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Última atualização: 16/02/2021

Prólogo

"Sexo, drogas e rock n’ roll: livre-se das drogas e você terá bastante tempo para as outros dois" Steven Tyler, Aerosmith.

"Más influências não são desculpas. Cada um faz o que quer" Corey Taylor, Slipknot.

"Um dia terei de acertar minhas contas com o diabo. Mas porque não desfrutar do sol de hoje pensando no dia de amanhã?" Mick Jagger, Rolling Stones.


Estar em uma banda de rock, sempre foi sinônimo de: sexo, drogas e rock and roll e isso, vem desde antes eu nascer. Isso acontece têm décadas e roqueiros são taxados de marginais, desde a época que meu pai era famoso. Ou seja, esse tabu existe desde os anos oitenta.
Mas para mim, estar em uma banda de rock, mundialmente famosa e milionária, sempre foi sinônimo de uma só coisa: Liberdade. Eu sempre pude fazer o que eu quis, sem ninguém me controlando ou me dizendo o que fazer. Nem mesmo o nosso empresário e meu padrinho, Gregory, me dizia o que fazer. Nunca.
Nascer e crescer a imagem de seu pai, carregando a sombra de um astro e gigante da música, me fez sim ter algumas regalias ao longo de meus vinte e três anos de idade. Como por exemplo, ter passe livre em todos os lugares e uma conta bancária, que meu irmão, é de dar inveja em qualquer um.
Carros de todas as marcas e modelos, enchem a minha garagem, fora os instrumentos mais caros e das melhores qualidades que preenchem as paredes do enorme estúdio que eu tenho em minha casa, na costa leste da Califórnia. Mais precisamente, na baía de Sunnydale.
Eu nasci na Califórnia, na cidade de Los Angeles e sou o filho mais novo do quarto casamento de meu pai, com uma modelo da Victoria Secret. E pra quem não sabe, deixo aqui registrado, que meu pai é o ex-baterista e mundialmente famoso, Tommy Lee da banda Motley Crue. Ou seja, carregar esse sangue em minhas veias, me garantiu ter uma boa vida, sem nem precisar me esforçar para isso.
A ideia de seguir a carreira do meu pai, só que como vocalista, surgiu em um bar em Miami, logo após meu aniversário de dezoito anos. Foi então, ao som de alguma música antiga do Guns and Roses ou talvez até do próprio Motley Crue, que nasceu a Dark Heaven.
Ela é atualmente composta por mim, , para os mais íntimos. Pelo filho do meio do cantor Corey Taylor, nosso loirinho de olhos azuis e guitarrista, Jensen Stone. O filho da famosa e insuperável Courtney Love, nosso baixista nanico, Remus Black e por fim, pelo nosso querido e chato baterista, June Ackwell, filho do Serj Tankian, membro da banda System Of a Down.
A banda atingiu um sucesso, que até mesmo, segundo meu próprio pai, nenhuma outra banda já atingiu. Nosso primeiro sucesso e marca registrada da banda, Lost in Hell, alcançou a marca de um milhão de visualizações no YouTube e no Spotify em menos de vinte e quatro horas, fora os downloads que atingiram uma marca histórica, não vista antes em mais de duas décadas.
Com a fama e com todo o reconhecimento da Dark Heaven, vieram também os holofotes e como nós somos uma banda formada por membros filhos de grandes nomes do mundo do rock e do Heavy Metal, a expectativa em cima de nós, sempre foi a maior possível. Mas isso nunca me atingiu, eu nunca me senti pressionado a fazer nada que não quisesse. Durante esses cinco anos de sucesso da banda, eu sempre fiz tudo que me desse vontade e todos os meus amigos também. Não é à toa, que somos conhecidos como a banda mais pesada do mundo atual do rock and roll.
Essa tal liberdade, sempre andou comigo e pelo fato do nosso empresário ser o meu padrinho, eu mais do que os outros, tive a minha pele livrada algumas vezes, mesmo quando a situação era bem bizarra e eu só tenho a agradecer por isso. Pelo menos, eu gero conteúdo e emprego aos paparazzi, fora manchetes sensacionalistas pelo mundo todo.
Eu nunca tive do que reclamar da minha vida, até porque, eu vivi coisas demais e até mesmo inatingíveis para qualquer garoto da minha idade. Eu tenho fama, dinheiro, tenho a música e principalmente, o mundo todo os meus pés. Uns dizem que isso é egocentrismo, mas eu digo que isso é ser honesto e sincero comigo mesmo.
Eu sempre achei que tinha tudo, na verdade eu sempre me enganei que tinha tudo. Porque se é pra ser sincero e falar a verdade, eu percebi que não tinha tudo, quando a conheci.
Dona de cabelos que mais pareciam um sonho, um par de olhos que me lembravam os mares da Califórnia em pleno verão e um humor que me remetia a uma tempestade, ela entrou na minha vida para ser apenas um contrato. Um namoro de fachada para tentar limpar a minha imagem após um incidente em um hotel no meio da turnê Bunny of Fire, onde eu fui detido e preso, por posse de drogas e por ter batido com um carro que não era, aparentemente, a minha Ferrari.
O que era pra ser apenas mais um contrato da Dark Heaven, acabou virando meu inferno particular, onde tudo o que eu fazia era desejar uma mulher que nunca seria minha, onde tudo que eu queria era apenas beijar aqueles lábios que mais pareciam um doce de criança.
Eu tinha plena consciência que aquilo sempre foi um namorado falso, que tudo não passava de um plano de marketing, eu só não era obrigado a concordar com os termos estúpidos daquele contrato idiota.
Eu sempre tive a certeza de que era plenamente capaz de namorar alguém sem precisar ser forçado a isso, até ela aparecer e bagunçar tudo. E no fim das contas, eu só queria entender, como foi que eu cheguei a isso? A ponto de ter que namorar alguém mediante a um contrato? E quando foi que eu perdi as rédeas de minha vida e deixei que alguém me controlasse?
Talvez seja preciso voltar ao início dessa bagunça toda para que eu possa finalmente entender, como que, eu, , estou hoje, completamente rendido e apaixonado pela deslumbrante e irritante .


Capítulo 1

Abbey Lincoln, Califórnia. 21 de Março de 2019. Turnê Bunny on Fire.

