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Última atualização: 12/06/2021

Capítulo Um



O calor na Califórnia naquela manhã estava insuportável, mas nem ferrando que eu iria me deixar abalar. Andar por aí de mau humor não era algo que combinava comigo nem um pouco, por isso me joguei no chuveiro logo depois que acordei e coloquei minha roupa de treino. Sim, eu iria para a aula do primeiro período usando meu uniforme para treinar, pois não teria tempo para voltar e trocar. Quem ligava? As pessoas da UCLA andavam como bem queriam.
Nem me importei em avisar à minha colega de quarto que já estava saindo, pois eu sabia que ela tinha levado o namorado dela para trepar bem do meu lado na noite anterior. E por mais que ela tentasse esconder, eu sempre conseguia notar que ele estava embaixo das cobertas com ela. Qual é? Eu não era surda, conseguia ouvir os gemidos baixinhos dos dois. Qualquer pessoa reclamaria, mas eu não era desse tipo, Deus me livre brecar a foda alheia.
Precisei correr um pouco, porque eu me encontrava levemente atrasada — como sempre — e mal consegui dar uma última checada no artigo que eu estava escrevendo sobre Biologia Molecular. Pensar sobre ele me fez atravessar a porta da sala já me direcionando para o fundo, onde eu conseguiria prestar atenção na aula e também me concentrar em dar uma última lida em algumas informações. Eu precisava muito encontrar um professor que pudesse me ajudar e só tinha uma pessoa que poderia me auxiliar com aquilo, então logo me apressei em digitar uma mensagem para ela quando me sentei.
A aula era uma revisão sobre anatomia que eu havia aprendido logo no primeiro ano pós matérias básicas, e como minhas notas sempre foram muito altas, nem me dei o trabalho de prestar muita atenção. Eu sabia tudo aquilo e realmente precisava me concentrar naquela pesquisa, ou acabaria me ferrando bonito. Eu era esforçada, mas tinha o grande defeito de sempre deixar as coisas para a última hora.
Quando o sinal tocou, eu praticamente pulei da cadeira e saí com pressa. Precisava encontrar a pessoa que me ajudaria com a minha tarefa de achar um professor à altura do artigo que eu queria escrever, comer algo e ainda por cima ir para o meu treino. Cumprimentei algumas pessoas pelo caminho e gastei exatos quinze minutos em um percurso que eu normalmente faria em trinta para chegar à cafeteria. Logo avistei a garota ruiva com o mesmo uniforme que o meu.
— Cada dia mais deliciosa — Alicia disse, assim que envolvi meus braços em seu pescoço, puxando-a para um abraço.
— Assim como você — devolvi conforme a soltei para que pudesse encará-la. Eu adoraria ficar flertando com ela por alguns minutos, mas infelizmente não tinha tanto tempo para isso.
— Me diz que tem alguém para me sugerir. — Fiz um biquinho. — O pai do Chad está fora de cogitação. — Revirei os olhos ao mencionar aquele nome, o que a fez rir levemente.
é o cara que você procura — disse, então senti meu celular apitar. — Te enviei o link do grupo que ele criou para os alunos. Ele é todo famosinho e tal.
Abri imediatamente o aplicativo e cliquei para entrar no tal grupo. Sem hesitar, desci a tela para que pudesse olhar a foto do administrador e, assim que fiz isso, pude ler o nome dele completo.
.
? — questionei, segurando um risinho. Era impossível que uma pessoa não cruzasse meus pensamentos ao ler aquilo.
— Eu sei, Keeran — Alicia disse com uma expressão safada que me arrancou uma gargalhada. — É tio dele.
— Quando eu digo que a fama desse garoto aumenta a cada dia… — comentei baixinho conforme meus olhos captaram a foto do professor.
Porra! Aquele homem era um puta de um gostoso. Como eu não tinha me inscrito para alguma aula dele? Eu sabia muito bem a resposta, mas me contive por hora.
— Não entendo como você não se inscreveu para nenhuma aula com ele — minha amiga comentou sugestiva, mas ao mesmo tempo sorriu levemente, porque ele era obviamente o tipo de professor que me interessaria para obter mais conhecimentos.
— Estava me perguntando o mesmo — respondi, levando meu celular de volta ao bolso, já com a intenção de me despedir e achando a resposta para o meu próprio questionamento. — Ai, lembrei que não gosto de ser aluna de professores que eu posso me sentir atraída — brinquei, rindo levemente.
Ali gargalhou alto dessa vez e eu teria feito mais comentários, mas realmente precisava ir almoçar.
— Obrigada pela ajuda prazerosa, te vejo no treino. — Sorri para ela, então me virei para seguir meu caminho.
De repente, senti vontade de ir ao banheiro e fui ao primeiro que encontrei. Nesse meio tempo, acabei enviando uma mensagem para Keeran, só para que ele soubesse que eu teria contato com o titio dele.
Eu sabia que ia ser difícil manter a sanidade na presença daquele homem delicioso, mas eu tinha que me conter, afinal, realmente era minha melhor opção.


