Finalizada em: 18/08/2018
Music Video: Jay Park - Drive

Capítulo Único

pegou as chaves do carro alugado nas mãos da moça da locadora de automóveis, com um sorriso obsceno para ela. A mulher o acompanhou até o automóvel, e caminhando insinuante o desejou uma boa viagem ao abrir a porta para ele. piscou na direção dela, e deu partida saindo da loja e pegando a saída para a estrada. Havia chegado ao pequeno aeroporto de Phuket em algumas horas, e dali por diante só a estrada que o faria chegar ao seu destino: o Secret Cliff Resort (SCR). Normalmente, os turistas compram ainda no aeroporto, uma passagem de van para suas hospedagens na ilha. Mas, além de evitar as aglomerações, por ser famoso, queria apenas paz e tranquilidade em suas férias.
A ilha situada ao oeste da península da Malásia, banhada pelo mar de Andaman é considerada a maior da Tailândia. O hotel para qual decidira ir, estava em um local mais pacato. Afinal, o que ele buscava era um pouco de sossego. Inclusive, para compor com seu amigo que chegaria dentro de alguns dias. O Secret Cliff Resort mesclava o luxo e a simplicidade tropical. Obviamente, se aproveitaria da simplicidade tropical que a natureza compunha, mas, ao se tratar de apartamentos, escolheu a parte luxuosa do hotel.
Logo que chegou e fez seu check-in, os funcionários o receberam e levaram suas bagagens aos seus aposentos. tomou um banho, e dormiu. Estava cansado da viagem. Mais tarde, ele foi ao restaurante jantar e aproveitou as áreas noturnas do hotel. Há muito tempo não contemplava um céu tão estrelado como aquele. Ficou ali por tanto tempo, que mal dera-se conta do relógio marcando meia-noite.
No caminho de retorno para seu quarto passou pelo saguão, e observou uma mulher chegando para fazer check-in. Não visualizou o seu rosto, mas, seu corpo o chamara atenção. Era um corpo esguio e delicado, mas, que trouxera a ele uma sensação estranha. Imaginou como seria tocar aquela cintura tão próxima de si. Sacudiu a cabeça, a fim de afastar aqueles pensamentos tão tarados. Entrou no elevador rindo de si, e voltou ao quarto. Assistiu algumas programações até que o sono lhe retornasse.
Na manhã seguinte, se espreguiçou com um sorriso de felicidade por uma noite tão tranquila e, que há algum tempo não tinha. Escovou os dentes, e desceu para tomar café. Observou as poucas pessoas no restaurante, e imaginou que perda de tempo não era, dormir muito naquele lugar paradisíaco.
Começou o dia com uma massagem no spa do hotel, e assim que a massagista finalizou tudo, ele saiu em direção à piscina. Sentou-se ali na espreguiçadeira, e pediu um drinque enquanto aquecia o corpo, com o Sol farto da manhã.
Não demorou muito para que a mulher de corpo esguio surgisse na área da piscina. Ela foi até o outro lado e deixou suas coisas ali. Retirou sua saída de praia revelando o corpo sob o maiô elegante. , teve certeza que aquela mulher tinha algo proibido. Algo que mexia com seu instinto, e liberava uma adrenalina em seu corpo que só poderia significar uma coisa: perigo.
Ela entrou na água, de modo calmo como se ninguém a observasse. E sorria ladino, como um assassino observando a vítima. Quando o garçom surgiu trazendo o drinque de , a mulher enfim o notou. Num mergulho discreto, que ambos não perceberam, ela se aproximou da borda da piscina e emergiu. a olhou curioso bebendo seu drinque, e o garçom ajeitou sua bandeja dando atenção ao chamado dela.
— O que o hóspede bebe? – ela perguntou ao garçom se referindo à .
— Tropical Blue. Uma bebida à base de água tônica, frutas cítricas e anis.
— Me traga uma, por favor.
O garçom assentiu e saiu. sorriu para a mulher que o olhava, curiosa, recostada à borda.
— Me desculpe pela indelicadeza. Quando eu o vi, parecia saboroso.
Ela sorriu, de um modo para , muito atrevido. E novamente a injeção de adrenalina em seu corpo, alertava um perigo desconhecido.
É deliciosa, sim. – ele respondeu no mesmo tom provocante abrindo um largo sorriso depois.
— Qual o seu nome? – ela perguntou.
.
... – ela falou como se lembrasse de algo.
Sussurrou o nome dele, distraída em pensamentos, encarando-o e aquilo fez com que, ele abafasse um riso frouxo.
— Me reconhece? – ele perguntou.
— Não, nunca fomos apresentados.
— E o seu nome, qual é?
. – ela falou lentamente, como se o motivasse a se recordar daquele nome.
— Também não conheço nenhuma. Mas, é um prazer conhecê-la agora.
Eles sorriram, o drinque dela se aproximava, e a mulher deu impulso para sair da água. Seus gestos eram precisos e sensuais. Ela se levantou e pegou o drinque da mão do garçom, e pediu também uma toalha que logo foi entregue por outro profissional. Sem ao menos perguntar ao se poderia ficar ao lado dele, ela sentou-se na espreguiçadeira lateral e ali conversaram durante toda a manhã. Havia uma atmosfera sedutora, mas, muito confortável entre os dois. Como dois animais selvagens que se reconhecem, de um mesmo bando.
convidou-a para almoçar com ele naquela manhã, e os dois saíram da piscina para seus respectivos quartos. Ela pegou suas coisas, que havia deixado do outro lado da piscina e acompanhou no caminho para o elevador. Quando chegou ao próprio andar, ele descobriu que estava no quarto ao lado do seu. Ele poderia jurar que aquele quarto estaria ocupado por outro hóspede dentro de alguns dias. Mas, certamente estava enganado.
vestiu um short jeans, e um body confortável, com uma jaqueta masculina. , vestiu uma camisa branca, calça branca e uma jaqueta jeans branca. Depois que os dois, em seus respectivos quartos, haviam se arrumado, eles encontraram-se no corredor e seguiram juntos até o elevador. deu passagem para entrar primeiro, e ao notar o escrito "Alaska" nas costas da jaqueta que ela vestia, ele parou imediatamente.
— O que foi? – ela perguntou percebendo a confusão exprimida na face dele.
— Sua jaqueta. Meu amigo tem uma igual.
sorriu, e puxou pela mão para que ele entrasse no elevador. O rapaz ainda olhava para ela tentando recordar, de algum fato que explicasse aquela sensação de perigo que ele sentia ao estar perto dela.
— Não é a única no mundo, não é? – ela falou sorrindo divertida.
— Não tenho certeza, mas, acho que é sim…
— Oras, imagine! – falou zombeteira — Isso prova que seu amigo tem bom gosto.
encarava , e sorria, numa tentativa de despreocupa-lo quanto a si. Ela sabia que o rapaz estava incomodado com a sua presença.
— É... Ele tem estilo. – respondeu.
— E você ? Tem bom gosto?
A voz de soou sedutora e baixa, e sorriu discreto. Não conseguia conter o olhar desafiador e pequenino. Ela espalmou o tórax dele, ainda à espera de uma resposta e calmamente, com um sorriso atrevido o empurrou para a parede do elevador. abaixou a cabeça rindo, quando notou o jogo da mulher.
— Demorou muito para responder . Eu terei que descobrir sozinha…
Dito aquilo, invadiu a boca dele. Era precisa em seus toques e muito delicada. não resistiu: puxou-a pela cintura sentindo o corpo dela próximo. Era de fato a sensação que ele imaginou quando a viu no saguão. Uma cintura tão fina, e tão sinuosa, que lhe fazia desejar percorrer suas mãos por todo o corpo dela.
Ouviram a campainha do elevador indicando o fim daquela "viagem", e separaram-se sorrindo e saíram dali em direção ao restaurante.
, no que você trabalha?
— Eu sou modelo. E você?
— Não sabe o que eu faço? – ele ria surpreso — Isso me decepciona um pouco...
— Você é cantor? Tem pegada de rapper.
— Já saiu com rappers?
— Você é um?
Eles riram, e mordeu os lábios, naturalmente. Ela mexia com os instintos dele.
— Eu sou.
— Eu sabia. Já, saí com dois contando com você.
— Hm... E quem era ele?
— Chega de falar de mim, vamos falar de você. O que te trouxe ao SCR?
— A excelente hospedagem rodeada de uma natureza impecável.
— Ok! Pergunta malfeita... O que te trouxe à Ilha de Phuket?
— Tranquilidade. Estou de férias, e gosto de sair da zona de agitação.
— Entendo...
— E você?
— Um pouco disso.
— Um pouco disso? Qual o motivo principal, então?
olhava-o pensativa numa resposta, mas, o garçom chegou com seus pedidos e logo ela desviou o assunto. Ao terminarem de comer, pagou a refeição e ela não contestou em momento algum. Apenas levantou-se junto a ele e subiram para seus quartos. Quando estava na porta do quarto dela, disse:
— Entre, e se arrume para sair. Vamos dar uma volta.
Nem ao menos aguardou ela responder. Ela ficou brava com aquilo, afinal, quem ele pensava que era para falar daquele jeito, sem nem ao menos perguntar se ela queria sair? Ela não admitiria que ele desse as cartas.
Quando terminou de escovar os dentes, saiu do quarto e bateu na porta dela. E ela não atendeu. Bateu novamente, e ela não atendeu. Aquilo estava o irritando. Ela daria um fora nele?

