CAPÍTULOS: [1]






Última atualização: 07/06/2017

Crying In The Rain...


Amor da minha vida, você não vê?
Traga de volta, traga de volta,
Não tire isso de mim,
Porque você não sabe,
O que isso significa para mim.”
- Love of my life / Queen

 

Estava tudo escuro, eu me sentia como se estivesse em um labirinto sem saída, mesmo que tentasse gritar minha voz não saía, sentia uma certa agonia ao meu redor. Uma sensação de perda e solidão tinha tomado conta de mim, correndo antes aqueles altos muros que me cercavam por todos os lados.

Foi quando uma luz forte surgiu diante de mim, minhas pálpebras pareciam pesadas, minha tinha uma certa dificuldade para respirar, aos poucos fui abrindo meus olhos. Minha visão estava embaçada, aos poucos comecei a ouvir o barulho contínuo como de um apito, tentei mexer minhas mãos, mas os músculos do meu corpo pareciam dormente.

— Oh, ela se mexeu. — disse uma voz feminina ao longe — Doutor, doutor…

Eu não conseguia compreender onde estava, o que estava acontecendo, não conseguia nem mesmo raciocinar e fazer meu corpo se mover. Meus olhos estavam semicerrados e logos os fechei novamente, sentia uma certa dor pela claridade do lugar, sentia que meus ossos estavam paralisados, estava me sentindo sem vida.

— Você tem certeza enfermeira Rose? — disse uma voz masculina grossa e firme.
— Sim, doutor Cooler. — confirmou ela.
— Precisamos de mais alguns exames, para ver como estãos suas atividades cerebrais. — disse ele.

Logo senti duas mãos tocando em meu pulso, me esforcei ao máximo para reagir aquilo, mas não conseguia sentir meus movimentos, até que meu dedo indicador se mexeu.

— Mexeu. — disse o homem.
— Eu disse, ela pode estar perto de acordar, finalmente. — disse a mulher.

Acordar?! Do que eles estavam falando?! De mim?!

Lutei novamente com meu corpo, parecia que ele não queria reagir ou obedecer meu cérebro, aquele esforço me fazia sentir uma dor leve do lado direito da minha cabeça, mas eu não me importava. Eu queria falar, queria ver, queria entender o que estava acontecendo comigo.

— Hum. — murmurei de leve mexendo novamente meu dedo indicador.
— Senhorita Miller. — disse a mulher pegando em meu pulso novamente — A senhorita consegue me ouvir?
— Hum. — murmurei novamente, mesmo com minhas pálpebras pesadas, abri meus olhos lentamente os deixando semicerrados novamente — Hum…
— Acordou. — disse a mulher — Doutor é um milagre.
— Parece que sim enfermeira Rose. — disse o homem.

Eu não conseguia vê-los perfeitamente, minhas vistas ainda estavam embaçadas, mas conseguia acompanhar os vultos que seus corpos faziam ao passar pela caridade. Acho que eu já estava conseguindo assimilar em que lugar eu estava, mas o que eu estava fazendo em uma cama de hospital? O que tinha acontecido comigo?

As horas foram passando e aquela mulher continuava a falar comigo, talvez fosse uma forma de estimular meu cérebro a trabalhar, fazer meu corpo reagir de alguma forma. Mesmo me sentindo um pouco cansada por me esforçar tanto para pelo menos minha visão voltar ao normal, eu continuava insistindo ainda mais em reagir aos estímulos dela, sempre fechando e abrindo os olhos, apertando minhas pálpebras, mexendo meu dedo indicador.

Chegou um momento em que eu nem sabia mais o que estava tentando fazer para que meu corpo reagisse, estava me sentindo como uma criança que não sabe nem o que é dar seus primeiros passos. Os monólogos que a enfermeira tinha comigo, para me estimular a reagir, se estendeu por mais alguns dias, a única coisa que me fazia ter uma percepção de tempo era a claridade da janela em minha face todas as manhãs.

Segundo aquela enfermeira eu precisava tomar um banho de sol, mesmo que pouco para que a vitamina D mantivesse meus ossos fortes. Eu conseguia perceber seus esforços para cuidar de mim, ela parecia uma boa pessoa, e muito apaixonada por seu namorado, já havia ouvido de longe algumas ligações que ela atendia no quarto.

