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Última atualização: 13/04/2020

I. Adeus ao Inverno

A glamorosa Londres finalmente se despedia do inverno mais rigoroso e solitário de todos. Não fora fácil para algumas famílias superarem suas ruínas, tanto materiais quanto sentimentais. Até a coroa britânica teve seus altos e baixos na estação mais gelada do ano. Após o falecimento do rei George III, teve-se a perda do primeiro herdeiro do nosso príncipe regente, ainda no ventre de sua esposa. Se já estava sendo complicado para a nossa rainha, Charlotte lidar com a perda do marido. Não podendo contar com uma criança para alegrar seus dias, só lhe restava suas festas da corte para distrair a mente. A trágica notícia, por sua vez, ajudou a abafar os escândalos causados pelo príncipe libertino , o sexto na linha de sucessão, em meio a outros 14 irmãos. 

E nem vou mencionar o baile natalino, oferecido pelo visconde falido lord Bourbon, que custou-lhe quase o pequeno dote de sua graciosa filha única. Será que este ano, lady Bourbon consegue se casar? Só me pergunto qual o lord aceitaria se casar com uma donzela cujo dote pequeno vem acompanhado de tantas outras dívidas e terras improdutivas? Após dois anos sendo rejeitada por todos os homens da nobreza, devo admitir que fora uma sábia decisão mandá-la para o campo no verão passado. Pobrezinha, não teve a sorte suficiente de nascer com a beleza de vossa mãe. Pelo menos com sua distância dos holofotes da sociedade, vosso pai não continuaria sendo a chacota de 1827.

Felizmente, minha estação favorita se acendia com toda pompa e circunstância. 

A primavera era o renovar das esperanças para todas as donzelas. Principalmente para aquelas em seu primeiro ano de apresentação à rainha. Sim, meus caros leitores, a temporada de casamentos está de volta. E eu, sigo curiosíssima para saber se este ano, o intocável conde lord Bridgerton se renderá a alguma joia rara. Mas se não houver nenhum casamento de sua parte, ainda temos vossa irmã caçula, que fará a tão planejada estreia. Soube que a doce lady Bridgerton passou todo o outono em aulas particulares de piano e harpa. E como sabemos, a vossa tia lady Violet Bridgerton tem experiência em conseguir bons pretendentes, afinal não é todo dia que se casa oito filhos. Mas claro que o fato de seus sobrinhos terem um título mais elevado garante a atenção de todos. 

Me parece que essa família não brinca mesmo quando o assunto é casamento.

E por falar em tal assunto. Quem acaba de ficar viúvo e disposto a se casar novamente é vossa graça, lord Tenebrae, o duque de Whosis. Fato este devido ao incêndio acidental em sua casa de campo que resultou no falecimento de sua esposa. É uma pena que ela não tenha lhe deixado um herdeiro em cinco anos casados. O que significa oportunidades para as damas que sonham em se casar com um duque.

Entretanto, a maior novidade de todos foi a ascensão da família Sollary, sem títulos de nobreza porém com uma fortuna de causar inveja até em vossa majestade. Contudo, será que todos os diamantes do cofre da família e o dote de duzentas mil libras anunciadas serão capazes de atrair um casamento satisfatório para sua filha ? Pelo menos a jovem dama é bela como o desabrochar das flores no amanhecer da primavera.

Façam suas apostas meus senhores da aristocracia, pois este ano teremos muitas informações para compartilhar e segredos para descobrir.

Ansiosos para a estação do amor?

Lady Lewis.

Conte-me seu sonho
Conte-me os pequenos desejos em seu coração.
- Genie / Girls' Generation


II. O diamante bruto

Para todas as donzelas em seu ano de debute, impressionar a rainha é a maior de suas preocupações. Sabemos que o mínimo gesto de vossa majestade, pode significar o ganho ou a perca de um matrimônio promissor. Nosso exemplo sempre lembrado é de vossa graça, lady Daphne, a duquesa de Hastings. Entretanto, receio que esta história dispensa mais comentários desta singela autora, já que lady Whistledown obteve a oportunidade de vivenciar toda a trama. Fora realmente uma pena que a mesma tenha se revelado, contudo, tal ato abriu-me as portas para que eu me apresentasse a vós, caros leitores. Um conselho? Não fiquem afoitos em descobrir quem eu sou, pois nem pelos diamantes da coroa, revelaria minha real identidade.

Então voltemos ao foco inicial. 

As belas moças que nesta manhã se aprontavam para apresentar-se à vossa majestade, a eterna rainha Charlotte. Uma delas, que pertencia à família mais casamenteira de toda Londres, se encontrava em seus aposentos apreciando o belo vestido em seu corpo. Encomendado por sua tia lady Violet e confeccionado pela mais talentosa modista do país, mademoiselle Tatou. O toque de suas mãos no tecido de linho em seu corpo a fez suspirar de ansiedade. 

Bridgerton levantou o olhar encontrando seu reflexo no espelho. Manteve-se imóvel para que sua criada terminasse o penteado, que lhe fazia nos longos cabelos castanhos claros. O dia em que tanto esperava havia chegado e mesmo com o olhar seguro de quem estava preparada para encantar vossa majestade, internamente seu coração se mantinha acelerado e aflito. Cometer o menor deslize diante de toda corte, poderia custar a reputação de sua família. E por mais que seus primos tivessem tido casamentos afortunados, sabemos que em nossa sociedade, um erro vale muito mais que mil acertos. Essa era a pressão que a doce moça vivia em seus pensamentos. E esta autora que vos conta, adora compartilhar os inúmeros erros da nossa aristocracia.

Um singelo sorriso apareceu no canto de seu rosto assim que sua tia deu dois toques na porta.

— Está pronta, minha querida? — lady Violet olhou-a com carinho e sorriu de volta.
— Sim, estou pronta. — ela tomou impulso para se levantar da cadeira, e logo sua criada se afastou — Deseja-me sorte Judith?
— A senhorita não precisa, já nasceu preparada para isso, lady Bridgerton. — disse a criada transmitindo confiança em seu olhar.
— Agradeço pelo encorajamento. — seu sorriso ficou um pouco mais largo e aparente, após um profundo suspiro, se dirigiu para a porta.

No hall de entrada da casa, estava o impaciente lord Bridgerton, conhecido agora por se tornar o novo conde de Whatnot. Devo confessar que a inesperada morte de vossos pais fora um tanto estarrecedora para todos. E devido ao trágico acontecimento, sua mudança de Derbyshire para Londres fora rápida e discreta. Bem, não tão discreta assim, já que houve um anúncio de minha parte dois dias antes de vossa chegada.

— Ah, finalmente , estamos a um passo de nos atrasarmos. — reclamou ele, ao olhar novamente para o relógio de bolso, que sempre mantinha consigo.
— Falando assim irmão, vou achar que está ansioso para ver suas pretendentes deste ano. — manteve o sorriso ao rosto, com o olhar sereno para ele, sabia que o irmão era impaciente quando o assunto era esperar — Com sorte e menos exigência de vossa parte, podemos nos casar juntos em uma mesma cerimônia, não seria perfeito?
— Não estou interessado em casamentos este ano, ou melhor, apenas em um, o vosso. — retrucou ele, sem se importar com a indireta da irmã — Me preocupo com o vosso futuro primeiro, depois decidirei sobre mim.
— Se continuar assim, poderá perder a oportunidade de viver um grande amor. — retrucou ela, convicta de suas palavras — Irmão, não deverias continuar apegado às amarguras do passado.
— Não deverias se preocupar com assuntos que não lhe ajudam a encontrar um bom marido. — revidou ele.
— Ambos devem se preocupar com vossos futuros. — lady Violet olhou para sua sobrinha — Você está bela e sei que impressionará a todos, — então olhou para ele — E você, trate de pensar nas palavras de vossa irmã, todo homem deve ter responsabilidades de também construir com família e ter herdeiros.

engoliu seco.

