A Werewolf In Love
Autora: Priscilla Valmont
Beta: Priscila Dórea



Capítulo 1 : Não quero lembrar



Então lá estava eu, apenas mais um lobo nesse mundo, era como se eu fosse normal. Um dia eu realmente achei que fosse normal. Até que de repente me transformei no que sou hoje... E quando eu olho pra trás, eu vejo que se não fosse por isso, ela seria minha... Se eu estivesse sempre ali para cuidar dela... Ele não teria voltado! Mas ele voltou e eles vão se casar, alias, estão se casando exatamente agora...
- Jake? Onde você está?
- Eu não sei, Embry!! Você realmente acha que estou me importando com o lugar onde estou?
- Pare de pensar nela, Jacob!
- Me deixem em paz! – a pior parte de ser um lobisomem, é que meus irmãos, os outros lobisomens, podem ver o que estou pensando. Não! À pior parte, mesmo, é ver o que eles estão pensando... Pensam em ir ao casamento, pensam em matá-la, pensam em vir atrás de mim... Não é obvio que eu quero ficar sozinho?
- Ela não é tudo, Jacob. Volte. Nós precisamos de você. – Sam disse. Como ele podia dizer que precisam de mim? Eles sabem muito bem se virar sem que eu esteja por perto.
- Eu não vou voltar, Sam. Você sabe que eu não vou.
- Bom, é você quem sabe, Jacob. – finalmente ele desistiu – Vamos. Deixem-no em paz.
- Se cuida, Jake. – despediu-se Embry.
- Sentimos sua falta. – gemeu Quil e depois de uma breve pausa comentou – Ela ligou. Disse que está passando muito mal. Pediu desculpas. Pediu pra você voltar.
Eu realmente não queria ter ouvido a última parte. Fiquei preocupado. Ela está passando mal e aquele... Noivo... – essa palavra dói – dela não sabe como cuidar da minha Bella.
Eles tinham ido, ficariam por perto do lugar onde acontecia casamento. E se eles se transformarem, serei obrigado a ver tudo. Espero que não façam isso.
Ela poderia ser minha. Ela deveria ser minha. E agora, ela está se casando com um sanguessuga maldito pronto para matá-la. Eu o odeio tanto.
EU ODEIO EDWARD CULLEN!
O odeio por ela o amar mais do que me ama. O odeio por ele ser tão sedutoramente irresistível aos olhos da minha Bella. Eu o odeio por ele existir. Eu o odeio porque graças a ele e sua família desgraçada, eu sou um lobisomem e não o garoto que faria a Bella se apaixonar mais ainda por mim. Eu faria tudo para acabar com ele se isso não a fizesse sofrer... E esse é mais um motivo para eu odiá-lo... Ele é tudo o que interessa para minha garota e por isso ela está disposta a deixar sua vida pra trás, se jogando de cabeça na imortalidade amaldiçoada de ser uma vampira.
Eu preciso tanto da minha Bella. Será que ela não percebe o quanto eu estou sofrendo sem ela?

- Jake, acabou. – uma voz facilmente reconhecível me acordava. Sem perceber, eu dormi enquanto pensava nela. Isso já estava se tornando uma rotina. – O casamento acabou. Ela se casou com o Edward.
- Espero que ela esteja feliz. E, Seth, por favor, pare de pensar nesse casamento, não quero as imagens dele em minha cabeça. – disse friamente.
- Eu tenho que ir. Vamos ver se ele não quebra o pacto. Ele ainda não pode mordê-la... ainda.
- É uma perseguição em vão. Sabem que assim que saírem de perto de Forks, ele vai mordê-la. Deixem-nos em paz. Agora é como se ela já estivesse morta. Não tem volta. Ela já se casou mesmo. – eu estava prestes a chorar.
- Jacob, volta pra casa. Você é muito importante para nós, seus irmãos. Volta, Jake. – o tom de suplica de sua voz me incomodava.
- Seth, assim que ela se for, eu volto. Avise-me quando o avião partir e então começarei meu caminho de volta pra casa.
Ele grunhiu assentindo e se fora. Eu não tinha certeza se realmente voltaria, mas tinha que o fazer parar com aquela voz suplicante.
Amarrado ao meu pé esquerdo, havia uma sacola e dentro dela estava uma calça e todos os bilhetinhos que Bella escreveu pra mim na época em que eu não estava falando com ela. Eu adoro ficar relendo aqueles papéis com dizeres infantis do tipo: ‘Volta a falar comigo’ ou ‘Ainda podemos ser amigos?’... Bella...
MINHA BELLA!
Que agora está casada com outro.

“Todos esses papéis são recordações fiéis ou mera lembrança da esperança de te ver voltar de novo. Em todas essas canções, te chamei nos meus refrões, não tem mais sentido se o seu ouvido só prestará atenção nos outros. Não, eu não quero lembrar que alguém que não te quer está ocupando o meu lugar. Não, eu não vim conversar, só estou te avisando pra você não procurar por sentimentos, bons ou ruins, sobre você dentro de mim. Veja o que o tempo faz, eu nem te conheço mais, eu nem mesmo lembro do exato momento em que tive o coração partido. Só lembro do que eu não fiz, de te perder por um triz, de toda essa culpa por não ter desculpa por ter jogado fora o seu amor. Não, eu não quero lembrar. Não, eu não quero lembrar. Não, eu não quero lembrar que te perdi. Eu não quero lembrar do que eu fui pra você, uma simples distração pra você esquecer, eu não quero lembrar que chegamos ao nosso fim. Eu não quero lembrar de que eu vou acordar sabendo que os meus olhos não vão te encontrar, eu não quero lembrar que tudo acabou pra mim. Não, eu não quero lembrar que te perdi. Não, eu não quero lembrar. Que te perdi. Alguém que não te quer está ocupando meu lugar. Vou te esquecer. Alguém que não te quer está ocupando meu lugar. Esta ocupando o meu lugar. Não, eu não quero lembrar.” (Não quero lembrar – Fresno)


Capítulo 2: Sem você



Naquela noite, Seth me disse que ela tinha ido embora. Como eu prometi, comecei minha volta pra casa.
Já que não sabia onde estava, me transformei novamente em humano, coloquei minha calça e procurei uma saída da floresta. Logo encontrei um vilarejo onde uma garota me informou onde estávamos.
A jovem era bem baixinha, devia medir no máximo 1,55m. Tinha cabelos pretos, quase azulados de tão escuros.
Seus olhos verdes me olhavam do um jeito carinhoso – talvez tenha tido dó de mim, eu realmente não estava muito arrumado: só de calça, cabelo bagunçado, cansado, sujo... – e me ofereceu sua casa para que eu pudesse dormir um pouco e tomar um banho.
Tomei um banho frio, tentando espantar o cansaço e, depois de muita teimosia, aceitei dormir. Mas logo estava acordado de novo. A garota, Julianne, chamou suas amigas para ver seu hóspede e com o cochicho das meninas acabei acordando. Elas me serviram um banquete, que chamaram de almoço, e então satisfeito, limpo e descansado, voltei para minha jornada de volta pra casa com as informações dadas pela Julianne.
Ao entrar novamente na floresta, tirei minha calça e me transformei. Com o faro mais aguçado por ser lobo novamente, senti um cheiro que me enjoou... Doce demais... Trazido por uma brisa fria... Vampiro!
Não era possível! Até ali! Como se essa raça já não tivesse me causando muitos problemas.
E então, ouvi um grito, uma voz esganiçada que em pouco tempo aprendi a reconhecer. Julianne. O vampiro e ela, bem ali atrás de mim. Ela tinha me ajudado tanto e agora, eu não poderia deixar que ela fosse atacada desse jeito. Pobre Julianne... Mas eu não podia aparecer do nada... Imagina o pânico da menina: um lobo gigante pulando no pescoço do cara maluco e frio que quer matá-la... Qualquer uma piraria. E eu estou sozinho. E se ele estiver em bando... Não. Tem um só. Acho que eu posso atacar e sair ileso. Mas ainda sinto as dores do último que ataquei sozinho. Se esse for um novato da espécie, ele ainda será muito forte...
Mais um grito interrompeu meus pensamentos.
Sem pensar outra vez, corri para fora das árvores, entrando na vila já conhecida.
O vampiro estava lá. Era loiro, aparentava uns 30 anos, media mais ou menos 1,60m e era muito magro. Vestia roupas bem antigas e sujas, que me lembravam minhas aulas de história sobre o feudalismo. Seus olhos vermelhos pediam sangue e não tiravam o foco de sua jovem vítima, a pequena Julianne caída sobre um troco de árvore quebrado no chão. Tenho certeza que quando eu saí esse tronco não estava lá.
Julianne foi a primeira a notar minha presença, sua reação foi inesperada. Em vez de o pânico ter invadido seu belo rosto, ela se acalmou e lançou-me um breve sorriso.
Corri ao encontro do frio. Pulei em seu pescoço e comecei a luta, enquanto Julianne se afastava sem chamar muita atenção.
O vampiro podia ser velho, mas sua técnica de batalha era perfeita. Algumas vezes, tive a impressão de que ele sabia onde eu atacaria e como faria para se defender. Ele era inteligente e eu, instintivo. Ele era poderoso e eu, forte.
A luta foi travada nos detalhes, com pequenos truques. A dor que ele me causava era grande.
Vampiros... Raça maldita!
Mas ele não estava ileso. Enquanto ele me atacava, não previa meus movimentos e nesses momentos não me importava se eu me machucaria, eu o atacava mesmo assim.
Quantos lobisomens ele já teria enfrentado? Afinal, ele já estava sem uma perna, seu braço direito estava dilacerado e continuava a lutar. E eu sentia que estava todo quebrado, de novo!
Mas se eu perdesse, ele além de me matar, mataria todos daquela vila. Ele mataria Julianne. Ela era boa demais para morrer.
Se eu morresse, ele morreria também.
Juntei minhas últimas forças e pulei em sua direção.
Adeus, Bella!

“Minha vida, minha história só fez sentido quando te conheci. Seus olhos, sua face me levam além do que pensei. Se às vezes me escondo, em você me acho, nem da pra disfarçar. Preciso dizer você faz muita falta. Não há como explicar. Foi sem você que eu pude entender que não é fácil viver sem te ter. Meu coração me diz que não, eu não consigo viver sem você.” (Sem Você – Rosa de Saron)


Capítulo 3: Fotos



Eu não conseguia acreditar. Não acreditava realmente que isso era possível.
A última coisa que eu vi foi um outro lobo que eu nunca vi antes, vindo na direção da minha luta com aquele vampiro velho e me dizendo para ficar calmo que daria tudo certo.
- Jacob? – dizia uma voz aguda e carinhosa – Você está acordado?
- Julianne? Você está viva? O que aconteceu? Cadê o vampiro?
Ela riu timidamente. Seus olhos verdes penetravam em meu ser. Lembrei então que eu era lobo quando desmaiei. Agora eu era humano. Levantei-me do colo da garota rapidamente. Felizmente estava com calça, mas não era a minha. Estava no mesmo quarto que dormi quando a conheci.
- Como eu vim parar aqui? E assim? – eu apontava para o moletom rosa que ia até o meu joelho.
- Jacob, Jacob... Não é só você que guarda segredos. Quando vi aquele lobo indo atacar o frio, vi seus olhos. Eu soube que era você. Desde o momento que te vi pela primeira vez, percebi que você era especial, mas nunca imaginei... Que você fosse como eu.
- Como você? Quero dizer... Você era o lobo? – A garota me pegou de surpresa. Por essa eu realmente não esperava.
- Bom, é... Era eu mesma. Quando ele me atacou, desencadeou tudo o que estava guardado em mim. Eu mesma não pude acreditar que era tão forte. Quando você me protegeu tive a chance que esperava para me preparar para uma transformação que a vida inteira eu esperei.
- Espera aí! Você queria isso?
- Claro! É uma herança de família. Todas as mulheres da minha família foram mortas em fogueiras por serem lobas, mas eu fui salva por um soldado que me criou como filha. Ele tinha mania de adotar crianças. Inclusive, essa vila é toda habitada por meus irmãos adotivos. Meu pai me contou sobre minhas antepassadas e eu esperei para o dia que eu seria forte como elas. Quando você chegou, tive a sensação que você iria ser a chave para tudo o que eu queria e agora... Você me deu o maior presente da minha vida.
Certo. A história de Julianne era... Sei lá... Estranha, mas ao mesmo tempo, legal. Assim como eu e meus irmãos, ela não teria escolha, uma hora ou outra se transformaria numa loba e mesmo assim Julianne estava louca para que isso acontecesse. Ela era... Especial.
- Juli... Eu não tive nada a ver com sua transformação. Foi só sua emoção por ser atacada, talvez a raiva que sentiu do frio, que é algo totalmente instintivo da nossa espécie, ou talvez...
- Não, Jacob! Você não entendeu. Eu só poderia me transformar quando eu sofresse um imprinting... Pelo menos, é o que disse a lenda que meu pai me contou.
Ela sofreu um imprinting? Julianne sofreu um imprinting? Por mim?
- Posso ficar sozinho por um tempo? Posso sair?
- Mas e seus machucados?
- Eu estou bem, Juli. Acredite. Eu tenho que... Pensar um pouco.
Ela assentiu uma vez com a cabeça e imediatamente saiu do quarto. Entrei na floresta, tirei a calça rosa e me transformei.
Meus irmãos estavam todos transformados e, claro, viram tudo o que eu pensava. O vampiro, a Julianne, o imprinting... Leah quase teve um treco e se transformou em humana assim que eu virei lobo. Os garotos me davam parabéns, mas eu não entendia como eles podiam gostar tanto da notícia.
- Eu estou voltando pra casa. – pensei, tentando mudar o rumo da conversa.
- Traga a nossa nova irmã.
- Julianne? Bom, se ela quiser ir. É. Talvez ela vá.
Nesse momento uma voz angustiada e quase desconhecida ultimamente pra mim, começou a chamar meu nome. “Jake... Meu Jake”. A voz chamava descontroladamente.
- Bella? Mas como? O que está acontecendo?
Um a um meus irmãos foram virando humanos, sem nada me contar. Como Bella estava em nossa conversa? Era algo apenas para lobisomens. Não era?
- Jake? Meu Jake? Você está aí? Mas onde é aí?
- Mas, Bella... Como?
- Jake... Volta pra mim... Jake... Eu preciso de você. Você é meu... Jake... Eu te amo...
- Onde você está, Bella? – Isso não era ilusão. Ela realmente estava conversando comigo por pensamento.
- Estou no Brasil.
- Onde está o Edward? – Era só isso que eu precisava saber.
- Edward... – a frase se acabou, como se ela tivesse voltado a ser humana. Bella era uma loba?
Precisava ir urgentemente para La Push. Precisava saber como ela faz isso. Precisava ver a Bella, onde quer que ela estivesse, com quem quer que ela estivesse... Minha Bella.

“Joguei fora fotos de nós dois, reviver você não me faz bem, nem vai me trazer o que já foi. Você mudou muito e eu também. Finjo que o tempo não passou, busco em outros olhos ver você. Fotos do que foi o nosso amor não revelam outra pessoa pra ser. Uma vida pra tirar você da minha, só seus flashs disparam meu coração, já rasguei as fotos mais em pensamentos guardo cópias do seu beijo e solidão.” (Fotos - Vitor e Leo)


Capítulo 4 : Enferrujou



Entrei na casa de Julianne. Ela me esperava sentada num sofá meio velho, mas ainda assim bonito. Ela pediu para que eu me sentasse e eu o fiz. Juli me olhava docemente e eu me perdia em meus pensamentos.
Como falar para uma garota (linda) que acabou de dizer que está apaixonada... Aliás, mais que apaixonada, que sofreu um imprinting por mim, que eu vou embora porque a garota que eu amo, que por acaso está casada com um vampiro, está com saudades de mim e eu estou louco para vê-la?
Como não magoá-la com uma coisa assim? Eu nunca tive um imprinting, não sei como é na pele, mas pelos pensamentos de meus irmãos, eu sei que é algo muito forte. Será que ela ficaria triste? Ah... É obvio que ficaria. E eu não posso levá-la. Não seria justo com ela. Como falar?
- O que está acontecendo, Jacob? – perguntou a garota – Você está estranho. Foi pelo que eu falei... Pelo imprinting?
- Não... É que...
- Olha... Me desculpe... – ela caiu no choro – Eu não queria te assustar ou qualquer coisa assim. Nunca quis te magoar. – Até chorando ela ficava bonita, mas nunca mais linda que minha Bella – Eu não deveria...
Eu à abracei e encostei meu rosto no dela.
- Se acalme, Juli. Por favor, não chore. Não é por causa do que você disse. Eu fiquei feliz – isso não era mentira – Mas eu não posso ficar com você – Ok... Isso é mentira... Eu simplesmente não quero, porque seria injusto com ela.
- Não pode? – ela não chorava mais com culpa – Por que não pode? – agora ela chorava de dor.
Como será que eu posso ser tão mau? Eu sou o pior ser do mundo (depois dos Vampiros)!
Eu conheço essas lágrimas. Eu as derramei há pouco tempo atrás e ainda as derramo muitas vezes. A dor que ela sente eu também sinto. A dor de saber que é amado, mas que isso não é o suficiente.
- Eu tenho que ir pra casa... – e lá estava eu mentindo de novo!
- Me leve com você! Eu vou onde quer que você vá.
AI MEU DEUS!
Por essa eu não esperava!
Ela quer ir comigo para Forks!
E eu só ia pra Forks para saber porque a Bells consegue se comunicar comigo como meus irmãos quando estou na forma de lobo.
- Me leve, Jacob. Me leve com você. – ela suplicava. Era a mesma suplica que Seth usara para me convencer a voltar pra Forks. – Por favor, Jacob. Eu não sei como ficar aqui sem você. Me leve para o seu lar.
O meu lar... Meu lar é um lugar onde não existe nada além de um relacionamento entre Eu e a Minha Bella. Meu lar é o meu coração. É onde quer que eu esteja junto de minha amada. O meu lar é o coração de Bella.
Meu lar é a Bella.
- Jacob, por favor, deixe-me ir com você. – os meus olhos encontraram os dela.
Os enormes olhos verdes, ainda cheios de lágrimas, me prenderam em si. Sem que eu percebesse, eles se aproximavam devagar. Senti algo em meus cabelos. Era uma das mãos da pequena Julianne. A mão se fechou prendendo-se, enquanto a outra prensava minha nuca. Seus olhos já não tinham aquela inocência que costumavam ter. Ela já não se parecia tanto com o anjo que eu julgava que era. E agora, ela estava perto demais para que eu pudesse pará-la. Não que a essa altura do campeonato eu quisesse pará-la.
Ela encostou sua boca na minha e me beijou, não com a delicadeza que eu esperava, mas com uma leve violência. Uma mão puxava minha nuca para que eu não a largasse. E a outra já não se prendia em meu cabelo, agora descia pelo meu corpo, passando pelo meu pescoço, meu peito...
Ah, não. Ela não faria isso. Ela não seria capaz de... talvez ela realmente não fosse tão inocente assim... Mas ela não o faria. Ela não... Ok... Ela está fazendo.