— Hum… — murmurei um pouco tentando falar, aquela era minha centésima tentativa naquele dia, não imaginava que era tão complicado assim falar.
— Continue insistindo senhorita Miller. — disse ela.

Eu ainda não tinha recuperado minha visão por completo, mas estava enxergando melhor do que vultos, acho que poderia definir que aquilo era um borrão. Porém, menos que uma criança, eu ainda sentia que tinha voltado a ser um bebê, que lutava para aprender as primeiras letras da sua vida.

Dia, noite, sol, lua, chuva, vento, tempo…

Tudo se passava do lado de fora daquela janela, aos poucos eu estava evoluindo, conseguia enxergar com precisão, já estava falando um pouco melhor. Naquele momento o que me importava era que meu corpo estava reagindo bem, eu já estava conseguindo respirar sem a ajuda dos aparelhos, apesar de ainda não entender como havia parado ali.

Mais do que somente a fala e minha visão, eu estava recuperando também minha coordenação motora. Apesar de conseguir me manter de pé por pouco tempo, e ter falhado em tentar dar meus primeiros passos, para mim e para a enfermeira Rose, eu estava progredindo muito e poderíamos considerar aquilo uma vitória.

Entretanto, após dias que eu acordei e comecei a receber o tratamento de reabilitação com a enfermeira Rose, a pessoa com as possíveis respostas apareceu. Eu nem mesmo sabia quem era, ou não me lembrava, o doutor havia dito que eu poderia ter tido uma perda de memória repentina, devido ao meu trauma e ter estado mais de dois anos em coma.

Céus! Eu estava em coma. Como? Porque?

— Quem… É… Você? — disse ao homem que estava parado em minha frente.

Ele possuía uma olhar sereno, mas ao mesmo tempo intenso e fixo em mim, vestia um terno azul marinho, o que me fazia pensar que ele poderia ser alguém sério e responsável por mim.

— Certamente você não se lembrará de mim agora. — sua voz era suave e baixa, mas tinha uma certa firmeza — Mas um dia você me conheceu.
— Como? — perguntei.
— Em um dia de chuva. — respondeu ele.

Percebi que seus olhos se encheram de lágrimas, seu tom de voz passava uma certa amargura agora.

— Qual o seu nome? — perguntei a ele.
. — respondeu.
— Qual o meu nome? — estranho, mas também não me lembrava de quem eu era.
. — ele disfarçou e se virou para a janela, mas consegui ver que uma lágrima tinha caído de seu olho.
— O que você representa para mim? — insisti.

Ele era a primeira pessoa que estava me visitando, desde que acordei.

— Atualmente, nada. — respondeu ele continuando no seu tom de amargura — Mas gostaria que fosse bem mais do que isso.

 

“Você se lembrará,
Quando isso acabar,
E tudo ficar pelo caminho,”
- Love of my life / Queen

 

Dois anos e seis meses atrás...

 

Eu não conseguia entender o que estava acontecendo com ele, estava agindo estranhamente há alguns dias, o que vem acontecendo desde o dia em que uma mulher o gritou na rua. Eu não fazia muitas perguntas, porque não queria que aquilo se tornasse uma discussão séria, mas não deixava de estar preocupada com ele.

Estávamos a pouco mais de três anos juntos, desde que nos conhecemos na saída da estação, estava chovendo e dividimos o mesmo táxi. Eu gostava de me lembrar de quando eu o conheci, me faz gostar cada vez mais da chuva e de andar de metrô, mas as lembranças do passado feliz que construímos, estavam sendo sufocadas pelo nosso presente de pequenas brigas e respostas sem sentido da parte dele.

Cheguei várias vezes a achar que ele tinha outra em seu coração, mas sempre me assegurava que eu era a única mulher que ele tinha amado em sua vida. Triste ter que dizer, mas um relacionamento não se constrói somente de amor, apesar de sentir em seus beijos que ele falava a verdade, eu ainda sentia lá no fundo um aperto no coração.

olha pra mim. — disse novamente quando ele se virou para a janela — Me diga, o que está acontecendo com você? Com a gente? Eu estou desesperada e não sei o que pensar, sinto que está distante de mim.
. — ele me olhou — Pare de pensar besteiras, ainda sou o mesmo.
— Não. — levantei meu tom de voz — Você não é mais o mesmo, vive fugindo de minhas perguntas, desaparece por dias e depois volta como se não tivesse acontecido nada. — eu respirei fundo — Não responde minhas mensagens, trocou o número do seu celular, não atende minhas ligações, você poderia até dizer que estou louca e tentando te controlar, mas sabemos que não é isso.