Por ser assombrado por seu passado, o coração do nobre conde se encontrava fechado a sete chaves, e todas perdidas pelas inúmeras viagens que fez em companhia do primo Colin. Esta autora, possui uma ponta de curiosidade em descobrir que passado sombrio seria este. Se relacionado com o coração, será que temos um Bridgerton que sofre de alguma desilusão amorosa? 

Logo descobrirei!

— Vamos. — ele engoliu seco e estendeu a mão, para que elas seguissem na frente para a carruagem.
— Vamos. — assentiu lady Violet, com sua sobrinha mantendo a mão direita pousada em seu braço.

Uma família já estava a caminho da grande apresentação. Então seguimos adiante para um lugar ainda mais divertido e barulhento que as festas privadas de lady Danbury. 

A luxuosa casa da família Sollary. Transbordando o resplendor de uma sua decoração que imitava singularmente os palacetes francesas, esbanjando um carpete vermelho pela entrada como nos palácios reais e grandes lustres de cristais no teto. A história de como o senhor Frederick Sollary, passou de um simples marinheiro que trabalhava no porto de Liverpool para um importante e bem sucedido homem de negócios ainda permanece inexplicada. Sendo sorte ou trabalho duro, o fato é que este senhor agora detinha uma das mais invejáveis fortunas do país. 

Entretanto, mesmo com todo esse sucesso financeiro, nem tudo são flores e esta família passava por problemas internos com a infeliz doença de sua esposa, a senhora Marie Sollary. De raízes francesas e fortes traços africanos, a bela mulher havia lhe presenteado com seis lindas filhas e o pequeno caçula que herdaria sua fortuna. Ao contrário de uma certa Bridgerton que fora esperta o suficiente para colocar nomes em seus filhos em ordem alfabética; após o nascimento da primogênita , os nomes de suas irmãs que seguiram foram de flores apreciadas pelos seus pais. 

A segunda mais velha é Rose, tendo somente um ano de diferença entre seu nascimento e de sua irmã, fora impedida de debutar precocemente por seu pai, por considerá-la ainda jovem demais. Em seguida temos a impetuosa Daisy em seus quatorze anos, considerada a artista da família, com seus doces poemas sendo recitados pela casa. Depois as gêmeas idênticas Lily e Camellia, com doze anos de pura travessura, se aproveitam do benefício para deixar suas outras irmãs malucas e desnorteadas quando trocam de lugar uma com a outra. A mais nova das meninas de apenas 7 anos, é a pequena e delicada Jasmine, com seu olhar meigo e o apego ao coelho de pelúcia que ganhara da mãe logo ao nascer. E encerrando a fábrica de filhos, temos Bowlmer, o filho da herança que continha apenas dois anos de idade. 

Talvez pela quantidade de filhos de tivera com sua esposa, contando com os muitos abortos que Marie sofreu ao longo dos anos entre os nascimentos que vingaram. Sua saúde foi ficando mais frágil até que na gravidez do filho caçula, o dr. Green lhe aconselhou a se precaver mais e não engravidar novamente. Devo contar-lhes caros leitores, que não tem sido fácil para nossa debutante Sollary cuidar de vossos irmãos e ainda se concentrar em passar uma boa imagem diante da corte. Devemos desejar sorte a ela?

! — Daisy gritou o nome da irmã, ao se aproximar da escada — A RAINHA NÃO IRÁ ESPERÁ-LA.

Não que Daisy estivesse irritada com a demora de vossa irmã. 

Mas toda a agitação em sua casa devido ao evento, lhe causou um inesperado bloqueio criativo que a deixara nervosa a dias. E se imaginar na mesma situação nos próximos anos, causava-lhe ainda mais surtos internos. Entretanto, não era a única que se sentia em desequilíbrio. Não seria a primeira vez que um pai em questão apresentaria a donzela diante da rainha. Contudo, seria a primeira vez do senhor Sollary diante de toda a corte naquelas circunstâncias. Um peso estava sobre seus ombros, ainda mais por saber que ainda teria mais cinco filhas para encontrar bons maridos futuramente.

— Não precisa gritar, Daisy. — apareceu no topo da escadaria, com a cabeça erguida e o olhar de reprovação para a irmã — Já estamos prontas. 

Logo Rose apareceu ao seu lado e juntas desceram os degraus. com sua respiração mais lenta, tentando manter-se calma diante de toda a pressão que sentia para não desapontar seus pais e irmãos. Cabelos mais soltos e uma tiara de pérolas, combinada ao vestido de seda amarelo no tom pastel. Já a vossa irmã Rose, com um singelo vestido rosa também de seda, ostentava as pérolas em seu pescoço. Um mimo do senhor Sollary que tinha o prazer em agradar suas filhas com pequenos presentes em momentos oportunos.

— Ambas estão mais belas do que já são, uma pena que vossa mãe não possa... — o senhor Sollary parou por um momento, reprimindo a angústia em ter a esposa impossibilitada de frequentar os ambientes festivos dos nobres. 

Algo que ele mais desejava era apresentar a mulher de sua vida para a sociedade e mostrar a beleza que o conquistou em apenas um sorriso. Um brilho cheio de orgulho surgiu em seu olhar ao voltá-lo para . A primogênita fora seu braço de apoio nos momentos mais caóticos desta família e agora, pensar em entregá-la a um homem desconhecido, lhe estremecia internamente. Porém, mesmo com o cuidado extremo de um bom pai zeloso, seu dever de garantir um bom futuro a todas as filhas e também ao pequeno herdeiro, vinha em primeiro lugar.

— Então, vamos para o palácio. — disse ele, voltando o olhar para a senhorita Moore, a preceptora de seus filhos menores — Senhorita Moore, cuide bem dos meus filhos, por favor.
— Não se preocupe senhor, tudo continuará na mais perfeita ordem. — garantiu ela.
— Porque não posso ir papai? — Jasmine se agarrou nas pernas do pai com um olhar tristonho.
— Minha pequena. — ele a pegou no colo sem cerimônias e sorriu para ela — Prometo que um dia a levarei comigo, mas enquanto não puder ir fique e ajude a senhorita Moore a cuidar de vosso irmão. Combinado?
— Combinado! — assentiu ela, abrindo um sorriso largo para o pai.

Ele a colocou de volta ao chão. E assentiu com o olhar para a senhorita Moore levá-la para seus aposentos. 

— Estou curiosa para saber como é o palácio da rainha. — comentou Lily, sentindo seu coração pulsar mais forte.
— Eu entro primeiro na carruagem! — disse Camellia, ao sair na frente a passos apressados.
— Assim não vale! — Lily reclamou começando a correr atrás da irmã.
— Ei as duas, parem com isso. — repreendeu as .
— Deixe-as querida, só estão se divertindo. — disse o senhor Sollary, segurando o riso ao observar a empolgação das filhas.
— Elas podem acabar se machucando com essas brincadeiras. — retrucou .
— Ainda se preocupa com elas, irmã? — Rose riu de leve — Deverias se preocupar com sigo mesmo, hoje é vosso dia de ser conhecida por todos. Será que Lady Lewis falará de nossa família amanhã?
— Não dizendo palavras constrangedoras como da última vez, já me darei por satisfeita. — retrucou — Seu ato de indagar nosso pai sobre a fortuna da família, foi deselegante.
— Não me importo com suas perguntas impertinentes, minha querida, nada que ela disser mudará o fato de eu ser um dos homens mais ricos de toda Londres. — a voz do senhor Sollary ficou um pouco mais firme e assertiva.

Algo que transmitiu à vossa filha a segurança que necessita para enfrentar a corte. Todos acomodados nas duas carruagens da família, seguiram para o palácio real. As duas filhas mais velhas acompanhadas pelo pai na primeira, e as outras três na segunda. Claro que estar na companhia das gêmeas bagunceiras não era lá a preferência de Daisy, que encontrava em seus pequenos livretos de poesia o escape das loucuras de ser uma Sollary.

E que rufem os tambores caros leitores... 

