Última atualização: 18/06/2021

Parte 1


“O encontro inesperado, as situações inusitadas, o que não foi combinado, mas tinha que acontecer.”
- Rubem Alves

- Se eu fosse você não comeria isso. - uma voz rouca e grossa alertou sobre o pudim e arregalou os olhos por um segundo, sendo pega de surpresa, e se virou para ver quem era o homem que estava atrás de si.
- Por quê? - indagou ao observar a aparência do ser desconhecido; ele era alto, com um sorriso encantador e os cabelos levemente cacheados.
E lindo, terrivelmente lindo.
Ela respirou fundo, tentando não se deixar afetar por aquele belo espécime de homem.
- Eles são horríveis. - fez uma careta e em seguida uma expressão triste tomou conta de seu rosto, como se lamentasse pelo doce não ser tão bom quanto ele esperava que fosse.
- E o bolo? – ela apontou para a sobremesa de baunilha que estava fatiada em formato de cubo.
- Delicioso. - o olhar dele se iluminou, a fazendo sorrir abertamente.
O homem deu alguns passos e parou ao seu lado e na frente da mesa de guloseimas.
- A torta de morango está divina. - elogiou fazendo um barulho com a boca e riu nasalado em seguida. - A bolinha de chocolate é muito boa, foi a primeira vez que comi e adorei.
sorriu num claro sinal de orgulho e satisfação.
- A bolinha de chocolate se chama brigadeiro, é um doce muito popular no Brasil. - explicou num tom calmo e o notou virar o rosto lentamente em sua direção. - E sempre fui péssima em fazer pudim, infelizmente. - fez uma careta, dando de ombros em seguida.
O homem a observou com a testa franzida enquanto seu cérebro processava o que ela tinha dito. No instante em que ele compreendeu as palavras dela, os seus olhos se arregalaram.
- Droga! - ele colocou as mãos no rosto. - Eu sou um idiota!
riu ao observar a expressão do homem, que era de completa vergonha.
- Me desculpe, eu não quis te ofender. – ele juntou as mãos como se estivesse rezando e praticamente implorou por perdão. – Se eu soubesse jamais teria falado algo.
- Exatamente. – abriu um sorriso, que o confundiu por completo.
- Como? – a questionou.
O correto seria a mulher estar furiosa com ele, certo? Afinal, sentia-se péssimo, foi extremamente indelicado ao dizer que o pudim estava horrível.
- Eu admiro a sua honestidade e se você soubesse que eu era a confeiteira, nunca teria sido tão sincero. – falou tranquilamente, o que o deixou completamente surpreso.
colocou a mão no queixo, analisando a postura da mulher, tentando encontrar qualquer indício de ironia. Mas ela sorria tão abertamente que o fez perceber que ela só estava sendo honesta, da mesma maneira que ele tinha sido.
Claro que a sinceridade da mulher foi mil vezes mais gentil que a dele.
- . – ele sorriu de volta quando ela se apresentou.
- . – esticou a mão pra ela, que apertou a sua prontamente.
A confeiteira agiu com naturalidade, sem deixar transparecer em momento algum que sabia quem era o homem antes mesmo que ele se apresentasse, o reconheceu pouco tempo depois que ele a alertou sobre o pudim, na sua profissão era bem comum ver artistas nos eventos em que era contratada para servir seus doces.
- Você não está ofendida mesmo? – ele tinha que perguntar para sanar sua curiosidade.
- Não. – respondeu rapidamente. – Posso te chamar de ? – indagou, já que detestava chamar as pessoas pelo sobrenome.
- Eu disse que o seu pudim era horrível, tem total liberdade pra me chamar do que quiser. – garantiu, o que fez a mulher rir.
A risada dela era tão gostosa que foi inevitável para não rir com ela.
balançou a cabeça negativamente e manteve o sorriso no rosto, na intenção de tranquilizar o homem.
- Mas você não me ofendeu. – afirmou, em seguida apontando para a mesa com as sobremesas. – Trabalho nessa área tem quase dez anos e existe uma coisa que é praticamente impossível de esconder: a feição que uma pessoa faz logo após comer algo.
O homem assentiu em concordância, ele próprio não conseguia disfarçar quando experimentava algo ruim.
- Já imaginou como seria minha vida se eu ficasse magoada toda vez que alguém fizesse uma careta depois de comer algo que fiz?
a observava atentamente e era mais do que óbvio que a mulher estava sendo honesta com ele.
- Mas eu preciso deixar claro que o pudim não está no cardápio da minha confeitaria, justamente por ser uma sobremesa que está bem longe de ser minha especialidade. Tipo, anos luz de distância. - confidenciou, se aproximando um pouco mais dele. - Só que o cliente insistiu, foi impossível evitar essa tragédia. – concluiu com seriedade, mas um risinho brincava em seus lábios.
abriu um sorriso tão largo que fazia seus olhos ficarem bem pequenininhos, o homem não conseguia esconder que estava genuinamente encantado com a mulher que acabara de conhecer.
- Foi só falar em tragédia. - ela sentiu o celular vibrar em seu bolso e se afastou pouco do homem.
Ela riu ao ler a mensagem de Frankie, sua assistente:

Alerta vermelho na cozinha!!!
Socorro!!!

- Problemas? - o homem perguntou e ela voltou sua atenção para o degustador de doces e engoliu em seco com o lindo sorriso que estampava o rosto do homem.
- Sim. - fez uma careta, pois sabia que não poderia ficar ali conversando com ele. - Preciso ajudar minha equipe, a gente se vê por aí? - sorriu de leve quando ele assentiu.
observou a mulher se afastar e não tirou os olhos de até que ela desaparecesse numa das portas que provavelmente a levaria para a cozinha.
- O que um pudim pode fazer. – comentou para si próprio enquanto voltava a se aproximar da mesa e pegava duas bolinhas de chocolate, ele jamais conseguiria falar o nome daquele doce, era praticamente um trava-língua.
- Quem diria que eu conheceria uma mulher tão interessante essa noite.
olhou ao seu redor, naquela noite ele estava num evento onde um de seus patrocinadores apresentava um produto inovador e, normalmente, o homem tinha pouquíssimo tempo para conhecer pessoas novas, principalmente num evento que estava a trabalho.
Mas naquela noite tinha sido diferente, e tudo isso por que o homem era uma formiguinha, não podia ver um doce que já estava comendo. E sua pequena aventura pela mesa de guloseimas poderia ter sido um verdadeiro desastre após ele criticar um doce na frente da própria confeiteira.
Mas não, a mulher riu dele. E essa atitude o deixou simultaneamente intrigado e encantado.
Só que, infelizmente, não voltou a ver pelo resto da noite.
Mas ao fim da festa quando já se aproximava da porta de saída ele avistou uma pequena mesa com alguns papeis e o seu sexto sentido o fez se aproximar com curiosidade e um sorriso brotou em seu rosto ao ver que eram cartões de visitas das pessoas que ofereceram seus serviços para aquele evento. E um cartão em uma coloração rosa claro chamou sua atenção.
- In The Mix – falou em voz baixa ao ler o nome da confeitaria.
O sorriso dele aumentou ao ver que ali tinha todos os contatos e endereço da confeitaria. E resolveu confiar em seu sexto sentido mais uma vez, decidindo que em breve procuraria por , algo lhe dizia que ele não deveria perder a oportunidade de conhecer melhor aquela mulher.