As luzes iluminam o palco inteiro, assim como a plateia, que já começa a se aglomerar nos espaços comprados. Os assistentes passam de um lado a outro, com seus pontos eletrônicos e pranchetas, enquanto no camarim da banda, eu e meus colegas nos preparamos para entrar no palco em meia hora. Mas, antes da nossa apresentação, teria a banda de abertura, que foi escolhida a dedo para entreter a plateia antes do grandioso show da Dark Heaven. O único que não está conosco, é o June, nosso baterista, que nesse exato momento está passando o som junto a banda de abertura. De onde eu estou, posso ouvir os gritos eufóricos de nossa plateia, pedindo pela banda. Nossos fãs, são os mais fiéis do mundo todo.
Essa não é a nossa primeira turnê, a Dark Heaven já está na sua terceira turnê mundial e no show de número vinte e sete, ou seja, não existe espaço para erros e nem para nervosismo. Mas, para mim, sempre que um show se inicia, eu fico nervoso pra caralho e confesso que, às vezes, já pensei em desistir de tudo isso. Porém, a fama e o dinheiro que tenho, são maiores do que um nervosismo bobo. Toda vez é a mesma coisa, antes do show eu vomito tudo que existe em meu estômago e mais um pouco e acho que talvez, isso aconteça pelo resto da minha vida. Mesmo com toda confiança que eu tento passar em cima do palco, eu ainda sofro com as terríveis crises de ansiedade. E também, não é pra menos, pois, durante os shows, nós temos que ser perfeitos. Essa é a única exigência de nosso empresário, que sejamos perfeitos em cada apresentação.
Só que dessa vez, existe algo dentro de mim que me diz que essa não será uma apresentação normal da Dark Heaven e eu posso afirmar, que alguma coisa estranha está prestes a acontecer. O nervosismo só de imaginar que algo pode dar errado, me faz olhar e prestar a atenção em algo que eu não devia, ou pelo menos que eu devia estar evitando. Pelo menos, desde a última vez em que eu fiquei tão mal que não consegui nem cantar a primeira música. Porém, o suor do meu corpo e a visão turva, fazem meu corpo ganhar vida sozinho e quando me dou conta, aquilo já está entrando pelo meu nariz e indo direto para a minha corrente sanguínea. Minha garganta se fecha logo na primeira vez, o que é comum já que eu estou há algum tempo sem ter nada desse tipo em meu organismo. A garrafa de vodka está em cima da mesa, então, eu faço mais uma vez o que não deveria estar fazendo e de uma só vez eu ponho metade da garrafa para dentro da minha garganta.
A combinação fatal das duas coisas atinge em cheio meu sistema nervoso. De repente, meu corpo esquenta e a adrenalina toma conta de mim. Fico mais confiante depois disso, então começo a ensaiar a primeira música do show, no mesmo instante em que ouço a banda de abertura animar a plateia. Meu corpo todo treme agitado e então um flash de luz invade meus olhos, fazendo minha cabeça girar e eu perder o controle. E é dessa forma, que sinto minha garganta embolar e em segundos, a lixeira do camarim se torna minha melhor amiga. Me levando novamente ao início desse ciclo horrível.
— Vocês entram em cinco minutos! — Diz Paul, o nosso assistente, assim que a banda de abertura termina seu show.