Ele permaneceu em silêncio, talvez estivesse refletindo em minhas palavras.

— Quando você diz que me ama, eu sinto que é verdade, mas você não tem demonstrado isso, só quero entender por que. — senti algumas lágrimas escorrendo dos meus olhos — Eu só quero realmente sentir que você ainda me ama, porque você sabe que meu coração é seu para sempre.

Eu estava pronta para falar mais outras coisas, porém no impulso me agarrou pela cintura e me beijou com intensidade. Eu me odiava por esquecer todas as nossas brigas assim que ele me beijava, mas também me sentia completa em seus braços, sentia que não teria outro lugar para estar se não ali.

Suas carícias, seu toque, seu amor me aqueciam mais que o fogo de uma lareira, fazia com que eu sentisse que uma chama estava literalmente ardendo em meu coração, amar ele era tudo que eu mais desejava a todo momento. E me amar era tudo que ele demonstrava em seus beijos e carícias, eu conseguia sim sentir a verdade de suas palavras naqueles momentos de entrega entre eu e ele.

Mas sempre que achamos que nossa vida está estável, algo acontece para nos lembrar que somos pobres mortais sem equilíbrio e vida. Na manhã seguinte, depois de uma noite de completa entrega, sendo aquecida internamente e externamente por , eu acordei lentamente sentindo uma fresta de sol em meus olhos.

Virei minha face para o lado e ele não estava mais lá, achei estranho a primeiro momento, mas se tratando da forma em que ele vinha agindo atualmente. Me levantei da cama me espreguiçando e abri o guarda-roupas, o primeiro choque de realidade veio ao ver que as roupas dele não estavam mais ali.

Fiquei parado por algum tempo tentando processar aquela imagem que estava diante de mim, dei um passo para trás respirando fundo e me voltei para a cômoda, abri as gavetas e não tinha as coisas dele lá. Tentei não ficar apavorada, mas não conseguia, comecei a me locomover pelos cômodos daquele pequeno apartamento tentando localizar algum objeto que pertencia a ele, mas não obtive sucesso.

Até mesmo nossas fotos que estavam espalhadas pelos porta retratos haviam desaparecido, e eu já estava mais do que desesperada com aquilo, o aperto em meu coração havia voltado ainda mais forte. Me ajoelhei no meio da sala em lágrimas, chorar foi a única coisa que consegui fazer durante todo aquele dia e noite.

Eu já não sabia mais como o meu psicológico estava, o chão daquela sala havia se transformado na minha cama, eu não conseguia me levantar ou falar algo, não conseguia pensar em mais nada. tinha me dado uma noite maravilhosa e na manhã seguinte desaparecido da minha vida, sem deixar nenhum rastro que ele tinha entrado nela.

Eu estava tão estática após ter chorado continuamente horas e horas, que nem estava entendendo o que acontecia ao meu redor, até que voltei a mim e levantei meu olhar vendo o filho do síndico, agachado em minha frente me chamando pelo nome.

. — disse sussurrando, o chamando pelo apelido.
. — ele segurou em meu braço com cuidado e me ajudou a levantar — O que aconteceu? Você está bem?

Eu nem sabia o que responder, só olhava para ele, mas pensando em . Logo a mãe dele entrou e o ajudou a me levar para o quarto, eles insistiram em me perguntar o que tinha acontecido, porém nem eu mesma sabia a resposta ao certo. Me sentei no meio da cama, encostando na cabeceira e me encolhi abraçada as minhas pernas.

Eu estava pronta para ficar naquela posição por muito tempo até desidratar de tanto chorar, pelo menos essa era minha intenção inicial. Me desliguei de tudo ao meu redor, estava sentindo uma dor descomunal dentro de mim, como se meu coração tivesse sido arrancado de dentro do meu corpo.

Um vazio que me sucumbia a solidão, algo que me corroía e me fazia sentir sem vida, eu me recusava a acreditar que ele tinha partido daquela forma, depois de três anos de amor, depois de me jurar que eu era a única mulher em seu coração. Mesmo não sabendo o que tinha acontecido de fato, aquele aperto no coração me dizia que ele tinha me deixado de fato.

