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Última atualização: 01/02/2021

Capítulo Único

Duas semanas atrás.
Suas mãos correram ávidas até meu bumbum. Seu corpo não desgrudou do meu por mais de um minuto desde que atravessamos da boate ao hotel em frente.
Eu não me importava com o que a recepcionista pensava quando nos viu. Estava no Brasil há poucos dias e ninguém ali nem deveria saber quem eu era. Me importar com isso não era uma opção quando eu tinha um homem daqueles me desejando tanto quanto eu o desejava.
- ... - Apertei o numero do andar que o cartão de acesso indicava. - Aqui não é bem um motel. Você tem camisinhas? - Ele apenas acenou que sim sua boca ocupada demais em meu pescoço.
era um cara forte. Não era muito mais alto, mas de um ombro a outro era quase meu dobro. Talvez tenha sido isso que fizera com que nos atraíssemos naquela noite. Um bom papo, algumas cervejas, e dois corpos que se encaixavam muito bem.
Abri a porta do quarto com certa dificuldade. Havia sentido muito "contido" na balada se assim posso dizer, mas quando ficamos a sós as coisas mudaram.
Sua mão que por toda noite havia repousado em minha cintura agora era preenchidas pelas carnes do meu corpo. Hora quadris, hora bumbum, hora cintura e onde mais pudesse alcançar. O rastro quente de sua saliva sobre cada parte do meu corpo também parecia pronto a me enlouquecer.
- Quer ficar por cima? - Ofereceu mas era quase uma ordem. Nenhuma peça de roupa o cobria quando me livrei da minha calcinha, e devidamente protegida, deixei que ele deslizasse pra dentro de mim. Não precisou de muito além que seus beijos e o olhar de desejo para que eu ficasse ainda mais molhada e o sexo fosse no mesmo ritmo de quando invadimos o quarto. Curioso, desejoso e sensorial.
Nosso olhar não se desgrudava por um instante. Nem nas posições que resolvemos experimentar, nem no banho que compartilhamos, nem na hora que fomos deitar.
- Me fala um pouco mais da sua vida. - Pedi. Estávamos ambos deitados, já que era tarde demais para que decidissemos voltar para a casa.
- Não sou tão legal quanto você, . - Brincou. - Estudei administração, tenho uma boa casa, uma família bem grande. - Ele me olhou. - Viajei bastante quando mais jovem. Mas nunca fui a Europa.
- Você gostaria de lá. - Minha voz se tornou um pouco mais melancólica. - As pessoas são animadas, as bebidas são mais fortes e a música um pouco mais baixinha... Mas como assim mais jovem? Quantos anos você tem?
- Vou deixar essa resposta pra você. - Provocou me fazendo deitar em seu peito. - Quantos anos eu pareço ter?
- Não sei. Sou realmente muito ruim nisso. - Confessei. - Idade não faz a menor diferença pra mim.
- Mas ainda estou curioso. - Insistiu. era bonito, tinha uma barba que não deixava entregar sua idade com tanta facilidade. Seus olhos tinham sinais de quase rugas, mas sua energia me provava que qualquer palpite que eu desse, me faria errar.
- Não vai desistir mesmo? - Ele respondeu que não com um aceno de cabeça. - Sei lá, uns vinte e oito..?
- Poxa, isso já faz tempo. - O olhei desconfiada. - Mas é muito bom parecer tão jovem.
- Então, quarenta? - Voltei a perguntar e ele gargalhou. Como dito, meus palpites eram um horror.
- É, no meio disso. - Calculei por algo na faixa dos 30. - E você? Ouvi histórias muito boas hoje. Posso tentar acertar?
- À vontade. - Eu ri. As pessoas também nunca davam a idade que eu realmente tinha.
- Vinte e seis? - Não pude conter meus olhos se arregalando. - Opa, vinte e quatro então? - Neguei novamente com a cabeça. - Vinte e dois? - Indiquei que era um pouco mais nova. Ele se afastou um pouco e dessa vez quem me olhava desconfiado era ele. - Isso está ficando perigoso.
- Você precisa seriamente perguntar a idade de uma mulher antes de arrastá-la pra cama. - Fingi chamar sua atenção. - Hoje eu tenho vinte e um, mas três anos atrás eu tinha essa mesma carinha. Aposto que você não teria me dispensado no passado também.
- Não sou muito de sair, e mesmo sendo um velho, - ele riu - não dormi com tantas mulheres assim. Quer dizer, fui casado por bastante tempo, e conheci minha esposa... Ex esposa - Corrigiu. - na faculdade, então.
- Entendi. Não curtiu muito a vida. - Suspirei. O gato era meu completo oposto, afinal.
- Mas agora definitivamente, eu quero curtir. - Sua boca voltou a minha com intensidade e desejo. Definitivamente, voltar ao Brasil havia sido minha escolha certa.

Pela manhã, levantei ainda um pouco embriagada, acordando ele que ainda estava ao meu lado. Seu humor parecia tão bem quanto o meu e devíamos isso as transas da madrugada, claro.
- Bom dia. - Fiquei meio receosa de cumprimentar com um beijo e pensar que eu fosse uma garota que se apaixonasse fácil. - Ainda bem que hoje é domingo. - Lembrei. - Não quero levantar tão cedo.
- Nem eu. - Me respondeu puxando de volta aos seus braços. Eu jamais reclamaria de continuar ali. - Você está bem? Nós bebemos um bocado ontem.
- Você parece melhor. - Ele riu. - Te juro. Só estou um pouco atordodada pelo álcool. - Peguei meu celular pra checar as horas. Haviam algumas ligações recentes do meu irmão. - Você avisou um de seus amigos que não voltaria? - Me lembrei dos dois caras que o acompanhavam no bar.
- Avisei. - Ele repetiu meu gesto com seu próprio telefone. - E você, avisou qualquer pessoa que estivesse ali te acompanhando do seu sumiço? - Acenei com a cabeça que sim, já mandando uma mensagem para avisando que chegaria em casa em breve.
- ? - Ele leu o nome no indicador. - Seu namorado?
- Eu não teria saído com você se estivesse em um relacionamento. - Ri. - É meu irmão. Provavelmente a única pessoa que percebeu que não voltei pra casa.
- Deve estar preocupado com você. Ele veio da Itália também?
- Não, sempre gostou daqui. Só ia pra lá quando queria farrear ou matar as saudades. É que estou me hospedando na casa dele desde que cheguei de viagem, então ele vem fazendo o papel de papai. - me soltou de seu abraço e o encarei, sentindo falta da intimidade.
- O mundo não pode ser tão pequeno, certo? - Ele passou a mão pelos cabelos em um claro sinal de nervosismo. - , será que tem alguma chance desse , seu irmão que está te recebendo em casa, ser um amigo meu?
- Não sei. - Perguntei divertida com seu nervosismo. - Me fale do seu amigo.
- Alto, olhos claros, cabelo enrolado. - Era bonitinho como ele se concentrava pra tentar descrever o amigo. - Mora no centro inclusive.
- ? - Ele assentiu. - Prazer, . - Sorri e ele arregalou os olhos. - De onde vocês se conhecem?
- Porra, , você deveria ter me contado uma coisa dessas. - Seu humor havia mudado totalmente e ele não conseguia mais me encarar, se levantando da cama com pressa. Ri um pouco de seu choque, mas conforme ele foi se vestindo, entendi que aquilo seria um problema.
- Não costumo apresentar toda minha vida pra um cara que quero transar, . - Ri sem ser acompanhada. - não é ciumento, não sei porque você está agindo assim. Vocês são muito proximos?
- Muito proximos. - Ele assentiu passando a se vestir com pressa. - Escuta, eu não to arrependido nem nada. Não quero que você pense que eu sou só um cara, eu te passaria meu telefone, você é demais... - Ele parecia se embaralhar com as palavras. - É só que vai me matar quando souber.
- Calma. Não vou contar nada. - Ele não se acalmava de jeito nenhum. - , relaxa. - Ele não deixou que me aproximasse. Me vesti sem um banho entendendo sua pressa. - Fica como um segredo nosso. - Quando resolvemos sair do quarto, fui eu quem correu em direção ao taxi enquanto ele fazia o check-out na recepção. Deixei que meu descontentamento não nos permitisse uma despedida. Daria um jeito de encontrá-lo depois, nem que fosse apenas para provocá-lo.
- ? - me perguntou assim que entrei. - Onde passou a noite? - Disfarcei a resposta que queria dar com um sorriso.
- Encontrei umas amigas. - Menti correndo para meu quarto. Daria um jeito de pesquisar sobre o tal mais tarde. Precisava apenas de um banho e uma cama. Pra dormir dessa vez.

