Escrita por: Kátia Alex | Beta-reader: Cams J.


Capítulo 1. - Bad Die!

“Vai passar”...”Vai ficar tudo bem”.
Eu repetia isso pra mim como um mantra, pela milionésima vez, nesse dia que parecia não ter fim. Na escola eram os professores a me perseguirem, em casa meus pais não largavam do meu pé. Saco!
Entre uma repetição e outra, ficava me perguntando o porquê de tudo dar errado pra mim? O quê? Sou tipo, amaldiçoada!? Tinha que me lembrar de perguntar a minha mãe, se por caso, minha madrinha tinha me rogado alguma praga, ou se na verdade eu havia nascido numa sexta-feira 13 de agosto (considerado por muitos o dia mundial do azar), ao invés de no dia 28/07/86 como constava em minha certidão de nascimento.
Além de todas as coisas ruins, que pareciam ficar a espreita para me atacar, ainda tinha que lidar com aquele maldito calor, que parecia que ia me consumir inteira. Resolvi, mais por impulso que por vontade, dar um mergulho na Primeira Praia, quem sabe assim conseguiria matar dois coelhos com uma pedrada só: aliviaria o calor e aproveitava para desestressar.
Parei meu carro no estacionamento quase deserto, exceto por um carro e duas motos que estavam ali, logo reconheci como sendo o carro da Sra. Call, mãe de Embry, e as motos com certeza eram as que Jacob Black havia reformado para ele e pra insuportável da Isabella Swan. Quase desisti da idéia do mergulho, só pra não ter o desprazer de dar de cara com eles. O descaramento daquela garota Swan era incrível, ela vivia alimentando a paixonite daquele idiota do Jake enquanto fica pra cima e pra baixo com o esquisitão do namorado dela, o tal do Eduard Cullen. Eca! Eu não sabia dizer qual dos dois era mais trouxa, se Jacob por acreditar que poderia tirá-la de Eduard, ou se o próprio Eduard por acreditar que ela era uma Santa que não o trairia facilmente, ficando com o Jake uma vez ou outra!
Idiotas. Todos eles. Bufei.
Fiquei lá sentada no carro, tentando me decidir, por fim resolvi que deveria aproveitar o mergulho, bastava tomar algumas precauções. Desci do carro, deixando ali meus tênis e minha camiseta, agradecendo mentalmente aos céus por morar em uma Reserva Indígena que ficava a beira-mar, o que era uma excelente desculpa par estar sempre com um biquíni por baixo das roupas, joguei minha toalha no ombro e segui em frente. Assim que alcancei a praia, parei para fazer um reconhecimento da área, pude ver que à uns 500 metros de onde eu estava haviam três figuras sentadas sobre um tronco caído. Reconheci Jacob, Embry e Paul, a garota Swan não estava com eles. Aproveite o fato deles não terem registrado minha presença e fui caminhando rapidamente para o lado oposto de onde eles estavam.
Andei bem uns 15 minutos, para ter certeza de deixar uma boa distância entre eu e eles, larguei minha toalha em cima de uma pedra junto com meu Jeans desbotado e corri para o mar. Mergulhei várias vezes, na intenção de lavar minha alma e minha mente, literalmente; nadei um pouco e depois deixei meu corpo flutuando sobre a água que me envolvia e embalava. Procurei não pensar em nada, só curtir o por do sol e a sensação de liberdade completa.
Ultimamente eu estava tento sérios problemas pra controlar meu gênio explosivo. Sei que não era justo, mas sempre acabava sobrando pra minha família. Em minha insanidade, buscava encontrar um culpado pra tudo isso. E a primeira pessoa que me vinha à cabeça era ele. Sempre ele, Sam Uley. Depois de dois anos de namoro sério, de ter enfrentado meus pais pra ficar ao lado dele quando ele sumiu e todos achavam que ele estava envolvido com algo ilícito, o desgraçado simplesmente terminou comigo pra ficar com ninguém menos que minha prima – que eu considerara como uma irmã – Emily Young!

Pra piorar, meu coração aos frangalhos, eu era obrigada a conviver com os dois pombinhos esfregando todo aquele AMOR deles na minha cara todo o santo dia! Isso depois de ele ter me feito mil juras de amor eterno, aquele cínico, hipócrita, falso, mentiroso, aproveitador de uma figa, isso sim é o que ele era.
Os anciões da Tribo, que antes o ignoravam, o tratavam como um deles agora, sempre em reuniõezinhas secretas, até os garotos mais novos como Jared, Paul, Jacob, Embry, e mais recentemente, Quil Ateara, viviam atrás dele como cachorrinhos, abanando seus rabinhos peludos pra ele. Argh. Eu não conseguia entender esse efeito que Sam tinha sobre eles, era como se todos tivessem sofrido uma lavagem cerebral. Enervante.
Meu único consolo era que agora Sam tinha que desfilar pra cima e pra baixo com sua noivinha desfigurada. Na última primavera, assim que eles começaram a se envolver, ela foi atacada por um urso enquanto andava pela floresta que circundava La Push. Juro que fiquei muito triste, quando soube que o pobre urso tinha sido morto, afinal, ele fez com ela aquilo que eu não tive coragem de fazer quando descobri que tinha sido traída por eles! Achei que depois de vê-la cheia de cicatrizes, Sam recobraria a consciência e voltaria pra mim, mas pra minha infelicidade completa, o imbecil parecia – se é que era humanamente possível – mais apaixonado ainda por ela!
Nem que eu vivesse mil anos eu entenderia essa paixão repentina, e nem que eu vivesse esse mesmo período eu conseguiria perdoá-los pela traição. Ódio! Afastei tais pensamentos de minha cabeça, para recomeçar o processo de relaxamento que tinha ido pras cucuias com a avalanche de sentimentos ruins, que tomavam contam de mim sempre que me lembrava desse fato. Já era hora de voltar pra casa.
Senti as minhas lágrimas misturando-se com a água salgada do mar que respingava em meu rosto, passei a mão para limpá-las, exasperada. Aquilo não estava funcionando. Nadei de volta a praia, dei um último mergulho e saí da água de cabeça baixa, andando meio as cegas, tirando meu cabelo e a água dos olhos, aprumei meu corpo e olhei para frente só para descobrir que não estava mais sozinha.

Capítulo 2. - Fenômeno

Continuei andando em direção ao lugar onde tinha deixado minhas coisas, tentando disfarçar – muito mal, diga-se de passagem – meu descontentamento em vê-lo parado ali, me olhando com aquele seu característico sorrisinho debochado. Porém, mesmo que eu quisesse, seria impossível ignorá-lo por muito tempo já que ele segurava minha toalha com a mão estendida em minha direção. Obriguei-me a cumprimentá-lo e a agradecer a gentileza.
- Oi. Obrigada Paul! Não precisava se incomodar.
- Não foi incômodo algum – disse-me ele, ainda sorrindo – Na verdade, foi um prazer! É sempre bom admirar uma exímia nadadora. E você é muito boa nisso, pra uma garota.
Não me dei ao trabalho de retrucar, eu já tinha coisas o suficiente pra me aborrecer, sem precisar acrescentar à minha lista de chateações do dia uma discussão homofóbica com aquele idiota. Continuei andando em direção à pedra. Aproveitando para secar meu corpo rapidamente. Ainda de costas para ele, vesti minha calça e, passando a toalha por meus cabelos, tomei o caminho de volta ao meu carro, tendo o cuidado de manter minha cara de poucos amigos.
Mas ele pareceu não ter entendido o recado, e se pôs a andar ao meu lado, puxando conversa.
- Então Leah, resolveu vir dar uma “esfriada” na cabeça ou o quê!? – Perguntou, curioso. - Pois é, na falta de algo melhor pra fazer... – respondi, reticente. Eu é que não ia ficar dando satisfações dos meus atos para aquele enxerido.
- Os rapazes e eu estávamos do outro lado da praia, por que você não se juntou a nós?
Olhei atravessado pra ele, como quem diz “meta-se com a sua vida”, mas pelo jeito ele não queria realmente entender que eu não estava pra papo-furado hoje, e me obriguei a respondê-lo.
- É que hoje eu não estou me sentindo muito sociável, sabe? Estou a fim de ficar sozinha no meu canto, se é que você me entende. - Respondi de mau humor.
Senti que ele meio que vacilou em seus passos depois dessa resposta, só pra depois se recompor e me lançar a mais estúpida de todas as suas interrogações.
- Qual é o seu problema? Ainda chateada com o fora que levou do Sam?
Estaquei meu passo. Paralisei total e fiquei olhando pra ele, olhando não seria o termo certo, eu o fuzilava com os olhos, via tudo vermelho na minha frente. Pensava “Como aquele moleque se atrevia me perguntar tal coisa”! Senti o calor descer por minha coluna, como um rastro de fogo se acelerando por cada célula do meu corpo. Fui tomada por tremores terríveis que faziam meus dentes se chocarem uns contra os outros. Todos os pêlos do meu corpo se eriçaram como se eu tivesse sido eletrocutada, em meio a toda essa reação que acontecia comigo, consegui vislumbrar por um segundo o rosto de Paul.
Seus olhos estavam arregalados, sua boca tremeu escancarada e ele estendeu seus braços em minha direção, como se estivesse se defendendo de um ataque iminente.
Depois a coisa toda fugiu completamente do meu controle, senti algo explodir dentro de mim. Parecia que meu corpo despedaçava-se e outra Leah surgiu de dentro de mim. Eu já não conseguia me manter de pé, cai ali mesmo, de quatro, na areia fria da praia. Balancei minha cabeça, numa tentativa de clarear minhas idéias, e percebi que mesmo estando ali de quatro, tinha que olhar pra baixo para ver Paul novamente. Continuei vendo seus olhos esbugalhados presos em mim, cheios de incredulidade, isso só fez minha raiva aumentar e tentei gritar com ele, mas estranhamente não foi minha voz que saiu por minha garganta, parecia mais um rugido ou um rosnar cheio de ódio. Senti nesse momento que poderia facilmente estraçalhar aquele imbecil do Paul. Então, olhei mais para baixo e vi duas patas enormes, no lugar onde deveriam estar minhas mãos, girei, assombrada, minha cabeça para trás e vi meu corpo recoberto por uma pelagem cinza clara; voltei meus olhos para Paul e vi, refletida em seus olhos chocados, a figura de um lobo raivoso, no qual eu havia me transformado.
Pirei na hora, dei as costas à ele e corri para dentro da floresta.

Capítulo 3. - Ninguém Está Só

Corri feita louca, mata adentro, buscando um lugar onde eu pudesse me esconder e procurar entender o que diabos havia acontecido comigo.
Enquanto corria, sentia como se tudo a minha volta fosse tomado por uma vida pulsante, meus olhos enxergavam muito além, meu olfato afinadíssimo distinguia mil cheiros diferentes, e meus pés – melhor dizendo, minhas patas – eram tão leves, rápidos e silenciosos que pareciam nem tocar o chão; minha audição parecia de tal modo sensível, que eu podia, mesmo naquela velocidade, ouvir as ondas do mar arrebentando-se nas rochas na Primeira Praia, que eu sabia que estava muito distante de onde eu me encontrava agora.
De repente, uma voz que eu tinha certeza que não era a minha, explodiu dentro da minha cabeça, me ordenando que eu parasse de correr, parei, ofegante e desconfortável, por que eu podia jurar que aquela era a mesma voz, que por dois anos me falaram de juras de amor!
Era Sam em minha cabeça, e por mais que eu quisesse continuar correndo eu não consegui. A voz dele me manteve presa naquele lugar.
Essa era a confirmação que eu precisa, para provar a mim mesma que estava LOUCA, por que se eu estivesse em sã consciência eu jamais tornaria a dar ouvidos a Sam Uley.
Senti o ar encher meus pulmões e farejei a chuva que estava para cair, arriei no chão, aterrorizada - um medo insano tomava forma dentro de mim. O que estava acontecendo comigo!? Minha loucura tinha chegado a tal ponto que eu começava a me ver como um animal? Ouvi passos, se aproximando rapidamente, e outras vozes começaram a falar em minha cabeça; agora era alguém me dizendo “tenha calma”, parecia a voz de Jared, e depois foi a vez de Jacob, dizendo “não tenha medo”, e por último, mas não menos surpresa, ouvi Paul, lamentando-se comigo, pedindo “desculpas” e me dizendo que ficaria “tudo bem”. Tudo bem uma ova; pensei comigo, como ia ficar tudo bem se eu agora tinha me transformado num monstro peludo governado por um ódio homicida!?
Fiquei de pé novamente, foquei meus olhos na direção do som dos passos e pude ver, chocada, outros quatro lobos gigantes se aproximando de mim de forma sorrateira. Sam continuava falando em minha cabeça, me pedindo calma e paciência, olhei para cada uma daquelas feras enormes que me circulavam e incrivelmente não senti medo - era como se os conhecesse. Olhei atentamente para o imenso Lobo Preto que tomava a dianteira dos outros, focalizei seus olhos negros e tristes e lembrei do olhar do meu Sam de antigamente. Fui tomada pelo mais puro desespero quando o Lobo confirmou meu pensamento, com um aceno da imensa cabeça, que eu estava certa, que ele REALMENTE era Sam Uley! Girei minha cabeça, encarando outro Lobo que estava mais próximo; ele tinha um pelo castanho avermelhado todo eriçado o que me fez lembrar dos cabelos de Jake ao vento quando ele pilotava sua moto - ele também assentiu com um movimento de cabeça e, pra minha maior surpresa, falou dentro de minha cabeça “Oi Leah, sou eu mesmo, Jacob Black”, depois virou sua cabeça e, apontando com o focinho primeiro para direita e depois para a esquerda, indicando os outros dois Lobos que o acompanhavam, falou “E esses são Jared e Paul”.
Não pude acreditar. Na verdade eu não queria acreditar que aquilo estivesse acontecendo. Eu tentei gritar com eles, mas novamente só pude ouvir saindo da minha boca um uivo misturado a um ranger de dentes assustador.
O Lobo Preto, que se identificou como sendo Sam, aproximou-se mais de mim, eu recuei instintivamente arreganhando meus dentes para ele, que estacou e mirou firmemente no fundo dos meus olhos. Ainda mantendo o diálogo em minha mente, ele pediu mais uma vez para eu manter a calma, e pediu aos outros que se afastassem de nós para que ele pudesse tentar me trazer de volta a forma humana. Quando ouvi isso exultei, vi os outros irem saindo devagar e virei para encarar Sam; ele rapidamente foi para trás de uma árvore próxima, dizendo-me que eu esperasse por um instante que ele já voltaria. Aflita e surpresa, o vi surgir diante de mim em sua forma humana. Ele trazia em uma das mãos uma camisa, quando ele mesmo só vestia um short jeans rasgado; aproximou-se de mim vagarosamente e estendeu uma mão em minha direção, pondo-se a falar ternamente comigo.
- Leah, não tenha medo. Eu estou aqui para ajudá-la. Tente acalmar seu coração, controle sua respiração e procure pensar em você como sendo humana de novo.
Bufei. Como se fosse fácil assim esquecer o monstro em que tinha me transformado.
- Leah – continuou Sam – pense que você é humana, lembre-se de seu corpo humano, controle sua respiração, isso dará certo, eu prometo.
Rosnei para ele, pensando “como se eu fosse capaz de acreditar novamente em alguma das suas promessas”. Mas de repente me dei conta que eu não tinha outra escolha a não ser tentar fazer o que ele dizia. Segui seu conselho, visualizei meu corpo humano, deixei minha respiração acalmar-se, meu coração desacelerou e senti que volta ao normal. Eu era de novo a Leah Cleawater de sempre. Senti meus braços e pernas assumirem suas formas originais e, com um último suspiro profundo, senti meu corpo todo se estabilizar em sua forma original.
Fiquei ali, nua, encolhida no chão frio da floresta, diante da última pessoa que eu desejava ver na vida, e minha dor maior era saber que agora eu lhe devia esse favor, o de me trazer de volta a minha forma humana.

Capítulo 4. - Loucura Coletiva

Agora o tremor que assolava meu corpo era diferente, era uma mistura de medo pelo que havia acontecido, um pouco pelo frio, devido à chuva que desabava sobre nós e finalmente por vergonha, por estar tão exposta diante dele. Em meio às lágrimas que toldavam minha visão, vislumbrei a figura de Sam, ele começou a vir em minha direção; a cada passou seu eu me encolhia mais.
- Shhh, Leah, por favor – pediu ele – Deixe que eu me aproxime, só quero ajudar.
Olhei pra cima, só pra constatar, surpresa, que os olhos que me fitavam estavam repletos de dor. Mesmo sem querer, lembrei do dia em que terminamos - Sam tinha a mesma dor estampada em seus olhos. Não consegui suportar. Chorei descontroladamente, tomada por essas recordações.
Ele abaixou-se ao meu lado, passou a mão livre suavemente por meus longos cabelos emaranhados, procurando me consolar e testando até onde ele poderia ir antes que eu voltasse a surtar. Não me rebelei, fiquei ali, tremendo e chorando, e quando sentiu que eu não oporia nenhuma resistência, Sam sentou-se ao meu lado, puxou-me delicadamente para o seu colo, cobriu-me com a camisa que trouxera e ficou ali, me embalando como se eu fosse um bebê.
- Shh, já passou – sussurrou – Está tudo bem agora.
Não sei por quanto tempo ficamos assim, só sei que quando consegui abrir meus olhos, a escuridão já nos envolvia, e de repente tive consciência de nossa proximidade constrangedora. Afastei-me de seu peito limpando os últimos vestígios das lágrimas e o encarei, meus olhos refletindo meus conflitos e perguntas.
Gentilmente, Sam colocou-me sentada ao seu lado, mas manteve minhas mãos entre as suas. Eu me perguntava qual o significado daquele gesto, levantei meus olhos para encontrar os dele e percebi o quanto estavam escuros e profundos, como se eles tivessem visto demais, e com isso envelhecido uns 100 anos em apenas alguns instantes. Antes mesmo que eu pudesse fazer qualquer pergunta, ele se pôs a falar.
- Leah querida, eu sinto muito pelo que aconteceu à você. Eu realmente não fazia idéia de que isso fosse possível. Preciso lhe explicar algumas coisas, tudo bem? Você já ouviu sobre as Lendas que cercam as histórias do nosso povo, certo? – Assenti, vacilante – Pois bem – prosseguiu ele – O que aconteceu com você hoje foi, nada mais nada menos, que a confirmação de tudo aquilo que nós sempre ouvimos falar quando éramos crianças. Nós realmente descendemos de LOBOS, temos em nosso DNA um gene que nos permite sofrer essa “mutação”, digamos assim, quando ela se faz necessária. Você consegue compreender isso?
Balancei minha cabeça de um lado pro outro, numa negativa. É claro que eu não podia compreender tal coisa. Afinal, aquilo tudo que ouvimos falar quando crianças eram apenas lendas, não eram?
Paciente, ele tentou me explicar um pouco mais.
- Nós, os Quileutes, temos várias histórias que contam como nossa Tribo se formou, dentre elas existe uma em especial, que nos fala sobre os Espíritos Guerreiros e da união de um dos nossos antigos Chefes com um Lobo; desde então, todas as novas gerações herdaram de seus ancestrais esse gene à mais, que permite que nos transformemos em Lobos. Isso acontece por que é a forma mais eficaz de combatermos nossos inimigos e dessa maneira protegemos a Tribo e La Push.
Atordoada com todas essas informações, levantei o dedo, pedindo um aparte, para perguntar algo, antes que ele continuasse a despejar aquela enxurrada de informações novas e loucas.
- De que ataques você está falando Sam? Quem são nossos inimigos? Estamos em pleno século XXI, pelo amor de Deus! Há muito o “homem branco” deixou de nos perseguir! – Falei, cética.
Ele olhou-me atentamente, e nesse momento eu soube que eu não ia gostar da sua resposta.
- Eu sei que é difícil de acreditar por hora, mas peço, por favor, mantenha sua mente aberta, ok?

Mesmo sendo difícil para mim, decidi colaborar com aquela loucura, e assenti calmamente.
- Não é do “homem branco” que nós nos defendemos Leah. Os Lobos Quileutes tem um único inimigo agora. E eles estão aqui em Forks agora, depois de mais de 70 anos, eles retornaram, e foi isso que desencadeou o processo de transformação que mudou nossas vidas. Eu estou me referindo aos FRIOS, você lembra dessa lenda em particular? Falo de VAMPIROS, sugadores de sangue!
Minha boca escancarou-se sozinha, sem nenhum comando meu. Fitei-o como se estivesse diante de um lunático. Vendo minha reação, ele rapidamente apertou mais meus dedos entre os seus, como se para enfatizar suas palavras. E começou a falar sobre a família Cullen, vampiros que diziam se alimentar só de sangue de animais, com quem Ephraim Black, o Lobo Alpha daquela época distante, bisavô de Jacob, havia feito um Pacto. Eles manteriam sua palavra de não atacar as pessoas da região de Forks e nem atravessariam as fronteiras de La Push, e em troca os Lobos não os matariam e manteriam guardado o segredo do que eles realmente eram.
- Mas se os Cullen não são uma ameaça, por que então os Lobos voltaram a surgir? – Perguntei, desconfiada.
- Eles realmente mantiveram sua palavra por todos esses anos. Acontece que eles não são os únicos vampiros que existem no mundo. Outros da mesma espécie deles estão por aí, e ao que parece resolveram vir para Forks também. Esses outros vampiros não honram Pactos, e é por causa deles que voltamos a nos transformar em Lobos.
- Você disse que não sabia o porquê disso ter acontecido comigo também, por quê? - Fui obrigada a perguntar.
- Em primeiro lugar por que até então se acreditava que só os descendentes diretos dos Lobos da 1º matilha recebiam o tal gene mutante capaz de nos transformar; e em segundo lugar por que até hoje nunca se teve notícias de um Lobisomem mulher entre nós. Você é a primeira. E sinceramente não sei lhe dizer como isso aconteceu.
Era isso então!? Agora além de naturalmente azarada eu também era uma aberração!? Ótimo! O que mais faltava acontecer comigo?
- Como vou conviver com isso Sam? – Perguntei, aflita.
- Estamos aqui para te ajudar Leah, procure não se preocupar com isso por hora – Disse-me calorosamente – Agora você faz parte dos Guardiões de La Push, nossa irmandade irá ajudá-la nesse processo de adaptação.
- É isso então? Agora poderei me transformar em Lobo sem mais nem menos, sem nenhum aviso? Como será minha vida? A escola? Minha família? - Os tremores recomeçando dentro de mim, a raiva vindo à tona novamente.
- Calma Leah, agora o importante é você aprender a controlar sua raiva. Se você conseguir fazer isso, terá dado um passo significativo em relação a ter controle sobre sua transformação. Você só se transformará quando for necessário ou quando desejar. Bastando pra isso manter seus nervos e seu gênio forte controlados – Disse-me ele sorrindo levemente.
Fácil falar, difícil fazer. Ouvi passos a nossa volta e pude ver que os outros tornaram a se aproximar de nós. Estavam todos em suas formas humanas agora, e me encaravam, os olhos divididos entre a dúvida e a surpresa.
Jacob foi o primeiro a chegar, abaixou para ficar cara a cara comigo, pegou minha mão direita que estava entre as de Sam, e apertando-a levemente, murmurou gentil:
- Sinto muito pelo que aconteceu com você Leah. Estou aqui para o que você precisar, ok?
Devolvi seu olhar, surpresa. Nós nunca fomos muito próximos, apesar de termos sido vizinhos por toda a nossa vida, mas agora, por mais incrível que pudesse parecer, eu sentia uma confiança enorme nesse garoto.
- Obrigada Jake. Acho que vou precisar. - Ele abriu pra mim um sorriso lindo e confiante. Ergui-me do chão frio e molhado, apertei meus braços ao redor do meu corpo, olhei para todos eles e depois me pus a caminho da Primeira Praia. Eles me seguiam em silêncio. Tudo o que eu podia pensar no momento era no por que daquilo tudo e em como eu ia explicar aos meus pais o que tinha acontecido comigo.

Capítulo 5. - Descontrole

Enquanto voltava para o estacionamento onde tinha deixado meu carro mais cedo naquela tarde, com Sam ao meu lado, senti durante todo o trajeto os olhares dos outros garotos cravados em minhas costas; eram como dardos tentando penetrar minha pele.
Minha mente estava confusa, cheia de indagações que eu queria – ou melhor dizendo -, precisava, colocar pra fora antes de surtar completamente.
Parei diante da porta do meu carro que Jacob mantinha gentilmente aberta para mim – ta aí outra novidade para mim em relação a ele: descobri que Jake era um cavalheiro –, e me virei para fitar cada rosto a minha volta. Cruzei meus braços em frente ao meu peito e indaguei.
- Quando me transformei mais cedo, achei que tinha enlouquecido – todos me olhavam em suspense – Para piorar, parece que eu podia ouvir as vozes de vocês em minha cabeça... Isso é possível?
- Sim, uma das coisas que você precisa saber, e logo, é que á partir de agora, toda vez que sofrer a metamorfose, todos os seus pensamentos e sentimentos serão compartilhados com a matilha, e vice-versa – respondeu-me Sam, cautelosamente – E quando digo todos quero dizer todos mesmo, entendeu Leah? - Enfatizou Sam.
Olhei para ele, aparvalhada. MARAVILHA! Agora além de ser uma Aberração Azarada, ainda teria que “dividir” meus pensamentos com um bando de pirralhos! O que mais falta acontecer comigo?
- Você está brincando não é? – Falei, com um meio sorriso.
- Não Leah, isso é muito sério. Não podemos guardar segredos uns dos outros – informou Jared – É uma dessas coisas de Lobo. É uma forma eficaz de nos mantermos em comunicação mesmo à distância para o caso de precisarmos de ajuda – concluiu ele, com um sorriso amarelo.
- E não existe uma maneira de desligar essa coisa!? Sei lá... Eu não quero isso. Não pedi pra fazer parte disso – virei-me para Sam – Não existe um meio de eu não vir a me transformar novamente? - Fitei seus olhos com os meus, em súplica.
- Desculpe, mas não dá. Não é assim que a coisa funciona. Uma vez que a pessoa sofre a transformação não tem mais volta - ele me respondeu com a voz cheia de tristeza.
Reuni o pouco de dignidade que me restava e olhei em volta, antes de dizer:
- Então é isso. O que faço agora?
- O mais importante agora é você tentar manter o máximo controle sobre o seu temperamento explosivo – olhei para ele acusadoramente – Não permita que sua raiva a domine. Caso você sinta que ela está fugindo ao seu controle, se afastasse o mais rápido possível de qualquer pessoa que estiver perto de você. Os Lobisomens jovens são muito instáveis - nesse momento, não sei por que, todos olharam para Paul - A principal regra do nosso grupo é, nunca, jamais, revelar a ninguém o que somos, e também manter segredo sobre a existência de nossos inimigos, fui claro? - Perguntou-me Sam, preocupado.
- Eu entendo, mas e quanto aos meus pais? Não posso dizer nada a eles? – Inquiri, insegura.
- Não Leah, você não deve dizer nada a eles. Embora muito em breve seu pai fique sabendo, já que ele faz parte do Conselho Tribal. Mas, por enquanto, mantenha-se calada; deixe que eu fale com ele primeiro.
Pela segunda vez naquela noite resolvi dar ouvidos a Sam, até por que eu não sabia qual seria a reação dos meus pais quando descobrissem no que eu tinha me transformado. Respirei fundo, balancei minha cabeça em consentimento e me virei para entrar no carro. Depois que tomei meu lugar ao volante, Jake bateu a porta e sorriu pra mim, tentando, sem sucesso, transmitir confiança. Dei a partida e rumei para casa; minha mente parecendo um balão prestes a estourar.
Quando parei meu carro em frente à casa, percebi que estava encrencada, afinal, já passava das 10 da noite e eu fiquei sumida por horas. Minha mãe, aflita, correu para me receber na porta. Quanto viu meus trajes – eu ainda vestia a camisa que Sam havia me emprestado – seus olhos flamejaram, raivosos.
Antes que eu pudesse entrar em casa, ela bloqueou meu caminho e se pôs a gritar, irritada:
- ONDE FOI QUE VOCÊ SE METEU MOCINHA? POR CASO VOCÊ SABE QUE HORAS SÃO? SABE O QUANTO SEU PAI E EU FICAMOS PREOCUPADOS COM VOCÊ? SEU PAI SAIU À SUA PROCURA, SABIA?
Encolhi-me diante de suas palavras, minhas mãos tremeram e comecei a refrear minha raiva súbita. Engoli em seco e respondi, calmamente.
- Desculpe mãe, perdi a noção do tempo. - eu rezava em silêncio que ela engolisse essa.
E tudo podia ter terminado ali. Ela poderia ter fechado a cara pra mim e eu teria ido pro meu quarto, resignadamente, esperando meu pai chegar pra uma segunda rodada de broncas. Mas desde quanto o DESTINO facilitava as coisas pra mim? NUNCA! Seth, meu irmão boca grande, tinha que se meter na conversa.
- O papo com Paul devia estar bom mesmo pra você perder a hora não é maninha? Eu vi vocês juntos na praia hoje à tarde.
Antes que eu pudesse pensar em manter minha calma, meu corpo girou em direção a sua voz, minhas mãos tremendo novamente, meus olhos o focalizaram, cheios de fúria.
- CALA ESSA BOCA SETH! - minha voz estava rouca pela raiva e pelo canto do olho, vi que meu pai se aproximava.
Ao invés de seguir meu conselho, o fedelho enxerido falou, rancoroso; as mãos tremendo também, revirando seus olhos pra mim dizendo:
- Ai que MEDA! A bruxa Leah vai me pegar.
Foi o que bastou para acabar com o pouco controle que eu tinha. Os tremores se intensificaram, o calor desceu por minhas costas e pela segunda vez naquele dia eu explodi. Para minha completa surpresa, meu irmão também explodiu e, de repente, me vi diante de um Lobisomem enorme com o pêlo cor de areia rosnando pra mim!
Foi tudo muito rápido. Enquanto mediamos força arreganhando os dentes um pro outro, pude ouvir as vozes de Sam e Jared em minha cabeça e sabia que Seth também podia ouvi-los. Sam ordenou que nos afastássemos dali, e contra minha vontade, me vi seguindo para o outro lado, quando na verdade o que eu queria mesmo era voar no pescoço de Seth. Vi com meus olhos de Lobo meu pai, assombrado, levar a mão ao peito, nos encarando com olhos arregalados de horror antes de tombar no chão, parecia que ele estava com dificuldades para respirar. Vi nossa mãe correr para ele, gritando seu nome. Eu também queria correr pra ele, mas Sam continuava a dizer para nos afastarmos. Corremos para a floresta e em questão de segundos estávamos cercados por quatro lobisomens enormes. Sam nos ordenou que o seguíssemos para dentro da floresta.
Uma vez lá, Sam nos ajudou a voltarmos à forma humana. Recuei até uma árvore próxima e ali voltei ao normal. Meu desejo era correr pra casa de novo, mas estava nua e não podia me expor daquele jeito. Jared veio em meu socorro e sem olhar nenhuma vez em minha direção, estendeu-me uma camiseta super grande; vesti-a com dedos trêmulos e virei-me, já pronta para correr de volta pra casa, quando Sam agarrou meus braços numa tentativa clara de me impedir. Olhei para ele, aturdida.
- Leah, preciso falar com você um instante – pediu ele, educado.
Levou-me até onde os outros estavam, todos em suas formas humanas, reunidos em volta de Seth. Percebi que meu irmão chorava copiosamente e, angustiada, senti que algo tinha dado errado.
Sam segurou forte meu rosto entre suas mãos, fincou seus olhos repletos de dor nos meus; tive uma sensação de Deja-vú: pela segunda vez naquele dia reconheci aquele seu olhar, e eu sabia que as palavras que o seguiriam não seriam boas.
- Escute, por favor, Leah. Seu pai foi levado para o hospital de Forks. Eu preciso que você e Seth se acalmem antes de levá-los até lá, entendeu? – assenti; meus olhos ainda presos aos dele – Agora, mais do que nunca, você tem que ser forte está me ouvindo? Sua família precisa de você agora - Concordei com a cabeça; minha voz estava presa em algum lugar entre meu cérebro e minha garganta. Ele soltou meu rosto quando percebeu que eu não lhe causaria mais problemas. Voltou-se para Jared e pediu que esse fosse buscar seu carro a fim de nos conduzir até o hospital. Fui com Jared e aproveitei para passar em casa para trocar de roupa. Lembrei-me de pegar algumas peças para Seth também. Quando tornei a sair de casa, Jared estava a minha espera, com o carro ligado. Fomos até a margem da floresta, pegamos Sam e Seth e rumamos para o Pronto Socorro de Forks, no mais absoluto silêncio.

Capítulo 6. - Perdas e Danos

As primeiras pessoas que vi quando entrei no hospital foram o Chefe de Polícia, Charlie Swan, e Billy Black. Eles eram os melhores amigos do meu pai. Corri em direção à eles só para parar um segundo depois, após constatar por seus olhos vermelhos que algo havia dado muito errado. Girei para trás com a intenção de fugir daquela visão, mas me choquei contra um peito largo e braços fortes, que me mantiveram presa naquele lugar. Tive que erguer minha cabeça muito acima para ver que era Paul que me abraçava daquele jeito. Não sei de onde ele surgiu, só sei que fiquei grata por ter onde me apoiar, por que minhas pernas ameaçavam ceder a qualquer momento e me levar ao chão. Suas mãos gentis deslizavam por meus cabelos, até as costas, numa nítida tentativa de me acalmar, e por um breve instante funcionou, mas só até eu encontrar seus olhos e ver que eu havia chegado tarde demais.
Balancei minha cabeça de um lado para outro, tentando com esse gesto simples negar o óbvio. Uma fraqueza tomou conta de meu corpo e me senti desfalecer. Paul ergueu-me em seus braços e levou-me para uma sala vazia, onde depositou meu corpo sobre uma maca, saindo a seguir para buscar ajuda. Em minha semi-consciência, podia ouvir o que parecia ser a voz da minha mãe, pedindo para que eu abrisse meus olhos. Mas eu me sentia tão bem ali, envolta pela escuridão, onde minha desgraça parecia não poder me alcançar. Porém, não foi a voz suplicante de minha mãe que me despertou; recobrei minha consciência por conta de um cheiro horrível que fazia minhas narinas arderem. Pensei que fosse amônia, um medicamento que os médicos usam para fazer os pacientes acordarem rapidamente de seus desmaios. Olhei para o lado e só o que pude ver foi um jaleco imaculadamente branco que envolvia o corpo de um médico, que não pude deixar de notar, era jovem e extremamente lindo, que me fitava com olhos dourados e sérios e, para meu constrangimento, percebi que o fedor que fazia meu corpo todo, agora meio erguido na maca, se retesar de repulsa vinha dele! O calor me tomou instintivamente, então senti uma mão restritiva em meu ombro e virei para encarar Sam, que mantinha o nariz torcido, e sussurrou em meu ouvido:
- Agora não! Controle-se. - sacudi minha cabeça, aturdida, e desabei do novo na maca.
O jovem médico dirigiu-se a mim com uma voz suave e gentil, apresentando-se: - Olá, sou o Dr. Carlisle Cullen. Você sofreu uma pequena queda de pressão, mas já está estabilizada. Por favor, procure manter-se calma, descanse um pouco mais, depois, quando estiver mais disposta, poderá encontrar-se com sua família, está bem?
O tempo todo enquanto ele falava, mantive minha respiração presa; era a primeira vez depois de minha transformação que me via cara a cara com um vampiro. Balancei minha cabeça, acatando sua sugestão, e o vi sair rápido da sala, abanando a cabeça na direção de Sam.
Soltei o ar que estava preso em meus pulmões de uma vez só e me ergui sobre os cotovelos, olhando interrogativamente para Sam, que entendeu de imediato meu olhar e explicou:
- É isso mesmo que você está pensando Leah, ele é um vampiro e o cheiro que ele exala é o que nos previne da presença deles entre nós. Todos eles terão um cheiro repulsivo para nós, isso os delatará mesmo quando eles acharem que poderão manter-se escondidos.
Deixei que essa informação se alojasse em meu cérebro, só depois me lembrei o porquê de estar ali, e a dor transpareceu em meu semblante. Virei meu rosto para o outro lado, tentando esconder minhas lágrimas de Sam, deixando-as escorrer e molhar o travesseiro. Minha tentativa não deu muito certo; meu rosto ficou de frente para a porta, que estava aberta e através da nuvem de lágrimas que toldavam minha visão, pude ver minha mãe, que se aproximava com os olhos inchados e doloridos, me fitando com pesar. Encolhi-me involuntariamente num ato reflexo, como se a dor dela tivesse me atingido. Ela vacilou na porta, depois caminhou até a maca onde eu permanecia deitada e deixou que sua mão quente desliza-se por meu rosto antes de murmurar pra mim:
- Ele se foi minha querida! - sua voz se quebrando com a dor.
Toda a agonia represada em seus olhos pareceu se transferir para os meus. Levantei da maca e a abracei forte junto a mim; nossas lágrimas confundindo-se num pranto convulso. Seth, que passava pelo corredor nesse momento, nos viu e juntou seus braços e seu pranto ao nosso.

Capítulo 7. - Alguém Lá Em Cima Me Odeia!>

Não havia mais nada para fazermos ali, o Chefe Swan tomou a frente da coisa toda e nos despacharam para casa na companhia de Billy, Sam e outros rapazes. Ficaram só ele e minha mãe no hospital, aguardando a liberação do corpo.
Durante todo o percurso até a Reserva eu só conseguia pensar nas palavras de mãe, “Ele se foi”, isso ficava repetindo e repetindo em minha cabeça, mas eu não conseguia absorver.
Quando me dei conta, eu já estava em casa, sentada em nosso sofá puído com Seth ao meu lado, chorando em silêncio. Eu sabia que devia consolá-lo e depois tomar algumas providencias, mas meu cérebro se recusava a cooperar comigo. Depois fomos atingidos por uma claridade repentina que encheu toda a sala, e pude ouvir que algumas pessoas entravam ali; senti uma mão pousar suavemente em meu ombro e num reflexo levantei a minha para afagá-la. Meus dedos deslizaram por cicatrizes profundas e percebi que se tratava de Emily. A dor da perda do meu amado pai suplantou a dor da traição da qual me julgava vitima e não pude rejeitar o conforto do seu gesto. Ela veio ajoelhar-se diante de mim, tocou meu rosto com o seu, e naquele instante percebi que a sua traição não era maior que a culpa que eu sentia por ter matado meu pai.
Aceitei de bom grado seu abraço e me deixei que ela me confortasse. Algum tempo havia se passado quando ela resolveu nos falar:
- Leah, Seth, precisamos organizar as coisas antes que eles voltem. Vocês podem me ajudar?
Levantei e fui para a cozinha, seguida de perto por ela. Começamos a fazer café e sanduíches, enquanto Seth providenciava as roupas de nosso pai, que minha mãe havia pedido. Deixei Emily às voltas com a comida e fui ligar para alguns parentes que viviam fora da Reserva.
Como um zumbi, fui para meu quarto peguei uma muda de roupa e me dirigi ao banheiro para tomar um banho rápido. Quando voltei para sala percebi que mais pessoas haviam chegado; nossa pequena sala estava abarrotada de amigos e parentes. Fiquei ali, firme, recebendo os pêsames dos que chegavam. Depois vi mãe entrar, acompanhada de Charlie e Sam. As pessoas a abraçavam solidárias com sua perda, e ela os informava sobre o velório e o enterro.
Ouvi tudo, complacente, anestesiada e durante toda a noite houve um desfile de gente entrando e saindo da minha casa. Seth, vencido pelo cansaço, dormia num canto; seu peito ainda balançando pelos soluços. Cada condolência que eu ouvia era como se gritassem para mim “ASSASSINA” e eu ouvia tudo, resignada. Quando achei que aquela noite não teria mais fim vi, através das janelas, o sol despontando ao longe; pouco depois saímos todos da casa, seguindo num triste e longo cortejo que levava o caixão onde estava depositado o corpo do meu pai para o cemitério Quileute. Durante todo velório e por todo tempo que durou o enterro, me recusei a olhar para aquele caixão. Aquela não era a última imagem que eu queria guardar dele.
Minha mãe manteve Seth e eu no círculo dos seus braços protetores, chorando copiosamente. Eu estava seca, parecia que já havia derramado todas as lágrimas possíveis.
Foi só quando baixaram seu caixão na cova e jogaram a primeira pá de terra por cima dele que despertei do meu transe. A dor veio como uma avalanche, derrubando todas as barreiras que eu havia erguido à minha volta. Um ódio profundo por mim mesma cresceu em meu peito. Sam e os outros perceberam a súbita mudança em minhas feições e com um olhar firme, ele fez um gesto sutil para que eu me afastasse dali; fiquei grata em acatar sua ordem dessa vez.
Comecei a correr em direção à floresta, lembrei-me de arrancar meu vestido rapidamente, antes que ele se desfizesse em pedaços durante a transformação e deixei que acontecesse. Foi um alivio dar vazão a toda dor e ódio durante minha fuga desabalada e pude ouvir Sam e os outros correndo em minha direção, mas percebi, com uma pontada de orgulho, que eu era muito mais rápida de que eles. Coloquei uma boa distância entre nós, só diminui meu ritmo quando ultrapassei a fronteira com o Canadá. Quando achei que tinha ido longe o bastante, desacelerei e me pus a caminhar a esmo. Descansei meu corpo peludo embaixo de um pinheiro gigante; constatei, com surpresa, que, ao contrario do que achava antes, eu ainda era capaz de chorar: lágrimas quentes debulhavam dos meus olhos, caindo sobre minhas patas.
Pude ouvir a aproximação do bando; seus pensamentos ecoando em minha cabeça mostravam que estavam preocupados comigo. Não lhes dei nenhuma dica de onde me encontrar, mas mesmo assim, pouco depois, os vi chegando. O vulto preto do Lobo que era Sam achegou-se ao meu lado, arriando o corpanzil enorme sem fazer nenhum ruído, depois, embora ainda fosse difícil me acostumar com a idéia, percebi meu irmão Seth, em sua forma de Lobisomem, parar perto de mim. Ele cutucou meu ombro com o seu focinho e depois lambeu uma lágrima que teimava em escapar do meu olho. Os demais mantiveram uma distância respeitosa de nós, mas ainda sentiam em minha mente o reflexo dos seus sentimentos e das impressões dolorosas que vivemos naquele dia. Minha dor e a de Seth era compartilhada entre todos eles.
Depois de algum tempo, olhei para Sam e o ouvi dizer “Precisamos voltar”. “Não podemos deixar La Push desprotegida por muito tempo”, ao que eu respondi, teimosa: “ Vão sem mim. Não quero voltar”, Sam rebateu, dizendo: “Não é assim que a coisa funciona Leah, temos que permanecer juntos; você agora também é nossa responsabilidade, assim como cada um de nós é sua também”.
Suspirei e coloquei-me de pé; Seth levantou-se junto comigo. Mirei Sam, dizendo: “Preciso que você me explique de uma vez TUDO sobre esse negócio de Lobisomem, não quero ter de ser responsável por mais nenhuma morte em nossa Tribo”. Seus olhos brilharam para mim antes de me responder “Você não teve culpa nenhuma no que aconteceu com seu pai Leah! É bom que você se dê conta disso o quanto antes. O que aconteceu com Harry foi uma fatalidade, entendeu?”. Um rosnado baixo escapou de meu peito quando respondi a isso “Não se atreva a arrumar desculpas para mim, eu sei o que fiz! Matei meu pai de susto quando me transformei em sua presença”. Sam rosnou de volta, dizendo: “Você está enganada, ele já sabia sobre você antes de voltar para casa naquela noite, eu mesmo contei a ele sobre o ocorrido, pouco depois que você foi embora. Se você quer tanto um culpado, aponte seu dedo acusador para mim. Aliás, já estou calejado no que diz respeito à culpa, uma a mais ou a menos não fará diferença”.
Arreganhei meus dentes para ele, e senti que a tensão tomava conta de todos no grupo. Desviei meus pensamentos dos deles e lembrei-me de minha mãe; pensei nela sozinha em nossa casa vazia, em sua dor... Algo cintilou dentro de mim - solidariedade talvez -; travei minha boca, recolhi minhas garras e fitei-os antes de dizer “Vamos para casa rapazes. Temos uma Reserva para proteger do ataque daqueles sanguessugas nojentos”.
Corremos desabalados para casa; eu facilmente tomei a dianteira, eu era bem veloz, e pude ouvir Paul dizer aos outros “Puxa! Ela é bem rápida para uma garota!” Ladrei para ele, muito à frente “Você não viu nada ainda garoto, procure não se engasgar com a minha poeira”, e disparei de volta à La Push.

