Capitulo Único
só percebeu que o havia chegado quando ouviu a porta da sala bater com força o suficiente para fazer a guirlanda chacoalhar.
— ! — ele gritou, empolgado demais para ser normal. — Onde você tá? Cadê você? Você não vai acreditar!
Ela apareceu no corredor, com Amelie no colo, balançando a menina de um lado para o outro.
— O que foi agora, ? — perguntou, desconfiada, porque com ele nunca é só “nada demais”.
Ele estava sorrindo. Não o sorriso normal. O sorriso. Aquele que significava confusão chegando, problema instalado, caos garantido.
— Eu tive uma ideia genial. — Ele ergueu três sacolas enormes, estampadas com renas, flocos de neve e glitter. — Pro nosso primeiro Natal com ela!
— … o que você fez?— estreitou os olhos.
Ele foi até ela, beijou a bochecha da filha primeiro — sempre a primeira — e depois olhou para como quem estava tentando se segurar para não explodir de animação.
— Eu comprei fantasias. — Ele abriu a primeira sacola com dramaticidade. — Tcharam! — Puxou uma roupa de Papai Noel. Macia, fofa, com aquela barra branca peludinha e um gorro enorme — Essa é minha. — ele disse, com orgulho. — essa aqui… — abriu a segunda sacola. Uma fantasia minúscula, verde e vermelha, com botõezinhos dourados e um chapeuzinho torto de duende. — …é da Amélie.
— Meu Deus, ela vai ficar a coisa mais linda — não aguentou e riu.
— Né? — ele respondeu, encantado, olhando para a filha como se o mundo inteiro coubesse ali.
Mas então ele abriu a terceira sacola.
— Ah, não.. — parou de rir. Na verdade, ela arregalou os olhos.
— Ah, sim. — ele respondeu, todo feliz.
. — … isso é… isso é para mim? — pegou a fantasia com dois dedos, como se fosse radioativa
. — Sim! — ele bateu palmas, contente. — Você vai de árvore!
. — Eu vou de árvore? Jura? Porque? — Ela encarava o vestido verde estruturado, cheio de círculos vermelhos e uma estrela dourada gigante que iria ficar literalmente na cabeça dela.
— É que é o primeiro Natal da Amelie — ele explicava, sério demais para ser levado a sério. — E eu adorei essa fantasia. Eu juro, , eu ia de árvore…
— Ia?
— …mas alguém tem que ser o Papai Noel, né?
— Por que eu tenho que ser a árvore? — Ela cruzou os braços, mordendo a língua para não rir do absurdo.
— Porque, ou era isso ou a rena e eu achei menos humilhante e você ficaria em pé com essa — ele falava como se fosse óbvio. — A árvore tem destaque no natal também e você é o destaque dessa casa, se não fosse você eu nem sei o que seria da gente. — Ele brincava com a mãozinha de Amelie enquanto dizia aquilo. — E eu acho que tem tudo a ver com você, iluminada, especial, combina.
— , isso nem faz sentido — Embora achasse graça naquela fantasia, queria socar a cara dele.
— Faz sim. — Ele chegou mais perto, com aquele sorriso leve que sempre a desmontava. — Por favor. Vai ficar perfeita. Prometo.
Ele empurrou a fantasia para as mãos dela.
olhava para a Amélie, que a encarava com expressão neutra de bebê… mas que, de algum jeito, parecia um julgamento silencioso.
— Você também tá do lado dele, né? — ela resmungou para a bebê.
riu alto.Sabendo que aquela era uma deixa de que ela usaria a fantasia.
— Tá. Mas com uma condição.— respirou fundo. Se rendendo, como sempre acaba se rendendo a ele.
— Qualquer coisa.
— Eu vou de árvore e você vai montar a decoração da casa toda até o Natal. E vai me ajudar a entrar nisso, para que a minha estrela não fique capengando.
— Fechado. — Ele piscou. — E eu coloco luzes pisca-pisca em você se você quiser.
— Nem chega perto de mim com pisca-pisca, .
Ele levantou as mãos, inocente. Mas sorrindo.Aquele sorriso vitorioso.
