Contador:
Última atualização: 31/10/2020

Parte I

A passos impacientes que deixariam qualquer um tonto, David Hawthorne caminhava pelo local que se recusava a admitir que era agora a sua sala. Um olhar nervoso ao seu redor comprovou que por mais que almejasse um cargo alto como aquele no FBI, jamais aceitaria as circunstâncias em que seu maior sonho fora concedido. Por mais que a realidade gritasse em sua cara todos os acontecimentos recentes, ele se recusava a acreditar e enquanto aquele fio de esperança que ele sentia estivesse presente ali, não deixaria de acreditar no impossível.
Os outros agentes que passavam por ele o achavam incrivelmente tolo por se agarrar à toda aquela expectativa, como se ele fosse alguma espécie de criança tola que ainda acreditava em Papai Noel e Coelho da Páscoa. Todas as evidências apontavam que aquela situação não tinha volta, principalmente porque já estavam há dias sem sequer um sinal do agente, mas eles também sabiam da admiração e apreço que David tinha por , por isso, o compreendiam de certa forma, aceitando sem questionar as ordens que lhe eram dadas quanto à nova investigação relacionada ao caso do Estripador de Baltimore.
— Hawthorne? — Seus pensamentos foram interrompidos pela agente . Ela adentrou a sala de David assim que ele assentiu em concordância, trazendo consigo alguns papéis que segurava com a mão livre de luvas, enquanto mantinha a outra no bolso do casaco. Hawthorne lhe lançou um olhar rápido, examinando os cabelos negros presos em um coque desajeitado, mas não se ateve a isso porque sua atenção imediatamente foi para os papéis.
— Estão prontos? — ele questionou, mesmo sabendo que aquilo era bem óbvio, já que do contrário ela não o interromperia em sua sala.
— Sim, talvez queira dar uma olhada, agente Hawthorne — ela murmurou, parecendo chateada com o que David veria, mas tentando mascarar com um sorriso um tanto aberto demais. Ao notar isso, ela se xingou mentalmente porque era patético de sua parte agir como uma adolescente apaixonada. David jamais olharia para ela, não quando todos sabiam que ele tinha um caso com a bela jornalista, Candace Robbins. Pensar nisso fez a moça engolir em seco, pigarreando em seguida para disfarçar o nó que se formou em sua garganta.
— E então? — Hawthorne lhe despertou dos pensamentos e ela, num sobressalto, se aproximou do rapaz e lhe mostrou os papéis que indicavam o resultado da análise de DNA das manchas de sangue presentes na mais nova cena do crime. Segundo as comparações realizadas com o banco de dados, o sangue presente no chão da orquestra sinfônica local pertencia a...
— a voz de ecoou, trazendo consigo um silêncio mórbido no local em que se encontravam.
Um tiro teria doído menos, foi o que Hawthorne pensara. O que diabos aquilo significava? teria descoberto o Estripador de Baltimore, tentado salvar a vida da vítima e sido levado como refém? Ou ele estaria morto e seu corpo seria descoberto dias depois, da mesma forma que havia acontecido com Soren Lamartine?
Talvez você nunca descubra.
Aquele pensamento lhe torturava a todo instante.
Hawthorne sabia tudo que estava em jogo a partir daquele momento. Sabia que sua cabeça estava a prêmio e que cada um dos agentes daquele local estava questionando sua experiência, ou nesse caso a falta dela. Ele era relativamente novo no FBI, se comparado aos outros, e até mesmo não depositava sua confiança, muito menos acreditava em seu potencial, disso David também sabia. E era por isso que o desafio era ainda maior. Por isso o peso em suas costas aumentava drasticamente. Ele tinha mais do que um assassino em série de altíssima periculosidade para capturar, ele tinha sua própria honra e um reconhecimento sem precedentes em jogo. Ele tinha que vingar também a morte de dois colegas de trabalho, se realmente estivesse morto, e tinha que restaurar a credibilidade do FBI.
