Capítulo 18. - Pagando a Dívida
Assim que chegamos à Seattle, fomos tomados por um mutismo incomum. Decidi quebrá-lo antes que se intensificasse ainda mais.
- Então, você prefere que eu o deixe na casa de Sara ou... - falei, dando-lhe a chance de escolher.
- Na verdade eu disse à Sara e meus pais que ficaria com amigos - ele disse, virando-se para encarar meu perfil - Você se importa se ficarmos juntos no hotel? - perguntou ressabiado.
- Claro que não! Será ótimo ter companhia – falei contente.
Ele suspirou aliviado.
- Então acho melhor nos instalarmos antes de cumprirmos nossas obrigações, assim teremos mais tempo para aproveitar, o que me diz? - propôs.
- Ótima idéia. Eu já fiz minha reserva, será rápido - deixei-me envolver por sua euforia.
Chegamos ao hotel, pegamos nossas bagagens e entramos rapidamente, fugindo do calor; estava quente e abafado e eu não via à hora de me refrescar um pouco. Seguimos até a recepção, onde fomos atendidos por uma garota e sorridente, que nos cumprimentou, simpática.
- Boa tarde, Sejam bem-vindos ao Seattle Hotel.
Notei que ela corria os olhos inquisitivos de mim para Paul; ele havia largado a bagagem no chão e cruzou as mãos sobre o balcão sorrindo de volta para ela. A coitada piscou fascinada.
- Tenho uma reserva em nome de Leah Clearwater - informei.
- Oh sim? Deixe-me verificar - falou - Sim, aqui está. A Srta ficará na suíte 513 - disse.
Ela olhou para Paul, sorrindo afetada e dizendo em seguida:
- E sua reserva está em nome de quem? - Seus olhos avaliando o conjunto da obra que era Paul.
Era impressão minha ou ela estava realmente flertando com ele bem na minha cara!? Respondi, não dando a ele chance de abrir a boca.
- Ele está comigo - falei seca, sem olhar para ele.
Ela se recompôs, pegou a chave-cartão e ofereceu-a a nós; Paul esticou a mão rapidamente alcançando-a antes de mim. Percebi que ele deliberadamente tocou os dedos dela com os seus e vi, aturdida, a garota estremecer.
- Estamos à disposição para qualquer coisa de que precisarem - disse-nos ela, com a voz falha; seus olhos fixos em Paul.
- Ligaremos para você se precisarmos de algo - Ele disse sorrindo.
A infeliz balançou ao ouvi-lo falar. Sua mente devia estar se enchendo de fantasias naquele instante.
Olhei para ele com a cara fechada, ele juntou nossas bolsas, passou o braço sobre meus ombros e olhou para mim, convidando:
- Vamos subir? - A voz sedutora e sugestiva também não passou despercebida aos ouvidos da recepcionista.
Tive que piscar duas vezes para quebrar o efeito que aquela voz e aqueles olhos criaram em volta de meu cérebro.
Firmei meus ombros, encarei a garota, me despedindo:
- Obrigada por enquanto - minha voz estava rouca de excitação.
Ele brindou-a com seu sorriso mais lindo e acenou com a cabeça, em forma de agradecimento.
Nos encaminhamos para o elevador, ele deixou seu braço descer até minha cintura; fiquei emburrada até chegarmos a porta do quarto. Ele abriu-a, dando-me passagem e marchei para dentro, largando minha bolsa com força no sofá. Ele fingiu não perceber; foi até as portas da saca e abriu-as, deixando que uma brisa entrasse, arejando o ambiente e depois se virou para mim, cruzando os braços sobre o peito.
- Tudo bem? - perguntou, tentando controlar o riso em sua voz.
- Você pode, por favor, me explicar o foi aquilo? - inquiri zangada.
- Ah Leah, ela só estava tentando ser simpática - respondeu, rindo meio nervoso.
- Simpática!? - guinchei - Ela estava dando em cima de você descaradamente, isso sim. E sua atitude contribuiu bastante também - acusei-o.
- Qual o problema? Você não está com ciúmes, está? - perguntou debochado.
Cruzei meus braços e fuzilei-o com os olhos, respondendo:
- Não seja ridículo. Só acho uma tremenda falta de respeito da parte dela agir daquele jeito, mesmo depois que ficou sabendo que estamos juntos. – falei na defensiva, tentando disfarçar minha irritação.
Ele veio até onde eu tinha ficado parada, descruzou meus braços, colocou-os em volta dos seus ombros, e segurou-os ali, para que eu não os retirasse.
- Não vamos estragar nosso fim de semana por causa de uma bobagem dessas, não é? - a voz carregada de charme.
- Não, não vamos - concordei seduzida.
Ele sorriu, beijando meus lábios de leve, deixou seus dedos correrem por meus braços e costas, repousando as mãos em meu quadril, puxou-me para mais perto dele e então o beijou ficou mais intenso. Eu podia me perder em seu abraço que nem me daria conta. Minhas mãos pressionavam sua nuca para evitar que ele se afastasse. Quando interrompemos o beijo para recuperar o fôlego, lembrei de nossas prioridades.
- Se você quiser aproveitar a noite em Seattle, terá que me deixar ir agora. Eu realmente preciso entregar aqueles documentos - disse-lhe, mas sem afastar meu corpo do dele.
Ele gemeu alto dizendo:
- OK. Obrigações primeiro. Prazer depois – Suspirou, me largando.
Fiquei um pouco decepcionada por vê-lo aceitar aquilo tão facilmente, mas depois pensei que ele só estava querendo livrar-se rápido de nossos deveres para podermos ficar mais tempo juntos, e isso me animou. Mais até do que deveria.
Dei-lhe um beijo rápido, peguei minha bolsa de mão, a pasta com os tais documentos e fui para a porta; antes de sair, lembrei-me de perguntar:
- Você quer que eu o deixe na casa de sua irmã?
- Não precisa, eu me viro - disse despreocupado.
- Tudo bem então. Comporte-se e nada de ligações para a recepção. - brinquei descontraída - Nos vemos aqui mais tarde.
Quando passei em frente à recepção, não pude evitar lançar um olhar raivoso em direção a garota. Depois recompus minha fisionomia, pensando que ela na verdade não tinha culpa de sentir-se atraída por Paul: ele era realmente muito atraente, além de charmoso. Eu estava acostumada a conviver com ele em La Push, onde a concorrência não era tão acirrada; estar em uma cidade grande com tantas oportunidades de flertes seria uma experiência nova para nós dois.
Corri para o escritório da Matriz que ficava do outro lado da cidade para fazer minha entrega especial; fui atendida com prioridade, e uma hora depois já havia sido liberada. Voltei para o hotel, fui até a recepção, e respirei alivia ao notar que o turno da recepcionista anterior havia encerrado; um rapaz simpático entregou-me as chaves e um bilhete.
Abri-o no elevador.
“Espero que tenha corrido tudo bem com sua missão. Fui visitar Sara, nos vemos mais tarde. Paul.”
Achei muita gentileza da parte dele me deixar um bilhete; isso era impressionante vindo de Paul, sempre tão explosivo e canastrão. Ele estava me permitindo conhecer outro lado seu que com certeza poucos conheciam; me senti privilegiada por sua confiança em abrir-se assim comigo, deixando-me vê-lo como ele era de verdade.
Cheguei ao quarto, larguei minha bolsa e fui direto para o banheiro; eu precisava urgente de uma ducha, a viagem tinha sido cansativa e eu tinha dormido pouco na noite anterior. Vesti o roupão do hotel e me joguei na cama para descansar um pouco; acabei mergulhando num sono profundo.
Despertei mais tarde, com beijos suaves em meu ombro, pescoço e colo. O roupão abriu-se durante meu sono, e Paul tirava proveito disso. Sorri, mesmo antes de abrir meus olhos para vê-lo. Suspirei, já prevendo a onde aquilo nos levaria.
- Você é uma tentação muito grande sabia disso? - sussurrou ele em meu ouvido.
- Então não resista! – murmurei, acariciando seus cabelos.
Ele deitou-se ao meu lado, deslizando as mãos para dentro do roupão, ergueu um pouco meu corpo para livrar-me de vez dele. Sua boca desceu ávida em direção aos meus seios, beijando com sofreguidão, depois continuou descendo, beijando e mordiscando minha barriga, minhas coxas; puxei-o para mim, libertando-o da camisa, enquanto ele se livrava das próprias calças. Olhei-o maravilhada, ele tinha um corpo perfeito, era um convite explicito ao prazer; toquei-o ansiosa. Ele percebeu minha urgência e não demorou a me possuir; nossas bocas se encontraram e sua língua deslizou para dentro da minha. Nossos movimentos combinados, nos fez chegar rápidos ao ponto que ansiávamos, e fomos recompensados pelas ondas de êxtase que nos consumiu completamente. Ele deitou-se ao meu lado, satisfeito, e minha mente, mais alerta agora, pôs-se a imaginar como um garoto tão jovem conseguia dar tanto prazer a uma mulher. Lembrei-me das vezes em que, quando estávamos metamorfoseados em lobos, compartilhávamos seus pensamentos repletos de garotas. Devia vir daí tamanha experiência. Resolvi questioná-lo à esse respeito, afinal, não era nada demais falar de sexo com o cara com quem se está transando, oras bolas.
- Sou obrigada a admitir que você é muito bom nisso - falei elogiando-o, minhas mãos alisando os músculos de sua barriga.
- Obrigada. Eu me esforço - respondo meio sem graça.
- Então, você vai me contar como adquiriu toda essa experiência ou é segredo? - perguntei curiosa.
- Você está me perguntando com quantas mulheres transei antes de você? É isso? - perguntou-me chocado.
- Ah, qual é Paul. Apesar de ser dois anos mais novo que eu, sei que você não era nenhum Santo - disse-lhe serena - Lembre-se que partilhamos nossas mentes. Eu vi o tanto de meninas que habitam suas lembranças - acusei-o desgostosa.
Ele ficou realmente constrangido e levou um tempo para recompor-se antes de dizer:
- Se eu te contar meu segredo terei que matá-la depois – falou, tentando fazer graça.
- Eu assumo o risco - incentivei-o.
- Se quer mesmo saber, eu só transei com duas garotas até hoje - confessou embaraçado - Marie, com quem tive um namoro relâmpago, antes da história dos lobos, e com você - arrematou.
Ergui-me, apoiando meu peso no cotovelo e encarando-o incrédula.
- Você tá me zoando né?
- Por que? Acha que preciso mentir pra você sobre isso? - perguntou ofendido.
- Não! Mas é que... Bom você realmente parece ter muito conhecimento sobre o assunto, se é que você me entende... – falei, rindo embaraçada.
- Fico feliz por saber que satisfaço você sexualmente - disse, deslizando a mão por minha barriga, os olhos fixos nos meus - Eu conheço você Leah, conheço seu corpo, sinto suas reações quando a toco desse jeito - murmurou, suas mãos deslizando entre minhas coxas, fazendo meu corpo todo estremecer - Eu sei do você gosta, e como gosta. E isso - seus dedos me penetraram, fechei meus olhos por um momento - é o que me deixa em vantagem - finalizou, capturando meus lábios.
O beijo que se seguiu foi intenso e revelador. Reconheci que, de fato, ele conhecia meu corpo, talvez até melhor do que eu, e tive que admitir, com uma pontada de remorso, que nem Sam- que havia sido o único homem com quem eu havia estado desse jeito antes de Paul - tinha conseguido me dar tanto prazer. Mergulhei no corpo dele de novo, buscando afastar minha mente de Sam e daquela comparação cretina. Paul merecia que eu estivesse ali por inteiro.
Saciados, ficamos ali abraços e refeitos. Ele quebrou o silencio:
- Considere sua dívida paga - disse brincalhão.
- Torço para que a espera tenha valido a pena - rebati ansiosa.
- Você sempre me agrada Leah. Em todos os sentidos - respondeu sério.
- Até mesmo quando o deixo irritado com minha estúpida teimosia?
- Até assim. Já lhe disse antes, você é um desafio e tanto - falou, sentando-se na cama e encerrando o assunto.
- Não que eu não adore a idéia de passar o fim de semana inteiro na cama com você - disse-me, passando os dedos sobre meus lábios - mas eu lhe prometi também outras diversões. Por isso trate de levantar-se porque nós vamos sair. - anunciou, levantando-se e puxando-me junto. Tirou-me da cama e colocou-me em pé de frente para o banheiro, empurrando-me naquela direção.
- Vamos, tome um banho e apronte-se - ordenou.
- Aonde vamos? - perguntei curiosa, ligando o chuveiro.
- É surpresa - falou ele misterioso, antes de se juntar a mim debaixo da ducha - Espero que você goste do que programei pra nós - disse sorrindo enigmático, enquanto ensaboava meu corpo.
Capítulo 19. - Noitada em Seattle
Enquanto secava meu cabelo, podia ver pelo espelho a movimentação de Paul pelo quarto; ele havia vestido uma calça preta, calçado os sapatos e por último vestido uma camisa de um tecido fluídico, com tons de cinza em degrade; dobrou as mangas acima dos cotovelos, deixando os braços livres. Durante todo o tempo que ele levou pra se aprontar, eu fiquei admirando-o pelo espelho. Céus! Ele era de fato muito lindo. Como eu não tinha percebido isso antes? Afastei os pensamentos libidinosos que começavam a invadir minha mente antes que eu largasse o secador e pulasse, literalmente, em cima dele.
Deduzi, por suas roupas, que iríamos à algum lugar bacana, e agradeci a Deus por ter me dado ao luxo de, no último minuto em que arrumava minhas coisas em casa para a viagem, ter me lembrado de jogar dentro da bolsa, um vestido e um par de sandálias de salto. Pelo menos não ia fazer feio ao lado dele, embora qualquer um se sentiria apagado diante de tamanha beleza e masculinidade. Suspirei, voltando ao quarto para me vestir. Paul decidiu me esperar na sala, distraindo-se com um jogo qualquer na TV.
Coloquei meu vestido, um modelo frente única preto, a saia alcançava o meio das coxas e minhas costas ficavam completamente expostas, mas a noite estava quente. Apliquei um pouco de maquiagem, calcei minhas sandálias, ajustando as tiras em volta dos meus tornozelos, deixei meus cabelos soltos e terminei a produção borrifando meu perfume preferido nos pontos estratégicos. Avaliei-me criticamente no espelho e fiquei satisfeita com o resultado. Senti-me bonita, como há muito tempo não acontecia; meus olhos tinham recuperado seu brilho original.
Respirei fundo e fui para sala; Paul desviou os olhos da TV no momento em que cruzei a porta e o que vi em seus olhos me agradou muito: era um misto de admiração, desejo e orgulho.
Ele levantou-se devagar, caminhou até onde eu estava, e assobiou:
- OW Leah! Você está de arrasar - segurou minha mão e me fez rodopiar sob meus pés - Meu Deus! Espero não ter problemas em mantê-la a salvo dos garanhões de Seattle - falou preocupado.
- Obrigada – falei, ruborizada com o elogio - Mas eu tinha que me esforçar para estar à sua altura. Você está qualquer coisa! Nunca imaginei que um dia teria tanto prazer em vê-lo vestido - arrematei.
Ele soltou uma gargalhada gostosa, antes de me abraçar.
- Vamos sair logo daqui, antes que eu desista da noitada e arraste você de volta para o quarto - sussurrou em meu ouvido, me fazendo arrepiar.
Sorri e ofereci-lhe minha mão para sairmos.
Já do lado de fora do hotel ele me pediu para deixá-lo dirigir, concordei, afinal eu não fazia a mínima idéia para onde estávamos indo.
Quinze minutos depois paramos diante de um restaurante chique, no centro da cidade; ele desceu do carro e abriu a porta para mim, como um perfeito cavalheiro.
O Maitre confirmou nossa reserva e nos acompanhou até uma mesa, num canto calmo, oferecendo-nos o cardápio. Escolhemos nossos pratos e fizemos nossos pedidos. Dei uma olhada à nossa volta e percebi, surpresa, que muitas das mulheres ali presentes, até mesmo as que estavam acompanhadas, encontravam certa dificuldade em desviar seus olhos cobiçosos da pessoa que estava comigo. Voltei meus olhos para ele, vendo que ele me encarava com a testa franzida.
- Algum problema? - perguntei.
Ele inclinou-se sobre a mesa em minha direção, dizendo em seguida:
- Você acha que o gerente do restaurante ficaria muito chateado se eu urinasse ao redor da mesa para demarcar meu território? - aquele era o Lobo falando mais alto.
- Do que você está falando? - perguntei, piscando aturdida.
- Desde que você colocou seus lindos pés aqui dentro, todos os homens presentes parecem ter sido vitimas de algum tipo de torcicolo! Eles nem estão disfarçando. Juro que tem uns cinco deles, no mínimo, que amanhã estarão com as canelas roxas de tanto serem chutados por baixo da mesa por suas acompanhantes ofendidas - informou-me raivoso.
Ele conseguia ficar ainda mais sexy quando deixava a raiva transparecer em seus olhos. Olhei ao nosso redor, constatando admirada, que o que ele dizia era verdade.
- Mas eu ainda estou em desvantagem em relação a você - sentenciei - Além de olhares, você ganhou vários suspiros de suas admiradoras.
Ele não precisou olhar em volta para confirmar minhas palavras; sua audição era perfeita, assim como todo o resto dele, devo acrescentar.
Ele acalmou-se e sorrimos cúmplices, enquanto nosso jantar era servido.
Enquanto saboreávamos a comida, ele aproveitou para me contar como tinha sido sua visita à Sara.
- Minha irmã esta ótima. E meu sobrinho... - seus olhos brilharam cheios de orgulho - É a coisinha mais linda que já vi! É forte, grande e você acredita que ele já sorri? - disse admirado.
- Fico muito feliz por Sara e John - disse sincera - Eles serão ótimos pais.
Ele concordou comigo, depois contou que tinha aproveitado para rever alguns amigos e que foram eles que tinham lhe dado a sugestão do próximo lugar para onde iríamos.
- E que lugar é esse? - perguntei curiosa.
- Você verá – disse, mantendo o mistério.
Terminamos nossa sobremesa e fomos embora. Dez minutos depois, ele parou o carro em frente a uma Boate badaladíssima e virou-se para mim, dizendo:
- Espero que suas sandálias sejam confortáveis, porque pretendo fazê-la dançar a noite toda! - disse sorrindo, antes de sair do carro.
- Rá. Essa eu pago pra ver – ri, divertida diante da idéia de vê-lo dançar.
Ele deu a volta no carro, abriu a porta para mim, jogou as chaves do carro para o manobrista e apoiou sua mão em minhas costas, conduzindo-me para a entrada.
O Lugar era incrível! Tinha duas pistas diferentes; passamos direto pela primeira, onde o som do Hip-Hop preenchia o ambiente e fomos para a segunda pista, onde o som da musica Latina contagiante se fazia ouvir. Numa parte mais elevada, havia um mezanino e Paul tomou a dianteira, segurando firme em minha mão e conduzi-nos à uma mesa, onde estavam quatro pessoas, envolvidas em uma conversa animada.
- Hei, Jason! - ele largou minha mão para cumprimentar um dos caras.
- Você veio mesmo cara! - Um rapaz loiro, alto e bonito, de seus vinte e poucos anos, abraçou-o entusiasmado. Em seguida ele se deu conta da minha presença - E quem é essa? - perguntou ele, olhando-me sem disfarçar a admiração e lançando para mim em seguida, o que presumi fosse seu melhor sorriso de conquistador.
- Essa é Leah - informou Paul sorrindo - Ela também é de La Push.
- Seja bem-vinda a Seattle Leah - apresentou-se, pegando minha mão - Sou Jason Smith, e é um prazer conhecê-la – concluiu, mantendo meus dedos presos entre os seus por mais tempo do que o necessário, aproveitando para lançar-me um olhar avaliador. Seus companheiros de mesa ficaram olhando para nós, intrigados.
Paul remexeu-se inquieto ao me lado e vi, pelo canto dos olhos, que ele estava tão desconfortável quanto eu diante da atitude claramente apreciativa do amigo.
- Obrigada - Sorri de leve, puxando minha mão.
Em seguia uma ruiva bonita, que acompanhava o grupo, pendurou-se nos ombros de Paul, cumprimentando-o com beijos no rosto antes de dizer insinuante, sem virar-se para mim:
- Não vai me apresentar a sua amiguinha? - perguntou num tom nada amigável. Ele desvencilhou-se de seus abraços, dizendo:
- Jane está Leah. Leah está é Jane - e apontou uma para outra; formalizamos nossa apresentação apenas com sorrisos amarelos de uma pra outra.
Paul aproveitou para me apresentar aos outros dois rapazes que faziam parte do grupo.
- Leah quero que conheça Dylan e David - disse sorridente, colocando seus braços sobre os ombros dos dois amigos, que era gêmeos; cumprimentei-os e eles sorriram simpáticos para mim, convidando-nos a sentar com eles.
Paul puxou uma cadeira pra que eu sentasse ao seu lado, pousou o braço possessivamente no encosto, mantendo seus olhos atentos em Jason, como que para alertá-lo. Sorri internamente, era um elogio e tanto ser disputada por dois homens como aqueles.
Jane parecia não entender o por que do interesse deles dois por mim e, depois de alguns minutos, ela levantou-se e puxou Paul pela mão, dizendo calorosamente:
- Vamos dançar - e saiu, arrastando-o para a pista de dança, sem lhe dar a chance de negar o convite.
Fiquei ali, parada observando-os na pista.
- Vou até o bar, você aceita alguma coisa Leah? - perguntou-me um dos gêmeos.
Normalmente eu não bebia, mas ia abrir uma exceção dessa vez; talvez com a ajuda do álcool ficasse mais fácil suportar ver Jane se esfregando em Paul na pista de dança.
- Tequila - pedi-lhe sorrindo.
Meus olhos foram novamente atraídos para o casal que dançava uma Salsa a poucos metros de onde estávamos; eles tinham um ótimo entrosamento. Fiquei surpresa ao ver a desenvoltura de Paul na pista, nunca imaginei que ele fosse tão bom dançarino! “Esse cara é mesmo uma caixinha de surpresas!”, pensei comigo. O ritmo mudou para algo mais lento e sensual e vi quando Jane colou-se a ele sem nenhuma cerimônia; meus olhos se estreitaram quando a vi sorrindo satisfeita.
