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Atualizada em: 06/05/2021

Prólogo

desceu as escadas, estava pronta para ir ao parque que ficava na pracinha juntamente com sua prima, Alena, naquele início de tarde em Londres. Ela amava passar as férias com ela, era filha única, e seus pais eram aurores e viajavam muito em missões para combater as artes das trevas, e a maior parte do tempo ficava com sua avó paterna, mas sentia-se entediada, não tinha muitos amigos em seu país de origem, África do Sul.
Estava ansiosa para que a magia se manifestasse em si, queria muito receber a visita dos Mensageiros dos Sonhos com o seu convite para que ingressasse na Escola de Magia e Bruxaria de Uagadou. Sonhava que o momento chegasse logo.
Balançou a cabeça, deixando aqueles pensamentos de lado, e voltou a prestar atenção ao que a prima dizia sobre os brinquedos que gostaria de ganhar de aniversário, completaria em uma semana 8 anos, Alena era mais nova que um ano. O ruim daquilo era que possivelmente Alena não fosse bruxa, pois sua tia não era, então a garota tinha que guardar aqueles anseios para si.
– Presta atenção em mim, . – Sua prima segurou seu braço, despertando-a novamente para a conversa sobre os presentes que gostaria de ganhar. – O que há?
– Nada, vem, vamos brincar. – Puxou Alena pelo braço para que pudessem escorregar no escorregador. Cansaram de inúmeras vezes descerem e subirem pelo brinquedo e correram para o balanço. Havia um garoto ali, parecia alheio a tudo, Lena torceu o nariz.
– Por que fez essa cara? – Encarou a prima, enquanto olhavam de longe o garoto magro e de óculos se balançar sem qualquer pretensão.
– Esse menino é muito chato, vive vindo para o parquinho e nunca brinca com ninguém, o primo dele é mil vezes mais legal. – Alena se justificou.
– Mas você já o convidou para brincar com você? – Alena negou. – Então como sabe que ele é chato? Eu vou chamar ele para brincar com a gente.
, não! – Mas já era tarde, a garotinha se aproximou do garoto e se sentou ao seu lado, chamando-lhe sua atenção.
– Oi. Me chamo Akingbade, e você? – Ela tinha os olhos curiosos, estudando as reações do garoto que tinha a mesma idade que ela.
– Me chamo Harry, Harry P… – Foi interrompido antes que pudesse concluir sua apresentação.
! – Alena se aproximou da outra, curiosa.
– Oi. – A encarou. – Estava conhecendo o Harry, ia convidá-lo para brincar com a gente… Você aceita? – O garoto a encarou de cenho franzido pela aproximação da garota tão diferente de si no jeito de falar e em sua desenvoltura. Ele balançou a cabeça, assentindo. – Que tal, esconde-esconde? – sugeriu.
– Certo, eu começo a contar. – Harry sorriu, se direcionando a uma árvore para que pudesse começar a contagem, fazendo as garotas correrem para se esconder.



Capítulo 01

suspirou, encarando seu quarto, seria a sua última vez estando ali, era uma mudança e tanto em sua vida. Deixaria seus amigos para trás, sua tão querida Escola, seus costumes e cultura para viver em um país em que ela só estava acostumada a passar férias. Lembrava-se que a última vez que tinha ido estava com 10 anos, um ano antes dos Mensageiros dos Sonhos visitá-la.
– Pronta? – Aba, sua mãe, apareceu no quarto com seu característico doce sorriso.
– Não. – abriu um sorriso forçado, fazendo uma careta. – Umama, eu não vou me adaptar de jeito nenhum lá, vão me achar um E.T.
Um acordo diplomático entre o Ministério de Burkinabê e do Ministério do Reino Unido foi assinado, nele, Burkinabê cederia alguns aurores para o Reino Unido, esse pedido havia sido requerido após a morte de um grande número de aurores em um ataque de bruxos adoradores de Voldemort. Você sabe quem estava morto, esses ataques não deveriam existir, certo? Mas existiam, o fato que magia das trevas sempre existiria.
– Filha, por favor, nós já conversamos sobre isso... – Aba suspirou, se aproximando de , e lhe dando um abraço. – E outra, eu sou inglesa, meu amor, vai ser importante que você conheça minha cultura.
– Eu não vou me conformar nunca. – Fez drama, mas sabia que em nada mudaria a decisão. – Já conheço sua cultura, umama. – a mulher gargalhou.
– Você sabe, filha, que está rolando a Copa do Mundo de Quadribol, né? – encarou seu pai, Danso, enquanto ele estava parado no batente da porta do quarto. – Inclusive chegaremos bem a tempo da partida final, consegui ingressos, cortesia do Ministério. Nem isso te faz animar um pouquinho? – A encarou, e fingiu que aquilo não lhe abalava, mas era óbvio que tinha surtido efeito, ela amava Quadribol desde pequenininha, e assistir à final da Copa seria uma experiência incrível.
– Talvez, ubaba, só talvez. – Ele riu, se aproximando dela, e lhe enchendo de cócegas. – Tá bom, é incrível, satisfeito?
– Sim, com certeza. – Seu pai a olhou, e sorriu de forma terna. – Sabemos que vão ter muitas diferenças de Hogwarts para Uagadou, mas sabemos também que você vai tirar de letra, e vai se adaptar muito bem.
– Com certeza, querida. Não ache que esteja sendo fácil para nós, pois não está, mesmo eu sendo inglesa, me acostumei aqui, adotei esse país como meu lar. Seu pai está muito pior que eu, ele é daqui. – a encarou. – Mas você sabe que amamos desafios, e sabemos que você também, afinal, é aventureira como nós. – A garota deu de ombros.
– Ok, essas palavras foram incríveis, eu tenho os melhores pais do mundo, isso é um fato. Só poderiam ser um pouco mais presentes. – Os abraçou de lado.
, meu amor, fazemos o que podemos, mas nem sempre conseguimos. – Danso lhe deu um beijo na bochecha.
– Sentimos tanto por deixarmos você sozinha, mas eu prometo que faremos o possível para mudar. – Aba complementou, abraçando-a ainda mais.
Não tinha jeito mesmo, teria que ir para Hogwarts, esperava que conseguisse se adaptar logo, mas temia, afinal não conhecia ninguém lá, e sabia que mesmo bem intencionados seus pais não cumpririam um terço das propostas efetuadas naquela tarde. Ela também já estava acostumada.

***

Acordou mais cedo do que pretendia naquele dia, estava muito ansiosa para a final da Copa Mundial de Quadribol, era um evento e tanto, apesar de a seleção da África do Sul não ter participado daquela edição. Eram mais de 100 mil bruxos do mundo inteiro todos juntos em um único lugar.
Estava se habituando a casa nova, era linda, mas não era igual a sua antiga. Comparações seriam feitas de qualquer forma, mesmo que ela estivesse morando em um palácio. Por fim, cansada de se virar na cama e pensar, decidiu se levantar.
– Bom dia, ! Já estava para te acordar, temos a partida, e precisamos encontrar o portal mais próximo daqui para chegarmos lá. – Aba sorriu, dando um rápido abraço na filha.
– Eu ainda gostaria de saber como os trouxas não os localizam. – Soltou um longo bocejo, enquanto se sentava na mesa para tomar café.
– São sempre objetos que eles consideram lixo, querida. Então não chama atenção de nenhum deles. – Aba foi quem a respondeu.
– Com a minha influência consegui inclusive bons lugares. – Seu pai abriu um belo sorriso, deveria estar tão ou mais ansioso que . Eles precisavam daquela distração, já que assim que acabasse a Copa teriam que trabalhar, e momentos como aquele seriam demorados. – Bulgária ou Irlanda?
– Óbvio que Bulgária, o Victor Krum joga lá, é o apanhador mais jovem, e é um gato. – Aba riu com a carranca que Danso fez.
– Você é muito novinha para esse tipo de pensamento, viu? – levantou as mãos em sinal de rendição, mas tinha um sorrisinho travesso. Para os pais os filhos nunca cresciam, essa era a verdade, a menina já não era uma criança, tinha 14 anos e bom, já sabia até transfigurar melhor que seu pai.

***

ficou assustada com o tamanho do campo de Quadribol, e com a quantidade de assentos que ele dispunha. Seu pai havia ganhado ingressos para ficarem no camarote, junto com o Ministro da Magia do Reino Unido e do Ministro de Burkinabê , sabia que era provável que os pais fossem ter que dar atenção e conversa ao último citado, já que estariam ao lado dele em seus lugares.
Sentaram-se, e como ela imaginava não tardou para que engatassem em uma conversa com o Ministro, ela tentou prestar atenção, mas o tédio a dominou. Viu alguns outros aurores de seu país e de países vizinhos ao seu por ali, acenou de forma positiva, os vendo se posicionarem próximos dela.
Observou aquele camarote ir enchendo cada vez mais e notou uma aglomeração na entrada, viu uma família com vários bruxos ruivos, achou adorável, pois nunca tinha visto tantos ruivos assim juntos, em Uagadou era raro. Além, é claro, que tinha achando todos muito bonitos, sem exceção.
Sua atenção foi para uma outra família que havia acabado de entrar, esses tinham os cabelos loiros platinados e conversavam com o ministro da Magia do Reino Unido e com os ruivos. Eles eram elegantes por suas vestes impecáveis, mas também tinham uma arrogância em sua postura, bem diferentes dos ruivos. Pegou-se observando demais e se repreendeu quando o adolescente loiro que estava entre eles a encarou de cenho franzido. Detestava ser pega no flagra, então rapidamente desviou o olhar. Mas qual não foi a surpresa quando percebeu que o rapaz a encarava? E foi automático que ela voltasse a olhá-lo. Ele se aproximou dela, e ela prendeu a respiração quando ele se sentou uma fileira à frente da dela. Ela mordeu os lábios, visivelmente sem graça.
Olhou em direção a porta novamente e verificou que haviam mais duas pessoas morenas com a família de ruivos, que estavam lá desde o início, só que com a chegada da família arrogante, ela não havia conseguido observar. Uma era uma garota de cabelos volumosos muito bonita, o outro era um rapaz de óculos redondos que imediatamente reconheceu, era Harry, o garoto que conheceu quando foi passar as férias na casa da prima, mas depois que começou em Uagadou perderam o contato.
estava surpresa, porque se ele estava ali, ele também era um bruxo. Aquilo a deixou em êxtase, era surreal e difícil de acreditar... Não conseguia parar de encará-lo porque percebeu que o rapaz estava muito bonito. Quem diria que aquele garoto desajeitado, ficasse gato desse jeito?, ela pensou. Assim que terminasse o jogo ela o procuraria, queria ir agora, mas sabia que chamaria atenção de seu pai, sabia do ciúmes dele, assim que conseguisse se livrar do homem, ela se aproximaria de Harry.
O jogo se seguiu e a Bulgária perdeu para a Irlanda, mesmo Krum tendo capturado o pomo de ouro. Selena suspirou em vários momentos do jogo quando o via, ele era mesmo muito gato, era inevitável não se sentir atraída por ele. Se levantou do assento, e antes que saísse do camarote, sentiu-se mais uma vez ser observada, era o rapaz de olhos acinzentados, sentiu-se estranha, mas logo agarrou a mão da mãe e a seguiu. Alguma coisa dentro de sabia que não seria a última vez que veria aquele garoto.
Caminharam lentamente em direção a saída do local, seu pai tinha ficado conversando com o Ministro, e Aba e decidiram que voltariam antes, enquanto caminhavam, reconheceu Harry ao longe, sabia que queria conversar com ele, precisava vê-lo.
– Mãe, eu já venho. – A mulher a olhou interrogativa. – Eu encontrei um amigo aqui, eu ainda estou sem acreditar. Me espere aqui.
– Não demore, , temos que ir para a nossa barraca, amanhã eu preciso organizar as coisas antes de ir para o Ministério com seu pai. – assentiu, correndo atrás da família de bruxos.
– Harry! – Gritou, mas ele não a escutou. – Harry! – Tentou mais uma vez, mas ao invés de ele a olhar, quem havia feito foi a garota morena que o acompanhava. Ela o cutucou, e ele se virou para trás, finalmente conseguiu o alcançar. – Oi! – Ela sorriu, parando em frente a ele. – Não me diga que já se esqueceu da garota tagarela que passou duas férias de verão com você há alguns bons anos?
! – Ele sorriu. A menina se aproximou dele, jogando os braços por seus ombros e lhe dando um abraço apertado. Harry havia se esquecido do quão calorosa a menina era. – Eu só estava tentando entender o que fazia aqui, pode se dizer então que você também é uma bruxa?
– Sim, eu sou. – Ela riu. – Eu estou mais surpresa ainda porque você também é um bruxo, isso é muito estranho. – Ele concordou com um sorriso. – Como tem passado?
– Eu estou indo bem e você? – Hermione pigarreou, mostrando-se presente, assim como Rony que encarava a cena sem entender. – Ah, essa é Akingbade, uma amiga que fiz antes de me descobrir ser bruxo. , esses são Hermione Granger, e Rony Weasley. – Apontou para os respectivos amigos.
– Prazer conhecer todos vocês. – sorriu, e recebeu cumprimentos dos dois. – Eu estou bem também, faz mais ou menos duas semanas que estou aqui. – Harry assentiu.
– Por que não veio a Hogwarts antes?
– Harry, Hogwarts não é a única escola do mundo, tem várias espalhadas pelos continentes. Eu estudei todos os meus anos em Uagadou, fica em Uganda. – Ela se explicou.
– Uau, que incrível. – Hermione se manifestou. – Muito prazer, , veio por intercâmbio?
– Na verdade não, vim para ficar, Hermione, não sabemos quando voltamos a África do Sul, meus pais são aurores, e vieram em missão neste país. Confesso que sinto falta de lá, mas só de saber que encontrei uma pessoa amiga por aqui já me deixa muito feliz. – Harry sorriu para ela.
– Mas que incrível isso, você vai entrar em qual turma? Primeiranista? – Rony questionou, visivelmente curioso.
– Não, por Deus. – Ela negou com um sorriso. – Estou no quarto ano, venho transferida, não faria sentido recomeçar.
– Já sabe em qual Casa quer ficar? – Ela os encarou, interrogativa frente a pergunta de Harry.
– Eu não faço ideia. Vocês são de que Casa? Comecei a ler Hogwarts, Uma História para me habituar, mas ainda não cheguei nessa parte. – comentou, sem graça.
– Somos da Grifinória. – Hermione respondeu por todos. – Viu, meninos? Alguém lê sim Hogwarts, Uma História. – A garota ralhou com eles, fazendo sorrir e Rony fazer uma careta.
– O livro é bem legal, deveriam dar uma chance. – apoiou Hermione. – Então que eu também vá para essa Casa, só para ficar perto de você... – olhou diretamente para Harry. – Bem, quero dizer de todos vocês. – tentou consertar, mas Hermione riu discretamente, percebendo que a menina parecia bem mais interessada em Harry do que gostaria de aparentar.
– Claro. Estou torcendo por isso também. – Harry sorriu. olhou para trás e sua mãe a encarava e gesticulava para que voltasse.
– Eu preciso ir, minha umama está me esperando. – Eles a encararam em dúvida sobre quem era tal pessoa. – Minha mãe, perdão, são tantos anos a chamando dessa forma. – Sorriu. – Foi um prazer te rever. – Se aproximou de Harry, lhe dando dois beijos na bochecha e mais um abraço apertado. – E um prazer conhecê-los. – Se aproximou de Rony e Hermione e os cumprimentou da mesma forma. – Nos vemos em Hogwarts! – Acenou, sumindo do campo de visão deles.
– Que costumes diferentes esses de beijar na bochecha gente que acabou de conhecer. – Rony ainda estava estático após a saída da garota.
– Rony! – Hermione o chamou atenção, mas ria. – Ela é bem calorosa, não, Harry?
– O quê? – Harry ainda encarava por onde a garota estivera há minutos. – Ah sim, ela é. é muito legal, vocês vão gostar dela.
– Não tenho dúvidas. – Hermione sorriu, e eles voltaram a seguir a família Weasley que os aguardava.

***

– Filha, levante. – acordou, sendo sacudida de forma alarmante por seu pai. O encarou, sonolenta. – Precisamos sair daqui. – se levantou rapidamente vendo a seriedade de seu pai.
– O que houve? – Colocou rapidamente os seus sapatos.
– Não dá tempo de te explicar, anda, vamos! – Aba encarou a filha, aflita, segurou a mão que a mãe tinha estendida para si, e seguiram para fora da barraca.
Tudo o que conseguiu observar era muita correria e desordem, aquilo estava desesperador, o que estava acontecendo ali?
, eu vou ter que ajudar aqui, ok? – arregalou os olhos a fala do pai.
Ubaba, tenha cuidado. – Sentiu o coração disparar frente a situação em que se encontravam, temia toda vez que via os pais se arriscarem, e dessa vez não seria diferente.
– É só uma algazarra, querida, fique tranquila. – Ele lhe deu um beijo na testa e saiu em disparada em direção ao foco da aglomeração.
– Vamos, querida. – apertou a mão da mãe e juntas recomeçaram a andança em direção a floresta.
Pararam já em uma parte distante das barracas, no meio da floresta, apesar das dificuldades. Levaram um susto quando viram a Marca Negra no céu. colocou as mãos na boca, não era uma simples algazarra, eram comensais da morte, eram os seguidores de um dos bruxos mais temidos do mundo. sentiu um aperto no peito olhando aquela imagem, sabia que aquele ano não seria tão normal como imaginou. E ela estava certa.



Capítulo 02

Depois daquela noite, e seus pais foram para casa, ela percebeu que aquela aparição da Marca Negra deixou todos em alvoroço, sabia que boas coisas não viriam daquilo, sinal de trabalho redobrado para os aurores.
Alguns poucos dias após o evento, a garota teve que se despedir de seus pais, eles tiveram que se apresentar ao Ministério e em seguida saíram em missão. A despedida era sempre a pior parte, ela sentia como se estivessem levando o coração dela embora, afinal, ser auror não deixava de ser um trabalho extremamente perigoso, mesmo sabendo que os pais sabiam se cuidar.
Ela passou aquele período sozinha de férias, e ficou muito entediada, seus pais haviam lhe dito que ela poderia passar um tempo na casa da tia, mas ela e Alena já não eram mais tão próximas assim, tinham tomado rumos diferentes. Alena havia se tornado uma pessoa fútil, e quando se viam nem meias palavras conseguiam proferir, infelizmente. Será que com Harry as coisas seriam iguais? Balançou a cabeça com aqueles pensamentos, Harry com certeza era diferente.
Escutou o pio de Lila e acarinhou sua coruja preta, ficando pensativa durante o ato. Como ela mesmo previra, teria que ir sozinha até o Expresso de Hogwarts, pois os pais não estariam ali para acompanhá-la. Na verdade, desde criança as coisas foram assim. Ela amava os pais, mas eles sempre foram muito ausentes e nunca estavam quando ela mais precisava, era sempre sua avó que a acompanhava em tudo, talvez a adaptação no novo país estivesse bem mais difícil exatamente por isso. Que saudades sentia da velha senhora.
Ela checou mais uma vez se não estava esquecendo nada antes de sair de casa, colocou a gaiola de Lila em cima do malão, trancou o local e seguiu caminhando pelas ruas de Londres. Tentou parar um táxi, e só conseguiu na terceira tentativa. O veículo seguiu em direção a estação e o trajeto não demorou tanto como ela imaginou que demoraria.
Passou pela mesma dificuldade que todo bruxo novo passava ao procurar a plataforma 9 ¾, ficou um tempo parada entre as plataformas 9 e 10, tentando encontrá-la. Observou um garoto acompanhado de sua mãe com um malão e uma coruja e se aproximou, ele com certeza era um bruxo e estava indo à Hogwarts.
– Oi, por favor. – Chamou a atenção. – Eu sou nova aqui, e bom pelo malão e a coruja creio que seja um bruxo, certo? – Arriscou, tinha um sorriso nervoso.
– Somos sim, querida. – A mulher respondeu com um pequeno sorriso. – Não sabe onde é a plataforma, não é?
– Não sei, me desculpem parar vocês assim, é que eu já estava há um tempinho procurando e nada. Vocês foram minha luz. – Sorriu, sem graça. – Que indelicadeza a minha, me chamo Akingbade. – Se aproximou de ambos, e como característica de si, ela abraçou os dois e beijou suas bochechas. O garoto ficou vermelho com o gesto dela. – Muitíssimo obrigada.
– Sou Rosalind Finnigan, e esse é meu filho Simas Finnigan. Ah, fique tranquila, querida, vamos ajudá-la a atravessar a plataforma. – concordou, animada. – Simas, faça primeiro. – O jovem rapaz que até agora não havia se pronunciado, assentiu para a mãe.
O garoto havia a achado intrigante, e muito, muito bonita. Seus cabelos eram incríveis, usava tranças que adornavam e muito bem seu rosto redondo, as pernas eram grossas, ele podia reparar pela saia que estava nos joelhos, seus brincos eram argolas douradas, que davam um toque maduro para ela. Sentia-se um idiota, mas não conseguia proferir nada na frente dela, ela tinha uma imponência, e um sorriso incrível, estava encantado por ela e isso era inegável.
Ele correu em direção a pilastra e sumiu por ela, olhou, surpresa. Era um pouco diferente de Uagadou, mas tinha gostado. Correu em direção a pilastra, fechou os olhos e a ultrapassou, quando os abriu se deparou com várias crianças e adolescentes eufóricos. Em seguida senhora Finnigan atravessou. ficou próxima deles, procurava Harry e seus amigos, mas não os tinha achado ainda.
– Filho, já está na hora. Cuidado e muita atenção nas aulas, tá bom? – despertou com as recomendações da mãe do garoto e não pôde deixar que seus pensamentos voassem para seus pais, queria que eles estivessem com ela naquele momento.
– Tá certo, mãe, pode deixar. – Ela o ouviu pela primeira vez falar. Tinha achado que o garoto era mudo a princípio. O viu cumprimentar a mãe com um beijo e resolveu que era o momento de se despedir da mulher também.
– Mas uma vez obrigada pela ajuda de agora pouco, senhora Finningan. Tenha um bom retorno. – A garota a abraçou e lhe deu dois beijos na bochecha. A mulher tinha a achado adorável.
– De nada, querida. Você irá gostar de Hogwarts, tenho certeza. – Rosalind sorriu. – Mas vão, o trem já partirá. Simas, faça companhia a ela. – O garoto engoliu em seco, mas concordou com um aceno de cabeça. Foram caminhando até o trem quietos, Simas procurou em todas as cabines até encontrar Dino, e o seguia, não tinha achado Harry ainda, e precisava estreitar os laços, então por que não com o garoto tímido? Ela suspeitava que o rapaz estava nervoso por sua presença, e tinha achado aquilo fofo.
– Fala, Simas. – Dino o cumprimentou com um toque breve de mãos. – E você não está sozinho… – Assim que Simas se sentou, se sentou ao lado dele.
– Oi, me chamo Akingbade. – Ela se aproximou e deu dois beijos na bochecha do garoto, e um abraço caloroso. Deixando o rapaz surpreso.
– Oi! É… me chamo Dino, Dino Thomas. – Ela voltou a se sentar ao lado de Simas. – Simas não comentou nada que tinha uma… – Não soube bem como terminar a frase sem soar indelicado. achou graça daquilo.
– Eu diria que seremos em breve amigos, porque eu acabei de conhecê-lo, ele e sua mãe salvaram minha vida, estava completamente perdida na plataforma. – O rapaz assentiu, pelo sotaque, ela com certeza não era europeia.
– Ah, claro. – Ele a encarou. Simas parecia bem desconfortável com a garota ao seu lado, Dino o olhava com dúvida. – E você veio transferida de outra escola?
– Sim, vim de Uagadou, vou cursar o 4º ano. – Dino a encarou, admirado. – Conversa comigo também, Simas, até agora eu não ouvi sua voz direito. – Simas ficou vermelho, e Dino tentou prender a risada em vão.
– Eu… – Ele a encarou e a mediu da cabeça aos pés. o encarava, divertida. – Bem-vinda à Hogwarts. Estamos no 4ª ano também.
– Obrigada! Ah, que incrível! – Ela sorriu. – Mas me contem, que Casa estão? Espera, vou tentar adivinhar, li Hogwarts Uma História nas férias. Hum… – Encarava Simas e Dino com um olhar analítico. – Lufa-Lufa?
– Errou! – Simas foi quem respondeu, tentando ficar à vontade com a presença dela. fez uma caretinha engraçada. – Somos da Grifinória.
– Ah, Grifinória foi uma das opções que pensei, mas optei por Lufa-Lufa. – Sorriu. – Vocês são da mesma casa que meu amigo e do mesmo ano.
– Quem é seu amigo? – Simas questionou, curioso.
– Harry. – Dino e Simas se encararam. – Vocês o conhecem?
– Quem não conhece Harry Potter? Pelo amor de Deus, . – A garota piscou os olhos, aturdida com a fala de Dino.
– Como assim Harry Potter? – Ela mordeu os lábios.
– Ele é o único Harry que conhecemos da Grifinória, e que é do nosso ano. – Sua cabeça estava processando a informação, ela era amiga de Harry Potter, como nunca soube disso? O seu Harry era o garoto que sobreviveu à Maldição da Morte. Para ela o garoto sempre foi Harry, nunca se atentou a perguntar o sobrenome dele, sentia-se tola.
Antes que ela pudesse falar algo, foram interrompidos pelo carrinho de doces que passava por ali. Os dois garotos compraram algumas guloseimas e ela não quis nada para si, eventualmente experimentando alguma coisa que eles comiam. Tinha gostado dos garotos, não era segredo que sempre teve mais afinidade com garotos do que com garotas.
– Meninos, preciso encontrar Harry, prometo que volto logo. – Assentiram, vendo-a sair da cabine. Os amigos se encararam.
– Você gosta dela. – Dino acusou, arrancando uma careta de Simas.
– Quê!? Não. Nada a ver, Dino. – Negou com a cabeça. Dino deu de ombros, voltando sua atenção aos feijãozinhos de todos os sabores.

