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Última atualização: 03/07/2023

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Centésimo Quarto Capítulo - I Won’t Let You Go

Nada. Nenhuma mensagem dela! Pelo horário, já deveria ter saído do médico e provavelmente estaria a caminho do trabalho ou até já havia chegado. Hoje ela teria um retorno para ver como o pé estava e para ter a autorização do médico para se livrar das muletas, já que estava conseguindo apoiar o pé no chão basicamente e conseguia se locomover até bem sem o apoio delas.
Depois da exposição os dois haviam se aproximado ainda mais, haviam inclusive saído para jantar só os dois, sem a intromissão ou presença dos pais e conversavam todos os dias. era sempre rápida nas respostas, por isso ele estava estranhando a demora. Especialmente porque ela havia prometido contar a ele como havia sido com o médico.
Digitou rapidamente antes de entrar na casa dos pais:


Bom dia! Tá tudo bem? Como foi no médico? Fiquei esperando você falar alguma coisa, por isso estou mandando essa mensagem!



E então entrou na casa dos pais já que hoje ele levaria Eun para a escola, haveria uma reunião para a entrega dos boletins e os pais não poderiam comparecer. A mãe tiraria o dia para curtir com as amigas num SPA já que era aniversário de uma delas e o pai nunca comparecia. Depois ele passaria na galeria, precisava organizar com o próximo expositor os detalhes e aí correria na praia com Taehyung antes de buscar a irmã na volta da escola.

fechou os olhos com força quando ouviu a risada forçada do chefe ecoar pela cozinha do escritório e então ela se deteve de entrar no cômodo. Estava evitando o chefe a todo custo, já que ele estava cada dia mais sem noção e evasivo.
- O que vocês sabem sobre a ? Ela tem um namorado ou algo assim? Pelas redes sociais dela não dá para ter certeza!
Os colegas de trabalho olharam uns para os outros, todos sabiam o quanto era discreta e reservada, dava pouca abertura e apenas fazia seu trabalho e pronto. Os colegas sabiam apenas o básico e tudo bem. franziu a testa com a pergunta feita pelo chefe. Mas que diabos era aquilo?
- A gente não sabe muita coisa da vida pessoal dela! Só que ela perdeu um irmão, e que isso acabou com ela! - uma das colegas respondeu e então encarou Bruno.
- Alguém aqui da empresa já saiu ou flertou com ela?
Os únicos dois homens presentes na cozinha olharam um para o outro.
- Que eu saiba não! Ela nunca deu abertura para esse tipo de coisa, Bruno!
sentiu o coração palpitar e levou a mão até o peito, tentando se acalmar.
- Eu descobri de quem ela é filha, pelos dados dela aqui na empresa, e vocês têm noção de quem ela é filha? - a risada forçada dele ecoou outra vez fazendo o corpo de arrepiar desde o começo até o fim da espinha - O homem que se envolver com ela, se envolver não, que se casar com ela está feito na vida! Feito! A família dela tem dinheiro para sustentar até a décima quinta geração que vier! Eu estou até agora embasbacado com essa informação! Incrível, caras! - ele ignorou totalmente as mulheres presentes na mesa.
apertou os olhos com força, que pesadelo era aquele? Aquilo podia ser considerado assédio, não podia?
- Você sabe que a empresa não permite nenhum tipo de relacionamento entre chefe e subordinado, não é?
Um dos colegas de franziu a testa antes de comer seu pão francês. viu Bruno sorrir e ajeitar os cabelos, para depois segurar na alça de sua xícara branca.
- Relaxa que eu tenho um plano!
Nesse momento engoliu seco e fechou os olhos com força. Os colegas, como se pressentissem, mudaram de assunto. Ela caminhou até a cozinha, e sorriu sem mostrar os dentes para eles, sentindo as pernas vacilarem um pouco.
- Ah, você está sem as muletas! Que coisa boa! - ela sorriu para a colega.
- Foi ao médico, ? - o chefe fingiu se importar - Já está liberada para ficar sem as muletas mesmo?
ficou com o semblante sério. Ela sabia que ele não se importava, afinal de contas, ele tinha um plano, não tinha?
O trabalho na empresa tinha duplicado e ela andava trabalhando tanto quanto respirava, mal tendo tempo para sair com os amigos ou para ficar com os pais. Hora ou outra ela conseguia encaixar uma das amigas ou Jin na agenda! Na hora do almoço ela leu a mensagem que ele havia mandado com um sorrisinho no rosto. Nem dava para acreditar que os dois estavam indo tão bem daquele jeito… Bruno a observava digitar rapidamente no celular enquanto sorria.
-Está falando com o namorado?
- Hã? - fingiu de desentendida e continuou digitando.

Jin

Desculpe não ter dado notícias até agora! Eu acabei me esquecendo e hoje tá um pouco puxado aqui no trabalho! Tá tudo bem com o meu pé, eu já consigo andar sem o apoio das muletas e o exame não apontou nada! Não sinto mais dores também!



O chefe tentou bisbilhotar o celular de na cara dura, e ela o bloqueou, o fuzilando com o olhar logo em seguida.
Durante o almoço ela teve que aturar as investidas e as piadas de mau gosto do homem que não percebia o quanto incomodava, não só ela, como a todos da equipe. Alguém precisava pará-lo… mordeu o lábio, enquanto pensava se denunciava o chefe para a diretoria da empresa ou não!

Seokjin abria a porta do carro para Eun, quando ouviu seu nome ser chamado. Ele olhou na direção de onde vinha o chamado e encontrou Willian sorrindo e chamando-o com uma das mãos.
- Vai entrando que vou ali falar com o pai da !
- Vulgo seu sogro, não é? - Eun gargalhou enquanto ajeitava a mochila nas costas.
Seokjin sorriu enquanto balançava a cabeça para a irmã.
- Criança! Para com isso! Avisa o pai e a mãe que já entro!
Ele caminhou em direção ao mais velho e os dois apertaram as mãos.
- Como tem passado?
- Bem! E o senhor?
- Você, por favor! Não precisa dessa formalidade! - o homem lhe apertou o ombro.
- Certo! - Jin riu - E você?
- Tudo bem, meu filho! Eu não quero ser abusado, mas posso pedir um favor?
Seokjin assentiu para ele que sim. O que será que o mais velho queria?
- Eu não vou conseguir buscar a no trabalho hoje! E ela está sem carro, será que seria muito pedir que você a buscasse para mim?
Não era nenhuma armação, bom, não totalmente! Willian realmente não conseguiria buscar a filha antes das oito da noite, já que ele precisaria voltar para a própria empresa para resolver um problema. Mas é claro que seria interessante se Jin pudesse buscar a filha em seu lugar, assim eles se aproximariam ainda mais, não? Claro que Seokjin não se importaria em buscar , aliás, ele adoraria…
- Não! Não tem problema! Eu a busco! Pode ficar tranquilo! Ela sai que horas mesmo? - Jin fingiu que não sabia.
- Ela já deve estar saindo. No máximo às dezoito e trinta!

já tinha os braços cruzados abaixo dos seios e balançava o corpo para frente e para trás, impaciente. O pai não era de se atrasar, e muito menos de não avisar que se atrasaria.
- Vamos! Eu te levo para casa, docinho! Aliás a gente bem que podia tomar uma cerveja ou comer alguma coisa, o que acha?
fechou os olhos com força quando ouviu a voz do chefe ecoar e especialmente quando sentiu uma das mãos dele em sua cintura. Ela deu um passo à frente, ele deu também, sem tirar a mão dela.
- Obrigada, mas eu já estou esperando virem me buscar!
- E quem vai vir? Parece que tá atrasado né?
abriu os olhos e se preparou para responder o chefe da maneira mais direta o possível, mas resolveu se calar. Estava cansada, e esperaria pelo pai lá fora, a fim de se livrar do chefe. Mas ele a acompanhou.
- Ah, qual é, ! É só você ligar para essa pessoa e dizer que já arrumou uma carona! Eu!
Bruno segurou o braço de com certa força, fazendo com que ela se desequilibrasse um pouco e Jin assistiu a cena, sentindo o sangue começar a ferver nas veias.
- Vai me recusar um convite desses? Do seu chefe? Eu sei que você está cansada, vamos relaxar um pouquinho! - ele tentou colar o corpo no de .
- Não precisa, Bruno! Obrigada! Eu vou esperar pela minha carona! Pode ir, inclusive!
voltou a andar, se livrando dos braços do chefe, mas parou subitamente quando bateu os olhos em Seokjin do outro lado da rua, saindo de sua camionete. O chefe acabou por esbarrar nela, mas não se deu conta. O que Jin estava fazendo ali? Ele sabia que era o prédio que ela trabalhava? Tentou buscar na memória se já havia comentado onde a empresa ficava e não se lembrou… seria uma coincidência? Quando os olhares se encontraram ele já estava quase chegando.
- Jin? - ele sorriu e sorriu de volta.
- Oi, amor! - ele puxou para um abraço apertado.
, mesmo confusa, enfiou a cabeça no peito dele e o abraçou de volta, com força também. Não entendeu, mas se sentiu tão segura com ele lá. E Jin sabia que provavelmente ela não estava entendendo muito bem. Sussurrou contra o ouvido dela:
- Confia em mim, ok? - fez que sim para ele com a cabeça - Vim te buscar como sempre, ué!
Bruno analisou a cena com cuidado e pigarrou.
- Você nunca comentou que tinha namorado…
O tom de voz dele agora era áspero.
- Bom, é porque isso é a minha vida pessoal! Não diz respeito ao meu trabalho! Não interessa muito, não é?
Ela agora tinha a cabeça escorada no peito de Seokjin que a abraçava pela cintura, encarando Bruno. Ele estendeu a mão na direção do chefe de .
- Mas não seja por isso! Prazer, Seokjin, namorado da !
quis sorrir ao imaginar o quão incrível seria quando aquela frase fosse dita de verdade, com aquele significado realmente. Mas ela não apressaria as coisas… não queria perder Jin outra vez. Não meteria os pés pelas mãos outra vez.
- E você?
Bruno apertou a mão de Seokjin com certo desdém e nada satisfeito e quis rir.
- Bruno! Chefe da !
- Ah! Chefe…- Seokjin devolveu o desdém com a fala e com o olhar – Vamos, amor? Você deve estar cansada!
assentiu para ele enquanto segurava o riso.
- Boa noite, Bruno!
- Boa noite, Bruno! - Seokjin repetiu enquanto entrelaçava a mão de a sua.
Os dois caminharam assim, sobre o olhar desdenhoso e raivoso de Bruno, até entrarem no carro. Aquilo de andar de mãos dadas pareceu tão certo para
Quando Jin deu partida no carro, a morena gargalhou alto. Mas Jin permaneceu sério.
- Eu não estava esperando!
- Seu pai não pode vir e me pediu para vir no lugar dele! E eu quis fazer uma surpresa, mas não esperava encontrar o babaca do seu chefe te assediando mais uma vez! alguém precisa fazer alguma coisa! Ele precisa parar!
- Eu não quero me indispor com ninguém dentro da empresa, Jin! Nem com ele! Ele é irrelevante para mim, e eu sei me defender desses ataques dele! Não precisa se preocupar com isso, hum? Eu já estou acostumada, eu trabalho em um ambiente totalmente machista e sexista! Não tem nem vinte e cinco por cento de mulheres dentro da empresa… sempre foi assim no mercado de games! Então eu meio que já me habituei a isso! E aprendi na marra a me defender desse tipo de abuso!
- Mas não deveria ser assim! - ele bateu levemente as mãos no volante.
sorriu achando Jin gracioso por estar bravo.
- Você fica fofo assim, bravo com o patriarcado, sabia?
Os dois acabaram gargalhando e fechou os olhos enquanto escorava a cabeça no banco. O céu que já estava escuro, deixou a chuva cair. Os dois se olharam quando os primeiros pingos bateram no para-brisa da camionete de Seokjin.
- Achei que nunca mais isso fosse acontecer…
- O quê? - ela perguntou.
- Chover quando estivéssemos juntos… tinha um tempo que não acontecia!
- Desde o acampamento!
- Me dá um pouco de medo - ele suspirou - Porque só costuma chover, quando nossos encontros são turbulentos.
- No acampamento as coisas começaram a mudar… não foi turbulento!
Os dois voltaram a se olhar. Seokjin sempre via galáxias nos olhos de , desde que ela ainda era Olívia. Na verdade, desde que ele a via somente em seus sonhos. Mas ela não sabia. Aliás ele ainda sonhava com ela, e ela também não sabia.
- Acho que passamos dessa fase de turbulência, podemos estar perto de aterrissar!
Seokjin sorriu com a metáfora. Talvez ela tivesse razão.
Quando os dois chegaram na porta da casa dela, já dentro do condomínio ele perguntou se podia deixar o carro lá por alguns minutos até falar com os pais, disse que não demoraria e ela, claro, deixou. Antes agradeceu a ele pela surpresa, pelo favor e por ter chegado justo na hora.
- Obrigada pela carona! Fiquei feliz! - as bochechas dela enrubesceram - Obrigada por ter me ajudado também! Com o Bruno!
Seokjin sorriu sem mostrar os dentes enquanto colocava as mãos nos bolsos, meio sem saber como se despedir dela. Antes que ele pudesse agir, a irmã ligou. Jin atendeu.
- Eu acabei de chegar aqui no condomínio, criança! - ele pausou - Sim! Ainda estou com a ! Ela está aqui na minha frente, por quê?
Seokjin franziu o cenho. riu. Ele tapou o telefone com uma das mãos retirando o mesmo do ouvido.
- Meus pais estão fazendo um jantar típico e estão convidando você e seus pais!
arregalou levemente os olhos. Os pais não desistiam de juntar os dois e ela quis rir outra vez.
- Vou entrar e falar com eles, respondo por mensagem pode ser?
- Claro! Não se sinta na obrigação de ir! Sei que está cansada!
Ela acariciou rapidamente a bochecha dele com o polegar antes de entrar em casa.
Assim que adentrou a casa o pai ainda não havia chegado e ela encontrou a mãe deitada no sofá, mexendo no aparelho celular. Sorriu.
- Ei, mãe! - ela se jogou no sofá ao lado da mais velha, que olhou para ela.
- Ei, bebê! - a mãe lhe beijou os cabelos. - Veio com o Seokjin? Seu pai acabou de me mandar mensagem perguntando se você já tinha chegado! Ele teve um imprevisto na empresa e teve que voltar para lá, disse que daqui quinze ou vinte minutos é que chega aqui ainda! Vou pedir o jantar, hoje fiquei com preguiça de cozinhar!
fechou os olhos enquanto a mãe, agora, lhe acariciava os fios de cabelo.
- Eu vim com ele! - sentiu as bochechas voltarem a ficar vermelhas - E os pais dele nos convidaram para um jantar coreano na casa deles…
- Ui! - gargalhou com a reação da mãe, que deu um pulo do sofá, ficando de pé - Então vamos nos arrumar! Confirme ao meu futuro genro que vamos! Vou avisar seu pai que ele pode ir direto para lá!
- Mas você nem sabe se eu quero ir! E outra e se vocês não gostarem da comida coreana?
- Ah, ! Que não quer ir o quê? Você quer enganar quem? Eu vi você e o Seokjin se beijando no carro dele aquela vez do acampamento da ! Pronto!
arregalou os olhos com força e então cruzou os braços abaixo do peito. Havia tanta coisa que a mãe sequer sabia sobre aquele beijo e antes daquilo!
- Mãe! Foi só um beijo e nós dois só estamos nos conhecendo, não começa a fantasiar as coisas!
- Então vamos! Anda, mocinha! - ela puxou do sofá, que voltou a rir.
Antes de tomar seu banho, ela avisou a Seokjin que iriam ao jantar.

Eui recebeu e Eliana com um abraço em cada, demorando um pouco mais no de , que fechou os olhos enquanto sorria. Eui nem disfarçava. Depois ela abraçou Eun que veio correndo para fazê-lo e então cumprimentou Seokjin outra vez, com um aceno de cabeça. Si-Woo cumprimentou com um aperto de mãos e perguntou por Willian, ao que Eliana respondeu que ele havia ficado preso na empresa, mas que já estava a caminho do jantar.
Os seis se sentaram à mesa e e Jin se sentaram lado a lado dessa vez. Enquanto eles esperavam por Willian, as mães conversavam sobre um assunto aleatório qualquer que e Jin não se atentaram muito, enquanto Eun mexia no celular. sentiu delicadamente a mão de Jin sobre a sua embaixo da mesa, e então deixou que se entrelaçassem. O coração de batia rápido, nada daquilo parecia real quando ela olhava para trás e se lembrava do quão rancoroso e raivoso ele estivera quando se reencontraram. E ela estava feliz, feliz por aquilo tudo parecer passar…
Logo o pai de chegou e se juntou a eles na mesa. Os pais de Seokjin perguntaram o que eles sabiam sobre a culinária da Coreia, e os pais de foram honestos, dizendo que não sabiam basicamente nada sobre a culinária do país asiático, quando eles olharam para , esperando a resposta, ela contou sobre o acampamento:
- Na viagem para o acampamento, o Seokjin e os outros meninos cozinharam para a gente! Então eu já comi alguns pratos! Eu não me lembro de todos eles - ela riu - Mas me lembro de ter gostado da maioria!
Eui e Si-Woo trocaram olhares, felizes por saber que a possível futura nora - no que dependesse deles - já estava começando a se familiarizar com a cultura e culinária deles.
- Então o Seokjin já apresentou um pouco da cultura para você?
- Sim! Ele cozinhou parte dos pratos e eu até já o ouvi falando em coreano, com os outros garotos! - e ele trocaram um olhar - E ele me ajudou com os palitinhos, como é mesmo o nome?
- Os hashis! - Seokjin mexeu neles dispostos pela mesa.
- Inclusive eu acho que vou precisar de ajuda outra vez! - ela sorriu, sem graça.
- Aqui! Deixa eu te ajudar!
Si-Woo observou enquanto o filho ensinava e ajudava com os hashis, e então ele sentiu orgulho do filho, ali, ajudando com toda a paciência a entender a dinâmica e toda a cultura do país de origem.
Os pais de Seokjin explicaram os pratos para os pais de enquanto Seokjin e Eun relembravam os pratos para e explicavam sobre os pratos que ela ainda não conhecia. Os pais de Jin haviam preparado um verdadeiro banquete, com muitos pratos e muita variedade, era quase como se fosse um rodízio coreano. Enquanto eles comiam, dividiram suas opiniões sobre o sabor e aparência da comida. Os pais - tanto os de , quanto os de Seokjin - toda hora paravam as conversas para observar Seokjin e interagindo um com o outro, e os olhos de Si-Woo até brilhavam quando os dois gargalhavam juntos de algo ou quando ela tinha dificuldade com os hashis e o filho a ajudava ou acabava por levar a comida até a boca de .
Os dois se voluntariaram para lavar um pouco das louças antes de colocá-las na máquina que as lavaria e então Eun se despediu de , já que ela tinha um trabalho para fazer e os pais foram para sala, jogar conversa fora e beber algumas bebidas tipicamente coreanas. Jin e estavam juntos à pia, enquanto ele lavava as louças para tirar o excesso, ela as colocava na máquina para serem de fato lavadas.
O silêncio entre os dois já não era mais tão incomodo, os dois já conseguiam se sentir confortáveis com o silêncio um do outro. sentia as costas e o pé doerem um pouco, então ela escorou-se próxima a Jin na pia e fechou um pouco os olhos.
- O que foi? Está passando mal?
- Não! Só estou com dor no pé e um pouco nas costas!
- Então senta! Deixa que eu termino aqui, !
- Não! Já está passando, tenho que tomar o remédio quando eu voltar para casa, não se preocupe! - eles se encararam.
Seokjin se atreveu a selar demoradamente os lábios dela, que mesmo surpresa, fechou outra vez os olhos e cedeu aos lábios dele.
- Preciso falar uma coisa! Acho que vou me sufocar se não falar sobre isso com você!
- O quê? - umedeceu os lábios, sentiu medo.
Seokjin passeou os olhos pelo rosto dela, e então voltou a olhar dentro dos olhos de . Ele não sabia se era o momento ideal, ou se era o melhor momento para falar aquilo, mas estava sentindo que deveria fazê-lo, e com era assim: ele não gostava de guardar as coisas para si, porque justamente de tanto os dois guardarem os sentimentos e os esconderem um do outro, tudo havia explodido.
- É que eu acho que estou finalmente me apaixonando por você! Por você de verdade, pela
voltou a umedecer os lábios, de repente eles haviam voltado a ficar secos. O coração dela saltitava, como uma adolescente. E então, os dois se beijaram. Os lábios se mexiam no ritmo um do outro e segurou o rosto dele entre as mãos, como se ele fosse a coisa mais preciosa do mundo, e de fato, ele era! Pelo menos para ela.



Centésimo Quinto Capítulo - I got you

vislumbrou o celular vibrando pela milésima vez só naquele dia. Era Hoseok. Provavelmente assim que ela desligasse, Namjoon ligaria. Parecia até que eles combinavam…
Quase uma semana ou mais desde que tudo havia desabado sobre a cabeça de . O pedido de namoro de Namjoon e toda a sequência daquela noite ficavam indo e voltando na mente conturbada dela. Assim como as palavras de Hoseok: egoísta, principalmente essa.
E era exatamente assim que ela se sentia: egoísta, mesquinha e pequena. Pequena não, minúscula. O coração dela já não batia rápido fazia uma semana ou mais, e ela sentia as mãos formigarem com frequência. Trabalhava apenas com o corpo, executava as tarefas no piloto automático e mal conversava com os colegas de trabalho, com , com , com os amigos no geral. Era do trabalho para casa e ela chorava basicamente todas as noites antes de pegar no sono com força.
Ouvir a confissão bêbeda de Namjoon havia pegado completamente de surpresa, ela não achava que ele estivesse se apaixonando por ela… e Hoseok…
Fechou os olhos com força ao pensar no moreno. Sabia que ele estava totalmente inseguro e insatisfeito, mas não pensou que o estrago feito no íntimo de Hoseok fosse tão grande. Mas e ela? Alguém havia sequer pensado em como o peito dela estava? No quanto uma escolha daquelas a destruía? No quanto ela realmente gostava dos dois igualmente? Será que eles haviam parado para pensar que se ela gostasse 1% a mais de qualquer um dos dois ela teria decidido que ficaria em definitivo com um dos dois e só?
Sim! Ela havia sido egoísta e sabia disso! Ouvir em voz alta e de Hoseok só fez a cratera dentro do peito dela dilacerar e sangrar. Ainda mais por saber que fazia Hoseok sangrar junto com ela, e por causa dela. E Namjoon? Ele havia sido vulnerável com ela de novo, que nem quando eles haviam se beijado pela primeira vez… e ele tinha medo, ele tinha medo da vulnerabilidade, e havia reagido com tanto desdém! Balançou a cabeça enquanto marejava os olhos e via o nome dele iluminar a tela.
olhou da tela para a amiga.
- Não vai mesmo atender nenhum dos dois?
fez que não para ela enquanto deixava o prato de comida de lado.
- Eu não me sinto preparada para falar nada para nenhum dos dois ainda! E não coloquei as coisas em ordem dentro de mim e isso pode lambuzar as coisas ainda mais!
fez que sim para a amiga com a cabeça. As duas vislumbram Jimin voltando para a empresa com Chloe a tiracolo. balançou a cabeça, Jimin também precisava organizar as coisas e parar de fazer lambança com a amiga e com ele mesmo.
- Quer esperar dar tempo de ele chegar na sala de vocês? Ou podemos ir?
- Mas você mal comeu!
- Não sinto fome nessas situações, você sabe! - tentou sorrir.
- O que a terapeuta fala para você sobre isso?
- Que é melhor eu tirar o tempo que eu precisar para colocar as coisas em ordem, mas que preciso estar ciente que posso perder os dois para sempre nesse período, e que eu posso perder um dos dois para sempre, se tomar uma decisão! E que vou sofrer uma perda independente da decisão que eu tomar! E isso só piora as coisas dentro de mim! - deu um riso forçado.
segurou a mão da amiga sobre a mesa.
- Eu não devia ter armado aquele encontro entre vocês dois!
- Ah, para! Você não tem culpa de nada! A única culpada aqui sou eu! - pausou por alguns segundos - Você tem falado com ele?
- Namjoon? - assentiu - Ele me pergunta de você todos os dias…
- E você? Fala o quê?
- Que você está bem, que ele não precisa se preocupar, mas que ele precisa respeitar seu tempo! E ele de fato só pergunta como você está, como estão as coisas…
suspirou pesadamente. Tempo: o curandeiro e também o assassino.

Ele se sentou no bar e depois retirou o paletó colocando-o sobre a cadeira ao seu lado. Bagunçou levemente os cabelos e então pegou o cardápio do lugar em vão. Ele só queria uma cerveja, sentir o gosto dela bem gelada descendo por sua garganta, para tirar o gosto amargo que os dias sem estavam deixando em sua boca. Nos três primeiros dias, Namjoon se arrependeu amargamente de ter a pedido em namoro, de ter colocado tanta pressão em , sabendo que ainda não era o momento. Nem para ele, nem para ela. Mas pela primeira vez em anos, ele teve medo de perder. Ele não perdia! Nenhum caso…
Mas já havia dito: ela não era um caso! Aquilo não era uma competição! Bom, na verdade até era: entre ele e a insegurança de anos fugindo do amor, de anos fugindo de ser vulnerável, de anos sem saber o que era de fato o amor… não entre ele e Hoseok! Claro que ele não queria perder para o químico. Mas hoje, olhando para trás, ele se perguntava se o problema realmente era Hoseok… e não ele. E não a insegurança que bradava em seu peito e um ego inflado demais para entender que perder para outro, só doía tanto porque ele estava apaixonado. O garçom interrompeu os pensamentos conturbados de Namjoon para perguntar se ele já havia escolhido. Namjoon pediu sua cerveja e dois copos.
Retirou o telefone da pasta e os óculos também. Abriu o grupo que havia criado, que bombava todos os dias de assuntos variados… clicou na descrição do grupo e desceu até os membros. Achou o nome e o número de Hoseok lá. Como será que ele se sentia? Como ele estava lidando com aquele afastamento? Namjoon estava louco para saber... Quando viu, o número de Hoseok já chamava.
Hoseok retirou o celular do bolso rapidamente quando ele começou a vibrar, por uma fração de segundos ele achou que fosse … mas era um número desconhecido. Ele sempre atendia, tinha medo de ser alguma coisa com o pai.
- Alô! - ele colocou o capacete sobre o banco da moto.
Namjoon pigarreou, de onde tiraria coragem para fazer aquilo?
- Alô? Pois não? - Hoseok chamou.
- Hum! - Namjoon umedeceu os lábios – Oi, Hoseok! É o Namjoon! Peguei seu número no grupo!
A garganta de Hoseok fechou. Ele também umedeceu os lábios. O que ele queria? E por que a voz dele no telefone ficava tão bonita? Hoseok apertou os olhos.
- E o que você quer?
- Que você abaixe a guarda, primeiramente!
- Abaixar a guarda com você?
- Estranho, eu sei! E muito irônico! Mas sim! Pode abaixar a guarda! Eu vim em paz!
- Sei! E o que você quer me ligando? Além de querer que eu abaixe a guarda?
- Que horas você sai do trabalho? Pensei de nos encontrarmos…
- Pensou de o quê? - Hoseok gargalhou, de nervoso.
Namjoon suspirou pesadamente, começando a se irritar.
- Acho que talvez nós dois, sei lá! Pudéssemos conversar sobre tudo isso! Como dois homens maduros! Talvez até, não sei, possamos nos resolver!
- Nos resolver? - a pergunta havia sido mais para ele mesmo do que para Namjoon.
- Você pode vir ou não? - Namjoon suspirou outra vez, impaciente.
Hoseok mordeu o lábio, pensativo. Ele precisava mesmo conversar sobre tudo aquilo com alguém. Hoseok só tinha o Jimin, mas não podia contar mais com ele e nem sabia o porquê…
- Me manda o lugar!
E ele desligou, fazendo o coração de Namjoon pular dentro do peito.
A cerveja já havia chegado e Namjoon serviu a si mesmo com o líquido enquanto esperava por Hoseok. A perna direita dele balançava incessantemente debaixo da mesa enquanto a ansiedade permeava seu tronco, fazendo o coração bater rápido. O que exatamente ele conversaria com Hoseok? Quer dizer, ele até sabia o que falar… mas como aquilo podia ajudar os dois? Deu um longo gole da cerveja gelada que ele tanto ansiava e sentiu o coração acalmar um pouco conforme a cerveja ia descendo. Hoseok avistou ele sentado sozinho no bar, tomando alguma coisa que ele julgou ser cerveja. Hoseok guardou o paletó junto com a pasta, no compartimento da moto, conferiu se a carteira e o celular estavam no bolso e então se aproximou do advogado.
Namjoon se levantou rapidamente com a presença de Hoseok e então os dois, assustados, se encararam. Os olhos de Namjoon examinaram o rosto de Hoseok, que tinha os olhos levemente arregalados e os lábios dele pareciam formar um coração conforme a boca dele formava uma espécie de vogal “o”, provavelmente surpreso com a forma que Namjoon se levantou abruptamente.
- Achei que você fosse desistir!
- E eu deveria ter desistido?
- Não! Não deveria! Senta! - Namjoon apontou para a cadeira em frente a sua com a mão.
Hoseok assim o fez, sendo seguido de Namjoon. O advogado serviu cerveja para ele, no copo que havia pedido mais cedo, e então o arrastou na direção de Hoseok sobre a mesa. Ele levou a mão até o copo que Namjoon serviu para ele e então deu um longo gole da cerveja, tomando quase todo o líquido de lá. Namjoon acompanhou o copo sendo depositado outra vez sobre a mesa. Os dois ficaram em silêncio, por alguns segundos.
- Você falou com a essa semana?
Hoseok balançou a cabeça negativamente.
- Não! Ela não responde as minhas mensagens e não atende as minhas ligações! Desde que tudo explodiu!
Namjoon balançou a cabeça e então bebeu o restante de sua cerveja, depois ele serviu o copo dos dois de novo. A garrafa já estava vazia. Ele chamou o garçom, e pediu mais uma.
- E você? Tem falado com ela? - Hoseok perguntou antes de levar o copo aos lábios.
- Não! Ela também não me atende! - Namjoon balançou a cabeça em negativo outra vez - A me diz todos os dias que ela está bem, na medida do possível! Que ela só precisa de um tempo!
- Mas e nós dois? Não merecíamos sei lá, uma explicação?
- Sobre o que exatamente?
- Sobre esse tempo…
- Mas no dia que tudo explodiu, eu me lembro de ela ter falado algo sobre precisar de um tempo! Ou eu estava tão fora de mim?
- Ela disse algo do gênero, mas ainda assim eu acho que… - ele pausou - Na verdade eu acho que não sei mais de nada!
Mais um gole, mais cerveja no copo e Namjoon a mesma coisa.
- Como você está com isso tudo? - Namjoon coçou a nuca.
- Isso importa mesmo para você?
- Não sou um monstro, Hoseok! Eu sei que você me acha horrível, me acha arrogante, antipático, antiético, e sei lá mais quais outros adjetivos ruins! E entendo, entendo de verdade você ter essa imagem de mim… mas eu não sou isso! Eu sou humano e erro como todos vocês. Eu agi no impulso! Eu estava inseguro, com medo, não sei lidar com esses sentimentos todos! Nunca precisei lidar com eles tão diretamente assim!
Namjoon engoliu seco depois de despejar suas vulnerabilidades em Hoseok. Outra vez o bico de surpresa e os olhos arregalados estavam presentes nas feições de Hoseok. Ele não esperava.
- Você nunca sentiu essas coisas antes? Medo, tristeza, frustração, inferioridade?
- Já! Medo, eu senti quando minha mãe deu a primeira crise esquizofrênica na minha frente! Achei que ela fosse morrer e tive muito medo ali! Eu tinha oito anos… - os olhos de Namjoon se encheram de água - Tristeza eu senti muitas vezes na vida! Quando minha mãe não me reconheceu pela primeira vez, quando ela foi internada, e eu sinto esse maldito sentimento todas as vezes que ela não se lembra de mim… juntinho com a tristeza vem a frustração, pelo mesmo motivo! Inferioridade eu sempre senti quando estive junto ao meu pai, foram poucas vezes inclusive! E eu jurei para mim mesmo que não queria mais sentir todas essas coisas!
Eram muitas informações e Hoseok não estava entendendo muito bem. Ele tomou mais alguns goles da cerveja e massageou as têmporas após isso.
- Sua mãe? Ela tem esquizofrenia?
Namjoon assentiu para ele com a cabeça enquanto encarava o copo de cerveja já quase vazio. Poucas pessoas sabiam de tudo aquilo… Nem para ele havia revelado seus sentimentos sobre aquilo tudo de forma tão profunda.
- Eu tinha um irmão! Na verdade, ele morreu no parto! E a minha mãe queria muito aquele bebê! Eu fui o filho que não foi planejado, meus pais não eram casados e meu pai só se casou com ela por causa da gravidez! Os dois nunca se amaram! E meu pai só se casou com ela porque os meus avós o obrigaram e a minha mãe só não teve coragem de abortar por causa da família! Mas com o meu irmão não! Ele foi esperado, planejado, querido… sonhado! Ele era a esperança da minha mãe e do meu pai, de que eles pudessem construir o amor juntos. Sei lá! Nunca entendi muito bem o que era o amor! Amor entre homens e mulheres, no sentido de relacionamentos! O amor fraterno eu entendi cedo, porque eu sempre senti pela minha mãe! Mas aí o bebê morreu, e ela enlouqueceu!
Os olhos do advogado marejaram pesadamente. Hoseok se ajeitou na cadeira e encarou Namjoon.
- Aí ela começou a esquecer as coisas! As pessoas… só lembrava do bebê e da morte dele! Até que ela começou a achar que alguém tinha roubado ele dela! Aí ela fugia, saia o procurando pelas ruas, nos hospitais! Não aceitava que ele tinha morrido. E consequentemente, eu morri para ela também!
- Ela parou de cuidar de você?
- Não só isso! Ela se esqueceu de mim! Ela literalmente não se lembrava mais quem eu era! Ela não se lembra até hoje.
Hoseok voltou a arregalar os olhos enquanto Namjoon voltava a se servir da cerveja. Aquilo era realmente uma coisa que jamais havia passado pelos pensamentos de Hoseok. Ele achava que Namjoon era perfeito, que ele tinha uma vida perfeita, uma família perfeita. Sem traumas, sem dor…
- Eu sinto muito! - Namjoon olhou para ele.
- Eu acredito que você sente! Você é um cara bom…
Ele chamou o garçom para pedir mais uma garrafa. Hoseok juntou as mãos uma na outra, as entrelaçando sobre o próprio colo. Aquilo realmente havia pegado o químico de surpresa.
- E o seu pai?
Namjoon deu de ombros, bebeu sua cerveja.
- Faz pelo menos uns oito anos que eu não falo direito com ele! Ele sumiu, depois que eu assumi todas as responsabilidades com os gastos da internação da minha mãe. Ele nunca se importou! Nem comigo, nem com ela! Ele vivia jogando a culpa de tudo o que aconteceu nela!
Silêncio. Hoseok sentiu a cabeça querer latejar. A outra garrafa de cerveja foi deixada pelo garçom sobre a mesa e Namjoon agradeceu. Aquilo nem parecia real.
- Eu sinto muito mesmo! Não deve ter sido nada fácil! Você ainda vê a sua mãe?
- Vejo! Foi lá na clínica que ela fica que eu conheci a ! Ela presta uma espécie de trabalho voluntário lá! Porque tem uma parte do hospital que é para crianças e idosos que não tem condições de pagar, o hospital arrecada algumas doações e também recebe alguns voluntários para ajudar! Além de visitar minha mãe lá, eu também sou voluntário e ajudo como posso com algumas doações!
Mais uma surpresa. Nem parecia o mesmo Namjoon que ele havia conhecido.
- Por que não deixa as pessoas verem seu lado bom? - Hoseok fechou os olhos, se arrependendo de ter pensado tão alto.
- Porque quando se vê o bem, se espera o bem… e eu não quero ter que atender a expectativa de ninguém!
Hoseok voltou a beber do líquido amarelo em seu copo, enquanto Namjoon já se servia outra vez.
- E você?
- Eu o quê? - Hoseok desconversou.
- Não vai me falar nada sobre você? Não vai me contar alguma coisa que te rasgou o peito?
Hoseok engoliu seco. Tanta coisa lhe rasgava o peito…
- Eu também fui rejeitado pela minha mãe… não que você tenha sido rejeitado pela sua! - ele tentou se corrigir enquanto balançava a cabeça desajeitadamente.
- Mas eu fui! Inconscientemente talvez, mas fui! Aliás sou! Todos os dias!
Hoseok engoliu seco de novo. Bebericou mais um pouco da cerveja. Namjoon também.
- Ela e seu pai são separados?
- Ela nos abandonou! Quando eu tinha cerca de um ano de idade! Ela fugiu! Deixou uma carta dizendo que aquela vida não era para ela! Que ela havia nascido para ser livre, que até havia tentado, mas que não queria viver daquele jeito!
Foi a vez dos olhos de Hoseok se encherem de água. Aquilo tudo ainda doía tanto.
- E ela nunca voltou?
- Nunca! Ela sumiu… até hoje! E isso destruiu o meu pai! De todas as formas possíveis! Meu pai procurou por ela por uns três anos, mas desistiu. Só que, sabe? Acho que no fundo, bem no fundo até hoje ele tem esperanças que ela volte!
- E você? Tem essas mesmas esperanças?
- Não! Nunca tive! Todo mundo na escola dizia que ela jamais ia voltar, e que provavelmente ela tinha vergonha de mim ou do meu pai! E a minha vida na escola nunca foi fácil! Todo mundo zombava de mim, porque eu era o menino que nem a mãe queria! E aí eu nunca tive amigos, as pessoas que se aproximavam só me apunhalaram pelas costas, então eu cresci sozinho e cheio de inseguranças e de receio! Sem deixar ninguém se aproximar, eu vivia com medo do que os outros podiam me causar e do abandono!
Agora Namjoon entendia com mais clareza os motivos de tanta insegurança e timidez, e o porquê ele tinha tanto medo de perder
- O Jimin e a foram as duas únicas pessoas que eu confiei de verdade! Que eu confio… que eu deixei entrarem! E bom, hoje estou sem os dois! E a , sei lá! O que eu sinto por ela vai muito além! Ela me curava! Por isso eu tinha tanto medo de perdê-la! Por isso eu nunca pedi que ela escolhesse, mesmo que matasse por dentro! Porque eu sabia que se ela tivesse que escolher entre um de nós, eu a perderia. E o meu corpo não estava preparado para mais um abandono, para mais uma perda! É como se tudo voltasse!
Hoseok bagunçou os cabelos e bebeu outra vez. Namjoon também bebia e agora ele servia os dois outra vez. A cabeça de Namjoon começou a ficar tonta, ele andava muito fraco para o álcool e não estava entendendo. Seria o emocional? Se sentiu mal por ter feito se afastar de Hoseok, já que aquilo tudo só havia acontecido por culpa dele!
- Eu também sinto muito! Pela sua mãe, pela , pelo Jimin!
Namjoon balançou a cabeça.
Depois os dois ficaram em silêncio por mais alguns segundos enquanto Hoseok mexia no telefone. Depois ele levou o celular até o bolso e bufou.
- Eu não sei muito bem o que está rolando com o Jimin também e isso me machuca! Porque ele é o meu melhor amigo e estou precisando dele! E ele, sei lá! Se fechou, se isolou sem explicar nada, e se ele também estiver precisando de ajuda? Eu não consigo falar com ele, nem mesmo agora! Eu pergunto o que está acontecendo e ele evita falar, me evita…
Namjoon bufou baixinho antes de beber mais.
- Eu sei mais ou menos o que está rolando, Hoseok! Mas o certo é você ouvir da boca dele, quando ele quiser contar! Faz assim, chama ele para vir para cá! Numa boa, fala que está comigo, fala até que sou eu chamando! Que não vamos pressionar ele para falar nada, que é só uma noite para beber e falar besteira! Tenho certeza que ele vai ficar no mínimo surpreso de você estar comigo e vai querer vir ver isso de perto…
Até que fazia sentido. Provavelmente por isso ele era um bom advogado. Hoseok sorriu com o próprio pensamento, e então fez o que Namjoon sugeriu, e até tirou uma foto do advogado distraído para mandar na conversa, para provar que estava falando a verdade.

