Capítulo Único
respirou fundo enquanto olhava pela janela do táxi, observando as ruas movimentadas de Seul, com suas luzes neon, lojas brilhantes e os sons da cidade que pareciam ser de outro mundo. Ela nunca imaginou que estaria aqui um dia. A cada esquina, algo novo. A cada rosto, uma expressão desconhecida. Ela sentia como se estivesse em uma novela que não era sua, mas ao mesmo tempo, um tipo de ansiedade agradável tomava conta de seu peito.
Ela tinha deixado o Brasil atrás de si, em busca de um sonho. O design de moda sempre foi sua paixão, e estudar em Seul parecia ser a melhor oportunidade. Mas, ao contrário do que ela imaginava, não era tão fácil quanto pensava. A língua, os costumes, até a comida… tudo parecia pedir um tempo para ser entendido e aceito. As ruas lotadas e a velocidade da cidade faziam ela se sentir pequena, distante, como se estivesse perdida em um mar de rostos desconhecidos.
"Você vai adorar Seul, . Vai ser uma experiência única!", disse sua amiga de faculdade, antes dela partir. Mas ninguém mencionou como seria difícil se encaixar em uma cultura tão diferente, onde as palavras soavam como um enigma e a rotina frenética parecia nunca dar uma pausa.
Ela pegou sua mochila e desceu do táxi na frente de seu novo apartamento, um prédio moderno e elegante, mas com uma aparência fria, distante. Ao entrar, sentiu a diferença de temperatura – o clima era mais ameno que o calor que deixara no Brasil, mas de uma maneira que não conseguia entender. Era como se tudo aqui fosse feito de uma forma diferente, como uma realidade paralela onde ela ainda não se encaixava completamente.
Dentro do apartamento, as primeiras semanas foram um turbilhão de emoções. Ela passava os dias tentando se acostumar com os horários de aula, com a comida (que nunca parecia tão boa quanto as fotos no menu) e com a solidão silenciosa que acompanhava o ambiente novo. À noite, se perguntava se fizera a escolha certa, se realmente conseguiria se ajustar àquela vida.
Mas havia algo que a mantinha lá. Algo sobre Seul, algo na cidade, que a chamava. Ela sabia que ainda estava no começo e, talvez, a sensação de estranhamento fosse parte disso. Era só questão de tempo até que as coisas começassem a fazer sentido. E talvez, quem sabe, esse lugar onde se sentia tão pequena pudesse se tornar algo mais familiar.
A rotina começou a se ajustar com o tempo. As manhãs já não pareciam tão confusas, e o metrô, que antes parecia um labirinto assustador, agora era quase automático. já tinha até um lugar favorito na cafeteria da esquina do campus — um cantinho perto da janela, onde podia observar o movimento das pessoas enquanto tomava seu latte (que ela ainda achava meio aguado, mas já era um progresso).
Naquela semana, uma nova fase começou: as aulas presenciais. Diferente do que imaginava, a turma era mais acolhedora do que esperava, cheia de estudantes coreanos e estrangeiros, todos com sotaques diferentes e sonhos parecidos. O tecido escorregava entre os dedos de enquanto ela tentava, pela terceira vez, entender as instruções da professora. Era uma tarefa simples: criar um molde básico para uma saia, mas o vocabulário técnico em coreano ainda a deixava perdida.
— Você tá fazendo do lado errado — disse uma voz divertida ao lado dela, num tom tão casual que pareceu até familiar.
olhou para o lado e viu uma garota com o cabelo pintado de lavanda e grampos em forma de estrelas, observando sua modelagem com os braços cruzados.
— Como assim? — perguntou , tentando não parecer desesperada.
— A linha do molde tá invertida. A costura vai ficar toda torta. Mas relaxa, todo mundo erra no começo. Eu sou Jin-ae, e você é a brasileira que chegou semana passada, né?
assentiu, já sorrindo.
— , mas pode me chamar de . — Ela sorriu mais uma vez… você é tipo… expert nisso, né?
— Claro que não, eu só erro menos agora — disse Jin-ae, piscando. — Quer ajuda?
Minutos depois, as duas estavam sentadas lado a lado, rindo da forma como tentava repetir os nomes das ferramentas em coreano. Jin-ae se empolgava, desenhando no próprio caderno explicações rápidas, enquanto decorava tudo com adesivos brilhantes.
No intervalo, foi surpreendida por uma bandeja sendo colocada bem ao lado da sua, no refeitório. Uma garota de feições sérias e cabelos perfeitamente presos num rabo de cavalo se sentou, sem falar nada. Só depois de duas mordidas no seu kimbap, ela olhou para .
— Você cortou a saia enviesada. Vai ter que refazer — disse, olhando para a tela do celular onde aparecia uma foto do trabalho da brasileira.
— Oi pra você também — respondeu , piscando devagar.
— Essa é a Soo-jin — disse Jin-ae, surgindo do nada com uma lata de café gelado na mão. — Ela é uma gênia fria, mas no fundo é uma fofa. Bem no fundo.
— Eu tô aqui ainda, viu — respondeu Soo-jin, revirando os olhos antes de encarar . — Eu vi que você tá indo bem. Só precisa parar de usar fita crepe como se fosse alfinete.
riu, aliviada. Aquele era o tipo de comentário que, dito por outra pessoa, soaria ofensivo. Mas na boca de Soo-jin, era quase um elogio.
Daquele dia em diante, as três viraram uma pequena gangue. Estavam sempre juntas na saída da aula, andando pelas ruas do campus com sacolas de tecidos coloridos e copos de chá gelado. Um dia, Jin-ae as arrastou para uma loja de segunda mão no centro de Hongdae, onde passou horas revirando cabides.
— Isso aqui é ouro puro! — exclamou, segurando um blazer masculino xadrez. — , você precisa experimentar isso!
— Mas isso é do tamanho de um armário…
— Justamente! Oversized! Vai ficar incrível com aquele seu jeans rasgado!
Já Soo-jin preferia sentar em cafés silenciosos com boa iluminação natural. se surpreendeu ao ver que a garota de aparência tão controlada desenhava croquis cheios de emoção e movimento, com olhos grandes e expressivos.
— Esses personagens são seus? — perguntou, curiosa.
— São. Tô criando uma coleção baseada em personagens de manhwa que nunca existiram. Mas não sei se tenho coragem de mostrar pra professora ainda.
— Você deveria mostrar, tá lindo demais — respondeu , genuinamente encantada.
Naquela noite, ao voltar para casa, se jogou no colchão com um leve sorriso no rosto. Ainda era difícil, ainda sentia falta de casa, mas agora, não se sentia mais sozinha. Havia risadas, conselhos estranhos, cafés compartilhados, e nomes que antes eram apenas rostos em uma sala, agora faziam parte da sua rotina.
Ela não sabia ainda, mas essas amizades seriam parte fundamental do que viria a seguir. E entre linhas tortas e costuras improvisadas, a vida estava se ajeitando… devagar, mas do jeitinho dela.
e suas amigas estavam em um café moderno no centro de Seul, aproveitando o intervalo do curso para relaxar e conversar. O local tinha um ambiente acolhedor, com decoração minimalista e a luz suave de lâmpadas de filamento. Enquanto Jin-ae mexia no celular e Soo-jin rabiscava no caderno, se distraía com seus pensamentos, mas logo a conversa tomou um rumo familiar.
— Eu assisti aquele dorama recentemente, Passarela dos Sonhos. Não sei como alguém pode se empolgar tanto por um ator como o Byeon Woo-seok. — Jin-ae comentou, fazendo uma expressão de desdém, mas sorrindo.
engoliu em seco, tentando parecer descontraída, mas seu coração deu uma acelera. Quando se tratava de Byeon Woo-seok, ela não conseguia esconder o quanto o admirava, mesmo que nunca tivesse compartilhado isso com ninguém.
— Ah, eu acho ele… interessante — respondeu, sem querer parecer muito entusiasta, mas sua voz traiu a empolgação que estava tentando esconder.
Jin-ae riu ao perceber o tom da amiga.
— Eu sabia! Você tem um fraco por ele! — Jin-ae provocou, brincando. — Fica vendo dorama e fica com cara de tonta quando ele aparece, eu ja percebo. Já é hora de assumir, !
Soo-jin, que estava mais quieta, sorriu suavemente, sem dizer uma palavra. Ela já conhecia a amiga o suficiente para perceber o tom tímido.
— Vai, . Confessa logo, todo mundo tem um ator platônico. Eu mesma sou fã do Park Seo-joon — Soo-jin comentou com um sorriso travesso.
tentou disfarçar a vergonha com uma risada.
— Eu assisti Passarela dos Sonhos quando estava no Brasil, e sim, confesso, ele foi meu crush por um tempo. O jeito como ele interpretava aquele modelo arrogante que escondia uma vulnerabilidade... Era difícil não se encantar. — Ela deu de ombros, tentando dar a impressão de que aquilo não era nada demais, mas seu rosto ainda estava corado. — E agora em Adorável Corredora, Vocês precisam concordar comigo, o personagem dele é um fofo.
Jin-ae olhou para ela com um sorriso maroto.
— Eu sabia! E me conta, você adorava a relação de amor e ódio dele com a protagonista, né? Não me venha dizer que não — ela provocou, rindo.
— Acho que o que me chamou atenção mesmo foi o estilo dele. Mesmo sendo modelo, ele tinha um ar meio… fora do comum. Algo mais natural, sem aquele excesso de glamour que muitos atores têm. — deu um pequeno sorriso, lembrando-se dos momentos intensos do dorama, mas tentou mudar de assunto.
Soo-jin assentiu, mas com uma expressão mais séria.
— A moda nos doramas está cada vez mais interessante, né? Não só as histórias, mas os personagens também são construídos de maneira que as roupas realmente falam muito sobre eles. — Soo-jin comentou, desviando a conversa para o estilo no geral.
sorriu agradecida por não precisar continuar falando sobre Byeon Woo-seok, mas sabia que ela jamais se livraria daquele pequeno "segredo". Na verdade, ele era mais do que um crush platônico; ele representava algo que ela sempre admirou de longe.
O tempo passou, e as amigas continuaram a conversar sobre outros assuntos, mas uma coisa estava clara na mente de : o nome Byeon Woo-seok ainda fazia seu coração acelerar, e algo dentro dela sentia que o destino poderia reservar algo mais. Ela não sabia como ou quando, mas talvez o futuro tivesse algo para ela nesse universo de doramas e moda.
No dia seguinte, enquanto arrumava seus materiais para a aula, recebeu uma notificação que fez seu coração disparar. Era uma mensagem de Jin-ae.
“, você não vai acreditar. Acabei de falar com a coordenadora de um evento de premiação e você foi chamada para trabalhar como figurinista! Eles precisam de alguém para cuidar do look de um dos artistas mais famosos do momento. Você precisa estar lá amanhã. Só que… não sei quem é o artista ainda.”
O celular quase escorregou das mãos de . Ela leu a mensagem várias vezes, tentando processar o que estava acontecendo. Trabalhar em um evento de premiação era uma oportunidade única, mas o fato de não saber quem seria o artista a deixou ainda mais ansiosa. Seu estômago se revirou, mas ao mesmo tempo, ela sabia que isso era tudo o que ela queria. Uma chance de mostrar seu trabalho e talvez, quem sabe, se aproximar de um mundo que sempre admirou de longe.
Ela rapidamente respondeu:
”Isso é uma brincadeira? Eu não sei nem por onde começar a me preparar!”
Jin-ae respondeu quase imediatamente. “Não é brincadeira, amiga. Você vai arrasar, confia em mim. Só me avise se precisar de alguma coisa. Boa sorte!”
respirou fundo, sentindo uma onda de nervosismo, mas também um brilho nos olhos. Ela não sabia quem seria o artista, mas de uma coisa ela tinha certeza: algo grande estava prestes a acontecer. Algo que ela jamais imaginou que fosse viver em Seul.
O dia amanheceu nublado em Seul, mas para , tudo parecia iluminado demais. O nervosismo fazia sua pele formigar. Ela se arrumou com capricho: cabelo preso de forma prática, maquiagem leve e uma roupa discreta, mas profissional. O crachá com seu nome pendurado no pescoço parecia pesar mais que o normal.
Chegou ao COEX Artium, onde aconteceria o Blue Dragon Series Awards, um dos maiores eventos de premiação de dramas coreanos. já tinha pesquisado tudo sobre ele na noite anterior — o glamour, os convidados, os figurinos ousados, os bastidores corridos. Agora, era uma das engrenagens daquela imensa máquina.
— Você deve ser a ! — disse uma mulher com dificuldade o nome dela. Ela usava uma máscara, e estava com prancheta na mão. — Me siga, vou te levar ao camarim que você vai ajudar a coordenar.
assentiu com um sorriso tenso e acompanhou a mulher pelos corredores movimentados. Viu maquiadores, cabeleireiros, assistentes correndo com cabides, atores andando de um lado para o outro com pressa, seguranças organizando os caminhos. Era tudo caótico e fascinante ao mesmo tempo.
Pararam em frente a uma porta com um nome coberto por um adesivo preto.
— Você vai ser responsável por um dos artistas mais aguardados da noite — a mulher comentou, casualmente. — Mas ele ainda não chegou. Os figurinos estão no cabide à direita. Qualquer dúvida, fale comigo. Volto em breve.
E sumiu.
respirou fundo e entrou no camarim. O espaço estava silencioso, perfumado, com espelhos iluminados e araras com roupas impecáveis. Ela passou os dedos pelos tecidos, analisando os cortes e os ajustes a serem feitos. Era uma roupa masculina, elegante, mas com detalhes ousados. Algo que só alguém com muita presença conseguiria vestir.
Estava tão concentrada ajustando as mangas da jaqueta que não ouviu a porta abrir.
— Com licença — disse uma voz masculina e calma atrás dela.
se virou devagar, ainda segurando a peça de roupa, e ali estava ele.
Byeon Woo-seok.
Em carne, osso e sorriso gentil.
Seu cérebro travou por dois segundos. Ela piscou, sem saber se devia rir, chorar, ou fingir que não reconhecia quem era.
— Ah, você deve ser a stylist de hoje. Muito prazer. — Ele inclinou levemente a cabeça, simpático, e deu um sorriso.
forçou um sorriso, tentando manter a postura profissional enquanto o coração batia desgovernado.
— … Digo, . Muito prazer. — Ela estendeu a mão, e ele apertou com delicadeza.
— . Nome bonito. É estrangeira né? Americana? — Ele parecia genuinamente interessado.
— Sou, sim. — respondeu sorrindo. — América do Sul, brasileira para ser mais exata.
— Gosto do português. Tem um som bonito. — Ele sorriu de novo e tirou o casaco que usava. — Então, por onde começamos?
Ela pegou a roupa no cabide e estendeu para ele, ainda meio em transe.
— Podemos começar com a prova da jaqueta. Se precisar ajustar alguma coisa, eu resolvo.
Enquanto ele trocava de roupa atrás do biombo, tentava recuperar o fôlego. Era ele. O amor platônico. O ator que ela comentou com as amigas dois dias antes. E agora estava ali, trocando de roupa a menos de dois metros de distância dela.
Byeon voltou com a jaqueta nos ombros e se aproximou do espelho. Virou-se de lado, depois de frente. A jaqueta caiu perfeitamente em seu corpo alto e elegante.
— Uau. Ficou ótima — ele disse, olhando para o reflexo.
— Você que faz ela parecer ótima — respondeu, antes de perceber o que tinha dito.
— Obrigado. Foi sincero, né? — Ele virou-se para ela, surpreso com o elogio espontâneo, e riu.
— Foi. Desculpa, às vezes eu falo sem pensar. — Ela riu também, envergonhada.
— Gosto disso. Pessoas sinceras. E com sotaque.
Ela não conseguiu evitar um sorriso bobo.
E então o celular dele vibrou.
— Me dá cinco minutos lá fora. Já volto. — Disse com naturalidade antes de sair.
ficou sozinha no camarim, ainda segurando uma fita métrica e o que restava de sua dignidade.
— Tá. Isso… tá acontecendo mesmo — murmurou, sentando-se devagar em uma das cadeiras.
As horas pareciam correr em velocidade diferente dentro dos bastidores do Blue Dragon Series Awards. O brilho da cerimônia contrastava com a correria nervosa atrás das cortinas. E em meio ao barulho de saltos, tecidos e rádios chiando, tentava manter o foco nas peças que precisava revisar antes que seus atores entrassem no palco.
— ! — a voz de Jieun veio urgente no ponto. — O botão do terno do Woo-seok estourou. Você já ajustou a roupa dele mais cedo, lembra? Vai lá rápido. Ele tá no camarim B-4.
Ela parou por um segundo.
Claro que lembrava.
Como esquecer o homem de sorriso gentil e voz calma, que agradeceu pessoalmente enquanto ela ajeitava a jaqueta que insistia em cair estranho nos ombros dele?
Segurando a bolsinha de emergência — linhas, agulhas, alfinetes, fita dupla face — ela foi, desviando de técnicos, cabos e produtores. Quando chegou à porta indicada, bateu duas vezes.