foi olhando cabine por cabine de forma cuidadosa, não queria ser indiscreta, afinal, todos estavam bem familiarizados ali, e ela não queria ser a aluna nova intrometida. A chuva que havia começado há pouco não cessava. Visualizou uma das cabines e engoliu seco quando viu o garoto de cabelos loiros do dia da Copa Mundial de Quadribol, ele a viu do lado de fora da cabine. Ela saiu dali, xingando-se mentalmente por novamente ter sido pega no flagra, mas não contava com o que aconteceria depois:
– Ei, você, espera! – Paralisou, virando-se para trás lentamente.
– Diga. – Respondeu, e gostou de como seu tom de voz soou seguro.
– Você estava na final da Copa de Quadribol, não? – O menino arrebitou o nariz para falar com ela.
– É, eu estava. – Limitou-se a responder o óbvio.
– Como se chama? – arqueou a sobrancelha.
Akingbade.
– Hum… – o rapaz apenas se limitou a responder. – Nunca ouvi falar do seu sobrenome. – O loiro voltou para a sua cabine, deixando boquiaberta. Que grosseiro!
– E eu não te perguntei nada! Imbecil. – Respondeu, mas duvidava que ele tivesse ouvido. Negou com a cabeça, e voltou a caminhar procurando Harry, finalmente o encontrando na cabine ao lado da do loiro.
– Achei que nunca acharia vocês! – Ela sorriu, entrando na cabine e dando beijos e abraços nos três habitantes dela. – Oi! Inclusive que garoto insuportável esse da cabine ao lado.
– Oi, ! – Harry a encarou, risonho. – Quem? O Malfoy? – Ela franziu o cenho.
– Malfoy é um garoto de cabelos loiros bem claros e parece que sempre está com o nariz arrebitado. – Hermione complementou e assentiu veemente.
– É esse mesmo. Me parou no corredor, perguntou meu nome e me deixou falando sozinha. Fiquei chocada com tamanha falta de cordialidade!
– Ele é assim com todo mundo, . – Rony completou. – É um narcisista, hipócrita.
– Com certeza. – A garota tinha sua atenção voltada para Harry. – Como assim você é o Harry Potter? – Rony e Hermione ficaram sem entender.
, eu te falei. – Ela negou.
– Você nunca me falou, e eu como uma péssima amiga nunca perguntei seu sobrenome. Se você tivesse me dito eu saberia que você com certeza era um bruxo. Desculpa, gente, eu só nunca soube que o meu Harry, era o Harry Potter, me sinto péssima por isso.
– Ah! – Hermione exclamou, rindo.
– Para com isso, , nada a ver. A gente brincava juntos nos nossos tempos livres, quem se ligaria nisso?
– Eu preciso ver sua cicatriz.
– Eu sabia que você ia pedir para ver isso. – Ele levantou o cabelo, mostrando-a. se levantou e colocou a mão no local. Harry sentiu um formigamento estranho na região com a forma delicada que a alisava.
– Nossa! – ela voltou a se sentar, encarando-o. – É muito surreal.
– Como vocês se conheceram? – Rony questionou, curioso, trazendo a atenção dela para ele.
– O Harry é vizinho da minha prima Alena, nos conhecemos assim.
– Isso mesmo. – Concordou. – Mas me conta, , como é Ugadou? Eu nunca tinha ouvido falar dessa escola. – Harry questionou.
– Para falar a verdade, Harry, você nunca tinha ouvido falar de nada, só conhecia Hogwarts. – Hermione o dedurou, arrancando uma risada de .
– É, eu já tinha percebido isso. – Gargalhou. – Uagadou fica localizada em Uganda, ela é a maior escola de bruxaria do mundo, e recebe estudantes de todo o continente africano. Ela fica localizada nas Montanhas da Lua, o edifício é esculpido na montanha e envolto de neblina, de modo que às vezes parece simplesmente flutuar em pleno ar. É incrível, queria que um dia pudessem conhecer também. Lá nós temos costume de fazer magia sem varinha.
– Quê?! Como conseguem? – Rony perguntou, alarmado.
– A varinha é algo europeu, nós usamos lá, claro, mas fazer magia com a mão é muito mais simples. Eu posso tentar ensinar a vocês, mas deve ser complicado aprender quando já está habituado a usar varinha. – Concluiu. – Lá é muito mais difícil sermos pegos pelo Ministério se usarmos magia fora da Escola. É só inventar que foi um acidente.
– Mas realmente acontecem com frequência esses tipos de acidentes lá? – Hermione questionou.
– Sim, imagina você pensando em magia, aponta o dedo e tcharam!? Pois é, isso é muito comum, mas a maioria das vezes é classificado como acidente. – sorriu, lembrando-se de algo. – Uma vez eu estava com tanta raiva de um menino que simplesmente eu lancei um feitiço que fez nascer furúnculos nele, eu queria muito fazer aquilo, chorei para os meus pais e o Ministério e não fui pega. – Riram. Estavam adorando conversar com , ela realmente era uma garota muito divertida e contagiante.
– Eu imagino a confusão que isso com certeza dá. – Hermione afirmou.
– Antes de eu receber minha carta para ir a Hogwarts deixei meu primo dentro de uma jaula com uma cobra e fiz a tia dele virar um balão inflável, mas isso realmente foi um acidente. – Harry riu, lembrando-se do episódio.
– Mas seu primo insuportável merecia. – riu. – Aqui é por carta, né? – eles concordaram. – Lá em Uagadou nós recebemos nosso convite através dos Mensageiros dos Sonhos. Quando chega o momento, o diretor nos visita nos sonhos, e quando acordamos estamos com uma pedra na mão e nela tem as informações sobre a escola e que fomos aceitos nela.
– Nossa, que incrível! – Hermione nem piscava enquanto escutava .
Foram conversando o caminho inteiro sobre as diferenças de Uagadou para Hogwarts, o papo foi tão agradável que eles só perceberam que estavam próximos de chegar quando um dos alunos da Corvinal tinha avisado que era a hora de se trocar e vestir as vestes. Ela se despediu deles, e caminhou em direção a sua cabine.
– Achamos que não voltava mais para trocar as vestes, estamos quase chegando. – sorriu a fala de Dimas.
– Eu não fazia ideia do tempo de distância. – Mordeu os lábios. – Cavalheiros? Podem deixar essa dama se trocar e não deixar ninguém entrar por aqui?
– Claro. – Simas respondeu e saiu da cabine, deixando-a. estava com o coração na boca, estava realmente ansiosa para conhecer Hogwarts e principalmente, para conhecer sua futura Casa.



Capítulo 03

Assim que o Expresso encostou na plataforma os alunos foram descendo um a um, seguiu com Simas e Dino, ela ficou confusa como faria a seguir, porém foi parada por um homem muito alto e grande, de cabelos longos, e barbas cheias, ele lhe perguntou seu nome e também se apresentou para ela como Hagrid. Ela o seguiu em direção a um lago onde se dispunha vários barcos para que ela embarcasse com os demais alunos primeiranistas. Estava morrendo de frio naquele dia, e a chuva não cessava nem por um segundo, esperava que nenhuma catástrofe acontecesse com eles atravessando de barco.
Dividiu o veículo com uma garotinha de cabelos e olhos negros, ela encarava de forma curiosa, afinal, estava achando-a muito grande para ser do primeiro ano. reparou que ela a olhava e abriu um pequeno sorriso que foi correspondido com fervura. olhava ao redor minuciosamente, de longe ela já conseguia avistar Hogwarts com suas grandes torres, e ela era linda demais, e grande, muito grande, não conseguia olhar sem se embasbacar. Seria a visão perfeita se não tivesse morrendo de frio naquela noite e a chuva não atrapalhasse o trajeto.
A viagem foi rápida, e logo ela estava subindo as escadas e entrando em Hogwarts, encantada ainda mais com a Escola por dentro. Foi recepcionada por uma mulher mais velha, de vestes pretas, que usava um chapéu da mesma cor, se apresentou como professora Minerva McGonagall, subdiretora da escola e diretora da casa de Grifinória, ela usava óculos de aros quadrados. Ela instruiu a todos como funcionaria a seleção das casas, ficou no canto mais afastada dos mais novos e as viu conversarem timidamente, enquanto aguardavam McGonagall voltar, e isso não tardou a acontecer.
assim que entrou no Salão Principal ficou boquiaberta, era lindo, e tinha um aspecto esplêndido. Pratos e taças de ouro refulgiam à luz de centenas e centenas de velas que flutuavam no ar sobre as mesas. As quatro mesas longas das Casas estavam cheias de alunos que falavam sem parar, observou ao longe Harry, Hermione, Rony, Simas e Dino na mesa da Grifinória, internamente desejava ir para aquela Casa, afinal, já tinha amigos lá.
No fundo do salão, os professores e outros funcionários sentavam-se a uma quinta mesa, de frente para os estudantes. Estava muito mais quente ali, finalmente conseguiu se aquecer um pouco, sentia os pés dormentes de tão frios e molhados que estavam. Um chapéu velho começou a cantar, despertando a atenção da garota, na música ele se apresentava, e cantava as características de cada fundador das Casas.
– Quando eu chamar seu nome, ponha o chapéu e se sente no banquinho. – Explicou a Profª Minerva aos alunos quando o chapéu terminou seu canto. – Quando o chapéu anunciar sua casa, vá se sentar à mesa correspondente. – Ackerley, Stuart! – O menino se aproximou, ele tremia visivelmente da cabeça aos pés, não sabia se por medo ou frio; ele apanhou o chapéu, colocou-o e se sentou no banquinho.
– Corvinal! – O chapéu anunciou sem delongas.
viu o garoto trêmulo sorrir, e caminhar até o local correspondente, a mesa pertencente o aplaudia de pé, era bonito de se ver. Um a um os primeiranistas foram chamados e aquilo entediou que pelo que tinha percebido, mesmo com sobrenome iniciado pela letra a, seria chamada ao final da seleção por ser transferida. Ela não soube quanto tempo teve que esperar em fila, inclusive se distraiu do jeito que conseguiu, prestou atenção em Harry e como ele gesticulava com Rony, ele com certeza estava com fome, não tirava sua razão. Ela não queria, mas encarar Harry parecia tão natural, estava se amaldiçoando internamente por se deixar ficar tão vulnerável a ele, mas o garoto estava um gato, quem poderia culpá-la?
– Aluna transferida da Escola de Magia e Bruxaria de Uagadou: Akingbade, . – O Salão foi tomado por burburinhos, levou um susto ao ser chamada, despertando de forma brusca de seus devaneios. Caminhou até o banquinho, pegou o chapéu e o colocou em sua cabeça, sentando-se.
– Akingbade, hein? Muito interessante, diria raro por esses lados... – Escutou o chapéu proferir. Harry a encarou de cenho franzido, então quer dizer que a família da garota tinha certo prestígio? O chapéu continuou a falar, mas agora na mente da garota. “Corajosa, e muito amável, perspicaz, criativa, tem muita sabedoria e inteligência nessa mente, Akingbade…” – O chapéu pareceu ponderar, sem saber ao certo onde poderia encaixá-la. “Creio que a casa que te agregará muito mais valores seja…” – Corvinal!
Aplausos foram ouvidos. Harry sorriu, aplaudindo-a também, era ótimo que fosse para lá, afinal, Cho também era corvina e quem sabe ele não conseguisse se aproximar da garota com a ajuda dela?
caminhou até a mesa da Corvinal, se sentou, com um tímido sorriso. Estava um pouco desapontada com a escolha do chapéu, mas genuinamente feliz com a forma calorosa que foi recebida pelos membros da Casa, pareciam pessoas muito legais, ela poderia se acostumar com isso.
– Oi! Seja bem-vinda, sou o Miguel Corner. – Um garoto de cabelos pretos sorriu em direção a ela, e lhe deu uma piscadela.
– Obrigada. – Ela apertou a mão dele que estava estendida em sua direção, mas o puxou para um abraço rápido, surpreendendo o rapaz com o gesto.
– Você é parente de Babajide Akingbade? Ah, perdão, que indelicadeza, sou a Cho Chang. – A menina sorriu, e como ela estava sentada ao seu lado, a cumprimentou calorosamente.
– Sim, eu sou. Ele é meu tio. – se surpreendeu, não imaginava que alguém de Hogwarts soubesse quem era seu tio.
Seu tio era membro da Confederação Internacional dos Bruxos, representava o Continente Africano, sem contar que fez grandes feitos pelo mundo mágico, mas Cho foi a primeira pessoa que notou isso, não que fosse muito famosa, mas uns ou outros reconheciam seu sobrenome. Foi impossível que sua mente não voltasse a recepção nada amigável de mais cedo no Expresso daquele garoto, ela olhou mesa a mesa até encontrar o tal Malfoy, e o pegou a encarando, ela revirou os olhos, voltando seu olhar aos novos colegas.
Logo a barulheira foi substituída pela voz de Alvo Dumbledore, ela o conhecia muito bem, ele era o Diretor de Hogwarts e o Cacique Supremo da Confederação Internacional dos Bruxos, cargo ao qual seu tio tinha certa cobiça por conquistar. Ele foi sucinto naquele momento, e apenas desejou a todos bom apetite. Assim que as palavras do homem foram proferidas todas as travessas e copos foram enchidos.
não sabia que estava tão faminta até ver os pratos com comidas tão apetitosas. O jantar se seguiu, sem maiores surpresas. Ela trocou mais algumas poucas palavras com Cho e descobriu que a garota era do 5º ano. Assim que o banquete foi servido, a sobremesa posta, e todos estavam devidamente alimentados, Dumbledore chamou a atenção dos alunos, pedindo pela palavra. Todos se calaram, o escutando.
– O Sr. Filch, o zelador, me pediu para avisá-los de que a lista dos objetos proibidos no interior do castelo este ano cresceu, passando a incluir Ioiôs-berrantes, Frisbees-dentados e Bumerangues-de-repetição. A lista inteira tem uns quatrocentos e trinta e sete itens, creio eu, e pode ser examinada na sala do Sr. Filch, se alguém quiser lê-la.
prendeu o riso quando visualizou a figura do homem, ele era terrivelmente amedrontador, e seu gato com certeza deveria ser sua marca registrada. Tinha feito uma nota mental de nunca contrariar aquele homem com aparência tão ranzinza. Dumbledore continuou a falar:
– Como sempre, eu gostaria de lembrar a todos que a floresta que faz parte da nossa propriedade é proibida a todos os alunos, e o povoado de Hogsmeade, àqueles que ainda não chegaram à terceira série. Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre as Casas.
Um burburinho foi ouvido por todo o Salão, e bufou, frustrada, ela com certeza queria fazer parte do time de Quadribol da Corvinal, ela era apanhadora em sua antiga Escola. Antes que Dumbledore pudesse esclarecer os motivos de não ter a Copa entre as Casas, um barulho estrondoso o interrompeu. Um homem manco, encapuzado, usando um cajado, irrompeu pelas portas, e caminhou de forma ruidosa até Dumbledore.
Ele tirou o capuz, e balançou os cabelos grisalhos escuros. Um trovão soou, deixando a cena ainda mais assustadora. Todos tinham o cenho franzido ou estavam amedrontados quando olharam para a face do homem que era horripilante, cheia de cicatrizes. Um de seus olhos não parava de girar, era Olho-Tonto, o conhecia, seus pais já haviam comentado dos feitos do homem como um dos melhores aurores do mundo. O homem se aproximou de Dumbledore, e estendeu a mão direita, que era tão cheia de cicatrizes quanto o rosto, e o diretor a apertou. o viu se sentar no lugar vago, cheirar um prato com salsichas e começar a comer. Ela desviou o olhar daquilo, era extremamente bizarro.
– Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas – Dumbledore soou animado, em meio ao silêncio. – Prof. Moody.
Tudo o que se ouviu foram as palmas de Dumbledore e Hagrid, todos estavam em choque com a aparição do homem, incluindo o corpo docente. Rapidamente as palmas cessaram.
– Quem é ele? – Cho sussurrou para e Miguel, que estavam mais próximos de si. – Ele é bizarro, e muito, muito assustador.
– Ele é um ex-auror muito famoso pelo mundo bruxo, seu nome é Alastor Moody, mas a maioria das pessoas o conhecem como Olho-Tonto. – a respondeu. – Bom, ele conseguiu capturar muitos comensais, porém sua imagem ficou transfigurada. O que é completamente compreensível. – Miguel que prestava atenção a conversa assentiu.
– O que mais me deixa curioso é aquele olho, ele simplesmente não para de se mexer. Eu não vou conseguir prestar atenção em outra coisa senão naquilo nas aulas. – Ouviram-se alguns risinhos dos colegas, não aguentou rindo também da fala de Miguel.
– Tem razão. – Cho concordou, ainda rindo.
– Como eu ia dizendo – recomeçou Dumbledore –, teremos a honra de sediar um evento muito excitante nos próximos meses, um evento que não é realizado há um século. Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos um Torneio Tribruxo em Hogwarts.
– O senhor está BRINCANDO! – exclamou em voz alta um garoto de cabelos ruivos.
já havia o visto na Copa Mundial de Quadribol, olhando-o bem ela conseguiu reparar que ele era mesmo muito gato, mordeu os lábios, negando com a cabeça, olhou para o lado direito dele e viu outro rapaz igualzinho, com certeza a frase “um é pouco, e dois é bom” nunca fez tanto sentido para ela. Hogwarts estava sendo uma surpresa positiva com relação a garotos. Dispersou aqueles pensamentos, focando-se a fala do diretor, tinha chegado mesmo em um bom momento, um Torneio Tribruxo, isso não tinha em sua antiga Escola. Ficou bem curiosa, e já estava pronta para se inscrever, seria uma experiência incrível.
E como um sopro a tensão que estava o Salão pela chegada repentina de Olho-Tonto dispersou, inclusive tirando o foco de Dumbledore que quase contou uma piada, sendo educadamente interrompido por Minerva.
– Bom, como eu falava, o Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas europeias de bruxaria: Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão foi eleito para representar cada escola e os três campeões competiam em três tarefas mágicas. As escolas se revezavam para sediar o torneio a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades, até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido.
Alguns murmúrios foram ouvidos a fala do homem, sinal de que o Torneio era mesmo algo extremamente perigoso. Aquilo instigou e muito a curiosidade dos estudantes.
– Eu nunca me inscreveria em algo assim, taxa de mortalidade alta? Cruzes! Admiro quem tem essa coragem, me parece algo extremamente perigoso. – Escutou Miranda Flockton, a qual ela havia visto se apresentar mais cedo, falar. Ao contrário de e de muitos outros tantos alunos que estavam com muita vontade de se inscrever.
– Durante séculos houve várias tentativas de reiniciar o torneio – continuou Dumbledore –, nenhuma das quais foi bem-sucedida. No entanto, os nossos Departamentos de Cooperação Internacional em Magia e de Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de fazer uma nova tentativa. Os diretores de Beauxbatons e Durmstrang chegarão com a lista final dos competidores de suas escolas em outubro e a seleção dos três campeões será realizada no Dia das Bruxas. Um julgamento imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões.
– Uau! Agora sim me interessei ainda mais. – Miguel se pronunciou, olhando para que havia se animado juntamente com ele. Se fosse a representante de Hogwarts traria muito orgulho aos pais.
Novamente se ouviu o garoto ruivo soltar uma exclamação alta, dizendo que gostaria de participar, sorriu, ele gostava mesmo de ter os holofotes voltados para si.
– Ansiosos como eu sei que estarão para ganhar a Taça para Hogwarts – disse ele –, os diretores das escolas participantes, bem como o Ministério da Magia, concordaram em impor este ano uma restrição à idade dos competidores. Somente os alunos que forem maiores, isto é, tiverem mais de dezessete anos, terão permissão de apresentar seus nomes à seleção.
– Não acredito nisso! – exclamou alto demais, se arrependendo amargamente, por ter chamado atenção no ato, se encolheu no banquinho em que estava sentada, abaixando a cabeça e suas tranças cobriram sua face. Muitos a encaravam, já não bastava ser a atração da escola naquela noite, ela tinha que se aparecer ainda mais.
– Pois é, eu também não acredito, , posso te chamar assim, não? – deu de ombros, indiferente a indagação de Miguel. Ela só queria sumir naquele momento.
– Enfim, as delegações de Beauxbatons e de Durmstrang chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte deste ano letivo. Sei que estenderão as suas boas maneiras aos nossos visitantes estrangeiros enquanto estiverem conosco, e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Hogwarts quando ele for escolhido. E agora já está ficando tarde e sei como é importante estarem acordados e descansados para começar as aulas amanhã de manhã. Hora de dormir! Vamos andando!
Dumbledore voltou a se sentar e viu as conversas entre os alunos começarem, enquanto estes se levantavam. se levantou rapidamente da mesa, não se preocupando em seguir os colegas de sala, queria falar com Harry. Ela o viu se levantar da mesa de sua casa, e correu em sua direção.
– Harry, oi. – Ela se aproximou dele com um pequeno sorriso. Viu Rony e Hermione um pouco mais distantes conversando com os gêmeos Weasley. – Corvinal, quem diria, não é? Eu achei que fosse para Grifinória.
– Você tem mesmo características da Grifinória, mas o chapéu seletor nunca erra, . Acredite em mim. – Ela assentiu. – Fico feliz, é uma casa bem legal, você vai gostar.
– Sim, nesse pouco tempo em que estive ao lado deles gostei bastante. Troquei algumas boas palavras com Miguel Corner e Cho Chang. – o rosto de Harry se iluminou ao último nome citado.
– Nossa, muito bom. Eu não conheço o Miguel, mas a Cho é bem divertida, e muito inteligente... – E bonita, acrescentou mentalmente.
– Sim. – Ela sorriu, não percebendo certa euforia em Harry. – O que achou do Torneio Tribruxo?
– Eu achei muito legal, mas não mais que você, não é? Eu não acredito nisso. – Harry a imitou, fazendo rir alto.
– Eu fiquei tão envergonhada, não achei que minha indignação soasse tão alta assim. – ela sorriu. – Mas eu queria muito me inscrever.
– Vi Fred e George dizerem que vão dar um jeito de burlar as regras, talvez tomarem alguma poção ou algo assim. Você pode fazer o mesmo. – Harry deu de ombros, abrindo um sorriso.
– Quê?! Não, eu duvido que esse tipo de Torneio não use magia para identificar essas coisas. – Harry concordou com ela. virou o corpo para trás vendo o Salão Principal esvaziar cada vez mais. – Preciso ir, Harry, eu não faço ideia de qual caminho devo seguir para o meu dormitório.
– Nossa, você deveria seguir os monitores chefes da sua Casa junto com os primeiranistas, sempre tem uma espécie de tour. – Harry lhe chamou a atenção. – Ainda bem que têm alguns alunos da Corvinal, é só segui-los.
– Eu o farei. Nos vemos. – Ela o abraçou de forma afetuosa, e encheu a bochecha de Harry de beijos, fazendo-o ficar vermelho, e sem graça. … ele suspirou, precisa se acostumar ao jeito tempestuoso dela. – Durma bem. – Ela sorriu, se afastando dele e seguindo algumas meninas de sua casa. Hermione se aproximou de Harry enquanto o via encarar saltitar em direção às alunas. Era impossível não se encantar pelo jeito dela.
– O que ela queria? – A garota o assustou.
– Me perguntar o que eu tinha achado de ela ir para a Corvinal e do Torneio Tribruxo. – Harry viu os gêmeos e Rony se levantarem, e começou a andar juntamente com Hermione, um pouco mais atrás deles.
– E o que você disse? – Ela o encarou com um pequeno sorriso.
– Que eu fiquei feliz por ela, e que ela vai gostar muito da Casa. – Ele ajeitou os óculos, finalmente encarando Hermione. – O que foi?
chamou a atenção de vários garotos hoje… Inclusive do Simas, que o tempo todo ficou falando dela durante o jantar. Como eles dividiram a cabine, creio que ele esteja gostando dela. – Harry estreitou os olhos.
– Não! – Hermione o encarou. – Quero dizer, o Simas não é garoto para ela, Hermione. Ele é muito idiota, se bobear se explode durante as aulas de Poções e pode explodir ela também. – a garota prendeu o riso, sabia que Harry tinha total razão quanto a parte de explodir.
– E quem seria o tipo de garoto para ela? Você? – O rapaz ficou vermelho, tendo uma crise de tosse nervosa.
– Você está louca? e eu somos amigos, para com isso! – Hermione deu de ombros, e viu Harry de forma desconfortável se afastar dela e alcançar os irmãos Weasley. Hermione negou com a cabeça, por que garotos gostavam tanto de dificultar as coisas? E o pior, por que não enxergavam o que estava óbvio? Nunca saberia a resposta para aqueles questionamentos.

conseguiu alcançar duas alunas segundanistas, e durante o percurso tentou decorar o caminho, mas suspeitava que não tinha conseguido. Sabia apenas que a entrada estava localizada no lado oeste de Hogwarts no topo de uma escada em espiral no quinto andar, mas como chegar na torre definitivamente tinha a pegado.
Assim que parou à porta, viu que esta não tinha maçaneta, mas uma aldrava de bronze em forma de águia, e pelo que ouvira das meninas para adentrar a sala, deveria responder a um enigma feito pela aldrava. Para a sua sorte, uma das duas garotas tinha resolvido o enigma, permitindo a entrada delas dentro do local.
A Sala Comunal da Corvinal era ampla e circular, e muito bem arejada. Graciosas janelas em arco pontuavam as paredes, ladeadas por reposteiros de seda azul e bronze; com certeza de dia, era possível ter uma vista espetacular das montanhas ao redor. O teto era abobadado e pintado com estrelas que se repetiam também no carpete azul-escuro. Havia mesas, poltronas e estantes e, em um nicho na parede oposta à porta, uma alta estátua de mármore branco.
havia amado o lugar, as cores, com certeza conseguiria se habituar muito bem ali. Ela seguiu as meninas até o dormitório, e rapidamente localizou o seu malão, vendo que ficaria no mesmo local que as meninas de sua idade. Pode ver Cho Chang, Miranda Flockton, Sarah Kempston e Padma Patil, as duas últimas ela havia escutado os nomes ainda na mesa.
, onde se meteu? Achei que tivesse com os primeiranistas, mas quando chegaram você não estava junto. – Cho a questionou.
– Eu fiquei conversando com Harry, e me distraí. – sorriu, pegando seu malão.
– Você conhece Harry Potter? – Padma perguntou, nem piscava os olhos, visivelmente interessada. – Sou Padma Parvati. – estendeu a mão em direção a , que a apertou.
– Eu sei. – constatou com relação ao nome. – E sim, somos amigos. Eu conheço Harry há anos, desde antes de descobrirmos sermos bruxos. – sorriu, sentando-se na cama livre que restará para si. Abriu seu malão, pegando seu pijama, ela necessitava de um banho quente depois da chuva que tinha pegado durante o trajeto.
– Que incrível! – Padma concluiu, animada. Talvez lhe ajudasse a se aproximar dele.
– Meninas, eu preciso de um banho quente, estou congelada. Com licença. – saiu do cômodo e indo a caminho do banheiro, deixando as meninas pensativas frente a sua presença tão imponente e graciosa ao mesmo tempo.