Dias atuais.
Acordei quase na hora do almoço, minha mãe nos recebeu em sua casa. Ainda estava irritada comigo por eu ter escolhido ficar com em vez dela, mas além de meu irmão me proporcionar mais liberdade, não gostaria que minha mãe deixasse sua rotina por minha causa.
, minha cunhada e amiga, nos contava empolgada sobre o empreendimento do casal. Ela, e mais alguns sócios estavam prestes a inaugurar uma grande boate próximo ao centro. Boate inclusive que havia me trazido de volta ao Brasil.
era extremamente exigente e não confiava em quase ninguém. Desde os 20, trabalhava com meu pai. Vê-lo tão feliz agora aos 35, realizando seu sonho de "independência", se tornava um orgulho pra mim também. Por isso não hesitei ao aceitar seu convite de retornar de Veneza para acompanhá-lo. Voltar ao Brasil já era um plano, quando ele me ofereceu a vaga para tocar o marketing da boate junto com ele, não pensei nem em recusar.
- Hoje a noite vamos receber muita gente. - Comentou animado. - Para inauguação, convidamos apenas pessoas que tem influência para fazer a Hellth bombar. E familia, claro. - Olhou empolgado para mamãe.
- Seu pai não conseguirá chegar. - Ela disse e pude ver a decepção de seu rosto refletir no de meu irmão também. - Mas não faltarão oportunidades a ele.
- Pedirei que passem aqui para te buscar. - Ele informou a nossa mãe. - Por volta das oito. E então nos encontramos lá.
- Eu estou muito orgulhosa de você, filho. - Mamãe disse. - Sua própria empresa. E a idéia dessas mulheres ao seu lado? dará conta de cuidar de vocês dois? - Minha cunhada riu. Era realmente a mais responsavel entre nós. Eu concordava com tudo o que minha mãe dizia, mesmo que meus 21 anos já tivessem me feito aprontar na Itália coisas que ela jamais pudera imaginar. Coisas pelas quais eu devia a , exclusivamente, que com sua influência, conseguira me livrar de mais problemas do que eu podia contar.
- Temos um time de peso. - sorriu. - tem dois amigos muito responsáveis nessa também. Vocês os conhecerão mais tarde.
- São dois sócios? - Perguntei animada. - Poxa, estou bem ansiosa.
- São dois amigos da faculdade. - me respondeu. - , você já conhece. A idéia do clube, foi toda dele. Eu só fiz seu plano ser executado. foi quem mais ajudou com o espaço e a grana que precisávamos pra investir.
- Eu conheço esse ? - Fingi que não. Por dentro eu segurava uma gargalhada com a coincidência.
- sempre foi mais caseiro, não costumava viajar com a gente. - Sorrimos cúmplices lembrando de nossas aventuras europeias. , mesmo sendo mais de dez anos mais velho, não me tratava como sua irmã intocável. Ele se divertia comigo, não implicava com meus casos de uma noite. Foi quem trouxe um pouco mais de responsabilidade a vida de meu irmão.
- Estou muito ansiosa. - Trouxe a atenção de volta para mim. - Mal posso esperar por essa noite...

Quando terminei de me arrumar, estava dez minutos atrásada em relação ao horário que havia marcado com minha mãe. e foram primeiro para a boate, claro. Fiquei responsável por encontrar com minha mãe para que pudessemos chegar juntas. No carro, mamãe resolveu me fazer mil e uma recomendações, não poupou palavras para descrever o quanto meu vestido era justo e decotado. Eu achava engraçado como mesmo após 3 anos, minha mãe ainda me via como a garotinha de 18 anos que tinha receio do mundo la fora mas decidiu morar só em outro país. E era exatamente por isso que eu me escondia por baixo das asas do meu irmão.
Na boate tudo era de muita qualidade, mas as pessoas que foram convidadas para aquela inauguração, deixavam qualquer italiano para trás. Eu tinha uma quedinha por brasileiros, confesso, assim como a cada olhar que recebia, sabia que eles também sabiam recepcionar bem os estrangeiros.
nos encontrou assim que chegamos, e nos levou a uma mesa que estava reservada para nós. Eu sabia que aquelas mesas estavam ali apenas para a inauguração e que dariam espaço a uma das maiores pistas de dança na qual eu já havia pisado. Aquele lugar era incrivel.
não parava de cumprimentar pessoas. Quando chegou ao nosso lado, me abraçou entregando um copo. Mamãe o censurou com o olhar.
- Não pense que sua filha é uma santa, dona Margot. - Ele brincou. - Já a tirei de mais enrascadas do que a senhora possa imaginar.
- Isso é otimo, filho. - Ela fingia uma falsa diversão. - E agora você a trás pra trabalhar numa boate.
- Vou encarar isso como um elogio. - Ele brincou. Sabia que a intenção de nossa mãe nunca fora ofender. - é a cara jovem da Hellts. Logo você verá sua menina como uma grande empresaria também.
- Falando nisso, onde estão seus amigos hein, ? - Perguntei, ainda apegada aquele detalhe. Reencontrar seria divertido. Reencontrar então...
- Temos uma mesa bem ali. - Ele apontou por um canto. Nenhum dos dois pareceu me ver. Aquilo seria interessante. - Vem, vou apresenta-la. - Me segurou pela mão enquanto caminhávamos em direção aos outros donos daquele lugar.
parecia feliz. tentava inutilmente disfarçar seu nervosismo.
- , certo? - O cumprimentei com dois beijos no rosto. Sorri abafado contra seu pescoço reconhecendo o perfume que havia ficado impregnado por horas em minha pele. - É bom conhecer toda a equipe.
- e , está com a gente nessa. - completou.
- Parece que vamos nos ver bastante... - Disfarcei meu olhar de a . logo me levou de volta a mesa. E após algumas doses, decidi acompanhar minha mãe de volta. Era uma inauguração e tanto, mas eu estava sem energia. Queria guardá-la para quando pudesse encontrar meus chefes na segunda feira. Meu irmão, seu amigo, e o cara que eu havia dormido duas semanas atrás.
Na segunda, me arrumei como nunca. Conseguia forçar uma grande executiva com as roupas. Não era meu habitual, mas meu nervosismo me causava uma ansiedade tremenda. Eu não sabia o que deveria fazer para que a equipe me visse como uma autoridade, e não apenas a irmã mais nova do dono.
- Não sei se posso dizer isso, mas você fica absolutamente desumbrante até nessa sua personagem executiva, . - brincou. Minha encenação foi pras cucuias quando o vi vestido como alguem que acabara de correr pela praia.
- Eu vou me trocar imediatamente. - Subi envergonhada. e estavam ambos bem casuais. Claro, era uma boate, não um escritório de advocadia, me lembrei. Troquei a saia lápis por uma calça jeans e dobrei minha camisa até os cotovelos para um ar mais despojado.
A inauguração ao publico seria em cinco dias. Sexta feira prometia agitar as noites cariocas.
Naquela reunião, fez questão de que toda a equipe estivesse por ali.
Haviam três recepcionistas paraa entrada e caixa. , , e na administração. Eu cuidaria do Marketing. Uma moça que descobri ser Helene para organização e limpeza.
Meu trabalho basicamente seria organizar a equipe de garçons, djs e claro, temática e entretenimento. seria meu braço direito na área.
- Nosso primeiro final de semana marca a temática de verão. - disse orgulhosa. - Dessa vez já temos tudo esquematizado, já que você não conseguiu chegar antes... - Me disse. - Mas ainda podemos ter novas idéias.
- Me mostre o que temos. - Ela me apresentou todo o projeto. Seria uma festa pra espantar de vez qualquer baixa energia que tivesse pela cidade. Muito vermelho na decoração, drinks coloridos e a setlist parecia impecável. Claro, a primeira festa da boate precisava ser inesquecível. Contaria com a presença de celebridades, muita gente, e acabei sugerindo até um filtro no Instagram pra deixar a divulgação ainda mais massiva.
Minha experiência com a comunidade estrangeira me seria muito útil. Obrigada rebeldia adolescente.
Na hora do almoço, toda a equipe se juntou na cozinha. havia contratado um buffet para nossa primeira tarde juntos. Me sentei entre e , tendo a minha frente. Sempre tenso. Sempre com o olhar desviado. Aquilo com certeza tinha muito menos a vez com nossa transa e muito mais algo que uma hora ou outra acabaria me contando.
conduziu nosso almoço como uma conversa entre amigos.
Conhecer melhor um pouco de meus colegas de trabalho estava sendo divertido. Eu não sabia que era formada em letras, nem que já tinha uma empresa em uma área completamente diferente. , mesmo que mais tímido, compartilhou com o grupo um pouco sobre uma experiência anterior com a gestão de um bar que resolvera montar com um amigo.
Contando do bar, ele parecia mais relaxado. Consequentemente me fazendo lembrar da noite que nos conhecemos e trocamos papos regados a bebida. Tê-lo ali, tão perto, ativava minha memória sensorial. Nossa intimidade fora breve, mas muito divertida e satisfatória. Coisa que eu adoraria repetir.
Ainda beliscávamos uma porção de salgados quando resolvi brincar um pouquinho. Se ele com seu charme inconsciente estava ativando recordações, gostaria que ele sentisse o mesmo.
Seu olhar assustado encontrou o meu quando com a ponta dos meus pés, me pus a alisar sua perna. A ponta do meu salto ia e vinha, de sua canela até a lateral de sua coxa, e então repetia o processo. Gostaria de que a proximidade fosse maior para poder usar minhas mãos também.
Quando ele tentou se afastar, fingi me ajeitar na cadeira apenas o suficiente para esticar minha perna roçando de uma vez no meio de seus jeans. Para mim aquilo era indiferente, mas sabia que poderia ter despertado algo a mais quando ele se levantou de uma vez, dando uma desculpa para ir ao banheiro. Não demorou, mas decidiu por dar a reunião/almoço por encerrada assim que ele voltou.
- Você topa fazer algo, ? - Meu irmão solicitou uma resposta do amigo. ainda me olhava desconcertado.
- Me desculpe. - Confessou. - Eu me concentrei em outra coisa.
- To vendo. - o olhou, brincalhão como sempre. - Podemos beber algo em casa mais tarde, o que acha?
- Hoje? - assentiu. - Prometi ficar com a Ivy. - Ivy?
- Você pode levá-la, , e eu gostaríamos de vê-la com mais frequência. - Gostariam?
- Estou trabalhando nisso. - Olhou para . - A frequência. Ela tem passado poucos dias comigo por enquanto.
- Sua namorada? - Perguntei tentando parecer pouco interessada. Me lembrei que quando havia o dito que era meu irmão, ele sequer havia mencionado outra mulher que não fosse sua ex-esposa.
- Minha filha. - Ele me olhou por alguns segundos. Sabia que era mais velho, mas o fato dele ter uma filha me deixou um pouco chocada. Seria um bebê? Ele estava ainda se recuperando de um termino assim tão recente? Seria uma adolescente problematica?
- Você já viu algumas fotos dela comigo, . - me mostrou em seu instagram uma menina baixinha de no maximo quatro anos. Sorri um pouco. Ela era a cara do pai.
- Ela é linda , parabens. - Ele sorriu dessa vez com sinceridade. - Parece bastante com você.
- Você não vai mesmo cantar o cara na minha frente, né ? - brincou pegando de volta seu aparelho. - conhece a peça. Quando começa, não há um cara que resista.
- Vocês já, hm, tiveram algo? - perguntou mais a que pra mim.
- Não foi por falta de tentativas. - Eu quem o respondeu. A verdade é que não fazia nem um pouco meu tipo e eu sabia que era unânime. - Mas ele compensou bem pegando todas as minhas amigas. - Dedurei. Todos nos olharam rindo.
Quando estava prestes a ir embora, tive um momento a sós com no escritório. Ele juntava seu material com a maior pressa que conseguia, temendo que eu voltasse a provocá-lo, acredito eu. O que claro, eu não resisti em fazer.
- Hey . - Ele olhou pros dois lados antes de se aproximar. - Não precisa disso. Somos colegas de trabalho agora, não se preocupe se por telepatia vai entender que dormimos juntos apenas porque estamos conversando.
- Não queria parecer maluco. - Ele riu e eu relaxei um pouco. - Me desculpe, , acho que não tive tempo pra digerir o choque daquela noite ainda. Quer dizer, você é a irmã mais nova do qual o cara fala com tanto carinho. E digamos que eu tenha conhecido outra .- Seu sorriso foi malicioso.
- Admita, é uma coincidencia divertida. - Devolvi o sorriso na mesma intensidade. - Eu estava pensando se a gente não podia sair de novo uma outra hora. Sabe, repetir a dose às vezes é legal.
- Não acho uma boa idéia. - Respondeu. E não disse mais nada.
- Qual é ? Foi uma transa tão ruim assim? Você tá afim de alguma outra mulher? Um clone do te ameaçou de algo? Porque o meu irmão jamais seria capaz de uma coisa assim e eu...
- Não, nada disso. - Ele riu me interrompendo. - Só... É melhor assim. - Dessa vez eu que não disse nada até que ele saísse da sala. O problema é que não sabia que quando eu queria uma coisa, eu não desistia.