— Pode entrar — veio a voz abafada, inconfundível.
Ela empurrou a porta e o encontrou de costas, diante do espelho, segurando o terno preto com um botão pendurado por um fio.
— Você de novo — ele comentou, olhando para ela pelo reflexo e sorrindo.
— Começando a achar que sua roupa tá conspirando pra eu virar sua stylist particular.
— Se for você, não me importo. Mas acho que vou precisar de um resgate.
— Ainda bem que o botão caiu. Se fosse rasgo, ia dar mais trabalho. — segurou a peça, avaliando o dano. — Posso?
— Claro. Manda ver. — Ele soltou uma risada curta, e se sentiu estranhamente confortável.
Sentou-se numa das cadeiras, com ele ao lado. A tensão do evento parecia suspensa ali dentro. Woo-seok observava os movimentos rápidos dela, os dedos firmes e seguros, e o modo como franzia um pouco o nariz quando cortava o excesso da linha.
— Então, ... você veio de longe né? — Ele parecia interessado no fato dela ser estrangeira.
— Só doze horas de diferença. — Ela riu e ele também
— Eu gosto do seu sotaque, eu já disse isso? — comentou. — Tem uma musicalidade diferente. É legal.
Ela não respondeu de imediato. O botão estava preso, perfeito, e ela ajeitou com cuidado o restante do blazer.
— Pronto. Sem riscos de descosturar mais.
— Você é boa nisso. — Estava admirado como parecia que nada tinha acontecido com a roupa.
— Eu sou boa em várias coisas — disse, com um meio sorriso provocador.
— Tá se gabando? — Ele riu de novo, agora mais abertamente.
— Talvez só um pouco. É o mínimo depois de salvar seu terno duas vezes na mesma noite.
Ele pegou o blazer, vestindo-o de novo. se levantou, começando a recolher as coisas. Mas ele hesitou um instante.
— Posso ser direto? — perguntou.
— Pode. — Ela o encarou, curiosa.
— Posso pegar seu número? — Disse simples, como quem pedia pãezinhos na padaria. — Ela piscou, surpresa, e ele levantou as mãos, em defesa. — Calma, não tô flertando — disse, com um sorriso no canto da boca. — Bom… talvez um pouco. Mas é que… você foi legal, e é difícil encontrar gente assim nesses eventos. Gente de verdade, sabe?
— Tá. Mas só porque você perdeu um botão e manteve o bom humor. — Ela suspirou, fingindo pesar a decisão.
— E porque sou bonito? — Disse descontraído.
— Nem tanto. Já vi melhores. Sabe, o Seo-Joon é perfeito, estive com ele minutos antes de vir te salvar. — disse, soltando uma risada e entrando no clima.
— Aquele cara é bem bonitão mesmo. — Byeon riu e estendeu o celular. Ela digitou seu número e salvou com o nome " Jaqueta". — Vou te chamar se o botão da calça estourar — disse, piscando antes de sair do camarim.
Ela ficou alguns segundos parada depois que ele saiu, ainda segurando a bolsinha de costura contra o peito.
O despertador tocou às 8h, mas já estava acordada. A lembrança da noite passada ainda rodava em sua mente como uma daquelas músicas que grudam. Ela encarou o teto por um instante, depois sorriu sozinha antes de se arrastar até a cozinha comunitária do dormitório.
Lá, Jin-ae e Soo-jin já estavam sentadas com tigelas de cereal. Era sábado, o que significava folga do curso — e tempo para fofocas.
— Olha só quem resolveu dar as caras — Jin-ae provocou, levantando uma sobrancelha. — Dormiu com um sorriso no rosto, aposto.
— Eu? Imagina — disse , tentando manter o tom indiferente enquanto pegava uma caneca.
Soo-jin deu risada.
— Aham. Vai mentir pra mim? Você chegou ontem toda misteriosa. O que rolou no camarim, hein?
— Nada demais. Eu fiquei responsável pelo figurino do Woo-seok e depois o botão da roupa dele estourou, e me mandaram consertar. Só isso. — se sentou à mesa, suspirando.
— Só isso? — Jin-ae largou a colher. — Você ficou trancada num camarim com o Byeon Woo-seok duas vezes e vem me dizer que foi "só isso"? se sentou à mesa, suspirando.
— Não foi tão trancada assim a porta estava aberta. Ele só me chamou, conversamos um pouco… se sentou à mesa, suspirando.
— E? — Soojin interrompeu.
fingiu olhar para as unhas, dramatizando a pausa.
— E ele pediu meu número.
As duas gritaram ao mesmo tempo, abafando com as mãos pra não acordar as outras colegas.
— ELE O QUÊ? — Disseram Juntas, quase gritando.
— Baixem o tom! — sussurrou, rindo. — Vocês parecem fãs histéricas.
— Mas você era uma! — Soo-jin apontou, animada. — Você mesma disse que já teve um crush nele!
— Amor platônico não é histeria — corrigiu, ainda com um sorriso. — E não foi como se ele estivesse me paquerando. Ele foi gentil, disse que gostou de conversar comigo… e eu me salvei como " Jaqueta”, pra você ver o nível da seriedade.
— Isso é fofo. — Jin-ae tombou a cabeça para o lado, pensativa.
— E estranho — completou. — Ele é um ator famoso. Eu sou só… uma brasileira perdida em Seul, que costura roupas em eventos.
— E justamente por isso é legal. Não tem jogo de interesse, não tem bajulação — Soo-jin disse, animada. — É genuíno. E se ele tiver mesmo te achado interessante?
deu de ombros, levando a caneca aos lábios. Por mais que quisesse manter o pé no chão, sentia o estômago revirar só de lembrar do momento em que ele estendeu o celular.
Um número. Uma chance.
Talvez fosse só isso.
Ou talvez fosse o começo de alguma coisa inesperada.
— Se ele mandar mensagem, eu respondo — disse, enfim. — Mas sem expectativas.
— Que mentira — Jin-ae murmurou. — Você tá com cara de quem já preparou até a resposta.
riu, se levantando para lavar a caneca.
No celular, nada novo. Mas ele ainda tinha o contato salvo. E isso, por ora, já era suficiente para fazer o coração acelerar só um pouquinho.
O celular vibrou assim que se acomodou no quarto, jogando-se na cama com o notebook apoiado no colo. O som do aviso de mensagem foi quase ignorado — ela pensou que fosse do grupo da turma —, mas ao desbloquear a tela, o nome que apareceu a fez congelar por um segundo.
Número desconhecido:
”Ei, é o Woo-seok. O cara da Jaqueta. Salva meu número aí pra não parecer que um estranho famoso tá te mandando mensagem.
Ela não conteve o sorriso. Respirou fundo, mordeu o lábio e respondeu, tentando soar casual:
“Opa! A Jaqueta agradece pela lembrança. Número salvo, Sr. Jaqueta Estourada”.
Alguns segundos se passaram antes que a resposta viesse, como se ele estivesse mesmo pensando antes de escrever.
”Justo. Mas aviso que essa jaqueta era nova. Você me deu sorte ou azar?”
riu lendo aquilo.
”Considerando que saiu de lá inteiro e ainda ganhou meu número, acho que dei sorte pra você.
Do outro lado, ele soltou uma risada discreta no celular. , do lado dela, se encolheu sob os lençóis, rindo sozinha enquanto fingia estar calma.
”Ok, ponto pra você, Jaqueta.
ria muito que ele tinha pegado mania de chamar ela, como ela tinha salvo seu contato.
“Vai me chamar assim agora?”
A mensagem dele não demorou a chegar.
”Só até você me chamar de Sr. Jaqueta estourada em público.”
Era incrível o poder que ele tinha naquelas piadas de tio do pavê.
“Fechado. Feio é quem foge do apelido.
Os minutos seguintes passaram em meio a trocas leves, mensagens curtas e cheias de entrelinhas engraçadas. percebeu que ele era exatamente como parecia: gentil, espontâneo, e com um humor afiado que surpreendia. Nenhuma frase parecia ensaiada.
Depois de algumas piadas sobre roupas e eventos, ele mandou:
”Vai trabalhar em mais eventos essa semana? Ou vou ter que estourar outro botão pra te ver?”
riu alto dessa vez, cobrindo o rosto.
“Você pode mandar mensagem, sabia? Menos arriscado que rasgar roupa no palco.” Aquela piadinha interna deles causava muitas risadas ainda.
”Tô gostando da ideia.”
Ela ficou encarando a tela por alguns segundos. O coração batia rápido, mas havia algo confortável naquela troca — como se não estivessem em lados tão distantes quanto o mundo imaginava.
Pela primeira vez, percebeu que talvez seu amor platônico por ele pudesse, sim, ganhar contornos reais.
— Você tá com essa cara de boba desde segunda-feira — comentou Soo-jin, espiando por cima do ombro de enquanto ela sorria sozinha, encarando o celular.
— Tô nada! — escondeu o rosto com as mãos, rindo logo em seguida. — Só tô de bom humor, poxa.
— "Bom humor", tipo o de quem tá flertando por mensagem há três dias? — A coreana levantou uma sobrancelha, divertida.
— Confessa, vai — completou Jin-ae, jogando uma almofada no colo da amiga. — Quem é o sortudo?
— Não é ninguém, gente! — encolheu os ombros, mesmo sabendo que seu sorriso a entregava.
Mas, naquele instante, o celular vibrou mais uma vez.
“Vi um figurino hoje que era a sua cara. Tirei foto escondido. Posso te mandar?
Ela cobriu o rosto com as mãos novamente, abafando um grito.
— , você tá vermelha! — Soo-jin se jogou ao lado dela. — É famoso?
— Meu Deus, é famoso? — Jin-ae arregalou os olhos. — É do evento? Do Blue Dragon?
desviou o olhar.
— Não é nada demais. A gente só tá... conversando.
As amigas se entreolharam como quem tinha certeza absoluta de que não era "só conversando".
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Woo-seok riu da foto que tinha acabado de tirar. O figurino realmente parecia algo que ela criaria. Desde aquela noite na premiação, eles trocavam mensagens quase todos os dias — sobre figurinos, doramas, besteiras do dia a dia.
Não era nada escancarado. Era leve. Natural. E ele estava gostando da leveza.
No meio da conversa, respondeu:
”Se for cafona, eu vou te zoar pra sempre.
Então recebeu uma resposta rápida.
“”E se não for? Vai me dar um prêmio?”
quase soltou um grito.
“Talvez um elogio. Tipo "Woo-seok, você tem bom gosto".
Riu ainda mais da resposta dele.
“Meu ego agradece. Pode mandar mais desses.
No dormitório, bloqueou a tela do celular e tentou disfarçar o sorriso outra vez.
— Tá. — Ela se virou para as amigas. — Talvez eu esteja só um pouco interessada.
— SÓ UM POUCO? — gritaram as duas, rindo alto.
Soo-jin se inclinou, com o olhar brilhando de empolgação:
— A gente precisa de detalhes. Cenas. Prints. E se isso virar romance, eu quero ser a primeira a saber.
riu com elas, mas por dentro, sentia algo diferente. Uma conexão que crescia em silêncio, entre mensagens simples e o jeito atencioso dele. Sem exageros, sem pressa.
Era a primeira vez que seu amor platônico por alguém famoso parecia... palpável.
O som da notificação foi discreto, mas já sabia de quem era antes mesmo de olhar.
”Preciso de uma especialista em figurinos. Conhece alguma que esteja livre hoje à tarde?”
Ela riu. Sentou na mesa do café dentro do prédio da universidade e respondeu:
”Talvez. Qual o grau de emergência?”
Respondeu de imediato.
”Nível: preciso de companhia pra um café e não quero parecer carente.”
riu, chamando um pouxo de atenção para si.
”Muito sutil. Nota 10 na disfarçada.”
O celular apitou rapidamente com a resposta dele.
”Tá funcionando?” Ela logo respondeu
”Talvez.”
Corta para algumas horas depois. ajeitava o casaco ao descer na estação mais próxima ao bairro de Seongsu-dong, onde ele havia sugerido o café. Era uma daquelas cafeterias discretas, com mesas de madeira rústica, iluminação quente e poucos clientes — provavelmente escolhida a dedo por ele.
Ao entrar, não teve dúvida: ele estava de boné e máscara, com o rosto parcialmente coberto, mexendo no celular.
Ela se aproximou devagar e se sentou na frente dele sem dizer nada. Quando ele percebeu, sorriu por baixo da máscara e puxou a dela com delicadeza.
— Agora sim — disse ele. — Achei que ia levar um bolo.
— E perder um café pago por um ator? Jamais. — Ela se sentou e ele riu, tirando a própria máscara também. — Tá rindo do quê? — ela perguntou, divertida.
— De você. Da sua cara de surpresa por eu realmente ter chamado. — Ele foi direto, sempre era.
— É que... isso ainda parece meio surreal. — Ela também foi sincera quanto ao que sentia estando ali.
Woo-seok apoiou o cotovelo na mesa e a encarou por um segundo a mais do que ela estava preparada.
— Já pode parar com esse negócio de “surreal”. Eu sou só um cara tomando café com uma garota que salvou minha jaqueta da catástrofe estética.
— Você ainda tá preso nessa história? — riu alto.
— Trauma, . Preciso transformar em lembrança boa.
Eles conversaram por quase uma hora. Sobre moda, sobre como ele odiava sapatos desconfortáveis nos red carpets, sobre um papel novo que ele tinha recusado por não querer se repetir. falou do curso, das amigas, das dificuldades com o idioma, e de como às vezes sentia saudade de ouvir português.
— Fala um pouco pra mim — ele pediu, curioso. — Quero ver como soa.
Ela o encarou com uma expressão divertida e, baixinho, disse:
— Você é mais legal do que eu pensei.
— Não sei o que você disse, mas vou fingir que foi um elogio. — Ele arregalou os olhos, impressionado com a melodia da língua. Depois riu.
— Foi sim — ela respondeu, sorrindo.
Na saída, ele pagou o café mesmo com a resistência dela e se despediu com um aceno, o celular já na mão.
”Espero que tenha gostado do “evento de emergência figurino”. Tô planejando mais.”
que estava esperando o metrô logo respondeu.
”Se todos forem com café, você já tem a minha presença garantida.”
Ela caminhou de volta com o coração leve. Um encontro que parecia simples, mas que deixou algo diferente no ar.
Não era só amizade.
E talvez, só talvez... ele também estivesse sentindo.
estava organizando seus tecidos e referências visuais quando o celular vibrou com uma notificação de mensagem.
“Você tem um tempinho hoje? Preciso de uma ajuda... de figurino.”
Era Woo-seok, ela arqueou uma sobrancelha, curiosa. Antes que respondesse, outra mensagem chegou.
”Vou fazer um ensaio essa semana e queria estar com um visual diferente. Mais estiloso. É um editorial meio urbano, e o feed do Insta agradeceria.”
soltou uma risada.
”Você quer minha ajuda só para alimentar o seu Instagram?”
Logo a resposta veio.
”Óbvio que não. Mas... se eu ganhar uns likes a mais com isso, já é um bônus.”
Cerca de uma hora depois, ele chegou no pequeno ateliê improvisado que ela mantinha no dormitório. Carregava uma sacola cheia de roupas que claramente não combinavam entre si.
— Desisto — ele disse, largando a sacola no chão. — Não tenho ideia do que estou fazendo.
— Uau — começou a mexer nas peças. — Isso aqui é... uma crise de identidade fashion?
— Seja gentil, estou vulnerável — ele rebateu, sentando-se na cama, observando ela examinar cada item com olhos críticos.
Ela separou algumas peças, jogando outras de lado com um olhar firme.
— Vamos tentar uma vibe oversized, mas com contraste de textura — disse ela, pegando uma jaqueta de couro e uma calça larga com corte moderno.
— Você fala como se estivesse montando um look para uma passarela de verdade.
— Isso é uma passarela. A do seu Instagram. — Ela disse em um tom profissional.
Ele riu alto, divertido.
— Acho que estou em boas mãos.
o mandou trocar de roupa e, quando ele saiu do banheiro, ela inclinou a cabeça, observando.
— Nada mal. Agora, deixa eu ajustar essa barra.
Enquanto ela se ajoelhava para prender uma dobra da calça com um alfinete, Woo-seok ficou em silêncio, observando-a de cima. Por um momento, o clima mudou. A distância entre eles era pequena, e o toque dela em seu tornozelo parecia mais íntimo do que a situação pedia.
— ... — ele disse, baixo.
Ela levantou os olhos. Um breve segundo em que os dois ficaram imóveis. Mas, como sempre, ele disfarçou com um sorriso.
— Você deveria abrir sua própria marca. Sério. É talento demais pra guardar só pra esses freelas.
Ela sorriu de volta, escondendo o rubor que subia pelas bochechas.
— Um passo de cada vez, Woo-seok.
O sábado chegou preguiçoso. estava deitada no futon com o notebook no colo quando a tela do celular acendeu: chamada de vídeo de Woo-seok.
— Feijão. Urgente. Socorro. — dizia a legenda da ligação.
