MV: Come Back To Me

Finalizada
Music Video: Come back to me - RM

Capítulo Único

O céu estava carregado de nuvens cinzentas, pesadas como as memórias que tentava enterrar. O vento cortava o campo com fúria, assobiando entre as árvores retorcidas, como se quisesse arrancar pelas janelas escancaradas tudo aquilo que ainda o prendia ao passado.
Da varanda da antiga casa, ele observava o horizonte enevoado, os olhos fixos em um ponto qualquer que não existia de verdade. Ali, onde os dias escorriam lentos como melado, o tempo parecia suspenso — mas nem mesmo aquela quietude forçada conseguia apagar o nome dela que martelava, teimoso, em sua mente: .
Fazia meses que estava ali. Talvez mais. Não contava os dias desde que escolhera sumir do mundo. Era como se sua alma tivesse entrado em modo de espera, e tudo o que havia antes — palcos, multidões, holofotes — tivesse sido colocado em pausa. Havia algo insuportavelmente cruel em ser desejado por milhões e, ainda assim, se sentir inteiro apenas num pedaço de passado que já não existia mais.
Ele a deixou ir.
Por medo.
Medo de quebrar tudo o que havia construído com esforço. Medo de que ela sofresse com a sombra constante de sua fama. Medo de vê-la se apagando aos poucos ao seu lado. Medo de perdê-la de um jeito ainda mais irreversível.
Mas ninguém o preparou para o que veio depois: o vazio.
Um silêncio que berrava. Um espaço ao lado na cama que nunca mais foi preenchido. A ausência dela, que se tornava presença constante.
Agora, ali, no frio daquela casa herdada dos avós — onde o chão rangia a cada passo e as paredes pareciam guardar sussurros antigos — ele finalmente entendia: não era a carreira o que ele queria proteger. Nem a imagem. Nem o controle. Era ela.
Ela foi o que havia de mais verdadeiro.
O cheiro de terra molhada entrava pelas frestas da janela, carregando lembranças de um tempo mais simples. Os quadros tortos nas paredes, manchados pelo tempo, pareciam observá-lo com um tipo de compaixão muda. Não havia Wi-Fi. Nem sinal. Nada que o conectasse ao mundo. Apenas ele, o som da chuva fina batendo no telhado, e uma saudade que roía por dentro como uma praga silenciosa.
Naquela manhã, no entanto, algo parecia… diferente.
Ao se levantar, ainda com os pés descalços e o café morno nas mãos, ele percebeu uma porta no fim do corredor. Aquela porta… ele jurava que nunca a tinha visto antes.
Era branca, com uma moldura sutil, discreta, quase apagada pelas sombras do lugar. A maçaneta de bronze, gasta pelo tempo, refletia a luz fraca que escapava pela janela. Seu coração acelerou sem motivo aparente, como se o corpo soubesse de algo que a mente ainda não conseguia entender.
Um arrepio subiu pela espinha, e ele hesitou.
— Que diabos…? — murmurou para si mesmo, com a voz rouca, quebrando o silêncio espesso.
Aproximou-se devagar, cada passo fazendo o chão gemer sob seu peso. Parou diante da porta. Encostou a testa na madeira fria, como se esperasse ouvir algo do outro lado. Fechou os olhos por um segundo. Respirou fundo.
E então, com um movimento lento, girou a maçaneta.

