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Última atualização: 06/05/2021

Capítulo 1

As exatas dez e quarenta e sete da manhã um grupo de seis pessoas, todas com cabelo cor de fogo, chegaram a plataforma 9 ¾. O homem mais velho seguia acompanhado da única mulher do grupo, seus nomes eram Arthur e Molly Weasley, e estavam acompanhados de seus filhos: Carlinhos, Percy e os gêmeos Fred e George.
Mais cedo naquele dia, houve uma pequena briga na casa dos Weasleys. Rony e Gina, seus filhos mais novos, choramingaram a noite inteira e parte da manhã pelo fato de não poderem acompanhar seus irmãos mais velhos até a plataforma e ver pela primeira vez o trem. Para a sorte deles, ainda tinha um de seus irmãos que não frequentaria a escola aquele ano. Gui, o mais velho, havia se formado naquele ano e ficou em casa para cuidar dos pequenos.
Percy murmurou um tchau apressado para seus pais e irmãos e se dirigiu a um grupo de garotos que estavam contando como tinham sido suas férias. Foi recebido com alguns sorrisos e apertos de mãos e emendou na conversa. Logo em seguida Carlinhos se desculpou com os pais por não poder ficar por mais tempo e deu um beijo no rosto de cada um, pegou seu carrinho e saiu em direção a um grupo de estudantes, todos com distintivos de monitor.
Fred e George tão logo chegaram na plataforma e já abandonaram seus pertences próximos a seus pais e saíram correndo em direções opostas. George passou correndo por um grupo de meninas, que discutiam animadamente sobre os garotos mais bonitos do último ano, derrubando algumas pelo caminho. Acordou uma coruja que dormia tranquilamente sobre um carrinho em que pulou por cima, e teria causado mais confusão, se um Fred levemente confuso não tivesse o puxado para o lado e apontado uma garota que conversava animadamente com um jovem uns cinco metros à frente. Aproximadamente onze anos e estatura média, a garota não apresentava nada de extraordinário para aquele garoto.
— Ela não parece familiar? — Fred perguntou levemente abobalhado.
— Como qualquer outra garota da plataforma — George deu de ombros.
— Não sei — Fred cerrou os olhos para enxergar melhor — Eu acho que já vi ela em algum lugar.
— Deve ter sido no Beco Diagonal, Fred — seu irmão gêmeo revirou os olhos impaciente — Sempre vemos várias pessoas por lá.


Seus pais perceberam que os garotos tinham parado de correr e se aproximaram cautelosamente. Quando chegaram atrás do garoto, Arthur olhou para onde eles olhavam e viu a menina e o garoto conversando. Um pouco impressionado, apontou para Molly naquela direção e comentou em um sussurro.
— Molly, aqueles não são os Winter?
Fred fez uma careta ao ouvir o sobrenome Winter. Era famoso no mundo bruxo mas ele não se lembrava exatamente o porque, embora sentisse que fosse mais do que isso. Fez um sinal para que George ficasse em silêncio e apurou os ouvidos para conseguir escutar melhor toda a conversa.
— Aaron e ? — Ela disse surpresa — Por Merlin, como eles estão crescidos! Aaron continua com a mesma fisionomia de sempre, mas a pequena mudou um monte dos últimos anos para cá.
— Seria estranho se ela não mudasse, já faz tanto tempo...
Molly faria mais um comentário se o assovio do trem, indicando que logo estaria de partida, a interrompeu.
— Fred e George — Arthur disse antes que os meninos saíssem correndo dali com os carrinhos — tenham uma boa viagem e aproveitem Hogwarts o máximo que puderem que eu garanto que serão os melhores anos de suas vidas.
Fizeram mil e uma recomendações até serem obrigados a liberarem os meninos para embarcar no Expresso de Hogwarts. Quando eles finalmente conseguiram entrar no trem quase não tinha mais nenhum aluno para fora, então quase todas as cabines já estavam cheias. Passaram por uma cabine onde Percy e seus amigos comentavam sobre os livros comprados para esse ano, fazendo uma cara de nojo no meio do caminho. Quando chegaram mais no fundo do vagão, encontraram a mesma garota de antes, mas sozinha. Ela olhava para a janela e conversava calmamente com quem os garotos pensavam ser seu irmão.
— Podemos sentar com você? — Fred entrou na frente e perguntou.
Percebendo que não estava sozinha, interrompeu sua frase no meio e sorriu.
— Claro!
O jovem nos estudou por um tempo antes de sorrir gentilmente.
— Eu realmente preciso ir, querida — o homem sorriu para ela e depois para os gêmeos - me manda uma coruja assim que for para o dormitório, e não se esqueça que eu te amo.
— Eu também te amo — ela respondeu e mandou um beijo no ar, que ele fingiu pegar. Aaron acabou de se despedir e seu coração já apertou de saudades.
— Tchau meninos!
— Tchau — disseram em coro.
Os três o observaram até sair de vista. A multidão de parentes que havia se formado em volta do trem também começava a se dispersar, e este assoviou novamente indicando sua partida.

— Fiquem à vontade — ela indicou os bancos.
— Eu sou Fred Weasley — o primeiro menino lhe estendeu a mão, que prontamente foi apertada.
Winter — ela se virou para o garoto que estava mais afastado o analisando — E você?
— George — ele sorriu e ela sorriu de volta.
Os meninos se jogaram desleixadamente no banco à sua frente. Os três se encaravam enquanto um silêncio constrangedor envolvia o lugar. Fred pigarreou, claramente incomodado.
— Então... Ele é seu irmão? — George puxou assunto, se referindo ao homem que a pouco estava na janela.
— Tio — ela sorriu.
— Seus pais não puderam vir? — Fred perguntou.
— Tipo isso.
Outra vez o silêncio envolveu o lugar, as crianças encaravam a janela enquanto o verde se tornava mais presente na paisagem.
— Sempre foi meu sonho ir para Hogwarts — suspirou pesadamente — Acho que é o sonho de qualquer um. Assistir aulas de trato de criaturas mágicas, fazer poções, aprender feitiços mais elaborados...
— Nós temos sete irmãos — Fred sorriu — Rony e Gina são os mais novos, Gui se formou no começo desse ano, o Carlinhos está no sexto ano e é monitor e o Percy está no terceiro ano. Só aprendemos alguns feitiços por causa deles, se fosse por nossos pais, só iriamos aprender qualquer tipo de feitiço aos onze anos. Então meio que nós aprendemos algumas coisas com eles, principalmente com o Gui, mesmo com todo aquele lance de não usar magia fora de Hogwarts.
— Eu não tenho irmãos — a garota deu de ombros — Mas eu sempre pegava a varinha do meu tio para brincar um pouco. O bom da magia ser monitorada é que eles só sabem o lugar de onde veio, se você morar com bruxos não está encrencado. Quando eu tinha sete anos encontrei uns livros antigos de feitiço dentro de um armário no porão e desde então venho praticando alguns mais simples.
— Porque não mostra pra gente? — Fred pediu.
— Ok — ela pegou sua varinha que estava jogada no banco.
A menina procurou alguma coisa e encontrou um elástico de cabelo, mirou a varinha nele, a balançou e murmurou:
— Engorgio!
O elástico aumentou consideravelmente de tamanho, o suficiente para passar tranquilamente por uma pessoa.
— Aumentar o tamanho? Sério? — George caçoou — até Errol, nossa coruja, consegue fazer melhor.
O rosto da garota ganhou uma cor vermelho vivo e ela lhe lançou um olhar ameaçador. Pegou novamente a varinha que fora jogada com desleixo em cima do banco e a apontou para o nariz do menino.
— Aquamenti! — exclamou, jogando um grande jato d'água em seu rosto. O garoto fechou seus olhos com força na tentativa de sentir menos incômodo com a pressão, o que obviamente não resolveu.
Quando a água parou, ele se engasgou tentando desesperadamente puxar mais ar para seus pulmões. Enquanto ele tossia, Fred e gargalhavam. George lançou um olhar incrédulo para seu irmão.
— Como você pode achar isso engraçado?
— Você que zombou da menina — deu de ombros — ela não fez nada além de se defender.
Winter gargalhou novamente enquanto observava o estrago: o chão, George e parte da janela estavam encharcados. Ela murmurou um “Tergeo” para aspirar a água que pingava por todo lado e se virou para nós.
— E vocês? O que sabem fazer?
Fred pigarreou, pegou sua varinha e murmurou:
— Orchideous!
Várias flores cor de rosa saíram da ponta de sua varinha e ele a ofereceu para a Winter. A menina gargalhou novamente.
— Ora ora! Um dos gêmeos é esperto — ela piscou.

George se preparou para fazer um comentário mal educado, mas o carrinho de guloseimas chegou e o impediu de fazer qualquer coisa. Com as mãos em seus bolsos, pegou alguns nuques que guardara especialmente para comprar doces na viagem. Quando foi escolher o que comer, a garota o interrompeu.
— Me deixe te compensar pelo banho — ela sorriu fraco e o sorriso se alargou quando o garoto deu de ombros. Ela olhou para Fred, que balançou a cabeça em sinal de consentimento — Por favor seis sapos de chocolate, seis tortinhas de abóbora, três bolos de caldeirão, seis pastelões e três caixas de feijõezinhos de todos os sabores.
Os meninos a encaravam atordoados enquanto ela pagava a senhora quinze sicles e dois nuques.
— Só para deixar claro — ela explicou — Eu não estou tentando conquistar vocês pelo estômago.
Os garotos riram.
— Que pena — George murmurou — Você estava alcançando um ótimo resultado.
Comeram rapidamente tudo o que ela havia comprado, deixando os feijõezinhos por último.
— Que tal uma brincadeira? — Fred propôs — Cada um pega de olhos fechados um feijãozinho da caixa do outro, e essa pessoa é obrigada a comer sem ver qual sabor. Vai aumentar a adrenalina.
Todos concordaram. George fechou seus olhos e colocou sua mão na caixinha de para começar. Pegou um feijãozinho cor de rosa, bem clarinho e com a cor homogênea. A menina estava de olhos fechados e com a boca aberta. Ele colocou o doce lá dentro e ela abriu um sorriso.
— Algodão doce! Minha vez.
Ela pegou a caixinha do Fred e o que veio foi um feijãozinho marrom com algumas manchas preto-esverdeadas, ela colocou na boca dele e ele fez uma careta.
— Sujeira, adoro — resmungou.
George novamente fechou os olhos, mas dessa vez aguardou ansiosamente pelo o que viria a seguir. Quando sentiu a mão de Fred perto de seu rosto, o garoto abriu sua boca, e seu irmão colocou o feijãozinho com cuidado. Demorou um pouco para criar coragem e mastigar. Os outros dois o encaravam com expectativa. Um sabor amargo invadiu sua língua, misturado com poeira e alguma coisa que poderia jurar que seriam teias de aranha. Mastigou novamente e dessa vez o que veio ele não soube descrever, sentia o sabor de tristeza, o feijãozinho ficando cada vez mais frio. Finalmente abriu sua mão e cuspiu, ainda de olhos fechados, só abrindo para ver a gosma mastigada de uma cor indefinível.
— Que cor tinha? — Perguntou, ainda sentindo aquele sabor estranho.
— Não sei direito — Winter respondeu — Eu nunca tinha visto nenhum igual a esse — Fred balançou a cabeça concordando — Era meio verde, marrom, roxo. Mas tinham também algumas manchas rosa e amarelo.
— E qual o gosto? — foi a vez de Fred se pronunciar.
Descreveu exatamente o que tinha sentido, vendo a cara de interrogação que eles estavam fazendo se intensificar a cada palavra. Quando estava terminando de falar ele chegou a uma conclusão, mas que parecia ridícula demais para que eu falasse em voz alta.
— Nenhuma ideia do que é?
— Uma, mas é absurda demais para ser levada em consideração.
— O que?
— Bicho papão? — respirou fundo esperando as risadas virem, mas ambos assentiram.
— Eu vinha pensando a mesma coisa — disse.
— Eu também — Fred concordou.
Seu rosto involuntariamente se abriu em um sorriso quando percebeu que ambos tiveram a mesma ideia, e por um segundo George se pegou imaginando que formariam um grande time. A ideia também havia passado pela cabeça da menina, que talvez ali tivesse tido a sorte de encontrar seus primeiros e verdadeiros amigos, coisa que Aaron tinha jurado que aconteceria. As palavras escaparam da boca de George.
— Queria que você fosse para a Grifinória, assim como nós.
A garota franziu a testa.
— E como vocês sabem que vão para a Grifinória?
— Simples — Fred disse — Nossos pais e irmãos são todos de lá.
A menina considerou a hipótese por um segundo.
— Minha mãe foi da Sonserina e meu pai da Grifinória. Meu tio era da Sonserina também, então eu não acho que parentesco signifique muito.
Os gêmeos torciam o nariz a cada “Sonserina” pronunciado. E claro que a garota não deixaria passar despercebido. Gargalhando logo que terminou de falar.
— Não acredito que vocês têm esse preconceito absurdo com os alunos da Sonserina. Meu tio é a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci: leal, justa, carismática... e é Sonserino. Eu iria para a Sonserina com muito orgulho, para qualquer casa na verdade. Acho que as quatro são incríveis.
— Com esse pensamento vai acabar caindo na Lufa Lufa — Fred disse.
A garota torceu o nariz, olhando feio.
— Desculpe — ele pediu.
— Talvez você tenha razão sobre esse preconceito ser absurdo — George disse.
— Todos preconceitos são absurdos, George.
Os garotos refletiram sobre o que a menina disse, pensando que as pessoas são muito mais do que suas casas, quando o ronco alto de uma barriga os interrompeu.
— Acho que essa conversa me deu fome — Fred disse.
George lembrou que Molly tinha mandado lanche para eles e pegou o pacote. Quando abriu, encontrou nove sanduíches idênticos de peixes com pedaços de batatas cozidas, e duas garrafas de suco de abóbora.
— Olhe, foi o Gui que fez os nossos lanches — Fred exclamou.
— Você sabe só de olhar? — perguntou.
— Peixe com batatas — George deu de ombros — também conhecido como o super sanduíche do Gui.
O garoto estendeu um para ela que aceitou prontamente. Logo dando uma grande mordida. Fred a encarava com expectativa, enquanto George olhava para a janela, no fundo estava com medo de que ela não gostasse. De repente ela começou a mastigar mais lentamente, e quando engoliu disse:
— Esse é definitivamente o melhor sanduíche que eu já comi.
— Se o Gui ficar sabendo disso, o ego dele ultrapassa a torre de Azkaban — Fred comentou.
Riram e ficaram conversando enquanto terminavam o lanche. Quando começou a escurecer colocaram seus trajes e esperaram para ver pela primeira vez o castelo.



Capítulo 2

Quando o trem parou na plataforma em Hogsmeade Hagrid, o guarda caça da escola, estava batendo um sino e gritando desesperadamente pelos novos alunos esperando chamar atenção. Sua missão era levá-los em segurança para o castelo, seguindo o caminho através do lago negro. Os alunos fariam aquele percurso apenas no primeiro dia de aula do seu primeiro ano e no último dia do sétimo ano, quando dariam adeus a escola. Conforme foram desembarcando, os primeiranistas foram andando em sua direção, e quando todos estavam ali ele acendeu uma lamparina e os levou por um caminho de terra íngreme e estreito, que acabava na beira do lago.
Nenhum vento passava pelas copas das árvores, que permaneciam tão estáticos quanto os alunos vendo Hogwarts pela primeira vez. O lago parecia sólido e na sua margem alguns barquinhos, que Fred duvidou que teriam capacidade para transportá-los a algum lugar, esperavam por eles. Os olhos de brilhavam sem nem piscar, como se ela quisesse guardar todos os detalhes da arquitetura do local. Fred tinha um sorriso torto pairando em seus lábios e olhava para toda a volta da construção, procurando algum lugar secreto ou no mínimo mais vazio. E George estava encantado com como a lua lançava uma aura fantasmagórica no castelo. As janelas iluminadas parecendo pequenas lanternas ao longe e o penhasco abaixo do castelo que o deixava ainda mais interessante.
Ansioso para estar dentro do salão principal quentinho e participar do banquete, aos gritos, Hagrid mandou os alunos se dirigirem aos barcos, quatro alunos por vez. O trio se juntou em um deles. Um garoto, que não muito depois descobriram ser Lino Jordan, os acompanhou e conversaram um pouco, ele era muito falante e perguntou coisas como o que estavam achando de Hogwarts até então e quais as expectativas do trio para o ano letivo. Falou sobre sua família, animais de estimação e sobre quando recebeu sua carta.
— Todos abaixem — Hagrid pediu, mas por causa de Lino que ainda falava, agora de quadribol, Fred não ouviu. , vendo que ele não tinha ouvido e ia bater a cabeça com força total no topo de uma caverna que se aproximava, se jogou em cima do menino, os dois se abaixando na hora exata em que o céu se fechou acima deles.
— Você está maluco, Weasley? — Ela se perguntou.
— O que raios está acontecendo?
Era uma espécie de túnel escuro, com as paredes cobertas de musgo onde não dava para passar sentado. Todos mantinham a coluna arqueada olhando atentamente o lugar.
Ela gargalhou.
— Acontece que chegamos — ela dizia feliz enquanto os barcos paravam em uma espécie de cais — E vocês dois saiam logo do barco que eu não quero perder nada.
George franziu as sobrancelhas com o comentário e percebeu que, com exceção de Lino que acabaram de conhecer, eles não conheciam mais ninguém dos outros alunos. Todos saíram dos barcos e acompanharam Hagrid que os levou pelo túnel que terminava em uma passagem aberta na rocha. Atravessaram a passagem e saíram em um gramado, de frente para o castelo. Havia uma enorme porta onde o Guarda Caça bateu três vezes e ela se abriu, exibindo uma mulher.
— Alunos do primeiro ano, Professora Minerva McGonagall.
— Obrigada Hagrid — ela agradeceu enquanto ele saia pela porta — É um prazer conhecê-los! Por favor, sigam-me.
E fizeram. A acompanharam por um corredor até uma salinha minúscula. Dava para ouvir várias vozes que imaginaram serem dos outros alunos. A professora nos deu boas vindas e explicou um pouco sobre cada casa e como funcionava a escola.
— Agora vocês serão selecionados para suas respectivas casas. Por favor me acompanhem para o Salão Principal.

Outro suspiro foi ouvido de todos quando entraram o salão. As paredes eram feitas de pedras e o céu se abria para noite adentro. Haviam um total de cinco mesas enormes, quatro umas do lado das outras, e a quinta ao fundo do cômodo e de frente para as outras. Em cima de cada mesa havia uma bandeira com a cor que representava a casa, e o seu animal. O lugar inteiro era iluminado por milhares de velas flutuantes e, nas mesas: pratos, talheres e taças douradas. Enormes janelas estavam distribuídas por todo o salão, mas estava tão escuro lá fora que só era possível enxergar as estrelas. Os alunos estavam distribuídos igualmente entre as quatro mesas e os professores na outra. Na frente da mesa dos professores havia um banquinho de três pernas com um chapéu surrado em cima. Assim que entraram, o chapéu começou a cantar e viu Lino Jordan dar um pulo a sua esquerda. Era uma melodia engraçada. Ele se apresentava, falava sobre Hogwarts e suas casas. O que elas honravam, seus propósitos e fundadores.
Quando a música acabou, o salão inteiro aplaudiu em pé, e quem falou foi Minerva McGonagall:
— Quando eu falar seus nomes, deem um passo à frente, sentem-se no banco e eu colocarei o chapéu em suas cabeças para que ele os selecione para suas casas. Alicia Spinnet.
— Grifinória!
— Rogerio Davies.
— Corvinal!
As mesas vibravam a cada aluno que se sentava e, depois de muitos Corvinais, Lufa-Lufas, Sonserinas e Grifinórias...
Winter.
O chapéu demorou um pouco, e depois disse em alto e bom som:
— Grifinória!
A mesa abaixo de um brasão vermelho e dourado gritou, e a menina deu uma piscada para os gêmeos antes de pular do banquinho e ir toda feliz para a mesa da Grifinória. No meio do caminho, em meio a palmas e risadas, a garota não se conteve e fez uma referência, fazendo com que os gritos e palmas aumentassem. Fred observava enquanto ela se sentava e engatava em uma conversa animada com Carlinhos. Alguns minutos depois ela gargalhava, provavelmente de alguma coisa que ele dissera.
Winter? A sobrinha do Aaron?
Assentiu desconfiada para o garoto, mais velho, de cabelos ruivos que acabara de se aproximar.
— Me chamo Carlinhos... Não se lembra de mim?
— Não — disse sem graça — Me desculpe.
— Não tem problema — deu de ombros — Sou irmão daqueles dois idiotas ali — balançou a cabeça na direção dos gêmeos — E eu estava no segundo ano quando seu tio se formou, eu meio que idolatrava ele — riu sem graça.
— Eu sabia que você tinha algum problema quando veio falar comigo — tentou ao máximo conter a risada, mas se tornou impossível quando ele começou a rir.
— Ah, ele é o Sonserino mais legal que conheço.
— Que eu também — sorriu orgulhosa — Carlinhos?
O garoto olhou em seus olhos e ela limpou a garganta antes de continuar.
— Você falou como se nós já nos conhecêssemos.
— É que...
A voz de Minerva chamando Fred o interrompeu fazendo os dois olharem para o centro do salão.