Capítulo 8. - Convivência

Já era bem difícil, para mim, ter que conviver com um adolescente, mesmo sendo ele meu irmão, imagine agora ter que aturar outros cinco na mesma fase. Verdade seja dita, eu sabia que para eles minha entrada no bando era muito pior que isso. Duvido que, se eles pudessem escolher com quem dividir seus pensamentos, eu não estaria nessa lista. Nunca estive tão exposta, como acontecia agora que fazia parte daquele bando bizarro!
Ao mesmo tempo em que eu me sentia cada vez mais intimamente ligada a eles por seus pensamentos, havia ocasiões em que eles me repeliam, rancorosos. Eu sentia o esforço que cada um deles fazia para manter alguns pensamentos longe de suas mentes na minha presença.
Com o passar do tempo, comecei a me acostumar com isso, por que bem, lá no fundo eu sabia que para eles não era nada fácil aguentar minha linha de raciocínio, que era constantemente dirigida à figura de Sam.
Às vezes eu até me divertia, sadicamente, vendo-os suspirar, enjoados, por Sam, assim como eu fazia; isso era uma tortura para eles. Em contra partida, eu também muitas vezes me via querendo abraçar Kim, Emily e até a entojada da Bella Swan! Argh... Era nojento.
O pobre do Seth não sabia o que fazer com essa avalanche de sentimentos tortuosos que bombardeavam sua mente inocente; ele tinha uma das mentes mais puras que eu já vi na vida. Secretamente eu me orgulhava dele por isso.
Por outro lado, dentre todos eles o que tinha a mente mais pervertida era, sem dúvida, Paul. Ele basicamente só pensava em duas coisas: matar vampiros e conquistar garotas; não necessariamente nessa ordem! Ele repassava com frequência em sua mente o combate que eles travaram com um vampiro em uma clareira, quando este tentou atacar Bella Swan. O prazer que ele sentiu em dilacerar aquele sanguessuga nojento era quase palpável e, secretamente, eu compartilhava com ele o anseio por um confronto com vampiros em que eu pudesse cravar meus dentes. Já quanto aos seus pensamentos sobre as garotas... Era uma sucessão de meninas da escola misturadas com as turistas que visitavam as praias da Reserva. Para todas, sem exceção, ele devotava um olhar de cobiça. Estranhamente era com ele, mais exatamente com a mente dele, que eu me sentia mais confortável. Talvez por que tivéssemos temperamentos iguais e mentes mais violentas e objetivas, não sei explicar, só sei que, apesar de antes desse negócio de lobo nós termos tido pouco contato, era com Paul que eu me sentia melhor quando estava transformada.
Sam me explicou como funcionava a dinâmica do nosso estranho grupo. O porquê de existirmos, os mistérios que nos cercavam, etc. Dentre esses mistérios, o mais impressionante que tive conhecimento foi o IMPRINTING; era um processo louco ao qual os lobisomens estavam sujeitos de uma maneira inimaginável. Quando um lobo “sofria” o Imprinting por uma pessoa, essa passava a ser o centro do seu universo particular. A coisa era tão poderosa que não havia como escapar dela; o lobisomem se via subjugado por uma força que o fazia dedicar-se ao alvo do seu amor/devoção como se virasse escravo desse sentimento.
Foi aí que eu comecei a entender o que havia acontecido entre Sam e Emily, e o porquê ele se viu obrigada a romper comigo. Mesmo depois de saber disso eu ainda era incapaz de perdoá-los, pelo menos por hora.
Ele também me falou do acidente com Emily e chorei com ele quando me contou que ele havia feito aquilo com ela num momento descontrole. Ele me explicou o quanto Lobisomens jovens são instáveis e que Paul, apesar de não ser tão novo nessa coisa de lobisomem, era o membro mais volátil do nosso grupo.
Proteger La Push era nossa maior obrigação, mantínhamos uma vigilância constante e ininterrupta das nossas fronteiras. Éramos designados por turnos, os membros mais jovens eram sempre acompanhados por no mínimo um lobisomem mais velho.
Nessa noite fui escalada para patrulhar com Paul, o que era bom, já que eu odiava estar com Sam, Jared ou Jacob, que viviam suspirando, lembrando dos seus amores. Argh.
Com Paul minha mente estava segura; seria no mínimo divertido vê-lo elaborar seus planos de ataque, fosse para destroçar um sanguessuga ou para capturar alguma garota indefesa que caísse em sua lábia.
Quando cheguei a nosso ponto de encontro ele já estava lá, andando de um lado para o ouro em sua forma de Lobo; fui para trás de uma árvore, tirei meu vestido, enrolei-o para amarrá-lo ao tornozelo com uma tira fina de couro e deixei que a transformação ocorresse. Chamei por ele através do pensamento e nos colocamos a caminho, para render o turno de Jared e Embry.
Uma longa noite nos aguardava e quem sabe daríamos a sorte de cruzar com algum vampiro desavisado pelo caminho?

Capítulo 9. - Desejos Latentes

Chegando a fronteira e nos colocamos de prontidão. Paul, como o mais experiente, propôs: “Leah, eu assumirei o perímetro externo e você fica com o interno ok?”, “Certo”, respondi.
Corremos, incansáveis, em sentido contrário um do outro, cruzando nossos caminhos a intervalos curtos. De repente Paul farejou o ar e captou o cheiro de um sanguessuga. O rastro esta fresco; corri para encontrá-lo e partimos no encalço do fedorento. Nossa adrenalina a mil. “Você consegue sentir Leah?”, perguntou-me ele. “Sim...para onde ele está indo?”, “Não tenho certeza, acho que para Forks, vamos tentar cercá-lo.” Aceleramos a corrida mas o infeliz do vampiro corria em ziguezague. Vimos, frustrados, ele se evadir de nossas fronteiras antes que pudéssemos alcançá-lo; talvez ele tivesse percebido nossa presença. “Inferno! Perdemos o maldito novamente, Sam não vai gostar nada dessa história”, ladrou Paul, irritado. “Não foi por falta de esforço. Droga, chegamos tão perto... Eu quase consegui sentir o gosto dele”, respondi frustrada. “Tudo bem, vamos voltar Leah, ainda nos resta algumas horas de patrulhamento”.
Partimos, resignados, para assumir de novo nosso posto. O maldito vampiro não voltou a se aproximar da nossa fronteira aquela noite e, algumas horas depois, Sam apareceu, acompanhado de Quill e Jake, para render nosso turno. Paul relatou o ocorrido a Sam, que nos dispensou em seguida.
Tínhamos percorrido alguns quilômetros quando meu estomago roncou alto, lembrando-me que eu não havia comido nada antes de sair para a patrulha daquela noite. Paul riu, antes de me propor: “Que tal uma caçada hein Leah? Isso pode ajudar você aguentar até chegar em casa, o que me diz?”, “Não me leve a mal, mas comer animais crus não faz muito o meu gênero”; respondi, fazendo uma cara de nojo. Ele riu novamente, aproveitando para cutucar meu ponto fraco. “Ah, desculpe, tinha esquecido que seu estomago é fraco como o de qualquer garota!”. Imediatamente meu orgulho inflamou-se e lancei o desafio. “O último a capturar a presa paga um mico”. Não esperei por sua resposta, pus-me a correr mata adentro. Pouco depois me deparei com um rastro fresco de alguns cervos que iam em direção ao rio; aproximei-me em silêncio e saltei sobre uma fêmea que estava distraída. Pelo canto dos olhos vi Paul, na outra margem, atacar um macho enorme que tentou, em vão, escapar, mas Paul era muito ágil. Observei-o rasgar a pele do bicho e procurei imitá-lo; eu tentava respirar só pela boca, tentando assim, fazer com que o cheiro forte de sangue do animal penetrasse em minhas narinas. Era visível minha repulsa e meu desconforto.
Juro que tentei, com todas as forças, dar cabo daquele bicho, mais depois de ingerir o terceiro pedaço comecei a engasgar! Eu sabia que a qualquer momento aquilo que eu já havia engoli iria dar um jeito de fazer o caminho de volta! Larguei minha presa, e saí correndo pela margem do rio, gritando rápida para Paul “Volto logo”.
Quando achei que já estava a uma boa distância de onde o havia deixado se alimentando, assumi minha forma humana, mas não tive tempo de me vestir; debrucei-me sobre uma pedra na margem e comecei a vomitar. Depois da segunda golfada, ouvi passos atrás de mim, levantei minha cabeça e localizei Paul a poucos passos de onde eu estava curvada. Ele deu um passo vacilante em minha direção e parou diante do gesto que fiz, quando ergui minha mão para restringir sua aproximação.
- Tudo bem com você? Fiquei preocupado quando seus pensamentos sumiram da minha mente... Posso te ajudar? – a voz dele pareceu realmente preocupada.
Apesar de suas palavras sinceras, eu estava ciente de que nem por um segundo Paul desviou seus olhos do meu corpo. Merda! Isso era constrangedor; eu precisava dizer alguma coisa, e rápido. Lavei minha boca antes de falar com ele.
- Tá tudo bem Paul, obrigada. Eh, você poderia fazer o favor de alcançar meu vestido? – Pedi, visivelmente envergonhada.
- Claro – prontificou-se ele, também embaraçado – Aqui está. Se vista para podermos ir pra casa. Não estou gostando nada dessa sua cor esverdeada! – Concluiu ele, tentando ser engraçado.
Tive que erguer-me um pouco para pegar o vestido que ele me estendia, tendo a consideração de olhar para o outro lado; e depois não sei dizer o que ou como aconteceu, só sei que em um momento eu estava na pedra e, no seguinte, era arrastada pela correnteza forte do rio! No susto acabei engolindo um pouco de água e depois tentei nadar para a margem e em meio ao nervosismo do momento, senti que dois braços fortes agarravam firmes pela cintura.
Paul me levou para perto da margem com facilidade, e me manteve ali, presa em seus braços. Eu ainda respirava com certa dificuldade por causa da luta contra a correnteza, e percebi que ele também estava tendo problemas para respirar, mas só que por um motivo bem diferente do meu.
Só nesse instante foi que me dei conta da proximidade dos nossos corpos; meu rosto queimou de vergonha, e de repente comecei a me perguntar em que momento Paul tinha deixado de ser apenas um menino e se transformado naquele homem másculo e perigosamente atraente que me enlaçava junto a ele.
Espalmei minhas mãos em seu peito numa frágil tentativa de manter uma distância decente entre nós, mas ao contrário do que eu pretendia, isso pareceu estimulá-lo ainda mais. Com olhos assombrados, vi quando ele decidiu eliminar todo e qualquer espaço existente entre nós.

Capítulo 10. - Como foi que chegamos á isso!?

Eu podia ver a resolução de me beijar se formando em seus olhos, e por mais que eu tentasse, não conseguia pensar em nada para impedi-lo. Na verdade eu queria que ele me beijasse!
Ele ergueu uma das mãos para segurar meu rosto, enquanto descia o seu rosto em direção ao meu. Fechei meus olhos e senti seus lábios quentes e gentis nos meus, e quando sentiu minha receptividade, ele forçou sua língua para abrir passagem entre meus lábios; eu cedi. Sua língua explorava cada canto da minha boca e a minha fazia o mesmo com a dele. Ele pressionou mais seu corpo contra o meu, prensando-me contra a margem do rio, e pude sentir o quanto ele estava excitado.
Meu cérebro gritava para eu me afastar, mas meu corpo se recusava a obedecer... Então pensei, por que não? Ele queria... Eu queria... Deixei rolar. Ao invés de me afastar, que era o mais certo a fazer, ergui-me nas pontas dos pés para colar meu quadril ao dele. Ele suspirou sussurrando meu nome, atormentado, como se esperasse meu consentimento antes de seguir em frente. Não consegui falar, só o que pude fazer foi deslizar minhas mãos por suas costas largas e apoiá-las em sua base, a fim de trazê-lo para mais perto.
Suas mãos tremiam – não da forma que tremiam quando ele estava para se transformar –, nervosas, percorrendo meu corpo em chamas, apesar de estarmos envolvidos pela água fria do rio. Agarrando firmemente minha cintura, Paul ergueu-me facilmente, posicionando-se entre minhas pernas; apoiei minhas mãos em seus ombros e trancei minhas pernas em volta da sua cintura. Desci lentamente meu corpo, e no instante seguinte pude senti-lo completamente dentro de mim.
Sua respiração acelerou ao mesmo tempo em que a minha ficou suspensa. Sua língua deixava um rastro de fogo por meu pescoço, arrancando gemidos do fundo da minha garganta. Nossos corpos moviam-se um contra o outro num ritmo cadenciado, buscando a satisfação completa. Ele repousou a cabeça em meu peito, ouvindo o batucar louco do meu coração, enquanto meus dedos prendiam-se em seus cabelos macios; sua boca foi atraída para meus seios e ele passou a beijá-los e mordiscá-los levemente, numa doce tortura. Pressenti o clímax se aproximando e deliberadamente aumentei o ritmo do meu quadril, ele entendeu a mensagem muda desse movimento e me acompanhou, feliz. Segurei seu rosto em minhas mãos e prendi seu lábio inferior entre meus dentes; apertei minhas pernas a sua volta enquanto explodia em êxtase.
Arfei, alucinada com o prazer que ele me proporcionava naquele instante, e pouco depois senti seu corpo estremecer sob meus dedos; percebi que ele também havia alcançado seu objetivo, seu gozo preenchendo todo o meu ser. Mantivemos nossa posição, esperando até que nossas respirações voltassem ao normal; ele continuava dentro de mim, com o rosto enterrado em meus cabelos, ofegante.
Passado o frenesi, nos separamos num movimento lento e simultâneo. Ele desviou seus olhos do meu rosto, parecia envergonhado. Resolvi quebrar o silêncio constrangedor que caiu sobre nós.
- Você está bem? – murmurei, solícita.
Ele riu nervoso, virou os olhos em minha direção ao dizer:
- O normal não seria eu lhe fazer essa pergunta?
Foi minha vez de desviar os olhos, meu rosto ardendo de vergonha. Ele pousou uma mão em meu ombro e usou a outra para erguer meu queixo para poder ver meus olhos. Não sei o que ele encontrou ali, só sei que depois disso ele começou a gaguejar: - Leah... Eu... Eu – e travou total.
Sinceramente, eu não sabia o que dizer a ele. Não havia uma explicação racional para o que tinha acontecido conosco. O que eu diria? Optei pela franqueza.
- Ouça Paul, não precisamos fazer disso um Big Acontecimento, ok? Nós só nos deixamos levar pelo momento, foi isso. Você está bem, eu estou bem e pronto. Vamos fingir que nada disso aconteceu, tudo bem pra você? – falei, esperando sua reação.
Ele revirou os olhos e brindou-me com seu costumeiro sorriso irônico, antes de falar:
- Como se fosse fácil assim. Quero só ver o que irá acontecer quando nos reunirmos aos outros amanhã e começarmos a compartilhar com eles nossas lembranças. – falou ele, sarcástico.
Eu não tinha como argumentar contra isso. Virei-me para a margem e saí apressada da água, indo em busca das minhas roupas. Percebi, pelo canto do olho, que ele me seguia. De repente senti-me constrangida por minha nudez, e pela dele também. Eu procurava não olhar, mas era difícil manter meus olhos longe de tanta perfeição. “Deus, deveria ser proibido um homem ser tão bonito e... Gostoso desse jeito”, pensei irritada.
Eu precisava pensar rápido numa solução para nosso problema.

Capítulo 11. - Precauções

Vestimos nossas roupas rapidamente e nos colocamos a caminho de casa. Chegaríamos mais rápido se nos transformássemos, mas não queríamos correr o risco de termos nossos pensamentos conturbados captados pela matilha.
Fizemos boa parte do percurso em absoluto silêncio, absortos cada um em seus pensamentos. Fui a primeira a rompê-lo, dizendo:
- Não sei quanto a você, mas eu particularmente não gostaria que os outros soubessem sobre o que... O que acabamos de fazer. – falei, pouco a vontade com a situação.
- Concordo com você – respondeu, seco.
- Acho que deveríamos tentar manter nossa “lembrança” o mais distante possível de nossas mentes. Acha que consegue? – perguntei aflita, olhando-o de canto de olho.
- Prometo a você que farei o máximo que estiver ao meu alcance para manter “nosso segredo” bem guardado - disse ele, erguendo uma mão num gesto de promessa – Eu me sentiria muito mal em expô-la dessa maneira perante os outros. Pode confiar em mim. – arrematou, sério.
- Obrigada Paul. - suspirei aliviada – Eu farei o mesmo por você.
Ficamos em silêncio de novo, e depois foi à vez de ele iniciar a conversa:
- Hum, Leah... Você não me culpa pelo que aconteceu, não é? – perguntou, ansioso.
- Claro que não! Eu já disse, foi coisa de momento, se tivermos que achar desculpas para isso então, culpemos a adrenalina da caçada, ou o risco do meu quase afogamento... Sei lá.
- Tudo bem. Só não quero que pense que forcei a barra com você ou algo do tipo. - sua voz estava cheia de culpa.
Meu Deus! Alguém poderia se sentir mais miserável que eu naquele momento? Aposto que não. Onde eu estava com a cabeça quando não impedi que aquela loucura se consumasse? Algo parecido com um riso estrangulado saiu da minha garganta antes de eu dizer:
- Eu sei que não Paul. E se isso te faz sentir melhor, saiba que eu desejei o mesmo que você. E não me arrependo de nada. – arrematei, tentando ser corajosa. Não deu muito certo, o meu constrangimento ficou evidente após minha confissão.
Ele sorriu, tranquilo, antes de confidenciar:
- Eu também não me arrependo. E já que estamos sendo sinceros, quero aproveitar pra dizer que sempre achei você linda e muito, muito desejável. Confesso que sentia uma certa inveja de Sam quando vocês namoravam.
Pisquei, aturdida. Paul não parava de me surpreender. Por essa eu realmente não esperava. Acelerei meus passos; de repente não via a hora de chegar logo em casa, e aproveitei para retrucar, exasperada:
- Também não precisamos gastar todo o estoque de sinceridade de uma só vez. Basta mantermos nossas recordações dessa noite o mais longe de nossas mentes quando voltarmos a nos transformar, ok? – soltei, ríspida.
- OK – rebateu, rancoroso.
Cegamos na Reserva, nos despedimos com um simples aceno de cabeça e seguimos para nossas casas.

Tomei banho e deitei; as preocupações rondando minha cabeça. Será que eu conseguiria encará-lo sem deixar transparecer nada para os outros em nossa próxima patrulha? Rezei pra não ter que sair sozinha com Paul na próxima ronda. Ele era no mínimo uma tentação perigosamente deliciosa pra mim, constatei nervosa, mexendo-me inquieta. Nem em meus sonhos mais loucos imaginei que ele seria aquilo tudo. Revirei-me, nervosa, na cama, de repente consumida pelo desejo ardente de estar com ele novamente.
“Isso é loucura!”, repeti pra mim mesma, tentando me convencer; e aquilo tinha que acabar agora mesmo.
Depois de algumas horas mal dormidas, levantei para cumprir minhas obrigações diárias. Meus pensamentos, a todo o momento, desviados para Paul. Eu tinha que parar com aquilo logo ou então mais tarde todos ficariam sabendo o que tínhamos feito.

O dia passou rápido, mal tinha largado minha bolsa no sofá quando o telefone tocou, me sobressaltando; era Sam, convocando uma reunião com todo o grupo antes de sairmos para nossa ronda noturna. Tomei um banho, forcei-me a engolir alguma comida, apesar de estar sem fome, mas eu não queria correr nenhum risco de ter que voltar a caçar animais aquela noite.
Encontrei os outros na floresta na hora combinada e respirei aliviada quando percebi que Paul não estava com eles; sinal de que tinha ficado na patrulha da tarde junto com Jake e Seth. Isso era bom, por que assim ele seria liberado da patrulha noturna e eu não teria que me preocupar com ele. Tinham se passado uns dez minutos quando ouvimos a aproximação deles. Saindo por detrás de umas árvores, primeiro vi Jacob, depois Seth e por último Paul; todos eles vestiam apenas shorts - imediatamente meus olhos foram atraídos, como imãs, para o corpo de Paul; desviei-os, contrariada, de seu peito e fitei seus olhos. Não foi surpresa nenhuma ver que ele me encarava de volta. Engoli em seco. “Isso não vai funcionar”, pensei assustada.
Fui arrancada de meus devaneios libidinosos pela voz grave de Sam, e cravei meus olhos no chão, procurando ouvir o que ele tinha a nos dizer.
- Pessoal, a partir de hoje vamos redobrar nossa vigilância. Como todos sabem, na noite passada Paul e Leah cruzaram com o rastro de um sanguessuga dentro de nossas terras - todos olharam com inveja para mim e Paul – Só o que sabemos é que ele não era um dos Cullen, e que não voltou a passar por aqui. Pelo menos não até agora.
- Não sei do que aquele fedorento está atrás, mas tenho quase certeza que ele foi para Forks. Acho que deveríamos procurar os Cullen, para sabermos se eles têm alguma coisa a ver com isso ou não. Não quero ficar aqui de braços cruzados enquanto um maldito sugador circula livremente por Forks. -rosnou Jake, visivelmente nervoso. Todos sabíamos que sua única preocupação tinha nome e sobrenome, mas ninguém ousou irritá-lo ainda mais.
- Não nos rebaixaremos pedindo qualquer tipo de ajuda àqueles sanguessugas nojentos – disse Sam entre dentes – Nossa prioridade é proteger La Push. Só iremos a Forks se tivermos notícias de um ataque concreto. - Essa foi a sentença do líder do bando e ninguém poderia ir contra ela.
Minha esperança de não patrulhar com Paul foi por água a baixo. Suspirei, resignada. Essa noite seria um teste para nós dois; deixei meu lugar e fui para trás de um enorme Abeto alguns metros de onde estavam os rapazes. Respirei fundo algumas vezes tentando acalmar meu coração e manter minha mente sob controle; despi minha roupa, escondi-a entre os arbustos e depois deixei que a transformação ocorresse.
Juntei-me ao grupo novamente e partimos. Chequei cada mente para verificar se ele estava mantendo sua parte em nosso acordo, e constatei, aliviada, que não havia nada ali que nos comprometesse. Durante a corrida, eu podia ouvir Paul claramente - ele seguia uma única linha de raciocínio, que era a de encontrar o maldito vampiro que havia nos escapado na noite anterior.
O céu já começava a mostrar que iria amanhecer quando Sam resolveu encerrar a ronda e nos mandou para casa. Estávamos a poucos quilômetros da clareira onde assumiríamos nossa forma humana, quando fomos surpreendidos pela imagem do perfil de uma jovem nua, passando por nossas mentes. Fiquei chocada ao constatar que a jovem era eu! Olhei rapidamente em volta e antes que pudesse ter qualquer reação ouvi o grito indignado de meu irmão em minha cabeça “O QUE FOI ISSO PAUL!? TÁ MALUCO!? ELA É MINHA IRMÃ CARA!”. Paul meio que vacilou antes de responder “Desculpa aí pessoal, é que sem querer ontem acabei vendo o que não devia. Foi mal Seth!”; disse envergonhado, “PEÇA DESCULPAS A LEAH”, rugiu Seth, entre os dentes.
Ainda em pânico, vi-o virar-se em minha direção e falar “Aí, me desculpa mesmo Leah, não fiz por mal”. O descarado ainda teve a audácia de piscar pra mim!
Bufei raivosa. Não me dei ao trabalho de responder - disparei na frente deles, chegando muito antes que qualquer um deles à clareira e assumi minha forma humana; vesti-me rapidamente e corri para casa.
Agradeci a Deus, por que o dia que estava nascendo era sábado, o que significava folga do trabalho e da escola; talvez se eu conseguisse tirar Paul da minha cabeça eu pudesse dormir até mais tarde.
Aquela noite tinha sido longa demais.

Capítulo 12. - REFLEXÕES

O dia estava claro e relativamente quente quando despertei do sono agitado. Eu precisava urgentemente ocupar minha mente com coisas úteis, antes que certa pessoa voltasse a dominar meus pensamentos. Aquilo já estava passando dos limites. Na próxima oportunidade que tivesse de estar sozinha com Paul, eu daria um basta naquela situação; meus nervos não resistiriam por muito mais tempo sobre tamanha pressão.
Chutei, resoluta, minhas cobertas pro lado e fui me lavar. Voltei para o quarto decidida a fazer uma faxina, arrumei meus livros, meu guarda-roupa, passei o aspirador de pó e troquei minha roupa de cama. Fiquei orgulhosa por ter conseguido completar essa tarefa sem permitir uma única vez que meus pensamentos resvalassem para a figura deliciosamente tentadora de Paul. O ronco alto do meu estomago lembrou-me que estava na hora de comer. Encontrei minha mãe na cozinha, as voltas com a preparação do almoço. Ofereci ajuda e ela aceitou de bom grado, aproveitamos para botar o papo em dia.
- É bom vê-la em casa para variar! – disse ela, contente.
- Também acho mãe. Já estava com saudades disso, sabia? – falei sorrindo, mostrando a faca e a batata que estavam em minhas mãos.
Ela sorriu, nós sempre fomos amigas, sempre foi fácil me abrir com ela.
- Filha, você não acha que está exigindo demais de você mesma, fazendo todas essas patrulhas, com intervalos tão curtos para descansar? - Ela examinava, preocupada, meu rosto, reparando nos sinais evidentes de cansaço.
- Tudo bem mãe, já estou acostumada. E também não vou pedir nem aceitar regalias, só por que sou a única mulher do bando. Não precisa se preocupar, ok? Alguma coisa em minha voz atraiu sua atenção; ela estreitou seus olhos inquisitivos tentando penetrar os meus. Pensei que, talvez, ela também tivesse um instinto de Lobo; eu sabia que não conseguiria enganá-la por muito tempo.
- Você está diferente Leah. Tem alguma coisa incomodando você. – Constatou ela, com aquele seu faro infalível de mãe/loba.
- É só cansaço mesmo, não é nada demais – tentei tranqüilizá-la, e tomei o cuidado de desviar meus olhos dos dela, para que ela não captasse neles o real motivo de minhas preocupações.
- Se você diz – ela deu de ombros – Mas quando estiver pronta para falar sobre “isso” estarei aqui, combinado? – acrescentou solícita. Assenti com um movimento de cabeça.
Deus, como eu amava aquela mulher! Depois da morte do meu pai nós duas ficamos ainda mais unidas. O almoço ficou pronto e fui acordar Seth para fazer a refeição conosco. Comemos tranqüilos, comentando vez que outra sobre algum assunto familiar. Arrumei a cozinha e depois resolvi dar um pulo na praia para um mergulho, talvez isso ajudasse a clarear minhas idéias.
Peguei minhas coisas, joguei no dentro do carro e saí. O dia estava bom, aproveitei para nadar um pouco na água fria, que não me afetava muito já que a temperatura do meu corpo era mais alta que o normal; depois de algumas braçadas fui à praia, sentei sobre minha toalha estendida, segurei meus joelhos junto ao peito e apoiei meu queixo sobre eles. Fiquei ali, olhando o mar, tentando organizar meus pensamentos. Percebi que já aceitava melhor a coisa de ser Lobisomem; era algo contra o qual eu não podia lutar, então tudo o que tinha que fazer era conviver com aquilo da melhor maneira possível. Meu pensamento seguinte foi sobre o lance do IMPRINTING: de todas as coisas relacionadas aos lobisomens, aquela era de longe a mais doida. Imaginar que quando o lobo sofre o imprinting com alguém, essa pessoa passa a ser o centro do seu universo, e que você não consegue nunca mais viver longe desse alguém é no mínimo assustador! Agora eu até conseguia entender o porquê de Sam ter terminado comigo e ficado obcecado por Emily. Eu pude ver através da mente dele e dos outros rapazes do bando que também tinham passado por aquele processo, a compulsão, o tormento e tudo o mais que era gerado por aquele sentimento estranho que os arrastava involuntariamente para o alvo de suas devoções. Loucura total.
Por falar em loucura total, outro pensamento recorrente voltou a minha mente e lembrei da noite que estive com Paul; senti meu rosto e outras partes do meu corpo aquecerem-se rapidamente. A lógica dizia-me que eu deveria evitá-lo a todo custo, mas meus instintos lutam contra isso. Admiti, relutante, que tinha gostado de estar com ele daquele jeito - mais até do que deveria. A simples recordação dos beijos e caricias que trocamos foi o que bastou para avivar o desejo insano que sentia por ele. Procurei analisar aquilo por outro ângulo, deixando a coisa do instinto de lado, e percebi que era normal me sentir atraída por ele, afinal, Paul era um cara muito bonito, até demais, era charmoso e, Deus que me perdoe, muito, muito GOSTOSO! Lembrar disso não me ajudou muito. Tentei seguir outra linha de raciocínio; era normal que existisse certa atração entre nós, porque agora estávamos mais próximos, passávamos mais tempo juntos, e um homem e uma mulher que se encontram nessa situação fatalmente acabam por se envolver certo? Não consegui me convencer muito com isso, mas pelo menos já era alguma coisa. Olhei para o céu, vendo as nuvens carregadas de chuva que se formavam sobre minha cabeça. Parecia um presságio.
Eu precisava falar com Paul sobre isso, deixar claro que não poderíamos nos envolver desse jeito; eu não queria magoá-lo, nem tão pouco sair ferida. Uma vez já fora o suficiente pra mim. Envolver-me emocionalmente com alguém estava fora dos meus planos, pelo menos não enquanto estivesse me recuperando da minha paixão por Sam. Espere aí, quando foi que minha transa inconseqüente com Paul tornou-se um possível caso de amor!? Eu estava deixando aquilo tudo ir longe de mais, precisava colocar um ponto final naquela história.
Enfiei meu vestido pela cabeça, recolhi minhas coisas e parti, decidida a falar com Paul. Eu iria encontrá-lo, nem que tivesse que caçá-lo na floresta, e o forçaria a ter uma conversa franca e decisiva.
Não precisei ir muito longe, a uns cem metros de onde eu estava, parado, com os braços cruzados sobre o peito magnífico, as costas apoiadas na entrada de uma gruta que ficava ali perto, Paul me fitava com olhos desconfiados e um sorriso debochado brincando em seus lábios.
“Eis sua chance Leah”, pensei comigo. Respirei fundo, soltei o ar devagar e fui ao seu encontro.

Capítulo 13. - E Lá Vamos Nós De Novo!

Parei a uma distância que julguei fosse segura; não queria arriscar ser indevidamente atraída por seu magnetismo.
- Oi Paul, que bom encontrá-lo aqui. Eu estava mesmo precisando falar com você – falei, tentando ser o mais simpática e imparcial possível.
Ele ergueu uma sobrancelha, ainda escorado na entrada da gruta sem se mover, tentando decifrar minhas palavras, antes de responder:
- É mesmo? E sobre o quê exatamente você quer conversar comigo? – seu olhar e sua atitude não me ajudavam em nada.
Era estranho como agora meu corpo reagia, com arrepios, cada vez que ele pronunciava meu nome. Afastei, rápida, aquele pensamento de mim; aquilo tinha que acabar agora mesmo.
- Quero falar sobre nós... - respondi séria – Sobre o que aconteceu na outra noite. Aquilo foi um erro. Não podemos deixar que isso abale nossa amizade e muito menos que venha a intervir em nosso trabalho. - respirei fundo e continuei corajosamente – Já é bem difícil, para mim pelo menos, ter que manter meus pensamentos normais sobre controle, para que não me sinta invadida em minha privacidade pelo restante do bando. Imagino que você também não queira dividir com eles as lembranças de nossa “pequena aventura”, então vamos procurar apenas deixar pra lá, ok? Vamos nos concentrar em nosso trabalho e retomarmos, na medida do possível, nossa amizade de antes, tudo bem assim pra você? – fiquei olhando firmemente para ele, esperando uma resposta.
- Concordo com você no que diz respeito ao bando e ao nosso trabalho – disse, reticente – Mas sobre o que aconteceu entre nós é outra história – concluiu, enigmático.
- O que você quer dizer com isso? – perguntei, irritada.
- Estou dizendo que não concordo quando você se refere a fato como uma “pequena aventura”... Você já é bem grandinha e sabe melhor do que eu que aquilo acabaria acontecendo mais cedo ou mais tarde. Não se iluda Leah, achando que pode saber o que sinto por você. Acho que na verdade você não tem idéia nem sobre o que você sente por mim! – ele enfatizou cada palavra que disse.
Estreitei meus olhos rancorosos, pensando “esse petulante!”.
- Eu não sabia que nutria algum outro sentimento por você além de raiva e indiferença – respondi entre os dentes – Talvez devesse me esclarecer sobre eles Paul, você parece saber melhor do que eu o que sinto - minha voz estava carregada de cinismo.
Nem a chuva, que começava a cair com força, seria capaz de aplacar a ira que crescia em meu peito com relação aquele garoto.
Mais rápido do que eu podia supor que ele fosse capaz, senti suas mãos agarrando meus braços com força. Ele me puxou em sua direção sem nenhuma delicadeza, encarou meus olhos surpresos, os seus estavam cheios de raiva e determinação, antes de responder: - DESEJO Leah! Você me deseja tanto quanto eu desejo você. Eu sei que você gostou de estar comigo, vi isso em seus olhos naquela noite, e no dia seguinte quando estávamos na reunião da clareira, e ainda posso ver esse mesmo desejo vibrando em você nesse exato momento – seus olhos brilhavam intensamente.
Vasculhei minha mente atrás de argumentos para rebater suas palavras insanas, mas, para meu total desespero, não encontrei nenhum. Apesar da chuva fria, eu podia sentir nitidamente o calor e a eletricidade que pairava entre nós.
Como que para provar que tinha razão sobre o que disse, Paul colou seus lábios aos meus com violência, como se me desafiasse a desmenti-lo. Com uma das mãos, ele segurava minha nuca com firmeza, enquanto descia a outra para agarrar minha cintura, puxando meu corpo para mais perto do dele.
Vi, assombrada, que meu corpo não era capaz de obedecer ao meu comando de afastar-se dele. Minhas mãos, como se tivessem vontade própria, subiram por seus braços para enlaçá-lo pelo pescoço; meus dedos entrelaçados em seus cabelos molhados da chuva. Quando dei por mim, tinha meu corpo prensado entre ele e a parede interna da gruta. Não sei como chegamos lá, toda minha atenção concentrada nas mãos de dele, que desciam pelas laterais do meu corpo, parando em minhas coxas. Ele deslizou-as sob a barra do meu vestido, levantando-o até altura do quadril. Deixou que seus dedos se infiltrassem na calcinha do meu biquíni e a puxou-a para baixo. Soltei minhas mãos dos seus cabelos, buscando, desesperada e tremula, por sua bermuda; abri o botão e desci a zíper com pressa, para poder tocá-lo mais intimamente.
Ele sussurrava meu nome entre uma respiração e outra, me deixando zonza, louca pra consumar o ato. Ele ergueu meu vestido até o peito, e tive que soltá-lo para levantar meus braços, a fim de me libertar da roupa. Ele ainda não tinha concluído essa parte quando sua boca desceu de encontro ao meu seio; passou a brincar com eles alternadamente, lambendo, sugando, mordendo. Minhas pernas cederam sobre a pressão de tanto tesão e as dele também. Paul sentou-se no chão forrado de folhas, levando meu corpo junto com ele; sentei me sobre ele, uma perna de cada lado do seu corpo, e senti-o me penetrar fundo, com urgência. O silêncio da gruta foi quebrado por nossos gemidos; nossos corpos num movimento frenético, nossas bocas e mãos ocupadas em explorar um ao outro. Antes que o clímax me alcançasse, ele parou de se mexer, controlando sua respiração, abri meus olhos para fitá-lo numa acusação muda. Ele aproveitou minha distração para deitar-me de costas no chão, apoiou-se sobre seus braços e pairou sobre mim. Mantive meus olhos abertos enquanto ele saboreava minha boca, passeando com a língua sobre meus lábios e depois passou a beijar meus olhos, minhas bochechas, meu queixo, meu pescoço, meu colo, descendo até os seios, minha barriga... Elevei meu quadril de encontro ao dele num pedido silencioso, que ele entendeu e acatou com prazer. Cravei minhas unhas em suas costas, seu nome escapando, em sussurros, por entre meus lábios. Agora não havia pressa nele, seu corpo investia contra o meu lentamente; o prazer crescia em ondas, e eu queria mais, queria tudo, queria agora! Porém, mais uma vez, tive meu desejo frustrado pela súbita parada dos seus movimentos. Não sei de onde ele tirava tanto autocontrole.
- Por favor, Paul... – supliquei, desesperada.
Ele abriu para mim um sorriso lindo, que me tirou o fôlego, antes de dizer:
- Calma Leah, temos todo tempo do mundo. Quero aproveitar ao máximo cada segundo com você.
Como resposta a isso, comecei a beijá-lo, a excitação crescendo novamente. Forcei meu quadril contra o dele, deslocando seu corpo, e girei para ficar por cima dele. Seus olhos arderam; eu sorri para ele. Encaixei meu quadril ao dele guiando-o para dentro de mim; mantive o meu ritmo dessa vez, desci meu rosto para encontrar o dele, comecei a sugar seus lábios, deslizei minha língua sobre eles, conferindo sua textura e seu sabor delicioso, depois deslizei por seu pescoço, seus ombros, alcancei seu peito e me atrevi a mordê-lo. Senti que ele abandonava seu controle, agora era eu que estava no comando; senti-o estremecer sob meus dedos, inclinei meu corpo para trás, apoiando minhas mãos em suas coxas e acelerei; o êxtase nos atingiu ao mesmo tempo, violento, sublime, perfeito. Arfei, largando o peso do meu corpo, agora plenamente satisfeito, sobre o dele. Seus braços me estreitaram com força, prolongando um pouco mais a sensação de prazer.
Senti um cansaço gostoso espalhar-se em meu corpo, deixei que meus olhos se fechassem e relaxei; suas mãos afagando minhas costas e meus cabelos, eram um convite irresistível ao sono. Mergulhei na inconsciência, feliz e satisfeita.

