garota franzir o cenho, ainda mais quando ele se aproximou de Poppy e se apresentou, antes de falar algo no ouvido da amiga que a fez gargalhar.
- Ei, o que está acontecendo?!
- Me dá seu celular! - Penélope se aproximou da amiga mais empolgada do que ela estivera o dia todo e nem esperou a inglesa tirar o aparelho do bolso direito, para o tomar de suas mãos - Prepare-se!

No que a morena avisou, Kyle assobiou alto e o restante dos jogadores que faltavam saíram do vestiário fazendo o maior barulho enquanto rodeavam , que não poderia estar mais vermelha, para o divertimento de e Eric. Um a um eles abraçaram a garota e posaram para as selfies que Poppy tirava com o maior prazer.
tinha certeza que muitos deles nem sabiam quem ela era, mas no final, deixou sua vergonha de lado e acabou se divertindo com todos, fazendo poses e caretas diferentes a cada nova foto e foi quando ela e Penélope puderam usar dos olhares de quem sabia muito bem o que a outra estava pensando ao conheceram Moussa Dembele, Toby Alderweireld e Jan Vertoghen. Assim que as fotos foram tiradas, as duas fingiram se abanar, tirando uma risada de quem estava por perto, a beleza daqueles belgas passavam dos limites.

- Hej, dansk pige. - Christian Eriksen era o próximo e se aproximou com um sorriso no rosto, cumprimentando a garota com um beijo - Hvordan har du det? - o jogador perguntou como ela estava.
- Hej spiller, jeg har haft bedre dage. - respondeu em dúvida de seu vocabulário, que já tinha sido melhor.
- Finalmente o Eriksen encontrou alguém pra falar com ele essa língua esquisita. - Jan, que ainda estava ao lado da garota pronunciou. - Neerlandês é muito mais legal.
- A Poppy sabe falar holandês, é parecido, não? - disse, vendo os três belgas encararem as duas curiosas.
- Um pouco. - Moussa respondeu e os quatro trocaram algumas palavras que só conseguiu reconhecer algumas.

Sabia que a amiga não gostava de explicar por qual motivo tinha aprendido a língua e mesmo sem entender muita coisa, ficou ao seu lado, caso precisasse ajudá-la.
se aproximou ainda chateado por ela não estar usando a camisa com seu número, mas sabia que a garota não tinha culpa alguma. Ele bagunçou o cabelo dela chamando sua atenção e ela parou de prestar atenção na conversa para se voltar pra ele.

- Viu? Eu pago todas as minhas promessas. - disse roubando o boné que ele usava e o colocando na cabeça.

O jogador odiava que tirassem seu boné, vaidoso, precisava estar sempre com o cabelo arrumado, mas quando viu a inglesa o colocar na cabeça abriu um sorriso de canto, ela ficava adorável com o adereço.

- Bom saber. - respondeu abaixando a aba do boné para irritá-la. - Já temos que voltar, senão o Poch mata a gente. Ele nos liberou por 10 minutos.
- Tudo bem. - assentiu sorrindo e ela e se encararam por um tempo sem saber muito o que dizer enquanto esperavam a conversa ao lado finalizar. - Eu tenho uma igual, só que dourada. - a garota soltou vendo o jogador a encarar confuso até ver que ela encarava sua pulseira.
- Sério? Quer dizer que a princesa tem estilo, então? - revirou os olhos de brincadeira e cutucou sua cintura, a fazendo rir. - Eu não vou ter tempo de tirar antes de ir pro campo aquecer, guarda pra mim?
- Eu não vou poder ficar depois do jogo, já foi complicado fazer a Poppy vir. Isso porque ela quem se convidou. - A inglesa disse rindo e o jogador olhou a amiga da garota que os encarava com cara de poucos amigos.
- Depois você me devolve, não tem problema. - disse pegando a mão da garota para colocar o adereço em seu pulso e acabou se perdendo no sorriso que ela dava para ele, não se lembrava de ter visto outro mais bonito.
- Vamos, . - Poppy os surpreendeu, os tirando do momento que compartilhavam, puxando o braço da amiga com mais força que o necessário.
- Ai. - a inglesa resmungou o que fez erguer a sobrancelha em desconfiança. - Eu já vou. - completou confirmando que a pulseira estava segura em seu braço. - Vou cuidar com todo carinho do mundo. Bom jogo. - disse, antes de dar um beijo no rosto dele, que tomou um susto com o gesto, por ser algo que ele não estava esperando.

observava a garota se afastar com um sorriso enorme no rosto. sem se conter, virou brevemente para trás e confirmou o que esperava, ainda a encarava e, para esconder o sorriso que teimava em abrir, mordeu o lábio inferior com a descoberta que fez.

William estava certo.

💂

O jogo contra o Southampton tinha sido muito melhor do que imaginara, além de ganhar de 2 a 0, havia sido seu um dos gols da vitória. Ele acabou o dedicando a garota que o assistia com um sorriso enorme da arquibancada. apesar de ter reclamado o tempo todo, tinha adorado ver o jogo do Spurs em um dos melhores assentos do estádio. Não era seu time e ela duvidava que um dia seria, mas a cada novo dia que passava ao lado dos jogadores, seu carinho pelo clube crescia e se via torcendo para que eles ganhassem, nem que fosse secretamente, contanto que não estivessem jogando contra o Chelsea ou o West Ham.

Desde que William tinha dito que ela parecia gostar de que não sabia muito bem o que fazer com a informação. Sabia desde a primeira vez que o viu ao vivo que o achava lindo, adorava como ele era alto e a forma que suas narinas se abriam quando ele estava rindo ou nervoso com alguma coisa. O dia na academia a ajudou a ver que ele era ainda mais gostoso do que ela imaginava e o tom negro de sua pele o deixava ainda mais atraente a seus olhos, mas, fazia tanto tempo que ela não se interessava por alguém que perdeu os próprios sinais de que estava realmente se interessando por ele.

A inglesa não gostava de casos passageiros e muito menos de beijar alguém que tivesse conhecido na mesma noite ou que nunca mais fosse ver. Gostava de conhecer a pessoa a fundo antes de se envolver e com isso tivera relacionamentos fantásticos, com pessoas incríveis. Ela só não esperava incluir o jogador naquela lista, ainda mais por conta da forma que fora tratada por ele no início.
Não sabia se ele tinha algum interesse nela e muito menos se era suficiente para ser algo sério. não conseguia se ver sendo apenas mais uma na vida de ninguém, mas pouco a pouco, vinha se mostrando uma pessoa diferente, encantadora, e, mesmo a tendo julgado tão errado, por saber na própria pele como era a sensação de ser julgada erroneamente, se mostrava aberta a conhecer as pessoas por completo antes de fazer qualquer julgamento sobre ela e com não tinha sido diferente.

- Ainda bem que esse jogo acabou, que chatice. Vamos? - Penélope estava de pé no segundo que o apito soou.
- Nossa, calma. Eu vou mandar uma mensagem pros meninos.
- Eles ainda vão comemorar, fazer banho de gelo, tomar banho. Até algum deles ver sua mensagem já poderia estar em casa.
- Caramba Poppy, você reclamou desde que saímos de casa, se você não queria vir, por que se convidou?
- Você tem me deixado de lado e eu estava com saudade da minha amiga. - disse magoada, sorrindo ao ser abraçada pela amiga de lado.
- Eu também estava, mas você sabe que somos diferentes, você vai dormir quando eu acordo pra trabalhar. Para nos vermos, temos que fazer parte do mundo uma da outra. Eu também não gosto de sair em plena segunda feira e virar a noite, mas se é a única forma de te ver, eu faço o esforço sorrindo.
- Tá bem, tá bem, me desculpe. Não foi de todo um mal, eu até me diverti aquela hora perto dos vestiários.
- Eu sabia! - exclamou, tirando um sorriso da amiga.

💂

: Já está chegando em casa?

sorriu ao sentir seu celular vibrar pouco depois de ter saído do estádio, as ruas estavam movimentadas por conta do jogo e demorou para que encontrasse um local tranquilo para pedir um Uber. Seu trajeto seria mais longo que o normal, já que além de deixar Penélope em casa, ainda cruzaria Londres inteira para chegar em sua casa.

: Ainda nem deixei a Poppy em casa. 😰 Já saíram do estádio?
: Acabei de sentar no ônibus, esperando todo mundo agora. 😴 Se divertiu?
: Até que o jogo foi bonzinho…


sorriu ao ver a mensagem na tela bloqueada de seu celular, esperou até o ônibus dar partida e sair do White Hart Lane para respondê-la.

: O que achou do meu gol? 😏
: Já vi melhores. 😌
: Brincadeira, infelizmente você joga pro time errado. Seu gol foi lindo, o jogo estava bem equilibrado. Faltou conexão entre a defesa e o meio campo, o Dembélé estava sobrecarregado e você e o Eriksen não voltavam para a ajudar na marcação. Vocês tiveram sorte do jogo não ter terminado em um empate.
: 😳😳
: Fizemos algo certo??
: O Son é incrível, como pode ser tão talentoso? O Alderweireld é um grande zagueiro, metade dos gols que vocês não tomaram é mérito dele. E nem tenho mais elogios para o Dembélé, ele é o coração do time.


teve que ler as mensagens três vezes, às vezes esquecia que a inglesa era apaixonada pelo esporte e entendia sobre o assunto, nunca tinha visto uma garota analisar tão bem uma partida.

: Sim, professora, pode deixar que eu vou passar as suas anotações para o Poch. E eu não mereço nenhum elogio? 😏
: Eu vou pensar no seu caso, mas só por ter me feito usar essa camisa, vou deixar pra dizer outro dia. 😉


- Larga esse celular e fala comigo - Poppy resmungou - Tá falando com quem?
- Com o , o que você achou dele, P.? O Will disse que acha que eu gosto dele e não sei, talvez ele esteja certo. - a inglesa disse sorrindo mais uma vez para a sua conversa com o jogador.
- De todos os jogadores que conhecemos você se interessou logo pelo cara de Milton Keynes?? - a amiga perguntou debochada, conseguindo algo que era muito raro de acontecer, irritar .
- Eu te contei de onde ele era para te mostrar onde ele chegou, não para você tirar sarro, Poppy. O lutou muito para estar onde está e ele merece o que conquistou. - não queria mais tocar em assunto algum que envolvesse futebol e muito menos com a amiga, estava cansada da atitude dela naquela noite, por isso virou o corpo para a janela e passou a observar a paisagem, até chegarem na casa da amiga.

Do outro lado da tela, percebeu que tinha parado de responder suas mensagens e levantou os olhos para dar de cara com Eric o encarando suspeito. Rolou os olhos, mas mostrou as mensagens para o amigo que levantou a sobrancelha ao ver a análise da amiga sobre o jogo.

- Se você não casar com ela, caso eu.
- Não começa. - resmungou, tomando o aparelho do amigo e digitou uma mensagem rápida para , pedindo que ela o avisasse que tinha chegado em casa bem.

A distância entre o estádio e o centro de treinamento era curta, em dias normais faziam o caminho em apenas vinte minutos, mas por conta do jogo levariam alguns minutos extras, o que pela primeira vez ele agradecia, assim tinha mais tempo de conversar com a garota.
Geralmente alguém de sua família ou seu irmão, Harry Hickford, que também trabalhava pra ele como seu empresário ia aos jogos e voltava dirigindo, mas naquela data em especial ele quis ir sozinho, mesmo que seus planos não tivessem se concretizado completamente. Sorriu ao ver seu pulso vazio, sabia que aquilo o levaria a mais uma vez.

- Conseguiu falar com a antes dela ir embora? - Eric perguntou a Harry Winks, fingindo não ver o olhar que lançou.
- Nada, ela só mandou uma mensagem agora pouco que estava indo pra casa e que me ligava amanhã. - Eric cutucou com os pés e o amigo fingiu não sentir.
- Você acha que vai rolar?
- Não sei, acho que vai ser só amizade mesmo. Eu gosto dela independente de sermos alguma coisa ou não. Não quero estragar uma possível amizade confundindo as coisas.
- Tá certo. - Eric completou e recebeu um sorrisinho fraco de Winks em resposta.

💂

te enviou uma mensagem.

sorriu ao receber a notificação da garota e ao abrir a mensagem viu que vinha acompanhada de uma foto. Ela dividia a tela com um cachorro marrom e branco, ele podia jurar que dona e cachorro sorriam para a foto.

: 🐾🐾 A minha mãe pediu pra avisar que ela já tá em casa, tio . E que ela não dança igual a sua comemoração no jogo. 😣

Rindo, o jogador destravou a porta e entrou no carro, ligando o aquecedor, antes de dar a partida. Sentia seu corpo todo dolorido, mal via a hora de chegar em casa e se jogar na cama de tão cansado que estava, mas ter a companhia de pelo caminho, tornava a jornada um pouco mais divertida.

: Qual o nome do seu cachorro?
: Matilda 🐶 , é uma menina. Não é a coisa mais linda? Ela já está ficando velhinha, tem quase sete anos, mas sempre vem me receber na porta, não importa a hora que eu chegue.
: Ela dorme com você?
: Com o William, eles tem um caso de amor, são inseparáveis. As vezes ele chora quando pensa que ela não vai viver para sempre.
: A Mati é dele na verdade, foi um presente dos nossos pais numa época difícil de nossas vidas. Uma vez ela quebrou a pata e ele até cancelou uma viagem pra ficar com ela.
: O William? Seu irmão? Estamos falando da mesma pessoa?
: Sim, seu tonto. São poucas as pessoas que conhecem o Will verdadeiro. Ele é uma pessoa incrível, carinhoso, meu melhor amigo. E você, mora sozinho?
: Poderia, mas moro com meu irmão. Vou achar uma foto nossa pra te mandar.
: Eu também não sei se conseguiria morar sozinha.


enviou uma foto com seu irmão um pouco receoso, não sabia exatamente o quanto sabia sobre sua vida, mas caso não soubesse nada, com certeza estranharia ver uma foto dele ao lado de um cara loiro, de olhos claros.
enviou um áudio contando um pouco mais sobre o próprio irmão e fez perguntas a sobre ele e Harry, sendo que nenhuma foi em relação a óbvia diferença física entre eles, o que por algum motivo acalmou algo que nem ele sabia o que era dentro de si. Também a respondeu por áudio e riu sozinho ao receber um áudio que ela ria. Pressionou aquele mais de uma vez só para escutar a risada dela mais vezes.

: É tão bom chegar em casa e ter companhia. Eu e o Will ainda moramos com nossos pais, eles quiseram nos dar um apartamento, mas a verdade é que eu não me sinto pronta pra sair de casa e eu acho que no fundo nem eles querem que a gente saia.

mandou outra foto da cachorra, dessa vez ela estava abraçada ao animal e ele pode ver que ela ainda usava a camisa do Spurs. não tinha muitas fotos de , mas aquela tinha acabado de se tornar a sua favorita dentre todas.

: Acho bom essa sua pulguenta não babar na minha pulseira.
: Mais respeito com a Mati, senão vou pegar ela pra mim.
: Falta muito pra você chegar em casa? Você não está dirigindo e falando comigo, né?
: 😬😬 Prometo que estou sendo cuidadoso, a estrada para minha casa a essa hora é vazia, mais vinte minutos e chego.


O jogador mandou uma foto da estrada pra comprovar o que tinha dito e aproveitou aquele tempo para tomar banho e ao sair já de pijama, se jogou na cama e tirou uma foto mostrando suas meias coloridas.

: Pronta pra dormir, só esperando a 👸🏾 chegar em casa sã e salva.

: Engraçadinha! E essas pernas finas, jogava futebol como?
: Falou o Moussa Dembélé, né?
retrucou rindo.
: Minhas pernas podem até ser finas, mas tem outras coisas que não são.


tinha lido a mensagem inúmeras vezes e não fazia a menor ideia do que responder. Sabia como homens eram, seu irmão mesmo muitas vezes fazia aquele tipo de brincadeira na sua frente, mas nunca esperou que dissesse algo do tipo. Sem saber o que dizer, bloqueou o aparelho.
se arrependeu do que mandou no segundo que releu a frase e sentiu seu coração quase sair pela boca ao ver que a mensagem tinha sido lida. Se ao menos ele pudesse deletar a mensagem sem que ela a lesse. O pouco do percurso que faltava para chegar em casa foi o mais longo que o jogador podia se lembrar, olhava seu aparelho de 2 em 2 minutos, mesmo sabendo que se ela o respondesse o aparelho apitaria.
Sem saber o que fazer, estacionou o carro em casa e encarou a tela por longos minutos. Digitou diversas mensagens sem coragem de enviar nenhuma, até se decidir por uma que tinha mais a ver com eles.

: Desculpa, não se deve falar assim com uma Lady, esqueço que você não é tão insuportável assim.
: rs


Ao ler a resposta da garota percebeu que preferia que ela o tivesse ignorado. Tinha sido um babaca e tinha plena consciência daquilo.

: Estou em casa. Boa noite, princesa e obrigado por ser uma boa perdedora e pagar sua aposta.

A mensagem foi marcada como lida, mas logo não estava mais online.

socou o volante.

💂

- E eu ainda não respondi, nem sei o que falar Poppy. A gente vinha se falando todos os dias e agora estamos há dias nesse silêncio.
- Hum! - Penélope lia a conversa que eles tiveram - Não me surpreende, típico de alguém de Milton Keynes. Sem educação alguma.
- Poppy!! - exclamou chocada - Eu aposto que se alguém te mandasse isso você adoraria e teria alguma resposta na ponta da língua.
- Mas não fui eu quem recebeu, foi você. Ele nem te conhece pra te julgar ser uma qualquer e falar com você dessa forma.
- E se foi sem querer? Eu poderia mandar um oi, não sei...
- Não vai mandar nada. - a amiga pegou o celular de o jogando na cama. - Vem, me ajuda a escolher um vestido que hoje tem festa na casa da Margot.
- Mas, você não ia comigo buscar os agasalhos novos da fundação e depois faríamos uma noite de cinema lá em casa?
- Ai, posso ficar te devendo amiga? Por favor? - Poppy fazia sua melhor cara de cachorro perdido - Eu não posso perder essa festa, vai ser demais.
- Nenhuma festa que a Margot dá acaba bem, você tá… - não conseguiu continuar.
- Claro que não. - Penélope a interrompeu negando - Eu estou bem, limpa há nove meses, 22 dias e 16 horas. Eu só quero me divertir enquanto sou jovem , descanso quando morrer.
- Tudo bem. - a inglesa foi até a cama e pegou o celular, tentando esconder como estava magoada com a amiga. - Eu vou indo, o Hugo já está me esperando há um bom tempo.
- Eu prometo que não furo de novo, promessa de mindinho?
- A gente se fala. - a garota assentiu, cruzando o dedo com a amiga e saiu sem se despedir.

Foi aos quatorze anos que as mudanças em Penélope Rutherford começaram a aparecer, não coincidentemente logo após seus pais anunciarem o divórcio. Se antes ela já se sentia sozinha e incompreendida, por conta dos negócios de sua família que sempre levava seus pais a viagens internacionais infindáveis, com a separação, ela se sentiu ainda mais isolada. E, mesmo que amasse e sua família como se fosse sua, a felicidade que sempre os rodeava a fazia se sentir ainda mais solitária, principalmente quando Fie anunciou a gravidez.
Quando Lucy nasceu, Will e passaram a voltar para casa todos os finais de semana da escola que moravam de segunda a sexta, para ficarem com a irmãzinha e, com isso, Poppy passou a sair com outros estudantes da Charterhouse School, um dos melhores internatos da Inglaterra. Descobriu que muitos deles também sequer viam os pais e com eles encontrou a compreensão que tanto buscava.
O começo foi como o de muitas pessoas, cigarro, álcool e muitas festas. as vezes saia com a amiga, mas não conseguia ter o mesmo pique que ela e ainda tirar boas notas. Foi nessa época que conheceu Louise e as irmãs Waterhouse, elas também iam para casa nos finais de semana e passaram a pegar o mesmo trem na ida e na volta. William até chegou a ter um casinho com Imogen, que não durou muito tempo.
e Penélope se afastaram, mas não a ponto de não continuarem sendo melhores amigas. já tinha perdido as contas de quantas vezes precisou salvar a amiga de si mesma, mas mesmo que isso acabasse a machucando, não conseguia virar as costas para ela.

💂

não falava com há alguns dias, de início ele tentou encontrar algo para chamar sua atenção, enviou um meme pelo Instagram, mas ao não ser respondido achou por melhor dar um passo para trás e deixar que ela o procurasse, o problema era que aquilo não tinha acontecido e ele já não tinha certeza se iria acontecer. Pensou que talvez sua amizade com a garota tivesse chegado ao fim e que caso ela continuasse a sair com seus colegas de time seriam apenas conhecidos que trocavam um oi pelos corredores, o que seria uma pena, já que ao dar vida a sua imaginação o jogador percebeu que não gostava nem um pouco daquele cenário.
Ele observava com um sorriso no rosto seus amigos de time terminarem de jogar uno no vestiário, tinha virado uma febre entre todos. Ele mesmo estava sempre no meio das rodadas, muita delas ganhando. Segurou uma risada quando ouviu Eric xingar alto, o loiro era péssimo na brincadeira.

- Até amanhã, - Harry Kane disse, enquanto passava por ele, seguido por Trippier que mexeu em seu cabelo, o provocando.
- Te vejo mais tarde? - Winks disse se aproximando com a mochila em mãos e sua única reação foi encará-lo curioso e confuso.
- Onde?
- Você não vai no encontro da ? Igual aquele da pizzaria? Hoje é sushi.

Winks se arrependeu de tocar no assunto no mesmo instante, o olhar de mudou de confuso para surpreso e a forma que o maxilar do jogador se fechou com força deixou claro que o amigo não fazia ideia do que ele estava falando.

- Não - decidiu responder ao ver que o amigo ainda o encarava e pegou sua mochila no armário para ir embora.
- Aconteceu alguma coisa entre vocês? - o moreno perguntou intrigado.
- Como assim?
- A nunca falou sobre você antes, mas na última semana ela sempre dá um jeito de perguntar de você.

olhou pra baixo, evitando encarar Harry. Sabia que o amigo estava interessado na inglesa e não queria criar nenhum atrito entre eles.

- Não aconteceu nada. - disse se virando para ir embora, deixando claro que a conversa acabava ali.

O jogador deu dois passos em direção a porta e parou, respirando fundo. Girou o corpo sob os pés e encarou Harry, que parecia saber exatamente o que ele ia fazer, pois ele ainda o olhava com um sorriso curioso no rosto.

- A gente meio que brigou. - soltou e compreensão passou sob os olhos do amigo.
- Vem, vamos pro estacionamento. - Winks trancou o armário e os dois seguiram em silêncio, lado a lado. - O que aconteceu?
- Depois do jogo aquele dia, fomos nos falando até eu chegar em casa. Entre a gente sempre tem provocação gratuita e sarcasmo, mas acabei me empolgando e falei algo que não era minha intenção. Saiu bem errado e desde então ela não me responde.
- E você acha que ela tá chateada? Ela pode ter ficado sem saber o que responder.- Harry encarou o amigo com uma careta divertida. - Foi muito ruim?
- Foi pior. - disse soltando uma risada nasalada - Falei com ela como se tivesse falando com vocês.
- Entendi. - Harry parou em frente ao seu carro.
- Se fosse qualquer outra pessoa eu saberia o que falar, mas com ela é diferente.
- Diferente como?
- Ah, olha a família dela. Ela é afilhada do Príncipe Charles, estudou nas melhores escolas... Nossas vidas não poderiam ser mais diferentes.
- E?! - Winks perguntou curioso, não sabia onde o amigo queria chegar.
- Posso te fazer uma pergunta? - disse o mais baixo que pode, sem ter que sussurrar e viu o amigo concordar. - Aquilo que você disse no ônibus outro dia, sobre ser só amizade entre vocês…

Harry se viu surpreso, mas fez de tudo para não demonstrar. havia conhecido antes e talvez se não estivesse tão focado em conhecer mais a inglesa, teria percebido que o amigo também estava interessado nela. Tentou se manter neutro, afinal não fazia muito tempo que tinha se dado conta que provavelmente seriam só amigos.

- Não rolou nada entre a gente, mate, é só amizade mesmo. No começo acho que não tinha nem como não me interessar por ela, mas acredito que estamos nos tornando grande amigos. - O inglês olhou para baixo um momento, pensando se deveria continuar - A Louise disse que ela é bem discreta quando se trata de relacionamentos, por ter a vida já bastante exposta ela prefere não se arriscar até ter certeza que gosta da pessoa de verdade e que é recíproco. Mas eu acho que você deveria tentar, ela não tá perguntando de você à toa.
- Você já viu os ex-namorados dela? - no segundo que a frase saiu de sua boca se arrependeu, Winks se voltou para ele com o cenho franzido. - Acho que se fosse pra alguém ter alguma chance com ela aqui, seria você. Vocês são tão parecidos, eu sou o garoto de Milton Keynes que...
- Ah, mate. É da que estamos falando, eu acho que você deve ligar logo pra ela e pedir desculpas.
- Só estou falando a verdade.
- Para com isso, . Se ela te ouvisse dizer algo assim ficaria chateada. Tem certeza que não quer aparecer por lá?
- Tenho.