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“Eu amo as pessoas que me fazem rir.
Sinceramente, acho que é a coisa que eu mais gosto, rir.
É provavelmente a coisa mais importante em uma pessoa.”

– Audrey Hepburn


soltou um rugido de frustração no travesseiro, bufando em seguida.
Se dormiu duas horas na última noite foi muito e agora precisava levantar para trabalhar e seu corpo não estava colaborando.
- Por que tudo comigo? – resmungou, estava exausta já que basicamente tudo estava dando errado na sua vida.
Na manhã anterior, o seu forno mais antigo cansou de ser explorado e parou de funcionar de vez. Na tarde do mesmo dia, a sua geladeira simplesmente desligou e não gelava mais nada. Aparentemente, os eletrodomésticos tinham algum pacto e resolveram pifar juntos, foi o que sua assistente disse ao tentar amenizar a situação. Mas não achou nada engraçado, afinal aquilo significava gastos financeiros que não tinham sido planejados e isso tirava a mulher dos eixos.
O fogão novo custou uma pequena fortuna e quase chorou ao ver o seu suado dinheirinho indo embora. Mas ela voltou a sorrir quando o técnico avisou que a geladeira tinha conserto e em breve já estaria funcionando perfeitamente.
No fim do dia a mulher até suspirou de alívio, todos os seus problemas até que foram solucionados com rapidez.

O problema era que a famosa Lei de Murphy não queria ir embora da vida da confeiteira, quando chegou em casa ela foi direto pro banho desejando que a água relaxasse o seu corpo e finalmente pudesse descansar.
O que a mulher não esperava era que o vidro que tinha em seu box iria se estilhaçar todo, a fazendo levar um susto tão grande que por puro instinto tentou segurar o vidro temperado, o que se provou uma péssima ideia quando sentiu o mesmo rasgando a carne de sua perna esquerda.
Naquele instante a mulher teve certeza que era o seu fim, não teria salvação e partiria daquele mundo para um local onde teria paz e tranquilidade. Só que nos minutos seguintes ela já percebeu que o pequeno acidente não foi tão grave assim, o corte maior era em sua panturrilha e nada que colocasse sua vida em risco. Ela própria chamou um táxi e foi para o hospital, onde ganhou alguns pontos e orientação para repousar. O que era inviável naquele momento, pois estava cheia de encomenda e não poderia simplesmente parar de trabalhar.
respirou fundo tentando colocar seus sentimentos em ordem, precisava deixar os imprevistos de lado e pensar no lado positivo: os problemas na confeitaria estavam resolvidos. Então, se colocasse na balança até que estava tudo bem, e foi com esse pensamento que a mulher finalmente se levantou e seguiu para o seu trabalho.
Mas não precisou muito tempo para descobrir que seria impossível trabalhar normalmente, já que na cozinha ela precisaria de agilidade para se mover o tempo todo, o que foi dificultado por sua perna que a impedia de andar como antes. A mulher bufou e reconheceu que não seria capaz de dar o seu melhor na cozinha, decidiu então apenas orientar seus funcionários da melhor maneira que podia, já que colocar a mão na massa estava fora de cogitação. Pouco tempo depois ela se deu por satisfeita com o trabalho que eles estavam executando e decidiu ir até o atendimento da loja, na intenção de conferir se estava tudo tranquilo.
A confeitaria In The Mix não era grande, afinal sua especialidade nunca foi servir os clientes no local, ela sempre foi focada em encomendas para qualquer tipo de evento. No ambiente tinha apenas duas mesinhas onde clientes poderiam se sentar caso quisessem. Além dos bolos, tortas e doces, a loja também oferecia alguns tipos de bebidas, geladas e quentes.
notou que o movimento estava tranquilo, uma das atendentes fazia a encomenda de um cliente por telefone e a outra atendia uma moça. A confeiteira percebeu que a vitrine precisava ser organizada e decidiu que era ali que focaria sua atenção.


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sorriu ao virar na rua do endereço que indicava no cartão que tinha em mãos, guardou o mesmo no bolso de sua calça e seguiu rumo ao seu destino. O homem estava cansado, tinha acabado de sair do ensaio de sua peça que iria estrear em algumas semanas, mas ele teria tempo de sobra para descansar depois de colocar em prática o plano que tinha em mente.
O ator sorriu levemente ao ver uma plaquinha rosa escrita In The Mix e no minuto seguinte ele estava em frente à pequena confeitaria, estreitou o olhar pela vitrine e viu alguém do outro lado, o homem sorriu abertamente no instante em que seus olhos reconheceram quem era aquela pessoa.
Viu a mulher pegar o suporte de um bolo e os olhos dela se arregalarem imediatamente, ele franziu a testa sem entender o porquê do espanto dela, mas tudo fez sentido no segundo seguinte, pois o bolo escorregou e caiu na blusa da mulher.
Foi impossível não rir da cena, até colocou a mão na boca para tentar se controlar, mas foi inútil. Principalmente ao notar as reações da mulher, que fechou os olhos por um instante e quando os abriu já estava rindo abertamente do próprio desastre.
se sentiu envergonhado quando ergueu os olhos e o pegou no flagra, ela não conseguiu esconder a surpresa de ver o homem ali e abriu a boca algumas vezes, como se quisesse falar algo, mas em seguida ela riu novamente e deu de ombros.
O homem decidiu que já estava ali fora tempo demais e entrou no local.
- Olá. – a cumprimentou no instante em que fechou a porta da loja.
- Oi! – ela acenou rapidamente. - Eu já volto. – o avisou, se virando em seguida e andando rapidamente para os fundos do local.
O homem estranhou quando a viu caminhar com dificuldade, o que será que aconteceu? Ele se perguntou em pensamento. Mas se distraiu quando uma atendente chamou sua atenção e sorriu educadamente pra ele.