Porta 1 – A mesa onde o amor virou silêncio

A sala do outro lado era familiar… mas não era.
As paredes tinham tons quentes, quadros emoldurados que ele não lembrava de ter pendurado — cenas de família, rabiscos infantis, talvez desenhos da filha. Brinquedos estavam espalhados pelo chão, como se uma pequena tempestade de infância tivesse passado por ali e deixado alegria nos cantos. Uma luz amarelada filtrava-se pelas cortinas, aconchegante como o fim de uma tarde morna, carregando no ar o cheiro acolhedor de comida feita com calma, sem pressa.
No centro da mesa, ela.
.
Sentada com o corpo levemente inclinado para frente, o rosto sustentando um sorriso sereno, embora cansado. Ela olhava para uma garotinha de cerca de cinco anos, que balançava as perninhas com impaciência enquanto tentava, com garfo e faca, cortar uma panqueca teimosa no prato. Os cabelos escuros da criança caíam sobre os olhos, e o riso dela era cristalino, leve, tão doce que pareceu atravessar algo dentro de — uma melodia que ele nunca tinha escutado, mas que, de algum modo, conhecia profundamente.
ergueu os olhos para ele. Não havia surpresa neles. Nem choque. Era como se ele sempre tivesse estado ali.
— Vai sentar, ? — perguntou com a voz suave, mas marcada por um cansaço antigo, desses que não vem de um dia difícil, mas de muitos anos tentando.
Ele se aproximou devagar. Cada passo o fazia mais consciente do chão de madeira sob os pés, do som do garfo batendo no prato, do coração batendo em um compasso descompassado. O cheiro de comida caseira — algo com manteiga, talvez mel — encheu suas narinas e, por um momento, ele acreditou estar vivendo aquilo de verdade. A vida que escapou. A vida que ele deixou escorrer pelos dedos.
Sentou-se à mesa.
A menina levantou os olhos para ele, e um sorriso pequeno surgiu em seus lábios, com uma timidez que lembrava tanto que ele sentiu o estômago revirar. Aquela expressão — de quem quer sorrir, mas não quer admitir que está emocionada — era dela.
— Papai, me ajuda? — ela pediu, apontando para a faca com a segurança inocente de quem nunca duvidou que o pai estaria por perto.
pegou o talher com mãos trêmulas. A garganta apertada. A palavra parecia pesar uma tonelada quando saiu.
— Claro, filha.
baixou os olhos, escondendo o que havia neles — ternura… e distância. Aquela distância cruel entre duas pessoas que se amam, mas estão exaustas demais para lutar contra o tempo, a rotina, as frustrações não ditas.
Eles se amavam. Ele via isso. No jeito como ela servia o suco com cuidado, no modo como seus olhos seguiam a filha pela sala, mesmo enquanto falava com ele.
Mas o amor estava cansado.
Desgastado por noites mal dormidas, conversas interrompidas, jantares silenciosos e promessas que foram ficando pelo caminho. Como se, entre uma pequena crise e outra, eles tivessem se esquecido de continuar tentando.
pegou o copo d’água. Levou-o à boca, bebeu devagar, como se estivesse comprando tempo para fazer a próxima pergunta.
— Você vai chegar tarde hoje também?
A voz dela não era acusatória. Mas também não havia esperança na pergunta. Era uma constatação. Uma rotina.
não respondeu. Porque a resposta, de alguma forma, parecia sempre errada.
Porque, mesmo ali — dentro daquela cena perfeita — ele não sabia como segurá-la. Como ser o homem que ela precisava. Como estar presente, inteiro.
A menina terminou de comer, escorregou da cadeira com um pequeno salto e saiu correndo, rindo, arrastando um boneco de pelúcia pelo chão como se carregasse um amigo de infância. Os passos ecoaram pela casa até sumirem.
acompanhou a cena em silêncio, olhando fixamente para a porta por onde a filha havia passado. Só então seus olhos voltaram para ele.
— Às vezes eu me pergunto quando foi que a gente parou de conversar…
— Eu também — murmurou , antes que ela terminasse a frase.
Ela apenas assentiu, sem surpresa, como se já soubesse que ele pensava o mesmo. Como se aquela conversa já tivesse acontecido mil vezes em pensamentos não ditos.
E então, como uma onda que recua antes de afogar, tudo se dissolveu.
piscou. Estava de volta no corredor da casa de campo.

A porta branca agora estava fechada.
Mas ao lado dela, havia outra. Cinza. Com as bordas úmidas, como se estivesse chorando por dentro.
Ele se aproximou.
Respirou fundo.
E girou a próxima maçaneta.

