Escrita por: Kátia Alex | Beta-reader: Cams J.
Capítulo 29. - Um Dia Diferente
A primeira coisa que percebi ao abrir meus olhos foi a dor latejante em minhas têmporas, resultado da noite mal dormida. Fechei-os novamente, tentando relaxar e quem sabe assim fazer a dor sumir, mas as lembranças da noite passada voltaram com força e eu gemi frustrada.
A lembrança da tristeza nos olhos de Paul diante da minha negativa após seu pedido se abateu sobre mim como uma onda bravia de um mar revolto. Eu odiava ter sido tão fria quando ele, ao contrário, era sempre receptivo e caloroso a tudo que se referia a nós.
A verdade é que ele me pegou de surpresa, eu não esperava que ele fosse me pedir pra vivermos juntos, pelo menos não tão cedo! Nós mal tínhamos iniciado um relacionamento, mas eu também sabia que em se tratando dele, as coisas não poderiam ser diferentes; Paul era sempre impetuoso e determinado. Para ele a coisa toda era bem simples; ele me amava e confiava nos meus sentimentos por ele, por isso, a proposta era apenas mais um passo para ele dentro daquilo que já tínhamos. Era o caminho natural a seguir.
Balancei a cabeça de um lado pro outro e ela protestou veemente. Levei minhas mãos a ela, para mantê-la no lugar, quietinha.
Eu não sabia o que fazer para dar um fim ao mal estar que se instalou entre nós depois disso. Como eu o faria entender que não podíamos nos precipitar dessa maneira? Nossos sentimentos eram certos, mas nossas vidas de Lobisomens não! Por agora ele estava comigo, mas e amanhã? E depois de amanhã? Eu não queria pensar nisso, era como uma tortura chinesa; já era bem difícil acreditar que ele ainda estava ali pra mim, viver com a incerteza de perdê-lo era um desafio e uma agonia com a qual eu tentava conviver durante todos os minutos da minha vida.
O que eu não daria para poder fazê-lo entender meu ponto vista! O que eu não daria pra poder acreditar que nosso relacionamento seria longo e duradouro. Eu queria ter a mesma certeza e a confiança que ele tinha, mas a realidade de nossas vidas teimava em me manter distante e sempre alerta para o pior. E o pior que poderia acontecer seria ele acordar hoje, sair de casa pra vir me ver e, durante o trajeto, cruzar com alguma garota que despertaria nele o impulso do Imprinting, fazendo com que ele me esquece com a velocidade da luz.
A dor de cabeça intensificou-se e meu peito apertou-se dolorosamente diante dessa possibilidade.
Soltei minha cabeça devagar, eu precisava me levantar e tomar alguma coisa antes que ela explodisse, literalmente. Lentamente sentei em minha cama e olhei para o rádio relógio em meu criado mudo: ele marcava meio dia. Eu tinha dormido demais! Na verdade, eu tinha dormido pouco, só conseguindo apagar mesmo quando o dia já ia longe, vencida pelo cansaço e pelas dúvidas sem solução que rondavam meu cérebro.
Fui até a cozinha, onde minha mãe preparava o almoço.
- Bom dia Bela Adormecida! – ela me cumprimento alegre, assim que notou minha presença.
- Bom dia mãe! – respondi com esforço, segurando a cabeça entre as mãos.
- Noite difícil? – questionou-me, capturando a nota de sofrimento em minha voz.
- O mesmo de sempre... – informei, dando de ombros. O gesto me arrancou um gemido dolorido e sentei na cadeira mais próxima, rezando pra que eu não tivesse que dar nem mais um passo.
- Aqui, tome isso – ela disse, vindo em meu socorro e estendendo as mãos com um analgésico e um copo de água – Você se sentirá melhor logo, logo! – ela prometeu carinhosa.
- Deus lhe ouça! – murmurei baixinho.
- Ele sempre ouve as mães! – ela confidenciou, piscando um olho e sorrindo pra mim.
Eu sorri de volta, já me sentindo um pouco melhor só por estar ali com ela. Esperei alguns minutos e logo o remédio começou a surtir efeito, graças ao meu metabolismo lupino que dissolvia drogas rapidamente.
-Onde está Seth? – perguntei já quase totalmente recuperada.
- Adivinha? – ela disse me olhando sobre o ombro enquanto mexia em uma panela no fogão.
- Dormindo! – disse confiante que tinha acertado. Ela apenas sorriu em confirmação.
- A senhora precisa de ajuda com alguma coisa? – perguntei me pondo de pé.
- Não querida, estou terminando aqui, obrigada – ela disse serena.
- O.K, então vou tomar um banho e depois chamarei Seth pro almoço – disse saindo da cozinha; parei na porta e me virei para ela novamente – Mãe, você se incomoda se eu chamar Paul para almoçar com a gente? – questionei-a; de repente me senti ansiosa para vê-lo.
- Lógico que não! Será ótimo se ele vir – ela disse sorrindo contente.
Antes de ir pro banho liguei para casa dele. Sua mãe atendeu ao telefone no terceiro toque e depois de cumprimentá-la perguntei por ele, só para descobrir que ele ainda estava dormindo. Pedi a ela que transmitisse um recado, que eu o estava convidando para o almoço, caso ele acordasse nos próximos minutos; despedi-me dela meio triste pela incerteza da vinda dele ou não.
Tomei um banho relaxante, o que ajudou a espantar de vez a dor de cabeça. Depois de vestida fui até o quarto de Seth e levei algo em torno de dez minutos para convencer meu irmão a levantar e vir almoçar conosco.
- Paul virá? – minha mãe perguntou curiosa, assim que voltei pra cozinha.
- Acho que não, ele ainda estava dormindo quando liguei – eu disse, sem conseguir disfarçar a tristeza em minha voz.
- Oba, sobra mais pra mim! Já posso atacar? – perguntou Seth, visivelmente ansioso para abocanhar a comida com urgência.
- Pode sim meu filho, mas, por favor, tenha modos – minha mãe pediu assim que o viu levar a mão a travessa de arroz animadamente.
Eu ri da careta dele; seu esforço para controlar a afobação era divertido de se ver. O almoço estava delicioso, rimos muito com meu irmão contando suas peripécias juvenis.
Seth era sempre espontâneo e divertido, o que me fazia lembrar a sua pouca idade. Ainda assim, ele tinha certa maturidade, o que me assombrava às vezes. Saber que ele era um Lobisomem não conseguia afastar de mim a sensação de que eu devia cuidar dele; olhei-o mais atentamente e percebi as mudanças sutis em suas feições suaves e bonitas. Ele tinha o corpo mais musculoso agora, mas seus traços infantis ainda estavam ali, seus olhos brilhantes, seu sorriso fácil, a covinha em sua bochecha que ficava mais pronunciada quando ele sorria abertamente.
Meu coração latejou diante da idéia de todos os riscos que ele corria nessa vida de Guardião. Isso não era justo, nem com ele nem com minha mãe; aliás, não era justo com nenhum de nós, termos que arriscar nossas vidas por causa da existência de criaturas nocivas, aberrações da natureza que se impunham à humanidade como as pragas que eram. Era algo cruel a meu ver.
Afastei esses pensamentos quando senti o olhar de minha mãe pousado sobre mim. Sua sobrancelha erguida, numa interrogação muda. Sorri calmamente, tranqüilizando-a.
Depois de Seth e eu arrumarmos a cozinha, fomos para sala assistir TV e ele deitou-se no sofá, a cabeça repousada no colo de nossa mãe, enquanto eu me sentava na poltrona em frente á eles.
Duas horas disso e eu já estava ficando preocupada que Paul não viesse me ver. Talvez ele tivesse ficado mais magoado do que eu havia julgado, então eu teria que tomar a iniciativa de ir até ele e tentar, mais uma vez, explicar minhas razões para não aceitar seu pedido. Eu cogitava seriamente essa possibilidade quando uma batida na porta se vez ouvir.
Pulei rápida do meu lugar correndo para atender, um sorriso de alívio tomou conta do meu rosto quando o vi parado ali.
- Oi – cumprimentei-o feliz, ficando na ponta dos pés para beijá-lo delicadamente no rosto.
Olhei-o atentamente, buscando sinais de stress ou desgosto por nossa última conversa, mas aparentemente ele tinha superado, seu rosto estava tranqüilo.
- Oi – ele respondeu sorrindo, talvez ele tivesse mesmo superado a outra noite.Respirei aliviada e peguei sua mão, puxando-o para dentro.
- Boa tarde Sra. Clearwater! E aí Seth? – ele cumprimentou minha família alegremente enquanto seguia atrás de mim – Desculpem não ter vindo para o almoço, mas é que acordei tem pouco tempo, então... – ele disse olhando para minha mãe reverente. Meu irmão acenou e sorriu para ele, antes de fechar seus olhos e começar a cochilar.
- Sem problemas, desde já você fica convidado para o próximo domingo, assim você coloca seu relógio para despertar mais cedo – ela disse sorrindo para ele, calma.
- E desde já eu aceito e agradeço – ele disse sorrindo, sentando-se na poltrona onde eu havia estado minutos atrás, depois ficou me observando enquanto eu me acomodava no braço da poltrona para ficar mais próxima a ele.
- Encontrei sua mãe dia desses, e ela me contou que Sara está vindo passar uma temporada com vocês – minha mãe falou, puxando conversa.
- Sim, eles chegam essa semana, estamos todos na maior expectativa! Minha mãe mal cabe em si de tanta ansiedade – ele disse, pousando a mão em meu joelho e acariciando-o inconscientemente.
- Imagino que sim, ainda mais agora com o netinho, deve ser uma felicidade imensa – ela disse sorrindo compreensiva – Mal posso esperar para ter os meus próprios netos – disse pensativa.
Meu corpo retesou involuntariamente diante das palavras dela, mas o toque da mão de Paul se fez mais firme, tranqüilizando-me quase que instantaneamente. Abaixei meus olhos para encontrar os dele, que me fitavam calmos, e sorri em agradecimento.
- Jared me ligou, pouco antes de eu sair de casa para vir pra cá; ele e Kim nos convidaram para dar uma volta, você quer ir? – Ele inquiriu.
Ponderei sobre o convite alguns minutos antes de responder, eu preferia estar sozinha com ele, mas sabia que ele sentia falta dos amigos.
- Vamos sim. Aonde eles pretendem ir? Preciso me trocar? – perguntei avaliando criticamente meu Jeans, tênis e camiseta.
- Não , você está linda como sempre – ele disse, dando um tapinha no meu joelho e pondo-se de pé – Vem, vamos encontrá-los antes que eles decidam ir e nos deixar pra trás – disse. Levantei e fui até minha mãe, beijando-a no rosto carinhosamente.
- Divirtam-se crianças – ela disse despedindo-se de nós com um sorriso.
- Você ainda não me disse onde estamos indo – eu insisti, assim que descemos a varanda.
- Por que eu não sei – ele disse dando de ombros – Mas descobriremos logo, eles estão vindo aí – ele disse apontando para o carro de Jared, que acaba de virar na esquina, parando em seguida em frente a minha casa.
- Entrem – Jared disse sem cerimônia. Paul abriu a porta do carro para eu entrar, acomodando-se ao meu lado em seguida. Kim virou-se para nós do banco do carona, sorrindo timidamente, e nós retribuímos seu sorriso.
- Então, vocês já decidiram para onde iremos? – Paul dirigiu sua pergunta ao amigo, tão logo o carro se pôs em movimento.
- Pensamos em matar um pouco de tempo no bar do Joe, tudo bem pra vocês? – Jared questionou-nos.
- Por mim está ótimo – Paul concordou, olhando-me calmo, esperando minha confirmação.
- Por mim também – concordei tranqüila, desde que tínhamos voltado de Seattle, não tínhamos ainda socializado com ninguém e eu mal conhecia Kim, namorada de Jared, apesar de sempre vê-los juntos, o máximo que eu a ouvia falar era “oi”.
A timidez dela era gritante, eu sabia que ela conhecia minha condição no bando, assim como ela, com certeza, devia saber boa parte da minha história com Sam e agora com Paul.
Assim que entramos no bar, fomos tragados pela atmosfera alegre e enevoada do ambiente; a música, um pouco alta para meus sensíveis ouvidos de lobo, preenchia o lugar e alguns freqüentadores mais ousados, provavelmente encorajados pelo álcool, arriscavam uns passos estranhos ao redor das mesas que ocupavam. Paul segurava minha mão enquanto procurava uma mesa desocupada para sentarmos, e quando achou uma vazia me guiou até lá; Jared e Kim nos seguiam de perto.
Depois que ocupamos nossos lugares, Winona, uma garota morena e baixinha que havia se formado um ano antes de nós no colégio, veio nos atender. Eu tinha ouvido boatos de que Jared já tinha ficado com ela um tempo atrás, e ouvi também que ela havia flertado com Paul quase na mesma época.
- Olá, pessoal, fazia tempo que vocês não apareciam por aqui! – ela constatou lançando um sorriso, mais que radiante, na direção de Paul e Jared – Então o que posso fazer por vocês? – ela ofereceu numa voz sugestiva.
Olhei para Kim, que retorcia nervosa suas mãos postas sobre a mesa. Franzi minha testa ao reconhecer que ela também havia notado o tom sedutor que Winona tentara imprimir em suas últimas palavras. Fiquei feliz em perceber que eu não estava imaginado coisas, por isso dei-lhe um sorriso encorajador, antes de fitar Paul que, num gesto calculado trouxe nossas mãos, que permaneciam grudadas, para cima da mesa, acariciando-a suavemente com o polegar virando o rosto para mim em seguida.
- O que você quer? – perguntou carinhoso.
- Um suco de laranja – respondi sorrindo para ele, consciente e feliz por seu gesto.
- Dois sucos de laranja para nós – ele disse sorrindo, virando-se para encarar uma Winona que fitava nossas mãos juntas com olhos arregalados, antes de finalmente desviá-los para o bloco que trazia nas mãos e anotar nosso pedido, virando-se em seguida para o par a nossa frente.
Seguindo o exemplo de Paul, Jared pegou a mão de Kim e beijou seus dedos trêmulos antes de perguntar-lhe o que ela desejava beber, ao que ela respondeu num murmúrio que só ele pode ouvir, e logo ele acrescentou mais dois sucos de laranjas ao pedido.
Agora mais relaxada com a partida da garçonete, Kim arriscou sorrir para mim, e eu pude notar como ela ficava bonita quando o fazia. Era fácil perceber o porquê de Jared ser tão apaixonado por ela, ainda que não tivesse sofrido o Imprinting. Mais cedo ou mais tarde ele a notaria, só um cego não veria o quanto ela era atraente com toda sua aura de mistério e fragilidade envolvendo-a completamente, fazendo-a parecer saída de um daqueles filmes antigos, onde donzelas em perigo mantinham sempre um olhar sonhador para dedicar ao cavalheiro que a salvaria no fim da estória. Sua beleza exótica, com os olhos um pouco mais puxados cercados por cílios longos e espessos, contrastava com o nariz um pouco largo talvez, mas que entrava em perfeita sincronia com a boca de lábios cheios e curvos; os dentes brancos concluíam o conjunto da obra, e seu rosto de pele lisa e morena era emoldurado por longos cabelos brilhantes e negros como a noite que lhe caiam macios pelos ombros estreitos. Não havia nada fora de lugar nela, e seu corpo, aparentemente magro, era dono de curvas graciosas que a tornavam muito feminina.
Mas, ainda assim, sendo detentora de toda essa beleza, percebi que ela era insegura; talvez ela não tivesse consciência de si, ou quem sabe, sua timidez não lhe permitia acreditar que pudesse atrair um cara como Jared que, apesar de ser um chato na maior parte do tempo para mim, era dono de uma beleza e um charme muito evidentes, isso eu não podia negar.
Decidi que me esforçaria para conhecer Kim melhor; talvez se fizéssemos amizade eu poderia fazê-la sentir-se melhor com ela mesma e com seu relacionamento. Feliz com decisão, retribui seu sorriso.
- Então Kim, agora que você está formada, o que pensa fazer? Faculdade talvez? – iniciei uma conversa, enquanto Winona voltava com nossos sucos e os deposita á mesa, saindo em seguida.
- Ainda não decidi – ela disse, dando de ombros levemente, olhando-me timidamente por baixo dos cílios.
- Enquanto minha doce Kim não decidi o que fazer, vamos fazer um brinde aos Guardiões de La Pusch, que terão uma longa jornada de trabalho essa noite – Jared propôs alegremente, erguendo seu copo para nós, todos acompanhamos seu gesto, tocando levemente os copos uns nos outros.
- Nem acredito que Sam nos deu folga ontem – Paul confessou – Ele tem arranco nosso couro, literalmente, nessa última semana. Confesso que estava chegando ao meu limite já – falou.
- Tá bom que eu acredito que justo você, não ficou eufórico com a possibilidade de encarar algum sanguessuga por esses dias – Jared provocou sarcástico.
- O que você quer dizer com isso? – perguntei curiosa.
- Ah, qual é Leah! Você sabe que seu namorado aí mal consegue se segurar quando alcança um rastro fresco do inimigo, ele chega a salivar antecipadamente que eu sei, aliás, todos nós sabemos o quanto Paul anseia em pôr fim a vida miserável de uma dessas aberrações – ele disse sorrindo e olhando para Paul maliciosamente.
- Certo Jared! Você me conhece melhor que minha namorada – Paul debochou - mas vai dizer que você também não anseia por um confronto hein? – Paul rebateu, rindo diante do brilho febril que se apoderou dos olhos do amigo.
- Cara, eu não vejo a hora disso acontecer, quero encontrar logo esse desgraçado que vem rondando nossa floresta, e dar cabo dele de uma vez por todas – ele afirmou categórico, dando uma pancada na mesa, que mesmo leve, fez nossos copos tremerem, e pra não destoar da cena, Kim também estremeceu, encolhendo-se um pouco.
- Desculpe tê-la assustado amor – Jared apressou-se em abraçá-la carinhosamente, arrependido de seu rompante de valentia. Paul e eu sorrimos um pro outro, cúmplices.
- Que tal uma partida de sinuca? Vamos jogar em duplas, casal contra casal, que tal? – Paul sugeriu sorrindo, pronto para apaziguar os ânimos.
- Tô dentro – Jared aceitou logo e Kim apenas sorriu concordando.
Foi no mínimo divertido jogar com eles, Paul e Jared provocavam um ao outro o tempo todo, e Kim e eu apenas riamos dos dois, que apesar de saberem tratar-se apenas de uma brincadeira, levavam a sério suas jogadas arquitetando estratégias para vencerem um ao outro.
Cansadas Kim e eu declaramos empate, depois da quarta partida seguida, com o placar marcando 2x2, e concordamos voltar num próximo dia para uma revanche, antes de seguirmos de volta a mesa deixando-os jogando sozinhos.
-Deve ser bom fazer parte do bando não é? – Kim questionou-me, inda parecendo um pouco desconfortável, mas se esforçando para não sê-lo.
- Há um preço muito alto a pagar – eu disse séria – No meu caso pelo menos – minha voz assumindo o tom amargo de sempre, quando eu tinha que tocar nesse assunto.
- Mas pelo menos você está sempre com Paul, isso deve contar para alguma coisa – ela observou sabiamente – Se algo acontecer você estará lá para ajudá-lo, já eu tenho que ficar esperando em casa, aflita, sem saber se ele voltará para mim – ela confessou o que eu julguei ser um dos seus piores temores.
- Nada irá acontecer, eu ficarei de olho nele por você certo? – prometi sorrindo confiante para ela.
Ela apenas sorriu de volta em aceitação, ficando visivelmente mais tranqüila. Eu sabia que não poderia cumprir minha promessa de protegê-lo á risca, até por que, muitas vezes nem estávamos no mesmo grupo de patrulha, mas se isso a ajudasse a ficar mais calma, eu mentiria sempre, sem remorsos.
- Leah, eu posso lhe fazer uma pergunta? – ela questionou, olhando-me séria, enquanto seu rosto ruborizava em expectativa e seus dedos torciam-se involuntariamente.
- Lógico que sim, pergunte o que quiser – instiguei-a, curiosa em saber o que se passava na mente dela.
- Bom você namorou Sam um longo tempo, e agora está com Paul... – ela começou, atrapalhando-se um pouco com as palavras, e tomou o resto do suco que ainda estava ali antes de prosseguir – O que estou tentando dizer é que, bem, você tem certa experiência com os homens certo? – ela inquiriu me fitando constrangida, eu mantive meu olhar impassível, resolvida a me manifestar só depois que ela terminasse – Você já fez amor com algum deles? Já fez com Paul pelo menos? – ela concluiu, ficando ainda mais vermelha, como se fosse humanamente possível, enquanto aguardava minha resposta.
Eu olhei-a fixamente, bom aquilo tinha me pego de surpresa confesso, mas se esse era o tipo de conversa que ela se propunha a ter, por mim, tudo bem.
- Já sim – confirmei calma – Mas por que você está me perguntando isso? – perguntei com toda suavidade que eu supunha fosse preciso pra arrancar algo dela.
Ela remexeu-se na cadeira, agora desconfortável com o tema que ela mesma havia levantado.
- É que eu e Jared... – ela olhou ao redor, preocupada que alguém além de mim estivesse ouvindo, mirou seus olhos nos meus e murmurou – Nós nunca fizemos – confidenciou, sua voz sussurrada era um misto de tristeza e preocupação.
- Mas você quer? – perguntei encarando-a atentamente.
- Eu adoraria – ela confirmou corando violentamente – Mas morro de medo! – disse nervosa.
Eu olhei para onde os rapazes estavam ainda concentrados na disputa, antes de fitá-la séria, ouvi claramente o riso de Jared diante de alguma provocação feita por Paul, e não o conseguia imaginar sendo deliberadamente cafajeste com Kim.
- Do que exatamente você tem medo? – eu quis saber, talvez ali estivesse minha chance de ajudá-la afinal.
- Ah, tenho medo de tanta coisa – disse suas feições desabando desanimadas – Medo que ele me deixe logo depois, medo que ele não goste de mim desse jeito, medo de não ser boa o bastante para satisfazê-lo – ela afundava na cadeira mais e mais enquanto revelava seus temores.
- Ele explicou a você sobre o Imprinting? – perguntei, e ela confirmou com um aceno de cabeça, seus olhos fixos na mesa – Então seu medo de ser abandona já pode ser descartado de cara – ela meio que ergueu seus olhos para mim esperando – E sobre ser desejável, bem, você tem apenas que aprender a se olhar mais no espelho, sabe? Você é muito bonita Kim, qualquer cara adoraria tomar o lugar de Jared – disse convicta, ela me olhou com desconfiança – Se você não acredita em mim, então dê uma olhadinha naquele cara sentado no bar, ele não tirou os olhos de você desde que voltamos para a mesa – falei, apontando discretamente o lugar onde o cara estava com um meneio de cabeça.
Ela virou-se discretamente olhando sobre o ombro o lugar que indiquei, e depois olhou para mim ruborizada, quando o cara acenou para ela erguendo seu copo num convite claro para que ela o acompanha-se.
-Entendeu o que eu disse? Você é mais bonita do que se julga, só precisa ser mais confiante nisso! E sobre o lance de satisfazê-lo ou não... – parei, em minha mente rondava a conversa que Paul e eu tivemos na noite anterior, quando ele me perguntou se sempre seria bom o sexo entre nós, e olhando-o agora reclinado sobre a mesa concentrado em sua próxima jogada, senti meu corpo todo aquecer involuntariamente - Bom, só o que posso dizer é que a pratica leva a perfeição, então... – conclui dando-lhe um sorriso malicioso, que ela entendeu na hora.
- Você faz parecer tão fácil – ela disse aborrecida.
- Porque é fácil – eu confirmei – Mas para que dê certo, é preciso que os dois queiram, não faça nada só para agradá-lo, ou por sentir-se pressionada, assim não rola – aconselhei.
- Jared não me pressiona, eu é que sou assim mesmo, cheia de neuras – ela disse como se estive se desculpando.
- Pois então está na hora de você tomar as rédeas disso – eu disse com segurança - não deixe seus medos guiarem sua vida, seja mais confiante, você tem um homem lindo, que te adora, você é bonita, jovem, cheia de vida, e quando sentir-se totalmente pronta tenho certeza que tomará a decisão certa a esse respeito – finalizei olhando-a confiante, eu mesma deveria aproveitar o conselho e pô-lo em prática, mas meu caso era diferente do dela, minha insegurança residia em não saber até quando Paul me amaria.
Ela fechou os olhos e respirou profundamente antes de abri-los novamente e me encarar.
- Você está certa – ela afirmou serena – Estou feliz por ter falado com você sobre isso, você não faz idéia do quanto me ajudou. Obrigada por isso – disse sorrindo agradecida.
- Não por isso, quando quiser conversar me procure, não se acanhe, terei prazer em ajudá-la sempre, combinado? – sugeri alegre.
- Combinado – confirmou o brilho de seu sorriso alcançando seus olhos.
- O que é que vocês duas estão combinando aí? Posso saber? – Jared perguntou, jogando-se na cadeira ao lado da dela, e olhando desconfiado de uma para outra. Eu pisquei para ela, que sorrindo virou-se para ele, fazendo um carinho em seu rosto.
- Coisas de meninas – ela disse simplesmente, antes de beijá-lo suavemente, surpreendendo-o.
Ela nunca, antes, foi capaz de demonstrar seu afeto por ele assim, em público, o máximo que ela se permitia era um abraço.
- Tudo bem, se você diz – ele concordou feliz com a súbita mudança dela.
- Onde está Paul? – perguntei olhando ao redor.
- Ele foi ao banheiro, esfriar a cabeça depois de perder de lavada – ele disse rindo da própria piada.
- Você é um grande mentiroso Jared, diga a elas a verdade, quem ganhou de quem? – Paul exigiu parando logo atrás da cadeira dele.
- Oh cara, você poderia ao menos, deixar que minha garota acreditasse que namora um campeão de sinuca né? – falou derrotado. Nós rimos da careta que ele fez.
- Acho que já está na hora de irmos – Paul anunciou.
- O.K, só preciso de um minuto – eu disse me levantando e passando por ele, tocando sua mão antes de me encaminhar até o banheiro.
Eu estava a dois passos da porta quando meu trajeto foi bloqueado por um cara que saia da porta do banheiro masculino que ficava ao lado. Eu parei, me encostando na parede para dar-lhe passagem, mas assim que me viu ele também parou me encarando.
- Ora, ora, se não é a bela Leah parada bem aqui como uma visão do Paraíso! – ele disse, e eu reconheci Will, um carinha do colégio, conhecido por sua arrogância e seu caráter duvidoso.
- Olá Will – cumprimentei-o, apenas para ser educada, forçando passagem para o banheiro feminino.
- Pra que a pressa benzinho? – ele perguntou segurando meu braço com força. Seu gesto ousado me pegou de surpresa, e por um instante fiquei sem ação, até que alguém parado logo atrás de mim se fez ouvir.
- Algum problema Leah? – olhei sobre o ombro, apesar de falar comigo suavemente, os olhos de Paul estavam cravados em Will. Eu sabia que um mero “sim” da minha parte seria o bastante para que ele partisse o cara em dois, mas eu não queria confusão.
- Está tudo bem Paul, Will estava apenas me cumprimentando – eu disse, desafiando Will a me desmentir, o que, apesar de ser o que queria, não o fez, evidentemente pensando melhor depois de dar mais uma espiada no semblante carregado do meu namorado.
Ele baixou a mão que mantinha meu braço preso, e antes que eu pudesse retomar meu caminho vi Paul aproximar-se perigosamente dele, sem desviar os olhos um milímetro se quer.
- Dá próxima vez que você pensar em tocá-la assegure-se de que seu plano de saúde cubra amputações – A ameaça de Paul, apesar de ser proferida num tom baixo e controlado, fez Will estremecer visivelmente.
- Desculpe cara, não tive a intenção de ofender ninguém – ele disse num fio de voz.
- Apenas siga seu caminho Will – Paul cuspiu as palavras na cara dele, antes que esse saísse apressadamente.
Eu entrei no banheiro e menos de dois minutos depois saí, para encontrar um Paul pacientemente esperando por mim do lado de fora, com os braços cruzados sobre o peito e o semblante ainda carrancudo.
- Já podemos ir – anunciei.
Ele olhou para mim, suas feições suavizaram um pouco quando ele me viu, pegando minha mão na sua, ele nos guiou de volta a mesa para chamarmos Jared e Kim para irmos.
- O que aconteceu lá? – Jared quis saber assim que saímos do bar.
- Nada demais, só o Will bancando o idiota de sempre – eu disse rancorosa, pondo fim ao assunto. Ele nos deixou na minha casa, eu tinha que me trocar antes de pegar no turno da patrulha. Despedi-me de Kim com um aceno e um sorriso cúmplice que ela retribuiu.
Paul ficou esperando por mim na varanda, assim que troquei meus jeans e camiseta, por short e top, calcei uma rasteirinha e fui ao encontro dele.
Nós seguimos em silêncio até sua casa, fomos direto para o quarto em cima da garagem, onde Paul ligou a TV, para me distrair enquanto ele pegava uma bermuda e ia até o banheiro para trocar-se.
Quando ele emergiu do banheiro ainda trazia no rosto traços de sua frustração recente, e rapidamente me coloquei de pé, indo até ele. Peguei as roupas que ele trazia na mão e joguei-as displicentemente na cadeira ao lado da cômoda, pousei minhas mãos em sua cintura e ergui o rosto para poder encará-lo.
- Sabia que você não me beijou ainda hoje? – questionei-o forçando uma carinha triste.
- Sério? Desculpe então – ele disse baixando a cabeça e roçando seus lábios nos meus antes de afastá-los dois segundos depois, me olhando complacente.
- Certo Paul, nós podemos fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil, você escolhe – eu disse, firmando meu olhar no dele, deslizando meus dedos por suas costelas e indo para suas costas, puxando-o para mais perto de mim.
Seus olhos foram os primeiros a se renderem, seguidos de seus lábios, que se apossaram dos meus com volúpia, suas mãos firmaram-se em minha cintura, apertando com força meu corpo junto ao seu, como se tentasse fundi-los. Sua língua deslizou para dentro da minha boca, voraz, travando uma luta com a minha para ver quem satisfazia quem primeiro.
Afastei minha boca da dele, em busca de ar.
-Assim é que se faz – eu disse maliciosa – Você até que aprende rápido para um garoto - provoquei sorrindo.
Um lampejo de raiva e diversão cruzou seus olhos antes de ele me empurrar pra cama e se jogar sobre mim.
- Vou mostrar a você o quanto esse garoto aqui já aprendeu – sua ameaça desencadeou uma onda de desejo tão inesperada que cheguei a perder o fôlego um segundo antes de sua boca tomar a minha mais uma vez.
Suas mãos ágeis percorriam meu corpo, deixando um rastro incendiário por onde passavam, só percebi que estava sem o top, quando uma dorzinha prazerosa irradiou do meu seio esquerdo, me fazendo notar que ele tinha meu mamilo preso entre os dentes enquanto passava a ponta da língua nele. Seus dedos infiltraram-se sob a bainha do meu short, encontrando a maciez da minha nádega onde se afundaram, puxando meu corpo para mais junto dele, e aí percebi que sua excitação evidente rivalizava com a minha; ele fazia questão de esfregar-se em mim o tempo todo.
Seus lábios buscaram os meus mais uma vez antes que eles descessem mordiscando e lambendo meu pescoço, meu colo, meu estomago; seus dentes arranhavam minha barriga enquanto seus dedos desabotoavam meu short, e ele baixou-o o suficiente para expor minha calcinha de cetim preta. A umidade e o calor concentrado entre minhas pernas era uma lembrança aflitiva do meu desejo por ele, que precisava ser aplacada logo, antes que eu entrasse em combustão espontânea.
Ele me beijo delicadamente, por cima da calcinha, antes de erguer seus olhos para mim, e só quando ele sorriu, foi que eu me dei conta que estava irremediavelmente perdida.
Mas então, ele levantou-se de um salto e saiu caminhando calmamente para o banheiro, me olhou sobre o ombro quando alcançou a porta.
- Se vista rápido, nós já estamos atrasados para encontrar os outros – disse tranqüilo, fechando a porta atrás de si.
Hein!? O que? Era isso então? Meus pensamentos confusos entraram em batalha com meu desejo absurdamente negligenciado por meu namorado espertinho e vingativo.
Vesti meu top novamente e fechei meu short, e assim que ele desocupou o banheiro eu entrei, batendo a porta com mais força do que o necessário. A frustração era tanta que meu corpo todo estava dolorido. Respirei fundo antes de jogar água fria no rosto, pulsos e nuca; refiz meu rabo de cavalo, já mais controlada, e saí para encontrá-lo.
Ele me esperava em pé junto á porta do quarto.
- Você está pronta? – o duplo sentido em suas palavras fez a frustração retornar com força, e fuzilei-o com os olhos, passando por ele e pisando firme, e descendo as escadas sem esperá-lo.
- Ei, me espere! – sua voz risonha me alcançou antes que eu chegasse ao portão – Nós precisamos mesmo nos apressar, mas também não é pra tanto – ele ironizou.
- Oh, não! Faço questão que você chegue logo e inteiro para a divisão da patrulha – rosnei.
Sua risada cristalina ressoou pela Floresta assim que a adentramos. Ele me agarrou por trás, me fazendo parar e me girando em seus braços para que pudesse me encarar com um sorriso divertido estampado em sua face.
- Me solta,
seu... – não pude completar minha frase por que ele me beijou, se aproveitando mais uma vez da minha distração.
- Nada de xingamentos, nem palavras duras mocinha – ele ralhou brincalhão – Se você se comportar direitinho eu prometo recompensá-la mais tarde – ele disse piscando pra mim. Minha fúria foi parcialmente aplacada com o beijo, mas ainda havia uma centelha ali.
- Você sabe que isso terá volta não é? – eu disse estreitando meus olhos.
- Isso é uma ameaça? – perguntou sorrindo ainda mais.
- Entenda como quiser – eu disse dando de ombros, retomando meu caminho, enquanto o ouvia rir atrás de mim.
Encontramos nossos companheiros de vigília alguns minutos depois, e meu mau humor evidente chamou atenção deles tão logo pisei na clareira.
- Vocês estão atrasados – a constatação veio de Sam e era dirigida a nós dois.
- A culpa foi dela, Leah se distrai muito facilmente – Paul declarou, numa voz tão inocente que me fez sentir ainda mais frustrada, se é que era possível.
- E aí Leah? – Jared me cumprimentou jovial; então ele foi o primeiro a receber meu olhar raivoso do tipo “Mantenha Distância” – O que aconteceu com ela? – ele perguntou, virando-se para Paul com um sorriso maroto no rosto.
- Ela só acabou de provar um pouco do próprio veneno – ele disse divertido, me dando as costas quando o mirei com um olhar matador.
Ouvi algumas risadinhas abafadas enquanto me encaminhava para trás das arvores e deixava a transformação ocorrer, e logo depois foi a vez deles. Quando já estávamos todos reunidos na forma de lobos, Sam dividiu os grupos, e antes que eu partisse com Jared para cobrir a fronteira sul, Paul aproximou-se de mim, cutucando meu ombro com o focinho carinhosamente; seus olhos grandes e escuros pareciam pedir desculpas.
