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Última atualização: 15/01/2021

Prólogo


Morar em Londres sempre foi o meu maior sonho, desde quando eu ainda era uma simples adolescente e hoje, com trinta anos, eu consegui realizar esse sonho. Moro em Londres e tenho um emprego que pode-se assim dizer que é um emprego ótimo e muito bem remunerado. Há dois anos, eu fui convidada para integrar o time de jornalistas do London News, um dos maiores jornais televisivos de toda a Europa. O que me permitiu, enfim, me mudar para Londres e assim viver minha maior paixão de adolescência. Eu larguei tudo na minha cidade natal, no interior dos Estados Unidos e vim para cá, apenas com uma pequena mala de mãos, meu currículo e um mundo inteiro de sonhos, dos quais eu queria realizar, desde meus quinze anos. Quando cheguei aqui, em Outubro de 2018, foi realmente a minha maior realização pessoal, a maior desde me formar em jornalismo e conseguir trabalhar naquilo que sempre amei, como repórter. Desde que cheguei, Londres me recebeu como eu imaginei, de braços abertos, afirmando a ideia da cidade que eu tinha antes, aconchegante e elegante.

O apartamento onde eu morava, ficava bem de frente a roda gigante. Da minha janela, era possível ver o palácio da rainha e uma parte de um dos parques mais bonitos de toda Londres, o Hyde Park. Isso se deve ao fato de que eu morava no décimo terceiro andar, o que me garantia uma ótima e privilegiada visão da cidade. Não era um apartamento maravilhoso e muito menos luxuoso, mas era bem aconchegante e supriu as minhas necessidades. O prédio era antigo e ficava a quatro quadras da sede do jornal, algo que me permitiu não ter que alugar um carro para ir e voltar do trabalho. Todas as despesas de moradia, assim dizendo, foram pagas pelo jornal, então, eu não tenho muito do que reclamar. Além do mais, assim que eu me mudei, logo coloquei um anúncio nos classificados e em menos de quatro horas, eu já tinha uma colega de apartamento. Uma holandesa alegre e divertida, que acabou se tornando minha melhor amiga. Ela atende pelo nome de e veio para cá para estudar Letras na faculdade de Cambridge.

Tudo estava indo muito bem, o trabalho era cansativo, mas também tinha suas recompensas e no final do dia, eu sentia uma enorme sensação de dever cumprido e de realização profissional. Minha família estava feliz e contente que eu estava enfim vivendo meus sonhos, além de estarem felizes com as minhas escolhas. Meus pais sempre foram daqueles que faziam de tudo pela felicidade dos filhos, sempre prezando pela honra e pela família. Os dois sempre trabalharam duro para que eu e meus dois irmãos, pudéssemos ter de tudo e nunca desistir dos nossos sonhos. Então, quando recebi a proposta e contei que me mudaria para Londres, os dois ficaram ainda mais ansiosos do que eu. Eles juntaram todas as economias e compraram minha passagem, me dando assim o maior presente de minha vida. No começo, o trabalho me consumia todos os dias e sempre tinha algo novo a ser feito, uma nova reportagem, uma nova matéria e o melhor, alguma fofoca quentinha sobre alguma celebridade. Era prazeroso chegar de um dia cansativo de trabalho e ligar para a minha família contando tudo que tinha acontecido. Era ainda melhor quando eu e saíamos para comemorar uma matéria bem sucedida ou as suas notas altas em redação na faculdade, eram noites incríveis e que faziam valer a pena cada segundo da minha escolha em me mudar para Londres.

Diferente de tudo que um dia li ou vi sobre Londres, a cidade era bem noturna e tinha pubs maravilhosos com um inúmero catálogo de temas e sabores. No primeiro ano, eu e fomos a todos bares da nossa região, nos tornando assim clientes vips com carteirinhas próprias e acesso aos mais diversos estabelecimentos da cidade. Eu estava muito bem, diga-se de passagem, estava vivendo um sonho, vivendo as melhores noites na cidade. Eu tinha uma melhor amiga e um trabalho incrível e tinha até um gato siamês enorme que tinha apelidado de Christian Grey, já que ela sempre foi uma enorme fã de livros eróticos. Portanto, minha vida estava bem, quero dizer em partes, já que na parte em que dizia respeito ao coração, eu ainda não tinha vivido um romance tórrido com algum londrino bonitão.

