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Última atualização: 27/12/2020

Capítulo 1


Londres, Janeiro de 2001

— Ei, garotas! Quero falar com vocês!
Dylan chama nossa atenção, quando passamos pela sala de estar do dormitório da faculdade. Eu, , e estamos voltando do primeiro dia de aula do ano, mas já com muitas atividades para fazer.
— Oi, Dylan! — cumprimento com um sorriso. Ele namora minha colega de sala e é responsável por alguns eventos aqui no campus, a maioria para os estudantes interagirem mais entre si.
— Vou ser rápido, porque já estou vendo que estão apressadas. — diz. — Vocês topam tocar no mini-festival que ‘tô organizando? Será daqui a quinze dias.
Olho para as meninas e elas balançam as cabeças concordando.
— Quanto tempo será ‘pra cada banda? — pergunta.
— Meia horinha só, mas planejem mais umas duas músicas a mais… — Dylan avisa. — Vai que o público pede bis! — sorri.
— ‘Tá certo, a gente topa. — falo — Então teremos mais uma ocupação nesse começo de semestre... — comento com as meninas.
— Melhor começarmos logo a ensaiar, ‘tô um pouco enferrujada depois dessas semanas longe do violão. — diz.
— Imagina eu! — fala apreensiva. — Há meses que não toco bateria.
— Sei que vão tirar de letra e serão a sensação do evento. — elogia Dylan. — Tenho que ir! Mas muito obrigado por aceitarem meu convite.

O céu escureceu, eu e estamos esperando e aparecem no nosso quarto para planejarmos a setlist, para começarmos os ensaios o quanto antes.
, cadê elas? Eu ainda tenho que ler uns textos pra aula de amanhã. — fala cansada, mesmo ainda sendo o primeiro dia de aula desse semestre.
— Eu também já estou cheia de atividade, os professores sempre começam bem empolgados, né? — eu digo.
Eu e dividimos um quarto; e , outro. Nos conhecemos desde pequenas, sempre moramos perto uma das outras e estudamos na mesma escola no Brasil. E, juntas, decidimos fazer faculdade fora do país. Foi assim que acabamos em Londres, ainda aos 18 anos.
Mesmo estando sempre juntas, temos gostos e interesses um pouco diferentes. Eu estudo ciência da computação; , química; , história e , economia. Eu avisei que era diferente.
O que temos em comum é a paixão pela música desde pequenas. Temos uma banda, que se chama Younger, com poucas músicas autorais, por enquanto, por isso, também fazemos covers de outras bandas, como Green Day e Blink-182.
Por enquanto, o plano de vivermos da música foi deixado de lado. O máximo que fizemos até agora foi gravar um cd, bem caseiro e simples, com cinco músicas autorais feito com a ajuda de outra amiga nossa, que mora no Brasil.
— Chegamos! — grita, assim que entra no quarto, acompanhada de .
— Achei que não vinham mais. — reclamo deitada na minha cama.
— Você sabe como a é lerda pra se arrumar. — revira os olhos enquanto se joga ao meu lado na cama.
— Claro! Eu que não vou sair de qualquer jeito. — diz num tom divertido. — Vai que eu encontro algum cara bonitinho no caminho…
, isso aqui é um dormitório feminino. — ri da cara que faz, já cansada desse assunto.
— Vamos ao que interessa, então? — falo — Temos muita coisa pra fazer ainda. Foi loucura aceitar esse convite? — pergunto, apreensiva.
— Não! — me tranquiliza um pouco. — Temos que aproveitar essas chances pra tocar, senão seremos engolidas pelos estudos.
O que era verdade. A banda era um ótimo escape da faculdade.
— Vai ser melhor tocarmos as de sempre, né? — constata. — Não teremos o tempo todo do mundo pra ensaiar.

Fechamos em oito músicas, todas elas covers de Green Day e Blink-182. Mesmo não sendo a primeira vez que tocamos em público, ainda ficamos um pouco inseguras para tocar nossas músicas autorais. Por enquanto, elas ficam só entre a gente.

Duas semanas depois

— Meninas, vocês são as próximas! — Dylan avisa, já nos chamando para ficar mais perto do palco.
— Ok, eu não ‘tô preparada pra isso. — fica assustada com a quantidade de gente que aparece essa noite. — O Dylan disse que seria algo pequeno!
— Amiga, relaxa. A gente ensaiou várias vezes, vai dar tudo certo. — tento tranquilizá—la, mesmo estando tão nervosa quanto.
O mini-festival organizado pelo Dylan encheu bem uma das praças da faculdade e o pessoal parece bem animado para aproveitar um pouco dos dias antes das provas começarem.
Ficamos esperando, do lado do palco, o Dylan anunciar o nome da nossa banda. Estou com o baixo pendurado no ombro, e com suas guitarras e quase quebrando suas baquetas de tão nervosa que está.
— E pra fechar a noite com chave de ouro… — Dylan faz uma pausa — YOUNGER! — grita para o público.
Assim que subimos no palco, o público nos aplaude e vejo no canto da plateia meus amigos de sala gritando meu nome, me dando o maior apoio.
— Boa noite! — cumprimenta o público. — Nós somos a banda Younger, espero que gostem do show!
— Vamos? — , no meio do palco, puxa o início de Dammit na guitarra.
E foi a partir dessa noite que tudo mudou.
Para melhor.

Como nosso show era o último da noite, depois que tocamos a última música que planejamos, as pessoas começaram a esvaziar a praça, ficando apenas nossos colegas mais próximos, esperando para falar conosco.
— Meu Deus! Eu não sabia que vocês tocavam tão bem. — diz Sarah, uma amiga da , que está acompanhada do namorado, Bill. — Bill, seu irmão ia gostar de vê-las tocando.
— O que tem o irmão do Bill? — pergunta.
— Ele ‘tá procurando umas bandas novas pra agenciar — ele explica. — Posso falar com ele sobre vocês.
— Você ‘tá falando sério? — está se segurando para não gritar, dá para ver o seu esforço para manter a calma.
— Não garanto nada, mas já é algo, né?
— Claro! Nós temos umas músicas gravadas, nada muito profissional, mas leva pra ele escutar. — procuro uma cópia do cd na minha mochila. — Aqui, pode levar esse.
, você sempre anda com isso? — pergunta, querendo rir um pouco.
— Óbvio, ‘tô sempre com uma cópia, vai que uma oportunidade aparece… Como essa agora!
— Tenho certeza que o irmão dele vai curtir, relaxem. — Sarah fala confiante. — Então, para onde vamos? Não quero voltar pra casa agora.
— Nós vamos no dormitório só pra guardar os instrumentos e encontramos vocês depois, pode ser naquele bar lá perto? — pergunto.
— Estamos indo pra lá agora. — Sarah avisa. — Até daqui a pouco!

No caminho para o nosso dormitório, não consegue controlar a felicidade que está sentindo, só falta dar uma estrelinha no meio da rua.
— Meninas, vocês têm noção do que pode acontecer? Nós podemos, finalmente, ficarmos famosas!
, vamos com calma, ‘tá? — , a sensata do grupo, tenta trazer pra realidade. — Vai que ele nem curte o nosso som…
— Mas vamos pensar positivo, vai que dá certo! — Agora era que mostra sua empolgação.
— Imagina? Eu largaria tudo pra viver da música. — falo já sonhando com essa ideia. — Nossos pais que não iam gostar nada disso.
— Verdade, mesmo gostando do que estou estudando, vocês sabem que a música é minha paixão. — diz . — Por isso ‘tô tão empolgada, quero que isso dê certo.
— Agora só nos resta esperar… — fala, já abrindo a porta do nosso prédio.
Até que não esperamos muito.

