Autora: Jackeline Cullen | Beta-Reader: Aline Santos

A Oitava Cullen
Prólogo
Não sei dizer exatamente se eu sou a pessoa mais sortuda da face da terra ou se sou a pessoa mais azarenta...
Fui adotada pelos Cullen quando tinha apenas horas de vida. A pessoa que me abandonou na porta deles imaginou que eu teria de tudo, e ela estava certa, tenho de tudo e um pouco mais, mas não imaginava que eu estaria em constante perigo. Acho que é daí que posso dizer que também sou a pessoa mais azarenta do mundo, porque não é qualquer humano que tem pais e irmãos vampiros, que saí da Nova Zelândia e vai morar numa cidade chamada Forks depois de morar 6 anos nesse país, que é tudo.... Então... Sou mais azarada ainda....
Capítulo 1
Hoje é meu aniversario de 14 anos, anotem essa data, 21 de fevereiro, uma data importante. Sim, tenho 14 anos e a única coisa ruim nessa data é que estou morando há dois anos numa cidade chamada Forks, na qual, nesse exato momento, está caindo a maior chuva. Isso tudo é por causa de Emmett, que me viciou em esportes radicais, fazendo meus pais tomarem a decisão de vir morar nessa cidade que, além de ser perfeita para eles, não apresenta nenhum perigo pra mim. Mas que perigo?Só porque resolvi que queria fazer paraquedismo e bungee jumping?
Fui retirada dos meus pensamentos quando escutei alguém gritar o meu nome e uma bola oval cair ao meu lado. Ao olhar, Emmett já estava pegando a bola, mas peguei antes e sorri.
- Sou imune – disse sorrindo.
Saí correndo para o lado contrário em que estava. Escutei Emmett rosnar e soltar um palavrão, mas não liguei, corri o mais rápido que pude.
A chuva estava forte, mal conseguia enxergar, mas pude ver Edward dando cobertura pra mim. Estávamos jogando uma espécie de futebol americano, mas com algumas regras criadas por nós, sendo que uma delas era quando eu estivesse com a bola, era imune e ninguém podia usar a força contra mim, mas se me tocassem, era obrigada a entregar a bola. O meu time era Edward, Alice e Carlisle contra Emmett, Roselie, Jasper e Esme. Continuei correndo até o limite do gol, corri tanto que estava começando a ficar sem ar. Foi então que senti um vulto ao meu lado e outro rosnado. Ao olhar melhor, vi que Alice tinha segurado Jasper bem na hora em que ele ia me dar um bote. Dei outra risada e continuei correndo.
- Vai, !Vai – Alice gritava, sendo que nunca ia me acostumar com a voz de fada dela.
- PONTO! – Edward gritou. Já estava ao meu lado, abraçando-me.
- Haaaa! – Emmett resmungou - Isso não vale! Vamos mudar de time! Ela vem pro nosso e Esme vai pro de vocês – ele estava furioso.
- Como não vale? Eu peguei a bola! – disse jogando a bola na frente dele e saindo, sorrindo.
- Você é café com leite, por isso que não vale – Emmett falava entre os dentes.
- Conforme-se, Emmett! Empatamos – Carlisle disse enquanto passava a mão na minha cabeça, sorrindo.
O jogo continuou num ritmo animado, ora empatávamos, ora eles empatavam. Já tínhamos jogado uns trinta minutos, quando a chuva dera uma trégua, ocasionando uma melhor visibilidade. Foi então que avistei um vulto vindo em minha direçã. Por instinto, joguei-me na frente desse vulto, mas foi a minha maior burrice nesses meus 14 anos de vida. Com o impacto, acho que voei uns 5 ou 10 metros, não sei dizer, só sei que cai com força no chão, batendo minha cabeça. Não sei se desmaiei ou não, só sei que, quando abri os olhos, todos estavam lá, me olhando preocupados.
- Ai! – foi a única palavra que conseguir dizer, e depois sorri.
- Anotaram a placa do trem? – tentei me levantar, mas Esme me segurou no chão.
- Não, filha!Você bateu a cabeça, fique quieta – ela estava apavorada.
- Eu estou bem mãe, vamos continuar jogando, é meu aniversário, lembra? – sorri e fiquei sentada – Mas, sim! Quem foi o trem? – disse sorrindo.
- Você está bem? O Que deu em você de se jogar na minha frente? – Rosalie estava falando tão rapidamente, que se eu não fosse acostumada a escutar o jeito deles de falar, não teria entendido nada.
- Desculpe! Acho que me empolguei! – deu de ombros e, nessa hora, todos riram.
- Você deu um susto na gente, mas acho melhor irmos pra casa – Rosalie estava mais calma.
- Não precisa, irei ficar observando agora. O jogo continua empatado, quem marcar ganha, tudo bem? – sorri.
- Isso! Vamos! – Emmett já ia empurrando todos para o jogo.
Fiquei ao lado de fora do campo com a Esme, sentada, observando-os jogar. Foi quando ri para mim mesma ao olhar todos e ver uma família, a minha família. Mesmo sendo humana e eles, vampiros, eu os amava.
Edward era meu irmão, amigo, tutor, pai, mãe, enfim, era o que mais adorava, amava e admirava. Ele era o meu preferido. Me ensinava música, me fazia estudar outras línguas. Graças a ele sei falar quatro idiomas diferentes e estou partindo pro quinto, e eu sou a única que conseguia bloqueá-lo. Aliás, estou aprendendo, porque descobrir isso há um ano, por acaso. Mas quando funciona de ele não conseguir entrar em meus pensamentos, ele fica abismado e Carlisle, alarmado, pensando em como serão meus poderes quando for uma deles.
Emmett! Ah, o Emmett! Sabe os irmãos mais velhos que não são chatos? Que fazem de tudo por você e que adora lhe paparicar? Esse era o Emmett. Quando fiz sete anos de idade, ele me ensinou a jogar beisebol, jogar futebol, jogar basquete, enfim, ele me ensinou a jogar tudo que você possa imaginar. Quando fiz oito anos, ele me ensinou a surfar, me ensinou a lutar e ainda ensina. Ele me fez uma garota viciada em esportes radicais. Na Nova Zelândia, passávamos horas esquiando, adoro esse cara!
Jasper! Bom, ele era o meu irmão mais enigmático, não chegava muito perto de mim, mas mesmo assim eu o adorava, sempre foi muito protetor e calmo. Eu até o entendo. Como todos dizem, ele ainda está em fase de adaptação, então o respeito.
Alice e Rosalie são minhas duas irmãs e as amo, mesmo sendo totalmente diferentes. Além de amá-las, sei exatamente como dobrá-las!
Carliste e Esme, deles não tem o que reclamar, porque são meus pais, mesmo sabendo desde sempre que nunca fui sua filha de sangue e o que eles são. Nunca deixei de amá-los como pai e mãe, amo-os tanto que se pudesse, morreria por eles.
Não sei se foi por causa da batida na cabeça, ou o próprio cansaço, só sei que rapidamente me deu vontade de dormir. Encostei minha cabeça no ombro da mãe e fechei os olhos.
...
Escutei um barulho irritante vindo de algum lugar, era uma espécie de alarme. O som irritante cada vez aumentava mais e fazia minha cabeça doer. Abri os olhos e me virei pro lado, dando um tapa no despertador, fazendo-o parar.
- Mas que droga! Segunda feira – pensei.
Levantei, aliás, me arrastei até o banheiro, tomei um banho demorado, escovei os dentes, abri meu closet e peguei qualquer coisa pra vestir. Qualquer coisa, não! Como tinha influência da Alice, qualquer coisa não faz parte do vocabulário dela, então me arrumei. Peguei minha mochila, conferi o material e desci.
Todos estavam lá. Rosalie estava sentada ao lado de Emmett no sofá, vendo um noticiário qualquer. Alice estava digitando algo no laptop dela e Jasper estava ao lado dela, rindo. Carlisle e Esme estavam conversando aos sussurros e Edward estava no piano.
- Vocês não dormem, não? – falei rindo e indo em direção à cozinha.
- Não! – todos responderam ao mesmo tempo.
Abri a geladeira procurando algo pra comer. Peguei um suco, queijo e presunto e coloquei na mesa. Foi quando senti uma mão fria tocar minha cabeça.
- Dói? – Edward olhava preocupado.
- Não muito, só está latejando – sorri pra ele.
- Vamos inventar novas regras, como não se jogar na frente do trem, tudo bem? – ele deu aquele sorriso que eu amava.
- Tá Ed, mas quando vamos comprar minha guitarra? – disse indo até o armário pegar o pão.
- Seu aniversário foi ontem, ganhou um monte de presente e ainda quer mais? Será que estamos criando uma capitalista? - ele zombou.
- Haha! Muito engraçado, você – ri forçado - Você não me deu nada! Então, quero aquela guitarra que disse que ia me dar – falei sem olhar pra ele, estava mais ocupada fazendo algo pra comer.
- Não lhe dei nada porque você não cumpriu os seus deveres. Vamos dizer que foi uma espécie de castigo – ele sorriu.
- Mas você prometeu que ia me dar no meu aniversário, estou esperando um ano e você ainda não me dá! É injusto – fiz biquinho.
- Não adianta, !Cumpra seus deveres, que lhe dou – ele veio a mim e bagunçou meus cabelos.
- Idiota! – rosnei.
- Sei que você me ama, estou esperando você no carro – ele disse, saindo.
Terminei de tomar o café, me despedi dos meus pais e fui até o carro. Sentei no banco de trás, bem ao lado de Alice.
- Acho que precisamos comprar mais roupa pra você, – disse Alice, sorrindo.
- Amanhã, tá? Hoje tenho treino – sorri.
- Quando é o jogo? – Emmett se inclinou para mim.
- Amanhã! E são oitavas de final – sorri.
- Com certeza iremos ver – Edward falava olhando pra mim.
- Quero todos lá! Terão orgulho de mim – sorri.
- Já temos orgulho de você, irmãzinha! – Rose sorriu pra mim.
Chegamos à escola em questão de segundos. Como ainda não sou do ensino médio, minha escola era diferente deles. Despedi-me de todos e saí do carro. Quando ia embora, o vidro do motorista abaixou.
- Hei! – Edward me chamou.
- O quê? – voltei e apoiei-me na porta.
- Liga quando terminar o treino, então iremos comprar o teu presente – ele sorriu. Não me contive e pulei em seu pescoço, dando-lhe um beijo na bochecha.
- Haaaa, Ed! Eu te amo, meu irmão! Você é o melhor!– disse abraçando-o. Nessa hora escutei todos reclamarem, fazendo-me rir.
- Não tenho culpa se ela me ama – foi a última coisa que escutei antes deles irem embora.
Ao contrário dos meus irmãos, eu não era nada reservada, gostava de fazer amizade. Mesmo só estando há dois anos aqui, já tinha certa popularidade, porque além de ser uma Cullen, era bonita, estava no time de basquete da escola e era a capitã. Tinha uns amigos fiéis e, como todo mundo, tinha inimigos. Acabei de formar três inimigos, criei esses sem querer. Sempre gostei de música, sempre o Edward me ensinou a arte da música, foi então que, semana passada, teve uma espécie de concurso de caça talentos, e eu venci, deixando Alan Stanley, Miguel Newton e Lukas Mallory morrendo de raiva. Eles, desde então, estão me enchendo a paciência, querendo que eu perdesse a minha e, não sei como, hoje eles conseguiram.
Capítulo 2
Minha cabeça e boca latejavam, minha sobrancelha ainda sangrava. Estava com uma bolsa de gelo no rosto, tentando não aumentar o inchaço e, inutilmente, parar o sangramento do supercílio esquerdo.
Estava olhando pro chão, porque além de estar com raiva, não tinha coragem de olhar pra cima. Quando ia tirar a bolsa de gelo do rosto, a voz do diretor tirou toda a minha concentração.
- Deixe a bolsa de gelo no rosto, senão irá piorar – era uma voz bem dura e composta.
Foi nesse momento que ouvir alguém bater na porta. Nem tive coragem de olhar, porque sabia exatamente quem era.
- Entre - A voz do diretor era mais uma ordem.
- Desculpe o atraso, vim assim que pude – era a voz de minha mãe.
Ao escutar essa voz, minha alma congelou, meus olhos, se pudessem sair das órbitas, sairiam.
“Minha mãe, minha mãe, estou ferrada, estou morta, não sei se isso será possível, mas fácil para ela será”.
Não tive coragem de levantar os olhos, mas pude sentir o seu olhar de canto de olho pra mim. Eu sabia muito bem o significado desse olhar, porque vivendo desde quando tinha horas de vida, entendia cada gesto, cada olhar de todos que me cercavam. E esse olhar era “você esta em sérios problemas, mocinha”.
- Sente-se, por favor, Sra. Culllen. – o diretor dissera formalmente. Foi então que levantei a cabeça e fitei o diretor. Um velho gordo com bigode, que parece pêlo de bode, que fedia a tabaco e que estava disposto à sentenciar minha morte.
- Sei que a senhora é uma mulher ocupada, mas sua filha não me deu alternativa, senão chamá-la – ele ainda mantinha a formalidade
- Hum... - Foi só isso que ela disse antes de me olhar. Tentei abaixar a bolsa de gelo, mas ela me deu outro olhar reprovador e me fez esquecer essa ideia, então tive que aguentar a dor da dormência causada pelo gelo.
- Senhora Cullen, sua filha é uma aluna muito aplicada aqui. Nesse dois anos em que ela estuda em minha escola, nunca, mas nunca tive dor de cabeça com ela. Sempre entre os melhores alunos, melhor no esporte, mas nesses últimos dois dias ela passou dos limites – ele dizia olhando seriamente pra minha mãe.
- O que foi que ela fez, senhor Koch – ela disse num tom de voz que minha coluna dorsal congelou.
“estou ferrada, nunca a vi tão brava assim”
- A senhorita Cullen, desde ontem, vem se envolvendo em brigas, e hoje ela partiu para a força bruta, literalmente. Estava no pátio do refeitório a murros e pontapés com os senhores Stanley, Newton e Mallory. Como pode? Uma moça de 14 anos brigar com três garotos! – ele dissera espantado.
- Se eu estou assim, imagina como eles ficaram, mãe. Emmett ficaria orgulhoso - Interrompi o diretor no meio da frase e minha mãe só deu aquele olhar.
“Ai, minha coluna congelou agora”
- Como ia dizendo, Senhora Cullen, eu não tolero essas coisas na minha escola e não tenho outra escolha a não ser suspender sua filha por cinco dias – ele disse mostrando um papel pra minha mãe assinar.
- O QUÊ? SUSPENDER-ME? EU NÃO FIZ NADA, SO ME PROTEGI, E TEM OUTRA, O SENHOR NÃO SUSPENDEU AQUELES CRETINOS – disse extremamente irritada.
- ! Basta! - A voz da minha mãe estava tão severa que eu me encolhi na cadeira depois da minha explosão de raiva.
- Desculpe Cullen, mas você não me deu outra escolha, senão amanhã isso aqui estará um verdadeiro ringue – ele disse num tom calmo.
Ele me olhava agora com aquela cara de velho babão, mas eu não caio nessa não. Fechei a cara e joguei a bolsa de gelo na mesa.
- Então é isso? Irei perder duas avaliações e o jogo? - Olhei pra aquele cretino com fogo nos olhos.
- Isso é consequência de seus atos. E não se preocupe com suas notas, você não terá problema algum – Ele dissera calmamente.
Eu simplesmente bufei na cadeira e cruzei os braços, esperando ele e minha mãe terminarem essa conversa sobre meus atos e blábláblá.
Mas, droga! Eu realmente não tive culpe, eles que começaram....
“ - Desculpe, mas não posso ir, La Push não é exatamente o local que eu gosto de frequentar – tentei ser educada, recusando o contive da Rebeca.
“Eu não posso ir para La Push, porque simplesmente minha família não pode colocar os pés lá. Algo que aconteceu há alguns milhares de anos e agora, como tenho o sobrenome Cullen, simplesmente cabe a mim também”
– Eu sei – alguém disse - Alguma hora ela vai perder a cabeça - ao ouvir, virei-me na direção de três rapazes. Alan Stanley, Miguel Newton e Lukas Mallory. Todos tem a minha idade, 14 anos, mas pareciam ter apenas 5 ou menos. Não que seja madura, mas convivendo com meus irmãos, sendo que cada um tem mais décadas de anos que eu posso somar, eu também tenho uma mentalidade mais madura para minha idade.
– Veja só, eu te pago para tentar - e de novo eu olhei para eles, sabia que estavam falando de mim, estavam a semana inteira me perturbando. Morar com sete vampiros tem suas vantagens e uma delas é escutar muito bem os outros, mesmo estando longe.
“Você já tentou escutar uma briga ou conversa deles? Não? Então nunca tente, estou há 14 anos tentando escutar”.
Fui tirada novamente de meus pensamentos, quando notei-os parados na minha frente.
- Cullen! – Newton disse sorrindo - Estamos nos perguntando da onde você tirou esses olhos? Verdes, né? Sua mãe tem olhos verdes? E seu pai, tem?Ou são lentes? – ele estava zombando de mim.
- Já disse que sou adotada – nem dei ao trabalho de olhar para eles. Peguei um pedaço de pizza e comecei a comer.
- Adotada? Todos vocês são, né? Dá pra perceber, pelo caráter de vocês! – ele disse como se estivesse cuspindo.
- Newton, dá pra parar de me encher e perguntar o que você quer? – disse entre dentes.
- Bom – ele olhou pros outros e sorriu.
- Sim? – falei entre dentes.
- Seus pais têm algum tipo de promessa, que adotam todos que vêem na frente? Será que eles não adotaram um errado? – ele estava sorrindo sarcasticamente.
“Respira, inspira, conta até 1000”
– Vocês ainda não pararam com essa brincadeira sem graça, não? Vocês ainda não se deram conta que faz uma semana que venci vocês? – disse, zombando.
- Aquilo foi porque você trapaceou - Alan Stanley falou entre dentes.
- Eu? Não tenho culpa que vocês são horríveis – disse me levantando, mas quando ia sair do refeitório e ir para a próxima aula, Newton segurou meu braço.
- Estamos falando com você, e quando um de nós falar, é melhor parar e prestar atenção! – ele me olhava com fúria.
“Deus, esse garoto não superou ter perdido para mim no duelo mesmo!”
- Mesmo com o pulso quebrado, eu posso vencer qualquer duelo com vocês, porque simplesmente vocês não sabem tocar e não tem talento. São três pirralhos que estão fingindo que tem uma banda e que foram derrotados por uma guria novata e estranha, né? É humilhante! – sorri vitoriosa.
“Ih... cutuquei a ferida”.
Nesse momento o refeitório inteiro começou a rir e eu mostrei o meu melhor sorriso maléfico.
- Ora, sua...
Nessa hora, agradeci por todos os deuses que Emmett é um excelente professor da arte de BRIGAR!”
Estava tão concentrada em tentar ver se eu era a culpada ou não, que nem percebi que Esme tinha se levantado e estava se despedindo do diretor.
- Desculpe novamente pela minha filha, prometo que iremos tomar severas providências – ela disse num tom que nunca escutei antes.
Ela disse severas? Eu escutei bem? Severas? Sempre quando ela ou meu pai dizem severas e providências na mesma frase, pode contar que estou perdida.
Haaa! Como queria tanto ser um vampiro agora, porque assim não podia morrer. Estou frita. Mas pensando bem, frita sim, arrependida, não...
Caminhei em silêncio ao lado de minha mãe. Ela ainda não falou comigo desde que saímos da sala do diretor. Ao levantar a cabeça, vi o carro de Carlisle na porta da escola.
- Por que o pai não entrou com a senhora? – olhei pra ela tentando sorrir, mas ela não olhou novamente pra mim.
“isso já está me irritando, ela nunca me ignorou assim”
- Porque ele não está comigo, tive que ir ao hospital pegar o carro, por isso que demorei. Agora entre no carro! - sua voz, que sempre foi angelical, estava completamente diferente. Nunca, mas nunca a vi tão irritada assim.
- Desculpe, mãe – sussurrei.
Ela não corria como meus irmãos corriam, ela dirigia com mais cuidado. Estava tão chateada com aquela situação toda que nem percebi onde estávamos indo, até ela parar. Foi então que olhei pra cima e congelei.
- Por que viemos pra cá, mãe? – disse espantada.
- Porque, como lhe disse, tive que vim pegar o carro do seu pai. Então vim pegá-lo e aproveitar para ele olhar você – ela disse friamente.
Foi então que olhei para o retrovisor e vi como estava horrível. Minha boca estava estourada, o sangue naquele local já estava estancado, mas meu supercílio esquerdo ainda estava aberto e sangrando.
- Vamos, filha – ela sorriu.
“Hummm, me chamou de filha, a raiva esta passando. Acho que não estou mais tão frita como antes”
Eu estava sentada em uma maca na enfermaria esperando minha mãe voltar junto de meu pai. Estava olhando atentamente um garoto deitado na ala do lado. Ele estava dormindo, mas puder notar como ele estava branco, mais branco que minha família. Será que ele é um deles? Mas se fosse, por que estaria dormindo? Dei um pulo da cama e fui em sua direção. Tinha uma prancheta e, como eu sempre quis seguir os passos de Carlisle, fui dar uma espiada.
”só uma olhada não faz mal”
- Sente-se na cama novamente, – Era a voz de Carlisle, suave, mas como esperava, num tom diferente.
“estava frita mesmo”
- Desculpe, pai – disse, sentando na cama. Ele, de imediato, colocou a mão no meu queixo e começou a examinar-me.
- Pensei que estaria mais ferida, filha. Pelo o que estou olhando, as aulas de Emmett até que deram resultado – sua voz estava divertida, como se estivesse com orgulho do que eu fiz.
- Mas – ele disse analisando.
“putz....mas... sempre tem o mas”
-O que eles fizeram para você perder a paciência? O que nós sempre lhe ensinamos? Não temos que ser discretos, filha? – ele olhava agora meu corte no supercílio.
”vocês, eu não”
- Eles falaram mal de vocês, os insultaram e eu não consegui me controlar. Sorte deles de não ser uma de vocês, senão estariam mortos – disse rindo. Nesse momento, ele olhou intensamente nos meus olhos.
- É por isso que não será até ter juízo – ele disse sério.
- Sei – revirei os olhos - Só depois de acabar a faculdade, sei – virei o meu rosto pro lado.
- ... ... Você está mudando, você não era assim – ele suspirou.
- Forks está alterando meu comportamento, vocês sabem o quanto odeio isso aqui e não sou mais aquela criancinha de sete anos, né?! – sorri forçado.
- Odeia? – ele sorriu - Pensei que estava adorando, logo agora que está distribuindo cadeiradas e bandejas nas pessoas. E você sempre será nossa criancinha – ele sorriu.
- Você deveria está-la recriminando e não elogiando, Carlisle – Esme disse irritada.
Minha mãe ainda estava chateada comigo, ou só estava se fazendo de mãe durona. Bom, esse termo, “durona”, não combina com ela.
- Só estou tentando ver o motivo que a fez atacá-los, e quanto à recriminação, isso faremos em casa. Agora vocês vão pro carro que irei em seguida, só irei dar alta para alguns pacientes – ele disse beijando minha testa.
Só foi nesse instante que notei que ele já tinha costurado meu supercílio. Só levei dois pontos, assim a cicatriz seria pequena. Caminhamos até o carro e minha mãe abriu a porta de trás pra mim. Entrei e sentei. Ela foi pra porta da frente, entrou e ficou esperando meu pai.
“ela não gostava muito de dirigir, não sei por quê. Todos amam, até eu”
- Filha?! – sua voz estava angelical, como sempre conheci.
- Sim, mãe? – disse normalmente.
- Estou desapontada com você, não a criamos para sair brigando por aí. Você é uma garota e não um menino de rua que sai distribuindo murros para todos os lados. Você poderia estar mais ferida, você estava sangrando, sabe como foi difícil pra mim? – ela disse suavemente.
- Mãe – suspirei - Eu lamento, lamento mesmo, não era minha intenção, juro que não era, mas eles falaram mal de vocês, todos vocês. Desculpe, foi errado, eu sei, mas – eu respirei fundo – Só tenho 14 anos, né? – dei o meu sorriso que eles mais adoram.
- Há, ! Às vezes me pergunto como você faz para não ficar com raiva de você – ela deu aquele sorriso que eu amava. Por impulso, pulei da cadeira e a abracei forte.
- Então, estou perdoada? – beijei sua bochecha.
- Não! Ainda teremos reunião! – ela sorriu.
“ haaaa, não! Reunião de família”
Nesse momento, Carlisle entrou no carro e deu a partida. No caminho de volta, não falamos mais nada. Aliás, eu não falei, mas eles estavam falando aos sussurros e muito rápido. É nessa hora que odeio ter uma família de vampiros, porque assim sempre era excluída das conversas. Chegando em casa pude notar que meus irmãos ainda não tinham chegado. Entrei correndo em casa e fui para meu quarto, mas antes de bater a porta e trancá-la, minha mãe alertou.
- Vai descer quando eles chegarem e não quero reclamação! – ela disse num tom autoritário.
Suspirei fundo e fui tomar banho. Minha cabeça doía. Doer? Eu disse doer? Doer era a palavra errada, estava mais que doendo, estava latejando, estava esquentando, estava pesada, estava estranha, isso sim. Depois de um longo e demorado banho, vesti qualquer roupa e deitei, esperando a penitência que estava por vir.
Estava tão exausta por causa da briga, porque depois da explosão de adrenalina, sempre vem o cansaço, né? Até os que estão no corredor da morte podem dormir um pouco. Sorri, peguei um cobertor e dormi.
Capítulo 3
Não sei exatamente quanto tempo dormi, mas estava um pouco melhor. Minha cabeça não doía tanto, mas latejava. Senti algo estranho no meu rosto: no local onde estavam os pontos e o rosto inchado, tinha uma bolsa de gelo.
Levantei e fui até o espelho, olhei atentamente meu reflexo e dei uma grande risada. Eu estava horrível. Meu olho esquerdo estava fechado, minha boca estava inchada e meu rosto, de um lado, estava normal, e do outro, parecia uma bola.
“ainda bem que levei 5 dias de suspensão, e como hoje é segunda, tenho praticamente 7 dias de recuperação”
- , desça agora mesmo! – Esme gritou.
Ferrou! Ferrou! Odeio isso, eles sempre sabem quando estou acordada! Mas que droga...
Arrastei-me até a sala, desci a escada mais lentamente possível, então pude ver todos eles. Estavam na sala, me esperando. Carlisle apontou para a sala de jantar e dirigi-me pra lá. Tinha uma mesa de dez lugares, onde sempre quando tinha reunião, sentávamos lá. Sentei em qualquer lugar. Rosalie sentou ao meu lado direito e Emmett, na frente dela; Esme e Carliste ficaram em pé na minha frente, Edward ficou ao lado deles, Alice sentou ao meu lado esquerdo e Jasper ficou em pé, ao lado dela.
- Que horas? – perguntei para quebrar o gelo.
- Você dormiu a tarde inteira, são 8 horas da noite – Rosalie falou ao meu lado.
- Então? Você não tem nada para falar? – Carlisle falou calmamente.
- Desculpe – sorri “se bem que eles mereciam mais ”
- ! – Edward recriminou.
- O que foi? – fiz a minha cara de inocente
- Você estava... – ele continuava me recriminando.
- AH, Edward! Mamãe já lhe ensinou que escutar os pensamentos dos outros é falta de educação, né?! – disse séria. Nessa hora, escutei Emmett gargalhar.
- Vem cá! Você quebrou mesmo a cadeira na cabeça do Newton? – ele disse contendo a risada. Eu só acenei com a cabeça, afirmando.
Ele esticou o braço e fechou a mão, formando um punho, e esperou eu bater, sendo que o sorriso dele estava de orelha a orelha.
- Boa, maninha! – ele riu. Curvei-me sobre a mesa e bati no seu punho com minha mão.
- Parem, vocês dois – Edward rosnou.
- Tá... tá... Desculpe... Não era minha intenção! Não mesmo, mas só tenho 14 anos, né?! Não posso ser tão responsável como vocês são, não tenho tanto autocontrole como você tem, Ed – sorri. Sabia como dobrá-lo também.
- Mas o que você fez foi errado, merece um castigo – Edward falou mais sério ainda.
“droga, não funcionou”
- Castigo? Acho que não é necessário, basta ter sido suspensa, né? – falei rindo. Edward ficou calado e balançou a cabeça negativamente.
- Merece mesmo – Rosalie falou do meu lado.
- Castigo? Pensei que só íamos brigar com ela, acho que não é necessário, Edward – disse Alice, ela estava tão calada que nem notei que estava ao meu lado.
- Claro que precisa de castigo, Alice! – Rosalie ralhou com ela.
Mas que droga, minha irmã contra mim, castigo... Nem conhecia essa palavra...
- Posso falar algo em minha defesa?Antes de o júri julgar? – dei outro sorriso colgate.
- Não! Você não tem defesa, errou – Edward quase que rosnou.
- Nossa! Por que não me crucificam logo! – falei irritada.
- Vocês nunca brigaram na escola, não? – Todos me olharam e reviraram os olhos.
- Tá! Esquece! Mas eu fiz isso porque não aguentava mais eles falarem mal de vocês – disse o mais sincera possível.
-I..g..no..rar! Conhece essa palavra? – Edward falou bem devagar.
“legal, agora ele acha que sou uma débil”
- Não acho isso de você, mas com essa atitude estava chegando perto – ele disse sério.
- Edward, por que você não vai escutar os pensamentos de algum macaco, hein? – falei olhando seriamente pra ele.
- Você está pensando que é quem para falar assim comigo? – disse rosnando baixo.
“uii! Morri de medo agora” pensei e dei meu sorriso malicioso. Sei tanto dobrá-lo como irritá-lo. Ele fechou os olhos, fechou os punhos e suspirou fundo.
- O quê, Edward? Tá com raiva de mim? Vai me atacar? – disse irritando-o.
"vamos ver até onde irá o autocontrole dele"
- Basta! – Carlisle falou olhando seriamente pra mim – Pare de irritar seu irmão! – esbravejou.
- EU? Ele que começou! – fiz uma cara de espanto.
- Seu irmão está certo, você errou e terá que ser punida – Carlisle dissera firmemente.
“até tu, Brutus”
- Desculpe, Ed! - falei o mais sinceramente que pude. Vamos ver se assim alivia minha barra.
- Crianças... – ele falou dando um sorriso forçado.
“Idiota!”
Ele dá uma gargalhada.
– Então? Vamos julgar? – ele deu aquele olhar “maninha, você está ferrada!”.
Nesse momento, todos começaram aquela conversa que odiava, falar rapidamente. Só via Edward mexer que sim ou que não com a cabeça. Alice balançar a cabeça negativamente com tudo que era dito. Rosalie imparcial, como sempre. Emmett às vezes ria, às vezes ficava sério. Jasper, bom, ele estava lá? Carlisle e Esme imparciais também.
- Então está decidido – dissera meu pai. Isso fez eu voltar a olhar pro meu pai. Nessa hora, meu coração disparou e encarei-os para o veredicto.
... O significado de castigo é muito cruel para quem tem 14 anos de idade. Estou há três meses indo do colégio pra casa e pro meu quarto, não podia mais praticar nada com Emmett, não podia mais tocar “eu amo tocar piano e bateria”. Foi retirado do meu quarto minha TV de plasma, que parecia uma tela de cinema ,“ahhh! Minha TV”, meu vídeo game, meu computador, meus brinquedos, minha bateria. Foi retirado tudo de mim, não podia nem ao menos ir na garagem. Fiquei confinada em meu quarto, até, bom, até eles cansarem.
“você não imagina como é impossível um vampiro cansar”
E cá estou, deitada na minha cama olhando para a janela, onde, para variar, estava chovendo. Estava começando a me estressar, mas o que estava mais me perturbando era o fato de todos estarem diferentes, todos mesmo. Edward sumiu por um tempo e voltou, agora mal para em casa. Faz exatamente dois meses que ele não toca nada e nem fala comigo. Alice, que antes vinha em meu quarto para me distrair, sumiu também. Rose está mais estressada que antes e os outros, sempre quando chego perto, mudam de assunto ou falam mais rápido ainda. Tem algo estranho acontecendo e eles não querem me contar.
Bom, ao menos nessas duas últimas semanas minha vida deu uma pequena melhorada. Um primo de Rebeca veio passar um tempo com eles e eu meio que estou, humm... Gostando dele. Ele tem 16 anos, tem 1,70cm de altura “eu tenho 1,68 e crescendo”, loiro com aquele penteado estilo moicano que é moda agora, corpo bem atlético e o melhor de tudo: ele gosta quase das mesmas bandas que eu gosto. E os olhos! Ah! Os olhos... Acho que nunca vi o céu tão azul. Se não fosse por esse Deus grego, acho que já estaria no fundo do poço.
Suspirei fundo e levantei, aindo até o banheiro me olhar.
- Humm! Não sou feia: olhos verdes, cabelo castanho claro - agora está quase loiro por causa das luzes que apliquei nele. Só acho que estou um pouco pálida, também, tem sol ao menos aqui? E 14 anos, será que tem problema na diferença de idade? Acho que não. É! Irei ligar pra Rebeca.
Peguei meu celular “único pertence que não foi confiscado, junto de meu Mp4, que escondi”
- Oi, Rebeca? – disse assim que ela atendeu.
- ?! – ela parecia espantada.
- Sim – sorri - Me diz uma coisa, ainda esta de pé a praia amanhã? – disse normalmente.
- Lógico! Você vai? – ela parecia contente.
- Só se não for La Push – sorri.
- Se você for, não irá ser La Push – ela disse rindo.
- Que horas? – indaguei.
- Às 8, meu irmão quer pegar umas ondas – explicou.
- Estarei aí – disse normalmente.
- Saiu do castigo? – ela disse espantada.
- Não, mas irei pedir clemência – escutei-a dando uma risada.
- Boa sorte, então – ela continua rindo.
- Ok... Até amanhã – disse desligando o celular.
Quando desliguei, olhei pro relógio, que marcava sete horas da noite. Bom, hoje é sexta, acho que todos estão em casa. Desci preparada para implorar, mas estava tudo quieto. Olhei para a sala e estava vazia, olhei pros lados e não vi ninguém, então notei um bilhete na escada, peguei e li.
“Tem comida na geladeira, não demoraremos – com amor, Esme”
- Droga, será que é para eternidade esse castigo, já faz três meses – disse irritada.
Estava com tanta raiva que comecei a ter ideia de quebrar todos os cristais da mamãe, mas se eu quisesse misericórdia não era uma boa maneira de conseguir. Peguei algumas frutas e sentei no sofá. Liguei a TV a fim de fazer o tempo passar.
Oito horas, nove horas, dez horas e nada. Para passar o sono, fui até o piano e comecei a tocar uma música de composição própria.
( n/a: Bom, não é própria, mas como estamos numa estória, um pouco de plágio pode, né?, para quem conhece, a música é Lasting Child, da banda Angra. Colocarei em português aqui, mas a música é em inglês.)
Anos se vão - Desperte novamente
Em uma estrela brilhante - Que brilha de tão longe
Criança Remanescente - Permanece Dentro
Brincando por aí - um futuro negado
Bem alto acima de sua mente, o crepúsculo está em vista
Apalpando a névoa
Demorando ao redor...
Sopre,
Ventos me carreguem
Me levem alto
Onde eu possa ver
As luzes escondidas
Que brilham bem longe...
E então
Um sonho pintado
Cores que derretem
Dentro de armações esbeltas
Ali eu ficarei
Ali eu pertenço
Estava tão concentrada na música e cantando pra mim mesma que não me dei conta de que todos tinham chegado e estavam na entrada, me observando, e junto deles tinha mais dois “amigos”. Parei imediatamente e engoli em seco, fitando-os. Eles estavam usando seus uniformes de jogo de beisebol.
“eles estavam jogando? E não me chamaram? E onde está o Edward?”.
Fechei o piano, olhando pra eles um pouco chateada.
- Por que não me chamaram? – disse com raiva.
- Porque ainda está de castigo, filha – Carlisle falou calmamente.
“merda!”
- Desculpe, tava sem sono e como não tinha nada pra fazer, resolvi tocar. Sei que está proibido – disse tentando não levar mais bronca.
- Eu estava adorando, filha – Esme falou indo em minha direção – É você a criança? - Ela disse rindo.
“eu estava cantando alto?”
- Desculpe – foi tudo que pude dizer.
- Filha, esses são Peter e Charlotte – Carlisle disse apontando pra eles – São amigos de Alice e Jasper – completou.
Cumprimentei-os, eles são tão lindos. Bom, todos são, né?
“Visitas? Humm... Minha chance”
- Pai? Mãe? Posso falar um instante com vocês? – disse séria.
- Claro, já comeu algo? Parece um pouco pálida – Esme disse passando a mão na minha testa.
“agora ela tá preocupada”
- Sei que ainda estou de castigo, como o senhor mesmo disse, mas será que amanhã podem fazer uma exceção? – suspirei - Rebeca irá passar o dia na praia com a família e me convidou, e o que faço nesses três meses se não for me comportar? – sorri. Os dois olharam um pro outro, falaram algo e olharam pra mim, sorrindo.
- Tudo bem, como você mesma disse, tem se comportado. Não só abrirei uma exceção, como está fora do castigo - Carlisle disse rindo.
- Sério? Verdade? – disse sorrindo de orelha a orelha.
- Sim, a que praia irão? – ele sorriu.
- Não sei, ainda iremos decidir. Mas não se preocupe, não irei quebrar mais as regras – disse dando-lhes um beijo.
-Se os senhores me dão licença, irei dormir. Amanhã marcamos cedo – disse indo pro meu quarto.
- Vocês já tinham marcado? – Jasper falou, rindo.
- Eles sim, eu não dei minha palavra de que ia – me defendi.
- Hum, sei... Sei - ele deu aquele olhar desconfiado. Mostrei a língua pra ele e subi a escada, correndo.
- Bonita filha humana Esme, como vocês conseguem? - Antes de entrar no meu quarto pude ouvir Charlotte.
Quase não consegui dormir direito, estava muito ansiosa, queria tanto curtir depois de três meses. Olhei pro relógio e ainda marcava seis horas da manhã.
“Cedo, mas irei arrumar as coisas”
Praia... Mar... Sol... Dia inteiro...
”Hum, cadê minha roupa térmica?”.
Desci a escada correndo e aos gritos.
- Mãe! Mãe! – gritei e em questão de segundos ela estava ao meu lado.
- O que foi? Pra que essa gritaria? – ela disse espantada.
- Minha roupa térmica de surf foi confiscada também? Não estou achando – disse normalmente.
- Vai surfar? – Rosalie perguntou com a cara mais amarrada ainda.
- Não sei, só quero me prevenir, sou acostumada com o frio, mas também não quero abusar – disse dando de ombros.
- Eu joguei – Alice disse rindo.
- Por que diabos você fez isso? – a olhei furiosa - Não é porque que nos mudamos para um local mais calmo que não irei deixar de fazer as coisas que gosto, Alice. E por que você não me comunicou? E agora? Se a água estiver fria? Como irei fazer? Mas que merda, Alice – esbravejava.
- Hei, calma! – ela disse rindo - Se você ainda não percebeu, mocinha, você está mais alta do que há dois anos. Até me passou, então ela não servia mais mesmo. E tem outra, você sabe o lema: vida nova, roupas novas - ela saiu rindo.
- Mãe! – choraminguei.
- Que horas você combinou com sua amiga? – ela disse rindo e tocando no meu ombro.
- Oito – disse seca.
- Iremos sair mais cedo e compro no caminho para você – ela disse me dando um beijo no rosto e me abraçando.
“ Hum... Como estava com saudade disso”
- Irei pegar minhas coisas e já volto – dei um beijo em seu rosto e subi. Peguei tudo que precisava e desci. Ia tropeçando na escada por causa da prancha, mas Rosalie me segurou.
- Olha! Cuidado, menina! Não vá cair da escada, sangrar e causar uma tragédia aqui – ela disse entre os dentes.
- Rose, que bicho te mordeu, hein? – disse normalmente.
- Vai logo para esse seu passeio, ao menos uma humana a menos pra me estressar – ela disse, me soltando.
“Uma humana a menos? Eu a estresso?”
- Vamos, filha? – Esme disse tocando no meu ombro.
- Claro, mãe – sorri.
Me despedi de todos, menos de Edward e Emmett, que não estavam. Segundo meus pais, eles estavam caçando. Pegamos o carro do Emmett emprestado, por causa da prancha, compramos minha roupa térmica no caminho e, quando era 8 horas em ponto, estávamos no local combinado.
- Até mais tarde, mãe – dei-lhe um beijo de despedida.
- Pego você aqui a que horas? – ela disse rindo.
- Não precisa, irão me deixar perto de casa. Aí ligo, tudo bem? – sorri.
- Liga mesmo.
- Tchau – disse saindo do carro.
- Tchau – ela sorriu.
Estava fazendo sol e, ao olhar melhor, à minha frente estava aquele Deus grego, arrumando as pranchas no carro dos pais de Rebeca. Respirei fundo e fui até ele.
- Você irá surfar também? – disse, aproximando-me.
- OLHA! Hei, Rebeca! Veja quem foi libertada – Adam disse rindo.
Ele caminhou em minha direção e me abraçou. Adam era o irmão mais velho de Rebeca, tinha 18 anos, estava no último ano e ia para a Europa ano que vem.
- Fui, né? – disse rindo e retribuindo seu abraço.
- ! – Rebeca gritou e me abraçou.
- Só faltava você, pensei que não ia conseguir, não me ligou dando resposta – ela disse me soltando.
- É mesmo! Acho que fiquei tão empolgada que esqueci – sorri.
- Deixe que amarro sua prancha aqui – aquela voz, sim, era ele, o meu Deus grego.
- Claro, Albert - dei um sorriso pra ele e ele retribuiu. Rebeca me deu um beliscão.
- Hei! – recriminei-a.
- Está babando! – ela disse rindo.
- Tola! Então, tudo arrumado? Vamos? – falei tentando disfarçar que estava realmente babando.
A viagem para a praia - que eu ainda não sabia qual era -, foi bastante divertida. Albert ficou tocando violão o tempo todo, Adam ficou o acompanhando numa espécie de tentativa horrível de fazer instrumento pela boca enquanto dirigia, e Rebeca ficou lá, coladinha com o namoradinho dela, o Cris.
- Por favor, Adam, para de assassinar a música – disse rindo.
- Eu não estou assassinando nada – ele retrucou.
- Meus ouvidos pedem clemência! – supliquei.
- Hei Albert, sabia que a toca tudo quanto é instrumento? – Rebeca disse rindo. Eu a fuzilei com os olhos
- É? Quais? – ele parecia duvidar.
- De bateria a violino – dei de ombros.
- Hahaha! Duvido – ele riu forçado.
- Entregue-me o violão e peça qualquer música que eu toco, e você ainda pode escolher o ritmo – falei o mais convencida possível.
Ele deu uma gargalhada e me entregou o violão. E foi assim o resto da viagem inteira, ele me desafiando, eu aceitando e ele ficando cada vez mais abismado.
“Quando chegar em casa, irei agradecer o Edward”
- Chegamos! – Adam gritara.
A praia era linda: água bem azul, o mar estava perfeito para ondas e, se nós enjoássemos de surf, poderíamos dar uns pulos de uns penhascos que tinha no lado leste. Estava tirando minha prancha do carro quando olhei pro mar, as ondas davam uns 3 ou 4 metros, estavam perfeitas.
- Mas que lindo! Nunca vim aqui, que praia é essa? – disse olhando pro Adam.
- La Push! – Adam sorria pra mim – É a melhor para pegar ondas. Nessa hora meus olhos arregalaram-se, tremi da cabeça aos pés.
“La Push... La Push... Não pode”
Capítulo 4
- Por favor! Pessoal, vamos para outra praia – supliquei pela milésima vez
- Deixe de ser chata, – Adam retrucou - Vamos logo pegar umas ondas, não é possível que você não goste daqui. Você mesma disse que tinha achado lindo e perfeito para surfar.
- Vocês não entendem, eu disse para meus pais que não seria essa praia, não quero voltar a ficar de castigo – disse quase chorando.
- Hei, calma! Não iremos contar que estivemos aqui. Arrume-se e vamos curtir o dia – Albert disse, passando os braços nos meus ombros.
“Será? Será que devo? Se eu ligar pra eles... Melhor não, mas com ele me pedindo assim... Certo, não irei dizer onde estava, não é comigo isso, né? Só não dizer meu nome”
- Tudo bem! Irei me arrumar – disse, vencida.
Armamos um acampamento com uns troncos jogados na praia. Utilizamo-os para fazer uma espécie de banco. Estava terminando de colocar minha roupa térmica, quando escutei Adam e Albert discutirem.
- Já disse, não é assim – Adam olhava para uma pilha de galhos.
- Eu sei muito bem acender uma fogueira – ele estava abaixado diante da pilha de galhos.
Peguei minha mochila, abri e comecei a procurar uma caixa de fósforos e o fluido.
“ Eu sempre levo comigo, onde está”
Senti meu celular vibrar. Ao olhar, era o número da Alice.
- Droga! – atendi.
- Oi, Alice! – tentei ser o mais natural possível.
- Oi nada – ela gritou.
- Sai daí agora! – disse bem irritada.
- Alice escuta, eu não sabia tá, não conte nada para ninguém, estou lhe implorando – supliquei.
- Não decidi ainda, como você pode desobedecer assim? Colocar-nos em risco – a sua voz, que antes pra mim era de uma fada, estava mais parecendo de uma chata, isso sim.
- Alice, como lhe disse, EU não sabia, mas já iremos para outra praia, prometo, só não conte nada para ninguém, tá? – eu implorava.
- Você está mentindo, Cullen – gritou
“Ih, me chamou pelo nome inteiro, está com raiva”
- Não estou, eu prometo que iremos para outra praia – disse tentando manter a calma.
- Está! Eu vi! Agora, se minha visão não mudar em cinco minutos, juro que irei fazer você ir para um internato militar na Rússia! – ela disse num tom assustador.
- Tá certo Alice, irei dar um jeito – disse desligando o celular.
“Merda”
- Hei! Vamos para outra praia, por favor! – disse indo na direção do Adam.
- Não mesmo! Vamos ficar por aqui, já armamos até acampamento. Só falta acender a fogueira – ele disse apontando pra fogueira.
- Mas Adam, eu não posso, parece que minha irmã descobriu e ela quer que saiamos daqui, senão me dedura – disse quase chorando.
- Qual é o problema de vocês com essa praia? – Adam perguntou, olhando-me feio.
- Qual é o seu problema em sair dessa praia? – responder com uma pergunta é a melhor maneira de evitar a resposta da pergunta, entendeu? Nem eu!
- Há, – ele suspirou.
- Por favor! Suplico! Senão irei pra um internato militar RUSSO! Por favor, por que não outra praia? – disse fazendo biquinho.
- Você não acha que eu vim de boa vontade trazer vocês só para ficar de babá, foi? – ele me olhou sério.
- E não? – Albert disse sorrindo.
- Não! Eu fiquei de me encontrar com minha namorada aqui, e ela está vindo com uns amigos da escola – ele se explicou - Vamos fazer o seguinte, esperamos eles, aí saímos daqui, certo?
- Obrigada, Adam – disse me distanciando um pouco e liguei para Alice.
- Alice? – disse assim que ela atendeu.
- Não mudou nada! – ela disse com raiva.
- Vamos fazer o seguinte, iremos esperar a namorada do Adam chegar, aí sairemos daqui, tudo bem assim? – disse calmamente.
Ela ficou uns minutos calada.
- Ok! Acabei de ver, irei cancelar sua matrícula – ela gargalhou.
- Obrigada Alice, não conte nada, por favor! – supliquei.
- , eu a amo, não quero que se machuque e nem que se prejudique. Não irei contar nada, prometo, mas você está me devendo essa – ela disse rindo.
- Tudo bem, pago como você quiser – disse vencida, então ela deu uma gargalhada.
- Irei cobrar, mas fique...
Nesse momento, a ligação caiu. Olhei pro celular e vi que tinha descarregado.
“Droga, esqueci de carregar a bateria”
Olhei pros meninos e eles ainda estavam tentando acender a fogueira. Tirei da minha mochila o fluido e o fósforo
- Afasta, Albert – disse me aproximando dele.
Quando ele se afastou, joguei um pouco do fluido nos galhos e acendi o fósforo, fazendo a fogueira acender rapidamente.
- Mas! – ele deu um pulo - Por acaso você é uma incendiária, é?Quem é que tem gasolina na mochila! – ele estava assustado.
- Deixa de ser besta, não é gasolina, é fluido, e está na minha mochila porque nunca tiro - falei guardando tudo colocando a mochila em um tronco.
- Hã? – ele disse erguendo uma das sobrancelhas.
- Albert, eu sempre acampo com meus irmãos e essa mochila é a mesma que levo, então tem uma espécie de kit de sobrevivência, entendeu agora? – disse revirando os olhos.
- Hum, , você tem mesmo 14 anos? – ele sorriu.
- Sim, por quê? – disse normalmente.
- Não parece, você não pensa e nem fala como se tivesse essa idade – ele disse sorrindo.
- Convivo muito com meus irmãos, então acho que é por causa disso – dei de ombros.
- Mas pelo o que a Rebeca me disse, eles não são tão velhos assim – ele me olhou desconfiado. - Você que pensa – falei um pouco baixo.
- Como? – indagou.
- Vamos surfar um pouco? – olhei, rindo pra ele.
A água estava fria, como era de imaginar, mas o mar estava perfeito para pegar ondas. Ficamos surfando por um bom tempo. Perdi completamente a noção do tempo. Tinha caído várias vezes; também, faz tempo que não surfo. Estava remando para a próxima onda, quando escutei Albert gritar
“ESSA NÃO! VAI QUEBRAR NO MEIO”
Então foi quando percebi que era a onda errada, tinha mais ou menos 8 metros e eu já estava nela. Subi na prancha para tentar ao menos sair dela, quando ela quebrou no meio, batendo com tudo em cima de mim, quebrando minha prancha ao meio. Com a força da água, fui praticamente devorada por ela. Deixei a água me levar, tentando economizar energia para subir novamente. Quando senti que não era mais puxada para baixo, comecei a nadar para a superfície e nadei, nadei, nadei e nada, estava começando a ficar sem oxigênio.
“Não posso ter sido levada tão pro fundo”
Quando o desespero começou a tomar conta de mim, sentir um braço me puxando e, em questão de segundos, estava na superfície novamente.
- Pensei que tinha se afogado, nunca vi alguém ficar lá embaixo esse tempo todo – Albert falava, preocupado - Apoie-se na prancha, vamos para a praia.
- Obrigada, já estava ficando sem ar - disse, respirando aliviada.
- Você não viu que ia quebrar? – ele disse ainda preocupado.
- Sinceramente, não – disse tentando recuperar o fôlego.
- Acho que sua prancha morreu - ele deu um sorriso.
- Assim ganho outra – sorri de volta.
- Mas eu vi a marca, é das bem caras, seus pais não irão brigar, não? – disse todo espantado.
- Não – dei de ombros.
- Vocês são ricos, é? – perguntou.
- Sim – dei uma risada.
- Desconfiava – sussurrou.
Depois de sair do mar com Albert, caminhamos em direção ao nosso acampamento, e pude ver umas pessoas ao lado da fogueira que EU tinha deixado acesa.
“Haa, não! Se eu estiver certa, aqueles ali são... Não!” gemi
- Hei, , o que foi? – Albert percebeu meu gemido.
- Tá vendo aquele grupo ali? – apontei - Perto da nossa fogueira? Conheço três pessoas, da esquerda para a direita. Jéssica Stanley, Mike Newton e Lauren Mallory, são irmãos mais velhos dos meninos que disse que me envolvi numa briga. Se eles me virem aqui, acho que irão querer dar o troco, ou contar para meus irmãos que estava aqui, só para me prejudicar – Parei e fiquei analisando a situação.
“Estou ferrada! Novamente!”
- Não se preocupe, não irei deixar você sozinha – ele riu.
- E por acaso você sabe brigar? – disse zombando.
Nesse momento, ele me deu uma rasteira. Cai com tudo na areia e ele ficou em cima de mim, sorrindo.
- Isso responde sua pergunta? – ele disse olhando nos meus olhos.
- Certo... Certo... Sabe... – disse rindo.
“Era impressão minha ou o rosto dele estava mais próximo? Nossa... Tá ficando mais perto!”
Quando ele ia me beijar, Adam jogou água em cima da gente, fazendo o Albert sair de cima de mim e correr atrás dele.
- Volte aqui, seu imbecil! Fiquei um tempo olhando aquela cena toda e rindo. Depois, fui me aproximando da fogueira. Tinha que ir para lá, minhas coisas estavam lá.
- Não vem, é? Então, o que é aquilo ali? – escutei Mallory me acusando.
Nesse momento, parei e fitei-os. Ao lado de Lauren estava uma menina que nunca tinha visto, que parecia estar morrendo de frio; do outro lado estava um menino que, se não estou enganada, chamava-se de Tyler, Taigor, alguma coisa assim; e três meninos que, pelos trajes, são da reserva. Também não os conhecia. Todos estavam sentados em volta da fogueira que EU fiz.
- Desculpe, só vim pegar minhas coisas – disse sem dar atenção para ninguém e pegando minhas coisas.
- Hei, Cullen! – Lauren gritou - Estávamos falando aqui que seu irmão deu um bolo em Bella.
- Desculpe, Mallory! O que você disse? – disse parando e encarando-a.
- Ninguém me deu um bolo – era a voz da menina que morria de frio.
- Mas me diz uma coisa, se o Sam disse que vocês não vêm aqui, então por que você esta aqui, heim? Cadê seus irmãos? Especialmente o Edward, que deu bolo na Bella – disse Mallory cinicamente.
“Mas que diabos tem a ver essa tal de Bella?”
- Hã? – olhei para essa tal de Bella.
- Desculpe, Isabella Swan – ela disse levantando e me cumprimentando – Não liga para ela, ela quer me irritar. Seu irmão não me deu bolo nenhum.
- Cullen – por educação, cumprimentei-a - Agora, se me dão licença, – observei que o mais velho dos meninos da reserva estava me fuzilando pelos olhos.
- Foi um prazer conhecer todos. Até, Isabella – disse indo embora.
- Bella.... – ela corrigiu.
“ Bella? É?”
- Ok, Isabella – disse entre os dentes.
Quem era essa Isabella? E por que Edward deu um bolo nela? Bom... Está sol, La Push, ele não podia vir mesmo. E aquele índio, por que quis me matar com os olhos?
-HAAAAA! – o grito de Rebeca me fez voltar à realidade. Ela tinha acabado de pular do penhasco, e era minha vez. Tínhamos escalado um penhasco pequeno, de uns 5 metros, e estávamos pulando. Quando eu ia pular, um braço segurou-me pela cintura.
- Hei! Minha vez – disse Albert, dando-me um beijo no rosto e pulando na minha frente.
- Exibido!– Gritei
- Hei, Cullen! – algum me chamou. Automaticamente me virei para a voz.
- Sim? – disse normalmente. Quando olhei, era um dos meninos índio que tinha visto mais cedo. Ao olhar melhor, notei que tinha um menino escondido atrás de uma árvore.
- O que você faz aqui? Dou-lhe 30 minutos para sair, é meu território. Sai ou morre – ele esbravejava.
- Mas eu não fiz nada - falei calmamente.
- 30 minutos – ele parecia bem irritado.
- Irei embora quando estiver a fim – retruquei.
- Vamos! Tá com medo! Pule logo! – escutei Rebeca gritando lá de baixo.
- Pule e vá embora, melhor para sua saúde. E prometo que irei relevar que vocês violaram o pacto – ele parecia estar cada vez mais irritado.
- Deixe de ser idiota, olhe bem pra mim, pareço uma deles? Então esse pacto idiota não cabe a mim e, consequentemente, minha família não violou nenhum trato - disse rindo.
- Não me faça perder a paciência com você, pule e vá embora – ele falava entre os dentes.
- Posso saber qual o nome de quem me ameaça? – continuei rindo.
- Melhor não, vá embora, não posso controlar meu amigo, vá! – ele estava começando a tremer.
Olhei então para o menino que estava atrás de uma árvore. Pude notar que estava tremendo também. Dei uma sonora gargalhada.
– Se vocês não notaram, eu sou menor de idade e, pelo o que parece, você já passou dos 18, e seu amigo... Hum... Daqui não dá para notar, mas sabe que é crime, hein! – continuei rindo.
- VÁ EMBORA, CULLEN! – Ele se movimentou tão rápido que nem notei quando ele me pegou e me lançou. Lançou mesmo! Penhasco abaixo.
Como fui projetada penhasco abaixo, cai na água feito pedra e saí ricocheteando. Senti minha cabeça bater em algo duro e uma dor e ardência começaram. Quando olhei ao redor, vi a coloração da água mudando para vermelho.
“Filha da p... Quebrou minha cabeça!”.
Segurei a dor, controlei a vontade de desmaiar e nadei para a superfície. Tinha começado a chover e, quando olhei ao redor, vi o quanto fui “arremessada”. Estava um pouco longe da margem, acho que uns 100 metros.
“Mas que droga! Terei de nadar isso tudo”
Coloquei a mão perto da minha nuca, senti uma ardência e olhei para a minha mão, que continha sangue.
- Índio filha da... – deixa só eu nadar de volta!
Comecei a nadar de volta, mas estava ficando sem força. Minha visão começou a ficar embaçada, pude sentir que a qualquer momento ia desmaiar. Tentei o máximo possível nadar até a beirada, mas não consegui, e a escuridão me dominou.
Não sei exatamente como cheguei à beira, não sei se nadei ou fui trazida pela correnteza, mas estava fraca, não conseguia sentir meu corpo, não conseguia escutar, não conseguia enxergar, estava completamente exausta. A chuva batia em meu rosto parecendo agulhas afiadas. Tentei levantar, mas não consegui. Não sei quantas horas fiquei de costas na areia olhando a chuva cair. Estava com muito frio, sou acostumada com o frio, mas já estava demais. Quando a escuridão ia me dominar novamente, fui despertada com tapas na cara e alguém gritando meu nome.
- Pelo amor de Deus! Abra esses olhos! – alguém estava gritando, mas de quem era essa voz? Não reconhecia.
- , acorde, vai! – agora era uma voz feminina.
- Como ela veio parar aqui? – uma voz de homem.
- Não sei, estávamos esperando ela pular e não pulou. Pensei que estivesse com medo e, quando subi novamente, não tinha ninguém lá – a voz feminina parecia bem assustada.
“mas por que não consigo abrir os olhos?”
- Albert, sua mão está sangrando! – aquela voz de homem novamente.
- Não é meu sangue, é da cabeça dela – essa era a primeira voz que escutei, essa voz, mas quem era esse Albert?
- Vamos! Vamos levá-la ao hospital – Então, senti meu corpo sendo carregado.
Quem eram? Por que não me lembro de nada?
- Será que ela morreu? – a voz feminina.
- Não seja estúpida! Ela está respirando, veja – voz de um homem.
- Mas o que eu acho mais estranho é como ela foi parar do outro lado da praia – outra voz de homem.
“HA! Lembrei! São meus amigos, Adam, Albert e Rebeca”
Tentei abrir os olhos. Pisquei várias vezes, tentando enxergar novamente, e vi que estava deitada no colo de Albert enquanto ele sorria radiante pra mim.
- Você acordou! – ele gritou.
- Hã? – foi tudo que conseguir falar, minha boca estava seca e não conseguia lembrar quanto tempo fiquei desacordada.
- Graças a Deus - Adam tinha parado o carro e olhado para trás.
- Estava nervoso, ficamos procurando-a por duas horas, você sumiu. Estava pensando em como explicar isso pros seus pais, estava desesperado! – ele respirou - Você sabe que eu era o responsável! Imagina! Como você está se sentindo? Vamos pro hospital, você está com um baita corte na cabeça, e sem contar que está muito pálida – ele falou tão rapidamente que minha cabeça girou.
- Duas horas? Cabeça? Sumir? – disse confusa.
- Adam, deixa-a. Dirige, vai – Albert falou sério.
- , o que aconteceu? – Rebeca falou.
Pensei um pouco, tentando lembrar o que realmente aconteceu, mas minha mente estava tão vazia.
- Não sei, sinceramente não lembro – disse aos sussurros.
- Deve ser por causa da batida na cabeça – Albert falou fazendo um carinho no meu rosto.
- Onde estamos indo? – falei um pouco rouca.
- Pro hospital – Adam respondeu.
- Não! Precisa me levar pra casa, devem estar preocupados – disse alarmada.
- Hospital! – ele ordenou.
- Adam, meu pai é médico e, nessa hora, já deve estar em casa. Aliás, que horas? – disse preocupada.
- Não sei , ainda acho melhor ir pro hospital – ele parecia apreensivo.
- Que horas? – perguntei novamente.
- Quase 5 – Albert respondeu, rindo.
Tentei ficar sentada no banco, mas foi inútil, minha cabeça girava feito carrossel.
- Minha casa é mais perto que o hospital, me leva pra lá, por favor! – supliquei.
- Tá bom! – ele disse entre os dentes.
- Obrigada! E se meus pais perguntarem, não estava em La Push, tá? – sorri.
Todos concordaram e meus olhos fecharam novamente, mas logo se abriram, porque o carro parou novamente.
- Chegamos – Adam disse olhando pra mim.
- Tem certeza que não quer ir ao hospital? – ele dissera preocupado.
- Meu pai é médico, lembra? – disse me levantando, mas minha cabeça girou novamente, só que dessa vez eu ignorei e me apoiei em Albert.
- Obrigada, Albert – olhei rindo para ele. Quando ia abrir a porta, ele me segurou.
- Hei, ! Foi muito legal ficar com você esse dia, mesmo com esse susto no final. Mas que tal amanhã nos encontrarmos e trocarmos algumas ideias sobre música, heim? – ele sorriu.
“O quê? O Deus grego quer se encontrar comigo? Só posso estar sonhando! Bati a cabeça com muita força mesmo!”
- Então? – ele continuava rindo.
- Se eu tiver viva, ótimo, até amanhã, então – disse dando-lhe um beijo no rosto, mas no momento do beijo, ele virou o rosto, fazendo nossos lábios se encontrarem. Escutei todos no carro rindo, mas não liguei, estava nas nuvens. Meu primeiro beijo, será que estou beijando bem? Será que ele notou que é meu primeiro beijo?
- Tá bom! Tá bom! Melhor ir soltando, você não vai querer conhecer o irmão mais velho dela, ele dá uns 3 de você, Albert – Adam falava rindo.
Automaticamente, soltei-me dele, abri a porta e saí correndo em direção à casa. Abri a porta o mais rápido que pude e a fechei sorrindo, suspirando e me segurando para não cair, porque outra onda de vertigem me atingiu. Foi então que escutei uma música sendo tocada no piano. Era uma melodia nova, nunca tinha escutado antes e, pelo jeito, era o Edward que tocava.
- Cheguei – disse segurando o riso - Desculpa não ter ligado, é que descarregou...
Não consegui completar a frase, porque foi nesse momento que percebi que os “convidados” ainda não tinham ido embora. Eles estavam parados na minha frente com os olhos vermelhos e uma expressão tensa. Ao lado deles, Jasper parecia do mesmo jeito, só que estava mais rígido que eles. Então me toquei, EU estava sangrando e eles não eram vegetarianos.
Tudo aconteceu muito rapidamente. Edward tinha parado de tocar e gritado um NÃO, Esme e Rosalie estavam na minha frente, enquanto Emmett e Carlisle estavam segurando os convidados, e Edward já estava segurando o Jasper pelo pescoço. Alice estava ao lado dele, falando algo em seu ouvido.
Fiquei paralisada. O pânico tomou conta de mim, nunca tinha visto isso antes, morando 14 anos com eles, nunca tinha os vistos assim. Todos estavam rosnando, com a boca curvada para trás mostrando os dentes, e a tensão no ar estava insuportável. Dei um passo para trás e senti a porta. Por instinto abri-a e sai correndo. Não consegui correr muito, porque alguém me segurou.
- HA! SOLTA! - estava apavorada.
- Shiii... Sou eu, Rosalie, acalme-se – ela falava bem no meu ouvido.
Automaticamente fechei os olhos, não queria olhar, não queria ter medo, não queria ver os olhos vermelhos, mas o pânico já tinha me dominado.
- Sou eu, não reconhece minha voz? Acalme-se, ninguém vai te machucar – ela disse calmamente.
- ME SOLTA! – disse tentando me soltar dela.
- , sou eu! Pare! – ela disse me apertando.
Fui perdendo as forças novamente e, mais uma vez, desmaiei...
O frio estava cada vez mais insuportável, meu corpo estava dolorido, minha cabeça não parava de girar e, novamente, não conseguia abrir os olhos. Estava mergulhada na escuridão e, para completar, estava tendo dificuldade de respirar. Nessa hora, senti algo sendo colocado na minha testa. Tentei abrir novamente os olhos, mas não consegui.
- Como ela está? – essa voz era o Edward. Finalmente, ele estava preocupado comigo novamente.
- Com febre alta – era a voz da minha mãe, que estava horrível.
- Liguei para Rebeca para saber o que aconteceu. Eles não sabem o que aconteceu realmente, falaram que estavam brincando de pular num penhasco e acham que ela bateu a cabeça quando pulou – Sim... - Era o Edward.
- Isso não é dela - era de Emmett essa voz.
- Pior que você está certo Emmett, ela nunca ia arriscar-se assim – Edward estava falando mais perto de mim.
Senti uma mão tocar na minha cabeça e as dores naquele local ficaram insuportáveis.
- AI! – conseguir resmungar.
- Abra os olhos, filha – Carlisle estava falando no meu ouvido.
Novamente, senti algo cutucar minha cabeça.
- PARE! ISSO DÓI! – resmunguei novamente.
- Edward, pega minha maleta, irei aplicar mais anestesia no local.
- Filha, abra os olhos, vai – agora era minha mãe que pedia. Tentei obedecer, mas não consegui, não conseguia abrir os olhos.
- ? O que aconteceu? – a voz do Edward foi a última coisa que escutei antes de cair novamente na escuridão.
Estava com fortes dores no corpo, minha cabeça parecia estar sob uma tonelada e o frio ainda não tinha me deixado. Finalmente consegui abrir os olhos, e vi que estava em casa, no meu quarto. Olhei para os lados e não vi ninguém. Ignorei as dores do corpo e levantei. Com bastante dificuldade, mas consegui. Fui até o banheiro e tomei um banho bem quente, acho que demorei uma meia hora. Depois, peguei o mais pesado dos casacos e o vesti. Eu estava realmente com muito frio. Olhei no espelho e estava bem pálida, com olheiras horríveis.
“Nossa! Estou pior do que eles”
Tentei vasculhar pela minha memória o que tinha acontecido, mas não lembrava de nada, nem de como fui parar em meu quarto. Era um completo vazio.
Saí do meu quarto e desci a escada, apoiando-me no corrimão. Quando ia me dirigindo para a cozinha, escutei Emmett quase rosnar.
- O que você está fazendo aqui? Custava chamar? – ele estava gritando.
Me virei para fitá-lo. Ele parecia ter acabado de chegar, estava com umas sacolas nas mãos.
- Estou com fome – falei um pouco baixo, baixo demais pra mim.
“Estava fraca até para falar? Credo!”
- Você não deveria sair da cama – ele já tinha deixado as sacolas na mesa e estava ao meu lado. Colocou a palma da mão na minha testa.
- Você ainda está febril, vamos, irei te levar de volta – ele disse preocupado.
- Mas estou com fome! – olhei pra ele, rindo.
- É de se esperar, ficou três dias dormindo, sua dorminhoca! – ele me carregou e, quando pisquei, estava novamente em meu quarto.
- Fiquei ai, irei preparar algo pra você – disse num tom autoritário.
- Onde estão os outros? – tentei falar normalmente, mas minha voz quase não saia.
- Esme e Carlisle estão caçando, Jasper e Alice, não faço ideia, e Rosalie estava na garagem turbinando o carro dela. Quanto ao Edward, ele está maluco mesmo, tá dando um de espião! – ele deu uma risada.
- Hum, e o que aconteceu? – disse confusa.
- Bom, você deu azar de chegar sangrando em casa bem na hora que Peter e Charlotte estavam se despedindo. Conseguimos controlá-los, mas foi bom você perguntar, o que aconteceu com você? Onde quebrou sua cabeça, hein? - ele me olhava meio torto.
- Sinceramente, não lembro – disse olhando pro chão.
- Não lembra mesmo? Onde você ganhou esses sete pontos? – ele disse desconfiado.
- Não! Quanto tempo estou dormindo? – disse confusa.
- Ah, eu já disse, três dias! Parece que bateu com força mesmo a cabeça, hein! – ele sorriu.
- Hoje é terça, isso? Por que não está na escola? – disse rindo.
- Porque está sol, já volto – ele disse saindo do quarto.
Não demorou muito e ele já estava de volta com uma bandeja, que tinha ovos, baccon, torrada e suco de laranja.
- Você que preparou? – sorri de orelha a orelha.
- Foi! – disse todo orgulhoso.
- Mentira, fui eu! – Rosalie tinha acabado de entrar sorrindo - Ele não sabe nem onde é a frente dele, vai saber cozinhar!
- Como está a cabeça? – ela disse sentando ao meu lado.
- Pesada – falei tomando um pouco de suco.
- Emmett me disse que não se lembra do que aconteceu – ela disse suavemente.
- É! Não lembro mesmo – continuei comendo.
- Sabe... Queria pedir-lhe desculpa pelo meu comportamento nesses últimos dias – ela disse olhando nos meus olhos.
- Por que isso agora? – disse um pouco ríspida. Lembrei de como fui ignorada por todos nesses últimos três meses e como isso me magoou.
- Porque você disse que estava magoada com todos nós – ela deu um sorriso forçado.
- Disse? Quando ? – olhei pra eles.
- Você teve febre alta , e delirou. Disse o quanto sentia nossa falta – Emmett disse, sentando do meu lado.
- Me desculpe mesmo, não imaginávamos como ia se sentir. Mas você tem que culpar o Edward, foi ideia dele, fazendo parte do seu castigo. Se quiser, te ajudo a dar uns socos nele – ele socou o meu ombro, mas parecia que tinha quebrado.
- Ai! – resmunguei olhando feio pra ele.
- Ops! Desculpe, machucou? – ele sorriu.
- Nãoooo! Só reclamei porque me deu vontade – falei sarcasticamente.
- Ela tá fraca Emmett, não deveria brincar assim com ela. Mas você ainda não respondeu, estou perdoada? – Rosalie sorriu.
- Tá – disse rindo. Ela me deu um beija na testa e pegou a bandeja.
- Descanse, ainda está bem fraca – ela disse saindo do quarto.
Fiquei sete dias na cama, foram os sete dias em que mais fui paparicada. Comida na cama, Emmet jogando vídeo game comigo, as minhas coisas de volta, todos falando novamente comigo.
Mas ainda tinha alguma coisa no ar que não conseguia pegar. Eu ainda não conseguia lembrar o que aconteceu comigo, mas, segundo Rebeca, devo ter batido a cabeça quando pulei e a correnteza me levou. Para minha surpresa, Alice cumpriu o que prometeu de não me dedurar, mas em compensação, amanhã terei que passar o dia inteiro com ela e, segundo a mesma, será um grande dia. Grande dia vindo de Alice? Hahahaha! Pode contar que irá passar dos limites.
Eu ainda não tinha me recuperado completamente, às vezes tinha uns picos de febre e cheguei a desmaiar duas vezes. Semana que vem irei a Seattle com Carlisle fazer uns exames mais detalhados.
Tinha terminado de me arrumar, iria para escola. Desci a escada com cuidado porque meu equilíbrio estava traiçoeiro nesses últimos dias.
- Bom dia, por que demorou pra descer? – Esme estava no final da escada me esperando e logo colocou a mão na minha cabeça.
- Estava no telefone com a Rebeca, será que hoje posso ir ao cinema depois da aula com ela? – Falei tirando a mão dela na minha testa.
- Hum... Não sei, você ainda não está com saúde para sair por aí – ela falou me guiando para a cozinha e me fazendo sentar.
– Come logo seu café, está atrasada – ela disse me servindo.
- Atrasada? Chego lá em 15 segundos, mãe! – disse sorrindo
- Vamos , engula logo – Rosalie apareceu na cozinha.
- Você que vai me levar hoje? – olhei pra ela.
“Nossa! Com essa cara, ela está irada”
- Sim, vamos logo – disse áspera.
- Cadê o Edward? – indaguei.
- Já saiu, agora ele serve de motorista pros outros – ela disse entre os dentes e saiu.
- Hã?! – olhei pra Esme, confusa.
- É besteira, termine seu café – ela colocou mais suco pra mim.
- Então, mãe? Posso? – sorri.
- Carlisle? - ela chamou. Em segundos ele estava ao lado dela.
- Sim? – ele disse rindo e passando as mãos pela cintura dela. Nesse momento, revirei os olhos.
“Ah! Melação, não”
Acho que eles leram meus pensamentos, porque olharam pra mim e deram uma gargalhada.
- Libera sua paciente para ir ao cinema hoje com os amigos? – Esme disse beijando o rosto de Carlisle.
- Como está se sentindo? – ele disse ficando à minha frente.
Então, ele começou um exame clínico. Arregalou meus olhos, depois colocou a mão na minha testa, depois no pescoço e em seguida, na nuca.
- Estou bem, eu acho – disse dando um sorriso.
- Tudo bem, mas nada de ficar na chuva. Leve um casaco e chegue cedo – ele disse bem sério.
- Cedo quando? – olhei desconfiada.
- Que tal às seis? – ele disse rindo.
- Seis? – gritei - Pai!Hoje é sexta! Que tal às dez? – dei meu melhor sorriso.
- DEZ? Nem pensar! - Esme quase gritou.
- Nove e meia? – disse rindo.
- Oito! – ela retrucou.
- Mãe! – disse choramingando. Então olhei pro Carlisle.
- Pai? – fiz biquinho. - Isso já não é comigo, resolve com ela – ele disse rindo e saindo.
- COVARDE – gritei e só o escutei rindo.
- Da pra ir mais devagar, , senão iremos chegar lá só para a aula de segunda! – Rosalie estava novamente na cozinha olhando seriamente pra mim.
- Nove? – olhei pra Esme, ela deu um sorriso e fez que sim com a cabeça. Beijei seu rosto.
- Me espera no carro, irei pegar umas coisas no quarto – disse e subi a escada, correndo. Peguei o que precisava e fui correndo para o carro. Chegando, todos estavam me esperando, e a cara da Rosalie estava mais irritada ainda.
- Você deu limão azedo pra ela, foi? – falei bem baixo no ouvido de Emmett.
Emmett não conseguiu se controlar e praticamente urrou de tanto rir. Jasper e Alice também ficaram rindo.
- Eu escutei, menina! – Rosalie falou entre os dentes.
“Droga, esqueci que escutam mesmo”
Como era de prever, chegamos em tempo recorde à escola, acho que cinco ou dez segundos!
”Será que Edward conseguirá quebrar esse recorde? Irei desafiá-lo!”
Dei um beijo em todos, até na Rosalie, e fui pra escola.
O dia foi bastante chato. Dormi praticamente em todas as aulas, sendo chamada a atenção diversas vezes, mas não liguei. Estava era ansiosa para meu encontro, isso sim.
Estávamos eu, Rebeca e Cris esperando no estacionamento da escola a carona chegar. Quando começou a chuviscar, puxei o capuz pra cima.
- Com medo de chuva agora, ? – Rebeca ria.
- Não! Só que ainda não estou 100%. Mas, cadê ele? Tá demorando – disse ansiosa.
- Ui! Tá ansiosa para ver o namoradinho, é? – ela disse cinicamente.
- Cala a boca, Rebeca! – disse fechando a cara.
–Por que não admite que estão namorando? – ela fez a cara de óbvio.
- Por que não estamos! - retruquei. Foi então que escutei uma buzina. Era o Adam e a namorada e, no banco de trás, estava o Albert acenando pra mim.
- Não é? – ela disse rindo e indo em direção ao carro.
Foi a tarde mais animada que passei em toda minha vida.
“Acho que estou começando a gostar de Forks”
Vimos dois filmes, passeamos e ainda admiti que realmente estava namorando o Albert. Bom, admitir depois que ele pediu para namorar comigo. Como ainda não estou louca, aceitei na hora!
Já eram mais ou menos 7:30hs da noite e estávamos num restaurante italiano em Port Angeles, esperando o nosso pedido chegar.
- Então Albert, agora que assumiu, vai ter que encarar os irmãos dela! – Adam disse adorando a situação.
- Eles não devem ser tão maus assim – Albert disse me abraçando.
- Mas são grandes! Especialmente o Emmett – Adam disse segurando o riso. É... Realmente ele estava querendo colocar medo no Albert.
- Adam, meus irmãos não são assim, irão aceitar numa boa – sorri.
“Será?”
- Hum! Sei não! O grandão parece ser o mais bravo! – Adam disse levando a mão ao queixo. Aproveitei a situação e joguei um pedaço de pão nele.
- Cala a boca! – disse rindo.
- Segunda irei conhecê-los – Albert falou pegando um pão e jogando em Adam também.
- Sério? Por quê? – olhei-o, abismada – Não precisa ser tão cedo, deixe-me preparar o território primeiro.
Adam deu uma gargalhada.
- Não disse, eles vão te matar! – Adam disse espocando-se de tanto ri.
- Lembra que disse que meus pais divorciaram-se e minha mãe ganhou minha guarda? – Albert disse, ignorando o Adam.
- Sim, lembro – olhei atentamente pra ele.
- Então, minha mãe aceitou o emprego na Europa e ainda está se estabilizando por lá. Pedi pra ficar aqui até ela ficar completamente estabilizada. Foi então que ela disse que, se quisesse terminar os estudos aqui e depois ir para Europa, eu podia. E eu aceitei, pedi minha transferência para Forks High School e eles aceitaram. Começo segunda – ele disse rindo.
Não me contive, peguei-o pelo pescoço e o beijei. Um beijo bem demorado, estava tão concentrada no beijo que só abri os olhos quando Rebeca nos interrompeu.
- ! Aquele ali entrando não é seu irmão? – ela disse apontando pra entrada. Acompanhei a mão dela e vi Edward entrando com uma garota.
Estava numa certa distância, mas pude notar que ele estava com uma cara de poucos amigos. Estava com raiva, e muita raiva. Ao lado dele estava uma garota, que conhecia de algum lugar, só que não lembrava. Acho que ele não me viu, ou ignorou, porque deu dinheiro para a mulher que os recebia e ela os levou para um lugar mais reservado.
- É... É meu irmão – falei um pouco baixo
- Ótimo, então! Acho que é a hora certa do Albert mostrar seu valor! – Adam dera outra risada e se levantou – Vamos Albert, apresente-se a ele!
- Não! Agora não! – disse segurando a mão do Albert.
- Por quê? – ele disse me olhando.
“Por quê! Porque ele está com raiva, seu imbecil, quer morrer?”
- Porque ele está acompanhado e estamos jantando. Vamos comer, deixar ele comer - “hum, será que ele esta alimentando a janta?” -, e depois eu chamo ele, tá? – dei o meu melhor sorriso.
- Tudo bem, depois então – Adam disse sorrindo.
Fiquei o jantar inteiro olhando para a mesa onde eles estavam. Edward estava de costas para mim, mas eu queria mesmo era lembrar quem era essa menina que estava com ele. E por que ela parecia bem à vontade com ele?
“Hã?! Ele está tirando a jaqueta de couro que eu dei a ele? E tá dando para ela usar?”
Eles estavam inclinando-se um pro outro - “vão se beijar?” . Ainda bem que a garçonete chegou, senão, acho que iam.
“Vamos usar meus anos de convivência com os vampiros e tentar escutar alguma coisa dessa conversa. Bom, escutar não irei, mas acho que consigo ler os lábios dela, perai! Ela tá pegando na mão dele e ele tá deixando?”
- Obrigada! – foi o que conseguir ler nos lábios dela.
Obrigada? Obrigada pelo o quê? Larga a mão do meu irmão, sua... Sua...
- ? ? – Albert desconcentrou-me.
- O quê? – falei entre os dentes.
- Nossa! – ele se espantou - O que eu fiz?
- Nada, desculpe – disse dando um beijo no rosto dele.
- Acho que tem alguém aqui morrendo de ciúme do irmão! – Adam disse, assoviando.
- Não tô com ciúme, mas o que você queria, Albert? – disse ignorando o Adam .
- Nós já pedimos a conta, você não tem que estar às nove em casa? Já são oito, vamos? – ele sorriu - Você vai me apresentar ao seu irmão hoje?
- Não! Vamos embora – disse, levantando.
Olhei novamente para a mesa onde eles estavam e percebi que também estavam levantando-se. Quando Edward virou para me encarar, notei que não estava mais com raiva.
- Vamos logo sair daqui – disse baixo.
Mas a minha correria foi em vão, a anta do Adam não estava achando a carteira dele.
- Acho que perdi a carteira – ele disse procurando a carteira em todos os bolsos.
- O quê? – Albert quase gritou.
- Vamos ter que lavar pratos - Adam sorriu.
- Não será necessário, eu pago – Era o Edward, que estava atrás de mim. Virei-me para encará-lo. Ele estava sorrindo e piscou pra mim.
- Amigos de minha irmã, são meus amigos também. Quanto deu? – ele estendeu a mão e pegou a conta.
- Hum... Vocês comeram muito, hein! – ele disse rindo e tirando a carteira do bolso.
- Então? Não vai me apresentar seus amigos? – ele virou pra mim, ainda sorrindo.
“ Só se você me apresentar sua amiguinha. Ou melhor, sua janta!”
Ele deu outro sorriso, acho que se segurou para não gargalhar.
- Você já os conhece, não preciso apresentar – disse com raiva.
- Conheço sim, mas tem uma cara nova aqui. Não conheço esse aqui! - Ele apontou pro Albert.
- Primeiro, apresente-me sua amiga – disse birrenta.
- Tudo bem! – ele fez um sinal com a mão e a garota, que estava a uns 4 metros da nossa mesa, ficou ao lado dele.
- Bella, essa é minha irmã , , essa é Bella – ele disse gesticulando.
- Hum! Já conhecia sua irmã, Edward – ela disse sorrindo.
- Já? – ele franziu as sobrancelhas e eu o acompanhei.
- Já? – também perguntei.
- Já! Lembra, não? Em La Push! - ela disse rindo.
Foi então que a ficha caiu. Lembrei de tudo: da fogueira, do penhasco, da discussão com o menino índio e como ele me arremessou penhasco abaixo.
“Então foi assim que bati a cabeça”
- Ah! Então se conheceram em La Push? Quando? – Edward olhava com aquele olhar que morria de medo.
- Lembra? Quando fui com o Mike? – ela disse normalmente.
- Hum! Lembro – ele me fuzilou com os olhos.
- Bella, você pode me dar um segundo? – ele disse segurando meu braço e o apertando. Quando percebi, ele já estava me guiando pra fora do restaurante.
- Calma, nós podemos explicar – Albert disse enquanto nos acompanhava.
Edward só fez olhar para ele, e então ele parou.
- Obrigada, Isabella! - gritei antes de sair do restaurante.
- Ed! Está me machucando – disse quase chorando.
Ele não falou nada e já estávamos fora do restaurante. Pegou o celular e falou com alguém.
- Ed! Me solta, esta machucando! – disse segurando o choro.
- Calada! – ele disse entre os dentes – Não quero ouvir nada de você, entendeu?
- Eu posso explicar – disse chorando.
- Eu disse calada! - ele rosnou dessa vez.
Ele abriu a porta traseira do carro e me jogou para dentro, fazendo bater com força no banco.
- Hei! Machucou! – disse emburrada.
- Fique aí, se sair, será pior! – ele disse ríspido e bateu a porta do carro, travando-a com o controle.
- Droga! Droga! Droga! Essa tal de Isabella acabou de sentenciar minha morte! – disse chorando.
Minha cabeça começou a girar novamente, era muita informação e estresse em pouco tempo. Deitei no banco e fechei os olhos.
Capítulo 5
Minha cabeça girava, latejava e aquela sensação de desmaio estava me dominando. Fiquei de olhos fechados até escutar a porta sendo aberta.
- Entre, Bella! – escutei Edward dizer a Isabella
Automaticamente, sentei no sofá e minha cabeça girou. Por causa da tontura joguei a cabeça pra trás, fechando os olhos
- Você está bem, ? – a voz insuportável da dedo duro.
-, pra você, e estava ótima até você chegar! – disse rispidamente.
- Vem, ! – Edward disse assim que abriu a porta pra mim.
- Não estou me sentindo bem – reclamei.
- Você não me engana, vamos, sai! – ele me olhava com seu olhar mais sério possível. Respirei fundo e saí do carro.
- Alice está vindo lhe buscar, chegará em cinco minutos. Espere aqui! – ele ordenou.
- Não precisa, irei com meus amigos – olhei bem sério pra ele.
- Não vai! – retrucou - Mandei-os ir embora. Em casa conversamos. E mais uma coisa, afaste-se do seu novo amigo.
- O quê? Me afastar? E por que não posso ir com você? – disse ríspida.
- Porque irei deixar Bella em casa e tenho que conversar com ela, e não é da sua conta! – ele disse dando a volta no carro.
- Então, não é da sua conta com quem me relaciono! – falei no mesmo tom dele – E o que você irá fazer com ela, hein? Sua janta? - Vi-o fechar os olhos, suspirando.
- Em casa conversamos! – disse ríspido - Espere Alice! – ordenou.
- Edward! Acho melhor ela vir conosco, ela não está sentindo-se bem, você não vai deixá-la sozinha, vai?! – disse Bella, saindo do carro e olhando pro Edward.
- Não é da sua conta, Isabella – falei entre os dentes.
- Pede desculpas! – Edward olhava sério pra mim.
- Não! – retruquei.
- , pede desculpas! – ele estava caminhando em minha direção.
“Pedir desculpas para sua janta? Não mesmo, tá brincando com a comida, é?”. Fiquei encarando-o com um sorriso bem sarcástico.
- Agora! – ele falou entre os dentes.
- Não peço desculpas para quem não devo! – disse firme.
Minha cabeça estava doendo, a sensação de desmaio estava novamente me dominando, mas mantive a pose e encarei-o.
- Edward, não precisa, ela está com raiva – Bella falou ao lado de Edward.
- Não preciso de sua ajuda Isabella, isso é coisa de família! – disse olhando pra ela.
Edward ficou olhando Bella por um tempo e suspirou.
- Alice chegou! – ele disse, aliviado.
- Entre Bella, irei deixá-la em casa – ele disse sorrindo pra ela, fazendo-me ficar com mais raiva. “ Boa janta” .
Nesse momento, ele me olhou e suspirou. Foi para o lado do motorista, abriu a porta e olhou novamente pra mim.
- Vá para casa! Conversaremos lá! – disse sério.
- Boa Janta! – gritei. Edward só fez revirar os olhos e entrou no carro, deu a partida e saiu.
Um minuto depois, Alice parou o carro de Carlisle no mesmo local onde estava o Volvo. Eu estava com tanta dor de cabeça e raiva que nem percebi que tinha começado a chover. Fiquei parada na frente do restaurante, olhando pro chão, tentando me acalmar e ter coragem de enfrentar minha família, e me preparando mentalmente pra ir a Rússia.
- , entre no carro, você está encharcada – Alice disse suavemente. Olhei pra cima e a vi parada na minha frente, com um sorriso amigável, e em seguida, ela me abraçou.
- Escute, sei que você não teve culpa. Estarei ao seu lado, não se preocupe. Conversei com a Rosalie e ela também estará do seu lado – ela disse aos sussurros.
- Por que você diz isso? – a olhei espantada.
- Porque Edward está tão irritado com você que fará de tudo pra nos convencer a mandá-la pra Rússia – ela sorriu – Brincadeira! Rússia não, mas pra um internato, parece que você virou a ovelha negra da família pra ele – ela disse abrindo a porta pra mim.
- Então? Vai me contar o que aconteceu? Assim terei mais argumento à seu favor – ela disse enquanto dirigia, quebrando o silêncio.
- Você sabe o que aconteceu – disse fechando os olhos, minha cabeça parecia uma escola de samba.
- Não sei mesmo – ela disse colocando sua mão fria em minha testa.
- Alice! Não sei por que não saí daquela praia, estava tudo acertado, mas me empolguei surfando e depois fomos pular no penhasco – disse cansada.
- Você está com frio? – ela me interrompeu.
- Um pouco – abrir os olhos e a fitei.
- O que foi? – disse desconfiada.
- Nada, continue – disse sorrindo e voltando a atenção na estrada.
- Bom, íamos dar um pulo no penhasco e ir embora. Foi aí que encontrei aquele índio, que me arremessou penhasco abaixo. Aí acordei em casa – disse tudo rapidamente.
- Íamos sair de lá, como tinha prometido – falei encostando a cabeça no banco e fechando os olhos. Assim, parava de doer um pouco.
- Ele te agrediu? – disse ríspida.
- Me ameaçou e, como disse que não ia obedecer, ele simplesmente se movimentou como vocês, muito rápido, me arremessando penhasco abaixo. Quando vi, já estava batendo a cabeça – continuei de olhos fechados.
- Sabe o nome desse infeliz? – ela disse, rosnando.
- Não, mas me diz uma coisa? Carlisle sempre me disse que La Push é proibido, mas nunca me disse o motivo. Você sabe o por quê? – disse olhando pra ela.
- Porque é a terra dos cachorros sarnentos! – ela disse entre os dentes.
- Hã? - fitei-a.
- Chegamos! Depois lhe explico melhor – ela disse, sorrindo.
Quando olhei pra garagem, meu coração disparou. Vi o Volvo do meu irmão. “Alice dirigiu devagar?”
Se tinha algum sangue na cabeça, agora já não tinha. Senti ficar mais pálida; dessa vez, eu passei dos limites mesmo. Alice saiu rapidamente do carro. Quando abri a porta, ela já estava de volta, com um cobertor, e me envolveu com o mesmo, e logo em seguida me carregou.
- O quê, Alice? Posso andar, sabia? – disse rindo.
- Shi... Você desmaiou, assim ganho tempo. Parece que já tomaram uma decisão – ele sussurrou.
Agora sim eu desmaio de verdade. “Como assim, já tomaram uma decisão?”
Fechei os olhos e tentei ficar mais imóvel o possível. Quando senti a Alice subindo a escada, escutei Esme ao meu lado.
- O que aconteceu? – tinha um tom de preocupação em sua voz.
- A febre voltou e ela dormiu no caminho, irei deixá-la no quarto – Alice disse normalmente.
- Acorde-a e traga-a aqui, Alice! – Edward grunhiu.
Senti uma mão fria tocar na minha testa.
- Ela está com febre Edward, essa conversa fica para amanhã – Esme disse, dando uma ordem.
- Amanhã não estarei aqui, e isso fica pra agora - ele disse sério.
- , acorda! – ele gritou e foi inevitável não abrir os olhos.
Ao abrir os olhos, vi que todos estavam lá. Rosalie e Emmett sentados no sofá, Carlisle ao lado de Edward, perto da escada, e Esme e Jasper estavam à minha frente. Então, Alice me carregou até o sofá, colocando-me ao lado de Rosalie, enquanto a mesma segurou minha mão.
- Já jantou? – disse provocando o Edward.
- Deixe de gracinha e conte onde você conseguiu essa lesão na cabeça – ele olhava pra mim, furioso.
- Em La Push – disse fraco.
Notei que Esme colocou a mão no pescoço, arregalando os olhos pra mim. Carlisle deu um suspiro longo e ajoelhou-se à minha frente, segurando meu queixo para encará-lo.
- Por quê? Por que você fez isso, filha? Sabe o que você ocasionou? - ele disse suavemente.
- Eu não disse! Não disse que essa menina ia dar trabalho? Não disse! Mas alguém me escutou? Não! Se ela estivesse num internato, isso nunca aconteceria! – Edward estava dominado pela fúria.
- O quê? – olhei pra ele.
- Isso mesmo que você escutou! INTERNATO – esbravejou.
- Por que isso agora, Edward? Por que você não disse isso antes? – tirei as mãos de Carlisle do meu queixo, fiquei de pé e encarei o Edward.
- Por que esse ódio todo comigo? Algum tempo atrás você me protegia, era o mais atencioso, o que conversava e me ensinava mais coisas, e agora? Heim? – olhei pra ele, furiosa - Agora me ignora, quando fala comigo é todo nervosinho e agora quer me colocar num internato? O que eu fiz pra você, heim? – disse me virando e olhando pra todos - Fui a La Push, sim! Mas não sabia, não sabia mesmo, íamos sair dela, só que estávamos esperando uma pessoa chegar para podermos ir à outra praia. Nesse meio tempo, resolvemos saltar de um penhasco pequeno, mas fui abordada por um índio maluco que me ameaçou e, como disse que não ia embora, ele simplesmente me arremessou penhasco abaixo. Acho que foi assim que bati a cabeça, porque quando dei por mim, estava deitada em minha cama – Nessa hora meus olhos estavam cheios de lágrimas.
- Antes de me jogar, ele disse que ia relevar que estive lá e não ia considerar isso como uma quebra de acordo nenhum – disse soluçando.
- Você ...Foi... Arremessada? – Emmett levantou e bateu uma mão na outra - Quem foi o maldito que fez isso com você, de hoje ele não passa! – disse furioso.
- Acalme-se, filho – Carlisle fê-lo sentar novamente.
- Filha, por que não contou isso antes? – Carlisle estava me virando pra olhá-lo.
- Porque não lembrava, lembrei quando o Edward me apresentou à janta dele! – minha visão estava bem embaçada por casa do choro.
- Não fale assim dela – Edward disse entre os dentes.
- Então, quer que fale como? Aperitivo? Sobremesa? – disse cinicamente.
- Ela está certa Edward, essa garota só está causando problemas para essa casa – Rosalie me defendeu.
- O único problema dessa casa é ela! Desde que começou a andar com essas amizades, ela mudou – Edward disse apontando pra mim - Há! E tem outra, a nossa queridinha irmã está namorando, vocês sabiam? Com um cara que não tem valor nenhum e só está interessado em outras coisas!
- Como? – Emmett ficou de pé novamente.
- Hã? – Alice olhou desconfiada.
- Desde quando? – Esme perguntou.
- Quem é, filha?- Carlisle olhou pra mim.
- Por que você não conta pra eles do seu encontro com a Isabella, Edward? Eu não sou a única que está namorando!- falei olhando pra ele.
- Eu faço o que bem entender com minha vida, e quanto a você, tem que fazer o que NÓS achamos melhor. E o melhor é você afastar-se deles! – ele disse quase rosnando.
- Não! Não vou! – disse indo em sua direção e o encarando. - Não vou! – falei novamente, parando à frente dele.
- Vai sim! – ele sorriu maliciosamente - Alice, você pode me dar o telefone do internato na Rússia que você estava pensando? – ele disse rindo.
- Edward, pare! Ninguém vai para internato algum – Alice disse indo em minha direção, colocando as mãos na minha cintura e me afastando de Edward. Quando Edward viu o que Alice fez, da uma grande gargalhada.
- Por que você não a deixa tentar, Alice? – Edward disse rindo.
- Porque não quero que ela se machuque! – ela me fez sentar novamente no sofá.
- Quem é? – Emmett me perguntou, socando novamente a mão.
- Albert! Segunda iremos conhecê-lo – Edward disse rindo.
Nessa hora não me contive, pulei na direção de Edward. Queria quebrar algum dente dele, mas Alice me segurou novamente.
- Edward, você tem certeza? – Carlisle olhou pra ele.
- Sim, pai, tenho – disse ainda rindo.
- Filha, seu irmão está certo, não podemos permitir esse namoro – Carlisle disse olhando seriamente pra mim.
- Então vão ter que me mandar para Rússia. Porque não irei terminar! – falei o mais convicta possível.
- Mas vai ter que terminar – Rosalie falou ao meu lado.
- Você é muito nova, só tem 14 anos – Esme estava ao meu lado agora.
- Termine ou eu termino com ele – Emmett ameaçou.
- Deixe de ser dramática, menina! – Edward falava um pouco mais calmo - Vai obedecer, escute o que estou falando, ele não presta pra você. Eu escutei os pensamentos dele, acredite em mim.
- E Isabella, presta pra você? – disse, levantando-me.
- Pra mim, chega! Eu voto em mandá-la pra Rússia – Edward falou, encostando-se à parede e cruzando os braços, enquanto todos falavam rápido demais.
Minha cabeça estava horrível, tava acabando comigo. Senti meu corpo pedindo minha cama.
- Da para dizer logo qual é meu castigo, quero ir pro meu quarto! – falei bem baixo – Não estou me sentindo bem.
- Deve ser remorso! – Edward falou.
- Depois decidimos isso – Carlisle disse e foi em minha direção, colocando a mão na minha testa.
- Há! Filha! Você está queimando! Disse para não pegar chuva! – disse me recriminando.
- Mas que febre insistente, Carlisle – disse Edward, que já estava na minha frente colocando a mão na minha testa também.
– Não encoste sua mão em mim – disse rispidamente, tirando a mão dele da minha testa.
- Posso ir ou não pro meu quarto? – falei mais irritada ainda. Edward ficou me encarando quando tirei a mão dele.
“Tá olhando o quê?”
- Pode – carlisle falou.
- Já irei ao seu quarto, irei pegar um remédio – ele disse beijando minha testa.
Subi pro meu quarto. Tive que me apoiar no corrimão, porque parecia que a escada tava querendo me fazer cair. Quando cheguei, tive a ideia de tomar um banho e trocar de roupa, mas ao olhar minha cama me chamando, praticamente me joguei nela e adormeci.
Senti alguém me carregando. Tentei abrir os olhos, mas não conseguia.
- Não sei Edward, já fiz todo tipo de exame e deu tudo normal. Pegue pra mim aquele cobertor – disse Carlisle.
- Mas, será que eles a morderam ou arranharam? – Edward perguntou.
- Não me lembro de nenhum arranhão ou mordida quando estava examinando-a – Carlisle disse calmamente
- Carlisle, essa febre não é normal, acho que eles a contaminaram – Edward disse, apreensivo.
Capítulo 6
Acordei sentindo-me bem melhor. Minha cabeça não doía mais e meu corpo estava um pouco dolorido, mas nada insuportável. Olhei em volta e estava com outras roupas e mais dois cobertores em cima de mim. “Não lembro de ter trocado de roupa” .
Levantei, fui ao banheiro, escovei os dentes e desci. Vi Emmett e Jasper sentados no sofá, jogando vídeo game. Fui até eles, fiquei atrás do sofá e abracei Emmett, tentando puxar o controle.
- Bom dia, dorminhoca! – ele disse sem tirar os olhos da TV.
Fui até Jasper e dei-lhe um beijo no rosto.
- Amanheceu de bom humor, é? – ele disse me olhando e sorrindo.
- GOL! – Emmett gritou.
- Não valeu! Tava falando com a – Jasper disse olhando feio pro Emmett.
- Não! Só quero livrar minha barra – disse respondendo ao Jasper.
Nesse momento, Emmett me puxou pro sofá, fazendo-me ficar no colo dele.
- Ora, sua! Então era tudo por interesse, é? – ele me olhava divertido.
- Lógico! – falei rindo.
Foi meu erro confirmar, Emmett e Jasper começaram a fazer cócegas em mim. Já estava chorando de tanto rir, quando Rosalie me salvou.
- Vamos Emmett, não quero ficar aqui quando eles chegarem! – ela disse emburrada.
- Vão pra onde? – falei, tentando recuperar o fôlego.
- Caçar! – ela disse rispidamente.
- Tá com raiva, Rose? – olhei pros olhos dela.
- Não é com você! Vamos, Emmett – ele disse séria.
Ele me deixou sentada no sofá e beijou minha testa.
- Vai comer alguma coisa, tá? Você dormiu muito – Emmett disse antes de ir embora com a Rosalie. Olhei pro Jasper, confusa.
- Hoje é domingo , quer jogar comigo? – ele disse sorrindo.
- Dormi o sábado inteiro? – disse, pegando o controle.
- Dormiu – Jasper sorriu.
- Mas ainda está escuro – disse olhando pra janela.
- São 4:30 da manhã de domingo – ele sorriu.
Não sei quanto tempo ficamos jogando, mas estava sendo massacrada, não ganhava uma.
-Ah, Jasper, não vale! – falei jogando o controle no sofá.
- Não vale o quê, ? – ele ria.
- Você não está jogando justo comigo, esta usando esses poderes que vocês têm – disse cruzando os braços.
- No jogo, vale tudo! – ele disse, rindo mais ainda.
- Jasper! – Alice recriminou - Não seja tão malvado com ela.
- Já comeu algo, filha? – disse Esme.
Foi quando virei pra trás e vi Esme ao lado de Alice, e Carlisle já estava na minha frente.
- Como está se sentindo? – ele disse colocando a mão na minha testa.
- Normal – dei de ombros – Ainda não comi nada não, mãe!
Carlisle dera um beijo na minha testa e sentou ao meu lado.
- Filha, me responde uma coisa. – ele disse segurando minha mão.
- O que foi, pai? – disse, preocupada
- Eles te machucaram? Morderam você? Ou arranharam? – ele disse, angustiado.
- Hã? Como assim? Eles quem? – olhei confusa.
- Em La Push filha, eles te machucaram? Te agrediram? – ele disse me examinando dos pés a cabeça com os olhos.
- Não sei pai, só vi quando me arremessou penhasco abaixo. Se arranhou ou mordeu, não vi e nem senti. Mas como assim, morderam? São vampiros também? E por que não podemos ir a La Push – disse normalmente.
- Eles não são vampiros, são lobisomens – ele disse sério - É por isso que não podemos ir pra lá, é terra deles.
- Existe lobisomem? E papai Noel também? – disse rindo.
- Isso é sério, filha! – disse um pouco ríspido e largando minha mão.
- Amanhã iremos a Seattle! Vamos fazer uns exames em você. Agora coma! – ele disse apontando para uma bandeja que estava na mesinha de descanso.
- Obrigada mãe, ao menos alguém aqui lembra que como – disse olhando pro Jasper e ele somente riu .
- Depois, quero que se arrume, teremos visita – disse Carlisle antes de ir pro escritório.
- E quanto ao meu castigo? – falei tomando um gole de suco.
- Você foi absolvida – ele disse, sorrindo.
- Outra partida? – Jasper olhava pra mim, rindo.
- Alice? Pode me ajudar aqui – falei rindo.
- Ah, isso não vale! – Jasper me imitou e jogou o controle no sofá.
Dei uma grande gargalhada
- No jogo vale tudo, meu irmão! – disse rindo.
- Vá se arrumar, já estão chegando – disse Alice, sorrindo.
- Quem está chegando? – olhei-a, curiosa.
- Edward vai nos apresentar à namorada – ela disse radiante.
- O quê? – arregalei os olhos.
- Vá se arrumar – ela ordenou.
- Mas já estou arrumada – olhei pra mim mesma, procurando alguma coisa de estranho na minha roupa.
- , você ainda está de pijama, vai trocar de roupa, ao menos – Alice disse rindo.
- Ah! É mesmo – disse sorrindo.
Subi para meu quarto e tomei um banho bem demorado.
Não queria descer, porque sabia exatamente quem era, e era a dedo duro.
- Chegaram, desce! – Alice disse batendo na porta.
Saí do meu quarto e encontrei meus pais parados ao lado do piano, conversando com aquela... Aquela... Tenho nem palavras para descrever. Depois vi Alice indo até ela e dando-lhe um beijo no rosto. Fiquei no pé da escada, de braços cruzados, encostada no corrimão, observando aquele teatro todo.
- Seu cheiro é bom, nunca percebi antes – Alice disse, afastando-se.
Jasper foi um pouco mais controlado, manteve-se um pouco afastado dela e saudou.
- Olá, Bella – ele disse forçando um sorriso.
- Oi, Jasper – ela sorriu – É ótimo conhecer vocês todos, e vocês tem uma bela casa – ela disse olhando em volta.
- Obrigada – minha mãe respondeu – Ficamos felizes por ter vindo.
“Tira-me dessa! Eu, não!”
Foi então que vi Edward na minha frente, descruzando meus braços e me guiando até eles.
- Vocês ainda vão me matar aparecendo assim, do nada, na minha frente – falei irritada com ele.
- Por mim, por favor! Ela é importante pra mim, ao menos tente – ele disse baixo, o suficiente somente para eu escutar. Ele parecia estar sendo sincero, seus olhos estavam com um brilho que nunca tinha visto antes.
- Você toca? – escutei Esme perguntando pra Bella.
- Nem um pouco. Mas é lindo. É de vocês? – aquela voz já estava me irritando.
- Edward não lhe contou que era músico? – Esme sorriu.
- Não – ela respondeu.
“Legal, agora ela é a melhor amiga da minha mãe!”
- , por favor – Edward falou em meus ouvidos.
“Então pare de escutar meus pensamento”
- Bella! Como lhe apresentei antes, essa é minha irmã caçula, – ele disse indo pra trás dela e olhando pra mim, movendo os lábios bem devagar sem sair nenhum som. “Por favor, por mim”.
- Oi , melhor? - ela deu um sorriso.
- Olá, Isabella! Estou melhor sim, obrigada, e é , por favor –disse séria.
- ! – Esme recriminou.
- Deixa, mãe. Parece que ela ainda está com raiva de mim – Edward disse olhando pra Esme e ficando ao lado de Bella.
Revirei os olhos e fui sentar no sofá. Liguei a TV e fiquei trocando de canal o tempo todo, enquanto escutava a conversa deles.
- Sabia que Edward é músico? – Esme falou tentando mudar de assunto.
- Não – Bella respondeu.
Argh! A voz dela está me dando nos nervos!
- Toque para ela, filho – Esme falava bem entusiasmada.
Edward tocou a música da Esme.
- Gosta dessa? – ele parecia estar se divertindo.
- Você compôs? – Bella perguntou, abismada .
- Qual é o problema? - Edward perguntou.
- Eu me sinto extremamente insignificante – Bella disse suavemente.
“Você é insignificante”.
Escutei um rosnado de Edward, que me fez rir. A música mudou de acordes e eu reconheci como sendo a mesma que ele estava tocando no dia em que fui a La Push.
A nova melodia...
- Você me inspirou nesta aqui – ele disse muito suavemente.
“Eca”
- Eles gostam de você, sabia? Especialmente Esme – Edward disse suavemente.
“Tá dizendo isso para me provocar, é?”
- Eles gostam de mim? Mas Rosalie, Emmett e ? – Bella disse, frustrada.
- Não se preocupe com eles, Rosalie vai aparecer – ele mantinha o tom calmo.
- E Emmett? – Bella perguntou.
- Bom, ele está tentando ponderar com Rosalie, mas não tem nada contra você. E quanto a , não liga pra ela, é só uma criança mimada que está com ciúme! – ele disse rindo.
“É para provocar, mesmo?”
- Ela não é igual a vocês – ela disse suavemente.
“Não é da sua conta, ô insignificante”
- Humrum... Decidimos que só iremos pensar nessa possibilidade depois da faculdade – Edward disse naturalmente.
“Por que você está conversando sobre mim com ela? Cala a boca!”
- E ela quer? – indagou.
- Foi ideia dela – Edward disse, divertido. Percebi pela voz que ele estava se deliciando.
Nesse momento, quem rosnou foi eu!
- Está escutando a conversa deles é, ? – Alice disse, sentando ao meu lado.
- Eu? Eu não, estou vendo TV – disse, disfarçando .
- Sei... O canal do tempo? – ela ria.
- Veja! Vai chover em Miami – disse apontando pra TV.
- Por que você não gosta dela? Dá uma chance – Alice disse suavemente.
- Porque não gosto de dedo duro! – retruquei.
- Ah! Ciúme! – Alice ria.
A música tinha terminado e, quando olhei pra direção deles, vi-os subindo a escada.
- Se mexer no meu quarto, irá se arrepender – falei entre os dentes.
- Não se preocupe, irei contar a história da nossa família e de como apareceu uma pedra no nosso caminho – ele disse rindo, subindo a escada, enquanto a Bella acenava pra mim, rindo timidamente.
- Argh! Odeio aquela albina! – disse bufando.
- Albina? Dedo duro? Qual outro apelido? - Alice disse com um largo sorriso.
- Não enche, Alice – disse fechando a cara.
- Ô, , pare com isso, tá? Não combina nada com você – ela disse, séria.
- Por que você está protegendo-a? – indaguei.
- Porque, além de você, eu também amo aquela humana, e você não percebeu como ela mudou o Edward? Ele tá tão feliz – ela disse, radiante.
- Sim, mudou! Ele quer me mandar para um internato, me considera a ovelha negra e quer matar meu namorado! Realmente, ele tá uma pessoa, ops, um vampiro, melhor – falei voltando a atenção para a TV.
- E, relacionado a isso, obedece, vai. Termine – ela suplicou.
- Não, eu gosto dele – retruquei.
- Você não gosta dele, você só está atraída por ele. Eu vi, Jasper sentiu, e também vi que irá sofrer – ela disse fazendo um carinho em meu rosto.
- Aprendo com os meus erros – continuei trocando de canal, sem olhar pra ela.
- Mas não precisa aprender assim, você é muito nova. Edward disse que ele tem 16, é velho pra você – ela sorriu.
- Edward também é velho para a Isabella – retruquei.
- Mas hoje você está igual a Rosalie, heim! – ela bufou - Que tal beisebol, hoje? – ela perguntou, mudando de assunto.
- Tudo bem – troquei de canal pela centésima vez. Nesse momento, escutei um rosnado vindo do quarto de Edward.
- Acho que ele finalmente a jantou! – sorri.
Estávamos no campo Rainier, onde sempre jogamos futebol. Estávamos esperando Edward chegar.
Carlisle montava as bases, Alice estava se aquecendo. Ela estava jogando a bola para o Jasper e, para meu espanto, podia ver exatamente o movimento da bola, sem borrão. Fiquei tão concentrada olhando para eles que nem percebi quando Esme, Rosalie e Emmett se levantaram da pedra. Rosalie passou por mim resmungando alguma coisa e, quando olhei pra trás, vi que Edward estava com a dedo duro.
- O que ela faz aqui? – resmunguei também.
- Foi você que ouvimos? – Esme perguntou para Edward.
- Parecia um urso sufocando – Emmett riu.
Como hoje estou escutando muito bem! E vendo também, eles estão a o quê? 50 metros de mim?
Alice passou por mim e fez um cafuné na minha cabeça.
- Vamos? – ela disse rindo e correu até eles.
- Está na hora – ela disse bem animada.
Assim que ela falou, escutei um trovão. Ela correu até mim, com o Emmett ao lado dela. Ele me pegou nos braços e me levou até a primeira base.
Olhei pra trás e vi Esme vindo em nossa direção, conversando com a Bella .
- Arghh! O que ela faz aqui? – resmunguei.
- Não sei, mas ignora – Rosalie sorriu pra mim.
- Quer começar rebatendo? – Emmett sorriu pra mim.
- Depois, irei observar primeiro – disse rindo.
Demorou uma eternidade para elas chegarem até onde estávamos, mas também! Do jeito que fofocam!
- Podem começar – Esme disse ficando na primeira base.
Alice estava posicionada no montinho; olhou pra Jasper, que gesticulou algo pra ela, e ela confirmou com a cabeça, lançando. Pude ver perfeitamente a bola e o tempo exato em que Emmett a acertou. Vi também Edward correndo em direção à bola no meio da floresta.
- Home run – murmurou Bella.
- Corre, Emmett – gritei incentivando-o, e o vi correndo pelas bases, com Carlisle atrás dele.
- Fora – Esme gritou.
- Droga! – protestei.