💋


— Se eu soubesse que iria encontrar o lobo mau hoje, teria vindo de vermelho. — Estalei minha língua ao dizer aquilo, me aproximando de Keeran, que parecia bem concentrado mexendo no celular, tanto que levou uns dois segundos para erguer o olhar na minha direção e então abrir um sorrisinho.
— Mentira. Você teria vindo pelada mesmo, Sav. — Piscou, soltando uma risada em seguida.
— Eu teria mesmo. Mas só se você viesse também, . — Pisquei de volta conforme ri junto a ele. — Isso está uma delícia, pelado e ainda de sobremesa — brinquei.
— Imagina só nós dois pelados no meio da lanchonete? Ia ser uma delícia mesmo, a galera ia amar. — Passou a língua pelos lábios, deixando uma expressão arteira no olhar. — Eu até deito na mesa pra rolar esse lance da sobremesa aí.
— Ah, ia mesmo. Só não sei se o seu titio ia ficar feliz ou desesperado. — Ergui uma sobrancelha, esboçando um sorriso sacana. — Eu até pediria para você deitar agora mesmo, bonitinho, mas eu estou faminta. O que quer comer?
— Daí isso você vai ter que perguntar pra ele. Não faço a mínima ideia. — Deu de ombros, rindo mais um pouco. — Vou de hambúrguer porque eu tô com fome demais pra esperar qualquer outra coisa e você?
— Não vou mais falar dele, prometo — comentei, ao notar o desconforto e já tinha zoado ele o suficiente por mensagem. — Eu vou de salada, porque tenho treino logo em seguida e vomitar nas outras meninas não está incluso no pacote. — Ri daquilo e fiz menção para que caminhássemos.
— Fico muito agradecido. Imaginar você e o meu tio não ajuda muito no apetite não, sabe? — Fez uma careta e foi me acompanhando, o que me arrancou uma risadinha. — Vomitar nas outras meninas? Ta aí algo que eu até ia querer gravar — zoou, dando uma piscadinha para uma garota que passou pela gente.
— Ah! Então imagina você deitado na mesa sendo minha sobremesa que volta rapidinho — respondi, sorrindo para ele conforme nos aproximávamos. — Que nojo, Keeran! — Reagi ao seu comentário sobre a gravação e fiz uma careta ao imaginar a cena.
— Quer a família toda, é? Tô de olho em você, . — Estreitou os olhos para mim, então gargalhou da minha cara e dei um tapinha de leve em seu braço. — Só você pra me fazer falar de vômito na hora que eu vou comer. — Negou com a cabeça.
— Eu? Com certeza — afirmei sem fazer rodeios e abri meu melhor sorriso sacana. — Culpada! — respondi, erguendo meus braços em sinal de rendição e ri daquilo.
Acabei me virando para fazer meu pedido e deixei que Keeran fizesse o dele também. Por mais que eu adorasse encontrá-lo, ficar flertando e jogando conversa fora, eu tinha mesmo que comer para que pudesse ir treinar e, no meio tempo que tinha entre essas coisas, mandar mensagem para . Não demorou muito para que estivéssemos com nossas comidas em mãos e então caminhamos de volta para as mesas que haviam ao ar livre no campus. O lugar como sempre estava cheio e nos gerou alguns minutinhos para que encontrássemos um espaço vazio, onde logo nos sentamos.
Joguei minhas coisas na mesa e abri minha salada, mas, antes de dar a primeira garfada, enviei uma mensagem para aquele homem tentador. A primeira foi apenas dois emojis com a mãozinha na boca e mais dois em que estava babando em satisfação, então esperei pela resposta dele enquanto me concentrava na minha comida.