Os dois ficaram em silêncio um tempo se olhando sem saber muito o que dizer. Logo o sorriso de Harry estava lá novamente, devolveu o gesto, embora o dele fosse um tanto quanto tímido.

- Tá tudo bem entre a gente? - perguntou o que vinha pensando desde que iniciaram aquela conversa.
- Vai ficar se você começar a me dar umas assistências iguais as que eu dou pra você. - Harry tirou a mão do bolso e os dois fizeram o comprimento característico deles antes de cada um entrar no próprio carro.

Quando saiu de sua vaga, Winks estava com o carro parado e a janela aberta, o jogador também abriu a sua e o encarou.

- Você já parou pra pensar que talvez ela não queira alguém parecido com ela?

Naquela noite teve uma certeza, Harry Winks era uma pessoa incrível.

💂

O final de abril tinha chegado muito mais rápido que todos podiam imaginar, era a semifinal da FA Cup e Chelsea e Tottenham competiam para a vaga na final. O jogo seria em Wembley, o que aumentava ainda mais a pressão para que ganhassem aquela partida. estava acompanhada de sua família, até sua mãe tinha ido assistir ao jogo. Tinha conversado com alguns dos jogadores do time rival e desejado boa sorte. Ela sentia falta de conversar com , por diversas vezes pensou em chamá-lo, até mesmo para encontrar uma forma de devolver sua pulseira, já que Eric tinha se recusado a ser pombo correio, mas ainda não tinha encontrado a coragem.

O dia que o jogador enviou um meme a ela no Instagram fora um dia atípico na fundação e chegou em casa tão cansada que só abriu a rede social no dia seguinte e se viu pensando demais se era ou não tarde demais para respondê-lo. Secretamente gostaria que ele tivesse aparecido no encontro que fizeram, mas ao conversar com William e Louise sobre o assunto, os dois a ajudaram a ver que ela estava na verdade fugindo dele por medo do que vinha sentindo. Até então ele não tinha demonstrado interesse algum e ela não tinha certeza se queria saber a resposta.

O primeiro tempo tinha sido promissor para o blues, mesmo com o técnico do Chelsea descansando seus melhores jogadores, o time conseguiu marcar dois gols, incluindo um pênalti cometido por Son. Na arquibancada, Louise xingou o juiz fazendo morrer de rir. Harry Kane conseguiu diminuir a diferença ainda na primeira metade, mas a torcida do norte de Londres veio abaixo quando nos sete minutos do segundo tempo, conseguiu converter o passe incrível de Christian Eriksen em gol. tentou esconder o máximo que pôde a empolgação que sentiu ao ver o jogador marcar, ainda mais que seu pai ainda não conseguia acreditar na amizade da garota com tantos jogadores do Spurs, mas para William e Louise ela soltou um gritinho abafado, fazendo o irmão bagunçar seu cabelo em resposta.
Quando a família Lucan viu Eden Hazard entrar em campo, sabiam que o jogo estava ganho e não demorou muito para que o belga marcasse o seu e pouco depois o Chelsea semeasse a vitória por 4-2. Embora feliz por ver seu segundo time ganhar, por dentro a inglesa estava triste por seus amigos, sabiam o quanto eles vinham lutando por uma vitória.

- Darling, avise seus amigos que eles podem ter o Hurricane, mas nós temos o Hazard. - seu pai dizia todo contente.
- Ai pai, você não tem dó de ser tão mal? - a garota disse encarando o mais velho.
- Não, ainda mais contra o Spurs - disse sorrindo para irritar ainda mais a filha. - Louise, você vem com a gente ou realmente nos trocou pelo inimigo?
- Eu vou encontrar o Sonny, preciso achar a saída deles.
- Ele é muito talentoso, Lou. - Fie disse abraçando a loira - E espero que te faça feliz, é só o que importa.- viu a amiga ficar tímida e a puxou consigo.
- Vocês vão pra casa dele mesmo?
- Vamos, tivemos alguns encontros, mas ainda não ficamos sozinhos. Ao menos não tanto quanto eu gostaria. - a loira disse divertida para . - E o ?
- Na mesma. - a inglesa deu de ombros.
- Liga pra ele, fala que você sente muito pelo resultado do jogo e que quer animá-lo.
- Animá-lo como? - perguntou inocente e ao ver a amiga fazer gestos com a boca, arregalou os olhos, vendo se seus pais estavam por perto.
- É tão divertido te deixar sem graça. Apenas ligue, eu tenho certeza que assim que você ouvir a voz dele vai saber o que falar. Algo me diz que ele também não quer continuar dessa forma…
- Algo ou alguém?
- Eu preciso ir, apenas siga meu conselho. - a garota deu um beijo no rosto da amiga, antes de seguir seu caminho.

No caminho para casa, foi pensando na conversa que tivera com Louise, a amiga estava certa. Decidida, assim que chegou em casa, espantou o cansaço e foi direto pra cozinha preparar sua pipoca doce enquanto pedia informações a Eric Dier.

Eric: O que eu ganho com isso?

O loiro perguntou quando ela pediu que ele descobrisse se estava indo direto para casa.

: Minha amizade. Anda logo…

Ao invés de uma resposta, recebeu uma foto. Uma camisa do Spurs que embora tivesse o número 20, não tinha o nome de estampado, mas sim o seu apelido - .
Imediatamente a inglesa ligou para o loiro, que tinha acabado de chegar em casa, pedindo por mais explicações. A cada palavra de Dier, sentia seu sorriso crescer e seu coração acelerar. Não adiantava, estava na hora de assumir que sentia sim algo por . Ao desligar o telefone com o loiro e receber a mensagem que vinha esperando, a garota colocou a pipoca em um balde enorme, embrulhou com um papel transparente, finalizou com um laço enorme e entregou a Hugo, que faria a entrega pessoalmente.
estranhou quando a campainha de sua casa tocou e mais ainda quando deu de cara com o motorista de a sua frente.

- Boa noite, Sr. . - o homem se apresentou cordial tirando uma careta dele. - Sou Hugo, motorista da Família Lucan.
- . - disse simplesmente cumprimentando o homem.
- A Lady pediu que entregasse isso ao senhor. - disse passando o balde.
- Er, obrigado. - disse simplesmente, meio sem jeito. - Boa noite.- desejou, fechando a porta, dando de cara com seu irmão descendo as escadas.
- O que é isso? - Harry, seu irmão, apareceu curioso ao seu lado. Tinha acabado de sair do banho. - É o que eu estou pensando?
- A pipoca doce da . - disse pegando o envelope, enquanto o seu irmão tomava o balde de suas mão e o levava até a cozinha.

O cartão não poderia ser mais tradicional, o endereço dela estava impresso em letras douradas na parte de fora. Com um sorriso que não saia de seu rosto, ele abriu o envelope e viu as iniciais dela numa letra rebuscada em alto relevo e logo abaixo sua letra de mão.

Sinto muito pelo jogo, gostaria de poder me gabar sobre a vitória do blues, mas a verdade é que lá no fundo eu estava gritando "Come on you Spurs".
Te ver marcar um gol ao vivo é sempre especial. Até que você é bonzinho.
Espero que a pipoca te anime nem que seja por alguns minutos.

xx



- Isso é realmente bom. - Harry disse com a boca cheia, assim que entrou na cozinha e entregou o cartão ao irmão. - Se você não ligar pra ela agora, vou te chamar de frouxo até o fim de nossas vidas. - O jogador deu um soco no braço do irmão, antes de encher a mão de pipoca e colocar na boca.

estava digitando uma mensagem para para saber se ela ainda estava acordada quando viu que ela estava online. Deletou o que escrevia e apertou o botão, logo colocando o aparelho no ouvido.

- Você não precisava ter me mandado isso. - começou, fazendo franzir o cenho do outro lado da linha. - Sou eu quem te deve desculpas.
- Pelo quê? - a garota disse, não querendo tocar no assunto.
- Você sabe… Eu deveria ter te ligado antes e pedido desculpas, mas fiquei com vergonha. Fui um pouco idiota… pra não dizer muito.
- Eu topo esquecer do assunto se você também.
- Obrigado. - sentiu levantar um peso de si. - Pela pipoca também, só que meu irmão já comeu metade.
- Fico feliz que ele também goste. Eu ainda estou com a sua pulseira. - a garota disse olhando para o objeto que estava em seu pulso. - Coloquei na coleira da Mati.
- Você não fez isso?! - arregalou os olhos mesmo sabendo que ela não poderia vê-lo.
- Não, está no meu pulso.? - ela sorriu ao ver a reação dele do outro lado da linha.
- Pode ficar.
- , eu não posso aceitar algo assim.
- Pode, porque eu já te dei, se me devolver vou jogar fora.
- Você é doido.
- Sabe nossa aposta?
- A que eu já paguei? - estreitou os olhos se perguntando onde aquilo ia dar.
- Essa mesma. - Ele sorriu se lembrando da foto que ainda tinha dela com a camisa de seu time - Eu quero pagar a minha parte também.
- Como assim?
- Você tinha pedido para que se você ganhasse eu fosse na sua fundação…
- Você não precisa fazer caridade toda vez que for um grosso comigo.
- Ouch. - riu fraco - Não é por isso, eu já queria fazer de qualquer forma, perdendo ou não. Só não tinha aparecido uma oportunidade pra falar disso com você.
- Tudo bem, a gente pode ver uma data que fica boa pra todo mundo.
- Eu quero te fazer um convite… Esse sim é um pedido de desculpas por ser um grosso. Por que você não vem jantar aqui em casa essa semana e a gente combina o que eu posso fazer?
- Pode ser - mordia a ponta dos dedos ansiosa. - Devo levar alguma coisa?
- Trás aquele seu chapéu de chá das cinco.
- O quê? Pra quê? - a garota perguntou rindo o que também fez rir. Adorava a leveza que sentia sempre que conversava com ela.
- Pra entrar aqui no Palácio , só de traje a rigor.
- Você é um idiota mesmo. - a menina riu do outro lado, o fazendo fechar os olhos em felicidade. Adorava o som da risada dela.

💂

encarava seu reflexo no pequeno espelho, enquanto retocava seu batom. Bufou ao arrumar os fios de cabelo rebeldes que insistiam em cair em seu rosto. Não era muito de se maquiar, mas lá estava ela se olhando no espelho de dois em dois minutos enquanto Hugo a levava até a casa de . Nem sabia porque estava tão nervosa, não era como se fosse um encontro nem nada.
A inglesa respirou fundo enquanto caminhava até a porta da casa do jogador, se certificando que seu casaco não deixava sua blusa aparente. Ela tocou a campainha e segurou com força a alça de sua bolsa enquanto o esperava abrir a porta, não demorou muito para reconhecer a risada dele vindo em sua direção.

- Princesa . Seja bem vinda à minha humilde residência - fez uma reverência o que a fez rolar os olhos. De certa forma, ambos ficaram felizes ao ver que nada tinha mudado.
- Plebeu. - disse com sua melhor cara de desprezo, porém sorriu ao tentar passar pela porta, mas se colocou à sua frente. o encarou confusa e o jogador a puxou para um abraço, que a fez sentir todo seu corpo estremecer.

tinha apenas a intenção de lhe dar um beijo, mas quando abriu a porta e a viu depois de tanto tempo, acabou deixando seu racional de lado e agiu por impulso.

- Senti a sua falta - disse sincero enquanto ainda a abraçava, a chocando. Era raro quando não usava de sarcasmo.
- Eu também senti a sua - admitiu ao se separar do abraço. - Até que você é cheiroso. - Ele cheirava a sabonete e perfume.
- De vez em quando eu tomo banho. - o jogador disse finalmente deixando que ela entrasse na casa dele.

Enquanto trancava a porta, acabou prestando atenção nele, mesmo usando botas com salto, ele ainda era mais alto do que ela. Ele usava uma camiseta branca um pouco comprida e uma calça jeans toda rasgada que ela já sabia ser sua marca registrada, já que todas as vezes em que se viram fora de um campo de futebol ele usava uma.
A inglesa teve que desviar o olhar quando o viu erguer uma sobrancelha, tinha sido pega em flagrante.

- Espero que goste de massa, é a minha especialidade - disse metido, enquanto indicava o caminho.
- Talvez porque seja a única coisa que você saiba cozinhar? - A inglesa viu aparecer pelo corredor o irmão do jogador e seu sorriso aumentou.
- Irmão do ! - foi em direção ao loiro, que retribuiu o sorriso.
- Lady . - Harry Hickford retrucou zombeteiro e a garota travou no lugar.
- Já vamos começar errado? - disse colocando as mão na cintura, tirando uma risada dos dois.
- Desculpa, mas foi o que me disse pra te chamar assim - Harry disse se aproximando para cumprimentá-la. Enquanto a abraçava, o loiro fez um sinal de positivo e murmurou um “cheirosa” para o irmão, que fez gestos exagerados, implorando para que ele parasse.
- Lógico que foi - se virou para o jogador que tinha um sorriso esperto no rosto. - Eu vou precisar começar a dar apelido a vocês, você é o sétimo Harry que conheço.
- Em breve o mais importante. - Hickford disse debochado, tirando uma risada de .
- Pelo visto ser metido é de família. - os dois se viram surpresos com a naturalidade que ela proferiu aquelas palavras, que significava tanto para eles.
- O é o pior de todos. - Harry disse olhando o irmão de canto de olho e teve que segurar uma gargalhada ao vê-lo lhe mandar um dedo do meio sem ver.

A inglesa os acompanhou até a sala de jantar e sorriu ao ver a decoração e como tudo estava arrumado demais para dois homens que moravam sozinhos. Ela tinha certeza que normalmente não se importaria tanto com as aparências, mas ao vê-lo nervoso arrumando os talheres, sorriu. Ele podia ser adorável quando queria.

- A casa de vocês é bem legal, eu imaginava algo mais caótico, mas estou impressionada. - A garota disse enquanto olhava para os retratos e quadros pendurados na parede. - Quem escolheu a decoração? - perguntou ainda de costas para os dois irmãos e Harry olhou para que não fazia ideia do que havia perguntado, tinha passado tempo demais a observando, principalmente o jeans branco que ela usava e a forma que ele se moldava ao seu corpo.
- Nós pagamos alguém. - Harry respondeu por ele, que deu de ombros como se pedisse desculpas.
- Eu imaginei. - respondeu ainda de costas para eles e sorriu sozinha ao abrir seu casaco. Ela tirou a peça e o cabelo das costas, dando tempo suficiente para que eles vissem o que ela estava vestindo antes de se voltar para eles.
- Como… - a encarou surpreso, não estava acreditando que ela estava com a camisa do Spurs com seu número impresso e o apelido dela gravado.
- O que acham?! - a inglesa disse sorrindo vendo os dois a encararem confusos - Vocês não podem nem sonhar em contar pro meu pai e meu irmão que eu usei isso por vontade própria, estão me ouvindo? Foi uma enorme operação sair de casa sem ser vista.
- Quando você fez isso? - perguntou genuinamente curioso.
- Eu não fiz, você quem fez. - a garota colocou o cabelo atrás da orelha, se lembrando da conversa que tinha tido com Eric.
- Dier. - balançou a cabeça negativamente.
- Não fica bravo com ele. - se aproximou de - Quando eu liguei para pedir seu endereço, ele me mandou a foto dessa blusa. Você deveria ter me dado naquele dia.

assentiu sem saber o que fazer, tinha sido pego completamente despreparado e como muitas vezes acontecia quando o assunto era , se viu inseguro.

- Vamos comer ou vou morrer de fome aqui mesmo? - Harry disse salvando o irmão e estranhou ao ver o jogador sem resposta.
- Eu só espero não morrer envenenada. - ela disse se sentando enquanto foi até onde ela assumiu ser a cozinha. - Harry, imagino que você ouça muito isso, mas… Já te disseram que você lembra muito o Jax de Sons of Anarchy?
- Mais do que você pode imaginar! Você assistiu?
- Uma das minhas séries favoritas, comecei a assistir com o Will, meu irmão, mas ele desistiu e eu fui até o fim. Aposto que ser irmão do e parecer o Jax contam bastante pontos com as mulheres.
- Disso não posso reclamar. - o loiro respondeu sorrindo e os dois viram aparecer na sala com uma travessa enorme.

Era visível o quanto o jogador estava nervoso, não era de cozinhar e muito menos para alguém que ele queria impressionar. Tinha demorado mais tempo na cozinha que o necessário pensando se não era melhor ter pedido alguma coisa.

- Er, faz tempo que não cozinho, pode realmente não estar bom.
- Tenho certeza que está ótimo - A garota colocou a sua mão com delicadeza no pulso do jogador que sorriu para ela.
- , você não vai apresentar sua outra especialidade para sua convidada?
- Que especialidade ? - olhou curiosa para Harry que sorria.
- Fantoke - disse com as mãos na cintura e um sorriso convencido. - Coca com fanta. - se explicou ao vê-la o encarar confusa.
- Coca com fanta? - a inglesa repetiu com os olhos arregalados.
- O quê? Você nunca tomou? - se sentou ao lado dela e arregalou os olhos surpreso.
- Claro que não - tentou disfarçar a cara de nojo, mas não conseguiu, fazendo rir e se levantar.
- Bom, eu experimentei a sua pipoca - Ele disse um pouco mais alto ao voltar para cozinha - Não custa nada você experimentar a minha invenção.
- Tudo bem - A inglesa sorriu derrotada encarando Harry - Se for ruim teremos que ter uma conversa séria.

logo apareceu com um copo em mãos e entregou pra garota que encarava o líquido em dúvida.

- E então?
- É, até que não é tão ruim quanto eu pensei. - disse após tomar alguns goles - É bonzinho. - Ela piscou para o jogador que entendeu a piada.
- Agora falta o macarrão - Harry disse enquanto encarava o irmão que parecia ansioso para que aprovasse seus dotes culinários.
- Approvato. - disse com um sotaque italiano cantado, fazendo ambos rirem.
- Ufa, ainda bem! - finalmente se sentou, sentindo-se muito mais tranquilo e sorriu para que ria de seu desespero.

Durante o jantar, os três conversavam, mas Harry mal conseguia segurar a risada ao ver o irmão tão nervoso por conta de uma garota. Não se lembrava de ter visto ele assim antes. Não que não o entendesse, era acessível, simpática e muito humilde, mas o sotaque, a forma de falar e agir deixavam visível o quanto ela era posh. A forma de segurar o talher, se portar à mesa, tudo os fazia se entreolharem. Eram de mundo realmente distantes, mas bastava um sorriso ou alguma piada que ela contava para verem que na verdade, ela era igualzinha a eles.

- , eu não sei o que tem aqui, mas eu adorei esse molho, adoro comida apimentada.
- É um tempero africano. Quando eu era bem pequeno morei na Nigéria um tempo com meu pai. - Harry encarou o irmão surpreso, era muito raro mencionar seu passado para as pessoas - E tem coisa de lá que não consegue achar em nenhum lugar.
- É uma delícia. - a garota disse ao levar o garfo mais uma vez a boca - Eu nunca fui pra África, é um dos meus maiores sonhos. - comentou alheia ainda se deliciando com a comida, sem reparar que era observada atentamente.

Após a sobremesa, Harry inventou que tinha que terminar de revisar um contrato urgente e deixou os dois a sós. E, mesmo insistindo que não precisava de ajuda, fez questão de ajudar a tirar a mesa e colocar a louça na máquina.

- Você acha que eu não faço essas coisas em casa?
- Sendo bem sincero, não.
- Desde que somos pequenos meus pais nos fazem lavar a louça do jantar. Minha mãe diz que ninguém merece começar um dia de trabalho com a pia cheia de pratos sujos.
- Você é bem diferente.
- Diferente como?
- Não é metida, princesinha.
- Eu nunca disse que era. - piscou para que sorriu de volta ligando a máquina.
- Quer um chá? - ofereceu apontando para a chaleira e a inglesa assentiu.- Vem, eu quero te mostrar um lugar - O jogador disse, oferecendo a caneca para a garota e os dois seguiram pelo corredor até o segundo andar da casa.

Assim que entrou no cômodo sentiu seus olhos brilharem, era um quarto com todas as camisas que havia trocado em jogos e uma das paredes era repleta de revistas e reportagens que ele tinha aparecido ao longos dos anos, assim como suas medalhas e troféus. Os dois conversaram um pouco sobre algumas das coisas que ficavam ali, pois se dependesse de ela o encheria de perguntas sobre aquele lugar.

- Eu queria te pedir desculpas pessoalmente também. - encarou a garota que estava com uma camisa antiga da seleção inglesa em mãos - Sei que você topou esquecer do assunto, mas eu falei algo que normalmente não falaria pra garota alguma, muito menos pra você.
- Muito menos pra mim? - o encarou curiosa e ficou sem saber o que dizer.
- Sim, uma princesa. - Não era aquela a resposta que ele queria dar e muito menos a que ela queria ouvir.
- Eu confesso que me assustei um pouco na hora, achei que as coisas entre a gente fossem ficar estranhas de novo, mas fico feliz que foi só mais um mal entendido, . Como eu disse, página virada, não sou de guardar rancor. - disse sorrindo sincera para ele - Eu também queria te fazer uma pergunta…
- Pode fazer. - colocou as mãos no bolso, a encarando.
- Por que você não me deu essa blusa aquele dia?
- Você já estava com a do Winks. - disse dando de ombros, sem encarar a inglesa. Os dois ficaram em silêncio por um tempo se encarando, ambos sem coragem de dizer o que realmente queriam. - Você fica ainda mais bonita de Spurs. - o jogador soltou, se encostando na parede ao lado dela.
- Eu acho que eu fico melhor de . - podia sentir seu coração bater no peito, ela nem sabia de onde tinha tirado coragem para pronunciar aquelas palavras.

abriu um sorriso tímido de lado e levou sua mão ao rosto da garota, passando com leveza o dedo sob sua pele. A garota nem por um segundo tirou os olhos dos dele e não soube dizer o que era aquilo que estava sentindo. Ele levou sua outra mão a cintura dela, a fazendo se aproximar ainda mais dele, se assustou com o gesto, mas fechou os olhos nervosa, fazia algum tempo que não se sentia daquela forma com alguém.
O perfume dela, próximo demais, foi a primeira coisa que o jogador sentiu. Ele também podia jurar sentir os lábios da inglesa nos seus, quando ambos tomaram um susto ao ouvir uma porta se bater ao lado deles e imediatamente se afastaram assustados. foi a primeira a abrir um sorriso de lado que retribuiu sem saber o que fazer.

- Achei vocês. - Harry apareceu na porta com um sorriso e pareceu não perceber ter interrompido alguma coisa - Eu já terminei por lá, antes de dormir vou precisar que você assine. - finalizou, vendo o irmão concordar.
- Talvez seja melhor eu ir, já está tarde. Tem Uber por aqui? - disse rápido demais, para surpresa de .
- Você não veio de carro? - Harry perguntou. vendo o irmão o encarar estranho.
- Eu não dirijo, eu tenho um motorista. - explicou com um sorriso e o loiro achou por melhor perguntar a quando ela já tivesse ido embora.
- Tem alguns na área. - disse com o celular em mãos já no aplicativo.
- Ah que bom, vou chamar.
- Eu já chamei. - respondeu fazendo a garota estreitar os olhos pra ele. - Você só precisa ajustar o endereço porque eu coloquei Palácio de Buckingham.
- ! - tomou o aparelho dele, colocando o próprio endereço.
- Eu sabia que era perto. - brincou, vendo que o motorista chegaria em alguns minutos - Vamos descer, eu te acompanho.
- Deixa eu me despedir do Jax então. - abriu os braços e Harry aceitou o abraço da garota - Foi um prazer te conhecer, Harry. Espero te ver em um de nossos encontro.
- Se o me convidar…
- Se ele não te convidar, eu convido. - a garota piscou e saiu do quarto, sendo seguida pelos dois, Harry ficou pelo segundo andar e desceu a escada com ela.

colocou novamente o casaco e pegou sua bolsa que tinha deixado na sala. Juntos, caminharam até o carro que já a esperava e não deixou que ela abrisse a porta de imediato.

- Obrigado por ter vindo e ter me desculpado. Espero que você não tenha nenhuma dor de barriga.
- Eu tenho certeza que não vou ter, estava tudo uma delícia e sua casa tem a sua cara.
- Isso é algo bom?
- É sim, pode levar como um elogio. - sorriu para ele - Quando o Harry me mandar seus dias livres eu tento bater com os dias na fundação e a gente combina, tá? - a garota perguntou incerta.
- Eu estarei lá, pode ter certeza.
- Eu te mando uma mensagem quando chegar. - a garota disse, sem saber mais o que dizer.
- Eu prefiro te fazer companhia pelo caminho, posso? - pediu mostrando o telefone com a conversa deles já aberta. - Como um perfeito plebeu.
- Agindo dessa forma parece mais um príncipe. - a garota disse tirando um sorriso tímido do jogador que se aproximou mais uma vez dela, dessa vez lhe dando um longo beijo no rosto.
- Boa noite, princesa.
- Boa noite, .