As mãos do agente tremeram quando ele tocou os papéis que segurava, olhando os dados que compunham o laudo com um buraco enorme que havia sido aberto em seu estômago.
— Hawthorne? — Ele ouviu a voz de sua colega soar de forma um tanto distante por ainda estar submerso em pensamentos. — Hawthorne? Está tudo bem?
Não, não estava tudo bem. Ele sentia suas pernas amolecerem e o ar ao seu redor ficar escasso enquanto tudo girava numa velocidade estúpida. Ele não podia se render. O quão patético iria parecer se desmaiasse em sua sala em seu primeiro dia como detetive chefe da investigação?
Sentiu um toque delicado em suas costas e lentamente se voltou para o olhar preocupado de , deixando-se levar, em meio à tontura, pelo tom escuro dos olhos da moça. Nunca havia parado para reparar no quanto eram atraentes, eles tinham uma linha fina e azulada contornando o castanho e, por mais que fossem um pouco bloqueados pelas lentes dos óculos de grau, fizeram com que ele ficasse vidrado, questionando algumas coisas para si mesmo.
percebeu a confusão do rapaz. O quanto estava perdido e, por mais que lutasse para esconder, assustado com toda aquela situação. Mas ela sabia também que ele não cederia, não daria o braço a torcer e não admitiria os conflitos que sentia. Ela só conhecera uma pessoa mais teimosa que David Hawthorne, e este era .
— E a causa da morte do maestro? — questionou, soando um tanto seco após pigarrear e desviar seu olhar dos olhos da agente.
— Foi confirmada, David. Hemorragia interna causada por uma lesão cardíaca, possivelmente feita com um instrumento cortante que atingiu a vítima na região do tórax. O formato indica que a incisão foi realizada por uma faca e a morte ocorreu antes de o maestro ter seu corpo transformado em violoncelo. A arma do crime não foi localizada e também não foram encontradas impressões digitais nas partes do instrumento musical, a não ser... — A voz da mulher morreu, então ela engoliu em seco, não tendo certeza se conseguiria dizer em voz alta aquele outro resultado.
— A não ser o quê? — David se exaltou, encarando com impaciência. Ele não podia perder tempo com nenhum tipo de frescura.
— A não ser pelo arco do violoncelo, onde encontramos sangue e impressões digitais do agente — ela completou, vendo a expressão do agente se transformar numa careta frustrada.
— Alguma evidência que nos leve ao paradeiro dele? — questionou, respirando fundo para acalmar o nervosismo.
— Nenhuma, senhor. Temos apenas o rastro do sangue de , indicando uma possível direção, além do bilhete com aquele convite.
David passou as costas da mão direita pela testa, secando o suor que todo aquele nervosismo estava lhe causando. E foi com esse ato que ele percebeu o quanto tremia, o que o fez ponderar por alguns segundos se não estaria tendo um ataque de nervos.
Aquele maldito bilhete.
Conseguia lembrar nitidamente do momento em que um dos agentes lhe chamou a atenção, da mesma forma que ele mesmo havia feito quando investigava a cena de crime que constatara a morte de Soren Lamartine. Ele havia se aproximado da mesma forma que havia feito com ele e pegado o papel em suas mãos. A caligrafia era a mesma, elegante e digitada, e as palavras que encontrou lhe fizeram arquear uma sobrancelha enquanto seu estômago se embrulhava.