visto por último hoje às 11:35

🤭🤭🤤🤤

Bom dia, . 😉


Li a mensagem, passando a língua nos lábios e me questionei por um momento, mas logo tratei de responder.


online

🤭🤭🤤🤤

Bom dia, . 😉

Bom dia, professor.

Eu estou escrevendo um artigo envolvendo biologia molecular. Então uma aluna sua, Alicia, disse que o senhor é o melhor. Queria saber se poderia te usar de alguma forma.

Digo, para aprimorar minha pesquisa hihihihihhi. 🤭


Enviei, tentando segurar o risinho e esperei que respondesse.


online

Bom dia, . 😉

Bom dia, professor.

Eu estou escrevendo um artigo envolvendo biologia molecular. Então uma aluna sua, Alicia, disse que o senhor é o melhor. Queria saber se poderia te usar de alguma forma.

Digo, para aprimorar minha pesquisa hihihihihhi. 🤭

Alicia estava certa hahaha.

Claro, será um prazer aprimorar sua pesquisa.

Dá uma passada na minha sala para conversarmos sobre isso. Você sabe onde fica?


Li atentamente tudo que ele havia mandado e não contive uma risadinha, afinal, uma frase ali tinha totalmente um duplo sentido.


online

Alicia estava certa hahaha.

Claro, será um prazer aprimorar sua pesquisa.

Dá uma passada na minha sala para conversarmos sobre isso. Você sabe onde fica?

Bom saber. Porque vai ser um prazer ter ela aprimorada por você.

Dou sim, só me falar o horário e ficarei prontinha para você, professor. Ops, eu não sei prof! Pode me informar?

Hoje eu tô a tarde toda por lá.

Posso sim. Fica no laboratório de Genética Humana. É a terceira sala, à direita.


Deixei mais um sorriso se formar, pois a sala dele ficava em uma parte que eu sabia não ter tanta movimentação naquele horário. Me preparei para enviar uma resposta, mas antes olhei Keeran, constatando que ele se encontrava concentrado em seu almoço e, claro, naquele celular. Com certeza estava falando com a Valentina sobre suas aventuras na piscina.


online

Bom saber. Porque vai ser um prazer ter ela aprimorada por você.

Dou sim, só me falar o horário e ficarei prontinha para você, professor. Ops, eu não sei prof! Pode me informar?

Hoje eu tô a tarde toda por lá.

Posso sim. Fica no laboratório de Genética Humana. É a terceira sala, à direita.

Perfeito!

Espero que não se importe se eu te roubar por umas horinhas, prof.

Claro que não me importo. Vai ser mesmo um prazer te ajudar com esse artigo.


Bloqueei meu celular com aquela última mensagem e me foquei em terminar de comer minha salada. Eu não podia nem sequer conter na minha cara o quanto estava ansiosa para aquele encontro e por um momento me praguejei por ter marcado o maldito treino para aquela tarde, mas também ia ser bom, já que iria descarregar toda minha ansiedade.
— Merda! — falei ao ver que já me encontrava dez minutos atrasada. Então simplesmente fechei a salada que ainda se encontrava pela metade e comecei a pegar minhas coisas. — Foi ótimo te encontrar, lobo mau, venha dar um passeio na minha floresta sempre que quiser. — Pisquei para ele, já me ajeitando para sair.
— Vai ficar me devendo a sobremesa, Sav. — Apontou para mim, fazendo uma cara de quem ia cobrar mesmo. — Por enquanto eu tô de olho nas Chapeuzinhos que ficam penduradas nas árvores do campus, mas quem sabe eu vá uma hora dessas. — Piscou de volta pra mim. — Não faça nada que eu não faria! — Deu risada ao ver que eu já estava saindo.
Abri um sorriso, porque eu sabia que ele estava falando da Valentina e terminei de ajeitar tudo.
— Você sabe que eu sempre pago — respondi rindo, conforme fui me afastando. — Eu nunca faço. A única coisa é que não serei cadelinha, porque você com certeza já está de quatro e ainda abanando o rabo — gritei para ele, soltando uma gargalhada e então caminhei de costas para que pudesse ver a reação dele.
— Nós dois sabemos que não tem nada que eu não faria, Sav. — Gargalhou, estreitando os olhos pra mim com o que eu falei em seguida. — Tem nenhuma cadelinha aqui. Eu sou o lobo mau, esqueceu? — berrou de volta, negando com a cabeça e chamando a atenção de algumas pessoas, algo que não era incomum se tratando de Keeran .
Ri alto daquilo e então finalmente segui meu caminho.

