Última atualização: 22/11/2020

Capítulo 8

ainda se lembrava de tudo que tinha acontecido na festa de Olivier. Nem ela entendia o que a tinha feito se abrir daquela forma com , mas não se arrependia, ele tinha sido seu porto seguro. Mal tinham começado algo e Penélope quase tinha posto tudo a perder. Poppy passou a semana toda tentando falar com ela, mas se recusou a atender qualquer uma de suas ligações ou batidas na porta. Se viu obrigada a conversar com a amiga, quando ela apareceu na fundação sem avisar e a inglesa sabia que se não a atendesse as coisas ficariam piores.
Após uma longa conversa, a qual conhecia o discurso de cor, as duas se entenderam em partes, como sempre acontecia. deixou bem claro que queria dedicar seu pouco tempo livre a sua nova relação e que se Poppy quisesse vê-la, teria que dar uma chance real a . A garota podia ver que a amiga não tinha gostado muito da condição, mas como sempre fazia quando pisava na bola, concordou sem pestanejar.

- E ela te ligou depois disso? - ouvia atentamente sobre o encontro de com Penélope.
- Não, mas eu já esperava por isso. Ela vive postando no Instagram, então eu sei que ela está bem. Vivendo a vida como sempre.
- Eu sinto muito por isso.
- Obrigada, . - os dois tinham acabado de chegar na casa da inglesa, após almoçarem juntos no centro de Londres.
- Pelo quê? - ele franziu as sobrancelhas e a garota sorriu.
- Por cumprir o que prometeu e me ouvir falar sobre a Penélope. Eu sei que depois de tudo você deve estar pensando porque ainda sou amiga dela e mesmo assim ainda me ouve. - o jogador desligou o carro e abaixou a cabeça, soltando uma risadinha nasalada.
- Mais ou menos isso. - assumiu, se virando para ela e segurou em sua mão com carinho. - Depois de tudo que ela te disse e a forma que você ficou, se dependesse de mim você nunca mais a veria.
- Vamos entrar? - estava decidida a não deixar que Poppy comandasse seu encontro com o jogador, não de novo.
- Seus pais não estão, certo?
- Eu já disse que não, eles vão sair depois do trabalho, tem um jantar qualquer. - disse dando de ombros. - O William chega tarde em casa também de dia de semana, seremos só nós.
- Ok.

Após cumprimentarem os funcionários que ainda estavam na casa e brincarem com Matilda, os dois seguiram para o último andar da casa, onde ficavam os quartos de e William.

- Seus pais tem um andar todo só deles? - perguntou após mostrar um pouco da casa para ele.
- Sim, tem um quarto de hóspedes também para os amigos deles. - ela respondeu, subindo as escadas - Nós podemos ser um pouco barulhentos, ainda mais quando nossos amigos também dormem aqui.
- Entendi - ele riu fraco, já imaginando a bagunça que era quando William trazia os amigos - E esse monte de retrato? - perguntou, reparando nas pinturas antigas que preenchiam as paredes.
- Ah, sim. - a garota o encarou um pouco envergonhada - Quando você conhecer meu pai, você vai entender. Ele é fanático por história, ainda mais se for a da nossa família. Esses são todos os nossos antepassados, minha mãe já tentou diminuir os quadros, mas ele não deixa. A solução que encontramos foi colocar aqui nas escadas, ao invés de por toda casa.
- Até que é legal. - comentou e a garota o encarou duvidosa - Eu estou falando sério, é legal saber a história de toda sua família. - deu de ombros e apenas balançou a cabeça em concordância. Para não mudar o clima descontraído que estavam desde que se encontraram no restaurante, ela pegou em sua mão, o direcionando para seu quarto.
- Seja bem vindo ao meus aposentos reais. - anunciou brincalhona, apontando para a porta à sua frente. sorriu, apertando sua cintura de leve, antes de entrar no local.
- Uau, é bem diferente do que eu imaginei. - assumiu, olhando ao seu redor. O quarto tinha os tons todos neutros em bege, branco e cinza. Elegante e simples, assim como a garota.
- O que você estava esperando, um quarto todo cor de rosa?! - a garota perguntou debochada, antes de fechar a porta.
- Mais ou menos. - concordou, rindo de si mesmo - Bom, agora eu não sei se isso vai combinar... - confessou, tirando a mochila das costas e se aproximou curiosa.

tirou uma pequena almofada em veludo cor de rosa claro, que por toda volta tinham pequenos pompons do mesmo tom.

- Eu não acredito. - dava risada, observando o objeto em suas mãos. - Eu adorei, vou colocar aqui. - disse, colocando no pequeno sofá cinza que tinha em frente a sua janela. - Mas, por que isso?
- Sei lá, só estava tentando encher o saco e ser fofo ao mesmo tempo. - disse, dando de ombros.
- E foi, muito fofo. - agradeceu, colocando as mãos em volta de sua cintura, antes de lhe beijar. - Obrigada!

passou alguns minutos observando o quarto da garota e se aproximou de uma parede, onde tinham alguns porta retratos com fotos de sua infância, reconhecendo algumas pessoas em algumas delas. Quando ele matou toda curiosidade do local, ambos se sentaram na cama, um de frente pro outro e passou a contar algumas histórias que lhe vinham à mente.

- Teve uma vez que eu tava na casa dos meus avós e na volta eu precisei ir ao banheiro, paramos em uma fazenda e o dono estava doando filhotes de coelho. - Ela mordeu o lábio inferior antes de continuar - Eu trouxe oito pra casa.
- Oito?! - O jogador arregalou os olhos fazendo a inglesa sorrir - E seus pais deixaram?
- Claro que não! O William distraiu o nosso motorista e eu coloquei a caixa no porta malas, mas não tinha como ficar com eles, nós éramos crianças e ia acabar sobrando para os meus pais, mas ele descobriram apenas uma semana depois…
- Como? - perguntou, enquanto se deitava na cama, rindo da história que a inglesa contava.
- Eu sabia onde meus pais colocavam as chaves dos quartos e comecei a trancar o meu antes de ir pra escola. Eu disse pra eles que já era uma mocinha e precisava de privacidade. Imagina, com oito anos… - a inglesa riu, se jogando na cama ao lado dele. - No começo eles deixaram eu ter minha "privacidade", mas logo deu pra perceber que a gente tava aprontando porque do nada todas as nossas perguntas para eles eram sobre filhotes de coelhos. Pedir todo dia por cenouras, quando a gente odiava elas, também não foi muito esperto de nossa parte. Um dia, chegando em casa depois do futebol, eles estavam todos em um cercado na cozinha.
- Eu imagino a decepção da mini . - a encarou e ela concordou, sorrindo largo.
- Acho que nunca me esforcei tanto para chorar como fiz naquele dia, mas no final sei que o que fiz foi muito irresponsável. Eles deixaram a gente ficar com eles até o final de semana e uma ONG veio buscá-los, já que até o dono deles fez errado em apenas deixá-los para adoção sem se importar com quem ficaria com eles.
- Seus pais são bem legais.
- Nem tanto, tivemos que doar três meses de mesada para a ONG, mas um dia ainda quero ter um monte de bichinhos.
- Dolittle?
- Mais ou menos isso. Eu era viciada em 101 Dálmatas, todos os anos eu escrevia pro Papai Noel pedindo por eles.
- Cento e um cachorros?! - se virou para ela, apoiando a cabeça na própria mão - Mas que o William era uma peste ninguém precisava me dizer, mas saber que você, toda princesinha , era ainda pior… - o jogador se ajoelhou na cama, fazendo cócegas em , que se remexeu toda, tentando se livrar das mãos do jogador.
- Para, , por favor. - pediu, com lágrimas nos olhos de tanto rir. Sem querer exagerar, o jogador cessou as cócegas e ainda rindo, se pôs sob seu corpo, distribuindo diversos beijinhos por seu maxilar. - Eu realmente era bem pestinha, nossos pais tiveram trabalho.
- Agora quem tem trabalho sou eu. - o jogador sorriu de lado e antes que a garota sequer tivesse tempo de arregalar os olhos, a beijou.

estava amando passar a tarde na casa de . Sempre tivera curiosidade em conhecer mais da casa, mas estava adorando ainda mais, poder conhecer um outro lado da garota. Ela o encarou perdido em pensamentos e com as costas da mão, fez carinho no rosto do jogador, que sorriu, fechando os olhos. Ela podia sentir sua pele pinicar com o pouco da barba que começava a crescer.
Ele tomou sua mão para si, a beijando e o abraçou, mantendo seu corpo ainda em cima de si.

- E você, ? Não tem nenhuma história doida pra me contar, além de se machucar brincando de fantasma? - se preparou para receber mais cócegas, mas para sua surpresa, o jogador se levantou, fechando o sorriso.

se sentou imediatamente, chateada consigo mesma por ter acabado com o clima divertido e descontraído que tiveram por toda a tarde.

- , me desc… - a garota se levantou, indo atrás do jogador que estava de costas para ela, mas antes dela sequer terminar a frase, o jogador se virou, passando os braços por sua cintura e a beijou.
- Você sabe que eu sou adotado, certo?
- Bem, eu não sei, eu imaginei por conta do seu irmão…E do pouco que vi pela internet - ela disse um pouco insegura.
- Eu não deveria ter reagido daquela forma, eu que te devo desculpas. - pediu e apenas sorriu, acariciando seu rosto e o beijando mais uma vez. - É que… grande parte da minha infância eu as vezes prefiro nem lembrar.
- Você não precisa me contar nada se não estiver pronto. - ela sorriu para ele tentando o tranquilizar e se aproximou, dando um beijinho na ponta de seu nariz, a puxando para sentarem na cama novamente.
- Eu não sei se estou, mas eu quero. - Ele parou por um momento, não era algo que falava abertamente, nem com facilidade, mas ao ver os olhos da inglesa, tão focados nele, decidiu continuar - Minha família tá bem longe de ser igual a sua, meu pai largou minha mãe uma semana depois que eu nasci. E, desde que me conheço por gente, as lembranças que tenho dela são sempre com uma garrafa na mão. Acho que perdi as contas das vezes que uma assistente social bateu na nossa porta.
- Ah , eu sinto muito… - puxou o jogador para mais perto dela, o abraçando. - Se eu soubesse, não teria tocado nesse assunto.
- Eu amei ouvir suas histórias, não é porque a minha infância foi diferente que não vou sempre te ouvir.
- E você ainda tem contato com seu pai? - Ela perguntou se soltando do abraço, mas entrelaçou seus dedos aos dele.
- Quase nada, já tive mais. Quando as coisas com a minha mãe biológica pioraram, acabei indo morar com ele. Morei dois anos na Nigéria.
- Ah, então é de lá sua descendência. - a garota abriu um sorriso, que fez ficar curioso com a reação - Em qual lugar?
- Em Lagos. Depois fomos para os Estados Unidos por mais dois anos, mas quando ele viu que meu interesse pelo futebol não era passageiro, ele sabia que eu tinha que voltar. Não demorou para conseguir uma vaga no MK Dons e foi aí que eu acabei conhecendo o Harry e a família dele. A minha família. - adicionou no final.
- E como eles são? - na hora viu toda a tristeza sair de seu rosto e um sorriso incrível se abriu. Um que raras vezes ela o tinha visto dar.
- Foi com eles que eu aprendi o que é ter uma família de verdade. Antes eu mal estudava e passava a maior parte do tempo na rua. - explicou - Eu e o Harry ficamos muito amigos logo de cara, eu vivia na casa dele. O Alan e a Sally, os pais dele, quando conheceram a minha mãe e entenderam minha realidade, começaram a me dar carona para os treinos, depois passaram a me convidar para almoçar, dormir lá. Tinha vezes que eu passava a semana toda com eles sem minha mãe se importar, até que eles me perguntaram se eu gostaria de morar com eles pra sempre. Eu não precisei pensar nem meio segundo…
- E sua mãe, como ela reagiu?
- Ela aceitou, ela tem mais três filhos de pais diferentes, . Ela disse que sabia que era o melhor pra mim, ainda mais com a assistente social fazendo visitas mais frequentes. Os Hickfords me acolheram como nunca ninguém tinha feito antes, eu devo tudo a eles.
- É por isso que… Não, deixa pra lá. - a inglesa pareceu pensar melhor.
- Pode me perguntar, princesa. Eu não vou ficar chateado, nem ser um grosso com você.
- Tudo bem… Eu estava olhando fotos antigas suas e eu reparei que você usava na camisa e agora você só usa .
- Desde que eu tive a ideia, eu pensei muito, conversei com meus pais, com o Harry. Pra mim não fazia sentido usar um sobrenome que eu não me identifico mais. Mesmo não tendo sido adotado oficialmente, eu me vejo muito mais como um Hickford.
- Eu fico feliz que eles tenham cruzado seu caminho, . - a garota tinha lágrimas nos olhos - Você merece demais tudo que conquistou.
- Quando eu descobri sobre sua fundação e fui te visitar, foi como me ver no passado. E saber que você, que veio de um lugar como esse e escolheu ajudar crianças como eu… Significa muito pra mim. - confessou, se jogando para trás, trazendo a garota consigo.
- É só uma forma de fazer a minha contribuição para um mundo melhor, não é nada demais. Tem gente que faz muito mais. - , que estava por cima dele, se ajeitou de modo a apoiar o rosto no peito do jogador.
- E tem quem não faça nada. Pode parecer pouco, mas eu tenho certeza que aquelas crianças vão lembrar de você pra sempre. - encarava o teto, verdadeiramente feliz por existirem pessoas como no mundo - Sabe o que mais?
- O quê? - ela perguntou curiosa, vendo a cara que ele fazia sempre que queria irritá-la.
- Eu também acho que mereço tudo que conquistei, ainda mais uma certa Lady, metida a princesa.
- E quem disse que você me conquistou?
- Você pode até dizer que não, mas é so eu comecar a te beijar aqui… - o jogador depositou um beijo em seu pescoço, sorrindo vencedor ao ver fechar os olhos. - Que eu tenho certeza que sim.

💂

- Eu tenho certeza que você nunca aprendeu a fazer essa pipoca, só pra ter uma desculpa pra me ver. - a garota disse divertida, enquanto eles voltavam a subir as escadas. tinha um chá em mãos, enquanto levava seu próprio chá e o pote de pipoca e atrás dele, Matilda os seguia, comendo o que o jogador deixava cair.
- E você só percebeu isso agora? - ele disse com a sobrancelha erguida e a inglesa o encarou com os olhos arregalados.
- Não acredito! - exclamou feliz, jogando uma pipoca em sua direção, mas sem querer, ele acabou conseguindo pegar com a boca, fazendo ambos rirem alto.
- Isso que é inacreditável, isso sim. - respondeu, orgulhoso de seu feito. - O que foi? - perguntou, ao vê-la parar no corredor.
- Vem comigo. - ela disse simplesmente, passando a porta de seu quarto. - Esse é o quarto do Will. - explicou, deixando que desse uma olhada no local.
- Impressionado de novo. Imaginei que seria completamente diferente…
- É que arrumaram, geralmente parece que uma bomba explodiu aí dentro. - ela riu, fechando a porta e parou em uma outra, que raramente era aberta. - Vem.

mal terminou de entrar no quarto e já sentiu seu coração se comprimir. Aquele quarto era para uma criança: Lucy. Diferente de toda a casa, que tinha uma decoração tradicional, neutra, aquele quarto tinha cor, tinha vida. Tinha saudade.

- A Lucy que escolheu o papel de parede - disse sorrindo, olhando para o mesmo local que . - Ela era pra minha mãe tudo que eu não fui, a Lucy amava usar vestidos, laços, dançar ballet… Uma perfeita princesinha.
- Por isso a decoração... - comentou, observando o pequeno par de sapatilhas pendurada no canto da cama, que estava feita como se alguém ainda a usasse.
- A gente ainda não conseguiu… - A inglesa falou, respondendo a pergunta que ele não verbalizou - As vezes eu me sinto pronta, mas meu irmão não. Outras é minha mãe e então encontramos meu pai aqui… A gente ainda não conseguiu. - repetiu, soando quebrada, como sempre a via quando o assunto era o acidente ou Lucy.

Ele colocou sua caneca e o pote de pipoca na cômoda que ficava no local e abraçou , que já tinha os olhos cheios de lágrimas. O quarto, embora carregado de saudade, fazia se sentir em paz. O silêncio, o cheiro de alfazema, o pequeno porta retrato com uma garotinha de coque e vestida com um collant e tutu cor de rosa. O sorriso. Lucy era a cara de .

- Quanto tempo faz?
- Oito anos. - o encarou e seus olhos estavam vermelhos, as lágrimas rolavam sem parar - Às vezes parece que foi ontem, em outros momentos parece que foi em outra vida.
- Eu não consigo nem imaginar como deve ser essa dor… Eu nunca achei que pudesse pensar isso, mas seus anos rebeldes fazem todo sentido agora, eu provavelmente teria ficado muito pior.
- Desde que ela nasceu nós vínhamos pra casa praticamente todos os finais de semana, a primeira coisa que eu fazia era vir aqui. Minha mãe ficava doida, às vezes tinha acabado de fazê-la dormir e nós a acordavamos sem querer… Outras vezes por querer. Eu não sei por quanto tempo continuei a vir aqui, esperando abrir a porta e encontrar ela sorrindo, tentando pronunciar meu nome. Você tinha que ver ela tentando falar William, era uma graça, saía tudo errado, Wiiam. - disse, tentando imitar a garotinha.
- O que aconteceu com a Lucy, princesa? - não sabia se tinha liberdade para fazer aquela pergunta, mas sabia que se não fosse agora, nunca mais teria coragem.

Nem sabia o que a tinha feito entrar no quarto de Lucy, ou talvez soubesse bem. Depois de ter se aberto com ela, de uma forma que ela nunca acreditou que ele faria, ela percebeu que queria que ele soubesse quem era Lucy. A pequena ainda era muito viva na memória de toda sua família e se ia começar a fazer parte dela, merecia saber sobre ela.

- Diabetes! - soltou e franziu o cenho, completamente confuso - Parece bobo, né? Diabetes… Os médicos disseram que infelizmente é comum crianças terem Diabetes Tipo 1 e ninguém perceber, até ser tarde demais. Ninguém na nossa família tem, a gente nunca imaginou… Minha mãe notou que ela estava bebendo muita água, indo no banheiro toda hora, sempre cansada, mas pensamos que era alguma gripe, virose qualquer. Até que num final de semana, passamos o dia brincando e ela estava exausta. Eu acabei pegando no sono aqui. - apontou pro chão, ao lado da caminha de Lucy - Minha mãe veio nos acordar e ela tava inerte. - mal conseguia segurar o nó que sufocava sua garganta, ela se aproximou da cômoda, abrindo a primeira gaveta e de lá tirou um cobertor - A levamos pro hospital nessa coberta, há muito tempo não tem mais o cheiro dela, mas nos conforta.
- Quantos anos ela tinha? - se aproximou, abracando por trás.
- Dois anos, estava pra fazer três.
- Meu Deus, eu sinto muito . Eu não consigo acreditar que algo tão “simples” como diabetes, pode ser fatal.
- Apesar de ninguém admitir, a gente se culpa até hoje. Como não percebemos que era algo grave?! Eu fico me perguntando e se eu tivesse acordado dez minutos antes, teria feito diferença?
- A culpa não é de ninguém, princesa. Infelizmente, por mais que a gente não entenda, tudo acontece por um motivo. A Lucy foi e sempre será muito amada, eu tenho certeza que ela está lá em cima torcendo por vocês. Ela não gostaria de te ver triste, se culpando por uma fatalidade.

No que o jogador terminou de falar, desabou. a segurou e com calma, pegou em sua mão, a fazendo se virar para ele, a abraçando ainda mais forte do que antes. Com toda calma do mundo, ele se abaixou junto com ela, sentando com as costas na cômoda. Em silêncio, fez carinho em seu cabelo, até que ela parasse de chorar.
A cada dia que passava, ele tinha mais certeza que queria ser a pessoa que a seguraria toda vez que ela caísse.

💂

- Eu já estou melhor, não precisa me olhar com essa cara mais. - bateu com a mão na água, molhando .
- Acho bom você nadar rápido. - o jogador foi atrás da garota, que soltou um gritinho e se pôs a nadar, fugindo dele.

Após um longo tempo em silêncio no quarto de Lucy, finalmente ouviu parar de fungar. Ele se manteve em silêncio o tempo todo que ficaram juntos naquele quarto, apenas a segurou e fechou os olhos, deixando que soltasse tudo que vinha guardando ao que parecia anos.
Não se importava em vê-la chorar e muito menos em saber tudo que lhe afligia, depois que contou a ela sobre sua infância, sentiu um peso levantar de seu corpo. E, se era aquilo que ela precisava para se sentir da mesma forma, ficaria ali até que ela estivesse pronta.
Quando ela finalmente se moveu, os dois foram para o quarto dela e se sentaram na cama, para terminarem o chá e a pipoca. A garota aos poucos voltava ao jeito doce que ele estava acostumado. Mesmo que seus olhos ainda estivessem inchados, já sorria e foi capaz de contar algumas histórias de Lucy. Quando terminou o balde todo sozinho, a garota deu a ideia deles irem na piscina e após praticamente se ajoelhar para convencê-lo, os dois estavam finalmente na piscina aquecida da casa da inglesa.

- E não é que esses treinos extras te fizeram bem? - sorriu de lado, passando as mãos no peito de , que a abraçou. - Você está muito mais definido do que quando te conheci.
- Ficava reparando no meu corpo, é? - o jogador sugou o lábio inferior dela, o mordendo. Sorriu ao ver a garota jogar a cabeça para trás, deixando todo seu pescoço a mostra, pronto para receber seus beijos.
- Talvez um pouco. - soltou metida, porém nada convincente e desgrudou de seu pescoço, para encará-la.
- Não para. - implorou, apertando ainda mais seu abraço ao dele.

caminhou com , fazendo com que ela andasse de costas, até que seu corpo encontrasse a borda da piscina. Ela abriu os olhos ao sentir o frio do azulejo e quando viu nos olhos do jogador as intenções que ele tinha, sentiu todo seu corpo acordar.

- Não vou exagerar, prometo. - a tranquilizou, mantendo o olhar, antes de completar - Só quero me aproveitar de você e do seu corpo por uns minutos.
- Pode ter certeza que você não vai ser o único. - a garota respondeu marota, dando uma piscadinha para ele, descendo suas mãos para a barra do shorts que ele usava.
- Não brinca com fogo… - fechou os olhos, tentando se controlar. Não querendo pular nenhuma etapa, subiu as mãos pelas costas do jogador e se surpreendeu ao sentir um volume pressionar contra seu corpo.
- Mas, já?
- Já? - sussurrou em seu ouvido, mordiscando sua orelha - Se você soubesse a tara que tenho em seu corpo, seu sorriso, o cheiro da sua pele…

A garota suspirou ao sentir o jogador descer uma das mãos até sua coxa, trazendo sua perna para que encaixasse na cintura dele. já podia sentir seu estômago e outras partes de seu corpo se contraírem e sabia que não faltava muito para perder o próprio controle. Estavam levando aquilo com calma, mas tinha suas vontades e necessidades e naquele momento o tesão estava falando muito mais alto. Passou suas unhas pelas costas do jogador sem nem se importar se deixaria marcas e sorriu vitoriosa com a reação que ele teve.
estivera o tempo todo tentando se controlar. Mesmo sabendo que não conseguiria, ainda lutava contra seu outro lado que queria mais do que tudo arrancar as duas pequenas peças que impediam seus olhos de admirar por completo. Podia ver em sua pele como ela estava reagindo ao seu toque, o que só piorava ainda mais sua situação. Ao arranhar suas costas, a garota acordou algo que há muito tempo estava adormecido nele.
Os dois aproveitavam minutos irrestritos na companhia um do outro, viciados no gosto, no toque e na sensação que tinham sempre que estavam juntos. já não ouvia nada além dos sons que saíam da boca de , por isso tomou um susto ao ouvir os latidos de Matilda, praticamente ao seu lado.

- Alguém chegou! - anunciou tranquila e saltou pra trás, quase chegando do outro lado da piscina, tamanho o choque com a notícia.
- E você fala nessa maior naturalidade?! - o jogador exclamou desesperado, nadando para onde estavam as toalhas.
- Só pode ser o William, está muito cedo para meus pais chegarem.
- Eu não sei se isso é algo bom ou ruim. Seu irmão não é nada fácil.
- Eu vou lá ver. - a garota disse simplesmente, saindo da piscina e se virou, vendo o jogador enrolar a toalha na cintura - Pensa no Eric pelado… - adicionou, apontando para sua cintura com uma risadinha e olhou para baixo querendo morrer.

Não demorou para que voltasse correndo, com a cara branca.

- Não surta. - ela pediu com as mãos pra frente, causando o efeito contrário. - Mas são meus pais.
- O quê?! - soltou, tentando se decidir se era melhor sair correndo ou se afogar.

O jogador colocou rapidamente a camiseta e agradeceu seu próprio corpo pela rapidez que conseguiu abaixar seu amigo, tamanho o pânico que sentia. Foi o tempo dele tirar a toalha da cintura e jogar na cadeira para que visse o casal aparecer no corredor e ter a certeza que nem em um jogo decisivo da Champions League , tinha se sentido tão nervoso como naquele momento. Mesmo de longe ele podia ver de onde tinha saído toda a simplicidade e elegância de , ela era a perfeita mistura dos pais.
Sabendo que não tinha o que fazer, secou as mãos na camiseta e se aproximou da garota, que sorriu empática, como se pedisse desculpas por aquilo.

