Capitulo Único
Atrás dela, três mulheres vinham arrastando malas, sacolas, glitter, véus e dignidade pela metade.
— , minha mala tá pesando mais que a sua consciência quando você mente pra nutricionista — reclamou Laura, colocando a mala no chão com um estrondo.
— Porque você trouxe DUAS sapatilhas de ponta, Laura! — rebateu, virando-se. — A gente vai pro Havaí, não pra um ensaio do Bolshoi!
— E se rolar uma oportunidade? — Laura deu de ombros. — Nunca se sabe.
— O que você vai fazer? Plaquê-pique-pas-de-chat na areia?
— Se precisar, faço — respondeu com orgulho.
revirou os olhos e continuou andando.
— Onde tá a noiva? — perguntou, sem olhar pra trás.
— Aqui! — Marina apareceu surgindo do meio do grupo, usando um véu minúsculo que brilhava até demais para ser considerado legal. — , a gente pode beber? Só um drinkzinho? Só um… pré-voo?
— Marina, são DEZ DA MANHÃ.— jogou a cabeça pra trás, pedindo forças ao universo.
— E? — Marina sorriu como quem faz planos perigosos.
— E você prometeu que só ia começar a beber oficialmente quando chegasse no Havaí.
— Eu prometi que ia beber oficialmente — ela enfatizou a palavra com um gesto dramático — não que eu não pudesse beber extraoficialmente.
As madrinhas gargalharam.
— Meu Deus… — sussurrou, enquanto puxava Marina pelo braço. — Entra logo no portão antes que eu perca a sanidade.
Enquanto aguardavam no portão, distribuiu pulseiras coloridas com etiquetas.
— Ok, meninas, organização: pulseiras rosas são de acesso ao lounge do brunch, azuis são do passeio de barco e as douradas são pra festa de despedida oficial.
— E essas aqui? — perguntou Clara, segurando três pulseiras verdes fluorescentes.
— São… just in case. — corou levemente.
— Para quê? — Clara arqueou a sobrancelha.
— Para… — pigarreou. — Identificação rápida de emergência.
— Isso não explica nada — Laura disse.
— É porque ela quer controlar a gente igual Pokémon, só isso — Marina sorriu, já abrindo um drink comprado escondido. — Relaxa, organizadora. Prometo que não vou fugir. Muito.
ia responder quando o anúncio ecoou:
— Passageiros do voo 583 com destino ao Havaí, favor se dirigirem ao portão.
— É HOJE QUE EU FICO SOLTEIRA PELA ÚLTIMA VEZ! ALOOOHAAAA! — Marina gritou.
Todos olharam.
sorriu sem graça, acenando com a prancheta.
— Desculpa. Ela tá muito empolgada.
— Eu vou casar, … — disse Marina, emocionada, segurando a mão dela. — Eu sou uma mulher casada. CA-SA-DA.
— Você ainda não é — lembrou. — E esse é justamente o problema até lá.
— Você acha que eu sou louca?
— Sim. Com provas suficientes.
— Mas você me ama?
— Contra todas as probabilidades do universo, sim. — suspirou.
— E eu te amo porque você é a única que me mantém viva. — Marina apoiou a cabeça no ombro dela.
— E porque eu planejo viagens melhores que agência de turismo.
— Isso também.
Do outro lado do corredor, Clara cutucou Laura.
— Você acha que a vai conseguir relaxar nessa viagem?
— Relaxar? — Laura deu uma risada curta. — A só relaxa se amarrar ela numa rede e colocar um calmante no suco verde dela.
— Eu ouvi isso! — gritou.
— Era pra ouvir mesmo — respondeu Laura.
— Meu Deus, eu já tô suando — Marina disse, abanando o véu. — Isso é normal?
— Você tá com um véu de glitter e um body de renda branca. A resposta é sim — comentou.
O carro de aplicativo estacionou diante de um condomínio luxuoso, com palmeiras altas, portão de madeira e um jardim impecável.
— … — disse Clara, com os olhos arregalados. — Quanto você gastou nisso aqui?
— Tudo dentro do planejado — respondeu, já nervosa.
As meninas entraram no condomínio e foi até a portaria pegar a chave. Quando voltou, percebeu algo que fez seu estômago cair dez andares.
Três vans pretas estavam estacionadas em frente a outra casa.
E, por um segundo, ela viu alguém passar pelo portão lateral.