Capítulo 04

– Oi, gente! – se sentou ao lado de Rony, arrancando um olhar surpreso dele. – O que foi?
– Oi, . É que... bom… não é nada. – Rony deu de ombros, tinha achado estranho ela ter sentado na mesa da Grifinória, mas não ia falar nada.
– Ei, novata. – virou seu rosto vendo um dos gêmeos lhe chamar. – Não fomos apresentados ainda, mas eu sou o George. – Ela sorriu, estava mesmo com vontade de conhecer os ruivos que lhe deixaram curiosa no jantar da noite anterior.
– Eu sou o George, ele é o Fred. – O outro gêmeo apareceu, a garota tinha o cenho franzido, tentando decifrar qual dos dois falava a verdade. – Mentira, ele é o George, e eu sou o Fred. – sorriu ainda mais.
– Oi, meninos. – Acenou. – Sou ...
– Akingbade, já sabemos. Você é o assunto de hoje entre as mesas. – Ela sentiu as bochechas fervendo de tão quentes com a sinceridade de George. – Claro, depois do Torneio Tribruxo. – Ela levantou o olhar e todos a encaravam e cochichavam.
Harry encarava a situação de forma impassível, ponderando as palavras de Hermione na noite anterior, ela realmente estava chamando atenção da comunidade masculina.
– Ok, eu não sei bem o que dizer depois disso… – Ficou reticente pela segunda vez naquela manhã, mas dessa vez por motivos óbvios. Ela amava desconcertar as pessoas, mas quando era com ela, ficava envergonhada. Nem ela se entendia muito bem.
– Parem vocês dois. Deixem-na. – Hermione a defendeu. sorriu, agradecida.
– Como foi a sua primeira noite em Hogwarts, conseguiu descansar bem? – Hermione mudou de assunto. George deu uma piscadela em direção a ela, que sorriu, sem graça, depois desviando o olhar.
– Ótima, conheci mais algumas garotas durante a noite, todas foram bem simpáticas comigo. E você? – Hermione concordou, e disse que tinha passado a noite bem. espiou o horário que Rony tinha nas mãos. – Adivinhação, sério? Eu optei por Aritmacia.
– Alguém que finalmente me entende. – Hermione dramatizou. – Faremos juntas. – sorriu para ela.
– Se eu pudesse com certeza desistiria, mas agora é tarde, vou ter que lidar com as loucuras da Sibila Trelawney prevendo minha morte um milhão de vezes.
– Como assim? – encarou Harry, visivelmente assustada.
– Não se preocupe, , essa mulher é uma charlatã. – Hermione revirou os olhos.
– Mas garanto que é muito mais fácil a matéria dela e não tem tanto dever. – Rony proferiu, fazendo Hermione negar com a cabeça.
Foram interrompidos pelo correio. reconheceu uma das corujas que se aproximava, com certeza era a de sua avó, o animal pousou ao seu lado, ela deu uma bolachinha para ela, que partiu em direção ao Corujal.
– É da minha avó. – Falou para os outros que a encaravam, curiosos. tinha os olhos brilhando quando abriu o envelope. Começou a lê-lo em silêncio.

Olá, meu amor!
Como estão as coisas em Hogwarts? Está se adaptando?
Seus pais lhe levaram até o Expresso? Me conte tudo, estou morrendo de saudades de você.
Seu tio veio aqui e queria vê-la, ficou muitíssimo desapontado quando lhe contei que você já tinha partido para Hogwarts. Ele pediu para que você mandasse lembranças a Dumbledore em seu nome.
Ah, antes que se preocupe, estou bem de saúde, tudo sob controle, só com saudades mesmo da minha netinha preferida.
Fique bem, e qualquer coisa que precisar é só me falar, tá?
Com amor,

Ayanda Akingbade


– Está com saudades, não é? – Harry perguntou, vendo a concordar com um pequeno sorriso.
– É que eu nunca fiquei tão longe assim da minha avó. – ela suspirou. – Depois alguém pode me levar ao Corujal? Quero respondê-la.
– Eu te levo, preciso enviar uma carta para a minha mãe. – Rony afirmou.
– Feito. Obrigada. – voltou a comer, com o coração apertado de saudade de sua avó, e de seus pais que não haviam mandado notícias, ela só esperava que tudo estivesse bem com eles, detestava viver naquela angústia.

caminhou até a sala de Feitiços acompanhada por Padma que a todo momento comentava sobre Harry, e o quão bonito ele era. Ela concordava, mas por dentro estava enciumada, afinal, não era legal escutar alguém tão interessada pelo garoto que ela se sentia atraída. Ainda tinha o adendo que era provável que Harry não a correspondesse, afinal ela era a amiga de infância. Bufou.
Apareceu a oportunidade perfeita para se afastar de Padma naquela primeira aula do dia, a viu se sentar em uma bancada mais distante do professor, inventou uma desculpa qualquer, sentando-se do outro lado da sala.
Observou alguns alunos da Sonserina adentrarem a sala e lembrou-se que aquela aula seria com eles. Começou a pegar suas coisas e as deixá-las na mesa, sentiu que alguém se sentou exatamente ao lado dela, virou-se em direção a pessoa e negou com a cabeça, não queria ficar perto dele, ainda mais depois de escutar tantas coisas ao seu respeito e a forma como ele a tratou no trem. Ia se levantar para sentar em outro local, mas ele segurou seu pulso de forma delicada. piscou os olhos, aturdida.
– O quê? – O encarou, surpresa.
– Não quero que saía daqui só porque eu cheguei. – Draco a explicou como se aquilo fosse óbvio.
– Mas eu quero me sentar em outro lugar e…
– Fique. – Ela arregalou os olhos, mas se sentou de novo, um pouco desconcertada. Ele desviou o olhar dela, focando em qualquer canto da sala.
– Ok. – Ficaram calados até o Professor Fílio Flitwick adentrar a sala.
não conseguiu prestar atenção em nenhum momento na explicação do Professor durante a aula, ficou pensativa. A atitude de Malfoy fora extremamente bizarra, afinal de contas, o que se passava na cabeça daquele ser humano? Por que aquilo? Ele era bipolar? Não viu quando e nem como, mas quase ao fim daquela aula as palavras simplesmente pularam de seus lábios:
– Malfoy, você é muito estranho! – concluiu, chamando a atenção do garoto. – É arrogante comigo gratuitamente, depois fica me encarando em várias oportunidades e hoje isso. Tem algo a me dizer?
O garoto ficou quieto por um determinado tempo, tentando absorver o que ela tinha dito. achou que ele não responderia, e suspirou. Draco ficou pensativo, nem ele mesmo entendia o que ela tinha que tanto o chamava atenção… Uma coisa era fato para ele, Akingbade era muito linda. É, talvez fosse esse o motivo que lhe despertasse tanto sua curiosidade. Sua beleza extremamente descomunal e o seu sorriso, que era mesmo encantador.
– Eu conheço sim seu sobrenome. – falou de repente, fazendo voltar a olhá-lo. – Eu menti aquele dia.
– Ok, mas por que mentiu? – Virou seu corpo totalmente em direção a ele.
– É que… – Malfoy engoliu em seco. o encarou, curiosa. – Você… é… – Crabbe e Goyle apareceram ao seu lado, e o garoto recolheu o material saindo da sala, deixando a garota extremamente chocada.
Ela nem percebeu que a aula tinha acabado, notou apenas quando viu Malfoy se levantando e caminhando com sua tropa. Algo não saía de sua cabeça, o que ele iria falar?

***

– Ei, Hermione. – A grifinória sorriu, sentando-se ao lado de . – Pedi ajuda a Simas para que me trouxesse aqui antes de ele partir para a aula de Adivinhação. Ele é muito legal.
com você, isso sim. A maior parte do tempo ele é muito resmungão. Quase dei um soco nele nas primeiras aulas! – Hermione pegou seu material, abrindo-o.
– Sério? – Perguntou, incrédula. Viu a menina murmurar um sim. – Nossa, essa face ele não mostrou para mim.
– E nunca vai mostrar. – Hermione sorriu, finalmente encarando .
– Como assim? O que está querendo me dizer? – ajeitou sua postura na cadeira.
– Nada. – franziu o cenho, mas deixou aquilo para lá, ao menos por enquanto, puxando um novo assunto.
– Queria saber onde fica a biblioteca, a professora Minerva passou dever. Espero que a professora Vetor não passe também.
– Eu te levo lá. Vetor é bem severa, esteja preparada para algumas visitas por lá. – assentiu.
– Oh, Deus, então o Rony tinha razão, fiz a escolha errada. – Lamentou, fingindo um choro.
– Claro que não a aula é muito enriquecedora, inclusive ignore tudo o que o Rony fala, ele é um preguiçoso! E você vai gostar muito, e sem contar que você é uma corvina, inteligência está no seu gene.
– Até agora estou sem entender como fui parar lá. – Hermione riu. O silêncio se instaurou entre elas. – Mudando completamente de assunto queria te perguntar algo sobre Harry.
– Se eu puder te ajudar...
– O Harry ele… – Ponderou. – Ele gosta de alguém? – Hermione ficou muda, não sabia bem como responder àquela pergunta.
– Eu não sei, você está interessada nele?
– Não, é claro que não, eu pergunto porque a Padma está afim dele. Preciso de amigos na minha Casa, né? Pensei em ajudá-la. – Inventou aquilo de última hora, esperava que soasse convincente a mais nova amiga que já tinha percebido ser muito esperta. Hermione arqueou minimamente a sobrancelha.
– Namorada eu sei que ele não tem, pode dizer isso para ela. – Hermione sorriu, vendo finalmente Vetor passando pela porta. tentou disfarçar um pequeno sorriso que quis abrir diante da informação.

Para contrariar tudo o que Hermione havia dito de Vetor, ela não havia passado dever, então só teria mesmo lição de Transfiguração para aquela tarde, estava visivelmente aliviada, era só seu primeiro dia de aula. Hermione avistou Harry e Rony um pouco mais a frente e puxou para que a acompanhasse.
Não demorou muito para que elas os alcançassem, e o quarteto foi conversando trivialidades até chegarem ao saguão de entrada que estava lotado de gente para jantar. Assim que entraram no fim da fila, uma voz soou alta atrás deles.
– Weasley! Ei, Weasley!
Todos se viraram e observaram Malfoy, Crabbe e Goyle parados ali, cada qual parecendo muito satisfeitos.
– Que é? – perguntou Rony rispidamente.
– Seu pai está no jornal, Weasley! – disse Malfoy brandindo um exemplar do Profeta Diário, tinha o tom de voz alto para que todas as pessoas aglomeradas no saguão pudessem ouvir. – Escuta só isso:

NOVOS ERROS NO MINISTÉRIO DA MAGIA
Pelo visto os problemas no Ministério da Magia ainda não chegaram ao fim, informa nossa correspondente especial Rita Skeeter. Recentemente censurado por sua incapacidade de controlar multidões durante a Copa Mundial de Quadribol, e ainda devendo à opinião pública uma explicação para o desaparecimento de uma de suas bruxas, ontem o Ministério enfrentou novo constrangimento com as extravagâncias de Arnold Weasley, da Seção de Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas.

Malfoy ergueu os olhos.
– Imagina, nem escreveram direito o nome dele, Weasley, é quase como se ele não existisse, não é?
– Você é um tremendo babaca, Malfoy! – deu um passo à frente de forma protetiva, se colocando à frente de Rony. Ela não conseguia entender qual era a necessidade dele em humilhar as pessoas.
Todos no saguão agora prestavam atenção, nenhum ruído era proferido. Malfoy a ignorou, e esticou o jornal com um gesto largo, seu problema não era Akingbade, nunca, jamais e inclusive achava péssimo que ela andasse com traidores de sangue ou sangues ruins, ela era diferente, e ele sabia muito bem o peso do sobrenome Akingbade. Voltou a leitura:

Arnold Weasley, acusado de possuir um carro voador há dois anos, envolveu-se ontem numa briga com guardiões trouxas da lei (policiais) por causa de latas de lixo extremamente agressivas. O Sr. Weasley parece ter ido socorrer “Olho-Tonto” Moody, um ex-auror idoso, que se aposentou do Ministério ao se tornar incapaz de distinguir um aperto de mão de uma tentativa de homicídio. Ao chegar à casa do ex-auror, fortemente guardada, o funcionário verificou, sem surpresa, que, mais uma vez, o Sr. Moody dera um alarme falso. Em consequência, o Sr. Weasley foi obrigado a alterar muitas memórias para poder escapar dos policiais, mas se recusou a responder às perguntas do Profeta Diário sobre as razões que o levaram a envolver o Ministério nesse episódio pouco digno e potencialmente embaraçoso.

– E tem uma foto, Weasley! – acrescentou Malfoy, virando o jornal e mostrando-a. – Uma foto de seus pais à porta de casa, se é que se pode chamar isso de casa! Sua mãe bem que podia perder uns quilinhos, não acha?
Rony tremia de fúria. Todos o encaravam. tinha os olhos arregalados com a falta de respeito daquele garoto.
– Se manda, Malfoy. – Disse Harry. – Vamos, Rony...
– Ah, é mesmo, você esteve visitando a família no verão, não foi, Potter? – caçoou Malfoy. – Então me conta, a mãe dele parece uma barrica ou é efeito da foto?
– Malfoy... – ia falar, mas Harry a interrompeu.
– Você já olhou bem para sua mãe, Malfoy? – respondeu Harry. e Hermione seguravam Rony pelas costas das vestes para impedi-lo de partir para cima do outro. – Aquela expressão na cara dela, de quem tem bosta debaixo do nariz? Ela sempre teve aquela cara ou foi só por que você estava perto dela?
O rosto pálido de Malfoy corou levemente.
– Não se atreva a ofender minha mãe, Potter.
– Então vê se cala esse bocão – Disse Harry dando as costas ao colega.
BANGUE!
virou-se para trás, surpresa, como Malfoy era covarde, tinha atacado Harry por trás. Várias pessoas gritaram. Harry sentiu uma coisa branca e quente arranhar o lado do rosto, mergulhou a mão nas vestes para apanhar a varinha, mas antes que chegasse sequer a tocá-la, ouviu um segundo estampido e um berro que ecoou pelo saguão de entrada:
– AH, NÃO VAI NÃO, GAROTO!
Harry se virou. O Prof. Moody descia mancando a escadaria de mármore. Tinha a varinha na mão e apontava diretamente para uma doninha muito alva, que tremia no piso de lajotas, exatamente no lugar em que Malfoy estivera. Fez-se um silêncio aterrorizado no saguão. Ninguém exceto Moody mexia um só músculo. Ele se virou para olhar Harry – pelo menos, o olho normal estava olhando para Harry; o outro estava apontando para dentro da cabeça.
– Ele o mordeu? – Rosnou o professor. Sua voz era baixa e áspera.
– Não – respondeu Harry –, por pouco.
– DEIXE–O! – Berrou Moody.
– Deixe... o quê? – Perguntou Harry, espantado.
– Não você, ele! – Vociferou Moody, apontando o polegar por cima do ombro para Crabbe, que acabara de congelar em meio a um gesto para recolher a doninha branca. Parecia que o olho giratório de Moody era mágico e enxergava através da nuca do professor.
Moody começou a mancar em direção a Crabbe, Goyle e a doninha, que soltou um guincho aterrorizado e fugiu em direção às masmorras.
– Acho que não! – Rugiu Moody, tornando a apontar a varinha para a doninha, ela subiu uns três metros no ar, caiu com um baque úmido no chão e quicou de novo para cima.
– Não gosto de gente que ataca um adversário pelas costas – Rosnou Moody, enquanto a doninha quicava cada vez mais alto, guinchando de dor. – Um ato nojento, covarde...
A doninha voava pelo ar, as pernas e a cauda sacudiam descontroladas.
– Meu Deus! – sussurrou, olhando o quanto Olho-Tonto continuava a domesticar a doninha.
– Nunca... mais... torne... a... fazer... isso. – Continuou o professor, destacando cada palavra para a doninha que batia no piso de pedra e tornava a subir.
– Prof. Moody! – Chamou uma voz chocada. Minerva vinha descendo a escadaria com os braços carregados de livros.
– Olá, Profª McGonagall – Cumprimentou Moody calmamente, fazendo a doninha quicar ainda mais alto.
– Que... que é que o senhor está fazendo? – Perguntou a professora seguindo com o olhar a subida da doninha no ar.
– Ensinando – Respondeu ele.
– Ensinan... Moody, isso é um aluno? – Gritou a professora, os livros despencando dos seus braços.
– É.
– Não! – Exclamou ela, descendo a escada correndo e puxando a própria varinha; um momento depois, com um estampido, Draco Malfoy reapareceu, caído embolado no chão, os cabelos lisos e louros sobre o rosto agora muito vermelho. Ele se levantou, fazendo uma careta.
– Moody, nunca usamos transformação em castigos! – Disse a professora com a voz fraca. – Certamente o Prof. Dumbledore deve ter-lhe dito isso?
– É, talvez ele tenha mencionado – respondeu Moody, coçando o queixo displicentemente –, mas achei que um bom choque...
– Damos detenções, Moody! Ou falamos com o diretor da casa do faltoso!
– Vou fazer isso, então. – Disse Moody, encarando Malfoy com intenso desagrado.
O garoto, cujos olhos claros ainda lacrimejavam de dor e humilhação, ergueu o rosto maldosamente para Moody e murmurou alguma coisa em que se distinguiam as palavras “meu pai”.
– Ah, é? – Disse Moody em voz baixa, aproximando-se alguns passos, a pancada surda de sua perna de pau ecoando pelo saguão. – Bom, conheço seu pai de outras eras, moleque... diga a ele que Moody está de olho no filho dele... diga-lhe isso por mim... agora, imagino que o diretor de sua casa seja o Snape, não?
– É – respondeu Malfoy cheio de rancor.
– Outro velho amigo. – Rosnou Moody. – Estou querendo mesmo conversar com o velho Snape... vamos, seu... – E segurando o garoto pelo antebraço saiu com ele em direção às masmorras.
A Profª Minerva acompanhou-os com um olhar ansioso por alguns momentos, depois apontou a varinha para os livros caídos fazendo-os subir no ar e voltar aos seus braços. ainda olhava tudo estática, Olho-Tonto era louco, quase matou Malfoy no percurso, mas tinha achado bom a humilhação passada, ninguém jamais deveria zombar do sobrenome de ninguém e o principal, da mãe de alguém.

– Ainda bem que já terminou de comer, vamos para biblioteca. Vou te mostrar onde fica para você fazer seu dever de Transfiguração. – Hermione apareceu na frente de , esbaforida.
– Calma, respira. – Hermione revirou os olhos, mas puxou para que a seguisse até o local. – Eu realmente preciso de um mapa para andar por aqui, Hogwarts é grande, quase se iguala a Uagadou, definitivamente. – Ia a seguindo e tentando decorar o caminho de forma detalhada.
– Eventualmente você saberá esse caminho de cabeça, será um dos que mais terá que fazer. – A olhou com um pequeno sorriso.
– Eu sei. – Ficaram caladas, já era possível ver a entrada da Biblioteca. – Mas se você não tem dever por que precisa vir aqui?
– Você sabia que os Elfos são escravizados aqui em Hogwarts, fazem de tudo e não tem direito a nenhum direito trabalhista?
– Eu não fazia ideia, mas creio que seja normal já que na minha antiga escola eles faziam tudo também sem recompensas. – Hermione estagnou, encarando-a.
– E você nunca se importou?
– Bem… Eu nunca vi por essa perspectiva, de eles serem escravizados, e é muito errado mesmo. É péssimo e... – Como uma luz se tocou no que ela fazia ali. – Espera, você está pesquisando alguma forma de trabalho digno em relação a eles?
– Touché, . Eu estou. Alguém precisa fazer algo por essas criaturas, eles precisam ter salários, escalas de trabalho, serem livres.
– Concordo, e vou te ajudar com isso. – Hermione abriu um sorriso. – Tudo o que precisar pode mesmo contar comigo.
– Você é mesmo incrível. – Hermione comentou.
– Com certeza você quem é. Se importou com algo que ninguém teve cuidado para olhar. – Abraçou-a de lado. – Bom, chegamos, eu vou só fazer meu dever primeiro, e assim que eu terminar começo a fazer a pesquisa com você, tá? – Hermione assentiu, vendo a garota ir para outro local procurar os livros que gostaria de pesquisar sobre e sorriu. Sentou-se em uma mesa e de forma feroz começou seu trabalho, tinha muito o que pesquisar.
terminou seu dever de Transfiguração rapidamente, assustando Hermione com sua rapidez, pegou um dos livros separados e começou a ler para ajudá-la. Ficaram no local até próximo ao toque de recolher.

– Eu até tentei me aproximar mais para ver o Malfoy de doninha, mas não consegui, fiquei chateado.
Estavam no Salão Comunal da Corvinal , Miguel, Padma e Cho conversando ainda sobre o que tinha acontecido com Malfoy mais cedo, aquele seria o assunto do momento. estava calada, seus pensamentos estavam longe, aquele dia tinha sido bem cheio, e ela estava bem cansada.
, presta atenção na gente. – Miguel estralou os dedos na frente dela, a fazendo encará-lo.
– Oi! – Ela se mexeu na poltrona. – O que foi?
– Sei lá, você ficou sentada olhando pro nada, simplesmente apagou. – Cho foi quem respondeu, fazendo rir.
– Muito dever. – Mentiu, a pesquisa com Hermione havia lhe cansado, essa era a verdade. – Não sabia que seria tão pesado assim o 4° ano… e nem chegaram os N.O.M.S. – Miguel assentiu.
– E foi só o primeiro dia, . O 5º ano é pior, pode apostar. Acho que a tendência é sempre piorar conforme avançamos. – Cho comentou, fazendo uma careta.
– Não me assustem, não é como se em Uagadou fosse diferente, mas aqui eu tenho que usar o inglês, e o esforço fica ainda mais redobrado.
– Você fala quantas línguas? – Cho questionou.
– Ao todo são 11 dialetos diferentes na África do Sul, mas eu sei apenas 4.
– Apenas 4? Está de brincadeira comigo, , eu nem sei falar inglês direito. – Ela riu da fala de Padma.
– Boba. – Brincou. – Mas sim, é verdade.
– E quais são os idiomas que você sabe falar? – Miguel questionou.
– O zulu é meu idioma local, pois sou da costa leste. Mas eu também sei falar africâner, que é o idioma da costa sul, sei um pouco de português por conta da influência de Moçambique e Angola e inglês por minha mãe ser inglesa e por ser um idioma muito falado lá.
– Caramba! – Padma a encarou. – Incrível, de verdade.
– Sim, eu amo meu país apesar das loucuras e desigualdades, incluindo essa salada mista de línguas. – Suspirou. Cho bocejou.
– Já vou, gente. O sono está me consumindo. – Sorriu. – Boa noite. – Ela deu um aceno a eles e caminhou para o dormitório.
– Estou indo também, boa noite, e Miguel. – Padma seguiu pelo mesmo caminho. olhou as unhas, cogitando fazer o mesmo em breve.
– Ainda bem que as meninas já foram, queria falar com você. – Miguel despertou sua atenção.
– Ok, o que foi?
– Você é muito amiga dos grifinórios, não? – ela franziu o cenho, mas concordou. – Eu preciso conhecer Gina Weasley. Ela é linda!
– Como assim, Corner? Você é quem estuda há mais tempo aqui, não? – ela o encarou, incrédula.
– Eu sei, mas meu contato é quase nulo com a galera da Grifinória. Poxa, qual é? O que custa me apresentar para ela?
– Custa que eu nunca conversei diretamente com ela, e eu tenho a impressão que ela não vai muito com a minha cara.
– Quem não gosta de você, ? – Ele sorriu, a encarando. – Gostar de você é fácil. – Ela mordeu os lábios, evitando sorrir.
– Eu posso fazer uma lista de pessoas aqui e agora se você quiser.
– Balela, você é muito fofa, e muito bonita também.
– Ah, obrigada, mas isso não me compra. – Ele fez uma carinha fofa tentando convencê-la. – Ok, eu me aproximo da Gina e vou te apresentar para ela, mas minha ajuda se limita a isso.
– Fechado! Já ajuda muito. Depois você pode me pedir o que quiser em troca.
– Hum… gosto disso.
– Só não vale o meu corpo, no mas, tudo é garantido. – ela revirou os olhos.
– E quem disse que eu quero seu corpo? Você não me atrai em nada. – Fez uma cara de nojo. Miguel se levantou da poltrona que estava sentado e começou a fazer cócegas em que soltou uma gargalhada alta, chamando a atenção de algumas pessoas que ainda estavam no Salão Comunal.
– Só paro se desmentir o que acabou de falar, sabemos que você se atrai muito por mim, só não quer admitir. – negou, mas ainda gargalhava, e já não estava aguentando mais rir.
– Corner, para! Eu não te dei essa intimidade, seu enxerido. – Ela ainda gargalhava.
– Bangue! Resposta errada. – Ele voltou a lhe fazer cócegas.
– Para! É mentira, você me atrai muito, pronto. – O garoto tirou as mãos da barriga dela, voltando a se sentar.
– Viu que com um incentivo a verdade vem? – lhe mostrou a língua.
– Você me obrigou. Idiota. – Ele mandou um beijinho para ela no ar, fazendo-a revirar os olhos. Impossível não gostar de Miguel Corner, além de ser uma pessoa extremamente engraçada, tinha umas tiradas incríveis, e pouco a pouco conquistava a amizade de .
deu uma rápida olhada pelo Salão Comunal e viu uma garota loira, de cabelos longos escrevendo algo em um pergaminho, alheia a tudo, sozinha. Ela já tinha a visto antes, mas não teve a oportunidade de se aproximar dela, ou sequer questionar a alguém quem poderia ser.
– Quem é? – Miguel voltou seu olhar onde apontou com a cabeça discretamente.
– Luna Lovegood, mas conhecida como Di Lua por aqui.
– Por que Di Lua? Eu só a vejo sempre muito quieta, concentrada em seus estudos…
– Ela é estranha, , vai por mim, você não vai querer ficar ao lado dela. – negou com a cabeça, se levantando da poltrona. Detestava rótulos em pessoas, ela gostava de conhecer, sempre foi assim em sua vida, e dessa forma sempre fez amizades incríveis, Harry era a prova viva. Se sentou ao lado de Luna, a encarando docemente. Miguel negou com a cabeça, mas tendo sua atenção nas duas.
– Oi, você está bem, Luna? Me chamo Akingbade. – Abriu um sorriso, que foi retribuído por Luna.
– Eu sei quem você é, . Vi ontem quando passou pela seleção das casas. Seu cabelo é muito legal. – Ela voltou sua atenção a sua revista. – Eu estou bem e você?
– Ah, obrigada. – Luna sorriu. – Eu estou bem também. – a encarou. – Me diga, está lendo o quê? É para algum dever? – Tentou puxar conversa com a garota, vendo que a revista que ela lia estava de ponta cabeça.
– Estou lendo O Pasquim. – franziu o cenho, não sabia do que se tratava.
– E fala sobre o quê? Confesso que só conheço mesmo O Profeta Diário.
– Ah, aqui fala sobre criaturas mágicas, e algumas teorias da conspiração interessantes.
– Você fala com tanta propriedade, lê faz tempo?
– Na verdade sim, meu pai é o editor.
– Ah, que incrível. – sorriu largo.
– Que ler comigo? – Luna a olhou.
– Claro que sim. – Sentou-se mais próxima dela, começando a leitura da página em que ela estava.
foi fazendo algumas perguntas sobre algumas coisas e Luna foi explicando tudo de forma detalhada, seus olhos brilhavam enquanto compartilhava suas ideias, Miguel se despediu rapidamente deixando as duas conversando por um longo tempo naquela noite.