Capítulo 14. - Fragilidades

Não sei dizer o que foi que me acordou; se o barulho insistente da chuva ou se as mãos de Paul traçando círculos imaginários e suaves em minhas costas. Fiquei ali deitada mais um pouco, mantive meus olhos fechados, mas ele sabia, pela mudança na minha respiração, que eu estava desperta. Ergui um pouco minha cabeça do seu peito pra olhar seu rosto e ele me encarou com aqueles lindos olhos castanhos e serenos antes de dizer:
- Você ronca sabia? – Fechei minha cara pra ele antes de lhe dar um beliscão.
- Ai, ai! Eu só estava brincando – disse-me sorrindo, esfregando o braço que eu beliscara.
- Bobão! – reclamei, e sorri de volta.
Ele segurou firme meu rosto entre suas mãos, fixou seus olhos nos meus dizendo:
- Você é ainda mais linda quando dorme – murmurou, naquela sua voz rouca que balançava todas as minhas estruturas.
Meu coração disparou. Eu sabia que ele podia ouvi-lo nitidamente; era constrangedor para mim, em contra partida era animador pra ele. Ele me aproximou mais o meu rosto do dele e me beijou; a principio com gentileza e depois com paixão. Eu correspondi com a mesma intensidade.
Interrompemos o beijo para poder recuperar o fôlego e, antes que fossemos novamente arrastados pela correnteza dos nossos desejos descontrolados, achei melhor esclarecer algumas coisas com ele.
- Paul, você sabe que isso só torna as coisas mais difíceis entre nós, certo? - perguntei a ele, cruzando meus braços sobre seu peito e apoiando meu queixo nas mãos, esperei por sua resposta.
- Eu sei Leah. Mas o que devemos nos perguntar é: “O que faremos á respeito desse sentimento?” – inquiriu ele, preocupado, acariciando meus cabelos.
Suspirei. Essa era uma boa pergunta. E eu não sabia a resposta. Fui sincera ao dizer:
- Eu não sei. A única certeza que tenho, por enquanto, é que eu não gostaria que ninguém soubesse sobre nós. – disse-lhe, convicta.
- É por causa do Sam? – perguntou, numa voz que ele tentava fazer parecer neutra. Decidi ser honesta, ele merecia ao menos isso de mim.
- Sim – respondi, com a voz embargada – Você conhece nossa história. Eu ainda o amo.
Seus olhos escureceram. Seria raiva? Ciúmes? Não lhe dei tempo para expressar seus pensamentos.
- E também é por você – continuei, rápida – Não quero que você seja alvo dos comentários maldosos que, com certeza, os outros farão quando souberem sobre isso - Falei, apontando para nós.
- Do que você tem medo, Leah? – perguntou-me, curioso.
- De magoar você! – disse-lhe, enfática.
- Eu sei me cuidar muito bem – falou, nervoso – Não precisa se preocupar comigo – concluiu, azedo.
- É, tenho certeza que você vai levar numa boa todas as piadinhas infames e as alfinetadas que o restante do grupo farão você ouvir – disse, debochada – Com o gênio que você tem, teremos sorte se você não atacá-los antes dos vampiros.
Ele riu a contra vontade. Sentou-se, passando os braços a minha volta.
- Você tem razão sobre isso! O que sugere então? Que ignoremos a atração que temos um pelo outro? Nunca pensei que você fosse o tipo de pessoa que se importa com o que os outros pensam – disse-me, enquanto enrolava uma mecha do meu cabelo entre os dedos.
- E não me importo mesmo! Mas acontece que agora é diferente... Eles falarão de você! E isso eu jamais vou aceitar. – falei resoluta, abraçando meus joelhos junto ao corpo.
- Você não acha que deveria deixar que eu decidisse sobre isso? – insistiu.
- Não acho que você seria capaz. Ouça Paul, não me leve a mal, mas você não tem noção do quanto às pessoas podem ser cruéis. Quando Sam teve problemas na época em que teve que enfrentar o processo da transformação sozinho, toda a Tribo se voltou contra ele, mesmo depois que os Anciões descobriram o que estava se passando com ele, ainda assim os outros não deixaram de falar dele pelas costas. – Minha voz tremia, carregada de rancor – Muitos me acusaram, diziam que ele devia estar envolvido com alguma coisa ilegal para poder sustentar meus caprichos – Cuspi as palavras cheias de mágoa – Diziam que ele deveria precisar de muito dinheiro para bancar a namoradinha mimada! – Olhei pra ele, toda a tristeza daquela época estava presente em minha voz e em meus olhos.
Ele me olhava intrigado; o braço sobre meus ombros.
- Isso magoou muito você – Era uma constatação.
- Sim, mas o pior era ver o que eles faziam com ele - olhei-o, arrasada – Não quero ter de passar por na parecido com isso outra vez. Não quero que você passe por isso. – falei, decidida.
Eu nunca me senti tão exposta. Num dia eu mal o conhecia e no outro já transava com ele e abria minha vida assim, sem mais nem menos, como se fossemos velhos amigos!
- Escute Leah, eu realmente não me importo com nada disso – afirmou ele, e continuou antes que eu pudesse protestar – Mas respeito você, e respeito sua decisão, de manter nossa relação em segredo, apesar de não concordar com isso, mas eu não me perdoaria se causasse algum mal a você.
Eu não fazia idéia de que Paul pudesse ser tão maduro! Afinal ele só tinha 17 anos, dois a menos que eu, o que me levava a considerar outro aspecto de muita relevância sobre nossa “situação”.
- Eu agradeço sua consideração. Imagino que nosso envolvimento seria um prato cheio para os fofoqueiros de plantão, todos me apontando e sussurrando “Lá vai a papa-anjo” – ri sozinha da minha piadinha infame; ele não gostou nem um pouco.
- Posso ser mais novo em idade, mas fisicamente pareço bem mais velho que você – falou, ressentido – E de mais a mais, dois anos nem é uma diferença tão grande assim. – seu queixo erguido em sinal de orgulho.
- A Justiça discorda de você. Transar com um menor de idade é considerado estupro presumido, eu poderia ser presa por isso, sabia? – falei, tentando fazer graça de novo, dessa fez deu certo.
Ele entendeu minha intenção de amenizar as coisas e me olhou divertido.
- É verdade, mas eu também poderia contar aos meu pais que você me seduziu. Aí você teria que se casar comigo para reparar a minha honra. – Ele mal conseguiu terminar de falar, seu corpo todo sacudindo com suas risadas.
Era tão bom ouvir o riso dele! Eu também ri, só que de nervosismo.
- Não diga isso nem brincando – censurei-o.
- Tudo bem. Eu não quero mesmo me casar, pelo menos não agora. É bem mais divertido e excitante viver um caso proibido – Ele disse com uma voz sedutora.
Eu nunca havia reparado em como a voz dele era forte e rouca. Estremeci quando sua mão deslizou do meu ombro, pela lateral do meu corpo, parando no quadril. Ele era tão bonito, tão doce, tão gostoso! Por que eu não podia me apaixonar por ele e mandar todo o resto pro inferno? Simples, respondi a mim mesma, porque minha teimosia me mantinha presa a um amor não correspondido, e eu era orgulhosa de mais para abrir mão de minhas convicções idiotas.
Respirei fundo, levantei, apanhei meu vestido e joguei a bermuda dele em sua direção dizendo:
- Temos que ir, os outros devem estar se perguntando onde foi que nos metemos.
- Eu vou, mas só se você prometer que vai parar de me evitar – Pediu ele, me pegando num abraço apertado.
- Como se eu pudesse fazer isso. – Revirei meus olhos – Você é sutil como um Mamute, além do que é bonito demais pro seu próprio bem! – acusei-o.
Ele sorriu contente, antes de me beijar. Suspirei, me afastando dele, relutante, e dizendo:
- Precisamos mesmo ir, Paul. E se você conseguir manter suas mãos, seus olhos e principalmente seus pensamentos longe de mim, pelo tempo em que estivermos com os outros, eu prometo recompensá-lo – Disse-lhe de forma sedutora. Para enfatizar minhas palavras colei meu corpo ao dele. Foi a vez dele estremecer.
- Leah, se você sabe o que é bom para você, não me provoque – sussurrou em meu ouvido. Afastei-me sorrindo.
- Você vai primeiro, nos encontramos na clareira – falei, empurrando-o para fora da gruta.
Ele me deu um último beijo e saiu; voltou-se da entrada para me alertar antes de ir:
- Não pense que vou esquecer de cobrar minha recompensa.
Piscou pra mim e saiu correndo na chuva para juntar-se a matilha.

Capítulo 15. - Por um triz!

Algumas semanas já haviam passado desde que Paul e eu tínhamos selado aquele acordo na gruta. Por incrível que pareça, conseguimos nos manter firmes no propósito de não revelarmos a ninguém sobre o que existia entre nós. Não era fácil, mais também não foi tão difícil; nosso esquema básico era pensar em outras coisas que não fosse em nossos encontros clandestinos.
Normalmente, eu procurava manter meus pensamentos em Sam, era mais fácil recorrer a esses pensamentos, já que eu continuava a ser apaixonada por ele, ou pelo menos era isso o que eu dizia para mim mesma. Já Paul, enchia sua mente com fantasias sobre outras garotas; ele dizia que essa era a maneira que ele havia encontrado para burlar as especulações dos outros do bando, e quando cansava de usar esse subterfúgio, ele procurava focar-se nos vampiros.
Nós procuramos ter mais cuidado em relação a nossos encontros: nos víamos somente nos fins de semana, na gruta; não queríamos arriscar ser pegos desprevenidos por quem quer que fosse, e eu era obrigada a concordar com ele no que dizia respeito a ser muito bom manter um caso proibido. A adrenalina desencadeada pelo risco de sermos flagrados era um combustível a mais em nossa relação; os momentos de puro prazer que compartilhávamos em companhia um do outro eram incríveis.
Era sábado, e eu acabava de vir de uma de nossas escapadas quando me reuni à matilha na clareira; todos nós já devidamente transformados em lobos. Sam já designava os grupos de patrulha, e me atrevi a dar uma espiada em Paul, que estava a alguns metros longe de onde eu havia parado; ele manteve seu olhar baixo, toda sua atenção voltada para as explicações de Sam. Respirei aliviada, procurando também me focar no que Sam nos dizia “Jacob, Embry e Quill ficarão com a fronteira mais ao Sul” os três acenaram positivamente com suas enormes cabeças, “Seth, Paul e eu estaremos do lado Norte, e Jared e Leah ficam cuidando do perímetro interno”, acenei concordando e me posicionei ao lado de Jared. Todos ouvimos sua frustração por ter de ficar comigo. Dei de ombros para isso. Sam finalizou a conversa dizendo “Todo trabalho é importante Jared, tenho certeza que Leah dará conta do recado se algo vier a surpreendê-los por aqui”. Jared calou seus pensamentos e eu aproveitei para lhe dar um sorrisinho irônico antes de disparar para minha ronda.
Mesmo distante do restante do grupo, ainda podíamos ouvir nitidamente cada pensamento deles. Enquanto eu corria, sentindo o vento bagunçar meus pêlos, ouvi Quill perguntar a Jacob “Qual o problema com você cara? Seu humor tá cada dia pior”, Jake lamentou-se “Desculpe rapazes, só estou preocupado”. Embry deduziu qual a chave do problema dele “Você está assim por causa da Bella, não é?”, ao que Jacob respondeu, raivoso “Meta-se com sua vida”, Quill riu alto, antes de dizer a ele “Pois é, eu soube que ela agora anda com aquele parasita do Cullen pra cima e pra baixo” ouvimos Jacob grunhir alto ao mesmo tempo em que imagens de Bella abraçada ao seu namorado vampiro passaram por nossas mentes, mas Quill pareceu achar que atormentar Jake era tão engraçado que resolveu arriscar mais uma das suas piadas “Relaxa amigão, na pior das hipóteses ela será transformada e teremos uma fedorenta a mais para caçar!”, eu e os outros adoramos a piada e rimos juntos com Quill, mas Jacob odiou; deu meia volta e lançou-se contra a lateral do corpanzil de Quill, fazendo-o perder o equilibro e chocar-se contra uma árvore; ele levantou-se rápido, rosnando para Jacob e, antes que esse pudesse atacá-lo novamente, Sam interveio “Já chega vocês dois, parem agora mesmo”, a voz firme do comando do Alpha, que não podia ser ignorada, os fez parar imediatamente, “Nossa luta é contra os vampiros, mantenham o foco”, os dois se refizeram rapidamente.
Comecei a pensar em Sam, em como ele era a pessoa certa para liderar nosso grupo. Ele tinha a força e o caráter certos para nos fazer manter a linha, ele sempre fora assim, um líder nato. Acho que foi isso que fez com que eu me apaixonasse por ele; lembranças da nossa época de namoro fluíram rápidas por minha mente. Ouvi os suspiros do restante da matilha fazerem eco aos meus; Jared soltou um último suspiro exasperado, antes de grunhir “Ah, dá um tempo Leah, vê se esquece o cara. Quer um conselho? Parte pra outra, por que ele com certeza já fez isso!”, concluiu ele maldoso, “Meta-se com sua vida Jared”, rebati raivosa.
“Deixe minha irmã em paz Jared”, rosnou Seth intrometendo-se, “É isso mesmo Jared, deixe a garota lamber suas feridas sossegada irmão”, salientou Paul sarcasticamente.
“Querem saber? Vão todos vocês pro INFERNO!” Ladrei colérica. Dessa vez Sam não interferiu, eu sabia que era difícil para ele lidar com isso; ele se culpava por meu sofrimento, e eu não fazia nada para amenizar a situação.
De repente nossa rotina foi quebrada, todos pudemos sentir quando o grupo de Jacob deparou-se com o rastro fresco de nosso inimigo logo à frente. A adrenalina tomou conta de nossas mentes. Sam pediu que eles esperassem por nós antes de saírem à caça da criatura, mas Jake não quis perder aquela chance; ele reconheceu o cheiro do parasita, era a mesma vampira que já há algum tempo vinha querendo matar sua preciosa Bella Swan. Seu grupo disparou ao encalço da sanguessuga, e nós partimos, acelerados, para nos unir a eles, o plano era emboscá-la mais ao norte, mas a maldita era rápida e dançava entre os dois lados da fronteira. Quando Jared e eu estávamos quase alcançando os outros, vimos que o clã dos Cullen também participava da caçada. Um deles, o grandalhão de cabelo escuro, quase a pegou, mas errou o alvo e por muito pouco quase e atingiu Paul!
De onde estávamos pude ver o momento exato em que Paul perdeu seu foco na vampira ruiva e voltou-se para atacar o vampirão, mas antes que ele pudesse cravar seus dentes nele, o safado recuperou-se e voltou para o seu lado da fronteira, já flanqueado por sua parceira loira, que arreganhava seus dentes para nós. Disparei para lá; Sam e Jacob já estavam flanqueando Paul, e eu encarei a desgraçada, rezando que ela desce um passo em falso para o nosso lado, assim eu teria a desculpa perfeita para fazê-la em pedacinhos, por ter ousado pensar em encostar um dedo que fosse em Paul.
Outro vampiro do bando, que identifiquei como sendo Dr. Carlisle Cullen, o médico que havia cuidado de mim no hospital quando meu pai morreu, parecia ser o líder deles; ele correu para interpor-se entre nós e os seus, e junto com ele estava um outro vampiro, loiro também. Carlisle dirigiu-se diretamente a Sam, dizendo numa voz apaziguadora:
- Paz! Nossa briga não é com vocês. Também queremos pegar a mulher. - enquanto ele falava, o loiro a seu lado nos olhava de um jeito estranho, e uma súbita onda de calma parecia nos invadir - Meu filho não fez por mal - disse ele, apontando para o musculoso - Ele só queria pegar a fugitiva. Peço desculpas ao membro do seu bando se o ofendemos. Nossa prioridade é pegar aquela vampira.
Sam ouviu atentamente e concordou com o líder deles. Agora com os ânimos mais calmos, saímos todos, recomeçando a perseguição. Cada clã respeitando o seu lado da fronteira. A maldita era muito rápida; fomos bem longe atrás dela, que se desviou pelos penhascos de Makah e meteu-se na água, fugindo à nado. O loiro e o candidato a Mister Universo queriam permissão para cruzar nossa fronteira para irem atrás dela, mas Sam não cedeu, e os Cullen partiram, tão frustrados quanto nós.
Antes de voltarmos à La Push, Sam deixou o grupo de Jacob patrulhando aquela área, para o caso de ela resolver voltar.
Durante o trajeto de volta à La Push, ouvimos Paul reclamando com Sam “Você deveria ter me deixdoa acabar com aquele maldito sanguessuga!”, a cólera dominando sua voz, ao que Sam respondeu autoritário “Não seremos nós a quebrar o Pacto feito entre eles e nossos ancestrais Paul. Os lobos Quileutes empenharam sua palavra e nós a honraremos até o fim!”. Vendo que Paul ainda estava frustrado, Sam arrematou, agora numa voz mais calma “Por hoje chega de patrulha para você irmão, volte à Reserva com Jared e Leah, vá para casa e procure esfriar a cabeça”, depois se dirigiu a Jared e eu, concluindo “Vocês também podem ir para casa, eu e os outros assumimos daqui, nos vemos amanhã”, e saiu com seu grupo, para cumprir o que tinha estipulado.

Capítulo 16. - Compensando as Coisas

- Como você está? – Perguntei, disfarçando minha preocupação.
- Como você acha que estou? - rebateu ele raivoso - Tudo o que eu queria agora era uma oportunidade de acabar com aquele parasita asqueroso. - a raiva borbulhava em suas palavras.
- Já passou Paul. Hei, talvez você ainda tenha outra chance de confrontá-lo, hein? - eu tentava amenizar a situação.
Estávamos em frente à casa dele quando ele finalmente se virou para olhar para mim. Meu estomago revirou, e me dei conta naquele momento que, por muito pouco, quase houve uma luta, e não pude deixar de cogitar quem sairia vivo dela. Será que Paul, tão jovem e inexperiente daria conta de acabar com o Cullen grandalhão? Eu não queria pensar no quão perto estive, senão de perdê-lo, de ao menos vê-lo muito ferido!
Devo ter deixado escapar alguma coisa através dos meus olhos, por que ele aproximou-se mais de mim, tocou meu rosto com seus dedos quentes antes de dizer:
- Está tudo bem - falou sereno - Você tem mesmo que ir pra casa agora ou pode ficar mais um pouco comigo? - perguntou ansioso.
- Tudo bem, posso ficar mais um pouco se você quiser - ofereci.
- Ótimo, então vamos entrar - disse animado - Meus pais viajaram para visitar minha irmã. Acabei de ser promovido a tio! - falou ele rindo, todo orgulhoso.
Ri com ele. Paul era tão diferente de todos os caras que eu conhecia! Ele tinha um humor instável, indo da fúria à euforia com a mesma rapidez. Era estranho o quanto isso me agradava nele. Talvez, por que ambos os sentimentos demonstrassem o quanto ele era regido pela paixão. Acho que era isso mesmo; Paul poderia ser descrito, por alguém que o observasse mais atentamente, como eu vinha fazendo nos últimos tempos, como um cara passional. Tudo nele era intenso. Fiquei imaginando, enquanto ele me puxava em direção à entrada da casa, que a mulher que conseguisse despertar o amor dele por ela, seria muito feliz ao seu lado.
Enquanto ele abria a porta, esperando que eu entrasse primeiro, senti algo incomodo cutucando meu peito. Seria ciúmes? Não! Eu não seria tão estúpida a ponto de me apaixonar por ele. Ou seria? Julgando que a indecisão que transparecia em meu rosto, fosse pelo fato de se eu deveria ou não entrar, ele tomou a frente e me puxou para dentro de casa pela mão, acendeu as luzes e bateu a porta atrás de si, tomando o cuidado de fechá-la à chave.
Ergui uma sobrancelha inquisitiva, falando em seguida:
- Tudo isso é pra evitar que eu fuja? - brinquei.
- Não quero dar sopa pro azar. Já basta ter perdido a chance de uma boa briga. Não quero perder mais nada hoje - respondeu, me olhando sério.
- Não tínhamos combinado em não tocar mais nesse assunto? - lembrei-lhe triste, aproveitando para puxá-lo para o sofá. Sentamos lado a lado, minha mão entre as suas; ele concordou com um aceno.
Ergueu minha mão do seu colo, brincando com meus dedos, depois perguntou:
- Então me diga, o que você quer fazer? - perguntou curioso.
Para minha completa vergonha, meu estomago roncou alto. Rimos juntos e ele mesmo respondeu sua pergunta:
- Acho que devo alimentá-la certo? - O riso ainda presente em sua voz - Venha, minha mãe deve ter deixado alguma coisa pronta pra mim antes de sair - decidiu ele, erguendo-se do sofá e me arrastando até a cozinha junto com ele. Puxou uma cadeira para eu sentar, depois foi até a geladeira, abrindo-a para analisar seu conteúdo, listando em voz alta o que tínhamos no cardápio.
- Você é convidada, então pode escolher - falou ele, solene - Temos Lasanha, Macarronada a Carbonara, carne assada e purê - olhou-me, esperando que eu me decidisse.
- Hum... Acho que vou ficar com a Lasanha - falei com água na boca, alisando sugestivamente minha barriga.
- Ok, uma Lasanha saindo para a Madame da mesa 4 - ele brincou, pegando uma travessa.
Ficamos em silêncio, vi-o colocar a lasanha no micro-ondas e ajustar o tempo para aquecê-la, depois se voltou com desenvoltura para o armário de onde tirou os pratos, talheres e copos, dispondo-os sobre a mesa. Voltou à geladeira, pegando uma jarra de suco e outra de leite, mostrou para mim, para que eu escolhesse. Sem dizer nada, apontei o suco, e ele encheu os dois copos. Depois, foi encostar-se no balcão, cruzando os braços sobre o peito para esperar que a comida estivesse pronta; ficou me olhando de lá, a testa franzida, como se estivesse diante de um enigma.
Remexi-me nervosa na cadeira, peguei uma mecha do meu cabelo, enrolei-a no dedo antes de perguntar:
- O quê? Tô com a cara suja? - brinquei inquieta. - Não, eu só estava aqui pensando... - e interrompeu-se quando o sinal do micro-ondas apitou, avisando que a lasanha já estava pronta para ser consumida.
Ele virou-se, tirou a travessa de lá e colocou-a na mesa. Minha fome ficou esquecida por 1 minuto. Meus pensamentos ainda estavam voltados para a frase que ele não terminara. Ele serviu-me um pedaço fumegante e pôs outro em seu prato, sentou-se, pegou o garfo e apontou meu prato dizendo:
- Vamos, coma antes que esfrie - estimulou. Cortei um pedaço, levei-o a boca e mastiguei. Estava uma delícia. Dei outra garfada e tomei um gole de suco antes de retomar o assunto:
- Então, sobre o que você estava pensando ainda há pouco? – perguntei, curiosa. - Falo sobre isso depois, não quero estragar seu apetite - falou descontraído - Deus me Livre de ter uma Loba irada e faminta rondando meu pescoço. - caçoou.
Tive que rir. Essa era outra coisa que me agradava em Paul, ele era divertido e, gostava de flertar com o perigo. Nossa! Eu tinha que aprender a me controlar, ou poria tudo a perder.
Comemos falando apenas de amenidade: ele me contou sobre seu sobrinho, que tinha nascido em Seattle, e do quanto estava ansioso para conhecê-lo. Eu tinha sido amiga de Sara, a irmã de Paul, quando ela ainda morava em La Push, ela era um amor de pessoa, eu estava realmente feliz por ela.
Fiquei apavorada quando o vi pegar o que seria seu 4º pedaço de Lasanha; eu já estava satisfeita no 2º! Não consegui conter meu assombro:
- Jura que tem espaço para tudo isso no seu estomago? - falei assustada.
- Ah, me dá um desconto Leah. Tecnicamente, eu ainda estou em fase de crescimento lembra? – disse, divertido. Revirei meus olhos, irritada. Garotos! Fiquei bebericando meu suco, esperando que ele terminasse, e quando ele descansou o garfo no prato vazio, recolhi rápida a louça e levei para a pia, antes que ele resolve dar cabo da Lasanha inteira.
Lavei a louça, ele secou e guardou. Depois de tudo ajeitado ele virou-se para mim, sugerindo:
- Que tal descansarmos um pouco para fazer a digestão?
- Tudo bem - concordei contente.
Ele pegou minha mão e me levou para fora da cozinha. Era incrível como eu me acostumei fácil com o fato de ele me tocar a todo instante. Quando Sam e eu rompemos, eu não suportava a idéia de outro rapaz se quer me olhar, o que dirá me tocar! Mas com Paul... Era como se ele quisesse me mostrar que eu estava errada ao supor que não existia vida sem Sam ao meu lado. Definitivamente Paul era um cara muito diferente em muitos sentidos.
Seguimos pelo corredor, paramos diante de uma porta fechada, ele olhou para mim, com a mão na maçaneta antes de abri-la.
- Você se importa se ficarmos no meu quarto? - Ele parecia meio ansioso. - Por mim tudo bem - consenti sorrindo, para acalmá-lo.
Ele abriu a porta e entramos. Reparei que o quarto dele não era muito diferente do meu: havia um guarda roupa, uma estante com livros, computador, aparelho de som e alguns CDs; a única diferença ali era que ele tinha uma cama de casal, enquanto eu ainda dormia em uma de solteiro.
- Bacana - falei aprovando - Seu quarto é mais organizado que o meu sabia? - disse-lhe, admirada.
Ele riu descontraído, foi até o aparelho de som e ligou-o, deixando que a música suave enchesse o ambiente, depois caminhou até a cama e deitou-se, com um braço cruzado atrás da cabeça e com o outro largado na cama, onde deu uma pancadinha com a mão num convite claro.
- Venha, deite-se aqui - incentivou-me - Prometo que não irei atacá-la - falou sério - Pelo menos não enquanto não tiver digerido tudo o que comi – arrematou, com uma risada gostosa.
Caminhei até lá, sentei-me na beirada ainda indecisa.
- Vamos Leah, relaxe. Só vamos descansar um pouco antes de eu levá-la pra casa, está bem?
Isso funcionou. Deite-me ao seu lado e ele me puxou para mais perto, passando o braço sob meu pescoço, e pôs-se a fazer carinhos leves em meu braço. Era tão aconchegante. Parecia tão certo estar ali, com ele, me fazendo carícias depois de uma noite agitada. Mexi-me, incomodada com o rumo dos meus pensamentos. Ele percebeu meu desconforto.
- O que a preocupa? - perguntou-me, deslizando os dedos em minha testa, tentado desfazer as rugas que se formaram ali.
- Estava me lembrando do nosso encontro com os Cullens. - falei reticente.
- Ah! Bem, aquilo foi demais mesmo - sua voz deixou transparecer a sua frustração.
- Você não tem medo Paul? - perguntei preocupada.
- Medo de quê? - inquiriu ele, sem entender.
- De se ferir num confronto desses, ou de que algo pior possa acontecer? - questionei-o.
- O pior que pode acontecer Leah, é um deles ferir ou matar alguém indefeso - respondeu sério - Eu sei me defender, e se for preciso que algo aconteça comigo para que nosso povo fique a salvo, eu enfrentarei numa boa - falou ele, com toda a calma do mundo.
- Isso não está certo. Essas aberrações não deveriam existir. É por causa deles que fomos condenados a viver assim - rebati rancorosa - A existência deles nos priva de uma vida normal! - cerrei meus lábios, raivosa.
- Imagino que deva ser mais difícil para você do que para o resto de nós - disse sucinto – Afinal, você não perdeu só a liberdade de escolha entre ser ou não Lobisomem. Você perdeu o seu Sam.
- Era sobre isso que você estava pensando lá na cozinha? - perguntei, fitando seu rosto carrancudo.
- Eu estava me perguntando o que a faz amar tanto aquele cara, a ponto de escolher viver amargurada e triste, chorando pelos cantos, fechando-se para o mundo - disse complacente.
Soltei-me do seu abraço, sentei na cama para encará-lo antes de dizer-lhe irritada:
- Quem é você para me julgar? - perguntei entre os dentes - Você não me conhece. Acha que por que transamos uma meia dúzia de vezes isso o torna um expert em Leah Clearwater? – falei, cínica.
Ele também se sentou, os olhos brilhantes, toda a sua raiva vindo à tona, mas ele a recolheu antes que explodisse, dizendo numa voz controlada:
- Eu sou o cara que compartilha seus pensamentos mais sombrios; sou o cara que olha pra você e vê uma garota adorável quando todos a sua volta parecem enxergar apenas a sua armadura de frieza. Eu sou aquele que está com você agora, mesmo sabendo que você preferiria estar com outro. Sou sua ponte para a vida real Leah. - concluiu triste.
Ouvi chocada. Cada verdade contida em suas palavras; recebi cada uma delas como tapas em minha cara estúpida.
Meus olhos ardiam com as lágrimas que estavam prestes a rolar, mas me controlei antes que elas descessem. Mantive meus olhos presos aos dele, quando respondi, numa voz firme:
- Sinto muito Paul. Eu não fazia idéia de que era tão difícil para você - falei com amargura.
Ele agarrou meus braços, me sacudindo e falando ao mesmo tempo:
- Você não entendeu nada do que eu disse. - acusou-me - Não estou reclamando do que temos, nem tão pouco exigindo algo mais. Você é um desafio para mim Leah, e eu me nego a abrir mão de você, não sem antes conseguir trazê-la de volta à vida. Você é linda demais, por dentro e por fora, e merece encontrar alguém a quem você possa dar todo esse amor que você represou aí dentro - disse ele, apontando para o meu peito - Você merece ser amada Leah - finalizou convicto.
Dessa vez não consegui reprimir as lágrimas, meus lábios tremeram e eu chorei copiosamente. Ele deslizou os dedos sob meus olhos, aflito, como se pudesse impedir que elas me ferissem, depois beijou meus olhos, meu rosto e por fim tocou meus lábios com os seus. Deitou-se de costas me levando com ele, alisou meus cabelos até que eu me acalma-se. Quando as lágrimas acabaram, ele deitou-me de costas, livrando meu rostos dos fios de cabelos que tinham ficado grudados ali durante o choro; fitou-me com os olhos cheios de promessas, e perdi-me na profundeza castanha deles. Ele aproveitou minha distração para me despir, e enquanto me beijava livrou-se das próprias roupas também, depois começou a beijar todas as partes expostas do meu corpo, seus lábios cheios de paixão. Eu retribuí cada carícia com o mesmo sentimento que o animava.
Apalpei cada músculo do corpo dele, deliciada pelos gemidos de prazer que escapavam de seus lábios. Nossos movimentos sincronizados nos arrastando para o momento da satisfação, mas parecia que nunca estaríamos plenamente satisfeitos, por que mesmo antes de acabar, queríamos mais e mais. Suas mãos despertavam sensações que eu nem sequer imaginei que pudesse ter: eu era como um instrumento nas mãos de um artista; ele sabia exatamente como me tocar, e eu arfava em busca do ar que era arrancado dos pulmões a cada investida do seu quadril contra o meu. Quando unimos nossos corpos dessa vez, alcançando juntos o clímax. Foi muito diferente das anteriores. Agora cada um sabia exatamente o que estava em jogo, e nenhum dos dois queria sair perdendo.

Capítulo 17. - Fazendo Planos

Alguns dias depois daquele sábado bizarro pelo qual passamos, Paul e eu estávamos voltando da nossa ronda habitual, quando chegando perto da minha casa e ele segurou meu braço, virando-se de frente para mim, dizendo:
- Acho que está na hora de você pagar a recompensa que me deve. Afinal eu tenho cumprido muito bem minha parte no trato - ele disse, antes de prosseguir num tom enigmático - E já sei até o que quero em troca.
Ergui minhas sobrancelhas interrogativamente.
- No que exatamente você está pensando? - perguntei curiosa.
Um sorriso lindo tomou seu rosto de ponta a ponta.
- Quero que você venha a Seattle comigo. Estou indo visitar Sara, no próximo fim de semana e gostaria muito que você viesse também. - pediu-me, fazendo uma carinha fofa de cachorro abandonado.
Pensei naquilo com cuidado. Eu tinha sido amiga de Sara no colegial antes de ela casar-se e mudar-se com seu marido. Na verdade eu também conhecia e gostava muito de John; achava que visitá-los não seria nada de mais, mas daí a aparecer na porta dela com seu irmão caçula a tiracolo era outra história.
Olhei para ele, desconfortável, antes de dizer:
- Não sei se isso é uma boa idéia. O que ela ia pensar? E depois temos nossos compromissos aqui com a matilha - ponderei.
- Ah, qual é Leah! Não precisamos dar explicações de nossas vidas a Sara. E quanto ao bando, eles podem se virar sem nós por um fim de semana - disse-me, não aceitando minha desculpa para não ir.
- Prometo que pensarei em seu convite OK? - disse apaziguadora - Te dou uma resposta depois.
Ele aceitou isso; segurou meu rosto entre suas mãos quentes, fazendo carinho em minhas bochechas com os polegares, dizendo:
- Combinado. Mas pense com carinho está bem? – falou, sério - Prometo que você irá divertir-se muito por lá - concluiu sorrindo, depois beijou meus lábios.
Nos despedimos e ele se foi, deixando-me com aquele abacaxi nas mãos. Droga! Passei o resto da noite, e o dia seguinte, me perguntando se devia ou não aceitar o convite dele. Era tentadora a idéia de passar um fim de semana inteiro com ele longe de La Push.

Quem acabou decidindo o impasse foi meu chefe. Eu trabalhava meio expediente em um escritório de Advocacia em Port Angeles, e meu chefe confiava muito em meu trabalho. No final do dia, ele me chamou até sua sala. Sentei-me diante da mesa dele, esperando que ele falasse:
- Leah, eu sei que isso não é sua função - começou a dizer - Mas é que preciso que nossa Matriz em Seattle receba uns documentos confidencias com a máxima urgência até o próximo sábado. Eu não posso sair de Port Angeles agora, por que estou envolvido naquele julgamento complicado que você sabe. Então estou apelando para a sua bondade e profissionalismo para fazer-me esse favor. - esclareceu ele - Você poderia fazer isso por mim? A firma arcará com todas as suas despesas, lógico. O que me diz? - perguntou-me, ansioso.
- Claro Dr. Richard. Irei com certeza. Posso sair daqui amanhã à tarde. Tudo bem pro Senhor? – respondi solícita.

- Para mim está ótimo! - respirou aliviado - Você salvou minha vida garota. Como recompensa lhe darei o fim de semana inteiro em Seattle por conta da empresa, você pode levar alguém para acompanhá-la se quiser - sugeriu - Obrigada mesmo. - finalizou.
Naquela mesma noite, antes de sairmos para nossa patrulha, procurei Sam e avisei-o sobre minha viagem iminente, tendo o cuidado de não mencionar a cidade para onde estava indo, ele respondeu dizendo:
- Tudo bem Leah, eu sei que você tem responsabilidades com seu trabalho - olhou para os outros antes de dizer - Então rapazes, acho que nesse fim de semana teremos trabalho dobrado, serão menos dois na vigília.
Fiz-me de desentendida perguntando:
- Como assim menos dois?
- Paul está indo para Seattle. Finalmente ele irá conhecer o sobrinho - informou-me despreocupado.
- Ah! - foi só o que pude dizer sem revelar algo. Olhei para onde Paul encontrava-se parado, ele sorria abertamente.
- Olha a cara do Tio babão gente! - brincou Quill.
Todos riram. Eu engoli em seco e desviei meus olhos, por que eu sabia que havia muito mais por detrás daquele sorriso. Concentrei-me nas instruções de Sam: eu ficaria com Jake e Embry patrulhando a fronteira Norte. Eu estava louca para sair logo dali, a pressão era muito grande para mim, de um lado meu amor desvairado e não correspondido por Sam, e por outro lado... Bom melhor nem pensar nisso por hora. Tivemos uma noite tranqüila sem nenhum sobressalto e voltamos para casa pouco antes do amanhecer. Resolvi dormir um pouco para estar descansada para a viagem que faria, logo mais naquela tarde.
Assim que acordei, pus mãos à obra: arrumei minha bolsa de viagem e depois fui abastecer o carro. Aproveitei para ligar para Paul do posto de gasolina; não queria arriscar que Seth, com seus irritantes e sensíveis ouvidos caninos, soubesse sobre nossos planos. Paul parecia estar grudado ao telefone, por que mal havia dado um toque e ele já estava na linha.
- Alô! - disse ele afobado.
- Oi, sou eu - falei sorrindo.
- Nossa! Como você demorou a ligar - resmungou - Pensei que tinha desistido - disse ele.
- Nada disso - falei convicta - Você acha que pode encontrar-se comigo, em Port Angeles, lá pelas 14:30? Tenho que passar no escritório para apanhar uns documentos antes de irmos. - expliquei - Você pode me esperar no hall de entrada, anote o endereço. - pedi.
- Tudo bem, peguei. Encontro você lá então – confirmou, mais calmo.
- Então tá nos vemos depois - despedi-me.
- Hei - disse ele, prendendo minha atenção novamente - Estou muito feliz por você ter topado.
- Hãm... Tudo bem... Eu também estou. Até mais - e desliguei antes que ele resolvesse dizer algo mais.
Voltei para casa, almocei com minha mãe e meu irmão, que ficou a refeição toda se gabando, por que com as ausências minha e de Paul, Sam seria obrigado a lhe colocar num posto de patrulha mais avançado.
Minha mãe ficou ali ouvindo nossa pequena discussão, depois mandou que Seth fosse logo para aula de reforço; o moleque era péssimo em cálculos. Ele saiu resmungando algo sobre “Pra que um lobisomem precisava aprender matemática afinal?”, depois se despediu de nós e partiu.
Tirei a mesa e lavei a louça. Não foi surpresa para mim quando minha mãe começou a me sondar:
- Filha, o que está acontecendo? Você parece diferente...
- Não há nada diferente em mim Dona Sue. Fora o fato de que agora sou uma aberração de lobisomem mulherzinha. Mais isso a Sra já sabe - falei amarga.
- Mas não é isso que parece estar lhe incomodando - ela tinha realmente um faro aguçado, constatei.
- Olha mãe, não é nada está bem? É só que... Está sendo difícil me adaptar a essa nova “fase” da minha vida. Como se não bastasse a transformação, ainda tenho que estar com Sam todas as noites e compartilhar da mente dele. – fechei meus olhos para que ela não percebesse a dor neles - Mas eu sei que vou superar isso, eu prometo - falei, esperando que ela aceitasse e encerrasse o assunto.
- Sabe Leah - começou ela, vindo parar diante de mim e segurando minhas mãos nas suas - Existe um velho ditado que diz “Há males que vem para o bem”, talvez agora, depois da transformação, quem sabe você não acabe por descobrir uma nova maneira de ser feliz? Aproveite a chance que a vida está lhe oferecendo filha. Toda forma de amor é válida, lembre-se disso - conclui sábia.
Olhei para ela abismada, “Será que...? Não!” Ela não sabia nada sobre Paul e eu. Nós tomávamos muito cuidado para não deixar transparecer nada. “Ela só estava tentando me animar, certo?” Bom, de qualquer jeito, eu não ia ficar ali para descobrir, tinha que sair agora ou atrasaria a viagem. Soltei minhas mãos das suas e enlacei sua cintura antes de dizer-lhe:
- Obrigada mãe. Eu amo você! - falei sincera.
- Eu sei minha querida, também te amo. - disse-me ela, abraçando meus ombros - Agora vá, antes que você acabe perdendo seus compromissos.
Ela usou o plural para a palavra “compromisso” e isso me deixou com a pulga atrás da orelha; sem trocadilho.
Soltei-me do seu abraço, estalei um beijo em sua bochecha, corri para escovar os dentes e peguei minhas coisas. Eu tinha que partir antes que acabasse confessando tudo a ela. Ninguém me conhecia tão bem. Suspirei indo para o carro, acenei para ela e parti.
Durante o trajeto até Port Angeles fiquei me perguntando se era certo fazer aquela viagem com Paul. Talvez fosse cedo demais para sairmos assim, sozinhos para um fim de semana. Caramba! Eu estava ficando paranóica com tudo isso. Afinal, ele não me pediu em namoro nem nada, pediu apenas que passássemos um tempo juntos. Certo, o melhor era esfriar a cabeça, curtir o fim de semana por conta da empresa e... Aproveitar para me esbaldar naquele corpinho sarado dele.
Epa! Será que eu havia me transformado em uma loba ninfomaníaca? Quem em nome de Deus, já tinha ouvido falar nisso? Uma Loba tarada. Rá. Tive que rir de mim.
Cheguei ao prédio de escritórios onde eu trabalhava e nem sinal de Paul. Achei melhor subir para pegar logo os documentos e as instruções com meu chefe, ao invés de ficar ali esperando por ele. Afinal, ele podia ter caído na real e visto que seria melhor se não fossemos juntos, ou ele podia até mesmo ter desistido. Fiquei triste com essa idéia. Meu chefe me aguardava com uma pasta lacrada nas mãos e várias recomendações; vinte minutos depois, consegui me despedir dele.
Ao chegar ao hall do prédio, olhei em volta só para constatar que ele não estava ali. Saí para a rua encarando a luz ofuscante do sol que surgia no céu claro; parei por um momento, sem fôlego, ao vislumbrar a figura alta e atlética, apoiada displicente na lateral do meu carro: uma camiseta preta cobria seu peito e ele mantinha as mãos nos bolsos da calça jeans. Reparei que meu carro ficou mais velho e feio se comparado à beleza dele. Quando percebeu que eu não conseguia sair do lugar, ele veio até onde eu estava, sorriu para mim dizendo:
- Você demorou. Pensei que tinha esquecido de mim - falou ,fazendo bico.
- Ah, tá bom, como se isso fosse possível - respondi divertida.
Ele piscou para mim convidando:
- Vamos pegar a estrada. Quero chegar a Seattle antes que meu sobrinho comece a andar.
Sorri. Eu gostava do senso de humor dele, era leve e me distraía. Enquanto assumia o volante, me dei conta de que ele havia sido a única pessoa que conseguira arrancar alguma reação positiva e alegre de mim desde o meu rompimento com Sam. Sacudi a cabeça para afastar essa linha de pensamento. Eu não queria pensar em Sam agora, não seria justo com Paul. Naquele momento, decidi que teríamos um fim de semana maravilhoso, sem a interferência de ninguém, principalmente de Sam.
Ele guardou suas coisas no porta-malas e entrou no carro. Virou-se para mim ainda sorrindo, fez um carinho em meu rosto antes de beijar minha boca e dizer:
- Eu disse a verdade quando nos falamos ao telefone hoje cedo - lembrou-me - Eu realmente estou feliz por estarmos saindo juntos nesse fim de semana.
Pude ver a sinceridade de suas palavras refletidas em seus olhos, e lhe disse:
- Eu também disse a verdade, quanto falei que também estava feliz com isso - falei sincera.
Ele beijou minha boca mais uma vez, seus lábios cheios de promessas deliciosas.
- Então, já que esse ponto ficou bem esclarecido entre nós, só nos restar seguir viagem – arrematou animado.
Fomos conversando sobre Sara, John e o bebê; falamos sobre a escola, sobre meu trabalho e também sobre as muitas coisas legais que poderíamos fazer juntos durante nosso passeio. Só não falamos de La Push, dos lobos ou dos vampiros. Aqueles assuntos eram tabus.
Tudo o que queríamos era nos divertir, e era exatamente isso que fariamos.