- , você entende de drinks e essas coisas? - Invadi sua sala com mais uma desculpa esfarrapada. Havia usado milhares delas nos últimos dias. - e eu estamos passando a programação com os garçons e com sua experiência em bar, pensei que pudesse dar uma ajudinha.
- Claro, vamos lá. - Ele se levantou e me seguiu até o bar da boate. parecia ter um amor em especial por bebidas e suas opções de drinks, pois enquanto falava, gesticulava animado empolgando toda a equipe.
- Não duvido que no sábado você pule o balcão e mostre a eles como se faz. - Não pude deixar de dizer.
- Gosto quando as coisas são bem feitas. - Ele me respondeu. Não pude conter meu sorriso mais malicioso.
- Disso eu sei muito bem. Sinto falta aliás. - Respondi com mais uma provocação.
- , não me provoque. - Ele pediu sério. Ah, eu poderia fazer isso milhões de vezes. Ver se segurar para não ceder ao meu charme era divertido.
- Não estou fazendo isso. - chegou enquanto eu ainda estava apoiada contra o balcão.
- vocês viram ? - Perguntou sem notar nada demais. - Ele saiu faz horas para trazer umas encomendas e estamos precisando das notas pra fechar o caixa. - estava com ele e não consigo falar com os dois.
- Foi por já estarmos quase chegando que eu não atendi. - O próprio respondeu, entrando quase no mesmo instante.
- Passamos por uma coisa estranha - começou - uns dias atrás um fornecedor havia feito muitas perguntas sobre o negócio, o que venderiamos e tal. Hoje um deles foi ainda mais certeiro perguntando se tinhamos algum contato na policia caso algo ilicito acontecesse na boate...
- Precisamos controlar isso - completou. - Sei que vai ser impossivel evitar algumas coisas, porém problemas com a policia é tudo que não queremos.
- Eles não perguntaram por isso - Disse. - Se vocês tem algum contato.
- O que quer dizer, ? - perguntou.
- Não, na verdade nada. - Desconversei. - É só que é bem estranho né.
- Bom, só não quero saber de encrenca. E isso não vai acontecer.
Após a chegada dos dois, subi para uma das salas que tinhamos na boate sendo usada para recepção para finalmente conseguir fechar o caixa do dia (que ainda eram só gastos) e podermos ir pra casa. Era divertido pensar em como daqui dois dias aquilo estaria lotado de gente e eu não teria um momento assim, apenas eu e minha organização.
- Sua resposta não me convenceu - me surpeendeu ocupando a cadeira do caixa ao meu lado - Os fornecedores e o que eles disseram. O que você acha que eles querem saber na verdade?
- , vou ser bem sincera com você - Resolvi contar. Ter uma pessoa ali para confirmar minhas duvidas seria crucial - Pra mim pareceu meio que uma sondagem, sabe. Não sei, por fornecerem bebidas eles devem ter contatos com outras boates e terem dito isso pra passar a informação pra alguem. A Helth ja tem chamado a atenção e movimentado muito as redes sociais, algum concorrente deve estar de olho nisso. Se não tivermos um aliado, ele pode usar isso de alguma forma.
- Como você sabe disso? Quer dizer, os caras as vezes foram só curiosos.
- Digamos que eu tenha alguns amigos que ja passaram por problemas parecidos -me lembrei - vou precisar ver uma pessoa, se conseguir falar com ela, além de termos um grande influenciador ainda podemos saber do que isso se trata.
- você diz falar com um youtuber? - Ele se prendeu a palavra influencer.
- Ah não, isso jamais. - Ri sozinha. - Pode não ser a coisa certa, mas não custa eu tentar. Você... Hm, poderia ir até ele comigo? Só pra eu não ter que ir sozinha sabe.
- Claro, você me explica melhor isso no caminho - tateou o bolso sentindo a chave de seu proprio carro.
- Melhor não - segurei a mão por cima de sua calça. Não por provocação nem nada, mas seu carro era muito chamativo para o lugar em que estavamos indo - Nós vamos de taxi...