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- Mas é óbvio que isso ia acontecer! – reclamou ao entrar no pequeno banheiro de seu escritório.
Retirou o excesso de bolo de seu corpo e em seguida tirou a camisa que usava, suspirou aliviada quando viu que o seu sutiã estava intacto e tratou logo de se limpar, jogou bastante água e depois foi secando com uma toalha.
- Lei de Murphy, tinha que ser justo o a presenciar esse desastre? – olhou para o teto do banheiro. – Ele nunca apareceu por aqui, aí bem no dia que decide vir é testemunha dessa lambança? – resmungou, pegando a blusa reserva que sempre tinha em seu armário. – Primeiro o fogão, depois a geladeira e o vidro temperamental do meu banheiro. E agora um bolo? O que vem depois? – vestiu a blusa e se olhou no espelho. Grunhiu de frustração e decidiu que por hoje não iria aturar mais nada, iria pra casa para finalmente descansar com seu bebê.

retornou para a loja e riu pelo nariz ao ver Frankie e Greta conversando animadamente com o ator, se aproximou lentamente e fez uma careta pela dor em sua perna, ela tinha se esquecido de tomar o seu analgésico.
- Espero que esteja sendo bem tratado. – comentou ao chegar no balcão.
- Elas são adoráveis. – o homem elogiou as atendentes, que se derreteram completamente por ele. – Já fiz minha encomenda e ainda ganhei isso. - ele mostrou um brigadeiro para , que riu de leve.
- Encomenda? – indagou genuinamente surpresa, o viu homem morder o doce com muita vontade.
- Ele amou os nossos serviços e já veio se garantir para a festa da mãe dele. - foi Frankie quem informou e ela olhou para , que finalizava o seu brigadeiro.
- O aniversário é semana que vem e esse lado formiguinha puxei dela, então tenho certeza que ela vai amar tudo. – comentou limpando seus dedos com um guardanapo.
- Menos o pudim.
riu abertamente do comentário de , pois aquela era a razão que o fez se simpatizar pela mulher, a sua capacidade de brincar com as próprias desgraças.
- Meninas, eu já vou indo. – a observou avisar as moças gentis que o atenderam. – E não sei se venho amanhã. – ela mordeu o lábio inferior e aquilo o fez franzir a testa. – Acho que vou seguir as orientações médicas e ficar em casa. – a viu suspirar e ele imediatamente se preocupou.
Recomendações médicas? Será que era por isso que ela estava mancando?
- Sem problemas, Chefia. – foi Greta quem se pronunciou. - Está tudo sob controle.
- Posso te acompanhar? – perguntou no mesmo instante em que ela voltou seu olhar pra ele. – Você acabou de ser atacada por um bolo, só quero garantir sua segurança ao passar pela vitrine.
deu uma risadinha com a frase do homem, principalmente porque ele usou um tom de voz sério, como se realmente acreditasse que ela estava em perigo.
- Claro, senhor guarda-costas. – satirizou e manteve o sorriso no rosto quando ouviu a gargalhada do homem enquanto ele abria a porta pra ela.
Os dois saíram da loja e ali ficaram até se acalmarem da sessão de risos, foi o primeiro a se pronunciar quando ambos já tinham se recuperado.
- Está tudo bem? – apontou para a perna dela. – Te vi mancando e depois você falou sobre seguir as orientações médicas.
engoliu em seco e em seguida suspirou, um pouco envergonhada com aquela situação, não se sentia tão confortável em parecer vulnerável.
- Ultimamente todos os seres inanimados do mundo se voltaram contra mim. – e como de costume, ela fez piada do seu acidente doméstico. franziu a testa e tombou sua cabeça para o lado, um gesto que achou extremamente fofo. – O vidro do box do meu banheiro se quebrou todinho. – ela esticou os braços e mostrou alguns cortes. – Mas foi minha querida panturrilha que sofreu mais. – levantou a barra da calça de tecido que usava. - Foram cinco pontos e alguns dias de descanso, mas eu sobrevivi pra contar essa trágica história. – brincou, debochando da própria desgraça.
- Eu sinto muito. – o homem assumiu uma postura mais séria e se sentiu levemente incomodada. – Imagino o sofrimento da família do box, devem estar arrasados com essa perda.
A mulher franziu a testa por um momento, até que o seu cérebro percebeu o que ele estava fazendo e ela riu alto, se engasgando com a própria saliva. a acompanhou na risada, mas se apressou em ajudar a mulher que tossia freneticamente, ele se aproximou e lhe deu alguns tapinhas nas costas, tentando aliviar o sufoco que ela estava passando.
sentiu os olhos lacrimejarem, mas não sabia mais se era pela risada ou pelo engasgo, ela finalmente se recuperou com a ajuda de , que ria levemente do acontecido.
- Achei que fosse morrer! – ela exagerou, colocando as mãos no peito.
- Me desculpe. – o homem pediu, retraindo os lábios para conter um riso.
estreitou o olhar na direção dele.
- Falando sério, você está bem? – ele continuou, a vendo amenizar sua expressão facial.
- Sim, só frustrada por não conseguir fazer as coisas direito. – reclamou, fazendo uma careta. – Por falar em box, eu preciso ir em alguma loja comprar uma cortina pra colocar no banheiro. – mordeu o lábio inferior, suspirando em seguida. – Tinha me esquecido por completo.
- Quer companhia? – se ofereceu, era impossível negar que ele se sentia bem na presença de .
- Se não for te atrapalhar. – ela sorriu de forma singela. – Mas eu vou andando, se importa? – perguntou, imaginando que por ele ser alguém famoso não gostaria de andar por aí correndo o risco de ser visto por qualquer pessoa.
- Claro que não. – garantiu, sorrindo de leve.
assentiu levemente, sendo surpreendida com a resposta rápida e honesta do homem.
- Mas e você? Consegue andar? – devolveu, olhando para a perna dela.
- Devagarzinho não tem problema, vamos ao passinho da tartaruga que vou ficar bem. – sorriu divertida e engoliu em seco com a risadinha que lhe deu, era absurdamente adorável e sexy ao mesmo tempo, e essa percepção a deixou um pouco envergonhada.

O que nem imaginava era que o ator não estava muito diferente dela, pois se havia uma coisa que o fazia sentir atração por uma mulher era um bom senso de humor. E se tinha algo que se destacava em era o seu jeito divertido de levar a vida, a mulher não perdia a oportunidade de fazer graça de qualquer coisa.
Principalmente de si própria.
O que fazia se sentir cada vez mais interessado por ela, e foi por isso que se convidou para lhe fazer companhia, sentia vontade de ficar perto da mulher e queria ter a chance de conhecê-la melhor.

