Finalizada

Capítulo Único

O cheiro úmido de terra misturado ao perfume das plantas preenchia a Estufa Três, onde Sonserina e Lufa-Lufa dividiam a aula de Herbologia. Tom Riddle atravessou a porta com passos precisos, os sapatos arrastando quase nada no chão úmido. Cada botão do uniforme reluzia sob a luz filtrada pelas folhas, e ele ajeitou a gravata com um movimento quase imperceptível, como se calibrasse a própria autoridade. Conversas diminuíam quando ele passava. Olhares se voltavam, alguns de admiração, outros de medo.
Mas não os dela.
ajustava as luvas de couro de dragão, tirando o pó que insistia em grudar, sem pressa, com o polegar deslizando pela costura. Separou frascos e ferramentas, empurrando-os para alinhá-los perfeitamente, e cumprimentou dois alunos da Lufa-Lufa com um aceno discreto antes de sentar. Não olhou para Tom. Não murmurou o nome dele. Não demonstrou qualquer interesse.
E aquilo o incomodou mais do que deveria.
Ela era filha de trouxas. Ele sabia. Todos sabiam. E, por isso, ela deveria, ao menos, ter o bom senso de manter os olhos baixos — de agir como se a presença dele fosse um peso.
O professor, um bruxo grisalho de fala pausada, começou a explicar a tarefa do dia: analisar os efeitos de uma planta luminescente nórdica, pouco estudada em Hogwarts. Tom apoiou o queixo na mão por um instante, fingindo atenção, mas seus olhos encontraram . Ela escrevia com movimentos calculados, o lápis riscando o papel com cuidado quase reverente, os dedos se demorando sobre as folhas antes de anotá-las, como se conversasse com a própria planta.
Alunos da Sonserina observavam à distância, aguardando qualquer gesto dele como se fosse uma deixa.
Tom sentiu o peito se apertar. Não era só o silêncio dela — era a audácia. Ela não parecia impressionada, nem desconfortável. Ela não parecia consciente do que ele representava.
Ele se moveu.
Cruzou a bancada com passos silenciosos, apoiando o cotovelo na madeira de maneira que obrigava a olhar para ele. Inclinou-se o suficiente para sentir o perfume da terra e das plantas misturando-se ao dela.
— disse, a voz baixa, escolhida para que apenas ela ouvisse — curiosidade não costuma transformar ninguém em especialista. Alguns apenas se iludem achando que pertencem a certas esferas.
Ela ergueu o olhar lentamente, sem recuar. As mãos não pararam de anotar; apenas o lápis continuava deslizando sobre o papel, indiferente.
— Se está preocupado com quem pertence ou não, talvez devesse prestar mais atenção ao seu próprio trabalho, Riddle — respondeu com uma gentileza desconcertante. Depois disso, inclinou-se levemente sobre a planta, como se ele tivesse se evaporado do ar.
Tom ficou sem reação. O sangue queimou-lhe as veias, não de vergonha, mas de ultraje. Uma nascida trouxa o confrontando. E, pior, ignorando-o.
Talvez fosse isso que o fascinava contra a própria vontade.
E naquele instante, ele decidiu. Não era uma questão de querer a atenção dela. Era uma questão de colocá-la no lugar certo — fosse ele quem estivesse definido o que isso significava.
Os dias seguintes se arrastaram com a mesma rotina nas aulas conjuntas de Herbologia. Para todos os outros, Tom Riddle continuava o enigma elegante e impecável: passos silenciosos, mãos sempre ajeitando o uniforme, aquele sorriso discreto que parecia guardar segredos e olhos que atravessavam qualquer distração. Mas continuava a desafiá-lo… silenciosamente.
Sempre que ele se aproximava, seja propositalmente ou “por acaso”, ela erguia apenas a cabeça, sorvia o ar do laboratório com calma e se inclinava sobre a planta que manipulava. Conversava baixo com um colega da Lufa-Lufa, trocava uma palavra, ajeitava um frasco — sem deslumbre, sem hesitação. Apenas sendo… .
Tom deslizou a cadeira até a bancada ao lado da de , ajustou o livro com cuidado para que ficasse aberto na mesma página que o dela e apoiou as mãos na madeira, inclinando-se levemente sobre a planta que ela examinava. Os dedos tocaram a folha sem encostar de verdade, apenas o suficiente para observar a textura. Ele virou o caderno devagar, como quem revisa, mas na verdade seguia cada riscado do lápis dela, o ritmo do movimento do braço, o jeito que ela inclinava a cabeça quando concentrada. Tudo com a aparência de causalidade. Um suspiro contido, um ajuste de gravata, o cabelo suavemente reposto para trás — cada gesto calculado para parecer natural, mas dominando silenciosamente o espaço ao redor.