Jimin releu a mensagem de Hoseok pelo menos umas três vezes, e era real. Ele é Namjoon, juntos, bebendo num bar. O que tinha acontecido para aquilo acontecer? Há quanto tempo ele não falava com os amigos, especialmente com Hoseok? Ele não sabia mais o que se passava na vida do melhor amigo e nem o melhor amigo na dele…
Digitou:

Jimin

Me mandem a localização de vocês, só vou me trocar!



Hoseok e Namjoon voltaram a conversar sobre o passado. Até que Jimin chegou e se sentou na ponta da mesa do bar, para ficar perto dos dois homens. Ele olhava de um para o outro sem parar.
- Quer entender o que está acontecendo? Ou vai continuar fingindo que não liga para o seu melhor amigo?
Jimin umedeceu os lábios. Aquilo não era verdade! Ele ligava sim… só não estava muito bem da cabeça!
- Exato! O que vocês dois estão fazendo aqui? São amigos agora? E cadê a minha cerveja?
Hoseok serviu o amigo, já que eles haviam pedido um copo para ele.
- Como você não foi na inauguração da galeria do Jin, e nem na festa você perdeu o que aconteceu! Entre a , o Namjoon e eu!
- E o que aconteceu?
- Primeiro você conta o que está acontecendo com você! Porque eu sei que aconteceu alguma coisa! Você mudou completamente e não só comigo!
Jimin suspirou pesadamente e então bagunçou os cabelos pretos.
- Não tem nada acontecendo, Hoseok! Eu só quero tomar um ar, conhecer gente nova, variar um pouco! - deu de ombros enquanto bebia sua cerveja.
Namjoon travou o maxilar e então suspirou enquanto cruzava os braços abaixo do peito. Encarou Jimin enquanto ele bebia.
- Ah, Jimin! Por favor! Para! - Hoseok arregalou os olhos, olhando para Namjoon - Eu sei o que está rolando! A me contou! Então, não tem por que você não contar para o Hoseok, ele é seu melhor amigo, cara!
Jimin encarou Namjoon de volta, surpreso com as palavras do advogado. Então tinha tido coragem de assumi-lo depois de perdê-lo? Do que adiantava agora? Mas Namjoon tinha razão, estava na hora do amigo saber. Ele olhou para Hoseok que esperava por alguma reação ou resposta sem entender nada.
- A sabe o que aconteceu? E ela contou para o Namjoon? Eu não entendi!
Hoseok levou o copo americano de cerveja à boca, Namjoon já pedia mais uma garrafa para o garçom. Hoseok estava confuso e Jimin procurava as palavras certas sem saber como começar.
- A sabe o que aconteceu porque foi tudo culpa dela! - ele olhou para Namjoon - Sei que vocês são muito amigos, Namjoon! Não sei o que ela te contou, nem como ela te contou. É bom que agora você ouve o meu lado da história também, antes de tomar birra da minha cara por completo.
- Eu não tomei birra da sua cara! Eu até entendo o seu lado da situação, eu só tenho um apreço maior pela , porque a conheço há mais tempo e porque somos muito parecidos. Eu sou advogado e sei analisar os dois lados de todas as situações, pode ficar tranquilo!
- Tá! Agora, você pode, por favor, me contar? Eu estou preocupado com você, porra!
Namjoon deixou um sorrisinho apontar no canto dos lábios ao ouvir Hoseok xingar, ele achou gracioso já que ele quase nunca perdia a linha.
- Eu me apaixonei pela ! E nós dois tínhamos uma espécie de relacionamento não assumido! Era tudo escondido de todo mundo, só nós dois sabíamos! E essa ideia, de não assumir, partiu dela!
- E por quê? - Hoseok levou a mão ao peito, surpreso – Por que ela quis esconder?
- Porque ela é covarde! - ele bebeu um longo gole da cerveja.
- Calma aí! - Namjoon colocou a mão sobre um dos ombros dele – Calma, Jimin!
- Bom! Eu só estou falando a verdade, Namjoon! - ele voltou a suspirar alto - Eu sei, muito bem, acho que mais do que ninguém de todos os traumas que ela viveu! Eu sei que algumas das atitudes que ela teve comigo, inclusive uma das razões para ela querer manter tudo em segredo, foram esses traumas. Mas foram meses, muitos meses e ela…
Jimin pausou e passou as mãos pelo rosto. Ele nem sabia o que falar!
- E eu sei que não fiz mais do que a minha obrigação respeitando esses traumas! Mas poxa, ela nunca demonstrou se quer que estava analisando a hipótese de trabalhar tudo isso para me assumir, ela não pensou em cuidar de nós, ela não pensou no que estávamos construindo, no que eu estava sentindo! Ela nunca sentou e conversou comigo e disse: “olha, Jimin, eu não estou preparada para assumir nada com você porque preciso lidar com os meus fantasmas, porque não sei amar, porque nunca senti isso antes e etc.” Ela só ficava dizendo que não tínhamos porque assumir, ela só ficava dizendo que tinha uma reputação a zelar já que desde sempre eu e ela vivíamos em pé de guerra, e que, afinal de contas, como ela assumiria um relacionamento com alguém do qual ela sempre demonstrou odiar! Do jeito que ela falava, parecia que eu era só um passatempo…ela foi imatura e covarde sim e me machucou! Como ninguém me machucou!
Os olhos de Jimin marejaram rapidamente, mas em seguida os olhos dele assumiram um tom sombrio… Hoseok umedeceu os lábios conforme o cérebro dele ia processando as informações. Jimin e haviam se relacionado por meses, escondido e ela havia quebrado o coração de Jimin de tal maneira que ele havia virado outra pessoa?
- E agora eu não consigo mais! Eu não consigo mais conviver com tudo que me lembra dela! Por isso eu me afastei! De todo mundo! Eu não estou bem da cabeça e do coração, e preciso desse tempo! Preciso de gente nova, preciso manter minha mente ocupada o tempo todo para não me entregar para essa dor e para essa raiva que eu estou sentindo! Só isso!
Hoseok encarava a mesa, em silêncio ainda tentando processar os acontecimentos. O amigo estava machucado e ele não sabia como ajudar…
- Nós agora não temos mais nada! Só a relação profissional!
- E quem decidiu isso? Você ou ela?
- Eu! Depois que transamos! Bom, ela tem alguns traumas relacionados ao padrasto, coisas pesadas! E por isso nós demoramos um tempo até que ela conseguisse! E depois disso, achei que ela fosse finalmente assumir o que nós tínhamos porque eu disse que a amava, e ela disse que não, que não estava pronta, e que ainda não queria, eu explodi! E daí para frente vocês já sabem!
- Você podia tanto ter falado comigo! - Hoseok olhou para Jimin, e agora o químico tinha os olhos marejados.
- Eu não consegui! Eu não consegui, Hoseok! Eu só queria sumir e foi isso que eu fiz! Eu espero que você me perdoe em algum momento, mas é o que eu precisei fazer e ainda é o que eu preciso no momento!
- Tudo bem! Tudo bem… - Hoseok engoliu seco - Eu respeito!
- Tem mais uma coisa que aconteceu! No dia da inauguração da galeria do Jin, de madrugada ela acabou indo para minha casa! E nós dois transamos de novo… e literalmente só transamos e eu a mandei embora!
- Porra, Jimin! - Hoseok fechou os olhos - Eu entendo que ela te causou muita dor e tudo mais, mas caramba!
- Isso foi pesado! Não que eu tenha muita moral, mas eu sempre deixei claro minhas intenções com as pessoas que eu me envolvi! Era só sexo, mas eu deixava claro e nunca usei isso como moeda de troca para vingança!
Hoseok e Namjoon se encararam, concordando um com o outro com a cabeça. Jimin reparou e então abaixou a cabeça querendo sorrir. Se lembrou de como ele havia reparado desde o acampamento que os dois na verdade, eram o complemento um do outro… e equilibrava. Será que se dariam conta disso?
- Você precisa de um tempo! Ok! Mas não seja babaca com a gente! E nem com ela! Já deu!
- Ela já está sendo punida, Jimin! E eu sei o quanto ela tem se esforçado para se tratar e voltar inteira! Tenho acompanhado de perto.
- Deixa que o tempo se encarregue!
Jimin assentiu para os amigos, sem acreditar muito no que Namjoon falava e reparou mais uma vez na sinergia que os dois aparentavam ter, e que talvez esse tempo longe da , fizesse os dois perceberem que eles não precisavam disputar nada…
- Agora, o que foi que aconteceu com vocês dois?
- A culpa foi do Namjoon! - antes de beber mais de sua cerveja Hoseok soltou uma de suas gargalhadas altas.
Namjoon acabou se rendendo mais uma vez à risada gostosa de Hoseok e acabou sorrindo enquanto abaixava a cabeça.
- E ele não mentiu! Aliás, desde o começo dessa bagunça toda entre nós três, quando é que a culpa não foi minha?
Os três riram juntos, como se de repente as coisas fizessem sentido. Como se nunca houvesse nenhuma briga ali, nem entre Jimin e , nem entre Namjoon e Hoseok, e muito menos entre eles e .
- No dia da inauguração, que aliás foi incrível! - Namjoon alfinetou - Bom, na festa na verdade! Eu bebi um pouco!
Ele ergueu o copo de cerveja e o encarou antes de beber. Jimin e Hoseok riram.
- Ele bebeu muito! - Hoseok corrigiu.
- E aí, eu fiz uma besteira! - balançou a cabeça, desgostoso - Eu estava com o ego ferido, há um tempo já. E não só isso, eu estava completamente apaixonado pela ! Ainda estou… e como sou muito parecido com a , eu não soube lidar com isso de forma muito madura e meti os pés pelas mãos achando que essa bendita ideia seria ótima e faria a magicamente querer ficar só comigo…
- Você fala demais! - Hoseok falou depois de beber - Faz muitos rodeios! Por isso é advogado! Ele resolveu pedir a em namoro, do nada, na frente de todo mundo!
- Você o quê? - Jimin encarou Namjoon antes de explodir em risadas.
- Não ri, cara! Isso acabou com a nossas vidas! - Namjoon pediu enquanto bebia mais e mais.
- Eu estou rindo de nervoso! O Hoseok nunca fez isso, porque tinha medo que ela escolhesse você e ele a perdesse para sempre!
- É eu acabei descobrindo isso agora a pouco! - Namjoon balançou a cabeça, desgostoso mais uma vez - Eu só, sei lá! Só pensei que assim, ela veria que eu gosto dela de verdade!
- Não é assim que se demonstra essas coisas, Namjoon!
Silêncio.
- Ela aceitou? - Jimin olhou de Namjoon para Hoseok.
- Não! E ela acabou brigando comigo, e ai eu falei um monte de coisas do Hoseok e o Hoseok apareceu e falou um monte de coisas para mim, depois para a
- Eu disse que ela era egoísta!
- Egoísta?
- Exatamente essa palavra! - Namjoon encarou Hoseok.
- Sim! Com todas as letras! Disse que ela estava brincando e machucando nós dois! Ou algo assim, eu explodi também! E ela disse que se nós dois queríamos que ela se decidisse, ela o faria e que talvez escolhesse ficar sã e salva, consigo mesma.
- E que precisava de um tempo! Ou algo do gênero, porque eu estava muito bêbado e não me lembro.
- E está ficando bêbado de novo! Acho que já chega!
- Não! Agora que o Jimin chegou!
- É, cara! - Jimin se serviu de mais cerveja - E aí?
- E aí que tem uma semana ou um pouco mais que isso, que ela não responde, nem atende a mim ou ao Namjoon. E eu estou desesperado!
- Pode não parecer, mas eu também!
- Tá mas qual a razão verdadeira de vocês dois estarem aqui sozinhos?
Jimin ergueu uma das sobrancelhas. Hoseok começou a ficar vermelho, não só pelo álcool, mas pela pergunta de Jimin. Ele poderia estar entendendo alguma coisa de forma errônea, então ele quis explicar, mas se embolou. Namjoon, tranquilamente resumiu:
- Estamos aqui, os dois, sozinhos, para falar da ! E para falar sobre tudo o que pode ter causado essa bola de neve que nós dois estamos! Simples assim! - ele se enrolou um pouco na dicção porque a bebida já havia subido.
Namjoon deu de ombros e pediu mais uma garrafa.
- Chega, Namjoon! Já tem tempo que estamos bebendo e eu estou de moto e você de carro!
- Eu vim de carro de aplicativo! Se você quiser posso levar sua moto para a porta da sua casa e você volta de aplicativo!
Namjoon bocejou, e decidiu cancelar o pedido e trocar por uma garrafa de água que chegou rapidamente. Ele precisava de água, para conseguir voltar para casa! Hoseok observou o advogado, bêbado, sem condições de voltar para casa sozinho outra vez… como no dia em que tudo explodiu.
- Leva minha moto para casa, Jimin? Eu vou levar o Namjoon! Não vou deixar ele dirigir assim!
Jimin ergueu a sobrancelha mais uma vez.
- Levo! Desde que vocês dois me deem notícias!
- Sim! Pode deixar!
- Não precisa! Não sou um bebê! - Namjoon cruzou os braços abaixo do peito e fez um bico, ofendido.
- Realmente! Mas você bebe muito, senhor advogado! Levanta! Vamos embora! Consegue?
- Podemos esperar só beber um pouco de água? - ele deu um longo gole da garrafa de água.
Os três riram e então Jimin e Hoseok levantaram o advogado, que ficou vermelho.
- Consegue levá-lo sozinho até o carro dele, ou precisa de ajuda?
- Vou tentar! Pega aqui no meu bolso as chaves da moto!
Jimin soltou lentamente e levemente o corpo de Namjoon e ele tentou firmar o corpo para não machucar Hoseok. Jimin pegou as chaves no bolso da frente das calças de Hoseok.
- Me deem notícias! Na verdade, você, J-Hope! O Namjoon provavelmente vai apagar! - Jimin riu, tampando a boca e Hoseok acompanhou.
- Ei! - Namjoon protestou.
Os dois caminharam com certa dificuldade até o carro de Namjoon. Hoseok encostou o corpo de Namjoon no carro, com certa firmeza e Namjoon sorriu. Mas Hoseok não viu.
- Consegue me entregar as chaves do carro? E ficar de pé sozinho?
Namjoon fez que sim.
- As chaves estão aqui na minha pasta!
Namjoon abriu a pasta e começou a procurar pelas chaves lá dentro, se desequilibrando hora ou outra e sendo amparado com firmeza pelas mãos de Hoseok. O problema, é que Namjoon parecia estar gostando daquela firmeza toda do toque dele…
O advogado conseguiu achar as chaves e então Hoseok destravou o carro e colocou o corpo pesado de Namjoon no banco do carona. Alguns segundos depois ele estava no banco do motorista, ajeitando o cinto. Namjoon observou, e depois fez o mesmo. Hoseok era bonito, e ele quase externou o pensamento em voz alta!
- Posso ligar o rádio?
Hoseok perguntou, ele não queria que o clima ficasse pesado entre eles.
- Eu ligo! Acho que isso eu consigo fazer! - Namjoon riu.
Hoseok sorriu enquanto dava partida no carro.

“I see the Moon, I see the Moon, I see the Moon, oh when you're looking at the Sun! I'm not a fool, I'm not a fool, not a fool, no you're not fooling anyone…”

Namjoon fechou os olhos enquanto balançava o corpo levemente no ritmo da música que começava a tocar.

“Oh, but when you're gone, when you're gone, when you're gone, oh baby, all the lights go out! Thinking, oh that, baby, I was wrong, I was wrong, I was wrong, come back to me, baby, we can work this out!”

Os dois cantaram juntos, baixinho. E então Namjoon abriu os olhos.
- Eu nem sei onde você mora! Qual o endereço para eu saber se vou saber chegar sem GPS e sem a sua ajuda! Já que você está bêbado!
Hoseok riu.

“Oh baby, come on, let me get to know you, just another chance so that I can show that I won't let you down and run! No, I won't let you down and run, ‘cause I could be the one. I could be the one, I could be the one, I could be the one!”

Antes de Namjoon responder a Hoseok, ele observou as veias saltadas nos braços e mãos dele e então umedeceu os lábios. Ele ficava incrivelmente mais bonito ao volante…Aqueles pensamentos deveriam perturbar Namjoon, ou no mínimo causar um estranhamento ou surpresa, mas não causavam.

“I see in blue, I see in blue, I see in blue, oh, when you see everything in red. There is nothing that I wouldn't do for you, do for you, do for you… Oh, 'cause you got inside my head!”

- Se lembra onde mora, Namjoon? - Hoseok parou o carro antes de encarar Namjoon -
- Rua José Linhares, 220! Leblon! - eles disseram juntos o nome do bairro.
Claro que Namjoon moraria num bairro de classe alta! Hoseok balançou a cabeça e riu alto com os próprios pensamentos.

“Oh, but when you're gone, when you're gone, when you're gone, oh baby, all the lights go out! Thinking, oh that, baby, I was wrong, I was wrong, I was wrong, come back to me, baby, we can work this out!”

- O que foi? Por que essa risada?
- Você mora num bairro de gente rica! E o quão óbvio isso é!
Namjoon escorou a cabeça no encosto do banco e então sorriu. Hoseok engoliu seco quando ele o fez. Virou o rosto rapidamente, não queria reparar no advogado demais.
- Sei chegar lá! Vamos embora!
Namjoon olhou para o perfil quase perfeito de Hoseok quando o carro voltou a andar.

“Oh baby, come on, let me get to know you, just another chance so that I can show that I won't let you down and run! No, I won't let you down and run, ‘cause I could be the one. I could be the one, I could be the one, I could be the one!”

Agora Namjoon o observava cantar a música baixinho enquanto dirigia com uma mão só segurando o volante… O que era aquilo que Namjoon estava sentindo? E por que estava sentindo? Reparou mais uma vez na mão dele segurando o volante e mexendo-o. Engoliu seco.

“Will you be mine?”

Quando eles pararam no sinaleiro Hoseok escorou o braço livre na janela e então mexeu nos cabelos negros enquanto o esperava abrir. Namjoon mordeu o lábio inferior inconscientemente se questionando que textura os cabelos dele poderiam ter. Balançou a cabeça pesadamente para afastar os pensamentos e acabou ficando ainda mais tonto.

Com um dos braços passados em volta do pescoço de Hoseok, os dois caminharam para o quarto de Namjoon. Hoseok havia ajudado ele com a porta da sala, já que ele mal se aguentava em pé de sono e pela bebida no cérebro. E agora os dois caminhavam pelo corredor que levaria até o quarto do advogado.
Ao chegarem no cômodo, Hoseok acendeu as luzes de lá e Namjoon fechou os olhos, incomodado. Já perto da cama do advogado, Hoseok observou o advogado com os olhos fechados. Depois de engolir seco, ele começou a ajudar Namjoon a se livrar do blazer para se deitar de forma mais confortável, o que ele não esperava era que o advogado fosse se desequilibrar no processo, o levando junto.
As mãos de Namjoon seguravam com firmeza a cintura fina de Hoseok, que agora se encontrava deitado sobre o advogado em sua cama. As mãos de Hoseok seguravam de forma involuntária os ombros de Namjoon, e o rosto dos dois estava agora colado um no outro, com as pontas dos narizes se tocando. A respiração de Hoseok ficou descompassada rapidamente e a de Namjoon começava a ficar. Quando as mãos de Namjoon lhe apertaram a cintura com certa força, Hoseok fechou os olhos e engoliu seco, lentamente. Ele precisava reagir, mas era como se o corpo dele simplesmente não quisesse sair dali… era como se ele estivesse gostando! E Namjoon pensou em como a cintura dele parecia se encaixar em suas grandes mãos e então ele passeou os olhos pelo rosto delicado e bem feito de Hoseok: os olhos fechados, a respiração forte e descompassada dele batendo nos lábios de Namjoon, o nariz fino e pontudo de Hoseok só não era mais bonito que o de , mas era tão bonito quanto… depois ele passeou os olhos pelos lábios finos e rosados de Hoseok… ficou curioso!
Hoseok abriu os olhos e então encarou os olhos pequenos de Namjoon, o fitando de volta. Hoseok num impulso, se livrou dos braços de Namjoon e se pôs de pé, ajeitando a camisa social no corpo. O coração dele batia tão rápido que ele sentiu que poderia desmaiar.
- Me desculpe! - Namjoon pediu enquanto se sentava na cama.
- Tudo bem! - Hoseok umedeceu os lábios - Agora que você já está deitado e em casa eu vou pedir meu carro!
- Não quer dormir aí? No quarto de hóspedes e ir embora amanhã cedo? - foi a vez de Namjoon umedecer os lábios enquanto se livrava da gravata -
- Não! Não! Não! Eu tenho que colocar a minha moto na garagem! - ele balançou a cabeça em negativa com veemência e várias vezes - Boa noite, Namjoon!
Quando ele estava para sair do quarto, apagou a luz e ouviu Namjoon dizer:
- Obrigado por hoje!
Hoseok fechou os olhos com força. O coração ainda batia rápido, muito rápido. Ele saiu da casa de Namjoon e então se sentou no meio fio, com o portão da casa de Namjoon em suas costas. O coração dele não diminuiria o ritmo das batidas? E por que ele havia deixado que aquele contato se prolongasse por tanto tempo? Ele não podia sentir aquelas coisas… não de novo! Não por Namjoon…
Fechou os olhos e então apoiou o rosto entre as mãos enquanto tentava acalmar o coração dentro do peito. Mas a única coisa que a mente dele reproduzia era a sensação das mãos grandes de Namjoon lhe apertando a cintura… engoliu seco e então olhou para o céu.
- Eu não posso! Não posso misturar as coisas! O Namjoon é só um cara legal, e nós podemos ser amigos daqui para frente, só isso! Só isso!
Fechou os olhos e então voltou a sentir as mãos de Namjoon lhe apertarem a cintura… repetiu para si mesmo:
- O Namjoon é só um cara legal, e nós podemos ser amigos daqui para frente, só isso! Só isso! Só isso!



Centésimo Sexto Capítulo - Love her

Olhou as horas no celular e então apressou a mãe no supermercado, elas precisavam ir logo para casa para que conseguisse preparar o prato. Ela já havia assistido pelo menos três vídeos de como preparar o kimbap e ainda estava insegura. Na verdade, havia pesquisado vários pratos coreanos diferentes, mas o kimbap ainda parecia o mais simples e fácil para ela, que não era coreana, preparar! E ela também não era tão boa na cozinha quanto o namorado…
Mas estava confiante que conseguiria preparar o prato e fazer a surpresa que havia planejado a semana inteira para Suga. Já em casa, ela arregaçou as mangas da blusa de frio de lã que usava, pois a sexta-feira estava nublada e fria no Rio de Janeiro, colocou todos os ingredientes que necessitava sobre o balcão da cozinha, fez um coque no alto da cabeça e colocou o celular por perto para poder assistir o vídeo com a receita.
Enquanto ela lavava os ingredientes, a mãe apareceu na cozinha e observou a filha, curiosa. Quando ela começou a picar os legumes, se esqueceu que era melhor colocar o arroz para ir cozinhando, então ficou na ponta dos pés para pegar a panela dentro do armário.
- Você tá fazendo o que, ?
- Ai, que susto! - ela segurou a panela com força depois de quase deixá-la cair – Nossa, mãe!
A mãe gargalhou, fechando os olhos. Depois voltou a observar a filha.
- Você sabe que não precisa cozinhar! Nós temos quem faça isso!
- Não é para mim que estou cozinhando! É para o Suga! Quero fazer um prato típico do país dele e levar de almoço para ele comer no consultório! - ficou vermelha.
A mãe sorriu enquanto se aproximava dela perto do fogão da casa. Achou a filha muito preciosa, querendo agradar o namorado.
- Vocês dois têm pensado em ter outro bebê, filha? - a mãe lhe acariciou as costas enquanto ela ligava o fogão.
engoliu seco e umedeceu os lábios. Aquele assunto ainda era tão delicado…
- A gente nunca mais falou sobre isso! A perda do Hyuk foi um trauma muito grande, para nós dois! A dor da perda ainda lateja aqui dentro de mim!
levou inconscientemente uma das mãos até a própria barriga e acariciou o lugar. A mãe fez o mesmo.
- Para mim e para o seu pai também! Mas vocês dois ainda são tão novos, filha! Deveriam tentar de novo! E um casamento?
pegou o pacote de arroz sobre a bancada, para começar a prepará-lo. Aquele assunto era cedo para ser tratado, não era?
- Também não falamos sobre isso! Ele quer que eu volte a morar com ele, mas eu estou bem assim! O relacionamento tem fluído muito bem e eu não quero atropelar as coisas entre nós dois, mãe! Você e o pai não me querem mais aqui? É isso?
gargalhou enquanto despejava o arroz na panela com água para cozinhá-lo. A mãe pegou as verduras, tirando-as do saco plástico.
- Claro que não! Estamos adorando você aqui, não tem nada a ver com isso! É porque eu e seu pai sonhamos com isso! Em ver você se casando…
- Quem sabe um dia, não é? - ela encarou a mãe.
- Posso te ajudar a cortar essas verduras aqui? Como é para cortar?
Ela mostrou o vídeo para a mãe, que prestou bastante atenção, e então enquanto o arroz cozinhava as duas começaram a cortar as verduras. terminaria bem mais rápido com a ajuda da mãe, então ficou feliz por ter a companhia dela.
As duas conversaram até que as verduras estivessem todas picadas e então o arroz já estava quase pronto, e a mãe seguiu ajudando com a preparação do kimbap. Com as marmitinhas já prontas ela foi tomar um banho.