Alguém MUITO semelhante a Park Seo Joon.
congelou.
— ? — Laura chamou. — Tá passando bem?
piscou.
“NÃO. NÃO. IMPOSSÍVEL. EU TÔ MALUCA.”
— Sim! — respondeu rápido demais. — Maravilhosa! Vamos, meninas, bora subir!
Mas enquanto caminhavam com as malas, ela viu outro rosto familiar pela janela da casa ao lado.
Choi Woo Shik.
Com uma camiseta larga e um boné.
Ela engoliu seco.
“Ok. Eu tô tendo uma alucinação coletiva. Certeza. Muita espumante no avião.”
— IIIII, A CASA TEM VISTA PRO MAR! AI MEU DEUS, EU VOU MORAR AQUI! — Marina entrou na casa gritando.
entrou atrás, respirando fundo, tentando manter a calma.
“Eu não vou surtar. Eu não vou surtar. Eu NÃO vou…”
E foi quando alguém passou pelo jardim ao lado.
Alto. Moreno. Boné.
Kim Taehyung.
bateu a porta com tudo.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAH MEEEEEEEEU DEUS DO CÉU.
As amigas correram até a sala.
— O que houve?! — Clara perguntou.
— Estamos em surto? — Laura.
— Você viu uma barata? — Marina.
— Eu vi… o mar. Muito bonito. Me emocionei. — piscou, com a mão no peito.
Elas se entreolharam, confusas.
— Eu sabia! Você precisava relaxar. Eu amo essa viagem! — Mas Marina sorriu, abraçando a amiga.
Enquanto elas comemoravam, olhou pela janela novamente.
E viu Hyungsik entrando na casa ao lado.
“Essa viagem vai ser a minha ruína.”
E mesmo assim, ela sorriu.
E, ainda assim, lá estavam elas.
A balada privativa parecia saída de um filme: luzes neon vibrando, música alta que fazia o chão tremer, garçons carregando bandejas com shots coloridos e uma pista de dança que mais parecia uma piscina humana de glitter e suor.
ajeitou a faixa de MADRINHA CHEFE no peito, ajustou o canudinho em forma de pênis fluorescente no copo e gritou para as amigas:
— UMA NOITE, MENINAS! UMA NOITE PRA FAZER A MARINA SE ARREPENDER DE TER ME COLOCADO COMO DEMOISELLE!
— EU TÔ ARREPENDIDA DESDE O AEROPORTO! — respondeu Marina, que já sambava no meio da pista com o véu torto.
— Amiga, se você continuar assim, vai casar com o DJ hoje mesmo. — Laura puxou o braço da noiva.
— E DAÍ? — Marina jogou o véu pro alto, que caiu em cima de uma pessoa aleatória. — É minha despedida de solteira! Me deixem!
riu. A vibe era boa demais pra se estressar — pelo menos por trinta segundos.
Até que…
— ALGUÉM SEGURA ELA! — gritou Clara.
Marina subiu no pequeno palco reservado aos convidados VIP e começou a dançar de um jeito que… não era exatamente sincronizado. Ou coordenado. Ou lúcido.
suspirou.
— Eu vou lá — disse, entregando seu copo pra Laura. — Se eu não voltar em cinco minutos, chamem a SWAT.
avançou pela pista, desviando de braços, drinks, confetes e de um cara que claramente estava prestes a desmaiar. Foi nesse exato momento, enquanto tentava se abaixar para pegar o véu caído, que alguém esbarrou nela com força suficiente para fazê-la tombar para trás.
— Ai! — ela reclamou, esperando virar piada no TikTok da galera ao redor.
Mas uma mão firme segurou sua cintura antes que ela caísse.
E uma voz grave, baixa e incrivelmente familiar disse:
— Cuidado.
levantou o olhar.
E quase morreu ali mesmo.
Park.
Seo.
Joon.
De jeans escuros, camiseta preta colada no corpo e sorriso bonito demais.
“Não. Não pode ser real. Eu estou bêbada. Eu devo estar bêbada.”
— Desculpa — ele disse, tirando o véu caído do ombro. — Não vi você.
— Tudo bem — respondeu, tentando parecer normal enquanto seu cérebro gritava INTERNAMENTE. — Faz parte do… ambiente caótico.
Ele riu.
Aquele riso.
Aquele riso que ela já tinha ouvido em entrevista, em programa, em drama.
Mas agora… era bem ali.