Eu que já tinha passado por tantas tristezas em minha vida, pela primeira vez desejava não sobreviver ao que estava acontecendo, desejava não me levantar e seguir em frente, só queria que abrisse a porta e dissesse que tudo não passava de um engano. Mas não foi o que aconteceu, e todos os meus cacos foram juntados com a ajuda da senhora Mary a esposa do síndico.

Ela era uma pessoa adorável, que me viu nascer e perder meus pais aos quatros anos assassinados após um assalto mal sucedido, ela tinha me acolhido como uma mãe e me adotado, assim eu não fui para o abrigo. Mesmo não querendo, eu sabia que ela não me deixaria sozinha naquele momento, nem ela e nem seu filho único.

A senhora Mary não permitiu que eu continuasse no apartamento, talvez porque todos os cômodos me faziam chorar pelas lembranças, de alguma forma ainda tinha um pedaço de ali, eu ainda sentia sua presença, seu cheiro. Não tive muita escolha quando ela e me arrastaram para o apartamento deles, a princípio me senti uma invasora, tinha me cedido seu quarto, enquanto ele dormiria na sala.

Mas em poucos horas tinha feito daquele pequeno quarto meu refúgio, sentada na cama, abraçada as minhas pernas e sem perspectiva até de pensar no que faria da minha vida. Ainda não conseguia nem explicar o que tinha acontecido, e fui salva por uma superficial explicação do senhor John, ao dizer que tinha visto sair com suas malas pouco antes do amanhecer.

As palavras dele veio de encontro ao meu coração como uma adaga afiada, o que eu implorava aos céus por ser mentira, estava quase confirmado. O senhor John teve uma breve conversa a sós comigo, tanto ele como eu sabia o mínimo possível de tudo o que aconteceu, mas ele tinha uma possível explicação para mim.

Uma carta deixava por na caixa de correio do meu apartamento. O senhor John me entregou-a fechada e selada, depois me deixou sozinha no quarto, fechando a porta.

Love of my life…

Me perdoe não ter coragem o suficiente para dizer, você sempre será a mulher da minha vida, a dona do meu coração…

Para sempre seu

Antes de terminar de ler, eu já sentia as lágrimas escorrendo pela minha face, mesmo sem força até para falar, meus olhos ainda conseguiam produzir aquelas gotas de sofrimento e frustração. Eu amassei a carta e fechei meus olhos a segurando com força, as lágrimas de dor começaram a se fundir com as lágrimas de raiva.

“Amor da minha vida, não me deixe,
Você tem roubado meu amor,
E agora me abandona.”
- Love of my life / Queen

Sentia raiva por não saber o que tinha acontecido, sentia raiva por ainda amá-lo e querer que tudo aquilo fosse apagado, sentia raiva por ele ter me deixado, sentia raiva por não ter forças para ir atrás dele. De repente meu choro foi silenciado por um abraço repentino, meus olhos estavam tão grudados pelas lágrimas que não conseguia abri-los.

Eu apenas soltei aquele papel amassado da mão e consenti aquele abraço, me aninhando nos braços da pessoa. Eu desejava me sentir segura no meio daquela solidão, mas mesmo aquele abraço sendo quente e caloroso, minha alma estava gelada pela dor de ser deixada, e meu coração estava sem vontade de bater.

Acho que tinha desmaiado de tanto chorar, ou de fraqueza por não conseguir comer nada, mas logo ao despertar, senti que minha cabeça estava apoiada no colo de alguém, a pessoa estava acariciando meus curtos cabelos. Abri os olhos lentamente, minhas visão foi tomando forma, era que estava zelando por mim, meu amigo de infância.

Seu olhar estava distante, talvez estivesse pensando em outras coisas, mas logo que me mexi e ergui meu corpo, seu olhar se voltou para mim.

. — ele continuou me olhando com a suavidade de sempre no olhar — Está tudo bem?
— Não. — sussurrei desviando meu olhar para o papel que estava aberto ao lado, ele havia desamassado e provavelmente lido — Como pôde ler, está tudo péssimo.
— Não diga isso. — ele deu um sorriso fechado — Pense que tudo vai se resolver.
— Ele não vai voltar, então não vai se resolver.
— Claro que vai, você ainda respira. — disse ele retrucando — Enquanto respirar, tudo pode se resolver.