Fred estava sentado no banco com o chapéu cobrindo metade dos olhos. O chapéu mencionou que várias aventuras estariam por vir, principalmente devido a ultima garota que ele tinha mandado para aquela casa. Ao perceber que o chapéu se referia a , Fred gargalhou, ouvindo um alto “Grifinória” em seguida. chegou para mais perto de Carlinhos, para que Fred se sentasse ao seu lado. Fred viu Carlinhos engolir seco.
— George Weasley.
George caminhou lentamente até o banquinho, se sentou e McGonagal colocou o chapéu em sua cabeça. O chapéu disse:
“Vocês têm os mesmos pensamentos astutos...” — ele pareceu pensar um pouco antes de continuar — “A mesma mente maligna para travessuras e a mesma disposição a causar encrenca... Seria ótimo para seus colegas e professores que vocês três fossem colocados em casas diferentes... Mas porque eu faria isso? ”
Quando o chapéu anunciou Grifinória para todo o salão, George gargalhou e saiu pulando em direção a mesa, onde Fred e aplaudiam em pé. Uma garota, também do primeiro ano, se afastou para que ele se sentasse de frente para os outros dois.
— Então, eu disse, não disse? — Se referiu a casa.
Winter deu de ombros.
— Nós três poderíamos ter ido para qualquer outra.
“Nós três... a mesma coisa que o chapéu havia dito a segundos atrás” George pensou “Será que ele estava se referindo a garota?”
— George? — Fred cutucou seu braço, te tirando de seus devaneios.
— Oi? Ata. Claro que não — rebateu — Não tinha a mínima chance de irmos para outra casa.
tem razão — Carlinhos interrompeu — O Chapéu Seletor entra tão fundo na mente que encontra características que a própria pessoa desconhece.
— Mas se uma família... — a frase ainda pairava na mente do garoto — Espera... ?
Ele deu de ombros enquanto a menina exibia um sorriso satisfeito.
— É mais curto — ele respondeu.
— Pensei que éramos especiais — Fred choramingou tentando conter o riso — Mas ele que ta te chamando de ?
— Tem pra todo mundo, docinhos — ela gargalhou, sendo acompanhada pelos outros.
Um homem grisalho com uma barba enorme levantou e pediu silêncio e se apresentou como Alvo Dumbledore, o Diretor.
— Sejam bem-vindos, antigos estudantes! E sejam ainda mais bem-vindos, novos alunos. Eu não sei vocês, mas eu estou morrendo de fome, então vou ser breve.... Podem comer! — E bateu palmas duas vezes.

As mesas se encheram magicamente, com todo tipo de comida que você possa imaginar. George se serviu de batatas assadas, costeletas de porco, rosbife, milho e ervilhas. Mas só usou as ervilhas para desenhar no prato antes de começar a comer. se serviu apenas de milho, frango assado e batatas e Fred colocou de tudo um pouco em seu prato. Todas as taças se encheram de suco de abóbora e George ficou conversando com Carlinhos enquanto e Fred conversavam sobre quadribol. A menina era fã das Harpias de Holyhead e já tinha até ido a um dos jogos.
Quando acabaram de comer, os pratos sumiram e pratos limpos surgiram no lugar. As comidas também haviam desaparecido e agora davam lugar a sorvetes, tortas, chocolates recheados, morangos, rosquinhas e vários outros tipos de doces.
— Carlinhos vai fazer o teste para apanhador esse ano — Fred comentou.
Os olhos da garota brilharam.
— Isso é incrível! — o rosto do menino alcançou um tom vermelho vivo — Quando os testes começam?
— Em duas semanas. Você está pensando em fazer no ano que vem?
— Não — ela sorriu — O meu negócio é na torcida mesmo. Eu amo voar, mas só de pensar em treinar todas as tardes por horas na semana dos campeonatos eu já fico cansada.
Ele riu.
— Nesse caso, porque não vem assistir à seleção?
— É uma ótima ideia — ela sorria — Basta me lembrar uns dois dias antes.
— Mas claro — ele corou novamente — Vocês dois, venham também.
— Pensei que não seríamos convidados –— sorrisos idênticos apareceram nos rostos dos gêmeos — Você estava fazendo um convite meio individual.
— Só se não formos atrapalhar, irmão — Fred piscou e os gêmeos gargalharam, enquanto a menina revirava os olhos e Carlinhos corava fortemente, provavelmente imaginando várias maneiras de matar os irmãos.
O resto do jantar seguiu tranquilo, até Dumbledore se levantar novamente.
— Bom, eu gostaria de falar mais algumas coisas agora: Primeiramente aviso aos alunos do primeiro ano que a floresta negra é completamente proibida para qualquer um, sem exceções. Nosso zelador, Sr Filch pediu para lembrá-los que é proibido praticar magias no corredor, e que o toque de recolher dos alunos mais novos são as sete e meia e dos alunos acima do quinto ano as nove. Os testes e treinos dos times de quadribol começam na segunda semana de aulas, os interessados devem procurar a madame Hooch. E então, antes de nos despedirmos, vamos cantar o hino da escola.
Ele agitou sua varinha e uma fita dourada apareceu, formando as palavras.
— Todos escolham suas músicas favoritas e... Comecem!
Foi uma bagunça total. Os alunos terminaram em tempos diferentes e os professores estavam com uma cara de quem não estava gostando nem um pouco daquele caos. O trio adorou.Todos aplaudiram fortemente com gritos e assovios, e quando as palmas cessaram o diretor tomou a palavra novamente.
— Então é isso, todos podem se dispersar. Alunos do primeiro ano, sigam os monitores de suas casas para o salão comunal.
Todos começaram a se levantar calmamente os alunos da grifinória seguiram Carlinhos. Ele subia as escadas comentando o que ficava nos andares, o que significavam os quadros que preenchiam as paredes e explicando um pouco da escola. Todos conversavam animadamente sobre como seria o próximo dia de aula e com quais turmas teriam aulas juntos.
— Quem é aquele? — apontou para um poltergeist que jogava papel higiênico nos alunos da corvinal — E porque papel higiênico?
— Esse é o Pirraça, nosso poltergeist. Bom, o lance do papel higiênico é porque ele adora incomodar as pessoas — Fred, George e se entreolharam — Então todos tomem cuidado com ele — sorriu como quem dava um conselho — E cuidado com as escadas — o monitor disse quando tiveram que parar e se segurar nos corrimãos porque a escada em que estavam começou a se mexer — Elas adoram confundir os alunos, principalmente os mais desavisados.
Continuaram subindo e virando algumas vezes até chegar em um corredor onde havia um retrato de uma mulher muito gorda com uma cara ansiosa.
— Os alunos do ano passado não eram maiores? — A mulher gorda encarou cada um dos primeiranistas.
— Todos sempre chegam quase do mesmo tamanho — Carlinhos respondeu.
— Mas não é o que parece — ela suspirou impaciente — Alunos novos, gostariam de me ouvir cantar?
— Barrete Vermelho! — Carlinhos interrompeu apressado.
— Mal educado — O retrato se afastou, mostrando uma passagem em meio às pedras.
— Lembrem-se — Carlinhos falou enquanto entrávamos — Nunca deem espaço para ela começar a cantar.
Todos riram enquanto observavam em volta.
O salão comunal ficava em cima de uma torre, então das janelas dava para ver boa parte da escola. Fred olhou em uma janela próxima, mas nem prestou muita atenção no resto do dormitório, só queria chegar em sua cama logo.
— Meninas dormitórios por ali e meninos dormitórios por aqui — ele apontou nas duas direções — As senhas para entrar no salão ficam naquele quadro — ele apontou um quadro de avisos no outro lado do salão — Trocamos de senha toda semana, então não se esqueçam de sempre olhar. Tenham um bom descanso e não se atrasem para o café amanhã.
Assim que Carlinhos indicou a entrada para o dormitório feminino, subiu imediatamente sem se despedir. Não via a hora de mandar uma carta para Aaron contando como tinha sido seu dia. Fred e George, percebendo que a menina já tinha subido, também foram para seus dormitórios, onde adormeceram quase instantaneamente.

Cookie, a coruja de , já a esperava na janela que havia ao lado da cama em que seu malão estava. A garota se sentou, abriu o malão, pegou um pote de petiscos e colocou alguns do lado do pássaro, que ficou bicando-os pacientemente. Winter a observou por alguns segundos se lembrando do dia em que a ganhou.
Estava triste porque seu gatinho tinha morrido a apenas uma semana. Tinha ganhado o felino de seu tio quando tinha seis anos, e não se lembra de quase nada de antes dessa idade, mas se lembra perfeitamente do dia em que Cookie chegou. Nesse dia, tinha ido com Aaron ao parque na tentativa de se distrair, e quando chegaram ela entrou em seu quarto e encontrou uma gaiola vazia em cima da cama. Ela era enorme e a garota não entendia o porquê dela estar ali, então foi procurar seu tio para perguntar, mas só encontrou Nero, o elfo doméstico da família, empurrando uma caixa que chiava. Perguntou o que era e pego de surpresa, ele disse que eram Cookies. Nero nunca foi bom em mentir. Começou a se aproximar e quando chegou perto o suficiente para conseguir olhar dentro da caixa, seu tio a chamou. Se virou de costas e ele estava lá, todo sorridente e com uma bolinha vermelha nas mãos. Ela era linda! Bem pequenina, com a maior parte das penas vermelhas, o peito vermelho e branco e algumas penas mais escuras, pretas e roxas, espalhadas no resto do corpo. Ela não conseguia fazer outra coisa a não ser exibir o maior sorriso que conseguiu em semanas.
— Essa é uma Coruja vermelha de Madagascar! Eu pedi para trazerem para você assim que seu gatinho adoeceu — ele sorria — e ela é mais linda do que eu pensava.
— É um dos melhores presentes que eu já ganhei! — as bochechas da menina começaram a doer mas não se importou, a caixa chiou novamente e se virou para olhá-la — Esse chiado na caixa é de que?
— Ratos, ué — Aaron levantou as sobrancelhas.
Gargalhou olhando para Nero que sorria, sendo pego na mentira.
— Já sabe que nome dar para ela? — Seu tio perguntou assim que conseguiu parar de rir.
— Já sim! — olhou para Nero antes de responder — Cookie.

Balançou a cabeça afastando as lembranças. Cookie estava bem maior agora, não dava tanto trabalho e passava mais tempo em casa do que caçando. Ela também iria sentir muita falta de Aaron, ele sempre passava todo o tempo possível com elas. procurou por papel, pena e tinteiro e começou a escrever:

Querido tio,

Mal sai de casa e já sinto sua falta, embora eu tenha que admitir que a comida daqui é bem melhor! Hahaha, você sabe que eu adoro a comida do Nero ou quando você se aventura na cozinha. Eu subi correndo para o dormitório porque mal conseguia esperar para te contar tudo o que aconteceu hoje, é muito difícil acreditar que tudo não é um sonho e que eu realmente estou aqui, onde papai e mamãe estudaram.
Fiz amigos enquanto estava no trem, aqueles meninos mesmo. Seus nomes são Fred e George Weasley, e como o senhor já deve ter reparado eles são gêmeos. Eles são muito engraçados e eu fiquei feliz de encontrar alguém tão legal assim logo nas primeiras horas. Eu tava com medo de não conseguir fazer amigos e passar dias sozinha. Mas eu também conheci um dos seus irmãos, Carlinhos. Ele é o monitor e agiu um pouco estranho no começo, mas ele é muito legal. Eles têm outro irmão aqui, chamado Percy, mas eu ainda não o conheci. Se ele for tão legal como os outros três eu não vejo a hora de conversar com ele!
Eu sei que está se perguntando se eu comi direito, já que você como o ótimo guardião que é, se esqueceu de me mandar um lanche. Tudo bem, eu perdoo, até porque peguei um pouco mais de dinheiro do que era necessário para o ano letivo da última vez que passamos em Gringotts. E antes que fique bravo comigo eu peço desculpas, mas não quer dizer que eu me arrependa.
Voltando a falar de Hogwarts, o castelo é incrível. Eu nunca vi nada tão bonito na minha vida! É realmente muito melhor do que eu vejo nas fotos do papai, não que as fotos não sejam fantásticas. Posso elogiar a comida de novo? As batatas e a galinha assada são as melhores coisas que eu já provei. Acho que vou pedir para o Nero fazer para mim assim que eu chegar em casa no natal, ele vai adorar.
Eu fiquei conversando com os meninos sobre quadribol durante o jantar. Os testes começam em duas semanas, mas os alunos do primeiro ano não podem participar. Mas o Carlinhos chamou os meninos e eu para assistir o teste porque esse ano ele vai fazer para apanhador. Mal vejo a hora assistir, não jogar. Você sabe.
O chapéu seletor me disse que eu tinha muito potencial para ir para a Corvinal, mas que tinha alguma coisa dentro de mim, no meu sangue que me jogava automaticamente para a Grifinória. Não entendi muito bem o que ele quis dizer com isso, porque já que você e a mamãe eram Sonserina, meu sangue deveria me jogar para lá, não é?
Eu estou com muito sono, então acho que outro dia eu conto mais, já que você pediu para que eu escrevesse ainda hoje. Por favor, não esqueça de me escrever, tio. Reforçando eu sinto muito a sua falta e espero que o natal não demore muito para eu poder te ver de novo. Mas espero que demore porque Hogwarts é tudo o que eu sempre sonhei, literalmente.

Te amo demais.
Muito mesmo.
Com amor, sua melhor – e única – sobrinha.


Dobrou a carta com cuidado e colocou dentro de um dos muitos envelopes que Aaron tinha colocado em sua bagagem. Selou a carta com cera azul claro e apertou seu carimbo por cima, um W escrito na letra de sua mãe, que ganhou quando tinha nove anos. Chamou Cookie e esperou que ela se sentasse em seu braço esquerdo. Prendeu a carta em uma de suas paras e acariciou sua cabeça, lhe dando um petisco em seguida.
— Leve para Aaron — pediu — E tome cuidado.
Depositou um beijo de leve em suas penas e a observou sair pela janela noite adentro.



Capítulo 3

Quatro dias se passaram desde que chegaram em Hogwarts e Aaron ainda não havia respondido a carta. O que fez imaginar que provavelmente o tio deveria ter deixado para responder depois e acabou esquecendo. A grifinória não ficaria surpresa se recebesse uma carta a repreendendo por ainda não ter escrito para casa simplesmente porque ele se esqueceu de ler ou Nero deixou cair em algum lugar.
— O que pretende fazer hoje, Winter? — a voz de um dos ruivos a tirou de seus pensamentos.
Enquanto pensava, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.
— O que acha de dar uma volta?
— Só se for para onde estou pensando — o garoto estreitou os olhos e sorriu maroto.
Olharam rapidamente pelo salão comunal para ver se não tinha realmente ninguém e falaram em uníssono em uma péssima imitação da voz de Dumbledore.
— Primeiramente aviso aos alunos do primeiro ano que a floresta negra é completamente proibida para qualquer um, sem exceções — ressaltaram a última parte.
Com expressões idênticas, gargalharam imaginando a encrenca em que iriam se colocar essa noite.

George caminhava lentamente para a aula de feitiços quando passou correndo e entrou em uma sala vazia. Resolveu seguir a menina e a encontrou sentada no chão, com alguns chocolates em seu colo, decidindo qual comer primeiro. O Weasley riu e sentou ao seu lado.
— Chocolate? — ela ofereceu. O menino pegou o primeiro que viu e começou a mastigar lentamente.
— Não acredito que ainda sobraram chocolates do trem.
— Um pouco — ela deu de ombros — Eu trouxe alguns de casa também, a ideia era meu tio me mandar sempre, mas ele ainda não me respondeu.
— A coruja pode ter se confundido.
— Por enquanto está tudo bem — ela sorriu — mas se esses chocolates acabarem antes dele me mandar mais, eu juro por Dumbledore que eu vou surtar.
— Eu teria medo de te deixar chegar a esse ponto.
— Medo?
— Conhece alguma outra bruxa que quase afogou seu amigo na primeira vez que o viu?
Winter riu lembrando da cena.
— Então já fomos promovidos a amigos, George?
Subitamente o rosto do garoto atingiu o mesmo tom de suas vestes. O ruivo riu sem graça.
— Você entendeu.
Ela gargalhou.
— Sim eu entendi, mas vermelho ressalta os seus olhos.
George levantou reclamando e estendeu a mão para a menina, que aceitou prontamente.
— E além de tudo é um ótimo cavalheiro — exclamou, sentindo segundos depois bater novamente no chão. O gêmeo tinha soltado sua mão e agora dava risada.
— Saudades da água, Weasley?
— Na próxima você se levanta sozinha — piscou e deu as costas se dirigindo para a aula.
A garota gargalhou.
— Saudades senso de humor — murmurou enquanto o seguia.

O trio chegou bem cedo no campo de quadribol aquele dia e resolveu descansar nas arquibancadas enquanto esperavam por sua primeira aula de voo. Estavam ansiosos e o clima estava perfeito para alcançar as nuvens, o que não ajudava com a ansiedade. Fred estava com um sorriso travesso no rosto, enquanto George se incomodava por não saber o que estava acontecendo. O irmão nunca escondia nada dele. se levantou e saiu para dar uma volta no campo, voltando minutos depois com o sorriso idêntico ao gêmeo.
— Ainda estamos sozinhos — ela declarou.
George se pegou imaginando se Winter teria transformado seu irmão em algum tipo de psicopata e se seria seu fim, ou pior, se ela estaria conquistando tanto sua atenção que logo seria esquecido. Odiava ser deixado de lado.
— Ótimo — Fred exclamou pegando a mochila de e tirando dela um caderno de anotações com alguns desenhos de criaturas mágicas.
— Não sabia que desenhava — o outro ruivo olhava admirado a exatidão dos traços.
— Tem muitas coisas sobre mim que você ainda não sabe — ela piscou — Mas no momento não são os desenhos que importam.
— Oi?
Fred tinha parado o bloco no desenho de algum tipo de mapa.
— Hoje, 22h, Salão comunal — ele falou — Vamos dar uma voltinha.
— E posso saber para onde?
Winter deu mais uma olhada em volta antes de falar.
— Para a floresta proibida, é claro.
O ruivo estava impressionado. Sabia que ninguém aguentava mais passar tanto tempo no salão comunal devido ao horário de recolher tão injusto, mas ao mesmo tempo não esperava que resolvesse quebrar duas regras escolares na mesma noite durante a primeira semana de aulas.
— O que eu preciso levar ou fazer? — o sorriso malicioso se formou em seus lábios.
— Só seja silencioso — ela respondeu — Eu não gostaria de ser pega antes de sair do castelo porque um de vocês derrubou alguma coisa enquanto se esgueirava pelos corredores.
— Você está falando com ninjas, querida — Fred piscou — Se mamãe não nos pegou saindo de casa de madrugada, ninguém pega.
Então se deitaram novamente, encarando o céu e pensando em quantas criaturas maravilhosas seriam capazes de encontrar durante a noite.