Londres, Fevereiro de 2001

— Nós somos a banda Younger! Muito obrigada a todos! Essa será a última música de hoje, uma autoral, espero que gostem. — anuncio no microfone.
Desde o mini-festival, começamos a tocar em alguns pubs para levantar um dinheiro extra, já que as despesas em Londres não são nada pequenas. E, no final de cada show, tocamos uma das nossas músicas, até pra ir perdendo o medo da crítica sobre algo nosso.
Nessa noite, poucos amigos vieram nos ver, até porque a faculdade começou a pesar pra cada um. Hoje contamos apenas com a presença de Sarah, seu namorado Bill e mais um casal que está junto deles, que não conheço.
O pequeno show termina e vamos de encontro aos nossos amigos, cada uma já com a sua cerveja na mão.
— Sarah, muito obrigada por ter vindo, sério. — agradece. — Eu sei que você tem muita coisa pra fazer, porque eu também tenho. — ela ri, mas de desespero.
— Não podia deixar de vir hoje. — Sarah começa. — Quero que vocês conheçam o Fletch, irmão do Bill.
Ela aponta para o outro cara da mesa, que não conhecemos até então.
Meu Deus.
Irmão do Bill.
Sinto me cutucando e com os olhos arregalados, me encarando.
— Oi, boa noite! — Fletch estende a mão para mim e depois cumprimenta também as outras meninas. — Um prazer conhecer vocês. — sorri.
— Meu Deus, ele viu o show todinho. — penso alto demais e todo mundo escuta.
— Sim, sim… — Fletch fala, rindo um pouco da minha reação — E gostei bastante. Só não entendi uma coisa.
— O quê? — logo pergunta.
— Recebi um cd com umas músicas autorais de vocês, mas no show vocês hoje só tocaram uma. — cruza os braços. — Estão querendo economizar nas músicas, ou quê?
Ele escutou todas.
— A gente ainda se sente mais segura tocando covers. — responde rápido. Ainda bem, porque ainda estava em choque e não falei nada.
— Entendo, mas não concordo. — Fletch faz uma pausa para dar um gole na sua cerveja.
— ‘Tá vendo, eu sempre falo pra gente tocar mais música nossa. — sussurra atrás de mim.
— Vocês podem me encontrar amanhã?
— Claro, Fletch! — toma a frente mais uma vez, como uma boa líder da banda.
— Então ‘tá certo, aqui está o meu número — estende um cartão. — Me liguem amanhã de manhã, pode ser logo cedo mesmo.
— Vamos ligar, sim — fala sorridente.
— Ótimo, estarei esperando. — Fletch dá um último gole na sua cerveja. — Agora tenho que ir, amanhã trabalho logo cedo.
E num instante ele e sua namorada se despedem de nós e vão embora.
E agora podemos surtar em paz.
— Sarah, como assim você não avisou a gente que o Fletch viria hoje? — grita assim que Fletch saiu da mesa.
— Óbvio que eu não ia falar. — Sarah nos olha como se fossemos idiotas. — Vocês ficariam super nervosas e ia dar tudo errado. Conheço vocês.
Ela tem razão.
— ‘Tá, você tem razão mesmo. — falo — Desde quando ele escutou nossas gravações? — pergunto para Bill.
— Na mesma semana eu repassei o cd pra ele, mas só hoje ele ‘tava livre pra ver um show de vocês.
— Eu ainda ‘tô sem acreditar. — digo, ainda meio atordoada.
— Pois acredite, ele gostou muito do que viu e escutou hoje. — Sarah abre um sorriso enorme.
— Então vamos embora logo, — olha seu relógio. — precisamos acordar cedo amanhã. , não perde esse cartão, viu?
— Ah, agora vai sobrar pra mim. — revira os olhos. — Tome, guarde com você, melhor. — E entrega o cartão a , que guarda logo na sua bolsa.
— Antes de ir embora… — falo. — Muito muito muito obrigada, a gente demoraria tanto pra ter uma outra oportunidade, se não fosse por vocês.
— Só estou sendo justa! — Sarah sorri. — Uma banda boa, tem que ser conhecida! Vocês merecem.
— Vamos brindar, então! — levanto minha cerveja — Ao futuro? Ao futuro da banda? — olho em dúvida para as meninas.
, ao futuro da banda — também levanta sua bebida e os outros acompanham.
— À banda Younger! — gritamos e brindamos, animadas por tudo que aconteceu nessa noite.

♫♪♫


: Depois desse dia, tudo aconteceu tão rápido, parece até mentira nossa.

: No dia seguinte, nós acordamos bem cedo. Na verdade, eu só consegui dormir porque tinha bebido mais do que o meu normal. Primeira coisa que fiz foi ligar para o Fletch. Já estávamos todas juntas, dormimos no quarto da e da .
Ele marcou uma reunião com a gente para o dia seguinte. Até lá, não conseguimos fazer nada, estávamos ansiosas demais.

: Mas até que tudo foi bem tranquilo naquela primeira reunião, foi mais para conhecer a banda e cada uma de nós. E também para dar uma ideia de como tudo ia seguir, a gente não tinha noção de nada, tanta burocracia.
A coisa ficou mais séria depois, quando ele alertou que não íamos conseguir conciliar a faculdade e a carreira.

: Foi nessa hora que fiquei em dúvida, e acredito que as meninas também. Não porque não queríamos seguir com a banda, mas pelo receio de jogar para o alto o investimento que nossos pais fizeram em nós. E o medo de contar pra eles também, vamos ser sinceras…

: Gosto nem de lembrar de quando contei que ia largar tudo. Minha mãe quase teve um treco de tanta raiva. Meu pai apoiou mais, mas só depois que mostrei que já estava tudo certo, mesmo que só por um tempo, de acordo com nosso primeiro contrato.

: Falando sério agora… Vocês têm saudade dessa época de faculdade?

: Não.

: Jamais!

: Ah, gente! Era legal, mas nada se compara com o que vivemos hoje.

: Eu não tinha noção do que poderia acontecer, mas foi ótimo ter arriscado. E pensando direitinho, todo mundo arriscou. Eu não imaginava que seríamos bem aceitas.

: Até o Fletch acertar nosso contrato com a gravadora, eu só ia dormir pensando: “Isso vai dar merda”.
Só fiquei tranquila quando vi e assinamos o contrato.
E que grana a gente recebeu.

: Nem fala, a gente ficou meio sem noção no começo. Primeiro aquela casa que a gente comprou… Gigante para quatro pessoas, mas não vou reclamar do espaço extra que tínhamos.
, te amo, mas foi bom ter um quarto só pra mim!

: Digo o mesmo, . Escapei da sua bagunça!

: Ei!

♪♫♪


Londres, maio de 2001

Mesmo nessa rotina há uns meses, tudo ainda parece um sonho. Tudo gira em torno do nosso primeiro cd, que está com quase todas as músicas prontas, só duas que ainda precisamos dar uns ajustes.
E também falta a capa.
Detalhe.
Acordamos cedo nesta terça-feira, não por nossa vontade, e sim por ordens do Fletch, que aparece na nossa casa logo no café da manhã.
— Então, amanhã a gente tira essas fotos — ele diz animado, no meio da cozinha —, finalmente.
— Quem vai fotografar a gente? — pergunta enquanto tomava café.
— O mesmo fotógrafo que faz todas as fotos da gravadora. — ele começa e nota logo que ia protestar — Nem adianta discutir, vai ter que ser ele mesmo. Falei que vocês queriam que fosse com uma fotógrafa, mas não rolou.
— Se é o jeito… — falo.
— Quem sabe no próximo cd, né? — ele tenta amenizar — Espero que esse faça sucesso, pra que no seguinte vocês tenham mais regalias.
— Esse cara que vai dar a ideia da capa? — pergunto.
— A princípio, sim, mas ele parece ser tranquilo, então se tiverem alguma ideia, podem falar pra ele.
— Contanto que a gente não pareça quatro idiotas, por mim ele pode decidir. — dá um último gole no café e se levanta para lavar os pratos que ficaram na pia da noite anterior, que ela não lavou antes.
Depois que todo mundo termina de comer, recolho todos os pratos para ajudar a responsável pela louça do dia: .
— Esqueci de contar uma novidade pra vocês! — Fletch fala animado. — ‘Tô trabalhando com outra banda, além de vocês.
— Caramba, nem três meses juntos e já fomos traídas. — faz um drama, arrancando uns risinhos.
— Como é essa banda nova? — pergunto.
— Ah, eu já conhecia até antes de vocês, mas eles não deram certo — ele começa — Agora vamos tentar de novo, mas como só tem dois caras até agora, vai demorar pra lançá-los, vamos precisar fazer audições pra achar outros pra banda.
— Ainda bem que já estamos completas, imagina eu, , me apresentando pra conseguir uma vaga? Não ia passar nunca! — faço uma cara assustada e Fletch ri na mesma hora. — Capaz de eu desmaiar na hora.
— Menos um trabalho pra mim! Já achamos a banda completa, por isso vamos lançar logo vocês e depois vamos cuidar da outra banda.
— Ufa, valeu pela preferência! — brinca.
Depois de conversarmos mais um pouco e escutarmos todos os mil avisos sobre o dia seguinte, Fletch vai embora e continuamos na cozinha, fazendo companhia à enquanto ela lava os pratos.
— Já que ninguém tocou nesse assunto, eu toco. — fala.
— Lá vem. — digo, já imaginando o que ela vai falar.
— O Fletch falou, falou e não disse nada sobre os caras.
Bem o que eu imaginava.
— Vai ver ele não quer misturar as coisas. — opina enquanto lava o último prato.
— Ah, que frescura. — reclama. — Vai que são bonitinhos? Guitarristas que nem eu?
— Relaxa, alguma hora a gente conhece eles. — entra na onda também.
— Vocês não perdem tempo, né.
— Falou a santa da casa! — senta com a gente na mesa. — Acha que eu não vi você de papo com um carinha lá da gravadora.
Ops.
— Isso, a gente só ficou no papo mesmo — ela me olha com uma cara desconfiada — ‘Tá, ele me chamou pra sair, eu aceitei, mas não ‘tô muito afim.
— Ele pareceu chato? — questiona.
— Pelo pouco que a gente conversou, não. — respondo. — Eu que não ‘tô no clima, vocês sabem.
Elas olham umas para as outras e que resolve falar:
, a gente entende que você ainda pensa no Caio, mas vocês acabaram há tanto tempo… — fala segurando na minha mão. — Só o tempo que a gente saiu do Brasil, já tem o quê? Um ano já.
— Eles continuam se falando por email. — me dedura na mesma hora.
— Valeu, . — reclamo — A gente continuou se falando, sim, até porque a gente terminou numa boa — pauso. — Só acabamos porque eu vim estudar aqui, não queríamos ficar a distância.
E foi isso que aconteceu mesmo. Namoramos por uns dois anos e só terminamos porque eu ia me mudar. Caio era um fofo, se não fosse pela distância, ainda estaríamos juntos.
— Mas parece que está, né. — fala — Você continua fechada pra qualquer pessoa que se aproxima de você.
Verdade.
— Você ‘tá certa, mas eu não quero nada com ninguém agora. Vou até desmarcar logo esse encontro. — pego meu celular — Que desculpa eu dou?
— Dá vontade nem de te ajudar, viu. — fala impaciente. — Manda que vai estar ocupada com o trabalho, sei lá.
— Vou mandar isso mesmo, ‘tá bom. — digito e mando logo. — Eu tenho que saber negar logo na hora, depois fico me passando assim.
— É mais simples aceitar e ir. — se levanta. — Vamos se arrumar logo, já tá em cima da hora.
— A gente tem o que hoje mesmo? — pergunto acompanhando-as pela escada.
— Combinamos com o produtor pra terminar de gravar aquelas duas músicas que faltam. — explica. — E de hoje não passa.
Meu celular apita e vejo que é uma mensagem do carinha da gravadora, dizendo que entendia e que poderíamos marcar outra coisa depois.
“Vamos marcar” significa que não íamos de fato.
Ufa.
Menos uma preocupação.