— O que você aprontou dessa vez? — Ela atendeu rindo.
A imagem revelou Woo-seok com um avental amarrado torto e uma expressão de puro desespero. No fundo, uma panela borbulhava em algo que parecia... perigoso.
— Eu tentei fazer feijão. De verdade. Encontrei uma receita brasileira no YouTube e fui otimista demais.
— Meu Deus — ela levou a mão à boca para conter o riso. — Isso tá com mais cara de poção mágica do que feijão.
— Tô me sentindo humilhado.
— Calma, MasterChef, eu vou te guiar.
Durante os vinte minutos seguintes, ela explicou passo a passo como salvar o feijão, com pausas para rir das caretas dele, dos erros bobos e das tentativas atrapalhadas de parecer um bom cozinheiro.
— Agora me diz — ele falou ao final, colocando a tampa na panela — você cozinha bem assim com todo mundo ou só comigo?
— Só com quem tenta me envenenar com comida mal feita. — Ela riu
— Ufa, me senti especial agora. — Ele também.
Eles continuaram conversando mesmo depois de resolverem o problema culinário. A ligação virou papo solto, sobre infância, vergonha alheia de fotos antigas e sonhos idiotas como “comprar uma kombi e sair viajando o mundo”. Quando ela deu por si, já estavam há quase uma hora ali.
— Woo-seok... — ela disse, antes de desligarem. — Obrigada. Por me fazer rir assim.
Ele sorriu, sincero.
— O prazer é todo meu.
No dia seguinte, saiu com Jin-ae e Soo-jin para tomar um café e relaxar. Enquanto mexia a bebida distraída, as palavras de Woo-seok da noite anterior ainda giravam em sua mente.
— Tá pensando em quê? — Jin-ae perguntou, olhando-a com atenção.
— Em nada... — disse, sem muita convicção.
— Tá. E esse “nada” tem nome e um sorriso torto, por acaso? — Soo-jin perguntou despretensiosamente.
— Ele me liga, me chama pra escolher roupa, fala como se me conhecesse há anos... e mesmo assim eu não sei. Não sei o que ele quer de mim. E o pior é que... eu começo a querer algo mais. — suspirou.
— E você tem medo de se iludir? — Soo-jin inclinou-se para frente, curiosa.
— Exatamente. E se eu estiver só me confundindo? E se isso for só da minha cabeça? — Ela parecia mesmo confusa.
— ... às vezes, o medo de gostar machuca mais do que gostar em si. — Jin-ae a olhou com doçura.
Ela baixou os olhos, tocando o anel fino que girava no dedo. Aquele sentimento já não era platônico como antes. Ele crescia, ganhava textura, cor. Mas a dúvida ainda era uma nuvem que não deixava o céu completamente limpo.
Talvez já fosse tarde demais para fingir que não sentia nada. Mas cedo demais para admitir que estava se apaixonando.
estava no meio do caos. O evento do próximo dia parecia cada vez mais distante, e sua ansiedade crescia a cada minuto. Ela olhou para o celular mais uma vez, vendo a mensagem de seu modelo de última hora.
"Desculpa, . Infelizmente, não vou poder ir amanhã. Surgiu um imprevisto."
A leitura daquelas palavras foi como uma lâmina afiada cortando sua tranquilidade. Não havia mais tempo. Ela já estava atrasada para o evento, e o modelo que ela tinha reservado era crucial para a sua apresentação. Não sabia o que fazer. Ela deu uma olhada para o computador, as provas de figurino que já estavam prontas, a escolha das roupas… tudo se desmoronava. Ela não poderia deixar que a situação fosse um fracasso.
Foi então que, sem pensar, o nome de Woo-seok surgiu em sua mente. Ele seria perfeito para o trabalho. Ela o conhecia de seus projetos anteriores e, claro, ele possuía o porte físico ideal para o que ela precisava. Mas como ela iria pedir aquilo? Como pedir para um ator famoso e com uma carreira sólida que desfilasse para ela, em pleno campus da faculdade?
Ela ficou encarando o celular por alguns segundos, o dedo pairando sobre a tela do WhatsApp. Hesitou, mas decidiu que não tinha outra opção. Depois de uma respiração profunda, ela digitou a mensagem com o maior cuidado possível:
”Woo-seok, preciso de um favor urgente. O modelo que eu tinha para o evento de amanhã não vai poder ir. Você tem o porte perfeito para o trabalho. Seria possível você me ajudar? Preciso de alguém para desfilar para o evento. É rápido, eu prometo!”
Ela leu e releu a mensagem antes de pressionar o botão de enviar. Um segundo de silêncio e o coração de estava batendo mais forte. Ela sabia que a resposta dele poderia ser qualquer coisa, até mesmo negativa. Ele estava ocupado, tinha seus compromissos, e ela sabia que pedir isso poderia ser um grande inconveniente. Mas o que mais ela poderia fazer?
O celular vibrou de novo. O nome dele apareceu na tela.
”Como você quer que eu te ajude?
sentiu um alívio imediato. Ele havia aceitado antes mesmo de saber os detalhes. Isso só fazia ela ter mais certeza de que ele não era apenas atencioso, mas também genuinamente disposto a ajudar. E, para , isso valia ouro.
“Eu só preciso que você desfile amanhã. O evento vai ser registrado, e preciso que você combine com a roupa que estou mostrando no meu trabalho. O modelo vai ser filmado, então você tem que se comportar como se fosse um desfile mesmo. Vai ser rápido, e eu vou pagar o jantar como agradecimento, claro.” A ansiedade da resposta durou mais que ela em si.
”Entendido. Me avise onde e quando.
sorriu, sentindo-se imensamente grata. Ele parecia ser do tipo de pessoa que não complicava as coisas. Afastou o celular por um momento, sentindo um pequeno alívio, mas ao mesmo tempo, não podia negar que o nervosismo não havia desaparecido completamente.
Ela rapidamente fez os preparativos para o evento, organizando tudo no menor tempo possível. Era uma tarefa desafiadora, mas com Woo-seok agora na jogada, ela se sentia mais confiante. Ao mesmo tempo, ela sabia que sua decisão de pedir ajuda a ele havia levado a situação para um novo nível — o nível em que sua amizade (se é que aquilo já podia ser chamado de amizade) estava se tornando mais real. Ele não era apenas o ator famoso de doramas que ela conhecia das telas. Ele estava ali, ajudando-a de uma maneira totalmente despretensiosa.
No dia seguinte, estava tensa, ainda organizando os últimos detalhes. Ela estava pronta para lidar com o evento, mas sabia que isso seria muito mais complicado com a presença de Woo-seok. Ele era famoso, e seu simples nome fazia com que muitos olhassem para ele com uma mistura de admiração e curiosidade. E ainda mais agora, que ele estava ali, no ambiente de sua faculdade. As aulas estavam começando, mas, naquele dia, parecia que tudo estava paralisado à espera da sua chegada.
Quando ele entrou no campus, o burburinho foi instantâneo. viu de longe, com o coração batendo mais rápido. Woo-seok estava calmo, como sempre, com seu estilo descomplicado. Ele usava uma camisa de manga curta e jeans simples, mas, com ele, até um look tão básico parecia sair de uma passarela. Seu porte físico imponente fazia com que todos ao redor prestassem atenção. Mas ele não parecia se importar nem um pouco com os olhares. Era como se estivesse tão acostumado com a atenção quanto um pássaro está acostumado a voar.
Ela caminhou até ele, tentando disfarçar o nervosismo. Quando Woo-seok a viu, seu sorriso foi genuíno, tranquilo, sem a menor afetação. Ele parecia sempre estar no controle, mesmo em uma situação como essa.
— Vamos? Qual é o plano? — Ele disse isso com uma naturalidade desconcertante, como se o fato de ele estar ali para desfilar não fosse algo extraordinário. , por outro lado, ainda sentia que o impacto da presença dele estava sendo subestimado.
No momento em que ele subiu no palco improvisado da faculdade, as alunas começaram a sussurrar entre si. Algumas mais ousadas, começaram a tirar fotos discretamente. O murmurinho aumentava à medida que Woo-seok se preparava para caminhar na passarela improvisada. A presença dele era magnética, e o espaço ao seu redor parecia encolher, fazendo todos os olhos se voltarem para ele.
estava ao lado dele, organizando os últimos detalhes do figurino. Ela sentia uma tensão sutil crescer à medida que ele se posicionava. O olhar dele, no entanto, estava focado, como se ele estivesse se preparando para um grande evento de sua carreira. Ele não demonstrava o mínimo de insegurança, nem o impacto da curiosidade alheia.
— Só siga o ritmo e me avise se tiver algum desconforto. Eu sei que é uma coisa meio improvisada, mas vai dar certo. Vai ser rápido.
— Você me conhece. Eu confio em você. — Ele a olhou e sorriu novamente, um sorriso leve, sem nenhuma pressão. Ele confiava nela, e ela sentiu o peso disso de forma agradável.
E, então, ele começou. Cada passo seu era preciso, fluido. observava enquanto ele desfilava, os aplausos surgindo depois de seu segundo giro. Ele estava perfeito, e, para ela, isso não era apenas sobre o figurino ou o desfile. Era sobre o cuidado e a tranquilidade que ele passava, tornando tudo simples, até mesmo o mais inesperado dos pedidos.
O burburinho dos estudantes aumentou à medida que ele descia a passarela, mas se concentrou no trabalho. Ela tinha que manter a calma. A presença dele era uma bênção, mas também uma distração em potencial.
Quando o desfile terminou, ela não pôde deixar de sorrir. Ele tinha se saído muito bem, como se estivesse em um palco de verdade. Aplaudiu silenciosamente enquanto ele se aproximava dela.
— Eu não sei como te agradecer. Foi perfeito.
— Não precisa agradecer. Já te disse, foi só um favor.
— Como eu prometi... o jantar. Você escolhe o lugar. — Ela riu, um pouco nervosa, mas também aliviada.
Ele sorriu, sem pressa, e ela sentiu algo em seu estômago dar uma revirada.
O sol já começava a se esconder atrás dos prédios quando eles saíram da faculdade. O evento tinha sido um sucesso, mas o verdadeiro alívio de só veio quando pisou na calçada ao lado de Woo-seok, longe dos olhares curiosos e dos celulares discretamente apontados para ele.
Ela ainda estava com o coração acelerado, como se só agora o corpo tivesse permissão para reagir ao caos do dia.
— Então... onde vamos? — perguntou, tentando soar casual, mesmo que por dentro estivesse derretendo só de lembrar da forma como ele havia caminhado na passarela, confiante e elegante, como se tivesse nascido para aquilo.
Woo-seok olhou para ela com um sorriso torto, enfiando as mãos nos bolsos do casaco leve.
— Você quem disse que pagaria o jantar. Acho justo você escolher.
— Ah, então vou te levar num lugar péssimo, desses que servem macarrão frio e refrigerante sem gás. — Ela arqueou uma sobrancelha, desafiadora.
— Desde que seja com você, eu como até isso. — A resposta veio rápida, cheia de leveza, mas com um fundo de verdade que ela sentiu na espinha.
Ela desviou o olhar por um segundo, rindo baixinho. Não sabia o que responder, então apenas começou a andar, e ele a seguiu sem questionar.
Escolheu um restaurante não muito longe dali, aconchegante, com luzes amareladas e mesas de madeira que lembravam uma sala de estar acolhedora. O tipo de lugar onde as pessoas sentiam vontade de tirar os sapatos e rir alto.
Sentaram-se em uma mesa perto da janela. A vista era tranquila, quase bucólica, apesar de estarem no meio da cidade. pediu uma taça de vinho tinto; ele, chá gelado.
Ela apoiou os cotovelos na mesa e o encarou por um momento. Ainda se sentia grata, mas agora que estavam ali, fora da pressão, o sentimento vinha junto com outra coisa: curiosidade. Ele parecia à vontade demais com tudo. Com ela, com a situação, com o próprio silêncio.
— Você está sempre assim? — perguntou, inclinando a cabeça para o lado.
— Assim como?
— Tranquilo. Como se nada no mundo fosse capaz de te tirar do sério.
Ele pensou por um momento, depois deu de ombros.
— Eu já me estressei muito com coisas pequenas. Hoje, prefiro respirar fundo e lembrar que tudo passa.
Ela o observou, tentando decifrar onde aquilo deixava marcas. Ele era bonito, claro. Isso era óbvio. Mas havia algo mais... algo que se impunha mesmo quando ele não dizia nada. A maneira como olhava nos olhos, como deixava os silêncios existirem sem precisar preenchê-los. Era como se ele estivesse inteiro ali.
— Você foi incrível hoje — confessou. — Eu realmente não sei o que teria feito sem você.
Ele riu, apoiando o queixo na mão.
— Não foi nada demais.
— Foi sim — rebateu, firme. — As meninas da faculdade ficaram te olhando como se você fosse um deus grego materializado.
— Ué... mas eu sou. — Ele piscou e ela soltou uma gargalhada que atraiu olhares das mesas ao redor.
— Convencido.
— Sincero.
O garçom chegou com os pratos, e por um instante o foco se voltou para a comida. Mas o clima entre eles já tinha se instalado de vez: leve, cúmplice, como se aquele jantar fosse só mais uma extensão da intimidade que vinha se formando aos poucos entre eles.
Ela o observava de vez em quando, achando graça do jeito como ele comia rápido demais e depois ficava com vergonha disso.
— Você é mesmo um ator ou só finge muito bem ser um ser humano funcional?
Ele fingiu indignação.
— O quê? Eu sou muito funcional! Quer ver? Consigo comer, conversar e pensar besteira ao mesmo tempo.
quase engasgou com o vinho. E ele a olhou com aquele sorriso travesso que parecia feito para confundir os sentidos.
— Sabe — ela começou, depois de recuperar o fôlego —, eu não esperava que você fosse me ajudar de verdade. Achei que talvez estivesse ocupado demais, ou... distante demais.
— Eu poderia estar — respondeu com simplicidade. — Mas preferi estar aqui.
Havia algo na forma como ele dizia isso que a desarmava. Ele não fazia rodeios, não usava palavras floreadas, mas cada frase parecia ir direto ao ponto.
— É estranho — ela admitiu. — Eu não sei bem o que esperar de você.
— E por que precisa esperar algo? — ele retrucou, a voz agora mais suave. — Só deixa acontecer. Seja lá o que for.
Ela se encostou na cadeira, encarando a taça quase vazia nas mãos. Estava começando a sentir algo que não conseguia nomear com clareza. Uma mistura de segurança, fascínio e aquela sensação inquieta de quando se está prestes a cair — não porque alguém te empurrou, mas porque você quis ver como seria voar.
O jantar seguiu, entre brincadeiras, histórias e olhares mais demorados. Quando saíram do restaurante, a noite estava mais fria, mas o silêncio entre eles era quente e confortável.
— Você ainda vai me pagar esse favor de novo algum dia — disse ele enquanto caminhavam lado a lado.
— Mas eu já te dei comida. Isso vale muito.
Ele deu uma risada baixa, depois olhou para ela com um brilho no olhar.
— Você ainda não entendeu, né?
Ela parou, confusa.
— Entendi o quê?
— Que eu teria feito aquilo mesmo sem favor. Só pra ver você sorrir no final.
O coração dela vacilou. Não era a primeira vez que ele falava algo assim. Mas agora, soava diferente. Como se fosse um aviso sutil de que, aos poucos, ele estava se aproximando de um lugar onde talvez ela não estivesse pronta para deixá-lo entrar.
Mas não disse nada. Só continuou andando ao lado dele, em silêncio.
E, por enquanto, aquilo bastava.
ficou encarando o teto do quarto como se ele escondesse alguma resposta. A luz do abajur deixava sombras suaves dançando nas paredes, e o celular ao lado da cama continuava iluminado, com a última mensagem de Woo-seok ainda aberta.
"Chegou bem? :) Boa noite, ."
"Boa noite, Woo-seok. E obrigada por hoje de novo."
"Eu que agradeço."
"Pelo quê?"
"Por ter deixado o dia leve."
Ela suspirou, girando o corpo na cama, abraçando o travesseiro como se aquilo fosse capaz de sufocar a inquietação que vinha crescendo por dentro.
Não era para ser assim.
Eles estavam criando uma amizade, certo? Ela sabia identificar esse tipo de laço. Sabia diferenciar o calor de uma conexão espontânea, do brilho que alguém coloca nos olhos quando quer ser mais do que um amigo. Pelo menos achava que sabia… até agora.
Desde o desfile improvisado na faculdade, Woo-seok parecia mais presente. Não apenas fisicamente, mas no jeito como falava com ela, como escutava, como sorria como se estivesse orgulhoso de vê-la brilhar. Durante o jantar, ela tentou racionalizar cada momento — atribuir ao cansaço, à adrenalina, à gentileza. Mas, no fundo, sabia que havia algo diferente no ar.
E o problema era: ela estava gostando.
sempre se orgulhou de ser racional. No meio da moda, da criação e da correria dos estágios, tinha aprendido a manter o foco, a evitar distrações, especialmente distrações que envolviam homens bonitos, charmosos e... bem, mundialmente conhecidos.
