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Última atualização: 07/06/2021

Prólogo

Barcelona, Espanha
10 de Maio

O táxi parou rente a entrada do hotel pagou e com um sorriso de agradecimento, retirou-se do veículo. Ventava aquela noite o que fez a cantora encolher o corpo, ao entrar em contato com a brisa que passeava pelas ruas de Barcelona, nos últimos dias esteve na américa do Sul em turnê, um país extremamente quente, o que a fez estranhar de maneira surreal o frio no continente europeu.
Sabia, entretanto, que alguns dias seriam o suficiente para adaptar-se novamente, com as roupas mais grossas.
E com intuito de fugir do clima, segurou sua mala de rodinhas e caminhou a passos largos para o hotel W BARCELONA. Já era madrugada, motivo da recepção estar praticamente vazia, exceto pelos seguranças e funcionários que cumpriam plantão aquela noite de sexta-feira. Com um sorriso emoldurando sua face, a Italiana se apoiou no balcão da recepção, agradecendo pelos saltos que usava que impediam que ela ficasse na ponta dos pés, para conseguir enxergar a moça que trabalhava por ali.
Fardo de mulheres baixas.
- Olá, boa noite! - cumprimentou e a moça que aparentava seus 21 anos, levantou os olhos para a voz. - Meu nome é ...
- , eu sei, sou uma enorme fã. - Disse esbaforida parecendo assustada com a presença da mulher.
- Isso é fantástico. – A cantora exclamou, querendo ser simpática, porém precisava sair dali o mais rápido possível, tinha coisas importantes para resolver, com o marido. – Eu preciso da chave do quarto de , ele é meu marido e já avisou que eu chegaria.
A mocinha assentiu, digitou algo no computador como se para confirmar a informação que lhe fora passada, prontamente esperou, sabia do protocolo, afinal o hotel estava hospedando vários pilotos de formula um, se acreditassem em qualquer mulher, que dizia ser casada com um deles, certamente tudo estaria um completo caos;
- Sim o Sr. deixou a chave para a senhora. _ Lhe entregou o cartão de acesso. _ Quarto 503. Os elevadores são no final do corredor, fique a vontade. Boa estadia.
- Ele me disse quarto 506. – Observou e logo sacou o telefone da bolsa de mão abrindo a conversa com o esposo e mostrando a moça, ela olhou a conversa e depois para o computador, para logo assentir.
- Tudo bem, deve ser algum erro bobo. Essa é a chave do 506. – Trocou o cartão de acesso da mulher.
- Obrigada. – sorriu, segurou a mala de rodinhas e seguiu pelo caminho indicado. Não se surpreendeu com o erro, já que conhecia a rotina de hotéis e sabia que muitas vezes ocorriam modificações e por causa disso, seguiu seu caminho tranquilamente.
Já no elevador ela observou seu reflexo no espelho, a maquiagem estava intacta, os cabelos longos ainda mantinham os cachos nas pontas, exatamente como tinha feito antes de viajar. Queria estar perfeita para ver depois de tanto tempo e isso incluía a bela lingerie que comprou para aquela noite.
Ela estava planejando uma noite de sexo insano.
Estava morta de saudades.
Por causa da carreira na música e ele na fórmula 1, ambos viajavam o mundo ficando mais tempo separados do que juntos. E isso, matava a mulher por dentro, detestava ficar tanto tempo sem ver o amado. Por causa disso inclusive, que tomou uma decisão de tirar um tempo de férias, acompanhando o marido pelos GP's do mundo e assim ficariam mais tempo juntos.
Quando as portas metálicas se abriram, a morena não teve dificuldade em achar o quarto, era um dos primeiros apartamentos do andar.
Antes de colocar o cartão e destravar a porta retocou o batom vermelho, que pintava seus lábios e bagunçou mais os fios de cabelo. Logo a porta foi destravada e um cheiro de perfume a embriagou, não reconheceu o de imediato cheiro, já que devia ter uns 300 perfumes, no mínimo, era impossível decorar a fragrância de todos.
Outro ponto chamou sua atenção foi o quarto, mesmo no escuro percebeu que estava milimetricamente arrumado e era o ser humano mais bagunceiro do planeta.
Estranhou totalmente o fato, mas deu de ombros e arrastou-se para dentro. Não iria perder tempo questionando a falta de bagunça enquanto o que queria mesmo era: sentar naquele homem e somente quando não aguentasse mais, sair de cima dele.
Não tinha muita luz no quarto, a única iluminação era devida a uma fresta da cortina, que estava aberta e mostrava a lua que emoldurava o céu. Quase não enxergava nada, somente vultos no escuro. O corpo de estava na cama, ela conseguia ver a silhueta e o mesmo lhe avisou que não esperaria acordado, já que chegaria às duas da manhã e no dia seguinte, seria o treino de classificação para a corrida de domingo. A mulher, no entanto, não estava preocupada, não via o moreno há exatos 23 dias e por nada desse mundo, perderia aquela noite somente dormindo.
A passos lentos se aproximou da cama, estava enrolado em uma coberta deitado de barriga para baixo, a cabeça virada para o lado oposto em que estava. Mordeu o lábio inferior contendo sua ansiedade e a umidade que já aparecia em seu baixo ventre e então a mulher sentou- se sobre o marido.
Espalmou as mãos sobre as costas largas que estavam desnudas e pareciam mais musculosas.
Malditos 33 dias!
Foram o suficiente para esquecer a exatidão do corpo do homem e também de sua mente, lhe pregar peças absurdas como realmente acreditar nas coisas que ela não se lembrava dele sempre ter, como aqueles músculos.
Com as unhas fez o caminho ate o pescoço do piloto e começou a distribuir beijos firmes e molhados no pedaço de pele, sentiu mexer o corpo, possivelmente começando a despertar do sono, levou a boca a orelha direita, lhe mordendo o lóbulo, inclinou mais o corpo empinando bunda e rebolando de leve, sobre as costas do homem e só de sentir sua intimidade em contato com aquela pele simples, seu corpo aqueceu como um vulcão prestes a entrar em erupção.
Desceu mais seu rosto levando os lábios para a bochecha do piloto australiano lhe mordeu de leve e mexeu mais uma vez, ele esticou o corpo em uma reação automática de despertamento. Ela sorriu e então voltou ao seu ouvido chupou novamente o lóbulo.
- Cheguei, amore. - Sussurrou, com a voz baixa e sexy. - Estou com tantas saudades, vim o voo inteiro pensando nas sacanagens que quero fazer com você. Eu já estou encharcada só de pensar em você. - À medida que proferia as palavras arranhava os ombros do marido e lhe dava beijos molhados em todo o pescoço e nuca.
O homem embaixo de si abriu os olhos. A primeira coisa que percebeu foi que estava duro. Uma voz deliciosa falava sacanagens em seu ouvido, uma voz linda, mas que jamais havia escutado daquela forma.
Era excitante de uma maneira estratosférica.
A segunda coisa que percebeu foi que a mulher lhe fazia uma provocação através das unhas arranhando suas costas, causando arrepios por onde tocava. - Vamos amor, acorde para foder sua esposa.
O homem sorriu e para constatar que seus ouvidos não estavam lhe pregando uma peça, virou- se de barriga para cima e ao perceber o movimento do corpo do homem, ergueu um pouco o quadril e logo se sentou novamente sobre a ereção dele.
Uau.
Estava tão dura que quase salivou, imaginando traga-lo por inteiro com seus lábios. - Uau, você está duro como pedra. - Levou as mãos a intimidade do homem que emitiu um som pela boca levando as mãos a bunda daquela mulher, as nádegas avantajadas preencheram as mãos do piloto que deu um aperto firme - Que delicia amor, eu vou te colocar todo na boca. E depois, eu vou sentar com força em você, estamos combinados ?
?
Que merda estava acontecendo?
Aquilo estava parecendo um sonho. Um sonho delicioso e aquela mulher tinha mãos incríveis.
- hm, eu não sou - Falou e deu um pulo.
Aquela não era a voz de seu marido.
Mas que infernos era aquilo?
O que estava acontecendo?
Como um flash a mulher saiu de cima do homem. Completamente assustada.
- Quem é você? E onde está meu marido? - Disse alto tentando achar no escuro alguma iluminação.
E então a luz ascendeu, mas não foi pelas mãos da cantora.
O homem quem fez com as coisas ficassem claras através do interruptor ao lado da cama. -Puta que pariu! - levou as mãos ao rosto, os olhos arregalados e no peito o coração em um trampolim. Aquilo não podia estar acontecendo. - Re... Reed ... Mas o que? Meu De ... _ E então se deu conta de como estava, levou as mãos aos seios e encolheu o corpo em uma tentativa de se cobrir, estava praticamente nua em um quarto e não era seu marido em sua frente.
- ? – Willian Reed piscou, uma, duas, três vezes. E ainda assim, a mulher permaneceu ali, seus olhos correram pelo corpo quase desnudo dela, era impossível não olhar ela estava estupidamente linda, as peças intimas que cobriam seu corpo, pareciam ter sido feitas sob medida, para encaixar perfeitamente na escultura que chamava de corpo.
Não havia nada mais sexy para Reed, do que lingerie e sapatos de salto. A combinação era perfeita e ele não conseguiu desviar os olhos dela, mesmo entendendo e sabendo como era errado.
Estava explicado, era por isso que seu corpo reagiu de imediato, aquela mulher era estupenda. Com toda certeza ele entendia o bom humor de 24 horas por dias.
- Meu Deus, que vergonha. Eu preciso de algo - Balbuciou, enquanto corria os olhos pelo quarto procurando algo para se cobrir. O piloto percebendo, pegou sua camisa que estava jogada na poltrona e estendeu para a cantora. parou ao observar o negro com uma peça de roupas em mãos deu um mínimo sorriso e no segundo seguinte deslizava o pano pelo corpo a camisa de Reed, chegou até o meio de suas coxas estava menos exposta. - Obrigada.
- Você esta bem? – Questionou. - Quer um pouco de água? – A mulher assentiu e o piloto andou até o frigobar, só então ela o observou. Como já tinha percebido ele estava sem camisa e varias tatuagens decoravam a pele negra. E de fato, haviam músculos, muitos músculos. E quando ele virou com um copo de água em mãos caminhando para ela, viu seu abdômen tão marcado que a fez se lembrar de uma forma de gelo e ao constatar o volume no meio de suas pernas marcados pela calça de moletom. Ela soube que Will Reed, não era um pedaço de mau caminho. Ele era, o caminho inteiro.
Entendia o motivo da imprensa toda especular que Louise Rosseau - Render* estava passeando pela cama dele e com certeza entendia o motivo.
- Obrigada. - mais uma vez agradeceu, tomou um pouco do liquido – Reed, eu, me desculpe; eu não sei o que aconteceu. Aliás, eu sei o idiota do meu marido, me disse o número errado do quarto. Mas ele é mesmo, uma anta. Eu vou matá-lo.
Will sorriu.
- Eu sei e não tem que se desculpar. Ele deve ter se confundido com os números.
E os dois ficaram em silencio apesar de falarem que estava tudo bem, ambos estavam constrangidos afinal tinham trocado caricias e palavras provocantes foram proferidas. Eles sequer eram amigos, claro que se conheciam já que o mesmo era piloto e teve sua carreira iniciada quase junto com o de seu marido, ela também era amiga pessoal de Louise Render que era próxima ao piloto devido ao fato dele correr pelo escuderia de sua família, a François- Render.
- Eu preciso ir, preciso achar o . Preciso de um banho, de tudo. – Reed assentiu – Eu, hm, eu ...
- Tudo bem . – Ele tomou a palavra, a mulher estava visivelmente constrangida – O quarto do , é três portas na frente. – Caminhou até a porta do quarto, abrindo-a para a mulher. - Quer que eu te acompanhe?
- Não precisa. E me desculpe novamente. Amanhã te entrega sua blusa.
Ele assentiu e acenou com a cabeça pegando sua mala e a bolsa de mão, olhou para o inglês novamente, ele estava com o corpo encostado na porta, lhe dando total espaço, sorriu sem mostrar os dentes e então saiu por completo do apartamento do piloto inglês.
Indo para o quarto de . O quarto de verdade dessa vez.
- Você só pode estar de brincadeira comigo, ? - berrou assim que adentrou o quarto certo.
O piloto estava sentado na poltrona, o celular estava nas mãos e tinha uma expressão divertida no rosto.
- O que aconteceu amor?
- Você me disse o número do quarto errado , eu fui parar no quarto de Will Reed, falando um monte de besteiras achando que era você.
E então a gargalhada estrondosa do piloto foi ouvida
- Quer dizer que você falou besteiras com meu amigo? Deus , como você é uma depravada.
- Isso não tem graça, seu idiota. - Esbravejou a cantora, enquanto jogava suas coisas pelo canto do quarto, totalmente frustada e irritada pelo fato de ter feito gracinha, justo no momento em que estava doida para matar a saudade que estava do piloto. - Você fez de proposito, eu sei que foi. Suas brincadeiras são ridículas
- Que nada ! O Will estava precisando abrir a cara ele anda muito sério eu só queria pregar uma peça nele e eu não podia imaginar que você iria falar besteiras com o homem.
jogou o sapato na direção do australiano, em uma tentativa frustrada do fazê-lo parar de rir.
- eu toquei nele e ele em mim. Você não tem a mínima noção das coisas.
- Não me importo. Você é minha, eu me garanto. Sempre mantenho minha esposa bem fodida.
- Não quero mais falar com você. Você acabou de foder com os preparativos da minha noite.
A Italiana precisava de um banho quente e de uma boa noite de sono, já que tinha feito o favor de jogar no ralo o tesão que estava sentindo.
Agora tudo que restava era dormir e descansar das horas longas de voo.
já não ria da situação e seus olhos estavam presos no movimento do corpo dela.
deixou o celular de lado e caminhou até a morena, ignorando a raiva que a mesma apresentava.
- Sabe que foi somente uma brincadeira, certo? Não tem motivo para essa raiva.
virou-se, a raiva estampada na íris, lhe deu um tapa no peito sabendo que a força concentrada poderia deixar marcas.
- Não é motivo para raiva? Não é motivo para raiva? - Repetiu - Eu estou há dias sem te ver, estava louca de saudades, comprei uma lingerie nova e você me mandou para outro quarto. E me faz passar uma enorme vergonha.
Ele riu.
inclinou a cabeça para o lado esquerdo, observando a visão incrível que era somente de blusa e meias calças. O espelho atrás dela lhe dava a amostra perfeita da bunda avantajada da esposa.
- Você está muito nervosa, amor. - a puxou pela cintura, sabia como era estressada, totalmente o oposto do piloto que era a paz em pessoa.
Entretanto no ambiente do quarto, ambos sabiam quem mandava.
E não era ela.
- Eu tenho motivos para estar nervosa. - Pressionou o dedo indicador no peito do homem. - Tenho total motivo, você é cheio dessas brincadeiras bobas. - Deus as costas iniciando a caminhada até o banheiro, foi mais rápido que a mulher e girou a cintura dela com as mãos grandes, tomando-a para si.
Meio milésimo depois sua boca terminara colada na dele e um beijo quente e nada gentil fora iniciado. Em poucos instantes, as pernas de fora enlaçadas em volta de sua cintura, ele queria tocá-la por inteiro.
- Eu vou tirar essa blusa do Reed de você e te mostrar que não tenho a mínima preocupação com você não ser minha.
Os beijos eram quentes e o australiano sabia muito bem o que estava fazendo. Tanto que, propositalmente, a encostou contra a parede, fazendo um frio percorrer a espinha da morena. As mãos hábeis passaram a percorrer o corpo curvilíneo, até encontrar algo que adorava e que ela sempre usava para brincar sua imaginação: a cinta-liga.
- Precisa me dizer se quer mesmo isso e não descansar da viajem, porque quando eu entrar em você, não vou ter forças para sair, .
- Eu quero ser sua. Agora.
Todas aquelas malditas palavras saíram praticamente em um sussurro. Seus olhos abriram-se para encarar os de , terminando por suspirar tamanha intensidade com que era mirada.
Sendo assim, bastou mais uns segundos, pouquíssimos, para que tivesse seu corpo sendo jogado contra o colchão macio.
tirou sua calça de moletom ato comum e esperado, mas que a fez morder o lábio inferior. Ele ficava extremamente sexy de branco e era exatamente a cor de sua cueca e aproximou-se, tomando seus lábios novamente.
Dali pra frente não houve como não se entregar por completo ao que quer que fosse que estivesse acontecendo. Embora ambos tivessem, a princípio, com uma saudade além da física, não havia como não saciarem o desejo que era explorar as terras conhecidas que seus corpos representavam.
- Você é tão linda. – Elogiou, assim que o beijo fora para o espaço.
pensou em responder, mas sua voz acabou presa na garganta quando teve seu vestido tirado de forma lenta. Uma mordida em seu lóbulo surgiu nesse meio tempo e o primeiro gemido se fez presente.
A lingerie rendada o deixou louco, era como olhar para o próprio diabo e render-se a ele mesmo sabendo o quão perigoso e mortal poderia ser. Inclinou-se um pouco mais para frente, retirando o sutiã dela, revelando seios fartos. Os bicos estavam acesos, completamente excitados, o que o fez abocanhar um deles, enquanto acariciava o outro.
Os gemidos dela saíram abafados por sua mão, fazia um ótimo trabalho com a boca, enquanto deslizava sua mão para baixo, até encontrar sua intimidade, completamente encharcada. Começou a fazer movimentos circulares por cima da calcinha e quase perdeu o pouco controle que ainda tinha quando ela gemeu, manhosa, sentindo um prazer exorbitante.
Por mais que quisesse meter seu pau fundo dentro dela, ele queria dar-lhe prazer antes de tudo. Então, afastou-se fazendo com que suspirasse, sentindo-se frustrada. O piloto deu risinho leve, achando graça da expressão de desolação na face da morena e retirou sua calcinha, deixando-a apenas com a cinta-liga e meias 7/8, tendo a visão de sua intimidade pedindo por atenção.
Uma atenção que logo receberia.
- ! – gemeu alto, apertando o travesseiro com força, assim que sentiu a língua quente dele em sua intimidade.
O australiano continuou concentrado em fazê-la delirar de prazer e a cantora piscou repetidas vezes, acostumando-se com aquele oral que recebia. Nem conseguia recorda-se de quando fora a última vez que se sentira dessa forma. Aquela cultura machista de que as mulheres deviam preocupar-se apenas em dar prazer ao homem perpetuava de forma esmagadora. Tivera sorte em encontrar homens que fugiam a essa regra. E, definitivamente, era um deles.
- Aqui você é ainda mais deliciosa. – Disse, olhando-a nos olhos, enquanto circulava seu clitóris com o dedão. tentou manter seu olhar no dele, mas estava muito perto de gozar e não conseguia se concentrar em nada. – Isso, continue gemendo para mim, Bambola*.
E ela gemeu, se contorcendo sob o toque preciso daquele homem. Podia jurar que estava quase vendo estrelas – fato esse que se evidenciou ainda mais quando o moreno afastou-se, retirando a única peça de suas roupas que restava, ficando completamente nu.
teria reclamado se não tivesse visto nos olhos escuros dele, suas claras intenções. Sorriu quando o mesmo se aproximou novamente, mas seu sorriso não durou quase nada. Quando passou o dedo em sua língua e o levou até seu membro, lubrificando-o.
Fora uma visão de tirar o fôlego.
Isso não se pode negar.
Pernas foram afastadas logo em seguida. Ele meteu-se no meio das mesmas e introduziu seu pau lentamente na boceta da italiana. E a sensação fora desconcertante.
Essa é a palavra ideal para ilustrar esse momento entre ambos.
Estavam desconcertados porque não imaginavam viver nada daquilo. A saudade gritava em cada gota de suor que escorrias, os sentimentos saiam em formas de gemidos e a explosão que sentiram ao se tocar depois de tanto tempo era surreal.
- Porra! Você está me apertando como um punho, amor.
manteve seu olhar nela, vendo-a morder o lábio ao senti-lo fundo dentro de si. Sua intimidade o estava apertando deliberadamente, fazendo-o recorda-se de que minutos atrás ela estava prestes a chegar a seu ponto máximo de prazer.
O que sentiu fora tão forte que havia deixado, por um instante, isso de lado. Entretanto, tornou a fazer tocar seu clitóris na clara intenção de terminar o que havia começado e dessa vez veio. Com um grito suplicante, chamando-o sem reservas, desmanchou-se em um orgasmo contagiante, cravando suas unhas nas costas largas do marido.
- Puta que pariu – Grunhiu, vislumbrado com aquela cena diante de si.
Ela sorriu maliciosa, quando percebeu que ele estava se segurando para não gemer. Assim que conseguiu normalizar sua respiração, ela começou a rebolar incentivando-o a aumentar os movimentos. Aquela atitude fora o que estava faltando para que o mesmo não conseguisse mais se segurar, acabando por soltar um gemido rouco.
Rouco e delicioso.
- Me come com força, .
Mais uma vez naquela noite, o australiano se perguntou mentalmente de onde aquela mulher surgira e na sorte que tivera ao encontrar-se com ela e tê-la como sua.
Ele era um sortudo do caralho. era a mulher perfeita.
Rapidamente, o moreno aumentou a velocidade das estocadas. As testas dos dois estavam praticamente coladas. A perna direita dela fora levantada para que ele pudesse meter mais fundo, da maneira que tanto ansiava. E quase gritou quando ele o fez com certa brutalidade. Mas o prazer que sentia a fez gemer constantemente. Agarrou-se aos ombros dele e jogou a cabeça para trás. Seus seios estavam extremamente vermelhos e os mamilos inchados. E pulavam rapidamente, devido a intensidade das estocadas do piloto.
- Ainda estou tomando antibiótico e sem anticoncepcional. Coloque uma camisinha. – comentou, assim que conseguiu ter um lapso de racionalidade, ela negou.
- Eu quero gozar dentro de você e quem sabe poderemos ter um filho.
- , põem uma camisinha. Nada de filhos agora. – Ela o viu se esticar para pegar a camisinha no criado mudo. Preparou-se para colocá-la, mas a italiana o empurrou, fazendo-o cair deitado na cama, tirando a camisinha de sua mão.
- Vou colocar para você. – Anunciou com a voz carregada de luxúria e um sorriso malicioso brincando em sua face.
Houve surpresa por parte dele, sim. Não parava de se surpreender com as atitudes da morena. Claro que isso em nada diminuía seu tesão, muito pelo contrário. Era com atitudes como aquela que ele jurava ser capaz de gozar a qualquer momento, parecendo um garoto inexperiente. E essa sensação aumentou absurdamente quando colocou somente um pouquinho com a mão e se abaixou para terminar de colocar com a boca.
Sua boca era quente e macia, exatamente como se lembrava. O enlouquecia um pouco mais a cada minuto que passava. Não se render aos gemidos que insistiam em sair, fora impossível. E ela aproveitou o momento para montá-lo. Os primeiros movimentos foram lentos. Ela se acostumava com aquela posição, sentindo-o ainda mais fundo - se é que isso era realmente possível.
O vai e vem continuou por um tempo que parecia interminável. Tudo meticulosamente planejado pela morena, que sabia exatamente como fazer para prolongar aquele sexo, sabendo muito bem como fazer para que ele tivesse um gozo satisfatório. Claro que faltou acrescentar que o homem tinha a mesma preocupação para com ela, ainda que a mesma já tivesse gozado em seu pau.
- Preciso ver você gozando outra vez. – Comentou, a voz rouca saindo entrecortada.
- Vou gozar pra você. – respondeu de forma quente, nada envergonhada.
acocou-se, plantando os pés na cama. Apoiou as mãos no peitoral dele, com a intenção de se equilibrar melhor enquanto comandava os movimentos. E os iniciou sem esperar por mais um pedido da parte do piloto. Sua intimidade estava tão inflamada, pedindo por um alívio, que não tinha a menor necessidade de fazê-lo implorar. Precisa buscar uma sensação de satisfação plena o quanto antes. E o momento chegara quando o sentiu tocar seu pontinho sensível, fazendo movimentos circulares.
- Goza comigo – Pediu ele, completamente alucinado. – Goza, amor. Agora.
Não havia a necessidade de pedir nada àquela altura. O corpo dela estava mais do que preparado para o que veio a seguir. Todavia, aquelas palavras foram involuntárias, assim como tantas outras que saíram de sua boca. Não era do seu feitio ser daquela forma, mas quando o grito de soou no ambiente, percebeu que não tinha mais controle sobre nada. Estava perdido em um emaranhado de pontos alucinantes. Perdido em um corpo que se mexia de maneira desordenada, delirando de prazer, enquanto ele mesmo liberava sua porra.
Magistral seria a palavra perfeita para definir aquele sexo.
No sentido figurado, é claro.
A morena acabou deitando ao seu lado, completamente satisfeita. Os dois se olharam intensamente, como se quisessem dizer algo, mas continuaram calados. Com a normalização de ambas as respirações, ele aproveitou para tirar a camisinha e colocá-la no lixo. Quando voltou para a cama, ela vestia sua camisa que achou em qualquer lugar e havia tirado as meias.
- Eu sou demais amor, isso foi incrível.
- Convencido - Ele deitou a puxando para si vendo a mulher enrolar suas pernas na dele.
- Estava com saudades - Lhe beijou o topo da cabeça. – Eu te amo.
- Também te amo.
começou a fazer carinho nos cabelos da esposa e antes que ambos pudessem constatar adormeceram juntos.


Capítulo 1

Não tinha nada melhor para do que acordar com nos braços.
Os dias ao lado dela os dias sempre eram mais coloridos e felizes, amava como o sorriso dela era o complemento do seu, como um carro com gasolina, ou uma fogueira com fogo. Quando estava perto dela seu humor era infinitamente maior, não que longe dela não tinha humor, com certeza tinha. Mas a presença da mulher em sua vida era como um sopro que trazia o oxigênio, e todos os integrantes da F1, sabiam quando estava com por perto.
Ele tirou o braço de debaixo dela com cuidado, ainda estava cedo e tinham demorado muito a pegar no sono, estavam matando a saudade um do outro. E àquela hora não havia a menor necessidade dela levantar, iria para o treino livre e só mais tarde o treino de classificação.
Após dar um beijo na testa da morena, se espreguiçou chutando as cobertas para se preparar.
Tomou um banho quente e demorado na tentativa de relaxar a tensão de seus músculos pela expectativa da chegada de mais uma corrida. Após sair do banheiro trocou de roupa rapidamente quando constatou que estava a poucos minutos de ser considerado atraso. Pegou todas as suas coisas, pediu um café da manhã para e deixou um bilhete ao sair.
Quando chegou ao paddock sorriu com a movimentação, era sempre incrível estar no lugar que amava, ele nunca teve dúvidas em escolher sua profissão, desde que podia se lembrar desejava ser piloto e nem por um segundo se arrependia dessa escolha.
O piloto fechou os olhos com o vento batendo em seu rosto, o ar que pairava naquele ambiente era único e diferente, nunca se sentiu tão livre em outro lugar. No dicionário dizia que liberdade era o nível de independência absoluto e legal de um indivíduo, de uma cultura, povo ou nação, sendo nomeado como padrão e concordava, poder caminhar por aquele lugar com as mãos nos bolsos e os fones de ouvido com o bom e velho Blink182, era sim um sinônimo de felicidade.
Assustou-se ao sentir mãos em seus ombros, virou-se e imediatamente gargalhou ao ver a figura de Willian Reed parado em sua frente com bermuda, tênis e a camisa da FR, ao contrário do outro o piloto inglês não estava gargalhando, muito pelo contrário estava com a expressão constrangida.