Pois a temporada de casamentos se inicia com todas as carruagens sendo estacionadas na grande entrada do jardim frontal do palácio. As flores da primavera perfumavam todos o lugar que aos poucos fora ficando bastante movimentado pelos nobres de Londres. Todos os convidados se reuniram no salão real e ao sinal de vossa majestade, as apresentações deram início.

E aqui vamos nós para a lista de donzelas, puras e castas a curvar-se para a rainha na esperança de um pequeno elogio, ou até mesmo um sorriso talvez. Confesso que se eu estivesse na pele dessas moças, estaria mais do que nervosa.

— Senhorita Freya Whitehall, apresentada por sua madrinha a honorável lady Featherington. — soou a voz do cavalheiro, que segurava com cuidado os pequenos papéis em sua mão.

Logo que as portas se abriram, a face de uma senhorita assustada se colocou diante de todos. Seus passos eram um tanto quanto pesados e trêmulos, sendo seguida por sua madrinha que forçava um sorriso no rosto. Se era sorte ou destino suas filhas terem encontrado bons maridos, eu não posso afirmar, mas que a honra fora mantida, isso eu concordo. Ainda mais por nossa Penélope agora desposada por Colin Bridgerton.

Enfim, neste momento apenas um olhar é o mais importante. E sabemos o quanto vossa majestade tem sido ainda mais criteriosa ao longo dos anos. Se na última temporada não obtivemos sucesso em encontrar o novo diamante raro, ando lutando contra meu lado racional para manter as esperanças nesta primavera. Assim que o olhar desinteressado da rainha se voltou para a janela, a jovem que mal conseguiu reverenciá-la se afastou juntamente com lady Featherington.

— Senhorita Bridgerton, apresentada pela tia a muito honorável viúva, viscondessa Bridgerton. — mais uma vez o cavalheiro proclamou.

Ao abrir as portas, todos os olhares curiosos já se direcionaram para a dama que com suavidade e delicadeza adentrava o lugar com um sorriso singelo no rosto. realmente havia nascido para aquele momento, ser o destaque das atenções e apreciada por todos. Assim que se colocou diante da rainha, lentamente fez a sua reverência, mantendo o olhar abaixado e a respiração controlada. Uma movimentação de vossa majestade causou inquietação em todos. Assim que a rainha Charlotte se levantou de seu trono e se aproximou dela, sentiu seu coração acelerar.

— Impecável, como era de se esperar. — as palavras da rainha alegraram aquele coração aflito.
— Eu realmente ouvi isso? — sussurrou ela para sua tia ao reverenciar novamente.
— Sim, minha querida, continue sorrindo, os olhares estão em você. — respondeu lady Violet, orgulhosa de sua sobrinha.

Acredite vossa majestade, esta autora aqui também não esperava menos que a perfeição desta família. Porém, ainda não encontramos o nosso diamante e ainda faltam muitas donzelas a serem apresentadas. Apesar de surpresa pelo que ouvira, se sentia ainda mais honrada por cada palavra. Algo que significava um futuro trabalho ao lord , afinal sua irmã agora estava em foco.

— Apresentando mais uma vez, a senhorita Bourbon. — anunciou o cavalheiro — Sendo apresentada pelo pai, o honorável viúvo conde Bourbon.

Todos já sabiam o que apareceria ao abrir as portas. O primeiro passo de foi tão silencioso que até pode-se ouvir a reação de surpresa de vossa majestade. O mesmo vestido da temporada passada não fora o causador, mas sim a bela jovem que se apresentava com ele. Será que lord Bourbon tinha uma filha gêmea escondida e esqueceram de trocar os nomes no anúncio? Se não, a estadia na casa de campo ao norte da Escócia, havia-lhe feito muito bem. Principalmente por estar aos cuidados de sua excêntrica tia Poppy. Assim que a jovem se curvou diante da corte, sentiu um pulsar mais forte de seu coração, assim como suas mãos que seguiam trêmulas. Desapontar vosso pai pela terceira vez não era algo que deveria acontecer.

— Impressionante. — disse vossa majestade, mantendo-se assentada, porém deixando escapar um sorriso leve de satisfação.

Até mesmo as sardas em seu rosto se tornaram um charme, além dos chamativos cabelos ruivos que eram a marca registrada desta família. Agora sim a senhorita Bourbon finalmente se parecia com a falecida mãe. Talvez ainda haja esperança para esta bela fênix que ressurgiu das cinzas. Não é o diamante que eu busco nesta temporada, mas tão brilhante quanto.

— Apresentando, a senhorita Sollary, acompanhada pelo pai, o honorável senhor Frederick Sollary.

A voz do cavalheiro soou mais uma vez, atraindo a atenção de todos os curiosos para conhecer a filha mais velha do burguês. Assim que abriram as portas, o olhar admirado de vossa majestade se fixou na bela jovem que adentrou o lugar a passos sutis e seguros. O brilho de sua pele negra atraiu ainda mais os olhares de alguns nobres solteiros, assim como a delicadeza de seu sorriso que herdara da mãe. Ao se curvar em reverência a vossa majestade, manteve também o olhar abaixado. Mais uma vez a rainha Charlotte se levantou de seu trono e deu poucos passos até ela. Tocando em seu rosto, a fez se levantar.

Um olhar orgulhoso e um sorriso no canto do rosto, foram o suficiente para mostrar o quanto a burguesa havia lhe chamado a atenção. Após receber um leve beijo na testa, reverenciou novamente e se afastou com seu pai, seguindo para onde suas irmãs estavam.

E eis aí meus caros leitores o diamante bruto que eu tanto procurava.

Lady Lewis

Você brilhou radiante em um curto período de tempo como um relâmpago
Você iluminou o mundo por um instante.
- Thunder / EXO


Nomes em português das irmãs Sollary:
Rose: rosa
Daisy: margarida
Lily: lírio
Camellia: camélia
Jasmine: jasmim

III. O baile de lady Danbury

E chegamos ao momento mais aguardado por toda a aristocracia. O baile de abertura da temporada na Casa Danbury. Há quem diga que este evento consegue ser ainda mais desejado, que uma tarde no solário de vossa majestade. Tenho que confessar que nossa rainha Charlotte já teve seus dias de glória ao oferecer grandes bailes para corte. Será que a desfocada esposa do príncipe regente está sendo treinada para quando chegar sua hora? Afinal, ninguém vive para sempre.

Uma noite memorável em que todas as jovens debutantes poderão demonstrar sua beleza e charme. Nobres, inocentes e esperançosas, todas treinadas desde o nascimento para viver este momento. O que me atiça a curiosidade de quais donzelas receberão convites para uma dança, e quem sabe um possível corte no dia seguinte. Então me voltou para as três pedras preciosas que chamou-me atenção na apresentação de vossa majestade. 

Contudo, antes de atentarmos a cada uma delas. Seguimos para os nobres cavalheiros que também compõem nossa história. O primeiro deles é o silencioso duque de Whosis, vossa graça, Tenebrae. Mais sério que o habitual, chegara acompanhado de seu amigo Robert Magnus, o ilustre marquês de Hamilton. Ambos solitários em suas vidas amorosas e atentos às belas donzelas que já integravam o grande salão da Casa Danbury.

— Aqui está o filho do meu melhor amigo. — disse lord Bourbon ao se aproximar dos cavalheiros, se referindo ao marquês, e voltando-se rapidamente para o duque — Vossa graça.
— Lord Bourbon, que surpresa vê-lo aqui. — Robert disfarçou o desconforto pela aproximação do homem — Soube que estava em sua casa de campo na Escócia.

O marquês tentou agir com naturalidade, pois sabia da fatídica situação financeira do homem. Lord Bourbon por sua vez, engoliu seco, ao se lembrar que tal propriedade não lhe pertencia mais, e sim ao marido burguês de sua irmã. A quem devia mais do que os vestidos usados por sua filha.