- Mommy, Daddy, esse é o . - disse, sorrindo para os dois, que olhavam a filha com um brilho a mais no olhar - , esse são meus pais, George e Anne-Sofie.
- Er...Muito prazer, Senhor e Senhora Lucan. - disse, estendendo a mão, tentando esconder o nervosismo.
- Ah, querido, me chame de Fie, por favor. - a mãe da garota sorriu simpática para ele. "Igual o da " pensou.
- Você pode me chamar de Lord Lucan . - George soltou sério, fazendo rolar os olhos e arregalar os dele, antes de uma gargalhada ecoar pelo local - Eu posso não gostar do Spurs, mas odeio ainda mais o Arsenal. Se vocês continuarem sempre ganhando deles e perdendo pro Chelsea , acredito que não teremos muitos problemas.
- Isso eu não posso prometer, Lord…
- Ora rapaz, me chame de George - ele abanou as mãos e puxou pelos ombros. A garota sorriu com a cena, se aproximando da sua mãe. - Desculpe atrapalharmos os planos de vocês, sua mãe não estava se sentindo bem e achei melhor voltarmos para casa mais cedo.
- O que você tem, mãe? - encarou a mais velha com preocupação.
- Só uma de minhas enxaquecas, mas seu pai aproveitou disso para vir pra casa. Só falta um episódio para terminarmos Downton Abbey.
- Papai
, não acredito!! - a inglesa se virou rindo para o mais velho, que deu de ombros, da mesma forma que William fazia. - Não tem problema, nós não vamos ficar no seu caminho.
- Deixe de bobeira, darling. - o homem soltou - Por que vocês não vão se trocar e eu peço ao Matt para preparar um drink e algo para comermos na sala de jogos? Acabei não terminando meu jantar e ainda estou com fome.
- Eu não quero incomodar Senh… George - se corrigiu ao ver a cara que o pai de fez.
- Você é bom em bilhar? - o mais velho perguntou e sorriu ao ver o jogador acenar - Então estará me ajudando, infelizmente minhas garotas são péssimas nisso.

mostrou a língua para o pai e decidiu levar para longe do mais velho, senão nunca mais sairiam dali. Ela o levou até o seu quarto para que pudessem tomar um banho e se vestir. O jogador estava deitado de costas na cama da garota, ainda tentando assimilar o que estava acontecendo, quando ouviu a porta do banheiro se abrir e sentiu o quarto ser tomado pelo aroma do shampoo da garota.

- Eu vou roubar um desodorante e perfume do William enquanto você toma banho, tá? - avisou, debruçando na cama para dar um beijo rápido nele, que concordou. - Er… Você precisa de algum produto especial pro seu cabelo? Eu posso procurar...
- Não precisa. - sorriu e fechou a porta, sem perceber o quanto aquela simples pergunta significava para ele. Seu cabelo precisava de muito mais cuidado que o de William e provavelmente encontraria o que precisava no banheiro dela.

terminava de secar o cabelo quando viu através do espelho o jogador sair do banheiro já com a calça, mas sem camisa. Mordeu os lábios ao se lembrar do que tinha acontecido na piscina e continuou a pentear o cabelo, enquanto terminava de se arrumar. Sorriu quando ele apareceu atrás de si, com um pente especial que o ajudou a ajeitar o cabelo da forma que ele sempre usava, mas logo seu cenho se franziu, ao ouvi-lo suspirar e colocar a mochila nas costas. Ela se virou para ele com um olhar confuso.

- É melhor eu ir…
- Mas… por quê?
- Não quero atrapalhar, sua mãe tá com enxaqueca e seu pai que ver o final da série. - ele mexia em seus anéis o que a fez sorrir.
- , você não conhece meus pais, eles simplesmente adoram receber convidados, essa casa está sempre cheia. Acredite, os dois não se importam nem um pouco em adiar os planos deles. A não ser que você precise ir ou esteja desconfortável… - não queria que ficasse por obrigação, mas o jogador percebeu o quanto ela queria ele ali.
- Tudo bem, eu fico. - falou, se aproximando da garota. A forma que ela o olhava, fazia com que raramente conseguisse lhe dizer não. - Mas você bem que poderia ter me avisado que seu pai era sei lá...o James Bond. Eu só tava esperando a hora que o relógio dele ia se transformar em uma pistola e ele me matar. - comentou divertido, tirando uma gargalhada gostosa da garota.
- Ai , larga mão de ser bobo. Meu pai é um gato mesmo, mas minha mãe é muito mais.
- Sua mãe é linda mesmo, mas a filha dela é ainda mais. - elogiou, vendo a garota se levantar para beijá-lo. - Tem alguém feio na sua família?
- Hmmm, beleza é subjetiva, mas eu tenho uma tia avó que perdeu a noção uns cinco procedimentos estéticos atrás. Você nunca sabe pra onde ela está realmente olhando. - soltou e foi a vez de gargalhar.

💂

Mesmo nervoso com o encontro inesperado, o jogador se divertiu muito além do esperado naquela noite. Os pais de o trataram com todo o respeito e até sentiu carinho vindo de sua mãe. Em nenhum momento se sentiu julgado, embora soubesse que estava sendo analisado.
Em algum momento da noite, William apareceu de terno, exausto e abriu um sorriso enorme ao encontrar toda a família junta. O loiro jogou o terno de brincadeira na mãe e mesmo sabendo que iria irritar seu pai, juntou todas as bolas para começar um novo jogo, interrompendo a partida atual.

- William!! - o mais velho resmungou irritado e o garoto apenas abriu seu sorriso galanteador. - Eu ainda pretendo terminar Downton Abbey hoje.
- Você é muito devagar, daddy, terminei a série ano passado. - o loiro soltou, pronto para iniciar a nova partida.
- Alguém nessa casa precisa ganhar dinheiro - George, William e soltaram em uníssono e riu da forma que os gêmeos conheciam o pai.
- E você, , também gosta? - Fie perguntou do bar, onde ela e ajeitavam os petiscos trazidos por Matt.
- Bastante, eu terminei a quarta temporada em um final de semana. Me arrependi assim que o Matthew morreu, ele era o meu personagem favorito.
- Também era o meu. - o mais velho soltou, se aproximando do jogador - Cá entre nós, eu até cancelei uma reunião no dia seguinte logo cedo, só para assistir alguns episódios da quinta temporada. Eu precisava saber o que ia acontecer.
- Eu sempre preferi a Lady Mary - William comentou, dando de ombros.
- Mas isso é porque você tem uma queda pela atriz. - dedurou e o irmão mandou o dedo do meio pra ela.
- William!! - Fie o encarou brava.
- Ops, sorry mommy - o garoto pediu desculpas, se aproximando da mais velha, lhe dando um beijo no rosto.
- O que eu posso fazer, ela é muito mais gost… linda pessoalmente. - se corrigiu, fazendo a irmã e esconderem uma risadinha.
- Mas ela não é mais velha que vocês? - a mãe dos gêmeos perguntou genuinamente curiosa.
- Idade nunca foi um problema para mim…
- Eu vou fingir que não ouvi isso. Vocês ainda são meus bebês! - a mulher soltou. - Por favor, voltem a falar da série.
- Eu acho que vocês vão gostar do final. - disse por fim, visivelmente mais tranquilo do que estava no começo daquela noite. Seu olhar cruzou com o de e ele lhe deu uma piscadinha.
- Muito bem, vamos terminar logo essa partida, pois eu tenho uma série para terminar. É hoje que eu empato o nosso placar, William. - ameaçou, se referindo a placa na parede que mostrava uma vantagem de cinco partidas para o mais novo.
- Em seus sonhos, daddy .

Mãe e filha estavam sentadas em duas poltronas lado a lado, com Matilda nos pés da mais velha, ressonando. As duas se olhavam vez o outra e sorriam. Fie apertou a mão da filha, murmurando "eu adorei ele" , para a alegria da inglesa.
No fim da noite, todos os nervos de tinham sumido, junto com sua implicância pelo gêmeo. Embora não tivesse entendido metade da conversa que ele e George tiveram sobre o trabalho, descobriu que William podia ser agradável, caseiro e mais do que isso, humilde. Por ser filho de um dos donos da empresa, assumia diversos casos pro bono e mal escondeu sua surpresa ao descobrir que uma de suas especialidades era direito humano internacional. Estava tão acostumado com o William que encontrava nas baladas, que nunca pensou que aquele era seu alter ego e que no fundo, William e eram parecidos não só na aparência.

- Desculpa por hoje, . Sei que foi muito além do que combinamos - comentou sincera, a caminho da garagem. O jogador sorriu, olhando para suas mãos entrelaçadas.
- Eu não vou negar que estava com receio, mas adorei nosso dia, princesa. Seus pais foram muito legais e seu irmão até que não é tão mal. - condessou ao chegaram no subsolo. passou a mão no rosto da inglesa e ajeitou os fios de sua franja no lugar.
- Como é que é? - a garota sorriu brincalhona - Eu acho que não ouvi direito. - zombou e a agarrou, ameaçando fazer cócegas. - Nem pensar, me dá um beijo - pediu manhosa, entrelaçando seus braços no pescoço do jogador - Vai demorar para nos vermos de novo e eu vou sentir saudades - confessou, o fazendo sorrir. - Ainda mais depois da tarde que tivemos. - provocou, mordendo seu queixo.
- Você não começa… - avisou, apertando seu corpo ainda mais contra o dela. - Eu também vou sentir sua falta, mas nos falamos todo dia, certo?
- Certo. - concordou levemente triste e puxou a garota para si novamente, colocando a cabeça em seu peito e ficaram daquela forma por alguns segundos, apenas aproveitando a companhia um do outro. - Eu vou te deixar ir, o dia foi longo. - comentou, antes de novamente aproximar os lábios do jogador. O beijo foi muito mais delicado e calmo do que os que haviam trocado naquela tarde. passava as mãos com carinho nas costas da garota, a fazendo suspirar.
- Posso te pedir uma coisa? - o jogador soltou, já prestes a entrar no carro.
- Claro. - o encarou curiosa.
- Vamos tirar uma foto? - pediu sem jeito, tirando o celular do bolso.

A garota sorriu boba para ele e concordou com a cabeça. No visor, assim que se viram lado a lado, ambos sorriram. Era visível o quanto se gostavam e o quanto aquele início estava sendo perfeito. nunca imaginou que assumir algo com alguém logo de cara pudesse ser tão gostoso e diferente. lhe deu um beijo no rosto, o fazendo sorrir ao mesmo tempo que pressionou o dedo na tela. Após algumas fotos, deram um último beijo e entrou em seu carro.
Naquele dia o jogador foi para casa com um sorriso que não saiu de seu rosto e uma nova foto na sua proteção de tela.

💂

Depois de ter conhecido os pais de semanas antes, sabia que era apenas questão de combinarem para que ela conhecesse os seus. Sally e Alan já sabiam do relacionamento do jogador e não viam a hora de conhecer a inglesa.
decidiu juntar o útil ao agradável e aproveitou que eles ainda moravam próximos a Milton Keynes para mostrar para onde tinha dado seus primeiros passos na carreira de jogador. Ele estacionou o carro na entrada de funcionários do MK Dons Advanced Centre e logo sorriu para um funcionário que caminhava em sua direção. Já era final de tarde e o local estava vazio, tinha conseguido com a direção que pudessem ficar lá dentro por quarenta minutos.
O jogador observava a garota andar pelo local em silêncio, tinha mostrado alguns troféus e fotos suas que tinham pelo local, enquanto contava algumas histórias de sua época no clube. Não conseguia traduzir por seus olhos o que ela estava pensando e de repente se viu inseguro. Sabia que era bobeira o que sentia, mas não conseguia evitar. Por mais que soubesse o quanto a garota gostava dele, as vezes tudo ainda parecia bom demais para ser verdade.
Sua origem era extremamente humilde e era tomado por um receio frequentemente infundado sempre que a trazia para sua antiga realidade. Quando chegaram no campo, ela parou logo na entrada.

- Tá tudo bem? - perguntou, já não aguentando mais aquele silêncio.
- Mais ou menos. - o encarou e estranhou a forma que ele a olhava.
- O que foi?
- Poxa , eu adorei essa surpresa, mas se você tivesse me dito antes eu teria trazido um uniforme e minhas chuteiras, eu amaria jogar aqui com você, onde tudo começou. - soltou, apontando para a sandália de salto que usava.

Se alguém tivesse tirado uma foto sua naquele momento, tinha certeza que ficaria claro para todo mundo, como tinha acabado de ficar para ele. Estava completamente apaixonado por .

- O que você está fazendo? - deu dois passos para trás sem perceber, ao reparar a forma que o jogador se aproximava dela.
- Isso. - disse, segurando em seu rosto, tomando seus lábios para si, de forma que fez sequer se lembrar do próprio nome. - Você é ainda mais linda por dentro do que por fora.
- O que eu fiz pra merecer esse elogio? - sorriu para ele carinhosa.
- Sei lá...nasceu, me deu aquela última chance. - deu de ombros, sem conseguir esconder o sorriso com a sua descoberta, mas sabendo que não seria ali, no meio do campo cheio de barro, que se declararia para sua garota.

O caminho para a casa dos Hickford era curto, estava bastante nervosa, mas sabia que Harry estaria por lá, o que de certa forma a tranquilizava. Encarava seu vestido, comprado especialmente para aquela ocasião sentindo-se tola. Daria tudo certo, era o que vinha repetindo para si mesma desde que a convidou para aquele jantar.

- Não se preocupa, eles não são nem de perto tão intimidantes como seus pais.
- Meus pais não são intimidantes! - exclamou ultrajada, tirando uma risadinha do jogador. - Como eu estou? - perguntou ao sair do carro.
- Uma princesa. - respondeu da forma que ela odiava, estalando um beijo em sua boca, sem deixá-la reclamar.

Assim que a porta se abriu foi tomada por um sentimento de lar. O sorriso no rosto de traduzia que ali era onde ele se sentia mais seguro e vê-lo daquela forma, depois de tudo que ele tinha lhe contado sobre sua vida, era a coisa mais importante para ela. Postada atrás do jogador, ela sorria com o abraço apertado que Sally dava nele e encarou Alan tímida, mas logo soltou uma risadinha ao ver a careta que Harry fazia atrás do pai.

- Entrem, entrem! - Sally deu espaço para ambos, sorrindo para - Eu sou a Sally, um prazer te conhecer, . Seu nome é lindo!
- Ah muito obrigada, mas me chame de , por favor. - pediu, entregando a garrafa de vinho que tinha trazido para o jantar. - Muito obrigada por me receberam essa noite.
- O prazer é nosso. Já tinha algum tempo que o não falava de ninguém especial na vida dele. - Alan soltou, fazendo o jogador corar e Harry gargalhar.
- Você não começa. - avisou o mais velho, dando um soquinho de leve em seu braço.
- Lady . - Harry deu um abraço enorme na garota e logo um outro em .
- Você que não começa. - resmungou com o garoto, acompanhando todos para a sala.
- A minha filha queria muito estar aqui, mas ela teve que trabalhar até tarde hoje. Ela pediu para marcarmos algo de novo com antecedência para que ela possa te conhecer.
- Ainda bem. - comemorou - Seria mais uma para me fazer passar vergonha.
- Ah, mas não tem problema, eu faço isso por nós dois. - Harry soltou e pulou em cima do irmão, fingindo brigar.
- Será um prazer, o vem me contando algumas histórias e confesso que estou curiosa para conhecê-la também. - respondeu educada.

A casa dos Hickfords era incrivelmente aconchegante, tinham várias fotos do garotos e de Molly, irmã dos dois, espalhadas pelo local. Para o desespero de , assim que todos se sentaram no sofá, a mais velha apareceu com um álbum que ela tinha feito do jogador desde o começo de sua "carreira". Assim que abriu o álbum não conseguiu conter o som que fez ao ver uma foto de com no máximo onze anos.

- Eu não acredito que um dia você foi fofo desse jeito. - zombou, o vendo rolar os olhos de brincadeira para ela.
- A Molly sempre queria brincar com eles, mas os dois estavam sempre jogando bola. Um dia ela ficou tão chateada que o passou a tarde toda brincando de boneca com ela. - se virou pronta para encher ainda mais o saco do jogador, mas acabou gargalhando ao ver que ele tinha escondido o rosto numa almofada.
- Eu não vou me esquecer disso. - afirmou, falando bem alto para ter a certeza que ele estava escutando.
- Esse foi o primeiro campeonato que o ganhou. - Alan disse apontando para uma foto em especial.
- Agora pergunta se eu tenho um desse. - Harry se fingiu de ofendido, enquanto fotografava algumas fotos para guardar. Sentado ao lado de Alan, morrendo de vergonha, sorria com a forma que a garota já parecia ser de casa.
- Se você não fosse tão ruim. - retrucou dando de ombros e foi a vez de Harry de pular em cima de e Alan, por estar no meio, acabou participando da pequena luta.
- Quando estão os dois em casa meu marido esquece a idade que tem. - Sally disse em forma de desculpas.
- E não são todos os homens assim? Meu pai e meu irmão adoram provar quem é o mais forte, quando meus tios e primos se juntam então, sempre alguém passa o final de semana reclamando de algum "mal jeito" - ela disse fazendo a mais velha rir.
- Eu vou até a cozinha checar o forno, . Eu já volto.
- Eu vou junto, deixa os três terem o momento deles. - se levantou com o álbum em mãos - Eu quero perguntar mais sobre essas fotos.

não se lembrava de ter rido tanto durante um jantar, quanto naquela noite. Era visível o quanto todos se amavam e adoravam tirar sarro um do outro. Estava adorando ver aquele lado família do jogador.

- Mas por que você fica chamando ela de princesa toda hora com esse tom? - Sally perguntou curiosa, se virando para o jogador.
- A é uma Lady e afilhada do Príncipe Charles e da Lady Di. - comentou, deixando a garota morta de vergonha.
- É bobeira do , não tenho nada de princesa. Meu pai estudou com o Charles, só por isso. - disse dando de ombros e os pais de perceberam o quanto ela não estava confortável com aquele assunto. - Mas o adooora me encher com isso. Vocês não tem mais nenhuma história embaraçosa para que eu possa retrucar? - pediu e viu arregalar os olhos.
- Ah, mas eu tenho a história perfeita. - Sally disse misteriosa, encarando o jogador - O sim é um príncipe, de verdade.
- O QUÊ?! - a garota quase deixou o garfo cair no chão - Como assim? - perguntou curiosa, olhando de para Sally.
- O pai do é um príncipe de uma tribo africana, algo assim. Como é mesmo o nome, ?
- Yoruba. - murmurou, afundando na cadeira - Eu achei que você estava do meu lado, Sally. - disse para a mulher, vendo o sorriso vencedor no rosto de .
- Muito obrigada, Sally! Eu nunca vou me esquecer disso. - brincou, segurando na mão da mulher. - Parece que o jogo virou, não é mesmo, príncipe ?
- De quem foi a ideia de te trazer aqui, hein? - resmungou derrotado.

Após o jantar, todos seguiram para o quintal da casa onde havia uma mesa e ficaram conversando por um tempo, estava curiosíssima sobre a tal tribo que tecnicamente fazia parte. Sally não sabia muita coisa e ela anotou mentalmente para encontrar algum momento oportuno para perguntar mais ao jogador. Para a alegria de , Alan resolveu mudar de assunto, perguntando a se ela sabia jogar pôquer.

- Eu não gosto muito. - confessou os encarando - Mas minha família tem muito mais homem que mulher e eu cresci vendo meus tios jogarem.

💂

- Uau, você é boa! - disse surpreso para a garota que havia ganhado a segunda partida seguida.
- Ela não é boa, é excelente! - Alan disse todo animado fazendo a garota corar.
- Eu disse que não gosto de jogar, não que era ruim. - zombou deles. - Vocês vão adorar jogar com meu pai e meu irmão. Nós temos uma competição todo ano em família, tem até uma taça que fica na casa do vencedor até o ano seguinte. Meu pai vai adorar saber que temos novos reforços.
- Nós adoraríamos. - Sally disse contente ao ver a garota os convidá-los para um evento em família. Podia ver nos olhos da inglesa o quanto ela gostava de e para uma mãe, mesmo que postiça, era a única coisa que ela poderia desejar a um filho.

No final da noite, agradeceu novamente a família pela hospitalidade e prometeu que saíriam pra jantar novamente em breve. Já do lado de fora da casa, recebeu uma ligação dos pais, querendo saber como tinha sido o jantar e quando ela voltaria para casa e a garota se afastou um pouco, para também dar privacidade a e sua família.

- Você sempre fez escolhas duvidosas, , mas essa com certeza não é uma delas. - Alan opinou, vendo o jogador abaixar a cabeça tímido.
- Eu falei pra ele não a perder de forma alguma. - Harry encarou o irmão todo orgulhoso, passando o braço por seu ombro.
- Quando você vai pedir ela em namoro? - Sally o encarou.
- Em breve. - respondeu para os três. - Muito em breve.

💂

ria ao assistir seus companheiros de equipe disputarem uma partida de videogame. Estavam todos reunidos na casa de Winks, a temporada estava finalmente chegando ao fim e eles não viam a hora de terem merecidas férias.
Por conta dos jogos e treinamentos, os jogadores quase não tinham tempo para se reunir fora do clube e era algo que sentiam falta. Ele ficou feliz quando finalmente conseguiram combinar de se encontrar, precisavam daquela noite apenas entre eles para relaxarem. Estavam todos focados no último jogo que aconteceria na semana seguinte, mas sabiam o quanto atividades em grupo os ajudava dentro de campo.
O jogador sorriu ao receber uma mensagem de , era uma foto dela e de Louise na frente do agora antigo estádio do Tottenham, o White Hart Lane. A última partida em casa havia acontecido na tarde anterior.
Tanto , quanto o restante do time, tinha passado o mês todo pensando naquele jogo. Durante os treinamentos que tiveram antes da partida, pôde perceber o quanto os jogadores estavam sentindo aquela despedida, tanto que a diretoria do clube permitiu que eles fizessem um último treinamento dentro do estádio, a portas fechadas. Queriam lembrar de todos os momentos que tinham vivenciado naquele local. Estavam todos ainda mais motivados que o normal para aquela partida, era o último jogo da história do White Hart Lane e tinha que ser perfeito.
estaria mentindo se dissesse que havia conseguido dormir na noite anterior, até se deitou as dez, conforme seu técnico havia pedido, mas ficou rolando na cama, se lembrando da primeira vez que descobriu que o Spurs estava interessado nele, do momento que pisou os pés no local para assinar seu contrato e a primeira vez que ouviu a torcida cantar a música que tinha sido feita especialmente para ele. Eram anos jogando naquele local e saber que nunca mais colocaria os pés naquele gramado, o deixaram emotivo. Ao menos pode contar com , que mesmo morrendo de sono, ficou conversando com ele, até que ele encontrasse o sono.
Durante todo o caminho até o estádio, não ouviu nenhuma música. Estavam todos em silêncio e concentrados, provavelmente tendo as mesmas lembranças que ele na noite passada. Algumas risadas ecoavam pelo ambiente e vez ou outra acabava rindo junto, principalmente com as de Sonny, para o coreano nunca parecia ter tempo ruim e seu astral sempre deixava o clima mais leve.
Quando entrou em campo para se aquecer, ouviu seu nome sendo chamado pela sua pessoa favorita em todo mundo, . A garota acenava para ele sorrindo e ao seu lado Louise estava com o celular em mãos, registrando aqueles últimos momentos. A inglesa estava de rabo de cavalo, deixando sua cicatriz aparente e usava um jeans surrado que muito parecia com os que ele vestia. Mesmo que já soubesse que ela estaria usando sua camisa, sempre se surpreendia ao sentir seu coração acelerar ao ver seu número estampado nas costas da inglesa. Ele bem sabia como seu time não era nem a primeira ou segunda preferência da garota e mesmo assim ela sempre fazia questão de usá-la.

- O que você tá fazendo aqui gatinha? - perguntou ao envolvê-la em um abraço apertado, ele não havia reparado o quão tenso estava até aquele momento.
- Vim te desejar boa sorte - a garota sorriu para ele - Eu sei que você está nervoso, mas tenta aproveitar o jogo, o estádio, a torcida. Independente do resultado, tente se divertir e gravar estes últimos momentos na memória.
- Me divertir? - Ele ergueu uma das sobrancelhas e a garota riu.
- Era o que o meu treinador no Chelsea costumava dizer. Futebol é diversão para quem está assistindo e devia ser para quem está jogando também. Nem só de brigas deve viver um jogador. - o cutucou.
- Faz sentindo - Ele sorriu para ela e se curvou para dar um beijo demorado em sua bochecha.
- Melhor eu ir, a Lou já está me esperando. Nossos lugares são ótimos, bem perto do gramado. Não arranja nenhuma briga senão entro lá pra te separar. - brincou, tirando uma gargalhada do jogador.
- Até depois. - tocou de leve no nariz da inglesa, antes de sair correndo para o campo, se sentindo infinitamente mais tranquilo.

Quando entrou oficialmente pela última vez naquele gramado, ele respirou fundo. A atmosfera era incrível, ele nunca tinha visto algo como aquilo antes e novamente se viu lembrando do primeiro jogo que disputou naquele estádio. O White Hart Lane não era nem de perto o maior ou o melhor estádio da Inglaterra, ele já estava bastante ultrapassado e por isso a construção de um novo estava sendo feita, mas perto do MK Dons, onde tudo tinha começado, mais parecia um palácio.
O jogo iniciou com muita energia entre toda a equipe, logo aos cinco minutos do primeiro tempo, Wanyama, abriu o placar para os Spurs , levando a torcida a loucura. conseguiu finalmente relaxar e lembrou do que havia lhe dito, era fim de temporada e o último jogo naquele local, não tinha porque se estressar. Aos poucos ele foi se soltando em campo e sorriu quando escutou a tão familiar música sobre ele. Desde que a ouvira pela primeira vez, tinha se sentido sortudo por ter toda a torcida o apoiando e tinha certeza que poderia ouvi-la para o resto da vida e ainda assim não se acostumaria com tamanho carinho.
Após o intervalo, o segundo tempo se iniciou com a mesma sensação de despedida e o gol que Harry Kane marcou, contribuiu para que toda a equipe soubesse que estavam dando a melhor despedida que os torcedores e clube poderiam esperar. Nem o gol de Rooney conseguiu tirar os sorrisos dos jogadores e torcedores ali presentes.
Quando o árbitro finalmente apitou fim de jogo, foi cumprimentando um a um de seus companheiros de equipe e não acreditou ao ver que os torcedores estavam entrando no gramado. Os seguranças não os impediam, mesmo que tentassem eram em tantos, que seria impossível conter a todos. No final ele deu de ombros e riu, aquilo era uma comemoração afinal.
Demorou, mas finalmente os torcedores começavam a sair de campo e os jogadores se sentiram à vontade para chamar as esposas, filhos e familiares para entrarem em campo. ainda abraçava e tirava fotos com alguns torcedores, quando teve a sua atenção roubada ao reconhecer a garota que estava abraçando Kyle Walker. O amigo tirou a inglesa do chão a girando no ar.