Para ela.
— Ambiente caótico? — ele repetiu, levantando uma sobrancelha. — Esse é um nome gentil pra isso tudo.
— Eu tento ser educada — disse, piscando. — A noiva é a pior parte do caos, inclusive.
Seo Joon olhou para o palco.
Marina estava dançando com o DJ.
E quase derrubando a cabine.
— Ela parece divertida — ele disse, contendo a risada.
— Nociva — corrigiu. — O que explica o meu estado mental.
Ele riu outra vez.
Um pouco perto demais.
Um pouco bonito demais.
— Quer um drink? — ele perguntou, inclinando a cabeça para o bar. — Você parece precisar.
Ela piscou.
Uma vez.
Duas.
“Minha filha, foco. VOCÊ SABE QUEM É ESSE HOMEM.”
— Quero — respondeu. — E bastante.
Eles caminharam juntos até o bar, desviando das pessoas que gritavam, dançavam e, ocasionalmente, pareciam perder um sapato no processo.
— Você é daqui? — ele perguntou enquanto o bartender preparava dois drinks.
— Havaí? — ela riu. — Não. Só estou aqui porque sou uma madrinha incompetente.
— Parece competente pra mim — Seo Joon disse, olhando-a de cima a baixo num gesto natural, sem malícia — mas suficiente para fazer travar.
— Eu organizo tudo, mas… controlar amigas bêbadas? — ela balançou a cabeça. — Aí já é avançado.
— Consigo imaginar — ele respondeu, pegando o drink dela e entregando em sua mão. — Saúde.
— Saúde.
Eles brindaram.
O DJ trocou a música para algo mais dançante e o bar todo vibrou.
— Quer dançar? — ele perguntou, direto.
— Quero — respondeu sem hesitar.
Eles entraram na pista e começaram a dançar.
Primeiro, casual.
Depois, mais perto.
E mais.
O perfume dele.
O calor.
O jeito como ele puxava levemente a cintura dela para acompanhar o ritmo.
Tudo contribuía para o colapso emocional interno de .
— Você dança bem — ela disse.
— Você também — ele respondeu. — E tem… uma energia muito única.
— Isso é bom?
— Muito.
Os olhos se encontraram.
As mãos também.
E antes que qualquer pensamento racional pudesse existir…
…eles se beijaram.
Um beijo quente, envolvente, que arrepiou inteira.
A pista continuava pulsando ao redor, mas parecia distante.
O tempo ficou suspenso.
Até que:
— IIIIIIIIIIIIIIIIIIIII! — um grito histérico ecoou.
separou o beijo num sobressalto.
Marina vinha sendo carregada por Clara e Laura, meio caída e dizendo:
— Eu não vou mais casaaaar! Ele é muito legal! Eu amo esse DJ, ! Ele entende minha alma!
— Você precisa vir agora. Foto com os patrocinadores. Duas minutos. — Quase no mesmo segundo, um assessor tocou o ombro de Seo Joon.
Seo Joon suspirou, ainda segurando a cintura dela.
— Parece que ambos fomos convocados. — mordeu o lábio, rindo.
— Parece — ele respondeu, relutante em soltá-la.
Um último olhar.
Um sorriso que prometia muito mais.
E então… cada um foi puxado para um lado do caos.
A noite ainda estava só começando.
E não fazia ideia do quanto ela ainda ia enlouquecer.
Clara e Laura tentavam segurá-la pelos braços, mas Marina estava decidida a se jogar de cabeça — literalmente — em cima do pobre rapaz que tentava se afastar educadamente.
Ele, por sua vez, parecia um gato molhado encurralado. Desesperado, olhando pros lados, procurando ajuda.
E quando chegou perto o bastante pra ver o rosto dele, ela congelou.
Choi.
Woo.
Shik.
“Não… não… NÃO É POSSÍVEL. Outro? O universo tá jogando na minha cara que eu tô num dorama.”
— Moça… — Woo Shik disse, com sorriso educado e completamente angustiado. — Eu não acho que ela tá bem.
— Ela nunca tá — respondeu, segurando Marina pela cintura. — Marina, solta esse homem. Ele não é seu tipo.
— Ele é bonitoooooo… — Marina cantarolou, tentando abraçar o pescoço dele. — Ele tem o olhinho fofo… e parece inteligente.
— Dois motivos pra você NÃO ficar perto dele nesse estado — rebateu, puxando a noiva para trás.