“É com este espetáculo em minha homenagem que ofereço aos meus amigos do FBI um esplendoroso banquete, onde, finalmente, todos conhecerão minha verdadeira identidade.
A próxima trilha de corpos indicará a data, a hora e o local.
Com muito apreço pelos senhores,
Estripador de Baltimore.”
Hawthorne mal podia acreditar na petulância do sujeito. E por mais que o fascínio pelo estudo dos seriais killers tenha lhe trazido até aquele emprego, ele os odiava profundamente. Odiava a crueldade, a capacidade de espalhar dor e sofrimento às famílias das vítimas. Odiava toda aquela prepotência e a constante insistência em se considerar como Deus ou o próprio Diabo. Tendo questões psicológicas envolvidas ou não, todos eles mereciam a pena de morte.
Este em especial estava lhe causando ainda mais ódio porque, além de se considerar o próprio Deus, ele havia deixado claro que sua verdadeira identidade estava bem debaixo de seus narizes e o FBI só descobriria quem ele era de fato porque assim o Estripador desejava.
— Precisamos ser mais rápidos — ele murmurou, deixando seus pensamentos se externarem, o que fez tomar um pequeno susto, já que também estava envolta em seus próprios pensamentos.
— Como? — ela murmurou, ainda atordoada, voltando a erguer seu olhar até o de Hawthorne.
— Temos que pegar esse desgraçado antes que ele se entregue. Você sabe o que vai acontecer se ele o fizer, certo? Seremos motivo de chacota, , e eu não posso me dar esse luxo. Eu preciso... Preciso fazer com que a morte de não tenha sido em vão e, caso ele esteja vivo, preciso arrumar um jeito de salvá-lo. Esse cara não pode vencer! — David disparou a falar, mal percebendo que havia recomeçado a andar de um lado para o outro na sala, completamente impaciente e agoniado.
— David... — começou, suspirando pesadamente antes de soltar as palavras que sabia que Hawthorne cuspiria de volta em sua cara. — Como você tem tanta certeza de que é completamente isento de culpa? Pense bem, ele era a pessoa mais próxima da Soren. Todo mundo sabia que os dois tinham um caso e ele sempre foi um obcecado por pinturas famosas. O sangue e as impressões digitais dele foram encontrados no arco do violoncelo. Eu sei que é difícil de aceitar, mas o laudo não mente. Foram feitos prova e contraprova e depois disso eu só consigo pensar que o agente não é completamente inocente nessa história.
A expressão nos olhos de David fez estremecer e se arrepender amargamente por sua sinceridade. Ele a encarou com profunda frieza, caminhando até a poltrona de seu escritório e largando os papéis em cima da mesa antes de pigarrear e soltar, soando seco e indiferente a ela.
— Se tem alguma culpa, por que tem uma quantidade de sangue dele na cena de crime digna de um filme de terror? — questionou, lhe arqueando uma sobrancelha com uma expressão arrogante.
— E as impressões no arco? Há um desgaste nas pregas vocais do maestro e fragmentos de tecido muscular, além do sangue do . Vendo por esse ângulo, ele pode ter sido pego em flagrante e sido atacado em seguida, o que o tornaria o possível imitador do Estripador de Baltimore. Só não entendo por que as impressões estão apenas no arco e não no corpo do maestro e...
— Não preciso mais de seus serviços, agente . Seus relatórios já foram entregues e agora, se me dá licença, tenho muito trabalho a fazer. Volte ao seu posto — David a interrompeu, não querendo mais ouvir uma palavra do que a garota teorizava. Se recusava a sequer cogitar aquele absurdo. Não quando se tratava de , o agente que havia sido sua inspiração desde que iniciara seu treinamento no FBI.
Desconcertada, respirou fundo, engolindo mais uma vez o nó na garganta e caminhando a passos apressados até a porta, se retirando sem olhar para trás e deixando uma lágrima teimosa escorrer por sua bochecha.
Ela sabia que David estava fora de si, mas havia doído ver o cara por quem ela tinha interesse genuíno desde que o viu pela primeira vez lhe tratar como se não fosse ninguém.
Respirou fundo, passando a mão pela bochecha e se recompondo antes de entrar em seu laboratório, prometendo a si mesma que dali para frente agiria mais como Soren Lamartine. Ela estava bem farta de ser a menininha amargurada e sonhadora, que esperava ser notada pelo cara legal e que por coincidência do destino trabalhava com ela.