- , eu ... – Iniciou passando as mãos desconcertado pelo cabelo. – Eu não sabia que ela iria, eu ...
aumentou a gargalhada. Curvou o corpo totalmente entregue a uma risada alheia ao companheiro, apoiou as duas mãos no joelho para impedir seu corpo de se desmanchar no chão sem conseguir se conter o êxtase que estava. – Qual o motivo da graça, idiota? – Questionou um pouco irritado.
- Você, . Vocês... – Não foi capaz de completar a fala, pois as gargalhadas altas saiam de sua boca com qualquer controle. Reed ainda o observava com a expressão surpresa, era totalmente pirado estava acreditando que o amigo ficaria bravo pelo ocorrido da noite anterior, mas pelo que seus olhos conseguiam captar ele estava tirando sarro de sua cara de imbecil envergonhado.
E se deixou levar pela energia leve do outro se entregando também as gargalhas, alguns segundos depois o encarou tinha lágrimas nos olhos e então tocou ombro direito de inglês.
– Eu senti falta da sua risada amigo, tinha tempo que não te via sorrir assim desde a morte de Tony. – Will segurou o fôlego tentando entender e captar as palavras do outro.
Dois anos atrás, em 2017, o grande piloto de F1 Tony Render sofreu um acidente no grande prêmio de Mônaco, o americano corria pela François - Render e de maneira drástica foi a óbito deixando para trás a esposa Louise e o filho Alex. Depois do ocorrido sentiu a distancia emocional de Reed e agora vê-lo gargalhado daquela forma era gratificante ao extremo.
- Fico feliz de compartilhar momentos assim com você novamente.
- Obrigado. – Estendeu a mão e os dois trocaram um abraço cumplice. – Eu senti falta das suas palhaçadas.
- Todos sentem minha falta.
- Você tem a voz horrorosa, devia parar de cantar.
- Não sei do que está falando, eu tenho uma voz de anjo. Você está com inveja. – Ele caçoou vendo o mais velho gargalhar.
- Me desculpe por ter tocado em sua mulher. – Encolheu os ombros.
- Está tudo bem irmão. Mas você me deve uma cerveja e eu joguei sua camisa fora.
- Não queria ela de volta mesmo, e eu te pago uma cerveja.
Mais uma vez se cumprimentaram e logo estava na garagem de sua escuderia e foi cumprimentar cada um dos mecânicos que estava por ali, ele era sempre muito cordial e isso não passava despercebido por ninguém, afinal de contas ele era conhecido por seu incrível bom humor.

XXX

acordou sozinha em sua cama, encolhida embaixo dos cobertores. Sabia que não estava no quarto, era dia de treino classificatório e com certeza o homem já estava no autódromo e ela prometeu que o encontraria por lá. Foi com esse pensamento que se espreguiçou como um felino faria, soltando um murmúrio satisfeito ao sentir seus músculos estendendo-se, aliviando a tensão, estava pronta para levantar quando rolou na cama para cheirar o travesseiro que dormira, mas seus olhos se arregalaram com o que encontrou. Havia uma bandeja de café da manha com duas rosas sobre um guardanapo branco.
Sentou-se e observou com cuidado o conteúdo da bandeja, frutas, sucos e geleias, sabia mesmo do que a cantora gostava sempre a surpreendendo com seus gestos de carinho. Beliscou um dos morangos e seus olhos encontraram o bilhete branco dobrando sobre o caule da rosa, com cuidado abriu o papel e reconheceu a caligrafia horrorosa de .
" Estava tão linda que não consegui te acordar, meus dias quando acordo ao seu lado são os melhores. Sei que esse final de semana será incrível só por ter você no paddock, estou te esperando para almoçarmos depois de treino. Te amo, mi Bambola*"
O sorriso que surgiu em seu rosto foi involuntário e ela releu o conteúdo mais duas vezes antes de deixa-lo perto das rosas novamente, iria colocar junto aos outros bilhetes que lhe deixava, era um hábito dele sempre colocar bilhetes pela casa.
Após se alimentar e mandar uma mensagem ao Australiano, chutou os cobertores e foi até sua mala escolheu uma roupa adequada para sobreviver aquele dia que amanheceu ensolarado para depois se enfiar na água do belo chuveiro daquele hotel. Após longos minutos e quando o banheiro estava com o clima todo embaçado graças ao vapor que escapulia toda vez que a temperatura quente tocava sua pele e seus dedos já estavam enrugados como ameixas, decidiu que era a hora de sair e garantir que não perdesse o treino de .
Ela escolheu para aquele sábado ensolarado uma blusa da mangas branca, com um decote em M shorts da mesma cor e nos pés uma sandália plataforma, adicionou óculos de sol e marchou para o autódromo.

XXX

Quando a cantora italiana conseguiu atravessar a multidão de pessoas que lhe rodearam pedindo um pouco de atenção prosseguiu para finalmente caminhar pelo paddock, o sol estava escaldante e ela por um triz não sentiu sua pele derreter. Céus, como poderia alguém sobreviver aquele clima e pior, como aqueles homens conseguiam estar vestidos com aqueles macacões quentes? Era um enigma para .
- ? – Escutou o inesquecível sotaque francês de Charles Leclerc, ela sorriu ao vê-lo com os belos óculos de sol que ressaltavam mais ainda sua beleza. – Sempre agradável te ver.
- Digo o mesmo, pequeno corredor.
- Quem é você? Parece a Beatrice me chamando assim.
gargalhou ao escutá-lo falar de Bea com tamanha facilidade. tinha indo com almoçar em um restaurante em Mônaco uns dias atrás e acabou encontrando Charles e Bea, a mulher era mecânica e Charles estava apaixonado por ela, apesar dessa não abrir muito seu coração para ele.
Ela o abraçou pela cintura para desfrutar da sombrinha vermelha que ele carregava. – Como você está ?
- Confiante para um bom treino. - Sorriu. – E você, está de passagem ou irá acompanhar o ?
arrumou os óculos sobre o rosto e passou as mãos pelos cabelos que insistiam em grudar em sua nuca com o pouco do suor que já começava a escorrer por seu rosto.
- Ainda não sei, mas pelo menos esse final de semana vou estar por aqui.
- Ele vai amar ter você por perto, ele fica mais idiota com sua presença. – Eles pararam em frente ao box da Renault, onde a morena ficaria para ver o classificatório. – E eu vou adorar te ver com frequência.
Ela o abraçou e beijou sua bochecha.
- Vamos combinar um porre depois da corrida, podemos fazer um face time com a Bea, assim você fica feliz. – Ela deu melhor sorriso sacana antes de sair do abrigo da sombrinha.
- Ela não gosta muito de me responder. Quem sabe a você, ela responde. Nos falamos mais tarde. – Deu de ombros antes de se despedir da cantora e seguir seu rumo para o boxe vermelho.
esperou que Charles estivesse um pouco mais afastado para adentrar o local decorado de amarelo e preto. Seus passos eram lentos e já sacou o celular para digitar uma mensagem a Fayola Davies, sua amiga e também uma psicola brilhante, que havia sido recém nomeada para trabalhar na equipe médica da Fia. Sabia que a negra estava na cidade e gostaria de vê-la, sentia saudades da amiga. Não esperou uma resposta antes de voltar a guardar o aparelho na bolsa pendurada em seu ombro, quando adentrou o boxe a primeira pessoa que encontrou foi Nico Hulkenberg que se com o capacete em mãos se preparava para o inicio do treino.
- Oi . – Lhe cumprimentou cordial. – Não sabia que estava por aqui.
- Cheguei de madrugada, preciso marcar presença antes que meu marido se esqueça de que tem uma mulher. – Fez um meio bico antes de sorrir.
- Ele não irá se esquecer, sempre fica falando de você. – O loiro ajeitou o zíper do macacão e isso deixava claro a ela que o piloto precisava ir. – Nos vemos mais tarde.
- Boa sorte, Nico.
O homem despediu-se seguindo para a garagem onde seu carro o esperava, percebendo que não conseguiria mais ver o marido, ajeitou-se no local separado as famílias para assistir brilhar.

O treino classificatório começou com Nico Hulkenberg travando as rodas e indo parar nas barreiras de proteção, danificando a asa dianteira que foi para debaixo do carro. No pelotão da frente, Leclerc e Vettel alternaram na liderança, até ambos serem superados pela RBR de Verstappen. Então, as Mercedes entraram na pista e Bottas acelerou para tomar a ponta com 1m17s175, com Bottas em terceiro, apenas 0s117 mais lento que o companheiro de equipe.
Com pouco mais de quatro minutos para o final da sessão, a Renault conseguiu devolver Hulkenberg à pista, mas o alemão pouco pode fazer, sendo eliminado na 16ª colocação. Entre os que não avançaram ao Q2, destaque negativo para Antonio Giovinazzi, que encerrou em 18º, à frente apenas das duas Williams. Já Kimi Raikkonen, o companheiro do italiano na Alfa Romeo, foi à segunda fase do treino na 13ª colocação. Lance Stroll, da Racing Point, foi o outro eliminado.
Na segunda parte do treino classificatório, a FR resolveu dar o recado aos adversários logo de cara: Reed e Michael na frente, com o inglês na liderança, anotando 1m16s038, o novo recorde da pista. Vettel veio na sequência, em terceiro, seguido de Verstappen, o quarto. Já Leclerc fez uma volta "para o gasto" e se colocou na sétima colocação com a Ferrari.
O Q2 ainda teve tempo para um verdadeiro sobe e desce na classificação, com destaque para os dois carros da Haas avançando ao Q3, sendo Grosjean o sétimo e Magnussen o nono. Lando Norris bem que tentou colocar a McLaren na última fase do treino, mas não conseguiu entrar no top 10, fechando em 11º. Bom resultado para , o décimo, com a Renault o que fez soltar gritos exagerados acompanhados por pulos e socos no ar, captando para si toda a atenção da equipe.
Na briga pela pole position, Bottas iniciou na frente, superando Reed para fazer impressionantes 1m15s406. Entre os principais candidatos ao primeiro lugar do grid, Leclerc foi o último a sair para uma volta rápida, marcando 1m16s613, o quinto melhor tempo. Com todos indo para uma última tentativa, ninguém conseguiu superar a volta rápida de Bottas, que ficou com a terceira pole dele na temporada.

XXX

checou uma última vez o conteúdo do que foi pedido para se certificar de que não esquecera nada e então sorriu de maneira cordial ao atendente do refeitório onde estava sentada, esperando chegar. Ele estava terminando de cumprir com seus compromissos antes de ser liberado e ela o esperava pacientemente e nem mesmo sabia como, já que essa não era uma de suas virtudes.
A cadeira em sua frente logo foi ocupada e a morena estreitou os olhos, desconfiada ao ver a figura de Charles mais uma vez cruzar seu caminho e dessa vez estava acompanhado de seu digníssimo que tomou o assento a seu lado.
- O que é isso? Infestação de pilotos na minha mesa? - Cruzou os braços de maneira divertida encarando os dois.
- Você adora invadir mesas junto com seu marido quando não são convidados. – Pontuou Charles de maneira acusatória fazendo menção ao acontecimento no restaurante em Mônaco semanas antes.
- Aí, amor. – cutucou as costelas dela com seu braço. – O moleque está sentido até hoje.
- Vou mandar uma mensagem para Beatrice agora, falando que meu amigo Charles está chorando de saudades. – A mulher pegou o próprio telefone fazendo gracinha encenando que estava mesmo em ligação. Charles, porém, não permitiu que a brincadeira continuasse tomando o aparelho das mãos dela.
- Eu odeio vocês.
- Ah, Charles. – esticou o corpo sobre a mesa e apertou suas bochechas. – Eu sou demais, é impossível me odiar.
Charles arqueou a sobrancelha e logo balançou a cabeça negativamente, e eram tão parecidos que chegava a ser bizarro.
- O que vamos comer? – questionou olhando para todos os lados procurando um atendente.
- Eu já pedi para você, amor. – A mulher respondeu encarando o rosto dele e se aproximou mais ao perceber um indício de espinha na bochecha direita, automaticamente sentiu os lábios salivarem em desejo para mexer.
- Ah não. – Ele segurou os dois pulsos impedindo-a de prosseguir. – Não mexa em minhas espinhas com essas unhas de gavião. Deve estar cheio de bactérias aí embaixo e você pode me matar se me transmitir essas coisas.
rolou os olhos e votou seu rosto para Charles que estava concentrado em seu celular.
- Olha Charlie, como seu amigo é fresco, parece uma criança.
- Ele é uma criança. – Charles desligou a tela do aparelho e colocou-se em pé. – Idade cronológica de 30 e mental de 10.
- Me respeite, minha idade mental é de 12. – pôs as mãos na cintura em pose de ofendido.
Charles gargalhou de maneira exagerada e em um ato automático, retirou seu boné da Ferrari, segurando-o com as duas mãos.
- Preciso ir. – Se aproximou e beijou o topo da cabeça de e trocou um cumprimento de mãos com .
- Não vai comer conosco?
- Eu preciso resolver uns problemas, nos vemos depois. – O piloto Ferrarista acenou, girou nos calcanhares e saiu, em sua frente estava Pierre Gasly que o esperava com uma expressão ansiosa no rosto e quando se encontraram, ambos saíram apressados.
- Não entendi nada. – Comentou a mulher olhando para que ajeitava o relógio no pulso. – O que aconteceu?
- Adolescentes. – O piloto deu de ombros. Fechou os olhos com um bico nos lábios e roubou um selinho da esposa, e depois vários outros. – Obrigada por estar aqui comigo.
Ele girou o corpo na cadeira sentando de frente para ela, suas pernas se abriram de uma maneira que conseguiu puxar o assento de e encaixar entre o espaço.
- Eu sinto sua falta, amor. – Ela enquadrou o rosto dele, o dedão iniciou um carinho gentil sobre a barba do lado esquerdo. – Essa nossa rotina é louca demais.
- Eu sei, Bambola. – apoiou o queixo sobre o ombro dela. – Eu gostaria de passar mais tempo com você, é insuportável te ver tão pouco. Esses últimos dias quase peguei um avião até você umas duas vezes no mínimo.
se ajeitou na cadeira de modo que ficasse mais confortável e conseguisse permanecer fazendo carinho na barba de .
- Eu iria adorar a surpresa. E por falar nisso, obrigada pelo café na cama hoje.
- Era para eu ter te servido, mas precisei sair cedo.
- . – chamou com a voz séria, desencostou seu queixo para que ela o olhasse. – Eu estou pensando em algo e quero dividir.
- Pode falar.
No momento em que iria abri a boca, o atendente chegou com os pedidos para comerem, a cantora sentiu o estômago revirar de fome.
- Obrigado. - agradeceu ao rapaz que logo se retirou, ele serviu a esposa voltando a olha-la esperando que ela continuasse sua fala.
- Depois, primeiro preciso comer.
Ele assentiu e ambos devoraram o alimento.
Pouco depois, eles entraram pela porta do apartamento onde estavam hospedados no hotel, foi direto para o banheiro enquanto sentou-se para arrancar aquela sandália e finalmente colocar os pés no chão.
Nada era pior aos olhos dela que um sapato apertando seus pés, fez uma nota mental de que jamais usaria aquela sandália novamente em ocasiões que precisasse caminhar.
Ela prendeu os cabelos em um coque e também se direcionou ao banheiro para despir-se de sua roupa, tomar um banho e colocar algo mais confortável para ficar na cama o resto do dia. Seus planos se resumiriam a cama, dormiria rápido devido a corrida no dia seguinte e a necessidade de estar descansado.
Quando chegou ao banheiro o homem estava sentado na beirada da banheira conferindo a temperatura da água, assim que percebeu a presença da mulher colocou-se sobre os pés arrastando-se até ela que estava estacionada no batente da porta.
- O que acha que uma massagem? – Questionou colocando as duas mãos na cintura dela. – Pedi os sais que você gosta para a banheira.
- Você é incrível. – Amoleceu sobre os braços do homem deixando-se ser guiada e despida por ele.
- Eu sei. – Deu sorriso presunçoso e ela gargalhou da expressão em seu rosto.
- Convencido. – Lhe deu um tapa no ombro. Após ambos estarem nus, foi o primeiro a entrar no recipiente entupido de água de maneira gentil estendeu a mão para ajudar a mulher a entrar sem correr o risco de escorregar e acabar se machucando. – Cuidado, amor.
- Obrigada. – Ela viu sentar-se com as costas no encosto de porcelana da banheira e sentiu-se puxada para acompanha-lo, estruturando o tronco para amparar o pequeno da cantora.
- Você disse que tinha algo para dizer quando fomos interrompidos pela sua fome de dragão. – Comentou enquanto deslizava os dedos por entre os músculos tensos do dorso de .
- Uhum. – Os olhos fechados denunciavam como ela aprovava a massagem. – Eu pensei muito, analisei todos os prós e contras.
- Referente ao que?
- Ficarmos mais separados que juntos por causa das nossas carreiras. – Explicou, os olhos fixos na espuma da água que se embolavam em sua mão em uma brincadeira sincrônica. – Eu não quero mais isso.
Os dedos de pararam a massagem no instante em que seus tímpanos captaram o som das palavras proferidas.
- Você quer separar?
- O quê? Não. – virou o rosto para encontrar as orbitas arregaladas no rosto magro do australiano. – Eu não quero nunca me separar de você.
- Ainda bem, já que você ainda não se casou comigo de verdade. – Deu um sorriso ladino e rolou os olhos com o indício que aquele assunto seria pauta entre eles, de novo.
- Amor, nós somos casados. – Agora ela girou o corpo em 180 graus ficando sentada de frente para ele que com as mãos firmes segurou sua cintura. – Eu não preciso de uma cerimônia ou um papel para me dizer isso. Você é meu marido, eu te trato e te amo como meu marido. Quero que me olhe como a namorada sexy eternamente e não a esposa que usa camisa velha para te esperar chegar do trabalho.
- Você fica sexy vestida de qualquer coisa. – Apertou mais as mãos na pele dela e agora seus lábios desenhavam seu pescoço.
- Nós estamos perdendo o foco dessa conversa. – mordeu o lábio inferior ao sentir a trilha de beijos descendo por seu colo e a queimação em seu baixo ventre lhe dava muitos sinais.
- Pode continuar a falar. - A voz rouca lhe soou no pé do ouvido arrepiando todos os poros de seu corpo.
- Eu quero tirar umas férias e te acompanhar nas viagens. Por um dois meses, eu converso com meu empresário, dou um pause nos shows e fico com você.
- Você quer dar um tempo na sua carreira para ficar mais tempo comigo? – Ela assentiu. – Por quê? Digo, eu sei que você ama sua carreira, não precisa abrir mão dela.
- Eu não vou. – Afirmou. – Serão algumas semanas e sem contar que eu posso parar e voltar a cantar a qualquer momento, você não, já que se abrir mão de correr pode perder a temporada.
A conexão dos olhos se instalou, eles conversaram com os olhos e sorriram com eles.
- Você está falando sério?
- Uhum.
- Ah Bambola, eu sou o cara mais feliz da terra em ter você. Tudo que mais desejo é passar mais tempo ao seu lado. – Ele mordeu sua bochecha, era seu gesto característico de felicidade.
- Eu te amo.
- Amo você. – Ela o beijou. E eles entraram em uma balada atípica com a exploração da boca um do outro, para selarem fisicamente o que em seus corações já era verídico mesmo com a distância, eles se pertenciam mesmo com rios de interferência e agora se amariam curtindo a presença um do outro.



Capítulo 2

Uma porta ali perto se fechou e ele resmungou, rolando na cama, sem abrir os olhos. Não fazia ideia de que horas eram, mas sabia que era cedo demais para que ele levantasse. Esticou o braço, tateando o lado da cama que, essa noite tinha sido ocupado por . Encontrou apenas o travesseiro e respirou fundo. Claro, era segunda-feira pela manhã, a mulher tinha uma reunião com seu empresário para acertarem algumas coisas da decisão de sobre deixar de cantar por uns tempos.
No dia anterior logo após finalizar a corrida na Espanha, o casal pegou um avião para Londres onde precisava finalizar um último compromisso inadiável em um programa de televisão e depois poderiam voltar para Mônaco e ficarem em sua própria casa.
Abriu os olhos apenas quando ouviu a porta do banheiro se abrindo outra vez e pôde enxergar a figura dela, parada à porta, o vestido branco que unido à claridade que vinha da janela, praticamente ofuscou sua visão. Desviou o olhar rapidamente para o relógio que ficava na mesinha de cabeceira, ao lado da cama, e viu os números marcarem oito da manhã. Muito cedo, como já esperava.
- Não queria te acordar, desculpa. - murmurou, aproximando-se e se sentando ao lado dele, o lábio inferior preso entre seus dentes, sem jeito por tê-lo acordado. esboçou um sorriso, balançando a cabeça de um lado para o outro.
- Sem problemas. - Disse, com a voz ainda rouca. Ficou algum tempo apenas a observando, sorrindo por poder acordar com ela por perto. - Já está saindo? - Ele perguntou, intimamente esperando que ela negasse e se deitasse outra vez ao lado dele, embora soubesse que aquilo não aconteceria. Viu quando ela assentiu com a cabeça, entortando os lábios em uma expressão de desgosto. Curvou-se sobre ele, selando seus lábios por um momento, antes de se levantar. segurou a mão dela, querendo impedi-la de ir.
- Não faz isso, . - riu, soltando a mão da dele, que riu junto.
- Não vou te segura, me liga qualquer coisa. - Ele beijou sua mão
- Tudo bem. O que vai fazer hoje?
- Vou pedalar com o Michael de tarde e depois vou ao estúdio assistir o programa e então comemos algo? – Ela assentiu - Eu te amo, Bambola.

- Te amo. - Disse dando um selinho nele e saindo porta a fora. Ele assentiu novamente, demonstrando que sabia daquilo e que, apesar de ainda não gostar muito da ideia dela saindo nos poucos momentos que estavam juntos, concordava já em breve as coisa melhorariam. mandou um beijo no ar antes de sair do quarto, deixando-o sozinho, deitado na cama onde tudo o que ele conseguia sentir, antes de adormecer novamente, era o perfume dela impregnado em todo lugar.

XXXX

Situado no oeste de Londres, um pouco fora da área turística da cidade, o Richmond Park é o maior dos oito parques reais da cidade. Com mais de 1000 hectares, apresenta uma vasta área de campos. A diferença é que no parque vive um rebanho de mais de 600 veados que correm soltos pela área e são uma das principais atrações do local.
Na região mais alta do parque, tem vistas lindas do vale do Tâmisa e de Londres. já havia pedalado ali antes era um dos lugares preferidos de Michael seu preparador físico e também amigo que estava aquele final de semana por causa da noiva que era inglesa e estavam aproveitando o tempo juntos. O casamento já estava marcado para julho de 2019 e e seriam padrinhos.
Os dois estavam pedalando tranquilamente e observando o verde do local e beleza exposta pelos arredores do parque, não era a primeira que pedalavam no local, porém o mais interessante era que toda vez que voltava parecia ainda mais belo do que a última vez que esteve. A natureza era algo surpreendente.
Após mais de 2 horas pedalando os dois homens encostaram as bicicletas e sentaram-se na grama com garrafas de água para aliviar o cansaço e ativar a hidratação corporal.
- Como estão os preparativos do casamento? – Questionou após mais um gole na garrafa de água.
- Estou enlouquecendo com flores rosas e brancas, bolo de morango ou chocolate e se o buquê será branco ou branco gelo. – Confessou o treinador totalmente exaurido. – Mulheres são loucas, você tem sorte de não ter passado por isso para se casar.
- Eu queria passar. – O australiano fechou a garrafa de água e colocou ao lado de seu corpo. – quem nunca quis se casar no papel, você sabe disso.
- Eu sei. – Ele assentiu. – Acho que já estava na hora de esquecer essa história de casar na igreja, já te disse não três vezes.
- Quatro na verdade. – Fez uma careta - Eu amo a , faço qualquer coisa por ela até esquecer o desejo de casar no papel, mas jamais vou deixar de falar que eu gostaria que ela casasse comigo de verdade. Ate escolheria as flores e decorações para ela.
- Eu sei mano. – O amigo lhe confortou. – Mas acredito que em breve vocês darão mais um passo na relação, você vive falando sobre crianças. Talvez vocês possam ficar grávidos.
O sorriso no rosto de era iluminado pelo sol e era ainda mais bonito com a entonação dele.
- Sim, sou louco para ser pai. – Mordeu o lábio pensativo. – será uma mãe maravilhosa, talvez não vamos casar na igreja, mas podemos ter um bebê e aumentar a família.
era um homem romântico e desde que bateu seus olhos em sabia que ela seria sua mulher, quando começaram a se envolver em pouco tempo já estava completamente entorpecido de amores por ela, após começarem a morar juntos depois de três anos de relacionamento foi a primeira vez que propôs casamento e ela disse que não queria casar, queria que ficassem juntos sem envolver igreja, depois dessa outras vieram e então todas foram negadas.
não duvidava do amor que sentia por ele, somente gostaria que oficializassem perante as leis da sociedade e que ela colocasse o sobrenome dele em seu nome, tinha orgulho de amar aquela mulher e seu desejo era jogar aos quatro cantos do mundo isso.
Seu amor era realmente gigante e por ele poderia esquecer todos os protocolos sociais, o que lhe fazia feliz mesmo era estar ao lado de e permanecer pela quantidade de vida que ainda lhe restava.
Pensar em aumentar a família era algo que perpetuava seus pensamentos dia e noite, durante os anos de casamento sempre falaram sobre família e filhos antes era um planejamento para um futuro distante, mas agora era algo que para ele parecia tão perto que seus dedos eram capazes de agarrar aquele sonho;

XXXX

- Ela veio da Itália. É a artista que ganhou o último prêmio da voz mais bela do planeta, já vendeu mais de um milhão de discos, sua última turnê foi no Brasil. Com vocês: . - A apresentadora anunciou e as cortinas vermelhas se abriram para que fosse até o centro do palco, onde estava posicionado um piano com calda preta.
A mulher entrou em meio a muitos aplausos e gritos de felicidade, nas mãos tinha o característico microfone de pérolas que contrastavam com seu vestido midi de cor escura.
- Oi gente. Boa noite. - foi até Joy, a apresentadora e lhe cumprimentou com dois beijinhos. - Obrigada, muito obrigada.
- Seja bem vinda. E para iniciar, canta para gente?
- Com prazer.- colocou o microfone no pedestal e se posicionou com as mãos no piano. - Quero ouvir vocês cantando comigo. - Ela correu os olhos pela plateia e encontrou entrando no estúdio insuportavelmente lindo com a calça rasgada nos joelhos e a camisa de magas brancas com um capô caindo sobre as costas.
Naquele momento ele era direcionado por um segurança para saber onde deveria ficar durante o programa. Pareceu sentir os olhos de sobre si, pois parou de andar no momento exato em que ela o varria com as orbitas e sorriu com os olhos de uma forma que já estavam acostumados, lhe passando todas as energias positivas com aquele olhar.
Os dedos de se afundaram no piano iniciando uma melodia leve como em um solo e logo primeiras notas de No one* soaram era a música que compôs anos atrás quando ainda estava no início de seu relacionamento com e que toda a distância e especulação da impressa marrom deram uma balançada relacionamento dos dois.
As luzes se apagaram deixando somente um pouco de iluminação no centro do palco sobre o piano e a cantora.
I just want you close
Where you can stay forever
You can be sure
That it will only get better

Começou a cantar com os olhos fechados assim como em todas às vezes, era seu ritual para sentir a música e escutar o que ela tinha para lhe falar e direcionar todas as células de seu corpo.