Desviei minha atenção deles quando Dylan - ou seria David? Não consigo diferenciá-los - largou uma garrafa de Tequila sobre a mesa diante de nós, justificando-se:
- Aproveitei e trouxe logo a garrafa, para nos poupar tantas idas ao bar! - informou-nos sorridente.
Sorrimos também, enquanto ele servia nossos copos e sugeria um brinde:
- A Leah, que nossa amizade seja longa e feliz – falou, antes de tomar de um só gole sua bebida.
- A Amizade - falamos todos juntos, sorrindo, e entornamos os copos.
Eles encheram os copos novamente e eu emborquei-o de novo; a bebida desceu queimando por minha garganta. Tossi um pouco, e eles riram: eu não era muito resistente à bebida e aqueles dois copos já me deixaram meio ligada. Tomei outro antes que o efeito passasse e Jason tirou o copo de minha mão e a segurou firmemente, convidando-me com um sorriso brilhando em seu rosto bonito:
- Dança comigo?
- Claro - aceitei. Por que não!?
Quando alcançamos a pista ele enlaçou minha cintura com firmeza, juntando nosso corpos. O ritmo da musica era contagiante e me entreguei completamente à dança. Jason era um bom dançarino, conduzia-me pela pista com segurança e destreza.
Depois da segunda musica, arrisquei uma olhada pela pista, ali não havia nem sinal de Paul e Jane. Olhei para a mesa onde tínhamos deixado os gêmeos e vi Paul sentado, a cara amarrada e os braços cruzados sobre o peito; parecia estar com raiva e entediado ao mesmo tempo; julguei que isso se devia ao fato de sua amiga Jane não desgrudar dele enquanto tagarelava alguma coisa em seu ouvido.
Resolvi voltar à mesa alegando calor, Jason me conduziu até lá pela mão e quando nos aproximamos dos outros, percebi que Paul observa raivoso o fato de Jason manter minha mão na dele; sua expressão ficou ainda mais furiosa. Livrei-me da mão de Jason e sentei rápida ao seu lado: eu não estava afim de confusão pro meu lado. Peguei meu copo, que alguém tinha feito a gentileza de encher novamente e tomei tudo de um só gole.
- Desde quando você bebe!? - Perguntou Paul, numa voz baixa e irritada.
- Desde quando lhe devo satisfações? - rebati no mesmo tom.
Ele me encarou por alguns instantes antes de me pegar pela mão e praticamente me arrastar para a pista de dança.
Começamos a dançar, tomando o cuidado de manter nossos corpos afastados um do outro. Ele inclinou-se um pouco para falar perto do meu ouvido:
- Você está chateada? Foi algo que eu disse ou fiz? - perguntou me encarando.
- Não, na verdade você não fez nada! Não se preocupe comigo, estou bem. - disse-lhe seca, desviando meus olhos dos dele.
- Realmente não preciso me preocupar com você, afinal já tem gente demais tomando conta de você aqui. - falou irritado.
Virei meu rosto para encará-lo, antes de responder:
- Acho que está havendo algum engano. Não tem ninguém cuidando de mim, já de você... - falei reticente.
- Não seja absurda Leah. Jane só está tentando chamar a atenção de Jason. Ela gosta dele.
- Pelo visto a estratégia dela de chamar a atenção não deu muito certo. Ao menos não com ele, não é? - perguntei desconfiada.
Ele sorriu descontraindo-se e aproximou seu corpo do meu.
- A ÚNICA atenção feminina que desejo nesse lugar é a sua - sussurrou em meu ouvido - Você acha que pode dispensar um pouco dela comigo? - pediu esperançoso.
- Pedindo assim, desse jeito, acho que não tenho como negar - falei sorrindo. Ele brindou-me com seu sorriso mais lindo, que me tirou o fôlego e aconchegou-se mais a mim.
- Você é uma feiticeira sabia? - acusou-me, mordiscando minha orelha, fazendo-me estremecer.
O música mudou, passou a tocar um Zulk, um ritmo sensual, e nos deixamos levar; foi no mínimo uma experiência pra lá de excitante: Paul tinha uma desenvoltura incrível e sabia conduzir muito bem.
Ao final da música estávamos os dois ofegantes. Voltamos à mesa e fomos recebidos com aplausos e assobios pelos gêmeos, um deles, que à essa altura já tinha descolado uma companhia, nos disse sorridente:
- Vocês deveriam fazer apresentações de dança! Juro que nunca vi nada mais sensual que vocês dois dançando - disse admirado - Se deu foi bem hein Paul!? - Arrematou divertido.
Rimos da brincadeira dele. Os únicos que pareciam não ter gostado foram Jane e Jason; ignoramos os dois. David, que era o que estava sozinho, me convidou pra dançar; olhei para Paul que assentiu tranqüilo e voltei para a pista de dança. Depois de algumas músicas seu irmão veio tomar seu lugar, enquanto David já convidava outra garota e Paul dançava com a acompanhante de Dylan. Dançamos alegres e contagiados pelo ritmo até que senti um toque em meu ombro e Paul sorria para nós, propondo:
- Que tal você devolver minha garota e eu te devolver a sua?
- Feito amigão! - aceitou Dylan, divertido.
Dançamos e rimos juntos por mais duas horas, até que resolvemos ir embora, exaustos, mas felizes.
Nos despedimos de todos, prometendo revê-los antes de voltarmos para La Pusch. Quando estávamos nos acomodando no carro, lembrei de perguntar a Paul:
- Onde foi que você aprendeu a dançar tão bem?
- Culpa da Sara. Ela me obrigava a praticar com ela – disse, dando de ombros.
- Os rapazes da reserva conhecem esse seu lado pé-de-valsa? - mexi com ele.
- Não! E nem saberão - falou ameaçador - Pelo menos não sem que você se entregue - arrematou, rindo por me ver cair em minha própria armadilha.
- Nem me passou pela cabeça dizer algo a eles - menti, fazendo bico e me fingindo ofendida.
- Tá que eu acredito nisso - disse rindo e encerrando o assunto.
Relaxei, e comecei a cochilar mesmo antes dele dar a partida no carro.
Capítulo 20. - Insaciáveis
Paul me acordou quando chegamos ao Hotel; fomos até a recepção, pegamos a chave e nos dirigimos ao elevador. Quando entramos, eu aproveitei para escorar todo o meu peso sobre o corpo dele, que mantinha um braço em volta da minha cintura. Meus olhos estavam pesados e o cansaço do dia me dominou. Quando o elevador parou em nosso andar, ele me pegou com facilidade no colo, eu fiquei agradecida, meus pés estavam doloridos de tanto dançar. Ele passou o cartão-chave e abriu a porta; entrando comigo ainda em seus braços, fechou a porta com um chute e me levou até o sofá, onde me deitou com cuidado, acendeu o abajur na mesinha ao lado do sofá e foi abrir as janelas pra deixa o ar da madrugada nos refrescar.
Ele voltou para junto de mim no sofá, levantou minhas pernas e sentou-se, as colocando sobre seu colo. Eu já estava quase dormindo quando senti que ele descalçara minhas sandálias, largando-as no chão, e depois se pôs a massagear meus pés. Abri um pouco meus olhos para fitá-lo e vi que ele estava concentrado em sua tarefa; sorri deliciada e tornei a fechá-los antes de dizer:
- Hummm... Esso é tão bom - ronronei feito um gatinho feliz.
Ele não disse nada, continuou por mais alguns minutos, enquanto eu me entregava definitivamente à preguiça, até que senti suas mãos subirem por minhas pernas acariciando minhas coxas. Abri novamente meus olhos e, encontrei os seus fitando-me maliciosos.
- Você deve estar brincando né? Você nunca cansa? - Perguntei surpresa.
- Eu nunca me canso de você - Disse, os olhos brilhando nos meus.
Fiquei sem palavras. Suas mãos alcançaram minha calcinha sob o vestido, puxando-a para baixo; levantei um pouco o quadril para facilitar seu trabalho e ele a passou por minhas pernas lentamente, largando-a em seguida junto às sandálias. Mantendo os olhos presos aos meus, ele segurou minhas mãos e me puxou de encontro a seu corpo, sentando-me em seu colo, com uma perna de cada lado do seu quadril, ele suspirou, seu hálito aquecendo meu rosto.Segurou meus cabelos com uma das mãos, afastando-os e deslizando a outra mão por minhas costas alcançando o nó que mantinha a parte de cima do vestido presa, e o soltou-o, expondo meus seios diante de seu rosto.
- Lindos! - murmurou maravilhado, beijando um de cada vez antes de completar - Você é toda linda.
Ele pôs-se a beijar, sugar e mordiscar meus mamilos, arrepiados. Enterrei meus dedos em seus cabelos puxando sua cabeça para trás, seus lábios estavam entreabertos, deslizei minha língua por eles antes de penetrá-la em sua boca. Suas unhas arranhavam minhas costas. Abandonei sua boca, descendo meus lábios sequiosos por seu queixo e pescoço; minhas mãos abandonaram seus cabelos e meus dedos ágeis desabotoaram sua camisa. Beijei cada pedacinho do seu peito que minha boca podia alcançar, senti-o suspirar quando rocei meus seios nele e ele elevou o quadril, me deixando perceber o quanto estava excitado; desci meus dedos até sua calça, desabotoando-a lentamente, prolongando a tortura, as mãos nervosas afastaram as minhas do caminho a fim de apressar o processo. Ergui-me um pouco do seu colo, apoiando minhas mãos no encosto do sofá para que ele se despisse e ele segurou meu quadril com uma mão enquanto guiava-se para dentro de mim. Ficamos com a respiração suspensa por um momento, quando nossos corpos se encaixaram com perfeição. Seus dedos se enterram em minhas coxas, pressionando-as, sua língua brincando com meus seios, que pareciam que explodiriam de tão excitados. Minhas mãos suadas agarravam-se ao encosto do sofá para me dar sustentação, eu gemia numa doce agonia, sabendo que em poucos instantes o êxtase me arrebataria.
Suas mãos buscaram minhas nádegas por baixo da saia do vestido, incitando meu quadril a subir e descer num ritmo mais acelerado, seu quadril dançando junto comigo; apoiei minhas mãos em suas coxas, afastando meu peito do dele e, com um gemido de protesto, ele inclinou-se para mim, alcançando com a língua meu estomago e minha barriga. Eu senti o prazer me tomando em ondas; faltava pouco agora. Sorri feliz, pressionando meus joelhos contra seu quadril e finalmente explodi, gemendo, seu nome escapando entre meus lábios que procuram pelos dele. Todo meu corpo tomado por espasmos violentos, que agora pareciam se transferir para o corpo dele; senti-o estremecer, arfando e gemendo alto, enquanto retorcia meus cabelos entre os dedos, o êxtase o atingiu com a mesma violência que eu havia sentido eseu corpo retesou-se sob minhas mãos por alguns instantes enquanto me penetrava mais fundo uma última vez. Percebi que nem tínhamos nos despido direito, ele ainda estava com a camisa, as calças emaranhadas nos pés, e eu continuava com o vestido preso na cintura. Repousei minha cabeça em seu ombro, aproveitando para beijar seu pescoço e recuperar o ar, enquanto ele deslizava seus dedos por minha coluna numa carícia suave e relaxante.
Ergui meu rosto para alcançar sua orelha, mordiscando-a antes de sugerir:
- Que tal continuarmos nossa brincadeira na cama? - disse numa voz provocante, senti seus pelos eriçarem e seu corpo se aquecer novamente.
- Meu Deus, criei um monstro! - disse ele, fingindo assombro.
Nossos corpos unidos foram sacudidos por nossas risadas e acabaram despertando novamente para o desejo que os consumia. Ele chutou suas calças, ergueu meu corpo, jogando-me sobre seu ombro e foi rápido em direção ao quarto.
Meus joelhos cederam quando ele beijou o alto da minha coxa e, antes que eu caísse, ele me ergueu e me deitou de costas na cama, prendendo minhas mãos com apenas uma das suas, acima da minha cabeça, ele posicionou-se entre minhas pernas e me penetrou rápido e fundo; arquei as costas tentando tocá-lo com os seios ou com a boca, mas ele afastou-se sorrindo, frustrando minhas tentativas. Ele roçava a ponta da língua por meu pescoço e ombro e os beijava levemente, sua mão livre pressionava meu quadril contra o colchão, impedindo assim que eu o movimentasse; só ele se mexia, investindo seu quadril contra o meu lenta e profundamente. Ele pressentiu, pelo acelerar da minha respiração, que faltava pouco para que eu atingisse o orgasmo novamente, e então acelerou suas investidas. O clímax nos atingiu ao mesmo tempo. Fomos arrastados para um mundo à parte, onde só existíamos nós e o prazer.
Ele rolou sobre mim, deitando-se ao meu lado, e ficamos lutando para recuperar o fôlego. Viramos os rostos ao mesmo tempo um em direção ao outro, as duas faces abertas no mesmo tipo de sorriso de satisfação e felicidade. Ele puxou para si minha mão que continuava presa entre seus dedos e a beijou ternamente antes de pousá-la sobre seu peito.
Desviei meus olhos do dele, olhando para a janela, constatando que já estava quase amanhecendo. Voltei a fitá-lo antes de dizer-lhe suavemente:
- Obrigada!
- Pelo quê!? - inquiriu surpreso.
- Por me convidar para essa viagem. Pelo jantar, pela dança e, principalmente por isso! – arrematei, beijando seus lábios e deslizando minha mão pelos músculos de sua barriga, para enfatizar minhas ultimas palavras.
- Você acreditaria se eu lhe dissesse que o prazer maior foi meu!? – perguntou, sorrindo feliz.
- Eu poderia discutir essa questão do prazer com você - falei risonha - mas fica pra outra hora, estou muito cansada agora – falei, aconchegando meu corpo ao dele e abracei sua cintura, deitando minha cabeça sobre seu peito.
Ele riu, me abraçou e beijou meus cabelos, dizendo em seguida:
- Então durma minha Leah - e começou a me fazer cafunés.
Suspirei feliz, relaxada e satisfeita e apaguei dois segundos depois.
Acordei com um ruído persistente, que parou logo em seguida. Das profundezas do meu inconsciente, ouvi Paul falar com alguém, mas resolvi esquecer ambos e virei de bruços, mergulhando novamente em meu sono.
Algum tempo depois, senti o colchão estremecer sob meu corpo, e vi, através dos meus olhos semicerrados, que ele havia se levantado. Era uma visão maravilhosa a que eu tinha agora do seu corpo nu, perfeito e belo dirigindo-se vagarosamente ao banheiro.
- Nunca pensei que um dia ia gostar de vê-lo pelas costas - minha voz, rouca pelo sono e pelo desejo, o deteve à porta.
Ele virou a cabeça por cima do ombro direito, me lançando seu sorriso lindo antes de dizer:
- Você está me saindo uma bela de uma pervertida, Srta. Cleawater! - repreendeu-me, fingindo-se de ofendido e entrando em seguida no banheiro; parando diante da pia, ele podia me ver pelo espelho.
Rolei na cama, deitando de costas, ficando de frente para ele e sorri abertamente, dizendo:
- Quero ouvi-lo dizer isso aqui na minha cara! - desafiei-o.
Ele voou do banheiro, jogando-se sobre a cama; escapei no ultimo minuto, girando meu corpo para o lado oposto de onde estava antes, ainda rindo. Ele agarrou meu rosto entre as mãos e me beijou.
- Bom dia minha Pervertida favorita - disse, sorrindo divertido.
- Pervertida é!? Tome isso - e comecei a beijar todo seu rosto enquanto lhe fazia cócegas.
Suas gargalhadas ecoaram pelo quarto e, quando em fim, ele conseguiu recuperar-se do meu ataque e pensou em retribuir, eu fui mais rápida e escapei novamente, me ajoelhando aos pés da cama, rindo.
- Volte já aqui, sua Covardezinha - ralhou ele entre risos, pronto pra me atacar.
Fomos interrompidos por batidas na porta.
Olhei-o interrogativa e ele apoiou-se no cotovelo dizendo:
-Pedi algo para comermos no quarto - esclareceu - Você pode atender enquanto tomo um banho?
- Tudo bem.
Levantei, peguei sua camisa do chão e vesti-a, dobrando as mangas grandes demais pra mim, e fui atender a porta.
Um rapaz simpático entrou, empurrando um carrinho até o meio da sala e de onde estávamos podíamos ver o quarto e nesse momento Paul passava por lá, indo pegar alguma coisa em sua bolsa; o rapaz teve a mesma visão que eu do corpo nu dele. Ele desviou os olhos rapidamente, me encarando meio sem graça.
- É, eu também acho ele um gato! Dá pra acreditar na minha sorte!? - eu disse, revirando os olhos para o rapaz que me olhava de boca aberta.
Ouvimos a gargalhada de Paul, e o garoto disparou porta afora sem nem ao menos esperar pela gorjeta.
Levei o carrinho para perto da mesa e ajeitei tudo para tomarmos nosso café. Sentei à mesa para esperá-lo; eu estava com fome. Olhei distraída para o relógio e vi, surpresa, que já passava das duas da tarde! Vi-o sair do banheiro com uma toalha amarrada em volta do quadril, os cabelos brilhando ainda molhados. Era impressão minha ou ele realmente fica mais lindo e sexy a cada minuto!?
- Estou morto de fome! – sentenciou, passando a mão sobre a barriga lisa e musculosa. Engoli em seco, eu já não sabia o que matar primeiro, se minha fome de comida ou minha fome por ele! Absurdo. Servi suco em nossos copos e começamos a comer em silêncio.
Capítulo 21. - Diversão
Eu me dei por satisfeita, afastando meu prato e bebericando meu suco quando resolvi perguntar:
- E aí, qual a programação para hoje?
- Dylan ligou mais cedo nos convidando para uma tarde no Parque - falou reticente - Você está a fim? Se não quiser ir podemos fazer outra coisa... - completou, deixando a escolha em minhas mãos.
- Um passeio no Parque está ótimo pra mim! - sorri concordando eufórica.
Ele estreitou seus olhos, me analisando com cuidado.
- Quem é você? O que fez com a Leah? - inquiriu desconfiado.
- Bobo! – falei, sorrindo para ele - É só que... Tenho que admitir que sinto falta de me exercitar, correr um pouco, sentir o vento no rosto - confessei sem jeito - Coisas de Lobo, sabe como é? - pisquei cúmplice.
- Concordo com você. Uma corrida nos faria bem - ele riu, entendendo minha necessidade - Então vá se arrumar, assim que terminar de comer ligarei para ele confirmando nossa presença.
Levantei da mesa, concordando com um gesto de cabeça, e já estava indo para o quarto quando o ouvi me chamar; olhei-o sobre o ombro.
- Leah... Essa camisa ficou melhor em você que em mim! - ele disse com um sorrisinho malicioso.
Virei-me de frente para ele, segurei as pontas da camisa e me curvei numa reverência.
- Obrigada! - disse-lhe suavemente, batendo os cílios fingindo timidez. Ele riu, jogando o guardanapo em minha direção.
- Saia logo daqui! - Ralhou brincalhão.
- O.K, estou indo... - eu disse, abrindo os primeiros botões da camisa, expondo parcialmente meus seios; remexi meu quadril de um lado pro outro, numa dancinha provocante - Seu desejo é uma ordem – falei mordendo meu lábio; vi seus olhos se turvarem de desejo e deixei a camisa cair aos meus pés.
Com dois passos longos ele me alcançou, prensou meu corpo contra a parede do quarto e tomou minha boca com desespero. Suas mãos agarram minhas nádegas e ele me ergueu de encontro ao seu corpo; segurei-me em seus ombros e enlacei sua cintura com minhas pernas, sem desprender os seus lábios dos meus. Ele livrou-se da toalha apressado e empurrou meu quadril para baixo, penetrando-me rápido; gememos um na boca do outro.
- Você me deixa louco - ele murmurou rouco, beijando meu pescoço.
- Você faz o mesmo comigo! - sussurrei arrebata, abraçando seus ombros com força.
Ele afastou seu peito do meu, abocanhando meu seio esquerdo, enquanto investia mais rápido e forte seu quadril contra o meu. O clímax me atingiu antes dele; deixei um grito escapar antes de atacar sua boca com a minha, sentindo meu corpo desfalecer. Paul firmou minhas costas na parede e acelerou, seu orgasmo foi tão intenso quanto o meu; meu nome saia de seus lábios em gemidos de prazer. Ele manteve nossas posições, arfando para recuperar o fôlego, a testa encostada na minha, os olhos presos aos meus. Beijou a ponta do meu nariz, depois capturou minha boca num beijo longo e intenso.
Ele me soltou lentamente no chão segurando minha cintura até que eu recuperasse o controle das minhas pernas.
- Agora terei que tomar outro banho - ele disse sorrindo - E como castigo você terá que esfregar minhas costas - ele sentenciou, divertindo-se.
- Eu já lhe disse, seu desejo é uma ordem - repeti para ele o que eu tinha dito momentos antes, sorrindo feliz.
Tomamos banho, ele saiu antes de mim do chuveiro - eu tinha que lavar os cabelos -; quando terminei, sequei meu corpo rapidamente, vesti um short jeans, um top e joguei um casaquinho de moletom por cima; calcei meus tênis e finalizei fazendo duas tranças nos cabelos. Já pronta, fui ao encontro de Paul; ele também já tinha se aprontado, vestia calça de moletom e uma camiseta preta e tênis de corrida.
Ele se aproximou e puxou minhas tranças para frente.
- Ninguém acreditaria que você tem 19 anos vestida assim. Parece mais uma garotinha - ele riu divertido. Olhei para ele maliciosa e aproximei meu corpo do dele de modo insinuante.
- Mas você sabe do que essa garotinha aqui é capaz certo!? - sussurrei provocante, minha boca à milímetros da dele. Ouvi sua respiração mudar no ato, e seus olhos brilharam com o desejo que o assaltava.
- Menina má! - ele disse assustado - Mas que eu adoro! – concluiu, rindo e me beijando em seguida.