🍷


Um sorriso estava estampado nos lábios do Estripador de Baltimore. Ele estava mais do que satisfeito, estava radiante.
Era incrível o quanto o FBI estava em suas mãos. Não importava quais estratégias buscassem ou quem colocassem na frente da investigação de seu caso, ele derrubaria todos, e David Hawthorne seria o desfecho de seu espetáculo.
Era por isso que ele mantinha uma expressão divertida em seu rosto enquanto a nona sinfonia de Beethoven ecoava em seu carro. Os olhos atentos buscavam as direções conhecidas que o levariam a mais uma de suas vítimas e seus lábios cantarolavam o ritmo da música. Ele era um grande apreciador dos clássicos e por isso não pôde deixar de se sentir lisonjeado pelo presente recebido de seu admirador.
Quando parava para pensar sobre , o Estripador sentia uma emoção estranha, algo que fazia seu peito se aquecer enquanto que uma vontade súbita de sorrir quase rasgava suas bochechas para que ele o fizesse. E conforme aprendia com ele, caso após caso, era moldado à sua imagem e semelhança. Ele não poderia estar mais orgulhoso de seu cordeiro, por mais que no final de tudo a semelhança estivesse roubando o holofote que sempre pertenceria ao Estripador.
Assim como o presenteou com belas representações artísticas, no entanto, ele também lhe homenagearia. Quer algo melhor do que receber uma celebração pelo sangue derramado do cordeiro?
As gargalhadas incessantes ecoaram pelo veículo, parecendo um tanto mecânicas e sem emoção, por mais que por dentro ele estivesse genuinamente achando a situação cômica. O Estripador nunca havia sido o tipo que deixava suas emoções transparecerem, não poderia de maneira alguma demonstrar vulnerabilidade.
Seu alvo então entrou em seu campo de visão, abrindo a porta dos fundos do pequeno sobrado para levar o lixo até a rua e regar as plantas, já que aquele era o único horário em que poderia fazê-lo. Era por volta das dez da noite e a potencial vítima passava o dia inteiro trabalhando na gráfica local.
O Estripador tratou de estacionar o carro de forma silenciosa e se apressou em sair do veículo, caminhando rapidamente até os fundos da casa e tentando fazer a menor quantidade de barulho possível, se esgueirando para dentro da residência enquanto a moça de longos cabelos acobreados molhava suas plantas, cantarolando uma música que ele não conseguiu identificar.
Encontrou exatamente o local que esperava para render seu alvo e assim que ela entrou em seu campo de visão, o Estripador não hesitou em acertar o martelo em sua cabeça, escutando o baque surdo do corpo indo de encontro ao chão.
Com a faca de cozinha da própria vítima, ele usou a mão direta desta para cortar a mão esquerda, como se a mulher tivesse decepado a própria mão, colocando-a na pia estrategicamente e novamente usando a mão da vítima para implantar um pequeno bilhete, onde deixava a primeira coordenada de onde seria a celebração de seu banquete. Então ele segurou as pernas da moça logo depois para arrastá-la para a porta da casa, fazendo-o sem a menor pressa e deixando que o sangue proveniente do toco onde antes era a mão da vítima deixasse um longo rastro pelo piso branco. O contraste era incrivelmente agradável aos seus olhos.
Não havia ninguém na rua que pudesse identificá-lo e o carro que utilizava estava estrategicamente estacionado próximo aos fundos da casa, então, novamente, ele estava muito longe de ser pego.
Depois de colocar a vítima no porta-malas, devidamente amordaçada, ele entrou no carro e deu partida, ouvindo mais uma vez o som da sinfonia de Beethoven, encarando seu reflexo no retrovisor e esbanjando seu triunfo. A garota confinada no porta-malas de seu carro trabalhava na gráfica de um dos principais jornais locais, onde uma velha conhecida sua se dedicava a espalhar diversas calúnias contra o Estripador.
Aquilo daria um belo susto em Candace Robbins e depois daquela noite ela entenderia por que o Estripador de Baltimore era considerado o assassino mais perigoso de todos os tempos.