— Me ausentei rapidamente para buscar minha filha. — lord Bourbon apontou discretamente para , que estava com sua tia do outro lado da sala, conversando com lady Danbury.
— Estou impressionado com a beleza revelada de vossa filha. — comentou o marquês — O que acha Whosis?
— Vossa graça, duque de Whosis. — lord Bourbon se mostrou sem graça por não cumprimentá-lo de início — Perdoe-me por minha indelicadeza, e meus sentimentos por vossa perda.
— Está tudo bem, lord Bourbon. — manteve-se sério no olhar — Se me derem licença cavalheiros, preciso tomar um ar.

Mais do que um ar, nosso duque queria apenas se afastar de todo aquele ambiente que lhe trazia lembranças de sua falecida. Vossa história com lady Margareth era de brilhar os olhos de qualquer pessoa, ambos se conheceram na infância. Cortejaram-se ao construir uma amizade sólida durante longos anos, até que a jovem finalmente chegou à idade do casamento. Este sim fora o relacionamento mais aguardado e desejado por ambas as famílias. Entretanto, o fatal incêndio foi de partir o coração. E agora? Temos um homem frio e solitário que se convenceu em casar-se novamente para apenas obter um herdeiro e levar em diante a linhagem da família.

— Hum… Acho que o jardim já está ocupado. — a voz de príncipe soou próximo ao canteiro de margaridas — Whosis.
— Vossa alteza. — fez uma breve reverência com a face — Não deverias estar a vista dos guardas reais?
— Ah. — se espreguiçou de leve e sorriu de canto — Ando fugindo destes inconvenientes… Não é fácil ser um príncipe!

moveu seu olhar para o rapaz a sua frente. Foram muitas as vezes que abrigara o amigo em seu castelo, para que não fosse castigado por sua mãe. 

— Mas e quanto a vós? — o olhou curioso — Soube que procuras uma nova esposa, aqui no jardim não encontrará nenhuma.
— É apenas o primeiro baile, ainda tenho tempo para encontrar alguma dama que sirva ao propósito. — respondeu ele, voltando o olhar para o horizonte — E vós? Acredito que não seja somente dos guardas que está fugindo.
— Ah não, não mesmo. — riu — Mães… Conseguem ser piores que os guardas, isso eu lhe garanto. Não aguento mais ser parado a cada dois passos por uma mãe que deseja ter sua filha transformada em uma princesa.
— Agradeço vossa majestade por isso. — segurou o riso.

Mas das poucas vezes que se divertia, era graças aos infortúnios de e as loucas histórias de Magnus. 

— Ahh. — bufou de leve — O anúncio da rainha sobre meu casamento nesta temporada tem me deixado com insônia, agora preciso pensar em algum plano para me livrar disso.
— Que tal não se envolver mais com escândalos? — o olhou — Para um príncipe, deverias ser mais prudente com seus atos.
— Vai mesmo me dar sermão? És meu amigo ou meu pai? — lançou lhe um olhar desconfiado.
— Sou vosso amigo, o vi nascer e crescemos juntos, mas quase lançou uma guerra entre reinos por se envolver com uma senhora casada. — o duque o chamou à razão de sua travessura mais perigosa até o momento.
— Vossa majestade tem mais 13 filhos, porque preciso seguir a tradição? — se mostrou frustrado — Às vezes não queria ser um príncipe.
— Tente negociar com vossa majestade, talvez um acordo. — sugeriu .
— E que tipo de acordo poderia ser? — indagou ele, interessado nas palavras do amigo.
— Não me vem à mente, mas vossa alteza é inteligente e sagaz para pensar em algo. — completou , afastando-se dele e seguindo mais adentro do jardim.

ficou pensativo por um tempo, então retornou para o salão. Precisava enfrentar as mães e mostrar aos guardas reais que estava se comportando, como manda o figurino. Bem, meu caros leitores, se nada der certo para a maioria das donzelas nesta temporada, sabemos que pelo menos um casamento há de acontecer. 

— Por favor, , apenas estou a te pedir que sejais menos exigente. — manteve o controle do tom de sua voz, irritada por vosso irmão rejeitar o quinto nobre que se aproxima dela — Assim não somente vós, como também eu ficarei solteira nesta temporada.
— Não estou sendo exigente , só me preocupo com vosso futuro. — a olhou com zelo — És minha irmã preciosa e quero que faças o melhor dos casamentos.
— Estou impressionada em como se parece com Anthony. — comentou lady Violet — Confesso, que és mais responsável que ele, quando Daphne fez sua apresentação, mas em termos de exigência, está no mesmo nível.

Mesmo com todos os olhares para nossa preciosa Bridgerton. A mesma continuara parada ao lado de vosso irmão desde que chegara ao baile. Frustrante para ela e um alívio para ele. No entanto, toda a resistência por parte dele, só aumentava ainda mais o interesse dos cavalheiros presentes.

— Estive com Anthony há alguns dias e conversamos bastante sobre os nobres que provavelmente estariam aqui. — compartilhou com elas o motivo de sua resistência a permitir a aproximação dos cavalheiros.
— Não acredito. — lady Violet sussurrou desacreditada por estar vivendo a mesma cena com seus sobrinhos.
— Preciso me refrescar um pouco, poderia pegar limonada para mim? — pediu dando um sorriso suave e forçado.
— Claro irmã, me espere aqui. — assentiu ele, se afastando.
— Vou fingir que não estou te vendo se afastar de mim, e irei conversar com lady Danbury. — disse lady Violet, dando um sorriso encorajador à sobrinha.
— Agradeço pela ajuda, minha tia. — se afastou dela, mais do que depressa e se misturou entre os nobres do lugar.

A jovem estava realmente sentindo-se sufocada por vosso irmão. E precisava por si mesma, fazer uma pesquisa de campo. sonhava em casar-se por amor, ou algo próximo a isso, assim como seus pais e tios. E mesmo que achasse improvável uma pessoa se apaixonar verdadeiramente por outra em apenas uma estação, ela tinha em seu coração a certeza de encontrar o amor naquele lugar. 

O que de fato, poderia acontecer.

se afastou mais do que necessário. O que a levou acidentalmente esbarrar em vossa graça, o duque de Whosis.

— Perdoe-me, vossa graça. — disse ela, ao senti-lo ampará-la com o mão direita.
— Está tudo bem. — disse ele, dando um passo para se afastar dela — A senhorita se machucou? 
— Não, eu estou bem. — levantou seu olhar para ele — Agradeço a preocupação, vossa graça.

Dentro de seu coração, ansiava sentir algo. Porém, nem mesmo uma simples brisa passou por seu corpo. Das poucas histórias que vossa mãe contara sobre a primeira vez que viu o vosso pai, sempre fantasiava o momento, mostrando que a primeira troca de olhares de um casal, era a chave para os sentimentos dos mesmos. sabia quem era o homem à sua frente, e não se imaginava casando com alguém, apenas para lhe dar filhos. Talvez, seja exatamente por isso que não sentira a mágica que tanto esperava.

— Whosis, estava à vossa procura. — o marquês se aproximou deles, movendo seu olhar para ela — Senhorita Bridgerton.
— Lord Magnus. — fez uma breve reverência e se afastou deles.
— Meu amigo, estar a se inclinar para a Bridgerton? Seguirá os passos do vosso primo Hastings? — brincou Robert rindo baixo — Tens meu apoio, viu como ela se apresentou diante da rainha.
— Não, não a estava cortejando. — voltou seu olhar em direção aos casais que dançavam no centro do salão.
— Tem certeza… Impecável foi a palavras que vossa majestade utilizou. — enfatizou Magnus — E estou a me impressionar com sua beleza visto de perto.
— Não será ela. — garantiu .
— E está considerando alguma? — retrucou Robert, rindo baixo — Meu amigo, não podes continuar mantendo vosso luto e mentindo para si mesmo que fará um novo casamento.
— Fique tranquilo, me casarei nesta temporada. — manteve o olhar fixo em algum lugar que lhe mantinha longe das memórias de vossa falecida.