Olhou para a recepcionista da clínica e os lábios ficaram secos, então os umedeceu e ajeitou a bolsa no ombro. Respirou fundo. E se Suga não gostasse nada daquilo? Ele era tão reservado com a vida pessoal no trabalho, ela teve medo.
- Boa tarde! - ela tentou sorrir sem parecer forçada - Eu vim trazer o almoço do Yoongi!
- Ah! Certo! Me acompanhe, por favor, para você fazer a entrega para ele!
assentiu enquanto a recepcionista saia detrás da grande bancada, ela foi atrás enquanto observava as paredes claras da clínica. A mulher bateu em uma das portas e o coração dela saltou no peito. E se Suga não gostasse? Fechou os olhos com força e então prendeu a respiração quando ouviu o namorado gritar “entra”.
- Seu almoço chegou, Yoongi!
O moreno franziu a testa, parecendo confuso e então se levantou.
- Mas eu ainda não pedi! - a recepcionista abriu espaço, mostrando .
O sorriso gengival de Yoongi apareceu, fazendo o coração de se acalmar e derreter ao mirá-lo. Ela sorriu de volta e então acenou para ele, ainda sem jeito.
- Obrigada! - ele agradeceu à recepcionista e então entrou na sala.
Suga abraçou a namorada com força enquanto depositava um beijo demorado em sua cabeça. gargalhou com a reação exagerada do namorado.
- Você é o meu almoço? - ele ergueu uma sobrancelha e então os dois explodiram em gargalhadas.
lhe acertou um tapa de leve nos ombros e então observou como o namorado ficava bonito com o jaleco, o bordado escrito Min Yoongi em dourado era lindo! Os dois se encararam. Yoongi depositou um selinho nos lábios da namorada, e logo em seguida os dois estavam se beijando. Já com as bocas livres, ela estendeu a vasilha na direção dele, que olhou para ela, ainda sorrindo.
- Eu mesma que fiz! Com a ajuda da minha mãe! Não sei se está bom, já que é a primeira vez que eu fiz! Mas eu comprei tudo fresquinho, hoje de manhã…
- Vamos para o refeitório aqui da clínica! Eu costumo comer lá!
- Não! Eu vou deixar você almoçar, só vim trazer mesmo, não quero te atrapalhar!
- E desde quando você me atrapalha, ? - ele balançou a cabeça em negativa.
Entrelaçou uma das mãos dela na sua e então saiu a puxando para fora da sala, e gargalhou. Suga saiu mostrando a clínica para a namorada, que sorria com os olhos brilhando. O lugar era lindo! Já dentro do refeitório os dois se sentaram lado a lado e então Suga desembrulhou a vasilha do pano que a cobria, e então abriu a vasilha. O sorriso gengival voltou a brotar nos lábios de Suga assim que ele bateu os olhos no kimbap feito pela namorada e pela sogra.
- Você e sua mãe fizeram? - os olhos dele brilharam.
- Sim! Olha, eu não sei se ficou gostoso! Provei um só! Mas minha mãe adorou!
- Eu tenho certeza de que ficou bom! Você é muito preciosa, sabia?
Ele voltou a depositar um beijo casto na cabeça de , e depois pegou os hashis.
- Ah! Eu trouxe um caldo também e molho shoyo, está aqui dentro da bolsa!
a colocou sobre a mesa do refeitório da clínica e então retirou cuidadosamente as sacolas com os molhos. Suga alargou o sorriso pensando no quão dedicada ela era! E no quanto aquilo tudo era significativo, tanto para ele, quanto para ela! Ele era de uma cultura totalmente diferente da de , e fazer um prato coreano não era tão simples! Por mais fácil que parecesse o kimbap, era uma comida de outro país e precisou de muito esforço para conseguir, e só o fato de ela querer agradá-lo, preparando uma comida coreana para ele já fazia tudo aquilo muito especial.
Suga encaixou os hashis nos dedos e então se preparou para provar do kimbap feito pela namorada e pela sogra. Assim que ele deu a primeira mordida, fechou os olhos, ansiosa com a reação dele. O gosto estava delicioso e havia surpreendido Suga!
- E aí, Suga? - ela apertou o braço dele, assim que o moreno levou mais um kimbap a boca.
- Está uma delícia, amor! - ele fechou os olhos enquanto ria - Você me surpreendeu!
- Tá falando sério? - ergueu as sobrancelhas.
- Claro que estou! Você sabe que eu sou sincero, se tivesse ficado ruim eu falaria! Está uma delícia! Experimenta!
Suga levou uma das peças até os lábios de , que acabou aceitando. Ela também se surpreendeu com o sabor da comida e ficou com as bochechas vermelhas.
- Viu? - ele mergulhou um kimbap no molho shoyu - Está gostoso, um pouco temperado demais, mas uma delícia! Você já almoçou, meu bem?
fez que não com a cabeça para ele.
- Vou almoçar no trabalho, assim que sair daqui eu vou para lá!
acariciou os cabelos longos de Suga, que comia sem parar.
- Posso buscar você para dormir comigo hoje?
Os dois se encararam e então um colega de Suga entrou no refeitório, cumprimentando os dois.
- Pode! - ela sussurrou próximo ao ouvido dele.

Depois Suga esperou que o carro de aplicativo pedido por ele chegasse para levar ao trabalho e ele ficou acompanhando o carro até que ele sumisse de suas vistas. Voltou para o escritório com um sorriso de orelha a orelha e a recepcionista sorriu de volta para ele.
- Minha namorada, sabia?
- Ah, você está namorando de novo? - a recepcionista gargalhou - Ela pareceu bem mais agradável que a antiga!
Foi a vez de Suga gargalhar e então ele balançou a cabeça. Há quanto tempo ele não ouvia falar de Charlotte? Ela havia literalmente sumido e na verdade, Suga esperava que ela continuasse assim, já que estava tudo indo muito bem entre ele e . Se ela de repente ressurgisse das cinzas tal qual uma fênix, poderia estragar tudo e nada podia estragar a magia que os dois estavam vivendo.
- Próximo paciente é que horas mesmo? - ele caminhou rumo ao corredor que dava para os consultórios.
- Daqui vinte minutos, Yoongi!
- Já vou voltar lá para o meu consultório então! Obrigado!

amarrava a jaqueta na cintura enquanto ria das piadas dos colegas de trabalho que caminhavam para o ponto de ônibus e então alguns minutos depois Suga parava o carro do outro lado da rua.
- Fico tão feliz de ver vocês dois juntos! Eu gosto muito dele! - senhor Yang abraçava pela cintura rapidamente.
Ela sorriu, sentindo as bochechas queimarem. Ficava feliz de saber que as pessoas gostavam dos dois, especialmente de Yoongi!
- Ele também gosta do senhor! - sentiu o mais velho lhe beijando a testa.
Yoongi abaixou os vidros do carro e então, sorrindo, ele acenou freneticamente para o senhor Yang, que acenou de volta na mesma intensidade. caminhou até o carro e então Suga abriu a porta para ela, de dentro do carro mesmo. Os dois selaram os lábios.
- Como foi ai hoje?
- Para uma sexta-feira à noite até que foi bem tranquilo! E no consultório? Você tinha comentado que hoje trabalharia até tarde!
- Foi bem corrido! Eu cheguei em casa agorinha! Só tomei um banho e vim te buscar! Quer passar em algum lugar para comer?
- Acho que prefiro passar em algum lugar para comprar comida e a gente come na sua casa mesmo!
- Tá ótimo! - sorriram um para o outro - Sabe quem veio falar comigo hoje?
- Quem? - fez um coque nos cabelos.
- O V!
- Ah, é? E o que ele queria?
- Me chamar para jogar com ele os garotos no domingo, na casa dele!
- Mesmo, meu bem? - abriu um sorriso genuíno - E você vai, não é?
Ver Suga fazendo amizades, saindo do casulo a deixava tão feliz!
- Vou! Acho que vai ser divertido! Os outros garotos todos confirmaram presença também!
- Isso! - ela passou uma das mãos pelos cabelos longos dele.
Os dois passaram num restaurante de comida italiana, já que queria massa e depois os dois compraram uma garrafa de vinho numa loja de conveniências e foram para o apartamento de Yoongi.
retirava os pratos de dentro do armário enquanto Yoongi depositava as sacolas e embalagens sobre a mesa, depois ele vislumbrou colocando os dois pratos sobre a mesa. Depois ela voltou até a cozinha para pegar os talheres e as taças enquanto Suga desembalava tudo. Os dois se sentaram um de frente para o outro e então se serviram enquanto conversavam sobre o trabalho de outra vez.
Depois de lavarem as louças juntos, eles tocaram um pouco de piano enquanto terminaram sozinhos a garrafa de vinho e então Suga preparou a cama para que eles se deitassem juntos para ver alguma coisa. se aconchegou no peito de Yoongi e então fechou os olhos enquanto afundava o nariz na curva do pescoço do namorado.
- Ainda pensando em como eu vou convencer você a voltar para cá…
- Ah, Yoongi! - ela começou a rir quando ele fez cócegas na cintura dela - Para!
Os dois começaram a rir e então quando percebeu o corpo de Suga já estava sobre o dela, com os narizes colados. Ela tentava se livrar das grandes mãos do namorado e se contorcia embaixo dele, quando os lábios roçaram um no outro Suga parou com as cócegas e então apertou firmemente a cintura da namorada que tinha os olhos fechados e então ele a beijou. afundou as mãos nos cabelos longos e pretos do namorado aprofundando o beijo logo em seguida, juntando a língua na dele.
As mãos de Suga adentraram a camiseta larga dele que utilizava e quando elas entraram em contato com a pele quente dela, arqueou as costas querendo mais do contato de Suga. Atendendo aos pedidos da namorada, ele subiu as mãos até alcançar os seios de ainda dentro do sutiã, e ela mordeu o lábio inferior de Suga com força, fazendo com que Suga apertasse as mãos nos seios dela com a mesma força. soltou o lábio de Suga que estava preso entre os seus e então respirou profundamente, ainda de olhos fechados. Suga se sentou entremeio as pernas da namorada, abrindo-as o suficiente para que ele pudesse ficar confortável, e então ele se livrou da própria camiseta sentindo as unhas de passearem por seu torso agora descoberto, e então ele fechou os olhos sentindo as unhas dela.
repousou as mãos na cintura delicada de Suga, e então ele levantou lentamente a camiseta preta que ela usava e ergueu o corpo para facilitar que a camiseta saísse por seu corpo. Suga abriu os olhos e encontrou os de ainda fechados, e ele os desceu para os seios fartos da namorada cobertos apenas pelo sutiã também preto e ele umedeceu os lábios enquanto sentia o membro ficar ainda mais duro dentro da boxer.
Levou as mãos até lá novamente enquanto apertava sua cintura com força. Depois ele levou as mãos até o rosto delicado da namorada, que abriu os olhos e encarou os dele pegando fogo, e então ela se sentou rapidamente enquanto levava as mãos até o fecho do próprio sutiã, abrindo-o. As mãos de Suga foram outra vez com urgência até lá, quando o sutiã caiu sobre a cama e reprimiu um gemido que sairia alto, mordendo os lábios, enquanto arqueava as costas. Suga juntou a testa na dela enquanto aumentava a pressão sobre os seios da namorada, que colou os lábios nos dele voltando a beijá-lo. Suga colou o corpo no dela, que agora tinha as pernas envolvidas em seu quadril, friccionando a intimidade sobre o membro duro dele.
- ! - ele gemeu quando ela moveu o quadril para provocá-lo - Não me provoque assim!
- Por quê? - ela fez novamente enquanto assistia o namorado apertar os olhos e gemer - Tão gostoso ouvir você gemer!
A boca dele engoliu a de com urgência enquanto uma das mãos dele apertava o seu bumbum com força também. passou as unhas pelas costas dele, com vontade, queria deixar ele marcado para que ele soubesse que era dela, só dela.
- Você é meu! - ela sussurrou contra a boca dele - Só meu, Yoongi!
Ele fez que sim para ela com a cabeça enquanto sentia as unhas dela afundarem por toda a extensão de suas costas, o membro dele latejava… passou a língua pelo pescoço dele, fazendo sua pele arrepiar e então os dois voltaram a se beijar.
Os lábios de Yoongi desceram pelo pescoço dela, bem devagar e sorria com os olhos fechados enquanto sentia o corpo arrepiar à medida que os lábios dele lhe tocavam a pele. Até que a ponta da língua de Suga lhe tocou o mamilo que intumesceu na hora. lhe tocou a nuca com delicadeza enquanto ele brincava por lá com a língua e quando ele lhe abocanhou todo o seio, afundou a mão nos cabelos do namorado e soltou um gemido baixo, estimulando Yoongi a trabalhar com um pouco mais de intensidade por lá.
Depois ele fez a mesma coisa com o outro seio e então lhe puxou os cabelos, erguendo o rosto de Suga e encostando a testa na dele por alguns segundos antes de colocar os joelhos sobre o colchão. Uma das mãos dela lhe acariciava o rosto e a outra passeava pelas coxas dele, sobre a calça de moletom. Quando Suga sentiu a mão de lhe apertar o membro endurecido sobre o tecido, ele tremeu e então mordeu o próprio lábio. Logo as duas mãos dela lhe desciam a calça pelas pernas e Suga rapidamente se livrou dos dois tecidos: a calça e a roupa íntima.
segurou o membro dele entre as mãos enquanto voltava a beijá-lo - não sem antes ouvi-lo arfar com o contato de suas mãos - o beijo parecia lento, mas as línguas travavam uma batalha gostosa - e então deixou que uma de suas mãos se movessem lentamente sobre Suga, que gemeu entre o beijo e então ela afundou a outra mão nos cabelos que ela tanto gostava do namorado. O ritmo da mão de variava, fazendo com o corpo de Suga hora ou outra quisesse ceder, e ele soltava alguns gemidos sofridos entre o beijo dos dois, deixando satisfeita e excitada.
Quando o ritmo aumentou, Suga sentiu os músculos começarem a tremer e então parou a namorada, jogando o corpo dela sobre a cama, fazendo com que caísse deitada sobre ela. Com uma das mãos, ele segurou as duas de acima de sua cabeça e enquanto a encarava nos olhos, ele buscou por algo sobre a cama e então encontrou uma das camisetas. Usou o tecido para amarrar as mãos de uma na outra, e então fechou os olhos, deixando um sorriso sacana brotar em seus lábios.
Suga passeou as mãos pela lateral do corpo de e então aproveitou para tirar a calça que ela usava e depois fez o mesmo com sua calcinha. Ele ficou alguns segundos admirando o corpo nu da namorada, como sempre fazia. Suga não se cansava.
- Tão incrivelmente bonita, ! Eu nunca me canso de admirar, de dizer…
O sorriso nos lábios dela se alargou e então Suga lhe beijou. Logo, os beijos dele começaram a caminhar pelo corpo de , que se arrepiava. Quando sentiu a respiração de Suga batendo em sua intimidade, ela gemeu, ansiosa pelo que viria.
Quando a língua de Yoongi passeou por toda sua intimidade, ela gemeu manhosa enquanto levava as mãos até os cabelos dele, mesmo amarradas. Yoongi sentiu o gosto doce de e então sorriu contra a intimidade úmida da namorada.
- Eu nem acredito que você é tão gostosa assim, e é minha! - ele voltou a passear a língua por ela.
O som gostoso que saiu dos lábios de fez Yoongi ansiar por mais, então ele delicadamente introduziu um dedo dentro dela. O gemido que saiu da boca da namorada fez Yoongi quase gozar…
As mãos dela afundaram ainda mais nos cabelos longos de Yoongi quando ele introduziu mais um dedo dentro dela, e então moveu os dedos e a língua simultaneamente. Os gemidos que escapavam da boca de faziam com que Suga trabalhasse com ainda mais afinco, para deixar ainda mais louca. E estava funcionando… quando ela estava prestes a chegar lá, Suga subiu o rosto bem devagar enquanto a barriga de subia e descia com a respiração descompassada de prazer.
Suga subiu as mãos de , colocando-as novamente acima de sua cabeça e viu os olhos dela queimarem… ele roçou o membro completamente duro na entrada de que apertou os olhos com a pequena provocação. Como ela gostava quando ele assumia esse papel! Pressa… Yoongi tinha pressa de sentir a namorada.
Procurou pelos preservativos dentro da gaveta do móvel que ficava ao lado da cama e os encontrou. Rasgou a embalagem do mesmo com pressa e rapidez e com a mesma rapidez, vestiu o membro. olhava para ele, como se ele fosse um monumento ou uma obra de arte das mais lindas, o que só fazia ele ter ainda mais pressa pelo momento de entrar dentro de .
E ele assim o fez, bem devagar, apesar da pressa. gemeu, baixinho, enquanto ele segurava suas mãos amarradas sobre sua cabeça. A sensação de tê-lo, entrando dentro dela, era indescritível. Todas às vezes, era fantástico… Já completamente dentro dela foi a vez de Suga gemer.
- Eu amo tanto você! - ele balbuciou antes de começar a se movimentar dentro dela.
Os movimentos começaram a se intensificar e entrelaçou as pernas em volta de Yoongi, e então os dois voltaram a se beijar. A cada estocada sentia Yoongi atingir lugares novos dentro dela, e Suga fazia questão de ir a cada estocada mais e mais fundo. Quando o orgasmo estava prestes a atingir os dois, Suga pediu:
- Olha para mim! Eu quero olhar dentro dos seus olhos enquanto você chega…
o obedeceu, como sempre fazia. Os dois chegaram juntos, e olhando um nos olhos do outro! Intenso, como sempre era com os dois.
Quando Suga saiu de dentro dela, depois de alguns instantes se recuperando do orgasmo, Suga arregalou levemente os olhos quando olhou para a camisinha limpa em suas mãos.
- O que foi? Por que essa cara? - se sentou na cama depois de se desamarrar.
- Parece que a camisinha furou, meu bem! Tá vazia! - ele mostrou a camisinha para - Você está tomando remédio?
- As vezes eu esqueço! - ela mordeu o lábio.
- Por mim, tudo bem! - Suga deu de ombros - Vou amar ter outro filho com você!
gargalhou e depois o sentiu lhe selar os lábios.
- Mesmo assim, amor! Será que estamos preparados para outra gravidez tão rápido assim?
- Relaxa! Você toma remédio há muito tempo, acho que não vai ser dessa vez! Vem, vamos tomar um banho!
Abraçada a Suga debaixo do chuveiro e de olhos fechados, ela sentia as mãos dele o acariciando as costas.
- Se você engravidar de novo, vamos continuar juntos, não vamos?
sorriu com a preocupação boba dele.
- Vamos! Não pensa nisso agora! Um dia de cada vez!
- Um dia de cada vez! - ele repetiu antes de beijar o ombro dela.



Centésimo Sétimo Capítulo - BLENDER

Jungkook e se encararam em silêncio no elevador enquanto ela tentava se manter de pé com o peso da bebida na cabeça. Outra vez, ali estava ela, bêbada no apartamento de Jungkook. Os dois haviam se falado há três dias, já que Namjoon havia dado algumas notícias sobre o caso do stalker. Jungkook se lembrou de ter pensado em como o advogado parecia ser realmente bom no que fazia, já que as ligações haviam parado por quase uma semana já, desde que ele assumiu o caso. O que fez Jungkook ficar feliz.
Ele abriu a porta do apartamento para e a ajudou a entrar no apartamento, já que ela cambaleava um pouco. Ela depositou a bolsa sobre o sofá, Jungkook a ajudou.
- Vou te levar para o banheiro! Vem! Um banho gelado vai ajudar.
nada disse, apenas deixou que ele a guiasse até o banheiro já que ela mal se aguentava em pé. O que estava acontecendo com ela ultimamente? Era só beber que ela parava lá…
Jungkook também não entendia. E ele queria muito poder entender e finalmente resolver toda essa situação entre os dois. De uma forma que eles não se machucassem ainda mais!
- Você vai conseguir sozinha, ?
Ela fez que não com a cabeça, ficando ainda mais tonta, então envolveu os braços no pescoço dele para não cair. Jungkook acabou sendo levado pelo peso do corpo dela puxando o seu e então as costas de bateram na parede gelada do box, fazendo com que ela se encolhesse com o choque térmico.
- O que eu faço com você, caramba? - ele sussurrou com a testa encostada na dela.
- Não consigo tirar você da minha mente!
- Por que você não pode simplesmente me deixar ir? - JK apertou a cintura fina dela.
- Um milhão de vezes, Deus sabe que eu tentei um milhão de vezes, um milhão de vezes! - ela pressionava os olhos fechados com força.
- Você continua fazendo ser mais difícil ficar, mas, mesmo assim, eu não consigo fugir! Eu preciso saber por que você não pode, por que você não pode simplesmente me deixar ir?
A cabeça dela rodava e rodava, ela tentou abrir os olhos, mas a sensação de tontura só piorava.
- Minhas mãos estão atadas. Seu rosto no meu teto, eu fantasio...eu não consigo controlar, não consigo controlar! Eu tento substituir pelas luzes da cidade e pela bebida, mas eu nunca vou escapar, eu preciso da adrenalina. Eu provei o paraíso, agora não consigo viver sem ele.
Jungkook ficou em silêncio outra vez. Coisas sem sentido costumavam sair dos lábios de quando ela ficava bêbada daquele jeito, aquele não era o momento certo para ele tentar ter uma conversa com ela. O moreno a ajudou a se despir, vagarosamente, já que ela estava sem equilíbrio e então ligou o chuveiro, ajustando a temperatura e deixando a água morna, quase gelada.
protestou um pouco quando a água bateu em sua pele e Jungkook riu. Ele já estava começando a se molhar então resolveu se despir também, para segurar melhor debaixo da água. Logo os dois estavam lá, abraçados um ao outro enquanto a água caia. tinha o rosto escondido no peito de Jungkook que a segurava firmemente debaixo do chuveiro. A respiração dos dois havia se acalmado, mas os corações não, esses batiam rápido.
- Eu deveria ter ficado com você hoje à noite, em vez de sair para procurar problemas! Eu acho que fujo às vezes, sempre que fico muito vulnerável. Não é culpa sua!
- Você me quebrou e tudo que eu fiz foi tentar consertar o seu coração para finalmente poder habitar dentro dele.
ergueu o rosto encostando o nariz no maxilar desenhado de Jungkook. Ela continuou:
- Eu quero ficar a noite toda, eu quero dormir com você até o sol nascer, eu quero deixar você entrar... os céus sabem que eu tentei!
Jungkook engoliu seco e então começou a acariciar as costas quentes de .
- E toda vez que fica muito verdadeiro, toda vez que eu sinto vontade de nos sabotar, eu começo a correr novamente! E toda vez que eu me afasto, eu realmente queria dizer que sinto muito, mas eu não digo nada…
Jungkook sabia que ela estava desabafando então deixou que ela assim o fizesse. Os dedos dele corriam pela espinha de . Os narizes encostaram-se um no outro e então eles se beijaram rapidamente. não deixou que o beijo se aprofundasse.
- Eu queria poder deixar você me amar! Queria poder deixar você me amar, JK! Diga qual é o problema, qual o problema comigo? Qual o problema comigo? Eu queria poder deixar você me amar, queria poder deixar você me amar agora!
Jungkook levou uma das mãos até a torneira e então desligou o chuveiro, enquanto encarava . Ele passou essa mesma mão sobre o rosto dela, que estava molhado. Tanto pela água quanto pelas lágrimas, ele presumiu. O peito dele doía, latejava em dor. E ele voltou a abraçá-la com força.
- Se segura aí na parede que eu vou buscar uma toalha para tirar você daqui! - ela assentiu para ele enquanto JK soltava seu rosto.
escorou-se a parede do box do banheiro e então abraçou a si mesma com os braços, cobrindo parte do torso. De olhos fechados ela sentiu uma das mãos de Jungkook lhe tocarem os braços, chamando-a para sair de seu banheiro. Ao abrir os olhos, ela encarou a mão tatuada de Jungkook erguida para ela.
Segurou a mão dele e então deixou que ele a cobrisse com uma toalha verde felpuda. Ele ajeitou os cabelos longos dela para trás e então os dois saíram do banheiro. Logo que eles chegaram no quarto de Jungkook, ela se sentou na beirada de sua cama enquanto observava Jungkook mexer no guarda-roupa. O coração dela começava a acalmar dentro do peito, mas a cabeça ainda rodava por causa do álcool e o peito dela doía, deixando-a com vontade de chorar de novo. Jungkook se aproximou dela e então ergueu uma grande camiseta preta e lisa na direção de que se livrou da toalha para pegar o tecido e então Jungkook não conseguiu desviar o olhar dessa vez.
As orbes negras dele passearam pelos seios descoberto dela e depois desceram por sua barriga e então ele umedeceu os lábios, saindo de seu pequeno transe. Jungkook se virou de costas assim que ela se levantou, para que pudesse se vestir com mais privacidade e claro, para que ele não caísse em tentação. tentou se levantar para sair do quarto e deixar Jungkook a vontade, mas não conseguiu e acabou caindo sentada na cama outra vez, fazendo Jungkook se assustar rapidamente.
- Não precisa sair do quarto, não é como se nós dois já não tivéssemos… - ele parou de falar - Nos vistos nus ou algo do gênero!
- Sei que você não gosta, você tem medo!
- Medo? - ele escolheu uma cueca finalmente.
- Medo de mim… - deu de ombros.
- Eu não tenho medo de você! - Jungkook se livrou da toalha que estava enrolada em sua cintura - Nunca tive, . Você que tinha de mim, se lembra?
Jungkook encarou o perfil de antes de se vestir com a cueca azul.
- Me lembro! Quando o assunto é nós dois, eu me lembro de tudo, JK! Mas os medos a que me refiro são diferentes!
Os olhos de se encheram de água.
- Mas eu não tenho medo de você! Eu quero a sua segurança, é diferente.
- Você tem medo que eu possa ultrapassar os limites outra vez e você tem medo de não resistir e se arrepender, estou mentindo?
- Não! Não está mentindo! - Jungkook respirou fundo e então se sentou ao lado de na cama - Nós havíamos combinado de sermos amigos.
- E não somos? - ela virou o rosto para encará-lo.
- E somos? Amigos? Só amigos? - Jungkook bufou e então se levantou - Vou secar o seu cabelo e preparar algo para comermos!
Ele não deu tempo para que respondesse e entrou no banheiro que havia no quarto, colocando o secador na tomada e o ligando. se levantou e com um pouco dificuldade ela conseguiu chegar ao banheiro. Se sentou no vaso com a tampa fechada e esperou pacientemente que Jungkook secasse seu cabelo o máximo possível. Eles permaneceram assim, em silêncio, somente o barulho do secador era ouvido. Aquilo não incomodava Jungkook, mas parecia incomodar um pouco .
Depois disso, os dois foram para a sala juntos e ficou por lá, sentada no sofá enquanto Jungkook foi para a cozinha preparar um ramen para os dois.
- Seu irmão sabe que está aqui?
- Vou mandar uma mensagem para ele avisando, eu já estou melhorando! Eu acho…
fechou os olhos e então acabou cochilando. Foi acordada por Jungkook, avisando que o ramen já estava pronto.
- Se você quiser, pode comer aqui no sofá mesmo, eu trago para você!
que já estava habituada com o prato, sabia que era melhor comer na mesa ou onde ela pudesse sujar ou se apoiar. Fez que não para Jungkook com o dedo indicador e então se levantou. Já sentados à mesa, ele serviu a morena. Os dois comeram outra vez, em silêncio.
encarou Jungkook sentado no outro sofá, mexendo em sua própria mão.
- É solitário onde você está? Aí do outro lado da sala com uma faca dentro do seu coração? Eu também sinto, JK!
fechou os olhos com força e então jogou a cabeça para trás.
- É apenas o jeito que somos? Sempre queimando através do telhado. Eu acho que apenas as estrelas saberiam a verdade…
Silêncio outra vez. Até que Jungkook atravessou a sala e se sentou ao lado de .
- Eu morreria por você, ! - ela olhou para JK, que já a encarava - Eu tentei por você, eu tentei! Mas tudo que eu ouço são todas as coisas que você disse na minha cabeça!
Ele levou o dedo indicador até a lateral da própria cabeça para ilustrar. encheu os olhos de água de novo.
- Ricocheteando da cama. Não sobrou nada, que bagunça! Oh, meu Deus, isso nunca acaba! Agora estamos estressados e deprimidos e nós estamos dando voltas novamente em um liquidificador emocional!
tapou o rosto com as mãos e balançou a cabeça em negativa. Depois ela olhou para os grandes olhos de Jungkook e o abraçou, com força, muita força.
Jungkook é claro, retribuiu o abraço, acolhendo em seus braços.
- Mas nós simplesmente não podemos nos manter afastados, não é? Quando você me conhece como você conhece… É sobrenatural, me fez uivar para a lua!
riu com o último comentário e então olhou para Jungkook.
- Você precisa parar de vir aqui quando bebe desse jeito!
Ela nada respondeu. Uma porque não queria responder e outra porque ela não sabia o que falar.
- Você quer ir para casa? Ou quer dormir aqui comigo?
- Eu não quero te incomodar! Você não parece muito confortável hoje!
se levantou.
- Onde estão minhas roupas?
- ! - Jungkook fechou os olhos - Eu só estou tentando não me machucar ainda mais! Só isso!
- Eu não vou machucar você mais! Eu juro!
- Não entenda errado! Você é madura o suficiente para entender o que eu quero dizer!
suspirou pesadamente, sentindo o corpo voltar a ceder, pesado demais, então voltou a se sentar no sofá ao lado de Jungkook.
- Posso dormir um pouco? Então eu prometo que vou embora…
- Não precisa ir embora! Pode dormir aqui comigo!
- Eu vou dormir aqui no sofá mesmo…
Jungkook suspirou alto. Por que tão difícil?
- Você não precisa dormir aqui, ! - ele jogou a cabeça para trás - Pode dormir comigo.
- Melhor não, não é? - ela fechou os olhos - Eu não sei se consigo ficar sem beijar você se dormimos juntos!
Jungkook deixou que um sorriso escapasse de seus lábios. Ele também não sabia se conseguiria…
- Vou preparar o quarto de hóspedes para você! - Jungkook se levantou do sofá num supetão.
- Eu agradeço! - assentiu.
observou o teto do apartamento enquanto pensava: o que ela faria? Deveria se afastar de Jungkook outra vez? Mas ela não conseguia… doía muito ficar longe dele! Mas da forma que as coisas estavam eles também se machucavam, também doía! Ela se encontrava outra vez num beco sem saída…
Mais alguns minutos e Jungkook apareceu outra vez na sala, encarando . Os olhos dela estavam pequenininhos e a pele dela um pouco vermelha. Provavelmente por causa do álcool no corpo ainda.
- Vem! - ela segurou a mão grande do mais novo.
Os dois caminharam de mãos dadas até o quarto menor do apartamento e passeou os olhos pelo lugar, rapidamente. Ela não se lembraria dos detalhes da decoração então nem se atentou muito a isso. Se deitou embaixo dos cobertores e deixou que Jungkook terminasse de cobri-la enquanto ela se ajeitava por lá.
- Qualquer coisa você pode pular para a minha cama!
- Jungkook… - ela soltou uma risada nasalada - Não vou! É o melhor…
- Só estou deixando no ar… caso você tenha, sei lá um pesadelo, algo do tipo!
riu.
- Boa noite! Obrigada por tanto!
- Não precisa me agradecer. Somos amigos, não somos?
- Somos, Jungkook! Somos amigos!
- Boa noite, ! - ele se abaixou e deixou um beijo nos cabelos dela.