Pov’s

Se ela achava que eu ficaria batendo à porta do quarto dela, até ela atender estava muito enganada. Mulher maluca.... Me virei para sair dali, e quando estava quase ao elevador, ela abriu a porta me chamando:
— Você não disse que iríamos sair? Aonde vai sem mim?
— Você não atendeu.
Ela caminhava tranquilamente até mim, olhando-me com desafio e, acho que posso dizer, irritação.
— Eu estava me arrumando.
Olhei para ela de cima à baixo, e não havia nada diferente. Pensei em falar que "não havia nada arrumado para demorar tanto", mas, seria grosseiro. Apenas sorri de lado e assenti silencioso.
— Ok. Eu fiz um pouco de charme. – ela confessou rindo.
— É eu sei. Mas, não sou o tipo de cara que corre atrás.
Antes que ela abrisse a boca para reclamar, eu continuei o meu caminho até o elevador. E ela me acompanhou.
— Você é bem marrentinho.
— E você, atrevidinha.
— Gosto de me atrever. Gosto da adrenalina.
Foquei naquela fala, e naquele sorriso convencido no rosto dela. Ela empinava o nariz e andava como rainha. Sentia que o mundo girava em torno dela, era delicada e fugaz.
Quando o elevador começou a subir, me coloquei à frente dela. Olhei dentro daqueles olhos, surpresos e divertidos. Com cuidado toquei o corpo dela, e abracei sua cintura. Com uma das mãos em seu rosto puxei sua nuca, e encontrei sua boca. Meu beijo – embora eu estivesse sedento para fazer outras coisas com ela bem ali – era um beijo calmo. Respeitoso, afinal, ela merecia aquilo. Mas, não era uma mulher de meios termos, ao que me pareceu. Ela retirou a minha mão que estava em sua cintura, e levou à sua bunda. E eu fiquei estático. Não esperava aquilo, e ela riu da minha reação. O elevador parou antes do andar em que iríamos descer, e nos ajeitamos rapidamente. Outra hóspede entrou e e eu sorríamos cúmplices e calados.

Pov’s Off

Quando chegaram ao saguão, pegou a mão de , mas, a mulher imediatamente soltou. Ela não o encarou, apenas agiu naturalmente. Ele não entendeu o motivo, mas, também não falou nada. Continuou o caminho para fora do hotel, em direção à saída para uma trilha.
— Nós vamos à praia?
— Eu ainda não conheci, e imagino que você também não.
— É, não tive tempo ainda...
— Então, conheceremos o paraíso de Phuket juntos. – ele riu com o trocadilho da frase e o nome do lugar.
Own, .... Isto soa muito romântico para um rapper como você.
— Um rapper como eu? O que sabe sobre mim para me subestimar desse jeito?
— Não estou subestimando, apenas.... Não acho que você seja o tipo de rapper que vive um personagem.
— Mas eu sou.
— Então você é mesmo, romântico?
— Não me olha desse jeito, eu ainda sei, como ser um cara mau.
mordeu os lábios sorrindo, e se colocou à frente de o impedindo de andar:
— Então me mostra! – ordenou provocante e urgente.
— Hey, se controla garota. Eu não tenho porquê ser um cara mal com você...
continuou andando olhando-a por seu ombro.
— Ainda... – ele falou depois de um tempo.
Ela sorriu, e voltou a caminhar lentamente. Sem pressa de alcançá-lo. Passaram por aquela trilha planejada, repleta de plantas, coqueiros e arbustos tropicais e enfim chegaram à praia. Não estava muito cheia, poucas pessoas voltavam de seu passeio. Alguns hóspedes sós, e um casal. aproximou-se da água do mar, e retirou seu chinelo – que após o almoço havia trocado – sentindo a água fria tocar seus pés. parou ao seu lado, um pouco depois e também molhou os pés no mar.
— Você tem namorada, ?
— Não. – respondeu óbvio: — Do contrário não estaria aqui com você, não é?
— É... Claro... – a mulher ficou silenciosa contemplando o mar.
encarou-a discreto, e estranhou a reação dela. Então chutou água em cima dela, o que a fez sair de seus pensamentos e gritar. Os dois jogavam água um no outro, riam e corriam. Quando alcançou ela, em sua brincadeira de corre-corre, jogou-a na areia caindo por cima dela.
— Hora de ser um cara mau. – ele disse sem nem dar tempo de resposta à .
Ela beijou-o e deixou que passeasse com as mãos por todo seu corpo. E aproveitou-se dele também. A praia de Phuket era muito procurada para turismo sexual, e sabendo daquilo, não se importou em retirar a roupa de bem ali, sob o fim de tarde naquela praia.
— Ei, ei, não queremos confusões por atentado ao pudor, não é? – ele sussurrou no ouvido dela, descendo beijos pelo seu pescoço.
— Não tem ninguém aqui, e não é como se não fosse permitido. – ela respondeu.
— Já que quer tanto... vamos para o meu quarto.
Antes que reclamasse, se levantou vestindo sua camisa aberta, que a garota havia tirado. E ela revirou os olhos, contrariada. Ele riu da reação dela, e ajudou ela a se levantar. No caminho de volta, caminhou à frente reclamando:
— Você não sabe se divertir, !
Ele riu e os dois retornaram ao hotel. Em seu andar, puxou para dentro de seu quarto, e a mulher ria alto. Ela era divertida e ele gostava daquilo. Retirou suas roupas e jogou-se sobre , caindo ambos na cama. A garota sorria apalpando o corpo dele, com desejo selvagem. E não esperou agir, para ela mesma retirar suas roupas. Girou-se sobre a cama e por cima de torturou-o com suas mordidas, movimentos e frases obscenas.