— Vejo que você cortou a folha de maneira… criativa — disse ele num fim de tarde, inclinando-se sobre o ombro dela, deixando que o perfume úmido das plantas chegasse primeiro. A voz baixa, controlada. — Alguns acreditam que métodos alternativos funcionam, mesmo quando se afastam do procedimento correto.
Ela ergueu os olhos devagar, sem recuar. O lápis não parou de riscar o papel.
— Eu aprendo melhor testando por conta própria, Riddle. — Um sorriso discreto curvou os lábios. — Mas agradeço a preocupação.
E voltou a escrever, como se ele fosse apenas uma sombra ao lado da bancada.
Tom se afastou devagar, sentindo o calor do incômodo subir pelo peito. Não era apenas resistência — era indiferença. E isso era intolerável.
Na semana seguinte, Tom começou a arquitetar pequenas “coincidências”.
Quando uma folha caiu do livro sobre o caderno de , ele estendeu a mão devagar, deixando o braço roçar levemente o dela ao pegá-la, sentindo o calor do toque por um instante antes de recuar como se nada tivesse acontecido. Um frasco tombado, que ele “esbarrou” ao ajeitar, rolou lentamente para perto da bancada dela. Tom inclinou-se, ajustando a posição com a ponta dos dedos, observando cada movimento dela, cada respiração silenciosa, o modo como o lápis se apoiava sobre o papel antes de continuar a riscar.
Em outro momento, levantou-se e fez uma pergunta ao professor, o suficiente para que os alunos precisassem se mover. Ele caminhou entre eles, se aproximando naturalmente, passo por passo, sempre com a postura impecável, o cabelo ajustado, as mãos descansando com elegância sobre os livros. Cada gesto, cada inclinação de cabeça, cada palavra escolhida parecia casual, mas era meticulosamente calculada.
E ainda assim, permanecia serena. Ela ergueu os olhos, sorriu com gentileza, inclinou-se sobre as plantas, os dedos passeando sobre as folhas, como se o mundo ao redor — e Tom incluído — fosse irrelevante. Não havia concessão, nem fascínio. Apenas ela, respirando o mesmo ar, aprendendo, vivendo naquele instante sem se curvar à presença dele.
E isso o provocava. Porque, por trás do controle que sempre exercera, havia algo que o desafiava: ela não se importava com ele.
Tom, que sempre manipulou olhares, palavras e silêncios, sentiu algo novo e perigoso subindo pelo peito. Não era desejo de conquistá-la… era o desconforto de ser ignorado por alguém que ele considerava inferior.
No silêncio úmido entre folhas luminescentes e o cheiro de terra, o ar parecia vibrar com algo sutil, como um feitiço sem palavras. Um jogo delicado, invisível, sem regras escritas, que talvez nem percebesse que jogava — e que Tom, com toda sua arrogância, ainda não admitia estar perdendo.
O Salão Principal fervilhava de vozes, risos e talheres tilintando. As velas flutuavam no alto, espalhando uma luz quente que refletia nos cálices e criava sombras nas paredes de pedra. Tom Riddle entrou com a mesma elegância calculada de sempre: passos silenciosos, queixo erguido, olhar que parecia tudo ver e nada revelar.
Mas, naquela noite, ele não buscava olhares. Buscava apenas um.
estava sentada à mesa da Lufa-Lufa, conversando com duas colegas e cortando o pão com uma tranquilidade que parecia quase insolente. Ela não o viu entrar — ou, pior, viu e não reagiu. Tom sentiu o incômodo familiar crescer.
Filha de trouxas. Ela deveria ser a primeira a perceber sua presença, a manter os olhos baixos, a demonstrar a reverência que os outros faziam sem esforço. Mas apenas continuava existindo, como se ele fosse irrelevante.
Ele atravessou o salão como quem não observa ninguém e é observado por todos. E quando passou perto da mesa dela, inclinou-se levemente — como se fosse pegar algo no banco ao lado. O movimento foi preciso, mas suficiente para que seus olhos encontrassem os dela.
Por um único segundo, ergueu o olhar. Não corou. Não desviou por constrangimento. Apenas sorriu com educação, como se ele fosse um colega qualquer, e voltou à conversa.
A frieza com que aquilo o atingiu quase o surpreendeu.
Durante o jantar, ele criou oportunidades — discretas, quase imperceptíveis:
Deixou cair o guardanapo no chão, perto da perna dela, recolhendo-o apenas depois que se afastou um pouco da borda da mesa.
Passou atrás da fileira de alunos, lento o bastante para que o perfume que usava — raro, importado, cuidadosamente escolhido — alcançasse o olfato certo.