— Cara, você tá chapado? — Pergunta Remus com seu olhar reprovador.
— Na boa, Remus, não me enche o saco e principalmente, não me condene. Suas pílulas são igualmente perigosas a minha cocaína. — Respondo a ele, mostrando o dedo do meio.
— Estão prontos? — A voz de Gregory acaba me desviando de uma possível briga com Remus.
— Estamos, Gregory. Bora galera, vamos lá. A plateia está eufórica e pedindo por nós! — Diz June, enquanto rodopia as banquetas no ar.
— Nós vamos conversar sobre isso mais tarde, tá me ouvindo? — Sinto a mão de Gregory agarrar meu braço assim que passo por ele. — Agora vá lá e veja se dessa vez, você consegue terminar o show. — Escuto sua voz rouca ecoando em meus ouvidos.
Mentalmente eu mando ele se foder em todas as línguas possíveis, pois, desde quando ele se mete a querer controlar minha vida? Porém, apenas aceno com a cabeça e ajeito meu ponto eletrônico, subindo no palco. Imediatamente, sou recebido por uma onda de gritos histéricos de nossos fãs, que nos aguardam ansiosos e impacientes.
Fim do show, e para minha sorte, ou azar, tudo ocorreu como planejado. Plateia satisfeita com minhas piruetas no palco e com o fato de termos seguido à risca o setlist escolhido. De volta ao camarim, fomos recebidos com muito álcool, drogas e mulheres. Não me julguem, quando se tem vinte e três anos e faz parte de uma banda de rock famosa, tudo o que você quer, são as drogas e principalmente, as mulheres. São mulheres de todas as idades, todas querendo um pedaço dessa enorme torta chamada: .
De primeira, eu vou direto para a bandeja que estão as tão esperadas linhas brancas da felicidade, ou pelo menos, da minha felicidade. Novamente, sinto a mesma sensação de antes do show, a sensação de estar flutuando e isso toma conta de mim rapidamente, me desligando totalmente da realidade e não é como se eu me arrependesse disso, porque eu nunca me arrependo de nada.
Uma das mulheres vem até mim, carregando uma bebida em mãos ela se aproxima devagar e perigosa, como se estivesse só esperando para dar o bote em alguém. A vejo inclinar sua silhueta alta e tendenciosa sobre meu corpo que está escorado na mesa de bebidas, seu olhar sobe e desce em meu corpo, fazendo com que tudo ao meu redor suma rapidamente. Seus lábios alcançaram minha orelha, enquanto sua mão desocupada vai em direção ao fecho da minha calça de couro e nem preciso dizer que fiquei excitado assim que senti sua mão entrar dentro da minha calça.
Se tem algo que eu sempre gostei desse mundo, bem mais até que as drogas, que são sim uma tentação, são as mulheres. Eu não sei dizer, mas parece que todas as mulheres do mundo sentem atração por homens de calça de couro e que cantam em uma banda de rock, por mais estranho que isso seja, todas elas sentem algum tipo de atração bizarra por roqueiros problemáticos e perigosos. Portanto, desde quando eu entrei na Dark Heaven, elas aparecem de monte, sempre querendo tirar uma casquinha, seja de mim ou de qualquer outro membro da banda. Seja você bonito ou não, se você for um dos membros da Dark Heaven ou de qualquer outra banda de rock famosa, vai existir alguma mulher, em algum lugar querendo transar com você. Até hoje, posso dizer que não existiu nenhuma mulher que me recusou ou me dispensou e a prova disso, é essa morena que nesse exato momento, me consome por completo.
Não tive nem tempo de perguntar o nome dela, mas tenho quase certeza que ela se chama Mandy, Candy, ou algo assim, eu sei que ouvi um dos caras a chamar por algum nome de doce. E na realidade que eu nem preciso perguntar o nome dela, isso não é necessário e não me interessa saber o nome de quem está me chupando.
Aprendam, nomes e números de telefone, só complicam as coisas.
— Poxa, gata, você pode continuar. — Sinto ela me soltar e então a vejo levantar e ficar novamente parada na minha frente.
— Eu pensei que a gente poderia… — Escuto sua voz enjoada falar e aquilo me causa um certo desconforto.
Eu sei exatamente onde isso vai terminar e sinceramente, eu não tenho paciência para essas garotas que acham que eu vou ser o grande amor da vida delas.
! Cara, tem um brother ali que me disse que vai rolar a maior festa lá no hotel Five Seasons, em meia hora. — Vejo Jensen correr em minha direção ofegante.
— Foi mal gata, mas obrigado pelo mimo, eu e meu amiguinho aqui agradecemos muito. — Posso ver a decepção no olhar dela, mas sinceramente isso não me importa nem um pouco.
— Idiota. — É tudo que ela diz antes de girar os calcanhares em direção a saída.
— Não esqueça de comprar o Cd da banda e também de acompanhar as nossas redes sociais. — Digo aquilo e tudo que recebo é o seu dedo do meio no ar, mas rapidamente sou atraído por algo mais interessante, a festa no hotel Five Seasons.
O hotel fica bem no centro da cidade e é um dos mais caros hotéis de toda cidade, sendo um dos lugares mais requisitados por pessoas ricas e influentes de todo o país. A festa acontece na cobertura, o que não é nenhuma surpresa para mim, que já estou bem acostumado com festas insanas e de todos os gêneros. Logo que chegamos no hotel, uma legião de fãs histéricos nos recebem, constatando assim que não importa onde a banda esteja, eles sempre vão estar nos esperando. Alguns fãs conseguem nos alcançar, se jogando em cima de nossos seguranças eles conseguem ultrapassar a barreira que nos protegem e invadem o elevador principal do hotel. Agarrando nossos corpos com seus celulares, eles postam tudo em tempo real. Se depender deles, essa festa será inesquecível.
Na cobertura, alguns músicos e amigos da banda, já estão a todo vapor, o que só me deixa ainda mais eufórico por estar em uma festa, mais uma vez. Sou levado por algumas garotas, além daquelas que chegaram comigo, para um canto da festa, onde alguns caras já estão nadando há bastante tempo. Mal consigo raciocinar e rapidamente, sinto a poeira mágica entrar em minhas narinas, me fazendo nadar junto com eles. Uma das garotas me joga no sofá de couro que tem ali e dolorosamente sinto minhas contas colidirem com o estofado gelado, enquanto a mesma monta em meu colo, mordendo minha orelha, novamente me fazendo ficar excitado. Dessa vez, posso sentir que irei me dar bem e que não ficarei apenas nas preliminares.
Algumas horas mais tarde, depois de alternar muito entre sexo, mulheres e drogas, a festa começa a ficar chata demais, algo precisa ser feito rapidamente para animar aqueles caras, uma vez que vejo alguns deles já dormindo pelos sofás. Porra, aquela é uma festa da Dark Heaven, é inadmissível que pessoas durmam antes do dia amanhecer e pela minha última checagem no relógio, ainda não eram nem três da manhã.
Estar nessas festas, para mim, sempre foi a melhor parte de ser quem eu sou. Uma vez que ser um dos maiores ídolos da atualidade, não é nada fácil. Eu amo aquilo que faço, eu nasci para brilhar e ser uma estrela, seja em cima do palco ou fora dele e quando estou aqui, em festas como essa, eu me sinto quase como um Deus. Aqui, não tem os paparazzis, não tem meu empresário, não tem meu pai careta, querendo pagar de santo pra cima de mim, não tem ninguém além de mim e meus melhores amigos, vivendo e aproveitando cada segundo antes do ato final. E se eu pudesse escolher um momento para ficar preso, eu poderia escolher esse aqui facilmente, o momento em que tem duas garotas gostosas pra caralho me chupando.
Com certeza, eu escolheria ter vinte e três anos para sempre e ser o cara mais desejado e invejado do mundo todo.
, meu amor. Os caras da Hells Dolls, estão organizando um pega de carros, topa? — Ouço uma voz doce e meiga me acordar, bem quando estou flutuando de novo.
— Vai valer prêmio em dinheiro? — Arqueiro minha sobrancelha e olho para a loira, quem tem um pingente com o nome Bobby pendurado no pescoço. — Se for valer dinheiro, eu aposto cinco mil dólares, que sou o melhor piloto desse quarto todo. — Me aproximo devagar da mulher que me afasta com as mãos.
— Apostado. — Escuto a voz de Bobby, baterista da Hells Dolls falar comigo, dou um sorriso torto e me ponho de pé. — Mesmo vocês estando mais alto que todos juntos nessa sala, eu adoraria ver você pilotando nesse racha e perdendo, como da outra vez. — Ao sentir o bafo dele perto de meu rosto, eu dou um passo para trás e começo a rir.
— Pois bem, eu dobro a aposta e ainda incluo uma das minhas ferraris. E se eu ganhar, meu irmão, eu levo a sua menina pra cama, também. — De onde estou, posso ver que ele ficou um pouco contente com minha nova aposta, tirando o fato da sua garota estar no meio.
— O que você pensa que tá fazendo? — Sou barrado pelas mãos de Remus antes de sair do quarto.
— Quantas vezes vou ter que falar que vocês não mandam em mim? — Me solto de seus braços e então sigo Bobby para o estacionamento, já comemorando minha vitória garantida.
— Vê se não vai perder essa hein, ! Tô apostando em você! — Jensen se agarra em mim e bagunça meu cabelo.
Naquela altura da noite, não sei qual de nós está mais alto e mais louco. A única coisa que tenho certeza, é que tenho que ganhar aposta, caso contrário, não posso garantir que minha reputação ficará intacta. Perder uma aposta para Bobby Lewis, não é uma coisa muito legal no meio onde vivo.
