Capítulo Único
não fugiu. Ele só... precisava de espaço.
Desde que e assumiram o namoro, os dois agiam como se nada tivesse mudado. Mas pra ele, tinha. Não que fosse contra — já tinha se resolvido com isso, ou pelo menos era o que dizia pra si mesmo — só que ver os dois juntos o tempo todo, como se sempre tivesse sido assim, fazia algo dentro dele gritar.
Então, quando a oportunidade apareceu, ele não pensou duas vezes.
— Só uns dias, . Vai te fazer bem — insistiu, com aquele tom doce que usava quando queria convencê-lo de algo.
— É. Talvez eu precise mesmo sumir por uns dias.
E sumiu.
A ilha era tudo o que prometiam nas fotos: natureza por todos os lados, festas sob o luar, gente de alma livre e sorrisos escancarados. chegou sem planos, sem roteiro, sem expectativas. Só queria esquecer o incômodo que latejava no fundo do peito.
Mas o destino não é sutil.
Na segunda noite, teve um luau na praia. Fogueira acesa, cheiro de sal e fumaça no ar, uma batida grave que fazia o chão vibrar sob os pés descalços. encostou na areia com uma cerveja na mão, tentando se sentir parte daquilo.
Foi quando ela apareceu.
Cabelos soltos, pele dourada, vestido esvoaçante e o olhar de quem não pedia permissão pra existir.
Ela dançava como se o tempo não passasse. E quando os olhos dela encontraram os dele, foi como ser atravessado por um raio. Um raio laser. Colorido, intenso, impossível de ignorar.
Ela se aproximou sem hesitar.
— Nunca te vi por aqui. Você é da ilha? — perguntou, com um sorriso enviesado.
— Vim escapar um pouco da minha vida — respondeu, ainda meio hipnotizado.
— Então achou o lugar certo. Aqui a gente não escapa da vida. A gente vive. Quer tentar?
Ele não respondeu. Só estendeu a mão.
Ela aceitou.
O som do mar embalava a madrugada, abafando as conversas e risos espalhados pela praia. caminhava ao lado dela, sem saber exatamente pra onde iam, mas também sem querer saber. O caminho pouco importava.
— Você sempre vem nesses litorais pra fugir da realidade? — ela perguntou, com um tom leve, como quem não julga.
— Primeira vez. — Ele deu de ombros. — Meus problemas costumam viajar comigo.
Ela riu, jogando o cabelo pro lado com graça.
— O que te trouxe até aqui, então?
— Um casal.
— Uau, tá em um triângulo amoroso? — Ela arqueou uma sobrancelha.
— Não. — Ele riu de verdade pela primeira vez em dias. — Minha irmã e meu melhor amigo... eles começaram a namorar. E eu meio que fui o último a saber.
— E isso te incomoda?
— Não mais do que deveria. — Ele chutou uma pedra pequena na areia. — Só que... sei lá. Era como se o mundo tivesse mudado de lugar e eu não tivesse sido avisado. E ver os dois juntos, tão certos, tão... confortáveis, me fez sentir meio fora de tudo.
— Às vezes a gente precisa sair do nosso eixo pra se reencontrar. — Ela assentiu, compreendendo mais do que parecia.
— É. Acho que é por isso que tô aqui.
Pararam diante de uma pedra grande, onde ela subiu com facilidade e sentou, cruzando as pernas. Ele ficou em pé à frente, observando-a.
— E você? Vive aqui?
— Há três anos. Vim visitar uma amiga e nunca mais fui embora.
— E antes?
Ela sorriu com um toque de nostalgia.
— São Paulo. Vida corrida, publicidade, reuniões, pressão. Eu era uma engrenagem numa máquina que nunca parava. Um dia, pedi demissão e vim pra cá. Hoje eu trabalho com produção de eventos e festas da ilha. E nas horas vagas, dou aulas de dança. — Ela piscou. — Liberdade tem dessas coisas.
sorriu de volta, sentindo um calor estranho no peito. Ela era como um sopro de ar fresco. Sem peso, sem julgamento, sem pressa.
— Você é diferente.
— Você também. Tem uma sombra nos olhos, mas acho que ela tá começando a se dissipar.
Ele não respondeu de imediato. Subiu na pedra ao lado dela, os joelhos quase se tocando.
— Quando você dançava mais cedo... parecia que tudo ao redor desaparecia.
— Porque desaparecia mesmo. — Ela olhou pra ele com intensidade. — Aqui, a gente vive o momento. Se entrega ou perde.
Silêncio.
Os olhares se encontraram por tempo demais.
E quando ele se inclinou, não foi uma decisão. Foi inevitável.
O beijo veio com gosto de sal e desejo guardado. Lento, firme, explorando como quem encontra algo raro. As mãos dele em sua cintura, as dela em seu pescoço. A conexão, imediata.
Ali, naquele instante, não pensava em , nem em , nem em obrigações, nem em ser o irmão que ficou pra trás. Ele só sentia. E era bom. Tão bom que doía.
Ela se afastou por um segundo, os olhos fixos nos dele.
— Se você quiser só um verão, tudo bem. Mas se quiser mais... eu sou intensa. E não gosto de metades.
Ele não hesitou.
— Eu também não.
A brisa do mar ficava mais quente conforme a noite avançava, como se a ilha inteira estivesse prestes a explodir em calor e desejo. A música do lual se tornava um eco distante, enquanto e se afastavam ainda mais da fogueira, guiados apenas pela tensão entre os dois.
Ela o puxou pela mão, sorrindo como quem tem um segredo.
— Vem. Quero te mostrar um lugar.
— E se for uma armadilha?
— Então você tá perdido. — Ela piscou, caminhando de costas, os pés descalços na areia.