Comentou em tom controlado com Avery sobre uma planta nórdica rara que só poucos teriam permissão de manusear, lançando um olhar breve na direção de como quem não liga para a atenção… mas espera por ela.
Ela não se virou. Não reagiu. Não caiu na armadilha da provocação. Mas naquele instante, ele não perdeu o detalhe que ninguém mais veria: um olhar de canto, rápido, mínimo, quase inexistente… mas real.
Ela começava a perceber.
Quando o jantar terminou, Tom não se levantou de imediato. Ele esperou. Observou. Calculou. E saiu por último, os passos ecoando pelos corredores de pedra como se o próprio castelo lhe desse passagem.
Antes de cruzar o arco de saída, olhou discretamente para trás.
estava recolhendo suas coisas com calma, o olhar pousado nele por um meio segundo a mais do que o aceitável.
Foi o bastante.
Não para saciar — mas para despertar.
O jogo não apenas começara. Ele havia decidido que, quando terminasse, seria nos termos dele.
E aprenderia, cedo ou tarde, que não se ignora Tom Riddle impunemente.
Na manhã seguinte, o Salão Principal ainda carregava o murmúrio da noite anterior. A luz dourada entrava pelas janelas altas, iluminando rostos sonolentos e xícaras meio cheias. Tom Riddle sentou-se à mesa da Sonserina com a elegância mecânica de sempre, mas seus olhos já estavam onde importava.
conversava na mesa da Lufa-Lufa, distribuindo sorrisos tranquilos para as amigas, completamente alheia ao fato de que ele havia decidido que, naquele dia, ela o notaria — não como os outros o notavam, mas da forma que ele escolheria.
Quando os alunos começaram a se levantar para sair, Tom se moveu com precisão. Passou ao lado dela com a naturalidade ensaiada de quem nunca “esbarra” por acaso, mas faz parecer que sim. Seu braço roçou de leve o dela quando pegou a própria bandeja.
— Me perdoe, — disse, a voz baixa e impecavelmente polida. Queria mesmo dizer para que olhasse por onde andava, mesmo que aquele esbarrão tivesse sido armado por ele, mas ainda mantinha a compostura de bom moço, principalmente, queria que ela pensasse isso, era a vertente da sua nova tática de manipulação
Ela voltou o rosto para ele, sem pressa, e respondeu com gentileza serena:
— Tudo bem, Riddle.
Nada mais. Nenhuma hesitação. E continuou andando como se ele fosse apenas mais um corpo no corredor.
Mas Tom não recuou. Ele nunca recuava.
Nos dias seguintes, o cerco foi silencioso:
Deixou comentários sobre poções antigas escaparem em conversas com alunas próximas o bastante para ouvir — sempre na entonação correta, sempre como se não se importasse em ser ouvido.
Passou a escolher lugares estratégicos nas aulas práticas, sentando-se perto o bastante para observá-la sem parecer interessado.
Em Herbologia, ofereceu ajuda diante de uma planta venenosa conhecida, com o tom neutro de quem está apenas sendo útil — mesmo que ela não tivesse pedido.
E, então, algo finalmente quebrou o padrão.
Durante uma tarde silenciosa na estufa, enquanto manipulava com calma uma planta luminescente, os dedos protegidos pelas luvas, ela desviou o olhar por um instante — e encontrou o dele. Não havia temor, nem desafio, nem encanto. Apenas um lampejo de curiosidade. Tão breve que qualquer outro teria ignorado.
Tom não ignorou.
Um arrepio, frio e preciso, correu pela espinha. Era a primeira rachadura, o primeiro sinal de que algo nela começava a mudar.
Ele sorriu — o tipo de sorriso que não toca os lábios, apenas os olhos — e não desviou.
Porque não era mais questão de ser notado.
Era questão de ensinar que algumas presenças não podem ser ignoradas sem consequência.
A aula de Herbologia começava com o ar úmido da estufa, as folhas brilhando sob a luz filtrada do sol. Tom Riddle entrou como sempre: silencioso, elegante, dono do próprio espaço sem pedir licença. Seus olhos percorreram o ambiente com naturalidade calculada, e, inevitavelmente, encontraram . A indiferença dela ainda era uma afronta discreta — e, para seu incômodo, curiosamente instigante.
Enquanto manipulava uma planta sensível ao toque, errou a medida e quase derrubou um pequeno vaso. Antes que alguém pudesse notar, Tom se inclinou com precisão ensaiada, estendendo a mão sem tocá-lo — apenas o suficiente para demonstrar controle sobre a situação.
— Cuidado — murmurou, com a voz baixa e impecável. — Alguns deslizes são difíceis de reverter.
