Capítulo Único
não costumava sair muito à noite, mas naquela sexta-feira, depois de uma semana estressante, deixou-se convencer pelas amigas. Precisava relaxar, rir um pouco, dançar. Nada mais justo. Vestiu o vestido preto que a fazia se sentir confiante, prendeu o cabelo num coque displicente e prometeu a si mesma que ia apenas curtir.
O lugar estava lotado, pulsando em música e neon. Ela se movia entre a multidão com a segurança de quem já tinha estado em ambientes assim, mas preferia observar do que participar. Bebida não era com ela — sempre fora fraca para álcool e preferia se manter no controle. E naquela noite, como todas as outras, estava sóbria.
Ela ria de algo que uma amiga dissera quando se virou... e esbarrou em alguém.
— Foi mal — ela disse, instintivamente.
— Imagina — respondeu uma voz familiar, baixa e segura.
levantou os olhos e sentiu o estômago dar um leve salto. .
Lee Won-jung, o melhor amigo do seu irmão, . Quase dez anos de convivência casual: feriados em família, aniversários, encontros inesperados pela casa. Ele sempre foi gentil, divertido e... provocador. Mas até então, para ela, era só isso — o melhor amigo do irmão. Como se houvesse uma barreira invisível entre eles.
Mas ali, naquele ambiente, com a luz colorida recortando seu rosto e o cabelo bagunçado pelo calor da pista, ele parecia outra pessoa.
— Você por aqui? — ela perguntou, mais para quebrar o silêncio do que por real curiosidade.
— Vim com uns amigos — ele deu de ombros. — ficou de fora dessa, hoje.
Ela assentiu, e por um segundo, os dois apenas se olharam. Não foi longo, mas foi o suficiente para deixar algo suspenso no ar. Ele sorriu — aquele sorriso dele, meio travesso, meio confiante — e seguiu seu caminho.
Mas a partir dali, os olhares começaram.
Ela dançava com as amigas, sentia o corpo mais leve a cada música. E sempre que abria os olhos, estava por perto. Às vezes dançando com alguém, às vezes parado com um copo na mão. Mas ele sempre a olhava. Não de forma escancarada, mas com intenção.
fingia que não notava. Ria, virava o rosto, se distraía. Mas era impossível ignorar. Quando ela olhou de volta, encontrou-o encostado em uma parede, os olhos nela, o sorriso ainda ali. Como se soubesse exatamente o efeito que causava.
Mais tarde, enquanto descansava perto do bar, sentiu sua presença antes mesmo de vê-lo.
— Minha amiga — disse ela, apontando discretamente para uma das garotas que dançava um pouco mais longe — quer saber se você quer ficar comigo. — terminou rindo, lembrou quando falava algo similar quando era adolescente. — Ah é? — provocou. — Mas ninguém precisa saber, né? Vamos no sigilo? — Ele deu um passo à frente, o olhar firme no dela. Ela sentiu o coração acelerar, mas manteve o rosto impassível. — Vamo comigo ali, que eu quero te mostrar, uma coisinha que você vai gostar — ela disse, a voz mais baixa agora. Segurando a mão dele e levando para um canto mais afastado, chegaram em um grande corredor e acharam uma daquelas salas “vips” que geralmente as pessoas alugam para fesfinhas particulares dentro da boate, vazia e aberta, entraram e trancaram a porta. A sala estava silenciosa, com apenas a luz fraca do corredor passando pelas frestas da porta. O som abafado da balada parecia pertencer a outra realidade. parou diante dela como se ainda estivesse decidindo se aquilo tudo era mesmo real.
— A gente vai se arrepender disso amanhã? — ele perguntou, com aquele sorriso de canto que a deixava confusa.
não respondeu de imediato. Em vez disso, se aproximou até que os corpos quase se tocassem.
— Talvez — ela disse, com a voz baixa e firme. — Mas agora... eu não tô pensando em amanhã.
Ele não esperou mais.
O beijo veio denso, cheio de urgência contida, mas também com uma delicadeza que contrastava com o lugar em que estavam. a segurava pela cintura como se ela fosse preciosa demais pra escapar. As mãos dela subiram por debaixo da camiseta dele, sentindo o calor da pele, os músculos contraindo sob seu toque.
— Você tem ideia do quanto eu te quis? — ele sussurrou entre beijos no pescoço dela.
— Não fala... — ela murmurou, puxando-o mais pra perto. — Só beija.
E ele obedeceu.
Beijou-a devagar, como quem saboreia, e então mais fundo, como quem não quer mais parar. Cada toque dele parecia cuidadoso, intencional, como se soubesse exatamente onde e como tocá-la. Ela gemeu baixinho quando os lábios dele desceram por sua clavícula, seus dedos firmes apertando sua cintura com mais força.
Ela o puxou pela camisa, sentando-se no sofá da sala enquanto ele se ajoelhava à sua frente, as mãos subindo pelas coxas dela. Quando ele a olhou de baixo, os olhos queimando de desejo e respeito ao mesmo tempo, ela sentiu o corpo inteiro responder.
— Não fala nada... — ela repetiu, com um sorriso enviesado e a respiração falha. — E beija embaixo do umbigo.
A expressão no rosto dele era séria agora. Intensa. Como se entendesse que aquilo ia mudar tudo entre eles.
— Cuidado, — ele disse, os lábios pairando na pele dela. — Eu não sou o tipo que faz e esquece.
Ela o encarou, sentindo o coração dar um salto. E por um segundo, quase recuou. Mas então ele a beijou outra vez, com toda a intenção que as palavras dele carregavam.
Assim que falfou ar e eles separaram o beijo puxou a camisa de com firmeza, arrancando-a de seu corpo como quem não aguentava mais esperar. Já o tinha visto sem camisa antes? Siim — mas nunca assim. Nunca com tanta urgência, com tanta fome nos olhos. Naquele momento, parecia que ela o via pela primeira vez.
Seu olhar percorreu os músculos definidos como se estivesse diante de algo sagrado e profano ao mesmo tempo. Ele era puro pecado, e ela queria cada gota. Ela mordeu o lábio, imaginando sua boca colada à pele quente, marcando território com beijos e mordidas. Queria explorar cada linha, cada sombra, até fazê-lo implorar por mais.
passou as mãos pela sua cintura, e sem pressa, deslizou os dedos por dentro da blusa dela, subindo o tecido como quem saboreia cada segundo da descoberta. As palmas quentes deslizaram por sua pele nua, tocando-a como se ele estivesse estudando seus pontos fracos, mapeando onde ela estremecia, onde perdia o controle.
Quando ela enfim ficou sem blusa, os olhos dele desceram por seu corpo com tanta intensidade que sentiu o ar faltar. mordeu o lábio inferior, os olhos escurecidos de desejo, como se a visão dela fosse o bastante para enlouquecê-lo aproveitou que ele tinha se afastado um pouco e puxou a saia junto com o resto da roupa íntima que usava para fora do corpo. observava tudo aquilo mordendo os lábios e logo se posicionou de volta no meio das pernas dela. começou fazendo uma trilha de beijos molhados pela costela, cintura, barriga, e finalmente chegando com a boca onde ela queria, onde ela tinha pedido, bem ali, embaixo do umbigo. Levantou a cabeça levemente, só para comprovar que os olhos dela também estavam inebriados de desejo e voltou a boca ao corpo dela, dando beijinhos pela região, na virilha e na parte interna da coxa, enquanto ela abria mais as pernas, para que ele tivesse fácil acesso. Sua língua era realmente mágica, a forma com que ele a chupava e estimulava seu clitóris ao mesmo tempo. não se lembrava de ter aquelas sensações tão incríveis com um oral antes, era como se ele conhecesse o corpo dela tão bem quanto ela conhecia. Não muito tempo depois e ela sentiu o corpo todo aquecer, e a premissa dos espasmos, fizeram com que ela puxasse de leve os fios do cabelo dele, para que ele parasse, não que não quisesse ter um belo orgasmo com aquela boca maravilhosa, mas se a boca era assim, imagina o pau.
Ele abriu um sorrisinho, já imaginando que ela quisesse algo mais, então se levantou, e pegou da carteira, uma camisinha, aproveitou e tirou o resto da roupa que usava, colocando o preservativo, se aproximou e a puxou para que iniciassem outro beijo, agora eles sentiam o gosto dela e aquele beijo foi o mais delicioso possível. Quando separaram os lábios, ele se sentou no sofá ao lado dela, o que fez com que ela desse um gritinho de animação, se levantou, passou uma perna de cada lado do corpo dele, encaixando o pau em sua entrada e foi deslizando para baixo, devagar conforme seus quadris iam se aproximando. Quando sentiu ele 100% dentro de si, começou o sobe e desce em um ritmo forte e lento, fazendo com que os corpos fizessem barulhos ritmados conforme se chocavam. Cada sentada que ela dava ele soltava um gemido em forma de súplica para que aumentasse a velocidade, mesmo gostando muito daquilo, seu corpo também necessitava de algo mais e não tinham todo tempo do mundo, alguém ia precisar entrar naquela sala uma hora ou outra. também tinha noção daquilo, então aumentou o ritmo, gemendo alto, e enfiando de leve as unhas nos ombros dele. O som dos corpos se chocando, da música ao fundo e o gemido que ambos soltavam, só deixava aquele lugar mais sensual, e era o paraíso particular deles. Conseguiam sentir o prazer se espalhando por eles, conforme ela aumentava o ritmo das sentadas, e ele segurava firme na cintura dela auxiliando na movimentação. Eles pouco se importavam se alguém conseguiria ouvir, não sabiam se o lugar tinha isolamento de som, embora a música tivesse alta do lado de fora eles não estavam se importando em gemer baixo, e nem conseguiram se quisessem. Algum tempo depois, ele não aguentou, estava muito excitado e quando sentiu o corpo da mulher se estremecer pelo orgasmo e contrair sua intimidade ao redor de seu pau, ele gozou, sentindo as pernas amolecerem, o corpo todo queimar de prazer e a respiração desregulada.
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O sol invadia o quarto pelas frestas da cortina e piscou algumas vezes antes de se sentar na cama. O quarto não era estranho, mas algo definitivamente estava diferente.
A cabeça não doía. Ela lembrava de tudo — o que já era um sinal claro de que não tinha bebido nada além da sua habitual água com gás e limão. Ainda assim, aquela noite parecia ter acontecido numa outra dimensão.
.
A respiração dela prendeu por um segundo.
Foi real?
Ela levou a mão aos lábios, como se ainda pudesse sentir o gosto dos beijos dele. E sentia. Cada toque, cada palavra sussurrada.
Foi real.
Pegou o celular do criado-mudo e desbloqueou a tela. Havia uma notificação no grupo com as meninas com quem saíra na noite anterior — colegas do trabalho com quem ainda estava se enturmando.
Amber: Valeu a pena trocar a gente pelo novinho?
Lisa: Não julgamos, só invejamos. Que pegação foi aquela?
arregalou os olhos, o coração disparando. Se elas tinham visto... então definitivamente não foi um sonho, claro que estavam falando somente dos beijos na pista, imagina se soubessem o que aconteceu no vip.
Ela enterrou o rosto nas mãos por alguns segundos. Céus. .
Levantou rapidamente, vestindo uma camiseta larga por cima da lingerie. Desceu as escadas descalça, tentando entender como aquele dia ia funcionar. Precisava encontrar um jeito de agir normalmente. Fingir que nada aconteceu. É isso. Um deslize. Ninguém precisa saber.
Mas, ao chegar à cozinha, parou na entrada.
estava encostado na bancada, uma xícara de café na mão, camisa preta e cabelo bagunçado. O sol batia nele de um jeito quase cinematográfico, e ele sorriu ao vê-la. Um sorriso preguiçoso, familiar, mas com um toque a mais agora.
— Bom dia, . — A voz grave e rouca soou como um eco direto da madrugada. Ela travou no batente da porta, fingindo naturalidade.
— Você ainda tá aqui? — Ela quase voltou correndo pro quarto.
Antes que ele pudesse responder, surgiu da sala com um copo de suco na mão e a fatídica roupa de correr.
— Adivinha quem tava indo embora de madrugada depois ter te dado uma carona? Eu fiquei surpreso de vocês terem se encontrado lá, mas fiquei mais tranquilo quando chegaram juntos. — Ele deu um longo gole no suco de laranja.
Ela arregalou os olhos para o irmão, depois para , que apenas deu de ombros e completou:
— E como tava super tarde, resolvi dormir por aqui. achou mais seguro. — Ele mentiu com a maior cara de pau do mundo.
quis matar os dois. Um por estar ali. O outro por não desconfiar de nada.
— Uhum... — ela murmurou, indo direto para pegar uma grande xícara de café. — foi uma coincidência conveniente.
Durante o café da manhã, ela mal conseguiu comer. Cada vez que o olhar de encontrava o dela por cima da mesa, um arrepio descia pela espinha. falava sobre alguma série que tinha começado, totalmente alheio à tensão entre os dois.
— O papo está ótimo, mas eu vou correr no parque. Volto só mais tarde. — Pegou a garrafa e os fones de ouvido e saiu, deixando um silêncio. Um silêncio constrangedor só pra ela, porque parecia absurdamente à vontade.
— Sobre ontem... — ela começou, tentando soar firme. — Foi... um erro. A gente tava empolgado, você sabe.
— Empolgado? — Ele ergueu uma sobrancelha. — Você não tinha bebido nada, .
— Justamente. Eu sabia o que tava fazendo, e mesmo assim... — ela suspirou, desviando o olhar. — Foi um momento. Só isso.
— Um momento que você ainda tá pensando desde a hora que acordou. — se aproximou devagar, a xícara ainda na mão, o olhar cravado no dela. Ela engoliu seco. O problema de nunca foi só o charme, era esse jeito dele de enxergar direto nela. — Vai continuar agindo como se nada tivesse acontecido? — ele perguntou, a voz baixa, mas firme.
— É a melhor coisa a se fazer, não é? — tentou manter a postura.
— Beleza. Vamos fingir. — riu com o canto dos lábios, aquele riso provocador que sempre a irritou — e agora, bagunçava tudo por dentro. Ele deu um passo pra trás, indo até a pia. — Mas, ... — virou-se de novo pra ela, o olhar mais quente que o café que tomava — ...só porque a gente finge, não quer dizer que não aconteceu. E definitivamente não quer dizer que acabou.
Ela ficou sem resposta. Porque ele estava certo.
Ainda sentia cada toque, cada beijo. E, mais do que isso, ainda queria sentir de novo.
Mais tarde naquele dia...
— , pega mais gelo no freezer pra mim? — gritou da sala, ele tinha voltado da caminhada e resolveu convidar o amigo para passar o final de semana na casa dos pais deles, junto com eles.
— Já peguei, tô levando! — ele respondeu, equilibrando a bandeja com os copos de suco, como se tivesse morado ali a vida toda.
observava da bancada da cozinha, onde cortava frutas com uma faca que ameaçava escorregar a cada vez que ele passava por perto. O fim de semana em família tinha sido ideia da mãe deles, e mesmo que tivesse considerado inventar uma desculpa, já era tarde demais quando percebeu que ele também tinha sido convidado.
— Você tá se comportando, né? — ela sussurrou quando ele passou por ela com o sorriso mais cínico do dia.
— Sempre, . — Ele se inclinou um pouco demais, baixando a voz no ouvido dela. — Mas você tá me deixando com vontade de parar.
Ela fingiu uma risada cínica, segurando a faca com mais força.
— Cuidado, você tá brincando com alguém que tem uma arma branca nas mãos.
apenas riu e saiu, satisfeito, como se ela tivesse acabado de lhe fazer um elogio.
No almoço em família...
— Então, Won... como é ter que lidar com o todos os dias, a faculdade tá deixando nosso garoto mais irritado? — a mãe deles perguntou, sorrindo.
— Uma tortura — ele respondeu, divertido, dando um tapa no ombro do amigo. — Mas compensa por ter uma irmã tão incrível assim por perto.
— Por favor, não exagera. — arregalou os olhos.
— Eu nem comecei — ele murmurou, encarando ela por cima do copo d’água.
— Desde quando você é tão bajulador com a ? — perguntou, desconfiado.
— Desde que eu cresci, e percebi que o filho mais legal dos seus pais é a — Ele deu uma risada gostosa.
A garganta de secou. Ela abaixou o rosto, fingindo arrumar a toalha de mesa. jogava aquelas frases de duplo sentido com a maior naturalidade do mundo — e ninguém parecia notar. Só ela.
Mais tarde, naquela noite...
Depois de ajudar a arrumar a mesa do jantar, subiu para o quarto que estava usando naquele fim de semana — o antigo quarto dela na casa dos pais. Ia aproveitar uns minutos de paz.
Mas não durou.
Uma leve batida na porta.
— Tá ocupada? — entrou antes mesmo de ela responder.
— , você não pode... — ela sussurrou, se levantando rápido.
— Relaxa. tá jogando com o seu pai e sua mãe saiu. Ninguém vai subir. — Ele encostou a porta e a olhou com aquela cara de “a gente precisa conversar”.