Em questão de segundos, estou dirigindo uma Ferrari vermelha e potente como um cavalo, apenas escutando o barulho dos pneus cantando no asfalto, junto a música mais famosa da Dark Heaven, a Fallen Angels of Desire, música com a qual nós ganhamos o Grammy no ano passado.
No banco de couro do carro, alguns mimos dos membros da Hells Dolls fazem aquela corrida ser ainda mais emocionante. Mais uma curva e o velocímetro atinge os 100km/h me levando às alturas, mais uma vez, naquela noite. Estou tão chapado e com a adrenalina batendo a mil, que simplesmente ignoro qualquer som do mundo exterior, só consigo focar em vencer aquela corrida e ganhar meu prêmio, que diga-se de passagem, é um belo prêmio de longos cabelos loiros e um metro e setenta.
Claro que ganhar dez mil dólares e não perder meu Jaguar novinho, que foi presente do Slash no meu aniversário de dezoito anos, também valem a pena.
E eu teria ganho sim aquela aposta, se não fosse pelo fato de que eu estava completamente fora da realidade, há mais de 100 km/h em uma rua íngreme e bem difícil de fazer as curvas. Quase na linha da chegada, meus ouvidos captam um som até bem conhecido por qualquer pessoa e pelo espelho retrovisor, posso ver as luzes vermelhas e azuis de uma sirene. O carro se aproxima devagar e buzinando, eles me obrigam a parar no acostamento. Fato esse que me deixa revoltado, pois faltava apenas alguns metros para eu vencer aquele desafio e levar a fama do primeiro cara que derrotou o invicto Bobby Lewis. Mas, infelizmente isso não acontece e a minha noite termina de maneira trágica, comigo em um acostamento, sendo parado por um carro de polícia. Um final inaceitável para alguém como eu.
— Identidade e documentos do carro, por favor! — Escuto uma voz feminina me chamar e apontar uma lanterna na minha cara.
— Algum problema, policial? — Levo minha mão ao rosto ao sentir aquele flash de luz atrapalhando minha visão.
— Pelo que eu e meu parceiro podemos constatar, você estava correndo um pouco de mais em uma via que o limite de velocidade é de 60km/h, rapaz. — A vejo levar as mãos até a janela do carro, inclinando a lanterna para dentro do veículo.
— Aquilo são drogas, garoto? Desça do carro e nos acompanhe, por gentileza. — Do nada eu começo a rir e aquilo parece incomodar a tal policial, que me encara com o rosto sério.
— Este carro não é do senhor, é? Pelos documentos, esse carro pertence a alguém chamado Annie Bould, mulher, trinta e cinco anos. — O outro policial aponta a lanterna para meu rosto.
— Levando em consideração que o senhor está em posse de pelo menos cem gramas de cocaína e dirigindo um carro que não lhe pertence, a situação aqui é bem grave. Você terá que nos acompanhar até a delegacia. — Olho para a tal policial que parece estar se divertindo com a minha desgraça.
Em sua camisa, o broche com o nome “” pisca diante de meus olhos.
— Com licença, , sem querer ofender a senhorita, mas por acaso, você sabe quem eu sou? — Eu aponto para seu crachá e abro meu melhor sorriso para ela, que parece não estar gostando nem um pouco de minha atitude.
— Você pode ser o Papa ou até mesmo o Presidente, que sinceramente, eu não ligo. Aqui e agora, você é um cidadão que infringiu pelo menos umas três leis estaduais e está a ponto de ser preso por desacato. — A policial, que agora tem um nome, me olha de cima a baixo, se esforçando mesmo para me reconhecer.
— E que tal se eu fosse o homem da sua vida, policial? Você pode me algemar e fazer o que quiser comigo.
, você está preso por direção perigosa, posse de drogas e desacato a autoridade. Você tem direito de ficar calado, tudo que você disser pode e será usado contra você em um tribunal. Você tem direito a um advogado, caso não possa pagar, o estado irá lhe disponibilizar um. — Minha visão está um pouco turva, mas posso sentir claramente as algemas serem colocadas em minhas mãos.
O resto da noite é um emaranhado de lembranças ruins, que acabou comigo detido na delegacia até que tudo fosse devidamente esclarecido e eu libertado. Não demorou muito e Gregory conseguiu que eu saísse de lá sem nenhuma denúncia e com a minha ficha intacta. Por sorte, não houve maiores danos e eu consegui me livrar daquelas acusações sem nenhum fundamento. O advogado que Gregory arranjou para mim, conseguiu que eu fosse liberado, sob a condição de que eu estava bêbado e sem consciência dos meus atos, que eu não sabia que estava transportando drogas no carro e que não fazia ideia de que aquele não era o meu carro. Então, tendo em vista o fato de eu ser réu primário e ter faculdade, eu não precisei ficar muito na delegacia e consegui sair de lá, totalmente ileso.
Depois disso, é óbvio que a tal policial ficou uma fera e de onde eu estava, eu podia ver ela e o delegado titular discutindo e apontando para os bancos onde eu estava sentado. Com certeza, ela não achava correto que eu fosse liberado sem nem precisar passar por uma denúncia formal, apenas pagando uma fiança de valor amigável e o compromisso de que eu ficaria longe das drogas. a fim de reparar o dano causado.
Através do vidro da sala do delegado, eu podia ver seus olhos me queimando vivo, como se ela realmente acreditasse que eu merecia passar pelo menos uma noite preso em uma cela. E algo me dizia, que ela ainda me traria muitos problemas no futuro.
— Você tá mesmo encrencado desta vez, . Por Deus e pelo seu pai, o que você achou que estava fazendo? — Escuto a voz de Gregory me questionar bravamente e logo sou trazido à realidade.
— Eu só queria um pouco de diversão e isso não faz mal a ninguém, Greg. E outra, acho que tudo isso já foi bem resolvido, não foi? — Olhando diretamente para Greg, eu me levanto daqueles bancos frios da delegacia e pego minha jaqueta de couro para ir embora.
— Não dessa vez, . Parece que a tal policial que te prendeu, tem bastante influência nesta delegacia e pelo que o seu advogado me informou, as coisas não vão ser fáceis pra você. — Gregory se levanta e me olha bem nos olhos.
— Como assim? Eu não posso ser preso e você sabe muito bem disso, Greg. Porra, eu não pago uma fortuna pra esses merdas de advogados não fazerem a merda do trabalho deles! — Não consigo me conter e explodo para cima de Greg que tenta me segurar.
— Fica calmo, . Você não vai ser preso. Mas, por outro lado, você vai ter que participar de alguns programas sociais que serão supervisionados pela policial . — Gregory diz enquanto tenta me acalmar.
— Nem fodendo, Greg! Isso não vai acontecer, nem sob tortura que eu vou fazer obra social e ainda obedecer essa policial abusada. Não mesmo! — A atitude de Greg em tentar me acalmar é inútil e novamente, posso ver a tal através do vidro da sala do delegado.
Com os braços cruzados na altura do peito e um sorriso convencido nos lábios, ela me encarava fixamente, enquanto seus olhos me analisavam por completo. Eu podia jurar que a maldita estava se divertindo com o fato de que eu estaria em suas mãos.
Amaldiçoadas seja a hora em que eu aceitei participar daquele racha com o estúpido do Bobby Lewis.
— Você não tem outra alternativa, . É isso ou ir direto para a prisão por posse drogas, direção perigosa e desacato a autoridade. — Sinto a mão de Greg em meus ombros e mesmo a contragosto eu acabo cedendo.
— Pelo menos, os paparazzis vão ficar felizes em saber que agora é um cara decente, que está disposto a ficar longe das drogas e que faz parte de um monte de programa social, a fim de ajudar a população. — Abrindo meu melhor sorriso eu olho para ela enquanto falo com Gregory.
— Eu sabia que você era um cara inteligente, , e que você iria entender tudo isso bem rapidinho. — Gregory dá um tapinha em minhas costas enquanto ainda mantém o mesmo sorriso nos lábios.
— E quanto tempo isso vai durar? Exatamente? — Viro meu rosto e questiono Gregory.
— O tempo certo ainda não foi determinado. Mas, pelo que fui informado, são pelo menos seis meses iniciais. — Gregory responde enquanto fala com alguém pelo WhatsApp.
— Fazer o que, não é mesmo? Se tenho que fazer isso pra não ser preso, eu faço. Tudo pela minha liberdade. — Respondo ele balançando os ombros.
Do lado de fora da delegacia, os paparazzis me esperam ansioso e em bando, vários deles querendo apenas um click no astro do rock em uma delegacia. Tudo por um furo de reportagem, mas se eles queriam um espetáculo, eles teriam o maior de todos e seria estrelado por mim e por aquela policial abusada. Se dependesse de mim, todos teriam um espetáculo inesquecível.
Eu só não podia prever o futuro e nem o que aquele acordo judicial traria para minha vida, muito menos o que iria acontecer a partir daquele momento. O que eu não poderia imaginar era que a chegada de causaria tanto em tão pouco tempo.
O tal contrato com as obras sociais e com o programa de combate às drogas era de seis meses, inicialmente, mas eu faria de tudo para escapar daquilo o mais rápido possível.
Quanto antes eu me livrar desse contrato e dessa tal policial , limpando a minha imagem com meus fãs, mostrando que estou limpo e que me arrependo do que fiz, mais rápido eu poderei voltar a ser antigo , que não liga para mais nada a não ser o sexo, drogas e rock and roll.