You and me together
Through the days and nights
I don't worry, 'cause
Everything's gonna be alright

As memórias de seu relacionamento tomavam conta de sua mente e em como era feliz ao lado do homem que escolheu, não importava onde estavam ou como só precisavam estar juntos e seria suficiente.

People keep talking
They can say what they like
But all I know is
Everything's gonna be alright

Após ser posicionado por detrás das cortinas da área selecionada para convidados sacou o celular para filmar a apresentação de . Tudo que existia nele morria de orgulho dela, a voz, o gingado, a melodia e cada letra que escrevia. E aquela música em especial era para de extrema importância, ela retratava o sentimento que ambos sentiam desde que se conheceram anos atrás que não existia ninguém a quem eles poderiam escolher para estarem juntos.

No one, no one, no one
Can get in the way of what I'm feeling
No one, no one, no one
Can get in the way of what I feel
For you, you, you
Can get in the way of what I feel for you

cantarolava aquele refrão com toda força de seu coração em uma maneira simples e particular de se declarar para a esposa que se declarou primeiro, anos atrás quando compôs a canção, após o piloto questionar se ela o amava e se queria mesmo estar com ele mesmo com tudo que estava sendo comentado por jornais e sites de fofoca, sobre como poderia haver uma possível traição entre o casal que já não se via há 45 dias.
E como resposta lhe apresentou aquela letra em um show na time square, e ali ele soube que nunca mais largaria dela.
I know, some people search the world
To find something like what we have
I know, people will try
Try to divide something so real
So 'till the end of time
I'm telling you
There ain't no one

Ela continuava com os olhos fechados e os sentiu embargados de água pela emoção que a música transmitia, para não era apenas a profissão que amava era como seu sopro de vida, como um combustível que a mantinha viva para rodar todos os dias, trazendo felicidade em seus poros toda vez que seu coração batia na ritmada melodia de seu sangue.

No one, no one
Can get in the way of what I'm feeling
No one, no one, no one
Can get in the way of what I feel for you

A italiana parou de cantar e sentiu as várias vozes em conjunto cantando mais uma vez aquele refrão, tirou as mãos do piano e abriu os braços captando toda a energia, sentimento e emoção que as pessoas jogavam para si com sua entonação entusiasmada. No palco, diante daquelas pessoas era como alcançar estado pleno de paz.

XXXX

- E estamos no ar de novo- A apresentadora do Joy Brind's show anunciou e a plateia aplaudiu com veemência. - Hoje com a mais bela voz da Itália, . - A cantora acenou para o público.
- Obrigada, muito obrigada. - Sorriu tomando seu assento na poltrona vermelha de frente para a apresentadora.
- Estamos ouvindo uns boatos por ai, que vai se afastar dos palcos por uns tempos, o que pode nos dizer sobre isso? - Questionou e sorriu ao ver os olhos de a encararem dos bastidores.
- Tenho feito muitas turnês, acho que preciso descansar um pouco e aproveitar os braços do meu marido. - Completou e alguém na plateia soltar um sonoro "Awnnnn", que foi ouvido por todo estúdio e Inglaterra também.
- E por falar em marido, ficamos sabendo que tem um perdido no camarim. - A apresentadora ficou de pé caminhando até a porta que dava acesso aos bastidores onde estava encostado com seu sempre aberto sorriso. - Alguém quer um marido gente? - Puxou o homem pela mão e o mesmo soltou uma enorme gargalhada, aquela que fazia todas as mulheres molharem as calcinhas toda vez que ele dava uma entrevista. também sorriu ao ver alguém entregando um microfone ao piloto e o colocando sentado ao seu lado.
- Oi pessoal. - O homem sorriu para as pessoas na plateia e logo bebeu um gole da água que estava disponível.
- Já que estamos com os dois aqui, decidimos fazer uma brincadeira com vocês. Jogo do quem sabe mais, vamos fazer perguntas e os dois vão escrever e depois comparamos as respostas. Tudo bem?
- Ok. - assentiu.
- Aí Deus, amor vamos ali atrás combinar as respostas. Joy por favor chama os comerciais? - fez graça e mais uma vez todas as pessoas explodiram em gargalhadas.
Algumas pessoas entraram no estúdio com quadros e pincéis entregando ao casal e os ajeitando de costas uma para o outro bem no meio do palco.
- Entenderam? Alguma dúvida. - Os dois balançaram a cabeça negativamente e a mulher britânica correu os olhos pela ficha em mãos.
- começa. - Ordenou .
- Aí Deus, por que eu tenho que ser pole position*? - olhou por cima do ombro para a expressão do marido.
- Uai amor, achei que para ser piloto tinha que ser o primeiro, mas se não sabe ser o primeiro vou ali chamar o Reed. - Mais uma vez houve risos de todos, inclusive a própria apresentadora que engasgou com a própria saliva e precisou tossir para se recompor.
- Droga, ela usa minha própria profissão contra mim. - fez bico e riu da expressão de uma mocinha na primeira fila que estava com olhos apaixonados e parecia estar vivendo em um sonho de princesa.
- Muito bem então. - Joy continuou. - , qual a série da ? - Os dois escreveram nas plaquinhas – Prontos? Podem mostrar. - Disse e os dois levantaram as placas ao mesmo tempo e se viraram para olhar o que haviam escrito.
- disse que ela não assiste série e ela disse que é Grey's Anatomy.
- O quê? - exclamou perplexo- Você não assiste séries, ! Você não tem paciência.
A mulher encolheu os ombros e levou o dedo indicar ao queixo, parecendo pensar.
- Eu não tenho paciência mesmo, mas adoro o Dr. McDream.
- Temos um impasse – Riu a mais velha. – Mas o ponto é do marido. E agora, qual a série preferida de ?
Mais alguns segundos e os dois novamente mostraram as respostas. - Drive to survive*. Os dois responderam igual.
- Ele adora se ver na TV. - Comentou .
- Mas é claro eu sou bonito e engraçado. - sorriu, apagou a resposta e esperou pela próxima.
- Qual a comida preferida da ? - foi o primeiro a escrever enquanto ainda parecia pensar tentando puxar na memória de seu paladar qual era a sua preferência. – ainda não escreveu.
- Não consigo escolher. – Disse com os olhos arregalados. – Vou colocar uma.
Ela escreveu e os dois mostraram as plaquinhas.
- Ela colocou que ama Bruschetta* e colocou comida. Como assim comida no geral?
- Ela come o que vê pela frente. – Explicou o piloto. – Se você falar: Toma isso se chama pedra e é gostoso, ela come. Ela come mais que eu, tem uma fome de dragão, se está entediada vai comer.
- ! – Exclamou a esposa com repreensão na voz que mesclava com seriedade e divertimento.
- Vocês vão me matar de rir. – Joy pronunciou entre risos, assim como todos no estúdio também se debulhavam em lágrimas de tanto sorrir.
- Próxima pergunta: qual cantor ou banda preferida do ?
- Isso é sério? Essa é muito fácil, ela vai saber. – Resmungou como uma criança que perde o doce. - Por que para mim perguntaram qual é a comida, e para ela perguntam qual é o cantor? Porque que ninguém me pergunta qual a profissão dela? Ai eu saberia.
Mais gargalhadas e então como em todas às vezes mostraram as plaquinhas e estavam exatamente iguais. e Thundamentals.
- Ok. Agora vamos mudar de fase, preciso que troquem sapatos. dê uma sandália para o e ele te dará um tênis.
- Ooou - fez uma careta. - Isso não vai ser legal.
- O que foi?
- Eu tenho chulé- Disse entre dentes a voz saiu como um resmungo, e então sua gargalhada escandalosa foi ouvida. - É mentiraaaa.
- como você vive sem rir com esse homem?
- Impossível.
foi até a esposa e se abaixou em frente a ela, para desabotoar a sandália nude que estava calcada ajudando- a e evitando que a mesma precisase se abaixar, mais uma vez gritinhos fofos foram ouvidos da plateia. Após pegar sua sandália entregou a ela seu vans surrado e preto que adorava, deixando a meia amarela exposta.
- Quem é mais romântico? – Os dois responderam que era . – Que interessante.
- Ela tem sorte em me ter.
- Quem dorme primeiro?
levantou o tênis de e ele a sandália dela.
- Que absurdo , você nunca assiste nada.
- Isso não é verdade. _ Ela prendia o riso entre os dentes, o que foi perfeitamente perceptível que não falava a verdade sobre o tema.
- Quem fala mais coisas idiotas? – levantou o tênis em sua mão e também os dois pés. – Sério, ninguém percebeu. – Joy foi irônica.
- Quem pede desculpas com mais facilidade?
- Ele, sempre. – resmungou e concordou com a cabeça.
- Ela sempre está certa, mesmo estando errada.
- Por isso ele ainda está vivo e tem uma mulher.
- Eu já perdi as contas de quem ganhou, mas o que de fato interessa é que vocês são um casal incrível. – Joy finalizou. – Esses foram e . Nos vemos na semana que vem. Tchauzinho.
Todos se levantaram para aplaudir o casal, enquanto voltava a calçar a cantora e permanecia com suas meias amarelas.
- Obrigada pessoal. – acenou.
- Valeu galera. – foi até a plateia para cumprimentar as pessoas na primeira fila, assinando coisas, tirando fotos e recebendo vários abraços.
- Vocês são meu casal preferido do mundo. – Um jovenzinha abraçou o piloto com força, deveria ter na faixa de seus 16 anos, tinha lágrimas nos olhos e a voz embargada.
- Obrigado, nós ficamos felizes em saber disso. – Ele estava com os braços pousados nos ombros da menina que apertava sua cintura.
- Vocês deviam ter um filho, iria ser perfeito. – A mocinha completou assim que se aproximou deles e logo já estava com os braços na mulher.
- Claro, podemos pensar em filhos.
- Eu não quero ter filhos agora.
Os dois responderam ao mesmo tempo e se encararam buscando um entendimento que era sempre comum entre eles, porém dessa vez não veio e por um milésimo de segundo aqueles olhos que eram tão transparentes para ficaram nublados e irreconhecíveis.



GLOSSÁRIO:

Bambola: Boneca em Itáliano
Pole position: É o primeiro piloto a largar na corrida.
No one: Música da Alicia Keys que foi interpretada pela nossa PP.
Dr. McDream: Apelido de Derek Shepperd na séria Grey's Anatomy.
Drive to survive: Série da netflix sobre fórmula um.

Capítulo 3

A sala da casa de estava uma bagunça. , se estivesse em casa, teria um surto e faria os rapazes ajudarem na limpeza, enquanto gritava e xingava até a quarta geração dois. Mas ela não estava. E não ligava para a bagunça enquanto estava assistindo futebol com os amigos. E para ser bem sincero, ele não ligava para a bagunça quase nunca. Se não fosse por chamando sua atenção, ele jamais perderia tempo arrumando a casa e a deixando cheirando a flores.
- Esse cara é muito ruim. – Michael reclamou, quando o atacante do time perdeu uma bela chance de fazer um gol. O homem estava jogado na poltrona, comendo salgadinhos e bebendo cerveja, assim como o próprio dono da casa, que dividiam o sofá de 3 lugares.- Não acredito que vai acabar o primeiro tempo e eles não saíram do 0x0. – Michael resmungou, inconformado. - Eu disse que não havia chances desse jogo ser bom. – Michael disse, bebendo mais de sua cerveja. – Os dois times estão uma droga.
- Verdade, não sei o que me deu na cabeça. – Resmungou que olhava para a TV, mas mantinha o pensamento longe. – Mike, preciso falar uma coisa. – O que foi? – Michael indagou, curioso. Baixou o volume da TV com o controle remoto e largou o pote com salgadinhos na mesa de centro, se virando em direção ao amigo.
- Lembra aquele programa que fui com semana passada?
- Sim, foi o último compromisso dela. – Assentiu com a cabeça.
- Exato. – Tomou um gole da bebida em suas mãos, respirando fundo antes de prosseguir. – No final do programa, fomos para a plateia, conversar e interagir com os fãs. – Michael assentia conforme o amigo falava. – disse que não quer ter filhos. – Finalizou com o tom de voz baixo, Michael arqueou a sobrancelha confuso.
- Ela disse que não quer ter filhos com todas as letras? – Conhecia a empolgação a animação de , o piloto poderia muito bem ter entendido errado as palavras da mulher.
- Sim, disse com todas as palavras. – Suspirou passando as mãos nos cabelos.
- Como você está com isso, já conversaram a respeito.
- Eu não falei nada. – Confessou. – Eu não sei o que pensar, acho que a me nega coisas demais para quem se ama.
- Como assim, cara?

puxava em sua mente todos os momentos em que ele e compartilharam daquele amor que explodia em seu peito todos os dias, ao vislumbrar os cabelos da mulher jogados sobre os travesseiros. Abriu um sorriso, que tão rápido como veio, sumiu, quando deu-se conta de que , sua , foi a mesma que lhe negou o casamento, mais de uma vez, e agora estava dizendo que não poderiam ampliar a família. Será mesmo que quem se ama, nega tantas coisas? Estava triste, frustrado e totalmente duvidoso.

- Eu não sei, cara. – Encolheu os ombros. – Eu sei que amo demais essa mulher, e gostaria de entender o motivo por trás de todos esses “nãos”
– Não fale asneiras. – Michael cortou. – é louca por você e dá para ver isso nos olhos dela.
- Eu não duvido do amor dela, eu sei que me ama, mas eu estou chateado. Quero uma família, quero filhos, quero tudo com ela, acho que eu só tenho medo dela não querer nada disso comigo.
Pensar na possibilidade de em algum momento de sua vida viver sem , era uma das piores dores que ele poderia pensar em sentir, sequer havia acontecido e já doía. Não imaginava acordar sem a presença doce dela, ou o sem passar noites vendo filmes que ela sempre dorme na metade e reclama no outro dia que ele não a acordou. Era desastroso pensar em sua vida sem ela. Simplesmente não existia.
- Vocês precisam conversar. – Pontuou o treinador. – Você não deve permanecer sentindo isso, precisa falar com ela.
- Eu sei disso, mas não sei quando vou falar. – Finalizou com o olhar desfocado. – Olha lá, o jogo voltou. – Michael entendeu a deixa que o assunto estava acabando naquele momento, porém, conseguia enxergar o incomodo plantado na face do outro, respeitou o momento do melhor amigo, torcendo para que as coisas entre o casal se acertassem.



XXX


acordou extremamente animado naquela segunda-feira; Suspirou baixinho e se levantou com cuidado, agradecendo aos céus por ter o sono pesado. Parou ao lado da cama e fitou a cantora, não contendo o sorriso que se abriu em seu rosto. estava de bruços, agarrava sua almofada favorita com um braço e o outro repousava ao lado de seu corpo. O rosto virado em direção ao lado em que ele dormia e os cabelos jogados pelo travesseiro, formando uma cortina com os fios escuros. Ela era linda. E a amava demais.
Após fazer sua higiene matinal e vestir uma roupa comum, se pôs para fora do quarto, descendo as escadas e deixando a porta trancada, pois sabia que não acordaria caso alguém entrasse na casa e ele não gostaria de arriscar, mesmo que sua ida até a padaria favorita da mulher durasse menos de 20 minutos, ainda mais se fosse dirigindo.
Sorriu para todas as pessoas que via enquanto escolhia o que desejava, era uma de suas maiores características, adorava ser lembrando como o cara alto astral. Ao chegar em casa, pegou uma bandeja e montou um café da manhã que faria inveja na própria rainha da Inglaterra, em sua opinião. Subiu as escadas com cuidado, largando a bandeja no criado mudo e se sentando na cama perto de . Beijou seu rosto com cuidado, fazendo carinhos em seus cabelos, em uma tentativa de acordá-la sem provocar a Terceira Guerra Mundial. odiava ser acordada cedo e ela já tivera sua cota de reclamações do mês estourada, devida a falação na cabeça do marido em relação a sua bagunça exagerada.
, tire o tênis da sala. , não deixa a toalha em cima da cama, não deixe as chaves jogadas, cuidado com a tampa da privada...
E mais milhares de coisas que ele listaria a vida inteira
despertou lentamente, sentindo os carinhos de e suspirando baixinho. Abriu os olhos e fitou as írises escuras do australiano a encarando e ambos abriram sorrisos enormes.

-Bom dia, Bambola. – desejou, deixando um selinho nos lábios de .
- Bom dia, amor. – Ela murmurou, ainda um pouco sonolenta. – Que horas são?
-Quase 10h. – O homem respondeu. – Eu fiz café.
- Hm. – sorriu. – Vamos comer os bacons queimados que você fez. – Falou, já conhecendo o café que fazia quase todos os dias. era péssimo na cozinha, queimava quase tudo que inventava de fazer e já estava acostumada. E por mais bizarro que fosse, ela achava adorável.
- Na verdade, é um café especial. – sorriu misterioso e moveu os olhos pelo quarto, deixando o queixo cair quando percebeu a bandeja cheia de comida em cima da mesa de cabeceira.
- Uau. – Foi tudo que ela disse. – Qual o motivo disso?
- Nada demais. – deu de ombros, mentindo descaradamente. – Só que eu vou pegar um voo para a França em poucas horas, você vai ver a Fayo em Monte Carlo. Só nos veremos no final da semana, eu só te vejo na sexta.
- Isso é verdade. - Ela selou seus lábios rapidamente. – Nós deveríamos passar o dia inteiro na cama, embolados nesse lençol. – Subiu o dedo indicador lentamente pela coxa do homem, mordeu o lábio inferior ao perceber a reação da pele no homem ao seu toque. – O que você achar, amor?
- Hm. – Fez um bico com os lábios, segurando o sorriso que ansiava em escapar de seus lábios. – Está menosprezando meu café da manhã?
- Jamais. – Deu um risinho e depois balançou a cabeça negativamente. – Eu só acho que podemos tomar café da manhã depois. – Se impulsionou na cama, erguendo o corpo, ficando de joelho na cama, colocou as duas mãos nos ombros do marido e então mordeu o lábio inferior quando passou a perna direita por cima do homem, ajeitou a esquerda da maneira que já estava, e devagar soltou o peso do corpo, se ajeitando no colo do homem.
- Você estará perdendo, pois eu comprei o café da manhã na sua padaria preferida. – O piloto se ajeitou melhor na cama, para que conseguisse ficar confortável com sobre si, levou as duas mãos a cintura da cantora, puxando-a para si, aproximando sua cabeça dos seios da esposa.
- Você é a minha preferencia. – Soprou em meio a sorriso, enquadrou o rosto do piloto em suas mãos e puxou para cima trazendo seus lábios para perto. – Amo você, .

Ele sorriu aberto, os dedos apertando a pele de , deixando suas digitais no corpo da mulher, para que quando se olhasse no espelho, soubesse exatamente o quanto ele lhe adorava, desceu as mãos para as nádegas dela, friccionando junto a sua virilha mostrando a ela a reação de seu corpo.

- Eu amo você, minha Bambola.


XXX


estacionou o carro de maneira rápida, não tinha certeza se havia feito uma baliza correta, também não se importava, tinha a sensação que mesmo que quisesse fazer de maneira correta, não saberia. Era péssima no volante, além de detestar com todas as suas forças dirigir, fato que sempre levava a ser o motorista.
Ela desligou o carro, tirou a chave da ignição e resgatou a sacola com a garrafa de vinho do banco do carona, antes de sair por completo do carro, olhou seu reflexo no retrovisor e sorriu, constatando que estava bela, como sempre. Escorregou o corpo para fora do carro, ajeitando a barra de sua blusa quando se colocou em pé, já que a mesma sempre subia mais que o indicado.
Empurrou os óculos de sol em seu rosto, já que o sol de Mônaco aquele dia estava queimando peles, então fechou a porta e travou o mesmo com o alarme, colocando as chaves do carro dentro do bolso de sua calça branca.
Após poucos passos, a cantora estava subindo os degraus que davam acesso ao hall de entrada do apartamento de Fayola, no dia anterior, ligou para a psicóloga dizendo que iria lhe fazer uma visita e que levaria vinho, conforme havia avisado a negra, ali estava ela, preparada para compartilhar uma excelente manhã com a amiga.
Com o quadril, empurrou as portas giratórias, para conseguir finalmente adentrar o prédio, com um sorriso nos lábios se aproximou da recepção, onde um senhor baixinho e careca estava sentando em uma banqueta rotatória, que de forma estratégica se situava em frente a uma enorme tela com várias imagens de câmeras.

- Bom dia! – Cumprimentou com um sorriso, o homem assentiu em resposta. – Eu sou , vim visitar Fayola Davies, no décimo andar.
- Só um instante. - O homem pegou uma pequena agenda e folheou, após alguns instantes procurando algo, levantou o olhar para a cantora e sorriu. – Ela deixou avisado que a senhora viria. – Abriu a primeira gaveta de sua mesa e retirou uma chave. – A senhorita Davies solicitou uma cópia da chave, ficou pronta ontem pela tarde, pode favor lhe entregar?
- Claro. – Equilibrou a sacola entre o braço e antebraço para pegar o objeto. – Obrigada, desejo um bom dia.

Ofereceu mais um sorriso antes de seguir seu caminho em direção ao elevador, apertou o botão chamando a caixa metálica, meio segundo depois as portas se abriram dando acesso à morena. entrou e apertou o andar que desejava ir, encostou-se ao metal atrás de si e enquanto o elevador se movia, sacou o celular aproveitando os instantes para verificar suas mensagens, verificou que havia enviado um áudio, sorriu sozinha e deu play, levando o celular ao ouvido, foi impossível não sentir o corpo arrepiar ao excitar o timbre do amado.

“Olá, Bambola! Acabei de chegar ao hotel, não mandei mensagem antes porque meu celular morreu e eu não tenho certeza se trouxe meu carregador, acho você tem razão sou péssimo arrumando as malas. deixou uma gargalhada escapar, tinha certeza que não sabia sequer o que tinha colocado na mochila, que ele chamava de mala. – Precisei pegar o carregador do Michael, eu vou tomar um banho e já ir direto para a fábrica, Cyril solicitou uma reunião de emergência. Como estão as coisas por ai? Me dê noticias! Amo você, bambola.”

terminou de ouvir o áudio do piloto no exato momento em que com um bipe o elevador anunciou a chegada ao destino da cantora. Enquanto caminhava para fora, deslizou o dedão no microfone do aplicativo, iniciando o áudio.

“Oi, Mi vida! Tenho certeza que você só levou camisas nessa mochila, com um par de tênis e uma bermuda, compre um carregador e deixe de reserva com Mike, tenho certeza que estará seguro. Eu desembarquei a poucas horas, fui em casa, deixei as malas e já estou chegando aqui na casa da Fayola, quando puder conversar me manda mensagens. Te amo, amore.“

Guardou o celular no bolso da calça e seguiu para o apartamento de Fayola, depositou o peso do corpo na perna direita e tocou a campainha, esperou alguns segundos e ao perceber que não obteve resposta, tocou novamente, nada de respostas. Balançou a cabeça de um lado para o outro e se deu conta que as chaves estavam em suas mãos, após um riso incrédulo a cantora encaixou a chave na fechadura, deu duas voltas e destrancou a porta, abrindo a mesma e tendo a visão da sala de estar.
Tirou os óculos do rosto e deixou junto com suas coisas em cima do sofá, exceto pelo vinho que tirou da sacola e carregou até a cozinha, tomando a liberdade de pegar uma taça no armário e deixar a garrafa de vinho sobre a bancada.
Acreditou que a amiga estivesse dormindo, por isso constatou que iria fazer uma surpresa, acordando-a. Movida por esse desejo, se direcionou as escadas que dariam acesso ao segundo andar, onde Davies dormia. Eram poucos degraus, por isso alcançou em poucos segundos, não conhecia o apartamento por completo, soube que teria que procurar qual das portas era, não fora difícil descobrir, já que havia quatro portas, a primeira era uma biblioteca, como a porta estava aberta, sequer precisou checar.
A segunda porta estava fechada – era a única do corredor – a cantora soube que era aquele o local que deveria entrar. Empurrou a porta devagar, sentindo a brisa beijar sua pela, o quarto estava escuro e refrescante, ao ponto dela considerar deita-se com a amiga.
A cantora observou os poucos detalhes que conseguia devido ao breu, o máximo que conseguia visualizar eram roupas espalhadas pelo chão do quarto, fato que estranho já que Fayola era muito organizada, dificilmente deixava bagunça, segundo a psicóloga era o método correto para não precisar arrumar as coisas. Precisava aplicar esse método com o marido. Deu de ombros quanto a questão da bagunça, as pessoas em alguns momentos fugiam ao padrão de comportamento, até mesmo sendo uma psicóloga brilhante.
Antes de subir na cama, prendeu os cabelos que estavam caindo insistentemente em seus olhos, maldita franja que cortou há poucos dias. Respirou fundo e esfregou as duas mãos, se preparando para o bote. De joelhos subiu na cama e foi arrastando até onde o corpo repousava coberto até a cabeça. Sem se preocupar em ser cuidadosa, montou sobre Fayola, colocando as duas mãos nas próprias coxas, apoiando os saltos no colchão e iniciando os movimentos de cavalgada.
Cantarolou a primeira musica animada que veio em sua mente, para sincronizar com os movimentos do corpo pulando sobre a amiga. Fayola que estava com a coberta sobre a cabeça, abriu os olhos devagar incomodada pelo movimento que faziam por cima dela e destampou a cabeça, revelando sua face.
que esperava ansiosamente pelo contato com a amiga, louca para lhe dar um abraço e matar as saudades, ficou totalmente boquiaberta quando a pessoa fora revelada. Era oficial, era mulher mais azarada do planeta terra. Com os olhos arregalados levou as mãos ao rosto, não fazendo questão de esconder a surpresa que dançava em sua face.