Quando chegamos na entrada do morro me olhou um pouco assustado. Não deveria ser novidade que mesmo com seus trinta e poucos anos, ele nunca tivesse ido ali. tinha uma familia muito "certinha" e era filho de advogados. Nossos pais até se pareciam. Na verdade a rebelde ali era eu com minhas "má companhias".
- Boa tarde! - anunciei minha chegada ano endereço, onde fui recebida por uma mulher com cara de poucos amigos - Estou atrás do Dadinho. . Ele esta me esperando.
A mulher me indicou uma viela pra subir. Um completamente rígido me seguia ainda sem perguntar nada. Eu sabia que as perguntas viriam aos montes assim que saíssemos dali.
- Vejam só se não é la bella italiana - Dadinho forçou seu mais puro sotaque italiano, cumprimentando-me com um abraço caloroso. - É uma honra receber em casa a mulher mais animada que ja conheci. E o fortão ao seu lado? Importado? Fala português?
- Esse é daqui mesmo. - Ele e se cumprimentaram com um aperto de mão. - Ele só é na dele, veio me fazer companhia.
- Ah sim. - Dadinho lançou um olhar dele a mim. - E a que devo sua visita? Está no Brasil pra curtir o final do ano?
- Vim te fazer um convite melhor que esse. - Comecei. - Minha volta ao Brasil não é só lazer, meu irmão decidiu abrir seu proprio negócio. Uma boate em Copacabana. Adoraria recebe-lo por lá na Hellth.
- Acredito que tenha ouvido falar. - Ele sorriu, me chamando para dentro de seu "escritório". - Melhor sentarmos, acredito que seu convite seja alem disso, italiana.
- E é. Você chegou a conhecer meu irmão ?- Ele acenou que sim com a cabeça. Deveria lembrar vagamente. - Ao que parece, ele foi ameaçado. Não estou aqui a tempo suficiente para entender o que ou de quem veio tal ameaça. Mas o questionaram sobre seus aliados, se conhecia algum policial. não pareceu entender muito bem, mas na Itália, bem, isso significa muito mais.
- Por aqui também. - Ele concluiu. - Querem saber pra quem sua equipe trabalha. Pros tiras ou pros de cá. - Se referiu a galera do morro. - Se estão contrabeando alguma coisa pra boate.
- E a resposta é não. - Logo completei antes que ele pensasse outra coisa. - A questão é que eles querem manter o negócio limpo. O que não vai impedir as pessoas de consumirem, mas não vamos permitir a circulação livre, entende.
- Sei... - Ele parecia interessado. - Bom, é, eu conheço quem cobre a área de copacabana.
- Pensei que sim. E sei que não é algo tão vantajoso pra você. Posso sugerir um dos seus vendendo algo pelo redor, mas gostaria de pedir sua ajuda sincera. A boate é muto importante pra mim e ainda mais pro meu irmão, não quero que vire uma guerra de gangues ou algo do tipo.
- Gangues - Ele riu. Era um termo que eu ainda não sabia muito bem como traduzir.
- Então gostaria de dizer que já estamos com você. Sabe, quando nos perguntarem. Sei da sua autoridade aqui e que eles não serão capazes de vir te enfrentar. Bom, pelo menos acredito nisso.
- Eu entendo. Se seu irmão for igual o grandão aí, não vai aceitar mesmo nenhum rolo. - Ele voltou a olhar , que ainda estava tenso. - Faço isso pela amizade, e também porque vou adorar frequentar o clube dos ricos. - Ele brincou. - Fique tranquila que ninguém vai mexer com o patrimônio de vocês.
- Isso vai te render boas noites. - Completei. - Pode levar suas garotas e ter sua entrada autorizada. Espero vê-lo por lá na inauguração.
- Infelizmente não estarei por aqui. Posso enviar um dos meus? - Acenei que sim.
- Viu, não foi tao dificil? - Falei pra conforme descíamos do morro em direção as calçadas. - Pode parecer que estamos fazendo algo errado, mas aqui tem boas pessoas. Com alguns pensamentos meio diferentes, mas ainda assim...
- Eu não sei como vai encarar isso - Disse. Eu ja sentia vontade de falar. - Você sabe que ela é muito mais preocuoada que eu ou um dos outros.
- Isso é um preconceito dela que eu saberei lidar. - Falei divertida. - Mas e aí, topa tomar uma cerveja? Sei que foi tenso la em cima, a gente podia relaxar.
- Relaxar tomando uma cerveja. - Ele me acompanhou. - Só isso.
- Vem cá, por que você foge tanto de mim assim hein? - Aproveitei que andávamos lado a lado. - Qual é , é pessimo pro meu ego continuar sendo tão rejeitada.
- , nós trabalhamos juntos, seu irmão é um dos meus melhores amigos, e além de tudo, você é quase uma adolescente. - O olhei abismada. - Quer mais razões pra gente não insisitir nisso?
- Uma adolescente? - Parei cruzando os braços abismada. - Não foi o que pareceu com você gemendo meu nome por horas enquanto me tratava como a "gostosa" que você mesmo descreveu.
- Isso foi antes de eu saber de toda essa situação. - Me respondeu.
- Então você não me acha mais interessante?
- Você tem idade pra ser minha filha.
- Ah , pelo amor de Deus. São o que, dez anos de diferença? Você com certeza ainda chupava dedo com dez anos. - Aproveitei de um táxi que estava parando para encurralar contra a porta do mesmo. - Transforme isso em um fetiche seu. A novinha gostosa, a irmãzinha do seu amigo. - Mordi o lábio da forma mais sexy que consegui. - A gringa novinha que te levou a loucura. Você decide. Eu só não vou desistir. - Pedi que o táxi me levasse pra casa e logo deu seu endereço também. A cerveja ficaria pra uma outra noite. Gostaria de vê-lo embebido pela luxúria até que não aguentasse mais.

No outro dia, a ansiedade matava toda a equipe. Teste de som, de luz, as bebidas já no esquema. Faltava apenas um dia pra inauguração da Hellth e nossa equipe toda suava frio.
Seria uma grande mudança em nossas vidas, claro. E depois da festa de inauguração, não se falava de outra coisa. Haviam noticias nos jornais, foruns na internet falando sobre, e um evento com quase cinco mil confirmações. Não que toda essa galera fosse, mas saber que chegamos a esse número de envolvimentos com apenas uma semana era algo sensacional.
- Me explica de novo essa história do Dadinho. - perguntou divertido. - Você foi pedir pro seu amigo bandido proteger a boate? É isso?
- Eu fui pedir pra que ele diga que já nos fornece tudo o que precisamos. - Consertei. - Não iam te deixar em paz até que estabelecessem a Hellth como um ponto de drogas. Convenhamos, boate, jovens dispostos a experimentar entorpecentes... Aqui seria um cenário perfeito para uma guerra de traficantes. Eles pensarem que um já manda por aqui nos permite controlar isso muito melhor.
- Isso me cheira a problema. - quem disse. Como falou, ela seria a mais incomodada. - E se descobrem que não vendemos nada por aqui? Eles vão se infiltrar? Começar um negócio ilícito no meio do nosso?
- , aí já é pensar demais. - a abraçou pelo ombro. Só ele mesmo poderia acalmá-la. - Temos uma boa equipe de segurança, vamos controlar o acesso. Vamos nos preocupar com a primeira festa, ela vai definir nosso futuro. Seria legal toda a equipe comparecer e depois fazermos uma reunião rapida, só pra comemorar. O que acham?
- Uma reunião pós festa? Seis da manhã? - perguntou.
- Bom, não vamos poder beber muito porque querendo ou não, precisamos controlar isso aqui. - lembrou.
- E você vai sentir tanta adrenalina que nem vai ver o dia amanhecer, isso eu posso garantir. - Disse me lembrando de tantas vezes que havia passado por situações parecidas.
- E essa garota, tem experiência - completou.