Já no dia seguinte Jungkook acordou assustado com o horário, e antes mesmo de fazer sua higiene matinal ele correu até o quarto de hóspedes e encontrou a cama já totalmente arrumada. Ele procurou e a encontrou na cozinha.
- Achei que tinha ido embora… Me assustei!
- Desculpe! Estou terminando o café da manhã, pode se sentar já!
- Eu vou me vestir, lavar o rosto e tal, e já venho! - eles assentiram um para o outro.
Já sentados à mesa, tomando o café Jungkook criou coragem:
- Você está conhecendo alguém?
- Eu? - arregalou os olhos – Por que essa pergunta?
- Porque tenho curiosidade…
- Não! Não estou conhecendo ninguém e nem pretendo, Jungkook! - ela tomou um longo gole de seu chá - Como eu posso fazer isso? Se esqueceu que tem um stalker que não me deixa viver?
Jungkook abaixou a cabeça e rapidamente a levantou outra vez.
- Se isso for, um pedido de permissão… para você conhecer alguém…
pausou, sentindo o coração acelerar e querer quebrar dentro do peito.
- Eu não posso prender você a vida toda, não é? - ela tentou sorrir - Eu que não posso! Você é um homem solteiro, Jungkook, livre, não tem ninguém ameaçando você ou a sua vida caso você conheça alguém! Na verdade você só está tendo sua vida ameaçada, por estar perto de mim, por ter se envolvido comigo!
Jungkook balançou a cabeça em negativa, várias vezes enquanto comia sua torrada.
- Eu morreria por você, , já disse!
- Não morra! Não desperdice seu tempo e sua vida por mim! Viva, Jungkook… viva!
- Estou vivendo, !
Aquilo significava que ele já estava conhecendo alguém? Os dois se encararam.
- Digo! Eu não parei a minha vida, eu saio, eu trabalho, vejo você…
- E eu quero que continue!
- Vou continuar! - ele engoliu seco e então tomou um gole de café.
- Bom, eu já acabei! Acho melhor eu ir!
- Você está de carro? - ele franziu o cenho.
- Não! Vou pedir um carro…
- Eu te levo! - Jungkook se levantou.
- Não precisa, já te dei trabalho o suficiente ontem.
- Eu já disse que levo você, não seja teimosa!
Os dois ajeitaram as louças, e com já pronta os dois desceram até o estacionamento do prédio de Jungkook. Dentro do carro, os dois hora ou outra, se encaravam e sorriam. Parecia que as coisas estavam voltando ao normal entre eles.
Já na porta da casa de , ela o abraçou, sentindo o cheiro gostoso dele.
- Vai trabalhar hoje?
- Sim! A noite toda!
- Precisa que eu te busque?
- Não preciso! V vai me buscar hoje, pode ficar tranquilo. Tem tempo que ele não me liga, você sabe! Namjoon tem me tranquilizado bastante, obrigada por ter falado com ele e me convencido sobre deixá-lo cuidar de tudo!
- Seu irmão falou sobre os planos dele para domingo? Comigo e os meninos?
- Sim! Nós também estamos organizando algo somente para as garotas! - lançou uma piscadela para ele e os dois riram.
- Isso aí!
Silêncio. Os dois se encaravam nos olhos, os corações batiam rápido.
- Mais uma vez, obrigada.
Ele assentiu para e antes que ela pudesse descer, Jungkook segurou o pulso dela.
- Não vai se afastar de mim, vai?
- Não consigo, Jungkook! - os olhos dela marejaram levemente - Mas não quero mais machucar você…
- Só me prometa que não vai se afastar de mim! - Jungkook colou a testa na dela.
- Eu prometo!
Jungkook, lutou contra os próprios instintos bravamente e então levou os lábios até a bochecha de e depositou um beijo lá. retribuiu o beijo e deixou uma carícia também no lugar.
- Se cuida, Jungkook!
- Se cuida também!
Quando ela saiu do carro, o observou indo embora. Fechou os olhos com força e então o irmão abriu o portão, assustando .
- Vi vocês chegando pelas câmeras que mandei instalar aqui na porta! Se lembra quando comentei com você sobre isso?
- Me lembro! - ela beijou a bochecha do irmão.
- O que vocês dois estão fazendo da vida um do outro afinal, irmã?
A pergunta pegou de surpresa.
- Eu gostaria de saber, irmão!
entrou em casa depois de deslizar as mãos pelo torso do V. A pergunta ecoando em seus ouvidos a fez se jogar na cama e fechar os olhos. O que os dois estavam fazendo da vida um do outro afinal?



Centésimo Oitavo Capítulo - Eyes off you

Jin terminava de levar o último prato para a mesa de centro da sala enquanto V ajeitava a TV.
- Acha que dá? Ou já preparo mais?
Seokjin deu uma olhada nos pratos dispostos pela mesinha e então sorriu para o amigo.
- É suficiente, amigo! Qualquer coisa a gente prepara mais, os meninos vão entender!
V assentiu para o amigo. Ele estava empolgado com a visita dos amigos! Especialmente porque todos haviam confirmado presença, inclusive Jimin! Fazia um tempo que eles não o viam… V estava feliz de poder recebê-los em sua casa, e de finalmente estar se dando bem com pessoas da mesma cultura que ele, já que antes ele só tinha Jin. E ele gostava de verdade dos rapazes, já que ele se apegava rápido.
Alguns minutos depois e a campainha da casa tocou, Jin e V olharam juntos para a câmera e viram Jungkook ajeitando o bucket sobre a cabeça.
- É o Jungkook? - Jin forçou a visão, estreitando os olhos.
- Ele mesmo! Essas roupas aí são típicas dele, esse chapeuzinho também!
V correu com as chaves na mão para receber o amigo. Jin perguntou a si mesmo se já estava descendo, já que sairia com as garotas, então ela veria Jungkook… como estavam as coisas entre eles? Aliás, como estaria a vida dos amigos?
Jungkook e V adentraram a casa rindo e então Seokjin se levantou para ir em direção ao mais novo. Os dois se cumprimentaram e então V pegou o fardo de cervejas que Jungkook estava segurando e levou até a geladeira da casa. Os garotos haviam ficado responsáveis pelas bebidas, enquanto V e Seokjin haviam ficado com a responsabilidade de fazerem os pratos coreanos.
- Os pratos parecem ter ficado incríveis, hyung! - os olhos grandes de Jungkook brilharam enquanto ele se livrava dos chinelos e encarava a mesa.
- Eu espero que sim, JK! - os dois se sentaram lado a lado perto da mesa, no chão mesmo.
V já estava junto a eles, mas não deu tempo de ele se sentar, já que Jimin e Hoseok haviam acabado de chegar, e o moreno foi receber os dois!
A risada escandalosa de Hoseok preencheu a sala e Jungkook sorriu, gostava da risada dele. Eles se cumprimentaram, todos e então Jimin, depois de se sentar no sofá, encarou Jin.
- Eu queria te pedir desculpas, Jin! Por não ter ido à inauguração da sua galeria, os rapazes me falaram que foi incrível e que ela é linda! É que aconteceram algumas coisas…
Hoseok torceu os lábios, ele não contaria? Seokjin assentiu suavemente para Jimin.
- Eu perdoo se você prometer que vai lá conhecer e visitar a exposição do acampamento!
Jimin sorriu e olhou para o chão ao se lembrar do acampamento…
- Claro! Essa semana eu prometo que passo lá no meu horário de almoço, que tal?
- Ótimo! Nós almoçamos juntos, que tal?
- Combinado!
- Vá com as meninas!
- Com as meninas? - ele engoliu seco.
- Vocês não trabalham juntos? , e você?
Jimin voltou a engolir seco. A cabeça latejou:
- Ah, é que eu não estou falando muito com elas!
- E nem com a gente! - V complementou - Você quer conversar?
- Acho que eu devo algumas explicações a vocês, afinal de contas, estamos nos tornando todos amigos, não é?
Os outros assentiram para ele, esperando.
- Temos mais duas pessoas para chegar, então acho que devo esperar por Suga e Namjoon…
Quando V voltava com algumas bebidas para os amigos que já haviam chegado, ele ouviu a campainha tocar.
- É o Namjoon, hyung! - Jungkook sorriu ao olhar a câmera – Nossa é muito legal ter uma câmera assim! Eu passaria o dia todo olhando a rua!
Os amigos riram de Jungkook, menos Hoseok, que sentiu a garganta secar um pouco com a menção ao advogado. Os dois não haviam se falado mais depois do dia em que ele ficou bêbado e Hoseok foi levá-lo em casa, apenas no grupo que V havia criado para eles organizarem todo o rolê. Ou seja, diretamente eles não haviam conversado. Mas Hoseok lutava dia e noite para não pensar nas lembranças daquela noite, enquanto também pensava em e em como sentia falta da publicitária.
Jimin lançou um olhar para o amigo, notando a súbita mudança de expressão dele.
- Bebe um pouco do soju, J-Hope! - ele jogou o corpo em cima do amigo tentando fazê-lo voltar a Terra.
Hoseok soltou uma risada quase forçada até que ouviu a voz de Namjoon.
- Boa noite! - ele sorriu na direção de Jungkook e Jin.
- Boa noite, doutor! - Seokjin ergueu a cerveja na direção do advogado, que gargalhou.
- Onde posso deixar o vinho, Taehyung? Estou louco por um gole, mas prefiro mais gelado! Algum de vocês dois quer uma taça agora? Jimin, Hoseok?
Um arrepio que percorreu o corpo de Hoseok desde a base da espinha até o último fio de cabelo ao ouvir o nome dele saindo dos lábios do advogado. Ele ainda não tinha coragem de encarar o homem.
- O V me serviu com soju! Eu e o J-Hope, não é? Vou acabar o soju e aí tomo uma taça com você, também prefiro gelado!
- E você, Hobi?
Jungkook e Jin trocaram um olhar, aquele não era o apelido que costumava chamar Hoseok? V também franziu a testa e Jimin bebeu de seu soju.
- Vou ficar no soju por enquanto! - finalmente ele encarou Namjoon.
Os cabelos dele ainda pareciam estar úmidos e ele vestia uma blusa de mangas longas verdes e uma calça jeans. Era a primeira vez que Hoseok via o advogado tão despojado. Namjoon assentiu para ele, mas não sem antes passear os olhos pelo rosto e cabelos debaixo da touca bege que ele usava.
Eles ouviram passos e o coração de Jungkook acelerou. ainda estava em casa? Ele conhecia o cheiro dela de longe!
- Boa noite, meninos! - ela sorriu com o batom escuro cobrindo os lábios.
Jungkook não pode evitar, passeou os olhos pelo corpo dela dentro da saia jeans e depois os subiu para a blusa de malha vermelha que ela usava por dentro da saia.
- Você vai de saia? - Taehyung cruzou os braços - Está frio! Pega pelo menos um casaco!
- Ah, Taehyung, nem vem! - ela revirou os olhos - Não vou sentir frio!
- Seu irmão tem razão! - Jungkook coçou a nuca - Você pode sentir frio! Ou vocês vão ficar em algum lugar coberto?
olhou para ele e quis lhe apertar as bochechas quando ele ficou vermelho.
- Não! É aberto, é um bar!
- Então vai lá pegar um casaco! - o irmão fez um bico e então apertou sua cintura ao se aproximar.
- Vocês dois! - voltou a revirar os olhos.
- Tenho uma jaqueta jeans no carro, quer ela? - Jungkook ofereceu.
- Não precisa! Vou pegar lá em cima! Obrigada. Já venho!
Quando ela subiu os amigos olharam na direção de Jungkook, que tinha um enorme bico nos lábios. Jimin foi o primeiro dos amigos a gargalhar, tapando o rosto com a mão.
- Você nem disfarça, Jungkook! - Jin gargalhou mais um pouco.
- Ela precisava sair bonita assim? Os caras não vão dar sossego!
- Ela vai sair com alguém? - Namjoon perguntou assim que o irmão de se sentou ao lado de Seokjin no chão - O ideal seria com uma turma de gente! Eu até falei isso para ela esses dias!
V abaixou a cabeça. Aquilo doía nele. A irmã não poder sair sozinha, não ter a vida de volta mesmo com o stalker preso… Os planos da irmã de não contar a ele que o stalker havia voltado a ligar foram por água abaixo. Namjoon exigiu que ela contasse para V, já que, querendo ou não, a vida dele também estava em risco, então teve que contar. Mas teve a ajuda do advogado para isso. Desde então o coração dele vivia em constante angústia outra vez.
- Vai sair com as garotas! , , , e ! Elas quiseram nos imitar, mas resolveram ir para um bar…
- A ? - Hoseok apertou a garrafa de soju entre as mãos.
Namjoon se jogou ao lado dele no sofá ao ouvir o nome de . As coxas dos dois acabaram por roçar uma na outra, já que Namjoon era grande e mal coube no espaço que havia sobrado. Os dois se encararam.
- disse que ela vai! - V olhou para os dois com pesar.
- Quem? - gritou ainda descendo as escadas.
- … - a morena desviou o olhar de V e passou por Hoseok e Namjoon.
Ela deu um sorriso sem mostrar os dentes.
- Ela confirmou que já está até no bar com a e as outras garotas!
Jimin se remexeu no sofá, incomodado outra vez. Hoseok fechou os olhos e Namjoon olhou para o tapete da sala de V.
- Bom! Eu vou lá! Meu carro está chegando! - ela caminhou até os rapazes.
Depositou um beijo demorado no topo da cabeça do irmão e encarou Jungkook, que a encarava de volta. Caramba, como ela estava bonita! depositou um beijo demorado na bochecha dele, que retribuiu.
- Divirtam-se, meninos!
- Maneira na bebida! Hoje o Jungkook está aqui, não vai ter como você ir para lá! Ah, me liga que eu te busco!
Jungkook sentiu as bochechas ficarem vermelhas, mas acabou rindo do comentário do ex-cunhado.
- Caramba hein, Taehyung! Boquinha de sacola, né? Alguma das meninas me traz qualquer coisa!
- Não venha sozinha, ! Todos aqui estamos disponíveis para te buscar! Se lembra do que te disse esses dias?
engoliu seco e então balançou a cabeça em positivo para o advogado.
- Obrigada, e juízo vocês também! - e ela bateu à porta.
- Você vai explicar isso para gente, Jungkook? - Namjoon levou o copo de água até os lábios,
Antes que ele pudesse responder, voltava a abrir a porta.
- O Suga, meninos! V, venha receber seu convidado!
V se levantou rápido e desajeitadamente do chão para receber o mais velho. Ficou imensamente feliz de ver ele por lá, assim como Hoseok!
- Suga! - ele abraçou o moreno que deu alguns tapinhas nas costas dele.
- Olá! - Suga bradou para todos os amigos.
- Você veio! - Hoseok sorriu para ele.
Os olhos de Namjoon colados no sorriso dele… até que Jungkook perguntou se eles finalmente podiam comer. V autorizou enquanto levava a bebida que Suga trouxera - que também era uma garrafa de vinho - até a geladeira.
- Vocês já sabem quais jogos vamos jogar? - Jimin perguntou enquanto se servia.
- Antes, o Jungkook precisa nos atualizar!
- E o Jimin também! - Jungkook apontou para ele - Inclusive ele primeiro!
Jimin sentiu as bochechas arderem. Aquele assunto nunca cicatrizava, era como se jogassem sal na ferida todas vezes que ele tinha que falar sobre aquilo.
- Eu… - ele buscou as palavras - Qual a visão vocês tinham da minha relação com a ?
- Posso falar a verdade? - Suga se sentou no outro sofá enquanto olhava para Jimin.
O mais novo assentiu para ele.
- Aquele ódio todo sempre me cheirou a muita atração! Da parte de vocês dois! Não sei quanto aos meninos, mas eu… eu percebia isso!
- Eu também! - Jin ergueu uma das mãos,
- Eu não! Sou lerdo até para perceber quando alguém tem atração por mim, imagina para perceber quando os outros estão atraídos! - Jungkook arrancou mais algumas gargalhadas dos amigos.
- Eu sempre desconfiei também! Já até tentei arrancar alguma informação da , mas ela nunca admitiu nada! - Namjoon sorriu ao se lembrar da amiga.
- Eu sou que nem o Jungkook, ou até pior, então eu não fazia ideia! - Hoseok se pronunciou também, se sentindo mal por nunca ter percebido.
- Tá, então pelo que o Hoseok falou agora, significa que aconteceu alguma coisa? Eu, Jin e Namjoon não estávamos malucos?
- Não! Não estavam malucos! - ele bebeu um pouco - Nós dois tivemos um romance secreto por meses!
Jungkook e Taehyung deixaram claro sua surpresa com a informação com vários muxoxos e os olhos de Jungkook ficaram ainda maiores.
- Você está falando sério?
- Estou, V! A ideia de manter tudo em segredo foi dela! No começo eu topei, porque bom, nós trabalhamos no mesmo setor, e sempre demonstramos nos odiar, seria estranho do nada nós dois aparecermos apaixonados! Aí o tempo foi passando… A tem alguns traumas do passado, um pouco pesados! Bom…
Jimin pausou um pouco, tentando recuperar o fôlego.
- Leve o tempo que precisar, Jimin! - Suga o confortou.
- Pode chorar se sentir vontade, hyung! - JK levou o hashi até o prato, parando de comer momentaneamente.
- Não! - ele balançou a cabeça para Jungkook - Eu prometi não derramar mais nenhuma lágrima por ela!
Os amigos se olharam, um por um. Parecia ter sido sério.
- É um pouco longo e ainda me machuca muito, vou resumir! Depois que transamos eu achei que ela iria me assumir, e isso não aconteceu! Eu explodi, terminei tudo com ela! Sei dos problemas que ela enfrenta internamente, mas eu não podia pagar o preço que paguei só porque ela não tinha coragem de enfrentar os fantasmas dela!
- Eu concordo! - Jin e ele deram um rápido high five - Mas não tem volta?
Jimin balançou a cabeça.
- Acho que não… não sei! Sinceramente, eu não gosto de pensar mais nisso! Por isso me afastei, inclusive do Hoseok, de vocês, da , dela! Tudo que me lembrava ela, minimamente que fosse, eu quis eliminar da minha vida, ou eu enlouqueceria!
- Agora entendi porque você não apareceu no dia da inauguração!
- Verdade! - Suga bateu uma das mãos na própria coxa - Eu sabia que não era doido!
- É isso, amigos! - ele comeu mais um pouco.
- Agora desembucha, Jungkook! - Namjoon apressou.
Jungkook soltou uma risada nasalada.
- Todas as vezes que a bebe, ela aparece no meu apartamento! - Jungkook deu de ombros.
- Então vocês voltaram? - Hoseok perguntou.
- Não! - ele gargalhou, nervoso - Ela simplesmente fica bêbada e vai atrás de mim!
- E aí vocês transam e você fica com esperanças de que finalmente vão voltar?
- Não, Jimin! Eu nunca transei com ela bêbada! Só uns beijos, no máximo, mas ainda assim eu evito o máximo até isso!
- Viu, Jimin? - Namjoon alfinetou.
- Eu nunca mais transei com ela depois daquele dia, Namjoon!
- Não deveria ter transado com ela nem aquele dia! - Hoseok balançou a cabeça em negativa para o amigo.
- Que dia? Contem a fofoca toda! - Taehyung pediu enquanto os amigos riam.
- É que no dia na inauguração da galeria do Jin, hyung, depois que vocês já estavam todos em casa… a estava um pouco alterada e acabou parando lá em casa também, e nós transamos!
- Conta direito, Park! - Namjoon se levantou - Alguém quer vinho? Hoseok?
- Eu quero uma taça! - ele olhou rapidamente para Namjoon.
- Eu também! - Suga pediu.
- Nós transamos e eu disse que ela podia ir embora que não tínhamos nada para conversar!
- Vacilou bem feio aí, hein? - Jungkook repreendeu.
- Nossa! - Suga levou a comida a boca.
- Olha… - V pausou sem saber o que falar - Eu já transei com a enquanto estava com muita raiva dela! E me arrependi! Amargamente! Não vou julgar você tanto assim!
- Eu sei! Eu sei! Me arrependi também! No segundo que ela bateu à porta e foi embora!
Namjoon voltou com o vinho, se sentou ao lado de Hoseok e as coxas se tocaram outra vez, fazendo as bochechas do mais velho esquentarem. Ele serviu uma taça e pediu que Hoseok a passasse até que ela chegasse em Suga, depois ele serviu Hoseok e por último encheu sua própria taça.
Os meninos ficaram em silêncio, terminando de comer. E então Jungkook perguntou:
- O bar tinha muitos homens? - ele olhou para Suga.
- Não reparei se tinha muitos homens, mas olha… - ele pausou - Quando deixei a lá, só faltava a chegar… e elas estavam lindas! Todas!
- Eu disse! - Jungkook voltou a ficar emburrado - Vão chamar muita atenção!
- Se acalma, Jungkook! Tirando a , todas lá são solteiras!
- Tecnicamente a não! - Jin abaixou os olhos e ficou vermelho.
- Mas o quê? - V segurou os ombros do amigo.
- Explica isso daí direito, porque eu sou mega fã de vocês dois juntos! - Namjoon pediu.
- Ah! Nós estamos nos acertando! As coisas têm ido bem, bem até demais! Às vezes até fico com medo…
- É namoro ou não é namoro? - Jimin se levantou.
- Estou me organizando para oficializar as coisas entre nós!
- Finalmente, amigo! - V sorriu, empolgado.
Os amigos comemoraram, deixando Jin com ainda mais vergonha.
- E você e a ? - Suga lançou no ar e os amigos se calaram - Aquele dia do jantar na minha casa, vocês foram embora juntos…
V umedeceu os lábios. Eles não se viam e nem se falavam desde a inauguração da galeria. A saudade veio forte no peito dele.
- Bom… nós dois nos beijamos na sacada do seu apartamento enquanto você e a estavam na cozinha! - os amigos voltaram a fazer barulho - E depois disso a gente dormiu junto! Mas só dormiu mesmo! Eu fiquei me sentindo mal de deixá-la sozinha depois do beijo, então dormi lá! Mas não rolou nada! Eu juro!
- Nós acreditamos em você! Agora, o que realmente aconteceu entre vocês para se separarem, V? Eu nunca engoli aquela história que você disse no acampamento!
- Ela me usou para causar ciúmes no ex-namorado no dia do casamento dele! Sem me avisar, me apresentou para ele um dia antes lá na cidade deles, como namorado dela! E me destruiu!
- Uau, parece que as mulheres das nossas vidas são as vilãs dessa vez!
Hoseok gargalhou e tomou mais um pouco de vinho.
- No meu caso, não! - Namjoon, pensativo, balançou a cabeça.
- O que virou entre vocês três depois daquele dia da inauguração que você pediu a em namoro? Eu quis perguntar para a , mas não tive coragem!
Seokjin gargalhou antes de se servir de mais um pouco de comida.
- Verdade! O que virou? - JK ajeitou os cabelos depois de retirar o bucket.
Namjoon e Hoseok se encararam por alguns instantes e Namjoon tomou a frente.
- Virou uma bagunça! Tanto a minha vida quanto a vida do Hoseok! A não reagiu bem ao meu pedido de namoro, ela achou que foi só mais uma jogada da minha parte para implicar com o Hoseok. - o advogado olhou para ele.
Hoseok olhou de volta e então ele se lembrou outra vez do corpo dele por cima do corpo de Namjoon e então desviou os olhos.
- E não foi? - Suga se esticou o suficiente para pegar sua taça.
- Não! Eu me apaixonei pela … só que não soube demonstrar isso enquanto estive com ela porque nunca havia me apaixonado antes! E ver que o relacionamento dela com o Hobi era muito mais intenso que o nosso, fez com que eu não soubesse lidar com outro sentimento: a insegurança. Fiquei com tanto medo de perdê-la que meti os pés pelas mãos e no fim das contas eu e o Hoseok ficamos sem ela.
- Ela não aceitou, não é? - V balançou a cabeça.
- Não!
- E eu acabei perdendo a cabeça e a chamei de egoísta! - Hoseok terminou o vinho em sua taça - Depois disso ela pediu um tempo para nós dois e estamos sem falar com ela! Ela não nos atende, nem nos responde mais!
Os amigos ficaram em silêncio, ambos encarando o chão da sala de V.
- Só você e o Jin estão numa boa situação aqui! Que Deus conserve! - V olhou para os dois.
Os amigos riram de V que também não aguentou.
- Onde fica o banheiro, V? - Namjoon perguntou já ficando de pé.
- No andar de cima, a porta no final do corredor, doutor!
- Não me chame de doutor, por favor, V! - Namjoon riu.
- Achei que todo advogado gostasse!
- Não! Eu acho podre!
- Também jurei que você ia adorar todo mundo te chamando de doutor!
Hoseok ergueu uma sobrancelha.
- Hoseok… nós já iniciamos essa conversa! Eu não sou tão enjoado assim!
Ele subiu as escadas, deixando Hoseok sorrindo.
- Vamos jogar ou não vamos? - Jimin voltava da cozinha com mais algumas garrafas de soju.

Jungkook, Jin e V se juntaram mais perto da TV para mexer no aparelho de videogame, enquanto Suga e Jimin engataram um assunto sobre como os dois eram péssimos em jogos em geral e aí Jimin começou a perguntar como estava a vida dele e de sem o bebê e etc… Namjoon se sentou outra vez ao lado de Hoseok que segurava a taça vazia, a balançando enquanto encarava o nada.
- Vou buscar mais vinho para nós dois! - Hoseok involuntariamente sentiu a espinha se arrepiar com a voz grave do advogado próxima ao seu ouvido.
Ele abriu a boca para dizer obrigado, mas Namjoon já havia sumido. Fechou os olhos com força. Aquilo era coisa da cabeça dele! Não podia estar acontecendo. Pensou em . Retirou o celular do bolso enquanto os amigos, agora, falavam alto sobre jogos. Atualizou o feed do Instagram e lá estava um stories dela, depois de algumas semanas sem postar nada… era uma foto das seis juntas. O coração de Hoseok acelerou ao botar os olhos nela. Linda! Ainda mais linda com os cabelos pretos novamente. O sorriso parecia espontâneo e ele ficou aliviado!
- Ela parece estar ainda mais bonita, como isso é possível?
Namjoon bufou enquanto bebia de seu vinho.
- Você viu? - Hoseok aproximou o celular dele - Como?
Os dois se encararam mais uma vez, e depois ambos voltaram a olhar para na foto.
- Vocês dois não vêm?
Jimin olhou para os dois, grudados no sofá mesmo com agora o espaço livre sem Jimin lá… será que a pulga atrás da orelha de Jimin tinha fundamento? Ele perguntaria para Hoseok depois.
- Mas não dá para jogar nós sete de uma vez, dá? Você sabe que eu não entendo nada disso!
- Não dá! Mas vocês não vêm sentar aqui no chão, com todo mundo? Para ver os jogadores da vez?
Os dois se olharam meio sem jeito e então Namjoon encostou na coxa de Hoseok.
- Vamos sentar lá! - Hoseok olhou para a mão dele sobre sua coxa.
O coração de Hoseok começou a acelerar, e ele ficou sem reação quando deveria apenas ter se levantado e retirado a mão de Namjoon de lá. Namjoon se levantou e então esperou que Hoseok fizesse o mesmo…
- Eu preciso ir ao banheiro antes! - ele colocou a taça sobre a mesa e se levantou -
Atônito mais uma vez em como o corpo dele vinha reagindo à Namjoon, ele subiu as escadas depressa. Namjoon, tranquilamente se serviu de mais uma taça de vinho enquanto observava o jogo na TV.
- Quem está jogando?
- Jin e Jungkook! - V respondeu - Posso ter uma taça de vinho?
- Claro! Onde ficam suas taças?
- Dentro do armário preto! Você vai vê-las assim que entrar na cozinha!
Namjoon caminhou até a cozinha e então viu o tal armário preto com as taças, ao invés de pegar apenas mais uma, ele resolveu levar duas, alguém mais poderia querer o vinho! Quando ele voltou para sala com as taças, Hoseok já havia voltado e estava em pé, perto de onde os amigos estavam reunidos, com os braços cruzados e a feição concentrada, como se quisesse entender sobre o jogo.
Namjoon deixou as covinhas aparecerem ao soltar um sorriso genuíno com o quão adorável Hoseok ficava quando concentrado… Será que a pele da bochecha dele era tão macia quanto parecia ser? Hoseok observava o jogo e Namjoon o observava, quase sem pudor algum.

As seis brindaram quando os copos americanos estavam todos cheios de cerveja e então os levaram até os lábios, tomando o líquido amarelo de lá de dentro.
- Quanto tempo, não? - sorriu para as amigas.
- Você está radiante, ! Acho que até sei que nome isso tem, viu?
sentiu as bochechas ficarem rosadas com o comentário de enquanto as amigas riam.
- É Min Yoongi o nome viu, ? Mas acho que você já sabia mesmo! - e ela deram um “high five”.
- Não só a , não é? - ajeitou os cabelos.
- Ai, gente! - gargalhou - Mas é verdade! Eu estou realmente muito feliz com o Yoongi!
- A gente torceu muito para vocês se acertarem, e foi lindo quando vocês chegaram lá na casa do acampamento anunciando que tinham se acertado!
sorriu para , se lembrando de quando eles finalmente se acertaram!
- E você e o Jungkook? - emendou o assunto.
As amigas pediram mais garrafas de cerveja, já que a que estava na mesa começava a acabar. Aproveitaram para pedir algumas porções também quando o garçom chegou.
- Eu e o Jungkook o quê? Somos amigos… - ela levou a cerveja até os lábios - Ele me faz muito bem! E eu não consigo me afastar dele!
fechou os olhos com força tentando expressar a intensidade do que sentia por Jungkook.
- Mas vocês estão bem sendo só amigos? - se interessou.
- Ah! - coçou a nuca - É aquilo, né? Eu sou apaixonada por ele, e ele é por mim, mas a gente não pode ficar junto. E claro, dói! Mas é melhor eu tê-lo como amigo e perto de mim, do que sei lá, a gente afastado e sofrendo mais ainda.
- Faz sentido! - agradeceu ao garçom pelas cervejas - Mas você chegou a combinar com ele algo sobre, vocês esperarem um pelo outro?
- Não! Porque eu não posso prendê-lo! Eu não sei quanto tempo vai durar tudo isso… inclusive eu até acho que ele tá conhecendo alguém já!
Dizer aquilo em voz alta fez seu coração arder, mas ela tinha que aceitar, caso estivesse mesmo acontecendo.
- E como está com a terapia, ? - perguntou.
As meninas olharam para , esperando pela resposta.
- Bem! Tem sido doloroso, mas muito necessário! E me faz repensar tanta coisa…
- Terapia é sempre um mal necessário! Dói, mas cura! - complementou.
- Eu também comecei a fazer! Tem pouco tempo, mas estou gostando também! - enrolou uma mecha do próprio cabelo no dedo indicador - Qual foi o motivo que te fez perceber que realmente precisava de terapia? Porque eu confesso que só fiz porque o Namjoon me aconselhou quando pegou meu caso.
engoliu seco ao ouvir o nome do advogado.
- Engraçado ele te recomendar isso, porque ele também precisa… Enfim! Estou amarga com esse assunto, Namjoon x Hoseok!
As amigas riram, inclusive , que respirou fundo se preparando para falar sobre o assunto.
- Bom! Eu tive um padrasto que atormentou a minha vida até os meus dezesseis anos! Me causou inúmeros traumas! A minha mãe, por ser manipulada e totalmente dependente emocional e financeiramente dele, sempre ficou do lado dele. Algumas memórias, muito traumáticas, meu cérebro apagou…
- Ele abusava de você, ? - segurou a mão dela.
- Eu não me lembro… então acho que sim! E toda essa coisa, me fez crescer indiferente, sabe? Eu saí de casa muito nova, morei com as meninas até ficar maior de idade e conseguir um emprego, ralei muito! E eu sempre achei que sentimentos como, amor, paixão, vulnerabilidade, e afins fossem sentimentos medíocres! Sempre achei que me apaixonar seria minha ruína e uma fraqueza sem tamanho, então nunca me permiti sentir isso! Eu sempre fui muito fria e muito focada na minha carreira e na minha satisfação pessoal! - umedeceu os lábios e apertou a mão de .
e prestavam atenção, ambas com os olhos cheios de água.
- Mas aí, eu conheci o Jimin! E nos primeiros contatos, eu odiei o Jimin! Vocês sabem disso! - as três assentiram - Só que eu acabei me envolvendo com ele… no começo era só atração e Deus sabe como eu lutei para manter esse sentimento sendo realmente só atração!
engoliu seco e então soltou a mão de apenas para levar o copo de cerveja aos lábios rosados.
- O Jimin? Você diz, o Jimin que a gente conhece também? - piscava os olhos.
- É! Esse mesmo! - sorriu, sentindo os olhos marejarem - E ele foi incrível comigo, do começo ao fim de tudo! Eu quis levar tudo no sigilo, nem as meninas e nem o J-Hope sabiam! E aí ele foi o cara mais paciente do mundo com tudo que eu propus! E ele foi incrível esperando que eu estivesse preparada e segura o suficiente para que a gente conseguisse transar, porque eu não conseguia… e quando aconteceu foi simplesmente um dos melhores momentos que algum homem me proporcionou falando desse assunto!
As amigas, em silêncio, esperavam continuar quando ela pausava.
- E então ele pediu que a gente assumisse nosso relacionamento e eu neguei. Não me sentia pronta, não tinha coragem de assumir que havia me apaixonado e não conseguia falar sobre todo o caos que havia dentro de mim, e aí acabei perdendo o Jimin!
- Caramba! Eu sei a dor que você está sentindo… - balançou a cabeça em negativa - Foi um momento de fraqueza, de falta de coragem e aí você perdeu tudo! Que nem eu!
- E agora eu não tenho mais notícias dele, fora do trabalho! Nós só nos falamos no escritório e o necessário para o desempenho das nossas funções! Nem com a ele fala mais!
- Nem com o Hoseok! Até onde eu sei!
- Bom, ele estava lá em casa! Sentado do ladinho do Hoseok! Talvez agora ele tenha voltado a si, e feito as pazes com ele.
As amigas se olharam.
- Tomara que sim, o Hoseok não tem culpa de nada disso!
- Você acha que não tem mais volta? - questionou.
- Sinceramente? Acho que não… - os olhos dela marejaram - Eu não sei se ainda devo em algum momento tentar de novo, insistir… eu destruí o Jimin! E não sei se consigo reparar todo o estrago que eu fiz, apesar de querer isso com todas as minhas forças.
Ela limpou uma lágrima que desceu por sua bochecha e quis chorar com ela. Entendia tão bem. suspirou:
- Vai ficar tudo bem! O importante é que agora, você está cuidando de você mesma!
- Espero de verdade que para vocês dois o destino dê uma segunda chance. - foi a vez de encontrar a mão de sobre a mesa - Comigo e com o V eu acho impossível também!
- Agora, me responde uma coisa, ? O que realmente aconteceu com você e o V? Ou foi só a pessoa certa na hora errada?
mexeu nos cabelos, jogando uma parte para o lado esquerdo.
- Não, ele era a pessoa certa na hora certa, mas eu só enxerguei isso quando o perdi! - ela e trocaram olhares, cúmplices - A culpa foi minha! Da minha insegurança, da minha mente bagunçada! Eu saí de Magé porque meu sonho era ser uma grande arquiteta e com isso eu deixei o homem que achei ser o grande amor da minha vida para trás. E fiquei presa nisso anos, achando que tinha largado o grande amor da minha vida para focar na minha carreira e quando ele ficou noivo e convidou minha família e eu para o casamento, eu percebi que, sei lá, era como se eu não estivesse completa. Me veio uma sensação de não pertencimento muito grande que eu achei que fosse amor! Achei que fosse porque tinha perdido o grande amor da minha vida. Aí usei o V, para tentar causar ciúmes no meu ex-namorado no dia do casamento dele. Sim, uma atitude mesquinha e infantil, e aí acabei perdendo o V, que pode ser na verdade o grande amor da minha vida!
fechou os olhos e soltou o ar preso nos pulmões. As amigas ficaram em silêncio, digerindo as informações de e .
Mais cerveja na cabeça e o próximo tópico foi puxado por .
- O Namjoon e o Hoseok pareciam dois cachorrinhos que caíram da mudança lá em casa! Você decidiu ficar sozinha, ?
mexeu na porção e levou o bolinho de arroz à boca, mastigando-o primeiro antes de responder.
- Por enquanto sim! Hoseok abriu meus olhos e me fez ver que talvez eu estivesse sendo egoísta! Porque eu não me decidia, e bom… vocês podem não acreditar, mas eu me apaixonei pelos dois! E ainda sou na verdade… mas precisei me afastar para deixar as coisas mais claras na minha cabeça.
- Mas parece que não adiantou muito, não é?
Elas riram.
- Ainda não, mas eu tenho fé que vai! Mesmo que seja para sermos só amigos, mesmo que seja para eu escolher um só… ou então que cada um siga sua vida e a gente nunca mais se veja! - ela deu de ombros, sentindo os olhos marejarem - Mas sinto muito a falta deles!
- Tempo ao tempo, ! - balançou a cabeça para ela.
- Tempo ao tempo para todas nós, eu acho! - puxou o brinde.
Depois de brindarem, elas resolveram mudar um pouco de assunto, já que a intenção do encontro era que elas se divertissem tanto quanto os garotos! E iam conseguir, se davam bem!