Chegaram até uma trilha de pedras que levava a uma clareira escondida entre as árvores. Ali, o mar beijava a areia com delicadeza e a lua cheia refletia no oceano como um espelho prateado.
— Aqui é só meu. — disse, parando de frente pra ele. — Ninguém vem nesse canto da ilha. Nunca trouxe ninguém... até hoje.
se aproximou devagar, o peito subindo e descendo com a respiração descompassada.
— E por que eu?
Ela deu de ombros, os olhos brilhando na penumbra.
— Porque você tá jogando luz até no meu escuro.
O beijo veio de novo, mas dessa vez com urgência. Com fome.
As mãos dele a envolveram com firmeza. Ela deslizou as unhas pela nuca dele e gemeu baixinho quando suas bocas se encontraram com mais desejo do que antes. As línguas dançaram em sintonia, como se já se conhecessem há anos.
— Você me enlouquece. — Ele murmurou contra os lábios dela.
— Então enlouquece comigo.
Ela o empurrou suavemente até uma pedra larga coberta de areia fofa. caiu sentado e ela o montou, as pernas apertando suas laterais, o vestido esvoaçando ao redor deles como véu.
Ela o beijou de novo, mais lento, mais profundo. As mãos dele agora passeavam pelo corpo dela por debaixo do vestido e ela mordiscava de leve a orelha dele, passando os lábios pelo local.
— Tem uma camisinha no meu bolso. — Ele disse ofegante, enquanto ela rebolava sobre o colo dele e a bermuda leve de tactel deixava evidente que ele queria ela rebolando com o pau dele dentro dela.
não disse nada, desceu a mão para o bolso dele, puxou o preservativo, abriu a embalagem com destreza e se levantou para que ele puxasse seu pau para fora e o envolvesse ele no látex, para que ela voltasse a posição inicial, dessa vez afastando a calcinha para o lado e se encaixando nele, rebolando lentamente e ouvindo os gemidos baixos dele. Começou o sobe e desce, rápido e forte, os únicos barulhos ali eram dos corpos se chocando, das ondas quebrando e do vento soprando as folhas secas pelo chão. A luz da lua deixava tudo mais íntimo. O barulho das ondas, as respirações ofegantes, o som abafado dos beijos. As mãos exploravam, os corpos se colavam, e por um instante parecia que o tempo parava pra assistir os dois ali. Quanto mais ele gemia baixo, mais rápido ela aumentava a velocidade das sentadas. Dado momento , que tinha as mãos nas cintura dela auxiliando na sobe e desce, parou o corpo dela em um sinal para ela se levantasse. ficou em pé, apoiou em uma pedra grande e se empinou para ele, se aproximou levantando o vestido dela e afastando sua calcinha, então a penetrou pela segunda vez, mas dessa vez ele foi calmo e lento, com estocadas fundas e demorado. A cada investida ele a ouvia gemer manhoso e pedir por mais. Ela levou uma de suas mãos livres para a própria intimidade se estimulando enquanto as estocadas não paravam, pelo contrário, iam cada vez mais rápidas e fortes, os gemidos que ecoavam pelo local eram cada vez mais altos e longos. Eles gemiam na mesma sintonia, só que em tons diferentes. estava sentindo seu ápice chegar, sentiu as pernas perderem a força, e sentiu como se algo explodisse dentro dela e sentiuser inundada por uma onda de prazer. Ela gemeu tão gostosinho, que não conseguiu se segurar e gozou também, segurando seu corpo ao dela, até que as respirações desreguladas se estabilizassem.
— Parece um paraíso só nosso. — Ele disse, com o corpo colado no dela.
— Porque é.
Foi naquela noite, naquele canto esquecido do mundo, que algo dentro de começou a mudar. Uma fagulha acendeu, queimando devagar.
O sol já se despedia no horizonte quando a viu novamente.
estava sentada no deck do café da praia, pés descalços balançando no ar, cabelo solto e um copo de suco de manga na mão. Parecia saída de um sonho bom.
Ele parou diante dela com um meio sorriso e os olhos mais cansados de quem mal dormiu, mas ainda assim... feliz.
— Achei que fosse só magia da lua. — ela disse, antes que ele falasse qualquer coisa.
— E se for? — ele rebateu. — Acho que eu quero viver isso mais umas vezes.
Ela sorriu, encantada. O silêncio entre eles era leve.
se aproximou, ficando entre os joelhos dela, apoiando as mãos no deck.
— Hoje é minha vez de te levar em um lugar. — ele disse.
— Ahn? Vai me sequestrar?
— Mais ou menos. — Ele riu. — Um amigo me recomendou um lugar antes da viagem... e acho que agora é o momento certo.
arqueou a sobrancelha, curiosa.
— Tô começando a gostar desse mistério.
— Então vem. Prometo te devolver inteira. Ou quase.
Ela riu e pulou do deck, aceitando a mão dele.
O trajeto foi rápido. Pegaram o buggy de e foram para o outro lado da ilha, onde o mar sumia e a estrada de terra dava lugar a uma pequena construção escondida entre coqueiros.
Era discreto, mas charmoso. O letreiro aceso em rosa vibrante dava o tom da noite: Blue Moon Motel.
soltou uma risada surpresa quando desceram do carro.
— Isso é sério?
— Ué. Disse que queria viver a magia da lua de novo, não disse?
Ela mordeu o lábio inferior, entre provocada e ansiosa.
O quarto era como um universo paralelo. Luz azul neon refletindo nas paredes, lençóis claros, uma cama grande no centro e espelhos nas laterais.
girou uma vez no meio do cômodo, como se estivesse absorvendo o lugar. trancou a porta e encostou ali, observando.