Capítulo 2

Cláusula primeira: O assinante deste presente contrato se compromete inteiramente a cumprir todos os horários e dias pré estipulados, bem como ao compartilhamento de informações em forma de relatórios de comportamento em torno do desenvolvimento do assinante.

Cláusula segunda: O assinante deve se comprometer em nunca repassar ou vazar informações à imprensa ou qualquer outro meio de comunicação. Sob pena de multa de sessenta por cento do salário vigente.

Cláusula terceira: O assinante deve cumprir todo o roteiro estipulado e deve comparecer a todas as reuniões dos narcóticos anônimos, no período de pelo menos três meses e deve se manter limpo nesse período.

Cláusula quarta: O solicitante desse contrato pode alterar qualquer data/horário/ roteiro sem nenhum aviso prévio, a fim de assim preservar a imagem perante a mídia do assinante.

Cláusula quinta: A fim de ajudar na recuperação da imagem do assinante em questão, , fica aqui registrado que além de orientação comunitária e exames antidrogas, a contratante, senhorita deve se comprometer a acompanhar o assinante em todos os eventos, shows e qualquer outro evento da banda Dark Heaven.

Cláusula sexta: Fica aqui acordado, por meio deste, a contratação da senhorita como namorada oficial de , tornando assim válido os termos de obrigações sociais, bem como a melhora de sua imagem após o incidente na cidade de Abbey Lincoln na noite de 17 de Março. Perante este acordo, todas as despesas de viagens, eventos e shows estão inclusas. Bem como o pagamento de cinquenta mil dólares à contratada .

Cláusula sétima: , cidadã americana, vinte e oito anos, policial do distrito de Abbey Lincoln, aceita ser a namorada de , perante os presentes advogados e testemunhas. Não podendo então romper o contrato em um período de pelo menos, seis meses, sob a pena de multa de sessenta por cento do seu salário.

Cláusula oitava: O contrato inclui, aparições públicas com roteiros pré determinados. Entrevistas e gravações de programas com agendamento prévio de toda a equipe de produção e empresários. Ensaios fotográficos e postagem em mídias sociais somente com pedido formal e com pelo menos três dias de antecedência. Não é permitido nenhuma aparição em público ou entrevista sem a aprovação da equipe da banda Dark Heaven.

Cláusula nona: Todos os compromissos sociais e projetos de recuperação, antes determinados estão inclusos neste contrato.

Cláusula décima: Por meio deste, , declara estar ciente dos termos sociais e midiáticos que regem esse contrato, bem como a contratação de como sua namorada perante aos jornais e imprensa, não permitindo o rompimento deste contrato sem a aprovação prévia do empresário Gregory Baker e a contratada .