Eu me empertiguei, virei minha cara pro outro lado e passei por ele orgulhosa, dando-lhe por fim uma rabanada com minha cola em seu focinho.
Um rosnado em forma de riso ressoou atrás de mim, antes que eu o perdesse totalmente de vista.
Capítulo 30. - SURPRESAS
- Ah Meu Deus! Você é lindo! Estou apaixonada! – declarei publicamente, apertando-o em meus braços com carinho. O riso das pessoas a minha volta me distraiu por um instante, e não pude evitar sorrir também.
- Certo, certo, agora devolva o menino pros pais – a voz grave e enciumada de Paul me alcançou da poltrona ao lado – Precisamos ir! – anunciou, levantando-se e estendendo a mão para mim.
Com certa relutância entreguei Benjamim a Sara, que sorriu compreensiva.
- Ele estará aqui quando você voltar, e tenho que admitir que ele também parece estar encantado com você – uma ponta de ciúmes surgiu em sua voz.
- Virei vê-lo, então – afirmei feliz, me levantando e pegando a mão que Paul mantinha estendida para mim. Ele me puxou para perto, enlaçando minha cintura.
- Estou muito feliz em saber que vocês estão juntos – Sara irradiava contentamento por todos os poros – Eu deveria ter desconfiado que todas aquelas suas perguntas sobre Leah não deveriam ser mera curiosidade... Você sempre teve uma quedinha por ela! – seus olhos estreitaram-se desconfiados e divertidos ao fitar o irmão.
- Okay Sara, se você queria me constranger na frente da minha namorada tenho que dizer que conseguiu! – ele sorriu meio sem jeito, passando a mão livre entre os cabelos enquanto me apertava mais junto a si.
- Agora, diga-me, o que faremos amanhã? Já tem algo em mente? – sua pergunta foi dirigida única e exclusivamente a Paul.
- Não pensei em nada especificamente – respondeu reticente.
- O que tem amanhã? – perguntei curiosa. olhando de um pro outro.
- Você não disse a ela? – perguntou surpresa, diante do silêncio dele ela virou-se para mim – Amanhã é aniversário dele. Acho que deveríamos comemorar – esclareceu. Olhei-o surpresa, só para vê-lo dar de ombros.
- Não é nada demais, posso passar bem sem nenhum tipo de comemoração – falou firme.
- Não mesmo! – a voz da mãe dele veio da cozinha, e ela aproximou-se séria – Faremos alguma coisa com certeza, não precisa ser nada grandioso, talvez um churrasco pra festejar com seus amigos, afinal você está fazendo 18 anos, querido – completou carinhosa, apertando as bochechas dele com carinho.
- Vocês combinaram? Tipo, “Hoje vamos nos esforçar pra deixar o Paul sem graça!” é isso? – questionou, olhando da mãe para a irmã completamente vermelho.
Rimos da careta que ele fez. Girei meu corpo para ficar de frente para ele, abraçando-o pela cintura.
- Elas têm razão, devemos comemorar – falei-lhe calma – Posso te ajudar a organizar as coisas para a festa – ofereci sorrindo.
- Tudo bem – concordou vencido, deslizando as mãos por minhas costas – Mas nada de bolo e velas, isso seria o fim, você sabe que eles arrancariam meu pêlo por isso – pediu sério.
- Combinado – confirmei, selando nosso acordo com beijo rápido e suave.
Despedimo-nos delas, e eu prometi voltar outra hora para combinar os arranjos pra festa, o que já me dava uma ótima desculpa para ficar mais algum tempo com Benjamim. Não sei como nem por que, mas o certo era que meu instinto materno resolveu aflorar com tudo; eu adorava ficar embalando aquele garotinho em meus braços, era como se ele me desse esperanças de que as coisas poderiam ser diferentes pra mim no final das contas.
- Quando exatamente você iria me contar sobre seu aniversário? – questionei-o assim que saímos na varanda da casa.
- Achei que pudesse passar sem isso dessa vez – falou sério – Eu sei o quanto esse lance de idade afeta você, embora não tenhamos nem dois anos de diferença, mas a verdade é que eu não queria uma festa! Meus planos eram fugir com você amanhã à noite e levá-la para jantar em Port Angeles, só nós dois – disse resignado.
- Entendi. Mas só pra constar, eu não ligo mais pra essa coisa da idade – confessei – E acho que sua mãe está certa, você deve comemorar com seus amigos e - parei diante dele, rodeando seu pescoço com as mãos – nós sempre poderemos ir a Port Angeles sozinhos qualquer outro dia – sugeri sorrindo maliciosamente.
Nossos lábios encontraram-se no meio do caminho, ele sujeitou meu corpo firmemente aprofundando o beijo e gemendo no processo.
- Sério Leah, você tem que parar com negócio de ficar me tentando a todo o momento – disse assim que separamos nossas bocas para tomar fôlego – Qualquer dia desses perderei o controle sobre minha libido diante das pessoas e, juro a você, nada me deterá – sua voz carregada de sensualidade era como uma caricia em meu corpo.
- Prometo me esforçar – disse sorrindo – Mas você sabe, isso é uma estrada de mão dupla, por tanto, trate de manter suas mãos longe de mim se não quiser que as coisas saiam realmente de controle – pedi me afastando dele, só para, em seguida, ser puxada de volta pros seus braços.
- Já que esclarecemos isso, o que você me diz de subirmos até meu quarto e descobrirmos quem é mais tentador? – sugeriu, deslizando seus dedos longos por baixo da minha camiseta, subindo por minhas costelas até atingir a barra do sutiã.
- O último a chegar arruma a cama depois – disse, disparando para os fundos da casa e subindo as escadas a toda velocidade com ele em meu encalço.
****
Assim que chegamos a clareia, fomos recepcionados pelo olhares reprovadores de Sam e Seth, e pelos risinhos maliciosos dos outros. Olhando a nossa volta percebi que o grupo havia crescido.
- O que eles fazem aqui? – questionei, apontando com um meneio de cabeça, Collin e Brady, que pareciam deslocados e assustados.
- Nosso grupo cresceu, irmãos. Nossos garotos ali passaram pela transformação ontem – Sam anunciou – Hoje será a primeira experiência deles em campo, portanto, sejam simpáticos! Paul e Jared, vocês serão responsáveis por eles essa noite – concluiu com um sorriso cínico.
- Ah que beleza, irmão! Fomos promovidos a babás – Jared estalou com seu cinismo característico.
- Tranqüilo amigo, vamos rezar para que a noite seja calma, detestaria ter que arrastar os corpos desses dois pelos rabos da fronteira até a reserva – Paul salientou com um riso malvado, fazendo os dois garotos sobressaltarem.
- Deixem de brincadeiras e vamos separar os grupos de hoje – Sam lançou um olhar recriminador aos dois antes de continuar – Jake, Leah e Embry: fronteira Sul; Quill, Seth e eu ficaremos com o norte. Jared e Collin ficam na reserva, e Paul irá com Brady para as cercanias de Forks – tão logo terminou de nos dividir tratamos de nos transformar, e quando nos reunimos novamente na clareira soltei um uivo baixo para prender-lhes a atenção.
“Amanhã é aniversário de Paul, e sua família planejou uma festa. Nada grande, só um churrasco, e todos vocês estão convidados” transmiti o recado às mentes de todos, e alguns rosnados de entusiasmados se fizeram ouvir. “Obrigado pelo convite e pode contar conosco, irmão”, Sam afirmou contente “Agora vamos trabalhar” finalizou. Em seguida pegou uma trilha que o levaria para seu lugar de vigília, seguido de perto por seus companheiros; os outros também pegaram seus rumos e, antes de me afastar, olhei por sobre o dorso para ver Paul sair com seu novo amigo. “Cuidem-se” gritei meu pensamento para a dupla, e Paul virou-se por um momento me olhando carinhoso “Você também amor”, e retomou seu caminho. “Vamos logo Leah, ou você tem algum plano maligno de me ver vomitando diante dessa melação amorosa de vocês?” Jake perguntou sarcástico. “Vá à merda!” foi tudo o que eu disse antes de disparar deixando-o para trás.
Para a felicidade de uns e desespero de outros, a noite transcorreu sem nenhum imprevisto e tão logo o sol pensou em despontar, Sam nos chamou para voltarmos para casa. Meu grupo foi o primeiro a chegar à clareira e tão logo voltamos à forma humana, nos colocamos a esperar pelos outros. À medida que eles iam chegando, transformavam-se e vinham reunir-se conosco, a maioria me questionando sobre a tal festa.
- Então Leah, a que horas podemos aparecer por lá? – Quill perguntou, recostando-se na arvore ao meu lado.
- Bom, eu pensei em sugerir aos pais dele que começassem cedo, tipo lá pelas seis da tarde, pra não atrapalhar nossa ronda – eu disse, virando para encará-lo.
- Boa idéia Lee-Lee – disse Sam enquanto se aproximava de mim pelo outro lado. Ouvi-lo me chamar daquele jeito era algo desconfortável. Me empertiguei olhando-o, com desagrado.
- Do que você a chamou? – a voz dura de Paul ressoou pela clareia, atingindo a todos como um tapa. Seu caminhar felino era uma promessa evidente de problemas á vista.
Os rapazes se afastaram, deixando-o se aproximar de onde estávamos eu e Sam; seu olhar vidrado percorreu meu rosto antes de se fixarem em Sam com raiva.
- Escute Paul, foi sem querer ok? – Sam permaneceu calmo sustentando o olhar irado que me namorado lhe dirigia – Foi só a força do hábito, não acontecerá de novo – ele disse, erguendo as mãos num gesto de paz.
- Para o seu próprio bem eu espero que realmente não aconteça – Paul murmurou baixo para evitar que a voz lhe tremesse como acontecia com seu corpo – Nunca mais quero ouvi-lo se referir a ela de maneira intima, fui claro? – ele cuspiu as palavras entre os dentes, esforçando-se para controlar-se.
- Entendi. Peço desculpas aos dois se os ofendi – Sam nos encarou sério.
- Está tudo bem – disse, pousando a mão no braço ainda tremulo de Paul. Ele desviou os olhos para onde eu o tocava e respirou fundo uma e outra vez antes de acalmar-se – Vamos pra casa – pedi, deslizando minha mão pela dele e entrelaçando meus dedos nos seus. Ele olhou mais uma vez rancoroso para Sam antes de dar-lhe as costas e começar a caminhar.
Os rapazes voltaram a respirar tranquilamente antes de dispersarem, Seth nos alcançou a meio caminho.
- Hei, Paul! Ainda haverá festa, certo? – ele parecia preocupado que a diversão pudesse ser cancelada. Revirei os olhos enquanto Paul lhe sorria.
- Com certeza Seth, as costeletas e boa parte do frango estarão lá esperando por você irmãozinho – Paul disse, empurrando Seth com o ombro.
- Ainda bem, detesto imaginar toda aquela comida desperdiçada - ele disse reverente, esfregando o próprio estomago.
- Pode ir na frente Seth, irei em seguida – eu disse assim que chegamos a nossa rua. Ele acenou para nós e seguiu caminhando. Virei-me para Paul, que me olhava concentrado.
- Você está bem? – perguntei preocupada, tocando seu rosto com a ponta dos dedos.
- Você ainda sente algo por ele? – perguntou curioso – Quer dizer, você ainda tem esperanças em voltar com Sam algum dia? – a angustia era palpável em suas palavras.
- Por favor, Paul, não vamos por esse caminho está bem? Eu estou com você agora – disse-lhe, me aproximando.
- Isso não responde a minha pergunta – ele deu um passo atrás. Traguei fundo, olhando-o muito séria, tentando entender meus sentimentos e os dele.
- Para seu conhecimento, Sam seria o último homem na face da terra com quem eu ficaria novamente depois de tudo o que ele me fez passar – eu disse séria – Posso até parecer masoquista e, por Deus, eu o sou na maioria das vezes, mas não a esse ponto, por tanto, minha resposta pra você é não. Eu não tenho nenhuma esperança em voltar a ficar com ele. Satisfeito? – concluí, cruzando os braços sobre meu peito.
Ele ponderou minhas palavras por um momento antes de se aproximar e envolver meus ombros com seus braços e repousar o queixo sobre minha cabeça.
- Desculpe por bancar o idiota na maior parte do tempo – murmurou – É só que me põe louco imaginar que ainda não acabou, que você ainda sofre com isso.
- Eu não vou a lugar nenhum sem você – descruzei meus braços e rodeei sua cintura firmemente – Sou feliz por ter você, e nem posso me imaginar querendo outra coisa além do que temos - apertei-o com força junto a mim, até que o senti relaxar – Agora vamos pra casa, afinal temos que dar uma festa mais tarde, tá lembrado? – conclui ficando na ponta dos e beijando-o.
- Vou levá-la até em casa – ele disse, contornando meus ombros e nos pondo a caminho.
No início da tarde depois de brincar um pouco com Ben, me reuni com Paul e sua família para organizar a festa. Andávamos de um lado pro outro, arrumando a mesa comprida com seus bancos e trazendo algumas cadeiras para fora, e depois foi a vez de colocarmos as bebidas pra gelar enquanto o pai dele e o cunhado arrumavam as duas churrasqueiras no fundo do quintal. As saladas ficaram por conta de Sara e sua mãe, e já passava muito das cinco da tarde quando fui pra casa me arrumar. Estava cansada, mas feliz, por que tínhamos dado conta de tudo.
Escolhi um vestido tomara-que-caia verde escuro, colocando sobre ele um casaquinho de renda preto. Calcei sandálias de saltos médios, prendi meu cabelo num rabo de cavalo alto, passei apenas uma máscara nos cílios e um gloss, e antes de sair peguei uma bolsa onde guardei meu presente para Paul. Na verdade era mais uma surpresa do que um presente propriamente dito, eu só esperava ter coragem e tempo para fazer o que tinha planejado. Ri internamente, imaginando como seria.
Ao chegar à casa de Paul percebi que a maioria dos convidados já havia chegado; Billy estava comodamente sentado entre minha mãe e o Sr. River numa conversa animada, Sara estava conversando com a Sra. Call, mãe do Embry, que segurava um Benjamim sorridente e saltitante. Olhando em volta encontrei Paul rindo de algo que Quill estava contando, enquanto Jared e Kim se colocavam de lado rindo junto com eles. Como se eu tivesse pronunciado seu nome em voz alta, Paul olhou na minha direção e seus olhos quentes prenderam-se aos meus; ele afastou-se dos amigos e veio até mim.
- Estava pronto pra ir atrás de você – disse assim que se aproximou – Você está linda! – seus olhos me percorreram dos pés a cabeça, e sorriu aprovadoramente.
- E você é lindo, sempre! – devolvi o elogio, sorrindo enquanto examinava sua camiseta cinza e os Jeans pretos. Podia apostar que ambos eram novos!
- Venha, vamos falar com os outros – ele convidou, me estendendo a mão.
- Eu só preciso ir ao banheiro primeiro, posso usar o do seu quarto? – pedi.
- Lógico que sim – disse, me beijando antes que eu saísse.
Corri para o quarto dele em cima da garagem e guardei minha bolsa no banheiro. Dei uma conferida no espelho antes de descer e me reunir a eles na festa.
A conversa estava animada e o riso frouxo dos meninos era contagiante. Paul me ofereceu a cerveja que estava bebendo; peguei-a, e quando ia dar um gole avistei um casal parado na esquina da casa. Olhei para Paul e apontei naquele sentido para que ele pudesse vê-los.
Dando-se a volta, ele viu Sam e Emily, que trazia um embrulho nas mãos. Paul levantou-se e foi até onde eles estavam.
- Olá Emily – Paul curvou-se para beijá-la no rosto, e no instante seguinte ela passava o embrulho para as mãos dele.
- Feliz Aniversário Paul. Isso é só uma lembrancinha, não tive muito tempo para procurar algo melhor – desculpou-se.
- Não precisava se incomodar – ele disse afetuoso, virando-se para Sam em seguida – Olá Sam – cumprimentou sério.
- Parabéns Paul – a voz de Sam também era afetuosa.
- Ouça, quero me desculpar com você sobre aquele... – Paul começou, mas foi interrompido por um gesto da mão de Sam.
- Está tudo bem, irmão. Eu entendo seus sentimentos e o respeito por isso. – afirmou – Sem ressentimentos? – questionou, erguendo uma sobrancelha e estendendo a mão para Paul.
- Sem ressentimentos! – Paul aceitou a mão que Sam lhe ofereceu e puxou-o para um abraço.
Eles vieram até onde estávamos, e lhes cumprimentei com um aceno de cabeça antes de me voltar para conversar com Kim, que acabava de me confessar que tinha tido algum progresso com Jared, no campo físico.
- Então, resolvi seguir seus conselhos, confesso que ainda estou um pouco temerosa, mas ele tem sido realmente gentil e paciente comigo – ela murmurou para que os outros não nos ouvissem.
Olhei para Jared, que bebia tranquilamente sua cerveja enquanto conversa com Jake em um canto, e me custou acreditar que por baixo de toda aquela aparência arrogante e sarcástica que ele sustentava tão à vontade, encontrava-se um caro gentil.
- Que notícia maravilhosa Kim! Fico feliz por você! – disse, olhando-a alegremente.
- Acho que logo, logo, nossa relação atingirá outro nível – disse, disfarçando sua timidez por detrás de um sorriso sereno.
- Tenho certeza que tudo correrá bem, apenas lembre-se que você é que está no comando, entendeu? – adverti-a calma.
- Lembrarei – ela disse ruborizando, e tratou de mudar de assunto assim que Jared e Paul se aproximaram de nós – Adorei seu vestido, onde o comprou? – perguntou, fingindo interesse.
- Em Port Angeles – eu disse aceitando sua deixa – Gostando da festa? – perguntei a Paul tão logo se sentou ao meu lado.
- Muito – disse sorrindo – Mas aposto que Seth está curtindo mais que todos nós – falou apontando meu irmão, que se empanturrava com o que deveria ser seu quinto prato, eu acho.
Nós rimos e voltamos a conversar amenidades, enquanto todos aproveitavam para comer e beber tranquilamente.
- Paul, estou indo cara – Jake anunciou, aproximando-se – Vou dar uma passada na festa de formatura da Bella, promovida pelos Cullen – esclareceu com uma careta.
- Melhor levar Quill e Embry com você, nunca se sabe o que eles podem estar oferecendo no cardápio – o tom jocoso de Sam foi entendido como piada, mas o olhar duro era uma advertência para que Jake acatasse aquilo como uma ordem. Dando de ombros ele se despediu de nós e saiu, seguido de perto por seus dois melhores amigos.
Durante toda a noite Benjamim passou por muitas mãos até chegar a mim, que depois de muito brincar com meu cabelo acabou adormecendo em meus braços, com o rostinho repousando sobre meu ombro, e sua respiração tranqüila acariciando meu pescoço. Sara veio pegá-lo para pô-lo na cama e aproveitou para se despedir de todos. A noite já ia avançando quando as pessoas começaram a se despedir, uma a uma, e partir. Sam aproximou-se de nós calmamente.
- Ótima festa, Parabéns mais uma vez – ele disse dando um tapinha no ombro de Paul – E meu presente pra você é uma noite de folga, aproveite-a bem! – disse e virando-se para mim com um sorriso completou – Você também está dispensada da ronda essa noite – pegando na mão de Emily ele se foi.
Depois que todos partiram ajudei-o a ajeitar as coisas antes que a mãe dele viesse até nós e nos dispensasse.
- Você ouviu nosso Alfa, ele ordenou que eu aproveitasse bem a noite! O que você acha de me fazer companhia? – sussurrou em meu ouvido enquanto me abraçava por trás.
- Eu nem sonharia em contrariar uma ordem dessas – disse, acariciando suas mãos pousadas sobre minha barriga.
Ele se desvencilhou, pegando minha mão e me levando para cima, para seu quarto. Assim que fechou a porta atrás de nós veio até onde eu estava, me abraçando e beijando com ardor.
- Não via a hora de ficar a sós com você – confessou, enquanto tirava meu casaco procurando pelo zíper do vestido afoito.
Comecei a caminhar para trás até sentir a beira da cama, onde me sentei, esperando que ele fizesse o mesmo. Ele me deitou delicadamente, debruçando-se sobre mim, e seus lábios capturam os meus com urgência; antes que as coisas esquentassem demais eu o empurrei gentilmente.
- Preciso de um minuto, tudo bem? – pedi, me erguendo da cama e indo para o banheiro, onde me tranquei.
Peguei a bolsa que tinha deixado ali mais cedo e comecei a tirar várias coisas de dentro. Minhas mãos vacilaram quando levantei o corpete de couro diante dos olhos para uma analise mais criteriosa; eu o tinha comprado alguns dias atrás, esperando uma oportunidade de usá-lo, e como não tive tempo de comprar um presente para Paul achei que essa era a melhor chance que eu teria. Deixei-o de lado enquanto tirava o vestido e as sandálias, troquei minha calcinha simples por uma delicada de renda preta, calcei as meias de seda 7/8 pretas e vesti o corpete negro de couro, ajustando-o ao busto com um laço de seda prendendo-o firmemente. Calcei saltos altos, borrifei meu perfume em lugares estratégicos e prendi meu cabelo num coque.
- Está tudo bem, Leah? – a voz preocupada de Paul me assustou, e com uma última olhada no espelho respirei fundo e abri a porta, dando dois passos para fora e parando em seguida, meio insegura sobre o que ele poderia achar daquilo.
Seus olhos se abriram desmesurados ao mesmo tempo em que seu queixo despencava. Tomando coragem caminhei até a cama onde ele estava sentado, me olhando assombrado.
- Você gosta? – perguntei ansiosa. Ele engoliu em seco duas vezes antes de conseguir falar.
- Eu... Eu... Não sei... – ele gaguejou enquanto puxava insistentemente seus Jeans sobre as coxas como se tivesse algo incomodado. Percebi o volume que se formava em suas calças e sorri, encorajando-o a falar – Não sei o que dizer. Você está absurdamente linda – suas últimas palavras foram apenas sussurradas, como uma reverencia, e seus olhos brilhavam de desejo.
- Pode me tocar se quiser – instiguei-o, dando uns passos à frente.
Seus olhos acompanharam meus movimentos, e ele esfregou as mãos nas coxas antes de pousá-las atrás das minhas panturrilhas e as subir vagarosamente, tocando a parte da coxa que a meia não cobria. Seus dedos pressionaram com força antes de seguirem caminho até meus quadris. Seus olhos fizeram o mesmo percurso que os dedos, e quando atingiu minha cintura, me puxou para mais perto e aspirou com sofreguidão antes de depositar um beijo cálido em meu umbigo. Seus dentes roçaram minha pele antes de serem substituídos por sua língua.
Minhas mãos correram por entre seus cabelos, dando pequenos puxões.
- Amo seu cheiro – sua voz, rouca pelo desejo, soprou em minha pele, causando-me um estremecimento – Adoro você inteira – confessou; as mãos apertando as laterais do meu corpo escondido sob o couro, e baixei meu rosto para o seu. Sua boca tomou a minha possessivamente, sua língua investiu contra a minha apaixonadamente, e minhas mãos desceram por suas costas, puxando a camiseta para cima. Ele separou a boca da minha enquanto se livrava dela.
Ajoelhei-me diante dele e descansei minhas mãos sobre suas coxas; podia sentir o calor que sobressaia através do jeans, e inclinei-me para frente, saboreando seus lábios. Abandonei-os para me dedicar a seu pescoço antes de descer beijando seu peito, e suas mãos agarravam a colcha da cama com força, torcendo o tecido entre os nós dos dedos. Quando minha língua brincou com seu mamilo esquerdo, seu corpo todo estremeceu em resposta, então suguei-o, prendendo-o entre meus dentes e soprando nele. Um rugido rouco escapou entre seus lábios antes que eu deslizasse minha boca para dar a devia atenção ao outro.
Sua respiração ficou seriamente comprometida quando meus dentes arranharam seu estomago e sua barriga, e beijei cada centímetro de sua pele quente; minhas mãos apertaram suas coxas antes de deslizarem para sua virilha.
Ergui meus olhos até os seus, que me espiavam através dos cílios; suas bochechas estavam rosadas e sua boca encontrava-se meio aberta, deixando escapar o ar lentamente.
- Por favor, Leah – implorou rouco.
- Deite-se – pedi, empurrando-o pelos ombros e deslizando as mãos e os lábios por seu corpo, parando no cós de seus jeans. Lentamente o despi da calça, aproveitando para tirar-lhe os tênis e as meias; percorri suas pernas com a ponta dos dedos subindo por suas coxas, e seus gemidos roucos eram como um aditivo. Beijei e mordisquei uma de cada vez.
Suas mãos prenderam meus pulsos quando toquei sua boxer.
- Venha até aqui um instante – pediu ofegante – Preciso ter certeza de que você é real e só saberei se puder tocá-la.
Ergui meu corpo, roçando meus seios cobertos de couro por sua virilha e seu tórax, apoiei-me nas mãos, pairando sobre ele, minha boca a milímetros da sua, e suas mãos agarraram minha cintura, apertando meu corpo buscando e proximidade.
- Peça o quiser e eu o farei – prometi, esfregando meu quadril no dele e encarando seus olhos nublados pelo desejo.
Sua mão subiu até meus cabelos, soltando-os dos grampos e fazendo-os cair entre nós. Ele pressionou minha nuca, acabando com a distância que existia entre nós, e sua língua deslizou, saboreando meu lábio inferior antes de mordiscá-lo levemente; sua mão livre desceu até minha nádega, afundando os dedos em minha carne e me fazendo gemer em sua boca.
Ele girou nossos corpos, me colocando de costas na cama, apoiando-se no antebraço; afastou-se para olhar o caminho que seus dedos trilhavam sobre o couro, e nossas respirações ofegantes denunciavam nossas intenções.
- Amei essa roupa – disse suspirando – Mas ela está me privando daquilo que necessito desesperadamente – seus dedos ágeis desfizeram o laço e começaram a desprender a peça com delicadeza.
- E do que você precisa? – perguntei sorrindo.
- Preciso tocar você, minha boca anseia por isso – murmurou, aproximando a boca entre meus seios assim que os libertou do corpete.
Meus dedos apertaram seus ombros, aproximando-o mais, minhas costas e meus quadris arquearam buscando alivio no atrito da minha pele com a dele. Ele manteve a língua quente e áspera brincando com um seio enquanto o outro recebia atenção de seus dedos, alternando-se entre um e outro.
Traçando um caminho de beijos e mordidas por meu estomago e barriga, ele se deteve quando chegou ao meu quadril. Desfez os laços que prendiam a calcinha em seu lugar antes de ir-se para os pés da cama e libertar meus pés dos saltos. Livrou-se da boxer e posicionou-se entre minhas pernas. Deslizando as mãos pelas meias, seus olhos desviram-se para o meu rosto, e um sorriso brincava em seus lábios.
- Elas ficam – sentenciou, inclinando-se para cobrir meu corpo com o seu.
Meu coração falhou uma batida quando seu corpo mergulhou no meu; apoiei meus pés no colchão e apertei seus quadris com minhas coxas, seguindo o ritmo que ele impôs. Minhas unhas arranharam seu peito, fazendo-o rugir e seu corpo tencionar.
Seu braço passou por baixo da minha cintura, prendendo-me a ele, e num movimento rápido, sem sair de mim, ele se colocou sentado, as costas recostadas nos travesseiros e ajustando-me em cima dele. O beijei languidamente enquanto assumia o ritmo, e seus lábios desceram por minha garganta e colo, encontrando meus seios e concentraram-se neles. Suas mãos brincavam com as meias, e eu o pressionava mais forte e mais rápido, nossos corpos brilhavam com uma fina camada de suor.
Quando o clímax me alcançou, lancei minha cabeça para trás, estirando meu corpo e sentido-o vibrar. Gemidos e palavras incoerentes rompiam por minha garganta, e ele apoiou minhas costas e me trouxesse para junto do seu peito; meus músculos ainda contraídos e vibrantes o estimulavam. Suas mãos cravaram meus ombros, empurrando-me para baixo, para mais junto dele, fundindo nossos quadris; ele rugiu, e então senti quando ele encontrou seu próprio prazer. Seu corpo sacudido pelas ondas do êxtase chocava-se com o meu.
Ainda unidos, buscávamos recuperar nossos fôlegos. Seus dedos trêmulos vagavam por minhas costas e meus cabelos, e pousei minha cabeça na curva do seu pescoço, procurando acalmar meu coração, que competia com o dele num galope desenfreado.
Ergui minha mão para acariciar seu rosto, passeando com as pontas dos dedos por sua testa e bochecha. Trouxe-o para mim, antes de levantar um pouco a cabeça para beijá-lo suavemente.
- Feliz Aniversário – murmurei, deixando minha mão cair em seu peito. Um riso gostoso e terno rompeu o silêncio do quarto, e ele firmou meu rosto entre as mãos; seus olhos amorosos brilhavam com intensidade.
- Você é de longe o melhor presente que já ganhei – disse feliz antes de me beijar com paixão.
- Sou? – perguntei animada com o elogio.
Ele me deitou de costas novamente, separando-se momentaneamente de mim para puxar uma coberta sobre nós, depois deitou-se ao meu lado, me puxando para ele.
- Na verdade, você está empada com a bicicleta que ganhei quando fiz oito anos, mas tá valendo – disse sério.
Ergui-me de um salto, pondo-me sentada e mirando-o com um falso olhar zangado.
- Uma bicicleta? – perguntei com as mãos nos quadris.
Seus olhos percorreram meu corpo fixando-se em meus seios; ele suspirou profundamente antes de sorrir e me puxar com força, me fazendo cair de novo em seus braços.
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- Ok. Você está em primeiro, tudo bem? – questionou-me, beijando meus cabelos.
- Posso conviver com isso – afirmei, abraçando sua cintura e moldando meu corpo ao dele.
Fomos despertados algum tempo depois por fortes pancadas na porta; eu ainda lutei para manter minha mente em repouso, me agarrando mais ao corpo de Paul, e seus braços me rodearam mais fortemente, mas quem quer que fosse que estivesse à porta era insistente, o que fez meu namorado xingar alto enquanto saía da cama e caminhava nu feito um touro, pronto para atacar o intruso.
- Rezo pra que esteja morrendo, caso contrário eu mesmo matarei você! – rugiu mal-humorado, mas tendo o cuidado de abrir só uma fresta da porta para evitar que alguém me visse na cama – O que você quer? – ladrou entre os dentes para a visita inoportuna.
- Er... Desculpe perturbá-lo irmão – a voz de Jared fluía num tom de verdadeiro pesar, e como não obteve nenhuma resposta de Paul além de um bufar raivoso, ele prosseguiu - Sam acaba de convocar uma reunião de emergência e pede que todos nós o encontremos na clareia em 20 minutos – concluiu, e ouvi-o descer as escadas rapidamente sem esperar resposta.
Paul bateu a porta com força e apoiou uma mão contra ela respirando fundo antes de volta-se para a cama e encarar meu olhar aborrecido.
- Você quer tomar banho primeiro? – ofereceu, seus olhos passando pelo relógio na mesinha. Eram 2:20 da madrugada, constatou aborrecido.
Sem me dar ao trabalho de responder, fechei a cara, desci da cama e fui pro banho. Quando estava me secando ele entrou, ligando a ducha e se enfiando debaixo dela. Saí do banheiro e encontrei roupas minhas, que tinham ficado ali numa outra ocasião, dispostas em cima da cama que ele já tinha feito a gentileza de arrumar. Estava terminando de me vestir quando ele surgiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, enquanto passava outra nos cabelos para tirar o excesso de água.
Sem olhar para ele, comecei a recolher minhas coisas e a guardá-las dentro da bolsa, e ele estava abotoando a bermuda quando peguei meu corpete de couro da cadeira, mas antes de enfiá-lo na bolsa, sua mão segurou meu pulso com delicadeza, e ele retirou a peça dos meus dedos, aproximou-a do rosto, fechou os olhos e aspirou profundamente.
- Eu gostaria de ficar com essa como lembrança, se você não se importar – pediu – Talvez eu possa convencê-la a usá-la uma outra vez... – seus olhos ansiosos esperavam minha resposta.
- Pode ficar – eu disse, me esquecendo por um momento do por que não estávamos deitados desfrutando um do outro. A lembrança da convocação voltou e meu semblante anuviou.
- Escute Leah, eu sei que você odiou tanto quanto eu ser chamada há essa hora – ele aproximou-se, fechando seus braços em torno de mim – mas Sam não nos convocaria se não fosse realmente importante.
- Eu sei disso, mas o que mais me incomoda mesmo é saber que sempre será assim – minha voz tremia pelo ressentimento – Nós nunca ficaremos livres, e isso me mata – finalizei.
- É nossa responsabilidade, seria mais fácil se você aceitasse isso – seus olhos focaram os meus, e vi minha angustia refletida neles.
- Eu não quero que isso fique fácil – falei, abraçando-o pela cintura – Quero que acabe – meu suspiro saiu sufocado em seu peito.
- Tudo bem – ele acariciou meus cabelos, antes de me afastar um pouco para poder me olhar nos olhos – Mas enquanto isso não acontece, o que você acha de irmos encontrar os outros e sabermos o que Diabos está se passando? – sugeriu, com um sorriso confiante.
- Se não tem outro jeito, vamos lá! – a careta que fiz o fez rir antes de me beijar.
- A propósito, me lembre de agradecer devidamente a surpresa que você me fez hoje – pediu, descendo as escadas ao meu lado.
- Achei que você já tivesse feito isso – disse, apertando sua mão na minha, lembrando dos nossos momentos na cama lá em cima.
- Você merece muito mais – sua mão devolveu o aperto.
Quando chegamos à clareira os outros já nos aguardavam. As conversas paralelas cessaram e Sam olhou em volta; quando o silêncio se instalou de todo, ele foi para o centro da roda.
- Desculpem por fazê-los vir aqui há essa hora – começou, e olhou com pesar diretamente para onde eu e Paul estávamos parados – Mas o assunto é urgente e requer a atenção e colaboração de todos vocês – ele parou olhando atentamente mais uma vez em volta antes de prosseguir – Fomos convocados para uma luta. Um bando de vampiros está vindo para Forks, eles são muitos e posso assegurá-los de que eles não são nem de longe parecidos com os Cullens, o propósito deles é matar, e nós teremos que impedi-los! Para tanto, iremos, pela primeira vez na história dos Lobos Quileutes, unir forças com nossos “vizinhos” sanguessugas para impedií-los.
- Nós vamos fazer o quê? – minha voz alterada pela ira retumbou pela clareira.
Capítulo 31. - O Princípio do Fim
Meu corpo tremia incontrolável, e só a mão de Paul, segurando firmemente minha cintura, me impedia de pular no meio da clareira e me transformar para atacar o primeiro que cruzasse meu caminho.
- Eu ouvi direito? Você acabou de dizer que vamos nos unir aos Cullen numa luta? – Meus olhos perfuravam os de Sam, a ira deixando minha visão embaçada - Explique-se – ladrei.