Magnus suspirou fraco. Ele sabia que vossa graça ainda não havia deixado o luto. Entretanto, a vida continuava e como um bom amigo, Robert tinha a incumbência de encorajá-lo a seguir em frente. Mas será que um novo amor consegue se sobrepor ao forte amor do passado? Estou começando a considerar em dar minhas condolências à triste dama que for desposada por vossa graça.

— Não vai acreditar… Mas tenho por mim que lord Bourbon quer me empurrar vossa filha. — comentou o marquês — Devo admitir que este ano ela está realmente mudada, a própria rainha enfatizou isso, mas não quero me associar a uma família em decadência.
— Está a procura de uma esposa por seu dote? — perguntou , intrigado com as palavras do amigo.
— Não que minha família esteja com problemas, mas ter um sogro com dívidas não é uma sábia decisão. — explicou Magnus, dando uma risada rápida — Mas, agora olhando para o senhor Sollary, estou curioso para saber quem será o felizardo a se casar com vossa filha, além de bela, temos um dote de 200 mil libras.

Sendo por amor ou apenas por interesses financeiros e sociais, sabemos que o segredo para se obter um bom casamento é saber escolher. A quem diga que se casar com um amigo é a chave para um relacionamento de paz e prosperidade. Outros, consideram o ditado que diz que os opostos se atraem. Contudo, meus caros leitores, sabemos que o coração é um campo minado, afinal nem sempre a primeira impressão é a que vale. 

E talvez o amor possa ser encontrado da forma mais desastrosa possível. 

Ainda relutante em deixar a irmã só, caminhou pelo grande salão até ser parado por lady Featherington, acompanhada de sua afilhada Freya Wintehall.

— Lord Bridgerton. — disse lady Featherington, com um sorriso no rosto — Que prazer vossa presença aqui. Deixe-me apresentar minha afilhada, Freya Wintehall, seu pai é um militar sir Wintehall, deve conhecer.
— Boa noite milady, boa noite senhorita. — se esforçou para ser educado e cordial.

Mas no fundo só desejava ser resgatado dali. Ter que fingir dar atenção a senhora a sua frente e a jovem que mais parecia estar com medo de tudo e de todos, o deixava em agonia. E fora longos minutos até que lady Featherington encontrou no marquês Magnus, uma oportunidade melhor para apresentar sua afilhada. Um alívio para lord Bridgerton que não sabia mais o que pensar sobre as inúmeras qualidades falsas que a lady inventara para deixar a jovem mais atraente. Finalmente, ele se aproximou da mesa de bebidas, não percebendo que alguém estava ali também.

— Porque essas temporadas me deixam tão irritado. — sussurrou para si, enquanto pegava o copo de cristal com limonada para a irmã.
— Disse algo? — uma voz feminina soou bem próximo.

Assim que se virou para responder quem quer que fosse. Um desequilíbrio de sua parte com sua mão trombando no braço da jovem, derrubando em vosso vestido o líquido do copo.

— Perdoe-me, senhorita. — disse ele, ainda surpreso com o que causara.
— Está tudo bem. — a voz dela permaneceu suave e baixa.
— Aqui, pegue, por favor. — esticou seu lenço para que ela se secasse.
— Agradeço, senhor. — a jovem pegou o lenço e tentou secar parte do vestido que estava molhada.
— Oh céus, o que houve aqui? — se aproximou deles, olhando o vestido da jovem — Irmão, presumo que minha limonada esteja… Senhorita, desejas ajuda.
— Temo que este vestido não veja mais nenhuma festa. — brincou a jovem, rindo do ocorrido.

se pegou intrigado pela reação da moça, e admirado com o sorriso que ela dera. A mesma que permanecera o tempo todo com a face abaixada, levantou o olhar até ele, que finalmente pode ver seu rosto.

— Me lembro do vosso rosto, senhorita Sollary, não é? — perguntou , vasculhando em seus pensamentos o rosto de todas as jovens que viu na apresentação da rainha.
— Sim, Sollary. — afirmou a jovem burguesa, mantendo o olhar em .
querida, está tudo bem? — o senhor Sollary se aproximou deles, voltando o olhar para o vestido molhado da filha — Oh, céus, o que houve aqui.
— Apenas um acidente papai, nada mais do que isso. — respondeu — Podemos ir para casa?
— Claro, minha querida. — o senhor Sollary olhou de forma séria e intimidadora, para — Lord Bridgerton, com sua licença.
— À vontade e mais uma vez, perdoe-me pelo infortúnio causado, senhorita Sollary. — se sentiu estranho pela forma em que o senhor Sollary o olhou.
— Sem problemas. — fez uma breve reverência juntamente com o senhor Sollary.

Assim que pai e filha se afastaram. Seu olhar voltou-se para sua irmã, que mantinha um sorriso escondido no canto do rosto.

— Por que me olhas assim irmã? — perguntou .
— Porque estou por demasiado ansiosa pelo dia de amanhã. — respondeu ela.

não estava assim por si mesmo. Ela estava ansiosa por seu irmão. Após anos vendo seu irmão rejeitar fortes candidatas e nunca esboçar nenhuma reação diante de alguma dama. Dentro de sua mente fértil e observadora, havia reparado na forma em que reagiu ao sorriso de . Juntando isso à uma pequena ajuda de sua parte, sabia que poderia causar distrações a ele, para que enfim pudesse escolher seu futuro marido em paz.

--

Longe dali e se escondendo do próprio pai, Bourbon apenas almejava encontrar um lugar silencioso para finalmente respirar com tranquilidade. Sentindo um peso em suas costas e vendo vosso pai a oferecer como um objeto para os nobres de vosso círculo de amizades. A jovem apenas ambicionava não mais desonrar vosso pai por não estar casada. Mas também desejava ser feliz em seu futuro, tendo um bom marido.

— Finalmente silêncio. — sussurrou ela, ao adentrar a grande biblioteca da casa.

Ela deu alguns passos até o vitral da janela, e respirou fundo. Seu coração pesado pelas circunstâncias da vida, lhe deixara triste de tempos em tempos. Algo que era escondido apenas por seu sorriso meigo e gentil. Adentrando mais o lugar, deslizou seus dedos pelos livros de uma estante, até que ouvi barulhos vindos da porta. O medo de ser pega invadindo cômodos da casa da anfitriã, a fez se esconder. Porém, do ângulo em que estava, seus olhos conseguiram com clareza e perfeição avistar os pecadores que profanavam a biblioteca de lady Danbury.

Poderiam dizer: Inacreditável. Claro, se um dos envolvidos em questão, não fosse o príncipe em pessoa. Mas o nosso libertino favorito, estava aquecendo ainda mais sua noite no corpo de uma criada desconhecida. Me perguntou como ele havia escapado mais uma vez dos olhares dos guardas reais. Mais ainda, dos olhares da nossa querida anfitriã. fechou os olhos e se encolheu ainda mais, pedindo aos céus para que as contravenções alheias não lhe manchassem a reputação.

Alguns passos foram ouvidos do corredor, e de imediato se afastou da criada. Eles esperavam alguns instantes então ela saiu primeiro. Antes que vossa alteza pudesse se retirar, adentrou o lugar com seu olhar sério e repreensivo ao amigo.

— Não me olhe assim Whosis, é mais forte do que eu. — levantou as mãos em rendição.
— Saiba que a moça possui honra, tanto quanto as nobres do salão, deverias ser mais respeitoso. — manteve o tom sério.
— Eu sou meu amigo, desta vez, juro que estava me comportando muito bem em meu canto. — retrucou — Deverias ser mais flexível e menos enfadonho, podes ser cinco anos mais velho do que eu, mais não precisa ser assim. 
— Assim como?
— Sem graça. — respondeu ele — Está decidido, vou te levar para se divertir amanhã.
— Considerando a vossa forma de diversão, temo pela minha integridade agora. — foi sério em suas palavras, porém arrancou risadas do príncipe.
— Estou apenas lhe convocando para assistir a uma luta. — ajeitou as vestes em seu corpo — Nos vemos amanhã.