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- Você não precisa fazer isso. – ela afirmou pela terceira vez enquanto saía da loja de departamentos.
- A senhorita está lesionada e isso aqui não pesa nada. – apontou para a sacola com a cortina que comprou para colocar em seu banheiro.
A mulher rolou os olhos e iria retrucar com alguma piada, mas a menção ao seu machucado a fez se lembrar dos medicamentos que precisava tomar.
- Droga. – reclamou ao pegar o celular e descobrir que já tinha passado do horário de tomar seus remédios.
- Algo errado? – ele indagou ao notar a careta da mulher.
assentiu brevemente e olhou ao seu redor, procurando por um local em especifico.
- Já passou da hora dos meus remédios e eu não posso tomar de estômago vazio.
franziu a testa por um segundo enquanto processava o que ela lhe disse, imitou o gesto da mulher fitando ao redor e no fim da rua avistou uma placa de cafeteria.
- Podemos ir ali? – apontou para o local e olhou na direção, sorrindo em seguida.
- Você não se importa? Já te aluguei bastante por hoje, não?
arqueou as sobrancelhas com o questionamento dela.
- Claro que não. – garantiu e a viu sorrir sem mostrar os dentes. – Tenho o resto do dia livre e confesso que estou faminto.
- Tudo bem então. – ela assentiu e os dois andaram lentamente até a cafeteria.
A mulher estava um pouco arrependida por estar caminhando, a falta do remédio e o excesso de esforço faziam sua perna latejar e ela não via a hora de aliviar um pouco a dor que estava sentindo.
Chegaram à cafeteria e escolheu a mesa mais distante da porta e sentou de costas para a entrada, não era preciso ser um gênio para perceber que ele fazia isso na intenção de ser discreto. mordeu o lábio inferior, tentando só imaginar como era viver assim, sempre evitando chamar a atenção para si.
- Você já sabe o que quer? – ele interrompeu seus pensamentos.
olhou para ele e depois o balcão onde tinha uma pequena fila.
- Torta de maçã e um suco de laranja, mas eu preciso de um copo de água pra tomar o remédio.
- Ótimo. – o homem fez sinal de joia com a mão e se levantou, nem dando tempo de falar qualquer coisa.
A mulher fitou ao seu redor e aparentemente as pessoas estavam entretidas com suas próprias vidas para reparar a presença de no local, ou talvez houvesse um respeito em não perturbar o homem. Ou quem sabe, ninguém reconheceu o ator. A última probabilidade parecia ser bem possível, afinal, ali no meio de todas aquelas pessoas vivendo suas vidas em Londres, o homem era apenas , e não um ator de Hollywood conhecido internacionalmente.
sorriu ao vê-lo retornar a mesa carregando uma bandeja com tudo o que havia pedido.
- Torta de maçã? – arqueou as sobrancelhas ao ver que ele escolheu o mesmo que ela.
- Você é a especialista aqui e se acha que é bom, então não vou te desafiar e pedir algo diferente. – sorriu enquanto se sentava.
teve a delicadeza de tirar os pedidos dela da bandeja e em seguida fazer o mesmo com os dele.
- Você está com dor? – perguntou enquanto a observava pegar dois frascos de remédio em sua bolsa.
- Infelizmente sim. – ela fez uma careta. – Mas não estou fazendo repouso. – nem ousou se isentar de culpa. – Não dá pra reclamar. – deu de ombros, suspirando em seguida.
- Foi muito grave? – indagou tomando um gole de seu próprio suco.
Ela negou com a cabeça antes de lhe responder.
- Poderia ter sido muito pior, mas cinco pontos na panturrilha não são nada. – comentou, dando uma garfada em sua torta.
- Tem certeza? – arqueou as sobrancelhas, duvidando do que ela tinha acabado de afirmar. - A dor que você está sentindo me diz o contrário.
- Frankie, é você? – brincou, mencionando sua assistente que sempre estava se preocupando com ela.
sorriu daquele jeito que ela achava adorável e em seguida começou a devorar a própria torta.
- Não posso deixar meus clientes na mão. – explicou após finalmente tomar seus remédios. – Mas percebi que não sou a mulher de aço e até eu preciso descansar de vez em quando, nem que seja por ordem médica.
a fitou por alguns segundos, ele nem podia a julgar muito, pois não era tão diferente dela quando se tratava de trabalho.
- Seus funcionários parecem ser competentes. – ele opinou já que tinha gostado muito do atendimento de Frankie e Greta.
- E você está certíssimo. – garantiu, finalizando sua água. – Confio em todos plenamente, mas eu gosto de me sentir útil, sabe? – rolou os olhos, sabia como aquilo poderia soar. – Tenho dificuldade de desapegar e entender que eu também preciso descansar. – admitiu e se espantou com a facilidade em assumir aquilo com alguém que não conhecia direito.
Mas tinha esse jeito de fazê-la se sentir tão confortável em sua presença que era fácil conversar com o homem sobre qualquer coisa.
- Sei bem do que você está falando. – ele afirmou assentindo levemente.
- Na sua profissão deve ser quase impossível se desapegar do trabalho, o personagem deve deixar uma marca na sua vida. – comentou e franziu a testa quando o viu arregalar os olhos. – Que foi? – fitou ao redor, levemente tensa com o que pudesse estar acontecendo.
- Como você sabe a minha profissão? – a questionou seriamente. – Nunca te falei com o que trabalho.
A mulher estreitou o olhar na direção dele, claramente desconfiada daquela atitude e tinha certeza absoluta que o homem estava brincando.
- Sou sua fã número 1, não sabia? – sorriu abertamente. – Por exemplo, sei que você ama Shakespeare - a mulher não resistiu e piscou para , que lhe sorria de uma maneira divertida. - E que deveria gravar mais audiobooks. – concluiu, mordendo o lábio inferior.
Não era segredo para ninguém que o homem tinha uma voz marcante e que isso era uma das características que os seus admiradores mais amavam nele. E estava inclusa no meio desses admiradores, considerava o som da voz dele extremamente agradável.
- Seria você fã ou uma stalker? – ele manteve o tom sério, o que fez gargalhar.
- Não se esqueça de que foi você quem veio atrás de mim. – o encarou e agora foi o homem que a fitou com o cenho franzido.
- Touché. – ele se deu por vencido e deu de ombros.
não conseguia tirar o sorriso de seu rosto e não estava diferente dela, o ator tinha que admitir para si próprio que não se lembrava da última vez que se deu tão bem com alguém que tinha acabado de conhecer.
- Mas não fuja do assunto, é difícil desapegar de um personagem? – voltou a lhe perguntar.
- Depende. – reconheceu sem hesitar. – Por exemplo, hoje passei a manhã ensaiando para uma peça e o personagem é um homem que sofre uma grande decepção e tem uma carga emocional muito pesada. – explicou em detalhes e a mulher o ouvia com atenção. – Assim que o ensaio terminou senti uma energia muito triste tomando conta de mim, quase insuportável de aguentar. – desabafou gesticulando com as mãos. – Em casos de personagens tão complexos é difícil desapegar, tenho que me esforçar bastante para deixar a vida do personagem de lado. – riu fraco.
- E o qual o seu segredo? – questionou.
- Para desapegar? – replicou e ela assentiu. – Correr, é um esporte que me ajuda bastante.
se recostou na cadeira, ela tinha um sorriso singelo no rosto.
- É uma boa válvula de escape, eu faço yoga todos os dias para tentar aliviar um pouco o peso da vida. – confessou, o vendo concordar de leve. – E a peça que você está ensaiando, pode dizer o nome ou é sigiloso? – perguntou em um tom de voz mais baixo, o que o fez rir.
- Vou revogar sua posição de presidente do meu fã clube, hein? – zombou e ela rolou os olhos. – Não é segredo, a peça se chama Betrayal e vai estrear em algumas semanas.
- E é sobre o quê?
- Traição amorosa, um homem descobre que sua esposa está tendo um caso com o seu melhor amigo.
- E o mata com requintes de crueldade? – ela já indagou, mal o deixando terminar sua explicação.
riu de leve e negou com cabeça.
- Sacanagem, já estava imaginando um suspense. – fez um bico, fingindo lamentação. - Você é o traído ou traidor?
- O que você acha? – arqueou as sobrancelhas e a viu estreitar o olhar.
- Não sei...vou apostar no traidor.
não teve tempo de comentar sobre a dedução dela, pois o seu celular começou a tocar no mesmo instante e era o diretor da peça no telefone, o homem educadamente pediu licença e foi atender ao telefonema.
sorriu gentilmente e aproveitou para checar o próprio celular, arregalou os olhos ao notar que já tinha se passado duas horas desde o momento em que saiu da confeitaria, deu uma risadinha ao constatar como o tempo voou enquanto estava na companhia de .
- Me desculpe. – a voz do homem se fez presente novamente e ela ergueu os olhos na direção dele, que tinha uma feição de preocupação em seu rosto. – Preciso ir, surgiu uma emergência.
- Está tudo bem? – indagou preocupada.
- É coisa do trabalho. – justificou e ela imediatamente entendeu que dessa vez era algo sigiloso.
- Sem problemas, o analgésico está fazendo efeito e me deixando sonolenta, é melhor eu ir embora também.
O homem assentiu de leve e pegou a sacola dela, a mulher sorriu em agradecimento e se levantou. até pensou em protestar quando foi pagar sua conta e descobriu que pagou a refeição de ambos.
- Não precisava. – resmungou enquanto os dois saiam da cafeteria. – É sério.
- Não foi nada, . – ele garantiu. – Vamos de metrô?
suspirou, sua perna no momento não estava doendo, mas ela sabia que não poderia abusar da sorte e decidiu que o melhor seria voltar de carro.
- Dessa vez vou de uber. – sorriu, pegando o próprio celular.
- Tudo bem, eu espero.
se controlou para não abrir um sorriso imenso, eram raros homens tão gentis e cavalheiros como , e ela estava genuinamente encantada.
- Três minutos. – ela avisou logo que chamou o uber.
assentiu brevemente e sorriu para a mulher, se dependesse dele não iria embora tão cedo, mas o outro ator que estava na peça Betrayal anunciou que não poderia mais participar da peça devido a um problema pessoal, o que deixou o diretor da produção em completo desespero. E como era amigo íntimo do diretor, sabia que precisava estar ao lado do homem naquele momento. Pois se não fosse algo tão urgente, ele não iria embora já que estava gostando muito da conversa que estava tendo com , ela era uma mulher extremamente agradável de ter por perto.
- Vou garantir que os doces para sua mãe estejam perfeitos.
O homem franziu a testa por uns segundos até o seu cérebro entender do que ela estava falando.
- Ah claro! – riu de si próprio. – Tenho certeza que vão estar ótimos.
E foi nesse exato instante que ele teve uma ideia. - Quer que eu te avise se ela gostar? Me diga seu número. – pegou o próprio celular.
assentiu e rapidamente lhe falou o número, em seguida ele ligou para que ela pudesse salvar o número dele.
- Fico no aguardo da opinião dela. – falou e viu o carro se aproximando. - E eu espero que você consiga resolver sua emergência e fique tudo bem. – comentou e ele sorriu em agradecimento.
entregou a sacola com a cortina e abriu a porta do carro para .
- Muito obrigada pela companhia. – ela agradeceu e o viu assentir de leve.
- Foi divertido e agradável. – sorriu enquanto ela entrava no automóvel.
fechou a porta e se apoiou nela por um segundo, ele encarou , que devolvia o olhar e sorriu de lado.
- Até. – foi o que ele disse quando o motorista saiu com o carro, ela permaneceu em silêncio e manteve o sorriso no rosto enquanto ele acenava em despedida.