Pelo canto do olho, vi Collin, Brady e Seth se encolherem ante minha fúria. Os demais tiveram a sabedoria de manterem-se afastados, suas respirações trabalhando com dificuldade.
- Um exército de vampiros recém criados está vindo para Forks a fim de atacá-los, temos que impedi-los – a voz tensa de Jacob Black me alcançou. Virei para encará-lo surpresa e raivosa.
- Você é o Alfa agora? Parabéns pela promoção! – sarcasmo pingando das minhas palavras – Deixe-me adivinhar, Bella é a causa desse conflito? – a pergunta retórica o fez tremer e arreganhar ameaçadoramente seus dentes para mim. Senti as mãos restritivas de Paul, que ainda me seguravam tremerem, e um rugido crescer e sair por sua garganta.
- Por favor, acalmem-se e ouçam – Sam interveio – Existe sim a possibilidade desse exército, a que Jackie se referiu, vir atacar os Cullen bem aqui, e isso já basta para nos manter alertas - sua voz estava controlada – Fomos convidados para nos reunir aos Cullen essa noite para sabermos exatamente com o que estaremos lidando – concluiu sério.
- Minha pergunta continua sem resposta. Por que Diabos iremos impedir que o tal exército acabe com os nossos vizinhos sanguessugas? Eles não são responsabilidade nossa – lembrei-os ainda alterada – Você deveria ser o primeiro a ficar feliz com essa noticia Jackie, quem sabe assim, talvez, você tenha uma chance hein? – não resisti cutucá-lo ainda mais.
- Ou você a faz calar, ou eu o farei – Jackie cuspiu as palavras entre os dentes, encarando Paul.
- Você pode tentar – Paul rebateu no mesmo tom. Resmungos e bufos se ouviam ao nosso redor, alguns irados outros excitados.
- Agora chega – o característico tom Alfa de Sam nos atingiu como correntes, privando-nos dos sentidos e nos mantendo submissos – A questão aqui é, estamos indo tirar essa história a limpo agora mesmo, todos nós juntos, se for confirmado o ataque, iremos sim nos juntar aos Cullen na luta, e não é por eles que faremos isso, e sim pela população de Forks – ele disse virando-se para mim nesse instante – por que se não os ajudarmos a destruir esses invasores, nada os impedirá de seguir até a cidade, e é justamente aí que reside todo nosso problema, fui claro?– sua explicação surtiu o efeito desejado, os ânimos amainaram-se, apesar de eu ainda sentir a raiva borbulhar sobre minha superfície.
- Como água – disse procurando relaxar nos braços de Paul, suas mãos alisaram meus braços num gesto carinhoso, fitei seus olhos escuros em busca de calma, eu não tinha como lutar contra isso, se Sam ordenasse, mesmo contra minha vontade, eu lutaria, então no momento o melhor a fazer era respirar e aceitar.
- Agora antes de irmos, quero lembrá-los que enquanto estivermos com os Cullen, todos estão proibidos de pensarem em qualquer coisa que se refere aos segredos da matilha, como por exemplo, o numero exato de membros que a compõe ou nossas estratégias de combate, mantenham seus pensamentos sobre controle, resguardem suas memórias, vocês sabem que Edward pode ler nossas mentes, e seria muito ruim se eles tivessem informações sobre nós que pudessem vir a ser usadas em algum momento – seu pedido mais uma vez foi acatado como ordem do Alfa, e nós apenas acenamos em concordância – Agora vamos nos transformar, temos uma longa noite em boa companhia, não deixaremos nossos anfitriões esperando muito mais – concluiu irônico, fui para trás de uma arvore enquanto eles se despiram ali mesmo deixando a transformação ocorrer.
**
Ficamos entre as arvores escuras, observando a distancia o que se passava entre nossos novos “aliados”, na clareira o clã aguardava nossa chegada. O fato de estarmos contra o vento ajudou a manter nosso anonimato, em contra partida, nossas narinas pinicavam com o fedor adocicado que se desprendia deles, entre os braços de Edward, uma Bella com aparência cansada sorria para uma das vampiras, o fato dela se sentir tão à vontade entre eles não deixava de me surpreender, por que, ainda que eles não bebessem sangue humano, ainda assim eles bebiam sangue, pelo amor de Deus!
Minutos depois o vento mudou denunciando nossa presença, eles se juntaram num circulo, espreitando as arvores, esperando que nos aproximássemos, devagar saímos das sombras e deixamos que nos vissem o espanto deles era evidente, eles olhavam e murmuravam entre si, enquanto Sam tomava à dianteira, esticando todo seu corpo negro e majestoso.
“Fiquem calmos e alertas”, nos instruiu antes de avançar mais algumas passadas, o líder deles também avançou calmo e respeitoso, parando a poucos metros de onde Sam estava.
- Bem-vindos! – sua voz cristalina era calma e respeitosa.
- Obrigado! – ouvimos Edward traduzir o cumprimento de Sam aos demais, sua voz soando monótona, imitando perfeitamente o tom que nosso Alfa usava deliberadamente para se dirigir a eles – Vamos observar e escutar, mas nada mais que isso. É o máximo que podemos exigir de nosso autocontrole – Sam impôs essa condição, na certa temendo que uma aproximação maior pudesse acirrar nossos ânimos e então as coisas poderiam fugir do controle.
Seguiram-se as trocas de amabilidades e informações de cada parte, o que por si só já fazia meu estomago revirar, como se não bastasse estar próxima o bastante para agüentar o cheiro deles sem poder atacá-los como era meu desejo. Ficou claro que iríamos lutar com eles.
Sam voltou para junto de nós e todos, um de cada vez, nos acomodamos para assistir a demonstração do vampiro loiro, a quem eles chamavam Jasper. Ele encenou algumas manobras de combate sempre auxiliado por um dos seus, e tive que admitir, a contragosto, que o cara era bom.
“Não tão bom que eu não pudesse derrubá-lo com uma pata nas costas”, o pensamento sarcástico de Jacke nos alcançou arrancando grunhidos de riso de nossa parte.
Em dado momento o vampiro loiro derrubou seu irmão grandalhão, o mesmo que havia se chocado com Paul á um tempo atrás, quando estávamos em perseguição, “O que eu não daria pra ter feito isso!”, ele lamentou do seu posto de observação, não conseguimos deixar de apreciar a tática e a destreza com que Jasper se movia, “Ele seria um ótimo oponente”, Seth refletiu o desejo de todos, “Pena que ele está do nosso lado! Eu não me oporia a testá-lo um pouco!”, Quill arreganhou os dentes num arremedo de sorriso.
O grandão levantou-se de um salto, pronto para prosseguir, mas Edward já se apresentava para substituí-lo, antes que eles retomassem o treino, Jasper pediu que o deixassem fazer uma demonstração com uma das garotas vampiras, e escolheu a menor delas, a com cara de fada e voz de sino, “Ei! Procure alguém do seu tamanho sanguessuga!”, Embry mexia-se nervoso “Você está louco pra candidatar-se, hein irmão!?” Paul provocou-o, mas eu bem sabia que Embry não era o único que ansiava por isso, bastava dar uma olhada ao meu redor, nos olhos vidrados e flamejantes dos lobos, para saber que todos compartilhávamos do mesmo desejo que ele.
Era engraçado como o bando interagia, na forma de lobos éramos uma unidade, compartilhando desejos, ânsias, ânimos, dores, cada um ali tinha sua própria história particular de vida e sua história única como lobo. Embry era um enigma para nós, ouvindo as lendas e histórias dos Quileutes que eram repassadas por gerações, de pais para filhos, diziam que os lobos descendiam de uma linhagem direta dos Primeiros Lobos Quileutes, eu, meu irmão, assim como Jared, Paul, Collin e Brady não éramos descendentes dessa linhagem, mas ao menos éramos Quileutes, mas Embry não era. Ao menos é o que presumíamos já que a mãe dele era da Reserva Makah, e quando ela mudou-se par a nossa reserva já estava grávida dele, então... a única explicação plausível era que seu pai era Quileute, já que o lance de ser lobo se dava através da genética. A pergunta que não queria calar era: Quem era o pai dele? Os prováveis candidatos eram o pai de Sam, ou o pai de Jackie, ou ainda o avó de Quill. Pensar nisso era uma tortura para eles, inclusive para o próprio Embry.
“Você não tem nada melhor pra fazer não!?”, o pensamento chateado de Embry me atingiu como um jato de água fria, “Desculpe por isso, essa inatividade está acabando comigo”, lamentei constrangida, “Leah, tenho que admitir, ninguém chuta melhor o saco de um cara que você!Parabéns!”, não me ofendi com o cinismo de Jared, “Cara, vocês viram aquilo?”, a voz ansiosa de Collin desviou nossa atenção para o treinamento.
Assistimos outras encenações, algumas muito boas outras nem tanto, mas o importante é que já tínhamos aprendido um bocado sobre as estratégias de luta dos vampiros, inclusive as dos Cullen o que era no mínimo interessante, já que numa eventual quebra do Trato poderíamos usar aquilo contra eles.
Ao final do ultimo embate, Jasper virou-se para nós nos convidando para estar ali na noite seguinte, quando eles dariam continuidade ao treinamento, ao que Sam agradeceu e aceitou.
“Seria muito útil e mais fácil para nós se pudéssemos nos familiarizar com o cheiro de cada um de vocês, para evitarmos acidentes durante a luta”, o pedido de Sam, nos pegou de surpresa, instintivamente todos, sem exceções, sustentamos as respirações, num ato reflexo contra nossos inimigos naturais. Um rosnado gutural, de repulsa, retumbou em nossas cabeças e saiu por nossas bocas de dentes arreganhados, mas assim que obtivemos o consentimento deles, que se puseram em fila, não tivemos outro remédio se não seguir nosso Alfa.
Meu pêlo eriçou de puro nojo, eu não acreditava no que estávamos fazendo, nesse momento eu luta bravamente com meus instintos para manter meus caninos guardados. Em dado momento, Seth que seguia logo atrás de Sam, perdeu um minuto a mais cheirando o professor de luta loiro, e Sam deu seqüência, indo para o outro lado, deixando-o só entre os dois vampiros, seu choramingo reverberou entre nós e eu me aproximei dele mais rapidamente “Calma irmão, estamos aqui”, disse-lhe solicita. “Valeu”, foi só o que ele disse, assumindo uma postura mais firme antes de seguir seu caminho entre os sanguessugas. “De todas as coisas difíceis que tive que fazer essa noite, essa foi de longe a pior, ficar cara a cara com eles, cheirá-los sem poder dar uma dentadinha se quer, é muito injusto!”, refleti chateada. “Agora eu que lhe digo: Calma irmã, logo, logo você terá sua batalha”, o pensamento de Paul rebateu em mim, e eu o olhei mais atentamente. Seus olhos escuros eram a prova do tormento que ele atravessava, seus pêlos eriçados e seus músculos tensionados demonstravam claramente sua luta interior em manter o controle, eu apenas lhe ofereci meu melhor sorriso de lobo, o que o fez rir e relaxar um pouco, enquanto nos afastávamos do que denominamos carinhosamente de “O Circulo dos Horrores”.
Alguns ainda faziam o reconhecimento quando percebemos que Jackie desviava-se do grupo e seguia até onde Bella estava, “O que esse idiota pensa que está fazendo?”, pensei raivosa, “Ah Cara, não! Ele está mesmo sorrindo feito um imbecil!?”, o pensamento injuriado de Jared juntou-se ao meu, ficamos estagnados vendo-o inclinar-se em direção a garota, fitando-a nos olhos, quando ela falou seu nome o tolo riu, e ela estendeu a mão para acariciar seus pêlos. “É agora que o namorado vampiro dela o estraçalha, não quero ver isso!”, Seth virou seu rosto por um momento, mas voltou a olhar em seguida sem acreditar que Edward permanecia no mesmo lugar. Assim como nós, os vampiros pareciam estar congelados no tempo, sem acreditarem no que viam, e para espanto geral, Jacob, abusando totalmente da sorte, lambeu a cara de Bella, do queixo até a testa, e como recompensa pelo carinho tomou um tapa no focinho, deixando a todos nós chocados.
“Ei Jackie você é um lobo ou um poodle?”, Paul sacaneou, quebrando nossa letargia, depois daquela clara demonstração de estupidez. Reunimos nossa dignidade e recuamos de volta a escuridão da floresta, já distante dos vampiros, tomamos o rumo de casa.
“Ei! Por que Jackie ficou pra trás? E sozinho?”, Brady parecia preocupado com o destino do nosso amigo. “Ele sabe o que está fazendo. Nenhum vampiro daquele clã se atreveria a quebrar o Trato assim, bem embaixo dos nossos focinhos”, a explicação partiu de Sam. “Tudo bem se ficarmos mais um pouco, só por garantia?”, Embry e Quill pediram, e Sam concordou. “Vocês podem ficar com ele, os demais voltam pra La Pusch comigo, precisamos nos organizar, mantenham-se na forma de lobos, assim vocês serão informados sobre nossa estratégia, sem que eu precise repetir a conversa pra vocês depois”, Sam ordenou a eles, e com um aceno os dois voltaram para a borda da floresta onde os vampiros e Jackie ainda permaneciam conversando.
Assim que chegamos à clareira próxima a reserva, nos dispusemos em um semicírculo, com Sam no centro.
“A situação é a seguinte, o ataque ao clã dos Cullen está confirmado, como vocês puderam perceber, e o numero de vampiros que estão vindo para esse embate é grande, não podemos nos descuidar, eles precisam de nossa ajuda, e nós precisamos proteger a cidade então, sim, sem sombra de dúvida que iremos participar disso” , um bufo exasperado e involuntário escapuliu entre meus dentes e Paul me olhou de lado, de cara fechada. “Fica fria Leah, se for verdade o que o líder dos sanguessugas falou, que os novatos que estão vindo estão matando-se uns aos outros, talvez você nem precise tomar parte nisso, certo Sam?”, ele buscou o apoio do nosso Alfa, que se limitou a me olhar fixamente. “No momento não podemos dispensar ninguém, até por que os mais jovens não estarão participando diretamente da luta, eles ficaram para resguardar os pontos estratégicos, para evitar sermos surpreendidos por algum vampiro desgarrado do bando, por tanto Leah está dentro! Você terá algum problema com isso?”, sua pergunta retórica foi dirigida diretamente a mim, eu me mexi desconfortável e zangada antes de responder. “Não Sam, nenhum problema”, o rosnado rouco do riso de Jared se vez ouvir. “Problemas com Leah? Hmm, deixe-me ver... Por onde devo começar?”, seu sarcasmo me irritou ainda mais. “Acho que ela deveria ficar pra dar suporte aos mais jovens”, ouvi Paul insistir mais uma vez. “Por que você não me deixa responder isso?”, rebati, olhando-o com raiva antes de me voltar para encarar Sam. “Não terei nenhum problema em lutar Sam, desde que não seja obrigada a confraternizar com os Cullen novamente”, Sam assentiu. “Quanto a isso não se preocupe, nos próximos treinos enviaremos apenas um dos nossos, e saberemos tudo o que acontecer por lá, e desde que ele se mantenha transformado, teremos algo tipo tele-conferência instantânea”, ele esclareceu. “Nem preciso dizer quem será o candidato certo?”, Jared brincou e a imagem de Jackie inundou nossas mentes em seguida.
“Então até segunda ordem, Collin, Brady e Seth, ficam para guardar La Pusch, os demais lutarão, por hoje é só pessoal, voltem pra suas casas e procurem descansar, nos reuniremos de novo mais tarde”, e com isso ele saiu disparado em direção a casa que dividia com Emily. Os garotos menores seguiram seu rumo, pajeados de perto por Jared, que se despediu de nós com um aceno. Fui para trás da árvore onde tinha deixado minhas roupas e voltei em seguida, no momento em que Paul terminava de abotoar a bermuda.
- Que papo foi aquele de “Vamos deixar Leah de babá dos mais jovens”? – imitei sua voz, minha irritação era evidente. Ele ignorou deliberadamente minha pergunta, virando-se e seguindo o caminho que nos levaria para casa.
- Estou falando com você – insisti, segurando seu braço para chamar sua atenção.
- Podemos discutir isso em casa? Eu sinceramente não estou com saco pra isso agora – ele disse, desvencilhando-se de minha mão e prosseguindo em seu caminho.
- Qual é o seu problema afinal? – minha voz alterada pela frustração chamou sua atenção e ele me olhou de lado, a testa franzida em sinal de contrariedade.
- Você é o problema, ok? Não quero vê-la envolvida nessa merda de luta! – disse se alterando também, sem parar de andar.
- Ah! Agora eu sou um problema pra você? É isso? – fustiguei-o com cinismo.
- Você entendeu perfeitamente bem o que eu disse, não distorça minhas palavras – ele parou bruscamente, apontando um dedo acusadoramente para mim.
- Você acha que não dou conta, é isso? - inquiri-o debochada com as mãos na cintura.
- Acho que você não conseguirá se controlar, o que acabará por colocar a segurança da alcatéia em xeque – ele disse isso olhando direto em meus olhos, sem piscar uma única vez; minha boca se abriu incrédula, mas não consegui articular palavra.
Ele deu a volta e retomou seu caminho. Levei alguns segundos para me recuperar e então segui andando rápido para alcançá-lo. Já estávamos quase em frente a casa dele quando recuperei minha voz.
- Você está dizendo que não confia em minhas habilidades numa luta e por isso acha que devo ficar para trás? – perguntei ressentida.
- O que estou dizendo é que você tem um temperamento instável, o que a faz correr riscos desnecessários – ele argumentou me dando um olhar sério, parando com a mão no portão.
- E isso quem está dizendo é o "Senhor Racionalidade”, o mesmo que há pouco tempo atrás quase se atracou com o vampirão Cullen só por que ele esbarrou em você? – lembrei-o rancorosa – Você é a última pessoa que poderia me cobrar estabilidade. Isso soa tão hipócrita que nem sei o que dizer a respeito! – meus olhos dardejavam, naquele momento eu só queria feri-lo, e muito.
Sua respiração tornou-se pesada e pude perceber seu esforço para controlar-se, antes de dirigir a palavra a mim novamente.
- Essa discussão não nos levará a nada, acho melhor irmos dormir, amanhã falaremos com Sam a esse respeito e resolveremos tudo – ele disse, recuperando a calma aparentemente, como se estivéssemos discutindo em que lugar almoçar e não quem participaria da luta ou não – Venha, vamos entrar! – ele convidou, mantendo o portão aberto, esperando que eu o seguisse.
- Durma bem, Paul! – me forcei a dizer antes de dar-lhe as costas e sair.
- Leah! Espere! – ele pediu, correndo pra me alcançar – Aonde você vai? – perguntou, como se não fosse óbvio.
- Estou indo pra minha casa – anunciei, e segui andando.
- Por favor, Leah, não podemos resolver isso de outro jeito? Fique comigo – pediu, colocando-se diante de mim e impedindo minha passagem.
- Você está louco se acha que vou dormir com você depois disso! – fuzilei-o – Saia da minha frente agora, meu temperamento instável está a ponto de explodir a qualquer momento, cuidado! – advertiu-o sarcástica, empurrei-o para o lado, ergui meu queixo orgulhosa e retomei meu caminho.
Quando cheguei ao portão olhei para trás e o vi, parado no mesmo lugar onde eu o havia deixado, as mãos enfiadas nos bolsos, o olhar perdido em algum ponto no céu. Ignorei propositalmente a dorzinha que afligiu meu peito ao vê-lo ali e entrei, antes de acabar voltando atrás em minha decisão e fosse ao encontro dele.
O dia já havia amanhecido completamente e eu ainda não tinha conseguido conciliar o sono. Em minha mente fiquei repassando minha conversar com Paul, se é que poderíamos chamar aquilo de conversa; pensei desgostosa.
O fato de tê-lo chamado de hipócrita contribuiu de maneira decisiva para me fazer perder o sono, a última coisa que eu queria era brigar com ele, eu era obrigada a reconhecer que tinha uma mania horrível de ferir as pessoas, e quanto mais importantes elas eram para mim, mais eu fazia isso.
Eu não via nenhuma maneira simples de contornar aquela situação, o fato era que, ele não me queria na luta e eu, por orgulho e despeito, para provar que ele estava errado sobre mim, ia insistir em me manter no jogo, isso era tão a minha cara, bufei exasperada, me virando pela enésima vez na cama.
Às 10 da manhã desisti de dormir e me levantei irritada. O fato de não ter dormido, e o acúmulo do stress da noite passada só contribuiu ainda mais para meu humor tornar-se negro. Por sorte minha mãe já havia saído pro trabalho, o que me poupava de perguntas sobre minha cara fechada.
Eu estava terminando de tomar meu café quando vi a cabeça de Paul apontar na janela da cozinha; baixei meus olhos para a xícara que estava em minhas mãos.
- Bom dia – seu cumprimento, transmitido numa voz cansada, me fez olhá-lo mais atentamente. Reparei em suas olheiras, sinal de que mais alguém havia perdido o sono além de mim – Eu queria conversar com você, posso entrar? – perguntou calmo.
- Fique a vontade – disse, me levantando para colocar a louça na pia, enquanto ele entrava pela porta e dominava todo o espaço com seu corpanzil, voltei para a cadeira onde tinha estado sentada antes – sobre o que você quer conversar Paul? – forcei minha voz sair neutra, para não dar margem a mais brigas.
- Eu sei que passamos dos limites ontem – seu inicio não foi muito promissor, de cara já fechei ainda mais meu semblante – Dissemos coisas que não deveríamos, mas em minha defesa quero dizer que só o fiz por que temo que você se machuque, eu não conseguiria viver com isso, não sei se você consegue entender meu ponto de vista, só sei que fico louco só de imaginar você numa luta contra um numero tão grande de sanguessugas – ele despejou isso de um só fôlego, olhando–me com pesar.
- Você não confia em mim numa luta, é isso mesmo? – bati na mesma tecla da noite anterior.
- Não Leah, não é isso, eu sei que você se daria muito bem numa luta, eu vi como você lidou com aquele vampiro em Seattle – ele disse, apoiando os cotovelos na mesa e enterrando a cabeça nas mãos – O que eu não sei é como eu irei reagir nesse combate em particular; eles serão muitos, não sei se conseguirei me controlar e fazer a parte que me cabe sabendo que você pode se machucar – sua voz saiu abafada e derrotada, ele manteve os olhos fechados durante o tempo em que falava, travando-os em mim logo depois que terminou.
Levei algum tempo pra digerir aquela informação, minha cabeça rodava confusa, parte de mim entendia seu dilema, a outra o refutava como sendo apenas um capricho machista da parte dele.
- Você não precisa temer por mim Paul – afirmei calma – Embora eu entenda seus sentimentos, e os compartilhe com você; por que eu também me preocupo com seu bem estar, mas ao contrário de você, confio plenamente em sua capacidade para cuidar de si mesmo – minha fé nele era imensa, afinal eu conhecia seu potencial como Lobo, eu partilhava dessas informações com a matilha e todos o tinham em alta conta no que dizia respeito a uma boa briga; ele era astuto, forte e veloz, o que o tornava letal quando se dispunha a caçar.
- Você não vai desistir – aquilo era mais uma afirmação que uma pergunta, ainda assim me vi obrigada a responder.
- Não – disse simplesmente, encarando-o decidida. Ele suspirou profundamente, assentiu devagar, e levantou-se, vindo até onde eu estava sentada; inclinou-se e beijou o topo da minha cabeça.
- Nos vemos mais tarde – disse a guisa de despedida, saindo silenciosamente.
Meus olhos ficaram marejados e lutei para impedir que as lágrimas caíssem. Imitei seu suspiro, lutando pra me manter no lugar e não ir atrás dele, abraçá-lo e dizer-lhe que estava tudo bem, que eu aceitava ficar pra trás enquanto eles partiam pra luta; uma luta que nem era deles, só para manter o equilibro no mundo.
Se eu já nutria certo rancor em relação aos Cullen, depois dessa manhã isso se transformou em puro ódio. Levantei decidida, eu ia reverter todo aquele sentimento ruim em força, e quando a batalha fosse travada a descarregaria no maior número possível de vampiros que cruzasse meu caminho.
Capítulo 32. - Quando As Coisas Ruins Podem Ficar Ainda Piores
Se no início eu julgava que seria difícil conviver com Paul, agora eu tinha certeza que era impossível viver sem ele.
Depois de nosso breve encontro pela manhã ele me evitou o resto do dia, e tenho que confessar que não me esforcei muito para mudar a situação, simplesmente por que eu achava que se o procurasse e ele insistisse no assunto de me deixar para trás, as coisas entre nós ficariam piores.
A verdade é que éramos os dois cabeças duras, cada um defendendo seu ponto de vista, e nenhum nem o outro daria o braço a torcer, fim de papo.
Passei em sua casa a caminho da reunião com o bando só para descobrir que ele já havia ido sem esperar por mim, mas para não perder a viagem aproveitei para ver Benjamim.
- Como estão as coisas Leah? – Sara, sempre perspicaz, avaliava-me atentamente.
- Bem – respondi, forçando um sorriso.
- Você e meu irmão brigaram? – ela insistiu, juntando do chão o chocalho que Ben havia arremessado.
- Não – neguei rápida, mas diante de seu olhar incrédulo recapitulei – Nós só não estamos de acordo sobre certo assunto, então... Mas logo resolveremos isso, não se preocupe – tentei tranqüilizá-la, sem muito sucesso.
- Ouça Leah, eu sei que não tenho o direito de me meter nos assuntos de vocês – ela começou, e prosseguiu diante do meu silêncio – Mas preciso dizer uma coisa a você, como amiga e não como irmã do seu namorado, você se importa? – seus olhos carinhosos e preocupados fitaram os meus em expectativa.
- Por favor – pedi.
- Eu conheço Paul melhor do que ninguém, e vi o quanto ele amadureceu nos últimos tempos. Não sei o que aconteceu, talvez o fato de estar com você tenha algo a ver com isso, sei lá! – ela ajeitou-se melhor no sofá para acomodar o filho sonolento nos braços – O fato é que ele cresceu, está mais responsável, centrado e irremediavelmente apaixonado por você, isso é nítido, então, seja lá o que for que esteja acontecendo nesse momento com vocês, saiba que irá passar, por que apesar do seu temperamento difícil, ele a ama verdadeiramente. Por isso lhe digo, seja paciente com ele, pois às vezes o amor nos deixa cegos para as coisas óbvias. Às vezes transformamos algo mínimo em uma coisa gigantesca, mas é sempre com intenção de proteger a quem amamos. Pense nisso! – ela concluiu, fitando-me com intensidade.
Eu suspirei profundamente, absorvendo cada palavra que ela tinha dito e refletindo sobre cada ponto exposto por ela, ponderando tudo.
- Obrigada Sara – sorri-lhe agradecida – Eu pensarei no que você me disse, só quero que você saiba que também tenho um imenso carinho por seu irmão e que ele é muito importante em minha vida, e me esforçarei ao máximo para ser merecedora do amor dele por mim – conclui séria.
Despedi-me dela e segui para a clareira para me reunir aos outros. Quando cheguei varri o lugar com um olhar e encontrei o objeto da minha busca sentado em um tronco, as feições sérias, ouvindo atentamente alguma coisa que Jake falava. Caminhei até eles.
- Oi – cumprimentei-os suave.
- Oi – Paul devolveu meu cumprimento, sem o entusiasmo costumeiro. Eu meio que vacilei, mas lembrei-me de minha conversa com Sara e resolvi dar-lhe espaço para extravasar seu ressentimento.
Jake acenou para mim e saiu discretamente, deixando-nos a sós.
- Passei em sua casa – falei, sentando-me ao seu lado, onde antes Jake havia estado.
- Eu saí mais cedo, precisava resolver umas coisas antes de vir para cá – ele disse tenso, sem olhar para mim – Desculpe – seu tom baixo estava desprovido de calor, o que me deixava nervosa e irritada.
- Tudo bem – comecei a cutucar o tronco com minhas unhas, num gesto inconsciente de irritação – Aproveitei para ver Benjamim e conversar um pouco com Sara - eu me negava a deixar a conversar morrer ali, com o seu patético pedido de desculpas.
- Que bom – sua voz se sobressaindo sobre o ruído monótono das minhas unhas descascando a árvore – Você está bem? – seus olhos fixos no movimento dos meus dedos.
- Tirando o fato do que você passou o dia me ignorando, estou ótima – disse sarcástica.
- Eu não ignorei você – ele começou, mas diante do meu olhar desafiador mudou o rumo da conversa – Certo, talvez eu o tenha feito, mas foi só por que achei que você precisava de tempo e espaço para pensar sobre sua decisão – disse, finalmente voltando seu olhar para o meu.
- Nada mudou – eu disse calma.
- Foi o que imaginei – manteve-se sério – Vamos, Sam acaba de chegar – disse, levantando-se e indo para perto dos outros sem esperar por mim.
Cravei minhas unhas mais fundo no tronco e senti uma farpa perfurando minha pele. Dei boas vindas à dor que me distraiu por alguns momentos, antes de me levantar também para me reunir a eles.
- Bom pessoal, houve uma pequena alteração no plano estratégico inicial – a voz calma de Sam não combinava com seu olhar nervoso.
Pelo canto do olho busquei Paul; ele manteve seu olhar fixo em Sam, e seus braços cruzados sobre o peito tenso e a boca apertada numa linha fina não me permitiam ter nenhuma dica do que estava por vir. Eu implorei em pensamento para que ele realmente não houvesse conseguido demover Sam da idéia de me manter na luta, caso contrário eu não saberia se conseguiria controlar minha revolta.
- Esclareça-nos, “oh sábio Alfa” – Jared brincou – Ou você vai nos deixar criar raízes aqui antes de resolver a nos contar as novidades? – perguntou debochado.
Risinhos vindo dos mais jovens foram ouvidos e imediatamente abafados pelo olhar sério que Sam lhes lançou antes de prosseguir.
- Sabemos agora que um dos alvos principais desse ataque é a garota Swan – eu bufei e recebi um olhar duro de Jake que fiz questão de ignorar – Por isso teremos que mantê-la longe daqui, e como nossos visitantes conhecem o cheiro dela e o dos Cullen, um dos nossos ficará responsável por sua segurança – anunciou, olhando entre nós e medindo nossas reações a noticia.
- E de quem foi essa idéia genial? – Jared e seu cinismo marcaram presença mais uma vez.
- Tenho certeza que esse será o único jeito de mantê-la a salvo – Jacob se pronunciou pela primeira vez naquela noite, indicando com sua colocação que a idéia partira dele. Ele recebeu os olhares aprovadores de uns e irritados de outros; o meu estava incluído nos últimos.
- Quem ficará com ela? – não me surpreendi com o tom esperançoso na voz de Paul. Fechei meus olhos rezando fervorosamente para que não fosse eu.
- Seth, ele ficará com ela, escondido nas montanhas – Sam informou sério. Meus olhos arregalaram-se assustados; isso estava ficando pior do que eu tinha imaginado.
- Seth? – repeti , e procurei por meu irmão no círculo, vendo-o sorrir contente – Mas ele é só um garoto! – constatei nervosa, e recebi um olhar zangado por parte dele – De quem foi a idéia de colocá-lo na montanha com ela? – perguntei, me virando irritada para encarar Sam.
Vi, pelo canto do olho, quando Quill olhou reprovadoramente para Jake, e voltei-me para ele, olhando-o incrédula.
- Foi você? – perguntei revoltada – Por que não vai você bancar a babá daquela insuportável e mimada adoradora de vampiros? – cuspi minhas palavras entre os dentes.
Ele ficou imóvel, sustentando meu olhar irado; o único indício de que ele estava vivo era sua respiração pesada saindo pelas narinas dilatadas.
- Eu quero fazer isso, é melhor do que ficar na Reserva – meu irmão pronunciou-se confiante, ergueu o queixo, orgulhoso, e concluiu – E eu já tenho 15 anos, não sou nenhum moleque.
- Fique fora disso Seth – pedi raivosa – Você não vai fazer isso – afirmei, dando-lhe um olhar ameaçador.
Eu estava pronta para argumentar mais, mas o olhar irritado de Sam prendeu o meu.
- Não é você quem decidi as coisas por aqui Leah, eu ainda sou o Alfa e digo que Seth ficará com Bella – Sam me interrompeu – E antes que você comece seu discurso, lhe darei o direito de escolher – disse autoritário – Ou Seth fica com Bella ou você fica, e ele vai para o campo de batalha, o que você prefere? – sua sugestão foi lançada num tom desafiador. Na verdade, em qualquer escolha que eu fizesse sairia perdendo.
Meu corpo tremia incontrolável, o calor percorria minha coluna incendiando meu cérebro, meus dentes batiam furiosamente, o ar queimava penetrando meus pulmões. A minha volta os outros esperavam minha resposta em expectativa, Paul havia descruzados os braços e vi suas mãos fechadas em punhos trêmulos, eu sabia que ele preferiria me ter na montanha pajeando Bella do que no campo de batalha, mas infelizmente para ele isso não iria acontecer.
Voltei toda minha fúria contra Jake.
- Se algo acontecer a meu irmão naquela maldita montanha, eu mato você – minhas palavras raivosas saindo com dificuldade dado meu estado alterado pela ira – Vou caçar você, sacrificá-lo como um cão sarnento e depois deixarei seu corpo numa fábrica de sabão, entendeu? – ameacei-o colérica.
- Perfeitamente – retorquiu sério.
O ar carregado diminuiu diante do nosso acordo tácito. Seth manteve seu olhar zangado, e eu sabia que o havia magoado quando tentei impedi-lo de participar daquilo, mas não havia nada que eu pudesse fazer em relação a isso; não iria fingir que não estava preocupada só para massagear seu ego juvenil. Já Paul era outra história, e eu teria que lidar com isso outra hora, pensei com desgosto.
- Agora que Leah tomou sua decisão, podemos seguir nossa programação – a voz calma de Sam se fez ouvir novamente – Jake irá ao campo de treino com os Cullen, os demais ficarão de vigília – ele separou os grupos e assim que começamos a dispersar ele me chamou – Leah, quero falar com você – anunciou calmo. Eu parei e voltei-me para ele; seus olhos focaram-se em alguém atrás de mim.
- Em particular – ele disse sério. Olhando sobre o ombro avistei Paul, que nos olhava intrigado – Não é nada pessoal Paul, se ela quiser depois poderá lhe contar – disse tranqüilizador. Paul olhou-me uma última vez antes de me dar as costas e juntar-se ao grupo.
Fiquei esperando, e depois que todos haviam partido, Sam volto sua atenção para mim.
- O que está acontecendo aqui Leah? – seus olhos sondavam os meus, insistentes.
- Ouça Sam, eu me preocupo com meu irmão ok? Odeio vê-lo envolvido em toda essa merda de lobos e vampiros – desabafei nervosa – Ele é só um garoto ainda, não importa o que ele diga, e minha mãe morreria se algo acontecesse a ele.
- Eu sei muito bem disso, eu também me preocupo com ele, assim como me preocupo com todos os outros – disse sério – Mas acho que ele não correrá grandes riscos estando de guarda na montanha. Eu não arriscaria a vida dele desnecessariamente se suspeitasse de algum perigo iminente – esclareceu.