♫♪♫


: Eu não sei se estou sendo legal demais, mas até que nossas fotos ficaram legais, né? Não ficou nada brega no primeiro cd.

: A gente saiu com uma cara séria…

: Melhor dizer “misteriosas”.

: Ah, até hoje amo essas fotos. Bem coloridas para o nosso gosto de hoje, se compararmos. Acho que foi por isso que nós não aparecemos sorrindo em nenhuma dessas fotos. Já bastava as cores pra ter algo “feliz” naquele encarte.

: Uma baita propaganda enganosa, porque nesse primeiro cd só falava de coração partido. E nem estávamos assim.

: Eu estava um pouco, mas nada no nível daquelas músicas.

: Fizemos um drama, mas um drama bem-feito!

♪♫♪


Capítulo 2


Londres, Maio de 2001

, ‘tá acordada? — pergunta assim que abre a porta do meu quarto.
Eu ainda não dormi nada e só fiquei encarando o teto desde a hora que subimos para dormir, já que amanhã iremos aparecer na TV pela primeira vez. Estou me segurando para não olhar o relógio de novo, porque sempre fico mais ansiosa e, na última vez que chequei, eram duas da manhã.
Pelo visto está com o mesmo problema que eu.
— ‘Tô sim, , pode entrar. — falo já sentada na cama. — Também não consegue dormir?
— Fiquei rolando na cama e nada. — senta na minha cama — Meu Deus, a gente vai aparecer na tv, . — respira fundo. — Não ‘tô preparada.
— ‘Tava bom demais sem a gente se expor, né? — sorri. — Mas vai ser rápido, só vamos tocar duas músicas e só.
O CD já está pronto e já decidimos qual seria o primeiro single a ser lançado. Semana passada o Fletch chegou com essa novidade que íamos aparecer na TV, em um programa de música aqui da Inglaterra. Ao vivo. Desde então, o surto rola aqui em casa.
— ‘Tava bom demais mesmo. — ela ri — A gente vai chegar com uma cara péssima, olha que horas já! — mostra o visor do celular e me assusto. Quatro horas.
— Agora um chá não vai fazer mais efeito nenhum. — deito. — É melhor a gente tentar dormir, ou pelo menos fingir.
não se mexe.
— Quer dormir aqui? — bato no meu lado vazio do colchão.
— Como nos velhos tempos. — ela ri, já deitando ao meu lado — ‘Tá, três meses atrás.
Não sei a , mas eu só consigo pegar no sono depois que o sol aparece.

Acordo poucas horas depois com o despertador e, logo depois, com uma desesperada gritando pela porta do meu quarto.
— A SUMIU! — grita assim que abri a porta do meu quarto. Para assim que vê deitada na minha cama. — MEU DEUS, EU TE PROCUREI NA CASA TODA!
, para de gritar. — ela se senta na cama. — Por que esse desespero todo?
— Minha querida, você me pediu ontem ‘pra te acordar, chego no seu quarto e não tem ninguém!
— Ah, foi mesmo. — fala já se levantando — Não consegui dormir e acabei ficando aqui com a .
— Já ‘tá pronta, ? — pergunto.
— Já, o Fletch disse que vem um carro buscar a gente daqui a pouco. Vá logo se arrumar. — fala já me puxando pra fora da cama.
Corro para o banheiro antes que grite novamente.

♫♪♫


: Lembro como hoje daquele dia. Estávamos tão nervosas, mas tudo deu certo.
O programa tinha uma pequena plateia e todos foram tão legais e receptivos, eu já estava esperando o pior daquilo.

: Mais pessimistas que nós, impossível!

: O apresentador também foi bem legal, tirando a parte que ele ficou surpreso com o nosso inglês, ninguém merece. Acho que ele perguntou mais sobre o Brasil do que sobre a banda, mas tudo bem.
A surpresa ficou para depois do programa…

: Ficamos um tempo depois no estúdio de TV, mesmo depois do programa ter acabado, o Fletch alugou nosso ouvido por uns minutos, elogiando a nossa performance e, como não poderia faltar, puxando nossa orelha também no que poderia melhorar.
Assim que abrimos a porta para ir embora, a rua estava lotada de gente, para ser mais específica, lotada de adolescentes. Eu fiquei sem entender, até porque a outra banda, já conhecida, que também participou do programa tinha ido embora faz tempo. Ainda ficamos na porta, paradas, sem entender nada.

: Até que alguém gritou o nome da banda. Foi aí que começou uma movimentação em nossa direção.

: Lembro do Fletch sorrindo do nosso lado e só falou:
— Começou, vamos, meninas!
A partir daí, acabou o nosso anonimato. Já tinha umas meninas pedindo autógrafo e eu não tinha ideia do que escrever, eu achei que ia demorar mais um pouco para aquilo acontecer.
Tínhamos aparecemos na TV trinta minutos antes daquilo? Nossa, a galera foi rápida demais.

: Naquele dia tivemos uma noção boa que as pessoas gostaram das nossas músicas, pelo menos de duas delas. O próximo passo foi lançar a primeira música, antes do CD inteiro.
Posso dizer que foi um sucesso antes mesmo do CD ser lançado?

: Ainda bem, né?
Apostaram tanto na gente, era pressão vinda de todos os lados possíveis, que quando esse primeiro single saiu e teve uma boa resposta, o que eu senti foi alívio.

♪♫♪


Londres, Junho de 2001

Hoje, logo pela manhã, resolvi sair para comprar uns livros novos numa livraria que fica um pouco distante da nossa nova casa, porém num bairro bem mais calmo. Eu ainda não me acostumei com toda essa atenção que estamos recebendo e, sinceramente, eu só quero sair em paz. E, para isso, não existia uma pessoa mais escondida que eu, só faltava uma máscara para cobrir meu rosto todo.
Compro bem rápido o que eu quero na livraria e volto logo para o carro. Justo hoje, eu esqueço de colocar um CD legal no carro, então tenho que me entreter com a rádio local. Deixo num volume baixo, só para não ficar no silêncio.
Já na rua de casa, algo chama minha atenção.
“Hoje teremos uma novidade no top da semana, de banda e música. Escutem agora o primeiro single da banda Younger, a mais pedida da semana!”
E começa a tocar a introdução da na guitarra. Estacionei super rápido na porta de casa e corro para dentro.
Admito que entro um pouco desesperada.
— LIGA O RÁDIO AGORA! — grito assim que abri a porta.
é a única que está na sala, assistindo algo na TV.
— Menina, que desespero é esse? — se levanta e liga o som. Demorou alguns segundos para reconhecer a nossa música. — ‘Tá, é a nossa música, a gente já escutou na rádio. — fala na maior calma e volta para o sofá.
— Escuta o final, então. — digo me sentando no outro sofá.
“Bom, então é isso, pessoal. Aqui é o Mike e essas foram as mais pedidas da semana! Até a próxima!”
Olho para ela e cruzo os braços.
— MEU DEUS! A gente ficou em primeiro? — ela pergunta e balanço a cabeça confirmando. — MENINAS! — começa a gritar enquanto sobe as escadas. — Fomos as mais pedidas da semana! — consigo escutar os gritos vindos do primeiro andar.
e aparecem logo na sala. desce logo depois, com cara de poucos amigos.
— Que gritaria foi essa? Eu ‘tava dormindo lá em cima. — diz se deitando no sofá.
conta toda a novidade.
— MENTIRA! — grita. — E eu perdi.
— A gente deveria comemorar! — fala animada — Não digo nem sair de casa, podemos fazer algo por aqui mesmo.
— E quem vamos chamar? — pergunto.
— Que tal o pessoal da faculdade? — sugere — Faz tempo que não vejo ninguém.
— Boa! Mas só os mais próximos. — alerto, pensando em uma das mil regras que o Fletch impôs para nós assim que nos mudamos.
— Claro, ‘tá louca? — fala. — Pouca gente.

♫♪♫


: E foi no dia seguinte que levamos o primeiro sermão do Fletch. Nossa, ele não parava de falar, só fazia a minha cabeça doer mais ainda.

: Não sei como apareceu tanta gente. Eu só chamei uns quatro amigos.

: Eu também.

: Chamei uns cinco.

: Eu só chamei dois. Alguém vazou e deu no que deu. Apareceu gente lá em casa que eu nunca tinha visto na vida. Galera cara de pau, né? E a bagunça que fizeram? Eu e até tentamos controlar no começo, mas depois eu desisti. O problema já estava feito.

: Eu vi bem vocês tentando controlar a bagunça…

: No começo só, eu que não ia passar a festa toda tentando controlar quem entrava na casa. Desisti logo. que ficou assustada com o tanto de gente que tinha e ficou meio desesperada e começou a mandar um povo embora, só ela mesma. Figura!

: Eu deveria ter expulsado a ponta pé, porque a bronca e a limpeza da casa sobraram para quem? Nossa, ninguém merece limpar a casa estando de ressaca.

: Pelo menos serviu de lição… por um tempo.

: Até o nosso CD ser lançado dois meses depois, em agosto. Fizemos outra comemoração nesse mesmo estilo e quase que dá tudo errado de novo.

: Mas nessa segunda festa o Fletch não falou nada, até porque ele estava tão feliz quanto nós. Para o nosso primeiro CD, foi um sucesso maior do que a gravadora e o nosso empresário esperavam. Boa, meninas!