Porta 2 – O lugar onde o amor ficou só dele

A maçaneta da nova porta estava morna. Como se alguém tivesse acabado de tocá-la.
parou com a mão sobre ela, sentindo o leve calor no metal. Por um instante, teve vontade de recuar. Já sabia que o que encontraria ali não seria simples. Nem leve.
Mas girou.
E entrou.
Foi recebido pela luz dourada de um fim de tarde em Seul — aquele tipo de luz que colore as coisas de saudade antes mesmo que elas terminem.
O ar estava impregnado pelo cheiro doce das flores de laranjeira. Havia o som de talheres, o tilintar suave de taças de vinho, conversas cruzadas e risos. Muitos risos.
Ele conhecia aquele jardim. Era o quintal da casa do . Mas tudo ali parecia maior. Mais vívido. Como se o tempo tivesse sido gentil com aquele espaço e tivesse deixado ali apenas o que fazia bem.
No centro do gramado, uma mesa comprida reunia várias pessoas. Pratos coloridos, frutas cortadas, flores frescas em jarros improvisados. A cena parecia saída de um filme.
E entre elas, ela.
.
Usava um vestido branco, leve, que dançava com a brisa. O cabelo estava preso de forma displicente, com algumas mechas soltas em torno do rosto — do jeito que ela sempre dizia odiar, mas que nele sempre despertava encanto. Ela ria de algo que acabara de dizer. Ria de verdade. Ria com os olhos fechados, com o corpo inclinado, com a mão pousada por um segundo no braço dele. Um gesto comum. Mas íntimo. Profundo.
sentiu o estômago apertar. O coração desacelerou, como se para não atrapalhar o que via.
! — chamou uma voz ao fundo, interrompendo sua imersão. Era , acenando. — Vem cá, cara! A tá contando aquela história da viagem de ônibus em Busan! Você lembra?
Ele não respondeu.
Os olhos dele estavam presos em .
Ela ouviu a voz de , virou levemente a cabeça, procurando a origem. Viu .
E naquele segundo, o tempo pareceu parar.
O sorriso dela vacilou. Só por um momento.
Depois, reapareceu — gentil, educado, quente o suficiente para ser cortês, mas frio demais para ser íntimo.
Ela acenou com a cabeça.
Como quem reconhece alguém querido... que ficou para trás.
caminhou até a mesa. Os passos pareciam pesar o dobro.
Sentou-se no canto oposto, longe o bastante para não invadir, perto o suficiente para observar.
passou o braço pelas costas de com naturalidade. Como quem faz isso todos os dias.
Ela não se encolheu. Nem sorriu. Mas inclinou o corpo para ele com familiaridade. Era um gesto de quem sabia exatamente onde pertencer.
sentiu os pulmões comprimirem.
Era isso.
Era ali que ela era feliz agora.
— Então, ... — disse , brindando com alguém do outro lado — eu jurei que você ia acabar com o !
Todos riram. Até ela.
— Quem sabe em outra vida, né? — A resposta veio rápida. Quase ensaiada.
Mas quando disse aquilo, ela olhou para por um segundo inteiro. Um segundo cheio de coisas que ficaram guardadas, atravessadas, não ditas.
E ele desviou o olhar.
Porque não podia segurar.
Sentiu-se pequeno. Um estranho na festa da própria história. Um eco de uma vida que não se concretizou.
Ela pertencia àquele lugar. Ele era só visita.
pegou um morango da travessa, mordeu distraída. Seus olhos brilhavam com a luz do sol. Seu riso preencheu o ambiente como uma melodia de domingo. E quis gritar.
Quis voltar no tempo, dizer o que não disse, ficar onde foi embora.
Quis ser o homem que a segurava, não aquele que a observava de longe.
E se?
E se eu tivesse dito que não queria perder você?
E se eu tivesse lutado mais?
E se eu tivesse escolhido você?
Mas ali, no meio de taças vazias, risos sinceros e toques que não eram dele, era tarde demais para e se.
Um passarinho pousou no galho da árvore ao lado, sacudindo folhas que tremeluziram à luz do entardecer. riu de novo, jogando a cabeça para trás.
E a risada dela, antes tão viva, virou eco. Depois, silêncio.
A mesa desapareceu. As vozes se apagaram.
A luz dourada virou sombra.
E estava no corredor outra vez.

Duas portas atrás.
Três à frente.
A próxima era vermelha.
E cheirava a dor antiga.
Ele fechou os olhos.
E entrou.

Porta 3 – As palavras que doeram mais do que o silêncio

respirou fundo antes de tocar a maçaneta.
Era fria.
Fria como promessas quebradas. Como mãos que já não se tocam.
Como adeus mal resolvido.
O metal gelado pareceu morder a pele de seus dedos.
Mas ele não recuou.
Girou.
E entrou.
O ar era denso, quase sólido.
A luz azulada que preenchia o cômodo não vinha do céu, mas de um abajur aceso ao canto, lançando sombras longas e tristes pelas paredes.
A janela estava entreaberta.
O vento empurrava as cortinas com delicadeza, como se tentasse levá-las dali. Como se até o vento soubesse que não era mais lugar para ficar.
conhecia aquele lugar.
Cada canto.
Cada rachadura nas paredes.
Era o apartamento que dividira com por alguns meses — meses que deveriam ter sido o começo de uma eternidade. Mas que acabaram sendo o prelúdio do fim.
Aquele não era o tempo real.
Era uma memória reconstituída pela dor.
E, ainda assim, parecia mais real do que o presente.
As vozes surgiram primeiro.
Não como lembrança.
Mas como eco de algo que ainda doía.
— “Não é só sobre a carreira, !” — sua própria voz explodiu, tensa, com frustração acumulada em cada sílaba.
— “Então é sobre o quê, ? Me explica, porque eu tô tentando entender há semanas!”