Resolvemos ir a pé para o Parque para aproveitar a caminhada. Quando chegamos próximo do local combinado todos já estavam lá; eles acenaram para nós e acenamos de volta.
- Daí galera, recuperados da noite de ontem!? - Paul brincou, abraçando os amigos.
- Nós estamos acostumados à noitadas como a de ontem. Deve ter sido mais difícil pra vocês - disse Jason, se aproximando de nós com um sorriso no rosto.
Na noite anterior eu não tinha percebido que ele era tão alto quanto Paul, e nem que seu corpo era musculoso, como era evidente agora, já que ele vestia uma bermuda e uma regata que deixava seus braços expostos. Desviei meus olhos dele para ver a figura que o seguia de perto; era Jane, e parecia dominada pelo mesmo tédio da noite passada.
- Oi Jane - cumprimentei-a, me esforçando para ser educada. Ela apenas me deu um sorrisinho amarelo antes de voltar sua atenção para Paul.
- E aí bonitão! Preparado para a diversão? - ela ria abertamente para ele. Meu sangue ferveu.
- Claro, claro - ele respondeu sorrindo e passando o braço sobre meu ombro - Leah e eu estamos loucos por alguma diversão! - ele concluiu, alisando meu braço e tentando me acalmar; deu certo.
Dylan e David sorriam para mim; eu sorri de volta para os dois, ainda sem saber distinguir um do outro, e pra complicar ainda mais os dois estavam de camisetas brancas e moletons azuis.
- E aí Leah, você acha que agüenta uma partida de Futebol Americano? - perguntou um deles, sorrindo desafiador.
- Manda ver colega - respondi ousada. Todos riram.
Fomos para um espaço gramado e os times foram divididos. Seriam Jason, Jane e um dos gêmeos contra eu, Paul e o outro gêmeo. Para evitar confusão por conta dos gêmeos ficou resolvido que um time jogaria com camisa e outro sem.
- Eu não vou tirar minha blusa de jeito nenhum! - guinchou Jane, fazendo cara de azeda.
- Tudo bem, nosso time joga sem camisa - eu disse, e tirei meu casaco amarrando-o na cintura, ficando só de top. Os rapazes olharam admirados para mim, com exceção de Paul e também Jane. Ele me fitou enciumado e ela me fuzilou invejosa. Não dei atenção a nenhum dos dois.
- Vamos lá gente, quem dará a saí? - perguntei pra quebrar o encanto. Eles se recuperaram e Paul ganhou no par ou impar contra Jason. Nos afastamos um pouco para combinar a jogada, que começaria com um passe de Paul para Dylan - finalmente eu sabia qual dos gêmeos estava conosco - que lançaria a bola para mim mais à frente, e eu tentaria marcar o ponto.
Nos posicionamos e senti a adrenalina correr por minhas veias, antecipando o prazer da corrida. Paul passou a bola para Dylan e eu saí correndo enquanto eles se desviavam dos atacantes do outro time; no instante em que recebi a bola só consegui dar 3 passos antes de ser arremessada no ar e ser esmagada pelo peso do corpo de Jason contra o chão. Fechei os olhos enquanto caía e quando tornei a abri-los vi Jason ser arrancado de cima de mim por um Paul trêmulo e furioso.
- Qual é a sua cara? Quer matá-la? - Paul cuspia as palavras raivoso na cara do amigo. Os outros ficaram assustados com a reação dele.
Levantei rápida, me colocando entre eles e pousei minha mão no peito do Paul para deter seu avanço; ele tremia inteiro.
- Deixa pra lá Paul. É só um jogo - fitei seus olhos, ele me olhou de volta - Tenho certeza que ele não fez por mal - falei apaziguadora, olhando para Jason e esperando sua confirmação.
- Foi mau cara! Esqueci que ela era leve - ele disse, passando a mão pelo cabelo, totalmente sem graça - Desculpe por isso Leah - ele disse arrependido.
- Tudo bem - sorri - Vamos lá rapazes, temos um jogo pra ganhar – falei, puxando Paul pela mão e levando-o para o outro lado. Pude ouvir ele resmungar “Essa ele me paga”.
- Não! - eu disse entre dentes - Ele é meu - falei rindo maldosa, ele me olhou de lado rancoroso e depois deu de ombros.
Combinamos a mesma jogada. Dessa vez fiquei atenta aos movimentos de Jason, disparei, recebi a bola e quando ele veio em minha direção desviei-me dele no último minuto e dei-lhe uma rasteira antes de correr para marcar o ponto.
Jason ainda estava deitado de costas no chão sem entender o que tinha acontecido. Paul sorria orgulhoso.
- Melhor sorte da próxima vez – falei, piscando para um Jason aturdido. Paul e Dylan correram pra me abraçar e comemorar o nosso 1º ponto.
A disputa foi acirrada, e nos divertimos muito ganhando do time de Jason por 12 x 7. A única coisa chata no jogo, pelo menos pra mim, foi ver Jane agarrando Paul o tempo todo, até mesmo quando ele não estava com a bola! Definitivamente aquela garota não sabia se por em seu lugar! Pra me vingar, tive o prazer de acertar uma bolada nas costas dela, quando na verdade eu teria que passar a bola pra Dylan, que estava no outro lado.
- Oh! Foi mal Jane, desculpe - eu disse, sorrindo falsamente. Ela bufou me lançando um olhar mortal, massageando as costas doloridas. Só Paul notou minha má intenção, e eu o vi prender o riso.
Depois da partida, fomos comer pizza, paga pelo time perdedor. Rimos muito dos casos de Dylan e David, que se revelaram dois conquistadores baratos, e dos apuros que eles passavam quando suas ficantes os confundiam. Até Jane parecia mais sociável agora.
Já passava das 10 da noite quando nos despedimos deles, com promessas de visitas futuras. Abracei os gêmeos e prometi a eles diversão garantida quando eles fossem a La Push. Acenei para Jane e apertei a mão de Jason, ele passou disfarçadamente um papel dobrado da sua mão para a minha; olhei-o surpresa, e sem fazer alarde soltei a mão dele e guardei discretamente o papel no bolso do short, para jogar fora quando Paul não estivesse por perto.
Quando saímos da Pizzaria Paul segurou minha mão.
- O que foi que Jason entregou à você? - sua voz fria me pegou desprevenida.
- Er... Eu não sei o que é. Só guardei pra jogar fora depois - peguei o papel no bolso - Acho que é o numero de um telefone - constatei sem jeito.
- Vamos voltar lá - ele disse, me puxando de volta a pizzaria - Vou fazê-lo engolir isso aí - eu tinha certeza absoluta que ele faria isso mesmo se tivesse à chance. Finquei meus pés no chão, fazendo-o parar também.
- Deixe disso Paul. Eles já foram embora - eu disse persuasiva - Você sabe que ele não tem a menor chance comigo, certo? – concluí, sorrindo e rasgando o papel em pedacinhos. Ele me olhou desconfiado, depois pareceu considerar o que eu tinha dito.
- Mas você tem que admitir que o cara é persistente - eu disse zombando.
- Não tanto quanto a Jane! - ele rebateu, rindo divertido quando fechei a cara.
- Achei que teria que usar um solvente para desgrudar ela de você! Pelo Amor de Deus! Ela não se toca nunca!? - perguntei rancorosa.
- Tadinha, ela é carente Leah - ele disse com a cara mais lavada do mundo.
- CARENTE! - minha voz mais alta que o normal - Ela só falta pendurar uma placa no pescoço com os dizeres “USE E ABUSE”! Faça-me o favor Paul - falei zangada.
- Que maldade Leah. Isso é muito feio sabia? - Ele me repreendeu, rindo alto em seguida.
- Feio é ver uma garota “Descarada” e “Oferecida” se esfregando o tempo todo num cara que ela sabe que está acompanhado – bufei, cruzando os braços.
- Tudo bem. Não vamos mais falar nisso O.K? - ele enlaçou minha cintura, me puxando pra ele e beijando o topo da minha cabeça; eu ainda podia sentir o riso dele em meus cabelos.
- O.K . Eu não falo mais nisso se você também prometer que não arranjará confusão com Jason por conta daquele bilhete estúpido - eu propus, olhando para ele na expectativa.
- Tá certo. Vamos esquecer esses dois - ele disse, concordando.
Subi minhas mãos até sua nuca e o puxei para colar meus lábios ao dele; ele me apertou mais junto si e lembrei por um instante, em meio ao beijo que se seguiu, que estávamos parados no meio da calçada, com pessoas circulando ao nosso redor. Separei meus lábios do dele, que gemeu em protesto.
- Controle-se Lobo, estamos em público - eu brinquei.
- Isso é pra você ver o que faz comigo - ele suspirou alto - Índia feiticeira. Rimos do apelido e saímos caminhando rumo ao nosso hotel.
Capítulo 22. - Surpreendidos
Resolvemos voltar a pé para o hotel, e para isso cortamos caminho pelo Parque.Paul segurava minha mão displicentemente; quem nos visse acharia que éramos um casal de namorados. Essa idéia me perturbou um pouco, mas decidi deixar pra lá, afinal não estávamos em nossa cidade, onde os olhares reprovadores poderiam nos alcançar.
Íamos alegres e descontraídos, relembrando as últimas horas vividas ali no parque, falando dos lances engraçados da partida de futebol. Os amigos dele eram muito divertidos, com exceção de Jane, que além da antipatia gratuita agora nutria uma raiva mortal por eu ter ganhado o jogo. Dei de ombros, ela não era importante para mim; e em contra partida havia Paul... Ele estava feliz como uma criança; ria solto, divertindo-se a valer. Permiti-me ser feliz também, com e por ele.
Chegamos ao meio do Parque quando ele resolveu lançar um desafio.
- E aí, garota lobo, topa uma corrida pra ver quem chega primeiro ao fim do Parque? - disse brincalhão.
- Só se você prometer que não vai ficar chateado quando eu ganhar! - disse-lhe séria, mas rindo em seguida.
- Rá. Essa eu quero ver! Nada de trapaças mocinha, é jogo limpo, Homem - Homem – disse num tom superior - Ou melhor dizendo, Homem x Garota! - corrigiu-se, instigando-me.
- Quando eu vencer você terá que me carregar nas costas até o hotel, como recompensa - eu disse zombando.
- Quando eu vencer, bem... Pensarei numa forma de você me recompensar regiamente - ele disse, me olhando malicioso.
- Você está pronto!? - olhei-o desafiadora.
- No três - ficamos em posição de largada – Um...Dois...Três! - ele gritou, disparando em seguida.
Alcancei-o rapidamente e mal tínhamos corrido poucos metros quando paramos, os dois ao mesmo tempo. Nós o sentimos mesmo antes de vê-lo. Nossas narinas queimavam com o cheiro que ardia no ar, nossos corpos tremeram e o fogo abrasador correu por nossas costas. Havia um sanguessuga por perto.
Paul olhou para mim, todos os seus sentidos de Lobo despertos.
- O maldito está pronto para atacar, posso sentir! Você consegue perceber? - ele perguntou.
- Sim. O que você sugere? - perguntei concentrada.
- Vamos cercá-lo! - ele disse, já me puxando para as árvores próximas; despiu-se rápido e esperou que eu fizesse o mesmo. Escondemos nossas roupas numa moita e em questão de segundos éramos Lobisomens e passamos a planejar o ataque em nossas mentes.
“Você vai pela direita, e cobre a saída do túnel” disse Paul rápido; eu apenas assenti, e ele continuou “Não deixe que ele perceba sua presença, deixe-o pensar que estou sozinho, eu o forçarei a ir em sua direção, quando ele estiver dentro do túnel nós o pegaremos”. Começamos a correr seguindo o cheiro insuportável do Sugador.
Nós o localizamos pouco à frente por trás de uma arvore; ele esperava pacientemente por alguma vítima desavisada. Fui sorrateiramente posicionar-me no lugar que Paul havia indicado, e de onde eu estava podia vê-lo bem: ele era jovem, não deveria ter mais de 17 anos quando foi transformado, seus olhos carmim estavam agitados, era a sede que o consumia e graças a ela, ele ainda não tinha percebido nossa aproximação.
Vi quando Paul tomou posição de ataque e saltou alguns metros à frente da criatura que, surpresa, se pôs a fugir vindo exatamente para o túnel, como Paul previra. Eu antecipava o prazer que seria destruí-lo, o ódio dominando meus sentidos. Quando ele chegou à metade do túnel Paul lhe deu uma pata nas costas que o fez cambalear, mas o monstro recuperou-se em seguida, girando o corpo rápido e acertando um chute no peito de Paul; vi o enorme Lobo cinzento ser arremessado por alguns metros e chocar-se contra a parede de pedra e em seguida cair de lado no chão. O maldito era forte. Vi quando ele arreganhou os dentes nojentos, se posicionando para dar o bote final, mas antes que ele se quer pensasse em dar o primeiro passo eu saltei sobre as costas dele e abocanhei seu braço direito logo abaixo do ombro, arrancando o membro com um puxão, ele soltou um grito aterrador e cambaleou para trás, os olhos esbugalhados, tentando me atingir com o braço que lhe sobrara; pulei pra trás tomando distância, cuspi fora o braço que pendia de minha boca, e me preparei para investir contra ele novamente.
No momento em que íamos nos chocar Paul pulou sobre a criatura, cravando as garras em suas costas e os dentes em seu pescoço, decepando-lhe a cabeça. O corpo do infeliz ficou estrebuchando no chão e nós avançamos sobre ele, esquartejando-o. Quando terminamos essa parte Paul olhou para mim, dizendo em seguida “Corra até nossas roupas, transforme-se em humana e faça uma fogueira. Tem um isqueiro no bolso da minha calça, temos que limpar essa sujeira” , sua voz era fria, seus instintos ainda estavam no comando. Saí correndo e fiz exatamente como ele ordenou; minutos depois ele surgiu sorrateiro entre as árvores, com o tronco do vampiro preso entre os dentes, jogou-o no meio do fogo, que eu tive o cuidado de fazer bem longe da trilha, onde algum curioso poderia parar para verificar o que estava acontecendo. Paul correu de volta ao túnel para buscar as outras partes que haviam ficado por lá.
Terminada a tarefa, ele transformou-se em humano, vestiu-se e ficou ao meu lado com um braço sobre meus ombros. Ficamos quietos e tensos, vendo o desgraçado queimar; seu cheiro nojento infestando o ar. Quando só restam cinzas e o fedor, fomos embora em silêncio.
Chegando ao hotel, pegamos a chave na recepção e seguimos para o elevador; só voltamos a falar quando estávamos protegidos pelas paredes do quarto, longe de ouvidos curiosos. Paul foi o primeiro a quebrar o silêncio.
- Eu pensei que tinha lhe dito para ficar guardando a saída do túnel! - esbravejou zangado.
- Aham! E você jurou que eu ia ficar lá de patas cruzadas vendo aquele monstro atacar você? - a raiva borbulhando dentro de mim.
Ele deu dois passos em minha direção, segurou meus braços e encarou meus olhos.
- Você faz idéia do meu desespero quando vi aquela coisa pronta para atacar você? - sua voz ainda estava zangada, mas agora também haviam angústia e temor impregnados nela. Meus olhos suavizaram antes de lhe dar minha resposta.
- Sim eu faço uma idéia. Deve ter sido o mesmo que eu senti quando o vi acertar você - disse-lhe enlaçando sua cintura e recostando meu rosto em seu peito. Ele respirou fundo, me abraçando com força, e ficamos assim por algum tempo.
- Venha, vamos nos livrar do cheiro daquele maldito antes que eu comece a vomitar - ele disse, visivelmente enojado.
Ele me guiou até o banheiro, ligando a ducha enquanto eu me despia; entrei direto debaixo do jato de água quente e ele me passou o shampoo enquanto enxaguava o próprio corpo; terminamos de nos lavar e saímos do Box. Enrolei uma toalha em meus cabelos e vesti o roupão; Paul fez o mesmo e escovamos os dentes por longos minutos e depois seguimos para a cama. No caminho peguei minha escova de cabelos, senti na beira da cama, livrei meus cabelos da toalha e ia começar a penteá-los quando senti a escova sendo tirada dos meus dedos. Paul sentou recostando as costas na cabeceira da cama e me puxou para que eu sentasse entre suas pernas, de costas para ele.
- Deixe que eu faça isso - ele pediu, pondo-se a desembaraçar meus cabelos com toda a calma do mundo.
Aquilo era de uma sensualidade que nunca vi igual, sentir seus dedos deslizarem por meus cabelos juntamente com a escova; sua respiração batendo contra minha nuca, era alucinante.
- Você se saiu muito bem hoje. Parabéns! - ele disse orgulhoso.
- Obrigada, tive um bom professor - eu disse rouca.
- Gosto do seu cabelo - ele murmurou, mudando completamente de assunto - Ele é lindo. Combina com você - seu elogiou, me pegando de surpresa.
Suas mãos deslizaram entre os fios soltos, depois ele afastou-os delicadamente do meu pescoço, deixando minha nuca exposta, depositando ali um beijo quente e suave, fazendo meus pêlos se eriçarem e meu corpo estremeceu de encontro ao dele. Girei meu rosto em sua direção na intenção clara de beijá-lo, mas quando vi seus olhos me fitando parei indecisa. Não havia só paixão ali, como das outras vezes em que estivemos juntos daquele jeito.
Um outro sentimento que eu não queria nomear estava tomando forma, conferindo um novo brilho ao seu olhar. Abracei-o ao invés de beijá-lo, enterrando meu rosto no vão do seu pescoço para que ele não percebesse o quanto aquilo me incomodava, mas ele logo sentiu a mudança em mim.
- O que foi? - perguntou-me calmo, abraçando meu corpo.
- Nada. Acho que é só efeito retardo do terror por que passamos essa noite - eu menti.
- Ajudaria se eu lhe fizesse uma massagem? - ofereceu insinuante.
- Desde quando lobisomens sabem fazer massagens? – perguntei, fingindo assombro.
- Você não faz idéia do que essas mãos são capazes de fazer! - disse misterioso.
- Tudo bem, desde que eu possa retribuir o favor - eu disse sorrindo.
- Mal posso esperar por isso - murmurou rouco, já tirando meu roupão.
Ele deitou-me de bruços na cama, pegou um óleo de banho na minha necessaire, espalhou um pouco nas mãos e pôs-se a massagear meus ombros.
Suas mãos desciam por minhas costas, suavemente espalhando o óleo e friccionando os músculos nos pontos certos. Meu corpo ficou completamente relaxado, entregue á suas mãos habilidosas. Eu não conseguia pensar em mais nada, só em Paul e em suas mãos quentes no meu corpo. Depois de alguns minutos ele parou apoiando as mãos no colchão, uma de cada lado do meu corpo, eu já estava pronta para protestar quando senti sua respiração tocar minha nuca e em seguida seus lábios deslizarem por ela, ele a beijou repetidas vezes, depois, sem desgrudar a boca da minha pele, ele seguiu, deixando uma trilha de beijos até meu ombro direito, depois refez o caminho até o ombro esquerdo, e prosseguiu com seus beijos quentes até o meio das minhas costas; minha respiração ficou tão irregular que ele não conte o riso, perguntando em seguida:
- Você prefere que eu pare? - a voz grave e sarcástica.
- Só pare se você não tiver nenhum amor à vida! - ralhei frustrada.
Ele riu alto, inclinando-se novamente sobre minhas costas, pondo-se a beijá-la novamente e quando chegou exatamente ao meio das costas, ele deslizou sua língua até a base dela, virou seu rosto para o lado e começou a mordiscar meu quadril; sua mão acariciava minhas coxas e pernas, eu sabia que não agüentaria muito mais daquilo, era uma questão de tempo até que meu corpo fosse dominado pelo clímax. Pressentindo isso, Paul passou a beijar e mordiscar minhas nádegas; sua mão subiu pela parte interna das minhas coxas, eu as separei instintivamente, arfando. Seus dedos me tocaram intimamente, e eu estremeci; apertei minhas coxas, prendendo sua mão ali para que ele não a removesse. Ele voltou a beijar e mordiscar minhas costas e a lateral do meu corpo enquanto seus dedos me penetravam afoitos, eu não consegui controlar meus gemidos. Segundos depois, senti meus músculos prendendo seus dedos com força dentro de mim, meu corpo todo sacudido por espasmos, minha respiração acelerou e finalmente um orgasmo maravilhoso me atingiu, levando-me ao céu.
Ele continuou a me beijar enquanto eu tentava controlar minha respiração e descia das nuvens. Relaxei minhas coxas, libertando em fim sua mão e ele inclinou-se sobre mim, sussurrando em meu ouvido:
- E aí, foi bom pra você? - a voz rouca e divertida.
Virei meu corpo de lado na cama, prendi seu rosto entre as mãos e beijei-o como se fosse devorá-lo. Soltei-o para podermos respirar. Ele riu.
- Vou aceitar isso como um sim! - disse vitorioso. Rimos juntos.
Corri meus dedos por seu peito até os músculos de sua barriga lisa; mordi meu lábio, já antecipando o prazer que sentiria ao vê-lo torturado pelo desejo e murmurei insinuante em seu ouvido:
- Agora é minha vez!
Vi seus olhos escurecerem de desejo, e ele deitou-se, anunciando feliz:
- Sou todo seu!
- Então, vire-se por favor - pedi, ajoelhando-me na cama. Derramei óleo em suas costas, aproveitando para devorar com os olhos seu corpo perfeito; a pele morena e sedosa cobria cada músculo definido das suas costas e ombros. Fechei meus olhos e toquei-o delicadamente, deixando que meus dedos percorrem-se cada centímetro dele num reconhecimento cego. Abri-os novamente e me pus a massagear cada músculo, fazendo pressão para deixá-los soltos e relaxados. Ele suspirava.
Quando o senti completamente relaxado e sobre meu inteiro domínio, sentei-me sobre suas coxas, passando uma perna de cada lado e inclinei-me sobre ele, massageando-o com meus seios aos invés das mãos. Um gemido torturado escapou por seus lábios e vi seu corpo inteiro se arrepiar. Sorri satisfeita. Ergui-me um pouco mais e mordisquei o lóbulo da sua orelha, descendo em seguida para o pescoço, beijei-lhe a nuca enquanto meu corpo serpenteava por suas costas; meus seios roçando sua pela excitada. Deslizei meu corpo pelo dele, e à medida que eu descia, traçava com a língua e as unhas desenhos imaginários em sua pele; meus dentes alcançaram suas nádegas perfeitas e eu as mordi levemente, uma de cada vez, bem como suas coxas também.