- Sua vez? – Rosalie disse me passando o bastão.
- Depois de você – disse rindo pra ela.
Novamente vi tudo perfeitamente, Alice arremessando com graça e Rosalie acertando de primeira. Só que ela rebateu com sabedoria, do outro lado em que Edward estava. Ela saiu em disparada, passou pela primeira base, segunda, terceira. Pude escutar Edward correndo de volta e, olhando melhor, ele já aparecia fora da floresta. Ele arremessou a bola em direção a Jasper, que estava na última base. Rosalie vinha correndo como o vento. Olhei a bola passando por ela; ela derrapou e tocou na base antes do Jasper pegar na bola.
- SALVA! – gritei sorrindo.
- ESTÁ FORA – Bella gritou ao mesmo tempo comigo.
Olhei pra Bella e fechei a cara.
- Acho que precisa ir ao oftalmologista, porque está salva! – disse rosnando.
- Está fora, – ela disse dando um sorriso tímido.
- Você não é o juiz – retruquei, olhando pra Esme.
- Fora! – Esme olhou pra mim, rindo.
- Como fora, mãe?– gritei.
- Deixa, – Rosalie disse passando por mim, enquanto comia Bella pelos olhos.
Peguei o bastão e fui pra base.
- Ela joga com vocês? – ouvi Bella murmurar.
- Observe, sua cega – sibilei.
Alice deu uma risada, Emmett gargalhou e Jasper riu atrás de mim.
- Uma bem fácil Alice, que tal uma lenta? – Jasper disse ficando ao meu lado.
- Não irei combinar jogada nenhuma – ele disse, me provocando.
- Vai se arrepender – disse rindo.
Alice praticamente largou a bola pra mim, sem colocar nenhuma força. Pude ver perfeitamente a bola vindo em minha direção, mas em velocidade e força diferentes da que ela aplicava pros meus irmãos. Dei um largo sorriso, um passo pra trás, coloquei toda minha força nos braços e rebati.
- VÁ BUSCAR A BOLA, SEU IDIOTA! – gritei, jogando o bastão no chão, e sai correndo. Quando cheguei à primeira base, pude notar que ninguém me seguia. Não liguei e continuei correndo o mais rápido que podia. Não sei quanto tempo levei para dar a volta no campo inteiro, mas quando cheguei na última base, pulei em cima, sorrindo.
- Ponto, sua cega! – falei ofegante, olhando pra Bella.
Ao olhar em volta, vi Esme me olhando, abismada; Rosalie de boca aberta, Jasper com os olhos arregalados e Emmett parecia um peixe fora d’água. Mexia a boca, mas não saia som algum.
- O que foi? – disse naturalmente, olhando pra todos.
- Já chega, irei levar você agora mesmo pra Seatlle! – Carlisle disse, preocupado.
- ESPEREM! – Alice estava com os olhos bem abertos e fixos no nada. Eu sabia que essa expressão era uma visão, então, no segundo seguinte, Edward estava ao lado de Bella.
- O que foi, Alice? - Carlisle falou, indo em sua direção.
- Eles estavam viajando muito mais rápido do que eu imaginava – Alice explicava.
- Eles quem? – perguntei.
- Você está escutando o que eles dizem? – Edward olhou preocupado pra mim.
- Sim – falei normalmente.
- Eles nos ouviram jogar e resolveram mudar de caminho – Alice terminava de explicar.
- Quanto tempo?- Carlisle perguntou, olhando na direção de Edward.
- Menos de cinco minutos. Eles estão correndo, eles querem jogar – Edward respondeu, tenso.
- Quantos? - Emmett perguntou a Alice.
- Três – ela respondeu
- Três?! Só isso? – ele riu.
- Do que estão falando?– perguntei, virando-me para Rosalie.
- Visitantes que não são vegetarianos, e parece que Edward está com medo de sua namoradinha servir de lanche pra eles – ela disse colocando a mão na minha testa, examinando-me.
- E quanto a mim? – olhei um pouco assustada pra ela.
- Não se preocupe, você tem o nosso cheiro – ela disse, rindo – Mas fique perto de mim – ela ordenou.
- Eles estão com sede, filho? – Esme perguntou passando por ele.
- Sim – ele disse ficando na frente de Bella e mandando-a soltar os cabelos.
- Até parece que isso vai ajudar, eu sinto o cheiro dela do outro lado do campo – Rosalie disse entre os dentes.
- É tão forte assim, Rose? – disse um pouco nervosa, nunca tinha visto-os tão estressados antes.
- Sim, mas já disse, você tem o nosso cheiro, o problema é ela – ela apontou pra Bella.
- Eu sei – Edward disse um pouco frustrado.
Todos estavam preocupados, olhando intensamente para a floresta, e eu também tentava olhar alguma coisa, mas não via nada e nem escutava nada. Foi quando escutei Edward se desculpando.
- Me desculpe Bella, foi estúpido e irresponsável tê-la exposto dessa maneira. Desculpe-me.
Rosalie colocou os braços na minha frente, me fazendo ir para trás dela. Edward fez o mesmo com Bella.
Então, os vi saindo da floresta, tão graciosos quanto minha família. Eram dois homens e uma mulher. Eles caminhavam lentamente enquanto Carlisle, Jarper e Emmett iam ao encontro deles. Todos vestiam roupas normais e um pouco surradas. Perguntei pra mim mesma se eles não queriam uma ajuda de Alice sobre como se vestir, então sorri.
- O que é tão engraçado? – Rosalie perguntou.
- Nada, depois te conto – disse, controlando o riso.
Eram todos bonitos, mas quem não é, se tratando deles? Eles pararam a poucos metros de nós, encarando meu pai e meus irmãos.
- Nós pensamos ter ouvido um jogo, e alguém perdeu essa bola? – um deles disse sorrindo e jogando a bola em direção a Carlisle.
“Perai, ele é francês?”
- Ah! Desculpe! Sou Laurent, estes são Victória e James – ele disse fazendo gestos para os outros vampiros ao seu lado.
- Eu sou Carlisle. Está é minha família, Emmett e Jasper, Rosalie e , Esme e Alice, Edward e Bella. – Carlisle dissera formalmente.
Quando coloquei meus olhos na mulher, ela olhou pra mim também. Sou acostumado com a beleza deles, mas essa mulher era diferente. Seus olhos estavam me encantando, nunca vi tão brilhantes e encantadores. Parecia que eles estavam me chamando. A conversa entre Carlisle e Laurent não passava de zumbidos em meu ouvido. Eu queria mesmo era chegar mais perto, observar melhor os brilhos que saiam dos olhos dela. Dei um passo à frente, escutei algo, talvez meu nome, mas queria chegar mais perto. Dei outro passo e algo me segurou. Senti uma brisa passar por mim e escutei vários rosnados. Todos estavam agachados, prontos para atacar, mas atacar quem? Tentei dar outro passo, mas novamente alguém me segurou.
- Ela está conosco – a voz suave do meu pai estava alterada.
Ela quem? Olhei novamente pra a mulher, tinha que chegar mais perto, ela me chamava. Foi então que senti alguém me carregar e o vento bater em meu rosto. Vi novamente vários borrões e zumbidos, mas não ligava, ainda estava encantada com aqueles olhos, tão vermelhos, tão vivos. Escutei novamente alguém chamando meu nome, mas estava tão distante, tão longe. Olhei pros lados e não vi ninguém, olhei pra frente e só via os olhos de Victória. Escutei um rugido alto, então pisquei e vi que estava em casa, na sala, exatamente.
Vi que todos estavam lá. Edward e Emmett pareciam que estavam prontos para viajar, Carlisle estava pegando algo na cozinha. Vi Esme descendo a escada, vestida com as roupas de Bella, e ela, com as roupas de Esme. Rosalie estava na minha frente, de costas pra mim. Alice pegou algo da mão de Carlisle e Jasper estava ao lado dela.
- Para onde vão? – perguntei, confusa.
- Finalmente! – Rosalie virou pra mim.
- Finalmente o quê? – olhei confusa pra ela.
- Você estava em transe – Carlisle disse dando alguma chave para Rosalie.
- Iremos pegar o Jeep – ele disse, sério.
- Hã? Para onde vão? - olhei pra Carlisle.
- Iremos salvar Bella – Edward disse.
- E quanto a mim? – retruquei.
- Ele não sentiu seu cheiro, é com Bella que devemos nos preocupar – Edward disse um pouco ríspido.
- Alice, eles vão morder a isca? – Carlisle perguntou.
- Ele vai perseguir vocês, a mulher seguirá a picape e partimos depois – ela disse rapidamente.
- Vamos! - Carlisle disse.
- Sim, mas e quanto a MIM? – falei, ficando de pé.
- Você vai ficar aqui, não saia por nada. Rosalie e Esme irão ficar, qualquer coisa, ligue-nos – Carlisle disse colocando a mão no meu ombro.
- Por favor, fique em casa! – ele saiu em direção à cozinha.
Vi Edward indo ao lado de Bella, levantando-a do chão e beijando-a. Um beijo romântico. Nessa hora, senti alguma coisa por eles. Acho que minha raiva estava passando. Percebi o quanto meu irmão amava aquela garota insuportável e estava disposto a tudo por ela.
- Agora – Esme disse passando a mão no rosto de Bella - Tenha cuidado, Bella!
Passou por mim e me abraçou.
- Não iremos demorar, fique dentro de casa, por favor – ela seguiu Rosalie.
- Edward disse que a mulher está na cola de Esme. Eu vou pegar o carro – Alice disse, quebrando o silêncio.
- Você está errada, sabe - Jasper disse pra Bella.
- O quê? – ela perguntou quase sem voz.
- Eu posso sentir como você se sente no momento, e você vale a pena – Jasper sorriu.
- Não valho não, se algo acontecer a eles, terá sido por nada – ela disse, parecendo sincera.
- Você está errada - ele repetiu, sorrindo.
Então a albina sente alguma coisa por nós? Elá está preocupada conosco ao invés dela? Fui em sua direção. Notei Jasper balançando a cabeça negativamente.
- Isabella? – falei o mais formal possível.
- Sim? – ela disse, engolindo o choro.
- Você tem que aprender a confiar na minha família, se eles falaram que vai dar tudo certo, é porque dará – disse olhando seriamente pra ela.
- Vamos – Alice chegou antes de ela responder.
- E quanto a você, obedeça e fique em casa, tá? – ela disse dando um beijo na minha testa. Pegou Bella nos braços e saiu correndo. Jasper passou por mim tocando no meu ombro.
- Cuide-se – disse sorrindo e partiu também .
Em questão de segundos, eu estava sozinha em casa. Suspirei e fui à cozinha.
- Mas que loucura, isso tudo por causa de uma chata! – falei, rindo.
Abri a geladeira, peguei algumas verduras, queijo e presunto, iria fazer um lanche. Comecei a cortar o tomate, mas a lâmina da faca cortou meu dedo.
- Mas que droga! – abri a torneira e coloquei o dedo debaixo da água. De repente, a ardência e o sangue pararam. Quando olhei melhor, nem cicatriz tinha.
- AH! MAS COMO? – dei um pulo pra trás.
- CERTO... CERTO... – respirei fundo e olhei novamente.
- Mas... – peguei a faca e fiz um corte pequeno na minha mão.
- Ai, acho que não foi uma boa ideia – peguei um pano e pressionei o corte. Um minuto depois, estava fechado.
- Não... Não... Não... Como é possível? – fui até a sala, peguei o celular e liguei pra Carlisle. Tocou duas vezes e ele atendeu.
- Pai? – disse um pouco nervosa.
- O que foi? – sua voz estava fria.
Pensei duas vezes antes de contar. Ele estava preocupado com outra coisa, o que ele ia pensar? Sua filha, uma aberração? E eles estão preocupados com outra coisa...
- O que foi, ? – ele perguntou, ansioso.
- Nada, esquece – disse friamente.
- Filha, o quê...- não o deixei terminar a frase e desliguei.
- Certo! Isso deve ter uma explicação, mas qual? – sentei no sofá.
- O que está acontecendo comigo? Primeiro, minha audição perfeita; segundo, minha visão; terceiro, como eu rebati aquela bola tão longe? E agora? Isso? – fechei os olhos colocando as mãos na testa.
- Tem! Tem que existir alguma explicação – escutei o celular tocar e o peguei.
- Sim? – disse friamente.
- Filha, o que aconteceu? É a segunda vez que ligo, o que aconteceu? – ele parecia apavorado.
- Nada pai, esquece, foi besteira minha – disse tentando me acalmar.
- Besteira nada! Conheço sua voz, o que aconteceu? – ele estava gritando.
- Já disse, nada, tchau – desliguei novamente sem esperar a resposta dele, só que dessa vez, desliguei o celular.
Deitei no sofá e fiquei fitando o teto. Então, as lembranças da noite de sexta vieram em minha mente.
“- Não sei Edward, já fiz todo tipo de exame e deu tudo normal, pegue pra mim aquele cobertor.
- Mas será que eles a morderam ou arranharam?
- Não me lembro de nenhum arranhão ou mordida quando estava examinando-a.
- Carlisle, essa febre não é normal, acho que eles a contaminaram.
- Não Edward, isso não é possível, não irei permitir isso.
- Estou preocupado Carlisle, essa febre que vai e vem, e logo depois do encontro dela com os cachorros... E se tiver alguma possibilidade? Se ao menos eles a arranharam?
- Mas ela continua com o mesmo cheiro, o nosso cheiro.
- Eu sei Carlisle, mas se houver a possibilidade, o que faremos?
- Irei descobrir uma cura, então! Ela não vai se transformar neles, eu não irei permitir.
- Como? É impossível, uma vez contaminado.
- Existem duas formas de ser um deles, lembra? Um são os verdadeiros, nascem destinados a isso, os outros são os contaminados. É como se fosse alguma doença, um vírus, e será nesse raciocínio que irei curá-la. Se tiver essa possibilidade, porque não existe, ela está com o mesmo cheiro. Essa febre besta deve ser sequela da batida na cabeça, ou alguma gripe”
Sentei no sofá, assustada.
- Contaminada! Então, era isso a conversa de hoje de manhã! – disse, ficando de pé.
- Não! Não! NÃO! NÃO ESTOU ME TRANSFORMANDO NESSE MONSTRO, NÃO! – senti meus joelhos dobraram e cai no chão.
- Isso... Não! Deve ter outra explicação – disse, chorando.
Escutei o telefone da casa tocar. Ignorei e comecei a socar o chão.
- NÃO! AQUELE ÍNDIO... AQUELE MALDIDO...- novamente, o telefone tocou. Não queria atender, não queria falar com ninguém, mas lembrei que estava acontecendo a caçada. Tenho que atender. Arrastei-me até a mesinha e atendi.
- Sim – disse, soluçando.
- Você está chorando? O QUE TÁ ACONTECENDO? – Carlisle gritou.
- Pai... Eu...- tentei me controlar, mas o choro era inevitável.
- Escute, Rosalie e Esme estão em Forks. Estou muito longe agora, Rosalie está voltando pra ver você, logo isso tudo acabará – ele disse tentando me acalmar.
- ? Sou eu – Edward estava com uma voz suave.
- O que está acontecendo, minha querida? – ele disse suavemente.
Dei um largo sorriso, ele sempre me chamava assim quando queria me acalmar. Só que não conseguia responder, o que iria falar pra ele? Pro meu pai? Suspirei e desliguei o telefone.
Fui até a garagem. O único carro que tinha sobrado era o M3 da Rosalie.
- Sei que irei morrer, mas irei levar aquele índio comigo!
Entrei no carro, agradecendo a Edward por ter me ensinado a dirigir, e partir para La Push.
Capítulo 7
Estava acelerando tanto que consegui atingir 210 Km muito facilmente. Minha cabeça estava a mil, vários pensamentos, várias teorias. O que iria fazer?
- Se tiver uma cura, irei me curar, nem que vá atrás dos Volturi! Mas antes, irei acabar com aquele índio – disse friamente.
Para meu espanto, não estava chovendo. O céu só tinha algumas nuvens, mas dava para ver as estrelas e a lua que, por sinal, estava linda. Lua cheia. Quando voltei a atenção para a pista, notei dois vultos atravessarem e sumir na floresta. Freei bruscamente e encostei. Olhei em volta e vi que estava a poucos Km de La Push.
- Acho que não irei precisar procurar muito – sorri sarcasticamente.
Saí do carro, suspirei e corri para a floresta.
- Eu sei que são eles! – sibilei.
Corri o mais rápido que podia, corria tão rapidamente que as árvores passavam por mim como borrões.
“Mas como eu não bato?”
Estava começando a perder o fôlego, quando olhei pelo canto do olho e notei que tinha um vulto ao meu lado esquerdo. Parei rapidamente e notei esse vulto dando o bote em mim, mas fui mais rápida e desviei. Olhando melhor, notei que era um enorme lobo.
- Oi, cachorrinho – disse rindo maliciosamente.
Peguei um pedaço de galho grosso e pontudo que estava no chão. Novamente, vi outro vulto vindo em minha direção. Dessa vez não desviei e bati no vulto, como fosse uma bola de beisebol. Com a batida, o galho quebrou-se ao meio.
Esse lobo era um pouco menor que o outro. Olhei pro outro lobo enorme e ele estava todo arrepiado, pronto para me atacar.
- Vem me pegar, totó! – disse rispidamente.
Sai correndo o mais rápido possível, estava indo em direção ao som de uma cascata. “Melhor brigar em campo aberto”.
O lobo maior estava me alcançando muito rapidamente e notei o menor se aproximando.
“Droga!”
Parei novamente e escutei um rosnado, e vi outro bote. Consegui desviar por pouco, mas cai no chão.
- Cachorro malvado! – disse rindo.
Peguei uma pedra no chão, que tinha um formato pontudo, e parti pra cima do lobo. Consegui cravar a pedra na pata dele, fazendo-o uivar de dor. Em seguida, dei dois socos na face do lobo. Ia dar o terceiro, quando escutei alguém.
- Mas que diabos você está fazendo? – ele dissera espantado.
Virei imediatamente e vi o mesmo índio que tinha me jogado. Ele estava praticamente nu, só vestia um short, que estava todo rasgado.
- Procurando por você! – disse entre os dentes.
Peguei a pedra e corri em sua direção. Tentei furá-lo, mas ele segurou minha mão com muita facilidade.
- Para, menina! Controle-se! Não quero lhe machucar! – ele disse, ríspido.
- Tarde demais! – sibilei.
Juntei toda minha força e dei um chute no meio das pernas nele. Imediatamente, ele me soltou e se curvou. Aproveitei a situação e dei um chute no meio do rosto dele, fazendo-o cair de vez no chão. Olhei em volta, procurando algo pontudo para cravar no coração dele, quando senti algo furar minha perna. Escutei um “crack” e, em seguida, estava voando. Cai uns 50 metros do local de onde estava. Olhei pra minha perna e ela estava quebrada, fratura exposta. Escutei um barulho da queda d'água.
“Campo aberto”
Olhei pra floresta e vi o lobo menor vindo em minha direção, caminhando bem lentamente e arrepiado. A dor na minha perna era insuportável, mas consegui levantar, com um pouco de dificuldade, e encarei o lobo.
- Vem! – disse, sorrindo cinicamente.
Ele deu outro bote, caindo em cima de mim e cravando as garras nos meus ombros. Ignorei a dor e segurei sua cabeça longe da minha garganta. Com a perna boa, dei-lhe um chute, fazendo-o cair uns cinco metros de mim. Fiquei sentada, olhando pra ele. Estava cansada, quase não tinha mais forças, então, novamente, ele deu outro bote. Desviei. Segurei-o pelo rabo e esmurrei o dorso dele. Coloquei meus braços em volta do pescoço dele e apertei, apertei, apertei, escutando um latido de dor, gemido, talvez, e logo ele perdeu a consciência.
- Hehe!– sorri, cansada - um já foi, falta outro.
Olhei novamente para minha perna e, para meu espanto, estava do mesmo jeito, quebrada. Ignorei a dor e levantei. Quando me virei, alguém me deu um murro, fazendo-me cair no chão quase desacordada. Então a mesma pessoa me levantou e deu outro murro, fazendo-me voar. Quando cai, senti algo me perfurar, mas não liguei, tinha que me manter acordada. Olhei e vi o índio maldito.
- Vem cá, você é maluca ou algo do tipo? Você pensa que é o quê? Mulher Maravilha? O que deu em você para vir aqui nos provocar? – ele disse, rosnando.
- Você! – falei entre os dentes
- Eu? Menina! Se está com raiva porque te joguei, tem que me agradecer, evitou sua morte! – ele estava parado na minha frente e estendeu a mão.
- Vamos! Levante-se e vá para sua casa, não venha mais aqui, senão não irei mais relevar, heim! – ele disse, ríspido.
Segurei a mão dele e dei um puxão, fazendo-o cair ao meu lado. Imediatamente, rolei e fiquei em cima dele, socando-o. Depois de três murros, ele conseguiu se virar e ficar em cima de mim, segurando minhas mãos no chão. Tentei me soltar, mas em vão. Olhei pros lados, procurando alguma coisa que me auxiliasse, e notei que estávamos perto da beira da cascata.
- Para, Cullen! Você está drogada, é?! – ele disse olhando nos meus olhos.
- Porque isso tudo? – indagou.
- Você! Você! É tudo por sua culpa! – disse chorando - Você destruiu minha vida! – disse, cansada.
- Eu? Eu fiz o quê? – ele me olhava espantado.
- Você me contaminou! Irei me transformar nisso que são! – gritei e, para meu espanto, ele dera uma grande gargalhada e me soltou.
- Como é? Da onde você tirou isso? – ele disse levantando e me ajudando a levantar também.
- Você me contaminou! Olhe pra mim! – disse apontando pra mim mesma - Da onde você pensa que tirei essa força toda? Essa velocidade? E de como me curo sozinha?– disse, levantando, mas com dificuldade e uma vontade de desmaiar.
- Cullen! Cullen!... Cullen – ele disse se afastando e rindo
- Olhe pra você – ele disse, apontando pra mim.
Olhei e notei que minha perna ainda estava quebrada, ainda tinha sangue escorrendo da minha testa e tinha um pedaço de galho cravado em meu ombro, onde puxei.
- Viu? Se fosse uma de nós, já estaria curada! – ele disse, rindo.
- Você não é uma de nós, não somos contagiosos! – ele disse caminhando em minha direção.
- Cullen, eu não lhe contaminei! – ele disse olhando nos meus olhos.
- Como não? E isso tudo? Se eu fosse normal, já estaria morta! – exasperei - Ou vocês são fraquinhos? – debochei.
- Olhe pro céu – ele apontou.
Olhei, estava limpo, sem nuvens, e a luz da lua cheia refletia.
- Se você fosse um lobisomem contaminado, nesse exato momento você se transformaria, se tivesse lhe contaminado. Mas como lhe disse, não somos venenosos, não nós – ele disse suavemente.
- Então, como você me explica a febre? A velocidade? A força? E como me curei quando me cortei? Isso tudo depois de ser lançada por você, você me contaminou, sim – estava chorando novamente.
- Cullen, além de maluca é surda, é? Eu lhe disse que não sou venenoso, nenhum lobisomem autêntico, que herda dos ancestrais, é venenoso. Isso passa de geração a geração, só os falsos lobisomens, que se transformam através da lua cheia, são venenosos, e não são controlados como nós. – ele disse sério.
- Controlados? Vi o quanto são – estava começando a perder as forças.
- Eu estava me referindo a virar um lobo quando quiser e voltar a ser humano quando quiser, ao contrário deles, que só conseguem através da lua cheia - ele parou um pouco pensativo e em seguida, sorriu – mas acho que sei o que aconteceu.
- O quê, então? – disse, tentando me manter acordada.
- Você foi contaminada sim, mas não como pensa. Você foi contaminada como se fosse um vírus, uma gripe. Acho que, quando lhe peguei, você tinha algum tipo de lesão, facilitando a contaminação. Ou eu, sem querer, lhe arranhei mesmo. Não sei exatamente, mas no contato que tive com você, te passei uma gripe – ele sorriu.
- Como assim? Não entendi – disse curiosa.
- Gripe se pega e se cura, certo? Então, você pegou meus poderes um pouco emprestados e, quando seu organismo se livrar dessa gripe, você voltará ao normal – ele disse dando as costas pra mim.
- E eu acho que está acontecendo isso, porque você ainda não está se curando de nada. Aliás, só do corte na testa e a furada nos ombro. E se estivesse mesmo contaminada, você seria um lobo nesse exato momento – ele disse apontando pra lua.
- Não acredito em você – falei, pensativa.
“Será que ele está dizendo a verdade? Isso é realmente possível?”
- Cullen, escute, você não é uma de nós, pode confiar em mim, eu saberia. E eu acredito nos mais velhos, e eles sempre me falaram que não somos contagiosos e só existimos para proteger nossa tribo dos sanguessugas – ele disse, rindo.
- NÃO, PAUL – ele gritou.
Imediatamente, virei e vi que o lobo que tinha deixado desmaiado dera um pulo em mim, fazendo-me cambalear para trás. Fiquei me equilibrando na beira da cascata e ele deu uma cabeça em mim, fazendo-me cair.
Fechei os olhos durante a queda. Segundos depois, senti bater no chão e alguma coisa perfurar meu peito. Ao abrir os olhos e vi que tinha caído uns seis ou dez metros. Olhei para o meu peito e vi que tinha algo atravessado no meio dele. Comecei a senti falta de ar e minha visão ficou escura.
“Pelo menos não irei morrer sendo uma deles”
Sabe quando dizem que sua vida passa diante seus olhos quando está morrendo? Acho que é isso que está acontecendo comigo.
“- Achei!Achei! – Rosalie dizia rindo enquanto pegava uma criança de cinco anos de idade no colo.
- Pensou que podia se esconder de mim, é? – Rosalie falou para a criança e a mesma só ria”
- Rose? Aqui! Ajude-Me – gritei. Mas as duas sumiram e vi várias luzes passando rapidamente por mim.
- O que aconteceu? – um homem perguntou ao meu lado.
- Acidente de carro – uma mulher respondeu. Abri os olhos e só podia ver borrões.
- Já ligaram pro Dr. Cullen? – a voz do homem novamente.
- Já, doutor, mas só da fora de área.
“- Vamos? Emmett falou sorrindo para uma garota de 7 anos.
- Vamos – ela respondeu bem animada “
“ Espera ai... Sou eu... Na minha aula de esqui”
- Afasta! – escutei alguém gritando e, logo em seguida, meu corpo pulou.
- Sem sinal, aumente a potência, vamos – e novamente meu corpo pulou.
- Vamos! Vamos, garota! Não irei perder a filha do doutor, vamos! – uma voz apavorada.
“ - O que você está fazendo? – Carlisle disse, entrando na sala.
- Estou lendo, pai – ela fecha o livro – Pai? Por que não posso ser igual a vocês?
- Porque você é muito nova, só tem oito anos, quem sabe mais tarde? – ele disse rindo, pegando o livro da mão da garota.
- Então, que tal depois da faculdade? Quero ser médica! – a garota disse, rindo.
- Você promete? Só vai querer ter essa conversa depois da faculdade? – Carlisle disse guardando o livro.
- Prometo pai, só depois da faculdade – a mesma ria.
- Então, prometo que depois da faculdade conversamos sobre essa possibilidade”
- Entube, prometi pra garota que não ia deixá-la morrer. Já falou com alguém da família? Preciso operar!
Senti algo sendo empurrado pela minha boca e minha respiração melhorar. Consegui finalmente abrir os olhos e vi que estava numa espécie de sala, com várias pessoas ao meu redor, sendo que reconheci duas delas: o enfermeiro Brett Warner e o Dr. Snow.
- Doutor, veja! – o enfermeiro falou.
- Oi garota, seja bem vinda de volta! – ele sorria – acabamos de colocar um tubo para você respirar melhor.
Realmente, eu estava respirando um pouco melhor, mas estava com muito sono e fechei os olhos.
- Não... ... Abra os olhos – o médico ordenou, então abri.
- Não estamos conseguindo falar com seus familiares, eu preciso muito falar com alguém. Aponte para esse papel o número de algum telefone – ele mostrava um papel que tinha de 0 a 9. Apontei, indicando o celular de meu pai. Fechei os olhos novamente, a dormência e a sonolência estavam fortes, mas pude escutar a voz do Dr.
- Sim, Dr. Snow falando.
- Múltiplas fraturas e hemorragia interna, conseguimos estabilizar para encaminhá-la a cirurgia.
- Sim, duas vezes – Houve uma grande pausa e, novamente, ele falou.
- Preciso operá-la o mais rápido possível, não acho que ela irá conseguir resistir até você chegar.
- Irei acompanhar, não se preocupe, estamos fazendo de tudo que está ao nosso alcance.
- Doutor, parada cardiorrespiratória! – alguém gritou.
- Dr. Cullen, autorize logo!
Foi a última coisa que escutei antes de cair em sono profundo, sem pesadelos ou sonhos, somente uma escuridão.
Fiquei nessa escuridão por horas, tentava abrir os olhos, mas era em vão. Não escutava mais nada ao meu lado, sentia meu corpo adormecido, não conseguia mover um músculo sequer, então deixei minha mente viajar.
Passei um bom tempo lembrando o passado, os seis anos na Nova Zelândia, os anos mais felizes na minha curta vida. Será que ainda estou viva? Por que essa escuridão? E minha família? Será que estão bem? E Bella? Será que a insignificante está bem?
Comecei a sentir minha consciência e força voltarem. Consegui abrir os olhos e notei que estava numa sala branca. Senti algo em minha garganta e notei que estava com um tubo, aliás, com dois tubos, um na minha boca e outro no nariz. Olhei em volta e vi que esses tubos estavam conectados a uns parelhos, e reconheci um, dos livros de meu pai, sendo um respirador artificial. Virei minha cabeça para direita e vi Esme e Carlisle conversando atrás de uma janela de vidro, fora do quarto, olhando atentamente pra mim. Então Esme abriu um largo sorriso e Carlisle beijou seu rosto e saiu de perto dela.
- Já vamos entrar ai, filha – ela disse movendo os lábios bem lentamente para poder lê-los. Não sei quanto tempo levou, mas eles entraram no quarto com roupas diferentes do que estavam, pareciam que iam fazer alguma cirurgia. Estavam com máscaras e gorros.
- Ah! Minha filha, que susto você nos deu! – Esme disse choramingando. Ela já estava ao meu lado. Quando ela ia se inclinando para me beijar, Carlisle a segurou.
- Não pode, Esme – ele a recriminou.
- Nem ao menos um beijo? – ela fez um bico.
- Não, Esme! Nem podíamos estar aqui – ele sorriu.
Queria falar alguma coisa, perguntar quanto tempo estou aqui e o que aconteceu, mas não podia, por causa do tubo. Nesse momento, entrou outra pessoa no quarto usando as mesmas roupas dos meus pais, só que ele tinha uma prancheta em mãos.
- Vejo que o senhor estava correto, Dr. Cullen, pensei que o tratamento não iria dar resultado, estou espantado! – ele disse, autoritário.
- Acho que o senhor não me levou muito a sério, Dr. Smith. Posso aparentar ser novo, mas tenho experiência de sobra para salvar minha filha – Carlisle disse extremamente estressado.
“Nossa, que tom foi esse? Meu pai saindo da linha? Isso era novidade”
- Bom! Acabou de ganhar meu voto de confiança – o médico disso parando à minha frente.
- Irei lhe fazer umas perguntas, pisque duas vezes para sim e uma vez para não, tudo bem? – Pisquei duas vezes.
- Esta com dor na cabeça? – pisquei duas vezes, então ele anotou algo.
- Lembra de alguma coisa? – pisquei uma vez.
- Reconhece essas duas pessoas aqui ao meu lado? – pisquei duas vezes.
- Sabe onde está? – pisquei uma vez.
- Dr. Smith, acho que não é necessário estressá-la com perguntas banais – meu pai interrompeu.
- Sr. Cullen, se o senhor continuar interrompendo, irei pedir para sair. Sua filha ficou mais de 60 dias em coma, por favor, deixe-me trabalhar – ele disse colocando a mão dele debaixo da minha.
- Aperte minha mão – ele disse, autoritário.
Tentei apertar, mas minhas mãos estavam dormentes.
- Um pouco mais forte – ele pediu e novamente tentei.
- Hum... Sente isso? – ele beliscou meu pé. Pisquei duas vezes.
- Ótimo! Excelente! – ele parecia contente.
- Dr. Cullen, acho que temos uma grande evolução aqui. Vamos conversar lá fora – ele disse apontando pro meu pai.
- Já volto, filha – ele disse acompanhando o médico.
Quando ele saiu, Esme abaixou a máscara e beijou minha testa.
- Não conte nada pra ele, tá? – pisquei duas vezes.
Ela ficou uns minutos acariciando minha mão e, quando Carlisle entrou no quarto, ela parou.
- Esme! Eu disse que não podia - ele a recriminou.
- Desculpe, não pude resistir – ela sorriu.
- Oi filha, sabe onde está? – ele perguntou olhando nos meus olhos, então pisquei uma vez.
- Você está em Massachusetts, tivemos que lhe transferir para cá – ele disse calmamente.
“Boston? Nossa, fiquei tão mal assim?”
- Se você continuar reagindo bem, acho que em dez dias, no máximo, estaremos indo para casa – ele sorriu.
- Dessa vez eu me apavorei, hein! – ele disse tocando minha mão.
- Há! Você pode e eu não? – Esme sorriu.
- Como você disse, não resisti – ele sorriu.
Fechei novamente os olhos e adormeci, tendo a certeza de que morta eu não estava.
Capítulo 8
Foi mais ou menos isso o que ele disse. Fiquei mais quinze dias internada antes de ser liberada para casa. Tinha ficado 62 dias em coma profundo, tive hemorragia interna, perfuração do pulmão direito, perna esquerda quebrada, fístula na bacia e braço esquerdo fraturado. Emmett, Rosalie e Jasper me visitaram no hospital, falaram o que aconteceu com Bella, e Emmett disse que, se apostei ficar mais quebrada que a Bella, tinha ganhado. Mas, ao contrário de mim, ela já estava bem.
Rosalie está furiosa comigo. Primeiro, por não tê-la esperado, e segundo, por ter pegado o carro dela. Que, por sinal, os índios fizeram o favor de destruir. Segundo ela, nem para o ferro velho presta, então imagine o gelo que estou levando.
Meus estudos foram prejudicados, tive que fazer curso de férias para recuperar os dias ausentes e estou tendo um pouco de dificuldade em me concentrar. Segundo Carlisle, é consequência dos dias em coma, mas logo meu organismo volta ao normal.
Quando me lembrei de tudo, contei pra todos. Emmett, Jasper e Edward queriam ir a La Push quebrar de vez o pacto e matar todos, mas Carlisle acalmou-os e disse que o índio pode estar certo. Se tivesse mesmo sido contaminada, eu já estaria sendo uma deles, e não passado tanto tempo internada. Mas Emmett e Edward juraram que se esse tal de Paul aparecer na frente deles, eles o matam.
Edward e Bella estão cada vez mais próximos. Sempre quando ele vai me buscar na escola, ela está com ele. Eu ainda não tenho simpatia com ela, mas como ela é a namorada do meu irmão, preocupou-se com eles na caçada e foi me recepcionar no aeroporto, quando voltei de Boston, comecei a respeitá-la.
Carlisle e Esme tornaram-se os pais mais protetores que conhecia, não me deixavam sair com ninguém e, se fosse, tinha que levar alguém da família. Estavam preocupados em receber alguma visita dos índios e também me proibiram de namorar, mas eu continuava, às escondidas.
Rosalie e Emmett estavam viajando, alguma coisa como presente de formatura. Alice estava numa felicidade sem tamanho, feliz por Edward, feliz por ter ganhado uma nova Barbie cobaia e por eu ter voltado, sendo que essa felicidade contaminava a casa.
Estava me arrumando para mais um dia de aula. Tinha cortado o cabelo bem curto, aliás, eu não, os médicos fizeram uns caminhos de rato no meu cabelo que praticamente tive que raspá-lo, mas já estava um pouco grande, pouco acima do ombro. Alice consertou o estrago que eles fizeram, sendo que meu novo apelido era clone de Alice, porque ela fez o corte parecido com o dela.
Desci a escada com cuidado, ainda tinha dificuldade de caminhar. Estava usando uma muleta como auxílio. No meio da escada, vi Rosalie e Emmett sentados no sofá, conversando. Eles tinham acabado de chegar de viagem. Fui até eles e abracei Emmett, mas quando fui beijar o rosto de Rosalie, ela desviou.
- AH! Rose! – resmunguei - Por favor, nunca irá me perdoar, não? – olhei-a, séria.
- Não! Você sabia o quanto gostava daquele carro! – ela disse levantando com cara de poucos amigos.
- Mas Rose, eu não acabei com seu carro, foram eles, desculpe-me, vai – choraminguei.
- Tinha o carro do Edward, por que você não pegou o dele? – indagou.
- Porque, sinceramente, eu não tinha visto, senão teria mesmo pego o dele. Ao menos ele não ia ficar assim por um carro! – gritei - Ia me perdoar.
- Então, da próxima vez, pegue o dele! – ela disse, saindo da sala.
- Argh! Sua besta! – gritei.
Emmett me abraçou e foi atrás da Rosalie.
Fui até o escritório de Carlisle e bati na porta.
- Entre – ele respondeu do outro lado.
- Bom dia, pai – disse entrando e olhando o livro que ele estava lendo, e percebi que era um livro de neurologia.
- Neurologia? – disse beijando seu rosto - Vai largar a vida de clínico geral? – sorri.
- Não! – ele sorriu - Mas me interessei, depois do seu acidente – ele disse, fechando o livro.
- Foi difícil pro senhor? – disse olhando pro chão.
- Filha, quando os médicos falaram que você não ia sobreviver, e se sobrevivesse ia ficar em estado vegetativo, simplesmente recusei a aceitar esse diagnóstico, então comecei a pesquisar e estudar um modo de lhe salvar – ele disse suavemente.
- Por que não me transformou, então? - disse olhando pra ele.
- Porque não sabia se ia ou não dar certo, mas isso era meu último recurso, ainda tinha que tentar outras alternativas – ele disse dando os ombros.
- E agora? O senhor ainda acha que posso me transformar neles? – disse olhando em seus olhos. Foi quando ele ficou de pé e fez o mesmo comigo, olhou pra mim e respirou fundo.
- Definitivamente não, você está com seu cheiro de sempre e também tive uma conversa com Sam Uley – ele disse indo guardar o livro.
- Quem? – olhei confusa.
- O líder deles, e ele me disse que é impossível você ser uma deles. Falou algumas teorias que ele acha que aconteceu, e eu concordo. Mas, vamos começar? – ele disse, rindo.
- Vamos! – sorri de volta.
Desde quando voltei, Carlisle fazia diariamente uns exames neurológicos em mim, sempre antes de ir para escola e antes de dormir.
- Acho que em breve você irá aposentar essa muleta! – ele disse rindo e me entregando a muleta.
- Pai, queria lhe pedir uma coisa – disse, pegando a muleta.
- Diga – disse sorrindo.
- Me empresta dinheiro? – perguntei, séria.
- Emprestar? E como irá me pegar? – ele disse sorrindo de orelha a orelha.
- AH! Sei lá, mas posso ser sua ajudante do hospital, o que acha? Assim, já treino pra faculdade! – deu meu melhor sorriso.
- Hum! – ele pensou – E de quanto você precisa? – ele disse coçando o queixo.
- Não sei, sabe quanto custa um M3? Queria comprar um para Rosalie, acho que assim ela pensará em me perdoar. Não gosto dela com raiva de mim, o senhor sabe muito bem como gosto dela – disse sorrindo.
- Vamos, ! – disse Edward, que tinha acabado de entrar no escritório.
- Edward, quanto custa um M3? – virei-me pra ele.
- Mais ou menos 150, 200, dependo dos adicionais, do modelo – ele disse, pensativo.
- Igual ao que era da Rosalie? – disse, rindo pra ele.
- Mais ou menos 185 mil – ele disse rindo.
- Trabalho por toda eternidade pai, por favor! – supliquei.
Escutei Edward dando uma grande gargalhada
- Não precisa Carlisle, eu cuido disso – ele disse olhando maliciosamente pra mim.
- Vamos? Já estamos atrasados e prometi que ia buscar a Bella – ele disse abrindo a porta pra mim.
“Ah! Conte uma novidade”, pensei
Já estávamos a caminho da casa da Bella, quando Edward sorriu e virou pra mim.
- Eu posso lhe emprestar o dinheiro! – ele disse, rindo.
- Hum! Qual será o “porém”? – disse olhando pensativa para ele.
- Nada demais, eu amo você e quero você feliz. Sei que Rosalie está sendo um pouco rude com você e acho que essa ideia de dar a ela um carro novo irá acalmá-la – ele deu o meio sorriso que eu simplesmente amava.
- Mas - disse olhando sério pra ele, conhecia muito bem meu irmão.
- Mas – ele deu uma pausa antes de continuar - Você vai ter que fazer uns favores pra mim – ele sorriu mais ainda.
- Quais? – retruquei.
- Primeiro, tratar Bella melhor, parar de chamá-la de Isabella – ele disse, sério.
- Mas é o nome dela, Ed – falei, olhando pra janela.
- Eu sei, mas ela gosta mais de Bella, ela se sente tão mal quando você é grossa. Ela gosta de você, sabia? Ela quer se aproximar de você, mas você, nesse aspecto, é pior que a Rosalie – ele disse ficando sério.
- Faz tempo que a trato bem – continuei olhando pra janela.
- Você é muito formal com ela, , muito formal mesmo. Tente ser a que conheço, a minha irmã caçula favorita – ele disse, tocando em meu ombro.
- Eu sou a única, Ed – disse sem olhar pra ele, mas escutei ele dando uma bela gargalhada.
- Essa é uma condição, tratá-la melhor, pode fazer isso? – ele disse me virando e me fazendo olhar pra ele.
- E a segunda? – perguntei.
- Ir ao aniversário dela amanhã e não sumir, ser gentil – ele disse suavemente.
- Mas eu vou ao aniversário dela amanhã – falei, disfarçando.
- Não vai... Alice. – ele disse, rindo.
- Droga, às vezes esqueço que tem a Alice – falei rindo.
- Então, ia sumir mesmo, né? – ele sorriu.
- Pra que fazer uma festa se a aniversariante não quer? Só ia ficar no meu quarto – expliquei.
- Passe pra trás – ele disse rindo.
Foi então que percebi que tínhamos chegado e estávamos parados na frente da casa da Isabella. Então, olhei na direção da casa e vi Isabella fechando a porta.
- Quer apostar que ela vai cair? – disse enquanto abria a porta.
- Começando desde já – ele olhou sério pra mim.
- Tudo bem, mas compramos hoje! – disse passando pro banco de trás.
Fiquei olhando Isabella vindo até o carro, ela caminhava com um pouco de dificuldade pelo chão estar completamente molhado e, como era de se esperar, a mesma escorrega perto do carro. Mas ela foi ágil e se apoiou no capô.
- Ah! – lamentei - Droga, ela não caiu – disse, debochando.
- Para, – Edward disse rindo.
Quando ela entrou no carro, os dois se beijaram e eu virei o rosto.
- Bom dia, Bella! – disse dando o meu melhor sorriso. Ela olhou pra trás com cara de espanto, franziu a sobrancelha e olhou pro Edward.
- Edward? Acho que ela está com febre! – ela disse séria.
“Viu? Ela que começou!” pensei
- Não Bella, só viu que estava sendo uma criança mimada e está tentando ser mais educada – ele disse rindo e dando a partida no carro.
- Verdade, ? – ela olhou pra mim, espantada.
- Bom, vi que estava sendo um pouco imatura – olhei pra ela.
- Então, Ed? Hoje? – disse sorrindo e me inclinando pra frente.
- Bella? Você tem algo contra faltarmos à aula hoje? – ele disse rindo e olhando pra mim.
- ISSO! – disse pulando em seu pescoço e dando-lhe um beijo.
- POR FAVOR, BELLA! POR FAVOR! – supliquei, olhando diretamente em seus olhos.
- Tudo bem, mas para onde iremos? – ela disse rindo.
Pulei no pescoço dela e a beijei também, dando um abraço forte.
- OBRIGADA! OBRIGADA! EU AMO VOCÊS DOIS! – disse soltando-a.
Bella ficou olhando pro Edward sem entender muito, mas sorriu.
- Comprar um presente para Rosalie – ele disse rindo
Estava dentro do carro, olhando atentamente cada detalhe. Tinha que ter certeza de que era igual ao dela, só com algumas melhorias e carro do ano, é claro. Estava esperando Edward negociar com o vendedor.
Saí do carro e fui pro lado de Bella, que estava olhando o motor.
- Conhece alguma coisa, Bella? – disse rindo.
- Não, só estou olhando. E você, conhece? – ele disse sorrindo.
- Pouca coisa, Rose me ensinou algo, mas não gosto muito de carro, não – disse olhando o motor e apontei.
- Veja, motor com tecnologia de F1, isso aqui tem uma potência! – disse olhando mais atentamente o motor.
- Você gosta de quê? – Bella perguntou.
- Como? – olhei-a confus.a
- Você disse que não gosta muito de carro, então gosta de quê? – ela disse, rindo.
- Emmett me viciou em esportes radicais, então sou mais adepta a coisas mais radicais, como duas rodas – falei rindo também.
“Não acredito que essa insignificante é tão simpática quando quer ser”
- Vamos, meninas? – Edward tinha parado ao lado de Bella, entregando uma chave pra ela.
- Você leva, meu amor? – ele disse beijando o rosto dela.
- Calma aê! Eu levo! – olhei sério pra ele.
- Claro que você não vai pegar num carro até completar 50 anos, – ele disse sério – Olhe pra você, ainda está se recuperando do último passeio que deu de carro, lembra?
“Mas Ed, se ela levar, o carro ficará com o cheiro dela, e como é meu presente pra Rose, não quero que ela fique mais irritada” – disse em pensamento.
- Hum! Bella, você consegue levar o meu carro? – ele disse suavemente.
- Me deixa levar o carro, Edward! – disse olhando pra ele.
- Nada disso – ele disse firme.
- Mas eu não capotei com o carro da Rose! – falei, irritada.
- Não? Então, o que aconteceu? – Bella olhou confusa pra mim.
- Ela capotou sim, agora você vai com Bella no meu carro, enquanto eu levo esse, tudo bem? – ele sorriu.
- Mas Ed, com a Bella dirigindo, chegaremos só no amanhecer – disse, derrotada.
- Hei! Não dirijo tão mal assim, dirijo? – ela sorriu.
- Claro que não amor, ela só está tentando dirigir, mas ela não vai. Agora, vamos – ele disse apontando pro carro dele.
Foi exatamente como eu desconfiava, Bella não saia dos 60 km. Até que foi interessante ficar umas horas com ela, porque, até onde eu consegui ficar acordada, conversamos, e descobri que ela não é tão chata como imaginava. Era um pouco estranha, mas não tão chata.
Senti alguém me carregar, estava com tanto sono e cansada que nem vi quando chegamos em casa.
- Obrigado, Edward – Carlisle disse me pegando no colo – Olá, Bella!
- Oi, Carlisle – disse Bella.
Então acordei.
- Cadê Rose? – disse esfregando os olhos.
- Oi, filha! - Carlisle disse beijando minha testa - Ela foi caçar, só volta amanhã. Vamos fazer os exames, para você poder dormir – ele me carregou até o quarto, mas pude escutar Bella perguntar.
- Quando ela vai ficar realmente bem?
“É, realmente, a chata está ganhando alguns pontos comigo”
Acordei cedo, estava com um pouco de dor de cabeça, um pouco enjoada, mas não disse nada a ninguém. Desci, fiz o exame com meu pai e tomei meu café, em silêncio. Rose e Emmett ainda não tinham voltado da caçada. Fui à escola em silêncio, tava começando a ter uma dor de cabeça forte, então apoiei minha cabeça no ombro de Alice.
- ? Você está bem? – ela disse me abraçando.
- Com sono – disse rindo.
- Isso que da chegar tarde em casa – ela sorriu - Edward, você deveria ter mais juízo quando sair com ela assim.
- Ah, Alice, ela gostou, não é, ? – ele disse suavemente.
- Foi um dia muito bom, sabia que até comecei a rever meus pensamentos sobre Bella? – sorri.
- Hum? – ela colocou a mão na minha testa – O que você disse? Você a chamou de Bella? E não de cega, albina, insignificante, dedo duro, atrapalhada, que mais? – ela sorriu.
- Edward! Volte agora, Carlisle tem que vê-la, ela está delirando! – ela disse, apavorada.
- Para, sua boba! – sorri e fiquei reta no banco.
- Chegamos! , não esqueça que hoje é aniversário da Bella. Alice que vai vir lhe buscar, tudo bem? – ele disse olhando pra mim.
- Ok – sussurrei.
- Hei! Sabia que está conseguindo me bloquear nesse exato momento? – ele disse rindo.
- Não, mas irei tentar ficar assim por um bom tempo. E pare de tentar escutar meus pensamentos! – sorri e saí do carro.
Foi o dia mais estressante e longo da minha vida. Qualquer voz, ruído, qualquer barulho me fazia ficar irritada. Estava sentada na escada da entrada, abraçada com minha mochila esperando Alice chegar, quando senti alguém tampando minha visão. Sorri de orelha a orelha.
- Albert? – perguntei e ele me virou, dando um beijo demorado.
- Tava com saudade – ele disse, sentando ao meu lado.
- Desculpe, é que tá difícil ficar sozinha, eles estão marcando de perto.
- Mas o que você está fazendo aqui? – indaguei - Se eles te virem, estarei frita.
- Não se preocupe, vi seu irmão saindo com a namorada, e como eles não vieram pra cá, pensei que teríamos um tempo – disse, sorrindo.
- Acho que só temos uns minutos, porque logo logo alguém vai estar aqui – disse séria.
- Então, vamos aproveitar esse tempo? – ele sorriu.
Ele segurou meu rosto e me beijou. Esqueci completamente a dor de cabeça e a irritação, larguei minha mochila e joguei meus braços no pescoço dele. Quando o beijo ia ficando quente, escutei alguém limpar a garganta. Soltei-o imediatamente e olhei pra cima. Vi Emmett, de braços cruzados sobre o peito, forçando a musculatura, olhando seriamente para nós.
- Emmett Cullen, irmão mais velho dela. E você é quem? – ele disse sem piscar.
- Er... Eu... Albert... - ele disse, levantando e esticando a mão para cumprimentá-lo.
- Albert de quê? – Emmett continuava de braços cruzados e irritado.
Apoiei-me em Albert para levantar e olhei pro estacionamento. Pude ver Rosalie no carro novo, me esperando, e parecia que ela estava chorando de tanto rir.
- Albert Foster – ele disse, nervoso.
- Albert Foster o quê? – Emmett ainda estava do mesmo jeito.
- Albert Foster, senhor – ele disse firme.
- E você é o quê para ela? – Emmett mantinha a postura.
- Namorado, senhor – Albert disse, nervos. Se ele pudesse sair correndo, já tinha saído.
- Emmett, pare, vamos embora, vai – falei tentando puxá-lo em direção ao carro.
- Se é namorado, por que ainda não foi se apresentar para nossos pais? Pensa que é ela é igual a essas garotas que você está acostumado a ficar, é? Não quero mais te ver com ela. Se ao menos sonhar que você está com ela, pode dar adeus ao que você dá mais valor no seu corpo – Emmett disse friamente, olhou pra mim e apontou pro carro.
- Eu gosto da sua irmã, senhor – Albert sussurrou.
- O quê? Será que ouvi algo? Está avisado, fique longe! – Emmett disse olhando friamente pra ele.
Emmett me virou e ajudou a descer a escada. Caminhou ao meu lado até o carro, mas quando entramos e partimos pra casa, ele urrou de tanto rir.
- Você viu, Rose? A cara do moleque? Acho que ele se borrou! – ele continuava rindo.
- O menino queria morrer, Emmett – Rose sorria também.
- Não achei graça, Emmett – falei, irritada.
- Você tem que me agradecer por não contar ao Carlisle, isso sim! – ele riu novamente.
- Mas que foi engraçado, foi – Rose olhou pra mim.
- Ah! Fique com raiva não vai, você não pode ficar estressada – ela sorriu.
- Eu adorei o presente, obrigada mesmo! – ela olhou sorrindo pra mim.
- Esse é até melhor que o outro, , você mesmo que escolheu ou teve ajuda? – Emmett perguntou ainda rindo.
- Eu escolhi – respondi, seca.
- Obrigada, mesmo! – Rose sorriu.
- De nada – continuei seca.
Esperei Emmett me ajudar a sair do carro, peguei minhas coisas e entrei rapidamente em casa. Tomei um susto quando vi tudo arrumado, tudo estava com cara de Alice, tudo estava rosa. Tinha rosas espalhadas pela casa inteira, velas rosas, os cristas da mamãe, bolo enorme, estava lindo, para falar a verdade.
- Gostou?- Alice disse ao meu lado, nem tinha percebido ela lá.
- Tá bonito! – disse, sincera.
- Quer me ajudar? Ainda estou arrumando algumas coisas – ela sorriu.
- Não, irei pro meu quarto, quando tiver na hora, me chame – fui em direção à escada, mas quando ia subir, alguém segurou-me pela cintura.
- Espere – Alice que tinha me segurado.
- Ah, o que foi agora? – falei seca, estava morrendo de dor de cabeça.
- Você esta com dor, né? Sabia! Hoje de manhã não era sono! – ela olhava diretamente pros meus olhos.
- Só um pouco de dor de cabeça, irei dormir um pouco. Quando tiver na hora me chame, tá? – tentei sorrir.
- Quando Carlisle chegar, irei avisá-lo – ela disse enquanto me carregava para o quarto e me deitava na cama.
- Descanse um pouco, hoje à noite será divertido – ela beijou minha testa e saiu do quarto.
Acordei com algo frio tocando minha testa, mas estava com tanto sono que só fiz puxar o cobertor para minha cara e voltei a dormir. Escutei alguém dando uma risada.
- Você disse para lhe acordar quando estiver na hora, vamos! Acorde – a voz irritante da Alice. Virei pro outro lado e puxei o cobertor.
- Vai embora Alice, tô com sono! – sussurrei.
Novamente escutei outra risada, e ela puxou meu cobertor.
- Vamos logo, eles irão chegar em vinte minutos – ela disse rindo.
- Ah... Desço em 2 minutos, tá? – disse abrindo os olhos, vendo-a toda arrumada.
- Tudo bem, mas não volte a dormir – ela sorriu e saiu do quarto.
Quando ela saiu pela porta, puxei novamente o cobertor e voltei a dormir. Senti novamente um frio, mas dessa vez no meu braço. Resmunguei alguns palavrões pra mim mesma.
- Onde você aprendeu esse vocabulário? – Edward disse enquanto puxava meu cobertor.
- Ah, é você, é? Pensei que fosse a Alice – disse sentando na cama.
- Vamos, você prometeu, estamos lhe esperando para abrir os presentes – ele sorriu.
- Ja vou... Me espera lá embaixo – disse rindo.
- Nada disso, você vai voltar a dormir, vamos – ele disse me puxando da cama e fazendo-me ficar de pé. Entregou a muleta pra mim e sorriu.
- Você está toda descabelada – ele disse bagunçando mais ainda meu cabelo.
- Então me espera lá embaixo que irei me arrumar – disse, emburrada.
- , você concordou, ajeite essa cara, vai. Não quero você emburrada lá embaixo – ele disse suavemente.
- Eu não estou emburrada, estou com sono, mas irei lavar meu rosto e já desço. Me espera lá – disse indo pro banheiro.
Arrumei-me muito rapidamente, escovei os dentes, lavei o rosto, arrumei o cabelo e desci. Estavam todos lá embaixo, sorrindo, e pelo o que notei, até se divertindo. Estavam todos ao redor da mesa, onde tinha o bolo e os presentes.
- Feliz aniversário, Bella – disse rindo e entregando um pacote pra ela.
- Ah! Obrigada, , mas não precisava – ela disse toda tímida.
-Calma aê! O que você disse? – Emmett estava ao meu lado, colocando a mão na minha testa.
- Carlisle, acho que ela está tendo uma recaída, vamos levá-la ao hospital! – Emmett disse todo apavorado.
- Pare! – falei tirando a mão dele da minha testa.
- Você, tratando ela bem? E ainda chamando de Bella? Ô Carlisle, acho que teve sequela grande esse trauma na cabeça – ele, zombando.
- Hoje é o aniversário dela, não posso ser um pouco gentil, ao menos hoje? – falei, emburrada.
- Pode e deve – Edward disse atrás de mim.
- Obrigado por descer – ele disse sussurrando em meu ouvido e em seguida, beijando-me no rosto.
- Acho que está na hora de abrir os presentes, né? Ou melhor, cantar os parabéns antes? – Alice disse, sorrindo.
- Melhor abrir os presentes – Bella disse.
Sentei na cadeira ao lado dela, perto da mesa, peguei um docinho e entreguei meu presente pra ela.
- O meu, primeiro – disse de boca cheia.
- Ah, obrigada, mas não precisava – ela disse pegando o meu pacote.
“Por que ela tem que se desculpar por tudo, tá começando a ficar chata e irritante!”
Ela abriu com cuidado e olhou meio que sem entender. Revirei os olhos e suspirei.
- Bella, você não é fã de tecnologia, não? – falei, pegando outro doce.
- Hum, sou, mas não sei o que é isso – ela disse analisando o meu presente.
- É um porta retrato digital, da para armazenar 1.500 fotos, e você ainda pode ampliar para 3000. Na verdade, é um álbum digital e já tem algumas fotos armazenadas nele – peguei da mão dela e mostrei como funciona.
- Isso deve ter custado muito caro – ela olhou, espantada. Novamente revirei os olhos e suspirei.
- Comprei no cartão de crédito do Edward, então não custou nada pra mim! – disse, levantando os ombros.
- Mas, como? ! – Edward estava olhando a carteira dele e todos riram, até a Bella.
Ela pegou outro pacote, então Emmett pediu licença e saiu correndo. Quando ela abriu o pacote, não tinha nada.
“Hum... Ótimo presente, uma caixa vazia!”
- Obrigada – ela mumurrou, Rosalie sorriu.
- É um som para a sua caminhonete, Emmett está instalando agora mesmo pra que você não possa devolver – Jasper explicou.
- Obrigada, Jasper, Rosalie – ela disse sorrindo.
- Obrigada, Emmett! – ela gritou.
- Nossa Bella, quer estourar meus tímpanos? – falei olhando pra ela.
- Desculpe – ela disse, tímida. “Novamente ela se desculpou” .
- Agora abra o meu e o de Edward – disse Alice.
- Você prometeu – ela reclamou, olhando pro meu irmão.
- Eu não gastei um centavo - Edward disse.
Fiquei mais perto de Bella, queria ver o que meu irmão tinha dado pra ela. Estava curiosa, porque realmente não o vi comprando nada. Quando Bella foi abrir o pacote, não sei como a toupeira se cortou com o papel, e uma gota de sangue surgiu no dedo dela.
- Droga - ela murmurou.
- Não! - Edward gritou.
Meu irmão pulou em cima de Bella. Como estava muito próximo a ela, com o impacto, fui jogada pra trás também. Então foi que vi que Jasper estava fora de controle e estava tentando atacar Bella, mas Edward estava na frente dele. Olhei pra Bella e ela estava apavorada, caída no chão. Tinha levado o bolo, os docinhos, os cristais, enfim, eles quebraram a mesa. Olhei pra baixo e vi o braço dela todo ensanguentado. Emmett segurou Jasper enquanto o mesmo tentava inutilmente se soltar.
- Emmett, Rose, tirem Jasper daqui – meu pai falou tranquilamente.
- Vamos lá, Jasper – Emmett disse, levando-o para fora com a ajuda de Rosalie. Carlisle veio até mim e me ajudou a levantar.
- Machucou-se? – ele olhava atentamente pra mim.
- Não pai, vai cuidar da Bella – falei, pegando minha muleta e indo para fora. Aquele cheiro forte de sangue estava me deixando enjoada.
Jasper ainda estava fora de controle, se debatia contra Emmett e Rose na frente dele. Eles murmuravam algo. Senti alguém tocar meu ombro e então olhei pra cima.
- Machuquei você? – Edward estava com uma cara horrível.
- Não – disse, sorrindo.
- Vá pro quarto, não é bom você ver isso – ele disse bem sério. Só balancei a cabeça e entrei novamente na casa.
Esme já estava limpando tudo e, quando ia subindo pro quarto, vi Bella e Carlisle na cozinha. Fui até eles.
- Machucou muito? – disse olhando pro braço dela.
- Não – ela mentiu.
- Desculpe por Jasper, Bella, às vezes ele sai do controle. Mas não fique com medo dele, não – disse rindo.
- Não se preocupe , a culpa foi minha – ela disse, sorrindo timidamente.
Acenei pra ela e subi pro meu quarto. Fui até a janela e Jasper já estava mais controlado, conversando com Alice e Edward. Andei até minha cama e deitei.
- Nossa, que aniversário mais animado! Teve até ataque! - sorri pra mim mesma.
- É, com essa azarenta minha vida irá ficar bem mais agitada daqui pra frente – sorri e fechei os olhos.
- Mas como a festa acabou mesmo... Irei dormir.
Capítulo 9
- O quê? – gritei com todo ar do meu pulmão
- Não precisa gritar, filha – Carlisle disse na minha frente
- Vocês só podem esta brincando comigo! – disse, cruzando os braços.
- Não estamos, você viu o que aconteceu com a Bella. Edward não quer que aconteça novamente – Carlisle ainda mantinha sua voz calma.
- Simples! Ele acaba com ela e ficamos aqui, não precisamos mudar por causa de uma pessoa, mas que droga, já estamos adaptados aqui! Eu não quero MUDAR! - disse irritada e jogando um copo na pia.
- Você odeia Forks, filha, por que isso tudo agora? Iremos para um lugar melhor – ele disse fazendo um carinho em meu rosto.
- Ah sim, iremos... Pro Alaska? Groelândia? Pai, EU NÃO QUERO! MAS QUE DROGA, EU NUNCA TENHO DIREITO DE VOTO, NÃO? – gritei.
- Esme Cullen! Baixe o tom de voz – ele me olhou, sério.
- Eu não vou! Vocês podem ir, eu fico! – disse cruzando os braços.
- Hahaha! Muito engraçadinha, você, uma garota de 14 anos, que tem uma certa inimizade com lobisomens, que está doente, ficar sozinha aqui? Nem pensar! – Rosalie disse, debochando.
- Eu não vou! – birrei.
- Filha, por que isso tudo agora? Você sempre me disse que odeia Forks – Carlisle disse suavemente.
- É porque ela não terminou o namoro, Carlisle, não quer deixar o bundão sozinho – Emmett falou rindo.
- Não é isso, eu só que – suspirei um pouco - Eu já tenho umas amizades aqui e já estou adaptada, tá certo! - olhei furiosa pro Emmett.
- Eu disse para você não se envolver com esse rapaz, não disse? – Carlisle olhava seriamente pra mim.
- Mas que droga, Emmett! – olhei, fuzilando-o.
- Mas por quê? Por que temos que nos mudar por causa de uma neura do Edward? É só não trazer mais a toupeira aqui! – disse, emburrada.
- Já está decidido filha, iremos partir hoje mesmo. Vá arrumar suas coisas – Carlisle disse, autoritário.
- Já disse que não vou! – gritei e sai correndo pro meu quarto. Chegando nele, tranquei-o.
- Mas que droga! Eles não podem me forçar a mudar assim, do nada! – disse chutando o vento.
Escutei baterem na porta.
- O QUÊ?! – gritei.
- Abre a porta, filha – Esme pediu.
- Vá embora, mãe! Eu já disse que não vou! – gritei.
Nesse momento, Carlisle apareceu na minha frente, sorrindo.
“Droga, esqueci da janela”
- Ah, vai sim! – ele disse rindo e me pegando no colo. Abriu a porta e caminhou tranquilamente até o carro.
- Pegue o casaco dela, Esme – ele disse abrindo a porta do carro.
- PARA! PAI, NÃO! – disse me debatendo, mas ele somente ria enquanto me colocava no carro e me prendia no cinto de segurança.
- PAI! PARA! – tentei soltar o cinto, mas ele tinha quebrado o feixe.
- Por favor pai, não! – disse, soluçando.
- Não precisa chorar filha, é melhor para todos, entenda. Você tá pior que uma criança de 5 anos - Esme disse enquanto entrava no carro, rindo da cena toda.
- Não é justo! Não quero ir! – disse, tentando inutilmente me soltar.
- Você vai gostar do local – Carlisle disse enquanto ligava o carro.
- Vocês nem ao menos me deixaram despedir dos meus amigos – dei-me por vencida.
- Dos seus amigos ou do namorado que somos contra? – Carlisle disse, sério.
- Os dois! – disse, emburrada.
- E parece que estamos fugindo! Odeio vocês! – disse, birrenta.
- Odeia não – Esme ria.
- Não é engraçado, mãe! – sibilei.
- Nunca pensei que ser pai de uma adolescente de 14 anos daria tanto trabalho! – Carlisle ria.
- Gostava mais quando você era uma criança de 5 anos, falava errado, caia enquanto tentava correr, era menos MIMADA! – ele sorriu, olhando pelo retrovisor.
- O senhor está ficando um velho chato! – retruquei.
-Esme? Você me acha velho, querida? – ele disse divertido.
- Claro que não! – ela disse beijando o rosto dele.
- Viu – ele sorriu - Sua mãe não me acha velho, então você está errada!
- ARGH! – virei a cara e fitei a janela, enquanto os dois gargalhavam.
“Sabe o que irei fazer? Dar um gelo neles, como fizeram comigo, eles vão ver só”
Sinceramente, não sei onde meus pais tiram essas cidades insuportáveis de se morar. Primeiro foi Forks, “que ultimamente estava até boa”, e agora uma tal de Cornell de Wisconsin, eu nem sabia que existia isso. E, para completar, estávamos na parte noroeste do estado, sendo que no inverno a temperatura média é de -11ºC. Por que não vamos logo para a Sibéria?
Estávamos há uma semana nessa cidade, que tem orgulho de suas vacas e educação. Um tédio, isso sim!
Minha estratégia de ignorar meus pais estava dando certo, eles não sabiam mais o que fazer para voltar a falar com eles. Estávamos hospedados num hotel luxuoso da cidade, até Carlisle achar uma casa ideal e Esme deixá-la com a “nossa cara”, como ela mesma dizia.
Estava sozinha no apartamento, meus irmãos, que nunca me deixaram sozinha, desta vez deixaram. Edward endoidou e está em algum lugar do planeta. Alice e Jasper estão no Alaska, visitando Tânia. Rosalie e Emmett estão na Suíça, fazendo um tour Europeu. “Ai, que inveja”. E meus pais foram visitar algumas casas, enquanto eu vejo pela janela a chuva cair. Se o outono é assim, imagina o inverno!
- Bom, eles irão demorar um pouco, vou dar uma volta.
Fui até o armário, peguei um casaco preto que ia até os joelhos, envolvi um cachecol, dando um laço delicado no pescoço, coloquei luvas e uma boina, peguei minha muleta e saí do apartamento. Quando saí do elevador e fui em direção ao hall, um mensageiro me parou.
- Senhorita Cullen? Senhorita? – alguém me chamava.
- Sim? – disse formalmente.
- Seus pais pediram para levar o almoço até seu quarto, mas como a senhorita saiu, vai almoçar no restaurante do hotel?
- No restaurante, mas só quando voltar. Darei uma volta – dei um sorriso meio torto pra ele.
- Mas senhorita, o tempo não está muito bom para passeio, por que não visita as lojas do hotel? – ele disse, preocupado.
- Quem sabe quando voltar? – peguei uma nota de 100 e entreguei a ele quando apertei a sua mão - Se meus pais perguntarem, não saí do hotel, tudo bem? – sorri.
- Ah! Claro! Bom passeio – ele disse rindo.
- Obrigada – sorri de volta.
Quando saí, me encolhi um pouco, estava ventando bem frio. Olhei em volta, tinham poucas pessoas na rua e parecia ser 11 da noite, ao invés de 11 da manhã. Ajeitei meu cachecol, fechei bem o casaco e caminhei sem rumo. Estava caminhando por um bom tempo olhando as lojas.
“Argh! Não tem nada de interessante pelas redondezas, não?”
Estava parada na frente de uma loja de roupa de grife, quando percebi um homem olhando atentamente pra mim. Entrei imediatamente na loja e fui até um manequim que tinha uma blusa que era a cara de Alice.
- Tem tamanho P? – disse pra vendedora.
- Tem, sim – a vendedora me olhou dos pés a cabeça.
- Embrulhe para presente, por favor – disse séria e fui olhar outros modelos, estava mesmo fazendo hora para o homem ir embora.
- E como a senhorita pretende pagar? Custa muito caro, sabia? – ela disse, debochando.
- Escolhe! Quer em dinheiro, cartão ou cheque? – falei no mesmo tom.
- Escute aqui, menina, saia agora da loja ou chamo os seguranças – ela disse, irritada.
Suspirei fundo e fui até o caixa.
- Pode me chamar a gerência, por favor? – falei no meu tom mais educado o possível.
Passei exatamente uma hora conversando com a gerente e convenci-a em demitir a vendedora. Estava no caixa, pagando a blusa e olhando a vendedora sendo demitida. Ao olhar aquilo, sorri de orelha a orelha.
“Bem feito, assim aprende a tratar melhor as pessoas”
- Obrigada – disse enquanto pegava a sacola.
- Desculpe pelo incômodo, senhorita Cullen – a gerente veio até mim – Espero que esse fato isolado não faça a senhorita deixar de frequentar nossa loja.
- Irei pensar no caso – disse no meu tom mais arrogante que conhecia. Estava adorando aquela situação.
Ao sair da loja, olhei em volta e não vi ninguém. “Foi embora, ainda bem”. Olhei pro relógio, que marcava 3 horas da tarde.
- Nossa! É por isso que estou com fome. Agora, pra onde é o hotel, mesmo? – olhei em volta e não me lembrava se era direita ou esquerda, e para completar, estava chovendo forte.
- Droga! – entrei novamente na loja.
- Esqueceu algo, senhorita – a gerente veio até mim.
- Sim – falei rindo – Sabe em que direção fica o hotel Taj Mahal?
- A senhorita está hospedada no Taj Mahal? – ela disse, abismada.
- Sim! Algum problema? – sorri.
- Não... É que esse hotel é o mais caro da região – ela disse, ficando envergonhada.
- Bom, são meus pais que pagam e não eu, então? Que direção? – disse sem dar confiança.
- Esquerda, mas acho melhor a senhorita pegar um táxi, parece que essa chuva não vai parar tão rápido.
- Obrigada – sorri, entreguei-lhe uma nota de 100 e fui em direção do hotel.
“Eu devia ter escutado a mulher, porque tinha que ser teimosa, droga, não consigo enxergar um palmo à minha frente”.
Continuei caminhando com bastante dificuldade, primeiro pela chuva, segundo porque a muleta não ajudava muito, e terceiro, eu estava congelando. Estava caminhando na direção que a mulher me disse, mas a chuva estava tão forte que encharcava meus sapatos a cada passo que eu dava. Parecia uma eternidade.
- Você quer ajuda? – uma voz suave.
Olhei pra cima e vi um homem mais ou menos de 20 anos. Estava sorrindo, vestindo uma capa preta com um gorro que escondia seus cabelos. Os olhos tinham uma coloração diferente. Olhei mais atentamente, olhos rubis.
“Droga! Conheço esses olhos!”
- Não, obrigada, já estou chegando ao hotel – tentei caminhar um pouco mais rápido, mas a dor na minha perna não deixava.
- Irei para aquele lado também, não quer ajuda mesmo? – ele sorria. Então pude notar os dentes dele “Droga! A má sorte da Isabella passou pra mim, foi?!”
- Não senhor, obrigada, já estou chegando – disse calmamente.
- Então, posso lhe acompanhar? – ele continuava ao meu lado.
- Não é isso que já está fazendo? – continuei caminhando .
Caminhamos uns 5 minutos em silêncio, até o homem quebrá-lo.
- Estou curioso – ele disse ao meu lado.
- Bom, ficará curioso, porque não irei responder nada pra você – sibilei “Droga, cadê o hotel?”
-Você tem um cheiro estranho, você tem o cheiro dos Cullen, mas não lhe conheço – ele me olhava sério.
Parei imediatamente e olhei pra ele, fitando-o por uns segundos.
- Obrigada pela companhia, mas não preciso mais – continuei a caminhada.
- Eu só não sei seu nome, onde está Carlisle? E por que você tem o cheiro deles, sendo que é uma humana? – ele continuava me seguindo. Não liguei e continuei andando. Quando levantei a cabeça, vi finalmente o hotel.
- Obrigada, mas cheguei ao meu destino – disse séria.
Nesse momento, ele pegou meu braço e me empurrou pra um beco próximo.
- Hei! – disse quando ele me chocou contra a parede.
- Calada! – ele olhava intensamente meus olhos.
- O que você está fazendo?- disse, assustada.
- Ensinando-lhe boas maneiras – ele disse colocando o nariz próximo ao meu pescoço e cheirando-o profundamente.
- HUM! Você tem um cheiro maravilhoso. Tem um pouco de cheiro do Carlisle, mas seu cheiro é maravilhoso – ele deu um rosnado baixo e fechou os olhos.
- É? Então tente cheirar com o nariz quebrado! – peguei minha muleta e taquei no nariz dele e, em seguida, bati a muleta com toda força nos olhos dele. Não sei se machucou, mas deu tempo suficiente dele me soltar e de sair correndo para a rua principal. Tive sorte de que quando cheguei à rua, dois casais estavam passando. Corri pro lado deles sem olhar pra trás e ignorando a dor na perna. Caminhei até o hotel, que estava só há 10 metros à minha frente, e entrei rapidamente pela porta. Fui parada pelo porteiro.
- Senhorita Cullen, você está bem? – Ele me olhava preocupado. Foi então que percebi que estava tremendo e chorando.
- Fui assaltada, meus pais chegaram? – falei, enxugando as lágrimas.
- Ainda não, mas espere, irei chamar a polícia – ele disse segurando meu braço.
- Não precisa! Obrigada – dei um sorriso forçado.
Corri até o elevador, acionei e esperei ele abrir.
- Você tem até certa força, heim! Mas você esqueceu sua sacola – ele disse me entregando a sacola.
- Vai embora, antes que eu grite – sibilei.
- Calma, não ia fazer mal a você – ele disse, rindo. Escutei o barulho do elevador abrindo e entrei, mas quando ia fechar, ele entrou também. “Droga, fechou!”
- O que você quer de mim? Deixe-me em paz! – disse apertando o botão de abrir .
- Está com medo de ficar sozinha comigo, é? Então sabe exatamente o que sou, certo? – ele disse olhando maliciosamente pra mim.
- Sei – sussurrei.
Nesse momento, o elevador abriu novamente, mas ele ficou na minha frente, impedindo minha passagem.
- Eu tô com sede, sabia? – ele disse rindo.
- Tem um bebedouro perto da recepção – disse tentando sair do elevador.
- Mas é outro tipo de sede – ele disse colocando o braço na porta, evitando sair. Foi quando espiei por baixo do braço dele e vi Carlisle e Esme vindo em direção ao elevador.
- MÃE! PAI!- gritei com todo ar que tinha. Ele abaixou o braço, deixando-me sair. Corri até eles e abracei Esme.
- Mãe! – disse aliviada.
Ela fez um carinho na minha cabeça e olhou pro Carlisle, preocupada.
- Garret, o que você está fazendo aqui? – Carlisle falou um pouco ríspido.
- Nada, meu amigo, só estava de passagem – ele disse rindo, saindo do elevador e estendendo a mão para cumprimentá-lo.
- Mentira! Ele tá me seguindo e tentou me jantar! – disse entre os dentes.
- Garret! O que você fez? – Carlisle olhou seriamente pra ele.
- Não sabia que tinha um bicho de estimação – ele disse rindo.
- Vamos conversar, Garret – Carlisle disse apontado pro restaurante do hotel.
- Vamos, filha – Esme disse passando o braço pela minha cintura e entrando comigo no elevador.
- Onde você esteve? – ela perguntou enquanto me ajudava a andar para o quarto.
- Fui dar uma olhada nas lojas e, quando estava voltando para o hotel, aquele idiota me atacou – disse abraçada com ela.
- Cadê sua muleta? – indagou.
- Quebrei nele – dei uma risada.
- Ah, filha, quando é que vai ter mais responsabilidade, heim?– Esme disse, séria.
- Mãe! Eu tenho responsabilidade sim, só fui dar uma volta! Eu nunca ia imaginar que um amigo de vocês estaria por aqui! Eu não tenho detector de vampiros ou lobos na minha testa, não! – falei rispidamente.
- Por que saiu? Por que não ficou no hotel? Já viu o seu estado? Você ficou 62 dias em coma, quase morreu, quer se matar, é? – ela estava furiosa.
- Mãe, isso já faz dois meses, eu tô bem! E eu não quero me matar não! Estava me matando ficar aqui, presa! – retruquei.
- ! – ela disse me repreendendo - Você ainda sente dor quando anda, sem contar que ainda está de pino na perna. Filha, você está em recuperação, ou você acha que seu pai tem o trabalho de todo dia fazer exames em você por puro zelo? Quando é que você irá colocar nessa sua cabeça oca que nós nos preocupamos com você?
- Ah, mãe! Essa conversa já está me irritando! – disse indo em direção ao quarto.
- Você está irritada ultimamente, hein! – ela disse, me acompanhando.
- Você está ficando insuportável, filha – ela disse rindo.
- Então vamos voltar pra Forks, que melhoro! – falei, birrenta.
- Vamos ficar aqui, acostume! Vá tomar um banho quente e vem comer algo, irei pedir – ela disse beijando meu rosto.
- Teu pai tem razão, você está ficando uma adolescente complicada! – ela sorriu.
Obedeci sem reclamar, porque estava congelando mesmo. Estava com tanto frio que quando entrei na banheira, meus músculos doeram com o choque de temperatura. Fiquei relaxando por vários minutos, acho que fiquei uma hora na banheira. E adormeci, porque acordei com alguém batendo na porta.
- Você está viva? – Carlisle disse atrás da porta.
- Tô pai, só relaxando – disse, saindo da banheira.
Arrumei-me com roupas pesadas e fui até a sala. Chegando lá, o tal de Garret estava conversando com meus pais. Olhei fixamente pra ele e fui até o carrinho com a comida, sem dar atenção pra eles.
- , vem aqui, por favor – Carlisle disse calmamente.
- Sim, pai? – disse ficando ao lado dele.
- Este é Garret, um amigo nosso – ele disse apontando pro tal Garret.
- E daí? – falei bem arrogante.
- Desculpe se assustei você, só queria lhe assustar mesmo, não ia fazer nada – ele disse, sorrindo.
- Hum, sei, e também acredito em papai Noel, sabia? – debochei.
- ! Por favor – Esme recriminava.
- Mãe! A senhora quer que eu seja educada com a mesma pessoa que tentou me matar? – disse, cruzando os braços.
- Eu não ia lhe matar, como disse, só estava lhe assustando. Você tem o cheiro de Carlisle, não ia atacar um protegido do meu amigo, não seria louco o suficiente pra isso. Estou aqui para me desculpar, será que você pode me desculpar? – ele parecia sincero.
- Talvez! Quem sabe, no outro século! – disse rindo.
- ! – Carlisle disse, sério.
- Tá certo, desculpado – disse estendendo a mão e cumprimentando-o.
- Que tal sairmos para me desculpar realmente? Aposto que não comeu nada, levo-te para comer algo – ele disse, rindo.
- Acho que está na hora de você ir, meu amigo – Carlisle disse, empurrando-o para a porta – Foi muito interessante conversar com você.
- O que foi, Carlisle? Não confia em mim? – ele disse rindo e cumprimentando meu pai.
- Adeus, Garret – ele abriu a porta.
- Até logo, garota – ele disse acenando pra mim.
Carlisle despediu-se dele e foi até mim.
- De agora em diante, só sairá na rua comigo ou com sua mãe, entendeu? – ele disse, sério.
- Desculpe – disse um pouco baixo.
- Amanhã iremos nos mudar e você irá conhecer sua nova escola – ele disse, rindo.
- O quê? Ah, pai, por favor, vamos conversar sobre estudos só ano que vem, tá? – disse, irritada.
- O quê? Você quer ficar mais de quatro meses sem fazer nada? Você irá pra escola, sim – ele disse, autoritário.
- Mas, pai! Já estamos quase no final de setembro, faltam três meses para acabar o ano. Sem contar as notas, pra que estudar agora? Entro ano que vem na nova série, vocês podem ajeitar as coisas. E por que só eu que tenho que ir? E os outros? – disse rindo.
- Hum – fingiu pensar - Porque será, hein? 14 anos? Outros com mais de cem, por que, né? – ele disse, sorrindo.
- Sem discussão, amanhã, escola! – ele disse, firme.
- Chato – disse baixinho.
- Escutei! – ele sorriu.
A nossa casa era, como sempre, um pouco distante da civilização, mas dessa vez estávamos morando num condomínio fechado. Uma bela casa, por sinal, com três andares, pisos de madeira sendo sustentada por colunas estilo medieval, uma casa bastante luxuosa. Desta vez meus pais exageraram em conforto, que não servia para eles, e sim, pra mim.
Já estávamos um mês em Cornell. Carlisle estava ensinando na Universidade de Wisconsin que, por acaso, ficava a 5 Km da minha escola. Eles, definitivamente, exageraram dessa vez, me colocaram num colégio de regime militar. Bom, não era militar, mas parecia. Tinha que ir fardada, chegar no horário e só podia sair da escola com autorização por escrito dos pais. Não podia ir de cabelo solto, sem contar com o rígido controle disciplinar e, pra completar, só estudava gente mesquinha, filhos de gente arrogante. Meu Deus, onde fui parar? Já fui chamada à diretoria duas vezes em um mês, só porque respondia para os professores. Oras, eles perguntavam e eu respondia! O que tem demais nisso?
Desisti de continuar dando um gelo nos meus pais, primeiro, porque são meus pais, segundo, eu os amo e não consigo ficar tanto tempo sem falar com eles, e terceiro, só estávamos nós três. Meus irmãos ainda estão curtindo a vida pelo mundo e eu aqui, sentenciada a estudar no colégio de riquinhos metidos a besta e solitária!
Todo dia, falava via net com Albert e Rebeca. Isso me deixava com mais vontade de voltar a Forks, e cada dia que passava, ficava um pouco deprimida, sem amigos, sem namorado, sem irmãos.
É! Quem aguenta? E tudo isso por causa de quem? Da IDIOTA da Isabella.
Estava abrindo meu armário para guardar os livros e ir embora depois de um dia tedioso, quando senti alguém pegar minha muleta.
- Hei! Devolva – olhei sério.
- Vem pegar, novata! – disse um garoto caminhando pra trás e girando minha muleta na mão, enquanto quatro pessoas atrás dele só riam.
Olhei atentamente e reconheci todos como sendo da minha turma de educação física Adan, Lukas, Verônica e Suzi, o quarteto fantástico que adoravam atentar os novatos, e o seu líder, Ron Pertesen.
- Fica com ela! – disse fechando a porta do meu armário e caminhando para saída.
- Ah! Que isso? Vai ficar sem seu apoio para caminhar? – ele disse correndo e parando na minha frente.
- Sim, já ia aposentar isso mesmo – disse dando os ombros e continuei caminhando.
- O quê? Vai parar de usar? Por quê? Cansou de ser chamada de aleijadinha? – ele disse rindo e os outros riram também.
- Não, sua anta! Eu sofri um acidente e por isso que uso essa bengala, para não forçar a lesão – disse, afastando-o da minha frente.
- Hei! Ninguém toca em mim! – ele disse com cara de nojo.
- Por Deus! O que eu fiz para merecer um otário me perturbando? O que foi? Cuspi na cruz ou colei chiclete? Já sei, zombei da sua cara na cruz, né? – disse olhando pro céu.
- Agora, se os patetas me derem licença, tenho que ir, porque, certamente, meu pai está me esperando no estacionamento – disse, ríspida.
- Tome – ele disse quebrando a bengala ao meio e me entregando os dois pedaços.
- Amanhã conversaremos, novata! - ele disse, rindo.
“Respire, inspire, conta até 1000”
Caminhei até a saída, olhei pros lados e nada do carro de Carlisle.
- Atrasado? Será que aconteceu algo? – fiquei na escada, em pé, aguardando.
- Então novata, cadê? – Ron passava por mim dando um encontrão em meu ombro, fazendo-me desequilibrar um pouco, mas apoiei no corrimão da escada.
- Pertesen, me deixa em paz, quem avisa, amigo é.
- O que você vai fazer comigo? – ele riu.
- Posso fazer muitas coisas que você nem imagina – falei olhando fixamente nos olhos dele.
- Pode correr? – ele disse pegando minha bolsa e saindo correndo. No caminho ele a abriu, deixando tudo cair. Minhas anotações, meu celular, meu Mp4. Nesse momento fiquei imóvel, controlando minha raiva.
- Por favor! Pode devolver meus pertences? – disse entre os dentes e fechando os punhos.
- Ops! Desculpe, novata – ele disse dando um pisão no meu celular, quebrando-o. “Serei expulsa, mas vai valer a pena!”.
Parti pra cima dele, mas, no meio do caminho, alguém me segura.
- Ron, pare com isso
- Jonh, isso não é da sua conta – ele dá outro pisão no celular. Tentei me soltar, mas o garoto segurava com força.
- Não vale a pena Cullen, você será expulsa – Jonh disse calmamente.
- Não me importo! – sibilei.
- Com certeza seus pais irão se importar – ele disse virando-me para olhá-lo.
Foi quando eu realmente olhei para ele. Ele tinha olhos verdes iguais aos meus, exatamente a minha altura, cabelos um pouco longos, penteados pra frente da mesma cor dos meus; branco e um pouco magro. E, no momento que olhei nos olhos dele, senti algo. Parece que conhecia aquele menino há séculos. Fiquei parada, fitando-o.
- Desculpe o atraso, vamos? – Carlisle disse com aquela voz suave e calma de sempre.
- Vamos, querida – Carlisle disse, rindo.
Ele me soltou e foi até o Ron pegar minha bolsa.
- Pegue! Amanhã venha com mais calma, tá? – ele disse rindo e me entregando a bolsa.
- Me dê só cinco minutos – sibilei olhando pro meu pai.
- Nada disso, em cinco minutos você mata o garoto, vamos, entre no carro que irei pegar suas coisas – ele disse suavemente.
- Por favor! – supliquei.
- Filha, não! Vá para o carro – ele ordenou.
Sem olhar pra cima, caminhei pro carro, que estava poucos metros da onde estava. Antes de entrar no carro, vi Carlisle conversando com o Ron e Jonh . Não demorou muito, ele entrou no carro, e saímos.
- Você está bem? – ele me olhava preocupado.
- Não! – falei segurando o choro.
- Que tal um sorvete? – ele disse sorrindo.
- Por favor, pai! Imploro-lhe, vamos voltar pra Forks, não aguento mais aqui! Por favor! – disse olhando fixamente pra ele, mas ele desviou o olhar e voltou a atenção pra estrada.
- Não podemos, prometemos não interferir mais na vida de Bella, você sabe disso – ele disse suavemente.
- Mas que droga! Que droga! Esquece essa idiota pai, esquece! – explodi. - , para com isso! – ele me olhou sério.
- Pai, o senhor não vê? Não vê que essa mulher acabou com nossa família? Cadê meus irmãos, hein? Cadê Edward? Por causa dela, nós nos separamos! Uma coisa que nunca aconteceu antes. Por causa dela eu tô sem amigos, por causa dela eu tenho que aguentar aqueles marginais todo santo dia, por causa dela eu tô sem ninguém, o senhor não vê que ela que ocasionou isso tudo? Por que todos ainda a protegem? O que custa voltar e a ignorar? – disse, chorando.
- Nós não vamos voltar, prometemos pro seu irmão – ele disse, calmo.
- Você irá se adaptar aqui, você irá conhecer novas pessoas – ele disse rindo e colocando a mão em meu rosto, fazendo um carinho. Nesse momento, afastei o rosto, evitando-o.
- Não vou! Eu não aguento mais, não aguento! Tentei, juro que tentei ser forte como vocês, juro que estou tentando, mas hoje cheguei no meu limite, eu quero minha vida de volta, quero meus irmãos de volta, não aguento mais ficar sozinha! – disse, olhando pela janela.
- Ah, , que isso? Você não está sozinha, tem a mim e sua mãe – ele sorriu.
- Tenho! Tenho! Mas quando te vejo? Três vezes por dia, por causa dos exames, senão só ia ser duas vezes por dia, quando você me deixa na escola e busca! E Esme? Hein? Só uma vez por dia! Pai, vocês não param em casa, eu tô sozinha! – disse aos sussurros.
- Eu sinto falta dos meus irmãos, de todos eles! – falei enxugando as lágrimas.
- Seus irmãos logo estarão de volta – ele disse, calmo.
- Me leva para casa, tá? – pedi.
- Não quer tomar um sorvete com seu pai? Podemos ir buscar Esme, que tal? – ele disse, rindo.
- Tudo bem, mesmo sendo só eu que irei tomar – disse, rindo.
- É desse sorriso que gosto.
Capítulo 10
Mais dois meses se passaram e nada de meus irmãos. Carlisle tentou mudar seus horários e conseguiu ficar o final de semana em casa. Esme ainda não terminou a restauração de uma casa ao oeste daqui, e eu só a via aos domingos. Resumindo, ainda estava sozinha e isso estava acabando comigo.
Nessas últimas semanas, vinha da escola e me trancava no quarto, não tenho mais vontade de nada. Estou há três meses nesse local e nem conheço os vizinhos. Se bem que o vizinho mais perto está no outro quarteirão.
Graças a Deus que hoje amanheceu nevando forte e as aulas foram suspensas, ao menos não teria que aguentar Ron e seus amigos. Se bem que eles pararam um pouco, mas ainda perturbavam. Fiz um único amigo na escola, o Jonh Darnell, ele era da mesma turma que a minha.
Finalmente, aposentei a bengala e retirei o pino da minha perna. Ainda sinto um pouco de dor, mas nada insuportável.
Olhei pela janela e vi que tinha parado de nevar, e ainda eram 10 horas da manhã.
- Se ficar aqui só mais um minuto, irei surtar! – disse pra mim mesma.
Coloquei duas blusas de algodão, peguei minhas luvas, um gorro e um casaco, me arrumei e saí de casa. Estava frio, mas nada que não esteja acostumada. Caminhei no sentido leste; uma vez Carlisle passou por lá e vi que tinha um lago, uma quadra de tênis e várias casas. Estava na hora de conhecer os vizinhos.
Depois de exatamente 45 minutos caminhando - “não podíamos morar mais longe, não?” -, avistei um lago congelado e umas cinco pessoas brincando de hóquei no gelo. Olhei em volta e vi que tinham umas seis casas nesse quarteirão, mas nenhuma comparada à minha. Todas são muito simples, comparada à minha. Dei um sorriso pra mim mesma. “É, definitivamente eles exageraram”. Cheguei perto do lago e todos que jogavam pararam e me olharam.
- Bom dia! – disse rindo e acenando.
O mais alto deles veio patinando até mim e parou na beira, sorrindo. Ele estava vestindo um casaco de um time de hóquei, usava óculos escuros. Seu rosto era branco e delicado, não deu para ver os cabelos por causa do gorro, mas, por algum motivo, sentia que conhecia esse garoto.
- Bom dia, ! O que faz aqui? – ele disse sorrindo e estendendo a mão pra mim.
- Jonh? – espantei - Eu que faço essa pergunta, o que faz aqui? – cumprimentei-o e sorri.
- Eu moro naquela casa ali – ele apontou para uma casa de dois andares estilo européia, que estava no outro lado da rua.
- Você mora no condomínio? – falei, abismada.
- Sim! Não sabia que você morava aqui! Aliás, você nunca disse, né? – ele sorriu.
- Tento ser discreta! – sorri de volta.
- Espere ai, você é a nova moradora, né? Vocês que estão morando na antiga casa dos Brawn? – ele sorriu.
- Eu acho que sim, a minha é aquela que fica na alameda sul – expliquei.
- É a sua casa mesmo, muito bonita – ele disse sorrindo.
- Minha mãe sabe escolher as casas – disse rindo.
- Vem cá, turma – ele acenou pros outros e todos vieram correndo, parando ao lado dele.
- Esses são meus amigos, Kim, Tom, David e Alex - ele disse apontando para cada um.
- Olá, sou – disse sorrindo.
- Você não quer jogar conosco? Falta um e estou farta de ser a única garota jogando – Kim disse, rindo.
- Bom – pensei - Até que queria, mas estou sem equipamento. Como irei ficar em pé aí no gelo? – disse rindo.
- Posso emprestar o meu antigo, me dê 5 minutos que irei buscar em casa – ela disse, saindo do gelo.
- Tudo bem, mas dá em mim? – olhei-a confusa.
- Calço 37, e você? – ela perguntou.
- Então, dá sim – sorri.
Nunca tinha jogado hóquei no gelo, mas até que era divertido. Jonh era muito atencioso e me ensinou a patinar. Cai acho que mil vezes. Todos foram bem educados e pacientes comigo. Jogamos por muito tempo e, quando estava pegando o jeito, começou a nevar novamente. Mas, mesmo assim, continuamos a jogar, e eu estava com o disco.
Estava patinando em toda velocidade com o disco. Olhei pra cima e vi David dando um encontrão em mim, fazendo-me cair de cara o chão. Como não tinha nenhuma proteção, senti uma ardência no queixo.
- Ai! – reclamei.
- Droga, David, cuidado! Não percebeu que ela não sabe jogar direito – Jonh disse raivoso, me ajudando a levantar.
- Hi! Abriu seu queixo, – ele disse olhando pro meu rosto.
Coloquei a mão no queixo e sentir uma ardência.
- Droga, mais uma cicatriz pra mim – sorri.
- Vamos lá em casa, têm um kit de primeiros socorros e minha mãe pode ajeitar isso – Jonh disse, prestativo.
- É! Vamos pra casa do Jonh, aproveitamos e comemos! – Alex disse, sorrindo.
A casa dele não era longe, era bem na frente do lago. Quando chegamos, todos tiraram seus casacos e gorros, dando para vê-los melhor, e saíram correndo em direção à cozinha.
- Fique à vontade, irei pegar um curativo e chamar minha mãe – Jonh disse passando por mim.
Olhei em volta e vi vários portas-retratos espalhados pela casa. Uma das fotos me chamou a atenção: uma mulher de cabelos lisos segurando uma criança de três anos de idade, mais ou menos, mas o que me chamou a atenção na foto foi a criança. Ela parecia muito comigo, nessa idade. Alice sempre tirou fotos de mim de todas as épocas da minha vida, eu sabia exatamente como era nessa idade.
- Que estranho! – sussurrei.
- Estranho o quê? – Jonh disse, parando ao meu lado com uma maletinha na mão.
- Nada, esquece – disse sorrindo.
Quando coloquei os olhos em Jonh e reparei melhor, tomei um susto. Ele tem olhos e cabelos iguais aos meus, o formato de seu rosto era exatamente igual ao meu.
“Tá ficando estranho isso” pensei tirando o gorro e deixando meus cabelos soltos.
- Você tem o cabelo igual ao da minha mãe, sabia? – ele disse, guiando-me até o sofá.
- Cadê sua mãe? – disse, curiosa.
- Saiu, mas deve estar chegando. Agora, levante o queixo – ele disse abrindo a maletinha.
- Qual sua idade? – perguntei, levantando o queixo.
- 14. Não abriu muito, não – ele disse passando algo.
- Ai! Isso arde – sorri.
- Vocês sempre moraram aqui? – perguntei.
- Não, nos mudamos quando minha mãe casou com meu padrasto, uns cinco anos atrás. Antes, morávamos em Nova Jersey – ele disse colocando um band-aind no meu queixo.
- E seu pai? – perguntei.
- Nunca conheci, sempre fomos eu e minha mãe – ele sorriu.
- Quem é seu padrasto? Para morarem nesse condomínio, ele tem dinheiro. Quero dizer, você nunca me disse que tinha dinheiro. Aliás, sempre pensei que você estudasse na escola besta por ter bolsa, algo assim – sorri.
- E por que pensou isso? – ele disse, deixando as coisas de lado e olhando pra mim.
- Porque você é diferente dos outros, nunca demonstrou ter dinheiro e sempre fica alheio a conversa sobre quem é mais rico – respondi.
- Hahahaha – ele gargalhou - Você reparou, heim! Mas digo o mesmo de você, mesmo vendo o carro do seu pai, não pensei que estaria morando aqui.
- E quanto à seus pais? Seu padrasto ou mãe, quem é rico? Quem deu golpe do baú em quem? – disse sorrindo.
- Bom, ele tem, e minha mãe também. Aliás, no começo não tínhamos nada, mas depois que minha mãe começou a trabalhar com melhoramento genético de gado, ela formou o nome dela e conheceu Jony Winter. Casaram-se e hoje em dia eles têm um dos melhores rebanhos de gado leiteiro do estado – ele disse, sorrindo.
- E quanto a você? Quem são? – ele sorriu.
- Meu pai é médico e minha mãe, restauradora – sorri.
- Só isso? E por que só agora você resolveu sair para se socializar? – ele disse, curioso.
- Tenho cinco irmãos, e eu estava doente antes – sorri.
- Doente? Sempre a via na escola, e por que nunca comenta mais que duas frases sobre sua família? – ele disse levantando uma das sobrancelhas.
- A única exceção era a escola, e minha família, não tem muito o que comentar – sorri.
- Cinco irmãos? Eu não tenho nenhum, é bom ter? E cadê eles? – ele disse tudo rapidamente.
- Estão viajando, às vezes eles pegam no meu pé, mas eu os amo. São três irmãos e duas irmãs, sou a caçula – Nesse momento, escutei um carro parando na frente da casa.
- Minha mãe chegou - ele disse levantando e indo abrir a porta. Fiquei sentada no sofá, olhando outra foto que tinha no criado mudo.
- Mãe, meus amigos estão assaltando a geladeira, e hoje conheci a nova moradora, que é a mesma amiga da escola. Vem conhecê-la. – escutei Jonh falando alegremente.
Fiquei de pé e me virei pro lado deles. Quando vi a mulher, arregalei mais os olhos. Ela tinha meus olhos, cabelos lisos igual ao meu e parecia ser nova, no máximo trinta e cinco anos, e muito elegante.
- Essa é Cullen mãe, filha dos novos moradores. Não disse que ia descobrir quem eram? – ele disse, orgulhoso.
Notei que quando ele disse meu nome, a mulher largou a sacola que tinha nas mãos, e seus olhos começaram a lacrimejar.
- Prazer – disse erguendo a mão, sem entender muito a reação dela.
- Não é possível! Não é possível! – a mulher veio até mim, dando-me um abraço forte e, do nada, a mesma começa a chorar.
- Deus só pode estar me dando uma segunda chance! Só pode estar! – ela continuava me abraçando.
- Er... A senhora está me sufocando – disse tentando afastá-la.
- Mãe! Que isso? – Jonh olhava sem entender muita coisa.
- Desculpe... Desculpe - ela disse me largando e enxugando as lágrimas.
- Ana Darnell Winter – ela sorriu.
- Prazer, Sra. Winter – sorri meio que sem graça.
- Vocês já comeram algo? – ela disse tentando se recompor. “Credo, a mulher é maluca”
- Não mãe, que tal pizza? – Jonh a abraçou – Afinal, temos visitas, né!
- Claro filho, pode pedir – ela disse rindo, sem tirar os olhos de mim.
- PESSOAL, PIZZA LIBERADA! – Jonh gritava, indo para a cozinha.
- Machucou o queixo, querida? – ela disse, tocando no meu rosto.
- É... Caí no gelo – disse tirando delicadamente a mão dela do meu rosto.
- A senhora tem uma casa bonita – caminhei ao contrário dela.
- Obrigada. Você é filha do Dr. Carlisle Cullen?
- Sim, sou – falei sem olhá-la, estava olhando os detalhes da casa. Quando percebi, Jonh veio com uma caixa em mãos e com os amigos dele.
Eles pareciam um bando de lobos bagunceiros, correram até o sofá, afastando-o e deixando um grande espaço entre a mesinha e o sofá.
- Sou azul – falou Alex.
- Branco – Kim sorriu.
- Verde – David disse empurrando o Tom.
- Tá certo... Fico com o preto –Tom disse, sentando no chão.
- Vamos jogar, ? – Jonh passou por mim, mostrando a caixa.
“Hum, adoro jogar W.A.R”
- Se vocês não se importarem de eu conquistar o mundo, tudo bem! – disse rindo e sentando no chão, perto da mesinha.
- Tá bom! Acho que alguém tem visto muito Pink e Cérebro! – Jonh dizia enquanto colocava a caixa na mesinha, sentando-se ao meu lado.
Foi a tarde mais divertida que passei desde que cheguei naquela cidade horrível. Ficamos sentados ao redor da mesinha, jogando, e quando a pizza chegou, foi a maior bagunça. E como sempre, os meninos fazendo nojeira, e quando perdia nos dados, jogava azeitonas neles. A única coisa estranha foi a mãe de Jonh, que não parava de me olhar. Ela ficou sentada no sofá o tempo inteiro, me olhando e sorrindo. Sempre quando a olhava, ela disfarçava.
- Jonh, por que sua mãe não para de olhar pra mim? – sussurrei no ouvido dele. Ele olhou pra ela e depois pra mim.
- Sei lá. Vamos, sua vez – ele disse naturalmente.
- Ataco você! – disse maliciosamente e ri da cara dele.
- Ataca outro, só tenho dois territórios! – ele disse, manhoso.
- Eu não! Meu objetivo, além de conquistar o mundo, é acabar com você! – disse dando uma batida no ombro dele. Quando joguei os dados, senti algo vibrar no meu bolso. Peguei meu celular e olhei o visor.
“Meu pai?”
- Oi, pai! – disse atendendo o celular e observei a mãe do Jonh fazer uma careta e levantar.
- Onde você está? Sabe que horas são? – ele disse calmamente.
Coloquei o celular no meu peito e olhei pro Jonh.
- Que horas? – sussurrei.
- Oito – ele sorriu.
- Hum... Oito? – disse ao celular.
- Sim! Cheguei em casa e nada de você! Nem ao menos deixou um bilhete! – ele disse um pouco alterado.
- Calma, pai! Estou no condomínio, estou perto do lago, na alameda leste – expliquei.
- Estarei ai em um minuto – ele, desligando.
- Tenho que ir! – disse, indo até o cabide pegando meu casaco.
- Mas já? Nem acabamos o jogo – Jonh disse, levantando-se.
- Desculpe, mas tenho que ir, meu pai está com raiva – falei nervosa.
- Por quê? – ele indagou.
- Sei lá! – dei de ombros.
Quando saí da casa, o carro de Carlisle já estava parado na rua. Despedi-me de todos e corri até o carro. O vidro do carona abaixou, mostrando Esme, sorrindo.
- Mãe? Chegou cedo! – sorri, abrindo a porta traseira.
- Oi, pai – disse, inclinando-me pra frente e beijando o rosto de cada um.
- Quando você sair, deixa um bilhete, tudo bem? – Carlisle disse olhando pra mim.
- Tudo bem, pensei que não ia demorar, mas conheci alguns vizinhos. Então começou a nevar e fomos pra casa de um, e ficamos até agora jogando W.A.R - expliquei.
- E por acaso vocês travaram uma batalha real? – ele falou, sério.
- Por quê? – olhei confusa.
- Onde machucou o queixo? – ele sorriu.
- AH! Isso – coloquei a mão no queixo – Estava jogando hóquei e caí.
- Bateu a cabeça? – Esme olhou, preocupada.
- Não mãe, só o queixo mesmo – sorri.
- Mas, para onde vamos? – indaguei.
- Iremos jantar! Você escolhe – Esme sorria – Assim passamos um tempo juntas.
Estava no último dia de aula, antes dos recessos que iríamos ter por causa das festas de final de ano. Desenvolvi certa amizade com o Jonh, sempre estávamos juntos na escola e no condomínio. Ao menos com ele, esquecia um pouco a ausência dos meus irmãos, mas continuava sentindo falta deles.
Estava sentada olhando fixamente para a mesa onde estava Ron e seus amigos.
- O que você tanto olha pra eles? – Jonh perguntara, sentando na minha frente com uma bandeja cheia de comida.
- Hoje é o último dia de aula, antes das férias, certo? – disse pegando um suco da bandeja dele.
- É sim, mas o que isso tem a ver? – ele disse, curioso.
- Hoje é o dia da caça, meu amigo! – falei rindo.
- Hã? O que você vai aprontar? Aliás, você não tem capacidade de aprontar nada – ele disse, rindo.
- Não deixe essa cara de anjinho lhe enganar! Morar com Emmett, Jasper e Edward me tornou uma pessoa diabólica! – disse rindo maliciosamente.
- Nossa! Agora me deu medo, mas o que irá aprontar? – ele disse sorrindo.
- Já aprontei, espere que verá! – sorri, pegando uma maçã e mordendo-a.
- Não conhecia esse seu lado, até me assusta – ele disse aos sussurros.
Nesse momento, escutei uma explosão.
- Prepare-se, a festa começou! – disse rindo, encostando-me à cadeira.
Os professores que estavam sentados, almoçando, saíram correndo na direção da explosão, sendo seguidos por vários alunos.
- Oh! O que foi isso? Vamos lá ver, Jonh? – disse, levantando.
Ele me olhou sem entender muito, mas levantou e correu comigo. Quando chegamos ao corredor, aconteceu outra explosão, mas dessa vez vindo do banheiro. Um segundo mais tarde, outra explosão vinda da sala do diretor, e a última explosão veio dos armários. O corredor começou a encher de fumaça, vários alunos saíram da escola correndo e gritando fogo. Segui-os e parei no pátio, olhando atentamente o grupo do Ron.
- O que você fez? – Jonh sussurrava no meu ouvido.
- Não fiz nada – sorri.
Segui com os olhos o diretor, entrando novamente na escola e, com ele, dois professores.
- Vamos – disse pegando no braço do Jonh.
Entrei com ele na escola e pude ver o diretor com os professores, conversando.
- O que foi isso? – o diretor perguntava pra um professor.
- Bombas de fumaça, encontrei mais quatro no armário de Pertensen. Parece que uma explodiu no armário dele - ele explicou.
- Chame-o para minha sala e libere os alunos, não temos condições de continuar as aulas hoje - o diretor disse, firme.
- Ótimo! – sorri de orelha a orelha e puxei Jonh para fora.
- Você... Você fez isso? – ele disse, espantando - Mas quando? Nem vi você fazendo isso – ele olhava sério pra mim.
- Já disse, não fiz nada – virei-me pra ele e o encarei.
- Fica calado! Se alguém escutar o que você está dizendo, vai pensar que fui eu, e como lhe disse, não fiz nada – disse rindo e pegando meu celular.
- Vai ligar pra quem? – ô, cara curioso!
- Meu pai, não teremos mais aula, esqueceu? – disse normalmente.
As minhas férias começaram bem, soube que Ron foi expulso da escola. Alice, Rosalie e Edward tinham ligado pra mim, fiquei horas conversando com cada um, o que me deixou com mais saudades. Mas eles prometeram que logo estariam de volta e essa notícia fez melhorar, e muito, meu humor.
Passava o dia com Jonh e os amigos deles, patinava no lago, jogávamos vídeo game em casa, íamos pro shopping, enfim, estava me socializando, como Carlisle e Esme queriam. Mas, mesmo assim, sentia falta do Albert e dos meus irmãos.
Estávamos no shopping e tínhamos acabado de sair do cinema.
- E aí? Vamos fazer o quê agora? – Tom perguntava enquanto terminava de tomar seu refrigerante.
- Que tal irmos para a Arena e jogar um pouco?- David falou.
- Vocês só pensam em hóquei? – falei, rindo.
- Tem coisa melhor para fazer no inverno aqui? – Jonh disse sorrindo.
- Tudo bem, vamos lá! – sorri.
Chegando à arena, dei um sorriso de orelha a orelha. Ron e seus amigos estavam jogando.
- Ora... Ora... Ora!Veja quem estou vendo aqui! Pensei que nunca mais iria ver o pateta! – disse, encostando-me à grade e o provocando.
- Cullen!Aquilo foi sua armação, não foi?! – disse Ron aos gritos, parando na grade.
- , vamos embora, eles ainda tem 20 minutos de aluguel – Jonh dizia, me puxando.
- Deixe de ser estraga prazer, Jonh – sorri - Armação? – falei curiosa.
- Sim... Você armou pra mim! Só pode ter sido você – ele disse, furioso.
- Pertensen, nunca acuse alguém sem provas. Tem prova? A única prova que tem é que você é um otário! – disse rindo e ele bateu o bastão na grade, com raiva.
- Ui! Era pra me colocar medo? Pertensen, estou recuperada, eu disse que você ia se arrepender de ter me atormentado, não disse? – falei, séria.
- Então, você que armou tudo? – indagou.
- Eu? Tem prova? – disse rindo.
- Eu irei lhe mostrar que ninguém se mete comigo – ele disse, patinando até a saída.
- ! Vamos embora! – disse Jonh segurando meu braço.
- Jonh, não tenho medo dele, não. Deixe-o vir – disse sorrindo.
- Você que começou, , e eu não irei deixar ele bater em você – ele disse, sério.
- Quem disse que esse otário vai me bater? – disse tirando a mão do Jonh do meu braço e indo na direção do Ron.
- Então? Qual escola irá agora? – disse, parando na frente dele.
Olhei pelo canto do olho e vi Jonh e seus amigos atrás de mim. Olhei pra frente e vi os amigos do Ron parando atrás dele também.
- Você irá contar pro diretor que foi armação sua! – ele esbravejava.
- Já disse, eu não fiz nada! – falei rindo.
- Pare de rir! – ele rosnou.
- Agora, pateta, o que vai fazer comigo? Estou completamente recuperada e sei fazer muita coisa! – disse ameaçadoramente.
- Vamos parar com isso! - disse Jonh, ficando entre mim e o Ron.
- Não queremos encrenca Ron, volte pro jogo. E quanto a você, vamos embora – ele disse, me empurrando.
- Que tal um desafio? – Ron olhava sério.
- Desafio? Qual? – disse, curiosa.
- Nada de desafio! – Jonh me empurrava para longe.
- Tá com medo! – Ron retrucou.
- Eu, não! Diz – disse firme.
- Esquece isso, ! – Jonh segurou meu braço com força e me guiou para fora da arena.
- Hei, Jonh, pare com isso, você não tem o direito de fazer isso comigo – disse, tentando me soltar.
- Tenho sim! – ele me olhou sério.
- Tem nada – retruquei.
- Tenho! – ele disse, me largando.
- Argh! Não tem, agora me deixe em paz, irei fazer aquela otário se arrepender de ter me conhecido - disse emburrada.
- Fique aí, parada! Não irei deixar minha irmã se machucar! – ele olhou sério pra mim.
- O que você disse? – olhei sem entender muito.
- Sou seu irmão! – ele falou firme.
- Como? Você está louco! – disse rindo.
- Não estou! Sou seu irmão! – ele continuava firme.
- Não é! Está falando isso para me impedir de aceitar o desafio do Ron – falei, séria.
- Irei provar! – ele me pegou pelo braço e me guiou atá o restaurante, onde estava a mãe dele, esperando por nós. Tínhamos combinado que depois do cinema, nos encontrávamos lá.
- Mãe! Conte a ela o que você me disse no dia que a conheceu! – ele olhou pra ela, sério. Ela retribuiu o olhar e depois olhou pra mim, e fez sinal pra sentar.