🎄🎄🎄
A sala estava um caos: sacolas abertas, enfeites pelo chão, tentando vestir a Amélie, ela querendo pegar a bola azul brilhante que deveria estar na árvore de natal de verdade que não tinha terminado de arrumar até aquela véspera de natal e parada no meio da sala… de árvore. A estrela na cabeça dela balançando cada vez que ela respirava.
— Não olha pra mim assim — ela resmungava para , que nem tentava disfarçar o sorriso idiota.
— Você tá linda. — ele disse, segurando o riso.
— Eu pareço um pinheiro deprimido.
Ele abriu a boca para responder, mas a campainha tocou.
— Ah! — quase pula, terminando de abotoar o último botão do macacão de Amelie e a colocando no cercadinho. — É o !
Ele correu e abriu a porta, e o entrou todo elegante, com um casaco claro, um sorriso enorme e equilibrando três travessas de comida como se tivesse nascido para ser anfitrião profissional.
— Feliz Natal! — disse com orgulho, levantando uma travessa. — A ceia chegou!
— Graças a Deus… Achei que não conseguiria vir, o restaurante deve estar cheio. — O alívio é palpável na voz de que ajudava o irmão a carregar a comida.
— Meu sócio entendeu que era o primeiro natal da minha sobrinha e eu não perderia isso por nada, e eu sabia que era capaz de botarem fogo na casa tentando assar qualquer coisa minimamente comestível — respondeu, passando por ele para entrar também na casa.
Antes de começar a se gabar pela comida maravilhosa que carregava viu a . Parou por exatamente três segundos, depois explodiu em gargalhadas, as escandalosas gargalhadas características do mais velho.
— MEU DEUS, ! — apoiou uma das travessas na mesa para não derrubar tudo. — Você… você é uma árvore! Uma árvore REAL! Com estrela e tudo!
— Fui coagida.— cruzou os braços, e a estrela fez um plim sonoro e visual.
— E ficou perfeita — disse, já tirando o celular para tirar foto. — Vou enquadrar isso, esse é o melhor natal de todos. Nossos pais vão adorar ver isso, que azar a Vovó ficar doente justo agora, além deles perderem o primeiro natal da neta deles, perderam essa cena incrível. — não conseguia parar de rir, estava ficando vermelho.
— Não! — ela tentou esconder o rosto, mas como esconder o rosto quando ele estava literalmente colado a um pinheiro gigante?
Apesar dos protestos, tirou umas cinco fotos, rindo o tempo todo.
A campainha tocou de novo.
— Abriiiiindo! — gritou, indo até a porta, ainda ajeitando o gorro de Papai Noel.
Desta vez entram , , e — todos carregando presentes enormes, coloridos, barulhentos… e claramente caros demais para uma bebê que ainda colocava o próprio pé na boca.
— Feliz Natal! — gritou, radiante.
— Cadê a nossa princesa? — perguntou, procurando a Amélie com olhos brilhando.
— Trouxemos meia loja de presentes — informou, sério. — Só o necessário.
entrou por último, discreto, com uma caixa média, embalada de forma impecável. Ele levantou os olhos e viu em forma de árvore. Ele parou, respirou fundo.
— Não vou nem perguntar. — Soltou, num tom morto de quem não aguenta mais.
Os meninos olharam para ela e explodiram. Todos ao mesmo tempo.
— ELA TEM UMA ESTRELA! — foi o primeiro a gritar em meio às risadas.
— MANO, ELA É UMA ÁRVORE DE VERDADE! — seguiu no embalo do amigo e no mesmo tom.
— , VOCÊ TÁ HILÁRIA! — estava no mesmo tom, mas no chão de tanto rir, tentando puxar o celular do bolso. — EU PRECISO DE UMA FOTO, POR FAVOR!
— Eu odeio vocês. TODOS vocês — suspirou derrotada.
Mas a Amélie, que a essa altura já estava de volta ao colo do , batia as mãozinhas empolgada, como se estivesse aprovando a fantasia da “árvore” com entusiasmo infantil.
— Tá vendo, princesa? Esse é o nosso primeiro Natal. — sorriu, passando a mão na cabeça da filha, falando baixinho.
— E o último que eu visto isso — completou.
— Aham, claro. — debochou.
— Você diz isso agora — cantarolou, já tirando mais fotos.