Capítulo 05

viu Harry perambulando sozinho pela Escola naquela tarde, e aquela cena era rara demais, ele sempre estava acompanhado de alguém. Se aproximou dele rapidamente, o alcançando. Fazia alguns bons dias que ela não conseguia conversar com ele diretamente, sua proximidade maior era com Hermione, pois estavam em muitas aulas juntas ou na Biblioteca vendo a situação dos Elfos.
– Harry. Oi! – Ela o segurou pelo braço. Harry sorriu ao vê-la. Se aproximou dele lhe dando um abraço apertado. Deu vários beijos na bochecha dele, deixando-o envergonhado, pois alguns alunos passavam por eles e encaravam a cena. – Você fica muito fofo com as bochechas vermelhas. – Se afastou.
– E você tem o prazer de me envergonhar, não é? – Piscou para ele, com um pequeno sorriso.
– Pode ser, ou talvez eu goste mesmo é de te abraçar e te encher de beijinhos. – Harry a encarou surpreso com o comentário, a fazendo rir. – Vai fazer o que agora?
– Eu estava indo para o Salão Comunal, tenho dever de Adivinhação para fazer... – Bufou. – Por quê?
– Vamos para o Campo de Quadribol, quero conversar com você, e aqui as pessoas estão nos encarando demais. Também, o que eu queria? Estou ao lado do Harry Potter.
– Você nunca vai parar de falar isso, não é? – gargalhou, negando com a cabeça. – Vai, vamos. – O puxou pelo braço até o lugar. A garota estava melhorando cada vez mais em conhecer as instalações de Hogwarts, não que ela soubesse sobre tudo, ela só sabia o essencial, e o Campo de Quadribol era essencial para ela.
– Enfim, sós. – Sorriu, sentando-se na arquibancada e o puxando para sentar com ela. – Você está mesmo bem? Não minta para mim, eu sinto que tem algo que me esconde.
– Estou... – Potter franziu o cenho, a encarando.
– Você sabe sempre que pode me contar tudo, tudo mesmo, que apesar de termos ficado longe por todos esses anos, eu sou sua amiga, Harry. – Ele suspirou, finalmente a encarando.
– É muita coisa, . – Akingbade fingiu visualizar um relógio imaginário de pulso, o fazendo sorrir.
– É, eu tenho muito tempo livre, então sem desculpas. Se abre, Harry, eu quero te ajudar. – Ela segurou a mão dele, entrelaçando-a com a sua, imediatamente sentiu um quentinho dentro de si. Com o gesto, queria passar confiança que Harry precisava para falar. Ele a encarou, e ela tinha um sorriso na face, era muito doce, impossível não se sentir bem ao lado dela.
E ele contou tudo, desde o início, desde quando se tornou bruxo, e nem piscava, alisando vez o outro com o dedo polegar a mão de Harry que ficou entrelaçada a sua durante todo o relato dele. O garoto finalizou a conversa contando sobre Sirius Black estar foragido de Azkaban, de ele ter sentido dor na cicatriz e o senhor trouxa que ele viu morrer.
– Harry, um dos motivos da convocação dos meus pais também foi a fuga de Sirius Black, você acredita? – Ele negou. – Claro que o ataque aos aurores foi o aval final, mas isso pesou muito, afinal, Azkaban era a prisão mais segura do mundo, e de repente ter um fugitivo a solta deixa tudo em descrédito. – Ela suspirou. – Eu sinto muito, Harry. Quando as coisas parecem dar certo na sua vida, simplesmente desandam. E isso da cicatriz é mesmo preocupante.
– Sim. – Ela colocou a cabeça no ombro dele, e assim eles permaneceram ali, queria de alguma forma confortá-lo, mas simplesmente não sabia o que falar.
De repente seus problemas eram mínimos perto dos dele, sentia-se até egoísta por choramingar atenção dos pais, quando sabia que Harry nunca tivera os seus, cresceu sem amor, carinho... inclusive chegou a presenciar os maus tratos que os Dursley lhe davam. Só não imaginava a história inteira nos mínimos detalhes que ele carregava. Aquele garoto tinha sofrido muito na vida.
– Harry, aconteça o que for saiba que você sempre terá a mim, ok? – Ela subiu o rosto e eles se encararam, ela levou as mãos aos cabelos dele, ajeitando alguns fios que estavam fora do lugar, Harry a visualizou, estudando a face dela minuciosamente, enquanto ela ajeitava os fios rebeldes de forma cuidadosa.
– Obrigado, e saiba que você também terá sempre a mim. – Ela tirou a mão do cabelo dele, e Harry fez uma careta. – O carinho estava muito bom... – Ele quebrou a tensão do momento, fazendo-a rir. Ela queria cuidar dele, ele parecia tão frágil por dentro, mesmo que na maior parte do tempo ele tentasse parecer forte.
– Ah, Harry, fica todo envergonhadinho quando eu te dou carinho na frente de todo mundo, mas no fundo adora, não é?! – ela brincou, Harry deitou a cabeça no colo dela, ainda rindo, e levou as mãos aos cabelos dele, começando um afago que fez Harry instantaneamente relaxar.
Era incrível que mesmo depois de tantos anos, e depois de tantas coisas, ainda continuava a ser importante na vida dele. Ele não queria ela longe dele nunca mais.

, eu já comecei a fazer os distintivos, estava te esperando, onde estava? – Hermione a encarou rapidamente, voltando sua atenção ao que estava fazendo.
– Ah, eu estava com o Harry, estávamos conversando sobre todos os problemas dele. – se sentou, mexeu uma das mãos efetuando o feitiço abaffiato para que não reclamassem da conversa das duas.
– Eu realmente preciso me acostumar com você fazendo magia assim com a mão. – Hermione sorriu, passando o material para a nova amiga. – Ah, com o Harry, é? Hum…
– Não entendi esse hum… na frase, Hermione. – Ela começou a desenvolver o trabalho, dando de ombros. – Estão ficando lindos. – pegou um que já estava pronto, analisando-o.
, oi! Estava te procurando. – Simas apareceu na frente dela, interrompendo uma resposta que viria de Hermione, sentando-se à mesa em que ela dividia com a garota. – Oi, Hermione. – A última citada mexeu a cabeça afirmativamente concentrando-se em seu trabalho.
– Oi, Simas! – sorriu, se esticando na mesa e dando um beijo na bochecha dele, deixando-o envergonhado. – E o Dino?
– Ficou no Salão Comunal. – Simas deu de ombros. – Eu queria mesmo falar com você, estava te procurando há um tempo. – o fitou, curiosa, e com um gesto afirmativo pediu que continuasse. – Queria que me ajudasse com as aulas de Poções, eu me dei mal mais uma vez e o Snape está irredutível.
– Poxa, eu sinto muito. É claro que te ajudo, só não hoje porque estou ajudando Mione, mas a gente marca, tá? – ele assentiu, vendo-a voltar a atenção ao que fazia. Hermione levantou a cabeça observando a cena.
– Bom, eu não quero mais atrapalhar vocês, mais uma vez muito obrigado. – Ele não se levantou, parecia esperar por algo, levantou os olhos, sorriu, se esticando na mesa e dando um beijo de despedida nele. – Boa noite!
– Boa noite, Simas, durma bem. – Ela sorriu, vendo-o se levantar, envergonhado e sair de forma desajeitada, mas com um pequeno sorriso na face.
, por Deus! – Hermione largou o que fazia e a encarou.
– O que foi?
– Simas gosta mesmo de você. – riu a princípio, mas como viu que Hermione não a acompanhava, piscou os olhos, surpresa.
– É sério? – Hermione balançou a cabeça positivamente. – Ah, meu Deus, não pode ser!
– Ele não saiu daqui enquanto você não deu um beijo na bochecha dele, fora que esse pedido de ajuda na aula de Poções foi ridículo e muito clichê.
– Você é mesmo uma sabichona, hein? – falou brincando, arrancando uma gargalhada de Mione. – Eu não sei o que fazer com isso, eu gosto do Simas, mas não desse jeito. – Ponderou. – Eu estaria sendo egoísta se dissesse que não quero me afastar dele?
– Sim, muito. – fez uma careta. – Mas acho que você precisa deixar as coisas bem claras para ele, para que não fantasie as coisas. Ele precisa entender que é seu jeito mesmo de cumprimentar a todos assim, que não é exclusividade dele, essas coisas...
– É, tem razão, eu vou dar um jeito de deixar tudo às claras com ele. Deixa comigo. – Ela suspirou, voltando a sua atenção aos distintivos. – Confesso que se ele não estivesse tão encantado assim por mim como você mencionou, não seria nada mal se eu ficasse com ele, faz um tempinho que não beijo na boca.
! – Hermione piscou os olhos, atordoada, inclusive errando o corte de um dos distintivos e jogando para o lado. – Você já beijou na boca?
– Sim, ano passado eu beijei pela primeira vez. Meu primeiro beijo foi com um amigo meu, a gente gostou de se beijar que em todas as oportunidades nossas bocas estavam coladas, porém…
– O que houve?
– Ele ficou com outra menina, e eu fiquei com outros meninos também… Bom, depois eu vim para cá, e ele ficou em Uagadou. – deu de ombros. – É só que ele não responde mais minhas cartas, parou de falar comigo, achei que seríamos amigos novamente, mas enfim, tem que se pensar muito para se envolver com amigos… – Refletiu, sabendo que aquela afirmação se aplicava a ela.
– Sim, eu concordo… – Hermione também ponderou, sentindo o mesmo sentimento.
– Mas e você, me conta, já beijou? Quer beijar alguém? Hein? – cutucou a barriga dela, a fazendo rir, envergonhada. Ainda bem que o feitiço estava funcionando, caso não, as duas já estariam expulsas da biblioteca.
– Não, eu nunca beijei. – A grifinória ficou vermelha com a afirmação. – Eu não sei ainda, talvez eu queira beijar alguém.
– Te digo uma coisa, beijar é viciante. – colocou as mãos na boca, rindo, fazendo Hermione rir também.
– Para com isso, ! Vamos, precisamos trabalhar, ainda tem muitas coisas a serem resolvidas.
– Sim, senhora. – Brincou, batendo continência e voltando a trabalhar.

Hermione entrou na sala comunal, trazendo um rolo de pergaminho em uma das mãos e uma caixa, cujo conteúdo fazia barulho, na outra. Bichento arqueou as costas, ronronando quando viu a dona aparecer.
– Alô – disse ela –, acabei!
– Eu também! – disse Rony em tom triunfante, largando a pena.
Hermione se sentou, deixou as coisas que carregava em uma poltrona vazia e puxou as predições de Rony para ver. O garoto juntamente a Harry fazia o dever de Adivinhação.
– Não vai ter um mês nada bom, hein? – disse ela ironicamente, quando Bichento veio se enroscar em seu colo.
– Bom, pelo menos estou prevenido. – Bocejou Rony.
– Você parece que vai se afogar duas vezes – disse a garota.
– Ah, vou, é? – disse Rony baixando os olhos para suas predições. – É melhor eu trocar uma delas por um acidente com um hipogrifo desembestado.
– Você não acha que está um pouco óbvio que você inventou isso tudo? – perguntou Hermione.
– Como é que você se atreve! – exclamou Rony, fingindo-se ofendido. – Estivemos trabalhando como elfos domésticos aqui!
Hermione ergueu as sobrancelhas.
– É só uma expressão – acrescentou ele depressa.
Harry pousou a pena, tendo acabado de predizer a própria morte por decapitação.
– Que é que tem nessa caixa? – perguntou ele, apontando-a.
– Engraçado você perguntar – respondeu a garota com um olhar feio para Rony. Tirou então a tampa e mostrou o conteúdo aos garotos.
Dentro havia uns cinquenta distintivos, de cores diferentes, mas todos com os mesmos dizeres: F.A.L.E.
– Fale? – estranhou Harry, apanhando um distintivo e examinando-o. – Que significa isso?
– Não é fale – protestou Hermione, impaciente. – É F-A-L-E. Quer dizer, Fundo de Apoio à Liberação dos Elfos.
– Nunca ouvi falar nisso – disse Rony.
– Ora, é claro que não ouviu – disse Hermione energicamente. – Acabamos de fundar o movimento.
– Ah, é? – disse Rony com um ar levemente surpreso. – E quantos membros já tem?
– Bom, se vocês dois se alistarem... quatro. me ajudou na confecção de tudo, inclusive levou alguns com ela para conseguir novos membros na Corvinal.
topou essa loucura? – Rony questionou, Hermione o encarou de cara feia. – E você acha que queremos andar por aí usando distintivos que dizem “fale”, é? – falou Rony.
– F-A-L-E! – corrigiu-o Hermione, irritada. – Eu ia pôr “Fim ao Abuso Ultrajante dos Nossos Irmãos Mágicos” e “Campanha para Mudar sua Condição”, mas me brecou. Então F.A.L.E. é o título do nosso manifesto.
Ela brandiu um rolo de pergaminho para os garotos.
– Andamos pesquisando minuciosamente na biblioteca. A escravatura dos elfos já existe há séculos. Custo a acreditar que ninguém tenha feito nada contra ela até agora.
– Hermione, abra bem os ouvidos – disse Rony em voz alta. – Eles. Gostam. Disso. Gostam de ser escravizados!
– A curto prazo os nossos objetivos – disse Hermione, falando ainda mais alto do que o amigo e agindo como se não tivesse ouvido uma única palavra – são obter para os elfos um salário mínimo justo e condições de trabalho decentes. A longo prazo, os nossos objetivos incluem mudar a lei que proíbe o uso da varinha e tentar admitir um elfo no Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, porque eles são vergonhosamente subrepresentados.
– E como é que vamos fazer tudo isso? – perguntou Harry.
– Vamos começar recrutando novos membros – disse Hermione feliz. – Você é o tesoureiro, Rony, tenho lá em cima uma latinha para você fazer a coleta, e você, Harry, o secretário, por isso você talvez queira anotar tudo que estou dizendo agora, para registrar a nossa primeira reunião. dividirá comigo a presidência, sendo minha vice sem a ajuda dela eu com certeza não conseguiria.
Houve uma pausa em que Hermione sorriu radiante para os dois, e Harry se dilacerou entre a exasperação com a amiga e a vontade de rir da cara de Rony. O silêncio foi quebrado, não por Rony, que de qualquer maneira parecia estar temporariamente mudo de espanto, mas por umas batidinhas leves na janela. Harry correu os olhos pela sala agora vazia e viu, iluminada pelo luar, uma coruja branquíssima encarapitada no peitoril da janela.
– Edwiges! – gritou ele, precipitando-se pela sala para abrir a janela do lado oposto. Edwiges entrou, voou pela sala e pousou na mesa em cima das predições de Harry.
– Até que enfim! – exclamou Harry, correndo atrás da coruja.
– Ela trouxe uma resposta! – exclamou Rony, excitado, apontando para um pedaço sujo de pergaminho preso à perna de Edwiges.
Harry desamarrou-o depressa e se sentou para ler, depois do que Edwiges voou para o joelho do garoto, piando baixinho.
– O que ele diz? – perguntou Hermione, ofegante.
A carta era muito curta e parecia ter sido escrita com muita pressa. Harry leu-a em voz alta.

Harry,
Estou viajando para o norte imediatamente. A notícia sobre a sua cicatriz é o último de uma série de acontecimentos estranhos que têm chegado aos meus ouvidos. Se ela tornar a doer, procure imediatamente Dumbledore – dizem que ele tirou Olho-Tonto da aposentadoria, o que significa que tem identificado os sinais, mesmo que os outros não os vejam. Logo entrarei em contato com você. Dê minhas lembranças a Rony e Hermione. Fique de olhos abertos, Harry.

Sirius

Harry olhou para Rony e Hermione, que retribuíram o seu olhar.
– Ele está viajando para o norte? – sussurrou Hermione. – Está voltando?
– Dumbledore tem identificado que sinais? – perguntou Rony, parecendo perplexo. – Harry, o que está acontecendo?
Pois Harry acabara de dar um soco na própria testa, sacudindo Edwiges para fora do colo.
– Eu não devia ter contado a ele! – disse Harry, furioso.
– Do que é que você está falando? – perguntou Rony, surpreso.
– Fiz ele pensar que precisa voltar! – disse Harry, agora batendo o punho na mesa de modo que a coruja foi parar no espaldar da cadeira de Rony, piando, indignada. – Precisa voltar porque acha que estou correndo perigo! E não há nada errado comigo! E não tenho nada para você – falou ele com rispidez para Edwiges, que batia o bico, esperançosa –, vai ter que ir para o corujal se quiser comida.
Edwiges lançou ao dono um olhar extremamente ofendido e saiu voando pela janela aberta, raspando a asa na cabeça dele ao sair.
– Harry – começou Hermione, numa voz tranquilizadora.
– Vou me deitar – disse Harry, impaciente. – Vejo vocês de manhã.

subiu as escadas em direção a Torre Corujal, queria mandar uma carta a sua avó novamente, ela tinha pedido por notícias semanais, e ela sempre o fazia, pois sabia da idade avançada da mais velha, e todo o cuidado era pouco. Seus pais até aquele momento não tinham enviado nenhuma carta, deixando-a angustiada.
Chegou ao Corujal e encontrou Harry lá, entrou devagar, tampando os olhos dele, o assustando, fazendo-a rir baixinho.
, você não toma jeito mesmo, não é? – ele segurou as mãos dela, tirando-as de seu rosto, e virando-se em direção a ela.
– O que me denunciou? – Fez um biquinho, fazendo Harry sorrir fracamente.
– Seu perfume, é diferente e único. – o encarou com um pequeno sorriso.
– Estou lisonjeada por isso. – Fingiu uma reverência, fazendo-o rir. – Está mandando carta para quem tão cedo?
– Já enviei na verdade, era para o Sirius, ele me mandou um recado ontem. – Harry tirou o papel do bolso da calça, mostrando. leu, e em seguida devolveu o bilhete a ele. – Eu não quero que Sirius volte, os Dementadores estão atrás dele, , podem matá-lo. Eu não deveria ter mandado aquela carta falando da minha cicatriz estar doendo e…
– Calma! Respira. – ela segurou o rosto dele com as duas mãos, o encarando. – Sirius sabe se cuidar, Harry. Não se esqueça disso – ele concordou por hora, mas ainda sentia o peito doer em preocupação com seu padrinho. Ela largou seu rosto, encarando-o cautelosamente.
– Você tem razão, ele sabe se cuidar, mas de qualquer forma eu avisei para ele que não era nada e que eu sonhei que estava sentindo dor.
– Harry… Você viu que ele já tinha pego os sinais, inclusive mencionou o Professor Dumbledore, a sua cicatriz só afirmou o que ele já achava. – ele engoliu em seco. – Não se preocupe, ok?
– Você não está ajudando, . – Harry bufou.
– Estou sendo sincera, você queria que eu mentisse, é isso? Então eu vou mentir, sua carta adiantou muito, viu? Ele não vai mesmo vir.
! – chamou-lhe atenção, emburrado. Ela apertou a bochecha dele para irritá-lo.
– Ok, eu parei. – Levantou as mãos em sinal de rendição. – Cadê minha Lilo? – sorriu quando escutou sua coruja e foi em direção a ela. – Oi, meu amor. Trouxe sua bolachinha preferida. – Harry a olhou, até com sua mascote ela era doce. Ela deu a bolacha à coruja, e em seguida amarrou em sua patinha o pequeno papel. – Leve para a vovó, querida. Boa viagem. – Afagou sua penugem e viu a coruja partir. – Pronto, vamos. Vou te agraciar hoje com a minha companhia para tomar café.
– Agraciar ou me perturbar? – gargalhou.
– Me ama menos, Harry. – deu o abraço a ele, que segurou e juntos saíram do Corujal. era surreal. A presença dela tornava as coisas melhores.
– Presidente do F.A.L.E? – Foram descendo as escadas do local.
– Sim, estou dividindo a presidência com a Mione, inclusive consegui recrutar alguns meninos para fazer parte.
– Só meninos? – Harry a encarou, visivelmente curioso pela resposta.
– Bom, em sua maioria sim, por quê? – Harry engoliu em seco.
– Por nada, eu só fiquei mesmo curioso. – ela o encarou de forma neutra, e por fim deu de ombros, fazendo o garoto soltar a respiração que ele prendia sem nem perceber. Nem ele sabia o motivo daquela pergunta.
– Os meninos são muito legais e toparam fazer parte do clube, tive que usar meu poder de persuasão, mas deu certo, distribuí todos os meus distintivos, sabe se teve êxito na Grifinória?
– Eu nem sei, de verdade, fiquei meio chateado ontem, você sabe. – Ela assentiu.
– Bom, depois eu vejo com a Mione.
– Sabe o que eu estou achando estranho até agora? – o encarou, curiosa. – Não rolou um abraço ainda.
– Ah, pidão. – riu. – Vem aqui. – ela o abraçou de lado, e deu um beijo em sua bochecha. Harry sorriu, a abraçando também.

🌟

– Opa! – viu seus livros irem direto ao chão e suspirou audivelmente, recolhendo-os, sendo auxiliada por um rapaz de cabeleira ruiva. Ela não pôde deixar de reconhecer quem era.
– Obrigada pela ajuda. – pegou o último livro que ele tinha estendido em sua direção. – Ah, Deus, vou me arriscar… – ela encarou o gêmeo minuciosamente. – George? – fez uma caretinha engraçada.
– Bangue, errado. – ela fez uma careta, e ele inevitavelmente riu. – É tão engraçado enganar as pessoas, você acertou, mulher! – riu, dando um empurrão em seu ombro. – Como soube que eu era o George?
– Eu não sei, eu só chutei mesmo. – ela sorriu.
– Está indo para onde, mademoiselle? – o encarou, pensativa, era a primeira vez que conversava diretamente com ele.
– Estou indo para a biblioteca. – ajeitou os livros nos braços. – Estou aproveitando o intervalo para estudar um pouquinho.
– Então eu te acompanho, mas me dá esses livros aqui que eu carrego, me parecem bem pesados. – ele os pegou. – Não só parecem, estão mesmo pesados. – riu, concordando.
– Muita obrigada, estão mesmo. – começaram a caminhar em direção ao local. – Fiquei sabendo pelo Harry que você e seu irmão pretendem participar do Torneio Tribruxo mesmo sendo menores. – eles retomaram a caminhada, dessa vez mais devagar.
– Está interessada, é? – ela sorriu, dando de ombros. – Não podemos compartilhar ainda o nosso plano, sinto muito, gata.
– Se vocês forem tomar uma poção de envelhecimento eu vou achar extremamente clichê. – ele a olhou, estudando seu rosto.
– Olha… isso nem passou pela nossa cabeça. – ele tinha uma feição engraçada na face que fez rir. – Estamos considerando ainda algumas variáveis, só precisamos conhecer mesmo o tal artefato.
– Certo, ótimo ponto. – ela o encarou.
– E então, como estão as duas primeiras semanas de aulas? Se adaptando bem a Hogwarts?
– Estou sim, gostando bastante até, só não dos deveres, mas que escola não os tem, não é? Seria pedir demais se não tivesse.
– Isso é, você deveria não se preocupar tanto assim com eles. Viva Hogwarts em sua total intensidade, aposto que vai gostar. – ele a olhou precisamente, deixando levemente sem graça. – Mas, então, fez amigos na sua Casa?
– Na verdade, sim, já tenho uma proximidade com algumas pessoas, mas é gentil da sua parte perguntar e se preocupar. – ajeitou suas tranças, o olhando.
– Que nada, . – eles entraram no local. – Prontinho, a senhorita está entregue a biblioteca. Ufa, que peso. – ele depositou os livros em uma mesa, fazendo uma careta ao balançar os braços.
– Obrigada, George, e desculpa te dar tanto trabalho… – ela se aproximou dele, beijando sua bochecha, e lhe dando um rápido abraço. – Fico te devendo uma.
– Ah, Akingbade, seus beijos são mesmo mágicos, bem que disseram, hein? – o encarou de cenho franzido.
– Mas quem disse isso?
– Está me devendo mesmo e eu cobro, hein? Quanto a minha fonte, sinto muito, mas não saberá.
– Ei, George, volta aqui, conta essa história direito. – escutou um xiu, abrindo um sorriso amarelo em desculpas a Madame Pince. Quem tinha dito aquilo para ele? Estava mesmo com fama de beijoqueira pela Escola? Por que europeus eram tão frios? Isso era tão normal em sua cultura... ela acabou soltando um risinho incrédulo.
Pegou os livros se sentando e folheando alguns. Deu uma checada na biblioteca para ver quem estava lá e viu a irmã mais nova dos Weasley. Lembrou-se do pedido de Miguel e revirou os olhos, jogando a cabeça para trás, extremamente arrependida de ser cupido para ele. Gina Weasley era tão quieta, nunca tinham conversado diretamente, mas para que ela ajudasse Miguel ela teria que ter uma aproximação com a garota.
Pegou os livros e voltou sua atenção, sentando-se ao lado dela. Deu um leve pigarrear, despertando a atenção da ruiva para si.
– Ola, Gina! – Sorriu, desconcertada.
– Olá! – A ruiva abriu um sorrisinho, a encarando.
– Bom, han… estudando o quê? – tentou ler o livro dela.
– Estou fazendo dever de Poções, ainda faltam algumas boas linhas para desenvolver. Você sabe como Snape é… – concordou com a cabeça.
– Ah, sim. – fez um coque desajeitado com suas tranças, tentando achar um jeito de tocar no assunto.
– Você quer me falar alguma coisa? – Gina piscou os cílios de forma fofa, arrancando automaticamente um sorriso de , ela era tão linda…
– Está tão na cara assim? – Gina assentiu, fazendo rir, sua risada saiu um pouco alta e Madame Pince a olhou com uma cara brava. Ela deu um sorrisinho amarelo, pedindo desculpas. – Me desculpe te atrapalhar, é que… Bom, você conhece Miguel Corner? Ele é da Corvinal como eu.
– De nome não me recordo, confesso. Mas por quê? – Gina fincou seus olhos na menina, claramente interessada.
– Ele queria que eu te apresentasse a ele, quer te conhecer. – Gina abriu um sorrisinho de lado. – Ele tem um genuíno interesse por você.
– Ok, está bem. Diga a ele que tenha mais coragem, e fale diretamente comigo, e que eu não mordo ninguém. – colocou as mãos na boca para que sua gargalhada não saísse tão alta.
– Obrigada, Gina, o Miguel é bem legal, você vai gostar dele. – Gina assentiu, e se levantou, deixando a garota voltar às suas atividades. Suspirou fundo, voltando seu olhar para os livros, também tinha um dever a fazer...