Saí de cima dele e toquei para que ele virasse de frente para mim. Ele tentava desesperadamente controlar a respiração e sua excitação era visível. Paul me fitava através dos olhos semicerrados, seu lábio inferior preso entre seus dentes, provavelmente para evitar que algum gemido mais alto escapasse; ele ergueu suas mãos para me tocar, mas eu as capturei no ar, afastei-as de mim e sentei sobre sua barriga, seu membro ereto cutucando minhas nádegas; ignorei-o. Inclinei-me sobre seu peito, prendendo suas mãos pelos pulsos nas laterais de sua cabeça; meus seios ficaram a centímetros da sua boca mas me desviei antes que ele os pudesse tocar; esfreguei meus seios em seu peito, e aquele gemido que ele havia reprimido antes escapou, ecoando alto pelo quarto. Aproveitei para lamber seus lábios e escorreguei minhas mãos por seus braços até alcançar o seu peito; apoiei-me nele e desloquei meu corpo mais para baixo, sentando-me sobre suas coxas. Meus seios e lábios tocavam agora sua barriga, sua virilha e seu membro latejando era um sinal claro de que ele estava no limite. Quando o toquei com os lábios, todo o autocontrole que ele tinha mantido até aquele momento evaporou-se e suas mãos agarraram meus braços, me erguendo. Ele jogou-me de costas na cama, me penetrando em seguida com certa violência; seu quadril arremetia contra o meu com força e rapidez, sua boca se apossou da minha com fúria, e de repente estávamos os dois arfando e gemendo palavras desconexas até sermos arrebatados pelo êxtase violento de um só golpe.
Meu corpo esmagado sob o peso do dele, ainda estremecia satisfeito.
- Ah Leah, Leah - ele murmurou com ternura, as mãos desprendendo suavemente alguns fios do meu cabelos que tinham ficados grudados ali no calor do momento.
Abri meus olhos devagar, sorrindo, e ele me beijou delicadamente.
- Paul? Não. Consigo. Respirar - gemi dolorosamente.
- Oh! Perdão Amor - desculpou-se olhando para mim e sorrindo, enquanto afastava seu corpo do meu.
Estremeci. Não pelo frio ou pelo fato de ele ter se afastado, e sim pela surpresa e pelo choque por ouvir a palavra carinhosa que ele usou para se referir a mim. Ele percebeu a súbita mudança em meu comportamento e ficou quieto, esperando que eu me manifestasse. Ao invés disso, me sentei na cama de costas pra ele, pronta para fugir dali, e ele segurou meu pulso antes que eu pudesse me pôr de pé. Olhei para baixo, observando a mão que me detinha; não ousei encará-lo.
- Não vá. Fique comigo! - ele suplicou. Meu coração apertou-se de tal maneira que as lágrimas inundaram meus olhos. Eu lutei bravamente para detê-las e conseguir falar.
- Eu já volto - minha voz falhou. Soltei meu pulso e saí rápida, sem olhar para ele, indo em direção ao banheiro; tomei o cuidado de fechar a porta.
Capítulo 23. - Discutindo a Relação
Não sei por quanto tempo fiquei ali senta no chão do banheiro, as costas apoiadas na porta, o rosto enterrado entre as mãos, com um único pensamento gritando em minha cabeça “Você deixou ir longe demais!”.
Isso ficou se repetindo e repetindo e repetindo... Minhas pernas já estavam dormentes por estarem na mesma posição por tanto tempo.
Estiquei as pernas doloridas, esperei passar o formigamento e depois levantei lentamente; fui até a pia, joguei um pouco de água fria no rosto e na nuca, numa tentativa inútil de clarear as idéias. Fitei os olhos que me encaravam de volta no espelho, eles estavam atormentados, febris. Eu estava dividida, uma parte de mim dizia-me que eu deveria voltar para aquele quarto e aceitar TUDO o que ele estava me oferecendo; já a outra me dizia para por um ponto final nessa história antes que o pior viesse a acontecer. Mas o que poderia ser pior do que aquilo? “O que você acha que está fazendo Leah!?”, me repreendi. Eu não sabia a quem dar ouvidos.
Eu só queria que ele não me amasse, pelo menos não daquele jeito; tudo seria mais simples se mantivéssemos nosso relacionamento apenas na parte física, com isso eu poderia lidar, já com a questão emocional... Eu não podia ter certeza se conseguiria sobreviver à outra decepção amorosa.
Um coração partido fora o bastante para mim! Seria exigir demais querer que eu passasse por todo aquele tormento uma segunda vez, como havia sido o término do meu namoro com Sam.
“Por que meu Deus!? O que há de errado comigo?” pensei desesperada. “O quê? Eu tenho o dedo podre para homens, é isso?”, minhas duvidas se multiplicavam.
Com tantos caras por aí, eu tinha que me envolver, novamente, justo com um Lobisomem sujeito a sofrer o maldito IMPRINTING a qualquer momento!? Sim, porque nenhum Lobisomem estava livre dessa sina maldita, aliás, nenhum não né? Havia um que jamais passaria por isso. O “Lobisomem Mulherzinha”; ou seja, eu!
Ri descontrolada para minha imagem no espelho, eu bati todos os recordes das bizarrices; eu era uma aberração até mesmo dentro da minha própria espécie!
Um dos principais motivos pelo qual o Lobisomem sofria o Imprinting era o da “preservação da espécie”, ou seja, eles se sentiam impulsionados a se fixarem em uma mulher que pudesse gerar filhos fortes e sadios para manter a matilha sempre ativa.
Eu não podia oferecer isso a eles, por que a partir do momento em que me transformei, meu corpo mudou. Eu não menstruava mais, não ovulava, ou seja, não podia ter filhos, pelo menos não enquanto vivesse essa vida de mão dupla que era ser meio humana e meio Loba; e ao que me consta isso seguiria por um tempo indeterminado. Eu não fazia a mínima idéia de quando ou como iria parar, então eu me perguntava, que homem, fosse ele lobo ou não, em sã consciência iria querer ficar com uma criatura monstruosa feito eu!?
Não consegui chegar a nenhuma conclusão a respeito do meu caso, apenas decidir que eu tinha que sair daquele banheiro e encarar o “problema” de frente.
Lavei o rosto mais uma vez, ajeitei meu cabelo, respirei fundo e saí.
Não havia sinal dele no quarto. Ouvi sua voz, vinda da sala, me chamando.
- Leah? Você pode vir até aqui um minuto? - a voz neutra. Respirei fundo mais uma vez.
Vesti o roupão que estava largado aos pés da cama e me encaminhei até onde ele estava. Parei indecisa. Não sabia se deveria me sentar ao seu lado no sofá ou na poltrona que ficava em frente. Escolhi a última opção, sentei e fiquei olhando-o, esperando que ele falasse.
- Você poderia, por favor, me explicar o que foi aquilo!? - a voz dele era calma, o olhar era inquisitivo.
Agora, olhando para ele, eu não conseguia pensar em nada coerente para dizer. Toda aquela calma dele me incomodava, eu saberia lidar com o “velho” Paul, aquele que gritava e explodia por pouca coisa; já esse “novo” Paul, doce, calmo e compreensivo era desconcertante. Eu simplesmente não sabia o que dizer! Absurdo!
- Eu precisava ir ao banheiro - disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
- Por 1 hora!? - perguntou cético, cruzando as mãos no colo e se recostando do sofá.
Limitei-me a erguer uma sobrancelha.
- Você sabe que teremos que falar sobre isso em algum momento não sabe? - ele disse, como se estivesse falando com uma criança birrenta.
Levantei-me decidida a ir para o quarto sem responder.
Quando passei pelo sofá ele segurou meu braço com firmeza, puxou-me para ficar diante dele, e ergueu seus lindos olhos para mim.
- Você sabe que eu Te... - ele começou a dizer, mas eu rapidamente coloquei minha mão livre cobrindo seus lábios, numa tentativa desesperada de conter aquelas palavras.
- Por favor, não diga isso! - implorei.
Ele retirou minha mão delicadamente, mantendo-a presa entre seus dedos, seus olhos se apagaram um pouco; ele apenas assentiu com a cabeça, e beijou meus dedos antes de dizer:
- Não me deixar falar não me impedirá de sentir! - sentenciou firme.
Uma raiva súbita brotou em mim. Raiva por ele insistir naquele sentimento absurdo. Raiva por ele expô-lo assim, sem mais nem menos. Raiva por permitir que meu coração se agitasse diante da possibilidade ínfima de se recompor e, principalmente, raiva por não conseguir afastá-lo naquele momento, porque, por enquanto, ele era tudo o que eu tinha e tudo o que eu precisava para manter minha sanidade diante da reviravolta que tinha acontecido em minha vida, com toda aquela loucura de ser uma Lobisomem.
- Faça como achar melhor! - Falei ríspida, puxando minhas mãos das suas, pronta pra sair dali.
- É assim que você resolve seus problemas? - ele disse irritado - Simplesmente dando as costas á eles? - inquiriu incrédulo.
- Eu vou dormir, conversaremos sobre isso outra hora - eu disse, erguendo o queixo orgulhosa e indo pro quarto.
Antes de cruzar a porta ouvi-o me chamar novamente, olhei-o sobre os ombros.
- Com certeza falaremos sobre isso Leah - sua voz ameaçadora - Não pense que não cobrarei uma resposta sua sobre o assunto. Ao contrário de você eu não costumo fugir. - finalizou raivoso.
Virei a cara e entrei no quarto, batendo a porta. Joguei-me na cama e me enrolei nas cobertas, fechando os olhos firmemente, como se pudesse assim evitar que suas ultimas palavras me alçassem ali.
Mad - Ne Yo | Letra & Tradução (Leiam)
Ele ficou na sala e eu fiquei fritando na cama, de um lado pro outro sem conseguir pegar no sono.
“O que eu podia fazer meu Deus!?”, quetionei-me. Eu não podia simplesmente dizer a ele ‘tudo bem Paul, vamos viver esse amor então!’ As coisas não eram simples assim. Existia o fantasma de Sam, e suas antigas promessas quebradas, eu não queria passar por aquilo tudo de novo. Será que ele não podia entender que eu não sou assim, do tipo que se joga em paixões inconseqüentes? Sim, por que era exatamente isso que ele estava me pedindo, que eu aceitasse o fato de que ele me amava e que eu também poderia vir a amá-lo e que tudo bem, assim que ele sofresse o maldito Imprinting ele daria palmadinhas nas minhas costas e diria “Ai foi mal Leah, mas eu agora amo outra pessoa!”. Desculpe, mas eu realmente não estava a fim de nada disso. Uma vez fora o bastante pra mim.
“O que será que ele está fazendo? Será que saiu? E se eu fosse falar com ele?”, aquela história estava acabando comigo. “O que eu deveria fazer?”
Eu odiava ter criado aquela situação, odiava tê-lo magoado e ofendido, odiava realmente ter imposto aquela distância entre nós.
Sabê-lo ali, tão perto e, não poder tocá-lo, não poder ver seus olhos ou ouvir seu riso, dormir sem ter seus braços a minha volta e sem sentir sua respiração regular soprando em meu rosto...
Depois de 2 horas, longas e torturantes por esses pensamentos, chutei as cobertas irritada e fui atrás dele.
Abri a porta do quarto silenciosamente e encontrei-o deitado com as pernas jogadas sobre o braço do sofá. Uma de seus braços estava sobre os olhos, ele respirava calmamente, talvez estivesse dormindo. Aproximei-me lentamente, ajoelhei ao lado do sofá e toquei a parte exposta do seu rosto com as pontas dos meus dedos.
Ele moveu o braço um pouco mais para cima, fitando-me surpreso e desconfiado.
- Venha para cama Paul. Esse sofá é pequeno demais pra você - dei a primeira desculpa que me veio a cabeça.
- Estou bem aqui, obrigado - falou ríspido, cobrindo os olhos de novo.
Eu vacilei nessa hora, mas estava determinada a concertar a merda que eu tinha feito.
- Mas eu não estou. Não consigo dormir se você não estiver comigo - larguei essa, rezando pra que surtisse algum efeito.
Ele suspirou exasperado, jogou as pernas pra fora do sofá e se colocou de pé.
- Certo Leah, vamos dormir - e rumou para o quarto, sem esperar por mim. Sorri interiormente vitoriosa.
Quando entrei no quarto ele estava deitado na mesma posição em que eu o havia encontrado momentos antes no sofá. Deslizei meu corpo sob as cobertas e fiquei ali quietinha, mantendo distância, com medo que, se eu o tocasse, ele levantasse e voltasse para a sala.
Depois de alguns minutos arrisquei falar.
- Paul... Você já está dormindo? - sussurrei.
- O que foi agora Leah? - ele respondeu depois de um tempo, remexendo-se inquieto ao meu lado.
Demorei a falar com medo da resposta que ele daria à minha próxima pergunta.
- Você acha que seria muito abuso meu pedir que você me abrace? - perguntei num fio de voz.
Ele respirou profundamente antes de virar-se para mim, os braços abertos para me receber.
- Vem cá! - ele convidou, sua voz era um misto de resignação e conformidade.
Aninhei-me no círculo dos seus braços, suspirando contente.
- Obrigada! – falei, verdadeiramente agradecida.
- De nada. Agora trate de dormir.
E foi exatamente o que eu fiz , depois de me aconchegar mais a ele.
Capítulo 24. - Revendo Conceitos e Amigos
Eu já estava acorda, e a julgar pela respiração dele que batia no meu rosto, ele também estava. Imediatamente recordei a noite passada, meu coração havia se aberto em meu peito, eu tinha que admitir, pra mim mesma, o quanto gostava de estar com ele. Mas será que isso bastava para uma relação? Eu não tinha certeza se estava pronta pra muito mais que aquilo que tínhamos!
Resolvi encarar os fatos e ver no que ia dar. Se ele insistisse na conversa, eu iria fugir novamente.
Abri meus olhos devagar. Ele encarava algum ponto acima da minha cabeça, perdido em seus próprios pensamentos. Uma de suas mãos brincava com uma mecha do meu cabelo, a outra estava pousada sobre minha cintura.
- Bom dia! – cumprimentei-o, sorrindo levemente.
- O que vou fazer com você!? – ele disse, dirigindo a pergunta mais para si do que para mim, pousando seus olhos nos meus sem responder ao meu cumprimento.
Deixei minha mão escorregar dos músculos do seu peito até os da barriga lisa e tentadora, fitei-o determinada.
- Ora Paul, você sempre soube exatamente o que fazer – E para que não houvesse dúvidas sobre do que eu estava falando, passei minha perna em torno da cintura dele, encaixando nossos quadris.
Seu corpo reagiu rápido a minha aproximação, ele tomou minha boca com desespero, sua mão apertou mais minha cintura, me trazendo para mais junto dele, e gemidos roucos fugiam entre nossos lábios. Não saberia dizer quais eram dele e quais eram meus; tudo o que queríamos era saciar nossos desejos. Quando Paul extravasou seu gozo dentro de mim, eu ainda não estava pronta, e ele sabia, por isso continuou a mover-se dentro de mim, esperando, até que finalmente eu também alcançasse minha cota de prazer.
Ele me manteve ali, pressa entre seus braços, seus lábios quentes acariciando meu ombro e a curva do meu pescoço. Meus dedos brincavam em seus cabelos.
- Não pense que você vai se livrar fácil assim não mocinha! – ele disse assim que conseguiu controlar a respiração – Pensa que é só vir rebolando com esse seu corpinho bonito que o trouxa aqui vai cair é? – repreendeu-me.
- E não vai!? – perguntei me fazendo de desentendida.
- Vou! Mas você poderia ao menos fingir que não sabe disso! – falou, fingindo-se de ofendido.
Eu ri, abraçando-o mais forte junto a mim.
- Tudo bem, temos um acordo sobre isso – falei séria – Eu vou me esforçar pra esquecer o quanto você é facinho e você vai fingir ser mais resistente aos meus encantos!
Ele me beijou forte, como se para me punir pelo que eu tinha dito, mas depois o beijo foi suavizando até tornar-se um leve roçar de lábios.
- Só preciso saber de mais uma coisa... – disse-lhe reticente.
- O quê? – perguntou curioso.
- O que teremos para o café da manhã? – perguntei docemente.
Ele me empurrou pra fora da cama, fingindo indignação.
- Isso é demais. Primeiro ela abusa do meu corpo, agora explora minha boa vontade. Me sinto usado! – ele disse isso puxando as cobertas até a altura do queixo para cobrir sua nudez, como se estivesse se sentindo ultrajado.
Eu ri até as lágrimas dessa brincadeira. Fui rindo ainda para o banheiro e gritei para ele do chuveiro:
- Não esqueça de pedir minhas torradas! – alertei-o, rindo ainda.
Terminei meu banho quando ele se preparava para entrar e beijei-o de passagem para o quarto; me vesti e esperei que trouxessem nosso café.
Eu estava de pé na sacada admirando o céu, quando senti-o aproximar-se; ele me abraçou pelas costas, posando as mãos em minha barriga, beijando o alto da minha cabeça.
- É nosso último dia aqui – senti a tristeza impregnar sua voz linda – Amanhã estaremos em casa, de volta a nossa realidade.
- Eu sei – disse suspirando, escorando meu corpo no dele e acariciando suas mãos – Sentirei falta disso – confessei.
Ele me virou de frente pra ele, encarando meus olhos.
- Nós realmente precisamos ter aquela conversa antes de irmos – ele sentenciou – Eu preciso muito saber como será daqui pra frente – seus olhos cintilavam inquisitivos.
- Tem que ser agora? – perguntei nervosa.
- Não tem por que adiarmos isso Leah – ele me abraçou forte, me soltou em seguida e me puxou para sentarmos no sofá, mantendo minha mão entre as suas.
- Uma vez você disse que tinha medo de me magoar. Lembra disso? – inquiriu calmamente.
Eu apenas assenti com a cabeça. Em minha mente eu revi o dia do nosso primeiro encontro na gruta, quando eu me abri para ele. Era tão mais simples naquele época! Parecia que fazia tanto tempo já, e no entanto se passaram apenas algumas semanas desde então.
- É esse medo que te impede de assumir nosso relacionamento? – perguntou cauteloso.
- É – admiti – E também o fato de não saber exatamente o que sinto por você – confessei.
Ele respirou fundo e balançou a cabeça em concordância.
- Você não gosta de mim o bastante para assumir um namoro, é isso? – questionou.
Eu olhei diretamente em seus olhos antes de lhe dar uma resposta.
- Não Paul. Eu gosto demais de você e é isso que me assusta – falei sincera – Você mexe comigo de tantas maneiras diferentes que eu nem sei como expressar! Quando estou com você eu nem penso, eu só... Deixo acontecer entende? – tentei explicar.
- E que problema há nisso? – perguntou confuso – Eu achei que você só não gostasse de mim, pelo menos não o suficiente para assumir um compromisso, mas então você me diz que gosta e que é por isso mesmo que não quer nada comigo? Por favor, explique-se melhor – pediu agoniado.
- Eu gosto muito de você Paul! Muito mesmo, acredite – afirmei – Mas não quero sofrer de novo, não quero assumir isso agora e amanhã você vir a me deixar.
Ele virou-se pra mim, segurou meus ombros e cravou seus olhos nos meus.
- Eu estou completa e irremediavelmente apaixonado por você – ele pronunciou cada palavra com convicção – E não vou abandoná-la. Eu não sou ele Leah.
- Você não tem como ter certeza disso – falei mortificada – Você ainda pode sofrer o Imprinting, Paul – as lágrimas lutavam para cair dos meus olhos, e eu lutava para mantê-las presas.
Ele me soltou como se tivesse tomado um choque elétrico, como se só agora tivesse se dado conta do que éramos. Lobisomem é o que éramos, e como tal não tínhamos direito à escolhas. Ele levantou e começou a andar em círculos pela sala, as mãos fechadas em punhos rentes as laterais do seu corpo.
- Isso pode não acontecer nunca – ele grunhiu – É um fenômeno raro, você sabe disso – disse.
- Eu não sei – falei aparentando uma calma que eu estava longe de sentir – Só sei que meu último relacionamento terminou por conta disso. E também sei que não estou disposta a passar por tudo isso novamente. Não quero ver as pessoas me olhando com pena, não quero sentir aquela dor imensa da perda. Eu prefiro morrer a ter que passar por tudo aquilo outra vez – disse resoluta.
Ele parou diante de mim e me olhou como se estivesse me vendo pela primeira vez.
- Você acredita que eu permitiria que isso acontecesse? – perguntou raivoso – Você realmente acha que eu estaria aqui agora com você se eu acreditasse que lá fora existe outra pessoa a quem eu pudesse vir a amar como amo você? – seus olhos ardiam nos meus – Você não me conhece Leah. Você não sabe, nem faz a menor idéia do que eu enfrentaria para ter você pra mim.
“Ele me ama! Ele me ama!”, isso era tudo no que eu conseguia pensar, perdida nos devaneios que aquelas simples palavras criavam em minha mente. Meu coração estava aos saltos, como se estivesse prestes a saltar do meu peito. Balancei a cabeça levemente para encontrar o foco da conversa novamente.
- Você não sabe do que está falando Paul – eu lhe disse tristonha – Sam também disse que me amava, nós fazíamos planos sabe? E num dia como outro qualquer BUM! Aconteceu Emily! E eu fui reduzida a uma lembrança amarga. E sabe todo aquele amor que ele dizia sentir? Era como se nunca tivesse existido – a mágoa embargava a minha voz. Ele ajoelhou-se diante de mim, segurou meu rosto entre as mãos e fitou meus olhos.
- Até quando você irá se punir por isso? - perguntou – Você fala como se não fosse digna de ser amada! E eu lhe garanto que você é sim. E tudo que lhe peço é uma chance de poder te provar isso – ele implorou.
Eu fechei meus olhos com força, para poder pensar, por que quando eu deixava meus olhos ficarem presos aos dele eu me perdia. Abri-os lentamente e o encarei.