Depois de mais de uma hora desceram da arquibancada e foram até um gramado plano ao lado oposto à Floresta Proibida, onde seria a aula. Voariam em conjunto com a Sonserina e embora não se conhecessem, vários olhares de superioridade eram lançados pelos alunos de ambas as casas.
— Depois a Sonserina que é mesquinha — a garota comentou, recebendo um olhar atravessado de Fred.
No chão havia duas fileiras de vassouras, todas Shooting Star, uma de frente para outra. Umas aparentavam ser menos usadas e outras não pareciam voar mais do que dez centímetros.
A professora chegou apressada, mandando cada um escolher uma vassoura e ficar ao seu lado. Acabou que organizaram os alunos da Grifinória de um lado e os da Sonserina de outro, se encarando com uma cara de nojo. O pensamento de George voltou para a conversa que tiveram na cabine do trem dias antes, sobre o preconceito e a rivalidade que existiam entre as casas. Então este desviou o olhar da turma e focou em sua vassoura, que tinha uma aparência bem velha, como se fosse se desintegrar no ar a qualquer momento. Suas palhas estavam eriçadas e em ângulos estranhos.
— Estique a mão direita sobre a vassoura — Madame Hooch gritou depois de um tempo — E digam “Em pé!”.
— Em pé! — gritaram.
A vassoura de Fred pulou imediatamente em sua mão. O Weasley olhou em volta para ver a situação da turma, mas a maioria das vassouras nem tinham se mexido. George, e uma garota que eu achavam ser Angelina Johnson estavam com as vassouras em mãos. Alguns alunos da Sonserina conseguiram e olhavam com superioridade para os demais, mesmo os da sua casa.
Continuaram treinando a maneira de chamar a vassoura por mais uns quinze minutos, e Madame Hooch passou ensinando a maneira correta de montar e segurar as vassouras sem escorregar. Quando todos estavam devidamente sentados, ela foi até o centro dos alunos e apitou.
— Quando eu apitar novamente, quero que deem um impulso forte com os pés, mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e voltem a descer curvando o corpo para a frente. Vamos lá! Um… dois…
E quando ela apitou, foram poucos os alunos que ficaram apenas alguns centímetros do chão. A maioria voou por um ou dois metros, tentando se exibir, mantendo a vassoura firme antes de descer.
Quando todos estavam no chão novamente, a expressão da professora apresentava um misto de orgulho por quase todo mundo ter ido muito bem e desgosto por ter sido desobedecida. Antes de falar qualquer coisa, ela olhou no relógio e viu que a aula tinha acabado a cerca de dez minutos,então não tinha como segurar os garotos para a bronca.

Vinte e duas horas em ponto os três se encontraram no salão comunal, que já estava vazio aquele dia. Winter com uma bolsa pequena, Fred e George com nada além de suas varinhas. Olharam no mural para ter certeza de que a senha não tinha mudado e saíram da torre sem iluminação nenhuma com um pé na frente do outro tomando todo o cuidado para não fazer nenhum barulho. Pirraça estava andando pelos corredores encontrando algo para fazer.
— Alunos fora da cama — gritou — Alunos fora da cama!
— Ei Pirraça — sussurrou — Se ajudar a gente, trazemos pra você alguma coisa da floresta proibida, que tal?
O poltergeist considerou a proposta.
— Vão mesmo?
— Tem a nossa palavra — Fred sorriu.
— É bom fazerem mesmo, ou seus próximos anos serão infernais — Pirraça respondeu rancoroso.
— Confia na gente, Pirraça. Juntos seremos um ótimo time.
Saíram do castelo e a lua brilhava iluminando o terreno, assim continuaram andando silenciosamente até a entrada da floresta. A cabana do Hagrid ficava próxima, as luzes estavam acesas e um cheiro delicioso de chá escapava pela janela.
— Eu to ficando com fome — George sussurrou.
— Eu sabia que isso aconteceria — a menina murmurou abrindo a bolsa — Coma em silêncio, ok? — o entregou uma tortinha de abóbora.
— Você faz parte de algum tipo de contrabando de comida? — Fred perguntou realmente interessado.
— Talvez — ela sorriu maliciosa e entrou floresta adentro — Lumos — sussurrou para sua varinha.
Caminharam por entre as árvores por quase uma hora, marcando o caminho e tomando cuidado para não irem muito para o Norte da floresta onde, no mapa, ficavam os centauros. Quando várias tortinhas já tinham sido comidas e suas pernas estavam começando a reclamar, um cavalo prateado apareceu. Tinha aproximadamente o tamanho das crianças e um chifre solitário no meio de sua testa.
— Eu não acredito — George murmurou.
— Ele é maravilhoso — Winter exclamou.
— Ele não deveria ser branco? — Fred perguntou.
— Você não leu o livro do Scamander, não é?
— De quem?
— Newt Scarmander, Animais Fantásticos e onde habitam.
— Ah… é, não li.
— Aaron lia para mim nas noites que eu não conseguia dormir, ele sempre gostou muito de animais.
— E os unicórnios...?
— Bom, os unicórnios nascem dourados e se tornam prateados conforme crescem. Mas branco mesmo só quando adultos. O que me leva a acreditar que ele é um jovenzinho — ela falava enquanto dava um passo à frente.
Quanto mais a garota avançava, mais o unicórnio recuava, e os meninos começaram ficar preocupados em ele atacar se ficasse encurralado.
— Cuidado, — Fred advertiu.
— Eu sei o que estou fazendo — ela murmurou com a voz calma — Aqui pequeno — estendeu uma de suas mãos e ficou aguardando.
O Unicórnio começou a se aproximar lentamente da garota e cheirou sua mão. Então ela sorriu e acariciou sua crina, pegando algum tipo de petisco da sua mochila e dando para ele. George começou a andar na direção dos dois quando a criatura relinchou e ficou sobre duas patas, o fazendo recuar. A garota olhou para trás, rindo um pouco em seguida.
— Aparentemente você também não leu o livro, né? — deu de ombros — Eles gostam mais de meninas. Afinal, quem poderia culpá-los?
Ela acariciou novamente a crina do animal enquanto andava lentamente para trás fazendo com que ele a acompanhasse. Quando chegou ao seu lado, segurou sua mão e a colocou na cabeça do bicho me fazendo acariciá-lo. Lentamente foi soltando sua mão e deixando o garoto acariciar sozinho enquanto ela passava a mão em suas costas. O unicórnio o olhou desconfiado mas aceitou o carinho. Fred também se aproximou e ficou de frente para a menina, quando ela sinalizou que estava tudo bem, ele também começou a brincar com as costas da criatura.
— Acham que o Pirraça vai gostar de um pelo de unicórnio adolescente? — considerou.
— E você acha que o unicórnio vai gostar de ter um pelo arrancado? — Fred riu incrédulo.
— Quem falou em arrancar? — a menina tirou uma tesoura da bolsa.
— Vocês estão malucos — George tirou a mão do unicórnio, como se ele fosse atacá-lo — Vocês tem noção do que o Pirraça pode fazer com meros dois pelos de unicórnio?
— George meu bem, você tem noção do que nós podemos fazer com meros dois pelos de unicórnio? Junto com o extrato de chifre de erupente?
— Manda a ver.
— Ei amiguinho — a grifinória ficou de frente para o Unicórnio, acariciando seu focinho — Você por acaso me deixaria cortar uns pelinhos da sua crina? Só um pouquinho? — a garota mostrou a tesoura.
O unicórnio deu alguns passos para trás, assustando os garotos que estavam segurando-o. Depois lentamente voltou para perto da menina e enfiou a tesoura perto do nariz, como sinal de consentimento. A grifinória então voltou a fazer carinho no filhote, aparando sua crina e guardando os pedaços.
— Vai até crescer melhor, prometo. George, separe uns fios para o Pirraça, não muito. Alguém pode querer saber como ele conseguiu o ingrediente.
E ficaram ali por incontáveis minutos, brincando com o animalzinho, até enfim retornar para o castelo, não querendo deixar a floresta para trás. O poltergeist estava os esperando na porta do salão comunal, ao lado do retrato da mulher gorda.
— Vocês demoraram, o que trouxeram pra mim?
George jogou o frasco com pelos de unicórnio.
— Pera, isso são?
— São.
E então ele sorriu. E foi assustador.
— Eu disse que ele ia gostar — o trio riu baixo enquanto entrava no salão comunal.

Na manhã seguinte, enquanto tomavam café, Cookie chegou com um pacote e uma carta que sabia ser de Aaron. Abriu a carta rapidamente, já que provavelmente o que estava no pacote era seu kit de sobrevivência básico.
Ei pequena, como você está? Provavelmente está se perguntando se eu esqueci de te responder, e a resposta é não. Eu não consegui responder a carta na hora e depois eu acabei perdendo-a no meio dos papéis da minha escrivaninha e não achava de jeito nenhum. Nem o Nero estava conseguindo encontrar, mas já é de imaginar que ele que encontrou, não eu. Então, fico feliz que tenha ocorrido tudo bem durante a viagem e eu realmente sinto muito por ter esquecido de mandar seu lanche, mas se eu não me engano já tinha mandado uma boa quantia de dinheiro, não? Você vai nos falir se continuar nos assaltando desse jeito. Os Weasleys são pessoas incríveis, você não poderia ter encontrado amigos melhores. Posso dizer que eles já te conheceram quando você era mais nova, mas essa é uma história para ser contada pessoalmente, então não perturbe Carlinhos com isso. No envelope, junto com a carta, tem uma foto que eu não te mandaria se você não tivesse me falado sobre os gêmeos, mas acho que vocês vão gostar muito dela. Se continuar falando tão bem da comida de Hogwarts você vai ser obrigada a encontrar uma maneira de me mandar um pouco, ou vai ficar sem o seu suprimento de comidas não saudáveis. Consegue imaginar? Não? Você escolhe. Falando em mandar, nesse pacote devem ter doces para aproximadamente mais um mês, ou duas semanas dependendo do seu nível de amizade com os gêmeos Weasley. Nero insistiu para te mandar mais envelopes, cera e papéis de carta. Eu sei que mandei o suficiente no começo do ano letivo, mas se eu não mandasse ele mesmo mandaria dez vezes mais do que eu mandei e você não encontraria lugar para guardar. Ele está te mandando um grande abraço e disse que as batatas estarão prontas quando você chegar. Acho que ainda estou em tempo de perguntar: tem certeza de que não quer fazer o teste para o time de quadribol da sua casa? Você seria uma ótima artilheira, eu tenho certeza. E se a sua preguiça realmente for te impedir, me diga, como foi a sua primeira aula de voo? Porque eu me lembro bem da minha, e eles não deixam você fazer nada minimamente divertido nas primeiras, sei lá, dez aulas. Eu acredito que o chapéu tenha dito sangue no sentido figurado, você é extremamente corajosa princesa. Precisou ser desde pequena e é uma qualidade que essa casa preza demais. Acredite, o chapéu sempre faz a coisa certa. Se ele disse que você pertence a Grifinória, então esse é o seu lugar. Falando nisso, parabéns. Quando você chegar podemos ir ao beco diagonal procurar alguma coisa relacionada para enfeitar seu quarto. Até mesmo um globo de neve igual ao meu que eu sei que você adora. Mas não, nós não podemos adotar um leão só porque ele é o animal da sua casa. Nós já conversamos sobre uma cobra ser muito mais fácil de cuidar. E também não, nós não podemos dar seus “inimigos” para ele comer. Uma palavra pra você princesa: bipolaridade. Espero que demore para o feriado chegar, você só serve para bagunçar com a casa e acabar com toda a comida daqui. Brincadeira, sinto sua falta. Bom, agora a novidade. Lembra que eu disse que minha escrivaninha estava cheia de papéis? Então, eu comecei a me sentir meio solitário sem você aqui e resolvi procurar um emprego. E como eu sempre te disse, referências são tudo. Não sei se foi o peso do nome da família, o fato do ministro ser o maior puxa saco possível de qualquer um que tenha uma certa quantia em Gringotts ou talvez tenham sido as minhas notas espetaculares em Trato das criaturas mágicas. O fato é que consegui um emprego como chefe, sim chefe, já pode ficar boquiaberta, do departamento de pesquisa e limitação de dragões. Sim, isso mesmo. E como chefe eu tenho todos aqueles privilégios em que eu poderei passar o máximo de tempo possível com você, docinho. Ah, mostre essa parte da carta para o Carlinhos. Se eu não me engano, desde pequeno ele sempre foi fascinado por dragões. Se eu esqueci de mandar alguma coisa me avisa que eu te mando o mais rápido possível, prometo não perder a carta dessa vez. E fique sabendo que a minha comida é ótima e que ela não sentiu nem um pouquinho de ciúmes dos seus elogios para Hogwarts. Te amo pequena. Não demora muito para me escrever. Aaron. A caligrafia de seu tio a deixou com saudades de casa. Virou o envelope de cabeça para baixo e a foto caiu. Por um segundo ficou sem reação, demorando para conseguir pegá-la em suas mãos.

Com aproximadamente três anos, estavam Fred, George e correndo uns atrás dos outros, mais caindo do que correndo. Ao fundo, Carlinhos e outros dois garotos, que imaginou ser Gui e Percy, quase choravam de tanto rir. Encarou a foto por mais alguns minutos antes de passar para os gêmeos, que esboçaram a mesma reação de surpresa.
— O que isso quer dizer? — Fred foi o primeiro a falar.
— Eu não sei exatamente. Meu tio disse que já nos conhecíamos, mas que essa história deveria ser contada pessoalmente. E o Carlinhos agiu como se já me conhecesse no primeiro dia.
— E você só nos conta isso agora? — George encarava a foto enquanto falava.
— Desculpa se não achei relevante.
— Bom dia! — Carlinhos chegou e se sentou do seu lado, pegando uma torrada.
— Bom dia! — responderam juntos.
— Carlinhos — Winter pegou a foto da mão do George entregando para ele — Explica pra gente o que é isso?
— Eu me lembro desse dia — ele abriu um sorriso de orelha a orelha — Você e o Fred estavam tentando bater no George porque mamãe deu um chocolate para vocês dividirem e ele comeu inteiro.
e Fred gargalharam, se olhando com cumplicidade. George suspirou satisfeito.
— Faz todo o sentido — ela respondeu ainda rindo — Mas, porque eu já conheço vocês?
— Essa é uma conversa que você precisa ter com o Aaron, .
— Ele disse que ele deveria me contar isso pessoalmente — bufou irritada — E falando em contar, ele me pediu para te mostrar isso — entregou a carta e apontou para o parágrafo do emprego.
Carlinhos leu concentrado abrindo um sorriso enorme no final.
— Chefe do departamento de pesquisa e limitação de dragões? Esse é o meu emprego dos sonhos.
— Tenho certeza que eu posso pedir pra ele te levar pra conhecer um dia desses — sorriu.
— Mesmo? — o sorriso do ruivo se alargou ainda mais — Nem sei como agradecer — ele devolveu a carta e a garota colocou de volta no envelope, junto com a foto.
— Aposto que vou encontrar um jeito — a menina sorriu de lado — Bom, eu vou subir pra guardar isso aqui — apontou o pacote — Encontro vocês dois na aula e te vejo mais tarde, Carlinhos.
— Não esqueça, — ele chamou sua atenção — A seleção do quadribol é em três dias.
— Não vou esquecer — piscou para ele e se virou saindo do salão.
Carlinhos sorriu, pensando que com certeza ela esqueceria.



Capítulo 4

acordou com um piado agudo em seus ouvidos. Cookie estava sobre sua escrivaninha, a encarando atentamente enquanto sacudia suas asas.
— Oi pequena — a garota estendeu o braço para a coruja, que rapidamente voou para ele. Olhou para fora e o sol já estava na metade do céu, o que a fez constatar que provavelmente já teria perdido o café da manhã, se não o almoço — Posso saber o que te fez me acordar de madrugada em um sábado?
Cookie piou em indignação ao ouvir o termo madrugada e estendeu a pata para mostrar para a garota um pequeno bilhete que tinham amarrado perto de seus pés enquanto a coruja ainda dormia no corujal. franziu as sobrancelhas, desenrolando rapidamente o papel que dizia com uma caligrafia cuidadosamente desenhada: “Quadribol, 13h”.
— Por Merlin! — gritou tão alto que a coruja voou para o parapeito da janela — Me esqueci completamente de que era hoje.
Trocou de roupa o mais rápido que conseguiu e saiu cambaleando tentando descer as escadas e colocar o tênis ao mesmo tempo. O relógio no salão comunal marcava 12h40, e já sabendo que não teria tempo para almoçar, foi diretamente para a cozinha, na tentativa de roubar alguma coisa.
Abriu a porta silenciosamente e xingou ao ver professor Snape lá dentro. O que faria o homem, que tem fama de tirar pontos da Grifinória sem motivo algum, se visse um desses alunos assaltando a cozinha? precisaria passar despercebida.
Agradeceu mentalmente por tudo o que aprendeu com Aaron enquanto o tio estava em férias de Hogwarts, que eram os poucos momentos que passavam juntos antes dele se formar, e agradeceu mais ainda a bandeja de bolinhos que estava perto da porta, fora da visão do professor.
— Accio! — a garota sussurrou seis, sete vezes, guardando na capa os bolinhos, que um a um voavam em sua direção.
Chegou no campo a tempo de desejar boa sorte a Carlinhos, entregando junto um dos bolinhos que supostamente lhe daria essa sorte, não que ela achasse que ele precisava. Sabia reconhecer talento e era só o que ela via quando observava o garoto voar. Olhou para fora do campo e viu duas cabeças ruivas discutindo nas arquibancadas. Não demorou para correr até eles.
— O que aconteceu? — a garota perguntou assim que soube que seria ouvida.
— Combinamos que Fred ia nos acordar hoje, ele esqueceu e perdemos o almoço — o outro ruivo falou emburrado.
Winter gargalhou.
— O que seria de vocês sem mim? – riu novamente, colocando as mãos nos bolsos e tirando os seis bolinhos que faltavam — Eu peguei para todo mundo.
Fred se jogou em cima da garota, a envolvendo em um abraço.
— Menina, você é brilhante!
— Eu sei, eu sei. Agora, dois pra cada um e silêncio que a seleção vai começar.
Ela estava certa, todos estavam posicionados. Carlinhos estava no meio do campo e não demorou muito para o apito soar e a goles ser lançada.
Quase meia hora depois e uma oportunidade perdida por causa do outro apanhador que quase o jogou no chão, o ruivo estava a centímetros do pomo, finalmente conseguindo agarrá-lo. O trio gritava a plenos pulmões por ele, que sorria cada vez que ouvia seu nome, ficando ainda mais empolgado.
Quando o apito final tocou, mesmo antes de descer da vassoura, Carlinhos já sabia que tinha ganhado a vaga. Foi recebido com uma salva de palmas, seu olhar correndo para as arquibancadas atrás de seus irmãos. Três pares de braços envolveram sua cintura falando desenfreadamente sobre sua performance.
foi a primeira a soltá-lo.
— Você foi incrível — a garota sorria largamente — Nada nem sequer relou em você, além daquele outro apanhador idiota.
O garoto riu do jeito da menina.
— Nosso irmão é brilhante — George disse.
— Um gênio — Fred completou.
— O melhor de todos — a grifinória sorriu.
— Vocês são os melhores, nem sei o que falar — o garoto corou levemente.
— Que tal falar “vamos comer doces pra comemorar”? — pulou — É por minha conta.
Os garotos seguiram para o salão comunal da Grifinória e comeram todos os doces que Aaron tinha mandado no dia anterior. Carlinhos nem se importou em comemorar com o resto do time, estava feliz que seus irmãos estavam em Hogwarts e em ótima companhia. Passou as férias anteriores preocupado dos gêmeos fazerem outros amigos e manterem distância do irmão mais velho. Imagina se o Percy fosse o único Weasley que falasse com ele na escola? Não, Carlinhos não aguentaria. Mas sempre tinha sido uma boa garota e o ruivo desejava estar por perto quando ela se lembrasse de seu histórico com a família Weasley.

