MV: Young & Dumb

16/01/2025
Music Video: Young & Dumb (feat. Simple Plan) - Avril Lavigne

Capítulo 1

O vestido custava mais do que pagaria num mês inteiro de aluguel… se ela ainda morasse de aluguel. A maquiagem fora feita por uma profissional renomada, o buffet tinha nomes que mal sabia pronunciar e o champanhe — embora caro — tinha gosto de produto de limpeza sofisticado.
Mas nada disso importava.
Era seu aniversário de trinta anos. Uma data importante. Comemorada em grande estilo, no terraço de um hotel cinco estrelas, cercada por sorrisos brancos demais, conversas ensaiadas e elogios que vinham com segundas (e terceiras) intenções.
Ela estava no topo. Diretora administrativa de uma empresa gigante. Influente. Respeitada. Temida, até.
E completamente… infeliz.
Não que alguém ali percebesse. aprendera a sorrir com os olhos vazios. A responder com diplomacia. A parecer realizada. Mas, por dentro, ela estava exausta. Seus saltos de designer afundavam levemente no carpete importado do salão, e a taça de champanhe — cristal legítimo, bolhas finíssimas, caríssimo — continuava esquecida em sua mão. Um gole havia sido suficiente.
E a saudade — aquela que se escondia entre reuniões e jantares executivos — apertava o peito como um segredo mal resolvido.Era sempre pior em datas assim.
Nos últimos doze anos, ela pensara em 2013 pelo menos uma vez por dia. Na garota que era naquela época. Naquela festa bagunçada em que ela completou dezoito. Na que tingia o cabelo de todas as cores possíveis, que rabiscava cadernos com tirinhas absurdas e queria ser cartunista. Na que tinha amigos de verdade. Que namorava . Que sorria sem pensar no impacto daquilo na sua imagem pública.
E, claro, nela mesma. No momento em que tudo mudou. No momento em que apareceu.
Ela deu uma volta pelo salão.
A decoração era assinada. O buffet era assinado. A música ambiente, clean e artificial como um comercial de perfume caro, também fora cuidadosamente escolhida para não agredir ninguém — o que era exatamente como se sentia há tempos: bem embalada, admirada… e completamente desinteressante.
apareceu ao lado dela pouco antes da quinta rodada de fotos. Gravata impecável, postura exemplar, sorriso preciso. Ele sabia ser charmoso. Sempre soube. Desde o primeiro dia que ela o viu, aos dezoito, em uma festa que cheirava a cerveja quente e adolescência inconsequente.
— Estão falando muito bem de você — ele disse, com aquele tom de quem elogia, mas também se coloca no mesmo patamar. — O discurso sobre a fusão foi certeiro. — Que bom — respondeu , sem muita emoção.
Ele lhe deu um beijo na bochecha. Rápido. Frio. Puro protocolo.
Eles formavam o casal perfeito, e sabiam disso. Tinham status, reputação, cargos importantes e um apartamento com vista para a cidade. Tinham jantares importantes marcados, compromissos públicos e uma agenda compartilhada. Tinham tudo, exceto… sentimento.
já nem lembrava qual foi a última vez que se sentira amando alguém. Ou sendo amada de verdade. O relacionamento com evoluíra como sua carreira: passo a passo, estrategicamente, até parecer inevitável. Eles começaram a sair nos meses depois do fim com — o tipo de começo que parecia emocionante, como uma fuga, mas que foi se tornando uma prisão confortável demais para ser notada.
— Você está linda — ele disse, quase automático. — Os investidores vão te devorar hoje.
Ela sorriu sem agradecer. Preferia que tivessem dito que ela parecia feliz. Porque ela não estava.
E o pior é que não era um vilão. Nunca tinha sido. Era bonito, inteligente, gentil na medida certa. E, no começo, ele se apaixonou por ela de verdade. sabia disso. Sabia também que ela tinha se encantado por ele naquela primeira festa, quando ele a olhou como se ela fosse um furacão em forma humana. E ela era, naquela época. Desajustada, ousada, com cabelo azul e uma pasta de desenhos rabiscados cheia de sonhos. Ele a chamava de “tempestade com glitter”. E ela ria.
Mas o tempo passou. Os brilhos se apagaram. As conversas ficaram formais. Os beijos, raros. A tempestade virou agenda. O glitter, KPI.
olhou para o relógio. Meia-noite. Seu trigésimo aniversário começava agora.
O mestre de cerimônias chamou a atenção de todos. Luzes se apagaram. Um bolo moderno — sem graça como o champanhe — foi trazido com cuidado, enfeitado com uma vela única, prateada e reluzente.
As pessoas a cercaram. ficou ao seu lado, colocando a mão em sua cintura de um jeito que parecia mais encenação do que carinho. E, enquanto todos sorriam, brindavam e tiravam fotos, fechou os olhos.
E desejou.
Desejou com tudo o que tinha. Desejou com cada célula do seu corpo cansado.
“Eu só queria voltar. Voltar aos dezoito. Quando eu ainda era eu.”
Ela soprou a vela.
E, no segundo seguinte, o mundo girou. Um zunido tomou seus ouvidos. As luzes pareceram ficar mais quentes. Ela sentiu os joelhos falharem, a visão escurecer. Alguém gritou seu nome, mas soou distante, abafado.
desmaiou.
E o silêncio foi a última coisa que ela ouviu.