— O que você quer? — Ela cruzou os braços, desconfiada.
— Você. — A resposta saiu direta, simples, como se ele estivesse dizendo que queria mais uma xícara de café.
— ...
— Eu sei. Fingir. Ignorar. Errado. Blá-blá-blá. Mas tá difícil fingir quando você fica me olhando como se quisesse me matar e me beijar ao mesmo tempo.
— A gente vai estragar tudo. — Ela bufou, dando as costas.
— Ou começar algo que sempre teve chance de acontecer.
— Você é... o melhor amigo do meu irmão. — Ela virou de volta devagar, com o coração batendo tão alto que era impossível não ouvir.
— E você é a irmã do meu melhor amigo. — Ele deu um passo, depois outro, até estar a centímetros dela. — Mas antes disso, você é a mulher que eu quero. E que me quis também. Por mais que tente negar.
deu um passo. Depois outro. recuou, até as costas tocarem a parede. O silêncio entre eles era denso, cheio de lembranças não ditas, de vontades escondidas.
— A gente não pode, . — Ela sussurrou, como se tentasse convencer a si mesma.
— Eu sei. — Ele ergueu a mão devagar, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela. O toque suave dos dedos dele em sua bochecha fez um arrepio percorrer sua espinha.
— ...
— Fica tranquila — ele sussurrou, colando a testa na dela. — Eu não vou te beijar. Ainda.
— Você é um problema. — Ela mordeu o lábio inferior, o coração batendo forte demais.
— E você é a minha perdição. — sorriu de lado e se afastou, andando até a porta. Antes de sair, olhou por cima do ombro e disse — Boa noite, .
Ela demorou segundos para respirar de novo. O cheiro dele, a proximidade, a lembrança da última vez em que estiveram sozinhos... Tudo martelando na mente.
O cheiro de café fresco preencheu a cozinha, e terminava de arrumar a mesa enquanto a mãe tagarelava animada sobre levar todos para almoçar no restaurante preferido da família.
— Você já viu se o acordou? — a mãe perguntou casualmente. — Ele é tão educado, dormiu aqui e nem fez barulho. devia aprender.
— Ainda não… — respondeu, desviando o olhar. Nem quero ver ele de novo tão cedo, pensou, mesmo sabendo que era mentira.
Na noite anterior, o toque dele, a respiração tão perto, aquela frase "eu não vou te beijar… ainda" tudo ainda queimava nela como se tivesse acontecido há cinco minutos.
— Bom dia — disse , surgindo na cozinha com uma camiseta branca justa demais e cabelo desgrenhado de quem claramente acabara de acordar. Ele sorriu para a mãe de , cumprimentou a todos com simpatia e, por fim, olhou para ela.
Mas só por um segundo.
Um segundo suficiente para fazer seu estômago revirar.
— Dormiu bem? — ela perguntou, formal, mantendo o papel de irmã da casa.
— Muito bem. O sofá é surpreendentemente confortável — ele respondeu com um meio sorriso só para ela.
apareceu logo depois, animado com a ideia de almoçarem fora, e sugeriu irem todos no mesmo carro. se ofereceu para dirigir, e para o azar — ou sorte — de , o banco da frente sobrou para ela.
Durante o trajeto, falava sobre música, filmes e qualquer coisa que lhe viesse à cabeça, mas e trocavam olhares rápidos, os braços quase se encostando no apoio central.
No restaurante, sentaram em uma mesa grande. ficou ao lado dela, por acaso — segundo —, mas ela sentia que aquilo tinha sido arquitetado. Toda vez que ele falava perto do ouvido dela para comentar algo sobre o cardápio ou ria de alguma bobagem dita por , sua pele reagia.
E ele sabia disso.
tentava parecer inabalável, mas a verdade é que cada pequeno gesto dele a desarmava mais. Um toque de leve no braço ao pegar o cardápio, a forma como ele a olhava enquanto falava com outra pessoa, como se só ela existisse ali…
Quando voltaram para casa, e decidiram jogar videogame, mas antes ele passou por ela, no corredor, e sussurrou com um sorriso contido:
— Se continuar assim, vou acabar esquecendo que você é a irmã do meu melhor amigo.
Ela virou o rosto rápido, tentando disfarçar o rubor no rosto.
— E se continuar assim… eu também vou esquecer. — Murmurou baixinho, achando que ele não tinha ouvido.
Mas o sorriso dele cresceu. Ele não disse mais nada. Só seguiu.
E o resto do domingo, apesar de todas as distrações, parecia orbitá-los.
Eles fingiam bem.
Mas os olhos… os olhos entregavam tudo.
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A manhã de segunda-feira já tinha começado mal. derrubara café na blusa antes de sair, esquecera a marmita em casa e, para coroar a desgraça do dia, ao retornar do almoço, encontrou seu carro sendo guinchado do estacionamento.
— Você só pode estar de brincadeira comigo! — murmurou, jogando os braços para o alto. Tentou argumentar com o responsável, mas não adiantou. A placa com a letra minúscula indicava “vaga exclusiva” para diretoria — um detalhe que ela ignorou totalmente ao parar ali na correria da manhã.
As colegas de trabalho estavam do outro lado da rua, observando a cena.
— Liga pro seu irmão, — uma delas sugeriu. — sempre te salva dessas.
Ela respirou fundo. Não quero misturar com esse dia infernal... mas quem mais eu vou chamar?
Minutos depois, ela estava encostada no muro, de braços cruzados, quando o carro escuro estacionou do outro lado da rua. Ela reconheceu de longe o modelo, mas não esperava ver quem saía do banco do motorista.
— Meu. Deus. — murmurou uma das amigas. — É o novinho de sexta?
— Ele é bonito demais, sério — comentou outra.
— Ele veio buscar você?
só ficou muda, encarando descendo do carro com aquele andar preguiçoso, despreocupado e aquele maldito moletom que deixava qualquer expressão dele mais... íntima.
Ele a viu, deu um leve sorriso e veio até ela.
— Problemas com a lei? — provocou ele, olhando para o ponto onde antes o carro dela estava. — Precisa de resgate?
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Você? Dirigindo o carro do ? — Ele tava com fome e me fez dirigir pra passar no drive-thru no caminho. — Nesse instante, saiu do carro ainda mastigando um pedaço de sanduíche.
— Eu disse que não ia demorar — ele falou, mas logo notou o burburinho do outro lado da rua. — O que tá acontecendo?
— Sua irmã tem bom gosto, viu? O novinho vindo buscar ela... um luxo. — Uma das colegas riu, de canto.
— O quê? — franziu a testa.
— Nada! — se apressou. — Vamos logo, por favor.
Ela entrou no banco da frente antes que mais alguma coisa fosse dita, e deu a volta, claramente se divertindo.
, no banco de trás, olhou de um para o outro, atento. Sentiu o jeito que ela evitava olhar para o motorista. Viu como segurava o sorriso.
— Aconteceu alguma coisa com vocês na sexta? — Estreitou os olhos.
— Claro que não — respondeu , rápido demais. — Elas viram a gente conversando e estão me enchendo o saco.
— Sei… — cruzou os braços.
O silêncio no carro cresceu. E a tensão entre os três parecia ocupar o porta-malas inteiro.
Mas estava decidida: não deixaria saber de nada.
Durante os dias que se seguiram, tentou ignorar tudo. O beijo na balada. As mãos dele. A forma como ele disse o nome dela, meio ofegante, meio perdido. Tudo. E tentou ainda mais não lembrar do que veio depois. O problema era que, cada vez que se forçava a esquecer, acabava lembrando com mais detalhes.
A mensagem da amiga ainda estava lá, destacada no topo da conversa:
“Valia mesmo trocar a gente pelo novinho! Confessa, amiga: você foi feliz.”
Foi. E estava pagando por isso com juros.
— Tô organizando um jantar aqui em casa sexta — avisou em um dos áudios que ela ignorou por horas. — Vem, vai ser só a galera de sempre.
Ela bufou. “Vem”? Como se eu não morasse aqui…”
E claro, “a galera de sempre” incluía o novinho que não saía da cabeça dela.
Na sexta à noite, desceu as escadas com a calma treinada de quem fingia que estava tudo bem. Vestido simples, maquiagem leve, sorriso ensaiado.
— Tá bonita hoje, — disse um dos amigos do .
— Obrigada. — Ela sorriu, mas olhava por cima do ombro. Procurando sem admitir que procurava.
E então, ele entrou.
.
Jeans escuros, camiseta preta, cabelo bagunçado. Era simples. Mas nele, tudo era um convite. Ela desviou o olhar rapidamente. Ele não. Ele a viu e parou por um segundo, como se estivesse avaliando o clima. Depois, aproximou-se com o mesmo sorriso torto.
— Ainda estacionando em lugar proibido?
— Ainda dirigindo o carro dos outros? — Ela bufou.
— Só quando é pra buscar alguém especial. — Ela fingiu não ouvir. Mas seus ombros estavam tensos, e ele notou.
O jantar correu bem na medida do possível, mesmo com a troca de olhares e as provocações do mais novo.
Na segunda-feira à noite, chegou em casa com os pés doendo e a cabeça ainda cheia do jantar do fim de semana. . Sempre ele. Mesmo quando ela tentava desviar, o olhar dele parecia alcançá-la em qualquer canto da sala. E agora, parecia que o universo queria colocar os dois em órbita permanente.
Ela empurrou a porta de casa e largou a bolsa no canto da sala, encontrando o irmão no sofá com um pote de sorvete no colo.
— O que é que tá fazendo em casa essa hora?
— O mundo tá acabando e você não me avisou? — ele retrucou com um arquejo fingido, olhando a cara de cansada dela. — Tô de folga. Ah, e prepare-se: o vai passar uns dias aqui.
— O quê? — Ela parou no meio da sala.
— O apartamento dele tá passando por uns reparos. Vazamento bizarro no teto, segundo ele. Achei mais fácil chamar o cara pra cá do que escutar ele tossindo mofo até semana que vem.
— Ele não pode ir pra casa dos pais? — tentou fingir que não foi pega de surpresa. Mas o coração pulava como se tivesse ouvido o anúncio de um furacão iminente.
— E ficar ouvindo a mãe dele perguntando quando vai arrumar uma namorada? Eu sou um bom amigo. — Ela não conseguiu conter o riso, mas ele morreu logo na garganta.
Naquela mesma noite, chegou com uma mochila jogada no ombro, o mesmo sorriso despreocupado no rosto — e o olhar atento demais para quem dizia estar só “de passagem”.
— E aí, colega de quarto — disse ele, parando no corredor quando a viu. — Achei que ia me evitar.
— Eu evito a bagunça, só isso — respondeu seca, sem conseguir encarar o calor que ele emanava mesmo sem tentar.
— Então vai ter que me evitar o tempo todo. Eu sou um caos ambulante.
Nos dias seguintes, ela tentou manter distância. Mas a casa era pequena. As paredes, finas. E … presente demais.
Na cozinha de manhã, ele aparecia sempre de camiseta larga e cabelo molhado, sorrindo com a cara ainda amassada de sono. No fim da tarde, se jogava no sofá ao lado dela, comentando qualquer besteira do noticiário como se fossem íntimos. À noite, dividia o espaço do corredor com ela, os ombros quase encostando, os olhares perigosamente demorados.
— Vocês dois andam se esbarrando muito, hein? — começou a observar mais. Comentários inocentes. Brincadeiras com um certo tom.
— A casa é pequena, — ela respondeu rápido demais.
— Hum. — Ele franziu o cenho. — Só espero que o não esteja enchendo o saco com aquelas piadinhas dele. Ele passa dos limites às vezes.
— Imagina. Nem falo com ele direito. — Ela sorriu sem mostrar os dentes.
Mentira descarada.
Naquela noite, quando bateu na porta do quarto dela só pra “pedir” para usar o banheiro do quarto dela, porque o outro estava trancado, abriu a porta devagar, encarando-o com uma mistura de medo e curiosidade.
— Vai fazer isso quanto tempo? — perguntou ela em voz baixa.
— Isso o quê? — Perguntou entrando, quando ela liberou a passagem para que ele chegasse ao banheiro.
— Provocar.
— Até você parar de fingir que não quer mais.
O coração dela disparou. Mas os passos dele ecoaram pelo quarto, indo para o banheiro sem tocar nela. Sem dizer mais nada.
E ela? Ficou ali, tremendo por dentro, sabendo que aquilo… não era só um caso.
Era a linha que ela sabia que não devia cruzar — e ainda assim, cada passo a levava mais perto.
No final da tarde seguinte o calor da sala parecia aumentar com cada olhar trocado entre e . O espaço, antes confortável, agora parecia apertado, como se qualquer movimento mais brusco fosse revelar o segredo que eles estavam tentando esconder. estava na cozinha, ocupado com o celular, alheio ao que estava acontecendo no resto da casa — ou, pelo menos, parecia.
estava parada perto do sofá, os olhos fixos no chão, tentando se manter ocupada com uma revista que não conseguia entender uma palavra sequer. estava a alguns passos de distância, tentando parecer natural, mas, para , a proximidade dele a fazia perceber o quanto ele estava mais perto do que ela gostaria. E observava tudo.
— Vai ficar mais uma semana com a gente? — perguntou casualmente a , mas a tensão entre eles estava clara demais para ser ignorada.
sorriu de volta, tentando aliviar a situação com seu jeito de sempre.
— Depende... — ele olhou para , que, instantaneamente, se sentiu um pouco desconfortável. — Se a não se importar em continuar dividindo a casa comigo.
se virou rapidamente, tentando esconder a expressão que traiu seu desconforto. Não, não, não, não. Ela estava começando a se perguntar até que ponto aquilo estava saindo do controle. Mas o que ela não sabia era que já começava a perceber mais do que ela queria.
Nos minutos seguintes, quando ela tentou se afastar um pouco, sentindo que precisava de um tempo para si mesma, seguiu com o olhar, atento. O irmão dela tinha começado a juntar as peças.
Era uma noite comum. O tipo de noite em que você espera que tudo seja rotineiro, mas algo, em algum lugar, está prestes a se quebrar. estava no apartamento com , organizando algumas coisas, quando decidiu que sairia para dar uma volta. Não era nada demais, apenas um desejo de respirar um pouco de ar fresco.
— Vai aonde? — perguntou, sem olhar, ainda ocupado com seus próprios afazeres.
— Só um café, nada demais — respondeu ela, tentando parecer despreocupada.
Mas, ao colocar o casaco e sair, a verdade é que ela só queria se distrair. Porque, em algum canto da sua mente, ela sabia o que a aguardava. Sabia que o incômodo estava ali, só esperando a chance de se manifestar.
Quando entrou no café, o som da conversa e do barulho das xícaras enchendo o ambiente não conseguiu abafar o nó no estômago dela. Ela sentou-se em uma mesa no canto, como de costume, tentando se concentrar em alguma coisa. Mas o que ela realmente queria era evitar olhar para a porta.
Até que a porta se abriu.
Era ele. . Mas não estava sozinho. Ao seu lado, uma garota sorria, claramente em um clima descontraído e divertido. Os dois estavam conversando com entusiasmo, e ele ria daquela risada que conhecia muito bem. Era uma risada genuína, fácil, e que fazia com que ele parecesse ainda mais irresistível. A garota parecia encantada, e sentiu uma pontada de algo que não conseguia identificar de imediato.
Eles se aproximaram do balcão, e a garota o tocou no braço de forma amigável, o que fez o peito de apertar.
Foi ali que o ciúmes se manifestou.
se endireitou na cadeira, tentando não olhar demais, mas a visão dos dois juntos a incomodava mais do que ela gostaria de admitir. Ela tentou se concentrar no celular, mas não conseguia evitar as imagens do sorriso deles, as piadas que ele fazia para a garota e o jeito como ele estava tão à vontade, tão confiante.
Enquanto isso, percebeu que estava sendo observado. Ele olhou para o lado e viu , sentada ali, observando-os com uma expressão que não conseguiu identificar de imediato. Algo dentro dele apertou, mas, como sempre, ele preferiu não dar muita importância.
Ele se despediu da garota e foi até a mesa de .
— Não sabia que você estava por aqui — ele comentou com um sorriso, tentando ser casual, mas algo nos olhos dele estava diferente, como se ele tivesse notado o desconforto.
— Não é nada, só... uma coincidência. — tentou sorrir, mas o gesto saiu forçado.
Ele se sentou na cadeira em frente dela sem pedir permissão, os olhos fixos nela, como se quisesse entender o que estava acontecendo.
— Tá tudo bem? — perguntou, ainda com aquele olhar curioso, mas com uma pitada de preocupação, como se estivesse percebendo o que ela tentava esconder.
Ela olhou para ele, tentando esconder o incômodo que ainda a corroía. Não era só ciúmes. Era o medo de perder o controle sobre o que estava sentindo. O medo de ele continuar sendo tão fácil de lidar com todas as pessoas, menos com ela.
— Claro — ela respondeu, forçando uma calma que não tinha. — Só estou... ocupada com os meus pensamentos.