— Mas que porra é essa? — explode e então joga o contrato sobre a mesa.
— É, eu também não entendi que merda é essa? Gregory. Eu concordei com serviço social, não com esse absurdo que está escrito aqui. — Aponto para a folha daquele contrato enquanto encaro Gregory e o tal advogado, que nem fiz questão de guardar o nome.
— Primeiro de tudo, fiquem calmos, crianças. Tudo que eu e o Elliot fizemos, é para o seu bem e para o bem da senhorita . — Gregory ajeita novamente as folhas do contrato na nossa frente enquanto sustenta um sorriso irônico nos lábios.
— Olha aqui, eu não vou aceitar nada além do que já foi acordado na delegacia. Nada além dos serviços sociais com a minha supervisão. — cruza as pernas e devolve o contrato para Gregory.
— Senhorita , se eu fosse você, eu pensaria duas vezes antes de recusar um contato tão bom quanto esse. — Gregory se inclina sobre a mesa e de onde estou, vejo os olhares deles se encontrando.
— Gregory, isso não tem cabimento. Eu não vou aceitar isso, eu não vou aceitar ter uma namorada. Não adianta insistir. Eu aceitei as obras sociais e não vou aceitar nada além disso. — Me levanto e me inclino sobre a enorme mesa de mármore, batendo as mãos na superfície.
— Já falei pra vocês dois manterem a calma. — Gregory olha para mim de onde está sentado e posso sentir a raiva dele em mim.
— Isso não vai acontecer, de jeito nenhum. Eu retiro a queixa, qualquer coisa, mas nem em outra vida eu seria a namorada desse moleque. — gira o rosto e nossos olhos se encontram.
— Me respeita, garota. Mas é isso, ela retira a queixa, não tem mais prisão e tudo isso termina como deveria terminar. Ela volta a prender os delinquentes que já está acostumada e eu volto para os ensaios da Dark Heaven. — Posso ver claramente o desprezo dela em seu rosto.
— Eu acho que vocês não estão entendendo. Não tem outra alternativa, vocês dois vão aceitar esse contrato e ponto final. — Gregory bate as mãos na mesa e o som de seus anéis com o mármore faz um barulho enorme.
— Eu já disse que não vou aceitar porcaria nenhuma. — gesticula com as mãos no ar enquanto divide seu olhar em mim e em Gregory.
— Pela última vez, senhorita , mantenha a calma. E eu acho que a senhorita deveria pelo menos considerar essa alternativa. Pois, eu odiaria ter que me reportar ao superintendente da polícia, informando que uma certa policial, filha do senador teve algumas vantagens extracurriculares no exame admissional da academia do FBI. — Aquelas palavras de Gregory parecem trazer à tona alguns monstros no armário de .
— Isso é segredo meu, isso não tem nada haver com o problema do seu garotinho aqui, Gregory. — soca com as mãos a mesa de mármore e Elliot suspirou irritado.
— Claro que não tem, mas veja bem, senhorita , foi você quem começou com esse acordo idiota. Tudo isso por orgulho próprio e porque não aceitou os cinco mil dólares que oferecemos a você e seu amigo delegado. — A voz de Gregory é incisiva e insistente.
— Eu não acredito que isso tá acontecendo. Você, você é um pesadelo em minha, seu moleque. — gira seu corpo em minha direção e aponta o indicador bem no meu rosto.
— Gregory, isso é loucura. Essa mulher não tem modos e muito menos controle emocional pra fazer isso dá certo.
— Não me façam ficar repetitivo. Vocês dois vão namorar, vão assinar o contrato e vão seguir cada cláusula dele com suas vidas. Estão me entendendo? — Gregory nos chama atenção, olhando nos dois discutindo, ele forma um riso misterioso nos lábios.
— Não! Sem chances! — Pela primeira vez naquela manhã, nós dois juntos falamos juntos.
— Sou obrigado a dizer, então, que se a senhora insistir em não aceitar esse contrato, eu serei obrigado a procurar o senador e contar para ela sobre a conduta de sua filha mais nova. Serei obrigado a dizer a ele, que ela tem algumas reclamações no que diz sobre a conduta legal dentro de uma delegacia, principalmente no quesito de relacionamento entre funcionários de escalões diferentes. E terei também de contar ao papai Jeff que a menina dele tem causado um monte com o seu possível delegado, que mais parece alguém bem íntimo dela… — Gregory profere aquelas palavras que estão redigidas em alguma página daquele contrato enorme.
— Chega! Chega dessa merda, Gregory. Não adianta insistir, isso não vai acontecer. — Me coloco na frente de e encaro Gregory que está bem irritado.
— Não pense que me esqueci de você, . Se você continuar insistindo em não aceitar todos esses termos, eu posso dizer só que, acabou a Dark Heaven, acabou a banda e acabou principalmente a sua carreira e toda a proteção que o seu papai paga para você ficar sempre livre de tudo. Além disso, eu serei obrigado a contar aos jornalistas de todo mundo sobre o incidente de sua mãe com aquele motorista em Boston, ano passado. E eu acho que você não vai querer ver seu pai em um quinto divórcio, passando pra quinta esposa, não é mesmo? Fora meus salários atrasados que eu vou cobrar, centavo por centavo. — Gregory leva as mãos ao queixo e volta a nos encarar, atônitos.
— Isso pode ser ótimo, para os dois. É só vocês dois analisarem a situação de fora que vocês irão ver que essa é a melhor saída, pra todo mundo. — Depois daquele furacão que aconteceu há segundos, é a vez de Elliot se pronunciar na conversa.
— E como essa merda toda aqui pode ser uma boa saída? — Questiono Elliot que se ajeita na cadeira e me olha diretamente.
— Veja bem, . Pelas pesquisas das nossas revistas, além das pesquisas em mídias sociais, ficou bem claro que você não tem nenhuma namorada séria. Nós sabemos que você prefere a farra e as mulheres de monte, porém, na atual situação em que você se encontra, o melhor a fazer é aceitar esse namoro falso. Assim, você restabelece o padrão de seguidores em suas redes sociais, bem como a sua imagem com seus fãs. Eles apenas esperam que você volte no próximo show sendo o mesmo de sempre, mas eu aposto que se isso aqui acontecer, você se tornará o herói deles e as mulheres vão te desejar ainda mais. Sem falar nas vendas e downloads que vão aumentar instantaneamente. — Elliot se levanta e caminha até mim e .
Ele segura os dois contatos em suas mãos e nos entrega assim que olhamos um para o outro.
— E você, senhorita , bom, não preciso dizer nada em relação a isso. Você sabe muito bem que esse contrato pode ser a sua salvação e a salvação do seus segredos com sua família. Você mantém seu cargo no distrito de Abbey Lincoln, e ainda por cima leva uma grana que pode pagar todas as suas contas e fazer algumas coisas que goste de fazer. Sinceramente, senhorita , você só tem a ganhar com esse contrato. E veja bem, são apenas seis meses e depois disso, você ficará cinquenta mil mais rica e completamente livre desse moleque irresponsável. — Elliot finaliza o seu discurso e nos orienta onde devemos assinar.
— Tudo bem, eu aceito! Mas que fique bem claro, eu saio fora disso assim que esses malditos seis meses terminarem. — sorri para mim e para Elliot enquanto pega a caneta dourada para assinar os papéis.
— Já que não tem muito o que fazer e só pelo fato de que não quero envolver meu pai em mais um escândalo sexual, eu aceito esse contrato! E por fim, eu também vou cair fora assim que esses malditos seis meses terminarem.
Nós dois assinamos na linha indicada em adesivos amarelos e selamos o acordo com um aperto de mãos. Por um instante, aqueles olhos marcantes de me encaravam e muito, eu só não sabia se ela estava com raiva ou tentando me decifrar.
Eu posso jurar, de pés juntos, que ela está com uma raiva mortal de mim e de qualquer outra pessoa que esteja relacionada a mim, uma vez que foram meus empresários que a colocaram nessa saia justa de ter que fingir que está namorando um cara que com toda certeza do mundo todo, ela odeia apenas pelo fato dele estar respirando.
Por um lado, realmente é ótimo para minha imagem ter uma namorada e ser visto com ela, em todos os lugares. Por outro lado, isso vai me privar, de alguma forma de tudo aquilo que amo, que são as drogas, as mulheres e ao sexo. E só com isso, eu já estava me sentindo brevemente arrependido disso. Mas agora não teria mais jeito.
— Vejo que os dois estão começando a se entenderem. Meus parabéns! Isso é ótimo! O silêncio é uma arte e um ótimo meio de comunicação. — Elliot diz a nós enquanto ajeita os papéis do contrato em uma pasta de couro.
— Pois bem, que estejam se acertando ou não, não me interessa mais. Amanhã, vocês dois têm uma coletiva de imprensa às onze horas da manhã em frente ao centro comunitário Arco Íris, em Blue Bay. — Gregory nos comunicou e imediatamente saiu da sala.
— Por favor, não se atrasem. Para garantirmos isso, o Gregory adiantou e fez uma reserva para os dois em um hotel bem próximo ao centro, com quarto de casal standart. Aqui estão os cartões e o motorista os espera lá embaixo.
Elliot nos entrega dois cartões do hotel Flowers, junto com o encarte e o nosso itinerário todo pronto para aquela noite e pelos próximos seis meses.
Agora era oficial, eu estava fodido e completamente preso a .
— Eu vou na frente e espero vocês no saguão do prédio. — Elliot diz e agarra sua enorme pasta, saindo da sala.
— Pronta para ir? — Viro meu rosto na direção dela, que presta atenção em algo aleatório.
— Ah sim, vamos claro. Quando mais cedo isso começar, mais cedo vai terminar. — Ela sorri para mim e em seguida ajeita a bolsa nos ombros, pronta pra ir embora dali, ela tomou minha frente e abriu a porta da sala.
O dia vai ser cansativo, não só pelo fato de que teremos que nos hospedar em um hotel qualquer, juntos no mesmo quarto e sim porque, segundo o nosso itinerário, nessa tarde eu terei um ensaio importante com a Dark Heaven, ensaio esse em que devo levar a comigo e apresentá-la como minha "suposta" namorada secreta.
Só de saber disso, meu corpo todo entra em um colapso coletivo e tudo que eu preciso, para pelo menos passar por isso são e salvo, é de um comprimido ou até dois de Valium. Quem sabe eu consiga dormir, sem ficar pensando que estou preso em um contrato com uma garota que nem conheço e que nem faço questão nenhuma de conhecer.
Espero que pelo menos, durante o ensaio da Dark Heaven ela se comporte bem e não faça nada que coloque meus amigos e eu, em alguma situação constrangedora. Se isso acontecer, não tem Gregg, nem Elliot, eu mesmo coloco essa garota pra correr pra bem longe de mim e da minha banda.