Capítulo 06

Os dias foram se passando, estava cada vez mais habituada a Escola, e com certeza já tinha seu círculo de amigos na Corvinal, e Miguel tinha virado seu fiel escudeiro. Claro que ela tinha proximidade com Cho, Padma, e Luna, mas nada se comparava a amizade que tinha construído com o garoto.
Com Malfoy depois daquela pseudo conversa as coisas não tiveram nenhuma mudança, ele ainda a encarava em todas as oportunidades possíveis, mas nunca mais havia tentado se sentar com ela nas aulas que cursavam ou tentado algum outro contato com ela. Ela às vezes retribuía suas encaradas, mas acabava por ficar ainda mais confusa.
Simas… não tivera coragem de confrontar o garoto como disse que faria a Hermione, não era simplesmente fácil falar algo dessa magnitude, mas havia sim reparado que quando ela estava o ajudando em Poções ele parecia prestar a atenção, mas sempre estava a olhando de forma incisiva.
George... ela mordeu os lábios ao pensar no jeito incrível e divertido do garoto, ele definitivamente era uma companhia muito bacana, e sempre que se esbarravam nos corredores George sempre brincava com ela. E ainda era mais velho e um gato, duas coisas que a garota sabia apreciar muito bem.
E bom, tinha Harry... a cada dia mais se via encantada com o jeito como eles funcionavam juntos, e era incrível como era bom ver o seu Harry ali, ele trazia uma melhor versão de si mesma. Era uma droga, porque a todo custo ela mentalizava em sua cabeça que não podia gostar dele desse jeito, mas parecia uma tarefa impossível de se controlar. E ela tinha conhecimento que estava caindo fundo na friendzone.
Estava acompanhada de Cho, que tagarelava sem parar o quanto achava Cedrico Diggory, aluno da casa Lufa-Lufa, lindo e que sabia que ele correspondia seus olhares, e que torcia que ele tomasse a iniciativa de conversar com ela.
– Cho, não tem problema nenhum você puxar conversa com ele, se você quer tanto isso e ele não toma a iniciativa.
, não é legal. – ela bufou, cansada.
– Se eu tivesse mesmo vontade de ficar com alguém, eu iria atrás dessa pessoa, simples assim. É que ninguém despertou esse interesse em mim. – deu de ombros, mentindo a Cho.
– Eu juro que vou pensar a respeito sobre isso, é só que... – Cho estagnou sua fala. – Nossa, o que está acontecendo ali? – se interrompeu, pegando no braço de puxando-a para próximo da aglomeração de alunos que havia ali, em torno de um grande aviso afixado ao pé da escadaria de mármore.
tentou visualizar o aviso, mas tinha muitas pessoas na frente, mentalizou o feitiço expelliarmus, fez um movimento com as mãos e as pessoas que estavam na sua frente se afastaram, sendo jogadas para longe dali. Cho a encarou, chocada, sabendo que tinha sido ela quem fez a magia. Era proibido usar magia nos corredores.
– O que foi? – piscou os olhos inocentemente, conseguindo chegar ao aviso. Cho riu, negando com a cabeça.

TORNEIO TRIBRUXO
As delegações de Beauxbatons e Durmstrang chegarão às seis horas, sexta-feira, 30 de outubro. As aulas terminarão uma hora antes. Os alunos deverão guardar as mochilas e livros em seus dormitórios e se reunir na entrada do castelo para receber os nossos hóspedes antes da Festa de Boas-Vindas.

– É daqui a uma semana! – exclamou Cho com um enorme sorriso. – Será que o Cedrico sabe? Fiquei sabendo que ele quer muito se inscrever.
– Eu não faço a mínima ideia, Cho, mas se ele não sabe você tem a oportunidade perfeita para conversar com ele e contar. – Deu de ombros.
– Talvez você tenha mesmo razão. – Cho mordeu o lábio inferior, contendo um sorrindo.
– Demorou para você tomar uma atitude. – elas retomaram a andança em direção ao Salão Comunal. – Oi, Hermione! – chamou a atenção da morena que caminhava na frente de Harry e Rony. – Oi, meninos. – Harry ganhou uma coloração vermelha quando viu quem acompanhava .
– Oi, meninas, o que há ali na frente? – Hermione questionou.
– É sobre o Torneio Tribruxo, saíram mais algumas informações, vale a pena vocês irem lá. – os incentivou.
– Finalmente, vamos lá. – Rony sorriu, já caminhando em direção a aglomeração.
– Nos vemos depois. – Hermione sorriu, e Harry apenas acenou, indo em direção ao local.
– Ok, o Harry ficou estranho e eu realmente não sei o motivo. – juntou as sobrancelhas.
– Quem entende os meninos, não é? – concordou e elas retomaram a caminhada, animadas.
A afixação do aviso no saguão de entrada teve um efeito sensível nos moradores do castelo. Durante a semana seguinte, parecia haver um assunto nas conversas, onde quer que fosse: o Torneio Tribruxo. Os boatos voavam de um aluno para outro com muita rapidez: quem ia tentar ser o campeão de Hogwarts, que é que o torneio exigia, e em que os alunos de Beauxbatons e Durmstrang se diferenciavam deles. Havia muitas expectativas para aquele momento, era inevitável.
🌟

Oi, filha!
Pedimos imensas desculpas por não termos mandado uma carta antes, é que as coisas estavam muito corridas para nós. E então gostando de Hogwarts? Foi para qual casa? Me diga, Corvinal, meu amor? Você sabe, era a minha casa quando estudei aí. Você está bem? Está se alimentando bem?
Não se preocupe, nós estamos bem, meu amor, inclusive, estamos de volta à Grã-Bretanha, e morrendo de saudades da senhorita.
Fique bem, querida! Te amamos muito!
Com carinho

Sua mama.

– Finalmente uma carta desses dois ingratos. – sorriu, aliviada. Miguel a encarou, interrogativo. – Meus pais.
– Ah, que bom. Ainda bem. – guardou o papel no bolso, mais tarde responderia aquela carta, estava muito feliz de saber que os dois estavam bem e com saúde. – Deve ser difícil ter pais aurores, não é?
– Você não tem ideia, a cada vez que eles partem em missão meu coração vai junto, morro de preocupação. – ela suspirou fundo.
observou pela mesa da Corvinal que Harry também tinha recebido uma carta, ela o encarou incessantemente, Harry percebendo que alguém o olhava, procurou até achar e a encarou. Ele fez um sinal de que lhe explicaria depois.
– E como estão as coisas com a Gina? – quebrou o silêncio.
– Bem legais, ela é muito gata, , nossa! Mas ainda não tentei ficar com ela, a gente conversa sobre as aulas, mas só. Não sei se ela está afim. – negou com a cabeça.
– Você é tão à frente em algumas coisas, mas deixa a desejar em outras. Você acha mesmo que a Gina vai partir para cima de você? Óbvio que não, você precisa deixar as coisas bem claras com ela.
– Não é bem assim, ... – a garota revirou os olhos.
– Você e a Cho dariam um casal perfeito, os dois não tem um pingo de coragem para fazer o que realmente desejam. – Miguel negou com a cabeça.
– Falou a garota que tem vários garotos no pé, mas quer o mais difícil. – ele deu um risinho esperto.
– Quê? – largou os ovos mexidos que comia, encarando Miguel completamente.
– Por favor, , você não me engana, você é afim do Potter, é só observar bem. – o menino deu de ombros – Então sem moral para falar sobre mim, ou Cho, você está igualzinha.
– Está louco? Tem whisky de fogo no seu suco? – ele fingiu cheirar o copo. – O Harry é meu amigo, por Merlim.
– Você é negacionista demais. – Corner viu Gina se levantar da mesa da Grifinória, era sua deixa para papear com a garota antes de ela ir até sua sala. – Eu preciso ir, quero acompanhar a Gina até a sala dela. Pelo menos eu faço algo. – Piscou para a corvina e saiu em disparada atrás de Gina. ainda encarava o ponto que Miguel estava, bastante ultrajada, estava mesmo tão óbvio assim seu interesse por Harry?

🌟

Havia uma sensação agradável no ar naquele dia, afinal seria hoje que as delegações chegariam e todos estavam em expectativa. Ninguém prestou muita atenção às aulas. Quando a sineta tocou mais cedo, todos subiram correndo, deixaram os materiais, e os livros, e desceram rapidamente para o saguão de entrada, ansiosos demais. Os diretores das Casas estavam organizando os alunos em filas.
Eles desceram os degraus da entrada e se enfileiraram diante do castelo. Fazia um fim de tarde frio e límpido; o crepúsculo vinha chegando devagarinho e uma lua pálida e transparente já brilhava sobre a Floresta Proibida. Harry estava entre Rony e Hermione na quarta fileira. os viu por ali, e se aproximou dando beijo nas bochechas da cada um deles.
– Depois que acabar tudo, quero falar com você, é sobre a carta que eu recebi. – o encarou, concordando com a cabeça.
, estava te procurando. – Miguel apareceu se colocando ao lado da garota.
– Hermione, Rony e Harry, ele é Miguel Corner, meu amigo. Miguel, você já sabe quem são eles. O famoso trio de ouro. – Miguel acenou para eles, que retribuíram ao cumprimento de forma educada. Harry somente encarou Miguel, então esse era o famoso Miguel, ainda não tinha uma opinião formada sobre ele.
, você é terrível. – Hermione sorriu para a amiga, referindo-se a apresentação dela.
– Quase seis horas – comentou Rony, verificando o relógio e depois espiando o caminho que levava aos portões da escola. – Como é que vocês acham que eles vêm? De trem?
– Duvido – respondeu Hermione.
– Não, definitivamente não. – negou com a cabeça.
– Como então? Vassouras? – arriscou Harry, erguendo os olhos para o céu estrelado.
– Viagem de vassoura é extremamente cansativa de onde eles estão vindo, sem chances.
– De Chave de Portal? – aventurou Rony. – Ou quem sabe aparatando, talvez tenham permissão de fazer isso antes dos dezessete anos no lugar de onde vêm?
– Não se pode aparatar nos terrenos de Hogwarts. Quantas vezes tenho que repetir isso a vocês? – falou Hermione com impaciência. Miguel só escutava a dinâmica que aquele grupo funcionava e depois da resposta ácida de Hermione, simplesmente preferiu não opinar.
– Desisto. – Harry balbuciou, vendo guardar um risinho.
Todos encaravam o horizonte excitados e com frio, afinal o tempo não estava nada propício para ficarem ali na espera. estava entediada com a demora, com certeza se pudesse estaria dentro do castelo se aquecendo, sem contar que seu estômago dava sinais de fome.
– Aha! A não ser que eu muito me engane, a delegação de Beauxbatons está chegando! – Dumbledore falou em voz alta da última fileira, onde aguardava com os outros professores.
– Onde? – perguntaram muitos alunos ansiosos, olhando em diferentes direções.
– Ali! – gritou um aluno da sexta série, apontando para o céu sobre a Floresta.
Alguma coisa grande, muito maior do que uma vassoura – ou, na verdade, cem vassouras –, voava em alta velocidade pelo céu azul-escuro em direção ao castelo, e se tornava cada vez maior.
Quando a sombra gigantesca e escura sobrevoou as copas das árvores da Floresta Proibida, e as luzes que brilhavam nas janelas do castelo a iluminaram, eles viram uma enorme carruagem azul-clara do tamanho de um casarão, que voava para eles, puxada por doze cavalos alados, todos baios, cada um parecendo um elefante de tão grande.
As três primeiras fileiras de alunos recuaram quando a carruagem foi baixando para pousar a uma velocidade fantástica, os cascos dos cavalos, maiores que pratos, bateram no chão. Um segundo mais tarde, a carruagem também pousou, balançando sobre as imensas rodas, enquanto os cavalos dourados agitavam as cabeçorras e reviravam os grandes olhos cor de fogo.
– Ah, é só uma carruagem com cavalos alados, esperava mais. – Miguel comentou, fazendo rir. Harry gostou ainda menos dele ali. Afinal por que ele estava se importando tanto com a presença de Miguel?
A atenção voltou a carruagem com um brasão com duas varinhas cruzadas, e de cada uma saíam três estrelas, todos viram um sapato preto e lustroso sair de dentro dela – um sapato do tamanho de um trenó de criança – acompanhado, quase imediatamente, pela maior mulher que todos já viram na vida. abriu a boca, chocada. O tamanho da carruagem e dos cavalos ficou imediatamente explicado. Alguns alunos não conseguiram guardar as reações para si e exclamaram.
Dumbledore começou a aplaudir; os estudantes, acompanhando a deixa, prorromperam em palmas, muitos deles nas pontas dos pés, para poder ver melhor a mulher. O rosto dela se descontraiu em um gracioso sorriso e ela se dirigiu a Dumbledore, estendendo a mão faiscante de anéis. O diretor, embora alto, mal precisou se curvar para beijar-lhe a mão.
– Ela é maior que o Hangrid. – Rony soltou, ainda embasbacado, fazendo todos concordarem com ele.
– Minha cara Madame Maxime – disse Dumbledore, despertando a atenção novamente de todos. – Bem-vinda a Hogwarts.
– Dumbly–dorr – disse Madame Maxime, com uma voz grave. – Esperro encontrrá–lo de boa saúde.
– Excelente, obrigado – respondeu Dumbledore.
– Meus alunos – disse Madame Maxime, acenando descuidadamente uma de suas enormes mãos para trás.
Seus alunos apareceram, tinham meninos e meninas, ao todo, mais ou menos 12 de cada. achou as garotas lindíssimas, não que os meninos ficassem atrás, eram todos muito bonitos. Eles tremiam de frio, o que não surpreendia, pois suas vestes eram feitas de finíssima seda e nenhum deles usava capa. Alguns tinham enrolado echarpes e xales na cabeça.
Depois de muitas recomendações dadas por Madame Maxime ao Diretor sobre o tratamento dos cavalos – Hangrid ficaria encarregado de cuidar deles assim que resolvessem o pequeno problema com os Explosivins –, o pessoal de Hogwarts deu passagem para os alunos e a Diretora assim que Dumbledore permitiu que eles entrassem dentro do castelo, já que todos estavam visivelmente com frio e precisavam se aquecer.
– Pelo amor de Deus, eu só quero que Durmstrang chegue logo, estou congelando também. – resmungou, olhando aflita para ver se via algo.
– Nem me fala. – Miguel concordou com ela.
– Vocês estão ouvindo alguma coisa? – Rony os interrompeu de repente.
Um barulho alto e estranho chegava até eles através da escuridão; um ronco abafado mesclado a um ruído de sucção, como se um imenso aspirador de pó estivesse se deslocando pelo leito de um rio...
– O lago! – berrou Lino Jordan apontando. – Olhem para o lago!
De sua posição, no alto dos gramados, de onde descortinavam a propriedade, eles tinham uma visão desimpedida da superfície escura e lisa da água – exceto que ela repentinamente deixara de ser lisa. Ocorria alguma perturbação no fundo do lago; grandes bolhas se formavam no centro, e suas ondas agora quebravam nas margens de terra – e então, bem no meio do lago, apareceu um redemoinho, como se alguém tivesse retirado uma tampa gigantesca do seu leito...
Algo que parecia um pau comprido e preto começou a emergir lentamente do redemoinho…
– É um mastro! – disse Harry.
Lenta e imponentemente o navio saiu das águas, refulgindo ao luar, e com uma grande espalhação de água, o navio emergiu inteiramente, balançando nas águas turbulentas, e começou a deslizar para a margem. Alguns momentos depois, ouviram a âncora ser atirada na água rasa e o baque surdo de um pranchão ao ser baixado sobre a margem.
Havia gente desembarcando, os garotos viram silhuetas passarem pelas luzes das escotilhas. Os recém-chegados pareciam ter físicos semelhantes aos de Crabbe e Goyle... mas então, quando subiram as encostas dos jardins e chegaram mais próximos à luz que saía do saguão de entrada, viu que aquela aparência maciça se devia às capas de peles de fios longos e despenteados que estavam usando. Mas o homem que os conduzia ao castelo usava peles de um outro tipo; sedosas e prateadas como os seus cabelos.
– Isso é que estilo, Miguel, derrubou Beauxbatons, e tenho dito. – brincou com o amigo, e os dois riram.
– Dumbledore! – cumprimentou ele cordialmente, ainda subindo a encosta. – Como vai, meu caro, como vai?
– Otimamente, obrigado, Prof. Karkaroff.
– Minha velha e querida Hogwarts! – exclamou o professor, erguendo os olhos para o castelo e sorrindo; seus dentes eram um tanto amarelados, e reparou que seu sorriso não abrangia os olhos, que permaneciam frios e astutos. – Como é bom estar aqui, como é bom... Vítor, venha, venha para o calor... você não se importa, Dumbledore? Vítor está com um ligeiro resfriado...
– Ah, meu Deus, ah, meu Deus… – estava a ponto de ter um surto psicótico, sussurrando baixinho só para que os amigos ouvissem. – É o Vitor Krum!