🍷


soltou o ar com dificuldade assim que adentrou seu laboratório, encarando seu reflexo na geladeira espelhada e piscando os olhos rapidamente, bufando em seguida ao sentir novamente o nó em sua garganta. Abaixou a cabeça e retirou os óculos para limpar as lentes molhadas pelas lágrimas e tremendo se encostou na bancada. Droga, ela precisava se acalmar! David não fazia ideia de como ela se sentia em relação a ele e a forma grosseira como a tratou certamente se devia ao fato da pressão que estava sob os ombros do rapaz. Ela não conseguia nem imaginar como se sentiria se estivesse no lugar dele, comandando uma investigação que colecionava fracassos.
Inspirou fundo, contando três segundos e expirando, repetindo o processo até que realmente se acalmasse e pudesse colocar seus pensamentos em ordem. Ajudar David a solucionar aquele caso seria muito melhor do que ficar pelos cantos se lamentando.
Olhou para o computador, onde estava aberto o arquivo com o laudo recém impresso e entregue a Hawthorne e passou a refletir sobre o que aqueles resultados poderiam implicar.
Havia sangue de e do maestro por toda a cena de crime. Levando em conta que a Orquestra Sinfônica era um local público e, portanto, contaminado por outros perfis genéticos, não seria impossível que um terceiro indivíduo estivesse presente e mascarado pela multidão. Certamente ele teria até mesmo visitado o local antes, para garantir o sucesso de seus planos.
— Pense, . Pense… — murmurou, estalando as juntas de seus dedos, numa espécie de tique nervoso. — Se considerarmos o modus operandi do Estripador, ele é mestre em cobrir os próprios rastros. Não houve uma cena em que foi encontrado material biológico que pudesse levar a um dos suspeitos ou a qualquer perfil no CODIS. O assassino sempre se portou de modo meticuloso, mostrando apenas o que quer que o FBI enxergue.
se perguntou então se conseguiria ir além.
Por algum motivo, outra vez ela pensou em . Ele parecia ser o único que conseguia pensar fora da bolha e trazer observações precisas, como se extraísse os pensamentos do próprio criminoso. Havia sido assim em todos os casos solucionados por ele. também sempre mostrou um grande interesse em desvendar a mente de psicopatas.
Teria aquele interesse chegado ao ponto de ele se tornar fã de um assassino e, pior ainda, imitá-lo?
Não podia ser. Por mais reservado que fosse, ela sentia que o conhecia bem.
Gênio ou louco?
Vilão ou vítima?
Vivo ou morto?
Sentiu o peso do último questionamento afundar seu estômago e lhe deixar enjoada.
A quantidade de sangue encontrado do agente denunciava que ele havia sofrido uma hemorragia. Se ele tivesse fugido do local ou algo do tipo, não teria ido muito longe.
As manchas demonstravam que ele havia sido arrastado, mas e as impressões e o sangue no arco?
O que diabos aquilo significava?
Era tão absurda assim a teoria de que ele tinha matado o maestro e sido atacado pelo Estripador? Mas como ele tinha escapado depois de perder tanto sangue?
Alguém havia o levado?
Todas as possibilidades eram terríveis aos olhos de . Pensar em refém ou morto em algum lugar era doloroso, mas imaginá-lo como o imitador era ainda pior.
Não podia ser. Não fazia sentido algum.
Talvez David estivesse certo em tratá-la daquela forma grosseira. Ela estava tirando conclusões completamente fora do comum sobre alguém que considerava um amigo.
Mordeu a boca, voltando seus pensamentos para , deixando lembranças tomarem conta de si.