“Tentei me olhar no espelho e encontrar em mim lugar pra ti, mas o reflexo me dizia que você não estava ali e agora sei que você não tem um lugar seguro pra ficar. Desculpa se o mundo foi cruel e te fez perceber que nunca vai dar certo nada que envolva eu e você. Existem coisas que nem mesmo o amor é capaz de solucionar. Mas sofro ao te ver. Quanta solidão e eu sei que isso fui eu que causei. A desilusão e eu tento te acalmar mas eu não sei. Lembrando dessa história eu vejo a culpa cair sobre mim, mas também sei tudo o que aconteceu não foi somente assim. Você nunca soube cultivar em mim o amor que você quer. Deixe de viver intensamente pra viver pra ti. Lembre que os dias felizes foram assim que eu não te vi. Sinto muito mas só estou perseguindo a minha voz, não vou voltar atrás. Entre aqui – Não vou te impedir de entrar – No meu peito – Ouça o coração gritar – E ouça o meu – Tente ao menos escutar – Pranto – Que não vai mais acabar – Olhe aqui – Tente ao menos enxergar – Dentro de mim – Veja o gelo evaporar - E veja que estou frio como o ferro de que eu julgava ser feito. Quanta solidão e eu sei que isso fui eu que causei. A desilusão e eu tento te acalmar mas eu não sei. Entre aqui – Não vou te impedir de entrar – No meu peito – Ouça o coração gritar – E ouça o meu – Tente ao menos escutar – Pranto – Que não vai mais acabar – Olhe aqui – Tente ao menos enxergar – Dentro de mim – Veja o gelo evaporar - E veja que estou frio como o ferro de que eu julgava ser feito e que enferrujou." (Enferrujou – Fresno)


Capítulo 5: Quem de nós dois



Acordei com o sol batendo na janela. Era incrível... E terrível! Eu estava no chão abraçando aquela garota baixinha. Me lembrava exatamente de tudo o que aconteceu, mas... Como? Como foi que a gente fez isso? Como foi que eu fiz?
Sentei-me e fiquei um bom tempo admirando aquele pequeno e nada frágil corpo deitado no chão. Nas costas dela, as marcas de brincadeiras de lobisomens ainda apareciam. Talvez ela não tivesse um poder de cura tão bom quanto o meu. Mas foi bem gostoso arranhá-la e até ser arranhado. Isso parecia loucura até para mim, mas tinha acontecido.
Julianne era uma garota muito estranha. De algum modo me convencera de que o melhor a fazer era ficar e aproveitar, e foi exatamente o que eu fiz. Usei e abusei! E agora... Eu não podia nem aguentar as imagens da noite que se passara.
Eu sentia nojo de mim mesmo. Como eu pude fazer isso? Não me interessa se foi à sensação mais deliciosa que eu já experimentei, isso era errado! E eu fiz!
Levantei-me aos pulos. Vesti minha calça, que por acaso ela tinha encontrado na floresta e lavado, e sai da casa. Não passei do batente da porta antes de perceber que eu tinha que levá-la comigo. Seria a pior coisa que eu faria na vida se a deixasse ali depois de tudo o que aconteceu. EU ME ODEIO!
Voltei até a sala e acariciei os cabelos da menina.
- Juli... Juli, acorde.
Ela abriu os olhos. Sorriu ao me ver.
- Jacob? Você não foi embora?
- Não poderia ir sem você. Vamos? Aceita ir comigo para La Push?
Ela não respondeu, todavia se levantou e rapidamente estava pronta. Detalhe que ela tinha deixado uma mala cheia de roupas já prontas atrás do sofá da sala. Será que ela já esperava que depois do que aconteceu eu a levaria?
- Vamos? – perguntou Julianne sorrindo como se tivesse ganhado uma aposta consigo mesma.
Segurei nas mãos da pequena e saímos juntos da casa.
Ela se despediu de todos na vila e fomos para a floresta. Me despi e ela também. Seria ridículo demais pensar em vergonha depois da noite passada. Então, nos transformamos. Eu, o famoso lobo vermelho de La Push, e ela, a maravilhosa loba branca das neves do Canadá, disparamos por entre as árvores.
Ela guiou-me até a divisa com os EUA e depois eu assumi a liderança.
Ao cruzarmos a fronteira, Sam e meus irmãos se transformaram, talvez para uma caça ou reunião, no entanto o assunto mudou para o mais novo casal - Eca! - de lobos da alcatéia (Eu e a Juli) e a minha volta pra casa.
Todos os irmãos se encontraram na divisa entre Forks e La Push.
Enquanto Leah levava Juli até as outras namoradas de lobos, eu fiquei com os rapazes na forma de humano.
Quil, Embry e Seth pularam em mim todos ao mesmo tempo para um abraço e eu quase cai. Depois cumprimentei os outros antigos e os mais novinhos que eu não conhecia pessoalmente, sinal de que nem todos os vampiros saíram de Forks.
Após toda a festa dos meninos, chamei Sam para uma conversa particular, na qual não pensei nem um segundo enquanto estava transformado – a Comunicação de Bella comigo dias atrás.
- Sam, somos amigos há um bom tempo e eu sei que você sabe o porquê dela conseguir usar nossa comunicação, só peço que me fale. Me explique o motivo dela ser tão... Especial.
Sam concordou em me explicar, mas grunhiu de ódio ao ouvir que Bella era Especial. Nada posso fazer se é exatamente assim que a vejo. Tão especial para mim que nunca, sob nenhuma circunstância, eu deixaria de amá-la. E tanto eu, quanto ela, sabemos que ela também me ama.

“Eu e você, não é assim tão complicado, não é difícil perceber. Quem de nós dois vai dizer que é impossível um amor acontecer? Se eu disser que já nem sinto nada, que a estrada sem você é mais segura, eu sei você vai rir da minha cara, eu já conheço teu sorriso, leu teu olhar. Teu sorriso é só disfarce que eu já nem preciso. Sinto dizer que eu amo mesmo, ta ruim pra disfarçar. Entre nós dois não cabe mais nenhum segredo, além do que já combinamos. No vão das coisas que a gente disse, não cabe mais sermos somente amigos e quando eu falo que eu já nem quero a frase fica pelo avesso, meio na contramão e quando finjo que esqueço eu não esqueci nada. E cada vez que eu fujo eu me aproximo mais e te perder de vista assim é ruim demais e é por isso que atravesso teu futuro e faço das lembranças um lugar seguro. Não é que eu queira reviver nenhum passado nem revirar um sentimento revirado, mas toda vez que eu procuro uma saída acabo entrando sem querer na sua vida. Eu procurei qualquer desculpa pra não te encarar pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa, falar só por falar que eu já não estou nem aí pra essa conversa, que a história de nós dois não me interessa, se eu tento esconder meias verdades você conhece o meu sorriso, lê no meu olhar, o meu sorriso é só disfarce, o que eu já nem preciso. E cada vez que eu fujo eu me aproximo mais e te perder de vista assim é ruim demais e é por isso que atravesso teu futuro e faço das lembranças um lugar seguro. Não é que eu queira reviver nenhum passado nem revirar um sentimento revirado, mas toda vez que eu procuro uma saída acabo entrando sem querer na sua vida.”(Quem de Nós Dois – Ana Carolina)


Capítulo 6: Incompleta



Sam e eu fomos para First Beach para que pudéssemos conversar sem que alguém nos interrompesse.
- Agora me explica, Sam. Porque ela pode se comunicar com a gente?
- Para que você entenda isso, é preciso voltar a alguns bons anos atrás.
Uma brisa leve penteou meus cabelos. Era hora de voltar ao passado.
- Meu bisavô, Levi Uley, tinha uma irmã chamada Dalila Uley. Mas essa minha tia-bisavó conheceu um homem muito rico e fugiu com ele para se casar, já que meu tataravô não aceitava essa união. O homem se chamava Josef Swan.
- Swan? – eu começava a entender a história.
- Eles tiveram um filho chamado Max Swan e esse por sua vez, teve um filho chamado Charles Swan. Esse você certamente conhece, não?
- Quer dizer que a bisavó da Bella é uma quileute? – como é que a Bella é tão branca então? Estranho.
- Por haver muita mistura em seu sangue, Bella não se transformou numa lobis... “lobismulher” ao se aproximar daquele frio, mas subconscientemente ela pode assumir sua forma quileute quando quiser e assim se comunicar conosco. Naquele dia, ela estava muito transtornada com o casamento, muita coisa teria mudado e então teve sua primeira transformação. Sua forma não é mudada exteriormente, mas interiormente ela vira uma loba. Você está entendendo?
Eu vagava por pensamentos distantes. Minha Bella era uma loba, assim como eu, mas era apenas em seu interior. Bella era uma loba. Uma loba.
- Estou entendendo sim. Mas ela tem alguma chance de se transformar fisicamente?
- Estamos estudando o caso dela, é a primeira humana que se transforma em loba interiormente desde a terceira esposa.
- A terceira esposa era uma loba interior?
- Sim. Ela foi à única da história quileute, até que aconteceu isso com a Bella. A terceira esposa morreu cedo demais e não podemos saber o que teria acontecido se ela vivesse mais.
- Quem mais sabe da Bella?
- Paul, Jared, Quil, Embry, Seth, Leah e os anciões.
- Toda essa gente? E ninguém ia me contar?
- Jake, todos sabemos o que você vai fazer agora e, sinceramente, nenhum de nós quer isso. Estávamos tentando evitar que você o fizesse. Julianne era nossa esperança, mas parece que você não sente por ela o que ela sente por você.
- O marido da Bella sabe que ela é uma loba?
- Ele deve ter sentido o cheiro dela mudar, deve ser por isso que ele está de volta a Forks. Deve nos procurar para saber o que aconteceu.
- Edward está em Forks? – um sorriso iluminou meu rosto, Sam não gostou de minha expressão.
- Você ainda não sabia? – ele parecia decepcionado consigo mesmo.
- Ainda não. Vocês cuidam da Juli por um tempo? Tenho algumas coisas para resolver. – eu não podia evitar alargar o sorriso toda vez que pensava em meu plano.
- Não acho muito justo com a Julianne que você se vá assim. – disse Sam com a mesma feição séria de sempre.
- Diga a ela que tive que resolver alguns problemas e que não demorarei muito para regressar. – olhei para Sam e ele estava mais sério que antes. – Você sabe que eu tenho que ir. Não sabe?
- Todos nós sabemos. – ele estava derrotado – Emily cuidará de Julianne enquanto você estiver fora, mas não se demore por lá. Não sei por quanto tempo sua garota vai agüentar ficar aqui sem saber onde você está.
- Sam... Julianne não é minha garota. Minha garota está no Brasil. – dei um sorriso largo e levemente sarcástico. Corri para longe de meu irmão e após me infiltrar na mata, me transformei.
Bella, eu estou indo ao seu encontro. Espere-me.

“Por tudo o que falou e deixou pra trás, por tudo que lutou e não foi capaz de assumir que errou e tentar mudar, de que vale se arrepender agora? Nunca mais me deixe, pois essa dor é tão forte. Difícil olhar pra trás e descobrir que só agora tudo faz sentido e uma volta a mais é impossível. De que vale se arrepender agora? Nunca mais me deixei, pois essa dor é tão forte. Olhe para o mundo e diga o que você não quer falar porque sua vida está incompleta. Olhe para o mundo e diga o que você não quer falar porque sua vida está incompleta. Um caminho, um lugar. Onde está você? Uma chance, um sinal. Onde está você? E um momento onde o sonho acabou. Nunca mais me deixe. Nunca mais me deixe, pois essa dor é tão forte. Olhe para o mundo e diga o que você não quer falar porque sua vida está incompleta. Olhe para o mundo e diga o que você não quer falar porque sua vida está incompleta. Olhe para o mundo e diga o que você não quer falar porque sua vida está incompleta. Olhe para o mundo e diga o que você não quer falar porque sua vida está incompleta.” (Incompleta – Nx Zero)


Capítulo 7: I Promised Myself



Deixando tudo pra trás fui ao encontro do meu amor.
Em menos de um dia já havia chegado na Amazônia. Pensei em parar para encontrar alguma civilização e dormir por lá, mas me lembrei de uma das histórias quileutes que dizia que na Amazônia tem tribos nativas e alguns indígenas são capazes de sofrer a transformação em lobisomens, então desisti. A última coisa que eu preciso no momento é de mais uma nativa sofrendo um imprinting por mim. Embora eu não tenha certeza se isso é possível, preferi não arriscar.
Deitei-me sob uma árvore e cochilei. Pouco tempo depois acordei com uma voz conhecida me chamando. Uma voz maravilhosa que me dá deliciosos arrepios quando ouço. Ela me chamava.
- Jacob... meu Jacob... onde você está?
- Bella? Estou indo te encontrar Bella! Já estou no Brasil. Na Amazônia mais precisamente. Mas preciso saber onde você está para que eu poça te ver.
- Você vem? Não posso acreditar. Estou sentindo tanto sua falta.
- Eu vou, minha Bella. Estou indo. Mas diga... onde você está?
- Estou numa ilha. Ilha Esme. Jake, você não está longe de mim. Posso sentir seu cheiro.
Só aí percebi que um cheiro totalmente novo me rodeava. Era uma mistura quase hipnotizante de humano com lobo, ou melhor, humana com loba. Era ela. Seu cheiro realmente estava muito diferente do que estava acostumado, mas mudou para melhor. Se um dia eu pensei que o cheiro dela era o melhor que eu já tinha sentido, agora eu tinha certeza que o novo cheiro dela era o melhor. Com certeza. Era o cheiro da Bella Humana com toque de um maravilhoso perfume quileute. Algo que ninguém além dela poderia ter.
- Estou indo, minha Bella. Logo estarei ao seu lado.
Comecei a seguir o cheiro. Ele ficava cada vez mais atraente e mais forte. Por fim, não sei o quanto andei até chegar ao mar e avistar aquela pequena ilha. Nadei com a maior rapidez que pude até chegar à terra firme.
Ao sair de água, percebi o quanto estava cansado. Transformei-me em humano e fiquei ali deitado na beira do mar. Tudo o que eu sentia era aquele cheiro inundando meus pulmões, mas estava sem forças e não podia levantar para procurar meu amor. Adormeci.
No sonho, Bella, sem nada à dizer, me levava até os pés de um coqueiro, eu me sentia fraco, mas com ela ao meu lado, o mundo parecia perfeito: a natureza era de uma exuberância fenomenal, as árvores ao nosso redor eram perfeitamente espalhadas e muitas delas possuíam flores que eu jamais vira em lugar algum, haviam pássaros coloridos sobrevoando toda a paisagem e alguns se aproximavam de nós em vôos rasantes. Além de tudo isso, ainda tinha aquele perfume maravilhoso que pertencia a mais maravilhosa de todas as flores, minha amada Bella.
Ela acariciava meus cabelos e pegou algo, que eu não tinha a menor idéia do que era, para que eu comesse. Era algo delicioso, que eu nunca tinha comido antes, me parecia uma pasta com pedaços de frutas das mais diversas, algo totalmente mágico, assim como o resto do sonho.
Por fim, ela se aproximou de mim e disse ao meu ouvido:
- Achei que você tinha se perdido ou desistido de vir atrás de mim. Não aceitaria a opção de você ter desistido. Você é o único que eu sempre tive certeza que sempre estaria comigo. Você é meu porto seguro.
- Eu nunca desistirei de você. Eu prometo Bella, você sempre será meu ideal.
Senti sua face se afastar de meu ouvido, e logo depois ela estava beijando minha bochecha. Virei-me para olhar pra ela. Vi sua beleza descomunal e seu sorriso simples. Vi seu rosto se aproximar do meu. Era o sonho perfeito. Ou talvez o céu. Talvez os dois.
Senti ela me beijando. Me beijando mesmo. Na BOCA! Sem que eu pedisse. Sem que eu forçasse. Sem que eu tivesse que segura-la para que ela não fugisse. Me beijou com uma delicadeza encantadora que aos poucos se alterava para uma sensação de desejo realizado e nesse momento eu já não sabia se o desejo era maior em mim ou nela. Me sentei. A fraqueza passara. Estávamos nos beijando com desejo, com paixão, com um amor repreendido por anos.
Então paramos um pouco para respirar. Não me segurei e falei:
- Eu realmente queria que isso não fosse só mais um dos meus sonhos.
- Sonho?