Capítulo 07

– Eu não acredito! – exclamou Rony, em tom de espanto, quando os alunos de Hogwarts se enfileiraram pelos degraus atrás da delegação de Durmstrang.
– Rony, é sim, é ele. Meu Deus, eu quero muito pedir um autógrafo. – Miguel encarava a cena rindo, não conhecia aquele lado de .
– Krum, ! Vítor Krum! – Rony ainda estava embasbacado.
– Pelo amor de Deus, gente, ele é apenas um jogador de quadribol – disse Hermione.
– Apenas um jogador de quadribol? – exclamou Rony, olhando para a amiga como se não pudesse acreditar no que ouvia. – Mione, ele é um dos melhores apanhadores do mundo! Eu não fazia ideia de que ele ainda estava na escola!
– Hermione, por Merlim, entenda! Ele é incrível, e um gato.
– Informação demais, , não estamos interessados se você acha ele gato. – Miguel rolou os olhos, e dessa vez Harry teve que concordar com o garoto.
– Para de ser chato, Corner. – revirou os olhos. – Eu preciso de uma pena, você tem, Harry? Seria perfeito se eu tivesse com meu pôster dele aqui em Hogwarts, que droga.
– Não, deixei todas lá em cima na mochila – respondeu Harry. Rony e murcharam na hora a animação.
– Ah, não acredito… Vocês acham que ele assinaria o meu chapéu com batom? – o ruivo questionou.
– É perfeito, Rony, eu acho que ele não se importaria, não é mesmo? Ele parece ser tão legal.
– Francamente! – exclamou Hermione com ar de superioridade, ao passarem pelas garotas, agora disputando o batom.
– Não seja assim, Mione! – abraçou a amiga de lado, vendo que tinham chegado ao Salão Principal. – Eu espero que ele sente na nossa mesa. – sorriu.
– De jeito nenhum, ele tem que sentar na mesa da Grifinória. – Rony respondeu.
– Já chega vocês dois. Tchau, . – Hermione ralhou e gargalhou, puxando Harry para um rápido abraço.
– Depois do jantar me encontra no corredor, quero saber sobre a carta. – se separou dele, deixando um beijo estalado em sua bochecha. – Bom apetite. – acenou rapidamente para Rony e Hermione e seguiu um Miguel claramente impaciente.
– Ei, ei, o que há? – o alcançou, segurando seu braço e eles caminharam os passos restantes até a mesa da Corvinal.
– Não é nada, estou só com fome mesmo. – arqueou a sobrancelha, se sentou ao lado de Luna, que sorriu para ela.
– É os meninos?
– Não é ninguém, . Fica tranquila, eu não sou eu quando estou com fome. – ele brincou, colocando um bocado de comida no prato.
– Se você diz… – ela se serviu de um pouco de comida.
– Acho que ele ficou um pouco incomodado com sua amizade com o Harry. – Luna comentou em tom de voz baixo para . – Eu reparei quando vocês estavam próximos na espera das Delegações.
– Sério? Eu não te vi lá. – sorriu. – Mas eu também acho, e é muito estranho, confesso que não estou nada acostumada com isso. – negou com a cabeça. – Harry pareceu não ter gostado dele também, enfim, vão ter que conviver porque eu não vou abrir mão de nenhum dos dois. – Levou aos lábios uma porção de comida.
– Você é especial, , as pessoas gostam de estar com você. – Luna sorriu para , que teve vontade de apertá-la, ela era um doce de pessoa, isso era um fato, não entendia como as pessoas não enxergavam aquilo.
percebeu um burburinho no final da mesa, do lado esquerdo, direcionou seu olhar para lá e viu a delegação de Beauxbatons acomodada ali, viu Cho próxima deles e acenou para a amiga que retribuiu o aceno, teriam assunto para a noite toda.
– Ela é linda… – Miguel olhava de forma abobada para uma garota loira.
– Quem? – o garoto apontou com a cabeça uma garota, e pôde visualizá-la melhor agora sem o xale que ela tinha vindo, a moça tinha uma longa cascata de cabelos louro-prateados que caía quase até sua cintura. Tinha grandes olhos azuis e dentes muito brancos. – Ela realmente é. – concordou. – Não fica bem você encará-la tanto se tem claro interesse em Gina Weasley.
– Eu não sei explicar, eu só… – Miguel pensou, agora de forma mais clara. – Ela deve ser uma veela. Eu não sou o único a olhá-la dessa forma, veja, é hipnotizante. – Miguel olhou para os lados e o imitou.
– Talvez seja mesmo. – falou mais para si, do que para Miguel que ainda, vez ou outra, direcionava o olhar para a garota loira.
A verdade é que se Durmstrang tivesse sentado na mesa da Corvinal, ela tinha dado um jeito de se aproximar de Krum. Eles tinham escolhido justamente a mesa da Sonserina para tal. Olhou em direção a Krum e percebeu que Draco estava lá, e tagarelava sem parar, mordeu os lábios, claramente aborrecida e com inveja de Malfoy. Ele a encarou em algum momento e lhe deu uma piscadela, que fez com que borbulhasse com ainda mais raiva pela audácia do sonserino.
, você está com um olhar que mataria qualquer pessoa que aparecesse na sua frente. – A garota voltou seu olhar a Miguel.
– Eu só estou indignada com a sorte do Malfoy, é isso. – omitiu a parte da piscada, se comentasse estaria admitindo que ficou abalada com aquilo de alguma forma, e ela não tinha ficado. Miguel assentiu. Luna parecia ter emergindo em seus pensamentos e agora não prestava atenção a . – A Cho se sentou tão longe hoje…
– Na verdade nós nos sentamos longe, estamos ao lado da Di.. Quero dizer da Luna.
– Eu já te falei para não chamá-la assim! – ralhou com Miguel, que deu de ombros.
suspirou, vendo os pratos serem substituídos pelas sobremesas, e percebeu que tinha sobremesas novas, provavelmente para saciar os desejos dos visitantes. Ela pegou um pouco de pudim, e o comeu devagar.
Os pratos se esvaziaram e Dumbledore aproveitou o momento para tomar a palavra e explicar como as coisas funcionariam agora que as delegações haviam chegado. Apresentou Sr. Bartolomeu Crouch, Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia e o Sr. Ludo Bagman, Chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágico e mencionou que eles, mas Madame Maxime e Karkaroff fariam parte da banca julgadora juntamente com ele. Depois das apresentações, Dumbledore trouxe o assunto que todos aguardavam:
– As instruções para as tarefas que os campeões deverão enfrentar este ano já foram examinadas pelos Srs. Crouch e Bagman – disse Dumbledore, enquanto Filch depositava a arca cuidadosamente na mesa à frente do diretor –, e eles tomaram as providências necessárias para cada desafio. Haverá três tarefas, espaçadas durante o ano letivo, que servirão para testar os campeões de diferentes maneiras... sua perícia em magia, sua coragem, seus poderes de dedução e, naturalmente, sua capacidade de enfrentar o perigo.
A esta última palavra, o salão mergulhou num silêncio tão absoluto que ninguém parecia estar respirando.
– Como todos sabem, três campeões competem no torneio – continuou Dumbledore calmamente –, um de cada escola. Eles receberão notas por seu desempenho em cada uma das tarefas do torneio e aquele que tiver obtido o maior resultado no final da terceira tarefa ganhará a Taça Tribruxo. Os campeões serão escolhidos por um juiz imparcial... o Cálice de Fogo.
Dumbledore puxou então sua varinha e deu três pancadas leves na tampa do escrínio. A tampa se abriu lentamente com um rangido. O bruxo enfiou a mão nele e tirou um grande cálice de madeira talhado. Teria sido considerado totalmente comum se não estivesse cheio até a borda com chamas branco-azuladas, que davam a impressão de dançar. Dumbledore fechou o escrínio e pousou cuidadosamente o cálice sobre a tampa, onde seria visível a todos no salão.
– Quem quiser se candidatar a campeão deve escrever seu nome e escola claramente em um pedaço de pergaminho e depositá-lo no cálice – disse Dumbledore. – Os candidatos terão vinte e quatro horas para apresentar seus nomes. Amanhã à noite, Festa das Bruxas, o cálice devolverá o nome dos três que ele julgou mais dignos de representar suas escolas. O cálice será colocado no saguão de entrada hoje à noite, onde estará perfeitamente acessível a todos que queiram competir.
“Para garantir que nenhum aluno menor de idade ceda à tentação”, continuou Dumbledore, “traçarei uma linha etária em volta do Cálice de Fogo depois que ele for colocado no saguão. Ninguém com menos de dezessete anos conseguirá atravessar a linha.”
“E, finalmente, gostaria de incutir nos que querem competir, que ninguém deve se inscrever neste torneio levianamente. Uma vez escolhido pelo Cálice de Fogo, o campeão ficará obrigado a prosseguir até o final do torneio. Colocar o nome no cálice é um ato contratual mágico. Não pode haver mudança de ideia, uma vez que a pessoa se torne campeã. Portanto, procurem se certificar de que estão preparados de corpo e alma para competir, antes de depositar seu nome no cálice. Agora, acho que já está na hora de irmos nos deitar. Boa noite a todos.”
– O velho é esperto mesmo, hein? – Miguel comentou, enquanto se levantava da mesa com .
– Eu já imaginava que seria algo assim. – Selena se espreguiçou.
– Você vai tentar se candidatar? – Miguel a questionou. – Eu estou querendo.
– Definitivamente não, simplesmente não dá para passar essa linha de faixa etária, e outra, é Dumbledore… ninguém engana o Cacique Supremo, vai por mim. – Miguel sorriu. – Pode ir indo para o Salão, vou passar na Biblioteca. – Mentiu.
– Para…? – Miguel a encarou. – Não... é um encontro? Finalmente alguém vai beijar essa boquinha? – sentiu as bochechas ficarem extremamente quentes.
– Cala a boca! Sai logo daqui, por Merlim, ou eu não respondo por mim. – Corner arregalou os olhos, saindo da frente da garota, ainda a gargalhadas. – Imbecil! – ela bufou, fazendo o caminho contrário aos outros alunos.
Estava andando com pressa, sabia que tinha pouco tempo para conversar com Harry, o toque de recolher estava cada vez mais próximo. Trombou com alguém com força que com o impacto a fez cair no chão. bufou, era só o que faltava.
– Opa, Akingbade, que pressa! – ela o encarou. Draco estendeu a mão para ajudá-la, que ignorou, levantando-se sozinha. – Está indo para onde?
– Não te interessa. – ele soltou um sorrisinho de escárnio.
– Ora, Akingbade, você não era tão mal educada assim…
– Para de frisar meu sobrenome desse jeito! – explodiu, o encarando firmemente. – E outra, você é escroto, trata as pessoas tão mal de forma gratuita quem é você para falar algo? – lembrou-se do episódio de Rony, e tantos outros que já havia escutado ou presenciado dele. Voltou a caminhar, ignorando-o.
– Eu nunca te fiz nada... – parou de andar, virando-se em direção a ele, que a encarava, sério.
– Esqueceu do episódio do trem? – ela arqueou a sobrancelha. – Fez também com meus amigos coisas bem piores, e já é como se tivesse feito algo para mim. – Ela o viu colocar as mãos no bolso, enquanto ainda a olhava.
– Eu já tinha te dito que eu menti sobre seu sobrenome, , quantas vezes vou precisar repetir? – Draco a encarou, cansado que ela levantasse ainda essa pauta do trem. – Sua família tem prestígio, seu tio está na Confederação Internacional dos Bruxos, e é visto como sucessor de Dumbledore como Cacique Supremo. – o loiro tinha escutado conversas entre seus pais sobre isso nas férias, o sobrenome de não era muito comum, sabe-se lá o porquê agiu daquela forma com ela, nem ele se entendia bem. – Eu só não consigo entender uma pessoa que tem tanto, se misturar com sangues…
– Não se atreva a terminar essa frase, Malfoy. – conhecia muito bem a ofensa que o garoto iria dizer. Aquele tipo de preconceito não era diferente em Uagadou, aliás, alunos arrogantes existiam em todos os lugares, infelizmente. – Quando eu acho que você não pode piorar, me surpreende ainda mais negativamente. – soltou um riso incrédulo, indignada.
– Você é inacreditável, Akingbade. – ele tinha um sorriso presunçoso preso nos lábios. Mesmo com as ofensas e o mal humor da garota não invalidavam em nada como ela era bonita.
– E você é… um nojo. – ela fechou as mãos em punho e virou-se para sair, não tinha mais o que conversar com ele, e sentia-se claramente sem graça com a forma que o loiro a encarava há poucos segundos.
– Espera… – ele segurou o braço dela, e com a pressa que ela andava seu corpo foi jogado contra o dele.
espalmou a mão livre no peito do rapaz. Levantou o olhar e Draco a encarava, e foi impossível não sentir o que aquele olhar transbordava, curiosidade com um misto de... desejo? Ela não sabia dizer, acabou se perdendo nos olhos acinzentados do loiro, e não soube dizer quando, mas sua respiração tinha acelerado, Draco não estava diferente. Ele aproximou de forma lenta seu rosto do dela e não fez menção de se afastar.
– O que está acontecendo? – se desvencilhou de Draco, dando-lhe um empurrão, piscava os olhos, atônita, o que tinha acontecido há pouco? – ?! Malfoy?!
– Potter! – Draco rosnou o sobrenome do garoto, irritado por ele claramente ter interrompido algo. Se não fosse ele, com certeza teria beijado a garota, e o que o intrigava ainda mais era saber que ela não faria nenhuma resistência para se afastar. E ele tinha gostado muito de saber disso.
– Ele te fez alguma coisa, ? – Harry ainda encarava o loiro de forma ameaçadora, que sustentava um olhar ranzinza em sua direção. Era só dizer, que Harry estava pronto para defendê-la daquele imbecil.
– Não, ele não fez nada, e está tudo sob controle, sei me defender, Harry, fique tranquilo – ela passou as mãos no pescoço, claramente nervosa. – Anda, vamos logo, temos que conversar. – Se aproximou de Harry, pegando em sua mão e o puxando em direção a biblioteca. Virou as costas e conseguiu escutar as últimas palavras de Malfoy:
Intrige...! Totsiens.* ficou surpresa, o loiro sabia falar africanês? Como? Por quê? Foi inevitável não virar a cabeça para trás, e pôde ver o característico sorrisinho de lado de Malfoy. Balançou a cabeça, ele estava querendo provocá-la, era isso, ela não ia cair no joguinho dele. Era a segunda vez que tinham um diálogo sozinhos, era óbvio que seria uma provocação, ele sabia quem eram seus amigos, por isso queria comprar briga com ela, era isso, só podia mesmo ser isso.
– O que ele disse? – Harry a olhava, curioso.
– Não faço ideia, sei lá que língua é essa. – Mentiu. Encostou-se a uma pilastra, deixando os pensamentos de lado, e focando-se completamente em Harry. – E então? – não quis entrar em muitos detalhes, pois as paredes com certeza tinham ouvidos.
– Ah, sim. – Potter tinha ficado incomodado com toda aquela situação que até tinha esquecido do objetivo do encontro, odiava Malfoy, e vê-lo tão próximo de havia mexido com ele. Ignorou aquilo, pegou o pequeno pedaço de papel e estendeu em direção a amiga.
Não me convenceu, Harry.
Estou de volta ao país e bem escondido. Quero que me mantenha informado de tudo que estiver acontecendo em Hogwarts. Não use Edwiges, troque de corujas e não se preocupe comigo, cuide-se. Não se esqueça do que lhe disse sobre a cicatriz.

Sirius.

– Eu te disse, Harry! – ela o encarou com um sorriso presunçoso.
– É, você disse. Odeio admitir como estava certa. – Harry suspirou, pegando o papel estendido em sua direção e guardando de volta no bolso.
– E por que trocar as corujas? – questionou, curiosa.
– Edwiges chamará muita atenção – respondeu Harry na mesma hora. – Ela se destaca. Uma coruja muito branca que fica voltando para o lugar em que ele está escondido... Quero dizer, ela não é um pássaro nativo, não é mesmo?
– Sim, você tem razão. Mas como está se sentindo?
– Eu diria que aliviado por ele não ter sido pego, um tanto preocupado com tudo, mas feliz por ele estar perto e eu não precisar esperar tanto por uma resposta. – ele sorriu.
– Ah, Harry. Fico feliz que esteja feliz. – ela sorriu docemente. Harry não soube o porquê, mas dessa vez foi ele quem a puxou para um abraço apertado. Ele estava mesmo genuinamente feliz com aquilo, e por compartilhar aquela notícia com ela.
– Ok... – riu, deixando-se ser abraçada. – Estou surpresa com esse gesto.
– Às vezes eu também gosto de abraços, mas só às vezes. – ele brincou e riu, se separando dele.
– Você está a cada dia mais envolvido pelos meus costumes, logo, logo está me beijando também. – Harry ficou vermelho, e arregalou os olhos quando notou o que disse. – Quero dizer, beijos na bochecha, é claro. – soltou uma risadinha sem graça.
– Já está tarde, daqui a pouco Filch aparece com a Madame Nor–r–ra. – Harry desconversou.
– Tem razão. – ela o encarou. – Nos vemos. – se aproximou dele, dando-lhe um beijo em sua bochecha e sumindo rapidamente dos corredores, não deixando nem Harry se despedir. Ele soltou um riso, e caminhou sentido a sua sala Comunal, o enlouqueceria ainda.
suspirava fundo, aquela noite estava estranha demais para o seu gosto, definitivamente, ela precisava dormir, sim, era isso. Só uma boa noite de sono a faria raciocinar com tudo o que estava acontecendo.

* Intrigante, ! Tchau.



Capítulo 08

demorou a pegar no sono naquela noite, foram muitos acontecimentos estranhos. E mesmo o dia seguinte sendo sábado ela levantou mais cedo do que de costume em um fim de semana exatamente por isso. Fez sua higiene matinal, vestiu-se e desceu, torcendo que ao menos alguém com quem tivesse proximidade estivesse acordado. Viu algumas meninas da Corvinal, do terceiro ano e se sentou próxima delas.
O assunto do momento era o Cálice de Fogo e quem iria se candidatar. A peça fora colocada no centro do saguão sobre o banquinho que era usado para o Chapéu Seletor. Uma fina linha dourada estava traçada no chão, formando um círculo de uns três metros de raio. Após algum tempo em que a garota observava as pessoas que se candidatavam no Cálice, viu Harry, Rony e Hermione na mesa da Grifinória, e decidiu que falaria com os amigos.
– Até vocês resolveram levantar cedo? – Ela depositou beijos nas bochechas dos amigos e se sentou ao lado deles.
– Sim, estamos bem curiosos com o Cálice. – Hermione sorriu.
– Com certeza. Inclusive, , está faz tempo aqui? – ela assentiu. – Você sabe se alguém já depositou o nome? – perguntou Rony, ansioso.
– Pelo que vi o pessoal da Durmstrang, ninguém de Hogwarts ainda. – deu de ombros.
– Aposto que tem gente que depositou ontem à noite depois que fomos todos dormir – disse Harry. – Eu teria feito isso se fosse eles... não iria querer ninguém me olhando. E se o Cálice cuspisse o meu nome de volta na hora?
– É verdade, tem toda a razão, seria uma vergonha enorme. – concordou.
Alguém riu às costas deles, e ao se virarem, viram Fred, Jorge e Lino Jordan correndo escada abaixo, os três parecendo excitadíssimos.
– Resolvido – disse Fred num cochicho vitorioso a Harry, Serena, Rony e Hermione. – Acabamos de tomá-la.
– Quê? – exclamou Rony.
– A Poção para Envelhecer, cabeça de bagre – disse Fred.
– Uma gota cada um – acrescentou George, esfregando as mãos de alegria. – Só precisamos envelhecer alguns meses.
– Eu não acredito nisso. George, você me prometeu que não seria tão clichê. – deu um empurrão no ruivo, enquanto ria.
, eu não te prometi nada, aliás, você sem querer nos deu a ideia. – George deu de ombros.
– Não tenho muita certeza de que isso vai dar certo – disse Hermione em tom de aviso. – Tenho certeza de que Dumbledore terá pensado nessa possibilidade.
Fred, Jorge e Lino não lhe deram atenção.
– Por que não vai, Mione. – sussurrou baixo para que apenas a amiga ouvisse. – Estou curiosa para o que vai acontecer. – elas se encararam e riram.
– Pronto? – perguntou Fred aos outros dois, tremendo de excitação. – Vamos então, eu vou primeiro…
Fred tirou do bolso um pedaço de pergaminho com as palavras “Fred Weasley – Hogwarts”. O garoto foi direto à linha e parou ali, balançando-se nas pontas dos pés como um mergulhador se preparando para um salto de quinze metros. Depois, acompanhado pelo olhar de todos que estavam no saguão, ele respirou fundo e atravessou a linha.
Por uma fração de segundo, todos acharam que tinha dado certo, George inclusive atravessou a linha pensando nisso, porque soltou um grito e correu atrás de Fred, mas no momento seguinte, ouviram um chiado forte e os dois foram arremessados para fora do círculo dourado, como bolas de golfe. Eles aterrissaram dolorosamente, a dez metros de distância no frio chão de pedra e, para piorar a situação, ouviram um forte estalo e brotaram nos dois longas barbas brancas e idênticas.
O saguão de entrada ecoou de risadas. Até Fred e George riram depois de se levantarem e darem uma boa olhada nas barbas um do outro.
– Eu sabia que isso ia dar errado. – encarava os dois, rindo.
– Eu avisei a vocês – disse uma voz grave e risonha, ao que todos se viraram e deram com o Prof. Dumbledore saindo do Salão Principal. Ele examinou Fred e George, com os olhos cintilando. – Sugiro que os dois procurem Madame Pomfrey. Ela já está cuidando da Srta. Fawcett da Corvinal e do Sr. Summers da Lufa-Lufa, que também resolveram envelhecer um pouquinho. Embora eu deva dizer que as barbas deles não são tão bonitas quanto as suas.
Fred e George seguiram para a ala hospitalar acompanhados por Lino, que rolava de rir. ficou com vontade de ir junto, mas achou que seria muita gente no mesmo lugar, ia visitá-los depois.

chegou a ala hospitalar, espiou Madame Pomfrey cuidando dos dois ainda. A viu se afastar e entrou no local.
– Ei. – apareceu na frente deles com um sorriso.
– Oi! Não venha com a frase eu avisei que já sabemos, . – ela gargalhou a fala de George.
– Eu não vou perder esse momento, então... eu avisei. – Ela sentou na pontinha da cama de George. – Como estão?
– Aparentemente foi só um pequeno problema com a poção, logo estaremos de volta, o efeito dela está passando. – Fred respondeu.
– Que bom, fico feliz. – sorriu.
– Ainda não estou me sentindo totalmente bem… – George fez uma careta de dor, automaticamente se aproximou dele, preocupada.
– O que foi? O que está sentindo? – o encarava, aflita.
– Mal… – sussurrou. A menina se aproximou, colocando a mão na testa dele, aferindo sua temperatura. – Só um beijo me fará sentir melhor. – deu um empurrão no ombro do rapaz, rindo.
– Eu não acredito… Eu estava mesmo levando a sério, isso não se faz, George Weasley! – ela negou freneticamente com a cabeça.
– Se tivesse uma câmera tinha tirado uma foto da sua cara aflita, . – ela revirou os olhos com a fala de Fred, fazendo um biquinho engraçado.
– Dois bobos mesmo. – brincou. – Já que vocês dois não vão participar por motivos óbvios, vocês têm suas apostas sobre quem vai ser o campeão de Hogwarts?
– Bom, apostamos na Angelina Johnson, ela completou 17 anos semana passada e disse que ia se inscrever. – Fred respondeu com uma careta, ainda não aceitando bem o fato de estar de fora do evento.
– Acho que não a conheço. Ela é da Grifinória?
– Isso. Ela é uma garota alta, joga como artilheira no time de quadribol da nossa casa. – George tentou ajudá-la na memória.
– Puff… realmente não faço ideia, cheguei há pouco em Hogwarts e com o lance da copa de quadribol cancelada, não vou saber mesmo. – se justificou. – Cho aposta em Cedrico Diggory.
– Ela e as meninas de Hogwarts inteira. – Fred murmurou, levemente aborrecido.
– Ele já tem até fã clube. – complementou, rindo.
– E você faz parte dele? – George perguntou, discretamente interessado.
– Eu o acho muito bonito sim, mas não tenho interesse nele nesse sentido, Weasley. – comentou, lembrando-se de Cho e seu interesse no lufano.
– Ah. – George sorriu, aliviado, mas ela não percebeu.
ter se locomovido até a ala hospitalar para saber se ele estava bem o fez afirmar ainda mais que ele investiria nela.

– Eu fiquei sabendo que o Krum colocou o nome no Cálice, já esperávamos, não é?
Simas viu sair da ala hospitalar e seus olhos mediram seus movimentos, a forma como ela mordia os lábios, indecisa se ia para a direita ou esquerda, sem sequer notar a sua presença ali.
– Simas?! – Dino lhe chamou a atenção, fazendo o garoto, relutante, o encarar.
– É, já esperávamos mesmo. – voltou seu olhar a , vendo-a escolher a esquerda.
– Você deveria se declarar de uma vez, ser mais claro. – Dino comentou, quando percebeu que Simas interagia, mas com os olhos presos na garota.
– Quê? – o grifinório franziu o cenho.
– Desde o primeiro dia... não... arrisco dizer que desde o primeiro momento em que você colocou os olhos nela, você se apaixonou. – Dino soltou uma risadinha.
– Você é louco, Dino, nada a ver.
– Então fica negando aí, enquanto isso outros garotos saem na sua frente. – Simas arregalou os olhos.
– Quem tá de olho nela?
– Se entregou! – Dino riu e deu um empurrão no amigo, zoando-o, Simas sentiu as bochechas quentes. – Mas o lance de se declarar é verdade.
– Eu…
– Vai logo, cara, aproveita que ela saiu sozinha, ela está sempre acompanhada de alguém. – Simas soltou o ar que prendia, e saiu atrás de . Ela já estava a uns bons passos na frente e ele teve que alcançá-la, correndo.
, espera! – se virou bruscamente, e abriu um sorriso doce ao garoto.
– Oi, Simas. – ela se aproximou dele e depositou um beijo em sua bochecha.
– O que… hãn… – ele perdeu a coragem, na sua cabeça tinha ficado muito melhor.
– O que… – o encarou. – Eu já te disse que não mordo, Simas, vamos lá. – ela o encorajou.
– Ok, o que você vai fazer agora? – ele vomitou as palavras.
– Eu estava procurando… – o encarou, vendo seus olhos ansiosos, desistiu de falar o que pensava em fazer. – Nada.
– Certo, eu… é, ainda preciso de ajuda em Poções. – ele soltou aquela desculpa, o deixava extremamente desconfortável, não estava sendo fácil para ele.
– De novo Poções? Sério que você quer gastar meu sábado com isso? Poxa, Simas. – foi perceptível que ele ficou sem graça, deveria ter pensando em algo melhor para chamar a atenção da garota. – Relaxa, querido, é brincadeira, você leva tudo muito a sério. – ela sorriu. – Vamos, eu te ajudo, assim eu reviso a matéria também. Vou buscar minhas coisas no meu dormitório, te encontro aqui em 10 minutos.
– Certo, obrigado, . – Ela lhe deu uma piscadinha e saiu da sua frente, e ele engoliu seco, nervoso. Decidiu fazer o mesmo que ela, indo ao dormitório buscar as suas coisas.

Os dois estavam agora na Sala de Poções, viu que a sala estava aberta e para ajudar nada melhor do que na prática, esperava não ter nenhuma visita indesejada de Snape ali.
– Tá, vamos lá, Simas, qual é a dificuldade com a Poção Estimulante? A dosagem dos ingredientes, o caldeirão apropriado...? – ela fez um coque alto no centro da cabeça enquanto aguardava Simas falar, movimento capturado com precisão pelo pobre garoto, que engoliu a seco.
– É...
– É o quê, Simas? – piscou os olhos incessantemente, tique que denotava que ela estava impaciente.
– Eu não sei o que posso estar errando. – ele rapidamente se corrigiu, cortando as cenouras. – Quando eu faço ela não fica boa, fico com vontade de vomitar quando tomo, e não me sinto disposto a fazer nada, conforme é o intuito dela.
– Você está picando as cenouras grandes demais! Simas, assim... – ela pegou o objeto das mãos dele, cortando em pequenos pedaços. – Outra coisa, você precisa se certificar antes que ela esteja bem limpa, e mantenha a casca, estão descascadas, veja. – ela apontou, estudando sua face.
– Eu… não imaginava. – ele franziu o cenho.
– Talvez seja isso, um pequeno detalhe, mas que faz toda a diferença na Poção. – abriu um sorriso fechado.
– Você tem razão. – ela debruçou os braços na mesa e apoiou a cabeça neles e ele suspirou, encantado demais com o jeito como ela prestava atenção nele.
– O quê? – ela o encarou, curiosa.
– É você… … eu... – ele conseguiu proferir aquelas palavras.
– O que quer dizer? – ela franziu o cenho, realmente não estava entendendo nada. Ele aproximou o rosto dela, e antes que a coragem sumisse de si encostou os lábios aos dela, um toque sútil. Ele rapidamente se separou dela, assustado. Ela prendeu a vontade de rir, então era isso? Um beijo... todo aquele teatrinho para beijá-la? Ela tinha achado engraçado, sem dúvidas. – Simas, não é assim que se beija de verdade.
sorriu, negando com a cabeça e encostou os lábios nos dele e pressionou com mais força, passou a língua entre os lábios dele, pedindo abertura para aprofundar o beijo, que mesmo incerto do que fazia, a concedeu. E o beijou propriamente, encostando suas línguas, ela ditava o ritmo, era notável que Simas não tinha nenhuma habilidade então a copiava copiosamente.
Simas sentia-se nas nuvens, nunca tinha pensado que estaria beijando a garota que gostava, já para estava sendo bem divertido, fazia tempo que não beijava ninguém. Ela segurou a blusa do garoto com mais firmeza, o trazendo para mais perto, ainda concentrada no movimento de suas bocas.
Mas não contava que um barulho de algo se quebrando os fizesse se separar bruscamente, olhou em volta, mas não viu nada, deu de ombros, seja quem tivesse espiado não era nenhum professor, senão já estariam recebendo uma bela bronca. Simas ficou vermelho, parecia que explodiria a qualquer momento, então sua atitude foi se levantar bruscamente de seu assento, pegar suas coisas, e sair em disparada para fora da sala.
fez uma careta, pela postura dele, havia sentimentos ali, como Hermione havia a alertado há um tempo atrás, tinha que ter escutado a amiga, agora estava se sentindo culpada e arrependida. Se xingou mentalmente, tinha feito merda, ele realmente gostava dela e ela, bom, ela queria se divertir. Juntou o material, e viu que ele havia esquecido seu livro, teria que devolver assim que possível, o problema seria encará-lo novamente.

🎃🕯️

Quando Harry, Rony, e Hermione entraram, o salão iluminado por velas estava quase cheio. O Cálice de Fogo fora mudado de lugar; agora se encontrava diante da cadeira vazia de Dumbledore, à mesa dos professores. Fred e Jorge – novamente de cara lisa – pareciam ter aceitado o desapontamento muito bem.
– Espero que seja Angelina – disse Fred, quando Harry, Rony e Hermione se sentaram.
– Eu também! – disse Hermione sem fôlego. – Bom, vamos saber daqui a pouco!
– Simas está namorando! – Dino soltou de repente.
– Para, Dino, nada a ver. – ele abaixou o olhar, visivelmente sem graça.
– Não é o que a escola inteira está comentando…
– Quem é a louca? – Rony questionou, visivelmente curioso.
– Akingbade. Akingbade! – Harry que não prestava atenção a conversa, quando escutou o nome da amiga despertou.
– Como é que é? – Antes que ele falasse algo, George disse primeiro.
– Viram os dois aos beijos na sala de Poções. – Hermione negou com a cabeça, a amiga tinha prometido que afastaria Simas, iria conversar com ela sobre isso.
– É verdade, Simas? – Harry tinha as mãos em punho, não seria mesmo louca a esse ponto ou seria?
– É verdade que nos beijamos, mas não sobre o namoro. – Harry soltou um riso frouxo, levantou seu olhar procurando por , a olhando fixamente, não tirou os olhos dela até que ela o encarasse de volta, e assim aconteceu, ela acenou para ele, que correspondeu ao cumprimento dela, mas não conseguiu esconder seu descontentamento, nem ele mesmo sabia o motivo de ter ficado bravo com aquilo.
– Bom, para o namoro é um pulo. – Rony deu de ombros, não se importando muito com o assunto, queria mesmo era que o jantar acabasse logo e ele pudesse finalmente saber quem eram os campeões.
é muito corajosa mesmo. – George abriu um sorriso fechado, sabia que naquela batalha havia perdido, mas não a guerra, afinal, eles não estavam namorando, ele ainda tinha chances.