- O nome de seus pais são Esme e Carlisle, certo? – ela perguntou quando me sentei.
- Sim – continuei olhando para a mulher sem entender muito. Então, ela deu um sorriso e suspirou.
- Carlisle é médico e você é adotiva? – ela disse olhando fixamente pro meus olhos.
- Hoo... Hoo... Hoo... Agora, chega – levantei e olhei fixamente pra ela.
- Como sabe que sou adotiva? – indaguei.
- Você está maravilhosa, eu realmente fiz uma escolha certa. Sabia que eles iam cuidar muito bem de você – ela disse, chorando.
- Estou te procurando há cinco anos, tenho certeza que é você, porque gravei o nome das pessoas as quais eu te entreguei, e você... Você parece comigo, nessa idade – novamente, ela estava chorando, e eu, sem reação.
- Sei que foi um erro, mas não tinha condições de criar duas crianças. Só tinha 16 anos na época. Sei que foi errado ter que escolher entre vocês, separar irmãos, assim, e além do mais, gêmeos. Mas quero que saiba que isso vem me atormentando há 14 anos e nunca esqueci você, nunca deixei de pensar em você. Arrependo-me desde o dia em que te coloquei na porta do Cullen. Tentei te encontrar antes, mas parece que os Cullen sabem como não serem achados. Por favor, lhe imploro, me perdoe. – ela disse aos soluços.
Fiquei parada, sem reação. Olhei pro lado e Jonh também estava sem reação, de boca aberta. Então, voltei a fitá-la.
- Eu sinto muito, eu sempre te amei, e amo, eu sou sua mãe – ela disse, levantando e me abraçando. Foi então que a empurrei.
- Minha mãe é Esme Cullen! E você é uma louca – disse entre os dentes.
- Me desculpe – foi tudo que ela conseguiu falar antes de cair no choro mais uma vez.
Fiquei olhando-a chorar, minha cabeça estava a mil. Por que tudo tinha que acontecer comigo ao mesmo tempo? Definitivamente, curti da cara de Jesus na cruz.
Fui até a saída do restaurante, peguei meu celular e, quando ia discar pro Carlisle, Jonh me segurou.
- Eu... Eu... Sinto muito, sabia que tinha uma irmã por aí, mas nunca pensei que fosse você. Me desculpa, minha... Nossa mãe me fez prometer não lhe contar, desculpe – então ele me abraçou – Quando te vi, senti de coração e alma que tinha que te proteger, como irmão mais velho. Sabia que sou uma hora mais velho que você?
“É por isso então a sensação de conhecê-lo?”
- Me solta, por favor – disse sem voz.
- Por favor, não tenha raiva de mim, eu sempre quis te conhecer – ele disse olhando fixamente pros meus olhos.
- Me deixe em paz - disse, indo para fora.
- Para onde você vai? Está nevando, peço pro Jony te deixar – ele me segurou.
- Não quero ficar nem mais um segundo por aqui, me deixe! – falei, seca.
- Não! Irei pedir para deixá-la em casa – ele disse, firme.
- Não precisa, eu tenho pai e mãe! – retruquei.
Peguei meu celular e liguei pro Carlisle; chamou duas vezes e ele atendeu.
- ? – ele disse, calmo.
- Sim, pai, tem como o senhor me buscar aqui no shopping? – disse, tentando controlar minha voz.
- Já ia ligar mesmo, iremos buscar Alice no aeroporto, quer ir conosco? – ele riu.
- Lógico... Estarei no portão A – disse desligando o celular e fui pro local combinado.
Será que os 62 dias de coma não terminaram? Ainda estou em coma e isso tudo é um pesadelo? Ou aprontei na vida passada e estou pagando agora? O que essa mulher tem na cabeça de pensar que sou a filha dela? E ainda dizer ao Jonh que sou sua irmã! Mas, pensando bem, tem as fotos, e o Jonh é realmente parecido comigo... Mesma altura, mesmos olhos, mesmo cabelo...
ARGH! Minha cabeça estava latejando. Nunca tive interesse em conhecer minha mãe biológica, nunca quis ao menos saber o nome deles. Sempre soube que era adotiva, mas por que estou me sentindo assim? Traída? Confusa?
Escutei uma buzina, fazendo-me voltar à realidade. Olhei e vi o carro de meu pai. Quando entrei no carro, Esme e Carlisle viraram pra mim.
- Por que está chorando? – Esme perguntou.
- Primeiro, me responda algumas perguntas? – disse, ficando no meio do banco e me inclinando pra frente.
- Sim... Diga – Carlisle, calmamente.
- Quando vocês me adotaram, nunca pensaram em descobrir de quem eu era? – disse friamente.
- Para ser sincero, eu pensei, mas depois que decidimos adotá-la, nunca mais pensei nisso – ele respondeu calmamente.
- Nunca tivemos dúvidas em te adotar ou não, filha. Quando coloquei meus olhos em você, fiquei encantada – Esme sorria pra mim.
- Então, vocês não fazem ideia de quem é minha mãe biológica? Ou minha família? – perguntei, curiosa.
- Nós somos sua família, e EU sou sua mãe! – Esme parecia um pouco aborrecida.
- Eu sei mãe, sei que é minha mãe, me desculpe se te magoei – falei, beijando-a.
- Não estou magoada, só que não esperava você ter a curiosidade de saber quem é sua mãe biológica. Você nunca demonstrou interesse sobre o assunto – ela sorriu.
- Eu sei, desculpe-me – disse aos sussurros.
- Filha, aonde você quer chegar com essa conversa toda? – Carlisle perguntou calmamente – E nós não sabemos quem é sua mãe biológica, isso não importa.
- Se um dia a mulher que se diz ser minha mãe biológica chegar a vocês e pedir minha guarda, ela tem alguma chance de me levar embora? – disse quase sem voz.
Carlisle parou o carro e virou todo o corpo pra mim. Foi então que notei que estávamos no estacionamento do aeroporto.
- Coloque na sua cabeça que somos seus pais, você tem nosso nome, você é registrada sendo minha filha, não tem ninguém nesse mundo que irá tirá-la de nós, está entendendo? Ninguém! – ele disse, bem sério – Por que isso tudo agora?
- O senhor me perguntou por que estava chorando, certo? – disse segurando o choro.
- ! Você está me deixando confuso, aonde você quer chegar? – ele disse olhando fixamente pra mim.
- Pai, mãe! Eu tenho um amigo chamado Jonh Darnell, ele tem a minha idade, minha altura, meus olhos, minha fisionomia – eles se olharam sem entender muito.
- O que isso tem a ver? – Carlisle me olhava confuso.
- Me deixa explicar melhor? – falei, séria.
- Esse garoto falou que era meu irmão. Não acreditei nele, mas aí ele me levou até a mãe dele e ela falou que era minha mãe biológica – olhei atentamente a reação deles.
Um olhou pro outro, ficaram em silêncio por uns minutos e viraram pra mim.
- Você tem certeza? – Carlisle perguntou, um pouco agitado.
- Eu não tenho certeza de nada, mas ela disse. Ela parece comigo, e tem umas fotos na casa com ela e uma criança no colo, e a criança era muito parecida comigo. Acho que é o Jonh, ela disse que somos gêmeos – expliquei.
- Então, era por isso o choro! – Carlisle disse mais pra si, refletindo, do que perguntando pra mim.
- Por favor, digam que ela não irá me tirar de vocês, por favor, vocês são minha família, eu amo vocês, vocês são meus pais, eu sou uma CULLEN. Por favor, não deixem ela me levar – estava soluçando nessa hora, de tanto chorar.
Esme me abraçou e Carlisle ficou fazendo carinho na minha cabeça.
- Ninguém vai tirar você de nós, irei investigar isso. E, se for verdade, iremos resolver tudo isso. Não fique assim, ninguém ira tirar você de nós. Como te disse, você é minha filha no papel, também! – Carlisle disse calmamente.
- Vamos pegar sua irmã? O avião já deve ter pousado – Esme disse enxugando minhas lágrimas.
Estávamos no saguão de espera. Olhava para todos os lados e não os via em nenhum lugar.
- Mas que demora, eles nem tem mala! – disse olhando pro portão de desembarque.
- É verdade, eles nem tem mala, que demora, né? – escutei a voz de sininho da minha irmã maluca e ela estava ao meu lado. Virei-me imediatamente e a abracei.
- ALICE! – disse, pulando em seus braços.
- ! Você está enorme! Carlisle, você deu vitamina de crescimento para ela, foi? Ou eu que diminuí? – ela disse, beijando meu rosto e sorrindo.
- Não Alice, eu só estou com 1,70, meu pai verificou minha altura faz uns 15 dias. E você não é tão baixinha, só estou alguns centímetros mais alta que você, e da mesma altura que Jasper! – Virei-me e o abracei.
- Jasper! Meu querido irmão! Como você tá? Melhor? – disse, beijando-o no rosto.
- Ah! Pra ele você pergunta como ele tá, né? E pra mim pergunta nada, e ainda me chama de baixinha - Alice disse mostrando a língua.
- Eu tô bem, mas você não parece nada bem – Jasper me olhava, analisando.
- Tava com saudade de vocês – expliquei.
- Tá certo, larga! É meu! – Alice disse me empurrando pra soltar o Jasper e, logo em seguida, me abraçou novamente.
- Você está linda, – ela beijou meu rosto - Nesses três meses você se recuperou por completo? – ela me olhou, preocupada.
- Segundo meu médico particular, sim! – Disse, dando uma piscadinha pro Carlisle.
- Vamos? – ele perguntou, sorrindo.
Estávamos em casa. Jasper, Alice, Esme e Carlisle estavam na sala, conversando sobre mim. Estava na cozinha, terminando de jantar.
Escutei alguém bater na porta, inclinei-me no banco, pra trás, para ver se alguém ia atender e, como ninguém se moveu, fui abrir a porta. E vi Jonh parado, sorrindo, com meu casaco e gorro em mãos.
- Esqueceu em minha casa, vim lhe trazer – ele sorriu.
Olhei pra trás, saí e fechei a porta.
- O que faz aqui? – falei, ríspida.
- Já disse, vim lhe trazer seu casaco e gorro – ele disse sorrindo e me entregando as minhas coisas. Olhei pra calçada e a vi no carro, me olhando.
- Vão embora! – disse dando as costas e abrindo a porta.
- Espere! – ele gritou.
- Vai embora! – disse de costas.
- Por favor, olhe pra mim – ele suplicou.
- Diga – disse, olhando pra ele.
- Amanhã é sábado, vamos sair? Quero lhe conhecer melhor, sabe, estou super animado, sempre sonhei que esse dia ia chegar. Eu sou filho único, sempre quis ter uma irmã – ele disse sorrindo e com os olhos brilhando.
- Vamos, vai! Não vai doer, vai? – ele suplicou.
- Não! Meus irmãos chegaram de viagem e irei passar o máximo de tempo com eles, me desculpe, mas te conheci um dia desses e nem tenho certeza de que é meu irmão de verdade. Sua mãe deve ter me confundindo com alguém, me desculpe – disse friamente.
- Olhe! – ele apontou pra ele mesmo - Olhe pra mim e depois para você! Não vê a semelhança? Minha mãe está certa, nossa mãe está certa! Ela não ia se enganar com isso, você não vê? – ele disse, sério.
- Ela não é minha mãe! – disse entre os dentes – Vai embora, não quero ser rude com você, vai!
- Domingo, então? Jogo de hóquei? – ele continuava sorrindo.
- Posso ajudar em algo? – escutei Carlisle, que estava atrás de mim.
Jonh olhou fixamente pra ele e sorriu.
- Jonh Darnell – ele sorriu e estendeu a mão pra cumprimentar meu pai.
- Vim deixar as coisas de , ela esqueceu em minha casa – ele disse, sorrindo.
- Dr. Carlisle Cullen, pai dela. Agradeço por trazer o casaco – ele disse calmamente.
- Até outro dia então, – ele disse, me puxando e me abraçando.
Fiquei novamente sem ação. Ele me soltou e caminhou até o carro onde a mulher esperava por ele. Acenou no carro pra mim e partiram. Fiquei olhando uns minutos até eles sumirem de vista.
- Vamos – Carlisle tocou em meu ombro, guiando-me pra dentro.
Não olhei para ninguém e nem falei, subi imediatamente para meu quarto e me tranquei. Estava enlouquecendo com a situação toda.
Como? Ele estava certo, somos parecidos, mas e daí?Ele não pode chegar e me obrigar a chamá-lo de irmão, ou viver com ele como se fossemos melhores amigos.
“Ai, minha cabeça! Isso é demais pra mim!”.
Desliguei a luz do quarto, fechei a cortina e me joguei na cama, fechando os olhos e tentando dormir. Acordei com minha cabeça me matando. Olhei pro despertador, eram 3 horas da manhã.
- Preciso de algum remédio – sussurrei.
Saí do quarto e desci. Alice e Jasper estavam na sala, vendo algo na TV. Fui até eles e sentei ao lado de Alice, apoiando minha cabeça em seu ombro. Ela, imediatamente, passou o braço pelo meu ombro, abraçando-me.
- Pensei que ia dormir por mais tempo – ela disse, encostando-me ainda mais nela.
- Minha cabeça está me matando, Carlisle saiu? – sussurrei.
- Esme e Carlisle aproveitaram que estamos aqui e foram caçar – ele disse, colocando a mão da minha testa.
- Carlisle disse que você já estava recuperada – ela disse, me analisando.
-E estou, mas estou com dor de cabeça. Isso é muito pra mim, Alice, só tenho 14 anos, e não 100! – disse, segurando o choro .
- Tome – disse Jasper com uma pílula na mão e um copo de água.
- Obrigada, Jasper – sorri.
- Carlisle disse o que está acontecendo. Às vezes eu esqueço que você é somente uma criança – ela sorriu.
- Quando é que os outros voltam? Por que vocês me deixaram sozinha aqui? Querem me enlouquecer, é? – disse, ajeitando-me no sofá.
- Todos nós temos algo pra resolver, , e você não estava sozinha, tinha Carlisle e Esme – ela disse, sorrindo.
- Eu sinto falta de vocês! – retruquei - Carlisle e Esme mal param em casa, minha escola é horrível, não tenho amigos e agora, uma louca diz ser minha mãe! – explodi. Levantei e fui em direção à escada.
- Para onde vai? – Alice perguntou calmamente.
- Pro meu quarto, Alice, estou com muita dor de cabeça e não quero discutir com você – disse, séria.
Subi correndo a escada e me joguei novamente na cama.
Capítulo 11
Não sei quanto tempo dormi, mas acordei com algo gelado tocando minha testa. Puxei o cobertor pra cima, cobrindo meu rosto, e virei pro outro lado.
- Me deixa! – resmunguei.
- Desculpe, mas estou preocupado com você! – Carlisle disse, calmamente.
- Quero dormir, me deixa, por favor – resmunguei novamente.
- Filha! Você está dormindo há horas, Alice me disse que acordou reclamando de dor de cabeça, você bateu a cabeça novamente? – ele puxou meu cobertor. Abri os olhos e sentei na cama.
- Não pai, não bati. Me deixa dormir, vai! – disse puxando o cobertor das mãos dele.
- Não! Já são 02:00 da tarde, tome um banho e desça – ele sorriu.
- Mas eu estou com sono! – deitei-me novamente.
- Adoro quando você parece uma criança de cinco anos – ele disse rindo.
- Tá certo... Irei descer... – disse, cansada.
- Isso sempre funciona – ele disse antes de sair.
Mas não obedeci. Não queria descer, não queria falar com ninguém. No momento, o que queria mesmo era ficar no meu quarto, sem ser perturbada.
Levantei e tranquei a porta. Fui atá a janela e tranquei-a também. Voltei pra minha cama e dormi novamente. Não sei quanto tempo dormi, meu quarto era bem escuro quando fechava tudo, não sabia se era de dia ou de noite, mas acordei com alguém batendo na porta. Não liguei, virei pro outro lado e voltei a dormir. Novamente, acordei com alguém batendo na porta, acho que escutei meu nome e depois algo como “abre, senão arrombo”.
- Arrombe – falei, quase sussurrando.
Foi então que escutei uma forte batida na porta e, em seguida, um clarão. Alguém tinha aberto as cortinas e puxado meu cobertor. Abri os olhos e vi Rosalie e Alice em pé, frente à cama.
- Você quer matar Esme, é? Vamos, levanta – Alice disse, me puxando.
- Qual parte vocês não entenderam que não quero ver ou falar com ninguém? – disse, fechando a cara.
- Há! Eu não voltei da minha lua de mel na Europa com o Emmett para você me ignorar – Rosalie disse, irritada.
- Vocês me ignoraram quase quatro meses e eu não reclamei, agora me deixem em paz! – disse, jogando-me novamente na cama e colocando o travesseiro na cara.
Senti meu corpo sendo carregado e, um segundo depois, estava debaixo do chuveiro, com a água fria me congelando.
- HEI! QUEREM ME MATAR DE HIPOTERMIA, É?! – só escutei as duas rindo.
- Por favor, me deixem em paz, só quero dormir – supliquei.
- Dormir? – indagou - Você está trancada aqui dormindo há dois dias! Esme e Carlisle estão enlouquecendo, você não desce nem ao menos pra comer. Não saiu nem pra ir me buscar no aeroporto ontem. Sabia que Emmett está chateado com você? Ele esperava ao menos um abraço seu - Rosalie disse, fechando o chuveiro, e Alice colocava uma toalha na minha cabeça.
- Arrume-se, iremos sair – Alice disse, sorrindo.
- Não quero sair! – retruquei.
- Mas vai! Amanhã é natal, iremos comprar novas roupas para você e presentes! – Alice disse piscando pra Rosalie.
- Haaa, não! Não quero ser sua cobaia, não! – birrei.
- Dez minutos, lá embaixo, senão voltamos e te arrastamos – Alice disse saindo do banheiro, e Rosalie a acompanhou.
- Rose? – disse suavemente.
- Sim? – ela parou e sorriu, fui atá ela e a abracei forte.
- Senti sua falta! – sussurrei.
- Eu também, agora deixa de ser teimosa e desce, tá? – ela disse, beijando meu rosto.
- Tudo bem, estou indo – sorri.
Me arrumei o mais rápido possível e desci a escada, correndo. Quando olhei no final da escada, estava Emmett, sorrindo pra mim. Faltando quatro degraus, eu pulei em cima dele, abraçando-o.
- Emmett! – beijei o rosto gelado dele.
- E aí pequena, resolveu dar as caras! – ele me abraçou forte.
-Emmett! Estou sufocando! – disse, sufocando.
- Desculpe! – ele me deixou no chão e beijou meu rosto.
- Filha! – Esme disse, aliviada.
- Vem comer algo – ela disse, guiando-me até a cozinha.
Comi em silêncio o tempo todo, sempre olhando pra sala, tentando descobrir o que eles conversavam, mas a única coisa que consegui foram sorrisos forçados.
- Vamos! Antes que Alice pegue você! – Emmett disse parado à minha frente.
- Como? – falei, levantando.
- Vamos, sua besta! Ou quer passar a tarde inteira num shopping com Alice empolgada? – ele me carregou e saiu correndo.
- Sem extrapolar, Emmett! – Carlisle disse antes de sairmos.
- Para onde vamos? – disse, sorrindo.
- Irei comprar meu presente pra você e, quem sabe, ajudar você a bater nesse tal de Jonh! – ele disse piscando pra mim.
- Carlisle contou? – indaguei.
- Sim, foi por isso que voltamos – Ele abriu a porta do carro de Carlisle e me fez entrar no banco de trás. Foi quando vi que a Rosalie já estava no volante.
- Vamos? – ele perguntou pra mim.
- Claro – sorri.
- Vocês chegaram ontem, foi? – perguntei.
- Foi – Rose respondeu.
- Carlisle nos ligou na sexta, viemos no primeiro vôo – explicou.
- Por quê? – indaguei.
- Porque o quê, ? – Rose olhou pra mim.
- Nada, Rose – disse sussurrando.
- Edward também está voltando? – perguntei.
- Chega hoje ou amanhã – ela respondeu.
- Hum... Tudo se encaixa agora – sussurrei pra mim mesma.
- Como, tudo se encaixa agora? – ela indagou.
- Vocês todos de volta! Voltaram para decidir se ficam ou não comigo! – disse friamente.
- Não fale besteira, tá bom! – Emmett resmungou.
- Voltamos porque Carlisle ligou, por estar preocupado com você. E nós ficamos também preocupados. - Rose disse, parando o carro na frente de uma loja de carros importados.
- Vão comprar um novo carro?- disse, olhando pra frente.
- Sim, vamos – Emmett disse, saindo do carro “Ih, magoei-os”.
Antes de entrarmos na loja, parei na frente deles.
- Desculpem, não quero que fiquem magoados comigo, é que isso é demais pra mim. Quero que entendam, estava sem vocês aqui, nunca fiquei tanto tempo sem vocês, todos vocês. Sempre ficava alguém comigo, e agora eu olhava para os lados e estava só. Por favor, me desculpe, eu só estou confusa – disse, segurando o choro.
- Pois não deveria ficar confusa. Você faz parte de nossa família – Rosalie disse, um pouco ríspida.
- Você deveria confiar mais em nós, – Emmett disse, tocando meu ombro.
- Vamos – ele me virou e guiou para dentro da loja.
- Mas eu confio, só não confio nos outros! – lamentei.
- Esquece isso por hoje, tudo bem? – Rose estava ao meu lado e tocou no meu ombro.
- Escolhe – ela disse, sussurrando em meu ouvido.
- Como?- olhei confusa pra ela.
- Escolhe, qualquer um é seu! – ela disse rindo pra mim.
- Vocês estão brincando! – disse sem acreditar muito.
- Não! Escolhe aí – Emmett sorriu.
Sorri de orelha a orelha, abracei os dois e saí olhando modelo por modelo. Era um carro melhor que o outro: Ferrari, Lotus, Jaguar, BMW, mas o que me chamou a atenção não foi um carro, e sim uma BMW-HP2 Sport, cor preta com detalhes metálicos. Traduzindo, uma moto de pura velocidade. Olhei pro dois e apontei.
- Não! Tudo menos isso – Rosalie olhou feio pra mim.
- Qual o problema? Não mandaram escolher? – sorri.
- Carlisle já vai dar piti quando chegarmos com um carro pra você, imagine quando chegarmos com uma moto! De jeito nenhum – ela cruzou os braços.
- Em? – sorri pra ele.
- Rose, ela só vai andar comigo. Eu prometo – ele abraçou-a.
- Emmett! Você é suspeito de falar, aliás, ela só gosta dessas coisas por causa de você! – ela ralhou.
- Falamos que é pro Emmett – sorri.
- Não sei... Vocês dois... Não sei mesmo. Um é cúmplice do outro – ela nos olhou, analisando.
- Vamos Rose, ela, daqui a dois meses, faz 15. É meu presente adiantado – ele disse, beijando-a.
- Eu não tenho nada a ver com isso, hein! – ela pisca pra mim.
Além da moto, Emmett comprou um capacete, jaqueta, luvas e botas pra mim. Eu realmente estava me achando!
- Não vão demorar hein, vão direto pra casa! – Rose falava pro Emmett.
- Certo, casa! – ele disse beijando o rosto dela.
Eu estava tentando subir na moto, mesmo com meus 1,70 de altura, a moto era grande. Estava apoiando no chão de ponta de pé. Sorria de orelha a orelha.
- Hei... Emmett que irá pilotar, está muito frio pra você ir pilotando – Rose disse, segurando a moto.
- Mas eu estou agasalhada! – disse, rindo.
- Você nem sabe pilotar, vai na garupa ou no banco do carona comigo, escolhe! – ela disse, ríspida.
- Sobe aí, Em! – sorri antes de colocar o capacete.
- Estarei logo atrás de vocês! – Rose olhou sério pra nós e foi em direção ao carro.
- Você quer ir pra casa, ? – Emmett sussurrou, então fiz que não com a cabeça. Emmett só fez rir e ligar a moto.
- Nem eu! – ele disse, rindo.
Segurei firme na cintura dele. Ele deixou Rose passar por nós. Quando ela passou, ele traçou um caminho completamente diferente, acelerando mais rápido que ela. Pude escutar o motor da moto roncando e vi o velocímetro marcar 210km/h facilmente. Andamos acho que pelo estado inteiro, até ele parar numa rua deserta.
- Vamos, irei te ensinar – ele disse parando a moto e sorrindo.
Ficamos horas naquela rua. Em nenhum momento eu caí, lógico, com ele na garupa só era colocar o pé no chão. Já estava pegando o jeito, quando ele me deixou pilotar alguns metros sozinha, mas antes de eu começar a me divertir, ele apareceu na frente da moto, segurando-a.
- O quê, Emmett? Não ia cair, não!- falei, convicta.
- Eu sei, mas estamos ferrados, Alice nos dedurou! – ele sorriu.
- Como? – indaguei.
- Rosalie me ligou dizendo que Alice viu tudo e contou pro Carlisle, ele quer comer meu fígado! – ele falava, rindo.
- Hum... Que tal irmos pra outro estado, até ele se acalmar? – falei, desligando a moto e tirando o capacete.
- Que tal visitar Tânia? – ele piscou pra mim.
- Dois dias de viagem? – olhei pra ele.
- Não, com você, levo cinco dias, tá dentro? – Ele pegou o celular dele e sorriu.
- Sim? – ele olhou pra mim, sorrindo, e fazendo sinal pra ficar calada.
- Não! Que isso! Alice deve estar louca – houve uma pausa – Lógico que não irei fazer isso, Carlisle! Não sou irresponsável a tal ponto! – outra pausa –Tudo bem, estamos voltando! – então, ele desligou.
- Alice viu o nosso plano, vamos voltar pra casa antes que ele faça uma caçada atrás de nós – ele sorriu.
- Nada de Tânia? – brinquei.
- Fique ao meu lado que não irão me matar! – ele disse, subindo na moto.
Demoramos duas horas para chegar em casa. Emmett parou a moto na entrada e esperou eu sair.
- Vamos Emmett, serei seu escudo! – sorri pra ele.
- Não será mesmo – Edward apareceu na minha frente.
- Ed! – tirei o capacete e o abracei, forte.
- Pensei que só ia chegar amanhã! - Emmett disse, saindo da moto.
- Se chegasse amanhã, você a mataria. O que estava pensando quando comprou uma moto pra ela? Tá louco, é? – ele ralhou.
- Não é pra mim Edward, é dele! – sorri.
- Eu nunca aposto contra a Alice, você sabe disso – ele disse, colocando os braços na minha cintura e me guiando pra dentro.
- Espera Edward, irei entrar com o Emmett – sorri.
- Não vai querer entrar mesmo, Carlisle está furioso – Edward sorria.
- Há... Há... Há... – sorri forçado - Meu pai com raiva? Conta outra! – disse, dando um tapinha no ombro dele.
- EMMETT ! SALA DE JANTAR, AGORA! – era a voz do meu pai? Shi, estamos ferrados!
- Boa sorte, Emmett – Edward sorriu.
- Espere, Emmett! - me soltei de Edward e fiquei do lado de Emmett. Ele me levantou pelos braços, parecendo um escudo, e entrou em casa comigo, escondendo o rosto nas minhas costas. Foi quando vi todos em pé na sala de janta, de braços cruzados e extremamente sérios.
- Boa noite – sorri.
- Solte-a, Emmett – Carlisle mandou.
- Sabe pai, podemos explicar – disse, tentando acalmá-lo.
- Explicar? Compram uma moto, sendo que você só tem 14 anos, passam o dia na rua, sendo que está nevando o dia inteiro, e ainda pretendiam fugir? Explique-me então, Cullen – ele olhava seriamente pra mim.
- Er... Hum... Hum – olhei pro Emmett; ele me deixou no chão e eu fui pra trás dele, me escondendo.
- Você é mais forte! – sussurrei pra ele.
- Covarde – ele sussurrou.
Nesse momento, todos começaram aquela conversa que eu não entrava, falavam rapidamente, evitando-me. A expressão de Carlisle era a mesma de quando ele descobriu que íamos pular de bungee jumping. Sorri pra mim mesma, minha família estava junta novamente e discutindo, por minha causa. Fui até o Edward e toquei em seu braço. “Preciso falar com você a sós” pensei. Ele só fez que sim com a cabeça.
- Bom, vocês sabem a minha opinião, depois falam o que devo fazer com Emmett – ele sorriu, fazendo Emmett rosnar. Guiou-me até a saída e fez eu subir nas costas dele.
Ele correu por um bom tempo até parar perto de uma queda d´água. Pulei das costas dele e olhei a paisagem; por causa do frio, a pequena cachoeira estava congelada e saia fumaça do pequeno lago, fazendo a paisagem ficar bonita.
- Até amanhã congela, né? – disse, sem olhar pra trás.
- Sim – ele respondeu, colocando a mão no meu ombro.
- O que está lhe incomodando? – ele me olhou, apreensivo.
- Não está conseguindo me ler, não? - olhei pra ele.
- Não! Ainda irei descobrir como você consegue – ele me fitava.
- Você sabe que não são todas as vezes, e eu nem sei como – disse, analisando os olhos dele, e ele estava horrível.
- Você está bem, meu irmão? – indaguei.
- Estou sim, nada que você deva se preocupar. Mas o que você quer falar comigo que eles não podem escutar? – ele disse, sorrindo forçado.
- Quero lhe pedir para convencer Carlisle a voltarmos pra Forks – olhei pra ele. Ele fechou os olhos, os punhos e suspirou.
- Não tem possibilidade nenhuma – disse de olhos fechados.
- Mas, Ed – suspirei - Carlisle lhe contou, não foi? Foi por isso que voltou, eu sei. Todos vocês voltaram para decidir meu futuro, a única coisa que peço é ficar com vocês! – disse, olhando para ele. - E ficar aqui irá dar chance àquela mulher tentar alguma coisa, eu estou apavorada, Edward, e você é quem eu mais confio para dobrar Carlisle. Você é o irmão em quem mais confio, você sabe disso! – disse, segurando o choro.
- Aquela mulher é sua mãe biológica! Tente ser educada com ela, é até melhor para você, sabia? Uma família humana, irá correr menos risco com eles – ele disse sem olhar pra mim.
- O que você está dizendo? – olhei sem acreditar muito nas palavras dele.
- Hoje, quando você estava passeando, com o Emmett, ela foi lá em casa e conversou conosco. Ela parece ser uma boa pessoa, quer ter a chance de se aproximar mais de você. O Jonh, seu irmão biológico, também quer se aproximar. Acho que seria uma ótima oportunidade de acontecer isso, e se mudarmos daqui, eles não terão chance nenhuma – ele disse suavemente.
Não acreditei no que acabei de escutar, meu medo estava se concretizando. Eles realmente voltaram para me entregar à mulher, eles não sentiam nada por mim. Como Garrett disse, eu só era um bicho de estimação pra eles! Olhei pro Edward e ele continuava olhando pra frente, sem foco nenhum.
- Me leve de volta, por favor – disse, tentando segurar o choro.
Como? Como, depois de 14 anos, na primeira oportunidade que eles têm de se livrar de mim, eles nem ao menos brigam por mim? Eu não valho nada?
Nesse momento, Edward olhou pra mim, diretamente nos olhos, e me abraçou.
- Hei! – sussurrou – Hei! Não pense besteira, não foi isso que quis dizer! – ele disse, beijando minha testa.
- Me leve para casa, por favor, senão irei andando – disse, afastando-o.
- ! Olhe pra mim – ele levantou meu queixo.
- Me desculpe, não foi isso que quis dizer, nós a amamos! – sussurrou.
- Tá escutando meu pensamento, novamente? – falei um pouco ríspida com ele.
- Escutei o final – desculpou-se - Me desculpe, não quis levar você a pensar isso.
- Vai me levar de volta ou não? – disse, segurando o choro.
- Não antes de consertar o que eu fiz! – ele disse, me segurando.
- Então irei andando – comecei a andar na direção que achava que era nossa casa, mas ele me segura.
- Me desculpe! Não foi isso que quis dizer. Todos amamos você. Você acha que se Carlisle, Esme e os outros não se importassem com você, eles dariam o trabalho de parar o que estavam fazendo e voltar? Ao menos, eu não teria voltado! Não antes de achar Victória. Sabia que estou caçando-a? – ele disse rindo pra mim.
- Você é péssimo em farejar – disse, olhando pro chão. Ele deu uma gargalhada e me abraçou.
- Eu sei que sou péssimo nisso, mas quando Carlisle me ligou e contou tudo, não pensei duas vezes e voltei. Voltei porque amo você, me importo com você. Você é minha irmã caçula preferida. Agora, tire esse pensamento da sua cabeça, tudo bem? – ele disse, beijando minha testa.
- Me leve para casa, por favor! – disse, chorando.
- Tudo bem, vamos – ele me puxou pras costas dele e correu.
Chegamos em casa minutos depois. Quando ele abriu a porta, me deixou pular das costas dele. Meus olhos estavam cheios de lágrimas. Pude ver Carlisle e Esme vindo em minha direção, mas antes que eles se aproximassem, eu corri pro meu quarto.
- Fiz besteira, Carlisle – escutei Edward se lamentando, antes de me trancar em meu quarto.
Olhei pra minha cama e me joguei nela, sem tirar o casaco, a boina, nem nada, mesmo sabendo que estava toda molhada. As palavras de Edward criaram uma dor imensa dentro de mim, mesmo depois dele tentar concertar as coisas, a dor continuou. Era uma dor insuportável, uma dor que nunca senti antes, uma dor diferente e maior daquela que senti depois da briga com os lobisomens.
Eles estavam organizando tudo para me entregar à mulher? Uma mulher que nem conhecia, uma louca!
Virei de bruços e coloquei o braço nos meus olhos.
Traída, era isso que estava me sentindo agora, traída por todos! Sentei na cama e olhei pro chão. Senti alguém sentar ao meu lado na cama, mas não levantei os olhos pra ver quem era. Isso eu odiava, mesmo trancando o quarto, eles entravam. Senti o outro lado afundando. Fechei os olhos e os punhos.
- Vão embora! – disse quase sem voz, sem levantar o olhar, mas senti uma mão fria me puxando e me abraçando.
- Filha! Nós nunca íamos fazer isso com você, nunca! – Esme falava suavemente.
- Edward expressou-se mal, por favor, olhe pra nós – Carlisle pediu, implorando.
- Vocês... Vocês... Me traíram! – disse, chorando.
- Não! Não traímos, só achamos mais interessante você se envolver com essa família. Seria ótimo para você, você não acha? – Carlisle disse calmamente.
- Me envolver? – exasperei-me - Pra quê? Para depois me entregaram a ela? Uma louca? – Levantei-me e olhei em volta. Foi quando pude notar que todos estavam no meu quarto.
- Não vamos lhe entregar. Entenda, é sua mãe biológica! Você não acha interessante conhecê-la melhor? – Rosalie disse calmamente.
- Minha mãe é Esme! Vocês querem se livrar de mim, isso sim! Isso foi ideia de quem? – disse, passando o olhar em todos - Bem, sua, né! – Apontei pro Edward. Ele só fez fechar os olhos e abaixar a cabeça.
- Sabia! Desde quando você conheceu aquela idiota você tenta se livrar de mim! – sibilei.
- Não fale isso, , eu gosto de você e não seria capaz de te magoar – Edward disse, olhando pra mim.
- Pois bem, já conseguiu! – disse, fechando a cara.
- Filha! - Carlisle estava ao meu lado e me abraçou.
- Você é uma de nós, nunca iremos fazer isso que você está pensando, nunca! Acredite em mim, sou seu pai! Todos nós amamos você. Prometo que nunca irei lhe deixar! – ele disse suavemente.
- Promete? – disse, olhando pra ele.
- Prometemos! – ele disse me abraçando.
Depois desse episódio, eles ficaram mais protetores ainda, todos eles, sem exceção. Carlisle autorizou Emmett a me ensinar a andar de moto e, quando completar 15 anos, a moto seria minha, definitivamente. Alice, como sempre, me fez de cobaia. Quase todas as sextas-feiras, me levava ao shopping e comprava caminhões de roupas novas. Edward fez as pazes comigo, voltamos a ser como éramos antes de aparecer Bella, mas eu sentia que ele estava sentindo a falta da idiota. Dois dias depois do ano novo, ele se despediu de todos e viajou novamente, sendo que a cada 15 dias ele ligava, dando informações da onde estava.
Meus pais me fizeram passar ao menos os domingos com os Winter e, mesmo contra minha vontade, eu ia. Não tive aniversário de 15 anos, não tive porque Carlisle e Esme prometeram que, quando completasse 15 anos, teria a minha viagem pela Europa, sem adulto responsável. Seria perfeito, se eles não me obrigassem a ir com Jonh. Como eles mesmo disseram, “também é aniversário dele”. Não sei como esse menino conquistou minha família, será que ele os enfeitiçou? Acho que estou lendo Harry Potter demais. O presente que eu mais gostei foi uma identidade falsa, que Jasper me dera, era perfeita. Nessa carteira dizia que tinha 18 anos, deixando-me entrar nas boates que quisesse e me hospedar no hotel que quisesse. Lógico que ele deu um também pro Jonh. Foram 15 dias de pura diversão e cultura. Se o plano deles era me fazer aproximar de Jonh, deu certo. O menino conseguiu me conquistar também, até estava chamando-o de irmão.
Já tinha voltado da Europa e o inverno tinha terminado. Primavera a vista, só que nada de sol. Pior que Forks, isso aqui! Já tinha terminado o mês de março e nada do sol aparecer. Esses últimos dias, eu estava aproveitando o máximo que podia, porque todos entraram de férias. Carlisle e Jasper estavam de férias da faculdade, Esme finalmente terminou a restauração, Alice e Rosalie, quanto mais tempo pudesse passar comigo, passavam, e Emmett não parava de me ensinar a andar de moto, sendo que estava ficando atá melhor que ele!
Vocês devem estar se perguntando se já fiz alguma amizade com minha mãe biológica, não é?A resposta é não, eu não suportava aquela mulher e nem ia tentar suportá-la. Como sempre disse, minha mãe é Esme, e não darei nenhuma chance da outra se aproximar e tentar substituí-la.
- Tchau, Jonh – disse, saindo do carro. Tinha pegado uma carona com ele depois da escola.
- Senhora Winter – disse, fechando a porta. Escutei ela suspirar.
- Já disse que não precisa me chamar assim – ela falou, olhando pra mim.
- Prefere senhora Darnell, então? – falei, olhando pra ela.
- Deixa! Ainda irá me chamar de mãe – fechei a cara e fui entrando pra casa, pela garagem. “Nem em sonho, sua maluca”.
- Hei, , vai lá em casa mais tarde? – Jonh perguntou, inclinando-se para fora da janela.
- Não dá, hoje é sexta, irei sair com a Alice. Fica para próxima – falei, rindo
- Tudo bem, até amanhã, então.
Quando entrei na garagem, vi Emmett terminando de polir minha moto. Parei ao lado dele, suspirando e balançando a cabeça negativamente.
- O que foi? – ele olhou pra mim, confuso.
- Faltou aqui! – apontei pra uma mancha na moto – Nem pra polir você presta, Emmett, não irei lhe pagar, não! - falei com meu tom mais sério possível.
- Mas que abusada! – ele disse, espantado. Rapidamente, ele pulou em cima de mim, fazendo-me cair no chão. Montou em cima de mim e sorriu diabolicamente.
- Pede clemência! – ele ria.
- NUNCA! – sorri.
Ele segurou meus dois braços, impedindo de me mexer. Então ele fez um barulho, e logo vi que ele ia cuspir em mim.
- Emmett! Você não faria isso! – disse, olhando assustada pra ele.
- Pede clemência e diz que sou o melhor! – ele, novamente, mostrou que ia cuspir em mim.
- NUNCA! – sorri - PAI! MÃE! – olhei para os lados e tentei me soltar, mas não conseguia mover um músculo.
- HAHAHAHA! Eles não estão, viajaram! – ele sorriu diabolicamente - Só voltam daqui a dois dias! CLEMÊNCIA? – ele cuspiu ao lado de meu rosto, por pouco não pega em mim.
- ROSE! SOCORRO! – gritei.
- Não adianta, clemência, sou o melhor, mais querido, mais bonito. Diga que, talvez, lhe desculpe – ele ria diabolicamente.
- Você! – suspirei - Você é um chato, arrogante e porco! – disse rindo.
- Mas ainda tem coragem de me insultar nessa situação? Ah, maninha, tomei minha decisão – ele respirou fundo, encheu a boca e começou a cuspir, mas a gosma ficou pendurada a poucos centímetros do meu rosto.
- Argh! Que nojo, Emmett, para – olhei pro lado e vi Alice entrando rapidamente no carro de Carlisle e sair em disparada. Emmett olhou pro lado também, fazendo o cuspe cair na minha cara.
- EEEEEECCCCAAAAAA EMMETT !QUE NOJO! – gritei, tentando de todas as formas possíveis me soltar. Foi quando ele saiu de cima de mim e me puxou pra ficar em pé, mas sua expressão não era divertida, e sim preocupada.
- O que aconteceu, Rose? – ele olhava pra ela, que tinha acabado de entrar na garagem.
- Alice viu Bella se matando! – ela disse, séria.
Tomei um susto nesse momento. Mesmo não tento uma simpatia com a garota, nunca pensei que ela ia fazer isso. Já faz o quê? Oito meses que fomos embora? Nunca pensei que a menina fosse tão louca a esse ponto.
- Irei tomar um banho. Emmett, terá troco, hein! – olhei seriamente pra ele.
- Estarei esperando ansiosamente, maninha! – ele riu.
- Vocês dois! – Rose olhava pra nós, balançando a cabeça negativamente.
Meu dia foi completamente perdido, tinha feito planos com Alice, mas como ela viajou às pressas, me deixou vendo navios. Rosalie ficou o tempo todo no telefone, ligando pra Deus e o mundo. Tentei de todas as maneiras pegar o Emmett, mas ele sempre estava um passo à minha frente. Sentei ao lado dele e sorri.
- O quê? – ele olhou desconfiado pra mim.
- Nada – menti.
- Não adianta, nunca irá me pegar! – ele disse bagunçando meu cabelo. Levantou e abriu a porta.
- Jasper? – olhei assustada.
- Não tinha ido visitar Tânia? – perguntei.
- Sim, mas voltei. Depois falo com você – ele disse, entrando e indo em direção a Rosalie. Peguei o controle da tv e troquei de canal, quando eu escutei um não e Emmett pulou em cima de mim.
- Estou vendo o jogo! – ele disse, tomando o controle da minha mão, sorrindo. Não pensei duas vezes e pulei em cima dele, tentando pegar o controle de volta.
- Você saiu! – disse tentando alcançar o controle. Ele só esticava o braço e ria.
- Fui atender a porta, sua nanica! – ele sorria.
- Parem, vocês dois! – Rosalie gritou da cozinha.
- , você tem uma tv no quarto, vá assistir lá! – Rose ordenou.
- Mas...
- Nada de mas, vá! – ordenou.
Olhei pro Emmett e ele só era sorriso.
- Irei virar esse jogo, você vai ver! – disse, olhando sério pra ele. Ele só fez soltar um beijo e caiu na gargalhada. Dei uma tapa na nuca dele, mas me arrependi depois, minha mão parecia que tinha levado um bolo e, novamente, ele caiu na gargalhada.
- Bobo! – disse, massageando minha mão.
- Linda – ele sorriu.
- Chato! – retruquei.
- Mimada! – ele ria novamente.
- Ah, esquece! – disse dando os ombros e subindo pro meu quarto.
- 3 x 0 pra mim, ! – ele disse quando eu ia subindo.
Fiquei um bom tempo no meu quarto, estava inspirada e comecei a escrever uma música. Dava alguns acordes na guitarra que Edward me deu e anotava no papel. Acho que fiquei nessa por horas, porque só fui parar quando Rose entrou no meu quarto, com uma bandeja com comida.
- Ficou com raiva do Emmett, foi? – ela disse, colocando a bandeja no criado mudo, ao lado da minha cama.
- Não, só meu deu vontade de compor. Por quê? – disse guardando a guitarra.
- Já são onze horas e você nem foi comer nada, pensei que tivesse ficado com raiva - ela sorriu.
- Não Rose, tô não, sério – disse, indo pegar a comida.
- Mas, sim, como foi que Isabella se matou? – perguntei a ela.
- Alice viu-a pulando de um penhasco, esperou ela aparecer e nada – ela disse aos sussurros.
- Hum... Então acham que ela morreu? – disse, comendo.
- Não achamos, , temos certeza – ela disse, convicta.
- É verdade, nunca as visões da Alice deram errado, né? – sorri.
- Verdade – ela disse mecanicamente.
- Edward já sabe? – indaguei.
- Ainda não, mas liguei pra Carlisle, eles estão voltando – ela disse, pensativa.
- Pra quê? Iremos para o enterro, é? – disse, curiosa.
- Se Carlisle achar melhor, iremos sim. Termine de comer e vá dormir! – ela sorriu forçado.
- Tá bom, mamãe! – olhei rindo pra ela.
- Deixa de graça! – ela disse antes de sair.
Fiquei mais um tempo acordada, terminando a composição da música. Quando dei por mim, eram mais de 3 horas da manhã. Guardei tudo e fui dormir, mas parece que só tinha fechado os olhos quando senti algo frio tocar no meu rosto.
- Acorde, – escutei alguém me chamar.
Abri os olhos e vi Carlisle com uma mala nas mãos.
- Oi, pai! Chegou quando? – disse, esfregando os olhos.- Aliás, que horas? – disse, rindo.
- São 09:00 horas. Vai lavar o rosto, você irá ficar com sua mãe – ele disse, sério.
- Tudo bem.
Fui para o banheiro, tomei um banho e desci. Vi-o parado ao lado da escada, olhando seriamente pra mim.
- Pronto pai, cadê Esme? – olhei pros lados e não vi ninguém.- Aliás, cadê os outros? – disse parando na frente dele.
- Vamos – ele pegou no meu braço e me guiou até um carro, na garagem, que não era o dele.
- Pai? – indaguei - Pode me dizer o que está acontecendo? – disse, entrando no carro. Ele entrou também e suspirou fundo.
- Iremos viajar, e você ficará com sua mãe – ele disse sem olhar pra mim.
- Sim, fico, mas cadê a Esme? Não tô vendo! E os outros? – olhei desconfiada para ele.
- Você ficará com sua mãe biológica – ele disse olhando pra frente.
- Espera aí, não estou entendendo nada, por quê? – olhei, sério.
- Edward ligou e descobriu sobre a suposta morte de Bella, e Alice disse que estava indo para a Itália tentar impedi-lo, juntamente com Bella – ele disse tudo rapidamente.
- Ela não morreu, então? – disse, espantada.
- Não! – ele disse, seco.
- Sim, mas o que tem a ver o senhor me deixar com a Senhora Winter – disse, mais confusa ainda.
- Nós iremos atrás deles e você ficará com sua mãe – ele disse olhando pra frente.
- Por que não posso ir? – olhei desconfiada pra ele.
- Porque é melhor você ficar com sua mãe e seu irmão – ele disse, ríspido.
- Já disse que minha mãe é Esme e vocês são minha família, irei com vocês – disse, cruzando os braços. Então ele parou o carro na frente da casa dos Winter.
- Não queremos um peso conosco! – ele disse, olhando fixamente pra frente.
- Eu não sou um peso! –sorri.
- É pior que um peso, é um tormento! Descobrir sua família biológica foi a melhor coisa que aconteceu conosco, assim nos livramos de você! – ele disse, sério.
- Para pai, está dizendo isso para me fazer mudar de ideia, mas não irei não, irei com você – disse, sorrindo. Foi quando ele olhou pra mim seriamente.
- Não sou seu pai, não somos sua família! Já assinei os papeis deixando a Ana como sua tutora! – sibilou. Quando ele terminou de dizer isso, pareceu que levei um soco no estômago.
- O senhor... Fez... O quê? – olhei incrédula pra ele.
- Entreguei sua guarda! – ele disse, olhando seriamente pra mim. Fiquei olhando pra ele sem saber o que dizer; olhei pra a janela ao meu lado e vi o Jonh com sua mãe, estavam me esperando na entrada da casa.
A porta do carro se abriu.
- Vamos, sai – ele disse, um pouco ríspido. Toquei no braço dele e olhei fixamente nos olhos dele.
- O senhor está brincando comigo, certo? O senhor prometeu que nunca ia fazer isso – disse, engasgada. Ele fechou os olhos e suspirou, depois olhou novamente pra mim, seriamente.
- Às vezes temos que quebrar algumas promessas – ele disse, entregando-me uma mochila e indo até a traseira do carro pegar minha mala, que ele mesmo já tinha feito. Fiquei parada ao lado do carro, sem reação, não acreditava que isso estava realmente acontecendo, eu só podia estar tendo algum tipo de pesadelo. Meus olhos encheram de lágrimas e pude vê-lo indo em direção aos Winter, entregando minha mala e, em seguida, vindo em minha direção. Segurei o braço dele.
- Por favor... Não faça isso – disse, controlando o choro.
- É necessário, , comporte-se! – ele disse sem ao menos olhar pra mim. Entrou no carro e saiu, sem ao menos acenar. Fiquei parada, olhando pro chão, tentando controlar o choro, que era inevitável. Senti alguém tocando em meu ombro e me guiando para a casa.
- Vamos, querida!
- Deixe que eu a levo, mãe – Jonh disse, tocando em meu ombro.
Jonh me guiou até o quarto, que seria meu. Subimos duas escadas e ele apontou.
- Será ao lado do meu, o seu é esse, e é com suíte – ele disse, tentando ser educado. Notei-o colocar minha mala em cima da cama.
- Quer ajuda pra guardar suas coisas? – ele disse, suavemente.
Só fiz que não com a cabeça.
- Estarei ao lado – ele disse, me abraçando e saindo do quarto.
Assim que ele saiu, tranquei a porta e deixei a tristeza me dominar. Chorei como nunca tinha chorado antes na minha vida, chorei até as glândulas lacrimais esgotarem-se. Perdi completamente a noção do tempo e da razão. Estava magoada, me sentia traída, usada. Acho que adormeci, porque acordei com alguém batendo na porta.
- Abre, vai! – era o Jonh, pedindo.
Novamente, ele bateu na porta.
- Abre, , você está aí trancada o dia inteiro. Não quer falar comigo, não?
Não respondi, se ignorar, ele irá embora.
- Tudo bem, mas irei deixar sua comida aqui na porta, ao menos, coma.
Foi a última coisa que escutei antes de dormir novamente.
Acordei com meus olhos inchados. Olhei pro relógio e marcava 03:00 horas da manhã. Suspirei fundo e levantei.
- Cansei disso tudo! Cansei!
Peguei minha mochila e saí. Abri a porta com cuidado e saí da casa, sem fazer nenhum barulho. Para minha sorte, não estava chovendo e nem estava frio. Caminhei até minha casa, demorando exatamente uma hora para chegar lá. Abri minha mochila e peguei a chave da casa, entrei e subi correndo pro meu quarto. Fui até o criado mudo e sorri ao ver que minha identidade e carteira de motorista falsa ainda estavam na gaveta. Peguei e guardei na mochila. Fui até o banheiro e me olhei no espelho. Estava com os olhos inchados de tanto chorar, e descabelada. Lavei o rosto e prendi o cabelo num rabo de cavalo. As lembranças de meu pai prometendo que nunca ia me abandonar e depois fazendo o que ele fez, voltaram em minha mente. Olhei atentamente no espelho e a raiva me dominou.
- Eles nunca mais irão me ver!
Fui até o closet e peguei minha jaqueta de couro, minhas luvas e bota. Coloquei mais umas roupas na minha mochila e corri pro quarto de Alice. Abri todas as gavetas dela, até achar o que procurava.
- Obrigada, Alice – disse, pegando um bolo de dinheiro e guardando na mochila. Desci correndo até a garagem e, novamente, sorri. Minha moto estava lá e as chaves estavam no porta-chaveiro. Peguei as chaves e o capacete, subi na moto, suspirei fundo e parti.
Capítulo 12
Já tinha tudo planejado em minha mente. Iria para Flórida e, pelos meus cálculos, iria viajar praticamente 10 dias. Estava indo do norte para o sul e só pararia para comer e dormir. Quanto mais longe estivesse de todos, melhor pra mim. E eles nunca iriam para lá.
Se eu quisesse que ninguém me encontrasse, teria que enganar Alice, então fiquei pensando o tempo inteiro em ir encontrar Tânia, assim ela nunca ia me ver indo para a Flórida. Já estava a dois dias viajando, quando resolvi parar e mudar o visual.
Cortei o cabelo bem curto, espetado, pintei de preto e fiz duas mechas de azul. Tinha abandonado o ar de adolescente, queria um ar de mais velha, assim, ninguém desconfiaria. Eu tinha uma boa grana e também tinha o cartão de crédito que ganhei antes de ir para Europa. Daria pra me sustentar por um bom tempo.
Meus cálculos estavam errados, cheguei a Flórida em oito dias e minha nova vida começou.
*Carlisle's POV*
Entrei na sala, sorrindo, Edward estava de volta e feliz. Minha família estava completa, aliás, quase. Vi Esme e os outros limpando a sala, que Edward destruiu minutos atrás, depois que votamos em transformar Bella em uma de nós. Mas faltava um, um que ia ter que voltar pra buscar, e não iria sozinho.
- Esme, querida? Vamos buscar a fera? – disse, rindo.
Estava terminado de alugar um carro e Esme, ao meu lado, era um poço de ansiedade.
- Esme querida, calma. Logo estaremos com ela – disse, beijando seu rosto.
- Não sei Carlisle, acho que fomos muito duros com ela, ela é só uma criança, sinto que tem algo errado – ela disse, angustiada.
- Não esqueça que combinamos com a Ana, ela iria cuidar dela muito bem até voltarmos. Não tem nada de errado com ela, senão já teriam nos ligado – tentei acalmá-la.
Chegamos à casa dos Winter. Parei o carro bem na garagem. Saimos e tocamos a campainha. O marido de Ana, o senhor Jony Winter, que veio nos recepcionar.
- Senhor e Senhora Cullen – ele fez um gesto para entrarmos na casa. Nesse momento, senti Esme apertar minha mão com mais força.
- Sente-se, por favor – ele apontou pra sofá.
- Irei chamar minha esposa – disse antes de sumir casa adentro.
- Tem algo errado Carlisle, eu sinto! – ela sussurrou.
- Calma, Esme – disse no meu tom de sempre.
Mas essa minha calma toda mudou quando vi Ana ao lado de seu marido com os olhos vermelhos de tanto chorar. Esme, automaticamente, levantou, com uma das mãos no peito.
- O que aconteceu? Cadê minha filha? – Esme perguntou, aflita.
- fugiu um dia depois que vocês partiram – o marido dela respondeu sem cerimônia nenhuma.
*Edward's POV*
Estava correndo de volta para casa. Esse dia era o mais feliz da minha existência, estava novamente com a Bella, minha Bella, e iríamos nos casar! Eu irei casar com a mulher que amo. Mas tinha algo errado, Alice me ligou, mandando voltar imediatamente, e isso estava me deixando aflito.
Chegando em casa, o pensamento de todos era um só “”
- O que aconteceu, Alice? – disse, olhando-a sentada na varanda.
- Carlisle me ligou, sumiu – ele disse aos sussurros.
- Como assim, sumiu? – indaguei.
- Ela fugiu Edward, fomos muito duros com ela, pensei que seria melhor pra ela. Carlisle ficou arrasado também, mas tínhamos que fazer – Rosalie disse, parando à minha frente.
- O que vocês fizeram? – olhei, sério.
- Eu pensei que tínhamos que ir pra Itália atrás de vocês, e não íamos levá-la conosco. Se acontecesse algo a nós, quem iria ficar com ela? Então decidimos combinar com a Sra. Winter de ficar uns tempos com ela, até voltarmos – ela disse, frustrada.
- Sim, Rose, mas o que ocasionou a fuga dela? – sibilei.
-Achamos melhor dizer que não a queríamos mais conosco e Carlisle foi bem convincente nesse aspecto – ela sussurrou.
- Ah, não! Vocês esqueceram da nossa promessa? – indaguei - Por que fizeram isso? Custava contar a verdade pra ela? – olhei seriamente pra ela.
- Edward, como ela iria reagir quando disséssemos “iremos para Itália, vingar a morte de Edward, e provavelmente iremos morrer. Fique aqui e seja feliz” – ela disse sarcasticamente.
- Alice, para onde ela está indo? – disse, ignorando o comentário de Rose.
- Não sei bem, mas parece que ela está decidida a ver Tânia. Mas tem algo errado, só que não sei o que é – ela disse, pensativa.
- Já ligaram para Tânia? – disse, sério.
- Já – Rose respondeu.
- E Carlisle? – disse olhando pra Rose.
- Foi pro Alaska – ela disse, séria.
- Vamos esperar ela chegar lá, acho que chega em 5 dias. Eu a ensinei muito bem a viajar sozinha – sorri.
*Carlisle's POV*
Ela estava parada em frente à janela. Vê-la assim estava me deixando louco. Desde quando voltamos do Alaska, Esme não falava comigo. Ficava horas no quarto de e, nos últimos dois dias, não arredava o pé da janela. Caminhei lentamente em sua direção e a abracei por trás.
- Não fique assim, por favor – implorei.
- Como você quer que fique, Carlisle? – Esme disse sem tirar os olhos da rua.
- Iremos encontrá-la – sussurrei.
- Você me disse isso há quinze dias. São quinze dias! QUINZE! – ela gritou - E isso tudo por sua causa! Eu disse para não fazer isso, EU disse! Eu conheço muito bem minha filha, sabia que algo ruim ia acontecer, mas você escutou? Vocês escutaram? Não! E agora? E agora? Nem sabemos se ela está viva ou não! – Finalmente ela explodiu, depois de tanto dias.
- Me desculpe, mas você acha que não estou sofrendo também? Afinal, fui eu que disse aquilo tudo pra ela, e não você! – Passei a mão nos meus cabelos e fiquei ao lado dela, olhando pra rua também.
- Edward teve uma excelente ideia – sorri e puxei-a pra mim.
- Qual? – ela finalmente me olhou.
- Vamos rastreá-la quando usar o cartão de crédito – disse, beijando-a.
*'s POV*
Estava parada, apoiando-me na moto, olhando o mar. Estava em Miami fazia sete dias. Hospedei-me num apart-hotel e paguei quinze dias adiantados. O dia estava ensolarado. Fechei os olhos, olhando pro céu; o sol ardia no meu rosto.
- Bonita moto – escutei alguém ao meu lado.
Abri os olhos e virei a cabeça pro lado. Era um homem que tinha mais ou menos 21 anos, estava segurando um capacete e sorria. Era alto e musculoso, moreno, cabelos cortado no estilo militar e tinha um sorriso encantador.
- Obrigada – disse educadamente.
- Uma BMW? – o homem perguntou.
- Sim – disse normalmente.
- Chega a 320 km em 5 segundos? - Ele disse, analisando a moto.
- Na verdade, em 2 segundos, fiz umas modificações – sorri.
- Sério? – ele me olhou, espantado.
- Sim – continuei sorrindo.
- Meu nome é Brian – ele estendeu a mão.
- – cumprimentei-o.
- Que tal, hoje à noite, você me mostrar a potência dessa belezinha - ele disse, rindo.
- Tudo bem, horas e local? – disse, firme.
- Às 23 horas, no Lacuna, conhece? – ele sorriu.
- Sim, estarei lá – sorri de volta.
Desde quando cheguei a Miami, mudei meu estilo de vida completamente. Não parava uma noite sequer, visitava as boates, dançava a noite inteira e só voltava para o hotel de manhã, para dormir. Mas como a noite passada eu bebi um pouco além da conta, preferi vir para a praia e tirar minha ressaca.
Fui pro hotel, depois da conversa, e dormi até o horário que combinamos. Fui até a recepção e perguntei onde era o local, e pelo mapa, me indicaram.
Chegando ao local, vi várias pessoas com motos parecidas com a minha, estilo Sport. Passei devagar entre eles, até parar a moto ao lado do Brian. Quando tirei o capacete, todos tomaram um susto, e até escutei algo “uma mulher numa moto dessas?”
- E então, Brian? – disse, bagunçando mais ainda meu cabelo.
- Que bom que chegou, estava falando da sua moto pra eles – ele sorriu.
- É! Brian disse que tem uma potência aí, quero ver isso! Quanto mela? – um homem com uma cara de pouco amigos disse ao lado de Brian.
- Mela? – olhei sem entender.
- Quanto aposta? – ele revirou os olhos.
- Apostar em quê? – olhei desconfiada.
- Quero provar pro Brian que sua moto não é tão boa assim – ele zombou.
- Um racha comigo? – olhei séria pra ele.
- Se é assim que diz – ele deu os ombros.
- 1000 é o mínimo – disse o Brian.
- Mas eu tô sem dinheiro – olhei pra ele.
- Então aposte sua moto, se perder, eu fico com ela, se ganhar fica com a minha – ele disse, sério.
Respirei fundo e coloquei o capacete.
- Qual é o trajeto?
Todos, nessa hora, começaram a gritar e a buzinar suas motos.
- O PRIMEIRO DUELO DA NOITE! – um gritou, ao meu lado.
Brian me guiou até o local onde seria a partida.
- Uma volta no quarteirão, quem chegar aqui primeiro, ganha, e vale tudo! – ele explicou.
- Como assim, vale tudo? – disse, ligando a moto.
- Trancadas, empurrões, tudo!
Respirei fundo e acelerei a moto. O homem ao meu lado fez a mesma coisa. Ouvia todos gritando e apostando. Pelo o que escutava, ninguém estava apostando em mim. Fiz um sinal pro Brian.
- Quero apostar o dobro em mim! – disse, convicta.
- Irá perder a moto e quer perder a roupa também? – ele sorria.
- Aposte! – sibilei.
Brian somente riu e fez um sinal pra outro rapaz. Olhei pra frente e tinha uma mulher com os braços erguidos. Acelerei a moto mais uma vez e me concentrei, se perdesse, estaria perdida, mas como sou leve e não tinha abastecido a moto, com certeza ela estaria mais leve que o homem ao meu lado, e correrá mais rápido. Então, a mulher na nossa frente abaixou o braço, e partimos.
Concentrei-me em manter a aceleração constante e abaixar-me o máximo possível, evitando assim o atrito com o ar. Física, nessas horas, cai bem. Olhei pro marcador de velocidade e estava chegando a 300 por hora. Olhei rapidamente pelo retrovisor e o homem estava uma roda atrás de mim.
“Isso! Ele está mais pesado, como imaginei”
Fiz a curva para direita tão rapidamente que encostei meu joelho no chão. Meu coração batia a mil por hora e a adrenalina estava fluente em meu organismo. Depois da curva, olhei novamente pelo retrovisor, e vi a moto do homem duas rodas atrás. Sorri e continuei no mesmo ritmo. Outra curva, pra esquerda agora, e novamente meu coração foi até minha boca. Quase ia caindo, mas consegui controlar a moto a tempo e me equilibrar. Mas com isso, ele me passa uma roda. Quebrei mais ainda o pulso e tentei puxar o máximo da moto, chegando a 305. As luzes passavam como borrões, estava lado a lado com o homem e a poucos metros na chegada. Estávamos emparelhados. Quando acelerei novamente e cheguei a 310, passei do homem e ganhei. “Obrigada Rose”. Desacelerei, dei a volta e voltei pra multidão, que aplaudia. Nem ao menos deixaram eu sair da moto, já me tiraram, abraçando, e dando tapas nas minhas costas.
- Nossa! Primeira novata a ganhar do Pedro – Brian comentava ao meu lado. Tirei o capacete e sorri.
- Sorte de principiante – disse, sem muita cerimônia.
- Tome seu dinheiro – ele me deu um bolo de notas.
- Pedro, a chave! – Brian olhava sério pra ele.
- Sério, não precisa, fica com a moto, Pedro. Eu fiz isso só pela diversão! – sorri.
- Não! Você ganhou, você leva! – Brian estava pegando a chave da moto.
- Não tenho onde guardar. Pedro, guarde-a pra mim, então – sorri, estendendo a mão pra ele. Ele sorriu e me cumprimentou.
- Você pilota bem, para uma mulher – disse Pedro.
Depois, tiveram outros desafios, e quando foi mais ou menos 3 horas, fomos para uma boate, comemorar a noite. Fiquei bebendo e dançando por mais de uma hora. Em algum momento, Brian estava dançando na minha frente, e eu o acompanhava.
- Abre a boca – ele disse no meu ouvido.
- Pra quê? – olhei, confusa.
- Experimenta isso – ele me mostrou uma pílula e colocou em minha boca. Engoli com a ajuda do restante de uma bebida que estava tomando, enquanto dançava.
Minutos depois, estava suando, sentia um pouco de calor. Pisquei algumas vezes e pude ver as pessoas dançando e andando lentamente. As luzes estavam mais brilhantes e sentia-me cada vez mais elétrica. Queria dançar mais e mais, estava sentindo a adrenalina novamente nas minhas veias e estava adorando aquela situação. Continuei dançando por algum tempo, estava desligada do que acontecia ao meu redor, estava concentrada em seguir o ritmo da música. Quando dei por mim, estava sendo pressionada contra a parede e alguém estava me beijando, e eu, beijando-o de volta. Senti as mãos dele na minha cintura, depois subir pro meu peito, então o parei.
- Não! – disse, séria.
Voltei a mim e estava aos amassos com o Brian. Tanto eu quanto ele estávamos sem nossas camisas.
- Desculpe, mas não dá! – disse, pegando minha camisa no chão e saindo correndo da boate. Subi na moto e, quando ia dar a partida, Brian segura a moto.
- Desculpe... Desculpe... Deixei-me levar também – ele olhou pra mim.
- O que você me deu? – olhei confusa pra ele.
- Êxtase – sussurrou. - Iremos nos ver a noite, no mesmo horário? – ele disse, rindo.
- Não sei – dei a partida na moto e sai.
Ao olhar, já estava amanhecendo, e eu estava completamente sem sono. Estava elétrica ainda. Fui até a praia e dei um mergulho no mar. Fiquei algum tempo sentada na areia, olhando o mar e pensando na minha família. Peguei meu celular e fiquei olhando pra ele, lutando comigo mesma entre ligar ou não.
- Não! Eles não merecem! – disse, guardando o celular. - Mas hoje irei novamente encontrar-me com eles, quero mais dessas pílulas – sorri pra mim mesma.
*Alice's POV*
Já estava tentando achá-la fazia um mês, e nada. A única visão que tinha era dela em cima da moto, indo para Tânia. Será que Edward estava certo? Ela aprendeu a me bloquear também? E está forjando essa visão? Porque, se for isso, ela está ficando melhor que a encomenda. Aquela humana mimada! Mimada que adoro, e está fazendo falta aqui!
Esme está um poço de tristeza, Carlisle de remorso, Rosalie está indo de estado em estado, procurando-a, e agora tenho que olhar pro futuro, procurando algo sobre os Volturi e Victória. Qualquer momento eu piro, juro que piro.
- Alice! Alice! – escutei Edward vindo em minha direção, todo animado.
- O quê, Edward? – falei sem animação alguma.
- A administradora do cartão de crédito ligou, ela acabou de usá-lo – Edward sorria de orelha a orelha.
*'s POV*
Estava voltando de mais uma noite de diversão. Entrei no hotel e fui até a recepção, para pagar mais algumas diárias.
- Bom dia, , você trocou a noite pelo dia mesmo, hein? – o recepcionista sorriu.
- Troquei, é mais divertido – falei, rindo.
- E você está bem? Está um pouco pálida – ele disse, me analisando.
- Estou ótima. Minhas diárias vencem hoje, certo? – sorri.
- Deixe-me ver – ele disse, olhando no computador.
Nesse momento, senti algo quente escorrer no meu nariz. Coloquei a mão e vi que era sangue. “Droga, pensei que já tinha estancado”
- A senhorita está bem mesmo? – ele olhou, preocupado comigo.
- Sim, estou! É hoje ou não? – olhei séria pra ele, pressionando o nariz.
- Sim – ele disse, olhando pro computador - Ficará mais tempo conosco?
- Só mais cinco dias, depois irei pra outro estado – disse, pegando minha carteira.
- Iremos dar-lhe um desconto, está hospedada conosco faz mais de 20 dias. Trinta, para ser exato, isso? – ele disse, olhando pra mim.
Fiz que sim com a cabeça e olhei a carteira vazia. “Droga, gastei todo o dinheiro comprando as paradas”
- Vocês aceitam cartão de crédito? – sorri.
- Aceitamos – ele disse, me olhando.
- Passe as cinco, então - entreguei o cartão pra ele.
- Farei melhor, irei passar somente três, e duas são por conta do hotel! – ele sorriu.
- Ótimo.
Assim que entrei no meu quarto, tranquei a porta, coloquei o bilhete de não perturbe, e me joguei na cama. Dormi o dia inteiro. Levantei, eram nove horas da noite. Fui até o banheiro, lavei o rosto várias vezes e olhei-me no espelho.
Como ele disse, eu estava um pouco pálida, meus olhos estavam com olheiras escuras e meu nariz estava bem vermelho, parecendo que estava com algum tipo de alergia.
- Droga! Acabou o dinheiro! Acho que terei que correr, hoje! – disse, ajeitando-me.
Voltei pra cama, peguei minha mochila e tirei dela um pacote. Abrir e fiz uma carreira na bancada, peguei meu canudo e cheirei tudo de uma vez.
- Assim vejo melhor a rua! – Sorri, peguei minhas coisas e sai.
*Carlisle's POV*
Foi o dia mais longo de toda a minha existência. Esme, ao meu lado, era a ansiedade pura, mas para nossa sorte, finalmente o avião tinha acabado de pousar no aeroporto de Miami. Como não tínhamos malas, saímos rapidamente, e logo encontramos Rosalie no saguão, nos aguardando.
- Verificou o hotel? - perguntei ansioso.
- Fica a uma hora daqui, e já aluguel um carro – ela disse, sorrindo.
- Chegou quando? – Esme perguntou.
- Uma hora antes – Rose respondeu, rindo.
- Então vamos, por sorte, ainda voltamos hoje – disse, sério.
- Miami! Ela soube muito bem escolher a cidade, era meu próximo passo vir pra cá, já que estava em Atlanta, mesmo – Rosalie refletiu.
- E como estão as coisas lá com Edward e Bella? – ela disse, olhando pra mim.
- Ela está protegida, Victória não consegue passar pelos lobos – disse calmamente.
- Finalmente, chegamos – Esme suspirou.
*'s POV*
Estava correndo o máximo que podia. Minha moto derrapava no asfalto, acho que estava na hora de trocar os pneus, mas ainda tinha uma certa vantagem pro outro. Esse eu venci tão facilmente que nem deu vontade de comemorar. Fomos para a boate cedo, mas não estava com muita vontade de dançar. Fiquei sentada a maioria do tempo, bebendo e fumando.
- Hei... O que você tem hoje? – Brian sentou ao meu lado.
- Não sei. Estou me sentindo um pouco deprimida – disse sem emoção alguma.
- Eu disse para você não consumir heroína, não disse? Um dos efeitos dela é esse! – ele me recriminou.
- Brian, eu tô pouco me lixando! Por acaso você tem comprimido, aí? – sorri.
- Tem certeza? – ele me olhou, preocupado.
- Sim – disse, esticando a mão.
- Tome esse e vá embora, você irá ficar chapadona. Já bebeu demais, fumou e antes de correr, ainda consumiu heroína. Vá embora, tá ouvindo? - olhei pro relógio e marcava 3 horas da manhã.
- Você está certo, já é tarde – peguei a pílula da mão dele, paguei minha conta e fui embora.
Uma hora depois, cheguei ao hotel, completamente alucinada. Nem sei como cheguei, mas cheguei. Tudo que via eram borrões e a claridade doía meus olhos. Entrei sem falar com ninguém, entrei no elevador e pude perceber que alguém entrou comigo também, mas não conseguia ver claramente quem era. Mas a pessoa movia os lábios rapidamente, parecendo conversar com alguém.
- Você está drogada! – foi o que consegui entender e escutar antes de adormecer.
Capítulo 13
*Carlisle's POV*
- Como, ela não está? São 23:00 horas! Como vocês deixam uma criança sair nesse horário? E a hospedam aqui? – Rosalie disse, quase berrando pro recepcionista.
- Não creio que estamos falando da mesma pessoa, então. – ele disse, sério.
Puxei Rosalie para o canto e falei calmamente.
- Esqueceu o presente do Jasper? – indaguei.
- Droga! Tinha esquecido! Por isso então que ela atravessou o país tão facilmente! – ela disse, pensativa.
- Ela disse a que horas voltaria? – Esme perguntou calmamente.
- Não senhora, mas creio que só amanhã! – ele disse, sorrindo.
- Só amanhã? – Rosalie gritou novamente.
- Rose, calma! – a recriminei.
- Sim – ele disse calmamente - A senhorita sai todas as noites e só volta no dia seguinte. Acho melhor vocês descansarem um pouco, três quartos? – ele sorriu.
- Não... Não precisa, iremos esperar no Hall– disse calmamente.
- Irei caçá-la! - Rose disse ao meu lado.
- Não precisa, iremos esperá-la, não vamos assustá-la. O melhor que temos a fazer agora, é esperar! – falei, autoritário.
Ficamos sentados no sofá da recepção, esperando. Esme ficou ao meu lado e não parava um segundo sequer de mexer nas pernas. Rosalie ficou em pé, indo de um lado pro outro. Cada hora que passava, parecia uma eternidade. Já passava das 4 horas da manhã quando finalmente a vi entrando no hotel.
Ela estava completamente diferente. Estava mais magra, pálida, olhos profundos e sem foco, cortou o cabelo bem curto e estava meio que azul. Ela fechou os olhos, acho que por causa das luzes do hotel. Ela colocou a mão no bolso da jaqueta, tirou um óculos escuro e o colocou. Caminhou lentamente até o elevador e o acionou.
- ! Aqui! – Esme gritou ao meu lado, mas ela não olhou.
- ? – Rose a chamou também, mas ela continuou sem olhar.
- Vamos! – disse indo na direção dela.
Vi que o elevador tinha chegado e ia fechar. Fiz um sinal pras duas e entramos correndo no elevador.
- , por que não respondeu? – Esme perguntou, colocando a mão no ombro dela.
- Por que você fugiu, mocinha? O que tem nessa cabeça? – Rose ralhou.
Fiquei olhando pra ela atentamente e vi que tinha algo errado. Ela fez um movimento e apertou o botão do andar de seu quarto, ignorando-nos. Notei que ela ficou alguns segundos nos encarando e sorriu. Tirei os óculos da cara dela e vi seus olhos sem foco algum, completamente vermelhos.
- Você está drogada? – olhei assustado pra ela.
- O quê? – Rose gritou.
- Como? – Esme perguntou assustada também.
- ! Você está drogada! Olhe pra mim, filha! Filha! – a sacudi, mas nesse momento, ela perdeu a consciência.
- Como isso é possível? Não esperava isso dela – Rosalie disse, observando-a.
- Ela deve estar confusa, vamos esperar ela acordar – Esme disse, acariciando o rosto dela.
- Ela está bem, Carlisle? – ela perguntou, aflita.
- Deve estar com overdose! – Rose sibilou.
- Ela está bem, vamos para casa –respondi, seco.
*'s POV*
Acordei sentindo-me um lixo, nunca tinha misturado tantas coisas assim. Minha visão ainda estava turva e eu estava completamente confusa. Em algum momento, senti meu corpo flutuando. Ouvia vozes e, quando abria os olhos, só via borrões e luzes fortes.
“Acho que dessa vez fiquei chapadona mesmo”.
Não sabia e nem lembrava como tinha chegado ao quarto. Fui até o banheiro e tomei um banho bem demorado, fui até o espelho e me olhei. Estava horrível: meus olhos estavam vermelhos, olheiras maiores e eu estava bem pálida. Fui até o closet e me vesti, fui até a cama e sentei, olhando para os lados, e reconheci o local.
- Espera aí! – olhei novamente, pisquei duas vezes e dei um pulo da cama.
“Estava no meu quarto, em Forks?”
- MERDA! MERDA! MERDA! COMO VIM PARAR AQUI? – olhei pro lado, procurando minha mochila, e nada – DROGA!
Abri a porta e saí correndo. Desci a escada o mais rápido que podia, ia em direção à saída, quando algo gelado me segurou pela cintura.
- Você não vai a lugar algum! – Carlisle me segurava pela cintura.
- ME SOLTA, SER DESPREZÍVEL! – disse, tentando me soltar das mãos dele.
- Não chame seu pai assim – Esme ralhou ao meu lado.
-Ele não é meu pai! E nem você é minha mãe! Agora, me solte!- disse, socando a mão dele. Senti ser carregada e olhei em volta; foi quando vi todos na sala, olhando-me seriamente. Então, retribuí o olhar.
- ME SOLTA! - disse, socando novamente a mão dele.
- Pare, senão irá acabar quebrando sua mão – Carlisle disse, fazendo-me sentar no sofá.
- Que se dane! – disse levantando, mas ele, com um simples toque no meu ombro, me fez sentar novamente.
- Agora, você pode me explicar o que é isso aqui? – ele disse, mostrando-me um pacote.
- Não devo nenhuma explicação pra você e nem pra ninguém dessa sala. Dá licença – disse, levantando, mas novamente alguém me fez sentar. Dessa vez, foi Esme.
- Você deve explicações, sim! – Carlisle disse, sério.
- Me explica o que é isso aqui? – ele disse, jogando o pacote em cima de mim - Achei na sua mochila! Depois que lhe encontrei completamente drogada! – ele disse quase aos berros.
- Estou espantada que você ainda não saiba! Depois se diz um ser culto! – disse, debochando.
- E tem mais, você, aliás, vocês, não tem nada a ver com o que eu faço ou deixo de fazer – disse, irritada.
- Eu sei que você está magoada comigo, mas não precisa tentar se matar, não acha? – ele disse, olhando seriamente pra mim.
- Eu não estou tentando me matar, estou curtindo! – disse, sorrindo.
- Curtindo? – Edward rosnou.
- Curtindo? , isso é heroína! Como você teve coragem, conversamos tanto sobre isso! Não aprendeu nada, não? – Edward disse, segurando meu rosto e forçando-me a olhar pra ele.
- Se sabem o que é, por que o interrogatório? Agora me deixem ir embora, que o peso sai das costas de vocês! – disse, fechando os olhos.
- Você não é um peso pra nós, eu amo você, filha! – Carlisle disse, sentando ao meu lado e me abraçando. Empurrei-o e levantei.
- Você não é meu pai, então pare de me chamar de filha – olhei pra todos e estiquei a mão – devolvam minhas coisas, partirei hoje mesmo! Vocês não tem o direito nenhum de me trazer pra cá!
- Temos sim! – Esme ralhou atrás de mim.
- Somos sua família, você é minha filha e ficará aqui. Nunca mais irei me distanciar de você. Esse mês foi uma tortura pra mim – ela disse, fazendo-me sentar novamente.
- Escute o que temos pra lhe dizer – ela completou.
- Eu não tenho que escutar nada! Não sou mais uma Cullen. Agora, se a senhora me permitir, tenho que ir embora. Não fico aqui nem mais um segundo sequer! – disse, levantando novamente, mas dessa vez, Carlisle que segurou meu braço.
- Escolhe, fique aqui conosco e tem sua vida de volta, ou irá para uma clínica de reabilitação para pessoas com dependência química – ele disse num tom sério, que me deu medo.
- O quê? Tá me chamando de drogada, é? – olhei incrédula pra ele.
- Não! Estou confirmando! Ainda tem heroína correndo no seu sangue, sinto o cheiro! – ele disse, sério.
- O senhor não pode me internar, não é nada meu! – retruquei.
- Sou seu pai! – ele disse, levantando e ficando na minha frente.
- Tem meu nome e sou pai. Posso fazer o que quiser com você! Você ainda é menor de idade, ão se esqueça disso! – ele disse, autoritário.
- Então, agora virou chantagista? Além de ser um ser desprezível? – zombei.
Notei-o fechando os olhos e suspirando fundo. Sorri sarcasticamente pra a cena.
- Nunca confie em seres como vocês, foi o que aprendi! – disse rispidamente - Vocês me dão nojo! – disse, quase chorando.
Nesse momento, senti meus pés saindo do chão e um par de mãos estava me levantando pelo pescoço. Olhei assustada e vi Rosalie apertando meu pescoço. Estava começando a ficar sem ar.
- Retire o que você disse, agora mesmo! – ela disse entre os dentes.
- SOLTE-A! – Carlisle gritou.
- AGORA – Edward me puxava pra si.
- ROSE, CONTROLE-SE – Emmett tentava puxá-la.
- ROSE, POR DEUS, PARE! – Esme implorou.
Quando ia desmaiando, ela me solta. Edward já tinha me puxado pra perto dele e andou uns metros longe de Rosalie.
- Como? Como você pode dizer isso? Depois de tudo que fizemos por você? Você não entende que a amamos? Se não amássemos, a deixaríamos se matar com as drogas! Sua ingrata! – Rose disse, olhando pra mim.
Coloquei minhas mãos na garganta e puxei o ar novamente.
- Legal! Depois de me abandonarem, querem me matar! ÓTIMO! – disse olhando pra ela. Se Edward não tivesse me segurando, ia pular em cima dela.
- Chega , chega! – Edward disse quase aos sussurros pra mim.
- Chega! – então, ele me abraçou e beijou minha testa.
Ele ficou alguns segundos me abraçando. Fechei os olhos e retribui o abraço, ao menos, ele não estava lá. Dele não tinha que ter raiva, e não iria ter. Comecei a sentir uma forte vontade de chorar, meu corpo ficou mole, a vontade de sentir adrenalina no meu corpo voltou, queria ter a sensação de volta, meu corpo pedia.
“Preciso da adrenalina novamente”
- Você não precisa disso – Abri os olhos e o vi olhando sério pra mim.
- Agora, me escute. Sei que está magoada com todos, sei que erramos com você, mas olhe ao seu redor... Não vê que você está magoando a todos, veja! – ele disse, apontando.
- Você está magoando Esme, deixando Carlisle arrasado e ainda fez Rose lhe atacar, ao invés de Jasper! – ele disse, sério.
- Onde está Alice? – olhei, procurando-a.
- Está com Bella, mas não fuja da conversa! – ele continuava, sério.
- ! Minha querida irmã! Não vê? Não vê que todos estão tentando se desculpar com você? Foram até Miami pra lhe trazer de volta e, quando chegam lá, o que encontram? – ele disse, olhando seriamente pra mim - Você completamente dominada pela drogas! Olhe pra você, está horrível, e você só tem 15 anos! – ele disse tudo isso num tom calmo.
Observei todos por uns minutos e suspirei.
- Vocês me abandonaram – disse, abaixando a cabeça.
- Eu sei, mas foi necessário, filha – Carlisle disse, levantando meu rosto.
- Pensamos que teríamos que ir visitar os Volturi, e não queríamos que eles fizessem alguma coisa com você. Entenda, foi pro seu bem – Carlisle disse calmamente.
- Lembra que prometemos lhe transformar o quanto antes? Eles acham que já é uma de nós, não ia permitir que eles fizessem algo com você, minha filha. Entenda, nós a amamos – ele disse olhando fixamente pro meus olhos.
Comecei a sentir meu corpo tremer e ficar fraco. Pisquei várias vezes e, novamente, só via borrões.
- Por que você não volta para seu quarto e, quando estiver melhor, conversamos? Você ainda está sob efeito das drogas – Carlisle disse ao meu lado.
- Não estou sob efeito de droga alguma! Estou bem! – disse entre os dentes.
- Não? Então me diz de um a dez em alemão – Edward perguntou.
Fechei os olhos e respirei fundo.
- Cadê minhas coisas? Por que me trouxeram para cá? E não me levaram para Cornell? – disse, de olhos fechados.
- Porque voltamos a morar aqui, e o seu lugar é ao nosso lado – Carlisle disse, calmamente.
- Minha moto? – olhei pra ele.
- Confiscada! – Edward disse.
- Vocês foram atrás de mim para me torturar, é? Por que não me deixam viver em paz? Estava muito bem sem vocês – disse, irritada.
- Estava! Mais uma semana e se mataria! – Edward disse, debochando.
- Eu preciso sair! – disse, indo em direção à porta, mas Edward me segurou.
- Você irá pro seu quarto – ele sussurrou.
- Me solta, por favor, preciso de ar puro, preciso! – supliquei.
- Se precisa, você irá sair comigo, e não sozinha – ele disse, carregando-me até o carro dele, e partimos.
Fiquei o tempo inteiro olhando pra janela. A passagem escurecida por causa da chuva. Eu realmente ainda estava sob efeito da droga, porque tudo que via era em 3D.
- Tinha esquecido como isso aqui é um tédio! – disse, sussurrando.
- Perdoe nossos pais, vai – ele disse, tocando meu ombro.
- Preciso de Êxtase! – disse, fechando os olhos. Escutei um rosnado ao meu lado.
- Pare com isso, senão Carlisle e eu iremos lhe internar! – ele sibilou.
- Interne, assim me livro de vocês! – disse, olhando pra ele.
- Você não escutou nada do que dizemos na sala? Eles fizeram isso para lhe proteger – ele disse, sério.
- Por que não me contaram a verdade, então? Evitaria muitas coisas – disse, cansada.
- Eu não sei. Mas sei que todos adoram você, você devia ter visto como eles ficaram sem você por perto. Esme, Carlisle, Alice... Rose estava indo de estado em estado te procurando, sabia? – ele sorriu.
- Quantos dias estou aqui? – disse, encostando-me no banco.
- Dois – ele disse, sério.
- Para onde está me levando? – indaguei.
- Você não disse que queria ar puro? Então, estou lhe levando para o ar mais puro que conheço – ele sorriu.
- Me desculpe, Ed! – disse mais sinceramente possível.
- Você não tem que se desculpar comigo, e sim com nossos pais – disse tranquilamente.
- Irei pensar – disse, fechando os olhos, estava me sentindo deprimida e com muito sono.
- Irá se desculpar, sim – escutei antes de adormecer novamente.
Acordei suando frio, meu corpo tremia. Olhei para os lados e estava em minha cama. Tentei levantar, mas minhas pernas estavam bambas e acabei caindo no chão. Tentei me apoiar no criado mudo, mas não consegui. Quando percebi, estava tudo caindo em cima de mim.
- Droga! – sibilei.
- FILHA! – Esme disse, me carregando e colocando novamente na cama.
- Você está bem? – ela disse, olhando pra mim, preocupada.
- Eu estou ótima – disse entre os dentes.
- Carlisle – ela chamou.
- Não precisa chamar ninguém – disse, tentando me levantar, mas meu corpo tremia. Sentei na cama, colocando as mãos na cabeça e fechando os olhos, respirando profundamente.
“Preciso só de uma pílula pra me sentir melhor”.
Senti uma mão fria tocar na minha testa e depois me deitar novamente na cama.
- Filha, acho que terei que lhe internar. Seu organismo está dependente das drogas, ele quer mais – Carlisle disse calmamente.
- Não sou drogada! – disse, ríspida.
- Carlisle, acho que não é necessário, podemos cuidar dela aqui – Esme disse, passando a mão na minha testa.
- Se vocês me deixassem ir embora, não estaria causando esse peso pra vocês – disse, emburrada.
- Dá para você parar com isso? Não irei deixar você sair de perto de mim, nunca mais – Esme disse, aborrecida.
- Não acredito mais em vocês – disse, tentando me levantar, mas minha cabeça girava. Senti-me novamente sendo empurrada para ficar deitada.
- Você deveria ser mais gentil com sua mãe, filha – Carlisle disse, arregalando meus olhos.
- Dá para vocês me deixarem em paz? – disse, batendo na mão dele.
- Não – os dois responderam ao mesmo tempo.
- Mas que droga, quero sair daqui – disse, ríspida.
- Você não irá sair das minhas vistas até estar recuperada – Calisle disse calmamente.
- Eu odeio vocês! – disse, raivosa.
Passei o dia inteiro mal, meu corpo tremia, minha cabeça parecia que ia explodir. Em algum momento, tive alucinações; em vários momentos, até gritava de tanta dor, mas sempre Esme e Carlisle estavam ao meu lado, tentando me controlar. Dormia e acordava várias vezes, as dores vinham e iam embora do nada. Meu corpo realmente estava pedindo alguma coisa e eu sabia exatamente o que era, e eu também queria.
Abri os olhos acho que pela milésima vez, mas dessa vez não vi ninguém, e meu quarto estava completamente escuro. Levantei e fui tomar um banho bem demorado. Estava debaixo do chuveiro, de cabeça baixa, pensativa.
- Como irei fazer pra conseguir alguma coisa aqui, eles não irão me dar um segundo só! E Forks? – analisei - Se tiver alguma coisa aqui, deve ser algumas folhas medicinais, vindas da reserva dos lobos. Droga, realmente eu estava me transformando numa viciada! – Levantei a cabeça, fechei os olhos, deixando a água bater no meu rosto.
- Eu não sou uma viciada, só preciso de adrenalina no corpo! Preciso...
As lembranças das horas ou dias atrás vieram em minha mente. Estava completamente fora de sintonia, não sabia que horas e dia eram, mas as lembranças de Esme e Carlisle ao meu lado, me controlando quando meu corpo implorava por mais heroína, me dominaram. Comecei a chorar compulsivamente.
- O que eu estava fazendo?
Saí do banho, vesti qualquer roupa e desci a escada, correndo. Olhei pra sala e vi Alice e Jasper.
- Vai tentar fugir de novo? – Alice disse, séria.
- Onde está Carlisle? – retribui o olhar.
- No escritório – ela disse, curiosa.
Corri o mais rápido que podia, entrei no escritório sem bater e o vi sentado na poltrona dele, segurando um livro sobre desintoxicação.
- Algum problema, filha? – ele disse, largando o livro e levantando.
- Sim – respondi, indo em sua direção, abraçando-o com força.
- Desculpa! Desculpa! Desculpa – foi tudo que conseguir dizer enquanto o abraçava e chorava.
Senti-o retribuir o abraço e beijar minha cabeça.
- Tudo bem, está tudo bem, acalme-se – ele disse, esfregando minhas costas.
- Também peço desculpas, não deveria ter agido e falado como falei com você naquele dia. Tenho que dar mais créditos à sua mãe, ela sabe exatamente como é seu temperamento – ele sussurrava.
- E como é? – disse, largando-o.
- Instável – ele riu e beijou minha testa.- Tenho uma filha adolescente que muda de temperamento como muda de roupa! - Ele sorriu e me abraçou novamente – Mas, mesmo assim, eu amo essa adolescente complicada.
- Não é bem assim Carlisle, ela só tem um temperamento forte – Esme disse, entrando no escritório, sorrindo.
- Mãe! – dei-lhe um abraço também.
-Desculpe-me, mãe – disse, soluçando.
- Como você está se sentindo? – Esme perguntou, preocupada.
- Um pouco fraca – disse, sincera.
- É normal, você não come há três dias – Carlisle disse, me guiando pra cozinha.
- Três dias? – indaguei.
- Sim – ele sorriu.
- Há quantos dias estou aqui? – perguntei, curiosa.
- Indo para o quarto dia - nesse momento, Esme coloca na minha frente um copo de leite e um prato com torradas.
- Obrigada, mãe – sorri e peguei uma torrada – E desculpe por tudo, desculpe por ter fugido.
- Está tudo bem filha, só não faça mais isso, quase me matou de preocupação – ela olhou pra mim e sorriu.
- E eu, quase de remorso – Carlisle fez um cafuné em mim – Sabia que você é o único ser da face da terra que ia matar dois vampiros? – ele sorriu.
- Desculpe, prometo não fazer mais isso – disse, sincera.
- Mas eu queria pedir uma coisa pra vocês! – disse sem, olhar pra eles.
- Diga - Carlisle perguntou calmamente.
- Devolvam minha moto, por favor – supliquei.
- Não – Carlisle respondeu, seco.
- Nem pensar – Esme, no mesmo tom.
- Mas eu preciso dela, eu preciso! – disse olhando pra eles.
- Não precisa, irá andar com Edward, Rosalie, Alice, comigo, você tem sete motoristas – ele disse, sério.
- Pai, não é a isso que estou me referindo. Eu preciso dela, preciso sentir a adrenalina correndo nas minhas veias novamente, eu preciso! – supliquei.
- Não e ponto! – ele disse, firme.
- Então o senhor me dá uma injeção de adrenalina na veia! – disse, ríspida.
- CULLEN! - ele esbravejou.
- O QUÊ, MEU PAI! O QUÊ? TUDO QUE PEÇO É MINHA MOTO! NÃO IREI FUGIR NÃO, TEM MINHA PALAVRA! – disse, levantando.
- Olhe esse tom de voz comigo, mocinha! E sente-se – ele disse, indicando pra cadeira.
- Escute aqui, todos sabem que tem 15 anos, sua carteira falsa não dará certo aqui – ele disse, sério ainda.
- Pai – suspirei - Eu preciso de dose de adrenalina todo dia e a moto faz isso comigo, eu preciso! Prometo que ninguém irá me pegar. Se pegar, eu entrego a moto e não falo disso até ir pra faculdade! – disse calmamente.- Pai, a velocidade é a minha heroína! Eu necessito dela! – completei
- Eu irei lhe internar! – ele disse, andando de um lado pro outro.
- Não precisa, querido! – Esme disse, parando-o.
- É, não precisa! Estou controlada, só quero minha moto de volta! – disse, séria .
- Se pedir mais uma vez, irei te levar agora mesmo! – ele disse, sério.
- Alice, ligue para os outros, quero uma reunião agora mesmo – ele disse, olhando pra mim.
- Pra quê, meu pai? – disse, encarando-o.
- Iremos decidir se te interno ou não! – ele disse, firme.
- Não precisa internar, me mande pra Cornell, aí não terá mais que se preocupar comigo! Aliás, como o senhor mesmo disse, minha família está lá! – disse, levantando e indo pro meu quarto.
- Isso vai ser mais complicado do que esperava... – escutei, antes de me trancar no quarto.
A estúpida reunião entre família aconteceu e, mais uma vez, não tive voz de voto. Decidiram que só ia ter a moto de volta quando completasse 16 anos. Também decidiram que não ia ser internada, mas tinha que voltar às aulas.
Aulas? Em maio? O que eles queriam? E tem mais, querem que recupere o tempo perdido. Também me obrigaram a ligar para a senhora Winter e pedir desculpas. A contra gosto, fiz. Não estou falando com ninguém, ignorando todos e, para falar a verdade, estava de saco cheio de ser vigiada 24 horas.
Voltei à escola, como pediram. Estava estudando na mesma escola que Edward e os outros, que são a chata da Bella e a Alice. E logo no primeiro dia, tive uma grande decepção.
Sempre mantive contato com Albert e Rebeca, mas eles nunca me contaram que Albert estava namorando outra menina. E, como ultimamente eu estou de pavio curto, Alice me controlava o tempo todo.
- Eu lhe avisei, não avisei? – ela disse, puxando-me pra outro caminho, evitando a namorada do Albert.
- Cala a boca, Alice! – disse, ríspida.
Sentei-me à mesa, onde estavam Bella e Edward almoçando.
- Coma! - Alice disse, jogando uma bandeja na minha frente.
- Come você! - a desafiei.
- Edward, dá um jeito nessa menina! – Alice disse, emburrada.
- Não comece também Edward, e nem você, Isabella – disse, olhando pra ela.
- Mas não ia dizer nada – ela olhou com a cara mais inocente do mundo.
- Mas pensou! – disse, cruzando os braços e fechando a cara ao vê-los entrando no refeitório de mãos dadas.
- Pensei que fosse eu quem lia mentes aqui, e não você – Edward disse rindo, e eu, fechando a cara.
Como eu queria dar um murro na cara daquele menino, não porque ele estava namorando, mas ter me feito de besta por não ter contado. O que custava contar?
- Isso tudo é por causa de vocês dois – disse, apontando pra Bella e Edward.
- Nós? – Edward olhou confuso.
- Sim! Se você não fosse tão desastrada e você não fosse tão teimoso e chato, nunca teríamos saído daqui! – disse, levantando.
- Para onde você vai? – Edward olhou, fechando a cara.
“Fumar um baseado, quer?”
- Pare de brincadeira, menina!
- Irei dar uma volta, seu chato! – disse indo na direção do pátio da escola.
Estava chovendo quando saí para o pátio. O vento estava contra o refeitório. Olhei para os lados e respirei fundo. Fechei os olhos e levantei o rosto pro céu, deixando a água bater em meu rosto. Senti o vento bagunçar meus cabelos e escutei um sussurro. “Vem”.
Abri os olhos e olhei para os lados, não vendo nada. Olhei pra trás, e nada. Novamente, o vento sopra, e com ele, uma voz suave, doce e encantadora. “Vem, floresta”.
Olhei para a floresta e vi um par de olhos encantadores, um par de olhos que conhecia, eu tenho certeza, era ela. A adrenalina correu no meu organismo novamente, a sensação de ter poder novamente me tomou. “Vem”, escutei mais uma vez. Olhei pra trás, certificando-me de que Edward ou Alice não estavam atrás de mim, mas como aprendi a bloqueá-los, nesse exato momento estava fazendo isso. Iria correr esse risco. Para a minha sorte, a chuva, nesse exato momento, ficou mais forte, e houve um trovão. Com isso, corri para a floresta, atrás daqueles olhos encantadores.
Estava correndo floresta adentro. Aquela voz e aqueles olhos estavam me chamando, tinha que ir o mais rápido que podia, sabia que a qualquer momento Alice ia me ver, e tanto ela quanto Edward viria atrás de mim. Foi quando a vi parada atrás de uma árvore, sorrindo sarcasticamente pra mim. Parei imediatamente e a fitei.
- Diga! Por que me guiou até aqui? - ela moveu-se tão rapidamente que, num piscar de olhos, ela estava me segurando pela garganta.
- Eu sabia que você era uma humana! – ela disse, sussurrando em meu ouvido.
- Mas não sabia que era tão fácil fazer você vir me encontrar, sozinha! – ela sorriu.
- Como você disse, sou humana! – disse, quase sem voz.
- Será que eles irão lhe trocar pela preciosa Bella? - ela disse, cheirando meu pescoço.
- Creio que não! Eles estão malucos pra se livrar de mim! Agora, a senhora pode largar meu pescoço, não consigo respirar – disse, séria.
- E, se eu for mesmo a isca, morta não servirei de nada! – ela olhou pra mim, sorriu e me largou. Respirei fundo e sorri.
- Não pretendo lhe matar, não agora!
- Sou mais útil viva do que morta! – disse olhando pra ela.
- O que você está dizendo, pirralha? – indagou.
- Posso lhe dar informações úteis – disse rindo.
- Mas quero algo em troca – disse, rindo mais ainda.
- Você não está em condições nenhuma de fazer algum acordo comigo – ela disse, apertando novamente meu pescoço.
- Isso, me mate, que nunca encostará um dedo na Isabella, e ainda será devorada por lobos! – disse sarcasticamente.
Nesse momento, senti meu corpo voar e bati forte no chão. Senti uma forte dor nas costas, mas levantei, rindo.
- O que está esperando? Mate-me logo, nunca chegará nem a 100 Km da Isabella. Mas eu sei muito bem como você pode chegar perto dela – disse, olhando e sorrindo pra ela.
- E tudo que peço são umas trocas, Victória! – disse com meu melhor sorriso.
- Trocas? Não faço acordo com humanos, e muito menos, pirralha – ela disse, caminhando lentamente em minha direção.
- Ah, que pena! Mas antes de me matar, diga-me, por que você acha que Edward não está aqui? – disse, dando um passo na direção dela. Mas ela parou de caminhar e me olhou, analisando.
- Exato, Victória, porque eu sei como bloqueá-lo! Não seria ótimo se eu a ensinasse? Ou, me diga mais outra coisa, por que você não consegue chegar perto de Bella? Sempre estamos um passo à frente de você, né? Como você acha que meu irmão conseguiu matar James? Como ele sabia, né? Hum! Pense, Victória, pense! – disse, parando e encarando-a.
- O que você quer, pirralha? – ela disse, segurando novamente meu pescoço.
- Primeiro, respirar! – ela me largou.
- Bom, muito bom isso – disse, colocando a mão no pescoço.
- Diga! – ela disse entre os dentes.
- Bom, que tal um trato? – disse seriamente.
- Trato? Com você? Você é muito engraçada – debochou.
- Faz umas coisas pra mim que lhe conto como ter uma brecha nas visões da Alice – disse, rindo.
- Então, diga como é! – sibilou.
- Nananinanão. Primeiro cumpra o que eu quero, que lhe ensinarei depois. Assim você irá provar que posso confiar em você! – disse rindo.
- Não sei se é muito estúpida ou burra de falar comigo assim. Não sabe o que eu posso fazer com você, sabe? – ela disse, parando na minha frente e rindo – Posso fazer você me dizer isso agora mesmo, e coisas piores.
- Matar? E daí?– disse, dando os ombros.
- Eu já me cansei disso, você tem exatamente dois minutos para decidir se irá me matar ou não, porque meus irmãos estão chegando – disso rindo.
- Você está blefando, pirralha!
- Eu? Não são vocês que têm um super faro? Fareje e sinta o cheiro deles – disse rindo.
Ela quebrou um pouco a cabeça pro lado e respirou fundo. Olhou pra mim, arregalando os olhos, e em seguida, levantou a mão para me dar uma tapa. Coloquei os braços na frente, no instinto de me proteger, mas foi em vão. Com o tapa, eu caí longe e bati com força numa árvore. Tentei levantar, mas estava tonta. Olhei em volta e ela tinha desaparecido. Sorri pra mim mesma.
“Será divertido enganar essa vampira otária. Se é desse jeito que terei minha adrenalina, irei me arriscar e brincar um pouco”
- Ah, encontrei. Edward, aqui! – Alice disse ao meu lado.
- ? Você está bem? Ah, não, , você está sangrando! – foi tudo que consegui escutar antes de desmaiar.
Capítulo 14
Acordei sentindo algo gelado no meu rosto. Dei um pulo de onde estava e olhei, assustada.
- Calma, sou eu – Edward disse ao lado de Alice.
- Demoraram, hein! – disse rindo.
- O que você estava fazendo aqui, sozinha? E quem era que estava com você? Não consegui ver direito na visão – Alice disse, analisando meu rosto.
- O cheiro está confuso, , quem era? – Edward disse, sério.
- Victória – disse, fechando os olhos e colocando as mãos no ouvido, esperando a explosão deles.
- Perdão, o que você disse? – Edward disse, puxando minhas mãos.
- Victória! Sabe? Aquela de olhos encantadores, parceira do bonitão do James, lembra? – disse, debochando.
Escutei um rosnado de fúria dele. Com o rosnado, dei um passo pra trás, e olhei assustada.
- Agora você tem medo, né? – ele disse entre os dentes.
- , você está maluca em vir se encontrar com ela sozinha? Quer se matar? Não pensa na Esme, não? – Alice disse, emburrada também.
- Eu não tive culpa, fui forçada a vir aqui, estava em transe, tá bom! – disse, cruzando os braços.
- Por tudo quanto é sagrado! – explodiu - Eu estou começando a perder a paciência com você, – Edward disse, fazendo pular em suas costas.
- Pra onde vamos? – indaguei.
- Irei te levar ao hospital, Carlisle precisa ver você, está sangrando. Alice, não perca Bella de vista um segundo sequer – ele disse, firme.
No caminho até o carro, e do carro até o hospital, ele não deu um palavra comigo, e eu fiz o mesmo, tendo o cuidado de não pensar em nada do que tinha acontecido. Ele me guiou até o hospital, falou com uma enfermeira e fomos até a enfermaria.
- Fique aqui, irei chamar Carlisle – ele disse, ríspido.
- Tá, papai! – disse rindo.
Não demorou nem dois minutos e Carlisle entrou na enfermaria, com uma expressão preocupada.
- ... ! – suspirou - O que irei fazer com você? – ele disse, colocando a mão no meu rosto, analisando.
- Que tal verificar se quebrei algum osso da face? –disse rindo.
- Edward disse que você estava diferente, e está mesmo. Como pode estar brincando depois de quase ser morta por ela? – ele disse, passando algo ardente no meu rosto.
- Que tal falarmos disso só em casa, hein? – disse, rindo novamente.
- Em casa conversaremos então, mas você não se machucou muito – ele disse, aliviado.
- Que bom – sorri.
Eu não me machuquei muito, só tive o lábio estourado e meu rosto ia ficar um pouco inchado. Fiquei no hospital um pouco, até o plantão de meu pai acabar. Fiquei observando ele trabalhar e sorria toda vez que o via ficar sem graça, quando alguma paciente ou enfermeira se insinuava pra ele.
- Quanto o senhor me paga para não contar nada pra mamãe? – disse sorrindo, enquanto estávamos indo pra casa.
- Eu não sei do que você está falando, minha filha – ele sorriu.
- Hm... Não sabe... Sei... Então, quanto? – sorri novamente.
- ! – ele recriminou.
- Pai! O senhor é bonito, as mulheres caem aos seus pés, e eu vi hoje – sorri.
- Eu amo sua mãe e se você realmente viu, viu que não dei esperanças a nenhuma – ele disse, divertido.
- Quanto o senhor me paga para manter meu silêncio? – sorri mais ainda.
- Filha! – ele sorriu.
- Agora, me conte. O que foi esse seu encontro com a Victória? Quer se matar? – ele disse suavemente.
- Não, pai. Ela me guiou até lá e deixou-me viver – disse, dando os ombros.
- Por quê? – ele me olhou, confuso.
- Porque fiz um trato com ela! – falei rindo.
- Que tipo de trato? – indagou.
- Entregar a Bella – disse, olhando pra janela, e observei que tínhamos acabado de chegar em casa.
- Entre que iremos conversar seriamente – ele disse, sério.
Entrei em casa, sorrindo e indo até a cozinha. Peguei algo pra comer e sentei ao sofá, ao lado de Emmett.
- O que foi isso? – ele disse, analisando-me – Por que seu rosto está vermelho e inchado?
- Victória – disse, dando uma mordida no pão.
- Como é? – ele deu um pulo e ficou na minha frente.
- Onde? Quando? – ele disse, confuso.
- Mais cedo... Escola! Agora, sai da frente que quero ver TV – disse, empurrando-o.
- Victória? – Rosalie apareceu do nada, gritando perto de mim.
- Como? Como Alice e Edward deixaram você correr esse risco? – ela disse, sentando ao meu lado e colocando a mão no meu rosto, analisando o inchaço.
- Tire suas mãos de mim, Rosalie – disse, tirando a mão dela do meu rosto. Levantei e fui em direção à cozinha.
- Ainda não me perdoou não, é? – ela disse, chateada.
Simplesmente a ignorei e peguei um pouco de leite. Puxei uma cadeira e sentei.
- Agora me diga tudo, filha, que história é essa de trato? – Carlisle disse, sentando na minha frente.
- Victória não me matou porque disse que ia ajudá-la a pegar Isabella – disse o mais natural possível.
- E o que você disse? – ele estava sério.
- Nada, mas acho que ela acreditou, porque não me matou – disse rindo.
- E você ainda ri? – Rosalie disse, ríspida. Revirei os olhos e tomei um gole do leite.
- Eu irei enganá-la, não se preocupem - disse rindo. - Eu já consegui o que queria por hoje! – disse, levantando.
- O que você conseguiu? – Carlisle disse, sério.
- Ela não me matar – falei rindo.
- E você irá enganá-la? Por Deus, filha! Nunca mais fale com ela, ela irá te matar. Ela não é igual aos outros que você conhece, não vê o risco que está passando? Está maluca, é? – esbravejou.
- Não. Só... Hum... Só estou me divertindo um pouco, está muito pacato aqui! – levantei, mas Carlisle me pegou pelos ombros, olhando-me com fúria.
- Ou você muda, ou irá pra Cornell. Não irei permitir que se mate! – sibilou.
- Eu não irei me matar, ela quer Isabella e não a mim. Vocês estão sendo é burros, porque assim eu a traía e vocês a pegavam – falei calmamente.
- Isso nunca. Está ouvindo? Nunca! – Carlisle disse, me largando.
- Como o senhor quiser – disse, dando os ombros.
- Filha, por favor, não fale com ela – ele me olhou com ternura.
- Pai...
- Filha, por favor, me prometa! Você não irá mais falar com ela, e se ela tentar lhe persuadir novamente, ignore. Prometa-me isso! – ele disse olhando nos meus olhos.
- Pai, eu não irei deixar ela me matar, tem minha palavra. Ela quer a Isabella – disse firme.
- Então, você irá entregá-la de bandeja? – Edward apareceu no nada, gritando na minha frente. - Se você fizer isso, eu juro que nunca irei lhe perdoar, ta ouvindo, NUNCA – ele disse, chateado.
- Meu querido irmão, eu não irei entregá-la, eu nunca teria essa coragem de entregá-la.
- Então, porque desse trato? – sibilou.
- Podemos armar uma pra ela. Assim, vocês a pegam. E tem outra, eu nunca irei magoar você, nunca, então pode ficar despreocupado, que não irei entregar sua queridinha – falei, séria.
- Filha! Nada de se arriscar, está ouvindo? – Carlisle disse, sério.
- Pai, prometo! – sorri.
- Irei lhe dar esse voto de confiança, filha – ele disse, me abraçando.
Os dias estavam passando muito rapidamente. Isabella estava cada vez mais chata e insuportável, minha família só pensava na segurança dela, e na minha também. Eles não me deixaram um segundo sequer. Na escola, Rosalie e Emmett ficavam escondidos nas redondezas, impedindo que eu entrasse na floresta, sozinha.
O que mais me deixava irritada era como Edward estava cego por aquela garota, ele não via que ela estava fazendo-o de bobo junto daquele índio, tal de Jacob, que, por sinal, é lobisomem. Por acaso essa menina tem chama pra criaturas assim, é?
”Hoje ela não me escapa”.
O barulho de uma moto na nossa garagem me fez voltar à realidade. Levantei da cama e fui para a escada, encostei-me à parede, cruzei os braços e esperei. Foi então que a vi, toda molhada, melada de lama e com cara de poucos amigos.
- O que você está fazendo aqui, Isabella? – disse, furiosa.
- Ah, , não quero falar com ninguém, por favor! – ela disse entre os dentes. Quando ela ia passando por mim, a barrei.
- Eu disse o que você está fazendo aqui? Tem muita cara de pau, hein! Voltar aqui depois de tudo! – sibilei.
- Como assim, depois de tudo? – ela me fitou.
- Deixa de bancar a inocente! Eu vi você fugindo com aquele índio! Esperou a primeira oportunidade que meu irmão deixou e caiu nos braços dele, é? Por que não ficou por lá mesmo? E deixe meu irmão e minha família em paz! – gritei.
- , por favor, estou cansada, preciso de um banho – ele disse calmamente.
- Por favor nada, saia daqui! Você não passa de uma interesseira, isso sim! Aliás, uma vagabunda! – sibilei.
- , não quero discutir com você. Eu amo seu irmão e você sabe disso, e o Jacob é só um amigo. Aliás, era, mas eu não tenho que dar explicações e nem nada para você, e sim pro seu irmão! – ela disse, passando por mim e indo na direção do quarto de Edward. Corri até ela e a virei bruscamente pra me encarar.
- Eu disse pra sair dessa casa, aqui não entra vagabunda! - disse, empurrando-a em direção a escada.
- Hei, , me solta! – ela disse, batendo na minha mão.
- Irei lhe soltar quando colocar você pra fora da minha casa! – rosnei.
- , para com isso, agora – Alice apareceu, puxando minha mão.
- Me solte, Alice. Você está a favor dessa dai? Ela lhe traiu, também! Ela não passa de uma vagabunda! – nesse momento, senti uma mão bater com força no meu rosto. Olhei e vi que Isabella tinha acabado de me dar uma tapa.