Parte 2


“O riso é atemporal, a imaginação não tem idade e os sonhos são para sempre”
- Walt Disney


Bobby saiu em disparada assim que viu o seu dono entrar na cozinha, o animal pulou no homem pedindo por seu café da manhã, o humano riu do desespero de seu cachorro e se apressou em pegar o pote de ração.
- Pronto, sua comida. – avisou assim que deixou a vasilha no chão, o animal abanou o rabo em felicidade e iniciou sua primeira refeição do dia.
sorriu ao ver a alegria do seu bichinho e o acariciou brevemente antes de ir pegar seu café preto. Ele suspirou ao sentir o delicioso aroma da cafeína dominar por completo sua cozinha, abriu um sorriso maior ainda depois de tomar um gole da bebida que ele tanto apreciava.
O homem preparou dois ovos mexidos e torradas para acompanhar o seu café, enquanto se deliciava com o seu desjejum aproveitou para checar as novidades em seu celular. Abriu o instagram e sorriu de lado ao ver que a primeira postagem que apareceu para ele foi do perfil In The Mix, a foto postada fez seu estômago saltitar em desejo, era um bolo red velvet com a clássica cobertura branca. Ele curtiu a postagem e sua curiosidade o fez checar os comentários, um especial chamou sua atenção:

“Esse tipo de postagem logo cedo devia ser um crime”

Pelo nome do perfil ele soube no mesmo instante quem era, entrou na página da pessoa e fez uma careta ao ver que era privada. Mas no segundo seguinte já pediu pra seguir e colocou o aparelho de lado por um momento. Bebericou seu café e deu uma bela mordida em sua torrada, o seu celular fez um barulho e ele quase engasgou em antecipação.
autorizou que ele a seguisse na rede social e no mesmo instante o seguiu de volta, ele abriu um sorriso e aproveitou para espiar o perfil da mulher.

“Aos poucos voltando a rotina”

Ela postou no stories com uma imagem de natureza ao fundo, o ator quis sanar sua curiosidade e mandou uma mensagem perguntando como ela estava.
lhe respondeu no mesmo instante:

Preocupada, pois a família do box está me acusando de homicídio doloso, acredita?
Eu não tive a intenção de NADA.
Até entenderia se a acusação fosse de homicídio culposo, já que foi totalmente acidental.
Se bem que poderia ser legítima defesa, afinal EU fui atacada sem motivo algum.
Enfim, você conhece algum advogado criminalista bom? Que não cobre muito caro, por favor.


gargalhou tão alto que chamou a atenção de Bobby, que parou de comer sua ração para fitar o dono.
O homem teve até que respirar fundo para não engasgar com o seu café, ele balançou a cabeça negativamente e apertou para responder a mulher:

Conheço sim, mas devo lhe alertar que essa troca de mensagens podem ser usadas contra você no tribunal. Prefiro que você me deixe fora desse assunto, tenho uma reputação a zelar, ok?

O ator manteve os lábios fechados para segurar o riso que queria sair de sua boca ao ler a resposta dela:

Tarde demais, se forem investigar minha vida depois acidente vão descobrir que estivemos juntos algumas vezes.
Já era, .