Ela o olhou, surpresa. Não esperava intervenção, muito menos dele. Por um instante, houve algo diferente no rosto de Tom — não suavidade, mas atenção genuína. Um cálculo novo.
— Obrigada, Riddle — respondeu, mantendo a voz leve, porém desta vez segurando o olhar. Mais do que por educação. Quase por instinto.
Ele percebeu. Não era admiração, nem rendição — era reconhecimento. E isso bastava.
Durante o restante da aula, Tom encontrou maneiras silenciosas de permanecer por perto: ajustando folhas na bancada ao lado, corrigindo anotações de alunos próximos, fazendo observações baixas que só ela podia escutar. E , sem perceber, começou a reparar nas sutilezas — no modo preciso como ele movia as mãos, nas pausas antes de falar, no jeito como observava antes de agir.
Não havia encantamento, nem transformação repentina. Mas havia curiosidade. Atenção. Um desvio mínimo de foco que antes não existia.
Tom captou cada fração disso. Cada olhar fugidio. Cada respiração mais atenta. E entendeu que o jogo não seria de conquista — seria de influência. E ele não perdia esse tipo de jogo.
O dia estava cinzento, com nuvens pesadas cobrindo os jardins de Hogwarts. No Salão Principal, o almoço seguia como sempre — barulho de talheres, vozes misturadas e o cheiro de torta quente pairando no ar. Tom Riddle entrou com sua postura impecável, mas havia algo novo em seu olhar: uma atenção silenciosa, quase estratégica.
estava com as amigas da Lufa-Lufa, rindo de algo discreto. Diferente dos outros dias, ela parecia ligeiramente mais atenta ao ambiente — ou talvez ele apenas estivesse mais sensível a cada movimento dela.
Riddle decidiu avançar um pouco mais no jogo.
Começou com comentários colocados deliberadamente perto das mesas da Lufa-Lufa — sobre descobertas em Herbologia e poções antigas, assuntos que ele sabia que respeitava. Não olhou diretamente para ela, mas prestou atenção ao modo como a conversa dela desacelerava por um instante para escutar.
Mais tarde, ao passar por trás dela, deixou “cair” um pequeno pergaminho. o pegou com naturalidade, e quando estendeu o braço para devolvê-lo, seus olhos o acompanharam por um segundo a mais do que o habitual. Nenhuma palavra foi dita — mas ele percebeu.
Em outro momento, inclinou-se sobre a bancada de um colega da Sonserina para comentar algo sobre uma planta rara, com o tipo de voz baixa que chama atenção mesmo à distância. levantou os olhos quase sem querer — não em encanto, mas em curiosidade contida. Foi o suficiente para ele registrar.
Cada gesto era preciso, ensaiado, intencional. E, aos poucos, começava a perceber que ele não agia apenas por vaidade. Havia método. Havia propósito. Havia algo que a inquietava — não porque ela desejasse, mas porque não compreendia completamente.
Quando seus olhares finalmente se cruzaram, demoraram um instante a mais do que a cortesia permitiria. Não houve sorriso, nem expressão clara — apenas um reconhecimento silencioso e calculado de ambos os lados. Um entendimento de que algo ali tinha se deslocado.
Para outros, nada havia acontecido.
Para Tom, era uma confirmação.
Para , uma pergunta sem nome.
E naquele dia cinzento, entre pratos fumegantes e conversas vazias, o jogo não apenas começava — ele ganhava forma.
A semana passou lentamente, e Tom Riddle continuou encontrando maneiras de estar perto de . Cada aproximação era medida, cada gesto perfeitamente moldado para parecer casual.
No corredor estreito da biblioteca, ele deixou que o ombro roçasse levemente no dela, novamente em um esbarro casual,, os livros quase escorregando das mãos.
— Perdão, eu não te… Ah, , parece que nos esbarramos novamente. — disse com aquela calma estudada, um sorriso discreto nos lábios. — Tudo bem, Riddle, estranhamente estamos nos cruzando com frequência ultimamente — respondeu , com a compostura de sempre, quase sussurrando para si mesma a última frase. Mas, dessa vez, quando os olhos deles se encontraram, ela demorou um instante a mais antes de desviar. O rosto corou, quase imperceptível, e Tom percebeu. E eles seguiram cada um para o seu lado Mais tarde, no pátio, ela caminhava entre os canteiros quando ouviu a voz dele às costas:
… ainda cuida das mesmas plantas?
— Cuido. Algumas precisam de atenção regular — Ela se virou, surpresa pelo fato de ele se lembrar, notar — ou se importar.