♪♫♪


Londres, Setembro de 2001

Com o começo do outono em Londres, a divulgação do nosso CD continua a mil e, por isso, mal paramos em casa. Passamos por rádio, TV, demos entrevistas para algumas revistas e, finalmente, começamos a planejar nossa primeira, e pequena, turnê.
Acordamos super cedo e fomos para gravadora resolver toda papelada e burocracia que envolve a nossa banda. Fletch nos encontrou logo na entrada do prédio.
— Bom dia! — cumprimenta cada uma de nós — Vamos subir logo, tenho novidade ‘pra vocês. — e entra no prédio.
— Fletch, não gosto quando você faz esses mistérios. — fala, entrando por último no elevador. — A gente nem sabe ao certo o assunto da reunião.
— Não tem mistério nenhum, é sobre a turnê de vocês. — explica. — E sobre o Busted.
— Busted? — eu e perguntamos na mesma hora.
— É aquela outra banda que comentei com vocês. — Fletch diz enquanto segura a porta do elevador para sairmos. — Lembram? Que não ‘tá completa ainda?
— Ah! Lembro sim. — eu digo e, imediatamente, olho para , já atenta a conversa.
— Eles vão participar também? — ela pergunta, como quem não quer nada.
— Sim, mas eles ainda não chegaram, vamos aproveitar esse atraso deles ‘pra discutir o que cabe a Younger. — ele diz — Primeiro, vocês. — e abre a porta da sala.
Chegamos na tão conhecida sala de reunião do quinto andar. É enorme e tem uma vista linda para a cidade, pena que hoje está chovendo mais que o normal, até para Londres.
Para essa reunião, também se juntam a nós duas mulheres responsáveis pelo nosso marketing e outros dois homens, bens mais velhos que a gente, que tratam de todos os contratos da gravadora.
— Podemos começar falando sobre as datas da turnê? — Fletch é o primeiro a falar algo, sentado na ponta da mesa. Todo mundo concorda e ele prossegue. — Pensei em janeiro, que tal?
— Fica muito em cima ser em novembro? — pergunta.
— Até daria, mas temos outros planos para os próximos meses. — um dos senhores explica. — Daqui a pouco o Fletch explica para vocês.
— Uns meses a mais, ou a menos… — falo. — Bom que nesse tempo a mais, mais pessoas vão nos conhecer.
— Verdade. — concorda. — Então, qual seria o plano ‘pra outubro e novembro?
— Deixa eu ver se James e Matt chegaram. — Fletch pega o telefone que fica em cima da mesa e liga para a secretária — Oi, bom dia! Tem dois meninos esperando para falar comigo aí? — silêncio — Isso, são eles, pode mandar entrar. Obrigado. — desliga — O assunto cabe a eles também, prefiro falar de uma vez só.
Não demora muito para dois garotos entrarem na sala e se juntarem a nós na mesa.
— Meninas, esses são o James e o Matt — Fletch apresenta e se vira para eles — Elas vocês já devem saber quem são.
— Claro, ‘tô viciado no CD de vocês. — fala James sorrindo para nós. Matt apenas concorda com a cabeça, ele parece ser mais sério.
Não deu em tempo de agradecer direito e nosso empresário começa a falar de novo.
— Já que todos estão aqui, vamos a nossa ideia para o próximo mês: — Fletch começa — O mais importante vai ser achar os outros integrantes do Busted, já demoramos demais ‘pra fazer isso e, por isso, a turnê de vocês vai ficar para janeiro.
— Fletch, desculpa perguntar, mas o que a gente tem a ver? — questiona.
— Eu tenho que estar presente nesses dois compromissos e vocês vão ajudar nas audições, além do que vocês já fazem ‘pra banda de vocês. — Fletch informa na maior calma. Logo ele nota nossas caras confusas e continua. — Vamos usar vocês ‘pra atrair os candidatos.
— Como é que é, Fletch? — reclama — A gente vai servir de isca?
Escuto James e Matt rindo um pouco da alteração da .
— Não é bem isso que vocês estão pensando. — ele explica — Vamos usar o nome de vocês e aproveitar esse sucesso da banda para chamar a atenção de mais candidatos.
— Seria mais ou menos isso. — uma das moças do marketing entrega um panfleto para cada um de nós.

“Inscreva-se para fazer parte da nova banda, Busted, do mesmo empresário e gravadora da banda Younger!”

— Ah! — diz assim que termina de ler — Entendi agora. Mas a gente vai ficar lá nas audições com vocês?
— Não durante todo o processo, mas em algum momento vocês vão aparecer pra pelo menos dar um “oi”.
— Vocês vão selecionar quantos caras? — pergunto.
— A princípio pensamos em apenas mais um, mas dependendo dos candidatos que aparecerem, podemos selecionar dois. — Fletch remexe nos papéis que estão em cima da mesa. — Precisamos ver os locais pra isso e divulgar o mais rápido possível. — fala para os outros da gravadora. — Younger e Busted, estão dispensados.
Saímos da sala e paramos no corredor para falar com Matt e James.
— Finalmente nos conhecemos! — James quebra o silêncio.
— Verdade, o Fletch ‘tava adiando isso com a gente faz tempo. — Matt completa. — Parecia até que ‘tava escondendo vocês. — ri.
— Não me diga… — diz e olha para nós rindo. — Bem que eu notei isso também.
Ah, não. Começou.
— A gente podia sair antes das audições começarem. — James sugere.
— Ah, claro — fala —, mas acho que essa semana não dá ‘pra gente, né? — olha para , que sempre lembra dos nossos compromissos.
— Essa semana ‘tá ruim, mas na próxima dá. — sorri para eles, que retribuem.
— Então, tá certo. — James se anima. — Ligo ‘pra vocês e a gente combina. — Matt o cutucou. — O que foi, cara?
— Olha a hora! — Matt mostra o relógio, apreensivo. — Vamos perder o trem. Meninas, desculpa, mas a gente precisa ir.
Com uma rápida despedida, eles correram para o elevador.
— Agora entendi todo o mistério do Fletch. — puxa logo o assunto.
, dessa vez vou concordar com você. — ri.
— Meu Deus, basta ser inglês que vocês tão paquerando! — fala, impressionada com as duas. — Eu ‘tô fora dessa! — e sai em direção ao elevador.
— Eu também! — sigo a .
— Ah não, vocês vão sair com a gente também — pede assim que nos alcança, à espera do elevador —, senão vai parecer um encontro duplo.
— E não vai ser isso mesmo? — cruza os braços.
— Vai, mas não precisa ficar tão na cara. — sussurra assim que um grupo de pessoas passou por nós. — E mais, eles querem conhecer todas nós, a banda.
— Isso, a gente que ‘tá mal intencionada — dá uma piscadinha.
— Vocês não existem — digo. O elevador chegou, esperamos todo mundo sair e entramos. — Então eu e escolhemos o local! — concordou logo comigo.
— ‘Tá certo — aceita. —, mas escolham um local legal, por favor.
— Deixa com a gente! — fala e olha para mim, já rindo.
“Legal” ela quis dizer para quem?

Uma semana depois

— Eu não acredito que caí na lábia de vocês duas!
reclama assim que estaciono o carro perto do boliche novo, que abriu aqui pela vizinhança.
— Você queria que a gente fosse pra onde? — pergunto rindo da sua cara surpresa.
— Um bar? Boate? — ela lista.
— Ó, eu e pensamos aqui porque vai ser melhor pra conversar. — explico.
— E mais descontraído também. — completa. — Nem adianta reclamar, já avisei aos dois pra encontrar com a gente aqui. Vamos logo. — abre a porta do lado do passageiro e sai do carro.
Eu e fazemos o mesmo e continua no banco de trás.
, vamos logo, vou fechar o carro. — falo.
— Eu ‘tô arrumada demais, ‘tô com vergonha.
— Bom que chama atenção de um jeito bom — fala abrindo a porta pra ela sair e nada acontece. — , deixa de coisa, você ‘tá linda, vamos!
E, finalmente, ela desce do carro.
— Não parece estar muito cheio, né? — observa a rua e não tem muitos carros por perto.
— É bem o que queríamos quando marcamos numa quinta-feira. — dá uma piscadinha para nós. — Se isso não for legal, culpem a . — diz antes de abrir a porta do estabelecimento.
— Ei, não jogue a bomba pra mim! Ela amou a ideia na hora.
Entramos e ficamos um tempo admirando o local. Por fora parece ser um estabelecimento bem simples, mas por dentro era um pouco mais chique para um boliche. Ou vai ver só achamos isso porque tudo ainda estava novinho em folha.
— Eles já chegaram? Não ‘tô achando. — pergunta.
— Acho que são eles ali! — vejo um garoto loiro, e presumo que seja James, e outro do lado dele que parece muito com o Matt, perto do balcão onde fornecem os sapatos para jogar boliche. — Vão vocês duas na frente. — empurro e .
— Nem precisa falar. — pega pela mão. — Vamos, !
E disparam na nossa frente.
— Essas duas não existem. — ri.