Os amigos haviam perdido as contas de quantas vezes Jimin havia tentado ganhar de V e de Jungkook. Agora, ele, Hoseok e Namjoon estavam na cozinha terminando de arrumar a bagunça até que V se deu conta do horário… Já eram quase três da manhã e nem , nem haviam mandado mensagem para ele e Suga pedindo para eles buscarem! V se preocupou.
- Suga, hyung! Você não está preocupado com a ? Já são quase três da manhã e até agora nada de elas mandarem mensagem!
- Já são quase três da manhã? Vou ligar para ela… acho que já estou sóbrio o suficiente para ir buscá-la! Você quer que eu traga a ?
- Prefiro buscá-la, hyung! Não é por nada, coisa de irmão mesmo! Obrigado! Mas podemos ir juntos!
- Também fiquei de buscar a
Os amigos começaram a zoar Seokjin, que gargalhou alto enquanto ficava vermelho.
- Algum problema se eu for também? - Jungkook mordeu o lábio.
- Quer checar a , né? - Suga gargalhou enquanto mexia no celular.
- Quero ver ela sim! - Jungkook assumiu, rindo.
Quando Jimin, Hoseok e Namjoon voltaram para a sala, os outros quatro já estavam de pé e V pegava a chave do carro.
- Vamos só buscar as meninas e podemos voltar!
Namjoon olhou no relógio de pulso e viu que já eram quase três da manhã.
- São quase três da manhã, faltam três minutos!
O celular de Jimin tocou e ele pediu um minuto, se afastou para atender e rapidamente voltou.
- Vou me encontrar com a Chloe! Podemos ir, J-Hope? Te deixo lá e vou!
- Quem é Chloe? - Jungkook, nada discreto, perguntou.
- Você está ficando com ela, Jimin?
- Não, J-Hope! - ele riu - É só uma amiga! Ela tem me ajudado bastante… só isso!
- Eu moro há no máximo quinze minutos daqui, pode deixar que vou andando! Você provavelmente ainda tem que ir em casa se trocar e eu não quero te atrasar!
- Te deixo lá antes de buscar a !
- Não precisa, não quero incomodar ninguém, não gosto! É pertinho, tá calor e é bom que vou arejando a cabeça enquanto o álcool perde o efeito.
- Ah, J-Hope… - Jimin se preocupou.
- Eu o acompanho, não se preocupe, Jimin, estou sem carro e peço um lá da sua casa então!
Hoseok quis recusar a companhia do advogado, mas logo ele saiu e aí todos foram seguindo o mesmo caminho, indo para a garagem.
- Meus queridos! Eu espero de verdade que possamos repetir noites como essa! Foi extremamente divertido, e eu estava precisando!
Namjoon abraçou V de lado, pelos ombros, que fez o mesmo com o advogado. Mais uma vez, ele parecia estar “altinho” e V riu.
- Você é muito bem-vindo aqui, doutor! Por tudo que tem feito pela minha irmã!
- Gosto de vocês! - ele beijou o topo da cabeça de V - De todos vocês!
Ele fez um "joinha" para os amigos, que riram.
- Nos deem notícias, vocês dois, já que vão andando!
- Estou me acostumando a cuidar do Namjoon bêbado, fiquem tranquilos!
Os dois começaram o caminho em silêncio e quando Namjoon deu a primeira vacilada, Hoseok passou o advogado para o canto da parede o segurando pelo braço, e ele sorriu.
- Você era cuidadoso assim com a também?
Hoseok passou a língua pelos lábios e tentou sorrir, havia ficado nervoso com a pergunta.
- Eu tentava… e você? Era cuidadoso com ela?
- Acho que era! Eu sei que pode parecer que o nosso relacionamento era só sexo, mas não! Tinha algo mais… pena que eu não soube prolongar esse algo mais, por mais que agora pensando nisso, eu não saiba explicar o que exatamente era esse algo mais.
Hoseok gargalhou com a forma desajeitada que ele tentou expor seu raciocínio, logo ele tão articulado.
- É acho que perdemos mesmo a .
- Será? Talvez eu tenha perdido, mas você não!
- Por que acha isso?
Os dois caminhavam hora devagar, hora rápido, e também, hora ou outra os braços roçavam um no outro…
- Porque ela falava de você com um brilho nos olhos tão grande, Hoseok! E ela abraçava você tão apertado!
- Isso porque você não via a forma que ela gargalhava quando falava com você, e nem o fogo que ela tinha nos olhos quando falava de você.
- Fogo apaga rápido!
- E pega rápido também, alastra…
Os dois se encararam.
- E por que estamos nessa competição boba? Ela pode muito bem não querer nenhum de nós dois! E a culpa disso tudo é minha!
Silêncio. E assim eles terminaram a caminhada até chegarem na casa de Hoseok.
- Bom, você quer um copo de água enquanto chama seu carro?
- Dentro da sua casa? Está me convidando para entrar?
- Estou! - Hoseok deu de ombros.
Ele pegou a chave do portão dentro do bolso e o destrancou. Olhou para Namjoon, que o encarava de volta. Ele hesitou, parecia pensativo.
- Que foi, Namjoon?
- Nada! - o mais alto entrou - Seu pai não vai achar estranho?
- Meu pai deve estar no décimo sono já! Ele dorme com as galinhas normalmente.
Hoseok com certa dificuldade por causa do escuro, demorou alguns bons segundos para encontrar no molho de chaves a chave da porta da frente da casa. Com a porta destrancada, ele entrou na casa primeiro e Namjoon foi logo atrás. O advogado meio tonto, acabou empurrando o corpo de Hoseok para frente, que se embananou um pouco nos próprios pés enquanto procurava cegamente com as mãos o interruptor da sala. Ele se virou para Namjoon quando ele gargalhou alto, segurando a própria vontade de rir.
- Shiu! Meu pai! - ele gargalhou e em seguida sentiu as mãos de Namjoon em sua cintura.
Se lembrou da mesma cena na casa do advogado e engoliu seco. As mãos de Namjoon estavam mesmo pousadas lá, outra vez? Ou ele estava alucinando? Levou as próprias mãos até lá e tocou as dele, comprovando que não era uma alucinação. Os pés dele foram para trás, mas seu corpo magro bateu no braço do sofá, impedindo que ele fugisse… o coração batia rápido, muito rápido e mais uma vez o cérebro dele gritava que ele deveria tirar as mãos grandes de Namjoon de lá. Mas o corpo dele não reagia.
- Namjoon… - ele falou, meio com a respiração já alterada.
- Sabe, Hoseok? - Namjoon raspou a garganta, o coração do advogado também batia rápido - Já faz um tempo, que eu estou curioso…
Ele pausou por alguns segundos, fazendo Hoseok fechar os olhos.
- Porque a tinha tanta dúvida? Eu sempre me perguntei, o que você tinha… o que ela via em você! - as mãos dele lhe apertaram a cintura com certa força, e ele gostou de fazer aquilo - Acho que eu estou cansado de me perguntar! Eu quero descobrir…
Quando Hoseok sentiu os lábios de Namjoon pressionarem os seus, ele não raciocinou direito apenas cedeu… deixou que Namjoon o beijasse. As mãos dele, inquietas resolveram repousar nos ombros de Namjoon, e quando a língua quente do advogado pediu passagem, não houve resistência também. Hoseok sentiu-se outra vez como um adolescente descobrindo algo novo quando suas pernas vacilaram um pouco com as sensações gostosas que o beijo estavam lhe provocando.
Quando Namjoon percebeu que não houve resistência por parte do químico, ele sorriu entre o beijo. Por que diabos aquele beijo parecia tão certo? Por que os lábios dos dois não pareciam desconhecidos? Por que era tão gostosa a sensação da boca fina de Hoseok sendo engolida pela dele? Namjoon não sabia, mas não se permitiu mais ficar se questionando, ele iria sentir
Hoseok começava a relaxar os músculos do corpo quando os dois ouviram a voz do pai de Hoseok ressoar no segundo andar da casa.
- Meu filho? Você já chegou?
Hoseok abriu os olhos, espantado e com medo e então acabou empurrando o advogado, separando os lábios e os corpos dos dois. Namjoon sentiu-se frustrado com o vazio que ficou quando os lábios dos dois se separaram.
- O-oi pai! Sou eu! Já cheguei! - Hoseok tateou outra vez a parede em busca de luz.
Namjoon fechou os olhos, incomodado com a luz invadindo suas pupilas e então Hoseok encarou o pai.
- Ah, você está com visita! Eu não sabia! Quem é? - a empolgação na voz do pai fez Hoseok querer rir.
Ele olhou para Namjoon, que agora olhava de volta para ele. Os dois tinham os lábios bem vermelhos, e Hoseok rezou que o pai não percebesse e nem associasse uma coisa à outra.
- É um amigo, pai! - a voz de Hoseok vacilou um pouco.
- Boa noite! - Namjoon raspou a garganta outra vez - Sou Kim Namjoon! Prazer em conhecer o senhor, me desculpe o horário e o barulho! Vim acompanhar o seu filho para ele não voltar sozinho!
- Ah, que gentil! - o pai de Hoseok sorriu.
Hoseok olhou para o chão, abaixando a cabeça, se o pai sequer imaginasse o rolo que os dois estavam metidos!
- Vou pegar o seu copo de água!
Hoseok precisava sair dali, precisava de ar. Em passos largos ele caminhou até a cozinha e pode ouvir o pai se apresentar e puxar assunto com Namjoon.
Ele se escorou na porta da geladeira e levou uma das mãos aos lábios. Fechou os olhos e sentiu o gosto do advogado na língua outra vez. Por que ele havia deixado que Namjoon fizesse aquilo? Ele lutou a vida toda quase contra aqueles fantasmas! Ele lutou a vida quase toda contra aquele tipo de desejo, tudo porque tinha medo! Tinha medo do que a sociedade diria, do que o pai pensaria… ele achava errado gostar de homens e mulheres ao mesmo tempo! Pensou em , lembrou de quando eles transaram pela primeira vez, sentiu o gosto do beijo dela na boca também… depois voltou a se lembrar do quão gostoso havia sido o que havia acabado de acontecer. Abriu os olhos e tratou de acalmar a respiração e a mente.
Voltou com o copo de água de Namjoon, que agradeceu com a cabeça e depois tomou o líquido transparente quase todo de uma vez. Hoseok se pegou observando o pescoço exposto de Namjoon e quando a mente se perguntou que gosto ele teria com o pescoço suado, ele sacudiu a cabeça. Não podia! Gostar de já não era sofrimento o suficiente? Olhou para o pai que sorria para Namjoon… como ele explicaria para o pai que poderia ser bissexual? E para os novos amigos? E para ?
- Obrigado! - Namjoon estendeu o copo na direção de Hoseok - Bom, eu vou chamar o meu carro!
- Temos um colchão, dorme lá no quarto do Hoseok! Está meio tarde, não?
- Não! - o advogado balançou a cabeça, rindo - Melhor não senhor, Sung Hoon!
- Ah! Está tarde, querido!
- Não, pai! É melhor o Namjoon ir, ele está cansado! Estamos os dois, na verdade, bebemos muito… - Hoseok olhou dentro dos olhos de dragão de Namjoon.
- Sim! Bebemos muito! - Namjoon não desviou o olhar.
- Tudo bem então! Volte mais vezes, Namjoon! E obrigado pelo cuidado com o meu Hoseokie!
Namjoon sorriu com a forma carinhosa que o pai de Hoseok se referiu a ele.
- Boa noite!
- Boa noite, senhor Sung Hoon!
Já do lado de fora de casa, Namjoon e Hoseok se encararam quando o advogado disse que o carro já estava vindo. Namjoon ensaiou diversas vezes abrir a boca para puxar algum assunto, mas ele não sabia o que falar… na verdade ele queria dar outro beijo em Hoseok e ele até chegou um pouco mais perto do mais velho e deixou que seu braço roçasse “despretensiosamente” no de Hoseok, que engoliu seco e encarou a mão grande dele que segurava o celular. Hoseok olhou para baixo, voltando a pensar que aquilo era errado! Provavelmente Namjoon só estava bêbado demais e se arrependeria daquilo na manhã seguinte. E lá ia Hoseok de novo perder mais alguém, primeiro a mãe, depois e agora Namjoon…
Namjoon olhou para o perfil bem desenhado de Hoseok e desejou poder traçar beijos molhados pelo maxilar bem feito dele… umedeceu os lábios e tirou rapidamente os olhos de lá.
- Olha, Hoseok… - o moreno o interrompeu.
- A gente conversa em outro momento, Namjoon! É melhor! O seu carro está chegando, está muito tarde, a minha cabeça está confusa, a sua também deve estar e você está bêbado! Vamos conversar depois…
O advogado assentiu, sentindo o coração murchar dentro do peito. Alguns segundos depois o carro de Namjoon de fato chegou, os dois apenas acenaram um para o outro com as cabeças e Namjoon entrou dentro dele.
Quando o carro deu partida, o advogado escorou a cabeça no encosto do banco, com o coração a mil e levou as mãos aos lábios, se lembrando do gosto bom que Hoseok tinha e em como o beijo havia sido gostoso, mesmo que curto. Namjoon fechou os olhos enquanto pensava que ele definitivamente queria repetir…
Hoseok engoliu seco quando se sentou em sua cama, fechou os olhos e a primeira coisa que sua mente trouxe à tona foi a lembrança do bendito beijo… que parecia ainda vibrar nos lábios dele. Ao abrir os olhos, ele se perguntou outra vez: e se aquele desejo todo fosse só coisa da bebida e Namjoon nem curtisse de verdade garotos? Ele bufou enquanto se jogava na cama e tapava o rosto com as mãos.
E quase como se estivessem em sincronia, Namjoon e Hoseok abriram os olhos juntos e pensaram: “E a ?”


Centésimo Nono Capítulo – you were good to me

Quando os quatro chegaram até o tal bar as amigas já estavam de pé, perto uma das outras e elas gargalhavam alto de alguma coisa. V sorriu por ver a irmã tão despreocupada, sorrindo, feliz… era tão bom! Os olhos dele bateram em , no minuto seguinte, e então ele reparou que os cabelos dela estavam mais volumosos e um pouco ondulados, provavelmente ela havia mudado o corte do cabelo para que ele ficasse daquele jeito e V amaldiçoou o universo por ela ter ficado ainda mais bonita, porque sim, ela havia ficado!
Eles se aproximaram e então e Suga trocaram um beijo rápido e depois ele cumprimentou as meninas com um “olá” e acenou com uma das mãos. Depois Seokjin se aproximou o suficiente de , encostando o corpo no dela, mas nada de selinho ou beijo, isso porque os dois ficaram um pouco sem graça quando os olhares das garotas bateram neles… Ele cumprimentou as garotas do mesmo jeito que Suga e então Jungkook e V se aproximaram de , fazendo o mesmo que Suga e Jin.
sorriu sem mostrar os dentes para os dois e aí , que mesmo fazendo terapia ainda não tinha conseguido filtrar algumas reações perguntou:
- Ué, cadê o Jimin? - ela balançou a cabeça em negativa, se dando conta logo em seguida - Digo, ele não estava lá com vocês? Está faltando o Namjoon e o J-Hope também, não é…
Ela passou as mãos pelos próprios braços, com frio e com vergonha pela própria reação. Os quatro se entreolharam, incertos do que responder. Mas Jungkook que era quase tão sem filtro quanto resolveu responder, quem sabe assim ela não tomasse alguma atitude e ia atrás dele?
- Ela saiu com uma tal de Chloe! - V cutucou Jungkook discretamente e ele deu de ombros.
- Ah! - ela abraçou ainda mais a si mesma - Com a Chloe!
- O Namjoon e o Hoseok resolveram ir embora! O Namjoon ia deixar o Hoseok, eles foram juntos!
- Juntos? - perguntou enquanto abria a boca um tanto quanto surpresa.
- Juntos! - Suga respondeu enquanto acariciava as costas da namorada.
ficou um pouco atônita com a informação, mas resolveu que não perguntaria mais nada. Afinal de contas, eles ainda estavam afastados.
- Vamos, ? - ela segurou a mão da amiga.
, ainda abalada pela notícia, apenas disse que sim para a amiga e então elas começaram a abraçar uma a uma das garotas e os garotos também. Depois, Jungkook disse que agora que sabia que estava tudo bem com , ele iria para casa. Beijou a testa dela e então se despediu dos amigos, indo para seu carro.
- Vamos? - Suga olhou para e depois para - Você quer uma carona, ? Deixo você lá!
- Eu aceito, Suga! - sorriu para ele - Antes, será que eu posso falar com você, V? É coisa rápida, pode ser na frente de todo mundo inclusive…
V engoliu seco, enquanto o coração involuntariamente acelerava. Ainda? Por que o coração dele ainda acelerava quando o assunto era ela?
- Pois não? - ele mexeu na chave do carro dentro do bolso.
- O meu irmão chega amanhã para passar o feriado aqui comigo e ele me pediu para ver você! Porque gostou muito de você aquela vez que se conheceram… - a cabeça dela doeu ao se lembrar das circunstâncias que eles se conheceram - Bom, eu disse para ele que não sabia se seria possível, mas que falaria com você!
- Ah! - ele balançou a cabeça, sorrindo - Ele é muito legal! Pode falar para ele que eu topo! Aonde? No seu apartamento mesmo?
- Pode ser? Se não for um incomodo para você… Pensei de fazermos uma noite de filmes com pipoca e outras besteiras!
- Pode ser! Sem problemas! Eu vejo com você amanhã o melhor horário…
Ela sorriu.
- Obrigada! Eu vou lá então! - ela se despediu de Jin com um high five.
Depois de e com um beijo. V e ela apenas acenaram com a cabeça um para o outro.

observava as ruas do Rio de Janeiro passando depressa pela janela do carro de enquanto sentia a garganta arder de vontade de chorar. Quanto tempo mais aquela tortura duraria? Por quanto tempo mais Jimin continuaria com aquela vingança ridícula contra ela? Ele sabia que Jimin estava usando Chloe de propósito para atacá-la porque sabia que tinha ciúmes da garota! Mas até quando? olhou para a amiga quando elas chegaram na porta da casa dela e suspirou.
- Não faça nenhuma besteira! O Jimin sabe muito bem o que está fazendo com você! Da mesma forma que você também sabia… e ambos fizeram suas escolhas!
apenas assentiu para a amiga enquanto sentia o bolo formar em sua garganta. As duas se despediram e então aguardou até que a amiga estivesse longe de suas vistas. Balançou a cabeça desacreditada que aquilo tudo estava acontecendo na vida delas e depois foi para casa.

tentou relaxar um pouco no banho, mas não conseguiu. Em sua mente ela ficava se perguntando o que os dois estariam fazendo? Se eles estavam sozinhos, estavam juntos… ela se jogou em seu sofá e pegou o celular. Lá estava a chuva de stories no Instagram, nos dois perfis: o dela e o dele. jogou o aparelho de celular ao seu lado no sofá enquanto sentia raiva. Por que ele estava fazendo aquilo? passou as mãos pelos cabelos e rosto tentando se acalmar, precisava se acalmar. Olhou para o nada enquanto lembrava de quando ainda tinha tudo sobre controle, ou de quando achava que tinha tudo sobre controle. Era para ser ela ali com ele, ou ele ali com ela…
Pegou o celular e foi até a conversa dele. Não digitou nada, ligou para ele. O que ela falaria se ele atendesse? não sabia, mas ela precisava falar com ele! Pedir que ele voltasse a si, que ele parasse de fingir que era aquele babaca, porque ele não era!

Jimin sentiu o celular vibrar dentro do bolso enquanto ele terminava de virar o copo de bebida, Chloe dançava sozinha na pista de dança, há poucos centímetros de distância de Jimin. O moreno levou as mãos até o tecido retirando o aparelho do bolso, ficou preocupado, podia ser alguma coisa com algum dos meninos, especialmente com Hoseok. Viu a grande foto de brilhando e então ele bufou alto. Contou mentalmente: 1!
Guardou o celular no bolso, ignorando a chamada. Ela que fosse dormir porque ele ainda teria a madrugada inteira pela frente! Jimin foi dançar com Chloe, agarrando a mais nova pela cintura enquanto ela gargalhava. O celular dele voltou a vibrar dentro do bolso, e vibrou durante mais algumas vezes…

limpou as duas lágrimas teimosas que escorriam por suas bochechas enquanto ouvia o telefone dele chamar pela décima ou décima primeira vez. Quando ela tirou o aparelho dos ouvidos e olhou para a tela dele, ela se deu conta. Aquilo não resolveria nada! Insistir em provar para ele que aquelas atitudes só machucavam ainda mais os dois, não adiantaria! Ele precisava se dar conta sozinho… ele precisava que a vida mostrasse para ele. Finalizou a chamada e então encarou a conversa do moreno na tela. Cheia de vácuos…

Jimin

Não precisava ser assim. Não precisava doer como dói. Eu não podia apenas sorrir quando me lembrasse de você?



Ela mandou depois de digitar rapidamente, com os olhos ainda muito marejados. Depois respirou fundo, aqueles seriam os últimos áudios que ela mandaria para Jimin falando sobre os dois!

“É, eu finalmente assumi o controle sobre toda essa bagunça que tem sido nos últimos dias. Me afastei como tentei fazer das últimas vezes, e terminei falhando comigo. Só que dessa vez foi diferente, eu fiz porque precisava. Vou silenciar sua conversa e arquivar nossas últimas mensagens... Eu sei que precisava de muito mais, só que isso para mim já é um início, entende? Eu sinto que não preciso bloquear você para conseguir te deixar ir. Eu vou carregar comigo, aquela vontade absurda de chamar você quando te ver online, mas eu sei que não vai valer a pena e no fim, eu ainda vou me magoar muito com sua frieza. Por isso que eu não me permito te esperar, torcendo para que me mande mensagem só para saber como estou…”
Ela pausou, suspirando pesadamente antes de enviar o primeiro áudio. Depois, continuou:
“Eu te escreveria mil versos, se soubesse que adiantaria algo. Porém, eu entendi que não há mais o que fazer aqui, quando as conversas se tornaram frias e sem nenhum tipo de diálogo. A saudade escondida por trás de um "espero que esteja bem", e conversas longas na tentativa de uma amizade que, cá entre nós, não daria certo no momento. Nunca conseguimos dizer o que realmente queríamos, e o erro fatal fez com que eu tomasse a liberdade de agora, finalmente te deixar ir. Eu já não era mais a mesma. Os pensamentos ainda voltam para você constantemente e eu tenho que me manter no que estou hoje. Assim não fico no nosso passado, que não existe mais. Se tivesse possibilidade, eu estaria super disponível, mas sei que não há essa chance! Eu te escrevia e escrevo milhões de textos, mas nenhum vai adiantar ou te trazer de volta. Ir atrás de você não te traria de volta para mim e isso ainda dói, Jimin. Queria uma amizade que, mais uma vez, não daria certo. Eu só queria dizer o quanto te amo, o quanto você foi especial na minha vida e o quanto eu vou te levar para o resto da minha vida. Eu tive que te deixar ir, mas ainda dói aqui dentro. E te queria comigo. Mas deixo você ir, Jimin!”

Bloqueou o celular e deixou finalmente que o choro preso para gravar os áudios viesse com força! Tapou o rosto com as mãos se entregando ao choro.

O outro dia era um baita feriado na cidade do Rio de Janeiro, e chovia! Como chovia! e o irmão almoçaram juntos em um shopping depois que ela o encontrou na rodoviária e aí os dois andaram um pouco por lá enquanto conversavam sobre a infância de ambos. Já dentro do apartamento à tarde eles ajeitaram algumas coisas dele no apartamento da irmã. Ele passaria três dias com ela, sendo hoje o primeiro.

Quando a noite caiu, mais ou menos às dezenove e quarenta o porteiro ligou avisando que V aguardava a liberação para poder entrar e , é claro, o liberou. Ela não conseguiu não se sentir ansiosa para vê-lo, mesmo sabendo que os dois mal estavam tendo contato direto (e direito). A vida dela estava seguindo, ela estava feliz com o trabalho, estava fazendo novas amizades, o contato com os pais estava tranquilo. A vida seguia… Mas ela sentia falta de Taehyung, todos os dias! E pensavam nele todos os dias também, ainda doía muito o fato de tê-lo perdido, mas agora ela não deixava mais que aquilo a parasse ou a dilacerasse a ponto de ela duvidar de si mesma e não viver mais. A vida seguia…
- É ele? - Nicholas perguntou enquanto se ajeitava no sofá do apartamento.
- É! - correu para calçar os chinelos no pé - Eu vou recebê-lo, ajeitar as coisas para vocês e vou deixá-los sozinhos!
- Por quê? - o irmão franziu a testa.
- Porque vocês dois tem muito o que conversar, e é um assunto que eu não estou por dentro! Além de que eu não quero que ele fique desconfortável com a minha presença!
- Mas essa não seria justamente uma chance para ver se vocês dois não se aproximavam?
- Eu não quero arriscar! - ela ouviu as batidas dele na porta - Oh! Ele chegou!
umedeceu os lábios e então caminhou até a porta do apartamento, a destrancando e a abrindo. Os olhos dos dois se encontraram e o coração de deu piruetas dentro do peito. Os cabelos dele estavam mais curtos, ela só havia conseguido reparar nisso agora. Taehyung passou a língua pelos lábios inferiores, sentindo-se nervoso de repente. Por que continuava causando aqueles efeitos nele?
- Oi! - ela engoliu seco - Que bom que você veio! Entra!
deu passagem para que ele entrasse, e então ela reparou que ele carregava duas caixas de pizza e uma sacola com algo que parecia ser uma garrafa de refrigerante.
- Não precisava! Eu ia preparar um jantar para vocês dois! Mas deixa que eu levo para a cozinha!
Com certa dificuldade, V passou as caixas para ela e a sacola também. E aí Nicholas se levantou, com um sorriso gigantesco nos lábios, e Taehyung retribuiu o sorriso assim que botou os olhos no adolescente. Os dois se cumprimentaram com um rápido abraço enquanto levava as pizzas e o refrigerante para a cozinha. Ela pode ouvir Nicholas chamá-lo para se sentar e dizendo para ele ficar à vontade. sorriu ao pensar em como o irmão parecia ficar à vontade e tranquilo com V.
A morena retirou dois pratos de dentro do armário, os enxaguou e fez o mesmo com os copos e talheres. Os dois continuavam conversando e então surgiu, pigarreando para chamar a atenção dos dois.
- Eu já coloquei os pratos e talheres na mesa da cozinha, para quando vocês dois quiserem comer! O refrigerante tá na geladeira… Nicholas, se você precisar de mim é só me chamar lá no quarto.
Taehyung olhou na direção de , piscando algumas vezes.
- Você não vai ficar conosco? - ele se atreveu a perguntar, se arrependendo logo em seguida.
- Não! Eu… - ela pausou pensando em qual desculpa poderia dar - Eu acho melhor não! Para deixar vocês dois mais à vontade!
sentiu o coração saltar dentro do peito, com uma pontinha de esperança de Taehyung pedir que ela ficasse, o que não aconteceu. Ela balançou a cabeça na direção dos rapazes e repetiu o recado. Antes que ela pudesse adentrar o corredor ela ouviu a voz grave de Taehyung chamando-a. O coração pulou outra vez dentro do peito:
- Come! Tem pizza o suficiente para nós três!
- Eu não estou com fome, obrigada, Taehyung!
Taehyung olhou para o chão quando ela saiu outra vez e então Nicholas, percebendo o baixo astral que reinava na casa, perguntou o que ele gostaria de assistir ou se ele mesmo poderia escolher!