--- x ----

07:45 am.

Quando acordou de manhã, nu em sua própria cama, abriu os olhos, surpreso por se perceber sozinho. Ela havia ido embora? Ele riu tampando o rosto, contrariado. Aquela mulher estava o deixando cada vez mais instigado. Olhou em volta e as almofadas e lençóis espalhados no chão, denunciavam a orgia da noite anterior. Aquilo foi uma verdadeira adrenalina. era mesmo, insaciável. Ele se levantou para tomar banho, e descer ao café da manhã.
Quando a camareira bateu à porta do quarto, saiu enrolado na toalha. Ele abriu a porta no momento em que a funcionária passaria seu cartão magnético.
— Oh desculpe senhor. Bom dia. Volto para limpar em outro momento.
— Não, não. Por favor, eu já estou de saída. Entre.
A mulher estava bastante sem graça, com aquela cena, apesar do costume. pegou suas roupas e foi trocar-se ao banheiro. Antes de sair do quarto, disse a camareira:
— Me desculpe pela bagunça.
— Tudo bem senhor, é o meu trabalho.
Sorriu para ela, sem notar o quão corada ela ficou, e desceu.
No restaurante, enquanto sentava-se à mesa com todo seu café servido, o celular de tocou.

— E aí, ! Está por onde?
— Fala , estou no café da manhã. Chegou quando?
— Esta manhã. Já vou descer, estou só terminando de me arrumar.
— Até mais, então.