Mesmo com seu plano interrompido, mal conseguia conter o sorriso, aquela noite noite não poderia ter saído melhor. Assim que ele trancou a porta de casa, deu de cara com seu irmão o encarando com as mãos no bolso.

- Ela é incrível. Se você a deixar escapar, eu te mato.
- Eu não vou.


Capítulo 6

ainda não acreditava no dia que estava prestes a ter. Quando Eric o chamou para ir ao Royal Ascot, a corrida de cavalos mais famosa e importante da Inglaterra com ele e William, sua primeira reação foi formar uma careta, mas logo se lembrou de uma certa princesa que estaria no evento e por mais que tentasse negar a si mesmo, vinha procurando qualquer desculpa que aparecia para vê-la, então o sim que disse ao amigo saiu muito mais fácil do que ambos imaginaram.
Após a noite que tiveram em sua casa, em que ele quase a tinha beijado, não conseguia tirar da cabeça. Tanto, que na manhã seguinte, pediu ao seu irmão que também era seu empresário, que encontrasse logo uma brecha no calendário, para que ele pudesse ir a sua fundação. No caminho até o local, o jogador sequer imaginou o quanto se divertiria em meio a tantas crianças, mas aquela tarde que passara na companhia de e doze alunos, tinha sido uma das melhores que ele tivera em anos.

Ver a garota fazendo o que amava, só intensificou o que ele sentia quando estava perto dela, o sorriso de era lindo, mas o sorriso dela para aquelas crianças era simplesmente encantador. pela primeira vez teve a certeza que aquilo que ela fazia era de verdade, não algo para as câmeras ou para chamar atenção. Ele podia ver nos olhos dela o quanto ela se importava.
Depois de horas ensinando o que podia para os alunos com mais futuro da LLF, os dois foram para o escritório da inglesa e enquanto ela terminava de responder alguns e-mails, continuaram conversando sobre a fundação. ficou impressionado quando ela explicou por cima como tinha investido parte do dinheiro que recebia de doações para bancar uma estrutura maior e mais profissional, mas que por mais que estivesse pronta para fazer as melhorias, não conseguia encontrar um lugar ideal para mudar sua escolinha, sem que afetasse os alunos atuais.

Naquele dia o jogador foi embora com um sorriso cansado no rosto, ainda sem acreditar como tinha a julgado tão errado, sem nem conhecê-la. A forma que falava sobre sua fundação, com tanto amor, o fizera se perder em pensamentos várias vezes, queria prestar atenção no que ela falava, mas seus olhos não conseguiam desviar dos lábios da garota e imediatamente a imagem deles dois em seu quarto vinha a cabeça e ele praguejava a si mesmo. Tinha dito a Eric uma vez que não beijaria nem se ela fosse a única garota interessada nele e ali estava ele, pagando a própria língua, já que a única coisa que vinha pensando ultimamente, era o quanto ele daria para ter beijado a garota.

- ?! - o jogador saiu de seus pensamentos e viu Eric o encarando engraçado e a sobrancelha de William enviesada através do retrovisor.
- Quê?
- Quantos convites tem aí? - William tinha os olhos na estrada, mas encarou o jogador por um breve segundo.
- Tem quatro. - respondeu, olhando os envelopes, que pareciam muito com o que tinha recebido de .
- Ufa, o meu amigo achou que tivesse perdido o dele. Ele já está nos esperando, em cinco minutos chegamos.

O jogador apenas concordou com a cabeça e voltou a seus pensamentos, mas não sem antes ver Eric rindo e teve que disfarçar quando o companheiro de equipe sussurrou “Tava pensando na ?” para ele, que revidou mostrando o dedo do meio para o amigo, sem que William visse. respirou fundo ao sentir o carro frear, ele abriu a porta de trás do Bentley Continental de William e desceu do carro, fechando o botão do blazer que usava e se virou para outros dois rapazes, que saíam do carro.
William jogou a chave do seu carro para o manobrista e foi até o porta malas, de onde tirou o resto de seu fraque e uma cartola. tinha certeza que já tinha visto uma cena como aquela em um filme qualquer, o irmão de parecia ter nascido para aquela vida. Olhou ao redor e notou que o carro dele não era o único que parecia ter acabado de sair da concessionária. Não que atualmente não pudesse bancar carros como aqueles, era apenas um lembrete do quanto os dois eram de mundos completamente diferentes.
De repente se viu nervoso e puxou Eric, que estava concentrado em uma Ferrari 488 Spider que havia acabado de ser estacionada, de lado.

- Cara, no nosso dress code não tinha que era pra vir de cartola. - murmurou nervoso.
- Nem no seu, nem no meu. - Dier disse enquanto lia o convite novamente para confirmar. - Será que é algo comum que só quem é da realeza sabe?
- Na verdade é só quem está no cerco real que precisa se vestir assim. - o loiro disse debochando da própria roupa. - Não se preocupem, vocês estão com o traje correto. Vamos entrar?! - disse acenando para quem assumiu ser Jaime já que tinha uma vaga lembrança de já tê-lo visto antes.

Assim que passaram pelos portões, os quatro acabaram virando atração para os fotógrafos do local. William abriu um sorriso como se tivesse acabado de ver seus melhores amigos e para ficou claro a diferença entre ele e a irmã, enquanto preferia evitar os holofotes, William gostava de aparecer. O jogador não podia culpá-lo, ele levava jeito para coisa.

- Quero ver o que o meu pai vai me dizer quando ver nos jornais que eu cheguei acompanhado de dois jogadores do Tottenham - William disse zombeteiro, enquanto indicava o caminho para os rapazes.
- Ele vai dizer que você finalmente começou a andar com gente de qualidade, tenho certeza. - Dier respondeu metido.
- É capaz que ele me deserde, isso sim. Já basta minha irmã. - William sorriu para os dois. - Olha se não é a Olivia, Jamie! Faz tempo que eu não a vejo, vocês tem se falado depois que ficaram de novo?
- Onde que é o bar? - O moreno perguntou claramente nervoso e achou graça, mas logo se viu na mesma posição quando avistou conversando com Louise, Poppy e outras mulheres.

A garota estava como sempre, linda. usava um vestido floral em tons de azul, verde e rosa e uma sandália de salto que combinava com sua roupa. O cabelo, pela primeira vez, estava em um penteado elegante e para a alegria de , ela usava um chapéu azul no mesmo tom do vestido, ele já sabia qual seriam suas primeiras palavras a ela.
ouvia Abby contar sobre sua recém viagem a África com interesse, sempre que descobria alguém que já tinha ido ao continente, enchia a pessoa de perguntas. Mas logo sua atenção foi tirada, quando ouviu disparos de máquinas fotográficas e riu ao ver seu irmão sendo o foco das atenções. Seu sorriso aumento ao ver Eric Dier, eles vinham se falando sobre aquele dia há algum tempo e ela não via a hora de apresentá-lo às suas amigas, mas a maior surpresa do dia foi ver que ao lado do loiro, estava a encarando com o sorriso que ele sempre dava quando estava prestes a irritá-la.

- Tá aí um lugar que eu nunca imaginei te ver um dia. - a garota se aproximou do jogador sorrindo. - E não é que você tem bom gosto?! - disse se referindo ao terno azul escuro que ele usava, acompanhado de uma gravata e lenço de bolso em tons de bronze para contrastar com o sapato vinho.
- Chapéu bonito o seu! - disse segurando a risada e não se aguentou ao ver que a inglesa caiu na sua, trocando o sorriso pela cara de indignada que ela fazia quando ele brincava com ela. Sem saber se deveria elogiá-la em público, ficou quieto.
- Estou interrompendo o flerte dos pombinhos?! - Eric entrou no meio dos dois, abraçando a amiga. - Quais amigas suas são solteiras? - sussurrou no ouvido da inglesa a fazendo rir.
- Praticamente todas, mas a maioria evita jogador de futebol. - respondeu e Eric abriu a boca ofendido e se virou para Louise, para cumprimentá-la, enquanto continuava a conversa.
- É porque elas ainda não me viram. - falou convencido, antes de encarar a amiga. - Por que não?
- Digamos que daria pra montar um time entre todas, se é que você me entende. - comentou um pouco tímida e preferiu não encarar os jogadores, mas suas amigas acabaram rindo. - Vamos entrar? São quase duas horas. - disse conferindo o relógio e reparou que ela usava a pulseira que ele tinha dado a ela.
- Calma , ainda temos tempo. - William se aproximou da irmã, a cumprimentando e ela imediatamente se pôs a refazer o nó da gravata do garoto.
- Faltam dez minutos para a procissão começar e você sabe como são as coisas ali dentro. - disse se referindo ao camarote deles.
- Por essas e outras que eu fico pra fora. - Jaime fez uma careta. - Nos vemos depois. - disse dando o braço a Poppy que ficara muda desde que viu que estava junto.
- Milady. - se aproximou de Louise, que sorriu. - Eu sei que eu não sou o Sonny, mas espero que a minha companhia seja o suficiente para você hoje.
- Lady é só a . - A garota disse com um sorriso esperto - E é mais do que suficiente.
- E eu? - Eric perguntou colocando as mãos na cintura. - Quem vai ser o meu par?
- Já que o Jamie parece estar evitando a Olívia - Louise revirou os olhos ao ver que o amigo já estava com uma bebida em mãos. - Por que não a acompanha? É a ruiva, se lembra dela? - Louise apontou para garota que estava conversando com um dos amigos de William e em seguida deu o seu braço para , que bateu nas costas do amigo, o incentivando.
- Eu prefiro manter meus dentes. - soltou brincalhão ao ver Jamie o encarar.
- Eu aceito. - Abby entrelaçou o braço ao de Dier e todos os amigos seguiram para o camarote.

tinha que admitir, apesar de ser algo completamente surreal para ele, estava se divertindo. Jamie era mais legal do que tinha imaginado, ele logo percebeu que o garoto não levava as tradições britânicas tão a sério, quando o garoto foi o primeiro a tirar sarro das roupas que algumas pessoas estavam usando, apenas por acharem que conheceriam a rainha.

- A burguesia inglesa me diverte, - disse, ao levar um copo de bebida aos lábios.
- Você faz parte dela, Lord James IV. - Louise zombou o amigo, recebendo um beijo dele na testa.
- Prefiro fazer companhia a vocês. - O rapaz abriu um sorriso para a inglesa e piscou para .

Após a Procissão Real, que se iniciava pontualmente às duas da tarde em todos os dias de evento, as corridas começaram. queria estar com os amigos, mas precisava marcar presença com o padrinho, já que tinha sido convidada pessoalmente por ele. Seus pais estavam no sul da França, para um fim de semana a dois, e os gêmeos prometeram a eles que passariam um tempo com Charles. Claro que era sempre bom rever o padrinho, mas ela sempre se sentia mais à vontade quando o encontrava em ambientes privados.
observava e William interagirem com Harry com atenção, era claro o quanto o Príncipe gostava da inglesa. Ela, ao perceber que estava sendo observada, fez uma careta para , que teve que controlar o som da risada que soltou. pediu licença da roda de amigos e se aproximou da divisória entre os camarotes e iniciou uma conversa com e Eric, até que Harry, ao vê-los no local, se aproximou e os quatro bateram papo por um tempo.

- Cuidem dela, a tem alguns fãs espalhados por aqui, mas nenhum deles tem a nossa autorização de sequer falar com ela. - disse brincalhão e depositou um beijo carinhoso no topo da cabeça da inglesa, sem dar tempo dela resmungar.
- Como se eu precisasse de autorização alguma. - soltou debochada, tomando um gole de seu champagne, assim que Harry se retirou.
- Fala a verdade. - Eric encarou a garota. - Vocês já tiveram alguma coisa?
- Credo, claro que não! Ele é quase dez anos mais velho do que eu... Os dois são como primos pra mim, crescemos juntos. Fora que ele conheceu alguém, mas não posso falar muito, ainda é segredo de estado.
- Como quiser, Milady. - Dier declarou, todo exagerado. - Você tem que ficar aqui o dia todo?
- Deus, não! Já fiquei duas horas, é mais do que o suficiente, vamos dar uma volta. - disse animada por sair do meio de toda aquelas pessoas que tinham idade para ser sua avó.

💂

- E aquele? - gargalhou mais uma vez ao comentar sobre o chapéu de uma convidada que com certeza não tinha lido as recomendações do que não era permitido vestir. - Eu não sei nem como ela entrou.
- Vai ver que da mesma forma que você. - brincou, dando uma batidinha no chapéu da inglesa.
- Finalmente achei vocês. - William apareceu com os amigos. - Estou procurando faz tempo, tá tudo bem? - disse olhando somente para a irmã, que assentiu. - Posso roubar eles?
- Já vão falar de carro? - disse desinteressada.
- Carros e garotas. - Jamie respondeu divertido e Eric se levantou, não aguentava mais ser vela dos amigos.
- Você vem ? - perguntou, mesmo sabendo a resposta.
- Eu vou ficar por aqui. - disse, dando de ombros. - Estou cansado e sem muita vontade de beber.
- Tem certeza que você não quer ir lá com eles? Eu não me importo, todas minhas amigas estão aqui.
- Está me expulsando? - o jogador levantou a sobrancelha e a viu negar. - Nah, eu estou bem aqui.

Feliz em saber que o jogador queria estar ali com ela, tanto quanto ela queria passar um tempo a sós com ele, finalmente relaxou e iniciou uma conversa com ele tão leve que até se esqueceu de onde estava. Por conta do calor, tirou o paletó e a inglesa o encarou.

- Eu gosto do seu estilo, mas você fica super bonito e elegante com um terno de três peças. - elogiou, ao apoiar os seus cotovelos na grama.
- Você gosta? - disse se sentindo um pouco inseguro. - Não é algo que preciso usar sempre, mas de vez em quando eu curto. Você, como sempre, está linda.
- Inclusive hoje? - A garota perguntou com uma sobrancelha arqueada.
- Principalmente hoje. - disse sério, tocando o dedo de leve em seu nariz. - Eu vejo todas essas mulheres e parece que elas ficaram horas se arrumando pra estar aqui, já você, parece que saiu da cama e veio.
- Acredite, eu amaria que sua versão fosse a verdadeira. - A inglesa jogou a cabeça para trás, encarando o céu e voltou a olhar para o jogador, que não havia tirado os olhos dela. - Mas eu fui ao cabeleireiro, só a maquiagem que eu mesma faço, eles sempre tentam esconder minhas sardas, me deixar de um jeito que eu não sou.
- Definitivamente você nunca deveria cobri-las.

desviou o olhar tímida, ainda era esquisito para ela essa nova versão de , uma em que ele não a julgava. Talvez ele odiasse a comparação que ela fazia mentalmente, mas ele estava agindo como um perfeito príncipe. A inglesa pensava no que lhe responder, quando sentiu mãozinhas tentarem cobrir seus olhos.

- Nossa, quem será?! - exclamou divertida, piscando para . - A Peppa Pig?
- Não. - ela sorriu ao ouvir a gargalhada do garotinho.
- O Papai Pig?
- Nãooooo.
- Ah, só pode ser o George! - A garota exclamou, enquanto levantava os braços para cima, comemorando.
- Euuuu!! - assim que processou a resposta ele se levantou apressado. Atrás dele estavam simplesmente a Duquesa de Cambridge segurando a Princesa Charlotte no colo e imediatamente ele sentiu as palmas da mão começarem a suar.
- Vossa Alteza. - fez a corte assim que o Príncipe George a soltou.
- Kate, , somente Kate. Como você está? - a duquesa deu um beijo no rosto da garota e se virou cortês para . - Prazer, Katherine.
- , Vossa Alteza. O prazer é meu. - disse incerto, oferecendo a mão a mulher.
- Peço desculpas pelo George, a Charlotte não para um segundo e quando ele te viu, saiu correndo.
- É sempre um prazer divertir esse, literalmente, Pequeno Príncipe - disse sorridente enquanto passava a mão pelos cabelos do mais novo, que tinha um dos dedos na boca.
- Você se importa de ficar com ele por um minuto? Eu preciso achar o William e ele já está cansado de andar. - A duquesa pediu, ajeitando Charlotte em seu colo.
- Claro que não me importo. - se abaixou para ficar na altura do menino. - Eu fiquei sabendo que você está aprendendo a andar de pônei, é verdade?

George contava a sobre o tal pônei e ao vê-la se sentar na grama, imitou o gesto. não sabia o que fazer, ainda estava meio atordoado pelo o que tinha acabado de acontecer. Assim como para qualquer inglês, conhecer um membro da Família Real era algo grandioso, mas se forçou a relaxar, para que a garota não percebesse o quanto aquilo era incomum para ele.

- Quem é ele? - O menininho perguntou apontando para e ele teve que segurar uma risada.
- É meu amigo. - piscou para o jogador. - Ele é jogador de futebol, sabia? Mas não é muito bom, porque se fosse estaria jogando pelo West Ham… Pra qual time você torce, George?
- Aston Villa, igual meu pai. - o menino respondeu, mesmo sem saber o que aquilo significava.
- Ih, pior ainda. - se sentiu com coragem para interagir, ainda sem acreditar naquela cena e o cutucou. - Brincadeira, Aston Villa é um time bem melhor que o West Ham.

Os dois ficaram por mais um tempo na companhia de George e foi impossível para não sorrir ao ver a forma que tratava o menino. Ele parecia realmente gostar dela, o que para ele não era nenhuma surpresa, a inglesa realmente levava jeito com crianças. Quando Kate retornou, ela veio acompanhada de seu marido e teve certeza que aquele era o dia mais inusitado de toda sua vida. Mas mesmo com todo os nervos à flor da pele, conseguiu finalmente relaxar, quando William se aproximou e os dois iniciaram uma conversa sobre um assunto que o jogador conhecia como poucos, a seleção inglesa.
Assim que o casal foi embora, levando George consigo, pareceu sair da bolha que se encontrava e reparou que aquele encontro tinha sido registrado por diversos fotógrafos. Notando que subitamente mudou de postura, sugeriu que eles fossem para uma das diversas tendas procurar algo para beber.

- Como é crescer no meio de tudo isso? - o jogador perguntou, depois que eles encontraram uma mesinha para sentar.
- Como assim? - o encarou confusa, ele podia ver o quanto ela ainda estava inquieta, pois brincava com os anéis das mãos.
- Chá com a Rainha, corridas de cavalo no Camarote Real, ser afilhada do futuro Rei da Inglaterra. Não é algo comum…
- Não, não é. - A inglesa afirmou, reunindo os pensamentos, antes de continuar a falar. - Pra mim nunca foi algo extraordinário, é o único mundo que eu conheço, . Não sei, acho que já me acostumei. Sei que quem olha de fora, acha tudo uma grande frescura e talvez seja mesmo... - Ela deu de ombros. - Mas é a minha vida e aprendi aceitá-la como ela é.
- Se você pudesse... - coçou o cabelo antes de continuar, nem ele sabia onde estava querendo chegar - Não sei... - ele riu sem graça. - Escolher não ter essa vida, você escolheria?
- Não. - disse categórica. - Não pelos privilégios que eu tenho, claro que eles são ótimos, não sou hipócrita em negar. Mas porque eu amo meus pais, meu irmão, meus amigos e não consigo imaginar minha vida de outra forma. Acho que de certa forma agradeço ao meu acidente, foi ele que me fez ter uma visão realista do mundo que eu vivo. Parei de aproveitar apenas o lado supérfluo e resolvi usar meu sobrenome e meus contatos para fazer a diferença. - engoliu em seco ao ouvi-la falar sobre o acidente, não esperava que ela fosse tocar nesse assunto. - E por mais que não pareça, tem muita gente como eu que também parece uma coisa para todos e por trás ajuda quem precisa. O Jamie mesmo, um dos maiores doadores da Lady Lucy.
- Por que será que os jornais sempre escolhem mostrar apenas o lado ruim das pessoas? - ponderou sem encará-la e soltou uma risadinha cansada.
- Isso é algo que eu realmente gostaria de entender - confessou desanimada, antes de continuar - Você acredita que compararam o nosso acidente com o da Lady Di? Só por ela ser minha madrinha.
- Eu acho que não ia querer ter esse peso nas minhas costas. Você se lembra dela?
- Eu era muito pequena, pra não falar que não lembro nada, sempre que penso nela a vejo sorrindo. Acho que é a imagem que minha mente guardou. - a inglesa sorriu para ele. - Minha mãe tem várias fotos nossas, mas quase não olho.
- Eu sei que te julguei. - arqueou uma sobrancelha achando graça e o jogador soltou uma risada, fechando os olhos ao concordar. - Mas quanto mais a gente conversa, menos eu me importo de ser o garoto que saiu de Milton Keynes. Eu nem imagino o que você carrega nas costas.
- Eu já acho que de certa forma somos iguais, eu não saberia lidar com a pressão de jogar futebol. É o clube, a torcida… Pela seleção então, se eu sofri quando vocês perderam a Euro, imagina para os jogadores.
- É pensando por esse lado… Futebol tem muita cobrança. Eu entendo o amor das pessoas pelo próprio time, mas se a gente perde ou ganha uma final ainda vai ter fome no mundo.

abriu um sorriso contente, parecia ter finalmente visto algo do mesmo ponto de vista que ela. Ambos perceberam que, de certa forma, lidavam com uma pressão muito maior que duas pessoas ainda no começo dos seus vinte anos deveria ter que lidar.

- Temos que pensar que, se não fosse por essa vida louca que eu tenho, talvez a gente nunca tivesse se conhecido. - A inglesa disse brincalhona, batendo de leve o seu braço no do jogador.
- Eu ainda estou pensando se te conhecer foi algo bom. - piscou para ela, já sabendo a reação que suas palavras teriam. - Eu posso te fazer uma pergunta? - emendou, sem saber se deveria realmente fazê-la, mas tinha medo do assunto nunca mais aparecer entre eles.
- Pode.
- Eu lembrava muito por cima do seu acidente, depois que começamos a nos falar mais eu fui atrás de novo do assunto, só por curiosidade. - confessou mexendo os ombros, como se pedisse desculpas. - Mas, se você não se importar, queria saber um pouco mais do que aconteceu. - no minuto que ele fez a pergunta, se arrependeu, ele tinha certeza que ela não o responderia.
- Quando eu e o William tínhamos quinze anos perdemos a pessoa que mais amávamos no mundo. - iniciou após um tempo em silêncio. - Eu imagino que você saiba quem é, mas não gosto de tocar no assunto, ainda mais em público. Com essa idade a gente acha que é adulto, mas éramos apenas duas crianças e não lidamos muito bem com isso. Sempre fomos muito próximos e nos agarramos ainda mais um no outro e foi esse o nosso erro. Nos fechamos para nossos pais, nossa família… Entramos em uma espiral que se não fosse o acidente, talvez eu ainda fosse igual a todas essas garotas que você adora julgar. - se mexeu desconfortável em sua cadeira e tocou na mão de , como se dissesse que não precisavam continuar o assunto, mas a inglesa soltou a mão da dele com calma e tirou o chapéu, revelando sua cicatriz. - Essa marca é o lembrete que eu tenho muita sorte de estar viva. O acidente serviu para me acordar, perceber que eu não podia continuar daquele jeito e eu nunca mais quero passar por algo parecido, tanto que foi depois da batida que parei de dirigir.
- Eu estou me sentindo um idiota. - se levantou puxando a garota consigo e a envolveu num abraço que disse muito mais do que qualquer palavra poderia dizer.
- Eu me empolguei, desculpa. - falou, colocando novamente o chapéu e o jogador a ajudou, cobrindo a cicatriz com o cabelo como ela sempre fazia.
- Não tem porque se desculpar. Eu que não sei se mereço toda essa confiança depois de tudo que te fiz.
- Você já se redimiu faz tempo, plebeu! - soltou, abrindo um sorriso pequeno, para mostrar a que estava bem. - Além do mais, você não fez nada que eu não tenha revidado.
- Isso é verdade. Quer procurar seu irmão e o Eric?
- Quero, ele deve estar levando o Dier pro mal caminho. - Antes de sairem da tenda, pegou mais uma champagne e a encarou pelo canto dos olhos. - Pode falar… - a garota o cutucou, rindo.
- O quê?
- Você acha que eu bebo demais. - soltou sincera.
- Eu não falei nada.
- Mas pensou. - disse rindo e acabou concordando. - Você já meu viu bêbada? - perguntou e o jogador pareceu parar pra pensar.
- Não. - respondeu, surpreso com a própria constatação.
- Eu só bebo quando estou entre amigos e porque eu gosto do que estou tomando, não bebo pra cair no arbusto. - a garota falou e acabou rindo com sua resposta. - Eu sei dos meus limites.
- Agora vou ficar imaginando você caindo num arbusto.
- Por que te incomoda quando eu bebo? - a inglesa perguntou e arregalou os olhos, depois do assunto de minutos atrás, não queria entrar em outro tão depressivo quanto.
- Vocês não vão acreditar no que o seu irmão fez! - Eric exclamou os assustando e respirou aliviado, aquele assunto ficaria para outra hora.
- O quê?! - perguntaram juntos e Dier os encarou divertido.
- Ele foi embora com o Jamie!!! - o jogador ergueu as mãos para o alto, um tanto quanto exagerado.
- Você não me disse que veio de carona com ele? - o encarou confusa.
- Viemos! - respondeu categórico.
- Ele disse que ia ao banheiro e desapareceu! Liguei várias vezes e nada, faz cinco minutos que finalmente consegui e ele me disse que já voltou para Londres.
- Ai meu Deus, quão bêbado ele estava? - a garota balançou a cabeça, rindo levemente.
- Ele disse que você pode voltar dirigindo. - Eric respondeu erguendo as sobrancelhas.
- Isso responde minha pergunta. - a garota passou as mãos no vestido enquanto pensava sobre a situação. - Bom, eu não abro nem a porta do motorista de um carro, quem dirá dirigir.
- Eu dirijo! - disse prontamente. - Estava louco pra testar esse carro o caminho todo.
- Tudo bem, eu me contento em dormir no banco de trás. - Dier respondeu e os três foram em direção a saída.
- Ei, , você não ia voltar comigo? - Louise chamou pela amiga, ao vê-la seguir o caminho para o estacionamento.
- Ah, é verdade, eu esqueci. - disse sincera e Louise sorriu, conhecia bem a amiga. - A Poppy já foi?
- Eu não a vejo há algum tempo, ela saiu resmungando que você não estava dando atenção para suas amigas. - a loira rolou os olhos, respeitava Poppy apenas por amar .
- Eu ligo pra ela hoje a noite. O William foi embora com o Jamie e largou o carro aí, os meninos vão levar ele de volta, acho que faz mais sentido eu ir com eles, já que precisamos ir para a minha casa.
- Eric, você poderia ir comigo? - a garota o olhou sugestiva - Eu parei de beber faz algumas horas, mas estou cansada e tenho medo de acabar dormindo na direção.
- Claro. - o jogador concordou. - Tudo bem por vocês? - questionou, se virando para e , que se encararam em silêncio.
- Por mim… - deu de ombros, colocando as mãos no bolso.
- Você vai querer sua bolsa ou deixo na sua casa depois?
- Ai é verdade! - se deu um tapinha na testa. - Vou querer sim.