“Eu prometi que esperaria por você quando for meia-noite. Eu sei que você aparecerá. Eu me prometi. Eu prometi o mundo a você e lhe dei flores e você fez meus sonhos se tornarem realidade. Quantos de nós estão por aí sentindo a necessidade de correr e procurar um abrigo. Eu me prometi que rezaria uma oração por você quando amanhã todos seus desejos se tornarem realidade. Eu me prometi. Eu prometi. Eu Prometi que recompensaria você. Meus irmãos sabem que estou apaixonado por você.” (I Promised Myself [Tradução] – A-Teens)


Capítulo 8: Enrosca



Certo! Agora eu estava completamente maluco! Não teria outra explicação.
- É. Sonho. Isso é um sonho, não é?
Bella riu como se tivesse ouvido a coisa mais engraçada do mundo.
- Não, Jake. Isso não é um sonho.
- Não? Como não?
- Oras, não é sonho algum! – ela continuava a rir – Você sonha comigo?
- Apenas sonho com você todas as noites que consigo dormir e todos os dias que não posso me dar ao luxo de fechar os olhos. Apenas sonho com você, o tempo que é possível sonhar. Apenas sonho com você por não poder deixar de te amar.
Olha o que eu disse! Eu nem sabia que podia dizer essas coisas bonitas... UHULL... To aprendendo a ser romântico. Haha! Eu sou demais!
Minha Bella corou imediatamente. Incrível como aquele tom branco de pele que ela tem fica lindo avermelhado.
- E o que você sonha comigo? – perguntou ela tímida.
- Sonho com momentos como o que estava acontecendo agora... eu e você numa ilha deserta maravilhosa nos beijando, nos desejando, nos amando... essas coisas que eu sempre quis.
- E agora você pode ter tudo isso. – ela me abraçou e cheirou meu pescoço – Sabia que seu cheiro é maravilhoso?
- Você nem imagina o seu, Bells.
- Ah é? É bom mesmo?
- Bom? É o cheiro mais encantador, fascinante e sedutor que eu já senti...
- Sedutor? Meu cheiro é sedutor?
- Bella – Ok! Eu não acredito que vou falar isso tão descaradamente – Você inteira é sedutora! Você é linda de dar inveja em qualquer um, é inteligente, simpática, carinhosa, cheirosa... você é a mulher perfeita! – MINHA mulher perfeita!!
- Ninguém é perfeito, Jake.
Eu sorri e a beijei. Ela retribuiu o beijo e entre selinhos, e beijos daqueles, fomos nos deitando na areia molhada.
Meu Deus! Como eu amo essa garota! Já sentiu como se nada no mundo fosse mais importante que certo alguém? Essa era a minha relação com a Bella. Nada no mundo é mais importante que ela. E nada poderia me fazer deixar de amá-la.
Com tantos beijos, percebi o quão nu eu estava. Não que ela estivesse muito vestida, – usava uma saia curta rosa claro e uma camiseta regata branca, sem contar que era possível ver claramente o biquíni rosa por baixo da sua blusa – mas pelo menos ela estava com alguma roupa! Eu estava nu! Sem roupa nenhuma! Que vergonha.
Mas a vergonha logo passou, pois ela começou a abusar da minha nudez. Minha Bella era perfeita e era minha. Ela me beijava tão decididamente que algumas vezes parecia que ela mandava e eu obedecia. Bem... acho que era isso mesmo que acontecia.
E entre beijos e abusos, a blusa foi arrancada, a saia escorregou para longe.
Ela me queria. Eu a queria também. Nós nos queríamos além do que nossa razão poderia suportar. E essa razão não durou muito tempo. Éramos lobisomens. Lobisomens são impulsivos, instintivos e decididos. E nós dois decidimos que seriamos um só e que seriamos felizes assim.
O biquíni não mais vestia minha garota. E ela era linda. Mais linda do que eu previa, mais linda do que eu imaginava, mais linda do que quando me aparecia assim em meus sonhos mais loucos.
Os beijos dela me entorpeciam e me arrepiavam. Nada era igual a essa sensação. Sensação de ser amado pela pessoa que tanto ama. Sensação de ser desejado sem limites.
Nossos corpos se encaixavam perfeitamente. Eu me sentia forte. Eu sabia o que ela queria. Minha Bella era a melhor de todas. E eu podia deixá-la feliz. Ela desejava que eu o fizesse.
E eu o fiz.
- Jake... eu sou sua.

“Enrosca em meu pescoço, dá um beijo no meu queixo e geme. Geme. O dia ta nascendo e nos chamando pra curtir com ele. Adoro esse sorriso bobo e a tua cara de assustada. Enrosca em meu pescoço e não queira mais pensar em nada. Enrosca em meu pescoço, dá um beijo no meu queixo e geme. Geme. O dia ta nascendo e nos chamando pra curtir com ele. Adoro esse sorriso bobo e a tua cara de assustada. Enrosca em meu pescoço e não queira mais pensar em nada. Encosta o seu ouvido em minha boca que eu te volto tonta, desliza sua mão no meu cabelo e aperta minha nuca. Adoro o seu sorriso bobo e a sua cara de assustada. Enrosca em meu pescoço e não queira mais pensar em nada. Pensa em nada. Enrosca em meu pescoço e não queira mais pensar em nada. Pensa em nada. Enrosca em meu pescoço e não queira mais pensar em nada. Pensa em nada. Adoro o seu sorriso bobo e a sua cara de assustada. Enrosca em meu pescoço e não queira mais pensar em nada. Pensa em nada. Enrosca em meu pescoço e não queira mais pensar em nada.” (Enrosca – Sandy e Junior)


Capítulo 9: Caso sério



Bella e eu nascemos para ficarmos juntos. Ela era totalmente incrível. E eu sabia como deixá-la feliz.
Nossos dias eram maravilhosos. Montamos uma casinha de madeira – não queríamos usar o mesmo lugar de Edward – e nosso dia-a-dia era perfeito.
Nós acordávamos cedo, eu montava um super café da manhã, cheio de frutas e fazia sucos. Almoçávamos e jantávamos - a comida que Edward trouxe mesmo – e ainda tínhamos chá de tarde com frutas... sinceramente, acho que emagreci.
Durante o dia nadávamos, conversávamos... nos amávamos também, claro.
Mas, depois de uma semana de perfeição, durante uma de minhas transformações pra caçar, algo me chamou atenção.
Quil pedia para que eu voltasse insistentemente, eu respondia que não, ele falava que era necessário que eu voltasse e eu dizia não, então Sam entrou na conversa e mandou-me voltar porque coisas muito importantes estavam acontecendo e que Edward estava voltando.
Óbvio que agora, decididamente, eu não voltaria. Chegara, finalmente a hora de eu me livrar daquele vampiro inútil e maldito. Vários planos foram esboçados em minha mente e todos tinham chance de darem certo. O único problema era aquele dom ridículo dele poder ler pensamentos... e isso diminuía minhas chances.
Sam ordenou que eu voltasse. Já não era um pedido, e sim uma ordem. Por ele ser o líder, eu tenho que seguir tudo que ele ordena afinal. Mas agora eu poderia ser o líder. O líder da minha vida. Sam não precisava mandar em mim.
Transformei-me em humano novamente e fui pra minha casa, onde Bella me esperava.
- Jake... temos que conversar.
- Fala meu amor. – respondi indo beijá-la, mas ela se afastou de mim. – O que foi?
- Jacob, eu não sei como dizer isso, mas... eu estou grávida.
- Está falando sério? – Uau, ela me pegou de surpresa – Isso é... incrível, Bells! Vamos ter um filho.
- Não vamos, não!
- O quê?
- Eu terei um filho.
- Não entendo... – ela está me confundindo.
- Esse filho não é seu, Jake! Lembre-se... eu tenho um marido.
- Mas ele te abandonou no dia após o casamento.
- Mas muita coisa aconteceu antes dele me deixar...
- Então ele... e você... – era algo nojento de se pensar.
- Não é pra isso que serve a noite de núpcias?
Meu mundo caiu. Bella estava grávida daquele vampiro maldito! Não podia ser verdade! Minha vontade de matá-lo crescia a cada segundo.
- Jacob, vá embora. – disse ela com a cabeça baixa.
- Não posso ir embora. Estamos juntos agora.
- Jacob, pegue suas coisas e vá embora. Eu tenho meu marido e ele vai voltar, eu sei!
- Bella, não posso te deixar sozinha nesse estado.
Ela levantou os olhos e disse séria:
- Vá embora! Deixe-me em paz com meu marido e meu filho! – ela começara a gritar – Eu estou casada com Edward. Eu e você não podíamos ter acontecido. Foi uma fraqueza, mas já passou. Agora vá! - Bella saiu correndo, mas vi uma lágrima escorrendo em seus olhos – Eu não te quero mais, Jacob Black!
Eu já tinha ouvido o bastante. Peguei as poucas coisas que tinha e comecei meu caminho de volta a La Push, onde eu sei que talvez haveria uma garota que me ama de verdade e não quer apenas me iludir.
Obrigada por me amar, Julianne.

“To com dor de amor dessas de morrer, diz o que fazer, perdi minha amada. Sabe aquela dor que sangra o coração, só quem já sentiu pode entender. O amor é caso sério, ninguém vence esse mistério. Freud não explica e nem mesmo a Deusa Vênus do amor ensina. Aí, eu não consigo entender por que você me abandonou e é tão difícil pra mim me acostumar sem teu calor” (Caso Sério – Kebra Kabeça)



Capítulo 10: Pensamentos



O que será que ela pensa que eu sou? Talvez pense que sou um boneco... um simples bonequinho que você brinca o quanto quer e quando não quer mais joga fora... manda embora...
Talvez ela pense que sou um objeto... um objeto sem real significado, que serve apenas para alguns momentos, mas que na verdade é inútil.
Estou achando seriamente que ela pensa que eu, por ser um lobisomem, não tenho sentimentos.
Será que eu realmente sou sem importância? É normal se sentir um lixo quando se percebe que você foi usado? É normal achar que você não deveria existir?
Eu nunca quis atrapalhar o casamento dela... Ok! Eu quis sim... e muito! Mas não pensei que isso fosse me machucar! A idéia era machucar o marido dela, não a mim mesmo. E cá estou eu, vagando por caminhos obscuros em busca de um lar seguro.
Eu tinha tudo o que sempre quis, ou pelo menos pensava que tinha, e perdi... perdi feio. Fiquei sem nada. Saí de mão abanando, com o rabo entre as pernas – literalmente – e com a vida destruída. E eu que pensava que finalmente eu poderia ser feliz...
Você já teve a impressão que a felicidade não existe pra você? Ou que o sol não nasce para poder te aquecer? Ou até que você não tem um porquê de continuar a viver?
Deve ser isso que me falta... motivo pra viver. Os meus já se acabaram e não consigo perceber nada que possa me fazer mudar isso.
Eu queria tanto ser alguém normal. Ter uma vida normal. Ir pra escola, paquerar a garota super-popular e linda da sala ao lado, montar carros e, de noite, dormir em paz, sem que eu tenha que passar as madrugadas protegendo as pessoas do perigo mortal oferecido pelos malditos vampiros, que há poucas horas descobri que podem ter filhos... engravidar pobres menininhas humanas lindas...
Droga, Bella! Por que não paro de pensar em você? Não quero uma vida inteira de foras, desilusões... Bella, sua ingrata, eu quero ser feliz! Saia da minha cabeça agora! Saia de meus pensamentos! Não quero pensar em você.

O caminho para La Push me parece mais cansativo do que o que eu fiz para o Brasil. Estou tão cansado, tão exausto, tão deprimido.
E se esse fosse realmente o meu fim? E se eu dormisse aqui, já que anoiteceu, e amanhã eu não acordasse? Será que alguém sentiria minha falta? Será que alguém ficaria triste por não mais poder me ter para junto de si? Talvez isso fosse o melhor a acontecer. Eu morrer.
Não! Não posso morrer assim! Não posso morrer sem ter sentido o que é o amor de verdade! Eu não vou abandonar minha vida sem ter provado da alegria do amor! A ilusão não é suficiente para que deixe o mundo pra trás... tem que existir uma saída.
Julianne, eu posso ver sua beleza refletida em meus olhos, seu rosto inocente, seu tamanho frágil e seus olhos carinhosos. Ela faz de tudo para me agradar. É tão gentil, meiga, doce. O calor de pela dela me aquece – não que eu precise dele para me manter quente, mas é algo excitante – e ela faz com que eu me sinta mais feliz.
Talvez Juli possa ser a razão de eu existir. Talvez eu só não tenha percebido isso antes porque estava cego de paixão pela Bella. Talvez agora eu tenha que me desculpar com a pequena para poder fazê-la feliz como ela me faz.
Julianne, minha vida, não te preocupes mais, estou indo te encontrar e não vou mais te deixar. Não chores por mim, pois logo estarei ao teu lado para te proteger e ser o homem – lobisomem – que tu sempre sonhaste.
Minha pequena, eu não demorarei a chegar, não quero ficar longe de você nem mais por um segundo. Você será minha força para seguir em frente, ir pra casa sem espera. Você será minha alegria, minha vida, meu porto seguro. Você é tudo o que eu preciso.
E só assim poderei dormir com a certeza de que eu vou sonhar e voltar a ter boas memórias em um mundo que eu não estou só.

“Olho, não tem ninguém por perto, fugi do mundo e do tempo. Na lembrança, o teu perfume certo sempre vem com o vento. Na memória já enlouquecida, apenas um sorriso que você deixou, mas porque apareceu na minha vida se eu estava em paz quando você deixou. Pensamentos flutuam porque tem que ser assim. Eu tenho medo de esquecer como é sonhar. Sentimentos que vou guardando só pra mim enquanto isso espero você voltar.” (Pensamentos – Jeito Moleque)


Capítulo 11: Por enquanto



Para a surpresa de todos, cheguei a La Push um dia depois de sair do Brasil. Meus irmãos correram ao meu encontro. Seth, Embry e Quil pularam em mim e caímos os quatro no chão. Sam me olhou orgulhoso por eu ter voltado pra casa. Os outros me cumprimentaram sorridentes.
Emily e Leah levaram-me até a casa de meu pai, onde Julianne estava hospedada.
Quando me viu, meu pai me puxou e me abraçou forte, dizendo que estava com saudade e que estava feliz por eu estar de volta. Eu disse que o amava e que a partir daquele momento eu não iria mais deixá-lo.
Fui para o meu quarto, onde Julianne estava dormindo tranquila. Fiquei com pena de acordá-la e então me deitei ao lado dela. Percebi que a cama era nova e bem maior que a que eu costumava dormir – eu estava com o corpo inteiro dentro dela - e muito melhor que a velha.
- Jacob... – murmurou a pequena.
- Estou aqui, Juli. Estou de volta.
Aos poucos, ela foi abrindo os olhos, meio abismada, mas assim que percebeu que era eu mesmo ali ao lado dela, Julianne se levantou e me abraçou.
Ficamos abraçados por um bom tempo e nos beijávamos muitas vezes.
- Eu sabia que você voltaria. Sabia que não tinha me deixado de verdade. Que era uma separação temporária.
- E eu sabia que quando eu voltasse você estaria me esperando com os braços abertos. Desculpe-me por ir embora sem me despedir. Sei que o que fiz foi errado, mas agora eu voltei pra você e por você.
- Eu te amo tanto Jacob Black, que seria capaz de dar minha vida para te ver feliz.
- Isso não será necessário. Quem irá protegê-la sou eu e não o contrario.
Juli sorriu e com o sorriso dela eu me alegrei.
- Jacob... temos que conversar.
- Fala meu amor. – respondi indo beijá-la, mas ela se afastou – O que foi?
- Eu não sei como te dizer isso, mas... eu estou grávida.
Meu corpo estremeceu. A mesma situação. A mesma imagem. Foi como uma punhalada pelas costas. Juli também estava grávida. Juli também me deixaria...
- G-g-grávida? – gaguejei.
- É, Jacob, essas coisas acontecem quando as pessoas não se cuidam quando fazem... você sabe o que.
Fiquei sem reação. Com quem mais será que ela tinha feito aquilo sem se cuidar?
- Olha... não se preocupe... a gente vai conseguir cuidar do nosso filho. – ela disse passando a mão em meu rosto pasmo.
- Nosso filho? Quer dizer que... você está grávida de um filho meu? – perguntei instintivamente.
- Obviamente. Quero dizer, eu só fiz isso com você então... de quem mais seria?
Eu a puxei e a abracei tão forte que tive medo de quebrar os ossos dela.
- Julianne, eu te amo tanto! Nunca vou te deixar. E essa criança que vai nascer – eu disse pondo a mão na barriga dela – Terá os pais que mais se amam no mundo.
Eu sorria bobamente. Não é a coisa mais fácil de acreditar que eu teria um filho.
Teoricamente, eu sou muito novo para saber cuidar de um bebê, mas fisicamente eu tenho uns 25 anos, idade suficiente para se ter um filho. Julianne, quando nos conhecemos, contou-me que ela tinha 22 – na época, ela ficou chocada que eu era tão mais novo que ela, mas após tanto tempo com os quileutes, ela já deve ter percebido que é culpa da transformação – então nós dois estamos preparados para sermos pais.
Por mais incrível que pareça, essa foi a melhor notícia que eu tive até hoje. Eu serei pai de uma criança, cuja mãe teve um imprinting por mim e eu a amo.
- Juli, nós seremos a família mais feliz do mundo.

“Mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão diferente. Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre, sempre acaba. Mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém só penso em você e aí então estamos bem. E mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está, nem desistir nem tentar, agora tanto faz. Estamos indo de volta pra casa.” (Por Enquanto – Cássia Eller)


Capítulo 12: Se eu não te amasse tanto assim



Julianne e eu ficamos no quarto por mais um tempo.
- Todos os outros já sabem? – perguntei.
- Eu falei pra Emily, mas acho que ela falou pro Sam e aí... fica difícil de esconder.
- É... sei como é isso. Você esta se sentindo mal?
- Passei dois dias seguidos enjoada, foi aí que comecei a desconfiar. Falei pra Emily e ela comprou um teste de farmácia pra mim. Deu positivo. E depois disso o enjôo diminuiu. Hoje eu não tive, mas ontem foi muito forte.
- Foi no médico?
- Ainda não. – respondeu ela corando um pouco.
- Então amanhã eu te levo. Você precisa se cuidar e cuidar desse bebê.
- Eu sei, Jacob, eu sei.
- Está com fome? Vou buscar algo pra eu comer.
- Na verdade... estou com um pouco de fome sim.
- Está bem, minha linda. Já volto.
Saí do quarto e fui para a cozinha, onde estavam meu pai, meus irmãos e irmãs.
- Emily... tem alguma coisa pra comer? Eu, minha mulher e meu filho estamos com fome.
Todos os presentes riram e muitos me abraçaram, deram parabéns... eu estava flutuando de alegria.
Emily preparou muffys, omeletes e tirou o pão caseiro que tinha feito do forno.
Quil me chamou de lado.
- Viu o porquê eu pedi tanto que você voltasse?
- Vi sim. Obrigado por me chamar. Sei que ela precisa de mim.
- E como foi ?
- Bom... resolvi todos os problemas pendentes... Bella está casada e muito feliz com o marido que escolheu e eu estou apaixonado pela Juli. Sem contar que as duas estão grávidas então...
- Bella está grávida?
- Está sim. Pode-se dizer que ela se divertiu bastante na noite de núpcias. – falei tentando não demonstrar minha raiva.
- Eu não esperava isso dela.
- Nem eu, Quil. Ela me pegou de surpresa com essa novidade.
- Você ficou triste com isso, né?
- Não! – disse instintivamente – Ela faz o que quiser da vida dela. Bella já é bem grandinha pra saber o que é certo e errado.
- Não fique tão chateado, Jacob. Você sabe que ele sempre teve um “controle” sobre ela. Eles juntos são como a escuridão da noite... algo inevitável.
- Eu já entendi isso. Vou esquecê-la. Agora tenho mais com que me preocupar... Juli, meu filho, minha vida, minha família, minha alcatéia.
- Mas Bella ainda é humana?
- Totalmente. – respondi.
- Então o filho dela será... uma aberração!
- O quê? Que quer dizer?
- Será filho de um vampiro com uma humana. Percebe?
Nesse momento, Emily gritou.
- Jake! Você não disse que estava com fome? Está tudo pronto!
Peguei um pouco de cada maravilha culinária de Emily e fui para o quarto.
- Aqui está a comida, amor.
- Obrigada, Jacob. Eu te amo.
- Eu também te amo. – respondi beijando-a.
O que seria capaz de fazer um vampiro vivo com sangue correndo na veia? Ou o que será capaz de fazer um bebê vampiro? Uma verdade não saía da minha cabeça: Bella dará a luz a um ser muito diferente.

“Meu coração sem direção, voando, só por voar, sem saber aonde chegar, sonhando em te encontrar nas estrelas onde eu descobri o seu olhar, as estrelas vão me guiar. Se eu te amasse tanto assim talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vim e dentro do meu coração. Hoje eu sei que eu te amei num vento de um temporal, mas fui mais, muito além do tempo do vendaval. Os desejos e um beijo que eu jamais provei igual. E as estrelas dão o sinal. Se eu te amasse tanto assim talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vim e dentro do meu coração. (Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim – Ivete Sangalo)



Capítulo 13: Amor sincero



No dia seguinte, Juli e eu acordamos cedo. Montei um café da manhã pra ela com o que tinha em casa: ovos, bacon e pão. Peguei o meu carro (fazia tempo que eu não o dirigia) e a levei para o hospital de Forks. Fizemos uma consulta com o Dr. Carlisle Cullen – infelizmente ele era a única opção para atender lobisomens sem falar “AH! Meu Deus! Com uma temperatura dessas, você deveria estar morta!” e, seja como for, ele é um dos poucos vampiros em que eu confio.
O médico falou que era preciso que Juli comece mais frutas e verduras para o bom desenvolvimento do bebê, assim como diminuir os lipídios e manter alta a quantidade de carboidratos e proteína. Pediu para que ela bebesse leite para que aumentasse a quantidade de cálcio, o que fortaleceria os ossos dela e do bebê.
Ele fez um ultra-som nela e viu aquele pontinho na barriga dela. Um coração que batia. Apenas um bebê.
Por fim, o Cullen me chamou para uma conversa particular em outra sala dentro do consultório.
- Então, o senhor finalmente achou a pessoa certa.
- Sim, Dr. Cullen. – eu tinha certeza que ele iria colocar Bella na conversa.
- Ficou sabendo que meu filho e Bella também terão um filho?
- É... estou sabendo sim. Serão os primeiros a tentar uma prole desse tipo, não?
- Sabe também que Bella é uma semi-lobisomem, não sabe?
- Na verdade, o caso dela é chamado de Lobisomem Interior ou Licantropismo Interior. Só tivemos informação de um caso desses e foi há muito tempo atrás.
- Por ela ter essa “doençalicantrópica, eu lhe posso que traga regularmente a sua esposa para que eu consulte e possa saber melhor como cuidar de meu neto. – ok! Essa parte eu gostei. Parecia até que aquele vampiro velho estava implorando minha ajuda.
- Você também não tem a mínima idéia do que poderá nascer no caso da Bella, né? – eu questionei – Mas não se preocupe. Eu quero o melhor para meu filho e por mais incrível que isso possa parecer, a cada minuto eu acredito mais que com sua ajuda ele nascerá perfeito. Até porque você dependerá do meu filho para tratar do seu neto. – ameacei.
- Então posso contar com você?
- Tem minha palavra. Estaremos sempre por perto até o nascimento do meu filho e do seu neto. Nada além disso. Mais alguma coisa?
- Não. Terminamos por hoje.
Voltamos para a sala de consulta, onde Julianne nos esperava.
O médico nos levou até a porta do consultório.
- Espero vê-los em breve. Que tal daqui a quinze dias?
- Certo. Até mais, doutor. – concordou Juli.
- Se precisar de qualquer coisa sobre o outro assunto, pode me chamar. Tentarei resolver o mais breve possível.
- Não se preocupe. Eu o chamarei se algo acontecer. – prometeu o médico.
Eu e Juli saímos do hospital. Na volta pra La Push, paramos numa quitanda e compramos todos os tipos de comida que o Cullen receitou.
- Qual é o outro assunto que você falou com ele? – perguntou Julianne no carro enquanto voltávamos pra casa. Eu estava sem escapatória. Teria que explicar.
- O filho vampiro do Dr. Vampiro é casado com minha melhor amiga, que é uma humana que sofre de licantropismo interior e agora ela está grávida. Ele pediu para que eu o ajudasse a estudar o caso, que é algo que nunca aconteceu.
- Entendo. Deve ser um caso difícil.
- Você nem imagina o quanto, meu amor. – agora que eu resolvi esquecer a Bells, serei obrigado a falar dela pelo menos de quinze em quinze dias. Olha as encrencas que eu me meto.
Tudo bem. Agora tenho que pensar na minha vida. Na minha vida com Julianne. E no meu filho.
Parei na frente de minha casa. Decisão tomada. Virei-me para a mulher ao meu lado.
- Julianne, aceita se casar comigo?

“Foi num piscar de olhos e tudo se apagou, já eram novos tempos, tudo se transformou e eu fiquei perdido no mesmo lugar vendo pessoas indo e outras a chegar. Você não vai saber tão pouco entender, pois o sol ainda te esconde coração. Eu só quero um amor sincero, que toque minhas mãos e faça minha vida mudar. Eu só quero um amor sincero, que toque minhas mãos e faça minha vida mudar. Eu não consigo ver aonde você vai, sinto que estou mais velho, preciso caminhar. As noites são mais longas e os dias são mais curtos. Eu vou entregar minha alma e resolver o mundo. Você não vai saber tão pouco entender, pois o sol ainda te esconde o coração. Eu só quero um amor sincero, que toque minhas mãos e faça minha vida mudar. Eu só quero um amor sincero, que toque minhas mãos e faça minha vida mudar.” (Amor Sincero – Rosa de Saron)


Capítulo 14: As dores do mundo



Julianne ficou muda, parada e me olhando com uma expressão pálida e levemente abobada por um bom tempo, me pareceu uma eternidade. Pergunto-me no que ela pensava antes de responder a pergunta (talvez) mais importante de sua vida.
Enfim, após tanta demora, ela deu-me um sorriso inocente e abraçou-me. Em meu ouvido murmurou um “sim” tremido, mas com certeza alegre demais.
Respirei aliviado, flutuando em meus próprios pensamentos, mais encantado que nunca.
Incrível pensar em como essa sensação foi boa. Eu nunca senti nada igual em toda minha vida. Era uma sensação de liberdade (não libertinagem) misturada com aquela maravilhosa sensação de dever cumprido.
Eu me casaria com uma bela garota, mãe de meu filho, que me ama incondicionalmente e que eu aprendi a amar incondicionalmente. Devo dizer até que acredito que eu também tive um imprinting pela Juli, assim como ela teve por mim. Afinal, não há outra explicação pelo modo que a amo.
E é uma explicação muito concreta se levarmos em conta que eu nunca tinha olhado mesmo pra Juli antes daquele “evento” com a Bella, isso devido a eu estar cego de amor pela mulher do vampiro. A partir do momento em que eu tirei a Bella da cabeça, abri espaço em meu coração e, principalmente, tirei as vendas de meus olhos, fazendo-me enxergar o mundo do jeito que realmente é. Só então olhei pra Julianne e a vi.
Julianne não era só uma garota que eu conheci no Canadá. Julianne era, é, e sei que sempre será a mulher da minha vida.
Entramos em casa e pra variar tava cheia de lobisomens e suas companheiras, até Leah estava lá. Isso me deixou impressionado. Meu pai deveria ter dito a todos que eu levei a Juli ao médico e os esfomeados ficaram curiosos.
Logo que entramos, Emily já veio perguntando:
- E aí? Como foi lá no médico? É menina?
Explicamos a ela (e a todos os outros curiosos presentes) que só dá pra saber ao certo o sexo do bebê a partir do quinto mês e isso os desanimou um pouco.
Mas logo a animação voltou ao lugar quando eu disse que pedi a Juli em casamento. Aí foi aquela loucura das meninas combinando tudo sobre o casamento, chá de cozinha, chá de bebê... mulheres...
Meus irmãos me abraçavam e davam cutucões em mim com ar de brincadeira e eu ouvi eles gritando...
- Além de pai, agora o pequeno Jacob será marido.
E todos riam em apoio com a novidade. Leah (louca para ter seu casamento com Aaron – um garoto quileute que estudou com ela anos atrás por quem ela teve um imprinting ontem à noite num lual em First Beach [finalmente!!]) ficou como organizadora oficial do meu casamento e se dispôs a ajudar em tudo o que for preciso. É verdade quando dizem que o amor muda as pessoas.
Julianne estava tão graciosa em meio aquela empolgação geral. Agia com perfeição em cada detalhe, dando atenção a cada garota interessada no bebê ou no casamento, e dava atenção até mesmo aos rapazes loucos que perguntavam se podiam organizar minha despedida de solteiro. Para esses últimos ela simplesmente respondia:
- Acho que o Jacob é bem grandinho para poder resolver isso sozinho.
E depois ria na cara deles com um desdém simpático que só ela conseguiria ter numa situação assim. Ela levava as brincadeiras na esportiva e nem se importava com as palhaçadas dos meus irmãos. Isso realmente é bom, já que eles sempre estarão por perto.

Hoje vejo que não importa o que aconteça, eu só quero ser feliz com a Julianne e meu filho ao meu lado. Quero construir uma família. Quero ter a maior felicidade que um homem pode ter. Amar e ser amado.

“O meu olhar caiu no teu, a tua boca na minha se perdeu. Foi tudo lindo, tão lindo foi e eu nem me lembro o que veio depois. A tua voz dizendo amor, foi tão bonito que o tempo até parou. De duas vidas uma se fez e eu me senti nascendo outra vez. E eu vou esquecer de tudo, as dores do mundo. Não quero saber quem fui, mas sim quem sou. E eu vou esquecer de tudo, as dores do mundo. Eu só quero saber do seu, do nosso amor.” (As Dores do Mundo - Jota Quest)


Capítulo 15: Ano que vem talvez



Os quinze dias seguintes passaram voando. Tirando, é claro, as noites que minha pequena amada acordava de madrugada pedindo alguma fruta louca, tipo pitaia, lixia, figo da índia, damasco... e eu tinha que me virar pra conseguir a tal fruta caso não quisesse que meu filho nascesse com cara de fruta... viajava longas distâncias só por um pouco da fruta, mas tudo valia para vê-la feliz quando eu voltasse.
Sinceramente, eu a olhava comendo aquelas coisas e me perguntava... Como ela consegue comer isso?... pois é, mulher grávida come até tijolo.
Fiquei chocado noite passada, quando ela me cutucou de madrugada pedindo de verdade um tijolo vermelho da construção da esquina para comer... aí foi o fim da picada! Virei pra ela e comecei a dar um sermão sobre como aquilo poderia afetar o desenvolvimento do bebê e, depois de muita insistência, ela trocou o tijolo vermelho por um morango bem maduro com chantili. Ufa!