Não que eu estivesse contando com isso quando vim para cá, mas eu sabia, que tanto meus pais quanto minha família, sonhavam que eu arrumasse um namorado e parasse de falar tanto em trabalho e no quanto meu gato era gordo e preguiçoso. sempre me dizia que viver um romance com um garoto londrino era algo especial e quase que como um sonho, já que eles eram extremamente gentis e que beijavam maravilhosamente bem. Além de serem alguns dos homens mais estilosos do mundo todo, se vestindo sempre como se estivessem prontos para um encontro ou uma festa no castelo da rainha, com suas botas de combate, casacos enormes e seus cachecóis combinando. Segundo , os ingleses eram quase iguais aos franceses, só que sem os beijos cheios de língua e toda a frescura, ou seja, eram os homens mais elegantes e desejáveis que ela já tinha ouvido falar. Eu concordava em partes com ela, até porque, os homens americanos são tudo, menos gentis e elegantes. Claro que nem todos são assim, mas todos que conheci ao longo dos meus trinta anos, faziam jus a esse julgamento. E devo confessar, que desde minha adolescência eu sonhava em conhecer um londrino, me casar e ter filhos com ele. Sempre achei que a genética ajudaria e nossos filhos seriam as crianças mais lindas no mundo inteiro. Eu sonhava com isso, é claro, mas mantinha meu pé no chão e tentava ao máximo não pensar que isso estava longe de acontecer, já que eu não estava tão empenhada em conhecer alguém. até tentou me ajudar, mas as ideias dela eram péssimas e eu não queria sair com qualquer um que eu conhecesse na balada.

Eu tenho amor próprio e tenho horror aos germes que podemos encontrar em uma boca na balada. Vai por mim, se todas as pessoas soubessem quantas salivas alguém troca na balada, ninguém mais se beijaria nessas ocasiões. É muito nojento, sério. Ou seja, em dois anos que eu moro aqui, eu saí com apenas um cara e que nem era um londrino, mas sim, um garoto de vinte anos que estava fazendo intercâmbio. Ele beijava bem, nós tivemos algumas conexões e uma conversa até que razoável, mas aí eu descobri pelas redes sociais, que ele tinha uma namorada na Espanha. Depois disso eu acabei dispensando ele e nunca mais tive notícias. Por isso que eu digo, nunca leve a sério alguém que você conhece na balada.

Além disso, eu não queria misturar trabalho com romance e eu sabia muito bem, que se fosse pra conhecer alguém legal e aceitável, seria no meu trabalho, não havia outra alternativa. Misturar trabalho com relacionamento, quase nunca dá certo e alguém sempre acaba demitido ou transferido. E eu, como era a única do departamento que era nova e que tinha sido transferida, não precisa ser muito inteligente para saber que seria a pessoa demitida nesta equação. Portanto, eu me limitei somente a focar no trabalho, deixando de lado a parte de conhecer e me apaixonar por alguém. Eu podia pensar nisso depois que meu contrato de dois anos terminasse e eu me mudasse definitivamente para Londres.

Esse era meu plano inicial, trabalhar por dois anos, me estabilizar na cidade para daí encontrar alguém e me comprometer. Mas é claro, que isso foi bem antes de toda a bagunça acontecer. Da noite para o dia, tudo mudou e uma avalanche sem proporções atingiu todo mundo de surpresa, mudando rapidamente os planos de qualquer pessoa. Inclusive os meus, já que naquele ano, eu tinha planejado viajar para passar as férias com meus pais e a nova família do meu irmão caçula. Todo o mundo ficou apavorado e sem saber o que fazer, quando os jornais mundiais, inclusive o London News, anunciaram que um novo vírus tinha se espalhado pelo mundo. Muito pouco se sabia sobre o assunto e do que o tão vírus era realmente capaz. As notícias vieram exatamente como uma bomba, rápida, dolorosa e de consequências inimagináveis. De repente, todo mundo ficou nervoso, ansioso e com medo de sair de casa. Mesmo que ainda fosse muito cedo para se ter alguma noção do que era aquilo, todos ficaram preocupados e se trancaram em casa imediatamente. No fim do dia, as ruas de Londres foram tomadas por um silêncio alarmante e nada mais parecia como antes.

Com o passar dos meses, tudo se intensificou e então recebemos a notícia de que era um vírus altamente prejudicial que se espalhava através do contato com superfícies contaminadas, além de se tratar de um vírus facilmente transmitido em ambientes fechados com muitas pessoas. Depois disso, todas as aulas, eventos com aglomerações de pessoas, trabalho, transporte coletivo e todas as outras atividades desse gênero foram suspensas por tempo indeterminado. A OMS nada tinha a dizer quando questionada sobre o tempo de quarentena e muito menos sobre o contágio da doença. A orientação era apenas para evitar aglomerações, usar máscara e passar álcool em gel e principalmente, evitar sair de casa ou ter contato com outras pessoas. Com isso, todos os meus planos tiveram de ser adiados e eu passei a ficar em casa, sempre tomando o maior cuidado e fazendo a higiene de tudo onde eu e tocamos.