- Você tem noção do que está me pedindo Paul? – questionei-o – Você está me pedindo para assumir um namoro, que nós sabemos que está fadado a terminar de uma hora para outra, sem mais nem menos. Você está pedindo que eu abra meu coração para você, que o deixe entrar em minha vida mesmo sabendo que existe a possibilidade de me largar a qualquer instante. Você acha que tenho forças para isso? Acha mesmo que posso fazer isso comigo mesma? – as lágrimas venceram a batalha, e escorreram livres por meu rosto.
- Não tem que ser assim – ele disse resoluto – Podemos fazer dar certo.
Ele tentou detê-las secando-as com seus dedos, mas elas eram muitas. Ele sentou-se novamente no sofá, me puxou para seu colo e ficou me embalando. Um minuto depois bateram à porta. Paul me colocou no sofá com delicadeza e foi atender; era o serviço de quarto com nosso café.
Fui pro banheiro e lavei meu rosto tentando recuperar o controle. Quando levantei os olhos encontrei os dele me fitando através do espelho. Tentei sorrir, mas tudo que consegui produzir foi uma careta. Já ele não, me brindou com um sorriso lindo e abriu seus braços num convite claro.
Aconcheguei meu corpo ao dele, buscando refugio da dor que me perseguia; ali ela não poderia me alcançar. Eu estava segura com ele.
- Tenho uma proposta para fazer a você – ele disse calmamente, mantendo seus braços ao meu redor. Ergui meu rosto para fitá-lo, desconfiada.
- Faça – pedi curiosa.
- Você concordaria em conversarmos sobre nós com Sam? – ele inquiriu cauteloso.
- O que? – perguntei, me afastando chocada – Você pirou se acha que irei falar com ele sobre esse assunto. Nem pensar – neguei veementemente.
- Leah, só me escute está bem? – ele pediu, colocando as mãos nos bolsos – Ele é o Lobo Alpha, é meu amigo, e você foi namorada dele. Ninguém poderia entender melhor a situação do que ele, você não acha? – ele explicou.
- Eu não devo satisfações a ele, entendeu bem!? – falei rancorosa – E não quero a ajuda dele também. Principalmente sobre esse assunto – finalizei, cruzando os braços, raivosa.
- Você realmente não quer nem tentar ficar comigo, é isso? – ele perguntou magoado – Desculpe por ter insistido, eu achei que você tivesse dito que gostava de mim.
Ele me deu as costas e voltou pra sala, sentou-se à mesa e começou a atacar a comida.
Pisquei várias vezes tentando desanuviar minha mente. Eu era uma idiota mesmo, ele ali tentando de todo jeito me convencer do seu amor por mim e eu jogando tudo fora como se não valesse nada. “Burra, estúpida, idiota”, me xinguei mentalmente. Ele era muito melhor do que eu; pelo menos ele admitia seus sentimentos, enquanto eu ficava ali, me achando esperta, escondida em minha redoma. Aquilo tinha que acabar, eu precisava por fim àquele dilema. Engoli meu orgulho e fui até lá, parei diante da cadeira, de frente pra ele.
- Me desculpe – pedi aflita – Eu quero ficar com você, quero mesmo que isso dê certo então... O que eu estou tentando dizer é que concordo com seu plano de falarmos com Sam assim que chegarmos a La Push. – despejei tudo de uma vez antes que me faltasse coragem.
Ele ergueu-se tão rápido da cadeira que acabou derrubando-a, mas nem se importou com isso; com apenas um passo ele me alcançou e me ergueu nos braços, me enchendo a boca de beijos rápidos e leves, depois descansou a testa na minha, me fitando carinhoso.
- Obrigada por confiar em mim Leah. Eu prometo fazer valer à pena – ele disse convicto.
- Eu sei que sim – eu lhe disse sorrindo, segurando seu rosto entre minhas mãos; olhei-o confiante e beijei-o profundamente.
Ele me colocou de volta no chão e sorriu contente. E isso bastava pra mim.
- Então vamos tomar nosso café – convidou animado – enquanto isso, decidimos o que fazer em nosso último dia em Seattle – arrematou.
Sentei-me e comecei a me servir de suco e torradas, enquanto procurava me convencer de que eu tinha tomado a decisão certa.
- Me diga, o que você tem em mente para o dia de hoje? – questionei-o.
- Eu gostaria de ver Sara e sua família antes de voltar para casa – respondeu calmo.
- Oh! Okay, sem problemas eu arranjo algo para fazer enquanto você estiver por lá – disse-lhe.
- Não, você não entendeu. Eu quero que você venha comigo – ele esclareceu sorrindo.
- Não sei se é uma boa idéia Paul – falei insegura – Acho melhor deixar as coisas como estão, pelo menos até termos falado com Sam ok? – pedi nervosa.
- Você não espera realmente que eu te deixe aqui sozinha não é? – ele perguntou incrédulo – Eu prometo me comportar, Sara não desconfiará de nada – disse fitando meus olhos esperançoso.
- E como você irá explicar a eles minha súbita aparição, hein espertinho? – inquiri.
- Fácil! Antes de irmos vamos passar em um Shopping, quero comprar um presente para meu sobrinho, e direi a Sara que encontrei você lá, por caso, e a convidei para ir até a casa dela já que vocês sempre foram amigas – Ele conclui feliz.
Seu plano era tão simples que me fez acreditar que daria certo. E também, eu tinha que levar em consideração o fato de que eu estava muito curiosa para ver Sara e John como pais.
- Está bem, irei com você. – me rendi – Mas você terá que se comportar ok? – pedi.
Ele levantou-se parou atrás da cadeira onde eu ainda estava sentada e apoiou as mãos na mesa, inclinando-se sobre minhas costas.
- Eu juro que não farei isso – ele surrou em meu ouvido enquanto beijava meu pescoço, causando-me uma onda de arrepios –, nem isso – disse deslizando as mãos por meus braços me erguendo da cadeira –, e muito menos isso. – concluiu, selando nossos lábios num beijo pra lá de sensual.
Eu tive que segurar nele pra não desfalecer ali mesmo, diante da fraqueza que se abateu em minhas pernas. Suspirei audivelmente quando ele interrompeu o beijo.
- Acho bom que você mantenha sua promessa ou então seremos expulsos da casa da sua irmã por atentado violento ao pudor – eu o alertei, brincalhona.
Ele riu alegremente, aproveitando para me abraçar mais forte junto a ele.
Terminamos de nos aprontar e fomos às compras, que serviriam de álibi para minha visita inesperada à sua família.
Quando chegamos à casa da irmã dele, que ficava num bairro tranqüilo, já passava das onze da manhã, e eu ainda estava receosa, mas Paul me acalmou, pegando minha mão e beijando-a, dizendo que ficaria tudo bem. Sorri pra ele em concordância e saímos do carro.
Foi John, marido de Sara, que atendeu a porta.
- E aí John! Tudo bem!? – saudou-o Paul alegremente, estendendo-lhe a mão para cumprimentá-lo.
- Paul! Que bom vê-lo novamente – exclamou ele, puxando Paul pela mão e lhe dando um abraço fraternal – Pensei que você tinha voltado para La Push sem nos fazer uma última visita – disse brincalhão.
E só então ele se deu conta da minha presença, já que eu permanecia meio encolhida atrás de Paul.
- Minha nossa! Que surpresa! É você mesma pequena Leah? Quanto tempo! – disparou ele, me puxando para um abraço apertado dando-me as boas-vindas.
- Olá John. Realmente faz um tempão que não nos vemos! – disse-lhe sorrindo, retribuindo seu abraço com carinho.
Ele me soltou e virou-se para dentro da casa, me levanto com ele pela mão.
- Vamos entrem – convidou-nos – Sara, querida, venha ver a surpresa que seu irmão nos trouxe – ele anunciou feliz, parando ao pé da escada que levava ao 2º andar da casa.
Pouco depois Sara surgiu no alto da escada, sorridente.
- Paul está aqui? – ela perguntou antes mesmo de descer – O que você trouxe pra mim?
- Veja você mesma – disse-lhe John, me colocando no campo de visão dela.
- Oh meu Deus! Leah! Que surpresa agradável – seu sorriso se abriu ainda mais, enquanto ela descia os degraus de dois em dois, vindo em minha direção e me abraçando apertado.
Eu havia me esquecido do quanto Sara era espontânea e bonita, com seus cabelos pretos, agora cortados na altura dos ombros, seus olhos amendoados e doces, que combinavam perfeitamente com seu sorriso fácil e cativante. Paul se parecia muito com ela fisicamente, só as personalidades eram distintas.
Devolvi seu abraço, feliz por ter aceitado o convite de Paul para estar ali; eu gostava muito da irmã dele, e de John também. Tínhamos sido amigos no colégio, muito embora eles estivessem dois anos na minha frente.
- Estou tão feliz em vê-la de novo Sara. Parabéns aos dois pelo bebê – disse sorrindo para ambos – Paul me disse que é um menino.
- Ah! Obrigada. Sim é um garotinho lindo e doce. Acabei de fazê-lo dormir, mas venha ver com seus próprios olhos, para depois não dizer que fiquei me gabando à toa – ela disse jocosa, enquanto aproveitava para beijar o irmão, e em seguida nos arrastou pelas mãos até o quartinho, onde o bebê dormia tranqüilo.
No berço branco, havia um lindo garotinho de cabelos escuros e bochechas rosadas, que ressonava tranqüilo. Ficamos observando seu sono e eu pude ver nos olhos de Sara, John e Paul, o orgulho latejante por terem aquele anjinho na família. Saímos devagar para não despertá-lo e fomos para sala, onde nos acomodamos nos sofás.
- Que bom revê-la Leah – disse Sara, visivelmente feliz, sentada ao lado do marido – O que a trouxe a Seattle?
- Vim a trabalho. Volto hoje mesmo para Forks – disse-lhe, sorrindo levemente.
- E como vocês se encontraram? – perguntou John curioso.
- Foi pura sorte, eu fui ao Shopping que fica próximo ao hotel onde estou hospedada e encontrei Paul vagando por lá – falei rapidamente, sem olhar pra Paul.
- É, eu tinha ido comprar um presente para o pequeno Benjamim, e graças à Deus cruzei com Leah, ela me ajudou a escolher. Se ela não tivesse aparecido eu ainda estaria por lá, completamente perdido entre todas aquelas coisas. Nunca pensei que um bebê precisasse de todas aqueles trecos! – ele disse fingindo assombro, causando o riso do casal – Tome, espero que goste, foi Leah quem escolheu – ele disse, passando para a irmã uma sacola com um embrulho.
Ela abriu o pacote, curiosa, tirando de dentro dele um lindo macacão azul forrado, com um urso estampado nas costas.
- Oh! É lindo Paul. Obrigada – ela disse carinhosa, abraçando-o em agradecimento.
- E esse é meu. Uma pequena lembrancinha, já que vim sem ser convidada – eu disse tímida.
- Não seja boba, você não precisa de convite – ralhou ela brincando e abrindo o pacote que eu lhe entreguei. Dentro havia um conjunto de touca, luvas, meias e sapatinhos, no mesmo tom azul do macacão que Paul acabara de lhe dar – Ahhh! Que fofo, obrigada. Veja John não é lindo? – ela disse alegre depositando os presentes nas mãos do marido. Ele sorriu com ela e nos agradeceu fervorosamente.
- Vocês ficarão pro almoço. Fazemos questão, certo John? – ela buscou a aprovação do marido, que a olhou carinhoso antes de balançar a cabeça afirmativamente.
- Por mim tudo bem, não sei se Leah poderá ficar... - disse Paul, me dando a chance de aceitar ou não o convite.
- Obrigada, eu aceito – disse-lhes contente.
- Ótimo! Então venha comigo, vamos deixar esses dois aí, enquanto colocamos o papo em dia, pode ser? – ela disse, sem nem ao menos esperar minha resposta, já me arrastando pela mão em direção a cozinha.
Espiei sobre o ombro e vi Paul sorrir confiante, me encorajando a ir com ela, virando-se em seguida para a TV que John havia ligado, distraindo-se imediatamente com o jogo que passava.
Já na cozinha, Sara começou a perguntar sobre tudo e todos de La Push. Eu lhe dei todas as informações, e rimos juntas sobre alguns fatos que nunca mudavam por lá, mesmo com o decorrer dos anos. Notei que em momento algum, ela me perguntou sobre Sam, e fiquei grata por isso; ela já devia saber que nós já não estávamos mais juntos, e sendo a pessoa discreta que era, evitou o assunto. Assim como também não tocou na morte do meu pai, ela sabia o quanto isso me abalaria.
Aliás, descrição sempre foi seu ponto forte e foi isso que fez com que mantivéssemos nossa amizade ao longo dos anos. Pensando bem, Sara era a única amiga, fora minha mãe, que eu tinha.
Antes eu também considerava Emily minha amiga, mas depois dos fatos que nos atingiram, nossa amizade ficou seriamente abalada. Na verdade, eu nunca mais a veria como amiga, isso estava claro pra mim. Havia até um falso boato de que eu seria Dama de Honra em seu casamento. Isso, só poderia ter surgido nas rodas de fofocas da reserva, entre aquelas pessoas desocupadas que adoravam atormentar a vida dos outros. Eu jamais me rebaixaria a esse ponto, disso tenho plena consciência. Eu podia ser obrigada a vê-los juntos todos os dias, mas dizer que os tinha perdoado seria exigir um pouco demais de mim.
Terminamos de preparar o almoço entre risos, e enquanto Sara punha a mesa fui até a sala chamar os rapazes. Mal tínhamos começado a comer quando fomos surpreendidos por um choro vindo da babá eletrônica que estava sobre o balcão.
Sara e John olharam-se alertas antes de dizerem ao mesmo tempo.
- É sua vez! – falaram juntos, apontando de um para o outro, e depois sorriram cúmplices.
- Tudo bem, eu vou – disse Sara levantando-se e fingindo-se de derrotada.
Rimos da sua cara forçada de vítima. Pouco depois ela retornou, com o filho nos braços, murmurando amorosa, tentando acalmá-lo.
- Olhe Benjamim, você tem visitas. Diga olá ao tio Paul! – falou, pegando a pequena mãozinha do filho e acenando com ela para um Paul sorridente.
Ele ergue-se e pôs-se ao lado da irmã, fitando orgulhoso o sobrinho.
- E aí garotão! Como você está carinha? – disse suavemente, passando os dedos delicadamente pelos cabelos do menino, que ainda choramingava inquieto.
- E essa é Leah, amiga da mamãe e do papai – disse Sara aproximando-se de onde eu estava.
Eu sorri para ela e levantei para poder ver melhor o garoto, que se debatia agitado em seus braços, quando mirei aqueles olhinhos escuros e lacrimejantes fiquei encantada. Toquei sua mãozinha e imediatamente senti meu dedo ser agarrado por dedinhos gorduchos e fortes. Olhei em volta e todos me brindaram com sorrisos. Fiquei maravilhada, diante daquela criaturinha linda.
- Posso segurá-lo um pouquinho? – pedi timidamente.
- Lógico que sim, mas você não prefere terminar de almoçar? – questionou-me.
- Não, tudo bem, eu tomei café tarde hoje, não estou com muita fome – falei rápida – Coma você – ofereci, já estendendo meus braços para recebê-lo.
Ela o passou para mim cautelosamente e, quase que imediatamente, ele se acalmou. seu choro cessou, e seus olhinhos curiosos ficaram me analisando.
- Ele gostou de você! – afirmou John surpreso – Normalmente ele leva mais tempo antes de parar de reclamar, a ainda assim, só Sara consegue essa façanha, depois de enchê-lo de mimos.
- É verdade – confirmou ela – Sempre que acorda de sua soneca matinal Ben faz questão de nos lembrar que tem ótimos pulmões. Chora que é uma beleza – concluiu divertida.
Todos rimos, e depois me concentrei tão integralmente naquela coisinha fofa em meus braços que nem vi o tempo passar. Eles terminaram de almoçar entre risos e conversas sobre como ser pais era padecer no paraíso.
Paul aproximou sua cadeira da minha, debruçou sobre meu ombro pegando os dedinhos de Ben que brincavam alegres com uma mecha dos meus cabelos, antes de se oferecer para pegá-lo, afim de que eu pudesse finalmente almoçar.
- Não tudo bem. Estou sem fome – disse-lhe sorrindo.
- Você sabe que terá que devolvê-lo aos pais daqui a pouco, né? – alertou-me divertido, causando risos em todos nós.
- Ah Paul, não seja chato. Só estou curtindo um pouquinho, mas tudo bem, sei que você está louco para segurá-lo – disse-lhe, passando Benjamim para seus braços, advertindo-o para tomar cuidado.
Ele revirou os olhos, reclamando chateado.
- Por que todos acham que vou fazer algo de errado quando me dão um bebê pra segurar?
- Não é nada pessoal Paul – acalmou-o John – Deve ser o tal do instinto materno falando. Sara também sempre tem mil recomendações para mim antes de me deixar pegá-lo – concluiu.
Sara e eu rimos enquanto observávamos Paul conversar com a criança.
- Então garotão!? Quando você irá a La Puch visitar seus avós hein? – murmurava, enquanto Ben o olhava, distraído – Você sabia que eles prepararam um quarto só pra você? – informou.
Enquanto ele mantinha esse “diálogo”, aproveitei para observá-lo mais atentamente. Eu nunca antes tinha-o visto numa cena tão doméstica. Pude ver o quanto ele era amoroso, o carinho com que ele se dirigia à irmã, o respeito que ele tinha pelo cunhado, e todo o amor que irradiava de seus olhos quando fitava a criança em seus braços.
Paul seria um ótimo pai, e com certeza seria um excelente marido também. Não pude evitar ter inveja da mulher que lhe daria a alegria de ser pai um dia; com certeza não seria eu, já que bebês estavam fora de questão pra mim.
Até aquele momento eu não tinha parado para pensar seriamente sobre o assunto, mas agora, ali, vendo-os felizes diante do pequenino bebê, senti um aperto no peito e um vazio tão grande dentro de mim que mal pude disfarçar. Mexi-me inquieta na cadeira e Paul olhou para mim, com a testa franzida, pressentindo algo.
- Não fique triste Leah, eu a deixarei segurá-lo mais um pouco ok!? – ele brincou, tentando distrair a dor, que com certeza percebeu em mim. Sorri, tentando transparecer descontração.
- É bom mesmo, até por que daqui a pouco você vai acabar afogando o menino de tanto babar em cima dele – brinquei, procurando sorrir para tranqüilizá-lo.
Todos riram, descontraindo-se, e Sara acabou pegando o filho, a fim de trocar suas fraldas e amamentá-lo, e ele acabou por adormecer novamente, depois de devidamente limpo e alimentado.
Ficamos jogando conversa fora até que Paul lembrou-os de que tínhamos que ir.
- Então irmãzinha, preciso ir embora. Meu ônibus parte daqui a pouco. Ainda tenho que passar na casa do meu amigo para pegar minhas coisas e me despedir antes de partir – disse.
- Ah Paul! Vou morrer de saudades de você! – ela lamentou-se chorosa, abraçando-o. Ele me olhou significativamente por sobre a cabeça da irmã, pousada em seu peito.
- Bem pessoal, eu também preciso ir – informei-os – Se você quiser posso lhe dar carona – ofereci a Paul, ficando ruborizada diante da farsa que montamos para sua família.
- Seria ótimo. Eu agradeço – ele disse sério.
- Por favor Leah, prometa que você virá me ver mais vezes! – pediu Sara, me abraçando tão forte quanto tinha feito com o irmão – Mande lembranças nossas a Sue e Seth – disse sorrindo.
- Mandarei sim. Obrigada por me receber e pelo almoço. Fiquei muito feliz em revê-los. E mais uma vez, parabéns pelo filhote, ele é lindo – disse-lhe sincera – Fiquem bem e, quando forem a La Push me procurem, certo? – pedi.
- Pode deixar, iremos sim – Confirmou John me abraçando.
Eles nos levaram até lá fora, com mil recomendações e saudades. Nos despedimos deles finalmente e voltamos ao hotel em silêncio.
Estava mais do que na hora de voltarmos pra casa.
Capítulo 25. - Despedida e Seattle
Assim que entramos na suíte, Paul pegou minha mão, detendo-me diante dele.
- Nós realmente precisamos ir embora agora? - perguntou ansioso. Olhei para o relógio antes de responder; eram 16:00 horas.
- Não, na verdade, nossa reserva expira daqui a quatro horas - informei-o - Você quer sair para despedir-se de seus amigos antes de irmos? - sugeri tranqüila. Ele largou minha mão, segurou-me pela cintura me puxando para seus abraços.
- Não, tenho uma idéia melhor – disse, sorrindo malicioso antes de me beijar com ardor. Meu corpo reagiu com arrepios, diante da promessa antecipada de prazer que seus lábios transmitiam.
Minhas mãos, ávidas por tocá-lo, infiltraram-se sob sua camiseta, e suspirei contente ao sentir o calor da pele de suas costas sob minhas mãos; mas isso não era o bastante, eu precisa dele todo, só pra mim. Livrei-o da camiseta e abandonei sua boca por um instante para tira a minha também, fiquei nas pontas dos pés para enlaçar seu pescoço, e deixei que meus seios roçassem seu peito, aproveitando para capturar seus lábios novamente.
Ele gemeu ao contato de nossas peles, me soltou por um breve momento para livrar-se das calças e da cueca de uma só vez, e suas mãos ágeis libertaram-me do jeans e da calcinha, deslizando em seguida por minhas coxas e apalpando minhas nádegas, apertando-as com força e ergue-me do chão de encontro ao seu corpo.
Sua excitação era notável, sua língua quente e doce invadia minha boca, ele caminhou comigo, me colocando sentada na beirada da mesa, deixando que sua língua percorresse um caminho incendiário por meu pescoço, mordiscando minha orelha, deslizando-a por meu ombro, descendo lentamente, indo de encontro ao meu seio; meus dedos brincavam em seus cabelos, mas quando senti-o prender meu mamilo entre os dentes, cravei minhas unhas em seus ombros, perdendo completamente a noção da minha força e dos meus atos. Ouvi-o gemer alto, não sei se de dor ou prazer, e para compensá-lo, beijei-o onde antes o havia arranhado.