STRIKE!
— Uhu! — grito logo depois de derrubar os dez pinos que tinha na pista. — Então, parece que ganhei a aposta. — aponto para o placar, para que todos da mesa vejam que eu ganhei. Admito que não sou uma boa competidora. Não sei se sou mais irritante quando ganho ou quando perco.
— Eu jurava que você era ruim no boliche, mas acho que confundi com a … — falou, sentada na ponta da mesa — Droga, agora a sua louça também vai sobrar ‘pra mim. Vou até pegar outra cerveja depois dessa. — ela deixa a mesa e me sento no lugar dela.
— Depois você vai me ensinar a jogar melhor, sou uma negação mesmo — ri envergonhada.
— Claro, . — pego um pouco da batatinha que ainda tinha no pote. — A gente pode vir mais vezes, tão perto da nossa casa.
volta com uma cerveja e puxa uma cadeira para sentar perto de mim.
— Voltando ao assunto que ‘tava antes da me humilhar na pista… — começa. — Como andam as inscrições pro Busted?
— Vão muito bem, melhor do que esperávamos — Matt fala animado.
— Já decidiram se vão selecionar um ou dois? — pergunta.
— Ainda não, mas acho que não vai ser a gente que vai decidir isso. — James explica.
— Se acharmos um que preste, já me dou por satisfeito! — Matt diz e repara na minha expressão, um pouco assustada. — É sério, já nos juntamos com outros caras e não deu. Parece até fácil, mas é difícil selecionar alguém que a gente não tem noção de como seja.
— Relaxem, não é possível que no meio de tanta gente, vocês não gostem de ninguém. — tento melhorar o ânimo deles. — Capaz de vocês ainda terem dúvida de qual escolher, com tanta opção boa que vai ter.
— Espero que esteja certa!

♫♪♫


: Eu deveria ter apostado sobre isso também naquele dia, né? Eu estava muito pé quente.

: Eu bem que sei. Depois disso, não apostei mais nada com a .

: Amiga, supera, foram só duas semanas lavando louça!

: Nós também pensávamos que nem a , principalmente depois que vimos a quantidade de inscritos para tentar uma vaga na banda dos meninos.
Não participamos da seleção, até porque, no final das contas, não tinha nada a ver com a gente.

: Aquele dia foi bem cansativo. Aparecemos no final do dia no Pineapple Dance Studios, por ordens do chefe, depois de uma entrevista na rádio e acabamos conhecendo os quatro escolhidos para um segundo teste.

♪♫♪


Londres, Outubro de 2001

Os testes para o Busted já tinham acabado quando terminamos nossa entrevista na rádio, pelo final da tarde. Assim que entramos no carro, recebemos uma ligação do Fletch pedindo para nos encontrarmos lá em Covent Garden, onde estavam acontecendo os testes.
— O que será que ele quer? — pergunta. — Parecia urgente?
— Ele ‘tá tranquilo, só disse que não tem tempo ‘pra uma reunião amanhã, por isso quer resolver logo hoje — explica depois de desligar a chamada com o Fletch. — Aproveitar que estamos livres agora.
— Espero que seja rápido, só quero chegar em casa, comer e dormir. — digo deitando no ombro da .
— Já já! — me consola —, mas o bom é que vou ver o James antes de ir ‘pra casa. — ri.
— Hm, temos alguém apaixonada? — brinco.
— Não é ‘pra tanto, .
Até onde eu soube, depois que saímos para o boliche, continuou conversando com o James e saíram algumas vezes depois.
— E você dispensou mesmo o Matt, né? — pergunta a .
— Sim, … Não rolou do jeito que eu pensava, não temos nada a ver.
Finalmente chegamos ao estúdio e a rua já estava deserta, diferente de como estava mais cedo, como James contou para . Seguimos a pelas escadas até o segundo andar daquele prédio. Ainda no corredor, encontramos James e Matt.
— Oi, meninas! — James fala assim que nos vê. Cumprimenta cada uma com um abraço e com um beijinho extra. Fofos.
— Vão falar com o Fletch? — Matt pergunta.
— Sim, ele ligou pedindo ‘pra gente dar uma passada aqui. — digo. — Cadê ele, por sinal?
— ‘Tá aí dentro com os quatro caras que escolhemos ‘pra um segundo teste. — James aponta para porta em frente.
— Ah, e como foi? Muita gente boa? — se anima, ainda abraçada ao James.
— Muita, foi difícil escolher, mas o pior vai ser agora, né, escolher entre eles. — James se vira para o Matt. — Podia ficar logo os quatro, fazia uma banda gigante.
— Cara, não viaja. — Matt ri.
Ficamos jogando conversa fora até, finalmente, Fletch aparecer pela porta.
— Então a gente se vê daqui a duas semanas! — ele diz para os quatro garotos enquanto saem da sala. Todos acompanhados de um violão e pareciam ter mais ou menos a nossa idade. Diferente do Fletch, que parecia estar um caco, os quatro pareciam bem animados para quem passou o dia em testes.
— A gente vai lá falar com eles, antes deles irem embora — James avisa e puxa Matt.
Só foi os meninos saírem que Fletch nos chama:
— Vamos, meninas, prometo que vai ser rápido!
— Ó aí, , ‘pra sua felicidade! — brinca, já entrando na sala.
Mas, antes de entrar na sala, sinto alguém cutucando meu ombro, me viro e vejo que é um dos garotos selecionados, um loiro e mais alto que eu.
— Você que é a ? — ele pergunta um pouco envergonhado.
— Sou eu! — sorrio.
— O James disse que eu podia pedir um autógrafo pra vocês — ele fala bem rápido — É ‘pra minha irmã, ela é fã de vocês… Se ela souber que vocês ‘tavam aqui e não consegui nada, ela vai me matar! — ele olha por cima do meu ombro — Eita, mas as outras já entraram, parece que o Fletch ‘tá com pressa.
— Ele sempre ‘tá com pressa, fica tranquilo. — me viro e vejo que as meninas me abandonaram mesmo. — Tem papel e caneta aí?
— Ah, claro, tá aqui — estende o que pedi. — Pena que eu não trouxe o cd, não sabia que vocês iam aparecer aqui.
— Em outros tempos, eu teria algumas cópias na minha bolsa, mas as meninas me intimaram a parar de andar com cd por aí. — reviro os olhos. — Então, qual o nome dela?
— Carrie.
— E o seu?
— Tom — ele responde —, mas não precisa de um autógrafo pra mim, só ‘pra minha irmã mesmo.
— Você não gosta da minha banda? — pergunto fingindo estar ofendida e, pela reação dele, ele leva a sério.
O garoto fica rosa de vergonha na hora.
— Não! Não é isso, a banda de vocês é muito boa. — ele começa a se explicar bem rápido e um pouco nervoso. — Só não queria tomar muito seu tempo.
— Relaxe, ‘tô brincando. — rio um pouco e foco no papel.

Carrie,
Seu irmão falou que você é fã do nosso trabalho, fico muito feliz!
Que a gente se encontre algum dia por aí :D
xx,

P.s.: Não acredito que o Tom não é fã da Younger, como você :(
Por favor, dê um jeito nisso! ;)


Assim que termino, Fletch abre a porta me chamando.
, estamos só te esperando. — fala bem sério.
— ‘Tô indo, já terminei aqui. — dobro o papel e entrego a Tom, junto com a caneta. — Prontinho.
— Valeu, mesmo! — sorri e percebo logo uma covinha no seu rosto — E desculpa te atrapalhar.
— Foi nada. — digo e escuto Fletch impaciente na porta. — Até mais, Tom.
— Até, !


Capítulo 3


Londres, Outubro de 2001

Nos últimos dias estamos tendo algumas folgas ou, quando temos algo, não preenche nosso dia por inteiro. O motivo de estarmos menos ocupadas assim é porque o Fletch está super ocupado resolvendo a seleção para o novo integrante do Busted e, pelo visto, os meninos também não tiveram mais descanso. Digo isso porque faz tempo que não sai com James ou que ele não aparece do nada aqui em casa.
Hoje é um desses dias livres e o único compromisso que eu tenho é cumprir a promessa que fiz a de começar a assistir Star Wars.
Sim, eu nunca assisti.
Julgamentos à parte, esse é nosso plano tranquilo para mais tarde. escapou porque provavelmente vai sair com o James e deixou um mistério no ar quando perguntamos se ela queria se juntar a nós, só falou que tinha outros planos…
Para fazer jus à folga, levanto da cama mais tarde que o habitual e desço para comer alguma besteira, só para enganar o estômago, até porque está perto da hora do almoço.
Não encontro nenhuma das meninas pela casa, presumo que também estejam aproveitando a folga e dormindo mais um pouco. Passo o café, encho minha caneca só com isso e volto para o meu quarto.
Ignorando a bagunça da minha mesa, arranjo um espaço para a caneca de café e ligo o computador para ver meus e-mails.
Assim que a página carrega, vejo um e-mail dos meus pais e outro de Caio, que chama minha atenção e logo abro para ler.

Assunto: Procura-se !

Oi, !

Tô mandando esse email porque faz tempo que você não manda notícias…
Fiquei preocupado em como anda a baixista mais famosa da Inglaterra do momento! Mas entendo que você deve estar bem ocupada com isso tudo.
Vejo muitas entrevistas com vocês pela internet, fico tão orgulhoso de te ver toda feliz nas fotos, junto com as meninas… queria estar aí e viver isso com você, você sabe, né?
Me manda notícias, tô com saudades!