, do outro lado do Salão, ficou intrigada pela face de Harry, voltou a comer, não tinha feito nada de errado para que ele talvez estivesse irritado com ela. Miguel a assustou, sentando-se ao seu lado.
– Nossa, parece que não te vejo há anos. – ela brincou, pois foi a primeira vez naquele dia que eles conversaram.
– Porque a senhorita estava ocupada demais… – Miguel abriu um sorriso irônico. – Deveria seguir seus passos com Gina.
– Hãn? – o encarava, confusa. Levou aos lábios o suco.
– Seu beijo com o Simas. – cuspiu o suco, chamando a atenção de algumas pessoas.
– C-Como soube? – Pegou um guardanapo limpando a boca.
– É melhor você perguntar quem não sabe, isso se espalhou como pólvora.
Todos sabem? – ele assentiu, e segurou a boca, surpresa. Agora as coisas faziam sentido para ela, afinal, desde que tinha colocado os pés no Salão Principal burburinhos se iniciaram, só não sabia que era isso. – Por Merlin, eu estou muito chocada como vocês são fofoqueiros! – Miguel gargalhou. – Qual é, gente, ninguém aqui beija na boca?
– Beijar beijam, o problema é quem você beijou e o pior foi ter sido descoberta. – revirou os olhos. – Que seja, isso vai ser abafado assim que o Cálice escolher os nomes.
– Nossa, foi só um beijo, nada demais. Parece que eu joguei uma maldição imperdoável em alguém, todo mundo me olhando e provavelmente me julgando… não é como se eu fosse namorar o Simas. Enfim, que isso seja abafado logo, não quero que tome outras proporções e chegue nos ouvidos dos professores.
– Relaxa, é porque você é aluna nova, respirar te faz ter holofotes. – emburrou-se, tinha até perdido o apetite para o banquete. Não gostava de ser julgada por suas atitudes e jamais imaginou que aquilo tomaria outras proporções. Estava brava.
Ela suspirou fundo, deu uma olhadela pelas mesas e revirou os olhos quando os botou em Malfoy que negava incessantemente com a cabeça enquanto a encarava, ela mostrou a língua para ele em uma atitude extremamente infantil e ele riu, ela logo desviou o olhar.
A Festa das Bruxas pareceu durar muito mais do que habitualmente. Depois de muito tempo, os pratos voltaram ao estado de limpeza inicial; houve um aumento acentuado no volume dos ruídos no salão, que caiu quase instantaneamente quando Dumbledore se ergueu. A cada lado dele, o Prof. Karkaroff e Madame Maxime pareciam tão tensos e ansiosos quanto os demais. Ludo Bagman sorria e piscava para vários alunos. O Sr. Crouch, porém, parecia bastante desinteressado, quase entediado.
– Bom, o Cálice de Fogo está quase pronto para decidir – disse Dumbledore. – Estimo que só precise de mais um minuto. Agora, quando os nomes dos campeões forem chamados, eu pediria que eles viessem até este lado do salão, passassem diante da mesa dos professores e entrassem na câmara ao lado – ele indicou a porta atrás da mesa –, onde receberão as primeiras instruções.
Ele puxou, então, a varinha e fez um gesto amplo; na mesma hora todas as velas, exceto as que estavam dentro das abóboras recortadas, se apagaram, mergulhando o salão na penumbra.
O Cálice de Fogo agora brilhava com mais intensidade do que qualquer outra coisa ali, a brancura azulada das chamas que faiscavam vivamente quase fazia os olhos doerem. Todos observavam à espera... alguns consultavam os relógios a todo momento...
As chamas dentro do Cálice de repente tornaram a se avermelhar. Começaram a soltar faíscas. No momento seguinte, uma língua de fogo se ergueu no ar, e expeliu um pedaço de pergaminho chamuscado – o salão inteiro prendeu a respiração.
Dumbledore apanhou o pergaminho e segurou-o à distância do braço, de modo a poder lê-lo à luz das chamas, que voltaram a ficar branco-azuladas.
– O campeão de Durmstrang – leu ele em alto e bom som – será Vítor Krum.
– Ah, meu Deus! – sussurrou, aplaudindo animada, e escutou o berro de Rony dizendo não ser surpresa e concordou, ao mesmo tempo que uma tempestade de aplausos e vivas percorreu o salão. viu Vítor Krum se levantar da mesa da Sonserina e se encaminhar com as costas curvas para Dumbledore; ele virou à direita, passou diante da mesa dos professores e desapareceu pela porta que levava à câmara vizinha.
– Bravo, Vítor! – disse Karkaroff com a voz tão retumbante que todos puderam ouvi-lo apesar dos aplausos. – Eu sabia que você era capaz!
Os aplausos e comentários morreram. Agora todas as atenções tornaram a se concentrar no Cálice de Fogo, que, segundos depois, tornou a se avermelhar. Um segundo pedaço de pergaminho voou de dentro dele, lançado pelas chamas.
– O campeão de Beauxbatons é Fleur Delacour!
– É a garota veela. Miguel! – sussurrou ao amigo, que assentiu. A garota levantou-se graciosamente, sacudiu a cascata de cabelos louro-prateados para trás e caminhou impetuosamente até a Câmara. – Ela é muito linda mesmo.
Quando Fleur Delacour também desapareceu na câmara vizinha, todos tornaram a fazer silêncio, mas desta vez foi um silêncio tão pesado de excitação que quase dava para sentir seu gosto. O campeão de Hogwarts é o próximo...
E o Cálice de Fogo ficou mais uma vez vermelho; jorraram faíscas dele; a língua de fogo ergueu-se muito alto no ar e de sua ponta Dumbledore tirou o terceiro pedaço de pergaminho.
– O campeão de Hogwarts – anunciou ele – é Cedrico Diggory!
Cho tinha um enorme sorriso enquanto aplaudia veemente, sorriu para a amiga do outro lado da mesa, que correspondeu ao sorriso com um brilho no olhar. aplaudiu o lufano, se seu nome tinha saído era porque ele merecia, e sabia que Hogwarts estaria bem representada.
Cada um dos alunos da Lufa-Lufa ficou de pé, gritando e sapateando, quando Cedrico passou por eles, com um enorme sorriso no rosto, e se encaminhou para a câmara atrás da mesa dos professores. Na verdade, os aplausos para Cedrico foram tão longos que passou algum tempo até que Dumbledore pudesse se fazer ouvir novamente.
– Excelente! – exclamou Dumbledore feliz, quando finalmente o tumulto serenou. – Muito bem, agora temos os nossos três campeões. Estou certo de que posso contar com todos, inclusive com os demais alunos de Beauxbatons e Durmstrang, para oferecer aos nossos campeões todo o apoio que puderem. Torcendo pelos seus campeões, vocês contribuirão de maneira muito real...
Mas Dumbledore parou inesperadamente de falar, e tornou-se óbvio para todos o que o distraíra.
O fogo no cálice acabara de se avermelhar outra vez. Expeliu faíscas. Uma longa chama elevou-se subitamente no ar e ergueu mais um pedaço de pergaminho. Com um gesto aparentemente automático, Dumbledore estendeu a mão e apanhou o pergaminho. Ergueu-o e seus olhos se arregalaram para o nome que viu escrito. Houve uma longa pausa, durante a qual o bruxo mirou o pergaminho em suas mãos e todos no salão fixaram o olhar em Dumbledore. Ele pigarreou e leu...
– Harry Potter!
– O quê? – sussurrou, surpresa, mirando Harry que parecia bem pálido.



Capítulo 09

Harry ficou sentado ali, consciente de que cada cabeça no Salão Principal se virara para ele. Sentia-se atordoado. Entorpecido. Sem dúvida estava sonhando. Não ouvira direito. Não houve aplausos. Um zunido, como o de abelhas enraivecidas, começou a encher o salão; alguns estudantes ficaram em pé para ter uma visão melhor de Harry, sentado ali, imóvel, em sua cadeira.
Na mesa principal, a Profª Minerva se levantara e passara por Ludo Bagman e pelo Prof. Karkaroff para cochichar urgentemente com o Prof. Dumbledore, que inclinara a cabeça para ela, franzindo ligeiramente a testa.
Harry se virou para Rony e Hermione; mais além, viu todas as mesas o encararem, focou na de Corvinal, e pôde ver desnorteada, ela o encarou interrogativa, e o garoto negou veemente com a cabeça. Foi cutucado por Hermione, Rony o encarava, embasbacado.
– Eu não inscrevi meu nome – disse Harry sem saber o que dizer. – Vocês sabem que não.
Os dois apenas olharam para ele também, sem saber o que responder.
Na mesa principal, o Prof. Dumbledore se aprumou, acenando a cabeça afirmativamente para a Profª Minerva.
– Harry Potter! – tornou ele a chamar. – Harry! Aqui, me faz o favor!
– Anda – murmurou Hermione, dando um leve empurrão em Harry.
O garoto ficou de pé, pisou na barra das vestes e tropeçou brevemente. Saiu pelo espaço entre as mesas da Grifinória e da Lufa-Lufa. Teve a impressão de estar fazendo uma longuíssima caminhada; a mesa principal parecia não chegar mais perto e ele sentia centenas de olhos fixos nele, como se cada um fosse um refletor. O zum-zum não parava de crescer.
Depois do que lhe pareceu uma hora, o garoto chegou diante de Dumbledore, sentindo fixos nele os olhares dos professores.
– Bom... pela porta – disse Dumbledore. O diretor não sorria. Harry passou pela mesa dos professores. Um burburinho se iniciou no Salão Principal.
! Como ele conseguiu? – de repente ela tinha vários corvinos em volta de si.
– Eu não sei… – ela falou mais para si do que para quem a ouvia.
– Como não sabe? Você vive colada com ele… – Terêncio Boot pontuou.
– Muito estranho tudo isso. – Miranda Flockton opinou, desconfiada.
– Ah, , por favor, é óbvio que sabe, só não quer contar! – Daisy Corran a indagou, franziu o cenho, aquela garota nunca tinha falado com ela, aliás, ninguém que lhe questionava tinha intimidade alguma com ela, o que era aquilo?
– Ei, chega! Eu já disse que não sei, e se eu soubesse não contaria a vocês, fofoqueiros! – levantou-se da mesa, brava e foi em direção a saída do Salão Principal, deixando os estudantes surpresos com sua reação.

🌟🔮

Depois que a garota explodiu no Salão Principal, ela recebeu olhares atravessados em sua Casa, mas ninguém mais lhe dirigiu a palavra. Miguel e Cho se mantiveram afastados, Luna conversou com ela sobre outros assuntos, e não pôde estar mais agradecida a amiga. Ficaram juntas até o toque de recolher.
já estava deitada, porém rolava na cama sem parar, Harry estar no Torneio Tribruxo não saía de sua cabeça, afinal como ele tinha se inscrito? Por que tinha escondido aquilo dela? Poxa, ela confiava nele, esperava que ele o fizesse também. Estava muito magoada com tudo aquilo. Rolou mais uma vez na cama, abrindo os olhos e dando um soco no colchão, ela não conseguiria dormir.
pensou em algo, mas negou freneticamente, ela não podia fazer, era errado demais, tinha prometido a avó que só usaria aquilo se tivesse em uma emergência...
Mordeu os lábios, aquilo era sim uma emergência, não era? Harry lhe devia explicações! Ela voltou a fechar os olhos, e deixou a mente completamente limpa, fez um movimento com as mãos, e sussurou droom spel*, pensando em Harry, o garoto já estava dormindo como previra. Era perfeito.
Ela tinha usado o mesmo feitiço que o Diretor de Uagadou usava para enviar os Mensageiros dos Sonhos para os alunos do primeiro ano, tinha aprendido com sua avó para que pudessem se comunicar melhor em uma emergência agora que não moravam mais no mesmo continente, o problema é que aquela magia era muito avançada e ela não dominava tão bem quanto imaginava, esperava tê-la executada de forma correta. Ela tinha que ser o mais breve possível.
– Harry… – ela apareceu na frente do rapaz que estava no Salão Comunal da Grifinória, sentado em uma poltrona. – Harry, aqui! – ela balançou as mãos na frente da face dele, fazendo-o despertar.
, mas o quê… como você… eu estou sonhando? – ele estava completamente confuso, e ela quis gargalhar.
– Você está dormindo, e sonhando... comigo. – ele piscou, confuso. – É mentira, eu invadi seus sonhos.
– O quê? Como?
– Harry, eu não tenho muito tempo, vou ser breve.
… você é louca! – ela não segurou o sorriso.
– Eu preciso saber, Harry, como você se inscreveu para o Torneio Tribruxo? E por que me escondeu isso? Estou me sentindo extremamente traída, você é meu melhor amigo aqui dentro! – ela o encarava, magoada.
– Não me inscrevi, eu juro! – Harry parecia muito angustiado, ela podia sentir. – Ninguém acredita nisso, exceto Hermione, até o Rony acha que eu me inscrevi e não está falando comigo… se você não acreditar em mim vai ser difícil... – ela viu veracidade na fala dele.
– Harry... – ela o encarou e qualquer dúvida foi embora. – Eu acredito em você. – ele sorriu, aliviado. – Tem alguma ideia de como ou quem pode ter feito isso?
– Não, e isso me preocupa muito, .
– Eu vou te ajudar a descobrir, Harry. Seja quem for… – fez uma pausa, tentando formar a frase. – Só tenta ficar vivo, por favor, eu não suportaria se… – ela fechou os olhos, negando.
– Está tudo bem, vai dar certo. – ele e encarou com um pequeno sorriso. Ele não acreditava em suas próprias palavras, mas ele estava percebendo o surto em que ela se encontrava. – Tenha mais fé em mim.
– Eu tenho, eu só… temo por sua vida. – ela suspirou, o envolvendo em um abraço. O abraço parecia muito real e aquilo perturbou Harry, era bizarro. – Eu preciso ir, vou tentar dormir, fique bem. Amanhã conversamos. – Soltou-se dele.
– Precisamos mesmo conversar… – ele a encarou, e ela revirou os olhos, sabendo do que se tratava. – Você precisa me explicar isso aí. – se referiu a ela estar dentro dos seus sonhos.
– Amanhã, eu não vou gastar esse momento com explicação. Só tenta ter sonhos mais calmos… – ele franziu o cenho. – Fique bem. – deu um beijo na bochecha dele e o deixou.
Estava quase saindo da mente de Harry, quando sentiu uma sensação bizarra, o que era aquilo? Sentiu um frio subir do seu pé até sua espinha e se arrepiou. Com a respiração entrecortada, ela virou-se para trás, e arregalou os olhos quando viu algo horrível a sua frente, e voltou para seu corpo com brutalidade, fazendo-a gritar e acordar suas colegas de dormitório.
! – Luna se levantou da própria cama e acudiu a amiga. – O que houve? – ela a abraçou apertadamente. Cho, Padma estavam próximas e as outras meninas encaravam a garota atônitas.
– Um pesadelo, foi um pesadelo… – ela sussurrou, ainda com o rosto pressionado no ombro de Luna, suava frio. E seus pensamentos se rondavam naquilo, era tão ruim, lhe dava medo só de lembrar, mas o que poderia ser?
– Vai ficar tudo bem, você vai ver. Vou te contar uma história para te acalmar, está bem? – concordou e as outras meninas se arrumaram na cama para voltar a dormir. Cho e Padma encararam , que assentiu que estava bem, e elas foram se deitar também. tentou prestar atenção a história de Luna, mas a todo momento sua mente revivia aquilo, e era aterrorizante.

🌟

Depois da visão que a garota tivera foi difícil que ela conseguisse dormir, cochilou, mas não havia conseguido descansar aquela noite, por isso ela estava sentada em uma poltrona desajeitada no Salão Comunal da Corvinal.
Akingbade? – ela se virou quando escutou o professor Filio Flitwick chamá-la. – O Diretor Dumbledore te espera em sua sala.
– Eu? – o professor afirmou positivamente. – Ok...
– A senha é sapos de chocolate. – ele abriu um sorriso fechado e saiu, deixando-a sozinha no Salão Comunal.
saiu do local um pouco perplexa, não podia negar que sentiu um frio na barriga. Respirou fundo e continuou andando, seus pensamentos rondavam em uma simples pergunta: o que ela tinha feito? Passou as mãos no rosto tensa, virou seu olhar para frente e avistou Simas, e sentiu uma pontada na cabeça, sabia que as coisas só podiam piorar ainda mais... tinha que conversar com ele sobre ontem, seria um rápido desvio, Dumbledore não se irritaria, ao menos era isso que ela contava. Tentou andar mais rápido para chegar no rapaz, mas ele andava depressa.
– Simas! – gritou, chamando a atenção de alguns alunos que transitavam por ali, mas ao invés de Finnigan parar, ele aumentou ainda mais os passos. – Espera! – tentou alcançá-lo, porém o perdeu de vista. – Droga, Simas! – bufou.
Virou-se para trás rápido e trombou com alguém, sua vontade era de sumir quando viu quem era e por ele provavelmente tê-la visto tomar um vácuo. Ele a segurou pela mão direita para que ela não se desequilibrasse e caísse.
– Eu vou sempre te encontrar assim, Akingbade? Estou achando que você tromba comigo de propósito. – ela o olhou, e revirou os olhos.
– E então você acordou do seu lindo sonho, não é, Malfoy? – soltou a mão que ele mantinha com a dele e o encarou.
– Ácida como sempre, gosto disso. – ele sorriu, e ela semicerrou os olhos. Ficaram um tempo em silêncio, suspirou, não podia perder tempo com picuinhas do loiro e andou alguns passos – Você merece mais, . O cara claramente está fugindo de você. – ela bufou, virando-se para trás novamente, já não bastava ter passado vergonha na frente dele, agora ele a encarava com um misto de pena e compaixão. Ela queria sumir.
– Olha… – revirou os olhos. – Eu não deveria nem falar porque não te interessa, mas eu não tenho nada com o Simas. E não, eu não estou apaixonada por ele. – massageou as têmporas, cansada.
– Então se beijaram por quê? – ele a encarava atentamente.
– Porque eu quis, fim. Já acabou o interrogatório? Eu posso ir embora, Malfoy? Tem mais alguma dúvida? – ela o respondeu, irônica, piscando os olhos incessantemente, estava sem um pingo de paciência.
– Na verdade, sim. Já que você beija pessoas ao acaso, quero ser beijado também. – o encarou, foi impossível não rir.
– É agora que você ri e diz que é brincadeira, não é? Estou esperando. – Draco não esboçou nenhuma reação e chocou-se, parando de rir. – Malfoy!
– Você me atrai, não vou ficar negando o que eu estou sentindo. Estou baixando a guarda, Akingbade. Você deveria fazer o mesmo. – ela piscou os olhos, aturdida. Draco se aproximou dela, segurando sua mão. Ele definitivamente não estava de brincadeira, e ela sentiu uma sensação estranha no estômago.
– Não… – ela negou com a cabeça freneticamente. Se afastou dele, mas ele a encarou e foi se aproximando dela, até que se viu encostada na parede do corredor, e engoliu em seco. Por Merlim, o que estava acontecendo com o Malfoy? Estava louco, louco, ela repetia incansavelmente em sua cabeça. Aquilo só gritava internamente a ela que ele tinha sentido a energia daquele maldito dia.
– Eu não estou te pedindo amor eterno, só quero um beijo, só isso. , você beijou o Simas, qual é? Eu sou muito mais atraente que ele. – Aquelas palavras a fizeram despertar para o egocentrismo de Draco Malfoy e ela se tocou que aquilo era muito errado e ia contra tudo o que ela acreditava. O empurrou com força.
– Eu não beijei o Simas simplesmente por isso, Malfoy, mas você é arrogante demais para termos essa conversa. E quanto a te beijar, quem sabe nos seus sonhos? – piscou para ele, retomando a andança.
– Akingbade, não cuspa para o alto, você pode se arrepender.
– Prefiro correr o risco. – acenou para ele e se afastou um pouco, olhou para trás e viu Draco Malfoy com um sorrisinho de escárnio, e foi impossível que ela não sorrisse também, e ela não estava gostando das suas reações sobre aquilo tudo.

– Professor Dumbledore, o senhor gostaria de falar comigo? – entrou na sala do Diretor, receosa. Já fazia um bom tempo que ela estava em Hogwarts e nunca tinha ido lá.
– Oh, olá, . – ele sorriu, estava de costas para a porta. – Sim, gostaria, mas sente-se, por favor.
– A sala do senhor é incrível. – ela sorriu, sentando-se e ainda olhando o local, admirada.
– Obrigado. – o homem respondeu.
– Professor Dumbledore, o seu chamado para cá me deixou muito surpresa, me desculpe parecer ansiosa, é só que… Eu não gosto muito de visitar sala de Diretores, sinal de que eu aprontei… enfim, essas conversas nunca são boas. – Dumbledore riu.
– Você me lembra muito sua mãe, ela tinha o mesmo pensamento que você sobre a minha sala. – abriu um sorriso frouxo, imaginando a mãe na mesma situação.
– Dessa eu não fazia ideia.
– Pois é, são mais parecidas do que imagina. – sorriu. – Mas eu não vou mais te deixar curiosa, , te chamei aqui porque gostaria de conversar com você sobre ontem.
– Sobre a fofoca em que meu nome está envolvido? – ela sentiu as bochechas esquentarem muito. – Professor Dumbledore, as pessoas maldam demais, eu… –
– Não é sobre isso. – ele a deteve com as mãos, se calou. – Serena, primeiramente você está em Hogwarts, não Uagadou. Nós temos regras diferentes. – assentiu. – O feitiço que você praticou ontem é proibido, principalmente por você não o dominá-lo totalmente – ela abriu a boca várias vezes sem saber como se defender daquilo. – Você viu o que aconteceu ontem depois de usá-lo, não é?
– Sim... eu nunca senti tanto medo na minha vida. – abaixou a cabeça. – Em minha defesa eu estava preocupada com Harry.
– Eu sei que estava, . – ele a olhou de forma terna.
– Eu juro ao senhor que não o farei mais, já aprendi minha lição nessa. – sorriu, nervosa.
– Era essa a resposta que eu esperava, , não faça mais, e principalmente com Harry, é muito perigoso. – ela assentiu repetidamente.
– Então quer dizer que...
– Sim. – ela engoliu seco, surpresa.
– Tenho outro pedido a te fazer… – ela assentiu. – Não comente nada com ninguém sobre o que aconteceu.
– Eu não vou fazer isso, eu prometo. Eu só queria que Harry não tivesse que passar por tudo isso sozinho. – ela suspirou fundo, entrelaçando as próprias mãos em seu colo.
– E ele não vai, tenho certeza. – ele piscou para ela, que assentiu.
– Quantos pontos minha Casa perde por minha peripécia?
– Nenhum, estou te dando um voto de confiança, sei que não o fará mais, .
– Obrigada, Professor. – ela soltou o ar que nem sabia que tinha prendido, estava muito aliviada.
– Você é muito inteligente, o que você fez ontem é uma das provas disso, jamais duvide de si mesma, você está na Casa certa. – piscou os olhos, aturdida.
– Mas como o senhor...
– Ah, , eu só sei. – Dumbledore sorriu. – Está dispensada. – ela se levantou com um pequeno sorriso. – Mande lembranças minhas a seu tio. – ela umedeceu os lábios.
– Amo meu tio, Professor Dumbledore, mas ele não é confiável. Tenha cuidado com ele, o senhor merece o cargo que tem.
– Oh, . – ele sorriu docemente. – Obrigado pela preocupação. – se aproximou dele, e sem se conter o abraçou, e Dumbledore sorriu, a abraçando de volta.
– Tenha um bom dia, Professor. Prometo não o desapontar. – ela se separou dele, e sorriu. Dumbledore sorriu de volta e saiu da sala dele. Ela foi descendo as escadas e viu que Harry a esperava por ali. – Harry…? Mas o que faz aqui?
– Me contaram que você vinha para cá, então fiquei curioso e te esperei. – ela segurou o sorriso, se aproximou dele, o abraçando apertado como sempre. – Igual ao sonho... – se referiu ao abraço.
– Igualzinho… – ela sorriu. – Quem te contou que eu estaria aqui?
– Ah, ninguém importante. – ela o encarou, desconfiada, mas assentiu. – Me diz, o que Dumbledore queria?
– Só queria falar sobre meu tio, não foi nada grave. – mentiu.
– Só isso mesmo? – ela assentiu.
– Por um momento achei que pudesse, sei lá, ser sobre o feitiço de ontem, mas seria muito estranho... – engasgou com a saliva, ela fez uma careta involuntariamente. – , não minta para mim. Foi sobre o feitiço, não foi?
– Foi, Harry, ele me repreendeu por usar o feitiço em você, e estou proibida de usar com qualquer outro aluno.
– Mas ele falou o motivo?
– Só que é proibido em Hogwarts sabe se lá o motivo... – fez um biquinho. – De qualquer forma eu vou obedecer, e vou te pedir que não comente com ninguém sobre ontem, combinado?
– Ok. – o garoto assentiu. Sentia-se mal em não contar tudo a Harry, só que havia prometido a Dumbledore, mas era melhor assim.
– Você está mesmo bem?
– Estou. – ele arriscou abrir um sorriso frouxo. – , você é...
– Você...? – ela estudou seus movimentos.
– Não é nada. – Harry a encarou pela primeira vez.
– Eu não estou namorando o Simas, se é isso que está te deixando curioso, você deve ser a 10ª pessoa que eu explico isso, mas é a primeira a quem eu realmente quero falar.
– Mas eu nem te perguntei nada, . – ele franziu o cenho, prendendo a vontade de abrir um sorriso.
– Eu sei, Harry, mas também sei que você é muito educado para entrar nesse assunto comigo. – ela riu. Ele negou com a cabeça, mas não pode deixar de sorrir, contra fatos não se tinham argumentos mesmo. – Você está tenso demais...
– Talvez seja porque eu estou no Torneio Tribruxo, mas só talvez. – ela revirou os olhos.
– Vou relevar essa ironiazinha, tá? Só porque eu estaria mil vezes pior que você. – ficaram calados por um tempo, até um estalo vir a mente da garota. – Eu tenho a solução perfeita. Eu já venho, vou só buscar algo no dormitório, fica aqui. – ele assentiu, não tinha nada melhor para hoje.
não demorou muito no dormitório, pegou rapidamente o pequeno frasco que queria, colocou no bolso e saiu em disparada até Harry que realmente tinha ficado no lugar acordado.
– Rápida mesmo. – ela respirava ofegante, tinha corrido muito.
– O que eu quero te mostrar não dá para ser aqui, Harry. Tem algum lugar que a gente consiga ficar sozinhos? – ele ficou pensativo.
– Bom, tem a Entrada da Ponte Suspensa.
– Não faço ideia de onde é, mas vamos, me leva lá. – começaram a andar em direção ao local lado a lado, conversando algumas trivialidades.
Harry estava curioso, afinal o que ela o mostraria? Nesse tempo de convivência ele sabia que não conhecia um terço de quem era Akingbade, ou do que ela era capaz, aquilo inegavelmente o intrigava porque ela o conhecia bem demais, sentia-se em desvantagem. Chegaram ao local e de fato estava vazio como Harry previra.
– E então? – ele a questionou. Ela o puxou para que se sentassem no chão, e assim o fez.
– Mas que afobação, garoto. – tirou o objeto do bolso da calça jeans e Harry viu que se tratava de um pequeno frasco com um líquido transparente. – Bebe. – o entregou a ele.
– O que tem aqui? – ela abriu um sorrisinho de lado. –
– Você confia em mim? – ele afirmou sem nem pestanejar. – Então bebe, vai te fazer bem.
– Só bebo se você beber comigo.
– Harry, você claramente não confia em mim. – ele riu. Abriu o frasco, cheirou o conteúdo e tinha um cheiro adocicado, Potter a encarou mais uma vez, ela o incentivou e ele virou o conteúdo do frasco. Não demorou muito para os efeitos da poção começarem a agir.
– Wow, , que sensação é essa? – ele deitou o corpo na ponte, sorriu, deitando-se ao lado dele. – O que você me deu, sua louca? – Harry riu, sentia-se muito bem, como a tempos não se sentia, estava leve.
– Eu te dei uma poção feita com a erva cannabis sativa*. – ele franziu o cenho. – Ela é para esse fim, deixar bem relaxado, leve, zen.
– Eu realmente estou me sentindo assim. – ele sorriu bobamente. – Quanto tempo ela dura?
– Depende, mas no máximo duas horas. Não pensa no tempo de duração, quero que relaxe, e esqueça um pouquinho tudo o que te preocupa.
– Eu já nem me lembro mais. – ele a encarou, risonho. – , meu Deus, olha as nuvens, todas tem uns formatos estranhos. – a menina gargalhou.
– Sim, elas têm mesmo. – ela o encarou.
– Veja se essa não parece um carro. – estudou a nuvem, e concordou com ele. Suas mãos se encostaram levemente por estarem deitados próximos e para surpresa de Harry a entrelaçou com a dele. Ela o encarou, mas Harry tinha feito aquilo tão naturalmente que não a olhava de volta, ria despreocupadamente ainda olhando as nuvens.
Ela se permitiu deitar-se no ombro de Harry a garota se desmanchou ainda mais, sentindo o perfume almíscar que ele usava. Aquele dia estava sendo raro, estava frio, mas tinha sol e muitas nuvens no céu.
Akingbade suspirou fundo devido à proximidade em que estavam, aquilo era perigoso demais para a sua sanidade mental, mas ela simplesmente não queria se afastar e não ia, depois lidaria com as consequências, mas naquele momento ela queria estar ali.