— Mas você sabe que combina — riu.
— Se você ficar ali do lado do sofá, a gente pode colocar os presentes reais aos seus pés. — , que estava parado no canto, acrescentou.
— ! — ela protestou.
— O que foi? — ele deu de ombros. — Árvores de Natal ficam no canto da sala. Só tô seguindo a lógica.
riu tão alto que quase deixou o gorro cair.
tentou manter a pose de ofendida, mas quando olhou para a sala lotada, para os meninos brincando com a Amélie, para o ajeitando a ceia como o chefe de cozinha que era, e para sorrindo como se estivesse vendo o melhor dia da vida dele… Ela acabou sorrindo também.
🎄🎄🎄
— Ok, ok! — bateu palmas. — Todo mundo junto pra foto oficial do primeiro Natal da Amélie!
— Ai, meu Deus — resmungou, tentando arrumar a estrela que insistia em pender para o lado.
— , fica na frente — disse, segurando o riso. — Você é a árvore.
— Claro, porquê a árvore é decoração, né? — ela retrucou.
— Isso! — confirmou, feliz demais. — Você entendeu o espírito natalino!
Os meninos se posicionam ao redor dela. armou o tripé como se estivesse fotografando uma capa de revista.
pegou a Amélie no colo tentando fazer ela olhar para a câmera.
— Amélie, olha aqui pra titia árvore! — brincou, depois do segundo flash.
A bebê realmente olhou, e riu.
— HA! Tá vendo? — apontava para a mulher. — Ela ama a árvore.
revirou os olhos… mas acabou sorrindo também, estava feliz que aquela palhaçada estava entretendo não só os rapazes, mas também a neném.
Eles fazem umas vinte fotos.
— Perfeitas — disse, com um sorriso largo e satisfeito. — Perfeitas.
— Ok, ok. Chega de fotos. — disse pegando Amélie do colo de e levando ela para o meio da sala, sentando com ela no chão. — É hora dos presentes.
Imediatamente os meninos cercaram a bebê como se fosse um ritual.
— Esse é meu! — falou, empurrando um embrulho enorme.
— Devagar, , ela tem sete meses — murmurou.
— Exatamente, ela não vai abrir sozinha. Eu ajudo. — respondeu já rasgando o papel.
— Gente! — tentou protestar. — Ela devia pelo menos participar na hora de abrir…
Mas foi tarde, o pacote já estava todo rasgado pelo chão.
O presente do era um urso de pelúcia maior do que a própria Amélie.
— Meu Deus. — ela encarou o ursão. — , isso dá pra ela dormir?
— Nessa vida ou na próxima — comentou.
deu um chocalho musical que tocava sete músicas diferentes e fazia sons de animais.
trouxe roupas — todas estilosas, minúsculas e com glitter.
deu uma caixa cheia de comidas para bebê feitas por ele (“porque comida processada NÃO!”) e ela já estava na fase da introdução alimentar, então nada melhor que ter um tio chef de cozinha.
levou um cobertor macio com estampa de borboletas e o nome “Amélie” bordado.
— Obrigada irmão. — disse feliz quando viu o presente do mais velho, ele sabia que ela amava borboletas e mesmo sem querer projetava isso na menor, que se encantava também com tudo que tinha aquele formato.
— É Natal — disse, olhando para outro lado porque não sabia lidar direito com aquele tipo de emoção. — Não exagera.
E então percebeu algo.
— E esse presente aí? — ela perguntou, olhando para a caixa discreta que tentava esconder atrás das costas.
— Esse… esse é especial. — Ele arregalou os olhos.
— Especial como? — perguntou imediatamente.
— Queremos saber — foi no embalo.
— Eu também — cruzou os braços, fazendo a estrela balançar.
— É… pra ela — disse, olhando para a Amélie.
Ele entregou a caixa pequena nas mãos da , porque a bebê não conseguia segurar sozinha.
Ela abriu devagar, dramatizando mais que o necessário aquele momento.
Era uma moldura.
Dentro dela, uma foto deles três: , e Amélie. Tirada no dia que ele recebeu a bebê, no reflexo de uma vitrine espelhava que eles passaram quando estavam comprando as roupinhas e móveis do quarto da menina. A primeira foto deles como… quase uma família.