Mas Woo-seok não fazia sentido. Ele ria como se não carregasse um peso nas costas. Falava com simplicidade, sem se exibir. E o jeito como lembrava detalhes sobre ela — o tom de azul que ela mais gostava, a playlist que ouvia para trabalhar, a forma como enrugava o nariz quando estava concentrada — isso a desestabilizava.
Ela tentou se distrair, abrindo o laptop para revisar um projeto, mas se pegou digitando o nome dele na aba de busca mais de uma vez. Matérias antigas, entrevistas, fotos de eventos... tudo estava lá, público, organizado, distante. O Woo-seok das notícias era uma figura que ela não conhecia. O que desfilou para ela, que fez piada com a massa grudada no dente, que segurou sua mão discretamente quando ela tremia antes da apresentação… esse era o homem que ocupava a cabeça dela agora.
E o pior: ela não sabia o que fazer com isso.
Pegou o celular mais uma vez. Digitou e apagou diversas vezes. Pensou em mandar uma piada, um "boa noite" casual. Mas tudo parecia ou forçado demais ou íntimo demais.
No fim, deixou o celular de lado e deitou de bruços, abafando o rosto no travesseiro com um grunhido frustrado.
— Não faz isso, — murmurou pra si mesma. — Ele só está sendo gentil. E você está carente. É só isso.
Mas se fosse só isso, por que o coração acelerava toda vez que via o nome dele aparecer na tela?
Por que sentia falta da voz dele nos dias em que não se falavam?
E, principalmente, por que o sorriso dele fazia o mundo parecer um lugar mais leve?
Fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos. Precisava dormir, pensar com clareza no dia seguinte. Mas enquanto o sono não vinha, ela se deu conta de que a maior confusão não estava nos gestos dele.
Estava nela.
Estava em como, sem perceber, começou a desejar que ele respondesse as mensagens rápido. Que pedisse para vê-la de novo. Que dissesse, de um jeito ou de outro, que também estava confuso.
Talvez ela estivesse mesmo começando a gostar de Woo-seok de verdade mesmo, como uma pessoa normal, não algo platônico. E isso... era assustador.
— , você tá sentada? A voz animada da Suyeon, sua supervisora no estágio, soava com uma urgência elétrica.
— Tô… por quê? — Não estava, mas o fez quando a mais velha questionou.
— Acabaram de te escalar pra um evento da Maison Eun. É uma sessão fechada de lançamento da nova coleção e, adivinha só, você vai ser stylist da equipe responsável pelos ajustes finais nos modelos e… no embaixador da marca.
— Quem é o embaixador? — perguntou, já com o coração acelerando.
— Byun Woo-seok.
O nome foi suficiente para que ela se levantasse num pulo, derrubando o caderno do colo.
— Você tá brincando! — Aquilo era surreal. A oportunidade que sempre esperou.
— Queria eu estar. Vai ser na sexta. E, … esse é o tipo de oportunidade que muda um portfólio. Então dá teu nome, tá?
Na sexta-feira, o estúdio da Maison Eun estava fervendo. Equipes de iluminação, fotografia e design circulavam em sincronia precisa. As araras exibiam peças dramáticas, modernas e impecavelmente alinhadas.
ajeitava os últimos detalhes de um dos casacos de linho quando sentiu a movimentação mudar. Todos olharam discretamente para a entrada, e ele chegou.
Byun Woo-seok usava um blazer de alfaiataria preta com recortes modernos, cabelo levemente bagunçado e aquele sorriso que parecia sempre prestes a provocar alguma travessura.
— Olá — ele disse, sorrindo assim que a viu. — A stylist mais talentosa de Seul me aprontando pra mais um evento?
Ela tentou não corar.
— Vou fazer o possível pra manter sua reputação intacta. — Acho que vai é deixar minha imagem ainda melhor.
Ambos riram. A sintonia entre eles parecia ainda mais afiada, mesmo depois de tantos encontros recentes. Havia algo silencioso crescendo ali — uma familiaridade delicada, envolta em olhares que duravam um segundo a mais e sorrisos contidos demais para serem apenas profissionais.
Durante a sessão de fotos, mantinha-se próxima para pequenos ajustes. A cada toque no tecido, no colarinho, na manga… sentia as mãos tremerem um pouco. Em dado momento, ele baixou o tom da voz e sussurrou:
— Tô me acostumando a ter você por perto, sabia?
Ela fingiu não ouvir, mas o arrepio na espinha entregava tudo.
O evento correu impecável. Poucos convidados seletos, flashs estrategicamente disparados, apresentações silenciosas dos looks e encerramento com coquetel leve.
A equipe desmontava o cenário do evento com pressa. A passarela da nova coleção da Maison Eun, uma marca de luxo coreana da qual Woo-seok era embaixador, estava sendo retirada peça por peça. ajeitava os últimos cabides, organizando cada look com cuidado profissional, embora seu estômago estivesse uma bagunça.
Trabalhar com ele de novo já era algo que não esperava. Quando o produtor do evento ligou dizendo que ela tinha sido escalada como a stylist da equipe de apoio, seu coração quase saiu pela boca. E, claro, ao chegar lá e vê-lo entrando sorridente, usando um dos looks que ela mesma preparou, sentiu que o chão ameaçava sumir sob seus pés.
— Impressionante como você sempre me faz parecer melhor do que sou — ele comentou no camarim, olhando o reflexo no espelho.
— A roupa ajuda, mas o carisma é todo seu — respondeu, tentando manter a naturalidade, mesmo com a respiração acelerada.
Agora, com todos indo embora, a tempestade do lado de fora impedia a saída de muitos. Os mais apressados já tinham corrido até os carros ou pegaram caronas improvisadas. saiu do camarim por último, fechando os zíperes dos estojos de acessórios.
Ao empurrar a porta de volta para o saguão principal, percebeu que as luzes já estavam apagadas e as portas… trancadas.
— Como assim? — murmurou, puxando a maçaneta. — Não…
— ? — A voz familiar ecoou pelo espaço escuro. Ela se virou e deu de cara com Woo-seok, parado com a jaqueta dobrada no braço e uma expressão confusa. — A porta da lateral também está trancada — ele disse. — Você também ficou?
— É. Parece que ninguém percebeu que ainda estávamos aqui — respondeu, rindo de nervoso.
— Bem... estamos oficialmente presos.
O silêncio se instalou por um instante. Do lado de fora, o som da chuva batendo no vidro criava uma trilha sonora cinematográfica demais para o gosto dela. Woo-seok se aproximou, encostando-se em uma das colunas, com as mãos nos bolsos.
— Nunca fiquei preso num desfile antes. Deve ser a primeira vez de algo assim.
— Nunca fiquei presa com um embaixador da marca depois de um desfile — ela respondeu, meio envergonhada.
— Então estamos empatados.
Ambos riram.
Minutos depois, sentaram-se no pequeno lounge montado no fundo da sala, agora abandonado. As luzes de segurança criavam uma penumbra confortável, quase íntima.
— Aquele jantar ainda está no topo da minha lista de noites favoritas — ele comentou, quebrando o silêncio de novo. — Acho que a gente se dá bem fora do mundo maluco que gira ao nosso redor.
— Eu também acho — ela respondeu baixinho.
— Posso te perguntar uma coisa? — Ele virou o rosto devagar, observando-a.
Ela assentiu.
— Você anda diferente. Mais quieta comigo. Menos… leve.
Ela arregalou os olhos, surpresa pela percepção dele.
— Não é nada — tentou negar. — Só tô focada no curso.
— Não. É mais do que isso. Eu… eu sinto que tem uma parede entre a gente agora. E sinceramente, , não quero isso.
Ela suspirou, deixando a cabeça pender para trás no sofá.
— Não é uma parede. É só… medo. Eu não sei o que estou fazendo, Woo-seok. Eu não esperava gostar de você assim.
A confissão caiu entre os dois com o peso de uma tempestade interna. Ele não disse nada por alguns segundos, apenas a olhou, sério.
— E você acha que eu sei?
riu, nervosa, mas os olhos dela estavam marejados.
— Eu fico tentando racionalizar tudo, sabe? Dizer que é só amizade, que você é só gentil, que isso tudo é só uma fase.
— E quando a fase não passa?
Ela o encarou, surpresa.
— Porque pra mim… já passou da fase. E não tem como voltar. Não depois de tudo o que a gente viveu. Não depois de você — ele completou, com a voz baixa.
— Woo-seok…— O coração dela disparou. O ar parecia pesado, denso, mas de um jeito bom. Carregado de sentimento.
— Eu não tô dizendo isso pra te pressionar. Mas eu tô dizendo porque… se você sentir o mesmo, eu preciso saber.
Ela não respondeu com palavras.
Apenas se inclinou devagar, como se o mundo ao redor deixasse de existir. E, no instante seguinte, os lábios dele estavam nos dela — calmos, suaves no começo, até a urgência da confissão transbordar e o beijo se aprofundar.
Era o tipo de beijo que dissolvia todas as dúvidas.
Que respondia todas as perguntas não feitas.
Que dizia: sim, eu também.
E quando se afastaram, os olhos ainda fechados e as respirações entrecortadas, sussurrou:
— E agora?
— Agora… a gente vê pra onde isso vai. — Woo-seok sorriu.
— Eu não sei o que tá acontecendo comigo — soltou, deitando de lado no futon improvisado na sala, onde ela e as meninas tinham combinado uma noite só delas. Ramen, refrigerante e confissões.— Quer dizer, eu sei — completou, olhando pro teto. — Eu só não sei lidar.
— Você gostou do beijo — Jin-ae foi direta, segurando uma coxinha da padaria brasileira favorita de .
— Sim. — murmurou, fechando os olhos. — Muito. E ele também, pelo visto.
— Aaaaah! — Soo-jin vibrou, se jogando de barriga pra baixo no tatame, com os olhos brilhando. — Então é real, mesmo! Você e ele, tipo, ele mesmo! O ator! O ícone! O Woo-seok!
— Mas ELE é o Woo-seok, gente! — gritou, como se aquilo explicasse tudo. — Entende? Ele é lindo, famoso, talentoso, carismático, gentil, inteligente... e eu sou... eu!
— Você é — Soo-jin respondeu, simples.
— Brasileira, linda, engraçada, carismática e criativa — completou Jin-ae, apontando com os hashis. — E ele não tá cego, viu? Ele tá completamente na sua.
cobriu o rosto com a almofada.
— Eu tô com medo — confessou, com a voz abafada. — Medo de me iludir, medo de não ser suficiente, medo dele perceber que foi só curiosidade... sei lá. Que se arrependeu.
— Ele te beijou, disse que quis, que gostava de você e ainda apareceu no campus da faculdade, no meio de um mar de alunos histéricos, só pra te ajudar a passar um trabalho — Jin-ae enumerou nos dedos. — Se isso for só curiosidade, então eu quero uma dessa também.
— Vocês não entendem... ele é de outra cultura. Tem uma carreira consolidada aqui. Eu sou só uma estrangeira anônima. Tem um abismo entre a gente.
— Então pula com ele — Soo-jin falou, e as duas outras se viraram pra ela, surpresas.
— Como assim? — perguntou.
— Se tem um abismo, pula. Se joga. Ele tá segurando sua mão, não tá? Você vai viver fugindo porque é difícil? Ou vai tentar descobrir o que tem do outro lado?
O silêncio caiu, pesado, mas cheio de significado. olhou para o teto por mais alguns segundos. Respirou fundo.
— Eu só... não quero me machucar.
— A gente nunca quer — Jin-ae falou, mais suave. — Mas às vezes, a única forma de viver algo de verdade é se arriscar. E se você não fizer isso agora, vai ficar se perguntando o “e se...” pra sempre.
sentou-se, encarando as duas.
— Então vocês acham que eu devo...?
— Ir atrás dele — Soo-jin respondeu.
— E se permitir — completou Jin-ae.
— Vocês são péssimas influências. — Ela mordeu o lábio, um sorriso tímido surgindo.
— A gente só quer ver o casal do século acontecer. — Soo-jin piscou.
— Meu Deus, não cria ship! — riu, mas pela primeira vez em dias, o riso foi leve. Cheio de esperança.
Talvez... talvez ela realmente estivesse pronta para pular.
Ela não sabia exatamente o que esperava. Talvez que ele não estivesse em casa. Ou que tivesse mudado de ideia. Ou, quem sabe, que aquele beijo tivesse sido só um momento de impulso, e ele teria seguido em frente.
Mas quando a porta do estúdio se abriu e o rosto de Woo-seok surgiu, o tempo pareceu segurar o fôlego.
— ? — a surpresa dele foi suave, como uma nota em tom menor. E então um sorriso lento tomou conta de seu rosto. — Eu achei que você fosse fugir pra sempre.
— Eu considerei. Mas minhas amigas são péssimas conselheiras. — Ela riu com nervosismo, segurando firme a alça da bolsa.
— Eu devia agradecer a elas então. — Ele se afastou, abrindo espaço para que ela entrasse.
O estúdio estava com aquela luz amarelada de fim de tarde, cortada pelas cortinas semiabertas. Havia um leve cheiro de café no ar, e uma playlist instrumental tocava baixinho ao fundo.
— Eu fiquei pensando muito — ela começou, sem nem se sentar, de pé, no meio da sala. — Sobre o beijo. Sobre o que você disse. Sobre mim. Sobre você...
— E o que você concluiu? — Woo-seok se aproximou devagar, as mãos nos bolsos.
— Que eu gosto de você. Gosto de verdade. Mas eu tenho medo. E eu não tô dizendo isso pra fugir. Tô dizendo porque... eu queria que você soubesse. — Ela o encarou, os olhos hesitando.
— ... você é a primeira coisa que me faz sentir vivo em muito tempo. — Ele assentiu devagar. Depois deu mais um passo, parando diante dela. Ela franziu o cenho, surpresa com a intensidade da resposta.— Eu nunca imaginei me apaixonando por alguém tão diferente de mim. Tão de outro mundo. E ao mesmo tempo, tão parecida. — Ele sorriu de leve. — Não quero te apressar. Nem te forçar. Mas quero que saiba que o que eu sinto é real. Eu gosto de você. E não me arrependo de ter te beijado. Eu queria aquilo. Ainda quero.
Ela ficou em silêncio por um tempo. E então, respirou fundo.
— Eu não sei o que a gente vai ser, Woo-seok.
— Nem eu.
— Mas... eu não quero fugir.
— Então fica. — Ele sorriu, e estendeu a mão.
Ela olhou para a mão dele por um segundo. Depois, entrelaçou os dedos nos dele.
— Eu tô com medo — confessou.
— Eu também. Mas, ... eu estou aqui, se você quiser ficar.
E pela primeira vez desde que tudo começou, ela sentiu que podia.
Ficar.
Epílogo – Novo casal no radar
[DISPATCH EXCLUSIVE]
Byun Woo-seok está namorando? Ator é visto com suposta namorada não famosa.
> Foi em uma noite chuvosa de outono que nossa equipe registrou o que parece ser um encontro discreto do ator Byun Woo-seok com uma jovem misteriosa.
As imagens foram captadas na saída de um restaurante aconchegante no bairro de Hannam-dong. Os dois caminhavam juntos, trocando sorrisos e dividindo o guarda-chuva enquanto entravam no prédio do ator.
Segundo fontes próximas, a jovem não pertence ao meio artístico e trabalha como stylist freelancer. Os dois estariam se conhecendo há alguns meses e, embora discretos, demonstram estar bastante próximos.
Ao ser procurada, a agência de Byun Woo-seok declarou:
“Esse é um assunto pessoal do artista. Pedimos compreensão e respeito à sua privacidade.”
Fãs já demonstram apoio nas redes sociais, desejando felicidade ao ator. Enquanto isso, a identidade da jovem segue sendo protegida.
O celular vibrou em cima da mesinha de centro. , enrolada no cobertor, se esticou para pegar e arregalou os olhos ao ver a enxurrada de mensagens.
— Woo-seok... a gente foi pego.
— Dispatch? — Ele, sentado atrás dela no sofá, espiou a tela por cima do ombro.
— Dispatch! Com direito a fotos e tudo. — Ela virou o rosto pra ele. — A gente dividindo o guarda-chuva foi um golpe baixo.
Woo-seok riu e puxou o celular para ler a matéria inteira. Conforme passava pelas fotos e trechos do texto, soltava comentários baixos.
— Essa foto tá boa. — Apontou. — Você parece misteriosa. Estilo personagem de drama.
— Estou em choque real — disse ela, jogando o celular no sofá. — E agora?
Ele deu de ombros.
— Agora? Agora a gente come o resto do tteokbokki, dá um beijo e decide se eu solto uma nota oficial.
— Você falaria sobre mim?
— Eu falaria que estou namorando alguém que me faz muito feliz. — Ele se aproximou e encostou a testa na dela. — E que quero protegê-la, então não vão ter fotos novas tão cedo.
— A gente é tipo o final alternativo dos doramas, né? — riu, os olhos brilhando.
— Não. — Ele beijou a ponta do nariz dela. — A gente é só o começo.