Pela manhã, fizemos mais uma visitinha ao Dr. Vampiro Cullen.
Ele fez aquela batelada de exames na minha baixinha e me chamou pra nossa reunião sobre aquele caso.
- Primeiro, devo dizer que seu filho está se desenvolvendo muito bem e isso prova que está seguindo minhas recomendações.
- Ah! Claro! Quero o melhor para o meu filho.
- Segundo, Julianne está aparentando estar muito mais feliz desta vez do que da última vez que nos vimos.
- Vamos nos casar, doutor. Não se preocupe que logo traremos o convite pra você e sua família. – falei espontaneamente, mas senti que dei um sorriso sarcástico. O médico enrijeceu o rosto. – Estão todos convidados. Será em La Push, mas Sam já concordou em abrir uma exceção ao trato no dia do casamento. – expliquei.
O Dr. Cullen se manteve sério, mas sinto que ele aceitou o convite. Pouco depois ele voltou a falar.
- O bebê não parece ser diferente dos outros no seu desenvolvimento, ao menos nesse primeiro mês, mesmo sendo filho de lobisomens.
- O fato, doutor, é que não nascemos lobisomens. Todos nós nascemos como crianças normais, com obviamente sangue de lobo correndo nas veias, mas esse gene só é ativado na presença constante com... vocês.
- Então é como se vocês não fossem lobisomens quando são pequenos?
- É, na verdade, virei lobisomem aos 16 anos. Antes disso, eu era uma criança como outra qualquer. Assim, aconteceu com todos os outros. A única coisa que muda é a idade de transformação, no resto... somos todos iguais.
- Iguais até demais. O cheiro de vocês é horrível! – murmurou o vampiro mais pra si próprio do que pra mim, mas não resisti em fazer-lhe uma careta.
- Mas vamos ao que interessa ao senhor... como está Bella e o bebê?
Carlisle, que no momento olhava para uma pequena mancha de iodo em seu sapato branco, levantou a cabeça de pronto, notoriamente afetado pela minha pergunta.
- Bella? Hm... Bella está bem. E o bebê dela também. – respondeu voltando a olhar para o sapato. A resposta não me convenceu.
- Ela já voltou da lua-de-mel? – investiguei.
- Não. Eles resolveram aproveitar mais um pouco por lá. – mais uma vez não me convenceu. Meu Deus! Esse médico mente muito mal!
- Está passando em consulta por lá? Quero dizer... isso seria importante, não?
- Eu estou viajando pra lá em minhas folgas para consultá-la. – enfim uma resposta convincente.
- Mas não há nada de errado, certo?
- Não se preocupe, Black. Eu te aviso se precisar da sua ajuda.
Ah, minha Bella. A vida não é tão doce quanto parece. Sei que agora você está aí, em algum lugar, lutando pelo seu filho (não há outra explicação para a atitude do médico) e não sabe o que pode acontecer.
O que houve com a Bella que eu conheci há alguns anos atrás?

“Sem nostalgia, sem querer de volta o que não é mais meu. Ta tudo indo bem e espero que com você também. Episódios se repetem, novas coisas acontecem, parece tão estranho existir, ainda não me acostumei... Ano que vem talvez. Nem sei tudo o que você me disse. O melhor já foi, mas o melhor está por vir. E os dias ruins também não foram tão ruins assim. Sem drama dessa vez! Todos os dias eu gostaria de aprender a envelhecer. Se está tudo indo bem é porque ontem encontrei você. Episódios se repetem, novas chances aparecem e a eterna dúvida do que virá depois. Ainda não me acostumei... Ano que vem talvez. Nem sei tudo o que você me disse. O melhor já foi, mas o melhor está por vir. E os dias ruins também não foram tão ruins assim. E agora é nossa vez! Sem drama dessa vez!” (Ano Que Vem Talvez – CPM 22)


Capítulo 16: Fico assim sem você



Graças à Leah, meu casamento com Julianne já estava totalmente organizado em menos de um mês. O casamento marcado, a festa toda organizada na praia - com DJ, música ao vivo, muita comida (Dã! Lobisomens!) -, lua-de-mel no Havaí - passagens e hospedagem num hotel foram presente de minha irmã Rebecca -,tanta coisa... eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo.

Nos casamos dia 03 de outubro. Juli estava linda! Um vestido branco leve, que ia até a altura dos joelhos, a vestia lindamente, em sua cabeça uma tiara de rendas e flores que se ligavam a trança em seu cabelo. Os pés descalços como os meus. Eu vesti uma bermuda e uma camiseta branca.
Estavam presentes todos da matilha e seus respectivos imprinted, minhas irmãs e meu pai, Sue, Charlie Swan, alguns Cullens - Carlisle, Esme, Alice e Jasper -, a família de Julianne, alguns conhecidos de La Push e Forks.
Não fez sol, mas também não choveu. As nuvens que cobriam o sol me lembraram que eu era o sol de um certo alguém que era melhor não mencionar no momento e que eu, para ela, superava as nuvens e chuva. Só não superava o doloroso eclipse.

Pára, Jacob! Forcei-me a parar de pensar no assunto. Hoje é meu casamento!

Era maravilhoso ver toda aquela gente que nos amava nos apoiando na decisão mais importante da nossa vida. Casamento.
Saímos da festa durante o crepúsculo e fomos para o aeroporto.

Curtimos o Havaí até não querermos mais. As praias quentes e ensolaradas, as ondas gigantes, o sol escaldante, as pessoas sorridentes e a certeza de estar com a pessoa certa ao meu lado - para sempre!
Os desejos de grávida de Juli não paravam. Ela pedia cada coisa... Juli, minha amada esposa, como ela era estranha no quesito comida... eu ria quando ela me pedia, mas se ela insistia muito, lá ia eu correr atrás de um pouco dos desejos loucos dela.
- Jacob, - ela me chamava - eu te amo tanto... - e quando ela começava com esse melzinho eu já tinha certeza do que viria pela frente... uma viajem ao extremo sul do continente, ou extremo norte... - quero um peixe pescado no canadá... quero um suco natural de guaraná da amazônia... quero uma água de coco do Rio da Janeiro... quero um tal de escondidinho que eu sei que tem no nordeste do Brasil... quero... quero... quero...

Voltamos para La Push em 11 de outubro. Fomos recebidos com festa pelos meus irmãos de matilha.
Leah, Rebecca, Rachel e Emily ficaram em volta da minha Juli para saber das fofocas do Havaí e sobre o bebê, e os moleques ficaram comigo fazendo piada sobre casamento - game over! -, só o Sam não fez brincadeiras, talvez ele não tenha gostado de eu ter me casado antes dele.

No dia seguinte fomos fazer uma visitinha hospitalar ao doutor Vampiro Cullen. Ver como estavam ás coisas depois da viagem.
Estavam bem, como era de se esperar... fiz o máximo possível para a pequenina não comer porcarias e não se esforçar demais e, qual é, ela é uma loba, não se afeta tão fácil assim.

E sobre a Bella... era sempre aquela sensação de estar perdendo a parte mais importante da história, talvez a história toda. O Dr. CArlisle era sempre tão sério e irritantemente calmo que mal conseguia fingir que estava mesmo tudo certo com a Bells.
Juli não se importava, não entendia a minha preocupação. Dizia sempre: "Se o doutor diz que sua amiga está bem, é porquê está, oras... por que você reclama tanto, Jacob?"
Por quê? Ah! Eu te digo o porquê minha pequena! - eu pensava disfarçadamente - Porque ele está mentindo na maior cara de pau!!
Nessa hora meu sangue costumava correr com maior velocidade pelo meu corpo e eu fazia questão de me acalmar antes que me transformasse e atacasse aquele vampiro maluco. Meu filho depende dele! Maldito!!
Mas que me importa, não é? Eu tenho a minha Julianne e tenho meu filho... aqueles que eu não viveria se não tivesse. Os únicos que me importam de verdade.

"Avião sem asa, fogueira sem brasa, sou eu assim sem você. Futebol sem bola, Piu-piu sem Frajola, sou eu assim sem você. Por que é que tem que ser assim se o meu desejo não tem fim? Eu te quero a todo instante, nem mil altofalantes vão poder falar por mim. Amor sem beijinho, Bochecha sem Claudinho, sou eu assim sem você. Circo sem palhaço, namoro sem amasso, sou eu assim sem você. To louco pra te ver chegar, to louco pra te ter nas mãos, deitar no teu abraço, retomar o pedaço que falta no meu coração. Eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo, eu conto as horas pra poder te ver, mas o relógio ta de mal comigo. Por quê? Por quê? Nenêm sem chupeta, Romeu sem Julieta, sou eu assim sem você. Carro sem estrada, queijo sem goiabada, sou eu assim sem você. Por que é que tem que ser assim se o meu desejo não tem fim? Eu te quero a todo instante, nem mil altofalantes vão poder falar por mim. Eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo. Eu conto as horas pra poder te ver, mas o relógio ta de mal comigo.Eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo. Eu conto as horas pra poder te ver, mas o relógio ta de mal comigo. Por quê?" (Fico Assim Sem Você - Adriana Calcanhoto)


Capítulo 17: Finja entender



Jacob’s POV


Os meses passaram como era de se esperar... a barriga de Julianne crescia à medida que ela ficava mais alta - culpa da genética dos lobisomens. Mas ela jamais chegaria ao tamanho dos lobos quileutes, nós sempre fomos altos, pelo menos mais altos que ela. Minha baixinha já não estava tão baixinha assim.

As consultas com o Dr. Cullen começaram a me irritar. Ele era sempre enigmático demais quando chegávamos no assunto Bella. Mas pelo mesmo motivo que eu o procurei no inicio da gravidez de Juli, eu continuava o procurando - ele era o único que saberia exatamente o porquê de Juli ter aquela temperatura. Eu estava numa rua sem saída.
Juli gostava dele - não que eu não gostasse, mas era irritante - e fazia questão de ir em todas as consultas sem falta, sem troca de horário... ela dizia que até que ele nem fedia tanto.

Graças a Deus, Juli e o bebê se mantinham muito bem, então pude sair algumas vezes para fazer patrulha - faz muita falta não ser mais lobo o tempo todo, era algo tão natural, tão simples...


Edward’s POV


Ele esta ali, parado, observando... Jacob, Jacob, Jacob... cachorrinho... você sabe que tem um vampiro por perto, né? Venha atrás de mim... venha, Jacob... não! Não chame os outros. Droga, cachorro! Você não serve pra nada!
Saí de trás da mata e rumei para a clareira onde ele se encontrava.
Edward? - reconheceu-me Jacob - Onde está a Bella?
- Não é da sua conta, cachorro! - respondi ríspido - Bella é um problema meu! Pare de correr atrás dela! - em passos pesados e lentos, me aproximava dele.
O que está fazendo aqui, sanguessuga? - rosnou ele.
- O que estou fazendo aqui? Há! O que estou fazendo aqui? Seu cachorrinho patético! Estou te avisando para não chegar mais perto da minha mulher. Você teve suas chances para conquistá-la. Mas perdeu!
Bella não é um troféu para ser disputado num jogo de quem ganha ou perde!
- Bella é minha esposa! E você não vai mais se aproximar dela! Ela está esperando um filho meu!
Jacob grunhiu e deu um passo pra trás a medida em que eu chegava muito perto.
- Bella é minha... Só minha!
Você é ridículo, parasita! Se Bella quiser me ver, eu irei atrás dela sim! Do mesmo jeito que fiz quando você a abandonou naquela ilha!
- Jacob, acredite, se eu fosse você, eu não chegaria nunca mais perto da minha Bella... - falei calmo, mas logo mudei meu olhar para o jeito mais cruel que pude - Aliás, sua esposa... também está grávida, não é? - estreitei meus olhos.
O lobo fixou seus olhos nos meus - ele estava em pânico! Corri para a mata antes que ele pudesse reagir. Ele correu sentido contrário - em direção a La Push.
Jacob, Jacob, Jacob... enfim me livrei de você.


Jacob’s POV


Corri pra La Push. Fui direto para casa, voltei a ser humano e fui até meu quarto, onde dormia minha pequena Juli.
A abracei cuidadosamente, tentando não acordá-la. Missão cumprida. Fiquei ali acariciando ela e sua enorme barriga.
Minha esposa, meu filho!
Nada no mundo é mais importante para mim do que vocês dois!
Nem mesmo Bella!


"Acordei com as mãos sujas de sangue, me olhei no espelho e não refleti, mas vem ver, o problema não é tão natural assim, na verdadde não assumo a culpa por não estar mais aqui. Finja entender do mesmo modo que finjo viver! E você não vê nem assim a verdade! E você não vê nem assim a verdade! Não me orgulho e nem aceito o que ontem fiz de errado, finjo ser o que não sou, posso ver mas não mudar. De que adianta ser arrepender? De que adianta se arrepender?! E você não vê nem assim a verdade!" (Finja Entender - NxZero)




Capítulo 18: Infância



Julianne percebeu que eu agia muito estranho desde o encontro com Edward, não que eu tivesse contado a ela sobre o encontro, mas sabe... lobisomens não tem lá muitas formas de deixar as coisas em segredo. Ela sempre dizia que nada aconteceria com ela e com o bebê, que se eu quisesse ver Bella (que na cabeça dela é e sempre foi nada mais que uma amiga) eu deveria vê-la sim, que o sanguessuga disse tudo aquilo só pra ameaçar... se bem que ele não falou quase nada, só insinuou. Acredite, insinuações já são o suficiente pra mim. Ele avisou e eu não vou pô-lo em prova. Não sou idiota e amo demais minha família.
Eu continuava com minhas patrulhas, mas deixava para fazê-las sempre pela tarde, quando sempre tinha alguém para cuidar de Juli. Eu não podia me arriscar a perdê-la. Ela é tudo o que tenho. E algumas vezes eu até levava Juli comigo, ela não aguentava mais ficar em casa.
Duas semanas depois de meu desagradável encontro com o vampiro durante uma patrulha, um cheiro diferente chamou-me a atenção. Pedi que Juli ficasse escondida no meio da mata e fui até a depressão de onde vinha o perfume. Aquele perfume totalmente reconhecível, se não fosse tão impossível, eu até acreditaria que era Bella.
Aproximei-me da depressão tentando não chamar atenção. Ouvi um choro de mulher. E o cheiro aumentava.
Procurei achar sua fonte, tive que descer a depressão e lá em baixo encontrei o que jamais acreditaria encontrar.
Era mesmo a Minha Bella, jogada no chão terroso, toda suja, os olhos inundados em lágrimas, magra, muito magra mesmo, menos na parte de barriga, onde parecia que ela tinha uma melancia tamanho família sobe a blusa. Ela não me ouviu chegar, continuava de cabeça baixa gemendo e chorando.
Me transformei em humano e vesti-me antes que ela me percebesse.
- Bella? - perguntei de longe. Ela ergueu a cabeça, olhando-me confusa, chorosa e com uma ponta de felicidade indescritível.
- Jake? - ela tentou se erguer, mas foi um esforço em vão - Jake...
Minha respiração era ofegante. Ela estava ali, naquelas condições... onde estaria Edward? Talvez fosse um plano, uma armadilha... talvez ele estivesse com Juli, talvez ele estivesse a matando..
- Jake, me ajuda... - gemeu Bella. Aquela barriga era enorme em comparação com seu corpo tão magro e frágil.
- Onde está seu marido, Bella? - perguntei com uma frieza que eu nem sabia que tinha.
Ela erguei os olhos lacrimais e encontrou os meus.
- Ele quer matar o meu filho - foi o que ela disse e deu um grito agonizante. Envolveu a barriga com os braços num gesto protetor.
Edward quer matar o próprio filho? E se... o filho não fosse dele exatamente... eu e Bella tivemos alguma coisa durante minha estadia na ilha... e se talvez... o filho fosse meu? E se ele não quisesse que eu me aproximasse dela por causa disso. Se ele soubesse... se ele tivesse a certeza que o filho não era dele. Afinal, ele é um vampiro, certo? Vampiros não deveriam ter filhos. "Quantos vampiros que vocês conhecem tiveram filhos?"- eu me perguntava. Olha que eu já matei muitos vampiros e nem um deles carregava um bebê no colo.
- Eu fugi da mansão dos Cullen quando percebi que Edward queria matá-lo.
- Por quê não foi pra casa de seu pai? - continuei frio, mais entretido em meus pensamentos do que no que ela dizia.
- Seria o primeiro lugar que ele me procuraria, não? Posso ser fraca, mas não sou burra, Jake.
- E por quê veio pra cá? - olhei em volta. - Ele não te procuraria numa depressão terrestre?
- Ele não me procuraria em La Push, se eu tivesse com você. Existem regras, não? - ela parecia confiante.
As regras, o pacto... ainda existiam... e Bella, agora pude perceber, continuava viva.
Viva!
O pacto não fora quebrado. Mas por quanto tempo?
- Não posso cuidar de você, Bella. - como eu podia ser tão frio? Ela precisava de mim - Tenho minha família agora, uma esposa que está grávida, se Edward descobre que eu estou com você, ele poderia... - lembrei-me da ameaça do sanguessuga.
- Jake, eu te peço. Me ajuda. - ela chorava mais - Só posso contar com você. Me Ajuda.
- Bella, eu não posso...
- Achei que fossemos amigos. - ela gemeu - Achei que você daria a vida por mim. Achei que poderia contar com você agora quando mais preciso. Achei que todo o amor que você dizia sentir por mim fosse real. Achei que nada mudaria o que sou pra você. Jake... eu pensei que era a Sua Bella.
- Jacob!