A troca entre eles ficou tensa por um instante. não acreditou na resposta dela, mas preferiu não insistir. Em vez disso, se inclinou um pouco para frente, como se quisesse testar os limites dela.
— Eu vi que você estava olhando. — Ele disse isso baixo, quase como uma provocação.
engoliu em seco, seus olhos desviando para a janela do café. Ela odiava que ele a pegasse dessa forma. Não queria demonstrar fraqueza. Não queria mostrar que ele a afetava.
— Só estava observando o café — ela mentiu, sem convicção.
Ele riu, e aquele som a deixou ainda mais desconfortável.
— Então, o café é mais interessante do que eu? — Perguntou, claramente ciente do que estava acontecendo.
sentiu o rosto esquentar. O modo como ele a desafiava era inconfundível. Ela respirou fundo, tentando ganhar algum controle sobre a situação.
— Você e a sua amiguinha — ela não conseguiu evitar o tom — Sua nova peguete?
Ele pareceu surpreso com a pergunta, mas logo deu de ombros.
— Ah, ela é amiga de um amigo meu. Nada demais. — Ele fez uma pausa, e seus olhos ficaram mais sérios. — Mas, se quer saber, não é nada comparado ao que eu poderiamos estar fazendo agora.
O tom dele era bem mais direto, e a frase parecia carregar um significado mais profundo. Ela o olhou por um segundo, sem saber o que pensar.
— O que você quer dizer com isso? — perguntou, o coração batendo mais rápido.
— Sei que você não gosta de ver outras pessoas se aproximando de mim. Assim como eu não gosto de ver você se afastando. — Ele olhou para ela, de forma intensa.
A declaração ficou no ar. Era uma verdade silenciosa, um jogo de palavras entre eles que não precisava ser dito em voz alta para que ambos soubessem o que estava em jogo.
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A semana passou lenta e cheia de desconforto. não sabia o que estava acontecendo com ela. Cada vez que via , sentia uma mistura de frustração e desejo que a deixava sem palavras. Ele, por outro lado, parecia agir como se nada tivesse mudado. Como se a tensão entre eles fosse apenas mais um detalhe irrelevante no meio de tudo o que estava acontecendo.
Ela tentava se enganar dizendo que não era nada, que ele não tinha esse poder sobre ela. Mas não era verdade. Ele tinha.
Na sexta-feira, recebeu um convite de última hora para um jantar na casa de um amigo de . Ela sabia que também iria. Era quase uma lei não falada, agora: onde estivesse, lá estaria ela, tentando evitar ao máximo o quanto ele a afetava.
Quando chegou, foi recebida por e alguns amigos, mas logo sentiu o olhar de atravessando a sala. Ele estava com os amigos, rindo, como sempre, mas de alguma forma parecia mais atento a ela. Como se, em algum nível, estivesse observando cada movimento dela, assim como ela fazia com ele.
Ele estava diferente. Ou talvez fosse ela quem estava diferente. Estava mais consciente de cada sorriso dele, de cada olhar que ele direcionava para ela. Estava mais difícil fingir que nada havia acontecido entre eles.
O jantar foi uma mistura de conversas animadas e risos, mas não conseguia se concentrar. Ela sabia o que vinha a seguir. Era inevitável. Quando a noite avançou e as conversas ficaram mais soltas, a tensão entre ela e se intensificou.
Ela estava no canto da sala, tentando beber um copo de vinho e evitar mais olhares de , quando se aproximou.
— Você está bem? — ele perguntou, o tom de preocupação na voz.
deu um sorriso forçado, mas parecia perceber que algo estava errado.
— Sim, só... cansada. — Ela queria mudar de assunto, mas ele a interrompeu.
— Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa, né? — ele disse, com um olhar que ela não conseguia interpretar.
Ela tentou rir, mas não conseguiu. As palavras de a pegaram desprevenida. Ele sabia de alguma coisa? Tinha nototado a tensão?
— Não sei do que você está falando — ela tentou se esquivar, mas o sorriso de era meio desconfiado.
— Tudo bem então. — Ele não insistiu, mas não parecia muito convencido.
Ela suspirou, isso a incomodava também mais do que ela estava disposta a admitir. a deixou sozinha e apareceu, indo em sua direção. — Tá tudo bem? Está com uma cara estranha, quer tomar um ar? — Ele perguntou e ela só assentiu com a cabeça. conduziu até o jardim em um ponto escondido entre os arbustos, onde as luzes baixas e a música ao fundo davam um toque melancólico à cena. O ar fresco da noite parecia contrastar com o calor crescente entre eles.
— O que você está tentando fazer? Todos os seus amigos e o meu irmão estão aqui — perguntou, sem rodeios, tentando esconder o nervosismo na voz.
Ele a observou por um momento, a expressão séria, mas os olhos ainda brilhando com aquela intensidade que ela tanto tentava evitar.
— Eu? — ele repetiu. — Não estou fazendo nada. Só te trouxe para tomar um ar.
— Eu estou tentando ignorar você — ela disse, mais firme do que se sentia. — Só estou... tentando entender o que isso tudo significa. O que você significa.
Ele sorriu de maneira desconcertante, como se tivesse esperado essa resposta.
— E você acha que vai conseguir entender se continuar fugindo? — Ele se aproximou um pouco mais, a voz suave, mas cheia de algo que não conseguia decifrar.
Ela queria dar um passo para trás, mas algo a impediu. Algo em seus olhos, algo no jeito que ele estava ali, tão perto dela, tão seguro de si.
— Eu não sei o que isso é, . Mas também não quero mais ignorar — ela sussurrou, quase sem querer.
Antes que pudesse dizer mais, ele a interrompeu, seus lábios tocando os dela de forma suave, mas intensa. Não era um beijo qualquer. Era um beijo cheio de significados não ditos, de sentimentos guardados, de algo que já estava claro entre eles, mas que ainda não havia sido totalmente explorado.
Quando se afastaram, ela ficou ali, sem saber o que dizer. E ele foi voltou para que ninguém desse falta deles juntos. Não demorou muito para que dali mesmo do jardim ela fosse embora, estava mais confusa que antes, precisava dar uma dormida.
Algumas manhãs depois daquele beijo, foi despertada pelo celular vibrando.
A mensagem chegou num grupo que ela nem lembrava de estar.
“Galera, SAVE THE DATE! Eu e a Cassie vamos casar e queremos todos vocês com a gente. Padrinhos, ok?”
Ela mal teve tempo de processar antes que outra notificação apareceu — dessa vez, no privado.
“Quero você de madrinha, claro! E eu pensei no para ser o seu par, já que vocês são os únicos solteiros do nosao grupo de amigos. Cê topa?”
Era Cassie, a até então namorada de um dos amigos próximos de , que tinha se tornado amiga também de , pelos muitos eventos do grupo que participaram juntas. sorriu sem querer. O coração bateu rápido.
Sim. Porque, embora ninguém soubesse — ela e já tinham cruzado a linha desde aquele beijo entre os arbustos. Às vezes ele aparecia tarde da noite no quarto dela com uma desculpa qualquer. Outras vezes, ela é quem o puxava pelo colarinho quando o silêncio da casa deixava claro que já estava dormindo.
Não havia um rótulo. Não havia promessas. Mas havia toques demorados demais, beijos escondidos atrás de portas entreabertas e sorrisos que só os dois sabiam decifrar.
— Algum problema? — apareceu na cozinha, pegando uma garrafa d’água da geladeira.
se assustou com a presença dele e rapidamente travou o celular.
— Não — disse. — O Max vai casar, você viu.
— Sério? Já? — Desbloqueou o celular vendo o grupo.
— Uhum. E a Cass me chamou pra ser madrinha. — Abriu um grande sorriso.
— Que massa. Vai ser divertido. — sorriu animado.
Ela deu um sorriso discreto, tentando ignorar o calor nas bochechas. “Divertido” talvez não fosse a palavra que ela usaria.
foi o primeiro a responder no grupo dos padrinhos com um emoji de foguinho. Depois mandou, em privado:
“Parece que vamos ser um casal oficial. Pelo menos no altar.”
Ela mordeu o lábio, lutando contra o impulso de responder o que realmente queria.
“Vamos ter que ensaiar bastante, então.”
Viu que ele não tinha demorado nem meio segundo para responder
“Na sua cama ou na minha?”
Ela desligou a tela do celular antes de fazer besteira.
As semanas seguintes foram tomadas pelos compromissos do casamento. Ensaios. Provas de roupa. Almoços e jantares com os noivos. E, claro, a convivência quase diária com .
Durante o dia, mantinham a fachada: amigos, companheiros de missão. À noite, era como se o relógio disparasse um gatilho silencioso. Os toques se prolongavam. Os olhares se intensificavam. As escapadas tornavam-se mais frequentes.
notava.
Talvez fossem os olhares rápidos demais. Ou os silêncios desconfortáveis quando ele entrava num cômodo. Ou o fato de que , que sempre fora cheia de opiniões, agora parecia hesitar quando se tratava de .
Numa das reuniões, enquanto os padrinhos ajustavam a dança, tropeçou no passo e caiu direto nos braços dele. Foi rápido, quase ensaiado. Mas estava olhando. E não sorriu.
Mais tarde, enquanto lavava os copos do jantar, ele comentou:
— Você e o andam se dando bem, né?
— Ele é legal. A gente já se conhece faz tempo, mas passamos mais tempo juntos essas últimas semanas, né? — Ela hesitou. Segurou o pano de prato com mais força do que o necessário.
— Aham.
Silêncio.
Ele não disse mais nada. Mas o jeito como secou o copo até quase quebrar o vidro disse tudo.
A tarde estava abafada, e o salão de festas onde aconteceria o ensaio do casamento parecia ainda mais quente. Entre risadas, copos de refrigerante e passos desajeitados tentando seguir o ritmo da música escolhida pelos noivos, e dançavam juntos de novo.
De novo.
Era a terceira vez naquela semana que os encontrava assim: juntos demais, sintonizados demais, em silêncio demais quando percebiam que estavam sendo observados.
— Vai ter coreografia? — perguntou alguém, tentando quebrar o gelo enquanto os padrinhos trocavam de par para ensaiar a entrada.
— Só uma dancinha boba, coisa leve — respondeu Max, o noivo. — Ah, e já que estamos todos aqui, só pra lembrar: e entram primeiro, tá? Vocês são tipo o casal principal, depois da gente é claro! — Piscou para a esposa e riu.
não achou graça.
Nem respondeu.
Ficou quieto, observando a irmã sorrir, meio sem graça, enquanto se inclinava para cochichar algo no ouvido dela. mordeu o lábio para conter o riso.
E aquilo foi o estopim.
— Posso falar com você? — puxou pelo braço, num gesto mais ríspido do que o normal.
Eles se afastaram alguns passos, o suficiente para que ninguém escutasse, mas todos percebessem que havia algo errado.
— Qual é a sua? — foi direto. — Por que te escolheram como par da ? Tá rolando algo que todo mundo sabe, menos eu? — Ué, o Max escolheu os pares. Nem fui eu que… — piscou, surpreso quando foi interrompido.
— Não tô falando só do casamento. — cruzou os braços. — Você anda grudado nela. Nos jantares, nos ensaios, até nas malditas caronas. Por que eles não me eacolheram para ser o par dela? Nós somos irmãos.
— Porque não faria sentido, — disse ele, calmo, mas firme. — Porque se você entrasse com ela, quem ia entrar com a Bea? Eu? Você acha certo eu entrar com a sua namorada?
— Só não quero ver minha irmã sendo machucada. Principalmente por alguém que eu considero meu melhor amigo. — apertou o maxilar
— Então talvez você devesse confiar mais nela. E em mim. — segurou o olhar dele por um tempo longo demais.
observava de longe, o coração disparado. O jeito como gesticulava dizia tudo. Ela sabia que a fachada estava desmoronando. Que os segredos começavam a vazar pelas rachaduras.
Mais tarde, no estacionamento, quando todos já tinham ido embora, ela e permaneceram no carro, os vidros embaçados pelo calor da noite e pelas respirações curtas.
— Ele tá começando a sacar — disse ela, olhando pela janela.
— É — respondeu ele, com a cabeça encostada no banco.
Silêncio.
— E se ele mandar você se afastar?
— Você quer que eu me afaste? — virou o rosto, os olhos agora só pra ela.
Ela não respondeu.
Mas quando se inclinou e o beijou devagar, ficou claro que não.
Nem um pouco.
— Desde quando você e o andam de segredinho? — A pergunta veio seca, sem aviso, no meio do café da manhã.
ergueu os olhos da caneca, tentando manter a naturalidade. estava escorado na pia, braços cruzados, expressão carregada.
— Como é? — perguntou, dando um gole como se estivesse mais confusa do que realmente estava.
— Você ouviu. — Ele apontou com o queixo. — Desde quando vocês ficam se encarando, somem juntos, cochicham como se estivessem tramando alguma coisa?
Ela soltou uma risada curta, meio nervosa.
— Meu Deus, . O que você tá dizendo?
— Tô dizendo que conheço o meu amigo. E conheço a minha irmã. — Ele se aproximou um passo. — E se tiver algo acontecendo, quero saber agora. Porque ele devia ter me falado. E você também.
largou a caneca na bancada com mais força do que pretendia.
— Não tem nada acontecendo, ok? Por que você tá tão surtado com isso?
— Porque eu sei como ele é, . Eu já vi ele em outras situações, e... — respirou fundo, tentando se conter. — Você merece alguém que te leve a sério. Não um moleque que flerta com tudo que respira e que, agora, acha legal brincar com a irmã do melhor amigo.
O silêncio caiu entre os dois.
sentiu a garganta apertar, mas manteve o olhar firme.
— Você tá errado sobre ele.
— Só me responde: tá rolando algo entre vocês?
Ela hesitou. Por um segundo. Só um.
E então respondeu:
— Não. Não tá.
Ele a olhou por mais um instante, como se quisesse confirmar no olhar dela o que a boca não dizia.
— Melhor assim — disse, seco, antes de sair da cozinha.
ficou parada ali, sentindo o gosto amargo da mentira e o peso de uma verdade que, agora, ela nem poderia mais admitir.
O provador da alfaiataria estava um caos controlado — risadas, tecidos sendo ajustados, alfaiates girando em volta dos padrinhos com alfinetes nos dentes. Entre as brincadeiras e as poses desajeitadas no espelho, tentava manter a concentração... e não ficar olhando demais para o reflexo de do outro lado da sala.
Ela experimentava o vestido com uma das madrinhas, rindo de algo que disse baixinho. O caimento marcava as curvas com precisão, e desviou o olhar antes que fosse óbvio demais.
— Vai dar trabalho esse casamento — comentou Junseo, um dos padrinhos, ajustando os punhos da camisa. — Mas, fala sério, vocês dois ali vão ficar lindos juntos no altar.
franziu a testa, distraído.
— Hm?
— Você e a . Já são casal ou vão oficializar lá?
— Bom... a gente se entende, né? — soltou uma risadinha, automática, como quem não queria desmentir — nem confirmar.
— Sabia! Cara, vocês têm uma química absurda. Dá até vergonha de ficar no mesmo ambiente. — Junseo riu alto e deu um tapinha no ombro dele.
deu de ombros, fingindo que não ligava, mas sorrindo de canto. Quando virou para pegar o paletó, viu o reflexo no espelho: , parado atrás deles, segurando a expressão com os dentes cerrados.
— O que foi, ? — perguntou Junseo, notando o clima.
— Nada. — Ele vestiu o blazer devagar, olhando para o próprio reflexo, mas os olhos encontraram os de . — Só acho engraçado o que as pessoas acham que sabem.
— Às vezes, as pessoas veem o que tá bem na frente. — ajeitou a gola.
— Ou veem o que querem ver — respondeu , firme.
O silêncio se instalou, tenso. Junseo deu um passo para trás, percebendo que o assunto tinha deixado de ser leve.
— Vou ver como estão os outros — murmurou, escapando.
e ficaram ali, frente a frente, com uma distância muito menor que a dos passos que deram.
— Eu sei o que você tá tentando fazer — disse , baixo, sem encarar diretamente. — E te aviso: pisa com cuidado.
— Não tô tentando nada, — respondeu . — Mas se você me olhar como se eu fosse um inimigo, vai acabar criando um.
saiu primeiro, sem responder. ficou ali, o paletó meio aberto, o peito subindo e descendo devagar, como se tivesse acabado de sair de uma briga que nem chegou a acontecer.
Mas já estava perto.
Perto demais.
O restaurante tinha sido reservado apenas para os padrinhos e familiares mais próximos. A longa mesa de madeira rústica, decorada com flores brancas e velas baixas, trazia uma atmosfera leve. Ou pelo menos, deveria.
ajustava o guardanapo no colo pela terceira vez, sem necessidade. À sua esquerda, tentava sorrir e se manter simpático, apesar da sensação de estar sendo atravessado por olhares.
À frente deles, e Bea. Ele segurava uma taça de vinho, mas não bebia. Observava os dois, falando pouco, rindo menos ainda.