Naquela tarde, haviam recebido uma grande apreensão de drogas, interligadas a uma gangue internacional. Com provas o suficiente, conseguiriam conectá-las a Antony Paslov, quem eles suspeitavam ser o chefe da organização criminosa.
era a responsável pelas análises químicas das substâncias encontradas e havia se disposto a ajudá-la. Nada fora do normal, porque aquele era e quanto mais imerso em trabalho ele estivesse, melhor.
Os dois se conheciam desde os tempos do colégio, quando moravam em Salt Lake City. , mesmo sendo um aluno bastante quieto, que não fazia muita questão de se enturmar, sempre tratava a garota de forma cordial e eles estabeleceram um certo companheirismo quando a professora determinou que fizessem dupla para um trabalho.
era a única pessoa com quem conversava, mas ela não ligava, gostava daquilo e por isso o sumiço repentino do garoto no meio do ano letivo deixou-a mais chateada do que era capaz de admitir.
Anos se passaram, desenvolveu uma paixão pela perícia forense e como seu histórico escolar era impecável, não foi difícil para a garota alcançar o maior de seus sonhos: trabalhar para o FBI.
Qual foi a surpresa dela em descobrir que seu velho amigo voltaria a ser seu colega?
questionou sobre o passado, não conseguia se conter, e a resposta de lhe deixou completamente sem chão.
Os pais do garoto haviam sido assassinados e presenciara tudo. O até então garoto precisara se mudar às pressas para a casa de seus avós, que ficava ali em Baltimore. Ela ouvira falar do caso na época e se sentiu um tanto idiota por não ter ligado uma coisa à outra, mas procurou não questionar o colega novamente. Notou que o assunto afetava , por mais que ele tentasse esconder.
— Vou preparar o cromatógrafo — assentiu, prosseguindo com as etapas de preparação das amostras, agradecendo-o mentalmente por aquilo.
Qualquer pensamento de , no entanto, foi interrompido quando David Hawthorne entrou no laboratório.
, a agente Lamartine pediu para você ir até a sala dela assim que possível. Surgiu uma possível testemunha ou algo desse tipo — o rapaz se atrapalhou quando o encarou.
— Algo desse tipo? — questionou, negando com a cabeça. Se o conhecia bem, estava achando cômica a demonstração de nervosismo de Hawthorne. Ela, no entanto, achava aquilo um tanto adorável.
— Ela não me deu detalhes. Apenas requer sua presença. — Deu de ombros.
— E por que você mencionou uma testemunha então? — David abriu a boca para responder, mas foi interrompido. — Deixe para lá. Diga a Soren que estarei lá daqui a alguns minutos — então virou-se novamente para a tela do computador e voltou a digitar como se o rapaz não estivesse mais ali.
Hawthorne engoliu em seco, lançando um olhar nervoso na direção de , que sorriu de leve e deu de ombros, declarando de forma muda que aquele era o jeito de . O rapaz então assentiu e se retirou, deixando a moça um tanto boba porque ele havia retribuído seu sorriso.
Era errado demais ela querer tanto um colega de trabalho? David mexia tanto com ela.
— Você merece coisa melhor — a voz de tirou de seus pensamentos e ela o encarou assustada ao se dar conta de que não estava sendo sútil como imaginava. sequer estava lhe olhando, permanecia com sua atenção voltada para o computador, onde continuava o trabalho de informar à máquina quais seriam os parâmetros de suas análises.
sentia-se impressionada com a capacidade de seu colega e amigo em observar as coisas mesmo quando ele parecia entretido em algo diferente. Isso e a maneira sempre tranquila como o homem se portava, não importava a situação. Nada parecia abalar .
não sabia como responder ao comentário. Sentia que suas bochechas estavam aquecidas pelo constrangimento, como se ele acabasse de pegá-la cometendo algum delito.
— Não há nada de errado, . Só que eu realmente acho que você merece algo muito melhor do que David Hawthorne. — Parecendo ouvir seus pensamentos, se virou para ela, erguendo uma das sobrancelhas e moldando um meio sorriso. o encarou por alguns segundos, então abaixou a cabeça, sentindo a vergonha triplicar.
— Não sei como você faz isso, — murmurou, rindo nervosa.
— Isso o quê? — questionou, fazendo-a encará-lo novamente.
— Perceber as coisas até quando não parece estar prestando atenção nelas — externou seus pensamentos.
sorriu um pouco mais.
— Sou apenas um bom observador.
— Então me diga, senhor observador, por que acha que David não é bom o suficiente para mim? — ergueu uma sobrancelha. Embora ainda estivesse um pouco envergonhada, aos poucos ficava mais à vontade. Esse era o poder que exercia sobre ela. Desconfiava, no entanto, que ela não era a única afetada por ele daquela maneira. Era como se o homem tivesse o dom de cativar as pessoas por onde fosse.
— Você é inteligente, , e tem a capacidade de ser extraordinária. David não. Ele é apenas um garoto inútil, o tipo de pessoa que precisa roubar a estrela dos outros para alcançar o que almeja.
se espantou ao ouvir aquilo. Hawthorne nunca lhe pareceu o tipo de pessoa sedenta por poder a ponto de sabotar os outros para isso.
— começou um tanto receosa. — Tem certeza de que estamos falando da mesma pessoa?
— Tão certo quanto essa amostra é cocaína da pior qualidade — observou, de um jeito quase risonho. — Não se deixe enganar pela pose de bom moço atrapalhado e ansioso em agradar os superiores. Dê-lhe um pouco de poder e você verá a verdadeira face do garoto.
— Você não está fazendo muito sentido, — retrucou, se recusando a acreditar que aquelas palavras fossem verdadeiras. implicava com David desde o primeiro dia do rapaz no departamento. Talvez aquilo tudo não passasse disso, implicância. Ela não entendia o porquê, mas por hora não iria questionar.
— Talvez não. Só não deixe que sua paixão platônica anuvie sua percepção aguçada, . Você já ouviu a história do lobo em pele de cordeiro?