Alguns meses se passaram até o primeiro jogo de quadribol do Carlinhos. Depois de muitas aulas maçantes de história da magia com um professor que por algum motivo estava morto, poções bem esquisitas e muitas escapadas noturnas a floresta proibida, o trio finalmente foi assistir ao primeiro jogo do outro Weasley.
Estavam tão ansiosos para o jogo começar que mal tomaram café e já foram direto para as arquibancadas. A única pessoa além deles que já tinha chegado era Olivio Wood, dois anos mais velho, que aparentemente era completamente obcecado por quadribol. Talvez tenham tirado essa conclusão por ser o único grifinório presente ou talvez pela quantidade de bandeiras de sua casa que o cercava, ou talvez ainda uma junção das duas coisas. Por algum motivo, tinha ficado completamente encantada com o garoto, demorando para perceber que os gêmeos estavam falando com ela. Quando saiu de seus devaneios, resolveu falar de uma coisa que rondava sua cabeça a certo tempo.
— Vocês deveriam entrar para o time no ano que vem — comentou — Gostam tanto do esporte, voam super bem e tem uma força enorme para quem tem onze anos — se referiu a umas noites atrás quando precisaram mover uma rocha enorme no meio da floresta e os gêmeos quase não tiveram dificuldade para tirá-la do lugar.
— Andamos pensando nisso. Esses dias estávamos comentando sobre a possibilidade de fazer testes para batedores no ano que vem — Fred coçou a nuca, pensando na conversa que teve com George na noite anterior.
— Com certeza, os batedores que estavam na seleção não chegam nem aos pés de vocês dois.
— Sabemos disso — Fred riu — E realmente não é uma má ideia tentar no ano que vem.
— Olha isso — apontou os batedores que acabaram de tomar suas posições — Eles não tem postura, não tem graça, e nem são gêmeos!
No fundo ela não sabia se estava tentando incentivar os meninos ou só estava de implicância mesmo. Os batedores eram bons, mas na noite anterior ela sem querer ouviu os gêmeos conversando no salão comunal sobre quererem entrar na posição mas não terem certeza se eram bons o suficiente. O que realmente chocou a garota, pois nunca tinha sequer imaginado que aqueles garotos teriam alguma insegurança. Ficou tão pensativa que até desistiu de dar sua escapada para a cozinha, voltou para o quarto e foi dormir pensando em como abordaria o assunto com eles no dia seguinte.
O jogo finalmente começou. Grifinória e Lufa Lufa entraram em campo, os dois times parecendo bem ansiosos. Se cumprimentaram brevemente e subiram em suas vassouras, levitando levemente. O goleiro tinha se dirigido para o seu posto, mas parecia cansado antes mesmo do jogo começar. O resto do time parecia mais animado. Carlinhos também tinha começado a voar e parecia estar tentando se concentrar na partida, apesar da luz do sol tentar ofusca-lo.
A madame Hooch soou o apito e o jogo começou. Carlinhos voava ao redor do campo tentando identificar o pomo de ouro, enquanto o apanhador da Lufa Lufa mantinha seus olhos no rival. Uma goles veio a toda velocidade na direção do goleiro, que em um só lance a jogou o mais longe que pode com a cauda da vassoura.
— Boa! — a garota gritou, se levantando para aplaudir.
— Ele pode não parecer a pessoa mais simpática do mundo, mas não é um goleiro ruim — Fred concordou, olhando novamente para o campo onde o goleiro mantinha seus olhos em um dos artilheiros dos texugos.
Pouco depois Carlinhos saiu de vista, provavelmente tendo visto o pomo ou só tentando despistar o apanhador da Lufa Lufa. De qualquer jeito o apanhador foi atrás dele e os dois saíram sem nada em mãos.
— Carlinhos parece que viu o pomo — dizia o narrador do jogo.
— Brilhante conclusão, narrador — o menino que foi no barco junto com o trio revirou os olhos — O Carlinhos claramente aproveitou a distração do apanhador do outro time para fingir que tinha visto o pomo e testar o quão rápido o outro apanhador consegue segui-lo. Foi genial.
Olharam impressionados para o menino, que sorria satisfeito com a atenção.
— Lino Jordan, não? — a grifinória lembrava de vê-lo em algumas aulas, sempre falando para quem quisesse ouvir.
— Isso mesmo! E vocês são Fred, George e ?
— É o que dizem. Porque você não narra o jogo aqui pra gente, Lino? — Fred sorriu amigavelmente enquanto os outros dois concordavam.
— Sério? Isso seria ótimo.
Nesse momento um artilheiro da Lufa Lufa tinha jogado a goles bem no meio da barriga do Wood, que se contorcia em cima da vassoura. Todo o time da Grifinória ficou mais agitado.
— EEEEEE JOHNNY REYNALDS DA LUFA LUFA ACABA DE ACERTAR O ARO ERRADO PROVAVELMENTE DANDO MOTIVO PARA UMA BELA DOR DE ESTÔMAGO MAIS TARDE — Lino gritava empolgado que alguém quisesse te ouvir — O TIME VAI A LOUCURA QUERENDO CADA VEZ MAIS FAZER SANDUÍCHE DE TEXUGO.
— Você sabe o nome de todo mundo? — falou rindo, jamais imaginaria o nome completo dos jogadores do outro time. E jamais saberia o sobrenome se não tivesse escrito na camisa.
— Na verdade não — Lino sussurrou — Eu inventei o “Johnny”. Achei que ia dar mais ênfase a bolada no estômago ali.
O jogo seguiu sem demais complicações, com comentários aqui e ali sobre a performance do time e falas cheias de emoção vindas de Jordan que realmente se empolgava com o quadribol.
— O QUE É ISSO? - Lino apontava para o outro lado do campo, onde Carlinhos voava a toda velocidade — O WEASLEY DEFINITIVAMENTE VIU O POMO DESSA VEZ E CORRE A TODO VAPOR ATRÁS DA VITÓRIA. PARECE QUE VOCÊ NÃO FOI RÁPIDO O SUFICIENTE, HEIN LUFANO? NÃO VAI ALCANÇAR O CARLINHOS, NÃO VAI ALCANÇAR O CARLINHOS.
Um coro havia se formado na arquibancada da Grifinória. Todos os alunos entoaram “Não vai alcançar o Carlinhos” enquanto os Lufanos se desesperavam no outro lado. Todos os outros jogadores pararam para olhar a captura ao pomo.
— NÃO VAI ALCANÇAR O CARLINHOS, NÃO VAI… O QUE É AQUILO NA MÃO DELE? ELE CONSEGUIU!!!!!!! ELE CONSEGUIU!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E A VITÓRIA É DA GRIFINÓRIAAAA!
As arquibancadas explodiram em coros de vitória. O jogo tinha sido completamente incrível.
— Foi definitivamente a melhor narração que eu já ouvi, obrigada Lino — agradeceu enquanto se dirigia ao meio do campo com os gêmeos. Abraçaram o apanhador, elogiaram até ele ficar vermelho e combinaram de fazer alguma coisa mais tarde, depois das celebrações com o time. Ele merecia comemorar a vitória quantas vezes fosse possível.

— WEASLEYS — o professor Snape gritava a plenos pulmões — Eu posso saber porque os seus deveres e os da Winter estão iguais mais uma vez?
— Simples, professor — George tentou fazer a voz mais doce possível — Porque mais uma vez a tarefa era a mesma para nós três.
— Eu não aguento mais essas gracinhas — ele berrava — Menos dez pontos para a Grifinória! Não, menos vinte pontos para a Grifinória! Vinte para cada um de vocês.
O trio evitava se olhar pois não queriam explodir em gargalhadas e piorar a situação para suas casas. Embora soubessem que eram os que mais perdiam pontos. Parecia quase pessoal.
Os meninos assentiram e voltaram a se concentrar na poção, que tinha atingido uma cor verde amarelada.
— Alguém sabe me dizer porque o Snape surtou dessa vez? — sussurrou — Não fizemos nada de errado.
— O problema tá justamente aí — George sussurrou de volta — Ele deve ter surtado porque "mais uma vez" ta tudo certo. Vocês sabem que ele inventa de onde tirar pontos.
— Então porque não damos um motivo? — Fred sorriu, analisando a receita em sua frente — Dos ingredientes que estão no caldeirão, nós estamos na metade de uma poção explosiva.
— O que é bem diferente de uma poção do sono — também sorriu.
— E a gente ainda pode guardar um pouquinho pra usar depois — George piscou — Vai Fred, pega um pouco de chifre de erumpente sem o Snape perceber. E mais um pouquinho pra gente guardar.
Fred voltou depois de alguns minutos dois frascos de um pó verde.
— Dois frascos? Tá querendo explodir Hogwarts inteiro?
— Isso dá pra usar por uns meses, não tá ótimo?
— Ta perfeito, me dá ai — George colocou cinco gotas dentro da poção, mexendo três vezes para o sentido horário e cinco para o sentido anti horário. A poção rapidamente começou a ficar avermelhada.
— Protejam os rostos — sussurrou — Em três, dois…
Um cheiro azedo subiu no ar, junto com muita fumaça e uma gosma vermelho brilhante. Ninguém conseguia ouvir nada devido ao estouro, exceto o trio que estava preparado.
— DETENÇÃO — ouviram Snape gritar — ESSA FOI A GOTA D'ÁGUA! DETENÇÃO! EU NÃO AGUENTO MAIS VOCÊS TRÊS!
— E nem chegaram as férias de natal ainda — riu.
— O FILCH VAI ADORAR CASTIGAR VOCÊS TRÊS. PARA FORA DA MINHA SALA! AGORA!!!!!
Os bruxos saíram rindo, como era a última aula do dia, teriam que ir direto para a detenção.
— Já tava mesmo na hora de darmos um pulo na sala do Filch ne? — George comentou.
— Realmente, George — Fred sorriu — Vamos ver o que a gente encontra por lá.



Capítulo 5

— Uma pena que não podemos mais pendurar os alunos em correntes pelos pés — o discurso de Filch já durava uma hora, era mais torturante do que a provável detenção — Os gritos… ainda posso ouvir os gritos…
— Senhor Filch — falou doce — Eu vejo tanto serviço a ser feito por aqui que você poderia designar as nossas tarefas né?
O zelador reclamou e a contragosto os mandou polir os troféus. Teria continuado a reclamar se não tivesse gostado de ser chamado de senhor.
— Vocês repararam que só em uma gaveta que não tá aberta? — sussurrou — E ainda tem uma fechadura.
— Mas onde tá a chave? — Fred analisou a sala em busca de qualquer coisa que se parecesse minimamente com uma chave — Só se roubarmos nossas varinhas de volta.
— Mas nossas varinhas devem estar na gaveta — a menina cutucou o Weasley que não tinha pensado nisso.
— Nem uma coisa nem outra — George riu — Vocês são péssimos. , tem um grampo? — a menina retirou um dos grampos do cabelo e entregou para ele — Agora só precisamos tirar o Filch daqui.
— Pra isso eu tenho uma ideia — Fred sorriu.
— Vocês estão conversando demais e polindo de menos, o que estão tramando? — Filch esbravejou.
— Nada, senhor — Fred precisava falar com convicção para funcionar — Estávamos comentando que ouvimos um miado.
— Um miado?
— Sim senhor — continuou — Um miado agudo, como se o gato estivesse sentindo dor.
— Quase como se tivesse pedindo ajuda — George comentou com genuína preocupação.
— Madame Nora! — Argus gritou saindo correndo da sala.
— Isso foi bem maligno — a garota gargalhou — Parabéns, ruivo.
— A genialidade é de família — o outro gêmeo riu
— É o que parece! Podem começar que eu já volto.— saiu da sala, correndo para o lado oposto ao que Filch tinha ido. Ouviram uma risada sombria e Pirraça passou correndo pelo corredor, enquanto voltava pra sala — Filch vai ficar ocupado por uns bons minutos. Vamos logo com isso.
George se abaixou, colocou o grampo na fechadura e começou a tentar abri-la. Sentiu um, dois, três, quatro e cinco cliques e então girou. A gaveta se abriu em um estalo.
— Nossas varinhas não estão aqui — a morena observou — Mas olha quantas coisas legais.
Na gaveta haviam bombas de bosta, Snap explosivos, pacotes e mais pacotes de pós de arrotos e outros artigos da Zonko’s. Os garotos encheram os bolsos com um pouco de cada. Já estavam quase fechando a gaveta novamente, quando viram um pergaminho velho ao fundo.
— O que é aquilo? — George perguntou.
— Um pergaminho.
— Para estar nessa gaveta tem que ser bem mais do que um pergaminho.
— Também acho, vamos levar e depois a gente vê o que se trata.
Fecharam a gaveta e voltaram a polir os troféus. Quase uma hora depois Filch volta cheio de escovas e esfregões, xingando que Pirraça tinha enchido sei lá o que de tinta e ele teve que limpar tudo. Devolveu as varinhas, liberou os meninos para o jantar e se trancou dentro da sala.
— Não podemos esquecer de procurar o Pirraça depois do jantar e dar para ele umas bombas de bosta — Fred riu.
— Concordo — George contava quantos itens tinha conseguido colocar nos bolsos — Mas não pense que ele não teria feito isso mesmo sem pedirmos.
Quando chegaram na sala comunal, se ocuparam em tentar descobrir o que aquele pergaminho, que aparentemente não tinha nada demais, fazia. Tentaram todos os feitiços reveladores que conheciam, não eram muitos, mas não obtiveram sucesso algum. Três dias depois ainda não tinham feito nenhum progresso. Trabalhavam nele todas as noites mas ainda parecia apenas um pedaço de papel.
— E se a gente tentasse falar com esse pergaminho? — Fred chacoalhava o papel como se ele apenas não quisesse responder.
— Essa é realmente uma medida desesperada — riu — Pergaminhos não falam, mesmo pergaminhos mágicos. E nós nem sabemos se ele realmente é mágico.
— Vamos pergaminho idiota — George apontou a varinha — Responde.
Palavras surgiram em meio ao papel amarelado.
“Idiota é você”.
Fred gargalhou.
— Bom, isso parece um progresso.
Dessa vez, quem apontou a varinha foi .
— O que é você?
“Os Senhores Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas”.
-— Não é uma pessoa — os olhos dos meninos brilhavam — São quatro.
— E são nomes bem estranhos.
— Como que nós conseguimos ver o que tem dentro? — Fred deu duas batidinhas no papel.
“Jurem”
— Eu juro — disse.
“Jura o que?”
— Como assim jura o que?
“O que vocês vão fazer com o pergaminho?”
— Usar.
“Então boa sorte nisso”
— Esses caras só podem estar brincando com a gente.
Continuaram por mais algumas horas, até começar a cochilar em uma das poltronas. A mensagem “O que vocês vão fazer com o pergaminho” continuou estampada durante o tempo todo. Mas como eles poderiam saber o que vão fazer com o pergaminho se não sabiam o que ele era?
, acorda — George balançou gentilmente o braço da menina — São três horas da manhã, vamos dormir.
— Nem percebi que estava com tanto sono — ela riu — Conseguiram mais alguma coisa?
— Continua nesse “O que vocês vão fazer” idiota desde aquela hora.
— O que nós vamos fazer... Oras, como assim o que vamos fazer. Provavelmente nenhuma coisa boa.
O pergaminho brilhou levemente, revelando mais uma mensagem.
“Agora vocês só precisam ser mais cerimoniosos”
— Como assim mais cerimoniosos?
— Ai, vamos dormir e amanhã a gente vê isso?
— Tem razão — Fred colocou o pergaminho em sua capa e seguiu para o dormitório.

— O torneio tribruxo foi encerrado depois de muitas mortes… — O professor Bins falava enquanto desenhava qualquer coisa. Fred estava dormindo na carteira ao lado e George conversava com Lino Jordan.
— Eu provavelmente vou morrer se essa aula durar mais cinco minutos — pensou cansada, cada aula do professor Bins era uma tortura sem precedentes. Ela envelhecia uns cinco anos por hora.
— A cerimônia começava com um canto solene, onde os selecionados…
-— Solene — gritou. O professor Bins pareceu não perceber, mas Fred e George entenderam na hora e se agruparam.
— Você acha que é solene?
— Bom, eles disseram mais cerimoniosos, certo? E o professor acabou de falar que a cerimônia de sei lá o que começava com um canto solene.
— Ele disse?
— Ouvi por acaso. Enfim, só pode ser.
— Então eu juro ser solene e não fazer nada de bom?
— Ou eu juro solenemente não fazer nada de bom.
— Vamos tentar as duas então — Fred encerrou a discussão — Assim que essa aula acabar.
Graças a ansiedade do trio a aula demorou ainda mais pra passar. Pensaram em sair mais cedo, o professor certamente não perceberia, mas perderiam muito mais tempo se esbarrassem com o Filch ou o Snape e acabassem na detenção.

Chegaram correndo e se isolaram em um canto no salão comunal. Arquearam uns sobre os outros de um jeito que tinham certeza que ninguém conseguiria ver o que estavam fazendo e sussurraram novamente as frases.
— Ok, quem faz as honras? — perguntou.
— Pode ir — os Weasleys falaram juntos.
— Senhores — deu uma batidinha com a varinha — Eu juro ser solene e não fazer nada de bom!
“Essa passou perto. Tente novamente”
Bufaram. bateu novamente com a varinha.
— Senhores, eu juro solenemente não fazer nada de bom!
O pergaminho se iluminou novamente.
“Dica: Após terminar dê um tapinha e diga: Mal feito, feito! Se não qualquer um pode ler”.
“Os senhores Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas apresentam o Mapa do Maroto”.
— Ai meu Merlim! — gritou — É um mapa.
— Fala baixo — Fred riu — Pelas calças de Merlim — o garoto gritou em seguida — É um mapa de Hogwarts.
— Vocês não tomam jeito… Isso é uma passagem secreta? — George apontou para um ponto no mapa.
— Não só uma passagem, gêmeo. É para onde vamos hoje a noite.

Jantaram, foram para a cama e esperaram até todos estarem dormindo. Carlinhos estava preocupado com a amiga e os irmãos. Estavam calados, pareciam estar tramando alguma coisa e ao invés de reclamarem do toque de recolher simplesmente foram dormir. Decidiu que no dia seguinte iria descobrir o que estava acontecendo.
Quando o trio desceu novamente, o salão comunal estava vazio. Pegaram o mapa, disseram eu juro solenemente não fazer nada de bom e seguiram até onde estava a passagem. Perceberam que o mapa mostrava cada pessoa em Hogwarts, então assim eles conseguiam evitar qualquer contratempo, inclusive Pirraça e a Madame Nora. Se depararam então com uma estátua de uma bruxa de um olho só.
— E agora? — Fred perguntou.
Acima de uma das pegadas do mapa, apareceu um balãozinho escrito “dissendium”.
— É aquela história, né — riu — Não custa tentar.
A menina bateu na estátua e pronunciou o que o mapa falava, revelando uma passagem.

Andaram pelo o que pareceram horas. O túnel era pequeno, estava quente e o trio suava. As varinhas em punho não eram o suficiente para iluminar tudo a sua volta, então no máximo enxergavam o suficiente para não escorregar e abaixar mais quando fosse necessário. Quando o túnel acabou, se depararam com um alçapão.
-— Todos prontos? — Fred perguntou.
— Do jeito que andamos, parece que voltamos pra Londres — a garota riu.
— Vamos ver onde chegamos então -— George abriu o alçapão e subiu, ajudando os outros dois a subirem depois.
Olharam para os lados. Caixas e mais caixas empilhadas em um cômodo bem grande. Aproximaram as varinhas para conseguir ler. Bolos de caldeirão, feijõezinhos de todos os sabores, fio dental de menta, varinhas de alcaçuz.
— Pessoal — George sussurrou — Acho que invadimos o porão da dedos de mel.
— Sabe que eu cheguei na mesma conclusão? — Fred riu — Vamos fazer assim, a gente vai embora, dá uma passada na floresta proibida nos próximos dias e no fim de semana a gente volta e compra alguma coisa.
Todos assentiram e voltaram para o salão comunal maravilhados com a nova descoberta. Hogwarts nunca mais seria a mesma.