A cena se revelou como uma peça que já se conhecia o final.
estava de pé, perto da porta. Casaco nas mãos, as chaves tremendo entre os dedos.
O rosto manchado de choro — não aquele que grita, mas o que cansa. Choro de quem já lutou demais. De quem ainda ama, mas já entende que o amor, sozinho, não salva ninguém.
— “Você tem ideia do que é viver esperando por alguém que nunca chega inteiro?” — ela perguntou. Não gritou. Não exigiu.
Ela só... perguntou.
Como quem pede uma última resposta antes de soltar a corda.
O da lembrança — o que ainda vivia a cena — tinha os punhos fechados. O peito arfando.
Os olhos perdidos num ponto atrás dela, como se fugir da dor fosse possível se ele apenas não a encarasse.
O do agora — o que observava tudo — sabia exatamente o que viria. Sabia que aquele era o momento que ele nunca conseguiu esquecer.
Mas, mesmo assim, doía.
Como se fosse a primeira vez.
— “Eu nunca pedi pra você esperar. Eu só pedi paciência.”
— “E eu te dei, . Dei tudo. Até o que eu não tinha.”
Ela respirou fundo. As palavras pareciam pesar.
— “Mas chega uma hora em que a gente percebe: amor não basta.”
Silêncio.
Daquele que grita.
Que machuca mais do que qualquer palavra maldita.
o olhou.
Mas não era um olhar de despedida.
Era um olhar de memória.
Como se ela estivesse tentando guardar aquele momento. Mesmo que doesse.
Mesmo que fosse o último.
Ela viu o modo como ele mordia o lábio inferior — do jeito que sempre fazia quando estava prestes a explodir. Mas, pela primeira vez, ele não disse nada.
Então ela disse:

Aquela frase caiu no chão entre eles como um copo de vidro estilhaçado. Irreversível.
Ela não chorou ao sair.
Nem hesitou.
A porta se fechou atrás dela como o fim de uma música.
Sem bis.
Sem reprise.
O da lembrança ficou parado por alguns segundos.
Depois, caiu sentado no chão da sala.
As costas contra o sofá. As mãos entre os joelhos. A cabeça baixa.
Como se o corpo estivesse tentando proteger o coração.
O do agora se ajoelhou ao lado dele.
Quis segurar o ombro dele.
Quis dizer que tudo ficaria bem.
Mas não podia.
Porque não ficou.
— “Se eu pudesse voltar…” — sussurrou. Não para . Não para ele mesmo.
Para o vazio.
O tempo escureceu.
O apartamento desfez-se em poeira.
As cortinas pararam de dançar.
O vento cessou.
E o corredor o recebeu outra vez.
Silencioso.
Respeitoso com a dor.

Três portas abertas atrás.
Duas à frente.
A próxima brilhava suavemente.
Dourada.
Quente.
Era calma.
Serena.
deu um passo à frente. Depois outro.
E girou a maçaneta da próxima porta.

Porta 4 – O céu que os viu dizer tudo, tarde demais

Era noite quando atravessou a porta.
Mas não uma noite fria.
A brisa era morna, com cheiro de grama molhada e café recém-passado.
O chão sob seus pés era de madeira, e à sua frente, uma varanda aberta para o céu mais estrelado que ele já tinha visto.
estava ali.
Sentada num banco comprido, coberta por uma manta, com uma caneca entre as mãos.
Ela olhou para o lado e sorriu, como se já soubesse que ele viria.
— Demorou.
sentou ao lado dela.
Nenhum dos dois falou por um tempo.
O silêncio entre eles era confortável. Maduro.
Cheio do que não foi vivido, mas compreendido.
— Sabe —  ela começou, — eu sonhei com essa noite várias vezes.
— Eu também.
— Mas a gente sempre acordava antes dela acontecer, né?
olhou para as estrelas.
Se perguntou se aquilo era um sonho, uma lembrança, ou uma chance de fazer as pazes com o que nunca existiu.
— Você foi o amor da minha vida que não aconteceu. —  ele disse, quase como uma confissão.
— Não... Aconteceu sim. — respondeu, serena. — Só não da forma que a gente esperava.
— Você pensa nisso?
— Em você? Sempre!
Ela encostou a cabeça no ombro dele. O coração de doeu com ternura. Era como abraçar uma ausência viva.
— Se tivesse tido mais tempo... — ele começou.
— Não era o tempo, . Era a coragem. E a gente não teve. — Ela sorriu. E chorou. Um pouco de cada.
A caneca ainda fumegava. O céu seguia intacto.
— Eu te amo. — ele disse.
— Eu também. — ela respondeu. — Mas não precisa mais doer, tá? A gente se teve aqui.
Ele sabia que ela tinha razão.
Aquilo era a versão mais sincera que o universo podia oferecer:
um momento em que tudo foi dito — sem pressa, sem medo, sem futuro.
Somente eles.
E um céu cheio de estrelas, como testemunha silenciosa do amor que existiu em outra frequência.
A varanda sumiu devagar.
Como se o universo dissesse: “é hora.”
piscou.
Estava de volta ao corredor.