— E aí? — ele perguntou.
— Tá perfeito. — Ela respondeu, e a voz veio mais baixa, mais grave. — Pra perder o juízo.
Eles se encararam por segundos que pareceram horas. Então ele foi até ela e a puxou pela cintura.
O beijo explodiu.
Se a noite anterior foi mágica, essa era elétrica. A pele arrepiava, os suspiros vinham altos. As roupas foram caindo devagar, espalhadas pelo chão, como camadas de controle sendo deixadas de lado.
Os corpos se encaixaram como se tivessem sido feitos pra isso.
— Amor... você tirou minha paz. — ele murmurou entre beijos na pele dela, os olhos dela brilhando no neon.
Ela puxou o rosto dele pra mais um beijo.
— Então me deixa te tirar o resto.
E naquela cama de motel, com a luz azul banhando tudo ao redor, eles deixaram de ser só um verão. Se tornaram vício, promessa, memória e desejo. Um raio que atravessa e não pede permissão.
No quarto dia, o levou para um café escondido no centro da vila.
Era o tipo de lugar onde todo mundo se conhecia pelo nome, onde os clientes eram tratados como amigos de infância e onde , por um instante, se sentiu parte daquele mundo.
— Bom dia, meu povo! — ela disse, entrando de mãos dadas com ele.
Os olhares foram curiosos. E então vieram os sorrisos.
— Esse é o famoso turista misterioso? — brincou uma mulher atrás do balcão.
— O próprio. , essa é a Teca, dona do café e minha psicóloga não oficial.
— Tá explicado esse brilho nos olhos, então — Teca disse, estendendo a mão para ele.
Depois do café, ela o levou para a casa onde morava. Um sobrado de madeira com varandinha cheia de plantas, cheiro de incenso e uma rede colorida. Lá dentro, tudo tinha cara dela: livros empilhados, velas por toda parte, quadros pendurados meio tortos, mas cheios de cor.
— E esse é o meu caos organizado. — ela disse, jogando as chaves no móvel de entrada.
andou pelo espaço devagar, observando tudo com atenção.
— É… exatamente como eu imaginaria. — respondeu, pegando um vinil antigo da prateleira. — Intenso, bonito… e com cara de que vai me deixar saudade.
riu baixinho, mas não respondeu. Em vez disso, puxou a mão dele e o levou até o sofá. Sentou-se no colo dele, como quem queria parar o tempo ali.
— Sabe o que eu tava pensando? — ela sussurrou.
— Que quer que eu fique mais uns dias?
— Que talvez eu nunca mais conheça alguém como você.
Ele beijou o ombro dela, apertando a cintura com mais força.
— …
— Não responde. — ela disse, virando o rosto. — Só fica. Hoje. Só hoje.
E ele ficou. Como se o mundo fosse começar e acabar naquele sofá, naquele verão, naquela ilha onde ela o fez esquecer tudo.
O céu começava a clarear aos poucos, tingindo a ilha de tons dourados e lilases, como se o universo também estivesse sentindo que aquele momento precisava ser bonito. Especial. Inesquecível. andava devagar, como se pudesse atrasar o tempo. Como se cada passo rumo ao barco que o levaria de volta fosse um corte.
caminhava ao lado dele em silêncio, vestindo o moletom dele, com os olhos inchados, mas sem derramar lágrimas. Ainda.
Eles estavam juntos há poucos dias, mas sentia como se tivessem vivido uma vida inteira naquele verão. E agora, deixá-la... doía num lugar que ele nem sabia que existia.
— Engraçado — ele começou, com a voz baixa —, quando eu vim pra cá, queria só fugir. Me esconder. Do incômodo, da bagunça que ficou aqui dentro quando meu melhor amigo começou a namorar minha irmã. Não por mal… só ficou tudo apertado, sabe? — o olhou, ouvindo com atenção. — Mas aí você apareceu. Com esse seu jeito livre, leve, intenso... e, de repente, tudo que tava fora do lugar dentro de mim começou a fazer sentido. — Ele parou e encarou o mar. — Você foi tipo raio laser. Acertou bem no centro, sem pedir licença.
Ela sorriu com os olhos marejados.
— Eu também não esperava... . Mas foi como se meu coração tivesse reconhecido o seu no meio da multidão. Desde aquela noite no lual, eu soube. Você mexeu comigo. Me viu. E me escolheu sem saber.
— Eu te escolhi, . Escolheria de novo. Mesmo sabendo que o tempo ia ser curto.
Eles pararam no píer, diante do barco que já esperava. virou de frente pra ela e segurou seu rosto entre as mãos, os olhos já vermelhos.
— Eu não sou o cara que se apaixona fácil. Eu sou cabeça dura, orgulhoso, às vezes até meio insuportável. Mas você... você me desmontou. Com esse seu sorriso torto, com essa liberdade no olhar. Você reconstruiu cada pedaço quebrado de mim.
— Eu vejo você, . Não só o que mostra pros outros, mas o que tenta esconder também. E eu gosto de tudo isso. Até do seu caos.
Eles riram com tristeza, se abraçando forte, como se isso pudesse fazer doer menos.
— Promete que vai me ligar quando bater saudade? — ele perguntou, com a voz embargada.
— Prometo.
— Promete me incluir no seu mundo, mesmo de longe?
— Prometo.
— Promete continuar sendo meu raio laser, mesmo quando a gente estiver em lados opostos do mapa?
Ela passou os dedos no rosto dele, enxugando uma lágrima que escapou.
— Prometo ser seu ponto de luz.
Ele a beijou, devagar, como quem quer eternizar o momento no gosto da boca. E antes de ir, tirou o celular do bolso e abriu o feed das redes sociais.