Louise abraçou a amiga e desejou um "boa sorte" sem que nenhum dos jogadores a ouvisse. apenas sorriu em resposta e seguiu para onde o manobrista tinha deixado o carro de seu irmão. Antes de entrar no carro, a inglesa se virou na direção dos amigos bastante tímida e Louise fez um gesto com as mãos para que ela entrasse logo.
Assim que o carro se perdeu de vista, Eric e Louise se encararam, sentindo-se vencedores.

- Será que agora vai? - a garota perguntou ao jogador sorrindo.

💂

O silêncio no carro não era de forma alguma incômodo, pelo contrário, era bem vindo. Depois do teor da conversa que tiveram, precisava de um tempo para si. Nunca era fácil recordar certas lembranças, mas com as coisas pareciam descomplicadas. Pela forma que se conheceram, ambos acabavam por ser sinceros ao extremo um com o outro e quando ele a perguntou sobre o acidente, ao invés de se retrair como sempre fazia, sentiu vontade de respondê-lo. Nem o fato dele confessar ter procurado mais sobre o acidente na internet a tinha feito se chatear com ele. Pela primeira vez, ao invés de se sentir julgada, reconheceu cuidado. Não se importava com a curiosidade dele, ela mesmo tinha pesquisado mais sobre o jogador depois que percebeu estar gostando dele mais do que como amigo.

- , você se sente segura comigo dirigindo? - a encarou rapidamente com o cenho franzido, mas logo voltou a atenção para a estrada. - Se você quiser posso diminuir um pouco a velocidade.
- Não se preocupe, está tudo bem. - sorriu em resposta, tentando tranquilizá-lo. - Quer dizer, meus pés estão cheios de bolhas. - disse se curvando, para tirar os saltos.
- Imagino que deva ser tão desconfortável quanto passar horas com uma chuteira, ainda mais quando molha. - o jogador sorriu de lado para ela.
- É bem parecido. - a garota fez uma careta. - Vou por meu tênis. - anunciou, se virando para pegar sua bolsa.

manteve o olhar na estrada, mas foi impossível não desviar quando se virou para alcançar o tênis. O forro do vestido que ela usava, subiu consideravelmente, deixando suas coxas a mostra através da transparência do vestido. O jogador fazia questão de sempre ser um cavalheiro, mas por vezes, seu lado homem falava mais alto e por mais que tentasse se segurar não conseguia, a achava incrivelmente atraente.
Enquanto amarrava o cadarço, ela aproveitou para observar . Ele estava compenetrado na estrada, cantando baixinho a música que tocava na rádio. A garota se pegou sorrindo ao vê-lo abrir as narinas irritado por conta de um carro que entrou na frente deles e começou a dirigir bem abaixo do limite recomendado, era daquela forma que ele ficava quando ela o irritava.

- E você? Como conseguiu a sua cicatriz? - a inglesa perguntou do nada, assustando o jogador, o que a fez gargalhar.
- Foi uma bobeira, nada demais. - ele balançou a cabeça, rindo sem graça.
- Estou esperando. - ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços e sabia que não teria saída.
- Eu meio que caí brincando de fantasma. - revirou os olhos ao ouvir a garota dar uma risada alta. - Eu tinha que encontrar os meus amigos no escuro, mas acabei tropeçando no lençol e bati a cabeça na quina de uma mesa. - o garoto acabou rindo ao ver a inglesa ficar sem ar de tanto rir - Não sei porque a minha história também não foi parar nos jornais…
- Eu também não sei, a sua história é muito melhor que a minha.
- Eu gosto da minha cicatriz. - o jogador deu de ombros. - Você não precisa se esconder da sua, quer dizer, ao menos você não precisa contar aos outros que entrou numa briga, pode falar a verdade. Ainda vai parecer super badass.
- Mentira que você fala isso? Eu prefiro a história do fantasma.
- Mas nós já discutimos isso, você é a estranha que quer casar com o Jason. Não tem como esperar muita coisa...
- Você tem sorte que está dirigindo, .

Com o clima infinitamente mais leve, e deixaram as conversas profundas de lado e focaram em fazer o que sabiam de melhor, tirar sarro um do outro. O jogador tinha diminuído a velocidade quando entraram na cidade de Londres, mas se ele andasse mais devagar do que estava o carro ia parar. Estava adorando passar a tarde com a inglesa e não queria que o dia acabasse quando ele a deixasse em casa.

- Você quer entrar? - perguntou, quando estacionou o carro dentro da garagem.
- Hmm… - hesitou incerto.
- Meus pais estão viajando. - a garota logo adicionou com a sobrancelha erguida. - Não tem dress code para entrar aqui em casa.
- Bem… Você vai fazer a sua pipoca? - perguntou com um sorriso esperto de lado.
- Você vai estar disposto a aprender desta vez? - retrucou, já com a mão na porta.
- Tudo bem, mas só porque nunca entrei em um palácio antes. - o jogador soltou a fazendo rir e ambos saíram do carro.

estava brincando, mas aquela casa era realmente um palácio. Ele tinha certeza que havia casas maiores naquele bairro, o próprio Buckingham Palace era uma delas, mas a casa de era ridícula. Conforme eles andavam, as luzes se acendiam sozinhas.

- Você tem uma piscina no porão da sua casa. - constatou, balançando a cabeça desacreditado. - Eu sempre soube que você era rica, mas sua casa é outro nível.
- Eu não sou nada, meus avós e meus pais que são. Todo o dinheiro que eu tenho vem deles, eu não tiro nada da fundação pra mim. Não é algo que eu me orgulhe, mas também não tenho coragem de tirar cinco libras do caixinha para comprar um sanduíche que seja. Lá vem ela! - a garota abriu um sorriso animado e logo entendeu, ao ouvir sons de patinhas se aproximando. - Matiiiii!!!

Não deu nem tempo de se preparar, logo pelo corredor apareceu uma bola de pêlos correndo e, mesmo toda arrumada, se abaixou para fazer festa pra cachorra. Matilda, assim que viu que sua dona não estava sozinha, se aproximou do jogador abanando o rabo devagar, incerta, mas bastou ele apoiar um joelho no chão, para a cachorra interpretar seu gesto como um convite para pular e lamber todo seu rosto, para o deleite de , que não conseguia parar de rir.

- Vem, vamos na cozinha. - o chamou, subindo as escadas. - Pelo jeito o William ainda não chegou, tá um silêncio aqui em casa.
- Quantos andares tem aqui?
- Hm, se for contar aqui embaixo e o terraço são cinco, mas só usamos dois no dia a dia. - a garota explicava, enquanto eles caminhavam pelos corredores do térreo. - Agora eu quero te apresentar algumas pessoas, mas como te conheço é melhor eu me preparar. A nossa casa é grande e precisa de cuidados diários...
- Você está querendo dizer que vai me apresentar aos seus trinta empregados?
- Trinta não, mas sim, só que nós não os chamamos de empregados, eles estão na nossa família há anos. - assentiu e ambos continuaram o caminho em silêncio.

Ao chegarem próximo a cozinha, começou a andar nas pontas dos pés em direção a Annie, governanta da casa.

- Eu posso ouvir o diabinho falando em sua orelha daqui. - a mulher soltou, fazendo tanto , quanto gargalharem.
- Droga, eu nunca consigo assustá-la. - a inglesa admitiu ao jogador e Annie se virou ao perceber que não estava sozinha.
- São doze anos trabalhando nessa casa, ela acha que não, mas a conheço melhor do que ela mesma. - a mulher disse diretamente para e se aproximou dele para se apresentar.
- A Annie é como se fosse a nossa gerente, ela cuida para que tudo esteja funcionando, incluindo a gente. - a garota adicionou, rindo.
- Imagino que ela dá bastante trabalho mesmo. - o jogador zombou para irritar a garota, ao dar a mão a mulher.
- Ah, então é ele. - Annie soltou e concordou rindo. - Ouvi muitas histórias sobre você.
- Sério?! - o jogador perguntou um tanto quanto curioso e duvidoso.
- É sério, contei para a Annie o quanto você me irrita - a garota respondeu astuta e riu ao vê-lo revirar os olhos.
- Ela também contou sobre o tempero que você usou em seu molho, ficamos a semana toda tentando encontrar. - Annie admitiu e encarou surpreso.
- Eu disse que estava bom! - a garota respondeu convencida - Onde está o Matt?
- Seu irmão ligou e pediu pra ele arrumar o bar.
- Oh não, diga a ele pra trancar o bar, o William já passou dos limites por hoje e eu não quero nenhum daqueles amigos inconvenientes dele aqui.
- Tudo bem, vocês querem comer alguma coisa?
- Tem alguém aqui que pediu pipoca doce… - pediu e Annie riu, concordando. - Vamos estar no terraço. - a inglesa informou e puxou pela mão, cozinha afora. O jogador acenou para a mulher, que se pôs a fazer o que lhe fora pedido.
- Ela mora aqui?
- Não, ela e o Matt só ficam de fim de semana quando meus pais estão viajando. Eu não gosto de ficar aqui sozinha e o William a gente nunca sabe onde vai estar. As vezes fico com a Louise ou a Poppy. - explicou e assentiu, observando todo o local.
- Vamos lá pra cima, o sol está para se pôr e não sou de me gabar, mas o que eu mais amo aqui em casa é o pôr do sol com a vista de Londres ao fundo, não tem nada mais bonito.
- O bom é que morando aqui não precisa nem ir pra academia. - zombou ao ver a quantidade de degraus que tinham na casa.
- Não precisa mesmo, temos uma no porão. - respondeu completamente alheia, sem perceber a brincadeira do jogador, até que ela pareceu se tocar. - Você tava se referindo a quantidade de escada, né? - perguntou envergonhada e acabou rindo alto.
- Uau! Isso é realmente incrível. - o jogador exclamou, ao finalmente chegar no pequeno terraço que eles tinham no último andar.
- Não falei?!
- De Milton Keynes para Ascot. Conhecer o Harry, o William e a Kate, a ver o sol se pôr atrás do Parlamento e do Big Ben. - contava nos dedos, conforme falava. - Acho que nunca tive um dia de princesa assim antes.
- Você sabe que pra te jogar cinco andares abaixo, basta um empurrão, não? - o encarou ameaçadora e levantou os braços em rendição.

não sabia se tinha feito o certo ao chamar para entrar em sua casa, não somente por saber que ele comentaria sobre o tamanho dela, mas por estar sozinha. Os dois nunca tinham passado tanto tempo juntos a sós num local tão privado e pessoal, mas ver o brilho nos olhos dele ao apreciar a vista, tinha feito toda sua hesitação valer a pena. O sol tinha transformado o azul do céu em tons de laranja e rosa e só conseguia notar como a pele do jogador ficava ainda mais bonita sob aquela luz.
observava a vista, mas seu corpo parecia sentir a presença da inglesa atrás de si. Sempre que estavam no mesmo local, ele se via atraído em direção a ela e mesmo com uma das vistas mais bonitas de Londres que ele já tinha tido o privilégio de ver, sabia que tinha outra vista que valia muito mais a pena.

Passado o choque em se dar conta do quão rica a família de realmente era, ele aprendeu algo sobre ela que era único. Por conta da sua carreira no futebol, ele tinha conhecido pessoas de todas as classes sociais, tinha muitos amigos ricos e milionários e conhecia até alguns sheiks de suas viagens ao Oriente Médio, mas de todas elas, nunca tinha conhecido alguém tão rico e tão humilde quanto a inglesa.
Seus pais sempre lhe disseram que para conhecer a índole de uma pessoa, basta olhar a forma que ela trata a própria família e aos empregados e sempre tratava a todos com o mesmo respeito e interesse, fosse quem fosse. Até mesmo quando as crianças da fundação contavam uma história sem nenhum sentido, ela os ouvia atentamente.

Mas algo que o tinha realmente surpreendido, era que de tudo que aquela casa parecia oferecer, sua coisa favorita não era algo material, mas sim algo que dinheiro no mundo não poderia comprar, um simples pôr do sol.
Ele virou o corpo e sorriu fechado para ela, que retribuiu o gesto. tinha diversas sardas no rosto e sempre fora algo que chamou sua atenção, mas os raios de sol pareciam acentuá-las ainda mais. deu alguns passos em direção à garota, com as mãos ainda nos bolsos e um pequeno sorriso de lado estampado em seu rosto.
não sabia o que o jogador pretendia, ele estava em silêncio há algum tempo, o que só tornava ainda mais audível as fortes batidas em seu coração. Quando chegou próximo o suficiente, ele levantou o braço devagar em direção ao rosto da garota, que fechou os olhos por um segundo a mais que o necessário, se permitindo sentir a pele quente dele contra a dela.

Se antes o jogador tinha dúvidas, aquele dia e, principalmente o final dele, tinha sido a certeza. era a única capaz de mexer com ele daquela forma sem nunca terem sequer se beijado. Toda vez que pensava nela se pegava sorrindo.
Ele levou a mão ao queixo da garota, a fazendo o encarar um pouco nervosa. Por conta da diferença de altura, teve que olhar para cima para conseguir enxergar o rosto do jogador. aproximou ainda mais seu rosto do dela, o que a fez fechar os olhos, mas ao invés de sentir os lábios dele nos seus, o jogador a beijou delicadamente no nariz. Frustrada, abriu os olhos confusa e com muita vergonha:

- Eu amo as suas sardas. - disse com um sorriso extremamente fofo, levando uma mão para a nuca dela, enquanto a outra envolvia sua cintura. E, antes que ela tivesse chance de ter qualquer reação, ele a beijou.

Foi apenas um beijo, mas um beijo longo o suficiente para que ambos soubessem que queriam repeti-lo. Sentir os braços da garota envolverem seu corpo mexeu com , sabia que ficaria com o perfume dela preso em suas roupas o resto do dia e pensar naquilo o fez sorrir por entre o beijo.
sentia seus dedos doerem por estar nas pontas dos pés há algum tempo, mas não queria que aquele momento acabasse. Nunca imaginou que aquilo fosse acontecer tão rápido, mas agora que o tinha beijado, tinha ainda mais certeza sobre seus sentimentos. Ela só esperava que sentisse o mesmo.

💂

passou a língua sob os lábios antes de abrir os olhos e sentiu o momento exato em que seu coração pulou uma batida. Com um sorriso fechado de lado, ele aproximou seu rosto novamente do dela, mas antes que seus lábios pudessem sequer se tocar, ouviram passos na escada e ambos deram um passo para trás tão grande, que o jogador acabou caindo sentado no sofá, fazendo a inglesa gargalhar alto.

- Com licença, Lady . - um senhor na faixa dos quarenta anos apareceu carregando uma bandeja com alguns petiscos e a pipoca doce.
- Ah Matt, por favor, sem formalidade quando estou com meus amigos.
- Sim, senhorita. - o homem disse com um pequeno sorriso fechado. - O que vocês gostariam de beber?
- Uma mimosa pra mim. - pediu, encarando o jogador - Fantoke? - questionou divertida.
- O mesmo, por favor. - disse ao homem, que assentiu e se virou para descer as escadas, mas antes de sequer descer o primeiro degrau, anunciou.
- O seu irmão está subindo. - e se encararam surpresos e ficaram ainda mais confusos, conforme a voz de William aumentava.
- I love Eric Dier! - balançou a cabeça negativamente ao ouvir o gêmeo cantar, dando uma risadinha.
- Seu irmão é uma comédia. Como vocês podem ser t… - ele dizia, mas acabou se surpreendendo ao ver não uma, mas duas cabeças loiras surgirem escada acima.
- Se me amasse mesmo, não teria esquecido a gente em Ascot. - Eric fingiu brigar, mas tinha um sorriso no rosto.
- Foi mal, eu até procurei a chave no bolso e não achei. Pensei que tivesse ido de carona. - comentou rindo e dando de ombros e finalmente encarou os outros dois - Ah! Aí estão vocês.
- Mas…Como vocês chegaram juntos? - perguntou, olhando de lado para , que continuava sentado no mesmo lugar do sofá que havia caído.
- E o mais importante, como você esquece que foi de carro? - perguntou, ainda sem acreditar.
- A Louise me largou aqui. - Eric deu de ombros - Meu carro tá na sua garagem. - se explicou, quando a garota pareceu não entender. - Eu estava prestes a bater na porta quando apareceu um carro cheio de gente e um louco cantando com metade do corpo pra fora da janela.
- Eu não tenho a melhor memória do mundo. - William respondeu a , mas seu sorriso logo morreu, ao notar o olhar de choque da irmã. - Eu estava de cinto. - assegurou imediatamente, indo em direção a e se ajoelhou na frente dela, a fazendo o encarar nos olhos. - Eu prometo! - disse, dando um beijo em sua testa.

e Eric se entreolharam desconfortáveis, nunca tinham visto um momento como aquele entre os irmãos. O loiro se arrependeu de ter sido o causador do olhar vazio que vira na amiga, estava sempre sorrindo e de bom humor e para eles vê-la daquela forma era de cortar o coração.
O clima pesado logo foi quebrado por William, que bateu as mãos, assustando a todos, ao ver Matt aparecer novamente, dessa vez com as bebidas.

- É de alguém essa mimosa? - o garoto sequer esperou por uma resposta e pegou a taça da bandeja e a levou aos lábios, tomando tudo praticamente de uma vez.
- Eu fico com a água. - sorriu para Matt. - Nem se atreva a subir de novo só para me trazer uma bebida.
- A gente pode dividir. - ofereceu seu copo e a inglesa sorriu tímida, se sentindo tola. Não fazia ideia de como agir com o jogador.
- Obrigada, as vezes esqueço que tenho um ogro como irmão.
- Foi mal, Matt. - o loiro sorriu sem graça, mas sem o menor remorso. - Está tudo certo com o bar? - William perguntou para o mordomo e viu a irmã revirar os olhos.
- Você não pode sair, não? - Ela perguntou desanimada. - Eu estou exausta e essas suas festas sempre acabam em problema.
- Nós podemos ficar no subsolo, você nem vai ouvir. - o irmão sugeriu, amava a irmã, mas as vezes ela podia ser certinha demais. - Vocês vão ficar? Garanto que minhas festas são legendárias. - o loiro perguntou diretamente aos jogadores.
- Acho melhor não, nós temos treino amanhã de manhã. - Eric respondeu e apenas concordou com a cabeça. - Mas quando tiver outra, lembra da gente.
- O aniversário do Olivier!!! - e William falaram ao mesmo tempo e nunca os dois pareceram tão gêmeos, quanto naquele momento.
- Um amigo nosso vai fazer 21 anos e os pais dele vão dar a maior festa do mundo, vai ser um festival.
- Em um festival? - Eric perguntou confuso.
- Não, o aniversário dele será um festival, os pais dele têm um estate em Somerset e liberaram para a festa. Vão ser dois dias, nós vamos dormir lá todas as noites. Eu vou mandar as datas pra vocês, espero que não tenha jogo. Vai ser incrível. - disse extremamente animada, ela não percebeu, mas estava encantado com a empolgação dela. - William você sabe as datas de cabeça? - perguntou, mas o irmão já estava em outro mundo, digitando ferozmente no celular.
- Quando você achar, manda pra gente. É melhor irmos, está ficando tarde. - Eric se pronunciou e e se encararam. O jogador via que a garota queria dizer algo, mas o momento tinha sido interrompido. Ele também não queria ir embora sem falar com ela.
- Eu acompanho vocês até lá embaixo. - Ela disse por fim, ao se levantar do sofá, e balançou a cabeça ao ver que o irmão ainda estava compenetrado em suas mensagens. Para irritá-lo bagunçou seu cabelo. - Eles estão indo embora. - falou mais alto que o normal e o garoto abriu seu sorriso largo de sempre.
- Mates, uma pena que vocês não vão ficar. Na próxima não tem desculpa. - disse, cumprimentando os jogadores. - Eu vou tomar banho.
- Milady. - Dier deu o braço a garota e quando se virou para , ele também ofereceu o dele, o que a fez rir. - Se a gente puder ir nessa festa, acha que vão deixar a gente dormir? Cabe todo mundo?
- Cabe sim, vai ser tipo um acampamento, mas chique. Glamping, pra ser mais exata. Eles alugaram várias tendas e teremos cama, mini-geladeiras e tudo mais em cada cabana, será como ficar em um hotel.
- Um acampamento de princesa?! - sabia que o jogador estava brincando, mas não tinha uma vez que não se surpreendesse. Sentiu-se aliviada com a piada, estava com medo que as coisas mudassem entre eles.

Após abraçar Dier, que entrou no carro rapidamente, dando uma piscada para , acompanhou o jogador até o outro lado do carro e se colocou na ponta dos pés para lhe dar tchau, mas para sua surpresa, ao invés de beijá-la no rosto, virou o rosto, a beijando rapidamente nos lábios e, ao ver a cara de assustada que ela fez, deu uma batidinha com o dedo de leve em seu nariz.

- Sardas. - disse, piscando para ela, antes de entrar no carro e fechar a porta.

💂


- Toc toc - William disse do outro lado da porta e rolou os olhos. - Estou sozinho.

A garota respirou fundo antes de se levantar da cama e abriu a porta com uma força desnecessária, o que fez o irmão arregalar os olhos surpreso.

- Eu não quero descer nem por cinco minutos, Will. - disse cansada, com uma mão na cintura.
- Eu cancelei a festa. - o inglês deu seu maior e melhor sorriso de lado e a irmã o encarou com a sobrancelha erguida, completamente confusa. O loiro estufou o peito, metido e pegou as duas xícaras que havia deixando no cômodo ao lado da porta. - Eu fiz chocolate quente.
- Sabe William, vai ter um dia que você não vai conseguir me agradar com chocolate quente... - ela deu um sorrisinho de lado e deu passagem para o irmão entrar, pegando uma das xícaras para si. - Mas não vai ser hoje.
- Eu imaginei, trouxe também um presente pra minha princesa. - falou todo bobo, quando Matilda pulou da cama de assim que ele entrou no quarto e entregou o biscoito que estava em seu bolso.

voltou para seu lugar na cama e o garoto se sentou do outro e abriu um sorriso, dando um beijo no rosto da irmã. Ela observou Matilda imediatamente se deitar sob as pernas do irmão e sorriu com a cena, ele era impossível por vezes, mas era extremamente difícil ficar irritada com ele por mais de algumas horas.