- - o chamei quando já estavamos pra ir embora - e vão sair pra jantar hoje. Provavelmente comigo no apê, eles não estejam conseguindo ter liberdade pra suas transas. Pode me dar uma carona?
- Uma carona, claro. - Concordou conforme alcançamos seu carro.
- Deixa de ser chato, . Você está tenso, eu tô tensa, amanhã temos um dia cheio. Que custa a gente relaxar um pouco também? - Assim que ele se sentou, apoiei uma mão sobre a parte inferior de sua coxa. a afastou quase imediatamente. Soltei meu cinto me aproximando.
- Eu já te disse milhões de vezes que isso é errado. - Me repreendeu.
- E dai? - Voltei sua mão até a virilha. Sabia que com ele dirigindo aquilo poderia não surtir tanto efeito, mas não custava tentar. - Continua sendo divertido. - Aproveitei sua distração pra distribuir beijos por seu pescoço. Suas mãos em minha cintura não se decidiam em me segurar com mais firmeza ou tentar me afastar. Por fim, ele acabou desistindo, juntando nossos lábios em um beijo caloroso. Eu havia sentido falta daquilo.
- A gente faz isso mais uma vez - Ele confirmou acelerando o carro. E eu sabia que não era mais para o apartamento de que ele estava me levando.

- Você mora aqui? - Perguntei assim que ele estacionou. A casa era imensa, maior que a dos meus pais que eu já achava exagerada.
- Agora sim. - Respondeu sorrindo. - Mas não faz muito tempo que me mudei.
- Excelente escolha. Meus pais são quase seus vizinhos. - Lembrei.
- Tente não fazer muito barulho, então. - Ele disse me prensando contra a porta assim que a fechou. E ele me beijou sem que eu precisasse pedir. Com muito mais pressa e desejo que eu pudesse imaginar.
Minhas mãos logo correram ao seu pescoço enquanto ele dividia as suas entre meus quadris e bumbum. Assim como no dia do hotel, podia sentir sua pele queimando contra a minha, nosso olhar sempre preso um ao outro.
Não teve nem tempo de me apresentar um outro cômodo, pois nossas primeiras transas acabaram sendo no seu enorme sofá da sala.

- Hmm, quer conhecer o resto da casa? - Me ofereceu vestindo sua cueca. Já havíamos descansado por um certo tempo e agora digeríamos o lanche que o próprio havia preparado pra gente.
- O que seria conhecer? - Usei meu sorriso mais malicioso. Já era um jogo que estávamos acostumados.
- Desde que a gente fuja da cozinha, vamos relaxar. - Ofereceu me roubando um beijo antes que eu o seguisse explorando sua casa. - A casa é menor do que parece. São três quartos, quatro banheiros, a sala, a cozinha, o quintal, a casa da piscina.
- Claro, agora ela parece bem pequena mesmo. - O alcancei, já que ele corria na minha frente. - Você tem um quarto pra sua filha aqui?
- Por enquanto não, mas pretendo montar um em breve. - Ele disse me guiando pela mão. Abriu uma porta com um cômodo em branco. Era o único cômodo da casa sem sequer um móvel ou decoração- Mas vai ser aqui. Ivy ainda não se sente segura dormindo sem a mãe, mas assim que possivel, pretendo passar mais tempo com ela.
- É, você tem cara de um papai babão. - Ajeitei a camiseta de sobre meu corpo, me encantando com a banheira que vi assim que abrimos uma outra porta. - Ah não, eu preciso de um banho de banheira.
- Tem banheira na casa do . - Respondeu, rindo da minha empolgação.
- Tem uma banheira no quarto do . E saber que seu irmão ja fez coisas ali meio que não é relaxante.
- Eu também ja fiz coisas ali. - Ele provocou com seu melhor sorriso.
- Eu sei. É por isso que quero. Vou marcar território. - Não pude conter minha empolgação. me seguiu mais que depressa e passamos mais umas boas horas no banheiro.
- Viu, não foi tão ruim assim. - Disse soltando meu cinto quando ele finalmente me deixou em casa.
- Você disse relaxar. - Ele riu me dando um selinho. - E me deixou acabado.
- Pelo menos melhorou seu humor. Te vejo amanhã.

Chegamos na boate umas seis horas antes. O grupo se dividiu apenas próximo a liberação da entrada para que tomássemos banho e nos arrumássemos pro evento.
estava ainda mais bonito quando chegou. Não sei se era por termos passado uma noite muito divertida juntos, mas vê-lo agora me causava uma euforia. Eu queria repetir tudo de novo e estava considerando considerar que era um vício que eu teria que me preocupar.
- Hey, menina . - Me cumprimentou um pouco mais animado. Eramos os primeiros do time a chegar ali. - Está maravilhosa, .
- Porque você não viu minha lingerie - Provoquei e ele dessa vez entrou no jogo com seu melhor sorriso. Era bom que estivessemos finalmente correspondendo a aquilo.
- Não vou negar que adoraria conferir agora mesmo se não fosse seu irmão chegando bem ali atrás. - Ele deu espaço para que eu visse e , igualmente arrumados. - Bem a tempo.
- Tem uma fila enorme la fora - comentou animado. - Será que temos bebidas suficientes?
- Temos bebidas pra umas cinco festas, . - Eu que o respondi. - Festas no maior estiloso italiano, quero dizer.
E durante toda a noite, eu parecia uma baratinha perdida no salão. De minuto em minuto ia do caixa pro bar, do bar, pra pista e refazia o caminho. Meu perfeccionismo denunciava a ansiedade.
Acenei pro amigo do Dadinho. Estava acompanhado de mais um e duas garotas parecendo se divertir. Bom, pelo menos alguem se divertia.
Toda vez que eu via , ele estava tenso.
Toda vez que eu via , tenso.
Toda vez que eu via , desviava pois ela estava quase surtando.
Quando via , sentia desejo. E ele flertava a distância cada vez que nossos olhares se encontravam. Naquela noite, o sentir corresponder a meus olhares me deixava curiosa. Quando ele me chamou com o olhar, no entanto, precisei resistir e não abandonar minha cunhada que de alguma forma alugava meus ouvidos próximo ao bar. O sorriso que recebi de volta fora um dos mais sensuais que já tinha visto. Observei meu reflexo no espelho antes de agir de qualquer forma. acompanhou meu olhar interessada em saber o que me despertava interesse do outro lado do clube.
- Eu tô vendo isso, . - Ainda com seu olhar indiscreto, porém dessa vez dirigido a mim, disse. - Seu irmão não vai gostar de saber que você tem flertado com um de seus.
- nunca se preocupou com isso. - Respondi.
- Ótimo. Só queria que você confirmasse pra mim que estava dando em cima do . - Minha boca foi ao chão - Vocês dois estão se engolindo desde a hora que chegaram. Você pode pensar que eu não notei, mas te garanto, meu bem, nada passou despercebido por mim essa noite.
- Bom, então talvez você deva saber que pretendo sair daqui acompanhada.
- é um cara legal. - Ela voltou a dizer. - Só não pensei que ele fizesse seu tipo. Sabe, certinho, pai, super cuidadoso.
- Ele é gostoso como meu tipo, . - Corrigi. - É isso que me interessa.
- É bom que seja. vocês dois trabalhando com essa tensão sexual não vai dar certo. Preciso de todos meus aliados com atenção total.
- Relaxa, cunhadinha. - Desviei meu olhar de volta a onde tinha o visto pela última vez. - Tenho a concentração de uma leoa.
Em resumo, a festa foi espetacular. Recebemos muitas pessoas além que o número que esperávamos e arrecadamos três vezes o planejado com a venda de bebidas.
- Esse lugar vai transformar nossas vidas. - disse empolgado. - Se vocês vissem o tanto de mulher que se aproximou de mim só por eu estar com um fone conectado a equipe de segurança...
- É muito louco. - completou. - Mas com certeza a famosa da noite foi dona . Me assusta imaginar como do outro lado do planeta você tenha conseguido conquistar tanto brasileiro.
- Tenho meu charme. - Encontrei meu olhar com . Ele disfarçadamente piscou pra mim, indicando que olhasse o celular.
Te espero em casa mais tarde.

A boate não abriria mais nesse final de semana. Mas seria o último que teríamos "livre", pois a partir da próxima semana, a programação era para quinta, sexta, sábado e até domingo. Estava até considerando contatar o Dadinho para que ele me arrumasse algo que pudesse me dar energia por tanto tempo.
Avisei que iria sair para encontrar uma amiga. Mandei uma mensagem já no táxi avisando que estava chegando.
- Não te vi bebendo nada ontem. - Me cumprimentou servido de uma caipirinha. - Pensei que a rainha da farra sabia como se divertir.
- O problema é que eu não sei parar. - Confessei. - Da última vez que bebi em uma festa, acabei num hotel com um cara que ficou chorando quando descobriu meu parentesco. Preferi nem arriscar.
- E eu tentando não me arriscar a passar a noite toda colado em você - Não sei se ele me beijou primeiro. Ainda sobre a porta de sua casa, forcei minha entrada enquanto ele colocava sua bebida sobre uma mesa.
Me livrei de sua camiseta assim que pude encontrar com seu sofá. Ele se livrou do meu vestido na mesma velocidade, finalmente descobrindo a cor da lingerie que eu estava usando.
Então o fiz me seguir até o banheiro. Precisava de uma chuveirada pra despertar antes que ele acabasse com o resto das minhas energias.
E acabamos enrolando um tempo pelo banheiro mesmo.