Caio


Ele não é um fofo?
Eu estou mesmo há um tempo sem mandar notícias para ele, acho que parei de mandar e-mails logo depois que o CD foi lançado e ficamos super atarefadas com a divulgação, mas até antes disso, nós trocamos mensagens quase todos os dias.
E esse e-mail mexe comigo mais do que deveria, porque, sendo bem sincera, eu não percebi que fique esse tempo todo sem dar notícias ao Caio. Pode ter sido por eu estar ocupada? Poderia. Mas fico pensando se já não seria uma falta de interesse minha, no fundo. Claro que eu também sinto saudades, mas ao mesmo tempo não como antes, não sei se isso faz sentido.
Parece que aos poucos vou deixando para trás essa história que tive com ele.
Fecho a mensagem de Caio e marco como não lida para lembrar de responder mais tarde, não estou a fim de responder agora.
O café acaba e desço para cozinha de novo para pegar mais um pouco e encontro na sala vendo alguma besteira que passava na TV.
— Acordou agora? — ela pergunta dando um gole numa caneca cheia de café.
— Nada, esse café que você tá tomando fui eu que fiz. — sigo para cozinha e escuto ela vindo atrás de mim.
, vai fazer algo pro almoço?
— Não tô a fim de cozinhar nada hoje, pra ser bem sincera. — encho minha caneca.
— Ótimo, então você vai comigo lá no hotel que tá tendo o segundo teste pra banda dos meninos! — sorri.
— Ah não, . — reclamo já saindo da cozinha e ela me segue de novo. — Por que você precisa de mim pra ir atrás do James? — me sento no sofá e ela me acompanha.
— A gente precisa despistar o Fletch, ele já tava tentando arrancar algo do James sobre a gente.
— E o que é que tem o Fletch saber disso? — pergunto confusa.
— Você não escutou o que ele avisou pra gente naquele dia lá em Covent Garden? — continuo com minha cara de dúvida e ela prossegue — Que a gente não pode se envolver com eles?
— O quê? Mas que besteira… — solto uma gargalhada. — Eu não lembro disso. Que regra mais sem sentido.
— Ah! Você ainda tava lá fora quando o Fletch nos avisou sobre isso, porque viu a gente mais próxima dos meninos. — explica. — Acho que ele nem esperou você entrar porque só se importava em dar esse aviso pra mim… Cara esperto!
— Tá, então eu vou te acobertar nessa — ela vibra —, mas só porque achei muito sem noção essa regra!
— Ah, maravilhosa! — me abraça — Quando precisar, vou te acobertar também.
— Vou cobrar — bebo mais café. — Então, qual é o plano? Só chegar lá?
— Vai ser o seguinte: como ele tá mais ocupado hoje, a gente marcou de almoçar juntos.
— Eu vou ficar lá de vela? — era só o que me faltava.
— Não, . Vai ter mais gente, o Matt e mais alguém, esqueci quem ele falou. — pausa para o café. — A gente só precisa inventar algo pra falar com o Fletch, um motivo pra gente ir lá do nada.
— Você tá pirando, ele não vai nem se importar com a gente lá.

— Por que mesmo no dia de folga, vocês ainda me procuram? — Fletch pergunta assim que vê a gente na porta do auditório do hotel.
me olha com os olhos pulando de assustada e tento pensar rápido em algo.
— Fletch, a gente teve uma ideia sensacional pra um novo clipe. — digo com a maior empolgação possível, mas na verdade eu só quero me esconder depois dessa desculpa tão esfarrapada. balança a cabeça confirmando.
— Meninas, eu tô super ocupado hoje, vocês sabem — aponta para o auditório —, a gente pode falar sobre isso outro dia? Quero mesmo ouvir as ideias de vocês, mas agora vão descansar!
Ótimo, agora ainda temos que inventar algo para um clipe novo.
Estamos nos afundando na mentira, mas pelo menos essa agora deu certo.
— Desculpa atrapalhar, Fletch — fala enquanto tenta ver quem está dentro do auditório. — Vocês não vão parar pra almoçar? — olha o relógio.
— Caramba, é verdade! — exclama e entra no auditório, nos deixando sozinhas.
— Que desculpa péssima, … — fala se afastando um pouco da porta.
— De nada por estar te ajudando. — cruzo os braços. — Vai pagar o meu almoço, pelo menos. — intimo.
— Pode pedir o que quiser! — diz e beija minha bochecha.
Escuto uma movimentação dentro do auditório e um pessoal começa a sair. Logo vejo Matt, que vem logo ao nosso encontro e, em seguida, James sai conversando com o Tom. Lembro na hora da irmã dele que é nossa fã.
— Achei que não ia sair mais daí! — fala assim que James se aproxima. Noto que dessa vez os dois só se cumprimentam com um abraço discreto. — Vamos almoçar?
— Agora! Tô morrendo de fome, o Fletch esqueceu total da hora do almoço. — James esfrega a mão na barriga. — Nos acompanha, Matt?
— Hoje não, vou aproveitar esse intervalo pra resolver um negócio, volto já! — Matt já fala meio apressado e desaparece pelo lobby do InterContinental.
Nesse tempo todo, noto que Tom continua do lado do James e quieto.
Minha amiga nota também pelo visto e fala:
— James, apresenta a gente pro seu amigo.
— Ah, foi mal. — James apoia a mão no ombro do garoto — Tom, essa é a e a você já conheceu naquele outro dia. — e ele nos cumprimenta.
— O Fletch tá tirando vocês do sério? — pergunta.
— Um pouco… — Tom ri — Hoje tá mais puxado que no primeiro dia, mas acho que estamos indo bem. — olha desconfiado para James.
— Concordo! Assim fica difícil de escolher. — ele olha o relógio — Melhor a gente ir logo comer, nosso intervalo não é muito grande. — olha para .
— Então vamos logo, tô morrendo de fome. — ela puxa o James pelo braço — Boa sorte no teste, Tom! — antes de desaparecer com o namoradinho, ela sussurra no meu ouvido — Dá um tempinho pra gente. — e ainda manda um beijinho.
Eu só tenho amiga folgada, incrível.
Fui abandonada com o garoto fofo.
— Sua irmã gostou do recado que eu mandei? — tento puxar conversa.
— Nossa, ela amou! — ele parece bem contente. — Ela tá me devendo muito agora depois que consegui isso. — ri.
— Não acredito que você ainda tá se beneficiando com isso! — brinco — Coitada, cobrou dela como?
— Ainda não pensei em nada, vou deixar pra cobrar essa dívida depois… — fala pensativo — E ela tá fazendo bem o que você pediu, ela não para de botar o CD de vocês pra tocar pela casa! — ri.
— Ah, não acredito, que fofa! — digo — Mas espero que estejam gostando e não irritando a casa inteira, imagina?
— Fica tranquila que todo mundo gosta.
— Ainda bem — dou um sorriso.
Minha barriga só falta gritar pedindo por comida e percebo que já dei tempo demais para os pombinhos. Será que ele escutou?
— Você vai almoçar por aqui? — pergunto.
— Vou aqui perto, os caras combinaram comigo pra gente ir junto. — ele fala e olha ao redor procurando por eles. Acompanho e vejo uns três meninos perto da entrada do hotel. — Acho que eles estão me esperando.
— Ah, vá lá, então. — digo — E eu vou filar um almoço por conta da aqui. — aponto para o restaurante. — Ela tá me devendo uma, que nem a sua irmã.
— Já vai gastar seu trunfo? — ele ri.
— Não, não… — balanço a cabeça. — Isso já tava no trato. — Noto que continuam esperando ele na porta do hotel. — Melhor você ir logo…
— Espero que não me matem — exagera — Até, . — dá outro sorrisinho.
— Até! E boa sorte no teste.
Ele agradece e vai encontrar os outros candidatos. Já eu entro no meu papel de vela assim que chego na mesa onde está o casal.
— Achei que não vinha mais. — James fala assim que me sento na mesa. Ele e já começaram a comer.
Dou uma olhada para minha amiga e ela só gesticula um “obrigada”.
— Fiquei conversando com o Tom, gente boa, né? — falo enquanto olho o cardápio.
— E ele é bom, gostei dele, tava falando sobre os caras com a antes de você chegar.
— Acha que ele passa? — pergunta.
— Eu gostaria, mas não decido sozinho. — diz — Matt disse que lembra dele da escola, mas acho que não eram próximos.
O garçom chegou, pedi meu almoço e ainda uma sobremesa.
— Tenho direito à sobremesa também, só avisando. — aviso a .
— A senhora quem manda. — ela diz e manda uma piscadinha.
James olha confuso para nós.
— Ela me convidou pra almoçar, então ela quem vai pagar. — explico.
— Ah, justo. — ele concorda — Pediu o prato mais caro, né? — brinca.
— Eu até olhei qual era o mais caro, mas não é uma comida que eu gosto, infelizmente.
— Preciso lembrar de não te chamar mais pra almoçar no futuro, desse jeito eu vou falir. — se pronuncia.
É só não me colocar em furada.

A noite de filmes com a minha baterista favorita foi muito bem planejada. A pizza já está a caminho e a cerveja já está na geladeira. Mesmo que eu não goste do filme, pelo menos vou comer e beber bem. Estamos na sala, quando aparece toda arrumada.
— Como estou? — ela dá uma voltinha e balança o vestido preto.
— Garota, assim você mata o James! — aplaude. — Pra onde vocês vão?
— Ele disse que era surpresa. — sorri, mas logo parece preocupada — Espero que seja melhor que o canto surpresa de vocês.
— Agora sobrou pra gente! — falo — Admita que o boliche foi bem legal.
— Pra você que ganhou tudo, né. — disse e escutamos a campainha. Ela corre pra abrir, achando que é James — ! — grita — Pediu pizza?
— Sim! — pego minha carteira na mesinha do lado do sofá e vou para a porta. Pago e volto com a pizza, deixando a caixa na mesa de centro.
aparece na sala com duas cervejas e se junta a mim no tapete da sala.
A campainha toca de novo e dispara para abrir.
, você tá linda demais! — escuto a voz de James. — Acho melhor mudar o nosso destino.
ri e pergunta:
— Quer entrar?
Logo os dois aparecem na sala.
— Isso que é vida, viu. — ele comenta assim que nos vê no tapete da sala, de moletom, segurando uma fatia de pizza numa mão e uma long neck na outra.
— Nada como a noite chique de vocês… — fala — Vão pra onde?
— Surpresa! — ele responde.
— Ô, pombinhos — começo — não tô querendo me meter, mas não é arriscado vocês saírem juntos?
— Um pouco, mas a gente evita esses cantos muito movimentados. — ele explica — Vamos? — pergunta a e ela pega a bolsa que estava no sofá.
Eles já estão saindo quando lembro de uma coisa.
— James, espera! — me levanto e ele volta para sala. — Como foram os testes? Já escolheram alguém?
— Ótimos! Foi difícil, mas conseguimos escolher dois.
Só tive contato com um candidato, o Tom, será que ele passou? Espero que sim.
Fico na dúvida se pergunto ou não, certeza que e vão levar para outro lado.
— Ah! Que legal! — sorrio — A gente pode saber quem entrou pra banda ou é segredo?
— Eu poderia fazer um suspense, né? — ele cruza os braços — Até porque já sei sobre quem você quer saber…
não perde tempo e fala:
— A gente só conheceu um e foi aquele garoto loiro. — pausa — Qual o nome dele mesmo?
— Tom — respondo rapidamente e as meninas me olham. — O que foi? Eu só sei o primeiro nome dele e que a irmã dele é nossa fã. — me viro para James — Deixe pra lá, não precisa falar nada, não sou curiosa. — volto para o sofá.
Eu sou, mas vamos parecer superior.
— Já sei! — ele começa — Podemos sair amanhã e vocês conhecem eles.
— Boa ideia! — fala — Agora vocês escolhem o local.
— Vou pensar em algo legal. — ele olha o relógio — , melhor a gente ir logo.
— Vamos! Eu já tô morrendo de fome, tô quase pegando uma fatia da pizza. — ela diz e puxa James pelo braço. — Bom filme pra vocês duas! — grita antes de fechar a porta.
pega o controle remoto e se acomoda no outro sofá.
— Preparada pra ficar viciada?