não esperaria . Ele estava com fome demais para ser educado com o amigo, que por sua vez, invade sua casa e assalta a geladeira, sem qualquer rodeio. Quando surgiu, ele se levantou o cumprimentando e os dois puseram-se a comer.
Conversaram sobre a viagem, a chegada e sobre o que havia feito antes que ele chegasse. Mas, ele decidiu não falar nada sobre , por enquanto. Do jeito que era, provavelmente iria até o quarto da garota constrangê-la.
— Vamos! A primeira coisa que eu quero fazer é mergulhar no mar! – disse se levantando da mesa de café.
E os dois caminharam pela mesma trilha, que fizera no dia anterior. De modo discreto, observava se estava pelos locais onde passavam, mas, nenhum sinal dela. No caminho para a praia, estava eufórico com seus planos:
, estou com um planejamento foda de álbum para a próxima produção.
— Ótimo! Eu prevejo que essa estadia vai nos trazer excelentes inspirações.
o encarou sorrindo, de modo sacana.
— O que você anda aprontando, hein?
— Nada. Mas, olha para este lugar! Não tem como, não ficar inspirado.
— Sei... Para com essa conversinha mole, e vamos para a água.
retirou sua camisa e correu em direção ao mar. o seguiu, um pouco depois de observar o perímetro da praia. Onde estaria? Será que ainda estava em seu quarto?
e retornaram para o hotel, um pouco antes do horário do almoço. Havia próximo ao caminho da trilha, uma passagem que servia de atalho para os dormitórios. Eles deram a volta por ali, e subiram as escadas.
! – sentou na escada e puxou o telefone para mostrá-lo algo.
— O que foi?
sentou ao lado do amigo, e olhou para o celular dele.
— É ela. A garota que eu te falei.
— Ela.... É a sua nova namorada?
não podia acreditar na foto que estava vendo.
. Uma gata, não é? – dizia orgulhoso — Ela já está aqui. Não se viram?
— Vi. Vi sim...
não conseguia formular palavras, ou disfarçar sua surpresa. Ele sabia que havia algo errado naquela mulher. Deveria ter seguido aquela voz dentro de si que gritava "perigo", toda vez que a mulher surgia. A maldita adrenalina estava lá, o alertando daquilo.
— Ei, ei, para de babar na minha garota, cara!
brincou, e ao ouvir aquilo fechou os olhos irritado consigo. Se tinha algo que ele tinha feito era babado na garota do amigo. Literalmente. começava a desconfiar da reação dele, então sorriu para o amigo dizendo:
— É eu vi ela chegando, e ontem ela estava na piscina.
— Ela sabia que você estava aqui, eu contei. Falei para ela te procurar e se apresentar. Ela não falou contigo?
— Não... – começava a se irritar com .
— Ela é tímida. Mas, bem! Vamos subir, logo mais no almoço eu apresento vocês. Ela está dormindo.
— Deve estar cansada de ontem.
— Ah com certeza, não para um minuto. Ela é bem agitada.
subiu as escadas dando as costas ao amigo e , o seguiu calado. Quando viu entrando no quarto onde estava hospedada, ali pertinho do seu, novamente se lembrou do momento que desconfiou da garota entrando ali. E em seguida da jaqueta. entrou em seu quarto batendo a porta:
— Filha da mãe! Era a jaqueta dele! Ela.... ARGH!!!
puxou os próprios cabelos e entrou no banho. Precisava pensar no que faria, agora que sabia que a mulher com quem havia transado na noite passada era a namorada de seu melhor amigo.
Ele não conseguia ficar no quarto. Precisava agir como se nada tivesse acontecido, precisava esquecer aquele deslize. Mas, não seria capaz de suportar muito, afinal, era como um irmão para ele. precisava pensar em como sairia daquela situação, sem perder o amigo e sem mentir.
Desceu para área da piscina, e ficou ali tomando sol e bebendo. mandou uma mensagem, avisando que o encontraria lá. E torcia para que não viesse, mas, infelizmente ela veio. os apresentou. O sorriso descarado da mulher, falsa, agindo como se nunca o tivesse conhecido... literalmente queria sair de perto dela. Ele foi frio e sério com . E percebeu naquele momento, e não falou nada.
Quando ela entrou na água, os dois ficaram sentados nas espreguiçadeiras, lado a lado conversando e bebendo. observava a namorada e sorria. , por baixo de seus óculos encarava a cena ridícula, de . Sentia ódio dela, não por enganá-lo, mas, por trair o melhor amigo dele. não era o tipo de cara canalha que merecia aquilo.
alternava seus olhares do namorado, para , nos momentos em que se distraía conversando e mal percebia os sorrisos atrevidos da mulher para .
, eu tenho que resolver uns assuntos da empresa. A gente se vê no almoço.
— Qual é cara, você está de férias!
riu batendo na mão do amigo:
— É eu sei, mas, é um assunto que eu tenho que resolver ainda...
— Me avisa quando estiver indo ao restaurante.
Ele assentiu e saiu dali sem olhar para . A mulher saía da piscina e se encaminhava até o namorado. Ela olhava para , curiosa, e sentando no colo de perguntou onde o amigo dele estava indo. não viu a cena, mas, sentia repulsa de estar no mesmo ambiente que ela. Assim que chegou em seu quarto foi até a janela que dava para a área da piscina e viu o amigo e a namorada, aos beijos. Aquilo o irritou ainda mais, pois, embora sentisse nojo de , ele ainda desejava o corpo dela. Não sabia se odiava mais a si, ou a mulher.
Decidiu que não almoçaria com o amigo, ou então, não suportaria aquela situação.
Pegou seu carro e decidiu dar uma volta pela região. Enquanto dirigia, recordou-se do fim de tarde do dia anterior. Após terem saído da praia para o quarto, e terem transado pela primeira vez, disse que queria sair pela região e conhecer a noite de Phuket. Na mesma hora, levou-a para passear. Ele dirigiu com ela ao seu lado, por toda a região. Ela bebeu em todos os lugares onde foram e no caminho de volta para o hotel, a mulher fez com que a masturbasse enquanto dirigia. E só de lembrar daquilo, o sangue dele já fervia de ódio e excitação. Chegaram ao hotel naquela noite, e retornou com para o quarto dele, onde transaram até sentirem-se cansados o suficiente para dormir, sem notar. não queria que ela ficasse ali com ele, naquele estado tão bêbada, e tentou cuidar dela. Mas, tudo o que ele fazia para ajudar, a mulher instigava ao sexo. Foi uma noite sórdida, divertida e prazerosa.