Depois de semanas indo escondidos a Hogsmeade, os garotos começaram a pensar em revender os produtos comprados. Passavam a semana aceitando encomendas para no fim de semana trazer todos os itens com um preço levemente maior.
— Eu nem acredito — a garota deu um gritinho — Estamos vendendo horrores.
— E com esse lucro podemos comprar o que quisermos — George contava os nuques, guardando-os em uma bolsinha — Doces, logros…
— Logros — a menina frisou — Vocês falam como se Aaron não mandasse dezenas de doces todos os meses.
— Ou podemos guardar para pegadinhas melhores — Fred considerou — Para que gastar nuques se podemos juntar até se tornarem galeões? Qualidade é melhor que quantidade.
— De acordo — os outros dois falaram juntos — Por enquanto o dinheiro vai ser só para pegadinhas essenciais.
— E não é como se Filch não nos fornecesse um estoque, não é?



Capítulo 6 - Natal

O Natal chegou antes do que pensavam. Em um momento estavam tomando café no grande salão e no momento seguinte grandes pinheiros, velas, sinos e enfeites dourados estavam em todos os lugares. Se fosse possível, Hogwarts tinha acabado de se tornar ainda mais acolhedora.
Os meninos estavam tomando café antes de partirem para o expresso quando Errow, sua coruja, chegou derrubando todas as taças da mesa.
— Não sabia que tinha correio hoje — George falou, colocando uma tortinha de abóbora na boca — Estamos quase partindo.
— É estranho mesmo, mas a mamãe deve ter mandado uns dias antes e o Errow que demorou para chegar — Fred riu — Ele anda tendo problema de viajar longas distâncias.
— Vem Errow— pegou a coruja e a colocou em pé, servindo pequenos pedaços de torta — Foi uma longa viagem, come um pouquinho e volta com a gente no expresso.
A coruja piou em agradecimento, dando leves bicadas na mão da menina.

“Queridos filhos” — George começou a ler — “Espero que essa carta não chegue muito tarde, mas de qualquer maneira já mandei outra comunicando Aaron de minha decisão. Gostaria de convidar sua amiga para passar o Natal conosco, seria um prazer ter a companhia dela e de seu tio. Como já mencionado já enviei uma carta para Aaron que já aceitou, mas achei que vocês também gostariam de saber com antecedência. Com amor, Molly”

— Eu não acredito — Fred berrou, chamando a atenção de Carlinhos que passava distraidamente pelas mesas — Mamãe chamou para passar o natal com a gente!
Os quatro garotos estavam radiantes. Carlinhos sorria ao pensar que seria exatamente como antes, mas resolveu guardar essa informação para si mesmo.
— Vai ser ótimo — o ruivo mais velho comentou — Você vai adorar explodir o quintal com Fred e George.
— E vamos ficar acordados a noite toda — George sorriu — Podemos jogar snap explosivo!
— E arrumar os fogos! — Fred pulava de animação.
— Eu mal posso esperar! — a garota pulou junto pensando que seria o melhor Natal de todos.

Quando o trem parou na estação de King Cross, deu um abraço rápido nos gêmeos e foi correndo até Aaron. Estava morrendo de saudades do tio, mas acima de tudo queria chegar logo em casa para ir o mais rápido possível para a casa dos Weasleys.
— Oi minha pequena, quanta saudade — Aaron a abraçou apertado — Como foram as coisas em Hogwarts?
— Incríveis — ela gritou, abaixando a voz ao perceber — É o melhor lugar de todo o mundo!
Aaron gargalhou.
— Acho que vai mudar de ideia ao conhecer a Toca.
— O que é a Toca? — questionou, tentando buscar na memória o porquê daquele nome não ser estranho.
— O melhor lugar do mundo — o homem sorriu gentilmente, colocando a mão em suas costas e a guiando em direção a saída da plataforma.

Horas mais tarde ouviu a gargalhada de Aaron às suas costas e gargalhou junto. A cozinha estava destruída! Farinha por todos os lados, cascas de ovos, várias vasilhas sujas de massa. Ela mesma estava com chocolate dos pés a cabeça. Tinha certeza que não tinha usado nem metade daquilo e que a sujeira tinha aparatado para o ambiente..
— a barriga de Aaron doía — É véspera de Natal e vamos sair daqui a pouco. Deveria estar se arrumando.
— Eu sei tio — a garota deu de ombros — Aliás essa bagunça toda nem deve ser minha.
— É, claro que não — o homem revirou os olhos — O que você tava tentando fazer?
— Um bolo — abaixou a cabeça — É que é Natal e a senhora Weasley nos convidou e isso é muito legal porque o Fred e o George estão lá e eu já tô com saudade e a gente sempre passou o Natal só nós três e agora não ia mais ser tão sozinho não que com você e o Nero não seja ótimo mas agora eu vou poder brincar o dia inteiro e depois abrir os presentes e vai ser tão divertido que...
— Respira — Aaron riu — E aí você achou que era legal levar um bolo pra dividir com o pessoal?
— É — deu de ombros — Acabei de colocar no forno mas provavelmente vai ficar um desastre.
— Mas querida, se você queria levar um bolo, porque não pediu pro Nero fazer?
— Porque eu queria que fosse uma coisa minha, oras.
Aaron abaixou a abraçou a garota.
— Olha pequena, tenho certeza que fez o seu melhor e que isso vai ser o suficiente para um bolo incrível. O que eu sempre te digo?
— Que se você dá o seu melhor, coisas boas acontecem.
— Exatamente — sorriu carinhosamente — Agora vai tomar banho e colocar uma roupa bem bonita que eu tomo conta do bolo e tiro pra você. Já arrumou uma mala com suas coisas?
— Já sim, vou tomar um banho bem rápido e já desço.
— Toma banho direito — ele mandou, balançando a cabeça.
— To indoooo!

Aaron moveu a varinha e de repente toda a bagunça tinha sumido. Pensou em como era doce a atitude da menina e em como ela se tornaria uma bruxa incrível se continuasse se importando com as pessoas ao seu redor. Foi até o forno e deu uma melhorada em seu conteúdo. Coisas boas também acontecem quando se recebe uma ajudinha do tio.

pegou uma boa quantidade de pó de flu, entrou na lareira e respirou fundo. Detestava essas viagens, mas se fossem voando chegariam muito tarde na casa dos Weasleys, já que era uma longa viagem.
— A Toca — disse alto e claro.
Depois que Aaron explicou que a Toca era como chamavam a casa dos ruivos ela ficou ainda mais curiosa para conhecer o lugar. Tinha achado o nome incrível.
No momento seguinte estava em uma cozinha. O cheiro de biscoitos assando preenchia seu nariz e tantas vozes falavam ao mesmo tempo que ela não conseguia definir. Abriu os olhos devagar e viu nove pessoas a encarando atentamente. Dos que ela ainda não conhecia, os três mais velhos eram extremamente familiares.
querida — a mulher que ela julgou ser a senhora Weasley se aproximou e a abraçou gentilmente — É um prazer te ter conosco. Aaron já vem?
— Está terminando de pegar as coisas — sorriu — Eu agradeço pelo convite, senhora Weasley.
— Pode me chamar de Molly, docinho. Você é sempre muito bem vinda aqui em casa.
— o homem mais velho se aproximou, lhe estendendo a mão — Sinta-se em casa.
— Muito obrigada, senhor Weasley — sorriu novamente, apertando a mão do homem.
Um estalo foi ouvido no meio da cozinha e Nero apareceu carregando o bolo feito pela garota horas atrás.
— Seu bolo, senhorita — Nero entregou o bolo nas mãos da — O senhor Aaron pediu para trazer enquanto ele vinha com sua mala.
— Muito obrigada, Nero — ela sorriu, entregando o bolo para a senhora Weasley — Eu fiz um bolo para vocês para agradecer o convite.
— É um gesto lindo — a mulher sorriu, o levanto até a cozinha — Nero, porque não passa o Natal conosco também? Acho que você não quer ficar sozinho na casa dos Winter, não?
Nero olhou para com seus olhos que pareciam duas bolas de tênis, a garota riu.
— Se não for atrapalhar e você aceitar que ele te ajude nos afazeres para o Natal, não tem problema nenhum — Aaron respondeu, saindo da lareira carregando duas malas.
— Então está combinado. Como estão as coisas, querido?
— Está tudo ótimo, Molly. Estou sentindo o cheiro de biscoitos com gota de chocolate?
A mulher gargalhou.
— Está sim. Coloque sua mala no quarto do Gui e a da no quarto da Gina e desça para comer.
— Você quem manda — o homem piscou e subiu as escadas.
estranhou toda a intimidade já que seu tio nunca havia mencionado os Weasleys antes, mas se lembrou da foto onde ainda criança brincava com Fred e George. Decidiu que depois do jantar perguntaria o que realmente estava acontecendo. Resolveu nesse tempo cumprimentar o resto da família.
Fred e George vieram correndo abraçar a menina, já a estavam arrastando para o quintal quando Gui interviu.
— Deixa eu dar um abraço nela primeiro — o irmão mais velho riu — Oi , como você cresceu desde a última vez que te vi — a abraçou apertado.
— Oi… Gui, não é? Desculpa, eu nunca entendo quando vocês falam de quando me conheciam antes — ela riu sem graça.
— Aaron nunca? — o Weasley mais velho franziu as sobrancelhas — Ah. Bom, meio que antigamente…
! — Carlinhos interrompeu abraçando a menina pelo lado — Vem, falta você conhecer nossos irmãos mais novos.
A garota acenou para Percy que estava lendo alguma coisa sentado a mesa e seguiu Carlinhos.
— Esse é Rony e essa é Gina — apontou para os garotos que não deviam ter mais de nove anos cada — Meninos, essa é a .
— Olá — eles sorriram e abraçaram a menina — Mamãe disse que Fred e George falaram muito de você, o Carlinhos também.
O ruivo ficou vermelho e antes que pudesse se justificar, Aaron desceu novamente para a cozinha.
— Então, e sobre os biscoitos? — riu — Não teve um dia nos últimos anos que não senti falta de sua comida, Molly.
A mulher riu.
— Sente-se querido. Mas só um para não atrapalhar o jantar.
— Meu Sonserino favorito! — Gui gritou, se jogando em cima do Winter — Topa jogar um quadribol depois do jantar?
— Gui, por Merlin. Você continua insuportável! — os dois gargalharam enquanto Aaron bagunçava os longos cabelos ruivos do garoto — Se a vontade de perder pra mim é tanta, podemos jogar algumas partidas depois.
— Eu também quero — Carlinhos veio correndo abraçar o homem que não via a tempos — Mal posso esperar pra poder jogar com você.
— Nossa, você tá enorme — Aaron se espantou — A última vez que te vi você tinha o que? Uns doze anos? — o ruivo concordou — Vem, você entra no meu time.
— Então eu quero Fred e George no meu — Gui rebateu.
— E eu quero a . Times fechados.
— Queremos brincar — Rony e Gina gritaram em coro.
— Vocês ainda são muito pequenos — Arthur interviu, sabia que Aaron deixaria se eles insistissem — Podem brincar de outra coisa enquanto eles não voltam.
Os dois fecharam a cara emburrados, se esquecendo assim que os biscoitos finalmente saíram do forno.

O jantar foi incrível. Dúzias de batatas assadas, frangos, vegetais e tortas de abóbora. A garota não se lembrava da última vez em que tinha comido tanto. Depois resolveram deitar um pouco no quintal antes de jogarem quadribol. A lua estava cheia e o céu cheio de estrelas, uma brisa leve balançava os cabelos dos garotos que já estavam ficando sonolentos.
— Tá, vou aproveitar que todos estão juntos e vou falar — bocejou — Que história é essa de todo mundo me conhecer e eu não saber de onde? Fora a parte em que tudo aqui pra mim é estranhamente familiar: os cheiros, a casa, o quintal e mesmo vocês. Porque sinto que conheço tudo isso e não consigo me lembrar de onde?
Fred e George assentiram a cada palavra da garota. Tinham passado noites discutindo o assunto e nunca tinham chegado a uma boa teoria.
— Acho que eu quem tenho que responder essa — Aaron sorriu, a conversa se tornou muito mais fácil agora que era tão amiga dos meninos. Antigamente temia ter essa conversa e ela ficar chateada pela perda de contato, agora podendo recuperar o tempo juntos talvez a garota não se chateasse tanto — Molly, pode pegar o álbum de fotos para mim por favor?
Ela assentiu e saiu, deixando todos os presentes com expectativa. Maior do que a curiosidade do trio, estava a expectativa de todos os outros que não sabiam como eles iriam reagir. Depois que Molly voltou, Aaron entregou o álbum para a sobrinha folhear. Tinham várias fotos e ela estava em muitas. Correndo com os gêmeos no gramado, ainda bebê. Gui com a garota no colo, rindo enquanto ela puxava seu cabelo que na época ainda era curto. Carlinhos deitado perto de Aaron enquanto ele lia os contos de Beedle, o Bardo. Toda a família Weasley e a família Winter envolta de uma mesa de jantar e uma em especial que chamou a atenção de : Arthur, Molly e seus pais abraçados e rindo para a câmera.
— Bom — Aaron começou a contar — Quando seus avós morreram seus pais ficaram responsáveis por mim, fomos criados como irmãos, mas até aí você sabe — assentiu, mas os gêmeos ouviam com atenção, não conheciam esse detalhe — Mas quando você tinha dois anos seus pais morreram e eu fiquei desesperado sem saber o que fazer. Estava no meu segundo ano em Hogwarts e não tinha como te levar comigo, fora que eu não tinha condições de cuidar de uma criança naquela época.
— Foi então que você veio morar conosco — Arthur falou carinhosamente — Estávamos muito preocupados com vocês dois e já nos dávamos muito bem. Éramos amigos dos seus pais, sabe? Conheci seus avós pelo ministério e depois fizemos amizade com o resto da família. Então Molly e eu fomos falar com Aaron que concordou em te deixar aqui.
— E foi onde você ficou até completar quatro anos — Aaron continuou — Por dois anos você morou com os Weasleys. Mas eu não achava certo você estar sobre minha responsabilidade e ficar morando com outras pessoas, embora soubesse que era o melhor para você. E aí a Molly já tinha o Rony e a Gina, não era justo que ela tivesse que cuidar de mais uma criança pequena.
— Não que fosse algum sacrifício — a mulher riu, olhando carinhosamente para — Embora vocês três já estivessem começando a dar o trabalho que dez crianças não conseguiam.
Todos gargalharam, sabendo que era verdade.
— E além disso, sentia sua falta mais do que qualquer coisa no mundo — o homem riu sem graça, pensando que agora com ela em Hogwarts, era como se estivesse passando pela mesma coisa novamente — Então com 14 anos fiz um acordo com Dumbledore. Dormiria em casa todas as noites em que não teria treino de quadribol, utilizava a lareira na sala do diretor para ir para casa todas as noites e voltava de manhã depois do café da manhã e antes da primeira aula. Foi quando te levei para casa. Nero cuidava de você durante o dia e eu voltava quase todas as noites. Foi cansativo, mas não me arrependo nem por um segundo.
— Insistimos para que você ficasse aqui — Arthur continuou — E que Aaron viesse para cá ao invés de ficarem sozinhos. Com Gui em Hogwarts, tinha uma cama sobrando.
— E eu sempre fui muito grato — Aaron concordou — Mas eu não poderia dar todo esse trabalho para vocês.
— Mas então porque eu não lembro de nada? — e os gêmeos falaram juntos, interrompendo a conversa dos adultos.
— Porque separar vocês foi bem difícil — Molly explicou — Os gêmeos não conseguiam dormir e chorava a noite inteira. Tínhamos a esperança que vocês esquecessem e seguissem em frente, já que eram tão pequenos.
— Eu entendo — segurou a mão de seu tio, o conhecia muito bem para saber como deveria estar se sentindo — A vida inteira você tentou fazer o que era melhor para mim.
O homem sorriu. Sua garotinha era a menina mais compreensiva do mundo.
— E eu acredito que vocês tenham bloqueado essas memória, para não sofrerem mais do que já estavam. Por esse motivo que mantivemos distância da família Weasley por tanto tempo. Depois que você parou de chorar todas as noites de saudade, achei que seria ruim a reaproximação.
— Mas agora estamos todos juntos de novo — Gui sorriu — E é como se nada tivesse mudado.
Os mais velhos assentiram.
estava feliz em esclarecer as coisas. Mas gostaria de se lembrar do tempo que tinha passado com eles. Rony e Gina estavam dormindo deitados na grama enquanto Fred e George bocejavam.
— Porque não vamos todos dormir e vocês deixam o quadribol para amanhã? — Molly sugeriu no exato momento em que Nero chegou com onze xícaras de chocolate quente.
acariciou a cabeça do elfo enquanto soprava o chocolate.
— Timing perfeito, Nero — ela gargalhou — Como sempre!

no dia seguinte acordou ao som de gritos e com dois pesos em cima da coberta. Reclamou e fez força para tirar os meninos de cima, mas sem nenhum sucesso.
— Vamos ! Acorda! Acorda! — Fred pulava.
— É Natal! É Natal! — George continuava.
Pulavam de um lado para o outro em cima da cama, que rangia tentando aguentar o peso que os impactos causavam. rolou na direção da parede e se encolheu, tentando ignorar os garotos a sua volta e continuar a dormir.
— Por acaso vocês dois sabem que horas são? — gritou, vendo que não estava tendo sucesso.
— Hora de abrir os presentes — gritaram juntos.
A garota reclamou novamente e tentou jogá-los para fora da cama. Os dois sempre estavam atrasados em Hogwarts e não era agora que estavam de férias que ela ia deixá-los a acordar tão cedo. Quando os meninos saíram de cima ela acreditou que finalmente teria um momento de paz, mas segundos depois sentiu a coberta ser jogada no chão.
— Como eu odeio vocês!
— Já tentamos do jeito carinhoso — George sorriu, segurando os pés da menina.
— Agora vamos pelo jeito legal — Fred enfatizou, segurando seus braços. A garota se debatia insistentemente tentando se soltar e pelo menos caminhar com um pouco de dignidade, mas sem sucesso.
Carregaram a garota pelas escadas tentando ao máximo não derrubá-la. Mas a insistência de Winter de se soltar faria mais cedo ou mais tarde os três rodarem escada abaixo. Na cozinha, Aaron cuspiu o leite ao ver a cena, gargalhando em seguida.
— O que vocês dois pensam que estão fazendo com a pobre menina? — a senhora Weasley brigou, segurando o impulso de rir — A coloquem no chão, agora!
— Tudo bem Molly — Aaron ainda gargalhava — Você bem que poderia me emprestar os gêmeos um dia desses pra ajudar a tirar essa menina da cama. Se eu arrastasse ela assim todas as manhãs não teríamos problemas em casa.
— Pode ficar quanto tempo quiser — a mulher ainda tentava conter seu sorriso — Existem jeitos mais delicados de se acordar alguém.
— Acredite, não há — ele riu mais ainda — Então crianças, vão abrir os presentes?
— Simmmmmmmmmm — gritaram juntos. um pouco menos. Estava com os braços e pernas doloridos e ainda de mal humor por ter sido acordada tão cedo.

A árvore era a mais linda que já tinha visto. Enfeites vermelhos e dourados provavelmente simbolizando a Grifinória, que era a casa de todos da família, estavam espalhados de forma irregular. Muitos dos enfeites pareciam ter sido feitos de tricô pela senhora Weasley, outros pareciam ser antigas relíquias de família.
— Ainda acho que está faltando um pouco de verde nessa árvore — Aaron riu — Mas vocês nunca me deixaram colocar nada que não fosse vermelho ou dourado.
— Porque nessa casa os únicos enfeites são os da melhor casa de Hogwarts — Gui respondeu, enquanto descia as escadas lentamente — Uh, presentes?
O garoto foi direto até os presentes e pegou os dois que exibiam seu nome. Abriu primeiro o que estava embrulhado em papel pardo, que sabia ser o presente de seus pais. Também sabia o que era, amava os suéteres que sua mãe tricotava, era neles que se apegava quando estava longe da família. Como tinha passado um ano em casa se procurando alguma carreira que envolvesse feitiços para seguir, não tinha precisado muito deles no último ano. Mas mesmo assim, eram sempre muito bem vindos.
Ao abrir, como suspeitava, encontrou um suéter verde musgo. Abraçou o suéter junto ao peito.
— Eu amei, mamãe — sorriu ao colocá-lo, se sentindo imediatamente mais aquecido — Perfeito como sempre.
No segundo presente, Gui encontrou um disco de vinil. The Weird Sisters estava escrito na capa e o ruivo sentiu o impulso de gritar de felicidade. Tinha ouvido que essa era a melhor banda em ascensão, ouvia uma ou outra música no rádio, mas ainda não tinha conseguido ouvir o cd completo. Acima de tudo, admirava como um dos seus melhores amigos ainda o conhecia tão bem depois de tantos anos.
— Incrível, Aaron - ele sorriu indo abraçar o homem - Muito obrigado.
— Sabia que ia gostar — ele riu — Eles estão saindo em praticamente todas as revistas bruxas, dizem que são muito bons.
— Tenho certeza que são — sorriu largamente — Podemos ouvir mais tarde, o que você acha?
— Só depois de montarem a tenda no quintal — Molly respondeu da pia, onde descascava algumas cenouras — É bom contar com ajuda extra esse ano, e vamos precisar de muito espaço.
— Pode deixar! — Aaron gargalhou.