- Eu ainda não acredito que você vai nos abandonar. - a ouviu dizer para o jogador. Ainda não era fato conhecido da mídia, mas todo o time sabia que o zagueiro estava de mudança para o Man City.
- Eu prometo te avisar quando estivermos em Londres. - garantiu a inglesa, se abaixando para pegar o filho no colo.
- Ei, princesa - se aproximou por trás, sussurrando em seu ouvido e sorriu quando a viu se assustar.
- Parabéns, !!! - a garota se jogou em seus braços, gargalhando ao ser rodada mais uma vez. notou algumas fotos sendo tiradas deles e por mais que quisesse impedir aquilo, seu momento com o jogador era muito mais importante. - O jogo foi muito bom, como você está se sentindo?
- Bem, muito bem - Ele sorriu para ela com uma sensação de realização - Eu sou muito sortudo por poder participar disso, dessa data, desse time. Ter o apoio de toda essa torcida... - disse, respirando fundo. - E por ter você aqui comigo, vivenciando tudo isso.
- Pode ser sorte, mas também é merecimento. Você lutou para estar aqui e tenho certeza que vai continuar lutando. - completou, o beijando mais uma vez e sem perceber começou a cantar novamente "Glory Glory Tottenham Hotspurs ".
- Peraí, o que a princesinha está cantando?
- Ai não, eu estou ferrada, vou ter que dormir na casa da Louise hoje. Meu pai vai me expulsar de casa se eu não conseguir parar de cantar essa música. Ela não sai da minha cabeça, que saco!
- Eu acho que está mais do que na hora de assumir que você agora torce pro Spurs.
- Nos seus sonhos, príncipe. - retrucou, o fazendo rolar os olhos, antes de dar um apertão em sua cintura - Nossa, tem muitos jornalistas aqui, espero não perder meu emprego na fundação.
- Exagerada - a puxou para um abraço desajeitado, apenas para irritá-la e depositou um beijo carinhoso no topo de sua cabeça - Eu vou para o vestiário me trocar, ok?
- Tudo bem, nos vemos lá atras. Eu a Lou ainda queremos tirar mais algumas fotos antes de irmos embora. Te vejo depois - ela estalou um beijo em sua boca antes de sumir no meio da multidão.
- Depois fala que não torce pro Spurs. - balançou a cabeça, murmurando para si mesmo.


- Terra chamando .

Eric sorriu para o amigo, que se assustou. Estava tão concentrado em seus pensamentos que não percebeu que todos estavam o encarando.

- O que aconteceu?
- A Adele veio dar um “oi”, mas como você estava sonhando acordado ela decidiu ir embora. - Eriksen disse de forma irônica, rolando os olhos - Está na sua vez de jogar, kammerat.

concordou com a cabeça e se sentou ao lado de Dier, para que pudessem começar a nova partida de videogame.

- Quem me colocou com o Eric? Ele é muito ruim, é hoje que eu ganho esse campeonato. Já podem separar a grana. - anunciou, desviando do tapa que ia levar do amigo.

Ao contrário do que havia previsto, Dier acabou vencendo a partida e o loiro passou os próximos minutos, tirando com a cara de . Se fingindo irritado, o jogador foi em direção a cozinha e riu ao ouvir os passos do amigo logo atrás.

- Deu fome. - disse de ombros, ao abrir a despensa do amigo.
- Pega um pacote de Oreo aí pra mim. - pediu, vendo o amigo jogar um em sua direção e abrir outro só pra ele.
- Tava pensando na ? Naquela hora? - Dier perguntou. - Parecia um idiota olhando pro nada. - riu, desviando da bolacha que o amigo jogou em sua direção.
- Eu tava pensando no nosso último jogo no White Hart - assumiu e riu ao ver a expressão de surpresa no rosto do amigo - E na também…
- Agora sim - o loiro sorriu e se aproximou de que mostrava as fotos que tinha tirado de frente pro estádio. - E você já sabe quando vai fazer o pedido?

Antes que conseguisse responder, Harry Winks entrou na cozinha, acompanhado de Son. Ambos estavam rindo e pareceram não perceber que haviam interrompido algo.

- Mate , já sabe se vai no show do Ed Sheeran? - Winks se aproximou e pode ver que ele tinha a conversa de aberta, já que reconhecia de longe a foto do perfil da garota. Ela e Matilda, na piscina da casa dela. - Ela tá falando que você tá enrolando pra confirmar.
- Eu tô só enchendo o saco pra ela ficar brava. - disse rindo das desculpas que vinha dando sempre que ela o lembrava do show - É claro que eu vou.
- Ah beleza então, eu vou confirmar nossos convites.
- Você não vai mesmo, Son? - Eric perguntou se virando para o amigo.
- Não vai dar, meus pais não estão nada felizes que só vou passar duas semana na Coréia. A Lou vai me encontrar logo depois, pra conhecer eles.
- Uhhhh, já vai conhecer os sogrinhos. Logo logo sai o casamento. - , Dier e Winks encheram o amigo, apenas porque sabiam que ele ficava com vergonha.

Já no fim da noite, todos já tinham disputado algumas partidas e pago alguns micos, em sua maioria, Ben Davies, que conseguia ser ainda pior que Eric. Cansado, se apressou para ir embora, queria ligar para antes que ela fosse dormir. Ela sempre acordava cedo por conta da fundação e ele fazia questão de terminar seu dia ouvindo sua voz.

- Esqueci alguma coisa? - o jogador abaixou o vidro do carro ao ver Winks se aproximar.
- Não. - Harry abaixou a cabeça, respirando fundo - Na verdade eu queria saber se você se importa de eu estar falando com a . Você pareceu um pouco surpreso quando eu apareci aquela hora.
- Claro que não, mate. - sorriu um pouco envergonhado - A te adora. Vocês já eram amigos antes daquilo tudo… - coçou a cabeça, se lembrando da conversa que os dois tiveram, um pouco envergonhado.
- Valeu, mate . Não queria que ficasse nada estranho entre a gente, nem causar nenhum problema entre vocês.
- Tá tranquilo, bro. Sei que vocês foram no cinema esses dias e eu tenho mais é que agradecer, porque senão era eu quem ia ter que ver esse Annabelle com ela - estremeceu fazendo Winks rir - E quando sair IT você que vai também, eu até pago o ingresso.
- Combinado, . - Harry riu do jeito do amigo e o cumprimentou com um aperto de mão e o puxou para um abraço.
- O que foi aquilo? - Eric perguntou ao amigo quando entrou na porta do carona. o deixaria em casa.
- Ah, ele queria saber se eu me importo dele ser amigo da . - disse dando de ombros, ligando o carro.
- E se importa?
- É claro que não. Ela não é minha propriedade e eu sei o quanto ela adora o Winks. Ainda não sei como vai ser se eu conhecer algum ex-namorado, porque ela é ainda amiga de todos, mas ao menos vou me preparando.
- E o Chambers?
- Esse se eu ver em algum jogo eu faço uma falta e tá tudo certo. - falou brincando, mas Eric sabia que tinha um grande fundo de verdade em suas palavras.
- Eu encho o seu saco, mas eu to muito feliz por vocês. A é muito certinha e precisava de alguém como você na vida dela e a forma dela de ser também te acalma. Você até parou de arrumar briga em todo jogo, agora é um sim, um não. - Dier brincou e deu um tapa ardido na coxa do amigo. - Vai se ferrar, .
- Você que também precisa de alguém, tá todo mundo se arranjando com as amigas da .
- Eu tô de boa, você sabe. Depois da Maria, preciso de um tempo pra mim.
- Sabe o que eu acho? Você deveria namorar uma mulher mais velha, você é mais tranquilão, não gosta muito de balada, sair pra beber.
- Tá me chamando de velho?
- Um pouco. - dessa vez foi quem xingou o amigo ao levar o tapa de volta.

💂

- Pode entrar. - disse distraída se olhando no espelho, estava provando o vestido que tinha acabado de comprar.
- Uau. - assobiou, subindo vagarosamente seu olhar pelo corpo da garota. - Quem é o sortudo? - perguntou se aproximando, ao que se virou, com o maior sorriso no rosto por conta da surpresa - Ah sim, sou eu. - disse rindo, ao ver a garota correr até ele.
- O que você está fazendo aqui? - pulou em seu colo, de forma espontânea, selando seus lábios. a abraçou forte, tinha sentido falta de tê-la em seus braços.
- Eu senti sua falta. - confessou, caminhando com ela até a cama, se deitando com ela. - O Pochettino liberou a gente duas horas mais cedo, deu tempo de vir ficar aqui um pouco com você.
- Eu amo te ver jogar, mas estou feliz que amanhã é o último jogo da temporada. Finalmente podemos começar a pensar nas nossas férias.
- Ou tentar fazermos algo juntos, já que a senhorita tem sete férias marcadas. - o jogador brincou, respirando fundo ao notar que seu vestido estava agora na cintura.

A cada vez que se viam os beijos e carícias aumentavam ainda mais e as roupas diminuiam. não via a hora de terem uma noite inteira só para eles para que pudessem terminar o que vinham começando. A garota já tinha perdido as contas das vezes que exagerou, deixando marcas pelo corpo do jogador, o que causava diversas piadinhas no vestiário, mas mesmo com reclamando, não conseguia se segurar. A química que tinha com ele era de outro mundo.
Para , era pura tortura vê-la somente de lingerie, sempre tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe. Desde que se viu completamente apaixonado pela inglesa, os momentos a sós passaram a ser ainda mais especiais. Cada beijo, cada toque ou gesto, faziam com que ele tivesse que se segurar para não se declarar. Sabia que estavam prontos para evoluírem na relação, mas ele tinha um plano e não havia nada que pudesse fazer. Teriam a primeira vez como namorados.

- Exagerado! São só duas, uma com meus pais e outra com as meninas. A Poppy me respondeu, disse que não vai.
- Mas ela não vai todos os anos? - viu a garota assentir. - Não fica chateada, talvez seja o melhor. Quem mais vai?
- A Lou, a Zara, Abby, as irmãs Waterhouse e outras que você ainda não conheceu. Acho que no total vamos em doze.
- Já até imagino o quanto vão aprontar. A gente pode se encontrar no meio do caminho.
- Pode ser. - concordou, ajustando o vestido e se ajoelhou na cama - Mas chega de falar disso, eu só vou tirar o vestido pra não amassar, já venho. - avisou, dando um beijinho no jogador, antes de entrar em seu closet.
- Eu quero te fazer um convite. - encarava o teto sorrindo. - O Harry vai viajar com os amigos por uma semana.
- E? - disse um pouco mais alto, terminando de colocar um shorts jeans e uma blusinha.
- Você não quer passar o final de semana comigo? - soltou, virando o rosto para a direção do closet.
- Só eu e você?! - apareceu na porta, conforme ele previu e a garota pulou na cama, passando uma perna de cada lado do corpo de .
- Aham. - concordou, colocando as mãos em seu quadril.
- Hmmm, deixa eu ver… - ela fingiu pensar, se deitando sobre o corpo dele, passando o nariz suavemente por seu maxilar. - Eu adoraria. - sussurrou no ouvido do jogador, antes de dar uma mordidinha em seu lóbulo ao sentir as mãos dele pressionarem seu quadril contra o dele. - Finalmente!

amava quando assumia o comando do momento e se colocava por cima dele. Tinha algo sobre vê-la naquela posição, ele mal podia esperar pelo final de semana para repetir a dose, sem nada os separando. Ao longo dos meses tinha criado diversas fantasias com a garota e pretendia realizar cada uma delas.
O jogador subiu as mãos por seu corpo, aproveitando a forma que a blusinha que ela usava moldava seus seios, para contorná-los suavemente com as pontas dos dedos, o fazendo morder os lábios ao notar seus mamilos se acenderem com seu toque.
riu ao ver o jogador tão vidrado em seu colo e para provocá-lo ainda mais, sem tirar os olhos dos dele, passou o dedo pela alça de sua blusa, deslizando-a por seu ombro e repetiu o gesto do outro lado, gargalhando ao ver completamente hipnotizado com uma simples ação. Por mais que tentasse se segurar, o corpo do jogador parecia sempre agir sozinho quando se tratava de . Tudo que ela fazia o atraía e ver a forma que ela o olhava, ao descer as alças da blusa, o fizeram sentir seu membro apertar contra a calça que usava.
Necessitando de mais contato, trocou de posição, ficando por cima da inglesa, que entrelaçou as pernas por seu corpo.

- Você gosta de jogar baixo, né, princesa ? - acusou de forma sedutora, sugando seu lábio inferior, tentando de alguma forma conter seu desejo.
- Não é um jogo, eu quero você. - explicou de forma simples e não se aguentou, tomou seus lábios novamente para si, a beijando com a fúria e a pressa de quem também a queria.

aproveitou que o jogador pareceu esquecer seus limites e tirou sua camiseta antes que ele tivesse tempo para protestar. Se sentia pronta há algum tempo, mas o jogador ficava reticente quando ela tentava ir além. Não entendia o que podia ser, mas estava começando a ficar frustrada.
Quente, agradeceu o alívio que sentiu ao ter seu torso descoberto, mexia seu corpo para frente e para trás, lentamente, roçando sua intimidade contra sua ereção e o jogador já não sabia se aguentaria mais dois dias sem experimentá-la. Quando sentiu o toque dos dedos da garota em seu cinto, sentiu seu abdômen se contrair, mas , sabendo do que ele gostava, logo o fez se perder em desejo, ao chupar a pele de seu pescoço, fazendo com que todo seu corpo se arrepiasse em tesão.
Sem dar tempo para que pensasse, a inglesa saiu debaixo dele, o ajudando a se livrar de seus tênis, meia e calça, o deixando apenas de cueca. deu um sorrisinho de lado um tanto quanto sexy ao ver como tinha deixado o jogador. Ele sempre correspondia aos seus toques e vê-lo a desejando daquela forma, a fazia sentir sua barriga e outras partes de seu corpo contraírem em antecipação.
Com calma, ela voltou a subir na cama, andando em sua direção. Ao ter a certeza que seus olhos não sairiam dos dela, ela desabotoou um a um os três botões de seu shorts jeans, o deixando cair por suas pernas em cima de , que a ajudou a se desvencilhar da peça, a jogando em qualquer canto do quarto.
não conseguia ver mais nada além daquela cena que se desvendava a sua frente. A calcinha tão pequenininha que a garota usava o fizeram morder o próprio lábio inferior e sem perceber, se tocou por cima da cueca, tentando diminuir a dor que sentia no local desde que tinha ficado com pela primeira vez. A queria tanto, que tomava cada fibra de seu ser para não se mexer, sabia que aquele era um show privado e ele era apenas platéia, não coadjuvante.
se ajoelhou na cama, sentando-se novamente em seu colo, mal esperando para ver a reação de , ao que ela faria a seguir. Se ele já tinha ficado vidrado em seu corpo ao vê-la tirar o shorts, ela teve a certeza que o jogador já não processava mais nada, quando ela também tirou a blusinha que usava, deixando praticamente todo o seu corpo a mostra. Era certamente o mais longe que já tinham ido até então..

- Você é a mulher mais linda que eu já vi na minha vida. - afirmou, levando suas mãos a cintura da garota, de forma que ela tombasse o corpo para frente, apoiando os cotovelos no colchão.
- E você é o homem mais gostoso, cheiroso e delicioso que eu já fiquei. - retribuiu, unindo mais uma vez os seus lábios, sentindo as mãos de passearem de sua cintura para sua bunda, com os dedos brincando levemente com as laterais de sua calcinha. Para enlouquecê-lo ainda mais, ela passou a rebolar sob sua ereção e foi ali que percebeu que era realmente apenas um súdito no reino da garota a sua frente.
- Continua… - implorou num sussurro, quando ela parou de se mexer por um instante, pressionando o quadril dela para que ela continuasse a se mover naquele ritmo lento e deliciosamente doloroso. O jogador não se lembrava de um dia que tivesse sentido tanto tesão, quanto sentia naquele momento.
- , eu quero te tocar e eu quero que você me toque. - a garota falou simples e direta, levando aos mãos dele para seus seios.
- … - os acariciou, antes de abaixar as mãos.
- Não, eu não quero ouvir meu nome saindo da sua boca com esse tom. Eu quero você pedindo por mais , não por menos. Você também não quer?
- Você não sabe o quanto... - retrucou, embriagado de tesão.
- Então pronto. - o calou com um beijo e desceu uma de suas mãos pela barriga do jogador, aproveitando cada pedacinho daquela pele que ela já conhecia de cor.

Sabia que estava sendo contraditório, mas quem o poderia culpar, tendo os toques de por todo seu corpo? soube que era o fim, quando sentiu seus dedos delicados passarem pela barra de sua cueca e tocarem seu membro que pulsava em desejo. Se antes ele já estava acordado, aquilo terminou de acender algo que estava preso dentro de si e foi impossível para ele não fechar os olhos e se deliciar com as sensações que estava conhecendo pela primeira vez. Amor e desejo em uma só pessoa.

- Eu quero que você continue, mas não agora. - pediu, colocando a mão sob a da garota, ao ter certeza que não aguentaria mais um segundo, se ela continuasse o satisfazendo daquela forma.

Com cuidado, fez com que se deitasse na cama e deslizou as costas de sua mão pelo corpo da garota, fazendo questão de explorar todos os novos pontos que agora também via com os olhos. Aproximou seu rosto do dela, beijando seus lábios delicadamente, deixando que seus dedos passeassem por seus seios, pele, umbigo, até chegarem a sua intimidade, tão pronta para ele.

- Damas primeiro… - sussurrou contra o ouvido da garota, a ouvindo gemer quando seus dedos encontraram sua intimidade - Ou melhor, princesas primeiro. - falou por fim, soltando um sorriso ladino, antes de se permitir adentrar a única peça que a garota ainda vestia.

💂

- Eu juro que não te entendo! - exclamou irritada, se levantando da cama completamente frustrada.

Após se darem prazer, queria continuar, dessa vez até o final, mas o jogador se recusou. Ela já não entendia qual era a reticência dele, tinha sido ela a pedir que assumissem algo exclusivo e sério logo de início e em sua visão, se ela se sentia pronta, porque ele ainda se negava a ir até o fim?

- … - suplicou, ouvindo a porta do banheiro bater.
- Se você não for me dar o real motivo, me poupe de suas desculpas esfarrapadas.

sabia que não tinha nada mais que pudesse inventar, que homem se negava a transar com a garota que estava afim? Parecia bobo, mas por tudo que conhecia de , queria que ela fosse sua namorada, antes de terminarem o que haviam começado.

- Estamos na sua casa, seus pais podem chegar a qualquer momento. Imagina se o seu irmão entra aqui? Aí que nunca vamos fazer isso mesmo. - disse, encostado na porta, tentando dialogar. - Ele vai cortar meu negócio fora.
- Quanta desculpa besta, . A porta está trancada, acha que meu irmão vai arrombar a porta?
- Se ele souber que eu estou aqui, sim. Abre a porta? - suplicou, encostando a testa na madeira.
- Eu vou tomar um banho, te convidaria, mas você vai achar que quero abusar de você.
- Cabecinha dura. - resmungou consigo mesmo, voltando a se jogar na cama, ainda incrivelmente satisfeito com o que tinha acabado de acontecer sob aqueles lençóis.

nem percebeu quando acabou pegando no sono, só acordou ao ouvir o som da porta do banheiro se abrindo e saiu com a tolha enrolada no corpo e o celular em mãos.

- Tá menos chateada comigo? - perguntou, coçando os olhos e por mais que tenha achado aquilo adorável, tentou ignorar.
- Olha isso! - se sentou ao lado dele na cama, mostrando o link para uma reportagem com o título "A Dama e o Vagabundo" , acompanhada de algumas foto dos dois, uma no dia do Royal Ascot , outra no último jogo do White Hart Lane e uma última em um dos campos de treinamento do MK Dons.

se sentou na cama para ler melhor a notícia, podia sentir o olhar da inglesa em si, acompanhando cada um de seus movimentos. A reportagem contava um pouco sobre o novo relacionamento entre o "badboy que saiu da pobreza de Milton Keynes" com a "Princesinha afilhada do Príncipe Charles e Lady Di" e como os especialistas vinham apostando quanto tempo demoraria para que a Lady Lucan voltasse aos seus costumes antigos. Logo abaixo fotos de , Poppy e William em tempos piores.

- Eu sinto muito, . - segurou em sua mão, sem saber se aquilo realmente a confortaria. Não depois da discussão que tiveram.
- Argh! - ela se levantou da cama frustrada - É sempre assim, esses jornais são loucos para soltar uma notícia minha fazendo algo errado. Sempre apontando os erros do meu passado e agora estão fazendo o mesmo com você.
- Eu já estou acostumado - Ele deu de ombros e a garota apenas o olhou antes de entrar em seu closet - Já fizeram muito isso comigo e tenho certeza que ainda vão fazer.
- Mas não devia, não é certo. - ela disse voltando já de camisola - Eles nunca vão me deixar em paz? Me perseguem desde criança e agora que estamos juntos só vai piorar. - resmungou ainda mais irritada, se sentando em sua penteadeira.
- Piorar? - a olhou confusa, mas não percebeu, estava mais focada em pentear os seus cabelos - Você… Se incomoda de ser vista comigo?

A garota se virou para ele em uma velocidade tão rápida, que o jogador tinha certeza que a deixaria com torcicolo, ela estava de olhos arregalados. Se arrependeu de soltar mais uma de suas inseguranças no momento que os olhos magoados da garota encontraram os dele.

- Claro que não! - a inglesa se levantou e se aproximou do jogador que segurava a almofada que tinha dado a ela. - Você sabe que eu odeio a mídia, não gosto de aparecer nem com meu irmão. Eu só tenho medo do que eles vão falar, eles podem pegar bem pesado e… Eu não queria isso pra você também.
- Ei... - colocou o objeto de volta no lugar, se sentando no pequeno sofá, trazendo a garota para sentar em seu colo. - Eu.já.estou.acostumado. Não tem mais nada meu para eles acharem - repetiu pausadamente, passando com carinho uma de suas mãos pelo cabelo da garota - Mesmo porque, você não precisa mais se preocupar com os jornais te chamando de rebelde, porque pelo o que aconteceu aqui hoje, eles não sabem nem a metade do que você é capaz de fazer.
- !!! - exclamou exagerada, tentando se levantar, mas a impediu, achando adorável como ela corou violentamente.
- Eu só estou falando a verdade, quando você sugeriu de termos esse nosso relacionamento eu achei que...
- Que eu era virgem? - perguntou gargalhando, o vendo negar.
- Não, mas também não imaginei isso… - falou, levando o olhar para a cama.
- Você não viu nem a metade - anunciou com um sorrisinho esperto, fazendo a encarar com uma sobrancelha erguida. - E pelo visto nunca vai ver…
- Qual é ! - o jogador bufou frustrado, se levantando - Achei que já estava tudo bem.

A garota apenas deu de ombros, voltando para sua penteadeira e voltou a pentear os cabelos. Ele ficou a encarando, esperando que ela dissesse algo, qualquer coisa. Nunca tinham discutido e aquilo o estava matando, ainda mais sabendo que era o culpado. Se ao menos ela fosse um pouco mais paciente, veria que seus motivos eram válidos. Mas apenas o ignorou, o fazendo sentir algo horrível dentro de si. Quando ele viu que não tinha jeito e que ela continuaria daquela forma, se vestiu e se aproximou com cautela.

- Me desculpe, eu tenho meus motivos. - falou, a vendo o encarar através do espelho - Eu vou indo, preciso estar na cama às dez para estar no CT na hora.
- Tudo bem. - a garota lançou um sorriso murcho, recebendo um beijo na cabeça do jogador.

foi até a porta, mas antes de abri-la se virou para a garota, voltando os passos até ela novamente.

- Você não precisa aguentar tudo isso sozinha - Ele disse com calma, apontando para seu celular e sorriu ao ver o rosto da garota finalmente se virar para ele. - Estamos juntos nessa.
- Obrigada, . - engoliu seu orgulho, se levantando para dar um selinho no jogador. - Ou melhor, vagabundo. - deu uma risadinha, se referindo a notícia sobre os dois.
- Eu prefiro plebeu - retrucou a abraçando rapidamente. - O Plebeu e a Princesa. - finalizou, dando uma piscadinha ao ver a garota revirar os olhos para ele e caminhou novamente até a porta.

A garota acompanhou seus passos ainda chateada, mas sentindo-se bem melhor do que minutos atrás. podia ser tão frustrante quanto fofo, sabia que sentiria sua falta no momento que ele saísse por aquela porta. Ela se levantou rapidamente, correndo os poucos passos que o separavam e deu um beijo calmo em seus lábios, mas quando tentou aprofundar, se afastou, o fazendo bufar.

- Te vejo em dois dias? - perguntou em dúvida, a olhando nos olhos, tentando pedir calma. Em dois dias tudo faria sentido.
- Até lá.

💂

estava finalmente a caminho da casa de . Eles tinham se falado menos do que ela gostaria nos últimos dois dias, ainda estava um pouco irritada com ele após a discussão que tiveram em sua casa, mas esperava que pudessem deixar tudo pra trás e aproveitar a companhia um do outro por todo o fim de semana. Estava tão ansiosa para passar um tempo a sós com ele, que tinha pedido a Louise e Imogen que fossem com ela fazer algumas compras novas, especialmente lingerie e pijama. Queria que fosse tudo perfeito e se sequer pensasse em lhe dizer não, jogaria bem baixo com uma de suas novas peças.
A garota desceu do carro e impediu Hugo de levar sua bolsa de viagem até a porta, o certificou que podia carregar sozinha. Os passos até a porta da casa do jogador só serviram para deixá-la ainda mais ansiosa, podia sentir seu coração bater acelerado.

- Você já chegou?! Shit - o jogador exclamou e xingou, fazendo erguer a sobrancelha.
- Uau, você parece bastante animado para os nossos dias juntos - a inglesa soltou perdendo o sorriso e empolgação que estava sentindo até então.
- Não é isso. - abriu a porta por completo e a garota reparou que ele estava sem camisa e usava apenas uma calça de moletom. Não que ela não o achasse incrivelmente gostoso daquela forma, mas esperava encontrá-lo mais vestido. - Entra. - ele pediu de forma cansada e a garota adentrou o local.

abriu a boca completamente surpresa. A casa do jogador estava toda a meia luz e no carpete milhares de pétalas rosa e velas, formavam caminhos para a sala de jantar, estar e escada. Ed Sheeran tocava ao fundo e ela acabou não conseguindo mais segurar a risada que deu, ao ver como o jogador tinha se empenhando para surpreendê-la.