Marina fez bico.
Woo Shik suspirou, aliviado.
E então… veio o desastre.
Enquanto tentava segurar Marina e falar com Woo Shik ao mesmo tempo, esbarrou a mão onde não devia e derrubou um copo vazio no chão.
Ela reclamou algo, mas por reflexo, por puro reflexo…
— 죄송합니다! (Desculpa!) — Ela disse
Em alto e bom coreano.
A cena ficou em silêncio por um instante.
Woo Shik arregalou os olhos.
As amigas de piscavam, sem entender NADA.
— Você… — Woo Shik apontou. — Você fala coreano?
parou.
Engoliu seco.
“Misericórdia. Pior timing do universo.”
— Ah… eu… é… um pouquinho? — ela respondeu, completamente sem graça.
— Um pouquinho? — ele repetiu, incrédulo. — Você pediu desculpa perfeitamente.
mordeu a bochecha.
— Eu… — ela respirou. — Eu coordeno um projeto de aulas extracurriculares na escola onde trabalho. O coreano ficou popular entre os alunos por causa de k-dramas e k-pop, e acabaram me chamando pra ajudar na criação. Então eu… estudei um pouco.
— Isso é incrível — Woo Shik disse, genuinamente impressionado.
— OBRIGADA, MAS AGORA PRECISO EVITAR QUE A NOIVA VOMITE EM VOCÊ — respondeu, com urgência teatral.
Porque sim: Marina estava ficando verde.
Woo Shik imediatamente colocou a mão nas costas da noiva e ajudou a guiá-la.
— O banheiro é por ali — ele disse. — Venha. Ela não parece bem.
— Você vai… ajudar? — arregalou os olhos.
— Não quero correr o risco dela cair — ele disse, simpático. — Além disso, ela parece gostar muito de mim. Assustadoramente.
— ASSUSTADORAMENTE É O ADJETIVO CERTO — gritou Clara por trás.
Com esforço coletivo, eles conduziram Marina até o banheiro. Antes mesmo de chegarem à porta, a noiva já estava arqueando o corpo.
— … eu vou… eu vou… — Marina gaguejava.
— Eu sei, eu sei, meu bem — respondeu, segurando firme. — Joga pra fora, vai. O amor e a tequila.
Marina sumiu no banheiro com as outras madrinhas.
passou a mão pelo rosto, exausta.
E quando virou para agradecer Woo Shik…
Ele estava sorrindo.
Aquele sorriso dele.
Calmo.
Doce.
Um pouco envergonhado.
— Obrigado por ajudar — disse, ajeitando o cabelo. — Eu juro que a gente não é sempre assim.
— Eu acredito. Parece… um grupo divertido.
— Duvido que você ache isso quando ela tentar beijar outro desconhecido daqui a meia hora.
— Ainda assim… divertido.
Um silêncio confortável se instalou.
Ele a observava com curiosidade.
Ela tentava parecer alguém que não tinha beijado o melhor amigo dele vinte minutos antes.
— Então… — ele começou, apoiando o ombro na parede. — Você fala coreano, organiza despedidas de solteira e ainda cuida de amigas bêbadas…
— É, eu sou tipo um exército de uma pessoa só.
Ele riu.
— Posso fazer uma pergunta? — Woo Shik disse.
— Claro.
— Você… por acaso… é meio coreana, sei que disse que está estudando sobre, mas temos vários tipos de meio coreanos espalhados pelo mundo? Parecia papo de quem queria muito puxar assunto e arregalou os olhos, pensando em porque aquele homem ainda estava ali, tentando puxar assunto com ela.
— O QUÊ? — ela respondeu alto demais. — Não! Eu sou 100% brasileira! Zero coreana!
— É que você fala muito bem. — Ele riu novamente.
— Eu estudo bastante — ela explicou. — E… comecei a escutar umas músicas por influência dos meus alunos.
— Entendi — ele disse, cruzando os braços. — Posso ser sincero?
— Hum… pode.
— Eu senti… uma energia quando você chegou.
— Uma energia tipo… premonição? — piscou várias vezes.
— Não. Tipo “eu acho que quero beijar essa pessoa”.
Ela travou.
— Ah — ela sussurrou. — É uma energia… bem específica.
— Muito — ele disse, aproximando-se levemente.
O corredor, que dava acesso aos banheiros, estava vazio.
A luz baixa.