Ele ia lhe retornar outra resposta bem humorada, mas parou ao ver que ela digitava algo.

Não tenho limites e você alimentou um monstro, não deveria incentivar meus devaneios.
Mas tô bem, quase 100%, se não estiver ocupado por me encontrar agora no parque e comprovar o que digo.


O homem arregalou os olhos e engoliu em seco, não esperava por esse convite, era muito mais espontânea do que ele imaginava.

Tenho a manhã livre e ainda não dei uma volta com o meu cachorro, ele pode ir junto?

Ele respondeu antes que o seu cérebro o fizesse desistir de aceitar o convite.

Claro que pode, a minha filha adora cachorros e tenho certeza que vai amar o seu bichinho.

se engasgou com o café que descia por sua garganta.

- tem uma filha? E quer que eu conheça? – se perguntou com olhos arregalados.

O homem imediatamente reprisou todas as conversas que já tivera com a mulher na tentativa de lembrar se em algum momento ela tinha lhe informado que era mãe.
Mas não, ele não se recordava de nenhum assunto que envolvesse gravidez, maternidade ou crianças.
O homem respirou fundo ao ver outra mensagem da mulher, onde ela lhe informava o nome do parque em que estava.

Tô sentada num banco atrás do playground, perto dos escorregadores.

Foi a última mensagem que ela enviou e ele respondeu algo bem genérico, pois não tinha muita ideia do que falar sobre aquela nova informação que recebeu.

Ok, te vejo em breve.

Ele se sentiu um idiota, mas o seu cérebro era incapaz de formular uma frase maior que essa, o choque de saber que era mãe ainda estava ali e o homem não sabia como agir.
só desejava que a sua falta de palavras não estragasse nada que estivesse acontecendo entre eles.

🧁🎬



“O acaso não existe.
Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso.”

- Herman Hesse

observava sua criança brincar com os amiguinhos humanos quando sentiu uma presença atrás de si, virou a cabeça brevemente e avistou com um sorriso singelo, o homem usava roupa esportiva, juntamente com um boné e óculos escuros.
- Olá. – o cumprimentou sorridente e indicou para que ele sentasse ao seu lado no banco.
notou que ele parecia meio estranho, mas nem teve tempo de perguntar nada pois se distraiu ao ver o acompanhante do ator.
- Ai minha gente, qual o nome dessa gostosura? – indagou quando o cachorro já pulou em sua direção.
- Bobby. – o homem sentou e abriu um sorriso de leve ao perceber a conexão imediata dos dois.
- Molly vai te adorar. – afirmou enquanto o cachorrinho lambia sua mão.
olhou ao redor e avistou o playground, diversas crianças brincavam ali e tentou observar se alguma delas era parecida com .
- Molly é a sua filha? – tentou não deixar a tensão transparecer em sua voz.
- Isso, Maryan Agnes , mas todos a chamam de Molly. – explicou desviando a atenção do animal para o homem. – Vou chamar ela.