O gosto de sua pele que minha língua capturava era doce, quente, excitante... Eu desejava sentir o gosto do corpo dele inteiro, e ele parecia ter a mesma necessidade que eu. Suas mãos, gentis, me empurraram, deitando meu corpo sobre a mesa enquanto seus lábios e seus dentes percorriam meu estomago, minha barriga, meu quadril; minhas mãos alcançaram seus braços e os acariciei; tentando puxá-lo para mim, ele desvencilhou-se delas, puxou uma cadeira e sentou-se diante de mim. Meus olhos febris ficaram presos aos dele, que estavam escurecidos pelo desejo que o dominava, e ele gentilmente separou minhas pernas, baixou lentamente o rosto entre elas, e quando sua língua me tocou, todo meu corpo foi atacado por espasmos incontroláveis; arqueei minhas costas da mesa como que impulsionada por uma mola invisível, minhas mãos agarradas nas laterais da mesa enquanto sua língua investia contra mim, e passados alguns poucos segundos comecei a arfar em busca do ar que me faltava, tamanho o prazer que me invadia; tombei novamente sobre a mesa, finalmente vencida.
Suas mãos agarram minhas coxas e puxaram-me para si, colocando-me sentada em seu colo, e eu ainda tremia quando ele me abraçou forte, inspirando profundamente em meus cabelos desalinhados.
- Você é tão doce - sussurrou com a voz rouca em meu ouvido, causando-me uma nova onda de arrepios.
Ergui-me, me coloquei de pé entre suas pernas e beijei-o, disposta a retribuir todo o prazer que ele me havia proporcionado. Girei meu corpo, ficando de costas para ele, e sentei-me novamente em seu colo; ele suspirou, segurando-me pela cintura. Rrecostei-me sobre seu peito, deitei minha cabeça em seu ombro e ergui minha mão, enlaçando sua nuca e trazendo seu rosto para junto do meu, beijando sua boca deliciosa com voracidade quando finalmente o senti dentro de mim; movi meu quadril lentamente, ouvindo-o suspirar. Uma de suas mãos subiu, encontram meus seios e acariciando-os, enquanto a outra imprimia um ritmo mais acelerado ao meu quadril, eu o acompanhei obediente, satisfeita ouvindo-o gemer e arfar em meu ouvido.
Seu corpo estremeceu, enquanto arremetia, com força, seu quadril contra o meu; Com sua respiração descompassada, ele entregou-se a mim completamente, suas mãos enlaçando minha cintura com força, extravasando seu prazer comigo.
- Ah Leah... Minha Leah! - sua voz rouca e entrecortada, buscando se recompor.
Beijei seu rosto, alcançando em seguida seus lábios, acariciando seus cabelos, assim como ele acariciava os meus.
Minutos depois, ele passou seu braço por baixo das minhas pernas, levantou-se e caminhou comigo no colo em direção ao banheiro; colocou-me de pé, ligou a ducha e juntou-se a mim no banho. Ele enxaguou meus cabelos, enquanto eu ensaboava seu corpo, e fez o mesmo por mim; era delicioso ficar ali, só trocando carinhos, reconhecendo os pontos mais sensíveis um do outro.
Terminado o banho, nos secamos, fomos para o quarto e nos vestimos, recolhendo e arrumando nossas coisas nas bolsas de viagem.
- Já está na hora? - perguntou-me.
- Sim, precisamos ir - informei-o, a tristeza querendo se apossar de mim.
- Dará tudo certo! - ele assegurou, me abraçando apertado. Eu apenas assenti, me aconchegando mais a ele, buscando conforto.
- Vamos, antes que venham nos expulsar do quarto - ele brincou, tentando me distrair. Sorri para ele, soltando-o e pegando minha bolsa sobre a cama; ele tirou-a da minha mão, colocou-a no ombro junto com a sua e me ofereceu a mão sorrindo, enquanto saíamos do quarto e fomos fechar a conta, prontos para seguirmos para casa.
Paul ofereceu-se para dirigir para que eu pudesse descansar, e concordei feliz, mas a medida que nos afastávamos de Seattle, a insegurança crescia dentro do meu peito.
Estávamos a caminho de casa e, tão logo chegássemos, eu teria que me confrontar com meus fantasmas particulares isso definitivamente não estava me ajudando a relaxar.
Mantive meus olhos fechados na maior parte do percurso, até que Paul resolveu parar para abastecermos e jantar.
Depois de encher o tanque, ele me levou pela mão até uma lanchonete que ficava ao lado do posto de gasolina, abriu a porta me dando passagem e em seguida me guiou até uma mesa num canto afastado. Assim que nos sentamos, uma senhora simpática veio nos atender.
- Boa noite - cumprimentou-nos alegremente, entregando os cardápios e servindo café nas xícaras que já estavam sobre a mesa - Gostariam de fazer seus pedidos agora? - perguntou solícita.
- Eu quero um hambúrguer duplo, com fritas e coca-cola - disse Paul sorrindo para ela, que anotou o pedido dele e se virou para mim.
- E para você, meu bem? - perguntou-me.
- Para mim só café, obrigada - disse-lhe sorrindo; me sentia meio tensa ainda. Ela assentiu e foi providenciar o pedido dele. Tomei um gole do café na tentativa de desfazer o bolo que se formava em meu estômago, com a expectativa de logo estarmos em casa.
Olhei distraída pela janela, observando as pessoas que caminhavam lá fora, imaginando quantas delas já haviam enfrentado algum problema parecido com o meu. Não consegui chegar a nenhum cálculo satisfatório.
Paul acariciou minha mão que estava largada sobre a mesa.
- O que foi Leah? - perguntou manso, um toque de preocupação na voz grave.
- Nada - menti, evitando encarar seus olhos inquisidores.
- Mas você praticamente não comeu nada hoje, está só com o café da manhã! Deixou de almoçar para ficar com Benjamim no colo lembra-se? - ele observou calmo - Você deveria comer alguma coisa - sugeriu.
- Você vai me obrigar a comer também? - falei exasperada, olhando-o irritada. Ele retirou a mão da minha, recostou-se na cadeira cruzando os braços sobre o peito - um sinal claro de irritação - fitando meus olhos.
- Do que exatamente você está falando? Alguma fez a obriguei a fazer alguma coisa? - a voz neutra, mas seus olhos traíam a sua calma aparente. Sustentei seu olhar por alguns segundos antes de abanar a mão num gesto displicente.
- Deixa pra lá, eu me expressei mal - disse, voltando a olhar pela janela - Só estou sem fome - arrematei, fingindo desinteresse.
- Sem fome ou sem coragem? - perguntou irônico.
- Do que você está falando? - questionei-o nervosa.
- Ora vamos, Leah! Admita! - disse irritado - Você está com medo de dizer a Sam que estamos juntos! - acusou-me.
- Não seja ridículo Paul – bufei, exasperada por ver o quão perto ele estava da verdade.
- Qual o problema hein? Você tem medo de destruir suas chances de tê-lo de volta caso ele saiba que você esteve com outro além dele? - inquiriu sarcástico - Pois deixe-me esclarecer uma coisinha: Ele não vai voltar pra você! - concluiu cruel.
- Pois fique sabendo que eu não o quero de volta, nem mesmo que ele me pedisse de joelhos em frente a toda La Pusch! - afirmei categórica - Minha preocupação atende por outro nome, chama-se IMPRINTING - falei raivosa, d aproveitei que o pedido dele chegou e pedi licença, arrebatando a chave do carro que ele havia deixado sobre a mesa e saindo em seguida, buscando refugio. Cinco minutos depois ele entra no carro, sentando-se no banco do motorista.
- Você já comeu? - perguntei dividida entre o assombro e a dúvida. Ele apenas levantou um saco de papel que trazia na mão, largando-o no banco de trás, virando-se em seguida para mim.
- Me desculpe por ter sido grosseiro com você ainda há pouco - a voz verdadeiramente arrependida - Mas é que não consigo deixar de sentir ciúmes do cara e, vamos combinar que, sua atitude não tem me ajudado muito com isso - concluiu derrotado.
Uma onda de culpa me invadiu o peito; ele era tão melhor que eu, sempre tão claro com o que sentia que me fazia repensar se o merecia.
- Sinto muito por isso - sussurrei culpada - Eu sei que não sou a pessoa mais fácil de lidar, mas realmente estou me esforçando - disse-lhe sincera.
- Eu sei, eu sei - falou calmo, pegando minha mão e apertando-a entre seus dedos - Mas não sei mais o que fazer a esse respeito Leah, não sei como fazê-la acreditar que a amo e que não vou deixá-la. Me diga o que você quer que eu farei! - pediu convicto. Soltei minha mão da sua e enlacei-o pelo pescoço, puxando-o para um abraço.
- Só fique comigo! Por favor? - murmurei em seu ouvido.
-Sempre! - ele prometeu, me apertando com força. Ficamos assim por longos minutos, até que nos afastamos, sorrindo de um para o outro.
- Eu dirijo, você come - ordenei.
- Você quem manda - ele concordou, erguendo as mãos em redenção. Trocamos de lugar e voltamos para a estrada. Paul insistiu em dividir seu lanche comigo e para evitar uma nova discussão me forcei a comer um pouco.
Ainda sentindo-o meio tenso, resolvi questioná-lo.
- Ainda está pensando sobre aquele assunto? - inquiri cautelosa.
- Não, se você diz que resolveremos tudo eu acredito - ele disse fazendo um carinho em meu rosto - Estava pensando em Sara e sua família - ele disse, uma ruga de preocupação vincando sua testa.
- Qual o problema Paul? - perguntei inquieta.
- Eu estava pensando que, aquele sanguessuga nojento que enfrentamos era jovem e inexperiente, mas e se houver outros por lá? E se atacarem minha família, Leah? – questionou, visivelmente preocupado.
- Você tem razão – concordei, desconfortável e nervosa - Acho que devíamos informar a Sam sobre isso - sugeri.
- Sim com certeza, mas e enquanto isso? O que farei para protegê-los? Eu não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo - a voz frustrada.
- E se você os convencesse a passar uma temporada em La Pusch? Talvez sua mãe possa ajudá-lo com isso, ela pode alegar que está com saudades ou algo do gênero - sugeri.
- É isso mesmo! - disse exultante - Boa idéia Leah, você é um gênio! – concluiu beijando meu rosto, contente.
- Nada mal para uma garota hein? - provoquei-o irônica.
- Certo! Você me pegou nessa - admitiu derrotado, gargalhando em seguida.
Quando chegamos a La Pusch, parei meu carro na esquina da casa dele e o encarei.
- Qual o próximo passo? - perguntei nervosa.
- Vamos dormir - disse simplesmente - Cada um na sua casa, infelizmente - concluiu rápido, diante do meu olhar assustado - Amanhã procuraremos Sam e falaremos com ele - disse resoluto, firmando seus olhos nos meus, transmitindo-me segurança.
- Okay, nos vemos amanhã então - falei mais calma.
Ele pegou suas coisas no banco traseiro e saiu do carro; dando a volta e parando junto a minha porta, abaixou-se para ficar com o rosto no mesmo nível que o meu.
- Durma bem - desejou-me, beijando meus lábios - Sentirei sua falta - sussurrou com a testa encostada na minha.
- Também sentirei a sua - confessei - Boa noite e até amanhã - despedi-me pesarosa. Trocamos um beijo mais demorado e ele partiu, virando-se para acenar para mim antes de entrar. Segui para minha casa.
Abri a porta vagarosamente, procurando não fazer barulho. Minha mãe cochilava no sofá, diante da TV ligada, então entrei sutilmente, larguei minhas coisas no quarto e voltei para sala, a fim de despertá-la para que ela fosse para a cama.
- Mãe - chamei suave - Mãezinha – insisti, beijando-lhe o rosto delicadamente. Ela despertou e olhou para mim, sonolenta.
- Você voltou! - constatou feliz - Estava sonhando com você - ela disse sorrindo.
- Mesmo? E era bom? - questionei-a sorrindo, aproveitando para ajudá-la a sentar-se e me acomodando ao seu lado, deitando minha cabeça em seu ombro.
- Não me lembro de muita coisa - ela disse distraida - Só que você parecia muito feliz e não estava sozinha, mas não consigo me lembrar quem estava com você - ela disse, me abraçando pelos ombros e beijando meus cabelos, carinhosa.
- Eu estou feliz mãe - disse-lhe, retribuindo o abraço.
- Mas se você está feliz como diz, por que tem essa ruguinha aqui? - perguntou duvidosa, apontando para minha testa.
- Ah dona Sue, por favor! – falei, me desviando do assunto - Vamos dormir que já está tarde e eu fiz uma longa viagem, está bem? - falei, me levantando e puxando-a pelas mãos.
- Está bem - ela concordou disfarçando um bocejo - Mas amanhã quero saber de tudo sobre isso - intimou-me antes de me dar um beijo de boa noite.
Tomei um banho, e me joguei na cama exausta e decidida a deixar para o dia seguinte o problema que eu tinha pra resolver, então diante desse fato deixei que o cansaço das últimas horas me dominasse e apaguei.
Acordei meio perdida, sem saber direito onde estava, e me perguntando por que Paul não estava ao meu lado. Aos poucos recobrei a consciência e me dei conta de que estava de volta ao meu quarto em La Pusch. Suspirei alto, procurando relaxar, me espreguicei devagar, chutei as cobertas e fui me preparar para enfrentar o dia, que prometia ser, para dizer o mínimo, muito tenso.
Encontrei minha mãe na cozinha, as voltas com o café da manhã e aproximei-me dela, abraçando-a pela cintura e beijando sua bochecha rosada pelo calor do fogão.
- Bom dia mãezinha querida! - cumprimentei-a saudosa - Senti sua falta sabia Dona Sue!? - disse-lhe, soltando-a e indo sentar a mesa. Ela virou-se para mim, sorrindo.
- Estamos contentes? Fez boa viagem? – disse, emendando uma pergunta na outra.
- Sim para as duas coisas - disse calma - Onde está Seth? - perguntei distraída, me servindo de café e leite.
Como em resposta a minha pergunta, meu irmão surgiu na porta, o cabelo revolto em torno do rosto bonito, parecendo cansado.
- Hei Leah! - disse descontraído vindo beijar meu rosto - Finalmente achou o caminho de volta pra casa foi? - falou, não perdendo a chance de me provocar.
- E aí garoto, como estão as coisas? - perguntei, realmente feliz por reencontrá-lo bem.
- Uma loucura só – disse, revirando os olhos bonitos - Mas logo, logo você saberá de tudo. E prepare suas pernas pra correr muito por que os turnos de vigília foram dobrados, graças a você sabe quem - disse reticente, atacando a comida em seguida.
Olhei para minha mãe, e percebi em seus olhos a preocupação latente; pela primeira vez me dei conta do quanto deveria ser difícil para ela, ter os dois filhos envolvidos em toda aquela doidera de Lobisomens versus vampiros.
Mudei de assunto, falando sobre minha viagem, tentando distraí-la. Seth terminou de comer e despediu-se de nós, correndo para tomar banho e deitar-se.
- Então minha filha, vai me contar agora o que a preocupa ou terei que arrancar isso de você? - ela disse, pousando sua xícara de café na mesa e lançando-me um olhar perspicaz.
- Ah mãe, é tão complicado - disse reticente.
- Talvez se você me contar, eu possa te ajudar a descomplicar - sugeriu, pegando minha mão sobre a mesa e apertando-a, transmitindo-me confiança.
- Eu me envolvi com alguém – disse, olhando-a atentamente - E agora ele quer assumir um compromisso mais sério entende? - o nervosismo transparecendo em minha voz.
- E qual o problema nisso minha filha? - questionou-me calma.
- É que não sei se estou preparada para um relacionamento assim de novo sabe? - confessei - E se não der certo e ele me chutar? - perguntei triste.
- Leah, você não pode deixar que seu namoro com Sam sirva de parâmetro para seus novos relacionamentos, minha filha - ela disse sábia - Cada pessoa é única, cada relacionamento é diferente e se você não se permitir viver isso, estará fadada a ficar sozinha, meu bem! E isso é muito triste por que você é tão linda, tão jovem e tão especial que seria um desperdício e um egoísmo muito grande da sua parte não dividir seus melhores sentimentos com outra pessoa, meu amor! - ela concluiu, sorrindo para amenizar o impacto que suas palavras sinceras tinham sobre mim.
- Mas e se ele não me amar de verdade como acha que ama? E se ele conhecer outra e me trocar como se eu fosse um sapato velho? - questionei-a exasperada, não querendo dar razão a ela.
- Tenho certeza que Paul não agiria assim tão levianamente com você - ela disse, me dando uma palmadinha na mão.
Olhei-a boquiaberta. Como, em nome de Deus, ela sabia que era com Paul que eu estava envolvida?
- Como... Quem...? - eu não conseguia articular a pergunta.
- Ora Leah, você acha que eu sou cega? Pensa que não vejo a maneira como ele olha pra você quando estão juntos? - ela disse, rindo alto agora, diante do meu aturdimento - Se o que ele sente por você não é amor, então não sei que nome dar aquele sentimento que ele trás nos olhos sempre que a vê – completou, convicta.
- OMG! Mais alguém sabe disso? - perguntei nervosa.
- Relaxe minha filha, acho que mais ninguém desconfia - ela disse tentando me acalmar, sem muito sucesso - Embora a mãe dele tenha comentado comigo um dia desses que está desconfiada de que o filho anda apaixonado, por que faz algum tempo já que ela vem notando uma mudança, pra melhor, no comportamento dele. Segundo ela, antes ele vivia recebendo ligações de muitas garotas, mas que agora as dispensa sem cerimônia, e quando elas insistem ele pede pra ela dizer que ele não está ou que casou-se e mudou-se de cidade - ela contou-me isso como se revelasse um grande segredo.
Pisquei aturdida. Paul correndo das ex-pretendentes? Isso era bom, pelo menos agora eu sabia que ele não havia ficado com mais ninguém desde que começamos as nos relacionar.
- Oh mãe, o que você acha que devo fazer? - perguntei confusa - Ele quer falar com Sam sobre nós. Ele quer namorar comigo! - minha voz alterada pela expectativa.
- Acho a atitude dele muito correta, o que prova que ele a respeita e respeita seus sentimentos e a amizade de Sam também - ela afirmou admirada - Se você realmente gosta dele, deve seguir o exemplo dele e ser honesta com seus sentimentos, minha filha. Fale com Sam, afinal vocês terão que conviver juntos e nada deve atrapalhar essa sua nova escolha, não deve haver nenhuma dúvida assombrando vocês, tenho certeza que tudo irá se ajeitar da melhor maneira possível. Paul é um bom rapaz, fico feliz por vê-los juntos - ela afirmou, levantando-se em seguida e me puxando para um abraço.
Fiquei mais tranqüila depois dessa conversa; minha mãe sempre conseguiu me entender e me ajudar como ninguém mais. Fomos interrompidas por batidas na porta da cozinha e minha mãe me soltou e foi atender.
- Bom dia Sra. Clearwater - a voz grave de Paul se vez ouvir.
- Bom dia Paul, entre vamos - minha mãe convidou-o, afastando-se para lhe dar passagem. Ele hesitou por um momento antes de se decidir por entrar e sorriu para mim, calmo.
- Bom dia Leah, posso falar com você um minuto? - pediu tranqüilo.
- Fiquem à vontade, tenho que ir até o mercado, nos vemos depois filha - ela disse, já pegando as chaves do carro e a bolsa que estavam sobre o armário - Até qualquer hora Paul - ela disse, despedindo-se dele com um sorriso.
Ele acenou para ela, sem desviar os olhos de mim. Assim que ela saiu, corri para abraçá-lo, beijando-o em seguida; não tinha me dado conta do quanto tinha sentido sua falta até aquele momento.
- Bom dia - cumprimentei-o em seguida - Senti sua falta - confessei, roçando meu nariz no dele e sorrindo.
- Também senti sua falta - ele disse, sorrindo de volta - Fiquei um tempão imaginando quando seria uma boa hora para bater na porta da sua casa sem parecer um desesperado - riu.
- Minha mãe sabe sobre nós – despejei, sem conseguir me segurar por mais tempo.
- Você contou a ela? - perguntou-me surpreso.
- Nem precisei, a danada já tinha sacado há tempos, e sabe como ela descobriu? - perguntei, me afastando para olhá-lo atentamente; ele apenas deu de ombros, indicando que nem desconfiava - Ela disse que o pegou olhando para mim apaixonadamente, foram bem essas as palavras que ela usou, acredita? - inquiri-o.
- Ela é muito observadora - ele disse, sorrindo feliz – Bem, veja pelo lado bom, ela nem me expulso, sinal de que com ela não teremos problemas - ele arrematou divertido.
- Ela adora você! - concordei fingindo desgosto. Ele me abraçou mais forte, rindo em meus cabelos.
- Queria saber se você ainda está decidida a ter aquela conversa com Sam? - questionou, ligeiramente tenso.
- Estou sim, quanto antes falarmos com ele melhor - afirmei decidida.
- Então vamos, não quero ter que esperar até á noite para resolvermos isso – disse, segurando minha mão e me levando até a porta; parou um momento e virou-se para mim dizendo - Antes desse dia chegar ao fim, todos em La Pusch saberão que você está comigo. Quase consigo sentir pena dos caras que terão suas esperanças em conquistá-la reduzidas às cinzas - sorriu vitorioso.
- Como assim? Do que você está falando? - perguntei perdida.
- Minha sorte Leah, é que você ficou tão cética em relação os homens depois do término do seu namoro com Sam que nem percebia os caras à sua volta - ele disse calmo - Cada vez que você entrava no bar do Joe eu tinha que me controlar pra não esmurrar alguns caras por lá. Seria cômico se não fosse absolutamente doloroso vê-los babando por você como cães sem dono - ele confessou exasperado - Você sabia que tive uma discussão acalorada com o Will lá da escola por sua causa? O cara só faltou pular em cima de você depois de descrever para a turminha dele, em detalhes, o que faria caso tivesse uma chance de se aproximar de você. Só não bati nele por que sei que perderia o controle e acabaria me transformando na frente de todos, o que seria realmente lamentável, mas a vontade de arrancar a cabeça dele do pescoço foi grande, tenho que admitir - ele disse, fechando as mãos em punhos para controlar a raiva que aquela lembrança despertou nele.