- Eu confio em você – eu disse, lutando para me acalmar.
- Ótimo, por que tê-la contestando todas as minhas decisões está se tornando um problema para mim, e não quero ter que lembrá-la a todo momento que sou o Alfa. Eu respeito suas opiniões e seus sentimentos e espero no mínimo que você retribua isso – eu apenas assenti cansada, e seus olhos fixaram-se nos meus mais intensamente – Agora me conte, o que está acontecendo entre você e Paul? – suas palavras me pegaram de surpresa.
- Não está acontecendo nada – tentei desviar-me daquele assunto, mas não tive muito sucesso.
- Vamos Leah, eu conheço você e conheço Paul, sei que está acontecendo alguma coisa, senão por que ele viria me procurar logo cedo, para tentar me convencer a deixá-la fora da luta? - essa informação não me surpreendeu; pelo menos não tanto quanto o fato de está-la discutindo com Sam.
- Paul acha que meu temperamento difícil criará problemas durante o confronto – admiti derrotada – Tivemos uma pequena discussão sobre esse assunto ontem à noite, mas eu achei que tivéssemos superado isso em nossa conversa hoje pela manhã. Pelo jeito deduzi errado, não é mesmo? – falei triste.
- Ele só está preocupado com você, assim como você está preocupada com Seth, do mesmo jeito que eu estou preocupado com todos vocês – explicou com sensatez, e eu desviei meus olhos fitando as arvores – Mas para ser sincero, você sempre será a maior das minhas preocupações Leah, não posso evitar isso, e sei exatamente o que Paul está sentindo. Pensar em você numa luta vai contra nossa natureza protetora, e isso por que assim como tenho guardado na lembrança o amor que nos uniu um tempo atrás, o amor que ele sente por você hoje está falando mais alto – mantive meu olhar distante do dele; a simples menção do fato de que já fomos mais do que simples amigos mexeu comigo, e ouvi-lo proclamar o amor de Paul por mim era ainda mais dolorido. As lágrimas ardiam, querendo escorrer, mas eu lutei contra elas.
- Eu entendo – murmurei, sufocada pela angustia.
- Espero que você não se zangue com ele, sua intenção foi a mesma que você teve ao defender Seth ainda a pouco – ele tocou meu braço sutilmente e eu o olhei surpresa – Quero que saiba que estou aqui pra você, como seu amigo, pelos velhos tempos, e lhe direi o mesmo que disse a Paul quando ele me procurou: que se você resolver não lutar eu não exigirei isso de você, mas a decisão é sua. De acordo? – seus dedos fortes pressionaram minha pele, cobrando uma resposta.
- De acordo – afirmei olhando no fundo de seus olhos escuros, e desejei que o tempo voltasse atrás; que ele continuasse a ser o meu Sam, que esse pesadelo de ser lobisomem acabasse, que pudéssemos concretizar nossos planos de ir embora e ter nossa própria família feliz, mas um uivo a distância me fez voltar a realidade, e pisquei para afastar as lágrimas. Antes que pudesse me dar conta do que fazia, o abracei e chorei.
- Fique calma Lee-lee, nós cuidaremos de você – sua voz doce só trouxe uma nova torrente de lágrimas, que deixei que caíssem sobre seu peito – Acho melhor você voltar pra casa agora, descanse um pouco... – enquanto ele falava, eu só mexia minha cabeça em negativa; ainda tinha dificuldades para falar.
Depois de alguns minutos, recuperei a calma e afastei-me dele, limpando os olhos da melhor maneira possível, e respirando profundamente.
- Desculpe por isso Sam, eu só... – comecei a falar, mas um novo soluço escapou do peito, e tive que respirar fundo novamente antes de prosseguir – Só estou nervosa com essa situação, prometo me controlar! Não me tire da patrulha, não hoje – supliquei. Seus olhos perscrutaram meu rosto, avaliando minhas palavras, e então ele assentiu em seguida.
- Tudo bem, você fica comigo – sentenciou, saindo em seguida para transformar-se. Eu logo segui seu exemplo e então nos juntamos a fim seguirmos para nosso posto de vigília.
Tão logo nos colocamos a caminho, nossas mentes conectadas aos outros captaram as mensagens do treinamento que Jacob assistia, assim como também pude captar os pensamentos tortuosos de Paul, que não se conformava de jeito nenhum com minha decisão, e os apelos de Seth para que eu não voltasse a interferir em sua missão de guarda-costas de Bella Swan. A simples menção dela fez meus pêlos ouriçarem-se de repulsa, e o pensamento seguinte a explodir em minha mente atormentada foi “Você prometeu”. Olhei pesarosa para Sam, que corria ao meu lado. “Sinto muito! Juro que estou tentando!”, falei a guisa de desculpa, antes de acelerar meus passos e me precipitar montanha acima, indo vasculhar a fronteira Norte.
A noite parecia estender-se infinitamente, e pensamentos mil percorriam minha cabeça sem trégua a todo o momento: lembrava a minha conversa com Sam, e a promessa que fiz a ele, lembrei-me também da ameaça que fiz a Jacob, a qual estava mais que disposta a cumprir caso acontecesse algo a Seth, assim como recordei a distância que se interpunha entre Paul e eu. Pensei em mil e uma maneiras de diminuí-la, mesmo sabendo que não dependeria só de mim; ele também precisava querer o que no momento não parecia fazer parte dos seus planos, dado o número de vezes que o senti repudiar qualquer pensamento meu. Suspirei inconsolável.
Antes de o dia amanhecer completamente fomos chamados para voltar para casa, e ainda na clareira esperei pelo retorno de Paul.
- Ele foi direto para casa – meu irmão avisou-me assim que se aproximou de onde eu estava. Olhei-o ressentida antes de me levantar do tronco onde mais cedo eu tinha estado sentada ao lado de Paul; meus ombros curvaram-se derrotados, meus olhos queimaram com novas lágrimas que ameaçavam cair.
- Nós vimos sua lembrança da conversa com Sam – minha memória ativada me fez recordar o momento em que eu chorava nos braços do meu ex-namorado; devia ser disso que Seth estava falando. Ele estava diante de mim agora – Sinto muito – murmurou triste.
Eu assenti fracamente e depois lhe dei as costas, pegando o rumo de casa. Ele me seguiu de perto, mas não tentou se aproximar ou falar comigo, e quando passamos perto da casa de Paul eu parei vacilante, busquei algum sinal de movimentação no quarto em cima da garagem, mas não havia nada. Continuei meu caminho, cheguei em casa, tomei banho e me enfiei na cama, sozinha, mais uma vez derrotada por minha estupidez.
***
Acordei poucas horas depois, no meio da manhã, e sem conseguir conciliar o sono outra vez, chutei as cobertas, me vesti e saí de casa decidida a confrontar Paul. Fosse para o bem ou para o mal teríamos ao menos que conversar; eu me recusava a aceitar que as coisas estivessem tão mal assim. Eu não havia feito nada de mais, além de me manter firme em minha decisão de lutar, ele teria que superar isso.
Chegando a sua casa, fui direto para seu quarto eentrei sem bater, com medo que ele me mandasse embora assim que soubesse ser eu batendo a sua porta. Ele ainda dormia um sono agitado, remexendo-se na cama vez ou outra. Fiquei parada, em silêncio absoluto no meio do quarto, olhando-o virar-se de um lado pro outro, possivelmente preso em algum pesadelo. Arrisquei uma aproximação, seu cheiro único despertando em mim um desejo quase irresistível de tomá-lo em meus braços, de beijar sua boca, de sentir suas mãos sobre minha pele.
Limitei-me a sentar na beira da cama e afagar seus cabelos. Ele relaxou imediatamente.
- Paul – chamei suavemente. Ele virou seu rosto em direção a minha voz, os olhos ainda fechados fortemente – Vamos, acorde – pedi, ansiando arrancá-lo daquele tormento.
Lentamente ele despertou, focando seus olhos nos meus, sua mão tocando a minha, que ainda mexia em seus cabelos.
- Leah? – murmurou confuso.
- Sou eu – confirmei doce – Acho que você estava tendo um pesadelo – afirmei.
Ele soltou minha mão e sentou-se na cama, esfregando os olhos, só agora se dando conta de que não estava mais dormindo. Quando voltou a me olhar, sua testa estava franzida no que julguei fosse desgosto e reprovação.
- O que você está fazendo aqui? – inquiriu, e sua voz rouca pelo sono soou repreensiva.
- Vim para conversarmos – eu disse, fitando-o séria, esperando sua reação. Ele bufou, jogou as cobertas para o lado e levantou-se da cama. Caminhou nu até o banheiro, e bateu a porta depois de entrar.
Bom, pelo menos ele não me mandou embora, refleti angustiada; agora era esperar pra ver qual o próximo passo. Ouvi a ducha ser ligada e desligada dez minutos depois; ouvi-o secar-se e vestir-se, e escutei inclusive seus movimentos, escovando os dentes e secando os cabelos, antes de finalmente voltar para o quarto.
Seu semblante não me revelava nada além de frustração por me encontrar ainda sentada em sua cama. Ele parou no meio do quarto e ficou me olhando como se eu fosse uma intrusa, e mesmo percebendo o quanto minha presença lhe parecia insultante, naquele instante em que eu o olhava mais atentamente, descobri o que me tinha feito ir até ele, eu não queria perdê-lo, eu o amava! “Oh Meu Deus! Eu o amo!”, reconheci chocada.
Respirei fundo encarando-o de volta.
- Sente-se aqui – pedi, batendo com a mão no espaço ao meu lado.
- Estou bem de pé – disse, erguendo o queixo orgulhoso – O que você quer?
- Quero conversar com você – afirmei sem desviar meus olhos dos seus - Por que você não me esperou para virmos juntos pra casa? – eu tentava manter minha voz tranqüila, o que era penoso, dado meu estado de nervosismo só comparado ao dele, que caminhava de um lado ao outro do quarto, como se estivesse numa jaula.
- Achei que Sam a traria pra casa – disse, me lançando um olhar rancoroso.
- Por favor, Paul. - antes que eu pudesse dizer alguma outra coisa, ele parou diante de mim, seus olhos escurecidos pela raiva fizeram as palavras morrerem em minha garganta.
- Você deve achar que sou idiota não é mesmo? – sua voz alterada pela raiva soou alta no pequeno espaço do quarto – Você realmente achou que eu ficaria lá, esperando por você, depois de você ter repassado vezes sem fim as imagens de vocês dois abraçados no meio da clareira? – suas palavras gritadas feriam meus ouvidos.
- Você entendeu tudo errado – eu tentei mais uma vez, ele bufou e afastou-se de mim exasperado – Ele só estava tentando me acalmar, por que eu estava desesperada com a idéia de Seth ir para aquela montanha com Bella – eu ainda lutava para me manter calma, e não sabia por quanto tempo eu ainda poderia suportar as acusações não ditas, mas refletidas em seus olhos.
- Aposto que sim, e nada mais lógico do que seu ex-namorado para consolar você, não é? Afinal ele te conhece tão bem, e pro inferno tudo o que ele te fez passar; isso não conta pra nada, por que você me pareceu mais do que á vontade nos braços dele! – toda sua amargura e dor veio à tona, e como se fosse difícil ficar sem quebrar alguma coisa, ele extravasou sua ira esmurrando a porta do banheiro.
Eu pulei assustada, me pondo de pé no instante seguinte; aquele era um Paul desconhecido para mim, e eu já havia presenciado suas explosões de ira em relação aos vampiros, mas comigo nunca tinha chegado a esse ponto. Meu instinto dizia para me manter afastada, mas eu me recusava a acreditar que ele pudesse me fazer algum mal, por isso me aproximei dele, cautelosamente, procurando seus olhos, que permaneciam cravados na parede a sua frente.
- Você está enganado – minha voz tremeu devido às lágrimas que eu tentava engolir – Não aconteceu e nem nunca voltará a acontecer nada entre eu e Sam – seus olhos me fitaram entre irônicos e desconfiados, eu me forcei a prossegui – Mas se você prefere acreditar no contrário, eu não posso fazer nada – disse, e me afastei indo para a porta, derrotada.
- Sabe qual o seu problema Leah? – sua voz ainda irritada ganhou um toque de ironia, o que me fez parar com a mão na maçaneta, mas sem me voltar para olhá-lo – Você não quer esquecê-lo, é cômodo para você manter seu coração fechado para qualquer outro e deixar Sam ocupando esse espaço, assim você não precisa se esforçar para amar novamente. Você não precisa lutar pra manter outra pessoa ao seu lado, por que ele está lá; e na pior das hipóteses você terá apenas que deitar com outro cara para satisfazer suas necessidades, já que ele está praticamente casado com sua prima, e além do que, Sam nem consegue mais olhar pra você como uma mulher – suas palavras eram como chicotas; elas queimaram em meu coração como se ele estivesse em brasas, e eu vacilei alguns segundos antes de conseguir abrir a porta. Já do lado de fora eu me voltei para ele.
Eu o vi recuar diante do meu olhar magoado, e me obriguei a falar ainda assim.
- Eu nunca menti pra você a respeito dos meus sentimentos, e se no princípio foi meu desejo que me prendeu a você, com certeza não foi só ele que me manteve do seu lado durante todo esse tempo. Você está tão longe da verdade agora, que nem se quisesse poderia alcançá-la – as lágrimas impediam minhas palavras de saírem mais firmes – Eu me apaixonei por você, simples assim, mas sinto muito se o magoei - dei-lhe as costas e comecei a descer as escadas, mal vendo os degraus, cega que estava pelas lágrimas que desciam soltas por meu rosto.
- Leah! – seu chamado me fez exitar no último degrau, mas eu preferia morrer a voltar para aquele quarto e continuar a ser insultada por ele, logo ele, e logo agora que eu conseguia perceber que eu o amava.
Eu corri feito louca, como se o Diabo estivesse atrás de mim. Me tranquei no meu quarto e dei vazão às lágrimas; chorei e solucei até ficar completamente esgotada, e então me entreguei à escuridão que habitava meu peito. Sem forças para mais nada, fechei meus olhos, e meu último pensamento foi para ele, e para o meu coração, que acabava se partir em mil pedaços.
Capítulo 33. - A Luta
A noite que antecedeu a batalha me alcançou ainda deitada na cama. Com as luzes apagadas eu respirava com dificuldade, e meus olhos ardiam devido às muitas lágrimas derramadas; meu corpo todo doía por me manter muito tempo na mesma posição. Apenas me deixei ficar ali, sem nem saber por quanto tempo.
A minha mente era um turbilhão caótico; imagens insistentes de todos os momentos que vivi com Sam e Paul ficavam passando e repassando por ela sem descanso. A dor era insistente, mas eu podia afirmar, sem a menor sombra de dúvida, que o que mais machucava era o fato de saber que Paul estava certo, em relação a tudo.
Minha cabeça latejou quando virei-a para ver as horas no rádio relógio que estava sobre a cômoda; marcava 01:35 AM. Estava quase na hora, eu tinha que ir me encontrar com a matilha no local combinado, onde, por certo, o clã dos Cullen nos aguardava para nos passar as últimas instruções.
Uma batida suave na porta chamou minha atenção. Eu gelei, com o coração aos pulos,e rezei para que não fosse ele.
- Leah? Posso entrar? – aliviada, ouvi a voz receosa de Seth atravessar a porta.
- O que você quer? – minha voz soou grossa, devido ao choro.
- Saber como você está – ele insistiu.
- Estou bem, Seth – menti – Você não está atrasado para encontrar com sua protegida? – eu só queria que ele me deixasse em paz.
- Já estou indo, e você também deveria vir, o bando já está indo reunir-se com os Cullen na clareira! – disse ansioso.
- Eu já vou – falei mal humorada. Ouvi-o vacilar, e antes que ele se afastasse muito gritei para ele – Seth? Tome cuidado! E boa sorte! – desejei.
- Obrigado! Cuide-se você também – revidou carinhoso.
Eu sorri cinicamente. “Me cuidar? Pra quê?”, pensei com desgosto. Tudo o que eu havia feito até então era me cuidar. Entre muitas coisas, me cuidei para não deixar que o abandono de Sam não me machucasse tanto, me cuidei para não me apaixonar por Paul, me cuidei para não enlouquecer com o fato de ser uma mutante. E todo esse esforço resultou no mais absoluto fracasso. Eu estava farta de ser cuidadosa. Eu precisava de novos planos.
Joguei as pernas pra fora da cama e fiquei de pé, mas uma vertigem sobreveio, fazendo eu me apoiar na cabeceira da cama. Fazia horas que eu não comia ou bebia nada. Juntei forças para ir até a janela, abri-a e deixei o ar da noite fria penetrar em meus pulmões. Farejei, e o cheiro da neve estava no ar; o vento gelado açoitou meu rosto, cobrando-me animo.
Resoluta, fui até a penteadeira e mirei meu reflexo; aquela não era eu, não mais. Passei os dedos por meu rosto macilento e molhado, deixei-os correr por meus cabelos emaranhados, posando-os então em minha garganta, que ardia. Estava tudo errado. Quando foi que me tornei aquela figura frágil e ridícula? Desde quando autocomiseração passou a fazer parte da minha personalidade? “Você é patética Leah!”, pensei com desprezo. Odiei o que vi. Eu precisava retomar o controle da minha vida. Não permitira que nunca mais alguém viesse a me machucar, nem eu mesma. Minha dor seria meu guia, meu consolo, meu pilar.
Por impulso, abri a gaveta e tirei de lá uma tesoura, ataquei meus cabelos com fúria, cortando grandes mechas que caiam pelo chão, sem que eu desse a menor importância. A imagem que me olhava de volta no espelho estava diferente, as bochechas estavam rubras, os olhos muito mais escuros, e os cabelos picotados muito acima dos ombros confirmavam a atitude de revoltada que vinha acompanhada pelo sorriso de desdém que se desenhava nos lábios.
Dei as costas ao meu reflexo e marchei para o banheiro. Tomei um banho, me vesti e fui pra cozinha. Retive meus passos quando vi que ela não estava vazia.
- Oh meu Deus! Leah? O que aconteceu? – minha mãe me encarou aturdida.
Assim que ela chegou do trabalho, Seth a colocou a par da minha situação com Paul. Ela deve ter imaginado o que aconteceu entre nós, por que, logo em seguida, veio bater a porta do meu quarto; eu a dispensei dizendo que estava bem, embora soubesse que não a tinha enganado nem por segundo com aquele discurso, mas, como sempre, ela respeitou minha dor e manteve-se afastada o resto do dia. Portanto, aquele era o nosso primeiro encontro depois disso.
- Resolvi mudar – dei de ombros indo até a geladeira, peguei o leite e me servi de um copo.
- Eu percebi. Minha pergunta é por quê? – perguntou calma, mas a preocupação em seu tom não me passou despercebida.
- Porque cansei da antiga Leah. Ela não existe mais! – falei com raiva.
- Você quer conversar sobre isso? Sabe que pode contar comigo... – ela me fitava atenta, buscando descobrir uma brecha para penetrar minha couraça.
- Obrigada mãe. Sei que posso contar sempre com a Senhora, mas estou bem! – disse encarando-a – Só preciso que confie em mim, está bem? Agora preciso ir, tenho uma luta para ganhar – tentei parecer descontraída, mas sei que não consegui enganá-la; de novo.
Larguei o copo na pia e quando me virei, ela estava parada logo à minha frente.s Sm esperar, me abraçou, beijando meu rosto e passando as mãos por meus cabelos recém cortados.
- Vá com Deus minha menina. Cuide-se e volte para mim - pediu esperançosa.
- Vou me cuidar, e voltarei. Até mais mãe – beijei-a rapidamente antes que minhas reservas de força ruíssem e eu voltasse a chorar como um bebê. Saí apressada de casa, e assim que entrei na floresta me despi, permitindo que a transformação ocorresse. Deixei que minha dor me guiasse e então corri desabalada, deixando que o vento brincasse com meu pêlo. A tempestade de neve nas montanhas parecia violenta, e a madrugada prometia ser longa.
Encontrei-os reunidos na clareira em volta de Sam. Assim que perceberam minha aproximação viraram-se para me olhar. Suas mentes era quadros em branco, parecia que naquele momento haviam se esquecido de como se faz para pensar. E então eu o vi, todo cinza e imponente, com olhos escuros e doloridos fixos em mim; meu coração acelerou, mas ignorei-o e segui até ficar cara a cara com nosso líder.
“Desculpe pelo atraso”, transmiti, focando toda a minha atenção nele. Ele analisou-me atentamente antes de falar, “Sem problemas”, rebateu, e olhando a sua volta indagou, “Todos prontos?”, então cada um dos outros lobos respondeu afirmativamente; a única voz ainda ausente em minha mente era a de Paul. Ainda forçando minha atenção para qualquer outro membro do grupo menos ele, me afastei, dando passagem para Sam que, tomando a dianteira, convocou-nos. “Vamos irmãos, mantenham seus focos, e aproveitem esse tempo para repassarem as estratégias de luta. Nossos aliados nos aguardam, não vamos deixar que pensem que os lobos Quileutes se acovardaram!”, ironizou e avançou floresta adentro, seguido de perto por nós.
Logo tomei a dianteira; o fato de ser a mais veloz entre eles me dava a vantagem de não ter que tê-los muito perto, mas isso não evitava, de modo algum, que seus pensamentos me alcançassem. A cacofonia de vozes e imagens com que eles me bombardeavam era intensa e estressante. Todos, com exceção de Paul e Sam, ficaram cogitando do por que do meu atrasado, e principalmente qual a causa da onda de ira que me envolvia.
“O que será que aconteceu com ela?”, a pergunta de Embry não foi dirigida a ninguém em especial, mas ainda assim Quill se achou esperto o bastante para responder. “Deve ter sido chutada de novo”, gracejou. Dei a volta no mesmo instante, e avançando diretamente para onde ele estava, peguei-o desprevenido e joguei meu corpo sobre ele, fazendo-o chocar-se com uma árvore. Prensei meu focinho no dele, fitando seus olhos surpresos com os meus anuviados de raiva e rosnei ferozmente, “Se você tem alguma esperança de lutar com um vampiro hoje, faça um favor a você mesmo, e mantenha sua boca fechada”. Minha advertência, carregada da mais pura frieza, atingiu-o como uma bofetada. “Outra piadinha dessas e você volta direto para casa, fui claro Quill?”, pelo canto do olho percebi a figura de Sam, que nos olhava impassível. “OK! Desculpe Leah”, eu apenas rugi em resposta, abandonando minha posição de ataque e retomando minha corrida. No caminho, cruzei com Paul, que me abordou. “O que foi aquilo?”, sem olhar em sua direção rosnei, “Cuide da sua vida!”, e me forcei a correr mais rápido.
Cheguei antes dos outros ao ponto de encontro, e o sol já estava pronto para dar as caras. Esperei que Sam se aproximasse para, junto com ele, nos achegarmos aos Cullen, que já estavam ali. Depois dos cumprimentos formais, o líder do clã passou novas informações a Sam, avisando que o exército inimigo era esperado para dali a uma hora no máximo, segundo a última previsão da vampira vidente deles.
- Vocês têm noticias da montanha? Eles estão bem? – ele perguntou a Sam.
E só então me lembrei que meu irmãozinho estava em algum lugar, não tão longe dali. Procurei por ele através da minha mente e o descobri em posição de vigília, embaixo de uma árvore, fustigado pelo vento. A sua volta tudo era branco, e por seus olhos avistamos a pequena barraca de onde, naquele instante, Jacob saía cabisbaixo.
Sam assentiu, e percebendo seu gesto, Carlisle pareceu relaxar. Ele acenou para Sam e voltou para junto dos seus.
“Falta pouco agora, vamos tomar nossas posições, e lembrem-se, nada de heroísmos! Eles são muitos e não precisamos provar nada para ninguém... Apenas façam seu trabalho, entenderam?”, o aviso e o olhar de Sam abrangeu toda matilha. Assentimos em concordância, mas era difícil controlar a ansiedade. Todos nós, sem exceção, queríamos que os inimigos chegassem logo.
Estava ficando difícil para eu manter distância dos pensamentos de Paul, eu podia sentir sua agonia, seu desespero, seu sofrimento, e a merda de termos as mentes interligadas era justamente poder sentir o que ele sentia; sentimentos estes que naquele momento não me ajudava em nada.
De repente uma onda de raiva perpassou por mim, e quando olhei em volta me dei conta de que era Seth que estava nervoso e irritado. Soubemos por ele que Jake estava bravo com Bella e Edward, mas não sabíamos qual a causa. Logo depois sentimos Jake transformar-se e seus pensamentos eram um emaranhado de raiva e dor que nos atingiu, deixando-nos inquietos. Tomando a frente, Sam pediu-nos calma, e vimos que Edward foi atrás dele, apenas para pouco depois a conexão com Jake ser cortada, o que nos deixou ainda mais perdidos. Ficamos aliviados quando o vimos através dos olhos de Seth, retornando sozinho ao acampamento, mas para não ser indiscreto, Seth afastou-se, desviando seus olhos e seus pensamentos de Jake e Bella, que pareciam entretidos em uma conversa difícil, o que muito nos felicitou, pois ninguém ali precisava ver aqueles dois tendo uma D.R as vésperas de uma grande luta.
Vimos quando os Cullen, alheios aos últimos acontecimentos, tomaram suas posições, e os imitamos, buscando nossos esconderijos, de onde pretendíamos pegar os inimigos de surpresa. Alguns minutos depois sentimentos a presença de Jake novamente, e para nosso assombro ele estava feliz. Descobrimos o porquê assim que a imagem dele e Bella se beijando nos atingiu em cheio. Murmúrios de desgosto foram ouvidos entre nós, e em seguida Jake uniu-se ao bando, parecendo bem diferente do cara que momentos atrás parecia capaz de matar meia dúzia de sanguessugas apenas com o olhar.
Sem dizer uma palavra, ele tomou seu lugar entre Quill e Embry, e eu estava com Jared, Sam e Paul, mais a frente. Não demorou muito para que nossos narizes começassem a pinicar com o fedor dos sugadores inimigos que se aproximavam.
Agitados com a possibilidade da luta iminente nos posicionamos, prontos a atacar assim que o comando de Sam chegasse até nós. A adrenalina corria solta em minhas veias, e naquele momento esqueci todos os meus dramas pessoais, voltando minha mente apenas para a luta. Meu objetivo era eliminar o maior numero possível de vampiros, afinal, eles eram os únicos culpados por eu me encontrar naquela situação. Eu já podia sentir o prazer de dilacerar alguns deles, e não me opunha a usar algum requinte de crueldade para isso.
De onde estávamos, ocultos entre as arvores, podíamos vê-los se aproximando, e arreganhei os dentes numa espécie de sorriso sardônico. Eles nem imaginavam o que os esperava ali! Quando apontaram na entrada da clareira, sedentos de sangue no rastro do cheiro de Bella, os Cullen avançaram sobre eles, e os mais distraídos caíram como moscas, enquanto os outros seguiam caminho, tentando fugir do ataque. Foi então que o comando do nosso Alfa soou como música em nossos ouvidos. “Não deixem escapar nenhum”, bradou.
Lançamos-nos sobre os sugadores desavisados, que, aturdidos, sem ao menos saber de onde vínhamos, tentavam fugir de toda maneira.
Jared e eu cercamos um grandão careca, e seus odiosos olhos vermelhos reconheceram o perigo assim que nos viu. Sem dar-lhe chance de se recuperar do susto, avancei sobre ele, agarrando-o pelo braço esquerdo e puxando-o com violência; ele tombou sobre os joelhos e Jared aproveitou-se de sua queda, mordendo-o direto no pescoço. Ele ainda se debatia em fúria quando meus dentes cravaram-se em seu ombro, e com um movimento rápido arranquei seu braço, cuspindo longe, enquanto Jared arrancava sua cabeça. Largamos seu corpo inerte e partimos para o próximo. O caos instaurou-se entre o exército inimigo, uma vez que eles nunca haviam sido avisados da nossa existência.
Desferi minhas patadas e mordidas sem nenhum pesar, e a cada corpo do inimigo que tombava perante minha ira, aumentava ainda mais a minha sede de vingança. Fria e calculadamente, Jared e eu não vacilamos em nenhum momento; parecíamos um casal de bailarinos, agindo numa sincronia perfeita, sem perder o foco jamais.
Sem aviso prévio, fomos atingidos pelas imagens de outra luta, que se desenrolava numa montanha, não muito longe de onde estávamos. Surpreendida, vi uma vampira envolta numa nuvem de cabelos ruivos instigando outro vampiro a atacar, e em minha mente vi o corpo de meu irmão ser arremessado contra uma muralha de rochas e cair aos pés de Bella, que, apavorada, o olhava sem saber o que fazer. “Seth!”, gritei desnorteada.
Cegada pela imagem do corpo machucado do meu irmão, meu ódio explodiu, e rugi desolada pela dor dele, mas fui despertada da minha dor pelo rugido de uma garota pronta para me atacar. Sem pensar, pulei, derrubando seu corpo duro como pedra, e imobilizei seus braços com minhas patas dianteiras, escancarando minha boca frente ao seu rosto. seu olhar assustado não serviu para me deter, e desci meus dentes sobre seu pescoço, mordendo-a com força, fazendo morrer em sua garganta um grito de terror.
Restavam poucos sanguessugas do esquadrão inimigo de pé, e os Cullen, juntamente com nosso bando, tinham dado cabo de quase todos. Em meio ao frenesi da luta, distingui a imagem de Paul, que acaba de estraçalhar outro oponente. Aliviada, assisti Seth se recuperar e partir para o ataque também, e animada voltei para junto de Jared, e juntos cercamos dois garotos que, sem ter para onde fugirem, acabaram partindo para o corpo a corpo, e não preciso dizer que levamos a melhor nessa também.
Regozijamo-nos quando vimos que na montanha os dois vampiros tinham sido liquidados, e olhei a minha volta, percebendo que ali também o assunto tinha sido resolvido a contento. O líder dos Cullen chamou os seus e começou a reunir os corpos destroçados num monte, incinerando-os em seguida.
Ainda sobre grande tensão, nossa matilha passou a fazer uma varredura do local, procurando por sanguessugas que pudessem ter conseguido escapar a nossa fúria. Seguindo um rastro doce não muito longe de onde eu estava, localizei um deles atrás de uma moita, e circulei para pegá-lo desprevenido, mas fiquei paralisada quando um lobo cinzento entrou no meu campo de visão.
Paul estava de costas para o vampiro, e notei quando este se preparou para dar o bote. Antes que pudesse pensar, me lancei para frente, rosnando raivosamente. O vampiro girou tão rápido quando percebeu minha aproximação que, por um segundo, pude vislumbrar o desejo de sangue que se apoderou de seus olhos, e ele abriu os braços feliz, pronto para receber meu corpo.
Eu caí alguns metros adiante, abatida por outro corpo que não era o dele, e quando levantei a cabeça atordoada, o uivo de dor de outro lobo retumbou por toda a clareia, mas antes que o vampiro pudesse cravar seus dentes em meu salvador, uma grande sombra negra se abateu sobre ele, separando sua cabeça do corpo com uma única dentada feroz. Sam pulou para trás, ainda com a cabeça do monstro presa entre os dentes.
O corpo do vampiro tombou para frente, levando junto o corpo de Jacob, que se retorcia em agonia. “Jake!”, seu nome foi gritado por mim e por outros companheiros nossos, que corriam para junto de nós, assim como Carlisle, que correu para prestar socorro.
- Sam, você tem que levá-lo daqui! – exigiu, e seu semblante traia a preocupação que ele tentava esconder em sua voz – Alice acaba de prever que os Volturi, um clã muito poderoso de guerreiros que comanda nosso mundo, estão vindo para cá. Eles não podem tomar ciência da existência dos lobisomens, você precisa tirar todos daqui. Agora! – avisou, enquanto continuava a examinar o corpo de Jake – Assim que me liberar por aqui quero sua permissão para ir até La Pusch para cuidar de Jacob – ele encarou os olhos negros de nosso líder. Sam dirigiu-se para trás de uma árvore, surgindo segundos depois.
- Hoje vocês tem minha permissão para atravessar a fronteira que nos separa – ele anunciou, encarando o vampiro seriamente – Agora me diga como ele está – ordenou.
- Ele sofreu várias fraturas, todas concentradas do lado direito do corpo – diagnosticou – Procurem não fazer movimentos bruscos enquanto levam-no daqui, temo que alguma costela fraturada perfure seus pulmões. Tão logo cheguem a reserva tentem fazê-lo voltar a forma humana, pois isso é imperativo para que eu possa vir a tratá-lo, entendeu? – alertou.
- Certo Doutor, estamos indo – e voltando-se para nós, ordenou – Leah, vá à frente e prepare o terreno para nossa chegada, não quero pegar Billy de surpresa com uma notícia dessas! Os demais, venham comigo, iremos nos revezar para carregá-lo o mais comodamente possível.
Sem esperar, e ainda fortemente abalada com o que havia acontecido, disparei de volta a Reserva.
Por sorte minha mãe estava em casa, então contei por alto sobre o acidente, e ela se propôs a ir comigo até a casa dos Black. Encontramos com Seth no caminho, e eu corri até ele.
- Como você está? – perguntei, examinando-o mais detalhadamente.
- O que você fez? O que aconteceu com Jake? – inquiriu preocupado, ignorando minha pergunta.
- Ele se feriu, estão trazendo-o para casa agora – esclareci.
Estávamos quase lá quando vimos o carro do Chefe Swan parar diante da casa. Ele desceu do carro, e deu a volta para tirar a cadeira de rodas de Billy do porta mala; este, só de olhar para minha mãe, logo entendeu que algo havia dado errado.
- Ele está bem, estão trazendo ele pra casa – minha mãe sussurrou em seu ouvido, quando se abaixou para cumprimentá-lo com um abraço.
Vi os olhos do Sr. Black alargarem-se de medo e angustia, mas quando o Chefe Swan aproximou-se para ajudá-lo a ir para a cadeira, seu semblante já estava recomposto. Entramos com eles, e minha mãe encabeçou uma conversa sobre pesca, captando logo a atenção do Chefe, mas Billy, por outro lado, não conseguia desviar seus olhos da porta. Os minutos pareciam séculos, minhas mãos tremiam visivelmente, e eu estava tão aflita que poderia gritar durante uma semana inteira e ainda assim acho que não daria vazão a toda a culpa e dor que norteava meu cérebro entorpecido.
Eu tinha fugido para a cozinha com a desculpa de que iria tomar água quando os ouvi se aproximar da casa, pelos fundos. Minutos depois um uivo carregado de dor se fez ouvir muito perto, e um frio se instalou em minha espinha, me fazendo paralisar. Depois fui tomada do mais absurdo alivio quando ouvi os palavrões e gritos de agonia na voz clara de Jake.
Corri de volta a sala, a tempo de vê-lo sendo carregado para dentro por Sam, que se esforçava ao máximo para mantê-lo firme entre os braços. O Chefe Swan assistiu aturdido à cena, e a casa estava sendo invadida por um bando de garotos truculentos e falando todos aos mesmo tempo. Minha mãe tomou a frente, guiando Sam até um quarto, e Billy os seguia de perto, visivelmente abalado por ver seu filho naquele estado. Eu também os segui.