- A Annie me disse que você está chateada. - Ele soltou sem rodeios, fazendo carinho na orelha da cachorra. - É por causa das fotos?
- Que fotos?! - ergueu uma das sobrancelhas e observou William, enquanto ele mexia em seu celular para, em seguida, entregar a ela.

A garota sentiu o seu coração disparar e não protestou quando o irmão pegou a xícara de sua mão. Eram fotos deles que tinham sido tiradas naquele dia, tinham diversas fotos dos gêmeos, porém o que mais chamou sua atenção, foram suas fotos ao lado de . A garota observou todas com muita atenção, enquanto lia a reportagem, rolando os olhos.
colocou seu nome e Ascot no Google e riu incrédula ao ver a quantidade de notícias que apareceram.

- Daily Mirror, The Sun, o Daily Mail. - a garota passava o dedo pela tela, desgostosa. - Esse povo não tem o que fazer?!
- Eu achei que você saiu linda em todas. - o garoto pegou o celular da mão da irmã, para que ela parasse de ficar se analisando. - Logo eles esquecem da gente de novo, eu aposto que hoje mesmo a Poppy ou o Jamie vão fazer alguma coisa e amanhã serão as fotos deles nas colunas sociais.
- Bem a cara deles dois. - a inglesa disse, pegando a xícara de novo da mão do irmão.
- Se você não sabia das fotos, tá chateada e chata por quê? - disse segurando a risada, já sabendo que levaria uma da irmã.
- Eu não estou chateada, estou frustrada. Você meio que interrompeu algo hoje, bem, você e aquele cabeçudo do Eric... - Ela disse rindo e viu o irmão começar a abrir um sorriso malicioso.
- Não vai me dizer que...
- O me beijou. - disse direta e William não sabia se ficava feliz ou preocupado.
- Certo e…
- E nada, vocês chegaram e não aconteceu mais nada e com você vidrado nessa festa, eles acabaram indo embora e nem nos falamos.
- Uau, isso é tipo um recorde. - o inglês desviou o olhar por um momento, voltando a encará-la com um sorrisinho de lado - Foram o que, três meses pra você beijar o cara de quem tá afim?
- Tecnicamente foi ele quem me beijou e três meses não é muita coisa.
- Não, mas pra quem fez o Styles esperar seis meses…
- Ah ele tava sempre viajando, tinha que esperar uma época que ele ia ficar um tempo aqui, pra ver se ia ou não dar certo.
- E você acha que com você e o vai dar certo?
- Como eu vou saber? Não deu nem pra saber se foi bom, se iríamos repetir. Se deveríamos ter mantido apenas a amizade... E agora todas essas fotos pelos jornais, não ajudam em nada.
- Você se preocupa demais, nem tudo precisa ser analisado dessa forma. - William disse colocando Matilda, que dormia pesado, entre os dois. - Por essas fotos deu pra ver como ele tá na sua e ele também é famoso, , já deve estar acostumado com isso.
- Eu sei. - a garota bufou - Só ia ser legal se a gente pudesse ter mantido isso apenas entre nós dois por um tempo.
- Eu tenho certeza que vocês vão ter diversas oportunidades, mas não esquece que eu preciso aprovar primeiro. E você sabe que amanhã de manhã vai acordar com a mamãe no telefone querendo saber mais sobre essas fotos…
- Argh!!! - a garota colocou o travesseiro no rosto, fazendo o irmão rir. - Tinha me esquecido dela! Vamos ver um filme? Eu preciso parar de pensar nisso.
- Finalmente! - o irmão mostrou a língua brincalhão e se levantou. - No meu quarto? - a garota assentiu, já que não tinha TV no dela.

Matilda foi a primeira a sair do quarto em direção ao do dono, andava olhando o celular e acabou trombando no irmão, que ainda estava parado na porta.

- Que foi? - a garota o encarou confusa e William a abraçou forte.
- Eu sei que exagero às vezes, mas não sei o que seria de mim sem você pra me puxar de volta pra terra. - a garota arregalou os olhos um tanto quanto surpresa, eram raros os momentos que ele se abria totalmente para ela.
- Você se dá menos crédito do que merece, Will. - se soltou do abraço, encarando o irmão - Você estava num lugar muito pior do que eu e se reergueu praticamente sozinho, quando saí do hospital você era quase outra pessoa.
- Eu quase te perdi por minha culpa, se aquilo não me acordasse pra vida, eu não sei o que faria. - o garoto disse, passando o braço pelo ombro da irmã e os dois foram caminhando lado a lado até o quarto dele.
- Você às vezes tenta imaginar como ela estaria agora? - encarou a terceira porta do corredor e o irmão acompanhou seu olhar.
- Sim, eu imagino uma mini versão sua, só que muito mais bonita do que você. - disse brincalhão, para irritar a irmã.
- Ela sempre foi mais bonita do que eu.

💂

Ao chegar em casa, passou o resto da noite pensando em mandar uma mensagem para , o problema é que ele não fazia a menor ideia do que dizer. Cansado de pensar, bufou frustrado, colocando o aparelho na mesinha ao lado da cama e apagou as luzes, deixando para enviar a mensagem no dia seguinte. Se prometeu que não seria mal educado com uma pessoa tão incrível e mandaria uma mensagem para ela assim que acordasse.
Com a escuridão do quarto, foi fácil perceber que tinha recebido uma notificação. Ele se virou para pegar o celular e sorriu sozinho ao ver que tinha lhe enviado uma mensagem. Ao abrir ele quase não pode acreditar.

: Bem vindo a sua tão sonhada, vida de princesa.

A mensagem vinha acompanhada de várias fotos, em algumas estavam apenas os dois, em outras na companhia dos amigos. As últimas eram eles com os membros da Família Real.

: 🤦🏾🤦🏾🤦🏾
: Eu não vi metade dessas fotos serem tiradas.


Para a surpresa do jogador, ao invés da inglesa responder por mensagem, ela ligou para ele. passou a ler algumas das matérias e em sua maioria relembravam do acidente e de seu parentesco, em outras o chamavam de badboy e questionavam se ele a levaria novamente para o mal caminho. O jogador estava acostumado a sair nos tabloides entrando em restaurantes, durante suas férias e vez ou outra por algum motivo tolo e ele nunca ligava, mas conforme lia as matérias, algo lhe soou familiar.
percebeu que tinham mais uma coisa em comum. De tempo em tempos, os jornais procuravam sua família biológica e, mesmo sabendo que aquele assunto era delicado para ele, publicavam artigos sem se preocupar com o que poderiam causar. O jogador pôde finalmente entender o quanto aquilo tudo machucava a garota.

- Eu nem sei o que dizer, . Eu sinto muito que você tenha que passar por isso.
- Não se desculpe, eu tive um dia incrível. Eu só não entendo porque meu passado é mais interessante que tudo que eu faço agora, sequer mencionaram meu trabalho. Parece até que eu passo a semana fazendo compras e minhas noites bebendo.
- Quem liga para o que esses jornalistas frustrados pensam? O importante é que as pessoas a sua volta sabem quem você é de verdade e que nem de longe você ainda é a menina que foi cinco anos atrás. Eu também tinha essa ideia sobre você, mas bastou apenas um dia para que eu visse que estava errado, eu só demorei um pouco pra engolir meu próprio orgulho e admitir que, você é sim uma princesa,mas como uma vez a Louise me disse, no melhor sentido da palavra. Ainda vão passar muitas pessoas na sua vida que vão te julgar errado, mas fico feliz por ter tido a sorte de fazer parte do pequeno grupo que teve a chance de te conhecer de verdade. Se outras pessoas não querem ter essa chance, melhor pra mim, pros seus amigos e pra sua família.
- Você é bem irritante quando quer, , mas quando não se esforça para ser esse tal badboy, age como um verdadeiro príncipe.
- Eu só estou falando a verdade e eu tenho certeza que é só questão de tempo para que eles finalmente te vejam com outros olhos. Seu irmão não ajuda muito com esse jeito dele, mas até que hoje foi a primeira vez que não o achei tão insuportável.
- Eu fico feliz, o Will é uma pessoa incrível, sei que minha opinião é tendenciosa, mas só ela importa. Eu vou te deixar ir, , sei que você tem que acordar cedo amanhã. Desculpa ter ligado a essa hora, eu só precisava desabafar.

- Você pode me ligar a hora que for, sempre. - disse sincero, mas ainda não queria desligar. pôde ouvi-lo suspirar fundo. - Quando eu te vejo de novo?
- Quem tem a agenda confusa é você, eu estou sempre no mesmo lugar.
- Quer ver o Arsenal perder pra gente?
- Hmm, depende, vai perder mesmo ou o norte de Londres vai continuar vermelho?
- Pfff, eu vou ter prazer em fazer um gol só pra você pagar essa língua.
- Essa eu quero ver. - riu debochada do outro lado da linha e fechou os olhos contente por ter melhorado o humor dela. - Eu aposto que sai gol do Kane e do Son, você vai no máximo, dar uma assistência.
- Você tem sorte que está do outro lado da linha, Lady . - o jogador disse rindo, fazendo referência às "ameaças" que tinha recebido dela naquele dia.
- E você tem sorte que beija bem, . Te vejo no jogo, boa noite!

ainda não acreditava no que tinha dito ao jogador, podia sentir seu rosto quente e tinha certeza que se olhasse no espelho estaria vermelha. Tratou de apagar as luzes do quarto e colocou o celular pra carregar, mas toda vez que fechava os olhos, lhe vinha a cabeça, mais precisamente quando ele a beijou. Adorava como ele era alto, cheiroso. Mas adorava principalmente como ele beijada incrivelmente bem.
Na cômoda, seu celular vibrou, e ela se praguejou por ter esquecido de colocá-lo no silencioso, sorriu aberto ao ver que era uma mensagem de . Ao abrir, ficou confusa por um momento, ele tinha mandado uma foto só dela de uma das matérias que tinha lido para ele. A inglesa sabia exatamente qual era a foto que ele tinha cortado, estavam os dois sentados na grama e ela ria de algo que ele dizia.

: Sua cicatriz faz tão parte do seu corpo como suas sardas. Eu sempre te achei linda, mas nunca como nessa foto. 😍😍😍

Ao terminar de ler a mensagem, percebeu que sua cicatriz estava aparente e pela primeira vez em seis anos, ela não se importou.


Capítulo 7

Jogar contra o Arsenal era sempre interessante, mas tinha um motivo em especial para querer destruir o time rival do norte de Londres. Aquela seria a primeira vez que veria depois do beijo que trocaram na semana anterior. O jogador tinha ficado puto com a interrupção inesperada, tinha passado o caminho todo pensando se deveria ou não tomar uma atitude, mas quem o ajudou com a resposta sem saber, foi a própria garota, ao convidá-lo para entrar.
Mesmo com Eric o incentivando a chamá-la pra sair em um encontro, ele ainda tinha dúvidas, tratava a todos da mesma forma quando eles estavam em grupo e tinha medo de estar na friendzone e não saber. Mas acabou esquecendo de suas inseguranças, ao se virar e vê-la sorrindo para ele, com a luz do sol iluminando seu rosto. Tão linda, pensou consigo mesmo. E, por mais que não soubesse o que seria dali em diante, não se arrependia de tê-la beijado.

- Eu ainda não entendi o que você tá fazendo aqui, Will. - Louise perguntou debochada, roubando a batata dele, que estava sentado entre as duas.
- Tô vendo meu melhor amigo jogar. - disse dando de ombros e as duas se encararam e começaram a rir.
- Melhor amigo?! - quase cuspiu a água que tomava. - Você conhece o Eric não faz nem três meses.
- Em três meses a Louise já tá de namorinho com o Coréia e você de beijinho com o . Por que o Eric não pode ser meu melhor amigo?
- William! - cutucou o irmão nervosa. - Você prometeu que ia ficar na sua em relação a isso. - o gêmeo teve que controlar uma risada. Adorava irritar a irmã.
- Eu tinha esquecido como o Will é ciumento, . Coitado do . - quando Louise disse aquilo, tudo pareceu fazer sentido na cabeça da garota. não namorava há algum tempo e tinha completamente esquecido como o irmão adorava fazer papel de pai rabugento com seus namorados.
- Eu só quero saber quais são as intenções dele com você - O inglês fez a sua melhor cara de sério e Louise revirou os olhos, dando uma risadinha.
- Você não ouse falar com ele sobre isso, ok? Ainda não tivemos a oportunidade de conversar... E nem sonhando que vou deixar você estragar tudo de novo.
- Eu estou apenas brincando. - disse, passando o braço pela cadeira da irmã e se virou para Louise, sussurrando. - Não estou não.

Assistir ao Arsenal jogar era sempre uma caixinha de surpresa, admirava alguns jogadores, mas podia ver que o time estava decaindo, ninguém era louco de falar que o trabalho que Arsene Wenger vinha fazendo há mais de 18 anos já não era tão bom, mas os rumores sobre uma possível saída do técnico estavam tomando cada vez mais força.
Ela estava adorando ver a partida da arquibancada, quando William sugeriu que eles assistem com a torcida, ela e Louise não sossegaram até conseguirem que e Son concordassem com a ideia. Estar no meio da torcida do Spurs a fazia sentir toda a intensidade do jogo e, após um primeiro tempo em que muitas chances foram criadas, mas nenhuma convertidas em gol, a inglesa mal conseguiu se controlar quando marcou o primeiro gol do jogo aos cinco minutos do segundo tempo. Imediatamente ela se levantou da cadeira animada, dando um abraço em seu irmão e na amiga e antes que eles sequer pudessem se sentar, Harry Kane sofreu um pênalti e como esperado, o atacante marcou o segundo e último gol do jogo. O sorriso no seu rosto ficou até o fim da partida. Sabia que iria ouvir durante todo o jantar contar sobre o gol que tinha feito.

- Eu gosto quando você usa o cabelo preso, , devia usá-lo assim mais vezes. Há anos que não te vejo sem franja. - Louise sorriu para a amiga e juntos eles se encaminharam para o estacionamento do estádio, onde encontrariam os jogadores.
- Obrigada, Lou. - a inglesa sorriu, ainda insegura. - Você sabe que evito porque a minha cicatriz fica um pouco evidente…
- E o que te fez mudar de ideia? - Louise perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
- Eu não mudei de ideia, eu só estou me testando por enquanto.
- Pois eu acho que o está totalmente certo. - A loira disse sem tirar os olhos da amiga, que a encarou com os olhos arregalados.
- Tá tão na cara assim?
- Um pouco, amiga, mas ele está certo, é só uma cicatriz. Você não deveria deixar algo assim ditar sua vida.
- Talvez vocês tenham razão. - comentou, passando o dedo sobre sua marca.

💂

- We got , . I just don't think you understand… - William começou a cantar assim que e Eric apareceram, chamando a atenção de todos os jogadores que começavam a sair dos vestiários.
- Ei, e a minha música? - Eric foi o primeiro a se pronunciar, cumprimentando o amigo e Louise. - o Son tá ficando bonito pra você. - piscou para a loira que concordou.
- Se tivesse feito um gol igual o ... - o gêmeo disse, dando de ombros. - Foi um belo jogo, dois gols em menos de um minuto!
- É sempre bom ganhar contra o time da casa. - Eric sorriu para o amigo e comprimentou William com um aperto de mão e em seguida se virou para Louise que tinha os braços abertos.
- Parabéns, . Que gol lindo! - a garota exclamou, o abraçando.
- Obrigado, Lou. Cadê a princesinha? - perguntou sem rodeios e não percebeu o olhar malicioso que os outros três trocaram.
- Ela já vem. - o irmão respondeu. - Ela encontrou um amigo. - disse de propósito, para ver a reação de , e recebeu um chute de Louise.

William não tinha nada contra o jogador, mas até então não tinham conversado muita vezes, tudo que sabia tinha sido através da irmã. sempre seria a melhor metade de si e não conseguia sequer pensar em existir em um mundo em que alguém a magoasse. Sabia que seus métodos não eram dos melhores e confiava no instinto da garota, mas ele ainda não tinha esquecido como a tratara no início e não deixaria de tomar suas precauções.
Eric, ao ver a cara que fez, o cutucou discretamente, como se pedisse para que ele não se importasse com William, mas foi difícil, já que logo a sua frente, finalmente apareceu, andando abraçada de lado a Callum Chambers, rindo como velhos amigos.
se sentiu esquisito ao ver o jogador do Arsenal segurar na mão da inglesa antes deles se despedirem. Sabia como ela era daquela forma com todo mundo, mas não conseguiu evitar a pontada de ciúmes ao ver o olhar que Chambers deu a garota, assim que ela deu as costas a ele.

- Não sabia que eles se conheciam. - Eric soltou, para ajudar o amigo.
- Eles saem de vez em quando. - William respondeu e Louise o encarou desacreditada.
- Eles são amigos. - explicou, acenando para a amiga e Son, que coincidentemente saia do local na mesma hora. apressou os passos para chegar perto dos amigos e o coreano, para brincar com a inglesa, saiu correndo, apostando com ela quem chegaria primeiro.
- Desculpa, o Chambers me puxou ali e perdi noção da hora. - assumiu culpada, encarando a todos e aumentou seu sorriso ao olhar para , mas ao contrário do que ela imaginava, ele não sorriu de volta e muito menos a provocou falando sobre o gol que havia feito.
- Como foi sentar no meio da torcida? - Son perguntou, dando um beijo discreto em Louise.
- Foi incrível! - a loira respondeu contente. - Só quero assistir jogo na arquibancada agora, ainda mais se for contra o Arsenal. Nós comemoramos o gol do com todo mundo.
- A até subiu na cadeira. - William disse com um sorriso esperto no rosto e Eric começou a gargalhar.
- E depois diz que torce pro West Ham. - o amigo provocou, tentando fazer cócegas nela.

Ao tentar se esquivar de Dier, acabou trombando em , que a encarou surpreso. O jogador pareceu finalmente notar que ela estava com o cabelo preso e aquilo mexeu com ele tanto quanto vê-la com Chambers. Eram sentimentos completamente opostos, o que o deixou ainda mais retraído.
passara a semana toda ansiosa, os dois acabaram não mencionando mais nada sobre o beijo, mas as conversas passaram a ter um teor mais íntimo e carinhoso. Ela sempre mandava bom dia, já que ela chegava na fundação antes mesmo de acordar e ele ligava para ela ao sair do treino. Tudo parecia estar indo bem e foi por isso que vê-lo agir daquela forma, havia a tirado do eixo.
Em nenhum momento ela pensou que ele fosse agir indiferente, em sua cabeça não vinha nenhum motivo para aquele comportamento. Era a primeira vez que estavam entre amigos após o beijo, mas ela não estava esperando nada demais, apenas a relação de amor e ódio que os dois adoravam manter.

O caminho até o restaurante não poderia ter sido mais incômodo, e estavam indo de carona com Louise e Son e embora os quatro conversassem, era visível que tinha algo errado, Louise já tinha tentado perguntar a amiga o que estava acontecendo, mas não tinha como responder sem que fosse notada.
sabia que precisava conversar com a inglesa, o clima entre eles estava péssimo e sabia que era o grande culpado. Quando saiu do vestiário, mal podia esperar para irritá-la por ter conseguido marcar um gol, e no final da noite, pretendia confessar que aquela comemoração era nova e para ela. Vê-la com o cabelo preso aumentou ainda mais a lista de elogios que queria fazer, mas o olhar magoado que ela lhe dava estava acabando com ele.

Disfarçadamente, para que Louise e Son não vissem, ele colocou a mão no banco do carro, deixando que seus dedos encostassem de leve nos da inglesa. Quando ela sequer se moveu, entrelaçou o seu dedinho ao dela, esperando que com aquele gesto ela pudesse entender as coisas que ele ainda queria lhe dizer, mas, para o azar dele, mexeu a mão, a colocando no colo, o ignorando por completo.
sabia que estava errado, mas nem por isso fez a rejeição doer menos. O jogador praguejou a si mesmo, se a tivesse chamado para um encontro somente a dois, nada daquilo teria acontecido. Mas por puro nervosismo, havia sugerido o jantar a seis e agora ele sequer fazia ideia de quando poderiam ter a conversa que tanto precisavam.

O clima no jantar estava mais leve, graças a William e Eric que não paravam de fazer piada sobre serem um casal. Após um leve desconforto na hora de sentar no enorme sofá circular, deu de ombros ao perceber que os amigos estavam forçando que ela e se sentassem lado a lado, não iria deixar que aquilo estragasse ainda mais a sua noite.
Enquanto escolhiam seus pratos, viu soltar o cabelo e deixar os fios caírem pelo seu rosto e, como já estava acostumado a ver, logo ela ajeitou a franja de forma a esconder sua cicatriz. Um soco no estômago teria lhe doído menos.
O restante da noite passou rápido, como já era tarde e os três não-jogadores teriam que trabalhar cedo no dia seguinte, eles acharam por melhor ir embora sem pedir sobremesa. Louise e foram ao banheiro, enquanto os garotos finalizavam a divisão da conta.

- E do nada ele muda? Não dá pra entender e eu sinceramente não tenho mais em mim ser sempre a boazinha. Não guardar rancor é bem diferente de aceitar ser pisada toda hora.
- Seu irmão também não ajudou muito, sugerindo que você e o Callum ainda têm alguma coisa.
- Ah, mas se for esse o motivo pra mim já não funciona, ciúmes é normal em uma relação, mas se for pra ser dessa forma, eu não quero. Nunca vou mudar quem eu sou por ninguém, não depois de tudo.
- Eu sei, amiga. - Louise abraçou a inglesa. - Se ele tiver se prendido a isso, ele não te merece. Quer que a gente te deixe em casa?
- Não precisa, o Will está comigo e ele tem uma reunião bem cedo lá na Lucan. - disse se referindo a firma de sua família, enquanto voltavam para a mesa.
- Vamos indo então? - Louise sugeriu, abraçando Son de lado. - Acho que agora só nos veremos novamente no aniversário do Ollie. - constatou, ao se despedir dos amigos com um abraço em cada.
- E você, ? - Eric deu uma cotovelada em William, que observava algumas meninas sentadas duas mesas de distância da deles. - Quer uma carona para casa?
- Claro que não, nós vamos de táxi. - disse se referindo a ela e ao irmão, que deu uma risadinha fechada que ela conhecia muito bem.
- O Eric disse que posso ficar lá na casa dele, fica mais fácil de chegar na reunião amanhã. Mas eu te coloco no Uber e fico olhando o trajeto. - comentou, ao saírem do prédio onde ficava o restaurante.
- Eu sei me virar sozinha, Will. Não precisa me tratar como se eu tivesse cinco anos. - disse, um pouco irritada.
- Eu vou com você. - ofereceu, fazendo todos o encararem surpreso.
- Claro que não!!! - disse categórica. - Você não vai atravessar a cidade pra me deixar e ainda pegar outro táxi até Elstree, de jeito nenhum.
- Vai com meu carro. - Dier jogou a chave para que a aceitou com um sorriso agradecido. - Amanhã a gente dá um jeito.
- Eric… - o encarou nada contente e ele apenas deu de ombros, como se pedisse desculpas.
- Valeu, mate. - o jogador disse para o loiro e se virou para a inglesa. - Me deixa te levar pra casa, por favor? - pediu, ignorando o olhar que recebia dos amigos, focando somente em .
- Não tem necessidade.
- Não tem, mas eu faço questão.

Frustrada, mas tendo a certeza que aquilo tinha sido combinado enquanto ela e Louise estavam no banheiro, finalmente assentiu, apertando com força a alça da bolsa ao acompanhar o jogador para o carro de Eric Dier.

💂

encarava de canto de olho, tentando entender como pôde estar com ela em seus braços nem uma semana antes, para agora estarem ali, sem sequer se olharem. A garota parecia nem estar no carro, de tão quieta que estava. Ele tinha certeza que ela não tinha se mexido desde o momento que se sentou.
Assim que as garotas foram ao banheiro, Eric lhe deu um tapa na cabeça, que chamou a atenção de todas as mesas ao redor. William o encarava não muito contente e Son logo tratou de perguntar o que estava acontecendo. Sem querer se abrir demais, ainda mais com William o encarando como se quisesse matá-lo, ele apenas disse que preferia conversar diretamente com a garota, mas que talvez fosse tarde demais. Foi então que Eric começou a dar sugestões e o gêmeo, que de início era contrário a qualquer ideia, acabou por dar a solução.