- , mas o que é isso? - se virou para ele, que coçava a nuca, apenas esperando o que já sabia que ela ia falar em seguida. - Nossa, mas que cheiro é esse? - ela perguntou enrugando o nariz e então a forma que ele estava fez um pouco de sentido para ela - O que aconteceu? - perguntou carinhosa, notando como o jogador parecia decepcionado consigo mesmo.
- Eu estraguei tudo. Duas vezes… - confessou, baixando os ombros. - Eu não tenho mais cozinha.
- Não deve ser tão ruim assim, vamos lá. - ela ofereceu apoio e largou a bolsa no chão, indo em direção a cozinha e a cada passo que ela dava, um som diferente saía de sua boca - Mas c… Eu n… , o que … Eu estou sem palavras. - disse e para a surpresa do jogador, caiu na gargalhada. Ele podia ver lágrimas saindo do rosto da garota, o que só serviu para frustrá-lo ainda mais.
- Eu não acredito que você está aí rindo. - ele falou, sem conseguir segurar a risada nasalada que deu, por conta da forma que a ria tão naturalmente.
- Desc… Ai desculpa, eu não consigo. Nem eu, em meus dias de chef, consegui fazer uma façanha dessa. O que você estava tentando fazer?
- Uma torta para o jantar e um bolo de chocolate com morango. - falou abrindo o forno e a garota caiu novamente numa gargalhada infinita ao ver algo que parecia um bloco de carvão queimado dentro da assadeira. - Eu deixei no forno e fui arrumar o resto, acabei esquecendo. Eu acho que nunca usei esse forno antes.
- Mas porque você não comprou pronto, ? Não era mais fácil? - perguntou o óbvio.
- Era. - ele deu de ombros - Mas eu queria fazer eu mesmo.
- E essa obra de arte nas paredes e… No teto?! - a garota segurou mais uma gargalhada ao ver os pedaços de massa preso por todo o canto da cozinha.
- A torta, eu coloquei no liquidificador e a tampa não estava muito bem presa e bem...deu nessa merda aí. - disse com um tom elevado, irritado consigo mesmo, batendo com força a porta do forno e pelo rosto dele, percebeu que não era a primeira vez que ele descontava a frustração na porta do eletrodoméstico.
- Calma, . - a garota se aproximou, levando suas duas mãos para o rosto dele, selando seus lábios num selinho demorado. Mesmo que tenha sequer a tocado de volta, ao invés de o soltar, o abraçou apertado, depositando um beijo em sua nuca. - Essas coisas acontecem, não precisa ficar chateado.
- Não tem como não ficar, eu sou um idiota. - desabafou, se separando da garota - Não consigo nem fazer o seu bolo favorito.
- Como você sabe qual é meu bolo favorito? - o encarou curiosa e olhou para cima em rendição, se perguntando se tinha mais alguma coisa que podia dar errado naquele dia.
- Eu perguntei pro seu irmão. - confessou se sentindo tolo, ainda mais quando viu a cara de cachorro feliz que abriu com aquela informação. - Sua mãe me mandou a receita.
- Tá falando sério? Ela não revela pra ninguém essa receita, nem pras minhas tias.
- Você tá falando isso pra tentar me animar? - perguntou duvidoso, mas logo tratou de abrir o material de produtos de limpeza, se perguntando para que cada coisa servia e o que podia usar pra tentar desgrudar a massa da cozinha toda.
- Eu prometo que estou falando sério. Minha mãe não sabe fazer quase nada, então o que ela faz bem, ela guarda segredo. - voltou a se aproximar dele, o fazendo a encarar. - Ei, , esquece isso. Acho que fazia tempo que eu não ria assim, muito obrigada por tudo isso.
- Pela bagunça? Ou pela risada? - ele perguntou ainda desanimado.
- Pelo esforço, pela boa vontade e intenção que você teve em tentar fazer esse jantar todo sozinho. - ela completou, fazendo um carinho de leve no rosto do jogador - Não deixa que essa tarde acabe com nosso final de semana. Vem, eu vou te ajudar a limpar tudo isso, mas temos que nos livrar do pior primeiro, o cheiro desse bolo queimado tá insuportável. Eu não sei como o seu detector não começou a apitar.
- Tá sem bateria. - deu de ombros - Eu não te chamei aqui pra limpar a cozinha, .
- E eu não te chamei na minha casa pra me ver chorar por duas horas no seu colo. Somos um time, não? - perguntou, passando por ele para pegar um balde e o máximo de papel toalha e panos de limpeza que pudesse encontrar. - Ainda temos que descobrir como vamos limpar o seu teto. Você tem uma escada?

O jogador abaixou a cabeça e um sorriso bobo surgiu em seus lábios, mesmo com tudo dando errado, não tinha se deixado abater com seu mau humor. Como bom ariano, qualquer coisa o irritava e aquele dia parecia ter sido o escolhido para testar sua paciência. A inglesa fez um coque em seu cabelo para não acabar com massa grudada na cabeça e foi só quando ela levantou o pé para tirar as sandálias, que finalmente reparou no que ela estava vestindo.
A garota usava um vestido de renda vermelho completamente colado ao seu corpo e na opinião de , nunca a tinha visto tão sexy. A saia terminava no meio de suas coxas e a parte de cima tinha uma certa transparência por toda sua cintura e costas, voltando a cobrir apenas seus seios. No colo, ela felizmente usava o colar que ele havia lhe dado, precisava dele para seus planos darem certo. se sentiu ainda pior do que antes.

- Eu sou um idiota. - bufou, se aproximando da garota, que o encarava confusa. - Você está absurdamente maravilhosa. - a elogiou, envolvendo sua cintura com um braço e com sua outra mão, deslizou os dedos pelos fios de seu cabelo. - Na verdade você é linda sempre, mas hoje… - assobiou, a fazendo dar uma voltinha e sentiu seu dia levemente melhorar ao vê-la sorrir daquela forma.
- Ainda bem que você finalmente notou, passei horas me preparando para o nosso jantar. - assumiu, cruzando os braços atrás do pescoço de , o abraçando.
- Me desculpa, . Eu fiquei tão irritado com tudo dando errado que agi como um idiota. Prometo compensar por esse pior encontro do mundo, na próxima vez eu vou assumir que não sei fazer nada e comprar tudo pronto. E pode ter certeza que eu vou fazer valer cada segundo que você passou se arrumando para essa noite, te mostrando o quanto você é incrível.
- OK, isso foi bem fofo. - falou, se colocando na ponta dos pés para beijá-lo - Eu sei que nada saiu como você esperava, mas ainda temos o final de semana todo pela frente. Vamos começar logo senão vamos passar a noite toda aqui.
- Tudo bem, mas eu acho melhor você trocar de roupa, eu odiaria que algo acontecesse com esse vestido. - sugeriu e a garota concordou. - Eu te empresto uma minha, não quero que você use nada seu para me ajudar com isso.
- Vamos subir então.

Já bem mais calmo, os dois subiram a escada e notou como as pétalas ainda seguiam pelo caminho todo até o quarto do jogador.

- São de mentira. - ofereceu, vendo a garota encarar as dezenas de velas por todo o corredor. - Eu posso ser idiota, mas não tanto assim...
- Ufa! Eu estava preocupada por um instante. - assumiu, entrando no quarto com o jogador e sorriu ao ver que mais velas, dessa vez de verdade, também estavam no local ainda apagadas e sua cama parecia saída de uma propaganda de hotel, tamanha a perfeição que tinha sido feita.
- Eu acho que isso pode te servir. - ele tirou da gaveta um shorts de nadar e uma camiseta qualquer.
- Você me ajuda? - se virou, tirando o cabelo das costas e imediatamente levou seus olhos por toda a parte traseira do corpo da garota.
- Com o maior prazer. - confessou, levando suas mãos ao zíper, mas antes de descê-lo, distribuiu beijinhos por todas as pintas que ela tinha nas costas. - Eu nunca imaginei que um dia teria tara por sardas e pintas… Ou talvez eu tenho porque elas são suas.

Conforme o zíper descia, engoliu em seco, se não tivesse estragado tudo, estaria fazendo exatamente aquilo, mas por um motivo completamente diferente. Quando ele terminou, deslizou as alças de seu vestido, fazendo com que a peça caísse no chão e seus olhos não conseguissem focar em qualquer coisa, que não fosse o corpo de .
Ela usava um sutiã tomara que caia e uma calcinha de tecido praticamente transparente, da mesma cor do vestido. Ela não reparou que ele não conseguia tirar os olhos dela e se pôs a colocar a roupa dele, se virando ao terminar.

- E não é que eu fico realmente bem de ? - brincou, repetindo o que tinha dito a ele a primeira vez que tinha ido a sua casa.
- Ainda não te vi usar algo que não ficasse bem em você, . Preciso adicionar te despir de minhas roupas na lista de fantasias que tenho com você.
- É o quê? - a garota riu, balançando a cabeça. - Que lista é essa?
- Pode ser que nesse final de semana você acabe descobrindo. - piscou misterioso, a abraçando por trás, depositando um beijo em sua bochecha.

tinha subestimado o tempo que precisariam para limpar a cozinha, achou que uma hora era o suficiente para terminar o trabalho, mas já tinham se passado três e os dois ainda encontravam pedaços de massa por todo lugar. Para ajudar a passar o tempo mais rápido, o jogador abriu a garrafa de vinho branco que tinha escolhido para o jantar e trocou a música para uma mais animada e os dois acabaram tornando aquele momento em algo divertido.
Mesmo sabendo que era por culpa dele que estavam ali, a raiva de já tinha passado e ele se pegou se divertindo com a noite inusitada que estavam tendo.

- Acabamos? - jogou o corpo contra o balcão da cozinha exausto.
- Eu espero que sim, não quero ver mais farinha na minha frente tão cedo.
- Tá com fome?
- Um pouco, mas estou tão cansada que isso me serve. - assumiu, roubando o cacho de uvas da fruteira a sua frente.
- Boa ideia. - o jogador concordou, pegando uma caixinha de frutas vermelhas da geladeira.
- Sabe… - falou, enquanto caminhavam juntos para o andar de cima. tinha sua bolsa em mãos e apagava as luzes de toda a casa. - Até que eu acabei me divertindo hoje.
- Eu não estou mais mal humorado, não precisa mentir pra me animar.
- Eu não estou mentindo. - respondeu exasperada, dando um apertão de leve na bunda do jogador. - Vamos ver um filme?
- Não sendo de terror. - deu de ombros - Eu só preciso tomar um banho. - informou, vendo concordar.
- Eu vou depois de você.

saiu do banho sentindo todo seu corpo doer, estava exausto, mas feliz em pelo menos poder assistir a um filme abraçado a , mas acabou soltando uma risada nasalada ao se deparar com a cena a sua frente. A garota dormia tranquila em sua cama, com o controle da TV na mão. Sem fazer barulho, ele apagou a TV e as luzes do quarto, deixando apenas uma acesa caso acordasse no meio da noite e se deitou ao lado dela, passando a mão com carinho sobre seu rosto. Como ela tinha dormido por cima do edredom, ele desdobrou a coberta que ficava no pé da cama, os cobrindo, antes de dar um selinho em e também cair no sono, observando a garota de seus sonhos sonhar.

💂

não tinha percebido, mas acordou com o som de algo caindo na cozinha. Ela se espreguiçou ainda tentando recobrar a memória de onde estava. Sorriu ao sentir o cheiro do jogador impregnado no lençol e abraçou o travesseiro feliz. Não tinham começado aquele final de semana bem, mas ela faria com que aquela manhã fosse perfeita. Ao notar que ainda usava as roupas da noite anterior, andou até sua bolsa, tirando sua necessaire e foi em direção ao banheiro, para finalmente tomar um banho.
fazia tudo na cozinha com o maior cuidado. Estava traumatizado e tinha ficado com medo de fazer qualquer coisa que envolvesse seu forno ou liquidificador. Para não repetir o dia anterior, ele apostou em ovos mexidos, torradas, frutas, café e suco de maçã. Não sabia se acordava com fome, mas não queria que mais nada desse errado. Somente parte de seu plano ainda restava e ele faria de tudo para que saísse perfeito, tocou no bolso de sua bermuda se certificando que o objeto ainda estava lá e suspirou aliviado ao confirmar.

- Bom dia! - ouviu atrás de si, tomando o maior susto e acabou deixando a espátula cair no chão.
- Ai que susto! - declarou, se virando para , que ria de sua reação. - O que você está fazendo acordada?! Volta pra cama, eu estou tentando te fazer uma surpresa. - resmungou se virando para mexer os ovos e a inglesa mordeu os lábios ao notar que a bermuda que ele usava estava um pouco larga e sua cueca estava quase toda à mostra.
- Eu já estou surpresa. - disse dando um beijo em suas costas nuas, sentindo as mãos dela envolverem sua cintura por trás. - Você sabe o que está fazendo? - ela perguntou divertida, o observando desligar o fogão.
- São ovos, eu acho que ainda sei como não queimá-los. - retrucou rindo, se virando para a garota que cheirava a sabonete e vestia um de seus moletons. - Eu tô falando sério, volta pra cama?
- Sim, senhor. - concordou animada, deixando que o jogador terminasse o que tinha planejado.

estava nervoso, mas imediatamente se sentiu acalmar ao encontrar a inglesa na cama, o esperando. Ela tinha ligado o som e sorria de uma forma que aquecia seu coração.
o ajudou a colocar a bandeja na cama e se pôs a comer, como acabaram não jantando na noite anterior, estava morrendo de fome.

- Você não vai comer ? - perguntou ao perceber que ele mal tinha tocado na comida.
- Eu não tô com muita fome. - respondeu com seu café em mãos, mas sentia seu estômago revirar.
- Tá tudo bem? - ela ergueu a sobrancelha ao vê-lo tocar a barriga.
- Tá sim. - assegurou, mas sem muita convicção.
- … - suspirou fundo, colocando seu suco de volta na bandeja. - O que está acontecendo? E não fala que não é nada, porque eu sei que não é. Você tem estado um pouco...distante.
- Acho que estamos num ponto da nossa relação que já é impossível esconder algo um do outro, né? - ele sorriu fraco, afastando a bandeja para um lado e se aproximou da inglesa, segurando em suas mãos.
- É, eu acho que já te conheço um pouquinho pra saber que tem alguma coisa aí.
- Aquele dia no Annabel's eu estava um pouco mal humorado, a gente tinha acabado de perder um jogo e a pressão do clube, dos torcedores e da mídia acabaram me afetando. Você sabe como te tratei, mas não sabe que já foi naquele dia que você de certa forma me conquistou. Tinham muitas garotas bonitas por lá, mas quando você entrou, eu travei em você. Foi como eu disse uma vez, parece que elas ficaram horas se arrumando e que você tinha acabado de acordar e sair e ainda assim era a mais bonita de todo lugar.
- Eu nunca tive uma opinião formada sobre você, aquele dia foi a primeira vez que te vi pessoalmente e você estava me ignorando demais pra notar o quanto eu tinha te achado lindo.
- É difícil pra mim lembrar a forma que te tratei e julguei durante aqueles primeiros meses, eu fui bem… escroto. Você sabe o quanto eu amo te irritar, mas você sempre sabia como me responder e sendo bem sincero, secretamente eu ansiava por suas respostas. Acho que foi até por isso que demorei pra admitir pra mim mesmo que estava interessado em você. O Dier vinha há dias me enchendo o saco sobre como eu devia te chamar pra sair.
- Ele foi realmente o nosso cupido. - riu, se lembrando do amigo.
- Infelizmente. - brincou. - Ele nunca mais vai me deixar esquecer disso. Mas eu também nunca vou admitir pra ele que de tudo que ele já fez por mim nessa na vida, essa, nós, foi a melhor de todas elas.
- Ah , de onde está vindo tudo isso? - perguntou emocionada e se aproximou ainda mais, colocando sua perna por cima da dele.
- Deixa eu terminar. - pediu, sentindo seu coração querer sair pela boca - Você, , sei lá... Tem algo sobre você que é único. Parece meio clichê, mas eu nunca conheci alguém assim antes, com sua paciência, o seu coração, a sua simplicidade e humildade... Mesmo depois de tudo que você passou, você é incrivelmente você e mesmo eu ainda tentando descobrir se você tem algum defeito, eu tenho certeza que nunca me senti com alguém da forma que me sinto com você. Pra mim foi uma surpresa descobrir que eu estava completamente apaixonado por você naquele dia no MK Dons. Eu estava inseguro em te levar lá porque somos de vidas tão diferentes, sei que é bobo, mas me senti um pouco envergonhado. Mas mais uma vez você me surpreendeu e foi novamente sendo você que eu tive a certeza que eu te amo há muito tempo e é por isso que eu tenho desviado de suas investidas nesses últimos dias, por tudo que você é, pelo que nós somos e o que eu ainda quero ser com você, eu já não me vejo não tendo você, se não for pra ser como minha namorada. - podia sentir seu coração acelerar ainda mais, ao tirar a pequena caixa de seu bolso, os olhos da garota estavam cheios de lágrimas. - Então, Lady , mesmo tendo estragado tudo ontem a noite e ter que ter esperado até agora para poder fazer esse pedido... Você aceita namorar comigo?
- … Essa foi a declaração mais linda que eu já ouvi em toda minha vida . Eu também te amo e muito. - ela acabou deixando algumas lágrimas rolarem, mas não se importou, levou suas duas mãos ao rosto do jogador, o beijando com paixão.
- E então? - ele perguntou ansioso - Eu meio que quero ouvir a resposta. - pediu.
- Eu aceito, mas só se você aceitar ser o meu plebeu. - disse divertida e avançou contra ela, fazendo com que os dois caíssem na cama, ele por cima dela.
- E eu já não sou?

Capítulo 9

Se no final do ano anterior tivessem perguntado a o que ele tinha programado para o próximo ano, ele certamente não teria respondido se apaixonar. Mas ali estava ele, completamente apaixonado por sua namorada. Juntos oficialmente há apenas duas semanas, ele já não se via mais sem a garota em sua vida.
Tinha acabado de entrar em seu carro, animado com a última reunião com o clube e seus companheiros de time. Veria alguns deles em menos de duas semanas, quando se apresentasse para a seleção para os últimos dois jogos antes de suas férias, um qualificatório para a copa contra a Escócia e um amistoso contra a França. Mas antes de pensar naquelas partidas, se permitiu desligar de tudo e aproveitar o fato de que descobriu ter quatro dias livres, antes de ir para a concentração. Ainda não sabia o que queria fazer, mas a única coisa que conseguia pensar era em como queria passá-los com .
Colocou seu colar, que sempre deixava no carro durante os treinos por segurança e sorriu ao ver a inicial de sua namorada colada ao seu peito. Ainda se lembrava com exatidão da manhã que tiveram quando ele finalmente conseguiu pedi-la em namoro.

- O que tem naquela caixinha? - a inglesa perguntou ansiosa, quando finalmente se soltaram, olhando para o objeto agora jogado na ponta da cama.
- É pra você. - ele se esticou para alcançar a caixa e a abriu, mostrando a pequena letra com sua inicial e um pontinho de brilhante cravejado no cantinho. - Pra você colocar junto com o pingente do seu colar… Isso é, se você quiser. - adicionou subitamente, em dúvida se não era pretensioso demais esperar que sua namorada andasse com a letra de seu nome no pescoço.
- Mas é claro que eu quero, é uma gracinha. - disse agradecida, tirando o colar para encaixar o novo pingente. - Muito obrigada, , usarei todos os dias.
- Eu também comprei um pra mim. - admitiu tímido segurando o próprio colar e a garota o pegou, notando a sua inicial e o brilhante junto ao pequeno crucifixo que ele sempre usava.
- Você estava com isso desde ontem?! - perguntou chocada, o vendo assentir divertido. - Eu não acredito que não reparei.
- Eu acho que a gente estava mais preocupado em limpar aquela zona, isso sim. Esse pedido era para ter saído ontem, depois do jantar a luz de velas que eu preparei. Ainda não acredito que deu tudo errado, passei horas jogando essas pétalas - disse, se permitindo rir pela primeira vez depois de todo o stress do dia anterior.
- Ai meu deus! - começou a rir sozinha, ao se dar conta de algo - Agora que eu percebi que foi por isso que você preparou a casa toda.
- Claro que foi, eu tava tentando ser romântico, achou que era o quê?
- Eu achei que era para a nossa primeira vez. - ela voltou a gargalhar, fazendo
rir junto com ela.
- Não que eu não ache que a nossa primeira vez não mereça ser memorável, mas eu jamais faria tudo isso só pra te levar pra cama. Você não desconfiou de nada?
- Não, pra ser sincera achei que fosse demorar mais pra rolar o pedido, ainda mais depois de tudo que aconteceu esses dias, conhecer meus pais, a nossa discussão… Foi muita coisa.
- Nah, só me ajudaram a ter certeza que estava mais do que na hora. - admitiu, voltando a se deitar do lado de .
- E além do que você fez lá embaixo… O que você preparou aqui pra cima? - o encarou séria, virando todo o corpo pra ele.
- Eu ia acender essas velas perfumadas, ligar a playlist que eu fiz… Eu também coloquei uma champagne na geladeira e morangos. Um pouco clichê, mas eu queria algo simples, mas que significasse algo.
- Então por que você não vai lá embaixo buscar a champanhe e os morangos, enquanto eu vou ali no banheiro rapidinho pra também te mostrar o que eu preparei? - ela sugeriu de forma convidativa, mordendo os próprios lábios.
- Eu volto em um minuto. - o jogador lhe deu um selinho e logo saiu do quarto apressado.

se levantou no segundo seguinte e caminhou em direção a sua bolsa. Ela sabia exatamente o que iria usar, pegou seu novo conjunto, seu hidratante corporal e sua escova e spray de cabelo. Já no banheiro, ela voltou a escovar os dentes e sem pressa alguma se despiu, passando seu hidratante favorito por todo seu corpo e aproveitou para escovar os cabelos, jogando a cabeça para baixo, para que quando voltasse eles estivessem mais volumosos e tentaria deixá-los daquela forma por mais tempo, com o spray fixador. Quando ela terminou de vestir as duas peças, apagou as luzes do banheiro e abriu a porta, reparando em como o quarto estava mais escuro, as cortinas agora estavam fechadas e uma música lenta e sensual preenchia o ambiente.
Ele acendia as velas que estavam espalhadas pelo quarto, concentrado em sua ação, quanto notou pelo canto de olho que já estava no quarto. Ele se virou sem muitas expectativas, mas teve que rever todos os seus conceitos, ao ver a garota encostada no batente, o encarando de forma divertida.

- Wow! - exclamou, mas logo outro som saiu de sua boca. - Ai. - resmungou ao sentir o fósforo queimar seu dedo.
- A ideia é que a gente pegue fogo, , não o quarto. - comentou rindo, andando em direção a ele.
- Eu sei, mas me dá um desconto. - pediu, desistindo de acender qualquer outra vela que fosse, para fazer a única coisa que ainda lhe importava naquele momento, amar sua namorada. - Você é linda de uma forma que eu acho que ainda não criaram uma palavra pra te descrever e com esse conjunto, posso afirmar que é linda e muito gostosa.

- Entrou em transe? - o jogador tomou um susto ao notar Eric batendo na janela de seu carro - Desde que você começou a gostar da já estava difícil, mas agora namorando tá impossível. Tinha que ver o sorrisinho idiota que você tava no rosto.
- O que você quer?
- Te desejar um bom descanso, estúpido. Vou aproveitar pra ir pra Portugal ver meus amigos. E você, já pensou em algo?
- Vou ligar agora pra , ver se ela quer ir pra algum lugar.
- Nos vemos na volta no St George's Park . - o loiro o cumprimentou da forma que sempre faziam e foi em direção ao seu carro.

, sem esperar mais um minuto, ligou o carro e antes mesmo de sair do centro de treinamento, ligou para Phillipa.

- Ei, babe. - sorriu ao ouvir a voz da garota sair pelas caixas de som de seu carro.
- Oi, princesinha . Alguma chance de você conseguir tirar folga da LLF por três dias… Amanhã?
- Amanhã?! - exclamou surpresa, imediatamente abrindo sua agenda para a semana. - Nossa eu preciso ver, por quê?
- Descobri que tenho quatro dias de folga antes de me apresentar e eu queria passar eles com você.
- Ah eu amaria, preciso olhar aqui minha agenda e conversar com o Anthony pra ver se ele pode me cobrir. O que você tem em mente?
- Não sei ainda, só sei que quero te ver, preferencialmente nua. - sorriu safado, ouvindo a garota gargalhar do outro lado. - Podemos ir pra Ibiza, ou Dubai?
- Tudo bem, não é sacrifício algum te ver sem roupas também. Mas não precisamos ir tão longe, você já foi pro Soho Farmhouse? - perguntou, se lembrando de um e-mail que tinha recebido do local na mesma semana - Eu e o Will somos membros e pra ser sincera estava louca pra te levar lá.
- Ah é, posso saber por quê? - perguntou curioso, sorrindo aberto enquanto dirigia pelas ruas que o levariam para casa.
- O lugar é demais, podemos andar a cavalo, jogar tênis, passear de barco, bicicleta…. Podemos inclusive tomar um banho de banheira a céu aberto.
- Dá próxima vez começa com o banho a céu aberto que nem precisa de mais nada pra me convencer.
- Yay! Eu vou ligar pra eles agora mesmo enquanto chamo o Anthony. Me liga quando chegar em casa?
- Como todos os dias. - sorriu, pronto para desligar a ligação. - Te amo, princesa.
- Eu também, plebeu.

💂

- Eu ainda não acredito que você me convenceu a largar tudo e vir. - disse sorrindo olhando seu namorado que piscou esperto para ela. Os dois já estavam no carro de , a caminho do Soho Farmhouse
- Até parece, você tava louca para pensar um tempo comigo também.
- Eu nunca não disse isso. - a inglesa puxou a mão do jogador e deu um beijo delicado, que o fez sorrir - Vocês não vão me perder para a Escócia, hein? Já parou pra pensar que ano que vem, ao invés de estarmos planejando nossas férias, você vai estar se preparando para a Copa do Mundo?
- Eu espero que dê tudo certo, que eu não sofra nenhuma lesão… - De repente o lado tranquilo do jogador sumiu e seu lado profissional e perfeccionista que estava começando a conhecer, tomou conta.
- Ei, vira essa boca pra lá. - ela o cutucou de leve, o fazendo rir da sua reação - Meu pai está todo animado com a possibilidade de chegarmos a final. Disse que pra alguma coisa tinha que servir eu me envolver com um jogador, os ingressos. Ele disse que acha bom a Inglaterra ir bem, porque não aguenta mais escutar as piadinhas sobre 1966.
- Eu também não - o jogador admitiu. - Seu pai é muito mais divertido do que imaginei.
- Ele é super tranquilo. - deu de ombros - Como é jogar contra seus colegas de time? Deve ser super esquisito jogar contra a França e ver o Lloris tentando defender seus chutes… - perguntou, mas acabou se lembrando de um assunto que o deixava triste.
- O Son ou a Lou chegaram a comentar sobre a situação dele com você?
- A Lou... - a inglesa se virou de lado para o namorado e ao ver seu semblante preocupado, começou a fazer um carinho em sua nuca, como sempre fazia quando ele dirigia. Adorava passar os dedos sobre os pequenos fios de seu cabelo. - Ela está tão preocupada e não tem nem como não ficar. São 18 meses, , imagina o que ele vai passar? Ainda mais pra um jogador … Ficar todo esse tempo sem jogar bola.
- Ele disse que tem um campeonato no exército.
- Não é a mesma coisa e você sabe.
- Mas nem é isso o que mais me preocupa, é meu amigo, sorridente, inocente… Aprendendo a operar armas de fogo.

respirou fundo, tentando mais uma vez tirar aquele assunto de sua mente. Ele e Son haviam começado a jogar no Tottenham na mesma temporada e apesar de no começo a comunicação ter sido complicada por conta da diferença de cultura e o fato do inglês do sul-coreano ter um sotaque pesadíssimo, eles logo se aproximaram e se tornaram grandes amigos. E nem tinha como não gostar de Heung Min Son, o jogador tinha uma personalidade extrovertida e animava qualquer ambiente. Bastava uma de suas risadas para que o humor de todos mudasse instantaneamente.