"E agora que estamos crescidos será que já deu pra perceber que você não tem mais amigos e sabe que eu não vou socorrer? Olhe pra você agora. Quem é a criança que chora? Eu sei que posso estar errado, mas fico feliz em te ver assim. Mas saiba que o nosso passado entalhou cicatriz de ódio em mim. Olhe pra você agora. Quem é a criança que chora? Saiba que eu daria tudo pra poder dizer que o sofrimento que você causou me fez crescer. Tem vezes que eu daria tudo pra retribuir, tudo o que você fazia pra me destruir. olhe pra você agora. Quem é a criança que chora? E a culpa é sua por hoje eu ser assim. E a culpa é sua por eu não ter sido criança. E a culpa é sua por eu gostar mais de mim. E a culpa é sua por eu não ter tido infância." (Infância - Fresno)



Capítulo 19: Amigos pela Fé



Me virei e vi parada atrás de mim Julianne. O rosto sério.
- Hm... Juli, essa é a Bella, a minha amiga esposa do vampiro. E Bells essa é a Julianne, minha esposa.
Uma olhou pra outra. Você não sabe como é estranho ver duas mulheres que teoricamente estão esperando um filho seu por 8 meses se olhando pela primeira vez. Eu realmente achei que veria uma luta de grávidas, no entanto por incrível que pareça não houve briga alguma.
Julianne se ajoelhou ao lado de Bella e acariciou a barriga de minha amiga. Como numa conversa silenciosa elas se olhavam, tão gentis. Bella também colocou a mão na barriga de Juli. Aquilo era tão estranho. Tão inexplicável.
Elas riam um pouco de vez em quando. Era difícil de acreditar. Muito difícil. Eram como amigas de infância, ou algo assim. Acho que nem amigas de infância têm momentos tão íntimos como aqueles.
E eu realmente estava me sentindo por fora. Sentei-me um pouco distante e fiquei olhando-as.


Julianne's POV


Jacob estava demorando demais e comecei a me preocupar. Não me preocupar por ser um vampiro, porque eu sabia que não era. O cheiro era humano demais. Mas talvez fosse um caçador, ou policial, ou sei lá o quê. Transformei-me em humana e fui pra onde ele tinha ido.
E chegando lá, vi uma garota magrela grávida de cabelos castanhos longos e olhos chocolate - hum... chocolate... desejos... - pedindo que ele a ajudasse e ele negando-lhe ajuda, dava pra ver o medo nas palavras dele. E ela começou a tacar um monte de coisa na cara dele. Por último disse que pensava que ela era a Bella Dele. Bella! Era a Bella! A garota de quem ele tanto falava. A mulher do sanguessuga que ameaçou Jacob.
Mas ela era tão... diferente. Ela era bonita, sabe. Mesmo com aquela barriga desproporcional ao corpo magrelo, ela era muito bonita. A carência inflamava seus olhos. Ela precisava de cuidados, de carinho, de amor.
Meu marido nos apresentou, passei direto por ele e sem perceber fui parar ao lado dela.
- Oi - uma voz falou em minha cabeça - Sou Bella. Amiga de infância do Jake.
- Como você faz isso? Falar na minha cabeça?
- Só posso fazê-lo com lobisomens, parece que é algo genético. Já tentei com Jake quando estávamos na ilha. Era um pouco falho, mas tenho tentado treinar isso. Pode ser preciso um dia.

Comecei a passar a mão sobre a barriga dela.
- O que houve com você?
- Meu marido quer matar meu filho. Diz que é um monstro.
- Que absurdo! Seu marido tem problema, é?
- Na verdade, meu filho está me machucando um pouco, mas eu não ligo, sabe, não me importo. Só quero que ele nasça bem.
- Sabe o que é? Menino, menina?
- Não dá pra ver no ultrasom, mas, em mim, sei que é um menino. Um lindo menino.
- Já escolheu nome?
- E.J.
- E.J.? Edward Junior?
- Não...
ela riu um pouco - Edward Jacob. Os dois homens mais importantes na minha vida. Depois de meu pai, claro.
Também ri. O bebê dela chutou, e o meu também.
- Sente. - ofereci e ela colocou a mão sobre minha barriga.
- E você? Sabe o que é?
- Não sei não. Seu sogro não conseguiu ver no ultrasom também.
- Você faz consulta com meu sogro?
- Idéia do Jacob.
- Não acredito.
- Bella riu de novo.
- Acredite...
- Já escolheu nome?
- Não. Na verdade, não tenho nem idéia, viu. Acho que vou escolher só quando nascer.
Não sei quanto tempo ficamos ali. Mas quando começou a escurecer resolvemos ir pra casa. Bella, teve sorte e foi esperta, fugiu num dia em que os vampiros não poderiam ir atrás dela, um dia de sol. Mas não poderíamos jogar todo o planejamento dela pro ar ficando ali após o sol se pôr.
Levantei-me e fui até Jacob, que nos olhou atento o tempo todo que ficamos ali.
- Jacob, vamos levá-la pra casa.
- Não posso levá-la a casa dela, temos um pacto dos lobos com os vampiros que...
- É pra NOSSA casa, querido.


Jacob’s POV


Julianne quer levar Bella pra nossa casa? O que deu nela? A outra tá esperando um filho de mim e ela quer levá-la pra casa?
- Juli, não sei se é uma boa idéia.
- Jacob, nós vamos levá-la pra casa.
- Mas Julianne... se o marido dela...
- Nossa matilha é grande o suficiente para nos proteger.
- Mas não sei se eles vão querer protegê-la.
- Jacob, pára de discutir. Bella é da nossa família agora e nós vamos levá-la pra casa agora! - Juli gritou.
Por fim, sem saída, concordei.
- Aliás, eu quero chocolate, amorzinho.
Transformei-me em lobo, Juli e Bella subiram em minhas costas (seria o único jeito de levar Bella pra casa, porque ela não conseguia se levantar, estava muito fraca) e disparei pra o novo lar da Minha Bella.
Duas mulheres grávidas, uma casa e um "lobisomem indefeso"... ferrou!

"Quem me dará um ombro amigo quando eu precisar? E se eu cair, se eu vacilar, quem vai me levantar? Sou eu quem vai ouvir você quando o mundo não puder te entender. Foi Deus quem te escolheu pra ser o melhor amigo que eu pudesse ter. Amigos pra sempre. Dois amigos que nasceram pela fé. Amigos pra sempre. Para sempre amigos, sim, se Deus quiser. Quem é que vai me acolher na minha indecisão? Se eu me perder pelo caminho quem me dará a mão? Foi Deus que consagrou você e eu para sermos bons amigos em um só coração, por isso eu estarei aqui quando tudo parecer sem solução. Peço a Deus que te guarde. Que te guarde, abençoe e te mostre a Sua face. E te dê sua paz. Amigos pra sempre. Dois amigos que nasceram pela fé. Amigos pra sempre. Para sempre amigos, sim, se Deus quiser. Amigos pra sempre. Dois amigos que nasceram pela fé. Amigos pra sempre. Para sempre amigos, sim, se Deus quiser. (Amigos Pela Fé - Anjos de Resgate)


Capítulo 20: Apologize



Chegando em casa, transformei-me em homem de novo e levei as minhas grávidas para o quarto. Juli insiste que Bella durma no quarto e eu não aceito que Julianne fique fora do quarto por causa de Bella... ou seja, sobrou pra eu dormir no sofá. Grande idéia.
A noite chegava devagar pelas janelas de minha casa. Meu pai estava passando uns dias com os Clearwaters, na verdade acho que ele e a Sra. Clearwater estão tendo um... rolo, caso, romance, como preferir. Interessante o fato de eu poder me tornar em breve meio-irmão de Seth e Leah, como se já não fossemos "irmãos" o suficiente com todo aquele negócio de lobo e tals.
Bella descansava no meu "ex-quarto", enquanto eu e Juli comíamos chocolate na cozinha. Por sorte eu tinha um pequeno estoque de chocolates diversos em casa.
- Jacob, - Juli falou pela primeira vez desde que chegamos em casa - Bella...
- O que tem? - perguntei interrompendo.
- Ela... bom, eu não sei, vocês... - Juli olhava para a mesa e seu cabelo pendia sobre seu rosto - O que vocês... quer dizer, vendo vocês juntos...
Do quarto saiu um gemido triste.
- Acho que ela acordou. Vou ver se ela precisa de alguma coisa - levantei-me da mesa e segui pelo corredor. "Salvo pelo gongo, mas até quando Julianne vai suportar isso?" Cheguei ao quarto. Bella estava deitada ainda e olhava pra porta quando entrei.
- Jake... - ela falou, a voz rouca - Obrigada por me acolher na sua casa. Sei que é difícil pra você depois de... tudo.
- Agradeça a Julianne. Ela que pediu para trazer você pra cá. De alguma maneira, pode-se dizer que você continua uma pessoa muito carismática.
- Não entendo como ela pôde gostar tanto assim de mim.
Sentei-me na cama ao lado dela e comecei a mexer em seu cabelo tão fraco e danificado, como o resto de seu corpo.
- Você acaba atraindo as pessoas. Não temos escolha, sabe?
Bells deu um sorriso triste.
- Eu não deveria ter tratado você tão mal na Ilha - ela falou baixinho - Você sempre foi o único que me apoiou em tudo. E quando não havia mais nada que eu pudesse sentir, senão dor, só você me fez rir. Quando eu queria deixar de existir você me deu mais e mais vontade de curtir a vida. Quando eu achei que não tinha mais nada pra aprender, você me ensinou a amar com a alma. Pena que eu não percebi enquanto era tempo.
- Bella, eu tentei abrir seus olhos e por fim tive que abrir os meus. Você nunca chegaria a me amar como ama aquele sanguessuga e, acredite, doeu muito ver isso.
Ela engoliu em seco. Era a maior verdade que eu poderia ter dito e nem me preocupei se ela estava ou não em condições de ouvir.
- Jake, espero que um dia me perdoe por não saber te amar...
- Perdoar? Perdoar... é isso que você quer? Então está bem... está perdoada. O perdão é o único caminho pra paz, não quero me sentir mal depois, está perdoada.
- Quero seu perdão de verdade... - resmungou.
- Estou te perdoando de verdade, Bells - sorri sereno. Era verdade. Não valia a pena ficar ali culpando-a por não me amar como eu queria. Ela nunca, em momento algum teve realmente chance de sentir o que eu queria que ela sentisse. Mas a gente não manda nem mesmo em nossos sentimentos, quanto mais nos sentimentos dos outros.
- Acho, então, que vou acreditar em você - ela sorriu mais calma.
- Em momento algum da minha vida eu menti pra você, não seria agora que eu mudaria.
- Jake... - Bella soltou um suspiro profundo - Não seria ótimo se a gente gostasse das pessoas que gostam da gente de verdade? Não seria ótimo se o Amor não fosse algo tão incompreensível? Não seria ótimo se a gente pudesse escolher o par ideal? Não seria ótimo se as coisas fossem como queríamos que elas fossem? Não seria ótimo se a frase "EU TE AMO" não fosse usada tantas vezes em vão que acaba tirando a esperança de quem acredita nela? Não seria ótimo se a gente conhecesse as pessoas profundamente antes de se apaixonar? Não seria ótimo se tudo fosse fácil assim? Não seria ótimo?
Fiquei sem palavras. O que responder para aquilo? É óbvio que seria ótimo se as coisas fossem mais fáceis, mas o mundo real não permitiria isso. A realidade ás vezes pode doer e pra isso não há perdão.

Eu sou seu refém, estou a dez mil pés do chão. Eu ouço o que você diz, mas não consigo fazer nenhum som. Você me diz que precisa de mim, então você vai e me despedaça, mas espere, você me diz que está arrependida. Não achou que eu daria a volta por cima, e diz... É muito tarde para desculpas, é muito tarde. Eu disse é muito tarde para desculpas, é muito tarde. Eu te dei outra chance, tive uma recaída, você me apunhalou e eu preciso de você como um coração precisa de uma batida, mas isso não é novidade, yeah yeah. Eu te amei como um fogo vermelho que agora está se tornado azul, e você diz "Desculpa" como um anjo, me fez pensar que estava no céu, mas eu estou com medo... É muito tarde para desculpas, é muito tarde. Eu sou seu refém, estou a dez mil pés do chão... (Apologize - Taylor Lautner)


Capítulo 21: Diálogo



Juli apareceu na porta do quarto com os olhos arregalados.
- Jacob... - ela sussurrou - Eu ouço barulhos estranhos. E cheiro... eles estão vindo.
Levantei-me num pulo. De pé, ao lado da cama, respirei fundo. Era verdade, o cheiro doce era forte e para alguém que, como eu, tem um certo conhecimento sobre os Cullens, ficou óbvio que não vinha o bando todo. E sim, apenas o idiota principal, Edward.
Agarrei Julianne pelo braço e a deitei na cama ao lado de Bella. Saí do quarto e fechei a porta atrás de mim. Transformei-me em lobo e avisei meus irmãos.
- Edward Cullen? Em nossas terras? - urrava Sam.
- O que você fez a ele? - perguntou Paul.
Pensei nos acontecimentos daquela tarde, já dando uma explicação rápida do porquê dele estar quebrando o pacto. Lembrei-me também da promessa oculta dele de matar Juli e meu filho caso eu me aproximasse de novo de Bella.
Todos os meus irmãos perceberam a imensidão do meu problema e como matilha, o problema se tornava nosso, até porquê o pacto tinha sido quebrado.
Ninguém queria lutar em vão, mas todos estavam preparados para uma guerra se ela acontecesse. E todos vieram a minha casa em poucos minutos. É claro que antes deles chegarem, o Cullen já estava lá. No entanto, ele não entrou. Meus irmãos entraram pela garagem e todos ficamos em forma humana, menos Sam que montou guarda nos fundos de minha casa, caso outro vampiro resolvesse aparecer.
Edward, claro, devia estar lendo nossas mentes, procurando por uma pista de onde estaria Bella, mas a não ser por mim, nenhum de meus irmãos sabia onde eu escondi minhas grávidas e eu que não ia dar essa vantagem a ele.
- Seth! - chamei - Vá lá fora e faça o tratado de paz ser cumprido sem guerra.
Leah grunhiu.
- Ele é só uma criança! Seria suicídio!
- Leah! Eu não sou uma criança! Posso muito bem fazer isso!
- Não, Seth! Não vai sozinho lá fora com um sanguessuga!
- Eu vou com ele - sugeriu Quil - Pode ser assim, Lee?
Leah encarou o irmão consanguineo e Quil por alguns segundo e depois acentiu com a cabeça.
- Façam com que ele vá embora sem irritá-lo para que o pacto seja cumprido.
Seth e Quil saíram em forma de lobo de minha casa. Todos nós nos transformamos para saber o que estava acontecendo do lado de fora.
Seth se aproximou de Edward. O vampiro não estava com uma cara muito amigável.
- Não adianta, Seth. Eu não vou embora!
- Edward... O que você vai ganhar com isso? Uma matilha inteira contra você?"
- Eu quero a minha esposa.
- Sinto lhe informar, cara, mas ela não quer você neste momento.
- Não importa o que Bella quer. Ela quer aquele filho dela e só isso.
- E você quer matar seu próprio filho?
- Seth, não se intromete nisso. É minha mulher, meu filho, minha família...
- E eu sou seu amigo tentando fazer você cair na real.
- Deixe-me entrar nesta casa.
- O que isso vai resolver? Percebe que você quebrou um pacto de muitos anos?
- Percebe que vocês estão me obrigando a fazer isso escondendo a minha mulher neste lugar?
Aquilo já estava me enchendo. Se o que o sanguessuga queria era entrar na minha casa, que ele entrasse e enfrentasse uma matilha inteira.
- Vocês ouviram o chefe... deixem-me entrar.