ouviu algumas batidas na porta de seu quarto e acabou acordando assustada, meio perdida… se levantou e foi em direção à ela. Deu de cara com o irmão, bagunçando os cabelos.
- O que aconteceu? - ela perguntou com a voz rouca.
- Vem comer com a gente! Na verdade, nós já comemos um pouco e já assistimos um filme! Ficamos preocupados com você, você deve estar com fome agora!
passou as mãos pelo rosto, tentando acordar.
- Eu só vou passar uma água no rosto e vou! Obrigada!
sorriu para o irmão, que sorriu de volta antes de ir para a cozinha.
- Tá tudo bem com ela? - V perguntou enquanto colocava um pedaço de pizza para Nicholas.
- Sim! Ela estava dormindo, já vem comer com a gente!
Silêncio por alguns segundos, até que Nicholas olhou para ele.
- Vocês dois não tem volta mesmo?
Taehyung encarou o adolescente de volta, um pouco surpreso com a pergunta.
- O que a sua irmã te disse sobre mim e ela, Nicholas?
- A verdade! - mesmo respondeu enquanto se escorava no balcão que separava a cozinha da sala - Eu disse exatamente o que eu fiz com você, tanto para o Nicholas, quanto para os meus pais!
Taehyung se surpreendeu com a resposta da morena e então relaxou os músculos do rosto e corpo. Ele definitivamente não esperava que ela tivesse desmentido tudo para os pais, ele achou que ela tivesse inventado alguma outra desculpa. parecia mesmo estar mudando. O coração de V se aqueceu um pouco com essa possibilidade. Mas só o fato de ele se lembrar de tudo o que aconteceu naquele dia, já fazia o peito doer.
- Entendi, ! - ele balançou a cabeça. - Vem comer!
- E a minha pergunta? - Nicholas passou pela irmã, indo para a sala.
- A sua pergunta não tem fundamento e não precisa ser respondida, Nicholas!
ouviu o irmão bufar e adentrou a cozinha no lugar dele. V erguia um prato com um pedaço de pizza para ela, que aceitou e então serviu um copo com o refrigerante.
- Infelizmente sua irmã tem razão, Nick! - e V se encararam.
Outra vez ela enxergou a dor dentro dos olhos de V. Aquilo parecia nunca passar para ele… consequentemente nunca passava para também.
Os três se sentaram no tapete mesmo, com Nicholas no meio. Comeram em silêncio, apenas Nicholas e V conversavam hora ou outra sobre o filme. terminou de comer quietinha e então se levantou, sendo seguida por Nicholas.
- Eu levo! Fica aí com o V para vocês se divertirem mais! - ela pegou o prato das mãos do irmão.
Quando ela já estava lá na cozinha começando a lavar as louças, ela sentiu o braço de V se encostar ao dela, enquanto ele esperava para lavar suas louças sujas.
- Coloca aí! Vou lavar! - ela sinalizou para ele com o braço voltando a encostar no dele - Pode ir lá continuar sua sessão de filmes e conversas de física quântica!
sorriu e viu Taehyung fazer o mesmo enquanto o moreno pegava o pano de prato para ajudá-la.
- Vou te ajudar a secar pelo menos! O seu irmão espera… - ele piscou.
A respiração de falhou e então ela desviou o olhar. Taehyung fez o mesmo.
Quando e V acabaram de lavar a louça, os dois voltaram para a sala.
- Mesmo esquema hein, Nick? - ela sorriu para o irmão e então saiu.
Taehyung balançou a cabeça em negativa e então voltou a sentar com Nicholas, no sofá dessa vez. A cabeça dele dava voltas e voltas. Ele encarou Nicholas enquanto ele mexia na TV com o controle remoto e então percebeu como ele e se pareciam. O coração dele doeu, e então ele encarou o corredor. mandou uma mensagem e ele leu. Estava tudo bem com ela, e ele agradeceu ao universo.
Os dois viram mais um filme, depois conversaram sobre a profissão de V, que deu diversas dicas para o mais novo e inclusive disse a ele que se em algum momento ele precisar de emprego na área, ele poderia ajudar, o que fez Nicholas ficar feliz. Quando eram quase dez da noite, Taehyung achou melhor ir embora.
- Você poderia esperar eu tomar o meu banho? Para a não ficar ainda mais sozinha?
Ele engoliu seco com o pedido, mas fez que sim para o mais novo com a cabeça. Nicholas gritou pela irmã.
- Obrigado por ter vindo mesmo você e ela mal se falando! E eu sinto muito que ela tenha estragado as coisas, mesmo sem querer! Eu me diverti com você, igual me diverti naquele dia.
- Não precisa me agradecer! - V bagunçou os cabelos dele, que riu.
observou a dinâmica entre os dois e sorriu sem mostrar os dentes.
- Se cuida, hein? Boa viagem de volta e me chame no WhatsApp sempre que quiser conversar!
Os dois terminaram de se despedir e quando Nicholas passou pela irmã, lhe beijou a bochecha.
- Já vai? - andou até ele.
- Nick me pediu para esperar ele se banhar, para você não ficar sozinha…
- Bobagem dele! - ela balançou a cabeça e então caminhou até a porta.
Taehyung caminhou atrás dela. Antes que ela pudesse abrir a porta, ele a impediu, segurando seu pulso levemente.
- Ei! - olhou para ele - Como não estamos mais nos falando como costumávamos, eu não sei mais sobre os seus dias, eu não sei mais pelo que você tem passado, eu...
Ele pausou e o interrompeu:
- Eu aprendi a desmoronar tão silenciosamente que a maioria das pessoas nem percebe mais! Mas está tudo bem comigo! Não se preocupa! Você também deve estar bem, sei disso!
- Sinto falta dos momentos em que você dividia tudo sobre sua vida comigo! Embora eu pudesse não estar ouvindo tudo...
Taehyung riu, abaixando a cabeça e a levantando rapidamente apenas para encarar os olhos confusos de .
- Era bom ouvir! E eu não desejo nada além do melhor para você! - um longo silêncio se fez presente.
Taehyung voltou a quebrar o silêncio sepulcral instalado na sala.
- Mas eu apenas realmente sinto sua falta!
- Taehyung... - V a interrompeu.
- Sim! Eu só queria falar que sinto sua falta, ! - ele segurou o rosto dela com uma das mãos.
- Eu não sei o que nós somos mais! Eu não entendo a nossa relação! Hora somos amigos, outra hora somos mais que amigos... e tem momentos que eu sou só uma estranha para você! Em um minuto você está falando comigo como se eu fosse alguém especial, e no minuto seguinte você está falando comigo como se eu não significasse nada para você! Um dia você me dá muita atenção, e aí no dia seguinte você me ignora completamente. Não brinque com os meus sentimentos apenas porque você mesmo não tem certeza dos seus, V! Não é justo!
Taehyung encostou a testa na dela e fechou os olhos com força. Mas que droga!
- A gente sempre soube no que iria dar, e deu, em amor. Você só esqueceu de me contar que no seu fim, , nós não estaríamos juntos! Mas eu não quero mais dar murro em ponta de faca! Eu ainda me importo com você, só queria que soubesse disso! Mesmo que eu não devesse…
- Pega o telefone e me liga, manda uma mensagem, sei lá, qualquer coisa. Mas me deixa saber que você ainda se importa então!
Os dois ficaram novamente em silêncio e então sentiu a mão de V trazer seu rosto para ainda mais perto, encostando os lábios nos seus. Mas o irmão apareceu.
- Tudo bem por aqui? - Taehyung se afastou bruscamente de , com o coração pulsando rápido.
- Claro! - Taehyung respondeu - Bom! Agora que você saiu, eu vou indo! Boa viagem, hein?
- Obrigado mais uma vez, V! - o garoto acenou.
mantinha os olhos no chão, com a respiração descompassada pelo quase beijo. Abriu a porta do apartamento e então Taehyung encarou a morena, que ainda encarava o chão. Ele entendeu e não insistiu para que olhasse para ele. Saiu do apartamento, e aí então ergueu os olhos.
- Me avise quando estiver levando ele até a rodoviária, talvez eu apareça por lá para fazer uma despedida surpresa!
- Tá bom! Obrigada por ter vindo, ele amou! Mande um beijo para a sua irmã!
Ela não deu tempo para que V falasse mais nada, fechou a porta do apartamento e escorou as costas nela enquanto acalmava o coração.
Foi checar o irmão, que já estava arrumando a cama que antes era de com os cobertores que estavam por lá.
- Ah! Eu ia arrumar para você! - fez um bico nos lábios.
O irmão riu ao olhar para ela.
- Desculpa ter atrapalhado! Depois eu parei para pensar aqui, acho que ele ia beijar você!
riu e então terminou de entrar no quarto, segurando a outra ponta do cobertor.
- Pode até ser, mas aí ele ia se arrepender no minuto seguinte como sempre acontece! Então foi melhor não! Não se desculpe! Foi divertido?
- Muito! - o irmão abriu um mega sorriso - Eu quero ser um adulto que nem ele é!
ajudou Nick com os cobertores.
- Ele é um cara incrível mesmo! - suspirou alto - Você já vai dormir?
- Amanhã não vamos acordar cedo para encontrar a e o namorado dela no tal piquenique?
- Tem razão! Também vou me deitar! Minha porta vai ficar aberta se você precisar. Boa noite!
Beijou a testa do irmão e ouviu ele agradecendo antes de apagar a luz.
Rolou na cama por um bom tempo, sem conseguir dormir, imaginando se, talvez, apenas talvez, ele também estaria acordado, pensando nela.



Centésimo Décimo Capítulo – The sound of silence

- Tá, as meninas estão perguntando o dia exato do aniversário da lá no grupo já que ela comentou que estava chegando e a gente ainda disse que ia ser bom porque cairia bem no final de semana!
- Mas a disse que não queria comemorar, já que esse é o primeiro aniversário dela sem o Mário!
As duas amigas se encararam em silêncio, pensando no que falariam para todas lá no grupo onde estavam só elas. fez um bico, o bico típico de quando ela estava pensando na solução de algo.
- E se a gente fizesse alguma coisa para ela? Tipo, surpresa! Mas só para a gente e os meninos! E a família dela, é claro!
- Onde nós faríamos isso? Sua casa?
voltou a fazer bico, para forçar o cérebro.
- Que tal no condomínio dela mesmo? A gente pede ajuda ao Jin! Os pais dele moram lá também, eles podem reservar o salão para a gente.
- Daí a gente pode encomendar uns salgadinhos, comprar refrigerante e um bolo. Bem simples e decorado com alguns balões só! Acho que pode ser!
- Então aproveita que está com o celular na mão e cria um grupo com todo mundo, menos com ela!
- Tá bom!
Nesse momento Jimin adentrou o refeitório, sem Chloe dessa vez. As duas amigas olharam para o mais novo e ele olhou de volta para as duas, parecendo surpreso por encontrar as duas comendo no refeitório. Silêncio enquanto ele se sentava na mesa ao lado da delas.
- Aproveitando que você está aqui, Jimin! Esse sábado é aniversário da , e nós estamos planejando uma comemoração surpresa para ela, bem simples! Podemos te colocar no grupo? Você teria o mínimo interesse de aparecer por lá nem que por cinco minutos? Ela gosta de você…
Jimin encarou , sentindo o peito pesar, já que ele gostava dela e sentia falta da amiga. Mas voltar a se envolver muito diretamente com ela, seria horrível já que ela e eram melhores amigas… mas ele não queria mais que o restante dos amigos pagassem pelos erros de .
- Pode me colocar! Eu apareço por lá e contribuo com o que for necessário, eu também gosto da !
- Ah, sei! - levou o garfo a boca.
- ! - Jimin bufou. - Você sabe sim! Eu não quero brigar com você!
- Mas nós já estamos brigados, você não fala comigo!
- ! - chamou a amiga - Vocês estão na empresa, melhor não! Deixa ele! Lá na festa da vocês conversam se for o caso! Eu já acabei de almoçar, perdi a minha fome!
Jimin balançou a cabeça em negativa e quando se levantou, os dois se encararam.
- Ninguém tem nada a ver com o que aconteceu entre a gente, Jimin! A gosta muito de você! Que bom que pelo menos com o J-Hope e com os garotos você voltou a falar!
- Como você soube? - ele franziu a testa.
- A comentou que você foi na reunião que o V fez, mas sem maldade da parte dela… enfim! - balançou a cabeça - Eu já criei o grupo, amiga, você fala com o pessoal?
- Claro! - fez que sim para ela - Pode ir escovar os seus dentes, no café a gente se encontra.
Antes de sair do refeitório, e Jimin se encararam, e ele esperou que ela apenas deixasse o local, já que os dois não se falavam mais direito. Mas não:
- Você não é esse babaca que vem demonstrando ser! Pare de fingir ser um otário, Jimin! E pare de usar a Chloe como se ela fosse um brinquedo, ela não é! Nem os seus amigos! Nem eu… Só isso, já que agora não tenho de fato mais nada a ver com a sua vida! - ele fechou os olhos, e contou: 2! -
terminou seu almoço em silêncio e Jimin respeitou. Quando ela estava prestes a sair, Jimin a chamou:
- Eu gosto de você, , mas é complicado!
- Eu concordo, é complicado! Mas concordo ainda mais com a ! Você não é esse babaca! Pensa nisso!
Silêncio no refeitório agora vazio, só com ele lá sentado.

Acordou sem muitas dificuldades, olhou no relógio e ainda eram nove e meia da manhã. Um bom horário para levantar, e assim o fez. Após sair do banheiro, ainda de pijamas, ela entrou no quarto que antes era do irmão. O coração dela partiu ao meio quando encontrou as coisas lá exatamente do jeito que Mário havia deixado. Os olhos dela marejaram instantaneamente enquanto ela terminava de fechar a porta atrás de si.
Nunca uma data tão especial, doeu tanto dentro do peito de quanto aquele aniversário sem o irmão por perto para abraçá-la com força e dizer as palavras de sempre. se sentou na beirada da cama do irmão, fechou os olhos e passou as mãos pelo lençol.
Depois, abriu os olhos e encarou as fotografias do irmão. Pegou um dos porta-retratos, com uma foto só de Mário, acariciou o rosto do irmão com o polegar, desejando imensamente que estivesse o acariciando de verdade.
- Oi! - ela engoliu seco, tentando segurar o choro - Eu estou tentando ficar bem... Mas confesso que é difícil sem você! E todos os dias eu tento me convencer de que você está bem. E de que eu vou ficar também! Mas... mas o silêncio grita a tua voz! E por um momento eu posso até sentir seu cheiro! E a única vontade que eu tenho é… é de tocar você! E essa ausência me faz perceber o quanto eu te odeio, por me fazer sentir tanta falta de você! Que raiva, Mário!
E deixou que as lágrimas enfim escorressem quentes por suas bochechas enquanto continuava acariciando o rosto do irmão no vidro.
Assim que ela chegou à cozinha cumprimentou Cida, responsável por fazer a limpeza da casa duas vezes por semana. estranhou ela estar lá num sábado, mas não perguntou, estava triste o suficiente e queria ficar mais calada.
- Dona , tem uma encomenda para a senhora lá nos fundos! Chegou hoje cedinho, e eu pedi para colocarem lá na mesa dos fundos, porque ela é meio grandinha!
- Para mim? Ou para os meus pais?
- Está falando na caixa que é para a senhorita e tem um bilhete também para a senhora! Hoje não é seu aniversário? - assentiu - Então, deve ser algum presente! Inclusive meus parabéns!
Cida sorriu e ergueu os braços para abraçar , que aceitou o abraço de bom grado e agradeceu. Caminhou em passos lentos e preguiçosos até a varanda e então encarou a grande caixa sobre a mesa de madeira. Seria algum presente das amigas? Ou de Jin? Coçou a cabeça e então desfez o laço que segurava a caixa e a abriu. As mãos dela começaram a tremer um pouco e levou as mãos até os lábios, tapando-os. O presente dentro da caixa era um telescópio, e somente uma pessoa sabia da paixão dela pela lua, pelo céu e pelos planetas num geral… somente uma pessoa sabia da vontade que ela tinha de ter um aparelho daqueles: Mário.
Sim, somente o irmão, nem as amigas, nem os pais, nem Seokjin, ninguém! Só ele! pegou o bilhete que havia sido entregue junto com o telescópio e ainda tremendo ela o abriu, reconhecendo de imediato a caligrafia do irmão. Os olhos marejaram pesadamente outra vez e ela se controlou para não chorar, já que queria muito ler com clareza o que tinha no bilhete para ver se entendia como aquilo era possível.

“Ei, minha astronauta! Que tal o presente? Provavelmente a uma hora dessas eu já te acordei com um bolo e nós já tomamos café com os velhos! E aí eu te levei até o presente que encomendei para você basicamente um ano antes dessa data chegar, e eu não quis buscá-lo porque queria fazer uma surpresa! Eu mesmo tive que providenciar essa geringonça para você já que você não se mexia para comprar um! Você já deve estar cansada de saber disso, mas eu gosto de falar: você é a pessoa mais incrível que existe no mundo para mim! O seu jeito de sempre saber levar as coisas com calma e fluidez, o seu riso despreocupado enquanto o mundo está pegando fogo! Sua altivez, sua força de vontade de viver a vida, sua garra para conquistar todos os seus objetivos, seu cuidado e carinho comigo e com os nossos pais! Com as suas amigas também! Tudo em você é tão oposto em mim, que eu só sei te admirar e me inspirar em cada atitude sua. Celebre seu dia, minha astronauta! Viva o seu aniversário como se ele nunca fosse acabar! Você merece comemorar a vida, eu comemoro todos os dias o seu nascimento! A vida é curta demais para a gente não celebrar todos os bons momentos! Agora pare de chorar e venha aqui me dar um abraço daqueles que só você tem! Feliz aniversário, feliz novo ciclo, feliz vida, bebê! Eu te amo!

Mário.”

, ainda com o bilhete em mãos, deixava as lágrimas escorrerem espontaneamente pelo rosto, com a visão começando a ficar embaçada. O peito dela doía como se ela estivesse acabando de receber a notícia da morte de Mário, a sensação era a mesma! A cabeça dela latejava enquanto o peito subia e descia com o choro já descontrolado. Os pais agora se faziam presentes, sem entender e preocupados com a crise de choro repentina da filha. Eliana tentava abraçar a filha para acolhê-la do que quer que fosse que lhe causasse tamanha dor e Willian observava o bilhete nas mãos trêmulas de .
- O que foi? O que é esse bilhete? E esse telescópio aqui, minha filha?
- O que aconteceu? - Eliana lhe beijou a cabeça.
Ela entregou o bilhete para o pai e Eliana soltou a filha para ler o bilhete junto com o marido. Logo estavam os três aos prantos, abraçados.
- Nós sabemos, filha, que você sente muitas saudades dele até hoje! Nós dois também! Mas pensa pelo lado positivo! - Eliana olhou para Willian, que ainda chorava - Você recebeu um presente dele, ele deixou uma lembrança bonita para você!
O pai enxugava as lágrimas de com o polegar agora.
- Nós fizemos um café da manhã para você! Para a gente tomar juntinhos como sempre fazemos! Você tem que aproveitar seu dia, ele não ia gostar de ver você triste hoje! Hum?
assentiu a cabeça, só porque queria ver os pais tranquilos e então ela tentou se acalmar, ou parecer mais calma para que eles pudessem voltar para a cozinha. Aquele presente e aquele bilhete haviam sido como um empurrão penhasco abaixo. Ela já estava lá perto do penhasco desde a morte do irmão, e doía todos os dias, mas aquilo tudo havia sido só a gota de água para ela perceber que não, ainda não havia superado aquela dor toda.
Os três tomaram o café da manhã especial que os pais haviam preparado para ela, e então quando eles acabaram, buscou o bilhete e o telescópio e voltou para a cozinha. Encarou os pais que agora arrumavam a mesa e as louças, junto a Cida.
- Vou me deitar um pouco! Eu ainda preciso de um tempo… para assimilar esse bilhete e todas as emoções que vieram com isso!
Os pais apenas se entreolharam e então subiu, com o telescópio.

Nesse intermédio, as amigas e Jin chegaram no condomínio para preparar o salão com a decoração que haviam escolhido e comprado. Eles comentaram que ela não havia respondido as mensagens enviadas por eles até o momento e também não havia comentado nas postagens feitas por e nas redes sociais, apesar de estarem preocupados, os três acabaram entendendo que talvez ela estivesse um pouco chateada pela carga emocional de ser o primeiro aniversário sem o irmão e talvez quisesse passar por parte do dia mais reclusa.
A mãe insistiu que saísse do quarto para almoçar, mas ela não conseguiu fazer a filha sair. Os dois estavam começando a ficar preocupados novamente com a filha! Apesar de que sim, poderia ser somente a dor de não ter o irmão no aniversário, e ela ainda tinha a festa surpresa das amigas então aquilo poderia ajudar a animar a morena.
A festa já estava praticamente pronta lá no salão, as comidas já haviam chegado, basicamente todos os meninos e meninas também! Menos Namjoon, Hoseok e Jimin, e eles haviam confirmado suas presenças no grupo, então estavam todos contando com a presença do trio. tentava se distrair o suficiente enquanto ajeitava os balões pela milésima vez. percebeu.
- Preparada para encarar os Namseok? - ela tocou rapidamente a mão da amiga - Os balões estão ótimos, acho que podemos passar para os doces, colocar mais um pouco!
respirou fundo e quando ia responder que não estava preparada para ver os dois homens, Jin chegava com eles e com Jimin. Os dois agora andavam só juntos? De repente viraram amigos? Quando os olhos dela cruzaram com os de Namjoon, ela umedeceu os lábios. Ele parecia ainda maior e mais bonito, os cabelos mais compridos o deixavam com cara de ainda mais sério.
- Se você ainda não tinha se preparado, agora não tem mais tempo! - sussurrou para a amiga.
Ela voltou a se concentrar em arrumar mais doces sobre a mesa, mas quando ela voltava com a bandeja de doces para colocá-los, foi impedida exatamente por Namjoon, parado em sua frente. Os olhos dela subiram até o rosto mais magro dele. O coração de acelerou e ela respirou fundo. O que diriam um para o outro?
- Oi! - ele quebrou o silêncio e depois coçou a nuca, como sempre fazia quando estava sem jeito.
- Oi! - respondeu de volta - Eu preciso colocar esses doces ali na mesa, se me der licença!
Namjoon balançou a cabeça para ela em positivo, mas não se moveu nem um centímetro. então resolveu desviar do grande corpo dele, indo de encontro a mesa. Namjoon foi atrás dela, com as mãos nos bolsos, mas queria mesmo era poder puxá-la para si e lhe acariciar o rosto…
- Está tudo bem com você?
- Tudo! - ela não olhou para ele, apenas continuou colocando os doces sobre a mesa - E você?
- Tudo bem!
Namjoon soltou um suspiro e olhou para ela ali, arrumando os doces de qualquer jeito, só para fugir dele. Resolveu se juntar aos garotos, e reparou em como eles estavam divididos em “os meninos desse lado e as meninas desse”. E então ele observou Hoseok fazer a mesma coisa que ele… quis alertá-lo que seria perda de tempo, mas não teve tempo.
- ? - ele mordeu o lábio antes de prosseguir, incerto de como seria essa aproximação - Você está bem? Como tem passado? Tenho sentido sua falta…
A respiração dela ficou entrecortada ouvindo a voz dele falar e falar. Ela também sentia falta dele, aliás, deles! Mas não estava preparada para encarar os dois ainda.
- Hoseok! - ela olhou para ele rapidamente antes de voltar a mexer nos doces - Estou bem e você? Me desculpe, é que estou na correria aqui para terminar logo!
Hoseok até abriu a boca tentando formular alguma frase coerente, mas ela nunca havia sido tão fria… ele umedeceu os lábios.
- Tudo bem… e, hã… eu entendo! Vou deixar você terminar!
Quando ele se virou, os olhos se cruzaram com os de Namjoon, mas ele rapidamente desviou o olhar. Não queria encarar o advogado, não depois do que havia acontecido entre eles.
Enquanto as garotas terminavam de ajeitar alguns últimos detalhes, os garotos conversavam entre si, até que surgiu o assunto sobre os presentes que haviam comprado para e Namjoon perguntou se Seokjin havia comprado algum presente especial para a aniversariante, e ele sentiu as bochechas esquentarem.
- Eu comprei um item significativo para nós dois! E bom… - ele pausou, e encarou os amigos - Eu estou pensando em pedi-la em namoro.
- Hoje? - Suga arregalou levemente os olhos.
Seokjin mordeu o lábio e disse que sim para os amigos com a cabeça. Eles comemoraram e V, que já sabia da ideia, abriu um mega sorriso.
e resolveram que estava então na hora de ir até a casa de para chamá-la!
- Como assim, tia Eliana? - cruzou os braços embaixo dos seios - E agora?
mexia nos cabelos de , enquanto pensava no que as duas poderiam fazer para reverter a situação.
- Ela se enfurnou no quarto desde que recebeu o presente e leu o bilhete, não saiu para nada! E eu tentei, até agorinha antes de vocês chegarem, porque eu sabia que já estava quase na hora da festa! Mas nada!
As duas se encararam profundamente e então subiram as escadas silenciosamente, andando até o quarto de . deu duas batidas na porta do quarto da amiga e suspirou.
- ! Sou eu, amiga!
- E eu amiga! - escorou o ouvido na porta - A gente veio te tirar desse quarto! Hoje é seu aniversário, e você precisa sair daí!
- A gente soube do que aconteceu! - as duas se olharam - E sabemos o quanto isso deve ter quebrado seu coração, e traz à tona emoções que você não controla… mas o Mário ia adorar ver você se divertindo com a gente e curtindo! Não acha?
Silêncio.
- ! Estamos preocupadas com você! Que tal você abrir a porta?
Silêncio.
- A gente preparou uma surpresa para você! Lá no salão! E bom, viemos buscar você! Vai ser divertido, prometo! Porque não se arruma e vem com a gente, amiga?
Silêncio. e voltaram a se encarar. passou as mãos pelos cabelos, um pouco exasperada e então elas resolvem descer.
- É! Também não conseguimos! Ela nem falou com a gente!
mordeu o lábio.
- Acho que a gente deve cancelar! Não tem clima, tadinha!
Eliana e William se olharam.
- E se vocês trouxessem as coisas para cá? Lá para o fundo! Vamos transferir para cá, talvez ela se sinta mais confortável se for aqui! - Willian deu a ideia.
e voltaram a se encarar, depois de alguns segundos pensando elas resolveram tentar. Poderia dar certo!
Voltaram para o salão e encararam as feições confusas dos amigos. foi a primeira a se pronunciar:
- Aconteceu um probleminha! Vocês se lembram que comentamos que ela não queria comemorar por ser o primeiro aniversário sem o irmão? - os amigos assentiram - Ele acabou deixando um presente para ela, quando ainda estava vivo e mandou entregar! Junto com o presente tinha um bilhete e isso acabou fazendo com ela ficasse ainda pior!
- Os pais dela deram a ideia de passarmos para o fundo da casa deles, para que quem sabe assim, ela saia do quarto e aproveite a festa se sentindo mais confortável por estar lá! Vocês topam tentar?
Os amigos se entreolharam.
- Podemos mexer nessa decoração? Não corre o risco de estragar? Eu começo por onde?
V foi um dos primeiros a se prontificar. Logo os outros amigos começaram a se prontificar também, e aos poucos eles foram levando a decoração, as bebidas e comidas para a varanda da casa de , foi perceptível que os amigos todos ficaram bem sensibilizados com a situação e que todos queriam de alguma forma ajudar, e pareciam todos torcer para que ela se sentisse confortável o suficiente para sair do quarto e aproveitar sua festa, por mais simples que ela fosse.
Jin pigarreou depois de cumprimentar os pais de e então ele olhou para os amigos reunidos.
- Será que eu posso tentar tirá-la do quarto? Digo, convencê-la a aparecer mesmo que seja só para cantarmos o parabéns… quem sabe eu não consiga?
Ele coça a nuca enquanto sentia os lábios ficarem levemente secos, e teve o aval dos amigos e dos pais de . Eles relembram para o artista plástico onde ficava o quarto da programadora e então ele entrou na cozinha, passou pela sala e subiu apressadamente os degraus. Encarou a porta fechada do quarto de e bateu duas vezes:
- … sou eu… Jin! Hum… - ele pausa por alguns segundos e nada - Eu imagino a dor que está sentindo hoje, e na verdade eu sei que nada do que eu diga vai tirar isso de dentro de você! Mas suas amigas se empenharam tanto nessa surpresa! E nós também… está todo mundo esperançoso de você aparecer, e eu acho que seu irmão ficaria imensamente feliz…
Silêncio por alguns segundos e então Jin bate de novo na porta. Somente aí ele ouve alguns barulhos, até que a porta é aberta e ele sentiu uma das mãos de o puxando para dentro do quarto e a porta foi fechada logo em seguida.
A morena se jogou nos braços de Seokjin o abraçando com força, e ele claro, retribuiu o abraço com a mesma intensidade, deslizando as mãos pelas costas dela num afago sincero. Os dois permaneceram assim por demorados segundos e então quando Jin afastou minimamente o corpo do dela, sentiu as mãos de lhe segurarem o rosto e os dois se encararam. Ela não chorava, mas tinha os olhos levemente inchados e os olhos bem vermelhos. Os lábios de procuraram pelos dele, com pressa e logo a língua dela estava pedindo passagem, Seokjin demorou um pouco para ceder, mas acabou deixando que as línguas se encontrassem dando início a um beijo acalorado por parte de .
As mãos de Seokjin seguraram firmemente as costas dela quando ele sentiu suas mãos lhe puxarem com força os cabelos e ele se atreveu a colocar uma delas embaixo da nuca úmida de , para dar ainda mais suporte ao corpo miúdo dela. Foi quando as mãos de saíram dos cabelos de Jin e adentraram a camiseta azul que ele usava, deslizando pelas costas dele, deixando alguns arranhões pelo caminho. Involuntariamente os pelos de Seokjin se arrepiaram com o repentino contato das unhas de com sua pele, e ela percebendo continuou. Desgrudou os lábios dos dele, e desesperadamente ela começou a distribuir beijos no pescoço do fotógrafo, que segurou as costas dela com ainda mais firmeza. Ele parecia não estar entendendo muito bem…
- ! - ele chamou baixinho, tentando obter a atenção dela.
Ela continuou depositando os beijos e mordidas pela extensão do pescoço de Seokjin, e levou uma das mãos até o membro dele coberto pela calça jeans, que começava a reagir às investidas dela.
- Ei! ! - ele segurou a mão dela com certa força - Não!
- Por que não? Vai me dizer que não quer mesmo? - ela encostou os lábios nos dele.
- Não assim, com você nesse estado! Você só está tentando substituir um sentimento por outro! Quer sentir outra coisa que não seja dor… não é certo comigo, nem com você! Não vai ser transando comigo agora que essa dor vai embora, e você sabe disso!
se afastou dele e então lhe deu as costas, enquanto cruzava os braços abaixo do peito. Seokjin foi atrás dela e lhe segurou a cintura.
- !
- O que você quer? Que eu finja que está tudo bem, como eu venho fazendo desde que o Mário morreu? Eu não superei a morte dele, e não sei quando vou superar isso tudo, e sim, só queria poder sentir outra coisa no dia do meu aniversário, e achei que você pudesse me ajudar!
Seokjin umedeceu os lábios, entendendo que ela só estava reagindo daquela forma por estar com raiva da circunstância, não dele em si.
- Eu quero te ajudar! Claro que quero, mas você sabe que não é assim que vou ajudar você! Hum?
Seokjin lhe apertou a cintura com força e então perguntou:
- Você quer ler o bilhete? - se virou de frente para ele.
- Me mostra! - ele assentiu para ela.
Assim que a soltou, ela foi em direção a cama e pegou o bilhete que estava em cima de seu travesseiro e entregou para Jin. Os dois se sentaram na beirada da cama dela e então Jin começou a ler o conteúdo do bilhete escrito por Mário. Os olhos de Jin marejaram rapidamente e então ele colocou o bilhete sobre a cama, e encarou .
A morena fechou os olhos e então desabou de chorar com as mãos tapando o rosto. Seokjin a envolveu em um abraço e deixou que ela chorasse o quanto quisesse. Depois, ergueu o rosto e então Seokjin limpou o restante de lágrimas pelo rosto dela enquanto ela suspirava e seu peito subia e descia.
- Eu sei que dói! Deve ser uma dor que dilacera o peito…mas ele mesmo fala aqui no bilhete, , para você viver seu dia! - ela encarou os olhos pequenos de Jin em silêncio - Vou aproveitar que estamos só os dois aqui para te entregar o seu presente!
sorriu sem mostrar os dentes e então viu Jin segurar um de seus pulsos, os dois olharam para a grande pulseira no braço dela. Jin delicadamente a retirou do pulso de e a depositou sobre a mesa de cabeceira perto dos dois na cama.
- Não, Jin! - ela protestou.
- Calma! Eu sei que ela é muito especial para você, para nós dois, na verdade, mas eu comprei outra coisa mais bonita! E que também é bem significativo para nós dois, para substituir essa pulseira. Quer ver? - fez que sim para ele.
Seokjin retirou o pequeno saquinho de dentro do bolso e entregou para , que o observou minuciosamente antes de desfazer o laço que o mantinha fechado.
Ela retirou o colar de dentro do embrulho e então, sorriu genuinamente quando viu o pingente dele: uma nuvenzinha branca com a borda prata.
- Sempre chove quando a gente está junto… eu bati o olho nele e pensei na gente na hora! - foi a vez de Seokjin sorrir - Chuva é uma coisa nossa! Pelo menos eu considero nossa!
o abraçou com força enquanto os olhos voltavam a marejar.
- Posso colocar em você? - ele perguntou quando os dois se separaram.
entregou o colar para Jin que o retirou da embalagem e então ela virou as costas para ele, levantando os cabelos para cima. Jin então colocou o colar em seu pescoço e o abotoou. Quando se virou de frente para ele novamente, os dois olharam para o colar pousado lá no pescoço dela. Jin sorriu.
- Está todo mundo lá no fundo esperando você, para te dar os parabéns e entregar os presentes também! Você não precisa ficar muito tempo, só o suficiente para eles verem você!
respirou fundo e segurou a mão dele com força.
- Tudo bem! Me dê só um momento para eu me trocar, pode ser?
O sorriso que ele abriu fez querer abraçá-lo outra vez. Ele se levantou.
- Vou esperar você lá fora!
Ele saiu e pacientemente esperou que se ajeitasse, quando ela saiu de lá, os dois deram as mãos e ela respirou fundo mais uma vez antes de eles descerem.
- Me deixa ir na frente para avisar que você está indo! - ele pediu enquanto eles desciam as escadas da casa.
Quando Jin chegou a varanda, os amigos e pais de ficaram em silêncio o encarando, em expectativa.
- Podem cantar os parabéns! Ela está vindo! - ele sorriu.
Os amigos se entreolharam surpresos, mas felizes e então o coro de “parabéns para você” ecoou na varanda quando apareceu. Ela conseguiu esboçar um sorriso enquanto o coração, mesmo que temporariamente, se aquecia! Ela olhou em volta, admirando a decoração simples que as amigas e amigos haviam arrumado e tudo parecia ter sido realmente feito com muita afeição e carinho, ela agradeceu ao Universo por tê-los ali e agora. Quando o parabéns acabou de ser cantado ela apagou a vela do bolo que era segurado por e então olhou outra vez para os amigos.
Enquanto voltava com o bolo para a mesa, abraçou a amiga com força. Ela não disse nada, nem os parabéns ou coisas do gênero, o abraço entre as duas já dizia exatamente o que sentiam uma pela outra. Depois foi a vez de , em seguida V, depois e Suga, Hoseok e Jimin, e por último e .
Ninguém tocou no assunto da perda do irmão, ninguém tocou no assunto do telescópio e muito menos no bilhete… e foi melhor assim. Depois que eles entregaram os presentes para foi a hora de aproveitarem a comida, o clima ao contrário do que todos podiam esperar, estava agradável. estava se esforçando ao máximo para se entreter com os amigos e não deixar transparecer a dor que ainda sentia, até porque hora ou outra ela pensava no quanto queria que o irmão estivesse ali… então a mente sempre viajava até ele. Os pais de Seokjin e Eun passaram por lá também para cumprimentar , e os amigos repararam em como os pais de Seokjin tratavam a aniversariante bem, quase como uma filha, o que arrancou o riso de alguns dos amigos, como Suga e Jungkook.
agradeceu aos amigos pela surpresa e por terem se empenhado tanto pela presença dela, e então os amigos entenderam que talvez estivesse na hora de irem embora. Quando todos já haviam ido, inclusive e que ajudaram Cida com a arrumação da bagunça, Jin subiu com até o quarto, esperou que ela tomasse um banho, visto que já havia anoitecido e então os dois se abraçaram com força.
- Se cuida! E amanhã me dá notícias suas! Feliz aniversário, !
sorriu sem mostrar os dentes enquanto encostava a testa na dele. Jin era uma pessoa tão boa! Ela se perguntou se de fato ele a merecia daquele jeito, incompleta e destruída! Os dois esfregaram as pontas dos narizes e então Jin terminou de se despedir dela. Os pais esperavam por ele na sala, os olhares cheios de esperança dos mais velhos fizeram Jin corar. E então depois de se despedir e se deixar à disposição, ele foi embora.