E então, entre risadas e beijos roubados, os dois afundaram no sofá, longe dos flashes, perto o suficiente para não precisarem de palavras.
Ela tinha deixado o Brasil atrás de si, em busca de um sonho. O design de moda sempre foi sua paixão, e estudar em Seul parecia ser a melhor oportunidade. Mas, ao contrário do que ela imaginava, não era tão fácil quanto pensava. A língua, os costumes, até a comida… tudo parecia pedir um tempo para ser entendido e aceito. As ruas lotadas e a velocidade da cidade faziam ela se sentir pequena, distante, como se estivesse perdida em um mar de rostos desconhecidos.
"Você vai adorar Seul, . Vai ser uma experiência única!", disse sua amiga de faculdade, antes dela partir. Mas ninguém mencionou como seria difícil se encaixar em uma cultura tão diferente, onde as palavras soavam como um enigma e a rotina frenética parecia nunca dar uma pausa.
Ela pegou sua mochila e desceu do táxi na frente de seu novo apartamento, um prédio moderno e elegante, mas com uma aparência fria, distante. Ao entrar, sentiu a diferença de temperatura – o clima era mais ameno que o calor que deixara no Brasil, mas de uma maneira que não conseguia entender. Era como se tudo aqui fosse feito de uma forma diferente, como uma realidade paralela onde ela ainda não se encaixava completamente.
Dentro do apartamento, as primeiras semanas foram um turbilhão de emoções. Ela passava os dias tentando se acostumar com os horários de aula, com a comida (que nunca parecia tão boa quanto as fotos no menu) e com a solidão silenciosa que acompanhava o ambiente novo. À noite, se perguntava se fizera a escolha certa, se realmente conseguiria se ajustar àquela vida.
Mas havia algo que a mantinha lá. Algo sobre Seul, algo na cidade, que a chamava. Ela sabia que ainda estava no começo e, talvez, a sensação de estranhamento fosse parte disso. Era só questão de tempo até que as coisas começassem a fazer sentido. E talvez, quem sabe, esse lugar onde se sentia tão pequena pudesse se tornar algo mais familiar.
A rotina começou a se ajustar com o tempo. As manhãs já não pareciam tão confusas, e o metrô, que antes parecia um labirinto assustador, agora era quase automático. já tinha até um lugar favorito na cafeteria da esquina do campus — um cantinho perto da janela, onde podia observar o movimento das pessoas enquanto tomava seu latte (que ela ainda achava meio aguado, mas já era um progresso).
Naquela semana, uma nova fase começou: as aulas presenciais. Diferente do que imaginava, a turma era mais acolhedora do que esperava, cheia de estudantes coreanos e estrangeiros, todos com sotaques diferentes e sonhos parecidos. O tecido escorregava entre os dedos de enquanto ela tentava, pela terceira vez, entender as instruções da professora. Era uma tarefa simples: criar um molde básico para uma saia, mas o vocabulário técnico em coreano ainda a deixava perdida.
— Você tá fazendo do lado errado — disse uma voz divertida ao lado dela, num tom tão casual que pareceu até familiar.
olhou para o lado e viu uma garota com o cabelo pintado de lavanda e grampos em forma de estrelas, observando sua modelagem com os braços cruzados.
— Como assim? — perguntou , tentando não parecer desesperada.
— A linha do molde tá invertida. A costura vai ficar toda torta. Mas relaxa, todo mundo erra no começo. Eu sou Jin-ae, e você é a brasileira que chegou semana passada, né?
assentiu, já sorrindo.
— , mas pode me chamar de . — Ela sorriu mais uma vez… você é tipo… expert nisso, né?
— Claro que não, eu só erro menos agora — disse Jin-ae, piscando. — Quer ajuda?
Minutos depois, as duas estavam sentadas lado a lado, rindo da forma como tentava repetir os nomes das ferramentas em coreano. Jin-ae se empolgava, desenhando no próprio caderno explicações rápidas, enquanto decorava tudo com adesivos brilhantes.
No intervalo, foi surpreendida por uma bandeja sendo colocada bem ao lado da sua, no refeitório. Uma garota de feições sérias e cabelos perfeitamente presos num rabo de cavalo se sentou, sem falar nada. Só depois de duas mordidas no seu kimbap, ela olhou para .
— Você cortou a saia enviesada. Vai ter que refazer — disse, olhando para a tela do celular onde aparecia uma foto do trabalho da brasileira.
— Oi pra você também — respondeu , piscando devagar.
— Essa é a Soo-jin — disse Jin-ae, surgindo do nada com uma lata de café gelado na mão. — Ela é uma gênia fria, mas no fundo é uma fofa. Bem no fundo.
— Eu tô aqui ainda, viu — respondeu Soo-jin, revirando os olhos antes de encarar . — Eu vi que você tá indo bem. Só precisa parar de usar fita crepe como se fosse alfinete.
riu, aliviada. Aquele era o tipo de comentário que, dito por outra pessoa, soaria ofensivo. Mas na boca de Soo-jin, era quase um elogio.
Daquele dia em diante, as três viraram uma pequena gangue. Estavam sempre juntas na saída da aula, andando pelas ruas do campus com sacolas de tecidos coloridos e copos de chá gelado. Um dia, Jin-ae as arrastou para uma loja de segunda mão no centro de Hongdae, onde passou horas revirando cabides.
— Isso aqui é ouro puro! — exclamou, segurando um blazer masculino xadrez. — , você precisa experimentar isso!
— Mas isso é do tamanho de um armário…
— Justamente! Oversized! Vai ficar incrível com aquele seu jeans rasgado!
Já Soo-jin preferia sentar em cafés silenciosos com boa iluminação natural. se surpreendeu ao ver que a garota de aparência tão controlada desenhava croquis cheios de emoção e movimento, com olhos grandes e expressivos.
— Esses personagens são seus? — perguntou, curiosa.
— São. Tô criando uma coleção baseada em personagens de manhwa que nunca existiram. Mas não sei se tenho coragem de mostrar pra professora ainda.
— Você deveria mostrar, tá lindo demais — respondeu , genuinamente encantada.
Naquela noite, ao voltar para casa, se jogou no colchão com um leve sorriso no rosto. Ainda era difícil, ainda sentia falta de casa, mas agora, não se sentia mais sozinha. Havia risadas, conselhos estranhos, cafés compartilhados, e nomes que antes eram apenas rostos em uma sala, agora faziam parte da sua rotina.
Ela não sabia ainda, mas essas amizades seriam parte fundamental do que viria a seguir. E entre linhas tortas e costuras improvisadas, a vida estava se ajeitando… devagar, mas do jeitinho dela.
e suas amigas estavam em um café moderno no centro de Seul, aproveitando o intervalo do curso para relaxar e conversar. O local tinha um ambiente acolhedor, com decoração minimalista e a luz suave de lâmpadas de filamento. Enquanto Jin-ae mexia no celular e Soo-jin rabiscava no caderno, se distraía com seus pensamentos, mas logo a conversa tomou um rumo familiar.
— Eu assisti aquele dorama recentemente, Passarela dos Sonhos. Não sei como alguém pode se empolgar tanto por um ator como o Byeon Woo-seok. — Jin-ae comentou, fazendo uma expressão de desdém, mas sorrindo.
engoliu em seco, tentando parecer descontraída, mas seu coração deu uma acelera. Quando se tratava de Byeon Woo-seok, ela não conseguia esconder o quanto o admirava, mesmo que nunca tivesse compartilhado isso com ninguém.
— Ah, eu acho ele… interessante — respondeu, sem querer parecer muito entusiasta, mas sua voz traiu a empolgação que estava tentando esconder.
Jin-ae riu ao perceber o tom da amiga.
— Eu sabia! Você tem um fraco por ele! — Jin-ae provocou, brincando. — Fica vendo dorama e fica com cara de tonta quando ele aparece, eu ja percebo. Já é hora de assumir, !
Soo-jin, que estava mais quieta, sorriu suavemente, sem dizer uma palavra. Ela já conhecia a amiga o suficiente para perceber o tom tímido.
— Vai, . Confessa logo, todo mundo tem um ator platônico. Eu mesma sou fã do Park Seo-joon — Soo-jin comentou com um sorriso travesso.
tentou disfarçar a vergonha com uma risada.
— Eu assisti Passarela dos Sonhos quando estava no Brasil, e sim, confesso, ele foi meu crush por um tempo. O jeito como ele interpretava aquele modelo arrogante que escondia uma vulnerabilidade... Era difícil não se encantar. — Ela deu de ombros, tentando dar a impressão de que aquilo não era nada demais, mas seu rosto ainda estava corado. — E agora em Adorável Corredora, Vocês precisam concordar comigo, o personagem dele é um fofo.
Jin-ae olhou para ela com um sorriso maroto.
— Eu sabia! E me conta, você adorava a relação de amor e ódio dele com a protagonista, né? Não me venha dizer que não — ela provocou, rindo.
— Acho que o que me chamou atenção mesmo foi o estilo dele. Mesmo sendo modelo, ele tinha um ar meio… fora do comum. Algo mais natural, sem aquele excesso de glamour que muitos atores têm. — deu um pequeno sorriso, lembrando-se dos momentos intensos do dorama, mas tentou mudar de assunto.
Soo-jin assentiu, mas com uma expressão mais séria.
— A moda nos doramas está cada vez mais interessante, né? Não só as histórias, mas os personagens também são construídos de maneira que as roupas realmente falam muito sobre eles. — Soo-jin comentou, desviando a conversa para o estilo no geral.
sorriu agradecida por não precisar continuar falando sobre Byeon Woo-seok, mas sabia que ela jamais se livraria daquele pequeno "segredo". Na verdade, ele era mais do que um crush platônico; ele representava algo que ela sempre admirou de longe.
O tempo passou, e as amigas continuaram a conversar sobre outros assuntos, mas uma coisa estava clara na mente de : o nome Byeon Woo-seok ainda fazia seu coração acelerar, e algo dentro dela sentia que o destino poderia reservar algo mais. Ela não sabia como ou quando, mas talvez o futuro tivesse algo para ela nesse universo de doramas e moda.
No dia seguinte, enquanto arrumava seus materiais para a aula, recebeu uma notificação que fez seu coração disparar. Era uma mensagem de Jin-ae.
“, você não vai acreditar. Acabei de falar com a coordenadora de um evento de premiação e você foi chamada para trabalhar como figurinista! Eles precisam de alguém para cuidar do look de um dos artistas mais famosos do momento. Você precisa estar lá amanhã. Só que… não sei quem é o artista ainda.”
O celular quase escorregou das mãos de . Ela leu a mensagem várias vezes, tentando processar o que estava acontecendo. Trabalhar em um evento de premiação era uma oportunidade única, mas o fato de não saber quem seria o artista a deixou ainda mais ansiosa. Seu estômago se revirou, mas ao mesmo tempo, ela sabia que isso era tudo o que ela queria. Uma chance de mostrar seu trabalho e talvez, quem sabe, se aproximar de um mundo que sempre admirou de longe.
Ela rapidamente respondeu:
”Isso é uma brincadeira? Eu não sei nem por onde começar a me preparar!”
Jin-ae respondeu quase imediatamente. “Não é brincadeira, amiga. Você vai arrasar, confia em mim. Só me avise se precisar de alguma coisa. Boa sorte!”
respirou fundo, sentindo uma onda de nervosismo, mas também um brilho nos olhos. Ela não sabia quem seria o artista, mas de uma coisa ela tinha certeza: algo grande estava prestes a acontecer. Algo que ela jamais imaginou que fosse viver em Seul.
O dia amanheceu nublado em Seul, mas para , tudo parecia iluminado demais. O nervosismo fazia sua pele formigar. Ela se arrumou com capricho: cabelo preso de forma prática, maquiagem leve e uma roupa discreta, mas profissional. O crachá com seu nome pendurado no pescoço parecia pesar mais que o normal.
Chegou ao COEX Artium, onde aconteceria o Blue Dragon Series Awards, um dos maiores eventos de premiação de dramas coreanos. já tinha pesquisado tudo sobre ele na noite anterior — o glamour, os convidados, os figurinos ousados, os bastidores corridos. Agora, era uma das engrenagens daquela imensa máquina.
— Você deve ser a ! — disse uma mulher com dificuldade o nome dela. Ela usava uma máscara, e estava com prancheta na mão. — Me siga, vou te levar ao camarim que você vai ajudar a coordenar.
assentiu com um sorriso tenso e acompanhou a mulher pelos corredores movimentados. Viu maquiadores, cabeleireiros, assistentes correndo com cabides, atores andando de um lado para o outro com pressa, seguranças organizando os caminhos. Era tudo caótico e fascinante ao mesmo tempo.
Pararam em frente a uma porta com um nome coberto por um adesivo preto.
— Você vai ser responsável por um dos artistas mais aguardados da noite — a mulher comentou, casualmente. — Mas ele ainda não chegou. Os figurinos estão no cabide à direita. Qualquer dúvida, fale comigo. Volto em breve.
E sumiu.
respirou fundo e entrou no camarim. O espaço estava silencioso, perfumado, com espelhos iluminados e araras com roupas impecáveis. Ela passou os dedos pelos tecidos, analisando os cortes e os ajustes a serem feitos. Era uma roupa masculina, elegante, mas com detalhes ousados. Algo que só alguém com muita presença conseguiria vestir.
Estava tão concentrada ajustando as mangas da jaqueta que não ouviu a porta abrir.
— Com licença — disse uma voz masculina e calma atrás dela.
se virou devagar, ainda segurando a peça de roupa, e ali estava ele.
Byeon Woo-seok.
Em carne, osso e sorriso gentil.
Seu cérebro travou por dois segundos. Ela piscou, sem saber se devia rir, chorar, ou fingir que não reconhecia quem era.
— Ah, você deve ser a stylist de hoje. Muito prazer. — Ele inclinou levemente a cabeça, simpático, e deu um sorriso.
forçou um sorriso, tentando manter a postura profissional enquanto o coração batia desgovernado.
— … Digo, . Muito prazer. — Ela estendeu a mão, e ele apertou com delicadeza.
— . Nome bonito. É estrangeira né? Americana? — Ele parecia genuinamente interessado.
— Sou, sim. — respondeu sorrindo. — América do Sul, brasileira para ser mais exata.
— Gosto do português. Tem um som bonito. — Ele sorriu de novo e tirou o casaco que usava. — Então, por onde começamos?
Ela pegou a roupa no cabide e estendeu para ele, ainda meio em transe.
— Podemos começar com a prova da jaqueta. Se precisar ajustar alguma coisa, eu resolvo.
Enquanto ele trocava de roupa atrás do biombo, tentava recuperar o fôlego. Era ele. O amor platônico. O ator que ela comentou com as amigas dois dias antes. E agora estava ali, trocando de roupa a menos de dois metros de distância dela.
Byeon voltou com a jaqueta nos ombros e se aproximou do espelho. Virou-se de lado, depois de frente. A jaqueta caiu perfeitamente em seu corpo alto e elegante.
— Uau. Ficou ótima — ele disse, olhando para o reflexo.
— Você que faz ela parecer ótima — respondeu, antes de perceber o que tinha dito.
— Obrigado. Foi sincero, né? — Ele virou-se para ela, surpreso com o elogio espontâneo, e riu.
— Foi. Desculpa, às vezes eu falo sem pensar. — Ela riu também, envergonhada.
— Gosto disso. Pessoas sinceras. E com sotaque.
Ela não conseguiu evitar um sorriso bobo.
E então o celular dele vibrou.
— Me dá cinco minutos lá fora. Já volto. — Disse com naturalidade antes de sair.
ficou sozinha no camarim, ainda segurando uma fita métrica e o que restava de sua dignidade.
— Tá. Isso… tá acontecendo mesmo — murmurou, sentando-se devagar em uma das cadeiras.
As horas pareciam correr em velocidade diferente dentro dos bastidores do Blue Dragon Series Awards. O brilho da cerimônia contrastava com a correria nervosa atrás das cortinas. E em meio ao barulho de saltos, tecidos e rádios chiando, tentava manter o foco nas peças que precisava revisar antes que seus atores entrassem no palco.
— ! — a voz de Jieun veio urgente no ponto. — O botão do terno do Woo-seok estourou. Você já ajustou a roupa dele mais cedo, lembra? Vai lá rápido. Ele tá no camarim B-4.
Ela parou por um segundo.
Claro que lembrava.
Como esquecer o homem de sorriso gentil e voz calma, que agradeceu pessoalmente enquanto ela ajeitava a jaqueta que insistia em cair estranho nos ombros dele?
Segurando a bolsinha de emergência — linhas, agulhas, alfinetes, fita dupla face — ela foi, desviando de técnicos, cabos e produtores. Quando chegou à porta indicada, bateu duas vezes.
— Pode entrar — veio a voz abafada, inconfundível.
Ela empurrou a porta e o encontrou de costas, diante do espelho, segurando o terno preto com um botão pendurado por um fio.
— Você de novo — ele comentou, olhando para ela pelo reflexo e sorrindo.
— Começando a achar que sua roupa tá conspirando pra eu virar sua stylist particular.