🎸🎸🎸

Para minha sorte, infelizmente ou felizmente, a coletiva foi o maior sucesso e aparentemente, todos os jornalistas acreditaram naquela história mirabolante de Gregory sobre eu e . Aqueles abutres se contentaram com poucas perguntas e pareciam estar mais interessados, em como da noite para o dia, eu me tornei o herói das crianças abandonadas? E não com quem eu estaria namorando, o que me deu uma certa vantagem em relação aquela situação criada por Gregory. Pelo fato deles estarem mais interessados com o outro assunto, eu e conseguimos sair da saia justa e fizemos todos acreditarem que esse namoro já está rolando há algum tempo.
A visita ao instituto Arco Íris foi bem promissora e rendeu alguns bons cliques comigo e no meio daqueles garotos órfãos. Eu fiz uma doação generosa para o instituto, prometi que voltaria mais algumas vezes, que iria construir um quadra de basquete lá e também aproveitei pra fazer um merchandising meu diante aquelas crianças, passando assim a imagem de que realmente eu estava empenhado em mudar meu comportamento, dessa vez.
circula com algumas meninas que moram no instituto, o que me fez reparar bastante na sua facilidade em lidar com crianças daquela idade e de como, ela fica absurdamente linda quando está sorrindo, sem aquela carranca que ela aparentemente carrega em seu rosto, todos os dias. Eu estou parado perto da porta de saída, enquanto observo atento, todos aqueles garotos emocionados ao receberem os presentes que levamos. Nunca antes, eu vi um garoto ficar tão feliz porque ganhou tênis novos ou livros de histórias. Mas, aqueles garotos parecem diferentes, especiais e até que é gratificante saber que eu fiz uma criança sorrir.
— Sabia que fumar causa câncer? Além de ser um péssimo exemplo para essas crianças. — vem até onde estou encostado, sustentando a mesma cara fechada da qual eu já estou me acostumando.
— Eu vou morrer de qualquer forma e sinceramente, eu não ligo. — Balanço os ombros para ela que suspirou irritada. — E quanto às crianças, deixo com você o fardo de dizer a elas que fumar faz mal à saúde.
— Que seja, você já é grande demais para saber o que faz mal a sua saúde e o que não faz. — É a vez dela balançar os ombros em tom de deboche.
— Ainda bem que você sabe disso. E realmente, sou bem grandinho já. Em todos os sentidos, inclusive. — Devolvo o tom debochado para ela que vira os olhos ao escutar aquilo.
— Eca, , me poupe desses detalhes insignificantes. — A vejo gesticular com as mãos enquanto se esforça para não imaginar alguma cena em sua cabeça.
— Um dia ainda, , vou te ouvir implorando por mim e por meus atributos, grandes. — Sussurro próximo ao seu ouvido e posso senti-la se arrepiar por completo.
— Vai sonhando, . Isso só vai acontecer nos seus sonhos. — Ela se afasta, balançando a cabeça.
— É o que veremos, . — Arqueando minha sobrancelha para ela, a vejo desviar o olhar para o lado de forma da enorme janela.
— Chega de besteiras, ! Vamos ao que de fato interessa, o nosso cronograma diz que temos um jantar mais tarde, no restaurante Madame Lee, às oito horas. — lê aquelas palavras em voz alta, me acordando de um breve sonho que estava tendo com ela.
Tudo que eu queria agora: gritando meu nome, enquanto estou beijando aqueles lábios maravilhosos.
Já de volta ao quarto do hotel onde estamos hospedados, encontro sob a cama um envelope com o meu nome e o de . Eu estou detestando tudo isso, mas infelizmente estou preso nessa situação, pelo menos até todo mundo acreditar que eu fiquei limpo e que eu realmente me importo. me avisa que vai tomar banho e em seguida, escuto a porta do banheiro ser trancada.
"Olá, e . Em vista do jantar de hoje a noite, no armário do quarto de vocês tem um terno novinho e um vestido para a senhorita . Aproveitem a noite de vocês, lembrem-se de manter a discrição e de passarem a imagem de um casal feliz e apaixonado. Com amor, Gregory."