- Esse era um dos motivos dele estar tão inseguro em ter uma relação séria com a Louise - encarou o namorado, esperando ele continuar - É muito ruim não saber se você vai estar presente ou não. Eu te conheço faz o quê? Quatro meses? - perguntou, vendo a garota concordar - Quatro meses e já quero estar o tempo todo com você, imagina um ano e meio sem nos vermos? Sem contato algum?
- Fofo. - a inglesa se inclinou para dar um beijo demorado no rosto do namorado - Eu tenho muita fé de que vai dar tudo certo, a Lou estava dizendo que às vezes o governo dá isenção a esportistas, de repente acontece o mesmo com o Son.
- Eu torço muito por ele e por eles.
- Eu também.

ligou a playlist dos dois e deixou que a música acalmasse o coração do namorado. Amava como, apesar de todo seu temperamento explosivo, ele podia ser cuidadoso com as pessoas que amava. E Son certamente era uma delas.

- Chegamos!! - a inglesa deu um gritinho animada ao ver de longe a entrada do local - Eu não vejo a hora de te mostrar tudo. - comentou sorridente, entregando sua mala aos farmhands que a cumprimentaram na entrada.
- Obrigado. - agradeceu ao rapaz, feliz por respirar o ar do interior. Não tinha como negar, a pequena estrada que os levou até ali tinha paisagens incríveis. - Será que podemos comer alguma coisa antes, eu estou morto de fome.
- Eu sabia! - a garota lhe deu a mão animada. - Eu reservei uma mesa para o brunch, já devem estar nos esperando.
- Ainda bem que alguém aqui é organizado. - brincou, colocando seus óculos escuros e seguindo sua namorada até a casa principal do local. O fato de estar sol e quente aumentou ainda mais a empolgação que ele estava para aqueles dias. Adorava viajar para lugares novos e diferentes, mas tinha que reconhecer que a Inglaterra tinha locais incríveis para visitar, ainda mais durante a primavera e o verão.

Após terminarem suas refeições, o casal seguiu para a cabine que tinha escolhido e se viu em uma casa de fazenda simples, mas extremamente aconchegante. Logo na entrada, duas bicicletas verdes com seus nomes os aguardavam, assim como wellies novinhas, para que não precisassem sujar seus sapatos, caso fossem fazer uma das muitas caminhadas que tinha pela região de Cotswolds, onde ficava o hotel.
Logo na entrada uma pequena copa com diversas amenidades o fizeram sorrir, estavam tão longe da casa principal que se perguntou o caminho todo como faria se quisesse tomar um chá ou café. A pequena sala possuía uma mesa de jantar e sofá, mas o que realmente o animou foi o tamanho da cama, ainda maior do que a que ele tinha em casa. Sabia que aproveitaria seus dias naquela cama das duas formas mais prazerosas possíveis.

- Vem aqui fora. - sorria aberto e o jogador a seguiu sorrindo igual, contemplando a vista e o lago que ficava na frente de seu quarto, mas visão mesmo ele teve ao olhar para sua namorada e vê-la o olhar da forma que sempre o derretia, com o sol batendo em seu rosto, iluminando seus olhos e sardas.
- Você é tão linda! - a elogiou se aproximando e envolveu seus braços pela cintura dela, a beijando. acabou sorrindo por entre o beijo, ao sentir as mãos de em sua bunda. - Por que você gosta tanto de apertar a minha bunda?
- Porque ela é toda durinha. - sorriu, apertando novamente. - Você já viu o que tem atrás de mim?

A inglesa se soltou do jogador, deixando que ele enfim, visse a banheira ao ar livre.

- Então é aqui que vamos passar a nossa noite? - encarava o objeto, feliz ao perceber que poderiam ter ainda mais privacidade com as duas cortinas que tornariam o ambiente ainda mais exclusivo. Logo ele sorriu ao sentir as mãos da namorada passarem por sua cintura, por baixo de sua blusa. Não sabia se um dia sentiria seu toque sem que todo seu corpo reagisse. - Vamos pedir um vinho pra hoje? - ele virou o pescoço, a vendo concordar - Você já se solta quando estamos sozinhos, mas a depois de duas taças de vinho é simplesmente insaciável.
- !!
- a ouviu dar um gritinho agudo, se virando a tempo de capturar seus lábios com o seu.
- Eu sei que era uma forma de te irritar, mas você realmente coloca meu folêgo de jogador pra teste.
- Bom saber que te mantenho na linha. - a inglesa piscou divertida, descendo suas mãos para dentro do jeans do jogador.

💂

Após descansarem um pouco, resolveu se trocar e a acompanhou. O local parecia enorme e o jogador abriu o mapa para ver quais as atividades e locais que gostaria de visitar.

- O que você vai querer fazer agora? - perguntou enquanto observava a namorada decidir qual boina iria colocar no cabelo.
- Bem... Eu meio que deixei algo reservado. - ela disse e deu risada quando viu a cara de suspeito do namorado - Eu queria te mostrar os estábulos e de repente não sei… Fazer uma trilha a cavalo?
- O quê?! - a encarou estupefato - Você caiu andando de um, tá louca? Eu nunca andei e tenho quase certeza que deve estar no meu contrato que não posso fazer isso.
- Ai , foi um acidente, acontece. - ela deu de ombros e o puxou pela mão, fazendo uma carinha que ele sabia que não conseguiria dizer não. - Confia em mim

Após se vestirem apropriadamente, os dois subiram nas bicicletas oferecidas pelo hotel e foram em direção aos estábulos. Durante todo o caminho teve que segurar a risada, o jogador não parava de resmungar falando que ela tinha desejo de morte e que ele devia ter percebido isso no dia que eles assistiram o filme de terror na casa de Eric.
observava sua namorada com um sorriso no rosto enquanto ela ia andando pelos estábulos, ela fazia carinho em todos os cavalos e encorajava a ele fazer o mesmo, com um pouco de relutância ele fez carinho em um dos cavalos que disse ser um dos mais mansos.

- Esse é o Pirajá, o meu favorito. Quando venho só monto ele. - ela disse, abrindo a porta da baia e arregalou os olhos.
- Você pode fazer isso? Ele não vai sair correndo? - disse se afastando um pouco.
- É claro que posso, . Eu só vou falar oi. - avisou rindo e passou suas mãos pelo corpo todo do cavalo, matando a saudade que tinha dele. - Você acha que tem mesmo em seu contrato alguma proibição de andar a cavalo? - perguntou preocupada, afinal nem tinha pensado no assunto.
- Tem uma lista enorme do que eu não posso fazer, não tenho certeza que andar a cavalo seja uma delas, mas…
- Tudo bem. - o jogador pode ver como ela tinha ficado decepcionada com a notícia. - E se nós andássemos ali no paddock ? - tentou, apontando para o cercado que geralmente era reservado para as crianças. - Eles têm pôneis aqui também. - brincou ao sair da baia e chegou a gargalhar com a cara que lhe fez.

Sem querer levar uma multa astronômica do clube e muito menos desapontar sua namorada, o jogador concordou em subir em um por alguns minutos, contanto que ninguém aparecesse. O hotel não estava completamente cheio, mas havia mesmo assim, pessoas suficientes no local que poderiam arruinar sua carreira com apenas uma foto.
Um dos tratadores confirmou que não tinham nenhum passeio marcado naquele dia e deixaram que o casal usasse um paddock mais afastado, de onde era possível ver de longe, caso alguém se aproximasse.
logo montou em Pirajá e montou Ícaro, um cavalo que apesar de grande, era reservado para iniciantes. O animal era tão dócil que parecia saber exatamente o que fazer, sem que sequer fosse direcionado.

- E aí? - perguntou se virando para trás, enquanto cavalgavam em direção ao cercado.
- Acho que estou indo bem. Ele não vai sair correndo, né? - perguntou olhando rapidamente para a garota, antes de voltar sua total atenção ao animal.
- Não vai. - ela riu ao desmontar, para abrir o cercado para eles.

Por meia hora, se divertiu como nunca achou ser possível em cima de um animal. Apesar da dor que sentia entre as pernas cada vez que o animal começava a trotar, estava aprendendo a levantar e sentar na ordem correta e sem perceber abriu um sorriso que lhe alcançou os olhos. Completamente confiante em cima de um animal, tirou seu celular do bolso da jaqueta que usava e tirou fotos do jogador, mesmo sabendo que seriam apenas para eles. Amava de paixão cavalos e saber que estava se divertindo em cima de um a fazia feliz.

- Isso é demais!! - confessou após ser convencido por a galopar por duas voltas, apenas para que ele soubesse qual era a sensação. - Eu vou parar por aqui. - avisou, descendo do animal, sabia que estava tentando a sorte se continuasse a se arriscar daquela forma. - Mas você continua, eu vou levar ele pro estábulo e volto aqui pra tirar umas fotos suas.

assentiu e sem para supervisionar, se viu livre para fazer o que mais amava, galopar e saltar sem regras. De longe, o jogador podia ver sua namorada concentrada no que fazia, mas era visível o quanto estava feliz e o principal… Livre . Uma sensação que poucas vezes ele percebia nela, geralmente quando estavam na casa dela, entre amigos ou sozinhos em locais privados. Aquilo o alegrou na mesma proporção que o entristeceu. era prisioneira de seu passado e de seu status e ele tinha certeza que mesmo sendo feliz da forma que era, ela podia ser mais, muito mais.
Por isso naquela tarde, ao vê-la fazendo algo com a mesma paixão com que ele jogava futebol, ele decidiu que faria o que fosse para que aquela pudesse estar ao seu lado todos os dias.

💂

tinha acordado exausto naquela manhã. Após dirigir por quase duas horas, passar a tarde andando a cavalo e jantar no restaurante japonês do local, o casal ainda tinha esticado a noite com um banho de espuma sob as estrelas. Mas ele sabia que precisava manter seus exercícios físicos se não quisesse levar uma bronca de Gareth Southgate, seu treinador na seleção.
Lhe doeu deixar tão confortável e nua na cama, mas sabia que se não fosse agora não iria mais. Estava encantado com o lugar e mesmo ainda tendo dois dias inteiros para aproveitar, sabia que voltaria ali muitas vezes. Não demorou para encontrar a academia e junto a ela duas piscinas aquecidas. Ele já sabia exatamente onde passaria a sua tarde com . Impressionado com todo os equipamentos, não demorou para colocar seus headphones e começar a treinar.
se espreguiçou na enorme cama e antes mesmo de abrir os olhos já sabia que não estava no quarto. Olhou o celular constatando que eram quase dez da manhã e sorriu com a mensagem do namorado, avisando que estaria na academia até por volta daquele horário. Ela já o tinha avisado na noite anterior que estava exausta dos dias que vinha tendo na fundação e não tinha a menor intenção de acordar cedo. Além de estar se preparando para as férias de verão, sua busca pelo local ideal para a independência da LLF continuava a todo vapor. Vinha visitando diversos locais ao longo das últimas semanas, mas não encontrava nada que a agradasse.
Já visando o novo local, ela e seus treinadores estavam em busca de mais crianças para treinar e não queria deixá-los na mão de forma alguma. Aproveitou ter ainda um pouco de tempo e leu seus e-mails e mensagens de Anthony para ter certeza que estava tudo correndo bem sem a sua presença.
Enquanto rolava seu feed do Instagram, recebeu uma nova mensagem de avisando que estava a caminho e, empolgada, ligou para o serviço de quarto pedindo o café da manhã e entrou no banho para esperá-lo.
Não demorou para que ela ouvisse a porta de sua cabine se fechando e menos ainda para que aparecesse no banheiro apenas de bermuda e completamente suado. Mordeu imediatamente o lábio inferior, passeando os olhos pelo abdômen definido do jogador, que ficava ainda mais visível quando ele terminava de treinar. O sorrisinho de lado de , já era conhecido da garota, era o que ele sempre dava quando a via nua.

- Vai ficar ai só olhando ou vai se juntar a mim? - perguntou abrindo a porta de vidro, jogando os cabelos pro lado, sedutora.
- Pode ter certeza que vou me juntar. - piscou tirando os tênis e meia, terminando sua garrafa de água e a jogando em cima da pia.

deu espaço para que o jogador entrasse e se postou embaixo do enorme chuveiro, que ficava bem no centro do box, deixando seus cabelos se molharem. sorriu, mordendo o lábio inferior, chacoalhando a cabeça desacreditado. Quase tinha perdido uma mulher como ela por orgulho, sabia o quanto era sortudo em poder chamá-la de sua. Deixou que sua bermuda caísse no chão e entrou só de cueca no chuveiro, indo em direção a garota.

- Ai! - reclamou, se afastando rapidamente da água - Você está tomando banho ou tentando trocar de pele? - comentou rolando os olhos e girou um pouco a torneira, para que a água esfriasse um pouco.
- Nem está tão quente assim. - abriu os olhos sorrindo, se aproximando do jogador. - Ainda vai ficar muito mais. - piscou, caindo na gargalhada por suas palavras bregas.

Com a água numa temperatura mais aceitável, passou sua mão pela cintura da namorada, que tratou de puxá-lo para o centro do chuveiro. Assim que seu corpo cansado entrou em contato com a água, soltou um gemido de satisfação, ainda sentia dor nas pernas pelo passeio a cavalo. deu espaço para que ele relaxasse um pouco e aproveitou para ver de primeira fila a cueca ficar ainda mais grudada e pouco a pouco, completamente transparente. Contente, ela deu a volta pelo corpo do jogador, massageando seus ombros, sorrindo feliz ao vê-lo levantar a cabeça para o alto em satisfação. Logo, suas mãos deslizaram por suas costas, levando com elas a último peça de roupa que os separava. Antes da garota sequer conseguir se ajoelhar, segurou em seu braço, a trazendo para ficar de frente a ele, dando alguns passos e a prensando contra a parede.

- Eu ainda estou cheio de endorfina do treino e pretendo usá-la em você. - sussurou em seu ouvido, mordiscando seu lóbulo - Eu sei que você gosta de me dar prazer, mas eu gosto ainda mais quando seus olhinhos se fecham quando eu te toco bem… Aqui. - disse, levando sua mão até a intimidade da garota, mas sem tirar os olhos do rosto dela que traduziam tudo o que ela estava sentindo. - Olha pra mim. - pediu, a vendo abrir os olhos, conforme seus dedos continuavam a massageá-la. - Eu amo te olhar, mas amo mais ainda quando você me olha desse jeitinho.
- - arfou, segurando o braço do jogador que a tocava e passou a movimentar o quadril no mesmo ritmo do .
- Eu amo quando meu nome sai da sua boca, de qualquer forma, qualquer hora. Mas esse tom me destrói por inteiro, olha como eu já estou. - falou, pressionando o próprio corpo contra o dela e baixou os olhos do por um instante, notando sua ereção. Se antes ela já sentia calor, agora seu corpo queimava em desejo por seu namorado.

Mesmo amando tê-lo lhe dando prazer, também precisava tocá-lo, senti-lo. Ter os lábios dele nos seus, suas mãos por todo seu corpo e sua alma. , ainda disposto a dar muito mais prazer do que receber, limpou os dedos com a boca e de surpresa, a pegou no colo, colando seus lábios com voracidade e desejo. Sabia que ficariam sem fôlego em segundos, mas precisava do gosto, da língua e dos lábios dela nos seus, como nunca precisou de um outro antes. Arfante, a garota levantou a cabeça para puxar um pouco de ar para seus pulmões, espalmando suas mãos no peito do jogador para se apoiar, mesmo sabendo que ele jamais a deixaria cair. Podia sentir sob seus dedos o coração de bater acelerado e sentia dentro de si, o dela bater igual.

- Você está sentindo, não tá? - o jogador perguntou, se referindo aos seus batimentos cardíacos. assentiu ofegante. - É sempre assim, , você me olha, me toca, me beija e meu coração dispara. Muito antes de você me deixar ser seu, você já me tinha. Eu amo a vida que eu conquistei, mas eu amo a minha vida muito mais agora que você está nela. Nunca percebi que antes de você eu não era completo, foi só te beijar que finalmente tudo fez sentido. Eu te amo tanto. - declarou, levantando os braços da garota e os prendendo em cima de sua cabeça. - E essa é uma das muitas formas que vou te mostrar isso.
- Eu também te amo, . - arqueou as costas, novamente se deixando levar pelos lábios do jogador em seu corpo, dessa vez em seus seios.

O que era aquela coisa louca que os tomava, sempre que estavam juntos? Fosse num passeio de carro, assistindo TV no sofá, ou transando em todos os lugares possíveis, quando e se juntavam, era como se todo o resto virasse apenas isso, resto.

- Você se superou hoje. - se virou para , sorrindo em êxtase. Estavam os dois na cama, acalmando suas respirações, após uma segunda rodada que deixou todo o edredom molhado.
- Me superei, né? - comentou metido, se colocando por cima da garota - Você que me deixa assim e esse lugar. Ainda quero uma outra vez na banheira antes de irmos embora.
- Eu também. - ela sorriu, brincando com o colar que ele usava com o crucifixo e sua inicial. De repente, ouviu o estômago dele se remexer. - Acho que tem alguém com fome. - sorriu, depositando um beijo no queixo dele.
- Tô morrendo, hoje o treino foi triplo. - respondeu brincalhão, lhe dando um último beijo antes de levantar. - Vou olhar se já deixaram o café aqui. - disse ajudando a se levantar.
- Eu só vou pentear meu cabelo, antes que embarace ainda mais. - avisou, caminhando nua para o banheiro e se viu mais uma vez preso em suas curvas.
- Que mulher!! - chacoalhou a cabeça, abrindo a porta para sala.

💂

O último dia havia chegado muito mais rápido do que o casal gostaria, aquelas três noites tinham servido para matar a saudade e ter um ao outro de forma ininterrupta. Mas a verdade é que aquela viagem tinha servido para cimentar ainda mais o amor que sentiam, ela não poderia ter sido mais perfeita e absolutamente tudo que e precisavam naquele momento da vida de ambos.
tomava banho enquanto ligava para o food truck do hotel, que vinha em sua cabine preparar o café da manhã na hora. Eram nove da manhã, mas os dois tinham acordado há horas. Levantaram cedo para treinar e ao saírem da academia, sugeriu que eles fossem remar. concordou animada e ele então se lembrou do quanto ela gostava do esporte, tinha até feito parte da equipe de remo que participava da famosa Boat Race que acontecia todos os anos entre as faculdades de Oxford e Cambridge, tão notória que era sempre televisionado.
Estava tudo indo bem, até que ele se sentiu confiante demais e resolveu ficar em pé fazendo gracinhas para sua namorada, só que ele não contava que um corvo ia passar rente a sua cabeça o assustando e antes mesmo de sequer processar o que estava acontecendo, se viu caindo na água.

- Você nunca vai parar de rir? - ele perguntou um pouco irritado, assim que saiu do banho.
- Ai desculpa, , mas é que não tem como, se você visse sua cara quando o corvo passou do seu lado.
- Mas eu não ri ontem quando perdemos a partida contra aqueles dois cinquentões e você ficou irritada a tarde inteira.
- Eles roubaram e você sabe disso!!

Foi a vez do jogador voltar a rir, era impressionante como levava apenas instantes para que ficasse vermelha quando algo a irritava. Após ela muito insistir, eles foram até a área em que tinham diversas quadras, incluindo a de tênis e o convenceu a jogar uma partida. No começo eram apenas os dois se divertindo, achava hilário ver os sons que a inglesa emitia toda vez que batia na bola, adorava ainda mais provocá-la, a lembrando que era exatamente daquela forma que ela fazia quando estavam na cama. Meia hora depois, um casal mais velho com quem eles tinham conversado no dia anterior apareceu e se juntou a eles, sussurrou para o namorado para que pegassem leve e concordou de prontidão. Mas conforme o jogo avançava eles perceberam que Margaret e John eram, na verdade, muito bons no esporte e durante o intervalo pare eles se hidratarem, puxou o namorado pelo braço, o surpreendendo com a seriedade que falou.

- A gente vai jogar pra valer agora. A Margareth tá rindo da nossa cara toda vez que eles fazem um ponto.

A inglesa não estava brincando e Margareth também não, chegou um momento que e John apenas as observavam jogar, rindo da competitividade de suas parceiras e quando o jogo finalizou com a vitória do casal mais velho, ele teve se controlar para não rir ao ver com o maior sorriso falso, cumprimentar os vencedores.

- Qual é , é difícil demais aceitar que eles eram melhores que a gente?
- Eu juro para você que aquela bola estava fora da linha.
- Tá bom, eles dizem que vem todo verão, no próximo ano a gente marca uma revanche.

A garota sorriu boba para o namorado, ele não tinha percebido o peso que aquela frase tinha para ela, mas estava contente ao perceber que ele já fazia planos para o futuro dos dois e com aquela naturalidade. Ela se aproximou do jogador e ele tinha certeza de que ela lhe daria um beijo, mas tudo que ela fez foi dar um tapa na bunda do namorado que ela tanto amava.
Após o almoço, enquanto tirava uma soneca, colocava seu plano em ação. Já tinha conversado com a recepção e ao ver que seu pedido já estava na porta de sua cabine, decidiu acordá-la. Com cuidado, ele se deitou ao lado da garota e cobriu seu rosto de beijos, até que ela acordasse por completo.

- Oi. - disse simplesmente, fazendo um carinho em seu rosto.
- Oi. - retrucou, encarando o relógio. - Nós vamos na piscina? - perguntou ainda sonolenta, se lembrando do combinado enquanto almoçavam.
- Eu tive uma outra ideia, mas eu quero que saiba que se a resposta for não, eu prometo que não vou insistir.
- O quê? - a garota franziu o cenho um pouco confusa e se viu tensa ao perceber o olhar do namorado.
- Eu te amo e você sabe que eu não faria nada intencionalmente que pudesse te machucar, não sabe? - perguntou um pouco arrependido de não ter conversado com ela sobre o assunto antes.
- Você está começando a me assustar, . - a garota se sentou na cama, o encarando.
- Quando nós chegamos aqui e você me explicou que deixamos o nosso carro no estacionamento e eles oferecem carros elétricos para deixar tudo aqui dentro mais sustentável, eu tive uma ideia. Como estamos afastados de quase todo mundo, eu pensei que talvez você tivesse vontade de sentar no lado do motorista pra ver como se sente, de repente tentar dirigir... - soltou, sentindo seu coração bater forte, extremamente nervoso com a situação.

o encarou em silêncio, ainda digerindo suas palavras. Palavras que imediatamente a remeteram a seu acidente, sem nem perceber, tocou em sua cicatriz.

- Vamos esquecer isso. - pegou em sua mão prontamente, entrelaçando seus dedos - Foi uma ideia idiota, talvez eu tenha sido um pouco presunçoso em achar que você poderia se sentir mais segura ao meu lado. Esquece isso, vamos pra piscina e… - o jogador se levantou rapidamente, sentindo sua garganta arder e um buraco em seu estômago crescer. Tinha conseguido estragar o final de semana perfeito.
- . - o chamou tão baixo, que nem ele soube como escutou.
- Me desculpa, . Eu sou mesmo um idiota, não sou? - se virou para ela e a garota não conseguiu evitar sorrir ao ver o carinho, preocupação e desespero no olhar de seu namorado.
- Um pouco. - ela respondeu, puxando as mangas do moletom de que usava, quase sumindo dentro da peça. - Eu me sinto segura ao seu lado.
- O quê? - o jogador deu a volta pela cama, se sentando ao lado dela.
- Eu me sinto segura ao seu lado. É só que… - ela tentou falar, mas logo foi interrompida.
- Não precisa se explicar. Eu sabia que a chance de você falar não era enorme e a verdade é que eu deveria ter trazido esse assunto em outro momento, não agora, do nada, com o carro lá fora.
- O carro já está aqui? - perguntou surpresa se levantando e andou em direção a janela, vendo o carro preto e branco estacionado ao lado de sua cabine. - Eu acho esse carro uma gracinha. - ela disse mais para si mesma, sentindo seu coração bater acelerado.

Sem conseguir parar pra pensar, ela foi até a poltrona onde tinha deixado seu shorts jeans e o colocou, se virando para , que parecia ainda congelado no lugar, a encarando incerto.

- Só sentar no banco do motorista? - perguntou mexendo nos cabelos, o que sempre fazia quando estava nervosa.
- A gente n… - o jogador se levantou, indo em sua direção.
- Eu quero, . - disse determinada - Você promete que fica ao meu lado? - perguntou parecendo uma garotinha.
- Sempre. - respondeu pegando em sua mão e os dois caminharam até a entrada, onde colocaram seus tênis e abriu a porta, encontrando a chave do carro numa mesinha que ficava na pequena varanda externa de sua cabine.

O jogador abriu a porta do lado do motorista e encarou a garota que pareceu hesitar.

- Você pode entrar do outro lado primeiro? - perguntou, o vendo concordar.

Assim que se sentou no lado do passageiro, entrou com cuidado no automóvel e fechou a porta, foi impossível para ele não sentir seu coração se partir ao notar que a primeira coisa que ela fez, mesmo com o carro desligado e a chave ainda em sua mão, foi colocar o cinto de segurança.
Com um sorriso fechado para ele, ela se virou para frente do automóvel e tocou na direção com calma, como se suas mãos pudessem pegar fogo. Analisou todo o computador de bordo, sistema de navegação e encarou o centro, notando a falta de um freio de mão tradicional.

- Você aperta esse botão. - indicou o objeto e apenas concordou em silêncio.
- É automático? - perguntou, vendo o namorado assentir. - Então é só acelerar e frear?
- Isso.
- Eu quero tentar. - disse sem saber se aquilo era uma constatação ou uma forma de ainda tentar se convencer.
- Você tem certeza? - segurou em sua mão, dando um beijo entre os nós de seus dedos.
- Não, mas eu quero tentar. - a garota afirmou, um pouco menos nervosa.
- É só você pressionar o freio e apertar esse botão. - indicou no volante e concordou.