A música abafada.
— E você? — ele perguntou, a voz baixa. — Sentiu alguma coisa?
podia ter dito não.
Podia ter dito que estava só ajudando.
Que tinha acabado de beijar outra pessoa.
Mas a verdade veio antes.
— Senti.
Ele sorriu.
E aí… ele a puxou pela cintura.
Ela segurou o pescoço dele, sem pensar.
E o beijo aconteceu.
Outro beijo cheio de calor, suave no começo, depois mais profundo, mais urgente. Woo Shik beijava como quem queria descobrir cada detalhe, e respondeu na mesma intensidade.
A respiração ficou quente, os corpos perto demais.
Até que:
— WOO SHIK! — alguém gritou do outro lado do salão. — PRECISAMOS IR AGORA! A GRAVAÇÃO COMEÇA AMANHÃ LOGO CEDO!
E do banheiro:
— IIIIII! ELA TÁ PASSANDO MAL DE NOVO!
Eles se separaram, ofegantes.
Ele passou o polegar no canto da boca dela.
— Eu… quero te ver de novo — ele disse.
— Eu também — respirou, ainda meio desnorteada.
Mas antes que pudessem dizer mais alguma coisa, foram tragados para direções opostas novamente.
só conseguiu pensar:
“Meu Deus… dois. Eu beijei DOIS.”
E a noite ainda nem tinha acabado.
O lounge reservado estava lotado de almofadas coloridas, bandejas de frutas, mimosas que se multiplicavam como Gremlins molhados, e quatro brasileiras animadas demais para o horário.
— É brunch, não rave, gente! — reclamou, segurando uma jarra de mimosa como se fosse uma relíquia sagrada.
— Aham. — disse Laura enquanto colocava mais glitter na noiva. — E eu sou a Beyoncé.
suspirou, mas ria. Ela tentava acompanhar o ritmo, mas a cabeça ainda vibrava no pós-beijo com Seo Joon E no pós-beijo com Woo Shik.
Dois.
Ela jurava que manteria a dignidade hoje.
Mas aí veio a terceira mimosa.
O DJ aumentou o volume. As amigas começaram a dançar no lounge improvisado. Marina tirou o véu e colocou óculos de sol enorme. Tudo estava, tecnicamente, sob controle.
Até que percebeu algo:
Lá no outro lado do espaço — numa área mais reservada, com segurança e sombra — estavam eles.
Wooga Squad.
Inteiros.
Bonitos.
Radiantes.
Vivos.
engoliu a mimosa como se fosse água benta.
— Não olha. — sussurrou pra si mesma. — NÃO olha.
(Olhou.)
Mas estava indo bem. Mantendo distância. Fingindo costume. e nenhum deles pareceu perceber a presença dela lá.
Até que Marina, já ficando meio verde, segurou o braço dela:
— Amiga, vai lá pegar água gelada pra mim. Senão eu vou vomitar no colo da Beyoncé.
— A Beyoncé nem tá aqui, pelo amor de Deus — resmungou, mas levantou, garantindo que o mundo não ruiria enquanto ela ia até o bar.
Ela caminhou desviando de mesas, tentando parecer sóbria, tentando não pensar em coreanos. No último passo antes do bar, alguém passou por ela em sentido contrário, quase esbarrando.
desviou um pouco pra trás…
E aí esbarrou em alguém que vinha atrás.
Um corpo firme. Alto. Perfume amadeirado. Camisa leve. Ombros largos.
Ela virou para pedir desculpas.
Ele virou pra ver quem tinha batido nele.
E foi assim que congelou.
Park
Hyung
sik.
Os olhos dele se arregalaram primeiro — como se tivesse acabado de testemunhar um déjà vu particularmente intenso.
— …Você? — ele murmurou, segurando o cotovelo dela instintivamente pra impedir que ela caísse.
— Eu? — respondeu com uma pergunta, sorrindo, mas soando como alguém que tinha acabado de tropeçar na língua.
Ele piscou devagar, parecendo processar.
— Eu juro… — Hyungsik aproximou o rosto, a testa levemente franzida — que sonhei com você ontem.
soltou uma gargalhada ALTA.
Alta o suficiente para duas mesas olharem.
— O quê??
— Sério. — Ele coçou a nuca, meio tímido, meio intrigado. — A gente estava… dançando? E…
— Beijando? — ela completou, rindo.