Os gêmeos também já tinham vestidos seus suéteres de Natal. Dois suéteres azul claro idênticos com as letras F e G bordadas no centro de cada um. achava que o suéter ficava muito bonito com o cabelo ruivo dos meninos. Aaron tinha tratado de dar presentes iguais aos gêmeos. tinha comentado com o tio o interesse dos meninos em fazer o teste para batedores no ano seguinte e ele não tinha se esquecido dessa informação. Então ao desembrulhar os dois tacos de quadribol, os garotos já trataram de começar a quebrar toda a casa.
— Cuidado com os móveis — Molly gritava, fazendo todos os outros rirem da situação — Tacos, Aaron? Não podia ser uma camiseta?
— Desculpa, Molly — ele riu culpado — Eu gosto de incentivar os esportes.
estranhou ao encontrar um embrulho de papel pardo exatamente igual o dos gêmeos, sentindo seus olhos lacrimejarem quando a realidade a atingiu. A senhora Weasley também tinha feito um presente para ela. abriu o embrulho devagar, aproveitando cada segundo possível daquele momento. Sentia que agora tinha uma família maior, como sempre quis.
Vestiu rapidamente seu suéter, exatamente igual ao dos gêmeos, o azul parecia brilhar. Mas em seu centro se encontrava um grande S dourado.
— Estamos idênticos — os três falaram em coro.
correu e abraçou apertado a senhora Weasley.
— Muito obrigada — a menina sorriu, colando seu rosto na mulher — É o melhor presente de todos.
Sem saber como deveria reagir, já que não esperava tanta emoção, apenas a abraçou de volta acariciando seus cabelos.
— Fico feliz que tenha gostado, querida.
tinha ganhado um balaço e um kit de polir vassouras de Aaron, então os meninos foram mais do que depressa jogar quadribol no quintal. Corriam enquanto ouviam Molly gritar da cozinha que eles ainda não tinham tomado café da manhã ainda.
— Não to querendo reclamar, mas só vamos poder brincar com o balaço quando você estiver junto? — Fred comentou.
— Merlin não dá asas a basiliscos — gargalhou — E quando nós não estamos juntos?
George deu de ombros.
— Ela tem um bom ponto.
— Agora parem de chorar e vamos logo com isso — soltou o balaço, que voou descontrolado pelo jardim. Subiram em suas vassouras e foram à caça da bola, que se movia com grande velocidade. usava um taco antigo que encontrou junto as vassouras, enquanto os ruivos testavam o mais novo presente.
Quase uma hora depois Aaron, Gui e Carlinhos saíram no quintal com suas vassouras em mãos. Encontraram os gêmeos ainda brincando com o balaço e dando cambalhotas no ar.
— O jogo de ontem ainda ta em pé? — Aaron gritou para que os meninos ouvissem.
— Claro! — os três gritaram.
— Eles falarem juntos já era meio estranho, mas agora usando os mesmos suéteres eu não sei se devo ficar preocupado ou não — Aaron falou baixo para que apenas os outros dois ouvissem.
— Eu me preocuparia se fosse você — Gui gargalhou — Dois desses aí já eram mais que o suficiente.
— Vocês falam isso porque não estão em Hogwarts com eles — Carlinhos ria — É pior do que vocês pensam.
Quando os meninos finalmente chegaram junto dos outros Weasleys, os mais velhos não aguentavam mais rir.
— O seguinte — Aaron secava as lágrimas — e Carlinhos comigo e os gêmeos com Gui. Preparem-se pra perder, pirralhos.

Decidiram não usar o balaço, o que deixou as três crianças decepcionadas. Iriam jogar com um artilheiro, um goleiro e um apanhador. No time Winter, Aaron escolheu ser apanhador, enquanto quis ser artilheira e Carlinhos foi para o gol sem nem precisar pedir.
Para os Weasleys, a bagunça foi um pouco maior. Nenhum dos três queria ir no gol, então depois de muita discussão Fred foi empurrado para a posição. Gui ficou como apanhador, para competir com Aaron, e George acabou como artilheiro.
— Vamos acabar com vocês — os três mais novos falaram juntos, fazendo Aaron, Charles e Gui se entreolhar e gargalhar novamente.
— A tem razão, nós vamos — Aaron concordou.
— Nos seus sonhos, velhote — Gui soprou, começando a voar.

Jogaram o resto da manhã, até o senhor Weasley sair para chamá-los para ajudar a preparar o almoço. Pararam de contar depois de um tempo, então ninguém ao certo sabia quem estava ganhando, embora cada time acreditava fielmente em sua vitória.
Como Molly tinha deixado bem claro antes do café da manhã, eles eram os responsáveis por arrumar o quintal. Então colocaram a mesa e as cadeiras do lado de fora e montaram uma tenda para proteger do sol. Às 13h o almoço estava servido. Novamente eles viam um banquete em sua frente, a senhora Weasley tinha caprichado demais.
Perus assados, um porco e bife para todos comerem até se fartar. Dezenas de batatas assadas, alguns pães, vegetais cozidos, couves de bruxelas e muito, muito suco. Sentiram sua boca encher de água só de olhar para os pratos e pegaram um pouco de cada. Depois veio a sobremesa, com dois tipos de torta e os biscoitos que não tinham conseguido roubar.
Comeram tanto quanto no dia anterior e destinaram o resto da tarde para conversar debaixo da tenda. Contaram histórias antigas de quando eram pequenos e moravam juntos, e outras mais atuais para colocar o assunto em dia.
A noite os gêmeos dispararam os fogos de artifício enquanto Nero assava salsichas para o jantar. Quando chegou a hora de ir embora, as crianças não queriam se despedir e ficaram tristes jogando snap explosivo na sala. Cortava o coração de Aaron ter que levar de volta para a casa, mas não era mais como da última vez, ela podia voltar quando quisesse.
— Está na hora, — ele se sentou no chão ao seu lado, passando seu braço por sua cintura — Precisamos ir, ok?
— Não — os gêmeos intervieram, fazendo o homem rir fraco — Vocês não precisam.
— Desculpe, crianças.
Arthur olhava para Molly, vendo a cena. Tiveram uma conversa silenciosa onde não tinha muito o que discutir, já que novamente, era Aaron que achava que deveriam ir embora. Concordaram e andaram até onde estavam os garotos.
— Porque vocês não ficam mais um pouco, até o ano novo? — Arthur perguntou, fazendo um sorriso se abrir no rosto dos mais novos — Aí se lá já estiverem enjoados da gente, voltam para casa.
— Seria ótimo, mas não podemos — Aaron respondeu, sentindo o coração apertar novamente ao ver o sorriso das crianças murchar — Nós sabemos como essa época do ano é difícil e corrida, vocês podem receber mais visitas e não queremos incomodar.
— Ah Aaron — Molly riu, passando a mão pelos cabelos do menino — Porque você sempre acha que nós não queremos você aqui?
O jovem deu de ombros, sem graça.
— O que acha, ? Quer ficar?
— Não precisava nem estar me perguntando — ela riu, acenando.
— Então parece que é isso. Se bem que eu não sei se consigo passar mais um dia com o Gui nessa casa — alfinetou, vendo o garoto entrar no cômodo.
Ele levou alguns segundos para entender.
— O Aaron vai ficar? — falou animado, só então entendendo o que o homem quis dizer — Quer dizer, o Aaron vai ficar? — repetiu, com desprezo na voz.
Eles gargalharam. As crianças voltaram a brincar e os outros dois resolveram finalmente ir escutar o cd das Weird Sisters, que realmente era muito bom.
E as férias foram assim. Entre o quintal e a cozinha, quadribol e snap explosivo. Mas com todos os garotos sempre juntos. Embora um pouco sem jeito, até mesmo Arthur tinha participado de umas partidas do jogo.
Na virada do ano todos estavam gratos pela mesma coisa. Por estarem juntos. Ficaram sentados no quintal vendo ao longe, os fogos de artifício queimarem marcando o início de um novo ano, e com ele, novas possibilidades de explodir um banheiro.



Capítulo 7

As pequenas férias passaram mais rápido do que esperavam e em um instante os meninos já estavam de volta ao expresso de Hogwarts.
— O que estão pensando para a volta às aulas? — jogou um feijãozinho na boca — Os últimos três meses foram legais, mas acho que está faltando um pouco de ação.
— Tenho pensado em umas poções — George falou de boca cheia — Talvez alguma coisa que sujasse muito enquanto explodia alguma coisa.
Fred considerou.
— Não é por nada, mas você não é muito bom em poções.
— E é por isso que eu tenho pensado na para produzir essas poções, — o ruivo piscou vendo a garota bufar — eu posso ficar com os feitiços — acrescentou.
— Eu pensei em alguma coisa mais orgânica, — o Weasley tinha acabado de aprender essa palavra e agora queria usar para tudo, achava chique — tipo invadir as estufas e ver o que encontramos de legal por lá.
— É uma ótima ideia, Fred. Mas eu duvido que lá tenha coisas mais legais do que no armário do Snape — a garota sorriu, travessa.
— Você tá pensando em roubar o Snape? — os meninos falaram juntos — Como?
— Temos o mapa do maroto, — ela sorriu — e eu tenho uma ideia.

Levou duas semanas desde que a oportunidade que tanto esperava, surgisse.
— Hoje vocês vão fazer uma poção muito simples, então não quero ver erros — Snape andava de um lado para o outro — Antídotos para venenos comuns página 32.
— Vai ser perfeito — sussurrou para os gêmeos, estava sentada no meio dos dois — Para melhorar o Snape ainda vai enlouquecer sobre como estragamos uma poção tão fácil.
— Vamos ter tempo pra isso? — Fred sussurrou de volta — Porque se é fácil assim não deve demorar muito.
— Tá brincando? — ela riu baixo — São crianças de onze anos fazendo uma poção de dez ingredientes. Tem tudo pra dar errado.
Fred se levantou para pegar os ingredientes das poções, mas segurou seu braço.
— Troca a essência de lavanda por acônito e pega a poção vermelha que está do lado da Wiggenweld ali.
E assim ele fez.
No começo tudo estava muito bem. Um pouco de benzoar, um pouco de hidromel. Girar dez vezes no sentido horário, dez no anti horário. Até que George acrescentou o acônito. A poção antes esverdeada atingiu um tom de roxo intenso, soltando gases e um cheiro esquisito.
— Desculpa, mesmo — sussurrou para os gêmeos antes de apontar sua varinha para a cara deles, e a dela, e dizer baixinho — Furnunculus!
Furúnculos começaram a nascer em todos os lugares gradativamente.
— Que nojo! — os gêmeos exclamaram em uníssono — Não tinha nada menos nojento?
— Parem de reclamar que é por pouco tempo. Professor! — a menina gritou, fazendo a maior cara de inocente — Acho que alguma coisa deu errado.
Snape veio furiosamente gritando para cima do trio. Estavam tão ansiosos para saber se daria certo que não ouviram uma palavra do professor.
— Incompetentes — Snape ainda gritava — Dez pontos a menos para a grifinória! Não, trinta! Cinquenta! Menos cinquenta pontos para a grifinória!
— E nós? — perguntou — Você não tem nada para curar esses furúnculos?
— Se eu não tenho nada? Claro que eu tenho. Que tipo de professor de poções vocês acham que eu sou? Ah mas eu deveria deixar vocês assim para aprenderem, vocês precisam aprender a prestar atenção no que estão fazendo e — baixou gradativamente o tom de voz — eu fiz poção para cura de furúnculos esses dias… onde essa poção idiota foi parar?
piscou para Fred, que estava com a poção no bolso da capa.
— Para a enfermaria vocês três — gritou ainda mais alto — E menos dez pontos para a Grifinória por alguém ter pego a minha poção. Ah sim… Fora! Eu não quero mais vocês aqui!
Foi muito difícil conseguir segurar o riso até chegarem no corredor. Quando cada um tomou um gole da poção, os furúnculos magicamente desapareceram.
— Me diz — George perguntou o que estava pensando a uns bons minutos — Como sabia que o Snape tinha poção para cura de furúnculos?
— Eu não sabia — ela riu, dando de ombros — Até eu ver a poção no armário eu tava pensando em explodir a sala de poções e correr para a sala dele enquanto ele limpava a bagunça.
Gargalharam.
Fred deu um tapinha com a varinha no mapa.
— Eu juro solenemente não fazer nada de bom. Vem, vamos logo com isso.

A sala do professor tinha um cheiro estranho, o cheiro de várias poções misturadas. Mas também não tinha nada demais. Nenhuma decoração, nenhuma foto e nem nenhum caderno. Apenas uma pequena mesa em um canto e um grande armário de ingredientes no outro. Ou ele não passava muito tempo ali ou ele era uma pessoa realmente entediante.
— Eu trouxe uns potinhos — colocou em cima da mesa — Vamos pegar um pouquinho de cada pra ele não dar falta. Deve servir.
— Até porque se já entramos aqui uma vez, nada nos segura.
Se revezavam entre vigiar o Snape no mapa e pegar o máximo de coisas que podiam, meia hora depois seus bolsos estavam cheios e os rostos com sorrisos idênticos.
— Precisamos de um lugar para guardar tudo isso, não acho que seja legal deixar no baú do quarto. Pelo menos não assim.
— Alguém sabe fazer o feitiço indetectável de extensão?
— O Carlinhos sabe.
— Mas ele não vai querer ajudar sem perguntas — estranhou quando os gêmeos olhavam travessos para seu lado.

— Oi — fingiu esbarrar com o menino por acaso, embora estivesse o procurando a horas — Ocupado?
Charles se assustou com a chegada repentina da menina, abrindo espaço para que ela sentasse com ele no banco.
— Não tô não, tá tudo bem?
— Ta sim, te vi sentado aqui e resolvi fazer companhia — sorriu carinhosa.
Ele pareceu pensar um pouco.
— O que acha de um passeio pelo campo de quadribol? — sugeriu. Era exatamente o que ela queria que ele dissesse.
— Só vou pegar minha vassoura — piscou e saiu correndo.
Se encontraram no campo minutos depois, ambos com suas vassouras em mãos. Sobrevoaram o campo e a floresta proibida conversando sobre o Natal, a volta às aulas e os próximos jogos de quadribol.
— Vai fazer os testes para o time no ano que vem? — Carlinhos estava curioso, a menina voava muito bem para tão pouca idade.
— Não — sorriu fazendo loopings no ar — Eu adoro assistir quadribol, mas só poder voar no espaço do campo não é uma coisa que me atrai.
— E o que te atrai?
— Corridas. Quanto maior a distância melhor.
Ele gargalhou. Podia facilmente imaginar a menina ganhando qualquer corrida que quisesse, mas daqui uns anos.
— Vai precisar treinar muito se quiser ganhar uma corrida algum dia — provocou — Aliás já deveria ter começado a treinar.
— Você tá brincando, não é? Eu ganho de você de olhos fechados!
— Quer apostar? Correr agora? — Charles não era levado a falsa modéstia, como apanhador do time da Grifinória, sabia que a garota não tinha a menor chance.
— Faço o que eu quiser se você ganhar.
— Qualquer coisa?
— Qualquer coisa. Mas se perder, eu vou querer uma coisa em troca — piscou, sabendo que o garoto não tinha a menor chance.

— Três.
— Dois.
— Um! — falaram juntos disparando na direção do campo.
Resolveram voar por dentro da floresta proibida, o que era mais desafiador do que voar em linha reta. O garoto estava impressionado em como ela voava com graciosidade por entre as árvores, era como se soubesse exatamente onde cada uma estava. Se bem que já tinha estado tantas vezes na floresta que talvez soubesse. Mas o Weasley também não tinha muita dificuldade em atravessar a floresta, era como desviar de jogadores de quadribol, mas as árvores não tentavam te acertar com balaços.
Winter tentou tomar a maior distância que podia do menino até sair da floresta, pois sabia que quando saísse sua vantagem estava acabada. Por mais que voasse extremamente bem, a vassoura do menino era mais rápida e ele, mais experiente. Conseguiu sair da floresta primeiro, com cerca de um minuto de vantagem da hora em que algum galho enroscou no menino que teve que parar para se soltar. Os dois dispararam a toda a velocidade em direção ao campo. Ambos querendo muito ganhar e igualmente tentados a pegar suas varinhas e interceptar o outro, mas não tinham coragem de serem desonestos a esse ponto com alguém que gostavam tanto.
— Quase lá — disse mais para a vassoura do que para ela mesma — Vamos menina, mais um pouco e a gente chega.
Tanto para tão pouco. Não via a hora de crescer e ficar mais poderosa para executar sozinha feitiços complicados. Mas a corrida foi ideia dela, os gêmeos sugeriram apenas pedir gentilmente e ela sabia que funcionaria. Mas gostava de voar, gostava de passar um tempo com qualquer Weasley que fosse - não muito com o Percy - e acima de tudo adoraria ter uma oportunidade para ganhar de um garoto do sexto ano em alguma coisa.
Carlinhos já estava praticamente do seu lado, mais três metros ele a alcançaria. Tinha sorte que faltava muito menos para chegar. Foram os segundos mais demorados da sua vida. Mas chegou primeiro.
— Ganhei! — gritou a plenos pulmões cheia de felicidade. Quase não tinha acreditado que conseguiria — Quer dizer, claro que ganhei.
Os dois deram risada.
— Meus parabéns, — ele a abraçou — Essa é só uma das muitas vitórias que você vai comemorar daqui pra frente.
— Não achava que eu precisava praticar muito?
— Eu só queria que você aceitasse correr — sorriu.
— Ah, eu preciso de muito menos que isso pra aceitar — gargalhou.
Carlinhos inclinou a cabeça para olhá-la melhor. Winter era uma grande garota.
— E o que você quer por ter ganhado? — sorriu maroto.
Minutos depois saiu saltitando do campo de quadribol, carregando sua caixinha pequena que cabia quase um milhão de coisas. E deixando um ruivo muito confuso pra trás. O que ela estaria aprontando dessa vez?



Capítulo 8

estava distraída na floresta proibida quando Fred e George se aproximaram com um unicórnio em seu encalço. Seu pelo continuava prateado, o que indicava que o pequeno unicórnio ainda era jovem. Na verdade, nenhum deles sabiam ao certo quantos anos levaria para o unicórnio se tornar adulto e sua pelagem se tornar completamente branca.
— Trouxeram o resto dos ingredientes? — sorriu maliciosamente.
Winter tinha ido antes para a floresta para não despertar suspeitas, mas acima de tudo para ir arrumando todos os materiais. O caldeirão estava ao lado de uma fogueira recém acesa. Torcia para o fogo não atrair nenhuma criatura indesejada, mas não tinham outro lugar que pudessem fazer poções teoricamente não autorizadas. Fred entregou quatro frascos a garota.
— Água-mel, hortelã, mandrágora cozida e xarope de heléboro — a grifinória citava calmamente o nome dos conteúdos enquanto conferia os frascos — Perfeito como sempre!
Jogou os outros ingredientes, além dos quatro mencionados, no caldeirão. A mistura atingiu a cor vermelha. lia o passo a passo em um livro de poções que Fred pegou na biblioteca, era emocionante a sensação de fazer algo completamente novo. No momento, precisavam esperar que a poção ficasse verde, pelo menos até aí não tinha como errar.
— Agora adicione a água-mel até a poção ficar rosa, — leu rapidamente enquanto George pingava o conteúdo do frasco no caldeirão - pronto, tem que esperar ficar laranja.
— E agora? — um dos ruivos perguntou.
— Hortelã.
O garoto adicionou o hortelã.
— Era pra ter ficado verde? — sorriu nervoso, passando a mão pelos cabelos.
— Era — respondeu rindo, após conferir a receita pela milésima vez. Tinha passado a noite inteira lendo todas as instruções, tinha até decorado, mas fazia questão de ler novamente pois não sabia quando teriam outra oportunidade. Não podiam errar.
— Ufa!