"Algumas coisas não precisam ser ditas para serem entendidas" (Diálogo - NX Zero)


Capítulo 22: Por um lugar seguro



Todos nos transformamos novamente em humanos e esperamos. Quil e Seth acompanharam Edward para dentro de minha casa.
O sanguessuga analizava o ambiente de meu lar com um misto de de raiva e nojo. Eu sei que a casa dele deve ser muito maior, mais rica, mais bem decorada, mais incrivelmente luxuosa do que a minha, mas ele não devia olhar assim... seja como for, ele ainda estava na MINHA casa cercado por MEUS irmãos e nós poderíamos...
- Poderiam o quê, Black? - encarou-me o vampiro.
- Poderíamos acabar com você sem muito sacrifício.
- E deixar Bella abandonada neste mundo? Sem mim?
- Acredite, Edward, há muitas pessoas que a amam por aqui e teriam o maior prazer em cuidar dela. Afinal foi exatamente isso que fizemos quando você resolveu ir embora naquele outubro. Você se lembra? - tentei me lembrar de todos os momentos que Bella passou comigo e com os quileutes durante aqueles meses em que ele resolveu fugir. Lembrei-me de cada sorriso, de cada abraço, das motos e dos quase-beijos. Lembrei-me de tudo que o fizesse acreditar que ela era melhor sem ele.
Edward caiu no chão, com as mãos na cabeça, grunhindo. Meus irmãos olharam pra ele e pra mim. Ficou óbviu que graças ao que eu falei sobre todos cuidarem dela, eles também acabaram se lembrando daquele tempo em que cuidavamos dela e a protegíamos de Victória. Isso era perfeito! A tortura perfeita para o vampiro que se achava o máximo... todos os lobos mostrando a ele o quanto Bella era feliz sem ele.
Acabei me lembrando de Bella naquela depressão de terra durante a patrulha daquele dia. Edward gemeu. Lembrei-me do que Bella falou sobre ter fugido porquê o marido queria matar seu filho, um filho que ela tanto almejava e que já vivia e reinava em seu ventre.
- Isso vai matá-la! - Edward gritou. Um grito infernal e doloroso. Eu nem mesmo podia imaginar que vampiros sentíssem tamanha dor - Não posso deixar isso matá-la!
- O quê vai matá-la? - perguntei num tom de desafio.
- Aquilo que tá dentro dela. Aquela coisa vai matá-la. Você viu como ela está fraca! Vai matá-la!
- VOCÊ... - Leah gritou - ESTÁ CHAMANDO SEU PRÓPRIO FILHO DE "AQUELA COISA"? - ela ofegava furiosa - Se o bebê vai matá-la a culpa é sua e somente sua, seu idiota! Já ouviu falar em camisinha seu retardado mental? E coitados dos retardados! Retardados não fazem filhos! Mas vampiros burros que, embora tenham feito várias vezes o ensino médio, ainda não perceberam que sexo sem segurança é igual a gravidez ou coisa pior, tipo AIDS, fazem filho e depois culpam a mulher de querer parir o filho que eles fizeram! Você percebe seu babaca? A culpa é SUA!!! E agora o mínimo que você deveria fazer é tentar cuidar dela em vez de botar medo na pobrezinha da Bella! Isso só faz ela piorar, você não vê? Quando mais ela precisou de você, o que você fez? Você a amedrontou e deixou que ela fugisse pro mundo! Se não fosse pelo Jacob e pela Juli... o que seria da Bella? Comida de animais selvagens? Ou prato feito pra vampiros andarilhos? Você é um estúpido, Edward Cullen! Não merece todo o amor que aquela garota sente por você, porque, seja como for, você está certo sobre uma coisa: Bella não viveria sem você!
- Leah! - gritaram todos os lobos.
- Deixem-na - ordenei - Ela falou a verdade. Somente a verdade. Em cada palavra.
- Eu sei que tenho grande parte da culpa, ou talvez toda ela, mas não deixem que a minha Bella... - MINHA BELLA!! - ...morra. Não deixem que aquilo... quero dizer, o bebê a mate.
- Iremos cuidar dela, Edward - garanti - Mas agora chegou a hora de você ir embora.
- Não! Não posso ir! Não quero ir! Deixem-me levá-la comigo!
- Bella fica, Cullen! Não podemos correr o risco de você piorar a situação dela! - rosnei.
- Ela é MINHA ESPOSA, Jacob! - gritou o frio.
- E TAMBÉM É MINHA MELHOR AMIGA, QUE ME PROCUROU POR TER MEDO DO QUE VOCÊ PODERIA FAZER COM ELA E SEU FILHO, E QUE MINHA FAMÍLIA ACOLHEU COM UM PRAZER IMENSO E PROMETEU CUIDAR DELA. BELLA FICA AQUI ATÉ O NASCIMENTO DO FILHO DELA. E CHEGA! sAIA JÁ DAQUI!
- Jacob... - resmungou Edward - ...não importa o que você faça ou diga, no final ela vai ser minha, e você sabe.
- Ah sim, Edward, eu sei. E acredite hoje eu vejo que não me importo! Se Bella quer ser sua esposa, ela que seja, se Bella quer ser uma de vocês, ela que seja, se Bella quer morrer por você, dói falar isso, mas ela que morra, porque não importa o que você faça ou diga, é a mim que ela corre quando se sente em perigo. Eu sou o porto-seguro dela. Eu sou o sol dela, enquanto você não passa de uma núvem de ilusão. Se teu Sol é verdadeiro, não tenha medo das núvens que o encobrem, pois um dia elas se dissiparão e o Sol voltará. Entende? O hoje já não importa pra mim. Eu tenho tudo o que sempre quis. Tenho uma esposa maravilhosa que em breve dará a luz ao meu filho e tenho a confiança em mim mesmo, o que nunca tive antes. Eu, graças a você, não sou mais apenas um menino, hoje eu sou um homem. E com toda a segurança do mundo eu te digo, Edward, o que eu sempre digo e repito, SEMPRE estarei aqui quando a Bella precisar, não como um cara apaixonado, mas em primeiro lugar como o melhor amigo que ela merece.
O vampiro, ainda ajoelhado no chão da minha sala de estar, ergueu de repente a cabeça e olhou para o corredor. Em menos de um segundo o grito agoniante de Bella se fez ouvir pela casa toda, seguido pelo berro agudo de Julianne.
A minha pequena surgiu no corredor com os olhos arregalados e totalmente pálida. Com uma voz esganiçada e olhando para todos ali parada ela disse:
- Contrações...

"Hoje vou viver como se fosse a última vez, ver que a vida é hoje e não me arrepender. Eu faço o que eu quiser pra ter você, eu troco o meu futuro por um lugar seguro e tudo o que hoje eu quero ter. Pra ter você eu troco o meu futuro por um lugar seguro e tudo aquilo que hoje eu quero ter. Hoje faço tudo por você, exceto te esquecer. Exceto te esquecer." (Por Um Lugar Seguro - Hevo 84)


Capítulo 23: Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco de Minhas Lágrimas


(Nota da autora: Preparadas para o capítulo mais traumatizante já postado nessa fic? Detalhe: A autora chorou muito ao escrevê-lo!)

Sabe o que é ter cerca de 10 lobisomens em forma humana e um vampiro dentro de um quarto feito para apenas um casal de lobisomens e um futuro bebê chorão? Eu não imaginava que era possível, mas assim que Julianne disse que Bella estava com contrações, todos no mobilizamos para fazer um parto.
Edward não parava de falar (sussurrar) que a coisa ia matar a Bella, mas na boa, ele estava falando com uma alcatéia inteira cuja maior missão é proteger as pessoas de "coisas" como ele. Nós daríamos um jeito. Nós tínhamos que salvá-la e ainda manter o bebê vivo.
Mesmo não sabendo o que esperar da criaturinha que nasceria, éramos uma equipe de 11 quase-humanos trabalhando em conjunto e transformando o meu quarto em uma sala de cirurgia e minha cama numa maca cirúrgica.
Leah comandava o parto com rapidez e meus irmãos a ajudavam agilmente, mas as coisas não estavam saindo muito bem.
Aquilo realmente estava a matando. Sua cor se esvaia, seus olhos se reviravam e ela gritava de dor. E por um segundo absurdo eu compreendi que ela não sobreviveria, pois não tinha força para jogar aquele bebê pra fora de seu corpo. Estava fraca demais... Bella morreria na minha cama, no meu quarto, na minha casa...
- A coisa vai matá-la... - Edward disse de novo.
- ENTÃO - comecei a gritar - FAÇA ALGUMA COISA PRA AJUDAR EM VEZ DE SÓ RECLAMAR! VOCÊ NÃO QUERIA FICAR AQUI COM A SUA BELLA? AGORA QUE ELA PRECISA DE VOCÊ DE NOVO, VOCÊ ESTÁ SÓ PIORANDO AS COISAS... - eu ofegava. Juli me puxou pra fora do quarto.
- Amor, não grite. Pode assustar mais ainda a Bella...
De fora do quarto, já que não queriam que eu me exaltasse de novo perto do parto, vi aquela cena. Meus irmãos também viram que ela não teria força e decidiram tentar algo quase absurdo. Tentaram forçar o parto. Eles empurravam a barriga dela pra baixo e aquilo parecia doer muito. Leah estava falando com Bella. Dizia pra ela ter coragem e não se desesperar, pra ela fazer força porque o filhinho dela iria nascer. Bella fazia força, o máximo que podia, seus olhos se reviravam. Edward olhava tudo num canto, respirava alterado como todos ali. Então ele saiu do quarto e veio até mim.
- Não seria melhor levá-la a um hospital?
- E você realmente acha que salvará um dos dois levando-os ao hospital? Edward enxergue os fatos! Não dá tempo pra mais nada disso. Tem que ser agora!
- Então eu preciso de você pra uma coisa. Só uma.
Eu rosnei, já sabia o que vinha pela frente.
- Quero sua permissão para me desviar um pouco mais do que concordamos em nosso tratado com seu avô Ephraim. Quero que nos abra uma exceção. Quero sua permissão para salvar a vida dela. Preciso de sua permissão para mordê-la, ou será o fim pra Bella. Você sabe que farei isso de qualquer forma, mas, podendo evitar, não quero agir de má-fé com você. Nunca tivemos a intenção de faltar com a nossa palavra, e não o fazemos levianamente agora. Quero sua compreensão Jacob, porque você sabe exatamente por que estamos fazendo isso. Quero que a aliança entre nossas famílias sobreviva quando isso acabar.
Pensei um segundo. Juli olhava fixamente pra cama onde Bella estava estirada e gritando. Não havia tempo pra mais nada. E, seja como for, eu ainda não estava pronto para perdê-la. Eu não poderia perdê-la.
- Está bem. Vá em frente. Salve-a. Ela depende disso. Como herdeiro de Ephraim, você tem minha permissão e minha palavra de que isso não violará o tratado.
Eu entreguei os pontos. Dei a ele tudo o que podia e chega. Olhei uma vez mais pra minha Bella e as lágrimas mais pesadas do mundo escorreram dos meus olhos. Eu não estava pronto pra nada disso. E afinal, onde é que estava a confiança que eu dizia ter agora?
Perdi-me dentro das minhas chagas de dor profunda e desvencilhando-me de Julianne fui para fora da casa. As imagens de Bella passavam na minha cabeça. As mesmas imagens que eu usei para torturar Edward minutos atrás agora me torturavam. Aquilo parecia não ter fim. De longe pude escutar os gritos de Bella, as palavras de conforto e confiança de Leah, o choro baixo de Juli, as conversas dos lobos e a respiração furiosa do vampiro por que a minha melhor amiga resolveu se apaixonar e entregar sua vida.
Eu queria gritar, mas não tinha voz. Eu queria correr, mas não tinha forças. Eu queria resolver tudo, mas a única solução que encontrei, eu fiz. Dar permissão aquele sanguessuga para transformá-la. Quando aquilo terminaria?
Me retorcia de dor. O pior é não saber de onde ela vinha. Pois eu, como sempre, estava completamente curado. Mas havia uma coisa que nem mesmo a minha mutação podia curar, a dor da perda. Aquele sentimento era intenso. Tão intenso como o amor que eu sentia por Bella, tão forte quanto a nossa amizade e tão fundo quanto o tempo que passamos juntos. Todas aquelas alegrias, todas aquelas tristezas, tudo se voltava contra mim e fazia-me enxergar o quão fraco eu era.
E então algo interrompeu o meu sofrimento. Um choro frágil e inocente. - "O bebê!" - pensei. Ouvi um sorrir tão reconhecível vindo de Bella e acalmei-me. Tinha passado. Mas ouvi um grito e uma nova bagunça começou.
Era um falatório alto. Coisas do tipo... "Bella!", "Perdemos ela", "Tirem o bebê daqui!", "saiam todos"... o último fora dito por Edward. Bella estava morrendo e todos ali tinham a certeza disso. Mas eu sabia que ele a salvaria. Ele tinha permissão pra isso e faria! E então chegara o fim pra mim... como ele previra, não importa o que aconteça, no final ela sempre voltaria pra ele. O jogo acabou, finalmente.

"Você vai dizer: 'Eu não fiz por mau. Eu não quis te magoar'. E eu vou dizer que seria ideal fugir, te abandonar pra sempre, pra sempre. Começa a chover e a lágrima vai se misturar com a água que cai do céu e ao anoitecer em vão eu tento encontrar o que de mim você levou pra sempre, pra sempre. Perdoa por eu não poder te perdoar! Dói muito mais em mim não ter a quem amar! Ecoa em mim o silêncio dessa solidão. Pudera eu viver sem coração! Viver sem você, sem você... Viver sem você... Em cada poça dessa rua você vai me ver, em cada gota dessa chuva você vai sentir minhas lágrimas, minhas lágrimas e em cada dia da sua vida você vai chorar lágrimas sofridas que não vão somar um décimo do que sofri... O quanto eu sofri, o quanto eu sofri. Eu pude ver o Sol desaparecer do seu rosto, dos seus olhos, da sua vida. Eu pude ver o Sol desaparecer do seu rosto, dos seus olhos, da sua vida. Eu pude ver o Sol desaparecer do seu rosto, dos seus olhos, da sua vida. Eu pude ver o Sol desaparecer do seu rosto, dos seus olhos, da sua vida. Desaparecer. Desaparecer. Desaparecer! (Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco de Minhas Lágrimas - Fresno)


Capítulo 24: Um Eu Sem Você



Eles estavam todos fora da casa. Todos os lobos de cabeça baixa. O sentimento de perda era geral. Até mesmo Leah que não era muito fã de Bells se sentia triste. Aquele tristeza impactante me afastava de todos.
Eu permanecia em frente a porta de entrada e tentava ouvir o que ainda se passava dentro de minha casa. Edward continuava em meu quarto com sua falecida esposa. Pelos sons vindos do quarto, ele tentava inutilmente reavivá-la.
- Mas que droga, sanguessuga! Você consegue seu fraco! Tem permissão, tem veneno, tem a vitima... Tem tudo o que precisa! Agora termine logo com isso! Salve-a, seu parasita nojento!
Juli segurava a pequena bebê de Bella sentada no sofá. Com aparência inocente, aquele monstrinho de rosto redondo e bochechas rosadas, cabelos ruivos cacheados e olhos chocolate idênticos ao da mãe era tudo o que Bella queria. Visivelmente, a pequena não era de jeito algum minha filha, embora seu coração batesse tão forte e rápido quanto o meu. Seus cabelos eram herança da genética daquele em que estava nas mãos a vida de sua mãe. Pois é! Vampiros, por mais impenetráveis que possam parecer, ainda sim têm lá seus sentimentos e suas alegrias. Alegrias como ter uma filhinha linda como essa pequena.
E Bella estava errada. Não era um menino, mas sobre o que ela não se enganou?
A bebê e minha esposa estavam tendo um momento maravilhoso. Juli em todo seu estado de gravidez, já se sentia mãe com aquela criaturinha meio humana e meia vampira no colo. A filha de Bella sorria e afagava o rosto da Julianne. Aquilo seria lindo de se ver se não fosse o fato de Bella estar morta.
Bella morta? Aquela sensação de torpor me enchia. Aquela certeza de falta de conforto me desmontava. O que seria da minha vida sabendo que a mulher que eu mais amei se foi pra sempre? Juli que me perdoe, mas ninguém se compara a Bella pra mim. Isso não significa que a essa altura do campeonato eu deixaria Juli por Bells. Já aprendi minha lição e está bem claro que eu não sou o cara certo pra minha Bella. E que ela entregaria de bom grado sua mortalidade por uma eternidade ao lado de seu parasita.
Edward rosnou varias vezes durante meu último pensamento, mas não evitou rir da minha conclusão. Ou foi de outra coisa?
No mesmo instante, um novo som me tirou do pesar de meus sentimentos. Um martelar frenético, um batimento acelerado... Um coração que se transformava.
Ela estava a salvo, embora ainda um tanto morta ao meu ver. Mas só o fato de ela ter aquela oportunidade de uma sobrevida me animava. Eu não fui o único a perceber. Em poucos instantes todos os lobos já erguiam as cabeças. Juli e a bebê comemoravam com minha mulher cantando: "Mamãe vai ficar bem... mamãe vai ficar bem..." Mas os outros não pareciam felizes.
- O que esta havendo aqui? - perguntou Sam a mim. Sério e com os olhos bem abertos.
- Do que está falando?
- O sanguessuga. Ele a mordeu. Não é mesmo?
- Sam... Tente entender...
- Você é um fraco, Jacob! Um lixo! Vai o que agora? Proteger um vampiro? - o alfa entrou em minha casa seguido pelos outros lobos-humanos.
Se transformaram todos dentro de minha casa e já rumavam para meu quarto quando Juli, transformada em lobo, os interrompeu.
Saiam da minha casa. - grunhia ela.
Saia da frente, Juli. Não queremos machucá-la. - respondeu Sam
Não se atrevam a colocar uma pata pra frente. Ninguém atacará Bella, Edward ou qualquer outro Cullen na minha presença.
Nesse instante consegui entrar por trás da casa. A bebê chorava na cozinha. Eu a segurei no colo e segui para o corredor onde Juli defendia os Cullen. Parei ao lado dela ainda humano e encarei meus irmãos.
Edward saiu do quarto e isso só despertou mais a raiva dos lobos de minha matilha.
Sam quis o atacar. Avançou num salto e colidiu com Juli.
Eu entreguei ao sanguessuga sua filha e me transformei. Pulei sobre Sam fazendo-o largar Juli.
Eu sou o verdadeiro alfa! Eu sou o descendente de Ephraim Black! Eu sou o líder de direito! E Edward teve meu consentimento para salvar Bella, pois só ele poderia. - eu disse segurando Sam pelo pescoço e impedindo a passagem de qualquer outro lobo. Até porque nenhum ali sabia a qual alfa seguir.
Você está colocando em risco todo nosso povo por um amor infantil, Jacob. - ele rangia os dentes - Nunca pensei que você fosse tão longe por isso... Nada vai mudar! Ela jamais será sua!
Todos nós sempre tivemos a certeza de que nenhum Cullen era perigoso. E nenhum Cullen representa uma ameaça a nosso povo.
Fale por você. Pra mim, todos os vampiros são iguais. - Sam se soltou e foi atacar Edward que se mantinha parado na porta do quarto. Julianne entrou na frente mais uma vez e o ataque foi transferido a ela. E nada se podia ver.
Você é uma idiota, Julianne! Jacob não te ama! Jacob ama a Bella! - Sam disse cruelmente.
Um grito de dor se fez ouvir pela casa toda. Julianne estava ferida. Pulei mais uma vez no pescoço de Sam e lá estava minha amada esposa em forma humana deitada no chão com aquele lobo preto sobre ela. O joguei pra longe.
- Jacob, nosso bebê.