— Que lindo … Vai ficar a coisa mais linda no quarto dela. — disse com um sorriso enorme e um pequeno aperto quente no peito.
Ele deu de ombros, tímido, como se não tivesse feito nada demais.
— É que… sei lá. Eu queria lembrar. Do nosso começo, quer dizer, acho que deveríamos eternizar isso para a Amelie.
Nenhum dos meninos falou nada. Até eles entendiam quando algo realmente importava.
— Eu amei. — respirou fundo e sorriu, um sorriso suave, sincero.
devolveu o sorriso. Aquele sorriso.
— Ai, olha eles sendo fofos. Tô com diabetes, ainda dizem que esse casamento “falso”, vai ser falso mesmo, eles tem até um porta retratos em família. — E , claro, quebrou o momento.
— Cala a boca, — e disseram ao mesmo tempo.
🎄🎄🎄
Amelie estava quase dormindo depois de brincar com todos os brinquedos que ganhou e mamar a sua merecida mamadeira, quando escutaram gritar da cozinha.
— GENTE, A COMIDA TÁ PRONTA!
— Finalmente! — correu para a cozinha.
— Cuidado com a árvore no tapete! — gritou.
— Eu não sou mobília, ! — reclama. — Pra mim é. — ele respondeu. — Mas uma mobília muito bonita.
Eles comeram, em meio às conversas e risadas.
deu purê de batata para Amélie pela primeira vez, e pareceu que ela gostou mais de usar como hidratante capilar do que como comida.
fingiu não se importar, mas limpou a testa dela com cuidado, retirando o prato da frente da menina para que ela não enfiasse o alimento orelha a baixo, colocando um potinho com banana amassada, que todos sabiam que ela gostava.
tentou colocar um chapéu de rena nela, sem sucesso também, quando ela arrancou o objeto e jogou longe.
continuava tirando fotos de tudo.
E , dentro daquela fantasia que era verde demais para o gosto dela, observava tudo.
O caos.
Os gritos.
As risadas.
A bebê.
E claro, sorrindo para ela, olhos brilhantes, como se aquele momento fosse o melhor presente que ele poderia ter recebido de natal durante toda a sua vida.
Era bom, perfeito para ser mais exata.
🎄🎄🎄
Quando os meninos foram embora e a casa finalmente silenciou, foi recolhendo os restos dos papéis enquanto a estrela balançava cansada em sua cabeça.
apareceu, segurando a Amélie que agora dormia profundamente.
— Ei… — ele disse baixinho. — Vem ver isso.
Ela se aproximou, e ele a levou até a janela, lá fora, neve leve caindo, luzes coloridas piscando e lá dentro da casa, a luz ambarada, deixava aquele momento quente, tranquilo, íntimo, confortável. Diferente de qualquer coisa que eles já viveram.
olhou para Amélie, que respirava suavemente, aqueles remédios que estava tomando realmente estavam ajudando na respiração da pequena, e ele tinha medo de quando isso acabaria, estava feliz, mas sempre apreensivo com aquela doença.
— Foi um bom Natal, né? — Ele perguntou, mas como quem afirmava do que realmente perguntava.
— Foi sim. — respondeu igualmente tranquila, estava mesmo feliz e sossegada.
Ele olhou para ela, para o topo da “árvore”, e tirou a estrela com cuidado, como se ela fosse feita de vidro.
O gesto foi tão delicado que fez o coração dela bater errado, ela sabia que não deveria sentir aquilo, mas foi meio inevitável, não significava nada para ela, mas era difícil controlar.
— Obrigada, … por tudo.
— Pelo quê? — ela perguntou, meio sem entender, se fosse por aquela fantasia horrível, teria que ser mais que um simples agradecimento.
— Por estar aqui. Com a gente. Fazendo tudo ficar… mais fácil. — Ele sorriu, calmo, carinhoso e realmente grato.
— Feliz Natal, .
— Feliz Natal, .
E por alguns segundos — longos, lentos, quase perigosos — eles ficaram assim: juntos, com a Amélie dormindo entre eles, como se fossem uma família inteira.
De árvore ou não, era o Natal mais bonito que ela já tinha vivido.