acelerou o carro e não retornou ao hotel, a tempo de almoçar. Pelo contrário, ele foi conhecer outros lugares, espairecer e quando voltava ao hotel mantinha o pensamento de resolver aquela confusão.
e almoçaram juntos, e embora preocupado pelo desaparecimento repentino de , convenceu o namorado de que, o melhor amigo dele estava apenas resolvendo seus problemas com a empresa, como havia dito. ainda estava com uma pulga atrás da orelha. estava estranho desde a hora da piscina. Na verdade, acreditava que o melhor amigo não havia gostado de sua namorada, uma vez que tratou ela de forma tão atípica, ao que era.
e estavam namorando na varanda do quarto, ele beijava o pescoço de abraçado a ela. A mulher amava o namorado, mas, não sabia explicar o que sentiu ao ver naquela piscina. Primeiro ela o achou um homem lindo e sexy, e depois, pouco a pouco o conhecendo sentiu-se curiosa. Ele era o tipo que atrai sem fazer esforço. E sabia que a traição era culpa dela. Foi ela quem se aproximou, já sabendo quem ele era. Foi ela que iniciou o jogo de sedução, às escuras para ele. E o fato de estar com raiva dela, e evitando-a, só deixava mais claro o quanto ele era um homem íntegro. Porque ela já sabia, desde a fala dele na praia, que se ele soubesse que ela era comprometida com o seu melhor amigo, ele não chegaria nem perto. E ainda, ousava dizer que, se ele soubesse que ela era comprometida – independentemente de quem fosse – ele também respeitaria.
Lembrou-se das pequenas coisas, que em um dia e uma noite pôde mostrá-la: ele realmente não era um personagem rapper, que muito se diferenciava do seu "eu" real. se lembrou do romantismo dele, do modo como ele tocou o corpo dela sempre aguardando o consentimento para explorá-la, a maneira como o sexo dele era voraz e a fazia sentir-se uma mulher diferente de qualquer outra.
se arrependia, mas, o mais triste era que não se arrependia da traição, e sim de ter pintado para , o personagem de uma mulher que ela não era. foi vulgar o tempo todo, e sabia disso. Ela foi atrevida e perigosa, e isso seria algo normal, se ela não fosse comprometida. O fato de ter um namorado, e ele ser o melhor amigo de tornava aquilo tudo imperdoável. Na verdade, o que ela não conseguia perdoar em si, era a falta de lealdade em ser sincera com e contar tudo. Sentia que era dever dela. Se arrependia de ter se entregado a um desejo tão carnal, e se arrependia de não se arrepender do que sentia. Queria mais, queria muito mais de . Mas, era a boca de que a beijava agora, e ele também não merecia nada daquilo.
Ela foi desperta destes pensamentos quando girou-a de frente para si.
— O que foi, amor? Está tão distante.
— Só estou pensando aqui que.... Não mereço você, .
— Do que está falando? – ele segurou o rosto dela entre suas mãos delicadamente — É claro que merece. Eu é quem não mereço você...
... A gente está junto há tão pouco tempo, não é? Mas, por que não me apresentou logo ao ?
— O que o , tem a ver com isso? – aquela pulga atrás da orelha de começava a coçar.
— Nada, eu só acho que ele não gostou muito de mim...
desconversou e sorriu falsamente, abanando o ar.
— Também estou estranhando a reação dele. Mas, acho que no fim não tem nada a ver com você. Por que não se apresentou a ele, como eu disse para fazer assim que chegou aqui?
— Não me senti confortável para isso.
— Entendo... – abraçou a mulher carinhosamente. — Será por isso que ele ficou chateado?
— Pode ser... – respondeu , com voz arrependida.
— Eu vou falar com ele, meu amor. Não se preocupe.
beijou-a calmo. Ela o abraçou forte, imaginando que logo não teria mais aquele abraço. E aproveitou enquanto pôde.
Ao anoitecer, estava deitada na cama observando andar de um lado a outro telefonando para . Ele ainda não havia aparecido e nem atendido ao celular.
— Vou atrás dele amor.
— Vai atrás onde, ! Pelo amor de Deus, espera! O vai aparecer. – ela sentou na cama, estava nervosa em ver preocupado daquele jeito.
— E se tiver acontecido alguma coisa?
— Para! Não! Não aconteceu nada. – o encarou assustada.
— Desculpa, desculpa amor. Não queria te assustar. Você tem razão.... Eu vou lá embaixo ver se têm notícias dele no saguão.
— Não demore.
desceu, e ficou preocupada o aguardando. Ela caminhou até a sacada do quarto e foi quando viu surgir atravessando a área da piscina. Certamente, ele estava vindo da direção do estacionamento. Se tranquilizou, pois, com certeza agora o encontraria.
Voltou a deitar-se na cama, e mexia em seu celular, quando a porta do quarto se abriu revelando com uma expressão nada boa.
— Encontrou com ele?
— Não. Ninguém sabe nada. – deixou o celular no criado mudo e pousou as mãos na cintura, ainda contrariado.
, ele chegou. O vi atravessando a piscina. Deve ter ido jantar.
— Graças a Deus, eu vou lá sa...
— Você não vai a lugar algum! – levantou-se irritada o interrompendo: — Ficou o dia todo atrás de ! Mal ficamos juntos! E tem mais: deve estar cansado, com fome. Depois você fala com ele.
Ela deu as costas para , sacudindo os cabelos nervosamente. O namorado sorriu pelo ciúme da garota. Mal sabia ele que o sentimento dela não era de ciúme, mas, de medo. Ele se aproximou calmo da namorada, admirando a camisola semitransparente dela. Abraçou por trás, a surpreendendo com a mão dentro de sua calcinha.
Huh... ... – ela sussurrou.
— Não está sentindo falta disso?
— Estou. Muita.
respondia aos toques de , entregando-se mole nos braços dele. Ele beijou o pescoço dela, e suas mãos provocavam os sentidos sexuais de . Ela não conseguia esquecer o passeio com no carro, onde ele, estimulava-a como o seu namorado estava fazendo ali.
Não era causando aquela sensação de prazer no corpo de . Era , dentro de sua imaginação. Ela sentia-se tão suja, por não conseguir se apartar de . Sentia-se uma canalha por usar daquela forma. Mas, também amava o namorado. E infelizmente sabia, que seria impossível ter os dois. Começava a achar também, que mesmo se escolhesse um deles, não teria nenhum.