O homem engoliu em seco e assentiu brevemente, franziu a testa quando a viu colocar o dedo polegar e indicador na boca, em seguida soltando um assobio. Acompanhou o olhar de para o playground e ficou totalmente confuso quando uma pequena criatura correu na direção deles, mas não era nada do que ele pensava. Quem vinha toda saltitante na direção de não era uma criança e sim um cachorro.
- Temos companhia. – a mulher falou assim que Molly bruscamente pulou em seu colo.
arregalou os olhos e os piscava sem parar.
- Sua filha é um cão?
- Sim, sempre foi. – ela riu com a pergunta dele e Molly saiu do colo de sua dona e foi para o banco, em seguida começou investigar o homem com o nariz, completamente curiosa com aquele humano que ela nunca viu antes.
- Maryan Agnes é uma cachorra? – ele repetiu.
- Sim. – o respondeu com a testa franzida e foi a vez da mulher arregalar os olhos quando ele começou a gargalhar.
- Eu não acredito nisso. – ele dizia entre os risos.
mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça negativamente, resolveu esperar a crise de riso do homem acabar para entender o que se passava na cabeça dele. Notou que Bobby pediu por carinho ao esfregar o focinho em sua perna e prontamente atendeu ao pedido do cachorrinho que era tão simpático e fofo.
- Você é impossível. – afirmou enquanto se recuperava.
Ele acariciou Molly que lhe cheirava, sorriu ao ver que fazia o mesmo com Bobby.
- O que eu fiz? – ela o indagou confusa.
- , você disse que tinha uma filha.
- Ué, mas eu tenho. – deu de ombros, não entendendo onde ele queria chegar.
- Você tem uma filha canina, eu achei que você tinha uma filha humana.
A expressão confusa da mulher foi se desfazendo conforme seu cérebro processava a frase que ele acabara de dizer.
- Ah, você achou que eu era mãe de um ser humano? – um risinho brincava nos lábios dela.
- Isso! – afirmou, voltando a rir.
A mulher riu alto e chacoalhou a cabeça em negação, rindo da confusão que ela criou sem intenção alguma.
- Eu sei que não é a mesma coisa, mas eu tenho certeza que a Molly me considera a mãe dela, então acostumei a chamar essa bichinha de minha filha. – fitou o assunto em questão praticamente deitando no colo do homem, que pareceu não se importar. – Então é por isso que você estava todo tenso e estranho quando chegou? Por achar que eu realmente tinha uma filha?
- Claro que não, eu teria zero problemas em você ser mãe, só me assustei em conhecer tão depressa alguém que seja tão importante em sua vida. – se explicou, querendo deixar tudo bem esclarecido entre eles.
assentiu e se inclinou levemente pra frente e pegou Bobby no colo.
- Tecnicamente você já é meu comparsa num crime, então acho que não teria problemas em conhecer minha filha, caso eu tivesse uma.
O homem sorriu, a confeiteira sempre o surpreendia com a leveza em que ela dava em todas as conversas.
- Por falar em crime, como está sua perna? – questionou, copiando o gesto da mulher e pegou Molly no colo.
- Sobrevivendo. – brincou. – Já tá bem melhor, mas tô surtando com a coceira. – fez uma careta.
- Se está coçando é porque está cicatrizando. – explicou e ela assentiu, fazendo uma careta em seguida.
- Eu sei, só preciso de um motivo pra continuar reclamando. – deu de ombros. – E você...- virou o rosto em sua direção. – Se tirar o óculos é perigoso? – abaixou o tom de voz ao fazer a pergunta.
- Perigoso?
- Assédio, sabe...fãs te abordando. – formulou melhor e ele assentiu, num sinal de entendimento.
- Não é perigoso, meus olhos são sensíveis ao sol.
- Ah...entendi. – se sentiu meio boba pela pergunta.
- Mas o boné e óculos ajudam a disfarçar sim. – completou, notando que ela parecia estar sem graça. – Aqui é uma região tranquila, então não teria muitos problemas.
notou que algo aconteceu nos últimos instantes que deixou a mulher desconfortável, mas ele não conseguia identificar exatamente qual era o incômodo.
- Eu falei algo errado? – indagou sem rodeios.
- O quê? – ela o fitou meio assustada. – Não, não...é só que eu prefiro conversar olhando nos olhos das pessoas, mas não sabia se você usava os óculos como disfarce e não queria atrapalhar o seu dia.
não esperava por aquela resposta, nunca imaginou que a pergunta dela surgiria por esse motivo.
- Esse pedido jamais atrapalharia o meu dia. – ele tirou o óculos com calma e a fitou, ambos sorriram abertamente.
mordeu o lábio inferior e sentiu uma leve formação de borboletas em seu estômago.
- Obrigada. – agradeceu, voltando sua atenção para o pequeno ser em seu colo. – Quantos anos ele tem?
- Quatro anos, mas ainda pensa e age como um filhote. E ela?
- Molly tem três anos, mas ainda pensa e age como um filhote. – a mulher repetiu a resposta do homem, o fazendo rir.
Os dois observaram os cães se fitarem brevemente e Molly foi a primeira a se movimentar, saindo do colo do homem e indo até o banco, se aproximando de sua dona.
- Ele é tranquilo? – perguntou, incerta da reação de Bobby com a Molly, que não era nada tímida e nos segundos seguintes pularia no cachorro como se fossem grandes amigos.
- É um pouco desconfiado, mas pelo que tô vendo parece não se importar muito com a Molly. – comentou, notando que seu cão ignorando quase que por completo a presença de outro animal no local.
- Assim você vai machucar os sentimentos do meu bebê. – a mulher afinou a voz e se arrependeu no mesmo instante ao lembrar que tinha outro humano no recinto. – Você não ouviu isso. – olhou para ) que segurava o riso.
Molly pareceu perceber o constrangimento de sua dona e resolveu tomar conta da situação, latindo para Bobby, que fez pouco caso dela novamente.
- Ele aprendeu a ser indiferente com você, foi? – acariciou o cachorro e ouviu rir. – Ah! Agora sim! – o cão finalmente fitou Molly, que estava em pé no banco e abanava o rabo freneticamente.
- E eu não preciso dizer com quem ela aprendeu a ser assim, não é mesmo? - - retrucou, usando a frase da mulher contra ela.
apenas sorriu para , que observou o seu cão sair do colo da mulher e se aproximar de Molly. Ele sorriu quando os animais se cumprimentaram cheirando o focinho um do outro.
- Que gracinha. – também sorriu, completamente satisfeita com a interação dos cães.
- Sua filha realmente adora cachorros. – enfatizou a palavra na intenção de debochar da mulher.
- Tá engraçadinho, senhor , por acaso sua peça mudou o gênero de suspense para comédia pastelão? – soltou e o viu arregalar os olhos em choque com a ousadia da mulher.
- Não se esqueça que o especialista em fazer vilões aqui sou eu, e a peça nunca foi de suspense. – piscou para ela, que rapidamente engoliu em seco para esconder o que sentiu com aquele gesto do homem.
- Isso foi uma ameaça? – estreitou o olhar. – E como não é suspense? Se envolve traição é suspense, já que certamente teremos um assassinato.
- Não te ameacei em momento algum, até porque não sou eu quem tem o histórico de atacar um box indefeso. – deu de ombros, quase se deixando contagiar pela risada gostosa que ela soltou com a lembrança do trágico acidente, como ela mesma chamava.
- É covardia isso aí , eu ainda estou lesionada e sofrendo as consequências desse acontecimento. – fez uma careta, se controlando para não coçar a ferida.
- Tudo bem, não foi justo. – ergueu os braços, se rendendo. – Mas é sério, a peça é drama e não suspense. E não tem assassinato algum.
- Isso é o que você diz, pode estar me enganando e... – não terminou de responder pois Molly pulou na dona. – Calma, menina...
- Ela quer algo? – o homem indagou ao ver que a cachorra tentou cavar a perna da mulher.
conhecia Molly o suficiente para saber o significado daquele gesto da cachorra, mas também sabia que teria que ir embora e tudo o que menos desejava no momento era se despedir de .
- Água ou comida, é assim que ela pede.
A feição de se fechou brevemente, a companhia da mulher era tão agradável que não queria se afastar dela tão cedo.
- Moro perto daqui, quer nos acompanhar?
E pela segunda vez naquele dia se surpreendeu com uma pergunta da mulher.
- Se não for te incomodar... – a viu se levantar e colocar Molly no chão, ele copiou o gesto com seu cachorro.
- Claro que não, é até mais tranquilo. – sorriu, indicando com a cabeça uma pequena trilha que tinha atrás do banco.

🧁🎬


“Tem gente que enfeita a alma da gente feito mágica.
De repente, tudo vira flor.
E abraço.”