Três dias completos haviam se passado, já caminhava para o quarto… Jin e os amigos só tinham a notícia de que , não saia do quarto para nada, nem para se banhar. Todos estavam preocupados com a situação, e os pais mesmo desesperados mantiveram calma o suficiente para procurar um profissional, afinal de contas ela poderia estar voltando com a depressão por não ter superado de fato a morte do irmão. A decisão tomada por Willian e Eliana poderia ser “drástica”, mas era necessária.
Willian deu espaço para que Seokjin entrasse, horas antes eles haviam falado com e , para comunicarem a decisão tomada. Agora era a vez de Jin.
- Sabemos que vocês dois vem desenvolvendo uma relação, seja ela de amizade ou algo mais, então decidimos pedir sua ajuda, já que no aniversário dela funcionou… e também queremos comunicar você que decidimos levar a a um psiquiatra já que só as sessões de terapia não tem surtido efeito! - Willian e Eliana se entreolharam - Ela pode estar desenvolvendo um quadro de depressão outra vez e não podemos deixar isso acontecer!
- Concordo! E como eu posso ajudar? - ele estava ansioso, as mãos suavam de preocupação.
- Nós marcamos consulta para ela com um psiquiatra renomado de São Paulo! Então pretendemos levá-la para lá para a consulta e também já marcamos uma viagem para um hotel fazenda por lá, porque achamos que ela precisa de um tempo e que isso pode ajudar! Especialmente se estivermos os três!
Seokjin engoliu seco. Teria que se separar dela por tempo indeterminado de novo, logo agora que as coisas estavam se ajeitando. Mas era para um bem maior, ela precisava daquilo e ele não podia ser egoísta!
- Acha que pode conversar com ela? Nós tentamos, mas ela não respondeu nada, ficou calada…
Umedeceu os lábios e limpou as mãos suadas na própria calça jeans.
- Claro! Agora? - ele se levantou.
Deu duas batidinhas na porta. Silêncio.
- Sou eu! - ele esperou um pouco antes de bater de novo - Pode me deixar entrar? Preciso ver você… quero ver você!
Mais alguns segundos e ela abriu a porta. Seokjin encheu os olhos de água ao vê-la naquele estado e então eles se abraçaram. Já sentados na cama dela com a cabeça escorada em seu peito, ele respirou fundo algumas vezes.
- O que você achou da proposta dos seus pais?
Ela ficou em silêncio. Não estava raciocinando direito sobre a proposta, ou sobre qualquer outra coisa… o cheiro de Jin em suas narinas era como dopamina, mas não o suficiente.
- O que você achou da proposta dos meus pais?
- Achei boa! Você precisa sair dessa! E a ajuda de um profissional e dos seus pais, seria o ideal agora! Vocês três precisam passar por isso juntos. E você não pode se entregar assim…
- Eu não quero precisar de ajuda profissional para superar uma coisa que muitos superam sozinhos! Me sinto fraca fazendo isso!
Jin a apertou em si.
- Não existe isso! Não se compare com os outros! Cada um lida de uma forma, cada um tem seu tempo para superar esse tipo de coisa, e isso vai ser importante para você não sofrer mais por essa dor desse jeito!
- Não quero ficar longe de você! Não de novo! - afundou o rosto na curva do pescoço cheiroso de Jin - Nem das minhas amigas!
- Eu também não queria ficar longe de você de novo, ! Mas eu estou tão apaixonado por você que preciso te ver bem! Te ver assim, me machuca também! Quero te ver feliz. Se dê essa chance! Por você primeiramente, e depois por nós!
Seokjin sentiu as lágrimas geladas dela em seu pescoço e então lhe acariciou os cabelos.
- Você espera por mim?
- Claro! - ele depositou um beijo sobre a cabeça de .

Enquanto tomava seu banho, ele e Eliana arrumaram algumas malas de e a mãe dela não pôde deixar de reparar que ele hora ou outra limpava alguma lágrima.
- Pedi aos seus pais para me darem notícias suas, já que você vai ficar sem telefone por esse tempo! Por favor, se cuide e cuide da sua saúde mental! - assentiu para ele em cada palavra - Faça o tratamento direitinho e volte para mim!
apertou as mãos dele antes de se abraçarem. Os pais dela e dele observavam a cena. Os dois selaram demoradamente os lábios, sem se importar com a presença dos mais velhos. O coração de ambos despedaçado outra vez… será que demorariam muito para se verem novamente? Ainda seriam um do outro quando ela voltasse?
Quando o carro dos pais de deu partida, eles acenaram um para o outro até se perderem de vista. apertou o colar dado por Jin em suas mãos e fechou os olhos com força. A chuva começou a cair…



Centésimo Décimo Primeiro Capítulo – Karma

Sung Hoon tinha um pouco de dificuldade com o aparelho celular, mas por sorte a enfermeira de confiança dele e de Hoseok estava lá, então ela o ajudou a atender ao telefone sem muitas dificuldades. O número era desconhecido, mas a voz não…
Sung Hoon fechou os olhos e então pediu para ficar sozinho, a enfermeira assim o fez. Ainda de olhos fechados ele ouvia a voz da mulher chamá-lo pela segunda vez.

“Sung Hoon?” - ela suspirou pesadamente do outro lado - “>Sou eu, Hayun! Ainda se lembra de mim?”
Se Sung Hoon se lembrava dela? Ele não se lembrava de tê-la esquecido ou de ter deixado de pensar nela nesses vinte e sete anos! Uma vida inteira basicamente esperando por uma ligação como aquela, por uma ligação dela! Sung Hoon abriu os olhos e voltou a suspirar.
“Por onde você andou, Hayun? Sua voz continua a mesma, nem parece que o tempo passou para você!”
Silêncio em um breve momento.
“Como você tem passado, Sung Hoon? Como estão as coisas?” Sung Hoon podia jurar que a voz dela agora estava embargada.
“Como você acha que tenho passado, Hayun? Desde que você nos deixou tudo o que faço é sofrer! Você não tem noção do rombo que deixou na nossas vidas?”
Silêncio por parte da mulher. Sung Hoon sabia que ela conseguia imaginar o caos que havia deixado na vida dela e do filho, ela não era uma inocente, uma coitada! No fundo Sung Hoon, hoje, já não sentia mais tanta raiva ou mágoa da ex-mulher! Hoje em dia ela era só uma lembrança ruim! Hayun era só uma mulher imatura que tomou uma decisão errada na vida sem pensar nas consequências que deixaria para uma criança pequena que cresceu sem mãe… mas claro que hoje, vinte e sete anos depois ela certamente imaginava o buraco emocional que deixara.
“Sinto muito, Sung Hoon! Sinto muito de verdade! Só Deus sabe a angústia que tenho vivido de uns anos para cá! Deve ser o carma, não é? Por todo mal que fiz à você e a Hoseok!” - ela suspirou - Por falar em Hoseok… como ele está?”
“Agora você quer saber do seu filho, Hayun? Vinte e sete anos depois!”
“Nunca é tarde para se arrepender, Sung Hoon! E eu tenho o direito de saber dele!”
“Ele está ótimo, Hayun! No presente, ele está ótimo! Mas durante anos ele esteve no fundo do poço, e por sua causa! Você imagina o quanto esse menino sofreu por ter sido rejeitado por você de forma tão dura?”
Silêncio por mais alguns segundos.
“Mas ele sempre teve você! Eu sei que você cuidou desse menino com toda sua força e amor, Sung Hoon! Ele não precisou de mim certamente por você ter feito os dois papéis com excelência!”
“É claro que ele precisou de você, Hayun! Um pai não substitui a importância da convivência com a mãe e vice e versa! E eu fiquei doente, não só da mente, fisicamente também! Eu mal ando, Hayun! O Hoseok quem cuidou de mim, desde que ele tinha dezesseis anos, esse menino dá a vida por mim! E ele comeu o pão que o diabo amassou por sua culpa, não se omita! O Hoseok sofreu o peso do bullying na escola porque foi abandonado por você, ele não teve sequer um amigo nesse período! E depois disso, ele nunca deixou ninguém entrar na vida dele por medo! Medo do abandono, Hayun!”
O choro da mulher agora era audível e Sung Hoon voltou a fechar os olhos.
“Hoje em dia ele encontrou um grupo de amigos que o acolheram, está apaixonado, está vivendo a vida dele, vida essa que a sua memória roubou dele esses anos todos!”
“E o que ele faz da vida, Sung Hoon? Ele terminou os estudos?”
“Com muita luta! E hoje ele é químico, o meu menino é tão inteligente, Hayun! Você teria ficado orgulhosa quando ele se formou…”
Silêncio. As lágrimas escorriam pelo rosto de Hayun do outro lado do telefone. A mais velha as limpou depois de algum tempo em silêncio. Ficou feliz de saber que o primogênito havia conseguido terminar os estudos e agora parecia estar bem.
“O que você realmente quer com essa ligação? Conheço você o suficiente para saber que essa ligação não foi à toa!”
Hayun raspou a garganta e então criou coragem para dizer à Sung Hoon porquê de fato havia ligado.
“Eu queria primeiramente saber de vocês dois, como vocês dois tinham passado, como estão agora! Fico imensamente feliz de saber que está tudo bem e que Hoseok se formou!”
“Certo! O que mais?”
Silêncio por alguns minutos e então a enfermeira voltou ao cômodo, preocupada com Sung Hoon. Os dois se encararam, e ele deixou que ela se sentasse em frente a ele depois de afirmar com a cabeça que estava tudo bem.
“Eu tive outro filho, Sung Hoon! E ele tem quinze anos! Gostaria que ele e o Hoseok se conhecessem! E gostaria de conhecer o Hoseok!”
Sung Hoon engoliu seco e fechou os olhos os sentindo marejarem. Aquilo poderia doer demais em Hoseok, a volta da mãe e a existência de um irmão…
“Não acho uma boa ideia! Mas não quero me meter nisso, o Hoseok tem vinte e oito anos! Se ele quiser ver você, tudo bem! Essa escolha é mais dele, do que nossa, Hayun!”
“Você pode me passar o endereço do trabalho dele? Bom, eu não digo que foi você! Invento alguma coisa, pode ficar tranquilo! Acho que se eu aparecer na frente dele, não vai ter como ele fugir de mim… Por favor, Sung Hoon! Se ele não quiser falar comigo, eu não o incomodo mais e vou embora!”
“Você está no Rio?”
“Sim! Apesar de não conhecer nada dessa cidade mais, cresceu tanto!”
Silêncio e então Sung Hoon encarou a enfermeira.
“Sung Hoon! Eu prometo…”

Hayun caminhava enquanto encarava os prédios altos do Rio de Janeiro, ventava muito então ela tentava ajeitar os cabelos para que eles parassem quietos. O motorista de aplicativo havia deixado ela quase um quarteirão antes do endereço, pois de acordo com ele, o endereço era uma área muito comercial, cheia de prédios e empresas, então seria muito difícil para ele parar exatamente lá. Hayun é claro, estava perdida.
- Por gentileza! - ela chamou o moreno alto que mexia no celular - O senhor poderia me ajudar?
Ele ergueu os olhos e bloqueou o celular, olhando para a mulher de meia idade a sua frente.
- Pois não? - ele guardou o celular no bolso - Se estiver ao meu alcance!
- Onde fica esse prédio? O senhor sabe? Parece que é um prédio conhecido…
Hayun observou o homem lendo o papel que ela o entregou e então os dois se encararam.
Hoseok olhava o relógio de pulso pela segunda vez, ele precisava almoçar ou a cabeça explodiria de dor, afinal de contas já havia passado uma hora quase de seu horário de almoço habitual. Foi quando ele parou de andar subitamente e encarou Namjoon do outro lado da rua. O que ele fazia ali? Como ele havia descoberto onde Hoseok trabalha? Ou seria uma coincidência, já que ele estava acompanhado de uma senhora de meia idade? Os olhos de Hoseok passaram por ela rapidamente…
- É aquele prédio ali, do outro lado da rua! Posso acompanhar a senhora até a entrada dele, se quiser!
- Ah, eu ficaria grata! Você é muito gentil! - ela sorriu.
Namjoon sorriu de volta, mas sem mostrar os dentes. Enquanto eles atravessavam a rua, os olhares de Hoseok e Namjoon finalmente se cruzaram. O coração do advogado acelerou, tendo em vista que depois de tudo o que havia acontecido entre eles, os dois não haviam se falado mais, especialmente sobre o que havia acontecido. Somente haviam se visto no aniversário de … e se Namjoon o chamasse para almoçar? É, ele faria isso!
Os olhos de Hayun bateram em Hoseok lá, parado perto das escadas que levavam à entrada do prédio. Será que era ele? Afinal de contas seria muita coincidência não é?

- Hoseok! - ela ouviu o homem ao seu lado chamar o nome de seu filho.
- Namjoon! - ele respondeu depois de um suspiro.
- O prédio que a senhora estava procurando! - Namjoon apontou. - Só subir as escadas, deve ter algum recepcionista, você sabe de alguma coisa, Hoseok?
Os olhos de Hoseok se voltaram para a tal senhora e ela o encarava com os olhos completamente marejados, e a intensidade do olhar da mulher fez o corpo de Hoseok se arrepiar. Quem era ela?
- Você é mesmo o Hoseok? Hoseok Jung?
Os olhos de Hoseok se arregalaram enquanto Namjoon franzia a testa. Ele continuou encarando os olhos da mulher e então fez que sim para ela com a cabeça, raspou a garganta quando sentiu a mesma querer fechar.
- Não está me reconhecendo, não é? - a mulher deu alguns passos na direção de Hoseok até ficar de frente para ele.
Hoseok engoliu seco enquanto fazia que não para ela. Ele olhou para Namjoon, que deu de ombros, tão confuso quanto ele. Depois Hoseok passeou os olhos pelo rosto da mulher, os olhos começaram a marejar também. Será? Não podia ser!
- Sou eu! Sua mãe!
Os olhos de Namjoon se arregalaram com a notícia e então ele encarou a mulher. Os olhos de Hoseok marejaram ainda mais, com ainda mais intensidade. Ele engoliu seco mais algumas vezes e então cerrou os punhos. Aquilo deveria ser alguma brincadeira de mau gosto, a mãe dele havia sumido! Ela não voltaria assim do nada, voltaria? Por quê?
- Meu Deus! Eu sempre quis saber… - ela pausou, deixando suas lágrimas caírem por seu rosto - Como você seria quando crescesse!
Agora eram as lágrimas de Hoseok que desciam por sua face e então ele bagunçou os cabelos, desarrumando-os completamente quase. Namjoon engoliu seco, encarando o químico.
- Você ficou muito melhor do que eu imaginava! Olha só para você! Que homem bonito você se tornou, Hoseok-ah!
Namjoon encarou o chão enquanto Hoseok apenas chorava e sentia o peito ser rasgado outra vez. Era como se alguém tivesse simplesmente enfiado uma faca na ferida! A mãe estava finalmente ali, frente a ele. Nunca em um milhão de anos ele imaginou ver o rosto dela! Voltou a bagunçar os cabelos e então tapou brevemente o rosto, se entregando mais um pouco ao choro. Depois encarou a mãe, que atrevidamente ergueu a mão e passeou pelo rosto quente dele. Hayun limpou as lágrimas do rosto do filho enquanto chorava também. O toque das mãos da mãe também era quente, e ela tremia. Hoseok nunca havia sentido aquilo: o toque da mãe. E ele não sabia explicar exatamente quais eram os sentimentos e sensações que ele estava sentindo no peito com aquilo. Não adiantou muito, logo mais lágrimas escorriam pelas bochechas dele. Namjoon sentiu os próprios olhos marejarem de leve.
O advogado, pigarrou, mas os dois continuaram um encarando o outro. Bom, o convite para o almoço certamente teria que ser adiado, Hoseok precisava agora conversar com a mãe. Quem sabe um jantar? Ele certamente precisaria conversar com alguém…

As mãos de Hoseok tremiam, então ele optou por esconder elas por baixo da mesa. Os olhos dele fitavam o prato que havia acabado de chegar, a mãe pedira já que ele não havia dito muita coisa desde que eles haviam chegado lá. O coração dele não parava de bater rápido e o raciocínio dele parecia lento. Toda aquela raiva que ele sentia pela mãe, ainda estava lá, mas de alguma forma ele não conseguia externá-la! Ele simplesmente não conseguia ter nenhuma reação, nem boa, nem ruim. Ainda parecia que ele estava tendo um sonho, ou alguma alucinação, estava numa espécie de transe. Parecia dopado, ele queria reagir, queria gritar com ela! Dizer para ela sobre toda a dor que ela havia causado e ainda causava, ele queria berrar na cara da mãe que ela havia o destruído, que ela era má, que ele a achava uma pessoa ruim e sem coração, que ele tinha medo de construir relações por culpa dela, que ele era sozinho por causa do abandono dela… mas ele não conseguia!
- Eu estava perdida! Essa cidade cresceu muito! Aí eu encontrei aquele moço do outro lado da rua do prédio do seu trabalho, e por sorte ele era seu conhecido! Vocês são próximos? Ele foi muito gentil!
A simples menção à Namjoon fez o beijo dos dois voltar a ecoar na mente bagunçada de Hoseok. Ainda tinha aquilo para ele resolver! Além da situação com e agora a mãe! Hoseok resolveu apenas fazer que sim para a mãe com a cabeça.
- Você já comeu? - Hoseok ergueu o rosto e encarou a mãe.
Ele fez que não para ela, em silêncio. A mãe assentiu.
- Eu não estou com fome! - Hayun voltou a assentir, meio sem saber o que dizer também.
- Ok! - ela abaixou os olhos rapidamente - Como está o trabalho? Está tudo bem?
Hoseok voltou a encher os olhos de água com força e balançou a cabeça.
- Está tudo bem, eu acho! - foi o que ele conseguiu dizer.
- A propósito… - ela pausou rapidamente, sem jeito - Isso aqui…
Hayun abaixou o braço e levou uma das mãos até a grande sacola que estava no chão do restaurante, pegando-a. De lá ela retirou um embrulho, relativamente grande, os olhos de Hoseok ainda marejados foram para lá.
- É para você! Eu não sabia muito bem o que você precisava, visto que você é um homem feito agora… - ela soltou um riso nasalado. - É um par de tênis! Eu pensei que poderia ser útil! Espero que eles sirvam em você! Tomara que eu tenha adivinhado o seu tamanho. Pega, por favor!
Hoseok meio no automático pegou o embrulho, rasgando-o devagar para não atrair a atenção do restaurante que estava silencioso até demais. Abriu a caixa e vislumbrou o par de tênis cinza que a mãe havia comprado. Como aquilo era estranho! Especialmente porque, ele havia gostado! Tanto do tênis, quanto do gesto.
- Obrigado! Vou fazer um bom uso deles!
- Enquanto eu comprava o presente, eu pensei muito em você, Hoseok! - os olhos da mãe voltaram a ficar cheios de água - Eu me perguntei o quão alto você poderia ser… eu perguntei como seu rosto deveria ter mudado! Sinto muito, Hoseok!
Hoseok abaixou a cabeça lentamente enquanto sentia à vontade de chorar lhe invadir outra vez.
- Eu deveria ter vindo mais cedo para te ver! Mas eu estava muito ocupada…
Hoseok balançou a cabeça para ela, com raiva, mas de novo ele não reagiu.
- Tudo bem!
O telefone de Hoseok tocou dentro do bolso e quando ele retirou o aparelho de lá, era o pai. Hoseok se perguntou se ele sabia que a mãe havia reaparecido… mas ele sabia que sim e que provavelmente ele havia dado o endereço do trabalho dele.
- Oi, pai! - engoliu o choro e viu a mãe abaixar a cabeça - Sim! Eu estou com ela… Não! Está tudo bem… eu te ligo depois! Pode ser?

A porta foi aberta por uma mulher quase da idade de Hayun, vestida de branco e as duas se encararam. Sung Hoon havia se casado de novo?
- Pode entrar! O senhor Sung Hoon está aqui na sala esperando a senhora já!
Ela adentrou a casa, passeou os olhos pelo local que era simples, mas a casa era grande pelo que ela podia ver. Não se lembrava muito de lá… mirou Sung Hoon. Os olhos dele marejaram e então Hayun abaixou a cabeça. Já bastava toda a dor que ela havia encontrado nos olhos de Hoseok.
- Senta! - ele pediu, apontando para o sofá em frente a ele.
Hayun se sentou e os dois se encararam.
- Agora que estamos aqui frente a frente, Hayun… por que apareceu?
- Seu irmão não te contou pelo visto… nem que eu ligaria, e nem o resto…
- Não! Ele não contou! Mas você mesma pode contar!
- Só não conte ao Hoseok, por favor! Ele me odiaria ainda mais se soubesse… e eu não suportaria vê-lo me odiar ainda mais!
Sung Hoon sentiu o peito doer, o filho já sofria tanto! O que ele pudesse fazer para que o filho não sofresse, ele faria.
- Não contarei!
- Meu filho, Sung Hoon! Está doente e precisa de uma cirurgia! É uma cirurgia cara, da qual eu já tenho boa parte do dinheiro, mas não tudo! E a doença…
Sung Hoon a interrompeu.
- Eu não quero saber da doença do filho que você ama e cuida, enquanto você nunca se importou com o Hoseok! Quanto você precisa?

As mãos de Hoseok suavam, e ele as limpava na blusa de moletom hora ou outra. Ele e o pai se encararam, em silêncio. Quando Hoseok falou com o pai no telefone depois do almoço com a mãe, eles não conseguiram conversar muito, Hoseok só conseguia chorar. O pai tentou a todo custo acalmá-lo, mas não conseguiu. Então eles conversaram quando Hoseok, mais cedo, chegou em casa. Ele chegou informando que não sabia o porquê, mas havia chamado a mãe para jantar lá, e Sung Hoon não soube definir se aquilo era bom ou ruim. O pai não mentiu para ele, disse que ela havia ligado, disse que ela insistiu com o encontro, que ele não teve nada a ver com a decisão de Hayun e que a única coisa que fez foi passar o endereço. Hoseok se aninhou no colo do pai nesse momento e voltou a chorar. Ele confessou que queria conseguir externalizar toda a raiva que sentia da mãe, mas que não conseguia! Ele confessou também que estava começando a ficar feliz por Hayun ter voltado, e que sentia raiva de si mesmo por isso… o pai disse a Hoseok que não precisava se sentir daquele jeito, que ele era humano e podia sim ficar feliz por ver a mãe e que ele precisava agora, viver os momentos com cautela, mas que não precisava se culpar.
Então Hoseok havia encomendado o jantar num restaurante tipicamente coreano do Rio, que já havia chegado, e os dois esperavam Hayun aparecer.
- E se ela não vier? E se ela fugir de novo? Sem ter me dado nenhum contato dela…
- Calma, meu filho! Ela não está atrasada, ainda falta um minuto para a hora combinada com ela!
Hoseok soltou todo o ar preso em seus pulmões e então o pai sorriu para ele. Hoseok observou os olhos marejados do mais velho e sorriu de volta. Ele sabia que a cabeça do pai estava tão confusa quanto a dele e que provavelmente ele era o mais machucado agora! Quando a campainha da casa tocou, Hoseok se levantou num supetão e apressado ele foi receber a mãe, deixando o pai ainda sorrindo ao observar a cena.
O jantar correu bem! Hoseok falou para a mãe que ele não era dos melhores na cozinha e que havia encomendado a comida, o que a mãe disse que ele provavelmente havia então a puxado, já que ela não tinha esse dom também, mas que a comida estava realmente boa. Comeram em silêncio boa parte do tempo, depois conversaram algumas amenidades sobre o Rio de Janeiro, sobre o trabalho de Hoseok. Hayun havia ficado encantada ao saber que o filho havia se tornado químico, então ela quis saber todos os detalhes. Depois, o pai resolveu que iria se deitar e Hayun acabou ajudando Hoseok a levar o pai para o quarto. Ela se sentiu mal por ver o estado de saúde do ex-marido daquele jeito e pensou que a vida realmente não devia ter sido fácil para os dois.
Depois ela e Hoseok ajeitaram as louças e então se encararam. Ela quis tocar o rosto dele outra vez, mas não teve coragem.
- Bom! Eu já vou… está ficando tarde e amanhã você trabalha cedo, não é?
- Sim! Eu entro cedo… - Hoseok colocou as mãos nos bolsos da calça de moletom.
A mãe sorriu para ele, na esperança que ele sorrisse de volta, mas Hoseok abaixou a cabeça. Hayun engoliu seco e então pegou a bolsa, retirando o celular de dentro dela para pedir seu carro.
Os dois foram juntos para fora da casa esperar pelo carro da mãe, fazia frio na cidade e Hoseok se preocupou, já que Hayun vestia apenas uma blusa de frio fina.
- Posso esperar o carro sozinha! - ela olhou para Hoseok.
Ele ficou em silêncio e então a mãe passou delicadamente a mão sobre a dele… logo as duas mãos estavam entrelaçadas. Hoseok sentia o coração acelerar gradativamente dentro do peito com o quente da mão dela. Eles apertaram a mão um do outro e Hoseok quis chorar. Olhou então para as mãos entrelaçadas e depois para Hayun. Silêncio, e as mãos continuavam entrelaçadas, com força.
- Está chegando! - ela olhou para Hoseok.
Quando o carro parou em frente à casa, Hoseok soltou a mão dela e engoliu seco. O químico se aproximou do carro e abriu a porta dele para a mãe.
- Por favor, entre! Está frio!
A mãe sorriu com a gentileza do filho e o respondeu com um baixo “ok”, antes de entrar no carro prata. Ela impediu delicadamente que Hoseok fechasse a porta para ela:
- Hoseok! - ela umedeceu os lábios - Você quer me ver amanhã? Antes que eu parta de volta para a minha cidade…
Então ela não morava no Rio? E já ia embora amanhã mesmo? Hoseok sentiu o coração querer partir de novo…
- Queria almoçar com você de novo! Se você estiver livre…
Hoseok a interrompeu.
- Eu vou! - ele engoliu seco - Pode ser no mesmo horário?
Hayun sorriu satisfeita para Hoseok e balançou a cabeça para ele.
- Poderia me dar o seu número? Para combinarmos melhor…
- Ok! - ela pegou o celular de Hoseok e deixou seu número lá - Até amanhã, meu filho!
O coração de Hoseok saltou no peito ao ouvir Hayun dizer “meu filho”! Durante quanto tempo ele quis ouvir aquilo? Hoseok fechou a porta do carro para ela.
- Vá para casa em segurança! - ela, ainda sorrindo, fez que sim para o filho.
- Tchau! - os dois acenaram um para o outro antes do carro dar partida.
Achou melhor não incomodar o pai, que já dormia. Hoseok ficou observando-o dormir durante alguns segundos, pensando no quanto amava o pai… depois foi para seu próprio quarto. Ele pensou em mandar uma mensagem para Jimin, mas o amigo certamente estaria na balada, já que ele estava indo basicamente todos os dias. Balançou a cabeça. Não podia falar com a também…
O celular vibrou em suas mãos com uma mensagem de Namjoon… ele bloqueou o celular para não encarar a notificação. O celular vibrou e a tela voltou a ficar brilhante com mais uma mensagem de Namjoon. Desbloqueou o celular e as leu:

Namjoon

Você está bem?

Quer conversar sobre o que aconteceu mais cedo?



Hoseok respirou fundo. Sim, ele queria conversar sobre a mãe… mesmo que fosse com Namjoon! Antes que ele pudesse responder, outra mensagem:

Namjoon

Você está bem?

Quer conversar sobre o que aconteceu mais cedo?

Que tal irmos jantar? Acho que pessoalmente pode ser melhor de conversar, não?

Bom! Eu já jantei!

Hoseok sorriu ao enviar a mensagem.

Namjoon

Você está bem?

Quer conversar sobre o que aconteceu mais cedo?

Que tal irmos jantar? Acho que pessoalmente pode ser melhor de conversar, não?

Bom! Eu já jantei!

Mas você pode me acompanhar, e tomar uma cerveja! Certeza que está precisando!

Hoseok hesitou por alguns segundos.

Namjoon

Você está bem?

Quer conversar sobre o que aconteceu mais cedo?

Que tal irmos jantar? Acho que pessoalmente pode ser melhor de conversar, não?

Bom! Eu já jantei!

Mas você pode me acompanhar, e tomar uma cerveja! Certeza que está precisando!

Pode ser!

Se levantou e procurou pelas chaves da moto e de casa e as encontrou sobre a escrivaninha. Outra mensagem:

Namjoon

Você está bem?

Quer conversar sobre o que aconteceu mais cedo?

Que tal irmos jantar? Acho que pessoalmente pode ser melhor de conversar, não?

Bom! Eu já jantei!

Mas você pode me acompanhar, e tomar uma cerveja! Certeza que está precisando!

Pode ser!

Mas você pode me acompanhar, e tomar uma cerveja! Certeza que está precisando!

Vem aqui para casa! Daqui vamos ao bar Jobi, pode ser?