- Você já tinha ido no estádio do Arsenal antes? - perguntou, apenas para ouvir a voz dela direcionada a ele.
- Algumas vezes. - respondeu sem muita vontade.
- Gostou do jogo?
- Sim, você fez um gol bonito, parabéns! - elogiou, encarando o perfil do jogador, concentrado nas ruas de Londres.
- Obrigado, eu disse que…
- , eu só aceitei essa carona porque sabia que todos iam me encher o saco até que eu entrasse no carro, mas eu realmente não quero conversar, ainda mais papo furado. - pediu e o jogador assentiu derrotado.
- Eu passei o dia todo pensando em você, na verdade não paro de pensar em você desde que nos beijamos.
- E me ignorar a noite toda foi a forma que você encontrou de demonstrar isso? - se virou para ela a tempo de ver sua sobrancelha levantada, ela não tinha acreditado nele.
- Eu não sou muito bom em me expressar às vezes.
- Tente péssimo. - retrucou, cruzando os braços. - Eu não sei se tenho mais em mim tentar te entender, . Eu realmente achei que tínhamos passado dessa fase, em que você é grosso comigo por nada, então eu relevo, só para levar outra patada dias depois. Tudo tem limite e eu não aguento mais.
- Eu sei que fui… Que eu sou um idiota. Mas a verdade é que nunca sei como agir com você, você é diferente de todas as garotas que conheço e às vezes demora pra que eu mesmo entenda o que estou sentindo. É uma comparação idiota, mas enquanto estávamos jantando eu pensei em como fico nervoso em jogos importantes e acabo agindo por impulso.
- E arranjando briga com todos os jogadores do outro time. - a garota completou por ele.
- É… - ele riu sem graça. - Quando eu fico assim, eu acabo enfiando os pés pelas mãos e sai tudo errado.
- O que aconteceu? - ela perguntou sincera, sem rodeios.
- Você já se olhou no espelho? - ele começou, soltando uma risada fraca. - Você é linda, inteligente, educada, de uma das famílias mais tradicionais e ricas do país...
- E você é lindo, inteligente, um cavalheiro quando quer e um dos jogadores mais incríveis do mundo. Também imagino que sua conta bancária não seja nada mal. Onde você está tentando chegar com isso?
- Eu fico pensando o que você pode querer comigo, se tudo isso não é só da minha parte e estou confundindo tudo.
- Você está brincando comigo! Você foi de achar que eu era fresca, metida e fútil para boa demais pra você?! - a garota perguntou inconformada, virando o corpo para encará-lo. sentiu aquele tapa e sabia que merecia a reação que ela estava tendo.
- Eu não via a hora de te ver hoje, te irritar o jantar inteiro sobre o gol que fiz e ter um tempo só nosso pra finalmente conversarmos… Mas então eu não te vi e seu irmão disse que você tava com um "amigo" e logo em seguida você apareceu com o Chambers.
- Não me surpreende que meu irmão esteja envolvido nisso. O William é muito ciumento, , e se você acha que isso foi o pior que ele já fez com a pessoa que eu estou interessada, você está bastante enganado. Mas eu nunca tive nada com o Callum, nós saímos algumas vezes no ano passado, mas não deu certo, a gente nem se fala muito mais, só quando nos encontramos por aí.
- Mas tinha que ser justo do Arsenal? - o jogador fez uma careta e finalmente viu um sorriso no rosto da inglesa.
- Eu não acho que esse tipo de coisa a gente escolhe, eu certamente não teria escolhido um Spurs. - assumiu um pouco tímida e levou sua mão para a da inglesa, que dessa vez não a tirou do lugar.
- Alguém do Spurs ou… eu?
- Como assim?! - franziu o cenho, o encarando curiosa.
- Bem, eu não sou muito parecido com o Chambers, sou? Sei que você também teve alguma coisa com um cara do One Direction e ele também…
- Não continua, por favor. - pediu, com o olhar magoado. - Eu gosto de você, , você não está confundindo nada. Eu te acho lindo, de verdade. Até quando você tá irritado e suas narinas abrem desse tamanho. - a garota disse brincalhona, tentando imitar o jogador. - Eu também prefiro nem pensar no que você quis dizer ao se comparar com o Callum e o Harry, eu não trocaria estar aqui hoje com você, por ninguém.
- Nem quando eu sou grosso com você?
- Bem, eu trocaria essas vezes por quando você age como um cavalheiro, mas ainda assim… Você.
- Eu quero muito te beijar agora. - o jogador confessou, apertando de leve a mão da inglesa, que a virou, entrelaçando seus dedos.
- Eu também, mas pra mim, se eu te beijar é porque eu quero ficar com você, , e eu sei que é isso que eu quero. Eu não entro em um relacionamento pra depois ver se vai dar certo, mas eu não sei se é isso que você quer. Nem todo cara tem paciência pra levar as coisas devagar, conhecer a pessoa antes. Já acabei me machucando bastante com isso, alguns diziam que queriam ficar comigo só pra me agradar e depois de alguns encontros arranjavam uma desculpa qualquer. Sei que é um pensamento antiquado, mas nunca me arrependi e acho que meus namorados também não, sou muito amiga de todos até hoje.
- É dificil achar garotas como você. - ele confessou, levando sua mão ao rosto de , fazendo um carinho em sua pele.
- Então você está dizendo que eu sou única e a mais especial? - ela perguntou brincando para descontrair.
- É exatamente isso que eu estou falando. - o jogador concordou, deixando a garota corada. - Eu nunca me senti assim com uma garota antes, , é um tanto quanto assustador, ainda mais que só nos beijamos uma vez. Mas eu prometo que, se você me desculpar uma última vez, eu vou ser mais honesto sobre os meus sentimentos. É algo novo pra mim, mas eu prefiro aprender a me abrir do que perder a chance de ter algo com você.
- Eu… Significa muito pra mim, , mas você não precisa me responder agora. - o jogador a encarou um pouco confuso. - A prática é bem diferente da teoria, acredite, se pra mim que tenho essas regras é difícil, imagina pra você que é homem.
- Eu tenho certeza do que eu quero, .
- Então não vai ser difícil esperar mais alguns dias. Hoje foi um dia que eu não gostaria nem merecia ter tido e por mais que eu goste de você, não vou aceitar ser tratada dessa forma nem uma vez mais. Eu não vou deixar de ser sua amiga, mas vou seguir em frente.

não podia negar que estava surpreso e um tanto quanto impressionado. Acreditou que seria como das outras vezes e que sorriria para ele dizendo estar acostumada com seu jeito. Mas dessa vez ela tinha sido firme e ele não a culpava. Se ele se colocasse no lugar dela já o teria chutado há muito tempo e toda aquela conversa só reafirmou o quão especial ela era e o quão burro ele seria se perdesse aquilo.

- Princesa entregue. - ele disse se virando para ela sorrindo, ao estacionar em frente a casa dela.
- Você não precisava ter me trazido até aqui, . Agora você vai cruzar a cidade toda de volta.
- Precisava, seria bem covarde da minha parte chegar em casa e te pedir desculpas por mensagem. Eu também não ia conseguir dormir lembrando da forma como você me olhou mais cedo. - confessou, tirando o cinto e ambos saíram do carro. - Foram vinte minutos valiosos.
- Obrigada então, acho que agora só nos vemos no aniversário do meu amigo? - ela disse, colocando o cabelo atrás da orelha, o que lembrou o jogador de algo.
- Isso, mas eu posso continuar te ligando quando sair do treino?
- Pode. - falou, subindo um degrau e se virou para o jogador, reparando que estavam da mesma altura.
- Talvez eu te ligue em alguns outros horários também. - ele disse piscando para ela, se aproximando. - Obrigado por hoje e por essa última chance, eu não vou desperdiça-la.
- Boa noite, . - se aproximou ainda mais, pronta para abraçá-lo, mas o jogador colocou a mão na cintura dela a fazendo congelar no lugar.
- Boa noite, princesa. - ele disse, tirando o cabelo dela da frente da cicatriz, beijando o local com carinho. - Nunca deixe um idiota fazer com que você se sinta insegura sobre ela, você é linda até quando não está tentando.
- Eu prometo melhorar, foi a primeira vez em anos, acho que vai levar um tempo pra me acostumar. - ela disse, tocando o local. - Me manda uma mensagem quando chegar?
- Mando. - disse beijando o rosto dela uma última vez. Tudo que mais queria naquele momento, era poder beijá-la na boca.
- Eu disse que era difícil. - ela piscou para ele e subiu os últimos degraus num único lance, digitando o código para abrir a porta. Assim que a porta destravou ela se virou para , que ainda estava no mesmo lugar.
- Esses últimos cinco minutos com você valeram pela noite inteira. - ele piscou uma última vez e só quando ela fechou a porta, o jogador seguiu para o carro.

Foi ao dar a partida no carro que se deu conta do quanto estava nervoso, seu coração batia forte e suas pernas estavam fracas. Tinha sido por pouco que ele quase a perdera e ele não arriscaria sentir aquele medo de novo, nem mais uma única vez.

💂

Para , os últimos dez dias não poderiam ter passado mais devagar. Tanto ele quanto estavam ocupados com o trabalho e mesmo tentando, acabaram não conseguindo se ver. Ao menos eles vinham se falando todos os dias e pelo menos uma das vezes era sempre por vídeo. O jogador tinha aprendido sua lição e sabia o que custaria se não mudasse suas atitudes.
ainda tinha muito medo que estragasse tudo mais uma vez, mas desde a conversa que tiveram ele parecia diferente, mais aberto. Também não conseguia esquecer a surpresa que foi ao chegar em casa do trabalho no dia seguinte e se deparar com um buquê enorme de peônias e rosas em tons de rosa claro em seu quarto. Junto às flores tinham tinham duas caixas, sendo que uma delas tinha uma coleira cor de rosa com uma placa de identificação em formato de coroa com uma pequena pedrinha para Matilda e na outra um colar delicado com uma única pedra, da mesma cor de seus olhos.
Quando ela mandou uma foto para o jogador, com ela e Matilda usando seus presentes e ao fundo as flores, sorriu sozinho, como vinha fazendo há algum tempo.

: Eu imaginei que a Matilda também estivesse chateada comigo e pensei que, para me desculpar completamente, deveria começar por ela. 🐶👑💎


- O efeito tem te feito sorrir que nem um idiota. - Eric comentou, dando um tapa na perna do amigo.
- Você bem que poderia conhecer alguém e parar de me encher o saco, não? - guardou o aparelho e voltou a encarar o gps do carro do amigo. - Parece que estamos nesse carro o dia todo.
- Acabamos de passar por Glastonbury, em meia hora chegamos. - respondeu, pressionando o pé no acelerador.

Estavam os dois indo para o aniversário de Olivier, os gêmeos tinham conseguido que eles pudessem ficar para os três dias de festa. O festival em si seria ainda naquela a noite e teria mais de trezentos convidados e três bandas diferentes. Um DJ fecharia a noite às 5 da manhã, conforme dizia o convite. Os outros dias seriam mais tranquilos e apenas vinte convidados ficariam para o resto das comemorações.
Conforme se aproximavam do endereço da festa, e Eric começaram a ver sinais indicando por onde ir e o trânsito de caminhões e vans aumentar. Foi impossível para os dois não arregalar os olhos ao ver o local onde o festival seria. Dier parou o carro onde lhe indicaram e após pegaram as malas, foram seguindo o som até chegarem onde o palco tinha sido montado e uma banda passava o som.

- O William disse que já está vindo. - Dier avisou, checando o celular. - Isso é muito maior do que eu imaginei. - falou, voltando a encarar o amigo - Você tá certo então? Vai dizer pra que quer ficar com ela e somente ela?
- Sim, é diferente assumir algo fixo com alguém sem termos saído antes, nem nada. Acho que se fosse qualquer outra pessoa eu ficaria em dúvida, mas, sei lá… Tudo com a é diferente e eu já dei muita mancada com ela, sei que estou na minha última chance.
- Todo mundo já acostumou com esse seu jeitinho meigo, mas você realmente usou toda a artilharia com ela. Sem muitos motivos, vale lembrar.
- No começo ela me lembrou a minha mãe, você sabe disso. - explicou e Eric sabia que o assunto tinha acabado ali.

Depois de conhecer a fundo ele viu o quão errado a tinha julgado e como em nada ela lhe lembrava de sua mãe, cada dia que passava a garota parecia ainda mais incrível a seus olhos, quase perfeita. Mesmo com alguns valores diferentes dos seus, a respeitava e gostava dela o suficiente para dar uma chance aos dois, da forma que ela queria. Não seria impossível estar com ela e somente ela, já que mesmo sem perceber, desde a casa de Winks, quando ele tinha chutado seu pé, não tinha outra garota que sempre voltava a sua mente, da mesma forma e intensidade, que .

- Se não são os únicos jogadores de outro time que eu suporto! - William disse, caminhando em direção a eles com Jamie e um outro garoto. - O Jamie vocês já conhecem, mas quero apresentar o aniversariante, Olivier Parks. Infelizmente, torcedor do Spurs.
- Quando o Will e a me perguntaram se poderiam trazer dois amigos, eu disse que não - O ruivo começou a falar com um sorriso esperto nos lábios. - Mas então eles contaram quem eram os convidados e eu sabia que não tinha como manter a palavra. Aumentei duas tendas pra comportar todo mundo.
- Ah, foi por isso que ela pediu pra gente isso. - levantou a sacola com o logo de seu time e Olivier a pegou, tirando o conteúdo. Uma camisa do Spurs assinada por todos os jogadores.
- Vocês acabam de se tornar meus convidados favoritos e de honra. Me chamem de Ollie, por favor - disse cumprimentando os jogadores com um aperto de mão, extremamente feliz com o presente.
- Finalmente alguém que torce pra um time decente. - provocou William, que revirou os olhos debochado.
- Meu pai vai pirar, quando o Son chegou só faltou beijar o pé dele. Vocês não se importam em passar uns minutos com o velho falando sobre futebol, né?
- Claro que não, você aceitou dois penetras de última hora, é o mínimo que podemos fazer.

Os cinco começaram a andar por entre o local e Olivier mostrava como tudo funcionaria, passaram por dentro do festival, onde teriam food trucks e diversos bares. Mais à frente, puderam ver várias tendas enormes, num campo cercado.

- Olha quem chegou! - Olivier anunciou, ao ver duas garotas irem em direção às tendas.
- Ah não. - Jamie abaixou o rosto e os outros dois começaram a rir.
- Dá pra alguém contar o que se passa entre esses dois?! - Eric pediu, cruzando os braços - Até hoje ainda não sei se vocês se odeiam ou se amam.
- O Jaime e a Olivia namoraram o colegial todo. - William começou - Quando nós fizemos nosso gap year ele era o único comprometido e bem, aproveitamos como nunca, se é que vocês me entendem. - o gêmeo explicava com um sorrisinho malicioso de lado.
- Daí quando esses dois foram estudar nos Estados Unidos - Olivier dizia sobre os garotos que fizeram o mesmo curso. - Ele disse que não ia passar vontade de novo e achou melhor terminar com ela e até hoje se arrepende.
- Eu estou aqui sabia? - Jamie disse um tanto quanto irritado. - Não me arrependo de ter terminado, não sei se teria sido fiel e a Olivia não merecia isso. Mas ela precisa ser tão teimosa e ficar de joguinho? - o loiro bufou e e Eric tiveram que segurar a risada.
- Ela tá fazendo ele pagar até hoje - Ollie não fez questão de esconder o sorriso - Demorou anos para que ela sequer aceitasse falar com ele, agora ficam de vez em quando em “segredo”.
- Ela diz que não quer nada sério, mas é só eu aparecer com uma garota que ela quase morre de ciúmes. - Jamie bufou, rolando os olhos.
- Por isso que eu to melhor sendo solteiro. - Will comentou e Dier e Olivier prontamente concordaram.

Após mostrar onde tudo ficava, Olivier saiu para resolver alguns problemas de última hora e Will e Jamie levaram os dois para o gramado onde as tendas tinham sido montadas. Eram doze no total, sendo algumas com cama de solteiro e outras de casal. Os quatro andavam pelas tendas, observando a tudo curiosos, era certamente uma experiência única. abriu um sorriso ao ver de longe Louise e Son se aproximarem, a loira estava nas costas do jogador e o sorriso estampado no rosto de ambos, era contagiantes.

- Finalmente vocês chegaram. - o coreano os cumprimentou e reparou que o cabelo dele estava todo bagunçado.
- Dormimos a tarde toda. - Louise se explicou, ao ver a sobrancelha erguida de .
- Sei... - William zombou, fazendo uma careta ao receber um chute da garota.
- Vocês tem que ver o quarto de vocês. - a garota soltou animada e em seguida piscou para , que não entendeu.

Antes que o jogador sequer pudesse perguntar o que aquilo significava, viu aparecer em seu campo de visão. Ela estava apenas de shorts e camiseta, andando descalça pela grama e não conseguiu segurar o sorriso que surgiu em seu rosto. Ele nunca cansaria de se surpreender com a leveza da garota. Só de vê-la seu humor mudava e sentia uma paz que nunca tinha sentido antes.

- Ei, vocês chegaram! - ela tinha um sorriso tímido e um pouco incerto no rosto, mas continuou a se aproximar dos dois. , ao se lembrar do último encontro que tiveram, tomou a iniciativa de dar os últimos dois passos em sua direção.
- Fala, baixinha. - brincou, dando um tapinha sem força na cabeça dela e em seguida o jogador depositou um beijo demorado em seu rosto a fazendo corar, sabendo que seus amigos observavam aquela cena da primeira fila.
- Baixinha?! - ela o encarou quase ofendida, antes de se virar para abraçar Eric, que a tirou do chão, a fazendo rir. - Seu amigo é péssimo.
- Eu falei pra não se envolver, mas o que eu posso fazer se ninguém me ouve. - Dier respondeu, dando de ombros.
- Onde os meninos vão dormir, alguém sabe?
- Eu vou dividir com o Jaime, já que o William não está pronto pra assumir nosso romance publicamente.
- A Olívia tá com a Abby então se for pra rolar alguma coisa, capaz do Dier se dar bem também.
- E o ? - perguntou, subitamente nervosa.
- Com você, ué! - Louise disse como se fosse óbvio, encarando os dois com uma cara maliciosa.
- Vocês são impossíveis!!! - a garota resmungou, sentindo seu rosto esquentar. - Eu nem sei porque me surpreendo ainda. - disse irritada e saiu andando antes de cochichar algo no ouvido de Louise, que apenas deu de ombros, rindo.

, sem saber o que fazer, apenas acenou a todos e seguiu a garota que já estava há uns bons passos de distância. Quando ele passou por William o gêmeo o segurou pelo braço:

- Eu não tive voto nisso, - falou encarando Louise e Eric. - Mas se você ficar de gracinha com a minha irmã, eu quebro essas suas pernas de pau.
- Ele não está falando sério, . - Louise disse o acalmando.
- Estou e ele sabe disso.

💂

Enquanto passava pelas tendas, entendeu a grandiosidade daquele evento, cada uma tinha uma decoração diferente e o quarto que era de não fugia à regra. Riu ao notar que o tapete e as almofadas eram rosa. Ao lado esquerdo da tenda tinha um local que ele imaginou ser o banheiro, uma pequena poltrona e o frigobar, ao centro uma pequena mesa para dois com duas cadeiras e logo atrás uma enorme cama de madeira ocupava a maior parte do ambiente. No lado direito, tinha um sofá cama aparentemente confortável e foi para onde ele seguiu.

- Como vamos fazer? - perguntou, ao vê-lo colocar sua mala em cima do sofá.
- Fazer o quê? - perguntou em dúvida.
- Bem, meus amigos às vezes agem mais como meus inimigos e eles armaram pra gente ficar junto, mas só tem uma cama. Eu n…
- , tá tudo bem. - o jogador logo tratou de acalmá-la - Eu não me importo de ficar nesse sofá, parece confortável. Mas se você quiser eu posso conversar com o Eric.
- Não, é bobeira minha. Está tudo bem, não é como se a gente nunca tivesse dormido juntos antes. - a garota falou, ao se lembrar do dia que pegaram no sono na sala de Dier.

Se o acordo não fosse outro, teria beijado naquele momento. Tudo nela o agradava, ficou feliz ao notar que ela usava o colar que ele tinha lhe dado. Sorriu com a incerteza da inglesa ao vê-lo se aproximar e tocou de leve em seu nariz, antes de segurar o colar na mão.

- Você gostou? - a observou atentamente. - Pode falar a verdade.
- Eu adorei. - disse o encarando sem piscar. - Eu gosto de usar a mesma coisa sempre e combina com tudo. Não tirei desde aquele dia.
- Eu sei que já me desculpei, mas eu realmente sinto muito, por tudo. - disse honesto e assentiu, fechando os olhos ao vê-lo aproximar o rosto do seu e sorriu ao sentir o beijinho dado na ponta de seu nariz, como ela imaginou que ele faria.
- Contanto que você seja o que estou acostumada nos próximos três dias, acredito que não teremos problemas.
- Bem, nesse caso, eu quero fazer uma pergunta. - o jogador se distanciou da garota para conter as próprias vontades.
- Eu já até imagino o que está por vir.
- Eu só queria entender porque seu amigo tá dando uma festa desse tamanho. Isso aqui não deve ter sido barato.
- Ah. - soltou, antes de se virar para ajeitar a cama que tinha dormido horas antes. - Ele é o primogênito da família Parks toda, o primeiro a fazer vinte um. Os avós dele são milionários e os quatro se juntaram para pagar essa festa. Imagino que com três irmãos mais novos eles estejam preparados a ficarem mais pobres daqui uns anos.
- E você? A sua vai ser no Buckingham Palace com a temática Princesa?
- Você não cansa de ser idiota, não? - perguntou, mostrando a língua - Mas , você sabe que eu não tenho vinte, né?
- Quantos anos você tem?! - o jogador parou de tirar as coisas da mala e a encarou surpreso.
- Vou fazer vinte quatro em alguns meses. - a inglesa respondeu com um sorrisinho engraçado. - Você não sabia?
- Eu nunca pensei nisso, só assumi que você era mais nova do que eu. Você sabe que eu tenho vinte…
- Vinte dois, eu sei! O Eric me contou um dia desses quando eu disse minha idade.
- Muita coisa faz sentido agora. - De repente viu um sorriso que para ela era um tanto sexy, surgir no rosto do jogador. - Eu sempre tive queda por mulheres mais velhas.
- Larga mão de ser ridículo, temos menos de dois anos de diferença. - comentou, mas não parava de sorrir. - Homem é muito idiota mesmo, imagino que isso fez seu dia?
- Você não imagina o quanto. - ele respondeu divertido e se abaixou ao quase receber uma almofada na cabeça. - Você não quer começar uma guerra, princesa. Eu tenho respeito pelos mais velhos. - soltou já indo em direção ao sofá, por saber qual seria a reação de .
- Você não disse isso. - ela o encarou chocada, já pegando outra almofada na mão. - Você brincou com a pessoa errada. - disse ameaçadora, fazendo gargalhar alto.
- Desafio aceito.

💂

Enquanto tomava banho, saiu do quarto para lhe dar privacidade e também xingar Louise mais uma vez. Quando achou que tinha passado tempo suficiente, voltou pra tenda e aproveitou para já fechar as cortinas que faziam as vezes de portas e janelas, deixando o espaço um pouco mais reservado. Para se animar para a noite, ela tirou a garrafa de champagne e o suco de laranja da geladeira e se pôs a servir duas taças para ela e o jogador e cantava sozinha a música que saía das caixas de som espalhadas pelo acampamento.

- Eu adoro essa música. - disse ao sair do banho secando o cabelo e quase derrubou a taça ao ver que ele estava sem camisa.
- Eu...também. - falou, se virando de costas. Tinha certeza que estava vermelha.
- Tá tudo bem? - ele se aproximou da garota, notando que ela tinha ficado diferente.
- Sim eu só… Não estava esperando isso. - disse exagerada, apontando pro corpo dele. se encarou por um segundo, antes de voltar a encarar a garota que estava tímida.
- Eu… Te incomoda? - perguntou sincero, vendo a garota negar. - Eu deixei aqui, não queria que caísse ali dentro e molhasse. - se explicou, apontando para a camisa.
- Não tem problema, de verdade. - soltou mais tranquila e ofereceu a taça para o jogador. - Para começar a noite?
- Para começarmos de novo, pela última vez. - encostou sua taça a dela. -
- Agora não. - a garota o interrompeu antes que ele continuasse. - Vamos aproveitar essa noite. Eu realmente estou precisando de um dia só para curtir com os amigos.
- Combinado! - piscou para ela, antes dos dois tomarem um gole da bebida.
- Eu vou me arrumar na casa principal com as meninas, te encontro mais tarde?
- Tudo bem, mas só antes… - pegou a taça de e a dele e colocou novamente na mesa, antes de se voltar para ela e a puxar para um abraço.
- O que foi isso? - o abraçou de volta e apertou ainda mais seus braços sob ela. Tinha algo sobre sentir o toque dela direto em sua pele, que fazia seu coração aumentar algumas batidas.
- Eu só queria sentir isso de novo, já faz algum tempo. - confessou, depositando um beijo em sua cabeça.
- Você está cheiroso. - assumiu, de olhos fechados.
- Eu sempre sou. - argumentou ao se soltar do abraço, dando uma piscadinha para ela e voltou para sua mala.
- É mesmo. - ela rebateu, ainda encarando , que se virou para ela bastante surpreso com a resposta. - Ei, , obrigada.
- Pelo que? - o jogador a encarou confuso.
- Por me lembrar do que me fez começar a gostar de você.