* Feitiço do sonho
* Cannabis sativa é uma planta herbácea da família das Canabiáceas, também conhecida como maconha.



Capítulo 10

– Acha que vai fugir de mim até quando, ? – paralisou seus passos virando para a amiga com um pequeno sorriso.
– Mas quem disse que eu estou fugindo de você, Mione? – ela fez uma careta, abraçando a amiga desajeitadamente. – Quem tem passado tempo demais na biblioteca em tempos diversos não sou eu.
– Pois é, você sabe onde me encontrar, já eu não faço ideia de onde te encontrar. – elas voltaram a caminhar em direção a suas respectivas próximas aulas, mas em passos mais lentos para que pudessem conversar um pouco. – Como está?
– Estou bem, obrigada por perguntar. E você? – ela apertou os livros que carregava nos braços.
– Bem também. – ficaram caladas por um tempo. – Como está lidando com tudo? Você beijando o Simas... Harry no Torneio Tribruxo.
– Eu sabia que você ia me indagar sobre isso. Vamos lá, Granger, solta o sermão com direito ao “eu te avisei”, estou pronta. – revirou os olhos, evitando encarar a amiga.
– Eu te avisei… – lhe mostrou a língua, fazendo-a rir. – Mas não vou te dar sermão. Conseguiu esclarecer as coisas com ele? – ela suspirou.
– Ele está me evitando desde então, estou até com o livro de Poções dele comigo. – mostrou o livro. – Sempre estou com ele com a esperança de poder entrega-lo. Eu sei que fiz merda das grandes, ele realmente gosta de mim, só isso explica esse comportamento, e eu não sei lidar, Mione..
– Na hora de beijá-lo foi bom, não é? Escutei Dino dizendo a algumas pessoas que você quem beijou o Simas. Quer me dar o livro dele? Temos Poções hoje. – assentiu, entregando o livro a ela.
– Dino, Dino… deve ter sido aquele fofoqueiro que viu tudo e espalhou, eu ainda vou ter uma conversinha com ele... – respirou fundo. – Eu tenho que encontrar um jeito de conversar com Simas, essa situação está inacabada e eu detesto coisas inacabadas.
– Você está de olho em outra pessoa? – Hermione a perguntou de supetão.
– Não estou, Mione, por Merlim. – mexeu em uma das tranças, nervosa.
– Está sim, já te conheço um pouco, quem é? – sorriu, negando.
– Para, nada a ver. – sentiu as bochechas esquentarem. Ela sabia que sua cabeça estava uma loucura, então tinha se prometido não se aproximar de ninguém naquele momento, e incluía George, Draco e principalmente Harry, eles haviam partilhado aquele momento simples, mas muito significativo.
– Ok, não vou perguntar mais, vou começar a te observar mesmo. – mordeu os lábios, querendo rir. – E como está lidando com Harry no Torneio? Eu estou a ponto de pirar com a periculosidade desse evento.
– Nem me fala, Mione, e ver as pessoas da minha Casa em grande maioria detonando o meu amigo não está dos melhores.
– Corvinal está torcendo por Cedrico? – afirmou que sim. – A Lufa-Lufa também, ninguém anda muito receptivo com ele, não está fácil para Harry. Só a Grifinória mesmo.
– Exato, por isso eu fiz o que pude para distraí-lo na última vez que nos encontramos. Fez bem a ele, sem julgamentos, ou inveja alheia, porque esse comportamento é claro de inveja.
– Por isso Harry voltou todo estranho, seja o que você tenha dado para ele fez bem – sorriu. – Concordo com você, até Rony está com ciúmes de Harry – negou com a cabeça.
– Ah não, qual é, ele precisa apoiar o amigo, e não ficar de picuinhas.
– Olha – disse Hermione pacientemente –, é sempre o Harry que recebe todas as atenções. Sei que não é culpa dele – acrescentou ela depressa, vendo a encará-la – Sei que ele não quer isso... mas, bem... sabe, Rony tem todos aqueles irmãos competindo com ele em casa, e o Harry é o melhor amigo dele e é realmente famoso, Rony é sempre deixado de lado quando as pessoas veem o Harry, e ele aguenta isso sem reclamar, mas acho que mais essa vezinha foi demais…
– É, tem razão. Não deve ser fácil ao Ron. – mordeu os lábios, finalmente entendendo o ponto que a amiga trouxe. – Harry contou a… você sabe? – referia-se a Sirius.
– Sim, mas não teve resposta ainda. – franziu os lábios. – Se você puder conversar com Harry, Rony não quer dar o braço a torcer e bom, você conhece o Harry.
– O problema é que…. – suspirou fundo. Como diria a amiga que precisava se afastar do Harry por um tempinho pelo bem da sua própria sanidade mental?
– O problema é que...? – a incentivou.
– Não é nada. – desconversou.
– segurou o braço da amiga firmemente, a encarando –, o que houve no domingo?
– Eu… – engoliu em seco. – Fiquei próxima demais do Harry, e isso me afetou um pouquinho, e eu não posso deixar que isso me afete nem que seja um pouquinho, entende? – Hermione sorriu, entendendo, não ia julgá-la, mas estava certa sobre os sentimentos desde o início de para com o amigo. – Mas isso é bobagem, eu vou apoiá-lo.
– No seu tempo, ok? – piscou para Chegou o momento em que ela se separariam. – Promete para mim que não vai fugir de mim, eu sou sua amiga, estou aqui para te aconselhar, mas principalmente para te ouvir.
– Eu sei, obrigada. – sorriu docemente, se jogando nos braços de Hermione que sorriu.

🌟

A próxima aula de Harry e Hermione eram dois tempos de Poções, como Mione mesmo tinha contado à mais cedo. Harry resmungava com ela sobre o dever suplementar que havia ganhado do Professor Flitwick – juntamente com Neville – por não ter conseguido desempenhar os Feitiços Convocatórios corretamente.
Quando ele e a amiga chegaram à porta da masmorra de Snape depois do almoço, encontraram os alunos da Sonserina esperando à porta, cada um deles usando um distintivo no peito. Por um instante delirante, Harry pensou que fossem distintivos do F.A.L.E. – mas logo viu que todos continham a mesma mensagem em letras vermelhas luminosas, que brilhavam vivamente no corredor subterrâneo mal iluminado.

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– Gostou, Potter? – perguntou Malfoy em voz alta, quando Harry se aproximou. – E isso não é só o que eles fazem, olha só!
E apertou o distintivo contra o peito, a mensagem desapareceu e foi substituída por outra, que emitia uma luz verde:

POTTER FEDE

Os alunos da Sonserina rolaram de rir. Cada um deles apertou o distintivo também, até que a mensagem POTTER FEDE estivesse brilhando vivamente a toda volta do garoto. Ele sentiu uma onda de calor subir pelo pescoço e o rosto.
– Ah, engraçadíssimo – disse Hermione com sarcasmo a Pansy Parkinson e sua turma de garotas da Sonserina, que riam mais gostosamente do que quaisquer outros –, é realmente engraçadíssimo.
Rony estava parado encostado à parede com Dino e Simas. Ele não estava rindo, mas tampouco defendia Harry.
– Quer um, Granger? – perguntou Malfoy, oferecendo um distintivo a Hermione. – Tenho um monte. Mas não toque na minha mão agora, acabei de lavá-la, sabe, e não quero que uma sangue ruim a suje.
Uma parte da raiva que Harry vinha sentindo havia dias pareceu romper um click em seu peito. Ele apanhou a varinha antes que conseguisse pensar no que estava fazendo. As pessoas em volta se afastaram correndo, recuaram pelo corredor.
– Harry! – gritou Hermione em tom de aviso.
– Anda, Potter, usa – disse Malfoy em voz baixa, puxando a própria varinha. – Moody não está aqui para proteger você agora, usa, se tiver peito...
Por uma fração de segundo, eles se encararam nos olhos, depois, exatamente ao mesmo tempo, os dois agiram.
Furnunculus! – berrou Harry.
Densaugeo! – berrou Malfoy.
Feixes de luz saíram de cada varinha, colidiram em pleno ar e ricochetearam em ângulo – o de Harry atingiu Goyle no rosto e, o de Malfoy, Hermione. Goyle berrou e levou as mãos ao nariz, de onde começaram a brotar furúnculos enormes e feios – a garota, chorando de dor, apertou a boca.
– Mione! – Rony correu para ela para ver o que acontecera.
Harry se virou e viu Rony tirando a mão de Hermione do rosto. Não era uma visão agradável. Os dentes da frente da garota – que já eram maiores do que o normal – cresciam agora a um ritmo assustador; a cada minuto a garota se parecia mais com um castor, pois seus dentes se alongavam, ultrapassavam o lábio inferior em direção ao queixo – tomada de pânico, ela os apalpou e soltou um grito aterrorizado.
– E que barulheira é essa? – Snape chegara.
Os alunos da Sonserina gritavam tentando dar explicações. Snape apontou um dedo para Malfoy e disse:
– Explique.
– Potter me atacou, professor...
– Atacamos um ao outro ao mesmo tempo! – gritou Harry.
– ... e ele atingiu Goyle, olhe...
Snape contemplou Goyle, cujo rosto agora lembrava a ilustração de um livro doméstico sobre cogumelos venenosos.
– Ala hospitalar, Goyle – disse o professor calmamente.
– Malfoy atingiu Hermione! – disse Rony. – Olhe!
O garoto obrigou Hermione a mostrar os dentes a Snape – ela se esforçava ao máximo para escondê-los com as mãos, embora isso fosse difícil, porque agora tinham ultrapassado o seu decote. Pansy Parkinson e as outras garotas da Sonserina se dobravam de rir em silêncio, apontando para Hermione pelas costas de Snape.
Snape olhou friamente para Hermione e disse:
– Não vejo diferença alguma.
Hermione deixou escapar um lamento, seus olhos se encheram de lágrimas, ela deu meia volta e correu, correu pelo corredor afora e desapareceu.
Foi uma sorte, talvez, que Harry e Rony tenham começado a gritar com Snape ao mesmo tempo; sorte que suas vozes tenham ecoado tão forte no corredor de pedra, porque, na confusão de sons, ficou impossível o professor ouvir exatamente os nomes de que o xingaram. Mas ele captou o sentido.
– Vejamos – disse, na voz mais suave do mundo. – Cinquenta pontos a menos para a Grifinória e uma detenção para cada um, Potter e Weasley. Agora, entrem ou será uma semana de detenções.
Os ouvidos de Harry zumbiram. A injustiça daquilo o fez desejar amaldiçoar Snape, desintegrá-lo em mil pedacinhos nojentos. Ele passou pelo professor e se dirigiu com Rony para o fundo da masmorra, largando com força a mochila sobre a carteira. Rony tremia de raiva, também – por um instante, pareceu que tudo voltara ao normal entre os dois, mas, em vez disso, Rony se virou e se sentou entre Dino e Simas, deixando Harry sozinho na carteira.

Mione chegou à ala hospitalar com os dentes maiores, e as lágrimas simplesmente jorravam de seus olhos, ficou surpresa quando viu um rosto conhecido ali, que franziu o cenho ao vê-la. esperou pacientemente que a amiga fosse atendida, deixou Miguel de lado, este tinha se machucado na Aula de Trato de Criaturas Mágicas e com a autorização de Hagrid ela tinha acabado de deixá-lo ali, mas quando estava saindo tinha avistado a amiga com os dentes enormes para fora da boca.
– Mione, por Merlim, o que houve? – se aproximou assim que viu Madame Pomfrey se afastar para atender outra pessoa. – Consegue falar agora? – Mione assentiu e contou tudo minuciosamente a amiga.
– Simplesmente fui humilhada, . – retomou a vontade de chorar ainda mais, juntando-se a dificuldade em falar.
– Oh, meu Deus, sinto muito. – se aproximou ainda mais da amiga e acalentou com um abraço terno, era tudo o que podia fazer naquele momento. – Eu estou aqui do seu lado, eu sempre estarei. – deu um beijo estalado na testa da amiga, voltando a abraçá-la. Tinha até se esquecido de Miguel, que claramente não necessitava tanto de sua ajuda como a grifinoria.
Ver a diferença que o infeliz do Snape tratava os alunos exceto os da Sonserina a aborrecia demais, infelizmente não estava na alçada dela discutir seus métodos ridículos com ele, esperava um dia não perder a paciência com o homem, mas Malfoy estava em sua alçada e muito, e por isso ela teria uma conversinha bem séria com aquele idiota, ele que a aguardasse. Foi expulsa da Ala Hospitalar por Madame poucos minutos depois, mas estava engasgada com a situação de Malfoy, e ao invés de ir para a sua aula, ela seguiu por outro caminho.

esperou pacientemente a aula de Poções terminar e assim que ela viu os alunos se dispersando ela se aproximou. Simas arregalou os olhos quando a viu ali, mas estava tão obstinada atrás de Malfoy que não conseguiu enxergá-lo, podia mexer com ela, mas não com os seus amigos.
– Malfoy… – ela disse entredentes, avançando de forma perigosa no garoto. – Estupefaça – ela lançou em Draco que teve seu corpo içado na parede mais próxima. Todos prestavam total atenção na garota, abrindo espaço com medo de ser acertado a qualquer momento. Ela tirou das vestes a varinha e se aproximou do loiro, que tentava se levantar, mas antes que isso acontecesse, o derrubou de volta com as duas mãos, se colocando em cima de seu peito, de forma que ficasse sentada e suas duas pernas ficasse uma de cada lado do seu corpo, ela apontava a varinha em seu pescoço. O loiro arregalou os olhos.
Rony franziu o cenho, o que estava acontecendo ali? Harry não estava naquele momento, tinha saído para tirar as fotos para o Profeta Diário por conta do Torneio Tribruxo.
– Você vai aprender a tratar as pessoas como gente, vamos ver quem fede, Malfoy. – ela apertou a varinha no pescoço dele, que soltou um grunhido com a boca. – E o principal, quem tem o sangue ruim é você, escroto, filhinho de papai.
… – ele sussurrou. – Não imaginava que você faria isso na frente de todo mundo. – ele conseguiu proferir, sarcástico, mas estava amedrontado, ela estava muito brava, e bom, ele não sabia qual mais outro Feitiço ela podia lançar nele. Ele tentou sair da situação, mas ela apertou ainda mais a varinha em seu pescoço, se é que aquilo era possível.
, não. – Rony se aproximou dela, Snape poderia sair da sala a qualquer momento. – Não faça isso. – Ron tocou no ombro dela.
... – Malfoy tentou, ela estava o desmoralizando frente a sua Casa e a da Grifinória, aquilo era vergonhoso demais.
– Ele merece, Rony! – Malfoy tinha os olhos fechados, temendo o pior.
– Eu sei que ele merece, eu sei, mas você não... você vai perder pontos para sua Casa e ganhar uma bela detenção, não deixe que ele ganhe mais uma vez. – ela suspirou fundo, Rony tinha razão. Ela tirou a varinha do pescoço do loiro, guardando-a de volta e saiu de cima do garoto, que ainda amedrontado permaneceu no chão, a encarando, atônito.
– Você tem razão, eu fiquei cega de raiva, a forma como a Hermione…
– Eu sei, eu sei. – Rony a direcionou pelos ombros, e Malfoy se levantou do chão limpando suas vestes, estava dolorido demais pelo feitiço que ela tinha lançado.
– Você nem pense em me atacar por trás, Malfoy, eu faço bem pior do que Professor Moody tamanha a minha raiva nesse momento. – o loiro estava com a mão em sua varinha nas vestes, mas recuou. – Não me subestime no estado que eu estou. – ela continuou a caminhar com Rony e eles sumiram por entre os corredores
– Essa é a sua namorada, Simas. – Dino comentou com o amigo.
– Cala a boca. – ele sorriu. era incrível demais. Os alunos da Grifinória começaram a rir, enquanto os sonserinos negavam com a cabeça.
– Isso não vai ficar assim, não vai, Akingbade, você mexeu com a pessoa errada. – Draco cuspiu as palavras, irritado.

– Obrigada, Rony, eu fiquei com muita raiva ao ver Mione daquele jeito e saber o que ele tinha proferido a Harry, me desestabilizou total… Eu perdi qualquer noção, ele poderia ter me jogado longe na hora que eu montei nele, por Merlin! E eu simplesmente agi no calor do momento...
– Que nada, . – ele fez um gesto com as mãos, banalizando a situação. – Ele com certeza aprendeu a lição hoje, não subestimar Akingbade. – eles riram.
– Espero que ele pare de ser imbecil. É pedir demais? – ela fez um biquinho engraçado. Enquanto eles ainda andavam em direção ao Salão Principal para jantar.
– Difícil, estudo com esse imbecil há mais de três anos, e ele só piora. – bufou alto, imaginando.
– E o Harry? Era para ele estar lá também, não? – perguntou, de repente.
– Ele foi tirar as fotos para o Profeta Diário, aquela baboseira toda por ele ser um dos Campeões do Torneio. – Rony revirou os olhos.
– Ah, entendo. – ela entortou a cabeça, encarando o ruivo. – Fala com ele, Ron, por favor, por favorzinho.
– Não, ele fez alguma coisa para ser inscrito e não me contou, , não adianta negar.
– Ele é seu melhor amigo, jamais faria algo desse nível sem te comunicar, pensa nisso. Vocês compartilham tudo. – já estavam próximos da entrada do Salão.
– Você está com a mesma história da Hermione. Olha, chegamos, bom jantar.
– Rony! – ele acenou, se dirigindo a sua mesa, obrigando-a a fazer o mesmo. – Que saco. – bufou.

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viu o Profeta Diário daquele dia mais cedo, Harry não tinha mesmo um minuto de paz, era óbvio que aquelas falas todas tinham sido distorcidas, e agora todos comentavam sobre a entrevista dele, sonserinos zoavam sobre o fato de ele chorar por falta da mãe, e se ele chorasse mesmo ela não via problema nenhum, só ele sabia o quão era difícil crescer sem seus pais e ser constantemente humilhado pelos tios. Ninguém tinha o direito de julgá-lo.
Outro ponto da entrevista que a fez rir foi sobre Potter ter um relacionamento com Hermione, aquilo era muito bizarro, eles eram muito amigos, e ela tinha suspeitas que o coração da menina batia por um certo ruivo.
Ela andava nos corredores com Harry enquanto discutiam sobre a bendita entrevista. tinha prometido que se afastaria dele para colocar os pensamentos em ordem, mas não daquela vez.
– Nada está tão ruim que não pode piorar ainda mais, Harry. Só posso te dizer que eu sinto muito por isso. – ela tentou consolá-lo.
– Se você tivesse mais daquela poção eu tomaria um estoque inteiro. – ela gargalhou, negando com a cabeça. – Eu vi que nada sairia bem daquela entrevista quando notei aquela pena escrevendo coisas absurdas, mas não imaginava que fosse assim, se Dumbledore não tivesse interrompido, sabe-se lá quantas blasfêmias sairiam de lá.
– Com certeza. Mione deve estar bem brava com tudo isso, completamente envolvida com tudo. – ele assentiu.
– E você ontem, fiquei sabendo que brigou com o Malfoy.
– Sim, Mione me contou toda a humilhação que ele fez com você e com ela e eu não aguentei, explodi. – só de pensar naquilo ela sentia o sangue ferver novamente.
– Eu gostei. – ele sorriu, fazendo sorrir também e sentir um turbilhão de coisas dentro de si. – Obrigado, , por ser quem você é. Mas não seja como eu, não faça mais isso, não vale a pena.
– Eu sei, se não fosse o Rony… – ela suspirou. – Inclusive você deveria conversar com Ron, Harry, sei o quanto você está sentindo falta dele – ele mexeu a cabeça negativamente –, e não adianta negar, você está sim.
– Eu não estou errado, , ele precisa me pedir desculpas.
– E você precisa parar de ser cabeça-dura. – ela esbravejou. – Ele tem os motivos dele, mas alguém precisa ceder! A amizade de vocês é linda e, Harry, você não tem essa cumplicidade nem com a Hermione e muito menos comigo!
– Droga, … – ele bufou, bravo. Ela se aproximou dele e lhe deu um abraço apertado, desarmando-o, ele se via cada vez mais dependente de abraços dela, era um carinho tão genuíno e gratuito que o tocava muito. Se separaram e ela sorriu, vendo-o sorrir fechado também.
– Eu tenho razão e você sabe disso, só pensa com carinho, só isso que eu te peço.
– Ok, eu vou pensar… – observou Simas passar e viu que era a oportunidade perfeita para colocar os pontos nos i’s com o garoto.
– Nos vemos depois. – ela saiu em disparada atrás dele, e Harry franziu o cenho, não gostando nada de vê-la indo embora de um momento bacana que eles partilhavam para ir atrás de outro garoto.
o alcançou e o puxou pelo braço, fazendo o rapaz arregalar os olhos, tinha conseguido fugir dela por várias vezes, mas dessa vez não teve como, teria que encarar o furacão da Corvinal, era assim que a chamavam pelos corredores recentemente.
– Agora chega. – ela o encarou, séria. – Nós precisamos conversar! Por que está fugindo de mim?
– Eu… – engoliu em seco. – É que… – batia o pé freneticamente enquanto o aguardava falar. – Eu…
– Por Merlim, Simas, eu já te disse tantas vezes que não mordo, qual é o problema? Me fala, a gente conversa.
– Me desculpa… – ele deixou os ombros caírem.
– Pelo quê? Pelo beijo? – ele concordou com a cabeça. – Oh, Simas, não tem que pedir desculpa, ou ficar envergonhado por isso, está tudo bem, eu quis te beijar.
– Eu gosto de você. – ela viu as bochechas dele enrubescerem. Ela fechou os olhos e fez uma careta.
– Simas, eu também gosto de você – ele sorriu, mas ela tratou de continuar. – Como amigo. – o sorriso sumiu. – Eu não queria te iludir, mas quando você me beijou, eu realmente quis, mas depois de como veio se comportando comigo eu tive a certeza que você sentia algo a mais, e eu juro que gostaria de corresponder, mas eu não consigo. Perdão, eu não queria te magoar. – ela suspirou, sentia–se mal por fazê-lo sofrer. Ela o viu abaixar a cabeça.
– Ok… – ela mordeu os lábios. – Vou te deixar em paz.
– Eu quero ser sua amiga, não quero que se afaste de mim.
– Mas eu não posso ser seu amigo agora. Eu preciso lidar com tudo isso, eu nunca gostei de alguém assim.
– Tudo bem. Perdão, não foi minha intenção.
– Mas me magoou – ele deu de ombros, se aproximou dele, e na ponta dos pés deu um selinho no garoto, se separaram. – Uma vez uma garota me disse que isso não era beijar de verdade. – brincou e ela sorriu.
– Ela estava certa, mas ela não quer te magoar ainda mais. Fica bem.
– Eu vou ficar. – ele sorriu frouxo, e se despediu dela. suspirou, não se sentia nada melhor com aquilo, mas sabia que tinha feito a coisa certa, ele era uma pessoa boa, com certeza encontraria alguém que lhe correspondesse.





Continua...



Nota da autora: E a pp esclareceu as coisas com o Simas, né? Será que foi realmente dado um ponto final na história dos dois? Hum... E o Malfoy? Vimos uma outra característica da pp, hein? Malfoy desperta um lado dela diferente dela kkkk, e bom tivemos o Potter com um ciuminho também hahhaah.
George tá meio sumidinho, né? Acho que teremos um pouquinho dele no próximo capítulo, olha eu soltando spoiler hahha. Um beijo, minhas lindas, obrigada por todo o apoio! <3

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