- Nunca mais me chama assim, eu amo seu irmão, adoro sua família e você, mas você não tem direito algum de agredir meu caráter. Eu já lhe expliquei que não fiz nada e só devo explicações para seu irmão, e mais ninguém - ela me olhava com fúria.
Não me contive e parti pra cima dela. Consegui dar um soco nela antes de Alice me segurar e me carregar até meu quarto.
- Solta, Alice... Solta! Se vocês não têm coragem, eu tenho. Me largue, que irei acabar com aquela albina! – gritei.
- Você que começou, , pare com isso! Vamos! Pare! –ela disse calmamente.
- Agora, fique no seu quarto e não saia até amanhã. Se sair, eu saberei, e você irá se entender com Carlisle e Esme – ela disse, fechando a porta do meu quarto.
Um ataque de fúria me dominou. Peguei um bastão de beisebol que tinha e comecei a quebrar tudo que via na frente. Quebrei minha tv, meu computador, vasos, portas-retratos e um espelho. Ia quebrar mais, mas Rosalie apareceu e tirou o bastão das minhas mãos. Olhei pra ela, com fúria, e depois sorri.
- Estou melhor, já – disse, indo pra minha cama e deitando com a cara no travesseiro. Senti a cama afundar ao meu lado e algo frio tocar no meu rosto. Virei pro outro lado, ignorando-a.
- Pare com isso, vai. Me perdoa. Não quis lhe atacar – ela sussurrou.
- Não... Só almoçar – sibilei.
- Por favor - suplicou.
- Não enche, Rose! – sibilei.
- Eu amo você, , você sabe o quanto eu gosto de você, por favor – ela disse, com ternura.
- Tá, Rose... Tá... Se assim você para de me encher... Tá bom – disse, sentando na cama e olhando pra ela. Ela me abraçou e depois deu uma espécie de cascudo na minha cabeça.
- Hei! Isso doeu! – birrei.
- Era pra doer mesmo, você destruiu seu quarto e ainda agrediu Bella! Deu ataque de loucura, foi? Edward irá ficar com raiva de você, e sem contar na Esme! – ela disse, séria.
- Ela me agrediu primeiro e mereceu mais. Ela teve sorte que Alice tá do lado dela! E quanto ao Edward, irei explicar pra ele, e a mamãe, bom ela nunca briga comigo – sorri.
- , escute, o que você tem, hein? Você está mudada, depois... Bom, depois que voltou. Você voltou completamente mudada, eu diria que você se tornou uma pessoa viciada – ela disse calmamente.
- Por que todos estão me perguntando a mesma coisa, eu não tô viciada, certo? Faz quanto tempo que nem bebida alcoólica coloco na minha boca, hein? – disse, olhando pra ela - O quê? Dois meses? Se fosse realmente viciada, não ficaria tanto tempo sem consumir nada, você não acha?
- Nesse lado está certa, mas mesmo assim, você está mudada. Por que não volta a ser quem era? Assim, acho que teria as coisas mais fáceis, não acha? Porque quanto mais você bater de frente com Carlisle e Esme, mais difíceis as coisas ficarão pra você – ela sorriu.
- Irei pensar. Agora, posso dormir? Estou com sono! – disse, cansada.
- Tudo bem, irei arrumar isso aqui, mas não se acostume, não! – ela disse, beijando minha testa. Deitei na cama e dormi.
~*~
- ACORDA! – Edward gritou no meu ouvido.
Olhei pro lado e vi o relógio marcando 6:00 da manhã.
- Por Deus! Vai perturbar a mãe, vai! – disse, virando pro outro lado, e cobrindo meu rosto.
- Agora – ele rosnou, tirando meu cobertor.
- Mas que chato! O que você quer, Edward? – disse, esfregando os olhos.
- O que eu quero? O que eu quero? Conte-me, por que da agressão a Bella ontem à noite? – sibilou.
- Ah, isso? Ela merece é mais! – disse, levantando da cama e indo até o banheiro lavar o rosto.
- Eu estou falando com você, dá pra ao menos me respeitar? – ele disse, parando na porta do banheiro.
- Ed, você que tem que se dar ao respeito. Largue essa mulher, ela não serve para você – disse, passando por ele e indo na direção da cama, sentando-me na beira.
- Ela lhe traiu, meu irmão. Segunda, quando fomos ao colégio, todos irão apontar pra você e dizer “veja se não é o corno do Cullen”. Você tem uma reputação, meu irmão – disse calmamente.
- Ela não me traiu! – ele disse entre os dentes.
- Traiu! Assim que você deu as costas, ela correu pra aquele cachorro! Ela lhe contou isso? Contou que ele foi à porta da nossa escola para pegá-la? Na frente de todos? Deixa de ser besta, meu irmão! – disse, firme.
- , você não tem que se meter nos meus interesses. Bella me explicou tudo, quero que desça agora e peça desculpa a ela – ele disse bem sério.
- Eu não irei fazer isso – disse, cruzando os braços.
- , não me faça ter raiva de você. Eu amo a Bella, amo-a tanto que odeio as pessoas que a fazem sofrer, e você está fazendo isso. Não quero lhe odiar, minha irmã – ele disse mais sério ainda.
- Como você pode amar uma vagabunda, meu irmão, ela lhe traiu! – olhei pra ele.
- NÃO a chame assim! – ele disse, caminhando e parando à minha frente. Levantei e fiquei parada na frente dele.
- Ela é uma vagabunda sim, e interesseira. Sabe por que ela não fica com o cachorro? Porque ele não tem onde cair morto! E quanto a nós? Quanto a você, lógico que ela sabe disso. E o papo de não querer despesas com ela é tudo mentira, você não vê isso? Está cego, meu irmão, essa mulher não presta, é uma interesseira! Acorde... – nesse momento, senti meu corpo cair na cama e meu rosto doer. Edward tinha acabado de me dar uma tapa. Olhei assustada pra ele, com um das mãos no rosto.
- Eu... Desculpe... ... Desculpe...- ele disse, estendendo a mão pra mim.
- Vá embora – disse, segurando o choro e olhando, incrédula, pra ele.
- ... Por favor... Desculpe – ele estava com uma voz arrasada.
- SAI! AGORA! – disse, levantando da cama e indo até a porta - SAI! – apontei pra fora.
- Por favor! – ele disse, caminhando na minha direção.
- Então, quem sai sou eu – disse, chorando.
Saí correndo do quarto, desci a escada correndo e notei que na sala estavam Bella, Alice, Emmett e Jasper. Não liguei e fui em direção à garagem. Por sorte, não tinha ninguém. Fui até o chaveiro e peguei a chave da minha moto, subi na moto e dei partida. Saí tão rapidamente da garagem que quase bato de frente do M3 da Rosalie, que estava chegando com Esme ao lado. Desviei e acelerei, não ligando pra chuva que caia.
- Pra onde você está indo? – Esme gritou.
- Volto mais tarde! – gritei de volta.
Não sabia para onde estava indo, só queria correr na minha moto novamente e esquecer que Edward me odeia. Mas, pra onde iria? Sai sem carteira, sem dinheiro e estava com roupa de ontem.
Corria o máximo que podia. Olhei pro velocímetro e marcava constantemente 280 km/h. Estava tão rápida que nem conseguia ler as placas na pista. Diminuí a velocidade quando vi o mar. Parei a moto e fiquei olhando-o. Olhei em volta e reconheci aquela praia.
- Estou em La Push.
Fiquei um bom tempo parada, olhando o mar, e como as ondas batiam forte nos rochedos. Foi então que vi alguém pulando de um penhasco muito alto. Liguei a moto e fui até onde achava que era o local. Parei a moto pouco metros de onde estavam três garotos, só de short, todos molhados e sorrindo. Olhando melhor, vi que reconhecia um: era o índio que tinha me jogado.
- Bom dia – disse, saindo da moto e indo na direção deles.
- Cullen? – ele me olhou, confuso.
- Teve recaída, é? – o do lado do Sam falou entre os dentes.
- Não... Só queria pedir permissão de passar o dia aqui, preciso ficar um tempo sozinha. Será que posso ou irão me arremessar daqui também? – Notei que o Sam me olhou, confuso.
- Seu rosto está inchado – ele disse, tocando no meu rosto. Pude sentir como ele era quente.
- Machuquei, posso ficar um pouco por aqui? Prometo não sair dessa praia – disse, afastando-me dele.
- Claro que não! - um deles gritou.
- Paul! Calado! – Sam o recriminou.
- Hum... Paul, é? – disse, indo na direção dele e socando sua cara. Mas, para minha infelicidade, o que doeu foi minha mão, e ele caiu na gargalhada.
- Tá louca, é? – ele perguntou, rindo.
- Não! Queria descontar o que você fez comigo no ano passado – disse massageando minha mão.
- UHAHUHUHAUHAh.... Você pode ficar por aqui, sim – Sam disse, rindo – Afinal, você não é uma deles, certo?
- Sim... Você está certo Sam, não sou uma deles – disse, emburrada.
- Embry, fique com ela. Paul, vamos... Quero falar com os outros para não termos problemas aqui - ele disse, autoritário.
- Quer dar outro soco aqui? – Paul disse, apontando pro queixo – Sabe, está coçando!
- Se alguém me der um bastão de beisebol, eu bato com prazer – disse, rindo.
- Vamos, Paul – Sam disse, entrando na floresta.
- Então, você é quem? – Embry perguntou, indo em minha direção.
Parece que o menino tinha 2,0 metros de altura, e eu 1,50, sendo que tenho 1,70, de tão baixa que me senti ao lado dele.
- – disse, cumprimentando-o e, novamente, senti a uma certa temperatura.
- Você não está com frio, não? – olhei-o, abismada.
- Não! – ele disse, dando de ombros – E você?
- Não – menti.
- Então, o que quer fazer por aqui? – ele sorriu.
- Não sei, irei passar o dia aqui, quero esfriar a cabeça. Acabei de brigar com meu irmão e não tô nem um pouco a fim de voltar – disse, dando de ombros.
- Quer pular? – ele disse, sorrindo.
- Tá louco! Essa altura, eu morro. Aliás, você é um deles? – ele só fez que sim com a cabeça.
- Têm quantos de vocês? – olhei, curiosa.
- Ah! Isso eu não posso responder. Mas vamos pular? Não quer passar o dia se divertindo? – ele disse, divertido.
- Já disse, se pular, eu morro. Não morro pela queda, e sim por não ter fôlego o suficiente para voltar – disse, indo para a beirada e olhando o mar.
- E tá chovendo, a água deve estar fria – analisei.
- Não confia em mim? – ele disse ao meu lado, rindo. Olhei pra cima e sorri.
- Não, não confio em seres que andam em quatro patas e correm atrás de gatos! – zombei.
- Hum, pois deveria – ele disse, rindo.
Ele pegou minha mão e andou uns três passos pra trás comigo. Olhou sorrindo pra mim e correu pro penhasco, me puxando. Meus gritos de protesto foram em vão; em segundos, estava praticamente voando penhasco abaixo. Novamente, senti a adrenalina no meu organismo e o prazer tomou conta de mim. Quando vi que a água estava próxima, juntei meus pés e prendi a respiração, e como imaginava, afundei como pedra. Acho que cheguei a tocar no chão. Dei um impulso e tentei voltar à superfície, quando senti uma mão na minha cintura. Ao olhar, vi Embry me puxando e, em questão de segundos, estávamos na superfície novamente.
- SEU MALUCO! – disse, dando uns tapas no peito dele. - Quer me matar? – disse, recuperando o fôlego.
- Hei, linda, calma! Não foi bom? – ele disse, rindo.
- Pra falar a verdade, foi sim – disse, tentando não sorrir.
- Então, vamos novamente? – ele sorriu.
- Claro! – sorri.
Nadamos juntos para a beira e pulamos mais quatro vezes. Eu estava começando a me divertir, mas meu corpo não acompanhava a diversão. Estava começando a ficar super cansada, com muito frio e sono. A chuva começou a cair mais forte, meu corpo começou a tremer quando saimos da água.
- Hei, você está tremendo de frio – ele disse, tocando em meu rosto e me olhando de um modo estranho.
- Eu tô bem – disse, completamente sem jeito.
- Se você diz que está bem quando seus lábios estão roxos, tudo bem, mas você está com frio, sim – ele disse, abraçando-me forte, e pude senti-lo cheirar meus cabelos.
- Irei embora, meus pais devem estar loucos me procurando – disse, afastando-me dele.
- Hei, posso lhe acompanhar até sua moto? – ele disse, todo sem jeito.
- Embry, não gosto de índio! – disse, rindo.
- Eu não estou dando em cima de você – ele retrucou.
- Não? Esse abraço foi o quê? – disse, erguendo uma das sobrancelhas.
- Você... Está... Hum... Com frio! – ele disse meio sem jeito.
- Escute, mesmo se eu gostar de você, não posso me envolver, tá? Vocês, minha família... Não, ok? Não quero dar falsas esperanças pra você – disse, séria.
- Mas... Mas eu gosto de você – ele disse, parando na minha frente.
- Como é que é isso? Você só me conhece a poucas horas – disse, rindo.
- Quando olhei pra você, senti algo, não sei explicar, mas senti! – ele disse, sincero.
- Bom, desculpe, mas não posso retribuir – disse friamente.
Nesse momento, ele passa suas mãos na minha cintura e me puxa pra cima, encostando seus lábios aos meus. No começo, tentei não retribuir, mas aos poucos, fui cedendo. Meus olhos fecharam-se, minha respiração ficou mais acelerada, acompanhava o ritmo de seus lábios. Nunca senti algo assim beijando o Albert. O beijo dele era quente, macio e doce. Meu coração disparou e, quando percebi, estava com as mãos em volta do pescoço dele, acariciando sua nuca e puxando-o mais pra mim. Dei permissão para a língua dele passar, estava completamente dominada pelo beijo dele. Nesse momento, senti-me cair no chão em cima dele, fazendo voltar à realidade.
- Para! – disse, levantando
- Espere! – ele segurou minha mão.
- Você também sentiu, não sentiu? – ele disse, rindo.
- Não senti nada! Por favor, me solte! – ele me soltou, olhando confuso.
Corri até minha moto dei a partida, saindo em disparada. A chuva estava muito forte, mal consegui enxergar um palmo à minha frente. Senti minhas mãos ficarem dormentes, a chuva caia em mim como facas afiadas e eu ainda estava longe de casa. Diminuí a velocidade por causa da chuva e do frio, parando no encostamento. Fiquei encostada na moto, esperando a chuva diminuir, quando percebi um vulto na floresta.
- Droga! – sibilei.
Subi na moto novamente e dei a partida, mas quando acelerei, a moto não saia do lugar. Olhei pro retrovisor e vi Victória, rindo, segurando a moto.
- Por acaso está tentando fugir de mim, é? – ela disse sarcasticamente.
“Agora sim, estou morta”
- Victória, acho melhor você ir embora, meus irmãos já devem estar chegando, liguei pra eles...- mas ela me interrompeu.
- Perfeito, assim troco você pela queridinha do seu irmão.
- O que você está dizendo? – olhei, assustada.
Um sorriso maroto da vampira foi a última coisa que vi antes da mesma me fazer desmaiar.
Capítulo 15
Estava em um lugar escuro e úmido. Minhas roupas estavam encharcadas, eu estava morrendo de frio e minha cabeça latejava. Olhei em volta e tudo que via era escuridão.
“Mas que droga! Onde estou?”
- Oi? Tem alguém aí? – gritei.
- OIII?!
- Que bom que acordou! – Victória aparece na minha frente, puxando meus cabelos e me arrastando para um corredor iluminado.
- Você irá ligar pro seu papai e dizer que estou com você, e que quero uma troca – ela disse, jogando-me no chão.
Olhei ao redor e vi que estava em uma casa abandonada. Ao olhar para a Victória, ela estava com um olhar assustador.
- Não irei fazer nada, Victória, e com certeza eles já sabem que estou com você – disse entre os dentes.
- Você não disse que queria um trato? Então, cadê sua palavra? – ela zombou.
- Mudei de ideia, você não fez nada para conseguir minha confiança – falei, rindo.
- Não banque uma de espertinha comigo, pirralha – ela puxou meus cabelos e me arrastou até uma sala, que era separada por uma parede de vidro, e nela pude ver que tinham cinco pessoas.
- Está vendo aquelas pessoas ali? – ela disse, empurrando minha cara contra o vidro.
- Sim... Estou – disse, segurando a dor.
- Acabei de transformá-las. E irei colocar você como aperitivo, sabia? – ela disse quase aos sussurros no meu ouvido. – A não ser que você faça exatamente o que eu quero – ela sussurrou.
- Sabia que tenho leucemia? Eles irão odiar meu sangue! - zombei.
Nesse momento, senti-a bater minha cabeça com força no vidro.
- Droga! Por que não me mata logo? – berrei.
- Seria muito fácil! – ela disse, friamente.
- Então, sua vampira estúpida e idiota, me dá logo como aperitivo. Porque não irei fazer nada que você pedir – disse, séria.
- Cadê aquela garota que estava disposta a me ajudar? – ele disse, jogando-me com força no chão.
- Ficou na floresta, depois do tapa que você deu! – zombei.
Senti meu corpo voar e uma forte dor no estômago, e novamente ela me levantou, puxando meus cabelos.
- Estou espantada, ainda não sangrou! Agora, ligue pro seu irmão! – ela disse, pegando um celular e me entregando.
- Ih, Victória! Acho que você me bateu com muita força! Estou com amnésia! – sorri maroto.
Senti como se minha cara tivesse sido quebrada. Cai pra trás, meio que desacordada.
- Ligue ou te mato, agora! – ela rosnou.
- Amnésia – sorri.
- Humana estúpida! Para você ver que sou boazinha, irei te dar duas escolhas. Prefere morrer ou se tornar uma de nós? – ela disse, caminhando até mim.
- Me passe o telefone – disse quase sem voz.
- Boa garota – ela jogou o celular em cima de mim. Peguei e disquei o número do Carlisle, só tocou uma vez.
- Sim? – a voz estava cheia de preocupação
- Pai? Sou eu! – disse, tentando manter a calma e olhando pra Victória.
- Eu disse pra ligar pro Edward! – ela deu um chute no meu estômago.
- Eu... Ia... Pedir... Pra chamá-lo! Sua estúpida – disse, tentando puxar o fôlego.
- Irá se arrepender de ter me desafiado – ela disse, puxando-me pelo pescoço. Nesse momento, enfiei o dedo dos olhos dela, fazendo-a me soltar. Mas quando ia sair correndo pela casa, ela apareceu na minha frente.
“Droga”.
Novamente, ela me pegou pelo pescoço e me jogou, metros longe. Dessa vez bati com a cabeça no chão e senti algo escorrendo da minha testa. Olhei assustada pra ela e a vi entrando em transe por causa do cheiro do meu sangue. Lembrei que na casa tinha mais cinco vampiros recém–nascidos. Olhei em volta e a porta da saída estava a poucos metros de mim, mas meu corpo não me obedecia, não conseguia correr, fiquei imóvel no chão. Fechei os olhos e esperei ser morta.
Senti meu corpo sendo levantado. Abri os olhos e vi Victória a poucos centímetros do meu rosto. Ela respirou fundo e sorriu, inclinando a cabeça na direção do meu pescoço. Nesse instante, pude sentir os lábios frios dela nele, mas algo fê-la parar antes de me morder. Ela respirou fundo novamente e fez uma careta. Olhei confusa para a expressão dela. Foi quando escutei um uivo e, em seguida, ela me jogou no chão.
Segundos depois, entram na casa quatro lobos enormes. Dois deles eu reconheci como sendo Paul e Sam. Um deles parou na minha frente e me fitou por uns segundos. Virou-se e se sentou à minha frente, como fosse um cão de guarda. Foi nesse momento que vi o quanto eu estava machucada, além de estar sangrando, estava com dor pelo corpo inteiro e com muito frio. Escutei vários rosnados vindos de uma sala e o lobo da minha frente levantou, ficando em alerta, com os pêlos do dorso todos arrepiados. Apoiei-me na parede, com a intenção de levantar. Com bastante dificuldade, consegui ficar em pé, e consegui ver alguma coisa. Vi que os lobos estavam cercados pelos vampiros, e Victória estava pronta para atacar o que estava na minha frente. O lobo na minha frente rosnou e mostrou os dentes para a ela, mas isso não a intimidou, e ela pulou em cima dele. Os dois ficaram no chão, rolando. Escutei vários rosnados e latidos. Ao olhar melhor vi, todos os lobos duelando com os vampiros recém-nascidos. Em algum momento, não sei dizer qual, senti meu corpo voar e bater com força na parede. Caí no chão, meu corpo inteiro estava dolorido, minha visão começou a ficar turva e uma sensação de desmaio estava me dominando. Olhei para cima e vi Victória, sorrindo, vindo em minha direção, mas minha visão foi tampada por um lobo enorme. Victória sorriu com a situação, mas ao olhar pra mim, ela parou, e sua expressão mudou completamente. Fiquei confusa, até sentir uma mão gelada em meu ombro.
- Vamos conversar, Victória – a voz do Edward era maliciosa e cheia de ódio.
- Você está bem? – ele sussurrou.
- Venha! Vamos– Alice pegou-me nos braços e saiu correndo comigo. O frio, que era forte, estava mais intenso. Em algum instante, ela parou e me colocou dentro de um carro.
- Onde estou? – disse, um pouco trêmula por causa do frio.
- Segura – Alice disse, cobrindo-me com um casaco.
- Ho! Minha irmã, você está machucada – Alice disse com ternura.
- Eu estou bem, vá ajudar os outros – disse, tentando controlar a voz e a sensação de desmaio.
- Vá ajudar os outros, Alice, deixe que fico com ela – escutei Carlisle falando ao meu lado.
- Pai – disse, aliviada.
- Você me preocupou, filha – ele disse, já me analisando.
- Você está congelando, – foi a última coisa que escutei antes de desmaiar.
~*~
Eu não vi como foi a luta, mas me contaram que, com a ajuda dos lobos, minha família matou Victória e seus novos amigos. Por causa do meu dia em La Push, pulando em água quase congelando, e ainda ficar por horas com roupas molhadas, consegui uma linda pneumonia. Mesmo depois de ter passado várias semanas desde o episódio, ainda não falei novamente com Edward e nem com Bella. Primeiro, porque estava tentando me recuperar da pneumonia, e segundo, eles também não me procuraram.
Sabe de uma coisa que estava me deixando louca? Aquele beijo com o índio. Na hora, menti, dizendo que não tinha sentindo nada, mas o beijo não saia da minha mente e realmente eu sinto algo, sim, mas sou muito teimosa para admitir isso.
As coisas aqui em casa estão tranquilas. Resolvi dar uma folga para meus pais e me comportar melhor. Depois que soube que Bella e Edward vão se casar em agosto, percebi que tinha perdido meu irmão para aquela albina mentirosa. Mas, se meu irmão é cego, não posso fazer nada, senão respeitar a decisão deles. Com isso, tomei uma decisão também, e é por causa disso que estou parada na porta do escritório do meu pai, criando coragem em falar com ele. Respirei fundo, bati duas vezes e esperei.
- Entre – Carlisle disse, rindo.
- Já tomou seu remédio hoje, filha? – ele disse com ternura.
- Sim, pai, mas preciso falar com o senhor – disse, nervosa.
- Quando você vem com essas conversas, sempre não é nada bom – ele disse, dando total atenção pra mim.
- Bom – suspirei - Daqui a uma semana, Isabella e Edward irão se casar, certo? – disse sentando na frente do meu pai.
- Sim, e você irá levar as alianças – ele disse, rindo.
- Já disse que não irei levar nada, mas não é sobre isso que estou querendo falar com o senhor – disse, séria.
- Então? – ele sorriu.
- Pai... Sei que... Bom... Sei que sou um peso pra vocês, sabe? Humana, sendo todos vampiros, e sei que quando Isabella e Edward voltarem da lua de mel, vocês irão transformá-la – disse, olhando pra ele.
- Primeiro! Você nunca foi um peso para nenhum de nós. Segundo, ainda não é certa a transformação de Bella. Mas aonde você quer chegar com essa conversa toda? – ele disse, erguendo uma das sobrancelhas.
- Pai! Todos sabem a neura que a albina tem com a idade, ela está decidida, vocês sabem disso. E pensando nisso, tomei uma decisão. – disse, olhando pro chão.
- Irei morar com minha família biológica, na Europa – falei tão rapidamente que faltou ar.
- Desculpe, não escutei direito – ele disse, caminhando e parando na minha frente.
Nesse momento, escutei a porta se abrir, e Esme parou na minha frente também.
- Também não escutei direito, repete o que você acabou de dizer? – Esme disse num tom furioso.
- Desculpem, mas já tomei essa decisão. Está sendo difícil pra mim, mas pensem comigo, sou humana, Bella será transformada, serei um grande peso pra vocês... Vocês não terão que se preocupar comigo, somente com ela – suspirei - E eu aqui? Com ela recém–nascida, não é muita tentação pra ela, não? Serei um peso na adaptação dela. Sei que estou magoando vocês, eu os amo, vocês sabem disso, mas não quero ocasionar uma desgraça na família. Se Bella me atacar? Rosalie irá me defender, Emmett ficará ao lado dela, Edward ao lado de Bella e a briga está feita. Entendam, é o melhor para todos – disse, segurando o choro.
- Filha! Por favor, não pensei assim, daremos um jeito – Esme disse, me abraçando.
- Você não será um peso, iremos controlar Bella – Carlisle disse, sério.
- Pai... Mãe... Irei pra Europa. Conversei com a Senhora Winter, irei depois do casamento e volto quando tiver formada em medicina. Aí, o senhor terá que cumprir a promessa que me vez – sorri para Carlisle.
- Não filha, daremos um jeito – ele disse com ternura.
- Pai – supliquei – Entenda, Rosalie só quer um motivo de nada para matar a toupeira. Se ao menos ela mencionar que irá me atacar, Rosalie pula em cima dela. E tem outro detalhe, Edward não pode ler seus pensamentos, nunca saberão com antecedência se ela irá me atacar ou não – disse, firme.
- Temos a Alice – Esme disse, séria.
- Mãe, desculpe, mas já tomei minha decisão. Não quero que meus irmãos briguem entre si por minha causa, irei embora depois do casamento – disse, convicta.
- Tem certeza disso? – Carlisle disse sério.
- Não, Carlisle! Não! Não irei permitir – Esme disse aos berros.
- Mãe, por favor, eu ligo todo dia. Vocês podem ir me visitar nas férias ou quando quiserem. Por favor, mãe – disse, abraçando Esme.
- Infelizmente, tenho que concordar com você, filha – A voz do meu pai estava arrasada, mas suave.
- Obrigada, pai – fui até ele e o abracei. Escutei um rosnado de minha mãe, o que me fez olhar assustada pra ela. Ela nunca rosnou antes...
- Mãe? – ela fechou os olhos e saiu correndo da sala.
- Pai? – olhei confuso pra ele.
- Ela te ama, , irei atrás dela – ele disse, beijando minha testa e indo atrás dela.
Saí do escritório com os olhos cheios de lágrimas. Todos tinham saído, estavam resolvendo os últimos assuntos do casamento, e eu estava sozinha na casa. Fui até a varanda e sentei na escada, esperando eles voltarem. Não demorou muito e eles voltaram. Corri até ela e a abracei.
- Desculpe, mãe! Desculpe, mas não fique com raiva de mim, entenda, eu preciso ir – solucei.
- Eu não estou com raiva de você, minha filha, não se preocupe. Só não entendo essa decisão agora, logo agora que estamos tão felizes juntos, todos nós – ela disse suavemente.
- Entenda mãe, eu preciso, Bella vai ser uma de vocês – disse aos sussurros.
- Eu não entendo, mas respeito sua decisão – ela disse, abraçando-me mais forte.
- Mas irei visitá-la todo mês – ela sorriu e beijou minha testa.
- Então? – olhei para os dois.
- Você tem a nossa permissão, mas precisa comunicar para seus irmãos – Carlisle disse calmamente, abraçando-me também.
- Tudo bem – suspirei.
Fiquei na sala, esperando um por um chegar. Os primeiros a chegar foram Emmett e Rosalie. Depois de uma hora, chegaram Alice e Jasper e, uma hora mais tarde, Edward chega com sua noiva. Fiquei o tempo inteiro na sala, olhando fixamente pra TV e ignorando as brincadeiras de Emmett. Não sabia como ia começar, meus pais não paravam de me olhar, mas foi Alice que fez o favor de começar tudo. Ela sentou ao meu lado e me abraçou fortemente.
- Por favor, não vá! – se ela pudesse chorar, estaria em prantos.
Fiquei calada, retribuindo o abraço.
- ! Daremos um jeito, não vá, por favor! – ela suplicou.
- Alice, do que você está falando? – Rosalie olhou, desconfiada.
- está nos deixando – Edward disse, amargamente.
- O quê? – Rosalie me puxou dos braços de Alice e me fez olhar nos olhos dela.
- Você vai pra onde? – ela me olhou, séria.
- Eu – suspirei - Depois do casamento, irei morar na Europa com minha família biológica – disse, segurando o choro. - Eu sei que vocês não querem isso, mas é necessário. Bella vai ser transformada e não quero estar aqui para atrapalhar a adaptação dela – disse tudo rapidamente.
- Edward, Bella, quero, de todo coração, pedir desculpas pra vocês, e que sejam felizes – disse olhando pros dois e, depois, voltei pra Rosalie.
- Rose, me desculpe, mas é necessário. Volto quando me formar, aí tira na sorte quem me transforma – sorri.
- Vocês irão permitir isso? – Rosalie olhou furiosa para meus pais.
- Já até combinei com a Ana – Carlisle disse, calmamente.
- Esme? – Emmett perguntou, furioso também.
- É o que ela quer, não posso fazer nada – ela disse, chateada.
- Vocês estão fazendo-me sentir um lixo. Será que não posso ter o apoio da minha família ao menos uma vez? – as lágrimas, nessa hora, eram inevitáveis.
Olhei pra de cada um e todos desviram os olhares. Era visível como estavam magoados comigo. Respirei fundo e subi pro meu quarto. Se era assim que eles queriam, assim seria.
~*~
Foi a semana mais longa e intensa que passei na minha vida. Cada dia que passava, meu coração ficava mais apertado, não pelo fato do meu irmão estar se casando, mas pelo fato de que, no dia seguinte, iria embora. E ninguém veio falar comigo depois que contei da minha decisão. Até Carlisle só falava comigo o necessário. Se não fosse pela Tânia e as irmãs dela, eu com certeza estaria mais deprimida do que já estou. Só elas conversavam comigo.
O dia do casamento chegara e isso quer dizer que, em poucas horas, irei deixar minha família que sempre amei. Meu coração estava aos pedaços e estava tentando disfarçar o máximo possível essa minha tristeza. Depois de passar o dia vendo todos paparicar a Isabella, arrumei-me com a ajuda de Tânia, e fomos à cerimônia.
O casamento estava sendo o mais próximo da perfeição que você pode imaginar. Tinha que tirar o chapéu para Alice, ela deixou a festa divina. Meu irmão estava tão feliz, e a Bella estava linda. Os votos de casamento foram simples, mas cheios de amor e sinceridade. Logo após a cerimônia, fomos para a festa.
Estava sentada numa mesa meio que escondida das outras, observando a festa. Bella e Edward estavam no centro, dançando a primeira dança. Jasper estava abraçado com Alice, observando a dança do casal. Meus pais faziam a mesma coisa. Emmett e Rosalie estavam dançando também. Sorri pra mim mesma ao perceber que era a última vez que ia ver minha família junta. Suspirei fundo e enxuguei umas lágrimas, que teimavam em cair. Percebi que a música tinha trocado e agora era a vez do pai da Bella dançar com ela. Bati palmas como os outros, mas estava tão distante que nem percebi que o lugar ao meu lado fora ocupado.
- Por que está aqui, sozinha e isolada? – Edward perguntou docilmente.
- A festa é sua, não minha. Quem tem que aproveitar é você – disse, dando os ombros.
- Mas isso não impede de minha irmã caçula favorita se divertir também. Vem, vamos dançar! – ele disse, puxando-me pro meio da pista e me conduzindo, ignorando meus protestos. Já no meio do salão, ele colocou as mãos na minha cintura e começou a dançar comigo.
- Desculpe, – ele disse depois de um giro e eu sabia exatamente do que ele se desculpava.
- Também lhe devo desculpas, não devia ter lhe provocado falando como falei da sua esposa – disse, segurando o choro.
- Por favor, me perdoa, eu deveria ter me controlado, nunca quis lhe agredir – ele suplicou.
- Eu sei Edward, eu sei – disse, soluçando.
- Então, por que não me perdoa? – ele me olhava nos olhos.
- Está perdoado, Edward, há uma semana, quando pedi desculpas pra você e pra Bella – disse, disfarçando.
- ! Te conheço desde quando tinha um dia de vida, sei que está mentindo. Não estou perdoado, eu sei – ele disse, fechando a cara.
- Está perdoado, Edward – sorri.
- Então, por que essa cara? – indagou.
- Só estou – nesse momento, a música acabou.- Bom... Tem que voltar pra Bella. Não se preocupe, Edward, não estou magoada com você. Seja feliz, meu irmão – disse, beijando o rosto dele – Eu te amo, meu irmão, nunca irei lhe esquecer – disse, largando-o e saindo do meio do salão, deixando-o olhar pra mim sem entender muito.
Realmente, não estava magoada com ele, eu estava magoada comigo mesma. Senti um forte aperto no peito ao olhar todos dançando, se divertindo e sorrindo. Era isso que estava deixando pra trás, minha família.
Percebi que ninguém ia dar conta se sumisse. Subi pro meu quarto, não ia deixar minha depressão acabar com a festa de casamento do meu irmão, e parece que deu certo, ou eles notaram que queria fica sozinha, porque ninguém veio atrás de mim. Dei graças a Deus e fui dormir.
~*~
- Eu tenho que ir mãe, é o melhor pra mim e para vocês – falava pela milésima vez.
- Você não precisa ir, podemos dar um jeito – Esme, se pudesse chorar, estaria em brandos agora.
- Mãe, quando Isabella voltar, será uma de vocês. Será difícil pra vocês, só terão que se preocupar com ela, e não comigo – disse calmamente.
- Não precisa ser assim, , você sabe – Alice também, se pudesse, estaria chorando.
- Eu sei, mas como quero seguir os passos do pai, é melhor desde já, né? – pisquei pro Carlisle.
- Vôo 1204 com destino a Alemanha, embarque no portão 4.
- Bom, tenho que ir – falei, abraçando minha mãe.
- Não precisa ser em outro continente – Alice vinha me abraçar.
- Quanto mais longe dela, melhor! – falei rindo – Vocês irão me visitar, não sei por que isso tudo, já não tínhamos chegado num denominador comum?
- Mas você só tem 15 anos – Esme ainda protestava.
- Volto quando tiver 23, aí serei uma de vocês – sorri.
Ao contrário da bocó da Bella, eu não ansiava em ser uma vampira. Já tinha planejado minha vida: iria primeiro acabar a faculdade de medicina, depois, aí sim, pensaria em ser uma deles. Mas não tinha a frescura que Bella tinha em idade, não mesmo. Iria para Europa, estudar. Foi difícil convencê-los a me deixar ir, mas concordaram que seria melhor pra mim. Quando Bella voltasse da lua de mel, iria ser transformada, e eu seria um grande problema, devido a ela ser uma recém-nascida morando conosco.
- Se cuida, nanica – Emmett me abraçou com força.
- Emm, ar... Preciso de ar! – ele me larga, sorrindo.
- Nada de abusar por lá, hein! – Rosalie me abraçava.
- Irei me comportar, prometo – Fui até o Jasper e lhe abracei com força.
- Tchau, irmão – disse, com ternura.
- Quem irei vencer no vídeo game agora? – ele disse, rindo.
- Pai? – virei-me pra ele e o abracei com força.
- Por favor, se cuide! – ele disse, me abraçando.
- Bom, nos veremos daqui a um mês, né? – disse, chorando.
- Sim, iremos lhe visitar todo mês – Esme me abraçou novamente.
- Amo vocês – disse, virando-me e caminhando para o embarque.
No meio do caminho, me virei pra eles e acenei. Meu coração, nesse momento, estava em pedaços. Já sentia falta deles e o choro era inevitável, mas já tinha tomado minha decisão e não voltaria atrás.
“Ultima chamada para o vôo 1204, com destino a Alemanha”.
Corri até onde eles estavam e abracei um por um o mais forte que podia.
- Ainda da tempo de mudar de ideia – Esme disse, abraçando-me.
- Boa tentativa, mãe – disse, enxugando as lágrimas.
- Amo todos – disse antes de sair correndo pro portão.
Ao passar pela porta de embarque, soube que minha vida iria mudar completamente. Sei que estarei deixando pra trás uma família que me ama, mas sei que, se não fizer isso, posso ocasionar mais problemas do que já ocasionei. Será estranho morar com humanos. Hábitos diferentes, morar somente com um irmão e que o mesmo não tem nenhum poder, mas tenho tempo suficiente para me adaptar e, se Bella for controlada, posso voltar o quanto antes. Ao passar esse portão, minha vida mudará para sempre.
Capítulo 16
Depressão! Alguém sabe o conceito de depressão? E arrependimento? Alguém também sabe o significado dessa palavra? Mas é muito tarde para voltar atrás ou chorar o leite derramado, tinha tomado essa decisão e iria sustentá-la.
Três meses tinham se passado desde que resolvi deixar minha família e morar aqui na Europa. Até que a minha família biológica não estavam sendo ruim comigo, ao contrário, estavam fazendo de tudo pra me deixar alegre.
O Jonh é simplesmente um palhaço, brinca com tudo e até me faz rir, às vezes. A Dona Ana está tentando me fazer sentir filha dela, ela tinha que ter pensando nisso antes de me abandonar. Infelizmente, meus pais e ninguém tiveram tempo de vir me visitar, mas ligavam todo dia e passavam horas conversando comigo. Esme tentava, todo dia, me convencer a voltar, e isso já fazia um mês. Nesse mês, ainda não recebi telefonema de ninguém, e estou começando a achar que estão me esquecendo.
Estamos morando numa cidade chamada Bad Tölz, poucos quilômetros de Munich. Isso porque é uma cidade rural, com boas fazendas e, infelizmente, minha mãe biológica é fã dessas coisas. Minha casa fica dentro de uma grande fazenda. Eu tenho que admitir que o local é lindo, mas o ar de fazendeira não cai muito bem em mim, não. Meu irmão é um ótimo peão, se assim posso dizer; ele está me ensinando a montar a cavalo e dar coordenadas aos peões para fazer exatamente o que mandar, porque, segundo ele, se não mandar, eles passam o dia dormindo.
Eu não sabia que eles tinham uma fazenda aqui e nem sabia que eles tinham um bom patrimônio. Para mim, eles só tinham aquela fazenda lá em Cornell, mas até que os Winter têm uma vida tranquila, e a senhora Ana realmente é bem conceituada nesse ramo de genética animal.
Estávamos estudando numa escola em Munich, íamos e voltávamos todo dia. Meus dias estavam passando cada vez mais lentos e a falta dos meus irmãos estava cada vez maior, mas não posso negar que também estou sentindo muita falta daquele índio bonito.
“Perai! Chamei-o de bonito? Meu Deus! O que está acontecendo comigo? ” .
Estávamos em pleno outono e a paisagem estava deslumbrante. Estava parada, sentada no pé de uma árvore, olhando o lago. Esse lago ficava a uns 10 km de minha casa, era um lugar que descobri e adorava ficar horas olhando pro lago e pensando. Tomei mais um gole de um bom vinho que trouxe e nem sabia quanto tempo estava aqui.
- Se nossa mãe lhe pegar bebendo, irá ter um ataque de nervos – Jonh disse, aproximando-se e sentando ao meu lado.
- Sua mãe, Jonh, sua – disse, entregando a garrafa pra ele.
- Quer um gole? Está um pouco frio e é bom pra esquentar – disse, sorrindo.
- Não, obrigado. Já não tinha parado com essas coisas? – ele sorriu.
- Beber um bom vinho nunca é demais, meu irmão, mas o que você quer? – disse, ríspida.
- Credo! Por que não me bate logo? Só vim lhe chamar, está cavalgando o dia inteiro. Não é porque nossa mãe viajou que você pode fazer tudo que der na telha – ele disse, com raiva.
- Primeiro, SUA mãe! Segundo, não preciso de sermão de uma pessoa que nem tem pêlos debaixo dos braços, e terceiro, se quisesse alguém me controlando, teria ficado em Forks – levantei e fui até meu cavalo.
- Hei, ! Não fale assim comigo, desde quando resolveu morar conosco tenho feito de tudo pra nos darmos bem. Desde o momento em que você entrou em casa, temos feito de tudo pra você se sentir bem, e o que recebemos de volta? Sua ignorância? Seu mau-humor, sua falta de educação! Então, me diz, por que resolveu vir morar conosco se não suporta a nossa mãe? Está de olho em quem será o herdeiro de tudo, é? – ele disse, segurando meu braço.
- AUHAUHAUAUHHAA. – gargalhei - Minha família tem mais dinheiro que a sua, não fale besteira, que dinheiro pra mim não é problema! – disse, puxando meu braço e subindo no cavalo.
- Então, volte pra sua família! Porque eu tô de saco cheio de ser seu saco de pancadas particular – ele disse, ríspido.
- Jonh! DANE-SE...– puxei as rédeas e o cavalo saindo em disparada. Cavalguei o mais rápido que pude até a casa, fui ao estábulo e deixei o cavalo lá. Entrei em casa, tirei o chapéu e me joguei bufando no sofá.
- O que aquele moleque pensa que é? – levantei e fui até a cozinha, procurando a governanta.
- Hei, Naya, o que temos para... – Quando entrei na cozinha, meu sorriso foi de orelha a orelha. Não acreditava no que estava vendo, meus pais estavam sentados, conversando com a governanta.
- MÃE! PAI! – corri até eles e os abracei forte.
- Espera aí! Estou com raiva de vocês – disse, afastando-me deles e cruzando os braços.
- HÁ, HÁ – Carlisle riu - Estava com saudade dessa sua cara de birrenta – disse, abraçando-me novamente.
- Mas o que fizemos para despertar a fúria em você, minha filha? – Esme disse, abraçando-me também.
- Estão há um mês sem dar notícias – disse sorrindo.
- Nossa, isso tudo? – Esme disse, me soltando.
Escutei alguém bater na porta com força.
- OLHA AQUI, , SE VOCÊ PENSA QUE IRÁ ME TRATAR COMO... – Jonh entrou, aos berros, bufando de raiva e apontando o dedo pra mim, mas quando ele notou meus pais, ele parou e os encarou.
- Sr. e Sra. Cullen! – disse, cumprimentando-os.
- Oi Jonh, está com raiva? – Carlisle perguntou calmamente.
- Er... Que... Ela! – ele apontou pra mim.
- Ela! – apontou novamente e saiu da cozinha, bufando de raiva.
- Querida, já está testando a paciência do seu irmão, é? – Esme me olhou com aquele olhar reprovador.
- Ah mãe, ele que tá um chato, mas e vocês? Vão ficar quanto tempo? Sabe, posso mostrar a fazenda pra vocês, podemos passear, será que os cavalos deixam vocês montarem neles? – analisei.
- Claro que deixam, senhorita, eles são mansos – Naya respondeu, rindo. Olhei pra ela, sorrindo, e depois para os meus pais.
- Iremos embora hoje mesmo filha, só estamos de passagem – Carlisle, sorrindo.
- Então, não temos tempo a perder – peguei as mãos dos dois e caminhei pra fora da casa. Quando estávamos longe, parei e encarei-os.
- Por quê? – olhei, sério.
- Filha, tenho que tirar uma foto de você, está linda de fazendeira – Carlisle disse, pegando o celular dele e tirando uma foto.
- Pai! Deleta essa foto, se Alice me ver assim, terá um infarto. “Se isso for possível”. Estava cavalgando e não dá pra fazer isso de saia ou vestido, né? – pisquei - Mas, me conte, por que estão só de passagem sendo que faz um mês que não falo com vocês?
- Filha, você tem se alimentado bem? Está tão pálida e magra – Esme disse, tocando na minha testa.
- Mãe! Pai! Parem de fugir do assunto! – recriminei.
- Tá certo... Tá certo... Estamos procurando por amigos que possam nos ajudar – Carlisle disse, caminhando, e eu o segui.
- Então, vieram me buscar também? – disse calmamente.
- Não! Estávamos pertos, na Irlanda, e como sua mãe estava com muita saudade de você, não custava passar aqui – ele sorriu.
- Mas o que esta acontecendo, então? – acompanhava-o.
- Irei lhe contar, mas promete que não fará nenhuma besteira, tá? – ele parou e me encarou.
- Prometo, mas o que foi? – disse, curiosa.
- Bella e Edward tiveram uma filha – olhei-o incrédula e caí na gargalhada.
- Uhahauhah... Filha? Edward? É bem daquele índio! – disse, tentando recuperar o fôlego.
- Filha! Não é, é de seu irmão. Bella teve antes de ser transformada – Carlisle disse, sério.
- Ih, por isso que não posso voltar, é? A albina ficou mais albina ainda – disse, rindo novamente.
- Filha! Quer ou não saber o que está acontecendo? – Carlisle disse, sério.
- Tá, pai, desculpe – disse, segurando o riso.
- Bom, lembra-se da história que lhe contei das crianças vampiras? – ele mantinha o ar de sério.
- Sim, são proibidas, mas e daí? – disse normalmente.
- Daí que os Volturi pensam que a Reneesme é uma criança imortal, e Alice viu-os vindo nos destruir, todos nós. Não iremos duelar com eles, mas argumentar. Estamos buscando testemunhas que possam dizer que a criança cresce e que não é uma imortal – ele disse, explicando.
“Onde aquela idiota estava com a cabeça de colocar esse nome na filha? Coitada, já nasceu traumatizada”
- Levem-me, que testemunho também – disse, séria.
- Não! Para eles, você já é uma de nós, não quero ter que argumentar com eles sobre você – explicou.
- Mas pai, eu os conheci, bom, tinha o quê na época? – pensei.
- Nove – Esme respondeu .
- Exato, nove, e vi que o Aro, Caius e Marcus são vampiros bem legais, o senhor é amigos deles. E me lembro do Aro dizendo que o senhor é amigo deles há séculos – conclui.
- Sim filha, mas a situação é diferente, e nesse dia eu prometi que iria lhe transformar o mais cedo possível. E virem-na como humana, irão ter outro motivo de entrar em guerra conosco. Estou fazendo isso tudo porque não quero guerra – Carlisle disse calmamente.
- Mas e se eles não escutarem vocês? Transforme-me agora que posso lutar com vocês – disse, convicta.
- Depois da faculdade, esqueceu? E eles irão escutar – ele disse, puxando-me e me abraçando.
- Não irei quebrar minha promessa, depois da faculdade, conversamos – ele tocou na minha testa e fez uma careta.
- Você está febril, sabia? – recriminou.
- Deve ser uma gripe boba – sorri.
- Eu avisei para Ana que você tem uma saúde frágil, está tomando vitamina C, ao menos? – ele disse, me olhando preocupado.
- Er... Não – sorriso colgate.
- Filha! – recriminou.
- Ah, pai, para com isso, não sou mais criança – disse, emburrada.
- Pra mim, é! – Esme sorriu.
- Depois que acabar isso tudo, por que você não volta? Bella é bem controlada – ela disse, abraçando-me.
- Isabella, controlada? Sendo que faz semanas que foi transformada? Não, mãe, obrigada. Não esqueci o que Jasper me disse dos recém-nascidos, e sem contar a história de todos vocês – disse, séria.
- Mas filha, ela é diferente, é bem controlada, não é, Carlisle? – ela olhou pro meu pai.
- Sua mãe está dizendo a verdade, ela é bem controlada – ele sorriu.
- Hum... Não sei – pensei.
-Volta, vai – Esme implorou.
- Vamos fazer o seguinte, depois que tudo acabar, eu passo um tempo com vocês, como umas férias. Aí, resolvo se volto ou não, tudo bem?– os dois se olharam e sorriram.
- Feito – Carlisle sorriu.
- Ficam pro jantar? – sorri.
- Não da querida, temos que partir, você passou o dia inteiro fora – Esme sorriu pra mim.
- Vocês estão o dia inteiro aqui? – olhei, desapontada.
- Esperando por você, anda aprontando novamente, é? – Carlisle me olhou, sério.
- Não pai, não estou, só estava cavalgando. Mas vocês já vão partir agora? – disse, desapontada.
- Sim, querida – ele me abraçou e beijou.
- Mãe? – disse, abraçando-a.
- Temos que ir minha filha, mas nas férias você volta, tá? – ela beijou minha testa.
- Tá... Nas férias eu volto – disse rindo.
- O quê? Escutei bem? Você irá voltar? – Esme sorriu.
- Sim – sorri - Passarei as férias com vocês. Mas me liguem a cada 15 dias, tá? Quero saber se ainda estão vivos e, se não ligarem, é por que eles mataram vocês.
- Ninguém irá morrer, mas manteremos contato – Carlisle disse, tocando novamente na minha testa.
- Vá, entre, tome um banho quente e uma vitamina C, não quero você doente – recomendou.
- Tá bom, amo vocês – abracei-os e voltei pra casa.
Entrei na casa, sorrindo de orelha a orelha. Subi correndo a escada, parei na porta do quarto de Jonh e bati.
- Hei, Jonh, posso entrar?
- Vai embora, sua chata – sibilou.
- Vai, Jonh, quero falar contigo, abre a porta, vai – implorei.
- O que você quer, sua mimada? – ele disse, abrindo a porta e me olhando seriamente.
- Quero agradecer tudo que você fez por mim e dizer que estou indo embora – notei o rosto dele mudando completamente, de raiva para decepção.
- Você vai embora? Mas... – ele disse, abaixando a cabeça.
- Peguei você, seu trouxa – disse, cutucando-o, e sai correndo pro andar de baixo. Senti que ele estava correndo atrás de mim e, quando ia chegando perto da sala, ele me derruba e monta em mim.
- Você não presta! Irei acabar com você agora mesmo! – ele disse, bem sério.
- Uiii, que meda! – disse rindo.
- Ei, vocês dois aí, podem parar! – Naya disse, tirando-o de cima de mim.
- Mas que menino mal educado, sua mãe nunca lhe ensinou que nem com uma flor se bate em mulher? – disse, rindo e soltando um beijo pra ele.
Isso o fez correr novamente atrás de mim. Corri pra sala e ele veio atrás de mim, fique atrás do sofá e ele na frente, me encarando. Ia pra esquerda e ele me seguia, ia pra direita e ele me seguia.
- Calma, Jonh! Não vai querer ser bruto com sua única irmã, né? – disse rindo.
- Só irei sossegar quando lhe der um soco! – sibilou.
- Tô morrendo de medo – corri novamente, mas, dessa vez, para fora da casa. Olhei pra trás e ele estava me seguindo. Ficamos nessa por um bom tempo, ele correndo atrás de mim, eu desviando, até me pegar e, finalmente, me dar um cascudo.
- Não precisava dar com força – disse quando estávamos voltando pra casa.
- Não dei com força, e se foi com força, você mereceu – ele disse, rindo.
- Tá doendo – fiz biquinho.
- Foi mal tá, mas você mereceu – ele sorriu.
~*~
Como dois bons irmãos da mesma idade, brigas e discussões no nosso convívio não foi o que faltou. Meus pais, como prometido, não deixaram de me ligar para dar as notícias de como estavam as coisas. Eu comecei a me adaptar muito bem aqui na Alemanha. Na escola, já tinha amigos, e todo final de semana saia com eles; ia pra boates, festas ou simplesmente íamos para os Alpes Suíços, esquiar.
Estava adorando essa vida sem pais, até minha mãe biológica não parava em casa. Vivia viajando e me deixava com a governanta, que nem sabe onde fica a sua frente. E quanto ao Jonh, ele até vai comigo para as festas, mas, segundo ele, pra me vigiar e, às vezes, ele faz isso mesm, quando estou querendo beber alguma coisa ou tomar alguma “parada”, ele sempre aparece na hora e me impede. Estou arrumando tudo pra ir passar o ano novo com minha família. Passei o natal aqui mesmo, mas hoje irei pra Forks passar o ano novo e as férias, sendo que as coisas com os Volturi já foram resolvidas. Só espero não ser devorada pela Isabella, mas, infelizmente, o que está me dando medo é essa minha febre. Ela está insistente e hoje estou com o corpo inteiro doendo, suando frio, olhos lacrimejando e tentando demonstrar que estou bem, para poder viajar.
Viajo em 4 horas, tenho que demonstrar que estou bem. Sentei no sofá com a cabeça pra trás, fechei os olhos e esperei dar a hora de ir para o aeroporto. Acordei com alguém tocando na minha testa.
- Você esta bem, filha? – Ana parecia preocupada.
- Estou sim, mãe – disse de olhos fechados.
“Droga! Chamei-a de mãe”
- Não! Você não está bem, está ardendo em febre, e ainda me chamou de mãe – ela disse, preocupada.
- Eu disse que estou ótima! – abri os olhos e a vi com o telefone em mãos.
- Dr. Cullen? Sim, é a Ana... – houve uma pausa.
- É sobre isso que estou ligando, ela não irá mais, está doente – completou.
- O quê? – pulei do sofá - Irei sim! Passe esse telefone pra cá! – disse, tentando tomar o telefone dela, mas ela saiu de perto de mim.
- Desculpe, mas não irei permitir que ela viaje assim – houve uma pausa - Não Carlisle, eu não irei deixar, ela também é minha filha.
- Já disse que irei! Agora, me passe esse telefone! – Tomei o telefone das mãos dela.
- Pai? Sou eu, pode ir me buscar no aeroporto, sim – disse, convicta.
- ! Se não tiver bem, não precisa vir– ele disse num tom calmo.
- Eu estou ótima! Nos vemos em 24 horas, beijos – disse, desligando o telefone.
- O que a senhora tem na cabeça em não me deixar ir? Eu estou ótima! – sibilei.
- Filha, você está com febre, aliás, ardendo em febre, irá passar mal no avião – ela disse calmamente.
- Eu estou bem, Dona Ana, agora vamos pro aeroporto antes que eu perca o horário – disse, irritada.
- Você é minha filha e você não irá! Está decidido! – ela disse, emburrada.
Respirei fundo três vezes e sorri falsamente.
- Irei chamar um táxi, então – peguei o telefone, mas ela me tomou.
- Você irá me respeitar, mocinha! Você não vai! – ele disse bem séria.
- Estou com a passagem comprada já, meu vôo sai daqui a 2 horas, então não me obrigue a ir e ficar por lá mesmo! – disse, desafiando-a.
- Está dizendo que não irá voltar? – ela me olhou, incrédula.
- Se me obrigar a ir meio que fugindo para o aeroporto, pode ter certeza de que não volto mais! – olhei bem séria pra ela.
- Então, mamãe? – disse, ríspida, e o mamãe meio que cuspindo.
- Você não está sendo justa comigo, só estou preocupada com sua saúde, está com febre – ela disse, preocupada.
- Agradeço sua preocupação, mas meu pai é medico. Lá, faço alguns exames – disse indo pra porta.
- Vai me deixar no aeroporto ou terei que chamar um táxi? – continuei, ríspida.
- Tudo bem, vamos – ela disse, pegando as chaves do carro e caminhando pra fora.
- Tem certeza que não quer ir comigo? – perguntava pela milésima vez pro Jonh.
- Não. Vou ficar por aqui mesmo, irei viajar com a mamãe, iremos pra Sidney – ele sorriu.
- Hum... tá bom, se você quer assim, nos vemos em um mês – disse, abraçando-o.
- Um bom ano novo, hein – sorri.
- Você também, e se cuide – ele me abraçou e depois entregou minha mochila.
- Boa viagem, mana – disse carinhosamente.
- Boas férias lá em Sidney – disse, soltando-o.
- E, Dona Ana? Obrigada e boas férias – disse rindo e a abraçando. Ela beijou minha testa e sorriu.
- Boa viagem, filha, e tome esse remédio, vai fazer sua febre diminuir – ele disse, preocupada.
Depois de duas conexões, mais de 24 horas de viagem e passar mal duas vezes, cheguei ao aeroporto internacional de Seattle. Como não tinha mala, peguei minha mochila e saí logo do avião. Estava que era uma ansiedade só. Saí da sala de desembarque olhando para todos os lados, procurando por eles. Olhava pra direita, esquerda, pra frente e nada. Caminhei uns metros e os vi parados, sorrindo pra mim. Corri até eles e os abracei forte.
- Mãe! Pai – sussurrei.
- Minha linda filha! – Carlisle abraçou-me forte.
- Vem cá, querida – Esme me puxou e abraçou.
- Deixa que levo sua mochila – Carlisle pegou-a e tocou em minha testa.
- Como foi a viagem? Está muito pálida, sabia? E febril! Eu disse pra você não vir – recriminou.
- A viagem foi cansativa e eu tô pálida porque lá está a maior neve, e já tomei remédio! – disse abraçada com a Esme.
- Cadê meus irmãos? – disse, ignorando os olhares de médico dele.
- Ficaram em casa. Vamos, que eles devem estar ansiosos – Esme não me largava um segundo.
No caminho até Forks, conversamos animadamente até a metade do caminho, quando o sono me dominou, e só fui acordada na garagem de casa.
- Chegamos, querida – Esme tocou no meu rosto.
Ao entrar em casa, abraçada com Esme, tomei um baita susto. Alice, como sempre, fez uma recepção pra mim. Tinha faixa na casa com as boas vindas, comida de primeira na mesa, a casa inteira enfeitada com balões brancos e todos estavam na sala, me esperando.
- A festa de ano não é só amanhã? – sorri olhando pra Alice.
- Sim, mas amanhã faço outra – Alice disse, abraçando-me.
- Senti sua falta, sua danada – ela sussurrou.
- Também senti a sua, Alice – disse abraçada com ela.
Depois de Alice, foi a vez de Jasper.
- Quero saber até que altura você irá crescer, parece que está mais alta – ele sorriu.
- Segundo a Dona Ana, todos da família dela são altos, e até ela é alta – sorri pro Jasper.
- Mesmo assim, continua sendo minha nanica! – Emmett me abraçou.
- Será que posso respirar, Emm? – ele deu uma gargalhada e me largou.
- Rose! – Abracei-a com força.
- Você tá linda, – ela disse beijando minha testa.
- Posso nem comentar isso sobre você, como sempre, você que está linda. Aliás, todos né, tinha esquecido como vocês são lindos – sorri pra eles.
- Vem cá! – Edward me puxou e me abraçou com força; eu só fiz retribuir o abraço.
- Oi seria mais apropriado do que me puxar assim – disse, sorrindo.
- Já conhece minha filha? – ele tava um sorriso só.
- Não, acabei de chegar, né! – debochei.
- Bella, vem aqui com a nossa filha – ele disse suavemente.
- É sua mesma, meu irmão? – Nesse momento, todos riram.
- Você ainda não deixou de ser implicante, né? – Edward falou, me dano um cascudo.
Bella, que estava na cozinha, apareceu na sala com a filha nos braços. Tomei um susto ao vê-la, ela estava linda como vampira, até o jeito de andar estava divino. E, quanto a filha deles, não posso negar que não seja do Edward, a menina é a cara dele, sem contar que aquela meia vampira é linda também.
- Tá controlada? – disse, indo pra trás da Rosalie.
- Sim, estou – Bella disse, rindo.
- Mas é melhor manter uma certa distância de você, Bella, com a sorte que você tem! – disse, agarrando na cintura da Rose.
Todos riram e Edward foi pro meu lado.
- Deixa de ser boba, Bella é bem controlada. Vem, irei lhe apresentar minha filha – ele disse, puxando-me da Rosalie.
- Socorro, Rose! Irei ser devorada! – disse rindo e esticando os braços pra ela.
- ! Para! – Edward disse num tom sério, mas sorrindo.
Fiquei horas conversando com todos e brincando com a Reneesme. Até que sentei ao lado de Bella e sorri falsamente. Edward me olhou e balançou a cabeça negativamente.
“O quê? ”
- Vem cá, por que desse nome, tinha outro nome mais feio pra colocar na filha de vocês, não? – disse séria e Bella me olhou bem sério.
- Não acho feio o nome da minha filha, é uma homenagem à sua mãe e à minha - ela disse, rindo.
- Coitada, quando ela tiver mais velha e for pra escola, irão tirar sarro da cara dela. Bom, eu iria! – disse, levantando e dando uns tapas de leve no ombro de Bella. - Por que não colocaram logo nome de Etebalda? ou Chifronesia? Mas Reneesme? Meu Deus! – disse, fazendo uma careta e todos na sala riram alto.
- Eu acho o nome da minha filha bonito, tá! – Bella retrucou.
- , eu também acho, então pode ir parando – Edward me olhou, sério.
- Tá bom... Mas quando ela tiver mais velha e ficar traumatizada pelo nome, depois não venham dizer que não avisei - disse, indo pro lado de Esme e a abraçando.
- Boa noite mãe, irei dormir.
- Já, filha? – ela me olhou, espantada.
- Esse vôo acabou comigo – beijei o rosto dela e subi pro meu quarto.
Ele estava exatamente como eu tinha deixado, mas com uma televisão nova e maior. Tomei um banho bem demorado, deitei na cama e sorri.
- Amanhã irei atrás daquele índio...
Capítulo 17
O dia amanheceu lindo, para os padrões de Forks. Estava nublado, mas não chovia. Tomei um banho rapidamente e desci a escada correndo. Todos estavam na sala conversando ou vendo tv. Abracei-os e fui comer algo. Voltei pra sala e sentei ao lado de Jasper.
- Amanheceu animada, hoje – Jasper sorriu.
- Bom, meu primeiro dia de férias com vocês, né? Não posso amanhecer emburrada – sorri.
- Pai! Posso dar uma volta de moto? Volto pro almoço – disse, virando pra trás e olhando pra ele.
- Acho que vai chover, não quero que pegue um resfriado, você estava com febre ontem – ele disse calmamente.
- Então, me empresta seu carro? – sorri.
- Meu carro? Filha! Não – ele sorriu.
- Então, deixa dar uma volta na minha moto? – sorri.
- Sua moto foi destruída pela Victória, esqueceu? – ele disse, rindo.
- Hum... Jasper, querido! – disse, virando-me pra ele e o abraçando.
- Soube que Edward lhe deu uma moto, meu irmão querido e mais amado! – beijei-o no rosto. Ele me olhou desconfiado e, depois, pro Carlisle.
- A moto é do Edward, , não minha – ele se defendeu.
- Não seja mentiroso, eu sei que ele lhe deu! Vai, só um passeio, volto pro almoço – falei, manhosa.
- Não sei – ele analisou.
- Vai! – beijei-o novamente.
- Tira as mãos dele, – Alice sentou ao lado dele, sorrindo.
- Só uma volta! – sorri.
- Não, – ele disse sério.
- ALICE! LICE! LICE! LICE! Me empresta seu carro, minha irmã mais adorável – sorri.
- Você vai atirar para todos os lados, é? – Rosalie disse, rindo.
- Quero um transporte! Só quero dar uma volta – disse, cruzando os braços.
- Então, pegue o meu, – Bella disse, entrando na casa com Reneesme no colo e Edward do lado.
- Hum? Espera aí – corri até a janela e olhei pro céu.
- Estranho, não está caindo um temporal! – disse rindo.
- Deixa de ser besta, pegue logo antes que mude de ideia – ela sorriu.
- Qual? A Ferrari? – sorri.
- Pode ser, pegue – ela deu de ombros.
- Não! A Ferrari não, pegue a Mercedes – Carlisle disse, sério.
- Mas ela deixou, pai! – fiz biquinho.
- Mas eu não! Se você quiser sair, pegue a Mercedes, antes que mude de ideia e nem deixe você sair – ele disse, sério.
- Tá bom... tá bom – disse, indo até ele e o abraçando.
- E você vai pra onde? – Edward disse sério.
- Irei dar uma volta, volto pro almoço – disse indo pra garagem.
Meu irmão sabia muito bem comprar os carros e essa Mercedes não era como o Porsche ou a Ferrari, mas era tão boa quanto. Pisei fundo, olhei pro painel, esperando encontrar algum botão que indicava que o carro era conversível, e, infelizmente, não era. Abri as janelas e deixei o cheiro de terra molhada entrar no carro. Estava até com saudade desse cheiro. Em pouco tempo, cheguei a La Push. Parei o carro e olhei para os lados.
- Onde irei achá-lo? – Saí do carro e encostei-me ao capô. Fiquei algum tempo assim, esperando que alguém chegasse, mas nada. Depois de uma hora, resolvi ir embora. Quando dei a partida no carro, o vi caminhando em minha direção junto de mais três amigos. Saí do carro, rindo. Eu estava tendo uma visão do paraíso. Ele estava sem camisa, conversando animadamente com os amigos.
“Meu Deus, que corpo! ”
- Hei, índio! – acenei pra ele vir até mim.
Ele me olhou desconfiado, mas sorriu e caminhou lentamente até o carro. Os amigos dele ficaram parados uns 10 metros de distância.
- O que você está fazendo aqui? – ele me olhou, confuso.
- Estou de passagem, quer dar uma volta? – disse, apontando pro carro.
- Dar uma volta? – ele continuava olhando, desconfiado.
- Sim... Vamos? – sorri.
Ele me olhou, depois olhou para os amigos.
- Tudo bem, vamos – ele disse, colocando a camisa.
“Ah, que pena”
- Perfeito – sorri e entrei no carro. Ele deu a volta e entrou também. Dei a partida e, quando ia saindo, um dos amigos dele correu até o carro e ficou na nossa frente.
- Pra onde você vai, e com ela ainda? – ele disse bem sério.
- Irei dar uma volta, Seth, volto logo – ele disse, rindo.
Acenei pro tal de Seth e saí cantando pneu e rindo.
- Pra que isso tudo? – indagou.
- Isso tudo o quê? – disse sem tirar os olhos da estrada.
- Sair desse jeito – ele disse, sério.
- Soltei a embreagem muito rápido – sorri.
- Pra onde vamos? – disse, curioso.
- Não sei – disse dando de ombros.
- O que você quer comigo? – ele disse um pouco ríspido.
- Também não sei – sorri.
- Você está brincando comigo, é? – ele disse, ríspido.
Olhei pra ele e encostei o carro
- Chegamos! - disse séria, saindo carro, e olhei para os lados. Estávamos na praia grande, uma praia fora dos limites de La Push. Fui até uma árvore e sentei ao pé dela.
- Por que você me trouxe aqui? – ele parou na minha frente.
- Porque eu quis! Mas se quiser ir embora, vai correndo – disse sem olhar pra ele.
- Não quero ir embora – ele disse, sentando-se ao meu lado.- Por que voltou? Falaram que tinha ido embora, e você nem veio se despedir de mim. Agora aparece do nada e quer falar comigo, pensa que sou quem? – ele disse, irritado.
- Ah, cala a boca! – disse, puxando-o e beijando-o.
Foi um beijo ardente, cheio de desejo, e quanto mais o puxava pra perto de mim, mais ele me beijava. Senti suas mãos passando pelas minha costas e subindo pra minha nuca. Passei meus braços ao redor do pescoço dele e bagunçava cada vez mais os seus cabelos. Quando estava acabando meu ar, eu o soltei e olhei para os olhos dele. Olhos castanhos claros. Fitei-o melhor, não sei se era porque estava apaixonada, mas aquele índio era bonito. A pele limpa, olhos encantadores e o corpo... O corpo! Ombros largos, braços musculosos. Passei minhas mãos no peito dele, traçando uma linha, e sorri. Senti que tinha um peitoral bem formado.
- Pare, Cullen! – ele disse, segurando minhas mãos.
- Por quê? – sorri maroto.
- Porque está me deixando louco! – ele sorriu.
- Ótimo! - disse, dando outro beijo nele. Mais uma vez, deixei a emoção me levar, estava em mais um beijo ardente.
- Ufa! Nesse fiquei sem fôlego – disse rindo e olhando pra ele.
- Você realmente me deixa louco – ele disse, ajeitando meu cabelo.
- Desculpe ter viajado, mas precisava – olhei em seus olhos.
- Mas você voltou, não voltou? Isso que importa – sussurrou.
- Voltei – disse, meio sem jeito.
“Por enquanto”
- Então? O que você fez durante esses quatro meses que estive fora? – disse, deitando no chão e apoiando minha cabeça nas pernas dele.
- Fiquei imaginando como você estava. Se estava com outra pessoa, se gostava de mim... – ele ficou mexendo nos meus cabelos.
- Eu não sei como lhe dizer isso, mas eu gosto de você, não sei como, mas gosto, mesmo sendo o que você é – disse olhando pra ele e segurando sua mão.
- O quê? Que tem demais ser o que sou? – ele me olhou, sério.
- Embry! Você é um lobisomem, e eu fui criada por vampiros. Vampiro, lobisomem, inimigos, e estou indo contra todos e tudo para ficar com você. Eu sou uma Cullen – olhei pra ele.
- Você não é uma Cullen, você é HUMANA, e eles são... são...
- Não ouse falar mal da minha família, e tem mais, se gosta de mim realmente, terá que se acostumar com eles, porque serei uma deles! – quando eu disse isso, ele se levantou rapidamente, fazendo-me bater a cabeça no chão.
- Hei! Avisa que vai levantar, tá? – disse, emburrada.
- O que você acabou de dizer? Vai se transformar num frio, é? – ele disse, incrédulo.
- Sim, mas não agora, só quando terminar a faculdade – disse normalmente.
- Você não vai, não deixarei isso acontecer, não sou o Jacob! – ele disse, emburrado.
- Hei, índio! Eu só tenho 15 anos, tenho uma vida inteira pela frente e você não é nada meu pra dizer o que devo ou não fazer! – disse, levantando e encarando-o.
- Eu sou seu namorado! – esbravejou.
- Namorado? Eu não namoro um índio! – retruquei.
- Namora sim! Senão, não tinha nem vindo me buscar! – disse, raivoso.
- Eu gosto de você! Estou, er... só ficando contigo! – sorri.
- Só ficando, é? Então, por hoje chega! – ele disse com raiva e, em questão de segundo, ele se transformou, na minha frente, e virou um lobo enorme. Fiquei encarando-o por um tempo, até ele sair correndo.
- Cachorro estúpido! – gritei antes de ele sumir na floresta.
Entrei no carro e voltei pra casa. Quando estava subindo pro meu quarto, Rosalie me parou.
- Por acaso o Jacob está la fora? – ela fez uma careta.
- Não – disse seca.
- Você estava com quem? – ela me cheirou.
- Estava passeando, Rose! – disse, empurrando-a e subindo a escada.
- Você estava com um cachorro? – indagou.
- Estava Rose, estava! Agora, me deixe ir tomar banho, tá! Quero tirar esse fedor! – disse, emburrada.
- Você sente o cheiro? – ela me olhou, espantada.
- Não, mas pela sua cara, estou fedendo. Posso? – disse normalmente.
- Vá e depois queime essa roupa – ela sorriu.
Fiz exatamente o que ela mandou, tomei um banho bem demorado e depois queimei minha roupa. Fui até a garagem e taquei perfume no carro da Bella. Voltei e fui almoçar algo. Depois de almoçar, ajudei a Alice a ajeitar a casa para a ceia. Íamos ter visitas, o pai de Bella viria ceiar conosco, e parece que Jacob, com o pai dele, também, e mais outros convidados de Bella.
- Toque aqui, parceira – Alice disse, cumprimentando-me. Sorri e cumprimentei-a.
- Hei, ! – quando olhei pro Emmett, ele jogou uma bexiga em mim, cheia de água.
- Mas? Tá louco, é? – olhei pra ele, com raiva.
- Você tá fedendo, vai tomar outro banho! – ele sorriu.
- Eu não tô fedendo, já tomei um banho! – retruquei.
- Tá fedendo a cachorro molhado agora, vai! – ele disse, rindo.
- Só não irei lhe dar um murro porque é mais velho, e respeito os mais velhos! – disse, passando por ele.
- Emmett, para de perturbá-la – Alice disse, me passando uma toalha.
- Eu tô fedendo, Alice? – indaguei.
- Não... É frescura dele – ela olhou pro Emmett.
- Ela tava com febre ontem, Emmett, e você vem com essa brincadeira? – sibilou.
- Rose me disse, quando ela chegou, o cheiro que ela estava. Se eu pegar você com um cachorro, irei matá-lo e lhe dar uma surra, ouviu? – Emmett disse bem sério, nunca tinha visto-o assim, mas ele não tem direito nenhum de falar assim.
- Emmett, vai se FU...
- ! – Alice disse, tapando minha boca. Tirei a mão dela da minha boca e subi pro meu quarto, troquei de roupa e me joguei na cama.
- Mas que droga, quando ele vai parar com isso! Não sou mais criança – esbravejei comigo mesma.
- Posso entrar? - Alice disse abrindo a porta devagar, enquanto eu sentava na cama
- Já está dentro! – disse emburrada. Ela sorriu e sentou na beira da cama.
- Você está apaixonada, né? – ela disse rindo.
Olhei pra ela e me joguei pra trás, na cama.
- Ele é lindo, Alice! – disse quase que suspirando.
- Sabia! Você não me engana! Vai me dizer quem é? – ela estava deslumbrante.
- Não sei se devo contar – sussurrei.
- Conta pra mim! – suplicou.
- Não sei, Alice, não sei. Já está difícil esconder isso do Edward, se eu contar pra você ele vai ouvir e vai contar pra pai, pro Emmett... aí já viu – disse, sentando na cama.
- Eu ajudo! Prometo! – ela disse rindo.
- Tá, irei contar, ele é um dos garotos de La Push – suspirei.
- Qual? Conheço? – ela disse, séria.
- Não sei se você o conhece, mas o nome dele é Embry – respondi.
- Ele é? – ela disse levantando uma das sobrancelhas.
- Sim, é um deles – abaixei a cabeça.
- Ah, ! Quando não é oito, é oitenta, hein! Você pirou, foi? – ela disse séria.
- Não Alice, eu só me apaixonei pela pessoa errada! – disse, deitando-me e apoiando a cabeça nas pernas dela. - Não sei o que aconteceu, Alice, sabe do dia que Edward me bateu? – disse olhando pra ela.
- Sim, sei... – ele disse, passando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
- Então, foi nesse dia que o vi pela primeira vez, ficamos juntos o dia inteiro e ele me conquistou. E hoje... Ah, Alice, hoje dei um senhor beijo nele – disse rindo.
- Sua danadinha! – ela sorriu e deu um tapa de leve no ombro.
- Agora, mocinha, o que iremos fazer pra contar pros outros? – ela sorriu.
- Não sei, mas não se preocupe, daqui a um mês irei embora – suspirei.
- Você não irá ficar? – ela disse, me olhando desapontada.
- Não, mais do que nunca, agora tenho que me distanciar. Imagina o que irá acontecer se isso ficar mais sério? Não quero desapontar mais ainda vocês – suspirei. - E hoje brigamos, acho que ele nem quer mais olhar na minha cara – disse, desapontada.
- Nossa! Já brigaram! Que amor, hein! – ela disse rindo.
- É... como vocês dizem, esse lobos são instáveis! – sorri forçado.
Ficamos por um bom tempo conversando sobre o que iria fazer, Alice dando conselhos é muito engraçado, ao menos pra mim. Depois de conversamos quase a tarde inteira, eu dormi um pouco, ainda estava me recuperando das 24 horas de viagem e da febre. Acordei por volta das 21 horas com alguém batendo na minha porta.
- Vamos, vai se arrumar! Separei seu vestido – Alice disse parada na porta, sorrindo pra mim.
- Não posso dormir um pouco mais? – disse esfregando os olhos.
- Os convidados chegam daqui a pouco e você dormindo? Vai logo, lhe espero lá embaixo – ela disse saindo e fechando a porta.
Tomei um banho bem demorado para despertar e me senti melhor. Fui até o closet e quase morri de tanto rir, Alice separou um vestido que meu pai nunca iria deixar usar, era bem curto, com as costas nuas e, na frente, um detalhe em V que deixava minha barriga à mostra, de cor vinho e com certeza ficaria colado em mim.
- Não irei vestir esse pedaço de pano! – falei um pouco alto; em segundos ela aparece na porta.
- Por que não? – indagou.
- Papai nunca vai me deixar usar isso, irá mandar trocar de roupa. Até parece que você não conhece ele – disse com as mãos na cintura.
- Vai sim, veste logo! Os convidados já chegaram, vai logo! – ela sorriu.
Vesti o vestido, olhei no espelho e sorri “até que não ficou ruim”, uma escova básica no cabelo, uma maquiagem e pronto, estou linda! Sorri pra mim mesma e desci. Quando olhei pra sala, já estavam o pai de Bella, o Jacob, o pai dele, o tal de Seth e Embry...
“Hã? O que ele tá fazendo aqui? ”.
Caminhei até eles e cumprimentei cada um; notei que o Embry não tirava os olhos de mim, o mesmo que Edward fazia. Disfarcei e fui pro lado de Carlisle.
- Foi Alice que me obrigou a usar o vestido, pai – me desculpei.
- Tudo bem, você está linda – ele disse sorrindo.
Fui até a mesa e peguei um pouco de vinho.
- Hei... não exagere, hein! – Carlisle me olhou, recriminando.
- Não se preocupe, pai – sorri.
Peguei uma taça e fui pra onde estava o pai de Bella e Emmett conversando. Eles não paravam de falar sobre jogos, revirei os olhos e fui novamente à mesa e enchi minha taça.
- Você está muito bonita, sabia? – Embry disse ao meu lado, pegando um pouco de bebida também.
- Obrigada! – disse um pouco ríspida.
- , vem aqui, por favor – Edward disse, sentado no sofá.
- Da licença – nem olhei pro Embry e fui até onde o Edward estava.
- Sim? – disse assim que cheguei.
- Onde você estava hoje de manhã? – ele disse erguendo uma das sobrancelhas.
- Tá escutando o pensamento dele, é? – olhei sério pra ele.
- Não tem como não escutar, ele está gritando! Vai trocar de roupa, senão acabarei dando uns tapas nele! – sibilou.
- Ha, Ed... me desculpe, mas não irei trocar de roupa, não. Se eu subir pro meu quarto, não desço mais – falei séria.
- Tudo bem, mas mande esse seu amigo, controlar seus pensamentos – ele disse sério.
Caminhei até onde o Embry estava, peguei na mão dele e o puxei pra fora de casa.
- Primeiro, o que você está fazendo aqui? Segundo, controle seus pensamentos perto do meu irmão, e terceiro, vai embora! – disse parando e antes que ele abrisse a boca.
- Oi para você também – ele disse sorrindo.- Eu estou aqui porque fui convidado; segundo, eu penso o que quero; e terceiro, tem certeza que quer que vá? – ele sorriu e me abraçou.
- Tá louco! Me solte – disse, empurrando-o.
- Solto sim, mas depois disso – ele dá um beijo em mim. Um beijo demorado onde esqueci completamente o lugar que estava. Fechei os olhos e retribuí o beijo, senti as mãos dele descendo nas minhas costas.
- CULLEN! – abri os olhos e afastei-o o mais rápido que pude. Olhei e vi Edward parado na porta, de braços cruzados.
- Não quer que conte que estamos namorando? – Embry sussurrou no meu ouvido.
- Não estamos namorando! – disse ríspida.
- Vem aqui, , agora! – Edward parecia uma estátua na porta.
- Tô indo... – olhei pro Embry.
- Vai embora, vai – sussurrei.
- Não mesmo, só irei depois de 00:00hrs – ele sorriu.
“Perfeito... vai ser a noite mais longa da minha vida”
Capítulo 18
Caminhei lentamente pra porta e encarei o Edward, ele só fez apontar e eu entrei em casa. Ao olhar pra sala, vi Emmett e Jasper me olhando seriamente.
- Escritório, agora – Edward sussurrou no meu ouvido, revirei os olhos e fui até o escritório. Segundos depois, Edward entra e fecha a porta.
- Explicações, agora! – sibilou.
- Não tem o que explicar, meu irmão, aconteceu! – disse dando os ombros.
- Como não tem o que explicar? – esbravejou - Você se agarrando com aquele cachorro! Sabe que tive que ir correndo antes do Emmett? Ele ia matar seu amiguinho e lhe dar uma surra, aliás, ele ainda está pensando nisso!
- Ed! Aconteceu, tá? Envolvi-me com ele, mas não é nada sério, não se preocupe – sussurrei.
- Sério? ! Eu estou lendo aquele menino à noite inteira, ele não para de pensar no passeio de vocês hoje de manhã e está pensando em como lhe tirar daqui, e ainda pensa em coisas que não devo falar agora! – ele me olhava emburrado.
- Meu irmão, relaxa! Nada de ciúme – disse dando umas tapinhas no ombro dele. - Sei me cuidar! O que irei lhe dizer agora eu já disse pra ele, só estamos ficando! – sorri.
- Por tudo quando é sagrado, menina! Toma jeito! – sibilou.
- Não se preocupe, em um mês irei embora! – disse indo na direção da porta, mas ele me para no caminho.
- Se você gosta desse garoto, fique longe dele, não irei segurar o Emmett e Carlisle – avisou.
- Papai viu também? – olhei assustada.
- E ouviu também! Agora, fique longe dele, tá bom? – sussurrou.
- Tá, Ed... tá! Posso voltar pra festa? – suspirei.
- Pode, mas ficarei o tempo inteiro de olho em você! – alertou.
- Tá, papai! – disse antes de sair e escutei um rosnado dele.
“relaxa, rapaz”
Olhei pro relógio e ainda marcava 22 horas, fui pro lado de Alice e sorri.
- Me ajude com isso? – supliquei.
- Tentarei, mas você sabe como eles são – ela sussurrou.
Dei um beijo no rosto dela e fui para mesa, pegar outra taça de vinho. Enchi a taça e tomei tudo quase com um gole e enchi novamente, fui pro lado de Bella e sorri.
- Eu estou contando, são 5 taças – ela me olhou, recriminando.
- Ah, Isabella, até você não, né! – disse, tomando outro gole.
- Ela está certa, chega de beber! Ainda mais que você está de barriga vazia, bebendo, o efeito será mais rápido e pior – Edward disse sentando do lado dela e tomando meu copo. Suspirei fundo e fui pegar outro copo.
Olhei em volta e vi que todos os convidados estavam se divertindo e minha família também, fora o fato de eu estar sendo vigiada agora. Sequei meu copo e novamente o enchi; caminhei lentamente até Carlisle e o abracei.
- Chateado comigo? – sorri pra ele.
- Um pouco – ele disse tomando o copo da minha mão. - Chega, tá? Você já está um pouco alegre – ele sorriu.
- Desculpe, então? – continuei abraçada com ele.
- Vocês são namorados ou o quê? – ele me olhava sério.
- Acho que é ou o quê – sorri e beijei o rosto dele.
- Ele é quente, pai! – suspirei e ele me olhou feio.
-AH! Você bebeu demais! – ele disse, guiando-me até o sofá, me fazendo sentar.
- Eu tô bem, pai, é sério! – disse sorrindo.
- Não tá, não! Nunca ia dizer o que me disse se estivesse sóbria. Agora chega de beber – ele disse sério.
- Tá bom! – continuei sorrindo. Olhei pro Edward e sorri.
- Hei, Ed, vamos tocar alguma coisa? – sorri.
- Não sei, me parece que você virou roqueira! – ele sorriu.
- Tocamos algumas músicas que você gosta e depois tocamos as minhas, o que você acha? – continuei rindo.
- Não ... fica pra próxima, tá? – ele disse, beijando meu rosto.
- Tudo bem, irei colocar alguma coisa pra tocar – sorri e subi pro meu quarto, peguei alguns CDs e desci, coloquei no som aleatoriamente cinco CDs e coloquei pra tocar, aleatório.
A primeira música a tocar foi um rock metal pesada, Edward olhou pra mim me fuzilando. Sorri e levantei a mão com o polegar, indicador e mindinho levantado e ainda dei a língua pra ele. Depois de irritá-lo, troquei o cd, sabia que ele odiava essas músicas, mas eu queria me divertir essa noite...
Embry's POV
Deus, como ela estava bonita, eu nunca acreditei nesse negócio de impressão, mas isso me pegou de cheio. Não sei se funciona com todo mundo, mas eu estou loucamente apaixonado por essa mimada. Acho que apaixonado é uma expressão completamente errada! Eu estou amando-a. Sei que estou amando, porque não é fácil ficar numa casa cheio de vampiros, o cheiro está me enjoando e estou me controlando a noite inteira para não pular no pescoço de algum deles, especialmente do Edward que interrompeu nosso beijo e ainda está a seguindo pra onde ela ia.
Estou observando-a ao lado do som, ora olha pra capa de um cd e coloca, ora pega outro e coloca, ela é uma graça, tenho certeza que está colocando esses CDs só pra irritar o Edward, porque a cada troca de cd ela sorri e ele fecha a cara. Uma coisa ainda me incomoda, eu sei o que sinto por ela, mas ela sente o mesmo comigo? Hoje de manhã ela foi clara em dizer que está só “ficando”, eu não quero isso, quero algo sério! Será que o Sam e o Paul estão certos? Ela é muito mimada e não leva nada a sério?
Então, ela deixou tocar uma música que estava refletindo o que senti quando descobri que ela tinha ido embora.
(A música é Bleeding Heart – Angra - Coração Sangrando)
Now I know that the end comes
Agora eu sei que o fim chega
You knew since the beginning
Você sabia desde o começo
Didn't want to believe it's true
Não queria acreditar que era verdade
You are alone again, my soul will be with you
Você está sozinha outra vez, Minha alma estará com você
Why is the clock even running
Por que o relógio ainda está correndo
If my world isn't turning?
Se meu mundo não está mais girando?
Hear your voice in the doorway wind
Ouço sua voz pelo vento na porta
You are alone again I'm only waiting
Você está sozinha de novo, Eu estou só esperando
You tear into pieces my heart
Você despedaça meu coração
Before you leave with no repentance
Antes de ir sem arrependimentos
I cried to you, my tears turning into blood
Eu chorei por você, minhas lágrimas virando sangue
I'm ready to surrender
Estou pronto para me render
You say that I take it too hard
Você diz que eu levo isso muito a sério
And all I ask is comprehension
E tudo que eu peço é compreensão
Bring back to you a piece of my broken heart
Trago de volta pra você um pedaço do meu coração despedaçado
I'm ready to surrender
Estou pronto para me render
I remember the moments
Eu me lembro dos momentos
Life was short for the romance
A vida foi curta pro romance
Like a rose it will fade away
Como uma rosa isso irá desaparecer
I'm leaving everything
Eu estou deixando tudo
No regrets, war is over
Sem arrependimentos, a guerra acabouThe return of a soldier
O retorno de um soldado
Put my hands on my bleeding heart
Ponha minhas mãos no meu coração sangrando
I'm leaving all behind
Eu estou deixando tudo pra trás
No longer waiting
Sem mais esperas
You tear into pieces my heart
Você despedaça meu coração
Before you leave with no repentance
Antes de ir sem arrependimentos
I cried to you, my tears turning into blood
Eu chorei por você, minhas lágrimas virando sangue
I'm ready to surrender
Estou pronto para me render
You say that I take it too hard
Você diz que eu levo isso muito a sério
And all I ask is comprehension
E tudo que eu peço é compreensão
Bring back to you a piece of my broken heart
Trago de volta pra você um pedaço do meu coração despedaçado
I'm ready to surrender
Estou pronto para me render
I've waited for so long!
Eu esperei por tanto tempo!
Olhei pra ela sorrindo e ela retribuir o olhar, essa música mexeu comigo. Eu esperei por tanto tempo mesmo! Não me importa o que eles irão fazer comigo, mas não irei esperar mais. Aproximei-me dela, tomei o copo da mão dela, deixei na mesa e falei em seu ouvido.
- Quer dançar a próxima comigo, ? – Disse segurando a mão dela.
Ela me olhou um pouco preocupada, olhou para os irmãos, mas sorriu.
- Tudo bem. Qual você quer dançar? Posso mudar o cd – ela disse indo na direção do som, mas, no meio do caminho, eu a parei.
- Deixe tocar qualquer uma – sorri.
- Bom! Eu coloquei uns cds aí que não é nada interessante dançar junto! – ela deu um lindo sorriso.
- É qual? – disse passando meus braços ao redor da cintura dela e a puxando pra ficar mais perto de mim.
- Metalica, Mothorhead, Sepultura – ela sorriu.
- Nossa! Você é uma roqueira de primeira, hein! – disse olhando nos olhos dela.
- Mais ou menos, eu gosto de algumas músicas, mas eu coloquei mais pra irritar o Edward, ele só gosta de música clássica – ela sorriu. - Eu até gosto, mas enjoei – ela disse sorrindo pra mim e isso me fez o homem mais feliz do mundo.
Notei o pai dela e os irmãos me olhando com a cara mais feia do mundo, mas estava disposto a enfrentar todos para ficar com ela. Fechei os olhos, puxei-a pra mais perto de mim e sorri. Senti ela encostando a cabeça no meu peito, abri novamente os olhos e olhei pra ela, ignorando os rosnados e olhares reprovadores dos irmãos dela.
( A música que eles estão dançando é So Close, Jon McLaughlin - Tão Perto)
You're in my arms
Você está em meus braços
And all the world is calm
E o mundo todo está calmo
The music playing on for only two
A música está tocando apenas para nós dois
So close together
Tão perto juntos
And when I'm with you
E quando estou com você
So close to feeling alive
Tão perto de me sentir vivo
- Sabe, , eu estou me sentindo tão bem aqui com você. Eu senti tanto a sua falta quando foi embora – sussurrei em seu ouvido.
- Nós nem nos conhecíamos, como sentiu minha falta? – ela olhava nos meus olhos.
A life goes by
A vida passa
Romantic dreams will stop
Sonhos românticos irão parar
So I bid mine goodbye and never knew
Então eu digo meu adeus e nunca saberei
So close was waiting, waiting here with you
Tão perto eu estava esperando, esperando aqui com você
And now forever I know
E agora para sempre eu sei
All that I wanted to hold you
Tudo o que eu queria era te abraçar
So close
Tão perto
- Eu me apaixonei logo que coloquei meus olhos em você – disse, beijando o pescoço dela.
- Embry, eu...
- Shiii... deixe-me falar – sussurrei
So close to reaching that famous happy end
Tão perto de alcançar aquele famoso final feliz
Almost believing this was not pretend
Quase acreditando que isso não é mentira
Now you're beside me and look how far we’ve come
Agora você está ao meu lado e veja como chegamos longe
So far we are so close
Tão longe estamos...tão perto
- Posso fazer você feliz. Só estando assim com você está me fazendo o homem mais feliz do mundo, eu enfrento seus irmãos, enfrento meu bando, enfrento quem for, mas eu amo você, , estou abrindo meu coração pra você – continuei dançando lentamente com ela.
Olhei em seus olhos e vi o conflito em que ela estava. Estava ansioso pela resposta dela, mas sorri mesmo assim.
- Embry, você sabe que isso é complicado, meus irmãos... meu pai... minha mãe... nunca irão aceitar – sussurrou.
How could I face the faceless days
Como eu poderia enfrentar os dias
If I should lose you now?
Se eu devo te perder agora?
We're so close
Nós estamos tão perto
To reaching that famous happy end
De alcançar aquele famoso final feliz
Almost believing this was not pretend
Quase acreditando que isso não é mentira
Let's go on dreaming for we know we are
Vamos sonhar para saber onde estamos
So close
Tão perto
So close
Tão perto...
And still so far
E ainda assim tão longe
- Por favor, ao menos me dê uma chance, ao menos deixe-me tentar lhe fazer feliz, namora comigo, vai! – Supliquei.
- Eu não posso aceitar – ela disse olhando pro chão.
- Por favor, ... por favor! Dê uma chance – reparei que ela ficou uns minutos olhando pros meus olhos.
- Você não tem que pedir pra mim, e sim pro meu pai. Se ele deixar, namoramos – ela sorriu e eu a acompanhei.
's POV
O que esse índio estava dizendo? Ele está apaixonado por mim? Meu Deus! Meus irmãos irão me matar, meu pai irá enfartar! Bom, se fosse possível, mas com certeza ia!
E agora? O que eu faço? Se eu disser que sim, irá ter briga aqui em casa, e temos visitas que não sabem o que eles são. Ai! Estou perdida. Talvez, se dificultasse pra ele, ele muda de ideia.
- Você não tem que pedir pra mim, e sim pro meu pai. Se ele deixar, namorados – sorri o mais forçado possível, acho que ele não terá coragem, assim me livro dele. Não que não goste dele, mas não quero minha família com raiva de mim porque estou namorando o inimigo deles.
- Tudo bem, vamos lá – ele disse me soltando e pegando na minha mão.
- Vamos pra onde? – olhei assustada.
- Falar com seu pai e sua mãe – ele disse calmamente e me guiou até onde eles estavam.
Olhei discretamente para os meus irmãos e Edward estava soltando fumaça pela cabeça, Emmett estava socando uma mão na outra, Jasper sempre sério, Alice sorria que era uma maravilha, Rosalie estava séria também e Bella também sorria. Paramos na frente do meu pai olhei pra ele, e ele estava mais sério que nunca. Esme estava ao lado dele, sorrindo. Suspirei e abaixei a cabeça.
- Sr. Cullen – ele disse cumprimentando meu pai.
- Sra. Cullen – continuou .
- Oi, Embry – minha mãe sempre educada.
- Bom, eu queria falar com vocês sobre sua filha, podemos? – ele estava bem sério; olhei pro meu pai e ele estava com uma expressão que a qualquer momento ia pular no pescoço do Embry .
- Sim... fale! – Carlisle disse um pouco ríspido.
“nossa, meu pai está com raiva”
- Irei logo ao ponto... estou apaixonado por sua filha e estou aqui na sua frente para pedir permissão de namorá-la – ele disse bem calmamente.
Olhei pro meu pai e ele fechou os punhos e olhou seriamente pra mim.
- O que você acha disso tudo, ? – ele disse, sério.
- Eu? Pai, é o senhor que decide... eu gosto do Embry – disse um pouco envergonhada; notei o Embry dando um sorriso. - Se o senhor não permitir, não irei criticar sua decisão – disse, olhando pro chão.
- Deixe, Carlisle, eles fazem um casal tão bonito – a voz de sininho da Alice me fez levantar o olhar.
- Casal bonito? Só se quisermos criar um bando de cachorros. Já não basta o Jacob? – Rosalie disse com raiva.
- AH, Rose, deixe-os! – Alice a recriminou.
- Então, senhor? – Embry olhava ansioso.
-Vou ter que conversar com os irmãos dela, mais tarde lhe dou uma resposta – ele disse sério e gesticulando para os meus irmãos irem pro escritório. Fiquei encarando cada um até entrarem no escritório, a única pessoa que não entrou com eles foi Bella.
- Viu o que você fez? – olhei pra ele, sério.
- Fiz o quê? Você disse que ia aceitar se pedisse pro seu pai, foi o que fiz! – ele parece nada arrependido.
- Ah, Embry! Você não vê que está cercado por vampiros? Se eles quiserem lhe matar, você nem vai sentir! – disse preocupada.
- E dai? Irei enfrentar todos pra ficar com você, já disse! – ele passou os braços na minha cintura, me puxou e me deu um beijo bem demorado, que só foi interrompido por meu pai limpando a garganta.
- Her... oi, pai! – disse completamente envergonhada. Embry me soltou, mas ficou com um dos braços ao redor da minha cintura. Olhou fixamente pro meu pai e sorriu.
- Chegou a alguma decisão? – Embry perguntou calmamente.
- Sim! Vocês podem namorar, mas com várias condições, e uma delas é só se for aqui em casa. E nada de ficarem sozinhos! – Carlisle disse bem calmo também.
- Como o senhor desejar – Embry disse sorrindo. Me abraçou e tascou o beijo na frente de todos, sem se importar com ninguém. Novamente, meu pai limpou a garganta, fazendo-o parar.
- E nada de bancar o engraçadinho com ela, hein! – Carlisle disse num tom sério.
- Lógico! Nunca irei faltar com o respeito, pode confiar em mim! – ele disse, convicto.
- Esse é o problema, não confio nada em você! – Emmett disse ficando cara a cara com o Embry.
- Se você sair um pouquinho da linha ou fizer minha irmã chorar, você pode se considerar um cachorro castrado! – Emmett disse colocando o dedo na cara do Embry, e o mesmo só fez sorri.
- Nunca irei fazer sua irmã chorar, eu a amo demais pra isso! – Escutei Emmett rosnar.
- Estou de olho em você, seu sarnento! – ele disse antes de ir sentar no sofá.
Dei uma risada e puxei o Embry para um canto. Ficamos horas conversando, trocando carícias e sempre quando íamos nos beijar, alguém não deixava. Embry foi embora por volta das 3. Quero dizer, foi expulso, porque, por ele, não ia. Ainda levei um sermão do pai e mãe de como me preservar e blábláblá. Não tirava a razão deles e com certeza irei obedecer, não ia embora para a Europa com minha família desapontada comigo.
~*~
Já estávamos namorando fazia 30 dias. Nunca imaginei que aquele índio fosse tão romântico. Toda vez que vinha me ver em casa, ele trazia um buquê de flores diferente: eram rosas, margaridas, orquídeas, tulipa, enfim, todo dia era um buquê diferente. Acho que irei montar com Esme uma estufa para poder guardar tantas flores.
Estava namorando o índio, mas cheio de regras. Uma delas era que ele só podia vir em casa quando alguém estivesse, nunca poderia ficar a sós comigo, não podia ir à La Push com ele e, se quisesse sair, tinha que levar algum irmão comigo. Emmett era o mais ciumento de todos, sempre quando ele estava em casa, mandava ficar no sofá de cara pra ele ou ele ficava no meio do sofá entre nós dois. Esme, Bella, Edward e Alice eram os únicos que davam mais espaço pra nós e não tinham tanto ciúme.
Rosalie mal falava comigo, a desculpa dela era que estava fedendo a cachorro sarnento, e olha que nem sei como é esse fedor. Jasper! Esse me surpreendeu, ele também estava morrendo de ciúme. Ele se esconde e sempre quando vou beijar o Embry, aparecia do nada e impedia. Eu nunca imaginei que o Dr. Carlisle Cullen fosse tão ciumento, isso mesmo, meu pai estava morrendo de ciúme de mim. Sempre quando ele chegava do hospital, expulsava o Embry de casa, quando ele estava em casa ele sempre dizia “não sumam da minha vista”, e sempre de cara fechada pro Embry.
E quanto ao Embry, ele estava se saindo super bem, ignorando a implicância e os ciúmes de todos, sempre carinhoso e atencioso comigo. Por incrível que pareça ele ainda não reclamou do modo que minha família estava o tratando, sempre sorrindo e obedecendo as ordens de ir embora, ou pode ir parando por aí, ou olha essa mão aí, ou nada de beijos. Até pra um lobisomem ele é super calmo, e em nenhuma das vezes discutiu ou desobedeceu as ordens dos meus irmãos ou do meu pai.
A única coisa que me incomodava era como ia dizer pro Embry que ia embora, ia voltar pra Europa, ainda não tive coragem de contar, porque via nos olhos dele o quanto ele estava envolvido comigo e o quanto ele estava se esforçando. Eu não podia demonstrar o quanto estava gostando desse índio, assim a dor da separação será menor, mas não posso negar que também estava apaixonada por ele e a cada dia que passa essa paixão vai aumentando. Tenho certeza que se eu ficar por aqui, isso vai virar amor, se já não virou. Não quero me envolver tão forte com alguém, sou nova pra isso, mas se eu deixar, o Embry me pede em casamento hoje mesmo e isso eu não quero, não agora.
Hoje era um dia anormal, estava praticamente a sós com o Embry. Carlisle estava no hospital, Emmett foi caçar com Edward, Alice foi ao shopping e levou com ela Jasper e Rose, só ficou em casa minha mãe, Bella e Reneesme. Estávamos no quintal de casa, sentados na grama debaixo de uma árvore observando Bella conversar com Jacob enquanto vigiava Reneesme brincar.
- Que tal irmos dar um pulo em La Push? Tá meio quente hoje, não é? – Embry disse beijando meu pescoço.
- Você tá é doente, hoje tá frio e não podemos ir, esqueceu? – disse, virando-me pra ele e o abraçando.
- Pede permissão pra sua mãe, tá chato aqui! – resmungou.
- Hum! Então está me achando chata? – sorri.
- Eu não disse isso, mas já que falou, hoje você está um pouco chata sim. Está calada, não quer conversar! Algo lhe perturba? – ele olhou desconfiado.
- Você me perturba! – sorri.
- Enjoou de mim, foi? – ele sorriu.
- Um pouco! – disse soltando-me dele.
- Hahahah! – riu forçado - Boa tentativa! – ele me agarrou e me beijou. - Vamos, vai? – ele disse todo meloso, beijando meu pescoço.
- Tá... irei pedir pra mãe! – disse derrotada.
- Opa! Descobri como lhe dobrar! – ele sorria de uma orelha pra outra.
- Ah, é? E como? – disse levantando uma das sobrancelhas.
- É fácil! – sorriu maroto - É só... – ele beija meu pescoço – e depois! É só... - ele me deu um beijo demorado – e depois só fazer uma cara de cachorro abandonado! Não tem erro! – ele disse encostando a testa dele na minha; eu o empurrei e sorri.
- Bobo! – disse indo em direção à casa. Encontrei minha mãe na sala lendo algum livro qualquer.
- Mãe, posso sair com o Embry? – disse assim que entrei na sala.
- Eu escutei, querida, e a resposta é não – ela disse sem tirar os olhos do livro.
- Mas, mãe, prometo não demorar – sorri.
- Seu pai disse nada de La Push, esqueceu? – ela continuava sem olhar pra mim.
- Não... mas...
- Filha! – ela me interrompeu.
- Hum... então posso sair sem ir pra La Push? – sorri.
- Seu pai disse que nada de sair sozinha! Não sei por que ainda pergunta – ela disse fechando o livro e me olhando sério.
- Por favor, mãe, eu quero dizer algo pra ele e não quero dizer aqui! – disse sentando do lado dela.
- E o que é? – indagou.
- Se eu dizer pra senhora, ele vai escutar, né! – revirei os olhos.
- Então escreve aqui – ela me deu um pedaço de papel e uma caneta, então escrevi “dizer que irei embora em dois dias”. Ela me olha meio que desapontada.
- Não irá nem ficar pro seu aniversário? – sussurrou.
- Não sei... acho melhor ir o quanto antes... – refleti.
- Escute bem... seu pai irá chegar depois das cinco e seus irmãos só a noite, então volte antes disso, tudo bem? – ela sorriu. Não me contive, pulei nela e beijei seu rosto.
- Te amo, mãe – disse rindo.
- Eu também filha, mas volte logo e leve o meu celular – ele disse sério.
- A senhora é a melhor mãe do mundo! – disse, beijando seu rosto.
- Só não chegue tarde, tudo bem? – ela fez um carinho no meu rosto.
- Tá... obrigada, mãe – disse, saindo correndo da casa.
- Vamos? – disse ao olhar pro Embry.
- Claro! – ele sorriu.
- Bella, empresta o carro? – disse meio que gritando pra ela.
- Não precisa, te levo! – ele disse rindo pra mim.
- Ah? E você veio de carro? – indaguei.
- Não, bobinha... te levo! Espera aqui! – Ele disse beijando minha testa e saindo correndo pra floresta.
- Vai pra onde, ? – Bella disse parando ao meu lado com o Jacob.
- Dar uma volta com o Embry, mas ele disse que não precisamos de carro – disse normalmente.
- Carlisle não irá gostar nada disso, hein! – Bella recriminou.
- Esme deixou, e volto antes dele voltar, só irá saber se você contar, né? – olhei séria para ela.
- Não se preocupe, não irei contar, mas volta antes mesmo – ela disse rindo.
Foi quando eu vi um lobo enorme saindo da floresta com um saco amarrado na pata traseira. Escutei o Jacob se espocando de rir, e Isabella também.
- Você não é um cavalo, Embry! Pode voltar ao normal! Vai me levar como? Na boca? – disse quando ele para na minha frente, balançando o rabo.
Então, vi Jacob rindo mais ainda.
- Monta nele! – Jacob disse rindo.
- Montar? Tá louco? Não mesmo! – disse cruzando os braços.
- Vai... é legal! – Jacob dizia enquanto enxugava as lágrimas de tanto rir.
- Não! – birrei.
- Ela tá certa! É loucura, por que não pegam meu carro? – Bella disse também se controlando da risada.
- Ah, Bella! Deixa de ser estraga prazer! – Jacob disse me pegando nos braços e colocando em cima do Embry e, em seguida, deu uma tapa na traseira dele.
- Vai, cavalinho! – debochou.
Embry rosnou, mas saiu em disparada na direção da floresta. Antes de sumirmos escutei Esme gritar.
- Se a deixar cair, você vai se ver com o pai dela, hein!
Saimos correndo pela floresta. Para não cair, agarrei-me ao pescoço dele. Notei-o correndo cada vez mais rápido, só os meus irmãos corriam assim rápido, acho que em uma disputa com o Edward, talvez ele empatasse. Ele parecia alheio ao frio, mas o vento estava batendo de frente na minha cara e foi inevitável tentar esconder o rosto no pescoço dele e fechar os olhos. Quando abri novamente os olhos, notei que estávamos no mesmo penhasco em que nos conhecemos; ele parou e eu desci.
- Bom cachorro! – fiz um carinho na cabeça dele.
- Sempre quis ter um cachorro, sabia? Quer brincar? Se eu jogar um galho, você traz de volta? – sorri e ele mostrou os dentes pra mim, rosnando. - Cachorro mau! Não pode rosnar, não! – disse dando uma tapa de leve no focinho dele, então ele pulou em cima de mim, me fazendo cair no chão, me prendendo com as duas patas dele. Ficou poucos centímetros do meu rosto, rosnando e mostrando os dentes. - Olha! Irei colocar você num canil para adestramento, hein! – sorri e então ele lambeu meu rosto. - Embry! Que nojo! Vai, me solta! – disse emburrada.
Ele saiu de cima de mim e correu pra floresta e, em segundos, ele saiu da floresta vestido e sorrindo.
- Canil, é? – ele disse me ajudando a levantar.
- Sim...
- Fica linda com raiva, sabia? – ele disse me abraçando e beijando minha testa.
- Você que é nojento! – disse emburrada.
- Você que me provocou! – ele continuava rindo.
- Eu? Só queria brincar com meu cachorro! – sorri.
- AH, é assim, é? – ele disse sério.
- Que raça você é? Pastor? Ou Husky Siberiano? – nesse momento não me contive e caí na gargalhada.
- Mas eu não tenho moral, mesmo! – ele disse me abraçando mais forte e beijando.
- Então? O que iremos fazer? – disse, recuperando o fôlego.
- Que tal nos divertir? – ele disse me pegando no colo e correndo na direção do penhasco.
- Embry, não! Tá frio! – gritei.
- Não se preocupe, sua boba, te esquento! – ele disse pulando comigo do penhasco.
Eu não podia negar que adorava pular daquele penhasco, porque além de ser alto, fazia a adrenalina percorrer no meu organismo. As minhas suspeitas estavam certas, a água estava congelando quando nós caímos, estava tão frio que nem tive forças de nadar de volta pra superfície, fiquei afundando por um momento, tentando fazer meu corpo me obedecer e nadar para a superfície, mas a água estava congelando. Estava perdendo o fôlego quando senti o Embry me puxando pra superfície.
- Tá louca? Por que não nadou de volta? – ele ralhou assim que estávamos na superfície
- Por que... estou... congelando! – disse, tremendo.
- Ah, meu Deus! Desculpe-me – ele disse me abraçando e nadando comigo até a praia. Quando chegamos à beira, ele me carrega até um pedaço de tronco e me faz sentar, tira a camisa dele e meu casaco, me abraça, esfregando rapidamente minhas costas.
- Me desculpe! Me desculpe! – ele sussurrava no meu ouvido. - Esqueci completamente! Me desculpe! – ele continuava abraçado comigo e esfregando minhas costas.
- Tudo bem... – disse, tremendo.
- Você tá congelando, meu amor! Vem cá – ele me pegou no colo e me aninhou como fosse uma criança. Ficamos assim por um bom tempo, ora esfregava meus braços, ora minhas costas. - Tá melhor? – ele disse, preocupado.
- Um pouco – sorri. Puxei-o pra mais perto e lhe dei um beijo bem demorado. - Agora tô melhor – sorri pra ele.
Ele sorriu também e me deu outro beijo, mas esse beijo estava diferente, estava mais quente, ele me beijava intensamente. Senti suas mãos nas minhas costas e depois desceu pra minha coxa, passou a beijar meu pescoço, me fazendo arrepiar, subiu novamente para os meus lábios e deu outro beijo intenso. Nesse momento, já estava entregue a ele, eu estava completamente perdida em suas carícias e beijos, estava ofegante e ao mesmo tempo tremendo. Senti-o tirando minha blusa e me deitando no chão, continuou beijando meu pescoço e foi descendo para os meus seios; quando o senti beijando minha barriga, eu o parei.
- Embry, não! – disse segurando-o.
- Desculpe – ele disse ofegante. - Me perdoa, por favor – ele disse, saindo de cima de mim.
- Embry, seu cachorro, eu te amo. Claro que lhe perdôo, eu também lhe provoquei, não foi?– disse, ajeitando minha roupa.
- Acho que não escutei! Repete! – ele disse me abraçando e beijando meu pescoço.
- Eu amo você – disse aos sussurros.
- Por que demorou tanto tempo pra me dizer isso? – ele disse beijando meus lábios e depois desceu pra beijar meu pescoço.
- Dizer o quê? – disse beijando de leve seus lábios.
- Que me ama! – ele disse encostando sua testa na minha.
“droga, não queria dizer isso”
- Por que... por que... – me afastei dele e levantei.
- O que foi, ? – ele me olhou desconfiado.
- Porque eu não quero dar falsas esperanças pra você! – disse de costas pra ele.
- Como assim? – senti-o me abraçando por trás e encostando o queixo no meu ombro.
- Embry, eu vou embora daqui a dois dias, irei voltar pra Europa e achei melhor não me envolver por completo com você, assim nenhum de nós sofrerá, quando partir – nesse momento, ele me solta e me vira pra olhar pra ele.
- O que você está dizendo? – ele dizia sério.
- Irei voltar pra Europa – sussurrei.
- Por quê? – indagou.
- Porque é o melhor pra mim! – disse fraca.
- E eu? E nós? – ele olhava intensamente nos meus olhos.
- Embry! Eu te amo, amo mesmo, mas eu tenho um plano de vida e irei segui-la, não irei deixar de traçar minha vida por causa de um amor que nem sei se irá dar certo – disse, séria.
- Fique! Fique comigo! EU AMO VOCÊ! Isso é o que importa! Aqui tem boas escolas... por favor! – suplicou.
- E nosso amor irá dar certo, sim! Eu quero casar com você! Se você quiser, irei agora ao hospital pedir sua mão em casamento pro seu pai! Por favor! – ele disse intensamente.
- Embry! - Exasperei - Só tenho 15 anos! Não quero casar agora, entenda... Eu sempre venho pra passar as férias! E você pode me visitar lá – disse abraçando-o, mas ele me empurra.
- Então, desde o início você estava brincando comigo, é? Desde o primeiro dia que veio atrás de mim sabia que ia embora e resolveu tirar uma com minha cara? – ele apertava com força meus pulsos.