As quatro portas atrás dele.
E agora…
A última à frente.
Essa não brilha.
Não se abre com barulho.
Ela só existe.
Como uma escolha que sempre esteve lá — esperando ser feita.

Porta 5 – O fim de todas as versões

A maçaneta girou com leveza.
Quase como se o universo dissesse: “é sua vez, agora”.
cruzou a porta sem resistência. Mas o que encontrou do outro lado não era um cômodo, nem um cenário, nem uma lembrança.
Era… um instante.
Suspenso no tempo.
Como se tivesse entrado no intervalo entre um suspiro e outro.
O chão era feito de silêncio.
O ar, de lembranças que não pesavam mais.
Não havia paredes, nem teto. Apenas uma luz suave que parecia nascer de dentro dele mesmo.
Estava sozinho.
Pelo menos até ouvir passos leves, quase como dança.
surgiu.
Entre sombras e luz, como uma memória que finalmente ganhou forma.
Mas diferente das outras versões que ele viu… ela parecia completa.
Não sorria demais, nem sofria em silêncio.
Ela era presença. Inteira. Plena.
Usava um vestido azul.
Aquele que ele só via nos sonhos — ou talvez num verão antigo, num flash rápido de um clipe que ele mesmo escreveu e gravou, sem entender que estava tentando trazê-la de volta.
Ela o encarou.
Longos segundos que diziam mais que qualquer diálogo.
Depois, sorriu.
Um sorriso pequeno, quase cúmplice. Um sorriso que dizia: “tá tudo bem agora”.
— Você viu todas as versões, né? — ela perguntou, com voz de quem já sabia a resposta.
assentiu.
Devagar. Sentindo o peso de todas aquelas portas abertas atrás dele.
— E entendeu?
— Entendi... — a voz falhou. — Que nenhuma era suficiente. Porque nenhuma delas foi real.
Ela caminhou até ele.
Não o tocou. Mas chegou perto.
Perto o suficiente pra que ele sentisse aquele velho incômodo que sempre o perseguiu: ela estava ali, mas nunca totalmente com ele.
— Às vezes, , — ela disse, — o amor mais verdadeiro é aquele que a gente não teve coragem de viver.
Ele fechou os olhos por um segundo.
Porque doía.
Porque era verdade.
— Mas eu quero viver, — ele disse, quase como uma súplica.
— Então vai. — ela respondeu. Simples assim.
E começou a desaparecer.
Não com dor.
Com paz.
— Me leva com você — ele sussurrou, mais pra si mesmo do que pra ela.
Com a voz de alguém que perdeu e amou tanto que não sabe onde um começa e o outro termina.
, então, estendeu a mão.
E a pousou sobre o peito dele — bem onde o coração batia rápido, ansioso, vivo.
— Você já me carrega há anos. — ela disse, olhando nos olhos dele.
chorou.
Mas foi um choro calmo, aceito.
De quem, finalmente, compreendeu.
Quando abriu os olhos...
Estava só.
De volta a um estúdio.
O chão coberto por folhas amassadas, violões recostados nos cantos, um microfone em espera.
Era o mesmo lugar onde Come Back to Me tinha começado a nascer.
Mas agora… ele sabia.
Sabia exatamente de quem — de o quê — estava falando.
Levantou-se devagar.
Pegou o lápis.
E escreveu.
Como se estivesse pronto.
De verdade.
Pela primeira vez.
Porque estava em todas as versões.
Mas só no agora... ele decidiu viver.
Cantar.
Escrever.
Amar.
Por ela.
Por eles.
Por si.


Fim



Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Eu Ta, parece que eu desembestei no drama nessa leva de mvs, mas em minha defesa, era a vibe que eu tava no momento e todos eles (todos os 4 primeiros que eu escolhi kkkk) me remetiam esse cenário, então a culpa é fifty fifty kkkkkkk. Espero que goste e não esquece de comentar, ok?

ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.