O ano havia sido bem difícil, eu quase não saía de casa e fazia praticamente todo meu trabalho tudo online. O meu cargo, em questão, não exigia que eu ficasse o tempo integral na redação do jornal, portanto, quando meu chefe foi reduzir o quadro de funcionários, eu acabei sendo dispensada para trabalhar em casa. Eu ainda ganharia meu salário e todos os benefícios, só não era mais preciso ficar o dia inteiro na redação. Depois disso, eu passei a receber os trabalhos por email e comecei a fazer as reuniões diárias via Skype, bem como os relatórios que eu não precisava mais entregar em mãos, tudo era virtual agora. também estava estudando de casa, só que ela parecia não estar muito bem com isso, já que acabou desenvolvendo ansiedade e insônia. Eu já estava quase igual a ela logo após o primeiro mês, onde eu achei realmente que seria o paraíso trabalhar de casa, sem meu chefe no pé e ainda poder fazer as coisas de pijamas. Doce ilusão. No segundo mês, eu já estava entediada e sem nenhum relatório atrasado, bem como as séries da Netflix que eu e já tínhamos zerado. Literalmente, no segundo semestre do ano e no quarto mês de quarentena, eu já não tinha mais nada para fazer e meu trabalho começou a diminuir, já que as notícias que vinham para o jornal diariamente, os funcionários que ficaram no plantão estavam dando conta perfeitamente.

Eu e passamos os dias subsequentes, arrumando novos hobbies e descobrindo novas maneiras de passar por tudo sem enlouquecermos. De alguma certa forma, eu aprendi a gostar bastante da presença da minha melhor amiga, já que antes disso tudo, a gente se encontrava apenas a noite e em alguns finais de semana alternados. Bem como, também falei com minha família bem mais do que já tinha falado desde que me mudei. Minha mãe, por exemplo, me mandava mensagem todos os dias desde que a quarentena começou e era bom saber que ela estava se cuidando e que estava com saudades. Meu pai também me mandava mensagem todos os dias e sempre me dizia sempre que era pra eu me cuidar em ficar em casa. Eles também descobriram novos hobbies e todos os dias, eu recebia uma mensagem deles com alguma receita nova ou com algum poema que eles descobriam na internet. O ano foi muito difícil, mas também havia me ensinado a gostar mais das pessoas que estavam comigo e principalmente, me ajudou a entender que o amor estava nas pequenas coisas. Desde uma receita recebida por WhatsApp até o vídeo do meu sobrinho recém nascido sorrindo, era tudo mágico e mais intenso agora. Tudo estava bem diferente.

Quando percebemos, já era Dezembro e as festas de fim de ano estavam chegando. Mas parecia que agora, ninguém mais estava tão animado assim para o Natal ou para a virada do ano. Pouco se falava sobre a programação de natal na cidade ou de como seriam as festas de encerramento das empresas. Eu e estávamos bem otimistas com todo o clima de final de ano, mesmo que a gente soubesse que esse ano, as festas seriam bem diferentes, nós duas não queríamos perder o espírito festivo por nada no mundo. Eu sabia que nesse ano, por exemplo, a ceia de natal seria apenas eu, e as nossas famílias iriam aparecer apenas no Skype. Mas nada disso nos abalou e a ceia de natal acabou sendo bem legal e divertida, teve até amigo secreto com direito a cupons virtuais de presente. No fim, deu tudo certo e nós duas conseguimos passar pelo Natal de uma forma bem caseira e com nossas famílias, mesmo que tenha sido a distância.

Quando percebi já era réveillon e as notícias sobre o vírus conhecido como Covid-19 ainda eram péssimas e ainda não se tinha ideia de quanto tempo a tal quarentena iria durar. A princípio, muitas pessoas não estavam respeitando as ordens de restrição e isolamento social, o que agravou e bastante a situação do vírus perante o mundo todo. A noite do ano novo seria basicamente igual ao Natal, onde eu e passaríamos a noite sozinhas apenas com a companhia de nossas famílias e amigos online. Nós duas iríamos ver filmes na Netflix, comer brigadeiro, tomar champagne e ver a queima de fogos pela varanda do nosso apartamento. Já que, o espetáculo da tradicional queima de fogos no castelo da rainha, que reunia centenas de pessoas, estava proibida esse ano.

— Pelo menos esse ano, a gente vai conseguir ver a queima de fogos. — Escutei dizer enquanto fazia alguma receita que tinha recebido por WhatsApp da minha mãe.

— Uma coisa boa no meio dessa catástrofe. Aleluia! — Ergui a colher de pau para que abriu uma gargalhada gostosa.

— Você vai mesmo passar a virada do ano de pijamas, ? Eu entendo o Natal, mas hoje, você podia pelo menos colocar uma roupa mais ajeitadinha. — saiu da varanda e caminhou até a cozinha.