- Solta! Tá doendo ! – ele me soltou, mas continuou olhando seriamente pra mim. - Embry, eu não brinquei com você, esses 30 dias foram maravilhosos, você fez uma simples paixão virar amor, eu te amo, mas entenda, é do meu futuro que estamos falando, você não vê o que íamos fazer aqui? Imagina se eu chegar em casa e contar que estou grávida de você? Com 15 anos? Embry, eu não quero essa vida pra mim! – disse de olhos lacrimejando.
- Você irá fazer 16 anos em 21 dias, e se ficasse grávida iria com maior prazer assumir você e meu filho – ele disse sério.
- Ah, Embry, por favor, né!! Pra você é fácil, é homem, mas pra mim! Eu quero ir pra faculdade, me formar em medicina e, quando terminar a faculdade, eu volto! – disse um pouco ríspida.
- Paul estava certo, você não presta! – ele disse quase rosnando. - Você não passa de uma criança mimada que fede aos outros sangues sugas! Egoísta que só pensa no seu próprio umbigo! – ele disse com os olhos cheios de lágrimas.
- Embry, pare com isso, você não é tão velho assim, tem 17! E tem outra, eu não brinquei com você não, tudo que demonstrei é verdade, eu te amo, seu cachorro estúpido – disse, abraçando-o. - Vamos aproveitar ao máximo esse dois dias juntos, você me ama e eu também te amo, deixa de ser melodramático – disse beijando o rosto dele. Quando terminei de beijar, ele me empurra me fazendo cair no chão.
- Vai embora, Cullen! – ele me olhava com raiva.
- Embry! Machucou, sabia? – disse, levantando.
- Vai embora! Estou perdendo o controle! – ele disse quase rosnando.
- Você nunca perdeu o controle comigo e não será agora que perderá, e me diz uma coisa, como irei embora se você me trouxe aqui? – disse indo novamente pra perto dele, mas quando ia abraçá-lo, ele me empurra novamente.
- Vai andando! Sua mimada! E me esqueça! – então, ele correu pra floresta.
- ESTÚPIDO! – gritei antes que ele sumisse. - Droga, se soubesse que ele ia reagir assim, ia embora sem dizer nada! – coloquei a mão no bolso e tirei o celular que minha mãe me deu, olhei e joguei-o no chão com raiva. - ÓTIMO... PERFEITO! ESTÁ ENXARCADO! O que irei fazer agora? – sentei um pouco no tronco, chorei arrependida de ter falado como falei com ele, acho que fui muito dura com ele, mas eu tinha que ser. Estou em pedaços também...
Levantei e caminhei até a estrada, demorei mais de uma hora pra chegar à estrada, comecei a pensar fortemente onde estava e como estava para Alice me ver e mandar alguém me buscar. Para minha felicidade ficar por completo, começou a chover fortemente.
- Agora, cai um raio na minha cabeça que a novela mexicana estava perfeita! - disse olhando pro céu.
Caminhei no sentido leste por uma hora, até que cansei e sentei no meio fio. Além da chuva, o frio estava intenso. Olhei pro relógio e marcava 16:30
- Droga! Se não morrer aqui, meu pai me mata! Vamos, Alice! Veja-me! - abaixei a cabeça, tirei meu casaco e coloquei na minha cabeça numa tentativa inútil de me proteger da chuva, estava tremendo de frio, chorando de raiva, de arrependimento, magoada, enfim estava chorando uma mistura de tudo que era sentimento. Levantei a cabeça e vi um carro vindo na minha direção; levantei e esperei, quando vi era o volvo do meu irmão.
- Droga! Ele chegou cedo! – caminhei lentamente até a porta e abri, mas quando ia entrando, tomei um susto: era a Bella que dirigia.
- Bella?? – olhei assustada e entrei no carro.
- Gosto de dirigir o carro do seu irmão, mas entre, temos pouco tempo – ela sorriu.
- E você sabe correr? – disse fechando a porta do carro.
- Você ainda não confia em mim, né? – ela disse séria.
- Sinceramente, não – disse dando os ombros – Alice te ligou, foi?
- Foi... disse que estava aqui... O que aconteceu? – indagou.
- Terminei com o Embry – disse sussurrando.
- Mas por quê? Vocês estavam tão bem quando saíram de casa – ela disse me olhando curiosa.
- Porque eu disse que irei volta pra Europa – continuei sussurrando.
- ! Não precisa voltar! O motivo não era eu? Então! Sou controlada! – ela disse sorrindo.
- Eu sei, Bella, mas é melhor voltar – disse olhando pela janela.
- Você o ama, ? – indagou –me.
- Amo, Bella, amo – sussurrei.
- Então? Por que não fica, se o ama? E sei como ele é louco por você – ela sorriu.
- Esse é o problema, Bella. Se eu ficar, o nosso relacionamento ficará mais sério... e eu tenho um ideal e não irei fugir dele – disse, séria também.
- Ideal? De ficar só? – recriminou.
- Se for necessário, sim! Não sou paranóica por idade e nem por relacionamento, eu tenho uma vida e não é uma pessoa que me fará mudar de pensamento – disse abrindo a porta do carro, tínhamos acabado de chegar em casa.
- No que você está se referindo? – ela disse meio ríspida.
- Eu tô dizendo, Isabella, que não sou você! Não irei me casar com 18 anos, ter filhos e parar no tempo, quero me formar e chegar aos 20 anos! Ah! Obrigada! – disse indo pro meu quarto.
Fechei a porta e tranquei, tomei um banho bem demorado, vesti uma roupa e desci pra comer alguma coisa. Estava comendo quando senti alguém beijando minha cabeça.
- Boa noite, filha – Carlisle disse sentando do meu lado e entregando um envelope. Abri e vi que era minha passagem de volta.
- Da pra mudar a data? – disse, olhando pro papel.
- Vai ficar? – ele sorriu.
- Até meu aniversário, quero passar com vocês, aí no outro dia irei embora.
- Não quer mesmo ficar? Sabe, podemos nos mudar...
- Não quero discutir isso com o senhor – disse, interrompendo-o. Levantei e fui pro meu quarto.
Estava me sentindo horrível, a discussão com o Embry não saia da minha cabeça. A expressão dele, os olhos, estava sentindo um aperto muito grande no peito, uma falta de ar, uma angústia. Peguei o telefone e liguei pra casa dele.
- Sim – era a voz dele, meu estômago nessa hora revirou.
- Embry, sou eu! Podemos conversar? – disse, implorando.
- Não! – sua voz estava ríspida e, em seguida, ele desligou o telefone. Joguei o telefone na parede com toda força. Não demorou um segundo para Esme entrar no quarto.
- O que aconteceu, filha?! – ela disse sentando na beira da cama.
- Ah, mãe! – a abracei e comecei a chorar.
- Shii... calma... calma, querida... – ela disse bem baixo no meu ouvido, fazendo carícias no meu cabelo.
- Quer conversar? – sussurrou.
- A senhora sabe o que é! – disse, soltando-a.
- Ele não aceitou? – ela olhava nos meus olhos.
- Correto! Aquele estúpido! – solucei.
- Fica, querida, o problema todo era Bella, não era? Você está há um mês aqui e ela nem deu sinal que ia lhe atacar, fica com sua mãe, vai – ela suplicava.
- Por favor, mãe, não comece! – disse levantando e indo pro banheiro lavar meu rosto.
- Tá querida, não irei começar, mas como você está? E o Embry? – ela disse parada na porta do banheiro.
- Terminamos e ele me largou lá! Ah, mais uma coisa, seu celular quebrou – parei na porta e a abracei novamente.
- Fica comigo até dormir? – pedi.
- Você não me pede isso desde que tinha 10 anos! – ela sorriu.
- Eu sei, mamãe! – disse sorrindo, ela me abraça e beija minha cabeça.
- Filha, eu sinto sua falta. Por favor, fique conosco – ele me guiou até a cama, me cobriu e beijou minha testa.
- Também sinto sua falta – sorri.
- Então... fique...
- Mãe, já disse isso pro pai, pra Bella e agora pra senhora, não irei discutir isso com a senhora e com ninguém, já tomei minha decisão! – disse séria.
- Tudo bem, querida, outro dia conversamos, seu pai disse que irá ficar até seu aniversário, é isso? – ela sorriu.
- Humrum! – disse, fechando os olhos.
- Alice vai amar – disse divertida.
- Eu sei – disse quase aos sussurros.
- Irei deixar você dormir – ela sussurrou
Capítulo 19
Não estava conseguindo dormir, a dor no meu peito era forte. Havia momentos que queria chorar e momentos que queria gritar. Eu estava adoecendo, eu sei disso, meu corpo estava dando sinal, estava com dor no corpo inteiro, estava suando e meus olhos estavam ardendo, e sem contar que estava com muito frio. Olhei pro relógio e marcava 4 horas da manhã, vesti um casaco e desci. Olhei pra sala e não tinha ninguém, fui até o escritório e bati na porta.
- Pai? – sussurrei.
- Entre, querida – disse com ternura.
- Onde estão os outros? – disse enquanto fechava a porta.
- Edward e Bella estão na casa deles, Emmett está na garagem com a Rosalie, Alice e Jasper estão caçando juntos de sua mãe. Mas o que a senhorita faz acordada essa hora? – ele me olhou divertido.
- Não estou me sentindo bem – eu nem terminei a frase e ele já estava com as mãos na minha testa.
- Você está com febre! – ele olhava desconfiado.
- O que você fez ontem à tarde, hein? – ralhou.
- Não irei mentir pro senhor, fui a La Push com o Embry, e como terminamos, peguei a chuva toda... – tentei concluir, mas ele me interrompeu.
- Ótimo, ! Ótimo! Eu deveria deixar você doente, assim aprende a não me desobedecer! – ele me olhava com raiva.
- Excelente! Assim se livra de mim, né! Morro e pronto! – rebati com o mesmo tom.
- Filha! Nunca mais repita isso! Tá ouvindo! Nunca mais! – ele disse, segurando meu rosto.
- Desculpe, pai...
- Então vocês acabaram? – ele deu um meio sorriso.
- Sim – disse sentando na poltrona.
- E posso saber o motivo? – indagou.
- Não quero nada sério, pai... Sou nova pra isso....
- Acho muito inteligente de sua parte me dizer isso, mas... – ele sentou na beira da mesa de frente para mim.
- Mas o quê? – olhei desconfiada.
- É isso mesmo que você quer? Eu percebi o quanto você estava gostando daquele menino – suspirei fundo e olhei seriamente pra ele.
- Pai... o senhor mais que ninguém sabe dos meus ideais, certo? Sabe o eu quero de minha vida. Então, o que o senhor ia sentir se eu chegasse e dissesse que ia me casar, ou que estou grávida, sem ao menos ter idade pra isso? Pai, eu não quero morrer aqui em Forks, eu não quero acabar como Bella, não quero parar no tempo! Quero sim ter filhos, casar, mas não agora... aliás, nem sei se quero realmente isso, eu já fiz um acordo com o senhor e pretendo cumpri-lo – notei-o olhando meio que sem reação pra mim, vi que ele tentava puxar alguma fala, mas não falava nada.
- Pai... eu terminei com o Embry porque irei voltar pra Europa, não irei ficar por aqui – completei.
- Mas, querida, lembra quando fomos lhe visitar na Alemanha? Lembra que disse que ficaria se Bella fosse controlada? Então? Por que não fica? Tudo por causa do Embry? Podemos dar um jeito, criar mais regras, sei lá, mas tanto eu como sua mãe e seus irmãos queremos que fique, o que custa ficar? – ele sorriu.
- Me custa muito, pai. Não irei ficar... – disse fechando os olhos e suspirando.
- Me dê um motivo pra você não ficar! Porque posso obrigá-la a ficar, sabia? – ele disse num tom ríspido.
- Lhe dou três! Primeiro, Bella.
- Ela não conta! – ele disse, sério.
- Primeiro, prometi pra Dona Ana que voltaria.
- Esse também não conta! – ele disse sério.
- Primeiro, Embry – dessa vez, ele ficou calado.
- Segundo, não suporto Forks.
- E terceiro, não quero parar no tempo!
- Filha, eu não quero que vá – sussurrou.
- Por favor, pai, eu tenho um relacionamento tão bom com o senhor, o senhor sabe que só sou assim com o Edward, nem com a mamãe eu fico tão à vontade de falar. O senhor sabe que além de pai, é meu amigo, não estrague isso, por favor! – supliquei.
- Filha! Eu irei abrir o jogo pra você, estou com medo de você na Europa, estou com medo de acontecer algo com você lá, sinto que se permitir que você volte pra Europa, irei lhe perder pra sempre – ele me olhava com tanta sinceridade que tive medo, do que ele está com medo?
- Eu não irei fazer besteira alguma, eu parei com aquela história toda de me drogar, eu tô controlada, pai. Não há o que se preocupar... já fiquei lá por 4 meses e não aconteceu nada, certo? – sorri.
- Eu sei disso – sussurrou.
- Então? O que lhe perturba? – disse levantando, mas ao levantar minha cabeça girou e perdi completamente as forças das minhas pernas. Se não fosse meu pai, tinha caído e batido minha cabeça na quina da mesa. - Droga! – resmunguei.
- Ahh... Você está doente! Aliás, você já veio doente! Viu? Viu do que me preocupo? – ele disse me carregando pro meu quarto.
- Não, pai, é outra coisa... eu sei disso! Do que está com medo, realmente? – nesse momento ele me colocou na cama e me cobriu.
- Você está com febre, já volto – disfarçou.
- Pai? – indaguei.
- Sim, querida? – ele sorriu.
- Do que o senhor está com medo? – disse séria.
- Dessa febre aumentar, evoluir para uma pneumonia, sendo que você já teve, né? – ele piscou e saiu do quarto.
Ele tá escondendo algo de mim, mas o que será? Do que ele tá com medo? – um minuto depois ele entrou no meu quarto.
- Tome esse remédio e descanse, deve ser uma gripe – ele disse beijando minha testa. - Qualquer coisa, me chame – concluiu.
- Pai? – sussurrei.
- Sim, filha? – sorriu.
- Eu lhe amo, mas depois do meu aniversário eu irei voltar pra Europa, com ou sem sua permissão! – disse firme.
- Conversaremos quando você estiver melhor, tá? – Ele beijou minha testa e saiu do quarto.
~*~
Mas, infelizmente, eu não melhorei, acho que dessa vez eu passo pra melhor. Meu corpo estava doendo, meus olhos ardendo e minha cabeça a qualquer momento ia explodir. E o frio? Era insuportável. Senti várias vezes alguém tocar na minha testa, pude sentir também alguém me fazer levantar e tomar algo, mas, sinceramente, eu estava à deriva, não conseguia abrir os olhos e estava meio que desligada dos acontecimentos ao meu lado. Estava cansada, dominada pela escuridão, queria dormir, mas uma voz sombria me fez despertar.
- Por que você ainda não foi pra Europa? – abri os olhos e sentei na cama, olhando pro quarto, mas o quarto estava vazio.
- Hum? Tô delirando? – voltei a deitar e fechar os olhos.
- Saia de Forks! Você corre perigo aqui! – disse firme.
- Quem tá aí? – disse ligando o abajur perto de minha cama, mas novamente não vi ninguém. - Pai? – disse, deitando na cama. Esperei um pouco e ele não apareceu.
- Seu pai não está, e ninguém da sua família. Se os ama, saia de Forks e da vida deles. – disse ríspido.
Levantei novamente e olhei pro lado, de onde eu achava que vinha essa voz sombria. Foi então que vi uma pessoa parada perto da porta do banheiro, ele ou ela vestia uma capa preta e estava com o capus encobrindo o rosto.
- Quem é você? E como entrou aqui? O que fez com minha família? – indaguei.
- Sou um amigo. E não fiz nada com sua família. Só estou aqui para lhe dar uma mensagem.
- Então, qual é? – olhei pro vulto.
- Saia de Forks! – disse rispidamente.
- Quem é você? - Fiquei esperando-o responder, mas o mesmo ficou calado. Escutei um barulho vindo da porta e me virei pra ver quem era, era somente o vento que tinha aberto a janela. Ao voltar a olhar para a porta do banheiro, não tinha mais ninguém. Olhei assustada, joguei o edredom longe e saí correndo do quarto.
- PAI? MÃE! – gritei.
Desci as escadas correndo, meu corpo estava fraco e, no meio do caminho, perdi o equilíbrio e rolei escada abaixo. Senti uma dor no peito. Quando terminei de rolar escada abaixo, olhei para os lados e chamei novamente pelos meus pais, mas ninguém apareceu; fechei os olhos e deixei a escuridão me dominar.
Não sei exatamente quanto tempo fiquei desmaiada, mas acordei e, para meu espanto, estava na minha cama. Olhei para os lados e não vi ninguém. Saí da cama e caminhei lentamente até a saída, desci as escadas apoiando-me no corrimão, e no final das escadas já pude ver Edward, Bella, Emmett, Rosalie e Reneesme na sala, conversando animadamente. Fiquei parada no último degrau olhando atentamente, tentando absorver o que tinha acontecido.
- O que você está fazendo fora da cama? – Edward disse aparecendo do nada na minha frente.
- Onde vocês estavam, ontem? – olhei assustada pra ele.
- Aqui mesmo – ele disse sorrindo.
- Não! Vocês não estavam! Tinha um homem no meu quarto, um de vocês! – olhei assustada pro Edward.
- No seu quarto? – ele sorriu - ontem, quem estava lá era Esme e Carlisle!
- Não! Não estava! Eu chamei, chamei por vocês! – estava confusa.
- Minha querida, você deveria estar sonhando – Edward disse, rindo.
- Não, Ed, foi real, eu não estava sonhando – olhei confusa pra ele.
- Você sonhou sim, minha querida! – ele disse beijando minha testa.
- É... acho que foi sonho... - disse sentando na escada e colocando as mãos na cabeça.
- Tá se sentido melhor? – Edward perguntou, sentando ao meu lado.
- Quanto tempo estou acamada? – estava confusa.
- Dois dias – ele disse me puxando e abraçando.
- Só foi um sonho, ... só um sonho – sussurrou, me acalmando.
- Onde estão meus pais? – indaguei.
- Foram comprar uns medicamentos pra você – ele sorriu – O que você sonhou?
- Não sei, foi tão real – analisei.
- Vamos voltar pro seu quarto! – Ele disse, me carregando.
- Não, Ed... estou me sentindo melhor... cansei de dormir – disse o mais sincero possível, ele me olhou como se estivesse me avaliando, então me deixou no chão.
- Tudo bem, mas acho melhor comer alguma coisa – ele sorriu.
- Depois... eu estou sem fome – caminhei lentamente até a sala e sentei ao lado do Emmett. Ele me olhou sério.
- Terminou com o cachorro, né? – ele sorriu.
- Sim – disse, procurando algo pra ver na TV.
- Aquele cachorro fez alguma coisa com você? – sibilou.
- Não, Emmett – suspirei.
- Então, por que está com essa cara? – ele me olhou desconfiado.
- É a única que tenho! E estou doente! – disse bem ríspida.
- Só estou preocupado contigo, sua nanica! - ele disse, magoado.
- Dá para você parar de encher o saco? Caramba! – disse emburrada.
- Ih, TPM, é? – Emmett sorriu.
- Quem tá de TPM é a sua mãe! – retruquei.
- Ih... Acho que Esme não irá gostar nada de saber que a sua preferida está falando dela - zombou.
- Eu não estou falando mal da mamãe! Estúpido! – rosnei.
- TPM! Cuidado, pessoal! – ele gritou.
- Para Emmett, ela terminou com o cachorro. É por isso do mau humor – Rose disse sentando do meu lado e me abraçando.
- Agora voltou a falar comigo e ser minha amiga, é? – disse, empurrando-a e levantando.
- Sim, ! Sempre fui contra seu namoro com aquele sarnento. E agora que acabou, não tenho que prender a respiração com você! – ela sorriu.
- Por que vocês não me deixam em paz? Caramba! – indaguei.
- Não disse, Rose? Ela está de TPM – Emmett zombou.
- Sabe de uma coisa? Irei voltar pra Alemanha o quanto antes, não irei ficar pro meu aniversário, não! – disse levantando, mas Rosalie me segurou.
- Por quê? Carlisle disse que ia ficar até seu aniversário – ela disse, desapontada.
- Ia! Falou bem, IA! Não quero mais, se eu ficar mais um dia aqui, além de pirar, acabo ficando mesmo, e isso não quero! – disse ríspida.
- Então, se eu enrolar você, você acaba ficando! Hum, ótimo saber disso – Carlisle disse entrando na sala.
- Deixa de graça, meu pai! – levantei e o abracei.
- Tá melhor, filha? – ele disse colocando a mão na minha testa.
- Sim – sorri.
- Da próxima vez, evite ficar horas debaixo de chuva, tá? – ele sorriu.
- Não haverá próxima vez! Vamos conversar sobre minha volta pra Europa? – disse normalmente.
- Vamos pro escritório – disse sério.
Conversamos horas sobre o assunto, e pela primeira vez na minha vida eu ganhei uma conversa com meu pai, e também ganhei na reunião. Eu precisava correr de Forks, aquilo lá com certeza não foi um sonho, eu ainda não estou louca e não quero que nada aconteça a eles...
Infelizmente, isso fez com que todos ficassem com raiva de mim. Esme e Alice já tinham preparado uma festa pra mim e eu estava deixando-as na mão, Carlisle estava extremamente aborrecido comigo, Edward idem, sem contar no gelo dos outros.
Ainda fiquei uma semana com eles, até recuperar a minha saúde. Tentei ser a pessoa mais simpática e amável com todos, mas infelizmente eles estavam mais frios que gelo. Também tentei falar com o Embry, mas tudo que ganhava era um não e ele desligava o telefone na minha cara. Fui várias vezes em sua casa, mas sempre ele não estava ou estava se escondendo.
E hoje estou aqui na Europa, nessa casa enorme, sem ninguém. Ana e os outros tinham saído e como estou pra baixo, preferi ficar no meu quarto, olhando pro teto.
Daqui há dois dias é meu aniversário. Dona Ana está preparando uma festa, um baile, porque, segundo ela, 16 anos é uma idade especial e será meu primeiro aniversário com ela. Bom, tudo bem, mas eu pensei que 18 anos que fosse uma idade especial! Cada maluco no seu lugar, né...
Estou me odiando a cada dia, sinto falta deles, sinto falta do Embry, acho que fiz a maior burrice na minha vida... Fora os dias que estava drogada, isso não conta, né?
Peguei meu celular e liguei pra casa, chamou duas vezes e Alice atendeu.
- Oi, Lice! Sou eu – sorri.
- Sei que é você – ela disse, ríspida.
- É, tinha esquecido como você sabe mesmo – ri pra descontrair.
- O que você quer, ? – ela disse, ríspida.
- Vocês vêm? A dona Ana está preparando uma festa boa, mas será chata sem vocês – disse sincera.
- Não iremos! Temos assuntos mais importantes pra resolver – era nítido a raiva dela no tom de voz
- Ahh... é? humm... tchau, Alice... dá um beijo no pai e na mãe por mim – desliguei o celular sem dar chance dela falar alguma coisa.
Depois dessa, meu peito doeu. Sabia que tinha-os magoado, mas nunca imaginei que fosse magoá-los tanto. Estava magoada comigo mesma, por que tinha que ser sempre teimosa? Por que tinha que sempre magoar as pessoas que amo? Eu nunca aprendo, não?
Foi com esse pensamento e depois de muito choro que consegui dormir.
Chegou o dia esperado, eu não estava nada animada, minha família não estaria comigo, meu namorado também não, estava que era uma depressão ambulante.
- Hei! Ajeite essa cara, é seu aniversário – Ana falava comigo enquanto terminava de colocar uma tiara no meu cabelo.
- Eu sei, mãe... irei melhorar – sorri falsamente.
- Você tem um sorriso melhor, sabia? – ela disse olhando pra mim através do espelho. Estávamos paradas em frente ao espelho, que era do tamanho de uma porta. Estava usando um vestido prata que ia até o calcanhar.
- Você está linda! Vamos? – ela disse, esfregando meus braços.
- Sim... - disse saindo do quarto.
Quando saí do quarto, Jonh estava me esperando; ao olhar pra mim, ele sorriu e eu fiz o mesmo, ele estava super elegante no terno. Então ele se aproximou de mim e jogou o casaco sobre meus ombros.
- Você está linda, – sussurrou .
- Jonh! Se não fosse meu irmão, com certeza ia lhe agarrar hoje! – nós dois gargalhamos juntos. Entramos no carro e fomos até o local da festa. Dona Ana convidou Deus e o mundo, hoje com certeza ia conhecer parentes que nunca vi na minha vida.
Eu ainda não estava acostumada com essa frescura toda de festa formal; pra mim, formal até demais. Estava mais de meia hora parada na recepção esperando cada convidado chegar e cumprimentar um por um, e diga-se de passagem, tinha que estar SORRINDO. Conheci todos os parente de Jonhy e alguns parentes da Dona Ana, foi a única coisa que não me surpreendeu, porque, pra mim ela não tinha parentes. Também conheci vários, mas vários amigos de ambos.
- Vamos, ? – Jonh esticou seu braço para eu colocar minha mão em cima da sua.
Caminhamos lentamente pra dentro do salão. Estava cheio de pessoas que tinha acabado de conhecer, enfim, cheio de gente que nunca vi na minha vida. Depois de uns minutos indo de mesa em mesa com o Jonh para fazer o social, uma música começou a tocar e alguém anuncia no alto falante.
- Vamos começar o baile. E, por tradição, a primeira dança é sempre da filha com o pai – Nesse momento, abaixei a cabeça e suspirei.
- Acho que você terá que dançar comigo, meu irmão – disse, segurando o choro.
- Acho melhor você dançar com aquele senhor ali – segui a mão dele e ao olhar pro meio, na pista sorri e chorei. Carlisle estava impecável em seu terno, com o braço direito estendido pra mim, sorrindo de orelha a orelha.
Capítulo 20
Em algum lugar em Volterra
- Chega, Aro! Temos que nos vingar, sim! Eles nos fizeram de trouxas! – Caius estava completamente dominado pela fúria.
- Caius! Pare! Eu tomei minha decisão – sorriu - não valia à pena lutar contra eles – o mesmo mantinha sua calma.
- Você e sua amizade com Carlisle! De agora em diante todos os vampiros vão achar que podem nos desafiar! – disse, dando um soco na mesa.
- Se tentarem, sem dúvida matará quem nos desafiar! Caius, já faz 6 meses o acontecido e ninguém veio até aqui e nos desafiou, agora acalme-se e deixe os Cullen em paz – Aro deu as costas pro seu irmão e caminhou tranquilamente para outro aposento.
- Você pode deixar isso de lado, mas eu irei me vingar, Carlisle não perde por esperar! – Caius sussurrou pra si mesmo.
~*~
Aro's Pov
- Conheço Caius, ele irá fazer besteira, irá provocar os Cullen e isso é tudo o que não quero, não com a aliança deles com os lobos. Mas sei exatamente como ele vai provocá-los – disse, sentando-me na minha poltrona. - Kain, venha aqui – disse calmamente e não demorou nada pra ele estar na minha frente.
- Senhor? – respondeu.
- Tenho uma missão pra você. Carlisle tem uma filha humana, quero que a proteja – simplesmente disse.
- Perdão senhor, mas por quê? – indagou.
- Caius ainda está furioso com o caso da meia vampira e tentará provocar os Cullen. Eu sei que ela ainda é humana, Carlisle me comunicou, mas Caius pensa que ela já é uma de nós. Se ele descobrir o contrário, irá provocar uma guerra. Vá e a proteja, impeça Caius de descobrir a verdade – disse firme.
- Sim, senhor!
- E mais uma coisa, mantenha-se no anonimato – sussurrei.
Kain... Kain... meu mais leal escudeiro. Obedece sem questionar e sempre faz o melhor. Com os poderes dele, tenho certeza que irá ter sucesso, assim espero...
Kain's Pov
Agora eu era babá de uma humana, uma humana! O que eles têm na mente de criar uma humana? Será que eles só estão esperando ela ficar mais velha para poder jantá-la?
Não será difícil de encontrá-la, pelo o que me contaram, ela mora com os Cullen, mas eu não a vi no dia do confronto, nem senti o cheiro dela e muito menos vi a imagem dela nos pensamentos deles. Isso só responde uma única pergunta.
“eles sabem muito bem como escondê-la, se ela estiver escondida, terei que entrar na mente do Carlisle e descobrir”
Demorei exatamente dois dias para chegar a Forks. Tinha que usar meu poder de camuflar e ocultar meu cheiro, não queria ser encontrado. Demorei nem um segundo para achá-la. O único cheiro de humana no meio de vampiro estava forte, além do cheiro de lobisomem e da meia vampira. Tinha que ser o mais sutil e invisível possível, se alguém me pegar com certeza Aro me mataria. Não tem coisa melhor do que se esconder de 8 vampiros. Adoro testar minhas habilidades e poderes...
Estava escondido trás de uma árvore observando o movimento da casa. Vi quando dois deles foram caçar, e em seguida sairam mais 3 e, por último, saiu o Carlisle. Senti meu bolso vibrar, peguei o celular e vi no visor o nome de Aro, saí correndo do local em que me encontrava; chegando num local seguro, atendi.
- Aro? – perguntei.
- Kain! Caius mandou Demetri conversar com os Cullen, aliás, conversar e descobrir alguma coisa sobre a humana. Ela está ai? – disse normalmente.
- Sim, Aro, está com eles – disse normalmente.
- Então, tire-a daí. Não quero problemas com os Cullen – ordenou.
- Quanto tempo tenho? – indaguei.
- No máximo 10 dias. Caius pensa que está me enganando, irei mandar Demetri fazer outro serviço antes. – debochou.
- Dez dias? É tempo de sobra. Irei ver o que consigo fazer – sorri.
- Irá ver nada! Irá tirá-la daí! – exasperou-se.
- Sim, senhor – disse, desligando.
Voltei para o local onde estava e vi a humana sentada, abraçada com um... um... caramba! Era um lobisomem? Esse clã tem algum problema mental? Como eles permitem isso?
Tinha que tirar essa menina daqui. Caius mandou um espião e chegará a pouco tempo, se descobrir que essa criança é humana e ainda namora um lobisomem... Não quero nem pensar! Terei que entrar em sua mente, em seus sonhos e farei isso hoje...
's Pov
Caminhei lentamente até onde meu pai estava parado, sorrindo pra mim. A tristeza que estava me acompanhando por dias simplesmente desapareceu. Estava tão feliz, tão contente que não consegui controlar o choro, parei na frente dele sorrindo e chorando.
Carlisle pegou minha mão direita e beijou, entrelaçando com a dele. Coloquei minha mão esquerda na cintura dele e começamos a dançar.
- 16 anos! Quem diria, minha filha – ele sussurrava no meu ouvido.
- Pensei que estava com ódio de mim – disse, olhando nos olhos dele.
- Não! Nunca fico com ódio de você – ele deu aquele sorriso que amava.
- Eu sinto muito, pai, sinto de todo coração. Peço que me perdoe um dia, mas tive motivo pra vir embora – solucei.
- Filha! Aproveite seu aniversário! Não precisa se desculpar, foi até bom você ter ido embora, tive uma visita que não queria que conhecesse – ele deu um grande sorriso e beijou minha testa.
- Que bom que o senhor veio, pensei que ninguém ia aparecer – sussurrei.
- É, ninguém quis vir, mas como sou seu pai... – ele sorriu.
Nesse momento escutei a música parar e vários aplausos. Foi então que senti uma mão tocar no meu ombro e uma voz conhecida.
- Posso, Carlisle? – Edward disse, pegando na minha mão. Olhei pra ele e depois para o meu pai, ambos trocaram olhares e sorriam.
- Quem mais veio? – perguntei depois de começar a dançar com ele.
- Hum! Veja! – ele deu um giro; ao olhar melhor pra multidão pude ver quem estava na festa, e todos estavam, sem exceção. Todos não, faltava um. Mas esse, terei que me acostumar a ficar sem vê-lo.
- Aquela baixinha imitadora de mãe Diná me enganou direitinho! – resmunguei, rindo.
- Viu como minhas aulas de dança lhe cairam bem? – ele disse, girando-me novamente.
- É, até que ensinou direitinho – disse num tom de deboche.
- Ah! Ensinei direitinho, é? Mas como você é engraçada – e novamente ele me gira.
- Obrigada por vir, Ed! – disse beijando o rosto dele.
- Você ainda não viu nada – ele disse sorrindo bem maroto.
- Do que você está falando? – indaguei.
- Nada querida, agora é a vez do Emmett – ele disse entregando minha mão pro Emmett.
- E aí, nanica! – zombou.
- E aí, seu chato! – disse no mesmo tom.
- Sinto sua falta, sabia? – ele disse sorrindo.
- Sente falta de me perturbar, é? – brinquei.
- Também! – tanto eu como ele caímos na gargalhada. Depois de dançar com todos os “meus homens da minha vida”, fui até a mesa onde estavam as mulheres.
- Mãe! – a abracei com força.
- , você está tão bonita nesse vestido – ela era um sorriso só.
- Obrigada, mãe! – beijei-a.
- Qual é o meu novo apelido, ? – Alice disse interrompendo meu abraço com a Esme.
- Imitadora de mãe Diná! Sua vidente de quinta! Chorei até hoje, sabia? – disse, abraçando-a.
- Queria lhe pregar uma peça. Descontar por ter feito cancelar a MINHA festa pra você! – ela zombou.
-AH desculpe, mas tive que sair de Forks – sussurrei.
- Não precisa de desculpar, querida, foi até bom você ter saído – Esme disse calmamente.
- Papai também disse isso. Por quê? – indaguei.
- Nada, não. Não precisa se preocupar, hoje é seu dia! – Rosalie disse me abraçando também.
- Reneesme! Até você veio! – peguei-a do colo de Bella e a abracei com força.
- Me mostre quem foi visitar vocês? – Sussurrei no ouvido dela.
- Não, filha! – Bella a pegou de volta.
- Bella! Você por aqui? – fingi espanto.
- Você não muda nada mesmo, né - Bella disse sorrindo.
- Você que continua a mesma chata de sempre! – sorri de volta.
- Já está perturbando minha esposa, ? – Edward disse ao meu lado.
- Ela que começou – falei o mais sincera possível.
- Eu lhe conheço, sua engraçadinha – ele disse me cutucando.
- Obrigada por todos virem, vocês não imaginam como estou feliz! É o meu melhor presente, de todos que vocês já me deram. Obrigada mesmo! – disse quase chorando, então percebi todos olhando um pro outro e dando um largo sorriso.
- Sabe, filha... – Carlisle disse indo pro meu lado e me abraçando.
- Entramos num acordo e ambos vamos lhe dar um presente – ele sorriu.
- E qual? Uma Ferrari? Ou Harley Davidson? – disse excitada.
- Bom! – suspirou - Aqui não é América e você não pode dirigir ainda! – ele sorriu.
- Mas vocês podem dar um jeito nisso, né? – disse, piscando.
- Depois veremos isso. Mas nosso presente é outro – ele disse sorrindo.
- Hum! Então qual é? – disse curiosa.
Nesse momento ele me virou pra pista e apontou pra um homem alto, parado com as mãos dentro do bolso da calça, completamente sem jeito.
- Sim, o que o senhor quer me mostrar? – disse virando-me pra ele.
- Olhe melhor, filha! – sussurrou.
Foi então que percebi que aquele homem alto e charmoso parado no meio da pista me olhando era o Embry.
“como ele estava lindo e sexy de paletó”
- Meu Deus, é o Embry? – perguntei olhando pro Carlisle.
- É sim. Veio conosco, é o nosso presente pra você! Aceitá-lo como seu namorado e o deixar ficar aqui. Com regras, é lógico – ele disse calmamente.
- Amo todos vocês! – disse antes de ir pra onde o Embry estava.
Caminhei lentamente até o Embry, parei na sua frente e o olhei, séria.
- O que você está fazendo aqui? – disse um pouco ríspida.
“vou brincar um pouco com esse idiota”
- Feliz aniversário – ele disse meio que sem jeito.
- Tá surdo? Eu perguntei o que VOCÊ está fazendo aqui? – disse séria.
- Atrás de você! Gostou? – ele disse tirando as mãos do bolso e me puxando pra ficar colada com ele.
- Simplesmente amei – sorri -, seu idiota!
- Nossa! Também senti sua falta! – ele disse beijando minha testa.
- Quem disse que senti a sua? – disse, afastando-me dele.
- Sentiu sim – nesse momento ele me puxou, olhou nos meus olhos e sorriu. - Sei que sentiu falta disso também – senti meus pés saírem do chão.
Embry segurou a ponto do meu queixo e me beijou amorosamente. No começo, tentei não corresponder, mas como resistir a um beijo desse? Um beijo quente e cheio de paixão? Não tem como. Passei meus braços em volta de seu pescoço e o puxei mais pra perto, minha respiração estava cada vez mais rápida e meu coração estava pra sair pela boca.
- Humrum! – escutei alguém limpar a garganta, mas não liguei e continuei beijando-o, e cada vez mais intensamente.
- Chega! Senão mudo de ideia! – Carlisle disse ríspido.
Embry parou de me beijar na hora, mas continuou abraçado comigo.
- Desculpe, Sr. Cullen – ele disse, sorrindo.
- Bom, já que se entenderam, vamos conversar com o Sr. e a Sra Winter – ele disse sério.
- Conversar o quê, meu pai? – olhei curiosa.
- Sobre vocês dois! Ou você pensou que ia deixar vocês à vontade aqui? – ele disse rindo.
- Ele vai morar aqui? – indaguei>
- Sim, mas com várias condições – ele sorriu.
A festa foi o mais próximo da perfeição que vocês podem imaginar. Dancei, conversei, bebi, me diverti. Mas isso só depois que minha família chegou. Levei algumas vezes bronca da dona Ana, porque estava mais tempo na mesa da minha família do que tentando conhecer melhor a minha “nova” família, mas fora isso, nunca me diverti tanto assim. Rosalie, Emmett e Embry não paravam de trocar insultos um segundo sequer e isso estava me divertindo bastante.
Minha família ficou somente uma semana comigo, passei o tempo inteiro com eles. Ficaram mais pra estabilizar o Embry aqui.
Isso mesmo! Eles estão deixando o Embry morando aqui na Alemanha comigo, não sei o motivo, mas isso me surpreendeu. Fiquei mais surpreendida quando meu pai comprou um apartamento no centro da cidade pro Embry morar. Tinha certeza que isso tudo não era de graça e havia um motivo pra eles estarem fazendo isso, mas sempre que perguntava o porquê disso tudo, eles disfarçavam ou respondiam “pro seu bem... pro seu bem”. Mas quem disse que estou reclamando? Ao contrário, estou amando isso tudo!
- Vejo vocês no aniversário dessa linda! – disse dando um beijo na testa de Reneesme e a entregando para Bela.
- Escute bem, rapaz! Se você dá valor a isso – Emmett disse apontando pra calça do Embry – é melhor mantendo ele aí, se não quiser ser castrado! E se magoar ou brincar com minha irmã eu volto lhe castro, e ainda corto seu rabo! Entendeu? – Emmett disse num tom que até eu fiquei com medo.
- Lógico! Como prometi para todos – ele sorriu - irei cuidar muito bem da irmã de vocês – Embry disse, abraçando-me por trás e beijando meu pescoço.
- Melhor cuidar mesmo – Carlisle disse me puxando e abraçando.
- Cuide-se, e não saia sem o Embry, tá? – ele me olhou com aquele olhar que conhecia, um olhar preocupado.
- Agora que vocês estão indo embora, podem me explicar o porquê disso tudo? Por que vocês estão deixando Embry ficar aqui? Tem alguma coisa errada acontecendo? – indaguei.
- Não se preocupe, filha! Não é nada – ele disse me beijando e deixando os outros se despedirem. E assim eles fizeram, todos se despediram dando mil e umas recomendações.
Meus pais deixaram Embry morando num apartamento que ficava 15 minutos da entrada da fazenda onde morava, e mais uma vez eles estavam combinados com a Dona Ana. Tinha horários e, se saísse da linha, ela tinha total liberdade de ligar pro meu pai e me dedurar se eu não a obedecesse. Isso mesmo, Carlisle fez prometer que iria obedecê-la como fosse minha mãe de verdade; bem, como fosse a Esme...
Embry foi matriculado na mesma escola onde eu e o Jonh estávamos estudando, sendo que eu estava no segundo ano e ele, no terceiro. Pedi para os meus pais me adiantarem um ano, queria logo acabar a escola e ir pra faculdade, assim não demoraria muito pra ir à faculdade, me formar e ser transformada.
Além do apartamento meus pais deram um carro pro Embry, era um carro estilo Cullen, um Lamborghini Gallardo chumbo cromado, resumindo, um senhor carro que, onde passávamos, chamava atenção.
Já tinham passado quatro meses desde que cheguei, esses quatro meses estão sendo os mais felizes da minha vida. Sempre quando dona Ana permitia sair com o Embry, tinha que levar meu irmão como pedestal. Meu namoro com o Embry estava indo de vento e popa, ele me buscava todo dia para levar à escola e depois das aulas passava uma hora ensinando-o alemão. No começo foi difícil, mas ele já está começando a entender a língua.
Hoje é um dia especial, é o aniversário de 18 anos do Embry. Eu tinha preparado uma surpresa pra ele e hoje não teríamos que esperar pelo Jon, coitado, está acamado com uma gripe que não sei como eu não peguei.
Cada segundo que passava na sala de aula parecia uma eternidade, estava contando os segundos para sair e me encontrar com o Embry; foi então que tocou o sinal e praticamente corri pro corredor. Corri até meu armário e lá estava ele, encostado na parede com os braços cruzados, me esperando.
- Dá pro senhor sair de frente do meu armário? – falei sorrindo.
- Só se a senhora me der um beijo – ele se inclinou pra baixo para poder me beijar. Para ajudar no beijo, fiquei de ponta de pé, e nos beijamos. Quando terminou o beijo, um grupo de meninos passou e comentou algo que me fez sorrir.
- O que eles disseram? – Embry me olhava desconfiado.
- Falaram que não entendem como eu, uma menina linda, gostosa e sexy faz com um cara feio e sem graça – zombei.
- Como é que é? – ele disse aos dentes e caminhou na direção onde os meninos foram, mas no meio do caminho consegui segurar a mão dele.
- Hei, seu bobo, estou brincando! – disse puxando-o pra mim e lhe dando outro beijo.
- Isso é pra você aprender a se dedicar e aprender logo o alemão! Gravou as aulas? – disse, guardando meus livros no armário.
- Sim... gravei, mas como eu posso me concentrar pra aprender se minha professora fica me atentando durante as aulas? – disse manhoso.
- Embry, meu amor – suspirei - você está aqui já faz 4 meses, está na hora de se virar sozinho, não acha? – sorri.
- ! Esse idioma é difícil! – ele me conduzia até o carro.
- Difícil é aprender alemão quando tem 5 anos de idade! – falei sorrindo.
- Você aprendeu com cinco anos? – ele me olhava espantado.
- Edward não me deixava ser uma criança normal! – sorri e o parei.
- Dá a chave! – disse, esticando a mão.
- Pra quê? Você não tem carteira! – ele disse dando uma tapa na minha mão.
- Dá a chave! – falei, esticando a mão novamente.
- Não! Prometi pro seu pai que iria lhe manter viva, e se lhe der a chave você irá se matar e também me matar! Então, esquece! – ele disse sorrindo e apertando no controle pra abrir as portas.
- Vamos, entre – ele disse apontando pro banco.
- EMBRY! A CHAVE! – gritei.
- Não! – ele disse calmamente.
- Embry! – rosnei.
- Não! – ele sorriu.
- ARGH! Deixa de ser chato! Eu quero a chave! Eu irei dirigir! – disse tentando pegar a chave da mão dele, sendo que ele só fez levantar o braço.
- , querida, pare! Está parecendo uma criança mimada que quer um brinquedo – disse divertido – Vamos, prometi que ia lhe levar cedo pra casa, parece que a Ana quer lhe mostrar alguma coisa sobre inseminação artificial em vaca - ele disse me abraçando.
- Não iremos pra casa. Hoje é seu aniversário, combinei com a Ana... e você está estragando minha surpresa! – disse, empurrando-o e entrando no carro, fechando a porta com força.
- Como você é geniosa, hein! – ele disse dando a partida no carro.
- Para onde vamos? – ele disse curioso.
- Pra casa! – disse ríspida.
- Mas você não disse que não íamos pra casa? Então? Pra onde? – ele disse calmamente.
- Casa! – disse ríspida.
- Ah, ! Para, tá! Hoje é meu aniversário, quero saber dessa surpresa, pra onde? – ele disse sorrindo.
- Casa!
- Hii... tá com raiva, é? – ele sorriu.
- Não – disse, seca.
- Não vai me dar os parabéns, não? – ele continuava rindo.
- Não!
- Hum! Não vai mais ter festa, não? – ele sorriu novamente.
- Não!
- Haaa! Agora chega! Odeio quando você fica monossilábica, dá pra parar! – disse gritando.
- Não!
- Juro que se não lhe amasse tanto ia lhe dar umas belas palmadas! Você é bem mimada, hein! – ele disse ríspido, mas continuou dirigindo. Ficamos em silêncio por um bom tempo, até a entrada de Bad Tölz.
- Chega, vai! Fala comigo – sussurrou.
- Não!
- Odeio quando você faz isso! – ele disse, encostando o carro.
- Deixa de ser mimada, vai! – ele disse fazendo um carinho no meu rosto. - Me diz para onde vamos que lhe levo, custa dizer? Me diz, vai – ele sorria.
- Não! – disse tirando a mão dele do meu rosto e cruzando os braços.
- Quando me falaram que ia ser complicado namorar você, não imaginei que era isso! – ele disse, encostando a cabeça no banco e suspirando. - Agora, por favor, meu amor! Dá para você voltar a falar comigo normalmente? – ele disse de olhos fechados.
- Não!
- AHHH! Agora chega! – ele disse dando a partida do carro.
- Irei lhe levar pra sua casa! Sua mimada! – ele disse ríspido.
- ÓTIMO – disse mais ríspida ainda.
- , para! – ele disse quase rosnando.
- Embry! Se você quer ser chamado de namorado, terá que aceitar minhas condições! – falei, birrenta.
- Mas que saco, ! Vai terminar comigo no meu aniversário? Só porque não quero deixar você dirigir? Deixa de ser mimada, menina! Cresça! Tá na hora, sabia? E tem mais, eu não sou seu bicho de estimação pra você mandar e desmandar! Chega, tá! Chega! – ele disse quase rosnando pra mim.
- Me deixa em casa, Embry! – disse, olhando pra janela.
Durante todo o percurso até minha casa, não trocamos olhares e muito menos palavras, estava furiosa com ele e também tenho certeza que ele estava comigo. Ele parou o carro bem na porta de casa e suspirou.
- Vai ficar com raiva de mim por besteira mesmo? – ele disse segurando minha mão.
- Não é besteira – disse puxando minha mão e abrindo a porta.
- , por favor, cresça, deixa de ser mimada! – ele disse saindo do carro e parando na minha frente.
- Mimada é sua mãe! Seu sarnento! – disse empurrando-o e indo pra casa.
- Aprendeu esse palavreado com a Rosalie, foi? – ele disse me seguindo.
- Tchau, Embry! – abri a porta e bati na cara dele, torcendo pra tê-lo machucado.
- O que você está fazendo aqui, minha filha? Não ia pra Suíça com o Embry? – Ana estava na sala vendo alguma coisa na TV.
- Ia... falou certo... ia! – disse indo pro meu quarto.
- Filha, o que aconteceu? – olhou preocupada.
- Nada, mãe! Nada – suspirei.
- Como nada? Está me chamando de mãe! – ela disse preocupada.
- Sabe o que é, Sra. Winter, é que a não aceita ser chamada de mimada, acho que a verdade dói! – Embry disse do lado dela.
- Não tinha batido a porta na sua cara? Isso indica que não é pra entrar! – falei entre os dentes.
- Sou persistente – ele deu aquele sorriso que eu adorava. - Sei que quem está errado nessa história toda é você, mas me perdoa se lhe magoei em algum momento. Sendo que tudo que falei é verdade – ele disse parando na minha frente. - Vai, me perdoa, não quero ficar brigado com você no meu aniversário, né? – ele disse pegando minha mão e entregando a chave do carro. - Não vai acostumando a fazer birra e ganhar as coisas. É que não quero ficar brigado contigo logo hoje – ele me olhava com aquele olhar.
- Tá certo, desculpa pela minha imaturidade – disse rindo.
- Então? Suíça, é? – ele disse me abraçando.
- Sim, vamos antes que seja tarde – peguei a mão dele e saí correndo. - Até domingo, Dona Ana! – disse antes de fechar a porta.
- Domingo? – ele disse afivelando o cinto.
- Sim – sorri - ela deixou ficarmos juntos o final de semana inteiro.
- Nossa! Que honra! – ele me deu um beijo no rosto.
- Vai ser o seu aniversário mais longo que já teve! – disse rindo.
- Estou curioso agora, sabia? – ele fez um carinho no meu rosto.
- Vai ficar – sussurrei.
Depois de duas horas de viagem, chegamos à fronteira com a Suíça. Parei o carro antes e passei pro Embry, afinal, ele tinha carteira e eu, não. Uma hora depois chegamos ao hotel, onde tinha feito uma reserva. Esse hotel ficava 5 minutos dos Alpes Suiços.
- Dá para você me dizer o que tá aprontando? – ele disse ao meu lado.
- Ainda não! – sorri.
- Aqui está seu cartão. Boa estadia em nosso hotel – o recepcionista disse, entregando-me um cartão-chave
- Eu não entendi nada que ele disse! – Embry comentou no elevador.
- É um alemão suíço, um pouco diferente... como se fosse caipira – sorri e o abracei.
- ? Iremos ficar aqui até domingo, eu não trouxe roupa e nada! – ele disse enquanto eu abria a porta.
- Não se preocupe. Eu resolvo isso! Agora, entre! – disse empurrando-o pra dentro e fechando a porta atrás de mim.
Fiquei observando-o olhar abismado pro quarto, tinha pego o mais caro, mas pedi pra eles me darem o melhor quarto, com vista pros Alpes suíços. Pedi para eles deixarem o quarto o mais romântico o possível. Então, eu também fiquei abismada com tudo, o quarto estava cheio de pétalas de rosas, cheiroso e com um champanhe no gelo. Ele virou pra mim, sorrindo.
- Você que fez isso tudo? – disse abismado.
- Não – sorri - só pedi pra deixarem o quarto meio que romântico, mas acho que exageraram, né? – disse, abrindo o champanhe e nos servindo. - Feliz aniversário, meu amor! – disse, dando-lhe uma taça e brindando com ele.
- Como você é imprevisível! Uma hora atrás estava me matando de raiva, e agora! E agora está me matando de alegria! – ele disse tomando um gole.
- É? – disse, ligando o som e a música que tocou foi So Close, de Jon Mclaughlin, e em seguida tocou The Silence, do Gamma Ray. - Nossa música! – sorri pra ele e começando a dançar.
- Você é incrível... – ele disse beijando minha testa; logo depois beijou a ponta do meu nariz.
- Eu te amo, – ele disse aos sussurros.
- Eu também te amo, seu sarnento! – sorri.
Ficamos dançando lentamente por um bom tempo, até mesmo quando a música terminou. Estávamos nos beijando lentamente e carinhosamente, ambos fazendo carícias e falando juras de amor. Aos poucos, fui conduzida até a cama e, lentamente, ele foi tirando minha roupa; primeiro foi minha blusa e a segunda peça foi meu sutiã. Mesmo tremendo, consegui tirar a blusa dele e acariciá-lo. Estava nervosa, mas era isso que queria. Comecei a tremer mais ainda quando ele começou a acariciar e beijar meus seios, então ele parou e olhou pra mim.
- O que foi? Tá tremendo! – olhou preocupado.
- Só nervosa... – disse sorrindo.
- Serei cuidadoso, não precisa ficar nervosa – ele disse, me beijando, e em seguida foi descendo novamente. Beijou meus seios e foi descendo, tirou minha calça e, em seguida, tirou a dele. Olhou pra mim, sorrindo. - Serei o mais cuidadoso possível – ele disse, tirando minha calcinha. Mas eu estava tão nervosa e tremendo que quando vi que ele já tinha tirado a cueca e ia começar, eu o interrompi.
- Embry! Desculpe, eu... – disse, empurrando-o e sentando na cama.
- Você não está preparada ainda, é isso? – ele disse um pouco desapontado e suspirando.
- Desculpe! – disse, pegando minha roupa e me vestindo. Ainda estava tremendo e não tive coragem de olhar como o Embry estava, tinha o deixado em ponto de bala e, na hora H, eu dei pra trás. Levantei e sai do quarto.
- Pra onde vai, ? – escutei -o perguntar antes de bater a porta.
- Desculpe – foi a única coisa que consegui dizer.
Estava envergonhada e desapontada comigo mesma, preparei todo o clima pra hoje ser o dia mais perfeito pra ele e pra mim, mas não tive coragem de seguir em frente. Ele deve estar se sentindo horrível. Ao menos, eu estava. Fui até o restaurante do hotel e sentei no bar.
- Bitte!!, eine Glasrundeusth (inventei essa bebida agora) – pedi uma bebida em alemão e, entregando uma nota de 50 euros pro garçom. Ele me olhou desconfiado, mas entregou mesmo assim a bebida. Tomei o primeiro copo numa golada só, o segundo novamente, e assim como o terceiro e o quarto, mas quando ia tomar o quinto, Embry segura minha mão.
- Não vai beber mais nada – ele disse aos sussurros.
- Embry, eu... – disse abaixando a cabeça.
- Não irá adiantar nada você beber até cair no chão, não quero ver você assim. – ele disse, me abraçando e beijando minha testa. - Vamos pro quarto? – disse suavemente.
- Não, Embry... eu... desculpa – sussurrei.
- Vamos conversar lá – ele disse, guiando-me até o quarto. Chegando ao quarto, ele me guiou até a cama e me deitou nela; então ele sentou do meu lado e sorriu. - Agora durma... – ele disse, beijando minha testa.
- Desculpa, Embry... pensei que estava preparada... mas...
- Olha pra mim – ele disse levantando meu queixo. - Eu te amo. E você sabe muito bem disso, então , não precisa ficar assim, eu te espero, espero o tempo que for. Um, dois ou até mesmo cinco anos, mas prometo que não farei nada que você não queira e não irei forçar nada... tudo bem? – ele disse olhando intensamente nos meus olhos.
- Eu também te amo Embry, me desculpe ter feito tudo que fiz para, no último momento, não conseguir – murmurei.
- Hei, bobinha! Já disse pra esquecer isso, não foi? – ele disse, deitando na cama e me puxando pra ele.
Descansei minha cabeça no peito dele e suspirei.
- Não acredito que tenho um namorado como você – disse beijando o pescoço dele.
- Agora durma, minha . Pelo cheiro, a bebida que estava tomando era forte, dorme, vai – ele disse beijando minha cabeça, e estava certo, a bebida era realmente forte e eu estava com sono. Dormi abraçada com ele pela primeira vez.
Acordei com a cabeça latejando, tinha desacostumado a beber. Percebi que estava suando e o ambiente estava quente, olhei melhor e notei que ainda estava com a cabeça no peito do Embry e o mesmo me abraçando, era por isso do calor. Tirei com todo cuidado o braço dele de cima de mim, levantei sem fazer barulho e fui tomar um banho demorado. Depois do banho, pedi um café da manhã e remédio para dor de cabeça. Fiquei em pé observando Embry dormir calmamente; olhei o peito nu dele e fiquei admirando a “paisagem”. Como ele tinha um corpo bonito e nunca tinha observado isso, como eu não tive coragem? Sou uma besta, mesmo!
Voltei à realidade com alguém batendo na porta. Atendi a porta e recebi café, encostei o carrinho perto da mesa e arrumei os pratos. Peguei um morango, passei no creme de leite e leite condensado e comi a metade. Lambuzei mais ainda no creme e fui até a cama. Passei o morango delicadamente nos lábios do Embry e o beijei.
- Bom dia – ele disse, lambendo os lábios.
- Bom dia, dorminhoco, vai tomar um banho, iremos sair – disse, piscando e levantando, mas ele pegou meu braço e me puxou pra cama, me dando um beijo demorado.
- Não mandei me atiçar! – ele sorria.
- Só queria te acordar sem ter que jogar água! Seria um desperdício molhar a cama – disse sorrindo.
- Hum! Mas prefiro ficar assim o dia inteiro com você do que sair – nesse momento ele estava beijando meu pescoço.
- Hoje você terá um dia de príncipe! Agora deixa de ser chato e vai tomar um banho e se arrumar – disse empurrando-o.
- Me arrumar? Com que roupa? Só vim com a roupa do corpo! – ele zombou.
- Por isso mesmo! Iremos às compras! – disse sorrindo e levantando da cama.
- Agora vai! – disse apontando pro banheiro.
- Nossa! Nunca pensei que você fosse tão mandona logo de manhã! Acho que irei pensar melhor antes de dizer sim no altar! – ele disse levantando lentamente e caminhando pro banheiro.
- E quem disse que irei aceitar casar contigo? Deixa só eu achar alguém mais besta por mim que te dou um chute na bunda – disse rindo e indo pra mesa tomar café.
- Ah! Então é assim? Sou descartável? – ele quase gritando do banheiro.
- Bichos de estimação morrem um dia, sabia? – gritei de volta.
- Posso ser eterno, querida! –ele gritou de volta.
- Bom! Então faço como as pessoas fazem quando enjoa do bicho de estimação! – zombei.
- O que é? – ele disse parando na porta da entrada da cozinha.
- Largo num local baldio! – sorri.
- Mulher com coração de gelo! – ele disse, parando na minha frente e balançando o cabelo.
- Ah, Embry, vai enxugar essa juba, vai! – disse, me enxugando.
- Hara! Engraçadinha! – riu forçado - Então? Vamos pra onde, meu amor? – ele disse sentando na minha frente e começando a se servir.
- Irei dar uma de Alice hoje! – sorri pra ele.
- Como? – olhou confuso.
- Você vai ver. Dependendo do horário iremos esquiar, e depois pra um show – disse pegando uma uva e jogando pra ele pegar com a boca.
- Boa, Fido! – dei sorriso e ele rosnou.
- Você sabia que me magoa profundamente me chamando de cachorro? – ele disse fazendo uma cara de cão sem dono.
- Desculpe, sarnento! – sorri e ele rosnou novamente.
- É sério! – e novamente aquela cara.
- Embry, conheço seus truques e te chamo disso porque é um! – disse levantando e indo pra trás dele, beijando seu pescoço. - Sarnento, pulguento e chato, mas eu o amo mesmo assim! – disse beijando o rosto dele.
- Termine de comer pra sairmos! – ordenei.
- Vai ser difícil conviver debaixo do mesmo teto que você, ho! – ele disse rindo.
Depois que terminamos de tomar café, saímos. Saímos a pé mesmo, ____________________________________________porque as lojas que eu queria ir eram todas perto do hotel onde estávamos. Caminhamos o tempo todo abraçados. Não porque estávamos apaixonados, bom isso era um dos motivos, mas o motivo real era que estava frio e eu estava sem casaco e não tem aquecedor melhor que o meu Embry.
Vivendo os anos todos com Alice e Rosalie, aprendi a comprar nas melhores lojas e escolher as melhores roupas, estavámos numa loja de grife para homens, estava dando um banho de loja no Embry.
Estava me sentindo naquele filme “uma linda mulher” só que ao contrário, eu que paparicava ele. Estava sentada em frente ao trocador esperando ele sair com mais uma roupa.
- A senhorita não quer nada não? – a gerente perguntou do meu lado.
- Embry querido quer alguma coisa? – sorri.
- Sair daqui é possível? – ele disse saindo do provador, levantando os braços e girando lentamente para poder analisar a combinação da roupa.
- Humm...quero nada não, mas me traz aquela blusa de seda listrada – disse sem tirar os olhos do Embry.
- Amor dá um giro vai – disse gesticulando.
- ... por favor! – suplicou. - Embry... gira vai... – soltei um beijo pra ele.
- Humm! Essa calça mostra a bunda sexy que você tem. Acho que vai combinar com aquela blusa preta! Tira essa blusa tá feia! – disse séria.
- !! Misericórdia! Clemência! – ele suplicava.
- Vem cá – disse sorrindo.
Quando ele parou na minha frente dei um beijo demorado nele e depois o empurrei pra entrar na cabine.
- Já vai acabar...vai lá trocar de roupa – disse dando um tapinha na bunda nele.
- ! – recriminou.
- Não tenho culpa se tem uma bunda sexy! - pisquei pra ele e fui sentar novamente.
- Amor de minha vida, por favor! Estou cansado... – suspirou - estamos aqui durante duas eu disse DUAS horas – ele estava apavorado.
- Isso não é nada, já passei 8 horas com Alice numa loja, agora vamos! Vai colocar a blusa preta! – disse sorrindo.
E o refrão pra música não saia da minha mente.
“Pretty woman won't you pardon mePretty woman I couldn't help but seePretty woman that you look lovely as can beAre you lonely just like mePrety wonam, só que era Prety men...” só que mudem para Pretty MAN ;D
E exatamente 3 horas depois comprei tudo que desejava naquela loja. Mesmo com os protestos dele fomos em outra loja, mas dessa vez só ficamos uma hora e na terceira loja só ficamos uma hora também. Também comprei algumas coisas pra mim, mas pouco, não precisava. Alice sempre me mandava roupa, comprei algumas peças pra usar hoje no show e uns agasalhos.
- Que tal cortar esse cabelo? – disse parando em frente de um salão.
- Ah não! Isso não! Gosto do meu cabelo um pouco grande! – ele disse sério.
- Já está grande demais, vamos cortar até o ombro então? Ai fazemos um alisamento nele e um relaxamento! – analisei.
- !! Não sou uma mulher! – gritou.
- E daí? Homens também cuidam do cabelo! Olha, eu gosto mais do seu cabelo um pouco acima do ombro e não passando dele – disse fazendo um carinho nele.
- Que tal até aqui? – apontei pra dois dedos acima do ombro.
- Ah amor... não por favor! – ele quase chorou agora.
-Hum... lembra de ontem? Que você me perguntou o que os meninos disseram? – sorri.
- Sim.. lembro. – analisou.
- Então!! Eles disseram que você parece uma mulher com esse cabelo grande, amor... não que não goste, mas ele tá grande mesmo, vamos aparar as pontas vai – sorri.
- Ai Deus! O que não fazemos por nossas mulheres! – ele disse entrando no salão.
Depois de duas horas no salão fazendo tudo que tinha direito e um pouco mais saímos e a cara do Embry era de poucos amigos.
- Se o bando me ver assim! – ele disse resmungando.
- Te ver como? Lindo? – disse sorrindo e pegando algumas sacolas da mão dele.
- Me ver saindo do salão de beleza cheio de sacola! Não parece meio gay não? – ele disse parando.
- Hum! É bom as outras mulheres pensarem que é gay, assim ninguém olha pra você!! Porque meu Deus, você ficou lindo nesse corte de cabelo! – disse beijando seu rosto.
- eu só cortei acima do ombro pouca coisa – ele disse sorrindo.
- Mas mudou! Vamos ?! – disse me abraçando com ele.
Quando chegamos ao nosso quarto ele jogou tudo no chão e me olhou feio.
- Você me paga baixinha! – ele disse caminhando lentamente na minha direção.
- Olha! Irei pegar o jornal e fazer uma espada hein! – disse dando dois passos pra trás. - E tem mais, não sou baixinha, você que é grande demais tá?! – retruquei.
- É baixinha sim!! Tem 1,75 e eu tenho 2,05...Baixinha!! – ele disse dano mais um passo.
- Quieto! Senta! morto! – disse sorrindo.
- Lá vem você! – ele disse revirando os olhos.
- Vamos esquiar Embry? – disse sorrindo e dando outro passo pra trás.
- Não! – nesse momento ele pulou em cima de mim e me agarrou, me carregou até a cama e me jogou nela, prendeu minhas mãos acima da minha cabeça e sorriu. - Agora – ele me deu um beijo na testa. - Diz alguma coisa vai! – ele deu outro beijo em mim.
- Tô com fome – sorri.
- Nossa!! Que inspirador! – ele disse sorrindo e me soltando.
- Hei... quem disse que mandei parar de me beijar? –briguei.
Ficamos horas no quarto, conversando e nos agarrando, mas ele sempre respeitando os limites e se controlando. Ficamos conversando coisas banais, como: o que você gosta mais, ou como foi e com quem seu primeiro beijo, enfim, coisa que nunca tínhamos perguntando um pro outro, mesmo namorando e se encontrando todo dia nesses quatro meses eu sabia pouca coisa dele.
- É sério Embry? – disse sentando novamente ao lado dele com uma bandeja de comida.
- Sim – ele disse pegando um sanduíche.
- Mas aquele dia lá no penhasco você nadou bem, até me salvou! – disse abismada.
- Sim querida, humano sei nadar perfeitamente, mas como lobo não – ele deu os ombros.
- Mas os cachorros sabem nadar, sabia? Nadam cachorrinho! – não me contive e cai na gargalhada.
- Você só não é mais engraçada porque é só uma. Às vezes não dá pra ter uma conversa séria contigo não! – ele disse meio que emburrado.
- Mas Embry é sério! Os cachorros sabem nadar, estou abismada que não sabe na sua forma de lobo – sorri.
- Não sou um cachorro , sou um lobo – disse frustrado.
- Hooo grande diferença! – zombei – pensei que fosse um gato.
- Deus! Me dê paciência com essa mulher!! Você às vezes fica pior que seus irmãos todos juntos sabia?!! – ele disse emburrado.
- Mas o que eu fiz? – disse inocentemente.
- Vamos mudar de conversa? – ele disse pegando um copo de suco.
- Tá... – disse beijando o rosto dele.
- Hoje de manhã você me disse que íamos pro um show? Qual é? – me olhou curioso.
- Você disse que desde quando escutou Angra lá em casa, gostou né? – sorri.
- Mais ou menos isso, uma música fez eu ter coragem em falar contigo, mas estou gostando mais por você, sempre está escutando, ai aprende a gostar né? – explicou.
- Bom! Aqui na Suíça está acontecendo um festival chamado de Glastonburg (sei que não acontece na Suíça, mas estamos numa história de faz de conta nhe? ;D)
- E o que tem? – ele disse pegando outro sanduíche.
- Angra irá tocar hoje nesse festival, comprei ingressos para nós – sorri.
- Que interessante! Irei pra um festival de rock com minha namorada! – ele disse num tom irônico.
- Não gostou? Pensei que ia gostar, faz parte do pacote! – sorri forçado.
- Que pacote? – indagou.
- Pacote do seu aniversário, vim pra cá, ficar contigo, esquiar, compras, show! Pensei que ia gostar – sorri.
- Sinceramente não quero ir nesse show! – disse um pouco ríspido.
- E porque não? – olhei confusa.
- Porque prometi pro seu pai que não ia deixar você se meter em confusão! – ele disse sério.
- Mas... o que tem a ver o show com confusão? Diga-me – olhei séria pra ele.
- Seu pai me disse do ano passado, me disse como você se envolveu em drogas e ir pra um lugar desses é dar a chance de você ter uma recaída. E você quase teve uma recaída ontem na bebida – ele disse analisando.
- O que mais meu pai lhe disse? – falei irritada.
- Nada, disse só isso, que você às vezes passa dos limites, adora entrar em confusão e a última foi entrar nas drogas. E eu não irei deixar você voltar pra elas! – ele disse passando a mão no meu rosto, mas eu tirei a mão dele e levantei da cama.
- Olha Embry, quando você e meu pai decidirem fofocar sobre minha vida e decidir o que é bom ou ruim pra mim, faz o favor de nem me contar! – disse rispidamente e indo até a porta.
- ?! Porque essa raiva toda? – ele disse confuso.
- Porque agora entendi o motivo de você está aqui! Entendi porque eles deixaram você ficar comigo!! Aqueles vampiros não valem nada e você muito menos! – sibilei.
- ? Não estou entendo sua raiva, o que foi que eu fiz?– ele disse segurando meu braço. - O que foi que falei? – ele me olhava nos olhos.
- Me deixa em paz Embry – tirei um ingresso do bolso e lhe entreguei.
- Tome o seu... se quiser vai. Irei estar lá me acabando! – disse me soltando da mão dele.
- Você não vai! – ele disse entre os dentes.
- Vou sim! – disse saindo do quarto sem olhar pra trás, quando estava esperando o elevador ele parou na minha frente.
- Irei com você – ele disse ríspido.
- Não preciso de babá! Aliás! - Peguei meu celular e liguei pro Carlisle, sem me importa com o fuso horário, tocou só uma vez e ele atendeu.
- Filha? – dissera espantado.
- Não! É a mãe Joana! – falei ríspida!
- Boa noite para você também querida. Mas o que aconteceu pra me ligar quase meia noite? – como sempre ele com aquela calma toda.
- Deixa de ser falso pai! Descobri todo seu plano! Confia em mim né? CONFIA porcaria nenhuma! – exasperei.
- Hei calma! E veja como fala com seu pai! Primeiro, descobriu o que? – indagou.
- Para de bancar o desentendido! Seu falso! Olha odeio você! Aliás odeio todos! E pode mandar dinheiro pra passagem da minha babá! Porque não preciso de babá! – disse rosnando.
- Filha calma... não estou te entendendo! – disse espantado.
- Calma porcaria nenhuma! – nesse momento Embry tomou o telefone da minha mão.
- Hei pára, não fale com seu pai assim! Alô? Carlisle? – houve uma pausa - Sim! Sou eu – outra pausa - não sei, ela ficou com raiva depois que contei – mais um pausa - isso mesmo...haaaa....
Não esperei ele terminar a conversa com o Carlisle e entrei no elevador. Estava furiosa, como eles me enganam assim? “não!! Nós só queremos que seja feliz”. Feliz é? Queriam um espião pra dar toda as coordenadas pra eles, isso sim “ Lógico que confio em você filha”. Confia porcaria nenhuma! ARGH que raiva! Como eles acham que ainda sou aquela criança? Eles não vêem que mudei?! E o Embry? Se unir a eles pra me vigiar! ARGH!
Estava tão cega de raiva e nem vi que estava fora do hotel. Quando ia entrando no táxi Embry segurou meu braço.
- Mas que coisa, calma menina! – ele disse me abraçando.
- Escute, seu pai quer falar contigo – ele entregou meu celular – mas seja educada – ele disse me olhando sério.
- Vai se catar, vampiro estúpido! – disse desligando o celular.
- ?! – ele me ralhou. - Como tem coragem de tratar seu pai assim? – disse espantado.
- O que foi? Agora são amiguinhos é? E a tal rivalidade?! – debochei.
- Eu respeito seu pai e sua família, é diferente. Agora me escute, sua família te ama e eu estou aqui porque te amo, não estou aqui pra te vigiar! Não sei o porquê dessa explosão de fúria! – ele disse beijando minha testa. - Seu pai confia em ti, seus irmãos e sua mãe. Todos confiam em ti. Pare de bancar a criança e ligue pro seu pai se desculpando – ele disse sério.
- Você não manda em mim! – disse empurrando-o.
- Mando sim, sou o maior responsável aqui sabia? – ele me olhava seriamente.
- Aprendeu direitinho com meu pai né? – disse entre os dentes.
- Ligue pra ele! – ele falou no mesmo tom. Olhei pra ele e peguei o celular, então taquei o celular no chão o fazendo quebrar em vários pedaços.
- Ops... caiu! – disse olhando nos olhos do Embry.
- ARGH! Sua mimada, estúpida, criança! Não sei por que gosto de você! Não sei mesmo! – ele disse caminhando de um lado pro outro se tremendo. - Nunca senti tanta raiva de você ! Meu deus como é mimada, criança! Imatura! E ainda não quer que seu pai fique preocupado contigo né? Vê o que você faz? Vê que não tem idade e nem maturidade? Não vê isso? – ele continuava andando de um lado pro outro. - Chega! Pra mim chega! Cansei... cansei mesmo! – ele disse parando na minha frente.
- Se quiser ir pra esse show vai, se quiser se matar, se mata! Estou pouco me lixando! – ele disse rispidamente e saiu correndo na direção da floresta. Fiquei parada na frente do hotel esperando ele sumir. Quando ele sumiu fui até a recepção.
- Por favor, fecha a conta do quarto 345 – disse normalmente.
- Sim senhorita
- Irei pegar minhas coisas no quarto, quando voltar assino o que tiver que assinar – disse pro recepcionista e saí. Arrumei tudo em uma única mala e desci.
- Aqui senhorita – ele me entregou um papel e eu assinei.
- Escute bem, essa mala e essa chave é do rapaz que está comigo, nome dele é Embry Karlyn Call. Quando ele voltar entrega pra ele e avisa que fui embora. Entendeu? – disse autoritária.
- Sim senhorita!
- Pode chamar um táxi pra mim? – sorri.
- Já tem na entrada senhorita.
Entrei no táxi e pedi pra me levar pra casa. Demorou 3 horas para chegar em minha casa, paguei um absurdo pro taxista, mas estava na minha casa. Olhei pro relógio e marcava 22 horas, entrei na casa e todos estavam conversando animadamente na sala, passei por eles e fui subindo as escadas.
- Ué? Não ia só voltar amanhã? – Jonh perguntou sorrindo.
- Ia – sibilei.
- Tá com fome filha?? Jonhy trouxe comida italiana – Ana falou rindo.
- Não – disse seca. - Irei dormir – disse subindo pro meu quarto.
Tomei um banho bem demorado e me deitei na cama, estava furiosa com Embry e com meu pai, como eles se juntam pra me vigiar? A conversa toda de dizer que confia em mim não passava de conversa fiada! Posso estar sendo imatura, mas não gostei nadinha de ser vigiada 24 horas. Não sei em que momento dormi e comecei a sonhar ou se estou sonhando realmente.
- Oi...- uma voz doce, suave e ao mesmo tempo sombria me fez despertar.
- Você de novo! – olhei pro vulto que estava perto da porta.
Capítulo 21
- Oi... - uma voz doce e suave me fez despertar.
- Você de novo! – olhei para o vulto que estava perto da porta.
- Sou amigo esqueceu? – a voz continuava sombria.
- Amigo?! Sei... - disse sentando na cama.
- O que você quer? – disse entre os dentes.
- Sabia que irritar lobisomem pode fazer mal? – disse o estranho vulto.
- Agora você é meu demônio protetor? – disse levantando e indo na direção do vulto.
- Já disse, sou um amigo... – quando me aproximei do vulto, ele sumiu e apareceu do outro lado do quarto. - Se é amigo porque não se identifica? – isso já estava me irritando.
- Ainda não chegou o momento de fazer isso. – ele disse.
- O que você quer afinal? – disse sentando na cama novamente.
- Te dar conselhos! – falou sério.
- Não preciso de conselhos de um vulto – Escutei uma risada que congelou até minha alma e ele desapareceu diante dos meus olhos.
- Droga... Tô maluca agora, falando comigo mesma... – escutei baterem na porta.
Levantei e abri.
- O quê? – disse emburrada.
- Nossa! Amanhece com raiva, imagina quando for mais tarde! – Jonh disse sorrindo.
- O que você quer Jonh? – eu estava bastante irritada.
- Telefone pra você – ele disse me entregando o telefone.
- Quem é? – perguntei curiosa.
- Seu pai, já ligou três vezes, mas você estava dormindo, só que dessa vez ele mandou te acordar. – disse meu adorado irmão.
- Que horas? – indaguei.
- São nove. – ele respondeu.
- Então diga pra ele que estou tomando banho! E depois retorno a ligação! – entreguei o telefone pra ele e o mesmo apertou um botão.
- Sr. Cullen? Ela está tomando banho, disse que mais tarde retorna a ligação... – ele ficou calado - Sim senhor. – estava ouvindo meu pai - Falo sim... Tchau! – desligou o telefone - Ele disse que vai esperar 30 min. – disse finalmente para mim.
- Quando ele ligar novamente avise que morri afogada na banheira! – disse ríspida - Não quero falar com ele e nem com Embry! Entendeu? – o olhei séria.
- Pode me dizer o aconteceu? – eu precisava falar com alguém.
- Entre... – dei passagem a ele.
- Então minha querida irmã, o que aconteceu? – ele se sentou na minha cama.
- Carlisle se uniu ao Embry pra me vigiar. – cruzei os braços ao fechar a porta - Contou pro Embry que sou viciada! Sendo que não sou! – quase grito - Isso me deixou chateada! – sentei ao seu lado na cama.
- Bom, desde que voltou você não fez nada. – meu irmão colocou a mão em meu ombro.
- Exato Jonh! – me exaltei – Aí, o Embry com meu pai acham que sou uma viciada que precisa ser vigiada 24 horas! – falei bufando de ódio.
- Então, está com raiva porque seu pai e namorado estão preocupados contigo? – ele disse ironicamente.
- Não Jonh! – meu irmão era obtuso às vezes - Estou com raiva porque eles não confiam em mim, ficam falando de mim pelas costas e tramam juntos o meu futuro, estão unidos me guiando, me fazendo de fantoche!
- ! Não acha que está exagerando? – ele me encarava.
- Posso até estar, mas que estou com raiva estou! – nesse momento o telefone toca.
- Sim? – ele atendeu – Ah, oi Embry! – ele me olhara e eu neguei com a cabeça - Está dormindo! – ele revirou os olhos pra mim – Tá, digo sim. Tchau. – ele desligou o aparelho.
- Olha, ele disse pra você ligar pra ele. – meu irmão sorriu.
- Obrigada Jonh! – disse dando um beijo no rosto dele.
- Que tal sairmos, hein? Cavalgar pela fazenda? – ele disse rindo.
- E você está melhor da gripe? – disse tocando na testa dele.
- Tô ótimo! Então, vamos? – deu um sorriso travesso.
- Humm... Vamos lá! – fui ao meu banheiro me arrumar.
Ficamos até a hora do almoço cavalgando. Entramos em casa um empurrando o outro e rindo.
- Ah, vocês estão aí! – Ana disse nos parando.
- Saímos pra cavalgar! – disse passando por ela.
- Carlisle está ligando a cada 5 minutos, retorne a ligação pra ele e cadê seu celular? – ela me indagou.
- Quebrou... – sorri amarelo - E não tô a fim de falar com ele. – disse indo pra cozinha.
- Filha, pela voz dele... Acho melhor ligar. – ela falou sincera.
- Eu não! – disse lavando minhas mãos e indo almoçar.
- Filha, liga vai... Prometi que ia fazer você ligar pra ele. – ela deu um sorriso doce.
- Não. – eu estava irredutível.
- Teimosa. – ela bufou.
- Obrigada. – sorri cínica.
- Escutem os dois, eu e o Jhonny vamos viajar, volto em um mês, irão se comportar? – ela disse olhando pra mim.
- Por mim... – disse dando os ombros.
- Vão ou não? – ela olhou para o meu irmão.
- Sim mamãe, iremos. – Jonh disse dano um cutucão em mim.
- É dona Ana, iremos... – disse comendo.
- Irei confiar em vocês, hein?! Deixarei o Robert como motorista para qualquer coisa. – ela falou séria.
- Tudo bem! Boa viagem Dona Ana. – disse rindo.
- Você não aprende, não é? – ela disse saindo da cozinha.
Passei o domingo inteiro ignorando as ligações de Carlisle e Embry, não queria falar com ninguém que tivesse algum tipo de poder místico! Cansei desse mundo, cansei de vampiros e lobisomens, sou humana e esse é o mundo que pertenço.
Acordei cedo na segunda-feira. Não queria esperar o Embry vir me buscar, pedir pro Robert me deixar na escola. Para minha sorte o carro dele não estava no estacionamento. Entrei o mais rápido possível na minha sala e para minha surpresa fui a primeira a chegar, fiquei um tempo olhando minhas anotações para fazer o tempo passar e nem percebi a sala enchendo.
Como esse dia estava passando lentamente. Eu estava me sentindo horrível, um vazio em mim, olhei pro relógio e ainda marcavam 9 horas, faltava uma hora e meia pro intervalo. Acho que dormi na aula, porque quando dei por mim o sinal tinha tocado. Arrumei minhas coisas lentamente e saí. Na saída da sala vi o Embry vindo na minha direção com cara de poucos amigos, meu estômago nessa hora revirou, ainda não estava pronta pra encarar ou falar com ele, peguei outra direção evitando-o, mas foi em vão em poucos segundos ele estava ao meu lado.
- Podemos conversar como gente civilizada? – perguntou sério.
- Tá. - falei sem emoção alguma.
- Vem, vamos sair daqui... – ele disse me guiando pro carro. - Porque não me esperou sábado? – ele falava calmamente olhando pra estrada.
- Porque você estava irritado. – disse normalmente.
- E porque não atendeu meus telefonemas? – ele estava bem sério.
- Porque não estava em casa. – disse mecanicamente.
- Pegue, ligue pro seu pai agora. – ele disse me entregando o celular dele.
- Porque deveria? – disse ríspida.
- Por favor, . – suplicava. - Por favor... – isso estava ficando ridículo! – ,deixa de ser cabeça dura! Seu pai te ama! – ele estava apelando demais.
- Sei disso. – disse pegando o celular da mão dele. - Embry encosta o carro, por favor.
- Por quê? – ele me olhava curioso.
- Por favor. – ele encostou o carro. - Desculpa. – disse quase num sussurro, me virando pra ele.
- O que você disse? – ele me olhava espantado.
- Desculpa! Desculpa por sábado, fui imatura mesmo, mas fiquei com raiva por você achar que sou uma viciada. E só estar comigo pra me vigiar – falei tudo muito rápido – Desculpa. – murmurei.
- Bom, irei pensar em te desculpar. – ele disse sério.
- Tudo bem. – disse baixando a cabeça.
- Ligue pro seu pai. – falou autoritário.
- Tá bom. – simplesmente concordei, não estava a fim de brigar.
Disquei pro numero do Carlisle.
- Pai?! Sou eu. – falei receosa.
- Esme Cullen! – ele estava bravo - Sabe que estou aqui no aeroporto comprando uma passagem pra ir pra Alemanha te buscar? – quase gritou - Está pensando que é dona do seu nariz? Porque está me evitando? Sabe mocinha... – nesse momento coloquei o telefone longe do ouvido e o deixei falar.
- Tá pai, desculpa. – e novamente deixei o telefone longe do ouvido enquanto ele berrava. - Tá pai, sim senhor. – e novamente mais gritaria. - Pai, irei desligar. – tentei intervir, estava cansada de gritaria - Preciso ir pra aula.
- NÃO! – gritou - Você ainda não ouviu nada! Agora escuta, quero que você me ligue quando chegar a sua casa, se não ligar, eu irei pra Alemanha te buscar! – falou autoritário.
- Tá pai, desculpa. – adiantava dizer alguma coisa? Não.
- ? - perguntou mais calmo.- Sim pai? – falei.
- Eu te amo criança. – falou doce.
- Também te amo pai e desculpa novamente, até mais. – desliguei o celular e entreguei pro Embry.
Suspirei forte e encostei minha cabeça no banco.
- Tô feliz em ver que você falou com seu pai, ele não parava de me ligar. – falou sorrindo.
- Que bom que te deixei feliz! – disse fechando os olhos e suspirando.
- Hei! – ele disse colocando a mão no meu rosto e me virando pra ele.
- O quê, Embry? – eu estava cansada disso tudo.
- Irei te perdoar só dessa vez, mas se você tiver outro ataque de frescura, irei embora. – ele disse sorrindo, mas ao mesmo tempo sério.
- Prometo me comportar! – disse sorrindo e o beijando.
Três meses depois...
Voltamos como estávamos antes da briga. Nunca imaginei que ficar um dia e meio brigada com o Embry me deixava mal. Os dias se seguiam em me buscar em casa pra ir à escola, aulas de alemão pra ele, e lógico namorico. Só que essa briga fez nosso relacionamento amadurecer, parece que estávamos mais unidos e sempre quando dava, um cedia pro outro. Embry estava mais socializado com o povo da escola, e ainda estava indo muito bem com o idioma. A única coisa que estava me irritando era que depois do banho de loja que dei nele, parecia que tinha dado banho de mel, porque a mulherada da escola começaram a olhar pra ele com segundas intenções e ainda tinha algumas descaradas que falava na minha cara como ele estava bonito, isso me deixava morta de ciúmes.
br> Estava na arquibancada olhando o treino de rúgbi acabar. Jonh convenceu o Embry de fazer rúgbi com ele, segundo o Jonh um homem como o Embry era um desperdício não jogar no time. Pelo tamanho, agilidade e força que ele tinha se tornou logo um dos principais jogadores. Estava sentada no primeiro banco da arquibancada, digitando um trabalho no computador e às vezes olhava pro treino, mas uma conversa de três garotas me chamou atenção.
- Quem é o bonitão sem camisa correndo com a bola? – ao olhar vi que era o Embry.
- Embry Karlyn Call, é do último ano. – disse uma garota que não conhecia.
- Que homem, Débora! – hiperventilou a garota.
- Deixa qualquer mulher louca por ele, não é? – a tal de Débora falou, literalmente babando.
- É meu! – a garota que não conhecia.
- Seu, querida? Ele tem namorada, Ruth! – Débora disse num tom de deboche.
- E por sinal uma linda namorada. – disse Taís, uma garota do primeiro ano.
- Eu não a acho bonita – Débora disse fazendo uma cara de nojo.
- E quem é? – Ruth perguntou.
- Cullen, do segundo ano. – Taís, respondeu.
- Ele merece alguém como eu! – Ruth disse jogando os cabelos pra trás.
- Quer ver? Irei fazer ele me beijar depois do treino. – ela disse, se achando.
- Duvido, ele é louco pela namorada, não se largam um segundo! – Taís disse rindo.
- Vocês irão ver! – Ruth disse passando batom nos lábios e se olhando no espelho.
“Calma. Controla. Respira, inspira... Conta até mil!” eram meus pensamentos.
- Mas que mulher vulgar! – resmunguei pra mim mesma, enquanto fechava o notebook. - Quero ver até aonde ela vai. – disse me ajeitando na arquibancada e observando o final do treino.
Demorou mais 15 minutos e o treino terminou, vi a tal de Ruth correndo até o banco onde tinha várias toalhas e entregava uma pro Embry.
Fiquei observando ela conversando com ele, de onde eu estava não dava pra escutar a conversa, mas dava pra ver direitinho, e aquela safada estava se jogando pra ele, fechei os olhos e respirei fundo, não ia fazer escândalo ali, não ia mesmo. E tem mais, eu confio no Embry.
Ao abrir os meus olhos, vi Embry sorrindo junto da safada.
“Respira. Conta até mil!”
E logo em seguida ela faz um carinho no braço dele e depois toca no peito dele.
“Meu Deus! Eu não tenho sangue de barata”.
Quando levantei pra ir dar uns tapas nela, o vi tirando a mão dela do peito dele e fechando a cara, mas mesmo assim caminhei até onde eles estavam.
- Embry, vamos? – disse de cara fechada.
- Claro, amor. – ele disse indo pro meu lado e me beijando.
- Tchau Em... Conversamos mais tarde! – ela disse passando por nós e fazendo uma cara de deboche.
- Vai tomar um banho que espero você no carro, onde está a chave? – disse me controlando.
- Nossa! Que frieza foi essa? – ele disse me abraçando.
- Só estou me controlando, Embry. – disse, tentando me acalmar - não quero ser expulsa por brigar – respirei fundo - E coloque uma blusa, por favor! – disse séria e ele caiu na gargalhada.
- Ciúmes! Você tem ciúmes de mim? – ele me olhara divertido – PESSOAL, ELA TEM CIÚMES DE MIM! – ele disse me girando e depois me beija bem demorado.
Eu estava morrendo de raiva, mas como negar um beijo a ele? Impossível.
- Sabia que fica linda com ciúmes? – ele disse divertido.
- Por que essa alegria toda por eu estar com ciúmes de você? – disse séria.
- Porque mostra o quanto você gosta de mim, se não tivesse ciúmes não se importava comigo, mas tem... E isso quer dizer que me ama, mais do que imaginei! – e novamente ele me dá outro beijo.
- Deixa de frescura Embry, me deixa no chão e vai tomar um banho! – disse irritada.
- Sim senhora! – disse me deixando no chão e dá outro beijo.
- Minha ciumentinha! – ele riu - E a chave está na mochila!
- Espero você no carro. – disse pegando a chave na mochila e caminhando até o carro.
Quando ia entrando no carro escutei alguém me chamar, ao olhar vi que era a tal de Ruth com a Débora do lado.
- O que você quer? – disse calmamente.
- Quero saber se o que você tem o Embry é sério. – ela disse rindo.
- Não. Só estou pegando ele. – disse ríspida.
- Humm... Então, quer dizer que não é nada sério? – ela disse sorrindo largamente.
- Escute bem. – dei uma pausa - É lógico que eu e o Embry temos um relacionamento sério, se você zela por seus dentes é melhor ficar longe! Entendeu? – falei quase rosnando.
- Não gosto de ameaças! – ela falou debochada.
- Não estou ameaçando, só estou dando conselho! – garota estúpida!
- Adorei o conselho. – ela disse rindo e indo embora.
Entrei no carro e o esperei aparecer.
- O que vocês estavam conversando? – disse quebrando o silêncio, assim que entrou no carro.
- Vocês quem? – ele disse sem tirar os olhos da estrada.
- Você e aquela mulher. – eu estava quase dando um ataque.
- Nem lembro. – ele disse dando os ombros.
- Você estava rindo! – falei irritada.
- Acho que ri por alguma coisa que ela disse, mas não tem importância não. – ele nem me olhava.
- E porque ela Te chamou de Em? Intimidade é? Nem eu te chamo assim! – eu estava mais que irritada. Droga!
- Eita, ciumenta boba!– ele sorriu.
- Não sou boba! – disse cruzando os braços e voltando a olhar para a janela.
- ... – ele chamou suave.
- Quê? – falei ríspida.
- Te amo, sua boba – ele faz um carinho no meu rosto. – Então, vamos pra festa hoje à noite? – tenho certeza que ele perguntou isso pra mudar o clima.
- Vamos sim. – disse beijando a mão dele. - Embry...
- Diga. – ele sorriu para mim.
- Se você me trair um dia, pode ter certeza que nunca irei te perdoar! – o olhei séria.
- Nunca esse dia vai chegar, sua boba. – ele riu.
Paramos o carro na frente da casa do Karl, uma mansão de três andares, tinha luzes saindo da casa, o som estava alto e tinha várias pessoas na frente de casa querendo entrar no aniversário dele. Karl é um amigo do Embry do rúgbi e fez questão de nos convidar.
Embry me ajudou a sair do carro, passou o braço ao meu redor e me guiou até a festa. Entregou o convite pro segurança e entramos. A festa estava rolando solta, tinha banda ao vivo na piscina, na sala rolava uma espécie de discoteca, bebida e comida à vontade, depois de cumprimentar o aniversariante e lhe dar um relógio suíço como presente, eu e Embry fomos dançar. Depois de dançar quatro músicas sem parar me deu sede.
- Embry, irei pegar uma bebida quer alguma coisa? – disse no ouvido dele, por causa do som alto.
- Qualquer coisa. – ele disse rindo. - Estarei alí com o pessoal. – ele apontou para um grupo que estava com a jaqueta do time.
- Volto logo! – disse dano um beijo rápido nele.
Estava na mesa colocando refrigerante para nós quando senti um calafrio na minha espinha, depois um cheiro agradável invadiu minhas narinas. Senti alguém levantar meus cabelos, olhei pro lado e vi um vulto passar rapidamente por mim e sumir entre a multidão. Fiquei um tempo olhando pra multidão até que escutei uma voz.
- Olá! – virei bruscamente e não vi nada.
- Acho que chegou a hora de nós conhecermos. – a voz estava tão suave que não senti medo, estava completamente hipnotizada pela linda voz e curiosa.
- Segue minha voz... – falou mais uma vez.
Caminhei lentamente pela multidão, no momento não escutava nada, só a voz suave e linda.
- Isso. Está perto, continue seguindo minha voz... - obedeci sem protestar.
Continuei caminhando entre a multidão, sem prestar atenção em que rumo estava tomando. Quando abri uma porta, alguém me segurou.
- ?! – Embry disse me virando pra ele. - ?! – ele me sacudiu.
- Embry? – olhei meio que sem entender.
- Querida! Estou te chamando há 5 minutos, não me ouviu não? – me indagou confuso.
- Não. – disse olhando ao redor e pude perceber que estava na porta que dava pra piscina.
Senti o Embry cheirar meu cabelo
- Com quem você estava? – ele disse sério.
- Eu tava... – olhei pra dentro da casa - Eu estava pegando refrigerante e... Amor?! O que foi? – ele rosnou.
- Esse cheiro é de um vampiro! – ele disse entre os dentes.
- Vampiro? – o olhei confusa - Onde? – vasculhei o local com os olhos, mas não vi nada.
- Não sei, mas seu cabelo está fedendo a sanguessuga! – ele disse irritado.
- Eu não falei com ninguém! – disse olhando nos olhos dele.
- Vamos sair daqui – ele disse me guiando até o carro. - Você não falou com ninguém?
- Não Embry, com ninguém! – vi que ele tirou o celular do bolso e ligou pra alguém.
- Carlisle? Sou eu... Existem vampiros aqui? – ele esperou a resposta - Senti o cheiro de vocês numa festa. – ele pausou mais uma vez - Não sei. Ela está bem. - tirou o telefone do ouvido e se virou para mim - Seu pai. – ele disse me passando o telefone.
- Oi pai! – respondi.
- Onde vocês estão? – ele parecia nervoso.
- Em Munique, estávamos numa festa de aniversário. – disse normalmente.
- Você chegou a ver alguma coisa ou escutar algo? – ele indagou.
- Não pai. – disse nervosa.
- Fique com o Embry o tempo todo, tá? – ele disse calmamente.
- Tá acontecendo algo que vocês não querem me contar? – indaguei.
- Não querida, só fique com ele, tá? – ele ainda estava nervoso.
- Tá pai. – revirei os olhos.
- Me mantenha informado. – ele disse desligando.
- Vamos pro meu apartamento, está tarde pra te deixar em casa. – ele disse entre os dentes.
- Você está com raiva. – disse acariciando o rosto dele.
- Não. – ele disse rosnando.
- Amor, eu não estava com ninguém, juro. – o olhei sincera.
- Não é com você , é comigo! Como eu não senti esse cheiro antes? Como eu permiti ele chegar tão perto de você! Com certeza ele estava te guiando pra um local longe da festa pra te matar! E eu não percebi nada! – o notei tremendo no volante.
- Embry, se acalme! Eu tô bem. – toquei em seu braço.
- Eu tô calmo! – ele rosnou.
- Não está! Você está tremendo! – dei um beijo no rosto dele. – Calma, tá?
- Eu tô calmo! – nesse momento ele deu um murro no painel do carro amassando-o.
Com o susto me encolhi no banco, olhando assustada pra ele.
- eu... – ele estava tremendo da cabeça aos pés.
- Embry, por favor, calma! – disse colocando a mão no rosto dele.
Ele encostou o carro.
- Embry, não! – supliquei, mas ele não me deu atenção e saiu do carro.
Saí do carro também e fui até ele e o abracei.
- Calma! Eu tô bem, não vê? – ele continuava tremendo.
- Me larga ! – percebi que ele estava de olhos fechados e continuava tremendo.
A respiração dele estava acelerada. Coloquei minhas mãos no rosto dele, virei pra mim e o beijei.
- Eu te amo, seu sarnento. – disse rindo, mas ele continuava tremendo.
- Me solta ! Não quero te machucar. – ele suplicou.
- Você não vai me machucar. – disse beijando-o novamente.
- ME SOLTA! – ele gritou.
Ele me empurrara com força, me fazendo cair uns cinco metros dele, na queda bati minhas costas com força no chão ignorei a dor e levantei olhando pro carro.
Embry ainda estava na frente do carro de olhos e punhos fechados se tremendo da cabeça aos pés. Corri até ele e o abracei novamente.
- Embry não! – implorei – Vai, acalme-se...
- EU DISSE PARA ME LARGAR! – tomei um susto e o soltei.
Ele olhou pra mim com um olhar que nunca tinha visto antes, o medo me fez dar um passo pra trás, mas ele me segurou pelo pescoço e me levantou.
- Embry, tá me machucando. – disse quase chorando, mas ele não ligou e continuou apertando – Embry estou ficando sem ar... – disse chorando e ele continuou apertando - Embry... Estou... Ar... – ele continuava apertando.
Minha vista estava ficando embaçada e o ar nos meus pulmões estava acabando.
- Embry, eu... – minha vista começou a ficar escura, meu corpo amoleceu e a escuridão tomou conta de mim.
Capítulo 22
*Embry Pov*
Hoje estava sendo um dia bem interessante. Pela parte da manhã, minha teve uma crise de ciúmes, sendo que adorei a cara que ela fazia. E agora tenho certeza que ela está tendo novamente essa crise só pela cara dela. Saí do carro e dei a volta pra abrir a porta e notei o motivo da crise, Ruth...
Ela estava chegando junto conosco e acompanhada com mais duas amigas, ao me ver ela acenou, sorrindo, por educação acenei também, mas logo em seguida passei meu braço ao redor da e a abracei. Percebi ela bufando de raiva ao ver Ruth sorrindo, automaticamente beijei sua cabeça.
- Boba – sussurrei e sorri, mas ela rosnou.
- Shh... Ciumentinha! - disse a guiando para a festa.
Fiquei o tempo inteiro agarrado com ela, acariciando-a e beijando-a, sabia que no momento que a soltasse ela ia pular do pescoço de Ruth que não parava de me encarar. Olhei novamente para o local onde Ruth estava e a mesma piscou pra mim, nesse momento senti se soltando de mim.
- Chega! Irei dar uns belos murros nessa mulher! – ela disse caminhando na direção da Ruth, mas consegui segurar a fera antes.
- Boba! Só tenho olhos pra você. – disse abraçando-a.
- Mas ela está me irritando, não pára de olhar pra você! E agora, aquela safada piscou pra você! – ela disse rosnando, praticamente.
- Mas eu não tenho olhos pra ela, você me cegou! – sorri e lhe dei um beijo bem demorado, depois lhe abracei forte e fiquei sentindo o aroma adorável dos cabelos dela.
- Vem, vamos dançar. - ela disse pegando minha mão e me guiando pra sala onde estava montada uma discoteca.
Ela estava irritada, só pelo modo de dançar sabia que ela estava irritada e com ciúmes. Notei que ela estava ou me provocando ou provocando a Ruth, porque ora ela dançava colada em mim, ora me beijava e ora me abraçava. Acho que depois de três ou quatro músicas, não sei ao certo, ela me puxou.
- Embry, irei pegar uma bebida quer alguma coisa? – disse no meu ouvido, coitadinha acho que esqueceu que escuto perfeitamente!
- Qualquer coisa. – disse rindo, ao levantar o olhar, percebi que quatro dos meninos do time estavam acenando pra mim.
- Estarei ali com o pessoal. – apontei para um grupo.
- Volto logo! – ela disse, me dando um beijo rápido.
- E aí pessoal? – disse cumprimentando todos.
- Ué, cansou de se agarrar com a gostosa, ops, a namorada? – Nicolas disse rindo e provavelmente bêbado.
- Qualquer dia desses irei te dar um murro pra aprender a respeitar a namorada dos outros! - falei sério.
- Calma! Só estava brincando, mas que ela é quente, é? – ele disse rindo, dei um passo pra frente, mas ele saiu correndo.
Karl e o Jonh pararam na minha frente fazendo uma parede.
- Palhaço – disse rindo.
- Pensei que a ia arrancar sua cabeça hoje de manhã! – Jonh disse rindo.
- Também achei, mas consegui domar a fera. – disse rindo e me acalmando.
- E o que você vai fazer com a Ruth? Vai pegar? – Karl disse rindo.
- Fica pra você! Quero não, obrigado. – falei ríspido.
- Ah! Embry é só fazer às escondidas! Eu não irei contar pra sua namorada. – Karl sorriu novamente.
- Hei é da minha irmã que vocês estão falando. Respeito! – Jonh disse sério.
- Eu não irei pegar ninguém. - disse revirando os olhos e olhando pra multidão.
Vi a indo na direção da entrada para a piscina.
- ? Aqui! – gritei. - ? – chamei mais uma vez.
“Droga, ela vai brigar com a Ruth” pensei.
- Já volto! – disse caminhando na direção que a estava.
Consegui alcançá-la na porta.
- ? Não me viu, não? – disse pegando no braço dela. - Não vai brigar não! Cadê as bebidas? – disse rindo.
Mas ela não respondia e nem virava pra mim. Deve estar com raiva.
- ?! – disse virando-a.
Notei que o olhar dela estava sem foco, como estivesse hipnotizada.
- ?! – a sacudi. - ? O que está havendo? – a indaguei confuso.
- Embry? – ela finalmente respondeu.
- Querida! Estou te chamando há cinco minutos não me ouviu, não? – olhei pra ela e senti um cheiro conhecido, um cheiro de...
- Não. – ela disse, cheirei o cabelo dela.
- Com quem você estava? – disse sério.
- Eu estava... – continuei cheirando o cabelo dela. - Eu estava pegando refrigerante – VAMPIRO! Cheiro de sanguessuga! ARGH! - Amor?! O que foi? – ela me olhara confusa.
- Esse cheiro é de um vampiro! – disse entre os dentes.
- Vampiro? Onde? – ela vasculhou o local com o olhar.
- Não sei, mas seu cabelo está fedendo a sanguessuga! – falei mais irritado.
- Eu não falei com ninguém! – ela me disse bem sincera.
- Vamos sair daqui. – o cheiro está forte.
Tenho que tirá-la daqui.
-Você não falou com ninguém? – a indaguei mais uma vez.
- Não Embry, com ninguém! – ela respondeu mais uma vez.
Será que as preocupações de Carlisle estão certas? Os Volturi estão atrás dela? Ou tem algum clã aqui? Peguei o celular e liguei pra ele.
- Carlisle? Sou eu, existem vampiros aqui? – perguntei de uma vez assim que atendeu.
- Embry? Na Alemanha? Não que eu saiba. Só se for viajante, por quê?! Aconteceu algo? – ele já respondeu aflito.
- Senti o cheiro de vocês numa festa. – falei sincero.
- Tem certeza que era cheiro de vampiro? Ele tava atrás dela? – ele quase gritou.
- Não sei. – disse frustrado.
- E minha filha? Tá bem? Quero falar com ela! – ele estava bastante alterado.
- Ela está bem. – virei pra ela. - Seu pai. – dei o telefone a ela.
- Oi pai! – ela disse normalmente.
Como eu pude ser tão estúpido? Deixar um vampiro chegar perto dela? Tão perto assim? Tinha prometido que ia protegê-la e é assim que tô? Eu nunca iria me perdoar se acontece algo com ela diante dos meus olhos. Como eu não consegui sentir o cheiro antes? E porque não senti na festa? Que raiva!
- Vamos pro meu apartamento, está tarde pra te deixar em casa. – disse entre os dentes.
Assim ela ficará segura comigo até descobrir quem era e o que queria.
- Você está com raiva. – a senti acariciando meu rosto.
- Não. – menti.
- Amor, eu não estava com ninguém, juro. – ela disse bem sincera.
- Não é com você , é comigo! Como eu não senti esse cheiro antes? Como eu permiti ele chegar tão perto de você? Com certeza ele estava te guiando pra um local longe da festa pra te matar! E eu não percebi nada! – comecei a tremer.
Só de pensar na possibilidade de perdê-la estava me deixando nervoso, estava a ponto de explodir, mas tinha que manter a calma, nunca perdi a calma com ela e não será hoje.
- Embry, se acalme! Eu tô bem. – ela disse suavemente.
- Eu tô calmo! – falei rosnando.
- Não está! Você está tremendo! – a senti me beijando – Calma, tá?
- Eu tô calmo! – tentei dizer o mais calmo possível, mas ela estava ficando insuportável, e eu perdendo a cabeça.
“Não irei machucá-la, não irei machucá-la!” pensava a todo instante.
Estava tremendo, a qualquer momento ia me transformar. Vi ela se encolhendo no banco com medo. “Droga, a assustei!” eu quase gritei em pensamentos.
- eu... – tentei dizer alguma coisa, mas minha raiva estava me dominando, estava ficando fora do controle...
- Embry, por favor, calma! – escutei novamente a voz doce dela.
Ia perder o controle, melhor encostar e sair correndo.
Encostei o carro e saí o mais rápido possível, respirei fundo, não senti cheiro de nenhum vampiro, ia correr por uns minutos até minha raiva passar e voltaria, ela estaria segura.
- Embry, não! – disse me abraçando.
- Calma! Eu tô bem, não vê? – falei rosnando - Me larga ! – ia me transformar a qualquer momento.
Só me transformei uma vez na frente dela e foi muito difícil me controlar, e hoje eu estou com mais raiva do que aquele dia. Não podia me transformar na frente dela, ia matá-la.
Fechei os olhos e respirei fundo, irei me controlar, ao menos a transformação, estou muito nervoso, muito, eu tinha que sair daqui, podia machucá-la.
- Eu te amo, seu sarnento. – ela disse rindo.
Isso me acalmou, mas não o suficiente.
- Me solta ! Não quero te machucar. – supliquei.
- Você não vai me machucar. – ela me beijou.
Estava ficando mais calmo, minha respiração diminuiu, retribui o beijo, mas senti cheiro de vampiro. Senti cheiro de sanguessuga e vinha do cabelo dela. Ele chegou tão perto dela! Tocou nela! ARGH!
- ME SOLTA! – gritei e a empurrei.
Fiquei de olhos fechados respirando fundo, tinha que me controlar ou sair correndo daqui.
Irei sair daqui, respirei fundo novamente e senti mais uma vez cheiro de vampiro, ele está perto, está próximo, se eu sair daqui e a deixar... Não! Não irei deixá-la vulnerável. Fechei os punhos, vou me transformar e protegê-la.
Sentir alguém me abraçar, o cheiro insuportável de sanguessuga estava forte, escutei dizer algo, ela estava me segurando? Irei me transformar!
- EU DISSE PARA ME LARGAR! – disse o mais rude possível.
Abri os olhos e pude ver que não era a me segurando e sim um vampiro, um vampiro! Era por isso do cheiro forte! Ele parecia assustado, não perdi tempo e segurei o pescoço dele, estava muito fácil de matar esse maldito, era só apertar cada vez mais forte esse pescoço. O vi falando alguma coisa, mas não entendi, o notei dando tapas na minha mão, mas só sorri, nunca vi um vampiro tão fraco e fácil de matar.
- Nunca mais você irá chegar perto da ! Morra maldito! – esbravejei para ele.
Percebi-o perdendo a consciência agora era só quebrar o pescoço...
- VOCE VAI MATÁ-LA! – escutei alguém gritar.
- Esse é o meu ideal! – respirei fundo e senti o mesmo cheiro do cabelo da vindo da floresta, joguei o vampiro no chão e me transformei.
Corri pela trilha do cheiro, ia matar o desgraçado que tocou nela. Então estavam em dois, hein?! Um já esta morto e outro vai morrer quando encontrá-lo!
Continuei correndo atrás da trilha. Parei perto de uma árvore onde o cheiro estava forte, olhei para os lados e não vi nada, e para completar uma chuva forte começou a cair.
“Tá brincando de esconde-esconde é?” pensei. Continuei correndo na trilha e percebi que estava correndo em círculos.
“Fazendo-me andar em círculos é? DROGA !!” pensei aos gritos.
Corri novamente para o local onde estava o carro, farejei e não senti cheiro nenhum.
“Ele não passou por aqui” olhei em volta e não vi a .
“Será que ela saiu correndo? Ou eles a pegaram? DROGA!” corri até o carro e me transformei, peguei uma roupa que tinha na minha mochila e vesti.
- ?! – saí do carro desesperado. - ?! – corri pra beira da pista, mas não vi nada. - PELO AMOR DE DEUS RESPONDE! ?! – corri dando a volta no carro.
Foi quando vi um corpo a uns 20 metros do carro, meu coração disparou e minhas pernas ficaram bambas, mas corri até ela e caí de joelhos.
- Não... – chorei - O que eles fizeram contigo meu amor? – perguntei aos murmúrios - Por favor, que esteja respirando! – coloquei meu ouvido no peito dela e consegui escutar o coração batendo, senti um alívio sem tamanho.
Tive um ataque de riso e choro.
- ? – disse, dando uns tapinhas de leve em seu rosto. – Amor, acorde. – olhei para o pescoço dela e vi que estava bem vermelho. - ? – a vi abrindo os olhos, mas em seguida fechar novamente.
Olhei novamente o pescoço dela e vi marcas de uma mão.
- NÃO! Eu!... – a abracei forte - Desculpe amor! – a peguei no colo e entrei no carro.
Como... Como eu fiz isso?! Tinha certeza que era um vampiro, eu nunca iria machucá-la! Nunca! Não... Não pode ter sido eu!! Eu, eu...
“- Embry, tá me machucando
. – Embry estou ficando sem ar...
- Embry... Estou... Ar...
- Embry, eu...” lembranças vinham em minha mente.
- Eu. Não. Acredito! – foi o que conseguia esboçar.
Dirigi o mais rápido possível para o meu apartamento. Troquei a roupa da e a coloquei na cama. Olhei melhor pra ela e vi que estava com um corte no rosto e vários arranhões nos braços. E a aparência dela estava horrível.
- O que foi que eu fiz? – perguntei aturdido.
* Pov*
Não sei quanto tempo fiquei desacordada, mas ao abrir os olhos, eu notei que estava no apartamento do Embry, no quarto pra ser específica, minha cabeça estava doendo e meu corpo também, senti um pano úmido na minha testa, retirei e levantei.
Fui ao banheiro e me olhei no espelho. Estava com um corte no supercílio, meu pescoço tinha várias marcas roxas, fechei os olhos e suspirei. Abri a torneira e quando juntei as mãos pra jogar água no meu rosto vi que meus braços estavam arranhados, não era arranhão fundo, eram superficiais. Percebi que estava com uma blusa do Embry.
- Embry? – disse saindo do banheiro, mas ele não respondeu.
Caminhei até a sala e o vi dormindo no sofá. Sentei na beira e fiz um carinho no rosto dele.
- Embry? – sussurrei em seu ouvido.
Foi meu segundo erro em menos de 24 horas, eu acho.
Embry deu um pulo do sofá e como estava debruçada por cima dele, fui jogada metros, bati com força na parede e caí de joelhos sentindo falta de ar.
- AI MEU DEUS! ! – ele se exasperou.
- Estou bem. - disse tentando recuperar o ar.
- Desculpa, desculpa, desculpa! – ele suplicava quando me ajudava a levantar. - Quase te mato ontem e hoje também!
- Já disse, não foi nada! – falei sincera.
- Vem, sente-se! – ele me guiou até o sofá – Deixe-me olhar pra ver se não te machuquei mais ainda! – ele disse preocupado.
- Tô bem – disse pegando na mão dele – Sério, estou bem. – sorri.
- Eu quase te matei. – ele sussurrou.
- Mas não matou. – disse abraçando-o.
- Eu te machuquei agora. – disse do mesmo modo.
- Eu que te assustei! Estou tão acostumada a viver com vampiro que não tenho mais noção do perigo – disse beijando o queixo dele.
- eu quase te matei! – se exasperou - Veja a marca no seu pescoço! – ele disse apontando.
- Irei dizer que foi uns chupões que você me deu, danadinho! – sorri dando um tapa no ombro dele, mas ele continuava sério. - Embry meu amor fica assim não! Na próxima vez saio correndo e chamo a carrocinha. – não me contive e caí na gargalhada e ele também.
- É! Não dá pra ter uma conversa séria contigo. – ele disse beijando minha testa.
- Como posso ter uma conversa séria com você parecendo um espantalho? – disse bagunçando mais ainda o cabelo dele e depois lhe beijando.