O barulho quase imperceptível do carro se fez presente e fechou os olhos sentindo um pouco da sensação que tinha quando ainda dirigia. Se preocupou em manter sua respiração calma, antes de abrir os olhos e soltar o freio de mão. Encarou , que sussurrou um "Eu estou aqui" e se virou para frente, soltando o pé do freio. Assim que o carro começou a se movimentar, virou a direção para a direita, para que pudesse sair da pequena vaga e colocou o carro no caminho que conhecia bem a pé, em direção ao haras, seu local favorito da fazenda. Sabia que lá não precisaria fazer nenhuma manobra, poderia apenas dar a volta na pequena rotatória e voltar pelo mesmo trajeto que a levaria até lá.
Por todo o percurso e se mantiveram em silêncio, enquanto ela podia sentir seu coração quase sair pela boca, ele não tirou os olhos da pessoa que mais amava no mundo. Uma vontade de chorar tomou conta , mas se segurou, precisava estar completamente compenetrado e pronto para ajudá-la a qualquer momento.
A volta foi curta, talvez nem cinco minutos, mas se sentia como há muito não conseguia. Quando pisou no freio e apertou o botão do freio de mão e o que desligava o carro, sentiu um peso sair de seu corpo, um que há mais de cinco anos a acompanhava. Sem nem perceber de onde surgiu, um choro gutural saiu de si com direito a lágrimas, soluços e medo. , assustado, fez a única coisa que podia, a puxou para si e a segurou como sempre fazia, afagando seus cabelos, deixando que todo o stress, medo e memórias invadissem o coração e mente de sua namorada.
Aos poucos e com calma, cessou o choro, os soluços e as lágrimas. Aos poucos ela conseguiu colocar seus pensamentos em ordem e soltou seu cinto, antes de se virar por completo para , que repetiu seu gesto.

- Não fui eu, . - ela revelou vendo o namorado franzir o cenho, confuso. - Na noite do acidente, não era eu quem estava dirigindo.

sentiu um soco invisível atingir seu estômago de forma violenta, quase como se quem estivesse sofrendo um acidente ali fosse ele. Seus olhos cresceram em choque e ainda sem palavras, ouviu continuar.

- Eu não tinha bebido naquela noite, o William estava bebendo há dias, mas meu estômago já estava pedindo um descanso e naquela festa eu não bebi. Mas você sabe como ele é, a personalidade confiante demais e ainda mais chato sobre quem pode dirigir o carro dele. O William bêbado nem sempre é a mesma pessoa que eu conheço e amo e naquela noite… Ele não me deixou dirigir. - encarou as próprias mãos e colocou os pés no assento, trazendo os joelhos para si, se abraçando. - A estrada estava vazia, não tinha um carro sequer, mas mesmo assim ele corria. Foi então que o celular dele começou a tocar, mas estava no casaco do bolso que ele tinha posto no banco de trás e ele queria porque queria atender na hora. Eu pedi pra ele diminuir a velocidade que eu pegava, mas estava um pouco longe e eu tive que tirar o cinto pra conseguir alcançar.

e fecharam os olhos na mesma hora. Mesmo que ela não lhe contasse mais nada, o jogador sabia exatamente o que tinha acontecido depois.

- Eu não vi acontecer, num minuto eu estava pegando o celular, no outro meu corpo foi jogado pra frente e eu só não fui jogada pra fora do carro porque o airbag abriu antes. Na hora o choque foi tão grande que eu não sentia nada, eu me virei pro Will tentando entender o que tinha acontecido e foi aí que eu vi sangue começar a sair do corte que ele tinha na cabeça. Do nada, com o airbag já desinflando, o William saiu do carro e apareceu do meu lado, gritando que estava bêbado e que se fosse pego iria ser preso pro resto da vida, que nossos pais iam matar ele e que eu não tinha bebido nada e poderia dizer que uma raposa atravessou o caminho e perdi o controle. Na época, em choque, me pareceu o certo a se fazer, eu não queria que meu irmão fosse preso!! E com a ajuda dele eu pulei pro lado do motorista… Mas foi então que eu comecei a vomitar sangue e a partir daí, como te disse aquele dia, eu não lembro de mais nada.
- … - segurou em sua mão, que ainda estava em seu joelho - Como você conseguiu guardar isso por tanto tempo?! - perguntou com ternura, mas seu nariz já denunciava a raiva que crescia dentro de si - Como seu irmão teve coragem de fazer isso com você?!

Indignado, abriu a porta do passageiro e deu a volta pelo carro, abrindo a porta para e a ajudou a se levantar e antes de qualquer outra coisa, a abraçou forte por incontáveis segundos. Já de volta na cabine, sentados no enorme sofá com suas pernas entrelaçadas e uma caneca de chá para cada, voltou a falar.

- Se fosse o Harry, você não teria feito o mesmo? - a garota perguntou, fazendo parar pra pensar e só depois de um tempo, continuou. - Apesar de todos os defeitos, o William é meu irmão, nós somos gêmeos, , nossa conexão… É difícil explicar pra quem não é. Eu não me arrependo do que eu fiz, mas ele sim.
- É o mínimo que eu esperava dele. - retrucou ainda tentando controlar seu ódio. Sentimento esse que ele não sabia se era direcionado a William ou a ele próprio.
- Quando eu tava em coma no hospital, o Will se trancou no meu quarto e só saía pra ir me visitar. Meus pais começaram a ficar preocupados, não sabiam se eu ia sobreviver, já tínhamos perdido a Lucy e agora ele estava de uma forma que ninguém nunca tinha visto antes. Isso quem me contou foi o Jamie e a Louise, o meu irmão se culpa tanto que ele não tem coragem de falar comigo sobre o assunto… Até que em uma dessas visitas eu tive uma piora e naquela noite ele apareceu de madrugada no quarto dos meus pais em prantos e confessou o que tinha realmente acontecido e disse que se eu não sobrevivesse ele também não merecia viver. A gente nunca vai saber se eu ter me mexido estando tão machucada por dentro pode ter piorado a minha situação.

a observou respirar fundo antes de continuar.

- No dia seguinte meus pais procuraram um psicólogo pra ele e no começo não tava indo nada bem, até que ela trouxe a cachorra dela e o resto foi história… Eu ainda tava no hospital quando a Matilda chegou em casa. Ela fez por ele o que mais ninguém pode fazer. Depois de toda essa novela eu acabei me recuperando e os médicos me tiraram do coma e eu fui pra casa. Quando todo mundo teve a certeza que eu estava bem e não corria mais nenhum risco, veio o castigo… A gente sempre planejou estudar em Oxford juntos, era o nosso sonho, mas meus pais mandaram ele pros Estados Unidos e só pagaram a faculdade porque senão ele não conseguiria o visto, mas até hoje ele trabalha de graça pro meu pai pra devolver a grana. Sei que talvez não pareça castigo suficiente, mas a decepção dos meus pais e meus avós pode ser muito pior do que perder centenas de dólares e trabalhar de graça. Ele sempre diz que trabalharia de graça o resto da vida se pudesse voltar no tempo e desfazer o que fez. Todo ano na data do nosso acidente ele me pede desculpa também e eu acho que ele ainda tem pesadelos com o acidente, porque ele aparece de vez em quando no meu quarto no meio da noite, como se precisasse ter certeza que eu ainda estou aqui…
- Eu confesso que é bem difícil às vezes ver esse outro lado do seu irmão. Já me surpreendi muito, mas ver toda essa dor que você carrega sozinha nas costas, ainda me faz julgar ele.
- A culpa que ele carrega é penitência o suficiente pra ele, , por isso não gosto quando falam mal dele sem nem ao menos o conhecer a fundo. Ele criou esse escudo contra o mundo e é muito difícil dele deixar alguém entrar, além da nossa família, só o Jamie o conhece de verdade.
- Ele também sabe? Que não era você dirigindo?
- Não, nunca contamos isso pra ninguém. - confessou e se viu genuinamente surpreso - Só meus pais e meus avós sabem da verdade. Eu acho que alguns de nossos funcionários também, principalmente a Annie, mas é assunto proibido lá em casa. E agora você também...
- Eu prometo que você pode confiar em mim, ninguém nunca vai saber disso.
- Eu sei que posso, senão nunca teria te contado.

tinha ido ao spa fazer uma massagem, presente de , depois de todo nervoso que ele a tinha feito passar. Ele se sentia ainda pior por todos os seus julgamentos sobre a garota, mas tinha certeza que conhecê-la estava em seu destino para que ele pudesse se tornar uma pessoa melhor. Poucos meses que a conhecia e já sabia que ela tinha mudado sua vida inteira.
Para celebrar o fim daqueles dias e mais ainda a coragem de , pediu um jantar para os dois dentro do quarto e quando a inglesa chegou, visivelmente mais relaxada, eles se sentaram para comemorar.

- Aos melhores dias ao seu lado. - levantou sua taça, tirando um sorriso tímido do namorado.
- À melhor pessoa que eu já conheci em toda minha vida. - se declarou sério e a garota o encarou encantada - Eu não sei se já te disso isso, mas eu tenho muito orgulho de você, princesinha. Por tudo que você é e faz pelas pessoas que ama. Assumiu uma culpa que não te cabe por amor ao seu irmão e ao invés de deixar que seus privilégios te dominassem, transformou sua vida e se dedicada a fazer o bem como poucas pessoas nesse mundo fazem. Sei que hoje foi um passo difícil pra você e que talvez eu tenha feito isso da forma errada, mas se eu puder fazer por você um terço do que você faz por mim, já posso me considerar vencedor. Você me faz querer ser uma pessoa melhor todos os dias e esse é um dos muitos motivos que me fazem te amar, como nunca amei alguém antes. - confessou sentindo sua garganta queimar e seus olhos se encherem de lágrimas.

, comovida com a emoção do namorado, se levantou dando a volta na mesa e sentou no colo de , que prontamente continuou.

- Que um dia eu possa ser pra você, tudo que você é pra mim. Obrigado por ter me dado aquela última chance, ser seu namorado é, com certeza, minha maior conquista.

Capítulo 10

A marca de biquíni ainda aparente fazia com que sorrisse todas as manhãs quando se olhava no espelho. Não só uma lembrança do melhor verão de sua vida, mas de como seu namorado a elogiava sempre que as via. Se antes ele já era apaixonado por suas pintas, ao vê-las sob o sol ainda mais proeminentes, , criou uma espécie de obsessão por elas. Tanto que a nova proteção de tela dele era uma foto apenas do rosto de , tomada pelo sol e suas sardas.
Mesmo contente com a ida para o Lago Como com seus pais e avós por uma semana e os cinco dias que passou com todas as amigas em Ibiza, foram os dez dias com em Tulum que mexeram com seu coração. Poder ficar com ele em um local afastado, onde podiam ser apenas os dois, aproveitando a praia, o sol e o mar era muito além do que poderia sonhar. As férias tinham sido absolutamente perfeitas. E era por isso que estava tão difícil de voltar a realidade, ainda mais para aquela realidade.
O boa sorte que havia enviado assim que ela saiu da casa dele não tinha ajudado em nada com seu nervosismo, há meses que a inglesa não via Poppy e se fosse sincera consigo mesma, nunca tinha estado tão em paz. Após se recusar a ir para Ibiza, como faziam todos os anos, Poppy acabou respondendo a um dos stories de e uma conversa levou a outra e quando percebeu tinham marcado de se encontrar quando ambas estivessem de volta à Inglaterra.
queria sim conversar com Penélope e tentar se resolver da melhor forma possível, mas se dependesse dela, gostaria que fosse mais pra frente, mas Poppy, ao perceber a relutância da amiga ao marcar uma data para o tal encontro, ligou para o personal trainer de e marcou uma aula em conjunto na KX sem que a inglesa soubesse.
Mesmo após dirigir o "recorde" de cinco minutos na Soho Farmhouse e algumas outras vezes com em Tulum, a inglesa ainda não se sentia pronta para encarar as ruas de Londres. Sentia-se vitoriosa por ter chegado até ali, mas sabia que ainda precisava de muito para que voltasse realmente a dirigir. Sua psicóloga ficou surpresa e orgulhosa de seu avanço e seus pais só faltaram colocar em um pedestal quando contou a eles sobre o final de semana que tiveram. Os dois fizeram questão de convidar o jogador para um jantar em família e se viu sorrindo durante a noite toda com a forma que seus pais trataram como parte da família.

- Bom dia! - Mike, o personal de a cumprimentou com um abraço e murmurou um "desculpas" em seu ouvido.
- Eu sei que mesmo que você dissesse não, ela daria um jeito de aparecer. Não se preocupe. - sorriu compreensiva para ele e se virou para a amiga, que terminava uma ligação.
- Lady . - Penélope abriu os braços sorridente e não conseguiu também não sorrir.
- Lady Penélope - respondeu com uma reverência exagerada que fez Poppy gargalhar.

As duas começaram a aquecer e Poppy desatou a falar sobre suas férias e passeios, como se nada tivesse acontecido. Era sempre assim e estava mais do que acostumada, Penélope tentava jogar todas as merdas que fazia para baixo do tapete e ela as tirava de lá para que a amiga compreendesse o peso de suas ações. Ainda mais agora que se via mais e mais cansada de suas atitudes.
Durante a aula, acabaram conversando amenidades, mas assim que terminaram o treino e foram para a lanchonete, foi categórica:

- O que você quer, Penélope? - a morena arregalou os olhos surpresa, mas continuou com a mesma postura, estava cansada daquele vai e vem.
- I'll beg your pardon ?! - exclamou chocada.
- Qual é a tua, Poppy ? Você vai mesmo fingir que não tivemos uma briga enorme e não nos falamos há meses?
- Ih, já está falando que nem ele. - a morena cruzou os braços debochada e sentiu sua cabeça esquentar, mas diferente das muitas outras vezes, ela não deu risada ou sequer achou graça, ela imediatamente se levantou, assustando Poppy. - Me desculpa, eu…Não sei o que falar. Eu senti sua falta.
- Eu também sinto, Poppy, mas não dessa pessoa que você se tornou, da outra Poppy, a que eu conheci quando tinha doze anos e era a melhor amiga que eu poderia sonhar. Pra mim não dá mais para continuar desse jeito, não é nem só pela forma que você trata o meu namorado, mas… Por tudo. Eu estou exausta!

E era aquilo. finalmente tinha conseguido soltar as palavras que vinha tentando há anos. Estava exausta de ser o saco de pancada e o muro de lamentações de Penélope, que ela usava quando e como queria e depois a largava sozinha, assimilando toda a dor e problema que a morena despejava nela, mesmo que para isso sacrificasse sua vida, sua família e principalmente sua saúde mental. Embora seus amigos, sua psicóloga e seus pais conversassem com ela sobre o assunto e pedissem que ela tomasse uma atitude mais firme com Poppy, assim como em um relacionamento abusivo romântico, demorou para que também se reconhecesse em um, algo que ela nunca imaginou existir em amizades.
Se ver dentro de uma situação como aquela não era nada fácil, levou ainda algum tempo para que ela aceitasse a condição e buscasse o apoio que precisava para entender o que estava acontecendo, aceitar e pôr um fim no assunto, ou ao menos tentar.
Não dava a todo o mérito em ajudá-la a sair daquilo, mas havia sido a forma que a amiga o tratava o ponto explosivo do seu longo pavio. Já ouvira muita coisa da boca de Penélope, mas nunca da forma que ela falava e se referia a , aquilo para ela era inadmissível.

- Eu só quero mais uma chance , por favor! - a morena tinha lágrimas nos olhos - Eu sei o que eu causei na sua vida, na vida de todo mundo. Eu sei que sou um incômodo e que preciso lidar com tudo isso sozinha, sem me apoiar em ninguém, mas eu estou tentando mudar, eu juro que estou, eu só peço por mais uma chance sua. A última!
- Poppy… - a garota olhou no fundo dos olhos lavados de lágrimas de Penélope. Ela queria acreditar naquilo, de verdade , assim como quisera todas as outras vezes, mas algo dentro dela tinha realmente mudado e por isso que tinha um pé atrás e agradecia por isso. Ver sua amiga daquela forma sempre a fazia quase ceder, mas não daquela vez. Pela primeira vez, a inglesa sentiu que precisava conversar com os seus pais e sua psicóloga antes de agir. - Eu vou pensar, ok? Eu te ligo. - pediu, vendo a amiga concordar, mesmo que Poppy não tivesse certeza se um dia a ligaria. - Eu prometo. - a inglesa a assegurou.

💂


- E foi isso. - terminava de contar para sobre seu encontro com Penélope.

O casal seguia para a terceira cidade nos arredores da capital britânica em busca do local perfeito para a Lady Lucy Foundation. Embora tivesse explicado para o namorado que seria algo tedioso e longo, ele fez questão de acompanhá-la. Preferia mil vezes ficar o dia todo num carro com ela, do que deixar de se verem.

- Eu… Entendo sua amizade com ela, de verdade, . É só que...
- Você já não quer mais ser tão imparcial quando conto de nossas conversas. - a inglesa respondeu por ele e se virou brevemente para a namorada, nem um pouco surpreso por ela saber exatamente o que ele pretendia dizer.
- Se você sabe que me sinto assim, não é um sinal pra você mesma?
- Pode ser, mas se eu cortar nossa amizade, como vou saber que ela vai ficar bem? Que não está tendo uma recaída?
- Se ela gosta tanto assim de você como diz e se faz tanta questão da sua amizade, talvez seja exatamente isso que ela esteja precisando. Em todos esses anos, não importa o quanto ela te magoe, ela sabe que você vai perdoá-la. E se… Não for mais assim? Não acha que ela pode entender que não dá mais agir dessa forma? Será que ela sequer faz ideia do que causa em você?
- Eu não sei, talvez eu pudesse conversar com os pais dela. Ela estava bem mal quando a deixei na academia.
- Você não tem obrigação, princesa, a Penélope é adulta. Eu sei que você ama ela e quer o bem dela, mas eu penso que às vezes o melhor é deixar a pessoa ir. Quem sabe não é exatamente isso que ela esteja precisando? Chegar no fundo do poço para conseguir se reerguer?
- Foi assim com a sua mãe? - a pergunta saiu tão espontânea que ambos se olharam de olhos arregalados e logo colocou a mão na boca, chocada consigo mesma - Nossa, , me desculpa, eu não quis ser insensível assim.
- Tá tudo bem, princesinha. - ainda sentia seu coração bater acelerado, mas sabia que não tinha um fio de maldade na pergunta da namorada - Pra ser sincero, eu não sei. Com a Poppy é diferente, ela é tão rica quanto você… Mas com a Denyse, muitas vezes eu me pergunto se ela se arrependeu porque agora eu tenho dinheiro ou se é algo que vem do coração.
- Eu entendo. - segurou na mão de , como se pedisse desculpas. O jogador levou a mão da namorada aos lábios, beijando-a com carinho. - Você já chegou a desejar que… Que você não tivesse ficado famoso, só pra ver se ela agiria diferente?
- Muitas vezes. - riu cansado - Talvez não hoje em dia, mas quando eu era mais novo e assinei com o Milton Keynes ou logo quando vim pro Tottenham. Mas com o tempo e vendo todas as entrevistas que ela deu, eu aprendi a não esperar mais nada, acho que só dessa forma que eu posso conseguir seguir em frente e deixar essa parte do meu passado pra trás.
- Eu sinto muito, . - a inglesa apoiou a mão em sua perna, triste por saber que um dia desejou não fazer o que mais ama, pela mera chance de descobrir se sua mãe biológica realmente o amava.
- Eu também.

sempre sentia uma dor o consumir quando tinha que falar sobre sua família biológica, tanto que era algo que ele havia aprendido a ignorar. Era muito mais confortável e fácil deixar tudo que aquilo o trazia escondido bem dentro de si, longe da vista de tudo e todos e principalmente bem longe de seu coração. Com não era diferente, o incômodo que sentia em seu peito sempre voltava quando aquele era o assunto, ainda mais com alguém com uma realidade tão diferente. Mas naquela tarde o jogador percebeu que tinha gostado de se abrir com . Pela primeira vez se sentiu com um nó menor em seu peito, como se falar com ela fosse exatamente o que ele precisava.

- Chegamos. - disse para a namorada, que havia ficado quieta demais - Princesa, está tudo bem, de verdade. Eu… Gostei de falar sobre isso com alguém. Mentira, na verdade eu gostei de falar sobre isso com você.
- De verdade? - os olhos de estavam cheio de lágrimas e se soltou de seu cinto, a abraçando com força.
- Eu te amo, . Não tem nada que você possa fazer que possa me chatear. De verdade, eu não sabia que precisava disso até hoje.
- Eu também te amo, . Obrigada por vir aqui comigo e por se sentir confortável em falar comigo sobre ela, significa muito pra mim. - afirmou, se sentindo um pouco mais tranquila sobre o que havia feito.

O casal desceu do carro e logo foram se apresentar ao corretor, que os mostrou todo o terreno e instalações. Apesar da localização ser ideal, afinal e podiam ver como a região poderia se beneficiar com a LLF, ainda tinha algo faltando para ela, o jogador logo percebeu isso e apertou com carinho a mão da namorada.

- Nós vamos achar algo, , fica tranquila.
- Eu sei que sim - ela sorriu para ele - Acho que é a ansiedade de fazer acontecer logo. - a puxou para um abraço e aproveitou que não tinha ninguém por perto e deu um beijo carinhoso na namorada, que sorriu de olhos fechados.
- Você é incrível, sabia? Fazer isso por todas essas crianças. - confessou e os dois se soltaram, prontos para irem embora.
- Não é nada demais, , muita gente também tem fundação, vários jogadores, músicos… - o encarou curiosa - Você nunca pensou em fazer algo parecido? Eu digo, não agora, mas quando você se aposentar talvez ou até antes, não sei. - a garota riu sem graça, fazendo sorrir ainda mais.
- Em criar uma fundação? Já sim, já até cheguei a conversar com o meu irmão, fazer algo em Milton Keynes - ele passou seu braço pelo ombro da inglesa e juntos começaram a andar de volta para o carro - Eu tive a sorte de ter um clube bom pra quem tá começando, como o MK Dons, mas tem muitos meninos talentosos por aí em lugares menos conhecidos e não são todos que os olheiros prestam atenção. Talvez ter um grupo de pessoas indo a lugares que ninguém vai.
- É uma ideia incrível . Você pode até mandar alguns pra mim.
- Como em uma parceria com a LLF? - se voltou para a namorada com o sorriso lhe alcançando os olhos, tamanha a felicidade que sentia sempre que ela dizia algo sobre o futuro que envolvia a ele.
- Sim, posso até reservar algumas vagas por ano para alguns de seus garotos.
- Ah, é? Tem certeza que uma torcedora do West Ham quer entrar em negócios com um jogador do Tottenham Hotspurs ?
- Bem, ela já está indo pra cama com ele, o que tem demais adicionar negócios? - soltou divertida, mesmo que seu rosto sempre denunciasse sua timidez em dizer aquelas coisas.
- Ir pra cama com essa torcedora é a parte favorita desse jogador. - aproveitou que chegaram no carro e prendeu o corpo de entre ele e o veículo, levando uma de suas mãos para a nuca da garota a trazendo para si, juntando seus lábios em um beijo calmo, mas que deixava bem claro todo o seu desejo por ela. - Vamos, milady, já discutimos negócios demais por hoje, agora é hora de pensarmos só no prazer. - brincou, abrindo a porta para que ela entrasse, fazendo uma reverência exagerada para ela.
- Seu bobo. - disse ao namorado assim que ele também entrou no carro. - Mas não desiste da sua ideia não, ela me parece bastante simples, mas que faria toda a diferença.
- Eu não vou, mas… Tem algo a mais que eu sempre pensei em fazer, mas nunca me senti seguro, até te conhecer. - confessou, chamando a atenção de - Você sabe que… Morei um tempo na Nigéria e talvez fazer alguma coisa por lá seria legal, não precisa nem ser ligado ao futebol.
- Isso seria demais, . - se voltou para ele extremamente feliz em saber que ele pensava em algo como aquilo - Mas por que se sentia inseguro até me conhecer?
- Porque eu nunca nem imaginei como começar uma coisa dessas e você fez tudo isso acontecer sozinha.
- Ah, mas eu tive muita ajuda no começo, . Posso te apresentar alguns advogados e conselheiros voltados para o terceiro setor que te ajudariam imensamente.
- Obrigado. - deu um beijo na mão da namorada, se sentindo ainda mais motivado a fazer suas ideias acontecerem depois daquela conversa.
- O dia que você quiser podemos sentar e conversar sobre isso, de verdade.
- Vamos combinar sim, mas por agora eu só quero chegar em casa e ver você sentando em mim mesmo.
- !!! - praticamente berrou, fazendo o jogador gargalhar como há muito tempo não fazia.

Como ele amava tudo sobre aquela garota.

💂


Para os amantes do futebol, o início de Setembro significava apenas uma coisa, o retorno da Champions League. vinha planejando todo o seu calendário de acordo com os jogos do Tottenham e riu de si mesma ao notar que tinha esquecido de anotar também os do Chelsea. Sabia a cara feia que ganharia de seu pai e a cara toda boba que o namorado faria ao contar para eles de seu esquecimento.
Os dois estavam tão bem, que até ela mesma duvidava se aquela calmaria não era sinal de que uma tempestade estava por vir. Sem querer brincar com a própria sorte, bateu na madeira três vezes e enviou uma mensagem para , que mais do que nunca, passava a maioria de suas horas extras preparando seu físico. Sentia saudades de poder falar com ele a toda hora, mas com certeza não achava tão ruim quando ele tirava a camisa e via à sua frente o resultado de todos aqueles treinos extras.
Estava mais uma vez procurando possíveis sedes para a LLF e já não aguentava mais passar horas na internet procurando locais e menos ainda falar com corretores imobiliários, sabia que precisava achar em breve o novo espaço se realmente quisesse sair dali em tempo para o começo do próximo semestre. Sabia que a fundação ainda precisava de mais fundos se quisesse se mudar permanentemente, mas gostava de se planejar com calma e como acontecia todos os anos, ainda faria a festa de ano novo onde além de ter um leilão beneficente, todos os valores pagos por cada mesa iria para sua fundação. Sua sorte era ter família e amigos que a apoiavam incondicionalmente e acreditavam nela a ponto de doarem parte de suas heranças e salários para ajudá-la a transformar a vida daquelas crianças.
Desistindo de suas buscas naquele dia, se levantou para fazer um chá e estranhou ao ver uma senhora de meia idade, com os cabelos ruivos que não chegavam a bater em seus ombros, entrar em seu escritório.