Eu o olhava entre surpreendida e abobalhada. Eu nunca tinha percebido nada disso, tudo bem que eu sabia que uns carinhas me olhavam e tal, mas nem de longe desconfiei que a coisa fosse naquele nível.
- Meu Deus, Paul!? O que você está dizendo? - perguntei confusa - Quer dizer então que você já tinha algum tipo de sentimento por mim há algum tempo. É isso? - inquiri.
- Leah, eu gosto de você desde que tinha 12 anos - disse sério - Só que você era mais velha, e mais tarde a vi se apaixonando por Sam, e isso foi bem difícil de superar sabe? - ele confessou, envergonhado - Eu via vocês juntos e não conseguia deixar de invejá-lo; ele tinha a única garota de quem eu tinha gostado realmente. Aí desencanei e parti pra outra, por que eu percebi que você gostava mesmo dele, e que eu não teria a mínima chance com você, só que depois as coisas mudaram, todo esse lance de lobos e tal, e de uma hora pra outra vocês não estavam mais juntos, então pensei "Eis sua chance Paul", e parti pro ataque - ele disse dando de ombros, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
- Você... Você... Gosta de mim desde os 12 anos?! - gaguejei surpresa – Você cuidou de mim e da minha reputação sem eu saber? O que fez você acreditar que eu lhe daria uma chance? - despejei essas perguntas sem nenhuma ordem, tentando absorver tudo o que ele tinha revelado até ali.
- Sim, eu sempre gostei de você e, sim eu cuidava de você sem que você soubesse, e achei que eu deveria ao menos me arriscar, porque se eu não tentasse eu nunca saberia se poderia dar certo ou não - ele disse tranqüilo - Aquele dia no rio, quando você passou mal depois da caçada, eu já tinha tomado a decisão de me aproximar, mas aí as coisas fugiram um pouco do controle quando tive que resgatá-la da correnteza. Juro que não planejei nada daquilo, mas tê-la ali, tão perto, tão vulnerável, tão lindamente assustada foi demais pra mim, perdi o controle e, bem... Você sabe o que aconteceu depois - ele confessou, sua voz era tão carregada de sinceridade que nem por um minuto duvidei que fosse verdade.
- Oh Paul, isso é... É estranho sabe? - sorri, acariciando a mão dele, que ainda segurava a minha - Eu nunca desconfiei de nada disso, e sinto muito se feri seus sentimentos ao longo desse tempo - desculpei-me sincera.
- Tudo bem! – tranqüilizou-me delicadamente - O que importa agora é que estamos juntos Leah. E vou lutar muito para que nada nos separe - assegurou-me - Amo você! – disse, me puxando para a proteção de seus braços.
- Obrigada por tudo Paul - falei emocionada - Prometo fazer o que estiver ao meu alcance para fazer com que nosso relacionamento dê certo - disse-lhe, algumas lágrimas furtivas escorrendo por meu rosto e molhando sua camiseta. Ele ergueu meu rosto e beijou meus olhos, buscando em seguida meus lábios e tocando-os suavemente, antes de se apossar deles com vigor.
Nos separamos já meio ofegantes e sorrimos um pro outro.
- Venha, vamos logo falar com Sam antes que sua mãe volte e acabe mudando o conceito bom que tem mim, se me pegar aqui agarrando você na cozinha dela - ele disse rindo.
Saímos, fechei a porta e respirei fundo, seguindo-o pela trilha na floresta atrás da minha casa, que nos levaria até a casa de Emily.
Capítulo 26. - Exorcisando Fantasmas!
À medida que nos aproximávamos da casa de Emily meus temores aumentavam. Era fácil dizer que ficaria tudo bem, eu mesma me ouvi repetindo isso em minha mente o tempo todo, mas outra coisa bem diferente era encarar Sam e dizer-lhe “Oi, estou namorando seu melhor amigo!”. Argh, só de pensar no assunto meu estômago se revirava; era um milagre que eu ainda não tivesse colocado pra fora meu café da manhã.
Antes de sairmos da floresta, Paul parou por um instante e me puxou num abraço apertado.
- Você está comigo? – questionou-me ansioso; eu apenas assenti com a cabeça recostada em seu peito – Então ficará tudo bem. Confie em mim – pediu, beijando meus cabelos e soltando-me em seguida.
Saímos de dentre as árvores escuras e eu pisquei quando a claridade do dia me alcançou. Diante de nós estava a casa da minha prima, o ninho de amor dela e do meu ex-namorado; não consegui evitar que um tremor de repulsa perpassasse meu corpo quando me vi parada ali.
- Tudo bem? - Paul inquiriu, tocando meu ombro e me olhando inquisitivo.
- Estou ótima – afirmei, me recompondo.
- Certo – ele disse, mas seus olhos guardavam um pouco de incerteza – Sam!? – ele chamou, parado ao meu lado e apoiando o quadril no carro de Sam, que estava estacionado em frente à casa.
Sem precisar de um segundo chamado, eis que Sam surge na soleira da porta, seguido de perto por Emily, com sorrisos de boas-vindas enfeitando seus rostos.
Tão logo notaram minha presença junto a Paul, suas feições mudaram: ele me parecia tenso e curioso, ela parecia... Deslocada.
Fiquei contente em saber que eu não era a única a me sentir mal com aquela história. A traição parecia afetá-los tanto quanto a mim.
- Bem vindo de volta irmão! – Sam exclamou feliz, vindo abraçar o amigo.
- Também senti sua falta! – Paul afirmou, sem nenhum constrangimento em demonstrar sua afeição pelo amigo – Como vai você Emily!? – ele virou-se para sorrir para ela, que havia ficado parada á porta nos observando; eu a encarava de voltava.
- Estou bem, Lobo Mal – ela cumprimentou-o sorrindo com sua face tristemente desfigurada – Vamos, entrem, venham tomar um café conosco – convidou-nos, olhando para mim significantemente.
- Isso, vamos entrar – incentivou Sam – Como você está Leah? Fez boa viagem? – ele completou, olhando-me atentamente, esperando que eu me decidisse.
- Fiz sim, obrigada por perguntar – respondi encarando-o pela primeira vez – Precisamos conversar com você em particular Sam, pode ser? – pedi resoluta, sem sair do lugar.
Seu olhar de curiosidade e surpresa corria entre mim e Paul. Ele desviou seu olhar para a noiva que aguardava pacientemente por nós.
- Voltarei logo – ele lhe disse, já tomando o rumo da floresta atrás de nós.
Paul o seguiu imediatamente, eu olhei-a ainda mais uma vez e meneei com cabeça, lançando-lhe um sorriso apaziguador; eu não queria que ela pensasse que as coisas não iam bem para mim - uma coisa era receber olhares piedosos das pessoas da Reserva, outra bem diferente era ser alvo da piedade da mulher que havia tirado de mim o homem que eu amava.
Fui atrás deles, alcançando-os na clareira. Sam sentou-se num tronco caído e esperou que nos aproximássemos.
- Então, me digam o que os aflige meus amigos? – pediu sério.
Olhei para Paul, parado ao meu lado, os braços cruzados sobre o peito largo; ele olhou-me pelo canto do olho antes de voltar sua atenção para Sam.
- Viemos aqui para comunicar a você, que Leah e eu estamos namorando – ele soltou num só fôlego, pegando Sam desprevenido.
- VOCÊS ESTÃO O QUÊ!? – Sam perguntou pondo-se de pé num salto, seus olhos disparando de um para o outro, buscando uma resposta.
- Estamos namorando – falei, aparentando uma calma que eu estava longe de sentir.
- E eu posso perguntar como isso aconteceu? – ele dirigiu a pergunta diretamente a mim.
- Embora eu não lhe deva satisfações da minha vida, saiba que começamos a nos envolver a algumas semanas atrás – esclareci com a voz pontuada pela irritação.
- Então você finalmente conseguiu o que SEMPRE DESEJOU, não é mesmo Paul? – a voz acusadora de Sam ressoou.
- Eu. Sempre. Respeitei. Você! – Paul disse entre dentes, num tom tão baixo e tão forçadamente controlado que por um instante pensei que ele se transformaria e partiria para cima de Sam – E SEMPRE respeitei a Leah! Você melhor do que ninguém sabe disso! – ele sibilou as últimas palavras com dificuldade.
- Sei sim... Sempre tão respeitador, e protetor também não é? Fico imaginando como deve ter sido difícil para você, ouvi-la se lamentando com o fim do nosso namoro! – disse com cinismo.
Paul deu um passo em sua direção, o corpo tremendo perceptivelmente, mas eu me interpus entre eles.
- Você está bancando o idiota, Sam – falei com desdém – Qual o seu problema hein? Esqueceu que foi você que me trocou por minha prima? – cuspi as palavras, enojada.
- EU NÃO TROQUEI VOCÊ! EU SOFRI O MALDITO IMPRINTING! – ladrou raivoso – Eu não tive escolha, eu amei você, nunca duvide disso – afirmou me encarando magoado.
- E o que isso significa exatamente Sam!? Que o fato de você ter sofrido o imprinting, mas ao mesmo tempo ainda lembrar que um dia me amou, me condena a viver sem ninguém? Eu devo me resignar a passar o resto da minha vida desgraçada, vivendo dessa lembrança? É isso mesmo? – a mágoa e a indignação se mesclavam em minha voz.
- Até pouco tempo isso lhe bastava – ele disse maldoso.
- Eu vou fingir que não ouvi isso – falei, respirando fundo para controlar minha ira – Eu não sabia que mesquinhez e crueldade eram traços da sua personalidade – acusei-o.
- Acho bom pararmos por aqui – Paul manifestou-se, pousando a mão quente em meu ombro, tranquilizando-me – Não viemos pedir sua benção Sam, só achamos que, como Líder do Bando, você deveria ser o primeiro a saber – ele disse sucinto – Realmente acreditei, que sendo você meu melhor amigo, e ex-namorado dela, que entenderia melhor que qualquer outra pessoa – arrematou com pesar.
- E o quê há para entender? – perguntou exasperado – Vocês já se decidiram, não foi?
- Como eu lhe disse antes, não viemos pedir sua benção ou permissão, só queríamos que você soubesse disso por nós e não pelos outros – Paul falou, mantendo os olhos fixos em Sam – De hoje em diante, toda La Push saberá que estamos juntos – confirmou categórico.
Sam sustentou o olhar que Paul lhe dirigia, respirou fundo algumas vezes antes de voltar sua atenção para mim novamente.
- Você pensou bem no que está fazendo Leah? Tem certeza de que é isso que você quer? – questinou-me, uma pontada de dúvida sombreava seu rosto sério.
- Tenho sim – falei firme, lançando um olhar rápido para Paul, que sorriu para mim em apoio.
- E você está preparada para o fato de que, a qualquer momento Paul poderá sofrer o Imprinting? – sua voz firme traia sua preocupação.
E pela primeira vez, desde que iniciamos aquela conversa, eu me senti vacilar. Imediatamente, como em resposta aos meus temores, Paul entrelaçou seus dedos aos meus, mantendo minha mão presa à dele como se dissesse, sem pronunciar uma única palavra, que nada iria nos separar. Respirei fundo e encarei Sam calmamente.
- Eu sobrevivi uma vez não foi? O que o faz imaginar que eu não resistiria a uma segunda queda? - perguntei-lhe orgulhosa – A diferença nesse meu novo relacionamento Sam, é que tanto eu quanto Paul, estamos seguros dos sentimentos que nos une, e sabemos exatamente o que podemos ou não viver juntos – disse-lhe confiante.
- Você fala como se fosse simples, mas não é – Sam afirmou categórico – Você realmente está disposta a passar por tudo aquilo de novo? – perguntou mais uma vez – Pense bem no que você está fazendo Lee-lee – pediu, seus olhos suplicando meu entendimento.
- Nunca.Mais.Me.Chame.Assim – falei rancorosa, os tremores fazendo minha voz falhar – Você perdeu esse direito quando me deixou, e eu já pensei bastante sobre Paul e eu, e se ele está disposto a enfrentar essa situação eu estarei com ele, fui clara? – perguntei raivosa.
- As coisas não são assim, o envolvimento de vocês implica numa série de fatores que afeta todo o bando – ele disse olhando para Paul – Você pensou que a está expondo para o restante do bando? Que eles compartilharão seus pensamentos? – perguntou sério – E como será numa eventual batalha? Você protegerá seu líder ou o deixará na mão para cuidar dela? Você já pensou nisso Paul? – sua voz irritada machucava meus ouvidos.
- Eu manterei meus pensamentos referentes à Leah sobre controle, afinal estamos juntos há semanas e nem você, nem nenhum dos rapazes sequer desconfiou disso – Paul falou irônico – Além disso, eu nunca dei motivos para que você ou bando não confiassem em minhas habilidades numa luta – Paul rebateu rancoroso – A pergunta certa é: por que você está tão relutante em aceitar nosso namoro Sam? Me diga, o fato de vê-la remoendo seu sofrimento lhe causava algum prazer mórbido? - questionou-o.
- Pro inferno você com isso – Sam grunhiu colérico – Você acha mesmo que tê-la feito passar por tudo aquilo me deu alguma alegria? Eu a AMEI profundamente, mas do que você possa vir a amá-la um dia, e me culpo todo maldito dia pelo sofrimento que causei a ela – ele admitiu.
- Se você a amou tanto assim não seria natural que desejasse vê-la feliz? – Paul perguntou desconfiado – Ou você espera que um dia esse lance de Imprinting simplesmente termine como num passe de mágica e você a tenha lá, disponível esperando por você? É isso Sam? Você está com ciúmes dela, mesmo sendo comprometido com outra? – as indagações de Paul exigiam uma resposta que Sam relutava em dar.
Fiquei de lado, olhando o duelo de olhares entre eles, e por um segundo vacilei diante da idéia de que um dia Sam poderia estar livre para mim novamente; então fixei meus olhos em Paul e senti meu coração se expandir de afeto e gratidão pelo que ele estava fazendo; ele estava se expondo por mim, lutando por mim, arriscando sua amizade com Sam, arriscando sua posição de Beta, como o segundo no comando do bando, me amando verdadeiramente.
- Meus sentimentos em relação à Leah só dizem respeito a ela e á mim – Sam disse sério.
- Errado amigo, eu sou o namorado dela agora, se você tem algo a dizer é melhor desabafar tudo de uma vez por todas, você não terá outra chance quando sairmos daqui hoje – Paul disse, aproximando-se mais de Sam, uma expressão desafiadora no rosto bonito.
Minha respiração ficou suspensa, o clima estava ficando mais tenso a cada segundo e Sam encarava Paul tão seriamente que temi que ele aceitasse o desafio que este lhe lançava.
Mas de repente a atitude de Sam mudou, ele suavizou sua expressão, seus olhos clarearam e ele me fitou calmamente.
- Para o seu próprio bem, espero que você esteja segura da sua decisão – falou resignado – Apesar de não aprovar, por motivos óbvios, eu não interferirei no namoro de vocês, mas levarei isso ao Conselho dos Anciões, até lá peço que vocês não se precipitem, nada de se exporem por aí, peço que vocês mantenham isso somente entre suas famílias e o Bando – pediu sério – Espero que vocês sejam felizes – percebi que ele estava sendo sincero e me permiti relaxar um pouco.
Olhei para Paul e sorri para ele. A tempestade havia finalmente passado, o confronto estava terminado. Sabíamos que Sam não seria problema, precisávamos somente saber da opinião do Conselho; o que na verdade pouco me importava, por que eu não deixaria Paul por nada, assim como sabia que a recíproca era verdadeira.
- Esperem um pouco aí... Essa viagem de vocês foi forjada? – Sam perguntou, seu tom passou do sincero ao acusatório em um milionésimo de segundo.
Engoli em seco, pensando no que dizer e optei pela verdade.
- Paul ia mesmo visitar sua irmã e me convidou para ir com ele, mas antes que eu me decidisse por ir ou não, meu chefe me incumbiu de levar uns documentos urgentes para Seattle na mesma época, então... – falei dando de ombros.
- Aí vocês aproveitaram para passar o fim de semana juntos – ele concluiu estreitando os olhos.
- Sim, e pode apostar que foi ótimo! – Paul falou com um sorriso enorme no rosto, enquanto eu ficava vermelha até a raiz dos cabelos.
- Poupe-me dos detalhes Paul – Sam grunhiu entre os dentes – Aliás, essa é outra coisa que quero pedir a vocês, poupem a todo o Bando dos detalhes do namoro de vocês! Já é bem difícil controlar os garotos sem que eu precise de mais isso ok? – pediu autoritário.
- Por mim tudo bem – concordei rápida.
- Farei o possível – Paul prometeu com um sorrisinho maroto – Mas você sabe, melhor do que eu, o que ela é capaz de fazer com a mente de um cara – ele confidenciou a Sam, completamente recuperado da conversa difícil que havíamos tido minutos atrás.
- Se sei! – Sam concordou revirando os olhos, pelo jeito ele também havia superado.
- Hei! Qual é? – chamei-os – Eu ainda estou aqui – falei constrangida e exasperada.
Era só o que me faltava, meu ex e meu atual namorado trocando figurinhas sobre mim. Bufei.
- Desculpe – Paul falou rápido, virando-se para mim fazendo um carinho em meu rosto.
- Ahhh! Por Favor, eu não estou confortável com isso – Sam admitiu desgostoso.
- Pois trate de se acostumar – Paul alertou, piscando para ele e me dando um selinho em seguida.
Eu tive que rir com a careta que Sam fez ao presenciar o gesto.
- Pelo Amor de Deus! – Sam resmungou rabugento, mas em seguida veio até nós e colocou o braço sobre o ombro de Paul.
- Você é um cara de sorte – disse batendo nas costa de Paul – Só me prometa que cuidará bem dela – pediu sério, e sorriu diante do assentimento de Paul.
Sam virou-se para mim, seus olhos negros e profundos prenderam os meus e naquele momento revivi, em minha memória, nossa história de amor e dor, e entendi que não fui a única a sofrer com a separação; ambos fomos vítimas daquela situação bizarra e totalmente inesperada que nos afetou de tal modo que nada poderia reparar.
Vislumbrei em seus olhos um rápido lampejo do amor que ele me dedicou um dia, e deixei que o amor que eu nutria por ele até aquele momento encontrasse repouso e sossego num recanto do meu coração, afim de que ele passasse a ser somente uma lembrança.
Kelly Clarkson – Already Gone
Ele me tomou num abraço apertado cheio de carinho e respeito, beijando meus cabelos.
- Espero que você seja feliz! Amo você irmãzinha! - sussurrou emocionado.
- Obrigada! – disse retribuindo seu gesto, a voz embargada.
Olhei para Paul que nos observava calmamente, sem afetação.
Desvencilhei-me de Sam e peguei a mão que meu namorado me estendia, um sorriso brincando em seus lábios.
- Vejo que Seattle fez bem à vocês – Sam concluiu divertido – Mas a mamata de vocês acaba hoje, os dois irão dobrar o turno – avisou-nos.
- Por falar nisso Sam, preciso lhe dizer que durante nossa estadia em Seattle tivemos um encontro bem desagradável com uma Sanguessuga – Paul anunciou – Bom, pelo menos foi desagradável para ele – arrematou, com um sorriso sarcástico.
- Como foi isso? Conte-me tudo – pediu sério, sentando-se novamente. Paul narrou-lhe o acontecido minuciosamente.
- Estou preocupado com minha família que vive lá – arrematou, passando as mãos pelos cabelos num gesto nervoso.
- Tivemos relatos e estamos acompanhando pela mídia, notícias de alguns desaparecimentos e mortes suspeitas naquela região – disse calmo – Mas isso que você acaba de me contar reforça minhas suspeitas de que algo de muito estranho está acontecendo por lá – disse pensativo – Precisamos ficar de olho nisso, e buscar mais informações – arrematou levantando-se.
- Você acha que existe alguma relação entre essas mortes e o vampiro que matamos? – Perguntei curiosa.
- É provável que sim. Vamos ficar atentos e ver o que acontece – disse cauteloso - Quanto a sua família, trate de dar um jeito de trazê-los para La Pusch, não posso dispensá-lo para cuidar deles em Seattle, preciso de você aqui e as coisas têm andado agitadas e estranhas por que também. E eu não tenho um bom pressentimento sobre isso – arrematou sucinto.
- Seth me disse que a vigilância foi redobrada! Por quê? – questionei.
- Ele falou a verdade, alguns acontecimentos recentes atraíram nossa atenção. Forks tem sido alvo de visitas indesejáveis ultimamente – informou-nos – E não queremos ser pegos de surpresa, então, enquanto alguns vigiam as fronteiras, outros montam guarda na casa dos Swans – ele disse calmo.
- Ah! Mas tinha que ser – resmunguei exasperada – Aposto que Jacob deve estar pirando com isso tudo. Por que o idiota não deixa que os amigos Sanguessugas dela se ocupem com isso, hein? Eu que não vou bancar o cão de guarda para aquela garota imbecil! – bufei, minha irritação a toda.
- Por favor Leah, eu espero não ter que lembrá-la de que nosso grupo é uma Irmandade e que nós cuidamos uns dos outros – Sam falou firme – Se for necessário você irá sim, goste ou não, render guarda na casa do Chefe Swan, por que você, assim como o restante de nós, é antes de mais nada uma Guardiã da vida humana! Fui claro? – perguntou-me, seu tom Alfa imperioso.
- Como água – resmunguei resignada.
- Ótimo! – ele concordou – Agora, aproveitem para descansar um pouco, logo mais faremos uma reunião para discutir esse assunto e...- ele parou, olhando de um para o outro em suspense – Vocês poderão aproveitar para comunicar ao grupo sobre a decisão de vocês de namorarem – ordenou, dando um sorrisinho safado, sabendo de antemão que isso nos renderia algumas incomodações.
- Faremos isso – Paul afirmou categórico.
- Farão mesmo – ele disse – Nos vemos mais tarde – despediu-se, voltando para a casa de Emily. Paul olhou para mim, e eu o encarei de volta.
- Foi melhor do que imaginei – ele disse sorrindo.
- Foi sim - concordei.