- O que aconteceu? – perguntei olhando para os olhos dele.
- Pra ser sincero não sei – ele abaixou a cabeça – Ainda não sei se foi a raiva que me fez pensar que era um vampiro ou se alguém estava me controlando.
- Como parou?
- Alguém gritou que ia te matar e te soltei – ele continuava olhando pro chão
- Quem?
- Não sei ... não sei!! Estou tão confuso quanto você!
- Quanto tempo estou desacordada? – disse abrando-o
- Pouco tempo, agora que são 8 horas da manhã – ele parecia incomodado com alguma coisa.
- Vamos tomar café? – levantei e estiquei a mão pra ele.
- Você sentiu mesmo um cheiro de vampiro? Não confundiu não? – disse indo pra cozinha preparar nosso café.
- O cheiro é típico, não tem como confundir – ele disse me seguindo.
- Será que foi coincidência? Ou estavam atrás de mim? – perguntei.
- Não sei , não sei. Talvez estavam atrás de você sim. – ele disse arrumando a mesa.
- Atrás de mim? Quem? E por quê? – disse cortando umas verduras para o omelete.
- Os Volturi. – quando escutei esse nome parei na mesma hora e me virei pra ele.
- Você sabe dos Volturi? – indaguei surpresa.
- Sim, eu estava lá ajudando sua família esqueceu? – ele sorriu para mim.
- É verdade, mas porque estão atrás de mim? – voltei minha atenção pro omelete.
- Não sei , sinceramente não sei. – ele disse me abraçando por trás. - Mas pode ter certeza que não irei deixar mais nenhum vampiro chegar perto de você! – ele beijou meu pescoço. - Não quero minha namorada fedendo!
- Não deixe queimar! Irei ligar pro meu pai. – disse entregando o garfo pra ele.
Peguei meu celular e liguei para o Carlisle.
- Pai? – falei assim que atenderam.
- Oi filha, aconteceu algo? – ele já começou a perguntar, preocupado.
- Não, só quero te perguntar uma coisa. – falei normal.
- Pergunte. – ele suspirou. - Tem alguma possibilidade dos Volturi estarem atrás de mim? – ele ficou calado por uns minutos. - Pai, há possibilidade? – perguntei novamente e ele continuava calado - Pai? – quase gritei.
- Posso falar com o Embry, por favor, querida? – ele perguntou de modo suave.
- Tá. – entreguei o celular pro Embry.
Ele somente escutou e depois desligou.
- O que meu pai queria contigo? – perguntei curiosa.
- Nada... – ele estava me enganando.
- Como nada? – indaguei.
- Só mandou ficar atento, só isso e lhe convencer de voltar pra Forks... Vamos voltar? - ele sorriu esperançoso.
- Não – disse sorrindo.
- Foi o que pensei. – ele retribuiu o meu sorriso. - Então? Sábado, você vai ser só minha! O que iremos fazer? Sou seu fiel escravo! – ele disse rindo e me puxando pra sentar no colo dele.
- Que tal ficar o dia inteiro assim? – sorri e o abracei.
- Tá carinhosa hoje, hein? – ele riu.
- Deixa de ser injusto, sempre sou carinhosa com você! – disse beijando-o.
- Sim! Um carinho, dois tapas! – ele riu mais.
- Que tal três? – disse rindo e dando três tapas no ombro dele.
- Você bate como uma mulher sabia? Nem sinto! – ele deu uma gargalhada e depois me beijou.
- Gosto de te ver assim. – disse encostando minha cabeça no ombro dele.
- Assim como? – perguntou alisando meus cabelos.
- Sorrindo! Minutos atrás você estava com cara de velório! – beijei o pescoço dele.
- Tenho meus motivos. Eu te machuquei! – novamente aquela voz.
- Ei! – disse virando o rosto dele pra ficar cara a cara comigo. - Vamos fazer o seguinte, iremos esquecer a noite anterior tá? Apagar! Você nunca me atacou e de quebra também apago os flertes com a Ruth. – disse puxando a orelha dele.
- Ai! – ele fingiu que doeu - Não tem como esquecer a noite anterior amor, tem um vampiro querendo pegar você! – ele disse sério.
- Esqueça que me atacou então? – supliquei.
- Não dá! Quase te mato! – se exasperou.
- Embry! – o repreendi.
- O quê? – ele me olhou espantado.
- Pára com isso! Pára de se culpar! Foi um acidente! – disse saindo do colo dele.
- Não foi um acidente! – ele disse sério.
- Foi um acidente! Você mesmo disse que nem sabe o que realmente aconteceu! – cruzei os braços e o encarei. - Sabe o que eu acho? Que isso tudo foi pura coincidência!
- Não foi coincidência ! – ele balançou a cabeça negativamente.
- Pode ter sido sim! – retruquei - Tinha um peregrino por aqui, viu uma festa cheia de adolescentes e quis matar a sede!
- HÁHÁ! – ele riu forçado - Bela coincidência! Atrai logo você! Justo você, uma CULLEN! Você sabe que seu sobrenome tem peso, não sabe? – ele me encarou.
- O que está querendo dizer? – perguntei confusa.
- Estou dizendo que não foi coincidência porcaria nenhuma! Os Volturi querem te pegar! – ele se exasperou mais uma vez.
- Que venham! – desdenhei - Não tenho medo dos Volturi! – menti.
- Mas eu tenho. – ele disse me abraçando – Não quero perder você – sussurrou.
Dei-lhe um beijo bem demorado. E convicta que a partir de hoje minha vida estaria nas mãos dele.
Capítulo 23
Passei o final de semana inteiro no apartamento do Embry. Carlisle acha melhor Embry morar comigo em Bad Tölz e está tentando convencer a Dona Ana a permitir. Tínhamos acabado de chegar à escola e mal sai do carro quando John veio até mim.
- ! – ele disse me abraçando.
- O que foi?! – olhei desconfiada.
- Irei voltar pra casa com vocês! Mamãe quer conversar com vocês dois. – ele disse sério.
- Sabe o motivo? – Embry perguntou sério.
- Você! – ele apontou pro Embry.
- E porque ele? – perguntei.
- Não sei, mas é relacionado ao Embry, ela ficou horas do telefone com Carlisle, não sei o que vocês aprontaram não. – ele disse rindo.
- Eu não aprontei nada! – retruquei.
- É! Nós não fizemos nada! – Embry disse me abraçando – Vamos .
- E mais uma coisa... Temos treino hoje, Embry! – John disse pegando outro caminho.
- Quando é o jogo de vocês?! – Perguntei no caminho.
- Sexta. – ele disse sorrindo.
- Sexta? Então temos que ir escolher sua roupa na quinta. – falei rindo.
- Mais roupa? – ele se exasperou.
- Oh sem classe! É pro baile! Esqueceu? Você é formando! – paramos na porta na frente do laboratório, ele me encostou à parede e sorriu.
- Me espera quando sair, tá? – ele disse me beijando delicadamente. - Qualquer coisa dá um grito, estarei escutando – e novamente me beijou.
- Embry... – suspirei - Estamos na escola, não irá acontecer nada! – sorri.
- Eu que não sei! – debochou - Qualquer coisa grite! – sorriu.
- Não é mais fácil te ligar, não? – sorri de volta.
- Não... – riu - Gritar é mais rápido!
- Não acha que está exagerando, não? – disse o abraçando.
- Humm... – fingiu pensar - Não! – escutei o sinal tocar. - Você vai ficar bem? – ele me olhava preocupado.
- Não Embry! – fingi drama - Quando passar por aquela porta terá um maluco da machadinha pronto pra me atacar! – disse ironicamente.
- Como você é engraçada! – ele me puxou e deu outro beijo – Eu só esqueci de rir – ele disse sério.
- Embry, vá pra sua sala! – disse me soltando dele.
- Não se esqueça de gritar! – ele disse rindo antes de sair.
- Maluco! – sussurrei pra mim mesma, sorrindo.
Quando entrei na sala, as bancadas estavam todas ocupadas e a única livre era uma bancada no final da sala, caminhei até lá e sentei. Hoje era meu primeiro dia de aula no laboratório.
Aconteceu uma mudança na grade escolar semana passada, sendo que algumas aulas foram tiradas e outras acrescentadas, como essa. Escutei alguém sussurrar meu nome, ao olhar pra esquerda vi Ruth conversando aos sussurros com uma garota.
“Não acredito que essa menina vai fazer parte da minha turma! Pensei que ela era do primeiro”. Fiquei a encarando por um tempo, até ela olhar pra mim e fechar a cara.
- Tá olhando o quê? – ela disse bem ríspida. Revirei os olhos e olhei pra frente.
“Ignorar é a melhor coisa que faço”.
Ao olhar pra frente vi um garoto entrando e entregando um papel para o professor, depois de olhar o papel o professor apontou na minha direção. O garoto começou a caminhar até mim. Para mim, ele estava desfilando, andava com graça, branco como meus irmãos, cabelos loiros, estavam penteados pra frente, e os olhos era uma espécie de cor de mel, uma cor diferente. Quando ele sentou do meu lado senti um aroma agradável, um perfume extremamente adorável.
- Oi – ele sussurrou, e pra mim pareceu que cantou.
- Kain Scholer. – ele disse sorrindo estendendo a mão para mim.
Mas fiquei calada, o modo que ele falou era tão encantador, os olhos cor de mel, nunca tinha visto, pele branca e limpa e um sorriso encantador.
- Vi que o gato comeu sua língua. – ele disse sorrindo.
- Desculpe. – disse meio sem jeito - Cullen. – o cumprimentei.
- Senhorita Cullen pode fazer o favor de prestar atenção na aula? – o professor disse irritado.
- Desculpe. – disse voltando a olhar pra frente, escutei Ruth rindo do meu lado.
- Como ia dizendo a pessoa do lado de vocês serão seus parceiros e... - Ele começou a falar um monte de coisa, mas sinceramente eu não estava prestando atenção em nada que ele falava, estava intrigada com a pessoa que acabara de sentar ao meu lado.
O jeito encantador dele, pele branca, sorriso destruidor, olhos encantadores, cheiro adorável, eu fui criada por vampiros, eu sei como eles são, será...
Estiquei a mão e toquei na mão dele que estava esticava na mesa e pude sentir que era quente.
- Desculpe. – disse aos sussurros.
- Tudo bem. - ele disse sorrindo.
O sorriso dele era tão encantador que parecia do Edward quando queria alguma coisa. Cruzei os braços e abaixei a cabeça na no balcão.
- Senhorita Cullen, não é hora de dormir. – o professor disse ao meu lado.
- Desculpe. – disse me ajeitando na cadeira.
- Como ia dizendo, esse semestre iremos... – ele disse caminhando pra mesa dele.
- Você está bem Cullen? – Kain perguntou docilmente.
- Estou. – olhei pra ele e sorri.
- Bom, já que seremos parceiros permanentes acho que devemos marcar para fazer logo esse trabalho, não acha? – ele disse rindo.
- Trabalho? – olhei confusa.
- É... O que ele passou quando você estava dormindo. – ele sorriu.
Ele começou a me explicar sobre o trabalho, o professor tinha liberado a turma para as duplas começarem a fazer o trabalho sendo que seria 70% da nota bimestral. Ficamos conversando o máximo possível e decidimos que íamos fazer na biblioteca depois das aulas.
- Então Cullen? Você é americana? – ele me indagou.
- Sou, como sabe? – olhei nos seus olhos.
- Você tem um sotaque muito forte! – explicou.
- E você? É de onde? – perguntei.
- Finlândia. – ele disse rindo.
- Finlândia? – está explicado o porquê de ele ser branco que nem um papel.
- E o que você faz aqui? – perguntei olhando para a lista de material que tínhamos que comprar.
- Minha família foi transferida pra cá. – disse fazendo o mesmo.
- Transferidos é? Trabalham em quê? – disse curiosa.
- Você é muito curiosa, hein? Que tal eu lhe pagar o almoço, aí conversamos melhor. – ele sorriu.
- Não dá, sempre almoço com meu namorado – disse fechando meu caderno.
- Tudo bem, combinamos outro dia então. – ele sorriu.
Notei que Ruth estava tentando escutar a nossa conversa, nesse momento o sinal tocou, arrumei minhas coisas e saí.
- Acompanho você até a próxima aula. – ele disse passando por mim e parando na minha frente.
- Minha próxima aula é no outro prédio. – disso sorrindo.
- A minha também! – ele sorriu.
- Tudo bem, vamos lá. – assenti com a cabeça.
- Nossa Cullen! Você não perde tempo mesmo! – Ruth disse passando por mim.
- O que você esta insinuando sua mal amada?! – disse entre os dentes.
- Do que você me chamou? – ela disse parando e me encarando.
- MAL-A-MA-DA! – soletrei literalmente pra ela – Você tem que ser mais higiênica e limpar seu ouvido! – debochei.
- Eu vou lhe mostrar quem é mal amada! – ela disse rosnando e indo para o outro lado.
- Quem é ela? – Kain perguntou quando ela saiu.
- Sei lá! Uma louca que do nada ficou me perturbando e dando em cima do meu namorado! – disse caminhando pro outro prédio.
- E quem é seu namorado? – ele me acompanhou.
- Embry Call, do terceiro ano. – sorri.
- O jogador, não é? – ele disse sorrindo.
- Como sabe que ele é do time? – olhei desconfiada.
- Bom... É que todos sabem. – ele disse disfarçando.
- Como todos sabem? Se você começou as aulas hoje?! Quem é Você afinal? – olhei séria pra ele.
- Como? – ele parou e deu um sorriso.
- Quem é você afinal? – disse séria.
- , por que não me esperou? – Embry disse parando do meu lado.
- De onde você é? – disse ainda olhando pro tal Kain – Ah, esquece! – disse indo abraçar o Embry.
- Embry, Kain. Kain, Embry. – apresentei os dois.
- Prazer! – Kain disse cumprimentando o Embry. - Nos vemos na sala – Kain disse indo embora.
- Quem é? – Embry sussurrou no meu ouvido.
- Cheira... – simplesmente disse.
- Hã?! – ele perguntou confuso.
- Fareja! – como homem é bicho burro!
- Por quê? – não tô dizendo?
- Fareje! O que sente?! Que cheiro?! – disse séria.
- Seu cheiro – ele disse respirando profundamente.
- Novamente! – disse séria. Mais uma vez ele respirou fundo.
- Seu cheiro amor! O que está acontecendo? – ele me olhou confuso.
- Depois lhe explico, se minhas suspeitas estiverem certas, mas não é bom conversarmos aqui. – disse guiando-o pra um local mais reservado.
- O que você está falando? Está me deixando preocupado. – disse nervoso.
- Acho que Kain é um vampiro. – disse sussurrando.
- Porque você acha isso? – ele disse me abraçando e olhando pros lados.
- Porque fui criada por vampiros e sei exatamente como eles agem, mas algo não está encaixando. – disse olhando pra ele.
- Vamos caminhando até sua sala, assim não levantamos suspeitas. – ele disse pegando minha mão e me conduzindo.
- Ele não é frio. – sussurrei.
- Hum... Tocou nele? – ele parecia irritado.
- Tinha que tocar, tinha que confirmar minhas suspeitas! – exasperei.
- E? – ele indagou.
- Estou falando Embry, ele não é frio isso que é estranho... Acho que irei convidá-lo pra ver o treino hoje, ficarei na arquibancada descoberta, se ele negar, tem possibilidade – senti ele me apertando.
- Você não vai se arriscar assim! Irei ligar pro Carlisle e perguntar se existem vampiros que não são frios! – ele disse sério.
- Não Embry! Não existem vampiros quentes! E não quero que ligue pro meu pai, ele vai acabar me obrigando a voltar! – disse séria.
- E porque não volta? Lá estará mais segura, tem o bando, sua família! – ele pediu.
- Embry, não, tá?! Não posso! Agora vamos pra aula! – cortei.
Já tinha se passado dois meses desde o ataque e o aparecimento do Kain. Eu fiz todos os tipos de testes possíveis para ver se ele era vampiro, mas todos deram negativos e a cada dia que passava, ficava mais convicta que isso tudo foi pura coincidência e que estou ficando paranóica como o Embry, por pensar que todo mundo é uma ameaça.
Carlisle convenceu a Dona Ana, para Embry morar conosco em Bad Tölz, não sei que desculpa ele deu, mas funcionou. Morar com o Embry estava sendo uma experiência muito agradável, aliás namorá-lo estava sendo a melhor coisa que já fiz na minha vida, ao menos uma vez tinha que acertar na vida. Estávamos ficando tão interligados que somente com o olhar ou expressão facial de um, que o outro sabia exatamente o que queria.
Estávamos numa correria só, tanto eu como ele, estávamos em épocas de avaliações e ele estava em época de temporada do rúgbi, e hoje era um dia raro de estar sozinho com ele. Estávamos na frente do lago que tem na fazenda, tinha armado um lençol na grama e estávamos fazendo um piquenique. Embry estava deitado com a cabeça no meu colo enquanto eu dava uvas pra ele.
- Boa, Fido! – disse depois de largar uma uva na boca dele.
- Lá vem você me chamar de cachorro, né?! – ele disse rindo.
- E você não é meu pulguento favorito? – disse beijando a testa dele e depois de puxei o cabelo dele.
- Hei! O que eu fiz? – se alarmou.
- Lembrei! Vi você ontem todo bobo com a Ruth! Está pegando ela, é?! – olhei feio pra ele – Pensou que ia me esquecer, é? Só porque mal nos víamos ontem, é?
- Sim... Você sabe, ela é só sexo! Nada demais, não. – ele disse rindo.
- Idiota! – bufei de raiva e levantei.
- Hei linda! – ele segurou meu braço.
- Você que começou! – ele me puxou.
Depois que ele me puxou ele rolou e ficou por cima de mim e beijou meu pescoço.
- Só tenho olhos pra você! Já disse isso. – e novamente ele beijou meu pescoço e sobiu para o meu queixo - Minha ciumentinha! – deu um beijo no meu queixo.
- Pára de fazer isso! – suspirei.
- Isso o quê? – ele novamente beijou meu pescoço e depois me beijou.
- Isso... – sussurrei.
- Ah! Quer dizer isso? – e novamente ele me beijou.
Não resisti e o puxei mais pra perto, ficamos nos beijando ardentemente, minha respiração estava descontrolada e meu coração disparado. O clima estava ficando cada vez mais quente, não estava conseguindo resistir às caricias dele, queria mais. Olhei para os olhos dele e vi que ele também estava querendo algo a mais. Ambos não estavam mais controlando o desejo que um tinha pelo outro. Ele me puxou pra ficar sentada então comecei a tirar a blusa dele em seguida ele tirou a minha, beijei o peito dele, fazia carícia enquanto o mesmo acariciava lentamente minhas costas beijando meu pescoço...
- ARGH! Droga! – ele rosnou – Coloque a roupa, rápido! – ele disse colocando a blusa.
Obedeci sem contestar.
- Tem alguém se aproximando. – ele disse sério.
- Maldito! – murmurei e ele sorriu.
- Se ainda quiser, mais tarde terminamos, o que acha? – ele disse me beijando.
- Vamos ver! – o provoquei.
- Achei vocês! – John disse assim que chegou.
- O que você quer John? – olhei com cara de poucos amigos.
- Vocês prometeram ajudar, vamos lá! - ele disse.
- AHHH! John, foi você que quis dar essa festa, você que arrume! – falei irritada.
- Então vamos lá Embry, você faz parte do time e essa festa é pro time! – ele disse rindo.
- está certa! Você que arrume sozinho! Prefiro ficar aqui com a minha namorada, do que arrumar festa pra um bando de marmanjos! – Embry disse sério.
- Ou vocês me ajudam ou ligo pra mamãe dizendo que encontrei vocês sozinhos aos amassos e um pouco mais! - ele disse rindo cinicamente.
- Tá bom! – falei irritada – Mas você me deve uma!
Dona Ana tinha viajado fazia 10 dias e tanto eu como o John já tínhamos combinado de dar uma festa em casa, só faltava o momento certo. Como o time da escola se classificou para as finais do estudantil, John achou que seria uma ótima desculpa para dar essa festa.
Tínhamos transformado a sala de casa em uma rave, bebida e comida a vontade, com direito a DJ e jogo de luzes. A festa estava animada, tínhamos chamado só os amigos, mas sabe como é, amigo chama amigo, que chama amigo e por aí vai. Como éramos os anfitriões estávamos mais fazendo o social do que nos divertindo, ao menos eu...
Estava numa roda de amigos, conversando animadamente quando vi as duas pessoas mais insuportáveis chegar, Ruth e Rebeca.
- Com licença. – disse pro grupo e fui até as meninas. - O que estão fazendo aqui? – falei bem ríspida.
- O que você tem a ver com isso? Soube dessa festa e vim curtir! – Ruth disse debochando de mim.
- Não foram convidadas. – disse séria - Agora saiam!
- Quem você pensa que é? – Ruth disse me encarando.
- A dona da casa, sai! – disse empurrando elas pra fora.
- , pára! – John disse me segurando.
- Desculpem a minha irmã, ela já bebeu um pouco a mais hoje. – disse passando por mim e ficando no meio das meninas.
- Vocês podem ficar. – ele sorriu e as duas olharam pra mim debochando e foram pra festa.
- O que você está fazendo? – John disse irritado.
- Elas não foram convidadas, meu irmão! – disse irritada também.
- Essa festa é minha convido quem eu quero! E se você ainda não viu tem poucas garotas aqui! Só tem MACHO! Então pára de restringir quem entra ou não! – ele disse rindo.
- Cadê o Embry? – falei mais irritada ainda.
- Sei lá! O namorado é seu! – ele disse passando por mim.
- Droga! – passei o olhar na festa procurando por ele.
Fiquei procurando por ele um bom tempo e quando perguntava ninguém tinha o visto. Saí da casa e fui pra varanda a fim de pegar um vento e esfriar a cabeça, estava começando a pensar besteiras. Foi quando eu o vi conversando animadamente com duas garotas que não conhecia e com o Karl. Ele me viu e acenou gesticulando pra eu ir até lá, mas fechei a cara e entrei na festa.
“O maldito estava com o Karl, o mais galinha da escola e ainda conversando com suas galinhas! E eu aqui feito besta!” pensei altamente estressada.
Entrei na festa e fui esbarrando em todo mundo, subi pro meu quarto. Quando entrei e ia fechando a porta vi um braço me impedindo de fechar a porta.
- O que foi? – ele disse entrando e fechando a porta.
- Sai Embry. – disse sentando na cama.
- Está com ciúmes de quê ? – ele disse sentando do meu lado e me abraçando.
- Não estou com ciúmes! – disse levantando e indo pra janela respirar ar fresco.
- Eu lhe conheço perfeitamente , está com ciúmes sim! Só não sei de quê! – ele disse me abraçando por trás e pousando o queixo no meu ombro. - Está com ciúmes de quê? – ele sussurrava.
- Quem eram aquelas duas? – falei irritada.
- Umas fáceis! – ele disse beijando meu ombro.
- Você sumiu! – explodi.
- Estava o tempo inteiro lá fora. – ele beijou meu pescoço.
- Pára Embry... – disse aos sussurros.
- Você fica linda com ciúmes! – ele continuou beijando meu pescoço.
- EU DISSE PARA PARAR! – gritei o empurrando.
- Mas o que foi? – ele me olhava confuso.
- Sai! – fui até a porta e abri.
- Por quê? – ele continuava me olhando confuso.
- SAI! – berrei.
- Não! – ele disse fechando a porta e me encarando - Não saio sem saber o porquê está com raiva de mim! Eu não fiz nada! – ele disse cruzando os braços e me encarando.
- Sai! – Cruzei os braços e o imitei.
Ficamos um tempo nos encarando até ambos descruzarem os braços e rir ao mesmo tempo.
- Teimoso! – disse rindo.
- Ciumenta! – ele disse me abraçando. - Então, por que o ciúme? – ele sorria.
- Esquece! – disse o beijando.
Ficamos nos beijando apaixonadamente. Em algum momento Embry me carregou no colo e caminhou comigo até a cama, me deitou delicadamente na cama e continuou a me beijar.
Comecei a tirar a blusa dele enquanto o mesmo me beijava. Tirei a sua calça, só o deixando de cueca, ele olhou pra mim e sorriu.
- Não acha que estou em desvantagem, não? – ele sussurrou no meu ouvido e começou a tirar minha blusa.
Beijou meu pescoço e depois meu ombro, suas mãos passam delicadamente em meus seios e descem para minha calça, em questão de segundos ele a tira me deixando somente de calcinha e sutiã.
- Tem certeza? – ele sussurrava.
- Mais que nunca. – disse o puxando pra mim e beijando-o.
As mãos dele passaram pelo meu pescoço, beijando meu ombro nu e delicadamente ele tirou meu sutiã e minha calcinha, olhou intensamente nos meus olhos e sorriu. Entreguei-me docilmente aos seus braços e ao seu corpo.
Nossos corpos, mentes e corações estavam unidos e naquele momento éramos somente uma pessoa. Nunca imaginei que a sensação de estar amando uma pessoa fosse tão dócil, tão adorável de sentir, eu estava me entregando à pessoa que realmente amava...
Não sei a que horas acordei. Mas ao acordar percebi que estava abraçada com o Embry, estava com a cabeça em seu peito nu e envolvida em seus braços. Beijei delicadamente seu peito, depois subi pro pescoço e o beijei. Senti ele me abraçando e dando um largo sorriso.
Alguém bateu na porta, sai delicadamente da cama pra não acordar o Embry, coloquei a blusa dele e abri um pouco a porta.
- O quê? – olhei para o meu irmão.
- Vai levantar, não? – John me olhava sério.
- Que horas? – cocei a cabeça.
- Uma da tarde! – ele disse. - Porque você está usando a blusa do Embry? – ele me olhou sério. – ELE ESTÁ AÍ, NÃO É? É POR ISSO QUE VOCÊS SUMIRAM ONTEM, FOI?! – disse aos berros.
Saí do quarto e fechei a porta, o peguei e o encostei na parede.
- Cala a Boca! Ele está dormindo! – falei entre os dentes.
- Calar a boca?! CALAR A BOCA! IREI DAR UM MURRO NELE, ISSO SIM! – ele disse me empurrando, mas o segurei.
- John pare! Eu amo o Embry e isso que importa! Não me arrependo de nada que fiz. – disse exasperada.
- VAI SE ARREPENDER DAQUI A NOVE MESES! – ele disse aos berros.
- John, eu me cuido, não sou inocente, não! Mamãe me orientou muito tempo atrás e ainda usamos preservativo, então pare de bancar o irmão ciumento! – esse ataque de ciúmes exagerados estava me irritando.
- CIUMENTO? ESTÁ ME CHAMANDO DE CIUMENTO? VOU CHAMAR MINHA ÚNICA IRMÃ E DESCUBRO QUE ELA DORMIU COM O NAMORADO NO QUARTO? E TEM A CARA DE PAU DE SAIR SEMI-NUA! EU NÃO SEI ONDE ESTOU PARA NÃO LHE DAR UNS TAPAS!! – ele disse sério e aos berros, novamente.
- Se você encostar a mão nela eu acabo com você! – Embry disse me abraçando.
- EU VOU LHE DAR UM MURRO, ISSO SIM! – John disse indo pra cima do Embry, mas me coloquei na frente.
- Por favor, John pare! – disse o abraçando. – Pare, tá? – falei beijando o rosto dele.
- Me larga! – ele disse ríspido.
- Bobo! – disse o largando, e ele foi para o quarto.
- Não quero você brigando com meu irmão, tá ouvindo? – disse me virando pro Embry.
- Se ele encostar a mão em você eu acabo com ele. – ele disse sério.
- Se você encostar a mão nele eu que acabo contigo, agora vamos comer algo? – disse rindo.
- Que tal um banho antes? – ele disse me abraçando.
- Humm... – fingi pensar - Eu e você? Juntos? – sorri.
- Isso! – ele disse me beijando.
- Só se você me der banho! – o provoquei.
- Com prazer! – ele disse me pegando no colo e indo pro banheiro comigo.
Capítulo 24
Como eu estava feliz, estava passando pela melhor fase da minha vida, estava amando a pessoa certa. Não era mais uma paixonite de adolescente, era amor.
Sim, eu estava amando de verdade. Embry sempre atencioso e carinhoso comigo, ele estava sendo muito mais que um namorado, estava sendo amigo, companheiro, estava mudando meu comportamento. Cada dia, cada semana, cada mês que passava ficávamos mais unidos, mais apaixonados e mais companheiros.
Posso dizer que esse ano está sendo de longe o meu melhor ano. Depois do incidente do Embry me atacar, nunca mais aconteceu nada, nem mesmo a voz vinha perturbar-me. Tornei-me a melhor amiga de Kain, até agora ele não fez nada, mas a pulga atrás da minha orelha ainda não saiu. Ainda acho que ele é um vampiro, só não sei como afirmar isso. Embry não estava gostando muito dessa amizade, e também não acreditava na minha teoria sobre o Kain ser vampiro, mas simplesmente eu o ignorava e continuava com minhas suspeitas.
John, desde o dia que brigou comigo por causa do Embry, nunca mais falou comigo como antes, só falava o necessário e quando me olhava virava a cara. Vi o mesmo saindo do quarto todo arrumado, meu irmão simplesmente ficava um gato com smoking, olhei pra ele e sorri.
- Você está lindo, John! – disse suavemente.
- Você também. – ele disse ríspido passando por mim, revirei os olhos e sorri pra mim mesma.
Bati na porta do quarto do Embry.
- Embry, vamos! Chegaremos tarde! – disse gritando.
- Eu tenho que ir mesmo?! E ainda com essa roupa?! Pareço um pingüim! – ele disse tentando arrumar a gravata.
Sorri e fiz o nó da gravata dele.
- É um baile pra você, seu besta! – disse dando um selinho nele.
- Mas não queria ir, não! – ele disse emburrado.
- Eu queria um carro só pra mim e não tenho, vê como a vida é injusta?! – sorri. - Agora vamos! – disse empurrando-o.
Em uma hora chegamos ao local da festa. Era o baile para o time que tinha acabado de ganhar o estudantil e para os formandos daquele ano. Ficamos o tempo inteiro juntos, trocando carícias e causando inveja em muita gente, estava me divertindo, só pelo fato de todas as garotas da escola querem dar os parabéns para o Embry, mas ele simplesmente negava e ficava comigo.
Estávamos dançando uma música qualquer, sinceramente não estava prestando atenção, estava ocupada beijando meu namorado. Estava de olhos fechados curtindo o momento quando Embry parou o beijo.
- O que vocês querem? – ele disse ríspido.
Abri os olhos e vi os meninos do time parados na nossa frente.
- Será que podemos roubar seu namorado um pouco ? – Karl perguntava sorrindo.
- Se me devolverem como entreguei... – sorri de volta.
-E se eu não quiser ir? – Embry disse irritado.
- Vai lá amor! É pra você essa comemoração também, né? – disse sussurrando e em seguida beijei seu rosto. - Vocês têm 30 minutos com ele, hein? – disse rindo e me separando do Embry.
Antes de ele ir, me deu um beijo e saiu resmungando com os amigos. Fiquei rindo por um tempo e fui à mesa pegar algo pra comer.
- Pensei que nunca ia largar seu namorado. – Kain disse aparecendo do nada do meu lado.
“Se não fosse tão acostumada com isso...” pensei.
- Você quer me matar do coração é?! – disse fingindo estar assustada.
- Ainda não! – ele disse sarcasticamente.
- Como?! – indaguei.
- Nada ! – desconversou – Então, será que posso dançar uma música contigo? – ele disse sedutoramente.
“Meu Deus! É o Edward todinho!” pensei assustada.
- Pode sim! – disse rindo e o mesmo me conduziu até a pista.
- Então, gostou da nota que tiramos no trabalho? – ele disse puxando conversa depois que a música começou.
- Tiramos nota máxima Kain. – sorri.
- Você está linda, sabia? – ele disse sorrindo.
Fiquei um pouco sem reação por causa do sorriso.
- Kain, quero lhe perguntar uma coisa. – disse desviando o olhar.
Ele estava me seduzindo.
- Diga – ele disse sussurrando no meu ouvido e isso me fez arrepiar dos pés a cabeça.
- Você é um vampiro... – disse quase inaudível, mas tendo certeza que se ele fosse iria escutar perfeitamente.
- Como? – ele sorriu disfarçando.
- Chaga Kain, eu sei. – disse séria.
Continuamos dançando.
- Não sei do que está falando. – ele disse me olhando torto.
- É sim. Eu sei! – disse parando e o encarando.
O mesmo ficou me encarando por uns segundos e sorriu, olhou profundamente nos meus olhos e me encantou, fiquei observando os olhos vivos dele. Quando o mesmo piscou pude ver algo estranho em seus olhos, senti-o me puxando mais pra perto e em segundos nossos lábios estavam juntos. Seu beijo não era quente, era frio, mas intenso, por impulso o empurrei.
- Está louco?! – disse um pouco tonta.
- Desculpe! – ele disse rindo.
- O que está acontecendo aqui? – Embry disse parando do meu lado.
- Nada Embry. – disse encarando o Kain.
- Como nada?! Eu vi tudo! – ele disse bem estressado.
- Se você viu tudo, então viu que não o beijei, fui beijada! – disse me virando e o abraçando, mas ele me impediu.
- Você correspondeu! - ele disse entre os dentes.
- Amor, eu não correspondi nada! - me virei pro Kain – Diga que me beijou a força! – falei engasgando.
- Você me provocou! – ele disse rindo maliciosamente.
- Kain?! – disse espantada. – É mentira Embry! – olhei pra ele, mas o mesmo estava de olhos fechados e com o punho cerrado. - Embry vamos conversar a sós, por favor! – disse com os olhos cheios de lágrimas.
- Me deixa ! – ele disse dando às costas pra mim e sumindo na multidão.
Olhei para os lados e vi que conseguimos manter a aparência apesar de tudo. Fui até o Kain e tentei lhe dar um murro, mas ele segurou minha mão antes.
- Se quiser quebrar a mão me bate! – ele disse rindo.
- Eu sabia! SABIA que era um! – gritei – Por que fez isso? Por que me seduziu? – falei chorando já. - Eu amo o Embry! Viu o que fez?
- Você não o ama e eu gosto de você! – ele disse rindo.
- IDIOTA! – berrei - Irei ligar pra minha família pra lhe matar! – falei rispidamente.
- Se ligar no outro dia você estará morta! Não sou tão bonzinho como pensa!– ele disse me puxando pra um canto mais reservado. - Escute aqui menina minada! Se amar sua família, os deixe fora daqui e deixe esse fedorento ir embora também! Não agüento mais o cheiro dele! – ele disse sério.
- Me larga! – tentei me soltar, mas ele me puxou novamente e me beijou, mas dessa vez eu mordi seus lábios.
- Hum... Adoro rebelde! – ele disse me soltando.
- Você me paga, Kain! – disse indo correndo na direção que vi o Embry sair com raiva.
O procurei pela festa inteira e nada dele, perguntei por todos e ninguém sabia dele, estava começando a ficar desesperada, eu tinha que explicar tudo, tinha que alertá-lo que Kain era mesmo um vampiro e ele me seduziu.
Eu já estava desistindo quando eu o vi, mas ao mesmo tempo queria não ter visto, ele estava num canto isolado, atrás de uma árvore, estava aos amassos com Ruth, fiquei observando por um tempo, pisquei várias vezes para ter certeza, e pude ver que ele estava adorando o beijo, suas mãos passavam por todo corpo dela e ela fazia o mesmo.
- É acho que mereci isso. – murmurei pra mim mesma.
Abaixei a cabeça e voltei pra festa. Procurei por todo lado pelo John, estava me sentindo um lixo, meu estômago estava revirando a cada segundo, e não estava conseguindo segurar o choro. Depois de um tempo procurando pelo John eu o achei se agarrando com uma garota qualquer. Toquei no ombro dele, interrompendo o beijo, a menina me olhou feio e ele virou de olhos fechados.
- O que é? – ele disse bem ríspido.
- Por favor, vamos embora. - disse quase chorando.
- Hei! O que foi?! – ele abriu os olhos e me olhou preocupado.
- Sai garota! – a menina disse pra mim.
- Sai você, sua vulgar. – ele disse pra garota.
- O que foi ? – ele voltou a atenção pra mim e me abraçou.
Não me contive e comecei a chorar no ombro dele.
*Embry Pov*.
Eu estava conversando com meus amigos, já fazia uma hora e eles não me largavam. Ficar com vários machos conversando besteira é deplorável. Eu não tenho paciência pra isso.
- Bom - suspirei - rapazes o tempo de vocês acabaram, irei ficar com minha namorada! – disse rindo e caminhando de volta para a festa.
Como era difícil andar naquela festa sem a , a cada passo era parado por alguém e cada vez perdia mais ainda o tempo. Comecei a procurá-la, mas não estava a encontrando, vi Ruth vindo sorrindo pra mim.
- Hei Ruth, viu a por aí? – disse parando na frente dela.
- Ela está na pista de dança se agarrando com o Kain. – ela disse rindo - Vocês terminaram, foi?! – ela disse aproximando de mim e acariciando meu peito – Sabe sempre lhe avisei sobre os dois. – ela disse rindo.
- Não terminamos!– falei ríspido e fui até a pista e pude a ver dançando com o Kain.
A raiva começou a tomar conta de mim, por que ela estava dançando tão perto dele?! Pude escutar a conversa deles.
- Como? – aquele sujeito sorria pra ela.
- Chega Kain, eu sei. – ela disse ríspida e sem parar de dançar.
“Sabe o quê? Sabe que ele a seca o tempo todo? Como ela não vê isso? Ainda diz que é ciúmes bobo meu!” pensei, bufando de ódio.
- Não sei do que está falando – ele disse sorrindo novamente.
“Eles não vão parar de dançar, não?!” pensei.
- É sim. Eu sei! – ela disse parando de dançar e o encarando.
Os dois ficaram trocando olhares sem se importar com quem estava olhando, não são nada discretos!
“Aquele desgraçado está puxando-a? Ele vai beijá-la? Porque ela não faz nada? Ele vai beijá-la!” Fechei meus olhos, não podia ver aquilo, não queria ver!
- Está louco?! – a escutei brigando com ele, abri os olhos e vi os dois se encarando.
- Desculpe! – ele disse rindo.
- O que está acontecendo aqui? – disse já do lado dela.
- Nada Embry. – ela disse sem olhar pra mim.
Porque não me olha? Culpa?
- Como nada? Eu vi tudo! – disse irritado.
- Se você viu tudo, então viu que não o beijei, fui beijada! – ela disse finalmente olhando pra mim.
Ela tentou me abraçar, mas a impedi, estava com raiva e não queria machucá-la.
- Você correspondeu! - disse entre os dentes.
- Amor, eu não correspondi nada! – ela disse olhando para o Kain. – Diga que me beijou a força! – ela disse quase chorando.
- Você me provocou! – ele disse rindo maliciosamente.
- Kain?! – ela disse arregalando os olhos e pude ver nesse momento que ela estava falando a verdade eu conhecia muito bem cada expressão dela.
Mas eu estava com raiva, ela beijou outro homem, ela estava com cheiro dele, um perfume barato! Fechei os olhos, não ia explodir ali, não mesmo.
- É mentira Embry! – escutei ela falar espantada. - Embry vamos conversar a sós, por favor! – ela suplicou.
- Me deixa ! – disse me virando.
Estava com tanta raiva que se ela me tocasse ia machucá-la, melhor dar uma volta esfriar a cabeça e mais tarde conversar com ela. Andei pra fora da festa, tinha um banco perto de uma árvore sentei nele e abaixei minha cabeça e comecei a respirar fundo, estava conseguindo me controlar, senti alguém sentando do meu lado.
- O que está fazendo aqui Embry? E Sozinho? – disse sentando ao meu lado.- Esfriando a cabeça, não queria explodir lá dentro – disse sem olhar pra ela.
- Eu disse pra você. Por que ainda insiste em ficar assim? – ela disse suavemente.
- Porque eu te amo, , não foi fácil lhe ver beijando outro homem – disse sem olhá-la.
- Mas eu te amo, você não vê isso? – ela disse colocando a mão na minha coxa.- pára... Eu a amo, já disse! Mas ainda estou magoado com você – levantei, mas ela me segurou e me abraçou.
- Sei que está magoado, mas me perdoa? – ela disse beijando meu rosto.
Fechei os olhos e suspirei.
- Pára! – disse ríspido.
- Só irei parar quando você retribuir. – ela disse beijando meu pescoço.
- Então é assim? – falei segurando-a com força e a beijando.
Minha raiva era grande, mas como negar um beijo dela, eu nunca consegui resistir aos beijos dela, mas tinha algo estranho, o gosto estava diferente, a temperatura estava diferente, os batimentos cardíacos não eram dela. Quando senti a língua dela, percebi que tinha algo errado, e pude sentir o mesmo cheiro do vampiro que apareceu na festa, imediatamente soltei-a.
- UFA! Que beijo Embry! Quero outro! – Ruth disse deslumbrante.
- RUTH? – exasperei-me.
- O que foi? Que cara de espanto foi esse? Gostou não, foi? – ela disse toda assanhada.
- O que você faz aqui? Cadê a ? – olhei confuso.
- Ela não estava aqui, só eu! – ela disse rindo – vem, quero mais um beijo daqueles, e menino! Você tem pegada hein! – ela piscou.
- Já fiz a minha caridade! Agora vai procurar gente do seu nível! – falei rispidamente e fui pra festa.
Estava na hora de procurar a e escutar o que ela tinha pra me dizer. Sei que há uma explicação pra aquele beijo, vi a sinceridade nos olhos dela. A procurei por todo canto e não estava achando, até que Karl veio na minha direção.
- Hei Karl viu a ? – disse o parando.
- Vi sim, foi embora com o irmão. Por acaso vocês brigaram? – ele me disse levantando uma das sobrancelhas.
- Por quê? – disse preocupado.
- Porque ela estava aos choros com o irmão, deu até pena cara. – ele falou.
- Será que ela viu? – disse alarmado.
- Viu o quê? – ele disse sério.
- Eu beijei a Ruth. – falei baixo.
- Hum... Se viu, não sei, mas ela já foi embora. – disse.
- Tá Karl... Obrigado. – disse indo correndo até meu carro.
Peguei meu celular e disquei o número dela.
- Atenda, por favor... – supliquei.
Chamou uma, duas, três... Chamou até cair na caixa postal. Disquei novamente e de novo caiu na caixa postal, liguei para o irmão dela, chamou duas vezes.
- Oi. – ele disse ríspido.
- Por favor, me diga que a está com você! – disse desesperado.
- Está sim. – novamente ele fala com raiva.
- Quero falar com ela, passe o telefone pra ela, por favor. – supliquei.
- Acho melhor não Embry, amanhã vocês conversam, tchau! – ele disse rapidamente e desligando o telefone na minha cara.
Joguei o celular no banco do passageiro e arranquei o carro, tinha que chegar o quanto antes em Bad Tölz. Não sei o que aconteceu comigo, jurava que era ela, mas minha mente pregou uma peça em mim! A mesma peça no dia que me fez atacá-la, isso não pode está acontecendo comigo, eu nunca ia magoá-la, não era eu!
E o cheiro? O mesmo cheiro da festa, o mesmo cheiro de quando estava estrangulando-a, e agora o mesmo cheiro, alguém estava manipulando minha mente, e eu sabia quem era. Tenho que me explicar pra ela...
* Pov*
Sei que estavam todos me olhando, mas a dor que estava sentindo era forte, eu tinha perdido o amor de minha vida, ele não me amava mais. A única opção agora era chorar nos braços de meu irmão.
- Você quer ir pra casa? – ele disse sussurrando.
- Sim... – solucei.
Naquela hora, não me importava se tinha alguém apontando para mim, não me importava quantas pessoas me viram desabar nos ombros de meu irmão, eu não estava me importando com mais nada. Queria chegar o mais rápido possível em casa. John me levou até o carro, abriu a porta pra mim e sentou comigo no banco de trás.
- Pra casa Robert. – ele disse me abraçando.
- Você quer me dizer o que aconteceu? – John disse quebrando o silêncio.
- Acabou meu irmão... Acabou. – disse soluçando.
- Você e o Embry? Acho difícil. – ele disse rindo e acariciando meu rosto.
- Acabou John! Eu beijei o Kain e depois vi o Embry beijando Ruth. – disse começando a chorar novamente.
- Você beijou aquele branquelo? – ele disse incrédulo.
- Não! Ele que me beijou, mas Embry viu na hora, interpretou errado e quando fui tentar me explicar, ele estava aos amassos com a Ruth! Acabou John, acabou... – disse soluçando.
Ele apenas ficou calado fazendo carinho em mim.
- Acredito em você, se diz que foi forçada, acredito. – ele beijou minha testa.
Nesse momento deixei a dor me dominar, não escutava mais nada que meu irmão dizia. A cena do Embry com a Ruth passava centenas de vezes na minha mente, uma dor insuportável estava me controlando, a única vez que senti a mesma dor, foi quando meu pai disse que não me amava mais, só que essa dor era mais forte, me deixava anestesiada.
Quando chegamos à casa, não falei mais com ninguém, subi para o meu quarto e me tranquei nele. Tomei um banho demorado, queria tirar o cheiro daquele vampiro estúpido de mim, escovei bem os dentes e fui dormir.
Não sei por quanto tempo dormi, não sei se era de dia ou de noite, não sei que dia era. Eu não estava me importando com isso, não queria em nenhum momento levantar, não queria falar com ninguém, queria ficar sozinha, queria tentar esquecer tudo que estava acontecendo, mas minha mente estava pregando peça em mim, mostrando a cada segundo a cena deles, a cena do Embry dando as costas pra mim, ele recusando meu abraço, recusando minhas desculpas, a expressão de desapontamento dele não saía da minha mente. Voltei a chorar, meu peito doía, às vezes faltava ar, eu estava me fechando.
Em alguns momentos pude escutar alguém chamando meu nome, mas não atendi, em outro momento batiam à porta e novamente meu nome era pronunciado, mas estava tão distante que não tive vontade de responder. Fechei os olhos novamente e tentei dormir.
*Embry Pov*
Nunca corri tanto assim no meu carro, acho que cheguei à casa em menos de 1 hora. Estacionei o carro de qualquer jeito e entrei na casa correndo. Quando ia subindo das escadas John aparece descendo e pára no meio da escada.
- Vai embora Embry, melhor você ficar uns dias no seu apartamento. - ele disse sério.
- Primeiro preciso falar com sua irmã, sai da minha frente. – disse tentando passar por ele, mas ele ficou parado no meio.
- Embry você já machucou demais minha irmã, por favor, saia. – ele disse calmamente.
- Ela me viu com a Ruth? – perguntei nervoso.
- Sim, Embry. – ele disse quase aos sussurros. - Por que você não acreditou nela? Por que foi logo beijar a Ruth? Cara, você sabe como ela é ciumenta com aquela garota, agora ela está lá trancada no quarto por sua culpa! Embry vai embora, vai! – ele disse sério.
- Deixa ao menos tentar conversar com ela? Eu tenho uma explicação – disse suplicando.
- Tente... – ele abre a passagem pra mim.
- ? Sou eu, abra a porta. – disse batendo na porta. - Querida? Por favor, eu acredito em você, abre vai. – disse suavemente. - ? Amor? – bati na porta. - não faz isso comigo, por favor! – meus olhos começaram a encher de lágrimas - Responde ao menos...
- Eu disse que ela não responde. – John disse parado na minha frente.
- Ela vai responder. – disse batendo na porta - ... – sussurrei seu nome.
Fiquei parado na porta do quarto dela por horas, bati, chamei, supliquei e nada, nem ao menos respondia. Eu já estava desesperado, estava nervoso, ela já estava assim durante três dias, ela estava trancada nesse quarto por três dias e nada.
- Chega! Irei arrombar. – disse levantando do sofá e indo pro quarto dela.
- Não, Embry. – John me parou no meio do caminho - Vamos dar tempo pra ela, ela está bem. – ele dizia calmamente.
- Como você pode estar nessa calma toda? Ela está lá trancada há três dias, não come, não bebe água, não faz nada! – estava nervoso.
- Ela tem comida lá dentro, no armário é cheio de chocolate, e ela bebe água da torneira, vamos deixá-la sair desse quarto sozinha. - ele disse me segurando.
- Irei dar somente um dia! Senão irei arrombar aquela porta. – falei sentando novamente no sofá.
Quando sentei no sofá escutei alguém abrindo a porta, ao levantar o olhar pude ver Dona Ana chegando.
- Mãe? O que faz aqui? Não ia voltar daqui a 10 dias? – John disse nervoso.
- Sim, mas Robert me ligou e contou sobre a , e quanto a você, Embry... Vamos conversar. – ela disse apontando pra cozinha.
Respirei fundo e fui conversar com ela.
- O que está acontecendo aqui, Embry? – ela me olhava furiosa.
- Eu e a brigamos feio. – falei de cabeça baixa.
- E qual o motivo dessa briga? – ela disse ríspida.
- Por favor, Dona Ana já estou me sentindo horrível, não faça eu me sentir mais. – disse de cabeça baixa.
- Embry, fale o que aconteceu realmente?! Porque minha filha está trancada no quarto a três dias como vocês mesmos disseram! – ela disse quase gritando.
- Ela me viu beijando uma garota. Eu estava com raiva dela, foi por impulso, não queria, juro, eu pensei que fosse ela. – disse quase chorando.
- AHH! Meu filho! Você conhece o temperamento dela. – ela disse suavemente e sentando. - Irei ligar pro Carlisle, ele saberá o que fazer. – ela disse pegando o celular e discando.
* Pov*
Estava olhando fixamente pro teto do meu quarto, estava de mente limpa, pensando em nada, somente olhando pro teto.
- Filha? Sou eu, a mamãe! Abre vai. – escutei Dona Ana batendo na porta.
- Vai embora! - consegui responder.
- Filha! Abre vai, você esta aí há três dias, abre. – ela suplicava.
- Me deixa em paz! – disse me virando para o lado.
- Escute, irei ligar pro Carlisle, quer que seu pai venha aqui? – ela disse um pouco ríspida - Abre vai, ao menos pra comer. – ela disse suavemente.
Ela ainda bateu algumas vezes e suplicou várias, mas não respondi e nem abri a porta. Será que eles não entendiam que não quero falar com ninguém?! Eu só queria dormir.
Acordei com fortes batidas na porta.
- Abre! – essa voz eu conhecia. - Abre ! – sim, era meu pai. - , abre essa porta! – ele disse num tom bem sério.
Tentei levantar para abrir a porta, mas estava fraca acabei tento uma vertigem e desmaiei.
- Como vocês a deixam ficar cinco dias sem comer nada? – consegui escutar meu pai ao longe brigando com alguém.
- Eu cheguei e ela já estava assim Carlisle. – Dona Ana se explicando.
- Filha? – senti uma mão fria tocando meu rosto e abri os olhos. - Filha! – ele disse me abraçando e me dano um pedaço de chocolate. - Come e não quero reclamação – ele disse bem autoritário, peguei o chocolate e comi.
Ele fez sinal pra Dona Ana sair e sentou na beira da cama.
- Vocês arrombaram a porta? – disse comendo o chocolate.
- Sim. – ele disse sério. - Quer ser internada? – ele me recriminou.
- Hã?! E porque achou que estava querendo? – disse sem olhar pra ele.
- Você sabe o motivo... – ele falou.
- Não. Não sei pai. – disse suspirando.
- Você não sai do quarto a cinco dias! Sabia que poderia morrer? – ele disse se aproximando de mim e levantando meu queixo. - Não quero perder você filha. – ele beijou minha testa.
- Eu não quero morrer, só não queria sair do quarto. – falei baixo.
- Não come, não bebe água, não sei como ainda não morreu, sabia? – ele deu um sorriso.
- Eu não sou burra, estava tomando água sim! – falei birrenta.
- ... – ele disse suavemente.
- Quê? – disse sem emoção alguma.
- Converse com o Embry, tente se entender com ele. – disse suavemente.
- Não me peça isso, acabou... – disse fechando os olhos.
- Escute o que ele tem a dizer. – o senti levantando da cama.
- Não pai... – abri os olhos, mas ele já tinha saído e o Embry estava parado na porta do quarto.
Estava com olheiras e com aparência horrível, abaixei a cabeça e fechei os olhos.
- Vai embora Embry. - disse quase sem voz.
- Por favor, me escute. – ele disse já do meu lado.
- Escutar o quê? Que você descontou? – abri os olhos e o fitei. - Escutar que você beijou aquela vaca pra se vingar de mim? – disse seca - Escutar que está arrependido? – disse já chorando.
- Não ! Escute! – ele disse me abraçando, mas eu o afastei.
- Acabou, Embry, acabou... – disse levantando na cama e indo até a porta. – Acabou.
- , não! – ele suplicou. - você também beijou aquele lá. Entenda! Você também... – tentou se justificar.
- Não venha com essa desculpa! Eu tentei lhe falar que não tive culpa, que fui beijada, tentei lhe dizer que aquele estúpido armou pra mim, mas o que você fez? Não acreditou em mim, deu as costas e foi se agarrar com aquelazinha! - disse chorando e aos gritos. - SAI E SOME DA MINHA VIDA! – berrei.
- É isso que quer realmente? – vi que ele também estava chorando.
Fiquei calada.
- Responde, é isso? – ele disse parando na minha frente e forçando olhar pra ele.
Fechei os olhos e suspirei.
- É. – disse seca.
- Olhe pra mim e diga nos meus olhos. É isso que quer? – ele disse segurando meu queixo.
- Sai Embry! – falei ríspida.
- Abre os olhos e diga olhando pra mim! Olhando para os meus olhos. – ele disse e vi suas lágrimas caindo de seus olhos.
- Acabou! – disse olhando em seus olhos.
Notei que ele ficou sem reação.
- Tem certeza? – me encarara.
- ACABOU! – olhei fixamente pros olhos dele.
Ele deu um beijo na minha testa e saiu do meu quarto.
Pronto, meu dia acabou, desabei no chão e comecei a chorar. Senti alguém me levantando, mas empurrei a mão.
- SAI! - disse aos berros.
- Filha eu... - Carlisle disse suavemente.
- Sai... – supliquei.
Quando ele saiu fechei a porta, me encostei a ela e chorei. Meu peito estava doendo, estava me matando, caminhei com dificuldade até minha cama e me joguei nela. Fiquei completamente a deriva, não escutava nada ao meu redor e nem enxergava nada. Estava me entregando e mergulhando na escuridão que sempre me acompanhou só faltava um motivo pra entrar nela, e hoje eu achei.
Capítulo 25
VOLTERRA
*Caius Pov*
- Garret! Que bom que veio! – disse aproximando-se dele e o cumprimentando.
- Olá Caius! Bela festa, hein?! – disse.
- Ainda não viu nada. Ficará excelente daqui a pouco. – disse - Pensei que você não ia dar o ar da graça aqui! – sorri.
- Que isso Caius, nunca ia negar um convite de vocês. Porque pensou isso? – indagou-me.
- Porque há três anos você ficou do lado de Carlisle! – disse.
- Ah Caius, eu não fiquei do lado de Carlisle, fiquei do lado da verdade, eu vi aquela criança crescendo. – explicou-se - E falando nisso visitei-os faz três meses, você não imagina como ela está grande. Eu fico imaginando como aquele clã é estranho, uma meia vampira e uma filha humana, estranho né? Eu nunca conseguiria... – tagarelou.
- O que você disse, meu caro? Filha humana? – interrompi.
- Sim. – confirmou.
- Qual idade dela? – perguntei.
- Acho que está com 17 ou 18, não lembro, mas eu a conheci quando tinha 14 ou 15... – disse.
- Ainda humana? – indaguei incrédulo.
- Sim Caius, e valente! Acredita que ela quebrou meu nariz? – falou ainda surpreso com o que lhe ocorrera.
- Por favor, me dê licença. – caminhei rapidamente até Aro. - Aro meu irmão temos que conversar! – disse exasperado.
- Pois não! – ele assentiu.
- Carlisle nos enganou! Temos que acabar logo com o seu clã! – exasperei-me mais.
- Como assim? – ele me perguntara.
- Lembra da filha humana? – ele assentiu - Continua humana! Ele prometeu que ia transformá-la! – disse.
- Caius pare com isso! Carlisle não é uma ameaça para nós, se ele ainda não transformou logo fará! – falou despreocupado.
- Você confia muito nele meu irmão! – debochei - Eu nunca confiei nele, por causa dele tem vampiros que acham que podem nos desafiar! Temos que continuar com o nosso domínio.
- Caius! O que aconteceu há três anos passou, ainda somos temidos! Deixe Carlisle em paz! – disse mais despreocupado ainda.
- E a filha humana? Pode colocar nosso anonimato em cheque! – adverti.
- Caius, você acha que se ela fosse fazer isso já não tinha feito? E Carlisle prometeu que ia transformá-la. – defendeu-o mais uma vez.
- Prometeu, mas não cumpriu! Você deixou uma traição passar, mas não pode deixar essa passar também! – eu já estava nervoso com essa despreocupação de meu irmão.
- Caius, Caius! Aproveite a festa! – ele disse dando uns tapinhas no meu ombro e saindo da minha frente.
Carlisle está passando dos limites! Eu nunca confiei nele! Um vampiro que não se alimenta de sangue humano, pra mim não merece piedade! Aro tem muita simpatia e consideração por ele, mas eu não! Ele merece ser punido! Irei agir por conta própria!
- Demetri! Chame o Mikael pra mim! Estarei na sala de reunião. – falei para o vampiro.
Caminhei lentamente para sala, Mikael era meu segundo rastreador, depois do Demetri. Mas se eu o mandasse, Aro e Marcus iam suspeitar, e como eles não querem vingança do acontecido há três anos atrás, iam impedir. Mas eu quero, quero acabar com Carlisle, acabar lentamente com ele e seu clã e o que estou preparando pra ele será o pior das minhas feitas até agora...
- Mandou me chamar mestre? – indagou Mikael ao entrar na sala.
- Sim Mikael. – assenti - Preciso de um serviço! Um serviço particular. – disse olhando fixamente pra ele.
- Estou a sua disposição meu senhor. – confirmou.
- Vá até Carlisle, verifique como anda o crescimento daquela aberração. E depois verifique sobre , a filha mais nova dele, quero que você seja o mais sutil possível, deixe transparecer que só está lá para saber da aberração, mas quero saber se a filha mais nova ainda é humana.
Mikael me ouvia atentamente.
- Pergunte por acaso sobre a filha ou se possível nem pergunte, mas quero que descubra se ainda é humana e me mantenha avisado. E mais uma coisa, não fale com ninguém, é um assunto particular. – o olhei seriamente.
- Irei partir agora mesmo. – afirmou.
- Ótimo! – sorri pra mim mesmo.
“Carlisle, você nem imagina o que estou preparando pra você!” pensei.
* Pov*
As horas se tornaram dias, os dias se tornaram semanas e semanas se tornaram meses. Já fazia vários meses que comecei a andar de mãos dadas com a escuridão e solidão, estava melhor assim sozinha e sem ninguém.
Desde que Embry foi embora ainda não consegui me recuperar, parece que falta parte de mim, eu estava amuada, não conseguia tratar ninguém bem. Por causa dessa minha atitude tive uma briga feia com meu pai, ele tentou me levar pra Forks, mas simplesmente eu o ataquei com quatro pedras na mão.
Resumindo, meu pai foi embora pra Forks extremamente magoado comigo. Estava cansada dessa vida, queria ao menos uma vez na vida viver como humana normal, sem vampiro e lobisomem por perto. Tomei uma decisão que iria magoar muita gente, mas é necessário, eu não volto mais pra Forks nem para passar as férias...
Hoje depois de meses voltei a ver um treino de rúgbi, meu irmão se tornou o capitão do time e implorou pra que o assistisse.
- Precisamos conversar. – escutei uma voz suave, fechei os olhos e suspirei.
- Por quê? Chegou o dia que vai me lanchar? – disse entre dentes.
- Acompanhe-me. – ele disse tocando no meu ombro.
Respirei fundo.
- Não dá pra falar aqui? – falei levantando.
- Acompanhe-me, sim? - ele disse suavemente e eu o acompanhei contra a minha vontade.
Ficamos caminhando por um tempo pelas dependências da escola. Até que ele me guiou para a floresta.
- Preciso lhe dar algumas explicações. – disse enquanto caminhava e quebrando o silêncio.
- Diga. - falei sem emoção alguma.
- Eu sou um enviado do Aro Volturi. – quando ele disse esse nome, parei de imediato.
- Mate-me logo então. – falei ríspida.
- Não estou aqui para lhe matar. – ele disse suavemente e sorrindo - Estou aqui pra lhe proteger. – ele disse olhando seriamente pra mim.
- Por quê? – disse sem entender muito.
- Aro não quer briga com sua família, mas Caius quer. – disse naturalmente - Ele está te procurando pelo mundo, quer matar você, assim provoca sua família e tem a guerra que tanto anseia.
- E por que resolveu me contar isso tudo agora? – falei ríspida.
- Porque você demonstrou ser bem diferente, obedeceu. – ele sorria sarcasticamente.
- Perfeito... – resmunguei pra mim mesmo. - Espera! Era você o tempo todo certo? – ergui uma sobrancelha.
- Sim. – disse naturalmente.
- Cretino! – exasperei-me - Em Forks, no quarto e nos meus sonhos! Era Você o tempo inteiro! – o olhei sem acreditar muito.
- Sim. – novamente ele diz naturalmente.
- E como faz? Como faz pra andar no sol? Como faz pra ficar quente? – o olhei incrédula.
- Faço vocês pensarem isso. – ele disse no mesmo tom.
- E o cheiro? Como conseguiu enganar o Embry? – o olhei confusa.
- Camuflei meu cheiro, é tão fácil! – ele sorriu.
- Então, foi você que fez o Embry me atacar não foi? Foi você na festa! – disse fechando os punhos e indo socá-lo, mas ele me segurou e sorriu.
- Não e sim! – ele não mudava o jeito de falar.
- ME SOLTA! – ele me largou, fazendo cair no chão.
Quando cai no chão ele abriu uma bela gargalhada.
- Estúpido! – disse entre os dentes.
- Você que pediu e eu soltei! – ele continuava rindo.
- Por que você fez Embry me atacar? Por que você me beijou na festa? – disse levantando.
- Eu não o fiz lhe atacar, eu lhe salvei e eu beijei você na festa por que queria sentir teu gosto só isso. – ele disse sem mudar sua expressão.
- Sentir meu gosto? Você pensa que sou o quê? – disse entre os dentes.
- É a humana que tenho que proteger e infelizmente estou gostando – ele continuava sem mudar sua expressão.
- Gostando de mim? Você deve ter sugado sangue de um louco! Porque está completamente maluco! – falei cinicamente – Então, vai ou não me matar?! – disse ríspida.
- Já disse que não! – ele sorriu.
- Então, por que está me dizendo isso tudo? – o indaguei.
- Porque gosto de você. – ele disse sorrindo. - E partir de hoje não irei deixar você um segundo em paz, Caius mandou um rastreador atrás de você. – disse sério.
- Eu não preciso de sua ajuda, tenho minha família. – falei dano às costas pra ele, mas ele me segurara.
- Meu aviso ainda está de pé, sua família morre se contar tudo pra eles. – ele disse bem assustador.
- Sinceramente não estou lhe entendendo! Não quer me matar, diz que está me protegendo, mas me ameaça o tempo inteiro! – disse fechando os olhos e suspirando. - Eu preciso contar para minha família, eles têm que saber o que está acontecendo.
- Não! É isso que Caius quer, entenda! Se você mantiver contato com sua família ele saberá onde está e vai ser difícil lhe salvar, facilite minha missão! – ele disse sério.
- Você quer que me distancie mais ainda da minha família? – falei incrédula.
- Sim... É preciso. – ele disse sério.
- Não posso. – suspirei.
- Deverá, se quiser que eles continuem vivos. – ele disse me abraçando. - Não se preocupe , quando for o momento eu digo e você conta tudo pra eles, mas agora só me obedece, tudo bem? – ele disse suavemente e tocou no meu rosto, um toque suave e delicado e depois me beijou.
Um beijo frio, mas intenso, minhas pernas ficaram bambas e meu coração disparou, no começo aceitei o beijo, mas ao longo deste, senti algo estranho, senti um vazio no peito e as lembranças do Embry veio em minha mente, com muito custo consegui me soltar dele.
- Não... – disse sem fôlego.
- Esquece aquele pulguento! Eu estou aqui! – ele disse me beijando novamente.
- Eu disse não! – disse empurrando-o. - Você quer que me distancie deles certo? – disse dando as costas pra ele e suspirando fundo.
- Sim... É o melhor a fazer. – ele disse me abraçando por trás - Se distancie, facilite minha missão.
- Tudo bem. – disse derrotada.
Se já estava os magoando, agora eu estava mais ainda. Parei de ligar pra eles, e sempre quando algum queria falar comigo, eu os tratava mal. Isso estava acabando comigo, me sentia completamente sozinha no mundo, minha mãe biológica e meu irmão estavam cada dia preocupados comigo. Tentava manter as aparências, mas não estava enganando ninguém.
Dois anos se passaram, os dois anos mais fúnebres de minha vida, me distanciei o máximo de minha família, me isolei o máximo de todos. Acho que a única coisa boa do ano que se passou foram as férias de verão, aonde Reneesme veio passá-las comigo. Aquela garota que eu jurava que ia carregar no colo de novo já estava uma moça, aparentava ter oito ou dez anos, e com uma mentalidade de adulto, a menina era até mais inteligente que EU.
De cara fiz uma amizade boa com ela, adorava minha sobrinha e ela era a única que mantinha contado, sempre quando dava, mandava e-mails pra ela e a mesma me respondia, ficamos cúmplices uma da outra.
Eu magoei tanto minha família que ninguém veio na minha formatura e nem no meu aniversário de dezoito anos e muito menos ninguém me ligou para dar os parabéns por entrar na faculdade de Munique, estava cursando a faculdade que queria - Medicina.
Mesmo passando tanto tempo não conseguia esquecer o Embry, sentia falta daquele sarnento, dos toques dele, das suas carícias eu precisava de um ombro amigo, estava no meu limite. Kain era uma espécie de suporte, não tínhamos uma relação bem definida, ele era o meu protetor e às vezes rolava um clima entre nós e a besta aqui caía.
- Vamos? – Kain disse tocando no meu ombro me fazendo voltar ao mundo.
- Sim. – disse pegando minhas coisas e levantando.
- Hoje você não prestou atenção em nada. – ele disse sorrindo, enquanto íamos pra fora do campus.
- Pra quê? – disse sem emoção alguma.
- Pra quê o quê? – ele disse sorrindo.
- Pra quê aprender isso tudo se não irei utilizar? – falei sem olhar pra ele.
- Como? – ele me indagara.
- Meus dias estão contados Kain! É só me acharem que estarei morta, então porque não adianta logo isso e acaba com minha angústia? Mate-me logo! Não agüento mais! – falei parando na frente dele.
- Eu nunca falho em nenhuma missão e não será agora que irei falhar. – ele disse colocando as mãos no meu ombro. - Escute! Já passou muito tempo, porque não esquece aquele fedorento? Tem outras opções sabia? – ele disse rindo.
- Ah é? E qual? Não estou vendo ninguém aqui! – disse debochada.
- Tem sim. – ele me puxa pra ficar mais próximo dele e me da um beijo.
No começo eu tentei resistir, mas com as carícias dele, eu o abracei e o beijei também. Não era um beijo quente, era frio, cheio de tesão e paixão. No meio do beijo eu serrei meus lábios.
- Kain! Por favor, não. – suspirei.
- Eu sei que me ama. – ele disse rindo.
- Eu não quero amar mais ninguém na minha vida! – disse fechando a cara e indo até minha moto, subi nela e acelerei pra minha casa.
“Aquele vampiro estúpido estava querendo me enlouquecer, eu sei disso, ele estava se divertindo na minha angústia. Eu irei pirar, irei sim! Chega! Cheguei ao meio limite” pensei.
Quando cheguei em casa corri pro quarto, peguei meu celular que tinha esquecido na cômoda e liguei pro meu pai. A cada toque meu coração disparava, fazia exatamente seis meses que não falava com ele, depois de uma briga pelo telefone ele jurou que nunca mais ia me ligar. O telefone tocou até entrar na caixa postal.
- Não faz isso comigo pai... – sussurrei e disquei novamente deu mais três toques e ele finalmente atendeu, meu coração disparou quando escutei a sua voz.
- Filha? Desculpe não atender antes, tinha esquecido o celular no consultório – comecei a chorar ao ouvir a voz do meu pai - E lembrou que tem pai, é? – ele falou um pouco ríspido.
- Pai... - soluçava no telefone.
- Hei minha querida, o que houve? – ele parecia angustiado.
- Não agüento mais pai, não agüento mais! – soluçava.
- Não agüenta mais o que filha? Por favor, pare de chorar, está me deixando preocupado. – ele disse nervoso.
- Preciso de vocês, todos vocês! Não agüento mais essa farsa, não suporto mais! – disse aos soluços.
- O que está acontecendo?! Conte pra mim sou seu pai! – disse angustiado.
- Pai, eu... – balbuciei.
Senti um vento passar por mim e quando dei por mim minha mão estava sem o celular, arregalei os olhos e vi Kain esmagando o celular com uma mão. Olhou pra mim e balançou a cabeça negativamente.
- O que foi que disse?! – ele falou calmamente.
- Você quer me enlouquecer! – disse indo pra cima dele e dando um murro no rosto dele, mas o único osso que escutei quebrar foi o da minha mão.
- Disse pra você que ia acabar quebrando a mão se me batesse! – ele ria.
- Por favor, eu preciso da minha família – nesse momento me ajoelhei no chão e comecei a chorar. - Eu não agüento mais, preciso deles! – disse segurando minha mão que doía.
- – ele disse suavemente - É pro seu bem, não vê? Seria um desperdício perder você! E além do mais, eu gosto de você! Eu estou aqui com você! – ele disse se ajoelhando e levantando meu queixo. - Irei acabar com sua angústia agora – ele disse suavemente passando as mãos no meu pescoço e cheirou. - Só não sei se irei me controlar – ele disse beijando meu pescoço.
Nessa hora meu coração disparou e minha respiração ficou mais acelerada.
- Você será uma linda vampira! – ele disse sedutoramente.
Eu estava encantada pelos olhos vermelhos dele, não ia resistir, ia acabar com isso. Senti as pontas dos caninos dele encostar-se à minha pele, fechei os olhos e esperei.
- Filha?! Seu pai no telefone. – Ana disse batendo na porta e abrindo em seguida.
Abri os olhos e fitei-a, que me olhava sem entender nada. Eu estava no chão ajoelhada segurando minha mão quebrada.
- O que foi? Por que está chorando? – ela me olhou preocupada.
- Acho que quebrei a mão, escorreguei... – disse me levantando e esticando a mão - Ele está na linha? – disse disfarçando.
- Sim... – ela disse me olhando torto e entregando o telefone.
- Pai? – atendi.
- O que foi que aconteceu? Liguei várias vezes pro seu celular! – ele estava transtornado.
- Acabou a bateria pai, desculpe. - disse suavemente.
- Então, o que está acontecendo com você? – ele estava nervoso.
- Posso passar as férias com vocês? – perguntei fechando os olhos.
- Claro que pode! Irei comprar a passagem hoje mesmo. – ele parecia alegre pela voz - filha? – perguntou docilmente.
- Sim? – falei sem emoção alguma.
- Não era isso que queria falar comigo, certo? – praticamente afirmou.
- Certo. – disse mecanicamente.
- Pode falar sobre isso agora? – indagou-me.
- Não. – disse.
- Quem é? – ele disse rosnando.
- Não posso! – disse mecanicamente.
- Amigo? – ele estava angustiado.
- Sim. – confirmei.
- Conheço? – preocupou-se.
- Não sei... Pai, tenho que desligar, marca a passagem tá? Beijos, eu te amo. – disse desligando o telefone sem o deixar responder.
- Vai passar as férias com sua família, é? – Ana disse alegremente.
- Sim... Só meu pai marcar a data que irei. Posso tomar um banho? – disse sorrindo.
- Claro... Mas depois desça quero ver sua mão. – ela me dá um beijo na testa, antes de sair.
- Você não vai! – só escutei a voz do Kain.
- Deixa ao menos me despedir deles! Quando voltar você me transforma, não irei contar nada pra eles, não se preocupe. – supliquei.
- Eu não irei lhe transformar, só estava brincando contigo. – ele disse aparecendo na minha frente - Se lhe transformar Caius me mataria! – ele disse rindo. - Eu irei com você! Ficarei no anonimato não se preocupe. – ele disse beijando minha testa e sumindo.
- É! Definitivamente ele quer me enlouquecer... – bufei de ódio.
Carlisle marcou a data da viagem no meu primeiro dia de férias, eu mal saí da faculdade já estava correndo pro aeroporto.
Despedi-me da minha mãe e do meu irmão, e entrei naquele avião muito nervosa. Fazia exatamente dois anos que não via nenhum deles, fora a Nessie é claro. Será que eles mudaram? Será que ainda me amam? E eu, mudei muito? Bom, eu cresci, sei disso, mas mudei muito?
Nossa como estou ansiosa e esse vôo não chega!
Depois de 24 horas de viagem meu vôo chega, quando passei pela porta do desembarque meu estômago embrulhou, estava nervosa, fui ao toalete me olhei no espelho e ajeitei minha cara amarrotada por causa da falta de sono, respirei fundo e saí.
Caminhei pra fora do portão de desembarque, só estava com uma mala de mão que não tinha muita coisa, mais itens pessoal, roupas eu iria comprar por aqui como sempre fiz, olhei em volta e nada, sorri pra mim mesmo, eles estavam se escondendo. Continuei procurando por eles e nada.
-Okay, agora apareçam vai! – disse sussurrando e tendo certeza que eles iam escutar.
Foi quando olhei pra minha esquerda e vi todos sorrindo pra mim.
*Caius Pov*
- Então Mikael? Trouxe boas notícias? – disse assim que ele entrou na sala.
- Achei a menina. – ele disse sorrindo.
- E...? – o olhei sério.
- Humana ainda. – disse.
- Perfeito, a transforme e traga pra mim. Carlisle irá se arrepender de ter me desafiado. – sorri.
- Sim, mas e quanto ao Kain? – ele disse me olhando confuso.
- O que tem Kain? – retribuí o olhar.
- Kain a está protegendo e por isso que não a encontrava! Estava usando os poderes pra escondê-la. – falou.
- Hum... Isso tem dedo de Aro. – disse entre os dentes. - Mudei de idéia! Traga a menina viva e com o Kain, leve Demetri e Jane com você! Deixe que me acerto com o Aro. Vá! – ordenei - E mais uma coisa! Faça o sumiço parecer um acidente, quero que pensem que ela está morta. – terminei.
- Sim senhor! – saiu de minha sala.
- Hoje começa minha vingança... – ri maliciosamente.
Carlisle ia me pagar por essa afronta, ah se ia.
Capítulo 26
* Pov*
Fiquei algum tempo parada olhando toda minha família. Todos estavam sorrindo e acenando pra mim, ninguém tinha mudado um fio de cabelo, aliás, a única que mudou foi Reneesme que estava parecendo um pouco mais velha. Caminhei até eles e o primeiro abraço que recebi foi de minha mãe, um abraço forte e demorado.
- Minha filha! Como está linda! – Esme dizia enquanto me abraçava e beijava.
- Mãe? Local público! – disse rindo.
- Não me venha com isso! – ralhou - Dois anos sem você e ainda quer me recriminar! – ela continuava me beijando no rosto.
- Mãe, por favor! Não tenho mais dez anos de idade! – disse rindo.
- Esme, a deixe um pouco pra nós também – Alice disse me puxando e me abraçando.
- Nossa, fiquei para trás mesmo! – Alice sorria enquanto me abraçava.
- Você sempre será a minha eterna baixinha, Alice! – disse debochando dela, sendo que a mesma fica de ponta de pé e me dá um cascudo.
- Ainda sou mais velha! – ela disse rindo.
- Sim, mas não precisava me bater, né? – falei emburrada.
- Ah!! Nem foi com força – ela disse mostrando a língua e me abraçando novamente.
Fiquei rindo e fui até Rosalie.
- Mais linda que nunca, Rose! - disse beijando seu rosto.
- Você também está muito linda ! – ela sorriu.
- EMMETT! – disse me jogando nos braços dele.
Ele simplesmente me apertou até me sufocar.
- Emm! AR! – disse rindo.
- Ainda precisa de ar?! – ele disse rindo e me largando.
- Lógico! Ainda não terminei a faculdade, só estou começando. – sorri.
- Ainda com essa idéia de ser transformada? – Edward disse me abraçando e sorrindo.
- Claro meu irmão, assim que terminar a faculdade como prometemos uns anos atrás! – disse retribuindo o abraço e lhe beijando o rosto.
- Senti sua falta sua teimosa. – ele sussurrava no meu ouvido.
- Duvido! Com Bella e a Nessie?! – debochei, de brincadeira - Duvido! – disse o largando e indo abraçar a Bella.
- E aí Isabella?! – disse rindo.
- Já não disse que é Bella? – ela sorriu.
- Estou testando seu controle. – disse rindo.
- Você nunca muda! – Jasper disse me abraçando.
- O que meu irmão? Eu não fiz nada! – fiz cara de santa.
- Você está linda ! – Jasper disse me dando um beijo.
- Filha, e eu? – Carlisle disse rindo do meu lado.
- Nunca esqueço de você, meu pai! – disse lhe abraçando com força.
- Ainda iremos conversar sobre o telefonema, – ele disse sussurrando no meu ouvido.
- Claro, pai! – disse beijando seu rosto.
- TIA ! – berrara Nessie.
- Nessie! – abracei-a.
Senti falta da pequena Cullen.
- Como você está grande! – a olhei surpresa.
- Claro! Alguém tinha que crescer naquela casa! – dissera e nós duas caímos na gargalhada.
Depois de cumprimentar todos fomos embora para casa. Cada um estava em seu carro e eu fui com Carlisle e Esme. Estava conversando animadamente com Esme, quando Carlisle muda completamente de assunto.
- Então querida? Vai falar agora o que realmente aconteceu no dia do telefonema? – ele disse olhando pelo retrovisor pra mim.
- Só irei contar se o senhor prometer não dar nenhum tipo de ataque e muito menos proibir a minha volta pra Europa e também prometer não contar pra nenhum dos meus irmãos! – disse seriamente.
- Por que esse mistério todo? Por que não posso contar pros seus irmãos? – ele mantinha a voz calma.
- Porque não quero nenhum de vocês me perturbando! – disse birrenta.
- Perturbando filha?! – ele me olhou sério.
- Nós nos preocupamos com você minha filha. – Esme disse virando pra mim.
- Só não quero que se preocupe, tá? – falei tentando manter a calma.
- Conte logo, filha! – ele ordenou.
- Certo, certo! Conheci um vampiro na Alemanha. – falei sussurrando, mas ele na hora virou com tudo pra mim.
- Como é? – ele quase gritou.
- Pai, a estrada! – disse apontando pra frente.
- Explique isso melhor, Esme Cullen! – ele disse entre os dentes.
- Eu tô bem, não está vendo? Conheci um vampiro... E naquele dia só estava assustada, não aconteceu nada, ele é amigo! – disse nervosa.
- Quem é? Conheço? – ele disse rosnando.
- Acho que não, nem perguntei o nome, ele só estava de passagem. - disse tentando manter a calma.
- E como ele lhe deixou viva?! Você está mentindo! – ele disse gritando.
- MÃE! Controle o pai! – falei apontando pra ele.
- Ele está certo, ! Você correu risco! – ela disse calmamente.
- Não corri. Olha! Quando disse que era filha de vocês ele simplesmente me deixou em paz, acho que vocês são temidos! – sorri, mas nenhum deles sorriu - Eu não deveria ter contado! – disse me encostando ao banco.
- Eu só não engulo o fato dele ter deixado você viva! – Carlisle disse rosnando - Por que está mentindo? Está protegendo quem? – ele mantinha o mesmo tom de raiva.
- Pai, pai... Pai! Eu não tô protegendo ninguém, não estou mentindo! Quando disse que era uma Cullen ele me deixou em paz! Acho que o fato de vocês terem desafiado os Volturi deixou vocês temidos também!! – disse sorrindo.
- Nós não desafiamos os Volturi! – ele disse assobiando - Você vai conversar com o Edward! Quero ver se pra ele você consegue mentir! – ele disse autoritário.
- Que saco! Vim pra cá passar as férias e já estou levando bronca! – disse saindo do carro e batendo a porta com força.
- Nossa! Já esta com raiva de que ? – Rosalie disse enquanto parava o carro atrás do nosso.
- Da chatice do pai! – disse indo pra casa.
- Minha? só estou preocupado contigo! – ele disse saindo do carro e me parando. - Vai agora falar com o Edward!! – ele disse sério.
- Tô cansada pai... - suspirei.
Ele ainda me olhava desconfiado.
- Escute meu amado pai, não estou mentindo tá? Cadê o Ed? – disse olhando pra trás – Irei falar com ele só pra mostrar ao senhor que não estou mentindo, esperava que confiasse mais em mim! – disse desapontada - Tenho 18 anos, em dois meses irei fazer 19 e ainda não tenho a confiança de vocês? Se fosse algo realmente grave não acha que estaria morta?! – disse calmamente.
Ele me olhou por uns minutos e suspirou.
- Você está certa. Desculpe... É que você é o único ser da face da terra que me tira do sério! – ele disse rindo e me abraçando.
- Mas você tem que entender que todos nós, nos preocupamos contigo. Então prometa que da próxima vez que isso acontecer você não irá mais esconder, tudo bem? Irá nos ligar e contar tudo no mesmo momento! – ele disse me olhando sério.
- Prometo meu querido pai! – disse beijando o rosto dele e indo pro meu quarto.
Estava cansada, a viagem acabou comigo e essa conversa também. Depois de um longo e demorado banho, me arrumei e saí do banheiro. Estava enxugando os cabelos quando notei Reneesme deitada na minha cama de barriga pra baixo e balançando as pernas animadamente sorrindo pra mim, levantei uma das sobrancelhas e joguei a toalha nela.
- Vai dormir menina! Tô cansada! – disse indo pra cama.
- Não antes de você me contar o porquê dessa cara! – ela disse rindo.
- É a única que tenho! Agora, por favor sai. – disse empurrando ela da cama.
- Não tia! Conte! Seus olhos estão diferentes, você está diferente! – ela disse rindo.
- Não tenho idade pra ser sua tia! – bufei - E eu tô bem! Agora sai! – disse apontando pra porta.
- Não! É o Embry, não é? Você está preocupada de ele aparecer aqui certo? – me indagara sorridente.
- Embry é passado pra mim, não sinto mais nada por ele! Tô pouco me lixando se ele vai ou não aparecer! – disse me fazendo.
- Passado?! Conta outra! Nas férias eu vi como ele é passado! Vi como você o tinha esquecido – ela disse debochando.
- Embry é passado, já disse! Tô até namorando! – falei tentando manter as aparências.
- Namorando?! HAHA! Conta outra tia! – ela disse rindo.
- Já disse que não sou sua tia! – falei ríspido – Por favor, Nessie, tô cansada! Vai, me deixe dormir! – supliquei.
- Não antes de me contar tudo, faz tempo que você não me manda nenhum e-mail, tô curiosa! – ela disse saltitando.
- Vem cá, você é uma espécie de projeto de Alice com Rosalie, é? – disse com raiva.
- Por quê? – ela me olhou confusa.
- Porque está ficando insuportável como a Alice e chata como a Rosalie! – disse me jogando na cama - Oh projeto de Alice com Rosalie! Se eu contar tudo você me deixa dormir? – disse suspirando derrotada.
- Claro, tia! – ela disse sentando na cama novamente.
- Primeiro essa conversa não sai daqui, e se contar pra alguém, juro que irá se arrepender amargamente! – disse o mais sério possível.
- Claro tia, não irei trair sua confiança, não. – disse tranquilamente.
Sentei na cama e cruzei as pernas, fiquei cara a cara com ela e tentei falar o mais baixo possível. Contei tudo pra ela sobre o Kain, de como nos conhecemos, como ele estava andando comigo e também contei dos amassos que andávamos dando.
Contei praticamente tudo, mas ocultei a parte que ele é um enviado dos Volturi. Depois de conversamos horas, ela finalmente se tocou que eu precisava dormir e saiu do quarto com uma cara de quem não gostou muito desse meu novo romance, mas simplesmente a ignorei e deitei na cama.
- É! Já estava com saudades dessa minha família. – disse antes de dormir.
Não sei quanto tempo dormi, mas fui acordada com o sol batendo no meu rosto. Levantei esfregando os olhos e tomei um susto ao ver Nessie parada na frente da minha cama sorrindo.
- O que você está fazendo aí? – falei emburrada, mas ela só ria - Você não dorme, não? – disse jogando o travesseiro nela.
- Não TIA! Agora vai se arrumar, iremos fazer compras! – ela disse igual à Alice e saindo saltitando do meu quarto.
- Agora eu vi! Projeto de Alice! – disse levando e rindo.
Não demorei muito no banho, me arrumei o mais rápido possível e desci para tomar café. Depois de um café em família, sendo que só eu comia, saí com a Nessie. Pegamos o carro da mãe dela emprestado e o caminho inteiro a pequena não parava de falar. Eu adorava aquela menina.
Ficamos horas indo de loja em loja escolhendo roupas, sapatos, agasalhos, sandálias, enfim, acho que o cartão de crédito do meu pai, não fosse sem limites, já tinha estourado.
- Vamos ver um filme?! – Nessie do nada me pergunta, enquanto estava pagando a conta das roupas.
- Filme? Eu tô é com fome! – falei rindo.
- Ah vai! Um filme, lá comemos algo! – ela disse com aqueles olhos que não tinha como dizer não.
- Tá certo... Filme! – disse vencida.
“Acho que nunca irei ganhar uma dela!” pensei.
Caminhamos até o carro e deixamos as compras lá. No caminho até o cinema Nessie não parava de falar sobre um filme romântico, que queria que víssemos.
- Nessie, filme melado não! – ralhei com ela, e a olhei séria.
- Ah... Só hoje! – ela dizia rindo.
Fomos andando até a entrada do cinema, e lá encontramos o Jake. Nessie saiu correndo para abraçá-lo.
- Mas o que você está fazendo aqui? – disse olhando desconfiada para a Nessie.
- Nada, estava de passagem. E a Nessie me ligou perguntando se queria ver um filme, e eu disse que sim. – ele disse normalmente.
- Mas eu não irei ficar segurando vela, não! – disse rindo.
- Não precisa. – Nessie sorriu.
Foi quando olhei mais atenta e o vi atrás do Jacob com as mãos no bolso sorrindo pra mim. Nessa hora fiquei completamente sem ação. Fiquei o observando por um tempo, estava mais lindo que nunca!
Mais musculoso, olhos mais brilhantes e estava de cabelo curto, meu coração nessa hora disparou. Senti minha pressão cair, eu ainda amava esse índio estúpido! Respirei fundo e puxei a Nessie pra uma conversa particular.
- O que significa isso? – disse entre os dentes.
- Isso o quê? - ela disse sem entender.
- O que o... O que ele faz aqui? – disse apontando pro Embry.
- Sei lá, devia estar com o Jacob. – ela disse rindo e me encarando.
- Pois bem, eu não irei ver filme! – disse dando às costas pra ela e indo embora, mas não andei muito e ela me segura.
- Por favor, ! O Jake já comprou os ingressos e faz dias que não fico com ele, vai... Por favor! – ela sorria doce para mim, tentando me convencer.
- Não Reneesme! – falei ríspida.
- Se não for, irei fazer um escândalo aqui! Irei chorar e gritar, você quem sabe! – ela disse rindo maliciosamente.
Fiquei olhando pra aquele projeto de ser humano sem reação, ela estava pior que eu!
- Mimada! – disse ríspida.
- E você teimosa! – ela falou no mesmo tom.
- Vamos logo! – disse vencida, ela só fez abrir um longo sorriso e ir correndo até o Jacob.
Caminhei lentamente ate onde os três estavam, Jacob e Nessie foram à frente e quanto ao Embry, ele esperou eu chegar perto de caminhou do meu lado.
- eu queria... – ele disse sem jeito.
- Não fale nada! – disse ríspida e cortando-o.
Graças a Deus não tinha fila para essa sessão que íamos assistir. Quando entrei vi que tinha várias cadeiras desocupadas, Nessie e Jacob subiram até a ultima fileira e sentaram lado a lado, parei na frente deles e olhei seriamente.
- Passa uma cadeira Jacob! – falei ríspida.
- Por quê? – ele me olhou sem entender muito.
- Passa pra cadeira do lado! – continuei ríspida.
Ele olhou sem entender muito, mas obedeceu, então sentei no meio dos dois.
- Você vai sentar aí? – Nessie me indagara, e me olhava torto.
- Se reclamar, ligarei para o Ed e digo que você está se encontrando às escondidas com o Jacob! – falei sem olhar pra ela, mas pude ver o Embry sentando do lado do Jacob.
O filme ainda não tinha começado, só pra me irritar Nessie ficou falando com o Jacob se debruçando por mim. Na hora do trailer, Nessie deu um pulo da cadeira e disse que ia ao banheiro e dois segundos depois Jacob disse que tinha esquecido de comprar as pipocas e saiu correndo também, e em seguida Embry senta do meu lado.
- Isso tudo foi armação, não é? – disse sem olhar pra ele.
- Não sei, mas queria mesmo sentar do seu lado. – ele disse pegando na minha mão.
- Embry! - recriminei e puxei minha mão.
- Vamos conversar . – ele disse aos sussurros – Por favor!
- Pra mim chega! O filme acabou! – disse levantando - Dê carona a Nessie, porque já irei embora! – disse saindo do cinema correndo, entrei no carro sem olhar pra trás e fui direto para casa.
Em pouco tempo eu cheguei à minha casa, o caminho inteiro fiquei pensando no Embry. Em como ele tinha mudado e como meu coração ainda estava preso ao mesmo, se não tivesse saído dela com certeza tinha uma recaída, mas isso não ira acontecer.
Prometi pra mim mesma que nunca mais ia pensar nele e muito menos voltar pra ele, irei sofrer novamente, mas irei conseguir. Quando cheguei à casa estacionei o carro de qualquer maneira e entrei bufando na mesma.
- Cadê a Nessie? – Edward perguntou logo quando entrei em casa.
- Está se divertindo com o sarnento! – disse entre os dentes e indo pro meu quarto.
- Hei, espere! – Ed me segura - Como?! – ele me olhou torto.
- Ficou no cinema com o Jacob! Agora me solte! – disse séria.
- Vocês brigaram, foi? – ele sorriu.
- Sua filha é mais mimada do que eu! É uma peste! – disse subindo pro quarto e indo tomar um longo e relaxante banho.
*Embry Pov*
Dois anos se passou desde aquele dia que disse que tinha acabado tudo. No começo não acreditei, mas quando a mesma olhou diretamente em meus olhos e disse aquilo, meu coração ficou em pedaços. Eu teria ficado e lutado para reconquistá-la, lhe contando toda a verdade, tentado explicar que Kain me usou, mas Ana, John e com o apoio de Carlisle praticamente me obrigaram a voltar, nem eles quiseram me escutar.
Voltei com muita reluta, mas voltei e desde esse dia, minha vida sem ela é triste, sinto falta do seu cheiro, das suas carícias, das suas brincadeiras e daquela gostosa risada, que mesmo me irritando às vezes, era só ela dar aquela risada que eu automaticamente ria junto. Não tem um dia que não paro e olho nosso álbum de fotografias.
Temos várias fotos juntos e isso faz minha dor diminuir um pouco, olhar as fotos e relembrar a ocasião. Estava olhando para uma foto onde tiramos nos Alpes Suíço, nesse dia caí tanto que essa foto mostra o como estava estressado. me abraçava enquanto eu mantinha minha cara emburrada.
- Embry?! – Jacob me fez voltar à realidade.
- Diga. – disse sem emoção alguma e fechando o álbum.
- Nessie quer falar contigo. – ele disse mostrando a sua imprinting.
- Oi Nessie. - disse indo até ela e lhe beijando o rosto.
- Embry irei ser bem direta, - tomou fôlego - a está aqui e temos que fazer alguma coisa para vocês voltarem. Porque ela está namorando uma pessoa que não presta para ela. – disse tudo bem rápido.
ESPERA AÍ! PÁRA TUDO! COMO ASSIM A ESTÁ AQUI?! E COMO ELA ESTÁ NAMORANDO?!
- Quê Nessie? Ela está namorando? – perguntei sem acreditar muito.
- Sim, mas pela conversa que tive é pra esquecer você, ela ainda te ama – ela disse rindo.
Pára tudo novamente! Ela disse que a ainda me ama?
Nesse momento meu coração que estava frio e calmo, começou a arder e bater rapidamente. A chama do amor que tenho por ela estava quase se apagando e do nada reacendeu com uma labareda e ardeu novamente, sorri de orelha a orelha.
- Ela ainda me ama... – disse aos sussurros.
- Sim ama, e temos que fazer algo para juntar vocês novamente! – ela disse sorrindo.
- Então Nessie, o que você tem em mente? – disse apontando pra uma cadeira e sentando na frente dela.
*Nessie Pov*
Oh Deus... Povo orgulhoso é uma droga! Não acreditei em nada do que a minha tia disse, sabia muito que ela estava mentindo. Ela estava com aquele tal de Kain para tentar, inutilmente, esquecer o Embry. Mas eu já tinha um plano em mente! Eu vou juntar aqueles dois! A se vou...
Primeiro de tudo eu tenho que falar com o Embry! Vou falar com o Jake para me levar até ele, aproveitar que a está dormindo.
Desci as escadas correndo e já ia saindo da casa dos meus avós quando meu pai me abordou no meio do caminho.
- Aonde vai com tanta pressa, filha? – me olhara.
- Ah... Eu vou falar com o Jake! – dei um sorriso amarelo.
- À uma hora dessas, Nessie? – olhou-me desconfiado.
- Sim, porque tenho que falar com o Embry sobre a e... – comecei a tagarelar.
- Nessie, não se meta nas coisas da sua tia, por favor. – disse me cortando.
- Que seja pai, mas eu tenho que falar com ele! – me desvencilhei de seu braço e saí correndo pra La Push.
Adoro correr! Cheguei lá rapidamente e o encontrei abrindo a porta de sua casa.
- JAKE! – berrei e pulei em seus braços.
- AAAH QUE SUSTO NESSIE! – disse gritando também.
- EU PRECISO QUE VOCÊ ME LEVE ATÉ O EMBRY! – disse tudo de uma vez.
- Para... ? – me olhara arqueando uma sobrancelha, desconfiado.
- Pra falar sobre a , lógico. – revirei os olhos.
- O que tem ela? – o lobo curioso dos infernos!
- Menos Jake, preciso ir logo, vamos! – disse já o arrastando para a rua.
Saímos correndo juntos e em menos de cinco minutos estávamos na porta da casa do Embry. A mãe dele que atendeu a porta, fomos para o seu quarto. Ele estava com o álbum de fotografias dele com a , sabia que o amor ainda era recíproco.
- Embry?! – chamou o Jake.
- Diga. – disse sem emoção alguma e fechando o álbum.
- Nessie quer falar contigo. – Jake disse, e eu passei a sua frente.
- Oi Nessie. – disse me dando um beijo no rosto, que retribuí.
Eu gostava do Embry, era um bom amigo.
- Embry irei ser bem direta, - tomei fôlego - a está aqui e temos que fazer alguma coisa pra vocês voltarem. Porque ela está namorando uma pessoa que não presta pra ela. – disse tudo tão rápido que acho que ele demorou um pouco para processar a informação.
- O que Nessie? Ela está namorando? – perguntou meio que incrédulo.
- Sim, mas pela conversa que tive com a mesma, é pra esquecer você. Ela ainda te ama! – disse sorrindo largamente.
- Ela ainda me ama... – ele disse aos sussurros.
- Sim ama, e temos que fazer algo para juntar vocês novamente! – disse sorrindo.
- Então Nessie, o que você tem em mente? – ele disse apontando uma cadeira a nossa frente e eu me sentei nela.
Ele se sentou na cama e Jake ficou atrás de mim, ele também ia participar dos meus planos.
- Bom, ainda é cedo. – respirei fundo – Deixei a ainda dormindo em casa.
Comecei a contar os meus planos perfeitos para ele e o mesmo adorou, Jake foi dando umas idéias também. Sabia que o primeiro plano não iria obter muito sucesso, pois conheço a teimosia da minha tia.
Terminamos de conversar e fui para casa. Subi as escadas correndo e para a minha infelicidade tropecei no degrau. Droga! Eu tinha que ter herdado o gene desastroso da minha mãe quando humana?!
Abri a porta do quarto da e a mesma estava acordando.
- O que você está fazendo aí? – falou emburrada, e eu ria - Você não dorme não? – disse me jogando um travesseiro que foi facilmente desviado. Genes vampíricos!
- Não TIA! – disse só pra irritá-la - Agora vai se arrumar! Iremos fazer compras! – disse feliz e saí saltitante do quarto dela.
Fui para a mesa de jantar e a família estava inteira lá, ainda eram dez da manhã. desceu pronta para tomar café. Conversamos um pouquinho e logo saímos.
Foi uma manhã divertida, ficamos entrando de loja em loja! Escolhemos roupas, sandálias, maquiagens, tudo! Ainda bem que não sou eu que pago a conta! Quando olhei no relógio, já passavam das duas da tarde. Nossa! Os garotos já devem estar por aqui!
- Vamos ver um filme?! – perguntei para , enquanto a mesma pagava uma conta na loja de roupas.
- Filme?! Eu tô é com fome! – falou rindo.
- Ah vai! Um filme, lá comemos algo. – fiz a minha cara de cachorro abandonado que não tem como resistir.
- Tá certo... Filme! – disse vencida. Eu sou demais!
Fomos até o carro para deixar nossas compras lá. Fui perturbando ela, falando sobre o filme romântico que queríamos que assistíssemos.
- Nessie, filme melado não! – ralhava comigo, me olhando seriamente.
- Ah ! Só hoje! – fiz bico.
Já na entrada do cinema, vi Jake e corri para abraçá-lo.
- Mas o que você está fazendo aqui? – perguntou para Jake, me olhando desconfiada.
- Nada. – ele respondeu normalmente, bom garoto! - Estava de passagem e a Nessie me ligou perguntando se queria ver um filme, e disse que sim. – ele sorriu para mim.
- Mas eu não irei ficar segurando vela não! – ela disse rindo.
- Não precisa. – sorri e apontei o Embry que estava atrás do Jake.
Ela passou o olhar de mim para ele. CARA! PRECISO DE UMA MÁQUINA PARA REGISTRAR ESSE MOMENTO! IMPAGÁVEL! ficara de boca aberta olhando-o da cabeça aos pés. Realmente, o Embry é muito lindo, mas eu ainda prefiro o meu lobo. Eu sorria para os dois e Jake me acompanhava no sorriso. Mas, acho que ela despertou e me puxara pelo braço, indo para um canto afastado dos dois.
- O que significa isso? – disse entre os dentes.
- Isso o quê? – me fingi de sonsa.
- O que o... O que ele faz aqui? – disse apontando pro Embry.
- Sei lá, devia estar com o Jacob. – ri e fiquei olhando para ela.
- Pois bem, eu não irei ver filme! – disse dando as costas pra mim, numa tentativa de ir embora, mas como eu sou rápida, a segurei. Virando-a para mim.
- Por favor, ! – supliquei - O Jake já comprou os ingressos e faz dias que não fico com ele, vai... Por favor! – sorri doce para ela.
- Não Reneesme! – disse ríspida.
- Se não for irei fazer um escândalo aqui! Irei chorar e gritar, você quem sabe; – sorri maliciosamente.
Eu sei ser persuasiva quando quero. me olhava estupefata, ela não era a única mimada na família.
- Mimada! – disse ríspida.
- E você é teimosa! – disse do mesmo modo.
- Vamos logo! – dissera vencida.
Dei um largo sorriso e fui correndo para o lado do meu lobo. A fila não estava muito grande e logo entramos na sala. Tinham várias cadeiras desocupadas, subi com o Jacob até a última fileira e sentamos lado a lado. subiu e parou em frente a nós.
- Passa uma cadeira Jacob! – falou ríspida.
- Por quê? – ele a olhou sem entender muito e nem eu.
- Passa pra cadeira do lado! – continuou ríspida.
Jake fez o que ela pedira, então a sentara no meio de nós dois. Que ousadia!
- Você vai sentar aí? – a indaguei, olhando torto.
- Se reclamar, ligarei para o Ed e digo que você está se encontrando as escondidas com o Jacob! – falou sem me olhar.
Fiquei boquiaberta com essa atitude infantil da minha tia e me emburrei. Só de mal, antes de o filme começar, fiquei conversando com o Jake debruçada por cima da minha tia. Eu sou bem chata quando quero, fato. Assim que o trailer começara, era a hora de colocar o plano em prática.
Disse a ela que iria ao banheiro, afinal eu ainda tenho necessidades humanas. Logo depois de mim, Jacob saíra também. Encontramo-nos lá fora, ele foi comprar mesmo pipocas. Esfomeado! Eu fiquei a espiar os dois pela entrada, olhando de cima. Vi que o Embry sentara ao lado dela, mas em questão de menos de um minuto, ela se levantou e veio descendo os degraus com raiva.
Merda! A primeira parte do meu plano havia falhado, mas eu ainda tinha mais cartas na manga. Fui correndo até o Jake, para disfarçar. saía extremamente irritada do cinema. Deixei-a ir, em casa conversaria com ela. Quando íamos voltar para sala, um Embry cabisbaixo aparecera.
- O que foi que aconteceu, Embry?! – indaguei-o, ainda abraçada a Jake.
- Ela se tocou que era uma armação e se irritara. – disse suspirando.
- Calma cara, você sempre soube que ela era explosiva. – Jake dissera rindo, e eu dei uma cotovelada nele.
Homens! Não servem para nada.
- Grande ajuda Jake! – ralhei com ele – Não se preocupe Embry, eu vou dar um jeito nisso! – disse confortando o meu amigo.
- Nessie, acha que isso vai dar certo?! – me perguntou incerto.
- LÓGICO EMBRY! – exasperei-me – Eu sou Reneesme Cullen, tenho poderes naturais para isso e eu conheço muito bem aquela maluca teimosa! – bufei.
Como o nosso cinema havia sido melado, os garotos me deram uma carona até em casa. Quando mal piso na sala da casa do meu avô, meu pai me aborda.
- O QUE EU DISSE SOBRE FICAR SOZINHA COM O JACOB, HEIN RENEESME?! – dissera ele quase soltando fogo pelas ventas.
- AAAI PAI! – exasperei-me – CALMA, TÁ?! – olhei séria para ele.
Ele respirou fundo e eu me sentei no sofá, meu pai fez o mesmo.
- Só fui ajudar a , pai! – expliquei-me.
- Ela chegou altamente irritada aqui. – disse sério – Nessie, deixe as coisas como estão, ok? – me advertiu.
- Pai! – o olhei sério – Eles se amam, entende? – fiz bico.
- Tudo bem, mas por fazer sua tia se irritar e sair com o Jacob sem a minha permissão, a senhora está de castigo, ok? – disse se levantando do sofá e saindo.
- PAAAI! – berrando – ISSO É INJUSTO! – emburrei-me e fiz bico.
- Sem criancice, Reneesme. – disse revirando os olhos e saindo de casa.
AAAAAAAAH! EU ODEIO OS ATAQUES DE CIÚME DO MEU PAI, FATO!
Mas, se eles pensam que vão me impedir de juntar aqueles dois, estão redondamente enganados! Fiquei sentada e emburrada no sofá o resto do dia.
Capítulo 27
Sinceramente não sei o que aquela meio-humana tem na cabeça. Armar uma situação para rever o Embry, não posso negar que senti algo quando o vi, mas também ela não tinha nenhum direito de fazer o que fez. Ela tem que entender que não deu certo entre nós e que está tudo acabado.
Fiquei um pouco chateada com a atitude dela, então resolvi lhe dar um gelo. Vamos ver se assim ela percebe que não se deve interferir na vida de ninguém. Quando desci pra jantar, eu a vi emburrada no sofá, simplesmente a ignorei e fui até a sala de jantar, abri a geladeira e quando ia preparar algo, minha mãe segura meu braço.
- Eu faço. – ela sorriu.
- Hum... – fingi pensar – Não sei, a senhora não cozinha bem, sabe? – sorri quando a vi fechando a cara.
- Voltou exigente da Europa, foi? – ela sorriu.
- Sabe né? Comida boa! – disse debochando.
- Então irá ficar com fome! – ela disse emburrada e saindo da cozinha.
Corri até ela e a abracei por trás.
- Mãe! Eu tô brincando! Não sabia que a senhora tinha ficado sensível! – disse sorrindo.
- E não estou! Estava brincando com você também. – ela virou e beijou minha testa. - Sei muito bem quando você está brincando comigo. – ela aperta minha bochecha.
- Mãe! – a recriminei.
Depois de ajudá-la a fazer minha comida e jantar, fui até a sala onde minha família estava reunida, fiquei em pé ao lado da escada observando todos que conversavam animadamente e sorriam.
- Vai ficar aí feito uma estátua? – Emmett sorriu e apontou para o sofá.
- Irei dormir, estou cansada – disse dando os ombros.
Quando percebi Emmett estava na minha frente com suas mãos em minha testa.
- Você está doente! Dormir cedo?! Impossível! – ele ria.
- É que a sobrinha de vocês me fez ter um dia bem cansativo, não é Reneesme? – disse olhando sério pra ela, que a mesma só fez virar a cara e bufar de raiva.
- Brigaram? – Carlisle sorriu.
- Ainda não meu pai. – disse indo até o sofá e sentando ao lado de Alice e a abraçando.
- Então foram ao shopping e nem me chamaram? – Alice disse emburrada.
- Foi idéia da Reneesme, mas você não perdeu nada, foi horrível. – disse encostando a cabeça no ombro dela.
Ficamos horas conversando sobre o que eu estava fazendo nesse tempo que estive fora e o mais animado de todos era Carlisle. Ele estava tão contente de eu ter escolhido medicina que estava me repassando os livros que terei que comprar e também dando dicas sobre alguns assuntos. Estava com saudades dessa sessão família: conversar, rir, discutir e até mesmo ser paparicada. Em alguns momentos vi Nessie fechando a cara e bufando, acho que ela estava com ciúmes de mim.
Ela ficou assim durante dois dias, no terceiro ela já veio falar comigo e fizemos as pazes, sendo que ela me prometeu me deixar em paz em relação ao Embry. Estava na estufa ajudando minha mãe com as plantas. Essas férias estavam sendo perfeitas, todos bem atenciosos comigo. Isso me vez rever algumas coisas. Como será quando me transformar numa deles? E se Kain estiver certo quando diz que os Volturi querem me matar? Será que devo contar?
- Mãe? – disse casualmente.
- Sim querida? – ela continuava podando uma planta.
- Se eu me envolver com um vampiro, qual seria a reação de todos? – disse sem olhar pra ela, mas pude perceber que ela parou de cortar a planta.
- Você se envolveu com quem? – ela estava séria.
- Com ninguém, só me deu uma curiosidade. – disse tentando parecer sincera.
- Filha entenda que são poucos os vampiros iguais a nós. A maioria vai matar você! – ela disse me olhando sério.
- ! TIA! – Nessie aparece do nada na estufa e me abraça – Vamos pra La Push?
- Não, Nessie. – disse afastando dela e dando uma tesoura pra Esme que ria da Nessie.
- Ah! Por favor, preciso falar com o Jacob e como estou de castigo, não posso ir sozinha. – ela fez bico.
- Azar o seu, tenho muitas coisas pra fazer. – disse olhando pra Esme.
- Mentira! Vamos vai! – suplicou - Eu não posso ir sozinha! – ela deu aquele sorriso a lá Edward.
- Só se não demorar. – disse vencida.
- VOCÊ É A MELHOR TIA DO MUNDO! – ele pulou nas minhas costas e beijou meu rosto.
- Desce Nessie, desce! – disse rindo.
Pegamos a Ferrari da Bella e fomos para La Push, nem demoramos muito, porque quem estava levando o carro era Nessie e ela era igual a todos, dirigia feito uma louca, não que eu seja uma santa, mas ela me assustou algumas vezes. Quando chegamos, ela saiu do carro saltitando.
- Não demore, hein? – disse sem sair do carro, ela só fez gesticular e entrou na casa do Jacob, dois minutos depois ela volta rindo.
- Vem comigo, ele está na garagem e aproveito te mostro uma super moto que ele está montando, você vai adorar! – ela disse abrindo a porta pra mim.
- E ele sabe mexer com isso? – disse sem acreditar muito.
- Sabe sim , meu Jacob é até melhor que a Rosalie! – ela disse piscando.
- Ah! Irei contar pra ela, viu? – disse num tom amedrontador.
- Pode contar, eu nego! – ela disse rindo.
Ao entrarmos na garagem a mesma estava escura, Nessie praticamente me joga garagem adentro e fecha a porta, me trancando no lado de dentro.
- Deixa de graça NESSIE! – disse batendo na porta – ABRE ESSA PORTA SUA PIRRALHA! – berrei.
- Mais tarde eu abro tia! – ela disse rindo.
- ABRE NESSIE! – disse esmurrando a porta – ABRE MENINA!
Nesse instante as luzes são acessas, me virei e vi Embry parado ao lado de uma mesa que estava arrumada pra um jantar a dois. Olhei melhor para o local e estava tudo decorado com corações e pétalas de rosas no chão, olhei para o Embry e ele estava vestido elegantemente, com direito a gravata. Ele caminhou lentamente ate mim e parou na minha frente, pegou minha mão e beijou.
- Posso ter a honra de ter um jantar com você? – ele dizia sedutoramente.
- Que palhaçada é esse Embry? – disse ríspida.
- Não é palhaçada, é um encontro! – ele sorriu e apertou minha mão – Vem, senta e vamos conversar como dois adultos! – ele sorriu.
- Você agora é aliado da Reneesme nas palhaçadas dela, é? – disse fechando a cara.
- Não meu amor, eu só quero te reconquistar! – ele disse puxando a cadeira pra mim. - Um pouco de vinho? – ele disse já me servindo.
Fiquei olhando pra ele, como ele estava diferente. Estava mais bonito, mais musculoso, estava um verdadeiro homem. Acho que ele percebeu os meus olhares e sorriu pra mim.
- Sabe, queria conversar contigo. – ele disse terminando de me servir – Queria contar o que ocorreu naquela... Naquela noite. – ele disse sério.
- Não precisa me dizer nada Embry, sei exatamente o que ocorreu! – disse me levantando. - Não tenho nada pra falar com você! – disse indo na direção da porta, mas ele me segura e me aperta contra seu peito.
- Por favor, me escute. – tomara fôlego - Eu ainda te amo, e você não sabe o quanto estou sofrendo esses anos. – ele disse me olhando nos olhos me deixando completamente sem ação.
- Embry pára de me olhar assim. – disse tentando manter a razão.
Os braços dele me apertando, sentindo novamente seu calor, seu cheiro, estavam me deixando louca!
- Olhar como? – ele disse aproximando seus lábios dos meus e sorrindo.
- Pare, por favor. – disse aos sussurros.
- Parar? Não mesmo! – nesse momento ele encosta seus lábios aos meus.
No começo tentei resistir, mas quando senti novamente aqueles lábios nos meus, o amor que sentia por ele que estava tentando matar voltou com tudo! Meu coração disparou, minha respiração acelerou e minha língua brincou com a dele. Puxei-o mais pra perto de mim, precisava sentir seu corpo, precisava escutar sua respiração.