💋


Movimentei meus braços, tentando encontrar equilíbrio em cima de Alicia e respirei fundo, dando graças a Deus que aquele seria o último movimento que eu teria para fazer. Consegui me equilibrar e me forcei para frente, pegando impulso contra a mão das duas garotas que me seguravam e dei duas piruetas no ar, fazendo com que a saia que eu usava subisse. E como eu havia planejado, caí com as duas pernas abertas e as mãos para cima em perfeito pouso, mas a posição não demorou muito porque eu estava exausta.
— É isso, gente. Por hoje é só — gritei, batendo palmas e logo me apressei em caminhar até as minhas coisas, que se encontravam no banco.
Eu não tinha combinado nenhum horário com , porém não queria abusar e chegar tarde demais para que ele precisasse passar da hora dele. Eu era abusada sim, mas nem tanto. Por isso me despedi de todos com um último aceno e decidi que ir até a lanchonete pegar um chá gelado seria a melhor coisa que eu poderia fazer, já que o calor parecia ter triplicado e eu sentia como se minha pele estivesse queimando embaixo daquele sol.
Abri mais uma vez as conversas no meu celular e, enquanto esperava na fila, uma ideia me ocorreu e acabei digitando uma mensagem meio que sem pensar para .


visto por último às 14:42

Eu estou levando um chá gelado para nós. Você não quer canudo, né? Eu quero. Espero que não me julgue.


Soltei uma risadinha com aquilo e então me direcionei à atendente para dizer o que eu queria enquanto esperava por uma resposta.
— Quero dois chás de pêssego, gelados — informei, tentando conter a ansiedade que me percorria.


online

Eu estou levando um chá gelado para nós. Você não quer canudo, né? Eu quero. Espero que não me julgue.

Quem sou eu pra julgar alguém? hahahaha.

Eu gosto sim de chá gelado.