— ! — ele gritou, empolgado demais para ser normal. — Onde você tá? Cadê você? Você não vai acreditar!
Ela apareceu no corredor, com Amelie no colo, balançando a menina de um lado para o outro.
— O que foi agora, ? — perguntou, desconfiada, porque com ele nunca é só “nada demais”.
Ele estava sorrindo. Não o sorriso normal. O sorriso. Aquele que significava confusão chegando, problema instalado, caos garantido.
— Eu tive uma ideia genial. — Ele ergueu três sacolas enormes, estampadas com renas, flocos de neve e glitter. — Pro nosso primeiro Natal com ela!
— … o que você fez?— estreitou os olhos.
Ele foi até ela, beijou a bochecha da filha primeiro — sempre a primeira — e depois olhou para como quem estava tentando se segurar para não explodir de animação.
— Eu comprei fantasias. — Ele abriu a primeira sacola com dramaticidade. — Tcharam! — Puxou uma roupa de Papai Noel. Macia, fofa, com aquela barra branca peludinha e um gorro enorme — Essa é minha. — ele disse, com orgulho. — essa aqui… — abriu a segunda sacola. Uma fantasia minúscula, verde e vermelha, com botõezinhos dourados e um chapeuzinho torto de duende. — …é da Amélie.
— Meu Deus, ela vai ficar a coisa mais linda — não aguentou e riu.
— Né? — ele respondeu, encantado, olhando para a filha como se o mundo inteiro coubesse ali.
Mas então ele abriu a terceira sacola.
— Ah, não.. — parou de rir. Na verdade, ela arregalou os olhos.
— Ah, sim. — ele respondeu, todo feliz.
. — … isso é… isso é para mim? — pegou a fantasia com dois dedos, como se fosse radioativa
. — Sim! — ele bateu palmas, contente. — Você vai de árvore!
. — Eu vou de árvore? Jura? Porque? — Ela encarava o vestido verde estruturado, cheio de círculos vermelhos e uma estrela dourada gigante que iria ficar literalmente na cabeça dela.
— É que é o primeiro Natal da Amelie — ele explicava, sério demais para ser levado a sério. — E eu adorei essa fantasia. Eu juro, , eu ia de árvore…
— Ia?
— …mas alguém tem que ser o Papai Noel, né?
— Por que eu tenho que ser a árvore? — Ela cruzou os braços, mordendo a língua para não rir do absurdo.
— Porque, ou era isso ou a rena e eu achei menos humilhante e você ficaria em pé com essa — ele falava como se fosse óbvio. — A árvore tem destaque no natal também e você é o destaque dessa casa, se não fosse você eu nem sei o que seria da gente. — Ele brincava com a mãozinha de Amelie enquanto dizia aquilo. — E eu acho que tem tudo a ver com você, iluminada, especial, combina.
— , isso nem faz sentido — Embora achasse graça naquela fantasia, queria socar a cara dele.
— Faz sim. — Ele chegou mais perto, com aquele sorriso leve que sempre a desmontava. — Por favor. Vai ficar perfeita. Prometo.
Ele empurrou a fantasia para as mãos dela.
olhava para a Amélie, que a encarava com expressão neutra de bebê… mas que, de algum jeito, parecia um julgamento silencioso.
— Você também tá do lado dele, né? — ela resmungou para a bebê.
riu alto.Sabendo que aquela era uma deixa de que ela usaria a fantasia.
— Tá. Mas com uma condição.— respirou fundo. Se rendendo, como sempre acaba se rendendo a ele.
— Qualquer coisa.
— Eu vou de árvore e você vai montar a decoração da casa toda até o Natal. E vai me ajudar a entrar nisso, para que a minha estrela não fique capengando.
— Fechado. — Ele piscou. — E eu coloco luzes pisca-pisca em você se você quiser.
— Nem chega perto de mim com pisca-pisca, .
Ele levantou as mãos, inocente. Mas sorrindo.Aquele sorriso vitorioso.
A sala estava um caos: sacolas abertas, enfeites pelo chão, tentando vestir a Amélie, ela querendo pegar a bola azul brilhante que deveria estar na árvore de natal de verdade que não tinha terminado de arrumar até aquela véspera de natal e parada no meio da sala… de árvore. A estrela na cabeça dela balançando cada vez que ela respirava.