Capítulo 18. - Pagando a Dívida

Assim que chegamos à Seattle, fomos tomados por um mutismo incomum. Decidi quebrá-lo antes que se intensificasse ainda mais.
- Então, você prefere que eu o deixe na casa de Sara ou... - falei, dando-lhe a chance de escolher.
- Na verdade eu disse à Sara e meus pais que ficaria com amigos - ele disse, virando-se para encarar meu perfil - Você se importa se ficarmos juntos no hotel? - perguntou ressabiado.
- Claro que não! Será ótimo ter companhia – falei contente.
Ele suspirou aliviado.
- Então acho melhor nos instalarmos antes de cumprirmos nossas obrigações, assim teremos mais tempo para aproveitar, o que me diz? - propôs.
- Ótima idéia. Eu já fiz minha reserva, será rápido - deixei-me envolver por sua euforia.
Chegamos ao hotel, pegamos nossas bagagens e entramos rapidamente, fugindo do calor; estava quente e abafado e eu não via à hora de me refrescar um pouco. Seguimos até a recepção, onde fomos atendidos por uma garota e sorridente, que nos cumprimentou, simpática.
- Boa tarde, Sejam bem-vindos ao Seattle Hotel.
Notei que ela corria os olhos inquisitivos de mim para Paul; ele havia largado a bagagem no chão e cruzou as mãos sobre o balcão sorrindo de volta para ela. A coitada piscou fascinada.
- Tenho uma reserva em nome de Leah Clearwater - informei.
- Oh sim? Deixe-me verificar - falou - Sim, aqui está. A Srta ficará na suíte 513 - disse.
Ela olhou para Paul, sorrindo afetada e dizendo em seguida:
- E sua reserva está em nome de quem? - Seus olhos avaliando o conjunto da obra que era Paul.
Era impressão minha ou ela estava realmente flertando com ele bem na minha cara!? Respondi, não dando a ele chance de abrir a boca.
- Ele está comigo - falei seca, sem olhar para ele.
Ela se recompôs, pegou a chave-cartão e ofereceu-a a nós; Paul esticou a mão rapidamente alcançando-a antes de mim. Percebi que ele deliberadamente tocou os dedos dela com os seus e vi, aturdida, a garota estremecer.
- Estamos à disposição para qualquer coisa de que precisarem - disse-nos ela, com a voz falha; seus olhos fixos em Paul.
- Ligaremos para você se precisarmos de algo - Ele disse sorrindo.
A infeliz balançou ao ouvi-lo falar. Sua mente devia estar se enchendo de fantasias naquele instante.
Olhei para ele com a cara fechada, ele juntou nossas bolsas, passou o braço sobre meus ombros e olhou para mim, convidando:
- Vamos subir? - A voz sedutora e sugestiva também não passou despercebida aos ouvidos da recepcionista.
Tive que piscar duas vezes para quebrar o efeito que aquela voz e aqueles olhos criaram em volta de meu cérebro.
Firmei meus ombros, encarei a garota, me despedindo:
- Obrigada por enquanto - minha voz estava rouca de excitação. Ele brindou-a com seu sorriso mais lindo e acenou com a cabeça, em forma de agradecimento.
Nos encaminhamos para o elevador, ele deixou seu braço descer até minha cintura; fiquei emburrada até chegarmos a porta do quarto. Ele abriu-a, dando-me passagem e marchei para dentro, largando minha bolsa com força no sofá. Ele fingiu não perceber; foi até as portas da saca e abriu-as, deixando que uma brisa entrasse, arejando o ambiente e depois se virou para mim, cruzando os braços sobre o peito.
- Tudo bem? - perguntou, tentando controlar o riso em sua voz.
- Você pode, por favor, me explicar o foi aquilo? - inquiri zangada.
- Ah Leah, ela só estava tentando ser simpática - respondeu, rindo meio nervoso.
- Simpática!? - guinchei - Ela estava dando em cima de você descaradamente, isso sim. E sua atitude contribuiu bastante também - acusei-o.
- Qual o problema? Você não está com ciúmes, está? - perguntou debochado.
Cruzei meus braços e fuzilei-o com os olhos, respondendo:
- Não seja ridículo. Só acho uma tremenda falta de respeito da parte dela agir daquele jeito, mesmo depois que ficou sabendo que estamos juntos. – falei na defensiva, tentando disfarçar minha irritação.
Ele veio até onde eu tinha ficado parada, descruzou meus braços, colocou-os em volta dos seus ombros, e segurou-os ali, para que eu não os retirasse.
- Não vamos estragar nosso fim de semana por causa de uma bobagem dessas, não é? - a voz carregada de charme.
- Não, não vamos - concordei seduzida.
Ele sorriu, beijando meus lábios de leve, deixou seus dedos correrem por meus braços e costas, repousando as mãos em meu quadril, puxou-me para mais perto dele e então o beijou ficou mais intenso. Eu podia me perder em seu abraço que nem me daria conta. Minhas mãos pressionavam sua nuca para evitar que ele se afastasse. Quando interrompemos o beijo para recuperar o fôlego, lembrei de nossas prioridades.
- Se você quiser aproveitar a noite em Seattle, terá que me deixar ir agora. Eu realmente preciso entregar aqueles documentos - disse-lhe, mas sem afastar meu corpo do dele.
Ele gemeu alto dizendo:
- OK. Obrigações primeiro. Prazer depois – Suspirou, me largando.
Fiquei um pouco decepcionada por vê-lo aceitar aquilo tão facilmente, mas depois pensei que ele só estava querendo livrar-se rápido de nossos deveres para podermos ficar mais tempo juntos, e isso me animou. Mais até do que deveria.
Dei-lhe um beijo rápido, peguei minha bolsa de mão, a pasta com os tais documentos e fui para a porta; antes de sair, lembrei-me de perguntar:
- Você quer que eu o deixe na casa de sua irmã?
- Não precisa, eu me viro - disse despreocupado.
- Tudo bem então. Comporte-se e nada de ligações para a recepção. - brinquei descontraída - Nos vemos aqui mais tarde.
Quando passei em frente à recepção, não pude evitar lançar um olhar raivoso em direção a garota. Depois recompus minha fisionomia, pensando que ela na verdade não tinha culpa de sentir-se atraída por Paul: ele era realmente muito atraente, além de charmoso. Eu estava acostumada a conviver com ele em La Push, onde a concorrência não era tão acirrada; estar em uma cidade grande com tantas oportunidades de flertes seria uma experiência nova para nós dois.
Corri para o escritório da Matriz que ficava do outro lado da cidade para fazer minha entrega especial; fui atendida com prioridade, e uma hora depois já havia sido liberada. Voltei para o hotel, fui até a recepção, e respirei alivia ao notar que o turno da recepcionista anterior havia encerrado; um rapaz simpático entregou-me as chaves e um bilhete.
Abri-o no elevador.
“Espero que tenha corrido tudo bem com sua missão. Fui visitar Sara, nos vemos mais tarde. Paul.” Achei muita gentileza da parte dele me deixar um bilhete; isso era impressionante vindo de Paul, sempre tão explosivo e canastrão. Ele estava me permitindo conhecer outro lado seu que com certeza poucos conheciam; me senti privilegiada por sua confiança em abrir-se assim comigo, deixando-me vê-lo como ele era de verdade.
Cheguei ao quarto, larguei minha bolsa e fui direto para o banheiro; eu precisava urgente de uma ducha, a viagem tinha sido cansativa e eu tinha dormido pouco na noite anterior. Vesti o roupão do hotel e me joguei na cama para descansar um pouco; acabei mergulhando num sono profundo.
Despertei mais tarde, com beijos suaves em meu ombro, pescoço e colo. O roupão abriu-se durante meu sono, e Paul tirava proveito disso. Sorri, mesmo antes de abrir meus olhos para vê-lo. Suspirei, já prevendo a onde aquilo nos levaria.
- Você é uma tentação muito grande sabia disso? - sussurrou ele em meu ouvido.
- Então não resista! – murmurei, acariciando seus cabelos.
Ele deitou-se ao meu lado, deslizando as mãos para dentro do roupão, ergueu um pouco meu corpo para livrar-me de vez dele. Sua boca desceu ávida em direção aos meus seios, beijando com sofreguidão, depois continuou descendo, beijando e mordiscando minha barriga, minhas coxas; puxei-o para mim, libertando-o da camisa, enquanto ele se livrava das próprias calças. Olhei-o maravilhada, ele tinha um corpo perfeito, era um convite explicito ao prazer; toquei-o ansiosa. Ele percebeu minha urgência e não demorou a me possuir; nossas bocas se encontraram e sua língua deslizou para dentro da minha. Nossos movimentos combinados, nos fez chegar rápidos ao ponto que ansiávamos, e fomos recompensados pelas ondas de êxtase que nos consumiu completamente. Ele deitou-se ao meu lado, satisfeito, e minha mente, mais alerta agora, pôs-se a imaginar como um garoto tão jovem conseguia dar tanto prazer a uma mulher. Lembrei-me das vezes em que, quando estávamos metamorfoseados em lobos, compartilhávamos seus pensamentos repletos de garotas. Devia vir daí tamanha experiência. Resolvi questioná-lo à esse respeito, afinal, não era nada demais falar de sexo com o cara com quem se está transando, oras bolas.
- Sou obrigada a admitir que você é muito bom nisso - falei elogiando-o, minhas mãos alisando os músculos de sua barriga.
- Obrigada. Eu me esforço - respondo meio sem graça.
- Então, você vai me contar como adquiriu toda essa experiência ou é segredo? - perguntei curiosa.
- Você está me perguntando com quantas mulheres transei antes de você? É isso? - perguntou-me chocado.
- Ah, qual é Paul. Apesar de ser dois anos mais novo que eu, sei que você não era nenhum Santo - disse-lhe serena - Lembre-se que partilhamos nossas mentes. Eu vi o tanto de meninas que habitam suas lembranças - acusei-o desgostosa.
Ele ficou realmente constrangido e levou um tempo para recompor-se antes de dizer:
- Se eu te contar meu segredo terei que matá-la depois – falou, tentando fazer graça.
- Eu assumo o risco - incentivei-o.
- Se quer mesmo saber, eu só transei com duas garotas até hoje - confessou embaraçado - Marie, com quem tive um namoro relâmpago, antes da história dos lobos, e com você - arrematou.
Ergui-me, apoiando meu peso no cotovelo e encarando-o incrédula.
- Você tá me zoando né?
- Por que? Acha que preciso mentir pra você sobre isso? - perguntou ofendido.
- Não! Mas é que... Bom você realmente parece ter muito conhecimento sobre o assunto, se é que você me entende... – falei, rindo embaraçada.
- Fico feliz por saber que satisfaço você sexualmente - disse, deslizando a mão por minha barriga, os olhos fixos nos meus - Eu conheço você Leah, conheço seu corpo, sinto suas reações quando a toco desse jeito - murmurou, suas mãos deslizando entre minhas coxas, fazendo meu corpo todo estremecer - Eu sei do você gosta, e como gosta. E isso - seus dedos me penetraram, fechei meus olhos por um momento - é o que me deixa em vantagem - finalizou, capturando meus lábios.
O beijo que se seguiu foi intenso e revelador. Reconheci que, de fato, ele conhecia meu corpo, talvez até melhor do que eu, e tive que admitir, com uma pontada de remorso, que nem Sam- que havia sido o único homem com quem eu havia estado desse jeito antes de Paul - tinha conseguido me dar tanto prazer. Mergulhei no corpo dele de novo, buscando afastar minha mente de Sam e daquela comparação cretina. Paul merecia que eu estivesse ali por inteiro.
Saciados, ficamos ali abraços e refeitos. Ele quebrou o silencio:
- Considere sua dívida paga - disse brincalhão.
- Torço para que a espera tenha valido a pena - rebati ansiosa.
- Você sempre me agrada Leah. Em todos os sentidos - respondeu sério.
- Até mesmo quando o deixo irritado com minha estúpida teimosia?
- Até assim. Já lhe disse antes, você é um desafio e tanto - falou, sentando-se na cama e encerrando o assunto.
- Não que eu não adore a idéia de passar o fim de semana inteiro na cama com você - disse-me, passando os dedos sobre meus lábios - mas eu lhe prometi também outras diversões. Por isso trate de levantar-se porque nós vamos sair. - anunciou, levantando-se e puxando-me junto. Tirou-me da cama e colocou-me em pé de frente para o banheiro, empurrando-me naquela direção.
- Vamos, tome um banho e apronte-se - ordenou.
- Aonde vamos? - perguntei curiosa, ligando o chuveiro.
- É surpresa - falou ele misterioso, antes de se juntar a mim debaixo da ducha - Espero que você goste do que programei pra nós - disse sorrindo enigmático, enquanto ensaboava meu corpo.

Capítulo 19. - Noitada em Seattle

Enquanto secava meu cabelo, podia ver pelo espelho a movimentação de Paul pelo quarto; ele havia vestido uma calça preta, calçado os sapatos e por último vestido uma camisa de um tecido fluídico, com tons de cinza em degrade; dobrou as mangas acima dos cotovelos, deixando os braços livres. Durante todo o tempo que ele levou pra se aprontar, eu fiquei admirando-o pelo espelho. Céus! Ele era de fato muito lindo. Como eu não tinha percebido isso antes? Afastei os pensamentos libidinosos que começavam a invadir minha mente antes que eu largasse o secador e pulasse, literalmente, em cima dele.
Deduzi, por suas roupas, que iríamos à algum lugar bacana, e agradeci a Deus por ter me dado ao luxo de, no último minuto em que arrumava minhas coisas em casa para a viagem, ter me lembrado de jogar dentro da bolsa, um vestido e um par de sandálias de salto. Pelo menos não ia fazer feio ao lado dele, embora qualquer um se sentiria apagado diante de tamanha beleza e masculinidade. Suspirei, voltando ao quarto para me vestir. Paul decidiu me esperar na sala, distraindo-se com um jogo qualquer na TV.
Coloquei meu vestido, um modelo frente única preto, a saia alcançava o meio das coxas e minhas costas ficavam completamente expostas, mas a noite estava quente. Apliquei um pouco de maquiagem, calcei minhas sandálias, ajustando as tiras em volta dos meus tornozelos, deixei meus cabelos soltos e terminei a produção borrifando meu perfume preferido nos pontos estratégicos. Avaliei-me criticamente no espelho e fiquei satisfeita com o resultado. Senti-me bonita, como há muito tempo não acontecia; meus olhos tinham recuperado seu brilho original.
Respirei fundo e fui para sala; Paul desviou os olhos da TV no momento em que cruzei a porta e o que vi em seus olhos me agradou muito: era um misto de admiração, desejo e orgulho.
Ele levantou-se devagar, caminhou até onde eu estava, e assobiou:
- OW Leah! Você está de arrasar - segurou minha mão e me fez rodopiar sob meus pés - Meu Deus! Espero não ter problemas em mantê-la a salvo dos garanhões de Seattle - falou preocupado.
- Obrigada – falei, ruborizada com o elogio - Mas eu tinha que me esforçar para estar à sua altura. Você está qualquer coisa! Nunca imaginei que um dia teria tanto prazer em vê-lo vestido - arrematei.
Ele soltou uma gargalhada gostosa, antes de me abraçar.
- Vamos sair logo daqui, antes que eu desista da noitada e arraste você de volta para o quarto - sussurrou em meu ouvido, me fazendo arrepiar.
Sorri e ofereci-lhe minha mão para sairmos.
Já do lado de fora do hotel ele me pediu para deixá-lo dirigir, concordei, afinal eu não fazia a mínima idéia para onde estávamos indo.
Quinze minutos depois paramos diante de um restaurante chique, no centro da cidade; ele desceu do carro e abriu a porta para mim, como um perfeito cavalheiro.
O Maitre confirmou nossa reserva e nos acompanhou até uma mesa, num canto calmo, oferecendo-nos o cardápio. Escolhemos nossos pratos e fizemos nossos pedidos. Dei uma olhada à nossa volta e percebi, surpresa, que muitas das mulheres ali presentes, até mesmo as que estavam acompanhadas, encontravam certa dificuldade em desviar seus olhos cobiçosos da pessoa que estava comigo. Voltei meus olhos para ele, vendo que ele me encarava com a testa franzida.
- Algum problema? - perguntei.
Ele inclinou-se sobre a mesa em minha direção, dizendo em seguida:
- Você acha que o gerente do restaurante ficaria muito chateado se eu urinasse ao redor da mesa para demarcar meu território? - aquele era o Lobo falando mais alto.
- Do que você está falando? - perguntei, piscando aturdida.
- Desde que você colocou seus lindos pés aqui dentro, todos os homens presentes parecem ter sido vitimas de algum tipo de torcicolo! Eles nem estão disfarçando. Juro que tem uns cinco deles, no mínimo, que amanhã estarão com as canelas roxas de tanto serem chutados por baixo da mesa por suas acompanhantes ofendidas - informou-me raivoso.
Ele conseguia ficar ainda mais sexy quando deixava a raiva transparecer em seus olhos. Olhei ao nosso redor, constatando admirada, que o que ele dizia era verdade.
- Mas eu ainda estou em desvantagem em relação a você - sentenciei - Além de olhares, você ganhou vários suspiros de suas admiradoras.
Ele não precisou olhar em volta para confirmar minhas palavras; sua audição era perfeita, assim como todo o resto dele, devo acrescentar.
Ele acalmou-se e sorrimos cúmplices, enquanto nosso jantar era servido.
Enquanto saboreávamos a comida, ele aproveitou para me contar como tinha sido sua visita à Sara.
- Minha irmã esta ótima. E meu sobrinho... - seus olhos brilharam cheios de orgulho - É a coisinha mais linda que já vi! É forte, grande e você acredita que ele já sorri? - disse admirado.
- Fico muito feliz por Sara e John - disse sincera - Eles serão ótimos pais.
Ele concordou comigo, depois contou que tinha aproveitado para rever alguns amigos e que foram eles que tinham lhe dado a sugestão do próximo lugar para onde iríamos.
- E que lugar é esse? - perguntei curiosa.
- Você verá – disse, mantendo o mistério.
Terminamos nossa sobremesa e fomos embora. Dez minutos depois, ele parou o carro em frente a uma Boate badaladíssima e virou-se para mim, dizendo:
- Espero que suas sandálias sejam confortáveis, porque pretendo fazê-la dançar a noite toda! - disse sorrindo, antes de sair do carro.
- Rá. Essa eu pago pra ver – ri, divertida diante da idéia de vê-lo dançar.
Ele deu a volta no carro, abriu a porta para mim, jogou as chaves do carro para o manobrista e apoiou sua mão em minhas costas, conduzindo-me para a entrada.
O Lugar era incrível! Tinha duas pistas diferentes; passamos direto pela primeira, onde o som do Hip-Hop preenchia o ambiente e fomos para a segunda pista, onde o som da musica Latina contagiante se fazia ouvir. Numa parte mais elevada, havia um mezanino e Paul tomou a dianteira, segurando firme em minha mão e conduzi-nos à uma mesa, onde estavam quatro pessoas, envolvidas em uma conversa animada.
- Hei, Jason! - ele largou minha mão para cumprimentar um dos caras.
- Você veio mesmo cara! - Um rapaz loiro, alto e bonito, de seus vinte e poucos anos, abraçou-o entusiasmado. Em seguida ele se deu conta da minha presença - E quem é essa? - perguntou ele, olhando-me sem disfarçar a admiração e lançando para mim em seguida, o que presumi fosse seu melhor sorriso de conquistador.
- Essa é Leah - informou Paul sorrindo - Ela também é de La Push.
- Seja bem-vinda a Seattle Leah - apresentou-se, pegando minha mão - Sou Jason Smith, e é um prazer conhecê-la – concluiu, mantendo meus dedos presos entre os seus por mais tempo do que o necessário, aproveitando para lançar-me um olhar avaliador. Seus companheiros de mesa ficaram olhando para nós, intrigados.
Paul remexeu-se inquieto ao me lado e vi, pelo canto dos olhos, que ele estava tão desconfortável quanto eu diante da atitude claramente apreciativa do amigo.
- Obrigada - Sorri de leve, puxando minha mão.
Em seguia uma ruiva bonita, que acompanhava o grupo, pendurou-se nos ombros de Paul, cumprimentando-o com beijos no rosto antes de dizer insinuante, sem virar-se para mim:
- Não vai me apresentar a sua amiguinha? - perguntou num tom nada amigável. Ele desvencilhou-se de seus abraços, dizendo:
- Jane está Leah. Leah está é Jane - e apontou uma para outra; formalizamos nossa apresentação apenas com sorrisos amarelos de uma pra outra.
Paul aproveitou para me apresentar aos outros dois rapazes que faziam parte do grupo.
- Leah quero que conheça Dylan e David - disse sorridente, colocando seus braços sobre os ombros dos dois amigos, que era gêmeos; cumprimentei-os e eles sorriram simpáticos para mim, convidando-nos a sentar com eles.
Paul puxou uma cadeira pra que eu sentasse ao seu lado, pousou o braço possessivamente no encosto, mantendo seus olhos atentos em Jason, como que para alertá-lo. Sorri internamente, era um elogio e tanto ser disputada por dois homens como aqueles.
Jane parecia não entender o por que do interesse deles dois por mim e, depois de alguns minutos, ela levantou-se e puxou Paul pela mão, dizendo calorosamente:
- Vamos dançar - e saiu, arrastando-o para a pista de dança, sem lhe dar a chance de negar o convite.
Fiquei ali, parada observando-os na pista.
- Vou até o bar, você aceita alguma coisa Leah? - perguntou-me um dos gêmeos. Normalmente eu não bebia, mas ia abrir uma exceção dessa vez; talvez com a ajuda do álcool ficasse mais fácil suportar ver Jane se esfregando em Paul na pista de dança.
- Tequila - pedi-lhe sorrindo.
Meus olhos foram novamente atraídos para o casal que dançava uma Salsa a poucos metros de onde estávamos; eles tinham um ótimo entrosamento. Fiquei surpresa ao ver a desenvoltura de Paul na pista, nunca imaginei que ele fosse tão bom dançarino! “Esse cara é mesmo uma caixinha de surpresas!”, pensei comigo. O ritmo mudou para algo mais lento e sensual e vi quando Jane colou-se a ele sem nenhuma cerimônia; meus olhos se estreitaram quando a vi sorrindo satisfeita.
Desviei minha atenção deles quando Dylan - ou seria David? Não consigo diferenciá-los - largou uma garrafa de Tequila sobre a mesa diante de nós, justificando-se:
- Aproveitei e trouxe logo a garrafa, para nos poupar tantas idas ao bar! - informou-nos sorridente.
Sorrimos também, enquanto ele servia nossos copos e sugeria um brinde:
- A Leah, que nossa amizade seja longa e feliz – falou, antes de tomar de um só gole sua bebida.
- A Amizade - falamos todos juntos, sorrindo, e entornamos os copos.
Eles encheram os copos novamente e eu emborquei-o de novo; a bebida desceu queimando por minha garganta. Tossi um pouco, e eles riram: eu não era muito resistente à bebida e aqueles dois copos já me deixaram meio ligada. Tomei outro antes que o efeito passasse e Jason tirou o copo de minha mão e a segurou firmemente, convidando-me com um sorriso brilhando em seu rosto bonito:
- Dança comigo?
- Claro - aceitei. Por que não!?
Quando alcançamos a pista ele enlaçou minha cintura com firmeza, juntando nosso corpos. O ritmo da musica era contagiante e me entreguei completamente à dança. Jason era um bom dançarino, conduzia-me pela pista com segurança e destreza. Depois da segunda musica, arrisquei uma olhada pela pista, ali não havia nem sinal de Paul e Jane. Olhei para a mesa onde tínhamos deixado os gêmeos e vi Paul sentado, a cara amarrada e os braços cruzados sobre o peito; parecia estar com raiva e entediado ao mesmo tempo; julguei que isso se devia ao fato de sua amiga Jane não desgrudar dele enquanto tagarelava alguma coisa em seu ouvido.
Resolvi voltar à mesa alegando calor, Jason me conduziu até lá pela mão e quando nos aproximamos dos outros, percebi que Paul observa raivoso o fato de Jason manter minha mão na dele; sua expressão ficou ainda mais furiosa. Livrei-me da mão de Jason e sentei rápida ao seu lado: eu não estava afim de confusão pro meu lado. Peguei meu copo, que alguém tinha feito a gentileza de encher novamente e tomei tudo de um só gole. - Desde quando você bebe!? - Perguntou Paul, numa voz baixa e irritada.
- Desde quando lhe devo satisfações? - rebati no mesmo tom.
Ele me encarou por alguns instantes antes de me pegar pela mão e praticamente me arrastar para a pista de dança.
Começamos a dançar, tomando o cuidado de manter nossos corpos afastados um do outro. Ele inclinou-se um pouco para falar perto do meu ouvido:
- Você está chateada? Foi algo que eu disse ou fiz? - perguntou me encarando.
- Não, na verdade você não fez nada! Não se preocupe comigo, estou bem. - disse-lhe seca, desviando meus olhos dos dele.
- Realmente não preciso me preocupar com você, afinal já tem gente demais tomando conta de você aqui. - falou irritado.
Virei meu rosto para encará-lo, antes de responder:
- Acho que está havendo algum engano. Não tem ninguém cuidando de mim, já de você... - falei reticente.
- Não seja absurda Leah. Jane só está tentando chamar a atenção de Jason. Ela gosta dele.
- Pelo visto a estratégia dela de chamar a atenção não deu muito certo. Ao menos não com ele, não é? - perguntei desconfiada.
Ele sorriu descontraindo-se e aproximou seu corpo do meu. - A ÚNICA atenção feminina que desejo nesse lugar é a sua - sussurrou em meu ouvido - Você acha que pode dispensar um pouco dela comigo? - pediu esperançoso.
- Pedindo assim, desse jeito, acho que não tenho como negar - falei sorrindo. Ele brindou-me com seu sorriso mais lindo, que me tirou o fôlego e aconchegou-se mais a mim.
- Você é uma feiticeira sabia? - acusou-me, mordiscando minha orelha, fazendo-me estremecer.
O música mudou, passou a tocar um Zulk, um ritmo sensual, e nos deixamos levar; foi no mínimo uma experiência pra lá de excitante: Paul tinha uma desenvoltura incrível e sabia conduzir muito bem.
Ao final da música estávamos os dois ofegantes. Voltamos à mesa e fomos recebidos com aplausos e assobios pelos gêmeos, um deles, que à essa altura já tinha descolado uma companhia, nos disse sorridente:
- Vocês deveriam fazer apresentações de dança! Juro que nunca vi nada mais sensual que vocês dois dançando - disse admirado - Se deu foi bem hein Paul!? - Arrematou divertido.
Rimos da brincadeira dele. Os únicos que pareciam não ter gostado foram Jane e Jason; ignoramos os dois. David, que era o que estava sozinho, me convidou pra dançar; olhei para Paul que assentiu tranqüilo e voltei para a pista de dança. Depois de algumas músicas seu irmão veio tomar seu lugar, enquanto David já convidava outra garota e Paul dançava com a acompanhante de Dylan. Dançamos alegres e contagiados pelo ritmo até que senti um toque em meu ombro e Paul sorria para nós, propondo:
- Que tal você devolver minha garota e eu te devolver a sua?
- Feito amigão! - aceitou Dylan, divertido.
Dançamos e rimos juntos por mais duas horas, até que resolvemos ir embora, exaustos, mas felizes.
Nos despedimos de todos, prometendo revê-los antes de voltarmos para La Pusch. Quando estávamos nos acomodando no carro, lembrei de perguntar a Paul:
- Onde foi que você aprendeu a dançar tão bem?
- Culpa da Sara. Ela me obrigava a praticar com ela – disse, dando de ombros.
- Os rapazes da reserva conhecem esse seu lado pé-de-valsa? - mexi com ele.
- Não! E nem saberão - falou ameaçador - Pelo menos não sem que você se entregue - arrematou, rindo por me ver cair em minha própria armadilha.
- Nem me passou pela cabeça dizer algo a eles - menti, fazendo bico e me fingindo ofendida.
- Tá que eu acredito nisso - disse rindo e encerrando o assunto.
Relaxei, e comecei a cochilar mesmo antes dele dar a partida no carro.

Capítulo 20. - Insaciáveis

Paul me acordou quando chegamos ao Hotel; fomos até a recepção, pegamos a chave e nos dirigimos ao elevador. Quando entramos, eu aproveitei para escorar todo o meu peso sobre o corpo dele, que mantinha um braço em volta da minha cintura. Meus olhos estavam pesados e o cansaço do dia me dominou. Quando o elevador parou em nosso andar, ele me pegou com facilidade no colo, eu fiquei agradecida, meus pés estavam doloridos de tanto dançar. Ele passou o cartão-chave e abriu a porta; entrando comigo ainda em seus braços, fechou a porta com um chute e me levou até o sofá, onde me deitou com cuidado, acendeu o abajur na mesinha ao lado do sofá e foi abrir as janelas pra deixa o ar da madrugada nos refrescar.
Ele voltou para junto de mim no sofá, levantou minhas pernas e sentou-se, as colocando sobre seu colo. Eu já estava quase dormindo quando senti que ele descalçara minhas sandálias, largando-as no chão, e depois se pôs a massagear meus pés. Abri um pouco meus olhos para fitá-lo e vi que ele estava concentrado em sua tarefa; sorri deliciada e tornei a fechá-los antes de dizer:
- Hummm... Esso é tão bom - ronronei feito um gatinho feliz.
Ele não disse nada, continuou por mais alguns minutos, enquanto eu me entregava definitivamente à preguiça, até que senti suas mãos subirem por minhas pernas acariciando minhas coxas. Abri novamente meus olhos e, encontrei os seus fitando-me maliciosos.
- Você deve estar brincando né? Você nunca cansa? - Perguntei surpresa.
- Eu nunca me canso de você - Disse, os olhos brilhando nos meus.
Fiquei sem palavras. Suas mãos alcançaram minha calcinha sob o vestido, puxando-a para baixo; levantei um pouco o quadril para facilitar seu trabalho e ele a passou por minhas pernas lentamente, largando-a em seguida junto às sandálias. Mantendo os olhos presos aos meus, ele segurou minhas mãos e me puxou de encontro a seu corpo, sentando-me em seu colo, com uma perna de cada lado do seu quadril, ele suspirou, seu hálito aquecendo meu rosto.Segurou meus cabelos com uma das mãos, afastando-os e deslizando a outra mão por minhas costas alcançando o nó que mantinha a parte de cima do vestido presa, e o soltou-o, expondo meus seios diante de seu rosto.
- Lindos! - murmurou maravilhado, beijando um de cada vez antes de completar - Você é toda linda.
Ele pôs-se a beijar, sugar e mordiscar meus mamilos, arrepiados. Enterrei meus dedos em seus cabelos puxando sua cabeça para trás, seus lábios estavam entreabertos, deslizei minha língua por eles antes de penetrá-la em sua boca. Suas unhas arranhavam minhas costas. Abandonei sua boca, descendo meus lábios sequiosos por seu queixo e pescoço; minhas mãos abandonaram seus cabelos e meus dedos ágeis desabotoaram sua camisa. Beijei cada pedacinho do seu peito que minha boca podia alcançar, senti-o suspirar quando rocei meus seios nele e ele elevou o quadril, me deixando perceber o quanto estava excitado; desci meus dedos até sua calça, desabotoando-a lentamente, prolongando a tortura, as mãos nervosas afastaram as minhas do caminho a fim de apressar o processo. Ergui-me um pouco do seu colo, apoiando minhas mãos no encosto do sofá para que ele se despisse e ele segurou meu quadril com uma mão enquanto guiava-se para dentro de mim. Ficamos com a respiração suspensa por um momento, quando nossos corpos se encaixaram com perfeição. Seus dedos se enterram em minhas coxas, pressionando-as, sua língua brincando com meus seios, que pareciam que explodiriam de tão excitados. Minhas mãos suadas agarravam-se ao encosto do sofá para me dar sustentação, eu gemia numa doce agonia, sabendo que em poucos instantes o êxtase me arrebataria.
Suas mãos buscaram minhas nádegas por baixo da saia do vestido, incitando meu quadril a subir e descer num ritmo mais acelerado, seu quadril dançando junto comigo; apoiei minhas mãos em suas coxas, afastando meu peito do dele e, com um gemido de protesto, ele inclinou-se para mim, alcançando com a língua meu estomago e minha barriga. Eu senti o prazer me tomando em ondas; faltava pouco agora. Sorri feliz, pressionando meus joelhos contra seu quadril e finalmente explodi, gemendo, seu nome escapando entre meus lábios que procuram pelos dele. Todo meu corpo tomado por espasmos violentos, que agora pareciam se transferir para o corpo dele; senti-o estremecer, arfando e gemendo alto, enquanto retorcia meus cabelos entre os dedos, o êxtase o atingiu com a mesma violência que eu havia sentido eseu corpo retesou-se sob minhas mãos por alguns instantes enquanto me penetrava mais fundo uma última vez. Percebi que nem tínhamos nos despido direito, ele ainda estava com a camisa, as calças emaranhadas nos pés, e eu continuava com o vestido preso na cintura. Repousei minha cabeça em seu ombro, aproveitando para beijar seu pescoço e recuperar o ar, enquanto ele deslizava seus dedos por minha coluna numa carícia suave e relaxante.
Ergui meu rosto para alcançar sua orelha, mordiscando-a antes de sugerir:
- Que tal continuarmos nossa brincadeira na cama? - disse numa voz provocante, senti seus pelos eriçarem e seu corpo se aquecer novamente.
- Meu Deus, criei um monstro! - disse ele, fingindo assombro.
Nossos corpos unidos foram sacudidos por nossas risadas e acabaram despertando novamente para o desejo que os consumia. Ele chutou suas calças, ergueu meu corpo, jogando-me sobre seu ombro e foi rápido em direção ao quarto.
Meus joelhos cederam quando ele beijou o alto da minha coxa e, antes que eu caísse, ele me ergueu e me deitou de costas na cama, prendendo minhas mãos com apenas uma das suas, acima da minha cabeça, ele posicionou-se entre minhas pernas e me penetrou rápido e fundo; arquei as costas tentando tocá-lo com os seios ou com a boca, mas ele afastou-se sorrindo, frustrando minhas tentativas. Ele roçava a ponta da língua por meu pescoço e ombro e os beijava levemente, sua mão livre pressionava meu quadril contra o colchão, impedindo assim que eu o movimentasse; só ele se mexia, investindo seu quadril contra o meu lenta e profundamente. Ele pressentiu, pelo acelerar da minha respiração, que faltava pouco para que eu atingisse o orgasmo novamente, e então acelerou suas investidas. O clímax nos atingiu ao mesmo tempo. Fomos arrastados para um mundo à parte, onde só existíamos nós e o prazer.
Ele rolou sobre mim, deitando-se ao meu lado, e ficamos lutando para recuperar o fôlego. Viramos os rostos ao mesmo tempo um em direção ao outro, as duas faces abertas no mesmo tipo de sorriso de satisfação e felicidade. Ele puxou para si minha mão que continuava presa entre seus dedos e a beijou ternamente antes de pousá-la sobre seu peito.
Desviei meus olhos do dele, olhando para a janela, constatando que já estava quase amanhecendo. Voltei a fitá-lo antes de dizer-lhe suavemente:
- Obrigada!
- Pelo quê!? - inquiriu surpreso.
- Por me convidar para essa viagem. Pelo jantar, pela dança e, principalmente por isso! – arrematei, beijando seus lábios e deslizando minha mão pelos músculos de sua barriga, para enfatizar minhas ultimas palavras.
- Você acreditaria se eu lhe dissesse que o prazer maior foi meu!? – perguntou, sorrindo feliz.
- Eu poderia discutir essa questão do prazer com você - falei risonha - mas fica pra outra hora, estou muito cansada agora – falei, aconchegando meu corpo ao dele e abracei sua cintura, deitando minha cabeça sobre seu peito.
Ele riu, me abraçou e beijou meus cabelos, dizendo em seguida:
- Então durma minha Leah - e começou a me fazer cafunés.
Suspirei feliz, relaxada e satisfeita e apaguei dois segundos depois.

Acordei com um ruído persistente, que parou logo em seguida. Das profundezas do meu inconsciente, ouvi Paul falar com alguém, mas resolvi esquecer ambos e virei de bruços, mergulhando novamente em meu sono.
Algum tempo depois, senti o colchão estremecer sob meu corpo, e vi, através dos meus olhos semicerrados, que ele havia se levantado. Era uma visão maravilhosa a que eu tinha agora do seu corpo nu, perfeito e belo dirigindo-se vagarosamente ao banheiro.
- Nunca pensei que um dia ia gostar de vê-lo pelas costas - minha voz, rouca pelo sono e pelo desejo, o deteve à porta.
Ele virou a cabeça por cima do ombro direito, me lançando seu sorriso lindo antes de dizer:
- Você está me saindo uma bela de uma pervertida, Srta. Cleawater! - repreendeu-me, fingindo-se de ofendido e entrando em seguida no banheiro; parando diante da pia, ele podia me ver pelo espelho.
Rolei na cama, deitando de costas, ficando de frente para ele e sorri abertamente, dizendo:
- Quero ouvi-lo dizer isso aqui na minha cara! - desafiei-o.
Ele voou do banheiro, jogando-se sobre a cama; escapei no ultimo minuto, girando meu corpo para o lado oposto de onde estava antes, ainda rindo. Ele agarrou meu rosto entre as mãos e me beijou.
- Bom dia minha Pervertida favorita - disse, sorrindo divertido.
- Pervertida é!? Tome isso - e comecei a beijar todo seu rosto enquanto lhe fazia cócegas.
Suas gargalhadas ecoaram pelo quarto e, quando em fim, ele conseguiu recuperar-se do meu ataque e pensou em retribuir, eu fui mais rápida e escapei novamente, me ajoelhando aos pés da cama, rindo.
- Volte já aqui, sua Covardezinha - ralhou ele entre risos, pronto pra me atacar. Fomos interrompidos por batidas na porta.
Olhei-o interrogativa e ele apoiou-se no cotovelo dizendo:
-Pedi algo para comermos no quarto - esclareceu - Você pode atender enquanto tomo um banho?
- Tudo bem.
Levantei, peguei sua camisa do chão e vesti-a, dobrando as mangas grandes demais pra mim, e fui atender a porta.
Um rapaz simpático entrou, empurrando um carrinho até o meio da sala e de onde estávamos podíamos ver o quarto e nesse momento Paul passava por lá, indo pegar alguma coisa em sua bolsa; o rapaz teve a mesma visão que eu do corpo nu dele. Ele desviou os olhos rapidamente, me encarando meio sem graça.
- É, eu também acho ele um gato! Dá pra acreditar na minha sorte!? - eu disse, revirando os olhos para o rapaz que me olhava de boca aberta.
Ouvimos a gargalhada de Paul, e o garoto disparou porta afora sem nem ao menos esperar pela gorjeta.
Levei o carrinho para perto da mesa e ajeitei tudo para tomarmos nosso café. Sentei à mesa para esperá-lo; eu estava com fome. Olhei distraída para o relógio e vi, surpresa, que já passava das duas da tarde! Vi-o sair do banheiro com uma toalha amarrada em volta do quadril, os cabelos brilhando ainda molhados. Era impressão minha ou ele realmente fica mais lindo e sexy a cada minuto!?
- Estou morto de fome! – sentenciou, passando a mão sobre a barriga lisa e musculosa. Engoli em seco, eu já não sabia o que matar primeiro, se minha fome de comida ou minha fome por ele! Absurdo. Servi suco em nossos copos e começamos a comer em silêncio.