Aproveitei que estava na fila esperando pelo meu pedido e soltei meu cabelo, porque queria parecer um pouco mais apresentável, joguei um pouco de água no meu rosto e peito para que pudesse limpar um pouco do suor e usei a toalha para secar o excesso. Eu adoraria muito ir até o dormitório para que pudesse tomar um banho de verdade, mas infelizmente eu não tive tempo. Para falar a verdade, eu estava sempre atrasada e correndo para todo lado por simples falta de planejamento da minha parte.
Acabei molhando um pouco minha blusa que era branca, mas não me importei, estava um inferno e logo ela secaria. E assim que chamaram meu nome, avisando que meu pedido estava pronto, o peguei e caminhei o mais rápido que consegui para que pudesse ir até onde ficava a sala de .
Quase gemi de prazer quando empurrei a porta pesada do prédio e o gelado do ar condicionado me abraçou. Se eu achava que estava quente do lado de fora, agora parecia ainda mais. Li as placas que indicavam para onde eu teria que ir e caminhei com um pouco menos de pressa, porque de repente me senti estranhamente nervosa para ficar sozinha com aquele homem em uma sala que não deveria ser tão grande assim e meu coração acelerou.
Tentei conectar ele ao humor de Keeran só para que me sentisse menos tensa, mas só pelas poucas mensagens que havíamos trocado, eu sabia que eles não eram nem um pouco parecidos.
Respirei fundo uma última vez quando cheguei bem de frente para a sua sala, então dei duas batidinhas e esperei que abrisse a porta.
Não demorou muito para eu ouvisse passos se aproximando e logo eu o vi abrir a porta, me encarando por alguns segundos em que percebi seu olhar me analisar de cima a baixo, mesmo que de uma maneira bastante discreta. Um sorriso se formou nos lábios dele quase instantaneamente.
Por Deus! Aquele homem era ainda mais gostoso pessoalmente.
— Achei que ia levar um bolo de você hoje, . Pode entrar. — Então deu espaço para que eu passasse por ele.
Tombei a cabeça para o lado ao ouvi-lo dizer aquilo, mas mantive uma expressão serena.
— Poxa, professor… — falei baixinho e fiz um biquinho. — Não acredito que pensou tão pouco de mim. — Então entrei em sua sala, passando os olhos pelo ambiente.
— Nem todo mundo tá afim de passar a tarde falando de Biologia Molecular, sabe? — Soltou uma risada. — Fica à vontade aí.
— Sei que um rostinho bonito às vezes engana, mas você ficaria surpreso com as coisas entediantes que eu gosto de passar a tarde falando — comentei, sem conter maldade alguma naquele fato e meus olhos passearam pela sala, mas logo se voltaram para ele. Sorri mais uma vez ao ouvi-lo falar daquela forma e caminhei até próximo da sua mesa. — À vontade mesmo? Mas não se preocupe com isso, posso ficar em pé, acredito que não vou demorar muito — falei, então coloquei minhas coisas na cadeira e coloquei os chás na mesa ao meu lado.
Peguei o meu e logo dei um gole bem devagar conforme o encarava.
— Ficaria? Testa então, porque eu sou curioso pra caramba — instigou, me acompanhando com o olhar e erguendo uma sobrancelha sutilmente ao me ver próxima da mesa. — Ou pode puxar a cadeira e sentar do meu lado. Tranquilo — respondeu rapidamente, caminhando até seu lugar.
Ou eu poderia sentar no seu colo… pensei, o que me arrancou um risinho. Mas obviamente aquilo estava fora de cogitação. Porque mesmo que não fosse meu professor diretamente, eu ainda era uma aluna da faculdade.
— Uhum. Arruma um horário fixo para mim na sua agenda que eu mato toda a sua curiosidade. — Pisquei para ele, então, pensando em sua proposta, que era muito boa, me afastei da mesa, deixando meu chá de lado para fazer o que pretendia.
Aproveitei aquela pausa na conversa para que pudesse dar uma olhada em sua sala, que, apesar de bem formal, era aconchegante. Tinha uma estante com livros, sua mesa e um sofá preto, além de uma cadeira e uma poltrona que eu decidi arrastar para que pudesse me sentar ao lado dele. Então me inclinei, tendo que ficar de costas para ele para que pudesse arrastar a poltrona e a levei até perto dele como havia me dito para fazer.