— Não vejo necessidade, sério. Ninguém vai ver a gente e muito menos vão se importar com a minha roupa. — Sorri para ela que se debruçou na bancada enquanto servia nossas taças com mais vinho.

— Eu tinha planejado fazer uma chamada de vídeo para te apresentar meu primo, que mora aqui em Londres. Sabe, eu falei bastante de você para ele e ele se mostrou bem interessado. — balançou os ombros e caminhou de volta para a varanda.

— Não acredito que você fez isso, ! Eu não quero conhecer ninguém, muito menos por chamada de vídeo e no meio de uma quarentena. — Falei em tom de desaprovação e ele caiu mais ainda na risada.

— Para com isso, ! Ele é legal e pode dar certo. Você não precisa ficar nessa de que é ruim conhecer alguém em uma quarentena. — Pude ver o brilho em seus olhos e tive quase certeza que aquilo era culpa do vinho.

— Muito obrigada! Mas realmente eu não quero conhecer ninguém. Tenho certeza que seu primo é alguém legal, mas não estou bem como a ideia de um relacionamento online. — Terminei a torta de maçã enquanto ouvia falar sem parar de seu primo.

— Podia ser bem interessante você conhecer alguém pra se divertir e se entreter nessa quarentena. Tomando todos os cuidados é claro, isso pode ser bem legal. — levou as mãos aos lábios de forma pensativa e então pegou seu celular.

— Eu morro de medo quando você tem essas suas ideias malucas. Elas quase nunca dão certo e são quase sempre, inaceitáveis. — Respondi a ela e peguei minha taça de vinho, caminhando também até a varanda.

— Você não precisa necessariamente sair com meu primo, se não quiser. Mas, por acaso, você já ouviu falar no Par Perfeito? — Ela se sentou do meu lado e me olhou desbloqueando seu celular.

— Que diabos é isso? Do que você tá falando? — Questionei assim que percebi sua animação involuntária.

— Então, é um aplicativo novo de relacionamento. Minha prima me mandou ele ontem por WhatsApp e parece ser bem legal, olha. — Ela me apontou a tela no celular, uma página com alguns corações e a figura de um celular, vibrava diante meus olhos. — Pelo que eu sei, você se cadastra nele e o aplicativo cruza seus gostos e preferências com a pessoa mais próxima. — Ela deslizava a tela com bastante animação.

— Nem pensar, ! Eu não vou me cadastrar em um aplicativo de relacionamento. — Fiz um sinal negativo com a cabeça, dizendo que aquilo era uma loucura sem cabimento.

— Vai , parece ser bem divertido. Eu soube que tem gente famosa aí no meio, o aplicativo tá sendo um sucesso nessa quarentena. Por favor, por mim vai! — fez um biquinho enquanto eu pegava a champanhe para brindarmos a meia-noite.

— Se inscreve você então, oras. Já que parece ser tão divertido como você fala, porque você não tenta? — Balancei meus ombros e sorri tentando não parecer grossa.

— Eu já me inscrevi e dei sorte, tenho um encontro amanhã a noite. — Ela devolveu o sorriso irônico e eu rolei meus olhos como resposta.

— Tudo bem, eu me rendo! — Levantei as mãos na altura dos ombros quando percebi seu olhar de cachorrinho. — Você não vai desistir mesmo que eu sei. Então vai fundo, pode me inscrever nesse aplicativo. — Entreguei meu celular para ela, que reagiu parecendo uma criança que tinha ganho um doce.

— Eba! Vamos lá então, falta pouco pra acabar o ano e vai que você começa 2021 com um encontro com algum londrino maravilhoso, né? — respondeu animada enquanto seus dedinhos digitavam sem parar na tela do tal Par Perfeito.

— Eu já estou me arrependendo disso, fique sabendo. Isso é loucura, . — Respondi a ela enquanto arrumava o sofá em frente a varanda pra gente assistir a queima de fogos.

— Vou ignorar o que você disse. Enfim, veja se você aprova o perfil que eu criei pra você. — respondeu e começou a ler em voz alta o que tinha escrito.

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31 anos. Capricorniana. Faço aniversário em Janeiro e sou natural do Arizona, Texas. Tenho dois irmãos, um mais velho e outro mais novo, o que me transforma na irmã do meio, em uma família tradicional americana. Trabalho com redação jornalística no London News e moro em Londres há dois anos. Meus principais hobbies são: ler livros em outras línguas, cozinhar ouvindo música e colecionar canecas, de todos os tipos, tamanhos e estampas. Gosto de café preto, torta de maçã e croissant de cinco queijos. Tenho um gatinho siamês e gosto também de caminhar na neve. Bem como, também gosto de beijos demorados e conversas longas. Trabalho demais e quase não tenho tempo pra diversão. Sou fã de músicas antigas e rock clássico. Meu filme favorito é Frozen e assim como o Olaf, eu adoro abraços quentinhos.