--- X ---

23:55 pm.

observava dormir tranquila em sua cama. Ele tomou um banho e vestiu-se para encontrar . Havia recebido resposta às inúmeras mensagens e ligações que havia feito para ele mais cedo:

"Hey , desculpe mano, eu fiquei sem sinal e não pude te responder. Está tudo bem? Parece preocupado. Eu vou pro casino, te encontro lá?". – Boss.
"Tranquilo. Já desço". – .

leu a mensagem curta, e já imaginava que algo havia sido descoberto. Respirou fundo e bufou em seguida. Não deixaria que uma mulher destruísse não apenas a amizade entre eles, como também o vínculo de trabalho. era "chefe" de há algum bom tempo, e sabia que pelo contrato, não poderia romper sem uma multa alta. Aquilo não seria vantajoso a ninguém. E era obrigação de , mais do que por ser o chefe, mas, por ser o errado da história, evitar qualquer problema maior.
Ele estava apoiado no balcão do bar remexendo seu uísque, e a garçonete surgiu à sua frente:
— Deseja outra dose, senhor?
Quando olhou para ela a reconheceu, e sorriu. A mulher ruborizou.
— Você, não é a camareira que arrumou meu quarto outro dia?
— Sim senhor, eu tenho dois empregos aqui. Posso lhe servir outra dose?
— Por favor.
Ele entregou o copo a ela, e observava atento àquela mulher singela.
— Aqui está. Deseja mais alguma coisa? – ela perguntou simpática.
— Qual o seu nome? – ao ouvir a pergunta, o sorriso dela diminuiu e ela ruborizou novamente.
.
... – ele sorriu repetindo — Sabe que servir em um bar não combina com você?
— Fazemos o que podemos, não é mesmo?
— O que você gostaria de fazer?
— Gosto do que faço.
— Então sempre foi seu sonho, ser camareira e garçonete de um casino? – perguntou curioso, e simpático.
— Não... – a mulher olhou para os lados a fim de notar se não precisavam de seu serviço — Meu sonho é ser dançarina profissional.
— Legal! Você dança?
— Sim, eu faço parte de uma companhia pequena em Bangkok. Ensaiamos duas vezes por semana. É cansativo, mas, não é nenhum esforço.
— Quando é o próximo ensaio?
— Depois de amanhã.
— Eu poderia assistir?
— Claro!
sorriu e pegando seu bloco de pedidos, anotou o endereço e horário do ensaio. Entregou ao e pediu licença, saindo em seguida para atender outros clientes.
— Descolou um telefone? – perguntou sorrindo ao chegar e sentar-se ao lado do amigo.
— Não, um endereço, na verdade.
— Uooow! Ela é bonita! – observava a atendente afastada deles.
— É sim. Mas, não é o que está pensando.
sorriu para que se fez desacreditado. Ele chamou outro garçom e pediu sua bebida.
— E então , o que rolou?
— Eu quem pergunto, você parecia preocupado pelas mensagens. – queria averiguar sobre exatamente, o que estavam falando.
— E não era para estar? Saiu antes do almoço e desapareceu. Não deu mais notícias...
— Ah.... Eu falei que ia resolver um problema da produtora.
— Mesmo assim, estou te achando estranho desde que cheguei. está preocupada também.
— Onde ela está?
— Dormindo. Tivemos um início de noite cansativo, se é que me entende... – riu enquanto bebia seu uísque.
— Só estou preocupado com uns problemas.
— Sabe que se precisar conversar, eu estou aqui para isso. Qual é, ! Somos amigos!
— É, eu ligado. Mas, eu já vou resolver isso. Então, relaxa aí, bro.
— Relaxa você. Qual é, são suas férias! Não esquenta a cabeça.
está preocupada pelo quê?
— Ela acha que você não gostou dela.
— Deve ser por que ela sabe que não é garota para você.
olhou surpreso para . O amigo o olhou de volta, tão sério quanto.
— Por que está dizendo isso, ?
— Só acho que não combinam.
— Você mal a conhece.
— Talvez eu conheça o tipo. Já saí com muitas mulheres, e ela me passa a sensação das piores.
. Ela é minha namorada. Não sei o que te faz pensar assim, mas, as suas experiências ruins com outras não têm nada a ver com . Do jeito que você fala parece até que está chamando a minha garota, de puta.
— Não quis ofender e nem te chatear, . Desculpe. Mas, não gostei mesmo de saber que ela é sua namorada.
— Por quê? Você conhecia ela por acaso?
— Não. Não conhecia.
não estava mentindo. De fato, não conhecia. Não sabia nada dela antes. E quando descobriu quem era, soube menos ainda, depois.
— Vamos jogar, e esquece essa cisma com a . Quero que vocês se deem bem. – deixou o copo sobre o balcão e falou sincero segurando o ombro de , saindo para os jogos do salão.
entregou o copo para , que havia recolhido o copo do amigo. Ela observou o semblante preocupado de , e segurou a mão dele, de modo discreto, e dizendo:
— Talvez você devesse evitar protegê-lo. Para assim, garantir que tudo fique bem entre vocês.
encarou , curioso. O que ela saberia? Não importava na verdade. Ele apenas sorriu e beijou a mão da moça em agradecimento, em seguida piscou para ela e saiu.
Os dois ficaram no Casino até às três da manhã. , mais bêbado do que . Ele não conseguia beber a ponto de perder o juízo. Principalmente por medo de beber demais e falar demais. Mas, o melhor amigo estava realmente curtindo aquelas férias, e não mediu limites. o carregou de volta ao seu quarto, e quando abriu a porta, acordou com suas risadas altas.
— O que houve? – ela perguntou se levantando rápida, sem dar-se conta que estava só de lingerie.
! Cubra-se. está aqui! – falou lento e confuso.
— Não se preocupe , eu quero distância da sua namorada. – falou a encarando firme.
— O que você fez para ele, hein, !!!?? – gritou para ela.
— Por que deixou ele beber assim? – tentava descontar em .
— Ele sabe o que faz. Não tem mais criança aqui. Todos sabemos o que fazemos. – ele rebateu.
colocou deitado na cama.
— Cuide dele. – ordenou para e saiu.
Quando o amigo saiu pela porta, puxou para si e começou a beijar e acariciar a namorada, mas, ela não queria. Falou para parar e ele não gostou da reação dela. Levantou-se e apontando o dedo na cara dela, disse:
estava certo sobre você!
— Do que está falando? – ela perguntou confusa.
Ele saiu do quarto batendo a porta. havia acabado de se deitar em sua cama, quando ouviu alguém bater em sua porta. Se fosse , ele iria falar as verdades entaladas. Mas, ao abrir, empurrou-o entrando e se jogando em sua cama.
! ‘Tá fazendo o que aqui, cara? – o encarou com tédio.
não quer foder comigo.
— Nem eu. Agora volta para o seu quarto.
— Vai você para lá!
estava com o rosto abafado pelo travesseiro, mas, conseguiu entender exatamente o que ele disse. E se preocupou:
— Por que eu iria para lá? – ele perguntou, mas, o amigo não respondeu. — ...? ?
Quando se aproximou, ele já estava dormindo. Ele mexeu em seu próprio rosto, contrariado e saiu em direção ao quarto do amigo. o atendeu e entrou.
— Vai para o meu quarto, seu namorado tomou posse da minha cama e eu vou dormir aqui.
— Por que é, que eu deveria ir dormir no seu quarto?
encarou a mulher, que se mostrava tão irritada quanto ele.
— Porque eu já falei que vou dormir aqui.
estava sem camisa, e percorreu o olhar pelo corpo dele, esquecendo-se da raiva que sentia.
— E por que eu deveria dormir lá, se você está aqui? – ela se aproximou lenta.
segurou as mãos dela, que se aproximavam para tocá-lo:
— Porque o seu lugar é ao lado do seu namorado.
...
— Vai.
, espera...
— Você não percebe o quanto eu te enojo? Ele é meu melhor amigo e você sabia!
, eu sei, mas, eu não sei explicar por que eu fiz...
— Sai da minha frente. Eu sou capaz de esquecer que você é mulher, e fazer uma besteira.
o olhou assustada. Aquele não era o que ela conheceu dias antes.
— Pega o cartão da minha porta, e deixa o do quarto aqui. – ele estendeu o cartão pra ela, a encarando firme.
— A gente tem que conversar...
— ANDA LOGO! SOME DAQUI!
Ele gritou a assustando, e a mulher pegou o cartão da mão dele se afastando aos poucos. Puxou o hobby que estava em uma cadeira, vestindo-o. Saiu para o outro quarto, com lágrimas de ódio e culpa em seu rosto. Ela sabia que era culpado em não contar nada para , logo que soube quem ela era e apenas jogar a responsabilidade nas costas dela. Mas, ela também sabia que ele foi enganado por ela, assim como . E que a primeira pessoa a ser franca, pelo amor e respeito da relação deveria ser ela. Não culpava pela raiva que ele sentia dela.
não conseguia dormir. O sono só retornou às cinco e meia da manhã, onde finalmente conseguiu adormecer. Quando ouviu um barulho na porta do quarto, aos poucos despertou. Ouviu alguém abrir a porta e entrar. Olhou em direção ao barulho e viu arrastando seu carrinho de limpeza.
— Ei! Bom dia, me desculpe. – ela estava confusa.
— Tudo bem... Bom dia. Quantas horas?
— São nove horas, senhor.
— Me chame de . – ele sentou na cama bagunçando os cabelos.
— Eu posso voltar depois. Achei que o quarto estava vazio, o casal acabou de descer.
— Longa história . Eu vou escovar os dentes, você, pode fazer seu trabalho, eu não vou atrapalhar.
— Claro.
A mulher iniciou a arrumação do cômodo e logo, retornou confuso e ainda com cara de sono.
— Algum problema?
— Esse não é meu quarto.
— Não, senhor. É o quarto ao lado.
— Você tem como abrir para mim? Minha chave está com o , suponho.
começou a rir discreta e assentiu. Ela pediu ao para acompanhá-la e abriu a porta do quarto dele. Quando se virou tomou um susto, estava perto demais. Mas, ele nem mesmo reparou. Apenas entrou, deixando-a sem graça à porta. A mulher retornou ao quarto de , para continuar seu trabalho.
observou seu quarto, e abriu a sacada. O perfume de estava ali, ou fosse coisa da sua cabeça. Foi imediatamente, em direção ao banheiro e após ter tomado seu banho e se arrumado, puxou a mala dentro do closet e a abriu. A camareira bateu à porta.
— Entre!
— Com licença, eu só vim entregar o cartão magnético do outro quarto. O senhor esqueceu.
— Ah, sim, obrigado. – caminhou até ela pegando o cartão.
sorriu e já ia empurrando o carrinho, quando a perguntou:
— Pode arrumar meu quarto agora?
— Não se preocupe, assim que o senhor sair eu arrumo.
— É que.... Eu.... Tudo bem, obrigada.
— Se o senhor faz questão que seja imediatamente, eu posso arrumar.
Ela o olhou, curiosa, e apenas sorriu entrando. entrou em seguida puxando o carrinho e começando a organizar. Percebeu a mala sobre a cama, mas, não falou nada.
arrumava suas coisas dentro da mala, e vez ou outra observava arrumando tudo.
— Não desista do seu sonho . – ele falou fechando a mala.
— Obrigada, senhor.
— Me chame de .
— Certo... . Espero que as coisas estejam bem entre você e seu amigo.
— Como sabia?
— Nós observamos muitas coisas, quando trabalhamos em hotéis. Os funcionários sabem que aquela mulher e você...
— Parabéns pela discrição. Eu mesmo, quase falei a verdade para ele ontem.
— Se foi só um erro, esquece o que aconteceu. Seu amigo vai ficar bem, uma hora ele vai perceber que ela pode não ser o que ele pensa. Também não quero julgar ninguém, não é como se a culpa fosse só dela... Só estou falando que... a vida se encarrega de tudo. – ao sentir que falou mais do que deveria, a mulher abaixou a cabeça timidamente.
— Obrigada .
Ela sorriu e sorriu de volta. Ele pegou o celular em seu bolso discando para o amigo.