— Não olha pra mim assim — ela resmungava para , que nem tentava disfarçar o sorriso idiota.
— Você tá linda. — ele disse, segurando o riso.
— Eu pareço um pinheiro deprimido.
Ele abriu a boca para responder, mas a campainha tocou.
— Ah! — quase pula, terminando de abotoar o último botão do macacão de Amelie e a colocando no cercadinho. — É o !
Ele correu e abriu a porta, e o entrou todo elegante, com um casaco claro, um sorriso enorme e equilibrando três travessas de comida como se tivesse nascido para ser anfitrião profissional.
— Feliz Natal! — disse com orgulho, levantando uma travessa. — A ceia chegou!
— Graças a Deus… Achei que não conseguiria vir, o restaurante deve estar cheio. — O alívio é palpável na voz de que ajudava o irmão a carregar a comida.
— Meu sócio entendeu que era o primeiro natal da minha sobrinha e eu não perderia isso por nada, e eu sabia que era capaz de botarem fogo na casa tentando assar qualquer coisa minimamente comestível — respondeu, passando por ele para entrar também na casa.
Antes de começar a se gabar pela comida maravilhosa que carregava viu a . Parou por exatamente três segundos, depois explodiu em gargalhadas, as escandalosas gargalhadas características do mais velho.
— MEU DEUS, ! — apoiou uma das travessas na mesa para não derrubar tudo. — Você… você é uma árvore! Uma árvore REAL! Com estrela e tudo!
— Fui coagida.— cruzou os braços, e a estrela fez um plim sonoro e visual.
— E ficou perfeita — disse, já tirando o celular para tirar foto. — Vou enquadrar isso, esse é o melhor natal de todos. Nossos pais vão adorar ver isso, que azar a Vovó ficar doente justo agora, além deles perderem o primeiro natal da neta deles, perderam essa cena incrível. — não conseguia parar de rir, estava ficando vermelho.
— Não! — ela tentou esconder o rosto, mas como esconder o rosto quando ele estava literalmente colado a um pinheiro gigante?
Apesar dos protestos, tirou umas cinco fotos, rindo o tempo todo.
A campainha tocou de novo.
— Abriiiiindo! — gritou, indo até a porta, ainda ajeitando o gorro de Papai Noel.
Desta vez entram , , e — todos carregando presentes enormes, coloridos, barulhentos… e claramente caros demais para uma bebê que ainda colocava o próprio pé na boca.
— Feliz Natal! — gritou, radiante.
— Cadê a nossa princesa? — perguntou, procurando a Amélie com olhos brilhando.
— Trouxemos meia loja de presentes — informou, sério. — Só o necessário.
entrou por último, discreto, com uma caixa média, embalada de forma impecável. Ele levantou os olhos e viu em forma de árvore. Ele parou, respirou fundo.
— Não vou nem perguntar. — Soltou, num tom morto de quem não aguenta mais.
Os meninos olharam para ela e explodiram. Todos ao mesmo tempo.
— ELA TEM UMA ESTRELA! — foi o primeiro a gritar em meio às risadas.
— MANO, ELA É UMA ÁRVORE DE VERDADE! — seguiu no embalo do amigo e no mesmo tom.
— , VOCÊ TÁ HILÁRIA! — estava no mesmo tom, mas no chão de tanto rir, tentando puxar o celular do bolso. — EU PRECISO DE UMA FOTO, POR FAVOR!
— Eu odeio vocês. TODOS vocês — suspirou derrotada.
Mas a Amélie, que a essa altura já estava de volta ao colo do , batia as mãozinhas empolgada, como se estivesse aprovando a fantasia da “árvore” com entusiasmo infantil.
— Tá vendo, princesa? Esse é o nosso primeiro Natal. — sorriu, passando a mão na cabeça da filha, falando baixinho.
— E o último que eu visto isso — completou.
— Aham, claro. — debochou.
— Você diz isso agora — cantarolou, já tirando mais fotos.
— Mas você sabe que combina — riu.
— Se você ficar ali do lado do sofá, a gente pode colocar os presentes reais aos seus pés. — , que estava parado no canto, acrescentou.
— ! — ela protestou.