Tom se aproximou, inclinando-se para observar a flor diante dela. A proximidade era intencional, sutil. sentiu algo que não nomeou: um leve incômodo, uma curiosidade inquieta. Não era apenas a presença dele — era a forma como ele parecia já saber que ela reagiria.
Os dias seguintes seguiram esse ritmo silencioso. Ele aparecia onde ela estava, sem nunca parecer estar procurando por ela. Comentava algo aos colegas próximos o bastante para que escutasse. Conversava com outra colega apenas para testar a reação dela — e viu quando desviou o olhar rápido demais para ser desinteressada.
Ela, sem entender o que mudava, começou a notar detalhes: o tom preciso da voz dele, a forma como não perdia um movimento seu, a calma que usava para se aproximar. Às vezes, fazia perguntas breves, como quem quer apenas seguir um raciocínio — mas ele lia nelas mais do que isso.
Entre movimentos leves, olhares que não deveriam durar e encontros que já não pareciam acaso, algo começou a mudar — sem que nenhum dos dois admitisse.
Tom Riddle não chamaria de desejo. Não ainda. Mas havia algo ali que não obedecia totalmente aos seus cálculos.
E , sem perceber o risco, começava a enxergar um lado dele que ninguém mais parecia ver, ou que ele pouco demonstrava para os demais — e isso, por si só, já era perigoso.
O sol já havia desaparecido atrás das torres de Hogwarts, e o Salão Principal começava a esvaziar. As tochas lançavam luz dourada nas paredes de pedra quando Tom Riddle atravessou o corredor com a mesma elegância controlada de sempre. Seus olhos encontraram sentada sozinha em um dos bancos próximos à saída, folheando um livro de Herbologia como se o castelo estivesse vazio.
Ele não deixou nada ao acaso.
Aproximou-se com passos silenciosos e parou onde sabia que ela o veria ao levantar o olhar — não perto demais, não longe o suficiente para parecer desinteressado.
— Leitura produtiva para o fim do dia? — Perguntou, a voz baixa, quase neutra, mas impossível de ignorar.
ergueu os olhos, surpresa breve. O calor que subiu ao rosto não foi algo que admitiria para si mesma — mas estava lá. O livro ficou entreaberto sobre o colo.
— Revisar não faz mal a ninguém — respondeu, tentando manter a voz leve. Não parecia nervosa, mas também não parecia tão indiferente quanto antes.
Tom observou o detalhe — a respiração um pouco mais curta, o olhar que demorou instantes demais. Um progresso silencioso.
Ele se inclinou levemente, como quem apenas ajusta o ângulo para conversar melhor, ficando perto o suficiente para notar o perfume sutil que ela usava.
— Curioso como alguns aprendem melhor sozinhos… quando não se distraem com as opiniões alheias — disse, sem tirar os olhos dela.
Ela manteve o olhar por um segundo longo demais. Dessa vez, não recuou de imediato.
— Distrações só funcionam quando a gente permite — respondeu, com uma calma que não era arrogância, mas também não era submissão.
Tom sentiu algo que não nomeou. Não desejo, não afeição — mas a confirmação de que ela já não o tratava como o restante do mundo tratava. Não com medo, nem com encantamento. Com algo mais perigoso: lucidez.
Ele não sorriu, mas seus olhos brilharam como se tivesse acabado de resolver uma charada.
— Então é uma questão de escolha — disse ele, como se apenas constatasse um fato.
Ela apenas fechou o livro com calma e o encarou por mais um momento antes de se levantar.
Nenhum deles disse que aquele encontro foi diferente. Nenhum deles precisou admitir nada.
Mas Tom sabia que havia dado um passo.
E , mesmo sem entender, sentiu que algo — sutil e contínuo — começara a se mover em direção a ele.
As aulas haviam terminado e o castelo mergulhava na penumbra silenciosa do fim da tarde. Poucos alunos ainda circulavam, e Tom Riddle sabia exatamente onde estar para cruzar com ela sem parecer coincidência — nem ser visto.
caminhava sozinha, segurando o livro de Herbologia junto ao peito, quando ouviu a voz baixa e perfeitamente controlada atrás de si:
— Vejo que prefere corredores vazios, .
Ela parou, voltando-se com naturalidade. Tom estava encostado na parede de pedra como se não tivesse se movido para estar ali. A postura era casual, mas os olhos, nunca.
— Menos barulho — respondeu ela com serenidade, tentando manter o tom neutro. A resposta veio rápido, mas o rubor leve nas bochechas a traiu.
Tom notou. Deu um passo à frente — não perto o bastante para quebrar regras sociais, mas o suficiente para que a presença dele ocupasse o espaço entre eles.
— Ou menos interrupções — corrigiu, com um meio sorriso quase imperceptível.
desviou o olhar por um segundo, mas não recuou. Não entendeu exatamente o que sentiu — apenas que a respiração pareceu diferente, mais consciente.