— Nem pensar, isso tá horrível, ! Pode ir apagando isso aí, agora! — Esbravejei enquanto jogava uma almofada em sua direção.

— Tarde demais, agora já foi! — Ela balançou os ombros, ignorando totalmente o que eu havia dito.

— Não acredito que a gente fez isso mesmo! Me sinto uma completa idiota por estar em um aplicativo de namoro, como se eu não conseguisse um namorado por conta. Ai meu deus! — Levei minhas mãos ao rosto, expressando o quanto eu estava desacreditada do que tinha feito.

— A gente precisa de uma foto para o perfil. Deixe eu ver, dá um sorriso aí! — exclamou e no segundo seguinte, eu pude ver o flash da câmera em minha direção.

— Ah não, ! Já não basta aquela descrição surreal que você fez, ainda tem que colocar uma foto zoada minha no perfil? Não não, pode ir parando! — Coloquei a mão na frente do meu rosto e tentei afastar ela e a câmera. Tentativa inútil.

— Ah, , a foto ficou bem bonita! Olha. — Ela apontou o visor na minha cara e eu pude ver a foto. Até que não ficou tão ruim assim e parecia mesmo ter sido uma foto espontânea.

— É, não ficou tão ruim assim! — Balançando os ombros eu me preparei para a virada do ano, que se aproximava lentamente.

— Você tá sendo modesta, . Você sabe que é muito bom e interessante. — O sorriso de era verdadeiro e sincero.

— Acho que vamos ter que aguardar pra ver se isso vai dar em alguma coisa. — Respondi o sorriso dele e apontei minha taça em sua direção.

— Tenho certeza que você vai encontrar um londrino que seja a sua cara e tamanho, eu confio nisso! — também ergueu a taça em brinde.

— Olha. — Pela janela eu apontei a direção do castelo da rainha, de onde já se podia ver a queima de fogos. — Dez, nove, oito. sete. seis. cinco, quatro, três. dois… UM! — Nós fizemos a contagem regressiva juntas assim que o relógio real bateu a meia-noite.

— Feliz ano novo, amiga! Te amo! — Nós dissemos juntos e então estouramos a garrafa de champanhe, tomando assim um banho gostoso de espumante.

— Dá pra acreditar que finalmente chegamos em 2021? — Eu disse enquanto estava abraçada a minha amiga e assistia ao espetáculo de fogos da minha varanda.

— Chegamos, finalmente. Lindas, plenas e saudáveis, que é o que realmente importa. — respondeu, me aconchegando em seu abraço.

— Tenho que agradecer, por você ser minha melhor amiga e por ser a minha melhor companhia nesses dias tão ruins. — Olhei para que sorria com o olhar longe.

— Eu digo o mesmo, ! Você é uma das melhores pessoas que eu poderia conhecer nesses anos que estou aqui! Essa quarentena teria sido um saco sem você, obrigada por me acolher, de verdade. — Ela me apertou no abraço e então entendi que eu tinha não só uma melhor amiga, mas sim, uma irmã.

A queima de fogos era a coisa mais linda que eu vi em toda minha vida e era algo realmente marcante, como eu não tinha visto antes. Mesmo com tudo que estava acontecendo, era realmente gratificante saber que em ainda se mantinham algumas tradições, mesmo com todas as medidas de isolamento e cuidado. Da varanda do meu apartamento era possível ver tudo com um certo privilégio, o que nos levou a longos dez minutos vendo as mais variadas cores explodirem no céu. Estar com minha melhor amiga, em Londres, no ano novo era sim um sonho, mesmo com tudo que estava acontecendo, ainda sim era um sonho do qual eu me orgulhava e muito em ter consigo realizar. O novo ano, não seria nada fácil e acho até, que seria ainda mais difícil que o ano anterior, já que ninguém ainda tinha uma certa consciência de que estamos vivendo em uma pandemia e que é preciso se preservar agora para que no futuro, todos nós possamos voltar a nossa vida normal. Era bem triste saber, que esse ano talvez ainda não teria uma vacina e que as medidas de isolamento continuariam.

Assim que os fogos terminaram, uma certa nostalgia e tristeza se instalou no apartamento, já que tanto eu quanto , queríamos estar com nossa família naquele momento, nos abraçando e celebrando o novo ano que entrou. Pelo Skype, toda a minha família estava reunida, em várias salas diferentes, mostrando a mesa da ceia, suas roupas de ano e as crianças que corriam de um lado a outro. Em uma das salas, estava meu irmão mais novo, Matt e sua esposa Joanne, que mostravam orgulhosos a nova cria, o lindo bebezinho chamado Noah. Tudo que eu mais queria, naquele momento, era poder pegar meu sobrinho no colo e o encher de amor e carinho, exatamente como as tias fazem. Mas eu não podia e eu não iria poder por muito tempo, uma vez que eu estava presa naquele maldito isolamento social, que me afastava de todos que eu mais amava. Eu via nos olhos de meu irmão o quanto ele estava preocupado com tudo que acontecia, ainda mais agora com uma criança recém-nascida, seus cuidados teriam de ser dobrados e eu podia sentir sua angústia, mesmo que estivéssemos nos vendo através de uma tela de computador.