Cada vez que parava para pensar naquela conversa, sentia-se mais e mais confusa. O que queria dizer com aquele papo de lobos e cordeiros? Ele sabia alguma coisa sobre David e por isso o odiava tanto?
Não teve mais tempo para pensar sobre o assunto, porque o recente alvo de seus questionamentos bateu à porta do laboratório.
, prepare o kit forense. Ele atacou novamente.


Continua...



Nota da autora: Finalmente, Sweet Psychosis está entre nós! Eu resolvi dividir ela e postar em andamento porque percebi ela se alongando um pouquinho mais do que eu esperava, então espero que embarquem nessa comigo e comentem bastante aqui sobre o que estão achando.
O que vocês me dizem desse Estripador afrontoso? E desse flashback do Theodore? Estou realmente ansiosa, viu? hahaha
Me sigam no instagram e entrem nos grupos do whatsapp e facebook para receber spoilers, avisos de att e interagir comigo.
Beijos e até logo!
Ste.



Outras Fanfics:
Acorrentados no Inferno [Restritas — Originais — Em Andamento]
Aliferous [Restritas — Originais — Em Andamento]
Bellum Vincula [Restritas — Originais — Em Andamento] — Parceria com Vanessa Vasconcellos & G.K Hawk
Extermínio [Restritas — Originais — Em Andamento] — Parceria com Sereia Laranja
Histeria [Restritas — Originais — Em Andamento]
Hold me Tight or Don't [Restritas — Livros/Harry Potter — Em Andamento]
Lover of Mine [Restritas — Originais — Em Andamento] — Parceria com Dany Valença
Lycanthrope [Restritas — Originais — Em Andamento]
Mindhunters [Restritas — Originais — Em Andamento] — Parceria com Vanessa Vasconcellos
Reckless Serenade [Restritas — Livros/Harry Potter — Em Andamento]
Unholy Darkness [Restritas — Livros/Harry Potter — Em Andamento] — Parceria com G.K Hawk
Trilogia Sweet Psychosis:
Sweet Monster [Restritas — Seriados — Shortfic] — Parte I
Sweet Symphony [Restritas — Originais — Shortfic] — Parte II
Sweet Psychosis [Restritas — Originais — Shortfic] — Parte III
Acesse minha página de autora para encontrar todas as minhas histórias


comments powered by Disqus