- Reed? – Falou observando o piloto que abria os olhos. Logo a luz do quarto foi acessa, clareando tudo. Will que ainda estava sonolento e coçava os olhos, reconheceu à mulher que estava sentada sobre seu corpo, os cabelos de estavam mais curtos, o rosto mais pálido que o normal, mas sem sombra de dúvidas era ela. De novo. A esposa de seu amigo.
- De novo não. – Ele resmungou inconformado.
fechando os olhos e enrugando o semblante em lamuria.
- De novo? Isso já aconteceu antes? – A voz de Fayola sobressaiu sobre o cômodo, reconhecendo a voz da amiga, girou o pescoço na direção do som e encontrou a psicóloga parada na porta de seu banheiro. A negra usava um conjunto de lingerie branca e com detalhes em renda, os cabelos soltos e volumosos, a expressão ainda sonolenta.
- Fayo! – Berrou e logo saiu de cima de William, caminhando em direção à amiga, tomando seu corpo em um abraço apertado. – Que saudade! – Murmurou entre os cabelos da psicóloga, se afastou e olhou nos olhos dela, deu mais um sorriso e então colou seus corpos novamente, totalmente entusiasmada com o encontro, até que sua mente pareceu lhe alertar sobre a cena anterior. - Espera um pouco. – se afastou novamente e voltou seus olhos para Will que permanecia deitado na cama coçando os olhos, depois voltou seu olhar para a amiga e pelos trajes que a mesma usava. – Vocês... – Apontou os dois, Will coçou a nuca e Fayola sorriu.
- Pois é. – Respondeu curta. – E o que significa de novo? – Perguntou se remetendo ao comentário do piloto proferido ao ver cantora.
- Já estivemos nessa posição antes, eu entrei no quarto dele, acreditando ser do , foi constrangedor, já que eu fiquei mandando ele me foder. – respondeu com naturalidade, já tinha superado o acontecido de tempos atrás, sua vergonha já tinha ficado pelo caminho. Fayola desviou os olhos de para Reed e viu que o homem estava um pouco envergonhado.
- Tem alguma amiga minha que você não beijou, William? – Direcionou a pergunta ao piloto, se afastou de e foi em direção a poltrona branca perto da cama, gostava de sentar nela durante as noites para ler, sobre a mesma repousava um robe de seda, a psicóloga jogou a peça por sobre os ombros, encaixando os braços nas saídas e deu laço na parte da frente.
- Eu não beijei a . – Respondeu em protesto, era obvio que aquela brincadeira de , viria à tona.
- Que outra amiga ele beijou? – A cantora questionou curiosa, enquanto observava sua imagem no reflexo do espelho.
- Louise.
- Você beijou a Render? – Virou bruscamente em direção a cama, os olhos tão arregalados que corriam o risco de não voltar para o lugar.
- O quê? Não. – Exclamou levando as duas mãos ao rosto, em uma tentativa de esconder o constrangimento.
- Você não beijou a Render?
- Não foi bem assim que aconteceu. – Direcionou o olhar para Fayola, implorando pelo fim daquele assunto.
- Ah, não me importo. – abanou a mão, dando de ombros. – Isso é um problema totalmente da Fayo, agora. Por falar isso nisso, trouxe vinho, vamos para a cozinha? – Com o dedão ela apontou para trás de si, em direção à porta. Correu os olhos para os dois e não obteve qualquer resposta, então permaneceu os encarando.

Os dois exalavam uma simetria incrível, que ia além de todos os aspectos físicos que tinha em comum, mas os dois pareciam ter sintonia de almas, que a fazia lembra-se do próprio relacionamento, onde ela achava no marido o mais incrível dos cumplices, e o mais perfeito dos amantes, não podia dizer muito sobre os dois que estavam em sua frente, mas sem a mínima dúvida eles eram interessantes, para dizer o mínimo.

- Eu não bebo, obrigado, ! – Will respondeu com toda educação.
- São 10 da manhã. Vamos ingerir bebida alcoólica essa hora? – Fayola tomou o assento na cadeira, correndo os olhos pelo local a procura do celular, tinha jurado que a ultima vez que o viu estava sentada naquela cadeira.
- Em algum lugar do mundo são dez da noite. – Respondeu dando de ombros, ainda aguardando a amiga responder, com os lábios presos entre os dentes, ela teve o vislumbre da cena que se iniciava em sua frente, onde Fayola e Will trocaram olhares cumplices e desejosos, deu um sorriso divertido, porém permaneceu onde estava, mesmo sentindo que eles queriam privacidade.
- Vai na frente e ajeita a mesa, eu te encontro em 5 minutos. – Pediu Fayola com cautela e balançou a cabeça positivamente, trocou um olhar divertido com a psicóloga e não conteve uma gargalhada que escapou dos lábios.
- Pode ir em 15, tudo bem que ele é pentacampeão, mas cinco minutos é rápido demais até para ele. – Caçoou e deu alguns passos para trás, com a intenção de sair do quarto e deixar o casal por mais algum tempo sozinhos. Passou pela porta do quarto e fechou a mesma.

Com um sorriso nos lábios iniciou a descida nas escadas, estava feliz por Fayola, William era um cara legal, um pouco exótico, porém totalmente direito, um cara que merecia o beneficio da duvida para se envolver com uma mulher tão extraordinária quanto Fayola. Precisava contar aquilo logo para , o marido adorava saber das fofocas.
Novamente na sala de estar, tirou o celular do bolso e desbloqueou a tela, o aplicativo do WhatsApp e por isso verificou que o áudio que enviou para ainda não havia chegado, fechou o aplicativo e procurou sua agenda, acessando a mesma e vasculhando seus contatos até o número da jornalista francesa. Iniciou a discagem e colocou no autofalante, para que chamasse mais alto.
Deixou o celular na bancada, enquanto esquadrinhava as gavetas de Fayola a procura de um saca-rolha, queria ingerir aquele vinho logo, o encontrou na terceira gaveta, sorriu satisfeita, e se direcionou para a garrafa. Observou que sua ligação chamou até cair, por isso apertou a discagem e mais uma vez se pôs a ligar para Louise.
Quando conseguiu abrir a garrafa de vinho, serviu um pouco para si mesma na taça, provou o sabor do liquido avermelhado, e voltou-se para a cozinha, iria preparar algumas panquecas, afinal estava faminta.
O celular encerrou a chamada mais uma vez, e pela terceira vez colocou a rediscagem para funcionar, se Louise não atendesse iria ate a casa da Francesa, não descansaria de falar com as amigas naquele dia. Iniciou o preparo das panquecas no exato instante em que as duas amigas resolveram aparecer, Louise atendeu o celular e Fayola descia as escadas, trajando uma roupa simples.

- Caramba, Louise, demorou um tempão para atender. Precisei ligar três vezes. - Resmungou a cantora ao erguer o celular para enxergar a face de Louise Rousseau - Render.
- Terça-feira, alguém ainda precisa trabalhar para sustentar as crianças. - Louise resmungou. - O que houve? Alguma emergência?
- Nenhuma, Lou. - Fayola respondeu encostando o corpo na bancada- A que gosta de invadir a casa das pessoas cedo assim mesmo.
- Quanto drama, gente. - A cantora abanou com a mão, dando de ombros e seguindo o exemplo de Fayola encostando o quadril sobre a pia. - Eu só liguei para conversar com você, Render. Te falar que estou na cidade.
- O que trouxe o furacão para nosso querido principado? - Louise sorriu. - Alex, eu não vou repetir, tire seus tênis da sala. E por que você foi para a casa da Fayola primeiro? - Quis saber.
- Engraçado eu repito as mesmas palavras que você fala com seu filho, só que com meu marido de 32 anos. - observou sorrindo, se lembrando exatamente da mesma fala que disse para no dia anterior quando chegou em casa e quase se espatifou no chão, por tropeçar no tênis do australiano. - Eu vim a casa dela primeiro, pois era mais perto que a sua, e vocês sabem que eu detesto dirigir. - Tomou um gole do vinho e Fayola se aproximou tomando conta do fogão, caso contrário as panquecas queimariam. - Vim convidar vocês para um jantar, só às mulheres.
- Você se casou ou adotou? Alex, venha cumprimentar e Fayo. - A jornalista chamou o filho. - Agora. - Gritou. - Vocês estão bebendo a essa hora? Certas coisas nunca mudam.
- Oi, tia , oi tia Fayo. - O garoto cumprimentou, tinha os cabelos loiros bagunçados e o rosto um pouco amassado. - Oi, padrinho.
- Padrinho? - Louise arqueou uma sobrancelha e trouxe o celular para mais perto do rosto. - Will? Will está aí também?
- Pois é, deveria ter ido para sua casa primeiro, já que aqui eu empatei a trepada do casal. - Apontou com o dedão para a psicóloga que arregalou os olhos surpresa, Will que parecia um pouco atônico, piscou algumas vezes para entender o ambiente que estava.
- ! - Louise a repreendeu. - Criança na sala.
- Oi. - William acenou para a câmera. - E aí, carinha. - O inglês se inclinou para mais próximo da tela, tentando enxergar melhor o afilhado.
- Você também conhece a tia Fayo, padrinho? - Alex perguntou.
- Sim.- Will tossiu, tentando limpar a voz. - Sim, conheço.
- Se despeça, passarinho. - Louise pediu ao filho. - Você precisa tomar banho.
- Tchau todo mundo. - O garoto acenou. - Padrinho, você ainda está lembrando que vamos sair domingo, não é?
- Claro, eu não esqueci. Tchau, Alex, obedeça a sua mãe. - Will aconselhou e o garoto desapareceu do foco da câmera.
- Tchau, Alex. - Fayo se despediu mesmo após perceber que o menino havia ido.
- Will, tem panquecas. Você gosta? - ofereceu, bebendo mais vinho- Foi eu quem fiz, não foi a Fayola, então está comestível, já que ela é péssima na cozinha.
- Não sou obrigada a ser dona de casa. - A psicóloga deu de ombros. – E eu faço ótimas panquecas.
- Fica para outra oportunidade. - Ele sorriu amarelo. - Tive um imprevisto, preciso ir trabalhar. - O piloto explicou enquanto balançava o celular para exemplificar, girou os olhos na direção à morena, como se pedisse uma explicação por Reed estar indo embora tão cedo.
- Nem adianta olhar para mim, , sou acionista e jornalista, não tenho nada a ver com isso. - Louise rolou os olhos.
- Nós nos vemos depois? - Ele sussurrou para a psicóloga.
- Claro, de tarde vou ao consultório, se quiser podemos fazer alguma coisa de noite. - Ela sorriu para o homem, os olhos tinham certo brilho. - Quer que eu te leve até a porta?
- Não, não é necessário. - William sorriu abraçando a mulher pela cintura. - Estamos combinados, então. Te pego às oito e depois a noite inteira. - Piscou. - . - O piloto acenou com a cabeça, e mexeu os dedos da mão em despedida. - Te vejo na fábrica, Petit. - Piscou para Louise e então as deixou.
- Te pego a noite inteira? - respaldou com firmeza, tinha um sorriso safado nos lábios. - Fayola, me devolve meu Bourbon, você não precisa mais dele, agora você tem um homem gostoso na sua cama.
- Meu Deus, você ouviu isso? - Fayola colocou as duas mãos no rosto envergonhada, Will tinha falado baixo.
- Claro, eu sou cantora, tenho audição feroz. - Bebeu mais um gole do vinho, se deixasse beberia a garrafa inteira.
- Eu não vou devolver nada, pergunta para a Louise o que ela fez com a garrafa? – Fayola rebateu pegando um pedaço das panquecas em frente a .
- Só foi constrangedor para mim ouvir o Will falar isso? , nenhuma imagem se materializou na sua cabeça? Eca. - Louise fez careta, teatralmente. - O bourbon estava bom, aliás, no ponto certo para curar vergonha alheia e falta de noção.
- Eca? - questionou perplexa. - Eu já vi o Will em um momento íntimo, Fayola está muito bem servida, pega a noite inteira mesmo, até perder as forças. - Incentivou a cantora, era o que gostaria de fazer caso o marido estivesse na cidade.
- Meu Deus, . Você é tão safada. - Fayola sorriu.
- Sim, e meu marido ama. - Deu de ombros. - Render, nosso jantar sábado? Virou seus olhos para a jornalista.
- Eu quase vomitei com essas falas de vocês . - Louise fez careta. - Claro, acho que não tenho nenhum compromisso, só preciso de uma babá.
- Perfeito. - bateu palmas. - Você escolhe o local, já que é mais refinada e você, - Apontou para Fayola. - Me busca, vocês sabem que eu odeio dirigir e como é só de mulheres, Ric não pode ir.
- Você conhece algo chamado táxi? É uma invenção nova, mas funciona. - Fayola desdenhou.
- O tempo passa, mas a folga de , nunca. - A jornalista riu. - Tony dizia que era por isso que devíamos sempre te visitar e nunca o contrário.
- Que abuso. Como se Tony não fosse um folgado, ele ia beber cerveja com e deixava a gente na cozinha. - Se defendeu a cantora.
- Você não muda mesmo, . - Fayola disse. - Então fica marcado, certo? a Lou precisa ir trabalhar.
- Obrigada por lembrar. - A jornalista sorriu. - Marcado.
- Ainda bem que eu já não me ofendo com o jeito que vocês me tratam. - deu a língua. - Tchauzinho, Render. Bom trabalho.
- Adiós! - Louise sorriu e acenou para as amigas. - Até mais

desligou a chamada após a saída da jornalista francesa.

-Me conta como foi que Reed acabou na sua cama em plena sexta feira? - resgatou a garrafa de vinho da bancada, catou o celular e a taça para se direcionar até o sofá.
-Você não perde a oportunidade mesmo. - Fayola sorriu acompanhando a cantora no caminho pela sala. - Nós jantamos, dormimos juntos, depois jantamos e dormimos juntos na noite seguinte. - A psicóloga sorriu, tomando o assento do sofá. deixou a taça e a garrafa no chão, no mesmo movimento tirou as sandálias de salto dos pés, para se acomodar melhor no sofá.
-Vão levar isso adiante? - resgatou a garrafa e a taça mais uma vez, trazendo consigo para o sofá, sentou com a perna esquerda debaixo do corpo e a direita em um ângulo de noventa graus, onde conseguia apoiar o cotovelo no joelho. - Digo, qual foi à última vez que esteve em um relacionamento?

Fayola demorou alguns segundos para responder, estava pensando verdadeiramente na pergunta da amiga, nunca fora de muitos relacionamentos, sempre se doou para sua carreira e não havia muitos homens que entendiam o que de fato era estar ao lado de uma mulher determinada e que lutava por seus ideais.
Talvez possa ser o momento certo para se permitir pensar em algo, mas sabia que mesmo adorando a companhia de William e vivendo com esse o quis por muito tempo, era besteira pensar no que poderia acontecer dali em diante, era mestre em planejar as coisas, tinha um pé rendido em controle, mas não podia deixar que essa parte prevalecesse.

-Acho que não é o momento para pensar nisso. - Confessou com total certeza de ser a melhor opção. - Como você decidiu levar as coisas adiante com o ? - Rebateu a pergunta, estava curiosa, nada que fosse por causa da situação com Reed, era somente uma curiosidade de amigas.
- Hm. - bebeu mais um gole do líquido e estalou os lábios, pensativa. - Era algo parecia ser predestinado. - Iniciou a fala após alguns segundos. - A gente só sabe, Fayo, quando eu beijei o pela primeira vez, eu soube que jamais teria forças para me afastar dele. Eu lembro de quando trocamos o primeiro beijo. - Sorriu, os olhos brilhando pela lembrança que dançava em sua mente. - Assim que o beijo acabou, ele sorriu e disse: , eu vou te dar uma chance, vai embora agora, some da minha vida, pois se você ficar hoje, eu jamais vou te deixar ir embora da minha vida. - Contou com o maior sorriso que poderia caber em seu rosto, Fayola conheceu a história de antes dela se envolver com , não havia a menor comparação entre o que ela viveu antes e o amor que encontrava com o piloto. - E aqui estamos anos depois.
- O relacionamento de vocês me encanta. - A psicóloga cruzou as duas mãos em frente ao corpo. - Acredito que qualquer relacionamento deveria ser como o de vocês, cúmplices.
- Com total certeza. - Assentiu com a cabeça. - Se eu cometer um assassinato, a primeira pessoa que chamo é meu marido, e sei que ele vai me ajudar a esconder o corpo. - Essa era a base do relacionamento dos dois, não havia nada que não fizessem um pelo outro.
- Eu acho interessante a maneira como você se refere a ele: meu marido.
- Ele é meu marido. - Confirmou, mudando a posição no sofá e ajeitando a postura para ficar mais confortável, deixando as duas pernas em ângulo de noventa graus, com elas conseguindo ter mobilidade de mexer ambas. - Ele quem fica nessa neura de casarmos, mas para mim, é meu marido.
- Se você já o considera assim, qual o motivo que te faz negar o pedido de casamento do homem? – Fayola juntou as duas mãos como se fizesse uma oração. – Quantas vezes o já te pediu em casamento?
- Quatro.
- , meu Senhor, por quê? – Questionou com a sobrancelha arqueada.

se calou por alguns segundos, a cabeça se entupiu de pensamentos em uma fração de segundos, tão rápido como um relâmpago que cruza o céu em noites nubladas. Por que negava os pedidos de casamento de , se eles eram casados? As pessoas pareciam não entender quando ela explicava, que as precisava daquela formalidade toda, já viviam juntos e se amavam como tal, talvez até mais, fazer uma cerimonia para as pessoas, pelo motivo delas serem testemunhas de algo que já é real entre eles, era uma insanidade aos olhos de .
Anos atrás, para , a opinião das pessoas era de suma importância, por causa disso, se deixou ser e fazer muitas coisas, foi ferida mais vezes do que podia contar, e precisou tanto de ajuda para se erguer, que em algum momento, por um mísero momento, realmente acreditou que não conseguiria voltar a se mover.
Hoje, depois de anos de tratamento com Fayola, investindo em si mesma, na sua carreira, e jurou para si mesma que jamais se colocaria em posição de escutar e se importar com a opinião alheia. E o casamento era isso, era precisar provar para as pessoas que eles têm um relacionamento, sendo que eles já tinham.

- Não tem motivo para casarmos, Fayo, nós já somos casados. – Enfatizou – Nós irmos para um igreja é somente pelas pessoas, não é por nós, pois nós nos amamos e sabemos que somos casados. – Explicou, já havia perdido as contas de quantas vezes repetiu esse discurso para o próprio . – Eu quero que ele permaneça me olhando com a mesma paixão, como uma eterna namorada, com fogo, com tesão, com o mesmo olhar apaixonado que ele sempre me olha. – Era exatamente assim que necessitava que fosse, já escutara muitos relatos sobre um casal ser muito apaixonado e após os casamento as coisas mudaram. não estava disposta a correr o risco.
- . – Fayola respirou fundo e então chamou, quando a cantora desviou os olhos para a amiga, reconheceu a expressão, era a mesma que ela fazia quando estavam em terapia e precisava e iria iniciar um sermão com muita classe. – Já parou para analisar que se ele pede para vocês se casarem, pode ser que para ele não esteja tão claro que já são casados?
- O quê? – Estava perplexa. – Está querendo dizer que ele duvida do nosso casamento?
- Eu não disse nada. – Ergueu as mãos para cima, em sinal de inocência. – Disse para você pensar sobre o que entende sobre isso, pois se para ele fosse da mesma maneira como é para você, ele não teria te pedido em casamento quatro vezes. – A voz de Fayola estava baixa e cautelosa, como em todos os momentos.
- Acha que pode ser insegurança? – Questionou com os lábios preso entre os dentes. – Que ele acha que não oficializarmos, muda algo?
- , eu não sei. – Disse. – Acho que existem alguns pontos que você precisa pensar, ele te pediu em casamento quatro vezes, isso mostra um desejo gritante, que você precisa observar. Não quer dizer que ele não entenda que estão casados, mas quer dizer que talvez ele queira uma cerimônia social.
- Isso é besteira. – Rolou os olhos.
- Não é, . – Negou com um sorriso. – Nós vivemos de conveniências sociais, as pessoas casam, criam família e seguem uma vida. O é um homem romântico, talvez seja importante para ele reunir as pessoas que ama e jurar amor a você. – Fayola esticou as pernas no sofá. – Talvez ele queira que você assine o sobrenome dele, tem tanta coisa envolvida que talvez valha a pena você analisar com calma.
- Acha mesmo? Que eu deveria pensar sobre me casar? Tipo, me casar de verdade? – tinha uma expressão amedrontada no rosto.
- Você disse que já é casada de verdade. – Rebateu a outra.
- E eu sou. é meu marido.
- Então qual o problema, o real problema, da igreja? Quando você descobrir, saberá por que de fato não quer casar.

desceu as pernas do sofá, sentindo seus calcanhares tocarem no tapete felpudo da sala da amiga, fechou os olhos para evitar encarar Fayola, não estava entendendo por que aquelas simples frase a deixou tão pensativa, tinha convicção de seus pensamentos e sentimentos, amava mais que tudo, e sabia que nada faria com que o amasse menos, eles era felizes ao extremos e não enxergava sua vida sem ele, toda via, não queria pensar sobre aquele assunto, era desgastante demais e ela não estava sequer bêbada o suficiente.

-Então, o que vamos comer no almoço?


XXX


Eram aproximadamente três da manhã quando colocou os pés em sua casa. A viajem para Mônaco era curta, tendo em vista que eram praticamente vizinhos, entretanto, havia atrasado de maneira brutal, o deixando totalmente irritado, algo que era raro, na personalidade extrovertida do piloto. Mas estava cansado, precisando de um banho e morrendo de saudade de .
Desde que a mulher deu uma pausa em sua carreira, para passarem mais tempos juntos, estava mal acostumado, todos os dias em que acordava a mulher estava ao seu lado, conseguia sentir o corpo quente e macio dela tocando o seu durante a noite, e por causa disso, qualquer noite que dormia sem ela. Era torturante.
suspirou, movendo-se em direção a sua bagagem e arrastando as malas para o segundo andar, após largar as chaves no sofá. Tinha que organizar suas roupas e guardar seus pertences para evitar a falação de no dia seguinte.
Abriu a porta do quarto delicadamente, não queria acordar a cantora, passou direto pela cama e levou suas malas até o closet, e voltou novamente para o quarto. Observou deitada na cama de casal deles, profundamente adormecida; a maioria das namoradas de celebridades que ele conhecia estariam sentadas em uma poltrona, aguardando, seus respectivos companheiros chegar com aquela ansiedade desconfiada.
Estaria ele namorando ou saindo com alguma fã?
? Não. Mesmo com a personalidade mais agitada não demonstrava ansiedade alguma, nem crise de ciúmes, confiava plenamente do homem, os dois haviam enfrentado coisas negativas demais, durante os anos em que estavam juntos, fofocas e ciúmes de ambas partes, por coisas que a imprensa especulava. Agora conseguiam levar as coisas com mais cautela.
Ele livrou-se de seus sapatos apertados, bem como das roupas e, sem cerimônia, esgueirou-se para debaixo dos lençóis, abraçando a cantora. Ela resmungou, sonolenta, e virou-se de frente para ele, abrindo os olhos castanhos com notória dificuldade.
- Olá, você... – murmurou com a voz rouca e um sorriso doce nos lábios – Benvindo de volta.
Ele sorriu, puxando-a para mais perto e encaixando seu nariz na curva do pescoço de , sentindo-se calmo e feliz, poucos minutos depois adormeceu, em paz pela presença da amada.


XXX


estava jogando vídeo- game, quando escutou o barulho no alto da escada. Institivamente olhou para o relógio em seu pulso para constatar a hora, logo após desviou os olhos pelo alto de sua cabeça, tendo a visão da esposa. Seu queixo caiu imediatamente quando enxergou a beleza exposta pela cantora, sempre que colocava seus olhos nela, se surpreendia em como era bela e na capacidade que tinha de fazê-lo se apaixonar cada dia mais.
A cantora estava distraída respondendo Fayola que sequer percebeu que os olhos de esquadrinhavam cada pedaço de sua pele dentro do vestidoque escolheu para aquela noite. Passou muitos minutos decidindo o que vestir, optou por uma vestido dourado com paetês, o modelo de blazer, ela tinha mangas cumpridas e um decote que realçava os seios da italiana, o corte era em V fazendo com um pequena fenda se instalasse em sua perna direita ressaltando os músculos da coxa. Os cabelos estavam soltos e ondulados, em seu rosto havia pouca maquiagem, algo que conseguia perceber pela convivência de tantos anos.

- Você está deslumbrante, Bambola. – Somente quando ouviu a voz grave do homem que desviou os olhos do celular para encará-lo.
- Oi, amor. – Sorriu, bloqueando a tela do celular e socando-o de qualquer jeito em sua bolsa de mão, após dizer a psicóloga que já estava pronta. – Obrigada. – Terminou de descer as escadas, ainda descalça, as sandálias estavam em suas mãos, rodeou o sofá parando em frente ao australiano, depositou um beijo rápido em seus lábios e sentou-se ao seu lado. – O que vai fazer de noite, vai ficar em casa mesmo?
- Acho que vou pedir comida, treinar um pouco no simulador, beber umas cervejas. – Deu de ombros, vendo esfregar os pés para tirar qualquer poeira e então se agachar para abotoar as sandálias em seus pés, antes que ela pudesse concluir o movimento, escorregou do sofá ficando de joelhos e tomando os saltos das mãos mulher, iniciou o movimento para encaixa-los em seus pés. – Deixa que eu faço isso.
- Você é maravilhoso, obrigada! – Recostou o corpo no sofá e respirou fundo, seu corpo estava pesado e a cabeça latejava um pouco, como se estivesse prestes a doer, por esse motivo pelou os dois dedos – médio e indicador- as têmporas iniciando uma massagem.

abotoou as duas sandálias transparentes nos pés da amada e ainda permaneceu alguns segundos ajoelhado em frente a ela, somente olhando-a e agradecendo aos seus pela sorte que tinha em conviver todos os dias com aquela mulher. Mordeu o lábio inferior quando se remexeu no sofá e seus seios balançaram, uma visão deliciosa. O piloto segurou a perna direita dela e levantou levando seus lábios para o peito de seu pé, iniciando beijos molhados, subiu por toda a extensão das longas e deliciosas pernas da esposa, passou pelas coxas e neste local deixou um arranhão de leve, soltou um gemido baixo com as caricias que recebia.