Eu comecei a desejar parar de respirar, mas não poderia, não até entender o que tinha acontecido, não até obter respostas. Então, a solução era me manter respirando para encontrá-lo novamente e pedir, implorar para dizer que tudo era uma mentira e que ele ficaria comigo para sempre.

As semanas se passaram, aos poucos eu estava sendo forçada a sair do quarto de e pelo menos fazer as refeições junto a eles. Mesmo na maior parte do tempo confinada no quarto chorando, tinha a companhia do meu amigo, apesar dele sempre ficar ao meu lado em silêncio me vendo chorar.

Até que chegou o dia em que eu desmaiei, estava sozinho comigo em casa, ele ficou um pouco desesperado no início, após me levar ao hospital, voltamos para casa com uma notícia que tinha me deixado perplexa. Segundo a enfermeira, ela suspeitava que eu estivesse grávida, até aquele momento eu não tinha percebido, nem mesmo estava atenção às minhas regras.

Porém, agora que esta suspeita estava lançada, eu não me contive em vasculhar em minha mente, quando que teria sido a última vez de minha menstruação. Aí estava mais um motivo para que eu continuasse respirando, agora eu tinha um pedaço de dentro de mim, mais do que nunca eu queria encontrá-lo agora.

Depois de muito insistir, convenci a me ajudar, mesmo com as contra indicações médicas, pois apesar dos exames ficarem prontos somente em uma semana, eu já possuía uma lista de coisas que não poderia fazer. Uma delas era me cansar fácil ou ficar nervosa, como não estava me alimentando direito, minha saúde estava um pouco frágil e eu teria que cuidar da possível criança dentro de mim.

Eu comecei a procurá-lo pelos lugares que sempre íamos, depois em lugares que raramente frequentávamos, todos que nos conheciam não sabiam informações sobre ele, cheguei até ir no lugar onde ele dizia trabalhar. Acabei descobrindo o inimaginável, nunca havia trabalhado naquele lugar, pior ele nem sabiam quem era ele.

Eu voltei a estaca zero, como poderia uma pessoa desaparecer assim, como se nunca estivesse existido. Quanto mais eu insistia nessa busca, mais eu ficava com pena de que me seguia por todos os lados, mesmo que eu pedisse para que ele me deixasse sozinha, ele sempre estava lá ao meu lado.

Além de aguentar meus gritos noturnos por causa dos pesadelos constantes e minhas crises de choro que não tinham hora e lugar. Parecia tudo perdido para mim, porém na sexta ao sair do laboratório, onde havia pegado meu exame de gravidez, decidi voltar para casa pela estação com .  Ao sair do vagão do metrô, vi uma pessoa de relance que parecia com ele, eu me afastei de seguindo aquele homem.

Subindo e descendo as escadas da plataforma, eu ouvia me gritando logo atrás de mim, mas não deixaria minha atenção se desviar daquele homem. Por um breve momento de distração meu, o perdi de vista, o que me fez me enfiar na multidão e continuar correndo por todos os cantos.

Eu não deixaria passar essa oportunidade, quando cheguei na porta da estação avistei ao longe ele entrando no carro com uma mulher. Estava de costas, mas algo me dizia que era sim ele.

, você está bem? — disse ao me alcançar.
— É ele, é ele, tenho certeza. — disse mantendo meu olhar no carro.
, está começando a chover, acho melhor irmos para casa, você não pode pegar um resfriado. — disse ele pegando de leve em meu braço me puxando para dentro da estação.
— Não. — eu me soltei dele voltando para a porta — Não precisa me ajudar se não quiser, mas se me impedir, jamais vou te perdoar.

me olhou de forma estática, ele não tinha outra escolha a não ser me ajudar, ele segurou em minha mão e me guiou até um táxi, que oportunamente estava parado bem perto de nós. Com precisão o taxista seguiu aquele carro, o que parecia ser somente gotas finas, foi se transformando em uma chuva grossa e cheia de trovões.

Ao longe o carro parou em frente a um edifício luxuoso, ele saiu acompanhado da mulher e a seguiu entrando no lugar. estava relutante em me deixar ir sozinha, mas se eu tinha chegado até ali, precisava ir até o final, mesmo que isso me doesse no futuro. Saí do carro e debaixo da chuva caminhei até o edifício, assim que cheguei na portaria fui barrada pelo segurança.