— O que foi? — ele deu de ombros. — Árvores de Natal ficam no canto da sala. Só tô seguindo a lógica.
riu tão alto que quase deixou o gorro cair.
tentou manter a pose de ofendida, mas quando olhou para a sala lotada, para os meninos brincando com a Amélie, para o ajeitando a ceia como o chefe de cozinha que era, e para sorrindo como se estivesse vendo o melhor dia da vida dele… Ela acabou sorrindo também.
— Ok, ok! — bateu palmas. — Todo mundo junto pra foto oficial do primeiro Natal da Amélie!
— Ai, meu Deus — resmungou, tentando arrumar a estrela que insistia em pender para o lado.
— , fica na frente — disse, segurando o riso. — Você é a árvore.
— Claro, porquê a árvore é decoração, né? — ela retrucou.
— Isso! — confirmou, feliz demais. — Você entendeu o espírito natalino!
Os meninos se posicionam ao redor dela. armou o tripé como se estivesse fotografando uma capa de revista.
pegou a Amélie no colo tentando fazer ela olhar para a câmera.
— Amélie, olha aqui pra titia árvore! — brincou, depois do segundo flash.
A bebê realmente olhou, e riu.
— HA! Tá vendo? — apontava para a mulher. — Ela ama a árvore.
revirou os olhos… mas acabou sorrindo também, estava feliz que aquela palhaçada estava entretendo não só os rapazes, mas também a neném.
Eles fazem umas vinte fotos.
— Perfeitas — disse, com um sorriso largo e satisfeito. — Perfeitas.
— Ok, ok. Chega de fotos. — disse pegando Amélie do colo de e levando ela para o meio da sala, sentando com ela no chão. — É hora dos presentes.
Imediatamente os meninos cercaram a bebê como se fosse um ritual.
— Esse é meu! — falou, empurrando um embrulho enorme.
— Devagar, , ela tem sete meses — murmurou.
— Exatamente, ela não vai abrir sozinha. Eu ajudo. — respondeu já rasgando o papel.
— Gente! — tentou protestar. — Ela devia pelo menos participar na hora de abrir…
Mas foi tarde, o pacote já estava todo rasgado pelo chão.
O presente do era um urso de pelúcia maior do que a própria Amélie.
— Meu Deus. — ela encarou o ursão. — , isso dá pra ela dormir?
— Nessa vida ou na próxima — comentou.
deu um chocalho musical que tocava sete músicas diferentes e fazia sons de animais.
trouxe roupas — todas estilosas, minúsculas e com glitter.
deu uma caixa cheia de comidas para bebê feitas por ele (“porque comida processada NÃO!”) e ela já estava na fase da introdução alimentar, então nada melhor que ter um tio chef de cozinha.
levou um cobertor macio com estampa de borboletas e o nome “Amélie” bordado.
— Obrigada irmão. — disse feliz quando viu o presente do mais velho, ele sabia que ela amava borboletas e mesmo sem querer projetava isso na menor, que se encantava também com tudo que tinha aquele formato.
— É Natal — disse, olhando para outro lado porque não sabia lidar direito com aquele tipo de emoção. — Não exagera.
E então percebeu algo.
— E esse presente aí? — ela perguntou, olhando para a caixa discreta que tentava esconder atrás das costas.
— Esse… esse é especial. — Ele arregalou os olhos.
— Especial como? — perguntou imediatamente.
— Queremos saber — foi no embalo.
— Eu também — cruzou os braços, fazendo a estrela balançar.
— É… pra ela — disse, olhando para a Amélie.
Ele entregou a caixa pequena nas mãos da , porque a bebê não conseguia segurar sozinha.
Ela abriu devagar, dramatizando mais que o necessário aquele momento.
Era uma moldura.
Dentro dela, uma foto deles três: , e Amélie. Tirada no dia que ele recebeu a bebê, no reflexo de uma vitrine espelhava que eles passaram quando estavam comprando as roupinhas e móveis do quarto da menina. A primeira foto deles como… quase uma família.
— Que lindo … Vai ficar a coisa mais linda no quarto dela. — disse com um sorriso enorme e um pequeno aperto quente no peito.
Ele deu de ombros, tímido, como se não tivesse feito nada demais.