Sam deitou-o sobre a cama delicadamente, murmurando palavras de encorajamento para o amigo ferido, mas o rosto pálido de Jake era uma mascara de dor. Em meio a toda a confusão que se formou, ouvimos quando o Dr. Carlisle chegou acompanhado de Edward, que tão logo foi admitido dentro do quarto pediu para que nos retirássemos, ficando sozinho lá com o filho e o paciente.
Com medo de morrer sufocada dentro da sala minúscula e apinhada de gente, fui para a varanda. Senti meus joelhos tremerem, e antes que eu desabasse sentei nos degraus, enterrando meu rosto entre as mãos. Mesmo com os olhos fechados, a cena do corpo de Jake sendo esmagado pelo abraço assassino do sanguessuga maldito continuava a repassar diante deles. Eu não consiguia parar de pensar no quanto a desgraça, sem dúvida, era minha companheira mais fiel.
Meu braço foi agarrado com força e me corpo foi suspenso no ar antes de ser arrastada para longe da casa dos Black. Aturdida, cambaleei quando Paul parou abruptamente, mantendo meu braço preso entre seus dedos.
- QUE MERDA FOI AQUELA NA CLAREIRA? – me encolhi ante seu ataque de fúria – O QUE VOCÊ ACHOU QUE PODERIA PROVAR AGINDO DAQUELE JEITO? – gritou raivoso, sacudindo meu corpo.
Eu não conseguia achar minha voz, e eu queria gritar com ele também; dizer que não tinha sido culpa minha, que eu só estava tentando proteger sua retaguarda, que não tinha visto Jake chegar. Eu queria gritar que estava feliz por ser Jake naquela cama e não ele, mas as palavras se negavam a sair.
As lágrimas queimaram querendo saltar dos meus olhos, então ele soltou meu braço e afastou-se, tentando se controlar. Só então ele pareceu me ver realmente, e seus olhos que até então me fitavam irados, agora me encararam confusos, mas depois voltando a escurecer, tomados novamente pela raiva quando ele apontou o dedo para mim.
- O que Diabos você fez com seu cabelo? – clamou possesso.
Aquelas últimas palavras foram o estopim que fizeram minha voz retornar. Recompus meu rosto e respirei fundo, sentindo a raiva voltar ao meu corpo com força, não procurando contê-la.
- Vá pro inferno! Eu não lhe devo satisfações Paul, você não é o Alfa entendeu? Se Sam tiver algum questionamento sobre meu comportamento na batalha ele pode vir me perguntar diretamente – não me passou despercebido o tremor em suas mãos quando mencionei o nome de Sam. Insisti – Até lá fique longe de mim, ouviu bem? Não quero ver ou falar com você, a não ser que Sam o use como seu garoto de recados, fora isso fique longe do meu caminho – as últimas palavras foram gritadas enquanto lhe dava as costas.
Ele agarrou meu braço novamente, me fazendo girar sobre meu eixo, e nos encaramos.
- Nós ainda não terminamos – disse entre dentes.
- Terminamos sim! A coisa toda acabou no outro dia, quando você deixou bem claro o que pensava a meu respeito – lembrei-o ressentida – Nós terminamos quando você disse que não confiava em mim, então acho que estou certa ao afirmar que entre nós não há mais nada a ser dito. – rebati, puxando com força meu braço e livrando-me de suas mãos.
- Você disse que tinha se apaixonado por mim – seus olhos brilhavam perigosos.
Ter meu amor por ele relembrado nesse momento me fez sentir ainda pior, e negá-lo agora seria como matar a mim mesma. Ainda assim eu o fiz, assumindo uma postura de falso descaso, e fitei-o longamente.
- Esqueça isso Paul. Eu já esqueci! – menti, fingindo desdém.
Tive o infortúnio de ver a dor inundar aqueles olhos, retesar seus músculos e selar seus lábios.
Ele levou algum tempo digerindo a informação, depois assentiu e sem mais uma palavra deu-me as costas e voltou para a casa dos Black. Assim que o vi passar pela porta, virei no sentido oposto o me pus a correr. Entrei em minha casa como um furacão, fui direto para o quarto e me joguei na cama. Meu corpo convulsionado pelo choro debatia-se sobre o colchão.
Nas últimas horas eu havia chorado mais do que em toda a minha vida, e cansada, derrotada, culpada, enojada, me odiando além do limite, então deixei que toda minha dor viesse á tona.
“Acabou”, esse pensamento me feriu mais que tudo.
Eu não sabia dizer por quanto tempo havia permanecido naquele estado de letargia e confusão, mas a única certeza que eu tinha era que do jeito que as coisas estavam não podiam continuar.
Naquele momento tomei uma decisão que mudaria tudo, ou pelo menos eu pensava assim, mas antes de pô-la em prática eu precisa falar com uma pessoa. Decidida, levantei, tomei um banho, me vesti e saí, e a noite fria me recebeu de braços abertos. Era chegada à hora.
Capítulo 34. - Partindo
A movimentação na casa dos Black tinha parado, e do meu esconderijo atrás de uma árvore pude ver quando o último visitante se despediu de Billy na porta. Certa de que não encontraria mais ninguém ali além dos donos da casa, me aproximei e bati na porta.
Ouvi Billy empurrar sua cadeira e no momento seguinte a porta se abriu, e seus olhos cansados me encararam surpresos.
- Boa noite Sr. Black. Será que eu poderia ver Jacob por um minuto? – falei rápido antes que a coragem me abandonasse.
- Claro que sim Leah. Entre – convidou afastando-se para me dar passagem.
Ele apontou o quarto de Jake com um aceno, e dirigiu-se para a sala. Eu parei por um segundo, indecisa do que fazer, pois se eu batesse à porta e me anunciasse corria o risco de ele me dispensar. Ainda incerta optei por abrir a porta levemente;se ele estivesse dormindo eu iria embora, caso contrario ficaria.
Espiei para dentro e encontrei Jacob deitado de costas, com o peito coberto de faixas e uma cara de desgosto total. Gemi internamente; aquilo não ia ser fácil.
-Oi – cumprimentei, abrindo um pouco mais da porta e deixando que ele me visse. Um lampejo de surpresa passou por seus olhos escuros quando ele me encarou, para em seguida converter-se em rancor.
- Veio conferir o estrago? – perguntou raivoso.
- Na verdade vim para me desculpar – dei um passo para dentro e fechei a porta atrás de mim, me recostando nela – Como você está? – inquiri calma.
- Destroçado? Dolorido? Ferido? Arruinado? Pode escolher! – eu percebi na maneira como ele tinha carregado cada uma de suas palavras com sarcasmo, que ele tinha todas as suas defesas erguidas nesse momento. Algo lá no fundo me dizia que ele não estava se referindo só ao seu corpo ferido.
- Ajudaria se eu dissesse que sinto muito? Por que eu realmente sinto.
É minha culpa você ter se machucado assim – falei sincera.
- Bom, vindo de você, a senhorita “eu não me curvo a ninguém”, isso até que tem algum valor sim. Obrigado! – brincou cinicamente, mas eu ainda podia sentir que ele não estava nada feliz de me ter ali.
Ainda pouco confiante me afastei da porta e caminhei lentamente até uma cadeira que tinha sido colocada ao lado da sua cama, sentei e fitei-o com pesar. Ele ainda me olhava com desconfiança.
- Você sabe que irá se recuperar rápido. Quero dizer, você é um lobo certo? Talvez o melhor de todos, depois de Sam é claro – falei para descontrair, e ele revirou os olhos para mim como se menosprezasse minhas palavras; eu sorri – Certo, então me diga o que posso fazer para que você se sinta melhor? E não vale dizer “morra” por que isso meu amigo, já aconteceu, acredite. – tentei segurar meu sorriso, mas ele apagou-se com o peso da minha tristeza. Desviei meus olhos, encarando a janela para evitar seus olhar.
Senti Jake olhando-me atentamente, procurando em meu rosto algum sinal para entender o que estava acontecendo.
- O que você está fazendo aqui Leah? E não me venha com esse papinho de “eu estava preocupada com você” por que essa não cola, tá legal!? Quero a verdade, e quero agora – exigiu sério.
Baixei meus olhos para minhas mãos pousadas em meu colo, encarei meus dedos como se pudesse enxergar ali uma resposta para as minhas dúvidas.
- Como você consegue? – murmurei baixinho, ainda sem levantar meus olhos – Como faz para suportar a dor? – inquiri.
Um silêncio pesado instalou-se ao nosso redor. Ergui um pouco a vista e me deparei com seus olhos postos em mim, como se estivesse me vendo pela primeira vez. Levou algum tempo antes que ele suspirasse e desviasse seus olhos, para em fim me responder.
- Sou burro demais para saber quando desistir – falou desanimado – Ou talvez eu apenas seja o filho da mãe mais masoquista da face da Terra, quem sabe? – ironizou. Eu senti a dor permeando suas palavras. Ele era forte.
- Eu não agüento mais isso Jake. Estou cansada – confessei tristemente.
- Ele ama você. Sabe disso não é? – seu tom baixo traia sua preocupação.
- Mas quanto tempo pode durar? Até que ele se volte louco pelos ciúmes que tem de Sam? Ou quem sabe até que ele tenha seu imprinting com uma desconhecida que esteja passando por aqui de férias? – questionei irritada.
- Você se preocupa demais com isso Leah. Pode ser que nem aconteça com ele! Se você ainda não notou, restam alguns de nós livres desse mal – falou com desdém.
- Sim, mas até quando? Sério Jake, eu não quero me apaixonar de novo por um cara que tem seus dias comigo contados entende? Eu não suportaria passar por isso outra vez – disse arrasada.
- Você o ama? – eu encarei seus olhos e apenas assenti – Então o que pensa em fazer a respeito? – inquiriu consternado. Eu respirei fundo antes de voltar a falar.
- Eu vou embora – falei firme.
- Ele sabe disso? – seus olhos astutos não deixaram os meus.
- Não. Nós não estamos exatamente nos falando no momento – expliquei.
- Você vai deixá-lo e nem ao menos lhe dará a chance de argumentar? Isso é bem a sua cara mesmo! Ser cruel é sua natureza, definitivamente – me recriminou.
- Não se trata de crueldade. Será melhor assim para nós dois. Paul estará muito melhor sem mim – eu não sabia muito bem a quem eu estava querendo convencer; se a mim ou a ele – Talvez assim ele tenha a oportunidade de encontrar alguém melhor e menos complicada que possa amá-lo como ele realmente merece – a mágoa começava a me sufocar.
- Tente repetir isso para você mesma pra ver se acredita – sua ironia veio à tona com força total – Você sabe melhor que ninguém que Paul é tão teimoso quanto você e eu juntos – ele riu amargurado, depois se virou para mim, e um rasgo de dor perpassou seu rosto – Ela vai se casar – disse desconsolado. Surpreendida, olhei-o com pesar.
- Eu sinto muito Jacob – murmurei.
- Eu sinto mais, acredite – disse triste – Mas nem mesmo isso serviu para me fazer desistir dela. Ouça Leah, você pode ir embora, mas isso não servirá para acabar com o que vocês sentem um pelo outro, só servirá para magoá-los sem necessidade, entende? – argumentou.
- Não é só por Paul ou pelo que sinto por ele que estou indo embora... Eu não quero mais essa vida para mim Jake! Odeio ser Lobisomem, odeio tudo o que isso fez com minha vida, tudo o que aconteceu de ruim comigo está inteiramente ligado a essa condição. Perdi meu primeiro amor, meu pai, e a chance de reconstruir meu coração de novo; perdi até mesmo minha feminilidade, nem filhos eu poderei ter se continuar assim – despejei minhas frustrações em cima dele sem nem pensar – Eu me perdi Jake, não sei mais quem o que sou. Odeio me sentir impotente, detesto pensar que minha vida se resume a comer, dormir e me transformar em lobo todas as noites para caçar vampiros. Isso é loucura demais, não posso mais viver assim – desabafei nervosa.
Eu percebi que ele entendia o que eu queria dizer; eu tinha feito a coisa certa ao vir procurá-lo. Uma vez Paul havia me dito que eu e Jacob éramos mais parecidos do que eu imaginava, e ele estava certo, como sempre.
- Sei como você se sente Leah. E agora entendo seu ponto de vista, acho que você tem razão, e não serei eu a tentar fazê-la mudar de idéia! Não depois de tudo que você me disse... – ele pegou minha mão na sua e apertou-a entre seus dedos – Mas ainda acho que você deveria falar com Paul antes de ir e dar-lhe a chance de saber como você se sente – disse sério.
- Não Jake, eu o amo e não poderia fazer isso com ele. Eu não quero mais viver aqui, e não poderia exigir que ele escolhesse entre sua família e sua vida aqui, a estar comigo em outro lugar. Será melhor assim, ele é jovem e sempre terá tempo de se recuperar, então é melhor que seja agora do que mais tarde, quando as coisas poderiam se tornar muito mais sérias! – soltei meus dedos dos dele e me levantei – Espero que você se recupere logo, lobo. E obrigada por me ouvir! – sorri em despedida.
- Cuide-se Leah – ele disse, me fitando preocupado. Eu fui para a porta, mas antes de sair me voltei para ele uma última vez.
- Isso vai passar algum dia? – questionei-o esperançosa.
- Não, você terá que aprender a conviver com a dor – explicou triste. Eu assenti derrotada e acenei, fechando a porta depois de sair.
No caminho de volta à minha casa, repassei em minha mente minha conversa com Jacob. Ele tinha razão em muitos pontos, eu sabia, mas não podia me dar ao luxo de parar para refletir sobre minha decisão. Eu tinha que ir, não podia insistir em viver aquela vida, pois em algum momento as coisas sairiam completamente dos eixos e eu acabaria me tornando pior do que já era. Meu maldito dom para ferir aos que amava era o que tinha maior peso em minha escolha.
Em casa fui para meu quarto e arrumei minhas coisas antes que pudesse mudar de idéia. Sentei em minha penteadeira e escrevi uma carta para Sam, explicando-lhe minha decisão e o porquê de eu estar abandonando o bando; roguei para que ele aceitasse a situação e implorei para que não permitisse que ninguém fosse atrás de mim.
Deixei uma também para Seth, pedindo que cuidasse de nossa mãe em minha ausência, declarando meu amor incondicional a ele, e pedindo que ele entendesse e procurasse me apoiar; prometi-lhe que sempre estaria em contato e que em caso de necessidade eu voltaria imediatamente.
A última e mais difícil foi a que escrevi a Paul; tive medo de morrer asfixiada pela dor que irrompeu em meu peito, tornando quase impossível o simples ato de respirar. Cobrando-me animo, fixei meus pensamentos em todo amor que sentia por ele.
“Paul,
Sinto muito que você tenha que saber desse jeito sobre minha partida, mas quero acreditar que será melhor assim. Você me conhece, talvez melhor que eu mesma, e sabe que teria me acovardado se tivesse que lhe dizer essas coisas pessoalmente.
Você foi a única coisa boa que me aconteceu depois que me transformei. Sem você eu teria sucumbido há muito tempo. Sem seu carinho, seu apoio e sua força, eu já teria me voltado louca. Agradeço-lhe por isso.
Para alguns o ato de amar é algo simples, mas para mim não. Amar você foi muito, muito difícil. Não por que você não merecesse, pelo contrário, eu é que não me sinto merecedora de ter alguém como você. Amá-lo como eu o amo, é o que me mantêm viva.
Foi você que tornou possível que meu coração continuasse a bater; com você descobri coisas novas, como o fato de apreciar o riso de alguém, de poder desfrutar de um simples gesto de carinho, de saborear o aconchego de dormir abraçada depois de fazer amor e a alegria de poder acordar nos braços de quem se quer. Também lhe sou grata por isso.
Porém, acima de tudo, agradeço o fato de você ter me recuperado. Eu estive doente por muito tempo, presa em minha dor pelo rompimento inesperado com Sam; deixei que minha mágoa atingisse a outras pessoas, afastando-as de mim, mas você não; você ficou ao meu lado, juntou meus cacos e me fez inteira. Me fez perceber que amar não tinha que ser dolorido.
Eu acredito quando você diz que me ama, assim como eu amo você, e é por isso que estou partindo. Sei que você talvez não entenda meu gesto, e talvez eu continue sendo só egoísta, mas a verdade é que não posso mais viver assim, não posso seguir uma vida na qual minhas escolhas e sonhos são descartados pelo fato de ser uma mutante.
Não posso viver com a espada do Imprinting rondando minha cabeça o tempo todo, e imagine como seria difícil para mim se tivesse que perder você mais a frente. Eu achei que tivesse amado Sam, mas agora percebo que foi só uma paixão muito grande, a qual me apeguei por pura infantilidade. Amor mesmo sinto por você.
É por isso que tenho que ir; preciso deixá-lo para que você possa viver plenamente sua vida sem que eu atrapalhe, e eu sei que destruiria você ter que me deixar caso viesse a sofrer o imprinting, pois sua natureza amorosa e fiel travariam uma batalha em seu intimo de tal proporção que o afetaria de maneira irreversível, e eu não posso permitir que isso aconteça.
Desejo que você seja feliz Paul; desejo que você encontre logo sua escolhida e que vocês vivam felizes; desejo que ela possa lhe dar filhos e um amor tão grande que até mesmo a mera lembrança de meu nome nem passe por sua mente.
Uma vez você me disse que o fato de eu não permitir que você dissesse que me amava não poderia impedi-lo de sentir, e como sempre você tinha razão; o fato de eu não ter dito que te amava não me impediu de amá-lo mais e mais a cada dia, e temo que será assim para sempre, mas rezo para que tudo se ajeite, e principalmente para que você me esqueça e possa me perdoar algum dia.
Eu sei o quanto você se preocupa comigo, por isso prometo que irei me cuidar; não farei nada estúpido ou irracional, mas em troca peço que você faça o mesmo; peço que você não me procure e que viva plenamente, tente esquecer e dedique-se a ser feliz.
Eu não mudarei de idéia quanto a minha escolha, e sei que você respeitará isso, então só me resta dizer adeus e boa sorte.
Com amor,
Leah.”
O papel estava manchado pelas lágrimas, mas eu não tinha tempo de reescrever tudo, por isso só o dobrei com cuidado e o beijei antes de colocá-lo no envelope.
Juntei minhas bolsas e as cartas e fui procurar minha mãe, encontrando-a em seu quarto, recostada nos travesseiros e com um livro nas mãos. Assim que me viu largou o livro de qualquer jeito sobre a cama e sentou-se.
- O que está acontecendo minha filha? – ela desviou os olhos da mochila pendura no meu ombro e os voltou para mim, cheios de dúvida e temor.
- Estou indo embora mamãe – me aproximei da cama e sentei ao seu lado.
- Embora? Mas por quê? – seus olhos aflitos encheram-se de lágrimas e dor quando viu as cartas entre meus dedos.
- Não posso mais viver assim. Está me matando – minha voz embargada a assustou – Preciso que a senhora confie em mim mãe, eu ficarei bem, só preciso me afastar daqui por um tempo – disse, tentando tranqüilizá-la.
- Mas sua vida toda está aqui meu bem; sua família, seus amigos... Paul – seu olhar benevolente perpassou meu rosto.
- Eu sei de tudo isso, e acredite quando digo que estou morrendo de medo por deixá-los, mas não escolhi isso pra mim. Me recuso a ser um lobisomem permanentemente, não quero isso, a senhora consegue entender? – inquiri inconsolável.
- Sim meu amor, eu entendo. Me dói ver você se perdendo a cada dia, mas achei que estar ligada a Paul tinha amenizado seu pesar – ela acariciou meu cabelo delicadamente.
- Paul é a única coisa boa disso tudo. Mas não posso mantê-lo preso a mim por medo, seria egoísta e errado fazê-lo me amar tanto sabendo que isso teria um fim. Lembra o que aconteceu quando Sam me deixou? – seus olhos ficaram marejados – Sinto que dessa vez seria muito pior, e eu não sei se sobreviveria se Paul me largasse do mesmo modo que Sam o fez – expus meu maior temor e em troca ela me puxou para seus braços. Nossas lágrimas misturadas eram um alento.
- Não posso impedi-la de partir, mas preciso que você prometa que irá manter contato, que não me deixará sem saber como você está, e que tão logo você se estabeleça em algum lugar irá me avisar para que eu possa ir visitá-la quando a saudade se tornar insuportável – exigiu séria.
- Eu prometo mamãe, e obrigada por ser tão boa comigo, por me apoiar e principalmente por me amar tanto! – solucei entre as lágrimas.
- Eu confio em você minha filha. Te amo imensamente e tudo que mais desejo é vê-la feliz, e se para isso tenho que deixá-la partir, então que assim seja – sentenciou – Mas ouça o que lhe digo, nem o tempo nem a distância irão tirar de você o que sente por ele; pode ser que ajude a controlar, mas se for verdadeiro, ele permanecerá aqui – disse tocando meu coração com a ponta dos dedos trêmulos – Assim como pra ele também, portanto, mantenha sua mente aberta, e não permita que sua dor e medo sejam maiores que seu amor. Sempre é tempo de voltar a trás, lembre-se disso! – seus olhos buscaram os meus e eu, nunca, em toda minha vida, senti um amor maior por minha mãe como naquele momento.
- Lembrarei! Prometo. – murmurei.
Ficamos ali abraçadas por incontáveis minutos, até que me afastei e entreguei-lhe as cartas.
- A senhora poderia fazer o favor de entregá-las por mim? – pedi.
- O farei – disse, colocando-as sobre o livro para depois pegar minhas mãos nas suas – Agora me diga ao menos para onde pretende ir! Sabe que meu coração de mãe estará oprimido aqui sem saber ao certo o que se passa com você – seu pedido era justo, pena que eu ainda não tinha certeza do que faria a seguir.
- Pretendo ir para o sul, mas ligarei todos os dias, darei noticias e assim que encontrar um lugar definitivo avisarei, prometo – disse confiante.
- Você tem dinheiro? Como vai se virar até lá? – eu sabia que ela estava lutando contra a vontade de me impedir de ir.
- Eu tenho algum dinheiro sim mãe, não se preocupe com isso. Agora preciso ir! – disse, limpando meu rosto e beijando o dela com amor, enquanto nos envolvíamos num abraço apertado.
Eu sentiria tanta a falta dela que nem poderia se quer começar a pensar. Um medo atroz envolveu meu coração, e por um instante me senti vacilar.
Juntando minhas últimas reservas de força, abandonei seus braços e me ergui da cama; juntando a mochila que tinha deixado no chão, sorri-lhe em despedida.
- Até mais mamãe. Diga a Seth que sentirei saudades e que o amo. Amo você! – meu peito oprimido não me permitia dizer muito mais.
- Amo você minha filha! Deus ilumine seu caminho e seu coração, e saiba que sempre estarei aqui por você – disse, cobrindo a boca com a mão em seguida, para sufocar um soluço.
Eu deixei que minhas lágrimas escorressem livres antes de beijá-la uma última vez.
Antes de perder a coragem, saí do quarto e corri pro meu carro. Joguei minhas coisas no banco traseiro e dei a partida. Inconscientemente dirigi até a casa de Paul, parei por uns minutos e fiquei observando a janela do quarto sobre a garagem. A luz estavas acesa e havia movimento; eu podia vislumbrar a silueta dele andando de um lado pro outro, como uma fera enjaulada. Meu coração oprimiu-se dolorosamente, e murmurei uma prece para que ele me perdoasse. Sem esperar mais, arranquei.
Não sei por quanto tempo dirigi seguindo rumo ao sul, a única coisa da qual estava ciente eram as lágrimas e a dor.
Só agora eu entendia plenamente o que Henri Bordeaux quis dizer com "O amor sem sacrifício é uma ilusão, e o sacrifício sem amor é uma impossibilidade”. Se não fosse por todo o amor que sentia por Paul eu jamais estaria indo embora, jamais teria forças para tentar me encontrar, não me preocuparia com meu amanhã; sem meu amor por ele, eu ainda estaria enterrada em meu processo obsessivo de minha relação com Sam Uley, e ainda seria a menina mimada que descarregava em todos sua fúria e seu amargor. Ele era o meu melhor, e ainda assim eu tinha que fazer o sacrifício de deixá-lo.
Horas depois parei o carro no acostamento, cansada; então respirei fundo e fiz minha prece mais fervorosa: “Permita Senhor que ele me perdoe, quando eu mesma não posso fazê-lo. Permita que ele seja feliz, ainda que minha felicidade sem ele não exista. Proteja-o de todo mal e principalmente proteja-o de mim”.
Mais recomposta, liguei o rádio, e a música que tocava ecoou meus sentimentos; sorri tristemente e retomei meu caminho rumo ao desconhecido para longe de minha antiga vida em La Push, longe de minha família, e de tudo o que me era querido até então, mas, principalmente, para longe do único coração que havia me aceitado tal como sou. E isso era sem dúvida a coisa mais difícil que tive que fazer.
Capítulo 35. - Voltando!
O vento que entrava livremente pela janela aberta do carro brincava com meus cabelos, fazendo-os dançar em volta do meu rosto. A música alta que soava pelos alto falantes do carro servia de distração para minha mente.
Volte e meia meus olhos recaiam sobre a carta, cuja borda era visível por uma fresta da bolsa entreaberta, largada displicentemente no banco ao lado. Diminui a marcha e enfiei a mão na bolsa, pegando-a para reler mais uma vez.
“ Leah,
Passou-se muito tempo desde que nos vimos pela última vez. Em sua carta de despedida você afirmou que me amava e que desejava me ver feliz, se isso é mesmo verdade, me sinto no direito de pedir-lhe algo em nome desse sentimento.
Gostaria que você viesse para a celebração do meu casamento...”
Fiquei impossibilitada de continuar a ler por conta das lágrimas que inundavam meus olhos. As lembranças da época em que vivi em La Push viram-se livres para desfilar por minha mente. Havia se passado tanto tempo desde que fui embora... Cinco longos, duros e difíceis anos me separavam de tudo aquilo.
Nenhum dia se quer consegui me afastar realmente; todos os dias eu ligava para minha mãe, conforme lhe havia prometido, e o simples fato de ouvir sua voz doce era o suficiente para ressuscitar as lembranças que eu lutava fervorosamente para manter longe. Após me estabelecer em Houston, no Texas, ela veio me visitar algumas vezes, o que era um grande conforto para meu coração partido e solitário. Tínhamos um acordo tácito: nunca falávamos de La Push, ela tão somente me falava do seu trabalho e de Seth. Os dias que antecediam sua chegada eram uma verdadeira tortura para mim, pois ela era o único elo que me mantinha ligada àquele lugar, fora meu irmão. Com ele os contatos restringiam-se as ligações e aos cartões de aniversário e festas de fim de ano.
Ele provou ser tão fiel a mim quanto a minha mãe. A primeira vez que falei com ele, logo após minha saída, ele mostrou-se bravo, confuso e profundamente magoado por deixá-los. Sua amizade com Paul tinha sido abalada quando ele se negou a dizer onde eu estava, e ele me culpava por isso. Eu entendia como ele se sentia, mas fui firme ao rogar mais uma vez que ele não dissesse nada a ele.
Ele tinha vindo me visitar uma única vez, dois anos atrás, e eu chorei quando o vi surgir no saguão do aeroporto; o menino travesso e desligado tinha ido embora, deixando em seu lugar um jovem lindo, de sorriso cativante e olhos amorosos. Sorri ao lembrar que ele tinha me pedido para soltá-lo, afim de que pudesse respirar, depois de eu tê-lo mantido preso em meus braços por longos minutos.
Eu o tinha levado para meu apartamento, localizado sobre a clínica onde eu trabalhava como enfermeira durante o dia, e o mantive falando por horas.
Assim que cheguei à cidade, fui direto as agencias de emprego; eu não podia me dar ao luxo de torrar todas as minhas economias, por isso procurei logo por uma ocupação, e fui muito feliz logo em minha primeira entrevista.
A Doutora Susan Whitibach era uma mulher de meia idade que tinha uma Clínica Pediátrica na área central de Houston; ela buscava alguém que pudesse trabalhar como recepcionista, e assim que nos apresentamos senti que nos daríamos bem. De algum modo ela me lembrava minha mãe, talvez por seu jeito meigo e doce, ou por ser possuidora de olhos sábios, do tipo que já haviam visto muita coisa nessa vida; seja como for, após uma longa conversa, ficamos acertadas que eu começaria no dia seguinte, quando ela me perguntou onde eu morava, fui sincera, dizendo que estava vivendo em um hotel, até que pudesse receber meu primeiro salário para poder alugar algo para mim.
Ela imediatamente recusou-se a me deixar ir sem que antes pudesse me mostrar um apartamento pequeno que ela mantinha sobre a clinica, onde ficava quando por caso surgisse alguma emergência com um dos seus pacientes, para evitar ter que deslocar-se de sua casa que ficava numa zona mais afastada da cidade.
Ela insistiu que eu ficasse com ele, cobrando um valor irrisório de aluguel, alegando que assim, além de recepcionista, eu estaria prestando-lhe um imenso favor por cuidar do lugar. Envergonhada, mas ao mesmo tempo agradecida por sua generosidade, aceitei, e assim passei a viver ali.
Como tinha uma quantidade exorbitante de horas livres, passei a me dedicar aos estudos, e com o incentivo dela acabei por me graduar em enfermagem, passando de recepcionista à enfermeira em sua clinica.
Ela nunca me questionou sobre meu passado, muito embora por vezes eu deixasse escapar uma coisa ou outra. Também percebi que sua atitude para comigo havia mudado sutilmente após a primeira visita de minha mãe, e eu nunca questionei isso, mas algo me dizia que ela sabia pelo que eu havia passado.
Tudo ia sempre muito bem, até que a noite chegasse e eu voltava sozinha para minha casa. As horas de solidão noturna eram sempre as piores. Era nesses momentos, sozinha deitada em minha cama, que as imagens dele voltavam com força, me deixando prostrada por horas a fio, e em meio a meus devaneios eu podia conjurar seus beijos, seus braços, suas mãos... Podia sentir seu perfume, seu calor, seu riso.
I Don’t Want To – Toni Braxton
Depois de horas dessa tortura, eu enfim apagava, esgotada por sofrer tanto por um amor ao qual eu jamais poderia sonhar em recuperar.
Nesses cinco anos, eu só havia saído com alguém uma única vez; um cara que fazia curso junto comigo. A noite só não tinha sido um desastre total por que ele era, sem duvida, muito cavalheiro para permitir que assim fosse. Depois desse último encontro nunca mais arrisquei sair com ninguém; não era justo ficar buscando em outros homens algo que eu sabia que só encontraria numa determinada pessoa.
Passei a me dedicar a fazer yoga, buscando equilibrar meu corpo e mente a fim de que minha mutação genética não fosse um problema; não que não houvesse possibilidades de existirem vampiros em Houston, mas o fato de ser uma cidade quente na maior parte do ano, fora fator primordial para eu optar por viver ali. Como não saia a noite dificilmente esbarraria com algum deles, então, sendo assim, foi mais fácil do que eu imaginei manter a Loba dentro de mim sobre controle.
Meu corpo já dava mostras da minha mudança: dois anos sem que me transformasse uma única vez foi suficiente para fazer meus hormônios femininos voltarem a funcionar; meus ciclos ainda não eram regulados, mas ao menos eu já não me sentia tão aberração assim. Esse novo estado de coisas contribuiu para que minha baixa auto estima fosse moderadamente mantida sob controle, então deixei meus cabelos crescerem novamente e até tinha ganhado algumas curvas a mais para modelarem meu físico.
Voltando ao presente, avistei a placa que indicava a entrada de Forks, e olhando em meu relógio constatei que faltavam poucos minutos para as 15:00 horas. Eu tinha optado por vir dirigindo até aqui para me dar mais tempo para pensar nesse retorno. Na verdade era apenas uma visita; eu não tinha nenhuma intenção de ficar, mas precisava realmente preparar meu espírito para o reencontro. Ironicamente, eu tinha percorrido mais de 3.000 km e ainda não me sentia nada preparada.
Quanta coisa poderia ter mudado em cinco anos? Eu havia mudado, minha mãe havia mudado, Seth então nem se fala, mas minha preocupação era saber o que esses cinco anos haviam feito a ele em particular. Tremi só de pensar na possibilidade de revê-lo; eu teria que lançar mão de todo meu alto controle para não deixar que ele percebesse o quanto essa volta me afetava. Ele não poderia nem ao menos desconfiar dos meus sentimentos, e a última coisa que eu desejava era fazê-lo sofrer novamente.
Assim que meu carro entrou na rua onde minha mãe morava, meu coração acelerou descompassado. Senti meu instinto lupino aflorando, mas recitei um mantra para voltar a me acalmar. Eu não podia deixar que ele despertasse, ou meus esforços dos últimos cinco anos estariam arruinados nesse caso.
Desci do carro e me virei para pegar minha bolsa quando fui literalmente arrancada do chão, e dois braços fortes me sujeitaram firmemente a um peito muito mais musculoso do que eu me lembrava. Depois de muito me apertar ele me soltou novamente, me girando em seus braços e beijando meu rosto.
- Finalmente você chegou! – A alegria de Seth me contagiou.
- Eu não perderia isso por nada – confirmei rindo feliz – Ainda não consigo acreditar que você irá se casar! – exclamei dividida entre a alegria e a tristeza de vê-lo crescer tão rápido. Ele não era mais o meu menino.
Meu irmãozinho tinha se tornado o homem mais lindo que eu já tinha visto: seus cabelos negros, um pouco mais compridos do que de costume, estavam revoltos, emoldurando seu rosto bonito de traços marcantes, e a única coisa que me fazia recordar o garotinho que ele havia sido eram seus olhos castanhos e gentis, que nesse momento brilhavam felizes.
- Dona Sue estava aflita, ficou reclamando horas sem fim do fato de ter concordado com sua loucura de vir dirigindo do Texas até aqui – disse sorrindo – Espero que agora ela mude o foco para você, me deixando em paz para dar conta de tudo a tempo – ele deslizou seus dedos por entre seus cabelos, tentando ajeitá-los sem muito sucesso.
- Você pode pegar minhas coisas no porta-malas? – pedi enquanto me dirigia para casa.
Assim que subi os primeiros degraus minha mãe surgiu na porta da sala com a mão sobre o peito e os olhos cheios de lágrimas de felicidade; ela abriu seus braços para me receber.
- Graças a Deus você chegou minha filha – sussurrou em meu ouvido com voz chorosa.
- Que saudades mãe! – exclamei com voz embargada. Ficamos abraçadas por longos minutos até que ela me puxou para dentro.
- Deixe-me ver você – seus olhos percorreram-me criticamente, enquanto me colocava sentada no sofá, assumindo o lugar vago ao meu lado logo depois de concluir que eu estava bem – Como foi de viagem? Correu tudo bem? – quis saber.
- Foi tranqüilo mãe. Só estou um pouco cansada, nada de mais – falei, me recostando nas almofadas – E como estão os preparativos? – inquiri.
- Ah, seu irmão está com os nervos à flor da pele – disse sorrindo – Ele acha que corre o risco de ser deixado no altar – murmurou baixinho para que Seth, que entrava nesse momento com minha bagagem, não a ouvisse.