— Eu não sabia que jantar de ensaio era tão formal — disse , tentando puxar assunto.
— É porque você nunca foi madrinha antes — respondeu Bea, gentil, tentando aliviar o clima.
— Talvez eu devesse dizer umas palavras — murmurou , erguendo-se, batendo levemente a faca contra a taça.
Todos olharam para ele, algumas pessoas sorrindo, outras apenas em expectativa. apertou a mão sob a mesa. endireitou os ombros.
— Queria agradecer a todos vocês por estarem aqui, e aos noivos por me deixarem ser parte disso — começou ele, olhando em volta, depois encarando os dois à sua frente. — Algumas pessoas aqui são como família. Outras... são família. Ele fez uma pausa curta. O sorriso no rosto era ensaiado. — E tem aqueles que, às vezes, esquecem o que significa respeito. Ou, talvez, confundem o que é confiança com permissão. — Bea apoiou a mão no braço dele discretamente. Ele pigarreou. — Mas... é uma noite de comemoração. E eu só espero que esse casamento una mais do que separe. Viva aos noivos.
O brinde foi levantado, mas os copos não se encontraram com entusiasmo. olhava fixamente para a toalha. desviou o olhar para o lado oposto da mesa.
Mais tarde, no estacionamento, enquanto os convidados iam embora em pares, se aproximou de . Ele estava encostado no carro, as mãos nos bolsos.
— Posso te dar uma carona — ofereceu , a voz baixa, contida.
— Tô de carro. — nem olhou. — E tô bem.
— Não parece.
— Engraçado, porque eu achava que você me conhecia. Mas talvez esteja mais ocupado conhecendo... outras pessoas.
— Eu nunca quis que você se sentisse assim. — respirou fundo.
— E como você queria que fosse? Que eu fosse o primeiro a te dar tapinha nas costas? Dizer que é normal sentir atração pela irmã do melhor amigo? — riu sem humor, enfim virando o rosto.
ficou ali, parado, ouvindo a frase martelar. Quando ele enfim ia reaponder, o encarou, e por um segundo, os dois pareciam prestes a dizer o que não sabiam colocar em palavras.
Mas o momento passou. entrou no carro. Ligou o motor. E foi embora.
Deixando sozinho, cercado pelas luzes baixas do restaurante e o peso do que já não dava mais pra esconder.
A sala da pousada onde os padrinhos estavam hospedados estava quieta, exceto pelo som distante da chuva fina caindo do lado de fora. A maioria já havia subido para os quartos, e o dia seguinte prometia ser longo.
estava sentada no sofá com uma taça de vinho branco nas mãos, os pés descalços recolhidos sob o corpo. O cabelo preso de qualquer jeito e a expressão cansada. entrou devagar, trazendo um cobertor que pegara no corredor.
— Achei que podia querer isso — disse ele, depositando o tecido macio sobre as pernas dela.
— Obrigada. — Ela forçou um sorriso. — Não tá conseguindo dormir também?
Ele negou com a cabeça e sentou-se ao lado dela, perto o suficiente para encostar o joelho. Por um momento, ficaram em silêncio, apenas ouvindo a chuva e a respiração um do outro.
— Ele me odeia, não é? — perguntou , enfim.
— Não. — respondeu rápido demais. — Só... tá magoado.
— E com razão.
— ...
— Eu menti pra ele. Ou, pior... fui covarde. A gente podia ter contado antes. Podia ter sido honesto. Mas eu tive medo.
Ela o encarou.
— Eu também. E não é como se fosse fácil, sabe? A gente nem sabia o que isso era. Ainda não sabe.
— Não? — ele perguntou, baixinho, virando-se para ela.
Ela hesitou.
— Eu sei que... tem alguma coisa. Que é real. Mas também sei que o é tudo pra mim. E você também é. Só que agora vocês estão se afastando, e eu sinto que a culpa é minha.
— Não é sua. — tocou de leve a mão dela. — É minha. Porque eu deixei isso acontecer mesmo sabendo das consequências. Mesmo sabendo que, no fundo, ele nunca aceitaria.
— O que você sente por mim? — Ela o observou por alguns segundos, depois entrelaçou os dedos aos dele.
— Sinto que você virou meu ponto de paz no meio do caos. Que quando você sorri, eu esqueço do resto. E que... mesmo tentando me convencer de que era só físico, eu me apaixonei. — Ele respirou fundo, como se estivesse se preparando pra pular.
— E agora? — sentiu o ar sumir por um instante. Desviou o olhar, engoliu seco.
— Agora, eu não quero mais esconder. Mas também não quero perder ele. — A voz dele falhou um pouco. — Ele é como um irmão pra mim.
— Então a gente segura. Só mais um pouco. — Ela se aproximou, encostando a testa na dele.
— Até quando?
— Até a gente não conseguir mais fingir. Ou até ele descobrir. — Ela suspirou.
Eles ficaram ali por um tempo, colados, em silêncio. Sabendo que o dia seguinte podia mudar tudo — pra melhor ou pra pior. E sem saber se estavam prontos pra lidar com isso.
Mas pelo menos, naquele instante, estavam juntos.
O sol tingia o céu com tons dourados quando os noivos subiram ao altar. Tudo estava perfeito: a decoração em tons neutros, as flores delicadas, os sorrisos emocionados. se manteve firme ao lado de , seu par, tentando ignorar o turbilhão que girava dentro dela.
A cerimônia foi bonita, emocionante, cheia de votos sinceros e lágrimas contidas. , ali do outro lado do altar com Bea, também estava aparentemente tranquilo. Mas percebeu: o sorriso não chegava aos olhos, e a mandíbula cerrada denunciava a tensão.
Assim que os noivos disseram “sim”, o clima explodiu em aplausos e alegria. E, por um instante, tudo parecia em paz.
A festa acontecia em um salão com portas de vidro que davam para um jardim iluminado por luzes baixas e lâmpadas penduradas nas árvores. A música vibrava no ar, as pessoas riam, dançavam, brindavam.
, no entanto, estava cada vez mais inquieta.
A pressão dos olhares. O calor. A proximidade de . O medo de que alguém reparasse no jeito como os olhos de sempre a procuravam.
— Preciso de um ar — disse ela, já se afastando da pista.
viu o jeito como ela saiu, a respiração rápida. Esperou um minuto, talvez dois. E foi atrás.
Ela estava do lado de fora, no jardim, sentada num banco afastado, os braços cruzados, os ombros tensos.
— Ei — ele disse suavemente, se aproximando. — Tá tudo bem?
— Só... é muita coisa. Eu fico pensando que a qualquer momento alguém vai perceber, que o vai perceber... — Ela suspirou, os olhos marejados. — Eu odeio mentir pra ele.
— Eu sei. — Ele se sentou ao lado dela, próximo. — Mas você não tá sozinha nisso, tá? Eu tô aqui.
Ela virou o rosto para ele, os olhos brilhando com emoção.
— Acha mesmo que vale a pena?
— Acho. Porque você vale.
Foi tudo o que precisou. Ela se inclinou, os lábios tocando os dele num beijo calmo, reconfortante, carregado de um sentimento que crescia a cada dia.
Eles não ouviram os passos. Não sentiram a aproximação.
— ?
A voz os cortou como uma faca.
Os dois se viraram. estava parado ali, alguns passos atrás, expressão entre choque e incredulidade.
Ele olhou para a irmã. Depois para .
— Vocês dois...?
— — começou , levantando-se, o rosto em pânico. — Não é o que você tá pensando...
Mas era. E ele sabia.
— Eu não acredito nisso.
— Cara, por favor... — tentou falar, mas levantou a mão, como se o som da voz do amigo fosse um soco.
— Quanto tempo isso tá acontecendo?
Silêncio.
— Quanto tempo?
tentou de novo:
— Não foi planejado. Aconteceu. E a gente não contou porque sabíamos que você ia reagir assim.
— Porque eu sou o idiota da história, né? — Ele riu, sem humor. — Meu melhor amigo. Minha irmã. Escondendo isso de mim e o pior, mentindo na minha cara.
— ...
— Não. Não hoje.
Ele virou as costas e saiu andando de volta para a festa, o queixo tenso, os punhos fechados.
— A gente perdeu ele? — sentou-se de novo, os olhos cheios de lágrimas.
— Ainda não, ele só precisa de um tempo. Mas agora... agora ele sabe. E é só o começo. — passou o braço ao redor dela.
A música ainda tocava alto, abafando as conversas e os risos. Mas só ouvia o som dos próprios passos apressados enquanto atravessava o salão, os olhos buscando desesperadamente pelo irmão.
Ela o encontrou do lado de fora do bar, com um copo na mão e o olhar perdido na pista de dança. não notou a aproximação dela até que ela parou ao seu lado.
— ...
— Você devia estar com ele. — Ele nem virou o rosto.
— Não é assim.
— Não? — Ele deu uma risada seca. — Porque de onde eu vi, parecia exatamente assim.
— Eu vim aqui porque você é meu irmão. Porque eu me importo. E porque não quero que isso destrua tudo. — Ela respirou fundo, tentando manter a calma.
— Engraçado — ele murmurou, ainda sem encará-la —, porque quando estavam mentindo para mim, vocês dois fizeram parecer que não se importavam nem um pouco.
— Não foi fácil pra gente. Nenhum dos dois queria te magoar e…
— Então por que esconderam? — Agora sim ele a encarava, olhos duros, feridos.
— Porque eu sabia que você ia reagir assim. Que ia me olhar desse jeito. E que ia se afastar do . A gente tentou evitar isso. — engoliu em seco.
— Vocês tentaram me enganar — corrigiu ele, amargo. — Como se eu fosse burro. Como se eu não fosse perceber. Eu confiei nos dois.
— E você acha que pra gente foi fácil mentir? Que foi simples se esconder o tempo todo? — A voz dela saiu mais alta. — Eu não escolhi me apaixonar pelo seu melhor amigo, . Aconteceu. Devagar. Silencioso. E foi assustador pra mim também.
— Você... ama ele? — Ele franziu a testa.
— Amo. — Ela hesitou. Por um segundo, foi como se até o som da festa tivesse desaparecido.
Foi simples, mas doeu dizer em voz alta.
— E ele ama você? — olhou para ela por longos segundos. Depois, baixou os olhos para o copo.
— Ama. Mesmo quando eu fico insuportável. Mesmo quando eu me assusto e afasto ele. Ele fica. E me escuta. E me entende.
fechou os olhos por um momento, como se estivesse processando tudo.
— Não é sobre vocês estarem juntos, . — A voz dele saiu mais baixa agora. — É sobre vocês não confiarem em mim o suficiente pra dizer.
— Eu confiava. Mas tinha medo. Você sempre foi super protetor. E ... é seu irmão de alma. Eu não queria ficar entre vocês.
— É, mas já aconteceu.— Ele passou a mão no rosto.
— Mas ainda dá pra consertar — disse ela, dando um passo mais perto. — A gente não quer que você se afaste. A gente quer você com a gente. No nosso lado. Porque eu te amo, . E ele também.
— Isso vai demorar pra eu engolir. Mas... se ele te machucar, eu juro que quebro ele no meio. — ficou em silêncio por um tempo. Depois, soltou um suspiro longo.
— Justo. — sorriu com os olhos úmidos.
Ele riu, pela primeira vez naquela noite, ainda que de leve.
— Eu só quero ver você feliz, mana. Mesmo que seja com aquele babaca. — E então a puxou para um abraço apertado.
— Eu ouvi isso! — gritou da pista, levantando o copo, e os dois riram pela primeira vez em dias.
E naquele abraço, entre mágoas e perdões, uma nova fase começava.
O apartamento estava silencioso demais sem a presença constante de risadas, passos, ou a trilha sonora aleatória que costumava pôr enquanto cozinhava alguma coisa duvidosa.
estava sentado no sofá da sala quando a campainha tocou.
Abriu a porta e deu de cara com ele: . Jeans, moletom, o cabelo um pouco bagunçado, as chaves do antigo quarto na mão.
— Só vim pegar minhas coisas — disse ele, sem jeito. — Prometo não demorar.
deu passagem com um aceno de cabeça e voltou pro sofá.
passou direto pro quarto que ocupou por meses, mas antes de entrar, parou no meio do corredor.
— Você vai continuar me ignorando?
— Não tô ignorando — respondeu , seco. — Tô processando.
— Processando por quanto tempo?
Silêncio.
— Você quer saber por que a gente não te contou? — encostou no batente da porta, cruzando os braços.
— Já sei. — olhou pra ele. — Medo da minha reação. Medo de eu acabar com tudo.
— Foi mais do que isso. — A voz de era calma, mas firme. — Eu passei muito tempo me perguntando se valia a pena arriscar. Porque você é meu irmão, . E ela... ela virou tudo.
encarou o chão por um momento.
— E quando foi que isso virou tudo?
— Eu não sei dizer o dia. Só sei que um dia, eu já tava nela até o pescoço. E não tinha mais como fingir que não tava.
— Eu me senti traído, cara. — soltou um suspiro longo.
— Eu sei.
— Não só por vocês esconderem... mas por eu sentir que tava perdendo vocês dois ao mesmo tempo. E nem era só por ser minha irmã. Era porque você era meu melhor amigo. E eu sempre imaginei que a gente ia estar junto em tudo. Sem segredos.
— Eu errei com você — admitiu . — A gente errou. Mas eu nunca joguei fora a nossa amizade. E eu nunca, nunca, me aproximei da por falta de respeito.
— Você ama ela? — finalmente o olhou nos olhos.
— Com tudo que eu tenho. — não hesitou.
— Então cuida dela. Porque se você quebrar o coração da minha irmã, eu vou te caçar até o fim da vida. — engoliu seco.
— Palavra de honra. — Um sorriso pequeno apareceu no canto da boca de .
— E também porque, se ela chorar, a culpa vai ser minha que te deixei escapar.
riu. Dessa vez, leve, como se a tensão entre eles tivesse começado a dissolver.
— Acho que vou levar só minhas roupas mesmo. O resto... ficou velho. Tá na hora de recomeçar.
— Então recomeça direito. E não me faz me arrepender de ser parte disso, tá? — se levantou e caminhou até a porta com ele.
— Nunca.
Eles se encararam por mais um segundo. E depois, com um simples aperto de mão que virou abraço, selaram algo que parecia perdido, mas apenas adormecido: a amizade que os unia antes de qualquer segredo.
já conhecia aquele prédio. Já tinha subido naquele elevador outras vezes, na época em que o apartamento era escuro, mal ventilado, com móveis aleatórios e um sofá que definitivamente precisava se aposentar. Mas agora, ao atravessar o corredor, ela percebeu que tudo parecia diferente. Mais leve. Como se a energia tivesse mudado junto com a pintura nova nas paredes.
abriu a porta com um sorriso discreto, mas ansioso.
— Bem-vinda ao meu novo lar.
Ela entrou, surpresa com a transformação. O espaço agora era aberto, iluminado, com uma paleta neutra pontuada por quadros, plantas e um sofá novo que, dessa vez, parecia confortável de verdade.
— Uau... — disse ela, girando no centro da sala. — Isso aqui tá a sua cara. Tipo, você mais adulto, sabe?
— Esse era o objetivo — respondeu ele, se aproximando. — Nova fase. Novo espaço. E... talvez, uma nova história.
Ela virou-se devagar, arqueando uma sobrancelha.
— Uma nova história?
respirou fundo, tirou algo do bolso e estendeu para ela: uma pequena chave com um chaveiro escrito home.
— Não é um pedido pra você se mudar. Não ainda. — Ele riu, nervoso. — Mas é um pedido pra você ficar. Ficar na minha vida. Como minha namorada.
ficou em silêncio por um segundo, surpresa pela delicadeza do gesto. Depois, sorriu, mordendo o lábio.
— Se você tivesse me dado isso há uns meses, eu provavelmente teria rido. — Ela pegou a chave. — Mas agora? Agora eu só consigo pensar que demorou.
a puxou pela cintura e a beijou com calma, como se ali estivesse reafirmando tudo o que sentia.
Horas depois, já no fim da tarde, estavam deitados juntos no novo sofá, com as pernas entrelaçadas e o celular dela vibrando com notificações.
— Pronta pra dar um susto no ? — ele perguntou, mexendo no próprio celular.
Ela riu.
— Ele já tá se recuperando de ver a gente se beijando no jardim, acho que aguenta.
Com um toque, ele abriu o Instagram, escolheu uma foto recente dos dois — tirada no dia do ensaio dos padrinhos, com ela rindo e ele olhando pra ela como se o mundo todo ficasse em segundo plano — e legendou:
Entre reforma e recomeço, eu escolhi você.
Ela curtiu a foto antes mesmo de ele postar.
Depois foi a vez dela: trocou o status no perfil, colocou uma foto dos dois no feed com a legenda curta, mas cheia de significado.
Meu lar favorito agora tem nome.
E enquanto as notificações começavam a pipocar, eles se olharam no sofá, com um sorriso bobo no rosto.