— Me dá aquela nossa foto na praia. Vou postar com uma legenda cafona. O mundo precisa saber.
— Que legenda?
Ele sorriu, os olhos brilhando, mesmo tristes.
— Tudo que tava quebrado, ela reconfigurou.
Ela riu entre lágrimas, e ele a abraçou mais uma vez. Longo. Quente. Apertado.
Quando finalmente subiu no barco e ela ficou na areia, sentiu um nó na garganta.
Mas pela primeira vez em muito tempo, o peito dele não doía de confusão. Doía de amor.
A despedida na ilha havia deixado um gosto agridoce. Mas, à medida que os dias passavam, e encontraram um jeito de fazer funcionar. Não era fácil, mas era real.
Entre um áudio enviado antes do expediente e uma chamada de vídeo à noite, eles seguiam. , recém-formado em engenharia, estava nos primeiros meses na firma. A rotina era intensa, cheia de novos aprendizados, mas ele sempre dava um jeito de incluí-la em cada conquista.
— Hoje meu chefe elogiou meu relatório — contou, animado, com a câmera tremendo enquanto ele atravessava a cidade. — Mas o melhor do dia ainda é te ver aqui, mesmo que seja pela tela.
sorria, sentada na escada da varanda, com o barulho do mar ao fundo.
— E eu adoro ver tua rotina. Ver você crescendo. Me dá uma paz estranha, tipo… certeza.
A distância existia. Mas não era intransponível.
Eles conseguiam se ver de tempos em tempos — um fim de semana prolongado, um feriado, ou quando a saudade apertava demais e algum dos dois decidia embarcar. Não era constante, mas era suficiente para manter a chama acesa.
o levou para conhecer a casa dela. Uma construção simples, de madeira clara, com janelas abertas e cheiro de mar. Ele conheceu os amigos, visitou a loja onde ela vendia suas criações e, à noite, se enroscou nela na rede enquanto ouviam música antiga e riam de piadas internas.
se sentia diferente desde a ilha. Como se ela tivesse rearrumado tudo dentro dele.
— Você me acalmou, . Sério. Tudo que tava quebrado… você reconfigurou.
Ela o olhou como quem sabia exatamente o que ele queria dizer, mesmo que não dissesse tudo.
— Tipo raio laser — sussurrou, encostando a testa na dele. — Você apareceu de repente, atravessou tudo, mas não queimou. Iluminou.
Os dois ainda tinham seus mundos. Seus sonhos. Mas também tinham um plano.
— Talvez, daqui um tempo, eu possa procurar um trabalho mais perto daqui — ele disse uma noite, enquanto ela acariciava sua nuca. — Não agora, claro. Mas eu penso nisso… mais do que devia.
o puxou para mais perto, sorrindo.
— A gente tem tempo. Não precisa correr. Já é muito ter encontrado isso… esse nós dois.
E era mesmo.
O relacionamento deles não era feito de promessas impossíveis. Era construído com presença — mesmo distante, com desejo — mesmo entre compromissos, e com fé — mesmo sem certezas absolutas.
Eles sabiam que o futuro ainda estava sendo escrito.
Mas tinham uma certeza inabalável: depois de se encontrarem, tudo mudou.
E eles fariam dar certo. Porque, de todas as possibilidades, nenhuma era tão certa quanto a de continuarem tentando, juntos.
desembarcou na ilha com um sorriso no rosto. O sol forte fazia reclamar desde que saíram do barco, abanando o rosto como uma verdadeira turista despreparada.
— Você me traz pro paraíso e nem avisa que é o sol do inferno? — ela resmungou, tirando os óculos escuros da cabeça.
— Relaxa, maninha. Isso aqui vai valer a pena — ele respondeu, rindo, enquanto ajudava com as mochilas.
— Tô começando a achar que foi uma armadilha — brincou, já olhando curioso para a paisagem. — Ou é a desculpa pra nos apresentar alguém?
sorriu torto. Não confirmou. Mas também não negou.
surgiu minutos depois, os cabelos soltos, a pele dourada pelo sol e aquele jeito leve de andar, como se flutuasse. Quando ela viu , abriu o sorriso largo que só ele conhecia. Correu até ele e o abraçou forte, sem se importar com quem estava por perto.
— Você voltou — disse ela, com a voz doce, apertando seu pescoço.
— E trouxe gente — ele murmurou em seu ouvido. — Minha irmã e o cara que ousou gostar dela.
revirou os olhos ao ouvir, mas quando se virou para ela, tudo mudou.
— Então você é a — disse , estendendo a mão. — Ele fala muito de você. Tipo, o tempo todo.
— Só coisas boas, espero — brincou, aceitando o aperto de mão com um sorriso acolhedor.
logo entrou na conversa, e os quatro seguiram andando até a pousada, conversando sobre a viagem, sobre o mar, e sobre como finalmente parecia… completo.
Naquela noite, sob o mesmo céu estrelado onde e haviam se conhecido, o grupo brindou à vida, ao amor que nasce no verão e fica, e às conexões inesperadas que viram futuro.
— Agora entendi porque você sumia tanto, irmão — sussurrou depois, ao ver e trocando olhares apaixonados.
— Foi tipo um raio laser — ele respondeu, olhando para , com um sorriso idiota no rosto. — Só que bom, sabe? Do tipo que te atravessa e não machuca. Ilumina.
apertou sua mão discretamente, sem dizer mais nada. Porque ela entendia.
E naquela ilha, entre velhos amigos e novos começos, tudo fazia sentido.
Desde que e assumiram o namoro, os dois agiam como se nada tivesse mudado. Mas pra ele, tinha. Não que fosse contra — já tinha se resolvido com isso, ou pelo menos era o que dizia pra si mesmo — só que ver os dois juntos o tempo todo, como se sempre tivesse sido assim, fazia algo dentro dele gritar.