Capítulo 21. - Diversão

Eu me dei por satisfeita, afastando meu prato e bebericando meu suco quando resolvi perguntar:
- E aí, qual a programação para hoje?
- Dylan ligou mais cedo nos convidando para uma tarde no Parque - falou reticente - Você está a fim? Se não quiser ir podemos fazer outra coisa... - completou, deixando a escolha em minhas mãos.
- Um passeio no Parque está ótimo pra mim! - sorri concordando eufórica.
Ele estreitou seus olhos, me analisando com cuidado.
- Quem é você? O que fez com a Leah? - inquiriu desconfiado.
- Bobo! – falei, sorrindo para ele - É só que... Tenho que admitir que sinto falta de me exercitar, correr um pouco, sentir o vento no rosto - confessei sem jeito - Coisas de Lobo, sabe como é? - pisquei cúmplice.
- Concordo com você. Uma corrida nos faria bem - ele riu, entendendo minha necessidade - Então vá se arrumar, assim que terminar de comer ligarei para ele confirmando nossa presença.
Levantei da mesa, concordando com um gesto de cabeça, e já estava indo para o quarto quando o ouvi me chamar; olhei-o sobre o ombro.
- Leah... Essa camisa ficou melhor em você que em mim! - ele disse com um sorrisinho malicioso.
Virei-me de frente para ele, segurei as pontas da camisa e me curvei numa reverência. - Obrigada! - disse-lhe suavemente, batendo os cílios fingindo timidez. Ele riu, jogando o guardanapo em minha direção.
- Saia logo daqui! - Ralhou brincalhão.
- O.K, estou indo... - eu disse, abrindo os primeiros botões da camisa, expondo parcialmente meus seios; remexi meu quadril de um lado pro outro, numa dancinha provocante - Seu desejo é uma ordem – falei mordendo meu lábio; vi seus olhos se turvarem de desejo e deixei a camisa cair aos meus pés.
Com dois passos longos ele me alcançou, prensou meu corpo contra a parede do quarto e tomou minha boca com desespero. Suas mãos agarram minhas nádegas e ele me ergueu de encontro ao seu corpo; segurei-me em seus ombros e enlacei sua cintura com minhas pernas, sem desprender os seus lábios dos meus. Ele livrou-se da toalha apressado e empurrou meu quadril para baixo, penetrando-me rápido; gememos um na boca do outro.
- Você me deixa louco - ele murmurou rouco, beijando meu pescoço.
- Você faz o mesmo comigo! - sussurrei arrebata, abraçando seus ombros com força.
Ele afastou seu peito do meu, abocanhando meu seio esquerdo, enquanto investia mais rápido e forte seu quadril contra o meu. O clímax me atingiu antes dele; deixei um grito escapar antes de atacar sua boca com a minha, sentindo meu corpo desfalecer. Paul firmou minhas costas na parede e acelerou, seu orgasmo foi tão intenso quanto o meu; meu nome saia de seus lábios em gemidos de prazer. Ele manteve nossas posições, arfando para recuperar o fôlego, a testa encostada na minha, os olhos presos aos meus. Beijou a ponta do meu nariz, depois capturou minha boca num beijo longo e intenso.
Ele me soltou lentamente no chão segurando minha cintura até que eu recuperasse o controle das minhas pernas.
- Agora terei que tomar outro banho - ele disse sorrindo - E como castigo você terá que esfregar minhas costas - ele sentenciou, divertindo-se.
- Eu já lhe disse, seu desejo é uma ordem - repeti para ele o que eu tinha dito momentos antes, sorrindo feliz.
Tomamos banho, ele saiu antes de mim do chuveiro - eu tinha que lavar os cabelos -; quando terminei, sequei meu corpo rapidamente, vesti um short jeans, um top e joguei um casaquinho de moletom por cima; calcei meus tênis e finalizei fazendo duas tranças nos cabelos. Já pronta, fui ao encontro de Paul; ele também já tinha se aprontado, vestia calça de moletom e uma camiseta preta e tênis de corrida.
Ele se aproximou e puxou minhas tranças para frente.
- Ninguém acreditaria que você tem 19 anos vestida assim. Parece mais uma garotinha - ele riu divertido. Olhei para ele maliciosa e aproximei meu corpo do dele de modo insinuante.
- Mas você sabe do que essa garotinha aqui é capaz certo!? - sussurrei provocante, minha boca à milímetros da dele. Ouvi sua respiração mudar no ato, e seus olhos brilharam com o desejo que o assaltava.
- Menina má! - ele disse assustado - Mas que eu adoro! – concluiu, rindo e me beijando em seguida.
Resolvemos ir a pé para o Parque para aproveitar a caminhada. Quando chegamos próximo do local combinado todos já estavam lá; eles acenaram para nós e acenamos de volta.
- Daí galera, recuperados da noite de ontem!? - Paul brincou, abraçando os amigos.
- Nós estamos acostumados à noitadas como a de ontem. Deve ter sido mais difícil pra vocês - disse Jason, se aproximando de nós com um sorriso no rosto.
Na noite anterior eu não tinha percebido que ele era tão alto quanto Paul, e nem que seu corpo era musculoso, como era evidente agora, já que ele vestia uma bermuda e uma regata que deixava seus braços expostos. Desviei meus olhos dele para ver a figura que o seguia de perto; era Jane, e parecia dominada pelo mesmo tédio da noite passada.
- Oi Jane - cumprimentei-a, me esforçando para ser educada. Ela apenas me deu um sorrisinho amarelo antes de voltar sua atenção para Paul.
- E aí bonitão! Preparado para a diversão? - ela ria abertamente para ele. Meu sangue ferveu.
- Claro, claro - ele respondeu sorrindo e passando o braço sobre meu ombro - Leah e eu estamos loucos por alguma diversão! - ele concluiu, alisando meu braço e tentando me acalmar; deu certo.
Dylan e David sorriam para mim; eu sorri de volta para os dois, ainda sem saber distinguir um do outro, e pra complicar ainda mais os dois estavam de camisetas brancas e moletons azuis.
- E aí Leah, você acha que agüenta uma partida de Futebol Americano? - perguntou um deles, sorrindo desafiador.
- Manda ver colega - respondi ousada. Todos riram.
Fomos para um espaço gramado e os times foram divididos. Seriam Jason, Jane e um dos gêmeos contra eu, Paul e o outro gêmeo. Para evitar confusão por conta dos gêmeos ficou resolvido que um time jogaria com camisa e outro sem.
- Eu não vou tirar minha blusa de jeito nenhum! - guinchou Jane, fazendo cara de azeda. - Tudo bem, nosso time joga sem camisa - eu disse, e tirei meu casaco amarrando-o na cintura, ficando só de top. Os rapazes olharam admirados para mim, com exceção de Paul e também Jane. Ele me fitou enciumado e ela me fuzilou invejosa. Não dei atenção a nenhum dos dois.
- Vamos lá gente, quem dará a saí? - perguntei pra quebrar o encanto. Eles se recuperaram e Paul ganhou no par ou impar contra Jason. Nos afastamos um pouco para combinar a jogada, que começaria com um passe de Paul para Dylan - finalmente eu sabia qual dos gêmeos estava conosco - que lançaria a bola para mim mais à frente, e eu tentaria marcar o ponto.
Nos posicionamos e senti a adrenalina correr por minhas veias, antecipando o prazer da corrida. Paul passou a bola para Dylan e eu saí correndo enquanto eles se desviavam dos atacantes do outro time; no instante em que recebi a bola só consegui dar 3 passos antes de ser arremessada no ar e ser esmagada pelo peso do corpo de Jason contra o chão. Fechei os olhos enquanto caía e quando tornei a abri-los vi Jason ser arrancado de cima de mim por um Paul trêmulo e furioso.
- Qual é a sua cara? Quer matá-la? - Paul cuspia as palavras raivoso na cara do amigo. Os outros ficaram assustados com a reação dele.
Levantei rápida, me colocando entre eles e pousei minha mão no peito do Paul para deter seu avanço; ele tremia inteiro. - Deixa pra lá Paul. É só um jogo - fitei seus olhos, ele me olhou de volta - Tenho certeza que ele não fez por mal - falei apaziguadora, olhando para Jason e esperando sua confirmação.
- Foi mau cara! Esqueci que ela era leve - ele disse, passando a mão pelo cabelo, totalmente sem graça - Desculpe por isso Leah - ele disse arrependido.
- Tudo bem - sorri - Vamos lá rapazes, temos um jogo pra ganhar – falei, puxando Paul pela mão e levando-o para o outro lado. Pude ouvir ele resmungar “Essa ele me paga”.
- Não! - eu disse entre dentes - Ele é meu - falei rindo maldosa, ele me olhou de lado rancoroso e depois deu de ombros.
Combinamos a mesma jogada. Dessa vez fiquei atenta aos movimentos de Jason, disparei, recebi a bola e quando ele veio em minha direção desviei-me dele no último minuto e dei-lhe uma rasteira antes de correr para marcar o ponto.
Jason ainda estava deitado de costas no chão sem entender o que tinha acontecido. Paul sorria orgulhoso.
- Melhor sorte da próxima vez – falei, piscando para um Jason aturdido. Paul e Dylan correram pra me abraçar e comemorar o nosso 1º ponto.
A disputa foi acirrada, e nos divertimos muito ganhando do time de Jason por 12 x 7. A única coisa chata no jogo, pelo menos pra mim, foi ver Jane agarrando Paul o tempo todo, até mesmo quando ele não estava com a bola! Definitivamente aquela garota não sabia se por em seu lugar! Pra me vingar, tive o prazer de acertar uma bolada nas costas dela, quando na verdade eu teria que passar a bola pra Dylan, que estava no outro lado.
- Oh! Foi mal Jane, desculpe - eu disse, sorrindo falsamente. Ela bufou me lançando um olhar mortal, massageando as costas doloridas. Só Paul notou minha má intenção, e eu o vi prender o riso.
Depois da partida, fomos comer pizza, paga pelo time perdedor. Rimos muito dos casos de Dylan e David, que se revelaram dois conquistadores baratos, e dos apuros que eles passavam quando suas ficantes os confundiam. Até Jane parecia mais sociável agora.
Já passava das 10 da noite quando nos despedimos deles, com promessas de visitas futuras. Abracei os gêmeos e prometi a eles diversão garantida quando eles fossem a La Push. Acenei para Jane e apertei a mão de Jason, ele passou disfarçadamente um papel dobrado da sua mão para a minha; olhei-o surpresa, e sem fazer alarde soltei a mão dele e guardei discretamente o papel no bolso do short, para jogar fora quando Paul não estivesse por perto.
Quando saímos da Pizzaria Paul segurou minha mão.
- O que foi que Jason entregou à você? - sua voz fria me pegou desprevenida.
- Er... Eu não sei o que é. Só guardei pra jogar fora depois - peguei o papel no bolso - Acho que é o numero de um telefone - constatei sem jeito.
- Vamos voltar lá - ele disse, me puxando de volta a pizzaria - Vou fazê-lo engolir isso aí - eu tinha certeza absoluta que ele faria isso mesmo se tivesse à chance. Finquei meus pés no chão, fazendo-o parar também.
- Deixe disso Paul. Eles já foram embora - eu disse persuasiva - Você sabe que ele não tem a menor chance comigo, certo? – concluí, sorrindo e rasgando o papel em pedacinhos. Ele me olhou desconfiado, depois pareceu considerar o que eu tinha dito.
- Mas você tem que admitir que o cara é persistente - eu disse zombando.
- Não tanto quanto a Jane! - ele rebateu, rindo divertido quando fechei a cara.
- Achei que teria que usar um solvente para desgrudar ela de você! Pelo Amor de Deus! Ela não se toca nunca!? - perguntei rancorosa.
- Tadinha, ela é carente Leah - ele disse com a cara mais lavada do mundo.
- CARENTE! - minha voz mais alta que o normal - Ela só falta pendurar uma placa no pescoço com os dizeres “USE E ABUSE”! Faça-me o favor Paul - falei zangada.
- Que maldade Leah. Isso é muito feio sabia? - Ele me repreendeu, rindo alto em seguida.
- Feio é ver uma garota “Descarada” e “Oferecida” se esfregando o tempo todo num cara que ela sabe que está acompanhado – bufei, cruzando os braços.
- Tudo bem. Não vamos mais falar nisso O.K? - ele enlaçou minha cintura, me puxando pra ele e beijando o topo da minha cabeça; eu ainda podia sentir o riso dele em meus cabelos.
- O.K . Eu não falo mais nisso se você também prometer que não arranjará confusão com Jason por conta daquele bilhete estúpido - eu propus, olhando para ele na expectativa.
- Tá certo. Vamos esquecer esses dois - ele disse, concordando.
Subi minhas mãos até sua nuca e o puxei para colar meus lábios ao dele; ele me apertou mais junto si e lembrei por um instante, em meio ao beijo que se seguiu, que estávamos parados no meio da calçada, com pessoas circulando ao nosso redor. Separei meus lábios do dele, que gemeu em protesto.
- Controle-se Lobo, estamos em público - eu brinquei.
- Isso é pra você ver o que faz comigo - ele suspirou alto - Índia feiticeira. Rimos do apelido e saímos caminhando rumo ao nosso hotel.

Capítulo 22. - Surpreendidos

Resolvemos voltar a pé para o hotel, e para isso cortamos caminho pelo Parque.Paul segurava minha mão displicentemente; quem nos visse acharia que éramos um casal de namorados. Essa idéia me perturbou um pouco, mas decidi deixar pra lá, afinal não estávamos em nossa cidade, onde os olhares reprovadores poderiam nos alcançar.
Íamos alegres e descontraídos, relembrando as últimas horas vividas ali no parque, falando dos lances engraçados da partida de futebol. Os amigos dele eram muito divertidos, com exceção de Jane, que além da antipatia gratuita agora nutria uma raiva mortal por eu ter ganhado o jogo. Dei de ombros, ela não era importante para mim; e em contra partida havia Paul... Ele estava feliz como uma criança; ria solto, divertindo-se a valer. Permiti-me ser feliz também, com e por ele.
Chegamos ao meio do Parque quando ele resolveu lançar um desafio.
- E aí, garota lobo, topa uma corrida pra ver quem chega primeiro ao fim do Parque? - disse brincalhão.
- Só se você prometer que não vai ficar chateado quando eu ganhar! - disse-lhe séria, mas rindo em seguida.
- Rá. Essa eu quero ver! Nada de trapaças mocinha, é jogo limpo, Homem - Homem – disse num tom superior - Ou melhor dizendo, Homem x Garota! - corrigiu-se, instigando-me.
- Quando eu vencer você terá que me carregar nas costas até o hotel, como recompensa - eu disse zombando. - Quando eu vencer, bem... Pensarei numa forma de você me recompensar regiamente - ele disse, me olhando malicioso.
- Você está pronto!? - olhei-o desafiadora.
- No três - ficamos em posição de largada – Um...Dois...Três! - ele gritou, disparando em seguida.
Alcancei-o rapidamente e mal tínhamos corrido poucos metros quando paramos, os dois ao mesmo tempo. Nós o sentimos mesmo antes de vê-lo. Nossas narinas queimavam com o cheiro que ardia no ar, nossos corpos tremeram e o fogo abrasador correu por nossas costas. Havia um sanguessuga por perto.
Paul olhou para mim, todos os seus sentidos de Lobo despertos.
- O maldito está pronto para atacar, posso sentir! Você consegue perceber? - ele perguntou.
- Sim. O que você sugere? - perguntei concentrada.
- Vamos cercá-lo! - ele disse, já me puxando para as árvores próximas; despiu-se rápido e esperou que eu fizesse o mesmo. Escondemos nossas roupas numa moita e em questão de segundos éramos Lobisomens e passamos a planejar o ataque em nossas mentes.
“Você vai pela direita, e cobre a saída do túnel” disse Paul rápido; eu apenas assenti, e ele continuou “Não deixe que ele perceba sua presença, deixe-o pensar que estou sozinho, eu o forçarei a ir em sua direção, quando ele estiver dentro do túnel nós o pegaremos”. Começamos a correr seguindo o cheiro insuportável do Sugador. Nós o localizamos pouco à frente por trás de uma arvore; ele esperava pacientemente por alguma vítima desavisada. Fui sorrateiramente posicionar-me no lugar que Paul havia indicado, e de onde eu estava podia vê-lo bem: ele era jovem, não deveria ter mais de 17 anos quando foi transformado, seus olhos carmim estavam agitados, era a sede que o consumia e graças a ela, ele ainda não tinha percebido nossa aproximação.
Vi quando Paul tomou posição de ataque e saltou alguns metros à frente da criatura que, surpresa, se pôs a fugir vindo exatamente para o túnel, como Paul previra. Eu antecipava o prazer que seria destruí-lo, o ódio dominando meus sentidos. Quando ele chegou à metade do túnel Paul lhe deu uma pata nas costas que o fez cambalear, mas o monstro recuperou-se em seguida, girando o corpo rápido e acertando um chute no peito de Paul; vi o enorme Lobo cinzento ser arremessado por alguns metros e chocar-se contra a parede de pedra e em seguida cair de lado no chão. O maldito era forte. Vi quando ele arreganhou os dentes nojentos, se posicionando para dar o bote final, mas antes que ele se quer pensasse em dar o primeiro passo eu saltei sobre as costas dele e abocanhei seu braço direito logo abaixo do ombro, arrancando o membro com um puxão, ele soltou um grito aterrador e cambaleou para trás, os olhos esbugalhados, tentando me atingir com o braço que lhe sobrara; pulei pra trás tomando distância, cuspi fora o braço que pendia de minha boca, e me preparei para investir contra ele novamente.
No momento em que íamos nos chocar Paul pulou sobre a criatura, cravando as garras em suas costas e os dentes em seu pescoço, decepando-lhe a cabeça. O corpo do infeliz ficou estrebuchando no chão e nós avançamos sobre ele, esquartejando-o. Quando terminamos essa parte Paul olhou para mim, dizendo em seguida “Corra até nossas roupas, transforme-se em humana e faça uma fogueira. Tem um isqueiro no bolso da minha calça, temos que limpar essa sujeira” , sua voz era fria, seus instintos ainda estavam no comando. Saí correndo e fiz exatamente como ele ordenou; minutos depois ele surgiu sorrateiro entre as árvores, com o tronco do vampiro preso entre os dentes, jogou-o no meio do fogo, que eu tive o cuidado de fazer bem longe da trilha, onde algum curioso poderia parar para verificar o que estava acontecendo. Paul correu de volta ao túnel para buscar as outras partes que haviam ficado por lá.
Terminada a tarefa, ele transformou-se em humano, vestiu-se e ficou ao meu lado com um braço sobre meus ombros. Ficamos quietos e tensos, vendo o desgraçado queimar; seu cheiro nojento infestando o ar. Quando só restam cinzas e o fedor, fomos embora em silêncio.
Chegando ao hotel, pegamos a chave na recepção e seguimos para o elevador; só voltamos a falar quando estávamos protegidos pelas paredes do quarto, longe de ouvidos curiosos. Paul foi o primeiro a quebrar o silêncio.
- Eu pensei que tinha lhe dito para ficar guardando a saída do túnel! - esbravejou zangado.
- Aham! E você jurou que eu ia ficar lá de patas cruzadas vendo aquele monstro atacar você? - a raiva borbulhando dentro de mim.
Ele deu dois passos em minha direção, segurou meus braços e encarou meus olhos.
- Você faz idéia do meu desespero quando vi aquela coisa pronta para atacar você? - sua voz ainda estava zangada, mas agora também haviam angústia e temor impregnados nela. Meus olhos suavizaram antes de lhe dar minha resposta.
- Sim eu faço uma idéia. Deve ter sido o mesmo que eu senti quando o vi acertar você - disse-lhe enlaçando sua cintura e recostando meu rosto em seu peito. Ele respirou fundo, me abraçando com força, e ficamos assim por algum tempo.
- Venha, vamos nos livrar do cheiro daquele maldito antes que eu comece a vomitar - ele disse, visivelmente enojado.
Ele me guiou até o banheiro, ligando a ducha enquanto eu me despia; entrei direto debaixo do jato de água quente e ele me passou o shampoo enquanto enxaguava o próprio corpo; terminamos de nos lavar e saímos do Box. Enrolei uma toalha em meus cabelos e vesti o roupão; Paul fez o mesmo e escovamos os dentes por longos minutos e depois seguimos para a cama. No caminho peguei minha escova de cabelos, senti na beira da cama, livrei meus cabelos da toalha e ia começar a penteá-los quando senti a escova sendo tirada dos meus dedos. Paul sentou recostando as costas na cabeceira da cama e me puxou para que eu sentasse entre suas pernas, de costas para ele.
- Deixe que eu faça isso - ele pediu, pondo-se a desembaraçar meus cabelos com toda a calma do mundo.
Aquilo era de uma sensualidade que nunca vi igual, sentir seus dedos deslizarem por meus cabelos juntamente com a escova; sua respiração batendo contra minha nuca, era alucinante.
- Você se saiu muito bem hoje. Parabéns! - ele disse orgulhoso.
- Obrigada, tive um bom professor - eu disse rouca.
- Gosto do seu cabelo - ele murmurou, mudando completamente de assunto - Ele é lindo. Combina com você - seu elogiou, me pegando de surpresa.
Suas mãos deslizaram entre os fios soltos, depois ele afastou-os delicadamente do meu pescoço, deixando minha nuca exposta, depositando ali um beijo quente e suave, fazendo meus pêlos se eriçarem e meu corpo estremeceu de encontro ao dele. Girei meu rosto em sua direção na intenção clara de beijá-lo, mas quando vi seus olhos me fitando parei indecisa. Não havia só paixão ali, como das outras vezes em que estivemos juntos daquele jeito.
Um outro sentimento que eu não queria nomear estava tomando forma, conferindo um novo brilho ao seu olhar. Abracei-o ao invés de beijá-lo, enterrando meu rosto no vão do seu pescoço para que ele não percebesse o quanto aquilo me incomodava, mas ele logo sentiu a mudança em mim.
- O que foi? - perguntou-me calmo, abraçando meu corpo.
- Nada. Acho que é só efeito retardo do terror por que passamos essa noite - eu menti.
- Ajudaria se eu lhe fizesse uma massagem? - ofereceu insinuante.
- Desde quando lobisomens sabem fazer massagens? – perguntei, fingindo assombro.
- Você não faz idéia do que essas mãos são capazes de fazer! - disse misterioso.
- Tudo bem, desde que eu possa retribuir o favor - eu disse sorrindo.
- Mal posso esperar por isso - murmurou rouco, já tirando meu roupão.
Ele deitou-me de bruços na cama, pegou um óleo de banho na minha necessaire, espalhou um pouco nas mãos e pôs-se a massagear meus ombros.
Suas mãos desciam por minhas costas, suavemente espalhando o óleo e friccionando os músculos nos pontos certos. Meu corpo ficou completamente relaxado, entregue á suas mãos habilidosas. Eu não conseguia pensar em mais nada, só em Paul e em suas mãos quentes no meu corpo. Depois de alguns minutos ele parou apoiando as mãos no colchão, uma de cada lado do meu corpo, eu já estava pronta para protestar quando senti sua respiração tocar minha nuca e em seguida seus lábios deslizarem por ela, ele a beijou repetidas vezes, depois, sem desgrudar a boca da minha pele, ele seguiu, deixando uma trilha de beijos até meu ombro direito, depois refez o caminho até o ombro esquerdo, e prosseguiu com seus beijos quentes até o meio das minhas costas; minha respiração ficou tão irregular que ele não conte o riso, perguntando em seguida:
- Você prefere que eu pare? - a voz grave e sarcástica.
- Só pare se você não tiver nenhum amor à vida! - ralhei frustrada.
Ele riu alto, inclinando-se novamente sobre minhas costas, pondo-se a beijá-la novamente e quando chegou exatamente ao meio das costas, ele deslizou sua língua até a base dela, virou seu rosto para o lado e começou a mordiscar meu quadril; sua mão acariciava minhas coxas e pernas, eu sabia que não agüentaria muito mais daquilo, era uma questão de tempo até que meu corpo fosse dominado pelo clímax. Pressentindo isso, Paul passou a beijar e mordiscar minhas nádegas; sua mão subiu pela parte interna das minhas coxas, eu as separei instintivamente, arfando. Seus dedos me tocaram intimamente, e eu estremeci; apertei minhas coxas, prendendo sua mão ali para que ele não a removesse. Ele voltou a beijar e mordiscar minhas costas e a lateral do meu corpo enquanto seus dedos me penetravam afoitos, eu não consegui controlar meus gemidos. Segundos depois, senti meus músculos prendendo seus dedos com força dentro de mim, meu corpo todo sacudido por espasmos, minha respiração acelerou e finalmente um orgasmo maravilhoso me atingiu, levando-me ao céu.
Ele continuou a me beijar enquanto eu tentava controlar minha respiração e descia das nuvens. Relaxei minhas coxas, libertando em fim sua mão e ele inclinou-se sobre mim, sussurrando em meu ouvido: - E aí, foi bom pra você? - a voz rouca e divertida.
Virei meu corpo de lado na cama, prendi seu rosto entre as mãos e beijei-o como se fosse devorá-lo. Soltei-o para podermos respirar. Ele riu.
- Vou aceitar isso como um sim! - disse vitorioso. Rimos juntos.
Corri meus dedos por seu peito até os músculos de sua barriga lisa; mordi meu lábio, já antecipando o prazer que sentiria ao vê-lo torturado pelo desejo e murmurei insinuante em seu ouvido:
- Agora é minha vez!
Vi seus olhos escurecerem de desejo, e ele deitou-se, anunciando feliz:
- Sou todo seu!
- Então, vire-se por favor - pedi, ajoelhando-me na cama. Derramei óleo em suas costas, aproveitando para devorar com os olhos seu corpo perfeito; a pele morena e sedosa cobria cada músculo definido das suas costas e ombros. Fechei meus olhos e toquei-o delicadamente, deixando que meus dedos percorrem-se cada centímetro dele num reconhecimento cego. Abri-os novamente e me pus a massagear cada músculo, fazendo pressão para deixá-los soltos e relaxados. Ele suspirava.
Quando o senti completamente relaxado e sobre meu inteiro domínio, sentei-me sobre suas coxas, passando uma perna de cada lado e inclinei-me sobre ele, massageando-o com meus seios aos invés das mãos. Um gemido torturado escapou por seus lábios e vi seu corpo inteiro se arrepiar. Sorri satisfeita. Ergui-me um pouco mais e mordisquei o lóbulo da sua orelha, descendo em seguida para o pescoço, beijei-lhe a nuca enquanto meu corpo serpenteava por suas costas; meus seios roçando sua pela excitada. Deslizei meu corpo pelo dele, e à medida que eu descia, traçava com a língua e as unhas desenhos imaginários em sua pele; meus dentes alcançaram suas nádegas perfeitas e eu as mordi levemente, uma de cada vez, bem como suas coxas também.
Saí de cima dele e toquei para que ele virasse de frente para mim. Ele tentava desesperadamente controlar a respiração e sua excitação era visível. Paul me fitava através dos olhos semicerrados, seu lábio inferior preso entre seus dentes, provavelmente para evitar que algum gemido mais alto escapasse; ele ergueu suas mãos para me tocar, mas eu as capturei no ar, afastei-as de mim e sentei sobre sua barriga, seu membro ereto cutucando minhas nádegas; ignorei-o. Inclinei-me sobre seu peito, prendendo suas mãos pelos pulsos nas laterais de sua cabeça; meus seios ficaram a centímetros da sua boca mas me desviei antes que ele os pudesse tocar; esfreguei meus seios em seu peito, e aquele gemido que ele havia reprimido antes escapou, ecoando alto pelo quarto. Aproveitei para lamber seus lábios e escorreguei minhas mãos por seus braços até alcançar o seu peito; apoiei-me nele e desloquei meu corpo mais para baixo, sentando-me sobre suas coxas. Meus seios e lábios tocavam agora sua barriga, sua virilha e seu membro latejando era um sinal claro de que ele estava no limite. Quando o toquei com os lábios, todo o autocontrole que ele tinha mantido até aquele momento evaporou-se e suas mãos agarraram meus braços, me erguendo. Ele jogou-me de costas na cama, me penetrando em seguida com certa violência; seu quadril arremetia contra o meu com força e rapidez, sua boca se apossou da minha com fúria, e de repente estávamos os dois arfando e gemendo palavras desconexas até sermos arrebatados pelo êxtase violento de um só golpe.
Meu corpo esmagado sob o peso do dele, ainda estremecia satisfeito.
- Ah Leah, Leah - ele murmurou com ternura, as mãos desprendendo suavemente alguns fios do meu cabelos que tinham ficados grudados ali no calor do momento.
Abri meus olhos devagar, sorrindo, e ele me beijou delicadamente.
- Paul? Não. Consigo. Respirar - gemi dolorosamente.
- Oh! Perdão Amor - desculpou-se olhando para mim e sorrindo, enquanto afastava seu corpo do meu.
Estremeci. Não pelo frio ou pelo fato de ele ter se afastado, e sim pela surpresa e pelo choque por ouvir a palavra carinhosa que ele usou para se referir a mim. Ele percebeu a súbita mudança em meu comportamento e ficou quieto, esperando que eu me manifestasse. Ao invés disso, me sentei na cama de costas pra ele, pronta para fugir dali, e ele segurou meu pulso antes que eu pudesse me pôr de pé. Olhei para baixo, observando a mão que me detinha; não ousei encará-lo.
- Não vá. Fique comigo! - ele suplicou. Meu coração apertou-se de tal maneira que as lágrimas inundaram meus olhos. Eu lutei bravamente para detê-las e conseguir falar.
- Eu já volto - minha voz falhou. Soltei meu pulso e saí rápida, sem olhar para ele, indo em direção ao banheiro; tomei o cuidado de fechar a porta.

Capítulo 23. - Discutindo a Relação

Não sei por quanto tempo fiquei ali senta no chão do banheiro, as costas apoiadas na porta, o rosto enterrado entre as mãos, com um único pensamento gritando em minha cabeça “Você deixou ir longe demais!”.
Isso ficou se repetindo e repetindo e repetindo... Minhas pernas já estavam dormentes por estarem na mesma posição por tanto tempo.
Estiquei as pernas doloridas, esperei passar o formigamento e depois levantei lentamente; fui até a pia, joguei um pouco de água fria no rosto e na nuca, numa tentativa inútil de clarear as idéias. Fitei os olhos que me encaravam de volta no espelho, eles estavam atormentados, febris. Eu estava dividida, uma parte de mim dizia-me que eu deveria voltar para aquele quarto e aceitar TUDO o que ele estava me oferecendo; já a outra me dizia para por um ponto final nessa história antes que o pior viesse a acontecer. Mas o que poderia ser pior do que aquilo? “O que você acha que está fazendo Leah!?”, me repreendi. Eu não sabia a quem dar ouvidos.
Eu só queria que ele não me amasse, pelo menos não daquele jeito; tudo seria mais simples se mantivéssemos nosso relacionamento apenas na parte física, com isso eu poderia lidar, já com a questão emocional... Eu não podia ter certeza se conseguiria sobreviver à outra decepção amorosa.
Um coração partido fora o bastante para mim! Seria exigir demais querer que eu passasse por todo aquele tormento uma segunda vez, como havia sido o término do meu namoro com Sam.
“Por que meu Deus!? O que há de errado comigo?” pensei desesperada. “O quê? Eu tenho o dedo podre para homens, é isso?”, minhas duvidas se multiplicavam.
Com tantos caras por aí, eu tinha que me envolver, novamente, justo com um Lobisomem sujeito a sofrer o maldito IMPRINTING a qualquer momento!? Sim, porque nenhum Lobisomem estava livre dessa sina maldita, aliás, nenhum não né? Havia um que jamais passaria por isso. O “Lobisomem Mulherzinha”; ou seja, eu!
Ri descontrolada para minha imagem no espelho, eu bati todos os recordes das bizarrices; eu era uma aberração até mesmo dentro da minha própria espécie!
Um dos principais motivos pelo qual o Lobisomem sofria o Imprinting era o da “preservação da espécie”, ou seja, eles se sentiam impulsionados a se fixarem em uma mulher que pudesse gerar filhos fortes e sadios para manter a matilha sempre ativa.
Eu não podia oferecer isso a eles, por que a partir do momento em que me transformei, meu corpo mudou. Eu não menstruava mais, não ovulava, ou seja, não podia ter filhos, pelo menos não enquanto vivesse essa vida de mão dupla que era ser meio humana e meio Loba; e ao que me consta isso seguiria por um tempo indeterminado. Eu não fazia a mínima idéia de quando ou como iria parar, então eu me perguntava, que homem, fosse ele lobo ou não, em sã consciência iria querer ficar com uma criatura monstruosa feito eu!?
Não consegui chegar a nenhuma conclusão a respeito do meu caso, apenas decidir que eu tinha que sair daquele banheiro e encarar o “problema” de frente.
Lavei o rosto mais uma vez, ajeitei meu cabelo, respirei fundo e saí.
Não havia sinal dele no quarto. Ouvi sua voz, vinda da sala, me chamando.
- Leah? Você pode vir até aqui um minuto? - a voz neutra. Respirei fundo mais uma vez.
Vesti o roupão que estava largado aos pés da cama e me encaminhei até onde ele estava. Parei indecisa. Não sabia se deveria me sentar ao seu lado no sofá ou na poltrona que ficava em frente. Escolhi a última opção, sentei e fiquei olhando-o, esperando que ele falasse.
- Você poderia, por favor, me explicar o que foi aquilo!? - a voz dele era calma, o olhar era inquisitivo.
Agora, olhando para ele, eu não conseguia pensar em nada coerente para dizer. Toda aquela calma dele me incomodava, eu saberia lidar com o “velho” Paul, aquele que gritava e explodia por pouca coisa; já esse “novo” Paul, doce, calmo e compreensivo era desconcertante. Eu simplesmente não sabia o que dizer! Absurdo!
- Eu precisava ir ao banheiro - disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
- Por 1 hora!? - perguntou cético, cruzando as mãos no colo e se recostando do sofá.
Limitei-me a erguer uma sobrancelha.
- Você sabe que teremos que falar sobre isso em algum momento não sabe? - ele disse, como se estivesse falando com uma criança birrenta.
Levantei-me decidida a ir para o quarto sem responder.
Quando passei pelo sofá ele segurou meu braço com firmeza, puxou-me para ficar diante dele, e ergueu seus lindos olhos para mim.
- Você sabe que eu Te... - ele começou a dizer, mas eu rapidamente coloquei minha mão livre cobrindo seus lábios, numa tentativa desesperada de conter aquelas palavras.
- Por favor, não diga isso! - implorei.
Ele retirou minha mão delicadamente, mantendo-a presa entre seus dedos, seus olhos se apagaram um pouco; ele apenas assentiu com a cabeça, e beijou meus dedos antes de dizer:
- Não me deixar falar não me impedirá de sentir! - sentenciou firme.
Uma raiva súbita brotou em mim. Raiva por ele insistir naquele sentimento absurdo. Raiva por ele expô-lo assim, sem mais nem menos. Raiva por permitir que meu coração se agitasse diante da possibilidade ínfima de se recompor e, principalmente, raiva por não conseguir afastá-lo naquele momento, porque, por enquanto, ele era tudo o que eu tinha e tudo o que eu precisava para manter minha sanidade diante da reviravolta que tinha acontecido em minha vida, com toda aquela loucura de ser uma Lobisomem.
- Faça como achar melhor! - Falei ríspida, puxando minhas mãos das suas, pronta pra sair dali.
- É assim que você resolve seus problemas? - ele disse irritado - Simplesmente dando as costas á eles? - inquiriu incrédulo.
- Eu vou dormir, conversaremos sobre isso outra hora - eu disse, erguendo o queixo orgulhosa e indo pro quarto.
Antes de cruzar a porta ouvi-o me chamar novamente, olhei-o sobre os ombros.
- Com certeza falaremos sobre isso Leah - sua voz ameaçadora - Não pense que não cobrarei uma resposta sua sobre o assunto. Ao contrário de você eu não costumo fugir. - finalizou raivoso.
Virei a cara e entrei no quarto, batendo a porta. Joguei-me na cama e me enrolei nas cobertas, fechando os olhos firmemente, como se pudesse assim evitar que suas ultimas palavras me alçassem ali.

Mad - Ne Yo | Letra & Tradução (Leiam)

Ele ficou na sala e eu fiquei fritando na cama, de um lado pro outro sem conseguir pegar no sono.
“O que eu podia fazer meu Deus!?”, quetionei-me. Eu não podia simplesmente dizer a ele ‘tudo bem Paul, vamos viver esse amor então!’ As coisas não eram simples assim. Existia o fantasma de Sam, e suas antigas promessas quebradas, eu não queria passar por aquilo tudo de novo. Será que ele não podia entender que eu não sou assim, do tipo que se joga em paixões inconseqüentes? Sim, por que era exatamente isso que ele estava me pedindo, que eu aceitasse o fato de que ele me amava e que eu também poderia vir a amá-lo e que tudo bem, assim que ele sofresse o maldito Imprinting ele daria palmadinhas nas minhas costas e diria “Ai foi mal Leah, mas eu agora amo outra pessoa!”. Desculpe, mas eu realmente não estava a fim de nada disso. Uma vez fora o bastante pra mim.
“O que será que ele está fazendo? Será que saiu? E se eu fosse falar com ele?”, aquela história estava acabando comigo. “O que eu deveria fazer?”
Eu odiava ter criado aquela situação, odiava tê-lo magoado e ofendido, odiava realmente ter imposto aquela distância entre nós.
Sabê-lo ali, tão perto e, não poder tocá-lo, não poder ver seus olhos ou ouvir seu riso, dormir sem ter seus braços a minha volta e sem sentir sua respiração regular soprando em meu rosto...
Depois de 2 horas, longas e torturantes por esses pensamentos, chutei as cobertas irritada e fui atrás dele.
Abri a porta do quarto silenciosamente e encontrei-o deitado com as pernas jogadas sobre o braço do sofá. Uma de seus braços estava sobre os olhos, ele respirava calmamente, talvez estivesse dormindo. Aproximei-me lentamente, ajoelhei ao lado do sofá e toquei a parte exposta do seu rosto com as pontas dos meus dedos.
Ele moveu o braço um pouco mais para cima, fitando-me surpreso e desconfiado.
- Venha para cama Paul. Esse sofá é pequeno demais pra você - dei a primeira desculpa que me veio a cabeça.
- Estou bem aqui, obrigado - falou ríspido, cobrindo os olhos de novo.
Eu vacilei nessa hora, mas estava determinada a concertar a merda que eu tinha feito.
- Mas eu não estou. Não consigo dormir se você não estiver comigo - larguei essa, rezando pra que surtisse algum efeito.
Ele suspirou exasperado, jogou as pernas pra fora do sofá e se colocou de pé.
- Certo Leah, vamos dormir - e rumou para o quarto, sem esperar por mim. Sorri interiormente vitoriosa.
Quando entrei no quarto ele estava deitado na mesma posição em que eu o havia encontrado momentos antes no sofá. Deslizei meu corpo sob as cobertas e fiquei ali quietinha, mantendo distância, com medo que, se eu o tocasse, ele levantasse e voltasse para a sala.
Depois de alguns minutos arrisquei falar.
- Paul... Você já está dormindo? - sussurrei.
- O que foi agora Leah? - ele respondeu depois de um tempo, remexendo-se inquieto ao meu lado.
Demorei a falar com medo da resposta que ele daria à minha próxima pergunta.
- Você acha que seria muito abuso meu pedir que você me abrace? - perguntei num fio de voz.
Ele respirou profundamente antes de virar-se para mim, os braços abertos para me receber.
- Vem cá! - ele convidou, sua voz era um misto de resignação e conformidade.
Aninhei-me no círculo dos seus braços, suspirando contente.
- Obrigada! – falei, verdadeiramente agradecida.
- De nada. Agora trate de dormir.
E foi exatamente o que eu fiz , depois de me aconchegar mais a ele.