- Inferno, , você sempre me deixa com vontade de arrancar a roupa. – Resmungou irritada e gargalhou, chegando finalmente ao rosto da italiana, soltando sua respiração propositalmente no rosto da mulher.
- Esse vestido deixa seus seios deliciosos. – Soprou e grudou seus lábios nos dela, em um selinho rápido e que deixava gosto de quero mais.
- Você é todo delicioso. – Passou as duas mãos pelo pescoço do homem, não deixando que ele afastasse aprofundando o beijo que antes seria somente um selinho. - Não, não para permanecer nesse beijo, tendo em vista que eu estou de saída. – se separou do marido, sem qualquer vontade e ele soltou uma gargalhada alta e estrondosa.
- Vou te esperar acordado então. – Sorriu o piloto, quando se afastou dela jogando seu corpo ao seu lado, no sofá. se virou e deu mais um beijo rápido nos lábios do homem, logo colocou-se em pé.
- Eu te amo. Não deixe a sala uma zona, por favor. – Repreendeu o homem que mais uma vez gargalhou mordendo o lábio inferior.
- Eu também te amo, prometo que vou arrumar. – Assentiu pegando novamente o controle para voltar ao jogo. – Se cuide, qualquer coisa me chama. – Piscou e mandou um beijo no ar, assentiu e caminhou em direção à saída da casa. No caminho sentiu o corpo formigar novamente, parou de dar passos e então girou nos calcanhares olhando mais uma vez o marido.

Observou o cabelo bagunçado, os ombros largos e as bochechas coradas por alguns instantes, o moletom que usava marcava o meio de suas pernas e de repente um calor absurdo lhe apossou, por mais que estivesse prestes a sair de casa que nesse momento Fayola chegara em breve, não conseguiu conter o desejou que cortou todo seu sistema fisiológico.
Suspirou e decidiu que precisava transar naquele instante. As lembranças do sexo que compartilhara aquela madrugada a estavam deixando extremamente excitada.

- ? - Ela chamou. Já tinha as mãos na barra do vestido, puxando a peça para cima. Ele virou a cabeça em sua direção, arregalando os olhos levemente quando a viu com o vestido na altura da cintura, usando uma calcinha vermelha minúscula. - Vem aqui– Ela sorriu com malícia. – Seu toque me enlouquece.
jogou o controle para o lado e levantou, seguindo até ela com passos rápidos. Postou-se entre suas pernas, já com as mãos em sua cintura.
- Há dois segundos você disse que não podíamos e agora quer transar? – Ele murmurou, deixando alguns beijos molhados no pescoço dela.
- Agora você pode pensar em me foder contra essa porta, de costas. – suspirou. - Vou empinar a bunda para você, bem gostoso.
- Então empina. – falou, quase que em uma ordem.

riu, virando de costas para e empinando o traseiro contra seu quadril. Espalmou as mãos na porta e logo sentiu a ereção dele contra sua bunda. desfez o elástico das calças e desceu a cueca junto com a mesma. Acariciou seu membro algumas vezes, antes de segurar a cabecinha e o posicionar na entrada de . Com os dedos, checou a umidade da mulher, gemendo quando seus dedos deslizaram com facilidade. empinou a bunda ainda mais e a penetrou com força. Ambos gemeram alto e jogou a cabeça para trás sentindo uma onde absurda de prazer invadi-la.
- Você é deliciosa. – grunhiu, girando os quadris e retirando seu cacete por completo, apenas para meter novamente e arrancar novos gemidos da esposa. Enlaçou a cintura dela com o braço esquerdo e espalmou a mão direita na bunda da morena, depositando tapas no local. – Mais amor. – Ela gemeu, rebolando contra o quadril de .
O piloto afastou os cabelos de de sua nuca e a beijou, estabelecendo um ritmo de estocadas rápidas e fortes. Logo ambos estavam gemendo palavras desconexas, pedindo por mais. Mais força, mais rapidez, mais um do outro. gozou primeiro, a penetração e as carícias que o marido passou a realizar em seu clitóris sendo demais para ela aguentar. gozou em seguida, gemendo alto o nome da mulher, enquanto seu cacete jorrava seu líquido dentro dela. Eles se beijaram com intensidade antes de voltaram escutarem o toque do celular de .
Ainda descoordenada a cantora abriu a bolsa, retirando o aparelho e sem prestar atenção em quem era.

- Oi. – Respirou ofegante, vendo sorriu e lhe beijar o topo da cabeça e se afastando rapidamente em direção a cozinha.
- Você está bem? O tom de voz preocupado de Fayola se fez presente. – O que aconteceu?
- Está tudo bem. Eu só.. eu só... – Procurou controlar a respiração, tentando não oferece qualquer indicio do que estava acontecendo.
- , você estava transando. – Pontuou a psicóloga e não conseguiu controlar a gargalhada, suas amigas a conheciam bem demais.
- Culpada. – Deu a língua e sorriu mais uma vez quando viu se aproximar com um copo de água em mãos.
- Se você não sair em dois segundos, te deixo para trás. - Rebateu irritada, enquanto bebia toda a água do copo.
- Estou na porta. – respondeu rápido, devolvendo o copo ao marido e lhe beijando nos lábios uma última vez.

Saiu porta a fora apressada e agradeceu por ter fechado a porta atrás de si, caminhou o mais rápido que suas sandálias permitiam, sendo cuidados para não se esborrachar no chão e ao invés de uma ótima noite com as amigas, contrair um hematoma na face.
Fayola estava dentro do carro, uma Land Rover branca, quando se aproximou por completo, abriu a porta do veiculo e tomou o assento do carona.

– Oi, Fayo.
- Meus olhos quase deram pane com essas lantejoulas, em sua roupa. – A psicóloga comentou fingindo seriedade.
- São paetês. – Rebateu a outra. – E eu saio de causa para brilhar, sempre. – Disse rápido e logo levou as mãos para a testa, sentindo uma pontada. – E você que está vestida de William Reed de macacão, porém em versão feminina. - apontou com a cabeça para a roupa que a psicóloga vestia, eram os mesmo tons da escuderia François-Render.

Fayola estava belíssima com os tons de vinho escolhidos para aquela noite, um cropped de mangas cumpridas, que estavam dobradas até o cotovelo, a saia lápis que marcava todas as curvas da negra, e o cinto que dava um toque feminino e sutil para a combinação.
- Ridícula. – viu Fayola girar a chave e dar partida no carro.


XXX


Fayo deixou carro na porta do restaurante e desceu do mesmo, resgatando todas as suas coisas. Ofereceu um sorriso gentil ao manobrista lhe entregando a chave, deu alguns passos para frente e esperou lhe alcançar, assim que a cantora o fez, as duas amigas trocaram um abraço rápido antes de seguirem para a entrada.
Um recepcionista estava guardando a porta, devidamente uniformizado e carregava um belo sorriso.

- Boa noite, senhoritas. – Cumprimentou. – Reserva em nome de quem?
- - Davies – Rosseau. – Respondeu Fayola e olhou a amiga a expressão divertida no rosto, que tipo de nomenclatura para reserva era aquela?
- Mesa para três. – O homem completou, após vasculhar o tablet em mãos. – As senhoras gostariam de ir direito ao restaurante, ou preferem apreciar uma bebida na área das piscinas. - As duas mulheres se entreolharam para decidir o que seria melhor.
- A piscina, até por que a Render ainda não chegou. – se pronunciou e Fayola assentiu, um garçom se posicionou para guiar as mulheres ao local.

O restaurante tinha um índice de sofisticação que era invejável. Era dentro de um hotel, o Odyssey*, era composto por dois ambientes. O salão de jantar, onde varias mesas eram distribuídas em tons claros e vividos, a área da piscina era equipado com várias poltronas confortáveis que davam vista para a enorme piscina aquecida, e também o céu estrelado de Mônaco que brilhava lindamente, algumas arvores rusticas e com flores belíssimas, enfeitavam o ambiente.
sentou de frente para a piscina, Fayo tomou o assento oposto preferindo olhar para as arvores.
- Você pode, por favor, me trazer a carta de vinhos. - Fayola recostou o corpo e cruzou rnas. - Argh, não! - Antonella fez uma careta, olhando para o homem. - Eu quero um, Negroni,* Por favor! Com bastante Vermut.
- Algo mais, senhoritas? - Perguntou solícito.
- Não, muito obrigada. - Fayola respondeu e sorriu ao ver o funcionário se afastar. - Será que está tudo bem com a Lou? - Questionou olhando Antonella com certa preocupação.
-Sim, olha ela bem ali. - Apontou com o queixo para o lado direito.

Fayola virou o rosto na direção que a cantora olhava, e teve o vislumbre da jornalista sendo encaminhada por algum funcionário, um sorriso moldou a face da francesa conforme se aproximava das amigas. Louise estava vestida de maneira arrebatadora, os cabelos presos em um coque alto, brincos grandes e prateados nas orelhas, a blusa branca de mangas ¾ com um pequeno botão nas laterais, a calça de alfaiataria preta ressaltava sua altura, assim como o scarpin da mesma cor que mostrava toda a elegância que a francesa possuía, a bolsa em mãos fechava o estilo matador.

- Ainda bem que chegou, Fayola, já estava tecendo motivos psicológicos para seu atraso de um minuto e quinze segundos. - Antonella se colocou de pé para cumprimentar a outra, mas foi incapaz de não fazer uma piada.
- Que exagerada! - Fayola também se colocou sobre os pés, porém, rolou os olhos para o comentário da italiana. - Diferente de você, eu fiquei preocupada. - Se explicou.
- Desculpe o atraso, o trânsito estava horrível. - A francesa cumprimentou as amigas com um abraço. - Precisei cortar caminho para deixar Alex com o Will.
- Will virou sua babá? - A Italiana voltou a sentar-se. - O que um homem não faz para agradar uma mulher, está vendo, Fayola? Aceitou ficar com a criança para que você pudesse ter um jantar.
- Eu? - Fayola tocou o próprio peito com o indicador, um pouco surpresa. - Ele é padrinho do Alex, não está fazendo mais que a obrigação.
- Exatamente. - Louise se sentou, chamando com o olhar um garçom. - Will passa muito tempo com o Alex, e eu sinto que isso só vai aumentar. Um uísque sem gelo. - A jornalista pediu ao garçom, que aproveitou e entregou a Fayola a carta de vinhos solicitada.- E então, como estão as coisas? Novidades?
- A Antonella deve estar cheia de novidades, já que deu um tempo dos palcos. - Fayola apontou a amiga, que balançou a cabeça com um sorriso.
- Eu tenho transado bastante, ando muito bem, obrigada. - Abriu um sorriso sacana. - E acompanhado o Daniel nas corridas, eu tinha esquecido como gostava de assistir as corridas dele, estou contente com isso. - Completou.
- Ele venceu a última, soube, porque essa eu não pude ver. - Louise lembrou. - Foi uma loucura. Mas fiquei muito feliz pela quebra de jejum.
- Sim, e por falar nisso, como estão as coisas? Soube que seu piloto passou mal, e foi muito bem cuidado pela nossa brilhante Fayola, mas e agora, como ele está?
- Estive com ele ontem pela tarde, aparentemente tudo sob controle. Você já o viu depois da crise, como anda? Espero que esteja seguindo as recomendações médicas. - Fayola direcionou o olhar para a jornalista.
- Se eu o vi...claro. - Louise hesitou. - Vi, tivemos treinos com algumas atualizações para a próxima corrida. Ele está bem, centrado,bem. - Disse rápido, e em seguida sorriu ao garçom que trazia sua bebida, dando um longo gole antes mesmo que o homem se afastasse. O garçom em seguida entregou a Antonella sua bebida e virou-se para Fayola, com a intenção de recolher seu pedido.
- Eu quero o Jean Bouchard Vosne Romanée*. - Entregou a carta de vinho, e depois que se assegurou da distância do homem, virou seus olhos para Louise. - Eu percebi um pouco de hesitação com a resposta ou foi impressão minha?
- Hesitação? Não. - Louise negou franzindo nariz e sorrindo. - Michael está bem, até onde soube, muito bem. - Garantiu e bebeu mais um pouco de seu uísque.
- Daniel ficou preocupado com ele, me disse que é bom rapaz, jovem e engraçado, e que lembra um pouco o Tony. - Antonella bebeu mais um pouco do drink e sentiu seu estômago reclamar, que reações estranhas eram aquelas? - Eu confesso que fiquei pensando em como a Render tem carma para atrair caras como Tony para perto.
- Engraçado com certeza ele é, eu precisei segurar a gargalhada várias vezes quando nos encontramos no consultório, umas piadas bem estilo Anthony mesmo. - Fayola sorriu ao se lembrar.
- Não, o humor é diferente. - Louise disse sem pensar. - Michael é mais puro, o Tony fazia piadas para provocar as pessoas, o Michael faz piadas consigo mesmo e é engraçado naturalmente. - Explicou dando de ombros. - E quando você o conhece melhor, percebe que ele e o Anthony são opostos.
- Talvez se eu o conhecer melhor perceba a diferença, a única coisa que posso constatar é que ele me fez rir muito. - Fayola cruzou as pernas. - E pelo que soube, é muito talentoso, talvez a François-Render volte a revelar um grande campeão.
- Eu não o conheço para concordar ou não, espero ter a oportunidade.
- Ele é bem bonito também, os olhos são um charme, conta para a Anto, Lou. - Fayola mais uma olhou a amiga que estava finalizado seu recém chegado copo.
- O que? Querem que eu mostre o Michael? Não precisa, Anto, já assiste às corridas, não precisa disso. - Louise desconversou, apoiando as costas na cadeira e desviando o olhar para as outras mesas. - Por que temos que falar dele? Tantas outras coisas, como o Will Reed por exemplo.
- Você está parecendo o Ricciardo quando faz alguma coisa errada e não quer me contar, tipo o dia que ele colocou minha jaqueta de couro na máquina de lavar. - Antonella cerrou os olhos para a jornalista e Fayola não conseguiu conter a gargalhada. - O que rola com o Michael? Desembucha, Render.
- Ele deixa ela assim mesmo, Anto. - Observou psicóloga. - Faz ela viajar às pressas, bater em nossa porta de madrugada e querer invadir quartos de hospital. - Louise arregalou os olhos ao ouvir a amiga contar aquelas coisas.
- Estamos falando dessa Louise Render? - Antonella fingiu sussurrar para Fayola apontando o dedo descaradamente para a jornalista.
- Fayola! - Louise a repreendeu. - O que houve com o sigilo com seus pacientes? E não é assim, Anto. Ela está exagerando. - Louise tentou explicar. - Eu estava em Mônaco, iria narrar a corrida, mas soube que Michael não correria, da mesma forma que os espectadores, então viajei para a Espanha. O que eu devia fazer? Fiquei preocupada, profissionalmente falando.
- Que paciente? Você está longe disse, Lou. - Fayola comemorou a chegada de seu vinho, esperou o garçom lhe servir e após dar o primeiro gole, voltou a falar. - Você bateu no meu quarto às duas da manhã, e imagino que não entrou lá da maneira correta e queria invadir o quarto do Michael, igual uma adolescente. Qual é, Lou? E depois parece que ficou dias sem tomar banho de preocupação.
- Eu não estou acreditando nisso. - Antonella gargalhou. - Pelo jeito que ela está falando está insinuando que você está tendo alguma coisa com esse piloto. - A cantora estava desacreditada. - Me diz que não é isso que estou entendendo? - Olhou para Fayola buscando uma explicação, mas esta não respondeu, apenas olhou para Louise e voltou a beber seu delicioso vinho.
- Eu me importo com meu piloto...é isso. - Louise declarou.
- Seu piloto?- Antonella coçou o queixo. - Esse cara, o Michael, é mesmo gato? Pois você, Fayola. - Apontou para a psicóloga que agora cruzava as pernas. - Está muito bem servida com o Reed, quero saber sobre o Michael. Ele tem instagram?
- Ele é muito gato. - Fayola sorriu, e manteve seus olhos em Louise.
- Vou procurar. - Anto se remexeu na poltrona procurando sua bolsa para encontrar o celular e fazer sua pesquisa.
- Procura mesmo, você vai adorar ver.
- Uau! - Antonella exclamou ao achar o instagram do piloto, desviou os olhos da tela e deu um sorriso safado para Louise. - Amiga, eu entendo a preocupação com seu piloto. - Com o dedão Antonella rolava as fotos do piloto, algumas dava um close para averiguar com mais detalhes, gostava de ter a certeza que as amigas estavam em boa companhia. - Sério, Louise, é um baita gostoso, já era para você estar sentando no seu piloto. - Antonella analisava uma foto em específico, Michael estava em pé em uma pose séria, o queixo em pé e o olhar estreito, o maxilar bem marcado destacava na foto, assim como a boca bem desenhada. Antonella deixou a foto aberta e jogou o telefone na direção da jornalista para que a mesma compartilhasse da divindade que estava em sua tela. - Eu estou chocada, muito gato.
- Ele é escoces, também é ruivo...é claro que seria bonito. - Louise fingiu não se importar, mas diante os olhares inquisidores das amigas, percebeu que não teria alternativa. Bufou e pousou o copo sobre a mesa. - Okay, vamos lá. - Respirou fundo, tentando procurar as palavras certas. - Nos beijamos. Algumas vezes. Em alguns lugares.
- É o que? - Antonella exclamou perplexa. - Você está pegando o piloto? Per Dier*
- Eu sabia que daria nisso. - Fayola mordeu o lábio inferior contendo um sorriso maior. - Eu tinha razão, você está apaixonada pelo escoces.
- Acho que você vai tirar as teias de aranha da perereca em breve. - Antonella estava estarrecida de felicidade, Fayola, porém conteve a comemoração e direcionou um olhar empático a amiga, entendia a possível situação ali.
- Como está sendo isso para você?
- Primeiro, eu não estou apaixonada, não sei ainda como me sinto sobre isso. É diferente. - Louise confessou. - Antes da crise que ele teve, havíamos brigado, no hospital eu pedi desculpas e fizemos as pazes, fui sincera. Depois disso, na próxima vez que nos encontramos pessoalmente, brigamos mais uma vez e foi um pouco mais tenso. E então, de repente ele se declarou, disse que se importava comigo e que gostava de mim. Mas é confuso, eu acho que gosto disso, mas ao mesmo tempo tem o Tony e eu sei que ele também pensa nisso.
- Onde tem o Tony? No céu? - Antonella se sentiu confusa e Fayola a olhou feio.
- É complicado mesmo, Lou. - A psicóloga sorriu. - Mas é como te disse aquele dia, você viveu um amor perfeito, mas Tony se foi e você merece ser amada, merece sentir todas essas emoções de novo. Não tem uma receita para seguir, é só seguir.
- Eu nunca...nunca olhei para outra pessoa. Mas o Michael sempre mexeu comigo de um jeito estranho, talvez por isso eu tenha relutado tanto em ceder espaço a ele. - Louise sorriu fraco. - É estranho para mim, não sei se estou pronta para gostar de verdade de outra pessoa e seguir em frente, mesmo sabendo que posso. Mas o Michael...tem sido...não é como se isso acontecesse há meses, também. Isso foi essa semana.
- Nós sabemos que nunca olhou para outra pessoa, Reed que o diga. - Antonella brincou mais uma vez e então lançou um olhar gentil. - Mas é assim que acontece Lou. - Com a pronúncia do apelido, Louise voltou sua total atenção para a mulher, raramente Antonella a chamava assim. - Eu lembro quando eu conheci o Daniel, estava ferida, sangrando e morrendo dia após dia, jurei para mim mesma que jamais entraria em outro relacionamento e no primeiro beijo que demos, eu soube que estava apaixonada. - Contou sorrindo. - É claro que são situações totalmente diferentes, mas o que eu quero dizer é que só acontece, mesmo que não seja o nosso desejo. Olha a doutora e o Reed, fugiu e negou ele por tanto tempo e hoje está rolando nos lençóis de seda dele.
- E você não precisa pensar tanto, as vezes precisar sentir. - Fayola completou.
- Eu sei, não analisar o sentimento, só sentir. Eu juro que estou tentando. - Louise sorriu. - Quem sabe, no momento certo...quando me sentir pronta. E além disso, foram só alguns beijos, Michael é solteiro, livre, isso é comum para ele, não existe motivo para eu bancar a emocionada. - Louise sorriu, levantando o copo e bebendo o resto de seu uísque.
- Você está no caminho certo. - Anto piscou. - E só para dizer, talvez realmente não tenha sido nada demais, mas eu estou feliz por você, você merece sentir a vida de novo.
- Com toda certeza, e saiba que o quer que aconteça, ou qual seja sua decisão. Eu estou aqui com você e por você.
- Isso mesmo, se quiser a gente também pode esconder o corpo, aprendi vários truques na série* que o Daniel está vendo, ele assiste e finge que entende o que a advogada lá ensina. - Antonella gargalhou.
- Não, não acho que vá ser preciso. - Louise gargalhou. - Só lamento frustrar os planos de um encontro de casais, já que imagino que a senhorita Fayola esteja ansiosa para esfregar na cara do universo que ela é a dona de William Reed. - Provocou a amiga com o olhar.
- Eu não sou a dona de ninguém, mas confesso que adoraria participar de encontro com Michael, Reed e de quebra o Ricciardo.
- Não conte com isso, amiga. - Louise gargalhou.
- Para de agir como se você não estivesse trepando igual uma louca com Reed, aposto que está toda roxa e dolorida. - Fayola balançou a cabeça negativamente, mordendo o interior da bochecha, de fato estava com algumas marcas pelo corpo, William não era um amor entre quatro paredes e Fayo gostava, porém, jamais diria isso em voz alta.
- …- Louise arregalou os olhos. - Você precisa de um banho frio.
- E você precisa sentar nesse homem. - Apontou com o dedo para ela, que devolveu o celular para a outra. - Já que não quer falar do escolicia, vamos falar do Reed. - Direcionou o olhar para Fayola que quase engasgou com o vinho. - Me conta, como está sendo a vida sexual?
- Às vezes eu me esqueço do quanto você é sem noção. - Louise balançou a cabeça negativamente.- Mas é uma boa pergunta, não sabia que as coisas estavam tão sérias a ponto de dormirem na casa um do outro.
- Eu não sou sem noção. - tapou a própria boca. - Sou sincera. - Deu de ombros.
- Ah, Claro. - Fayola rolou os olhos e mexeu o pescoço para os dois lados, a fim de estralar. - Até você, Lou? Achei que não gostava de ouvir coisas do Will dessa forma.
- E tem razão, não gosto, mas não perguntei como é sexo entre vocês. - A francesa mordeu a ponta da língua. - Perguntei sobre o status da relação. Aliás, não vamos comer nunca?
- Eu estou faminta, parece que não como há dias. - passou a mão no ventre, sentindo um incômodo pela falta de comida. - Apoiou os dois pés nos saltos, para se colocar de pé. - Mas o fato da gente levantar agora para comer, não diminui o impacto da minha pergunta e eu quero as respostas.
- Não tem o que saber. - Ela encolheu os ombros, se dando por vencida. - Ele é um cara legal, me trata bem, gentil, carinhoso quando tem que ser e sabe a hora de não ser. É inteligente, compartilhamos gostos iguais, mas ainda estamos nos conhecendo. - Explicou com o olhar longe, não tinha certeza sobre suas expectativas, não achava que era o momento. - E sim, , o sexo é fantástico, não sei como pode odiar pilotos com as mãos que eles possuem.
- Okay, agora você já está enveredando para um assunto constrangedor e desnecessário. - Louise sacudiu a cabeça, acompanhando as amigas para dentro do restaurante, enquanto o trio era guiado para sua mesa. - Eu não entendi, você disse boas qualidades, mas sem emoção...nada daquelas sensações que realmente movem o mundo.
- Eu não disse esses sentimentos, já que ...- observou a expressão preocupada que cruzou o rosto da amiga, ao verificar quem era no telefone. . - Só um minuto, eu preciso atender. – Se afastou.
- Gente, mas será que o Will, essa hora? Já está com saudades, é? - brincou com a psicóloga, que não lhe deu a menor intenção.
- Eu só acredito quando souber que ela o apresentou ao irmão. - Louise piscou. - Will vai precisar de muito mais que um olhar estreito para entrar no coração dessa mulher.
- Que horror, não fala isso, assim a Fayola vai continuar encalhada. - a encarou chocada. - Vamos torcer para que eles fiquem juntos, mulher, vibrações positivas. - Ergueu os punhos em euforia.
- Romântica…- Louise riu entredentes, provocando a cantora.
- Claro, meu marido me mima muito, me acostumou mal. - Tomou o assento da cadeira e solicitou o cardápio, imediatamente levou as duas mãos ao seios, fechando a face em uma expressão de dor.
- O que foi?
- Caraca, como meus seios estão doendo. - Sussurrou baixo, como em um desabafo. - E eu quero vomitar, mas eu nem comi ainda. Acho que ando ingerindo muita bebida alcoólica.
- Você está na TPM ou algo assim? - Louise arqueou uma sobrancelha, observando a amiga por cima do cardápio.
- Não. - Negou firmemente. - Ela deve chegar em alguns dias ainda. Eu acho que realmente estou comendo muitas besteiras, e usufruindo das minhas férias para transar e beber. - Observou com um sorriso.
- Eu sei que já faz algum tempo que não faço sexo, mas até onde sei, isso não causa vômito. - Louise baixou o cardápio, para olhar melhor a amiga, o olhar condenador fez com que rolasse os olhos. - Tem certeza que é essa desculpa que vai dar? Posso te dar dois minutos para pensar em algo melhor.
- Você está alucinando, Render. - fixou seus olhos na mulher, convicta que seja lá o que Louise pensava, não tinha qualquer fundamento. - Eu não vomitei, somente estou com vontade e isso por causa de estar bebendo de estômago vazio. - Levantou o copo como ilustração.
- Então nada de bebidas para você. - Louise piscou afastando as taças da mesa de .
- Eu não sou o Alex. - resmungou. - Posso comer um pouco e depois beber. - Fayola voltou para perto das amigas e tomou o único assento vazio na mesa, colocou a taça na mesa e ajeitou os cabelos que caiam no rosto, colocou a bolsa sobre o colo e sorriu para as amigas. - O que o Will queria? Sexo por telefone? Espero que o Alex já esteja dormindo. – Gozou com o pior senso de humor já visto, não queria continuar aquele assunto com Louise.
- Meu Deus, ! - Rolou os olhos. - Lou, viu Michael hoje? Ele está bem? - Meu Deus, Antonella! - Rolou os olhos.
- Está tudo bem? - Louise a olhou.
- Sim, coisas de trabalho. - Sorriu bebendo mais vinho. - Por falar nisso, preciso encontrar você e William em uma reunião, quando você pode, e precisa ser antes de quinta.
- Apareça na segunda, estarei no autódromo, lá as coisas são mais tranquilas. Michael e Will também estarão. - Louise falou.
- Mas não gostaria que o Michael participasse, somos só eu, você e Reed? Dá para ser?
- O que está acontecendo? - Antonella perguntou curiosa.
- Não é nada demais, é sobre o tratamento do Madden. - Explicou Fayola.
- Como assim? -Louise quis saber, um pouco preocupada.
- Nada demais, eu te disse que encontrei com ele ontem, e tivemos nossa primeira sessão e eu preciso conversar com vocês. Já que são peças fundamentais no tratamento. - Explicou com calma e sem dar qualquer alarde.
- Eu vou ao banheiro rápido, já volto. - Levantou, puxou o vestido para baixo e se encaminhou para o banheiro.