CAPÍTULO 02

O cheiro veio primeiro.
Morango com menta — um perfume doce, barato, carregado de memórias que ela não sentia há anos. Depois, o som: alto, pulsante, abafado, um baixo grave que vibrava pelas paredes do cômodo ao lado, sacudindo o ar como uma batida constante de um coração inquieto. Em seguida, a textura. Lençóis ásperos contra a pele, a colcha colorida estampada com zebrinhas brincando em meio ao caos de uma adolescência que ainda não sabia o preço da vida. O ventilador de teto girava fazendo um som irregular: clac... clac... clac, ritmado, hipnótico.
abriu os olhos.
Por um instante, pensou estar presa em um sonho — mas aquele tinha peso, tinha cheiro, tinha textura. Não era qualquer devaneio. O pôster gigante da Lady Gaga, com glitter reluzente, colado na parede, deixava claro que ela não estava no presente.
Sentou-se de súbito, o coração disparado contra as costelas. Estava no seu quarto antigo. O quarto da casa dos pais. Instintivamente, suas mãos correram até o cabelo.
Lá estava ele.
Roxo. Roxo elétrico. Exatamente igual ao da garota de 18 anos que ela havia sido — e que agora parecia respirar dentro dela novamente.
Olhou ao redor: o abajur com plumas ainda pendia no canto, o espelho ovalado refletia a colcha amassada e as fotos grudadas com fita crepe — lembranças em preto e branco, sorrisos congelados em um tempo que ela achava perdido. Os CDs da Avril Lavigne, do Paramore, da Florence + the Machine enfileirados na prateleira. Um cartaz rabiscado com canetinha colorida gritava: “18, PORRA!!!”
No fundo da casa, uma voz familiar gritou, cheia de urgência:
, DESCE LOGO, TÁ TODO MUNDO CHEGANDO!
A música aumentou.
“Can’t Hold Us”, do Macklemore, explodiu pelos alto-falantes da sala, contagiando cada canto da casa.
arregalou os olhos.
Ela estava no dia da sua festa de 18 anos.
Levantou-se rápido, quase tropeçando na ansiedade.
Correu até o espelho. Era ela mesma. Sem maquiagem pesada, sem camadas de armadura. Apenas as olheiras jovens e felizes de quem acreditava que o mundo ainda era um playground infinito. Vestia uma regata com estampa de galáxia e um short jeans que deixava à mostra a tatuagem mal cicatrizada no quadril — um segredo rebelde do passado. Tocou o rosto, o cabelo roxo vibrante, as orelhas com três piercings de cada lado.
Estava ali. Inteira. De volta.
— O que diabos tá acontecendo? — murmurou, um sorriso tímido e meio assustado brotando sem pedir licença.
Ao descer as escadas, sentiu o impacto completo.
A sala da casa, transformada em um redemoinho de festa: balões metálicos flutuavam sob luzes coloridas, risos e vozes enchiam o ar, garrafas tilintavam nas mãos e cumprimentos em voz alta se entrelaçavam com músicas e gritos de animação.
Harper pulou no pescoço dela, seu cabelo azul pastel brilhando sob as luzes, o sorriso mais sincero e caloroso do mundo.
— EU SABIA QUE TU IA SE ATRASAR ATÉ NA PRÓPRIA FESTA! — exclamou, rindo alto.
— Harp... — sussurrou, quase chorando. Harper estava aqui. Viva, presente, com cheiro de cigarro de menta e glitter grudado no rosto.
— Você tá estranha. Tá chapada já? — Harper perguntou, os olhos brilhando de diversão.
— Ainda não — riu de verdade, pela primeira vez em muito tempo. — Mas tô feliz demais que você tá aqui.
— Tá sentimentalzinha, que fofa! Agora vambora. chegou.
O nome atravessou o ar como uma lâmina.
congelou.
Aquele nome: familiar e distante, um eco do passado que parecia um mundo separado.
Ela se virou lentamente.
E lá estava ele.
.
O sorriso fácil, a jaqueta xadrez desleixada, o cabelo bagunçado com aquele jeito de quem achava que ia mudar o mundo.
E ao lado dele, entrando pela porta com a mochila pendurada no ombro, um rosto novo.
.
Aquele que ela ainda não conhecia.
Aquele que, sem saber, carregava dentro de si a virada que mudaria tudo.


Continua...



Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Eu amo em absoluto essa história, vocês vao amar também. Espero que goste e não esquece de comentar, ok?

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AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.