— Me desculpe senhorita, mas este é um prédio de particular, não posso deixá-la entrar a menos que conheça um dos moradores. — disse ele desinteressado olhando para as minhas roupas molhadas.
— Senhor eu conheço este casal que acabou de entrar, por favor me diga se eles moram aqui!
— Ah, o senhor e a senhora Castellare se mudaram recentemente, porque? Ah, a senhorita é a nova empregada deles? — supôs ele desviando seu olhar para a chuva.
— Sim, sou, me pediram para vir hoje, mas não sei em que andar moram. — respondi de imediato aproveitando de sua suposição.
— Tudo bem, deixarei você entrar porque é a primeira vez, mas na próxima vou precisar do crachá de funcionária temporária. — disse ele.
— Sim senhor. — naquela altura do campeonato algumas lágrimas começaram a sair dos meus olhos instantaneamente, sorte que poderiam ser confundidas pelas gotas da chuva que escorriam pelo meu cabelo.

O homem apertou o botão do elevador de serviços para mim e esperou comigo, assim que entrei ele apertou o botão do andar e disse o número. Era um duplex na cobertura, daquele edifício que tinha somente sete andares, pelo que pude notar só tinha dois apartamentos por andar, um lugar de luxo e requinte.

Assim que cheguei ao andar e saí do elevador, caminhei lentamente pelo corredor até que cheguei em frente a porta, retirei o envelope com o resultado do teste do bolso, eu ainda não tinha aberto, estava idiotamente esperando para abrir na frente dele. Passei alguns minutos encarando a porta, estava sem coragem de bater e ao mesmo tempo controlando minhas lágrimas.

Respirei fundo, tinha que ir até o final, ergui minha mão e toquei a campainha. Esperei por um tempo ansiosa e tremendo de frio, minhas roupas molhadas já estavam fazendo efeito, meu corpo estava gelado. Então, ouvi o barulho da porta sendo destrancada e a maçaneta se abriu, não era ele.

— Sim?! Posso ajudar em algo?! — perguntou.

Diante de mim estava uma mulher, vestia uma lingerie vermelha que estava falsamente sendo tampada por um robe de tecido transparente. Meu corpo que se encontrava frio, ficou congelado e estático, não conseguia me mover ou até mesmo falar, nem meus olhos conseguiam se desviar daquela mulher.

— Querida, quem está aí?! — disse se aproximando dela por trás e envolvendo seus braços na cintura dela.

Foi neste momento que meus olhos conseguiram se desviar dela, meu olhar cruzou com o dele. estava tão surpreso e estático quanto eu, acho que me ver ali, era algo que ele jamais esperava acontecer. Senti que o clima de tensão estava no ar, dei um passo para trás ainda em choque, nem mesmo senti o envelope caindo de minhas mãos.

Assim que a primeira lágrima caiu de meu olho, me virei e saí correndo daquele lugar, sem nem esperar pelo elevador, entrei pela porta de emergência e desci as escadas o mais rápido que consegui. Ao longe eu conseguia ouvir a voz de me chamando, eu não queria mais nem que ele me dissesse que era mentira o que eu tinha visto, naquele momento eu só desejava desaparecer.

Assim que cheguei novamente ao térreo, passei pelo hall de entrada, no desespero acabei trombando no segurança e caindo. Demorei alguns instante para me recompor, estava chorando tanto que minhas vistas começaram a embaçar pelas lágrimas, assim que vi saindo pela porta de emergência e vindo em minha direção, me levantei e saí do edifício.

Parecia que um dilúvio estava caindo do lado de fora, porém tinha um lado bom, minhas lágrimas poderiam se fundir nas gotas da chuva.

! — gritou ele.

Meu corpo parou automaticamente, reagindo ao chamado dele, eu me virei e o olhei, meu coração estava destruído naquele momento.

! — gritou ele novamente vindo em minha direção.

De repente eu ouvi o barulho de alguma coisa sendo freada, quando olhei para frente uma luz forte tomou conta de mim, então senti um forte impacto de algo batendo em meu corpo, fazendo tudo ficar escuro e frio.

“Amor da minha vida, você me machucou,
Você partiu meu coração,
E agora você me deixou.”
- Love of my life / Queen

Atualmente...