- Eu fiz uma macarronada. - disse no que segurou minha mão, me levando até a cozinha.
- Isso é um tesão pro meu estomago. - Comentei. Após uma noite toda acordada e ver o dia amanhecer transando, realmente um refeição decente faria toda a diferença.
- E você um tesão pro meus olhos. - Me respondeu. Fiz com que a risada fosse mais desacreditada, mas ainda era estranho o comportamento do cara que até um dia atrás mal me olhava nos olhos.
- Olha , não quero cortar clima nem nada, mas o que aconteceu com o "vou te dar mil e uma desculpas pra gente não se ver, novinha".
- Bom, ao que parece a gente consegue deixar isso entre nós. Achei que seria interessante.
- Meu Deus, devo agradecer a quem te deu esse tapa de lucidez. É isso , vai ser gostoso te provocar pelos corredores da Helth.
- Você gosta que eu brinque com você então? - Sussurrou em meu ouvido. Eu achava muito sexy a forma como gostava de ser meu submisso mas quando os papeis se invertiam, eu gostava ainda mais.

Já era um pouco tarde quando resolvi que precisava definitivamente apagar na minha cama.
- Eu sei que você vai morrer sentindo minha falta, mas eu preciso ir. - Chamei a atenção de . Estávamos decansando a um tempo em sua cama. - Eu não te aticei nada. - Respondi indiferente.
- Acho que entendi o que você faz. - Disse meio bravo. - Você provoca até que o cara fique atrás de você. Até que o último resquício de orgulho se vá. Pra se sentir no comando. E então foge. Vai pra outra cidade, outro país, repete a mesma coisa e segue seu ciclo infinito.
- É isso que você acha que eu faço? - Perguntei sem entender a cena que ele estava imaginando.
- Não vai funcionar comigo, . - Olhou em meus olhos pra dizer. - Eu sou mais experiente que você nisso. Você pode cair quantas vezes quiser na minha cama, não vou me envolver.
- Ah é? E como explica ser casado por tanto tempo? Não se envolveu?
- Isso é coisa que a gente só faz uma vez. - Respondeu com seu sorriso esperto.
- Tudo bem, gosto desse jogo. - O beijei apenas pra despertar seu corpo. Problema que funcionava comigo também. - Pense o que quiser de mim! Vamos ver até quando isso vai durar. Mas vem cá. Não sou muito afim de ficar compartilhando brinquedinhos. Se você quer entar num jogo ele precisa de regras...
- Você quer exclusividade? - Acenei que sim. - Bom, posso concordar com isso.
E nossos encontros casuais passaram a ser diários.

Havia se passado pouco mais de um mês desde a inauguração da Hellth. As coisas tinham se estabilizado.
Não estavamos mais indo todos em todas a noites como havia sugerido no início. Mas ainda assim, todo final de semana passavamos por lá.
Naquela noite em especial, receebi uma mensagem de minha amiga . Ela e a familia estavam na cidade.
era uma amiga de muitos anos, nossos pais eram amigos e acabamos por crescer juntas, já que ela era um ano mais velha apenas. Nossa distância se deu quando ela e os pais se mudaram pra Alemanha, mas quando fugi pra Itália, tudo voltou a ser como era. Nossas festas. Nossa amizade. Nós.
O problema de ela estar no Brasil é que ela e tinham tido um caso.
O problema de ela estar no Brasil com toda a família, era que o seu irmão era meu único ex namorado.
- Você deve conhecer nossa nova casa - Comentou animada. Nos encontramos no bar do clube. Naquele dia, apenas eu estava por ali, enquanto e curtiam a folga, cuidava da filha e apenas descansava da noite anterior. - A casa é enorme. Tem uma piscina encantadora. Consigo imaginar milhões de festas que podemos dar ali... - Seu olhar empolgado era um dos meus favoritos no mundo - Vou te confessar uma coisa. Estou louquinha para ver o . Ele está de rolo com alguém?
- Para sua sorte não. E ele vai ficar feliz em te ver. anda muito estressado...
- Pode ter certeza que eu farei tudo que estiver ao meu alcance para que ele relaxe. E você? Aposto que deve ser interessante ser solteira e frequentar festas toda semana.
- Por incrivel que pareça, após um mês no Brasil, eu só fiquei com um cara.
- Isso parece sério. Quem é ele?
- O outro sócio do . - Ela gargalhou com minha confissão. - É divertido e é uma coisa só nossa sabe. no máximo só nos viu flertando algumas vezes.
- Você acha que não gostaria de ver vocês juntos?
- A questão é justamente essa. Se nos vir, vai insistir para que a gente assuma uma coisa que a gente quer no momento sabe. Então a gente esconde pra não ter cobranças. Somos amigos, as coisas acontecem casualmente e a gente se diverte.
- Tem certeza que não quer? - Ela me olhou empolgada. - Casualmente, você passou três anos com meu irmão.
- Mas nós assumimos após uns seis meses. - Lembrei. - Não digo que não possa acontecer, mas por enquanto, estamos bem assim.
- Entendi. Bom, acho que é uma péssima hora pra dizer que Joe ficou animado em te ver. - Ela fingiu um sorriso. As coisas entre seu irmão e eu haviam terminado meio complicadas. - Ele ja superou seu pé na bunda . Podemos voltar a ser um trio.
- Não sei disso não. - Só de lembrar do quão ciumento e possessivo Joe foi se tornando com os anos, eu não conseguia imaginar uma superação assim tão fácil. - Não sei se ele aceitaria numa boa esse lance de amizade.
- Você sabe que meio que vão ser meu casal favorito pra sempre, né? Juntos ou não.
- Ou não. - Concordei com a opção.
- Que seja. - Ela olhou pros lados nervosa. - Vou parecer uma amiga péssima, e juro que deixo você surtar comigo amanhã. Mas agora, preciso dizer que ele está aqui só aguardando um sinal para que possa se aproximar.
- Você esta brincando com a minha cara. - Meus olhos pareciam garras tentando alcançar a presa. Quando meus olhos encontraram os seus, Joe sorriu. Não pude deixar de sorrir de volta, mesmo que não houvesse mais o sentimento de antes, o mundo sabia o espaço que Joe ocuparia pra sempre em meu coração, então o chamei para que se aproximasse. - Vou colocar cada uma de suas unhas num colar e desfilar com eles por aí.
- Você é meio doentia. - Ela respondeu ao que seu irmão se aproximou totalmente.
- Hey, . - Ele me cumprimentou com um abraço. Não admitira a ele, mas a paz que ele transmitia conseguia me acalmar. nos pediu licença naquele momento dizendo que ia ao banheiro. Desgraçada. - Como andam as coisas?
- Uma loucura. Tenho trabalhado bastante, mas como você pode ver - apontei para os lados - vem dando resultado.
- Disso nunca tive a menor duvida. Você é a melhor no quesito conduzir uma festa.
- Como vão as coisas na Alemanha? - Mudei de assunto, curiosa.
- Frias. O inverno está com tudo. Talvez seja por isso que meus pais tenham resolvido vir pra ca com tanta pressa.
- Vocês pretendem ficar por aqui?
- Eles ainda não sabem se ficarão. Eu meio que só vim passar as férias, pegar umas praias, visitar você. Pode não parecer mas eu tenho uma vida na Alemanha também. - Sorriu galanteador.
- Eu sei que tem, você me enlouquecia com suas amigas alemãs.
- Você morria de ciúmes à toa, sabe que minha preferência sempre foi uma italiana em especial.
- Desde seus oito anos. - Lembrei. Era gostoso sentir que podiamos ser amigos. A noite foi agradavel com meus dois melhores amigos me fazendo companhia. E com meus dois melhores amigos da adolescência ali, me diverti quase esquecendo que estava ali pra trabalhar.