O beijo que começou calmo estava descontrolado, ele me beijava com urgência e eu do mesmo jeito. Como eu consegui ficar tanto tempo sem esse beijo? Como consegui ficar tanto tempo sem ele? Eu ainda amava esse sarnento...
- Eu te amo , amo! – ele disse assim que nossos lábios se separaram - Me perdoa, por favor. – ele suplicava.
Foi então que voltei à realidade, lembrei do porque da nossa briga, lembrei quem ele tinha beijado, lembrei de como prometi a mim mesma que nunca ia o perdoar. Afastei-me dele e suspirei.
- Isso foi um erro Embry. - disse olhando pro chão.
- Um erro? Esse beijo foi um erro? – ele me olhou confuso – Eu te amo!
- Mas eu não devia deixar me levar pela emoção! – disse aos sussurros.
- Pare com isso , aceite que ainda me ama, deixa de ser cabeça dura! – replicara.
- Me deixa em paz Embry! – disse abrindo a porta, que por incrível que pareça estava aberta.
Quando saí, vi Jacob e Nessie me olhando assustados, os ignorei e fui à direção do carro, entrei nele, mas quando ia dar a partida Nessie segura minha mão.
- Não irei deixar você dirigir assim. – ela disse me empurrando pro banco do passageiro.
Foi quando percebi que estava chorando.
- , eu... – ela tentou se explicar.
- Não fale comigo Reneesme. – disse friamente.
No caminho até nossa casa não troquei nenhum tipo de conversa com ela. Fiquei o tempo inteiro olhando para a janela. Por várias vezes me peguei chorando. Eu estava em um conflito interno, meu coração pedia com urgência para voltar com o Embry, mas minha razão dizia que se voltasse ia ser pior. Eu já tinha feito a minha escolha, já tinha o esquecido...
Quando chegamos a casa, senti Nessie me segurando e me olhando preocupada.
- Por favor, pare de chorar. – ela dizia com ternura.
- Sabe de uma coisa Reneesme? Vê se me erra! – disse puxando meu braço e saindo do carro.
Entrei em casa correndo e indo para o meu quarto, bati a porta e a tranquei. Estava cansada dessa situação, eu não iria deixar me levar pela emoção, sempre que fiz isso me ferrei. Não irei cometer o erro duas vezes.
Joguei-me na cama e fiquei olhando para o teto. Precisava raciocinar direito, encontrar a melhor alternativa pra essa situação. Acho que a única alternativa é voltar para Europa, acho que depois das festas de final de ano irei embora, o natal é daqui a dois dias, não custa nada esperar.
Voltei à realidade quando vi Nessie parada na minha cama me olhando séria, olhei pra janela e vi que a mesma estava aberta, olhei pra ela novamente e fechei a cara.
- Vai embora Reneesme! – disse friamente, vi que ela ficou magoada, mas não moveu um músculo.
- Não! – ela disse colocando as mãos dela no meu rosto.
Nesse momento tive várias visões, parecia filme, vi através dos olhos dela. E as cenas que estava vendo não eram nada agradáveis, todas elas tinham o Embry, ele estava horrível, de olheiras profundas, cabelos bagunçados e sempre chorando. Aquela cena estava acabando comigo, estava me deixando mais confusa ainda, estava me deixando aos pedaços. Com muito custo consegui pegar nas mãos dela e afastar do meu rosto.
- Por que me mostrou isso? – disse aos soluços.
- Porque você deveria saber como ele ficou e que ele te ama sua teimosa! – ela sorriu, mas logo desfez o sorriso quando reparou que eu ainda mantinha o olhar frio pra ela.
- Sai do meu quarto Reneesme – disse seca.
- , entenda... – ela aproximou de mim e colocou novamente as mãos no meu rosto, mas eu tirei.
- Sai! - disse ríspida.
- Por favor, deixe-me mostrar mais. – ela suplicava.
- MAS QUE MERDA! SAI! SUA PIRRALHA MIMADA! SAI E NÃO SE METE MAIS NA MINHA VIDA! – explodi – EU LHE DETESTO RENEESME, VOCÊ NÃO PASSA DE UMA PESTE!
Ela ficou parada me olhando de boca aberta. Quando ela ia falar algo à porta se abre e entra Edward e Alice.
- O que está acontecendo aqui? – Edward me olhou sério.
- Tire sua filha daqui, por favor. – disse cansada.
- Vamos Nessie. – Alice já estava a levando pra fora do quarto.
- Mas eu só queria ajudar... – ela disse segurando o choro.
- Se quer ajudar mesmo, pare de ajudar! Esqueça-me! – disse friamente.
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Hoje era a festa de natal, esses dois dias que passou, mal saí do meu quarto. Se Nessie queria mexer comigo com as memórias ela conseguiu. Eu estava arrependida de ter tratado como tratei o Embry e também estava arrependida de ter sido rude com aquela peste.
Depois de tomar um banho e me arrumar, desci, hoje ainda não tinha descido nem para tomar café e já era mais de duas horas da tarde. Quando desci, a única pessoa que vi era Nessie que estava vendo alguma coisa na TV, fui até o sofá e beijei seu rosto, a fazendo dar um pulo em cima de mim e me abraçar com força.
- AAAAAAH! TIA! Que bom que me perdoou! – ela dizia chorando e sorrindo.
- Hoje é natal, é seu presente, mas, por favor, pare de se meter na minha vida, tá? – disse retribuindo o abraço.
- Prometo! – ela disse fazendo o sinal dos escoteiros eu a beijei no rosto.
- Onde está o povo da casa? - disse sentando no sofá.
- Preparando a festa de natal, oras. – ela disse rindo.
- Todos? – a olhei desconfiada.
- Sim! – ela disse dando os ombros.
- Você está aprontando! – disse olhando séria.
- Tô não. – ela disse rindo.
- AH! Você não presta mesmo! – disse bufando e indo pro meu quarto.
Fiquei lá trancada o resto do dia e só saí quando Esme implorou que participasse da festa.
Quando desci, vi que sala tinha sido transformada para a festa natalina, estava toda enfeitada estilo Alice, sorri para mim mesma e balancei a cabeça negativamente. Olhei ao redor e vi os convidados, Charlie, Billy, Jacob, Seth, Leah e Embry.
Fiquei uns minutos o observando, ele finalmente aprendeu a se vestir, estava elegante com uma jaqueta de couro que eu tinha lhe dado de presente.
“Ainda dá nele?” pensei.
Hoje seria uma noite longa, fui até a mesa onde estavam as bebidas e me servi. Fiquei algum tempo bebendo e comendo algum petisco e o observando. Queria falar com ele, me jogar em seus braços, mas minha razão me mandava ficar e não dar o braço a torcer...
- Vai lá. – escutei o Ed sussurrar ao meu lado.
Tomei um susto e me engasguei com a bebida, voltando tudo pela narina.
- Droga Ed! – disse cuspindo tudo – Vocês ainda irão me matar de susto, sabia? – disse pegando um lenço e me limpando.
- Você é forte! – ele riu e ajudou a me limpar. - Vai lá falar com ele. – ele disse ainda rindo.
- Não sei do que está falando. – disse me virando e pegando outra bebida.
- Esse já é o sexto copo e você está gritando nos seus pensamentos, se o ama, vai! – ele disse me empurrando.
Olhei assustada pra ele, era a primeira vez que ele me incentivava a falar com o Embry, era a primeira vez que ele não estava com ciúmes de mim.
- A paternidade muda os vampiros, é? – falei rindo.
- Não minha querida, só quero que você seja feliz. Você está à noite inteira pensando no que fazer, como seu irmão mais velho tenho o dever em lhe orientar. – ele sorriu.
- E o que devo fazer Edward? Estou completamente confusa. – disse suspirando.
- Você o ama? – ele disse suavemente.
- Não sei. – disse tomando outro gole.
- ! – ele recriminava.- Certo! Amo sim! – disse abaixando a cabeça – Mas ele me magoou muito. – disse aos sussurros.
- Escute minha querida. – ele disse levantando meu rosto – Se o ama, vai atrás, não deixe o amor escapar de você, se isso acontecer você irá sofrer mais que já sofreu, não comete o mesmo erro de seu irmão bobo aqui. – ele disse rindo.
- Você? Errando? Quando? – disse confusa.
- Quando deixei a Bella, pensei que era o melhor pra ela, e viu o que aconteceu não viu? – ele disse rindo.
- Ainda não entendi a analogia... – disse olhando pra ele.
- O que quero dizer é que eu pensei com a razão. Certo que não tenho coração faz tempo, – ele riu – mas quando percebi que a Bella era minha razão de vida eu quase a perdi... Então às vezes é bom você agir com o coração do que com a razão. – ele tomou o copo de minha mão e beijou minha testa. - Só quero que minha irmã caçula seja feliz. – ele disse aos sussurros. - Vai lá. – ele disse me encorajando.
Quando olhei pra frente o vi vindo caminhando até mim. Abaixei a cabeça e respirei fundo várias vezes.
- Feliz natal. – ele disse suavemente.
- Er... Pra você também. – disse pegando outra bebida.
- Queria me desculpar por ter te beijado naquele dia, deixei me levar. – ele disse tomando o copo da minha mão.
Nessa hora sorri, lembrei como ele sempre foi chato em relação à bebida.
- Eu também deixei, né? – disse pegando o copo da mão dele.
- ! – ele recriminou.
- Certo... – disse deixando o copo na mesa – Pronto, feliz? – disse rindo.
- Ainda não. – ele disse segurando minha mão – Vamos conversar? – ele disse com ternura.
- Embry, eu... - disse aos sussurros.
- Por favor, ao menos escute, aí depois você pode fazer o que quiser! - ele disse sussurrando.
- Tudo bem. - disse vencida.
Ele abriu um largo sorriso e me guiou pra fora da casa.
- Aonde vamos? - disse parando.
- Quero ter privacidade com você. – nesse momento ele me pega no colo e corre comigo floresta adentro.
Quando percebi estávamos na frente do lago. Ele me deixa no chão e olha pra mim sorrindo.
- Eu te amo. – ele disse aos sussurros e tocando meu rosto. - Eu te amo tanto , esses anos que fiquei longe de você, eu me senti horrível, eu ainda estou me sentindo o último homem do mundo, você não sabe o quanto me arrependo. – ele dizia com os olhos cheios de lágrimas.
Quando vi que ele ia continuar falando coloquei meu dedo em seus lábios.
- Vamos esquecer o passado. Eu não agüento mais ficar longe de você. – disse rindo.
- Você está falando sério? – ele dizia com os olhos brilhando.
- Eu nunca deixei de te amar Embry. – disse segurando sua mão e beijei.
- Eu sempre irei te amar, minha teimosa! – ele disse me beijando com urgência. - Então isso quer dizer que... ? – ele disse rindo.
- Quer dizer que tenho um cachorro novamente! – disse gargalhando.
- Como é bom escutar essa sua risada! – ele me abraçou e beijou novamente - Nunca mais irei deixar você, nunca! – ele disse beijando minha testa e me abraçando. - Vamos voltar? – ele disse sussurrando.
- Não! Quero comemorar nosso entendimento... – disse piscando pra ele, sendo que ele entendeu na mesma hora, me carregou e correu ruma a floresta novamente.
Capítulo 28
*Embry Pov*
Uma noite perfeita, era o que eu podia descrever como foi a minha noite. Em alguns momentos eu pensei que estava sonhando, mas em seguida via que era real, eu realmente estava dormindo com minha amada, com meu amor.
Não tenho o que explicar, simplesmente a sensação de acordar com ela aos meus braços é maravilhosa. Ela estava dormindo tão tranqüila em meus braços que tive pena de acordá-la, fiquei vários minutos olhando como ela dormia e cheirando seu cabelo, como era bom o seu cheiro. Escutei o celular dela vibrando, saí da cama com muito cuidado para não acordá-la e atendi o celular.
- Alô?! - disse bocejando.
- Embry! Onde vocês estão? Passaram a noite fora, querem que eu fique a eternidade de castigo? – Nessie gritava do outro lado da linha.
- O que foi Nessie? A está dormindo. - disse rindo.
- Carlisle está à procura dela, eu menti pra salvar a pele de vocês! – ela disse gritando.
- Mentiu como? – continuei rindo.
- Disse que saímos cedo pra resolver uns assuntos contigo e disse que íamos voltar pra casa à tarde. – ela se explicou.
- Então à tarde voltamos. – disse rindo.
- Embry, ela tem que voltar comigo! – e mais gritaria.
- Que horas? – disse olhando para minha amada.
- Às 16 na primeira praia, tudo bem? – ela disse um pouco mais calma.
- Tudo certo! E Nessie? – a chamei.
- Sim? – ela indagou.
- Obrigado. – disse sincero.
- Por? – ela disse meio confusa.
- Por fazer a ver que ainda me ama e me ajudar a reconquistá-la. - disse sorrindo.
- Só não a perca novamente! Senão irá se ver comigo, hein?! – ela disse rindo.
- Não irei cometer o erro duas vezes! E mais uma vez obrigado. – disse desligando.
Deixei o celular em cima da cama e me sentei do lado da que dormia profundamente.
- Acho que você bebeu demais meu amor. – disse beijando seu rosto e acariciando-o. - Amor? – sussurrei.
- Hum? – ela resmungou.
- Está na hora, vai, acorda... – disse aos sussurros e lhe dando um beijo.
- Vai dormir Embry! – ela disse virando pro outro lado e se cobrindo.
- Tudo bem, dorme mais um pouco. – levantei e fui tomar um banho.
Eu estava me sentindo o homem mais feliz da face da terra. Passei a noite inteira com meu grande e único amor, fizemos as pazes e ainda acordei com ela em meus braços! Tem coisa melhor que isso?
O que irei fazer agora? Ela com certeza quando acabar as férias voltará para Europa e a conhecendo como conheço não irá permitir que eu nem toque nesse assunto. A mudou, mas sua teimosia ainda era forte. Como irei convencê-la de ficar comigo? Ou deixar voltar a viver a vida ao lado dela? Como irei convencer aquela mimada e teimosa a ficar aqui comigo?
Depois de uns trinta minutos debaixo do chuveiro, finalmente saí do banho, enrolei a toalha na minha cintura e entrei no quarto novamente, e ela ainda estava dormindo de barriga pra baixo e com o lençol só cobrindo da cintura pra baixo, deixando suas costas nuas amostra, sentei na cama com cuidado para não acordá-la e comecei a olhá-la.
Olhei cada curva de seu corpo, todos os centímetros, estava memorizando como ela mudou, estava se tornando uma linda mulher, só que a teimosia de adolescente ainda não mudou. Beijei seu ombro e a cobri por inteiro.
- Irei preparar algo pra você comer, meu amor. – sussurrei em seu ouvido e ela só fez ri, mas continuou dormindo.
Ainda bem que minha mãe foi passar as festas de fim de ano com a irmã em Los Angeles. Ela criou certa empatia com a . Bom, primeiro por me fazer ir morar com ela na Europa e depois de um ano voltar e simplesmente não viver, como a mesma dizia. Mas esse problema com minha mãe irei resolver depois, ela terá que entender que a é a mulher da minha vida, que irei me casar com ela e ter filhos!
- ESPERA AÍ! É ISSO, É ISSO! – sorri. - É isso! Irei pedi-la em casamento! – disse estalando os ovos e os fritando - Ela vai aceitar, teremos uma família e iremos ficar juntos, só tenho que convencê-la de não ser mais um frio. – disse cortando umas verduras. - Mas será que ela vai aceitar? – disse pra mim mesmo.
- Quem vai aceitar o que Embry? – disse entrando na cozinha e rindo - E o que está queimando? – ela disse indo na direção do fogão.
Fiquei parado olhando pra ela, como ela estava linda, estava de cabelos molhados e vestia uma blusa minha que mais parecia um vestido nela. Ela tirou a frigideira do fogão e largou na pia.
- Era pra ser o que isso? – ela disse rindo.
- Ovos mexidos com verdura! – disse sem jeito.
- Homens! Não sabem nada! – ela disse me abraçando - Bom dia. – ela me beijou em seguida.
- Boa tarde! – sorri e retribui o beijo.
- Boa tarde? Que horas são? – ela continua me abraçando.
- É uma hora da tarde! Sua dorminhoca! – disse beijando sua testa.
Ela me empurra e olha assustada.
- UMA DA TARDE! MEU DEUS EMBRY! ESTOU MORTA! – ela disse indo correndo pro quarto. Segui-a.
- calma – disse pegando-a e virando pra mim - Calma meu amor, já resolvi tudo, temos tempo ainda. – disse lhe dando um beijo.
- Embry! Não era pra eu nem estar aqui, meu pai irá me matar e lhe castrar! – ela disse apavorada.
- Vai nada! – disse rindo – Nessie está nos cobrindo! – falei beijando sua testa. - Vamos comer algo e depois dar um passeio na praia, o que acha? – disse olhando em seus olhos.
- Você e a Nessie são cúmplices um do outro agora, é? – ela deu aquele olhar de reprovação.
- Não, eu e sua sobrinha só somos bons amigos! – sorri – Agora que tal comermos algo? Tô com fome! – disse lhe guiando até a cozinha.
Eu estava abismado como Cullen a menina mais paparicada, mimada e teimosa do mundo sabia se virar na cozinha. Ela fez um espaguete que em questão de segundos eu tinha devorado tudo, sinceramente ela estava pronta pra casar!
Depois de um maravilhoso almoço, nos arrumados e fomos passear na praia. O dia estava frio, não pra mim, mas pra ela, passei o tempo inteiro abraçado com ela tentando lhe esquentar. Ficamos horas caminhando lentamente pela praia, abraçados e conversando animadamente.
- Lembra desse local? – disse assim que olhei o local onde estávamos.
Era o mesmo penhasco em que a vi pela primeira vez.
- Sim. – ela disse parando e ficando na minha frente.
Abracei por trás e beijei sua cabeça.
- Está com frio? – perguntei aos sussurros.
- Um pouco. – ela disse se aconchegando mais ainda em mim.
- Mas lembra mesmo desse local? – disse beijando seu ombro.
- Claro! Foi aqui que lhe vi pela primeira vez e me apaixonei! – ela disse normalmente.
- Apaixonou, é? Não resistiu aos meus encantos, foi? – disse sorrindo.
- Não! É que nunca tive um animal de estimação, sabe? Aí tava querendo um cachorro! – ela disse rindo.
- Ora, sua... – nesse momento a joguei no chão e comecei a fazer cócegas nela.
- EMBRY! Ah... Não... Pára... Vai... Pára...! – ela disse entre risos.
- Só se pedir desculpas! – falei fazendo mais ainda cócegas nela.
- Por que vocês não fazem isso num motel?! – escutei Paul falando sarcasticamente.
- Acho que eles não gostam de ser discretos. – Leah disse atrás dele.
Ajudei a se levantar e a abracei.
- O que vocês querem? - disse ríspido.
- Nada, oras! Só estamos de passagem e... – Paul disse andando tranquilamente em nossa direção e parou na frente da .
- Cullen? – ele a olhava espantado.
- Não! Sou o coelho da páscoa! – ela disse ríspida também.
- É a maluca mesmo! Você está diferente, hein?! – ele disse sorrindo – Mais alta e com um puta de um corpo. – ele sorriu.
- CALA A BOCA PAUL! – disse entre os dentes, ia dar um murro naquele infeliz, mas me segura e sorri.
- Obrigada Paul pelo elogio, mas você não mudou nada, continua o mesmo otário de sempre! – ela disse me abraçando e caminhando comigo pro outro lado.
- Ele tem sorte que você me puxou, ia dar um murro nele. – disse passando meu braço sobre seu ombro.
- Ele é mordido comigo, não admite que eu, uma simples humana, lhe dera uma surra!! – ela falou divertida.
- Eu lembro! Você também! – disse a puxando e lhe beijando.
- Naquela época fiquei com medo de me transformar numa de vocês! – ela disse assim que acabei de beijá-la.
- O que tem de mais ser um lobo? – perguntei sério.
- Nada... Bom... Na época achava estranho, mas hoje em dia, ainda é estranho, mas não como antes. – ela disse toda enrolada.
- Eu não quero que se transforme num frio! – disse sério.
Está na hora de entrar no assunto de casamento.
- Embry não venha com essa conversa novamente, tá? Quando acabar a faculdade veremos o que iremos fazer. – ela disse séria.
- Não ! Está na hora de conversar sobre isso sim, eu quero você! Quero do meu lado como uma humana! – falei bem sério.
- ! – escutei Nessie e em seguida ela pula nas costas da e a abraçando - TIA! – ela disse sorrindo, enquanto a tentava se manter em pé. - Oi Nessie. – disse ironicamente.
- Você está me devendo e muito, livrei sua cara, vovó queria acabar com você! – ela disse descendo das costas da .
- Devo nada! Não fez mais que sua obrigação. – ela disse séria, notei que a Nessie tinha ficado magoada.
- Hei! Boba! Estou brincando! Obrigada – ela disse abraçando a Nessie.
E as duas começaram a conversar, mas não prestei muito atenção na conversa das duas, a minha conversa com a que não saía de minha mente, como eu suspeitava, ela ainda estava com a idéia fixa de ser um frio, mas se eu a convencer de se casar comigo, ela não irá ser transformada, irá ser minha mulher, mãe de meus filhos! Mas como irei fazer isso? Como irei convencer a mesma de casar comigo e tirar a idéia de ser um vampiro?
Olhei pra Nessie que conversava animadamente com a e o Jacob, sendo que Leah e Paul estavam se juntando na conversa, então foi que vi que a pessoa que podia me ajudar estava na minha frente.
- Nessie! Podemos conversar um pouco? – disse sorrindo, a mesma me olhou com um ponto de interrogação na cara, mas sorriu.
- Claro! Mas tem que ser agora? – ela disse rindo.
- É rapidinho! – disse gesticulando pra irmos caminhando mais na frente.
- O que vocês irão aprontar, hein? – disse rindo.
- Nada amor – sorri - Só quero fazer uma surpresa e você e não vai poder escutar. – disse caminhando com a Nessie e o Jacob uns metros mais na frente. - O que vocês acham de pedir a em casamento? – falei rindo de orelha a orelha.
- Casamento? – Nessie disse colocando a mão na boca pra não gritar.
- Sim, e você irá me ajudar! Quero ajuda na compra das alianças e pedir ela na festa de ano novo. – falei quase sussurrando.
Olhei pra trás e vi que a tinha parado e estava conversando com Leah e Paul.
- Eu não sou a mais apropriada pra lhe ajudar, irei pedir pra Alice lhe ajudar. – ela disse rindo.
- Mas você tem certeza cara? Casamento? A não é meio esquentadinha? – Jacob disse sério, mas logo em seguida leva uma cotovelada da Nessie.
- Jake! Se ele quer casar com a tudo bem! Eu irei ajudar sim, acho isso lindo! – ela disse sorrindo.
- Obrigado Nessie! E Jacob, eu a amo, isso basta! – falei rindo.
- Mas eu acho que ela não irá aceitar, não! – ele disse sério.
- Por que, Jacob? – disse curioso.
- Porque você mesmo me disse que ela tem uma idéia fixa de ser transformada nos fedorentos. – ele falou rindo.
- É por isso que irei casar com ela, irei fazê-la mudar de idéia! – falei orgulhoso.
- EMBRY! SOCORRO! – escutei a gritar.
Quando olhei pra trás vi que Leah estava segurando as pernas dela e o Paul os braços, eles estavam balançando ela de um lado pro outro, prontos pra jogá-la penhasco abaixo. Corri até onde eles estavam e empurrei a Leah e dei um murro em Paul.
- Você está bem ? – disse a carregando.
- Estou sim. – ela disse um pouco ríspida - Irei pra casa, já vi que em La Push não sou bem vinda mesmo! – ela disse indo na direção da Nessie.
- Espere , você é bem vinda aqui, você está comigo, esqueceu? – disse a abraçando. - Fique um pouco mais comigo, tá? – falei beijando sua testa.
- Na verdade não dá não Embry, Carlisle daqui a pouco irá ligar pra voltarmos. – Nessie disse ao nosso lado.
- É verdade amor, tenho que ir. – ela disse sorrindo pra mim.
- O que você disse? – olhei fixamente pra ela.
- Tenho que ir? – ela sorriu.
- Não... A outra parte. – sorri também – Você me chamou de quê? – lhe beijei.
- Amor. – ela disse aos sussurros.
- Há dois anos que não escuto isso, repete vai. – disse todo bobo.
- Pára de frescura! – ela disse rindo.
- Essa é a mulher que eu amo! – disse ironicamente, mas em seguida ela me dá um tapa no ombro, me encolhi e fingi cara de dor. – Nossa! Onde aprendeu a dar esses tapas? – disse rindo.
- Deixa de ser bobo, Embry – ela disse me beijando. - Mais tarde eu te ligo, ok? – ela disse rindo
. - Não quer que eu te leve pra casa? – disse abraçando-a.
- Não mesmo! Se meu pai está furioso, você sairá de lá castrado. – ele disse me beijando e indo com a Nessie.
Fiquei os observando indo embora, quando eles sumiram me virei pro Paul e lhe dei outro murro.
- Hei! Pare de bater no Paul! – Leah me segura.
- O que vocês têm na cabeça, hein? Queriam matá-la? – disse me soltando da Leah.
- Calma cara! Só estávamos brincando com ela. – Paul disse limpando o sangue que escorria da boca.
- Vão brincar assim com a mãe de vocês! – disse dando as costas pra eles e indo pra casa.
...
Passei a semana inteira com Alice, ela me levou a tantas joalherias que perdi as contas, quando a disse que andar com Alice para fazer comprar era o mesmo que assinar sua sentença, pensei que era exagero dela, mas vi que ela não exagerou nem um pouco.
E quem acabou escolhendo as alianças foi a Alice, não posso negar que a baixinha tinha gosto, escolheu um par de alianças de ouro branco que custava o olho da cara e ainda mandou gravar nossos nomes nela. Segundo Alice, era o presente dela como madrinha da noiva, quem sou eu pra negar? Se eu fosse pagar pela aliança, teria que assaltar um banco para poder pagá-la.
E hoje era o grande dia. Estava super nervoso, não fazia a mínima idéia de como ela ia reagir e muito menos dos familiares, especialmente dos irmãos dela. Alice disse que por ela tudo bem, mas não garantia a minha segurança vindo dos irmãos dela.
- ! Aceita se casar comigo? – disse me olhando no espelho. - Não. – arrumei meu cabelo. - Cullen aceita ser minha esposa? – sorri. - Não... – joguei água no meu rosto. - Meu amor, hoje é um dia especial, casa comigo? - MEU DEUS COMO SOU RUIM! – me olhei no espelho.
Olhei pro relógio e eu já estava atrasado, terminei de ajeitar minha gravata peguei uma rosa e corri pra casa dos Cullen. Quando cheguei à festa, todos já estavam se divertindo. A festa estava sendo no quintal, a procurei com os olhos e a vi, toda encolhida por causa do frio e estava conversando com Carlisle, ela estava muito elegante, estava com um sobretudo de veludo, uma boina e luvas, quando ela olhou pra frente me viu e acenou e sorriu, beijou o rosto do pai e veio até onde eu estava.
- Está atrasado. – ela disse ficando de ponta de pé e me beijando.
- Desculpe, dormi e perdi o horário. – disse lhe abraçando e esfregando suas costas.
- Você não dormiu! Hibernou! – ela sorriu – Está com fome? – ela disse me guiando pra dentro da casa, quando entramos na casa ela me encosta à parede e me dá um beijo de tirar o fôlego.
- Nossa, amor! Que isso! – a olhei assustada.
- Não posso lhe beijar assim na frente da minha família, né?! – ela disse piscando.
- Hei! Vocês dois! Na nossa vista! – Emmett apareceu do nada e apontou pra irmos pra fora.
- Chato! – ela mostrou a língua pro irmão.
- Vai! – ele disse sério.
Fiquei o tempo inteiro com ela ao meu lado, não queria perder nem um minuto com ela. E ela parecia estar satisfeita com minha atitude, porque quando menos esperava ela me abraça e me beijava.
Notei Nessie e Alice me olhando a cada segundo, e isso me deixou cada vez mais nervoso, não sabia a hora ideal pra isso e muito menos como iria pedi-la em casamento. Eu estava nervoso e minhas mãos suavam frio.
- Hei! Embry que tal conversarmos?! – Edward aparece na minha frente com cara de poucos amigos.
- Claro. – disse firme.
- Hei Ed, por quê? – olhou desconfiada.
- É rápido querida, é assunto de homem! – ele riu fazendo-a rir também.
- Certo. – ela disse beijando meu rosto e indo na direção da Alice.
- Me segue. – ele disse assim que ela saiu.
Caminhamos um pouco pra dentro da floresta, chegando a um certo ponto ele pára e me encara.
- Explique isso que está pensando a noite inteira. – ele disse sério.
- Explicar o quê? Que estou apaixonado por sua irmã? – disse ironicamente.
- Não, seu sarnento! O que você quer realmente com minha irmã? Esse assunto de casamento é sério? – ele disse entre os dentes.
- Lógico! Irei pedi-la em casamento, irei me casar com ela! – disse orgulhoso.
- E o que você tem a oferecer? – ele disse ríspido.
- Ah, Edward! Eu sou um homem! Não um moleque. – falei no mesmo tom.
- Você disse a mesma coisa antes de ir morar com ela na Alemanha, eu aceitei aquela palhaçada porque também temia pela segurança dela, mas agora é diferente! Casamento é algo sério! – ele disse segurando minha gola e me levantando do chão – Se você estiver fazendo isso pra depois magoá-la juro que lhe mato o mais lento e doloroso possível! – ele disse me largando.
- Escute, seu sanguessuga! Eu nunca irei magoá-la eu aprendi a lição! Irei me casar com ela sim! – disse caminhando de volta pra festa, o senti passar por mim e me empurrar.
- Está avisado. – ele disse assim que passou por mim.
Quando cheguei, ele já estava do lado dela, falou algo em seu ouvido, ela olhou pra mim e caiu na gargalhada, sendo que ele olhou pra mim e me fuzilou com os olhos, caminhei lentamente até ela e peguei sua mão, a levei pro meio da festa e suspirei fundo.
- O que é Embry? – ela disse rindo.
Olhei pra Nessie e fiz um sinal pra ela abaixar o som. Quando ela abaixou o som olhei nos olhos da e a beijei profundamente.
- Embry, o que foi? – ela disse assim que terminou o beijo.
- , não sei se você se lembra, mas hoje faz três anos que te pedi em namoro lembra? – disse rindo.
- Lembro, e daí? – ela me olhou confusa.
- Bom... Hoje é um dia especial, certo? Se contarmos, hoje faz três anos que nos conhecemos.
- E... ? – ela continuava me olhando confusa.
- Escute, ok? Por favor, me deixe falar tudo, depois você fala. – disse olhando em seus olhos e ela só fez afirmar com a cabeça. - , você sabe muito bem como eu te amo, todos aqui sabem disso. – desviei meu olhar para a festa e vi que todos estavam nos olhando.- Respirei fundo e voltei meus olhos para o dela. - Cullen, eu quero que você seja minha mulher, minha esposa, mãe de meus filhos... – peguei a caixinha do meu bolso e abri. – , aceita se casar comigo? – disse sorrindo.
Nesse momento senti um encontrão que me fez cair no chão, quando vi Emmett estava em cima de mim me esmurrando. Tentei me proteger, mas quando vi Jacob estava em cima dele e lhe dera um murro, logo em seguida Rosalie estava em cima do Jacob e Emmett pulou pra cima de mim novamente, consegui virar e ficar em cima dele, lhe dando um murro, senti alguém me puxar e era Edward, mas Seth pulou nas costas de Edward e novamente começou a briga entre mim e Emmett.
- , você não vai ajudar, não? – escutei Nessie nervosa.
- Eu não! Briga de cachorro grande ninguém se mete. – ela disse rindo – Vai Embry dá uns murros no Emmett ele tá merecendo! – disse torcendo.
Olhei pra ela e sorri, mas Emmett aproveitou a situação e me deu outro murro, pulei em cima dele e lhe dei um murro também, mas ele me deu um chute, me fazendo cair longe.
- PAREM! – Carlisle berrou furioso - Mas que bagunça é essa em minha casa?! – ele nos olhava furioso, fazendo os filhos dele abaixar a cabeça.
- Foi ele que começou pai. – Emmett disse apontando pra mim parecendo uma criança de cinco anos.
- EU? Você está é louco! Somente me protegi. – disse ofegante.
- Você que começou sim! Como ousa pedir a mão de minha irmã sem ao menos falar com a família dela antes?! – ele estava bufando de ódio.
- Isso não cabe a você! E sim a mim e ! – disse indo pra cima dele, mas Carlisle pára na minha frente.
- Chega de briga por hoje! – ele disse mais calmo – Quem deve decidir isso é ela! – ele disse indo na direção da . - Então filha, o que você diz? – ele sorriu.
- Eu... Eu... – ela abaixou a cabeça, nesse momento meu coração disparou, ela vai negar, não vai aceitar. - Eu preciso pensar! – ela disse com os olhos cheios de lágrimas e saindo correndo pra dentro da casa.
- espera! – disse indo atrás dela, mas fui seguro por Carlisle.
- A deixe pensar...
Nesse momento desabei no chão. Aconteceu o que temia, ela não me ama o suficiente pra aceitar se casar comigo.
* Pov*
- aceita se casar comigo? – ele sorriu pra mim.
Fiquei parada sem reação, ele só podia estar brincando comigo. Foi quando vi Emmett pular no pescoço do Embry e logo em seguida estava no chão rolando aos murros com ele, Jacob veio em auxílio do Embry, mas Rosalie foi ajudar Emmett e a briga estava feita, Edward tentou separar a briga, mas Seth pulou em Edward. Por algum momento ri daquela situação, meus irmãos brigando por mim, nunca imaginei essa cena.
- você não vai ajudar, não? – escutei Nessie nervosa.
- Eu não! Briga de cachorro grande ninguém se mete não. – disse rindo – Vai Embry, dá uns murros no Emmett ele está merecendo! – disse pulando e sorrindo pra ele.
E novamente a briga começa com tudo. Isso tudo porque ele me pediu em casamento!
Meu Deus ele me pediu em casamento?!
Eu não posso aceitar esse pedido, não posso mesmo, se eu aceitar me casar com ele, tudo que planejei na minha vida vai por água abaixo. Eu tinha tudo traçado, eu ia acabar minha faculdade e ser transformada, mas agora ele me pede isso. Estava tudo tão confuso, tudo...
- Então filha, o que você diz? – meu pai me fez voltar à realidade, olhei pra ele e sorri forçado.
- Eu... Eu... – eu não sabia o que dizer.
Estou confusa, completamente confusa.
- Eu preciso pensar! – foi tudo que consegui dizer antes de sair correndo pro meu quarto.
Eu preciso pensar, precisava mesmo.
Tranquei-me no meu quarto, precisava respirar e pensar. O que iria fazer? Se eu aceitar, o que meu pai irá pensar? Ele tem planos pra mim e eu também tenho planos pro meu futuro. Se eu aceitar me casar com ele, estarei indo contra tudo que planejei nessa minha vida, contra meus princípios, eu queria ser transformada, queria ser um vampiro, mas pensando bem, o que é viver a eternidade sem alguém pra amar ou ser amada? Mas eu não me vejo casada, não me vejo com filhos e muito menos como dona de casa!
Fiquei algum tempo olhando pro chão e pensando. Sorri pra mim mesma quando percebi que estava sendo estúpida, eu não tinha o que pensar, eu amo aquele índio! Eu o amo...
- Pai? Poderia vir aqui, por favor? – disse normalmente e indo abrir a porta.
Quando abri a porta ele já estava lá.
- Queria conversar com o senhor. – disse dando passagem pra ele entrar.
- Você está bem? – ele disse me analisando.
- Estou sim. – disse o abraçando.
- O que foi? Você está chorando. – ele disse acariciando meu rosto.
- O senhor vai me amar se eu disser que mudei de idéia sobre a transformação? – disse olhando em seus olhos.
- Então vai aceitar se casar com ele? – ele disse suavemente.
- Só se o senhor permitir, não quero perder seu amor e nem dos meus irmãos, sei que temos um trato, sei que todos têm plano para comigo, mas eu o amo pai, e quero viver ao lado dele. – disse chorando.
- Então minha querida, seja feliz. – ele disse rindo.
- O senhor aceita? – falei rindo.
- Tudo que quero é que você seja feliz, sendo ou não uma de nós, mas para ser sincero, eu ia lhe enrolar o máximo possível sobre sua transformação, não quero que se transforme em uma de nós, sempre quis que você ficasse como humana. – ele disse beijando minha testa. - Estou vendo que você cresceu mesmo, hein! – ele sorriu e me abraçou.
- Como eu lhe amo, meu pai! – disse lhe abraçando forte.
- Vamos descer, senão você será viúva antes mesmo de se casar. – ele disse me guiando até o quintal.
Carlisle me guiou até onde o Embry estava.
- tem algo pra lhe dizer. – ele disse ficando do meu lado.
- Então? Já pensou? – ele parecia nervoso.
- Sim. – disse insegura.
- Então? Aceita se casar comigo? – ele disse rindo nervoso.
- Com todo o meu coração! – sorri e lhe abracei.
Ele me abraçou forte e me deu um beijo longo, depois se ajoelhou e tirou do bolso a caixinha que tinha dois anéis de ouro branco rodeado com pequenos diamantes, olhei séria pra ele.
- Alice? – perguntei rindo.
- Sim. – ele disse me colocando o anel na minha mão direita e eu fiz o mesmo com ele.
- Eu te amo. – disse lhe dando outro beijo.
Ficamos alguns minutos nos beijando, escutei várias vezes alguém limpar a garganta, mas não liguei continuei o beijando, escutei risada da Nessie e da Alice, e o Emmett bufando.
- Chega, chega! Deixa isso pra lua-de-mel. - meu pai disse nos separando. - Agora a festa virou festa de noivado! Vamos comemorar! – ele disse rindo e pegando um champagne.
Depois dos brindes e ser cumprimentada por todos, conseguimos fugir da festa e ficar sozinhos dentro de casa. Estávamos sentados no sofá de casa, ao menos pra mim lá fora estava congelando.
- Então , como iremos fazer? – ele disse brincando com minha mão onde estava a aliança.
- Como iremos fazer o quê? – disse divertida.
- Você, Europa! – ele disse revirando os olhos.
- Ah... Isso! – disse rindo.
- Sim querida! Como iremos fazer? Irei morar com você lá? – ele disse beijando minha mão.
- Não. – disse normalmente.
- Como não? Sou seu noivo! – ele me olhou sério.
- E daí? – disse me divertindo com o olhar dele.
- E daí?! E daí?! ! – ele estava começando a ficar com raiva.
- Meu amor, não precisa ficar com raiva. – disse beijando seu pescoço.
- Como não? Você não quer que vá com você! Espera que eu fique aqui lhe esperando, é? – ele estava com raiva.
- Sim. – disse divertida.
- ARHG! – ele rosnou e eu somente ri.
- Não seja bobo, irei voltar pra Europa amanhã mesmo, irei pedir minha transferência pra uma faculdade aqui perto. Satisfeito?! – disse entrelaçando nossas mãos.
- Irei com você! – ele disse decidido.
- Não! – disse mais decidida ainda.
- E posso saber o por quê? – ele disse levantando uma sobrancelha.
- Porque não quero e ponto! – disse levantando.
- Pra onde você vai? – ele disse me segurando.
- Preparar minha viagem, assim ficarei mais tempo com você. Arrumo tudo lá em uma semana e volto e você me espera aqui! – disse autoritária.
- Tem certeza que não quer que vá com você? – ele me olhava sério.
- Sim amor, sim. Agora vamos lá conversar com meu pai.
Capítulo 29
Caius POV.
- Então Mikael? Trouxe boas noticias? – disse assim que ele entrou na sala.
- Achei a menina. – ele disse sorrindo.
- E... ? – olhei sério.
- Humana ainda. – disse sério.
- Perfeito, a transforme e traga pra mim. Carlisle irá se arrepender de ter me desafiado. – disse imaginando a cena de sofrimento do grande amigo de meu irmão.
- Sim, mas e quanto ao Kain? – ele disse me olhando confuso.
- O que tem Kain? – retribui o olhar.
- Kain a está protegendo, por isso que não a encontrava! Estava usando os poderes pra escondê-la. – dissera sem emoção nenhuma.
- Hum... – pensei - Isso tem dedo de Aro. – concluí - Mudei de idéia! Traga a menina viva e com o Kain, leve Dimitri e Jane com você! Deixe que me acerto com o Aro. Vá. – ordenei - E mais uma coisa! Faça o sumiço parecer um acidente, quero que pensem que ela está morta.
- Sim senhor. – confirmara.
Assim que ele saiu fui até onde Aro estava, ele me olhou confuso, mas somente ri.
- Onde está o Kain?! Faz tempo que não o vejo. – disse sarcasticamente.
- Você descobriu, foi?! – ele disse rindo.
- Como você pôde?! – o olhei incrédulo.
- Deixe a menina em paz! Ela não é nenhum risco para nós. – ele disse rindo.
- Eu irei me vingar! E você ficará fora disso, entendeu? – disse assobiando.
- Caius não faça isso! Não quero briga com os Cullens! – esbravejara.
- E você não terá! Assumo toda a responsabilidade pelos meus atos, só peço que não interfira mais! – pedi.
-Se assumir... – ele disse pensativo.
- Assumo! – Falei autoritário.
- Então faça o que quiser, só não conte comigo para nada! – ele dissera com raiva.
POV.
Cheguei à Alemanha sendo a mulher mais feliz da face da terra. Iria só à faculdade arrumar os documentos necessários para a transferência e ter uma conversa com Kain, que por incrível que pareça não me perturbou em nenhum momento durante as férias.
Peguei minha mochila na esteira e fui para o saguão principal. Não demorei muito pra ver minha mãe e meu irmão juntos sorrindo pra mim. Abracei os dois e fomos para casa. No caminho até minha casa, contei tudo pra eles, sobre o meu entendimento com o Embry, sobre o noivado e também contei sobre a minha volta pra América.
- Tem certeza filha? Você sempre disse que adora a Europa. – Ana perguntou enquanto almoçávamos.
- Sim, mãe. Hoje mesmo irei à faculdade, irei verificar os documentos necessários e volto pra Forks em uma semana! – disse tomando um pouco de suco.
- Vai me abandonar mesmo? – John disse amargamente.
- Não, meu irmão. Não irei lhe abandonar. Por que não vens comigo? – o indaguei - Podemos morar perto de Forks, o que acha? Rachar um apartamento, que tal? – disse sorrindo.
- Não sei, . – ele disse pensativo.
- Olha, a mamãe sempre fica viajando, ela mora mais na América do que aqui. Por que não vem comigo? Aí fica mais tempo com a nossa mãe também! – disse rindo.
- Vem cá! Quem é você e o que fez com minha filha? – Ana me olhava desconfiada.
- Mãe pára! – ri para ela - A senhora reclama quando não lhe chamo de mãe e quando chamo não gosta também? Não entendo! – completei sorrindo.
- Só estou estranhando seu comportamento, só isso! – ela disse envergonhada.
- Bom, tenho dezoito anos e em menos de um mês terei dezenove, acho que está na hora de crescer, não é? – disse levantado e beijando o rosto dela.
Ela ainda me olhava desconfiada.
- Dona Ana! – esbravejei - Eu cresci, né? Eu amo a senhora e meu irmão, só que demorei um pouco pra descobrir isso. Esses dois anos se não fosse por vocês com certeza eu já estava morta, porque ia voltar para as drogas, mas vocês não deixaram e ficaram o tempo inteiro comigo, do meu lado me apoiando, sou grata de coração por isso! – disse fazendo um carinho no rosto dela e lhe dando outro beijo, notei que a mesma estava chorando.
- Obrigada filha, finalmente me perdoou não é? – ela disse me abraçando.
- Bom, para falar a verdade, não! – sorri e ela ficou espantada. - Mas a senhora é minha mãe biológica e eu tenho que tratá-la com tal! – beijei novamente seu rosto e olhei pra janela. - Hum... Nevando! Tem carro com corrente? – disse olhando pra ela.
- Pega o meu. – ela disse enxugando as lágrimas.
- Pra onde você vai? Acabou de chegar! Vamos conversar. – John disse levantando.
- Irei à faculdade, adiantar as coisas, só irei ficar uma semana aqui, tenho que agilizar as coisas, o calendário é diferente, se demorar muito perderei o semestre. – disse indo na direção dele e beijando o rosto dele. - Volto em duas horas e aí serei somente sua, meu irmão! – disse apertando a bochecha dele, sendo que ele deu uma tapa na minha mão.
- Chata! – ele disse esfregando o rosto.
- Eu sei! – saí rindo - Volto em duas horas. – disse acenando pra eles e saindo de casa.
A viajem até a faculdade foi tranqüila, demorei duas horas pra chegar à faculdade por causa da estrada coberta de neve, liguei pra minha mãe e expliquei que iria demorar mais que planejava. Fiquei exatamente uma hora na sala do reitor, tentando explicar o motivo da transferência, e tudo pra receber um não na cara, por causa dos métodos de ensino ser diferentes. Agora era só falar com Alice e Jasper para forjar uns documentos.
Quando estava saindo da sala do reitor, Kain aparece na minha frente com uma expressão que nunca tinha visto antes, seus olhos estavam vermelhos e era nítida a tensão dos mesmos.
- O que há Kain? – disse assim que o vi
.- Vamos embora daqui. – ele disse sussurrando.
- Por quê? O que houve? – o indaguei curiosa.
- Vamos! – ele disse me puxando pelo braço.
Quando chegamos ao estacionamento ele parou e me encarou.
- Eles estão aqui! – ele disse olhando para os meus olhos.
- Quem? – olhei assustada.
- Eles! Descobriram-lhe! – ele estava rosnando.
- Como? – falei olhando para os lados.
- Como?! Como?! – dissera desesperado - Eu lhe disse que sua viagem não era segura, não disse?
- E você não foi? – falei sério.
- Não! Você insistiu tanto! Esse foi o meu erro! – disse rosnando alto. - Eles estão aqui, fuja! Ligue pro seu pai! Tentarei atrasá-los. – ele disse olhando pra mim e me abraçando.
- Eles irão lhe matar! – disse assustada.
- Vai ! Vai! – Kain gritou.
- Mas e você?! – disse chorando.
- QUE DROGA, VAI! – ele gritou.
Obedeci sem esperar mais uma ordem. Corri o máximo que podia, meu carro estava perto, entrei e dei a partida, acelerei o mais rápido que podia, olhava constantemente para o retrovisor, não via nenhum vulto.
Fiz a primeira curva a mais de 180 km/h, novamente olhei pro retrovisor e não vi nada, quando olhei pra frente vi um deles parado na minha frente com a mão erguida, no instinto tentei desviar, mas foi meu erro, por causa da neve a pista estava molhada e com a velocidade que estava o carro derrapou.
Tentei controlar o carro, mas não sei como ele começou a capotar várias vezes, acho que na segunda ou terceira capotagem senti meu corpo sendo cuspido, infelizmente esqueci de colocar o cinto, caí feito pedra no chão, tentei cair sem bater a cabeça, mas senti vários ossos do meu corpo quebrando na batida.
- AHHH! DESGRAÇADO! – gritei chorando.
Olhei pra cima e ele já estava em cima de mim sorrindo. Ele olha pra minha perna e pisa nela, a dor naquele local ficou insuportável.
- AHHHHHH! – gritei de dor.
- Carlisle nunca lhe ensinou a ser educada com os mais velhos? – e novamente ele pisa na perna.
- PÁRAAA! – estava quase desmaiando por causa da dor.
- Quer dizer algo antes de morrer?! – ele disse sorrindo.
- Vai se fud... – nesse momento ele fecha o punho e me dá um soco e a escuridão me dominou.
Não sei onde acordei, sei que o frio era intenso e a não enxergava um palmo na minha frente, meu rosto estava doendo e não estava sentindo minhas pernas, tateei o chão e pude sentir que era de concreto, olhei para o lados e não pude ver nada, procurei meu celular no bolso, mas não estava. Suspirei frustrada.
Depois de longos minutos escutei passos vindo na minha direção e meu corpo sendo erguido.
- Onde estou? E pra onde está me levando? – disse nervosa.
- Logo saberá. – uma voz sombria.
Ele me carregou por vários cômodos até chegar a uma sala, olhei em volta e percebi que já estive naquele local antes, há muito tempo atrás. Estava na casa dos Volturi, fechei os olhos e me dei por vencida, hoje estaria selada a minha morte. Senti meu corpo sendo jogado com força no chão e abri os olhos e pude ver Caius caminhando na minha direção.
- Veja se não é a caçula do Carlisle! – Caius veio até mim, rindo zombeteiro.
- Caius? O que eu fiz pra você? – disse tentando manter a calma.
- Pra mim? Nada, minha bela criança, mas sua família... – ele disse me levantando e sorrindo. - Não é nada pessoal , mas sua família mexeu com o clã errado! – ele disse aos sussurros me fazendo arrepiar.
- Você não era assim Caius, eu lembro, até brinquei com você! Eu estou com os dias contados, irei me transformar em uma de vocês, não se preocupe – disse tentando parecer sincera.
- Não minta pra mim criança! – ele disse rindo.
- Não estou mentindo! – disse séria.
- Carlisle não lhe ensinou que mentir é feio? – ele continuava rindo e me segurando, parecia que ele me analisava e sempre mantinha um sorriso, ele suspirou forte e me jogou no chão.
Caí no chão feito pedra, tentei me levantar, mas minhas pernas não estavam me obedecendo e meu corpo inteiro estava doendo.
- Ah criança! Como tens um cheiro bom... – ele sorriu.
- Vampiro estúpido – disse aos sussurros, mas ele virou e olhou pra mim rindo maliciosamente.
- Sabe, irei lhe ensinar a ser mais educada! Jane querida... – ele a chamou calmamente.
Vi-a olhando pra mim diabolicamente. Olhei assustada e ela simplesmente me olhou intensamente, comecei a sentir uma dor insuportável, minha cabeça estava explodindo, meu corpo estava sendo esmagado, faltava ar, parece que tinha alguém dentro da minha cabeça gritando, estava entrando no desespero, aquela dor era surreal e eu não estava agüento mais, minha visão começou a ficar turva e fui perdendo meus sentidos...
- Chega... – escutei Kain gritar e a dor sumiu, ainda não enxergava direito, minha visão estava completamente turva.
- Não interfira Kain! Só não lhe matei por causa do Aro! – Caius disse ríspido.
Nesse momento me senti sendo carregada.
- A solte Kain! É uma ordem! – Caius esbravejava.
- Desculpe Caius, mas ela é diferente, acho que... – tentou dizer algo.
- Kain obedeça! - Caius disse o cortando.
- Caius! Ela é só uma humana! Não fez nada contra nós, eu fiquei mais de dois anos ao lado dela e vi como esconde muito bem nosso segredo, pare de torturá-la! – ele disse bem ríspido.
Nesse momento senti novamente meu corpo voar e senti uma forte dor no pescoço, ao abrir os olhos pude ver Caius segurando meu pescoço e sorrindo pra mim.
- Diga adeus para o seu mundo. – ele disse e em seguida não enxerguei mais nada.
Carlisle POV.
Estava abraçado com minha esposa, observando Embry e Alice tendo uma discussão sobre os convites de casamento, uma baderna completa, Alice falando alto, Embry gritando, Rosalie xingando, enfim uma confusão completa. Ainda não acredito que minha filha caçula resolveu mudar de idéia, aquela teimosa mudou de idéia sobre ser uma de nós, ela sempre teve um temperamento forte e quando coloca algo na cabeça ia atá o fim.
Sorri pra mim mesmo, tinha que admitir que ela cresceu e ficou mais madura e estava voltado pra casa, em três dias estaria aqui nessa sala perturbando todos, como sempre fazia . Senti meu bolso vibrar, peguei o celular e vi o número da casa da na Alemanha, sorri, me afastei um pouco por causa da bagunça e atendi.
- Oi filha. – disse sorrindo.
- Desculpe Carlisle, mas é o John. – ele parecia angustiado.
- O que aconteceu, Winter? – disse alarmado e todos que estavam na sala me olharam assustados.
- A ... , ela... Ela... – ele estava gaguejando.
- Ela o quê? – disse calmamente.
- Ela... Ela sofreu um acidente de carro. – ele disse rapidamente.
- Ela está bem? – nesse momento eu estava ficando nervoso.
- Não. - ele disse caindo no choro.
- Como não? – alarmei - O que aconteceu? – quase grito com ele.
- Elamorreunoacidente. – ele disse rapidamente, mas consegui entender perfeitamente.
Fiquei observando minha família por um tempo e todos me olhavam esperando uma explicação.
- Olá? Cullen? Ainda na linha? Alô? – John gritava na outra linha.
- Como isso aconteceu? – disse voltando a conversa.
- Ela perdeu o controle do carro, capotou várias vezes e o carro pegou fogo. – nesse momento se tivesse coração ele tinha parado.
Fechei os olhos e suspirei fundo.
- E... ? – disse tentando manter a calma.
- Ela não conseguiu sair do carro... – disse sem emoção nenhuma.
Pela primeira vez na minha existência perdi meu controle. Joguei o celular que acertou em cheio a TV, quebrando –a. Todos me olhavam assustados procurando resposta, mas não conseguia falar nada, senti minhas pernas perderem a força e me ajoelhei. Senti Esme tocando no meu ombro e beijando meu rosto.
- Carlisle, o que foi? – ela disse alarmada.
- ... – foi tudo que conseguir responder.
Fiquei um tempo olhando pra todos sem falar nada. Eu não estava acreditando no que acabei de escutar. , morta?! Não me contive e esmurrei o chão.
- Querido, o que aconteceu? – Esme perguntava suavemente.
Abri os olhos e notei todos me olhando preocupados e sem entender muito.
- Eu estava conversando com o Winter... – disse nervoso.
- Não, Carlisle! – Edward gritou assim que entrou na casa acompanhado de Bella e Nessie.
- Não o quê? O que foi que você leu? – Esme perguntou nervosa.
- Alice tente ver a , por favor! – supliquei, ela não perguntou nada e olhou fixamente para o nada, segundos depois ela suspira.
- Não vejo nada, só escuridão – ela disse naturalmente.
- Não será por causa dos sarnentos, não? – Rosalie perguntou apontando para o Embry e Jacob.
- Não filha, não é por essa causa, não. – disse nervoso e me levantando.
- O que está acontecendo?! Conte logo Carlisle! – Esme disse impaciente.
- ... Sofreu um acidente fatal. – não conseguia dizer mais nada.
Embry POV.
Olhei fixamente para o Carlisle, ele estava tentando dizer algo, mas não conseguia.
- ... Sofreu um acidente fatal. – ele disse fechando os olhos.
- Não! – exclamei e caí de joelhos. - Não! NÃO É VERDADE ISSO! É MENTIRA! – gritei, soquei várias vezes o chão e chorei. - NÃO! – levantei e pulei em cima do Carlisle, apertando seu pescoço. - MENTIROSO! VOCÊ ESTÁ MENTINDO!!! – disse apertando o pescoço dele, senti sendo puxado.
- Embry calma. – Bella dizia suavemente.
- Calma cara! – Jacob me puxava.
- É MENTIRA DESSE SANGUESSUGA, ELE NÃO QUER ACEITAR QUE A FILHA ME AMA, NÃO ACEITA ELA TER ME ESCOLHIDO, NÃO ACEITA! – tentei me soltar dos braços do Jacob.
- Embry, eu bem que queria estar mentindo pra você, mas não estou! – Carlisle disse transtornado também.
- Tire ele daqui Jacob. – Alice ordenou.
- NÃO! NÃO! É MENTIRA! É MENTIRA! – disse conseguindo me soltar do Jacob e pulei novamente no pescoço daquele sanguessuga mentiroso e apertei.
- Solte Embry! Calma! – Jacob disse me puxando novamente - Vamos sair daqui cara, vamos... - ele disse me puxando pra fora da casa.
- Não Jacob, não... – disse vencido.
- Calma Embry, calma... – dizia ele.
- Não irei suportar perdê-la pela segunda vez, não... – nesse momento deixei as lágrimas escorrerem.
- Relaxa, irei entrar e perguntar o que realmente aconteceu, podem estar enganados. – ele disse me soltando - Fique aqui, já volto. – disse entrando novamente na casa.
Esperei por um minuto, não precisa ele voltar e me dizer o que aconteceu, simplesmente escutei tudo, era verdade, minha ...
- NÃOOOOO!
Gritei antes de me transformar, corri o mais rápido que podia, não queria parar pra nada, estava sentindo uma dor horrível. Perdê-la novamente, isso não estava acontecendo, não iria suportar, logo agora, logo agora que íamos nos casar! Logo agora que tínhamos nos acertado! Não! Deus não pode estar me punindo assim!
Continuei correndo sem rumo, não sei quanto tempo fiquei assim, mas em algum momento escutei a voz do Sam.
- Volte agora. – ele ordenou.
- Porque deveria? Acabou pra mim! – disse ríspido.
- Volte, os Cullens querem que vá com eles, ou prefere não se despedir dela? – indagou-me.
- Me despedir? Não suportaria! – disse chorando.
- Volte! E preste essa última homenagem a ela! – falou mais complacente com a minha dor.
- Ok. – murmurei.
........
Estava olhando para o chão, enquanto escutava alguém falando ao fundo, não tirava os olhos da placa que estava fixa na grama, rapidamente levantei os olhos e olhei ao meu redor, os Cullens estavam um do lado do outro, todos trajavam roupas pretas e estava de óculos escuros.
Ao lado deles estavam Ana, John e Jonhy; o John e a dona Ana não paravam de chorar um segundo, olhei novamente ao meu redor e pude ver a Nessie chorando também, e se os Cullens pudessem, com certeza estariam chorando.
Meu coração estava partido, sentia uma dor forte nele, fitei novamente a placa, chorei, estava tentando me conter, mas nessa hora não consegui, minha se foi para sempre, nunca mais ia sentir o gosto de seus beijos, ou mesmo escutar sua risada, e seu cheiro, como adorava o seu cheiro.
Novamente levantei os olhos e olhei ao meu redor, estávamos num local calmo, nem parecia um cemitério, parecia um campo verde, tinha árvores e no chão só tinha placas, indicando onde a pessoa estava. O local transmitia uma paz, uma paz que ela merecia. Fechei os olhos.
“– Ah, vai não! – disse abraçando-a e lhe beijando.
- Volto em uma semana seu bobo. – ela disse se soltando de mim.
- Uma semana é muito pra mim, já fiquei dois anos sem você! – sorri e lhe beijei novamente.
- Embry! Volto em uma semana, aí marcamos o casamento, ok? – ela disse rindo, mas nesse momento lhe puxo e lhe beijo apaixonadamente.
- Jura?! – disse sorrindo.
- Juro! Vai logo tratando as coisas com a Alice, quando voltar nós marcamos! – ela disse se afastando de mim e sorrindo. - Tenho que ir, senão perco o avião! – ela disse rindo. - Vejo você em uma semana! – ela disse me beijando rapidamente e indo pra sala de embarque.
- Hei ? – gritei antes de ela entrar na sala.
- Diga? – ela se virou sorrindo.
- Eu te amo! – sorri.
- Eu também. Não vai aprontar nada em uma semana, hein FIDO? – ela entra na sala caindo na gargalhada.
- Vamos Embry? – Carlisle disse tocando no meu ombro.”
- Embry? – escutei meu nome e voltei à realidade, olhei em volto e só estava eu e Nessie.
Olhei e vi que Carlisle e os outros estavam caminhando pra fora do cemitério.
- Vou sentir muita falta dela, Embry. – dissera a pequena.
- Não tanto quanto eu. – disse a olhando.
- Oh Embry... – ela murmurara e me abraçara, voltando a chorar.
Logo a pequena saiu de meu abraço e fora para perto dos pais, ainda chorando.
Olhei para o chão e li pela milésima vez a placa.
“Um milhão de palavras não farão com que você volte. Sei, porque tentei. Nem o farão um milhão de lágrimas. Sei por que chorei até não poder mais. Talvez o único que me doa mais que dizer adeus é não ter tido a oportunidade de me despedir de você, minha querida e amada filha...
Esme Cullen – 1995 – † 2013”.
Joguei-me no chão e acariciei a placa, meu peito ia explodir, não me contive e chorei ali mesmo, agora é real, nunca mais ia tê-la comigo, nunca mais.
- Minha amada... Minha , como lhe dizer adeus? Como conseguirei me despedir de você? – murmurei em meio às lágrimas. - Porque foi me abandonar logo agora? ! Por quê?
As minhas lágrimas não cessaram, a dor em meu peito era lasciva demais.
- Eu não sei, não sei o que dizer, ainda acho que estou num pesadelo que irei acordar logo ao amanhecer, mas isso não está acontecendo, a noite está sendo eterna. – continuei acariciando a placa. - Sabe... – tirei um papel do bolso e li diante seu túmulo.
“É melancólico dizer adeus a um grande amor,
É sempre sombrio dizer adeus a um amor inesquecível,
É sofrido dizer adeus a um amor singular de almas gêmeas,
É muito triste saber que é chegado o instante de dizer adeus…,
É triste dizer adeus ao amor eterno, mesmo que por amor.
Adeus assim se equivale à renúncia sublime,
Meu amor, este coração não tem mais palavras para expressar o quanto sofre...
Desde aquela tarde em que meus olhos encontraram os teus, ele modificou-se completamente!
Choro por você meu amor, pelo desespero de saber que está tão longe de mim...
Que não há retorno, pois nossas vidas nunca mais irão se encontrar.
...
Esme Cullen eu nunca irei dizer Adeus há você meu único e eterno amor.”
Capítulo 30
Carlisle POV.
Já se passaram três dias desde o enterro de minha filha. Não sei quem está sofrendo mais, todos estão sofrendo do seu jeito, mas Nessie e Embry são os mais abalados, tenho inveja deles pelo fato de conseguirem demonstrar a angústia que estão sentindo.
Estou sozinho no quarto dela aqui em Bad Tölz, analisando cada canto e cada papel deixado por ela, analisando suas roupas, cheirando, queria sentir cheiro de algum vampiro, queria ao menos tirar minhas suspeitas. Aquele telefonema antes de sua chegada, a voz de agonia que a mesma estava, a nossa conversa no carro, isso tudo não saia de minha mente, nada estava encaixando, nada estava fazendo sentido. Minha filha estava noiva, ia se casar, não faz sentindo esse acidente estúpido, como um carro de luxo e com correntes pra neve, simplesmente derrapa e pega fogo?! Isso não faz sentido...
- Vô, posso falar com o senhor? – a voz de minha neta me vez voltar à realidade.
- Claro querida! Como está hoje? – perguntei forçando o sorriso.
- Me sentindo culpada pela morte dela. – ela disse me abraçando e começando a chorar.
- Nessie, você não teve culpa, aliás, ninguém teve! – disse fazendo carinho na cabeça dela.
- Não vô! Tive sim, se eu tivesse contado antes sobre o amigo dela... Se tivesse avisado ao senhor ela estaria conosco! O senhor nunca a deixaria embarcar naquele avião. – ela disse entre choro.
- Explica isso melhor, Nessie! – disse afastando-a e olhando intensamente nos olhos dela.
- Ok... Irei falar tudo que sei. – ela disse de cabeça baixa e colocando as mãos no meu rosto. – Melhor... Veja. – ela disse soluçando.
“- Primeiro essa conversa não sai daqui, e se contar pra alguém, juro que irá se arrepender amargamente! – ela me olhou bem séria.
- Claro tia, não irei trair sua confiança, não. – disse tranquilamente.
- Certo. – ela sorriu e sentou na minha frente – Bom, eu conheci um vampiro nos tempos do ginásio, pouco antes do Embry vim embora e desde aí me tornei amiga dele. – ela disse bem baixo.
- Amigos?! , o vovô já sabe?! – perguntei séria.
- Você é a primeira a saber, e eles não saberão. Olha ele é uma espécie de protetor pra mim, e é ele que está me fazendo esquecer o Embry! Então estamos namorando... – ela disse tentando mentir pra mim, que boba!
- Vocês não estão namorando! Eu sei! – disse sorrindo.
- Certo Nessie! Não estamos, mas temos um casinho! – ela disse sorrindo – Às vezes ficamos, sabe é uma espécie de válvula de escape! – ela disse piscando pra mim.
- E qual o nome dele? – estava ficando preocupada com esse amigo dela.
- Kain! Ele é bem educado e tem uns poderes interessantes sabia? – ela disse mais baixo ainda.”
Nesse momento tirei a mão da Nessie do meu rosto e a olhei incrédulo! Como ela escondeu isso de mim? Kain... Eu conheço esse nome! Kain é um dos guardas dos VOLTURI!
- NESSIE! COMO ESCONDEU ISSO DE MIM? POR QUE NÃO CONTOU PRA NINGUÉM? COM ISSO NÃO DEVEMOS BRINCAR! – simplesmente explodi.
- Eu... Eu... Perdão! – ela caiu no choro novamente.
- Nessie! Você acabou de me dizer que tinha um amigo chamado Kain e escondeu isso de nós! – falei entre os dentes.
- Não pensei que ele ia matá-la vovô! Perdão! – ela dizia entre o choro.
- Irei agora mesmo pra Itália! – disse entre os dentes. - Eles não tinham esse direito de matar a ! Não tinham mesmo! – disse saindo do quarto o mais rápido que podia.
- Vovô, espere os outros chegarem! Não vai sozinho! – foi a última coisa que escutei de Nessie antes de entrar no carro e sair em disparada rumo à Itália.
Não me importei com multas de excesso de velocidade, não me importava com mais nada, a única coisa que me importava era matar aquele desgraçado! Aquele monstro que tirou a vida de minha filha! Irei fazer picadinho dele, a se ia!
sua estúpida! Porque mesmo depois de morrer você me tira do sério?! Ah! Minha filha! Porque tinha que ser tão teimosa? Se tivesse contato tudo, estaria comigo agora! Sua teimosa!
Não sei quanto tempo demorei pra chegar à Itália e muito menos em Volterra, só sei que estava entrando no castelo dos Volturi sem pedir permissão pra ninguém.
- Carlisle? Você por aqui! Que honra! – Jane disse parando na minha frente, simplesmente a empurrei e continuei entrando no castelo.
Notei vários deles me olhando com expressões confusas, devo estar domado pelo ódio, porque a única coisa que escutava era a Nessie dizendo o nome de Kain. Já morei aqui e sei exatamente como encontrar Aro e seus irmãos. Depois de abrir uma porta enorme, pude entrar na sala de reunião onde estava Aro conversando com Marcus, notei que eles me olhavam confusos, mas sorriram.
- Carlisle! Que visita mais agradável! – Aro disse estendendo a mão pra mim.
- Poupe-me desse teatro Aro! – disse entre os dentes e o mesmo me olhara confuso.
- Perdão amigo! – ele disse sorrindo – Por que essa fúria toda?!
- Cadê o seu capanga? O Kain?! - disse sibilando.
- Ele está na América do Sul, por quê? – ele me olhou confuso.
- Não me faça de bobo! – gritei. - Quero saber qual crime minha filha cometeu pra merecer a morte? – disse me aproximando dele e fechando o punho. - Quero saber qual risco que uma criança humana traz a vocês! Por que a mataram? – já estava pronto pra lhe dar um murro.
- Nós não matamos ninguém, nem sabia que sua filha estava morta! – ele disse dando as costas pra mim.
- Carlisle! – Caius disse dando uma tapinha em meu ombro - Soube da morte de sua filha é verdade? – ele disse sorrindo.
- Por que está rindo Caius? Se eu descobrir que vocês tiveram algo com a morte dela, juro que irei me vingar! – falei assobiando.
- Caius! Resolva isso! – Aro disse saindo da sala, junto com Marcus.
- Resolver o quê?! – falei olhando pro Caius.
- Tranqüilizar-lhe, meu amigo. – ele sorriu.
- Me tranqüilizar? – o olhei incrédulo.
- Sim! O que você quer pra lhe deixar mais calmo? – ele sorriu.
- Quero Kain! Ele matou minha filha! – praticamente berrei.
- Não foi ele. – ele disse calmamente – Acidentes acontecem... – ele sorriu.
Olhei para os lados e vi que só estávamos nós dois. Caminhei de um lado pro outro tentando me acalmar.
- Sabe Carlisle, acho que você não deve ficar assim, afinal acidentes acontecem. – ele disse rindo.
Olhei pra ele confuso, em nenhum momento disse que ela sofrera um acidente.
- Acidentes acontecem? Acho que não. – disse ríspido.
- Claro que acontecem. Não foi isso que aconteceu? Mas acho que ela não sofreu nada, afinal o carro pegou fogo, não foi?! – ele disse sério.
E eu estava convicto que ele sabia de algo a mais.
- Eu não lhe disse como foi o acidente. – caminhei ate ele e o encarei.
- Só sei o que me disseram. – ele sorriu.
- Mas eu não lhe disse nada. – sibilei.
- Vai embora Carlisle, melhor pra você. – ele disse dando as costas pra mim.
- Só irei sair daqui com a cabeça do Kain em uma bandeja. – o segurei e fiz virar pra mim.
Ele me olhou abismado com minha atitude e sorriu
- Já disse que ele não teve nada haver com a morte daquela humana. Agora você tem 12 horas pra deixar a Itália. – ele disse sério.
- Só irei deixar a Itália quando descobrir quem de vocês matou minha filha e o motivo. – disse friamente.
- Sua filha? Nunca foi! Ainda não entendo sua compaixão com humanos... – ele disse já irritado.
- Ela era minha filha, sim! – gritei - Agora quero que me diga qual o motivo de vocês terem a matado!
- Sabe?! Sua filha teve uma morte rápida, não se preocupe, suguei até a última gota de seu sangue... Que era uma delícia! – ele disse sorrindo maliciosamente pra mim.
Não me contive e pulei pra cima dele, consegui lhe dar um soco fazendo-o cair longe. Ele levanta e olha sorrindo pra mim.
- Sabe o que isso significa meu caro? – ele disse rindo.
- Que você não passa de um verme?! – sorri cínico.
- Não! Que você assinou sua execução! – ele disse ríspido e correndo em minha direção, senti meu corpo voar depois do soco dele.
Consegui me levantar rapidamente e correr em sua direção, sendo que ele também estava correndo em minha direção, nos encontramos no ar e ouve um grande barulho, consegui cair em pé e ele caiu de costas, aproveitei a situação e montei em cima dele, comecei a lhe dar vários socos.
- Irei matar você! – rosnei.
- Não antes que eu! – ele disse me empurrando e correndo pra pegar uma espada que estava pendurada na parede, corri e lhe dei um chute.
Olhei na parede e ainda estava à outra espada pendurada peguei e fiquei o observando.
- Ela implorou pra que eu a matasse! Você deveria ter visto a carinha dela! – ele sorriu.
- Você que vai implorar agora! – rosnei.
Corri na direção dele e ele fez o mesmo, nossas espadas se encontraram no ar, consegui lhe dar uma cotovelada e tentei lhe atacar novamente, mas ele conseguiu me bloquear, tentei lhe acertar pela esquerda e novamente ele me bloqueara, nossas espadas se entrelaçam e ficamos cara a cara. Não conseguia enxergar nada e nem escutar nada, a única coisa que conseguia enxergar era Caius e como iria matá-lo.
- Calma, meu pai! – escutei Edward e ele já estava me segurando.
- Me largue, deixe-me acabar com esse verme! – tentava me soltar, mas Emmett tinha ficado na minha frente me impedindo também.
- Carlisle meu amigo, calma. Você tem minha palavra que Caius só disse isso para lhe enfurecer! – escutei Aro.
Quando olhei para os lados pude ver que estava toda minha família, ambos me olhavam assustados, pude ver que também estava na sala Aro, Jane e Demetri.
- Ele matou a irmã de vocês! – gritando.
- Eu não matei ninguém! – Caius disse me encarando - Aro você viu que ele me atacou! Isso é uma mostra do que já lhe falei!
- Calma, meu pai, calma. – escutei Edward sussurrar.
- Carlisle, vai embora que irei esquecer esse seu ataque, sei que deve estar se sentindo horrível pela perda de sua filha, mas isso não é justificativa de vir aqui, vá. – Aro disse firmemente.
- Caius! Eu prometo que se você tiver algum envolvimento na morte de juro que irei lhe matar! – sibilei
- Estarei lhe esperando! – ele sorriu.
Senti Edward me puxar e me levar pra fora. Quando estávamos fora das dependências deles, Esme me abraça.
- Carlisle! Você não deveria ter vindo aqui sozinho! E se não tivéssemos chegado a tempo? Eles poderiam ter lhe matado! – ele me olhava intensamente.
- Edward conseguiu escutar algum pensamento? Quem a matou realmente? – disse ignorando minha esposa.
- Não meu pai, não mesmo. Parece que tinha alguém me bloqueando. – ele disse frustrado.
Olhei pra minha família e todos estavam tensos.
- Me desculpem. Não deveria ter perdido o controle – disse calmamente.
- Não precisa desculpar. – Esme me abraçou.
- É que quando Nessie me disse do amigo daquela teimosa, parece que tudo tinha se encaixado, não foi acidente e sim assassinato! – sibilei.
- Eu também desconfiava disso, mas nossas investigações não deram em nada. – Alice disse frustrada – E tem mais, se ele fosse realmente um assassinato a mando dos Volturi, eu tinha visto, eu não estou os observando? – ela disse me olhando sério.
- Não sei Alice, mas Nessie disse que ela estava envolvida com um vampiro chamado Kain! – disse cansado.
- Kain faz parte da guarda dos Volturi... – Edward me interrompe.
- Isso mesmo! Entenderam agora a minha explosão? - olhei pra todos.
- Entendemos, mas o senhor está certo, isso está estranho demais. – Jasper disse analisando – Mas é mais estranho ainda, o motivo deles terem feito isso, e se foi realmente eles, qual benefício disso tudo? E porque Alice não viu a em perigo? – ele continuava analisando a situação.
- Temos que concordar que foi realmente um acidente! Porque se fosse algo planejado Alice teria visto! – Rosalie sussurrou.
- Ainda não sei. Ainda não acredito em um mero acidente... Analisem comigo, ela estava noiva, estava voltado pra morar conosco. Qual o motivo dela dirigir feito uma louca por aí? E como um carro daquele pegar fogo?!
- Carlisle vamos embora, vamos voltar pra casa, já fizemos o tínhamos que fazer, investigamos e tudo leva a crer que foi uma fatalidade. Eu também concordo que ela ia ser prudente no volante, mas algo deve ter ocorrido para ela perder o controle do carro, talvez um animal na pista, ou simplesmente ela se distraiu. – Esme disse me abraçando.
- É, acho que vocês estão certos. Vamos pra casa. – disse vencido.
Caius POV
Estava radiante, nunca pensei que ia tirar o Carlisle do sério, era só dizer as palavras certas que ele estourava. Ri pra mim mesmo, da cara que ele fez quando disse que tinha matado sua filha. Mas quero mesmo ver a cara dele quando colocar meu plano em prática.
- Caius seu estúpido! – Aro estava furioso.
- O que eu fiz meu irmão? – falei cinicamente.
- Eu já disse! Não me meta nessa sua estúpida vingança! Da próxima vez o deixarei acabar com você! – ele disse dando as costas pra mim e saindo da sala.
Gargalhei ao ouvi-lo.
- Ele me matar? Impossível – olhei pra Jane e sorri. - Como está a minha filha? – disse rindo.
- Está quase pronta. Melhor irmos. – ela disse rindo.
- Vamos, quero estar ao seu lado, quando tudo acabar. – eu disse a olhando maliciosamente.
Capítulo 31
Em um quarto completamente isolado, uma humana gritava e pedia que a dor parasse, e em alguns momentos pedia que tirassem sua própria vida. Depois de três dias e três noites, a mesma parou de gritar e de se debater, abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi um homem sorrindo pra ela.
- Seja bem vinda minha filha. – Caius disse abraçando a mesma.
...
- Você tem que deixar seus instintos fluírem! – Jane sorria pra nova vampira – Respire fundo e siga o cheiro, não pense, só aja seguindo seus instintos. – Jane sorria.
A nova vampira fechou os olhos respirou fundo e saiu em disparada, correu floresta adentro e encontrou um grupo de cinco jovens acampando. A mesma parou por um segundo e sorriu, pulou em cima da primeira caça e em questão de segundos já tinha sugado todo o sangue do jovem e logo após matou todos da mesma forma.
- Não pode sentir pena, e nem piedade de nenhum ser! Entendeu? – Caius dera um tapa no rosto de sua nova protegida, fazendo a mesma cair metros longe.
- Levante! – o mesmo correu até ela e a levantou pelo pescoço – Reaja! Sem piedade! – e novamente dera outro tapa fazendo-a cair longe.
A vampira se levantou e partiu pra cima de seu mestre, lhe acertando um certeiro chute fazendo-o cair longe, ele abrira um longo sorriso e correra pra cima dela. A vampira se desviara com uma certa facilidade e prendera o mesmo em um mata leão.
-ÓTIMO! EXCELENTE! – ele ria imobilizado.
...
- Scarlet? – Kain acabara de encontrar a nova vampira sentada olhando o crepúsculo.
- Diga Kain. – ela falava sem nenhuma emoção.
- Vamos nos arrumar pra festa? – ele sorria.
- Não irei. – ela disse sem olhar pro mesmo.
- Não? Seu pai não irá gostar muito. – ele a abraçava por trás e lhe beijava o pescoço.
- Que seja, mas não irei. – ela parecia distante.
- O que há com você? – ele a olhava desconfiado.
- Quem eu sou? Há três anos tento lembrar o meu passado e nada, há três anos tento Kain e nada. – ela dissera frustrada.
- Você é a nova Volturi. – ele sorriu e a mesma suspirou.
- Que seja... – resmungara.
...
- Você sabe o poder que tem, não sabe? – Caius falava pra nova vampira que estava de cabeça baixa.
- Sim, sei. – ela respondera frustrada.
- Você entende que está se transformando numa poderosa arma, não entende? – ele continua num tom autoritário.
- Sim meu pai, mas... – ela tentara intervir.
- Nada de “mas”! Isso não significa o seu descontrole, pare de matar por prazer. Pare de jogar fora seu poder, agora quero que me prometa que irá parar de matar humanos sem nossa permissão e nem caçar sozinha! – ele bufava de ódio.
- Mas, eu estava com sede... – ela sorria.
- Chega Scarlet! Só essa semana foram mais de dez! Pare! Eu concordo com você quando diz que eles não passam de alimento, mas se você continuar matando como está, eles irão entrar em extinção! E como iremos comer? – ele ria.
- O senhor está certo. – ela disse por fim.
- Então se concentre no seu treinamento e se torne a vampira mais poderosa de todos! – ele sorria e a abraçava.
...
Quem eu sou?
Ainda me faço essa pergunta todos os dias durante esses cincos anos. Não sei de nada do meu passado, não me lembro de nada antes daquela noite onde acordei queimando.
Foram três longos dias que passei no inferno, mas quando passou me tornei o ser extraordinário que sou agora. Sou rápida, forte, vejo tudo, escuto tudo e tenho um enorme prazer em caçar e matar humanos.
Não tem gosto e sensação melhor do que sugar até a última gota de sangue de um humano desprezível. Para mim, todos deveriam ser exterminados, mas meu pai disse que sem eles não haveria como nos alimentar. Ele estava certo, eu deveria ser mais controlada nesse ponto.
Olho em volta e vejo cinco vampiros ajoelhados com a cara no chão. Estava em mais uma missão a mando de Caius e Aro.
- Piedade! Eu suplico. – o homem se pudesse chorar estaria fazendo isso.
- Eu não tenho piedade com ninguém e muito menos com um ser que se diz vampiro! - dei a volta no homem como se estivesse o analisando, sorri e parei em suas costas, ajoelhei e sussurrei no ouvido. - Vampiros não pedem piedade e muito menos têm compaixão! – ao dizer isso, o perfurei com minha adaga em suas costas, me concentrei e em milésimos de segundos, o homem tinha virado pó.
- Piedade! – comecei a rir – Piedade é para os fracos, piedade é para humanos! – Disse rindo e caminhando para outro vampiro que estava sendo seguro por Kain.
- E você? Vai querer piedade também? – olhei séria.
- Não. – ele disse firme.
- Hum... Inteligente de sua parte e o que você tem a dizer em sua defesa? – disse parando poucos metros dele e respirando fundo, nesse exato momento minha boca se encheu de saliva.
- Humanos! – sorri ao sentir a brisa que estava carregada de cheiro de humanos – Vamos acabar logo com isso, quero lanchar! – disse sarcasticamente e ficando cara a cara com o vampiro. – Então... Tem algo a dizer? – sorri.
- Já disse que não fizemos nada! – ele mantinha um tom calmo.
- Hum... Nada? Bom, então o que significa esses vintes recém-nascidos que acabei de matar? – olhei séria para ele.
- Já disse que não foi minha culpa, foi minha parceira quem transformou um, e esse se descontrolou e virou essa bola de neve, foi um acidente. – ele tentava explicar.
Caminhei de um lado para o outro analisando a situação. Caius, meu pai, meu criador, me mandou nessa missão, um clã chamado Watson que era composto somente de quatro vampiros, inexplicavelmente havia crescido para vinte vampiros, sendo que estavam aterrorizando uma cidade do interior da Irlanda, e nisso colocaram o nosso anonimato em perigo. Tinha capturado todos os recém-nascidos e os matado, e agora era a vez de julgar os membros do clã.
Tenho uns poderes muito interessantes. O primeiro, que para mim é o melhor, é de matar um vampiro sem ter que esquartejar e queimar, sou capaz de matá-lo simplesmente com minhas mãos, só preciso ter algo metálico, então sempre tenho comigo duas adagas.
O segundo é que consigo bloquear tudo que é poder de algum vampiro, então vampiro ao meu lado não passa de um ser humano inútil. Resumindo, me tornei uma poderosa arma de guerra e Caius, para me testar, me manda em várias missões com pouca, ou nenhuma ajuda. E quem disse que eu não gosto disso? Eu adoro a sensação de superioridade, a sensação de matar. Sempre quero mais e procuro ser a melhor.
- Scarlet, já se decidiu? – Kain me fez voltar à realidade.
- Quem é sua parceira? – disse virando pro vampiro que estava ao lado de Kain, mas ele continuou calado sem olhar para mim.
- Sábio... – disse rindo – Não quer entregar sua amada, certo? – disse caminhando lentamente em sua direção – Sabe, Caius me mandou aqui com uma única ordem, matar todos! – disse parando na sua frente – Mas vejo que não há necessidade de matar todos! – sorri e dei as costas para o mesmo.
- Deixo para você a decisão de quem devo matar! Escolha os dois que irão morrer! – disse calmamente.
- Mas... - ele sussurrou.
- Não me venha pedir piedade ou será o primeiro a morrer! – disse me virando e olhando seriamente pra ele. - Escolhe! – ordenei.
- Eu! Mate-me primeiro! – ele disse me desafiando.
- Vai ser um prazer... – dei um sorriso e em segundos o mesmo virou pó.
- NÃOOO! – a fêmea de cabelos loiros gritou e pulou em cima de mim, desviei com certa facilidade e enfiei uma adaga em seu peito.
- Foi seu amado, foi? – disse antes de fazer a mesma vira pó.
Olhei para os outros dois que me olhavam assustados e sorri.
- Não dói nada... – e em segundos eles também viraram pó.
- Scarlet! Não era para matar todos! – Kain disse visivelmente chateado.
- Não me controlei. – disse rindo e o abraçando. - Você sabe o quanto adoro isso. – disse lhe dando um beijo cheio de desejo e paixão.
- O que irá explicar para Aro? – ele disse sorrindo.
- Que eles resistiram e eu tive que escolher entre eles ou eu, e lógico que escolhi a mim mesma. – disse respirando fundo e sentindo novamente cheiro de humanos. – Agora vamos caçar que estou morrendo de sede! – disse rindo da minha própria piada.
- Você tem que se controlar mais, hoje já matou três humanos. – ele disse me segurando.
- Isso foi de manhã e agora é noite! Tenho que jantar! – disse sorrindo.
- Scarlet! – ele disse me recriminando.
- Humanos não comem várias vezes ao dia e matam vários animais para satisfazer as suas necessidades? Então, eu também tenho a minha, humanos são iguais a animais, servem para nos alimentar, agora vamos? – disse me soltando dele.
Fechei os olhos e pude sentir o cheiro de humano, corri na direção do cheiro com a intenção de encontrar o dono maravilhoso daquele cheiro. Quando dei por mim, estava na beira de uma estrada, em cima de um galho de árvore, respirei novamente e pude ver quem era o dono desse cheiro. Um garotinho que aparentava ter oito ou nove anos, estava ajudando o pai a retirar uns materiais de um carro, pelo o que vi, eles iam acampar.
Respirei novamente e pude sentir que tinha mais duas pessoas com eles, ao todo três e meia, porque o garoto não contava como inteiro. Quando ia pular, senti Kain me segurando.
- Scarlet, pare! Você está descontrolada! Três são o suficiente. – ele disse ríspido.
- Kain eu adoro você, mas não venha me dizer o que devo ou não fazer! – falei puxando meu braço.
- Chega! Você já se alimentou hoje! – ele disse sério.
- Não meu amor! Alimentei-me ontem, já passou da meia noite! – disse rindo e pulando em cima do carro, amassando o teto.
- MAS QUE PORCARIA FOI ESSA?! – o homem largou a mochila no chão e me encarou - De onde você surgiu garota?! – ele disse furioso – E VOCÊ AMASSOU O TETO DO CARRO!
- Calma... Pra quê essa gritaria... – disse descendo tranquilamente do carro e indo na direção dele, caminhando o mais sensual possível e o seduzindo.
- É... Que... Você... Assustou-me. – ele disse todo sem jeito.
- Se assustou foi? – falei manhosa – Desculpe. – disse aos sussurros e lambendo os lábios.
- De... De... Onde – ele estava completamente sem ação, estava sob meu domínio.
- Melhor nem saber de onde eu vim! – disse parando na sua frente e lhe puxando pra ficar coladinho comigo.
- Er... Sabe... Eu tenho... Esposa. - ele disse todo bobo enquanto eu cheirava seu pescoço.
- Não se preocupe, não contarei a ela. – disse beijando seu pescoço.
- Moça... Não... – ele sussurrava.
- Shiii... Não irá doer nada. – disse o mordendo, senti ele tentando se soltar de mim, mas em segundos seu corpo foi amolecendo e perdendo a vida, suguei até a última gota de sangue que existia nele.
Quando senti que ele não tinha mais vida o joguei no chão e ri.
- PAI! – o garotinho correu até o corpo do pai e começou a chorar. - Você matou meu pai! – ele dizia aos soluços.
- Foi? – disse lambendo os lábios.
- Por quê?! Por quê?! – ele continuou chorando, revirei os olhos e peguei o garoto pelo pescoço.
- Odeio quando vocês fazem essa cena toda! – disse mordendo o pescoço do menino e sugando cada gota de sangue do seu corpo, assim que percebi que estava sem vida e que o seu sangue havia acabado, o joguei no chão.
Olhei em volta e vi Kain vindo com uma mulher e um homem, jogou-os ao lado do garoto.
- Tava com sede também, meu querido?- disse sarcasticamente.
- Pensa que é só você que pode se divertir? – ele disse rindo – Mas o que iremos fazer com quatro corpos? – ele olhava para os corpos.
- Simples! – sorri – Coloque-os no carro e taque fogo, acidentes acontecem. – disse naturalmente.
- Scarlet, você voltou da ultima missão mais perversa... – ele disse sério.
- Correção, voltei menos humana! – falei rindo – Vamos logo limpar o local e voltarmos, tenho um presente para Jane. – falei sarcasticamente.
Capítulo 32
Depois de dois dias viajando em cima de uma moto, cheguei à Itália, sempre que ia a alguma missão, eu ia de moto, adorava a sensação do vento batendo em meu rosto. Correndo com certeza seria mais rápida, mas adoro a sensação de estar em uma moto, deve ser algo que fazia enquanto era humana.
Ao chegar à frente do castelo encostei minha moto, Kain fez o mesmo e sorriu.
- Tem certeza que não quer que eu vá com você? – ele disse aproximando de mim e entregando um saco preto.
- Tenho! Irei enfrentar Aro sozinha, se ele conseguir lhe ler irá ver que matei por prazer. – disse pegando o saco e lhe beijando.
- Me espera em meus aposentos? Temos que comemorar uma missão perfeita como esta. – disse piscando e indo na direção da entrada.
Logo na entrada Alec estava parado na porta de braços cruzados, olhou pra mim e deu um sorriso forçado.
- Já? – ele disse espantado.
- Por quê? Acha que sou igual a sua irmã que demora séculos para cumprir uma missão? – falei rindo – e falando nisso, onde está o ser? – disse parando na sua frente.
- Está em uma reunião, com Caius. – ele falou sério.
- Ótimo! Assim mato dois coelhos com uma paulada só! – sai rindo e fui na direção da sala de reunião.
Chegando ao andar em que era a sala, a humana que trabalha para meus senhores estava parada na porta, impedindo minha passagem.
- Eles estão em reunião e pediram para ninguém atrapalhar. – ela disse autoritária.
- E desde quando preciso de autorização? Agora se não quer virar pó, saia da frente! – falei ríspido fazendo-a sair. Antes de entrar escutei perfeitamente a conversa deles.
“- Mas você tem certeza? Ela está pronta? – Jane perguntara.
- Sim está! Agora é só mandá-la para a América que irá fazer todo o serviço. – Caius respondeu.
- Ainda acho que ela não está pronta. – Demetri disse.”
- Quem não esta pronta? – disse assim que abri a porta.
Estavam na sala: Jane, Demetri, Mikael e Caius. Ao me verem, todos arregalaram os olhos com cara de espanto.
- O que foi? Viram algum fantasma? – disse rindo e indo até Caius.
- Meu pai! – o cumprimentei e beijei seu rosto.
- Não minha filha, só que pensei que ia levar mais tempo, só cinco dias? – ele me olhava espantado.
- Desculpe a demora, é que fui de moto e voltei de moto, o senhor sabe o quanto gosto de motos. – disse piscando pra ele.
- O que tem a ver se você foi de moto? – Jane disse debochando.
- Simples, se eu fosse correndo, ia levar somente dois dias, um para ir e outro para voltar. – falei rindo - Ah! E tem mais, tome! Um presente para você. – disse jogando o saco nela.
Ela pegou o saco com uma mão e quando o abriu, tirou uma cabeça de dentro dele.
- HARRY? – ela gritou espantada.
- Sim, era ele mesmo! – disse correndo e ficando cara a cara com ela – Da próxima vez que mandar alguém me vigiar, mande alguém que saiba! Não mande iniciante, que matarei todos! – disse rosnando.
- E tem mais, da próxima vez, será você! – disse lhe empurrando e rindo.
- Mas o que significa isso? – Caius falou parando do meu lado, sério.
- Era Harry! Que a sua querida Jane mandou me seguir e sabotar! Como odeio falhar... – dei os ombros.
- Scarlet? Já voltou da missão? – Aro disse assim que entrou na sala, revirei os olhos e abaixei a cabeça.
- Sim senhor. – disse firme.
- Excelente! E onde esta o Ben? – ele disse parando na minha frente.
- Houve um imprevisto. – disse beijando sua mão e olhando-o.
- Eu não disse que queria os Watson vivos? – ele me olhava furioso.
- Sim senhor, mas eles resistiram e me atacaram... – tentei me justificar, mas nesse momento ele me interrompeu com um tapa na cara. Fiquei calada e sem reação.
- Eu disse com todas as letras que os queria vivos, não disse? – ele sibilou. - O que custava deixar um vivo?! – ele ainda estava com a mão levantada.
- Meu senhor, disse sim! Mas infelizmente, eles não quiseram cooperar e eu não iria deixar eles me matarem! É a lei do mais forte! – e novamente outra tapa.
Respirei fundo e contei até um milhão para não enfiar uma adaga no peito dele e o matar.
- Aro! Não a provoque! – Caius falou vindo até o meu lado. – Ela resolveu o problema, por que a punição?
- Caius! Ela está ficando descontrolada! Você não está vendo?! – ele olhava sério para o irmão. – E ainda matou um dos nossos rastreadores!
- Que por sinal era péssimo, vocês tem que me agradecer, isso sim. – disse olhando-o com fúria.
Quando ele levantou a mão para dar outro tapa em mim, me movi com facilidade e velocidade, e fiquei atrás dele com minha adaga em suas costas, encostei a ponta e sussurrei em seu ouvido:
- Se tocar novamente em mim, eu terei o maior prazer em acabar com você. Mas como eu respeito meus superiores, não irei matá-lo agora. Cumpri minha missão, matei os recém- nascidos e matei os Watson por acidente e daí? – sorri. - Eles só sujavam a nossa espécie! – enfiei um pouco mais a ponta da adaga em suas costas. – Eu respeito muito o senhor e seus irmãos, mas não venha me tratar como um peão do seu tabuleiro de xadrez, que irá se arrepender!
- SCARLET, PARE AGORA MESMO! – Caius esbravejou atrás de mim.
Nesse momento me afastei do Aro. Ele virou para mim e me olhou tomado pela fúria.
- Você está me desafiando? – ele disse assobiando. - Você só tem cinco anos de renascida e acha que pode comigo? – ele disse quase cuspindo em minha cara.
- Tanto acho, que posso! - disse entre os dentes.
- Ah! Então o aluno quer superar o mestre? – ele falava entre os dentes.
- Se o senhor desejar assim! – disse no mesmo tom.
- Chega! Scarlet, vá para o seu quarto até segunda ordem! – Caius ordenou.
- Sim, meu pai! – disse beijando sua mão e indo para o meu quarto.
Caminhei até meu quarto sem falar ou olhar pra ninguém, mas consciente que todos me olhavam com fúria por ter desafiado o líder deles. Quando cheguei ao meu quarto, vi Kain me olhando fixamente com cara de poucos amigos.
- O que foi agora, Kain? – disse indo em sua direção e parando na sua frente.
- Você desafiou Aro? Está louca? – ele estava furioso.
- Me defendi! Ele acha que sou um simples peão! – falei debochada.
- Não o provoque! – ele disse entre os dentes.
- Pelo contrário, eu não desafiei ninguém, ele que me desafiou! – disse rindo enquanto ia para a janela .
- Você acabará se afundando nessa sua arrogância! – ele me abraçou por trás.
- Não sou arrogante. – disse olhando para a lua.
- Convencida então! – ele ria.
- Pode até ser, mas que culpa eu tenho de ter esses poderes e ter prazer em fazer o que faço? – me virei e o beijei.- Acho que irei pedir férias. – disse sorrindo – Que tal irmos para um local longe disso tudo? Só eu e você? – o beijei novamente.
- Seria ótimo! E aquele papo de comemorar a missão? Ainda de pé? – ele disse me beijando e tirando minha roupa.
Começamos com um beijo calmo que logo ficou agitado e cheio de desejo. Senti ele me encostar na parede e em segundos estava completamente nua. Puxei-o mais para perto e lhe dei um beijo de tirar o fôlego. Nesse momento escutei alguém bater na porta.
- O QUE?! – gritei.
- Caius quer sua presença imediatamente na sala de reunião. - Jane que fez o favor de nos atrapalhar.
- Estou indo! – disse me soltando de Kain e me vestindo.
- Mais tarde continuamos. – disse lhe beijando e indo até a sala.
Chegando ao local, Caius estava sentando em sua poltrona com um controle em mãos, parei na sua frente, fiz uma reverência e beijei sua mão.
- Mandou me chamar, meu pai? – disse levantando.
- Veja. – ele apontou o controle para uma tela, onde apareceu uma foto de um homem alto, forte, branco, bonito e junto dele estava uma mulher linda, loira, de uma beleza que nunca vi antes.
- Esses são Emmett e Rosalie Cullen. – ele disse normalmente e novamente apontou para o telão.
A foto nesse momento mudou para outro casal, uma mulher de cabelos espetados de rosto que parecia uma fada, e um homem lindo também.
- Alice e Jasper Cullen. – disse da mesma maneira.
Então, ele mudou novamente as fotos para outro casal, um homem de cabelos bagunçados com uma mulher de cabelos castanhos, ambos muito bonitos.
- Edward e Isabella Cullen.>br
E novamente mudou a foto, apareceu outro casal, um homem de cabelos loiros com uma mulher que para mim parecia familiar.
- Carlisle e Esme Cullen. – ele disse no mesmo modo que estava.
- Acho que conheço esse último casal que o senhor me mostrou. – disse olhando para os dois, mas ele mudou a foto para uma garota que parecia com o casal Edward e Isabella.
- Essa é Reneesme Cullen, filha do casal três que lhe mostrei. – ele continuava com o mesmo tom.
- Esses, são o clã Cullen. – ele mantinha a voz calma e autoritária.
- Essa é sua próxima missão, matar todos, acho que você já esta preparada para vingar a morte de sua família.
- Como é? – indaguei.
- Esse clã que matou a sua família, e nada mais justo do que você vingar a morte deles. – ele sorriu.
- Mas o senhor sempre me disse que eu não tinha família! Que não sabia de nada! – disse séria.
- Sim, eu lhe protegi, você não estava preparada, eles são o segundo maior clã e todos eles tem poderes. – ele disse suavemente.
- Não pense que fiz esse treinamento todo com você para só lhe deixar poderosa, fiz isso tudo para lhe preparar em destruir quem acabou com sua família. Eles te atacaram, quase te mataram, mas quando te vi, semimorta, vi também o seu potencial e preferi lhe transformar a deixá-la morrer. – ele levantou e caminhou lentamente em minha direção.
- Eu não me lembro de nada. – disse aos sussurros.
- Já disse que nunca irá lembrar, teve uma morte cruel, é por isso que não irá lembrar, mas posso lhe garantir que foram eles que atacaram você, minha criança. – ele disse levantando minha cabeça e me fazendo olhar para o telão.
- Emmett é forte, e sua parceira Rosalie também, mas nada que isso, você conseguirá destruí-los facilmente – e novamente ele mudou de foto.
- Alice prevê o futuro, mas como você tem o tom de bloquear poderes, ela não irá te ver. Jasper é um ex-militar, sabe lutar muito bem, tenha cuidado com ele. – e novamente ele mudou a foto.
- Edward tem poder de ler mentes, e sua parceira Isabella, tem o poder de proteção – e novamente a foto muda.
- Esme, não sei se tem poder, ela é muito pacifica, acho que será a mais fácil de matar e seu parceiro é o patriarca da família, Carlisle, ele é o mais temido, e o mais velho deles, tem experiência de sobra, tome muito cuidado com ele, deixe-o por último, faça-o sofrer mais, foi ele quem matou a sua família. – nesse momento esmurrei a mesa, fazendo-a quebrar.
- Ele será o último e irá implorar para que eu o mate. – disse entre os dentes.
- Terei ajuda? – disse olhando para Caius.
- Sim, escolha quem quiser.
- Jane, Alec, Demetri, Mikael, Kain, Elisar e Raquel. – disse mentalizando quem iria enfrentar quem.
- Nossa! Você escolheu os melhores da nossa guarda! – ele sorria.
- Se o clã é poderoso, nada mais que levar os melhores, quando parto? – disse analisando a ficha de cada um.
- Hoje mesmo, mas irá sozinha, ainda não terminei! – ele disse mudando novamente o slide.
- Esses são os aliados deles. – levantei o olhar e analisei a foto.
- Humanos? – olhei a foto que tinha dois homens conversando.
- Não, eles são lobisomens. Por isso que temos que destruir esse clã, eles se aliaram aos nossos inimigos e com certeza então se preparando para nos atacar. – ele disse trocando a foto e mostrando várias pessoas.
- Uma matilha? – olhei assustada.
- Sim, pelo o que nosso espião pode apurar, são 18. – ele disse sério. - Sua missão é matar os Cullens, mas antes terá que exterminar os cachorros. – ele disse sério.
- Sim senhor! Nesse caso terei que levar mais guardas comigo... – disse analisando a situação.
- Não! Essa parte da missão você fará sozinha, quando terminar de exterminar todos, mandarei quem você mencionou. – ele disse sentando novamente.
- Está louco? Nunca enfrentei um lobisomem, assim morrerei! – olhei-o séria.
- Isso é sua punição por ter desafiado Aro, terá que matar os lobos, se conseguir sobreviver, terá nosso perdão e mandarei auxilio. – ele sorriu.
- Se o senhor quer assim... – disse entre os dentes. – parto hoje mesmo.
- Isso mesmo. – ele jogou uma pasta para mim. – Passagens de avião e informações mais detalhadas, boa sorte.
Sai da sala bufando, eu nunca enfrentei um lobisomem nesses cinco anos de existência. Como irei matá-los? E o clã Cullen? Como eles puderam matar minha família? Eles irão pagar muito caro, a se vão...
- Scarlet? – Kain parou-me no meio do corredor.
- Sim? – disse seca.
- O que foi? – ele me olhava preocupado.
- Irei para os EUA, estou numa missão suicida, forma de punição. O que você sabe sobre lobisomens? – disse o encarando.
- Você vai para Forks? – ele sussurrou.
- Sim. – disse sussurrando e rindo – porque estamos falando assim? – continuei sussurrando.
- Vem cá! – ele me puxou para uma sala.
- Tome cuidado lá! – ele disse aos sussurros. – Irei com você.
- Não irão deixar, é minha punição, se sobreviver estarei perdoada por ter desafiado Aro. – disse rindo.
- E você ainda ri? , você não vê que é perigoso? – ele disse me abraçando.
- ? É a terceira vez que você me chama assim! – o empurrei. - Quem é essa ? Está me traindo, é? – o olhei séria.
- Não! Não lhe chamei de . – ele disse todo errado.
- Está mentindo! Diga-me! Quem é? – o olhei séria.
- Você está louca! Escute Scarlet, tenha cuidado, não deixe que eles te mordam, são venenosos. E por acaso eles não são bons nadadores, tente pegar um por um, não enfrente mais de dois juntos. – ele parecia nervoso.
- Eles não irão me matar, não se preocupe. Irei limpar o local e logo vocês irão para lá. – disse lhe beijando.
- Irei tentar ir mesmo assim, por favor, não enfrente mais de dois! – ele disse me abraçando.
- Vai ser uma ótima oportunidade para ver se realmente sou poderosa não é? – disse sorrindo.
- Sim, mas mesmo assim corre risco. – ele me beijou.
- Kain! Tenho que ir, Caius me mandou ir imediatamente. – disse me afastando dele.
- Qualquer coisa me liga! – ele disse preocupado.
- Ligarei. – disse rindo.
Peguei tudo que era necessário e parti para os EUA.
- E a verdadeira missão começou...
Capítulo 33
Passei a viagem inteira lendo e relendo as informações que tinha sobre os Cullens. Estudei cada um, analisei os pontos fracos de todos e percebi que a união deles era o que os fazia fortes. Então a melhor maneira de acabar com esse clã era matar um por um, separar eles, assim seria mais fácil. Fiquei algum tempo olhando a foto de Esme Cullen, não sei explicar o motivo, mas ela me parecia familiar. E quanto a Carlisle Cullen, esse teria a morte mais demorada possível, iria pagar caro por ter matado a minha família, por ser o responsável de ser quem sou hoje em dia.
Depois de trocar de avião por duas vezes, cheguei ao meu destino, Seattle. Fui direto para uma loja e comprei a melhor e mais rápida moto que existia naquela espelunca. Podia ter roubado, mas eu gostava de mostrar que tinha dinheiro.
Cheguei ao local, Forks, ao amanhecer. Estava chovendo e uma sensação de conhecer aquele lugar estava me dominando. Não fiquei na cidade e sim nos arredores, iria vasculhar e analisar o terreno para poder começar meus ataques, mas antes teria que caçar, estava com sede. Escondi a moto no meio da floresta e respirei fundo.
- Isso! Humanos há 200 km - sorri pra mim mesmo.
Corri na direção do cheiro, e a cada minuto ficava mais forte, um cheiro era doce suave e outro doce forte, que chegava a doer minhas narinas. Continuei correndo e em menos de cinco minutos estava na beira de um lago onde havia dois homens pescando. Olhei mais fixamente e pude notar que o que tinha um bigode cheirava bem, enquanto o outro, que estava numa cadeira de roda, fedia. Respirei profundamente e minha boca se encheu de saliva, em um pulo estava atrás deles.
- Olá! – disse sorrindo.
Quando me apresentei, os dois viraram para mim olhando assustados.
- De onde você surgiu? E como chegou aqui? Só dá para vir de barco – o de bigode estava espantado.
- ?! – o da cadeira de roda me olhou analisando.
- Não! – disse indo na direção do de bigode.
- Não pode ser, Billy ela está morta – o de bigode estava olhando assustado pro da cadeira de roda.
- Da pra calar a boca! –disse para o de bigode lhe segurando, respirei fundo e novamente minha boca se encheu de saliva.
- Não! – o de cadeira jogou algo em mim, olhei para ele e lhe dei um tapa, fazendo-o cair da cadeira desacordado.
- Mas o que você está fazendo menina?! – o de bigode segurou minha mão.
- Almoçando! - disse segurando e mordendo-o. No começo ele tentou se soltar, me dando vários socos nas costas, mas ignorei e continuei sugando-o e em minutos ele foi perdendo as forças, a consciência, a vida. Depois de secar suas veias, joguei-o no chão e fui na direção do tal de Billy. Peguei-o pelo pescoço e o cheirei, seu cheiro era horrível, fazia minhas narinas arder.
- Você fede! – disse segurando a respiração e quebrando seu pescoço.
- Não irei me sujar com seu sangue – disse jogando-o no chão.
Respirei fundo e não senti nada, somente a brisa do dia.
- Ainda estou com sede, mas primeiro o serviço, depois a diversão – sorri e olhei para os dois corpos no chão. Parei na frente dos dois e os fiz virar pó.
- Pronto! Local limpo – sorri e voltei para a floresta.
---***---
Comecei a vasculhar a minúscula cidade, colher informações sobre os cachorros... O que pude apurar era que na cidade não havia nenhum, eles ficavam num local chamado La Push. Comecei a passear com minha moto nas redondezas de La Push, mas não vi nada e nem senti cheiro de nada, depois de um dia buscando essa raça, e não tendo sucesso, resolvi me divertir e ir à caça. Voltei e fui parar num local chamado Port Angeles, fui a uma loja, comprei roupas para festa e a noite fui em uma boate. Ao entrar no local, respirei fundo e minha boca se encheu de saliva, sorri pra mim mesma.
Estava tocando música eletrônica e várias pessoas estavam no meio da pista dançando. Olhei para as minhas presas e sorri, vi dois garotos sentados no bar olhando para a pista. Fui até a pista e fiquei dançando e olhando para eles, seduzindo-os. Com o dedo indicador, os chamei e eles caíram na minha, já estavam dançando comigo. Fiquei uma música inteira dançando com os dois.
- Nome – o de olhos azuis me perguntou.
- Scarlet – disse sorrindo.
- Sou Mike e esse é meu irmão Miguel! – ele disse apontando para o irmão.
- Interessante! Vamos conversar num local mais calmo? – disse piscando para ele. Eles se entreolharam e deram uma piscada, sorri e os guiei para fora da boate, caminhei com eles até um local escuro e deserto
Ao chegarmos num beco escuro, o tal de Miguel já estava me agarrando e levantando minha saia.
- Vai com calma – disse rindo.
- Calma? Que nada! – ele disse me prendendo na parede. Nesse momento beijei seu pescoço e o cheirei.
- Hei...assim você me deixa louco – ele dizia já excitado.
- Calado! – disse segurando seu pescoço e o mordendo.
- Ah! Isso doeu! – ele gritou, mas tapei sua boca e comecei a sugar seu sangue. Vi o irmão dele vindo para cima de mim e tentando me empurrar. Segurei-o com uma mão pelo pescoço e o levantei, ele ficou se debatendo enquanto terminava de sugar seu irmão. Quando terminei o joguei no chão e fui para o Mike e o suguei até a última gota.
- Ah! Humanos! Não podem ver um rabo de saia que ficam todos bobos, heim!– disse jogando-o no chão e lambendo meus lábios.
- E como vocês eram gostosos, heim! – sorri.
- Tem alguém vindo, irei limpar logo o local.
---***---
Em segundos fiz os corpos virarem pó. Depois de me alimentar, fui para La Push, chegou a hora de caçar alguns cachorros. O dia ainda não tinha amanhecido, mas comecei a rastrear qualquer coisa que poderia me levar a um deles. Fechei os olhos e respirei fundo, me concentrei em escutar ou sentir qualquer coisa, o vento ajudou um pouco, consegui sentir um cheiro diferente, o cheiro era parecido com o homem na cadeira de rodas que matei.
Corri na direção do cheiro, eu passava feito um raio entre as árvores e cada vez o cheiro ficava mais forte. Foi quando vi perto de um penhasco, dois homens conversando e rindo, respirei fundo e os dois tinham o mesmo cheiro do homem da cadeira de rodas. Os observei por um instante e eles não pareciam em nada com lobisomem. Em algum momento eles viraram bruscamente olhando intensamente para a floresta, na mesma direção onde eu me encontrava, com certeza sentiram meu cheiro. Dei um pulo e fiquei a vista deles.
- Olá senhores! – disse rindo.
- Quem é você?! E o que faz aqui? – o mais alto dizia rispidamente.
- Eu estou caçando – disse ironicamente – E eu? Bom, não vão querer saber – disse me agachando e preparando para dar um bote.
- Você é uma sanguessuga! – o mais baixo disse antes de começar a tremer e em questão de segundos o mesmo tinha virado um lobo enorme na minha frente, dei um passo para trás e olhei abismada, nunca tinha visto aquela espécie.
- Paul! Espere, eu estou reconhecendo-a! – o que tinha ficado humano deu um passo para frente e franziu o olhar – Meu Deus! ! – ele se espantou e deu um passo para trás.
- Está enganado meu caro, meu nome é Scarlet e irei lhe matar! Quer ter a chance de fugir? – disse rindo.
- O que fizeram com você? – ele disse espantado.
Não respondi, pulei em cima dele lhe dando um soco, o lobo que estava atrás dele pulou em cima de mim. Ele conseguiu prender minhas mãos no chão, mas quando ia me morder consegui lhe dar um chute fazendo-o cair longe. Quando levantei, senti um soco na minha nuca, ao virar, vi que o que não tinha se transformado, tinha acabado de me dar um murro, virei para ele e o soquei também, fazendo-o cair no chão, mas em seguida ele levantou, tentou me dar um soco, mas bloqueei, tentou outro soco, mas desviei lhe dando um chute. Ele olhou para mim furioso e começou a tremer.
- Desculpe-me , mas terei que lhe matar – ele disse furioso.
Ele se transformou em um lobo muito maior que o outro. Quando vi, o outro lobo estava ao lado dele e os dois estavam rosnando e com os pêlos arrepiados. Dei um passo para trás e retirei da minha bota duas adagas. Fiquei em posição de defesa, os encarei e eles continuaram do mesmo jeito.
- Irei dar duas alternativas – disse sarcasticamente - Vocês querem ter uma morte rápida e sem dor ou uma morte demorada e cheia de dor? – disse ironicamente.
Eles rosnaram alto e ficaram me rodeando, eu olhava intensamente para eles, esperando o momento certo para atacá-los. Foi quando um deles pulou em cima de mim, me desviei e consegui fazer um corte em sua orelha, o sangue que escorreu me deixou louca, em puro êxtase, olhei para ele e pulei em cima dele enfiando minha adaga em seu pescoço. Quando ia fazê-lo virar pó, o outro lobo pulou em cima de mim, ficamos rolando no chão, ele tentava me morder a qualquer custo e eu desfiava, olhei para os lados e vi uma pedra, peguei-a e quebrei em sua cabeça, fazendo-o uivar.