- Bom dia, por favor, entre. - sabia que ela não era a mãe de nenhuma de suas crianças. Acreditou ser alguma mãe prestes a lhe implorar que desse uma vaga a seu filho. Tinha rejeitado bastantes aplicações para o próximo ano e estava acostumada a receber e-mails e ligações pedindo para que ela reconsiderasse, mas nunca haviam a procurado pessoalmente.
- Oh, nossa, como você é mais bonita pessoalmente. - a senhora disse um pouco sem fôlego, por conta do calor que fazia naquela semana.
- Desculpe?! - perguntou bastante confusa.
- Ah, certo, me desculpe pelos meus modos. Me chamo Denyse.
- Muito prazer, Denyse, eu sou a . Como posso te ajudar? - perguntou cortês, fazendo um gesto com as mãos para que a mulher se sentasse.
- Eu sou a mãe do .

Se pudesse voltar atrás sobre toda a calmaria que dizia sentir, ela o faria sem questionar. Sabia que ali na sua frente, estava sua tempestade. Ainda com seu chá em mãos, a inglesa se sentou trêmula.

- Certo, bem, como posso te ajudar? - perguntou, sentindo seu coração bater acelerado e um pânico enorme tomar conta de si. Precisava falar com , imediatamente.
- Pela forma que você está me olhando, vejo que ele já te contou sobre mim.
- Hm, eu… Não me sinto confortável em dizer nada sobre o , já que imagino que ele não faz ideia de que a senhora esteja aqui.
- Claro, claro. Bem, eu não tinha outro modo de contatá-lo, não sei mais onde ele mora e o último telefone que eu tinha, ele trocou.
- Talvez fosse melhor se eu ligasse pra ele. - informou, pegando o celular para ligar para o jogador.
- Por favor, não faça isso, love.
- É que eu realmente não sei o que eu posso fazer pela senhora, não é com o que você quer falar?
- Eu gostaria muito de falar com ele, mas o é difícil, love , acho que ele desistiu de mim tem muito tempo.
- Não teria sido o oposto? - retrucou imediatamente, irritada com a insinuação da mulher. Nem ela sabia de onde tinha vindo aquele instinto protetor.
- Toda história tem dois lados, não é o que sua família diz por aí sobre o seu acidente?
- Excuse me?! - retrucou imediatamente, sentindo seu sangue subir - O que eu posso fazer pela senhora? - perguntou novamente, dessa vez com um tom muito mais incisivo.
- Eu estou passando por dificuldades. - Denyse explicou e se ajeitou na cadeira, sentindo seu coração se afundar pelo namorado. - Sabe como é, não me ajuda com nada e eu não nasci em berço de ouro.
- Denyse, se veio desrespeitar a mim e ao , eu vou… - disse fazendo menção de se levantar, se perguntando se algum de seus treinadores ainda estavam por lá.
- Eu só preciso de um empréstimo. - a senhora disse rápido demais ao ver que estava perdendo - Por favor, você não sabe o que é não conseguir pagar as contas no fim do mês, logo logo chega o inverno e a conta de gás sobe muito.
- E você está pedindo que eu repasse o recado ao ? - perguntou confusa, pegando o celular, sem se importar com o que a mulher a sua frente iria dizer.
- Você também poderia me emprestar, não? - soltou de vez e ali entendeu que a mulher realmente nunca quis nada com o filho, a não ser seu dinheiro e se Denyse se sentia tão confortável em deixar aquilo bem claro para ela, a namorada de seu filho, ela só imaginava o tipo de coisa que teve que ouvir durante toda sua infância, até ter a sorte de encontrar uma família com os Hickford.
- Eu não sei, eu realmente preciso falar com , não vou fazer nada pelas costas dele. - afirmou, ligando para o jogador e quando não obteve sucesso, tentou falar com Winks, Dier e Son. - Eles ainda estão treinando. - bufou frustrada ao não conseguir falar com ninguém.
- Mas, e se ele te pedir pra não me ajudar? pode ser insensível por vezes. Eu não preciso de muito.
- Quanto? - perguntou se sentindo derrotada, ainda com o aparelho no ouvido.
- Er, c...cinco mil seria o mínimo que...
- CINCO MIL?!

💂


saiu do treino e como de costume, checou seu celular antes mesmo de entrar no banho, viu que tinha algumas ligações de e sorriu, ela sabia que ele estava treinando, provavelmente tinha alguma novidade para contar e não tinha conseguido segurar a empolgação, estava prestes a ligar para a namorada quando Harry Winks e Eric Dier se aproximaram.

- Ei, mate, tem uma mensagem da pra mim perguntando se eu estou com você. - Harry anunciou com a sobrancelha erguida.
- Ela me ligou também, tem uma mensagem aqui: Eric, estou tentando falar com o , você tá com o celular durante o treino? A mãe dele tá aqui!!
- O quê?! - tomou o celular das mãos do amigo. - A Sally…
- Eu não acho que ela está se referindo a Sally, mate .

Se Eric pudesse descrever naquele momento, seria furioso. O jogador não esperou nem meio segundo para passar o celular de volta ao amigo e coletar todos os seus pertences do armário, batendo a porta com força. Ainda estava suado e com a roupa de treino, mas não se importava, precisava encontrar . Harry e Eric até o chamaram, mas ele não mais os ouvia.

- Ela ainda está aí? - disse antes mesmo que a namorada pudesse dizer "alô".
- Eu já estou em casa, quer vir aqui ou prefere que eu vá pra sua casa?
- Chego em meia hora. - respondeu sentindo todo seu corpo contrair de raiva e preocupação.
- Não corre, , por favor.

estava sentada na escada do lado de fora de sua casa, observando o céu e esperando pelo namorado. Sentia seu estômago embrulhar mais a cada segundo que se passava, ainda não podia acreditar que aquilo tinha realmente acontecido. De todos os momentos para Denyse aparecer e ela tinha escolhido justo quando estava ocupado.
Não se surpreendeu com a velocidade que ele virou a rua de sua casa e antes mesmo dela apertar o botão da garagem, o jogador já estava saindo do carro.

- Você está bem? - perguntou preocupado, segurando o rosto da namorada com cuidado e delicadeza, mas seus rosto denunciava que por dentro ele não estava nada calmo.
- Claro que estou, , ela é apenas uma senhora.
- O que ela queria? Eu não acredito que… - ele soltou, se virando de costas, chamando a atenção da namorada para seus punhos, que se fechavam com força.
- Ei… Calma! - passou as mãos pela cintura do namorado o abraçando, nunca tinha visto tão nervoso e ela podia sentir que, diferente de como ele ficava durante as partidas de futebol, aquele estava carregado de ódio, mas ainda mais de mágoa.

Apesar de ter uma família linda com os Hickford, era impossível para qualquer pessoa abandonada pelos pais biológicos não se questionar o que podia ter feito de tão errado. O que podia ter feito de tão ruim para que seus pais não quisessem sua presença, apenas seu dinheiro. E ter aquela certeza de que não era querido jogada na cara mais uma vez era abrir a ferida que já fora remendada tantas vezes, que chegava ao ponto de não conseguir mais ser fechada.

- Vamos pôr o carro na garagem antes que você leve uma multa e então vamos conversar, com calma , no meu quarto - continuou, o empurrando de leve para a porta do motorista.
- Tudo bem. - um pouco mais relaxado, entrou no carro e juntos desceram para o subsolo da casa da inglesa. Matilda logo tratou de aparecer abanando o rabo e todo o corpo junto e acabou soltando uma risadinha do jeito estabanado da cachorra. Matilda o tratava com tanto amor, que era impossível não sorrir sempre que a bola de pêlos se jogava contra ele, demandando de seu amor e seus afagos.

Os dois subiram as escadas em silêncio e assim que fechou a porta, sentiu que o namorado não tinha forças de perguntar o que quer que fosse, ele apenas queria saber toda a história, sem cortes. E foi o que ela deu a ele.

- Quando ela chegou eu não sabia quem ela era, já tinha visto a foto uma vez, mas não lembrava. - começou, vendo se sentar no pequeno sofá que ela tinha no quarto - Eu não sabia o que fazer, falei que queria te ligar e ela não deixou, disse que você já tinha desistido dela há algum tempo.
- Eu que desisti?! - retrucou um pouco mais alto do que pretendia.
- Foi o que eu falei, que me parecia que teria sido o oposto. E então ela começou com uma história sobre como toda história tem dois lados e eu só conhecia o seu e ainda chegou a c...
- O que ela queria? - perguntou sem rodeios, interrompendo a namorada.
- Eu tentei te ligar, , cheguei até a mandar mensagem pro Harry e pro Eric… Eu não sabia o que fazer.
- Ela te pediu dinheiro, não foi?
- Foi. - sussurrou nervosa, vendo o jogador se levantar nervoso.
- Só não me fala que você deu, , por favor ? - sua voz saiu em súplica, enquanto andava de um lado para o outro, tentando conter tudo o que estava sentindo naquele momento.
- Eu não sabia o que fazer. - repetiu o que tinha dito há pouco.
- Eu não acredito, ! - colocou as mãos no cabelos, os puxando com força - Por quê? Pra quê?
- Ela disse que precisava. - respondeu o que pareceu óbvio.
- Pra pagar as contas? Comprar comida? Ou pra comprar o máximo de vodka possível? - retrucou debochado.
-
- Quanto?
- Ela me pediu cinco mil.
- CINCO MIL? - se virou para a namorada, completamente estarrecido.
- Mas eu não dei isso, nem tinha como, eu tinha duzentas libras na carteira, ela aceitou, disse pra não contar pra você, mas...
- Pois não deveria ter dado nada, agora ela vai aparecer toda hora lá, te ligar o tempo todo. Como você pôde ser tão…
- ! Eu.não.sabia.o.que.fazer. - disse pausadamente - Não é como se você tivesse atendido a droga do seu telefone, toma cuidado com o que você vai me falar, a culpa não é minha.
- Eu não acredito! Depois de tudo o que te contei, , como você se deixou cair nas mentiras daquela mulher?
- E, daí? Eu não sabia o que fazer, se coloque no meu lugar.
- No seu lugar eu não teria feito nada, você deveria ter esperado eu te ligar. Eu não consigo acreditar...
- E o quê? Queria que eu ficasse lá até agora esperando você se dar ao luxo de me responder?
- Eu tava treinando.
- E eu trabalhando, tava cheio de crianças lá ainda, , da fundação e do West Ham. Pára de ser egoísta.
- Essa mulher me tira do sério.
- Então não desconta em mim! Eu fiz o que eu achei ser certo nas condições que eu me encontrava, ela até quis me dar a conta dela pra eu transferir o resto do valor, mas eu jamais faria isso, muito menos sem falar antes com você. Duzentos não me pareceu muita coisa.
- É claro que não pareceu, olha o quanto você tem. - disse ao soltar uma risada nasalada cansada.

No segundo que as palavras saíram de sua boca e os olhos de se arregalaram entendeu que mais uma vez, seu temperamento tinha falhado com ele.

- , não foi isso que eu… - ele imediatamente tentou consertar o que tinha dito, mas a inglesa tinha ouvido o suficiente.
- Eu acho que está na hora de você ir embora.
- ...
- Amanhã você viaja e eu sinceramente não quero ouvir mais nada enquanto você estiver assim.
- Eu…
- Eu não vou pedir de novo, . Sai. Agora.

Derrotado, o jogador pegou suas coisas e diferente das outras vezes, quando a namorada o acompanhava até a garagem, sequer o acompanhou até a porta de seu quarto. Quando ele finalmente teve coragem de encará-la, seus olhos cheios de lágrimas, acertaram seu peito com a mesma força de um tiro, mas antes que ele sequer tivesse a chance de pensar em dar um passo para frente, a inglesa já tinha se trancado em seu banheiro.

Parabéns, , como machucar a única pessoa que faz de tudo por você.

💂


Mesmo com a vitória contra o Borussia Dortmund por três a um, não conseguia comemorar com o resto do time. A verdade era que ele não se lembrava de um dia ter estado tão decepcionado consigo mesmo como se sentia naqueles últimos dias.
Tinha brigado com a pessoa que mais amava no mundo e aquilo por si só dilacerava o seu coração, mas saber que brigou por algo que era completamente sua culpa o fazia se questionar novamente se realmente merecia alguém como em sua vida.

Quando chegou em casa depois da briga, ainda tentou ligar para a garota por diversas vezes, enviou mensagens pedindo desculpas, mas merecidamente, estava sendo ignorado.
Sempre que sua família biológica ressurgia ele se perdia dentro de si, não via mais nada além de raiva e decepção, só que daquela vez, tinha descontado suas frustrações em alguém que não merecia nada além de seu amor.
Ele até chegou a pedir, covardemente, que Harry ou Eric entrassem em contato ela, mas sempre que seu nome vinha à tona, passavam a também ser ignorados. Ele mal queria saber o que Will e os pais dos gêmeos estavam pensando dele naquele momento, sabia como os quatro eram unidos e tinha certeza que todos já estavam a par do que tinha acontecido, do que ele tinha feito. Sentia uma vergonha absurda da família que o havia recebido tão bem e sabia que teria que se desculpar com todos por sua atitude um tanto quanto infantil. E se aquilo não bastasse ele faria o que fosse necessário para estar bem com a melhor parte de si.
era muito mais do que sua namorada, era sua melhor amiga, confidente e maior torcedora. O jogador nunca tinha encontrado em uma mesma mulher tudo que tinha com a inglesa e por mais que fosse um pensamento um tanto quanto precipitado ele já se via com ao seu lado não apenas nos meses e anos seguintes, se admitisse a si mesmo, saberia que era ela e mais ninguém.
Prova daquilo era a mensagem que tinha recebido, quando menos esperava, pouco antes de entrar em campo.

: Nós podemos conversar quando você voltar, mas por agora, foca no seu jogo, que é o mais importante. ❤️ xx

Mesmo sem dizer muita coisa, receber aquela mensagem da garota ajudou a aliviar o vazio que vinha sentindo há dias, era exatamente o que ele precisava naquele momento. E se dar conta que ela sabia que ele precisava daquilo para jogar bem, esmagou mais uma vez o seu coração, mesmo chateada com ele, sempre o colocava em primeiro lugar. Ele definitivamente não merecia ela.
Se sentindo egoísta, mimado e um grande idiota, não via a hora de voltar para a Inglaterra e ir direto para a casa dos Lucan pedir desculpas para a namorada, seus pais, para Will e provavelmente pediria a Matilda também, por precaução. Faria o que fosse e sabia que juntos encontrariam uma forma de lidar com Denyse dali em diante.
Mas o que o jogador sequer imaginava, era que apesar de toda sua positividade, aquelas poucas horas dentro do avião arruinariam toda sua vida.
Assim que seu avião pousou e ele ligou o celular, percebeu que tinha algo muito errado acontecendo, ligações perdidas de seu irmão, de sua família e diversos outros números de amigos e conhecidos e mensagens de texto começaram a apitar em seu celular, fazendo com que Eric, que estava sentado ao seu lado, o olhasse engraçado. O que quer que estivesse acontecendo era sério.
De início ele pensou ser algo relacionado a sua mãe, talvez Denyse tivesse vendido a história para a mídia, mas o jogador descobriria em segundos que aquilo seria uma benção em comparação ao que de fato havia acontecido.
Decidiu abrir a mensagem de seu irmão primeiro, Harry era sempre a pessoa para contar o que fosse sem rodeios e quanto mais relia as palavras do irmão, mais seu coração sabia que tudo estava arruinado.
lembrava com perfeição daquele momento, o erro mais tolo de toda sua vida.

- … - Eric, que ainda estava ao seu lado, encarou o amigo tão chocado quanto ele.
- Alguém hackeou o meu celular - soltou ainda atônito, revendo o vídeo em looping.
- Isso… - imediatamente ele soube o que loiro tentava dizer, mas não encontrou forças para se justificar.

Se Eric estava pensando aquilo, ele sabia que era sério o suficiente e, conhecendo como ele conhecia, sabia o que aquele vídeo significava. Sentindo uma dor que ele não acreditava ser possível, proferiu num sopro, com lágrimas transbordando de seus olhos, sem se importar com quem as visse:

- Eu a perdi.

💂


William ainda estava na porta de casa, tentando controlar uma raiva que há anos não sentia. Foram incontáveis sessões de terapia para que aprendesse a controlar seu temperamento, mas tinha acabado com toda sua evolução em menos de 30 segundos. Tinha acabado de ver sair com seu carro sem ter a certeza se veria sua irmã novamente. Apesar de saber que ela tomaria cuidado, a forma que ela estava ao sair o preocupava tanto quanto os dias que a visitou no hospital após o acidente. Enviou uma mensagem para ela, implorando que fosse cuidadosa e que o avisasse que estava bem e segura quando chegasse onde quer que ela estivesse indo, sabia que não dormiria até ver uma notificação dela em sua tela.
O gêmeo ainda se culpava todos os dias de sua vida por tudo que tinha causado na vida dela e por mais que soubesse que a irmã o havia perdoado, ainda tinha pesadelos quase que semanais com o acidente. Já tinha se conformado que não teria um dia de sua vida que não se preocuparia com e aquele era apenas mais um deles.
Observou um carro entrar em sua rua e sentiu todo seus músculos se contraírem ao reconhecer Harry Hickford no volante e no banco do passageiro, sabia que ele apareceria lá uma hora ou outra, mas Will definitivamente não estava preparado para vê-lo tão cedo. Antes que sequer pudesse respirar fundo, desceu do carro tão ou mais transtornado que sua irmã.

- Will, não é nada disso que… - o loiro até tentou repetir a si mesmo para que ficasse calmo, mas só de ouvir a voz do jogador, ele não viu mais nada à sua frente.
- Seu filho da puta!! - exclamou partindo pra cima de , socando o rosto do jogador com toda a força que tinha.

caiu no chão sem se importar em tentar levantar, a dor que sentia dentro de seu coração era muito pior do que um soco no olho e ele não tinha forças para sequer se defender.

- Eu sabia que você ia machucar a minha irmã e eu falei o que faria se um dia você o fizesse. - William se jogou em cima dele, desferindo outro soco em seu rosto, antes que Harry descesse do carro e seus pais aparecessem na escada, o tirando de cima do jogador. - Como você tem coragem de aparecer aqui? - cuspiu as palavras, ainda sendo segurado por Harry e seu pai.
- William! - seu pai disse com o tom de voz grave, fazendo com que o mais novo parasse de se debater.
- Ah, , deixa eu te ajudar - Fie desceu os degraus correndo, ainda em seus saltos, elegante como sempre, ajudando o namorado da filha a se sentar no chão. Quando o garoto a encarou com o rosto marcado por algumas lágrimas que ele não conseguia mais segurar, foi impossível para a mais velha não se compadecer com sua dor.
- Eu não traí a , Fie. Eu não traí ela, eu prometo. - repetiu com a voz completamente embargada - Eu só preciso que ela saiba disso, por favor. Eu vou embora se ela não quiser me ver, mas eu só preciso que ela saiba que… Eu não a traí. Eu nunca seria capaz de fazer isso, não com ela, não com a .
- Eu sabia! - a mais velha sorriu carinhosa, passando o braço pelo do jogador, para ajudá-lo a se levantar - Venha querido, vamos entrar e dar uma olhada em seu olho, infelizmente estou acostumada a cuidar desse tipo de ferimento. - disse olhando com uma cara nada agradável para o filho mais velho.
- Eu estou bem, eu só preciso ver a mesmo.
- Ela saiu, não sabemos para onde ela foi, mas acredito que pra casa da Louise. - Fie respondeu com preocupação no olhar - Ela realmente não queria te ver, mas eu tenho certeza que no fundo ela sabe que você não seria capaz de magoá-la dessa forma. Dá pra ver de longe o quanto você ama nossa filha.
- William, por favor… ? - suplicou, talvez o gêmeo soubesse para onde ela tinha ido.
- Eu não sei para onde ela foi, mas mesmo que soubesse eu não te diria.
- ... - o pai dos gêmeos se aproximou, após ter certeza que o filho não avançaria novamente nele - Por que você não vai pra casa descansar, pôr a cabeça no lugar? Esse vídeo vai impactar muito mais do que o seu relacionamento com a minha filha, você precisa se acalmar antes de se encontrar com ela, senão as coisas podem piorar.
- Nós vamos passar o seu recado e se descobrimos onde ela está, eu mesma te aviso.Eu prometo. - Fie sorriu carinhosa para o jogador e ele apenas assentiu, se sentindo derrotado.
- Eu concordo, vamos, , não sabemos onde ela tá, amanhã eu te levo onde for. - Harry segurou no ombro do irmão, tentando o puxar em direção ao carro.
- Ela estava muito mal? O Hugo está com ela? - tentou uma última vez, encarando a família de e quando eles se entreolharam, ele sabia que era sério.
- Ela pegou o meu carro sem que a gente visse. - William soltou entre dentes, fazendo arregalar os olhos.
- A tá dirigindo?! - perguntou exaltado mesmo que já soubesse a resposta e aquilo foi o suficiente para que ele não visse mais nada, jamais conseguiria dormir, sabendo que sua garota, a que tinha trauma de dirigir tinha saído pelas ruas de Londres sozinha, por causa dele, de suas idiotices. - Eu preciso ir atrás dela . - disse estendendo a mão na direção do irmão, pedindo a chave do carro para ele.
- Eu te levo. - Harry afirmou, não deixando que alcançasse as chaves.
- Eu preciso fazer isso sozinho.
- Já não basta a dirigindo no estado que ela saiu, não é prudente que você faça o mesmo, darling. - Fie se aproximou mais uma vez do jogador, tentando acalmá-lo.
- Eu preciso Fie, preciso lidar com as consequências das minhas atitudes sozinho. Eu sei que tudo isso é demais pra , pra vocês, mas se algo acontecer com ela eu nunca vou conseguir me perdoar.

Fie assentiu com lágrimas nos olhos, estava tão aflita quanto o garoto. Conhecia a filha como ninguém para saber que aquilo tudo era realmente demais para ela. Como mãe, Anne-Sophie só podia rezar e estar ao seu lado, como sempre esteve por toda sua vida. Era mais um escândalo que os Lucan teriam que enfrentar juntos, como tantos outros do passado.
Harry entregou relutante as chaves do carro para o jogador que prontamente saiu com o carro cantando os pneus, já procurando o contato de Louise em seu celular. Quando finalmente chegou em seu flat, a amiga parecia tão preocupada com quanto ele estava, ainda mais ao saber que ela estava dirigindo, mas ela também não tinha tido uma notícia sequer, mesmo com as inúmeras tentativas de tentar falar com ela em seu celular.
Juntos, e Louise ligaram para todas as pessoas que poderiam saber da inglesa, sem sucesso, parecia ter simplesmente desaparecido. Seu celular caía direto na caixa postal e já não tinha mais ideia do que fazer, estava pronto para enfrentar a realidade que passaria a noite com a certeza que ele a tinha traído. Nem ele conseguia acreditar como fora estúpido ao se deixar gravar recebendo um ato íntimo de uma garota qualquer por seu amigo, mesmo que fosse em seu próprio celular. Deveria ter sido inteligente o suficiente para simplesmente ter deletado aquela merda no momento que começou a namorar a inglesa. Nada daquilo teria acontecido e ao invés de mais uma vez estar dirigindo a esmo, estaria finalmente com em seus braços, após dias horríveis.
Eric estava há quase uma hora com ele no viva voz, tentando convencê-lo a ir para casa descansar e só não tinha desligado ainda na cara do amigo porque na verdade ele estava com medo de ficar sozinho. Tinha medo do que aconteceria se ficasse a sós com os próprios pensamentos e se desse conta de sua nova realidade e das consequências de seu ato. Sabia que em algum momento aquele vídeo seria esquecido, mas a humilhação que tinha feito sua namorada passar o aterrorizaria para sempre. Isso é, se ainda tivesse uma.
estava tão entregue aos milhões de pensamentos que rondavam sua mente, que nem percebeu quando seu corpo começou a desligar, sua mente cedendo ao cansaço dos dias de treinos intensos, do jogo daquela noite e tudo que havia acontecido desde que voltara a Inglaterra horas antes.
O jogador acordou na manhã seguinte assustado ao se dar conta que tinha passado a noite no carro em uma rua que ele não reconhecia. Exausto, pegou o celular e praguejou ao ver que sua bateria havia acabado em algum momento da noite. Imediatamente ele ligou o carro para colocar o aparelho para carregar e ao finalmente conseguir ler todas as mensagens de seus amigos mais próximos em busca de notícias, uma em especial chamou sua atenção.

Harry Winks: Mate, a tá aqui.
Harry Winks: Ela apareceu aqui mais cedo, transtornada, só consegui te mandar isso agora, porque ela finalmente dormiu. Já avisei o Eric e o William também.


💂


- Bom dia! - apareceu na cozinha, com o rosto um pouco melhor do que na noite anterior, mas com os cabelos ainda completamente bagunçados.
- Dormiu bem? - Harry Winks perguntou carinhoso para a amiga - Eu vou fazer um café pra você.
- Graças aos meus remédios - a inglesa respondeu sentindo a voz rouca. - Harry… Eu queria me desculpar por ter aparecido aqui de madrugada do nada, sem avisar. Eu rodei a cidade toda por horas e por mais que ter ido pra casa da Louise, da Imogen ou da Olivia fizesse mais sentido eu só precisava estar com alguém que sabia o que tinha acontecido, mas que não fosse me fazer perguntas. Eu só consegui pensar em você.
- Não se preocupa, . - Harry soltou uma risadinha nasalada - Você não me deve explicação nenhuma e minha casa está sempre aberta pra você. Com fome?
- Um pouco, mas…Eu faço. Já me senti um estorvo te fazendo ouvir todas as minhas lamúrias ontem a noite, deixa eu pelo menos tentar te agradecer pela acolhida.