Era oficial. E, pela primeira vez, eles não tinham mais nada a esconder.
O lugar estava lotado, pulsando em música e neon. Ela se movia entre a multidão com a segurança de quem já tinha estado em ambientes assim, mas preferia observar do que participar. Bebida não era com ela — sempre fora fraca para álcool e preferia se manter no controle. E naquela noite, como todas as outras, estava sóbria.
Ela ria de algo que uma amiga dissera quando se virou... e esbarrou em alguém.
— Foi mal — ela disse, instintivamente.
— Imagina — respondeu uma voz familiar, baixa e segura.
levantou os olhos e sentiu o estômago dar um leve salto. .
Lee Won-jung, o melhor amigo do seu irmão, . Quase dez anos de convivência casual: feriados em família, aniversários, encontros inesperados pela casa. Ele sempre foi gentil, divertido e... provocador. Mas até então, para ela, era só isso — o melhor amigo do irmão. Como se houvesse uma barreira invisível entre eles.
Mas ali, naquele ambiente, com a luz colorida recortando seu rosto e o cabelo bagunçado pelo calor da pista, ele parecia outra pessoa.
— Você por aqui? — ela perguntou, mais para quebrar o silêncio do que por real curiosidade.
— Vim com uns amigos — ele deu de ombros. — ficou de fora dessa, hoje.
Ela assentiu, e por um segundo, os dois apenas se olharam. Não foi longo, mas foi o suficiente para deixar algo suspenso no ar. Ele sorriu — aquele sorriso dele, meio travesso, meio confiante — e seguiu seu caminho.
Mas a partir dali, os olhares começaram.
Ela dançava com as amigas, sentia o corpo mais leve a cada música. E sempre que abria os olhos, estava por perto. Às vezes dançando com alguém, às vezes parado com um copo na mão. Mas ele sempre a olhava. Não de forma escancarada, mas com intenção.
fingia que não notava. Ria, virava o rosto, se distraía. Mas era impossível ignorar. Quando ela olhou de volta, encontrou-o encostado em uma parede, os olhos nela, o sorriso ainda ali. Como se soubesse exatamente o efeito que causava.
Mais tarde, enquanto descansava perto do bar, sentiu sua presença antes mesmo de vê-lo.
— Minha amiga — disse ela, apontando discretamente para uma das garotas que dançava um pouco mais longe — quer saber se você quer ficar comigo. — terminou rindo, lembrou quando falava algo similar quando era adolescente. — Ah é? — provocou. — Mas ninguém precisa saber, né? Vamos no sigilo? — Ele deu um passo à frente, o olhar firme no dela. Ela sentiu o coração acelerar, mas manteve o rosto impassível. — Vamo comigo ali, que eu quero te mostrar, uma coisinha que você vai gostar — ela disse, a voz mais baixa agora. Segurando a mão dele e levando para um canto mais afastado, chegaram em um grande corredor e acharam uma daquelas salas “vips” que geralmente as pessoas alugam para fesfinhas particulares dentro da boate, vazia e aberta, entraram e trancaram a porta. A sala estava silenciosa, com apenas a luz fraca do corredor passando pelas frestas da porta. O som abafado da balada parecia pertencer a outra realidade. parou diante dela como se ainda estivesse decidindo se aquilo tudo era mesmo real.
— A gente vai se arrepender disso amanhã? — ele perguntou, com aquele sorriso de canto que a deixava confusa.
não respondeu de imediato. Em vez disso, se aproximou até que os corpos quase se tocassem.
— Talvez — ela disse, com a voz baixa e firme. — Mas agora... eu não tô pensando em amanhã.
Ele não esperou mais.
O beijo veio denso, cheio de urgência contida, mas também com uma delicadeza que contrastava com o lugar em que estavam. a segurava pela cintura como se ela fosse preciosa demais pra escapar. As mãos dela subiram por debaixo da camiseta dele, sentindo o calor da pele, os músculos contraindo sob seu toque.
— Você tem ideia do quanto eu te quis? — ele sussurrou entre beijos no pescoço dela.
— Não fala... — ela murmurou, puxando-o mais pra perto. — Só beija.
E ele obedeceu.
Beijou-a devagar, como quem saboreia, e então mais fundo, como quem não quer mais parar. Cada toque dele parecia cuidadoso, intencional, como se soubesse exatamente onde e como tocá-la. Ela gemeu baixinho quando os lábios dele desceram por sua clavícula, seus dedos firmes apertando sua cintura com mais força.
Ela o puxou pela camisa, sentando-se no sofá da sala enquanto ele se ajoelhava à sua frente, as mãos subindo pelas coxas dela. Quando ele a olhou de baixo, os olhos queimando de desejo e respeito ao mesmo tempo, ela sentiu o corpo inteiro responder.
— Não fala nada... — ela repetiu, com um sorriso enviesado e a respiração falha. — E beija embaixo do umbigo.
A expressão no rosto dele era séria agora. Intensa. Como se entendesse que aquilo ia mudar tudo entre eles.
— Cuidado, — ele disse, os lábios pairando na pele dela. — Eu não sou o tipo que faz e esquece.
Ela o encarou, sentindo o coração dar um salto. E por um segundo, quase recuou. Mas então ele a beijou outra vez, com toda a intenção que as palavras dele carregavam.
Assim que falfou ar e eles separaram o beijo puxou a camisa de com firmeza, arrancando-a de seu corpo como quem não aguentava mais esperar. Já o tinha visto sem camisa antes? Siim — mas nunca assim. Nunca com tanta urgência, com tanta fome nos olhos. Naquele momento, parecia que ela o via pela primeira vez.
Seu olhar percorreu os músculos definidos como se estivesse diante de algo sagrado e profano ao mesmo tempo. Ele era puro pecado, e ela queria cada gota. Ela mordeu o lábio, imaginando sua boca colada à pele quente, marcando território com beijos e mordidas. Queria explorar cada linha, cada sombra, até fazê-lo implorar por mais.
passou as mãos pela sua cintura, e sem pressa, deslizou os dedos por dentro da blusa dela, subindo o tecido como quem saboreia cada segundo da descoberta. As palmas quentes deslizaram por sua pele nua, tocando-a como se ele estivesse estudando seus pontos fracos, mapeando onde ela estremecia, onde perdia o controle.
Quando ela enfim ficou sem blusa, os olhos dele desceram por seu corpo com tanta intensidade que sentiu o ar faltar. mordeu o lábio inferior, os olhos escurecidos de desejo, como se a visão dela fosse o bastante para enlouquecê-lo aproveitou que ele tinha se afastado um pouco e puxou a saia junto com o resto da roupa íntima que usava para fora do corpo. observava tudo aquilo mordendo os lábios e logo se posicionou de volta no meio das pernas dela. começou fazendo uma trilha de beijos molhados pela costela, cintura, barriga, e finalmente chegando com a boca onde ela queria, onde ela tinha pedido, bem ali, embaixo do umbigo. Levantou a cabeça levemente, só para comprovar que os olhos dela também estavam inebriados de desejo e voltou a boca ao corpo dela, dando beijinhos pela região, na virilha e na parte interna da coxa, enquanto ela abria mais as pernas, para que ele tivesse fácil acesso. Sua língua era realmente mágica, a forma com que ele a chupava e estimulava seu clitóris ao mesmo tempo. não se lembrava de ter aquelas sensações tão incríveis com um oral antes, era como se ele conhecesse o corpo dela tão bem quanto ela conhecia. Não muito tempo depois e ela sentiu o corpo todo aquecer, e a premissa dos espasmos, fizeram com que ela puxasse de leve os fios do cabelo dele, para que ele parasse, não que não quisesse ter um belo orgasmo com aquela boca maravilhosa, mas se a boca era assim, imagina o pau.
Ele abriu um sorrisinho, já imaginando que ela quisesse algo mais, então se levantou, e pegou da carteira, uma camisinha, aproveitou e tirou o resto da roupa que usava, colocando o preservativo, se aproximou e a puxou para que iniciassem outro beijo, agora eles sentiam o gosto dela e aquele beijo foi o mais delicioso possível. Quando separaram os lábios, ele se sentou no sofá ao lado dela, o que fez com que ela desse um gritinho de animação, se levantou, passou uma perna de cada lado do corpo dele, encaixando o pau em sua entrada e foi deslizando para baixo, devagar conforme seus quadris iam se aproximando. Quando sentiu ele 100% dentro de si, começou o sobe e desce em um ritmo forte e lento, fazendo com que os corpos fizessem barulhos ritmados conforme se chocavam. Cada sentada que ela dava ele soltava um gemido em forma de súplica para que aumentasse a velocidade, mesmo gostando muito daquilo, seu corpo também necessitava de algo mais e não tinham todo tempo do mundo, alguém ia precisar entrar naquela sala uma hora ou outra. também tinha noção daquilo, então aumentou o ritmo, gemendo alto, e enfiando de leve as unhas nos ombros dele. O som dos corpos se chocando, da música ao fundo e o gemido que ambos soltavam, só deixava aquele lugar mais sensual, e era o paraíso particular deles. Conseguiam sentir o prazer se espalhando por eles, conforme ela aumentava o ritmo das sentadas, e ele segurava firme na cintura dela auxiliando na movimentação. Eles pouco se importavam se alguém conseguiria ouvir, não sabiam se o lugar tinha isolamento de som, embora a música tivesse alta do lado de fora eles não estavam se importando em gemer baixo, e nem conseguiram se quisessem. Algum tempo depois, ele não aguentou, estava muito excitado e quando sentiu o corpo da mulher se estremecer pelo orgasmo e contrair sua intimidade ao redor de seu pau, ele gozou, sentindo as pernas amolecerem, o corpo todo queimar de prazer e a respiração desregulada.
O sol invadia o quarto pelas frestas da cortina e piscou algumas vezes antes de se sentar na cama. O quarto não era estranho, mas algo definitivamente estava diferente.
A cabeça não doía. Ela lembrava de tudo — o que já era um sinal claro de que não tinha bebido nada além da sua habitual água com gás e limão. Ainda assim, aquela noite parecia ter acontecido numa outra dimensão.
.
A respiração dela prendeu por um segundo.
Foi real?
Ela levou a mão aos lábios, como se ainda pudesse sentir o gosto dos beijos dele. E sentia. Cada toque, cada palavra sussurrada.
Foi real.
Pegou o celular do criado-mudo e desbloqueou a tela. Havia uma notificação no grupo com as meninas com quem saíra na noite anterior — colegas do trabalho com quem ainda estava se enturmando.
Amber: Valeu a pena trocar a gente pelo novinho?
Lisa: Não julgamos, só invejamos. Que pegação foi aquela?
arregalou os olhos, o coração disparando. Se elas tinham visto... então definitivamente não foi um sonho, claro que estavam falando somente dos beijos na pista, imagina se soubessem o que aconteceu no vip.
Ela enterrou o rosto nas mãos por alguns segundos. Céus. .
Levantou rapidamente, vestindo uma camiseta larga por cima da lingerie. Desceu as escadas descalça, tentando entender como aquele dia ia funcionar. Precisava encontrar um jeito de agir normalmente. Fingir que nada aconteceu. É isso. Um deslize. Ninguém precisa saber.
Mas, ao chegar à cozinha, parou na entrada.
estava encostado na bancada, uma xícara de café na mão, camisa preta e cabelo bagunçado. O sol batia nele de um jeito quase cinematográfico, e ele sorriu ao vê-la. Um sorriso preguiçoso, familiar, mas com um toque a mais agora.
— Bom dia, . — A voz grave e rouca soou como um eco direto da madrugada. Ela travou no batente da porta, fingindo naturalidade.
— Você ainda tá aqui? — Ela quase voltou correndo pro quarto.
Antes que ele pudesse responder, surgiu da sala com um copo de suco na mão e a fatídica roupa de correr.
— Adivinha quem tava indo embora de madrugada depois ter te dado uma carona? Eu fiquei surpreso de vocês terem se encontrado lá, mas fiquei mais tranquilo quando chegaram juntos. — Ele deu um longo gole no suco de laranja.
Ela arregalou os olhos para o irmão, depois para , que apenas deu de ombros e completou:
— E como tava super tarde, resolvi dormir por aqui. achou mais seguro. — Ele mentiu com a maior cara de pau do mundo.
quis matar os dois. Um por estar ali. O outro por não desconfiar de nada.
— Uhum... — ela murmurou, indo direto para pegar uma grande xícara de café. — foi uma coincidência conveniente.
Durante o café da manhã, ela mal conseguiu comer. Cada vez que o olhar de encontrava o dela por cima da mesa, um arrepio descia pela espinha. falava sobre alguma série que tinha começado, totalmente alheio à tensão entre os dois.
— O papo está ótimo, mas eu vou correr no parque. Volto só mais tarde. — Pegou a garrafa e os fones de ouvido e saiu, deixando um silêncio. Um silêncio constrangedor só pra ela, porque parecia absurdamente à vontade.
— Sobre ontem... — ela começou, tentando soar firme. — Foi... um erro. A gente tava empolgado, você sabe.
— Empolgado? — Ele ergueu uma sobrancelha. — Você não tinha bebido nada, .
— Justamente. Eu sabia o que tava fazendo, e mesmo assim... — ela suspirou, desviando o olhar. — Foi um momento. Só isso.
— Um momento que você ainda tá pensando desde a hora que acordou. — se aproximou devagar, a xícara ainda na mão, o olhar cravado no dela. Ela engoliu seco. O problema de nunca foi só o charme, era esse jeito dele de enxergar direto nela. — Vai continuar agindo como se nada tivesse acontecido? — ele perguntou, a voz baixa, mas firme.
— É a melhor coisa a se fazer, não é? — tentou manter a postura.
— Beleza. Vamos fingir. — riu com o canto dos lábios, aquele riso provocador que sempre a irritou — e agora, bagunçava tudo por dentro. Ele deu um passo pra trás, indo até a pia. — Mas, ... — virou-se de novo pra ela, o olhar mais quente que o café que tomava — ...só porque a gente finge, não quer dizer que não aconteceu. E definitivamente não quer dizer que acabou.
Ela ficou sem resposta. Porque ele estava certo.
Ainda sentia cada toque, cada beijo. E, mais do que isso, ainda queria sentir de novo.
Mais tarde naquele dia...
— , pega mais gelo no freezer pra mim? — gritou da sala, ele tinha voltado da caminhada e resolveu convidar o amigo para passar o final de semana na casa dos pais deles, junto com eles.
— Já peguei, tô levando! — ele respondeu, equilibrando a bandeja com os copos de suco, como se tivesse morado ali a vida toda.
observava da bancada da cozinha, onde cortava frutas com uma faca que ameaçava escorregar a cada vez que ele passava por perto. O fim de semana em família tinha sido ideia da mãe deles, e mesmo que tivesse considerado inventar uma desculpa, já era tarde demais quando percebeu que ele também tinha sido convidado.
— Você tá se comportando, né? — ela sussurrou quando ele passou por ela com o sorriso mais cínico do dia.
— Sempre, . — Ele se inclinou um pouco demais, baixando a voz no ouvido dela. — Mas você tá me deixando com vontade de parar.
Ela fingiu uma risada cínica, segurando a faca com mais força.
— Cuidado, você tá brincando com alguém que tem uma arma branca nas mãos.
apenas riu e saiu, satisfeito, como se ela tivesse acabado de lhe fazer um elogio.
No almoço em família...
— Então, Won... como é ter que lidar com o todos os dias, a faculdade tá deixando nosso garoto mais irritado? — a mãe deles perguntou, sorrindo.
— Uma tortura — ele respondeu, divertido, dando um tapa no ombro do amigo. — Mas compensa por ter uma irmã tão incrível assim por perto.
— Por favor, não exagera. — arregalou os olhos.
— Eu nem comecei — ele murmurou, encarando ela por cima do copo d’água.
— Desde quando você é tão bajulador com a ? — perguntou, desconfiado.
— Desde que eu cresci, e percebi que o filho mais legal dos seus pais é a — Ele deu uma risada gostosa.
A garganta de secou. Ela abaixou o rosto, fingindo arrumar a toalha de mesa. jogava aquelas frases de duplo sentido com a maior naturalidade do mundo — e ninguém parecia notar. Só ela.
Mais tarde, naquela noite...
Depois de ajudar a arrumar a mesa do jantar, subiu para o quarto que estava usando naquele fim de semana — o antigo quarto dela na casa dos pais. Ia aproveitar uns minutos de paz.
Mas não durou.
Uma leve batida na porta.
— Tá ocupada? — entrou antes mesmo de ela responder.
— , você não pode... — ela sussurrou, se levantando rápido.
— Relaxa. tá jogando com o seu pai e sua mãe saiu. Ninguém vai subir. — Ele encostou a porta e a olhou com aquela cara de “a gente precisa conversar”.
— O que você quer? — Ela cruzou os braços, desconfiada.
— Você. — A resposta saiu direta, simples, como se ele estivesse dizendo que queria mais uma xícara de café.
— ...