Nos dias seguintes, encontros discretos começaram a acontecer sem serem combinados — ou assim pareciam.
Tom surgia onde não devia estar, mas sem jamais dar explicações: nos corredores vazios depois do jantar, entre estantes silenciosas na biblioteca, ou próximo aos jardins quando a luz já desaparecia.
Nunca dizia diretamente que a procurava. Apenas comentava algo, observava, deixava uma frase em suspenso para que ela completasse ou ignorasse.
E , sem perceber quando começou, passou a responder a essas investidas de maneira sutil: um olhar que demorava mais do que o necessário, uma pergunta lançada sem intenção clara, um aceno de cabeça que não era pura cortesia.
Nada era declarado. Nada era confessado. Mas havia um entendimento silencioso nas pausas, nos instantes em que nenhum dos dois se afastava primeiro.
Hogwarts seguia alheia. Os colegas continuavam cegos. Mas nos espaços entre sombra e pedra, entre palavras medidas e olhares que fingiam descuido, algo começava a se formar — não nomeado, não assumido, não seguro.
E, para Tom Riddle, aquilo não era sentimento. Era interesse. Curiosidade. Controle em disputa.
Para , era algo que ela ainda não ousava tentar entender.
O jardim de Hogwarts estava quase vazio, a luz fraca das tochas mal alcançava as bordas do gramado. O vento frio arrastava folhas secas pelo chão quando atravessou o caminho de pedra com o livro de Herbologia contra o peito.
Ela ouviu passos antes de vê-lo.
— Boa noite, — disse Tom Riddle, surgindo da penumbra como se já estivesse ali antes dela. A entonação era polida, mas havia algo silencioso por trás das palavras, como se ele estivesse testando um território que só ele enxergava.
— Boa noite, Tom — respondeu ela, mais baixo do que pretendia.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. O silêncio não era desconfortável — era denso. Tom deu um passo à frente, não o bastante para tocá-la, mas suficientemente perto para que sentisse o perfume dele misturado ao cheiro úmido do jardim.
Ela não recuou.
— Curioso — disse ele, a voz quase num sussurro — como alguns parecem determinados a não enxergar o que está bem diante deles.
Não era confissão. Era provocação. Um enigma jogado aos pés dela.
franziu levemente a testa, sem conseguir decifrar totalmente o que ele sugeria. Antes que respondesse, Tom inclinou-se apenas alguns centímetros — não o bastante para um beijo, mas longe da distância apropriada. O olhar dele desceu para os lábios dela por menos de um segundo, depois voltou aos olhos.
Foi o suficiente para o ar entre os dois mudar.
sentiu o corpo reagir antes da mente. Não soube explicar se era medo, expectativa ou algo que ainda não tinha nome. Não tentou entender. Tom observou cada mínima reação dela como quem examina um feitiço antigo.
E então se afastou.
Não rápido, não por arrependimento — mas com controle absoluto, como se apenas tivesse decidido interromper algo que poderia continuar quando ele quisesse.
— Continue seus passeios noturnos, — disse com suavidade, já recuando um passo. — Eles podem… render mais do que distrações.
Ele virou-se antes que ela pudesse responder. Não havia culpa em seu rosto, nem hesitação. Apenas a certeza de que havia tocado algo — sem tocar.
ficou onde estava, o livro esquecido entre as mãos, tentando entender por que o coração acelerava. Não era um beijo, mas havia sido mais perigoso do que se fosse.
Tom não olhou para trás. Não precisava.
O jogo não havia saído do controle. Pelo contrário. Ele acabara de descobrir um novo limite — e agora sabia exatamente até onde poderia ir.
Os dias após o quase-beijo no jardim não foram de afastamento, mas de cálculo.
Tom Riddle não evitava — ele apenas recolocou as peças no tabuleiro. Não a procurava diretamente, mas também não permitia que ela desaparecesse do seu campo de visão. Fingir indiferença era a forma mais eficiente de testar o efeito que ela teria quando percebesse a distância.
Não era culpa. Era controle.
Seus pensamentos, no entanto, não colaboravam.
Ela surgia em momentos que ele não havia permitido — no silêncio da biblioteca, no reflexo de uma janela, no intervalo entre páginas de um livro antigo. Não como lembrança romântica, mas como perturbação estratégica. Um ruído que ele não conseguia eliminar.
“Ela não é importante. Ela apenas reagiu de um modo que os outros não reagem. E isso… é instigante.”
Era assim que ele justificava.
E percebeu.
Na aula de Poções, aproximou-se sem hesitação. Não por coragem — mas porque começava a entender que ele prestava atenção mesmo quando fingia não olhar.