Assim que se retirou da biblioteca. permaneceu por mais alguns minutos com suas memórias do primeiro baile da lady Danbury que participou após seu casamento. Riu de leve, ao lembrar-se da anfitriã perguntando sobre os herdeiros do casal. Em meio a vossa nostalgia pessoal, sua atenção fora despertada por um barulho vindo dos fundos. Se movendo silenciosamente na direção, paralisou-se ao se deparar com caída ao chão. A pobre senhorita, tentando erguer o corpo, acabara tropeçando e caindo por definitivo.

— A senhorita está bem? — se moveu para ajudá-la a se levantar, porém parou no caminho — Permita-me ajudá-la.
— Sim, vossa graça. — assentiu ela, com o olhar assustado e temeroso.

a amparou com cuidado, ajudando-a a se erguer.

— Está machucada? — perguntou ele, novamente, ao ver gotículas de sangue no chão.
— Acho que, minha perna… — olhou para baixo, vendo uma mancha de sangue em vosso vestido.
— Permita-me examinar? — perguntou ele, novamente.

Ela assentiu com a face. Assim, se abaixou e elevou um pouco as camadas de seu vestido. Um rasgo havia sido causado em sua perna, o que explicava o sangue. 

— Devemos retratar ao vosso pai. — disse o duque preocupando-se com a moça.
— Vossa graça, por favor, não diga nada ao meu pai, eu lhe imploro. — ela o olhou ainda mais temerosa — Se ele souber que estive aqui e sozinha, estarei perdida.

Sempre há um momento na vida em que nos deparamos com as escolhas a serem feitas. Há quem diga que somos livres para fazermos nossas escolhas, entretanto, somos também prisioneiros de suas consequências. já havia lido em meu jornal sobre a lastimável situação de lord Bourbon. Mais ainda, vossa graça também sabia sobre as duas temporadas de fracasso na vida da doce

Agora cabia a ele fazer sua escolha: o que é o certo a ser feito, ou o que é o necessário a se fazer.

E quanto a vós, estimados leitores, já se encontraram nesta mesma situação?

Eu confesso que estou curiosa para saber o que acontecerá a seguir.

 

Lady Lewis

Em meio a uma tempestade posso tropeçar,
Nessa luta precária para o amor, mesmo com medo devemos acabar com a tempestade,
Temos que começar de novo,
Você não está sozinha, e nem eu solitário novamente,
Eu tenho você.
- Destiny (Korean ver.) / Super Junior


IV. Entre planos e acordos

No amor e na guerra tudo é válido...

Esta é uma frase de efeito que ouvi recentemente. Contudo, será que as mesmas estratégias de batalha valem para a conquista de um casamento perfeito? Sabemos que a melhor defesa é o ataque, e no que depender das mães vorazes em ter um príncipe como genro; o que vossa alteza mais terá são opções para escolher.

E caros leitores, o baile da casa Danbury tem acontecido muitos encontros e desencontros que me rendem mais do que apenas relatos. E nossa noite ainda não terminou, pois na biblioteca duas pessoas ainda viviam uma incógnita em suas vidas. Vossa graça, o duque de Whosis se mantinha com o olhar preocupado para a perna ensanguentada de , que se mantinha com o olhar abaixado e o coração acelerado.

— Não posso deixá-la assim senhorita, devemos cuidar desse ferimento. — retirou um lenço de seu bolso e amarrou na perna da moça, na altura do ferimento.

Em um piscar de olhos a porta se abriu, causando-lhes um frio na barriga. O rosto de lady Danbury se revelou a eles, com um olhar curioso e espantado. deu um pulo, erguendo seu corpo. continuou sentada ao chão, sentindo sua perna latejar em dores, por dentro o pavor em ser exposta pelo acidente lhe consumia por inteiro.

— Lady Danbury, devo explicar-lhe a situação. — iniciou vossa graça mantendo a firmeza.
— Não me deves explicação vossa graça, conheço-o muito bem desde que veio ao mundo e sei o quão honrado és, e considerando o estado da senhorita Sollary, vejo que um acidente ocorreu em minha biblioteca. — lady Danbury manteve a serenidade no rosto, com um sorriso de canto intrigante, voltando o olhar para a perna da garota — Eu aconselho a vossa graça se retirar e esquecer o ocorrido, deixei que sua anfitriã se responsabilize a partir de agora. 
— Lady Danbury?! — o olhar dele ficou confuso.
— Devo pedir novamente?! — ela deixou o olhar mais sério para ele.

Assim, sem relutar, assentiu e se retirou do recinto.

— Lady Danbury… — a voz de falhou um pouco.
— Não precisa se explicar minha querida, fatalidades acontecem e não é a primeira jovem que encontro em uma situação comprometedora. — ela deu alguns passos se aproximando — Mas como conheço muito bem vossa graça, sei que não devo me preocupar com o ocorrido.
— Agradeço senhora. — abaixou o olhar mais uma vez.
— Fique onde está, chamarei uma criada para lhe ajudar e pedirei ao dr. Green que lhe examine.

Sim, lady Danbury. Não deves se preocupar com o ocorrido, sabemos que vossa graça é um gentleman, comparado ao príncipe libertino que quase profanou o solo de sua biblioteca. Assim, nossa anfitriã chamou uma das criadas para amparar a jovem Sollary e levá-la à um dos quartos de hóspedes. Em instantes o doutor adentrou o ambiente acompanhado de lord Bourbon, com o olhar surpreso pelo estado da filha.

— Lady Danbury, meus sinceros agradecimentos pelo socorro prestado a minha filha e as mais desculpas pelo transtorno causado. — lord Bourbon manteve-se próximo a anfitriã.
— Não se preocupe lord Bourbon, acidentes acontecem e o que importa é não se feriu gravemente e está bem agora, os deixarei à vontade, ainda tenho um baile acontecendo em minha casa. — a astuta lady se afastou dele, mantendo-se apoiada em sua bengala e se retirou do quarto.

Ao finalizar o curativo na perna da jovem, o doutor lhe receitou um frasco para suas dores latentes. Com a retirada do homem, lord Bourbon se aproximou de vossa filha e sentou na beirada da cama. O olhar preocupado deu olhar para a ternura e compreensão, dentro de si, o aflito pai sabia que a vossa adorável filha sentia-se pressionada a não desapontá-lo novamente.

— Minha querida, estavas a esconder-se novamente? — perguntou ele, ao segurar a mão da filha.
— Senti-me um tanto quanto envergonhada dos olhares de todos para mim, sei dos comentários sobre nossa situação e que nenhum nobre irá se interessar por mim levanto em consideração meu dote. — ela deixou sua voz mais baixa e suave, tinha traços de frustração.
— Não se sinta assim minha querida, a culpa é toda minha, contudo não deixarei que carregue este fardo, lhe farei o melhor dos casamentos nem que isso me custe a vida, terá um bom marido. — jurou ele, com um tom emocionado, segurando seus sentimentos de culpa.
— Obrigada meu pai. — sorriu de leve para ele.

Logo, seu olhar se voltou discretamente para a porta, que estava entreaberta. Foi por alguns segundos, mas a jovem Sollary conseguiu ver nitidamente o rosto de Tenebrae a lhe observar em silêncio do lado de fora do quarto. Será que vossa graça estava mesmo preocupado com a doce donzela? Ou haveria outro interesse em questão? Enfim, logo saberemos, pois nada fica em oculto de Lady Lewis.

Ainda no salão, na companhia de vossa tia, sugeriu partirem para casa. Confesso que me surpreendeu o vosso olhar constante na senhorita , quando vosso pai se aproximou de lady Danbury para agradecer o convite e se retirar do baile. Mais ainda nossa preciosa que em sua mente, seus planos de conquista e casamento para o irmão lhe fervia a criatividade. Ela não se importava em ter na família uma donzela sem títulos, apenas desejava dar uma força ao destino que resolveu apresentar alguém que despertou um olhar mais profundo no conde de Whatnot.