Eu sorri compreensiva enquanto o vi dirigir-se ao meu antigo quarto com as malas. Depois de deixá-las por lá, uniu-se a nós na sala.
- E então? Quando irei conhecer a felizarda que arrebatou o coração do meu querido irmão? – questionei-o assim que ele sentou-se a nossa frente.
- Ela foi ao aeroporto buscar os pais dela – explicou – Mas assim que ela retornar irei buscá-la para apresentá-la a você. Ela também está louca pra conhecê-la – avisou-me, lançando um sorriso maroto.
- O que você andou falando de mim pra ela hein espertinho? – brinquei, jogando uma almofada em sua direção, ele foi rápido e pegou-a no ar antes que atingisse seu rosto.
- Nada demais, só disse que você era a irmã mais velha e mais chata de todos os tempos – zombou. Eu bufei lançando para ele um falso olhar zangado, que o fez rir ainda mais.
- Você está com fome? Poso preparar algo pra você quer? – mal tinha dito essas palavras, minha mãe se pôs de pé, indo para a cozinha; nós a seguimos de perto.
- Não precisa mãe, eu comi no caminho – disse segurando-a pelo braço – Só preciso dar uma caminhada para esticar as pernas – esclareci.
- Ótimo! Isso quer dizer que você não vai se importar de ir comigo até o salão checar os andamentos das coisas por lá? Sandy me mataria se soubesse que ainda não fui conferir o bar e as cadeiras – Seth disse, fazendo cara de perdido.
Não era o que eu tinha planejado, pois eu queria mesmo era dar uma volta na praia pra clarear as idéias e me preparar psicologicamente, mas cedi ao pedido.
- Lógico que não me importo – passei meu braço pelo dele, indo para a saída – Voltamos daqui a pouco Dona Sue, até lá, se comporte.
Saímos de casa e seguimos a pé até a parte central da vila, e pelo caminho Seth foi me falando sobre os preparativos e o quanto sua noiva, embora amada e adorável, estava se esforçando para torná-lo louco.
- Juro Leah, se eu não gostasse tanto dela, já teria desistido dessa idéia de casamento! Seria muito mais simples nós irmos morar juntos e pronto! – disse, parecendo cansado, mas em seguida o vi recobrar o ânimo – Mas quando você a vir, saberá o porquê de eu estar me esforçando tanto – seu tom apaixonado me deixou um pouco invejosa.
Será que um dia eu também encontraria alguém que me amasse tanto assim? A lembrança de certo alguém surgiu em minha cabeça, mas afastei-o rapidamente antes de sucumbir à dor mais uma vez.
Assim que chegamos ao salão onde seria comemorada a festa, várias pessoas vieram ao nosso encontro. Uma mulher baixinha, com ar de General, correu até nós, deixando os outros para trás.
- Sr. Clearwater, o Senhor está atrasado para a última prova do seu traje, o alfaiate está esperando há mais de 20 minutos! – seu tom repreensivo não afetou o mínimo do humor de Seth.
- Então me deixe ir até lá para que ele não tenha que esperar mais – disse sorrindo benevolente, enquanto me largava ali com ela.
- Quem é você? – perguntou curiosa e autoritária.
- Sou Leah, irmã do noivo, muito prazer! - disse educada.
- Prazer em conhecê-la – disse, apertando minha mão na sua – Fique a vontade, tenho que dar umas ordens na cozinha, com licença – despediu-se, indo para o outro lado.
Sozinha, caminhei pelo salão admirando os arranjos de mesa e a decoração em geral. Era tudo muito lindo; passava uma aura de simplicidade e amor em cada detalhe, tudo nas cores branco e bege. Minutos depois, Seth veio ao meu encontro.
- Já terminei por aqui, só preciso passar no correio para ver se chegou uma encomenda, quer continuar me fazendo companhia? – perguntou jovial.
- Claro, vamos lá! – sorri calmamente. A temperatura tinha caído um pouco, e uma garoa fina tinha começado a cair. Puxei o capuz do meu casaco sobre minha cabeça antes de enfrentar a rua.
- Espero que amanhã o dia fique firme – Seth olhou preocupado para o céu nublado.
- Vamos rezar para que sim – juntei minha preocupação à sua.
Olhando as vitrines de algumas lojinhas me distraí ao ver um par de brincos que ficariam muito bem em minha mãe.
- Seth você se importa se eu ficar e olhar uma coisa aqui enquanto você verifica sua encomenda? – pedi.
- Tudo bem. Volto logo! – disse, beijando meu rosto e afastando-se apressado.
Eu me dirigia à porta da loja quando senti algo se enroscar entre minhas pernas. Olhando para baixo, distingui um tufo de cabelos escuros que fugiam de um gorro azul, e as mãos pequenas me apertavam como se pudessem fazê-lo se fundir ao meu corpo. Ele olhou para mim e colocou um dedo muito pequeno sobre os lábios, me pedindo silêncio. Eu sorri imaginando que ele devia estar brincando de esconde-esconde com algum outro amiguinho, mas antes que eu pudesse questioná-lo a respeito, alguém bradou atrás de nós.
- Pare exatamente aí mocinho – a ordem, dita por uma voz grave, mas ao mesmo tempo suave, foi acatada no mesmo instante pelo garoto, que se recompôs rapidamente para enfrentar seu perseguidor, mas ele ainda mantinha as mãos pequeninas a minha volta.
Um calafrio subiu por minha espinha congelando-me instantaneamente no lugar. O ar recusava-se a sair ou a entrar nos meus pulmões também paralisados. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar, mesmo no meio de uma multidão aos berros. Ela havia me falado de amor de todas as maneiras, haviam me feito promessas e até mesmo tinha conseguido arrancar de mim risos e lágrimas. Ele estava ali. Paul estava a dois passos de mim e tudo o que eu sabia fazer era tremer.
Fechei meus olhos e obriguei meus órgãos internos a voltarem a funcionar, e depois de um tempo que não sei precisar, o sangue voltou a fluir por meu corpo e o ar voltou a preencher meus pulmões.
- Peça desculpas a moça e vamos embora! – demandou com brandura.
- Desculpe – ele levantou seus olhinhos travessos para mim e sorriu; notei que ele estava sem os dois dentes da frente, e seu rosto era muito familiar, lembrando muito ao dono daquela voz.
“Abra a sua maldita boca e diga alguma coisa! Qualquer coisa, só fale!” me exortei nervosa. Ainda de cabeça baixa, sem querer me fazer conhecer, me esforcei para dizer algo.
- Não foi nada... – gaguejei baixinho para que somente meu pequeno captor pudesse ouvir, e antes que ele me abandonasse deixei que meus dedos deslizassem por seu rosto.
- Peço desculpas pelo inconveniente, às vezes eles são simplesmente impossíveis – desculpou-se também, tocou no ombro da criança que, soltando minhas pernas, pegou a mão que ele lhe oferecia.
Incapaz de falar algo mais, eu apenas acenei um adeus ao menino e entrei na loja sem olhar para trás. Quem era aquela criança? Seria seu filho? A maldição do imprinting tinha se cumprido com ele também? Meu coração apertou-se dolorosamente ante essa idéia.
Eu não havia pesado corretamente as conseqüências de uma simples caminhada pela comunidade, não pensei nem por um minuto que poderia topar com ele num espaço tão curto de tempo. Quais as possibilidades disso acontecer em plena tarde de uma sexta feira quando, supostamente, todos deveriam estar trabalhando? Ainda zonza com os últimos acontecimentos, me dirigi à vendedora, que me fitava preocupada do balcão. Pedi para ver os brincos e comprei-os. Na saída cruzei com Seth, que vinha ao meu encontro. Ele atravessou a rua e parou na minha frente.
- O que aconteceu? – perguntou com a testa franzida, analisando meu rosto pálido.
- Nada – disfarcei, dando de ombros – Podemos ir? – inquiri.
- Sim podemos – disse, colocando o braço sobre meu ombro e me guiando de volta para casa.
Mais tarde, enquanto minha mãe e eu estávamos conversando na cozinha, Seth surgiu com uma linda garota de incríveis olhos azuis resplandecentes cravados num rosto juvenil e belo; seus cabelos de um tom de loiro escuro emolduravam sua face angelical. Ela sorriu para nós e foi direto abraçar minha mãe.
- Sue! Como você está? – perguntou gentilmente.
- Estou bem minha filha – minha mãe retribuiu seu abraço afetuoso.
- Quero que você conheça minha irmã – Seth parou atrás dela, girando-a na minha direção – Sandy está é Leah, Leah está é minha noiva Sandy! - disse orgulhoso, apertando os ombros dela.
- Fico muito feliz por conhecer você Leah, e mais ainda por tê-la aqui conosco! Seth estava preocupado achando que você não viria – disse, aproximando-se de mim e me envolvendo no calor dos seus braços.
Eu imediatamente relaxei, sentindo o carinho que provinha de seu gesto. Gostei dela imediatamente; era como se a conhecesse desde sempre.
- O prazer é meu Sandy, e nada nesse mundo me faria perder o casamento de vocês! Estou feliz por saber que Seth finalmente encontrou alguém digna de compartilhar seu coração. Desde já desejo a ambos meus mais sinceros votos de felicidade – disse. beijando a ambos.
Logo ela começou a me contar como havia conhecido Seth assim que tinha sido contrata para dar aulas na escola da Reserva onde Seth dava aulas como professor de Educação Física. A conversa rolou descontraída até que ouvimos alguém batendo na porta; Seth foi atender e um coro de vozes masculinas se fez ouvir.
- Então filhote, achou mesmo que ia escapar da gente hoje a noite é? – pelo tom zombeteiro reconheci a voz de Jared.
- Vocês não podem deixar passar essa? – Seth choramingou.
- Sem essa irmãozinho! É sua última noite de solteiro e lhe faremos uma despedida adequada – esse foi Embry, reconheci na hora. Sandy nos pediu licença e foi conversar com eles.
- Onde vocês pretende levar meu noivo, posso saber? – inquiriu curiosa, envolvendo possessiva a cintura de Seth.
- Relaxa patroa! Nós só vamos tomar umas e outras no bar do Joe, nada de mais! – Quill brincou.
- Mesmo? Essa é a droga de morar num lugar onde as opções noturnas se restringem ao Bar do Joe e a sorveteria da esquina – ela disse rindo marota e virou-se para olhar Seth – Eu também marquei de me encontrar lá com as garotas, elas insistem em uma despida de solteira – anunciou alegre.
- Ah! Que saco! Vocês não poderiam só fazer um chá em casa e ficarem fofocando por aqui mesmo? – Jared argumentou aborrecido.
- Você deveria ter sugerido isso a sua mulher, já que a idéia partiu dela – Sandy deu de ombros e voltou para a cozinha, com um andar vitorioso. Os rapazes riram-se da cara de Jared e saíram em seguida, arrastando Seth com eles.
- Você também vem, não é Leah? Por favor, não me deixe sozinha nessa, se elas me derem um porre e eu vomitar em meu lindo vestido de noiva você se sentirá muito culpada – sua tentativa de persuasão surtiu o efeito desejado. Mesmo sem vontade, me sentia obrigada a acompanhá-la.
Olhei para minha mãe em busca de auxilio, e ela anuiu em concordância.
Meu medo era dar de cara com Paul por lá, mas eu teria que enfrentá-lo mais cedo ou mais tarde, e nesse caso eu preferia que fosse mais cedo, para evitar alguma cena desagradável durante o casamento de meu irmão.
Tomei um banho rápido e vesti um jeans desbotado, blusinha preta de lã fina com decote em “V” e minhas botas de cano alto; trancei meu cabelo e sombreei os olhos com lápis. Peguei minha bolsa e me encontrei com Sandy na sala no exato momento em que um carro buzinava na frente da casa.
- São elas! Agora não tem mais como escapar – brincou, fingindo-se apavorada. Despedimo-nos de minha mãe e fomos para o carro, e assim que me viu, a mulher que estava ao volante desceu do carro e veio ao nosso encontro.
- Leah? Oh Meu Deus! Que saudades! – exclamou minha amiga Kim, agora casada com Jared.
- Kim! Nossa você está mais linda que nunca – elogiei assim que me separei dos seus braços – Vejo que o casamento lhe caiu bem! – brinquei.
- Oh! Se caiu! – disse, arrancando risadas de nós – Vamos, Emily e as outras já foram na frente para pegar uma mesa bem longe dos rapazes – disse. voltando a assumir a direção do veículo.
Trocamos algumas informações superficiais até que finalmente chegamos ao bar. Eu vacilei na entrada, mas Sandy enfiou seu braço sob o meu e me puxou para dentro, sem me dar muito tempo para pensar ou fugir.
Assim que a atmosfera festiva do bar nos envolveu eu me encolhi. O lugar estava cheio, o que por um lado era bom, talvez eu nem o visse por ali, mas por outro me deixou meio assustada, trazendo lembranças de noites em que nos reuníamos ali às vezes após uma caçada para comentar nossas façanhas. Afastei-as da minha mente e me forcei a seguir as garotas, que se dirigiram para a parte de trás do bar, onde pude vislumbrar algumas mulheres sentadas com bebidas e petiscos sobre a mesa.
Tão logo nos aproximamos elas se ergueram e vieram nos cumprimentar, algumas eu conhecia de vista, outras eram totalmente desconhecidas. Mas uma em particular chamou minha atenção. Seu rosto desfigurado virou em minha direção e seus olhos ficaram fixos nos meus. Eu percebi o volume de sua barriga assim que ela levantou-se; Emily veio até onde eu estava e parou na minha frente.
- Como vai Leah? – sua voz melodiosa era insegura, mas seus olhos não se afastaram dos meus.
- Estou bem Emily, e você? – perguntei, sorrindo-lhe com gentileza.
- Estou ótima! – disse, alisando a barriga num gesto maternal.
- Para quando será? – perguntei, pousando minha mão delicadamente sobre a dela. Surpreendida por meu gesto, vi seus olhos lagrimejarem antes de me responder.
- Para daqui a dois meses! Na verdade essa é minha segunda gravidez, temos um menino de três anos – o orgulho de mãe presente em sua voz era cálido e reconfortante.
- Parabéns! Espero poder conhecê-lo – disse.
- Venha me visitar, ficarei feliz em recebê-la em minha casa! – convidou, e vi algo como um brilho esperançoso perpassar seus olhos.
- Irei com prazer, mas agora o que preciso é de algo forte e quente para me recobrar de tantos reencontros felizes – anunciei, sentando-me ao lado de Sandy, que estava convenientemente sentada de costas para o bar e a entrada.
As mulheres começaram a conversar animadamente enquanto seus copos eram constantemente substituídos por outros tão logo os delas se viam vazios. As risadas e piadas eram compartilhadas alegremente. Vez ou outra um som de uma risada mais alta ou de um gracejo chegava até nós da mesa ocupada pelos amigos de meu irmão, mas eu resisti bravamente para não espiar por cima do ombro para conferir.
Depois de duas horas sentada, rindo e bebendo, minha bexiga exigiu liberação. Corri para o banheiro antes que mais alguém ali tivesse a mesma idéia que eu. Aliviada, lavei minhas mãos e passei um pouco de água fria no rosto, ao constatar que o mesmo estava ruborizado pelo calor e pela emoção de estar tendo uma noite tão agradável depois de longos anos de reclusão. Feliz, saí do banheiro ajeitando meu cabelo, quando dei de cara com algo solido bloqueando meu caminho.
Dei um passo vacilante para trás, mas mãos ágeis impediram que eu me chocasse com a parede atrás de mim. Uma descarga elétrica perpassou por mim tão logo essas mãos fizeram contato com meus braços. Ergui meus olhos para encarar o sujeito e perplexa reconheci aqueles olhos castanhos, que haviam visitado meus sonhos nos últimos cinco anos.
Seus olhos percorreram meu corpo com frieza antes de voltarem ao meu rosto, e ele soltou meus braços e enfiou as mãos nos bolsos do jeans.
- Tudo bem? – seu tom de voz grave e baixo me fizeram recordar imediatamente das noites em que passávamos horas conversando baixinho na cama, depois de fazermos amor.
- Desculpe. Machuquei você? – perguntei bobamente. Eu não tinha muita certeza, mas tive a impressão de que tinha pisado no pé dele. Olhei para baixo como se para ver se tinha deixado alguma marca da minha bota em seu sapato, e meus olhos avaliaram demoradamente cada centímetro dele; o homem a minha frente era magnífico, fato.
- Acho que você está meio atrasada para me fazer essa pergunta – rebateu cinicamente. Eu entendi o duplo sentido em suas palavras e senti meu coração afundar um pouco mais.
- Sinto muito – murmurei envergonhada, de repente sem saber o que fazer.
- Eu também – disse, desviando seus olhos de mim para uma garota que tentava passar para entrar no banheiro – Cuide-se! – disse, sem voltar a me olhar e indo para o banheiro masculino.
Eu levei algum tempo para me orientar e voltar à mesa com as garotas, e assim que me viu Sandy notou meu estado. Debruçando-se em minha direção, analisou meu rosto com a testa franzida.
- O que aconteceu Leah? Você está pálida. Não está se sentindo bem? Quer que eu chame Seth e peça para ele levá-la para casa? – suas perguntas me deixaram ainda mais zonza, mas sua preocupação era tocante. Respirei fundo antes de falar.
- Estou bem Sandy, não se preocupe! Eu ficarei mais um pouco e depois irei pra casa, acho que é só cansaço da viagem, nada de mais – menti, sorrindo debilmente para tentar apaziguá-la. Ela assentiu e voltou sua atenção para as amigas. Peguei meu copo com mãos tremulas e dei um largo gole; espiei pela borda do copo e vi Emily olhando-me fixamente, com tristeza.
- Você o viu não foi? – ela perguntou baixinho para que só eu a ouvisse. Eu meneei a cabeça em concordância, bebendo o restante do meu uísque antes de pedir outro.
- Eu não sei como foi para você, mas ele sofreu muito depois que você partiu. Sam teve muito trabalho para fazê-lo desistir da idéia de ir atrás de você – ela confidenciou. Olhei-a aturdida, sem saber o que dizer.
- Se é que minha opinião vale alguma coisa, eu apenas quero dizer que acho que ele não se recuperou nunca do rompimento de vocês – eu a fitei ainda mais nervosa – Prova disso é que ele nunca mais namorou ninguém depois que você o deixou. Sempre há boatos aqui e ali sobre o comportamento dele com as mulheres, mas você sabe como é lugar pequeno onde todos se conhecem, não é mesmo? Eu não acredito em nada do que dizem, mas rumores de namoros da parte dele, nunca houve. O homem tornou-se um completo cofre: fechou-se para todo o mundo. Nem mesmo os rapazes conseguiram fazê-lo se abrir – meu queixo não poderia cair mais.
Meu coração apertou-se desconfortavelmente diante dessas palavras. Ele ainda estava livre! Nada de Imprinting para Paul. “Oh Senhor! Será que eu estava errada em partir?”, pensei desesperada.
Sem pensar muito no que fazia, peguei minha bolsa e me despedi baixinho dela e de Sandy, alegando dor de cabeça e cansaço. Eu precisa pensar, e ali definitivamente não era o lugar certo para fazê-lo.
Passei despercebida pela multidão, e assim que saí na calçada respirei fundo para me orientar. Tinha dado poucos passos quando alguém pegou no braço. Pulei assustada, tentando livrar-me do agarre daquela mão.
- Hei, calma! – ainda assustada mirei o homem alto a minha frente e o reconheci tão logo um sorriso se fez presente em seu rosto bonito – Sou eu, Jacob, lembra-se?
- OH! Jake! – sorri aliviada – Desculpe, você me assustou! – disse, tentando explicar meu comportamento arredio.
- É impressão minha ou você está fugindo? – seus olhos perspicazes avaliavam minhas reações – De novo – completou zombeteiro.
- Não! – tentei disfarçar – É que cheguei hoje e estou cansada da viagem, então... – dei de ombros.
- Sabe? Eu conheci uma garota um tempo atrás que não se cansava tão facilmente – disse com um fingido ar distante – Tão pouco se acovarda diante dos obstáculos. Você a viu por aí? – brincou.
- Você não mudou nada, sabia!? Continua o mesmo chato! – estreitei meus olhos para ele, com um falso olhar zangado – Preciso ir! – disse.
- Vamos Leah! Só uma bebida, eu pago. – disse, pegando meu braço para me conduzir novamente ao bar.
Eu bufei derrotada, deixando que ele me introduzisse mais uma vez no ambiente enfumaçado e barulhento. Fomos direto para o balcão, nos sentamos nos bancos altos e ele chamou o barman, pedindo duas cervejas. Assim que o rapaz nos serviu, Jake virou-se para mim sorrindo.
- Boas Vindas! A Filha Pródiga que retorna ao lar – brindou, chocando sua garrafa com a minha antes de dar um gole e me incentivar a beber também – Agora me conte, como você está? O que tem feito? – pediu, olhando-me atentamente.
- Nada demais. Trabalhando, estudando – disse reticente – E você?
- Ah! O mesmo de sempre. Montei minha oficina e nas horas livres continuo matando um vampiro aqui, outro ali! – sorri do seu gesto de enfadado.
- É bom ver você Jake! Sério. – admiti sorrindo.
Jacob Black havia se transformado num homem muito atraente; não que isso fosse alguma surpresa, dado o fato de que sempre tinha sido um cara bonito, mas a verdade é que ele havia superado as expectativas.
- É bom ver você também Leah – seu rosto sério virou-se para olhar a mesa, repleta de seus amigos – Já falou com o pessoal? – me fitou curioso.
- Só com algumas das garotas – desviei meus olhos para que ele não visse meu desconforto.
- Você nunca soube esconder suas emoções – ele colocou o indicador embaixo do meu queixo, girando meu rosto para que pudesse me encarar de novo – Vocês já se falaram? – insistiu.
- Eu não diria que tivemos uma conversa exatamente – murmurei – Nos esbarramos na saída do banheiro, nos desculpamos e seguimos nossos caminhos. Foi só isso! – dei de ombros, fingindo pouco caso. Ele seguiu, me olhando sério.
- Foi como você esperava? – deduzi por seu olhar que ele se referia a minha partida.
- Em parte sim – dei outro gole na cerveja.
- Eu tinha razão – ele largou sua garrafa vazia sobre o balcão e acenou para que o barman trouxesse outra – Não há distância o suficiente que nos impeça de sentir ou sofrer – ele deslizou o dedo pelo gargalo da garrafa, pensativo.
- Você tinha razão, não há. – confessei triste – E quanto a você? – aludi a seu amor por Bella, e de repente estava curiosa para saber o que tinha se passado entre eles.
- Segui com minha vida – disse dando de ombros – Depois que ela se transformou foi como se eu nunca a tivesse amado, ela não era mais a mesma para mim, entende? Ficou só a amizade – percebi que ele, ao contrário de mim, havia superado aquele amor. Fiquei feliz por ele.
- Bom, ao menos um de nós conseguiu superar as coisas – disse, sorrindo com amargurada.
- Nunca achei que você fosse do tipo que desiste fácil – sorriu com cinismo.
- Não se pode ganhar todas Jake. Essa luta está perdida para mim – eu olhei por sobre o ombro para a mesa onde meu irmão e seus amigos estavam, e imediatamente minha atenção foi capturada por um par de olhos castanhos que me fitavam com frieza.
Voltei meus olhos para Jake, que havia seguido meu olhar; ele suspirou fundo e sorriu descontraído.
- Algo me diz que isso ainda não acabou – disse com um ar misterioso.
Eu ri amargamente antes de terminar minha cerveja. Levantei e fiquei na ponta dos pés para beijar seu rosto. Ele me olhou surpreso.
- Obrigada pela bebida. Te vejo amanhã! – disse me despedindo e ele assentiu, erguendo a cerveja num gesto de despedida.
Dessa vez consegui chegar em casa sem nenhuma interrupção. Falei um pouco com minha mãe, que assistia TV em seu quarto, e depois fui me deitar.
No momento em que encostei minha cabeça no travesseiro as lembranças daquele dia me atacaram. Rememorei o encontro na loja e no bar diversas vezes, e em todas, a única coisa que permanecia igual, indiferente do ângulo que eu a olhasse, era o fato de eu me sentir ainda, total e absurdamente, afetada pela mera presença dele. Meu coração acelerava com a mera lembrança da sua voz, meus braços ainda podiam sentir o calor dos seus dedos.
“Deus! Eu o amo!”, esse pensamento vez surgir lágrimas em meus olhos. Como seria no dia seguinte? Eu não poderia ficar evitando-o o tempo todo, as pessoas iriam notar. E se ele viesse puxar conversa? E se ele fosse acompanhado ao casamento? Só de pensar nessa hipótese meu estômago revirou. Atormentada, custei a conciliar o sono, e quando o fiz fui assaltada por sonhos bizarros em que eu corri atrás de alguém que estava envolto numa nuvem de fumaça espessa, e toda vez que eu pensava em alcançá-lo, acabava com as mãos vazias, então eu sentava no chão frio e chorava.
Capítulo 36. - Felicidade Tem Nome!
Eu fiquei meio perdida quando despertei e levei algum tempo para reconhecer meu antigo quarto e finalmente me dar conta de onde estava. Depois desse primeiro momento, deixei-me apenas ficar ali, deitada, sem pensar em nada. Vozes um pouco alteradas se fizeram ouvir, então tentei me concentrar para entender o que diziam: algo havia desgostado muito à Sandy, que com voz chorosa reclamava sobre outra pessoa com Seth, que tentava acalmá-la, em vão. Levantei, fui até o banheiro, fiz minha higiene e me dirigi à cozinha, onde todos pareciam falar ao mesmo tempo, sem entrar em um consenso.
Sorri da cena familiar, lembrando dos dias em que minha família se reunia ali para discutir alguma coisa. A lembrança de meu pai sentado na ponta da mesa me assaltou repentinamente, causando uma pontada aguda em meu peito, e vendo Seth ali, ocupando o lugar que normalmente era dele me deixou com mais saudades. Afastei aquele sentimento rapidamente, para que eles não notassem.
- Bom dia família! – cumprimentei-os jovialmente – O que está acontecendo aqui, posso saber? – aproximei-me de minha mãe e beijei seus cabelos.
- Uma das amigas de Sandy, que seria madrinha, torceu o pé ontem à noite e não poderá participar da cerimônia – minha mãe explicou.
- Que pena Sandy! Sinto muito, mesmo. – disse solidária. Ela fungou profundamente, limpando seus olhos e me fitando triste.
- Estamos tentando achar uma substituta para ela, mas Sandy descartou todas as candidatas em que pude pensar – Seth parecia nervoso por não ter conseguido ajudar muito.
- Ele quer que eu convide Helen ou Karen – resmungou Sandy – mas não dá pra ser. Helen é rechonchuda, e Karen é pequena demais, nenhuma das duas caberiam no vestido que reservei para Kristal – disse exasperada.
- Seria muito ruim se vocês dispensassem esse par de padrinhos? Faria muita falta? – atrevi-me a sugerir a eles, mas logo vi que não tinha sido feliz, tão logo percebi o olhar insultado que eles me lançaram.
- Não podemos fazer isso, até por que ficaríamos com apenas dois casais, o que está totalmente fora de cogitação – Sandy descartou.
- E eu não posso simplesmente dizer ao meu amigo “Desculpe cara, você não será mais meu padrinho ok?” – Seth zombou para disfarçar seu mal estar.
Eu apenas ergui minhas mãos num gesto de rendição, depois fui até a cafeteira e me servi. Aspirei alegre o aroma revigorante do café enquanto me recostava na pia, e o silêncio reinava no ambiente quando levantei meus olhos para fitá-los, e todos, sem exceção, me olhavam inquisidores.
- O quê? – inquiri confusa. Sandy levantou-se e veio até onde eu estava, parou diante de mim e pegou minha mão na sua.
- Leah, qual o número do seu manequim? – seu olhar crítico percorreu meu corpo sem pudor.
- Trinta e oito, por quê? – constrangida, puxei minha camiseta.
- Quanto mesmo você disse que amava? – a pergunta de Seth me pegou desprevenida.
- Muito. Você nem deveria perguntar... – de repente o entendimento chegou até mim como um raio. Balançando a cabeça num gesto de negação larguei a xícara e enfrentei os dois.
- Nem pensar. Eu não farei isso. Não mesmo! – disse cruzando os braços sobre o peito numa atitude defensiva.
- Por favor, Leah! Você é minha ultima esperança – Sandy choramingou.
- Por favor, Mana! É a última vez que lhe pedirei um favor nessa vida – Seth implorou apelativamente – Por mim! – aquele olhar dele de cão sem dono era golpe baixo.
Olhei para minha mãe em busca de auxílio, mas ela parecia compartilhar do desejo deles. Exasperada me desvencilhei de Sandy e Seth e me sentei à mesa irritada.
- E o que supostamente eu teria que fazer? – perguntei irritada. Sandy correu para sentar-se ao meu lado enquanto Seth tomava lugar na cadeira a minha frente.
- Você só terá que seguir com o padrinho até o altar, segurar meu buquê durante a cerimônia e assinar o Livro de Registro como testemunha, simples assim – Sandy explicou entusiasmada. Seth e minha mãe confirmaram. Eu suspirei fortemente.
- E quem é o pobre coitado que fará par comigo? – questionei. Novamente o silêncio sobreveio ao ambiente, e meu estomago apertou-se num presságio nada bom.
- Bom, talvez essa seja a parte mais difícil! – Seth desviou seu olhos de mim para minha mãe num claro pedido de socorro.
- Leah querida, Kristal faria par com Paul – a revelação de minha mãe pegou-me completamente de guarda baixa, e eu me ergui tão depressa que acabei derrubando a cadeira no processo.
- Vocês só podem estar brincando – falei nervosa – Seth? Mãe? – eles continuaram me olhando num pedido mudo de desculpas – Eu não posso fazer isso, e vocês sabem muito bem o porquê – minha voz soou estridente. Minha mãe aproximou-se de mim, passando seus braços ao meu redor consoladoramente.
- Calma filha – pediu esfregando minhas costas carinhosamente – Tenho certeza que Seth e Sandy não se oporiam a uma pequena mudança de planos, eles poderiam pedir a Seline que fique com Paul e você formaria par com Jacob, que tal? – ela olhou para o casal que permanecia sentado em expectativa a nossa frente.
- Por mim tudo bem – Seth aceitou na hora.
- Não vejo problemas nisso, até por que Seline detesta mesmo o Jacob, ela só estava fazendo esse sacrifício por mim – Sandy explicou e sorriu esperançosa enquanto esperava minha resposta.
Eu continuava estranhamente aturdida, como se estivesse presa numa dimensão a parte, na qual a única coisa em que podia pensar era que eu estaria num altar com Paul a minha frente. Meu cérebro recusava-se a raciocinar com clareza, e depois de longos minutos olhei para meu irmão e sua noiva sentados ali, dependendo só da minha aceitação para terem sua festa dos sonhos realizadas, e eu não podia negar-lhes isso.
Passando por cima dos meus sentimentos feridos, levantei a cadeira e voltei a sentar, suspirei e cruzei meus dedos sobre a mesa para conter o tremor.
- Certo, posso fazer isso – disse fingindo calma. Sandy pulou e me abraçou tão forte que pensei que fosse me partir em duas, e logo Seth juntou-se a nós nesse abraço e beijou o topou da minha cabeça.
- Obrigado – agradeceram em uníssimo. Libertaram-me tempos depois e saíram animados, então corri atrás deles e puxei Seth num canto.
- Por favor, só tente fazer com que a idéia da troca tenha partido de Seline ok? – implorei vergonhosamente.
- Sem problemas – ele disse acariciando meu rosto.
Problema resolvido, eles partiram para fazer os últimos retoques para o grande evento, despedindo-se de mim e de minha mãe. Sandy avisou que voltaria logo mais trazendo o vestido que eu usaria, e eu tentei parecer animada, mas consegui apenas soar em pânico.
Já sozinhas voltamos à cozinha, e minha mãe serviu-nos café e bolo, depois se sentando à minha frente.
- Obrigada por fazer isso por eles – disse quebrando o silêncio – Você está sendo muito generosa – seu sorriso agradecido era reconfortante.
- A senhora sabe o quanto isso irá me custar, não é mesmo? – meu tom sofrido não passou despercebido a ela.
- Eu sei meu anjo, e é por isso que estou tão orgulhosa do seu gesto – disse, acariciando minha mão por cima da mesa.
- Eu o vi ontem – ergui meus olhos do prato, onde eu revirava o bolo de um lado para outro, para encará-la – Por um momento senti que iria morrer, mamãe! Eu não consiga nem respirar – revelei aflita.
- Você ainda o ama? – seu olhos buscaram os meus, e antes mesmo que eu formulasse minha resposta ela assentiu – Posso ver que sim. O que pensa em fazer a respeito? – inquiri calma.
- O que eu poderia fazer? – devolvi-lhe a pergunta confusa – Dizer “Hei Paul! Como tem passado? AH! A propósito eu ainda amo você, que tal tentarmos de novo?” – rebati sarcástica.
- Talvez as coisas não sejam tão difíceis quanto você imagina – disse com um ar tranqüilo.
- Não, pois na verdade são piores! Eu parti o coração dele quando fui embora, eu pude sentir seu desprezo quando ele teve que me olhar ontem mãe... -osso ser estúpida, mas não sou cega – bufei irritada.
- O pior cego é aquele que não quer ver – citou enigmática.
- Ouça mãe, eu participarei desse circo todo de casamento, mas tão logo possa, estarei indo embora. Eu realmente não preciso disso, não quero ter que levar comigo a lembrança de Paul ressentido e me odiando além da conta, eu não suportaria, então só deixe quieto está bem? – eu sabia que ela não tentaria intervir nesse assunto, mas tinha que me assegurar disso.
- De acordo. – anuiu.
O resto do dia foi caótico; era um entra e saí dos diabos! Quando mais tarde Sandy voltou com o vestido fez questão de me fazer prová-lo para ver se não precisaria de nenhum ajuste, e felizmente, ou infelizmente no meu caso, a peça serviu como uma luva. O tecido fino em tons dégradé de cinza era de um ombro só, e ajustava-se do busto até a altura do quadril, de onde descia numa nuvem suave e levemente rodada até o chão.
Desejei que ficasse apertado demais ou curto, ou qualquer outra coisa, pra ter a desculpa perfeita de me desfazer daquele inconveniente, mas como as coisas nunca eram como eu queria, só suspirei e sorri quando ela girou ao meu redor soltando mil elogios.
Seth chegou logo depois de Sandy ter partido para a casa dela, onde os pais estavam hospedados, e uma de suas amigas estava lá para ajudá-la a se vestir. Me comprometi em ir para lá em seguida, mas antes precisava saber como tinha sido a conversa.
- Então, como foi? – ataquei-o assim que ele passou pela porta.
- Tudo bem! Tanto Paul quanto Jake aceitaram a troca sem reclamar, não se preocupe – disse sorrindo.
Eu me senti mal com isso, pois no fundo tive a tola esperança de que Paul batesse o pé e insistisse em entrar comigo, mas pelo visto ele tinha ficado aliviado de não ter que passar por isso. Cabisbaixa, fui pro quarto, juntei minhas coisas e pedi a Seth que me levasse para a casa de Sandy, de onde iríamos sair acompanhando a noiva.