A noite anterior foi longa e bem divertida com a e gostei tanto do filme que emendamos e assistimos mais um. Ela pode ter me viciado nisso? Talvez, mas ela não precisa saber.
Acordei há mais de uma hora e ainda não saí do quarto, continuo sentada na frente do computador desde a hora que levantei.
Mais precisamente, continuo sentada encarando o e-mail do Caio, sem saber o que responder.
Alguém bate na minha porta e entra em seguida.
É a .
— Bom dia, fofinha. — ela senta na minha cama — Achei que tava dormindo, vim pra te acordar.
— Ah, acordei faz tempo e tô aqui pensando em como responder isso. — aponto para o monitor. — Vem ver.
— O que foi? — pergunta em pé, já do meu lado. Lê rapidinho o que aparece na tela — Ah, que fofo! Você nunca mais falou dele, tava até estranhando.
— Eu falava muito?
— Falava algo, né. Agora, nada. — volta para minha cama — Responde logo, tem nada demais, você faz isso desde que a gente chegou aqui.
Continuo encarando a mensagem e pergunta:
— Você quer responder?
— Quero — pauso —, na verdade seria falta de educação não responder, né?
— É… Eu responderia. — ela começa — Conta o básico, até porque não teve muita novidade de lá pra cá. — ri um pouco. — A gente tá numa rotina. Uma rotina louca e diferente, mas é uma rotina.
— Hm, verdade.
— Responda logo e desça pra tomar café. — ela se levanta — Vou fazer panqueca de banana!
— Ah, então vou comer primeiro! — me levanto e ela já me empurra para a cadeira de novo. — Ei!
— Só depois! — diz e me dá um beijinho na bochecha — Te conheço bem e você vai ficar enrolando pra fazer isso. Te espero lá embaixo. — e sai do meu quarto.
Respondo a mensagem falando o básico do básico do que aconteceu nos últimos tempos, até porque como ele mesmo disse, ele está acompanhando as notícias sobre nós e conto um pouco sobre a nossa primeira turnê (e peço segredo). E só.
Acho que minha barriga roncando contribui um pouco para minha resposta ser tão curta.

♫♪♫


: Agora, relembrando o começo da banda, percebi que éramos comportadas demais. Não demos trabalho para o nosso empresário.

: Muito certinhas para tocar punk rock.

: Na frente das câmeras, sim. Infelizmente, nesse meio tudo é aparência e tínhamos que manter a nossa.

: Vou falar por mim, mas acho que vocês também tinham esse sentimento de estar pisando em ovos quando estávamos na frente das câmeras. Vai que a gente falava alguma merda.

: Garota, olha o palavreado!

: Agora pode falar, porra!

: Mas enfim, era bem isso mesmo, … A casa era nosso refúgio.

: O que acontecia na nossa casa, ficava na nossa casa!

♪♫♪


Londres, Outubro de 2001

, foi por isso que você sumiu ontem à noite, né?
pergunta assim que abre um embrulho de papel no centro da mesa e revela a erva que ela conseguiu.
— Tá louca? — fico surpresa com a quantidade — Pra que isso tudo de uma vez?
— É pra durar, viu? Não vou sair toda hora pra isso. — ela explica. — E quero aproveitar que finalmente temos uma cozinha só nossa pra fazer brownie com isso.
Realmente, a cozinha compartilhada na faculdade era a treva.
— Vai fazer agora? — pergunta animada.
— Hoje não… — ela pausa — Sem saco pra cozinhar hoje, ainda mais isso que é cheio de firula. — Sem mais perguntas. Vamos? — acende um incenso e deixa em cima da mesa.
— Eu tô assistindo muito That 70’s Show pra notar que estamos no nosso circle — digo quando noto como nos distribuímos ao redor da mesa de centro. —, mas neste tá permitido chorar e falar dos sentimentos! — faço uma cara de choro super falsa.
— Ah não! Sem lágrimas. — discorda — Se for pra ficar triste, eu bebo vinho.
— Dá pra adiantar, ? — fala impaciente.
— Só porque me apressou, você vai ficar por último. — e entrega o baseado para que está a sua esquerda — Vai com calma, garota, isso não vai fugir.

Um tempinho se passou e continuamos sentadas no mesmo local.
— Eita, esqueci de avisar pra vocês que os meninos vêm pra cá hoje. — joga essa novidade na roda e ficamos confusas na mesma hora. — O James perguntou se a gente podia se reunir aqui e eu disse que sim.
, que horas ele marcou? — pergunto.
— Hm, então, acho que umas sete. — pausa e fica encarando o relógio que tem na mesinha perto do sofá. — Pensei em pedir pizza quando eles chegassem.
— Marcou às sete? — fala assustada. — , já são sete horas! — pega o relógio e bota na mesa de centro.
— Eu só esqueci de avisar, calma. — e começa a rir. — O que é que tem?
— Essa sala tá fedendo, minha roupa tá fedendo… — se levanta e corre pra porta.
Ela escutou algo? Porque eu não escutei nada.
— Menina, relaxa, capaz deles se atrasarem. — fala e ela volta para a mesinha de novo. — E tá um cheirinho ótimo, deixa de besteira.
— Bem característico, né. — falo — Meu Deus, eles vão dedurar pro Fletch.
— É nisso que eu tô pensando! — grita, se levanta de novo e dessa vez a acompanho.
Começo a abrir as janelas e ligo mais outro incenso.
— Boa, amiga. — dá uns pulinhos e me abraça.
fica bem carinhosa nesses momentos.
, teu cabelo tá fedendo muito, ferrou! — me segura pelos ombros e diz bem séria. — Vai tomar um banho.
— Tá louca? Eu que não vou molhar meu cabelo agora, tá frio demais. — digo e reparo que sumiu. — Cadê a ?
— Cheguei com o que faltava! — ela aparece na sala com um violão. — Por que vocês estão abanando o ar?
— Acho que hoje não bateu bem nessas duas. — fala apontando pra mim e . — Estão achando que os meninos vão dedurar pro Fletch. — e dá uma gargalhada depois.
Eu não sei quem está pior.
— Vão não, relaxem. — se senta no sofá e começa a tocar algo que não reconheço de primeira.

Eu sinto sua falta
Não posso esperar tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre

Não diga que não vem me ver
De noite eu quero descansar
Ir ao cinema com você
Um filme à toa no Pathé