— Devemos ir então. — disse , num tom impaciente — Já que a única coisa que pude fazer neste baile, foi beber uma limonada, ou melhor, nem isso, já que meu irmão a derramou no vestido de alguém.
— Não foi algo proposital, irmã, e saber disso. — ele bufou de leve e a olhou — Vamos, o fato de não ter dançado com ninguém só aumentará o desejo dos nobres em conhecê-la melhor.
— Vossa alteza, não o havia visto aqui. — comentou lady Violet intrigada pela presença do príncipe.
— Este é um que pretendo manter bem distante de vós, . — comentou , ao sentir sua irmã apoiar a mão direita em seu braço.
— Não precisas se preocupar irmão, se há uma coisa da qual não ambiciono, é casar-me com um libertino. — assegurou ela, com firmeza — Seu que há casos de recuperação em nossa família, mas considerando os casos da realeza, não acho que vossa alteza tenha salvação, então…
— Sinto-me aliviado por vossas palavras, irmã. — abriu um sorriso singelo de satisfação.

Estava mais do que surpreso pelas palavras da irmã. E não somente ele, como eu também. Nossa impecável desejava sim fazer um bom casamento como vossa prima Daphne, e já se dava por satisfeita em casa-se com um duque também, ou talvez um marquês. Para vosso irmão, era um alívio saber que a Bridgerton caçula não se deixara levar pela ambição de ser uma princesa.

Se a noite havia terminado para a família Bridgerton, para nosso libertino príncipe só estava começando. Após se perder dos olhares da guarda real, seguiu clandestinamente para uma modesta casa na rua mais quente e pecaminosa da cidade. Sua sede por uma noite de diversão e prazer o levou para ao Madame Gastine, o mais luxuoso cabaré parisiense que temos em um meio londrino. E vossa alteza tinha sua própria entrava privativa que o levava ao quarto de Genevieve LéChant, o affaire oculto de .

— Vossa alteza demorou, achei que não viria mais. — comentou ela, ao se afastar da janela e se aproximar dele de forma sinuosa.
— Jamais a deixaria me esperar. — sorriu de canto com um olhar desejoso.

Sabemos que a noite de nosso príncipe seria em claro e cheia de malícias. Ainda me perguntou como consegui descobrir seus segredos antes de vossa majestade e como ele consegue os esconder da realeza. 

--

Já na casa de Sollary, adentrava o vosso quarto sendo seguida pelas curiosas gêmeas que não se cansavam de fazer lhe perguntas. A primogênita entendia bem suas irmãs, por ser uma novidade em vossas vidas, porém seu cansaço mental a consumia por dentro e

— Lily, Camellia, eu prometo que amanhã pela manhã lhes contarei tudo, mas agora só desejo repousar-me. — seu olhar compreensivo se voltou para elas, que fizeram uma cara de abandono — Por favor, estou com dores de cabeça pela noite turbulenta que tive.
— Prometes que vai mesmo nos contar tudo? — reformou Lily, deixou o olhar brilhoso aparente.
— Prometo. — assentiu ela, com um sorriso singelo.

As gêmeas assentiram eufóricas, começando a fazer suposições sobre a noite da irmã pelos corredores do segundo andar. Logo após a criada ajudar-lhe a se trocar e se retirar, o senhor Sollary deu dois toques na porta da filha, pedindo permissão para entrar. permitiu a vossa entrada e ficou a observar as expressões preocupadas de seu pai.

— Desejas algo papai? — perguntou ela, intrigada.
— Esta noite representa uma mudança em nossa vida minha querida, certamente seremos convidados a mais bailes e recepções, isso me preocupa não só por vossas irmãs como também por vós. — ele deu um passo adentrando o quarto e deixou a porta entreaberta — O que achou desta noite?
— É tudo muito novo para todos nós papai, a fortuna, minha apresentação, a ideia de uma corte e um casamento com nobres. — ela tentou ponderar em sua opinião, mas por dentro sentia medo do que poderia acontecer no dia seguinte.

Por mais que vosso dote fosse tão chamativo quanto a vossa beleza, Sollary ainda era uma senhorita simples e sem títulos de nobreza. Da classe burguesa e com culturas familiares bem diferentes da nobreza e suas rígidas formalidades.

— Não entendo o motivo de não poder casar-me com alguém de nosso nível. — indagou ela.

A filha dedicada também possuía sonhos e nos mais profundos dele, existia um amigo de infância chamado Sir Nikolai Graham. O jovem rapaz, para conquistar o direito de desposar a moça, assentiu a continuar o legado do pai no meio militar, se tornando um cavaleiro de sua majestade. Mas claro que o senhor Sollary desejava algo mais seguro para sua filha que uni-la a um homem com chances de morrer em batalha.

— Sabes o que penso sobre sir Nikolai, não a deixarei se casar com um militar. — repetiu ele num tom mais firme — Acredito minha querida que se apaixonará por seu futuro marido, há muitos nobres interessados e vós, estou certo que um deles despertará vosso interesse.
— Metade deles está interessado em meu dote. — corrigiu ela, sendo realista.
— Por isso serei ainda mais criterioso. — alegou o pai, confiante em seu instinto de julgar as pessoas.
— Confio no senhor, meu pai, só não acho que estou preparada para entrar neste mundo da aristocracia. — confessou ela.
— Eu prometo minha querida, que farei a melhor escolha para vós. — seu pai sorriu com carinho — Não a entregarei para qualquer um, será para o homem que conquistar vosso coração.

já havia se convencido que um romance entre ela e Nikolai jamais aconteceria. Mas relutava na ideia de se casar com um lord. Ser desposada por um nobre lhe causava arrepios negativos e inseguranças das quais não desejava sentir. Temia pela infelicidade.

Nada como uma manhã de primavera com as flores perfumando a casa para sentir que a sorte está do vosso lado. É o que o senhor Sollary sentiu ao receber a visita de vários nobres em sua casa, com presentes significativos para a primogênita. Até mesmo vossas irmãs se surpreenderam com tamanho interesse em nosso diamante bruto. 

O olhar surpreso de para o marquês de Hamilton diante dela com uma singela caixinha de joias de presente, foi o ápice da manhã na casa dos Sollary. E quem diria que um dote de 200 mil libras compraria o mais crítico dos nobres de Londres. Estou ainda mais curiosa pelo desenrolar dessa história. E vós, caros leitores? O que acham disso?

— Senhorita Sollary. — o marquês fez uma breve reverência, assim que os outros foram conduzidos até a porta pelo mordomo Park — Senhor Sollary, é uma honra ser recebido em vossa casa.
— Agradeço a visita e pelo presente. — assim que o senhor Sollary assentiu com o olhar, Moore pegou a caixinha das mãos do homem e a entregou para a primogênita.

sorriu para a mulher e pegou a caixinha, abrindo-a em seguida. Dentro continha um par de brincos de diamantes, o que impressionou a todos na sala de visitas da casa. 

— Agradeço lord Magnus, é muito bonito. — disse ela um pouco vergonhosa pelo presente.
— Confesso que estou curioso para conhecê-la senhorita, o vosso olhar é encantador. — disse ele, mantendo um tom suave e espontâneo na voz.

As irmãs de entraram em cochichos pela cena diante delas, empolgando-se pela irmã ter atraído um marquês sem o menor esforço. 

— Devemos oferecer-lhe chá com biscoitos?! — disse Rose, tentando não se mostrar afoita pela ocasião.
— Rose?! — em um sussurro repreendendo-a, o olhar de voltou-se para a irmã.
— Vossa irmã nos deu uma boa ideia. — o senhor Sollary voltou o olhar para o homem à sua frente — Aceitas biscoitos lord Magnus?
— Não desejo incomodar lhes, mas se isso significa mais tempo a presença de vossa filha, aceito o convite.

Intrigante. 

É a única palavra que me vem à mente.