— Eu sei. Fingir. Ignorar. Errado. Blá-blá-blá. Mas tá difícil fingir quando você fica me olhando como se quisesse me matar e me beijar ao mesmo tempo.
— A gente vai estragar tudo. — Ela bufou, dando as costas.
— Ou começar algo que sempre teve chance de acontecer.
— Você é... o melhor amigo do meu irmão. — Ela virou de volta devagar, com o coração batendo tão alto que era impossível não ouvir.
— E você é a irmã do meu melhor amigo. — Ele deu um passo, depois outro, até estar a centímetros dela. — Mas antes disso, você é a mulher que eu quero. E que me quis também. Por mais que tente negar.
deu um passo. Depois outro. recuou, até as costas tocarem a parede. O silêncio entre eles era denso, cheio de lembranças não ditas, de vontades escondidas.
— A gente não pode, . — Ela sussurrou, como se tentasse convencer a si mesma.
— Eu sei. — Ele ergueu a mão devagar, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela. O toque suave dos dedos dele em sua bochecha fez um arrepio percorrer sua espinha.
— ...
— Fica tranquila — ele sussurrou, colando a testa na dela. — Eu não vou te beijar. Ainda.
— Você é um problema. — Ela mordeu o lábio inferior, o coração batendo forte demais.
— E você é a minha perdição. — sorriu de lado e se afastou, andando até a porta. Antes de sair, olhou por cima do ombro e disse — Boa noite, .
Ela demorou segundos para respirar de novo. O cheiro dele, a proximidade, a lembrança da última vez em que estiveram sozinhos... Tudo martelando na mente.
O cheiro de café fresco preencheu a cozinha, e terminava de arrumar a mesa enquanto a mãe tagarelava animada sobre levar todos para almoçar no restaurante preferido da família.
— Você já viu se o acordou? — a mãe perguntou casualmente. — Ele é tão educado, dormiu aqui e nem fez barulho. devia aprender.
— Ainda não… — respondeu, desviando o olhar. Nem quero ver ele de novo tão cedo, pensou, mesmo sabendo que era mentira.
Na noite anterior, o toque dele, a respiração tão perto, aquela frase "eu não vou te beijar… ainda" tudo ainda queimava nela como se tivesse acontecido há cinco minutos.
— Bom dia — disse , surgindo na cozinha com uma camiseta branca justa demais e cabelo desgrenhado de quem claramente acabara de acordar. Ele sorriu para a mãe de , cumprimentou a todos com simpatia e, por fim, olhou para ela.
Mas só por um segundo.
Um segundo suficiente para fazer seu estômago revirar.
— Dormiu bem? — ela perguntou, formal, mantendo o papel de irmã da casa.
— Muito bem. O sofá é surpreendentemente confortável — ele respondeu com um meio sorriso só para ela.
apareceu logo depois, animado com a ideia de almoçarem fora, e sugeriu irem todos no mesmo carro. se ofereceu para dirigir, e para o azar — ou sorte — de , o banco da frente sobrou para ela.
Durante o trajeto, falava sobre música, filmes e qualquer coisa que lhe viesse à cabeça, mas e trocavam olhares rápidos, os braços quase se encostando no apoio central.
No restaurante, sentaram em uma mesa grande. ficou ao lado dela, por acaso — segundo —, mas ela sentia que aquilo tinha sido arquitetado. Toda vez que ele falava perto do ouvido dela para comentar algo sobre o cardápio ou ria de alguma bobagem dita por , sua pele reagia.
E ele sabia disso.
tentava parecer inabalável, mas a verdade é que cada pequeno gesto dele a desarmava mais. Um toque de leve no braço ao pegar o cardápio, a forma como ele a olhava enquanto falava com outra pessoa, como se só ela existisse ali…
Quando voltaram para casa, e decidiram jogar videogame, mas antes ele passou por ela, no corredor, e sussurrou com um sorriso contido:
— Se continuar assim, vou acabar esquecendo que você é a irmã do meu melhor amigo.
Ela virou o rosto rápido, tentando disfarçar o rubor no rosto.
— E se continuar assim… eu também vou esquecer. — Murmurou baixinho, achando que ele não tinha ouvido.
Mas o sorriso dele cresceu. Ele não disse mais nada. Só seguiu.
E o resto do domingo, apesar de todas as distrações, parecia orbitá-los.
Eles fingiam bem.
Mas os olhos… os olhos entregavam tudo.
A manhã de segunda-feira já tinha começado mal. derrubara café na blusa antes de sair, esquecera a marmita em casa e, para coroar a desgraça do dia, ao retornar do almoço, encontrou seu carro sendo guinchado do estacionamento.
— Você só pode estar de brincadeira comigo! — murmurou, jogando os braços para o alto. Tentou argumentar com o responsável, mas não adiantou. A placa com a letra minúscula indicava “vaga exclusiva” para diretoria — um detalhe que ela ignorou totalmente ao parar ali na correria da manhã.
As colegas de trabalho estavam do outro lado da rua, observando a cena.
— Liga pro seu irmão, — uma delas sugeriu. — sempre te salva dessas.
Ela respirou fundo. Não quero misturar com esse dia infernal... mas quem mais eu vou chamar?
Minutos depois, ela estava encostada no muro, de braços cruzados, quando o carro escuro estacionou do outro lado da rua. Ela reconheceu de longe o modelo, mas não esperava ver quem saía do banco do motorista.
— Meu. Deus. — murmurou uma das amigas. — É o novinho de sexta?
— Ele é bonito demais, sério — comentou outra.
— Ele veio buscar você?
só ficou muda, encarando descendo do carro com aquele andar preguiçoso, despreocupado e aquele maldito moletom que deixava qualquer expressão dele mais... íntima.
Ele a viu, deu um leve sorriso e veio até ela.
— Problemas com a lei? — provocou ele, olhando para o ponto onde antes o carro dela estava. — Precisa de resgate?
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Você? Dirigindo o carro do ? — Ele tava com fome e me fez dirigir pra passar no drive-thru no caminho. — Nesse instante, saiu do carro ainda mastigando um pedaço de sanduíche.
— Eu disse que não ia demorar — ele falou, mas logo notou o burburinho do outro lado da rua. — O que tá acontecendo?
— Sua irmã tem bom gosto, viu? O novinho vindo buscar ela... um luxo. — Uma das colegas riu, de canto.
— O quê? — franziu a testa.
— Nada! — se apressou. — Vamos logo, por favor.
Ela entrou no banco da frente antes que mais alguma coisa fosse dita, e deu a volta, claramente se divertindo.
, no banco de trás, olhou de um para o outro, atento. Sentiu o jeito que ela evitava olhar para o motorista. Viu como segurava o sorriso.
— Aconteceu alguma coisa com vocês na sexta? — Estreitou os olhos.
— Claro que não — respondeu , rápido demais. — Elas viram a gente conversando e estão me enchendo o saco.
— Sei… — cruzou os braços.
O silêncio no carro cresceu. E a tensão entre os três parecia ocupar o porta-malas inteiro.
Mas estava decidida: não deixaria saber de nada.
Durante os dias que se seguiram, tentou ignorar tudo. O beijo na balada. As mãos dele. A forma como ele disse o nome dela, meio ofegante, meio perdido. Tudo. E tentou ainda mais não lembrar do que veio depois. O problema era que, cada vez que se forçava a esquecer, acabava lembrando com mais detalhes.
A mensagem da amiga ainda estava lá, destacada no topo da conversa:
“Valia mesmo trocar a gente pelo novinho! Confessa, amiga: você foi feliz.”
Foi. E estava pagando por isso com juros.
— Tô organizando um jantar aqui em casa sexta — avisou em um dos áudios que ela ignorou por horas. — Vem, vai ser só a galera de sempre.
Ela bufou. “Vem”? Como se eu não morasse aqui…”
E claro, “a galera de sempre” incluía o novinho que não saía da cabeça dela.
Na sexta à noite, desceu as escadas com a calma treinada de quem fingia que estava tudo bem. Vestido simples, maquiagem leve, sorriso ensaiado.
— Tá bonita hoje, — disse um dos amigos do .
— Obrigada. — Ela sorriu, mas olhava por cima do ombro. Procurando sem admitir que procurava.
E então, ele entrou.
.
Jeans escuros, camiseta preta, cabelo bagunçado. Era simples. Mas nele, tudo era um convite. Ela desviou o olhar rapidamente. Ele não. Ele a viu e parou por um segundo, como se estivesse avaliando o clima. Depois, aproximou-se com o mesmo sorriso torto.
— Ainda estacionando em lugar proibido?
— Ainda dirigindo o carro dos outros? — Ela bufou.
— Só quando é pra buscar alguém especial. — Ela fingiu não ouvir. Mas seus ombros estavam tensos, e ele notou.
O jantar correu bem na medida do possível, mesmo com a troca de olhares e as provocações do mais novo.
Na segunda-feira à noite, chegou em casa com os pés doendo e a cabeça ainda cheia do jantar do fim de semana. . Sempre ele. Mesmo quando ela tentava desviar, o olhar dele parecia alcançá-la em qualquer canto da sala. E agora, parecia que o universo queria colocar os dois em órbita permanente.
Ela empurrou a porta de casa e largou a bolsa no canto da sala, encontrando o irmão no sofá com um pote de sorvete no colo.
— O que é que tá fazendo em casa essa hora?
— O mundo tá acabando e você não me avisou? — ele retrucou com um arquejo fingido, olhando a cara de cansada dela. — Tô de folga. Ah, e prepare-se: o vai passar uns dias aqui.
— O quê? — Ela parou no meio da sala.
— O apartamento dele tá passando por uns reparos. Vazamento bizarro no teto, segundo ele. Achei mais fácil chamar o cara pra cá do que escutar ele tossindo mofo até semana que vem.
— Ele não pode ir pra casa dos pais? — tentou fingir que não foi pega de surpresa. Mas o coração pulava como se tivesse ouvido o anúncio de um furacão iminente.
— E ficar ouvindo a mãe dele perguntando quando vai arrumar uma namorada? Eu sou um bom amigo. — Ela não conseguiu conter o riso, mas ele morreu logo na garganta.
Naquela mesma noite, chegou com uma mochila jogada no ombro, o mesmo sorriso despreocupado no rosto — e o olhar atento demais para quem dizia estar só “de passagem”.
— E aí, colega de quarto — disse ele, parando no corredor quando a viu. — Achei que ia me evitar.
— Eu evito a bagunça, só isso — respondeu seca, sem conseguir encarar o calor que ele emanava mesmo sem tentar.
— Então vai ter que me evitar o tempo todo. Eu sou um caos ambulante.
Nos dias seguintes, ela tentou manter distância. Mas a casa era pequena. As paredes, finas. E … presente demais.
Na cozinha de manhã, ele aparecia sempre de camiseta larga e cabelo molhado, sorrindo com a cara ainda amassada de sono. No fim da tarde, se jogava no sofá ao lado dela, comentando qualquer besteira do noticiário como se fossem íntimos. À noite, dividia o espaço do corredor com ela, os ombros quase encostando, os olhares perigosamente demorados.
— Vocês dois andam se esbarrando muito, hein? — começou a observar mais. Comentários inocentes. Brincadeiras com um certo tom.
— A casa é pequena, — ela respondeu rápido demais.
— Hum. — Ele franziu o cenho. — Só espero que o não esteja enchendo o saco com aquelas piadinhas dele. Ele passa dos limites às vezes.
— Imagina. Nem falo com ele direito. — Ela sorriu sem mostrar os dentes.
Mentira descarada.
Naquela noite, quando bateu na porta do quarto dela só pra “pedir” para usar o banheiro do quarto dela, porque o outro estava trancado, abriu a porta devagar, encarando-o com uma mistura de medo e curiosidade.
— Vai fazer isso quanto tempo? — perguntou ela em voz baixa.
— Isso o quê? — Perguntou entrando, quando ela liberou a passagem para que ele chegasse ao banheiro.
— Provocar.
— Até você parar de fingir que não quer mais.
O coração dela disparou. Mas os passos dele ecoaram pelo quarto, indo para o banheiro sem tocar nela. Sem dizer mais nada.
E ela? Ficou ali, tremendo por dentro, sabendo que aquilo… não era só um caso.
Era a linha que ela sabia que não devia cruzar — e ainda assim, cada passo a levava mais perto.
No final da tarde seguinte o calor da sala parecia aumentar com cada olhar trocado entre e . O espaço, antes confortável, agora parecia apertado, como se qualquer movimento mais brusco fosse revelar o segredo que eles estavam tentando esconder. estava na cozinha, ocupado com o celular, alheio ao que estava acontecendo no resto da casa — ou, pelo menos, parecia.
estava parada perto do sofá, os olhos fixos no chão, tentando se manter ocupada com uma revista que não conseguia entender uma palavra sequer. estava a alguns passos de distância, tentando parecer natural, mas, para , a proximidade dele a fazia perceber o quanto ele estava mais perto do que ela gostaria. E observava tudo.
— Vai ficar mais uma semana com a gente? — perguntou casualmente a , mas a tensão entre eles estava clara demais para ser ignorada.
sorriu de volta, tentando aliviar a situação com seu jeito de sempre.
— Depende... — ele olhou para , que, instantaneamente, se sentiu um pouco desconfortável. — Se a não se importar em continuar dividindo a casa comigo.
se virou rapidamente, tentando esconder a expressão que traiu seu desconforto. Não, não, não, não. Ela estava começando a se perguntar até que ponto aquilo estava saindo do controle. Mas o que ela não sabia era que já começava a perceber mais do que ela queria.
Nos minutos seguintes, quando ela tentou se afastar um pouco, sentindo que precisava de um tempo para si mesma, seguiu com o olhar, atento. O irmão dela tinha começado a juntar as peças.
Era uma noite comum. O tipo de noite em que você espera que tudo seja rotineiro, mas algo, em algum lugar, está prestes a se quebrar. estava no apartamento com , organizando algumas coisas, quando decidiu que sairia para dar uma volta. Não era nada demais, apenas um desejo de respirar um pouco de ar fresco.
— Vai aonde? — perguntou, sem olhar, ainda ocupado com seus próprios afazeres.
— Só um café, nada demais — respondeu ela, tentando parecer despreocupada.
Mas, ao colocar o casaco e sair, a verdade é que ela só queria se distrair. Porque, em algum canto da sua mente, ela sabia o que a aguardava. Sabia que o incômodo estava ali, só esperando a chance de se manifestar.
Quando entrou no café, o som da conversa e do barulho das xícaras enchendo o ambiente não conseguiu abafar o nó no estômago dela. Ela sentou-se em uma mesa no canto, como de costume, tentando se concentrar em alguma coisa. Mas o que ela realmente queria era evitar olhar para a porta.
Até que a porta se abriu.
Era ele. . Mas não estava sozinho. Ao seu lado, uma garota sorria, claramente em um clima descontraído e divertido. Os dois estavam conversando com entusiasmo, e ele ria daquela risada que conhecia muito bem. Era uma risada genuína, fácil, e que fazia com que ele parecesse ainda mais irresistível. A garota parecia encantada, e sentiu uma pontada de algo que não conseguia identificar de imediato.
Eles se aproximaram do balcão, e a garota o tocou no braço de forma amigável, o que fez o peito de apertar.
Foi ali que o ciúmes se manifestou.
se endireitou na cadeira, tentando não olhar demais, mas a visão dos dois juntos a incomodava mais do que ela gostaria de admitir. Ela tentou se concentrar no celular, mas não conseguia evitar as imagens do sorriso deles, as piadas que ele fazia para a garota e o jeito como ele estava tão à vontade, tão confiante.
Enquanto isso, percebeu que estava sendo observado. Ele olhou para o lado e viu , sentada ali, observando-os com uma expressão que não conseguiu identificar de imediato. Algo dentro dele apertou, mas, como sempre, ele preferiu não dar muita importância.
Ele se despediu da garota e foi até a mesa de .
— Não sabia que você estava por aqui — ele comentou com um sorriso, tentando ser casual, mas algo nos olhos dele estava diferente, como se ele tivesse notado o desconforto.
— Não é nada, só... uma coincidência. — tentou sorrir, mas o gesto saiu forçado.
Ele se sentou na cadeira em frente dela sem pedir permissão, os olhos fixos nela, como se quisesse entender o que estava acontecendo.
— Tá tudo bem? — perguntou, ainda com aquele olhar curioso, mas com uma pitada de preocupação, como se estivesse percebendo o que ela tentava esconder.
Ela olhou para ele, tentando esconder o incômodo que ainda a corroía. Não era só ciúmes. Era o medo de perder o controle sobre o que estava sentindo. O medo de ele continuar sendo tão fácil de lidar com todas as pessoas, menos com ela.
— Claro — ela respondeu, forçando uma calma que não tinha. — Só estou... ocupada com os meus pensamentos.
A troca entre eles ficou tensa por um instante. não acreditou na resposta dela, mas preferiu não insistir. Em vez disso, se inclinou um pouco para frente, como se quisesse testar os limites dela.