A partir deste momento, eu preciso deixar declarado o quando estou odiando Gregory Marsh, com todas as minhas forças. Greg está sendo um escroto comigo e tudo isso, é culpa dela. Eu nunca precisei passar por nenhuma situação como essa antes, nunca precisei me preocupar se minha imagem estava boa ou não com meus fãs. Eles sempre me amaram de qualquer forma, eu sendo um irresponsável ou não, os meus fãs sempre foram os mais fiéis do mundo todo. Mas parece que agora, o Gregory achou uma maneira de fazer com que eu me sinta um bosta, perante todos e principalmente perante as mulheres.

! Brother, tá rolando uma festa do caralho aqui na mansão dos Daves. Vem logo cara! — É o que eu escuto ao atender a sexta chamada de Jensen no meu celular.
— Me desculpa Jensen, mas não posso. Já tenho um compromisso marcado com. . — Me jogo na poltrona debaixo da janela enquanto suspiro irritado com toda aquela situação.
— Que merda cara! Mas boa sorte e boa noite, se você conseguir ficar mais uma noite sem a sua amada coca. — O barulho do outro lado da ligação me lembra de algo que agora parece bem distante.
— Vai se foder, Jensen! Eu consigo sim tá ouvindo? — Respondo Jensen mostrando o dedo do meio, mesmo sabendo que ele não pode me ver.
Assim que desligo a ligação a vejo sair do banheiro, enrolada apenas na toalha felpuda do hotel, ela seca os cabelos com outra toalha. caminha até o espelho e através do reflexo ela olha em minha direção, sorrindo discretamente.
— Posso saber o porquê dessa sua cara azeda? — olha para mim e pergunta, enquanto continua secando seus cabelos.
— Isso tudo é culpa sua! Sua culpa, caralho! — Respondo a ela e me levanto, pegando uma garrafa de cerveja.
— Culpa do quê, exatamente? — Ela vira o rosto e me questiona.
— Por sua culpa eu não posso ir agora em uma festa com meu melhor amigo. Porque tenho que ir nessa merda de jantar com você. — Dou um gole em minha cerveja e caminho até a janela do quarto.
— Ah, por favor, . Não me culpe pelos seus problemas! — Viro meu rosto para ela, que agora está passando creme corporal. — Se você quiser ir nessa tal festa, é só ir, a porta está bem ali. — A vejo apontar com o creme à porta do nosso quarto.
— Você sabe muito bem que as coisas não são tão fáceis assim, . Nós estamos presos neste contrato e pelo menos, nos próximos seis meses, vou ter que recusar todos os convites para festas e isso é sim culpa sua! — Volto a ignorar sua presença ali naquele quarto, enquanto a mesma parece estar fazendo o mesmo.
— Aí que você se engana, . Isso tudo é culpa sua! Foi você quem tentou subornar uma policial e ainda por cima burlou pelo menos umas seis leis estaduais. — larga o creme e volta sua atenção para a escova de cabelo.
— Pois fique sabendo que eu não vejo a hora dessa merda de contrato acabar, para eu me ver longe de você. — Digo isso a ela e em instantes, algo se aperta em minha garganta.
— Saiba então que é recíproco, . Não vejo a hora disso tudo acabar! — caminha até o armário e retira de lá o seu vestido e coloca meu terno no encontro de uma das poltronas. — Agora vista-se, . Temos uma noite bem longa pela frente.
sorri para mim e então caminha de volta ao banheiro, trancando a porta, novamente. Por um instante, ela me deixa curioso em saber quais são os tantos segredos que ela guarda, para que ela fique tanto na defensiva quando está comigo. Algo dentro do meu coração aperta, só por saber que em seis meses ela não vai mais estar comigo. Embora eu diga que estou feliz em que isso tudo vai terminar, algo dentro de mim não quer que isso acabe e isso é extremamente perigoso para mim.
Em apenas uma semana que estamos neste contrato, ela já conseguiu me fazer ficar longe das drogas, das mulheres e de qualquer outra coisa que faz parte do meu eu passado. Isso jamais aconteceu antes e agora, parece que tudo que eu quero fazer é ficar ouvindo ela falar, mesmo que eu ainda relute um pouco para admitir o poder que ela está tendo sobre mim em tão pouco tempo.
é extremamente perigosa, misteriosa e completamente perfeita para mim.



Continua...



Nota da autora: Cheguei com a primeira atualização dessa fanfic que eu amo demais! Quero agradecer as visualizações e agradecer quem está acompanhando até aqui. Muito obrigada, de coração! A gente se encontra na próxima atualização.
Beijos.




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