Depois de duas horas a poção já tinha ficado azul, rosa, laranja, azul de novo, vermelha e amarela, até finalmente ficar pronta. O unicórnio antes adormecido, agora esfregava o focinho nos garotos querendo carinho e insatisfeito por vê-los tão concentrados no caldeirão.
— Como sabemos que funcionou? — os olhos de Fred brilhavam enquanto ele olhava a mistura, estava muito orgulhoso.
— Precisamos provar — George deu de ombros.
— Mas e se isso nos matar?
— E se não matar?
— Parem de discutir vocês dois — revirou os olhos — Eu bebo!

Pegou a concha e tomou um gole. Tinha um gosto engraçado. Pensou até em fingir um desmaio, mas ficou com preguiça do trabalho que os gêmeos dariam depois. Se esses garotos ficassem histéricos, o que ela iria fazer?

— Será que — sua voz estava extremamente fina — Pelas calças de Merlin! Funcionou — agora a voz engrossara de um jeito que apenas um Hagrid muito bravo seria capaz de falar, não que já tivessem visto o guarda caças tão bravo assim.

— Fizemos a poção Volubilis, eu nem acredito — os gêmeos falaram juntos dando pulinhos, enquanto gargalhavam pela voz da garota. A poção tinha a função de alterar a voz de quem bebia, e tinham conseguido fazer especificamente para que alterassem entre graves e agudos.
— E agora, qual nosso alvo?
sorriu do mesmo jeito que sorriu quando pensou em invadir a sala do Snape.
— McGonagall, é claro.

A aula de transfiguração nunca foi tão esperada. Três dias depois os garotos não conseguiam pensar em outra coisa. Quem passava pelas crianças conversando baixo no café da manhã ainda não poderiam imaginar a bagunça que causariam por naquele dia.
— Vamos repassar o plano baixinho — Fred sussurrava — Minerva sempre carrega com ela um cálice para tomar água durante a aula, como o cálice é dourado ela não vai perceber a poção.
— E como vamos colocar na água dela durante a aula? — George perguntou — Porque não pensamos nisso até agora e como ela carrega o copo ao seu lado o tempo inteiro, não dá para colocar antes.
— Eu penso em alguma coisa na hora — mordeu uma torrada, apreciando como a geléia deixava seu coração quentinho. Agora que a poção estava pronta, como colocá-la no cálice era a menor de suas preocupações.
— Nada que envolva furúnculos! — George advertiu — Porque da última vez que você ficou de pensar em alguma coisa na hora…
— Eu já pedi desculpas por isso — a garota resmungou — além do que eu já to tendo uma ideia potencialmente brilhante…
— Vocês não estão atrasados para a aula? — Carlinhos surgiu de repente, colocando a mão no ombro de George.
O trio deu um pulo. Quando os garotos olharam para seus relógios, constataram que Carlinhos estava certo. Mal tinham visto o tempo passar e agora o grande salão já estava praticamente vazio.
— Você tem razão — falaram juntos, enquanto corriam para a sala de transfiguração — Tchau.
— Se os três começarem a falar juntos eu vou enlouquecer — o ruivo mais velho gargalhou.

fez questão de se sentar no fundo da sala, para que não fosse muito suspeita. Seria extremamente difícil, então esperava que desse certo, poderia levar uma boa suspensão se fosse pega e não gostaria disso. McGonagall não demorou a chegar e começar a lição do dia. Precisariam novamente transformar um rato em uma taça. Quantas taças, não é mesmo?
Winter esperou os primeiros quinze minutos, executando com perfeição a transfiguração e chamando a professora para ver como ela era uma boa aluna e de bônus ganhando cinco pontos para a Grifinória por ter conseguido tão rápido. Sorriu travessa, observando as costas da professora.
— Quando você ficou puxa saco assim? — George sussurrou, fazendo o sorriso de aumentar consideravelmente.
— Tá brincando comigo? — riu — Ninguém nunca desconfia dos bons alunos.
— Até que faz sentido — o ruivo acenou, encarando sua taça que ainda tinha um pedaço do rabo.
— Depois eu ajeito isso para você, agora os dois cheguem mais perto para me dar cobertura.

se abaixou embaixo da mesa, engatinhando um pouco e mirando bem na perna de uma das alunas sentadas na primeira mesa. Não tinha sido uma escolha aleatória, é claro, sabia bem de quem eram aquelas pernas. Mas desde o primeiro dia não tinha ido com a cara da garota, uma pegadinha - talvez duas ou dez- não faria mal.

— Locomotor pernas — sussurrou, ficando em pé novamente. Na pressa, bateu com a cabeça diretamente no tampo da mesa e suprimiu um xingamento. Felizmente, com a cena a seguir se esqueceu completamente da dor.
A sala toda ouviu quando Angelina Johnson gritou e caiu para o lado, falando que não conseguia mexer suas pernas. Todos se aglomeraram em volta da garota enquanto McGonagall corria para ver o que estava acontecendo.
— O feitiço da perna presa, hm? — George se virou para parabenizar a menina, mas quando olhou para o lado já estava na mesa da professora aproveitando que ninguém estava prestando atenção para colocar a poção no cálice.
— A bruxinha é brilhante — Fred sussurrou para o irmão, que concordou em um aceno.

Quando voltou para sua mesa, Minerva já tinha feito um contra-feitiço e todos estavam voltando para seus lugares. McGonagall encostou em sua carteira e olhou para todos alunos sentados perto de Angelina. Para executar o feitiço na menina, o estudante precisava estar perto da garota. Bom, só que ninguém desconfiaria que embaixo da mesa não é mesmo? Como desconfiava, a professora nem olhou para seu lado. Sussurrou vera verto rápido, no cálice de George. Caso a professora resolvesse checar as varinhas, esse seria seu último feitiço executado. Então Winter pôde relaxar para curtir o show.
— Eu vou descobrir quem foi que fez isso com a pobre garota e o responsável irá perder muitos pontos para sua casa — ela estava vermelha, não acreditava que um desses diabretes tinha conseguido azarar uma menina bem embaixo de seu nariz — E vai passar um bom tempo com o Filch na detenção polindo todos os troféus, arrumando as salas, organizando os livros da biblioteca — tomou um gole de água para limpar a garganta, ainda tinha um grande discurso pela frente.
— Agora vai ficar interessante — sussurraram juntos.
— É muita falta de empatia enfeitiçar um colega, ainda mais com o intuito de atrapalhar a aula. Um dia vocês precisarão fazer os NOMs e — interrompeu a fala. Em sua última frase, sua voz oscilou entre extremos graves e agudos, fazendo os alunos gargalharem — Quem de vocês — ela começara a gritar — Como? Vocês tiveram a audácia de darem uma poção a uma professora? — nesse momento Minerva estava tão vermelha que alguns juravam que ela seria capaz de pegar fogo.
A sala explodia em gargalhadas. Filch, com Pirraça logo atrás, apareceu para ver o que tinha acontecido. Quando Minerva tentou explicar, o Poltergeist não conseguiu se conter.
— Uma poção para a professora — ele ria cantarolando — Como eu não pensei nisso.
— Primeiramente você não teria a poção — alguém comentou, fazendo o Poltergeist considerar.

Então algo dentro dele se acendeu e ele olhou disfarçadamente para o trio. Os garotos gelaram, Pirraça sabia que era coisa deles. De quem mais poderia ser? E se ele resolvesse falar qualquer coisa era seu fim. Levaram disfarçadamente o dedo na boca, pedindo para que ele não falasse nada, e também torcendo muito para que funcionasse. Já tinham visto várias vezes o Poltergeist dedurando alunos encrenqueiros para os professores ou para o zelador, ele gostava de ter toda a atenção para si.
No fim, ele apenas deu uma cambalhota derrubando alguns livros junto com a taça da professora, e saiu voando da sala. Os garotos respiraram aliviados.
— Certeza que foi graças as bombas de bosta que ele não falou nada.
— Se for isso ele vai ganhar mais algumas por ter ficado quieto.
— E um pouco da poção, vai que ele não arruma alguma coisa bem interessante para fazer com ela? — Fred murmurou.
— Sabe gêmeos? — colocou seus braços em volta dos garotos, que envolveram sua cintura — Nós somos um belo trio.
Riram e saíram da sala. McGonagall tinha desistido de dar aula.




Capítulo 9

acordou uma hora mais cedo do que deveria, a saudade de Aaron apertando o peito. Resolveu então que escreveria alguma coisa para ele, fazia dias que não trocavam cartas e ela precisava ouvir qualquer coisa do tio.

Querido tio,

Como estão as coisas por aí? Fazem dias que não nos falamos e sinceramente eu queria estar em casa. Não que eu não ame Hogwarts, mas sinto sua falta todos os dias. E agora que eu percebi que talvez não deveria ter dito isso, mas meus papéis de carta estão acabando e eu não vou pegar outro. Falando nisso, pode me mandar mais uns?
Então, as coisas em Hogwarts estão bem legais. Essa semana eu fiz carinho em um unicórnio, aprendi uma poção que faz as pessoas mudarem a voz, acabei com meu estoque de chocolates - sim, uma indireta - e ganhei uma corrida de vassouras do Carlinhos!!!!!!!! Ressaltando que ele é apanhador e eu só tenho 11 anos. É isso aí, eu sou a campeã.
Você acha que o Pirraça é capaz de fazer amizade com os alunos ou ele só faz as coisas quando ele ganha alguma coisa em troca?
E o Nero? Como ele está? Também estou com saudade dele, sempre. Queria poder abraçar vocês dois bem apertado. Falando nisso, Fred e George não sabem que eu estou te escrevendo - ta meio cedo ainda - mas se eles soubessem te mandariam um abraço e pediriam mais doces. Carlinhos também mandaria um abraço, sabe como ele gosta de você. Na resposta da carta, pode dizer que eu sou uma ótima campeã e ele um péssimo perdedor? Só pra ler pra ele.
Sinto sua falta, Aaron. Sempre.
Com amor,



Enrolou bem e acordou Cookie para amarrar o bilhete em sua perna.
— Não precisa ter pressa, certo? — acariciou as penas da ave — Come um rato ou sei lá e depois leva isso aqui pro Aaron pra mim. Tenho que ir tomar café.
Winter colocou o uniforme e desceu no salão comunal para esperar os gêmeos. Quando os Weasleys finalmente desceram a menina estava dormindo em uma das poltronas, com um cobertor sobre as pernas.
— Acordamos ela? — George perguntou, olhando como a grifinória dormia pacificamente.
— Acho que sim — Fred analisou — ela precisa comer antes da aula.
— Ela deve ter acordado bem cedo pra estar dormindo aqui.
— E o Carlinhos ainda deve estar dormindo, como monitor ele jamais deixaria ela dormindo aqui. Proibido e blá blá blá.
— O que também é estranho, já que ele nunca se atrasa.

Nesse momento, Carlinhos estava no grande salão terminando de tomar café, já que precisou acordar mais cedo para conseguir passar na biblioteca antes da primeira aula. Quando desceu as escadas e viu dormindo no salão, pensou em seu papel como monitor: deveria acordá-la e pedir para ou descer para tomar café ou voltar para o quarto. Mas a única coisa que conseguiu fazer quando a viu dormindo abraçada nos livros foi voltar para seu quarto e pegar um cobertor para a aquecê-la.

? — George balançou levemente seu ombro — , vamos?
A garota murmurou alguma coisa em concordância, mas sem se mexer.
Fred gargalhou.
? Quer chocolate?
Ela se levantou em um pulo.
— Chocolate? — repetiu ainda meio sonolenta — Bom dia! Porque demoraram tanto?
George revirou os olhos.
— Como foi que eu não pensei nisso?
Winter deu de ombros, levantou e foi em direção ao quarto para guardar o cobertor. Cobertor?
Parou na base da escada e virou para os meninos.
— De onde veio esse cobertor?
— Não foi você quem trouxe?
— Eu tava sem sono, não ia imaginar que ia acabar dormindo aqui com a demora de vocês dois.
— Ah, deixa aí — George sugeriu, sentindo o estômago roncar — O dono pega depois.
Winter deu de ombros colocando o cobertor dobrado em cima da poltrona. Arrancou um pedaço de pergaminho, escreveu um obrigada e deixou para quem quer que fosse pegar de volta.
— Vamos, vocês ainda tão me devendo um chocolate — entrelaçou os braços nos dos gêmeos, formando uma corrente humana, e saíram saltitando para o grande salão.

— A gente podia jogar um quadribol agora que temos um tempo livre, — George sugeriu — dá pra pedir pro Carlinhos pegar as bolas e jogar com a gente e a gente treina pra batedor.
— Dois batedores e dois apanhadores — franziu as sobrancelhas — Isso não dá um time.
— Dois apanhadores? — Fred perguntou, fazendo revirar os olhos.
— Vocês não esperam que eu jogue de outra coisa, né?
— Você pode jogar de artilheira, não é ruim e você é rápida.
Ela considerou.
— Ta, realmente não é ruim, agora onde achamos um goleiro?
Se entreolharam sabendo que isso sim seria um problema. Claro, não achar alguém que quisesse jogar quadribol, mas alguém que quisesse jogar com eles.
— Carlinhos deve saber de alguém — um dos gêmeos falou, incerto — vamos logo atrás dele.
Abriram o mapa e o garoto estava sozinho no lago negro. Correram até lá.
— Oi! — falaram juntos — Você consegue pegar o material de quadribol pra gente treinar?
O ruivo levou um susto.
— Um por vez — pediu, contendo o impulso de gargalhou — e eu posso tentar, mas eu não sou o capitão do time.
Eles tentaram se acalmar, falando um por vêz.
— Você não é ainda começou.
— Além disso — Fred continuou — O McLawer forma esse ano e certeza que você fica no lugar dele na próxima temporada.
Charles riu, realmente McGonagall já o tinha convidado para ser o capitão do time no ano seguinte, e ele tinha aceitado. Mas não tinha contado isso pra ninguém ainda.
— Vou falar com a professora McGonagall, se ela der permissão, tudo bem.
— Brilhante — gritaram.
— Também precisamos de um goleiro — apontou — Conhece alguém?
O ruivo coçou o queixo, pensativo.
— O Turner não deve querer jogar, já é difícil convencê-lo a participar dos treinos.
— E é por isso que eu não faço os testes para o time — a menina riu — Por isso e para não te tirar do posto de apanhador, é claro.
Carlinhos riu.
— Tem um menino da sala do Percy que quer fazer o teste para goleiro no ano que vem, McLawer estava comentando esses dias, parece que ele é completamente obcecado por quadribol. O que vocês acham?
— Pela gente tudo bem — falaram juntos novamente.
— Então vou falar com a McGonagall para pegar as bolas e se ela deixar eu convido ele. De qualquer jeito esperem no campo que encontro vocês lá.

Estavam na grama, deitados e conversando, quando viram dois garotos a distância. Carlinhos e o outro, que imaginavam ser o menino da sala de Percy, vinham carregando suas vassouras e uma maleta.
— Oliver, esses são Fred e George Weasley e Winter — Charles falou, apontando para o trio — Pessoal, esse é Oliver Wood.
— Oi — falaram juntos.
— E então, — Wood falou, tímido — vocês vão jogar de que?
— Batedores — Fred e George falaram.
— E eu de artilheira.
— Então é em você que eu tenho que prestar atenção? — Wood sorriu.
gargalhou.
— Sempre é em mim que precisam prestar atenção — piscou sorridente.
— Eu também vou jogar de artilheiro — Carlinhos interrompeu — Não faz sentido jogar só com um artilheiro e um apanhador — explicou para Winter, que abriu a boca para questionar — Alguém precisa tirar a bola de você. Fiquem em suas posições que eu vou soltar a bola. Fred, você precisa impedir a de chegar até o Wood, ok? — o ruivo mais velho apontava para partes do campo — George, você vai me impedir de fazer o mesmo.
— Entendido!
Os garotos voaram para suas posições.
, eu contra você, quem marcar mais ganha.
— Fechado — a garota gritou de volta.
— Três, — o Weasley mais velho gritou — dois, vai!

E o jogo tinha começado.
Carlinhos deixou que começasse com a goles já que ele liberou o balaço, mas fazer algum ponto nesse jogo seria mais difícil do que ela pensou inicialmente. Wood era muito bom, bem melhor do que ela tinha imaginado. Voava rápido, tinha uma pegada firme e arremessava a goles o mais longe possível dos aros, o que no caso era bem longe.
O garoto estava pensando a mesma coisa. Winter era rápida e arremessava com precisão. Estava se esforçando mais do que o normal para conseguir impedi-la. Carlinhos também não era fácil. Em seu primeiro arremesso quase deixou o ruivo marcar. O que o salvou foi que George quase o acertou com o balaço e desviar diminuiu consideravelmente a força do arremesso.
— George — gritou vendo novamente Carlinhos chegar perigosamente perto de Wood. Não precisou dizer mais nada.
— Deixa comigo — o ruivo gritou de volta batendo o balaço na direção do irmão. Estavam jogando apenas com um balaço pela quantidade de pessoas.
Carlinhos teve que voar para longe para desviar, ainda com a goles em mãos.
— Fred, o que você está fazendo? — gritou bravo, era o segundo que quase o acertava tão perto dos aros.
— Tentando — o irmão gritou de volta. Dessa vez ao invés de mirar , mirou George.
A garota aproveitou a oportunidade para emparelhar a vassoura junto com Carlinhos, o empurrando para a esquerda e tentando que derrubasse a goles.
— Pronto para perder de novo, Weasley?
— Essa é a minha área, Winter. Mas você pode tentar.
Dessa vez a grifinória o empurrou com mais força vendo o balaço vir na direção dos dois. Talvez ela tenha usado muita força ou talvez o Weasley não esperava ser empurrado. Mas o que aconteceu foi que ele deixou a goles cair. Winter inclinou a vassoura para o solo, precisando ficar de ponta cabeça para conseguir segurar a bola. Precisaria de alguns segundos para se virar novamente e isso ajudaria Wood a se preparar. Ela não deixaria isso acontecer.
— George! — gritou de novo — Agora!
George bateu o balaço na direção do goleiro que acabou não prestando atenção na garota que vinha voando na direção oposta.
Carlinhos 0 x 10 .
— Desculpa Oli — a garota riu, deixando escapar uma espécie de apelido no calor do momento — Foi necessário.
Oli?
O apelido deu um incentivo a mais para o Weasley artilheiro, que não demorou a pegar de volta a goles e a arremessar com tanta força para dentro do aro que ao tentar segurá-la, Wood também entrou dentro do mesmo.
Carlinhos 10 x 10 .
— Boa Charles! — Winter aplaudia a jogada. Realmente fora incrível — Agora senta ai e me assiste ganhar.
Não foi bem o que aconteceu. Todos pareciam mais concentrados no jogo agora que os primeiros pontos foram feitos, inclusive Oliver. Se quisesse realmente entrar para o time no ano seguinte teria que treinar mais e essa era a oportunidade perfeita. Não tirou os olhos da goles por mais nenhum segundo, era melhor receber um balaço do que deixar outra bola entrar.
Jogaram por mais duas horas até que começou a anoitecer. A barriga dos meninos roncavam e por mais que não queriam admitir já estavam meio cansados. não queria desistir, estava perdendo por 20 pontos e sabia que poderia recuperar rápido agora que ninguém ali pensava em outra coisa que não fossem tortilhas. Mas quando ouviu a barriga de um dos gêmeos resolveu parar.
Não ia sacrificar a alimentação dos amigos por causa de alguns pontinhos e além disso, estava louca para ir ao salão principal e ver o que tinha para o jantar. Esperava que tivesse sopa de abóbora, estava meio frio.
— Pessoal — respirou fundo, gritando para que todos pudessem ouvir — Vamos parar por hoje?
— Então tá aceitando a perda? — Carlinhos provocou.
— O que eu estou aceitando é que se minha barriga não estiver cheia na próxima meia hora eu provavelmente vou desmaiar — deu de ombros — E desmaiar a quinze metros de altura não me parece uma ideia muito boa.
— Vamos guardar tudo e jantar — os gêmeos disseram.
— Vamos — Wood concordou agarrando o balaço que vinha em sua direção.
Só quando todos estavam no solo que perceberam o quanto estavam cansados. Ficaram tanto tempo voando que precisaram fazer o dobro do esforço para conseguir andar.