Os passos estavam calculados, pois parecia cada vez mais difícil se equilibrar nos saltos o que significava todo aquele peso? Não estava entendendo o motivo de todos os desacertos de seu corpo; até ontem estava bem, era estranho tantos efeitos lhe atingirem ao mesmo tempo, talvez fosse somente um mal estar, uma virose, nada com que se preocupar.
Entrou no banheiro e logo se encaminhou para uma das cabines, levantou o vestido e abaixou a calcinha para urinar, pelo menos estava com todo o sistema renal funcionando. Assim que terminou, se higienizou e saiu da cabine. Encostou-se a pia para lavar as mãos e precisou fechar os olhos, pois novamente, sentiu-se tonta. Puxou o ar com força e soltou tudo, na tentativa de normalizar seu corpo, foi então que se olhou no espelho e percebeu o quanto seu rosto estava pálido. Abriu a pia e juntou as mãos em concha para jogar água no rosto.
Não iria pensar nas milhares de possibilidades que surgiram em sua mente, iria voltar para o jantar com suas melhores amigas e dane-se, seu mal estar.
Conferiu sua imagem mais uma vez e então deu as costas para sair do banheiro, cruzou o corredor e logo já conseguia avistar as duas amigas que riam de algo.

- Voltei. - sorriu se ajeitando novamente na mesa. - Já escolheram o que vão comer? - Voltou a analisar o cardápio com precisão, Fayo e Lou trocaram olhares curiosos, como se a chegada da outra, somente corroborasse o assunto que estavam tendo segundos atrás.
- Sim. - Louise chamou o garçom com um aceno. - Abacate, tomate, burrata com pimenta-do-reino e folhas de manjericão, e um salmão grelhado com tagliatelle de manga, de sobremesa um sorvete de frutas. E por favor, um champanhe muito, muito bom. - A francesa sorriu para o funcionário.
- Eu aceito o mesmo que ela. - concordou, não estava com a mínima condição para pensar. - Eu quero uma água com gás, por favor!
- É o que? - Fayola arqueou a sobrancelha.
- Meu estômago está meio ruim. - Explicou. - Por isso vou beber água com gás, para comer e depois beber mais.
- Você está bem? - assentiu e Fayola voltou o olhar para o garçom, pronta para fazer seu pedido. - Eu quero: Legumes sazonais com ricota ralada e manjericão, e eu vou ficar no vinho mesmo. Obrigada.
- Só isso? - Louise arqueou a sobrancelha, olhando para as duas mulheres a sua frente. - Você devia pedir uma carona para algum hospital, . Você, comendo só peixe, queijo e frutas?
- Isso é saudável, certo? - Perguntou para a amiga. - Faz o seguinte então, me igual o das duas, vou comer um pouco de cada. - Olhou para o garçom que assentiu se retirando. - Eu estou bem, quando chegar em casa vou tomar um bom banho, me fará uma massagem nos pés e eu terei sono de princesa.
- . - Fayola chamou. - Devia cuidar mais da sua saúde, eu entendo que sua vida é corrida, mas ingerir álcool ao extremo e comer pouco, vai te gerar problemas de saúde no futuro.
- Eu pensei em não falar, mas não consigo, desculpe. - Louise bufou. - Você tem se cuidado? Ido ao médico? Essas coisas?
- Me cuidado, como, tipo em que sentido? - Franziu o cenho. - Faço meus exames de sangue de rotina, cuido da pele e essas coisas.
- ! - Fayola rolou os olhos. - Estamos falando sério, você está se cuidando mesmo? Tem ido ao ginecologista?
- O quê? Isso é uma pergunta séria? - Correu os olhos de uma para a outra, buscando uma explicação.
- Não quero fazer suposições infundadas, mas...da última vez que senti enjoos, dor nos seios e perdi a fome, um garoto nasceu. - Louise piscou.
- Não! - balançou a cabeça negativamente com tanta força que sentiu as articulações do pescoço reclamarem. - Isso é impossível, impossível. - Deu uma risada alta. - Quanto a isso não tenho com o que me preocupar, zero chances.
- Você tem vida sexual ativa? - Fayola recostou o corpo na cadeira e girou o mesmo, mudando a posição em direção à amiga.
- Com toda certeza. Todos os dias, várias vezes ao dia. - Sorriu orgulhosa.
- Então não tem zero chances. - Fayola rebateu.
- Eu mando as fraldas para o seu endereço? - Louise debochou.
- Em dez anos, com certeza! - ralhou um pouco irritada com o assunto. - Eu não quero ter bebês agora, eu e não estamos preparados, ele deixa os tênis jogados na sala até hoje, é mais bagunceiro que o Alex. Eu não estou grávida e nem pretendo engravidar.
- Eu compreendo que planos são traçados, mas às vezes, , as coisas não saem como nós planejamos, e eu me preocupo em como você lidaria com a frustração. - Fayola tinha o olhar sereno e doce, assim como as palavras que saírem de sua boca.
- Eu amo vocês, mas estou bem! - Foi curta, não queria mais aquela conversa, por isso deu um pulinho e algumas palminhas de felicidade, quando os pedidos chegaram. - Enfim, comida!
- Qual é a próxima pauta? - Louise quis saber, se preparando para comer sua entrada. - Alguém tem alguma notícia bombástica, alguma ameaça de crise...é lado jornalista. - A francesa deu de ombros.
- Eu estou escrevendo uma nova música. - Começou a cantora e Quando os pratos foram destampados, o cheiro de manjericão foi direto as narinas de , causando uma sensação repentina de tontura, seus olhos perderam um pouco o foco, ao mesmo tempo tudo aconteceu. Seu corpo repuxou, e todas as células vivas que existiam dentro do, se reuniram como se combatessem um invasor, nesse caso a presa foi seu estômago que levava socos de dentro para fora, exigindo que lhe obedecesse e colocasse para o fora o que ele mandava. - Eu… - Levou as mãos até a boca. - Eu… banheiro. - Levantou em um rompante, como se sua vida dependesse de chegar até o toalete, sentia seus músculos pesados por algo que não conseguia identificar.

Chegou apressada no banheiro e mal teve tempo de abrir a cabine, no instante seguinte estava debruçada sobre o vaso colocando para for o sequer havia no estômago. Sentiu as pernas falhares e doerem, por isso sentou-se no chão, ainda com a cabeça apoiada nas bordas, permaneceu sentada ali por alguns segundos antes de ter a certeza que não havia mais nada para sair.
O gosto ruim em sua boca lhe incomodou e ela sentiu vontade de chorar pela dor que atingiu seu corpo, como se um caminhão lhe arrastasse por quilômetros, nem mesmo em suas marotas de shows sentia o corpo reclamar dessa forma. Quando tentou se colocar de pé e foi incapaz de se equilibrar nos saltos, foi quando teve certeza que havia algo errado, muito errado.

- ? – Escutou a voz de Fayola e resmungou alguma coisa, que foi abafada pela tosse. - , estamos aqui, querida! Me diga qual cabine você está? - A cantora reuniu todas as forças, destravou o trinco e abriu a porta.
- Estou viva. - Disse baixo se encaminhando em direção a pia para se lavar.
- Viva é uma palavra forte demais. - Louise se aproximou dela. - Lave o rosto, vou pagar a conta e vamos te devolver para o , talvez ele te convença a procurar um médico. - A jornalista sorriu sem mostrar os dentes.
- Não há motivos para preocupar o . - resmungou, enquanto passava um pouco de água no rosto.
- Eu já mandei mensagem, ele está vindo te buscar. -Fayola balançou o celular. - Ele é seu marido, é isso que significa ter alguém, contar e confiar. -A psicóloga tocou o ombro da amiga, fazendo-a se virar para olha-la. - Seja racional , tem que coisas que estão diante de nossos olhos e não vemos, só pelo fato de não querermos ver.
- Pense com a cabeça, independente de qual seja a causa disso, você é uma artista, seu corpo é seu trabalho.
- Obrigada, mulheres da minha vida! Talvez eu escreva uma música sobre vocês. - riu abraçando as duas amigas - Eu vou pagar a conta e nem adianta argumentar, hoje é por minha conta.
- Não vou, é nos detalhes que se continua rico. - Louise deu de ombros.
- Vamos então. - Ainda com certa dificuldade saiu do banheiro, cruzando o espaço do corredor com lentidão e então se aproximou da mesa, onde minutos atrás estavam sentadas. Sentou-se e chamou um garçom com olhar, antes do mesmo se aproximar, já pegou o cartão na bolsa, para que houvesse agilidade no pagamento. Assim aconteceu, já que meio minuto depois, ele retornava para que a mulher batesse sua senha e então a noite fosse encerrada por completo. -
- Apesar da intercorrência tivemos uma noite agradável. - Fayola bebeu o restante de seu vinho para deixarem o lugar.
- Devíamos marcar alguma coisa...spa, quem sabe salão? - A francesa sorriu.

Assim que as três mulheres cruzaram a porta de saída, encontrou os olhos de , ansiosos e preocupados, quando o homem localizou a cantora, um sorriso enorme brincou em seus lábios, e sentiu o peito aquecer em amor.
O piloto se desencostou do carro e andou rapidamente ao encontro de , tomando a mulher em um abraço apertado.

- O que aconteceu, amor? - Resmungou em meio ao abraço, a voz exalava preocupação.
- Só um mal estar. - Sorriu com os braços ao redor da cintura do australiano. - Eu já estou bem!
- Oi, Fayo! Oi, Render! - Acenou com a mão para as duas mulheres.
- Como vai, ? - Fayola cumprimentou. - Cuide dessa teimosa e se precisar de algo, pode me chamar.
- Oi, . Faço das palavras da Fayo, as minhas, estamos às ordens.
- Obrigada! - olhou para as duas. - Amo vocês! - Jogou beijos no ar e então entrelaçou os dedos aos do marido e saíram andando, deixando as duas para trás.
- Bambola, fiquei preocupado com a mensagem da Fayola. – abriu a porta do carro para a mulher, ajudando-a se acomodar no banco, passou o cinto pelo corpo dela e prendeu, somente depois que se certificou que a italiana estava bem se afastou.
- Está tudo bem, amor. – disse ao ver o marido tomar o assento do motorista. – Eu bebi demais e não tinha comido.
- Quer ir ao hospital? – ligou o carro e engatou a primeira marcha, deu seta e então saiu. – Quer um sorvete? O que você quiser, eu faço! - negou com a cabeça se abaixou para desabotoar as sandálias e colocou os dois pés no banco, trazendo-os para perto de seu corpo. Soltou seu cinto e se aproximou do corpo do marido, passou seu braço por entre o dele e uniu as duas mãos, deitado a cabeça em seus ombro.
- Eu não preciso de mais nada. – Murmurou com os olhos fechados. - Só de você.


GLOSSÁRIO:

Negroni: O negroni é um coquetel feito de uma parte de gim, uma parte de vermute rosso, e uma parte de Campari, enfeitado com casca de laranja. É considerado um aperitivo. O coquetel é de origem italiana e sua receita deriva-se da receita do clássico americano.


Jean Bouchard Vosne Romanée: É um vinho produzido na Borgonha, é lembrado pela sua marca picante, aroma de frutas vermelhas e violeta. Com coloração vermelho claro, harmoniza com massas e molhos de ervas finas. Os vinhos produzidos na região de Borgonha são considerados os mais elegantes do mundo e sua safra de 1985 fez sucesso.


Odyssey: Restaurante em Monâco..


Capítulo 4

estava com os pés dentro da piscina do hotel Musoio*, onde estava hospedada junto com Daniel. A corrida da próxima semana seria em Monte Carlo, mas estava na França em uma reunião com sua equipe Renault, ela decidiu viajar com ele, tinha tirado férias, justamente para isso.
Estava quente aquele dia, muito quente e no ponto de vista da cantora, ela não gostava de calor, não se adaptava com aquela temperatura, o frio era mais fácil de controlar, um edredom, um conjunto de moletom e estava pronta para encarar o inverno.
A França aquela época do ano era tão quente que até o uso de roupas íntimas era difícil, foi por esse motivo que assim que saiu para ir a escuderia, foi para a piscina do hotel.
Estava com uma taça de cerveja sobre a beira da piscina, os cabelos presos em um coque e óculos de sol, as mãos atrás do corpo e o mesmo inclinado para que conseguisse absorver melhor os raios amarelos que brilhavam no céu canadense, tinha pedido algo para comer e aguardava ansiosamente já que seu estômago gritava dentro de si.
Na noite anterior teve uma dor de cabeça enorme que a impediu de comer direito, talvez por esse motivo tenha pedido comida para três pessoas e provavelmente comeria tudo, iria almoçar com a equipe e só voltaria mais tarde.
Sua cabeça ainda doía um pouco e estava começando a achar que poderia ser influência do sol forte que combinado à fome era o embate perfeito para fazê-la sentir-se mal. Por isso, retirou os pés da água, catou sua cerveja e foi para uma espreguiçadeira que coincidiu com o exato momento que seu pedido chegava, deu uns pulinhos que alegria que fez a moça que lhe trazia uma bandeja a olhar assustada.

- Deseja mais alguma coisa? – Perguntou, terminando de colocar sobre a pequena mesa os pratos.
- Quero mais cerveja, por favor. Pode trazer um balde com várias e muito gelo, estou quase com esse calor. – Tomou o último gole da cerveja e abanou-se, respirando fundo iria derreter naquele calor. Observou a moça assentir e só então percebeu a roupa que ela usava, calça, sapatos e uma blusa social branca. – Você não está com calor?
- Não senhora, na verdade o dia hoje está bem fresco. – Sorriu
- O quê? Fresco? Isso é impossível. – Pegou um amontado de batatas e colocou na boca, quase teve um orgasmo quando deglutiu o alimento. – Devem estar uns quarenta graus, no mínimo.
- Está somente vinte e quatro graus, está particularmente frio para o verão. – Tornou a explicar e arregalou os olhos pasma, aquilo não era possível. Se estava marcando aquela temperatura, por qual motivo seu corpo parecia prestes a explodir em suor? Aquela moça estava equivocada e olhado errado a marca de temperatura.
- Per Dio * Não acredito. – Sorriu e mais uma vez se abanou e soltou um pouco de ar pela boca em direção ao colo. – Traga muito gelo no balde, por favor. – A moça assentiu e se afastou, fazendo com que a cantora italiana voltasse toda a sua atenção para a comida em sua frente, tinha escolhido o clássico: batata frita, queijo derretido e molho de carne. É uma bomba calórica, mas uma pedida irresistível para a mulher.

sentou e colocou sobre o colo uma enorme vasilha com mantimentos, estava com preguiça de esticar o braço até a mesa e com o prato em mãos ficava mais fácil enfiar várias batatas na boca.
Estava entretida com a comida que não reparou a moça voltando com seu balde de cerveja, percebeu minutos mais tarde quando acabou a comida e passou a somente beber e chupar o gelo para que ele congelasse seus órgãos internos e a impedisse que sentir calor.
Quando constatou que não resolveria, pegou o balde e entrou na piscina com ele, deixando o corpo submerso pela água, foi outra tentativa nula de refresco, pois a água estava pelando parecendo querer que ela mudasse de pele.
Com um gemido de frustração a cantora saiu da água, pegou suas coisas, pediu mais cerveja e voltou para o quarto, ficaria bebendo cerveja no ar condicionado.
Horas mais tarde, quando entrou no quarto encontrou a mulher de lingerie e o quarto em um gelo. estava deitada na cama os olhos fechados, com fones de ouvido plugados em seu celular e uma garrafa de água com gás, vez ou outra bebia o líquido. Ao lado tinha um prato de poutine*, prato típico quebequense que era febre na cidade.
O piloto deixou a mochila no canto ao lado da porta, se aproximou da mulher e sentou-se à beirada da cama, tocando a pena da mulher e olhado ela despertar.

- Está querendo morrer congelada? – Questionou curioso roubando um pouco da comida no prato.
- Estou morrendo de calor. –Tirou os fones do ouvido jogando em qualquer lugar na cama. – Como você está conseguindo ficar vestido com isso? – Apontou a blusa de frio que o australiano trajava e arqueou a sobrancelha confuso.
- Bambola, você está se sentindo bem? – Colocou a mão sobre a testa dela verificando a temperatura e estava aparentemente normal. – Não está calor, está ventando muito.
- Está louco? Eu fiquei bebendo cerveja o dia todo, chupando gelo e coloquei o ar no máximo para ver se sinto menos calor.
- Isso são os hormônios, você deve estar entrando na TPM. – Concluiu, lhe beijou a testa e se pôs de pé. – Já prevejo dias tempestuosos com sua menstruação.
- Eu não estou de TPM. – Pontuou de maneira pertinente.
- Sim, deve chegar essa semana. – Respondeu estralando o pescoço.
- Mas espera, o que você quer dizer com dias tempestuosos? Está dizendo que fico chata na TPM? - Questionou com as mãos na cintura.
- Claro que não. - Respondeu rápido. - Eu quis dizer que seus hormônios ficam agitados e você sente calor, como agora, por exemplo.
- Eu estou sentindo calor pelo clima, não pelos meus hormônios. - assentiu seguindo para o banheiro, não ousaria discutir com ela entrando na TPM, tinha amor a sua vida.
- Não fuja de mim, Daniel. - Ela o seguiu até o banheiro e encostou o corpo na pia de frente para o espelho e observou entrar no box ligando imediatamente o chuveiro, deixando água molhar seu corpo.
- Não estou fugindo, amor. O que mais deseja que eu te responda? - Questionou, mas a mulher nada disse.

estranhou o silêncio e passou as mãos no rosto tirando o excesso de água, limpou o vidro do box com a mão para ter uma visão melhor dela que estava estática observando seu corpo. franziu o cenho com a cena. Ela virou o corpo do lado direito medindo o mesmo no espelho, depois o esquerdo. Virou-se para frente novamente e levou as mãos à barriga. Com o dedão e o indicador apertou um pouco do pedaço de pele puxando para frente, repetiu por três vezes, e virou-se para o piloto.

- Acha que estou gorda?
- Hein? - respondeu debaixo da água. - Acha que estou gorda? - Repetiu a pergunta dessa vez, porém encarou o homem.
- De onde você tirou isso? - Questionou com o cenho franzido, estava mesmo entrando na TPM e começando a fase mais descabida de todas as mulheres.
- Estou olhando no espelho e vendo que eu não tinha essa barriguinha aqui. - Tocou o pedaço de pele abaixo do umbigo para exemplificar.
- Eu não vejo nada. Para mim continua exatamente como antes. - forçou os olhos para tentar enxergar algo, mas não viu nada.
- Está dizendo que estou gorda desde antes? - Ela cerrou os olhos para ele, fuzilando-o, quase como se quisesse exterminar um verme.
- Meu Deus, não! - Ele jogou água no rosto, abriu o boxe do banheiro e encarou a mulher, que tinha a expressão dura e extremamente... sexy. - Mas você está longe, eu não consigo enxergar assim. Vem mais perto.

Ela sorriu e caminhou para ele, com o lábio preso entre os dentes.

- Consegue ver agora? - Ela entrou no box ficando centímetros de distância dele.
- Com certeza. - Ele tocou a barriga dela e começou a fazer um carinho com as unhas. – Você é uma delícia, não tem nada de errado com você. Se estiver engordado ou não, permaneceria uma delícia. - Puxou a mulher para si abraçando sua cintura.
- Hmm. Você fala isso somente para me agradar. - Fez um mini bico e cruzou os braços no pescoço do homem.
- Para te agradar, eu faço outra coisa. - Levou os lábios para o pescoço dela iniciando uma trilha de beijos. - Você é extremamente deliciosa. - Puxou seu lábio inferior com os dentes. Ela amoleceu sobre os braços do piloto, deixando-se ser levada para debaixo da água.
- Ah, que água quente . - Empurrou o homem se afastando da água. - Você quer me matar?
- Essa água não está quente, .
- Está sim. - Afirmou saindo do box. - Eu vou voltar para o ar condicionado. Não quero continuar sentindo calor. - Saiu por completo do banheiro deixando o australiano sozinho, com uma cara espantada.
- Mulheres e seus hormônios. - Murmurou sozinho, voltando para debaixo da água.
XXX


Na TV passava um episódio qualquer de Friends, não tinha a menor noção de qual é, não conseguia prestar atenção na televisão. Talvez pelo sono que a atingiu ou pela conversa que teve com Louise e Fayola no último encontro, insinuando que ela poderia estar grávida, e ela detestava pensar naquele assunto, por isso, tratou de limpar a mente e deixar o sono invadir o lugar.
Acabou deitada com a cabeça nas pernas do australiano, enquanto ele não desgrudava os olhos da série e lhe fazia carinho.

- Você anda dormindo bastante. - Comentou, desviando seus olhos da TV para olhar a mulher.
- Parece que tudo que não dormi nos dias de turnê, estão me invadindo agora. – Respondeu, não era uma desculpa qualquer, ela realmente acreditava que seus dias de trabalho intenso, estavam se manifestando agora.
- Quer que eu te leve para cama? – Questionou ainda mantendo o carinho em seus cabelos.
- Não. – Nega e ele apenas assente. – Mas estou com fome, não sei se cochilo mais um pouco ou se levanto para fazer o jantar.
- Faz sentido você estar com fome mesmo, não comeu nada o dia todo e ainda dormiu a maior parte dele. – Procurou entre os vãos do sofá o controle e pausou a série. – Eu vou fazer algo para você comer, ou então podemos pedir comida, já que não somos muito bons na cozinha. – Fez menção de tirar a cabeça da cantora de seu colo para se levantar, , porém levantou sozinha e sentou-se, ajeitando a alça da camisola que usava.
- Não, hoje é meu dia de fazer o jantar. – Sorriu para o marido.
- Não precisa ir, Bambola. – Tocou o rosto dela com o polegar, fazendo um carinho. – Eu vou, dorme e descansa mais.
- Eu te amo. – A mulher abriu o sorriso, era sempre tão carinhoso e fofo e mesmo assim ainda conseguia de surpreender com a forma como era tratada. - Eu sei. – Sorriu convencido. – E eu também te amo. Já que é assim, podemos cozinhar juntos.
- Isso nunca funciona, . – Protestou a mulher ao ver o marido se levantar.
- Nos filmes sempre funciona, precisamos descobrir o motivo de com a gente não. – Estendeu a mão para a mulher ajudando-a se levantar.
- A gente sempre acaba transando enquanto cozinha. – Observou a esposa e gargalhou.
- Droga, esse é um bom motivo para gente não conseguir cozinhar juntos. – Fez um mini bico e lhe beijou os lábios, mas logo empurrou o corpo do homem para que ele andasse, e assim que deu alguns passos, ela impulsionou seu corpo sobre as costas de , cruzando os braços em seu peito e ele abraçou suas pernas, seguiram dessa forma para a cozinha. – O que quer comer, Bambola?
- Carne.
- Podemos fazer costela com molho barbecue*. E é bom que eu me lembro um pouco da Austrália. – Ofereceu o piloto, colocando a esposa cuidadosamente no chão e indo até a pia para lavar as mãos.
- Devíamos trazer seus pais para passar uns dias conosco, amor. – prendeu os cabelos em um coque frouxo e também lavou as mãos.
- Sim, vou ligar para eles, combinar deles virem. Estão com a Michelle esses dias. – Respondeu abrindo a geladeira e pegado a carne suína.
- Saudades de Michelle também.- pegou o próprio celular para colocar música. – Nossa, amor, tem tempo que não vejo sua família, Per Dio!*- Murmurou a mulher e olhou para ela, e imediatamente lhe beijou os lábios rapidamente.
- Eu adoro quando você fala em italiano. – Explicou ao ver os olhos surpresos pelo gesto.

escolheu a música e deixou o telefone sobre a bancada, tocando - Two Feet - I Feel Like I'm Drowning. sorriu com a escolha sensual da música, era o estilo que movia a vida de , por diversas vezes a encontrava cantando e dançando sozinha.
A cantora caminhou até a sala, logo entrando a adega, pegou um vinho branco, aproveitou e desligou a televisão que ambos deixaram ligada, quando retornou a cozinha, já cortava a carne em pedaços.
Pegou as taças na cristaleira e de abriu o vinho com total habilidade, sobre os olhos atentos do homem que achava incrível como ela conseguia mover o saca-rolhas melhor que ele.
Serviu um pouco do vinho nas duas taças e se aproximou do marido, passando as duas mãos por sua cintura e deixando a taça sobre a pia, deu um beijo em suas costas e se afastou.

- Vou preparar o tempero então. – Anunciou após tomar um longo gole do líquido. Pegou a panela onde deixaria a água ferver para acrescentar a carne, encheu o recipiente com muita água e ligou o fogão em fogo médio, já deixando a mesma por lá.

A música trocou e agora tocava Adriano - Réchauffé - sorriu com a música e começou a mover o quadril no ritmo da melodia, deixando todo o clima da cozinha diferente, tomou um gole do vinho e olhou por cima dos ombros, vendo rebolar sensualmente e cantarolar baixinho a letra da música.


Dê play na música!


Sorriu sozinho com a maneira que ela conseguia enlouquecê-lo, totalmente sem qualquer intenção, seu corpo respondia a qualquer gesto que fizesse, assim como seu coração que já havia desenvolvido arritmia, acelerando toda vez que a mulher se aproximava.
O homem terminou de passar sal na carne e caminhou até o fogão, colocando a mesma na água quente, onde deveriam deixar ferver por aproximadamente dez minutos.
abaixou e abriu o armário, ficando com os joelhos no chão para retirar uma panela menor do fundo, encostou-se à bancada da cozinha com a taça em mãos, bebendo não somente o vinho, mas imagem da mulher debruçada.
Quando se colocou de pé, sentiu o olhar do marido sobre si e olhou por cima do ombro, mordendo o lábio inferior e dando um sorriso, voltou ao seu afazer e refogou cebola no óleo, acrescentou açúcar mascavo e também vinagre.