Os olhos de ainda pareciam tão nublados quanto o céu, ela não fazia ideia do quanto tinha dormido, mas sentia todo seu corpo pesar e sua cabeça parecia prestes a explodir.
Quando saiu pelas ruas de Londres na noite anterior ela não via quase nada à sua frente e pouco se importava se estava dirigindo devagar demais, a falta de carros na rua ajudava sua insegurança e medo. Nem ela entendia de onde tinha saído toda aquela coragem para sair daquela forma sem avisar ninguém, mas não aguentava mais sua família a olhando como se ela fosse um cachorrinho indefeso no meio de uma avenida movimentada e não conseguiria suportar ver Hugo a encarar com dó, não além do que ele já olhava depois de tantos anos cuidando dela. A inglesa precisava ficar sozinha, nem que para isso precisasse encarar o seu maior medo.
De certa forma ela estava feliz por focar toda sua energia em outra coisa além do fato de seu coração estar completamente estilhaçado em milhões de pedaços. Por tudo que viveram juntos, sentia dentro de si que jamais seria capaz de traí-la daquela forma, mas ver aquele vídeo, tão diferente de tudo que ela era e acreditava para a relação deles a fez pensar que talvez eles não fossem assim tão parecidos quanto ela pensava. Talvez quisesse outras coisas que ela jamais poderia lhe oferecer e aquilo nunca tinha passado por sua cabeça até então. Se sentir insuficiente era humilhante, mas sentir aquilo sabendo que o mundo estaria assistindo mais uma de suas queda era demais para ela.
Não de novo.
Não quando finalmente os jornais já não tinham mais o que inventar sobre a relação deles. Não quando tudo parecia estar finalmente seguindo o caminho certo.
Seu celular já estava lotado de ligações não atendidas de diversos amigos e familiares e era questão de tempo para que todo o inferno que viveu pela maior parte de sua adolescência, voltasse como um tsunami. Pensar que a frente de sua casa estaria mais uma vez lotada de paparazzi esperando para que ela aparecesse a fez sentir o ar ficar escasso e um medo que ela não sentia há anos invadiu seu peito. Seu coração batia acelerado, como se a qualquer momento ele fosse simplesmente parar.
se lembrava muito bem da primeira crise de ansiedade e mais ainda de sua última, havia sido há tanto tempo que ela acreditou que era algo que tinha ficado para trás, trancado com todo o seu passado. Com os anos ela passou a reconhecer os sinais de uma crise logo que o primeiro aparecia e com a ajuda de muita terapia e remédios, conseguiu enfrentar estes momentos sem se deixar perder o controle de vez. E por mais que odiasse se ver mais uma vez naquela posição, agora muito mais confiante de si mesma, ela parou o carro numa rua qualquer, sendo tomada por uma avalanche de pensamentos.
Seu acidente, a morte de Lucy, os dias no hospital, todos os seus piores dias voltaram como um flash e ela não queria revivê-los, não daquela forma.
Era tão injusto.
Injusto porque bem quando tudo finalmente parecia estar começando a dar certo para ela, algo assim acontecia.
Tentando focar nos conselhos de sua psicóloga, ela se lembrou de como tudo parecia muito maior do que realmente era durante esses momentos e que focar em somente uma coisa a ajudava a se acalmar. Por meses ela tentou de tudo, mas o que finalmente funcionou para ela, foi focar em seu relógio. Ver os ponteiros girando trazia uma calma que nem ela sabia explicar, talvez por ter sido um presente de seus avós, diretamente da grande coleção dos Lucan. Família sempre a acalmava, se sentia preenchida de amor sempre que pensava neles e o quanto os amava.
Aos poucos, ela foi sentindo sua respiração voltando ao normal, assim como o seu batimento cardíaco, mas lágrimas ainda caiam por seu rosto.
Odiava .
Odiava o amar tanto a ponto de lhe dar aquele poder sobre ela e seus sentimentos.
O que mais doeu, além da possível traição, foi a forma que teve que descobrir sobre aquele maldito vídeo íntimo. De todas as pessoas no mundo, havia sido justamente Poppy a pessoa a lhe dar a notícia, a inglesa podia ler no tom da mensagem da amiga o quão feliz ela estava por aquilo.
Como sua própria amiga poderia se regozijar em sua tristeza?
O que ela tinha feito de tão mal para Poppy, para o mundo? O que ela tinha feito para merecer aquilo de novo? Quanto mais pensava no assunto, mais ela tinha certeza, ela não tinha feito nada. Ela não merecia aquilo.
Sentindo-se completamente quebrada e sem ter a menor ideia para onde ir, ela continuou a se perder pelas ruas da capital britânica, sem se importar com o rumo que o carro fazia, assim como sua cabeça, o veículo estava tão perdido quanto ela.
A garota até pensou em ir para a casa de uma de suas amigas, pensou em aparecer na casa dos avós, sumir por uns dias, mas quanto mais pensava, mais um lugar, uma pessoa vinha à sua mente e antes que sequer se desse conta, estava na frente da casa de Harry Winks.
A amizade com Harry era simples e fácil. Não tinha mais ninguém que a ouviria sem julgar e depois a deixaria chorar em paz, a não ser ele, o garoto do sorriso fácil.

- Isso ficou ótimo. - o jogador disse com a boca ainda cheia, apontando com o garfo para o bacon.
- Seu porco. - jogou um pedaço de pão nele, o fazendo gargalhar. - A gente se dá tão bem Harry, por que não fui me apaixonar por você?
-
- Eu sei, eu sei. - a garota deu de ombros e de repente seus ovos pareceram interessantes demais, mas antes que se deixasse chorar mais uma vez, resolveu trocar de assunto - E você Harry, não tem ninguém que mexe com você?
-
- O que dessa vez? Eu só estou tentando desviar o assunto da minha vida amorosa, ou pior, do completo fracasso que ela é.
- Eu não sei de quando é esse vídeo, , mas o jamais te trairia. O cara é completamente apaixonado por você, chega a ser ridículo, você tem que ver como ele é zoado no vestiário quando você liga ou sai alguma foto de vocês no jornal.
- Jura? - pareceu se animar pela primeira vez desde que a vira parada em sua porta na noite anterior, o que fez Harry ficar feliz por ter conseguido aquele feito.
- Juro. Eu tenho certeza que tem uma explicação pra isso tudo.
- Eu não sei se quero ouvir o que quer que seja, Harry… - Pensou alto, antes de se virar para ele arregalando os olhos - Ei, não vem com essa, estamos falando de você agora.
- Droga, achei que você fosse esquecer disso. - Harry respirou fundo antes de continuar - Não tem ninguém , não que eu queira namorar.
- Mas já teve? - a garota perguntou ao notar o tom que ele usou para terminar sua frase.
- Mulheres… - Harry riu da amiga - Teve sim, teve uma garota que conheci numa viagem que fiz pra África do Sul. Ela é surfista profissional.
- Uau! Uma surfista? Como você nunca me falou dela antes?
- Porque eu te conheço e sei que se eu sequer mencionar o nome dela amanhã vocês já vão estar se seguindo no Instagram.
- Sem graça. - deu a língua para o amigo, cruzando os braços como uma criança.
- Se eu te mostrar uma foto dela, você sossega?
- É um começo… - a garota sorriu vencedora ao ver o sorriso bonito se formando nos lábios do jogador ao pensar na tal surfista.

Ela observou enquanto Harry procurava pela foto da garota e voltou a pensar no que havia dito anteriormente sobre querer ter se apaixonado por ele primeiro, sabia que Harry tinha demonstrado interesse nela quando eles se conheceram, ela jamais negaria que não se sentiu lisonjeada com o interesse dele. Sua voz rouca, seu rosto cheio de sardas e mais ainda o seu sorriso chamavam a atenção de quem quer que fosse, mas havia sido que atormentava a sua mente desde a primeira vez que se viram e apesar de não terem começado do melhor jeito, ela gostava tanto da evolução deles, que não trocaria o que encontrou com ele por nada. E era por isso que aquilo doía tanto.

- Nessa ela tá bem bonita - Harry arrastou a cadeira para próximo da amiga, com o celular em mãos.
- Ihh, tem certeza que você superou? - provocou o amigo ao ver a cara de bobo que ele fazia encarando o celular - Ela é linda, Harry, além de ter uma profissão incrível. Vocês ainda se falam?
- Não muito, ela teve um acidente e se afastou de todo mundo. Faz tempo que ela parou de responder as minhas mensagens.
- Você tem que insistir, Harry. Se ela for a garota que você quer, não deixa ela escapar… - sorriu para o amigo, lhe devolvendo o celular, mas foi inevitável não sentir as malditas lágrimas voltarem ao se lembrar de como não a tinha deixado escapar e como agora estavam.
- Ei - o jogador passou um dos braços pelo ombro da inglesa, a abraçando apertado de lado. - Eu tenho certeza que vocês vão se acertar. Eu não consigo imaginar um mundo em que e não estejam juntos.
- Nem eu, Harry, mas isso… É muito diferente de quem eu sou, de quem eu quero estar. - respondeu desanimada. Harry estava pronto para fazer algumas perguntas que vinha segurando desde a noite anterior, quando ouviu a campainha tocar. Imediatamente viu pânico nos olhos da amiga - Ele sabe que eu estou aqui?!
- Eu mandei uma mensagem pra ele depois que você dormiu, ele tava na rua te procurando. - Harry se explicou como se pedisse desculpas - Mas não é o , é o Eric. - informou ao ver pela câmera a cara do amigo e viu relaxar consideravelmente. - Tudo bem se ele entrar?
- Uhum - a inglesa assentiu mordendo a ponta dos dedos, visivelmente nervosa. sabia que agora era questão de tempo para que aparecesse ali.

Eric ainda não acreditava em como um vídeo de meros segundos podia arruinar a vida de tantas pessoas. Amava como um irmão e adorava com toda sua força, a garota era incrível, mas sabia o quão sensível ela era para certos assuntos. Saber que os dois, que se amavam tanto, estavam sofrendo separados, quase o fazia desacreditar no amor.
Tinha visto ao acordar a mensagem de Harry dizendo que ela estava na casa dele e embora tenha estranhado um pouco, se sentiu aliviado, ao menos agora sabia onde ela estava e o mais importante, que estava bem. Respondeu ao amigo que iria para casa dele assim que tomasse café e tentou ligar para , mas seu celular caia direto na caixa postal. Enviou uma mensagem de qualquer forma, dizendo que o encontraria lá.

- Não dormiu nada também? - Foi a primeira coisa que Eric perguntou ao ver Harry Winks abrir a porta.
- A só foi cair no sono às quatro da manhã, mate.
- Nem me fala, duas da manhã e eu ainda tava com o no telefone e ele procurando ela.
- Será que ele tá bem? - Winks se viu triste pelo amigo, só conseguia odiar com todas as forças aquela situação.
- Eu espero que sim. Imagino que vai vir pra cá assim que acordar. Cadê a ?
- Na cozinha. - respondeu vendo o amigo assentir e caminhar calmamente até o cômodo. O loiro sorriu fraco ao ver tirando a mesa.
- Ei, princesinha. - a chamou, vendo-a se virar para ele com o mesmo sorriso de sempre.

não sabia se tudo aquilo era saudades de Eric, ou o fato de estar com todas as emoções à flor da pele, ou pelo simples fato dele tê-la chamado pelo apelido que a havia dado, mas antes que qualquer palavra viesse a sua mente, ela correu para abraçar o jogador e antes que percebesse estava chorando mais uma vez.

- Vai ficar tudo bem, milady. - disse abraçando a amiga forte. - Pode molhar minha camisa que tá precisando lavar mesmo. - brincou e sorriu satisfeito ao ouvir soltar uma risada nasalada por entre o choro.

Em algum momento, Harry apareceu com um copo de água para ela e os três se sentaram novamente na cozinha, e Harry encarando desacreditados Eric comer seu segundo café da manhã.

- Eu sou maior que vocês, preciso de sustância. - se explicou.
- Da próxima vez coma da própria sustância, tá acabando com a minha despensa. - Harry brincou, só porque viu como começava a relaxar com as bobeiras que eles falavam.

Os três iniciaram um bate papo leve, mesmo que soubessem que uma hora ou outra teriam que voltar para a realidade. sabia daquilo, mas amava tanto Winks e Dier e o que a presença deles sempre causava nela que ela estava gostando de fingir que nada tinha acontecido.
A campainha tocou mais uma vez e ela soube que aquele era o final da sua vida de faz de conta, ninguém precisava dizer para que ela soubesse exatamente quem era.

estava parado na porta, mexendo incontrolavelmente na chave de seu carro, tão cansado quanto na noite anterior e ainda mais dolorido por ter dormido no carro sem perceber. Eric abriu a porta para ele e internamente agradeceu, ver seu melhor amigo ali lhe trouxe uma calma que ele nem sabia que precisava.

- Ela ainda tá aqui? - perguntou direto vendo Dier assentir.
- Ela subiu quando soube que era você. - Harry disse logo atrás, sentindo pelo amigo. - Mate, seu olho...
- Eu estou bem - mentiu para si mesmo e para todos, seus olhos vagando pelo local, como se fosse se materializar à sua frente. - Onde? - perguntou sem rodeios, não queria esperar mais.
- Quem te socou? - Eric retrucou, apertando os ombros do mais novo, que apenas balançou a cabeça de um lado para o outro, parecendo exausto.
- Foi o William, mas eu mereci e mereço muito mais - disse tirando os braços do amigo de si. - Onde lá em cima?
- Acho que no quarto de hóspedes. - Harry respondeu, caminhando em direção a escada - Eu vou avisar que você vai subir, mas acho melhor você tomar um café, comer alguma coisa antes, parece que vai desmaiar a qualquer momento.

À contragosto, se deixou ser levado por Eric para a cozinha.

- Como eu consigo fazer tanta merda? - pensou alto, chamando a atenção do amigo, que colocava um café para ele numa caneca e jogava fatias de pão na torradeira.
- Eu não sei, já parei de tentar entender - Eric respondeu brincalhão e viu sorrir fraco - Vai ficar tudo bem, você vai explicar tudo pra ela e daqui a pouco todo mundo esquece. Logo os jornais vão voltar a falar sobre Love Island ou algo assim.
- Meu irmão tá vendo com meu publicista, vou soltar uma nota ainda hoje assumindo tudo e deixando bem claro que não estávamos juntos na época.
- Eu acho que isso é óbvio, mate.
- Pra você que me conhece. Do jeito que escreveram parece que eu traí ela.
- Mas não traiu, eu sei, no fundo ela também sabe. Ela deve estar com mais vergonha do que qualquer outra coisa, mas eu sei que a vai entender, você só tem que dar um tempo pra ela. - assentiu e encarou seu prato, que agora estava vazio. Não tinha se dado conta da fome que estava e agradeceu a insistência dos amigos, se sentia muito melhor do que minutos antes.
- Eu vou subir…
- Boa sorte.

💂


jamais se perdoaria. Aquela era a única certeza que ele tinha naquele momento. Ver sua namorada quebrada daquela forma, acabou com ele. Seus olhos estavam inchados de tanto chorar, seu nariz vermelho e o sorriso que era capaz de melhorar o pior dos seus dias, era inexistente. Já a tinha visto daquela forma antes, quando ela lhe contou sobre Lucy e quando confiou nele o suficiente para confessar que não era ela dirigindo no acidente que quase lhe tirou a vida e ambas as vezes ele se prometeu que se pudesse faria tudo para nunca mais vê-la daquela forma e agora estavam ali, da mesma forma, por conta de seus atos.

- Eu posso entrar? - perguntou ainda da porta. De repente se via inseguro em relação à tudo e não sabia como agir com a pessoa que até dias antes, mais tinha intimidade em todo o mundo.

não respondeu, ele apenas viu seu rosto assentir de leve e se não a conhecesse como conhecia, não saberia traduzir aquela resposta. Com calma, ele entrou no quarto parando na frente da garota, que estava sentada na cama, abraçando as próprias pernas, sem a menor coragem de encarar ele. Ele entendia, ele também não conseguia olhar a si mesmo.

- , eu tenho tanta coisa pra te falar, mas se você não quiser me ouvir eu entendo. Eu já te fiz mal o suficiente para exigir qualquer coisa de você, eu sei que não mereço que você me ouça. Mas eu só preciso que você saiba que eu não te traí. Eu jamais seria capaz de fazer isso com você. - soltou o que vinha queimando em seu peito e pelo visto no de sua namorada também.

O suspiro aliviado que ela soltou, junto com o soluço de quem estava chorando atingiram em cheio, ela tinha chegado a acreditar que ele seria capaz de magoá-la daquela forma.
Ele realmente tinha falhado com sua namorada.

- Eu te amo como nunca amei ninguém antes, , como nunca achei que fosse capaz de amar e eu sei que tudo isso é demais pra você. Eu sei. Mas apesar de todas as minhas falhas com você, eu… não te traí. Eu juro por minha vida, pelo amor que eu sinto por você.
- Eu… Eu imaginei, todo mundo me disse, mas… Eu fico feliz em ouvir isso de você e eu acredito em você, . - a garota disse num sussurro, sentindo sua garganta doer. - Eu só preciso saber por que? Por que esse vídeo? Por que agora?
- Porque eu sou um idiota, eu deveria ter deletado isso no segundo que eu soube que era você e mais ninguém. Eu também não sei o que aconteceu ainda, ninguém tinha esse vídeo, alguém hackeou meu celular.
- Hackeou? - a garota finalmente o encarou e seus olhos se arregalaram ao ver seu rosto completamente machucado. - William? - perguntou, embora soubesse a resposta.
- Tá tudo bem, ele não fez nada que eu não merecesse. Se eu pudesse, eu mesmo tinha me socado.
- Ele é tão impulsivo - disse, imaginando a dor que estava sentindo - Que nem você. Nunca pensando nas consequências.
- … Eu vou assumir todo o meu erro, vou deixar bem claro que não estávamos juntos quando isso foi filmado e vou descobrir quem fez isso. Eu prometo.
- Talvez esse vídeo tenha vindo em boa hora, .
- Boa hora?! - a encarou completamente chocado.
- Sim. Eu nunca soube que você queria coisas diferentes, coisas que eu não posso dar a você e nem quero, . Eu sempre deixei bem claro desde o começo como meus valores vem acima de qualquer coisa e esse vídeo me parece apenas o começo de alguma coisa…
- Não, , não. - o jogador se ajoelhou no chão ao lado da cama, se sentindo desesperado ao ouvir aquelas coisas de sua namorada - Eu não quero nada disso, foi uma idiotice, coisa de momento. Eu só preciso de você e que você possa me perdoar, . Tudo que eu te disse quando te pedi em namoro ainda é verdadeiro, ainda é como me sinto todos os dias. Depois de você não teve mais ninguém e eu dúvido muito que tenha. Eu acho que você não faz a menor ideia do quanto eu te amo.
- A Inglaterra toda viu esse vídeo, ! - exclamou nervosa - Você tem ideia do quanto é humilhante ler tudo isso que estão falando de mim, de você? Eu odeio como tenho que dar satisfação da minha vida só por ser filha e afilhada de quem sou, só por namorar quem eu namoro. Eu odeio isso, , eu odeio.
- Eu sei que odeia, princesinha. - arriscou sentar na cama ao lado dela, com os pés ainda apoiados no chão.
- Eu me sinto exausta - respirou fundo, jogando o corpo para trás. - Parece que eu estava vivendo esse conto de fadas e de repente me acordaram e eu cai direto no meu antigo pesadelo e eu não consigo encontrar uma saída. Fazia muito tempo que não me sentia assim e é horrível.
- Eu sinto muito, de verdade, eu não sei mais o que dizer a não ser que sinto tanto, mas tanto. Se eu pudesse apagar tudo isso eu faria, pagaria o que fosse pra que não tivessem feito isso com você, com a gente. - sentiu as próprias lágrimas caírem por seu rosto - Eu só…
- Eu acho que o Harry tem uma pomada para machucados em algum lugar. - a garota disse de repente, assustando o jogador com a mudança abrupta de atitude.
- , você não precisa se preocupar de verdade - ele se levantou indo atrás da garota corredor afora, que agora estava no banheiro do amigo, mexendo nas gavetas dele - Esse machucado é a última das minhas preocupações no momento, você…
- Achei! - ela disse de repente, se virando para ele.

fechou os olhos, sentindo o choque tão conhecido toda vez que ela o tocava, mas que agora parecia tão distante, tão machucada quanto seu rosto estava. Seus dedos tocaram seu rosto com tanto cuidado e delicadeza, que foi impossível para não fechar os olhos por alguns segundos, saboreando aquele momento.

- A sua barba está crescendo. - ela notou curiosa, ele nunca deixava por fazer.

não conseguia respirar, estava com o rosto tão próximo ao seu que ele podia sentir sua respiração bater contra o seu rosto e tomou tudo que tinha dentro de si para não abraçá-la e beijá-la, implorando por seu perdão. Ele precisava tanto dela. Poucos dias sem se verem e já sentia saudade do seu toque, dos seus beijos, do seu cheiro. Da forma como eles se encaixavam quando iam dormir. amava com tudo que ele tinha e só de pensar que aquilo poderia ter chegado ao fim, dilacerava o seu coração.
O jogador tocou com cautela na mão que a garota estava passando o medicamento em seu rosto e a sentiu tremer. o olhou tão profundamente que ele conseguiu ver tudo refletido em seus olhos, todos os seus fantasmas, suas inseguranças e toda a dor que ela estava sentindo naquele momento. Se ele tivesse um desejo, um poder, seria tirar tudo aquilo de dentro dela e passar para ele. Ele merecia aquela dor, não , nunca .

- Eu sinto tanto, .
- Você lembra quando você chutou meu pé aqui na casa do Harry? - a inglesa desconversou - A gente jogando futebol, você me odiando sem razão. Não parece que foi em outra vida? - ela riu fraco.
- Eu não te odiava. - se sentou no topo da banheira enquanto a observava guardar a pomada e lavar as mãos. - Eu nunca te odiei.
- Eu tenho minhas dúvidas. - ela retrucou ainda divertida.
- Porque eu só faço merda, parece que eu nunca acerto com você. Nunca. - disse o final mais para si mesmo, mas o ouviu.
- Você acertou, várias vezes - ela disse através do espelho, tirando um sorriso fraco do jogador. se virou para ele ao secar as mãos, notando que ele estava com o celular na mão - , eu sinto muito também, de verdade. Eu consigo ver como você está arrasado e te ver assim me machuca, porque eu te amo. Mas isso. - disse apontando para o celular - É demais pra mim, todo mundo viu esse vídeo, meus pais, meu irmão, minhas amigas, a Poppy! Além de tudo, tive que descobrir isso pela Poppy. Eu aposto que ela está estourando champagne, só esperando o momento pra me jogar na cara como ela sempre esteve certa sobre você, sobre a gente e eu odeio isso. Você sabe o que esse vídeo vai trazer pra mim, pra minha família. De novo.
- Eu vou resolver isso, , eu prometo. Eu juro que vou, eu só preciso de um tempo.
- Não, , eu que preciso de um tempo. Um tempo pra mim, longe disso tudo. - ela disse apontando para os dois, o que só fez o desespero no coração de aumentar - Não são nem dez da manhã e todos os jornais já postaram o vídeo em suas páginas!! - exclamou se apoiando na bancada. Se odiava por sentir vontade de chorar mais uma vez.
- Eu sei, eu sei. Eu só preciso que você me deixe tentar consertar isso, com a mídia… E com você! Por favor, , é só isso que eu te peço. - se ajoelhou na frente da garota, sem a menor vergonha de mostrar o quanto estava desesperado. - Nós somos tão felizes.
- Eu preciso de um tempo, . - repetiu o que havia dito segundo antes, com medo de se deixar levar pelo garoto tão destruído quanto ela a sua frente.
- Por quanto tempo? Alguns dias, uma semana? Eu posso resolver tudo nesses dias e... - estava praticamente implorando e ver o estado do jogador fazia ficar mil vezes pior.
- Por quanto tempo essa dor durar. - disse apontando para o próprio coração e seu tom de voz foi bastante decidido. - apenas assentiu com a cabeça se levantando e sem pensar muito ofereceu uma das mãos para que saíssem dali, aceitou. - , eu sinto muito que isso esteja acontecendo, de verdade. - ela desabafou, voltando para o quarto em que estava dormindo.
- Não mais do que eu, pode ter certeza. - o jogador se aproximou da garota e ao que ela não se mexeu, a puxou para um abraço, que ele, tanto quanto ela precisavam. Ele não sabia se aquilo era um adeus. gostaria muito que não fosse, não ter mais em sua vida doeria demais.
- Eu espero de verdade que você descubra quem fez isso com você, . Você não merecia isso.
- O que eu não merecia era ter alguém como você em minha vida, isso sim. Eu sempre soube que você era boa demais pra um cara como eu e a cada minuto que passa eu tenho mais certeza de que isso tudo foi bom demais pra ser verdade. Era questão de tempo para que eu estragasse tudo.
- Não fala isso, . O que nós tivemos foi verdadeiro.
- Tivemos. - ele repetiu aquela palavra no passado, sentindo sua garganta queimar feito fogo - Como eu disse, bom demais pra ser verdade.
- Me desculpa, ...
- Você não tem porque se desculpar por nada. Eu fiz isso tudo sozinho, eu mereço que você não queira me perdoar.
- , por favor, não fala assim sobre você mesmo.
- Eu só estou falando a verdade. Eu vou indo… - anunciou, sem saber quanto mais aguentaria ficar ali, quando a pessoa que mais amava, não o queria mais. - Se você precisar de qualquer coisa, você me liga? Qualquer coisa?
- Eu prometo.
- Eu te amo, , não esqueça disso. Obrigado pelos melhores meses da minha vida e pelo maior amor que eu já senti. Eu realmente sinto muito.

💂


- E aí? - Harry e Eric se levantaram assim que apareceu na sala.
- Acabou. - ele soltou sem delongas, vendo os olhos dos amigos se arregalarem.
- Como assim, mate ?! - os dois perguntaram juntos, chocados.
- Ela quer “um tempo” - soltou, dando de ombros - Eu sabia já, só é foda escutar isso - confessou, não aguentando mais segurar as lágrimas. - Eu realmente acreditei que tudo fosse ficar bem.
- Vamos pra minha casa. - Eric falou prontamente pegando sua carteira na mesa de centro e sabia que o amigo não ia deixar ele sozinho e no momento ele agradecia, não sabia o que fazer com ele mesmo, não quando nem nos seus piores pesadelos imaginou que um dia não fosse ser mais sua. - Eu tenho certeza que quando a poeira abaixar ela vai se sentir diferente.
- Eu não tenho muita certeza.
- Mate , eu…Desculpa não ter avisado antes, mas ela apareceu aqui do nada e eu até agora não sei porque. Eu só espero que...
- Tá tudo bem, Harry, ela veio pra cá por algum motivo e eu fico feliz que ela tenha alguém como você ao lado dela. Você fica de olho nela pra mim?
- Fico sim, pode deixar.

Tomou tudo que tinha para fechar a porta e deixar para trás o amor de sua vida, sabendo que a havia perdido para sempre e a culpa era toda dele.


Continua...



Nota das autoras: Quem aqui ODIOU esse capítulo? 🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️
Acreditem, ninguém odiou ele mais do que a gente e acho que foi até por isso que tivemos TANTA dificuldade em colocar ele pra frente.
Desde o começo, com o roteiro fechado, isso estava planejado, mas agora que ele chegou gostaria muito que não tivesse acontecido.🥺🥺🥺 Culpa do Dele, afinal sempre tentamos seguir a realidade do personagem que escrevemos e esse vídeo dele realmente saiu por aí. 😤
Bom, mas pra quem nos conhece, espero que estejam ansiosas para o capítulo final, prometo que vamos tentar não desapontar. Não nos odeiem tanto e até o ÚLTIMO capítulo da fic. Nos vemos em breve
Beijos,
Carol e Bia



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