Mas eu tinha esperanças que esse ano, as coisas iriam mudar e talvez, quem sabe eu conseguisse trazer a minha família para passar as festas comigo e conhecer Londres. Bem como, eu tinha esperanças que nesse ano, pelo menos eu teria alguém para apresentar a eles, mesmo que essa ideia ainda fosse um pouco absurda, eu não podia deixar de pensar no que havia me dito sobre ter alguém nessa quarentena. No fundo, até que a ideia não me parecia tão absurda como eu pensei de começo e podia ser interessante começar a pensar em ter alguém na minha vida. Mesmo que por hora fosse apenas para me distrair da rotina chata e cansativa, eu não descartava a oportunidade de investir nisso a longo prazo.

Se dependesse das certezas de sobre minha vida amorosa, eu arrumaria alguém no Par Perfeito e ele seria o meu príncipe londrino, tão sonhado e desejado por mim. Segundo ela, as minhas chances eram realmente boas e com o perfil que tinha criado, eu tinha tudo para me dar muito bem e logo. me garantiu que o aplicativo era de confiança e que eu não precisava me preocupar por ter todas as minhas informações jogada na internet, ela tinha me garantido que o tal aplicativo era bem seguro e que só usava as informações cedidas para o cruzamento de perfis, que resultava então no encontro do tal Par Perfeito. Eu optei por acreditar nela, mesmo achando a maior loucura ter as minhas informações pessoais cadastradas em um aplicativo feito na china que combinava resultados para achar possíveis candidatos a meu namorado, na real isso era bem patético. Mas, para fazer minha amiga feliz e fingir que eu estava um por cento animada com a ideia dela, eu aceitei participar daquilo e entreguei nas mãos de Deus. O que fosse pra acontecer iria acontecer. Independente de qualquer resultado, eu estava feliz por minha amiga se preocupar tanto com o fato de eu estar sozinha e sem namorado. Era realmente gratificante ter uma amiga que se preocupava comigo, mesmo que a saída dela fosse encontrar pretendentes para mim em um site de relacionamento.

Eu tinha absoluta certeza que aquilo era passageiro e que na segunda pela manhã, ela já teria esquecido disso e acharia outra maneira de encontrar alguém ideal para ser meu namorado.

Na manhã seguinte, após uma noite intensa de vinho, champagne e Netflix com a minha melhor amiga, eu tinha a sensação de que o meu primeiro dia do ano seria com uma puta de uma dor de cabeça e uma bela de uma ressaca. Acordei naquela manhã, com um sol invadindo a minha janela bem direto nos meus olhos, o que não me permitiu dormir além das oito horas da manhã. E acordar às oito horas da manhã em pleno primeiro de janeiro, não era uma coisa assim tão legal quanto parecia, não. Meus planos era dormir até uma duas da tarde, acordar, vestir uma roupa confortável, assistir algum episódio de irmãos à obra e talvez, dar uma volta com a no Hyde Park. Ou quem sabe até, fazer uma meditação enquanto tomávamos chá. Mas, é claro, que como eu tenho um anjinho da guarda bem sapeca, eu não consegui fazer nada do que tinha planejado e no fim, acabei acordando na maior ressaca e no maior mau humor. Algo que era típico de quando eu era acordada contra a minha vontade ou obrigada a fazer algo do qual não estava em meus planos. E ser acordada com o sol batendo na minha cara e minha cabeça girando, não era algo que eu estivesse de pleno acordo.

O apartamento estava em total silêncio e o único som que eu podia ouvir era dos meus pensamentos, me dizendo que aquela não era boa opção, quando eu resolvi acordar e preparar o café da manhã. Para minha sorte, sempre tinha um analgésico perto da cama e isso ajudou bastante quando eu acordei com tudo girando. Na cozinha, a bagunça da noite anterior me fez virar o nariz, definitivamente eu não estava animada para limpar uma cozinha antes de preparar café, então acabei desistindo e como ainda estava cedo, eu poderia muito bem dar um pulo no café que tinha na esquina do meu apartamento e comprar tudo pronto. Eu tinha certeza que a ficaria feliz em comer algo decente depois da bebedeira de ontem, já que nós duas, bebemos praticamente o estoque de vinho do mercado. Então, comer alguns carboidratos faria muito bem para nosso corpo e ajudaria bastante na nossa primeira ressaca do ano.