- Cuz i know u know what i like yeah... – cantou um pouco mais alto, e gargalhou, virando o último gole de sua bebida, caminhou até onde ela estava mexendo na panela e encostou seu corpo nas costas dela. Com a aproximação dos corpos seu coração bateu forte, as pernas tremiam e aquele calor ao sul de seu corpo se renovou, malditos efeitos de .
- Será mesmo que você sabe, querida. – Disse ele, aproximando os lábios de seu ouvido, referindo ao trecho da música que ela cantava.
- Por que não me diz, se sei. – Respondeu e sorriu, o ar que saiu de sua boca beijou a orelha de , fazendo-a estremecer. A mão direita dele passou por sua cintura, mas não ficou ali, segurou a garrafa de vinho e virou mais na taça da cantora, e também em sua própria.
- Acho que primeiro, você precisa misturar para o açúcar derreter. – Informou tirando lentamente sua mão com a taça e levando aos lábios, mexeu o corpo sentindo a protuberância do marido roçando em suas costas.

O ar da cozinha volta parecia carregado, quente... Até que ele bebeu mais um gole do vinho e colocou a taça ao lado da de , e finalmente colocou as mãos em sua cintura, ela arfou, precisando se apoiar. Ele riu baixo e lentamente desceu uma mão até a barra da camisola, enquanto a outra segurava sua barriga e puxava mais para ele.

- Vamos, , comece a mexer o molho. – Ele disse, escorregando os dedos por debaixo da camisola. – Você não disse que estava com fome? Não pode deixar isso queimar. - Ele começou a acariciar a coxa de em pequenos círculos e, com as mãos trêmulas, ela pegou a colher levando até a panela.
Ela tentou mexer, mas seu corpo respondia aos carinhos do marido e estava totalmente envolvido que não conseguia seguir o comando se mexer na panela.
Suspirando com falsa impaciência, , segurou seu pulso com a mão que antes acariciava sua coxa e começou a guiar os movimentos com a colher.- Assim, está vendo? – Ele explicou, mexendo a colher com a mão por cima da de enquanto lhe beijava o ombro – Eu vou largar a sua mão, mas você precisa continuar mexendo. Caso contrário, será punida por deixar queimar.– Ele disse, em tom divertido, pressionando o corpo da italiana com mais força contra o dele para deixar claro exatamente qual tipo de punição tinha em mente – Entendido?
- Sim. – Ela conseguiu resmungar, adorando a brincadeira, ela não estava errada, ele sabia exatamente do que ela gostava.

largou sua mão, colocando a dele na cintura. Com uma mão firmemente apoiada no fogão, ela continuou a mexer a outra, trêmula, tentando ao máximo mexer a mistura direita. A mão dele voltou a descer pela camisola, começando a levantá-la. Ao sentir o primeiro toque de seus dedos contra sua coxa, quase largou a colher, mas se recuperou a tempo. , atrás dela, riu satisfeito.

- Essa foi quase. – Ele murmurou contra o meu ouvido – O que eu te disse sobre parar? – Ele perguntou, enquanto seus dedos se aproximavam de sua calcinha – Acho que você gostou da ideia de punição... – Ele mordiscou o lóbulo de sua orelha, e a cantora segurou a colher com mais força – Talvez eu devesse parar. – Dizendo isso, afastou o rosto e seus dedos pararam o progresso que faziam.
- Não!
- Então continue a misturar, bambola – Ele disse, aproximando novamente os lábios da orelha e voltando a subir a mão, agora atingindo sua calcinha. Com um dedo, ele passou a acariciar o material ensopado entre as pernas da esposa. Ela gemeu, precisando se apoiar com mais força. – Olha só pra você... – Ele disse, em um falso tom decepcionado – Já está toda molhadinha para mim. – Juntando outro dedo ao que já explorava, ele começou a esfregar com mais força e mexeu o quadril, roçando suas nádegas na ereção latente do homem, que gemeu com o contato. Sem mais aviso, afastou um pouco a calcinha e deslizou os dedos para dentro dela. Ela soltou a colher e gemeu alto, tomada por necessidade daquele homem e por puro prazer. – Que delicia você é, abra a boca. – Ordenou e a mulher prontamente obedeceu, ele retirou seus dedos de dentro dela e os levou até sua boca. – Sente esse gosto delicioso.

Sorrindo, ela envolveu seu dedo com os lábios, o limpando devagar em movimentos circulares com a língua. Não pode deixar de rir ao escutar o gemido rouco do homem atrás de si.

- Vai rindo, vai... – Disse ele, em tom de provocação enquanto afastava o dedo. As mãos dele começaram a subir por seu corpo, partindo de cada lado da cintura e seguindo com toques firmes em direção aos seios. Quando finalmente atingiu a área, seus dedos deslizaram para os ombros, iniciando a massagem. – Coloque a carne no forno para assar e depois eu te deixo gozar. – Disse se afastando com a taça em mãos, andou até a bancada de mármore e tomou impulso para sentar-se lá, de onde conseguia ter a visão perfeita do que fazia.

Ela balançou a cabeça negativamente lançando-o um olhar quase assassino, como se fosse capaz de matá-lo somente por ter parado o que iniciaram. Bebeu mais vinho e pegou a travessa fazendo questão de empinar a bunda sabendo que tinha seus olhos totalmente presos sobre ela.
Ajeitou a carne e passou papel alumínio, ligou o forno e colocou a travessa, desligando o fogo do molho. Lavou as mãos e virou-se para encarar o homem, que deglutia, lentamente, o vinho.
Ela sorriu totalmente sensual, enquanto caminhava lentamente até ele. Os olhos presos por uma conexão de irmãs que descarregava eletricidade sobre seus corpos. Gerando uma imensa necessidade de estarem grudados e totalmente imersos na bolha que se formava ao redor.
Ainda caminhava quando a música mudou e o sorriso que estampou o rosto de fez todos os pelos do corpo de arrepiarem e no momento em que ela começou a dançar ao som de “Annie Lennox - I Put A Spell On You”, ele soube que estava perdido, cairia aos pés de com todo o prazer do mundo.


Dê play na música!


Ela permaneceu parada mexendo o corpo e requebrando os quadris. Jogava os cabelos para os lados e mordia o lábio com força. Sem tirar os olhos dele, que estava vidrado acompanhando o movimento com o olhar, hipnotizado.
Ela ficou de costas e jogou o cabelo para o lado, em um convite mudo para que ele se aproximasse e sem pensar duas vezes, , largou a taça ao lado e caminhou até ela.
Colou seus corpos através de uma mão pousada sobre o baixo ventre da mulher, que ela sentia queimar por dentro devido ao toque, poderia ser o álcool, se ela não se sentisse assim toda vez que ele a tocava.
Ela continuou dançando e gemeu quando ele embolou uma das mãos em seus fios e o puxou lentamente.
Ela se mexia contra o corpo quente do homem, sentindo a respiração pesada dele em seu pescoço. Desceu lentamente, esfregando-se nele, deixou a taça no chão antes de subir, levando junto a camisa que ele usava e deixando que as unhas passeassem pelo corpo do piloto sem pena. O grunhido dele foi sua aprovação, e a forma como as mãos começavam a explorar seu corpo sem pudor, a recompensa. Subiram pelas coxas, demorando-se sobre o elástico da calcinha, que ele testou com os dedos, e então alcançaram os seios.
soltou um gemido rouco ao encontrar os mamilos de tão enrijecidos e sentiu seu membro pulsar ao ouvi-la gritar quando os apertou sem pena: não era segredo que ela gostava, e a forma como roçou a bunda com ainda mais força contra ele era prova disso.

- Seus seios estão maiores. – Soltou em seu ouvido, enquanto apertava os mesmos.
- Impressão sua. – Respondeu ainda mexendo o corpo, delirando com os toques de seu marido.
- Não é impressão minha, eu conheço cada pedacinho do seu corpo. – Tocou os mamilos entumecidos e os aperta, geme mais uma vez, dessa vez levando as mãos para trás, tocando a ereção de sobre a calça de moletom.

Ele a girou pela cintura deixando-a de frente e então beijou seus lábios com força. Iniciando a batalha sexual que os compete todas as vezes, adorando sentir o gosto um do outro daquela forma. Ele dá passos para trás até sentir seu corpo bater contra a bancada, e então gira novamente os corpos, enlaçando a cintura da mulher e colocando-a sentada sobre a mesma. Se metendo entre suas pernas e esfregando a ereção em sua intimidade.

- Vamos logo com isso, . Quero você dentro de mim. – Implora e para de beijá-la, apenas para aproveitar a imagem de seu rosto piedoso clamando por ele.

Ele sorriu e então se aproxima novamente, esfregando o polegar nos lábios de que aproveita para chupar como seu fosse o volume no meio de suas pernas, gemeu baixo e em seu momento de distração enlaçou as pernas em sua cintura, trazendo para mais perto e tocando o pau por cima da calça, em poucos segundos abaixou a mesma e a cueca foi junto, sorriu satisfeita ao sentir a rigidez daquele homem em suas mãos. Todo dela.

- Hoje nós vamos brincar um pouquinho, bambola. – Anuncia e com todo esforço do mundo tira as mãos da mulher de si, terminando de tirar as roupas e chutando para longe.
- Do que você está falando? – Esbraveja um pouco irritada pela demora em tê-lo dentro dela. Ele dá alguns passos para trás e pega o vinho, voltado rapidamente para perto dela, que já se livrava da camisola.
- Hoje eu vou provar você com outra coisa que amo. – Virou o vinho em sua boca, tomando um pouco no gargalo. Posiciona-se no meio de suas pernas e agora o olha com atenção. – Abra mais as pernas.
Assim ela o faz com uma satisfação gritante, porque sabia perfeitamente bem que ele vai fazê-la tremer deliciosamente. Essa é uma das verdades que os rodeiam, não há nada no mundo que se sobressaia a vontade de satisfazer qualquer mínima vontade de ambos. faz qualquer coisa para proporcionar prazer a sua mulher.
Ela inclina um pouco o corpo para trás e a bebida cai sobre seu corpo. Ele se abaixa lambendo sua barriga, dando pequenas mordidas no local. A pele vai adquirindo uma coloração avermelhada, fazendo com que ele queira marcá-la por inteiro.
Antes que possa se aventurar por um tempo interminável em seus seios, resolve derramar o líquido claro em sua intimidade, por cima da calcinha.
lambe o local com voracidade. emite um gemido e morde o lábio inferior, uma forma de tentar se controlar. A intenção de é clara quando ataca novamente sua boceta, circulando seu clitóris com a língua. Segura sua calcinha para conseguir ter sucesso no que faz. E quando a vê, completamente inebriada com o prazer que recebe, puxa com força a lateral da calcinha, fazendo-a rasgar de imediato.
ergue o corpo e volta sua atenção para os seios inchados da mulher. Derruba o líquido sobre eles e passa a lamber lentamente ambos. se contorce e busca algo para se agarrar, como não encontra, os ombros do piloto tornam-se alvos de suas unhas.
Ele puxa um dos bicos e o prende entre os dentes. Isso é o suficiente para que um gritinho escape por sua boca e a pele do homem seja machucada por suas unhas sem piedade alguma, sem qualquer preocupação ele puxa seus mamilos sem desgrudar de seus olhos e ela aperta suas pernas em volta de sua cintura.

- Agora eu vou molhar de novo sua boceta e vou chupá-la como você merece.
- Isso é delicioso. – Comentou, inclinando o tronco para frente, amparando-se nos cotovelos.
-Você gosta assim, bambola? – Pergunta molhando sua intimidade e passando a língua pela mesma. Chupa o líquido do vinho e não consegue segurar um gemido que se forma dentro dele. é tão deliciosa, que é viciado em seu gosto.

A mulher gritou quando sentiu a lambida em seu clitóris. Fechou os olhos e respirou com força. moveu a língua por toda extensão da intimidade de , brincando com os grandes e pequenos lábios, sugando seu clitóris e ameaçando penetrá-la com a língua. A cada movimento da boca de , a mulher gemia mais alto, sem nenhum pudor. Movia o quadril em direção à boca dele, buscando mais contato. segurou-a nas coxas, mantendo-a parada e sugou seu clitóris com um pouco mais de força. grunhiu alto, abandonando os ombros e segurando nos cabelos de puxando com força.
E então o orgasmo veio, as pernas dela tremeram e se deliciou com o gosto, era forte e poderoso, assim como a sensação que apossou de seu corpo também.
Ele não dá tempo para que ela se recuperasse, tira sua boca e imediatamente se introduz dentro dela.
E, porra... é como estar no paraíso. O seu paraíso particular.
Ainda com o desejo de liberar mais prazer a , passa a estimular seu clitóris totalmente inchado, sentindo-a ainda se contorcer.

- Puta merda. Você é tão gostosa.- Ele segura em sua cintura intensificando o movimento de vai e vem, dando uma profundidade maior em sua penetração. Ela encara seus olhos e então o beija, suas línguas se embolam na mesma intensidade que suas intimidades se exploram.
Ela encerra o beijo e o empurra com as mãos, fazendo com que saia de dentro dela, no mesmo instante que a próxima música da Playlist se inicia, dessa vez seriam ditados por Prisioner do Indie soul 2 . Mediante o olhar confuso do marido, sorri e desce da mesa.


Dê play na música!


- Quero você na minha boca, . – Ajoelhando-se com um sorriso sacana para a visão absurdamente excitante de completamente duro, encarando-a com o mais puro desejo.
- Você vai estragar a brincadeira, bambola- Ele cerrou os punhos, agarrando os cabelos de em um rabo de cavalo que não deixava dúvidas quanto ao seu desejo. - Me chupa bem gostoso então.- não desviou o olhar do rosto do piloto quando chupou a cabeça de seu pau pela primeira vez, roçando os dentes levemente pela área. Ela sugou sua glande algumas vezes, antes de descer a boca por seu pau e engoli-lo até o talo. Ele Sentiu a garganta dela pressionar sua glande e gemeu novamente. – Porra, .

Ela o enfiou inteiro em sua boca uma, duas, três vezes. A cada estocada, gemia e puxava os cabelos da nuca dela. Voltou a chupa-lo com maestria, usando a canhota para segurar a base do pau dele e acariciar a parte de que não cabia em sua boca. Usou a outra mão para arranhar as coxas de e segurar em sua bunda, deixando-o ainda mais excitado do que nunca.
Ele latejava em sua boca e poderia supor que ele gozaria em breve. Afastou a boca do pênis dele e chupou suas bolas, deixando um beijo cálido na cabeça de seu pau e levantando novamente.
Beijou os lábios dele novamente e logo se afastou apoiando as duas mãos na bancada e empinando o quadril, deixando claro a posição de queria.
Sem qualquer cerimônia meteu nela novamente.
gemeu alto, rebolando contra o quadril de assim que ele retirou o pau de dentro dela, apenas para estocar novamente, com mais força e mais fundo. Recebeu um tapa na bunda e um giro de quadril dele, fazendo gritar. Ele deslizou com facilidade para dentro dela, cada vez mais rápido, mais forte e mais fundo.
A cada estocada, sentia a pressão dos músculos internos da boceta dela contra seu pau e gemia, voltando a meter com agilidade. A cada tapa que dava na bunda da cantora, ela gemia alto, sufocando os gritos de prazer. Rebolava contra o quadril de , procurando por mais fricção entre seus corpos.

- Gostosa. – gemeu, segurando os cabelos de pela nuca e puxando-a de encontro ao seu tronco. As costas dela grudaram no peito dele e envolveu a cintura dela com o braço direito. apoiou as mãos nas coxas de , de forma a sincronizar seus movimentos. Ele estocava com força e ela sentava em seu cacete, rebolando a bunda e apertando o pau dele quando o sentia completo dentro de si. grudou a boca na nuca da mulher, sugando sua pele sem um pingo de gentileza, enquanto a tensão crescia em sua pélvis. Não demoraria muito a gozar e queria que o acompanhasse.
, eu vou... . – Ela gemeu novamente, causando um turbilhão de sensações no piloto. Ele adorava ouvi-la gemer, principalmente quando tinha seu cacete dentro dela.
- Goza pra mim, vai... – Ela ronronou, acelerando o movimento. retesou a postura, a fim de convocar seu autocontrole, e intensificou o toque dos dedos que a estimulavam e a deixavam ainda mais molhada, o piloto aumentou o ritmo das investidas, puxando-a contra ele pela cintura, e bastou que o acompanhasse nos movimentos algumas vezes e gemesse alto com o prazer de um novo orgasmo, para que se derramasse de vez dentro dela.

buscava controlar a própria respiração, os músculos exaustos pelo prazer intenso, fez uma trilha de beijos nos ombros e costas dela, e a girou para beijá-la novamente nos lábios.

- Eu disse que não dava certo a gente cozinhar juntos. – Ela brincou, entre os lábios dele ao mesmo instante que o forno apitava que a carne estava pronta.
- Vamos comer mesmo assim. – Anunciou. – Eu te amo.
- Eu também te amo. – Abraçou a esposa, e naquele instante, realmente tinham o mundo inteiro ali, à distância de um toque.
XXX


girou o corpo na cama e sentiu que havia mais espaço do que o normal. era muito espaçosa e durante a noite sempre tomava toda a coberta para si, e rolava tanto na cama que por várias vezes quase jogara o marido no chão.
O australiano esticou o braço direito e tateou ao seu lado, procurando a cantora, após alguns segundos constatou que não havia qualquer vestígio do corpo de .
Soltou um suspiro pela boca, abriu os olhos, bateu os mesmos no relógio ao lado da cabeceira vendo que era por volta das cinco da manhã, onde estaria àquela hora?
Coçou os olhos e sentou-se na cama, girando a cabeça por todo o quarto, na tentativa de identificar o paradeiro da mulher.
Assustou-se ao escutar gemidos vindos do banheiro, acompanhado de barulhos estranhos que indicavam que algo estava errado.
Rapidamente, chutou as cobertas e caminhou até lá, a preocupação tomando conta de si. Alguns dias antes precisou buscar a esposa no jantar com as amigas, por que esta passava mal, apesar dela repetir diversas vezes que estava bem, não tinha certeza se acreditava totalmente na mulher.
Dentro do banheiro, a encontrou debruçada sobre o vaso sanitário, os cabelos embolados no topo da cabeça, as duas mãos abraçavam as laterais da privada e vomitava copiosamente.
arqueou as sobrancelhas surpreso e por alguns segundos não soube o que fazer, primeiro levou a mão até o interruptor para trazer luz ao local.

-Droga, amor. - Assobiou o piloto após alguns segundos. - Eu te disse que deveria cozinhar no jantar, olha aí o resultado. Na próxima, pedimos comida. - Fez gracinha e gargalhou ao ver a cantora lhe dar o dedo do meio.
-Vai se ferrar, ). - Respondeu ainda com a cabeça na mesma posição, mais uma vez o piloto gargalhou, e só então se aproximou da esposa, encostando-se na bancada da pia.
-O que aconteceu, amor? - Questionou tocando o ombro da esposa.
-Acordei com o estômago embrulhado. - Respondeu após alguns segundos, fechou a tampa do vaso sanitário, deu descarga e colocou-se de pé, passou pelo homem indo lavar o rosto. - Coloquei para fora até meu coração.
-Amor, você tem vomitado tanto, devíamos procurar um médico. -Sugeriu , tocando a cintura da esposa.

lavou o rosto e escovou os dentes, secou cuidadosamente com a toalha de rosto e girou o corpo, na direção do marido.

-Eu estou bem, amor. - Sorriu fraco. - Realmente foi o jantar.
-Não estou certo disso. O que custa irmos ao médico? Você está vomitando muito, tem ficado mais pálida. - Enquadrou o rosto da mulher.
-Eu estou bem, mas prometo que vou ao médico essa semana. - Deu um selinho no homem que meneou a cabeça positivamente dando mais um beijo casto nos lábios da cantora.
-Quer que eu vá até a cozinha e pegue algo para você? - Entrelaçou seus dedos aos de e ambos voltaram para o quarto.
-Não, amor. - Negou com a cabeça, subindo na cama. - Eu vou deitar de novo e dormir, estou cansada.
-Cansada de quê? Você só tem dormindo esses dias. - estava perplexo com a notícia, realmente nos últimos dias mais permanecia dormindo do que acordada, qualquer coisa que iam iniciar em casa que não envolvesse sexo ou exercício físico, dormia.

) Já perdera a conta de quantos filmes diferentes tentaram assistir e dormiu na metade.

-Eu não só dormir, sentei muito em você também. - Resmungou e gargalhou também se deitando na cama e rolando o corpo para abraçar a esposa, ele passou o braço direito por debaixo da cabeça dela e a esquerda rodeou sua cintura.
-Isso também é verdade. - Deu um beijo carinhoso em que se aconchegou mais ao marido.
-O que você vai fazer hoje durante o dia? - relaxou sobre o carinho que fazia em seus cabelos.
-Eu tenho uma reunião sobre o novo design das camisas que estou montando da Helmet collection*. Depois venho para casa. Você vai almoçar com a Fayola, certo?
-Uhum, ela vem me buscar e vamos falar sobre a ONG, ela quer me fazer uma proposta ou algo assim. - O tom de voz era baixíssimo e se não estivesse com seus ouvidos tão próximos jamais teria escutado o que fora proferido.

Esticou um pouco mais o rosto para visualizar se a mulher já havia adormecido, não se surpreendeu em nada ao constatar que estava em repouso. Deu um beijo nos cabelos da italiana e enfiou seu rosto na curva de seu pescoço, inalando o cheiro bom que vinha dela, fechou os olhos por alguns para dormir por mais alguns minutos até dar a hora de sair de casa.
XXX


- Eu gosto desse tom de azul mais claro. – segurava o tecido em mãos analisando calmamente. – Acho que fazer em tons claros pode ser uma ótima ideia. Eu quero adicionar na tabela de tamanhos, os femininos, o público da fórmula um não se compete mais somente a homens, acho importante ter equipamentos para elas também. – Constatou por fim.
- Eu gosto da ideia. – Rhude, o design responsável pela arte da coleção de camisas de anotava pontualmente tudo em sua caderneta.

Fazia aproximadamente três horas que o australiano estava nessa reunião. Na primeira parte do dia, eles ficaram experimentando roupas e sapatos, para depois irem para o escritório e resolverem a parte burocrática.
tinha um estilo muito particular, gostava de camisas, bermudas e tênis, dificilmente trajava outra coisa, às vezes o obrigava a colocar uma calça, ou camisa mais arrumada, mas no geral, ela adorava o estilo do marido e como ele vestia de maneira exótica – palavras dela.
Como um apreciador de sua moda particular, alguns anos atrás, decidiu criar uma loja pessoal, com seu número das pistas e também da sorte, o número três, sempre com as iniciais de seus nomes estampados. Não havia somente roupas, como bonés, capacetes, garrafas de água, mochilas e demais utensílios que seus fãs compartilhavam e adoravam adquirir.

- O que acha de colocarmos algumas outras cores para chamar a atenção do público feminino? Rosa, coral, vermelho... – Sua fala foi cortada pelo toque gritante do celular de , o piloto se assustou em primeiro momento, mas logo tratou de tirar o celular do bolso e sem ao menos olhar na tela, apertou o botão ao lado direito do aparelho, para silenciar o toque. Provavelmente não era nada que merecesse sua atenção, tinha um toque especial, assim como seus pais, além deles, ninguém era tão importante para interromper sua reunião.
- Me desculpe, Rhude. Pode seguir. – Cruzou a perna direita sobre a esquerda e recostou o corpo sobre a poltrona, o celular estava em seu colo e com a tela para baixo.
- Acho que esse ponto de equipamentos femininos tem muito potencial. O que acha que acrescentar regatas na linha de produção? Canecas é uma ótima opção para o público feminino e... – Mais uma vez o toque do celular do piloto estrondou a sala. – Atende, . Pode ser importante.

O australiano pegou o celular e olhou para a tela, o nome de Fayola Davies brilhava no visor. Franziu o cenho em confusão, não entendia o motivo que levaria a psicóloga telefonar aquela hora, poderia ser algo relacionado a fórmula um, a equipe médica estava iniciando o trabalho com as escuderias e pilotos.

-Olá, Fayo. – Cumprimentou.
- , como vai? – A voz calma e doce de Fayola penetrou seus tímpanos.
- Tudo bem e com você?
- Estou muito bem, obrigada. – Puxou o ar. – Você está em casa? Eu vim buscar a para almoçarmos, mas ela não me atende.
- Hm, não. – Sentiu o peito palpitar de leve. – Mas está, hoje cedo ela disse que vocês iriam almoçar. Já ligou para ela?
- Sim, eu vim até aqui para ver se estava tudo bem. Desde cedo ela não responde minhas mensagens e não atende as ligações, imaginei que ela poderia ter esquecido, por isso vim mesmo assim.
- Ela não esqueceu, estava ciente quando eu saí de casa. – Tinha alguma coisa errada, não abriria mão de um almoço com a amiga e era extremamente pontual, ao contrário de si mesmo, não encaixava em nada a situação e por isso decidiu intervir. - Fayo, eu estou indo. Chego em dez minutos, continue tentando falar com ela, por favor.
- Não venha correndo, não é nada demais, as vezes ela só dormiu. – Fayola tentou confortar o homem que àquela hora já se colocava de pé, pronto para sair.
- Estou chegando, me espere. - Ele disse, com firmeza, desligando o celular. – Eu sinto muito, Rhude. Eu preciso ir aconteceu alguma coisa com minha esposa.
- Não se preocupe, vou remarcar e te aviso. – Foi com em direção a saída do ateliê, abriu a porta e deixou que o australiano saísse primeiro, ajeitando o óculo sobre o rosto. – Me dê noticias, espero que esteja tudo bem.
- Eu também espero. – Murmurou para si mesmo, destravando o carro e entrando no mesmo.
XXX

Embora o caminho da residência de e Cornello até o bairro onde ateliê de Rhude se encontrava,demorasse, em média, um pouco quarenta minutos, , pilotando sua McLaren azul, conseguira atravessar essa distância em pouco mais de quinze minutos, com o pé firme no acelerador, mantendo o carro religiosamente acima de 200 quilômetros por hora.
Não tinha o hábito de correr no sinal, deixava a velocidade exclusivamente para as pistas, mas algo dentro dele gritava para que chegasse até sua mulher imediatamente.
vivia repetindo que estava bem, entretanto, não acreditava na esposa. Estava mal, andava pálida, vomitando muito, dormindo ao extremo e comendo pouco, provavelmente estava com anemia, para dizer o mínimo, precisavam com urgência de um médico e dessa vez não aceitaria as desculpas da esposa, iria levá-la em um hospital no exato instante que colocasse os olhos nela.
Entrou no condomínio e avistou o enorme jardim que separava a calçada da entrada da casa, as plantações de lilás de estavam no canto esquerdo do jardim, bem próximas à cerca, uma estátua de um anão, duende ou flamingo estava exposta; aquela era uma mania de Cornello que ninguém tem coragem de contrariar.
Ela adorava expor essas estátuas.
Fayola estava na porta da casa, com o telefone encaixado sobre a orelha e o próprio ombro. A primeira coisa que tomou a visão descompassada de foi o tom de amarelo vivo na calça da psicóloga.
Piscou os olhos algumas vezes para recobrar a sanidade e escorregou para fora do carro, caminhando rápido enquanto tateava os bolsos da bermuda a procura das chaves da porta principal.