— É, o melhor beijo que eu já dei. — ele admitiu.
apoiou a mão no balcão, tentando se estabilizar.
— Olha… se você quiser descobrir se o sonho tava certo…
Ele ergueu uma sobrancelha, surpreso, depois lentamente sorriu.
Aquele sorriso Hyungsik que parecia iluminar mil lâmpadas LED.
— Quero. — Ele disse, sem hesitar.
O mundo ao redor virou som abafado.
A música parecia distante.
O sol ficou mais quente.
se inclinou primeiro.
Hyungsik a encontrou na metade do caminho.
O beijo foi tudo que um beijo de brunch bêbado no Havaí deveria ser:
Suave, quente, inesperado, cheio de choque elétrico correndo entre os dois.
Ele segurou a cintura dela com cuidado, como se temesse quebrá-la.
Ela suspirou contra a boca dele.
Ele sorriu no meio do beijo.
E pensou:
Ok. Esse é oficialmente o melhor beijo da minha vida.
Mas então
— BEBIDAS PRONTAS! — gritou o bartender, estourando a magia com a sutileza de um caminhão.
Os dois se afastaram rápido, respirando fundo, tentando parecer normais.
— Eu… — Hyungsik apontou para onde estava sentado antes.
— Eu… — apontou para o lounge das amigas.
Eles riram. De nervoso. De felicidade. De caos.
— A gente se vê, né? — ele perguntou, esperançoso.
— Provavelmente. — ela sorriu. — O universo tá insistindo.
Eles se despediram com aquele olhar que dizia tudo sem dizer nada.
pegou a água gelada, tremendo um pouco.
Voltou pro lounge, onde Marina já estava meio caída.
— Demorou, mulher! — reclamou uma amiga. — O que tava fazendo? Namorando o bartender?
só tomou um gole da própria mimosa e respondeu:
— Mais ou menos isso.
— Bom dia, Hawaii, bom dia ressaca, — ela murmurou, amarrando o tênis enquanto Marina roncava no sofá em posição fetal.
Laura estava jogada numa poltrona abraçada a um pote de gelo, e Clara dormia no chão com uma faixa de “BRIDE CREW” na testa.
O cenário era digno de filme de comédia.
— Vou correr na praia, tá? — avisou para ninguém em específico, já que todas estavam mortas.
— Me traz pão de queijo… — Marina murmurou do sofá, sem abrir os olhos.
— Aqui não tem pão de queijo, criatura.
— Então me traz… fé. — e continuou roncando.
riu, colocou os fones e partiu.
A brisa do Havaí batia gostosa, o sol subindo devagar, o mar ainda quieto — aquele momento perfeito pra refletir, respirar e tentar fingir que ela NÃO tinha beijado:
Park Seo Joon
Choi Woo Shik
Park Hyungsik
Três.
Três beijos.
Três acasos.
Três surtos internos.
— Eu preciso de terapia urgente. — ela murmurou, acelerando o passo.
Mas aí… o destino falou:
“Quer terapia? Não hoje.”
Na curva da trilha, escorregou num pedacinho de areia solta, tropeçou, tentou recuperar a postura e falhou miseravelmente.
Foi salva por um braço forte, quente e firme que a segurou pela cintura.
O mundo girou.
virou na direção do dono do braço.
Boné.
Camiseta larga.
Cabelo bagunçado.
Olhos de meia-lua.
Sorvete de baunilha na mão.
E aquele sorriso inconfundível.
Kim Taehyung.
Kim.
Tae.
Hyung.
Ele piscou duas vezes, olhando pra ela como se desejasse confirmar que aquilo era real.
— Você tá bem? — ele perguntou, voz rouca que ela sempre imaginou que ele tivesse pela manhã.
— Eu… caí da dignidade. — respondeu na mesma velocidade de uma tartaruga com ressaca
Ele deu uma risada curta, baixa. Uma daquelas que deixa a gente um pouco fraca.
— Quer um sorvete? — ele perguntou, estendendo a casquinha de chocolate como se isso fosse a solução para qualquer tombo existencial.
— A essa hora? — ergueu a sobrancelha.
— A qualquer hora. — ele respondeu, tão sério que ela precisou rir.
Acabou aceitando. Ele comprou outro para si e os dois começaram a andar lado a lado pela praia, passo calmo.
— Então… você tava correndo? — ele perguntou.
— Tentando. Eu tropeço muito.