No domingo, quem iria pra boate. Pensei que poderia ser uma oportunidade de passarmos um tempo juntos, mas ele me dispensou sem a menor delicadeza.
Mas claro, fui mesmo assim. Ele pareceu surpreso quando me viu. Eu realmente não queria passar duas noites seguidas ali, queria estar com ele. Numa tentativa quase cômica de não quebrar nosso acordo, ele nunca saberia disso, claro.
- Hey. - O cumprimentei. O sorriso que ele me devolveu foi tão forçado que fiquei até sem graça. - Tudo bem por aqui?
- Tudo otimo. - Respondeu encarando um ponto qualquer. - Te falei que não precisava vir.
- Não vim porque precisava, eu vim porque quis. - Respondi pedindo uma bebida. Só assim pra enfrentar o maldito mau humor. - Que você tem hein? Dois dias sem me ver e ja ta precisando liberar hormonios? Quer subir pra sala rapidinho? - Provoquei.
- Não tenho nada. E não vou sair daqui.
- Tudo bem. - Me dei por vencida. - Vou curtir a festa então. - Peguei minha bebida e resolvi sair eu dali. Talvez no final da noite ele ficasse mais bem humorado.
Acabei encontrando uma das amigas do Dadinho. A presença VIP dele estava sempre sendo bem utilizada. Dançamos juntas por algum tempo até que eu resolvi procurar pelo de novo. No mesmo lugar, com o olhar fixo em mim desde que saí do seu lado.
- Apreciando a vista? - Voltei em sua direção fingindo um falso desdem.
- Me interessei pela sua amiga. - Me disse ainda encarando o ponto onde eu ocupava junto as meninas.
- Você só pode estar brincando com a minha cara. - Falei indignada. - É sério isso?
- Isso por acaso é ciumes? - Ele me olhou sorrindo.
- Claro que não. Porque pelo que me lembro, combinamos que não teria nenhum envolvimento, quem dirá com alguém que convivemos. - Lembrei.
- Também combinamos que seria algo exclusivo, não foi bem o que pareceu quando te vi ontem com um branquelo a tiracolo.
- Entendi. - Disse. Agora as coisas faziam mais sentido. - Você me viu com o Joe e agora quer fazer um show.
- Eu não te vi com o Joe, te vi com um cara. Agora se você se lembra tão bem do nome do tal Joe, acho que a exclusividade já se foi mesmo a muito tempo, não?
- E sou eu que estou com ciumes?
- Não é ciumes, é um jogo. Você pediu por regras.
- Eu não sei onde quebrei essa regra. Você acha que eu transei com ele? Me viu pelo menos abraçada com ele por mais de cinco segundos? Pelo amor de Deus, . Isso é ridiculo.
- O que o tal Joe é seu? - Perguntou. Eu sabia que a resposta iria aumentar a discussão, mas não iria mentir.
- Meu ex-namorado.
- Hmmm, temos um remember à caminho. - O sarcasmo em sua voz levou o resto de paciência que eu ainda tinha para aquela conversa.
- Ah . Sua ex esposa vive pendurada no seu pescoço 4x por semana e nem por isso eu preciso ficar te lembrando de nada ou me preocupando se vocês vão voltar.
- É diferente, temos uma filha juntos.
- Quer saber? Eu nem sei porque estamos discutindo isso. - Respondi esgotada. - Era óbvio que isso não daria certo. Eu posso ser a mais nova, mas com certeza o imaturo é você. Eu saí da minha casa morta de cansada pra tentar te ajudar a ter uma noite mais divertida mas você teve que estragar tudo. Quer saber, cansei. - E dito isso me virei pra ir embora.
Naquela noite, rolei na cama por horas atormentada com algo. Se não tinha sentimento, porque a idéia de não voltar a ter mais nada com o cara parecia tao agoniante?

Quando levantei no outro dia, demorei a lavar meu cabelo no chuveiro. Eu tinha cheiro de festa e cigarro e me livrar daquilo me tomou um tempo.
Mas foi a conhecida voz de no andar de baixo me fez despertar e encarar aquela tarde de domingo.
- E a está por aí? - disse ao meu irmão. - Gostaria de pedir que ela me ajudasse com a decoração do quarto da Ivy.
- A ? - pareceu não entender.
- Hmm, é, eu tinha comentado com ela sobre uns dias atrás.
- Ok, eu vou chamar. - Me fingi de ocupada quando entrou no quarto. - está aí, parece que vocês tinham marcado de comprar umas coisas pra Ivy. - Disse desconfiado.
- Eu? - Resolvi me divertir com a situação. - Certeza que não é a ? Quer dizer, eu mal conheço a menina.
- É, também achei estranho. Mas ele disse que era você. Enfim ele esta te esperando la embaixo.
- ? - Me fiz de surpresa, descendo as escadas com ao meu lado. - Combinamos algo?
- Na verdade não. - Confessou. - Eu só acho que preciso de ajuda, sabe. Acho que você tem bom gosto.
- Eu acho que tem muito mais. - Respondi ainda me divertindo com aquela situação.
- Não me mete nessa - meu irmão fugiu rindo pra cozinha - Vai , ajuda o cara.
- Porque não pede ajuda pra mãe da criança? - Provoquei. - Ela sim deve conhecer a Ivy como ninguém.
- Eu meio que queria fazer uma surpresa. - me respondeu já sem ter mais o que dizer. - E acho que seria legal a gente conversar, sabe. Tive umas idéias pra um tema pra Hellth...
- Ah sim, se é pra falar de trabalho, eu topo. Só vou pegar minha bolsa e vestir algo mais apresentável. - Me lembrei da camisa de que eu usava.
Foi o tempo de pegar a bolsa e me despedir e então estávamos indo e eu em direção ao shopping.
- Qual suas idéias pra boate? - Abri meu celular no bloco de notas. - e eu temos tudo planejado até Maio, mas talvez...
- Você sabe que não é isso. - Ele passou a mão pelos cabelos nervoso. - Vim me desculpar. Ontem eu fui grosseiro e injusto com você. Me desculpe.
- Podia ter mandado uma mensagem, não me tirar de casa no meu dia de folga.
- Na verdade eu quero mesmo sua ajuda com o lance do quarto. Acho que finalmente estamos avançando no projeto da guarda compartilhada e queria que tudo ficasse pronto pra Ivy.
- Isso é maravilhoso, . - Disse realmente animada. - Que bom que tem dado certo. Vocês tem uma audiencia marcada?
- Na segunda-feira.
- Você deve estar uma pilha de nervos com isso, nem imagino como deve ser estressante brigar por uma guarda assim.
- É muito estressante, por isso acredito que você possa me ajudar nessa. - Ele me olhou atravessado. Eu realmente não queria ter ouvido isso.
- Você é muito cinico, né? - Respondi. Minha paciência, novamente, eu havia perdido. -Num dia quase me faz ter uma síncope do nada, no outro me vem com essa proposta de programa de casal pra me levar pra cama? Sinceramente , você não é nem um pouco parecido com o cara bonzinho que descreve por aí.
- , não te chamei pra te levar pra cama. Eu realmente quero sua ajuda, sua companhia me faz bem. Só isso já me relaxa. - Seu olhar ainda era calmo. E foi nisso que resolvi confiar.
Chegamos no shopping em silêncio. A última noite havia me feito pensar bastante. Quando resolvi voltar pra Italia, fui viver um romance com meu melhor amigo. Na volta ao Brasil, estava prestes a seguir o mesmo caminho. Mesmo que e eu não admitissemos, tinhamos uma conexão unica. Mesmo não sendo um casal convencional, agíamos como um par muito cúmplice. Ele tinha ciúmes de mim. A gente cuidava um do outro, da nossa forma.
E no meio de brinquedos infantis, móveis e coleção de enxoval, senti vontade de dizer isso pra ele. Como gostaria de fazer aquilo funcionar de verdade. Contar para e , passear por aí de mãos dadas.
Mas tudo a seu tempo. Sabia que "gostar" não seria suficiente. era bem mais velho, gostava de coisas que eu sequer conhecia e eu frequentava lugares que ele jamais toparia. E um relacionamento era uma concessão que ia acontecendo aos poucos. Com a gente, poderia demorar um pouco mais porque ele não era fácil e eu não ficava muito atrás.