💂

A festa já tinha começado há algum tempo e não tinha visto novamente. Assim que terminou de se vestir, foi procurar por Eric e Son e os encontrou em uma rodinha de selfies, várias pessoas tiravam fotos com eles e não foi diferente com a sua chegada. Após um tempo de conversa com os convidados, os três se aproximaram do palco, onde a primeira banda já tocava.

- Você é um filha da puta muito sortudo, sabia, Sonny? - anunciou batendo nas costas do amigo, fazendo Eric e Son se virarem na direção que ele olhava.
- Quando você vai pedir ela em namoro? Porque se você não pedir, peço eu. - Eric cutucou o amigo, que parecia em transe ao ver a loira se aproximar com um vestido incrivelmente sexy.
- Wow! - Son se aproximou da garota a rodando no lugar e Louise gargalhou contente com a reação. - Você está linda.
- Eu sei. - admitiu confiante. - Trabalhar para a Victoria Beckham tem seu lado positivo.
- Eu achei que você trabalhasse com mídias sociais?
- Sim, da marca dela. - explicou e Eric e concordaram impressionados. - Cadê a ? Você já viu ela? - perguntou olhando diretamente para , que negou. - Você não sabe o que te espera…
- Você quer alguma coisa pra beber, Lou? - Son ofereceu.
- Quero sim, o que você for beber. - o jogador concordou, puxando Dier consigo deixando ela e sozinhos.
- E aí, vai parar de ser um babaca com a minha amiga?
- Direta e no ponto. - o jogador riu desconfortável, colocando a mão no bolso.
- Sempre! Você vai continuar se auto sabotando mesmo?
- Sabe quando uma coisa parece ser boa demais pra ser verdade?
- Pior que sei. - ele a viu encarar Son de longe e pela primeira desde que a conhecera, viu insegurança nos olhos de Louise. - Eu nunca fiz questão de namorar, sempre preferi focar nos meus estudos e trabalho. Gosto de curtir a vida sem dar explicações a ninguém. Mas então apareceu alguém que é o meu completo oposto, que me fez repensar tudo que eu queria até então. Eu mal me reconheço, , nunca estive tão feliz e com tanto medo de não durar.
- Eu também fico me perguntando quando vou acordar. - confessou, achando graça da coincidência. - O Sonny sabe que tirou a sorte grande, ele seria um idiota em te deixar ir.
- Todo mundo merece uma garota como a na vida, como amiga, irmã… Namorada. Eu entendo seus medos, de verdade e estou do seu lado. Mas se você magoar a minha amiga mais uma vez, eu posso ser pior que o William.
- Obrigado, Lou, é importante pra mim que você esteja do meu lado.
- Só me ajuda a te ajudar. - suplicou rindo e deu um beijo na testa do garoto, o fazendo rir. - Eu vou mandar uma mensagem pra , ela disse que ia buscar algo pra vocês beberem e até agora não apareceu.
- Você acha melhor procurar por ela? - o jogador perguntou em dúvida e um pouco preocupado.
- Acho que não vamos precisar. - Louise sorriu e observou de canto de olho se voltar para onde Son e Eric estavam e entre eles, e Poppy riam de algo que o coreano dizia.
- Caralho! - soltou sem perceber, fazendo a loira ao seu lado gargalhar.

usava um vestido curto e justo verde esmeralda, um contraste enorme do que ele já a tinha visto usar até então. A sandália de salto, além de deixá-la mais alta, fez com que as pernas da garota ficassem ainda mais evidência. Os cabelos como sempre estavam soltos e a maquiagem simples, ela não poderia estar mais perfeita a seus olhos.

- Olha só quem achamos perdidas por aí. - Son dizia como sempre alheio a tudo, entregando um copo para Louise e sorriu tímida ao ver descer seu olhar por todo seu corpo, sem a menor pressa.
- Desculpa a demora, eu e a Poppy encontramos alguns conhecidos. - A inglesa se explicou encarando o jogador e sentiu suas pernas tremerem ao vê-lo passar um dos dedos nos lábios, ainda com o olhar preso nela, completamente alheio de sua atitude.
- Eu vou procurar a Olivia. - Poppy anunciou com um olhar de poucos amigos e a encarou desacreditada.
- Poppy… - chamou pela amiga, mas ela sequer se virou.
- E nós vamos ali. - Louise apontou para o nada, piscando para os dois, que riram do jeito da amiga.
- Certo. - a garota o encarou indecisa. - Você tá com fome? - perguntou, vendo o jogador assentir. - Ok, vamos lá.
- Não tão rápido, eu ainda não terminei de te olhar com esse vestido. - o jogador sorriu de lado, a girando em volta do próprio corpo e se aproximou da inglesa - Incrível!!! - sussurrou em seu ouvido, a fazendo morder os lábios.
- Você também está um gato de preto. - elogiou, tocando em um dos colares que ele usava.
- Vem, vamos pegar algo para comer logo, antes que eu quebre suas regras. - falou brincalhão, pegando na mão de .

Como sabia onde tudo ficava, deixou que ela o guiasse pelo local que parecia encher ainda mais a cada segundo. Ele estaria mentindo se dissesse que tentou evitar olhar para o corpo da inglesa, sempre usava vestidos diferentes, mas aquele em especial o estava levando a loucura. O tecido moldava suas curvas com perfeição e o decote ia um pouco mais além do que ele já a tinha visto usar. Estava ficando cada vez mais difícil esperar até o dia seguinte para algo que ele não precisava pensar nem mais um segundo.
Ele tinha total consciência que não era o único entregue a inglesa, pelo caminho reparou nos olhares que alguns rapazes davam a ela, mas como sempre, parecia não perceber o quanto chamava atenção. Ao chegarem no local onde ficavam os food trucks, a garota parou em frente a um deles para ler o cardápio e distraída, puxou o cabelo para frente e reparou que ela tinha várias pintas nas costas, e ele descobriu algo que ele gostava mais nela do que suas sardas.

- Isso está uma delícia. - a garota disse, se referindo a sua comida. a encarou e sorriu, balançando a cabeça.
- Está mesmo. - falou, deixando bem claro que não se referia a mesma coisa.
- !!! - o encarou chocada, dando um tapinha na perna dele - Tava demorando pra esse você aparecer.
- Você bem que falou que era difícil, mas não avisou que ia jogar tão …Curto. - comentou divertido, dando uma mordida em seu hambúrguer. - Eu achava que suas sardas eram um charme, mas essas pintas nas suas costas...
- Você também não está tornando as coisas fáceis pra mim. - admitiu, levando a taça de vinho aos seus lábios.
- Nós realmente precisamos esperar até amanhã? - se levantou, a puxando consigo. - Eu não mudei de opinião desde aquele dia, , na verdade toda essa espera só me ajudou a ter ainda mais certeza do que quero. - afirmou, passando os braços pela cintura da inglesa.
- … - apoiou a mão no peito do jogador e levou seus olhos ao dele e foi então que ela percebeu que realmente não tinha mais porque esperar.

Com ainda a encarando ansioso, ela segurou em sua camisa, para que pudesse finalmente beijá-lo.
tinha certeza que a banda ainda tocava e que o barulho da multidão não tinha sumido, mas era essa a sensação que tinha, sempre que estava com . Ainda mais quando a beijava. A inglesa fazia tudo ficar em segundo plano e tudo se tornava somente sobre ela.

💂

e Son observavam e Louise dançarem com as amigas ao som de uma banda que elas pareciam conhecer os integrantes. Embora elas tivessem tentado fazê-los dançar, eles preferiram ficar num canto comendo e conversando.
Em algum momento do set Eric, William, Jamie e outros garotos se juntaram a eles e iniciaram uma conversa sobre a Premier League, até Olivier aparecer com algumas garotas, curiosas sobre ter jogadores de futebol em sua festa.
, por já ter se envolvido com pessoas que estavam na mídia, sabia de longe detectar quem era fã de verdade e quem tinha outro interesse e ela tinha certeza que nenhuma daquelas meninas ao redor dos jogadores sequer sabiam o nome deles ou o time em que jogavam. Louise, assim que percebeu o que a amiga tanto olhava, parou de dançar e foi marcar seu território ao lado de Son. Ela tentou levar consigo, mas Poppy a impediu de sair do lugar, implorando que a amiga dançasse mais uma com ela, que concordou.

- O Jamie é simplesmente um idiota. - Olivia observava a cena com um olhar de desgosto, o garoto conversava com uma das garotas na rodinha e tinha um braço envolta da cintura dela. - Vive me implorando por uma segunda chance, mas na primeira oportunidade já está procurando qualquer uma pra beijar.
- Ele é louco por você e você sabe disso, amiga. - disse o óbvio. - Se você estalar os dedos ele é capaz até de ficar de joelhos e te dar aquele anel divino que está na família dele há gerações. Ele e o Will são melhores amigos e não tem uma vez que estamos juntos que ele não fale de você.
- Olha quem está falando, o seu jogador não para de olhar pra cá. Vai enrolar ele até quando? - encarou , que tinha seus olhos nela.
- Talvez eu esteja na sua frente nesse assunto. - confessou metida.
- Vocês se beijaram?! - Olivia perguntou, vendo a amiga assentir. Poppy que ouvia a conversa atentamente encarou as amigas entediada. - Ah, eu estou tão feliz por você.
- Vocês duas só falam disso agora. - resmungou, terminando sua bebida de uma só vez. - Eu acho que vou ficar atrás do palco com a Margot esperando os meninos saírem do palco, nos falamos depois.
- Você acha que ela… - Olivia não teve coragem de terminar a frase.
- Ela me prometeu que não, mas eu sinceramente não sei de mais nada, ela está mais distante do que nunca.
- O que você acha de mostrarmos aquelas garotas que o Jamie e o não estão disponíveis?
- Você não vai fazer isso! - exclamou duvidosa.
- Vou. - respondeu confiante e as duas começaram a andar em direção ao grupo.

conversava e tirava fotos com as pessoas, mas seus olhos não saiam de , tinham se curtido um pouco antes de Louise levá-la para dançar, mas ainda queria muito mais. Agora que a tinha, não via a hora de ficarem a sós.
Quando ele viu a garota começa a vir em sua direção, ele saiu do meio de seu grupo e foi de encontro a ela com as mãos no bolso, esperando que ela ditasse sua próxima ação. Para sua surpresa, passou as mãos por seus ombros, colando seus lábios ao dele e a puxou, aproximando ainda mais seus corpos. Os gritinhos em comemoração de Louise foi o primeiro sinal de que todos os observavam, rindo, eles se viraram para a rodinha de amigos que os encaravam felizes, bem a tempo de ver Olivia pegar Jamie completamente despreparado ao virar seu rosto e finalmente beijá-lo em público. Em apenas alguns segundos, os gritos de comemoração que o grupo deles soltou, conseguiu ser ainda mais alto que o som da banda tocando.

💂

- Eu não acredito que a Olivia fez isso. - ainda ria sozinha, andando com para sua tenda.
- Eu que não acredito que a que eu conheço teve aquela atitude. - brincou, apertando a cintura dela. Os dois voltavam para o quarto para que a garota pegasse uma jaqueta, pois estava morrendo de frio.
- Bem, você não me deu muitas alternativas com todas aquelas garotas a sua volta. - ela falou brincando, dando uma piscada para o jogador. - Não foi muito fora do meu caráter, foi? Eu bebi um pouco além do meu limite e costumo ficar mais solta.
- Um pouco, mas acho que não te conheço por inteiro ainda. - foi sincero. - Estou gostando de conhecer esse seu outro lado mais solto.
- É esquisito pra você? Assumir exclusividade com alguém logo de início? - perguntou, abrindo a tenda.
- Não sei se esquisito seria a palavra. - o jogador respondeu, fechando o tecido, enquanto pensava nas palavras que usar. - É diferente, mas acho que não tem muita coisa que você possa me pedir que eu tenha coragem de dizer não… Ainda mais se você estiver vestida desse jeito.
- Desse jeito vou começar a achar que tem algo errado com o que visto normalmente. - a garota se sentou no sofá que seria a cama do jogador, massageando os pés.
- Acredite, não tem. - ele respondeu divertido, se olhando no espelho, arrumando o cabelo. A garota já tinha reparado como ele era vaidoso e estava sempre se certificando que tava tudo no lugar.
- Nem quando uso aquele uniforme super bonito da LLF? - perguntou divertida, o olhando através do reflexo.
- Nem assim. - ele respondeu e se virou indo em direção a ela. - Eu sempre achei seu corpo incrível, mas com esse vestido deu pra ver que é ainda mais do que imaginei. - elogiou, a fazendo se levantar. colocou a mão em seu rosto, sentindo como ela ainda estava um pouco gelada.
- Quando você saiu do banheiro sem camisa também não foi nada mal. - retrucou brincando com um dos botões da camisa dele e ao encarar o jogador, encontrou um olhar divertido em seu rosto.

amava essa versão de , a mistura perfeita entre inocência e sensualidade. Ele aproximou seu rosto do dela, puxando seu lábio inferior, antes de finalmente beijá-la de novo, por tempo suficiente para que ambos perdessem o fôlego. O jogador a encarou ofegante e sorriu ao notar que os olhos dela não saíam de sua boca. Estava difícil para se segurar e não parecia nem um pouco inclinada a parar, muito pelo contrário, ela parecia querer torturá-lo ainda mais, subindo as mãos por todo seu torso, parando no primeiro botão fechado de sua camisa, o olhando provocante.

- Eu pensei que a ideia era vir pra cá colocar um casaco, não tirar. - ele disse erguendo uma sobrancelha ao vê-la abrir o primeiro botão devagar demais para seu gosto.
- Frio é definitivamente algo que não estou sentindo agora. - falou mordendo os lábios, ao sentir o jogador descer as mãos por todo seu corpo, parando em seu quadril, apertando o local.

O olhar que os dois trocaram em seguida foi intenso, sempre preferiu ir com calma quando se tratava de relacionamentos, mas se conhecia e sabia como ficava quando tomava algumas taças de vinho, ainda mais quando sentiu os dedos do jogador descerem por todo seu corpo. O que tinha sentido era impossível de explicar e por isso ela não se permitiu pensar duas vezes quando o puxou para mais um beijo.
, surpreso, a pegou no colo, fazendo com que ela entrelaçasse as pernas em seu corpo. Ele estava adorando aquele outro lado da garota e tinha certeza que não se cansaria tão cedo, mas também a respeitava o suficiente para não fazer nada além do que ela permitisse. Com cuidado, ele a deitou no sofá e desceu seus beijos para o pescoço dela, sorrindo ao perceber que tinha encontrado um de seus pontos fracos.
Ainda incerto sobre o quanto deveria agir, desceu uma de suas mãos até a barra do vestido da garota, o puxando para baixo, para colocá-lo novamente no lugar. Não que não tinha gostado de saber que ela usava uma lingerie branca, de renda, mas tinha algo sobre ela que o fazia querer levar as coisas da forma que deveriam ser.

mantinha seus olhos fechados, queria apenas sentir as mãos firmes do jogador sob seu corpo. A química que tinham era impressionante, cada toque dele parecia acender uma nova parte de seu corpo, a levando a loucura. , já sem se aguentar com os sons que saíam da boca de a cada novo beijo, mordida ou toque que ele lhe dava, levou sua mão para a cintura dela, pressionando seu corpo contra o dela. Já tinha algum tempo que o volume entre suas pernas era visível e bastante incômodo, mas era difícil se segurar, tendo uma garota como ela embaixo de si.
Mesmo com todos seus valores mais tradicionais, os beijos de o estavam levando a loucura, a garota mordia seu lábio inferior enquanto suas unhas arranhavam de leve a curvatura de suas costas, fazendo todo seu corpo reagir ao toque dela. Quando separou o beijo para tomar fôlego, ele aproveitou para levar sua mãos ao cabelo da inglesa, o bagunçando de propósito, o que a fez dar uma gargalhada. Com a respiração ainda ofegante, ela terminou de abrir um a um os botões de sua camisa, a jogando no chão.

Com uma delicadeza característica dela, deslizou as pontas dos dedos por todo o torso do jogador, parando em seu abdômen e não fechou os olhos, deixando que todo seu corpo reagisse ao seu toque , ainda mais quando ela brincou distraída com a barra de sua cueca. Contente com a reação que estava causando no jogador, a inglesa começou a distribuir beijos por todo seu pescoço, o fazendo perder o resto de sanidade que ainda tinha. levou suas mãos as coxas dela, apertando o local cheio de desejo. Quando ele deslizou uma das tiras de seu vestido, descendo os beijos por seu colo até chegar próximo demais ao seu decote, se sentiu retrair, algo que o jogador notou imediatamente.

- … - a garota sussurrou ofegante.
- Tá tudo bem, . - Ele disse lhe dando um selinho, antes de se jogar ofegante ao lado dela, sentindo sua respiração e outras partes do seu corpo tentarem voltar ao normal. se virou para ela, a abraçando, mas dessa vez controlou suas mãos, apenas a puxando para que ela deitasse a cabeça em seu peito.

Após algum tempo para que ambos pudessem se recuperar, eles finalmente se afastaram e o jogador sorriu ao notar o quão corada estava. O vestido tinha saído do lugar de novo e sua boca estava levemente inchada, foi impossível para ele não se sentir sortudo por ter tido uma nova chance com ela, caso contrário teria perdido tudo que tinha vivido naquela noite.

- Eu sei que não preciso me desculpar, mas sinto que devo.
- Você não me deve nada, isso foi absolutamente maravilhoso, mas o que nós temos… O que eu quero ter com você vai muito além disso, princesa. - ele falou, deslizando as costas de sua mãos pelo rosto dela. - Eu não tenho a menor pressa, ainda mais agora que sei do que essa boca é capaz.
- ! - deu um gritinho tímida e ele a puxou rindo para um abraço. A garota se escondeu na curvatura de seu pescoço e ele riu contente com a reação, era aquilo mesmo que ele estava esperando. Ali estava a sua .
- Você não sabe como estou feliz de não ter precisado esperar até amanhã para conversarmos.
- Isso foi completamente inesperado. - ela o encarou, passando o dedo de leve sob os lábios do jogador.
- Você quer voltar pra festa? - perguntou, dando uma leve mordida no dedo dela.
- Eu não faço questão, a não ser que você queira. - ela respondeu, apoiando a cabeça na mão para poder vê-lo melhor.
- A única coisa que eu quero, é estar exatamente onde estou. - disse, dando um beijo na mão da garota, entrelaçando a dele.

💂

acordou sentindo todo seu corpo doer. Demorou um pouco para se situar e lembrar que tinha dormido no sofá. Tinha sido ainda pior do que tinha imaginado, ele teve que se contorcer a noite toda para caber no espaço por inteiro. Ele olhou para a cama e franziu o cenho ao reparar que não estava lá, voltou seu olhar para o banheiro e a porta estava aberta, indicando que ela também não estava ali. Mesmo cansado, se sentou e reparou que estava coberto com uma manta que não lembrava de ter visto na noite anterior quando foi dormir, a pegou na mão e sorriu ao perceber que o perfume de estava impregnado no tecido. Apertado, foi em direção ao banheiro e não ouviu quando entrou no quarto com o café da manhã deles.

- Ei, bom dia. - falou ao sair do banheiro, vendo ela de costas para ele.
- Eu que o diga. - a garota disse levemente tímida, mas tentou disfarçar, ao vê-lo apenas de boxer - Dormiu bem?
- Ótimo. - mentiu, se curvando para dar um beijo nela. - Você me cobriu em algum momento?
- Culpada, você parecia estar com frio quando saí. Com fome?
- Muita. - ele sorriu ao notar a bandeja cheia de frutas, croissants, manteiga, geléia e café.

Os dois se sentaram na pequena mesa que havia no meio da tenda e conversaram sobre as bandas que tinham tocado na noite anterior. contava sobre a banda dos amigos que tinham se apresentado e se pegou sorrindo feito bobo para ela, ainda sem acreditar na garota que tinha a sua frente, que queria estar ali, com ele. Parecia bom demais para ser verdade, era tão delicada, mal parecia o furacão que o tinha derrubado na noite anterior.
A inglesa por sua vez tentava se controlar ao máximo para não ficar olhando para o corpo dele, mas era impossível, com ele ainda apenas de cueca. Tudo "piorou" quando ele se levantou para pegar o celular e o olhar dela foi parar direto em sua bunda, a fazendo se lembrar da noite anterior quando ela havia aproveitado e muito bem de todo o corpo de , ainda mais daquela parte.

Quando ela acordou naquela manhã, tudo que tinham feito veio à tona e se sentiu envergonhada, certamente tinha ido muito além do que pretendia e sabia que era exatamente para que aquilo acontecesse que Louise tinha os colocado no mesmo quarto. Mas com a chegada de um novo dia, toda sua ousadia tinha sumido e ainda não sabia como encarar o jogador, por isso decidiu sair da tenda o mais rápido possível ao ver que ele ainda dormia profundo e foi atrás de Louise, ela sempre sabia o que falar para ajudá-la a vencer suas próprias barreiras.

estava perdida em pensamentos, quando Eric Dier entrou na barraca sem a menor cerimônia, a dando o maior susto. O loiro logo foi para cima do companheiro de time, pedindo para que ele colocasse uma roupa, pois ninguém merecia ver aquelas pernas finas, muito menos , fazendo a garota gargalhar e o empurrar no sofá onde tinha dormido. Logo os dois foram correr com Son, mesmo com a folga, os três precisavam manter o condicionamento.
e acabaram não se vendo por um bom tempo. Assim que ele voltou da corrida ela já não estava mais no quarto e tinha uma mensagem sua avisando que tinha saído para andar a cavalo com as amigas e o encontraria na piscina, algo que ele não via a hora de acontecer. Mas o que o jogador não esperava é que ele não estava nem um pouco preparado para aquela cena. Encontrou conversando com Jack Whitehall, ela usava um biquíni coral, que ressaltava ainda mais o seu belo físico. Ele sorriu sem perceber, ao vê-la se curvar para rir de algo que o comediante dizia fazendo com o que seu cabelo caísse como cascata por suas costas, só por ter reparado naquilo, sabia que era questão de tempo para estar completamente entregue a ela, assim como todas as pessoas a sua volta pareciam ser.

- Fala Jack. - os três jogadores se aproximaram e viu cruzar os braços um pouco tímida ao vê-lo descer os olhos por todo seu corpo, mesmo que ele tenha tentado fazê-lo discretamente.
- Meus inimigos favoritos. - o comediante abriu os braços, cumprimentando os três.
- Por que não veio ontem? - Son perguntou, chamando Louise para que ela se juntasse a eles.
- Eu? Dormir em uma tenda com um DJ tocando na minha orelha até às cinco da manhã e um monte de gente bêbada? Prefiro a minha cama. - falou rindo - Hoje eu vou ficar, mas lá dentro. - disse, apontando para a casa.
- Você é muito fresco mesmo. - o cutucou e Jack a abraçou.
- Que saudade que eu tava de você, Lady - ele deu um beijo no topo da cabeça da inglesa a fazendo sorrir - Ainda não acredito que sem saber fui cupido. - comentou, dividindo o olhar entre os dois.
- Eu não consigo esconder nada dele. - a garota sorriu, esperando que não se importasse.
- Pra você ver onde foi me enfiar. - disse brincalhão e fingiu chutá-lo, o que o fez notar um curativo no joelho dela e alguns arranhões em seu braço. - O que aconteceu?! - perguntou preocupado, segurando no braço da inglesa e começou a procurar por outros machucados.
- Agora que vocês estão juntos, eu já posso revelar. - Louise começou divertida com um copo de bebida em mãos. - A cai. Cai jogando bola, abrindo uma porta, cai até quando não tem como cair. - falou, se esquivando da garota, antes que ela a acertasse. - Se eu fosse você teria sempre um kit de primeiro socorros no carro, você vai precisar.
- Também não é assim, Lou. Eu caí do cavalo. - explicou um pouco envergonhada e sorriu ao ver o jogador se ajoelhar para ver de perto o machucado que parecia ainda estar sangrando em seu joelho.
- Como aconteceu? - ele voltou a se levantar, colocando as mãos na cintura, a encarando de forma divertida. riu do jeito dele e teve que se controlar para não tascar um beijo no jogador naquele momento.

ouvia atentamente contar sobre a saída que fizera com as amigas, mas ao mesmo tempo pensava no quanto ainda queria aproveitar aqueles três dias ao lado dela. O calendário de jogos vinha apertando e eles ainda teriam que viajar para jogar a Champions League, diminuindo o tempo que teria livre para vê-la.