— É que… sei lá. Eu queria lembrar. Do nosso começo, quer dizer, acho que deveríamos eternizar isso para a Amelie.
Nenhum dos meninos falou nada. Até eles entendiam quando algo realmente importava.
— Eu amei. — respirou fundo e sorriu, um sorriso suave, sincero.
devolveu o sorriso. Aquele sorriso.
— Ai, olha eles sendo fofos. Tô com diabetes, ainda dizem que esse casamento “falso”, vai ser falso mesmo, eles tem até um porta retratos em família. — E , claro, quebrou o momento.
— Cala a boca, — e disseram ao mesmo tempo.
Amelie estava quase dormindo depois de brincar com todos os brinquedos que ganhou e mamar a sua merecida mamadeira, quando escutaram gritar da cozinha.
— GENTE, A COMIDA TÁ PRONTA!
— Finalmente! — correu para a cozinha.
— Cuidado com a árvore no tapete! — gritou.
— Eu não sou mobília, ! — reclama. — Pra mim é. — ele respondeu. — Mas uma mobília muito bonita.
Eles comeram, em meio às conversas e risadas.
deu purê de batata para Amélie pela primeira vez, e pareceu que ela gostou mais de usar como hidratante capilar do que como comida.
fingiu não se importar, mas limpou a testa dela com cuidado, retirando o prato da frente da menina para que ela não enfiasse o alimento orelha a baixo, colocando um potinho com banana amassada, que todos sabiam que ela gostava.
tentou colocar um chapéu de rena nela, sem sucesso também, quando ela arrancou o objeto e jogou longe.
continuava tirando fotos de tudo.
E , dentro daquela fantasia que era verde demais para o gosto dela, observava tudo.
O caos.
Os gritos.
As risadas.
A bebê.
E claro, sorrindo para ela, olhos brilhantes, como se aquele momento fosse o melhor presente que ele poderia ter recebido de natal durante toda a sua vida.
Era bom, perfeito para ser mais exata.
Quando os meninos foram embora e a casa finalmente silenciou, foi recolhendo os restos dos papéis enquanto a estrela balançava cansada em sua cabeça.
apareceu, segurando a Amélie que agora dormia profundamente.
— Ei… — ele disse baixinho. — Vem ver isso.
Ela se aproximou, e ele a levou até a janela, lá fora, neve leve caindo, luzes coloridas piscando e lá dentro da casa, a luz ambarada, deixava aquele momento quente, tranquilo, íntimo, confortável. Diferente de qualquer coisa que eles já viveram.
olhou para Amélie, que respirava suavemente, aqueles remédios que estava tomando realmente estavam ajudando na respiração da pequena, e ele tinha medo de quando isso acabaria, estava feliz, mas sempre apreensivo com aquela doença.
— Foi um bom Natal, né? — Ele perguntou, mas como quem afirmava do que realmente perguntava.
— Foi sim. — respondeu igualmente tranquila, estava mesmo feliz e sossegada.
Ele olhou para ela, para o topo da “árvore”, e tirou a estrela com cuidado, como se ela fosse feita de vidro.
O gesto foi tão delicado que fez o coração dela bater errado, ela sabia que não deveria sentir aquilo, mas foi meio inevitável, não significava nada para ela, mas era difícil controlar.
— Obrigada, … por tudo.
— Pelo quê? — ela perguntou, meio sem entender, se fosse por aquela fantasia horrível, teria que ser mais que um simples agradecimento.
— Por estar aqui. Com a gente. Fazendo tudo ficar… mais fácil. — Ele sorriu, calmo, carinhoso e realmente grato.
— Feliz Natal, .
— Feliz Natal, .
E por alguns segundos — longos, lentos, quase perigosos — eles ficaram assim: juntos, com a Amélie dormindo entre eles, como se fossem uma família inteira.
De árvore ou não, era o Natal mais bonito que ela já tinha vivido.
FIM (aqui pelo menos)
Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Quem gosta de Hello Daddy ai levanta a mão!!!! pois é, era pra ser uma att da nossa long, mas eu não cheguei nessa parte ainda, então vamos fingir que é um epsódio especial de natal kkkkkk Espero que goste e não esquece de comentar, ok?
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
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