— Se for você, não me importo. Mas acho que vou precisar de um resgate.
— Ainda bem que o botão caiu. Se fosse rasgo, ia dar mais trabalho. — segurou a peça, avaliando o dano. — Posso?
— Claro. Manda ver. — Ele soltou uma risada curta, e se sentiu estranhamente confortável.
Sentou-se numa das cadeiras, com ele ao lado. A tensão do evento parecia suspensa ali dentro. Woo-seok observava os movimentos rápidos dela, os dedos firmes e seguros, e o modo como franzia um pouco o nariz quando cortava o excesso da linha.
— Então, ... você veio de longe né? — Ele parecia interessado no fato dela ser estrangeira.
— Só doze horas de diferença. — Ela riu e ele também
— Eu gosto do seu sotaque, eu já disse isso? — comentou. — Tem uma musicalidade diferente. É legal.
Ela não respondeu de imediato. O botão estava preso, perfeito, e ela ajeitou com cuidado o restante do blazer.
— Pronto. Sem riscos de descosturar mais.
— Você é boa nisso. — Estava admirado como parecia que nada tinha acontecido com a roupa.
— Eu sou boa em várias coisas — disse, com um meio sorriso provocador.
— Tá se gabando? — Ele riu de novo, agora mais abertamente.
— Talvez só um pouco. É o mínimo depois de salvar seu terno duas vezes na mesma noite.
Ele pegou o blazer, vestindo-o de novo. se levantou, começando a recolher as coisas. Mas ele hesitou um instante.
— Posso ser direto? — perguntou.
— Pode. — Ela o encarou, curiosa.
— Posso pegar seu número? — Disse simples, como quem pedia pãezinhos na padaria. — Ela piscou, surpresa, e ele levantou as mãos, em defesa. — Calma, não tô flertando — disse, com um sorriso no canto da boca. — Bom… talvez um pouco. Mas é que… você foi legal, e é difícil encontrar gente assim nesses eventos. Gente de verdade, sabe?
— Tá. Mas só porque você perdeu um botão e manteve o bom humor. — Ela suspirou, fingindo pesar a decisão.
— E porque sou bonito? — Disse descontraído.
— Nem tanto. Já vi melhores. Sabe, o Seo-Joon é perfeito, estive com ele minutos antes de vir te salvar. — disse, soltando uma risada e entrando no clima.
— Aquele cara é bem bonitão mesmo. — Byeon riu e estendeu o celular. Ela digitou seu número e salvou com o nome " Jaqueta". — Vou te chamar se o botão da calça estourar — disse, piscando antes de sair do camarim.
Ela ficou alguns segundos parada depois que ele saiu, ainda segurando a bolsinha de costura contra o peito.
O despertador tocou às 8h, mas já estava acordada. A lembrança da noite passada ainda rodava em sua mente como uma daquelas músicas que grudam. Ela encarou o teto por um instante, depois sorriu sozinha antes de se arrastar até a cozinha comunitária do dormitório.
Lá, Jin-ae e Soo-jin já estavam sentadas com tigelas de cereal. Era sábado, o que significava folga do curso — e tempo para fofocas.
— Olha só quem resolveu dar as caras — Jin-ae provocou, levantando uma sobrancelha. — Dormiu com um sorriso no rosto, aposto.
— Eu? Imagina — disse , tentando manter o tom indiferente enquanto pegava uma caneca.
Soo-jin deu risada.
— Aham. Vai mentir pra mim? Você chegou ontem toda misteriosa. O que rolou no camarim, hein?
— Nada demais. Eu fiquei responsável pelo figurino do Woo-seok e depois o botão da roupa dele estourou, e me mandaram consertar. Só isso. — se sentou à mesa, suspirando.
— Só isso? — Jin-ae largou a colher. — Você ficou trancada num camarim com o Byeon Woo-seok duas vezes e vem me dizer que foi "só isso"? se sentou à mesa, suspirando.
— Não foi tão trancada assim a porta estava aberta. Ele só me chamou, conversamos um pouco… se sentou à mesa, suspirando.
— E? — Soojin interrompeu.
fingiu olhar para as unhas, dramatizando a pausa.
— E ele pediu meu número.
As duas gritaram ao mesmo tempo, abafando com as mãos pra não acordar as outras colegas.
— ELE O QUÊ? — Disseram Juntas, quase gritando.
— Baixem o tom! — sussurrou, rindo. — Vocês parecem fãs histéricas.
— Mas você era uma! — Soo-jin apontou, animada. — Você mesma disse que já teve um crush nele!
— Amor platônico não é histeria — corrigiu, ainda com um sorriso. — E não foi como se ele estivesse me paquerando. Ele foi gentil, disse que gostou de conversar comigo… e eu me salvei como " Jaqueta”, pra você ver o nível da seriedade.
— Isso é fofo. — Jin-ae tombou a cabeça para o lado, pensativa.
— E estranho — completou. — Ele é um ator famoso. Eu sou só… uma brasileira perdida em Seul, que costura roupas em eventos.
— E justamente por isso é legal. Não tem jogo de interesse, não tem bajulação — Soo-jin disse, animada. — É genuíno. E se ele tiver mesmo te achado interessante?
deu de ombros, levando a caneca aos lábios. Por mais que quisesse manter o pé no chão, sentia o estômago revirar só de lembrar do momento em que ele estendeu o celular.
Um número. Uma chance.
Talvez fosse só isso.
Ou talvez fosse o começo de alguma coisa inesperada.
— Se ele mandar mensagem, eu respondo — disse, enfim. — Mas sem expectativas.
— Que mentira — Jin-ae murmurou. — Você tá com cara de quem já preparou até a resposta.
riu, se levantando para lavar a caneca.
No celular, nada novo. Mas ele ainda tinha o contato salvo. E isso, por ora, já era suficiente para fazer o coração acelerar só um pouquinho.
O celular vibrou assim que se acomodou no quarto, jogando-se na cama com o notebook apoiado no colo. O som do aviso de mensagem foi quase ignorado — ela pensou que fosse do grupo da turma —, mas ao desbloquear a tela, o nome que apareceu a fez congelar por um segundo.
Número desconhecido:
”Ei, é o Woo-seok. O cara da Jaqueta. Salva meu número aí pra não parecer que um estranho famoso tá te mandando mensagem.
Ela não conteve o sorriso. Respirou fundo, mordeu o lábio e respondeu, tentando soar casual:
“Opa! A Jaqueta agradece pela lembrança. Número salvo, Sr. Jaqueta Estourada”.
Alguns segundos se passaram antes que a resposta viesse, como se ele estivesse mesmo pensando antes de escrever.
”Justo. Mas aviso que essa jaqueta era nova. Você me deu sorte ou azar?”
riu lendo aquilo.
”Considerando que saiu de lá inteiro e ainda ganhou meu número, acho que dei sorte pra você.
Do outro lado, ele soltou uma risada discreta no celular. , do lado dela, se encolheu sob os lençóis, rindo sozinha enquanto fingia estar calma.
”Ok, ponto pra você, Jaqueta.
ria muito que ele tinha pegado mania de chamar ela, como ela tinha salvo seu contato.
“Vai me chamar assim agora?”
A mensagem dele não demorou a chegar.
”Só até você me chamar de Sr. Jaqueta estourada em público.”
Era incrível o poder que ele tinha naquelas piadas de tio do pavê.
“Fechado. Feio é quem foge do apelido.
Os minutos seguintes passaram em meio a trocas leves, mensagens curtas e cheias de entrelinhas engraçadas. percebeu que ele era exatamente como parecia: gentil, espontâneo, e com um humor afiado que surpreendia. Nenhuma frase parecia ensaiada.
Depois de algumas piadas sobre roupas e eventos, ele mandou:
”Vai trabalhar em mais eventos essa semana? Ou vou ter que estourar outro botão pra te ver?”
riu alto dessa vez, cobrindo o rosto.
“Você pode mandar mensagem, sabia? Menos arriscado que rasgar roupa no palco.” Aquela piadinha interna deles causava muitas risadas ainda.
”Tô gostando da ideia.”
Ela ficou encarando a tela por alguns segundos. O coração batia rápido, mas havia algo confortável naquela troca — como se não estivessem em lados tão distantes quanto o mundo imaginava.
Pela primeira vez, percebeu que talvez seu amor platônico por ele pudesse, sim, ganhar contornos reais.
— Você tá com essa cara de boba desde segunda-feira — comentou Soo-jin, espiando por cima do ombro de enquanto ela sorria sozinha, encarando o celular.
— Tô nada! — escondeu o rosto com as mãos, rindo logo em seguida. — Só tô de bom humor, poxa.
— "Bom humor", tipo o de quem tá flertando por mensagem há três dias? — A coreana levantou uma sobrancelha, divertida.
— Confessa, vai — completou Jin-ae, jogando uma almofada no colo da amiga. — Quem é o sortudo?
— Não é ninguém, gente! — encolheu os ombros, mesmo sabendo que seu sorriso a entregava.
Mas, naquele instante, o celular vibrou mais uma vez.
“Vi um figurino hoje que era a sua cara. Tirei foto escondido. Posso te mandar?
Ela cobriu o rosto com as mãos novamente, abafando um grito.
— , você tá vermelha! — Soo-jin se jogou ao lado dela. — É famoso?
— Meu Deus, é famoso? — Jin-ae arregalou os olhos. — É do evento? Do Blue Dragon?
desviou o olhar.
— Não é nada demais. A gente só tá... conversando.
As amigas se entreolharam como quem tinha certeza absoluta de que não era "só conversando".
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Woo-seok riu da foto que tinha acabado de tirar. O figurino realmente parecia algo que ela criaria. Desde aquela noite na premiação, eles trocavam mensagens quase todos os dias — sobre figurinos, doramas, besteiras do dia a dia.
Não era nada escancarado. Era leve. Natural. E ele estava gostando da leveza.
No meio da conversa, respondeu:
”Se for cafona, eu vou te zoar pra sempre.
Então recebeu uma resposta rápida.
“”E se não for? Vai me dar um prêmio?”
quase soltou um grito.
“Talvez um elogio. Tipo "Woo-seok, você tem bom gosto".
Riu ainda mais da resposta dele.
“Meu ego agradece. Pode mandar mais desses.
No dormitório, bloqueou a tela do celular e tentou disfarçar o sorriso outra vez.
— Tá. — Ela se virou para as amigas. — Talvez eu esteja só um pouco interessada.
— SÓ UM POUCO? — gritaram as duas, rindo alto.
Soo-jin se inclinou, com o olhar brilhando de empolgação:
— A gente precisa de detalhes. Cenas. Prints. E se isso virar romance, eu quero ser a primeira a saber.
riu com elas, mas por dentro, sentia algo diferente. Uma conexão que crescia em silêncio, entre mensagens simples e o jeito atencioso dele. Sem exageros, sem pressa.
Era a primeira vez que seu amor platônico por alguém famoso parecia... palpável.
O som da notificação foi discreto, mas já sabia de quem era antes mesmo de olhar.
”Preciso de uma especialista em figurinos. Conhece alguma que esteja livre hoje à tarde?”
Ela riu. Sentou na mesa do café dentro do prédio da universidade e respondeu:
”Talvez. Qual o grau de emergência?”
Respondeu de imediato.
”Nível: preciso de companhia pra um café e não quero parecer carente.”
riu, chamando um pouxo de atenção para si.
”Muito sutil. Nota 10 na disfarçada.”
O celular apitou rapidamente com a resposta dele.
”Tá funcionando?” Ela logo respondeu
”Talvez.”
Corta para algumas horas depois. ajeitava o casaco ao descer na estação mais próxima ao bairro de Seongsu-dong, onde ele havia sugerido o café. Era uma daquelas cafeterias discretas, com mesas de madeira rústica, iluminação quente e poucos clientes — provavelmente escolhida a dedo por ele.
Ao entrar, não teve dúvida: ele estava de boné e máscara, com o rosto parcialmente coberto, mexendo no celular.
Ela se aproximou devagar e se sentou na frente dele sem dizer nada. Quando ele percebeu, sorriu por baixo da máscara e puxou a dela com delicadeza.
— Agora sim — disse ele. — Achei que ia levar um bolo.
— E perder um café pago por um ator? Jamais. — Ela se sentou e ele riu, tirando a própria máscara também. — Tá rindo do quê? — ela perguntou, divertida.
— De você. Da sua cara de surpresa por eu realmente ter chamado. — Ele foi direto, sempre era.
— É que... isso ainda parece meio surreal. — Ela também foi sincera quanto ao que sentia estando ali.
Woo-seok apoiou o cotovelo na mesa e a encarou por um segundo a mais do que ela estava preparada.
— Já pode parar com esse negócio de “surreal”. Eu sou só um cara tomando café com uma garota que salvou minha jaqueta da catástrofe estética.
— Você ainda tá preso nessa história? — riu alto.
— Trauma, . Preciso transformar em lembrança boa.
Eles conversaram por quase uma hora. Sobre moda, sobre como ele odiava sapatos desconfortáveis nos red carpets, sobre um papel novo que ele tinha recusado por não querer se repetir. falou do curso, das amigas, das dificuldades com o idioma, e de como às vezes sentia saudade de ouvir português.
— Fala um pouco pra mim — ele pediu, curioso. — Quero ver como soa.
Ela o encarou com uma expressão divertida e, baixinho, disse:
— Você é mais legal do que eu pensei.
— Não sei o que você disse, mas vou fingir que foi um elogio. — Ele arregalou os olhos, impressionado com a melodia da língua. Depois riu.
— Foi sim — ela respondeu, sorrindo.
Na saída, ele pagou o café mesmo com a resistência dela e se despediu com um aceno, o celular já na mão.
”Espero que tenha gostado do “evento de emergência figurino”. Tô planejando mais.”
que estava esperando o metrô logo respondeu.
”Se todos forem com café, você já tem a minha presença garantida.”
Ela caminhou de volta com o coração leve. Um encontro que parecia simples, mas que deixou algo diferente no ar.
Não era só amizade.
E talvez, só talvez... ele também estivesse sentindo.
estava organizando seus tecidos e referências visuais quando o celular vibrou com uma notificação de mensagem.
“Você tem um tempinho hoje? Preciso de uma ajuda... de figurino.”
Era Woo-seok, ela arqueou uma sobrancelha, curiosa. Antes que respondesse, outra mensagem chegou.
”Vou fazer um ensaio essa semana e queria estar com um visual diferente. Mais estiloso. É um editorial meio urbano, e o feed do Insta agradeceria.”
soltou uma risada.
”Você quer minha ajuda só para alimentar o seu Instagram?”
Logo a resposta veio.
”Óbvio que não. Mas... se eu ganhar uns likes a mais com isso, já é um bônus.”
Cerca de uma hora depois, ele chegou no pequeno ateliê improvisado que ela mantinha no dormitório. Carregava uma sacola cheia de roupas que claramente não combinavam entre si.
— Desisto — ele disse, largando a sacola no chão. — Não tenho ideia do que estou fazendo.
— Uau — começou a mexer nas peças. — Isso aqui é... uma crise de identidade fashion?
— Seja gentil, estou vulnerável — ele rebateu, sentando-se na cama, observando ela examinar cada item com olhos críticos.
Ela separou algumas peças, jogando outras de lado com um olhar firme.
— Vamos tentar uma vibe oversized, mas com contraste de textura — disse ela, pegando uma jaqueta de couro e uma calça larga com corte moderno.
— Você fala como se estivesse montando um look para uma passarela de verdade.
— Isso é uma passarela. A do seu Instagram. — Ela disse em um tom profissional.
Ele riu alto, divertido.
— Acho que estou em boas mãos.
o mandou trocar de roupa e, quando ele saiu do banheiro, ela inclinou a cabeça, observando.
— Nada mal. Agora, deixa eu ajustar essa barra.
Enquanto ela se ajoelhava para prender uma dobra da calça com um alfinete, Woo-seok ficou em silêncio, observando-a de cima. Por um momento, o clima mudou. A distância entre eles era pequena, e o toque dela em seu tornozelo parecia mais íntimo do que a situação pedia.
— ... — ele disse, baixo.
Ela levantou os olhos. Um breve segundo em que os dois ficaram imóveis. Mas, como sempre, ele disfarçou com um sorriso.
— Você deveria abrir sua própria marca. Sério. É talento demais pra guardar só pra esses freelas.
Ela sorriu de volta, escondendo o rubor que subia pelas bochechas.
— Um passo de cada vez, Woo-seok.
O sábado chegou preguiçoso. estava deitada no futon com o notebook no colo quando a tela do celular acendeu: chamada de vídeo de Woo-seok.
— Feijão. Urgente. Socorro. — dizia a legenda da ligação.
— O que você aprontou dessa vez? — Ela atendeu rindo.
A imagem revelou Woo-seok com um avental amarrado torto e uma expressão de puro desespero. No fundo, uma panela borbulhava em algo que parecia... perigoso.
— Eu tentei fazer feijão. De verdade. Encontrei uma receita brasileira no YouTube e fui otimista demais.