Skank! Que tempos que não escuto.
Que culpa a gente tem de ser feliz? Que culpa a gente tem, meu bem? — canto já deitada no sofá.
O mundo bem diante do nariz, feliz aqui e não além continua, mas a campainha toca e ela para na mesma hora. — Chegaram! — se levanta empolgada e deixa o violão no sofá.
— Porra, não abre agora! — reclama enquanto recolhe tudo que está jogado na mesa de centro — Deixa eu guardar isso. — e sobe as escadas correndo.
continua sentada no chão cantarolando a música e encarando um pôster qualquer que tem na parede da sala e sigo até a porta.
— Como que eu tô? — me coloco entre ela e a porta.
— Com uma carinha de sono, tá fofa. — ri e aperta minha bochecha.
— Poxa, me sinto melhor depois dessa. — falo sarcástica — Abre logo a porta, não tem mais jeito de melhorar mesmo. — e fico atrás dela.
Ela abre e lá estão eles. James e Matt logo na frente, Tom e outro garoto que não sei o nome atrás.
— Finalmente! Tava quase te ligando pra saber se tinha alguém em casa, demorou pra abrir. — James diz e se assusta com pulando no seu pescoço e dando um beijo.
— Você tá tão lindo hoje. — ela fica admirando o rosto dele entre as suas mãos e ele ri, envergonhado — Vem cá. — e puxa o garoto para dentro da casa.
Essa garota não perde tempo.
some com James e eu continuo escorada na porta encarando os três rapazes, devo dizer que especialmente os dois novos integrantes da banda. Eu não sabia nem o nome do outro além do Tom. Qual será o nome dele? Vem muito nome engraçado na minha cabeça e fico rindo sozinha.
?
Matt chama minha atenção e me volto para ele, mas para falar a verdade, quero continuar a supor nomes engraçados.
— Oi, Matt.
— Podemos entrar? — ele pergunta e escuto risinhos dos dois atrás dele.
— Ah, claro, desculpa. — abro mais a porta e eles entram — Sejam bem-vindos! — fecho a porta depois que eles passam.
, esse é o Tom e o Charlie. — Matt me apresenta os dois.
— Ele eu já conheço — sorrio para Tom, que retribui — Tudo bom, Charlie?
— Tudo tranquilo.
Chego na sala com os três no meu encalço e encontro e dançando forró juntas, mas não tinha música alguma, só consigo escutar as duas cantarolando alguma coisa.
— Meninas? — chamo a atenção delas — Estão com saudades de casa, pelo visto!
Escuto uns risinhos atrás de mim e elas parecem notar também, tanto é que param aquela péssima tentativa de dança.
— Sempre! Pena que não temos nenhum CD de forró. — fala e depois se atenta aos meninos e vai cumprimentá-los. Matt apresenta os dois para as meninas e nos acomodamos pela sala.
— Cadê os dois pombinhos? — pergunto a , sentada ao meu lado, já sabendo a resposta.
— Lá em cima. passou arrastando o James, que não deu nem brecha pra eu dar oi. — ri e todos acompanham.
— Deixa os dois. — se levanta — Agora que todo mundo tá aqui, vamos pra o que interessa: pizza. — pega o telefone — Tô morrendo de fome. Vão querer de quê? — pergunta para as visitas.
— Podem escolher, a gente come qualquer uma. — Matt responde.
— Então vamos de calabresa que ninguém discute. — decide e começa a discar para a pizzaria.
— E aí, como vai ser agora? — quebra o silêncio — Vão morar juntos que nem a gente?
— Capaz, mas o Fletch ainda não entrou nesses detalhes. — Matt responde. — Deve ser legal.
— Nem tanto… — faço uma cara feia para a .
— Que calúnia! — ela ainda leva a sério o que eu falo. — Não minta pra eles, morar assim junto é tranquilo.
— Eles sabem que eu falei brincando. E vai ser bom pra vocês se conhecerem mais. — digo e logo acrescento. — Quer dizer, vocês se conheciam antes?
— Eu só conhecia o Matt, éramos da mesma escola, mas não da mesma turma. — Tom explica.
— Ah! — tento continuar, mas me interrompe.
— Pronto! Tudo certo, oito pizzas a caminho! — anuncia e se senta ao meu lado no sofá, me apertando entre ela e .
— Oito? — me assusto e com razão. — , pra que oito pizzas?
, se você não notou, tem oito pessoas aqui. — ela explica super séria, mas aquele olho fechadinho não me engana.
— Sim, então vai ser uma pra cada? — não me aguento e começo a rir — Amiga, que conta foi essa?
— Uma conta super certa! — ela ainda tenta se defender.
— Não se preocupe, a gente dá conta — Matt diz e faz um hi five com os meninos.
— Ótimo, então vocês não vão se assustar com a gente. — diz para eles e depois olha para gente com um risinho no rosto.

Não demorou muito para a pizza chegar e o entregador, que já nos conhece, ficou um pouco assustado com a quantidade que pedimos essa noite, deu para notar pela cara que ele fez, mas não comentou nada.
Como se estivesse escutando toda a conversa que rolava no andar de baixo, o casal da casa apareceu assim que eu e colocamos todas as pizzas na mesa de centro. Matt estava certo, eles realmente deram conta de boa parte das pizzas, mesmo assim ainda sobraram algumas. Aceitável.
, que está sentada ao meu lado no chão da sala, é a primeira a se pronunciar depois de toda aquela comilança:
— Sabe o que seria ótimo agora?
— Ficar sentada aqui até meu corpo dar conta de toda essa comida — responde do sofá, onde também está a .
— Não, garota. — rebate — Brigadeiro!
— Ah, não… não fala de comida. — reclama.
Brigadeiro? — Charlie tenta repetir a palavra em português, mas sai tudo errado.
— Ei, eu quero! — James se empolga com a ideia.
— O que é isso? — Tom pergunta. Ele e Charlie continuavam perdidos na conversa.
— É um doce com chocolate. — James explica.
— Hm, um docinho cairia bem. — dá corda para .
— Faz pra gente, pede e me abraça de lado. — O seu brigadeiro é o melhor.
, não tem como alguém fazer um brigadeiro ruim. — rio.
— Ah, tem sim! — ela fala, rindo e apontando para . — Ela conseguiu essa façanha.
— Eu não vou nem me defender nessa história porque foi o cúmulo mesmo.
— Vai, , por favor. — faz uma carinha triste.
— Tá, tá certo. — ela acaba me convencendo e me levanto. — Volto já.
Já na cozinha, pego todos os ingredientes que preciso e uma panela.
— Hey! — Tom aparece na cozinha — Falei que vinha pegar água, mas na verdade só fiquei curioso sobre esse brigadeiro. — ri.
— Então venha aprender — digo e ele se aproxima. — É bem simples, não se iluda. — aviso.
— Melhor, mais chances de conseguir fazer sozinho. O que eu faço?
— Pode abrir essa lata — passo o leite condensado e o abridor. — enquanto eu pico o chocolate.
— Leite condensado e chocolate? Não fica muito doce, não? — ele pergunta enquanto abre a lata.
Era só o que me faltava.
— Como é, garoto? — olho séria e até paro de picar o chocolate em barra. — Olha, se eu contar isso que você falou pra , ela te mata.
— Não está mais aqui quem falou. — zipa dos lábios — Ó aqui — e estende a lata.
— Quer fazer sozinho? Fico te ensinando.
— Pode ser, só não me deixe estragar tudo. — ri, se apossando do fogão e da panela. — E agora?
— Manteiga — passo a colher para ele — e pode colocar essa lata de leite condensado todinha na panela.
Termino de picar a barra de chocolate e coloco na panela.
— Pronto, agora fica aí mexendo até eu dizer que tá pronto.
— Só isso?
— Só. — respondo — Fica ainda mais fácil se usar chocolate em pó, mas prefiro em barra
— Então é por isso que a prefere o seu. — ele deduz.
— Isso, mas se sair ruim, posso te culpar pra não acabar com a minha reputação! — brinco.
— Esperta — ri e continua mexendo o brigadeiro. — Isso é popular no Brasil?
— Demais! Tem em toda festa de aniversário. — falo e fico encostada no balcão da cozinha enquanto ele faz todo o trabalho.
— Ansioso pra provar.
Noto que ele só fica mexendo no meio da panela e me seguro pra não tomar a espátula da mão dele. , ele ainda está aprendendo.
— Tom, passa a colher pelos cantos também, senão vai queimar isso aí. — dou uma risadinha para não parecer tão chata.
— Eita, verdade, foi mal. — ele logo corrige — Eu não sou muito de cozinhar. — se explica.
— Dá pra ver! — brinco, mas com um fundo de verdade. — Quer que eu mexa agora?
— Não, não… — ele responde — Quero fazer tudo.
— Então, tá.
Ficamos em silêncio por um tempinho, só encarando o projeto de brigadeiro e deu para perceber a atenção que ele estava dando para os cantos da panela. Fofo.
— Como vocês vieram parar aqui em Londres? — ele pergunta, quebrando o silêncio.
— A gente veio pra fazer faculdade aqui — respondo —, mas os planos mudaram, como você já sabe...
— Ah! Ainda bem, ninguém merece faculdade.
— Eu gostava, não vou mentir — ele me olha espantado e perde o foco da panela — Tom, tá quase pronto, cuidado pra não estragar agora. — rio e ele volta a atenção para a panela.
— Foi mal, só estranhei porque eu não tô gostando de Stanmore, quero trancar o mais rápido possível, agora que passei pra banda. — ele explica. — Já tá bom? — aponta para a panela.
— Se ele se soltar da panela, tá pronto.
Ele parece confuso.
— Assim. — me aposso da panela e mostro como é. — Tá pronto! — desligo logo o fogo, antes que queime. Pego um prato grande no armário e deixo no balcão. — Só colocar aqui e deixar esfriar um pouquinho. Tá vendo que é fácil?
— É mesmo, acho que consigo fazer sozinho na próxima. — concorda, despejando tudo no prato. — Já dá pra comer?
— Só se quiser queimar a língua! Espera aí. — pego colher para todos da sala e entrego logo uma para ele. — Pode pegar logo a sua parte.
Tom tira um pouco do prato e, em seguida, faço o mesmo.
— Se estiver ruim, vou dizer pra eles que foi você que fez. — aviso.
— E se estiver bom? — pergunta com o ar convencido.
— Vou dizer que fui eu, óbvio! — respondo e ele solta uma risada muito gostosa.
— Tudo bem — ele aceita e, em seguida, prova o brigadeiro. Pela reação dele, acho que deu certo — Acho que teremos nosso primeiro segredo, isso tá muito bom!
— Se tá aprovado, vamos levar logo antes que a venha aqui atrás do brigadeiro. — me encarrego de levar o prato quente e ele, as colheres. Inclusive a minha, ainda cheia do doce.
Chegando na sala, deixo o prato na mesa de centro e Tom entrega uma colher para cada um, só que recusa, ela não aguenta comer mais nada depois de tanta pizza.
não perde tempo, enche sua colher e coloca tudo na boca.
— Porra! Isso tá muito bom. — elogia e bate palmas, ainda de boca cheia. Classe, não temos nesta casa.
— Obrigada, obrigada — agradeço e pisco o olho para o Tom, que está sentado do outro lado da mesa, com um sorrisinho cúmplice. — Eu sempre acerto, né?


Continua...



Nota da autora: Hey! Foi uma att de presente de natal atrasado, mas o que vale é a intenção. :D
Feliz ano novo e até a próxima!





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