— Está mais calado do que o normal — disse ela, mexendo nos ingredientes ao lado dele com uma naturalidade ensaiada.
— O silêncio costuma ser mais útil que conversas desnecessárias. — Tom levantou os olhos devagar. Não havia surpresa, apenas análise.
Ela inclinou o rosto, curioso e provocador ao mesmo tempo.
— Estranho. Porque me parece que você observa mais do que deveria… especialmente certas pessoas. — Foi rápido, quase imperceptível, mas ele parou o que fazia. Não por desconforto — por cálculo. Uma avaliação silenciosa.
— É o que todos fazem. Alguns só disfarçam pior.
Ela sorriu, satisfeita com a resposta — não pelo conteúdo, mas por ter provocado uma reação, mínima que fosse.
Ele voltou ao trabalho como se nada tivesse acontecido, mas a mente já reorganizava movimentos futuros. O que havia entre eles não era romance — era um fenômeno novo, um jogo de curiosidade e domínio. Algo que ele ainda não tinha decidido como usar… ou conter.
Mais tarde, quando se cruzaram no corredor vazio, ele não desviou.
Apenas olhou.
E ela sustentou o olhar, como se esperasse que ele dissesse algo. Não disse. Mas a forma como passou por ela — lenta, calculada, deliberadamente próxima — disse mais que toque ou palavra.
sentiu o corpo reagir antes de entender o motivo. E Tom, mesmo sem admitir para si, percebeu: ignorá-la não a afastaria. Apenas a faria tentar decifrá-lo.
E talvez… ele quisesse exatamente isso. Porque controlar o interesse dela era mais seguro do que admitir que estava interessado.
A noite já cobria Hogwarts, e os corredores vazios guardavam um silêncio denso. caminhava sozinha, sentindo — antes mesmo de ouvir — que alguém a seguia.
— Curioso como você sempre escolhe lugares onde é fácil te encontrar — disse Tom Riddle, surgindo das sombras com a calma que o tornava impossível de ignorar.
Ela parou e o encarou, mas desta vez não havia apenas educação em seu olhar. Havia algo mais — um interesse que ela não fazia questão de esconder.
— Ou talvez eu só não esteja tentando evitar você — respondeu, com um sorriso leve, mas desafiador.
Tom ficou em silêncio por um instante. Não esperava aquela resposta, e isso o atingiu mais do que deveria. O controle que sempre teve sobre cada palavra e gesto pareceu vacilar por um momento.
Ele se aproximou um pouco, sem pressa, e não recuou.
— Não se iluda — disse ele, a voz baixa, firme, como se tentasse convencer a si mesmo. — O que quer que esteja acontecendo… não é algo que eu pretenda alimentar.
inclinou levemente a cabeça, os olhos presos aos dele.
— E, mesmo assim, você está aqui.
Tom não respondeu de imediato. Havia algo perigoso naquele silêncio — não raiva, nem arrogância, mas uma tensão que ele não conseguia dominar. Seus olhos desceram para a mão dela, e por impulso — ou fraqueza — ele a tocou. Só a ponta dos dedos, mas o suficiente para sentir o arrepio que aquilo provocou.
Ela não se afastou.
Seu coração acelerou, e isso o irritou. Não por ela, mas por si mesmo. Ele recuou um passo, como quem tenta restabelecer uma muralha invisível.
“Não era para ser comigo. Era para ser controle, não reação.”
, no entanto, apenas segurou o olhar dele — não como quem vence, mas como quem finalmente entende que algo mudou.
— Você pode fingir que não sente, Tom — disse ela suavemente — mas não pode fingir que não está lutando contra isso.
O nome na boca dela soou íntimo, perigoso, quase como um feitiço. Ele não respondeu. Não queria admitir que ela tinha razão. Mas também não conseguiu ir embora.
E ali, entre a penumbra e o silêncio do castelo, nenhum dos dois ousou dizer em voz alta o que já era verdade: aquilo não era mais um jogo. Era o começo de algo que ele não sabia controlar — e que ela não sabia até onde podia seguir.
O corredor estava deserto, iluminado apenas pelas tochas que lançavam sombras longas nas paredes de pedra. Tom Riddle caminhou até sem pressa, mas sem disfarces. Desta vez, ele não tentou se esconder atrás de casualidades — ele simplesmente foi.
Quando seus olhares se encontraram, não havia mais dúvida: havia algo ali, algo perigoso demais para ser ignorado, mesmo que ele tentasse.
— Eu não deveria… — disse ele, num sussurro baixo, como se estivesse tentando convencer a si mesmo e não a ela.
ergueu o rosto, tranquila, firme, com aquele brilho nos olhos que o desconcertava.