— Meu Deus — ela levou a mão à boca para conter o riso. — Isso tá com mais cara de poção mágica do que feijão.
— Tô me sentindo humilhado.
— Calma, MasterChef, eu vou te guiar.
Durante os vinte minutos seguintes, ela explicou passo a passo como salvar o feijão, com pausas para rir das caretas dele, dos erros bobos e das tentativas atrapalhadas de parecer um bom cozinheiro.
— Agora me diz — ele falou ao final, colocando a tampa na panela — você cozinha bem assim com todo mundo ou só comigo?
— Só com quem tenta me envenenar com comida mal feita. — Ela riu
— Ufa, me senti especial agora. — Ele também.
Eles continuaram conversando mesmo depois de resolverem o problema culinário. A ligação virou papo solto, sobre infância, vergonha alheia de fotos antigas e sonhos idiotas como “comprar uma kombi e sair viajando o mundo”. Quando ela deu por si, já estavam há quase uma hora ali.
— Woo-seok... — ela disse, antes de desligarem. — Obrigada. Por me fazer rir assim.
Ele sorriu, sincero.
— O prazer é todo meu.
No dia seguinte, saiu com Jin-ae e Soo-jin para tomar um café e relaxar. Enquanto mexia a bebida distraída, as palavras de Woo-seok da noite anterior ainda giravam em sua mente.
— Tá pensando em quê? — Jin-ae perguntou, olhando-a com atenção.
— Em nada... — disse, sem muita convicção.
— Tá. E esse “nada” tem nome e um sorriso torto, por acaso? — Soo-jin perguntou despretensiosamente.
— Ele me liga, me chama pra escolher roupa, fala como se me conhecesse há anos... e mesmo assim eu não sei. Não sei o que ele quer de mim. E o pior é que... eu começo a querer algo mais. — suspirou.
— E você tem medo de se iludir? — Soo-jin inclinou-se para frente, curiosa.
— Exatamente. E se eu estiver só me confundindo? E se isso for só da minha cabeça? — Ela parecia mesmo confusa.
— ... às vezes, o medo de gostar machuca mais do que gostar em si. — Jin-ae a olhou com doçura.
Ela baixou os olhos, tocando o anel fino que girava no dedo. Aquele sentimento já não era platônico como antes. Ele crescia, ganhava textura, cor. Mas a dúvida ainda era uma nuvem que não deixava o céu completamente limpo.
Talvez já fosse tarde demais para fingir que não sentia nada. Mas cedo demais para admitir que estava se apaixonando.
estava no meio do caos. O evento do próximo dia parecia cada vez mais distante, e sua ansiedade crescia a cada minuto. Ela olhou para o celular mais uma vez, vendo a mensagem de seu modelo de última hora.
"Desculpa, . Infelizmente, não vou poder ir amanhã. Surgiu um imprevisto."
A leitura daquelas palavras foi como uma lâmina afiada cortando sua tranquilidade. Não havia mais tempo. Ela já estava atrasada para o evento, e o modelo que ela tinha reservado era crucial para a sua apresentação. Não sabia o que fazer. Ela deu uma olhada para o computador, as provas de figurino que já estavam prontas, a escolha das roupas… tudo se desmoronava. Ela não poderia deixar que a situação fosse um fracasso.
Foi então que, sem pensar, o nome de Woo-seok surgiu em sua mente. Ele seria perfeito para o trabalho. Ela o conhecia de seus projetos anteriores e, claro, ele possuía o porte físico ideal para o que ela precisava. Mas como ela iria pedir aquilo? Como pedir para um ator famoso e com uma carreira sólida que desfilasse para ela, em pleno campus da faculdade?
Ela ficou encarando o celular por alguns segundos, o dedo pairando sobre a tela do WhatsApp. Hesitou, mas decidiu que não tinha outra opção. Depois de uma respiração profunda, ela digitou a mensagem com o maior cuidado possível:
”Woo-seok, preciso de um favor urgente. O modelo que eu tinha para o evento de amanhã não vai poder ir. Você tem o porte perfeito para o trabalho. Seria possível você me ajudar? Preciso de alguém para desfilar para o evento. É rápido, eu prometo!”
Ela leu e releu a mensagem antes de pressionar o botão de enviar. Um segundo de silêncio e o coração de estava batendo mais forte. Ela sabia que a resposta dele poderia ser qualquer coisa, até mesmo negativa. Ele estava ocupado, tinha seus compromissos, e ela sabia que pedir isso poderia ser um grande inconveniente. Mas o que mais ela poderia fazer?
O celular vibrou de novo. O nome dele apareceu na tela.
”Como você quer que eu te ajude?
sentiu um alívio imediato. Ele havia aceitado antes mesmo de saber os detalhes. Isso só fazia ela ter mais certeza de que ele não era apenas atencioso, mas também genuinamente disposto a ajudar. E, para , isso valia ouro.
“Eu só preciso que você desfile amanhã. O evento vai ser registrado, e preciso que você combine com a roupa que estou mostrando no meu trabalho. O modelo vai ser filmado, então você tem que se comportar como se fosse um desfile mesmo. Vai ser rápido, e eu vou pagar o jantar como agradecimento, claro.” A ansiedade da resposta durou mais que ela em si.
”Entendido. Me avise onde e quando.
sorriu, sentindo-se imensamente grata. Ele parecia ser do tipo de pessoa que não complicava as coisas. Afastou o celular por um momento, sentindo um pequeno alívio, mas ao mesmo tempo, não podia negar que o nervosismo não havia desaparecido completamente.
Ela rapidamente fez os preparativos para o evento, organizando tudo no menor tempo possível. Era uma tarefa desafiadora, mas com Woo-seok agora na jogada, ela se sentia mais confiante. Ao mesmo tempo, ela sabia que sua decisão de pedir ajuda a ele havia levado a situação para um novo nível — o nível em que sua amizade (se é que aquilo já podia ser chamado de amizade) estava se tornando mais real. Ele não era apenas o ator famoso de doramas que ela conhecia das telas. Ele estava ali, ajudando-a de uma maneira totalmente despretensiosa.
No dia seguinte, estava tensa, ainda organizando os últimos detalhes. Ela estava pronta para lidar com o evento, mas sabia que isso seria muito mais complicado com a presença de Woo-seok. Ele era famoso, e seu simples nome fazia com que muitos olhassem para ele com uma mistura de admiração e curiosidade. E ainda mais agora, que ele estava ali, no ambiente de sua faculdade. As aulas estavam começando, mas, naquele dia, parecia que tudo estava paralisado à espera da sua chegada.
Quando ele entrou no campus, o burburinho foi instantâneo. viu de longe, com o coração batendo mais rápido. Woo-seok estava calmo, como sempre, com seu estilo descomplicado. Ele usava uma camisa de manga curta e jeans simples, mas, com ele, até um look tão básico parecia sair de uma passarela. Seu porte físico imponente fazia com que todos ao redor prestassem atenção. Mas ele não parecia se importar nem um pouco com os olhares. Era como se estivesse tão acostumado com a atenção quanto um pássaro está acostumado a voar.
Ela caminhou até ele, tentando disfarçar o nervosismo. Quando Woo-seok a viu, seu sorriso foi genuíno, tranquilo, sem a menor afetação. Ele parecia sempre estar no controle, mesmo em uma situação como essa.
— Vamos? Qual é o plano? — Ele disse isso com uma naturalidade desconcertante, como se o fato de ele estar ali para desfilar não fosse algo extraordinário. , por outro lado, ainda sentia que o impacto da presença dele estava sendo subestimado.
No momento em que ele subiu no palco improvisado da faculdade, as alunas começaram a sussurrar entre si. Algumas mais ousadas, começaram a tirar fotos discretamente. O murmurinho aumentava à medida que Woo-seok se preparava para caminhar na passarela improvisada. A presença dele era magnética, e o espaço ao seu redor parecia encolher, fazendo todos os olhos se voltarem para ele.
estava ao lado dele, organizando os últimos detalhes do figurino. Ela sentia uma tensão sutil crescer à medida que ele se posicionava. O olhar dele, no entanto, estava focado, como se ele estivesse se preparando para um grande evento de sua carreira. Ele não demonstrava o mínimo de insegurança, nem o impacto da curiosidade alheia.
— Só siga o ritmo e me avise se tiver algum desconforto. Eu sei que é uma coisa meio improvisada, mas vai dar certo. Vai ser rápido.
— Você me conhece. Eu confio em você. — Ele a olhou e sorriu novamente, um sorriso leve, sem nenhuma pressão. Ele confiava nela, e ela sentiu o peso disso de forma agradável.
E, então, ele começou. Cada passo seu era preciso, fluido. observava enquanto ele desfilava, os aplausos surgindo depois de seu segundo giro. Ele estava perfeito, e, para ela, isso não era apenas sobre o figurino ou o desfile. Era sobre o cuidado e a tranquilidade que ele passava, tornando tudo simples, até mesmo o mais inesperado dos pedidos.
O burburinho dos estudantes aumentou à medida que ele descia a passarela, mas se concentrou no trabalho. Ela tinha que manter a calma. A presença dele era uma bênção, mas também uma distração em potencial.
Quando o desfile terminou, ela não pôde deixar de sorrir. Ele tinha se saído muito bem, como se estivesse em um palco de verdade. Aplaudiu silenciosamente enquanto ele se aproximava dela.
— Eu não sei como te agradecer. Foi perfeito.
— Não precisa agradecer. Já te disse, foi só um favor.
— Como eu prometi... o jantar. Você escolhe o lugar. — Ela riu, um pouco nervosa, mas também aliviada.
Ele sorriu, sem pressa, e ela sentiu algo em seu estômago dar uma revirada.
O sol já começava a se esconder atrás dos prédios quando eles saíram da faculdade. O evento tinha sido um sucesso, mas o verdadeiro alívio de só veio quando pisou na calçada ao lado de Woo-seok, longe dos olhares curiosos e dos celulares discretamente apontados para ele.
Ela ainda estava com o coração acelerado, como se só agora o corpo tivesse permissão para reagir ao caos do dia.
— Então... onde vamos? — perguntou, tentando soar casual, mesmo que por dentro estivesse derretendo só de lembrar da forma como ele havia caminhado na passarela, confiante e elegante, como se tivesse nascido para aquilo.
Woo-seok olhou para ela com um sorriso torto, enfiando as mãos nos bolsos do casaco leve.
— Você quem disse que pagaria o jantar. Acho justo você escolher.
— Ah, então vou te levar num lugar péssimo, desses que servem macarrão frio e refrigerante sem gás. — Ela arqueou uma sobrancelha, desafiadora.
— Desde que seja com você, eu como até isso. — A resposta veio rápida, cheia de leveza, mas com um fundo de verdade que ela sentiu na espinha.
Ela desviou o olhar por um segundo, rindo baixinho. Não sabia o que responder, então apenas começou a andar, e ele a seguiu sem questionar.
Escolheu um restaurante não muito longe dali, aconchegante, com luzes amareladas e mesas de madeira que lembravam uma sala de estar acolhedora. O tipo de lugar onde as pessoas sentiam vontade de tirar os sapatos e rir alto.
Sentaram-se em uma mesa perto da janela. A vista era tranquila, quase bucólica, apesar de estarem no meio da cidade. pediu uma taça de vinho tinto; ele, chá gelado.
Ela apoiou os cotovelos na mesa e o encarou por um momento. Ainda se sentia grata, mas agora que estavam ali, fora da pressão, o sentimento vinha junto com outra coisa: curiosidade. Ele parecia à vontade demais com tudo. Com ela, com a situação, com o próprio silêncio.
— Você está sempre assim? — perguntou, inclinando a cabeça para o lado.
— Assim como?
— Tranquilo. Como se nada no mundo fosse capaz de te tirar do sério.
Ele pensou por um momento, depois deu de ombros.
— Eu já me estressei muito com coisas pequenas. Hoje, prefiro respirar fundo e lembrar que tudo passa.
Ela o observou, tentando decifrar onde aquilo deixava marcas. Ele era bonito, claro. Isso era óbvio. Mas havia algo mais... algo que se impunha mesmo quando ele não dizia nada. A maneira como olhava nos olhos, como deixava os silêncios existirem sem precisar preenchê-los. Era como se ele estivesse inteiro ali.
— Você foi incrível hoje — confessou. — Eu realmente não sei o que teria feito sem você.
Ele riu, apoiando o queixo na mão.
— Não foi nada demais.
— Foi sim — rebateu, firme. — As meninas da faculdade ficaram te olhando como se você fosse um deus grego materializado.
— Ué... mas eu sou. — Ele piscou e ela soltou uma gargalhada que atraiu olhares das mesas ao redor.
— Convencido.
— Sincero.
O garçom chegou com os pratos, e por um instante o foco se voltou para a comida. Mas o clima entre eles já tinha se instalado de vez: leve, cúmplice, como se aquele jantar fosse só mais uma extensão da intimidade que vinha se formando aos poucos entre eles.
Ela o observava de vez em quando, achando graça do jeito como ele comia rápido demais e depois ficava com vergonha disso.
— Você é mesmo um ator ou só finge muito bem ser um ser humano funcional?
Ele fingiu indignação.
— O quê? Eu sou muito funcional! Quer ver? Consigo comer, conversar e pensar besteira ao mesmo tempo.
quase engasgou com o vinho. E ele a olhou com aquele sorriso travesso que parecia feito para confundir os sentidos.
— Sabe — ela começou, depois de recuperar o fôlego —, eu não esperava que você fosse me ajudar de verdade. Achei que talvez estivesse ocupado demais, ou... distante demais.
— Eu poderia estar — respondeu com simplicidade. — Mas preferi estar aqui.
Havia algo na forma como ele dizia isso que a desarmava. Ele não fazia rodeios, não usava palavras floreadas, mas cada frase parecia ir direto ao ponto.
— É estranho — ela admitiu. — Eu não sei bem o que esperar de você.
— E por que precisa esperar algo? — ele retrucou, a voz agora mais suave. — Só deixa acontecer. Seja lá o que for.
Ela se encostou na cadeira, encarando a taça quase vazia nas mãos. Estava começando a sentir algo que não conseguia nomear com clareza. Uma mistura de segurança, fascínio e aquela sensação inquieta de quando se está prestes a cair — não porque alguém te empurrou, mas porque você quis ver como seria voar.
O jantar seguiu, entre brincadeiras, histórias e olhares mais demorados. Quando saíram do restaurante, a noite estava mais fria, mas o silêncio entre eles era quente e confortável.
— Você ainda vai me pagar esse favor de novo algum dia — disse ele enquanto caminhavam lado a lado.
— Mas eu já te dei comida. Isso vale muito.
Ele deu uma risada baixa, depois olhou para ela com um brilho no olhar.
— Você ainda não entendeu, né?
Ela parou, confusa.
— Entendi o quê?
— Que eu teria feito aquilo mesmo sem favor. Só pra ver você sorrir no final.
O coração dela vacilou. Não era a primeira vez que ele falava algo assim. Mas agora, soava diferente. Como se fosse um aviso sutil de que, aos poucos, ele estava se aproximando de um lugar onde talvez ela não estivesse pronta para deixá-lo entrar.
Mas não disse nada. Só continuou andando ao lado dele, em silêncio.
E, por enquanto, aquilo bastava.
ficou encarando o teto do quarto como se ele escondesse alguma resposta. A luz do abajur deixava sombras suaves dançando nas paredes, e o celular ao lado da cama continuava iluminado, com a última mensagem de Woo-seok ainda aberta.
"Chegou bem? :) Boa noite, ."
"Boa noite, Woo-seok. E obrigada por hoje de novo."
"Eu que agradeço."
"Pelo quê?"
"Por ter deixado o dia leve."
Ela suspirou, girando o corpo na cama, abraçando o travesseiro como se aquilo fosse capaz de sufocar a inquietação que vinha crescendo por dentro.
Não era para ser assim.
Eles estavam criando uma amizade, certo? Ela sabia identificar esse tipo de laço. Sabia diferenciar o calor de uma conexão espontânea, do brilho que alguém coloca nos olhos quando quer ser mais do que um amigo. Pelo menos achava que sabia… até agora.
Desde o desfile improvisado na faculdade, Woo-seok parecia mais presente. Não apenas fisicamente, mas no jeito como falava com ela, como escutava, como sorria como se estivesse orgulhoso de vê-la brilhar. Durante o jantar, ela tentou racionalizar cada momento — atribuir ao cansaço, à adrenalina, à gentileza. Mas, no fundo, sabia que havia algo diferente no ar.
E o problema era: ela estava gostando.
sempre se orgulhou de ser racional. No meio da moda, da criação e da correria dos estágios, tinha aprendido a manter o foco, a evitar distrações, especialmente distrações que envolviam homens bonitos, charmosos e... bem, mundialmente conhecidos.
Mas Woo-seok não fazia sentido. Ele ria como se não carregasse um peso nas costas. Falava com simplicidade, sem se exibir. E o jeito como lembrava detalhes sobre ela — o tom de azul que ela mais gostava, a playlist que ouvia para trabalhar, a forma como enrugava o nariz quando estava concentrada — isso a desestabilizava.