Capítulo 24. - Revendo Conceitos e Amigos

Eu já estava acorda, e a julgar pela respiração dele que batia no meu rosto, ele também estava. Imediatamente recordei a noite passada, meu coração havia se aberto em meu peito, eu tinha que admitir, pra mim mesma, o quanto gostava de estar com ele. Mas será que isso bastava para uma relação? Eu não tinha certeza se estava pronta pra muito mais que aquilo que tínhamos!
Resolvi encarar os fatos e ver no que ia dar. Se ele insistisse na conversa, eu iria fugir novamente.
Abri meus olhos devagar. Ele encarava algum ponto acima da minha cabeça, perdido em seus próprios pensamentos. Uma de suas mãos brincava com uma mecha do meu cabelo, a outra estava pousada sobre minha cintura.
- Bom dia! – cumprimentei-o, sorrindo levemente.
- O que vou fazer com você!? – ele disse, dirigindo a pergunta mais para si do que para mim, pousando seus olhos nos meus sem responder ao meu cumprimento.
Deixei minha mão escorregar dos músculos do seu peito até os da barriga lisa e tentadora, fitei-o determinada.
- Ora Paul, você sempre soube exatamente o que fazer – E para que não houvesse dúvidas sobre do que eu estava falando, passei minha perna em torno da cintura dele, encaixando nossos quadris.
Seu corpo reagiu rápido a minha aproximação, ele tomou minha boca com desespero, sua mão apertou mais minha cintura, me trazendo para mais junto dele, e gemidos roucos fugiam entre nossos lábios. Não saberia dizer quais eram dele e quais eram meus; tudo o que queríamos era saciar nossos desejos. Quando Paul extravasou seu gozo dentro de mim, eu ainda não estava pronta, e ele sabia, por isso continuou a mover-se dentro de mim, esperando, até que finalmente eu também alcançasse minha cota de prazer.
Ele me manteve ali, pressa entre seus braços, seus lábios quentes acariciando meu ombro e a curva do meu pescoço. Meus dedos brincavam em seus cabelos.
- Não pense que você vai se livrar fácil assim não mocinha! – ele disse assim que conseguiu controlar a respiração – Pensa que é só vir rebolando com esse seu corpinho bonito que o trouxa aqui vai cair é? – repreendeu-me.
- E não vai!? – perguntei me fazendo de desentendida.
- Vou! Mas você poderia ao menos fingir que não sabe disso! – falou, fingindo-se de ofendido.
Eu ri, abraçando-o mais forte junto a mim.
- Tudo bem, temos um acordo sobre isso – falei séria – Eu vou me esforçar pra esquecer o quanto você é facinho e você vai fingir ser mais resistente aos meus encantos!
Ele me beijou forte, como se para me punir pelo que eu tinha dito, mas depois o beijo foi suavizando até tornar-se um leve roçar de lábios.
- Só preciso saber de mais uma coisa... – disse-lhe reticente.
- O quê? – perguntou curioso.
- O que teremos para o café da manhã? – perguntei docemente.
Ele me empurrou pra fora da cama, fingindo indignação.
- Isso é demais. Primeiro ela abusa do meu corpo, agora explora minha boa vontade. Me sinto usado! – ele disse isso puxando as cobertas até a altura do queixo para cobrir sua nudez, como se estivesse se sentindo ultrajado.
Eu ri até as lágrimas dessa brincadeira. Fui rindo ainda para o banheiro e gritei para ele do chuveiro:
- Não esqueça de pedir minhas torradas! – alertei-o, rindo ainda.
Terminei meu banho quando ele se preparava para entrar e beijei-o de passagem para o quarto; me vesti e esperei que trouxessem nosso café.
Eu estava de pé na sacada admirando o céu, quando senti-o aproximar-se; ele me abraçou pelas costas, posando as mãos em minha barriga, beijando o alto da minha cabeça.
- É nosso último dia aqui – senti a tristeza impregnar sua voz linda – Amanhã estaremos em casa, de volta a nossa realidade.
- Eu sei – disse suspirando, escorando meu corpo no dele e acariciando suas mãos – Sentirei falta disso – confessei.
Ele me virou de frente pra ele, encarando meus olhos.
- Nós realmente precisamos ter aquela conversa antes de irmos – ele sentenciou – Eu preciso muito saber como será daqui pra frente – seus olhos cintilavam inquisitivos.
- Tem que ser agora? – perguntei nervosa.
- Não tem por que adiarmos isso Leah – ele me abraçou forte, me soltou em seguida e me puxou para sentarmos no sofá, mantendo minha mão entre as suas.
- Uma vez você disse que tinha medo de me magoar. Lembra disso? – inquiriu calmamente.
Eu apenas assenti com a cabeça. Em minha mente eu revi o dia do nosso primeiro encontro na gruta, quando eu me abri para ele. Era tão mais simples naquele época! Parecia que fazia tanto tempo já, e no entanto se passaram apenas algumas semanas desde então.
- É esse medo que te impede de assumir nosso relacionamento? – perguntou cauteloso.
- É – admiti – E também o fato de não saber exatamente o que sinto por você – confessei.
Ele respirou fundo e balançou a cabeça em concordância.
- Você não gosta de mim o bastante para assumir um namoro, é isso? – questionou.
Eu olhei diretamente em seus olhos antes de lhe dar uma resposta.
- Não Paul. Eu gosto demais de você e é isso que me assusta – falei sincera – Você mexe comigo de tantas maneiras diferentes que eu nem sei como expressar! Quando estou com você eu nem penso, eu só... Deixo acontecer entende? – tentei explicar.
- E que problema há nisso? – perguntou confuso – Eu achei que você só não gostasse de mim, pelo menos não o suficiente para assumir um compromisso, mas então você me diz que gosta e que é por isso mesmo que não quer nada comigo? Por favor, explique-se melhor – pediu agoniado.
- Eu gosto muito de você Paul! Muito mesmo, acredite – afirmei – Mas não quero sofrer de novo, não quero assumir isso agora e amanhã você vir a me deixar.
Ele virou-se pra mim, segurou meus ombros e cravou seus olhos nos meus.
- Eu estou completa e irremediavelmente apaixonado por você – ele pronunciou cada palavra com convicção – E não vou abandoná-la. Eu não sou ele Leah.
- Você não tem como ter certeza disso – falei mortificada – Você ainda pode sofrer o Imprinting, Paul – as lágrimas lutavam para cair dos meus olhos, e eu lutava para mantê-las presas.
Ele me soltou como se tivesse tomado um choque elétrico, como se só agora tivesse se dado conta do que éramos. Lobisomem é o que éramos, e como tal não tínhamos direito à escolhas. Ele levantou e começou a andar em círculos pela sala, as mãos fechadas em punhos rentes as laterais do seu corpo.
- Isso pode não acontecer nunca – ele grunhiu – É um fenômeno raro, você sabe disso – disse.
- Eu não sei – falei aparentando uma calma que eu estava longe de sentir – Só sei que meu último relacionamento terminou por conta disso. E também sei que não estou disposta a passar por tudo isso novamente. Não quero ver as pessoas me olhando com pena, não quero sentir aquela dor imensa da perda. Eu prefiro morrer a ter que passar por tudo aquilo outra vez – disse resoluta.
Ele parou diante de mim e me olhou como se estivesse me vendo pela primeira vez.
- Você acredita que eu permitiria que isso acontecesse? – perguntou raivoso – Você realmente acha que eu estaria aqui agora com você se eu acreditasse que lá fora existe outra pessoa a quem eu pudesse vir a amar como amo você? – seus olhos ardiam nos meus – Você não me conhece Leah. Você não sabe, nem faz a menor idéia do que eu enfrentaria para ter você pra mim.
“Ele me ama! Ele me ama!”, isso era tudo no que eu conseguia pensar, perdida nos devaneios que aquelas simples palavras criavam em minha mente. Meu coração estava aos saltos, como se estivesse prestes a saltar do meu peito. Balancei a cabeça levemente para encontrar o foco da conversa novamente.
- Você não sabe do que está falando Paul – eu lhe disse tristonha – Sam também disse que me amava, nós fazíamos planos sabe? E num dia como outro qualquer BUM! Aconteceu Emily! E eu fui reduzida a uma lembrança amarga. E sabe todo aquele amor que ele dizia sentir? Era como se nunca tivesse existido – a mágoa embargava a minha voz. Ele ajoelhou-se diante de mim, segurou meu rosto entre as mãos e fitou meus olhos.
- Até quando você irá se punir por isso? - perguntou – Você fala como se não fosse digna de ser amada! E eu lhe garanto que você é sim. E tudo que lhe peço é uma chance de poder te provar isso – ele implorou.
Eu fechei meus olhos com força, para poder pensar, por que quando eu deixava meus olhos ficarem presos aos dele eu me perdia. Abri-os lentamente e o encarei.
- Você tem noção do que está me pedindo Paul? – questionei-o – Você está me pedindo para assumir um namoro, que nós sabemos que está fadado a terminar de uma hora para outra, sem mais nem menos. Você está pedindo que eu abra meu coração para você, que o deixe entrar em minha vida mesmo sabendo que existe a possibilidade de me largar a qualquer instante. Você acha que tenho forças para isso? Acha mesmo que posso fazer isso comigo mesma? – as lágrimas venceram a batalha, e escorreram livres por meu rosto.
- Não tem que ser assim – ele disse resoluto – Podemos fazer dar certo.
Ele tentou detê-las secando-as com seus dedos, mas elas eram muitas. Ele sentou-se novamente no sofá, me puxou para seu colo e ficou me embalando. Um minuto depois bateram à porta. Paul me colocou no sofá com delicadeza e foi atender; era o serviço de quarto com nosso café.
Fui pro banheiro e lavei meu rosto tentando recuperar o controle. Quando levantei os olhos encontrei os dele me fitando através do espelho. Tentei sorrir, mas tudo que consegui produzir foi uma careta. Já ele não, me brindou com um sorriso lindo e abriu seus braços num convite claro.
Aconcheguei meu corpo ao dele, buscando refugio da dor que me perseguia; ali ela não poderia me alcançar. Eu estava segura com ele.
- Tenho uma proposta para fazer a você – ele disse calmamente, mantendo seus braços ao meu redor. Ergui meu rosto para fitá-lo, desconfiada.
- Faça – pedi curiosa.
- Você concordaria em conversarmos sobre nós com Sam? – ele inquiriu cauteloso.
- O que? – perguntei, me afastando chocada – Você pirou se acha que irei falar com ele sobre esse assunto. Nem pensar – neguei veementemente.
- Leah, só me escute está bem? – ele pediu, colocando as mãos nos bolsos – Ele é o Lobo Alpha, é meu amigo, e você foi namorada dele. Ninguém poderia entender melhor a situação do que ele, você não acha? – ele explicou.
- Eu não devo satisfações a ele, entendeu bem!? – falei rancorosa – E não quero a ajuda dele também. Principalmente sobre esse assunto – finalizei, cruzando os braços, raivosa.
- Você realmente não quer nem tentar ficar comigo, é isso? – ele perguntou magoado – Desculpe por ter insistido, eu achei que você tivesse dito que gostava de mim.
Ele me deu as costas e voltou pra sala, sentou-se à mesa e começou a atacar a comida.
Pisquei várias vezes tentando desanuviar minha mente. Eu era uma idiota mesmo, ele ali tentando de todo jeito me convencer do seu amor por mim e eu jogando tudo fora como se não valesse nada. “Burra, estúpida, idiota”, me xinguei mentalmente. Ele era muito melhor do que eu; pelo menos ele admitia seus sentimentos, enquanto eu ficava ali, me achando esperta, escondida em minha redoma. Aquilo tinha que acabar, eu precisava por fim àquele dilema. Engoli meu orgulho e fui até lá, parei diante da cadeira, de frente pra ele.
- Me desculpe – pedi aflita – Eu quero ficar com você, quero mesmo que isso dê certo então... O que eu estou tentando dizer é que concordo com seu plano de falarmos com Sam assim que chegarmos a La Push. – despejei tudo de uma vez antes que me faltasse coragem.
Ele ergueu-se tão rápido da cadeira que acabou derrubando-a, mas nem se importou com isso; com apenas um passo ele me alcançou e me ergueu nos braços, me enchendo a boca de beijos rápidos e leves, depois descansou a testa na minha, me fitando carinhoso.
- Obrigada por confiar em mim Leah. Eu prometo fazer valer à pena – ele disse convicto.
- Eu sei que sim – eu lhe disse sorrindo, segurando seu rosto entre minhas mãos; olhei-o confiante e beijei-o profundamente.
Ele me colocou de volta no chão e sorriu contente. E isso bastava pra mim.
- Então vamos tomar nosso café – convidou animado – enquanto isso, decidimos o que fazer em nosso último dia em Seattle – arrematou.
Sentei-me e comecei a me servir de suco e torradas, enquanto procurava me convencer de que eu tinha tomado a decisão certa.
- Me diga, o que você tem em mente para o dia de hoje? – questionei-o.
- Eu gostaria de ver Sara e sua família antes de voltar para casa – respondeu calmo.
- Oh! Okay, sem problemas eu arranjo algo para fazer enquanto você estiver por lá – disse-lhe.
- Não, você não entendeu. Eu quero que você venha comigo – ele esclareceu sorrindo.
- Não sei se é uma boa idéia Paul – falei insegura – Acho melhor deixar as coisas como estão, pelo menos até termos falado com Sam ok? – pedi nervosa.
- Você não espera realmente que eu te deixe aqui sozinha não é? – ele perguntou incrédulo – Eu prometo me comportar, Sara não desconfiará de nada – disse fitando meus olhos esperançoso.
- E como você irá explicar a eles minha súbita aparição, hein espertinho? – inquiri.
- Fácil! Antes de irmos vamos passar em um Shopping, quero comprar um presente para meu sobrinho, e direi a Sara que encontrei você lá, por caso, e a convidei para ir até a casa dela já que vocês sempre foram amigas – Ele conclui feliz.
Seu plano era tão simples que me fez acreditar que daria certo. E também, eu tinha que levar em consideração o fato de que eu estava muito curiosa para ver Sara e John como pais.
- Está bem, irei com você. – me rendi – Mas você terá que se comportar ok? – pedi.
Ele levantou-se parou atrás da cadeira onde eu ainda estava sentada e apoiou as mãos na mesa, inclinando-se sobre minhas costas.
- Eu juro que não farei isso – ele surrou em meu ouvido enquanto beijava meu pescoço, causando-me uma onda de arrepios –, nem isso – disse deslizando as mãos por meus braços me erguendo da cadeira –, e muito menos isso. – concluiu, selando nossos lábios num beijo pra lá de sensual.
Eu tive que segurar nele pra não desfalecer ali mesmo, diante da fraqueza que se abateu em minhas pernas. Suspirei audivelmente quando ele interrompeu o beijo.
- Acho bom que você mantenha sua promessa ou então seremos expulsos da casa da sua irmã por atentado violento ao pudor – eu o alertei, brincalhona.
Ele riu alegremente, aproveitando para me abraçar mais forte junto a ele.
Terminamos de nos aprontar e fomos às compras, que serviriam de álibi para minha visita inesperada à sua família.
Quando chegamos à casa da irmã dele, que ficava num bairro tranqüilo, já passava das onze da manhã, e eu ainda estava receosa, mas Paul me acalmou, pegando minha mão e beijando-a, dizendo que ficaria tudo bem. Sorri pra ele em concordância e saímos do carro.
Foi John, marido de Sara, que atendeu a porta.
- E aí John! Tudo bem!? – saudou-o Paul alegremente, estendendo-lhe a mão para cumprimentá-lo.
- Paul! Que bom vê-lo novamente – exclamou ele, puxando Paul pela mão e lhe dando um abraço fraternal – Pensei que você tinha voltado para La Push sem nos fazer uma última visita – disse brincalhão.
E só então ele se deu conta da minha presença, já que eu permanecia meio encolhida atrás de Paul.
- Minha nossa! Que surpresa! É você mesma pequena Leah? Quanto tempo! – disparou ele, me puxando para um abraço apertado dando-me as boas-vindas.
- Olá John. Realmente faz um tempão que não nos vemos! – disse-lhe sorrindo, retribuindo seu abraço com carinho.
Ele me soltou e virou-se para dentro da casa, me levanto com ele pela mão.
- Vamos entrem – convidou-nos – Sara, querida, venha ver a surpresa que seu irmão nos trouxe – ele anunciou feliz, parando ao pé da escada que levava ao 2º andar da casa.
Pouco depois Sara surgiu no alto da escada, sorridente.
- Paul está aqui? – ela perguntou antes mesmo de descer – O que você trouxe pra mim?
- Veja você mesma – disse-lhe John, me colocando no campo de visão dela.
- Oh meu Deus! Leah! Que surpresa agradável – seu sorriso se abriu ainda mais, enquanto ela descia os degraus de dois em dois, vindo em minha direção e me abraçando apertado.
Eu havia me esquecido do quanto Sara era espontânea e bonita, com seus cabelos pretos, agora cortados na altura dos ombros, seus olhos amendoados e doces, que combinavam perfeitamente com seu sorriso fácil e cativante. Paul se parecia muito com ela fisicamente, só as personalidades eram distintas.
Devolvi seu abraço, feliz por ter aceitado o convite de Paul para estar ali; eu gostava muito da irmã dele, e de John também. Tínhamos sido amigos no colégio, muito embora eles estivessem dois anos na minha frente.
- Estou tão feliz em vê-la de novo Sara. Parabéns aos dois pelo bebê – disse sorrindo para ambos – Paul me disse que é um menino.
- Ah! Obrigada. Sim é um garotinho lindo e doce. Acabei de fazê-lo dormir, mas venha ver com seus próprios olhos, para depois não dizer que fiquei me gabando à toa – ela disse jocosa, enquanto aproveitava para beijar o irmão, e em seguida nos arrastou pelas mãos até o quartinho, onde o bebê dormia tranqüilo.
No berço branco, havia um lindo garotinho de cabelos escuros e bochechas rosadas, que ressonava tranqüilo. Ficamos observando seu sono e eu pude ver nos olhos de Sara, John e Paul, o orgulho latejante por terem aquele anjinho na família. Saímos devagar para não despertá-lo e fomos para sala, onde nos acomodamos nos sofás.
- Que bom revê-la Leah – disse Sara, visivelmente feliz, sentada ao lado do marido – O que a trouxe a Seattle?
- Vim a trabalho. Volto hoje mesmo para Forks – disse-lhe, sorrindo levemente.
- E como vocês se encontraram? – perguntou John curioso.
- Foi pura sorte, eu fui ao Shopping que fica próximo ao hotel onde estou hospedada e encontrei Paul vagando por lá – falei rapidamente, sem olhar pra Paul.
- É, eu tinha ido comprar um presente para o pequeno Benjamim, e graças à Deus cruzei com Leah, ela me ajudou a escolher. Se ela não tivesse aparecido eu ainda estaria por lá, completamente perdido entre todas aquelas coisas. Nunca pensei que um bebê precisasse de todas aqueles trecos! – ele disse fingindo assombro, causando o riso do casal – Tome, espero que goste, foi Leah quem escolheu – ele disse, passando para a irmã uma sacola com um embrulho.
Ela abriu o pacote, curiosa, tirando de dentro dele um lindo macacão azul forrado, com um urso estampado nas costas.
- Oh! É lindo Paul. Obrigada – ela disse carinhosa, abraçando-o em agradecimento.
- E esse é meu. Uma pequena lembrancinha, já que vim sem ser convidada – eu disse tímida.
- Não seja boba, você não precisa de convite – ralhou ela brincando e abrindo o pacote que eu lhe entreguei. Dentro havia um conjunto de touca, luvas, meias e sapatinhos, no mesmo tom azul do macacão que Paul acabara de lhe dar – Ahhh! Que fofo, obrigada. Veja John não é lindo? – ela disse alegre depositando os presentes nas mãos do marido. Ele sorriu com ela e nos agradeceu fervorosamente.
- Vocês ficarão pro almoço. Fazemos questão, certo John? – ela buscou a aprovação do marido, que a olhou carinhoso antes de balançar a cabeça afirmativamente.
- Por mim tudo bem, não sei se Leah poderá ficar... - disse Paul, me dando a chance de aceitar ou não o convite.
- Obrigada, eu aceito – disse-lhes contente.
- Ótimo! Então venha comigo, vamos deixar esses dois aí, enquanto colocamos o papo em dia, pode ser? – ela disse, sem nem ao menos esperar minha resposta, já me arrastando pela mão em direção a cozinha.
Espiei sobre o ombro e vi Paul sorrir confiante, me encorajando a ir com ela, virando-se em seguida para a TV que John havia ligado, distraindo-se imediatamente com o jogo que passava.
Já na cozinha, Sara começou a perguntar sobre tudo e todos de La Push. Eu lhe dei todas as informações, e rimos juntas sobre alguns fatos que nunca mudavam por lá, mesmo com o decorrer dos anos. Notei que em momento algum, ela me perguntou sobre Sam, e fiquei grata por isso; ela já devia saber que nós já não estávamos mais juntos, e sendo a pessoa discreta que era, evitou o assunto. Assim como também não tocou na morte do meu pai, ela sabia o quanto isso me abalaria.
Aliás, descrição sempre foi seu ponto forte e foi isso que fez com que mantivéssemos nossa amizade ao longo dos anos. Pensando bem, Sara era a única amiga, fora minha mãe, que eu tinha.
Antes eu também considerava Emily minha amiga, mas depois dos fatos que nos atingiram, nossa amizade ficou seriamente abalada. Na verdade, eu nunca mais a veria como amiga, isso estava claro pra mim. Havia até um falso boato de que eu seria Dama de Honra em seu casamento. Isso, só poderia ter surgido nas rodas de fofocas da reserva, entre aquelas pessoas desocupadas que adoravam atormentar a vida dos outros. Eu jamais me rebaixaria a esse ponto, disso tenho plena consciência. Eu podia ser obrigada a vê-los juntos todos os dias, mas dizer que os tinha perdoado seria exigir um pouco demais de mim.
Terminamos de preparar o almoço entre risos, e enquanto Sara punha a mesa fui até a sala chamar os rapazes. Mal tínhamos começado a comer quando fomos surpreendidos por um choro vindo da babá eletrônica que estava sobre o balcão.
Sara e John olharam-se alertas antes de dizerem ao mesmo tempo.
- É sua vez! – falaram juntos, apontando de um para o outro, e depois sorriram cúmplices.
- Tudo bem, eu vou – disse Sara levantando-se e fingindo-se de derrotada.
Rimos da sua cara forçada de vítima. Pouco depois ela retornou, com o filho nos braços, murmurando amorosa, tentando acalmá-lo.
- Olhe Benjamim, você tem visitas. Diga olá ao tio Paul! – falou, pegando a pequena mãozinha do filho e acenando com ela para um Paul sorridente.
Ele ergue-se e pôs-se ao lado da irmã, fitando orgulhoso o sobrinho.
- E aí garotão! Como você está carinha? – disse suavemente, passando os dedos delicadamente pelos cabelos do menino, que ainda choramingava inquieto. - E essa é Leah, amiga da mamãe e do papai – disse Sara aproximando-se de onde eu estava. Eu sorri para ela e levantei para poder ver melhor o garoto, que se debatia agitado em seus braços, quando mirei aqueles olhinhos escuros e lacrimejantes fiquei encantada. Toquei sua mãozinha e imediatamente senti meu dedo ser agarrado por dedinhos gorduchos e fortes. Olhei em volta e todos me brindaram com sorrisos. Fiquei maravilhada, diante daquela criaturinha linda.
- Posso segurá-lo um pouquinho? – pedi timidamente.
- Lógico que sim, mas você não prefere terminar de almoçar? – questionou-me.
- Não, tudo bem, eu tomei café tarde hoje, não estou com muita fome – falei rápida – Coma você – ofereci, já estendendo meus braços para recebê-lo.
Ela o passou para mim cautelosamente e, quase que imediatamente, ele se acalmou. seu choro cessou, e seus olhinhos curiosos ficaram me analisando.
- Ele gostou de você! – afirmou John surpreso – Normalmente ele leva mais tempo antes de parar de reclamar, a ainda assim, só Sara consegue essa façanha, depois de enchê-lo de mimos.
- É verdade – confirmou ela – Sempre que acorda de sua soneca matinal Ben faz questão de nos lembrar que tem ótimos pulmões. Chora que é uma beleza – concluiu divertida.
Todos rimos, e depois me concentrei tão integralmente naquela coisinha fofa em meus braços que nem vi o tempo passar. Eles terminaram de almoçar entre risos e conversas sobre como ser pais era padecer no paraíso.
Paul aproximou sua cadeira da minha, debruçou sobre meu ombro pegando os dedinhos de Ben que brincavam alegres com uma mecha dos meus cabelos, antes de se oferecer para pegá-lo, afim de que eu pudesse finalmente almoçar.
- Não tudo bem. Estou sem fome – disse-lhe sorrindo.
- Você sabe que terá que devolvê-lo aos pais daqui a pouco, né? – alertou-me divertido, causando risos em todos nós.
- Ah Paul, não seja chato. Só estou curtindo um pouquinho, mas tudo bem, sei que você está louco para segurá-lo – disse-lhe, passando Benjamim para seus braços, advertindo-o para tomar cuidado.
Ele revirou os olhos, reclamando chateado.
- Por que todos acham que vou fazer algo de errado quando me dão um bebê pra segurar?
- Não é nada pessoal Paul – acalmou-o John – Deve ser o tal do instinto materno falando. Sara também sempre tem mil recomendações para mim antes de me deixar pegá-lo – concluiu.
Sara e eu rimos enquanto observávamos Paul conversar com a criança.
- Então garotão!? Quando você irá a La Puch visitar seus avós hein? – murmurava, enquanto Ben o olhava, distraído – Você sabia que eles prepararam um quarto só pra você? – informou.
Enquanto ele mantinha esse “diálogo”, aproveitei para observá-lo mais atentamente. Eu nunca antes tinha-o visto numa cena tão doméstica. Pude ver o quanto ele era amoroso, o carinho com que ele se dirigia à irmã, o respeito que ele tinha pelo cunhado, e todo o amor que irradiava de seus olhos quando fitava a criança em seus braços.
Paul seria um ótimo pai, e com certeza seria um excelente marido também. Não pude evitar ter inveja da mulher que lhe daria a alegria de ser pai um dia; com certeza não seria eu, já que bebês estavam fora de questão pra mim.
Até aquele momento eu não tinha parado para pensar seriamente sobre o assunto, mas agora, ali, vendo-os felizes diante do pequenino bebê, senti um aperto no peito e um vazio tão grande dentro de mim que mal pude disfarçar. Mexi-me inquieta na cadeira e Paul olhou para mim, com a testa franzida, pressentindo algo.
- Não fique triste Leah, eu a deixarei segurá-lo mais um pouco ok!? – ele brincou, tentando distrair a dor, que com certeza percebeu em mim. Sorri, tentando transparecer descontração.
- É bom mesmo, até por que daqui a pouco você vai acabar afogando o menino de tanto babar em cima dele – brinquei, procurando sorrir para tranqüilizá-lo.
Todos riram, descontraindo-se, e Sara acabou pegando o filho, a fim de trocar suas fraldas e amamentá-lo, e ele acabou por adormecer novamente, depois de devidamente limpo e alimentado.
Ficamos jogando conversa fora até que Paul lembrou-os de que tínhamos que ir.
- Então irmãzinha, preciso ir embora. Meu ônibus parte daqui a pouco. Ainda tenho que passar na casa do meu amigo para pegar minhas coisas e me despedir antes de partir – disse.
- Ah Paul! Vou morrer de saudades de você! – ela lamentou-se chorosa, abraçando-o. Ele me olhou significativamente por sobre a cabeça da irmã, pousada em seu peito.
- Bem pessoal, eu também preciso ir – informei-os – Se você quiser posso lhe dar carona – ofereci a Paul, ficando ruborizada diante da farsa que montamos para sua família.
- Seria ótimo. Eu agradeço – ele disse sério.
- Por favor Leah, prometa que você virá me ver mais vezes! – pediu Sara, me abraçando tão forte quanto tinha feito com o irmão – Mande lembranças nossas a Sue e Seth – disse sorrindo.
- Mandarei sim. Obrigada por me receber e pelo almoço. Fiquei muito feliz em revê-los. E mais uma vez, parabéns pelo filhote, ele é lindo – disse-lhe sincera – Fiquem bem e, quando forem a La Push me procurem, certo? – pedi.
- Pode deixar, iremos sim – Confirmou John me abraçando.
Eles nos levaram até lá fora, com mil recomendações e saudades. Nos despedimos deles finalmente e voltamos ao hotel em silêncio.
Estava mais do que na hora de voltarmos pra casa.

Capítulo 25. - Despedida e Seattle

Assim que entramos na suíte, Paul pegou minha mão, detendo-me diante dele.
- Nós realmente precisamos ir embora agora? - perguntou ansioso. Olhei para o relógio antes de responder; eram 16:00 horas.
- Não, na verdade, nossa reserva expira daqui a quatro horas - informei-o - Você quer sair para despedir-se de seus amigos antes de irmos? - sugeri tranqüila. Ele largou minha mão, segurou-me pela cintura me puxando para seus abraços.
- Não, tenho uma idéia melhor – disse, sorrindo malicioso antes de me beijar com ardor. Meu corpo reagiu com arrepios, diante da promessa antecipada de prazer que seus lábios transmitiam.
Minhas mãos, ávidas por tocá-lo, infiltraram-se sob sua camiseta, e suspirei contente ao sentir o calor da pele de suas costas sob minhas mãos; mas isso não era o bastante, eu precisa dele todo, só pra mim. Livrei-o da camiseta e abandonei sua boca por um instante para tira a minha também, fiquei nas pontas dos pés para enlaçar seu pescoço, e deixei que meus seios roçassem seu peito, aproveitando para capturar seus lábios novamente.
Ele gemeu ao contato de nossas peles, me soltou por um breve momento para livrar-se das calças e da cueca de uma só vez, e suas mãos ágeis libertaram-me do jeans e da calcinha, deslizando em seguida por minhas coxas e apalpando minhas nádegas, apertando-as com força e ergue-me do chão de encontro ao seu corpo.
Sua excitação era notável, sua língua quente e doce invadia minha boca, ele caminhou comigo, me colocando sentada na beirada da mesa, deixando que sua língua percorresse um caminho incendiário por meu pescoço, mordiscando minha orelha, deslizando-a por meu ombro, descendo lentamente, indo de encontro ao meu seio; meus dedos brincavam em seus cabelos, mas quando senti-o prender meu mamilo entre os dentes, cravei minhas unhas em seus ombros, perdendo completamente a noção da minha força e dos meus atos. Ouvi-o gemer alto, não sei se de dor ou prazer, e para compensá-lo, beijei-o onde antes o havia arranhado.
O gosto de sua pele que minha língua capturava era doce, quente, excitante... Eu desejava sentir o gosto do corpo dele inteiro, e ele parecia ter a mesma necessidade que eu. Suas mãos, gentis, me empurraram, deitando meu corpo sobre a mesa enquanto seus lábios e seus dentes percorriam meu estomago, minha barriga, meu quadril; minhas mãos alcançaram seus braços e os acariciei; tentando puxá-lo para mim, ele desvencilhou-se delas, puxou uma cadeira e sentou-se diante de mim. Meus olhos febris ficaram presos aos dele, que estavam escurecidos pelo desejo que o dominava, e ele gentilmente separou minhas pernas, baixou lentamente o rosto entre elas, e quando sua língua me tocou, todo meu corpo foi atacado por espasmos incontroláveis; arqueei minhas costas da mesa como que impulsionada por uma mola invisível, minhas mãos agarradas nas laterais da mesa enquanto sua língua investia contra mim, e passados alguns poucos segundos comecei a arfar em busca do ar que me faltava, tamanho o prazer que me invadia; tombei novamente sobre a mesa, finalmente vencida.
Suas mãos agarram minhas coxas e puxaram-me para si, colocando-me sentada em seu colo, e eu ainda tremia quando ele me abraçou forte, inspirando profundamente em meus cabelos desalinhados.
- Você é tão doce - sussurrou com a voz rouca em meu ouvido, causando-me uma nova onda de arrepios.
Ergui-me, me coloquei de pé entre suas pernas e beijei-o, disposta a retribuir todo o prazer que ele me havia proporcionado. Girei meu corpo, ficando de costas para ele, e sentei-me novamente em seu colo; ele suspirou, segurando-me pela cintura. Rrecostei-me sobre seu peito, deitei minha cabeça em seu ombro e ergui minha mão, enlaçando sua nuca e trazendo seu rosto para junto do meu, beijando sua boca deliciosa com voracidade quando finalmente o senti dentro de mim; movi meu quadril lentamente, ouvindo-o suspirar. Uma de suas mãos subiu, encontram meus seios e acariciando-os, enquanto a outra imprimia um ritmo mais acelerado ao meu quadril, eu o acompanhei obediente, satisfeita ouvindo-o gemer e arfar em meu ouvido.
Seu corpo estremeceu, enquanto arremetia, com força, seu quadril contra o meu; Com sua respiração descompassada, ele entregou-se a mim completamente, suas mãos enlaçando minha cintura com força, extravasando seu prazer comigo.
- Ah Leah... Minha Leah! - sua voz rouca e entrecortada, buscando se recompor.
Beijei seu rosto, alcançando em seguida seus lábios, acariciando seus cabelos, assim como ele acariciava os meus.
Minutos depois, ele passou seu braço por baixo das minhas pernas, levantou-se e caminhou comigo no colo em direção ao banheiro; colocou-me de pé, ligou a ducha e juntou-se a mim no banho. Ele enxaguou meus cabelos, enquanto eu ensaboava seu corpo, e fez o mesmo por mim; era delicioso ficar ali, só trocando carinhos, reconhecendo os pontos mais sensíveis um do outro.
Terminado o banho, nos secamos, fomos para o quarto e nos vestimos, recolhendo e arrumando nossas coisas nas bolsas de viagem.
- Já está na hora? - perguntou-me.
- Sim, precisamos ir - informei-o, a tristeza querendo se apossar de mim.
- Dará tudo certo! - ele assegurou, me abraçando apertado. Eu apenas assenti, me aconchegando mais a ele, buscando conforto.
- Vamos, antes que venham nos expulsar do quarto - ele brincou, tentando me distrair. Sorri para ele, soltando-o e pegando minha bolsa sobre a cama; ele tirou-a da minha mão, colocou-a no ombro junto com a sua e me ofereceu a mão sorrindo, enquanto saíamos do quarto e fomos fechar a conta, prontos para seguirmos para casa.
Paul ofereceu-se para dirigir para que eu pudesse descansar, e concordei feliz, mas a medida que nos afastávamos de Seattle, a insegurança crescia dentro do meu peito.
Estávamos a caminho de casa e, tão logo chegássemos, eu teria que me confrontar com meus fantasmas particulares isso definitivamente não estava me ajudando a relaxar.
Mantive meus olhos fechados na maior parte do percurso, até que Paul resolveu parar para abastecermos e jantar.
Depois de encher o tanque, ele me levou pela mão até uma lanchonete que ficava ao lado do posto de gasolina, abriu a porta me dando passagem e em seguida me guiou até uma mesa num canto afastado. Assim que nos sentamos, uma senhora simpática veio nos atender.
- Boa noite - cumprimentou-nos alegremente, entregando os cardápios e servindo café nas xícaras que já estavam sobre a mesa - Gostariam de fazer seus pedidos agora? - perguntou solícita.
- Eu quero um hambúrguer duplo, com fritas e coca-cola - disse Paul sorrindo para ela, que anotou o pedido dele e se virou para mim.
- E para você, meu bem? - perguntou-me.
- Para mim só café, obrigada - disse-lhe sorrindo; me sentia meio tensa ainda. Ela assentiu e foi providenciar o pedido dele. Tomei um gole do café na tentativa de desfazer o bolo que se formava em meu estômago, com a expectativa de logo estarmos em casa.
Olhei distraída pela janela, observando as pessoas que caminhavam lá fora, imaginando quantas delas já haviam enfrentado algum problema parecido com o meu. Não consegui chegar a nenhum cálculo satisfatório.
Paul acariciou minha mão que estava largada sobre a mesa.
- O que foi Leah? - perguntou manso, um toque de preocupação na voz grave.
- Nada - menti, evitando encarar seus olhos inquisidores.
- Mas você praticamente não comeu nada hoje, está só com o café da manhã! Deixou de almoçar para ficar com Benjamim no colo lembra-se? - ele observou calmo - Você deveria comer alguma coisa - sugeriu.
- Você vai me obrigar a comer também? - falei exasperada, olhando-o irritada. Ele retirou a mão da minha, recostou-se na cadeira cruzando os braços sobre o peito - um sinal claro de irritação - fitando meus olhos.
- Do que exatamente você está falando? Alguma fez a obriguei a fazer alguma coisa? - a voz neutra, mas seus olhos traíam a sua calma aparente. Sustentei seu olhar por alguns segundos antes de abanar a mão num gesto displicente.
- Deixa pra lá, eu me expressei mal - disse, voltando a olhar pela janela - Só estou sem fome - arrematei, fingindo desinteresse.
- Sem fome ou sem coragem? - perguntou irônico.
- Do que você está falando? - questionei-o nervosa.
- Ora vamos, Leah! Admita! - disse irritado - Você está com medo de dizer a Sam que estamos juntos! - acusou-me.
- Não seja ridículo Paul – bufei, exasperada por ver o quão perto ele estava da verdade.
- Qual o problema hein? Você tem medo de destruir suas chances de tê-lo de volta caso ele saiba que você esteve com outro além dele? - inquiriu sarcástico - Pois deixe-me esclarecer uma coisinha: Ele não vai voltar pra você! - concluiu cruel.
- Pois fique sabendo que eu não o quero de volta, nem mesmo que ele me pedisse de joelhos em frente a toda La Pusch! - afirmei categórica - Minha preocupação atende por outro nome, chama-se IMPRINTING - falei raivosa, d aproveitei que o pedido dele chegou e pedi licença, arrebatando a chave do carro que ele havia deixado sobre a mesa e saindo em seguida, buscando refugio. Cinco minutos depois ele entra no carro, sentando-se no banco do motorista.
- Você já comeu? - perguntei dividida entre o assombro e a dúvida. Ele apenas levantou um saco de papel que trazia na mão, largando-o no banco de trás, virando-se em seguida para mim.
- Me desculpe por ter sido grosseiro com você ainda há pouco - a voz verdadeiramente arrependida - Mas é que não consigo deixar de sentir ciúmes do cara e, vamos combinar que, sua atitude não tem me ajudado muito com isso - concluiu derrotado.
Uma onda de culpa me invadiu o peito; ele era tão melhor que eu, sempre tão claro com o que sentia que me fazia repensar se o merecia.
- Sinto muito por isso - sussurrei culpada - Eu sei que não sou a pessoa mais fácil de lidar, mas realmente estou me esforçando - disse-lhe sincera.
- Eu sei, eu sei - falou calmo, pegando minha mão e apertando-a entre seus dedos - Mas não sei mais o que fazer a esse respeito Leah, não sei como fazê-la acreditar que a amo e que não vou deixá-la. Me diga o que você quer que eu farei! - pediu convicto. Soltei minha mão da sua e enlacei-o pelo pescoço, puxando-o para um abraço.
- Só fique comigo! Por favor? - murmurei em seu ouvido.
-Sempre! - ele prometeu, me apertando com força. Ficamos assim por longos minutos, até que nos afastamos, sorrindo de um para o outro.
- Eu dirijo, você come - ordenei.
- Você quem manda - ele concordou, erguendo as mãos em redenção. Trocamos de lugar e voltamos para a estrada. Paul insistiu em dividir seu lanche comigo e para evitar uma nova discussão me forcei a comer um pouco.
Ainda sentindo-o meio tenso, resolvi questioná-lo.
- Ainda está pensando sobre aquele assunto? - inquiri cautelosa.
- Não, se você diz que resolveremos tudo eu acredito - ele disse fazendo um carinho em meu rosto - Estava pensando em Sara e sua família - ele disse, uma ruga de preocupação vincando sua testa.
- Qual o problema Paul? - perguntei inquieta.
- Eu estava pensando que, aquele sanguessuga nojento que enfrentamos era jovem e inexperiente, mas e se houver outros por lá? E se atacarem minha família, Leah? – questionou, visivelmente preocupado.
- Você tem razão – concordei, desconfortável e nervosa - Acho que devíamos informar a Sam sobre isso - sugeri.
- Sim com certeza, mas e enquanto isso? O que farei para protegê-los? Eu não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo - a voz frustrada.
- E se você os convencesse a passar uma temporada em La Pusch? Talvez sua mãe possa ajudá-lo com isso, ela pode alegar que está com saudades ou algo do gênero - sugeri.
- É isso mesmo! - disse exultante - Boa idéia Leah, você é um gênio! – concluiu beijando meu rosto, contente.
- Nada mal para uma garota hein? - provoquei-o irônica.
- Certo! Você me pegou nessa - admitiu derrotado, gargalhando em seguida.
Quando chegamos a La Pusch, parei meu carro na esquina da casa dele e o encarei.
- Qual o próximo passo? - perguntei nervosa.
- Vamos dormir - disse simplesmente - Cada um na sua casa, infelizmente - concluiu rápido, diante do meu olhar assustado - Amanhã procuraremos Sam e falaremos com ele - disse resoluto, firmando seus olhos nos meus, transmitindo-me segurança.
- Okay, nos vemos amanhã então - falei mais calma.
Ele pegou suas coisas no banco traseiro e saiu do carro; dando a volta e parando junto a minha porta, abaixou-se para ficar com o rosto no mesmo nível que o meu.
- Durma bem - desejou-me, beijando meus lábios - Sentirei sua falta - sussurrou com a testa encostada na minha.
- Também sentirei a sua - confessei - Boa noite e até amanhã - despedi-me pesarosa. Trocamos um beijo mais demorado e ele partiu, virando-se para acenar para mim antes de entrar. Segui para minha casa.
Abri a porta vagarosamente, procurando não fazer barulho. Minha mãe cochilava no sofá, diante da TV ligada, então entrei sutilmente, larguei minhas coisas no quarto e voltei para sala, a fim de despertá-la para que ela fosse para a cama.
- Mãe - chamei suave - Mãezinha – insisti, beijando-lhe o rosto delicadamente. Ela despertou e olhou para mim, sonolenta.
- Você voltou! - constatou feliz - Estava sonhando com você - ela disse sorrindo.
- Mesmo? E era bom? - questionei-a sorrindo, aproveitando para ajudá-la a sentar-se e me acomodando ao seu lado, deitando minha cabeça em seu ombro.
- Não me lembro de muita coisa - ela disse distraida - Só que você parecia muito feliz e não estava sozinha, mas não consigo me lembrar quem estava com você - ela disse, me abraçando pelos ombros e beijando meus cabelos, carinhosa.
- Eu estou feliz mãe - disse-lhe, retribuindo o abraço.
- Mas se você está feliz como diz, por que tem essa ruguinha aqui? - perguntou duvidosa, apontando para minha testa.
- Ah dona Sue, por favor! – falei, me desviando do assunto - Vamos dormir que já está tarde e eu fiz uma longa viagem, está bem? - falei, me levantando e puxando-a pelas mãos.
- Está bem - ela concordou disfarçando um bocejo - Mas amanhã quero saber de tudo sobre isso - intimou-me antes de me dar um beijo de boa noite.
Tomei um banho, e me joguei na cama exausta e decidida a deixar para o dia seguinte o problema que eu tinha pra resolver, então diante desse fato deixei que o cansaço das últimas horas me dominasse e apaguei.
Acordei meio perdida, sem saber direito onde estava, e me perguntando por que Paul não estava ao meu lado. Aos poucos recobrei a consciência e me dei conta de que estava de volta ao meu quarto em La Pusch. Suspirei alto, procurando relaxar, me espreguicei devagar, chutei as cobertas e fui me preparar para enfrentar o dia, que prometia ser, para dizer o mínimo, muito tenso.
Encontrei minha mãe na cozinha, as voltas com o café da manhã e aproximei-me dela, abraçando-a pela cintura e beijando sua bochecha rosada pelo calor do fogão.
- Bom dia mãezinha querida! - cumprimentei-a saudosa - Senti sua falta sabia Dona Sue!? - disse-lhe, soltando-a e indo sentar a mesa. Ela virou-se para mim, sorrindo.
- Estamos contentes? Fez boa viagem? – disse, emendando uma pergunta na outra.
- Sim para as duas coisas - disse calma - Onde está Seth? - perguntei distraída, me servindo de café e leite.
Como em resposta a minha pergunta, meu irmão surgiu na porta, o cabelo revolto em torno do rosto bonito, parecendo cansado.
- Hei Leah! - disse descontraído vindo beijar meu rosto - Finalmente achou o caminho de volta pra casa foi? - falou, não perdendo a chance de me provocar.
- E aí garoto, como estão as coisas? - perguntei, realmente feliz por reencontrá-lo bem.
- Uma loucura só – disse, revirando os olhos bonitos - Mas logo, logo você saberá de tudo. E prepare suas pernas pra correr muito por que os turnos de vigília foram dobrados, graças a você sabe quem - disse reticente, atacando a comida em seguida.
Olhei para minha mãe, e percebi em seus olhos a preocupação latente; pela primeira vez me dei conta do quanto deveria ser difícil para ela, ter os dois filhos envolvidos em toda aquela doidera de Lobisomens versus vampiros.
Mudei de assunto, falando sobre minha viagem, tentando distraí-la. Seth terminou de comer e despediu-se de nós, correndo para tomar banho e deitar-se.
- Então minha filha, vai me contar agora o que a preocupa ou terei que arrancar isso de você? - ela disse, pousando sua xícara de café na mesa e lançando-me um olhar perspicaz.
- Ah mãe, é tão complicado - disse reticente.
- Talvez se você me contar, eu possa te ajudar a descomplicar - sugeriu, pegando minha mão sobre a mesa e apertando-a, transmitindo-me confiança.
- Eu me envolvi com alguém – disse, olhando-a atentamente - E agora ele quer assumir um compromisso mais sério entende? - o nervosismo transparecendo em minha voz.
- E qual o problema nisso minha filha? - questionou-me calma.
- É que não sei se estou preparada para um relacionamento assim de novo sabe? - confessei - E se não der certo e ele me chutar? - perguntei triste.
- Leah, você não pode deixar que seu namoro com Sam sirva de parâmetro para seus novos relacionamentos, minha filha - ela disse sábia - Cada pessoa é única, cada relacionamento é diferente e se você não se permitir viver isso, estará fadada a ficar sozinha, meu bem! E isso é muito triste por que você é tão linda, tão jovem e tão especial que seria um desperdício e um egoísmo muito grande da sua parte não dividir seus melhores sentimentos com outra pessoa, meu amor! - ela concluiu, sorrindo para amenizar o impacto que suas palavras sinceras tinham sobre mim.
- Mas e se ele não me amar de verdade como acha que ama? E se ele conhecer outra e me trocar como se eu fosse um sapato velho? - questionei-a exasperada, não querendo dar razão a ela.
- Tenho certeza que Paul não agiria assim tão levianamente com você - ela disse, me dando uma palmadinha na mão.
Olhei-a boquiaberta. Como, em nome de Deus, ela sabia que era com Paul que eu estava envolvida?
- Como... Quem...? - eu não conseguia articular a pergunta.
- Ora Leah, você acha que eu sou cega? Pensa que não vejo a maneira como ele olha pra você quando estão juntos? - ela disse, rindo alto agora, diante do meu aturdimento - Se o que ele sente por você não é amor, então não sei que nome dar aquele sentimento que ele trás nos olhos sempre que a vê – completou, convicta.
- OMG! Mais alguém sabe disso? - perguntei nervosa.
- Relaxe minha filha, acho que mais ninguém desconfia - ela disse tentando me acalmar, sem muito sucesso - Embora a mãe dele tenha comentado comigo um dia desses que está desconfiada de que o filho anda apaixonado, por que faz algum tempo já que ela vem notando uma mudança, pra melhor, no comportamento dele. Segundo ela, antes ele vivia recebendo ligações de muitas garotas, mas que agora as dispensa sem cerimônia, e quando elas insistem ele pede pra ela dizer que ele não está ou que casou-se e mudou-se de cidade - ela contou-me isso como se revelasse um grande segredo.
Pisquei aturdida. Paul correndo das ex-pretendentes? Isso era bom, pelo menos agora eu sabia que ele não havia ficado com mais ninguém desde que começamos as nos relacionar.
- Oh mãe, o que você acha que devo fazer? - perguntei confusa - Ele quer falar com Sam sobre nós. Ele quer namorar comigo! - minha voz alterada pela expectativa.
- Acho a atitude dele muito correta, o que prova que ele a respeita e respeita seus sentimentos e a amizade de Sam também - ela afirmou admirada - Se você realmente gosta dele, deve seguir o exemplo dele e ser honesta com seus sentimentos, minha filha. Fale com Sam, afinal vocês terão que conviver juntos e nada deve atrapalhar essa sua nova escolha, não deve haver nenhuma dúvida assombrando vocês, tenho certeza que tudo irá se ajeitar da melhor maneira possível. Paul é um bom rapaz, fico feliz por vê-los juntos - ela afirmou, levantando-se em seguida e me puxando para um abraço.
Fiquei mais tranqüila depois dessa conversa; minha mãe sempre conseguiu me entender e me ajudar como ninguém mais. Fomos interrompidas por batidas na porta da cozinha e minha mãe me soltou e foi atender.
- Bom dia Sra. Clearwater - a voz grave de Paul se vez ouvir.
- Bom dia Paul, entre vamos - minha mãe convidou-o, afastando-se para lhe dar passagem. Ele hesitou por um momento antes de se decidir por entrar e sorriu para mim, calmo.
- Bom dia Leah, posso falar com você um minuto? - pediu tranqüilo.
- Fiquem à vontade, tenho que ir até o mercado, nos vemos depois filha - ela disse, já pegando as chaves do carro e a bolsa que estavam sobre o armário - Até qualquer hora Paul - ela disse, despedindo-se dele com um sorriso.
Ele acenou para ela, sem desviar os olhos de mim. Assim que ela saiu, corri para abraçá-lo, beijando-o em seguida; não tinha me dado conta do quanto tinha sentido sua falta até aquele momento.
- Bom dia - cumprimentei-o em seguida - Senti sua falta - confessei, roçando meu nariz no dele e sorrindo.
- Também senti sua falta - ele disse, sorrindo de volta - Fiquei um tempão imaginando quando seria uma boa hora para bater na porta da sua casa sem parecer um desesperado - riu. - Minha mãe sabe sobre nós – despejei, sem conseguir me segurar por mais tempo.
- Você contou a ela? - perguntou-me surpreso.
- Nem precisei, a danada já tinha sacado há tempos, e sabe como ela descobriu? - perguntei, me afastando para olhá-lo atentamente; ele apenas deu de ombros, indicando que nem desconfiava - Ela disse que o pegou olhando para mim apaixonadamente, foram bem essas as palavras que ela usou, acredita? - inquiri-o.
- Ela é muito observadora - ele disse, sorrindo feliz – Bem, veja pelo lado bom, ela nem me expulso, sinal de que com ela não teremos problemas - ele arrematou divertido.
- Ela adora você! - concordei fingindo desgosto. Ele me abraçou mais forte, rindo em meus cabelos.
- Queria saber se você ainda está decidida a ter aquela conversa com Sam? - questionou, ligeiramente tenso.
- Estou sim, quanto antes falarmos com ele melhor - afirmei decidida.
- Então vamos, não quero ter que esperar até á noite para resolvermos isso – disse, segurando minha mão e me levando até a porta; parou um momento e virou-se para mim dizendo - Antes desse dia chegar ao fim, todos em La Pusch saberão que você está comigo. Quase consigo sentir pena dos caras que terão suas esperanças em conquistá-la reduzidas às cinzas - sorriu vitorioso.
- Como assim? Do que você está falando? - perguntei perdida.
- Minha sorte Leah, é que você ficou tão cética em relação os homens depois do término do seu namoro com Sam que nem percebia os caras à sua volta - ele disse calmo - Cada vez que você entrava no bar do Joe eu tinha que me controlar pra não esmurrar alguns caras por lá. Seria cômico se não fosse absolutamente doloroso vê-los babando por você como cães sem dono - ele confessou exasperado - Você sabia que tive uma discussão acalorada com o Will lá da escola por sua causa? O cara só faltou pular em cima de você depois de descrever para a turminha dele, em detalhes, o que faria caso tivesse uma chance de se aproximar de você. Só não bati nele por que sei que perderia o controle e acabaria me transformando na frente de todos, o que seria realmente lamentável, mas a vontade de arrancar a cabeça dele do pescoço foi grande, tenho que admitir - ele disse, fechando as mãos em punhos para controlar a raiva que aquela lembrança despertou nele.
Eu o olhava entre surpreendida e abobalhada. Eu nunca tinha percebido nada disso, tudo bem que eu sabia que uns carinhas me olhavam e tal, mas nem de longe desconfiei que a coisa fosse naquele nível.
- Meu Deus, Paul!? O que você está dizendo? - perguntei confusa - Quer dizer então que você já tinha algum tipo de sentimento por mim há algum tempo. É isso? - inquiri.
- Leah, eu gosto de você desde que tinha 12 anos - disse sério - Só que você era mais velha, e mais tarde a vi se apaixonando por Sam, e isso foi bem difícil de superar sabe? - ele confessou, envergonhado - Eu via vocês juntos e não conseguia deixar de invejá-lo; ele tinha a única garota de quem eu tinha gostado realmente. Aí desencanei e parti pra outra, por que eu percebi que você gostava mesmo dele, e que eu não teria a mínima chance com você, só que depois as coisas mudaram, todo esse lance de lobos e tal, e de uma hora pra outra vocês não estavam mais juntos, então pensei "Eis sua chance Paul", e parti pro ataque - ele disse dando de ombros, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
- Você... Você... Gosta de mim desde os 12 anos?! - gaguejei surpresa – Você cuidou de mim e da minha reputação sem eu saber? O que fez você acreditar que eu lhe daria uma chance? - despejei essas perguntas sem nenhuma ordem, tentando absorver tudo o que ele tinha revelado até ali.
- Sim, eu sempre gostei de você e, sim eu cuidava de você sem que você soubesse, e achei que eu deveria ao menos me arriscar, porque se eu não tentasse eu nunca saberia se poderia dar certo ou não - ele disse tranqüilo - Aquele dia no rio, quando você passou mal depois da caçada, eu já tinha tomado a decisão de me aproximar, mas aí as coisas fugiram um pouco do controle quando tive que resgatá-la da correnteza. Juro que não planejei nada daquilo, mas tê-la ali, tão perto, tão vulnerável, tão lindamente assustada foi demais pra mim, perdi o controle e, bem... Você sabe o que aconteceu depois - ele confessou, sua voz era tão carregada de sinceridade que nem por um minuto duvidei que fosse verdade.
- Oh Paul, isso é... É estranho sabe? - sorri, acariciando a mão dele, que ainda segurava a minha - Eu nunca desconfiei de nada disso, e sinto muito se feri seus sentimentos ao longo desse tempo - desculpei-me sincera.
- Tudo bem! – tranqüilizou-me delicadamente - O que importa agora é que estamos juntos Leah. E vou lutar muito para que nada nos separe - assegurou-me - Amo você! – disse, me puxando para a proteção de seus braços.
- Obrigada por tudo Paul - falei emocionada - Prometo fazer o que estiver ao meu alcance para fazer com que nosso relacionamento dê certo - disse-lhe, algumas lágrimas furtivas escorrendo por meu rosto e molhando sua camiseta. Ele ergueu meu rosto e beijou meus olhos, buscando em seguida meus lábios e tocando-os suavemente, antes de se apossar deles com vigor.
Nos separamos já meio ofegantes e sorrimos um pro outro.
- Venha, vamos logo falar com Sam antes que sua mãe volte e acabe mudando o conceito bom que tem mim, se me pegar aqui agarrando você na cozinha dela - ele disse rindo.
Saímos, fechei a porta e respirei fundo, seguindo-o pela trilha na floresta atrás da minha casa, que nos levaria até a casa de Emily.