— Mas você quer — respondeu, sem elevar a voz, como se constatasse um fato.
Tom permaneceu imóvel por um segundo que pareceu longo demais. Então, como se algo dentro dele finalmente cedesse, inclinou-se e a beijou.
Não houve pressa, nem hesitação — o beijo foi intenso, contido e preciso, como tudo nele, mas carregado de tudo que ele não dizia: desejo reprimido, irritação por sentir, fascínio que o corroía e um tipo de necessidade que ele jamais aceitaria em voz alta.
Ela correspondeu sem medo, e isso o afetou mais do que deveria. Por um instante, nada existiu além dela — nem casas, nem expectativas, nem o futuro sombrio que ele construía em silêncio.
Quando se afastaram, manteve os olhos nos dele e sorriu de forma quase desafiadora.
— Parece que você não consegue ficar longe de mim — disse, provocando sem ser insolente.
Tom ficou em silêncio. O controle voltou ao rosto, mas não aos pensamentos. O coração batia mais rápido do que ele gostaria, e isso o irritava.
Ele não respondeu. Não confiava na própria voz.
“Isso não era parte de nada. Eu só queria que ela se curvasse a mim como todos os outros. Não era para eu sentir… isto.”
Mas ele sabia. Negar não mudava nada. A única fraqueza que ele jamais admitiria estava ali — de pé, diante dele, respirando como se o conhecesse melhor do que deveria.
Na penumbra do corredor, o beijo não resolveu nada. Apenas confirmou o inevitável: Tom Riddle não conseguia mais controlar o que estava começando a sentir. E isso o fascinava tanto quanto o ameaçava.
O sol da primavera banhava o pátio de Hogwarts, espalhando luz dourada sobre as pedras antigas e refletindo nas janelas altas do castelo. O vento carregava o perfume das flores recém-desabrochadas e o som distante da água do lago batendo suavemente nas margens. Tom Riddle caminhava pelos caminhos de pedra com passos firmes, cada movimento calculado, mas diferente: havia confiança, e algo que ele nunca se permitira sentir — a sinceridade de seus próprios sentimentos.
Ele encontrou sentada à beira do lago, as flores refletindo na água tranquila, o livro de Herbologia fechado ao lado. Ela ergueu os olhos ao vê-lo, surpresa, mas não escondeu o sorriso sereno que sempre o desconcertava.
— Você parece diferente hoje — disse ela, inclinando-se levemente, curiosa.
Tom aproximou-se, sem hesitação, deixando que a brisa movesse suavemente o cabelo dela.
— Diferente porque decidi que não vou mais esconder quem sou… e o que sinto por você — disse ele, a voz baixa e firme, carregada de sinceridade.
piscou, surpresa, e por um instante o mundo pareceu silenciar: o farfalhar das folhas, o tilintar de uma torre distante, o canto distante de pássaros, tudo desapareceu diante da intensidade daquele momento.
— Então… estamos juntos? — perguntou ela, quase sussurrando, o coração acelerado.
— Sim — respondeu ele, segurando suas mãos com firmeza, olhando cada detalhe do rosto dela. — Sem desculpas, sem distrações. Você e eu, . Para todos, se necessário.
Eles sorriram, e Tom a puxou suavemente para perto. O beijo que se seguiu foi longo, intenso e pleno — sem hesitação, sem medo. Cada toque, cada suspiro, confirmava que não havia mais segredos, nem barreiras entre eles. O eco suave da água do lago e o farfalhar das árvores pareciam testemunhar aquele instante sagrado.
Nos dias seguintes, Tom caminhava pelos corredores de Hogwarts com ao lado, seguro e confiante. Alguns olhares desviavam, sussurros surgiam, mas ele não se importava. era tudo que importava, e ele finalmente podia enfrentar qualquer julgamento.
Ela, por sua vez, sorria ao perceber que o jogo de olhares e provocações havia acabado, substituído por algo mais profundo e verdadeiro. Entre torres antigas, corredores silenciosos e o sussurro do vento nos jardins, Tom Riddle e se entregaram a um amor que, embora proibido, agora era assumido e irresistível.
O sentimento deles não era apenas desejo ou desafio — era intenso, real, impossível de negar. Pela primeira vez, Tom Riddle se sentiu completo: sem máscaras, sem medo, apenas ele e , livres para existir juntos, mesmo no coração de Hogwarts.


CONTINUA...



Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Primeira vez que escrevo algo na temática de Harry Potter, tinha claro que ser com o vilão dos vilões (na versão dele com nariz, é claro) kkkkkk Espero que goste e não esquece de comentar, ok?

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AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.