— Percebi. Eu também estava, acho que as corridas da manhã são as mais revigorantes — ele sorriu, olhando pra ela de lado, com um ar claramente interessado que fez a barriga dela perder o eixo.
Eles conversaram sobre besteiras primeiro: sabores de sorvete preferidos, diferença absurda entre calor brasileiro, calor havaiano e do calor coreano, como turistas tiravam fotos em posições estranhas.
Depois o papo foi ficando mais íntimo, sem ela nem perceber.
— Você mora aqui? — ele perguntou, meio curioso.
— Não… tô só de passagem. Despedida de solteira da minha amiga.
— Ah… então vocês estão naquele grupo barulhento.
— Barulhento? — arregalou os olhos. — Você viu?
— É difícil não ver. — ele riu, coçando a nuca. — A do véu quase entrou na área reservada ontem.
— MARINA. — suspirou. — Claro que foi ela.
Eles riram juntos. O clima estava bom demais. Estava fácil demais.
E aí veio o silêncio confortável.
Aquele tipo raro que só acontece com gente que combina.
Tae chutava a areia com o pé.
mordia o sorvete quase derretendo.
E, de vez em quando, os olhares se encontravam por tempo demais.
Até que ela tropeçou numa pedrinha mínima. Quase nada, de novo.
Mas Taehyung já estava com a mão no braço dela, segurando, aproximando os dois ainda mais.
Quando ela levantou o rosto…
Eles estavam perto.
Perto demais.
Respirando o mesmo ar.
O mesmo cheiro de sorvete de chocolate e perfume fresco dele.
Tae olhou pra boca dela.
E ela olhou pra dele.
Ele falou baixinho:
— Acho que você tropeça de propósito perto de mim.
— Eu tropeço perto de qualquer um… mas você ajuda melhor. — Ela sorriu, quente, sem conseguir desviar.
Ele mordeu o lábio, achando graça.
E então foi inevitável.
Ele inclinou o rosto devagar.
fechou os olhos no mesmo ritmo.
E o beijo aconteceu suave, depois firme, depois lento, profundo.
Era diferente.
Era íntimo.
Era… perigoso.
Taehyung segurou a nuca dela com uma gentileza que arrepiou tudo.
segurou a camiseta dele, puxando um pouquinho.
Ele sorriu no meio do beijo.
Ela suspirou, perdida.
Quando se afastaram, os dois estavam meio zonzos.
— Eu… — ela começou. — Eu vou embora hoje.
— Sério? — ele respondeu, olhando para a boca dela como se não quisesse acreditar nisso. — Ainda bem que eu te encontrei antes.
Ele acompanhou ela até a entrada da casa que estava hospedada.
Quando viu que era literalmente a casa ao lado da dele, soltou um “uau” baixinho.
— Então você era minha vizinha o tempo todo? Por isso escutamos o barulho tão nitidamente, achei que os hóspedes estavam mais longe.
— Aparentemente. Talvez eu tenha reservado antes da sua produção, por isso somos os únicos por aqui em um raio de 300 metros — ela riu.
Eles se encararam.
E, como se o destino quisesse uma despedida decente…
Eles se beijaram de novo.
Mais devagar.
Mais intenso.
Com gosto de adeus.
— Boa viagem. — ele disse.
— Obrigada. — ela respondeu, tentando controlar o sorriso. — Foi… é, foi algo.
Ele riu.
Ela entrou no Airbnb com o coração correndo uma maratona.
Marina estava acordando no sofá.
— Trouxe pão de queijo? — Perguntou, voz arrastada.
— Não… — respondeu, ainda sorrindo. — Mas trouxe problema.
No final do dia, elas embarcam novamente no avião para o retorno e não havia trocado telefone com ninguém, eles não sabiam seu nome. Ela nem tentaria mandar DM. Afinal teve um lance com todos e seria tão difícil escolher um, quanto, se algum dos romances fossem para frente, explicar que tinha ficado com todos os amigos naquela viagem.
Ela só levava consigo a lembrança de quatro beijos, quatro histórias e quatro quases. E uma despedida de solteira que nunca ninguém acreditaria se ela contasse.
FIM
Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Faltou só um, mas quem sabe a gente não beije ele em uma sequancia na Asia? Talvez outra amiga se case e elas façam a despedida de solteira na Tailandia ou em Itewon, nunca se sabe kkkkkk Espero que goste e não esquece de comentar, ok?
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.