Capítulo 26. - Exorcisando Fantasmas!

À medida que nos aproximávamos da casa de Emily meus temores aumentavam. Era fácil dizer que ficaria tudo bem, eu mesma me ouvi repetindo isso em minha mente o tempo todo, mas outra coisa bem diferente era encarar Sam e dizer-lhe “Oi, estou namorando seu melhor amigo!”. Argh, só de pensar no assunto meu estômago se revirava; era um milagre que eu ainda não tivesse colocado pra fora meu café da manhã.
Antes de sairmos da floresta, Paul parou por um instante e me puxou num abraço apertado.
- Você está comigo? – questionou-me ansioso; eu apenas assenti com a cabeça recostada em seu peito – Então ficará tudo bem. Confie em mim – pediu, beijando meus cabelos e soltando-me em seguida.
Saímos de dentre as árvores escuras e eu pisquei quando a claridade do dia me alcançou. Diante de nós estava a casa da minha prima, o ninho de amor dela e do meu ex-namorado; não consegui evitar que um tremor de repulsa perpassasse meu corpo quando me vi parada ali.
- Tudo bem? - Paul inquiriu, tocando meu ombro e me olhando inquisitivo.
- Estou ótima – afirmei, me recompondo.
- Certo – ele disse, mas seus olhos guardavam um pouco de incerteza – Sam!? – ele chamou, parado ao meu lado e apoiando o quadril no carro de Sam, que estava estacionado em frente à casa.
Sem precisar de um segundo chamado, eis que Sam surge na soleira da porta, seguido de perto por Emily, com sorrisos de boas-vindas enfeitando seus rostos.
Tão logo notaram minha presença junto a Paul, suas feições mudaram: ele me parecia tenso e curioso, ela parecia... Deslocada.
Fiquei contente em saber que eu não era a única a me sentir mal com aquela história. A traição parecia afetá-los tanto quanto a mim.
- Bem vindo de volta irmão! – Sam exclamou feliz, vindo abraçar o amigo.
- Também senti sua falta! – Paul afirmou, sem nenhum constrangimento em demonstrar sua afeição pelo amigo – Como vai você Emily!? – ele virou-se para sorrir para ela, que havia ficado parada á porta nos observando; eu a encarava de voltava.
- Estou bem, Lobo Mal – ela cumprimentou-o sorrindo com sua face tristemente desfigurada – Vamos, entrem, venham tomar um café conosco – convidou-nos, olhando para mim significantemente.
- Isso, vamos entrar – incentivou Sam – Como você está Leah? Fez boa viagem? – ele completou, olhando-me atentamente, esperando que eu me decidisse.
- Fiz sim, obrigada por perguntar – respondi encarando-o pela primeira vez – Precisamos conversar com você em particular Sam, pode ser? – pedi resoluta, sem sair do lugar.
Seu olhar de curiosidade e surpresa corria entre mim e Paul. Ele desviou seu olhar para a noiva que aguardava pacientemente por nós.
- Voltarei logo – ele lhe disse, já tomando o rumo da floresta atrás de nós.
Paul o seguiu imediatamente, eu olhei-a ainda mais uma vez e meneei com cabeça, lançando-lhe um sorriso apaziguador; eu não queria que ela pensasse que as coisas não iam bem para mim - uma coisa era receber olhares piedosos das pessoas da Reserva, outra bem diferente era ser alvo da piedade da mulher que havia tirado de mim o homem que eu amava.
Fui atrás deles, alcançando-os na clareira. Sam sentou-se num tronco caído e esperou que nos aproximássemos.
- Então, me digam o que os aflige meus amigos? – pediu sério.
Olhei para Paul, parado ao meu lado, os braços cruzados sobre o peito largo; ele olhou-me pelo canto do olho antes de voltar sua atenção para Sam.
- Viemos aqui para comunicar a você, que Leah e eu estamos namorando – ele soltou num só fôlego, pegando Sam desprevenido.
- VOCÊS ESTÃO O QUÊ!? – Sam perguntou pondo-se de pé num salto, seus olhos disparando de um para o outro, buscando uma resposta.
- Estamos namorando – falei, aparentando uma calma que eu estava longe de sentir.
- E eu posso perguntar como isso aconteceu? – ele dirigiu a pergunta diretamente a mim.
- Embora eu não lhe deva satisfações da minha vida, saiba que começamos a nos envolver a algumas semanas atrás – esclareci com a voz pontuada pela irritação.
- Então você finalmente conseguiu o que SEMPRE DESEJOU, não é mesmo Paul? – a voz acusadora de Sam ressoou.
- Eu. Sempre. Respeitei. Você! – Paul disse entre dentes, num tom tão baixo e tão forçadamente controlado que por um instante pensei que ele se transformaria e partiria para cima de Sam – E SEMPRE respeitei a Leah! Você melhor do que ninguém sabe disso! – ele sibilou as últimas palavras com dificuldade.
- Sei sim... Sempre tão respeitador, e protetor também não é? Fico imaginando como deve ter sido difícil para você, ouvi-la se lamentando com o fim do nosso namoro! – disse com cinismo.
Paul deu um passo em sua direção, o corpo tremendo perceptivelmente, mas eu me interpus entre eles.
- Você está bancando o idiota, Sam – falei com desdém – Qual o seu problema hein? Esqueceu que foi você que me trocou por minha prima? – cuspi as palavras, enojada.
- EU NÃO TROQUEI VOCÊ! EU SOFRI O MALDITO IMPRINTING! – ladrou raivoso – Eu não tive escolha, eu amei você, nunca duvide disso – afirmou me encarando magoado.
- E o que isso significa exatamente Sam!? Que o fato de você ter sofrido o imprinting, mas ao mesmo tempo ainda lembrar que um dia me amou, me condena a viver sem ninguém? Eu devo me resignar a passar o resto da minha vida desgraçada, vivendo dessa lembrança? É isso mesmo? – a mágoa e a indignação se mesclavam em minha voz.
- Até pouco tempo isso lhe bastava – ele disse maldoso.
- Eu vou fingir que não ouvi isso – falei, respirando fundo para controlar minha ira – Eu não sabia que mesquinhez e crueldade eram traços da sua personalidade – acusei-o.
- Acho bom pararmos por aqui – Paul manifestou-se, pousando a mão quente em meu ombro, tranquilizando-me – Não viemos pedir sua benção Sam, só achamos que, como Líder do Bando, você deveria ser o primeiro a saber – ele disse sucinto – Realmente acreditei, que sendo você meu melhor amigo, e ex-namorado dela, que entenderia melhor que qualquer outra pessoa – arrematou com pesar.
- E o quê há para entender? – perguntou exasperado – Vocês já se decidiram, não foi?
- Como eu lhe disse antes, não viemos pedir sua benção ou permissão, só queríamos que você soubesse disso por nós e não pelos outros – Paul falou, mantendo os olhos fixos em Sam – De hoje em diante, toda La Push saberá que estamos juntos – confirmou categórico.
Sam sustentou o olhar que Paul lhe dirigia, respirou fundo algumas vezes antes de voltar sua atenção para mim novamente.
- Você pensou bem no que está fazendo Leah? Tem certeza de que é isso que você quer? – questinou-me, uma pontada de dúvida sombreava seu rosto sério.
- Tenho sim – falei firme, lançando um olhar rápido para Paul, que sorriu para mim em apoio.
- E você está preparada para o fato de que, a qualquer momento Paul poderá sofrer o Imprinting? – sua voz firme traia sua preocupação.
E pela primeira vez, desde que iniciamos aquela conversa, eu me senti vacilar. Imediatamente, como em resposta aos meus temores, Paul entrelaçou seus dedos aos meus, mantendo minha mão presa à dele como se dissesse, sem pronunciar uma única palavra, que nada iria nos separar. Respirei fundo e encarei Sam calmamente.
- Eu sobrevivi uma vez não foi? O que o faz imaginar que eu não resistiria a uma segunda queda? - perguntei-lhe orgulhosa – A diferença nesse meu novo relacionamento Sam, é que tanto eu quanto Paul, estamos seguros dos sentimentos que nos une, e sabemos exatamente o que podemos ou não viver juntos – disse-lhe confiante.
- Você fala como se fosse simples, mas não é – Sam afirmou categórico – Você realmente está disposta a passar por tudo aquilo de novo? – perguntou mais uma vez – Pense bem no que você está fazendo Lee-lee – pediu, seus olhos suplicando meu entendimento.
- Nunca.Mais.Me.Chame.Assim – falei rancorosa, os tremores fazendo minha voz falhar – Você perdeu esse direito quando me deixou, e eu já pensei bastante sobre Paul e eu, e se ele está disposto a enfrentar essa situação eu estarei com ele, fui clara? – perguntei raivosa.
- As coisas não são assim, o envolvimento de vocês implica numa série de fatores que afeta todo o bando – ele disse olhando para Paul – Você pensou que a está expondo para o restante do bando? Que eles compartilharão seus pensamentos? – perguntou sério – E como será numa eventual batalha? Você protegerá seu líder ou o deixará na mão para cuidar dela? Você já pensou nisso Paul? – sua voz irritada machucava meus ouvidos.
- Eu manterei meus pensamentos referentes à Leah sobre controle, afinal estamos juntos há semanas e nem você, nem nenhum dos rapazes sequer desconfiou disso – Paul falou irônico – Além disso, eu nunca dei motivos para que você ou bando não confiassem em minhas habilidades numa luta – Paul rebateu rancoroso – A pergunta certa é: por que você está tão relutante em aceitar nosso namoro Sam? Me diga, o fato de vê-la remoendo seu sofrimento lhe causava algum prazer mórbido? - questionou-o.
- Pro inferno você com isso – Sam grunhiu colérico – Você acha mesmo que tê-la feito passar por tudo aquilo me deu alguma alegria? Eu a AMEI profundamente, mas do que você possa vir a amá-la um dia, e me culpo todo maldito dia pelo sofrimento que causei a ela – ele admitiu.
- Se você a amou tanto assim não seria natural que desejasse vê-la feliz? – Paul perguntou desconfiado – Ou você espera que um dia esse lance de Imprinting simplesmente termine como num passe de mágica e você a tenha lá, disponível esperando por você? É isso Sam? Você está com ciúmes dela, mesmo sendo comprometido com outra? – as indagações de Paul exigiam uma resposta que Sam relutava em dar.
Fiquei de lado, olhando o duelo de olhares entre eles, e por um segundo vacilei diante da idéia de que um dia Sam poderia estar livre para mim novamente; então fixei meus olhos em Paul e senti meu coração se expandir de afeto e gratidão pelo que ele estava fazendo; ele estava se expondo por mim, lutando por mim, arriscando sua amizade com Sam, arriscando sua posição de Beta, como o segundo no comando do bando, me amando verdadeiramente.
- Meus sentimentos em relação à Leah só dizem respeito a ela e á mim – Sam disse sério.
- Errado amigo, eu sou o namorado dela agora, se você tem algo a dizer é melhor desabafar tudo de uma vez por todas, você não terá outra chance quando sairmos daqui hoje – Paul disse, aproximando-se mais de Sam, uma expressão desafiadora no rosto bonito.
Minha respiração ficou suspensa, o clima estava ficando mais tenso a cada segundo e Sam encarava Paul tão seriamente que temi que ele aceitasse o desafio que este lhe lançava.
Mas de repente a atitude de Sam mudou, ele suavizou sua expressão, seus olhos clarearam e ele me fitou calmamente.
- Para o seu próprio bem, espero que você esteja segura da sua decisão – falou resignado – Apesar de não aprovar, por motivos óbvios, eu não interferirei no namoro de vocês, mas levarei isso ao Conselho dos Anciões, até lá peço que vocês não se precipitem, nada de se exporem por aí, peço que vocês mantenham isso somente entre suas famílias e o Bando – pediu sério – Espero que vocês sejam felizes – percebi que ele estava sendo sincero e me permiti relaxar um pouco.
Olhei para Paul e sorri para ele. A tempestade havia finalmente passado, o confronto estava terminado. Sabíamos que Sam não seria problema, precisávamos somente saber da opinião do Conselho; o que na verdade pouco me importava, por que eu não deixaria Paul por nada, assim como sabia que a recíproca era verdadeira.
- Esperem um pouco aí... Essa viagem de vocês foi forjada? – Sam perguntou, seu tom passou do sincero ao acusatório em um milionésimo de segundo.
Engoli em seco, pensando no que dizer e optei pela verdade.
- Paul ia mesmo visitar sua irmã e me convidou para ir com ele, mas antes que eu me decidisse por ir ou não, meu chefe me incumbiu de levar uns documentos urgentes para Seattle na mesma época, então... – falei dando de ombros.
- Aí vocês aproveitaram para passar o fim de semana juntos – ele concluiu estreitando os olhos.
- Sim, e pode apostar que foi ótimo! – Paul falou com um sorriso enorme no rosto, enquanto eu ficava vermelha até a raiz dos cabelos.
- Poupe-me dos detalhes Paul – Sam grunhiu entre os dentes – Aliás, essa é outra coisa que quero pedir a vocês, poupem a todo o Bando dos detalhes do namoro de vocês! Já é bem difícil controlar os garotos sem que eu precise de mais isso ok? – pediu autoritário.
- Por mim tudo bem – concordei rápida.
- Farei o possível – Paul prometeu com um sorrisinho maroto – Mas você sabe, melhor do que eu, o que ela é capaz de fazer com a mente de um cara – ele confidenciou a Sam, completamente recuperado da conversa difícil que havíamos tido minutos atrás.
- Se sei! – Sam concordou revirando os olhos, pelo jeito ele também havia superado.
- Hei! Qual é? – chamei-os – Eu ainda estou aqui – falei constrangida e exasperada.
Era só o que me faltava, meu ex e meu atual namorado trocando figurinhas sobre mim. Bufei.
- Desculpe – Paul falou rápido, virando-se para mim fazendo um carinho em meu rosto.
- Ahhh! Por Favor, eu não estou confortável com isso – Sam admitiu desgostoso.
- Pois trate de se acostumar – Paul alertou, piscando para ele e me dando um selinho em seguida.
Eu tive que rir com a careta que Sam fez ao presenciar o gesto.
- Pelo Amor de Deus! – Sam resmungou rabugento, mas em seguida veio até nós e colocou o braço sobre o ombro de Paul.
- Você é um cara de sorte – disse batendo nas costa de Paul – Só me prometa que cuidará bem dela – pediu sério, e sorriu diante do assentimento de Paul.
Sam virou-se para mim, seus olhos negros e profundos prenderam os meus e naquele momento revivi, em minha memória, nossa história de amor e dor, e entendi que não fui a única a sofrer com a separação; ambos fomos vítimas daquela situação bizarra e totalmente inesperada que nos afetou de tal modo que nada poderia reparar.
Vislumbrei em seus olhos um rápido lampejo do amor que ele me dedicou um dia, e deixei que o amor que eu nutria por ele até aquele momento encontrasse repouso e sossego num recanto do meu coração, afim de que ele passasse a ser somente uma lembrança.

Kelly Clarkson – Already Gone

Ele me tomou num abraço apertado cheio de carinho e respeito, beijando meus cabelos.
- Espero que você seja feliz! Amo você irmãzinha! - sussurrou emocionado.
- Obrigada! – disse retribuindo seu gesto, a voz embargada.
Olhei para Paul que nos observava calmamente, sem afetação.
Desvencilhei-me de Sam e peguei a mão que meu namorado me estendia, um sorriso brincando em seus lábios.
- Vejo que Seattle fez bem à vocês – Sam concluiu divertido – Mas a mamata de vocês acaba hoje, os dois irão dobrar o turno – avisou-nos.
- Por falar nisso Sam, preciso lhe dizer que durante nossa estadia em Seattle tivemos um encontro bem desagradável com uma Sanguessuga – Paul anunciou – Bom, pelo menos foi desagradável para ele – arrematou, com um sorriso sarcástico.
- Como foi isso? Conte-me tudo – pediu sério, sentando-se novamente. Paul narrou-lhe o acontecido minuciosamente.
- Estou preocupado com minha família que vive lá – arrematou, passando as mãos pelos cabelos num gesto nervoso.
- Tivemos relatos e estamos acompanhando pela mídia, notícias de alguns desaparecimentos e mortes suspeitas naquela região – disse calmo – Mas isso que você acaba de me contar reforça minhas suspeitas de que algo de muito estranho está acontecendo por lá – disse pensativo – Precisamos ficar de olho nisso, e buscar mais informações – arrematou levantando-se.
- Você acha que existe alguma relação entre essas mortes e o vampiro que matamos? – Perguntei curiosa.
- É provável que sim. Vamos ficar atentos e ver o que acontece – disse cauteloso - Quanto a sua família, trate de dar um jeito de trazê-los para La Pusch, não posso dispensá-lo para cuidar deles em Seattle, preciso de você aqui e as coisas têm andado agitadas e estranhas por que também. E eu não tenho um bom pressentimento sobre isso – arrematou sucinto.
- Seth me disse que a vigilância foi redobrada! Por quê? – questionei.
- Ele falou a verdade, alguns acontecimentos recentes atraíram nossa atenção. Forks tem sido alvo de visitas indesejáveis ultimamente – informou-nos – E não queremos ser pegos de surpresa, então, enquanto alguns vigiam as fronteiras, outros montam guarda na casa dos Swans – ele disse calmo.
- Ah! Mas tinha que ser – resmunguei exasperada – Aposto que Jacob deve estar pirando com isso tudo. Por que o idiota não deixa que os amigos Sanguessugas dela se ocupem com isso, hein? Eu que não vou bancar o cão de guarda para aquela garota imbecil! – bufei, minha irritação a toda.
- Por favor Leah, eu espero não ter que lembrá-la de que nosso grupo é uma Irmandade e que nós cuidamos uns dos outros – Sam falou firme – Se for necessário você irá sim, goste ou não, render guarda na casa do Chefe Swan, por que você, assim como o restante de nós, é antes de mais nada uma Guardiã da vida humana! Fui claro? – perguntou-me, seu tom Alfa imperioso.
- Como água – resmunguei resignada.
- Ótimo! – ele concordou – Agora, aproveitem para descansar um pouco, logo mais faremos uma reunião para discutir esse assunto e...- ele parou, olhando de um para o outro em suspense – Vocês poderão aproveitar para comunicar ao grupo sobre a decisão de vocês de namorarem – ordenou, dando um sorrisinho safado, sabendo de antemão que isso nos renderia algumas incomodações.
- Faremos isso – Paul afirmou categórico.
- Farão mesmo – ele disse – Nos vemos mais tarde – despediu-se, voltando para a casa de Emily. Paul olhou para mim, e eu o encarei de volta.
- Foi melhor do que imaginei – ele disse sorrindo.
- Foi sim - concordei.
- Agora só falta os outros – disse resignado. Eu apenas gemi em resposta; já podia imaginar o que teríamos que enfrentar. Abracei-o, buscando conforto.
- Dará certo – ele disse, alisando meus cabelos – O pior já passou.
- Certo, vamos pra casa então – convidei-o, me pondo a caminho enquanto minha mente fervilhava com os últimos acontecimentos.

Capítulo 27. - Aceitação

Depois de nossa conversa com Sam a amanhã transcorreu normalmente; Paul foi pra casa conversar com os pais para pedir ajuda a fim de que com o auxilio deles pudessem trazer Sara pra La Push - essa era sua maior preocupação no momento.
Voltei pra minha casa e passei o resto da manhã arrumando meu quarto, e logo estava na hora de ir pro trabalho. Minha tarde no escritório foi tranquila, salvo a hora em que meu chefe questionou como havia sido meu final de semana, e eu lhe respondi com um constrangido “Ótimo!”, sentindo minhas bochechas esquentarem a medida que as lembranças daquele período em Seattle com Paul inundavam minha mente.
Ao chegar em casa naquele fim de tarde, não fiquei surpresa em encontrar Paul, vestindo só bermuda e tênis, displicentemente sentado nas escadas da varanda da minha casa. Sorri para ele assim que desci do carro, e eu estava há cinco passos dele quando a porta da frente se abriu e Seth passou por ela, só de bermuda e com um sanduíche pela metade nas mãos.
- Hei Leah! - ele me cumprimentou com a boca cheia de pão - Até que enfim você chegou! O Senhor paciência ali está te esperando faz tempo! - ele disse, apontando Paul com um meneio de cabeça enquanto passava por mim e seguia em direção à floresta.
- Obrigada por me manter informada irmãozinho - agradeci, sorrindo para ele - E por favor, não fale de boca cheia Seth, ninguém precisa saber o que você está comendo - recriminei-o suavemente; eu sabia o quanto ele detestava ser tratado como uma criança.
Ouvi-o resmungar alguma coisa do tipo “Metida à besta!” e prosseguir seu caminho. Quando finalmente o perdi de vista retomei meus passos, parando em frente a meu namorado. Sorri diante desta lembrança; era estranho que depois de tanto tempo de autoflagelo eu conseguisse aceitar tão bem minha nova condição de namorada de alguém.
- Olá - Paul me cumprimentou, pondo-se de pé sem desligar seu olhar do meu nem por um segundo se quer - Eu realmente me sinto perdido quando você não está comigo - confessou tenso.
- E isso é tão ruim quanto você faz parecer? - questionei-o curiosa.
- Não, desde que eu tenha a certeza de que você voltará pra mim - disse-me com os olhos brilhando, cheios de esperança.
- Sempre! - prometi séria.
Ele sorriu lindamente, relaxando, depois repousou uma mão no meu rosto me trazendo para mais perto dele e roçando levemente meus lábios com os seus por torturantes dez segundos antes de finalmente aprofundar o beijo.
- Preciso trocar de roupa antes da reunião - eu disse tão logo ele me permitiu respirar - Gostaria a de entrar e esperar por mim? - sugeri ainda ofegante.
- Esperarei por você bem aqui, não quero abusar da confiança da sua mãe; seria meio estranho se ela voltasse do trabalho e me pegasse espiando você trocar de roupa pela fresta da porta do seu quarto - ele disse fazendo uma careta - E, por favor, coma alguma coisa antes de irmos, não quero ter que levar você pra caçar de novo, você é péssima nisso - disse sarcástico.
Separei-me dele rindo muito enquanto me encaminhava para a porta e ele desabava novamente nos degraus da varanda.
Corri pro quarto e mudei rapidamente de roupa; vesti um short jeans, um top e prendi meus cabelos num rabo de cavalo ao mesmo tempo em que calçava uma rasteirinha. Segui até a geladeira tirei um iogurte e saí pra encontrá-lo.
- Isso é que é ser rápida - ele disse, me olhando sobre o ombro - Só vai comer isso? - inquiriu, franzindo as sobrancelhas para o copinho de iogurte que eu trazia nas mãos.
- Eu fiz um lanche na cidade antes de vir pra casa - falei dando de ombros - Vamos? - convidei-o já descendo as escadas e parando diante dele.
- OK, não estou feliz com isso - ele disse apontando pro meu lanche minguado - Você não ouviu Sam dizer que teremos que dobrar nosso turno? - perguntou firme.
- Ah, por favor, Paul, sem dramas! Eu prometo comer um boi inteiro quando voltarmos ok? - falei fazendo uma carinha de anjo, que se não o convenceu pelo menos o fez desistir de me incomodar mais com aquele papo.
- Certo, então vamos embora, o bando nos aguarda - disse ficando de pé e pegando minha mão para irmos.
Antes de chegarmos ao ponto de encontro, soltamos nossas mãos e aprumamos nossos ombros; essa seria nossa última batalha, e precisávamos de toda concentração para enfrentar nossos amigos com a novidade do nosso envolvimento. Eu rezei para que eles não criassem nenhum problema sobre isso, por que seria muito ruim ter que nos indispor seriamente com eles.
Todos estavam lá, conversando sobre o último turno de vigília, e assim que nos viu, Sam levantou-se, nos encarando seriamente, depois se virou para os demais, o que os fez silenciar imediatamente.
- Bom, já que finalmente o grupo todo está aqui reunido preciso da atenção de todos - ele começou tão logo Paul e nos acomodamos ao lado dos outros.
- Como todos sabem, estamos sobre grande pressão devido às constantes visitas que temos recebido de Sanguessugas a nossa região - ele começou sério - Na última noite o grupo de Jared seguiu um rastro fresco, mas, infelizmente, não conseguiu alcançar o invasor antes que este alcançasse o mar, onde o maldito mergulhou e desapareceu quase que imediatamente - nos informou aborrecido.
- As últimas manchetes, nos informam que algo de muito ruim está acontecendo em Seattle e região, o que nos faz ter certeza de que Vampiros vêm agindo por ali - ele disse - A pergunta é: O quanto isso, que está acontecendo por lá tem a haver com o que se passa aqui? Será um novo clã? Ou os ataques são aleatórios, feitos por vampiros nômades? - inquiriu, olhando em volta, esperando que alguém se manifestasse.
- Acredito que o bando ou clã, ou seja lá como esses nojentos se intitulam, que está aterrorizando Seattle é o mesmo que tem nos visitado. Pelo menos é o que os Cullen acreditam também - disse Jake fazendo uma careta ao mencionar aquele nome.
- E desde quando você dá crédito ao que os sanguessugas falam? - Jared perguntou cínico. - A partir do momento que eles também se mobilizaram para caçar o invasor - Jake informou nervoso, as mãos tremendo violentamente.
- Não me interessa saber quem acredita em quem nessa história, nossa responsabilidade é proteger os humanos, e se os Culens também estão preocupados com eles então só nos resta fazer nossa parte, certo? - Sam interveio, seu tom Alfa dominando imediatamente os ânimos de todos ali.
- Paul me informou que durante sua estadia em Seattle topou com um deles por lá - Sam informou-os, e todos olharam para ele em expectativa.
- Ele era jovem, e me pareceu bem inexperiente, quer dizer, além da força bruta ele não me pareceu ter algum conhecimento de luta - Paul falou, olhando a sua volta - Ele mal sabia como se defender e ficou realmente surpreso quando deu de cara comigo. Antes que eu o destroçasse - ele arrematou com um sorrisinho debochado.
- Uau! Isso deve ter sido irado - o comentário de Seth, suscitou risadinhas em Embry e Quill, que olhavam para Paul com certa inveja de sua oportunidade de ter matado um vampiro, quando supostamente estava de folga na cidade.
- E como foi isso Paul? Não foi difícil encará-lo sozinho? - Jared e seu costumeiro ceticismo deram o ar da graça.
- Não se preocupe por nosso irmão Jared, ele teve ajuda - Sam disse enigmático - O que nos traz à outra questão que gostaria de pô-los a par - ele anunciou - É com você agora amigo - ele disse sorrindo levianamente para Paul, voltando seu olhar para mim.
Meu instinto era me encolher, mas nem morta eu deixaria Paul na mão. Olhei para ele, encorajando-o a falar.
- Bom rapazes, eu realmente tive ajuda ao enfrentar o sanguessuga - ele começou dizendo calmamente - Leah estava lá, e se não fosse por ela talvez eu não pudesse estar contanto isso para vocês agora - ele confessou, olhando para mim, eu sorri agradecida. Todos os olhares estavam concentrados em mim agora.
- O que exatamente você quis dizer com “Leah estava lá”? - Quill perguntou, olhando de mim para Paul; uma ruga franzindo sua testa.
- Quis dizer que estávamos juntos quando enfrentamos o Vampiro - Paul falou, olhando para os outros e vendo até onde eles tinham compreendido o fato de “estarmos juntos”.
- Juntos como? Vocês se encontraram durante sua viagem? - a curiosidade de Seth foi dirigida diretamente a mim.
- Não, quer dizer que viajamos juntos - respondi, e esperei que eles absorvessem a informação antes de prosseguir - Nós estamos namorando - anunciei calmamente, dando um passo para mais perto de Paul, buscando apoio. Ele entendeu minha intenção e imediatamente envolveu meus ombros com seu braço protetor.
Todos os olhares recaíram sobre o gesto de Paul, como se eles esperassem que ao invés de me abraçar ele estivesse me estrangulando.
- Vocês o quê? - Seth perguntou nervoso, se pondo de pé num segundo - Diga que isso é uma piada – suplicou olhando para mim, esperançoso.
- Desculpe irmãozinho, você ouviu o que ela disse claramente! Estamos namorando. - Paul confirmou minhas palavras, sorrindo para meu irmão caçula, enquanto esse tremia visivelmente nervoso, parado na nossa frente.
- Como? Quer dizer... Vocês se odiavam, certo? - Embry questionou, confuso.
- Eu nunca disse a ninguém que a odiava - Paul esclareceu, enquanto eu me remexia inquieta sob seu braço - Na verdade, eu sempre gostei dela - ele admitiu tranquilo.
- Ah cara! Isso não pode estar acontecendo! - Seth choramingou raivoso.
- Não é como se eles estivessem fazendo algo terrível - Jake se pronunciou pela primeira vez - Vamos lá irmãos, todos temos nossos segredos, eles estão revelando o deles pra nós - ele arrematou, sucinto.
Eu o olhei, surpresa e agradecida. De todos ali, o único que imaginei que poderia nos causar uma dor de cabeça era Jake, e foi justamente ele o primeiro a nos apoiar; sorri para ele involuntariamente quando ele piscou para mim, cúmplice.
- Ótimo, agora ao invés de suspirar por Sam o farei por Paul - Jared falou cheio de ressentimento - Isso vai ser uma maravilha - concluiu nos fuzilando irritado.
- Qual é Jared, vai dizer que você não acha Paul mais bonito que Sam? - Quill zombou, gargalhando quando este lhe lançou um olhar fulminante.
- Olhem pelo lado bom, pelo menos quando estivermos compartilhando da mente de Paul, será a imagem de uma mulher adulta que veremos, ao invés de um bebê, certo? - Embry falou, buscando a aprovação dos outros que riam divertidos. Só Quill, eu e Paul não partilhamos das risadas.
- Isso foi golpe baixo, até pra você Embry - Jake ralhou, mas ainda assim riu das palavras do amigo, que para mim e Paul ainda eram um enigma.
- Quill sofreu o Imprinting, com Claire - Sam informou-nos.
- Claire? Quem é essa? - Paul perguntou olhando para Quill, que se mexia nervoso.
- É a sobrinha de Emily - Sam esclareceu - Ela tem dois anos - ele concluiu, olhando pesaroso para um Quill aborrecido com a situação.
- Oh Meu Deus! - murmurei assustada e pesarosa ao mesmo tempo, ele parecia realmente incomodado com aquilo.
- Não é como se eles tivessem que se casar amanhã - disse Sam, tentando desfazer o mal estar causado pela novidade - Aqueles que já sofreram o Imprinting sabem bem do que estou falando! O primeiro e maior instinto que ele desencadeia é o de proteção, o resto vem com o passar do tempo, e só acontece com o completo consentimento da pessoa por quem nos sentimos irremediavelmente atraídos - ele esclareceu calmamente.
- É isso mesmo! E de mais a mais, o foco aqui não sou eu, e sim eles! - Quill pronunciou-se, desviando astutamente a atenção de si para nós.
- OK, vocês estão namorando agora, então quer dizer que teremos que suporta horas torturantes de melação e suspiro? Isso é um pé no saco cara! - Embry constatou infeliz.
- Pé no saco? Você já pensou o que será para mim? Imagine ter sua mente invadida pelos pensamentos do cara que tá pegando sua irmã! - Seth lamentou-se desesperado.
- Calma Seth, eu controlarei meus pensamentos, não irei expor Leah dessa maneira - Paul prometeu sério.
- Acho bom mesmo, por que isso seria no mínimo bizarro - meu irmão encarava meu namorado com um olhar que ele tentava fazer parecer ameaçador. Se todos ali não conhecem a natureza bondosa dele, poderiam até acreditar que ele realmente estava prestes a confrontar Paul.
- Me diga Leah, como será quando Paul sofrer o Imprinting? - Jared fazia mesmo questão de ser desagradável. Paul grunhiu mostrando os dentes para ele, enquanto os demais me encaravam em expectativa.
- Se acontecer, farei questão de que você seja o primeiro a saber o quanto isso me afetou, e pode apostar que você não gostará nadinha disso - dei um sorrisinho cruel para ele.
- Uau! Quem tem medo da Loba Má? - Quill brincou, rindo da cara do amigo.
- Alguém tem alguma coisa contra ao fato de estarmos juntos? - Paul questionou, olhando sério para cada um deles.
- Por mim tudo bem - Embry disse, dando de ombros - Acho até que será divertido, afinal quem poderia imaginar que você seria posto na coleira, e logo pela Leah? - concluiu sorrindo. Os outros riram concordando com ele. Menos Seth; esse parecia realmente chateado.
- Acho que vai ser legal ver no que isso vai dar! - Quill cogitou, e os outros assentiram.
Eu suspirei aliviada, tudo o que tínhamos que fazer agora era manter nossos pensamentos resguardados em algum lugar onde eles não penetrassem e estaria tudo bem; mas será que conseguiríamos? Por que agora, nada nos impedia realmente de demonstrar nosso afeto um pelo outro. Não tínhamos mais que guardar segredo sobre isso, mas também não tinha muito que eu pudesse fazer a respeito; esse era o preço de compartilhar a mente com uma matilha de lobos na qual eu era a única garota. Inferno!
- Certo rapazes, agora que isso foi devidamente esclarecido vamos dividir as turmas de patrulha - disse Sam calmamente - A noite será longa e não quero surpresas desagradáveis. Sinto que teremos problemas maiores que o namoro do casal de lobos aqui, portanto vamos nos transformar e trabalhar! - ele encerrou o assunto, já se encaminhando para trás de uma árvore. Todos seguimos seu exemplo, e depois de transformados, um a um fomos voltando para o centro da clareira.
“Só não me coloque com eles dois Sam, por favor!”, a suplica de Seth ressoou em nossas mentes, tão logo ele se juntou ao grupo novamente. “Certo Seth, você fica encarregado da proteção da Reserva. Jake, Embry e Leah ficam com a fronteira Sul, enquanto Jared, Paul e eu estaremos vigiando a Norte. E você Quill, vá render guarda na casa do Chefe Swan”, as ordens do Alfa foram acatadas sem questionamentos, e tão logo ele terminou de falar, começamos a nos dispersar, pegando os rumos indicados por ele.
Nós ainda não tínhamos nos afastado o suficiente quando o pensamento de Embry ecoou em minha cabeça. “Você e Paul hein? Quem diria!”, ele pensava ainda sobre o impacto da nossa revelação. “É, eu e Paul. Por que é tão difícil assim de acreditar, posso saber?”, questionei-o curiosa. “Ah, só pensei que você tivesse um gosto melhor para homens!”, ele confessou dando de ombros. Eu o olhei surpresa enquanto imprimia um ritmo mais acelerado a nossa corrida. “Certo Embry, acho melhor você parar por aí antes que eu dê meia volta e parta sua carinha bonita ok!?”, o pensamento irritado de Paul transpassou nossas mentes, pegando-nos de surpresa. Eu sorri ao ver Embry encolher-se mentalmente diante dessa ameaça. “Cuide-se Leah, nos vemos mais tarde”, Paul finalizou e em seguida nossas mentes foram tomadas com a visão do beijo que trocamos mais cedo quanto cheguei do trabalho. “Ahhhhhhh cara, isso não vai dar certo!”, Seth e Jared lamuriaram-se ao mesmo tempo. “Foco rapazes”, nosso Alfa nos chamou a razão e imediatamente corremos para cumprir nosso dever.