- Fernanda Mello

O quarteto não andou nem dez minutos e chegaram a casa da confeiteira, que ficava num bairro tranquilo e residencial. O imóvel era um antigo casarão de três andares que foi completamente reformado e cada andar do local se tornou um apartamento individual. morava no térreo pois era o único andar em que o residente tinha o direito a um jardim exclusivo.
- Reedus não muda! – a mulher reclamou quando girou a chave na porta principal da residência e notou que a mesma não estava trancada.
- Quem? – indagou com a testa franzida.
- O morador do último andar. – explicou entrando no local. - Ele sempre esquece de trancar. – indicou a porta que se fechou atrás do homem. - Eu moro aqui. – destrancou a porta que dava acesso ao seu lar.
olhou brevemente para sua direita onde viu as escadas que levavam para os andares superiores do imóvel.
- Só vocês dois moram aqui? – perguntou ao entrar na casa da mulher.
- Sim, o apartamento do meio está vazio. – o informou, soltando Molly de sua coleira, a cachorra já correu para os fundos da casa.
- Posso? – o ator apontou para o seu animal e a mulher sorriu para ele, deu alguns passo em sua direção e se agachou na frente de Bobby.
- Você está livre. – soltou o cão, que não demorou a seguir pelo caminho que sua nova amiguinha fez. – Fique à vontade, vou abrir a porta do jardim pra eles. – se afastou por um momento, trilhando o mesmo percurso dos caninos.
olhou ao seu redor, tentando se localizar no novo ambiente, deixou a coleira de Bobby no pequeno cabideiro que tinha ao lado da porta, tomou a liberdade de tirar o tênis e permaneceu de meias.
- Quer água? Suco? Alguma coisa? – ouviu a mulher perguntar e a viu passar por ele e entrar em outro cômodo, ele reparou que já estava descalça, então se sentiu mais confortável por também estar sem os seus sapatos.
- Água está ótimo. – afirmou e deixou seus pés o guiarem para o local onde estava.
não conseguiu esconder a surpresa ao ver que a cozinha da mulher era completamente diferente do que ele imaginava. As paredes eram cobertas por azulejo branco e todos os móveis e armários eram pretos.
- Que foi? – ele se assustou com a pergunta dela, pois não tinha reparado que a mulher estava o encarando.
- Ah. – balançou a cabeça negativamente e pegou o copo de água que ela tinha em mãos. - Obrigado.
- Parece que você viu um alienígena quando entrou aqui. – franziu a testa com a mão na cintura. – Por acaso esperava uma cozinha toda colorida e vibrante? – riu de leve.
- Você sabe ler mentes? – brincou com a perspicácia dela. – Mas confesso que estou surpreso.
- As cores alegres e exageradas eu deixo pra confeitaria. – garantiu e passou por ele. – Vem cá.
O ator acatou ao pedido e a seguiu para outro cômodo, que ficava ao lado da porta de entrada.
- É a casa inteira assim... – apontou para o local que o homem logo descobriu ser a sala.
As paredes eram todas brancas, o grande sofá na cor chumbo, a televisão ficavam em cima de um pequeno armário em tons pretos.
- Isso é diferente. – apontou para a estante que ficava ao lado do sofá.
- Turquesa é uma cor perfeita. – ela suspirou, brincando. – Mas é onde ficam meus tesouros. – se aproximou do móvel e o viu fazer o mesmo. – Minha pequena coleção de filmes e livros.
O ator estava admirado com o tesouro de , eram filmes de épocas distintas e dos gêneros mais variados possíveis, os livros a maioria eram de romance ou biografia.
- Nada de confeitaria? – indagou curioso.
- Todo mundo me pergunta isso. – riu, colocando as mãos no rosto. – Mas eu prefiro vídeos, acho muito mais fácil de aprender. Você está com fome? – o questionou, ele franziu a testa com a mudança brusca de assunto.
- Não muito. – respondeu, ainda analisando a coleção de .
- Estou faminta. – afirmou, já se encaminhando para a cozinha. – Ainda tem bastante quiche de espinafre que fiz pro jantar, quer um pouco?
escutou o homem dizer que aceitaria um pedaço pequeno e ela se apressou em esquentar a comida no micro-ondas. – Quer suco? Tem de laranja. – o ator respondeu positivamente e ela assentiu.
voltou para a sala com a jarra de suco e travessa de quiche, desviou sua atenção da estante e logo se ofereceu para ajudar a mulher, que agradeceu com um sorriso no rosto.
- Está delicioso. – elogiou após a primeira garfada.
- Obrigada.

Molly e Bobby se juntaram aos seus respectivos donos, a anfitriã logo subiu no sofá e ali ficou, o cachorro do ator olhou ao redor e viu uma cama de cão logo embaixo da janela da sala, ele se aproximou e cheirou por um tempo, antes se acomodar no local.
- Mas você é folgado. – brincou com o próprio animal.
- Molly não se importa. – a mulher garantiu rindo de leve.
estava se segurando para não comentar o quão peculiar era toda aquela situação em que se encontravam. Quando conheceu o ator semanas antes jamais imaginaria que hoje ele estaria em sua casa dividindo uma refeição com ela. E ainda mais, que ambos estariam tão confortáveis na presença um do outro.
- Quando você vai tirar os pontos? – ele perguntou ao finalizar sua pequena refeição.
- Depois de amanhã. – deu o último gole em seu suco. – Espero que não seja doloroso.
- Nada se compara a dor que você sentiu quando se cortou. – garantiu e ela sorriu agradecida.
- É verdade. – concordou.
- Posso usar seu banheiro?
- Claro. – se levantou. – Vou te levar onde o crime aconteceu. – brincou seguindo pelo corredor que ia para os fundos da casa.
O homem a acompanhou e assentiu quando ela indicou a terceira porta à esquerda.
- Obrigado. – agradeceu assim que entrou no local, fechou a porta atrás de si e riu ao ver a cortina azul que ela tinha comprado dias antes.

colocou a louça suja na pia e guardou o resto da comida na geladeira, quando ia saindo da cozinha ouviu o homem andando pelo corredor.
- Tudo tranquilo, a cortina não me atacou. – comentou quando avistou a mulher.
- Sorte a sua, sinal que a próxima vítima serei eu. – gracejou, sentando no sofá, ao lado de Molly.
não foi capaz de tirar o sorriso do rosto, era admirável a capacidade da mulher de viver a vida com tanta leveza.
- Como você consegue? – seus lábios foram mais rápidos que o seu cérebro e se assustou com a própria ousadia em fazer aquela pergunta.
- Consigo o quê? – ela franziu a testa.
sentou-se no sofá, do lado oposto em que ela se encontrava, pensou por um momento em como explicar o que vinha se passando em sua mente desde o dia em que conheceu a mulher.
- Como você consegue levar a vida com tanta suavidade? Seja um pudim que não deu certo ou até um trágico acidente que rasga a sua perna e lhe faz ir parar no hospital...você tem esse talento de fazer tudo parecer tão simples, leve e alegre. – esclareceu e a fitou com curiosidade, observando que a confeiteira parecia estar ligeiramente envergonhada com aquelas palavras.
- Parece até que eu não levo a vida a sério. – ela comentou, mordendo o lábio inferior.
- Viu só? Você acabou de fazer novamente. – apontou o dedo em sua direção, que segurou o riso.
- Muitas vezes não é intencional, eu juro. – afirmou, esperando que ele também falasse algo sobre o que ela acabara de dizer, mas o ator continuou em silêncio. – Sou assim desde pequena, meus pais diziam que quando a casa ficava quieta era sinal que tinha algo de errado comigo. – deu de ombros. - Era bem comum me encontrar cantarolando por todos os cantos, eu sempre fui uma criança sonhadora, imaginava o meu próprio mundo cheio de cores e flores, onde todos viviam livremente e não tinha sofrimento. – ela suspirou por um momento, lembrando-se dos momentos maravilhosos que viveu em sua infância. – Mas fui crescendo e me dando conta que a vida pode ser bem traiçoeira quando quer, apesar disso, sempre tentei ver o lado bom das coisas e nunca desistir de ver a bondade nas pessoas. – sorriu fraco, um pouco envergonhada com a intensidade do olhar do homem em si. – É óbvio que já passei por várias decepções com os seres humanos e também tenho dias péssimos, onde sair da cama é uma luta. Mas sei que é passageiro e não deixo isso me fazer perder a esperança de um futuro melhor.

engoliu em seco com as palavras de , ele estava impactado com a concepção que ela tinha da vida, já que era bem similar ao tipo de existência que ele tentava ter.
- Depois da chuva vem o arco-íris. – o ator comentou e a mulher abriu um sorriso enorme.
- Clichê puro, mas também é a verdade verdadeira. – soltou um risinho e sentiu algo diferente dentro de si ao ver a felicidade estampada na feição do homem.



Continua...



Nota da autora: Oi
Completamente motivada a continuar essa pequena história por causa da série do maravilhoso Loki
Espero que gostem.


O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.





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