A minha mente poderia até mesmo me enganar, não me deixando lembrar quem era ele e o que ele representava, mas lá no fundo o meu coração pulsava mais forte, de uma forma estranha que fazia com que eu sentisse que ele representava muita coisa para mim. Eu não conseguia desviar meu olhar dele, e o mesmo se aplicava ao olhar fixo dele para mim, era como um magnetismo que me estava me atraindo.

— Por que veio aqui? — perguntei, já estávamos a muitos minutos em silêncio somente nos olhando.
— Queria me certificar de que estava realmente bem. — respondeu ele.
— Sinto que é bem mais que isso. — retruquei tentando decifrar seus poucos gestos — A mente engana, mas o coração não.
— Apenas quero que fique bem, tenho desejado que acordasse a muito tempo.

Eu conseguia sentir sua angústia, apenas de observar as lágrimas formadas no canto dos olhos dele, como se estivesse com um grito preso em sua garganta, mas não tivesse forças para gritar.

— O que aconteceu comigo? — preguntei.
— Algo que não deveria ter acontecido. — respondeu ele de forma enigmática.
— Porque não está me respondendo com clareza? — insisti mais um pouco — Por acaso eu te fiz algo de mal no passado?
— Pelo contrário, você foi a melhor parte do meu passado. — ele se virou novamente.

De certo mais uma lágrima tinha caído de sua face.

— Esta será a última vez que me verá, mas posso te pedir uma coisa? — disse ele mantendo-se virado para a porta.
— Sim. — assenti sem entender.
— Me prometa que jamais deixará seu coração parar, sempre irá respirar e viver. — sua voz tinha traços de desespero e tristeza.
— Eu… prometo. — disse um pouco intrigada com o pedido — Mas, porque me pede isso.
— Porque… — ele deu dois passos até a porta e encostou sua mão da maçaneta — Eu só posso viver em um mundo em que você exista.

Sem que eu pudesse dizer mais alguma coisa, saiu do quarto. Eu ergui meu corpo, estava me sentindo estranha depois daquelas palavras dele, apoiei na barra da cama e tentei me levantar. A enfermeira Rose chegou naquele momento e correu para me segurar.

— Senhorita, o que faz assim?! — ela apoiou meu braço em seu ombro — Deveria estar deitada.
— Rose, quem era ele? Porque ele veio? — perguntei sentindo minha respiração ficar um pouco fraca, mas afobada — O que ele é para mim?
— Aquele é o senhor Castellare, ele tem vindo visitar a senhora todos os dias durante todos os anos que passou em coma. — respondeu ela me ajudando a chegar até a janela — Ele paga pontualmente todo mês a conta do hospital, e nunca permitiu que a entrada de outras pessoas ao seu quarto, os únicos que podem entrar sou eu e o doutor Cooler, mas apesar de tudo isso, eu realmente não sei o que ele representa para a senhorita, mas parece ser alguém importante.

Eu respirei fundo, erguendo minha mão abri de leve a persiana e olhei para fora da janela, logo avistei se aproximando de um carro, havia uma mulher o esperando. Não conseguia ver o rosto dela por causa da claridade do sol, mas podia ver como ele reagia as carícias dela, por um breve momento ele se beijaram.

No início achei estranho e desconfortável para mim, mas depois me lembrei de ter focado meu olhar na aliança em seu dedo por algumas vezes, talvez ela fosse sua esposa. O que me deixou confusa, ainda mais por ele ter dito de forma subjetiva que não viveria se eu morresse.

Naquele momento, eu o acompanhei entrando no carro com meus olhos, me lembrei do que ele disse, essa seria a última vez que eu o veria.

Então, tomei a decisão mais sensata para minha vida, eu até poderia me lembrar dele algum dia, mas lá no fundo havia uma coisas que meu coração estava me dizendo em concordância com meu cérebro.

Me diziam para esquecê-lo para sempre.

 

“Quando eu envelhecer,
Eu estarei ao seu lado,
Para lembrá-la, como eu ainda te amo.”
- Love of my life / Queen



The End!!!



Nota da autora:(07.06.2017)
Enfim, não sou muito boa escrevendo fics de drama, mas espero ter acertado desta vez também, espero que tenham gostado. *-*
Críticas, sugestões e elogios são sempre bem vindo!!! *-* Me desculpem qualquer erro de ortografia que tenha passado por meus olhos!!!
Bjinhos...
By: Pâms!!!!


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