Então, quando a oportunidade apareceu, ele não pensou duas vezes.
— Só uns dias, . Vai te fazer bem — insistiu, com aquele tom doce que usava quando queria convencê-lo de algo.
— É. Talvez eu precise mesmo sumir por uns dias.
E sumiu.
A ilha era tudo o que prometiam nas fotos: natureza por todos os lados, festas sob o luar, gente de alma livre e sorrisos escancarados. chegou sem planos, sem roteiro, sem expectativas. Só queria esquecer o incômodo que latejava no fundo do peito.
Mas o destino não é sutil.
Na segunda noite, teve um luau na praia. Fogueira acesa, cheiro de sal e fumaça no ar, uma batida grave que fazia o chão vibrar sob os pés descalços. encostou na areia com uma cerveja na mão, tentando se sentir parte daquilo.
Foi quando ela apareceu.
Cabelos soltos, pele dourada, vestido esvoaçante e o olhar de quem não pedia permissão pra existir.
Ela dançava como se o tempo não passasse. E quando os olhos dela encontraram os dele, foi como ser atravessado por um raio. Um raio laser. Colorido, intenso, impossível de ignorar.
Ela se aproximou sem hesitar.
— Nunca te vi por aqui. Você é da ilha? — perguntou, com um sorriso enviesado.
— Vim escapar um pouco da minha vida — respondeu, ainda meio hipnotizado.
— Então achou o lugar certo. Aqui a gente não escapa da vida. A gente vive. Quer tentar?
Ele não respondeu. Só estendeu a mão.
Ela aceitou.
O som do mar embalava a madrugada, abafando as conversas e risos espalhados pela praia. caminhava ao lado dela, sem saber exatamente pra onde iam, mas também sem querer saber. O caminho pouco importava.
— Você sempre vem nesses litorais pra fugir da realidade? — ela perguntou, com um tom leve, como quem não julga.
— Primeira vez. — Ele deu de ombros. — Meus problemas costumam viajar comigo.
Ela riu, jogando o cabelo pro lado com graça.
— O que te trouxe até aqui, então?
— Um casal.
— Uau, tá em um triângulo amoroso? — Ela arqueou uma sobrancelha.
— Não. — Ele riu de verdade pela primeira vez em dias. — Minha irmã e meu melhor amigo... eles começaram a namorar. E eu meio que fui o último a saber.
— E isso te incomoda?
— Não mais do que deveria. — Ele chutou uma pedra pequena na areia. — Só que... sei lá. Era como se o mundo tivesse mudado de lugar e eu não tivesse sido avisado. E ver os dois juntos, tão certos, tão... confortáveis, me fez sentir meio fora de tudo.
— Às vezes a gente precisa sair do nosso eixo pra se reencontrar. — Ela assentiu, compreendendo mais do que parecia.
— É. Acho que é por isso que tô aqui.
Pararam diante de uma pedra grande, onde ela subiu com facilidade e sentou, cruzando as pernas. Ele ficou em pé à frente, observando-a.
— E você? Vive aqui?
— Há três anos. Vim visitar uma amiga e nunca mais fui embora.
— E antes?
Ela sorriu com um toque de nostalgia.
— São Paulo. Vida corrida, publicidade, reuniões, pressão. Eu era uma engrenagem numa máquina que nunca parava. Um dia, pedi demissão e vim pra cá. Hoje eu trabalho com produção de eventos e festas da ilha. E nas horas vagas, dou aulas de dança. — Ela piscou. — Liberdade tem dessas coisas.
sorriu de volta, sentindo um calor estranho no peito. Ela era como um sopro de ar fresco. Sem peso, sem julgamento, sem pressa.
— Você é diferente.
— Você também. Tem uma sombra nos olhos, mas acho que ela tá começando a se dissipar.
Ele não respondeu de imediato. Subiu na pedra ao lado dela, os joelhos quase se tocando.
— Quando você dançava mais cedo... parecia que tudo ao redor desaparecia.
— Porque desaparecia mesmo. — Ela olhou pra ele com intensidade. — Aqui, a gente vive o momento. Se entrega ou perde.
Silêncio.
Os olhares se encontraram por tempo demais.
E quando ele se inclinou, não foi uma decisão. Foi inevitável.
O beijo veio com gosto de sal e desejo guardado. Lento, firme, explorando como quem encontra algo raro. As mãos dele em sua cintura, as dela em seu pescoço. A conexão, imediata.
Ali, naquele instante, não pensava em , nem em , nem em obrigações, nem em ser o irmão que ficou pra trás. Ele só sentia. E era bom. Tão bom que doía.
Ela se afastou por um segundo, os olhos fixos nos dele.
— Se você quiser só um verão, tudo bem. Mas se quiser mais... eu sou intensa. E não gosto de metades.
Ele não hesitou.
— Eu também não.
A brisa do mar ficava mais quente conforme a noite avançava, como se a ilha inteira estivesse prestes a explodir em calor e desejo. A música do lual se tornava um eco distante, enquanto e se afastavam ainda mais da fogueira, guiados apenas pela tensão entre os dois.
Ela o puxou pela mão, sorrindo como quem tem um segredo.
— Vem. Quero te mostrar um lugar.
— E se for uma armadilha?
— Então você tá perdido. — Ela piscou, caminhando de costas, os pés descalços na areia.
Chegaram até uma trilha de pedras que levava a uma clareira escondida entre as árvores. Ali, o mar beijava a areia com delicadeza e a lua cheia refletia no oceano como um espelho prateado.