— Prontinho, me convenceu — falei com um sorrisinho estampado, assim que consegui mover a poltrona. — Desculpa ter vindo com essa roupa tão desarrumada… tive treino hoje e acabei não tendo tempo para me arrumar — falei baixinho conforme me sentei e o encarei. Não queria que ele pensasse que eu saía pela faculdade, principalmente para falar com professores, vestindo aquele tipo de roupa. se virou para mim, seu olhar oscilou, mirando a roupa que eu vestia, então ele levou uma mão aos cabelos, os puxando para trás com uma expressão de quem se repreendia pelo que havia acabado de fazer.
— Não esquenta com isso, . Não acho que esteja desarrumada por estar com as roupas de treino. — Sorriu levemente. — E o seu artigo, onde está?
— Não tem artigo nenhum. — Abri um sorrisinho brincalhão porque saiu sem que eu pudesse controlar e o encarei esperando por sua resposta.
Eu esperava que ele não ficasse bravo comigo, mas às vezes eu não conseguia evitar meu jeito de sempre fazer brincadeiras em meio a alguma tensão. E por mais que tentássemos esconder o máximo possível, estávamos ambos tensos naquele momento.
— Perdão? — ele soltou em um tom de surpresa e me olhou completamente confuso.
Eu não esperava aquela reação dele, por isso uma risada ecoou dos meus lábios de forma natural e levei a mão até a boca conforme tentava controlar aquela reação. Aos poucos fui parando, analisando sua reação diante daquilo e abri um sorriso leve.
— Estou brincando, — respondi de um jeito informal, porque ele parecia não ligar para aquilo. — Só quis descontrair, eu estava achando o clima meio tenso entre a gente — comentei, ainda sorrindo, então me inclinei para pegar o artigo e estendi para ele, que não hesitou em pegá-lo da minha mão.
— Ah, tava? — Sorriu de volta para mim, então soltou uma risada incrédula e negou com a cabeça. Por um momento achei que me perderia o encarando, então desviei meu olhar. — Pode me chamar de .
Tombei a cabeça levemente, conforme sorria àquela resposta.
— Gostei da confirmação sutil de que não estava da sua parte — falei baixo, desviando o olhar. — Gosto de . Mas, se prefere, então. — Dessa vez, voltei a olhar para ele e tomei um pouco do meu chá, vendo-o se inclinar para pegar o que eu havia trazido para ele e beber um pouco também.
— Relaxa, não estava mesmo. E você pode chamar como preferir, . Sem problema algum. — Deu de ombros, então seu olhar se voltou para o artigo, que ele folheou e depois virou as páginas iniciais para ler.
levou alguns minutos para analisar o que eu já havia escrito, permanecendo completamente concentrado naquilo, algumas de suas reações ficavam mais nítidas em seu rosto e eu não desviei os olhos nem por um minuto.
Assim que terminou, seu olhar subiu de volta até mim.
— O artigo está muito bom até aqui, . Você tem uma escrita muito boa. No que eu posso te ajudar exatamente?
Tive certeza de que sorri igual uma idiota ao ouvir aquilo, mas não me importei porque elogios como aquele realmente me motivavam.
— Eu não tenho certeza se as coisas estão organizadas como deveriam — comecei, desviando meu olhar dele e focando nas folhas que se encontravam em sua mão. — Por exemplo, aqui nesta página eu fiz algumas marcações se deveria colocar sobre as cadeias dessa forma. Sei que escrever um artigo não é apenas ter uma boa escrita, preciso passar a informação de um jeito que o leitor queira continuar. — Acabei me empolgando e levei minha mão até a ponta da folha, a virando.
Fiz uma pausa para ler algo que eu sabia que era necessário dizer a ele e então continuei explicando mais uma porção de coisas que cruzavam os meus pensamentos. Aquele artigo significava muito para mim, e saber que alguém como poderia me ajudar a melhorá-lo realmente me deixava empolgada.
— Aqui eu acho que está um pouco maçante. Sinto que tem muita informação junta. Entende? — perguntei de forma retórica, me dando conta do quanto aquele questionamento era ridículo e soltei uma risada.
Virei mais uma página e dessa vez minha mão roçou a dele sem querer.
— Me desculpa, . — Me afastei levemente, levando meu olhar até ele. — Eu acho que me empolguei. — Sorri brevemente.
Com certeza ele deveria estar pensando por que eu não parava de falar e me senti mais nervosa do que nunca.
Os olhos dele se fixaram no meu rosto e mais uma vez sorriu.
— É normal nos empolgarmos assim quando gostamos das coisas. Eu mesmo desando a falar na sala de aula e não sei mesmo como o pessoal me aguenta. — Riu baixo e algo me disse que aquela era uma forma dele de fazer com que eu ficasse mais tranquila, o que me fez sorrir em resposta. — Você tem razão, sim, um bom artigo faz o leitor querer continuar, mas, honestamente, você está pensando em coisas demais e talvez seja por isso que esse trecho aqui ficou “um pouco maçante” — frisou a minha fala. — Eu vou marcar aqui algumas sugestões do que eu tiraria dele e depois você tenta reescrever o parágrafo, pode ser?