Dei um pulo e já estava de pé, quando vi, o lobo que estava com minha adaga estava de pé, dei um pulo para cima dele e no ar me concentrei, quando encostei nele fiz ele virar pó. O outro lobo uivou e me atacou, quando me virei ele já estava em cima de mim. Com o peso cai no chão, mas conseguia manter uma distância boa da boca dele. Consegui pegar sua mandíbula e a forcei para baixo até que consegui quebrá-la.
- HAHAHAHA! Vai me morder como?! – disse o empurrando para poder levantar.
- Agora onde vivem os outros? –disse encostando minha adaga em seu peito – Ops! Esqueci! Não pode falar, quebrei sua boca! Agora, au au, iremos nos encontrar no inferno - disse enfiando minha adaga em seu peito e girando-a.
- Caramba! Eles são enormes – disse me ajoelhando no chão e respirando fundo. Peguei meu celular e liguei para o Kain.
- Como você está? – ele parecia nervoso
- Acabo de matar dois, mas eles fortes e ágeis, tive trabalho – falei rindo.
- Mas lhe morderam? - ele continuava nervoso.
- Não, eles vivem numa reserva aqui, vai ser difícil matar todos sozinha – disse caminhando para a beira do penhasco e respirando fundo.
- Se você conseguir matar um por um não será problema para você – ele disse suavemente.
- Matei dois hoje, acha que devo continuar ou dou um tempo? – disse sentindo o cheiro de mais um.
- Vê o quanto você consegue matar hoje. Porque quando te descobrirem com certeza só irão andar em bando – ele disse preocupado.
- Então até mais, acabei de sentir o cheiro de um, te ligo dando mais informações - disse desligando o celular e correndo na direção do cheiro.
Quando cheguei ao local era apenas uma criança, aparentava ter no máximo 13 ou 14 anos,o mesmo estava escalando o penhasco e em seguida pulava na água. Desci o penhasco pulando, chegando ao chão, corri na direção do garoto e o prendi com um “mata leão”
- Hei! Me solta – ele gritou.
- Me diz uma coisa, você cheira como um lobisomem, você é um? – disse sussurrando.
- Não interessa quem sou! E você FEDE! – ele tentou se soltar de mim.
- Ah! Então você é! – disse quebrando seu pescoço – três já foram! – sorri para mim mesma.
Depois de limpar o local, respirei fundo e senti o cheiro deles. Corri na direção do cheiro, mas chegando perto pude sentir que se tratava de mais de dois lobos, fiquei em cima de uma árvore os observando.
- Não sei, eles sumiram – uma mulher respondia.
- Já procuraram na cidade? – um homem perguntou.
- Já e nada! – a mulher respondeu.
- Tem algo acontecendo aqui! Primeiro Billy e Charlie, depois os irmãos Newton e agora Sam e Paul! – outro falou.
- O que você acha que é Jacob? – um garoto perguntou.
- Não sei, talvez um sanguessuga – o tal de Jacob respondeu
- Eu não senti cheiro de nada – um outro disse.
- Nem eu – a mulher falou.
- E muito menos eu, mas isso tem cara de ser obra de um sim, mas o que não encaixa é como Sam e Paul sumiram, se foi realmente um sanguessuga, deve estar acompanhado, porque sozinho não iria matar os dois - falou o que estava ao lado de Jacob.
Nesse momento a brisa que estava ao meu favor mudou de direção e ficou contra mim. Olhei para eles e vi que eles estavam farejando algo, estava me farejando.
- Droga! – sibilei.
Comecei a correr para longe, mas quando olhei pelo canto do olho, pude ver dois correndo atrás de mim, eles eram velozes e estavam me alcançando, tinha que agir e pensar rápido. Olhei para o lado e vi um tronco de árvore caído, peguei e joguei na direção de um que o acertou em cheio, pulei em cima dele e enfiei minha adaga fazendo-o virar pó, foi então que senti meu corpo sendo jogado, o outro lobo tinha me alcançado e estava em cima de mim. Tentei me soltar, mas ele tinha me prendido com suas patas, quando ele ia me mordendo consegui me soltar de suas patas e segurar sua boca, mas pude ouvir passos dos outros lobos chegando, peguei-o pelas orelhas e o joguei longe. Quando ia correr senti um pulando nas minhas costas me fazendo cair. Consegui virar e ficar cara a cara com ele, soquei-o e sai correndo para o lado contrário de onde estavam vindo os outros.
Corri o mais rápido que podia, foi quando percebi que estava na beira de um penhasco, olhei para trás e pude ver um deles se aproximando de mim, retirei minha outra adaga e o esperei. Quando ele deu o bote, caímos juntos penhasco abaixo, ao cair na água consegui puxá-lo mais ainda para o fundo e matá-lo. Nadei para a superfície e para longe do local onde estava, depois de um tempo nadando sai da água. Respirei fundo novamente para sentir algum cheiro, quando olhei para trás um pulou em cima de mim, ficamos rolando no chão, hora ele estava em cima de mim, hora eu estava em cima dele. Quando ele tentou me morder conseguir segurar sua boca e abrir-la até quebrar. Foi nesse exato momento que a criatura na minha frente se transformou novamente em humano e para a minha surpresa era uma mulher.
- Uma mulher?! – disse rindo e indo matá-la
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Jacob andava de um lado para o outro, estava nitidamente nervoso e aborrecido. Embry estava encostado na parede somente observando a movimentação. Seth estava sentado no sofá olhando para Jacob.
- Da para você parar? Estou ficando enjoada – Rosalie dissera ríspida.
- Cadê ele que não chega?! – Jacob resmungou.
- Desculpe-me pelo atraso, fiquei preso no hospital – Carlisle disse assim que entrou na sala, todos os Cullens estavam reunidos e mais três membros da tribo Quileute.
- Pronto! Ele chegou, agora qual é o motivo dessa reunião? – Rosalie ainda estava irritada.
- Temos um grande problema. Descobrimos o motivo do sumiço de Billy, Charlie e os outros – Jacob disse olhando para Bella.
- E qual? – Carlisle olhou curioso.
- Um de vocês! – Jacob disse quase cuspindo.
- Um de nós? Não matamos humanos! – Carlisle explicou-se.
- Não Carlisle. O que ele quer dizer é que hoje perseguimos um vampiro, mas infelizmente ele conseguiu escapar, sendo que na fuga conseguiu matar três de nós – Embry disse espantado.
- Isso mesmo! Matou Quil, Jared e Leah! – Jacob gritou e esmurrou a parede – e tenho certeza que o sumiço dos outros foi culpa do mesmo monstro!
- Vocês têm certeza? – Carlisle olhou sério.
- EU VI! – Jacob estava completamente transtornado.
- É tão poderoso assim? Consegue enfrentar três lobos e matá-los com certa facilidade? – Edward deu um passo à frente olhando para o Embry.
- É sim! E tenho certeza que foi o mesmo que matou Paul e Sam – Embry respondeu.
- Então, isso quer dizer que ele está exterminando a sua raça – Rosalie disse pensativa.
- Você acha? – Jacob disse ironicamente.
- Volturi? – Emmett perguntou.
- Não acho que seja! Senão Alice já tinha visto algo. Ainda está de olho neles não é? – Carlisle disse calmamente.
- Sim, ainda estou e não há nenhum tipo de ordem – Alice respondeu.
- Acho que você está vendo errado, tente ver se tem alguma ordem em nos matar! – Embry olhou para Alice.
- Não é assim que vejo as coisas Embry, mas tentarei me focar no que você disse – Alice deu um sorriso tímido.
- Vamos analisar a situação – Carlisle disse pensativo – Se vocês estão dizendo que estão sob ataque de um vampiro, melhor andar em bando, mínimo de três. Se vocês não perceberam, ele está atacando isoladamente e não quando vocês estão em bando. Iremos ajudar a pegá-lo. – ele olhou para Embry e sorriu.
- Tenho um plano – Carlisle disse sorrindo.
Capítulo 34
Depois de um dia extremamente produtivo, estava tendo um momento humano. Estava em um hotel cinco estrelas em Seattle relaxando tranquilamente em uma banheira de hidromassagem. Consegui matar seis cachorros hoje, mas com certeza não irei ter tanta facilidade assim amanha. Eles me viram, já sabem que estou matando-os, não irão mais andar sozinhos. Depois de relaxar bastante, sai da banheira me arrumei e telefonei para a Itália. Depois de três toques ele atendeu.
- Relatório meu pai – disse friamente
- Estou esperando há um dia! – ele disse no mesmo tom
- Estive ocupada, mas as noticias são boas – sorri
- Então? Diga! – ele disse friamente
- Matei seis e encontrei os Cullens – disse normalmente
- Eu disse que era só para exterminar os lobos deixe os Cullens para depois – ele disse friamente
- Eu não estou caçando eles e sim os lobos. E agora preciso de ajuda – disse tentando manter a calma
- Ajuda? Disse que só terá ajuda quando terminar de matar todos os lobos – ele estava irredutível
- Eu sei Mestre! Mas eles me descobriram, sentiram meu cheiro e hoje me caçaram, acho muito difícil conseguir matá-los agora. Porque estarão andando em bandos e não solitários como estavam. Preciso que mande ajuda – quase supliquei.
- Já disse que não! É sua punição! – ele disse friamente
- Deixe ao menos Kain vir me ajudar, assim ele camufla meu cheiro e terei mais chance de matá-los! – falei friamente
- Só ele! – ele disse e desligou.
Respirei fundo várias vezes na tentativa de me acalmar e logo em seguida fui estudar meus inimigos.
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Depois de investigar e estudar meus inimigos já conseguia identificar cada um. Fiquei um dia no hotel. Precisava deixar as coisas esfriarem um pouco e dar tempo do Kain chegar.
Resolvi dar uma volta por Forks e o cheiro deles estava me atraindo, não pude resistir à tentação de um combate e corri na direção do cheiro insuportável desses animais. Depois de correr e os encontrar, perto de uma clareira, pulei em uma árvore e fiquei em cima de uma copa observando o lobo Embry e Jacob conversando com a meia vampira Reneesme.
Algo me dizia que não deveria atacá-los, mas Kain só chegaria no dia seguinte e ainda havia muitos deles vivos, suspirei profundamente, peguei minhas adagas e pulei, acabei ficando atrás do Jacob.
- Bom dia! – disse rindo e dando-lhe um soco.
- Meu Deus! ?! – Reneesme gritou.
- ?! – Embry indagou
Pulei na frente dela e lhe dei um murro fazendo-a cair metros longe, escutei um rosnado e o Jacob já tinha se transformado em lobo. Quando me virei, ele pulou em cima de mim, consegui lhe dar um chute, fazendo-o cair longe. Quando olhei para os lados, já havia surgido mais quatro humanos e todos me cercaram, então dei o meu melhor sorriso.
- Não! – Embry gritou – não a machuque, Jake!
- Bom! Isso será bem interessante! – disse pulando em cima de um e lhe atacando. Consegui matá-lo com certa facilidade, mas quando percebi, todos já tinham se transformado e estavam pulando em cima de mim. Consegui desviar de um e jogar outro longe, mas o quarto já estava em cima de mim, tentando me morder, ficamos rolando no chão por um tempo até que consegui encaixar minha perna em sua barriga fazendo-o cair a metros de distância de mim. Ao levantar, senti um pulando em minhas costas, me virei e esmurrei sua cabeça, peguei-o pelo pescoço e tentei quebrá-lo, mas quando ia quebrá-lo senti meu braço ser mordido, o tal de Jacob tinha acabado de me morder.
- AH! DROGA! – gritei e esmurrei sua cabeça na tentativa de fazê-lo me soltar. Consegui pegar minha adaga e cravá-la no seu pescoço. Quando ia fazê-lo virar pó senti outra mordida, agora na minha perna, esmurrei o lobo fazendo ele me soltar. Consegui jogá-lo longe, nesse momento, um dos lobos pulou em cima do que me mordeu.
Aproveitando a situação, corri para o outro lado. Corri sem olhar pra trás e nem para os lados. Eu tinha que sair dali, os outros estavam chegando. Meu braço estava ardendo e minha perna também, pela primeira vez estava me sentindo tonta e fraca. Continuei correndo, olhei para trás e não vi nada, quando olhei para a frente bati com tudo em algo. Minha visão estava um pouco turva, mas deu para ver perfeitamente que eram duas pessoas e as reconheci de imediato, eram Emmett e Rosalie Cullen, dei um passo para trás e fiquei em posição de defesa. Notei que os dois me olhavam abismados, corri para o outro lado quando percebi que eles trocaram olhares.
- EI, ESPERE! – escutei Emmett gritar – Vai pela direita Rose! – ele ordenou.
Continuei correndo, mas estava ficando cansada e tonta, foi então que senti alguém me agarrando.
- ISSO! – Emmett gritou.
- É ela, Emmett? – Rosalie disse parando ao meu lado.
-?! ! – ele me abraçou.
- Me larga! – disse lhe dando uma cabeçada que fez com que ele me soltasse. Quando ele soltou, dei um murro e pulei em cima de Rosalie lhe dando um soco. Ela caiu a uns metros de mim. Nesse momento, senti Emmett se aproximando por trás. Virei bruscamente e lhe ataquei, consegui lhe dar um soco, mas quando ia lhe acertar pela segunda vez ele segurou minha mão e sorriu.
- Você está forte, heim! – ele sorriu.
Nesse momento, lhe dei um chute bem no meio das pernas fazendo-o me soltar, olhei para os lados e pude ver mais dois Cullens chegando, Alice e Edward. Rosalie já estava recuperada. Quando notei, minhas pernas bambearam e minha visão escureceu.
---***---
Carlisle POV
Não acreditei no que acabara de escutar. Emmett tinha capturado o vampiro que estava aterrorizando os lobos, e o vampiro era a !
Sinceramente ainda não estava acreditando. Ainda não acreditava que poderia ser ela, só iria acreditar quando a olhasse e a tocasse. Cheguei em casa em tempo record, estacionei o carro de qualquer jeito e corri para dentro.
- Onde ela está?! – disse assim que entrei em casa.
- No quarto dela, mas está muito mal – disse Alice preocupada.
Subi as escadas correndo e quando entrei no quarto vi que Esme estava ao lado dela. Olhei-a atentamente, sentei ao lado dela, toquei-a e sorri para mim mesmo.
A angústia de tê-la perdido há cinco anos havia sumido. Uma sensação de alivio estava tomando conta de mim. A culpa de não ter sido um bom pai para ela e ter deixado com que ela fosse assassinada estava indo embora.
- Ela foi mordida, querido – Esme disse fazendo um carinho no rosto dela com um tom de angústia na voz .
- Irei cuidar disso – disse rindo – Ela está linda não? – disse o mais calmo possível.
- Sim – Esme sorriu.
- Vamos curá-la – disse calmamente.
Ela estava exatamente como eu havia deixado no aeroporto. Mesma feição, mesmo cheiro, não havia envelhecido um segundo sequer, a única diferença era a tonalidade de sua pele, estava mais branca.
Sim, era a minha filha, a minha caçula estava de volta, do meu lado e ela não sairá mais.
---***---
Embry POV
“- AH! Você precisa mesmo ir? – disse beijando-a.
- Claro amor – ela sorriu – Mas volto logo, em uma semana.
- Irei com você! – falei autoritário
- Não precisa! – ela retrucou, minha querida teimosa estava de volta.
- Como não?! – esbravejei – Somos noivos – disse apontando para o anel no dedo dela.
- Sim, mas você não é o meu dono! Volto em uma semana, Embry ! Deixa de ser chato! – ela disse se soltando de mim e levantando visivelmente chateada.
- Poxa ! Deixa vai – implorei
- Não e ponto! – ela disse de costas para mim.
- E por que não me deixa ir, heim? – disse abraçando-a por trás e beijando seu pescoço. Senti-a se arrepiando dos pés a cabeça. Ela deu um suspiro de derrota.
- Porque não é seguro – ela sussurrou.
- Como? – disse virando-a para mim.
- Como, o que? – ela disse disfarçando.
- Esme Cullen! Escutei muito bem, porque não é seguro – disse quase rosnando.
- Embry, meu amor – ela disse sorrindo – Não é seguro porque não quero você brigando com meu namorado, irei terminar com ele e voltar, tá? – ela disse toda errada.
- Você não tem namorado, la! – retruquei
- Quem disse que não tenho? Pensa que passei esses dois anos chorando por você, é? – ela disse séria
- Eu passei! – disse baixando a cabeça.
- Mas eu não! Se ainda quiser manter esse noivado, terá que aceitar que irei, mas não se preocupe, não irei lhe deixar, volto em uma semana, afinal, eu te amo – ela disse me abraçando e beijando”
Hoje faz exatamente cinco anos que perdi minha querida . Lembro exatamente da conversa que tivemos na noite anterior de sua viagem, se tivesse insistido um pouco mais, com certeza estaria com ela hoje, estaria abraçando-a, beijando-a.
Como sinto falta dela. Quando ela se foi, pareceu que minha alma foi com ela. Tentei me envolver com outra mulher, tentei esquecê-la, mas seu cheiro, seu beijo, seu sorriso e sua teimosia não saíam das minhas lembranças. Sempre que eu me envolvia com alguém, ela vinha em minha mente, então nunca mais tive algum tipo de relacionamento.
Tornei-me amigo dos Cullens, ao menos com eles não me sentia tão solitário. Como eu, eles também nunca mais foram os mesmos, especialmente Carlisle e Esme, era nítido a tristeza deles, eles a amavam também. Nessie está de casamento marcado com o Jacob, depois que ele quase foi castrado por Edward, resolveram casar e eu serei o padrinho.
Para esquecer a minha dor, procuro me dedicar 100% a matilha, minha família agora eram os lobos. Com o sumiço do Sam e Paul, eu e o Jacob nos tornamos os mais velhos da matilha e com isso os líderes, sendo Jacob o Alfa.
Ainda não acreditava que deixamos escapar o vampiro que estava fazendo os ataques, estamos tentando pega-lo faz dois dias, mas nenhum sinal do mesmo. Tínhamos arrumado uma armadilha. Eu, Jacob e Nessie seríamos a isca, enquanto os outros da matilha ficariam escondidos a favor do vento para ele não senti-los, e os Cullen ficariam uns metros distante, para o caso dele escapar de nós, não passaria por eles.
- Será que hoje ele não vai aparecer novamente? – Nessie disse olhando para o Jacob.
- Não sei Nessie, mas fique perto de mim, não quero que se machuque – Jacob disse fazendo um carinho no rosto dela. Olhei para essa cena e lembrei-me de mim com a .
- Embry?! – Jacob disse apontando para o lado.
- Que? Viu algo? – disse olhando para onde ele apontou.
- Ali, será? – ele apontando para a floresta.
Olhei atentamente e respirei fundo, andei com cuidado para a floresta e a inspecionei, mas não encontrei nada e voltei para o local onde estávamos.
- Não havia nada, Jacob. Queria é ficar sozinho com sua noiva, né? – disse sorrindo.
- Não, seu besta – ele disse sorrindo.
- Bom dia! – disse alguém atrás do Jacob e lhe dando um soco, fazendo-o cair longe.
- Meu Deus! ?! – Reneesme gritou.
- ?! –olhei espantado. Nesse momento ela deu um soco em Nessie fazendo-a cair longe. Escutei Jacob rosnar e em seguida o ele já estava transformado, os outros que estavam escondidos, tinham conseguido cercá-la. Ela olhava atentamente para cada um com um sorriso malicioso e estava pronta para atacar.
Olhei em volta, Jacob caminhava lentamente até ela todo arrepiado e os outros estavam se transformando. Olhei mais atentamente para ela, meus olhos não estavam acreditando no que estavam vendo. era um vampiro? Era ela quem estava nos atacando? Minha noiva, meu grande e único amor, um monstro?
Não, não podia acreditar nisso, não era assim e não será assim. Deve ter alguma explicação. Escutei Jacob rosnando, ele queria matá-la. Comecei a sentir algo estranho em mim, uma sensação absurda de protegê-la, eu deveria protegê-la, eu ainda a amava.
- Não! – gritei.
- Não a machuque Jacob – disse ficando na frente dele.
- Bom! – ela disse sarcasticamente – Isso será bem interessante.
Quando ela disse isso, pulou na frente do Greg e com muita rapidez enfiou algo no peito dele e em seguida ele sumiu, ficando no chão somente pó. Olhando aquela cena, fiquei estático, parado, sem reação, não estava acreditando que ela estava matando meus amigos.
Senti um vulto passar por mim, quando olhei, vi que era Jacob. Ele havia dado um bote em cima dela, e ela, com certa facilidade, desviou dele e então atacou o Jorge. Quando vi, todos deram bote ao mesmo tempo, eles queriam matá-la.
O desespero tomou conta de mim, não iria deixar que eles a machucassem. Não iria perdê-la novamente, nesse momento, me transformei e pulei em Jacob.
– Por favor, não a mate – supliquei.
- Tá louco?! Lógico que temos que matá-la
- Jacob não! Por favor! É a !- Esse monstro não é a ! - É sim!- Não é! E agora, MATEM esse frio!
Nesse momento, vi todos pulando em cima dela novamente. Ela conseguiu se livrar de todos com certa facilidade, mas em um momento ela conseguiu pegar o Ted e erguê-lo pelo pescoço. Ela estava com um olhar diferente, os olhos estavam vermelhos, cheios de odeio e desejo. Parecia que ela se divertia lutando conosco, sua expressão era de puro êxtase. Ela estava adorando aquela batalha. Novamente, não pude acreditar no que os meus olhos estavam vendo, ela estava completamente diferente.
- MATE-A AGORA – Jacob gritou em pensamento e logo em seguida ele tinha pulado em cima dela e a mordido.
- AH! DROGA! –ela gritou e começou a esmurrar Jacob. Ela se movimentava tão rapidamente, pegou Jacob pelo pescoço e enfiou uma espécie de adaga, seus olhos mudaram, o vermelho ficou mais vivo. Notei que ela ia fazer algo, mas foi interrompida pelo Jorge que a mordeu na perna. Jacob caiu no chão, mas em seguida já estava preparado para dar outro bote, um bote fatal. Quando vi aquela cena me desesperei, eles iram matá-la.
- NÃO! VOCÊS VÃO MATA-LA.
Pulei em cima do Jacob e o impedi de voltar a atacá-la.
- Tá louco! Ela está fugindo!
- Não Jacob, não!
- Essa coisa não é a sua ! Vamos atrás dela e matá-la – ele disse já correndo atrás dela. Corri junto, não ia permitir que eles a matassem. Corremos atrás dela, mas ela era ágil e veloz, e logo estava um pouco a nossa frente.
- Tá vendo o que fez, Embry? Ela está escapando! – Jacob ralhou
- Não está! Ela está indo direto para os Cullen, vamos deixá-la com eles
-NÃO! Nós iremos matá-la, aquela coisa matou meu PAI
- Não creio que foi ela!
- Você está cego?! Viu o que aquela coisa fez com o Greg? Embry, eu ordeno que você focalize sua mente nessa missão, e a missão é matá-la!
- Eu não vou matar a , e muito menos deixar vocês a tocarem!
- Você vai deixar e ainda vai ajudar!
- Não Jacob! Não!
Mas ele não me ouviu e continuo farejando-a. Corremos juntos e eu estava pronto para atacá-lo se ele realmente fosse matá-la. Em um momento notei Edward passar por mim, como se fosse uma bala, e atrás dele estava Alice. Quando saímos da floresta fechada e fomos para um campo aberto, pude vê-la desmaiada nos braços de Emmett. Nesse momento, senti uma angústia enorme. Rosalie estava ao lado dele falando no celular aos sussurros. Alice e Edward estavam se aproximando. Caminhei lentamente até eles e parei bem na frente de Emmett. Ele olhou seriamente para mim e deu um passo para trás.
- Quem de vocês a mordeu? – ele perguntou furioso.
- Foi você sarnento? – ele disse apontando para Jacob que tinha acabado de sair da floresta na forma de humano.
- Sim, foi! E ainda irei matá-la – ele disse se aproximando de Emmett, mas Rosalie ficou na frente dele, Edward se juntou a Rosalie, os dois fazendo uma espécie de proteção.
- Vá embora seu sarnento, ela está conosco. – Rosálie disse quase rosnando.
- Só irei embora com a cabeça dela em minhas mãos – ele disse furioso.
- Ninguém vai matar ninguém aqui! – Bella disse surgindo de dentro da floresta com a Nessie ao lado.
- Não disse mãe, é a – Nessie disse apontado para Emmett.
- Não! Esse monstro não é a ! Agora me deixe matá-la – Jacob esbravejou.
- Chega! Irei levá-la para casa – Emmett disse furioso e em seguida saiu correndo na direção da Mansão Cullen.
---***---
- VOCÊS NÃO PODEM PROTEGER ESSA COISA! – Jacob estava descontrolado.
- PODEMOS E VAMOS! – Emmett gritou no mesmo tom.
- COMO VÃO? ISSO AI MATOU SAM E OS OUTROS, SEM CONTAR QUE ELA MATOU SEU PAI BELLA! – Jacob olhou para Bella que estava ao lado do Edward.
- Não sabemos se os desaparecimentos foram por causa dela – Edward disse calmamente.
- ELA MATOU O GREG NA MINHA FRENTE, VI COMO ELA FEZ. O DESAPARECIMENTO DOS OUTROS É PORQUE ELA OS MATOU, AGORA ME DEIXE PASSAR E MATÁ-LA! - Jacob tentou subir as escadas, mas foi impedido por Emmett e Jasper.
- Jacob, calma! – Nessie tentava acalmá-lo.
- CALMA? AQUELA COISA É UMA AMEAÇA! – ele esbravejava.
- Aquela coisa é minha irmã! E não irei deixar você encostar a mão nela – Rosálie disse rosnando.
-Rosálie isso não é a ! Não é! – Jacob abaixou a cabeça – A está morta! – ele disse me olhando.
- Aconteceu algo! Deixe ela se recuperar então iremos perguntar o que houve! – Alice dissera calmamente.
- Tentei ler seus pensamentos, mas não consegui nada – Edward disse sério.
- Isso não é a ! – Jacob tentou novamente subir, mas foi impedido novamente por Jasper e Emmett.
- Chega Jacob! Chega! – explodi.
- Você não vai encostar um dedo nela, ela é a . É a minha , é a minha noiva, agora da para você se acalmar? – disse empurrando-o para longe das escadas.
- Embry! – ele me olhou assustado.
- Chega! – disse empurrando-o e indo até a escada.
- Por favor, me deixe passar, quero vê-la – supliquei. Jasper olhou para Emmett que olhou para Edward, que consentiu com a cabeça.
- Obrigado – disse olhando para o Edward e passando pelos irmãos dele.
Subi a escada o mais rápido possível, chegando à porta do quarto dela, suspirei fundo e bati, abria a porta devagar. Quando olhei para dentro do quarto, vi Carlisle tocando na testa dela, Esme estava sentada ao lado dela segurando sua mão.
- Como ela está? – disse suavemente e caminhando até a cama.
- Estou esperando a reação dela – Carlisle disse preocupado.
- Mas ela vai ficar bem? – disse parando na beira da cama.
- Não sei Embry, enxertei meu veneno nela, no local das mordidas, agora é só esperar – ele disse olhando para mim.
- Como você está, meu filho? – disse Esme.
- Confuso – disse ajoelhando na beira da cama e tocando nela.
- Ela está fria – sussurrei – Mas para mim não fede – sorri.
- Como? – indagou Carlisle.
- Para mim ela tem o mesmo cheiro – sorri.
Eu estava falando a mais pura verdade, para mim continuava com o mesmo cheiro. O cheiro dela, doce, suave, perfeito, sua feição continuava linda como antes, só sua pele estava fria.
Sentei na beirada da cama e acariciei sua mão, olhei cada centímetro do corpo dela e continuava o mesmo, exatamente como lembrava, sorri para mim mesmo, ainda amava Esme Cullen, e nem o fato dela ter se transformado em uma vampira, mudou o amor que eu sentia por ela. Ainda estava perdidamente e loucamente apaixonado por ela, eu ainda a amava.
Não consegui me controlar e comecei a chorar, praticamente desabei sobre ela e chorei compulsivamente. Esses cincos anos sem ela acabaram comigo, me sentia um homem frio, sem alma, sem coração. Acumulei cinco anos de angústia, cinco anos de sofrimento. Isso tudo veio à tona e não tinha como me controlar.
- Você voltou. Voltou para mim, meu amor – solucei
- Não sabe o quanto senti sua falta. Por favor, reaja, reaja! – supliquei.
- Embry?! – senti Carlisle tocar em meu ombro – Ela vai reagir – ele disse suavemente.
- Eu ainda a amo Carlisle. Não suportaria, dessa vez não! – solucei.
- Ela vai reagir – ele disse suavemente.
- Ela é uma Cullen e nós somos fortes! – ele sorriu - Agora vamos deixá-la descansar.
Olhei para ela e lhe dei um beijo na testa antes de sair do quarto. Meu coração estava conformado, pouco, mas estava. Tê-la visto novamente, tocá-la, cheirá-la...essas simples atitudes me fizeram acordar para a vida, me fizeram voltar a ser o Embry de antes, e esse Embry não ira perdê-la novamente...
---***----
Scarlet/ Pov
Estava me sentindo horrível, uma ardência na perna e no braço, estava me sentindo completamente fraca. Não fazia a menor idéia de onde estava e de como ainda estava viva. Ao abrir os olhos, pude perceber que estava em um quarto, por puro reflexo dei um pulo da cama e encostei-me na parede. Ao levantar os olhos pude ver Carlisle e Esme Cullen me olhando seriamente
- Calma, não iremos te machucar – Esme disse levantando a mão e indo na minha direção, dei um passo para a frente e assobiei.
- Esme, não! – Carlisle disse lhe segurando. Olhei para o meu braço, e ele estava com uma espécie de bandagem, o mesmo que na minha perna. Minha cabeça ainda girava.
- Não se preocupe, lhe enxertei um pouco do meu veneno para combater o veneno dos lobos, você reagiu muito bem e logo estará recuperada – ele sorriu.
“Porque ele sorriu para mim?” pensei
- Agora, minha querida. Você quer me dizer o que está acontecendo? Como você foi transformada? Foram os Volturi? – ele disse calmamente.
Fiquei calada, não ia responder nada, nem sob tortura. Olhei para os lados e pude ver vários porta-retratos com uma garota que parecia muito comigo, continuei olhando para o quarto e pude ver por onde ia fugir, pela janela.
Dei um passo para o lado e Carlisle me acompanhou, então ele olhou para janela e sorriu.
- ! Escute, estamos aqui para ajudá-la. Se fugir será pior, você ainda está muito debilitada – ele deu um passo em minha direção e eu recuei.
- Sei que deve estar confusa, mas você deve confiar em mim, minha filha! – ele disse dando outro passo na minha direção.
Avancei e pulei em seu pescoço, conseguir pegar e apertar, mas senti alguém me puxando, dei-lhe um tapa e continuei apertando o pescoço dele.
- Hei! calma! – alguém disse me segurando e prendendo meus braços para trás.
- Não a machuque, Emmett – Carlisle disse se levantando.
- Não disse! Esse monstro não é a ! – Jacob disse assim que entrou no quarto. Quando percebi todos estavam no quarto.
- NÃO SOU ESSA TAL DE ! – disse me debatendo, mas Emmett me segurava firme.
Consegui lhe dar uma cabeçada e me soltei. Olhei para a janela e corri até ela, mas Edward parou na frente e impediu a minha fuga. Olhei para ele e tentei lhe dar um soco, mas alguém já tinha me segurado por trás e prendido meus braços.
- Agora você tem que se acalmar! – Carlisle sussurrou no meu ouvido – Irei te soltar, mas se tentar fugir novamente iremos te prender – ele disse me soltando.
Olhei em volta analisando a situação. Estava cercada por todos os Cullen e de quebra tinha dois lobos no quarto.
Então a aliança que eles têm com os lobos é verdadeira, mas porque ainda não me mataram?
Olhei para a porta e nela estava Jasper e Rosálie de guarda, olhei para janela e estava Edward e Emmett.
- Filha! Sei que deve estar confusa, mas não tanto quanto nós. Pode explicar o que está acontecendo? Por que sumiu durante cinco anos? E quem te transformou? – Carlisle disse calmamente.
Porque ele me chamou de filha? E porque essa calma toda? E porque todos me chamam de ? Tem algo errado e muito errado aqui.
- Quem é essa tal de ? – disse rispidamente.
- Você! – ele disse se aproximando de mim, dei um passo para trás e rosnei.
- Se der mais um passo te mato – disse rispidamente.
- Você não se lembra de mim? - ele me olhou espantado.
- E devo?! – disse quase cuspindo.
Nesse momento vi todos trocando olhares com cara de espanto, era a minha deixa. Corri em direção do Jasper e lhe dei um empurrão, consegui sair do quarto e corri o mais rápido que podia em direção a floresta. Em nenhum momento me dei o luxo de olhar para trás, continuei correndo e correndo.
- PARE! POR FAVOR! - escutei alguém gritar, mas não liguei e continue correndo.
Continuei correndo sem olhar para trás, mas sempre farejando o cheiro deles, pude sentir que eles estavam no meu calcanhar. Virei bruscamente para a esquerda, senti um cheiro conhecido, continuei correndo até encontrar o dono desse cheiro.
- KAIN! – gritei.
- Aqui! – ele disse aparecendo na minha frente.
- Camufle nossos cheiros e os faça seguir uma trilha oposta a que iremos tomar – ordenei.
- Eles quem? – ele disse assustado.
- AGORA! – retruquei e comecei a correr para o leste.
Corremos por mais ou menos uma hora. Não sabia exatamente onde estávamos, mas tinha certeza que os tinha despistado. Parei bruscamente e olhei para o Kain.
- Kain! – disse aliviada e o abracei.
- Estou te procurando por um dia! Onde esteve? - ele disse me beijando.
- Fui captura por eles – disse séria – E fui mordida, mas não sei como eles me curaram.
- Eles? – Ele me olhou preocupado.
- Os Cullen! – disse frustrada.
- Você os conheceu? – ele me olhou assustado.
- Sim e isso me leva a lhe fazer uma série de perguntas! – disse um pouco ríspida.
- O que está acontecendo? – ele disse levantando uma sobrancelha.
- O que está acontecendo? Pergunto EU! – disse olhando intensamente para ele – Quem é ?
- Sei lá! – disse dando às costas para mim.
- Quem é a ?! Era meu nome antes? E não minta para mim, você mesmo já me chamou por esse nome três vezes! – disse virando-o para mim.
- Eu não sei do que você está falando! – ele disse firme.
Peguei-o pelo colarinho e o empurrei até uma árvore, levantei-o, cheirei o seu pescoço e sorri maliciosamente.
- O que acontece quando um vampiro morde e suga o sangue de outro? – falei sensualmente.
- Você não seria capaz de fazer isso! – ele disse sério.
- Fui criada para não ter piedade de ninguém! – disse rispidamente e o larguei.
- Conte-me tudo o que sabe! – disse rispidamente.
- Já disse que não sei de nada! – ele retrucou.
- Tá certo, você que pediu! – disse pulando em cima dele e o imobilizando.
- Kain eu estou testando um novo método de matar seres como nós! - disse fazendo de minha mão uma espada e posicionando no peito dele – Se eu enfiar toda minha mão na direção do seu coração parado e me concentrar, será que vira pó também? – disse com um tom de curiosidade na voz.
- Você não teria essa audácia toda e nem coragem! – ele disse nervoso.
- Teste minha paciência para você ver! – disse sussurrando – Quem é?
- Já disse que não sei! – ele falou nervoso.
Nesse momento pressionei minha mão contra o peito dele. Ele deu um grito de dor e eu somente sorri.
- Veja! Consegui perfurar com o indicador, médio e anular, se continuar empurrando – disse empurrando minha mão contra o peito dele – Quando eu vir que até o polegar e o mindinho entraram, irei me concentrar!
- Ta certo! Irei contar! – ele disse frustrado. Nesse momento o soltei.
- Conte – disse ríspida.
- Mas quero que você saiba, que te amo desde o primeiro dia que te vi – ele disse sinceramente.
- Então você me conhece desde quando? – olhei para ele curiosa.
- Desde quando era humana. Te conheci na Alemanha, quando você morava com sua família humana – ele disse caminhando lentamente em minha direção e parando na minha frente.
- Me apaixonei por você desde aquele momento. Tudo que fiz, tudo que escondi de você durante esses anos foram para te proteger – ele disse fazendo carinho no meu rosto.
- Então meu nome era mesmo? – disse olhando em seus olhos.
- Darnell Winter – ele disse sorrindo.
- E minha família? – disse abaixando a guarda.
- Morta! Os Cullen mataram – ele sorriu timidamente.
- Por que Carlisle me chamou de filha? E como ele sabia o meu nome? – olhei desconfiada.
- Isso não sei explicar direito, quem sabe melhor essa história toda é o Caius, mas pelo o que pude escutar, Carlisle descobriu seu dom e queria você para o clã dele. – ele disse ríspido.
- E como fui transformada? – continuei desconfiada.
- Eu não sei – ele disse frustrado.
- Como não sabe?! – indaguei.
- ! Há cinco anos, Caius me mandou em uma missão. E nessa missão deu tudo errado. Só sei que acordei em Volterra e não me lembrando de nada – ele disse distante.
- E o que tem haver?! – olhei desconfiada.
- Quando acordei você tinha acabado de passar pela transformação – ele disse olhando para mim.
- É só isso que sei. Por favor, acredite em mim – ele quase implorou.
- Essa história toda está muito estranha. Por que os Cullen não me mataram, vi várias fotos deles com uma pessoa que é muito parecida comigo! – disse caminhando para o outro lado.
Comecei a analisar a situação toda. Eles me descobriram, mas não me mataram e consegui fugir. Assim assinaram a sentença deles, se eu não for atrás deles...a caçadora acaba virando caça. Se eles mataram minha família, nada mais justo que matá-los.
- Chegou a hora Kain! – disse seriamente.
- Que hora? – ele me olhou confuso.
- De caçar os Cullen! – sorri.
Embry Pov
- EU NÃO ACRETIDO QUE A DEIXAMOS ESCAPAR! ELA VAI VOLTAR E MATAR O RESTANTE! – Jacob praticamente cuspia na cara do Carlisle.
- Ela foi rápida, mas está fraca, não ira atacar ninguém! – ele retrucou.
- EU VOU MATÁ-LA ISSO SIM! – Jacob disse dando às costas ao Carlisle.
- Você não vai matar ninguém Jake, deixe-a comigo e com a família dela – disse seriamente.
- Deixar com você? NUNCA! – Jacob disse visivelmente irritado.
- Você vai ficar fora disso Embry e isso é uma ordem! – ele me disse sério.
- Jacob! Basta! Já viu que os meninos são jovens demais? Não viu que eles são inexperientes pra ela?! Ela matara todos com certa facilidade – retruquei.
- Ah! Então você vai resolver?! – ele disse sarcasticamente – Logo você?!
- Não! Mas nós iremos! – disse olhando pros Cullens.
- Temos que fazê-la lembrar de quem era, é nítido que ela não sabe quem somos! – disse Nessie ao lado do Jacob.
- Ah! Vai ser fácil então! Iremos prendê-la e dizer que ela era sua tia, Nessie – Jacob disse sarcasticamente.
- Não! Iremos mostrá-la a verdade! – disse sério.
- E como vocês irão fazer isso? Ela é pior que um bicho arisco! – ele disse zombando.
- Eu irei mostrá-la! – Nessie disse séria.
- E como você fará isso?! – Jacob disse mais sério ainda.
- Simples! Irei tocar em seu rosto, enquanto você e o Embry a seguram – ela disse firme.
- Como? – Jacob exasperou-se.
- É o nosso plano! Irei fazê-la lembrar de tudo, ao menos eu irei mostrar! – ela disse firme.
- O plano é o seguinte – disse olhando pro Jacob.
.....
Nunca me senti tão ansiosa diante de um grande desafio. Em poucas horas a minha vitoria ou derrota estaria selada. Esperei pacificamente as vinte e quatros horas da chegada da guarda que iria me ajudar. Nesse meio tempo estudei cada um e já dividi quem iria atacar quem.
Caminhávamos lado a lado, e eu ao centro os conduzindo. Marchávamos para o local onde seria a batalha. A cada metro que percorríamos, minha ansiedade aumentava ainda mais.
Caminhávamos com autoridade, praticamente flutuávamos sobre o chão. A cada metro me sentia com poder, não me dava o luxo de olhar pro lado, tinha que demonstrar superioridade e um ar de arrogância.
Chegamos ao local da batalha, a grande clareira. Parei por um instante e observei que todos pararam também. Não dava para vê-los, mas dava pra senti-los e escutar os batimentos cárdicos dos lobos e da meio-humana. Nesse momento, ajoelhei e fechei os olhos, respirei fundo e me concentrei. Estava tentando sentir algo a mais, tentando entrar no clima da guerra. Sentir o ar, o vento a terra. Consegui sentir a brisa que era uma mistura de terra molhada e salgada, suspirei fundo e sorri.
- Não esqueçam, quem irá matá-los sou eu. - disse ainda ajoelhada e de olhos fechados - A função de vocês é de contê-los, para eu poder matá-los um por um. E vocês sabem quem irá atacar quem – disse mecanicamente.
Uma sensação de êxtase estava tomando conta de mim, uma sensação de poder, uma sensação estranha. Hoje seria a minha morte, mas antes de morrer irei levá-los comigo. Pude sentir isso no ar, que eles iam nos vencer que hoje seria a minha queda. Abri os olhos e mantive o ar sereno de sempre, dei um meio sorriso e continuei caminhando rumo ao clarão.
Marchávamos num único ritmo. Quando entramos na clareira, pude ver todos os Cullens nos esperando e atrás deles estavam os lobos, como imaginei...
- Você não disse que tinha exterminados os lobos? – Jane sibilou.
- Fiquem com os Cullens, eu cuido dos lobos – disse calmamente. Diminuímos o passo e o que era uma macha passou a ser uma caminhada tranqüila.
- Por favor! Escute um minuto! – Carlisle gritou – Não queremos duelar com vocês e muito menos com você minha filha.
- Você não tem nada a escutar, ordene logo o ataque - Jane esbravejou.
Nesse momento paro de andar e os encaro. Olhei intensamente para cada Cullen e era nítida a tensão neles, e novamente uma sensação estranha veio em mim.
- Uns de vocês querem passar para o nosso lado? – disse calmamente.
- Só quero que você passe para o nosso lado minha filha! – Carlisle dissera suavemente.
- Pare de chamar de filha! – esbravejei – Meu pai é Caius!
- Seu pai não é Caius! Ele lhe enganou! – ele disse raivoso.
- Agora! – gritei.
Comecei a correr na direção deles e os outros também. Os Cullens se agacharam em forma de defesa e pude escutar rosnado vindo de cada um.
- Lembrem-se! Nada de fogueira! – gritei e passei por Carlisle, sendo que o mesmo não moveu um músculo para me atacar, mas quando ia em direção aos lobos, o mesmo me segura e me olha com ternura.
- Eu sou seu pai! Lembra-te! – ele suplicou.
Conseguir me soltar lhe dano um soco, pude sentir Alec tocando em meu ombro, então corri na direção de onde estava Jacob, Embry e Reneesme e para minha surpresa nenhum deles estavam em forma de lobo. Sem olhar pra trás ou pros lados, pulei em cima do Jacob lhe dando um soco, fazendo o mesmo cair metros longe. Sentir alguém pulando em minhas costas, corri até uma árvore e bati minhas costas com tudo na mesma, fazendo quem seja me soltar, quando olhei era a Reneesme.
- Pensou que podia comigo é? Mestiça! – disse lhe levantando pelo pescoço e lhe dando um murro.
- Você não deveria ter feito isso! – escutei Jacob esbravejar.
Quando me viro Jacob da um soco certeiro, cai uns metros longe, e para minha surpresa o tal de Embry pula em cima de mim, me prendendo no chão.
- Agora você irá escutar. – ele disse sério – Nós somos a sua família, lembra?
Nesse momento conseguir encaixar minha perna em sua virilha e lhe chutar. Quando ele saiu de cima de mim, levantei-me em um pulo, olhei pro lado e levei outro murro, dessa vez da Reneesme, cai uns metros na frente, levantei e sorri.
- Nossa! Você sabe lutar! – disse sarcasticamente.
Quando olhei pros lados fui cercada pelo Embry e Jacob. Eles tinham feito uma espécie de triângulo à minha volta, Reneesme na frente e os dois mais ao lado.
- ! Você não se lembra de mim não tia? – Reneesme disse sorrindo - Não se lembra da peste? Da mimada não?
Dei um passo pra trás e rosnei, fiquei em posição de defesa.
- ! Por favor! Escute! Nessie tem um ótimo poder e ela poderá lhe mostrar a verdade – Jacob disse suavemente.
- Isso! Não queremos lhe machucar – Embry disse caminhando lentamente ate mim de mãos pro alto.
- Não irei lhe machucar – ele disse caminhando mais lentamente.
Nesse momento pulei em cima dele e enfiei minha adaga em seu peito.
- Iremos nos encontrar no inferno cachorro imundo – sorri.
Quando ia matá-lo sentir alguém me dano um soco, quando me virei, alguém já tinha prendido minhas mãos pra trás. Fiquei me debatendo até conseguir me soltar e ficar encarando o Jacob.
- Que coisa! Escuta! – ele rosnou.
- Nunca! – disse pulando em cima dele e lhe dano um soco.
Conseguir lhe dar três socos diretos até sentir meu corpo voar, a tal de Reneesme acabara de me dar um chute. Levantei-me em um único pulo, mas logo em seguida novamente sentir meu corpo voar, Jacob acabara de me dar um soco. Quando ia levantar percebi um vulto passar por mim, quando olhei, estava imobilizada.
- AGORA NESSIE! – Embry dissera prendendo meu braço pra trás.
“- Sou imune – disse sorrindo.
- Vai ! Vai! – Alice gritava.
- PONTO! – Edward gritou já estava do meu lado abraçando-me.
- Haaaa! – Emmett resmungou - Isso não vale!Vamos mudar de time!Ela vem pro nosso e Esme vai pro de vocês – ele estava furioso.
...
- Mãe! – choraminguei.
- Que horas você combinou com sua amiga? – ela disse rindo e tocando no meu ombro.
- Oito – disse seca.
- Iremos sair mais cedo e compro no caminho para você – ela disse me dano um beijo no rosto e me abraçando.
...
-
Desculpe-me, sou Isabella Swan – ela disse levantando e me cumprimentando – não liga para ela, ela quer me irritar e seu irmão não me deu bolo nenhum.
- Cullen – cumprimentei-a.
...
- AH! SOLTA! - estava apavorada.
- Shiii... Sou eu Rosalie, acalme-se – ela falava bem no meu ouvido.
...
- Então mãe? Posso? – sorri.
- Carlisle? - ela chamou. Em segundos ele estava do lado dela.
- Sim? – ele disse rindo e passando as mãos pela cintura dela.
...
- VÁ BUSCAR A BOLA SEU IDIOTA! – disse rebatendo a bola.
- Ponto sua cega! – falei ofegante olhando pra Bella.
...
- Cullen eu não lhe contaminei! – ele disse olhando nos meus olhos.”
...
- CHEGA! – disse me debatendo e me soltando. Olhei pra todos completamente confusa.
Minha mente estava uma confusão completa, várias imagens de várias épocas com uma pessoa que era exatamente igual a mim estavam passando na minha mente. Nessas imagens, eu era feliz com os Cullens, eu era a filha deles.
- Ainda tenho que lhe mostrar mais coisas , você tem que se lembrar de tudo! – Reneesme disse calmamente.
Nesse momento deixei minhas pernas dobrarem e me ajoelhei. Estava confusa, estava completamente confusa, fechei os olhos e mais flashes vinham à tona.
Imagens de quando estava doente e das pessoas que me cuidavam, imagem das conversas com Esme e Carlisle, imagens de mim brincando com meus irmãos. Meus irmãos! Emmett, Edward, Alice, Rosalie, Jasper.
Eu era uma Cullen? Mas porque não me lembrava de nada? E porque ainda estou confusa? Não será armação deles? Não será tudo o poder dela?
- Você forjou essa visão! É tudo mentira – disse olhando pro chão.
- Não, nada é mentira – ela disse suavemente.
- ? Se fosse armação você acha que a deixaríamos viva? – ela disse tocando em meu ombro e me entregando um álbum de fotografias. Nesse álbum vi o crescimento de uma garotinha juntos dos Cullens, cada fase, cada momento da vida daquela garota estava fotografada ali.
- Essa é você! Seu Nome é Esme Cullen. Não é filha de sangue, mas minha... Não... NOSSA família lhe adotou quando tinha horas de vida, e lhe criaram sendo uma deles, não é possível que você não se lembre de nada – ela disse ajoelhando do meu lado.
- Você era noiva do Embry lembra? Ia fazer medicina! Estava morando na Europa quando foi atacada! – ela disse com ternura.
Nesse momento várias imagens passam na minha mente.
Sendo empurrada de um abismo, corrida de moto, briga com meu pai... Espera ai....Meu pai! Minha família!
- Fiquem aqui! – disse levantando.
- Como?! – Embry indagou.
- Fiquem aqui! Quero que pensem que os matei, fiquem aqui! – disse correndo pro campo da batalha.
Minha mente estava mil, ainda não tinha conseguido organizar minhas idéias, mas não podia demonstrar essa fraqueza e a única coisa que tinha certeza é que fui enganada nesses cincos anos, enganada por todos e agora iria matá-los um por um.
Caminhei lentamente até o campo de batalha, olhei em volta e todos estavam duelando, ninguém tinha vencido ninguém. Continuei olhando as batalhas e Esme Cullen tinha acabado de ser rendida. Continuei caminhando por eles sem ligar para os olhares confusos, passei por Carlisle e Alec e parei na frente de Esme e Raquel.
Olhei intensamente nos olhos de Esme e sorri maliciosamente, sendo que a mesma tinha acabado de se ajoelhar perante mim. Dei a volta nela e me ajoelhei atrás cheirando seu pescoço.
- Esme Cullen! – sussurrei – Será a primeira a morrer – disse friamente.
- NÃO! ESME! –Carlisle esbravejou.
- SEGURE-O! – disse friamente pro Alec.
- Filha, não – ela suplicou. Nesse momento passei minhas mãos em seu pescoço e a cheirei novamente.
- Me desculpe mãe! – disse sorrindo.
Nesse momento pulei e ataquei Raquel, enfiei minha adaga em seu peito e em segundos a matei.
- AHAHA! – gargalhei ao olhar o ar de confuso do Alec.
- Desculpe-me por fazer à senhora ver uma cena dessas – disse olhando pra Esme.
- ? – ele me olhou confusa.
- Sim minha mãe – disse abraçando-a.
- MALDIÇÃO! VOCÊ MATOU A RAQUEL! – Alec gritou e veio correndo para me atacar, fiquei na frente de Esme lhe protegendo e sorri maliciosamente.
– É bom a senhora fechar os olhos – sussurrei e fiz um carinho em seu rosto.
- E agora é a sua vez – disse pulando em cima do Alec lhe socando o fazendo cair perto da Jane que lutava com o Edward.
- O que é isso! – Jane gritou.
- Scarlet! Pare agora mesmo! – Demetri gritou.
Não liguei pra nada, e nem pra ninguém, nesse momento estava completamente fora de mim. Eles quase matam minha família, eles fizeram-me atacar meus pais. Iria matar um por um.
Olhei pros lados e todas as batalhas tinham parado e todos estavam olhando pra mim, dei meu melhor sorriso e corri atrás do Alec, conseguir lhe dar um soco, mas ele não saiu do local, em seguida ele me deu um chute, fazendo abaixar minha guarda. Ele aproveitou a situação e pulou em cima de mim. Fiquei tentando tirar ele das minhas costas, mas ele conseguiu pegar meu braço e quebrá-lo. Nesse momento ele saiu de cima das minhas costas e olhou sorrindo pra mim.
- Pensa que vai me vencer é? Você é muito nova – ele disse zombando.
- Quem lhe disse que quero lhe vencer – disse sorrindo.
- Não? – ele me olhou confuso.
- Não! – sorri – Quero lhe matar!
Nesse momento jogo minha adaga nele, e pulo em sua direção, ele olha pra mim assustado, mas não dei tempo de reação a ele, quando encostei-me nele o fiz virar pó.
- NÃOOOO! – Jane gritou e veio correndo em minha direção, dei um passo pra trás e sorri.
- O que foi? Matei seu querido irmão? – zombei dela.
- Você vai pagar! – ela sibilou.
- Tente! – disse no mesmo tom.
- Scarlet! Pare com isso agora mesmo! – Demetri disse correndo em minha direção, deixando o Emmett pra trás.
- O que foi? Estão com medo de mim? – sorri.
- Caius irá saber de sua traição! – Jane disse sorrindo.
- Não vai mesmo! Irei matar vocês antes – sorri.
Nesse momento pulei em cima da Jane, mas Demetri me pega e me joga longe, bati em várias árvores até parar. Olhei em volta e vi Jane com Demetri, já estavam me cercando e em seguida os dois me atacam ao mesmo tempo, não conseguir me defender, levei um soco e sem cair no chão Jane me pega e me arremessa pra cima, sem me deixar encostar no chão ela me da outro soco, me empurrando na direção do Demetri que nem me deixar cair no chão e me da um chute, fazendo cair metros longe.
Nesse momento sentir vários ossos quebrarem no meu corpo, e estava completamente sem forças, tentei me levantar, mas não consegui, foi nessa hora que me senti sendo levantada.
- Você esta bem minha querida? – Carlisle disse com ternura.
- Não. – disse seca – Me deixe no chão.
- Você está muito machucada , vai com o nosso pai pra casa! – Edward disse sério.
- Isso mesmo nanica os deixe conosco! – Emmett disse ao lado de Edward. Foi nesse momento que vi que todos os Cullens estavam me cercando, fazendo uma espécie de proteção.
- Essa luta não é de vocês! – disse fazendo Carlisle me deixar no chão, caminhei com dificuldade pra frentes deles e os esperei.
- Ora! Ora! Ora! - Jane sorria enquanto caminhava até mim.
– Vejo que pediu reforços! Você não era a máquina de matar?! – ela disse zombando.
Pude perceber que logo atrás dela estava chegando Mikael, Demetri, Elisar.
- Ficarei com você Scarlet – escutei Kain, ao olhar de esguelha ele estava ao meu lado.
- Depois cuido de você! – sibilei e corri pra atacar Jane.
Nesse exato momento tudo ocorreu muito rapidamente, vi vários vultos passar por mim e quando dei por mim, Demetri estava se virando com Edward e Emmett, Mikael estava duelando com Jasper e Rosalie, Elisar estava com Carlisle e Bella.
Pulei em cima de Jane e lhe dei um soco, fazendo-a cair longe, senti um vulto passar por mim muito rapidamente e quando olhei melhor era Jacob e Embry que estavam em sua forma de lobo, eles partiram pra cima de Kain.
“Se ele sobreviver há eles eu o mato, agora Jane é minha” pensei.
Jane veio correndo em minha direção, e eu fiz o mesmo, quado nos encontrarmos ela se deu melhor, prendeu meu braço quebrado e o arrancou. Olhou pra mim e gargalhou.
- Pensei que você fosse me dar mais trabalho, novata! – ela disse rindo.
- Não esqueça que já lhe venci sem meus dois braços – disse correndo em sua direção e lhe dano um chute fazendo-a cair no chão, nesse momento comecei a me concentrar e montei nela com minha mão boa conseguir enfiar minha mão em seu peito, comecei a me concentrar e ela aos poucos ia se desintegrando, mas comecei a me sentir fraca e tonta, minha visão ficou turva e aos poucos fui perdendo minhas forças, senti meu corpo caindo pro lado...
Conseguir abrir os olhos e ver uma grande fogueira acessa e ao olhar novamente vi Alice junto de Nessie arrancando os membros de Jane e a jogando na fogueira. Olhei pro lado e vi Emmett fazendo o mesmo com Demetri.
- ? Você esta bem minha filha? – escutei um sussurro de Carlisle.
- ? Olhe pra mim – Embry suplicava.
- , eu sinto... - Kain lamentava.
- Sai daqui antes que arranque sua cabeça! – Embry esbravejou.
- Vamos querida irei lhe levar para casa – escutei Carlisle antes de mergulhar na escuridão.
....
Pela primeira vez na minha vida estava me sentindo cansada, meus músculos doíam, minha cabeça girava. Não sei quanto tempo fiquei desacordada, mas a única certeza que tinha era que estava em minha casa, especificamente em meu quarto. Levantei com dificuldade, olhei pros lados e estava sozinha. Sai da cama e fitei o quarto, olhei cada detalhe do quarto e estava como deixei, minha bateria no canto, meu computador no outro e vários portas retratos comigo e minha família, minha família que eu queria matar uns momentos atrás.
Como deixei ele me manipular assim? Como não me lembrava de nada? Nesses cincos anos matei muita gente, nesses cinco anos fui contra todo o ensinamento de minha família, esses últimos cincos anos me tornei uma mercenária.
Respirei fundo e sentir o cheiro de todos, uns estavam na sala outros no jardim, fui até a janela e vi Carlisle conversando com o Kain no jardim. Nesse momento a raiva me dominou, Kain irá pagar pela traição.
Desci correndo em direção à cozinha, vi de relance que estavam na sala Emmett, Esme e Rosalie, fui até o porta-faca e peguei uma, quando ia sair da casa Esme para em minha frente.
- Filha! O que irá fazer? – ele me olhava preocupada.
- Minha querida mãe, sai da minha frente, não quero lhe machucar – sibilei.
- Ah! ! Vai guardar essa faca vai – Emmett disse sério.
Olhei pra eles e fui até a cozinha, chegando lá pulei pela janela. Fui até onde estava o Kain e meu pai. Quando Kain me viu, ele recuou com as mãos pro alto.
- ! Calma, vamos conversar – ele suplicou.
- Não converso com traidor – sibilei e continuei caminhando em sua direção.
- Filha controle-se – Carlisle dissera ao meu lado.
Não liguei pra ele e continuei atrás de minha presa, Kain dera mais dois passos pra trás.
- Eu não sabia juro! – ele novamente suplicou.
- Mentiroso – disse ríspida.
- Não estou mentindo! Não sabia! – ele para e me encara. Corri até ele e enfiei a faca no peito dele, ele me olhou abismado e suspirou.
- ! Eu juro, mas se quiser me matar essa é a hora – ele disse frustrado.
- Você mentiu pra mim! Enganou-me esses anos todos! – disse enfiando mais ainda a faca.
- Filha! Pare com isso agora! – Carlisle ordenou - Você não é esse tipo de mostro – ele tocou no meu ombro.
- Filha! Eu suplico, pare com essa matança, você não é assim – ele dissera suavemente.
- eu juro que não sabia que eles eram sua família, pede pro seu irmão me ler – ele dissera colocando a mão dele na faca.
- Você manipula o que as pessoas pensam, pode estar enganado meu irmão – disse me concentrando.
- ESME CULLEN NÃO! – Carlisle esbravejou e segurou minha mão.
Nesse momento larguei a faca e suspirei fundo. Olhei fixamente pro Kain e sorri maliciosamente.
- Iremos partir! Se eu não posso lhe matar irá morrer comigo – disse dano as costas pra ele.
- Como?! – Carlisle me segura.
- Meu querido pai se o senhor tem amor pela sua existência me largue! – sibilei – Tenho pendências pra resolver – disse me soltando dele e indo pro meu quarto.
Troquei de roupa, peguei minhas coisas e desci. Quando desci as escadas todos os Cullens estavam na sala me encarando.
- Se me seguirem terei o maior prazer em matá-los! Então fiquem por aqui! - disse o mais ríspida possível – Vamos Kain! – ordenei.
Rumei à Itália, especialmente para Volterra. Em dois dias iria morrer e matar o clã Volturi!
Capítulo 36
Carlisle POV
Ela está aqui, comigo novamente. Há dois dias, minha filha, está comigo, mas há dois dias que ela está desacordada. O que aconteceu com minha filha? Onde está aquela adorável ? Vi em seus olhos o quanto ela mudou, seus olhos vermelhos cheios de ódio e maldade, vi em sua expressão o prazer em matar, vi em seus olhos, o prazer em lutar. O que os Volturi fizeram com ela? Mataram minha filha...
Mas ela está de volta. De volta a minha proteção, irei mudá-la, irei fazê-la voltar a ser aquela humana dócil e gentil, a que todos amam. Não irei mais deixá-la partir e muito menos matar inocentes. Irei mudar, serei o pai que não fui quando ela mais precisou,irei suprir esses cincos anos de ausência e sofrimento.
- Como ela está? – Nessie me fez voltar à realidade.
- Na mesma, mas hoje ela se mexeu – sorri.
- Será que ela vai ficar bem vovô? – ela disse aos sussurros.
- Claro que irá, ela nem se mexia e agora já está se mexendo – sorri.
- Vô? – indagou.
- Diga querida – disse fazendo um carinho em sua cabeça.
- Ele está ai embaixo – ela disse séria.
- Já estou descendo querida. Obrigada por avisar.
Depois de cobrir minha filha, desci para a reunião. Ao chegar à sala todos estavam me aguardando e Kain estava de pé perto do sofá.
- Pode começar a falar – disse friamente.
- O que querem saber – ele disse calmo.
- Como isso ocorreu? – continuei firme.
- Caius a transformou – ele mantinha a calma.
- E do que ela se lembra? – Rosalie sibilou.
- De vocês? Nada! Do passado? Nada. Ela só lembra do que aconteceu com ela a partir do momento que ela acordou transformada – ele disse calmo.
- Ela não sabe que somos a família dela? – Esme perguntou ofendida.
- De ninguém – disse secamente.
- E o que você tem nessa história toda – Edward esbravejou.
- Sou o companheiro dela – ele disse rindo – eu a amo e ela me ama.
- Mentira! Ela não ama você! Ela ama o Embry! – Nessie gritou – Vocês não percebem que ele está mentindo? Ele era o vampiro que a atormentava na Europa. Ela me disse, ele que a transformou! – ela disse quase pulando no pescoço dele.
- Eu não estou mentindo. Eu a amo desde o primeiro dia em que a vi, e eu não a transformei, e sim Caius – ele disse calmamente.
- E por qual motivo? – Alice disse calma.
- Eu não sei. – ele disse calmo.
- Você está mentindo – Emmett disse pulando no pescoço dele, mas Jasper o segurou.
- Kain! Vamos conversar lá fora e vocês acalmem o Emmett – disse abrindo a porta e indicando o caminho.
Ao chegarmos no jardim parei e olhei sério.
- Diga agora toda a verdade Kain. Não irei segurar meus filhos por muito tempo. Agradeço a ajuda que nos deu na batalha, mas quero toda a verdade – sibilei.
- O que o senhor quer saber? – ele mantinha a calma.
- TUDO – esbravejei.
- Conheci sua filha numa missão na Europa – ele disse frustrado – Me apaixonei, meu erro – ele parou e olhou para mim.
- Aro me mandou em uma missão, de proteger sua filha – ele disse sério.
- Proteger? Por quê? – indaguei.
- De Caius. Ele queria vingança pela afronta do passado e como ele conhece você, sabia que matando a sua filha conseguiria a guerra – ele suspirou – mas ele mudou de idéia e achou melhor transformá-la e criá-la como fosse a filha dele e treinar para ela destruir seu clã.
- Se você a ama, por que escondeu dela a verdade durantes esses cincos anos? – sibilei.
- Eu não sabia, Caius tem um guarda que apaga as memórias e ele apagou a minha. Descobri toda a verdade há pouco tempo, mas não sabia que vocês eram a família dela. Descobri isso há dois dias, quando estávamos batalhando – ele disse sério.
- Se descobriu a verdade por que não contou à ela? Por que não disse à ela que tinha uma família? – disse me aproximando dele.
- Porque, como disse, eu não sabia que a família dela eram vocês, e também, se contasse, Caius iria matá-la. Para ele, ela não passa de uma assassina – ele disse olhando por cima do meu ombro e dando dois passos para trás. Acompanhei o olhar dele e vi vindo com uma faca em suas mãos, caminhando como fosse atacar uma presa, vi o ódio em seus olhos, aquele monstro não era a minha filha.
- ! Calma, vamos conversar. – Kain suplicou.
- Não converso com traidor. – ela sibilou.
- Filha controle-se. – disse ao seu lado.
Mas ela me ignorou e continuou caminhando para a sua presa. A expressão dela era de que a qualquer momento ia devorar sua presa. Notei Kain dando dois passos para trás.
- Eu não sabia, juro! – ele novamente suplicou.
- Mentiroso! – ela disse ríspida.
- Não estou mentindo! Não sabia! – ele disse parando e a encarando.
Nesse momento ela deu o bote e enfiou a faca no peito dele. Ela iria matá-lo.
- ! Eu juro, mas se quiser me matar essa é a hora – ele disse frustrado.
- Você mentiu para mim! Enganou-me esses anos todos! – ela sibilou e seus olhos ficaram mais vermelhos que antes.
- Filha! Pare com isso agora! – ordenei - Você não é esse tipo de monstro. – disse tocando em seu ombro, tentando acalmá-la.
- Filha! Eu suplico, pare com essa matança. Você não é assim. – falei suavemente.
- , eu juro que não sabia que eles eram sua família. Pede para o seu irmão me ler – ele disse colocando a mão dele na faca.
- Você manipula o que as pessoas pensam, pode estar enganando o meu irmão – ela disse ríspida.
Nesse momento, notei algo diferente em seus olhos, o vermelho estava mais vivo, mais intenso. O mesmo olhar de quando ela matou Alec e os outros, ela ia matá-lo. Eu não iria deixar, ela tinha que parar com isso.
- ESME CULLEN, NÃO! – gritei e segurei firme a sua mão.
Ela olhou abismada para a minha atitude. Seus olhos ainda estavam tensos e mais brilhantes, então ela fechou os olhos suspirou e largou a faca. Ao abrir novamente os olhos ela olhou intensamente para o Kain e sorriu maliciosamente.
- Iremos partir! Se eu não posso te matar, irá morrer comigo – disse dando as costas para ele.
- Como?! – indaguei e a segurei.
- Meu querido pai, se o senhor tem amor pela sua existência, me largue! – sibilou. – Tenho pendências para resolver – disse se soltando de mim e correndo para o seu quarto.
Corri para a sala onde estava minha família. Todos me olhavam esperando alguma resposta, quando ia falar algo ela desceu com uma expressão que eu nunca tinha visto antes. Uma mistura de arrogância, ódio e tensão, seus olhos estavam vermelho escuro e era nítido o ódio neles. Ela parou no final da escada e olhou para nós com certa arrogância.
- Se me seguirem terei o maior prazer em matá-los. Então fiquem por aqui! - ela disse extremamente ríspida.
– Vamos Kain! – ela o chamou e saiu sem ao menos olhar para trás.
- Espere filha, não vá! – Esme correu atrás dela, mas eu a impedi.
- Me deixe Carlisle, irei atrás de minha filha! – esbravejou.
- Não! – disse firme.
- Como não!? Vai deixá-la ir? Ela vai sumir e nunca mais iremos vê-la! – ela disse irritada.
- Eu sei para onde ela está indo. Deixe-a pensar que não iremos atrás dela – disse calmamente.
- E para onde ela vai? – ela disse impaciente.
- Volterra – Edward disse sério.
- E nós também – disse firme.
Pov
Minha cabeça estava a mil, ainda não tinha absorvido tudo. Esses cincos anos eu havia sido usada, traída e manipulada, todos ao meu redor me enganaram, todos em que imaginei que eram minha família não passavam de mentirosos.
Não lembrava de muita coisa, mas as imagens de minha família comigo, as conversas, as brincadeiras com meus irmãos, os passeios aos shoppings com a Alice, os estudos com Edward e as aulas de luta com o Emmett não paravam de passar em minha mente. As expressões em seus rostos quando me viram naquele campo de batalha, o olhar de afeto de Carlisle e Esme para comigo. Isso tudo não saía de minha mente. Ainda não acreditava que fui enganada esse tempo todo. Usada, mas eles iam me pagar. Os Volturi não esperam por esperar.
- Por favor, vamos conversar. Esse seu silêncio está me matando – escutei alguém falando.
- Scarlet, por favor! – Kain suplicou.
- Se dirigir a voz para mim novamente, te mato – sibilei e continuei correndo.
- Vamos conversar. Se está voltando à Itália temos que traçar um plano. Por favor, escute-me – ele disse parando.
Parei também.
- O que você quer? Tá com medo de morrer? – disse sarcasticamente.
- Eu não quero é que você morra! Escute, deixe os Volturi pra trás. Esqueça-os – ele disse sério.
- Kain, se abrir novamente a boca te mato – continuei séria.
- Podemos conversar? – ele disse me olhando seriamente.
- Sim, vai embora – disse séria.
- Como? – indagou.
- Sei que está com medo de morrer. Então vai embora, deixe-os comigo – disse caminhando novamente, mas ele me segurou.
- Pare com isso! Você não irá durar cinco minutos com eles – ele disse sério.
- Então quer morrer aqui mesmo? – o olhei séria.
- PARE E ME ESCUTE! – ele gritou.
- Diga! O que você quer realmente? – respondi seca.
- Me desculpar – ele me olhava sério – Sei que traí sua confiança, mas acredite, menti para você não morrer.
- Eu confiava em você Kain. Eu me entreguei a você! – rosnei.
- Caius! Ia lhe matar se eu contasse a verdade, mas eu não sabia que eles eram sua família. Aliás, já tinha escutado essa conversa, mas nunca acreditei – ele disse passando a mão em meu rosto.
- EU te amo Scarlet – sussurrou.
- Kain, vai embora – disse firme.
- Não irei! – ele retrucou.
- Se continuar comigo irá morrer – continuei mais firme.
- Quero correr esse risco – ele disse sorrindo.
Olhei para ele e analisei. Algo me dizia que ele não estava falando a verdade, mas eu poderia sucumbir antes mesmo de chegar a Europa.
- Vai embora Kain – rosnei e mostrei minha adaga a ele.
- É isso que realmente quer? – ele me olhava sério.
- VAI! – rosnei.
Sem olhar para trás corri de volta para Itália. E Logo estaria lá...
Estava sozinha e a poucos metros do castelo. Sabia que se desse mais um passo estaria selando minha morte, mas se ia morrer ao menos iria levar Caius comigo.
Caminhei lentamente até a entrada do castelo e para minha surpresa, só tinha o Felix de guarda. Ele olhou para mim seriamente, mas abriu um largo sorriso.
- Se voltou, é porque foi um sucesso a missão, não é isso? – ele disse sorrindo.
- Sim, foi um tremendo sucesso – disse passando por ele.
- Então... cadê os outros? – ele disse me parando.
- Mortos – disse naturalmente.
- Como? – indagou.
- Eles eram fracos e os Cullens os mataram! – disse rindo.
- Fracos? Você está mentindo! – ele me olhou desconfiado.
- É! Estou – sorri – Matei eles.
- Você não fez isso! – ele disse sério.
- Fiz e adorei – disse sarcasticamente.
- Ora sua! – nesse momento ele me deu um murro, me fazendo cair alguns metros longe.
- Você chama isso de murro? Nem arranhou – disse sorrindo e correndo para lhe atacar.
Quando estava perto dele, pulei em cima dele, mas ele me pegou no ar com a mão e sorriu.
- Achas que pode comigo? – ele disse rindo.
- Claro – disse tentando me soltar.
- Veja como é frágil – nesse momento ele pegou o meu braço e o quebrou, em seguida deu outro murro. Nunca vi alguém bater com tanta força como ele. Novamente levantei sorrindo.
- Você bate que nem mulher – debochei.
Nesse momento ele correu para me atacar, mas alguém o segurou. Olhando melhor vi que era o Kain.
- O que você esta fazendo, Kain? – ele disse tentando se soltar.
- Te matando – Kain sussurrou.
Aproveitei a situação e corri para dentro do castelo. No caminho coloquei meu braço no local ferido e agüentei a dor. Chegando perto da sala do Aro, Gianna estava lá conversando com umas das esposas. Olhei para elas e sorri maliciosamente.
- Scarlet? – indagou Gianna.
- Se voltou, quer dizer que a missão de matar os Cullens foi um sucesso? – a esposa do Aro disse sorrindo.
Continuei caminhando lentamente até elas e puxei minha adaga, olhei para ambas e sorri.
- Diz oi para Jane e os outros por mim?! – disse antes de matar a Giana. Quando a esposa do Aro ia correr a matei também.
Fui até a porta principal e a abri com autoridade. Quando a porta se abriu vi que na sala estava Aro que conversava com um rastreador.
- Eu disse que não queria ser incomodado! – ele disse ríspido.
- E daí? – disse no mesmo tom.
- Voltou mais abusada Scarlet. – ele disse levantando – Como foi a missão?
- Um sucesso, todos mortos – disse mostrando a adaga. Ele olhou intensamente em meus olhos e suspirou.
- Onde estão os outros? – ele disse sério.
- Mortos – disse caminhando e parando na frente dele.
- Todos? – indagou.
- Todos fracos – sorri.
- O que aconteceu realmente? – ele disse tocando em minhas mãos – Deixe-me ver.
- Deixa de ser curioso – disse tocando em seu rosto e o seduzindo.
- O que você esta fazendo menina? – ele disse sério.
Nesse momento lhe abracei e beijei seu rosto, em seguida beijei seu pescoço.
- Reparei que tenho uma atração por você! – disse lhe mordendo.
Nesse momento ele me empurrou e me olhou assustado. Colocou a mão no pescoço e viu o sangue em suas mãos.
- O que lhe deu? Está louca? – ele disse sério – E você me mordeu! – olhou incrédulo.
- Não diga que não gostou? – disse levantando e limpando meus lábios.
- Scarlet, diga o que aconteceu! – ele disse caminhando lentamente até mim. Observei-o gesticulando e em questão de segundos eu estava cercada por quatro vampiros.
- Matei os outros – disse rindo e me colocando em posição de defesa.
- Você o quê? – ele gritou.
- Matei sua querida Jane – sorri maliciosamente.
- Matem essa vadia! – ele disse dando as costas para mim.
- Em cinco minutos irei te matar Aro! – disse olhando para os vampiros que me cercavam.
- Matem-na! – ele disse antes de sair da sala.
Nesse momento, três pularam em mim, enquanto um já acendia um lança chamas. Não me contive e ri.
- Acham que podem me matar? Tolos. – disse pulando para trás e jogando a adaga em um.
- Pegue-a! – escutei um gritando.
Ao olhar de esguelha vi um se aproximando de mim, dei um pulo para trás e fiquei nas costas dele.
- Quando chegar ao inferno, diga que logo estarei lá – disse enfiando minha adaga nele e o mesmo virou pó. Em seguida pulei no que estava com minha adaga e ao encostar nele, o mesmo já tinha virado pó. Olhei para os dois que restavam e sorri sarcasticamente.
- Nunca pensei que os Volturis estavam recrutando vampiros tão fracos. Vocês têm duas escolhas, vão embora e me deixem com Aro ou morrem aqui! – falei naturalmente.
Ambos se entreolharam e saíram correndo da sala. Nessa hora gargalhei tanto que o eco podia ser ouvido, mas não os deixei ir embora.
- Meninos! – os chamei rindo.
Quando eles viraram para me olhar joguei minhas duas adagas, uma em cada um e pulei, encostando-me neles e os fiz desintegrarem.
-Achavam que eu ia deixá-los vivos? Ai, ai, não me conhecem mesmo. – disse sorrindo e indo na direção onde o Aro tinha ido.
- Olá! - Disse assim que abri a porta e o vi me olhando abismado.
- Você ainda está viva? – ele disse furioso.
- Ainda tenho que matá-lo! – disse sorrindo maliciosamente.
- Antes de matá-la quero saber o motivo da sua traição. – ele disse caminhando lentamente até mim.
- Vocês que me traíram! Me enganaram esses anos todos! – disse firme.
- Eu não te traí, e sim Caius. Vá se entender com ele. – ele disse dando as costas para mim.
- Tarde demais. Matei sua esposa. – disse rindo.
Nesse momento ele parou e em segundos estava na minha frente, acertou-me um soco no estômago. No mesmo instante caí de joelhos e levei um chute na cara. Tentei me levantar rapidamente, mas ele já estava segurando meu pescoço e me erguendo do chão. Em seguida ele me jogou contra a coluna.
Ao me levantar senti que ele estava nas minhas costas, prendeu meus braços para trás.
- Irá se arrepender amargamente do que fez – sua voz era apenas um sussurro, mas eu podia notar o tom furioso, em seguida quebrou o meu braço direito.
- AHHHH! – gritei – Vai precisar fazer mais do que isso! – retruquei.
Nesse momento ele pegou e me jogou ao chão, ao cair ele começou a me pisar, em um certo momento consegui pegar o seu pé e o puxei fazendo-o cair, montei em cima dele e lhe dei vários socos. Logo depois senti meu corpo voando e bati com as costas no chão.
- Nunca irá me vencer! – ele disse já na minha frente e me dando outro soco.
Nunca havia visto um vampiro com a velocidade e habilidade dele, não estava conseguindo ver seus movimentos e muito menos acompanhá-los. A cada golpe que levava era uma dor terrível, a qualquer momento eu iria perder as forças.
Tentei levantar, mas ele já estava parado na minha frente, e ao levantar o rosto levei um chute, que me fez cair para trás.
- Se implorar...eu paro de te torturar. – ele disse sarcasticamente.
- Implorar é para fracos. Não sou sua esposa. – disse sorrindo maliciosamente.
Nesse momento vi a fúria em seus olhos, o vermelho em seus olhos estava mais forte. Ele me pegou pelo pescoço e me ergueu.
- Implore! – sibilou.
- Não, por favor! – disse imitando a voz da esposa dele – Não quero morrer! – sorri. - Ela parecia uma humana suplicando – debochei.
Escutei um rosnado e em seguida estava voando. Ele me jogou com força contra a mesa fazendo-a quebrar, sendo que uma das pernas da madeira virou estaca e perfurou meu peito. A dor naquele local estava ficando insuportável e minhas forças estavam acabando. Olhei para meu peito, puxei a estaca e levantei com dificuldade.
- Terá que fazer melhor. – disse sussurrando.
Notei que ele estava dando as costas para mim, foi na direção da parede onde tinha duas espadas entrelaçadas. Corri em sua direção e ele fez o mesmo, ao chegarmos perto ele me deu um soco, me fazendo cair no chão. Levantei em um pulo e lhe ataquei. Consegui lhe dar três socos diretos, mas quando ia dar o quarto ele me segurou e me jogou contra a parede. Meu corpo estava pedindo clemência, mal conseguia me manter de pé, mas não podia demonstrar o cansaço. Senti algo escorrendo pelo meu nariz, ao colocar a mão vi que era sangue.
- Criança tola. - ele disse pegando uma espada e caminhando lentamente em minha direção.
Olhei para ele sorri, levantei e fiz sinal para ele vir me atacar.
- Não vê que não irá me vencer? – ele disse girando a espada na mão.
- Ao menos irei morrer tentando. – disse correndo até ele.
Ele ficou parado, ergueu a espada e me esperou, quando estava chegando perto, me abaixei e lhe dei uma rasteira. Para a minha surpresa o pegou desprevenido, quando ele caiu deixou a espada escapar. Essa era minha chance, ou o matava ou morria, peguei a espada e enfiei no coração dele, sorri e me concentrei, em questão de segundos ele estava morto.
Fiquei ajoelhada na mesma posição em que matei o Aro, ainda não estava acreditando que tinha acabado de matá-lo. O vampiro mais poderoso de todos. Nesse momento ri, estava me sentindo ótima, estava me sentindo o ser mais poderoso de todos.
Quando levantei escutei um rosnado atrás de mim, mal me virei e levei um soco. Caius acabara de me acertar um soco. Com o soco cai no chão, olhei em volta e vi que estava cercada. Caius estava acompanhado de vários vampiros.
Caius levantou a mão e caminhou lentamente até mim, me ajudou a levantar e me deu outro soco, fazendo-me bater na parede. Olhei novamente para cima e recebi outro murro. Senti-o segurando meu pescoço e apertando.
- Lembra disso? Lembra quando lhe transformei? – ele sussurrou.- Agora você irá morrer pelas minhas mãos também. – ele disse rindo.
Nesse momento, consegui furar seus olhos com meus dedos, fazendo ele me soltar. Quando estava no chão senti vários vampiros pulando em cima de mim, e meu braço direito sendo arrancado. Nesse momento estava completamente sem forças. A luta com o Aro havia acabado comigo, estava fraca e mal conseguia me manter em pé, só estava em pé por causa dos vampiros que me seguravam.
- Irá se arrepender de tentar me machucar, Cullen. – Caius disse se recuperado e caminhando até mim. Pegou minha adaga no chão e enfiou no meu peito. Eu queria gritar, a dor era insuportável, mas mantive o ar sereno.
- Corajosa... – ele disse tirando a adaga e a enfiando no meu estômago, nesse instante minhas pernas dobraram.
- HA HA Ha– ele riu debochado – Você irá sucumbir agora.
Ele levantou meu queixo para eu olhá-lo.
- Encontraremo-nos no inferno – ele disse rindo.
- Quem vai para o inferno é você, Caius – escutei a voz de Carlisle.
Caius foi atingido por um soco e os vampiros que estavam me segurando também foram atacados. Senti sendo carregada e ao olhar percebi que Rosalie estava me carregando para fora do salão.
- Rose? – indaguei.- Oi – ela disse com ternura e em segundos estavámos fora do salão.
- O que vocês estão fazendo aqui? – disse preocupada.
- Te levando para casa. – ela sorri e me entregou a Esme.
- Oh, Filha! O que fizeram com você? – ela disse preocupada.
- Eu estou bem, minha mãe – disse sorrindo.
- Fique quieta! Seus irmãos irão cuidar disso. – ela disse fazendo um carinho em meu rosto.
Nesse momento, deixei o cansaço me vencer e a escuridão me dominou.
Carlisle Pov
Não podíamos nos demorar. Se chegássemos um minuto atrasados...perderia a minha filha novamente. Todos nós viajamos para Itália às escondidas. Deixar com que ela pensasse que não íamos atrás dela era a melhor escolha. Não adiantava discutir com ela assim. Era melhor trazê-la para casa e tentar resgatar a filha amorosa que eu tinha.
Finalmente chegamos à Itália e rumamos a Volterra. Ao olhar para a minha família notei que todos estavam tensos. Nunca imaginei que iria duelar com os Volturi, mas há cinco anos fiz uma promessa, se Caius tivesse algo haver com a morte de minha filha ele ia pagar, e hoje iria cobrar essa dívida.
Parei em frente ao castelo e todos pararam ao meu lado, olhei para todos e suspirei.
- Esme, Rosalie e Bella fiquem aqui, os outros venham comigo. – disse autoritário.
- Nem pensar Carlisle, irei com vocês – Rosalie retrucou.
- Eu não irei ficar parada aqui enquanto eles matam a minha filha – Esme disse séria.
- Certo, vamos, mas vocês ficam atrás de nós – disse frustrado – E você tem certeza disso Embry? Estaremos entrando no covil. – disse sério.
- A mais absoluta certeza. - ele disse firme.
- Vamos. – disse sério.
Para a minha surpresa ninguém veio nos recepcionar. Olhei para os meus filhos e todos acenaram com a cabeça. Todos sabiam o motivo, já tinha chegado. Caminhando mais adentro do castelo e nenhum sinal de nenhum vampiro, eu já estava ficando nervoso com aquele silêncio.
Quando entramos, abrimos uma porta e pude ver Kain duelando com quatro vampiros. Nesse momento escutei Embry rosnando ao meu lado.
- Agora não Embry, fique controlado. – disse sério.
- Emmett, Jasper. – ordenei e ambos foram ao auxilio do Kain.
Os vampiros eram novos e inexperientes, não demorou muito para vencê-los.
- Onde está a ? – disse assim que Kain ficou livre.
- Com o Aro – ele disse sem fôlego.
- Vamos! – corri para o salão onde Aro sempre ficava.
No caminho até o salão não encontramos nenhum vampiro, mas ao abrir a porta vi vários na sala e Caius segurando a minha filha pelo pescoço. Nesse momento ela conseguiu esticar o braço e lhe furar o olho, mas vários vampiros a atacaram e um deles arrancou seu braço direito. Emmett ao meu lado deu um passo à frente, mas o contive. Escutei Embry rosnando.
- Calma, agora não – sibilei.
Precisava esperar o momento certo para atacar...quando eles pensassem que a batalha estava vencida. Foi então que vi Caius segurando-a novamente pelo pescoço e lhe enfiando uma adaga do peito. Pude notar a dor e agonia da minha filha, ela estava completamente vencida. Ele ia matá-la, nesse momento ele tirou a adaga e a enfiou em seu estômago, fazendo-a ficar de joelhos. Corri até onde ele estava e meus filhos me acompanharam. Ele levantou o queixo dela e preparou-se para matá-la. Nesse momento não vi e nem escutei mais nada, estava completamente dominado pela fúria. Mataria Caius.
- Encontraremos-nos no inferno. – ele disse rindo para minha filha.
- Quem vai para o inferno é você Caius. – sibilei e lhe dei um soco.
Com o soco ele caiu para trás e me olhou abismado. Olhei para ele e sorri sarcasticamente.
- Enfrente alguém do seu tamanho, seu verme! – rosnei.
- Você está vivo! Essa traidora... – disse se virando para matá-la.
- Traidor aqui é você. Ela só descobriu a verdade. – sibilei.
Nesse momento vi meus filhos com os outros vampiros e Caius se virou para mim.
- Veio salvar a sua queridinha, foi? – ele disse rindo e lambendo a adaga que continha o sangue dela – Fique sabendo que o sangue dela é uma delicia.
Nesse momento não me contive e pulei para cima dele. Consegui lhe dar vários murros, mas ele também acertou vários em mim. Ficamos trocando socos, hora ele me acertava hora eu o acertava.
- Vejo que o tempo não lhe afetou meu caro. – Caius disse zombando.
- Não posso dizer o mesmo. – disse rindo.
Ele correu para me atacar, mas consegui desviar de vários golpes e segurar uma das suas mãos. Em seguida ele tentou me acertar com a outra mão, mas o segurei também. Consegui lhe dar um chute fazendo-o se curvar. Aproveitei a situação e pulei em cima dele arrancando seu braço.
- AHHH!!! – ele gritou e me olhou com fúria.
- Agora chegou sua hora, Caius – disse friamente.
...
Pov
Não sei quanto tempo fiquei desacordada, só sei que quando acordei, estava com a minha mãe que terminava de costurar o meu braço.
- Me deixe ir mãe. Tenho que voltar! – supliquei.
- Não mesmo! Você está sem seu braço. Está fraca! – ela disse autoritária.
- Eu estou bem, Esme. – disse firme.
-Filha, seu pai e seus irmãos estão cuidando disso. – ela disse sorrindo para mim.
- Eles irão morrer! – gritei.
- Olha como fala comigo mocinha! – ela disse séria e nesse momento ri.
- Do que você está rindo?! – ela disse extremamente chateada.
- Estou rindo porque sempre falei como quis e quem não gostasse eu matava, mas não irei fazer isso com a senhora. – disse levantando e rindo.
- Para onde você vai? – ela disse parando na minha frente.
- Ajudar meus irmãos e meu pai – disse séria.
- Você não vai! – retrucou.
- Desculpe mãe – disse lhe abraçando e lhe apertando em um ponto perto da clavícula, senti ela se debatendo, mas continuei apertando-a.
- Filha, o que? – ela disse perdendo a consciência. Quando desmaiou, a deixei no chão.
- Melhor para você mãe. – disse beijando seu rosto – Te amo.
Voltei para o local onde estava sendo realizada a batalha. Meus irmãos estavam duelando com dois vampiros cada um. Meu pai estava com Caius e nesse momento vi um lobo rodeando o Marcus. Fiquei alguns segundos observando aquele lobo, algo dentro de mim dizia para ajudá-lo, mas como uma vampira como eu poderia ajudar um lobo?
Caminhei até onde Caius estava, peguei minha adaga no chão e sorri ao vê-lo sem um braço.
- Voltei mestre. – disse sarcasticamente e ficando ao lado de Carlisle.
- Vai ajudar o Embry filha. Deixe-o comigo – Carlisle disse firme.
- Quem? – o olhei confusa.
Nesse momento Caius pulou em cima de mim, consegui me desviar, mas meu pai aproveitou a situação e o atacou, conseguindo mordê-lo e arrancar um pedaço de seu pescoço. Nesse momento ri ao escutar o grito de dor de Caius.
- Vai ajudar o Embry! – Carlisle gritou enquanto segurava o Caius.
- Quem é Embry? – esbravejei.
- Ele! – ele disse apontando para o lobo que estava sendo dominado pelo Marcus.
Fiquei alguns minutos parada olhando o tal de Embry se debatendo contra o Marcos, que o segurava pelo pescoço. Se ele não se movesse com certeza Marcus iria quebrar o pescoço dele. Ele conseguiu arranhar o Marcos, mas em seguida Marcos o jogou contra uma parede, fazendo o mesmo bater com força contra a parede e soltar um uivo.
Marcos se aproximou dele e lhe deu um chute, em seguida o ergueu no ar. O lobo percebeu o que o Marcus pretendia fazer, tentou se soltar mas seus esforços eram vão. Marcus puxou-o pelo focinho, fazendo-o encostar em sua perna. Sua coluna foi quebrada. Em seguida ele largou-o no chão.
- EMBRY! – Bella gritou.
Embry? Por que esse nome era conhecido? Nesse momento vi que o lobo tinha se transformado em sua forma humana e o mesmo estava desacordado. Marcus deu uma risada cruel e todos o olharam.
Quando o vi deitado no chão desacordado em sua forma de humano, veio em minha mente várias memórias.
“ - Meu Deus é o Embry?? – perguntei olhando para o Carlisle
- É sim. Veio conosco, é o nosso presente para você! Aceitá-lo como seu namorado e o deixar ficar aqui. Com regras, é lógico. – ele disse sorrindo.
- Amo todos vocês – disse antes de ir para onde o Embry estava.
Caminhei lentamente até o Embry, parei na sua frente e o olhei séria.
- O que você está fazendo aqui? – disse um pouco ríspida
- Feliz aniversário! – ele disse meio que sem jeito.
- Tá surdo? Eu perguntei o que VOCÊ está fazendo aqui?
- Atrás de você! Gostou? – ele disse tirando as mãos do bolso e me puxando para ficar colada com ele.
- Simplesmente amei... Seu idiota! – disse abraçando-o.”
Eu conhecia aquele lobo? Eu andava com ele? Essas lembranças estavam tão confusas...
“ - Posso ter a honra de jantar com você? – ele dizia sedutoramente
. - Que palhaçada é esse, Embry? – disse ríspida.
- Não é palhaçada, é um encontro! – ele sorriu e apertou a minha mão.
No começo tentei resistir, mas quando senti novamente aqueles lábios nos meus, o amor que sentia por ele, que estava tentando matar, voltou com tudo! Meu coração disparou, minha respiração acelerou e minha língua brincou com a dele. Puxei-o para mais perto de mim, precisava sentir seu corpo, precisava escutar sua respiração.
O beijo que começou calmo estava descontrolado. Ele me beijava com urgência e eu do mesmo jeito. Como eu consegui ficar tanto tempo sem esse beijo? Como consegui ficar tanto tempo sem ele? Eu ainda amava esse sarnento...”
Eu uma vampira, amando um lobisomem? Não, minha mente devia estar brincando comigo...
“- Então? Aceita se casar comigo? – ele disse rindo nervoso.
- Com todo o meu coração! – sorri e o abracei.
Ele me abraçou forte e me deu um beijo longo, depois se ajoelhou e tirou do bolso a caixinha que tinha dois anéis de ouro branco rodeado com pequenos diamantes, olhei séria para ele.
- Alice? – perguntei rindo.
- Sim. – ele disse colocando o anel na minha mão direita e eu fiz o mesmo com ele.
- Eu te amo. – disse lhe dando outro beijo.”
Eu amava um lobisomem? Eu estava noiva de um cachorro sarnento? Como? Como minha família permitiu isso? Por que eu estava completamente confusa? Por que estava sentindo pena dele?
Sentia que devia protegê-lo. Sentia que realmente o amava. As lembranças estavam vindo à tona. O dia em que nos conhecemos no penhasco, o pedido de namoro na Alemanha...
- EMBRY! – exasperei.
- Embry, fale comigo! – disse segurando-o, mas ele não respondia, nem ao menos respirava. Comecei a sentir uma dor que nunca senti antes, uma dor no peito. Meu Embry estava morto.
Uma agonia tomou conta de mim. Uma dor que eu não podia descrever. Como eu queria chorar naquele momento. Demostrar a dor que estava sentindo. Olhei para o infeliz que havia feito aquilo com ele e o mesmo retribuiu o olhar.
- Você escolhe como irá morrer, Marcus! – disse levantando e olhando seriamente para ele.
- O que você está falando criança? – ele zombou.
- Escolhe! Morte rápida e sem dor ou demorada e com bastante dor! – disse ficando na frente dele e o encarando.
Capítulo 37
- Você escolhe como irá morrer, Marcus! – disse levantando e olhando seriamente para ele.
- O que você está falando criança? – ele zombou.
- Escolhe! Morte rápida e sem dor ou demorada e com bastante dor! – disse ficando na frente dele e o encarando.
Nunca imaginei que iria me sentir assim, se tivesse acordado antes Embry estaria vivo, ele estaria comigo. Minha memória estava de volta, toda ela, desde o momento em que nasci até o momento do meu renascimento.
As lembranças de quando era criança, as lembranças da minha adolescência, as lembranças com ele, sim as lembranças com o Embry. O pedido de casamento, a nossa despedida no aeroporto, e agora ele estava morto, tudo isso não saía da minha mente.
Eu não sei dizer o tamanho da dor que eu senti, mas não escutava e nem enxergava mais nada na minha frente. A única coisa que eu via era a minha presa. Marcus, e ele iria sofrer até o seu último suspiro. Ia fazê-lo implorar por misericórdia, iria fazê-lo desejar a morte.
- Então, decidiu? – disse friamente.
- Pare com isso, Scarlet! Ele era um inimigo de nossa espécie – ele disse rindo.
-É, concordo com o senhor – disse rindo – da sua espécie e não da minha!
- Não me diga que você gostava desse sarnento – ele zombou.
- Não gostava. – disse caminhando em volta dele – Eu o amava.
- Amava? Você está louca! – ele disse acompanhando meus passos.
- Louca? Posso até estar, mas louca de vontade de fazer você pagar. – sibilei.
- Scarlet! Sua missão era matar essa raça – ele continuava acompanhando meus passos.
- Cullen para você! – disse pulando em cima dele.
Ele conseguiu desviar com uma certa facilidade, e acertar um soco em mim, mas dessa vez agüentei e fiquei parada no mesmo lugar. Percebi que Rosalie e Bella estavam correndo para me ajudar.
- Fiquem onde estão – disse ríspida para elas.
- Eu não quero duelar com você Scarlet – ele disse dando um passo para trás.
- Lógico que não quer, não quer morrer – disse rosnando – Você irá implorar para morrer, Marcus.
Pulei em cima dele e o ataquei. Consegui lhe dar um soco e em seguida um chute. Nesse momento, vi em seus olhos espanto pela minha rapidez. Sorri para ele e lhe dei outro soco fazendo-o cair longe.
- A era Volturi está chegando ao fim. – cantarolei, caminhando lentamente até onde ele estava.
Ele estava no chão com um olhar espantado para mim. Estendi a mão para ajudá-lo a levantar, mas quando ele aceitou minha ajuda o puxei com força para cima e girei. Com o giro o soltei fazendo-o bater as costas num pilar.
- Ai!Ai!Ai! Como sou má! – disse sinicamente – Esqueci que é feio bater nos mais velhos! – zombei, enquanto caminhava lentamente até ele.
Nesse momento senti alguém em minhas costas. Com o braço peguei o pescoço do vampiro e o arranquei. Olhei para a cabeça e joguei na direção da Bella.
- Cuide disso para mim, sim? – pisquei para ela.
- Pare com isso Scarlet – Marcus recriminou – Você foi criada como uma de nós. Como uma VOLTURI!
- Isso é verdade, mas conhece o ditado? – disse dando um soco nele e o segurando pela gola da camisa.
- O ditado diz! – olhei para ele e ri.
- A cria, supera o criador? – disse sibiliando, nesse momento cheirei seu pescoço e o beijei.
- Como será o seu gosto? – então eu o mordi.
Era um gosto diferente, completamente diferente dos que já havia sugado, mas eu estava adorando aquele gosto. Me senti em êxtase. Senti-o se debatendo, ele falava algo, mas eu não ligava, a única coisa que importava era segurá-lo forte e sugar todo o seu frio sangue.
Em algum momento senti meu corpo sendo jogado longe, levantei em um pulo e quando vi Marcus tinha conseguindo se soltar. Nesse momento limpei meus lábios e sorrindo olhei para ele.
- Agora você irá morrer, criança. – Marcus disse pegando uma espada no chão e caminhando para mim.
Não me contive e sorri. Fiquei em posição de defesa e o chamei com o dedo indicador. Quando fiz esse movimento ele ficou com raiva e sua caminhada se tornou em uma corrida. Ele veio em uma velocidade muito alta, mas consegui vê-lo perfeitamente. Quando ele girou a espada e me atacou, consegui jogar meu corpo para trás e girar para encará-lo. Novamente ele me atacou com a espada e eu desviei. Outro ataque, agora duplo um por cima e outro pela direita, desviei dos dois e em seguida lhe dei um soco no estômago, fazendo-o curvar um pouco. Nesse momento dei dois passos para trás e sorri.
- Mais lento que um estúpido humano. – zombei.
Isso o fez ficar com mais raiva. Correu em minha direção e me atacou novamente. Dessa vez fiz diferente. Quando ele se preparava para me atacar, me esquivei um segundo antes, me abaixei na frente dele, e levantei direcionando meu ombro no braço onde ele estava com a espada, quando senti o braço dele, peguei-o com minha mão e o quebrei em meu ombro. Nesse instante ele jogou a espada e gritou de dor, peguei a espada e coloquei no pescoço dele, apertando.
- A era Volturi, chegou ao seu fim. – disse enfiando um pouco mais.
- Eu não tive nada com isso. – ele me olhou sério.
- Eu sei. Não ia te matar, mas como matou o lobo, irá fazer companhia para o Aro – zombei. Nesse momento tirei a espada do seu pescoço e o joguei longe. - O quê? – ele me olhou espantado – Mudou de idéia?
- Não – sorri maleficamente. - Mudei de idéia de como irei te matar. – disse lhe dando um chute na cabeça, fazendo-o cair longe alguns metros.
Quando ia caminhando para a direção onde ele estava, pude ver que minha família tinha vencido as batalhas e havia vários vampiros rendidos, um deles era Caius. Senti meu pai tocar em meu ombro, olhei para ele e ele balançou a cabeça negativamente. Peguei sua mão e a beijei.
- Não me peça isso. – disse sem olhar para ele e continuei caminhando até Marcus.
Chegando perto dele, dei outro chute no meio no estômago, fazendo-o voar e bater as costas na mesa. Peguei-o e o levantei, girei no ar e quebrei sua coluna na minha perna. Nesse momento joguei-o no chão e comecei a rir.
- AGORA! A ERA VOLTURI CHEGA AO FIM! – disse pegando-o pela gola e olhando seriamente para ele.
- Tem um último pedido? – sibilei.
- Você sabe exatamente o que irá acontecer se nos matar, não sabe? Virará um caos no mundo. – ele disse sério.
- Eu mato quem se atrever. – disse enfiando minha mão no peito dele – Conhece meu novo poder? Posso matar sem usar metal. - Nesse momento olhei seriamente para ele, me concentrei e em segundos ele se desintegrou. Sorri para mim mesma e caminhei até onde Caius estava dominado. Dominado e sem braço. Chegando perto dele abri o sorriso e parei na frente dele.
- Caius! Caius! Caius! O que irei fazer com você, heim? – disse cantarolando.
- Scarlet! Ajude-me, sou teu criador! – ele me olhava sério.
- Pior que é, né? Mas você mesmo me disse uma vez para não ter pena de ninguém, muito menos de você mesmo! – sorri e me agachei na frente dele – De joelhos, me pedindo para te ajudar? Está pior que um humano. – zombei e lhe dei um tapa.
- Filha, para com isso! – Carlisle disse me levantando.
- Humm! Não! – disse seriamente e dei um chute em Caius. Nesse momento Emmett e Edward me seguraram.
- Meus queridos irmãos, dá para me soltarem? – disse calmamente.
- Só se prometer que irá parar com isso. – Edward disse ríspido.
- Tá. – disse naturalmente e eles me soltaram.
Caminhei até o Caius e sorri. Olhei em volta e vi que os seus guardas estavam todos rendidos. Olhei em volta e minha família toda estava olhando para mim, mais ao fundo vi Nessie com o Jacob e ele estava carregando o Embry no colo. O ódio tomou conta de mim novamente e me virei para o Caius, comecei a lhe espancar. Senti meus braços sendo puxados para trás, nesse momento dei um pulo e ataquei quem fosse. Quando olhei vi que tinha atacado meu pai. Ele levantou sorrindo.
- Desculpe. – disse sinceramente – Mas tenho que terminar um serviço pendente.
- Nós não somos assim filha, e você também não é – Carlisle disse seriamente.
- Agora eu sou. – me concentrei e Carlisle correu ficando em minha frente.
Sorri e continuei me concentrando e para minha surpresa eu estava controlando o meu poder perfeitamente. Não precisava mais encostar ou ter algum metal comigo, simplesmente fiz Caius virar pó só olhando para ele.
Nesse momento comecei a rir, e caminhar na direção dos outros que estavam dominados, notei o pânico em seus olhos e essa expressão me vez rir mais ainda.
- Meu pai! Veja! Estão com medos de nós. – disse olhando para Carlisle.
- Pare com isso, . – ele me recriminou.
- Não vê? A era VOLTURI chegou ao seu fim, agora é a vez dos CULLEN! – disse sorrindo, mas ele não retribuiu o sorriso. Ignorei e olhei para os outros vampiros.
- Se jurarem que irão nos seguir agora, eu os deixo vivos. – disse sorrindo.
- Você não irá matar mais ninguém e muito menos iremos mandar em outras pessoas. – Edward disse sério também.
- Como? – indaguei.
- Isso mesmo que você escutou, filha! Não iremos tomar o lugar de ninguém – Carlisle disse sério.
- Isso é um absurdo! Se matarmos os Volturi, assumimos o lugar deles! – disse séria.
- Você sabe muito bem, que isso não é nossa intenção! – Carlisle disse mais sério ainda.
- Não? Então vieram para que? – esbravejei.
- Para te levar para casa. – ele disse rindo.
- Me levar para onde? Não sou mais aquela criança, Carlisle! – gritei.
- Levar para casa! Para nossa casa! – ele disse sério.
- Meu pai! Eu te amo, mas não irei deixar isso aqui. Veja ao seu redor, veja! Os Volturi estão mortos, se pensarem que não tem ninguém no comando irá virar um caos no nosso mundo! – disse séria.
- Não irá, todos os vampiros sabem de seus deveres, sabem o que é bom para nos manter no anonimato. – ele disse calmamente.
- Venha conosco, iremos começar uma nova vida, te ensinar como ser uma de nós - ele disse rindo.
- Eu sei exatamente como ser um vampiro, sei como me comportar – disse séria.
- Você irá aprender a ser vegetariana, será como nós! Iremos te ensinar, irá ser uma Cullen e deixar de ser Volturi – ele disse sério – Não me conformo em ter ficado longe de você esses cinco anos.
- Não irei! – disse seca e dando as costas para ele.
- Como? – indagou.
- Esme Cullen morreu há cinco anos, agora quem está na sua frente é Scarlet Volturi, sucessora do poder dos Volturi – disse virando para ele e o encarando.
- Pare com isso! VOCE NÃO É ESSE MONSTRO! – ele gritou e me sacudiu.
- Eu não sou mais uma de vocês! – disse seca.
- É sim! É MINHA FILHA! - Carlisle continuava me sacundindo – Pare com essa arrogância.
- ? Escute nosso pai, vamos para casa, te ensinaremos a ser uma de nós, você é nossa irmã mais nova! – Edward disse sério.
- Vão embora! E lembrem–se, as regras continuam. Quem desobedecer morre – disse seca.
- É assim? É assim que quer viver a eternidade filha? – Carlisle disse sério.
– Se o senhor não quer. Eu assumo. Quando se tem um grande poder, se herda uma grande responsabilidade, mesmo que tenha que renegar vocês – disse seriamente.
- Se quer assim – ele disse dando as costas para mim.
Fiquei observando eles irem embora, antes de irem, todos me deram um abraço e um beijo.
- Não se esqueça, é Cullen – Carlisle disse me dando um beijo na testa e indo embora.
...
Sozinha, mas com poder. Não era exatamente isso o que eu queria, não queria em nenhum momento viver assim, mas eu matei os Volturi e sem eles o nosso mundo iria virar um caos. Quando se mata um rei, herda o seu trono e quando herda seu trono, herda suas responsabilidades.
A notícia que os Volturi tinham sido mortos pelos Cullen se espalhou pelo mundo. Muitos vampiros vieram até Volterra para se certificar que era verdade o boato e tomaram mais um susto quando me viram no poder. Muito deles riram e zombaram de mim, me desafiaram e hoje estão mortos. Minha família tenta inutilmente que volte ao convívio deles, eu tinha que ficar e controlar o nosso mundo.
Já estou a quatro meses no poder, matei vários vampiros por me desafiarem ou por desobedecer às antigas regras. Estou mostrando ao mundo que, ou era para respeitar as regras ou morriam. Recrutei vários vampiros para recompor a guarda Volturi. Tinha que ter meus guardas, meu clã. Mas estou cansada disso, ter poder é ótimo, ter súditos também é ótimo, mas sentia falta de minha família, sentia falta do meu amor.
Estava na sala de reuniões, observando o que um rastreador me contava sobre como estavam às coisas fora do castelo, só que estava longe meu pensamento, estava em minha família, sabia que os havia magoado, sabia que os estava renegando, mas era necessário, era preciso.
- ? – Kain entrou na sala me fazendo voltar à realidade.
- Diga Kain – disse séria. Kain foi o único que deixei vivo naquela noite, e desde então ele tem se tornando meu braço direito, está me ajudando a recrutar os melhores vampiros e a transformar os que têm potencial.
- Você tem visita – ele disse sério.
- Visita? – indaguei – Quem?
- Melhor você ver. – ele disse abrindo a porta e permitindo que uma pessoa entrasse.
Quando a pessoa entrou, tomei um susto, era Embry e com ele estava Jacob e Seth. Nesse momento levantei-me em um pulo, olhei para os guardas e mandei eles saírem, deixando só o Kain na sala.
- Como? Como está vivo? – indaguei e caminhando lentamente até ele – Eu o vi te matando, vi.
- Esqueceu que podemos nos curar? – ele disse rindo e colocando as mãos no bolso.
Ignorei todos e corri até ele e o abracei, ele retribuiu e me abraçou também. Fiquei um tempo assim até que comecei a sentir um desejo muito forte em mordê-lo, nesse momento me afastei e sorri.
- Eu pensei que estava morto – sorri.
- Fiquei um tempo me curando, meus ferimentos eram graves – ele disse me abraçando por trás e beijando meu pescoço.
- , minha – sussurrou em meu ouvido.
- Embry, para – disse me afastando.
- Por quê? – indagou.
Nesse momento olhei para todos e fiz sinal para o Kain nos deixar a sós, Embry fez a mesma coisa e Jacob e Seth saíram da sala.
- Me desculpe , não consegui vir antes, porque não tinha condições, estava muito fraco – ele se explicou.
- Tudo bem Embry – disse seriamente.
- O que há? Não está feliz em me ver? Sei que ainda me ama. – ele disse me abraçando novamente, nesse momento beijou a minha testa, desceu para o meu nariz e em seguida me beijou.
Um beijo cauteloso, mas que em seguida se tornou um beijo ardente e urgente. Cinco anos sem sentir esse gosto, cinco anos sem beijá-lo, como estava com saudades disso. No meio do beijo comecei a sentir algo diferente, minha garganta começou a ficar seca, minha boca começou a ficar seca e estava sentindo uma vontade grande de mordê-lo. Apertei ele contra mim, lhe dei vários selinhos e em seguida beijei seu pescoço, nesse momento o senti estremecendo e uma vontade anormal de morde-lo, encostei meu lábios em seus pescoço e quando abri minha boca para mordê-lo o larguei e o empurrei.
- DESCULPE! VAI EMBORA! – disse prendendo a respiração.
- O que foi? Você não me machucou! – ele disse se levantando e indo até mim.
- Vamos embora , larga isso tudo e vive comigo. Vamos sumir – ele suplicou.
- Eu não posso Embry. Eu não me controlo com você! – disse frustrada.
- Vai aprender! – ele disse me puxando e me dando outro beijo. Novamente o beijo estava adorável, mas segundos depois senti a vontade de lhe morder, por instinto lhe empurrei até a parede e lhe levantei pelo pescoço, cheirei seu pescoço...
- Amor, não! – ele suplicou. Nesse momento lhe larguei e dei as costas.
- Desculpe, não me controlo, vai embora, é impossível ficarmos juntos – disse de costas.
- Você vai aprender – ele disse um pouco rouco.
- Embry entenda! Somos diferentes agora, água e óleo não se misturam. EU irei acabar te matando, vai embora, me esqueça. Viva sua vida! – disse ríspida.
- Embry! Eu te amo, mas infelizmente veja como estou. – disse apontando para mim mesma.
- Sei que se tornou um deles, mas posso dar um jeito. – ele disse recuperado, mas ainda massageando o pescoço.
- Embry, acabou. Não existe nós – disse num tom sério.
- Você irá aprender! – ele disse sério.
- Não irei, eu me alimento de sangue humano, somos inimigos mortais, por favor – disse me afastando dele – quanto mais chega perto de mim, mas tenho vontade de matá-lo, e eu não suportaria isso.
- Não diga isso, eu sobrevivi por você! – ele disse caminhando lentamente para mim.
- Irei fazer uma nova lei, dizer que vocês não são mais nossos inimigos – disse mudando de assunto.
- Eu não me importo, não me importo viver rodeado desses fedorentos, quero estar ao seu lado - ele disse me abraçando novamente.
- Embry, meu amor, por favor, me largue – disse prendendo a respiração.
- ... Por favor – ele disse me beijando – Por que não admite que ainda me ama?
- EU te amo sim, mas não posso. – disse afastando ele de mim e sentando na minha poltrona.
- Vai embora, diga ao Alfa que não terá ninguém em suas terras. Que vocês poderão ficar despreocupados e se acontecer algo, me comunique que irei pessoalmente resolver – disse apertando minhas têmporas.
- ... – suplicou.
- Desculpe, mas é melhor assim – disse de olhos fechados – Kain?
Em um segundo o Kain entrou na sala e junto dele o Jacob e o Seth, os cumprimentei com a cabeça.
- Por favor, mostre o caminho da saída para os convidados.
- Sim – ele disse seco e apontando a saída para os lobos.
- Eu nunca irei te esquecer . Sempre será meu único amor – Embry disse aos sussurros.
- Eu também – sussurrei. Ele olhou para mim e sorriu antes de sair.
Era assim que seria minha vida a partir de agora, sem família, sem amigos e sem meu amor. Não podia colocá-los em risco, no momento em que matei Aro, sabia que minha vida iria ser diferente. Sabia que estaria sentenciada a ficar sozinha.
Quando se herda um reino, herda-se um poder, herda-se suas conseqüências, mesmo que sejam as piores...