— Aqui é só meu. — disse, parando de frente pra ele. — Ninguém vem nesse canto da ilha. Nunca trouxe ninguém... até hoje.
se aproximou devagar, o peito subindo e descendo com a respiração descompassada.
— E por que eu?
Ela deu de ombros, os olhos brilhando na penumbra.
— Porque você tá jogando luz até no meu escuro.
O beijo veio de novo, mas dessa vez com urgência. Com fome.
As mãos dele a envolveram com firmeza. Ela deslizou as unhas pela nuca dele e gemeu baixinho quando suas bocas se encontraram com mais desejo do que antes. As línguas dançaram em sintonia, como se já se conhecessem há anos.
— Você me enlouquece. — Ele murmurou contra os lábios dela.
— Então enlouquece comigo.
Ela o empurrou suavemente até uma pedra larga coberta de areia fofa. caiu sentado e ela o montou, as pernas apertando suas laterais, o vestido esvoaçando ao redor deles como véu.
Ela o beijou de novo, mais lento, mais profundo. As mãos dele agora passeavam pelo corpo dela por debaixo do vestido e ela mordiscava de leve a orelha dele, passando os lábios pelo local.
— Tem uma camisinha no meu bolso. — Ele disse ofegante, enquanto ela rebolava sobre o colo dele e a bermuda leve de tactel deixava evidente que ele queria ela rebolando com o pau dele dentro dela.
não disse nada, desceu a mão para o bolso dele, puxou o preservativo, abriu a embalagem com destreza e se levantou para que ele puxasse seu pau para fora e o envolvesse ele no látex, para que ela voltasse a posição inicial, dessa vez afastando a calcinha para o lado e se encaixando nele, rebolando lentamente e ouvindo os gemidos baixos dele. Começou o sobe e desce, rápido e forte, os únicos barulhos ali eram dos corpos se chocando, das ondas quebrando e do vento soprando as folhas secas pelo chão. A luz da lua deixava tudo mais íntimo. O barulho das ondas, as respirações ofegantes, o som abafado dos beijos. As mãos exploravam, os corpos se colavam, e por um instante parecia que o tempo parava pra assistir os dois ali. Quanto mais ele gemia baixo, mais rápido ela aumentava a velocidade das sentadas. Dado momento , que tinha as mãos nas cintura dela auxiliando na sobe e desce, parou o corpo dela em um sinal para ela se levantasse. ficou em pé, apoiou em uma pedra grande e se empinou para ele, se aproximou levantando o vestido dela e afastando sua calcinha, então a penetrou pela segunda vez, mas dessa vez ele foi calmo e lento, com estocadas fundas e demorado. A cada investida ele a ouvia gemer manhoso e pedir por mais. Ela levou uma de suas mãos livres para a própria intimidade se estimulando enquanto as estocadas não paravam, pelo contrário, iam cada vez mais rápidas e fortes, os gemidos que ecoavam pelo local eram cada vez mais altos e longos. Eles gemiam na mesma sintonia, só que em tons diferentes. estava sentindo seu ápice chegar, sentiu as pernas perderem a força, e sentiu como se algo explodisse dentro dela e sentiuser inundada por uma onda de prazer. Ela gemeu tão gostosinho, que não conseguiu se segurar e gozou também, segurando seu corpo ao dela, até que as respirações desreguladas se estabilizassem.
— Parece um paraíso só nosso. — Ele disse, com o corpo colado no dela.
— Porque é.
Foi naquela noite, naquele canto esquecido do mundo, que algo dentro de começou a mudar. Uma fagulha acendeu, queimando devagar.
O sol já se despedia no horizonte quando a viu novamente.
estava sentada no deck do café da praia, pés descalços balançando no ar, cabelo solto e um copo de suco de manga na mão. Parecia saída de um sonho bom.
Ele parou diante dela com um meio sorriso e os olhos mais cansados de quem mal dormiu, mas ainda assim... feliz.
— Achei que fosse só magia da lua. — ela disse, antes que ele falasse qualquer coisa.
— E se for? — ele rebateu. — Acho que eu quero viver isso mais umas vezes.
Ela sorriu, encantada. O silêncio entre eles era leve.
se aproximou, ficando entre os joelhos dela, apoiando as mãos no deck.
— Hoje é minha vez de te levar em um lugar. — ele disse.
— Ahn? Vai me sequestrar?
— Mais ou menos. — Ele riu. — Um amigo me recomendou um lugar antes da viagem... e acho que agora é o momento certo.
arqueou a sobrancelha, curiosa.
— Tô começando a gostar desse mistério.
— Então vem. Prometo te devolver inteira. Ou quase.
Ela riu e pulou do deck, aceitando a mão dele.
O trajeto foi rápido. Pegaram o buggy de e foram para o outro lado da ilha, onde o mar sumia e a estrada de terra dava lugar a uma pequena construção escondida entre coqueiros.
Era discreto, mas charmoso. O letreiro aceso em rosa vibrante dava o tom da noite: Blue Moon Motel.
soltou uma risada surpresa quando desceram do carro.
— Isso é sério?
— Ué. Disse que queria viver a magia da lua de novo, não disse?
Ela mordeu o lábio inferior, entre provocada e ansiosa.
O quarto era como um universo paralelo. Luz azul neon refletindo nas paredes, lençóis claros, uma cama grande no centro e espelhos nas laterais.
girou uma vez no meio do cômodo, como se estivesse absorvendo o lugar. trancou a porta e encostou ali, observando.
— E aí? — ele perguntou.
— Tá perfeito. — Ela respondeu, e a voz veio mais baixa, mais grave. — Pra perder o juízo.
Eles se encararam por segundos que pareceram horas. Então ele foi até ela e a puxou pela cintura.