— Bom dia. – atendeu.
— Cadê o ?
— Está se servindo.
— Peça a ele, por favor, para me encontrar no quarto dele.
— Por quê?
— Não é da sua conta. Só faça o que eu pedi.

desligou e continuava seu trabalho sem demonstrar atenção ao que fazia. Ele pegou sua mala e sua mochila, e antes de sair do quarto, se aproximou de . Ela voltou a atenção a ele, apertando a mão dele em cumprimento.
— Obrigada por tudo . – ele agradeceu e beijou a mão dela.
— Não há o que agradecer... – ela sorriu ruborizada afastando o olhar ao dele.
— Não desiste, huh? – ele falou sorrindo se referindo ao sonho dela.
Ela assentiu e logo saiu do quarto. Entrou no quarto do amigo, aguardando-o.
se preocupou com o quê teria a falar e assim que sentou-se à mesa, ela deu uma desculpa, de que precisava ir buscar algo no quarto. , mal percebera o furo até observar saindo do restaurante, e seu celular denunciar uma mensagem de :

"E aí ? Estou te esperando, no seu quarto. Não demore, cara." – Boss.

Na mesma hora, estranhou aquilo. Ele comeu rapidamente, um pouco do que havia se servido e saiu em direção ao seu quarto.
estava sentado na poltrona do quarto, quando bateu na porta.
— Cadê ele? – perguntou ao atender e ver que não era .
— Já vem. O que você vai falar?
deixou a porta do quarto aberta, e caminhou de volta à poltrona. o seguiu, ela estava nervosa. Tinha medo do que iria fazer, e rodeou a poltrona onde ele estava sentado, passando levemente a mão pelo ombro dele. encarou-a assim que ela se sentou ao seu lado. Ele não acreditava no quão dissimulada era.
— Está com medo? Sabe que é sua obrigação falar a verdade, não é?
— Eu não posso. Não quero magoá-lo.
— Você já fez isso, sua... – parou de falar, antes que fosse injusto.
— Não me ofenda! Eu errei sim, mas, você também.
— Ah faça-me o favor!
— Você poderia ter contado!
— Não é minha obrigação. Eu estou tentando manter a minha amizade com ele, e na verdade, estou pouco me fodendo para o que vai ser de você. Estou fazendo o que acho certo, para não magoar ele ainda mais. Minha vontade realmente é falar tudo para ele! Mas, talvez, a sua chance de reparar o seu erro com ele, seja sendo sincera. E mulher o suficiente para assumir o que fez.
encarou com raiva, e segurava um choro embargado. bufou sarcástico, ao vê-la tão culpada ao ponto de não ter argumentos. Ele levantou-se e perguntou, nervoso:
— Cadê o ? Você não o avisou que eu estava o esperando?
Na mesma hora, surgiu à porta do quarto.
— O que está acontecendo?
— Amor... – se virou surpresa: — Eu, vim entregar o cartão do quarto do para ele.
Ela ergueu o cartão do bolso, e revirou os olhos, irônico.
— Que malas são essas, ?
— Eu tenho que ir embora. Aqueles problemas que eu falei, eu preciso voltar para resolver. Infelizmente vou interromper minhas férias.
— Qual é, ! Com certeza deve ter um monte de pessoas na produtora para resolver isso!
, relaxa, eu tenho mesmo que ir.
— E as músicas que íamos preparar?
— Como você disse, são férias. Então, pelo menos você aproveite-as. – falou rindo.
olhou para as malas. Para arrumado. Para .
— Como arrumou suas malas, se a chave do seu quarto estava com ?
A mulher não encarou o namorado, ele estava às suas costas e ela discretamente olhou para , que não a olhava.
. A garçonete de ontem à noite, é camareira aqui também e ela abriu para mim, quando veio limpar seu quarto.
— Ah sim... A gatinha que te deu o endereço... – sorria, mas, ainda estava desconfiado.
— E ele ligou pedindo o cartão, para fazer o check-out. Era para você entregar, mas, imaginei que ele estava com pressa e eu mesma trouxe.
disse sorrindo ao namorado, e se levantou entregando o cartão para . Os dois trocaram olhares, que infelizmente, percebeu.
! Vou nessa, mano. – abraçou o amigo que o retribuiu, e antes de sair do quarto ele disse para : — Vê se não faz o meu amigo de otário, e seja sempre sincera com ele, . Porque, eu não ligo a mínima para o que possa te acontecer, mas, se mexer com o , vai se ver comigo.
Disse e saiu puxando suas malas. encarava o chão, com as mãos na cintura, o cenho franzido e os lábios presos entre os dentes. percebeu que se livrara da responsabilidade, e acabara de complicar para ela.
— Seu amigo me odeia, é oficial. – zombou sem rir.
— Por que mentiu para mim, ? – perguntou sem encará-la.
— O quê? Do que está falando, ?
— Você disse que precisava pegar algo no quarto, mas, na verdade você trazia a chave para o . Por que não falou a verdade?
— Eu só queria adiantar o tempo dele, certamente ele passaria no restaurante para falar com você.
— Eu não sou otário, ! Eu sei que você fez alguma coisa!
— Eu fiz? Seu amigo me ofende, e eu que fiz algo?
— Conheço o suficientemente para saber que alguma coisa está errada aqui. Então, me espera aqui, quietinha. E a gente se resolve depois.
! ! – gritava o chamando, assim que o viu sair pelo corredor em direção ao elevador.
Ela bagunçou os próprios cabelos, preocupada.
estava no saguão fechando suas contas, quando surgiu correndo. Ele parou ao seu lado, assim que o amigo terminara de assinar os papéis do hotel.
?
— O que ela fez? O que vocês dois fizeram, para você fugir de mim desde que eu cheguei, ?
fugia porque sabia que, o conhecia bem demais para ele conseguir esconder algo dele. E achou que se nada nunca tivesse acontecido, na cabeça de , tudo ficaria bem.
— Eu fiz merda. E estou caindo fora, porque...
, qual é? Você não mente, e a gente sabe disso.
— É obrigação dela te falar, e minha obrigação tentar manter tudo bem entre nós.
— Mano, eu te conheço há muito mais tempo do que conheço a . Convivo com você há anos. E sei que para você não gostar dela desse jeito, tem algo errado. Desde que eu cheguei eu notei que... ela tinha feito algo para você.
— Não foi para mim. Foi para você. E foi comigo. Ela não me contou quem era.
o encarou surpreso, e abaixou a cabeça bufando.
— Aquela...! – não tinha palavras, nem xingamentos.
segurou o braço de , o fazendo encará-lo.
— Não pira. Se controla. Não faz nada errado. E não pega pesado. Eu não sei qual é a dela, mas, ela deve ter uma explicação para tudo. Eu só não quero ouvir. Fui feito de babaca, e não vou aceitar o que ela fez contigo. Mas, ela deve ter uma razão para não ter contado.
assentiu e abraçou o amigo. saiu em direção ao estacionamento. E retornou ao quarto. estava de costas, observando da sacada, a paisagem da praia logo após a área da piscina.
— Então você chega aqui, não se apresenta ao meu melhor amigo porque se sente desconfortável para dizer quem é, mas, transa com ele? – perguntou encarando a mulher de costas.
Ele sentou-se na poltrona do quarto esperando, a resposta.
— Eu não sei o que me deu, mas, eu me senti atraída por ele.
respondeu ainda de costas e logo virou-se. Os olhos marejados e os braços cruzados demonstrando uma postura rígida, embora por dentro a culpa estivesse a corroendo como ferrugem.
— Me senti atraída, e ainda me sinto. Estou remoendo a culpa todos estes dias, mas, eu sabia que não seria possível dar corda à uma aventura, principalmente com o seu melhor amigo. Por isso, achei que se não falasse nada, não magoaria você, não prejudicaria a amizade de vocês e não te perderia.
— Moral da história: você não me ama, tem tesão no meu melhor amigo e ainda acha que ninguém saiu magoado ou prejudicado.
... Me perdoa?
— Eu te perdoo, . Porque não é do meu feitio ficar guardando ódio, mesmo, com o belo par de galhadas que você colocou em mim, não é? Mas, sabe o quão baixa você foi quando decidiu, por puro egoísmo, não me contar nada?
— Não foi egoísmo. Você não saberia.
— Mas o sabe! E a culpa que ele sente? E até quando isso duraria, com o idiota aqui tentando aproximar o melhor amigo da namorada, sem saber que ela já tinha ficado bem próxima dele? Aliás, imagino o quão próxima não ficou pra sair daqui com ódio tão grande de você.
se levantou se aproximando dela, bruscamente. Ele segurou o rosto dela, e a mulher se assustou. Lembrou de falando-o para ter calma e não fazer uma merda, e soltou o rosto dela suspirando fundo e deixando as lágrimas caírem.
— Eu não quero nem render assunto, porque, eu sou capaz de te machucar . E isso é errado. E eu não sou um homem das cavernas, um criminoso. Então, só junte todas as suas coisas e vai embora.
saiu do quarto e deixou ali, chorando culpada e arrependida. No fundo, ela saberia que perderia os dois.
Ao sair do hotel, e pegar o avião de volta à Bangkok, para finalmente pegar seu voo final, decidiu passar no endereço onde dissera que treinava. O lugar estava fechado. Era um galpão velho e antigo, pintado de azul, e mal pintado. Ele observou dois homens se aproximando, e trocou poucas palavras com eles. Em seguida se despediu e foi embora. Voltaria a Phuket um dia, quando esquecesse , e o estresse daqueles dias.