Em meio a muita confusão e nervosismo conseguimos ajudar Sandy a vestir-se e nos aprontar dentro do limite de tempo desejado. Ficamos esperando por ela na sala enquanto sua mãe dava-lhe uma mão com o último detalhe, o véu, e assim que esteve pronta desceu as escadas com um sorriso radiante iluminando o rosto bonito.
Fomos para os carros que nos levariam até a capela próxima ao salão onde se realizaria a festa, e assim que paramos avistei Jake, metido num smoking preto com a gravata borboleta combinando com as cores do meu vestido e um sorriso charmoso brincando em seus lábios.
- Nossa! – soltou um assobio de apreciação – Você está um arraso Leah! Quem diria que um tempo longe de La Push seria capaz de operar um milagre desses hein? – zombou enquanto pegava minha mão para me ajudar a descer do carro, e segurando a ponta do vestido com a mão livre para me impedir de pisar nele, levantei meus olhos, observando-o mais de perto.
- Você também não está nada mal, Black! – anuí calmamente – Nenhuma mancha de graxa, cabelo penteado e barbeado – analisei-o com um olhar criterioso – É, você quase consegue passar por humano – zombei.
Ele jogou a cabeça para trás soltando uma gargalhada e atraindo a atenção dos outros sobre nós. Olhando a minha volta, meus olhos encontraram quem eu queria, mas sofria só por ver. Parado junto à porta, Paul vestia uma cópia fiel da roupa de Jake, só que aos meus olhos ele parecia muito mais bonito que esse último.
Com uma pose relaxada, ele mantinha as mãos nos bolsos enquanto conversava com Embry e Joan, a outra amiga de Sandy que também seria madrinha. Vi quando Seline aproximou-se deles sorrindo timidamente, e ele lhe devolveu o sorriso, o que a encorajou a chegar mais perto, então logo se entrosaram numa conversa amena. Baixei meus olhos encarando minhas sandálias, profundamente triste e invejosa por aquele sorriso não ter sido dedicado a mim. Ciente de meu desconforto, Jacob segurou meu braço delicadamente e me guiou para as escadas.
- Agüente firme, agora falta pouco – sussurrou próximo ao meu ouvido. Olhei-o agradecida e sorri com fingida coragem.
A chefe do cerimonial veio até nós explicando qual seria o procedimento, e assim que ela deu o sinal Sandy desceu do carro apoiada pelas mãos carinhosas do seu pai, que a conduziu até a entrada.
Jake e eu encabeçamos a fila, seguidos de perto por Embry e Joan; Paul e Seline vinham no final. Nos posicionamos no altar e assim que a marcha nupcial soou Sandy fez sua entrada, parecendo um anjo em seu vestido branco bordado e sorrindo para as pessoas a sua volta; meu irmão estava tão emocionado que mal conseguia conter-se, e quando recebeu-a das mãos do sogro e conduziu-a até ao altar, ela me passou seu buquê de flores do campo e me sorriu feliz.
Eu me esforcei durante todo o tempo para não olhar para Paul; cravei meus olhos no casal e rezei para que acabasse logo. Assim que eles disseram “aceito”, levantei meus olhos e notei que Paul me fitava, e meus olhos ficaram presos aos seus por um tempo que não sei precisar, mas que foi o bastante para me desconcertar. Quando ouvi os assobios e aplausos foi que voltei a respirar aliviada. Devolvi o buquê e esperei até que eles saíssem , enfiei minha mão no braço que Jake me oferecia e seguimos o cortejo do casal até a saída.
Jake foi gentil o bastante para me levar pelo braço até o salão, onde seguimos direto para a mesa dos noivos, e fiquei feliz por ver que nossos lugares eram longe um do outro; agradeci a Deus por isso. Assim que todos os convidados chegaram, a festa teve inicio, e momentos depois o jantar foi servido. Entre risos e conversas consegui descontrair um pouco mais, e assim que terminei de comer pedi licença a Jake e fui até a mesa onde Sam e Emily estavam sentados junto com Billy e o Sr. Ateara, avó de Quill.
- Posso lhes fazer companhia? – pedi. Imediatamente Sam levantou-se e abraçou-me carinhoso.
- Sentimos sua falta irmãzinha – disse sorrindo – Estou feliz em tê-la entre nós novamente – ele afastou-se e apoiou a mão no ombro de sua esposa.
Engraçado como eu me sentia feliz por vê-los juntos, sendo que anos atrás essa idéia parecia absurda para mim. Sorri descontraída.
Beijei Emily no rosto, impedindo que ela se levantasse dado seu estado, e em seguida cumprimentei aos outros ocupantes. Logo Embry e Quill juntaram-se a nós e ficamos conversando por um tempo até que Jake aproximou-se.
- A general ali exigi nossa presença na pista de dança – ele disse, apontando e fazendo uma careta para a chefe de cerimônia – Os noivos dançarão a primeira valsa e depois será a vez dos padrinhos – esclareceu. Pedimos licença e voltamos à mesa principal onde os outros já nos aguardavam, e visivelmente nervosa eu esfregava minhas mãos uma na outra para aliviar a tensão.
- Relaxe, prometo não pisar no seu pé – Jake tentou me distrair.
- Você deveria estar preocupo com os seus pés, e não com os meus – brinquei. Ele sorriu e pegou minha mão, apertando meus dedos nos seus.
- Não olhe agora, mas acho que você não é a única tensa por aqui! – sussurrou.
Disfarçadamente ergui meus olhos só para encontrar Paul nos encarando com cara de poucos amigos, e não estava sozinho nessa; reparei surpresa que Seline também nos fitava com certa irritação, então franzi o cenho, tentando imaginar o que a afetava tanto.
- Posso entender que Paul esteja chateado por me ver aqui – disse conformada – Mas qual o problema com Seline? Por acaso ela está a par da minha situação com Paul? Será que está tomando as dores por ele? – inquiri desconfiada.
- Nada disso. O problema dela é comigo! – disse malicioso – Ela ainda não sabe, mas está apaixonada por mim – sorriu triunfante e piscou um olho para ela, que corou violentamente antes de desviar seus olhos de nós.
Surpresa com a descoberta, fitei-o divertida. Ele estava flertando com Seline, e pelo visto a aversão que ela dizia sentir por ele atendia por outro nome: paixão. Jake me deu um sorriso cúmplice que não tive como não devolver.
Os noivos dançavam com desenvoltura, e assim que começaram a tocar outra melodia Jake me conduziu até a pista e me pegou em seus braços.
- Pronta para dar um show? – quis saber; eu apenas sorri apertando sua mão, que segurava a minha com firmeza.
Deslizamos pelo salão formando um semicírculo em volta dos noivos, e antes que a música terminasse outros se juntaram a nós, fazendo com que em pouco tempo a pista estivesse repleta de casais.
Deixei-me levar pelo som da melodia lenta e nem reparei quando nos aproximamos do casal atrás de nós até que minhas costas esbassem em outra pessoa. Jake então deslizou a mão de minha cintura e me olhou sério.
- Sei que você vai me odiar por isso, mas tenha em mente que o faço para o seu bem – sussurrou em meu ouvido antes de segurar minha mão e bater no ombro do homem que estava atrás de mim.
- Você se importa de trocar comigo? – mortificada, vi quando Jake pegou Seline em seus braços e saiu rodopiando, abandonando-me cara a cara com Paul.
Uma veia palpitou freneticamente em seu pescoço e seu maxilar estava tão tenso que jurei que seus dentes partiriam todos de uma só vez se ele continuasse a exercer tamanha força sobre eles. Quando finalmente me recuperei olhei em volta, procurando uma rota de fuga, mas antes que pudesse sair uma mão restritiva pegou meu braço e me puxou de volta; no instante seguinte eu estava em seus braços.
Sua mão pousou com tanta leveza em minha cintura que eu mal podia perceber seu contato, e ele manteve uma distância considerável entre nós. Eu rezei para que ele não notasse o tremor que sacudia meu corpo. Eu respirava com dificuldade, embriagada por seu perfume, e sobressaltada pelo calor que desprendia de seu corpo e atingia o meu.
Fechei os olhos com força; meu único consolo era saber que ele parecia tão desconfortável quando eu. Seus músculos tensos eram a prova que ele também não conseguia relaxar.
- Você não precisa fazer isso – murmurei sem coragem de olhar para ele. Vi seu peito subir e descer com dificuldade antes de responder.
- Nunca fui do tipo que foge aos problemas – disse friamente.
- Touché! – mesmo ferida por suas palavras, não me contive – Você nunca irá me perdoar não é mesmo? – perguntei triste.
- Você quer mesmo ter esse tipo de conversa? – ele franziu a testa, e seus olhos estavam tão frios que me fizeram dar um passo atrás. A música terminou e antes que outra recomeçasse, parei.
- Acho melhor voltar para a mesa – desviei meus olhos – Obrigada pela dança.
Ele inclinou a cabeça em consentimento e saiu sem dizer nada. Arrasada, voltei para junto de minha mãe, que me fitava preocupada.
- Tudo bem? – seu semblante carregado parecia refletir minha própria dor.
- Tudo – acariciei sua mão, transmitindo-lhe uma confiança que eu estava longe de sentir. Ela sorriu e voltou a conversar com os pais de Sandy.
Minhas mãos ainda tremiam e eu sentia meu rosto quente, e incomodada pedi licença e fui para o toalete. Lavei minhas mãos e espargi água fria por meu rosto acalorado, e ainda sobre forte emoção, encontrava dificuldades para respirar ou pensar. Eu ajeitava meu coque, quando ouvi vozes vindas da entrada, e para não confrontar nenhuma das convidas corri para me trancar em um dos banheiros.
Sentada sobre a tampa do sanitário, ouvi risos e conversas, e consegui distinguir a voz de Seline, mas não sabia quem estava com ela.
- Quem era a mulher que estava com Black? – a outra perguntou curiosa.
- É Leah, irmã de Seth – informou Seline.
- A ex do Paul? – pelo tom de voz chocado e irritado da interlocutora, algo me dizia que ela tinha algum interesse pessoal nessa história.
- Ela mesma – Seline soou culpada em ter que afirmar.
- Você acha que ela ainda gosta dele? – inquiriu preocupada.
- Não sei, Helen! Só acho que você deveria partir pra outra, sabe que Paul não dá chance para que nenhuma mulher se aproxime dele, eu já lhe disse isso, você deveria me escutar – Seline parecia triste em ter que persuadir sua amiga.
Meu coração deu um salto e uma onda de ciúmes me fez fechar as mãos com força para evitar sair do meu esconderijo e enfrentar aquela mulher.
- Realmente é muito azar que ela tenha surgido aqui logo agora quando ele começava a se soltar mais – choramingou – Juro que se a encontrasse agora diria umas boas para ela – ameaçou raivosa.
Sem conseguir me conter mais, abri a porta do banheiro e saí para finalmente encontrar a mulher que, mesmo sem me conhecer, parecia nutrir um ódio mortal por mim.
- Sou toda ouvidos! – falei calmamente, encarando a loira baixinha de olhos azuis que me olhava como se estivesse vendo um fantasma.
- Leah! Deixe-me apresentá-la a minha amiga – Seline veio em socorro da sua companheira – Helen está é Leah, Leah está é Helen, uma amiga de Sandy e Seth! – eu percebi que Seline enfatizou a palavra “amiga”, e sorri-lhe condescendente, mas não estendi minha mão para Helen, apenas limitei-me a olhá-la pacientemente.
- Você dizia? – insisti, erguendo uma sobrancelha. A vi engolir em seco antes de voltar-se para Seline.
- Vamos embora, a festa está muito boa para perdermos nosso tempo aqui – disse, virando-se para a porta – Não posso dizer que tenha sido um prazer conhecê-la Leah – disse sobre o ombro antes de abandonar o recinto. Seline aproximou-se de mim, sorrindo sem graça.
- Desculpe minha amiga, ela às vezes diz coisas sem pensar – seu olhar pesaroso procurou o meu.
- Tudo bem Seline, sem problemas – dei de ombros, mas por dentro meu sangue fervia. Seline despediu-se e saiu atrás da amiga.
Um misto de ciúmes e impotência oprimia meu peito; eu não podia culpar Helen por sentir-se atraída por Paul, e muito mesmo julgá-la por sentir-se no direito de defendê-lo de mim, era só que eu não conseguia processar tudo isso. Eu o amava, caramba! E por isso mesmo podia entender os sentimentos dela.
Saí do banheiro antes que acabasse encontrando mais alguém prestes a me estrangular. A noite prometia ser ótima, pensei irônica.
Estava quase chegando à mesa quando Seth pegou minha mão e me levou para a pista de dança.
- Você não dançou comigo – reclamou sorrindo.
Eu apenas sorri e deixei que ele me guiasse. A música era gostosa e as pessoas seguiam o ritmo alegremente.
Sorri, momentaneamente esquecida do ocorrido minutos atrás no banheiro, enquanto Seth erguia minha mão e me fazia girar, hora me atraindo, hora me afastando dele. Deixei que seu riso e sua alegria me contagiassem, logo nossos amigos juntaram-se a nós e passamos momentos ótimos entre risos e danças.
Firmemente decidida a não me deixar abater por sentimentos tristes, me dirigi ao bar onde peguei uma taça de vinho gelado para me refrescar; avistei uma saída para um pequeno jardim e segui por ali para tomar um pouco de ar fresco. Mal dei dois passos para fora quando uma voz irritada atraiu minha atenção, me fazendo congelar.
Paul e Helen estavam ali a um canto, ela parecia nervosa enquanto lhe falava, e ele mantinha uma postura tranqüila, mas que era traída pelo olhar irritado que dirigia a mulher a sua frente.
De repente ele ergueu seus olhos para mim e ela o acompanhou. Sem querer parecer bisbilhoteira, resolvi me afastar discretamente, mas antes que pudesse sair, Helen pareceu materializar-se a minha frente, barrando a passagem.
- Você tem um senso de oportunidade incrível! – eu teria rido de sua tentativa de ser cínica se não tivesse percebido que ela havia estado chorando.
- Desculpe, eu realmente não sabia que havia alguém aqui fora! – disse, tentando manter a calma.
- Cretina! - Descontrolada ela tirou a taça de vinho da minha mão e jogou o resto da bebida em meu rosto, saindo em seguida e lançando-nos um olhar feroz.
Aturdida, fiquei completamente sem ação, enquanto o liquido escorria do meu rosto, manchando a frente do vestido. Paul aproximou-se, me estendendo um lenço, que peguei com dedos trêmulos.
- Venha, eu a levarei até em casa para que você possa se trocar – ofereceu educadamente enquanto se afastava.
- Não precisa se incomodar, pedirei a Seth que me leve – declinei nervosa.
- Não seja boba Leah – recriminou-me – Você quer mesmo voltar lá para dentro nesse estado para preocupar sua mãe e seu irmão? – argumentou.
Derrotada, acabei por segui-lo por uma saída lateral que dava direto no estacionamento; ele parou ao lado de um Mustang preto e abriu a porta para que eu pudesse entrar, e em seguida assumiu o volante e se pôs a caminho.
O silêncio no interior de carro era massacrante, e eu me mantive colada à porta, com medo de me mexer e ser arremessa para fora enquanto o carro ganhava velocidade.
- Você terá que desculpar Helen por isso – sobressaltada, olhei-o de lado, mas ele mantinha os olhos fixos na estrada – Ela normalmente não age dessa maneira – eu duvidei que ele se importasse com o fato de ela ter me jogado bebida.
- Sua namorada é uma fera – tentei fazer graça, mas a palavra “sua namorada” meio que engasgou em minha garganta. Ele limitou-se a me olhar de cenho franzido.
- Chegamos – disse parando abruptamente frente à casa da minha mãe. Descendo do carro em seguida, deu a volta para abrir a porta para mim, e ficou de lado para me dar passagem, me seguindo até a porta – Vou esperar para levá-la de volta – disse entrando atrás de mim e sentando-se confortavelmente no sofá.
Eu fingi descaso e segui para o meu quarto, fechando a porta atrás de mim e tentando me livrar do vestido. O problema é que o zíper na lateral do vestido tinha sido atingido pela bebida também, fazendo com que esse emperrasse, recusando-se a abrir.
Já a beira de um ataque histérico, lutei contra o maldito zíper ao ponto de quebrar uma unha.
- INFERNO! DROGA! – xinguei exasperada enquanto fazia mais uma tentativa, e uma batida na porta me fez pular sobressaltada.
- Está tudo bem? – a voz grave de Paul parecia curiosa, e como não respondi, ele abriu um pouco a porta e espiou para dentro – Algum problema? – me olhou desconfiado.
- Não consigo abrir o vestido – confessei derrotada, deixando minhas mãos caírem ao lado do meu corpo com frustração. Ele pareceu indeciso, mas logo deu um passo para dentro e se aproximou.
- Talvez eu possa ajudá-la – ofereceu relutante.
Eu fiquei ali parada, com a respiração suspensa, olhando-o como se o estivesse vendo pela primeira vez. O vi erguer as mãos de dedos longos e morenos até a lateral do vestido e alcançar o zíper, forçando-o.
Quando esse finalmente cedeu, ele sorriu, e a minha memória foi instantaneamente ativada; flashes de todos os momentos em que ele sorriu daquele mesmo jeito inundaram minha mente, fazendo-a girar descontrolada.
Ele tocou meu ombro nu com a ponta de dedos, deslizando-os até meu rosto e erguendo-o para ele; seus olhos brilhavam de forma estranha, arregalados, e o vi inclinar a cabeça até encostar os lábios em minha orelha.
- Você já pode respirar - sussurrou com voz rouca.
Eu traguei o ar com força, obrigando meus pulmões a trabalharem novamente, o que foi um erro, pois todos os meus sentidos foram atingidos por seu cheiro inebriante, e inconsciente dei um passo em sua direção.
Com a outra mão ele apertou meu braço, parando meu movimento, então olhei-o confusa, sem saber o que fazer ou dizer.
- Você cheira diferente – alegou intrigado, franzindo o nariz levemente, e aproximando o rosto novamente do meu pescoço, inalando meu aroma antes de esquadrinhar meu rosto – Me pergunto que outras mudanças se operaram em você durante esse tempo? – eu ergui meus olhos para ele, e em tudo o que eu podia pensar era no quanto eu desejava que ele se decidisse por me beijar. Só mais uma vez. ( Música)
Ele contornou meu lábio inferior com o polegar, e como se tivesse ouvido meu pensamento, desceu seus lábios sobre os meus. Seu toque foi tão suave e delicado que trouxeram lágrimas aos meus olhos. Meu coração batia num ritmo tão descompassado que temi ter um ataque, e rezei para que isso não acontecesse agora; não antes que eu tivesse a chance de provar um pouco mais dele.
Temerosa, ergui meus braços, agarrando-me com força em seus cabelos para impedi-lo de afastar-se de mim. Entreabri os lábios para poder sugar os seus e sua língua me invadiu, aprofundando ainda mais o beijo, fazendo meu corpo tremer violentamente. Sua mão deslizou por meu ombro, descendo a alça do vestido que o mantinha no lugar, fazendo-o cair por meu corpo e formar um circulo ao redor dos meus pés. Ele me puxou para junto do si, e notei aturdida que ele estava tão excitado quanto eu.
Presa numa torrente de sentimentos conflitantes, comecei a despi-lo também. Senti-o estremecer quando meus dedos tocaram sua pele quente, e sem interromper o beijo, mesmo respirando com dificuldade, ele me ergueu em seus braços e me levou até a cama, me deitando de costas sobre a colcha. Ele afastou-se só o tempo de livrar-se dos sapatos e meias, tirando minhas sandálias também, e voltando em seguida a ocupar-se de minha boca.
Sem pesar as consequências dos meus atos, me deixe levar pelo momento; eu não queria pensar em nada mais que não fosse meu desejo por esse homem e na saudade imensa que senti dele durante todo esse tempo em que estivemos separados.
Sua boca macia desceu por meu pescoço, deixando um rastro de beijos quentes e úmidos. Eu me contorcia embaixo dele, feliz por sentir seu peso sobre mim, e com mãos urgentes nos livramos das últimas peças que impediam que nossas peles estivessem totalmente em contato. Ele separou minhas pernas com o joelho, e um segundo depois seu corpo mergulhou no meu, arrancando, de ambos, gemidos a tanto reprimidos.
Envolvi seus quadris com minhas pernas, impedindo que ele se retirasse, e sua boca desceu sobre meu seio, sugando, lambendo e mordendo, numa doce tortura, me fazendo implorar por mais. Minhas unhas arranharam suas costas antes de cravarem-se em suas nádegas, e ele grunhiu, acirrando ainda mais meu desejo. Arqueei minhas costas quando a primeira onda de prazer me alcançou, seguida de outra e outra até que senti meu mundo convertendo-se em uma explosão de luzes brilhantes embaladas por um êxtase maravilhoso.
Paul manteve seu controle mesmo depois que o último estremecimento perpassou meu corpo, e deslizando um braço por baixo da minha cintura apertou mais meu corpo contra o seu e me fez girar, deitando-se de costas e me colocando sobre ele; apoiei minhas mãos no travesseiro ao lado do seu rosto, erguendo meu corpo o suficiente para olhá-lo. Por um momento tive medo que ele recobrasse a consciência e me rejeitasse, mas felizmente isso não aconteceu.
Suas mãos correram por minhas costas, reavivando minha luxuria, e subiram por meu pescoço, passando direto até alcançarem meus cabelos, livrando-os dos grampos que ainda mantinham boa parte deles presos. Algumas mechas cobriram meu rosto enquanto outras acomodaram-se sobre seu peito. Ele enrolou uma mecha em seu dedo, levando-a até tocar seu nariz, e aspirou forte; seu corpo estremeceu sob o meu, lembrando-me que permanecíamos unidos, e que ele ainda não havia se liberado.
Ondulei meu quadril sobre o seu e sorri quando o vi cerrar os olhos e gemer, então me empenhei para lhe proporcionar o máximo de prazer. Beijei seus lábios, queixo e pescoço, antes de dedicar certa atenção ao seu peito, prendendo seu mamilo entre os dentes e soprando, sendo recompensada com um grunhido profundo. Segui brincando com eles, e ciente de sua necessidade aumentei o ritmo das minhas investidas, até que suas mãos apertaram meus quadris contra o seu, anunciando sua entrega, e extasiada pelo prazer que via em seus olhos quando finalmente se liberou dentro de mim e sussurrava meu nome, fui mais uma vez arremessada à borda do mundo; meu corpo apertou o seu, extraindo até a última gota do seu gozo, retendo-o para mim.
Exausta desabei sobre ele, que recebeu e acariciou meu corpo com gestos suaves, até que nossas respirações se estabilizassem. Parcialmente refeita, deixei que meu corpo escorregasse de cima do dele, me aconchegando no espaço ao seu lado, com minha mente e corpo totalmente esgotados senti meus olhos pesarem, e à medida que suas mãos prosseguiam acariciando meus cabelos e corpo resvalei para o sono reparador, jurando a mim mesma que só descansaria o tempo suficiente para recompor minhas energias antes de confrontá-lo e confessar todo o meu amor por ele.
**********
Meu primeiro pensamento, antes mesmo de abrir meus olhos, foi para ele, e o segundo foi para o que tinha se passado entre nós naquela noite. Vi a parca claridade que se filtrava através da cortina; logo amanheceria. Virei na cama procurando o aconchego do seu corpo, só para descobrir que estava sozinha. Ainda zonza de sono, sentei rapidamente na cama, esquadrinhando o quarto e procurando por algum sinal dele. Teria sido só um sonho? Minha mente perturbada podia ter conjurado aquilo? Respirando fundo, tentando me controlar, descobri que eu realmente havia estado com ele: seu cheiro estava em mim, nos meus lençóis, por todo lugar.
Voltei minha atenção para o meu corpo nu e, repentinamente feliz, reconheci os vestígios que a noite de amor havia deixado nele, como a pequena marca dos dentes dele que estavam visíveis ainda no meu ombro, sem contar o calor e as marcas que seus dedos tinham deixado impressas em minhas coxas. “Eu não estou louca!”, pensei aliviada enquanto um sorriso bobo entreabria meus lábios, que ainda ardiam com o calor dos beijos trocados entre nós. Mas essa euforia logo se desfez quando notei que eu permanecia sozinha.
Um terror medonho enredou-se por mim, atingindo meu coração e fazendo-o encolher-se. Enquanto o tempo passava, eu me dava conta de que Paul havia partido, e que não voltaria. Só percebi que chorava quando as lágrimas que caíam dos meus olhos começaram a gotejar sobre minhas pernas, e soluços agonizantes agitavam meu corpo; um principio de histeria ficava cada vez mais evidente à medida que o choro aumentava.
“Será que foi assim que ele se sentiu quando eu parti?” refleti amargurada. “Foi uma dor assim devastadora que impus a ele?”, minha culpa ameaçava me afogar, lutando para recobrar um mínimo de estabilidade. Me enrolei na cama em posição fetal, apertei meu rosto contra o travesseiro que ele havia usado, e que ainda guardava seu precioso perfume, e extravasei através das lágrimas a dor de perdê-lo, até ficar completamente esgotada.
Quando consegui pensar com mais clareza, assumi para mim mesma que deveria partir; eu não tinha o direito de cobrar nada dele. Embora magoada, eu sabia que ele deveria estar tão confuso quanto eu, talvez estivesse até mesmo arrependido, e eu sei que não suportaria ouvi-lo dizer isso. Queria levar comigo a lembrança de nosso doce interlúdio, pois talvez aquilo me desse forças para agüentar mais algum tempo sua ausência antes de sucumbir de vez. Seria melhor assim.
Juntando a pouca força que havia restado, levantei e comecei a recolher minhas coisas pelo quarto, jogando-as de qualquer jeito dentro da mala. Separei uma muda de roupa para empreender viagem, e me arrastei até o banheiro; a casa estava silenciosa, e na certa minha mãe ainda dormia, pois era muito cedo e por certo ela devia ter ficado até tarde com os convidados no casamento de Seth. “Oh Meu Deus! Como eu iria explicar meu sumido da festa à eles?”, pensei nervosa. O melhor seria partir logo, e mais tarde eu ligaria para ela de algum posto na beira da estrada.
Tomei um banho rápido, me vesti e deixei um bilhete para minha mãe, alegando compromisso de trabalho. Disse-lhe que tive que partir mais cedo, e depois explicaria melhor, quando já não doesse tanto. Por hora era tudo o que eu podia fazer.
Suspirando, peguei minhas coisas, as chaves do carro e saí. O sol ainda não havia nascido completamente, e nas sombras difusas do amanhecer distingui um vulto encostado em meu carro. Meu coração parou de repente, falhando algumas batidas só para, no momento seguinte, disparar num galopar desenfreado.
Parado, com as mãos cruzadas sobre o peito, Paul estava displicentemente encostado na porta do meu carro. Ele havia trocado de roupa, metido num jeans, camiseta e tênis; era a criatura mais sexy que eu já tinha visto em toda a minha vida, mas seu semblante parecia carregado, e eus olhos irrequietos mediam cada passo vacilante que eu dava a seu encontro.
- Vai a algum lugar? – aquilo me pareceu mais uma acusação que uma pergunta. Estaquei no mesmo momento.
- Estou voltando pra casa – minha voz soou fraca.
- Fugindo novamente? – ele ergueu uma sobrancelha com ar curioso – Nenhuma uma carta dessa vez? – insistiu mordaz.
Eu conseguia sentir a magoa em suas palavras, e aquilo me feriu mais do que julguei ser possível. Olhei-o também ressentida e larguei minhas coisas no chão, cruzando os braços na defensiva.
- Se você não tivesse sido tão rápido em abandonar minha cama, talvez eu pudesse ter lhe dito adeus de forma adequada! – acusei-o, ferida. Ele diminuiu a distância entre nós com dois passos, e parando a minha frente ele apontou o dedo para mim acusadoramente.
- Não me venha falar sobre abandono Leah. Eu sei tudo sobre isso, sei o bastante até para lhe ensinar, então não use essa droga comigo! – o ar estalou carregado entre nós, enquanto nos encarávamos irritados.
Por fora eu mantinha minha pose de indignada, mas por dentro me sentia encolhendo, esmagada por minha culpa, profundamente ferida pela dor que havia provocado nele. Pela dor que havia provocado a ambos. Eu não me perdoaria nunca.
- Sinto muito Paul. Acredito que tenha sido difícil... – fui bruscamente interrompida por sua risada sarcástica, que me fez dar um passo atrás.
- Você acha que foi difícil? – ele me dirigiu um olhar feroz – Você. Não. Faz. A. Mínima. Idéia. Do. Que. A. Palavra. Difícil. Significa! - frisou cada palavra com rancor, e uma onda de raiva se apoderou de mim naquele instante. Revoltada o encarei irada.
- Não sei? - insisti magoada – Pois me deixe esclarecer uma coisinha: eu vivi os últimos cincos anos da minha maldita vida lamentando miseravelmente o fato de ter ido embora. Não houve um só dia que eu não me perguntasse se tinha feito a coisa certa, e carrego comigo o peso da minha decisão! Sempre rezo para que ao menos você consiga me perdoar, por que eu sei que eu não posso – parei para tomar ar e controlar minhas emoções antes de prosseguir – Se você acha que foi difícil para você ficar aqui, imagine como foi para mim, sem família, sem amigos, e principalmente sem você, que foi a única pessoa que acreditei que me amava verdadeiramente – minha voz se quebrou tristemente.
Ele me deu as costas, voltando para junto do carro e apoiando as mãos no teto; a cabeça pendendo para frente, parecendo esgotado. Eu permaneci parada no mesmo lugar, lutando bravamente para conter as lágrimas que ameaçavam rolar a qualquer momento, enquanto o assistia respirar com dificuldade, enfrentando sua própria cota de demônios.
Ele enfiou a mão no bolso de trás do seu jeans, pegou um papel dobrado, que a primeira vista parecia ter sido muito manuseado, depois se virou em minha direção, encarando o papel preso entre seus dedos.
- Quanto do que você disse aqui é verdade? – seu olhar desconfiado recaiu sobre mim enquanto balançava a folha ante meus olhos. Eu engoli em seco, reconhecendo a folha de papel de carta que eu havia deixado para ele naquela noite fatídica.
- Boa parte - disse relutante.
- Que parte não era verdade? – insistiu.
- A parte em que disse desejar que você me esquecesse e que encontrasse outra pessoa – admiti envergonhada, baixando os olhos, com receio de ver seu desprezo por mim refletido em seu olhar. Senti ele se aproximar novamente e me encolhi involuntariamente.
- Sabe o que é pior nessa estória toda? – eu neguei com um movimento de cabeça, ainda encarando o chão – Eu não consegui nem uma coisa nem outra. Não esqueci você, nem tão pouco encontrei alguém – ele riu alto, o que me fez olhá-lo assustada – Sou tão azarado que nem o maldito imprinting aconteceu comigo – riu novamente, mas seu riso não era alegre; pelo contrário, era carregado de uma tristeza sem fim.
- E Helen? – deixei escapar, me chutando mentalmente por meus ciúmes.
- O que tem ela? – inquiriu confuso.
- Vocês não estão juntos? – insisti, morrendo de medo que ele confirmasse.
- Não. Nós nunca tivemos nada, somos só amigos – esclareceu aborrecido.
- Bom, não foi o que pareceu ontem à noite, quando ela me atacou gratuitamente por duas vezes, marcando seu território – rebati com sarcasmo.
- Não posso me responsabilizar pelos sentimentos dela em relação a mim, muito menos quando não consigo controlar nem os meus próprios sentimentos – suas palavras fizeram meu coração vibrar.
- E o que você sente Paul? – questionei-o aflita; uma pontada de esperança nascendo em meu peito. Ele me olhou por um longo tempo antes de suspirar profundamente.
- Eu ainda amo você. Não sei como, nem por quê, só sei que amo – confessou, erguendo os ombros num gesto de aceitação. Eu achei que ele podia ouvir o retumbar do meu coração acelerado. Uma felicidade absurda instalou-se ali, recusando-se a sair.
- Você acreditaria se eu lhe dissesse que também te amo? E que me arrependo amargamente do que fiz? – roguei ansiosa.
Seus olhos anuviaram para suavizarem-se em seguida. Ele ergueu suas mãos em minha direção, deixou seu olhar vagar por meus cabelos enquanto seus dedos traçavam os contornos do meu rosto, depois me puxou para ele e me deu o beijo mais doce que recebi em toda a vida.
Minhas mãos agarram sua camiseta, fechando-se em punhos junto as suas costelas, e me entreguei completamente às sensações que sua boca despertava em mim. Só notei que chorava quando ele se afastou e passou seus dedos levemente sobre meus olhos, tirando-as do caminho. Ele sorriu docemente, beijando a ponta do meu nariz enquanto sussurrava palavras de conforto e carinho para me acalmar, e depois me puxou pra si, me esmagando num abraço apertado.
- Paul, quem era o menino que estava com você anteontem? – inquiri preocupada, e ele me olhou confuso – Na loja perto da agência dos Correios – esclareci.
- Era você? A mulher envolta de quem o danadinho tentou se esconder? – constatou chocado – Por isso me senti confuso com seu cheiro ontem, eu sabia que o tinha sentido antes, só não me lembrava onde – disse, parecendo surpreso, e percebendo que eu ainda esperava por sua resposta, apresou-se em dizer – Era Benjamim, o filho de Sara, lembra dele? – disse sorrindo.
- Oh! Ele está tão crescido, não o reconheci, embora ele me lembre muito você, achei até que fosse seu filho – admiti envergonhada.
- As pessoas vivem dizendo isso – confessou orgulhoso – Minha mãe costuma dizer que ele se parece comigo até nas traquinagens, o que faz Sara se arrepiar de pavor – riu divertido e eu o acompanhei.
De repente ele me encarou, sério.
- O que faremos agora? – colocou em palavras a dúvida que também era minha.
- Você decide. Eu sou péssima em tomada de decisões – joguei a bola de volta pra ele, e acompanhei seu riso quando ele me apertou ainda mais junto a si, até afastar-se para poder me olhar de frente.
- Você ficaria comigo? – a duvida em seus olhos fez meu coração se apertar.
Eu de fato não tinha noção do mal que havia feito a ele até ouvi-lo me pedir isso. O homem à minha frente ainda guardava dentro de si o rapaz que eu havia rejeitado, e isso era muito triste de ver.
- Talvez eu fique – fingi pouco caso para descontrair a tensão do momento, mas o vi vacilar antes que eu prosseguisse – Quem sabe você consiga me convencer, se pedir com jeitinho – instiguei-o, fazendo biquinho para prender o riso de felicidade que ameaçava escapar.
Abobalhada, o vi ajoelhar-se diante de mim e segurar minha mão direita na sua, limpando a garganta e então encarando meus olhos arregalados.
- Leah, você faria de mim o homem mais feliz... – e antes que ele concluisse eu o interrompi, afoita.
- Oh Diabos! Sim, sim – apertei sua mão na minha para enfatizar minha aceitação, dando pulinhos numa alegria incontida.