— Eu vi que você estava olhando. — Ele disse isso baixo, quase como uma provocação.
engoliu em seco, seus olhos desviando para a janela do café. Ela odiava que ele a pegasse dessa forma. Não queria demonstrar fraqueza. Não queria mostrar que ele a afetava.
— Só estava observando o café — ela mentiu, sem convicção.
Ele riu, e aquele som a deixou ainda mais desconfortável.
— Então, o café é mais interessante do que eu? — Perguntou, claramente ciente do que estava acontecendo.
sentiu o rosto esquentar. O modo como ele a desafiava era inconfundível. Ela respirou fundo, tentando ganhar algum controle sobre a situação.
— Você e a sua amiguinha — ela não conseguiu evitar o tom — Sua nova peguete?
Ele pareceu surpreso com a pergunta, mas logo deu de ombros.
— Ah, ela é amiga de um amigo meu. Nada demais. — Ele fez uma pausa, e seus olhos ficaram mais sérios. — Mas, se quer saber, não é nada comparado ao que eu poderiamos estar fazendo agora.
O tom dele era bem mais direto, e a frase parecia carregar um significado mais profundo. Ela o olhou por um segundo, sem saber o que pensar.
— O que você quer dizer com isso? — perguntou, o coração batendo mais rápido.
— Sei que você não gosta de ver outras pessoas se aproximando de mim. Assim como eu não gosto de ver você se afastando. — Ele olhou para ela, de forma intensa.
A declaração ficou no ar. Era uma verdade silenciosa, um jogo de palavras entre eles que não precisava ser dito em voz alta para que ambos soubessem o que estava em jogo.
A semana passou lenta e cheia de desconforto. não sabia o que estava acontecendo com ela. Cada vez que via , sentia uma mistura de frustração e desejo que a deixava sem palavras. Ele, por outro lado, parecia agir como se nada tivesse mudado. Como se a tensão entre eles fosse apenas mais um detalhe irrelevante no meio de tudo o que estava acontecendo.
Ela tentava se enganar dizendo que não era nada, que ele não tinha esse poder sobre ela. Mas não era verdade. Ele tinha.
Na sexta-feira, recebeu um convite de última hora para um jantar na casa de um amigo de . Ela sabia que também iria. Era quase uma lei não falada, agora: onde estivesse, lá estaria ela, tentando evitar ao máximo o quanto ele a afetava.
Quando chegou, foi recebida por e alguns amigos, mas logo sentiu o olhar de atravessando a sala. Ele estava com os amigos, rindo, como sempre, mas de alguma forma parecia mais atento a ela. Como se, em algum nível, estivesse observando cada movimento dela, assim como ela fazia com ele.
Ele estava diferente. Ou talvez fosse ela quem estava diferente. Estava mais consciente de cada sorriso dele, de cada olhar que ele direcionava para ela. Estava mais difícil fingir que nada havia acontecido entre eles.
O jantar foi uma mistura de conversas animadas e risos, mas não conseguia se concentrar. Ela sabia o que vinha a seguir. Era inevitável. Quando a noite avançou e as conversas ficaram mais soltas, a tensão entre ela e se intensificou.
Ela estava no canto da sala, tentando beber um copo de vinho e evitar mais olhares de , quando se aproximou.
— Você está bem? — ele perguntou, o tom de preocupação na voz.
deu um sorriso forçado, mas parecia perceber que algo estava errado.
— Sim, só... cansada. — Ela queria mudar de assunto, mas ele a interrompeu.
— Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa, né? — ele disse, com um olhar que ela não conseguia interpretar.
Ela tentou rir, mas não conseguiu. As palavras de a pegaram desprevenida. Ele sabia de alguma coisa? Tinha nototado a tensão?
— Não sei do que você está falando — ela tentou se esquivar, mas o sorriso de era meio desconfiado.
— Tudo bem então. — Ele não insistiu, mas não parecia muito convencido.
Ela suspirou, isso a incomodava também mais do que ela estava disposta a admitir. a deixou sozinha e apareceu, indo em sua direção. — Tá tudo bem? Está com uma cara estranha, quer tomar um ar? — Ele perguntou e ela só assentiu com a cabeça. conduziu até o jardim em um ponto escondido entre os arbustos, onde as luzes baixas e a música ao fundo davam um toque melancólico à cena. O ar fresco da noite parecia contrastar com o calor crescente entre eles.
— O que você está tentando fazer? Todos os seus amigos e o meu irmão estão aqui — perguntou, sem rodeios, tentando esconder o nervosismo na voz.
Ele a observou por um momento, a expressão séria, mas os olhos ainda brilhando com aquela intensidade que ela tanto tentava evitar.
— Eu? — ele repetiu. — Não estou fazendo nada. Só te trouxe para tomar um ar.
— Eu estou tentando ignorar você — ela disse, mais firme do que se sentia. — Só estou... tentando entender o que isso tudo significa. O que você significa.
Ele sorriu de maneira desconcertante, como se tivesse esperado essa resposta.
— E você acha que vai conseguir entender se continuar fugindo? — Ele se aproximou um pouco mais, a voz suave, mas cheia de algo que não conseguia decifrar.
Ela queria dar um passo para trás, mas algo a impediu. Algo em seus olhos, algo no jeito que ele estava ali, tão perto dela, tão seguro de si.
— Eu não sei o que isso é, . Mas também não quero mais ignorar — ela sussurrou, quase sem querer.
Antes que pudesse dizer mais, ele a interrompeu, seus lábios tocando os dela de forma suave, mas intensa. Não era um beijo qualquer. Era um beijo cheio de significados não ditos, de sentimentos guardados, de algo que já estava claro entre eles, mas que ainda não havia sido totalmente explorado.
Quando se afastaram, ela ficou ali, sem saber o que dizer. E ele foi voltou para que ninguém desse falta deles juntos. Não demorou muito para que dali mesmo do jardim ela fosse embora, estava mais confusa que antes, precisava dar uma dormida.
Algumas manhãs depois daquele beijo, foi despertada pelo celular vibrando.
A mensagem chegou num grupo que ela nem lembrava de estar.
“Galera, SAVE THE DATE! Eu e a Cassie vamos casar e queremos todos vocês com a gente. Padrinhos, ok?”
Ela mal teve tempo de processar antes que outra notificação apareceu — dessa vez, no privado.
“Quero você de madrinha, claro! E eu pensei no para ser o seu par, já que vocês são os únicos solteiros do nosao grupo de amigos. Cê topa?”
Era Cassie, a até então namorada de um dos amigos próximos de , que tinha se tornado amiga também de , pelos muitos eventos do grupo que participaram juntas. sorriu sem querer. O coração bateu rápido.
Sim. Porque, embora ninguém soubesse — ela e já tinham cruzado a linha desde aquele beijo entre os arbustos. Às vezes ele aparecia tarde da noite no quarto dela com uma desculpa qualquer. Outras vezes, ela é quem o puxava pelo colarinho quando o silêncio da casa deixava claro que já estava dormindo.
Não havia um rótulo. Não havia promessas. Mas havia toques demorados demais, beijos escondidos atrás de portas entreabertas e sorrisos que só os dois sabiam decifrar.
— Algum problema? — apareceu na cozinha, pegando uma garrafa d’água da geladeira.
se assustou com a presença dele e rapidamente travou o celular.
— Não — disse. — O Max vai casar, você viu.
— Sério? Já? — Desbloqueou o celular vendo o grupo.
— Uhum. E a Cass me chamou pra ser madrinha. — Abriu um grande sorriso.
— Que massa. Vai ser divertido. — sorriu animado.
Ela deu um sorriso discreto, tentando ignorar o calor nas bochechas. “Divertido” talvez não fosse a palavra que ela usaria.
foi o primeiro a responder no grupo dos padrinhos com um emoji de foguinho. Depois mandou, em privado:
“Parece que vamos ser um casal oficial. Pelo menos no altar.”
Ela mordeu o lábio, lutando contra o impulso de responder o que realmente queria.
“Vamos ter que ensaiar bastante, então.”
Viu que ele não tinha demorado nem meio segundo para responder
“Na sua cama ou na minha?”
Ela desligou a tela do celular antes de fazer besteira.
As semanas seguintes foram tomadas pelos compromissos do casamento. Ensaios. Provas de roupa. Almoços e jantares com os noivos. E, claro, a convivência quase diária com .
Durante o dia, mantinham a fachada: amigos, companheiros de missão. À noite, era como se o relógio disparasse um gatilho silencioso. Os toques se prolongavam. Os olhares se intensificavam. As escapadas tornavam-se mais frequentes.
notava.
Talvez fossem os olhares rápidos demais. Ou os silêncios desconfortáveis quando ele entrava num cômodo. Ou o fato de que , que sempre fora cheia de opiniões, agora parecia hesitar quando se tratava de .
Numa das reuniões, enquanto os padrinhos ajustavam a dança, tropeçou no passo e caiu direto nos braços dele. Foi rápido, quase ensaiado. Mas estava olhando. E não sorriu.
Mais tarde, enquanto lavava os copos do jantar, ele comentou:
— Você e o andam se dando bem, né?
— Ele é legal. A gente já se conhece faz tempo, mas passamos mais tempo juntos essas últimas semanas, né? — Ela hesitou. Segurou o pano de prato com mais força do que o necessário.
— Aham.
Silêncio.
Ele não disse mais nada. Mas o jeito como secou o copo até quase quebrar o vidro disse tudo.
A tarde estava abafada, e o salão de festas onde aconteceria o ensaio do casamento parecia ainda mais quente. Entre risadas, copos de refrigerante e passos desajeitados tentando seguir o ritmo da música escolhida pelos noivos, e dançavam juntos de novo.
De novo.
Era a terceira vez naquela semana que os encontrava assim: juntos demais, sintonizados demais, em silêncio demais quando percebiam que estavam sendo observados.
— Vai ter coreografia? — perguntou alguém, tentando quebrar o gelo enquanto os padrinhos trocavam de par para ensaiar a entrada.
— Só uma dancinha boba, coisa leve — respondeu Max, o noivo. — Ah, e já que estamos todos aqui, só pra lembrar: e entram primeiro, tá? Vocês são tipo o casal principal, depois da gente é claro! — Piscou para a esposa e riu.
não achou graça.
Nem respondeu.
Ficou quieto, observando a irmã sorrir, meio sem graça, enquanto se inclinava para cochichar algo no ouvido dela. mordeu o lábio para conter o riso.
E aquilo foi o estopim.
— Posso falar com você? — puxou pelo braço, num gesto mais ríspido do que o normal.
Eles se afastaram alguns passos, o suficiente para que ninguém escutasse, mas todos percebessem que havia algo errado.
— Qual é a sua? — foi direto. — Por que te escolheram como par da ? Tá rolando algo que todo mundo sabe, menos eu? — Ué, o Max escolheu os pares. Nem fui eu que… — piscou, surpreso quando foi interrompido.
— Não tô falando só do casamento. — cruzou os braços. — Você anda grudado nela. Nos jantares, nos ensaios, até nas malditas caronas. Por que eles não me eacolheram para ser o par dela? Nós somos irmãos.
— Porque não faria sentido, — disse ele, calmo, mas firme. — Porque se você entrasse com ela, quem ia entrar com a Bea? Eu? Você acha certo eu entrar com a sua namorada?
— Só não quero ver minha irmã sendo machucada. Principalmente por alguém que eu considero meu melhor amigo. — apertou o maxilar
— Então talvez você devesse confiar mais nela. E em mim. — segurou o olhar dele por um tempo longo demais.
observava de longe, o coração disparado. O jeito como gesticulava dizia tudo. Ela sabia que a fachada estava desmoronando. Que os segredos começavam a vazar pelas rachaduras.
Mais tarde, no estacionamento, quando todos já tinham ido embora, ela e permaneceram no carro, os vidros embaçados pelo calor da noite e pelas respirações curtas.
— Ele tá começando a sacar — disse ela, olhando pela janela.
— É — respondeu ele, com a cabeça encostada no banco.
Silêncio.
— E se ele mandar você se afastar?
— Você quer que eu me afaste? — virou o rosto, os olhos agora só pra ela.
Ela não respondeu.
Mas quando se inclinou e o beijou devagar, ficou claro que não.
Nem um pouco.
— Desde quando você e o andam de segredinho? — A pergunta veio seca, sem aviso, no meio do café da manhã.
ergueu os olhos da caneca, tentando manter a naturalidade. estava escorado na pia, braços cruzados, expressão carregada.
— Como é? — perguntou, dando um gole como se estivesse mais confusa do que realmente estava.
— Você ouviu. — Ele apontou com o queixo. — Desde quando vocês ficam se encarando, somem juntos, cochicham como se estivessem tramando alguma coisa?
Ela soltou uma risada curta, meio nervosa.
— Meu Deus, . O que você tá dizendo?
— Tô dizendo que conheço o meu amigo. E conheço a minha irmã. — Ele se aproximou um passo. — E se tiver algo acontecendo, quero saber agora. Porque ele devia ter me falado. E você também.
largou a caneca na bancada com mais força do que pretendia.
— Não tem nada acontecendo, ok? Por que você tá tão surtado com isso?
— Porque eu sei como ele é, . Eu já vi ele em outras situações, e... — respirou fundo, tentando se conter. — Você merece alguém que te leve a sério. Não um moleque que flerta com tudo que respira e que, agora, acha legal brincar com a irmã do melhor amigo.
O silêncio caiu entre os dois.
sentiu a garganta apertar, mas manteve o olhar firme.
— Você tá errado sobre ele.
— Só me responde: tá rolando algo entre vocês?
Ela hesitou. Por um segundo. Só um.
E então respondeu:
— Não. Não tá.
Ele a olhou por mais um instante, como se quisesse confirmar no olhar dela o que a boca não dizia.
— Melhor assim — disse, seco, antes de sair da cozinha.
ficou parada ali, sentindo o gosto amargo da mentira e o peso de uma verdade que, agora, ela nem poderia mais admitir.
O provador da alfaiataria estava um caos controlado — risadas, tecidos sendo ajustados, alfaiates girando em volta dos padrinhos com alfinetes nos dentes. Entre as brincadeiras e as poses desajeitadas no espelho, tentava manter a concentração... e não ficar olhando demais para o reflexo de do outro lado da sala.
Ela experimentava o vestido com uma das madrinhas, rindo de algo que disse baixinho. O caimento marcava as curvas com precisão, e desviou o olhar antes que fosse óbvio demais.
— Vai dar trabalho esse casamento — comentou Junseo, um dos padrinhos, ajustando os punhos da camisa. — Mas, fala sério, vocês dois ali vão ficar lindos juntos no altar.
franziu a testa, distraído.
— Hm?
— Você e a . Já são casal ou vão oficializar lá?
— Bom... a gente se entende, né? — soltou uma risadinha, automática, como quem não queria desmentir — nem confirmar.
— Sabia! Cara, vocês têm uma química absurda. Dá até vergonha de ficar no mesmo ambiente. — Junseo riu alto e deu um tapinha no ombro dele.
deu de ombros, fingindo que não ligava, mas sorrindo de canto. Quando virou para pegar o paletó, viu o reflexo no espelho: , parado atrás deles, segurando a expressão com os dentes cerrados.
— O que foi, ? — perguntou Junseo, notando o clima.
— Nada. — Ele vestiu o blazer devagar, olhando para o próprio reflexo, mas os olhos encontraram os de . — Só acho engraçado o que as pessoas acham que sabem.
— Às vezes, as pessoas veem o que tá bem na frente. — ajeitou a gola.
— Ou veem o que querem ver — respondeu , firme.
O silêncio se instalou, tenso. Junseo deu um passo para trás, percebendo que o assunto tinha deixado de ser leve.
— Vou ver como estão os outros — murmurou, escapando.
e ficaram ali, frente a frente, com uma distância muito menor que a dos passos que deram.
— Eu sei o que você tá tentando fazer — disse , baixo, sem encarar diretamente. — E te aviso: pisa com cuidado.
— Não tô tentando nada, — respondeu . — Mas se você me olhar como se eu fosse um inimigo, vai acabar criando um.
saiu primeiro, sem responder. ficou ali, o paletó meio aberto, o peito subindo e descendo devagar, como se tivesse acabado de sair de uma briga que nem chegou a acontecer.
Mas já estava perto.
Perto demais.
O restaurante tinha sido reservado apenas para os padrinhos e familiares mais próximos. A longa mesa de madeira rústica, decorada com flores brancas e velas baixas, trazia uma atmosfera leve. Ou pelo menos, deveria.
ajustava o guardanapo no colo pela terceira vez, sem necessidade. À sua esquerda, tentava sorrir e se manter simpático, apesar da sensação de estar sendo atravessado por olhares.
À frente deles, e Bea. Ele segurava uma taça de vinho, mas não bebia. Observava os dois, falando pouco, rindo menos ainda.
— Eu não sabia que jantar de ensaio era tão formal — disse , tentando puxar assunto.
— É porque você nunca foi madrinha antes — respondeu Bea, gentil, tentando aliviar o clima.