- Ainda sem notícias? – Questionou o piloto a amiga, assim que encaixou a chave na fechadura.
- Não, ninguém sabe e sequer tem notícias dela. – Respondeu a negra, vendo a tensão estampada no rosto do piloto. Tinha convicção do quanto eram apaixonados e a possibilidade de ter algo errado com apavorava .
-Amor. – Gritou finalmente quando abriu a porta. Correu os olhos pelo hall de entrada procurando vestígios da cantora, mas não havia absolutamente nada. – ? – Tentou outra vez caminhando em direção a cozinha também verificando o cômodo.

Fayola também entrou em casa e foi em direção ao escritório que era fixado na parte inferior da casa, gostava de compor no local e a amiga sabia. Também não tinha qualquer vestígio dela, a psicóloga saiu afobada do escritório e encontrou o homem voltando à sala, após olhar na parte de trás, onde tinha a área gourmet.
Ele balançou a cabeça negativamente ao cruzar o olhar com Fayola, aquele momento o coração explodindo no peito, precisava encontrar .
Subiu os degraus de dois em dois, afobado, sem qualquer desejo de esperar. Se tivesse acontecido algo, jamais se perdoaria. Saiu de casa horas mais cedo e deixou a mulher dormindo, era para ela estar em casa, ela não tinha o hábito de desligar o celular e era precavida sempre andando com o carregador portátil, raramente ficava sem bateria.
Chegou ao corredor principal de acesso e seguiu direto para o quarto que dividia com a mulher, já que Fayola por si só verificava os outros quartos e banheiros.
No quarto ela não estava, algumas peças de roupa estavam espalhadas sobre a cama, sinal que ela estava escolhendo o que vestir. respirou fundo, puxando ar com força sentindo o desespero se apossar de seu corpo. Levou as mãos ao cabelo, desesperado, e puxou os fios, soltando o ar que inalou segundos antes, até que seus olhos baterem no par de pantufas em frente à suíte. Correu até lá e quando colocou seus pés dentro do enorme banheiro. A encontrou .

- Fayola! – Berrou o mais alto que pôde, chegando perto do corpo. Ela estava desmaiada perto da banheira, tinha um roupão branco enrolado no corpo e a testa escorria sangue, provavelmente acontecera uma queda. Seus olhos embargaram com a visão, seu cérebro parou de receber seus comandos, já que não suas pernas não se moveram mais. – Ai, meu Deus! Amor, acorda. – Encaixou as duas mãos no rosto da esposa, chacoalhando a mesma em uma tentativa nula de fazê-la abrir os olhos. – , pelo amor de Deus, amor, abre os olhos. – Permaneceu mexendo com a mulher, enquanto lágrimas molhavam seu rosto e cada célula de corpo parecia estar congelada.
- Se acalma! Ela está respirando, olhe. – A voz de Fayola tomou o ambiente, ela se aproximou dos dois e apontou com o dedo indicador para o peito da cantora, que subia e descia. – Ela está respirando. – Se aproximou mais da amiga, analisando a mesma deitada. Tinha marcas de lágrimas na bochecha, analisou a pupilas e as viu não reativas, contou a respiração com seu próprio pulso, e também os batimentos cardíacos, lhe beliscou duas vezes, sem reação a dor, e por fim o machucado em sua testa, um pequeno corte, talvez alguns pontos fossem dados. – Chama uma ambulância.
- Bambola. – Pronunciou com a voz falhando enquanto pegava mais uma vez o celular, mas suas mãos tremiam em desespero e ao perceber isso, Fayola se levantou segurando as duas mãos do homem lhe dando firmeza ao toque.
- Ela está bem, . Caiu e bateu a cabeça, ela vai ficar bem. – Anunciou com toda a calma que possuía, estava em choque e ela sabia que não era fácil para ele presenciar essa cena. – Eu vou ligar para a emergência. – Ele assentiu sentindo lágrimas descerem por seu rosto.

Não podia perder , não existia vida sem aquela mulher. era sua vida.
Não existia vida sem reclamar de como seu café era sempre forte demais e vê-la cantar no chuveiro como se ninguém estivesse ouvindo. Ou almoçar a comida italiana que ela aprendera a fazer com sua mãe, e perturbá-la pedindo que lhe ensinasse a receita – o que ela nunca fazia. Queria ver um filme agarrados no sofá da sala, mesmo sabendo que ela sempre dormia no meio, e ainda assim teimava em discutir o final.
Qualquer possibilidade de perder aquela mulher significava o final de sua vida, como se enfiar dentro de uma piscina e prender a respiração. Era como ser sufocado lentamente sem a possibilidade de conseguir puxar o ar e morrer em agonia.
Viver sem era apenas existir, era não ter cor, brilho a mera vontade de permanecer com os olhos abertos durante um dia comum.

XXX

Fayola subiu pelas escadas até o terceiro andar, não tinha tempo para esperar o elevador. Seus saltos barulhentos na escada a deixava incomodada, sentiu uma vontade irritante de tirá-los, e assim os fez, arrancou os sapatos Armani do pé e continuou subindo as escadas, ela parecia flutuar com a sensação que causava leveza em seu corpo.
Abriu a porta que dava acesso ao corredor principal e se apoiou na parede para calçar novamente os sapatos. No bolso de sua calça o celular vibrou com a notificação de uma mensagem, não se surpreendeu ao perceber que era Louise Rousseau-Render, pedindo por mais notícias, havia sido informada assim que chegaram ao hospital, quarenta minutos atrás.
Digitou rapidamente uma resposta informando o andar e dizendo que sua entrada estava liberada na entrada.
A psicóloga avistou sentado no chão, seu joelho estava entre as pernas e do jeito que os ombros balançavam parecia chorar. Não havia mais ninguém no corredor, por causa da imprensa eles pediram que fosse exclusivo o andar para o conforto da família e amigos.
Davies respirou fundo e se direcionou até o amigo. Encostou-se à parede e escorregou o corpo até estar sentada no chão, junto com . Tocou o ombro do homem e este levantou os olhos, procurando saber quem era. Sentiu alívio em seus olhos quando encontrou o rosto sereno da amiga que lhe ofereceu um sorriso sem dizer qualquer palavra.
entendeu o gesto e assentiu com a cabeça. Os olhos estavam tão vermelhos que poderia ser confundido facilmente com um usuário de drogas, os cabelos estavam bagunçados pela quantidade de vezes que os puxava em desespero. Sua respiração descompassada era assustadora assim como a tremedeira que se apossou se seu corpo.
Se Fayola não conhecesse bem o amigo, diria claramente que poderia estar enfrentando uma crise de abstinência, e se analisasse calmamente talvez ele estivesse mesmo.
A falta de , para , era semelhante ao um usuários de drogas sem seu objeto de maior ligação e vício.
A negra esticou o braço direito e passou pelos ombros do australiano trazendo o corpo dele para perto, deixando com que se apoiasse em seu próprio corpo.
O homem relaxou o corpo junto ao de Fayola e logo chorava novamente, os movimentos do ombro balançando assim como os gemidos que escapavam de seus lábios, eram torturantes. E nem ele podia explicar a dor que parecia sentir. Não havia notícias, não tinha nada que indicasse que ela estava bem, que estava viva. A falta de informação era torturante e deixava o homem ainda mais desesperado.
O carinho e apoio de Fayola o faziam sentir-se melhor, mas ainda assim era extremamente insuportável ficar sem ela.
O telefone de Fayola tocou, e ela precisou se afastar, murmurando um “Droga, esqueci-me do Reed” , pediu licença e se afastou do piloto com o celular na orelha.
secou os olhos e encostou a cabeça na parede atrás de si, e uma memória invadiu sua mente, no dia em que colocou os olhos sobre pela primeira vez.

Nova York, 2010

Dirigir na chuva era horrível, principalmente em Nova York. Detestava, mas precisava chegar rápido ao aeroporto com ele e Susie, sua namorada, perderiam o voo, e precisavam estar na Espanha em doze horas para disputar um grande prêmio de fórmula um.
O que veio a seguir foi muito confuso, um vulto apareceu no meio do caminho e por total instinto pisou com força no freio.
percebeu que era uma mulher por causa dos cabelos enormes que caíram para frente quando ela espalmou as mãos no capô do carro, se recuperando do baque. saiu do carro.

- Você é maluca moça? – Disse se aproximando dela. Logo ficou encharcado também devido à chuva forte que caia. – Você apareceu do nada, devia olhar por onde anda.
- Me desculpe, eu.... Só me desculpe.
- Moça, você está bem? – tomou um tom preocupado, será que havia se machucado? A culpa com certeza seria sua e talvez precisasse procurar um hospital. A mulher piscou os olhos e ergueu a cabeça para encará-lo. Ela possuía olhos tão incrivelmente bonitos que sentiu o impacto daquelas orbes sobre si e por um instante desejou jamais sair da mira deles.
- Sim, eu ... sim estou. – Respondeu incerta, o homem deu mais passo e tocou os braços dela.
– Você precisa de algo? Está sozinha na chuva, eu quase te atropelei. . – Questionou mais uma vez.
– Eu preciso ir. – Olhou para os lados preocupada.
– Está fugindo de alguém?
– De um passado que me prende, preciso andar rápido senão ele me alcança. - Ela deu um sorriso mínimo, ajeitou a bolsa no ombro.
– Vamos , está chovendo. Ela já disse que não precisa de nada. – Outra voz se fez presente, desta vez foi Susie que estava dentro do veículo. – Anda logo, amor.

O homem não desviou os olhos de , retirou o próprio casaco e colocou sobre os ombros da moça, mesmo estando molhado e não resolvendo de muita coisa, ela sorriu em agradecimento e os olhos dele brilharam quando o mesmo acompanhou o movimento.

– Obrigada. – Deu dois passos para se afastar, dessa vez mais calma e com cuidado para chegar ao seu destino em segurança.
– Moça. – Chamou. – Você vai conseguir, sempre tem como controlar o resultado da corrida da vida. Você consegue seguir em frente. Eu acredito em você. – Ele sorriu mais uma vez, esticando o dedão em forma de joia, ela assentiu e voltou a caminhar.
- Obrigada, moço! E obrigada por não me atropelar, você é muito bom no volante.
- Eles costumam me dizer isso. – Respondeu mais alto e a mulher sorriu e acenou com a mão mais uma vez. Até que a silhueta da mulher sumisse na rua escura e chuvosa, ele permaneceu com seus olhos sobre ela.


Um mínimo sorriso nasceu em seus lábios com a lembrança do primeiro encontro e em como ele pensou naquela garota da chuva por muitos meses, até que a reencontrou novamente, na mesma cidade.

, Nova York ,2011 estava no aeroporto, iriam embarcar para a Inglaterra em poucos minutos. O voo estava atrasado, e isso a irritava, se soubesse que demoraria tanto teria colocado um sapato mais confortável.
Sentiu a bexiga reclamar, pela quantidade de água ingerida e precisava ir ao banheiro. Começou a caminhar em direção as cabines, quando sentiu um esbarrão em seu corpo e ao mesmo tempo sentiu algo a molhar.
Molhar seu vestido.
Seu vestido branco.
A onda de raiva que percorreu seu corpo foi incontrolável, a sensação do pano grudando em seu corpo a fez arrepiar, o tecido gelado em sua pele quente, teve que respirar fundo várias vezes para não gritar.
– Qual é o seu problema? Não enxerga por acaso. – Perguntou passando a mão inutilmente em seu vestido, tentando limpá-lo. Uma corrente de vento já percorria seu corpo, ainda não estava sentindo frio, porque a fúria lhe esquentava o sangue.
– Desculpe, foi sem querer. – Aquela voz rouca e sexy disse , porém não se deu nem ao trabalho de levantar a cabeça para olhar quem era, sua atenção estava totalmente em sua roupa, que agora estava transparente. – Vou pegar guardanapo. – Falou, a mulher rolou os olhos.
– Como se isso fosse limpar meu vestido. Pegue essa bebida e enfie no... – foi incapaz de concluir a frase, sua classe não permitia. E finalmente levantou a cabeça para encarar a pessoa em sua frente.

Ele tinha os olhos tão escuros que se olhasse mais de perto, se perderia em sua imensidão. A pele morena era o contraste perfeito com a sua própria. A expressão estava leve, talvez um pouco divertida, não soube decifrar muita coisa, sentia as mãos dele tentando tocar seu vestido com guardanapos, e ela lhe segurou o punho com força.

– Estou tentando ajudar. – O homem disse firme, a encarando. E a primeira coisa que percebeu, foi que ela não usava maquiagem e sua beleza era sem a menor dúvida estonteante.
– Me ajudaria muito não molhando meu vestido, devia prestar mais atenção por onde anda.

A cantora permaneceu falando, ele nada respondeu, seus olhos estavam fixos na transparência nítida do vestido, ele conseguia enxergar o umbigo dela e consequentemente o pedaço da barriga, sua imaginação o levou pensar em todo o resto.

– Hey – lhe empurrou. – Para de olhar assim para mim, seu tarado imbecil – A mulher exclamou perplexa, ao perceber os olhos escuros do homem a devorando lentamente.
– Eu não sou um tarado, mas também não sou cego. – Respondeu divertido, arqueou a sobrancelha.
– Engraçado que não parece. – Ela sentiu suas bochechas esquentarem. – Já que você me deixou, molhada.

O homem riu. Uma risada rouca, e pervertida. Aquela mulher não tinha ideia da sensação que causou no homem, e ao perceber que ele se divertia, ela rolou os olhos e lhe estapeou.

– Espere um pouco. – O homem cerrou os olhos, observando com cautela os traços do rosto da bela mulher, tinha a sensação que o conhecia, buscou por dentre as memórias até que sua mente o transportou para um dia chuvoso em Nova York, estava indo para o aeroporto e quase atropelou uma mulher que estava desvairada. – Eu te conheço. – Disse sorrindo. – Eu quase te atropelei uns tempos atrás, você estava andando na chuva. - Toda a raiva de se dissipou e ela sorriu a se lembrar do ocorrido, o homem que havia sido extremamente gentil e lhe ajudado com palavras incentivadoras.
– Eu me lembro. – Sua postura relaxou. – Eu estava fugindo do meu passado.
– Sim, você disse. – Ele sorriu e soltou um barulho de alívio com a boca. – Sou . – estendeu a mão para cumprimentá-la.
. – Apertou a mão do homem, sentindo seu toque firme e quente. – Obrigada por aquela noite.
– Foi um prazer. – Ele não soltou suas mãos e procurou os olhos dela com intensidade. – Ainda permanece fugindo do seu passado? deu o sorriso mais lindo que pôde enxergar. O coração saltou no peito com o brilho que os olhos dela emanaram.
– Não, agora estou livre.



Dali em diante não se desgrudaram mais. O primeiro beijo se encaixou como em nenhum outro. E no exato momento em que se beijaram pela primeira vez, ele soube que jamais seria capaz de se afastar dela. Chegou a mandar ela se afastar e ela não quis, sabiam que estava destinado para ser. Os corpos se encaixaram no sexo, no convivo do dia a dia, mas acima de todas as coisas, o verdadeiro encaixe foi o de almas.
sempre gostava de dizer que o amor já havia os encontrado antes mesmo dos corações se conhecerem.
Não é por acaso que corações se encontram, que almas se conectam, que vidas compõem uma mesma história; há um propósito maior, divino, especial.
e Cornello não eram obra do acaso, não existe o acaso e sim um encontro de almas que já estavam predestinadas a se encontrar, tem pessoas que se abraça apenas com o olhar e sente uma paz interior sem explicação, e tudo acontece de uma maneira espontânea, fazendo com que sejam atraídos por uma harmonia benéfica, trazendo conforto espiritual e a necessidade de dar continuidade e de se abrigar um na vida do outro, e juntos trilhar o mesmo caminho.
Isso era o significado do amor de e .

Um barulho de salto no corredor despertou de suas memórias, levantou a cabeça e viu que Louise Rousseau- Render caminhava pelo corredor. Estava com os cabelos soltos, óculos escuros, trajava um vestido verde comprido e segurava sua bolsa com firmeza na mão direita, ela procurava qualquer pessoa que pudesse lhe passar informações.
Assim que seus olhos bateram no australiano sentado ao chão, parou de caminhar e tirou os óculos do rosto, compadecida com a cena. Deu mais alguns passos e ofereceu um sorriso doce

-Alguma notícia? – Perguntou ajeitando a bolsa no ombro.
- Nenhuma. – Respondeu em tom baixo. – Obrigado por vir, eu ... ela.. e ...
- Está tudo bem, . – Ela percebeu a insegurança e desespero do piloto e se aproximou mais, abaixando-se e tocando-lhe o ombro. – Eu jamais deixaria de vir, eu estou aqui para o que precisarem. – Sorriu mais uma vez. – O furacão Cornello é forte, eu tenho certeza que vai superar o que quer que seja. – se permitiu um sorriso.
- Obrigado.

Mais um barulho de salto e dessa vez veio acompanhado da figura de Fayola que segurava uma xícara de café em mãos.

- Olá, Lou! – Sorriu abraçando a amiga e depois se direcionou para . – Eu trouxe um café, sei que não quer comer e nem beber nada, mas eu preciso que você tome pelo menos esse café, não pode ficar aqui todo esse tempo e acabar passando mal também.
- Eu não quero, estou bem.
- , não é uma opção. – Louise interferiu, às vezes ele tinha comportamentos semelhantes ao de Alex, seu menino. – Tome dois goles do café e a Fayola te deixa em paz.
- Exatamente. – Esticou a caneca mais uma vez, insistindo e aceitou contrariado.

As duas mulheres sorriram satisfeita e iam fazer menção de se afastar para conversarem, todavia, foram interrompidas por uma porta se abrindo, um homem baixo se aproximou devidamente paramentado. Daniel saltou do chão em um pulo e cercou os médicos como a polícia se faz com um bandido, secava as mãos na bermuda totalmente ansioso.

- Responsável por Antonella ?- O médico perguntou conferindo algo na prancheta.
- Eu sou o marido dela. - Respondeu afoito. – Como ela está? Eu possa vê-la? - O médico empurrou os óculos no rosto e tornou a olhar a prancheta.
- Na ficha não consta que ela é casada. – Observou levantando uma folha para verificar a informação.
- Nós não somos casados no papel. – Pronunciar as palavras foi doloroso, e ele odiava falar sobre o assunto. – Por favor, me diga como ela está?
- Infelizmente eu só posso dar informações para a família. – O médico respondeu friamente. – Como vocês são casados, eu não po...
- Você está maluco? – O tom de voz frio de fez Fayola se assustar. – Está me dizendo que eu não posso ter noticias da minha mulher, por causa de um papel que nós não temos? – Questionou perplexo e deu um passo para frente em direção ao médico, que deu alguns para trás, claramente fugindo do piloto.
- Senhor, eu entendo que está frustrado, mas são as regras...
- Foda-se as regras, eu quero saber da minha mulher agora, e você trate de me dizer, caso contrario, eu vou...
- . – Fayola correu até o homem segurando seu braço fazendo-o parar e então ficou entre o médico e o piloto, Louise também deu um passo para frente. – Se acalme,. Violência só vai piorar tudo aqui. – Pediu séria e girou para encontrar o homem. – Doutor... – Correu os olhos até encontrar o nome no jaleco. – Parker, eu entendo que existem protocolos, eu também trabalho na área da saúde, mas olhe para esse homem. Está preocupado e desesperado por noticias da mulher, nós somos a família da , peço que tenha um pouco de empatia por esse homem, caso o senhor na possa nos ajudar, eu vou precisar falar com o chefe do hospital. – Fayola completou a fala com tanta classe que Louise Rosseau-Render acreditou que ela estava somente informando seu pedido para uma garçonete.
- Eu sou a chefe do hospital, o que está acontecendo? – Mais uma voz pintou naquele imenso corredor. Uma voz feminina que veio de uma médica que acabara de sair do quarto de . Era alta, loira e tinha lindos olhos azuis, estava com um tablete em mãos e sorriu ao se aproximar dos presentes.
- Eles estão querendo informações sobre a senhorita , mas não são da família, eu não posso passar qualquer noticia. – Explicou o homem sobre o olhar atento da médica.
- Pelo amor de Deus, eu sou o marido dela. – praticamente berrou, irritado, triste e confuso. Só queria escutar que ela estava viva, que estava bem.
- Eu entendo senhor, mas como eu disse, na ficha não consta que ela é casada e eu não permitir que o senh..
- Eu vou te mostrar o que você não pode fazer. – Passou pelo corpo de Fayola e segurou os dois lados do jaleco do doutor Parker, trazendo-para frente e deixando seus rostos muito perto. – Você tem três segundos para me dizer como minha mulher está, caso contrario, precisara de um quarto nesse hospital.
- , pelo amor de Deus. – Louise se pronunciou tocando o ombro do piloto que sequer a olhou. – , solte esse homem.
- , isso não ajuda em nada. – Fayola se juntou a Louise e as duas conseguiram puxar o australiano que estava possesso e prensando um médico na parede.
- Senhor, por favor, se acalme. – Pediu a médica ao ver o piloto se afastando dois passos. – Noah, por favor, pode deixar que eu assumo daqui. – Sua voz estava calma, mas a ordem fora clara, e sem pensar duas vezes o médico se afastou em passos rápidos sem olhar para trás.
- Doutora, nós só queremos noticias da . – Pediu Louise. – Entendemos o protocolo, mas não podem ocultar informações sobre a esposa de um homem.
- Eu compreendo, e peço desculpar pelo doutor Parker, existem protocolos, mas precisos entender onde eles precisam ser aplicado. – A médica ofereceu um sorriso. – Meu nome é Emmanuelle Perez, eu sou a diretora chefe do hospital e também do departamento de Ginecologia e obstetrícia.
- Como a minha mulher está? – repetiu a pergunta, entupido pela raiva.
- Nós fizemos uma tomografia e radiografamos a cabeça, por causa da queda. – Iniciou uma explicação. – Está tudo limpo e correto, nós precisamos suturar o corte da lateral da testa, foram apenas três pontos, tudo indica pela posição e profundidade, o que aconteceu foi uma queda onde bateu a cabeça.

Suspiros aliviados foram ouvidos.

- Ela está bem então?
- Sim, está tudo bem. – Respondeu contente. – Eu sou ginecologista e fui chamada por causa da situação gestacional, mas nós fizemos todos os exames e tudo me parece em perfeita ordem, tanto como o b...
- Situação gestacional? – Arqueou a sobrancelha e piscou um pouco confuso, sem conseguir entender o que fato aquilo significava.
- Sim, a senhorita está grávida de cinco semanas. – Respondeu simples e a expressão espantosa que surgiu no rosto de fez a médica franzir o cenho. De uma expressão de possessão absurda ele assumiu uma surpresa absurda. Levou a mão a boca, e deu alguns pulinhos em puro êxtase.
- O quê? Grávida? Meu Deus. – O piloto girou o corpo e encarou as duas mulheres que trocavam olhares cúmplices após a notícia. Louise balançou a cabeça negativamente e deu um sorriso, ela sabia, só e não perceberam do que se tratava. – Eu vou ser pai, vocês ouviram isso? Eu vou ser pai. Caralho, caralho, ai meu Deus. – Explodiu em lágrimas e a médica se aproximou do homem, preocupada.
- O senhor precisa de um copo com água? – Questionou observando-o.
- Ele só está emocionado. – Fayola tomou a palavra enquanto Louise tocava o ombro de .
- Ele não sabia da gestação? – A médica andou até a parede e apertou o recipiente que continha álcool em gel e os espalhou pelas mãos, higienizando-a.
- Eu não sabia de nada. – Secou as lágrimas com as costas da mão. – Ela estava passando mal, vomitando, dormindo muito e comendo pouco, mas como ela toma remédio jamais imaginamos que poderia ser um bebê. Meu Deus, é um bebê.

- A também não sabe que está grávida?
- Não, doutora. Ela não sabia de nada. – Afirmou Fayola.
- Isso explica muita coisa, realmente os exames mostravam um pouco de anemia, pode ser pela falta de alimento e também o excesso de vômito. Mas o ideal é que se inicie um pré-natal para mantermos a saúde dela e do bebe em perfeito estado.
- Nós podemos vê-la? – Louise perguntou.
- Ela permanece dormindo, está com soro e medicamentos para se hidratar. Eu vou deixar que a visitem, mas peço que se contenham com as emoções. – Olhou para que encarava o nada com uma expressão abobada no rosto. Ele sequer percebeu que havia falando com ele, então não respondeu.

Fayola riu e Louise rolou os olhos, estava embasbacado.

- Nós cuidaremos disso, doutora. – Respondeu a jornalista.
- Obrigada. – Fayola esticou a mão e cumprimentou a médica, está lhe ofereceu um sorriso e se aproximou do piloto.
- Parabéns pelo bebe. – Disse e se afastou.

não esperou a médica caminhar muito e foi totalmente afoito em direção ao quarto da mulher, Louise e Fayola olharam a cena e depois se entreolharam, incertas do que fazer, não tinham tanta certeza quanto à reação de sobre essa gravidez.

- Eu disse que era um bebê. – A jornalista deu de ombros e Fayola gargalhou.



Para ficar por dentro das atualizações da fanfic tem duas formas nas redes sociais: O grupo no facebook:


E o grupo do whatsapp: LorenaUniverse.



Glossário:
Musoio: Hotel Fictício.
Poutine: O poutine é um prato canadense originário da província de Quebec, consistindo de batatas fritas e queijo coalho coberto com um molho de carne.
Per Dio: Por Deus, em Italiano.
Helmet collection: Coleção que Daniel Ricciardo lançou em comemoração as cores de seu capacete na McLaren.


Continua...



Nota da autora:Oi, meu amores!! Como vocês estão??
Esse capítulo veio com todo amor, passamos por alguns momentos tensos, mas depois veio a bonança com esse casal que eu amo demais.
Escrever com eles é muito fácil e parte disso pelo fato de amar muito eles. Como será que nossa PP vai reagir com essa novidade? O que você acha que vai acontecer?

Lembrando que: William Reed, Michael Madden e Louise Rosseau- Render, não são meus personagens, são única e exclusivamente personagens da linda da Carmen, que além de uma grande amiga, é um autora foda, vocês conseguem conhecer mais da escuderia François-Render lá em: The Curve of a Dream.

Também já está disponível a história da divina Dr. Fayola Davies, a psicóloga que está dominando a fórmula um, com sua beleza e competência, vá conhecê-la em: The Good Place

Além disso, você ainda consegue acompanhar uma outra historia incrível lá em: Merci Pour Les Voituires Rapides

Lembrando que o disqus estä com problemas, para comentar voce pode AQUI.

Um beijo enorme de purpurina e nos vemos na próxima!!





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