Estava amando ver a inglesa tão feliz e solta ao lado dos amigos, ele podia ver que ali ela estava em casa. Riu ao ver as poses que ela fazia para as selfies que ela Jack e Louise tiravam. Na última foto, o comediante beliscou a barriga da amiga e levou a mão imediatamente ao local. acompanhou o gesto rindo, mas sentiu seu sorriso morrer ao reparar numa cicatriz um tanto quanto grande. Sem perceber, seu olhar parou na marca e seu cenho franzido fez com que percebesse o que ele tanto encarava. Insegura ela colocou as mãos na barriga, o fazendo desviar o olhar rapidamente e querer mais do que tudo, estar a sós com ela, para que pudesse perguntar mais sobre aquilo.

💂

Assim que o buffet começou a ser servido, os garotos foram buscar comida enquanto e Louise reservaram uma mesa que coubesse a todos. Apesar de participativo na conversa dos amigos, não conseguia parar de se preocupar com a garota, não fazia ideia da gravidade que tinha sido seu acidente e aquela cicatriz, que ia de seu umbigo até o peito, era um grande indicativo de tudo que ela tinha passado, o que não parecia ter sido pouco.
Ao voltar a mesa, se sentou ao lado dela e sentiu todo seu corpo reagir, quando num gesto distraído, colocou a mão em sua perna, algo que para ele tinha bastante significado. Há tempos que a inglesa não se sentia tão à vontade em um início de relacionamento, parecia estar realmente se esforçando para deixar o início turbulento que tiveram, para trás de vez.

O jogador tinha decidido deixar que tomasse a iniciativa em relação a eles naquele final de semana. Havia reparado que a garota ficava mais tímida quando tinham pessoas em volta e decidiu respeitar o espaço dela. Após terminarem de comer, eles continuaram ouvindo Jack contar a todos sobre a viagem que tinha feito com seu pai para um especial da Netflix.
Após um tempo, Poppy, que estava na piscina com os amigos, chamou a inglesa para que se juntasse a ela.

- Eu vou lá um pouco. - se desencostou do jogador. - Ela anda reclamando que eu não dou mais atenção pra ela, que só fico com vocês.
- Tudo bem, vai lá se divertir, princesa - ele respondeu sorrindo, dando um beijo em seu rosto e a garota notou que pela primeira vez ele não tinha dito aquele apelido com outra entonação.
- Eu já volto, plebeu. - deu um selinho nele e correu em direção a amiga, se atirando na piscina, no meio de todos.

Enquanto esperava ressurgir na superfície, seu olhar encontrou com o de Poppy, que para sua surpresa, parecia o estar encarando há um bom tempo. O jogador mais do que nunca teve certeza que ela não ia com a sua cara.

- Maaaates... - William se aproximou deles com óculos escuros, cumprimentando um a um. - Não falem muito alto que ainda estou de ressaca - pediu, se sentando ao lado de Eric, que bagunçou seu cabelo - Cadê minha irmã?
- Na piscina com a Poppy. - Eric respondeu e William observou a cena em silêncio por alguns longos segundos.
- E alguém já viu o Jamie?
- Eu não o vejo desde ontem a noite.
- Acho que já posso encomendar a roupa para o casamento. Tenho certeza que serei o padrinho. - Will disse do seu jeito de sempre, mas ele logo fechou a cara ao ver para onde estava olhando atentamente. Ele se aproximou do jogador, dando uns tapinhas em suas costas. - Continua olhando pra minha irmã assim, continua…
- Por que você não vai arrumar essa cara, Will. Está péssima! - Louise zombou o amigo para ajudar .
- Eu também te amo, Lou. - o inglês disse abrindo um sorriso e abraçou a loira. - Faz quanto tempo que a tá ali?
- Quase meia hora. - respondeu e o loiro assentiu, se voltando para a amiga.
- Não deixa ela muito tempo lá, você sabe como a Poppy adora se fazer de vítima para a minha irmã. Qualquer coisa me manda uma mensagem que eu resolvo, vou pegar algo para comer antes que meu estômago morra de vez. Preciso estar recuperado até a noite. - soltou com seu sorriso característico e foi em direção à churrasqueira.

Louise apenas concordou e encarou a amiga que conversava com seus antigos colegas de escola. Para tirar de perto de Poppy, ela sugeriu que todos entrassem na piscina e Son foi o primeiro a se jogar, espalhando água para todos os lados. Todos os outros o seguiram e sorriu ao ver mergulhar em sua direção, assim que seus olhos se cruzaram.
Quando ela voltou a superfície, seus cabelos molhados dançavam com o movimento da água e seus olhos pareciam reluzir ainda mais. Ele tinha certeza de já ter visto uma cena como aquela em algum comercial de perfume na TV, mas o que ele mais tinha certeza era de nunca ter se sentido daquela forma antes. O jogador deu graças a Deus por William não estar prestando atenção neles, porque foi impossível desviar os olhos do decote do biquini da garota, quando ela se aproximou ainda mais dele.

- Linda de qualquer forma, de vestido, uniforme, biquíni… - disse baixinho, com um sorriso extremamente fofo, tocando no rosto da inglesa. - Eu só preciso me controlar, seu irmão disse que vai quebrar minhas pernas se eu continuar te olhando, mas tá difícil, você também não me ajuda.
- Meu irmão é muito ciumento, nunca vi. - a inglesa resmungou e passou seus braços pela cintura do jogador, para que apenas ele ouvisse - Eu achava que você ficava bonito de preto, mas só porque nunca tinha te visto de branco. - a inglesa disse mordendo o próprio lábio e engoliu em seco.
- Não morde ela não. - ele disse, passando o dedo pelo lábio da garota. - Deixa pra mim.

💂

O silêncio daquela noite era o completo oposto da noite anterior, o que foi bem vindo para todas aquelas pessoas, a sua maioria ainda curtindo uma ressaca. O único som que podiam ouvir eram as vozes na tela. Todos os convidados estavam sentados nas diversas espreguiçadeiras e enormes puffs que tinham sido espalhados pelo gramado, assistindo a Guardiões da Galáxia Vol II.
observava assistir ao filme compenetrada, enquanto fazia carinho no cabelo dela, se perguntando o que mais poderia fazer para animá-la. Após a guerrinha que fizeram na piscina, onde as meninas subiram nos ombros dos garotos e quem caísse primeiro perdia, todos foram para seus quartos dormir, para aguentar mais uma noite que terminaria apenas quando o dia começasse a clarear. Os dois não fugiram à regra e acabaram caindo no sono sem perceber, no sofá do quarto deles.

O jogador havia acordado sentindo todo seu corpo doer, não tinha como odiar mais aquele sofá, mas sorriu ao notar que ainda dormia tranquila ao seu lado. Decidiu deixar ela descansando mais um pouco e foi tomar banho para dar espaço a ela quando ela quisesse se arrumar. Como teve que fazer a barba, acabou demorando mais que o esperado e estranhou ao ouvir vozes altas próximas demais a sua tenda.
Ao sair do banheiro notou que a inglesa não estava ali e logo reconheceu uma das vozes como sendo a dela, deu alguns passos em direção a saída, mas acabou se assustando ao vê-la entrar com o rosto vermelho e um olhar nada feliz.

- Ei, o que foi? - segurou nos ombros dela, tentando entender o que tinha acontecido.
- Não é nada… - ela se esquivou do jogador e se jogou no sofá, dando um gritinho contra o travesseiro. - Desculpa, não quis ser grossa com você, é que a Poppy às vezes testa minha paciência e boa vontade. Esse final de semana parece que ela tá se esforçando mais que o normal.
- O que aconteceu? - o jogador se sentou ao lado dela.
- É só que… - respirou fundo e encarou , foi impossível não abrir um sorriso ao perceber como ele estava sendo incrível com ela naquele final de semana. Sem resistir, deu um beijo no jogador. - Vamos falar disso outro dia? Eu queria que esse final de semana fosse só meu e seu, da Penélope falamos depois.
- Tudo bem.

Quando finalmente se acalmou, ele sugeriu que ela começasse a se arrumar para a noite e foi procurar por Eric, Louise e Son, com quem ficou até receber uma mensagem da inglesa dizendo que estava pronta.

- Ei - o jogador a chamou baixinho, notando que ela parecia cansada. - Quer voltar pra tenda? Eu não vi o primeiro filme então não estou entendendo nada e sei que como não é filme de terror você deve estar achando que essas cenas deveriam ter mais sangue e partes de corpos sendo cortados fora.
- Besta. - a garota bateu de leve em sua barriga e entrelaçou seus dedos aos dela. - Vamos sim, eu perdi o clima dessa festa faz tempo.

não entendia a amizade de e Penélope, da forma que a garota falava da amiga pareciam ser melhores amigas, mas as atitudes de Poppy mais lhe pareciam de uma inimiga. Depois da discussão que ouviu elas terem do lado de fora da tenda, ainda presenciou as duas novamente trocarem palavras nada agradáveis enquanto ele pegava pipoca, nacho e bebidas para eles.
tinha ficado no puff para guardar lugar para os dois e ele viu o momento que Poppy se aproximou da inglesa, elas começaram a conversar, mas logo o sorriso de morreu e os gestos foram aumentando e as vozes alteradas acabaram chamando atenção de todos. William, que não tinha visto a noite toda, apareceu do nada, entrando entre a irmã e a morena. Em seguida, Louise, que em um segundo estava na fila com ele e Son e no outro ao lado de Jamie e Olivia correndo para a ajudar os irmãos, conseguiu fazer com que Penélope se afastasse da amiga.

Para ele doía presenciar tudo aquilo de longe, mas Louise o tinha impedido de ir atrás e sabia que naquele momento não deveria piorar ainda mais a cena, por isso se preocupou em pegar todas as comidas e bebidas possíveis e voltou para o lado da inglesa e, após colocar tudo na mesinha em frente a eles, a abraçou pelo que pareceu horas. Podia sentir as lágrimas da garota em seu pescoço e não a soltou por um único segundo, até ter certeza que ela tinha se acalmado.
Ele até tentou fazer com que eles fossem para a tenda, mas insistiu que não queria estragar a noite deles e por isso ele tinha aceitado ficar ali por quase metade do filme.
Assim que eles se levantaram, William, que tinha se sentado pouco atrás da irmã também se levantou e se aproximou dos dois, mas o segurou pelo braço, sussurando algumas palavras em seu ouvido, ainda sem soltar da mão de e com um beijo no rosto da irmã e um aceno para o jogador, voltou a se sentar com Emily, uma das garotas que ele ficava de vez em quando.

Os dois caminharam em silêncio até a tenda e enquanto a garota se trocava ele preparou um chá para os dois. saiu do banheiro já com seu pijama, um shorts de seda estampado e blusinha de algodão que por mais casual que fosse, fez desviar os olhos. Sabia que precisaria de muito autocontrole pelas próximas semanas.

- Obrigada. - ela disse ao se sentar na cama com sua xícara e convidar o jogador para se sentar ao lado dela. - Eu queria me desculpar por hoje, por esse final de semana… Eu queria que esses três dias fossem os melhores que já tivemos, mas a Poppy tinha outra ideia.
- O que aconteceu? - o jogador perguntou firme, não queria invadir um espaço que talvez não tivesse liberdade, mas precisava saber o que Penélope tinha feito para fazê-la chorar daquela forma.
- Pra você entender eu preciso contar a história toda, pode ser? - perguntou, vendo-o concordar - A Poppy é minha melhor amiga desde que temos doze anos, sempre fomos grudadas e eu amo ela como amo minha família. Mas quando os pais dela se separaram, ela não lidou nada bem com a notícia. Eles sempre viajaram muito e depois do divórcio ela passou a ver eles menos ainda. Meus pais praticamente a adotaram, ela ia muito lá pra casa, tinha até um quarto só dela.
- Imagino que não tenha sido difícil encontrar um. - brincou, puxando a mão de para si, tirando os anéis dela e colocando nos próprios dedos de brincadeira.
- Era no mesmo andar que o nosso… - ela explicou, roubando os anéis dele para ela, o fazendo sorrir. - Um tempo depois ela começou a andar com a Margot e outras garotas um ano mais velha, mas ainda éramos amigas. Foi nessa época que a minha mãe engravidou, e quando a Lucy nasceu, eu e o Will íamos todos os finais de semana para casa. Não tinha como não querer ficar perto do bebê mais lindo que eu já vi nesse mundo.

observava atentamente a inglesa contar a história da amizade dela com Penélope e se viu surpreso ao ouvi-la falar de Lucy tão abertamente. Ele não tinha muitas certezas, só imaginava que a garotinha que tinha visto no porta retrato poderia ser irmã deles, mas ter a confirmação o deixava ainda mais triste, ele podia sentir a dor de na própria pele. Ela ainda contou como Poppy continuou a se afastar mais e mais e por conta das amizades que tinha feito, acabou se entregando ao vício.
conhecia muitas pessoas que faziam uso de diversos tipos de drogas recreativas e sempre observou características semelhantes na morena. Por mais que defendesse a amiga, ele conseguia ver como Poppy era tóxica e pelo que tinha visto durante todo aquele final de semana, ele não era o único a achar o mesmo.

- A gente sempre teve um pouco de ciúmes uma da outra, mas nossa amizade sempre foi forte. Por mais que a gente se distanciasse, ela sempre voltava. Foi nessa época que fiquei amiga da Louise, a Poppy só queria saber de beijar, beber escondido e fumar e eu não poderia ser mais diferente. Mas apesar de tudo, nunca tivemos problemas com os namorados uma da outra, posso não ter gostado de todos, mas sempre os tratei bem, assim como ela. Não sei que birra é essa que ela tem com você.
- Eu acho que posso imaginar - o jogador soltou e a garota o encarou curiosa - Eu te disse que sou diferente das pessoas que você já esteve antes.
- Isso seria ridículo, . Mas ela sabia o quanto eu queria que esse final de semana fosse só nosso. Custava me dar espaço? Eu sempre estive lá por ela, quando os pais a mandaram pra Amsterdam numa clínica de reabilitação eu a visitava sempre, mesmo com tudo que aconteceu com a Lucy, ia sem questionar. Agora quando eu quero um tempo pro meu novo relacionamento, parece que estou propondo nunca mais falar com ela.
- Ela ficou muito tempo lá?
- Qual das vezes? - a garota rebateu, soltando uma risadinha cansada. - Ela foi pra lá umas três, quatro vezes. Sempre que ela estava mal me ligava, aparecia em casa esmurrando a porta. Ela já chegou até a aparecer do nada numa viagem com minha família. Estávamos apenas meus pais e avós, era uma tentativa de nos recuperarmos do choque da morte da minha irmã e do nada ela aparece lá, bêbada, querendo me levar pra sair. Ainda ficou super nervosa quando meus pais não deixaram.
- Eu nem imagino o que seus pais sentiram.
- Meu pai ligou pro dela na hora e exigiu que a buscassem. Estávamos todos muito fragilizados ainda e ver que ela tinha tido mais uma recaída não foi nada fácil. Apesar de tudo me preocupo muito com ela, mas minha psicóloga me ensinou a entender que eu não sou responsável por ela. Ela me ajudou a ver que podemos sim sermos melhores amigas, mas nem por isso devo deixar que ela faça com que eu me sinta culpada por ter uma vida “feliz”. E que não devo deixar que ela afete a minha saúde mental. Levou um bom tempo e um certo acidente para que eu aprendesse a me colocar em primeiro lugar. Não sei se você já teve alguém assim próximo a você, mas é algo bastante desgastante emocionalmente.
- Você realmente não existe. - abriu os braços e se aninhou sobre ele - Eu não sei se tenho essa liberdade, mas pelo que vi... Seu irmão, a Louise e até o Jamie pensam o mesmo que eu, ela não te faz bem, .
- Só porque ela me fala que, agora que eu arranjei um "namoradinho", sou boa demais pra ser amiga dela? E que se eu realmente gostasse dela ficaria com ela nesse final de semana e não só com você e a Louise? - sentiu as lágrimas caírem por seu rosto e mesmo lutando para esquecer tudo que ouvira da amiga, não conseguia. a abraçou ainda mais forte.
- Eu queria saber o que te falar pra você parar de chorar, princesa. Quer mudar de assunto?
- Por conta de todos os problemas dela eu acabo não falando com ninguém sobre o assunto, todo mundo fica bravo comigo. Mas ninguém entende como é difícil virar as costas quando sua amiga mais precisa de você.
- Mas ela precisa mesmo ou apenas faz parecer que precisa?
- Eu não sei, o Will diz que ela se faz de vítima porque não quer me dividir com ninguém…
- Você pode falar comigo sobre ela. Eu prometo não julgar se você prometer não ficar chateada se eu disser algo sincero demais. Combinado? - a risadinha que o jogador deu foi o suficiente para fazê-la sorrir.
- Eu acho que já acostumei um pouco com esse seu jeito, pelo menos dessa vez não vou ser o alvo principal.
- Ouch!! - colocou a mão no coração de brincadeira e num impulso virou na cama e se colocou por cima dela, apoiando o próprio peso sob os braços. - Você é tão linda, que me dói te ver triste dessa forma.
- Eu não imaginei que fôssemos começar dessa forma, você já vendo o pior dos meus lados.
- Você pediu pra assumimos algo, pra mim isso significa conhecer alguém por inteiro e se esse é o seu pior, saiba que não me assustou nem um pouco. Muito pelo contrário, só me faz querer conhecer mais você.
- Quem é você e o que fez com o que eu conheço? - a garota perguntou divertida e o jogador mostrou a língua para ela, antes de beijá-la.
- Esse é o que você deveria ter conhecido desde o primeiro dia.

💂

fazia carinho na nuca de , que por sua vez tinha a cabeça apoiada no peito da inglesa. Estavam em silêncio há algum tempo, algo que fora bem vindo para . Ela ainda tinha na cabeças as muitas coisas que ouvira de Poppy naquele final de semana.

- Posso fazer uma pergunta e você só me responde se quiser?
- Pode.
- Como foi isso? - levou seus dedos para dentro da blusinha do pijama de , tocando delicadamente sua cicatriz. Como não podia vê-la, ele apenas a ouviu respirar fundo e se mexer, o fazendo se virar para ela. - Desculpa, eu não…

Antes que sequer terminasse sua frase, a inglesa levantou a blusa, deixando toda sua cicatriz aparente e ele a encarou surpreso e incerto.

- Eu nunca soube direito pra que servia o pâncreas, mas quando o meu praticamente se partiu em dois, eu descobri que ele serve pra muita coisa, inclusive me manter viva.
- Quando li do seu acidente não imaginei que tivesse sido tão grave.
- Nem eu! Infelizmente eu estava sem cinto e com a força do impacto meu pâncreas se partiu quase todo. Na hora, por causa do choque, eu não sentia nada e meu irmão parecia bem, ele só tinha um corte na cabeça, achei que tivemos sorte. Mas então eu comecei a vomitar sangue e foi aí que percebi que tinha algo muito errado acontecendo.
- Demorou pra ambulância chegar?
- Eu não lembro. - colocou a blusa de volta no lugar e se deitou ao lado dela, os cobrindo. Os dois se deitaram de lado, se encarando e o jogador deu sua mão à inglesa por baixo da coberta. - Eu não lembro de nada depois que comecei a vomitar, o Will disse que eu não estava muito consciente, ele que ligou pra polícia. Eu só lembro de acordar no hospital já com a cirurgia feita. Os médicos disseram que nunca tinham visto algo assim acontecer antes, até pediram autorização pros meus pais pra tirar fotos e usar como caso de estudo.
- Teve alguma sequela?
- Não, mas morei naquele hospital por quase um mês. Foi uma cirurgia muito delicada e eles precisavam que eu não fizesse nada pra dar chance pro meu corpo se recuperar. Essa da testa acaba não parecendo nada, quando olho pra minha barriga.
- Você não devia ter vergonha de nenhuma das duas, são apenas marcas. Eu as acho bastante sexy. - abriu um sorriso fechado ao ver a garota ficar tímida. Achava adorável a forma que o rosto dela mudava de cor quando ele a elogiava.
- Demorou, mas eu me acostumei com ela. Leva um tempo pra auto estima voltar, ainda mais na idade que eu tava. Garotos podem ser bem idiotas às vezes e quando eu vi que você tinha descoberto ela, acho que fiquei um pouco insegura de novo.
- Não deveria, eu só fiquei preocupado e um pouco chocado, não imaginei que o acidente tinha sido tão feio. Mas deveria ter percebido quando soube que você não dirigia.
- Eu não consigo, no começo até tentei, mas tive crises de pânico. O Hugo é filho de um casal de funcionário dos meus avós, me viu crescer. A minha pior crise foi tentando voltar da casa deles no interior para Londres. Ele se ofereceu pra dirigir de volta pra mim e fez de tudo pra me tranquilizar o caminho todo. Assim que chegamos em casa, meu pai o contratou.
- Dá pra ver como ele se importa com vocês. - o jogador disse e acabou deixando escapar um bocejo.
- Você está cansado. - constatou, passando a mão no rosto de e ele se surpreendeu ao notar que ainda sentia algo esquisito em seu estômago toda vez que ela o tocava.
- Eu já vou pra minha cama, eu só quero ficar com você mais um pouco. Ter certeza que você está bem.
- , você pode dormir aqui, não tem problema. Aquele sofá não é muito confortável, estou com dor nas costas desde que acordei.
- Melhor não. - ele abriu seu maior sorriso safado e a inglesa o encarou chocada, antes de se esconder embaixo das cobertas.

gargalhou ao ver a reação da garota, mas quem acabou dando a última risada foi a inglesa que aproveitou para deitar por cima do corpo dele, depositando um beijinho na curvatura do pescoço de , o fazendo se arrepiar por inteiro.

- Obrigada por essa noite, , ela estava péssima e você a fez especial.
- Sempre que precisar, princesa - respondeu, dando um beijo na testa da garota. - Boa noite.
- A cama é grande. - constatou, chamando a atenção de que já estava de pé. - Meio clichê, eu sei, mas eu não vou te deixar dormir ali, com as pernas pra fora. Depois a Samara vem puxar teu pé e você vai me acordar com seus gritinhos histéricos
- Precisava acabar com a minha noite? - falou sofrido, a vendo gargalhar. Sem querer perder a oportunidade, ele tirou a roupa, ficando apenas com a boxer e sorriu ao ver o olhar que a inglesa o lançou.
- Coloco um travesseiro no meio por precaução? - perguntou divertida.
- Se você não tivesse mencionado a Samara sim, mas agora só vou ficar pensando se ela vai aparecer.
- Eu te protejo. - a inglesa rebateu.
- Disso eu tenho certeza, mas, e se o Jason ficar com ciúmes?
- Daí então era uma vez o .
- Não tem graça.
- Teve sim. - disse ainda rindo e apagou a luz, mas por conta de todas as tendas ao redor, ainda era possível enxergar um ao outro. - Boa noite, .
- Boa noite, princesa.


- … - a chamou depois de um bom tempo em silêncio - Você é incrível, nunca deixe que alguém te faça duvidar disso.

💂

colocou seu celular pra vibrar as dez da manhã em ponto. havia dito que acordaria meia hora depois para que fossem se juntar a todos para a comemoração final do aniversário de Olivier. O brunch começaria às onze e ela queria dormir o máximo possível para aguentar a semana seguinte, que seria puxada.
Após um final de semana incrível, tinha ainda mais certeza de ter tomado a decisão certa. Não eram namorados, mas sabia que não tinha o menor interesse em ficar com mais ninguém, além da garota que dormia em paz ao seu lado. Apesar da vontade de tirar uma foto dela dormindo, não sabia se ela se incomodaria, então se contentou em dar um beijo de leve em seu nariz e se levantou para preparar um café para ambos, antes que fossem para o brunch.

- Bom dia, dorminhoca. Você roncou de novo. - mentiu, a vendo o encarar confusa e se sentar na cama, pegando a caneca com seu café.
- Eu não ronquei não. - a garota resmungou e a voz dela saiu grave por conta do cansaço. - Ronquei?
- Não. - respondeu depois de dar uma alta gargalhada.
- Ai, não sei como ainda caio nas suas bobeiras. Dormiu melhor? - perguntou, vendo-o dar a volta na cama para se sentar ao lado dela.
- Muito, aquele sofá parece uma pedra.

Assim que terminaram o café, voltaram a se deitar abraçados e em silêncio. Ambos sabiam que aquele final de semana tinha sido um divisor de águas.

- Então somos um casal? - o jogador perguntou encarando o teto, mas virou seu rosto para a inglesa para ouvi-la responder.
- Está todo mundo vestido? - Eric Dier apareceu na tenda de banho recém tomado. - Vamos, estou morrendo de fome. - comentou se jogando na cama, no meio dos dois amigos, abraçando um de cada lado.
- Você não tem mais o que fazer, não? - perguntou, tirando o dedo de Eric de seu ouvido.
- Vocês não sabem como fico feliz em ver vocês finalmente juntos. Me dava raiva ver duas pessoas tão certas uma para a outra, só discutindo.
- Eu acho que estamos mais para um trisal. - respondeu a pergunta de , vendo Eric os encarar completamente confuso.

Apesar da intromissão, percebeu que ali, ao lado de seu melhor amigo e da garota que vinha tirando seu sono, era exatamente onde ele deveria estar.



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