Ela tentou se distrair, abrindo o laptop para revisar um projeto, mas se pegou digitando o nome dele na aba de busca mais de uma vez. Matérias antigas, entrevistas, fotos de eventos... tudo estava lá, público, organizado, distante. O Woo-seok das notícias era uma figura que ela não conhecia. O que desfilou para ela, que fez piada com a massa grudada no dente, que segurou sua mão discretamente quando ela tremia antes da apresentação… esse era o homem que ocupava a cabeça dela agora.
E o pior: ela não sabia o que fazer com isso.
Pegou o celular mais uma vez. Digitou e apagou diversas vezes. Pensou em mandar uma piada, um "boa noite" casual. Mas tudo parecia ou forçado demais ou íntimo demais.
No fim, deixou o celular de lado e deitou de bruços, abafando o rosto no travesseiro com um grunhido frustrado.
— Não faz isso, — murmurou pra si mesma. — Ele só está sendo gentil. E você está carente. É só isso.
Mas se fosse só isso, por que o coração acelerava toda vez que via o nome dele aparecer na tela?
Por que sentia falta da voz dele nos dias em que não se falavam?
E, principalmente, por que o sorriso dele fazia o mundo parecer um lugar mais leve?
Fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos. Precisava dormir, pensar com clareza no dia seguinte. Mas enquanto o sono não vinha, ela se deu conta de que a maior confusão não estava nos gestos dele.
Estava nela.
Estava em como, sem perceber, começou a desejar que ele respondesse as mensagens rápido. Que pedisse para vê-la de novo. Que dissesse, de um jeito ou de outro, que também estava confuso.
Talvez ela estivesse mesmo começando a gostar de Woo-seok de verdade mesmo, como uma pessoa normal, não algo platônico. E isso... era assustador.
— , você tá sentada? A voz animada da Suyeon, sua supervisora no estágio, soava com uma urgência elétrica.
— Tô… por quê? — Não estava, mas o fez quando a mais velha questionou.
— Acabaram de te escalar pra um evento da Maison Eun. É uma sessão fechada de lançamento da nova coleção e, adivinha só, você vai ser stylist da equipe responsável pelos ajustes finais nos modelos e… no embaixador da marca.
— Quem é o embaixador? — perguntou, já com o coração acelerando.
— Byun Woo-seok.
O nome foi suficiente para que ela se levantasse num pulo, derrubando o caderno do colo.
— Você tá brincando! — Aquilo era surreal. A oportunidade que sempre esperou.
— Queria eu estar. Vai ser na sexta. E, … esse é o tipo de oportunidade que muda um portfólio. Então dá teu nome, tá?
Na sexta-feira, o estúdio da Maison Eun estava fervendo. Equipes de iluminação, fotografia e design circulavam em sincronia precisa. As araras exibiam peças dramáticas, modernas e impecavelmente alinhadas.
ajeitava os últimos detalhes de um dos casacos de linho quando sentiu a movimentação mudar. Todos olharam discretamente para a entrada, e ele chegou.
Byun Woo-seok usava um blazer de alfaiataria preta com recortes modernos, cabelo levemente bagunçado e aquele sorriso que parecia sempre prestes a provocar alguma travessura.
— Olá — ele disse, sorrindo assim que a viu. — A stylist mais talentosa de Seul me aprontando pra mais um evento?
Ela tentou não corar.
— Vou fazer o possível pra manter sua reputação intacta. — Acho que vai é deixar minha imagem ainda melhor.
Ambos riram. A sintonia entre eles parecia ainda mais afiada, mesmo depois de tantos encontros recentes. Havia algo silencioso crescendo ali — uma familiaridade delicada, envolta em olhares que duravam um segundo a mais e sorrisos contidos demais para serem apenas profissionais.
Durante a sessão de fotos, mantinha-se próxima para pequenos ajustes. A cada toque no tecido, no colarinho, na manga… sentia as mãos tremerem um pouco. Em dado momento, ele baixou o tom da voz e sussurrou:
— Tô me acostumando a ter você por perto, sabia?
Ela fingiu não ouvir, mas o arrepio na espinha entregava tudo.
O evento correu impecável. Poucos convidados seletos, flashs estrategicamente disparados, apresentações silenciosas dos looks e encerramento com coquetel leve.
A equipe desmontava o cenário do evento com pressa. A passarela da nova coleção da Maison Eun, uma marca de luxo coreana da qual Woo-seok era embaixador, estava sendo retirada peça por peça. ajeitava os últimos cabides, organizando cada look com cuidado profissional, embora seu estômago estivesse uma bagunça.
Trabalhar com ele de novo já era algo que não esperava. Quando o produtor do evento ligou dizendo que ela tinha sido escalada como a stylist da equipe de apoio, seu coração quase saiu pela boca. E, claro, ao chegar lá e vê-lo entrando sorridente, usando um dos looks que ela mesma preparou, sentiu que o chão ameaçava sumir sob seus pés.
— Impressionante como você sempre me faz parecer melhor do que sou — ele comentou no camarim, olhando o reflexo no espelho.
— A roupa ajuda, mas o carisma é todo seu — respondeu, tentando manter a naturalidade, mesmo com a respiração acelerada.
Agora, com todos indo embora, a tempestade do lado de fora impedia a saída de muitos. Os mais apressados já tinham corrido até os carros ou pegaram caronas improvisadas. saiu do camarim por último, fechando os zíperes dos estojos de acessórios.
Ao empurrar a porta de volta para o saguão principal, percebeu que as luzes já estavam apagadas e as portas… trancadas.
— Como assim? — murmurou, puxando a maçaneta. — Não…
— ? — A voz familiar ecoou pelo espaço escuro. Ela se virou e deu de cara com Woo-seok, parado com a jaqueta dobrada no braço e uma expressão confusa. — A porta da lateral também está trancada — ele disse. — Você também ficou?
— É. Parece que ninguém percebeu que ainda estávamos aqui — respondeu, rindo de nervoso.
— Bem... estamos oficialmente presos.
O silêncio se instalou por um instante. Do lado de fora, o som da chuva batendo no vidro criava uma trilha sonora cinematográfica demais para o gosto dela. Woo-seok se aproximou, encostando-se em uma das colunas, com as mãos nos bolsos.
— Nunca fiquei preso num desfile antes. Deve ser a primeira vez de algo assim.
— Nunca fiquei presa com um embaixador da marca depois de um desfile — ela respondeu, meio envergonhada.
— Então estamos empatados.
Ambos riram.
Minutos depois, sentaram-se no pequeno lounge montado no fundo da sala, agora abandonado. As luzes de segurança criavam uma penumbra confortável, quase íntima.
— Aquele jantar ainda está no topo da minha lista de noites favoritas — ele comentou, quebrando o silêncio de novo. — Acho que a gente se dá bem fora do mundo maluco que gira ao nosso redor.
— Eu também acho — ela respondeu baixinho.
— Posso te perguntar uma coisa? — Ele virou o rosto devagar, observando-a.
Ela assentiu.
— Você anda diferente. Mais quieta comigo. Menos… leve.
Ela arregalou os olhos, surpresa pela percepção dele.
— Não é nada — tentou negar. — Só tô focada no curso.
— Não. É mais do que isso. Eu… eu sinto que tem uma parede entre a gente agora. E sinceramente, , não quero isso.
Ela suspirou, deixando a cabeça pender para trás no sofá.
— Não é uma parede. É só… medo. Eu não sei o que estou fazendo, Woo-seok. Eu não esperava gostar de você assim.
A confissão caiu entre os dois com o peso de uma tempestade interna. Ele não disse nada por alguns segundos, apenas a olhou, sério.
— E você acha que eu sei?
riu, nervosa, mas os olhos dela estavam marejados.
— Eu fico tentando racionalizar tudo, sabe? Dizer que é só amizade, que você é só gentil, que isso tudo é só uma fase.
— E quando a fase não passa?
Ela o encarou, surpresa.
— Porque pra mim… já passou da fase. E não tem como voltar. Não depois de tudo o que a gente viveu. Não depois de você — ele completou, com a voz baixa.
— Woo-seok…— O coração dela disparou. O ar parecia pesado, denso, mas de um jeito bom. Carregado de sentimento.
— Eu não tô dizendo isso pra te pressionar. Mas eu tô dizendo porque… se você sentir o mesmo, eu preciso saber.
Ela não respondeu com palavras.
Apenas se inclinou devagar, como se o mundo ao redor deixasse de existir. E, no instante seguinte, os lábios dele estavam nos dela — calmos, suaves no começo, até a urgência da confissão transbordar e o beijo se aprofundar.
Era o tipo de beijo que dissolvia todas as dúvidas.
Que respondia todas as perguntas não feitas.
Que dizia: sim, eu também.
E quando se afastaram, os olhos ainda fechados e as respirações entrecortadas, sussurrou:
— E agora?
— Agora… a gente vê pra onde isso vai. — Woo-seok sorriu.
— Eu não sei o que tá acontecendo comigo — soltou, deitando de lado no futon improvisado na sala, onde ela e as meninas tinham combinado uma noite só delas. Ramen, refrigerante e confissões.— Quer dizer, eu sei — completou, olhando pro teto. — Eu só não sei lidar.
— Você gostou do beijo — Jin-ae foi direta, segurando uma coxinha da padaria brasileira favorita de .
— Sim. — murmurou, fechando os olhos. — Muito. E ele também, pelo visto.
— Aaaaah! — Soo-jin vibrou, se jogando de barriga pra baixo no tatame, com os olhos brilhando. — Então é real, mesmo! Você e ele, tipo, ele mesmo! O ator! O ícone! O Woo-seok!
— Mas ELE é o Woo-seok, gente! — gritou, como se aquilo explicasse tudo. — Entende? Ele é lindo, famoso, talentoso, carismático, gentil, inteligente... e eu sou... eu!
— Você é — Soo-jin respondeu, simples.
— Brasileira, linda, engraçada, carismática e criativa — completou Jin-ae, apontando com os hashis. — E ele não tá cego, viu? Ele tá completamente na sua.
cobriu o rosto com a almofada.
— Eu tô com medo — confessou, com a voz abafada. — Medo de me iludir, medo de não ser suficiente, medo dele perceber que foi só curiosidade... sei lá. Que se arrependeu.
— Ele te beijou, disse que quis, que gostava de você e ainda apareceu no campus da faculdade, no meio de um mar de alunos histéricos, só pra te ajudar a passar um trabalho — Jin-ae enumerou nos dedos. — Se isso for só curiosidade, então eu quero uma dessa também.
— Vocês não entendem... ele é de outra cultura. Tem uma carreira consolidada aqui. Eu sou só uma estrangeira anônima. Tem um abismo entre a gente.
— Então pula com ele — Soo-jin falou, e as duas outras se viraram pra ela, surpresas.
— Como assim? — perguntou.
— Se tem um abismo, pula. Se joga. Ele tá segurando sua mão, não tá? Você vai viver fugindo porque é difícil? Ou vai tentar descobrir o que tem do outro lado?
O silêncio caiu, pesado, mas cheio de significado. olhou para o teto por mais alguns segundos. Respirou fundo.
— Eu só... não quero me machucar.
— A gente nunca quer — Jin-ae falou, mais suave. — Mas às vezes, a única forma de viver algo de verdade é se arriscar. E se você não fizer isso agora, vai ficar se perguntando o “e se...” pra sempre.
sentou-se, encarando as duas.
— Então vocês acham que eu devo...?
— Ir atrás dele — Soo-jin respondeu.
— E se permitir — completou Jin-ae.
— Vocês são péssimas influências. — Ela mordeu o lábio, um sorriso tímido surgindo.
— A gente só quer ver o casal do século acontecer. — Soo-jin piscou.
— Meu Deus, não cria ship! — riu, mas pela primeira vez em dias, o riso foi leve. Cheio de esperança.
Talvez... talvez ela realmente estivesse pronta para pular.
Ela não sabia exatamente o que esperava. Talvez que ele não estivesse em casa. Ou que tivesse mudado de ideia. Ou, quem sabe, que aquele beijo tivesse sido só um momento de impulso, e ele teria seguido em frente.
Mas quando a porta do estúdio se abriu e o rosto de Woo-seok surgiu, o tempo pareceu segurar o fôlego.
— ? — a surpresa dele foi suave, como uma nota em tom menor. E então um sorriso lento tomou conta de seu rosto. — Eu achei que você fosse fugir pra sempre.
— Eu considerei. Mas minhas amigas são péssimas conselheiras. — Ela riu com nervosismo, segurando firme a alça da bolsa.
— Eu devia agradecer a elas então. — Ele se afastou, abrindo espaço para que ela entrasse.
O estúdio estava com aquela luz amarelada de fim de tarde, cortada pelas cortinas semiabertas. Havia um leve cheiro de café no ar, e uma playlist instrumental tocava baixinho ao fundo.
— Eu fiquei pensando muito — ela começou, sem nem se sentar, de pé, no meio da sala. — Sobre o beijo. Sobre o que você disse. Sobre mim. Sobre você...
— E o que você concluiu? — Woo-seok se aproximou devagar, as mãos nos bolsos.
— Que eu gosto de você. Gosto de verdade. Mas eu tenho medo. E eu não tô dizendo isso pra fugir. Tô dizendo porque... eu queria que você soubesse. — Ela o encarou, os olhos hesitando.
— ... você é a primeira coisa que me faz sentir vivo em muito tempo. — Ele assentiu devagar. Depois deu mais um passo, parando diante dela. Ela franziu o cenho, surpresa com a intensidade da resposta.— Eu nunca imaginei me apaixonando por alguém tão diferente de mim. Tão de outro mundo. E ao mesmo tempo, tão parecida. — Ele sorriu de leve. — Não quero te apressar. Nem te forçar. Mas quero que saiba que o que eu sinto é real. Eu gosto de você. E não me arrependo de ter te beijado. Eu queria aquilo. Ainda quero.
Ela ficou em silêncio por um tempo. E então, respirou fundo.
— Eu não sei o que a gente vai ser, Woo-seok.
— Nem eu.
— Mas... eu não quero fugir.
— Então fica. — Ele sorriu, e estendeu a mão.
Ela olhou para a mão dele por um segundo. Depois, entrelaçou os dedos nos dele.
— Eu tô com medo — confessou.
— Eu também. Mas, ... eu estou aqui, se você quiser ficar.
E pela primeira vez desde que tudo começou, ela sentiu que podia.
Ficar.
[DISPATCH EXCLUSIVE]
Byun Woo-seok está namorando? Ator é visto com suposta namorada não famosa.
> Foi em uma noite chuvosa de outono que nossa equipe registrou o que parece ser um encontro discreto do ator Byun Woo-seok com uma jovem misteriosa.
As imagens foram captadas na saída de um restaurante aconchegante no bairro de Hannam-dong. Os dois caminhavam juntos, trocando sorrisos e dividindo o guarda-chuva enquanto entravam no prédio do ator.
Segundo fontes próximas, a jovem não pertence ao meio artístico e trabalha como stylist freelancer. Os dois estariam se conhecendo há alguns meses e, embora discretos, demonstram estar bastante próximos.
Ao ser procurada, a agência de Byun Woo-seok declarou:
“Esse é um assunto pessoal do artista. Pedimos compreensão e respeito à sua privacidade.”
Fãs já demonstram apoio nas redes sociais, desejando felicidade ao ator. Enquanto isso, a identidade da jovem segue sendo protegida.
O celular vibrou em cima da mesinha de centro. , enrolada no cobertor, se esticou para pegar e arregalou os olhos ao ver a enxurrada de mensagens.
— Woo-seok... a gente foi pego.
— Dispatch? — Ele, sentado atrás dela no sofá, espiou a tela por cima do ombro.
— Dispatch! Com direito a fotos e tudo. — Ela virou o rosto pra ele. — A gente dividindo o guarda-chuva foi um golpe baixo.
Woo-seok riu e puxou o celular para ler a matéria inteira. Conforme passava pelas fotos e trechos do texto, soltava comentários baixos.
— Essa foto tá boa. — Apontou. — Você parece misteriosa. Estilo personagem de drama.
— Estou em choque real — disse ela, jogando o celular no sofá. — E agora?
Ele deu de ombros.
— Agora? Agora a gente come o resto do tteokbokki, dá um beijo e decide se eu solto uma nota oficial.
— Você falaria sobre mim?
— Eu falaria que estou namorando alguém que me faz muito feliz. — Ele se aproximou e encostou a testa na dela. — E que quero protegê-la, então não vão ter fotos novas tão cedo.
— A gente é tipo o final alternativo dos doramas, né? — riu, os olhos brilhando.
— Não. — Ele beijou a ponta do nariz dela. — A gente é só o começo.
E então, entre risadas e beijos roubados, os dois afundaram no sofá, longe dos flashes, perto o suficiente para não precisarem de palavras.
Fim
Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Vocês que me seguem lá no insta, sabem que vira e mexe eu posto fotos do meu namorado nos stories, pois agora está mais que assumido, ganhou fic KKKKKKK. Espero que goste e não esquece de comentar, ok?
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
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