Quando o dia começou a clarear, Sam ordenou que voltássemos, dando por encerrado nosso turno. Minha equipe foi a primeira a tingir a clareira, e tão logo voltei à forma humana me vesti rapidamente, indo de encontro a Jacob.
- Eu queria lhe agradecer - disse timidamente.
- Pelo o quê? - ele perguntou, franzindo a testa diante das minhas palavras.
- Por não nos julgar, e apoiar nosso relacionamento - esclareci, olhando-o calma.
- Certo, mas preciso lhe dizer que não fiz isso por você ou por Paul; fiz pelo bando, por que estamos sob a ameaça de um confronto iminente e não seria nada bom para nós sermos distraídos pelas aventuras amorosas de vocês - ele disse num tom ácido, sem deixar dúvidas sobre suas prioridades.
- Ok, manterei isso em mente quando o vir se lamentando por Bella enquanto ela se derrete nos braços de seu namorado vampiro! - rebati mantendo meu olhar sobre ele - Você é uma ótima referência no que se diz respeito à aventuras amorosas, se bem que, pensando melhor, você está longe disso não é? De ter seu amor correspondido - cutuquei-o sarcástica enquanto lhe dava as costas e caminhava pro outro lado, por onde eu sabia que Paul surgiria.
Pelo canto do olho, vi Jake disparar para casa, sem esperar pelos outros, que acabavam de surgir, já em suas formas humanas, de detrás das árvores.
- Que bicho o mordeu? - Paul perguntou assim que se aproximou de mim.
- Dor de cotovelo - eu disse dando de ombros. Paul me olhou de lado, ponderando minhas palavras, depois pegou minha mão na sua, nos guiando para casa.
Quando apontamos na esquina de nossa rua, Paul parou, me puxando pro círculo dos seus braços, e esmagando meu corpo no seu, capturando meus lábios nos seus com ardor.
- Vocês precisam mesmo fazer isso em público? - A voz raivosa de Seth nos despertou de nossa paixão, e antes mesmo que Paul me largasse no chão novamente ouvimos Embry repreendê-lo.
- Deixe eles, Seth! O amor é lindo, cara! – disse, dando uma risada quando meu irmão o olhou rancoroso.
- Lindo por que não é com sua irmã! - ele rebateu chateado. Eu apenas olhei para Paul e ele sorriu de maneira reconfortante, pegando minha mão e seguindo comigo até em casa.
- Nos vemos mais tarde - ele disse, me dando um beijinho em seguida. Eu apenas assenti.
- Seth, posso falar com você um minuto? - Paul pediu, sua voz calma fazendo meu irmão parar e olhar para ele desconfiado antes de se decidir acatar seu pedido.
Olhei para Paul intrigada e ele devolveu meu olhar calmamente, como se me dissesse que estava tudo bem. Dei de ombros e entrei em casa, encontrando minha mãe acordada, preparando o café.
- Acordada tão cedo Dona Sue? – inquiri, abraçando seus ombros e beijando seu rosto.
- Hoje trabalharei no turno da manhã - ela esclareceu - Como foi? - sua simples pergunta abrangia vários tópicos, então decidi contar-lhe tudo de uma vez só.
- Foi melhor do que imaginei, Sam e o grupo aceitaram meu relacionamento com Paul; só Seth parece meio desconfortável com isso! - eu disse chateada - E nesse momento eles estão lá fora tentando uma conversa de homem pra homem – concluí, fazendo uma careta.
- Tente entendê-lo Leah - minha mãe começou a dizer naquele seu tom apaziguador - Desde que seu pai se foi, Seth se sente responsável por nós, ele é o homem da casa agora, e pra ele o fato de você estar namorando requer cuidados, afinal ele a viu sofrer com o término de seu namoro com Sam - ela disse complacente.
Eu realmente não tinha visto a coisa por esse ângulo, e agora percebia que Seth não estava sento implicante, só temeroso.
- Obrigada por tornar as coisas mais simples para mim - eu disse, olhando-a com respeito - Não sei o que seria de nós sem você, Dona Sue! – conclui, abraçando-a com amor.
Fui para o quarto pegar uma muda de roupas limpas antes de entrar no banho, e estava pegando minha nécessaire quando uma leve batida na porta se vez ouvir.
- Entre - eu disse sem me virar pra ver quem era, certa que era minha mãe me chamando para tomar café antes que eu fosse dormir.
- Você está muito ocupada? - A voz suave de Seth chamou minha atenção.
- Não - afirmei olhando-o sobre o ombro; sua expressão estava tranqüila, o que me deixou menos preocupada.
- Eu só queria dizer que... - ele começou, mas parou abruptamente, passando as mãos pelos cabelos negros revoltos, parecendo meio sem jeito - Quer dizer, você gosta mesmo dele? - ele perguntou, me olhando com expectativa.
- Sim Seth, eu realmente gosto dele - confirmei calma.
- Certo então. Quero que você saiba que se você está feliz eu também estou, espero mesmo que isso dê certo entre vocês - ele disse olhando direto para mim, e suas palavras sinceras mexeram comigo, seja lá o que Paul tenha lhe dito, surtiu efeito.
- Obrigada - agradeci, abraçando-o em seguida. Ele retribuiu meu gesto, depois separou-se de mim, fitando-me com ares de superioridade.
- Mas se ele magoar você, pode apostar que se verá comigo - avisou sério.
- Obrigada por isso também - eu disse sorrindo para ele, descontraída.
- Certo, agora venha tomar café antes que mamãe decida nos arrastar até a mesa - brincou. O segui feliz, deixando o banho para depois.

***************


Mais tarde naquele dia, estranhei não ver Paul na varanda esperando por mim quando voltei do trabalho. Talvez ele tivesse que resolver alguma coisa em relação aos seus estudos, afinal estávamos no último ano e logo estaríamos nos formando. Fiquei feliz ao imaginar que eu poderia me exibir no Baile de Formatura com meu namorado bonitão!
Assim que entrei em casa descobri o porquê de Paul não estar me esperando lá fora: ele estava confortavelmente sentado no sofá da sala, rindo e conversando com minha mãe e meu irmão.
- Oi - ele me cumprimentou sorrindo.
- Olá - disse sorrindo de volta - Tudo bem? - minha pergunta foi dirigida à minha mãe.
- Está tudo ótimo - ela tranquilizou - Estávamos esperando você chegar, por que não senta aqui conosco? - ela convidou, apontando para o espaço no sofá ao lado de Paul. Larguei minha bolsa e sentei-me ao lado dele, olhando-o e erguendo minhas sobrancelhas, inquisitiva. Ele devolveu meu olhar calmamente, desviando-o em seguida para minha mãe.
- Então Dona Sue, agora que Leah está aqui, eu gostaria de aproveitar para pedir sua permissão para namorar sua filha - ele disse, me pegando de surpresa.
- Se é o que ela quer, por mim tudo bem, vocês tem minha benção - disse calma.
- Você quer namorar comigo Leah? - o calor da sua voz e de seus olhos aqueceram meu coração.
- Você está me pedindo oficialmente, é isso mesmo? - inquiri meio chocada.
- Eu prometi ao seu irmão que o faria, não quero que paire nenhuma dúvida sobre meus sentimentos em relação a você. E então? Aceita? - pediu mais uma vez, segurando minha mão na sua e apertando-a levemente. Olhei para Seth, sentado ereto, me encarando sério e esperando minha resposta.
- Sim - confirmei feliz, entrelaçando meus dedos nos dele. Seu rosto iluminou-se com seu sorriso e ele levou minha mão aos lábios, beijando-a com carinho.
- Certo, agora que estamos conversados, podemos comer? Tô morto de fome! - Seth falou já indo pra cozinh,a seguido de perto por nossa mãe.
- Vamos sim! Paul você janta conosco - mãe disse, sem dar-lhe chance de recusar o convite. O fitei demoradamente antes de beijá-lo.
- Agora não tem mais jeito, você é oficialmente minha namorada - disse, a boca ainda encostada na minha.
- Sou mesmo, não é? - disse me fingindo derrotada, e como punição ele mordeu levemente meu lábio, arrancando um gemido meu.
- Acha que eles ficariam muito chocados se eu arrastasse você para o quarto agora? - brincou, com um sorriso maroto - Juro que vou explodir se tiver que ficar longe de você mais uma noite! – enfatizou, abraçando-me bem junto a si. Eu sorri, me desprendendo dele e me erguendo do sofá em seguida.
- Vamos comer, antes que Seth venha ver o porquê de estarmos nos demorando - instiguei-o, ofereci minha mão, e ele segurou-a com firmeza, pondo-se de pé e sorrindo feliz.

Capítulo 28. - Coisas Novas e Antigas

A semana passou rápida demais; eu não conseguia acreditar que já era sábado. Onde tinham ido parar os outros dias?
A correria do trabalho, das últimas provas e as vigílias noturnas tinham tomado todo o meu tempo; minha mente lutava pra conciliar tudo de uma só vez. E ainda havia Paul, com quem eu mal consegui trocar algumas palavras durante esse período. Nossos encontros resumiram-se à alguns breves momentos antes e depois das rondas noturnas, quando já estávamos tão cansados que tudo o que desejávamos eram nossas camas quentes e reconfortantes. Eu sentia falta de Seattle, sentia falta de estar com ele, de tê-lo só pra mim, sem um bando de garotos enxeridos que ficavam vigiando nossos mínimos pensamentos; isso era realmente irritante.
Levantei, e a casa estava silenciosa. Fui até a cozinha, havia um bilhete de minha mãe preso a geladeira, avisando que iria trabalhar o dia inteiro e nos desejando um ótimo dia; sorri com tristeza ao lembrar que meu dia seria bem melhor se eu não tivesse que dar uma geral no meu quarto. Voltei para dentro dele munida de coragem e uma xícara de café e recolhi livros e roupas espalhadas; definitivamente organização não era meu forte. Troquei minha roupa de cama, espanei o pó acumulado e varri o chão, deixando tudo limpo e perfeito.
Aproveitei minha empolgação para dar uma ajeitada na casa, e o barulho alto do aspirador de pó ligado não me permitiu ouvir sua chegada, mas sua presença foi denunciada por seu cheiro.
Olhei sobre meu ombro, ainda curvada sobre o aparelho ruidoso, e lá estava ele: os braços cruzados sob o peito, o corpo apoiado no batente da porta e um sorriso de tirar o fôlego brilhando no rosto bonito.
- Olá! – cumprimentou-me - Você parece bem ocupada – constatou olhando em volta, observando os móveis fora do lugar e pousando-os novamente em mim.
- Oi! – respondi, desligando o aspirador e caminhando até onde ele estava – Não estou tão ocupada que não possa arrumar um tempinho pra fazer isso – conclui erguendo minhas mãos até seu pescoço e trazendo seu rosto pra perto do meu, capturando sua boca em seguida.
Suas mãos me puxaram pela cintura, aproximando mais nossos corpos; sua língua deslizou para dentro da minha boca quando a abri em busca de ar, e o desejo reprimido durante toda a semana apoderou-se de nós, fazendo-nos estremecer nos braços um do outro.
Relutante, afastei-me um pouco, pois infelizmente eu ainda precisa de ar para continuar vivendo.
- Saudades – disse, acariciando seu pescoço com a ponta do nariz. Ele gemeu baixinho, entrelaçando seus dedos em meus cabelos antes de falar.
- Eu senti mais – disse, beijando minha testa e afastando-se de mim, já mais controlado.
Sorri; ele sempre dizia isso. Sempre fazia questão de me lembrar o quanto seus sentimentos por mim eram maiores que os meus por ele, como se fosse uma competição.
- Cadê sua família? – perguntou, brincando distraído com uma mecha do meu cabelo.
- Minha mãe está trabalhando e Seth está dormindo – informei-o calmamente, inspirando seu perfume enquanto descansava a cabeça em seu peito, coberto pela malha fina da camiseta, e o abraçava pela cintura.
- Sei. Você acha que vai se demorar muito por aqui? – perguntou, erguendo meu rosto para poder me olhar.
- Terminei já, só falta colocar os móveis em seus lugares – disse-lhe – O que você tem mente? – questionei, olhando-o desconfiada.
- Nada demais, só pensei que poderíamos dar uma volta, ter um tempo só pra nós, sem aqueles caras tentando bisbilhotar nossas mentes – esclareceu tranqüilo. Eu sorri amplamente enquanto concordava com um gesto.
- Adorei a idéia, se você me ajudar com os móveis poderemos ir mais rápido – disse num tom persuasivo.
- Eu sabia que você daria um jeito de me explorar! – brincou – Vamos logo com isso.
Depois de estar tudo em seus devidos lugares, corri pro banho, voltei ao quarto onde vesti um short e uma camiseta por cima do biquíni, por que eu não sabia exatamente pra onde estávamos indo. Talvez déssemos uma passada na praia.
Quando voltei à sala ele estava lá, de papo com Seth, que tinha acabado de acordar.
- Bom dia – disse Seth, entre um bocejo e outro quando meu viu entrar.
- Boa tarde dorminhoco – brinquei com o fato de ele estar perdido no tempo – Estou de saída, mas tem comida na geladeira. Nos vemos mais tarde! – eu disse, já puxando Paul pela mão para sairmos.
- Ei! Espere aí! Aonde vocês vão? – perguntou, parecendo mais desperto.
- Vamos dar uma volta – disse dando de ombros, ignorando seu olhar desconfiado, e já saindo pela porta.
Já dentro do carro me virei para Paul.
- Pra onde? – perguntei.
- Vamos à praia – ele disse calmo. Assenti, e sorri feliz por ter colocado o biquíni. Peguei a estrada que nos levaria até a última praia.
Apesar do sol por detrás das nuvens, o dia estava frio, mas nós nem nos demos conta disso. A coisa boa de ser Lobo, se é que existia uma, era a de que não sentíamos frio como as outras pessoas, nossa temperatura estava sempre elevada, o que nos permitia, se quiséssemos, encarar um mergulho na água fria do mar a nossa frente.
A principio nós só caminhamos de mãos dadas, andando sem rumo num silêncio reconfortante, apenas admirando a paisagem; depois de certo tempo Paul parou, sentou-se na areia e ergueu a mão para mim num convite para que eu me juntasse à ele. Ele me fez sentar entre suas pernas, apertando seu peito em minhas costas enquanto passava os braços, prendendo meus joelhos com as mãos; seu queixo descansando em meu ombro, e meus braços relaxados repousavam sobre suas coxas.
- Adoro o silêncio desse lugar! – murmurou junto ao meu ouvido – Principalmente depois de passar a noite ouvindo os pensamentos de todo o bando – ele disse num tom divertido. - Com certeza – concordei, acompanhando seu riso – Mas não fique tão animado, logo mais a noite haverá Reunião do Conselho e teremos mais das nossas doses diárias de enxeridos – brinquei. Ele se encolheu, forçando mais seus braços ao meu redor.
- Então, como foi sua última semana na escola? - perguntou curioso.
- Ah, nada demais! Acho que consegui pontos o suficiente para me formar – falei dando de ombros – E você? – devolvi-lhe a pergunta.
- Eu também – falou calmo – Estou feliz por não ter que voltar – confessou. Eu apenas concordei com um meneio de cabeça.
– Sara chega na próxima semana; minha mãe conseguiu convencê-la a vir passar uns tempos conosco – disse, mudando de assunto.
- Que maravilha Paul! – falei contente, me virando em seus braços e encarando-o – John também virá? – perguntei.
- Sim – ele disse – Ele consegue fazer seu trabalho de qualquer lugar, já que só precisa estar conectado com seu escritório de consultorias em Seattle – sorriu esclarecendo.
- Estou louca pra ver Benjamim novamente – disse animada.
- Quem diria que a Durona Leah Clearwater se desmancha quando tem um bebezinho nos braços, hein? – zombou – Imagine como será com seus próprios filhos? – brincou. Meu corpo retesou diante das palavras dele, e senti lágrimas amargas queimarem meus olhos.
- Nós nunca saberemos, por que eu não os terei. – o nó que se formou em minha garganta fez minha voz tremer – O fato de ser um Lobisomem me privou disso – minhas palavras o pegaram de surpresa, e por seus olhos vi passar tristeza, confusão, susto; mas foi o último sentimento que se apossou deles que mais me incomodou: eles estavam cheios de pena.
- Talvez não seja algo definitivo – começou a dizer, ainda abalado com a noticia – Quem sabe quando tudo isso acabar você possa ter seus bebês? – ele tentou me animar, sem sucesso.
- E se isso não acabar Paul? E se eu ficar assim pra sempre, seca e estéril? - questionei-o exasperada, ainda encarando seus olhos doloridos.
- Isso vai acabar – afirmou, segurando meu rosto com as mãos quentes – E se mesmo quando isso terminar você ainda não puder ter seus filhos, sempre existirá a possibilidade de adoção, certo? Você será uma mãe maravilhosa Leah, eu sei disso – concluiu convicto – Só não pense mais nisso ok? – pediu firme.
Ele fitou meus olhos tristonhos, enquanto os dele tentavam me passar confiança. Abracei-o com força, enterrando meu rosto na curva do seu pescoço. Eu queria acreditar nele, eu precisava acredita; não queria me permitir conviver com o fantasma da esterilidade.
Seus braços, envolta do meu corpo, eram firmes, a segurança que ele exalava acabou me atingindo, e uma paz envolveu meu coração. Suspirei mais tranqüila.
- Quer dar um mergulho pra esfriar a cabeça? – convidou alegre, tentando me distrair.
- Ok – concordei, me desprendendo dele e me pondo de pé, já me livrando da camiseta e do short. Quando ergui meus olhos novamente ele me encarava com verdadeira adoração; sorri pra ele.
- Cara, digam o que quiser, mas se existe um sujeito sortudo nesse mundo, esse sou eu – ele falou sério, me abraçando firme. Eu apenas ri.
O choque térmico do meu corpo quente em contado com a água fria do mar me fez sobressaltar, mas a mão firme de Paul me incentivou a prosseguir. Quando chegamos à certa profundidade ele me puxou pros seus braços, me beijando e mergulhando nossos corpos na água sem separar sua boca da minha.
Quando voltamos à tona deixei meu corpo flutuar de encontro ao dele, enlaçando seu pescoço com meus braços.
- Adoro você, sabia? – ele disse, me segurando pela cintura com firmeza.
- Aham! – eu confirmei, sorrindo.
- Convencida! – ralhou brincalhão.
Eu gargalhei com gosto me desprendendo de seus braços, e mergulhei mais uma vez. Passamos algum tempo ali, hora nadando hora nos acariciando, até que o céu ficou encoberto por nuvens pesadas de chuva.
- Acho melhor voltarmos – falei indicando o céu.
- Certo, já está tarde mesmo! – concordou, me arrastando com ele pra fora d'água. Nos vestimos e voltamos pro carro, e em seguida o céu desabou ao nosso redor.
Quando estacionei diante da minha casa a chuva já tinha diminuído, transformando-se em uma garoa fina. Me voltei para ele.
- Vai ficar mais um pouco comigo? – perguntei esperançosa.
- Na verdade tenho umas coisas pra fazer, mas volto pra te pegar daqui a pouco – disse, depositando um beijo singelo em meus lábios antes de sair do carro. - Vamos a algum lugar antes da Reunião de logo mais? – inquiri, saindo do carro e o encarando curiosa.
- Minha mãe convidou você para jantar – ele disse encolhendo os ombros, como se fizéssemos isso todos os dias.
- Jantar? – a novidade me pegou de surpresa e minha voz soou mais nervosa do que deveria.
- Qual o problema? – perguntou, dando a volta no carro e pegando minha mão na sua – Você não vai amarelar agora, vai? – provocou.
- Não é isso, é só que... – parei de falar, olhando-o confusa.
- Não é como se eles fossem massacrar você, sabe? – ele zombou – Minha mãe só quer retribuir a gentileza, já que sua mãe foi bacana por me convidar no outro dia – ele disse sério – E ela quer conhecer você melhor, é só isso – disse dando de ombros.
- Tudo bem, eu acho – concordei mais calma.
- Essa é a minha garota! - ele disse, sorrindo orgulhoso.
Nos despedimos e corri pra me aprontar. Durante o banho fiquei repassando, em minha mente, meu guarda-roupa minguado, sem conseguir pensar em nada adequado pra vestir.
Voltei pro quarto e enquanto secava meus cabelos decidi por algo simples e casual; nada de grandes produções, afinal era só um jantar em família na casa do meu namorado.
Terminando com o cabelo, peguei um vestido floral de alcinhas, calcei sandálias baixas e fui pra sala fazer hora até que Paul voltasse. Lembrei que na época em que Sara vivia entre nós, eu não costumava freqüentar sua casa; eu só conhecia os pais deles das reuniões comuns da Reserva, e muito embora eles sempre fossem simpáticos e educados comigo, isso ajudava pouco agora.
Paul não demorou muito, e abri a porta assim que o ouvi subir os primeiros degraus da varanda.
-Uau! Você está linda! – seu elogio sincero me fez corar um pouco, enquanto ele me analisa com prazer.
- Obrigada – disse, fechando a porta atrás de mim e segurando a mão que ele me oferecia.
Fomos caminhando até sua casa, e minha mão suada denunciava meu nervosismo. Ele levou minha mão até seus lábios, beijando-a com delicadeza quando chegamos à porta.
- Fique tranqüila, não é nada demais – ele disse calmo, fitando-me com carinho. Apenas meneei minha cabeça em concordância e respirei fundo antes de passar pela porta que ele abriu.
- Mãe? Pai? Chegamos! – ele anunciou, mantendo nossas mãos unidas e me olhando de canto.
- Pequena Leah! Que bom que está aqui! – a Sra. River veio até onde estávamos e me abraçou carinhosamente – Bem, você já não é mais tão pequena, não é mesmo? – ela disse divertida, tendo que olhar pra cima pra me encarar, rindo descontraída.
- Olá Sra. River – disse, retribuindo-lhe o abraço e o sorriso – Obrigada por me convidar – agradeci educadamente.
- Ora, ora se não é mesmo a linda garota Clearwater que veio nos encantar com sua presença nessa noite?! – a voz grave do Sr. River ressoou pela sala, e ele parou juntou da esposa e sorriu para mim galantemente. Eu bem podia ver de quem Paul havia herdado todo aquele charme.
- Boa noite Senhor – cumprimentei-o tímida.
- O jantar será servido daqui a 10 minutos, Leah! Fique à vontade, está bem? – a mãe de Paul avisou-nos, já voltando para a cozinha.
Seguimos o pai dele até o sofá e antes de sentar olhei para Paul na dúvida.
- Acho que vou ver se ela não precisa de ajuda – disse.
- Se você não se importar de ser enxotada de lá, vá em frente – ele disse dando de ombros. Olhei-o sem entender.
- Mary defende sua cozinha como território restrito – o pai dele confidenciou, olhando para a cozinha com carinho – Ela não faz por mal, é só seu amor pela culinária falando mais alto – ele explicou, divertindo-se com meu espanto aparente.Paul me puxou para sentar ao seu lado, sorrindo.
- Como vai sua mãe? – o Sr. River perguntou, puxando conversa.
- Está bem! Trabalhando muito, mas ela não se importa; diz que isso é melhor do que ficar em casa sem fazer nada – informei-o.
- Ela tem razão sobre isso – ele concordou – A força dela é admirável – ele disse respeitoso. Eu assenti, relaxando um pouco mais a cada minuto.
- Paul nos disse que você visitou Sara quando esteve em Seattle – disse calmo.
Olhei para Paul, procurando algum sinal do quanto da nossa viagem a Seattle seus pais sabiam; ele sorriu tranqüilo, como se me dissesse pra não me preocupar com isso.
- Oh sim! Estive com ela e sua família; seu neto é um anjo lindo, parabéns! – cumprimentei-o, e vi seu peito inflar de orgulho.
- É verdade, dizem que ser avô é como ser pai duas vezes, e tenho que concordar com isso, sabe!? – ele disse, como se refletisse sobre o assunto – Mas o melhor mesmo é o fato de que eu posso mimá-lo sem culpa, afinal avôs são pra isso, certo? – Ele procurou meu apoio e eu sorri para ele em confirmação.
- Certo pessoal, o jantar está servido! Vamos? – a Sra. River nos chamou da porta que dividia a sala de estar da de jantar.
O jantar foi divino, e a mãe de Paul cozinhava tão bem quanto a minha; a conversa fluiu tranqüila e animada, os pais dele eram pessoas simples e divertidas. Eu me senti feliz e bem vinda naquela casa e naquela família.
Nos despedimos deles uma hora depois, já que tínhamos compromisso com o Conselho dos Anciões e não queríamos nos atrasar.
Encontramos minha mãe e Seth no caminho.
- Paul, Sam pediu para avisá-lo que Jake trará Bella para a reunião, então seria melhor que você e Leah não ficassem juntos – Seth disse tão logo nos juntamos à eles – Ele acha que quanto menos ela souber sobre nós melhor, não que ele ache que ela vá correndo contar o que se passa aqui pros Cullen, mas é mais seguro se ela não souber quantos de nós podem se transformar, e também por que seria uma informação valiosa se algum vampiro soubesse que existem casais entre os lobos, já que eles poderiam usar isso contra nós numa eventual luta – ele esclareceu.
- Certo Seth, obrigada por me avisar – Paul disse desgostoso.
- Isso não é esplêndido? Agora qualquer um pode participar das Reuniões de Conselho – eu disse exasperada – Nossa tribo já foi mais seletiva – arrematei com cinismo.
- Por favor minha filha , não crie problemas ok? – minha mãe pediu cautelosa – Até por que não é uma Reunião secreta nem nada parecido, os Anciões escolheram essa noite para contar nossas lendas para os jovens que agora formam a nova Matilha de Guardiões de La Pusch, por isso eu lhe peço paciência – ela disse conciliadora.
Acatei suas palavras, e assim que chegamos ao local onde nos reuniríamos ao restante dos convidados, me separei do meu namorado, sentando-me ao lado de minha mãe junto com Seth, enquanto Paul tomava acento perto de Quill e Embry; Jared estava lá com sua namorada e Sam e Emily chegaram dois minutos depois de nós. Pouco depois os vi se aproximar, Jake e a garota Swan; ela nos lançou seu sorriso amarelo, talvez sentindo-se como a intrusa que ela realmente era, e Sam e Emily cumprimentaram-na cordialmente, e até mesmo Paul fez questão de mexer com ela, pedindo que ela ficasse a favor do vento para manter o fedor dos sanguessugas longe. Me irritava ver o quão confortáveis eles se sentiam na presença dela; era como se eles esquecessem todos os pensamentos atormentados que compartilhávamos com Jacob. eu não conseguia simplesmente deixar pra lá, sabendo o quanto aquele idiota sofria por ela, enquanto a falsa curtia seu namorado vampiro.
Quando já estávamos todos ali, os rapazes começaram a assar salsichas na fogueira, e alguém trouxe refrigerantes e pães, e a festa foi grande. Eu não pude acreditar quando vi Paul engolir o que deveria ser seu 5º cachorro quente; não fazia a menor idéia de pra onde ia tanta comida! Tudo bem que ele não tinha comido tanto durante o jantar, mas mesmo assim, Pelo Amor de Deus!
Senti os olhos de Bella em mim, como se me analisasse, mas não me dignei a olhá-la nem uma vez se quer; se eu o fizesse ela teria certeza do quanto sua presença me desagradava, e eu tinha prometido a minha mãe que não provocaria nenhum desconforto essa noite.
Pelo canto do olho, vi quando Billy Black sentou-se ereto em sua cadeira de rodas, atraindo a atenção de todos em volta. Ele limpou a garganta e então sua voz firme nos envolveu. Fechei meus olhos, transportando-me para os tempos antigos, de quando nosso povo se formou, e eu conseguia vislumbrar através das minhas pálpebras fechadas, cada detalhe que ele citava; podia sentir no mais fundo do meu ser todas as emoções que ele tentava passar com suas palavras.
Quando ele chegou ao fim da primeira história, eu ainda estava tão envolvida com tudo aquilo que permaneci estática, até que a voz do Sr. Ateara se fez ouvir. Ele nos contou sobre os frios e como a partir daquele acontecimento nossas vidas ficaram sinistramente interligadas as dos vampiro;, nós existíamos com a única finalidade de defender os humanos daquelas criaturas odiosas e repulsivas.
Antes que eu pudesse controlar, uma lágrima escapou, rolando por minha face, eu a limpei rapidamente. Levei algum tempo até que pudesse abrir meus olhos, voltando à realidade e entendendo por fim o compromisso que tínhamos; odiando ainda mais os vampiros.
Os garotos conversavam excitados entre si, e Paul me fitou confuso de seu lugar. Desviei meus olhos para que ele não captasse a amargura contida neles.
Pouco depois Jake partiu, levando consigo sua amiga, e Sam fez sinal para que nos aproximássemos.
- Hoje apenas alguns irão fazer a ronda noturna. Quill, Embry, Seth e Jake, amanhã os que estão de folga hoje assumirão seus lugares – ele disse nos dispensando em seguida. Fiquei grata por ser dispensada da ronda, e Paul também pareceu gostar da novidade,então voltamos para junto de minha mãe.
- Vai voltar conosco? – perguntei, abraçando-a pelos ombros.
- Não querida, estou cansada para ir caminhando, vou pegar uma carona com Billy – ela disse sorrindo para nós.
- Tudo bem, nos vemos mais tarde então! – beijei seu rosto e Paul copiou meu gesto.
- Cuidem-se! – ela disse acenando para nós, já caminhando para a picape estacionada mais a frente. Paul segurou minha mão e nos colocamos à caminho da reserva.
- O que você achou? – ele inquiriu ansioso, tão logo nos distanciamos dos outros.
- Foi instrutivo – eu disse calma, olhando-o de lado, e vendo seu desapontamento com minha colocação – Ok, ok! Foi ótimo, é no mínimo interessante saber que as histórias que nos contam no jardim da infância podem se tornar realidade – eu disse sorrindo – Ainda que para alguns ela não seja uma realidade assim tão boa! – concluí sarcástica.
- Você tem razão sobre isso, e você não é a única que se sente assim – ele disse introspectivo.
- Você quer me convencer que algum dos rapazes não gosta de se transformar? – perguntei desconfiada.
- Jacob odeia isso tanto quanto você – ele disse sério.
- Mesmo? Não é o que ele deixa transparecer – eu disse incrédula.
- Pode apostar, ele acha que isso diminui suas chances com Bella – ele confidenciou.
- Há! Isso seria cômico se não fosse trágico! – ri amargamente – Será que ele não percebe que ela não está nem aí pro que ele é ou deixa de ser? Ela não o ama, é simples! – conclui séria.
- Está aí outro traço que vocês têm em comum, ambos adoram uma causa perdida – ele disse sério, numa clara alusão ao meu sofrimento por não ter mais o amor de Sam – Dentre todos nós, você deveria ser a primeira a se solidarizar com os sentimentos dele – arrematou.
Touché! Me senti pega em minha própria armadilha, mas eu não tinha por que ficar magoada por ele expor a coisa assim, friamente; esse era Paul. Para ele não havia meio termo, era sempre sincero e direto, e era exatamente por isso que eu estava com ele; foi assim que ele conseguiu me conquistar.
- Você tem razão, manterei isso em mente de agora em diante – concordei firme. Ele sorriu e acariciou minha mão com o polegar; eu nem tinha notado que já estávamos em frente a casa dele.
- Você quer entrar um pouco? Talvez eu possa convencê-la a compartilhar da minha cama hoje, hein? – ele disse, sorrindo malicioso. - Não quero incomodar seus pais, e eu não transaria com você com eles dormindo no quarto ao lado nem que minha vida dependesse disso – falei séria.
- Certo senhora puritana – ele disse beijando a ponta do meu nariz – Mas antes de levá-la pra casa quero lhe mostrar uma coisa – ele disse me puxando com ele. Passamos pela lateral da casa e subimos uma escada que levava ao segundo andar, em cima da garagem.
Paul abriu a porta e acendeu a luz. Estávamos num quarto, e uma cama um pouco maior que uma de solteiro ocupava a parede a esquerda; sob a janela tinha um criado mudo com um abajur e um rádio relógio, à direita uma pequena cômoda e uma porta que provavelmente levaria a um banheiro. Olhei para ele, inquisitiva, parado no meio do quarto e sorrindo para mim com as mãos nos bolsos.
- Esse é nosso quarto de hóspedes. Meus pais o construíram para o caso de recebermos alguma visita de parentes distantes – explicou sorrindo – Eu o tenho usado com freqüência, pra não incomodá-los com minhas chegadas tardias, e também por que aqui eu posso dormir até mais tarde sem que minha mãe me enxote do meu quarto a fim de limpá-lo – esclareceu – Vamos, entre, você não vai passar a noite toda aí na porta vai? – convidou, me puxando para dentro e fechando a porta atrás de si.
- Isso aqui é bem conveniente – disse, aprovando.
- E tecnicamente, estamos fora da casa deles, certo? – falou esperançoso, me abraçando e beijando meu pescoço.
- Certo! – concordei, rendida aos seus encantos, beijando-o em seguida.
Minhas mãos ansiosas subiram por baixo da camiseta dele, traçando círculos imaginários com minhas unhas em seu estomago; um gemido rouco escapou de seus lábios junto a minha boca, e ele livrou-se da camiseta e sentou-se na beira da cama, me mantendo de pé diante dele. Sua boca acariciava a minha enquanto seus dedos desabotoavam os primeiros botões na frente do meu vestido, infiltrando-se em seguida para dentro dele deslizando-os sobre meus seios desnudos.
- Adoro quando você torna as coisas mais fáceis pra mim – murmurou em meu ouvido, referindo-se ao fato de eu estar sem sutiã. Meu riso perdeu-se, junto com o ar dos meus pulmões, quando senti seus lábios descerem sobre eles.
Sua boca passeou por meu estomago e barriga enquanto ele terminava de desabotoar meu vestido, que caiu aos meus pés. Ele sentou-me na cama e ajoelhou-se na minha frente livrando meus pés das sandálias; colocando-se de pé novamente, tirou o tênis e a bermuda, diante do meu olhar maravilhado e desejoso, antes de sentar-se ao meu lado, voltando a me beijar.
Ele inclinou-se sobre mim até que eu estivesse deitada de costas na cama, deitando-se ao meu lado. Suas mãos deslizavam por meu corpo em reconhecimento, sempre buscando os pontos que ele já conhecia tão bem, e que sabia que me fariam implorar por mais; meus lábios deixaram os seus para pousarem em seu pescoço, e eu o mordisquei e lambi, sentindo seu gosto almiscarado e único penetrando minha mente e atordoando meus sentidos. Só me dei conta que estávamos completamente nus quando senti a pele quente do seu quadril tocar a minha, e um gemido de antecipação escapou da minha garganta, enquanto eu me aproximava mais dele.
- Por favor, Paul! - choraminguei, queimando de desejo.
- O que você quer, Leah? – seu hálito quente atingiu meu rosto quando ele se colocou sobre mim.
Através dos meus olhos anuviados pelo desejo eu o vi, o rosto bem próximo ao meu, seus olhos cintilando de desejo e luxúria, enquanto aguardava pacientemente minha resposta.
- Quero que você me ame – pedi, fitando seus olhos escuros, agora animados por outros sentimentos. Vi carinho e amor dilatarem suas pupilas antes que sua boca descesse sobre a minha e seu corpo mergulhasse no meu.
Eu queria gritar meu prazer quando o clímax me atingiu, mas então os lençóis macios em baixo de mim me lembraram que não estávamos na gruta, por isso, só gravei minhas unhas em suas costas enquanto mordia meu lábio pra evitar que algum som mais alto fugisse através deles. Meu corpo ainda estava arqueado buscando contato com o dele para melhor extravasar meu prazer quanto o senti estremecer sobre mim, e ouvi-o ainda repetir meu nome várias vezes no ápice do seu próprio prazer, para então buscar minha boca uma vez mais, antes que tudo acabasse como numa explosão de fogos e luzes.
Ele rolou para o lado, aliviando meu corpo do peso do seu. Apoiando-se num braço, procurou meu olhar, enquanto pousava suavemente a outra mão sobre meu peito, sentindo as batidas irregulares do meu coração e o esforço que eu fazia pra controlar minha respiração. Passaram-se longos minutos até que pudéssemos falar normalmente.
- Você acha que será sempre assim com a gente? – perguntou ansioso.
- Não sei – disse-lhe, mais recuperada – Me procure daqui a cinqüenta anos, aí saberemos – falei, brincando com seus cabelos. Seu riso cristalino ressoou pelo quarto.
- Acho que não quero esperar tanto pra saber sobre isso – ele disse, o riso ainda em sua voz.
- Concordo. Até por que dizem que a prática leva a perfeição então... – deixei minhas palavras soltas no ar, enquanto deslizava meus dedos por seu rosto, parando para acariciar com o polegar a curva logo abaixo do seu lábio inferior, que era tão tentadora. Ergui meu corpo da cama, ficando com o rosto na altura do dele e substitui meu dedo por minha língua, deslizando-a por toda a extensão do lábio antes de prendê-lo entre meus dentes e sugá-lo para dentro da minha boca.
Sua mão, que até então repousava em meu peito, deslizou, parando em minha barriga e acariciando meu umbigo; meu estomago contraiu-se, novamente tomado pelo desejo, e minha mão firmou-se em sua nuca, trazendo-o para mais perto de mim enquanto aprofundávamos o beijo. A proximidade fez meus seios tocarem em seu peito e ele grunhiu em minha boca.
Aquele som estrangulado foi como um chamado pra mim, e todo meu corpo respondeu a ele. Forcei mais nossa proximidade e logo eu estava sobre ele, enlaçando seus quadris com minhas pernas, mantendo sua boca cativa da minha enquanto nossos quadris, assumindo um ritmo cadenciado, buscavam a satisfação.
Dessa vez ele alcançou seu prazer antes de mim, o que me fez sorrir feliz, sabendo que eu também podia ter algum controle sobre ele. Isso me fez sentir recompensada, por saber que podia dominá-lo assim como ele me dominava.
Quando o êxtase me arrebatou, meu corpo saciado desabou sobre ele, escondendo-o parcialmente sobre as ondas dos meus cabelos. Suas mãos espalmadas em minhas costas me mantiveram presa à ele, até que nossos corações serenassem e nossas respirações atingissem um ritmo mais saudável.
- Você estava certa, praticar é a resposta! – sua voz grave, abafada pela nuvem de cabelos revoltos sobre seu rosto, despertou meu riso.
- Eu sempre tenho razão – falei presunçosa, saindo de cima dele e sentando-me ao seu lado na cama – Agora se você gosta realmente de mim, deveria me levar pra casa – falei sorrindo, catando minhas roupas do chão e indo pro banheiro.
Levei algum tempo pra me arrumar e pentear meus cabelos antes de voltar pro quarto. Paul estava sentado na cama esperando, e assim que liberei o banheiro ele entrou, levando consigo suas roupas. Ouvi o barulho do chuveiro sendo ligado e desligado minutos depois, e recostei minhas costas na cabeceira da cama e fechei meus olhos; um principio de sono querendo me dominar. Quando ouvi a porta do banheiro sendo aberta os abri, para encontrá-lo parado diante de mim, vestindo a bermuda mas sem a camiseta, passando a toalha no cabelo recém lavado. Minhas mãos formigaram ansiosas por tocá-lo só mais um pouquinho, mas controlei minha ânsia e sentei ereta, antes de sorrir pra ele.
- Pronto pra irmos? – perguntei suave.
- Eu queria que você pudesse ficar... – ele disse triste – Na verdade, acho mesmo que você não deveria ir embora nunca mais! – disse sério, vindo sentar-se ao meu lado e pegando minha mão na sua – O que você diria se eu lhe pedisse pra vivermos juntos? – inquiriu ansioso.
Olhei para ele pasma; podia ver em seus olhos o quão sério ele estava falando, e não pude acreditar naquilo.
- Bom, eu lhe diria que ainda é cedo para isso – disse pausadamente, me esforçando para não ferir seus sentimentos – E que já está tarde e preciso mesmo ir pra casa – finalizei, ficando de pé e puxando-o pela mão que ainda segurava a minha, para levantar-se.
- Ainda é sobre o maldito Imprinting, não é? – ele questionou, visivelmente irritado – Eu já lhe disse que não... – eu o calei, colocando minha mão livre sobre seus lábios.
- Não prometa aquilo que você não pode cumprir – disse encarando seus olhos angustiados – Eu não quero realmente discutir sobre isso agora, estou cansada, só quero ir pra casa e dormir um pouco, está bem? – pedi, esperançosa de que ele aceitasse e deixasse aquele assunto quieto.
- Tudo bem, venha, eu vou levá-la pra casa! – disse mais calmo, embora a tristeza ainda estivesse presente em seus olhos.
Caminhamos em silêncio até minha casa, e eu subi dois degraus da varanda e me virei para encará-lo, pronta pra me despedir dele com um beijo reconfortante como sempre fazíamos, mas ele limitou-se a beijar minha testa, soltando minha mão e virando-se em seguida pra voltar pra casa.
- Paul? – chamei confusa.
- Está tudo bem Leah, eu também estou cansado – ele disse, olhando-me sobre o ombro – Nos vemos amanhã, durma bem! – e desapareceu em seguida na escuridão da rua.
Eu ainda fiquei ali mais um tempo, certa de que ele voltaria, e que não traria mais aquela magoa no olhar, mas isso não aconteceu, e eu tive que entrar, e mesmo durante o banho e depois, quando eu já estava deitada em minha cama, não pude deixar de pensar na proposta dele. Não que eu estivesse tentada a aceitar ou algo assim, mas sim por que eu queria! Eu conseguia me ver vivendo com Paul, numa casa simples e feliz, mas então no meio disso surgia a sombra de outra mulher, sem rosto, que o arrancava de mim, levando-o embora com ela pra sempre...

Do capítulo 29 em diante...