O beijo explodiu.
Se a noite anterior foi mágica, essa era elétrica. A pele arrepiava, os suspiros vinham altos. As roupas foram caindo devagar, espalhadas pelo chão, como camadas de controle sendo deixadas de lado.
Os corpos se encaixaram como se tivessem sido feitos pra isso.
— Amor... você tirou minha paz. — ele murmurou entre beijos na pele dela, os olhos dela brilhando no neon.
Ela puxou o rosto dele pra mais um beijo.
— Então me deixa te tirar o resto.
E naquela cama de motel, com a luz azul banhando tudo ao redor, eles deixaram de ser só um verão. Se tornaram vício, promessa, memória e desejo. Um raio que atravessa e não pede permissão.
No quarto dia, o levou para um café escondido no centro da vila.
Era o tipo de lugar onde todo mundo se conhecia pelo nome, onde os clientes eram tratados como amigos de infância e onde , por um instante, se sentiu parte daquele mundo.
— Bom dia, meu povo! — ela disse, entrando de mãos dadas com ele.
Os olhares foram curiosos. E então vieram os sorrisos.
— Esse é o famoso turista misterioso? — brincou uma mulher atrás do balcão.
— O próprio. , essa é a Teca, dona do café e minha psicóloga não oficial.
— Tá explicado esse brilho nos olhos, então — Teca disse, estendendo a mão para ele.
Depois do café, ela o levou para a casa onde morava. Um sobrado de madeira com varandinha cheia de plantas, cheiro de incenso e uma rede colorida. Lá dentro, tudo tinha cara dela: livros empilhados, velas por toda parte, quadros pendurados meio tortos, mas cheios de cor.
— E esse é o meu caos organizado. — ela disse, jogando as chaves no móvel de entrada.
andou pelo espaço devagar, observando tudo com atenção.
— É… exatamente como eu imaginaria. — respondeu, pegando um vinil antigo da prateleira. — Intenso, bonito… e com cara de que vai me deixar saudade.
riu baixinho, mas não respondeu. Em vez disso, puxou a mão dele e o levou até o sofá. Sentou-se no colo dele, como quem queria parar o tempo ali.
— Sabe o que eu tava pensando? — ela sussurrou.
— Que quer que eu fique mais uns dias?
— Que talvez eu nunca mais conheça alguém como você.
Ele beijou o ombro dela, apertando a cintura com mais força.
— …
— Não responde. — ela disse, virando o rosto. — Só fica. Hoje. Só hoje.
E ele ficou. Como se o mundo fosse começar e acabar naquele sofá, naquele verão, naquela ilha onde ela o fez esquecer tudo.
O céu começava a clarear aos poucos, tingindo a ilha de tons dourados e lilases, como se o universo também estivesse sentindo que aquele momento precisava ser bonito. Especial. Inesquecível. andava devagar, como se pudesse atrasar o tempo. Como se cada passo rumo ao barco que o levaria de volta fosse um corte.
caminhava ao lado dele em silêncio, vestindo o moletom dele, com os olhos inchados, mas sem derramar lágrimas. Ainda.
Eles estavam juntos há poucos dias, mas sentia como se tivessem vivido uma vida inteira naquele verão. E agora, deixá-la... doía num lugar que ele nem sabia que existia.
— Engraçado — ele começou, com a voz baixa —, quando eu vim pra cá, queria só fugir. Me esconder. Do incômodo, da bagunça que ficou aqui dentro quando meu melhor amigo começou a namorar minha irmã. Não por mal… só ficou tudo apertado, sabe? — o olhou, ouvindo com atenção. — Mas aí você apareceu. Com esse seu jeito livre, leve, intenso... e, de repente, tudo que tava fora do lugar dentro de mim começou a fazer sentido. — Ele parou e encarou o mar. — Você foi tipo raio laser. Acertou bem no centro, sem pedir licença.
Ela sorriu com os olhos marejados.
— Eu também não esperava... . Mas foi como se meu coração tivesse reconhecido o seu no meio da multidão. Desde aquela noite no lual, eu soube. Você mexeu comigo. Me viu. E me escolheu sem saber.
— Eu te escolhi, . Escolheria de novo. Mesmo sabendo que o tempo ia ser curto.
Eles pararam no píer, diante do barco que já esperava. virou de frente pra ela e segurou seu rosto entre as mãos, os olhos já vermelhos.
— Eu não sou o cara que se apaixona fácil. Eu sou cabeça dura, orgulhoso, às vezes até meio insuportável. Mas você... você me desmontou. Com esse seu sorriso torto, com essa liberdade no olhar. Você reconstruiu cada pedaço quebrado de mim.
— Eu vejo você, . Não só o que mostra pros outros, mas o que tenta esconder também. E eu gosto de tudo isso. Até do seu caos.
Eles riram com tristeza, se abraçando forte, como se isso pudesse fazer doer menos.
— Promete que vai me ligar quando bater saudade? — ele perguntou, com a voz embargada.
— Prometo.
— Promete me incluir no seu mundo, mesmo de longe?
— Prometo.
— Promete continuar sendo meu raio laser, mesmo quando a gente estiver em lados opostos do mapa?
Ela passou os dedos no rosto dele, enxugando uma lágrima que escapou.
— Prometo ser seu ponto de luz.
Ele a beijou, devagar, como quem quer eternizar o momento no gosto da boca. E antes de ir, tirou o celular do bolso e abriu o feed das redes sociais.
— Me dá aquela nossa foto na praia. Vou postar com uma legenda cafona. O mundo precisa saber.
— Que legenda?
Ele sorriu, os olhos brilhando, mesmo tristes.
— Tudo que tava quebrado, ela reconfigurou.