- Agora só falta os outros – disse resignado. Eu apenas gemi em resposta; já podia imaginar o que teríamos que enfrentar. Abracei-o, buscando conforto.
- Dará certo – ele disse, alisando meus cabelos – O pior já passou.
- Certo, vamos pra casa então – convidei-o, me pondo a caminho enquanto minha mente fervilhava com os últimos acontecimentos.
Capítulo 27. - Aceitação
Depois de nossa conversa com Sam a amanhã transcorreu normalmente; Paul foi pra casa conversar com os pais para pedir ajuda a fim de que com o auxilio deles pudessem trazer Sara pra La Push - essa era sua maior preocupação no momento.
Voltei pra minha casa e passei o resto da manhã arrumando meu quarto, e logo estava na hora de ir pro trabalho. Minha tarde no escritório foi tranquila, salvo a hora em que meu chefe questionou como havia sido meu final de semana, e eu lhe respondi com um constrangido “Ótimo!”, sentindo minhas bochechas esquentarem a medida que as lembranças daquele período em Seattle com Paul inundavam minha mente.
Ao chegar em casa naquele fim de tarde, não fiquei surpresa em encontrar Paul, vestindo só bermuda e tênis, displicentemente sentado nas escadas da varanda da minha casa. Sorri para ele assim que desci do carro, e eu estava há cinco passos dele quando a porta da frente se abriu e Seth passou por ela, só de bermuda e com um sanduíche pela metade nas mãos.
- Hei Leah! - ele me cumprimentou com a boca cheia de pão - Até que enfim você chegou! O Senhor paciência ali está te esperando faz tempo! - ele disse, apontando Paul com um meneio de cabeça enquanto passava por mim e seguia em direção à floresta.
- Obrigada por me manter informada irmãozinho - agradeci, sorrindo para ele - E por favor, não fale de boca cheia Seth, ninguém precisa saber o que você está comendo - recriminei-o suavemente; eu sabia o quanto ele detestava ser tratado como uma criança.
Ouvi-o resmungar alguma coisa do tipo “Metida à besta!” e prosseguir seu caminho. Quando finalmente o perdi de vista retomei meus passos, parando em frente a meu namorado. Sorri diante desta lembrança; era estranho que depois de tanto tempo de autoflagelo eu conseguisse aceitar tão bem minha nova condição de namorada de alguém.
- Olá - Paul me cumprimentou, pondo-se de pé sem desligar seu olhar do meu nem por um segundo se quer - Eu realmente me sinto perdido quando você não está comigo - confessou tenso.
- E isso é tão ruim quanto você faz parecer? - questionei-o curiosa.
- Não, desde que eu tenha a certeza de que você voltará pra mim - disse-me com os olhos brilhando, cheios de esperança.
- Sempre! - prometi séria.
Ele sorriu lindamente, relaxando, depois repousou uma mão no meu rosto me trazendo para mais perto dele e roçando levemente meus lábios com os seus por torturantes dez segundos antes de finalmente aprofundar o beijo.
- Preciso trocar de roupa antes da reunião - eu disse tão logo ele me permitiu respirar - Gostaria a de entrar e esperar por mim? - sugeri ainda ofegante.
- Esperarei por você bem aqui, não quero abusar da confiança da sua mãe; seria meio estranho se ela voltasse do trabalho e me pegasse espiando você trocar de roupa pela fresta da porta do seu quarto - ele disse fazendo uma careta - E, por favor, coma alguma coisa antes de irmos, não quero ter que levar você pra caçar de novo, você é péssima nisso - disse sarcástico.
Separei-me dele rindo muito enquanto me encaminhava para a porta e ele desabava novamente nos degraus da varanda.
Corri pro quarto e mudei rapidamente de roupa; vesti um short jeans, um top e prendi meus cabelos num rabo de cavalo ao mesmo tempo em que calçava uma rasteirinha. Segui até a geladeira tirei um iogurte e saí pra encontrá-lo.
- Isso é que é ser rápida - ele disse, me olhando sobre o ombro - Só vai comer isso? - inquiriu, franzindo as sobrancelhas para o copinho de iogurte que eu trazia nas mãos.
- Eu fiz um lanche na cidade antes de vir pra casa - falei dando de ombros - Vamos? - convidei-o já descendo as escadas e parando diante dele.
- OK, não estou feliz com isso - ele disse apontando pro meu lanche minguado - Você não ouviu Sam dizer que teremos que dobrar nosso turno? - perguntou firme.
- Ah, por favor, Paul, sem dramas! Eu prometo comer um boi inteiro quando voltarmos ok? - falei fazendo uma carinha de anjo, que se não o convenceu pelo menos o fez desistir de me incomodar mais com aquele papo.
- Certo, então vamos embora, o bando nos aguarda - disse ficando de pé e pegando minha mão para irmos.
Antes de chegarmos ao ponto de encontro, soltamos nossas mãos e aprumamos nossos ombros; essa seria nossa última batalha, e precisávamos de toda concentração para enfrentar nossos amigos com a novidade do nosso envolvimento. Eu rezei para que eles não criassem nenhum problema sobre isso, por que seria muito ruim ter que nos indispor seriamente com eles.
Todos estavam lá, conversando sobre o último turno de vigília, e assim que nos viu, Sam levantou-se, nos encarando seriamente, depois se virou para os demais, o que os fez silenciar imediatamente.
- Bom, já que finalmente o grupo todo está aqui reunido preciso da atenção de todos - ele começou tão logo Paul e nos acomodamos ao lado dos outros.
- Como todos sabem, estamos sobre grande pressão devido às constantes visitas que temos recebido de Sanguessugas a nossa região - ele começou sério - Na última noite o grupo de Jared seguiu um rastro fresco, mas, infelizmente, não conseguiu alcançar o invasor antes que este alcançasse o mar, onde o maldito mergulhou e desapareceu quase que imediatamente - nos informou aborrecido.
- As últimas manchetes, nos informam que algo de muito ruim está acontecendo em Seattle e região, o que nos faz ter certeza de que Vampiros vêm agindo por ali - ele disse - A pergunta é: O quanto isso, que está acontecendo por lá tem a haver com o que se passa aqui? Será um novo clã? Ou os ataques são aleatórios, feitos por vampiros nômades? - inquiriu, olhando em volta, esperando que alguém se manifestasse.
- Acredito que o bando ou clã, ou seja lá como esses nojentos se intitulam, que está aterrorizando Seattle é o mesmo que tem nos visitado. Pelo menos é o que os Cullen acreditam também - disse Jake fazendo uma careta ao mencionar aquele nome.
- E desde quando você dá crédito ao que os sanguessugas falam? - Jared perguntou cínico.
- A partir do momento que eles também se mobilizaram para caçar o invasor - Jake informou nervoso, as mãos tremendo violentamente.
- Não me interessa saber quem acredita em quem nessa história, nossa responsabilidade é proteger os humanos, e se os Culens também estão preocupados com eles então só nos resta fazer nossa parte, certo? - Sam interveio, seu tom Alfa dominando imediatamente os ânimos de todos ali.
- Paul me informou que durante sua estadia em Seattle topou com um deles por lá - Sam informou-os, e todos olharam para ele em expectativa.
- Ele era jovem, e me pareceu bem inexperiente, quer dizer, além da força bruta ele não me pareceu ter algum conhecimento de luta - Paul falou, olhando a sua volta - Ele mal sabia como se defender e ficou realmente surpreso quando deu de cara comigo. Antes que eu o destroçasse - ele arrematou com um sorrisinho debochado.
- Uau! Isso deve ter sido irado - o comentário de Seth, suscitou risadinhas em Embry e Quill, que olhavam para Paul com certa inveja de sua oportunidade de ter matado um vampiro, quando supostamente estava de folga na cidade.
- E como foi isso Paul? Não foi difícil encará-lo sozinho? - Jared e seu costumeiro ceticismo deram o ar da graça.
- Não se preocupe por nosso irmão Jared, ele teve ajuda - Sam disse enigmático - O que nos traz à outra questão que gostaria de pô-los a par - ele anunciou - É com você agora amigo - ele disse sorrindo levianamente para Paul, voltando seu olhar para mim.
Meu instinto era me encolher, mas nem morta eu deixaria Paul na mão. Olhei para ele, encorajando-o a falar.
- Bom rapazes, eu realmente tive ajuda ao enfrentar o sanguessuga - ele começou dizendo calmamente - Leah estava lá, e se não fosse por ela talvez eu não pudesse estar contanto isso para vocês agora - ele confessou, olhando para mim, eu sorri agradecida. Todos os olhares estavam concentrados em mim agora.
- O que exatamente você quis dizer com “Leah estava lá”? - Quill perguntou, olhando de mim para Paul; uma ruga franzindo sua testa.
- Quis dizer que estávamos juntos quando enfrentamos o Vampiro - Paul falou, olhando para os outros e vendo até onde eles tinham compreendido o fato de “estarmos juntos”.
- Juntos como? Vocês se encontraram durante sua viagem? - a curiosidade de Seth foi dirigida diretamente a mim.
- Não, quer dizer que viajamos juntos - respondi, e esperei que eles absorvessem a informação antes de prosseguir - Nós estamos namorando - anunciei calmamente, dando um passo para mais perto de Paul, buscando apoio. Ele entendeu minha intenção e imediatamente envolveu meus ombros com seu braço protetor.
Todos os olhares recaíram sobre o gesto de Paul, como se eles esperassem que ao invés de me abraçar ele estivesse me estrangulando.
- Vocês o quê? - Seth perguntou nervoso, se pondo de pé num segundo - Diga que isso é uma piada – suplicou olhando para mim, esperançoso.
- Desculpe irmãozinho, você ouviu o que ela disse claramente! Estamos namorando. - Paul confirmou minhas palavras, sorrindo para meu irmão caçula, enquanto esse tremia visivelmente nervoso, parado na nossa frente.
- Como? Quer dizer... Vocês se odiavam, certo? - Embry questionou, confuso.
- Eu nunca disse a ninguém que a odiava - Paul esclareceu, enquanto eu me remexia inquieta sob seu braço - Na verdade, eu sempre gostei dela - ele admitiu tranquilo.
- Ah cara! Isso não pode estar acontecendo! - Seth choramingou raivoso.
- Não é como se eles estivessem fazendo algo terrível - Jake se pronunciou pela primeira vez - Vamos lá irmãos, todos temos nossos segredos, eles estão revelando o deles pra nós - ele arrematou, sucinto.
Eu o olhei, surpresa e agradecida. De todos ali, o único que imaginei que poderia nos causar uma dor de cabeça era Jake, e foi justamente ele o primeiro a nos apoiar; sorri para ele involuntariamente quando ele piscou para mim, cúmplice.
- Ótimo, agora ao invés de suspirar por Sam o farei por Paul - Jared falou cheio de ressentimento - Isso vai ser uma maravilha - concluiu nos fuzilando irritado.
- Qual é Jared, vai dizer que você não acha Paul mais bonito que Sam? - Quill zombou, gargalhando quando este lhe lançou um olhar fulminante.
- Olhem pelo lado bom, pelo menos quando estivermos compartilhando da mente de Paul, será a imagem de uma mulher adulta que veremos, ao invés de um bebê, certo? - Embry falou, buscando a aprovação dos outros que riam divertidos. Só Quill, eu e Paul não partilhamos das risadas.
- Isso foi golpe baixo, até pra você Embry - Jake ralhou, mas ainda assim riu das palavras do amigo, que para mim e Paul ainda eram um enigma.
- Quill sofreu o Imprinting, com Claire - Sam informou-nos.
- Claire? Quem é essa? - Paul perguntou olhando para Quill, que se mexia nervoso.
- É a sobrinha de Emily - Sam esclareceu - Ela tem dois anos - ele concluiu, olhando pesaroso para um Quill aborrecido com a situação.
- Oh Meu Deus! - murmurei assustada e pesarosa ao mesmo tempo, ele parecia realmente incomodado com aquilo.
- Não é como se eles tivessem que se casar amanhã - disse Sam, tentando desfazer o mal estar causado pela novidade - Aqueles que já sofreram o Imprinting sabem bem do que estou falando! O primeiro e maior instinto que ele desencadeia é o de proteção, o resto vem com o passar do tempo, e só acontece com o completo consentimento da pessoa por quem nos sentimos irremediavelmente atraídos - ele esclareceu calmamente.
- É isso mesmo! E de mais a mais, o foco aqui não sou eu, e sim eles! - Quill pronunciou-se, desviando astutamente a atenção de si para nós.
- OK, vocês estão namorando agora, então quer dizer que teremos que suporta horas torturantes de melação e suspiro? Isso é um pé no saco cara! - Embry constatou infeliz.
- Pé no saco? Você já pensou o que será para mim? Imagine ter sua mente invadida pelos pensamentos do cara que tá pegando sua irmã! - Seth lamentou-se desesperado.
- Calma Seth, eu controlarei meus pensamentos, não irei expor Leah dessa maneira - Paul prometeu sério.
- Acho bom mesmo, por que isso seria no mínimo bizarro - meu irmão encarava meu namorado com um olhar que ele tentava fazer parecer ameaçador. Se todos ali não conhecem a natureza bondosa dele, poderiam até acreditar que ele realmente estava prestes a confrontar Paul.
- Me diga Leah, como será quando Paul sofrer o Imprinting? - Jared fazia mesmo questão de ser desagradável. Paul grunhiu mostrando os dentes para ele, enquanto os demais me encaravam em expectativa.
- Se acontecer, farei questão de que você seja o primeiro a saber o quanto isso me afetou, e pode apostar que você não gostará nadinha disso - dei um sorrisinho cruel para ele.
- Uau! Quem tem medo da Loba Má? - Quill brincou, rindo da cara do amigo.
- Alguém tem alguma coisa contra ao fato de estarmos juntos? - Paul questionou, olhando sério para cada um deles.
- Por mim tudo bem - Embry disse, dando de ombros - Acho até que será divertido, afinal quem poderia imaginar que você seria posto na coleira, e logo pela Leah? - concluiu sorrindo. Os outros riram concordando com ele. Menos Seth; esse parecia realmente chateado.
- Acho que vai ser legal ver no que isso vai dar! - Quill cogitou, e os outros assentiram.
Eu suspirei aliviada, tudo o que tínhamos que fazer agora era manter nossos pensamentos resguardados em algum lugar onde eles não penetrassem e estaria tudo bem; mas será que conseguiríamos? Por que agora, nada nos impedia realmente de demonstrar nosso afeto um pelo outro. Não tínhamos mais que guardar segredo sobre isso, mas também não tinha muito que eu pudesse fazer a respeito; esse era o preço de compartilhar a mente com uma matilha de lobos na qual eu era a única garota. Inferno!
- Certo rapazes, agora que isso foi devidamente esclarecido vamos dividir as turmas de patrulha - disse Sam calmamente - A noite será longa e não quero surpresas desagradáveis. Sinto que teremos problemas maiores que o namoro do casal de lobos aqui, portanto vamos nos transformar e trabalhar! - ele encerrou o assunto, já se encaminhando para trás de uma árvore. Todos seguimos seu exemplo, e depois de transformados, um a um fomos voltando para o centro da clareira.
“Só não me coloque com eles dois Sam, por favor!”, a suplica de Seth ressoou em nossas mentes, tão logo ele se juntou ao grupo novamente. “Certo Seth, você fica encarregado da proteção da Reserva. Jake, Embry e Leah ficam com a fronteira Sul, enquanto Jared, Paul e eu estaremos vigiando a Norte. E você Quill, vá render guarda na casa do Chefe Swan”, as ordens do Alfa foram acatadas sem questionamentos, e tão logo ele terminou de falar, começamos a nos dispersar, pegando os rumos indicados por ele.
Nós ainda não tínhamos nos afastado o suficiente quando o pensamento de Embry ecoou em minha cabeça. “Você e Paul hein? Quem diria!”, ele pensava ainda sobre o impacto da nossa revelação. “É, eu e Paul. Por que é tão difícil assim de acreditar, posso saber?”, questionei-o curiosa. “Ah, só pensei que você tivesse um gosto melhor para homens!”, ele confessou dando de ombros. Eu o olhei surpresa enquanto imprimia um ritmo mais acelerado a nossa corrida. “Certo Embry, acho melhor você parar por aí antes que eu dê meia volta e parta sua carinha bonita ok!?”, o pensamento irritado de Paul transpassou nossas mentes, pegando-nos de surpresa. Eu sorri ao ver Embry encolher-se mentalmente diante dessa ameaça. “Cuide-se Leah, nos vemos mais tarde”, Paul finalizou e em seguida nossas mentes foram tomadas com a visão do beijo que trocamos mais cedo quanto cheguei do trabalho. “Ahhhhhhh cara, isso não vai dar certo!”, Seth e Jared lamuriaram-se ao mesmo tempo. “Foco rapazes”, nosso Alfa nos chamou a razão e imediatamente corremos para cumprir nosso dever.
Quando o dia começou a clarear, Sam ordenou que voltássemos, dando por encerrado nosso turno. Minha equipe foi a primeira a tingir a clareira, e tão logo voltei à forma humana me vesti rapidamente, indo de encontro a Jacob.
- Eu queria lhe agradecer - disse timidamente.
- Pelo o quê? - ele perguntou, franzindo a testa diante das minhas palavras.
- Por não nos julgar, e apoiar nosso relacionamento - esclareci, olhando-o calma.
- Certo, mas preciso lhe dizer que não fiz isso por você ou por Paul; fiz pelo bando, por que estamos sob a ameaça de um confronto iminente e não seria nada bom para nós sermos distraídos pelas aventuras amorosas de vocês - ele disse num tom ácido, sem deixar dúvidas sobre suas prioridades.
- Ok, manterei isso em mente quando o vir se lamentando por Bella enquanto ela se derrete nos braços de seu namorado vampiro! - rebati mantendo meu olhar sobre ele - Você é uma ótima referência no que se diz respeito à aventuras amorosas, se bem que, pensando melhor, você está longe disso não é? De ter seu amor correspondido - cutuquei-o sarcástica enquanto lhe dava as costas e caminhava pro outro lado, por onde eu sabia que Paul surgiria.
Pelo canto do olho, vi Jake disparar para casa, sem esperar pelos outros, que acabavam de surgir, já em suas formas humanas, de detrás das árvores.
- Que bicho o mordeu? - Paul perguntou assim que se aproximou de mim.
- Dor de cotovelo - eu disse dando de ombros. Paul me olhou de lado, ponderando minhas palavras, depois pegou minha mão na sua, nos guiando para casa.
Quando apontamos na esquina de nossa rua, Paul parou, me puxando pro círculo dos seus braços, e esmagando meu corpo no seu, capturando meus lábios nos seus com ardor.
- Vocês precisam mesmo fazer isso em público? - A voz raivosa de Seth nos despertou de nossa paixão, e antes mesmo que Paul me largasse no chão novamente ouvimos Embry repreendê-lo.
- Deixe eles, Seth! O amor é lindo, cara! – disse, dando uma risada quando meu irmão o olhou rancoroso.
- Lindo por que não é com sua irmã! - ele rebateu chateado. Eu apenas olhei para Paul e ele sorriu de maneira reconfortante, pegando minha mão e seguindo comigo até em casa.
- Nos vemos mais tarde - ele disse, me dando um beijinho em seguida. Eu apenas assenti.
- Seth, posso falar com você um minuto? - Paul pediu, sua voz calma fazendo meu irmão parar e olhar para ele desconfiado antes de se decidir acatar seu pedido.
Olhei para Paul intrigada e ele devolveu meu olhar calmamente, como se me dissesse que estava tudo bem. Dei de ombros e entrei em casa, encontrando minha mãe acordada, preparando o café.
- Acordada tão cedo Dona Sue? – inquiri, abraçando seus ombros e beijando seu rosto.
- Hoje trabalharei no turno da manhã - ela esclareceu - Como foi? - sua simples pergunta abrangia vários tópicos, então decidi contar-lhe tudo de uma vez só.
- Foi melhor do que imaginei, Sam e o grupo aceitaram meu relacionamento com Paul; só Seth parece meio desconfortável com isso! - eu disse chateada - E nesse momento eles estão lá fora tentando uma conversa de homem pra homem – concluí, fazendo uma careta.
- Tente entendê-lo Leah - minha mãe começou a dizer naquele seu tom apaziguador - Desde que seu pai se foi, Seth se sente responsável por nós, ele é o homem da casa agora, e pra ele o fato de você estar namorando requer cuidados, afinal ele a viu sofrer com o término de seu namoro com Sam - ela disse complacente.
Eu realmente não tinha visto a coisa por esse ângulo, e agora percebia que Seth não estava sento implicante, só temeroso.
- Obrigada por tornar as coisas mais simples para mim - eu disse, olhando-a com respeito - Não sei o que seria de nós sem você, Dona Sue! – conclui, abraçando-a com amor.
Fui para o quarto pegar uma muda de roupas limpas antes de entrar no banho, e estava pegando minha nécessaire quando uma leve batida na porta se vez ouvir.
- Entre - eu disse sem me virar pra ver quem era, certa que era minha mãe me chamando para tomar café antes que eu fosse dormir.
- Você está muito ocupada? - A voz suave de Seth chamou minha atenção.
- Não - afirmei olhando-o sobre o ombro; sua expressão estava tranqüila, o que me deixou menos preocupada.
- Eu só queria dizer que... - ele começou, mas parou abruptamente, passando as mãos pelos cabelos negros revoltos, parecendo meio sem jeito - Quer dizer, você gosta mesmo dele? - ele perguntou, me olhando com expectativa.
- Sim Seth, eu realmente gosto dele - confirmei calma.
- Certo então. Quero que você saiba que se você está feliz eu também estou, espero mesmo que isso dê certo entre vocês - ele disse olhando direto para mim, e suas palavras sinceras mexeram comigo, seja lá o que Paul tenha lhe dito, surtiu efeito.
- Obrigada - agradeci, abraçando-o em seguida. Ele retribuiu meu gesto, depois separou-se de mim, fitando-me com ares de superioridade.
- Mas se ele magoar você, pode apostar que se verá comigo - avisou sério.
- Obrigada por isso também - eu disse sorrindo para ele, descontraída.
- Certo, agora venha tomar café antes que mamãe decida nos arrastar até a mesa - brincou. O segui feliz, deixando o banho para depois.