Logo chegou a sexta feira, e então e eu estaríamos na boate. O tema da semana era "anos 90", minha época favorita. Eu tinha certeza que estaria ali durante os quatro dias.
- Tem algo acontecendo la fora. - chamou minha atenção, ouvindo algo no ponto eletrônico que a conectava com a equipe de seguranças.
Quando saímos la fora era uma confusão gigante. Dois caras com a pior aparência de todas brigavam entre si, ameaçando cair por cima da fila que estava se dissipando pelo meio da rua.
- Alguém chamou a polícia? - Perguntei a um dos seguranças. No mesmo instante, pude reconhecer Joe e do outro lado da rua ja correndo em minha direção. Acostumado com aquele tipo de situação, Joe logo se enfiou no meio tentando separar a confusão. foi atrás e então logo todos os seguranças da portaria estavam no meio separando os envolvidos. Recebi um empurrão de um cara que fugiu assim que um carro de polícia estacionou, me fazendo cair contra o chão e cortar minha mão numa garrafa de bebidas quebrada. Que droga. Tudo que eu não precisava era um machucado nesse momento.
- Meu Deus, . - Foi a primeira a se aproximar. Olhei pra minha mão machucada, arrancando um caco que havia ficado preso.
- Tudo bem? - me ajudou a levantar. - Sua mão está sangrando bastante.
- Precisamos te levar num hospital. - Joe disse se aproximando também.
- Meu Deus, sua boca. - Ele pousou a mão sobre a mesma vendo que ela sangrava tanto quanto minha mão. Não saíria impune de uma confusão daquela, lógico.
- Você pode leva-los, ? - pediu e minha amiga concordou. - Vou ligar para o vir pra cá. Vamos precisar organizar isso aqui rápido antes que as pessoas resolvam ir embora, não sei o que fazer sem ajuda.
- Na verdade, eu vim pra encontrar com . - confessou a . - Ele ja vai estar por aqui em alguns minutos. - suspirou um pouco mais calma. Da casa de até ali levaria mesmo um bom tempo.
- Eu não acredito que vocês dois estão juntos de novo. - Me alegrei em saber que e estavam se resolvendo. - Eu sou mesmo a unica solteira das meninas?
- Porque você quer. Sei que tem gente disposto a mudar isso. - brincou e ja estavamos indo em direção ao carro. Só não sabia se ela falava de Joe ou de .

No hospital, levei alguns pontos enquanto Joe também era atendido na mesma sala da enfermaria. No mesmo instante que a enfermeira terminou meu curativo, pude ver romper pela porta da enfermaria. Seu olhar aflito se acalmou assim que encontrou o meu.
- , graças a Deus. - Ele se aproximou encarando minha mão com uma preocupação absurda.
- O que você ta fazendo aqui? - Perguntei ainda sem entender.
- me mandou uma mensagem dizendo que você estava ensaguentada indo pro hospital. Não me disse muita coisa, eu fiquei preocupado e vim correndo até aqui pra...
- Bom, foi só um corte na mão. - Mostrei o curativo pra ele, interrompendo seu desespero. - Você sabe que ela é exagerada, não precisa se preocupar.
- Você podia ao menos ter me atendido, eu vim pra cá voando. - Passou a mão pelos cabelos. Achei bonitinho sua atitude em vir me ver.
- Meu celular ficou no carro da . - Respondi. - E olha , realmente não tinha necessidade nenhuma, eu tô bem mesmo.
- Você só não devia ter se enfiado no meio - Ele voltou a agir como um chato.
- A confusão era do lado de fora, . Dois caras, nossa segurança não podia interferir, eu fui afastar, Joe tentou ajudar e cá estamos. Nada de grave, daqui a pouco estamos liberados e isso fica apenas como a primeira grande briga da Hellth.
- É claro que seu ex namorado iria tentar bancar o super herói pra te impressionar. - Disse em seu tom mais sarcástico.
- Você por acaso me ouviu? - Cruzei meus braços, encarando-o. - Eu me enfiei na confusão primeiro, se não fosse o meu "ex namorado super herói", provavelmente eu quem estaria levando pontos no lábio nesse exato momento. fez a mesma coisa, eles só quiseram me ajudar.
- De toda forma é uma briga que você poderia ter evitado. Se a cada confusão você for se meter no meio, além dos seguranças da boate vamos precisar contratar um pra você! - Ele disse um pouco alterado.
- E você saiu do quinto dos infernos da sua casa pra vir até aqui fazer minha dor de cabeça aumentar? - Respondi no mesmo tom.
- Eu saí do quinto dos infernos da minha casa porque fiquei maluco pensando que você poderia ter se machucado. - Ele confessou. mostrar que se importava desse jeito baixou minha guarda de uma forma que eu nem podia imaginar ser possível.
- Obrigada . - Respondi mais calma quando voltei a o encarar. - Me desculpa.
- Foi mal, não queria causar uma briga. - Ele disse ao mesmo tempo. - É só que imaginar você ferida e seu ex namorado cuidando de você ja me causou essa coisa que eu não gosto de sentir.
- Ciúme? - Foi minha vez de ser sarcástica.
- E se for? - Ele me respondeu, pela primeira vez, sem fugir e finalmente admitando existir um sentimento.
- Bom, você tem que aprender a lidar com isso. - Se for surtar a cada confusão, nossos amigos vão começar a suspeitar.
- Quanto a isso, parece que temos outra cofusão pra resolver. - Ele me olhou dessa vez envergonhado.
- Que confusão?
- Talvez eu tenha parecido meio desesperado com a mensagem da sua cunhada. Quando liguei pra e ele disse que você tinha vindo com seu ex namorado, fiquei puto, ele pareceu não entender e eu meio que disse que a gente ta junto.
- Espera aí, me explica essa historia direito. - Perguntei ainda perdida com tanta informação.
- Quando eu perguntei pra qual hospital ele estava te levando, ele disse que estava trazendo você e o tal Joe. Eu disse que não acreditava que você tinha vindo com esse cara, justo esse cara que você sabia que eu não ia com a cara...
- E essa parte da gente estar junto que até agora eu não entendi.
- Eu disse que vinha te buscar e como não estaria em casa, te levaria pra minha.- E? - Ele perguntou porque você toparia ir pra lá. E eu disse que você tinha ido algumas vezes por causa da reforma do quarto da Ivy...- E? - Ele me perguntou se nós dois estávamos tendo alguma coisa.
- E você negou!
- E eu disse que sim. - Me encarou ansioso. Era mais um daqueles momentos em que eu me sentia perdida na complicação que era se relacionar com . - Depois disso ele só disse que tudo bem, ele te buscaria pela manhã e então conversaríamos.
Olhei pra e Joe ainda dentro da enfermaria. Apontei pra dizendo que já tinha uma carona e nos despedimos por ali mesmo. Mandaria uma mensagem pra eles depois, mas agora tinha outra coisa que eu queria resolver.
- , e como estamos agora? - Perguntei ansiosa, conforme alcançávamos seu carro. - Quer dizer, depois dessa sua história vai me encher de perguntas.
- Não sei, você quer um pedido de namoro? - Ele me olhou com um sorriso diferente dos que eu já tinha visto. Parecia ansioso também.
- É um namoro então? - Voltei a perguntar.
- Se facilitar pra você...
-Ah sim, estamos fazendo isso pra ser mais fácil. - Girei os olhos entrando no carro. Quando caí devia ter batido a cabeça, pois no momento um pedido de namoro vindo de era uma das últimas coisas que eu esperava acontecer.
- E também porque só a ideia de um cara aparecer e te tomar de mim me assusta. - Ele voltou a dizer, dando partida com o carro.
- Isso é bom. - O olhei um pouco mais relaxada. - Você dizendo que gosta de mim depois daquela crise de ciúmes realmente mostra que a parte de não se envolver ja era.
- Foi você quem pediu exclusividade. - Tornou a me responder. Ele queria competir pra ver quem cedeu primeiro.
- Foi você quem começou me levar pro seu apartamento toda noite. - Respondi.
- Foi você quem não parou de correr atrás de mim desde a noite do hotel. - É essa era golpe baixo.
- Ta, você tem um ponto. Mas você chegou até mim no bar.
- E estou chegando agora de novo. - Ele aproveitou o sinal vermelho pra me encarar. - Enfim, aceita ser minha namorada de verdade ou não?
Eu não respondi com palavras, mas passei a noite mostrando ao meu namorado como elas poderiam parecer irrelevantes às vezes. Com mais frequência no nosso caso, mas ainda assim. O importante é que a gente se gostava o suficiente pra tentar e aprender com aquilo ali.
a lidar com a bagunça da sua menina.
E eu, de uma forma não muito pura, a respeitar os mais velhos.



Fim



Nota da autora: (28/08/2020) Clique aqui para seguir à página da autora.
Essa história vai continuar em uma longfic. Toda a história com o ex, o ponto de drogas e outras coisinhas não foram introduzidos de maneira aleatória, temos aqui um primeiro capítulo pra um projeto que já vem sendo criado há alguns anos.
A "história" da italiana precisava apenas de um ínicio, e coloquei pelo especial justamente porque a diferença de idade tem tudo pra ser um grande empecilho também. Espero que tenham ficado com gostinho de "já acabou? quero mais!".
Acompanhe minhas outrás histórias no site, e deixe um comentário sobre o que achou da história, por favor!





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