Ela riu entre lágrimas, e ele a abraçou mais uma vez. Longo. Quente. Apertado.
Quando finalmente subiu no barco e ela ficou na areia, sentiu um nó na garganta.
Mas pela primeira vez em muito tempo, o peito dele não doía de confusão. Doía de amor.
A despedida na ilha havia deixado um gosto agridoce. Mas, à medida que os dias passavam, e encontraram um jeito de fazer funcionar. Não era fácil, mas era real.
Entre um áudio enviado antes do expediente e uma chamada de vídeo à noite, eles seguiam. , recém-formado em engenharia, estava nos primeiros meses na firma. A rotina era intensa, cheia de novos aprendizados, mas ele sempre dava um jeito de incluí-la em cada conquista.
— Hoje meu chefe elogiou meu relatório — contou, animado, com a câmera tremendo enquanto ele atravessava a cidade. — Mas o melhor do dia ainda é te ver aqui, mesmo que seja pela tela.
sorria, sentada na escada da varanda, com o barulho do mar ao fundo.
— E eu adoro ver tua rotina. Ver você crescendo. Me dá uma paz estranha, tipo… certeza.
A distância existia. Mas não era intransponível.
Eles conseguiam se ver de tempos em tempos — um fim de semana prolongado, um feriado, ou quando a saudade apertava demais e algum dos dois decidia embarcar. Não era constante, mas era suficiente para manter a chama acesa.
o levou para conhecer a casa dela. Uma construção simples, de madeira clara, com janelas abertas e cheiro de mar. Ele conheceu os amigos, visitou a loja onde ela vendia suas criações e, à noite, se enroscou nela na rede enquanto ouviam música antiga e riam de piadas internas.
se sentia diferente desde a ilha. Como se ela tivesse rearrumado tudo dentro dele.
— Você me acalmou, . Sério. Tudo que tava quebrado… você reconfigurou.
Ela o olhou como quem sabia exatamente o que ele queria dizer, mesmo que não dissesse tudo.
— Tipo raio laser — sussurrou, encostando a testa na dele. — Você apareceu de repente, atravessou tudo, mas não queimou. Iluminou.
Os dois ainda tinham seus mundos. Seus sonhos. Mas também tinham um plano.
— Talvez, daqui um tempo, eu possa procurar um trabalho mais perto daqui — ele disse uma noite, enquanto ela acariciava sua nuca. — Não agora, claro. Mas eu penso nisso… mais do que devia.
o puxou para mais perto, sorrindo.
— A gente tem tempo. Não precisa correr. Já é muito ter encontrado isso… esse nós dois.
E era mesmo.
O relacionamento deles não era feito de promessas impossíveis. Era construído com presença — mesmo distante, com desejo — mesmo entre compromissos, e com fé — mesmo sem certezas absolutas.
Eles sabiam que o futuro ainda estava sendo escrito.
Mas tinham uma certeza inabalável: depois de se encontrarem, tudo mudou.
E eles fariam dar certo. Porque, de todas as possibilidades, nenhuma era tão certa quanto a de continuarem tentando, juntos.
desembarcou na ilha com um sorriso no rosto. O sol forte fazia reclamar desde que saíram do barco, abanando o rosto como uma verdadeira turista despreparada.
— Você me traz pro paraíso e nem avisa que é o sol do inferno? — ela resmungou, tirando os óculos escuros da cabeça.
— Relaxa, maninha. Isso aqui vai valer a pena — ele respondeu, rindo, enquanto ajudava com as mochilas.
— Tô começando a achar que foi uma armadilha — brincou, já olhando curioso para a paisagem. — Ou é a desculpa pra nos apresentar alguém?
sorriu torto. Não confirmou. Mas também não negou.
surgiu minutos depois, os cabelos soltos, a pele dourada pelo sol e aquele jeito leve de andar, como se flutuasse. Quando ela viu , abriu o sorriso largo que só ele conhecia. Correu até ele e o abraçou forte, sem se importar com quem estava por perto.
— Você voltou — disse ela, com a voz doce, apertando seu pescoço.
— E trouxe gente — ele murmurou em seu ouvido. — Minha irmã e o cara que ousou gostar dela.
revirou os olhos ao ouvir, mas quando se virou para ela, tudo mudou.
— Então você é a — disse , estendendo a mão. — Ele fala muito de você. Tipo, o tempo todo.
— Só coisas boas, espero — brincou, aceitando o aperto de mão com um sorriso acolhedor.
logo entrou na conversa, e os quatro seguiram andando até a pousada, conversando sobre a viagem, sobre o mar, e sobre como finalmente parecia… completo.
Naquela noite, sob o mesmo céu estrelado onde e haviam se conhecido, o grupo brindou à vida, ao amor que nasce no verão e fica, e às conexões inesperadas que viram futuro.
— Agora entendi porque você sumia tanto, irmão — sussurrou depois, ao ver e trocando olhares apaixonados.
— Foi tipo um raio laser — ele respondeu, olhando para , com um sorriso idiota no rosto. — Só que bom, sabe? Do tipo que te atravessa e não machuca. Ilumina.
apertou sua mão discretamente, sem dizer mais nada. Porque ela entendia.
E naquela ilha, entre velhos amigos e novos começos, tudo fazia sentido.
Fim
Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? AAAAAAAA A FIC DO CALEB VEIO MESMO AI E EU AMEI DEMAIS VER ELE TODO GADO PELA ÁGATA DEIXANDO A IRMÃ E O MELHOR AMIGO EM PAZ (eu amo o caleb tá gente e super entendo os sentimentos dele, mas mesmo assim KKKKKKK. Espero que goste e não esquece de comentar, ok?
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
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