"Sei que isso não vai funcionar, mas não durmo sem tentar falar tudo o que eu tenho pra dizer. Sei que você vai hesitar, mesmo assim eu vou falar. Tente acreditar no que eu sinto por você. É o que você nunca viu. É o que ninguém jamais sentiu e eu não vou dizer jamais pode vir correndo pra me ver enquanto eu estou aqui. Saiba que agora eu sei que quando tu me falou que um dia me amou era blefe só pra me manter afim e sei que eu vou te perdoar. Um tolo eu sou por não falar e gostar de quem não está nem aí pra mim. E história acaba com um eu sem um você e agente chora sem nem saber o porquê. E todos sabem o pior cego é o que não quer ver. É o que você nunca viu. É o que ninguém jamais sentiu e eu não vou dizer jamais pode vir correndo pra me ver enquanto eu estou aqui estou sem respirar, volte a ser o meu ar." (Um Eu Sem Um Você - Fresno)


Capítulo 25: Sete Vidas



Nosso bebê? Nosso bebê!! - ergui-me num impulso e olhei para os lobos parados estáticos no corredor da minha casa. Foquei o olhar em Leah e gritei - Meu filho vai nascer!
Esquecendo da briga ali travada pelos dois alfas daquela matilha, os lobo mais uma vez se mobilizaram para fazer um parto. Mais uma vez, Leah estava no comando. O que aconteceu com Sam eu não sei, pois este desapareceu no meio da confusão.
Nenhum ali achou seguro fazer o parto ao lado de Bella, nem mesmo Edward. Este último prometeu cuidar da filha e da esposa dele e não sair do (meu) quarto durante o parto.
Decidimos por fazer na sala. E lá estávamos nós, lobos, brincando de médico -ao pé da letra- e por sorte o parto de Julianne foi tranquilo, sem grandes problemas e riscos.
Neste eu ajudei com o maior prazer. A minha esposa esta forte como sempre e nos ajudava a por nosso filho no mundo.
Meu filho nasceu sadio e lindo, com cinco dedos em cada mão e cada pé, um corpo pequenino e rechonchudo, cabelos pretos grossos, olhos castanhos muito parecidos com os meus e um choro irritante... Ah! Esse é o meu filho!
Todos ficaram bajulando o meu pequenino... Vai ser, com certeza, uma criança mimada com tantos tios... Quil e Embry já contavam quantas noites passariam montando carros e motos com ele, Seth falou que o ensinaria a escalar montanhas e saltar do alto delas no mar, Leah era uma mãezona, os outros lobos disputavam ainda um pouco de atenção... O primeiro bebê da família... Meu filho.
Juli e eu éramos dois bobos. O que mais seríamos? O que mais poderíamos querer? Nosso filho nascera, tudo ali era pura alegria, magia...
Ainda não tínhamos decidido o nome e eu fiz questão que Juli escolhesse. Ela disse que por enquanto o chamaríamos de pequeno e que quando Bella acordasse, as duas decidiriam os nomes dos nascidos, já que Bells só tinha nome preparado pra menino.
Fui ao quarto avisar que tudo tinha ocorrido bem e que Edward já podia sair de lá e qual não foi minha surpresa ao ver Bella sentada na cama abraçando a filha.
- Que é isso? - gritei ao entrar. Minha amiga estava tão diferente, tão viva que mal pude acreditar em meus olhos, mas quando ela me olhou com aqueles olhos vermelhos... Sim, ela era uma vampira.
- Oi Jake... - uma voz de sino me tocou.
- B... Bella? Você já...
- A transformação mais rápida da qual tenho conhecimento. 24 horas sem nem um só segundo a mais. Já vi transformações de 48 horas, mas 24... Só mesmo minha Bella. - sorriu Edward afagando o rosto dela. Minha Bella!
- Você está bem, Bells? - dei-lhe um sorriso receoso.
- Acho que estou melhor do que imaginei que poderia ficar algum dia. - a voz de sinos respondeu. Aqueles olhos eram horripilantes, mas talvez eu pudesse conviver com isso.
- E a pequena? - apontei pra bebê no colo dela.
- É uma menina... - ela sorriu - Eu nunca pensei que seria uma menina... O de Juli é...
- Um rapazinho - respondi orgulhoso - Meu filho.
- Juli achou um nome? - perguntou curiosa.
- Acho que ela está te esperando pra escolherem juntas...
Bella deu um "Viva!" e levantou da cama. Um corpo perfeito vestido com uma blusa e uma saia de Juli. Linda, escultural... Mas com aquela simplicidade típica da Bella. E aqueles olhos... Que saudade dos olhos de chocolate daquela que tanto amei quando estava viva.
- Que tal estou? - perguntou a garota.
- Hm... As roupas da Julianne ficaram bem em você. - foi tudo que respondi.
Ela, então, revirou os olhos e veio em direção da porta, seguida de perto por Edward e juntos fomos os quatro pra sala.
Ao avistar Julianne, Bella abriu um sorriso amistoso. Juli sentada no sofá retribuiu o sorriso. O meu pequeno parou de chorar na hora que entramos na sala e nos olhava com uma carinha maravilhosa. A bebê de Bella olhava pra Juli e o pequeno.
Bella andou até o sofá, sentou-se ao lado de Julianne e disse irônica:
- Ouvi dizer por aí que nosso pequeno casal não tem nome...
- É verdade... Que tipo de mães eles vão pensar que somos... - Juli riu
- O meu plano de EJ foi por água a baixo... Nasceu uma menina.
- Já meu plano está começando a dar certo... Eu e minha amiga vamos escolher os nomes dos nossos filhos juntas...
- Só falta uma parte do plano... - Bella olhou pra todos - O que vocês ainda estão fazendo aqui? Não vêm que essa é uma conversa particular entre jovens mamães?
Todos saímos, com um pé atrás é verdade, mas saímos.
Passaram-se horas durante o ti-ti-ti delas. Então Edward, que algumas vezes ria sozinho (obviamente lendo a mente de Juli) me chamou para uma conversa séria assim que elas decidissem os nomes.
E no fim da tarde elas chamaram a todos.
- A todos os presentes queremos informar que nossos filhos se chamaram - começou Bella - Renesmee Carlie Cullen, em homenagem aos meus pais e sogros...
- E Jacob Edward Black, em homenagem a Renesmee e aos dois homens que mais foram importantes e intrigantes nas nossas vidas.
- É um elo que jamais nos separará. Seremos sempre seis vidas ligadas por um elo tão forte que forma uma nova vida para todos nós. - completou Bella.

"Sete estrelas presas no giro da roda do céu, sete flores dançam no Pampa no sul do Brasil, sete mãos de fadas destrançam intrincados nós, sete cruzes, sete rosários velando por nós. Se a vida é uma longa espera então ensina-me a te esperar, se a vida é breve primavera deixe-nos dela beber e já. Sete rosas rubras de fogo, amor e paixão, sete velas luzem por nós na escuridão, sete vidas tecendo o tempo de quem anda só, sete cartas, sete destinos se fundem num só. Se a vida é uma longa espera então ensina-me a te esperar, se a vida é breve primavera deixe-nos dela beber e já.Sete rosas rubras de fogo, amor e paixão, sete velas luzem por nós na escuridão, sete vidas tecendo o tempo de quem anda só, sete cartas, sete destinos se fundem num só. Vida longa espera, breve primavera. Sete vidas tecendo o tempo, amor e paixão." (Sete Vidas - Adriana Mezzadri)


Capítulo 26: Milonga



Mortos de curiosidade sobre os nomes dos bebês, os lobos resolveram ir embora, alguns ainda se perguntavam onde estaria Sam, embora tivéssemos quase certeza de que ele estaria com Emily.
Edward e eu deixamos nossas esposas e filhos na sala, já que ambas tinham uma cicatrização rápida e perfeita, e podiam muito bem cuidar das crianças sozinhas por alguns minuto, e fomos até a cozinha para a tal conversa séria.
- Jacob, primeiramente quero te parabenizar por seu filho - Edward começou dizendo - e em segundo lugar, quero te agradecer por tudo que fez por Bella e Renesmee... Sei que nada foi por mim, mas não poderia deixar de agradecer.
Claro que essa educação antiga toda me irrita profundamente. Eu e Edward somos algo como a Argentina segundo Sarmiento, uma divisão visível entre Civilização e Barbárie. Edward, obviamente, é a civilização e eu, mais obviamente ainda, sou a barbárie.
- Não precisa agradecer. Era o mínimo que eu poderia fazer a Bella depois de tudo o que passamos juntos, sem maldade, e Juli foi realmente atraída pela pequena Renesmee. Eu não pude evitar.
- E obrigado principalmente por permitir a transformação de Bella... Sei o quanto isso lhe fez mal e até posso imaginar o tanto que isso ainda lhe dará dores de cabeça com sua matilha.
- Acho que posso me virar com isso... Eu sou o herdeiro de Ephraim Black, não sou?
- Você nunca antes tinha ousado ser o alfa e isso pode ser algo pesado na sua vida a partir de agora.
- Não se preocupe, Cullen. Eu fiz o que era certo. Tenho certeza disso.
- Mas não posso mais te atrapalhar. Nem eu, nem minha família. Por isso, proponho que seja criado um novo pacto. Assim todos teremos a proteção devida.
- Não creio que Julianne os deixará partir ainda hoje, portanto prometo que enquanto estiverem aqui eu pensarei na nova proposta de pacto e antes de irem embora conversamos novamente sobre isso.
- Jacob, Jacob... Não poderemos ficar aqui por muito mais tempo. Bella é uma recém-criada, embora seja muito controlada, ela ainda não teve contato com o sangue humano... Não se sabe ao certo sobre seu controle quando algo assim ocorrer.
Mordi o lábio inferior. Era uma verdade absurda que eu quase tinha esquecido. Até agora ela só tinha contato com os lobos, Renesmee e JE, além de Edward. O que será que aconteceria quando ela tivesse tal contato? Ela então seria o monstro do qual tinha tanto medo que ela se transformasse?
- Precisamos ir embora logo para isolá-la por um tempo até que ela tenho controle absoluto sobre si própria. Não queremos nenhum acidente...
Abaixei a cabeça. Tudo começava a pesar de novo. Bella era mesmo uma vampira recém-criada, um monstro incontrolável... A Minha Bella... Eu quase me esqueci disso...
Edward deu um gemido e em seguida, como um vento forte, ele sumiu.
Demorei cerca de um segundo até entender que algo deveria ter acontecido.
Corri até a sala, onde Edward segurava uma Bella de olhos fumegantes pelo tronco e mandava Juli sair de perto com as duas crianças. Segurei meu filho e Renesmee no colo, e puxei Julianne pra fora da casa. Os levei até a casa de Quil e pedi que meu irmão cuidasse deles.
Quando estava saindo da casa percebi que JE tinha um pequeno corte no indicador da mão direita. Juli contou que o pequeno se cortou num prego solto do sofá, então Bella de repente ficou... daquele jeito.
Voltei pra casa para ver Bella e Edward. Não era óbvio? A gente não nasce lobo, viramos lobo. JE é humano e assim o será por um bom tempo. Isso se ele algum dia virar lobo. Não se sabe... Genética ele tem...
Ao entrar em minha casa, encontrei Edward conversando uma Bella inconsolável.
- Isso é normal, amor...
- Eu não queria atacá-lo. Como sou uma besta! Sou fraca! FRACA! - ela gritava quando adentrei a sala. Ao me ver, ela correu e ajoelhou-se aos meus pés - Perdão, Jake! Me perdoa!
Respirei fundo, não conseguindo achar palavras para responder. Em vez de uma resposta olhei pro Cullen e disse:
- Precisamos terminar aquela conversa.
Ele fez um sinal afirmativo com a cabeça e seguimos até a cozinha.
- Reataremos então o tratado antigo. - eu disse - Existe a nossa fronteira de área. Vocês não transformam ou atacam ninguém e nós não os atacamos.
Ele suspirou e balançou a cabeça.
- Esperava mais de você, Jacob - eu fechei a cara - Esperava que ao menos lembrasse que não transformei Bella porque eu quis, e tampouco qualquer de nós foi transformado por motivos fúteis.
- Onde você quer chegar com isso?
- Quero que você nos dê permissão para transformar alguém que esteja tecnicamente morta. Assim como eu, Bella, Rosalie, Emmett e minha mãe estávamos quando fomos transformados.
- Tecnicamente morta?
- Sem esperança alguma de sobreviver de um acidente, doença...
- Fora das minhas terras?
- Não temos autorização de atravessar a fronteira, certo?
Fiquei parado, pensando... Por fim concordei. Apertamos as mãos e o novo tratado estava em vigor. Dei aos Cullen 2 horas para partirem, busquei Renesmee e a devolvi aos pais.

Talvez aquilo fosse a cena mais bonita e mais agonizante que eu pudesse ver.
Edward de mãos dadas com Bella. Bella carregando Renesmee no colo. Renesmee olhando para meu JE. JE chorando no colo de Julianne. Julianne acenando para o casal que partia.
Mais uma vez ela partia meu coração. Quantas vezes eu precisei passar por isso para resolver mandá-la pra fora da minha vida. A certeza de que não nos veríamos mais chegava a ser um conforto. Eu não teria mais que lutar contra o desejo de tê-la. Bella... Logo estaria esquecida na memória da minha família. Ou não. Mas ninguém seria capaz de falar dela. Não haveria o interesse.
Tudo então estava resolvido. Tudo finalmente se encaixava. E ela ia embora. Bella ia embora com a família que sempre quis.
E eu ali, perdido entre uma raiva infindável por Bella querer atacar meu filho e a dor de perdê-la pra sempre (mais uma vez).
Talvez o que mais dói seja o fato de que o nosso “para sempre” seja muito mais longo que o para sempre da maioria.
Nosso pra sempre é eterno.

Vamos falar de solidão. Na sua casa eu nunca mais entrei, mas decorei com exatidão todas as coisas como eu deixei: vazos jogados pelo chão, lembranças do que não presenciei, mas decorei com exatidão todo um passado que eu mesmo criei. Eu tudo o que eu posso oferecer são minhas palavras pra você no plágio de uma Bella melodia. E tudo o que eu quero te dizer eu já cansei de escrever. Quero te ver enquanto não é dia. Mas diz porquê tu vais embora. Mas diz porquê tens tanto medo se não acorda cedo, nem trabalha, estuda ou namora. Mas diz porquê chegou a hora agora que venci meu medo, te peguei pelos dedos pra dançar enquanto o Sol demora, para chegar trazendo a aurora e a luz que cega e me da medo. E como um torpedo eu deslizo, eu morro num mar de lençóis que a cada dobra conta histórias, de muitas delas sinto medo, são muitos enredos enrolados e embreagado como nós... Tão a sós... Como nós... Por quê você insiste em me dizer que ainda existe vida sem você? (Quando você menos esperar vais doer e eu sei como vai doer e vai passar como passou pra mim e fazer com que se sinta assim como eu sinto, como eu vivo, como eu vejo, como eu não canso de cantar e eu sei que vai ouvir, eu sei que vai lembrar e vai rezar pra esquecer e vai pedir pra esquecer, mas eu... EU NÃO VOU DEIXAR!) E eu não quero lembra de que eu fui pra você uma simples distração pra você esquecer, eu não quero lembrar que chegamos ao nosso fim. E eu não quero lembrar de que vou acordar sabendo que os meus olhos não vão te encontrar, eu não que lembrar que tudo acabou pra mim. Vou te esquecer... Vou te esquecer... Por quê você insiste em me dizer que ainda existe vida sem você? Por quê você insiste em me dizer que ainda existe vida? (Milonga - Fresno)

Fim da 1° Temporada

Nota da Autora: Nem tudo é pra sempre como o Amor que Jacob (o grande Sol) sente por Bella. E por isso, nossa história fica por aqui. Agradeço muito pela paciência que vocês tiveram comigo e com a minha falta de tempo! Agradeço ainda mais pela leitura, o apoio, os comentários, as críticas... Peço desculpas se eu feri os sentimentos de alguém sobre o "tão fabuloso" Edward, ele realmente estava meio malvadinho nessa fic, né? Mas enfim, Obrigada por tudo! E só pra não perder o costume... Comentem!! Beijos... Prii V. [may]