— Talvez eu devesse dizer umas palavras — murmurou , erguendo-se, batendo levemente a faca contra a taça.
Todos olharam para ele, algumas pessoas sorrindo, outras apenas em expectativa. apertou a mão sob a mesa. endireitou os ombros.
— Queria agradecer a todos vocês por estarem aqui, e aos noivos por me deixarem ser parte disso — começou ele, olhando em volta, depois encarando os dois à sua frente. — Algumas pessoas aqui são como família. Outras... são família. Ele fez uma pausa curta. O sorriso no rosto era ensaiado. — E tem aqueles que, às vezes, esquecem o que significa respeito. Ou, talvez, confundem o que é confiança com permissão. — Bea apoiou a mão no braço dele discretamente. Ele pigarreou. — Mas... é uma noite de comemoração. E eu só espero que esse casamento una mais do que separe. Viva aos noivos.
O brinde foi levantado, mas os copos não se encontraram com entusiasmo. olhava fixamente para a toalha. desviou o olhar para o lado oposto da mesa.
Mais tarde, no estacionamento, enquanto os convidados iam embora em pares, se aproximou de . Ele estava encostado no carro, as mãos nos bolsos.
— Posso te dar uma carona — ofereceu , a voz baixa, contida.
— Tô de carro. — nem olhou. — E tô bem.
— Não parece.
— Engraçado, porque eu achava que você me conhecia. Mas talvez esteja mais ocupado conhecendo... outras pessoas.
— Eu nunca quis que você se sentisse assim. — respirou fundo.
— E como você queria que fosse? Que eu fosse o primeiro a te dar tapinha nas costas? Dizer que é normal sentir atração pela irmã do melhor amigo? — riu sem humor, enfim virando o rosto.
ficou ali, parado, ouvindo a frase martelar. Quando ele enfim ia reaponder, o encarou, e por um segundo, os dois pareciam prestes a dizer o que não sabiam colocar em palavras.
Mas o momento passou. entrou no carro. Ligou o motor. E foi embora.
Deixando sozinho, cercado pelas luzes baixas do restaurante e o peso do que já não dava mais pra esconder.
A sala da pousada onde os padrinhos estavam hospedados estava quieta, exceto pelo som distante da chuva fina caindo do lado de fora. A maioria já havia subido para os quartos, e o dia seguinte prometia ser longo.
estava sentada no sofá com uma taça de vinho branco nas mãos, os pés descalços recolhidos sob o corpo. O cabelo preso de qualquer jeito e a expressão cansada. entrou devagar, trazendo um cobertor que pegara no corredor.
— Achei que podia querer isso — disse ele, depositando o tecido macio sobre as pernas dela.
— Obrigada. — Ela forçou um sorriso. — Não tá conseguindo dormir também?
Ele negou com a cabeça e sentou-se ao lado dela, perto o suficiente para encostar o joelho. Por um momento, ficaram em silêncio, apenas ouvindo a chuva e a respiração um do outro.
— Ele me odeia, não é? — perguntou , enfim.
— Não. — respondeu rápido demais. — Só... tá magoado.
— E com razão.
— ...
— Eu menti pra ele. Ou, pior... fui covarde. A gente podia ter contado antes. Podia ter sido honesto. Mas eu tive medo.
Ela o encarou.
— Eu também. E não é como se fosse fácil, sabe? A gente nem sabia o que isso era. Ainda não sabe.
— Não? — ele perguntou, baixinho, virando-se para ela.
Ela hesitou.
— Eu sei que... tem alguma coisa. Que é real. Mas também sei que o é tudo pra mim. E você também é. Só que agora vocês estão se afastando, e eu sinto que a culpa é minha.
— Não é sua. — tocou de leve a mão dela. — É minha. Porque eu deixei isso acontecer mesmo sabendo das consequências. Mesmo sabendo que, no fundo, ele nunca aceitaria.
— O que você sente por mim? — Ela o observou por alguns segundos, depois entrelaçou os dedos aos dele.
— Sinto que você virou meu ponto de paz no meio do caos. Que quando você sorri, eu esqueço do resto. E que... mesmo tentando me convencer de que era só físico, eu me apaixonei. — Ele respirou fundo, como se estivesse se preparando pra pular.
— E agora? — sentiu o ar sumir por um instante. Desviou o olhar, engoliu seco.
— Agora, eu não quero mais esconder. Mas também não quero perder ele. — A voz dele falhou um pouco. — Ele é como um irmão pra mim.
— Então a gente segura. Só mais um pouco. — Ela se aproximou, encostando a testa na dele.
— Até quando?
— Até a gente não conseguir mais fingir. Ou até ele descobrir. — Ela suspirou.
Eles ficaram ali por um tempo, colados, em silêncio. Sabendo que o dia seguinte podia mudar tudo — pra melhor ou pra pior. E sem saber se estavam prontos pra lidar com isso.
Mas pelo menos, naquele instante, estavam juntos.
O sol tingia o céu com tons dourados quando os noivos subiram ao altar. Tudo estava perfeito: a decoração em tons neutros, as flores delicadas, os sorrisos emocionados. se manteve firme ao lado de , seu par, tentando ignorar o turbilhão que girava dentro dela.
A cerimônia foi bonita, emocionante, cheia de votos sinceros e lágrimas contidas. , ali do outro lado do altar com Bea, também estava aparentemente tranquilo. Mas percebeu: o sorriso não chegava aos olhos, e a mandíbula cerrada denunciava a tensão.
Assim que os noivos disseram “sim”, o clima explodiu em aplausos e alegria. E, por um instante, tudo parecia em paz.
A festa acontecia em um salão com portas de vidro que davam para um jardim iluminado por luzes baixas e lâmpadas penduradas nas árvores. A música vibrava no ar, as pessoas riam, dançavam, brindavam.
, no entanto, estava cada vez mais inquieta.
A pressão dos olhares. O calor. A proximidade de . O medo de que alguém reparasse no jeito como os olhos de sempre a procuravam.
— Preciso de um ar — disse ela, já se afastando da pista.
viu o jeito como ela saiu, a respiração rápida. Esperou um minuto, talvez dois. E foi atrás.
Ela estava do lado de fora, no jardim, sentada num banco afastado, os braços cruzados, os ombros tensos.
— Ei — ele disse suavemente, se aproximando. — Tá tudo bem?
— Só... é muita coisa. Eu fico pensando que a qualquer momento alguém vai perceber, que o vai perceber... — Ela suspirou, os olhos marejados. — Eu odeio mentir pra ele.
— Eu sei. — Ele se sentou ao lado dela, próximo. — Mas você não tá sozinha nisso, tá? Eu tô aqui.
Ela virou o rosto para ele, os olhos brilhando com emoção.
— Acha mesmo que vale a pena?
— Acho. Porque você vale.
Foi tudo o que precisou. Ela se inclinou, os lábios tocando os dele num beijo calmo, reconfortante, carregado de um sentimento que crescia a cada dia.
Eles não ouviram os passos. Não sentiram a aproximação.
— ?
A voz os cortou como uma faca.
Os dois se viraram. estava parado ali, alguns passos atrás, expressão entre choque e incredulidade.
Ele olhou para a irmã. Depois para .
— Vocês dois...?
— — começou , levantando-se, o rosto em pânico. — Não é o que você tá pensando...
Mas era. E ele sabia.
— Eu não acredito nisso.
— Cara, por favor... — tentou falar, mas levantou a mão, como se o som da voz do amigo fosse um soco.
— Quanto tempo isso tá acontecendo?
Silêncio.
— Quanto tempo?
tentou de novo:
— Não foi planejado. Aconteceu. E a gente não contou porque sabíamos que você ia reagir assim.
— Porque eu sou o idiota da história, né? — Ele riu, sem humor. — Meu melhor amigo. Minha irmã. Escondendo isso de mim e o pior, mentindo na minha cara.
— ...
— Não. Não hoje.
Ele virou as costas e saiu andando de volta para a festa, o queixo tenso, os punhos fechados.
— A gente perdeu ele? — sentou-se de novo, os olhos cheios de lágrimas.
— Ainda não, ele só precisa de um tempo. Mas agora... agora ele sabe. E é só o começo. — passou o braço ao redor dela.
A música ainda tocava alto, abafando as conversas e os risos. Mas só ouvia o som dos próprios passos apressados enquanto atravessava o salão, os olhos buscando desesperadamente pelo irmão.
Ela o encontrou do lado de fora do bar, com um copo na mão e o olhar perdido na pista de dança. não notou a aproximação dela até que ela parou ao seu lado.
— ...
— Você devia estar com ele. — Ele nem virou o rosto.
— Não é assim.
— Não? — Ele deu uma risada seca. — Porque de onde eu vi, parecia exatamente assim.
— Eu vim aqui porque você é meu irmão. Porque eu me importo. E porque não quero que isso destrua tudo. — Ela respirou fundo, tentando manter a calma.
— Engraçado — ele murmurou, ainda sem encará-la —, porque quando estavam mentindo para mim, vocês dois fizeram parecer que não se importavam nem um pouco.
— Não foi fácil pra gente. Nenhum dos dois queria te magoar e…
— Então por que esconderam? — Agora sim ele a encarava, olhos duros, feridos.
— Porque eu sabia que você ia reagir assim. Que ia me olhar desse jeito. E que ia se afastar do . A gente tentou evitar isso. — engoliu em seco.
— Vocês tentaram me enganar — corrigiu ele, amargo. — Como se eu fosse burro. Como se eu não fosse perceber. Eu confiei nos dois.
— E você acha que pra gente foi fácil mentir? Que foi simples se esconder o tempo todo? — A voz dela saiu mais alta. — Eu não escolhi me apaixonar pelo seu melhor amigo, . Aconteceu. Devagar. Silencioso. E foi assustador pra mim também.
— Você... ama ele? — Ele franziu a testa.
— Amo. — Ela hesitou. Por um segundo, foi como se até o som da festa tivesse desaparecido.
Foi simples, mas doeu dizer em voz alta.
— E ele ama você? — olhou para ela por longos segundos. Depois, baixou os olhos para o copo.
— Ama. Mesmo quando eu fico insuportável. Mesmo quando eu me assusto e afasto ele. Ele fica. E me escuta. E me entende.
fechou os olhos por um momento, como se estivesse processando tudo.
— Não é sobre vocês estarem juntos, . — A voz dele saiu mais baixa agora. — É sobre vocês não confiarem em mim o suficiente pra dizer.
— Eu confiava. Mas tinha medo. Você sempre foi super protetor. E ... é seu irmão de alma. Eu não queria ficar entre vocês.
— É, mas já aconteceu.— Ele passou a mão no rosto.
— Mas ainda dá pra consertar — disse ela, dando um passo mais perto. — A gente não quer que você se afaste. A gente quer você com a gente. No nosso lado. Porque eu te amo, . E ele também.
— Isso vai demorar pra eu engolir. Mas... se ele te machucar, eu juro que quebro ele no meio. — ficou em silêncio por um tempo. Depois, soltou um suspiro longo.
— Justo. — sorriu com os olhos úmidos.
Ele riu, pela primeira vez naquela noite, ainda que de leve.
— Eu só quero ver você feliz, mana. Mesmo que seja com aquele babaca. — E então a puxou para um abraço apertado.
— Eu ouvi isso! — gritou da pista, levantando o copo, e os dois riram pela primeira vez em dias.
E naquele abraço, entre mágoas e perdões, uma nova fase começava.
O apartamento estava silencioso demais sem a presença constante de risadas, passos, ou a trilha sonora aleatória que costumava pôr enquanto cozinhava alguma coisa duvidosa.
estava sentado no sofá da sala quando a campainha tocou.
Abriu a porta e deu de cara com ele: . Jeans, moletom, o cabelo um pouco bagunçado, as chaves do antigo quarto na mão.
— Só vim pegar minhas coisas — disse ele, sem jeito. — Prometo não demorar.
deu passagem com um aceno de cabeça e voltou pro sofá.
passou direto pro quarto que ocupou por meses, mas antes de entrar, parou no meio do corredor.
— Você vai continuar me ignorando?
— Não tô ignorando — respondeu , seco. — Tô processando.
— Processando por quanto tempo?
Silêncio.
— Você quer saber por que a gente não te contou? — encostou no batente da porta, cruzando os braços.
— Já sei. — olhou pra ele. — Medo da minha reação. Medo de eu acabar com tudo.
— Foi mais do que isso. — A voz de era calma, mas firme. — Eu passei muito tempo me perguntando se valia a pena arriscar. Porque você é meu irmão, . E ela... ela virou tudo.
encarou o chão por um momento.
— E quando foi que isso virou tudo?
— Eu não sei dizer o dia. Só sei que um dia, eu já tava nela até o pescoço. E não tinha mais como fingir que não tava.
— Eu me senti traído, cara. — soltou um suspiro longo.
— Eu sei.
— Não só por vocês esconderem... mas por eu sentir que tava perdendo vocês dois ao mesmo tempo. E nem era só por ser minha irmã. Era porque você era meu melhor amigo. E eu sempre imaginei que a gente ia estar junto em tudo. Sem segredos.
— Eu errei com você — admitiu . — A gente errou. Mas eu nunca joguei fora a nossa amizade. E eu nunca, nunca, me aproximei da por falta de respeito.
— Você ama ela? — finalmente o olhou nos olhos.
— Com tudo que eu tenho. — não hesitou.
— Então cuida dela. Porque se você quebrar o coração da minha irmã, eu vou te caçar até o fim da vida. — engoliu seco.
— Palavra de honra. — Um sorriso pequeno apareceu no canto da boca de .
— E também porque, se ela chorar, a culpa vai ser minha que te deixei escapar.
riu. Dessa vez, leve, como se a tensão entre eles tivesse começado a dissolver.
— Acho que vou levar só minhas roupas mesmo. O resto... ficou velho. Tá na hora de recomeçar.
— Então recomeça direito. E não me faz me arrepender de ser parte disso, tá? — se levantou e caminhou até a porta com ele.
— Nunca.
Eles se encararam por mais um segundo. E depois, com um simples aperto de mão que virou abraço, selaram algo que parecia perdido, mas apenas adormecido: a amizade que os unia antes de qualquer segredo.
já conhecia aquele prédio. Já tinha subido naquele elevador outras vezes, na época em que o apartamento era escuro, mal ventilado, com móveis aleatórios e um sofá que definitivamente precisava se aposentar. Mas agora, ao atravessar o corredor, ela percebeu que tudo parecia diferente. Mais leve. Como se a energia tivesse mudado junto com a pintura nova nas paredes.
abriu a porta com um sorriso discreto, mas ansioso.
— Bem-vinda ao meu novo lar.
Ela entrou, surpresa com a transformação. O espaço agora era aberto, iluminado, com uma paleta neutra pontuada por quadros, plantas e um sofá novo que, dessa vez, parecia confortável de verdade.
— Uau... — disse ela, girando no centro da sala. — Isso aqui tá a sua cara. Tipo, você mais adulto, sabe?
— Esse era o objetivo — respondeu ele, se aproximando. — Nova fase. Novo espaço. E... talvez, uma nova história.
Ela virou-se devagar, arqueando uma sobrancelha.
— Uma nova história?
respirou fundo, tirou algo do bolso e estendeu para ela: uma pequena chave com um chaveiro escrito home.
— Não é um pedido pra você se mudar. Não ainda. — Ele riu, nervoso. — Mas é um pedido pra você ficar. Ficar na minha vida. Como minha namorada.
ficou em silêncio por um segundo, surpresa pela delicadeza do gesto. Depois, sorriu, mordendo o lábio.
— Se você tivesse me dado isso há uns meses, eu provavelmente teria rido. — Ela pegou a chave. — Mas agora? Agora eu só consigo pensar que demorou.
a puxou pela cintura e a beijou com calma, como se ali estivesse reafirmando tudo o que sentia.
Horas depois, já no fim da tarde, estavam deitados juntos no novo sofá, com as pernas entrelaçadas e o celular dela vibrando com notificações.
— Pronta pra dar um susto no ? — ele perguntou, mexendo no próprio celular.
Ela riu.
— Ele já tá se recuperando de ver a gente se beijando no jardim, acho que aguenta.
Com um toque, ele abriu o Instagram, escolheu uma foto recente dos dois — tirada no dia do ensaio dos padrinhos, com ela rindo e ele olhando pra ela como se o mundo todo ficasse em segundo plano — e legendou:
Entre reforma e recomeço, eu escolhi você.
Ela curtiu a foto antes mesmo de ele postar.
Depois foi a vez dela: trocou o status no perfil, colocou uma foto dos dois no feed com a legenda curta, mas cheia de significado.
Meu lar favorito agora tem nome.
E enquanto as notificações começavam a pipocar, eles se olharam no sofá, com um sorriso bobo no rosto.
Era oficial. E, pela primeira vez, eles não tinham mais nada a esconder.
Fim
Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Serio gente, essa foi a fic que eu tava mais ansiosa, eu amo esse age gap reverso e o fato do Caleb estar no meio da confusão Kkkkkk. Espero que goste e não esquece de comentar, ok?
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
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