A cafeteria estava praticamente vazia, o que me ajudou bastante com o fato de que eu estava mal e nem um pouco afim de encarar pessoas irresponsáveis que não respeitavam nem um pouco o isolamento social. Consegui comprar algumas rosquinhas que pareciam estar com uma aparência bem gostosa, alguns croissants e dois copos gigantes de café preto. De sobra, pude aproveitar um pouco a calmaria que estavam as ruas naquela manhã, sem ninguém circulando. Caminhei tranquilamente, aproveitando a paisagem da cidade que eu tanto amava, pelo menos, eram nesses momentos que eu sentia que meus planos estavam dando certo. Mesmo que tudo estivesse acontecendo em meio a uma pandemia mundial, morar em Londres ainda era o meu maior sonho.

permanecia dormindo quando voltei ao apartamento e era possível ouvir seu ronco do corredor. Ela, provavelmente, só iria acordar depois do meio-dia e eu tinha uma certa inveja dela por causa disso; quem me dera eu conseguir dormir tão ferrada assim, nem quando eu estava absurdamente cansada, eu conseguia passar das oito horas dormindo. Coloquei as coisas em cima da bancada da cozinha e resolvi ligar a televisão para ver algumas notícias, mas me arrependi logo em seguida, quando as manchetes diziam apenas a quantidade de mortos em decorrência do Covid-19. Aquilo me deixou muito triste, pois, da noite de réveillon até aquela amanhã, os números de mortes no mundo, eram realmente alarmantes. Os jornais não falavam de outra coisa que não fossem as aglomerações de pessoas e as mortes ao redor do mundo. Meus colegas do London News estavam tristes e preocupados, eu pude ver isso claramente nos olhos deles durante as reportagens, realmente aquele vírus estava tomando uma proporção assustadora e muito preocupante. Naquele momento, eu senti por meus colegas de trabalho, pois, eu sabia muito bem que eles queriam estar em suas casas e não trabalhando enquanto o mundo desmoronava. Decidi então, tomar um banho, trocar de roupas e aproveitar meu café da manhã até despertar de seu sono de bela adormecida.

Foi quando, enquanto eu tomava meu delicioso café preto com bastante açúcar, eu ouvi meu celular apitar sem parar em cima da mesinha da sala. Eu o tinha esquecido completamente na noite anterior depois do porre que eu e tomamos na hora da virada do ano. A última vez que peguei nele, foi quando ela tinha feito minha inscrição naquele aplicativo maluco, mas não poderia ser nada relacionado a isso, poderia? tinha me garantido que demorava até que alguém fosse realmente compatível com meu perfil, então, aquele apito incessante, não poderia ser do aplicativo. Não fazia nem vinte e quatro horas que aquele perfil maluco criado pela doida da minha melhor amiga estava circulando pelo aplicativo, nem daria tempo de alguém ter sido combinado comigo. Eu caminhei bem receosa até o aparelho que continuava apitando me dizendo que tinham notificações novas e aquilo me deixou bem apreensiva, pois, poderia ser algo com meus pais ou meus irmãos e eu não estava preparada para nenhuma notícia grave.

Com o celular em mãos, eu encarei por alguns longos segundos a tela de notificações, tentando entender como aquilo era realmente possível? Só podia ser um delírio meu em decorrência da ressaca fodida em que eu me encontrava, não havia outra opção para o que meus olhos estavam vendo. Na tela do celular, piscando sem parar, as notificações do aplicativo Par Perfeito vibravam diante meus olhos. Mas, foram duas notificações específicas que fizeram meu coração parar por alguns segundos e minha cabeça girar rapidamente. Eu nem podia culpar a ressaca, pois eu tinha absoluta certeza que aquilo não tinha nada a ver com o vinho que eu e tomamos. Ou poderia ser, já que eu tinha certeza que estava delirando, ou até participando de algum episódio de Black Mirror. Aquilo não era real, não tinha como ser, eu sabia disso e cheguei até olhar nas paredes do meu apartamento atrás de alguma câmera escondida ou coisa do gênero. Pois, se isso não era uma pegadinha das bem idiotas, era com certeza algum erro daquele aplicativo. Não havia outra explicação plausível para o que tinha acontecido.

Parabéns!
Você tem duas novas combinações! O Par Perfeito tem o prazer em avisar que seu perfil de relacionamentos fez o maior sucesso e encontramos duas pessoas, que tem tudo a ver com você! Abra o aplicativo e venha conhecer seus dois novos matches! e estão ansiosos em te conhecer, não os deixe esperando. Mande uma mensagem agora mesmo e descubra qual deles tem os requisitos necessários para ser o seu Par Perfeito.