— Até parece — respondi, dando de ombros ao que disse sobre os alunos. — Pode sim. Confio em você, .
— É sério. Quantas pessoas você conhece que gostam de ouvir todos os detalhes de como funciona uma PCR em tempo real e sobre o dia que compramos o equipamento para colocar no laboratório? — Me olhou com uma expressão risonha e acabei rindo, concordando com um aceno de cabeça. — Muito bem, então. Posso rabiscar nesse? — pediu, pegando uma caneta de cima da mesa.
— Pode sim — concordei, sorrindo levemente.
Então o encarei, esperando por mais orientações, caso tivesse alguma, e como ficou em silêncio, continuei explicando mais alguns pontos e ouvindo o que tinha para dizer sobre.
Como havia dito que faria, começou a ler o artigo novamente e passou a destacar alguns pontos onde achava que o texto poderia melhorar, até me explicando alguns pontos, o que me ajudaria a detalhar melhor alguns trechos ou resumi-los de forma satisfatória. Ele realmente sabia do que estava falando e percebi que em alguns momentos ele realmente se empolgava com as explicações, como se estivesse até vendo as cadeias diante de seus olhos.
Eu não sabia se tinha alguma outra coisa pra fazer, mas, se tinha, ele não demonstrava porque fez questão de tirar todas as dúvidas que eu tinha.
— Aqui eu acho que você queria dizer ligação covalente, certo? Lembre que ligações de hidrogênio são fracas, o que não faria sentido nessa cadeia. — Sinalizou o que dizia, riscando a palavra e escrevendo a correta um pouco acima.
— Claramente eu estava dormindo quando coloquei isso — comentei, rindo. — Vou me lembrar da próxima vez, prof — soltei, arregalando o olhar ao me dar conta de que o tinha chamado daquela forma em um momento mais sério e me senti queimar de vergonha.
— Não posso te julgar. Meus erros são piores quando eu escrevo dormindo. — Riu junto comigo, então seus olhos voltaram a me encarar e ele abriu um sorriso de canto. — Não tem problema. Se não lembrar, faço isso por você de novo. — Piscou de leve para mim.
De repente, foi como se tudo à minha volta ficasse um pouco em câmera lenta e pisquei algumas vezes ao encarar o homem diante de mim. Do nada, minha visão ficou levemente embaçada, foi como se algumas luzes coloridas passassem diante dos meus olhos e me vi dançando em uma boate e sentada em uma mesa de bar.
Merda!
Meu rosto queimou absurdamente e eu senti que meu corpo pegava fogo conforme eu o encarava. Em um rompante, me levantei da poltrona em que me encontrava.
— Desculpa, eu esqueci que tenho algo importante — falei apressada, mas ao mesmo tempo confusa por onde começava primeiro e decidi que pegar minha mochila era uma boa ideia. — Me desculpa mesmo.
— Tudo bem, . — Ele me encarou um tanto confuso, mas se levantou de imediato. — Agora você já sabe como me encontrar se precisar de mim.
— Uhum — concordei, sem nem olhar para ele, terminando de pegar minhas coisas e me praguejando por ter tudo aquilo comigo. Merda. Eu tinha certeza que àquela altura eu já estava pálida. — Não vou te incomodar, . Você pode me orientar por e-mail… Está no final do papel.
Eu estava nervosa e não conseguia sequer disfarçar.
— Tá vendo só? Falei que ninguém aguenta meu papo longo sobre essas coisas. — Ele soltou uma risada fraca e aquilo me fez encará-lo de novo. — Como você preferir, . Estou à disposição mesmo — frisou a última palavra.
Tentei abrir um sorriso para que ele entendesse que não era nada daquilo e queria poder dizer que nada do que havia dito sobre si era verdade, mas eu simplesmente não consegui. Bufei frustrada, terminando de pegar minhas coisas e então caminhei até a porta.
— Obrigada por tudo, — falei rapidamente e saí da sala sem dar chance para que ele dissesse algo.


Continua...



Nota das autoras: Nós estamos absurdamente empolgadas com essa história. Mas, vem cá, o que será que aconteceu pra pp sair correndo desse jeito? Alguém arrisca? Comentem e nos deixem felizes!
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Com amor, Ste e Van. <3

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