Semanas depois…

fez o seu check out, e antes de deixar o hotel pegou a carta em sua mochila. Ele sorriu ao se lembrar da missão dada.
Dias antes…

— E aí, ! Como passou as férias?
— Seattle é sempre um bom destino. E você? Quando vai embora de Phuket?
— Dentro de alguns dias, mas, nunca esquecerei Phuket. O melhor lugar para se recuperar de um chifre. Você deveria ter ficado! Cada nativa, que eu iria te apresentar...
gargalhou do outro lado da linha...
— Vejo que superou.... Eu fico feliz que esteja bem, e que nós estejamos bem.
— É, eu também.... Superar não é bem a palavra, mas, e aí, por que me ligou?
— Vai chegar uma correspondência a você, e quero que entregue junto com o endereço da empresa no dia que você for embora, se for possível, para uma pessoa.
— O que você está aprontando?
— É o seguinte…

sorriu caminhando até o setor dos funcionários do hotel, como haviam lhe informado na recepção. Falou com o responsável local, e dentro de alguns minutos a moça surgiu correndo no corredor. observou pelo vidro, de dentro da sala, a face preocupada dela encarando-o enquanto corria para entrar.
O que será que aconteceu? Por que um hóspede a chamaria na sala da direção?
, o senhor deseja lhe entregar algo.
Ao ouvir o gerente de seu setor, a mulher olhou ainda preocupada e assustada, para . Ele levantou-se e esticou o envelope para ela.
— O que é isso, senhor? – ela perguntou.
— Eu não sei, só me pediram para entregar. E também... – pegou um pequeno papel, com o endereço da empresa anotado, e seu cartão pessoal: — Esteja nesse local, na data pedida. Aqui também estão meus contatos pessoais. Me procure quando chegar lá. E se tiver alguma dúvida pode me procurar também.
A mulher encarou os papéis e o cartão em sua mão. despediu-se do gerente e de , e saiu de volta ao estacionamento, onde o chofer o aguardava para sair.



FIM.



Nota da autora: HEEEEEEY! Espero que tenham gostado dessa fic! Quando eu vi este MV não posso negar: a história simplesmente surgiu. E eu não consegui escrever nada diferente disso, juro! Eu até pensei: "Será que esse roteiro está bom?", mas, sabe como é quando você simplesmente não consegue pensar em algo diferente do que já planejou? Eu realmente espero que tenha agradado. E o final... Já deu pra ver que não acabou, né? A continuação está na minha outra fanfic, MV: Me Like Yuh.





Outras Fanfics:
(Links na página de autora)
Até a data desta fanfic constam postadas:

Longfics

○ No Coração da Fazenda
○ Linger
○ Entre Lobos e Homens: Killiam Mark
○ Western Love

Shortfics

○ A garota da Jaqueta
○ All I Wanna Do
○ Cidade Vizinha
○ Coletâneas de Amor
○ Conversas de Varanda
○ Entre Lobos e Homens
○ Deixe-me Ir
○ F.R.I.E.N.D.S
○ Intro: Singularity
○ Mais Que Um Verão
○ Nothing Breaks Like a Heart
○ O cara do meu time
○ O modo mais insano de amar é saber esperar
○ O teu ciúme acabou com o nosso amor
○ Pretend
○ Semiapagados
○ With You

Music Video

○ MV: Me Like Yuh
○ MV: You Know
○ MV: Take Me To Church

Ficstapes

Nick Jonas – Nick Jonas #08607. Take Over
BTS – Young Forever #10304. House Of Cards
Camp Rock 2: The Final Jam #12509. Tear It Down
Descendants of the Sun #13005. Once Again
Descendants of the Sun #13006. Say It
Taemin – Move #14802. Love
Paramore – Riot #16009. We Are Broken



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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