Encarando aquela notificação bem na minha cara, eu já não sabia de mais nada e já não tinha mais certeza do que estaria de fato acontecendo. tinha mesmo me dito que o aplicativo era um sucesso e que até algumas pessoas famosas estavam fazendo uso dele, mas, eu nunca imaginei que algo como aquilo pudesse acontecer. Na verdade, as chances daquilo acontecer, principalmente comigo, eram quase nulas e inexistentes. Afinal de contas, quem é que iria acreditar que e estariam em um aplicativo de namoro? Aquilo nem era humanamente possível e jamais aconteceria, a não ser que eu estivesse em algum filme teen ou em alguma fanfic do Wattpad. O que não tinha nada a ver, já que eu era bem real e estava encarando aquela cena bem na minha frente. Não que eu um dia acreditasse mesmo que algo assim fosse acontecer, mas eu tinha uma certa esperança adolescente, de que morando em Londres eu poderia vir a conhecer os dois, em algum momento aleatório, saindo de uma cafeteria, quem sabe? Mas, nunca jamais, eu poderia imaginar que eu fosse dar match com os dois em um aplicativo de relacionamento, aquilo era surreal demais, até para alguém como eu.

A única coisa que eu podia imaginar, era que eu estava sendo vítima da pegadinha alguém bem desocupado que tinha criado um fake naquele aplicativo e que agora, devia estar rindo da minha situação. Ou também, aquilo poderia ser um erro bem estúpido do aplicativo e logo eu receberia outra mensagem me pedindo desculpas pelo erro cometido. Realmente, eu não conseguia pensar que aquilo era real e estava acontecendo, na verdade, eu me recusava a aceitar isso. Talvez, eu estivesse mesmo sendo paranóica demais, só que era normal eu pensar dessa forma, ainda mais no século vinte e um, onde temos altos índices de malucos que perseguem mulheres pela internet e depois as mutilam, sem dó nem piedade.

O aplicativo não parava de vibrar e as notificações do tal Par Perfeito não paravam de chegar, me avisando que meus matches estavam esperando alguma interação minha. Eu realmente não sei como fiz aquilo, mas assim que o último alerta chegou, eu abri o aplicativo e mandei uma mensagem para os tais e . Talvez no fundo, minha alma adolescente havia tomado conta de mim e eu talvez tivesse alguma esperança de que aquilo fosse mesmo realidade. Eu poderia estar caindo em uma bela armadilha, mas algo dentro de mim gritava que eu estava enganada e que aquilo nada mais era que uma gostosa ironia do meu destino e dos planos de 2021 para a minha vida.

Eu só esperava não estar caminhando direto para a morte, quando em menos de sessenta segundos, me mandou uma mensagem no aplicativo, dizendo:

“Oi, como vai? De alguma forma, esse aplicativo achou que nós dois combinamos. Hahaha, sei lá, podemos conversar?.”


Logo abaixo, uma outra mensagem fez meu coração palpitar levemente e eu mal conseguia ler as palavras que piscavam diante meus olhos, mostrando que também tinha respondido ao possível match no aplicativo.

"Olá, tudo bem? Isso é muito doido, eu sei. Mas parece que esse aplicativo maluco combinou a gente, o que é bem estranho. Espero que não me ignore, hahaha, será que podemos conversar? Um beijo, ."

E se aquilo era de fato um sonho, talvez eu não quisesse acordar, afinal, pelo menos sendo sonho ou não, eu estava conversando e interagindo com e , que segundo aquele aplicativo maluco, eram os meus dois Pares Perfeitos.




Continua...



Nota da autora: Oi anjos, como vocês estão? Começaram 2021 bem? Espero que sim, hehehe. Eu não vi outra maneira de começar esse ano que não fosse com mais uma fanfic, pois é. Aqui estou eu, em mais uma longfic e quem achou mesmo que eu pararia da última vez, se enganou plenamente. Dessa vez, o plot inicial dessa história nasceu de um sonho que eu tive, literalmente. No sonho, eu pegava o Harry e o Dougie ao mesmo tempo e teve até briga, acreditam? Pois bem, depois desse sonho bem maluco, eu pensei por que não? Por que não criar uma fanfic onde a principal pegasse Dougie Poynter e Harry Styles ao mesmo tempo não é mesmo? Aí então, minhas amigas ffobzeiras (palavra inventada agora) me ajudaram no grupo do WhatsApp e essa fanfic nasceu e eu não podia esperar menos dessas meninas maravilhosas. Bom, dito isso, eu espero mesmo de coração, que vocês tenham gostado do início dessa fanfic, que eu acho que tem tudo pra ser uma história pra lá de divertida. Espero que vocês acompanhem cada atualização e que estejam comigo nessa, um enorme beijo e a gente se encontra na próxima atualização.





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