Mixtape: Remember Me

Última atualização: 25/06/2018

 

 

Capítulo Único


— Vai ficar tudo bem! — Repito para mim mesma enquanto acaricio a mão de , tentando me acalmar, dizendo aquelas palavras como um mantra e olhando para o garoto que estava em coma.

5 anos atrás
Me levanto para virar o lado do meu vinil dos Beatles, quando ouço alguém bater na porta do meu quarto desesperadamente. Corro para abrir e me deparo com um emburrado e desapontado:
— A Alexa estava se pegando com a Louise embaixo da arquibancada. — Ele diz indignado entrando e se jogando na minha cama. Olho para ele tentando conter o riso:
— Você foi chifrado e descobriu que a sua namorada é lésbica, ou bi, ao mesmo tempo? — Solto uma gargalhada.
— Não tem graça . — Ele responde irritado com a voz abafada pelo travesseiro no qual ele enfiara a cara.
Me aproximo e sento ao lado dele fazendo carinho em sua cabeça, enquanto eu escutava chorar baixinho:
— Ei, , vai ficar tudo bem! — Digo calmamente.
— E o pior é que eu tava gostando de verdade dela, . — Ele diz fungando e colocando a cabeça no meu colo.
— Eu sei meu amor, eu sei. — Suspiro.
Hey Jude começar a tocar e lanço um sorriso para e canto junto da música:
— Hey, Jude, don't make it bad, take a sad song and make it better. — Pisco para ele e me levanto dançando e cantando junto com a música, e vejo rindo das graças que eu estava fazendo.

Atualmente
Acordo em sobressalto sentindo uma mão em minha cabeça:
— Ei, , relaxa sou eu. — Vejo , meu namorado, sorrir pra mim e tento sorrir de lado. — Como ele está?
— Na mesma . — Suspiro passando a mão pelo meu rosto e cabelo, numa tentativa falha de arrumá-lo. — Não melhorou, nem piorou, só está lá deitado. — Digo sentindo um nó se formar em minha garganta.
Ele me abraça forte e eu desabo chorando:
— Eu não deveria ter deixado ele voltar sozinho, ele é meu irmão isso não podia ter acontecido.
— Amor, nós não sabíamos que isso aconteceria! — suspira.
— A culpa é minha, eu devia ter insistido para ele voltar com a gente.
— Não é culpa de ninguém , simplesmente aconteceu, agora temos que torcer para que ele fique bem! — diz com uma voz suave tentando me confortar e me segura pelos ombros. — Vamos fazer assim, descansa mais um pouco, se tiver notícias sobre o eu te acordo, pode ser?
Concordo com a cabeça limpando as lágrimas.

Alguns meses atrás
— Anda logo ! — Digo gritando impaciente.
— Calma , não se apressa a perfeição. — Ele diz descendo as escadas e dá uma piscadinha.
— Eu vou ignorar que você disse isso. — Suspiro e sorrio. — O tá esperando a gente lá fora, então vamos senhor convencido.
Puxo pelo braço em direção do carro de , me jogo no banco de passageiro e sorrio para o meu namorado.
— Oi amor! — Sorrio e dou um selinho nele.
Ele aprofunda o beijo e depois separa sorrindo para mim.
— Com licença, mas , não era você que estava me apressando a 30 segundos atrás? Faço uma cara feia para e digo para o endereço da casa onde seria a festa.

***

— A gente vai se encontrar aqui daqui duas horas pra decidir se continuamos aqui ou se vamos para outro lugar! — Explico para . — Qualquer problema, se você não me achar, me liga ou me manda mensagem.
— Sim, Senhora — diz batendo continência — agora eu posso ir buscar minha bebida?
— Pode, mas não exagera porque eu não quero cuidar de ninguém hoje. Ele concorda com a cabeça e sai andando. Me viro para sorrindo e me aproximo colocando meus braços em volta de seu pescoço e o beijo lentamente.

***

— Vou buscar alguma coisa pra beber, , você quer? — Ele sorri e nega com a cabeça me puxando pela cintura me dando um selinho, e depois volta a conversar com alguns amigos.
Quando chego próximo da cozinha escuto gritos empolgados vindos do quintal. Vou na direção para ver o que acontecia e vejo um totalmente bêbado e ameaçando a pular na piscina, junto de uma multidão incentivando isso.
— Qual parte de não exagerar na bebida ele não entendeu? — Suspiro perguntando em voz alta para mim mesma.
pula e corro para ver o que aconteceu. Olho para o fundo da piscina e nem sinal dele emergir, apenas algumas bolhas indicavam que ele ainda estava respirando. De repente essas bolhas desaparecem e eu pulo dentro da piscina, puxando o menino para fora. Ele ri da minha preocupação e eu sinto o hálito de álcool exalar.

***

Encosto na porta do banheiro esperando se trocar com as roupas secas que eu havia entregue para ele.
O menino sai do banheiro com uma expressão confusa, volta para dentro e vomita. Espero ele terminar de vomitar, dou um remédio para ele e o deito na minha cama. Deixo um balde do lado dele e vou me deitar do outro lado. Quando vou apagar as luzes escuto a voz de :
, canta a nossa música? — O encaro confusa. — Hey Jude!
Sorrio e começo a cantarolar a música até ver os olhos do menino se fechando lentamente, e sussurro:
— Boa noite, .
Me levanto para a apagar a luz e deito ao lado dele, logo caindo no sono.

Atualmente
— Ele acordou, . — Escuto a voz de e me levanto rapidamente.

Algumas horas antes do acidente
— Você tem certeza que não quer voltar com a gente, ? — Pergunto encarando o menino e sinto meu namorado colocar o braço dele na minha cintura.
— Absoluta! — Ele responde sorrindo. — A minha casa é aqui perto, e além do mais não quero ver o casal de “melação”. Rio para e dou um abraço nele.
— Se cuida e toma cuidado com a avenida! — Alerto.
***

Acordo ouvindo meu celular vibrar, tiro o braço de de volta de mim, e pego o aparelho identificando o número da mãe de e atendendo.
, o foi atropelado! — Escuto a voz dela em prantos.
Ela me explica o que aconteceu e onde eles estão. Coloco a primeira roupa que vejo na minha frente e acordo explicando a situação.

Atualmente
— Eles me disseram que eu estou em avaliação ainda, que meu estado permanece grave, e que eu posso morrer. — explica para mim. — Eu tô com muita dor, mas acho que estou bem.
— Que bom ! — Tento sorrir e aperto a mão dele.
, nós podemos cantar a nossa música?
Concordo com a cabeça, tentando conter o choro, e inicio a música com a voz embargada.
Ao finalizar a música ele vira para mim com os olhos cheios d’água:
— Quando você quiser lembrar de mim, escuta essa música, me guarda no seu coração assim como eu vou te guardar no meu. — Ele suspira. — Lembra de mim quando você for ouvir aquele CD que nós montamos com as nossas músicas preferidas. Toda vez que você for tocar aquele seu violão roxo desafinado que eu te dei no seu aniversário de dez anos, lembra de mim. Eu digo isso porque tenho medo que você me esqueça. — Eu nego com a cabeça e desabo em lágrimas, e ele sorri. — Ei meu amor, não chora, você também tá sentindo, né? Sentindo que eu não vou ficar aqui por muito tempo. — Concordo com a cabeça. — Eu sempre vou estar aqui com você, , você sabe disso.
— Eu sempre vou me lembrar de você.




Fim.



Nota da autora:  Sem nota.



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