- Me deixe ao menos terminar está bem? – pediu rindo enquanto tentava controlar minha euforia – Como eu estava dizendo – recomeçou piscando para mim – Você me faria muito feliz se aceitasse de volta meu coração, para cuidá-lo, enquanto vivêssemos. O que me diz? – inquiriu, sorrindo lindamente.
- Eu aceito seu coração, se você aceitar o meu – impus resoluta.
- É uma troca justa – disse, pondo-se de pé novamente e selando nosso acordo com um beijo quente e cheio de promessas. Senti-me consumir por uma felicidade sem precedentes; meu corpo todo incendiado pelo amor que nutria por ele.
- Venha, vamos sair daqui! – convidou, pegando minha mão e juntando minha bagagem. Abriu a porta e deixou minhas malas no banco de trás antes de dar a volta e sentar-se no banco do carona, arremessando em seguida outra bolsa de viagem no banco de trás.
- De onde surgiu isso? – perguntei, olhando-o confusa.
- São minhas coisas – explicou com um sorriso maroto, me fazendo lembrar quando era mais jovem – Você não achou mesmo que eu deixaria você fugir novamente sem me levar não é? – inquiriu, piscando levianamente.
Eu comecei a rir descontroladamente até que o riso se transformasse em um choro copioso. Ele me abraçou ternamente, tentando me acalmar.
- O que foi meu amor? – sua voz preocupada me fez lutar para controlar meu ataque.
- Eu estou tão feliz que chega a doer – tentei explicar entre um soluço e outro, e me afastei para poder fitar seus olhos em meio às lágrimas que anuviam meus olhos – Obrigada por não desistir de mim – beijei-o agradecida.
- Se você me conhecesse saberia que eu não sou do tipo que desiste. Nunca – revelou terno, beijando meus olhos e eliminando os últimos vestígios do choro – Amo você Leah Clearwater, sempre amei e sempre amarei. Você terá que viver com isso – sentenciou sério.
- Isso soa bem para mim – confirmei, sorrindo feliz e deslizando a mão por seu rosto amado – Amo você Paul, muito mais do que imaginei que fosse possível amar alguém – confessei feliz. Ele deixou que seu sorriso se espalhasse até alcançar seus olhos, depois me beijou rapidamente.
- Agora que isso foi devidamente esclarecido, nos tire daqui, o mais rápido possível! – pediu, ajeitando-se no banco e prendendo o cinto de segurança.
- E para onde vamos? – perguntei curiosa.
- Para o hotel mais perto que pudermos encontrar. Tenho cinco anos de saudades para aplacar - ele disse, e seus olhos percorreram meu corpo com luxuria - A não ser que você prefira fazer outra coisa – seu sorriso malicioso fez meu corpo arrepiar e tremer em antecipação.
- Me lembre de recompensá-lo devidamente por essa sua idéia maravilhosa! – pedi, arrancando com o carro o mais rápido que podia.
Eu havia acabado de descobrir que a felicidade existia para todos, inclusive para mim, e esta tinha nome e sobrenome: Paul River.
Epílogo
Leah’s POV
Parada em frente ao espelho do banheiro, analisei criticamente o corpo ali refletido, vestindo um baby doll negro de cetim e renda; passei a mão lentamente na fenda que se abria na frente do traje, alisando meu estômago mais uma vez.
Com um suspiro, abandonei minha pose reflexiva e liberei meus cabelos da toalha branca que os envolvia, deixando que caíssem pesadamente sobre meus ombros e costas; peguei minha escova para penteá-los, mas antes que o fizesse, mãos gentis barraram meu braço a meio caminho.
- Deixe-me fazer isso – murmurou ao meu ouvido, aproximando-se por trás até encostar seu corpo no meu.
Meus olhos encontram os seus no espelho, e ainda que eu vivesse mil anos, nunca cansaria de me repetir quão afortunada me sentia por tê-lo. Eu assenti e baixei meu braço, deixando que ele tirasse a escova dos meus dedos e me levasse dali pela mão.
Segui-o até o quarto, iluminado apenas pela luz que provinha do banheiro, ficando um passo atrás para admirar mais uma vez seu corpo. Descalço, ele vestia só a calça cinza e folgada dos pijamas, e por baixo dela eu o sabia nu; os músculos de suas costas nuas ondulavam sob sua pele morena enquanto ele seguia até a cama, onde se sentou encostado à cabeceira e me puxando para que eu me acomodasse entre suas pernas, longe o bastante para que pudesse pentear meus cabelos, mas perto o suficiente para sentir seu calor.
Seus dedos carinhosos deslizaram por todo o cumprimento do meu cabelo até juntá-lo todo em um punho para desembaraçá-lo, seus movimentos lentos passando a escova entre os fios eram hipnóticos, mas fechei meus olhos, usufruindo desse contato. Quando se deu por satisfeito, deixou-os soltos e passou a escová-lo com mais vigor, seus dedos percorrendo o mesmo caminho que a escova.
Eu costumava brincar, mexendo com ele sobre seu fetiche por cabelos compridos, e ele me dizia que era só o meu que tinha esse efeito sobre ele.
Quando ficou feliz com seu trabalho, largou a escova na mesinha ao lado da cama e voltou a afastar meus cabelos das costas, liberando minha nuca, onde seus lábios quentes repousaram suavemente. Estremeci involuntariamente, e ainda de olhos fechados sorri, sabendo exatamente ao que isso nos levaria.
Ergui minha mão para acariciar seus cabelos que faziam cócegas em meu pescoço, e suas mãos desceram por minhas costelas e infiltraram-se pela abertura na frente da minha roupa. Um gemido escapou dos meus lábios quando seus dedos tocaram meus seios. Empurrei minhas nadegas para me aconchegar em sua virilha, e foi sua vez de gemer.
Girando rapidamente, Paul deitou-me de costas e equilibrou-se sobre mim; seus olhos escurecidos pelo desejo cintilavam cheios de promessas de luxuria e um prazer sem igual. Arfei quando seu quadril encaixou-se ao meu, roçando sutilmente entre minhas pernas.
Sua boca desceu capturando a minha num beijo ardente e sensual, que apagou da minha mente qualquer pensamento coerente. Minhas mãos pressionaram suas costas buscando uma proximidade maior, e uma de suas mãos infiltrou-se entre nós, apertando meu seio levemente, arrancando gemidos de ambos. Ele baixou seus lábios, mordiscando meu queixo e pescoço; com seu corpo serpenteando para baixo, ele prosseguiu beijando meu colo e meus seios sobre o tecido fino, fazendo-os palpitar, desejando um contato mais direto.
Seus dentes roçaram a pele do meu estomago e barriga, sua língua áspera encontrou meu umbigo. Num ato reflexo, arquei meu quadril e seus dedos experientes pressionaram minha carne, mas antes que eu pudesse me dar conta do por que, ele parou e puxou a coberta sobre nós. Olhei-o num misto de frustração e confusão, sem conseguir articular meu protesto.
- Lembre-se de me agradecer por isso depois – sussurrou ao meu ouvido antes de virar para acender a luz do abajur e pegar o livro que estava ali ao lado. Ainda sem entender, eu já estava prestes a confrontá-lo, quando ouvi a porta do quarto abrindo-se devagar. E foi quando minha ficha caiu.
Pela luz que provinha do corredor, vislumbrei dois vultos diminutos enfiarem suas cabeças morenas por uma brecha na porta. Olhos perscrutadores recaíram sobre nossa cama.
Abrindo mais a porta, Naylin aprumou seus pequenos ombros e nos olhou ansiosa. Nossa filha mais velha, que havia completado 4 anos recentemente, era a representação feminina de seu pai, em todos os sentidos: ela era dona de uma beleza sem igual e de uma personalidade forte. Era propensa a meter-se em confusões, mas também sempre conseguia sair delas com argumentos inteligentes e rápidos, porém, o mais encantador sobre ela era a forma como amava e cuidava de todos que lhe fossem queridos com total desprendimento.
Ao seu lado, Cold, nosso caçula de dois anos, bocejou longamente, esfregando seus olhinhos sonolentos com a mãozinha rechonchuda. Ele era muito parecido com Seth, mais até que Michael, seu próprio filho, que se parecida mais com Sandy. E não era só no físico que eles se pareciam, Cold tinha o mesmo gênio dócil e afetuoso do tio: seus olhinhos escuros eram sempre alegres, mesmo agora quando pesavam por conta do sono, e seu sorriso sempre receptivo abria covinhas em suas bochechas rosadas, fazendo com que todos se apaixonassem por ele imediatamente.
Olhei interrogativamente para meus filhos ali parados, enquanto meu coração inflava por amor a eles.
- O que fazem fora da cama há essa hora? – questionei-os calmamente. Nay deu um passinho decidido à frente; ela era sempre a porta-voz nessas ocasiões.
- Nós não conseguimos dormir, e pensamos se poderíamos ficar um pouco aqui com vocês até que o sono chegue – sua voz infantil era persuasiva. Pelo canto do olho vi Paul fechar seu livro e abandoná-lo novamente na mesinha antes de virar-se para eles.
- Venham aqui – com um sorriso cúmplice, ele os convidou, abrindo os braços para recebê-los. Naylin alcançou a cama muito antes de seu irmão, que tropeçava em seus pequenos pés enrolados na barra do pijama. Ela lançou-se aos braços do pai, envolvendo seu pescoço com os bracinhos e dando-lhe um beijo estalado na bochecha; ele riu e a sentou no espaço entre nós antes de içar Cold até a cama, e assim que se encontrou nos braços do pai, o menino descansou sua cabecinha de cabelos escuros no ombro dele, fechando os olhinhos a seguir.
Puxei Naylin para mais perto de mim brincando com suas mechas castanhas. Paul e eu a chamávamos de “Bebê La Push”, já que ela havia nascido exatamente nove meses após o casamento de Seth e Sandy. Ela era nosso pequeno milagre de reconciliação. Quando descobri que estava grávida chorei durante uma semana sem conseguir acreditar, e depois chorei outra semana inteira de pura felicidade.
- Diga a verdade, você acordou seu irmão para virem pra cá? – interroguei-a, olhando-a nos olhos. Ela suspirou, olhando entre Paul e eu, antes de responder.
- Na verdade eu perdi o sono, e como não tinha com quem conversar fui procurar Cold, mas ele estava cansado demais pra falar, aí lhe disse que viria até aqui e ele se ofereceu para vir junto – confessou, olhando-nos por sobre seus cílios e sorrindo abertamente. Paul baixou para ela, depositando um beijo em sua cabeça, me olhando divertido.
- Você deveria tê-lo deixado dormir e vindo sozinha, sabe que ele teve um dia cansativo hoje, já que foi seu primeiro dia na escolinha – advertia-a brandamente.
- Eu sei disso mamãe – ela concordou, abraçando minha cintura – Mas ele ficaria magoado amanhã quando eu lhe contasse que tinha dormido com vocês enquanto ele ficava sozinho no quarto – argumentou.
- Certo mocinha, se seu problema era sono perdido trate de encontrá-lo logo, por que amanhã a senhorita tem uma apresentação de balé e aposto que não vai querer parecer cansada, não é mesmo? – disse acomodando-a na cama, enquanto prendia o riso; ela era esperta demais.
- Você também irá assistir minha apresentação amanhã papai? – seus olhinhos súplices recaíram sobre Paul, enquanto esse se ajeitava para deitar com o filho adormecido sobre seu peito.
- Eu não perderia isso por nada meu amor – declarou carinhoso, ganhando mais um beijo dela por conta disso.
- Boa noite! Amo vocês dois, muito mesmo – disse, se aconchegando ao meu lado.
- Também te amos muito mesmo Bebê La Push – eu e Paul dissemos juntos, e rimos da coincidência.
Eu me deitei de lado, ficando virada de frente para eles. Contemplei minha família e sorri feliz por minha sorte.
Há dez anos eu havia julgado que a vida tinha acabado para mim. Para me livrar da minha condição de lobisomem, eu havia abdicado da minha família, dos meus amigos e do amor da minha vida. Porém, mais uma vez descobri que eu estava errada, graças a Deus.
Todos os dias eu agradecia aos Céus as benções que havia recebido, representadas nas figuras de Paul e nossos filhos. Minha mãe e meu irmão estavam bem, assim como a família de Paul também, e nossos amigos e familiares vinham nos visitar com freqüência depois que optamos por viver mais perto deles, em Seattle.
Paul dividia seu tempo entre sua Clinica Veterinária no centro da cidade, onde atuava como médico, e algumas, agora raríssimas, incursões a sua origem Lupina em La Push. E tinha seu tempo para nossa família, sendo que esta estava sempre em primeiro lugar para ele. Eu dividia meu tempo entre meu trabalho de meio período como enfermeira numa Clinica pediátrica e nosso lar. Alguns dias eram complicados, administrar tudo isso provou ser uma tarefa e tanto, mas eu nunca me queixava, pois nem toda dificuldade do mundo seria capaz de apagar minha felicidade diante dessa dádiva chamada família. Eu era tão orgulhosa deles. Quando as coisas saiam dos eixos, tudo o que eu precisava era olhar para eles e me sentir recarregada pelo amor que nutria por eles e vice e versa.
A loba em mim estava adormecida, e tantos anos sem me transformar havia me dado controle absoluto sobre ela, mas eu bem sabia que bastaria um só sinal de perigo, no que se referia à minha família, para que ela voltasse à ativa com força total. Por eles, eu voltaria a ser Lobisomem de bom grado.
Olhei sobre a cabeça da minha filha adormecida, ao homem do outro lado da cama, que cochilava embalado pelo ressonar do próprio filho que mantinha em seus braços, e meu coração alagou-se do mais puro amor. Sem ele nada disso teria sido possível.
Com sua persistência e uma fé incondicional no ser humano, ele havia nutrido durante anos um amor por mim que eu ainda não saberia explicar. Só sei que era imensamente agradecida a ele por isso. Estiquei meu braço até alcançar seus cabelos e acariciei-os.
Veio-me à lembrança uma certa noite, quando estávamos em sua casa depois de uma caçada, e questionei-o duramente, perguntando se ele sabia qual papel representava na minha vida, e foi quando ele me disse: “Eu sou o cara que compartilha seus pensamentos mais sombrios; sou o cara que olha pra você e vê uma garota adorável, quando todos a sua volta parecem enxergar apenas a sua armadura de frieza... Sou sua ponte para a vida real Leah”. Ele não poderia ter estado mais certo então.
E como se só isso não bastasse, ele ainda me ensinou sobre o amor. Ensinou-me que sentimentos são para ser compartilhados e não guardados a sete chaves; me mostrou que amar era arriscado, mas que não amar era morrer em vida. E era por tudo isso e muito mais que eu era insanamente louca por ele, que o amava com calma e desespero, sem medidas nem restrições. Ele me amava tal como eu era, e em troca eu o amava do mesmo jeito.
Suspirei feliz e ele abriu os olhos, girando a cabeça em minha direção.
- O que foi amor? – perguntou intrigado. Eu continuei acariciando seus cabelos enquanto o encarava.
- Só estava pensando no quanto amo você! – confessei; seus olhos brilharam com felicidade, e eu sorri.
Ele pegou minha mão e beijou a palma antes de sujeitá-la ao próprio peito.
- Eu te amo mais! – rebateu como sempre fazia, me deixando saber o quanto eu era importante para ele. Sorri ainda mais feliz, e antes de me entregar ao sono reparador, pensei que era bom que certas coisas não mudassem nunca, jamais.
Música
Paul’s POV
Recostei no batente da porta do quarto, cruzando os braços sobre o peito, me dando um momento para admirar a mulher adormecida sobre a cama. Eu tinha acabado de acomodar nossos filhos em seus quartos, e agora ela tinha a cama toda só pra si; ou pelo menos até que eu resolvesse me juntar a ela.
Às vezes eu custava a crer em minha sorte por tê-la comigo, muito embora, boa parte dessa “sorte” se devesse a minha teimosia em não desistir nunca dos meus sonhos, e outra parte por ter meu amor por ela correspondido na mesma medida.
Eu me lembrava perfeitamente do dia em que me apaixonei por ela. Eu era um garoto, e ela era uma menina magricela e implicante. Estávamos na sua casa, era aniversário de Seth, e ela estava ajudando a mãe deles a servir o bolo, eu estava sentado no sofá quando ela debruçou-se sobre o encosto para me entregar o prato, e foi então que seus cabelos longos resvalaram sobre meus ombros e tocaram meu rosto, e o perfume e a maciez deles me atingiu como um soco. Senti um aperto estranho no estômago que se estendia até meu peito, olhei-a assustado tomando ciência, pela primeira vez, da sua beleza, e então eu soube que a queria pra mim.
Eu era afortunado e agradecido por tudo que eu tinha, por meus amigos, meus pais e parentes, meu trabalho, meus filhos, mas principalmente por ter Leah. Ela era tudo pra mim; minha amiga, minha companheira, minha confidente, minha mulher, minha amante, e a mãe dos meus filhos. Eu não conseguia conceber minha vida sem ela.
Eu até tentei, durante os cinco longos e amargos anos em que ficamos separados, me esforcei muito para esquecê-la. A principio me vi louco, sem rumo, sem chão, sem céu, sem nada. Vaguei por La Push como um morto-vivo durante semanas sem fim, lamentando sua ausência e me sentindo culpado por não ter me esforçado para entendê-la. Foi então que aprendi, por duras penas, que o ciúme não era um bom conselheiro, e jurei a mim mesmo que se um dia voltasse a ter a benção de tê-la comigo novamente, jamais deixaria que algo tão insignificante como o ciúmes nos atingisse de alguma forma.
Mas os dias se passaram, seguido pelos meses, e mesmo derrotado pela dor de tê-la perdido, comecei a me cobrar ânimo. Eu sentia no fundo da minha alma que voltaria a encontrá-la, era só uma questão de tempo, mas pensei que ela não iria querer ficar comigo se eu continuasse naquela vidinha de autocomiseração. Impulsionado pelo desejo ardente de reconquistá-la, me dispus a estudar e correr atrás de algo que pudesse oferecer-lhe, além do imenso amor que sentia.
Vi a oportunidade de o reencontro surgir quando Seth anunciou seu casamento, e eu sabia que ela não deixaria de vir; ela amava muito a seu irmão. Ela só veio a saber muito tempo depois que sua mãe era minha confidente e informante; foi Sue quem mais me deu esperanças em relação a nós dois; foi sua mãe que não deixou que eu desistisse, mesmo mantendo em sigilo o lugar onde ela tinha ido viver. Ela sempre me falava sobre a filha, dizendo o quanto lamentava o fato de Leah ser tão teimosa a ponto de abrir mão do nosso amor, mas que ela tinha certeza que cedo ou tarde a filha daria o braço a torcer e voltaria à razão, por que ela intuía sobre os sentimentos da filha em relação a mim.
Quanto a vi no bar aquela primeira noite em La Push pensei que fosse morrer pela comoção de encontrá-la ali. Eu estava disposto a manter distância, deixar que ela voltasse a se acostumar com minha presença, mas falhei miseravelmente quando a encontrei na saída do banheiro; ela estava ainda mais linda do que eu me lembrava, e tudo nela era um chamado para o meu coração. Mas lutei comigo mesmo para ser paciente e aguardar.
Foi com tristeza que ouvi meu amigo dizer que ela não queria fazer par comigo durante a cerimônia de seu casamento, mas Jacob me garantiu que resolveria a questão, então deixei por conta dele. E a chance realmente surgiu quando ele a deixou nos meus braços para dançarmos a valsa dos padrinhos. Eu estava nas nuvens então, muito embora, optei por me manter frio e distante, por que eu realmente não sabia se ela ainda sentia algo por mim, apesar de todos insistirem em dizer que sim.
Ri ante a lembrança de seu pequeno desentendimento com Helen, mas verdade seja dita, eu nunca fiquei com aquela mulher, não sei nem dizer o que se passou pela cabeça dela quando partiu pra cima de mim, me cobrando um envolvimento que nunca existiu. Mas enfim, vi ali a oportunidade de poder conversar a sós com Leah e sondá-la sobre seus sentimentos, e quando a levei para casa nem por um momento achei que poderíamos acabar na cama, mesmo antes de conversarmos.
Quando a encontrei lutando com seu vestido no quarto minha intenção era ajudá-la e voltar pra sala o quanto antes, mas fui derrotado por meu desejo avassalador por ela. Senti-la em meus braços, com seu perfume marcante nos rodeando foi demais para mim, e sem pensar no que estava fazendo acabei antecipando as coisas.
Sua entrega durante o ato do amor foi como balsamo ao meu coração ferido, e minhas esperanças renasceram com força. Antes que me desse conta, corri pra casa a fim de arrumar minhas coisas; eu não a deixaria partir novamente sem que antes tivesse a chance de falar-lhe sobre meu amor. Se ela me rejeitasse então, eu iria embora e nunca mais a procuraria, mesmo sabendo que isso me mataria. Mas então, depois de uma breve discussão na qual a forcei deliberadamente a admitir seus sentimentos, me senti livre outra vez para confessar ao mundo meu amor por ela.
Desde então, ela tinha feito dos meus dias os melhores da minha vida; cada segundo passado ao lado dela era valioso para mim. E sem saber como isso era possível, eu me descobria amando-a cada dia mais e mais.
Sua força e persistência eram uma lição de vida; todos os dias eu a assistia lutar consigo mesma para superar seus medos, tanto da transformação como do maldito Imprinting, que graças a Deus nunca aconteceu comigo. Quando soubemos da sua gravidez não cabíamos em nós tamanha felicidade sentimos. Ela sempre desejou ser mãe, e eu sempre quis ser o pai dos seus filhos.
À noite em que Naylin nasceu, descobri em Leah outra faceta da sua personalidade que eu não conhecia: ela revelou-se uma mulher resignada, sua alegria em conceber a manteve tranqüila durante todo o trabalho de parto, nada de gritos ou lamentações, só sorrisos em meio à dor que eu não conseguia nem imaginar, mas que só de ouvir falar já me assustava. Ela provou que tudo valia à pena quando o amor era grande o bastante, e oh, eu a amava e amava nossa filha, imensamente.
Com Cold não foi diferente, curtimos muito sua gestação e a experiência anterior. Com Naylin, quando ainda éramos marinheiros de primeira viagem, foi suplanta em termos de tranqüilidade.
Sua dedicação em relação a nossa família era comovente, e ela se desdobrava para atender nossas necessidades sem reclamar; jamais. Era uma mãe exemplar, uma mulher maravilhosa e uma amante generosa. E era por isso e por muito mais que eu a amava.
Leah virou-se na cama, brindando-me com a visão privilegiada do seu corpo quando o lençol escorregou de cima dela. Meu corpo reagiu imediatamente. Ainda dormindo, ela tateou as cegas pela cama, a minha procura, e sorrindo me desfiz do meu pijama antes de me estender a seu lado.
Provei de seus lábios, antes de saborear sua pele, que recebia tão bem meus carinhos. Eu nunca me sentia cansado quando estava em seus braços; ela era minha fonte de energia. Eu a despi delicadamente, e ainda meio adormecida, suas mãos me tocaram e não consegui suprimir um gemido, que me alertava sobre minha necessidade urgente de estar com dela.
Sentando-me no meio da cama, peguei-a pelas mãos e a trouxe para mim, sentando-a em meu colo. Seus olhos abriram-se languidos, deixando-me saber de sua satisfação por me ter dentro de seu corpo.
- Olá – me cumprimentou sorrindo, enlaçando seus braços em meus ombros e as pernas em torno dos meus quadris.
- Oi – disse-lhe retribuindo seu sorriso, mas me mantendo parado – Acho que fiquei lhe devendo algo, antes de termos sido tão drasticamente interrompidos mais cedo – assim que lhe disso isso, movi meu quadril contra o seu para ilustrar o que queria dizer.
Ela colou seu corpo ao meu, gemendo e suspirando, acirrando ainda mais meu desejo, e o roçar de seus seios em meu peito me fazia delirar. Tomei sua boca com paixão, sua aceitação e seu desejo por mais de mim me faziam vibrar de felicidade, então me deleitei em seu corpo, dando e recebendo numa troca mais do que harmoniosa.
Eu pressenti o momento em que o prelúdio do seu prazer se aproximou, e me sentia orgulhoso de conhecer seu corpo como ninguém mais; acelerei minhas investidas para acompanhá-la naquela viagem. Seus olhos cravaram-se nos meus segundos antes de ser arrebatada pela onda de puro êxtase que retesou seu corpo e estimulou ainda mais o meu, então deixei meu autocontrole de lado e me entreguei também, sujeitando-a ainda mais apertada em meus braços, liberando-me dentro dela, marcando-a como minha, desejando que o tempo parasse nesse instante só para poder desfrutá-lo eternamente.
Acariciei seus cabelos e costas, enquanto sentia seus lábios brincando em meu pescoço; esperei que nossas respirações se normalizassem antes de deitá-la na cama, sem me retirar de dentro dela, e acomodei meu corpo sobre o seu. Descansei meus braços em seu travesseiro e segurei seu rosto amado entre minhas mãos, acariciando-o com os dedos e admirando o sorriso de satisfação que iluminava sua face.
- Você sabe que dia é hoje? – meu corpo estremeceu involuntariamente quando ela deslizou as mãos entre nossos corpos, arranhando minha pele.
- Não me faça perguntas difíceis, amor – rebateu, erguendo sua cabeça para me beijar com luxuria – Você sabe que meu raciocínio entra em curto nessas horas – um sorriso malicioso fixou-se em sua boca tentadora, e ela rebolou abaixo de mim, me fazendo gemer no processo. Forçando-me a ficar parado, voltei minha atenção para ela.
- Hoje faz dez anos que a resgatei de uma morte por afogamento naquele rio em La Push – elucidei, e sorri quando o entendimento alcançou seus olhos.
- Você sabe que eu sou uma ótima nadadora não é? E que portanto não corria risco nenhum naquele dia - eu podia ver sua mente trabalhando nesse instante, e vi as lembranças assaltarem seus olhos; reconheci os sentimentos despertados por elas – Mas lhe sou grata de qualquer forma. Não por salvar meu corpo de um hipotético afogamento, e sim por ter resgato minha alma e meu coração – suas mãos envolveram meu pescoço e ela aproximou meu rosto do seu – O amo ainda mais por isso – sua voz embargada pela emoção me comoveu profundamente.
- Fui feliz naquele dia. E sou ainda mais feliz hoje por tê-la comigo – disse emocionado – Mas existe outro jeito, pelo qual você poderia me fazer crer em sua gratidão – insinuei. Deslizei meu nariz por sua bochecha até tocar o canto da sua boca com a minha.
- Diga-me o que você deseja e eu farei – ela subiu sua coxa, esfregando-se na lateral do meu quadril e cutucando minhas costelas com o joelho; suas mãos macias empurraram a base das minhas costas, movendo seu corpo contra o meu.
Minha cabeça girava num caleidoscópio de paixão e desejo por ela, mas eu me neguei a perder o foco da nossa conversa.
- Case-se comigo Leah – pedi, prendendo seu olhar com o meu. Senti seu coração disparar. Ela sorriu disfarçando sua emoção, correndo os dedos por minha coluna até tocar meus cabelos.
- Nós já somos casados, amor. Esqueceu? – seu falso ar ofendido me fez rir.
- Na verdade nós só vivemos juntos. Não somos casados legalmente – e ri divertido quando seus olhos estreitaram-se para mim.
- Achei que você não se importasse com essas coisas – disse desconfiada.
- Eu não me importo, mas minha mãe descobriu que você abusou de mim quando eu era menor e agora exige reparação – seus olhos arregalaram-se ante a menção de minha mãe, e seu rosto ficou encantadoramente ruborizado – Então, você vai ou não fazer de mim um homem honesto? – insisti.
Ela ficou em silêncio por um ou dois minutos, antes de voltar a funcionar completamente. Eu já estava ficando nervoso pela espera, se ela se negasse a casar eu teria que arrumar outra maneira de persuadi-la, mas então, seus olhos amorosos voltaram-se para os meus, e senti que me perdia neles.
- Eu aceito – foi minha vez de ficar com o coração aos saltos – Faço qualquer coisa para vê-lo feliz – confessou antes de me beijar docemente.
- Não quero que você faça isso por mim Leah, quero que você seja feliz se resolver dar esse passo – falei calmamente, afastando minimamente nossos lábios e fitando seus olhos escuros.
- Você não entendeu ainda que minha felicidade depende da sua? – murmurou calma – Só sou feliz se você for feliz. Somos um, aceite isso e viverá bem – concluiu, sorrindo maliciosa e voltando a mexer-se sob meu corpo.
- Amo você! – afirmei, capturando sua boca enquanto acompanhava o ritmo dos seus quadris sob os meus.
- Eu te amo mais! – disse, roubando minha fala e meu fôlego.
Eu era louco por ela, e saber que ela correspondia a essa paixão e amor com a mesma força era o combustível que movia meu mundo. E antes de me entregar às correntes do êxtase que embalava nossos corpos, fundindo nossas almas como uma só, pensei que era uma boa coisa que certas coisas não mudassem nunca; jamais.
FIM!
Música Final
N/A: Oi meus amores !!*lágrimas* Chegamos ao desfecho dessa estória, que por um longo tempo fez parte das nossas vidas.
She Wolf tem um lugar especial em meu coração, foi a primeira fic que escrevi. Na verdade foi a primeira estória que escrevi em toda minha vida, então nem preciso dizer que morri de medo quando comecei né!?
A personagem Leah Clearwater sempre me intrigou. Fiquei mto empolgada quando ela entrou na história da Saga, e muito frustrada (aqui fui mega delicada ok!? hihihihii) quando vi que a escritora não lhe deu o devido crédito, encerrando a Saga Crepúsculo sem dar um final digno a Leah. Ela é tão essencial dentro daquele mundo, que sinceramente não entendi por que Stephenie Meyer a relegou ao mais completo e absurdo esquecimento no fim. Inconformada, assim que me interei do mundo das fics, pensei que seria legal dar um final feliz a ela.
Então pensei “Como seria se Leah superasse seu amor por Sam!?” e pensei também “Cara! Ela é forte, tem personalidade, então com quem ela combinaria?”. E foi então que Paul surgiu em minha mente. Nunca acreditei nessa história de que “Os opostos se atraem” no que se refere ao amor, bem pelo contrário, acho que os iguais se atraem, por isso achei que seria legal unir esses dois temperamentais e de sangue quente numa relação, que a meu ver seria convincente e promissora.
Falando sério, acho que Amanhecer nem deveria ter sido escrito, essa é minha opinião. E pior do que escrevê-lo foi a autora ter dado um peso tão significativo pro tal do Imprinting, que aliás, na minha humilde opinião, é a pior coisa sobre toda a série. Quem precisa de um impulso desses pra viver um amor!? Aliás, o Imprinting é um amor forjado, que obriga uma pessoa a ficar com outra sem ao menos levar em consideração os sentimentos dos envolvidos. Achei isso péssimo! Agora pior mesmo foi ela ter dado um Imprinting pro Paul com a Rachel, irmã do Jacob, surgida sabe Deus de onde, já que mal ouvimos falar dela durante toda a estória, e de repente a guria chega e leva um dos lobos mais hot da Saga!? >.< *ódiomortal*
Não achei nada justo. Por isso, coloquei-os juntos aqui. E espero sinceramente que vocês tenham gostado. Dediquei-me a essa estória com todo amor, chorei e sorri enquanto escrevia. Experimentei cada sentimento vivido por esses dois, ri com eles, me diverti, chorei com e por eles, sofri, e por fim fui imensamente FELIZ ao vê-los juntos. E pra mim será PRA SEMPRE.
Serei eternamente grata a essa fic, por que ela me deu a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, de travar amizades sinceras e de estar perto de pessoas tão especiais.
Obrigada a todas vocês, amigas, irmãs, colegas, ouvintes, colaboradoras, apoiadoras, entusiastas, críticas, mas principalmente fiéis leitoras da fic. Sem vocês nada disso teria sido possível! She Wolf até o penúltimo capítulo teve 286 comentários dos mais AMÁVEIS que já vi.
Meu agradecimento especial para minhas queridíssimas Duuh (minha primeira leitora) Ju, Nanda, Paulinhah, Diana, Ana Larissa, Flavinha, Juliane, Bell Reis, Emily Moon, Lelen, May, Raphinha, Renta, Feh, Ingrid, Mah, Ráh, Gabe Ormezzano, Váh, Solange, Gabi, Gabes, Thais W, Tamiih, Ma, Lika, Jé, Mariana, Beatriz, Milena, Suh Black, Ráh, Jakeline Cullen, Polly, Juu Reis, Julia, Mila Mi, Manu Oliveira, Cibelle Reis, Raahh, Ravena, Mel Cullen, Alice, Erika, Wendy, Tatty, Rav, Isis D, Sophia, Serena, Monica Leah, Leah Black, Yasmim, Monique Windt, AC Lima, Ju Rodrigues, Lidia, Virginia, Biiazinha, Mary Black, Dayana, Dani, Beatriz Dias, Lauiza, Elizangela, Thuany, Lany e CATZ (minha fã internacional direto de Portugual para o Mundo de She Wolf), que além de lerem e acompanharem a fic ainda deixaram recados MARAVILHOSOS que me animaram a continuar. AMO VOCÊS!
E lógico que não poderia deixar de citar minha amada Camila, vulgo Cams J; ela foi à responsável por todas as atts, como beta ela é MARAVILHOSA, como revisora é INCRÍVEL e como amiga é SEM PALAVRAS. Minha gratidão eterna por tudo! Amo você.
Agradeço também as leitoras anônimas, que por um motivo ou outro continuaram incógnitas, mas que marcaram presença.
Despeço-me, deixando aqui meu mais forte abraço, meu maior beijo e meu MUITO OBRIGADO POR TUDO!
VOCÊS estarão sempre em meu coração.
Key.
N/B: AI MEU DEUS, NEM ACREDITO! Nem acredito que She Wolf acabou, essa fic deixará eternas saudades, pois foi sem brincadeira uma das melhores fics que já li, e porque a escrita da Key, com essas palavras lindas que nunca falham em nos transmitir tanta emoção, me fizeram apaixonar por um outro lado de Twilight para o qual nunca me importei em dar atenção: os lobos. Me apaixonei pela personagem da Leah criada aqui, e muito mais pela personagem do Paul, coisa mais linda gente, como lidar?! Fiquei super feliz com esse final feliz, porque né, a Key bem sabe que eu a ameacei muito caso ela não fizesse com que Leah e Paul também tivessem seus felizes pra sempre! Que vampiros o que, to é com os lobos! (;
Mas enfim, sem querer abusar muito com essa notinha intrometida, gostaria também de agradecer MUITO à Key por ter me dado a oportunidade de betar essa fic MARAVILHOSA, e também por ser a grande amiga que ela se tornou pra mim, apesar de eu ser uma amiga bem relapsa, né?! Ela bem sabe! HIHI. Mas Key, muuuuito obrigada minha linda, te guardo e sempre guardarei no coração, você sabe disso! Te love you so much que você nem imagina!
E bom, agora é com vocês galera linda, looooootem essa caixinha de comentários pra deixar a nossa autora favorita muuuuuito feliz, certo?!
Much Love,
Cams J.