Seguindo para outro lugar, após rejeitar a praticamente todos os nobres que visitaram a irmã, se trancou no escritório da casa dos Bridgertons. Boatos de constantes visitas à casa dos Sollary logo pela manhã, havia lhe deixado irritado de uma forma inexplicável. E com isso, um gatilho para colocar em prática seu plano de manter o irmão distraído. Com um pedido desesperado para a tia, seguiu na companhia de sua criada pessoal Judith em direção a loja da modista. 

— Senhorita Bridgerton, que surpresa em vê-la aqui, acabo de lhe fazer dois vestidos. — comentou a mademoiselle Tatou, com o olhar curioso.
— Desta vez mademoiselle, a encomenda não é para mim. — disse a jovem determinada — Sei que possui as medidas de todas as donzelas da cidade e principalmente da casa Sollary.
— Sim, e qual o propósito de vossas palavras? — perguntou a modista interessada na história.
— Bem, meu irmão é um tanto tímido e não saberia lidar com tal situação, então estou aqui para encomendar um vestido em seu nome para a senhorita . — explicou , com clareza.
— Hum… Entendo, e há uma urgência neste pedido? — indagou ela.
— Sim, gostaria que fosse o mais rápido possível e seu melhor modelo, e que junto, entregue esta carta, por favor. — respondeu , esticando a mão que segurava a carta — É de suma importância que ela saiba que é um presente de lord Bridgerton.

Mademoiselle Tatou assentiu mantendo a discrição. O primeiro passo havia sido dado. E nossa pérola não deixaria a oportunidade passar.

--

Alguns dias passaram, com mais e mais nobres a visitar a casa dos Sollary. 

O que me recheava de boatos para saborear. O frescor do final de uma tarde calorosa era tudo que nossa sociedade londrina desejava. Em sua carruagem a família Bridgerton seguia para um jantar na casa do marquês, lord Brook, em comemoração ao vosso aniversário.

— Ainda não entendo o motivo de aceitarmos tal convite, não somos da família e o acho um homem asqueroso. — fez uma careta.
— Querida, ele em pessoa convidou o vosso irmão e terão outros nobres nesta recepção. — explicou lady Violet — Então, mantenha um sorriso no rosto, precisas continuar encantadora.
— Infelizmente com todas as rejeições de meu irmão, até mesmo Lady Lewis tem colocado em dúvida as palavras de vossa majestade sobre mim, a culpa é toda vossa, . — suas palavras transbordavam irritação.
— Apenas estou a proteger-te de um futuro descontente. — assegurou ele.

bufou de leve e voltou o olhar para a janela. Ao chegarem ao palacete de lord Brook, foram recebidos por vosso anfitrião que mostrou-se animado pela presença de . Ela por sua vez não esboçou reação nenhuma, apenas manteve o olhar desinteressado em seus elogios.

Confesso que recepções assim são minhas favoritas, principalmente quando todas as pessoas interessantes estão presentes. Uma dela é nosso príncipe libertino com seus guardas reais, que sempre o perdia de vista. E fora numa dessas escapadas que avistou uma bela paisagem a observar as estrelas no jardim lateral do lugar. Nada mais, nada menos que Bridgerton, após conseguir fugir dos assuntos entediantes do vosso anfitrião.

— Sozinha em um jardim não é uma boa referência a uma donzela. — comentou ao se aproximar dela.
— Invadir a privacidade alheia também não é uma boa referência a um príncipe. — ela voltou o olhar para ele — Vossa alteza não deverias estar sob o olhar dos guardas reais? 

Ele sorriu de canto, totalmente surpreso pelas palavras da garota.

— Todos precisam de um pouco de ar, quando se sentem sufocados. — argumentou ele.
— Infelizmente, devo concordar com vossa alteza. — ela bufou de leve e voltou a olhar o horizonte.
— Estou curioso para saber o que a sufocou esta noite. — comentou ele, mantendo uma distância significativa — No baile de lady Danbury estava mais radiante e determinada a ser vista por todos.
— Vossa alteza estava a me vigiar? — ela o olhou intrigada.
— Após ser apresentado a quase todas as senhoritas do baile, não pude deixar de me intrigar por não tê-la se apresentado a mim. — respondeu ele.
— E achas que tenho ambições em casar-me com um príncipe? — ela cruzou os braços, admirada por aquilo.
— Sempre achei que fosse o sonho de qualquer donzela. — explicou ele.
— Pois saiba vossa alteza, me meus planos para o futuro passam bem distantes de um casamento com um príncipe de tal fama. — disse ela, segura de suas palavras.
— E no entanto, nem mesmo um vislumbre de casamento tens, a não ser que o pretendente seja lord Brook. — supôs ele, rindo baixo — Estarias inclinada a casar-se com um marquês como ele?
— O que vossa alteza tens de interesse nisso? — contra perguntou ela, se irritando.
— Nada, apenas curioso, já que correm boatos que vosso irmão tem rejeitado todas as propostas de casamento que recebeu. — o príncipe manteve um sorriso de deboche escondido no canto do rosto.
— Meu irmão apenas considera o que é melhor para mim, afinal após as palavras de vossa majestade, a própria Lady Lewis concordou ao me colocar como uma pérola rara que nenhum homem jamais sequer imaginou tocar. — retrucou ela.

As palavras de bateram forte no orgulho do homem à sua frente. Despertando-se ainda mais interesse. Quem seria tal senhorita a sua frente, que não se deixa seduzir por sua coroa de príncipe? 

sentiu o coração pulsar mais forte.

— Suas palavras me impressionam, mas o fato é que todos têm desistido de obter a chance de tocá-la graças ao vosso irmão. — contra argumento ele — E sejamos honestos, quem desejaria possuir uma pérola quando se pode ter um diamante bruto?

tocou no ponto exato. Era uma realidade que mantinha subjetivamente dividindo todos os olhares com . E isso a fazia temer por seu plano, pois o presente do vosso irmão ainda não lhe fora entregue, entretanto a esperança continuava e a Bridgerton não se deixaria abater pelas palavras dele.

— O que desejas vossa alteza?! — perguntou ela.
— Vós! — disse ele, num tom mais baixo.
— O que?! — ela se assustou com tal resposta.
— Desejo que me ajude. — explicou ele, melhor — Há alguns dias venho pensando sobre isso, és a única que não me olhas com ambição e já deixaste bem claro vossa posição…
— E o que isso tem a ver com o fato que querer minha ajuda? — perguntou ela.
— Precisas voltar a ser o centro das atenções e desejada por todos os nobres, e eu preciso me livrar das mães que me oferecem vossas filhas como um objeto de arte, além de mostrar a vossa majestade que estou levando a sério a ideia de um casamento. — ele continuou com sua linha de raciocínio — Podemos fingir que estou a cortejar-te, assim voltas a ser a pérola desejada, neste tempo eu terei algum momentos de paz e posso lhe ajudar a encontrar o melhor marido que podes ter. O que acha?
— E quando eu encontrar o tal pretendente, o que fará? — perguntou ela, curiosa pela sua habilidade em planejar tal situação.
— Direi a vossa majestade que estou sofrendo e que o amor não é para mim, então posso me recolher longe de Londres para curar meu coração e ganhar mais tempo. — suas palavras faziam parecer fácil seu plano — Então, temos um acordo?

Ele esticou a mão para que ela apertasse.

O olhar de tinha uma ponta incomum de intensidade, que causava estranheza interna em . Ela estava temerosa que tal acordo pudesse prejudicá-la ao invés de ajudar. Entretanto, pensando bem, ter um príncipe interessado em sua pessoa, poderia elevar ainda mais seu nível de exigência para um bom marido.

Sim ou não, qual será a vossa resposta?

Lady Lewis

"Someone call the doctor." 
- Overdose / EXO




Continua...



Nota da autora:
E lá vou eu com mais uma fic de época porque não resisti e surtei com a série Bridgerton na Netflix. Comecei uma nova maratona para voltar a empolgação inicial, em breve mais capítulos.
Bjinhos...
By: Pâms!!!!
Jesus bless you!!!




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