— Parabéns Weasley — sorriu para Carlinhos, que sorriu de volta — No próximo jogo eu prometo ganhar de você.
— Não conte com isso.
— E você é um excelente goleiro, Oliver — ela continuou — Somos muito sortudos por você entrar no time no ano que vem.
O garoto corou.
— Bom, ainda tenho que treinar mais, passar pela seleção e…
— Tenho certeza que estará no time — ela interrompeu.
— Sim, você é ótimo — os gêmeos concordaram.
— Vem, meus batedores — colocou os braços em torno de Fred e George para caminharem juntos — Vamos ver se tem sopa de abóbora para o jantar, estou faminta.
Os garotos se dirigiram para o grande salão, deixando Charles e Oliver para trás os observando.
— Eles são sempre assim? — Wood perguntou rindo.
Charles gargalhou.
— Você nem imagina o quanto.



Capítulo 10

Já faziam dois dias que tinha mandado a carta e até agora não tinha recebido uma resposta de Aaron. achava estranho que seu tio demorasse tanto e se recusava a acreditar que de novo ele tinha perdido sua carta no meio de outros papéis. Resolveu então contar suas preocupações para os gêmeos.
— Aaron ainda não respondeu minha carta, já fazem dois dias — contou durante o café da manhã.
— Será que ele perdeu de novo?
— Eu tava pensando nisso, — a garota balançou a cabeça — mas seria muita falta de consideração.
— E se pra se desculpar ele te mandasse o dobro de chocolate?
— Ai não seria tão ruim — ela riu considerando.

Enquanto isso na casa dos Winter, Aaron andava desesperado de um lado para o outro. Tinha recebido uma carta de sua sobrinha a dois dias e mandado uma carta a Dumbledore a um. Precisava ver a menina. Precisava abraçar sua pequena e matar a saudade. Não imaginava que seria tão difícil para ele quando ela finalmente fosse para Hogwarts. Tinha arrumado um emprego incrível para se manter ocupado e isso tinha funcionado até o Natal, mas ter ela por perto aqueles dias só tornou mais difícil tê-la longe o resto do ano.
Pensou em mandar a carta da menina como argumento para Dumbledore, mas sabia que colocaria a garota em encrenca. Pelo menos parecia que ela estava se aventurando pela floresta proibida, fazendo poções avançadas escondidas e isso se ela não tivesse arrumado um jeito ilegal de arrumar os ingredientes. Pensando bem, ele precisava ter uma conversinha com a sobrinha sobre seguir regras.
Mas isso também não significava que ele não tentaria manipular os sentimentos do diretor para que pudesse fazer uma visita a , mesmo sendo incomum a presença de pais em Hogwarts. Só que ele não era pai dela, não é mesmo? Sabia também que Dumbledore é esperto demais para ser manipulado desse jeito, mas esperava que o professor valorizasse a tentativa.
A carta foi mais ou menos assim:

Prezado diretor Albus Dumbledore,

Escrevo essa carta decorrente de uma carta que recebi da minha sobrinha esta manhã. Além de falar sobre como as coisas estão bem em Hogwarts ela menciona algo que considero preocupante. Em suas palavras: “Fazem dias que não nos falamos e sinceramente eu queria estar em casa. Não que eu não ame Hogwarts, mas sinto sua falta todos os dias. E agora que eu percebi que talvez não deveria ter dito isso”. Ela estar mais preocupada sobre como vou me sentir ao invés de se preocupar em desabafar diz muito sobre ela, mas também me faz pensar o que ela pode estar omitindo coisas para não me deixar preocupado.
Sei que não é um pedido usual, mas é o pedido de um tio desesperado. Não consegui pensar em outra coisa que não fosse ela o dia inteiro. Depois de tudo o que aconteceu, ela estar longe de casa está sendo mais difícil do que eu poderia ter imaginado. Comecei a trabalhar no ministério para ocupar um pouco a cabeça e não pensar tanto na menina, mas a única coisa acontecendo é que não estou conseguindo me dedicar como deveria ao departamento de pesquisa e limitação de Dragões. Minha sorte é que eu tenho muito tempo livre como chefe e não me orgulho de dizer que tenho usufruído dele mais do que deveria. Mas preciso encontrar um jeito de me dedicar e me concentrar.
Depois do desabafo, venho pedir que me autorize a visitar . Só ver a garota por algumas horas, é tudo o que nós dois precisamos.
Grato desde já,
Aaron Winter


Não sabia o que Dumbledore diria. Mas se ele concordou que uma criança de 14 anos voltasse para sua casa todas as noites, porque não deixaria que ele desse um pulinho lá? Qualquer coisa não teria problema nenhum em vestir seu antigo uniforme e se passar por um aluno. Ele ficava muito bonito de verde.
A resposta de Dumbledore chegou quando o Winter desistiu de ficar encarando a janela esperando Cookie chegar. A coruja entrou como se estivesse com pressa e piou manhosa. Aaron acariciou suas asas antes de desamarrar o bilhete de suas penas. Sabia que a viagem tinha sido longa, mas não conseguiria pensar em água e petiscos enquanto não soubesse a resposta de Alvo.
Sinceramente o bilhete de Dumbledore o deixou um pouco decepcionado.

Prezado Aaron,

Pedi para que ligassem sua lareira a de meu escritório.
Atenciosamente,
Dumbledore.


— Sempre um homem de poucas palavras — deu de ombros, rindo — Mas melhor do que receber um não.
Pegou a maior quantidade de chocolates que conseguiu carregar, todos os papéis de carta que viu em sua frente e a coruja. Entrou na lareira e falou alto e claro:
— Sala do diretor, Hogwarts.

— Dumbledore? — falou assim que chegou, mas viu que estava sozinho. Bem, não tão sozinho — Oh, oi Fawkes, quanto tempo — acariciou as penas da fênix. Cookie piou com desaprovação.
Já fazia um bom tempo desde a última vez que tinha estado no escritório de Dumbledore, mas nada tinha mudado. Pegou uma bala de limão e resolveu esperar sentado na poltrona para ver se tinha permissão para sair ou se seria levada até lá.

O trio estava deitado perto do lago analisando o mapa quando viram Dumbledore vindo em sua direção. O que o diretor estava querendo?
— Malfeito, feito! — sussurrou escondendo o mapa entre as vestes, mas não antes de ver um pontinho escrito Aaron Winter na sala do diretor. Espera, Aaron?
— Senhorita Winter — o diretor chamou — Poderia me acompanhar por favor?
Teria acontecido alguma coisa? Dumbledore descobriu sobre as idas a floresta proibida? Ou a pequena brincadeira com a professora Minerva? Porque tinha chamado seu tio?
Chegaram à sala do diretor e Aaron se virou na poltrona.
— Diretor, eu gostaria de saber se… ?
Dumbledore sorriu.
— Eu sabia que viria correndo assim que a carta chegasse, então me adiantei chamando a menina.
— Não sei como eu ainda fico surpreso com suas percepções — Aaron riu — Eu queria agradecer por ter permitido minha presença.
— Uma vez ou outra não faz mal algum, só não pode se tornar frequente.
— De acordo.
que olhava atentamente de um para o outro, resolveu interromper.
— Aconteceu alguma coisa?
Dumbledore, que estava com a mão no ombro da grifinória, apertou gentilmente o lugar.
— Aconteceu — Aaron disse — Li sua carta e não aguentei de saudades — riu levemente envergonhado — Vem dar um abraço no seu tio.
saiu correndo e se jogou nos braços de Aaron. Como sentia falta daquele abraço. Dele a colocar na cama todas as noites e ler histórias para dormir. Aquele abraço dava a coragem que ela precisava para fazer qualquer coisa.
Ficaram quase uma hora conversando. comeu alguns dos chocolates que Aaron tinha trazido e algumas das balas de limão do diretor. Por incrível que parecesse para a menina, Dumbledore também se sentou com eles para conversar. E o diretor era bem divertido.
— Agora acredito que tem mais pessoas que querem te ver — o diretor riu — Fiquem à vontade para passear pelo castelo. Posso pedir para religar a lareira à noite, depois do jantar?
— Seria ótimo!
— Então estamos combinados, vejo vocês dois mais tarde.
— Muito obrigado, Dumbledore.

esperava que os meninos ainda estivessem no lago, já que não podia pegar o mapa perto de Aaron. Por sorte eles mal tinham se mexido. Quando os gêmeos viram o homem, saíram correndo para o abraçar.
— Oi meninos — o Winter tinha um Weasley agarrado em cada perna — Vocês estão bem?
— Simmmm, você trouxe chocolate? — falaram juntos.
— Vocês estão ótimos — riu desacreditado, entregando a caixa para os meninos.
Ficaram um tempo brincando deitados na grama até que chegasse a hora do almoço. Aaron sentou com eles na mesa da Grifinória, o que particularmente era bem estranho para o homem. Alguns garotos da Sonserina acenaram quando o viram e se levantou para cumprimentar os antigos colegas de casa. Se lembrava dos garotos do último ano de quando ainda estava em Hogwarts. Mas voltou o mais rápido que pôde para a mesa da Grifinória, queria passar o maior tempo possível com sua sobrinha. Carlinhos chegou na mesa pouco depois de Aaron voltar.
— Aaron — abraçou o homem — O que você tá fazendo aqui? Vai ficar quanto tempo?
— O dia todo — sorriu — Como estão as coisas, Carlinhos?
— Estão ótimas! As matérias estão difíceis mas são bem divertidas e eu sou monitor e entrei para o time de quadribol como apanhador! — despejou de uma vez tudo o que não conseguiu contar durante o Natal.
— Isso é ótimo — sorriu — O que me lembra que eu trouxe uma coisa para você. Encontramos um ninho de dragões na Romênia e o acompanhamos até a eclosão dos filhotes. O que você acha de algumas fotos de todas as etapas?
Os olhos do ruivo brilhavam.
— Sério? Posso ficar com elas?
Aaron riu.
— Mas é claro. Essa é a intenção.
Charles abraçou Aaron novamente e se sentou ao lado de e o Winter mais velho não conseguiu deixar de reparar na proximidade dos dois. Principalmente no momento em que enfiou o garfo no prato do ruivo roubando uma batata e ele gargalhou, cutucando suas costelas.
Aaron voltou seu olhar para os gêmeos que estavam alheios conversando sobre quadribol com um outro garoto e voltou a observar sua sobrinha. Carlinhos percebeu que estavam sendo encarados e se afastou lentamente da amiga, se concentrando em seu almoço, mas não pareceu perceber o distanciamento. Aaron estava entendendo direito a situação? Não sabia se ria ou se ficava preocupado. Se limitou a sorrir.
— O que acham de visitarmos o Hagrid depois do almoço? — sugeriu.
— A gente pode ir lá? — o trio perguntou.
— Claro que sim, não acredito que não o visitaram até hoje. Ele tem as melhores histórias sobre todos os tipos de criaturas mágicas.
— Aceitamos!
— Charles?
— Eu tenho treino de quadribol a tarde inteira. Vocês podem passar lá mais tarde, o que acham?
— Parece ótimo.
Se despediram de Carlinhos e foram na direção da cabana.

Aaron bateu três vezes, e então ouviram um cachorro latir e passos pesados virem em direção a porta.
— Não esqueçam o que eu disse — sussurrou para apenas as crianças ouvirem — Não importa o que ele falar não comam a comida. A intenção é das melhores mas o gosto não chega nem perto.
Hagrid abriu a porta confuso. Fazia tempo que não recebia nenhuma visita.
— Aaron? — se adiantou o abraçando, o homem quase desapareceu no abraço do meio gigante — Aconteceu alguma coisa? — disse preocupado.
— Vim ver a — deu de ombros — e resolvi te ver também.
— Isso é ótimo — Hagrid sorria — Eu vou fazer um chá para a gente, tem biscoitos e…
— Não precisa, acabamos de almoçar e vai ser só uma visita rápida, para colocarmos a conversa em dia. Trouxe e os gêmeos comigo.
Rubeus abraçou os três de uma vez.
— Fico tão feliz que estejam aqui.
— Nós também — falaram em coro.
— Charles estava com a gente, — Aaron continuou — mas não pôde vir. Ele tem treino de quadribol a tarde toda.
— Esses treinos são tão puxados — Hagrid concordou, compreensivo — Na sua época não era assim…
— Na verdade, até era, — ele riu — mas a Sonserina nunca gostou da ideia de passar uma tarde inteira no sol sem necessidade. Treinávamos sempre à noite. E como estão as coisas Hagrid? Tem criado alguma coisa legal ultimamente?
O gigante sorriu.
— Ainda estou atrás de um ovo de dragão, você sabe…
— Vejo que ouviu falar sobre meu cargo no ministério — Winter gargalhou — Meu amigo, você sabe que eu adoraria realizar seu sonho. Mas a criação de dragões em cativeiro é extremamente perigoso e eu não permitiria que chocasse um ovo na cabana. O que eu posso fazer é te levar para a minha próxima expedição se prometer que não vai pegar nenhum ovo escondido.
— Eu posso tentar — Rubeus sorriu maroto.
— Senhor Hagrid — chamou, dando um passo à frente — Porque gosta tanto de dragões?
Seus olhos brilharam.
— Ora, por um milhão de motivos! Primeiro porque são criaturas lindas. Já viu um dragão de perto? É majestoso. As escamas até brilham. E os ovos… Os ovos dos dragões são magníficos…

A visita não foi rápida. Pelo contrário, passaram quase toda a tarde na cabana e mal pegaram o final do treino de quadribol. Foi difícil se despedir de Hagrid. Não conseguiram sair até prometerem pelo menos três vezes cada um que voltariam mais vezes e que na próxima vez aceitariam o chá.
O treino acabou em meio a gritos e aplausos dos meninos, parabenizando o apanhador. Esperavam que ele não tivesse percebido que eles tinham acabado de chegar.
— O que acharam?
— Explêndido!
— Fabuloso!
— Extremamente incrível!
— Você é um apanhador excelente — Aaron sorriu — E aparentemente tem três fãs bem fiéis.
O Weasley não poderia ter ficado mais feliz com os elogios.
— Já podemos ir jantar? — perguntou.
— Podemos sim! Vocês três podem ir na frente para eu conversar um pouco com o Charles?
— Claro.

Por mais que o tom de Aaron tenha sido amigável, Charles sentia que estava encrencado. E infelizmente achava que sabia o porquê.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou inocente.
— Porque todo mundo tá me perguntando isso hoje? — Winter sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos — Mas aconteceu sim, eu queria te perguntar umas coisas.
— Pode perguntar.
O homem parou de andar e se virou para o mais novo.
— Ok, vou direto ao ponto. O que você está sentindo pela ?
Carlinhos engasgou e sentiu seu rosto ficar vermelho instantaneamente. Aaron conteve uma gargalhada, precisava se manter o mais sério possível por mais difícil que fosse. E estava sendo bem difícil, já que apenas uma frase deixou o garoto apavorado. Não sabia que tinha esse poder, mas agora o usaria mais vezes.
— Somos amigos — gaguejou.
— Ah é, eu tive várias amigas assim também, — revirou os olhos — vamos logo com isso, garoto. Você tá afim da minha garotinha?
Charles engoliu em seco.
— Um pouco?
— Um pouco.
— Talvez mais do que um pouco?
Aaron bufou, passando as mãos pelo cabelo.
— Você sabe que ela tem onze anos, não é?
— E eu jamais deixaria ela saber que isso passa de amizade, juro por Merlin. Mas sejamos razoáveis, Aaron. Não dá pra controlar o que se sente.
O homem deixou escapar uma risada, ele parecia um adulto falando.
— Espero que entenda meu tom de voz. ainda é só uma criança e você um adolescente ruivo cheio de hormônios. Não me obrigue a ter aquela conversa com você!
Ele parecia cada segundo mais desesperado.
— Por favor, não vai ter a menor necessidade. Eu entendi!
— Bom garoto — Aaron colocou o braço no ombro do ruivo, colocando mais força do que era necessário.
— Isso foi um pouco constrangedor — Carlinhos comentou quando voltaram a andar.
— Você nem imagina — Aaron riu — E se eu ficar sabendo de alguma coisa, além de ser constrangedor vai ser bem dolorido. .
— C-certo — gaguejou novamente.
Aaron sorriu.
— Mas então, mudando de assunto. Você está com fome?

No jantar, Carlinhos se sentou ao lado de seus irmãos. Novamente não reparou, embora achasse que o ruivo parecia um pouco pálido, mas todos os ruivos não eram?
— Como eu senti saudade da comida de Hogwarts — Aaron comentou — São as melhores batatas assadas da minha vida.
— As tortas de abóbora também — falou de boca cheia — Eu comeria até virar uma grande bomba de torta de abóbora e explodir.
Os gêmeos encararam . Uma bomba de torta de abóbora? Eles estavam pensando a mesma coisa? Precisavam pensar nisso mais tarde. Aaron observava a cena com atenção.
— Se algum lugar de Hogwarts explodir com tortas de abóbora eu vou saber que foram vocês — Aaron sussurrou no ouvido da sobrinha.
— Agora você é capaz de ler mentes? — ela sussurrou de volta.
Na verdade ele era, mas não que fosse o caso.
O dia passou mais rápido do que imaginavam e já estava na hora de se despedirem. Carlinhos murmurou alguma coisa sobre ser monitor e saiu o mais rápido possível de perto do homem, que novamente precisou engolir a risada. No Natal daria qualquer coisa de dragões para fazerem as pazes. O trio abraçou suas pernas e ficaram lá, sem querer soltar. Dumbledore apareceu atrás dos garotos.
— Sempre é difícil dizer adeus, não? — o diretor sorriu.
— Acho que o senhor se lembra — Aaron riu pensando em quantas vezes não tinha chegado emburrado em Hogwarts por não querer deixar a garota com Nero, ou nas vezes que o próprio Dumbledore precisou ir até sua casa o obrigar a ir pra aula e ameaçar que não o deixaria mais dormir fora do castelo. E pensar que tinha gente que achava que o diretor era um velhinho fofo e bondoso. E pensar que ele achava que Dumbledore era fofo e bondoso. Patético.
— Você precisa mesmo ir? — o abraçou mais apertado.
— Vem cá — se abaixou para ficar na altura da menina — Eu te amo. Mais do que qualquer outra coisa no mundo. E estou o tempo todo pensando em você, tudo bem? Sempre que pensar em mim eu também vou estar pensando em você e também vou estar com saudades. Nos vemos logo.
— Tudo bem — queria chorar. Por mais que reclamasse que era solitário ser sempre apenas ela e Aaron, odiava mais do que qualquer coisa não ter ele o tempo todo por perto.
— Tchau meninos — Winter abraçou os gêmeos e bagunçou seus cabelos — Não aprontem muito até eu voltar a vê-los.
— Não prometemos — sorriram.
— Vamos? — Dumbledore sugeriu, mas os quatro sabiam que não era realmente uma sugestão.
— Vamos — Aaron concordou, dando um último abraço em e indo em direção ao escritório.
estava triste por seu tio ter que ir embora, mas estava muito feliz por ele ter vindo. O resto da noite os meninos ficaram conversando sobre a melhor forma de fazer uma bomba de torta de abóbora. As aulas de feitiço precisavam de um pouco de ação.
Naquela noite, mesmo longe um do outro, os Winters tiveram a melhor noite de sono dos últimos tempos.





Continua...



Nota da autora: O Aaron é tudo pra mim, eu não aguento!! É o tio/responsável que imagino que todo mundo gostaria de ter. Mas e aí, o que vocês acharam?? Me conta aqui embaixo e obrigada por ler!! Gosta da Sophie e não quer esperar até a próxima atualização? Ela também aparece nas fanfics "kisses", before all e black and diggory III! Todos os links estão aqui embaixo.
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