Namjoon observou Hoseok se livrar do capacete e depois ajeitar os cabelos e não pôde evitar pensar em como ele ficava atraente fazendo-o. Mas agora não era hora para pensamentos como aqueles! Hoseok provavelmente precisava de um ombro amigo, e os dois agora pareciam ter apenas um ao outro, o que era bizarro!
Os dois se cumprimentaram com um aceno de cabeça e então entraram no carro de Namjoon. Dez minutos e eles estavam no tal bar. Se sentaram em uma mesa que pareceu estar reservada para Namjoon, já que ele cumprimentou o garçom com um toque de mãos.
Se encararam, depois Namjoon voltou os olhos para o cardápio, como se não soubesse exatamente o que pediria. Alguns segundos depois, os dois voltaram a se encarar.
- Ela era mesmo sua mãe?
Hoseok balançou a cabeça.
- Sim! A própria!
- E como isso aconteceu? Como ela achou você?
- Ela entrou em contato com um tio meu! - Hoseok continuava balançando a cabeça - Esse tio passou o telefone do meu pai, e meu pai o endereço do prédio!
- E ela foi encontrar justamente comigo? - Namjoon sorriu sem graça.
- O que você estava fazendo por lá, aliás?
O garçom se aproximou rapidamente assim que Namjoon levantou a mão. Namjoon mostrou a ele no cardápio o que desejava e então pediu dois chopps.
- Não vai comer nada? - Hoseok fez que não para ele - Só isso então!
O garçom deixou os dois sozinhos de novo. Hoseok ainda esperava a resposta do advogado.
- Eu estava visitando um cliente que tem um estabelecimento bem perto do seu trabalho! E aí na saída encontrei sua mãe. Ela não sabia direito onde ficava o prédio e me pediu ajuda! E aí você já estava do lado de fora do prédio e enfim… - ele fez um gesto com as mãos para dizer “e o resto você já sabe” -
- Que coincidência! - Hoseok soltou um riso nasalado.
- Sim! Mas o que aconteceu depois?
- Nós fomos almoçar! - Hoseok engoliu seco, sentindo vontade de chorar de novo.
- E como foi esse almoço? - Namjoon alongou os braços atrás da cabeça, parecendo cansado .
- Não sei definir! - Hoseok voltou a balançar a cabeça e aí encarou o advogado - Foi estranho! Eu não conseguia falar! Não consegui colocar as coisas para fora!
Ele levou a mão até o próprio peito e Namjoon a acompanhou.
- Que coisas exatamente, Hoseok? Sua raiva?
Hoseok sorriu de canto enquanto olhava para Namjoon.
- Sim! Eu não consegui explodir, como sempre imaginei que seria se um dia eu a visse de verdade, apesar de acreditar que isso nunca aconteceria! Eu travei, não sei explicar!
- Acho que é normal! A gente sempre fala que agiria de tal forma ou que falaria tal coisa em determinada situação, mas tudo é hipoteticamente falando! Até acontecer…
- Exatamente! A minha cabeça, uma confusão! Ainda está! E um misto de sentimento muito grande! A raiva ainda está aqui, a dor também! Mas ao mesmo tempo, parece que eu estou feliz?
- E qual o problema de ficar feliz por que sua mãe voltou? - Namjoon deu de ombros.
Os chopps foram depositados sobre a mesa. Hoseok deu um longo gole nele, seguido por Namjoon.
- Ela não voltou! Só veio me ver, ao que tudo indica! Amanhã à noite ela já vai embora!
- E isso te magoou? - os dois se encararam por alguns segundos. - Não minta! Eu sou bom em identificar essas coisas!
Hoseok gargalhou e depositou o copo sobre a mesa outra vez. Era bom conseguir rir mesmo com a vida e a mente uma bagunça.
- Me esqueci que você é advogado, e que vira e mexe no meio das conversas você ativa esse modo! - foi a vez de Namjoon rir. - Eu fiquei chateado sim! Achei que ela morasse aqui, ou que fosse ficar mais tempo…
- Achou que ela quisesse recuperar todos esses vinte e tantos anos que perdeu! - Namjoon assentiu como se adivinhasse os pensamentos de Hoseok.
- É! Achei que ela quisesse, sei lá… - ele abaixou a cabeça outra vez - Mas que ingenuidade, não é? Pelo menos ela veio me ver!
- Está tudo bem ficar feliz com isso, Hoseok!
- Hoje ela jantou lá em casa também! Comigo e com meu pai!
- E como seu pai está com tudo isso?
- Ele não falou muito sobre! Eu sinto que ele está sofrendo… por vê-la de novo! Acho que assim como comigo, as memórias se desbloquearam para ele também. Mas ele pareceu feliz por nós dois termos nos encontrado!
- Que bom! Você cuidou muito bem dele esse tempo todo! Ela chegou a te pedir desculpas? Ou explicar o que fez da vida durante esse tempo?
- Não! - eles se olharam enquanto bebiam - Ela só disse que sentia muito não ter vindo antes, e que estava ocupada…
A comida que Namjoon havia pedido, chegara. Ele a ofereceu para Hoseok, que educadamente recusou e então ele se pôs a observar Namjoon comer. Hora ou outra, Hoseok sorria, quando Namjoon demonstrava que a comida estava boa ou algo do gênero.
Depois que Namjoon terminou sua refeição, os dois acabaram mudando de assunto e tomaram mais alguns chopps. Já dentro do carro de Namjoon de novo, o advogado olhou para o semblante abatido de Hoseok e teve uma ideia.
- Acho que precisamos de um ar fresco! - Hoseok olhou para ele.
Os olhos de Hoseok brilharam delicadamente quando ele desceu do carro e admirou a bela paisagem que a lagoa Rodrigo de Freitas proporcionava aos cidadãos da cidade. Logo, lado a lado os dois começaram a caminhar em volta dela. Pelo horário o lugar estava relativamente vazio, já que estava tarde.
- Eu vou vê-la novamente amanhã, antes que ela vá mesmo! E também, na hora em que esperávamos pelo carro que ela pediu, ela segurou a minha mão. E me chamou de meu filho!
Os dois se olharam e Namjoon sorriu para Hoseok, feliz por ele! Hoseok esboçou um sorriso de volta.
- E qual foi a sensação?
- Foi boa! A mão dela é quentinha! Que nem mão de mãe mesmo, sabe? Pelo menos eu sempre imaginei assim!
- Estou ficando com inveja! Mas deixa isso para lá!
- Inveja? - Hoseok aumentou o sorriso.
- Acho que sua mãe sentiu muito a sua falta! Ela veio até aqui, só para ver você! Afinal de contas, porque ela não ia querer ver um filho assim como você! Bonito, bem-sucedido, que conseguiu vencer mesmo não a tendo ao lado! Ela sabe que perdeu você virando um homem incrível!
Silêncio enquanto os dois caminhavam e se olhavam. As bochechas de Hoseok ficaram vermelhas e ele desviou o olhar. Será que Namjoon achava tudo aquilo dele mesmo?
- Eu não devia estar com inveja! - Namjoon passou as mãos pelo rosto, atraindo a atenção de Hoseok outra vez - Eu adoraria que minha mãe fosse atrás de mim no meu escritório! Mas esquece isso! São situações diferentes! Eu não tenho o direito de sentir inveja de você! Aliás, estou feliz por isso estar acontecendo e sinto muito que ela tenha que ir embora…
Os olhos de Namjoon marejaram e Hoseok percebeu. Subitamente ele parou de andar e grudou os braços em Namjoon, juntando o corpo dos dois num abraço totalmente inesperado pelo advogado. O corpo dele tencionou num primeiro instante com o súbito contato, mas conforme as mãos de Hoseok desciam por suas costas, num afago, Namjoon relaxou e acabou se entregando ao abraço dado pelo químico. O nariz dele acabou se encostando na curva do pescoço de Hoseok e imediatamente o cheiro bom do químico invadiu suas narinas. Namjoon apertou o corpo de Hoseok ao seu enquanto o abraçava de volta e Hoseok apenas fechou os olhos. O corpo de Namjoon agora estava sendo balançado com delicadeza por Hoseok, como se o químico estivesse fazendo-o dormir e Namjoon sorriu.
- Você tem seus amigos! Mesmo que não tenha sua mãe com você, tem seus amigos! E tem o Hoseokie!
O sorriso nos lábios de Namjoon se alegrou mais um pouco e eles se soltaram. Agora, parados perto da lagoa, os dois a admiravam em silêncio. Namjoon retirou o celular do bolso e então se afastou o suficiente para conseguir tirar uma foto de Hoseok, com a lagoa de fundo.

Quando Namjoon colocou o carro na garagem de casa, ele observou Hoseok com o capacete da moto no braço.
- Você quer entrar? - ele engoliu seco.
Hoseok acompanhou o movimento que o pomo de adão dele fez e então subiu os olhos para o advogado.
- Melhor não!
Namjoon entendeu o recado e então o acompanhou até a calçada onde estava a moto de Hoseok. Os dois se encararam, meio sem saber como se despedir, mas acabaram optando por outro abraço. As mãos de Namjoon continuaram segurando a cintura de Hoseok quando os olhos se encontraram depois do rápido abraço e então as pontas dos narizes se tocaram. Os olhos de Hoseok baixaram para os lábios de Namjoon, que provocativamente passou a língua por eles.
Hoseok encostou os lábios nos dele, numa espécie de teste… o advogado fechou os olhos. Hoseok pressionou os lábios nos de Namjoon e fechou os olhos também vendo o advogado deixar o beijo acontecer. Quando a língua de Namjoon pediu passagem, Hoseok cedeu e o beijo tomou forma. As mãos de Hoseok subiram para a nuca de Namjoon, que apertou com delicadeza a cintura dele, não queria assustá-lo com um toque muito firme, porque não queria que esse beijo fosse tão rápido quanto o primeiro. A língua dos dois dançava uma com a outra e então Namjoon se atreveu a deixar uma leve mordida no lábio inferior de Hoseok e então os dois se separaram com as respirações agora descompassadas.
- Boa noite! - Hoseok colocou o capacete sobre o rosto, com as mãos de Namjoon ainda em sua cintura. - Tchau!
As mãos de Namjoon ficaram no vácuo por alguns segundos enquanto o químico subia em sua moto e saia em disparada. Mais uma vez Hoseok fugia da conversa que eles definitivamente teriam que ter em algum momento e aquilo fez Namjoon se sentir frustrado, mesmo confuso. Quando o advogado se deitou para dormir, ele finalmente viu a notificação de no Instagram. Namjoon havia postado nos stories a foto que havia tirado de Hoseok e o marcado na publicação… havia respondido a publicação com um simples emoji com a carinha pensativa. Os três precisavam dar um jeito…

“É Spring Residence, quarto número 1803, certo?”
“Isso mesmo, Hoseok-ah!”
- a mãe sorriu.
“Estou saindo agora, vou levar uns vinte minutos!” - ele pegou as coisas sobre o balcão.
“Certo! Até daqui a pouco! Ah!” - ela riu - “Teria como você trazer um álbum de fotografias? Se você e seu pai tiverem um, é claro! Eu quero ver suas fotos… de quando você era criança!”
“Vou passar em casa para pegar alguns então! Uns trinta minutos e estou aí!”

Quando ele entrou em casa, ela estava silenciosa, aparentemente, até que ele caminhou devagar até a varanda, a enfermeira então arregalou os olhos com a presença dele.
“Certo! Isso mesmo, o nome dela é Hayun Lee!” - o pai não viu Hoseok já que estava concentrado ao telefone - “Então ela deve já ter recebido o dinheiro? Está tudo certo? Obrigado! Qualquer coisa se ela alegar não ter recebido eu entro em contato!”
O coração de Hoseok apertou dentro do peito, como se fosse um pressentimento ruim.
- Que dinheiro? Com quem estava falando, pai?
A enfermeira pediu um breve “licença” e passou por Hoseok, deixando os dois sozinhos. Sung Hoon fechou os olhos com força. Agora não tinha como ele fugir daquele assunto, pediu aos céus que aquilo não machucasse o filho como ele temia que machucaria.
- Hayun teve outro filho, Hoseok! E ele está doente, precisa fazer uma cirurgia urgente e sua mãe não tem todo o dinheiro! Ela achou que um de seus irmãos pudesse lhe ajudar, mas ele precisaria vender uma terra, e isso levaria tempo! Acho que se ela tivesse outra escolha não teria pedido esse dinheiro para nós! Para mim na verdade!
- E aí ela nunca teria voltado…- os olhos de Hoseok pesaram com a água que agora se formava lá - Não é? Não é, pai?
Ele agora falava mais alto e Sung Hoon voltou a fechar os olhos. Depois ele se levantou com ajuda da bengala. Ele sabia o quanto aquilo poderia destruir o filho ainda mais.
- Fala! Pode falar! Ela só voltou porque precisava desse dinheiro! - ele passou as mãos pelo rosto, exasperado - Só por causa do dinheiro, não foi por mim! Não foi por saudades, não foi por arrependimento… meu Deus, como eu fui burro!
- Hoseok! - o pai chamou. - Ela quis ver você, não fui eu que propus, nem nada do gênero, ela realmente quis! Ela precisa do dinheiro, sim, precisa, mas…
- Mas o quê? Ah, pai, por favor pare de querer defendê-la! Até hoje! Você é bobo! Até mais do que eu! Ela só está usando nós dois!
- Ela quer salvar a vida do filho!
- E eu? - ele apontou para si mesmo enquanto as lágrimas caiam. - Eu não sou filho dela? Eu não preciso dela? E eu pai? O que eu faço com toda essa dor de novo? Você não vê? Você nunca entendeu, não é? Meu Deus, dinheiro! E você deu! Você deveria ter falado comigo!
- Para você ficar nesse estado outra vez? Você acha que eu gosto de ver você assim? Tudo o que eu pude fazer para manter você longe dessa notícia, eu fiz! E sim, eu dei! O seu irmão não tem culpa!
- ELE NÃO É MEU IRMÃO! - Hoseok berrou, fazendo o pai se desequilibrar e se sentar novamente na cadeira de balaço. - ELE NÃO É NADA MEU, CARAMBA! VOCÊ E EU NÃO TEMOS NADA A VER COM ISSO! VOCÊ É UM BOBO, E ELA FAZ O QUE QUER DE VOCÊ!
Os olhos de Sung Hoon marejaram pesadamente com a resposta do filho. Hoseok balançava a cabeça freneticamente enquanto as lágrimas apenas escorriam por seu rosto.
- Se acalma! Bebe uma água, meu filho!
Hoseok nada disse, apenas saiu da casa deixando o pai sozinho e preocupado com quais seriam seus próximos passos. E se ele fizesse alguma besteira?
O vento cortava seu rosto enquanto ele acelerava a moto. Hoseok não sabia para onde iria, ele só sabia que queria ir para longe, bem longe!
Escorado em sua moto ele apenas olhava o horizonte com o celular nas mãos. A mãe já havia ligado uma porção de vezes, mas ele não atendeu. Ele tinha um irmão? A mãe havia tido outro filho… e tinha cuidado dele! Estava inclusive preocupada e com medo que ele morresse, enquanto havia deixado Hoseok ao léu por vinte e sete anos! Nunca havia se importado em saber se ele estava vivo ou morto, nunca havia se questionado como havia sido o crescimento dele, a vida dele… ela não se importava! Para ninguém…
As vozes das crianças voltaram a ecoar em sua cabeça, dizendo que ninguém se importava com ele, que a mãe havia o abandonado porque ele não era querido o suficiente, que ela nunca o havia amado. E eles tinham razão… um filho! Um homem, como ele… e ele era amado! Hoseok não…

Quando a porta se abriu Sung Hoon sentiu o coração se aliviar instantaneamente! Ele deveria estar dormindo, afinal de contas já era bem mais de meia noite, mas sem notícias do filho ele não conseguia! Os olhos do mais velho bateram direto na grande sacola com o nome de uma farmácia escrita lá…
- Graças a Deus você apareceu, meu filho! O que é essa sacola? Está passando mal?
Hoseok não respondeu, apenas subiu as escadas e deixou o pai chamando seu nome. Ele já tinha se decidido.



Centésimo Décimo Segundo Capítulo – The reason I hate home

“Antes de iniciarmos este capítulo, gostaria de ressaltar que os temas abordados a seguir podem ser sensíveis e/ou desencadear gatilhos emocionais em algumas pessoas. Sugerimos que você pare de ler imediatamente se sentir desconforto e procure ajuda se necessário. Depressão e ansiedade tem tratamento! Se você precisar de ajuda, aqui está o número do Centro de Valorização da Vida: 188.”

Namjoon franziu seriamente a testa quando viu o número de Hoseok brilhar em sua tela numa ligação e então ele o atendeu, é claro.
“Hoseok?” - ele engoliu seco.
“Olá, querido! Não é o Hoseok! É o pai dele!”
Namjoon se levantou de sua mesa, ainda com a testa franzida e saiu do escritório, aquela ligação soou muito estranha aos ouvidos do advogado.
“Pois não, senhor Sung Hoon! Aconteceu alguma coisa?”
Silêncio durante alguns segundos do outro lado da linha, até Namjoon perceber que o senhor parecia chorar e aquilo fez tudo ficar ainda mais estranho.
“Senhor Sung Hoon?”
“Você foi a primeira pessoa que pensei e consegui ligar, querido, porque foi a última pessoa que conversou com o Hoseok! Me desculpe se eu estiver atrapalhando, mas preciso avisar os amigos dele, não é?”
- Namjoon engoliu seco.
O que havia acontecido? O coração dele começou a saltar mais rápido, então ele se escorou na parede ao lado da porta do escritório.
“E o que aconteceu, senhor Sung Hoon?”
“O Hoseok está no hospital! Seria muito eu pedir para você vir para cá?”
“Não! Claro que não! Qual hospital? Eu estou indo para aí!”

Namjoon bateu os olhos em Sung Hoon sentado em uma das cadeiras da recepção, cabisbaixo. O coração dele pulava dentro do peito e então rapidamente ele se aproximou do mais velho.
- Eu vim o mais rápido que eu pude, senhor Sung Hoon! O que exatamente aconteceu? Como o senhor está? Está sozinho aqui?
Namjoon olhava ao redor, atônito.
- Estou com a minha enfermeira, querido! Ela foi pegar café para nós dois! - Namjoon e Sung Hoon se encararam - Foi justamente ela que encontrou o Hoseok caído no banheiro lá de casa com um monte de embalagem de remédio! O pulso dele estava fraquinho quando ela mediu! Rapidamente nós dois chamamos a emergência… eles disseram que mais um pouco e seria tarde demais para salvá-lo!
Os olhos do mais velho se encheram de água, e então ele tapou os olhos com as mãos para chorar. Namjoon delicadamente passou as mãos pelas costas de Sung Hoon, numa tentativa de consolá-lo.
Namjoon pensou que certamente havia acontecido algo entre ele e a mãe, provavelmente algo desagradável, e resolveu perguntar:
- Aconteceu algo entre ele e a mãe, senhor Sung Hoon? Porque bom, eu o encontrei no dia em que ele e a mãe se reencontraram e ele estava empolgado! E com medo também… então eu presumi que algo deve ter dado errado!
- Deu sim, meu filho! - a enfermeira agora retornava com os cafés - E a culpa foi minha!
Sung Hoon balançou a cabeça, voltando a chorar.
- Ela me pediu dinheiro para pagar uma cirurgia para o meio irmão de Hoseok! E bom, ela me pediu segredo, e eu claro, guardei! Aquela descoberta destruiria o meu filho por inteiro! Mas não consegui guardar o segredo, ele chegou bem na hora que eu falava com o gerente do banco! E como eu disse, isso acabou de destruir o Hoseok por dentro e agora estamos aqui!
- Ela teve outro filho? E cuidava dele? - Namjoon balançou a cabeça, meio incrédulo - Meu Deus, com certeza isso fez o Hoseok se sentir ainda mais rejeitado e a dor deve ter voltado com ainda mais força!
Namjoon esfregou os olhos ainda incapaz de acreditar que a mãe do químico havia tido outro filho…
- Sim! E ele não suportou! E a culpa é toda minha!
- Claro que não, senhor Sung Hoon! A única culpada disso tudo é ela! Ela deveria ter sido honesta com o Hoseok desde o começo… o senhor só queria proteger o seu filho, eu teria feito a mesma coisa! Mas como ele está agora? Bem?
Namjoon torceu para que a resposta do pai de Hoseok fosse positiva…
- Está estável e dormindo ainda! Eu chamei você aqui porque vi que vocês dois parecem próximos, eu não sei mais notícias do Jimin e nem da moça que ele estava apaixonado, , o nome dela, eu acho! Então eu chamei você! Acho que o apoio dos amigos dele quando ele acordar vai ser muito importante para ele se recuperar! Você poderia ser o porta voz!
Os pensamentos de Namjoon pousaram em … ela precisava saber! E Jimin também, os dois eram muito importantes para Hoseok e o pai tinha razão, ter os dois por perto poderia ser fundamental para Hoseok sair dessa.
- O senhor tem razão! Eu vou chamar a e o Jimin! Depois, gradativamente, eu aviso aos outros!
Namjoon retirou o celular do bolso e então se levantou, começou a andar enquanto digitava uma mensagem para :

“Preciso falar com você urgente! Quando eu te ligar, por favor me atenda, ! Eu não estaria mandando isso, se não fosse um caso de vida ou morte!”
Namjoon esperou alguns segundos para que desse tempo de pelo menos visualizar a mensagem na tela do celular e então ligou para ela.

arregalou levemente os olhos com a mensagem e alguns segundos depois Namjoon a ligava, ela pediu licença para Chloe e então saiu da sala para atender, não queria que ela escutasse nada.

“Oi, Namjoon!”
…”
- ele pausou alguns segundos - “O Hoseok precisa de você! Ele está no hospital! Uma tentativa de suicídio! Aliás, ele precisa não só de você, de todos nós, mas de você um pouquinho mais! Vou te mandar o endereço, por favor venha para cá! E traga o Jimin com você!”
“Como assim uma tentativa de suicídio, Namjoon? O que aconteceu?”
- ela entrou de novo em sua sala e pegou sua bolsa sobre a mesa – Chloe, eu vou precisar sair, vou avisar o chefe, por favor segure as pontas para mim!
“Ah é uma história um pouco longa que eu te explico melhor quando vocês chegarem, só venha logo!”

não bateu na porta da sala dos amigos, apenas a abriu. Encarou primeiro e depois Jimin, os dois olharam para ela.
- Você está pálida, o que aconteceu? - perguntou .
- Jimin! O Hoseok está no hospital, uma tentativa de suicídio! Nós precisamos ir para lá agora!
Jimin se levantou subitamente da cadeira, pego de surpresa pela notícia.
- O quê? Como assim, ? Suicídio? - ele começou a arrumar as coisas cegamente.
permaneceu estática e com os olhos arregalados, ela apenas piscava vez ou outra. Jimin olhou para ela:
- Você segura as pontas aqui, ?
- Claro! Me deem notícias dele, por favor!
Os dois saíram disparados ao elevador enquanto digitava freneticamente no celular. Jimin sentiu a cabeça rodar enquanto ele tentava se recuperar da notícia e raciocinar.
- Estou avisando o chefe!
- E quem avisou você sobre isso? Como você soube?
- O Namjoon! Agora como ele soube disso eu não sei!
- E o que exatamente aconteceu? - eles entraram no elevador.
- Ele disse que nos explicaria quando chegássemos lá! Os dois estão tão próximos assim?
Jimin umedeceu os lábios enquanto o elevador os levava para o estacionamento, ele ficou em silêncio até que ele ficou sem graça.
- Eu não sei! Não tenho falado muito com o Hoseok! - Jimin sentiu o peso da culpa lhe pesar os ombros.
- Podemos ir no seu carro? - Jimin assentiu para ela.
Já dentro do carro passou as mãos pelas pernas, nervosa, enquanto Jimin tentava não chorar.
- Como deixamos as coisas chegarem nesse nível, Jimin?
- Eu não sei, ! Eu simplesmente não sei! Só sei que estou me sentindo muito mal, eu mal tenho falado com ele e ele não tem culpa de nada!
- Eu também não falo com ele desde o dia da inauguração! Toda essa bagunça dentro de mim fez com que eu me afastasse completamente, e isso pode ter influenciado nessa decisão!
- Agora temos uma segunda chance, !

Já no hospital, Jimin conseguiu encontrar o pai de Hoseok com os olhos arregalados e quando os dois se aproximaram, Namjoon e uma senhora estavam frente a frente e pareciam discutir:
- Eu não imaginei que ele fosse ficar tão bravo quando descobrisse sobre o irmão e sobre o dinheiro que o Sung Hoon me emprestou! Quer dizer, eu sabia que ele poderia me odiar um pouco mais, mas que ele faria algo dessa gravidade?
- O Hoseok não está bravo! Ele está numa situação de dor! O que ele sente é dor! E você o colocou lá! Justamente a pessoa que mais deveria amá-lo no mundo! - ele pausou por alguns segundos enquanto as veias do pescoço dele dilatavam ainda mais - Ele nunca pensou ser bom o bastante, mas você tinha que tornar as coisas ainda piores? Você sempre o tratou como se ele não fosse nada, como se ele não importasse e mesmo assim ele continuou preso na esperança de que você mudasse. Você o arruinou, quebrou o coração dele em um milhão de pedaços!
Hayun se preparou para argumentar que queria ver o filho, mas Sung Hoon não deixou.
- Vai embora, Hayun! Aliás, você já deveria ter ido, não sei o que está fazendo aqui ainda! O Hoseok não vai querer ver você quando acordar e eu não vou permitir!
- Mas, Sung Hoon, eu tenho direito de vê-lo!
- Você perdeu esse direito quando o deixou há vinte sete anos, Hayun, por favor, vá embora!
Os dois se encararam e então com lágrimas nos olhos, Hayun resolveu ir embora, não sem antes esbarrar os ombros em , que agora segurava uma das mãos de Jimin com força. Os dois, confusos, foram recebidos pelo pai de Hoseok enquanto Namjoon caminhava até o bebedouro.
- Senhor Sung Hoon, o senhor pode nos explicar direito o que aconteceu? - Jimin pediu calmamente.
Sung Hoon começou a contar para os dois toda a história, desde o começo: a mãe reaparecendo, se encontrando com Hoseok, jantando lá, ele descobrindo sobre o dinheiro e sobre o meio-irmão, ele sumindo depois disso, as sacolas com o remédio, ele sendo encontrado pela enfermeira. O pai explicou por que chamou Namjoon, depois contou que Hayun apareceu lá depois que ele disse o que tinha acontecido e ele não sabia como ela havia descoberto o hospital que Hoseok estava, e que Namjoon havia tido aquela reação quando ouviu a mãe de Hoseok dizer que queria vê-lo…
Os olhos de e do advogado se encontraram. Ela se perguntou desde quando os dois haviam começado a gostar um do outro e ficado tão próximos, mas não se incomodou com aquilo… quem sabe ela havia servido para ser a ponte entre uma bela amizade entre os dois?
A enfermeira do hospital se aproximou deles, com um modesto sorriso nos lábios.
- O Hoseok acordou! Vocês já podem vê-lo! Quem será o primeiro? O senhor? - a moça olhou para Sung Hoon.
Ele olhou para os amigos de Hoseok, como se pedisse permissão a eles para ser o primeiro e os amigos assentiram para ele, afinal de contas os dois precisavam daquele momento.
A enfermeira abriu a porta do quarto para que Sung Hoon pudesse entrar e assim que os olhos de Hoseok e o dele se encontraram, ambos sentiram os olhos marejarem. O pai então se aproximou do filho, que fechou os olhos deixando as lágrimas caírem pelas bochechas.
- Me desculpe, pai! - ele pediu baixinho enquanto segurava a mão de Sung Hoon - Eu só queria acabar com toda a dor, só isso!
Sung Hoon balançou a cabeça para ele enquanto também chorava e apertava a mão do filho na sua. Ele sabia que o filho estava tão consumido pela dor que viu uma única saída para acabar com aquilo tudo… não podia julgá-lo!
- Você é tão importante para mim, Hoseok! Tão valioso, meu filho! Eu quero que você saiba que você é amado. Sua vida tem um valor inestimável, e estou aqui para ajudá-lo a superar isso. Sei que posso não entender completamente o que você está passando, filho, mas estou disposto a ouvir e aprender. Quero ajudar de qualquer maneira que eu puder!
Hoseok apertou a mão do pai enquanto levava a outra para o próprio rosto, limpando as lágrimas que caiam sem parar.
- Me desculpe também por ter deixado a Hayun voltar para as nossas vidas e por não ter falado tudo para você! Eu não deveria ter passado o endereço do seu trabalho, ela só trouxe desgraça para a nossa vida!
Hoseok balançou a cabeça em negativa para o pai enquanto as lágrimas voltavam a cair por sua face.
- Você não tem culpa de nada! Nem eu tenho! Não existem culpados… eu só… - ele tapou parte do rosto com a mão livre - Eu só não aguentei passar por toda essa dor de novo! Foi muito para mim… e eu acabei… acho que talvez eu precise de ajuda!
O pai passou a mão pelo rosto de Hoseok, que chorou ainda mais.
- Lembre-se de que pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, Hoseok! E sim de coragem. Vamos procurar profissionais que possam nos orientar nesse processo, meu filho!
Hoseok assentiu para o pai e então os dois se abraçaram com ele voltando a pedir desculpas para o pai. Quando os dois se soltaram o pai voltou a acariciar o rosto do filho, que fechou os olhos.
- Tem mais gente querendo falar com você…
- Pai, se for ela… - o pai o interrompeu.
- Não, filho! Claro que não é a Hayun! São outras pessoas…
- Outras pessoas? - ele franziu o cenho, confuso.
- Seus amigos, meu filho! Você agora tem amigos… - o pai sorriu para ele.
Hoseok piscou algumas vezes, ainda atônito e confuso.

A porta voltou a se abrir e Hoseok enxergou Jimin entrando no quarto, com a camisa social branca com alguns botões desabotoados e os olhos cheios de água. Hoseok também marejou os olhos ao ver o amigo ali.
- Amigo! - Jimin engoliu seco - Eu nunca soube o quanto você estava sofrendo. Sinto muito por não ter percebido antes... Você não está sozinho, estamos juntos nisso! Me desculpe por estar tão babaca! Você não tem culpa de nada que tem acontecido comigo, e você é o meu melhor amigo!
Jimin fechou os olhos, deixando as lágrimas quentes descerem finalmente, agora que estavam a sós.
- Você também é o meu melhor amigo, Jimin-ah! E eu sinto a sua falta! - Hoseok também chorava agora.
- Me desculpe, J-Hope! - ele limpou as próprias lágrimas – Por que você não me procurou quando a sua mãe apareceu?
- Você está sempre ocupado com a Chloe… eu não quis incomodar ou atrapalhar!
- Não importa! A Chloe não é mais importante que você… desculpe se pareceu isso! Você é meu amigo, meu melhor amigo! Não podemos deixar nada afastar nós dois de novo, me prometa que de agora em diante vamos nos falar todos os dias?
- Todos os dias? - ele viu Jimin erguer o dedo mindinho na direção dele e então esboçou um sorriso.
- Todos os dias, de domingo a domingo! Vamos! Faça a promessa!
Hoseok ergueu a mão e então o mindinho dos dois se cruzou um com o outro, com força.
- Acho que você é quem vai precisar se esforçar para manter essa promessa, hein?
- Não vai ser esforço nenhum, porque somos amigos! Eu não estive muito presente, sei disso! Mas isso muda a partir de hoje!
- Eu acredito em você! - os dois deram as mãos.
- Tem mais gente esperando para ver você, então eu vou sair! Mas volto! Já até combinei com o seu pai de dormir aqui essa noite com você!
- Eu vou precisar ficar aqui essa noite? - ele piscou algumas vezes.
- Em observação, porque você está fraco e um pouco desidratado. Mas amanhã devem te liberar, e eu vou ficar aqui com você até isso acontecer!
O amigo sorriu e então Jimin apertou a mão dele outra vez antes de soltá-la.

tremia um pouco quando segurou a maçaneta da porta do quarto, respirou fundo e então a abriu. Ela se lembrou de quando ficou internada por causa da cirurgia de apêndice e ele foi ficar com ela… os olhos marejaram. Ele tinha os olhos fechados e a morena se perguntou se ele havia pegado no sono e se não seria melhor voltar outra hora… quando encostou a mão na maçaneta pronta para dar meio volta, Hoseok abriu os olhos:
- Minhas quedas nunca foram tranquilas, tenho tendência ao desastre. Me desculpe!
- Eu que te devo desculpas na verdade, não é? Por tudo que causei…
- Por eu ter me apaixonado por você? Foi uma escolha minha continuar com as coisas do jeito que estavam, eu nem tinha o direito de explodir com você como eu explodi!
- Não vamos falar disso agora! - ela caminhou em direção à cama dele - Você ainda está fraco, não é hora! Precisa descansar!
se atreveu a colocar a mão sobre a testa dele e depois lhe acariciou os cabelos.
- Senti tanto sua falta! - Hoseok fechou os olhos e se permitiu chorar outra vez.
fechou os olhos e então debruçou o corpo magro sobre a cama, sobre o dele, o abraçando e se rendendo ao choro também (mesmo achando que já não tinha lágrimas o suficiente, tantas vezes havia chorado desde que se afastara deles).
- Não pense nisso! Eu estou aqui agora! Fiquei tão preocupada quando recebi a notícia! Me senti tão culpada!
- Você não tem culpa de nada! - ele passou as mãos desajeitadamente pelas costas dela - Eu só sinto sua falta, só isso! Me desculpe por ter feito o que eu fiz! É que alguns minutos podem ficar na sua cabeça por horas…
- Não! Não me peça desculpas por nada! Você não precisa! - ela se afastou dele o suficiente para conseguir limpar suas lágrimas -
Hoseok segurou uma das mãos dela.
- Quando não consigo dormir, eu gosto de imaginar eu e você. Sei lá, só achei que você deveria saber…
depositou um beijo demorado na testa dele e então ela limpou as próprias lágrimas.
- Você não está sozinho e sabe disso, não sabe? Nós vamos te ajudar a se recuperar mais uma vez de tudo que essa dor te causou! O Namjoon e o Jimin iam terminar de avisar os meninos e as meninas, tenho certeza que poderemos te ajudar!
- O Namjoon também ficou sabendo?
- Sim! O seu pai ligou para ele, porque ele era sua última conversa do Whatsapp… foi ele que me avisou! Ele está aí, deve ser o próximo a vir falar com você inclusive…
Hoseok não soube o que dizer, e então examinou o rosto de procurando por alguma reação ruim ou estranheza da parte dela, mas pareceu não encontrar.
- Ah! - ele apertou a mão dela, já que agora eles tinham as mãos dadas - Ele…
o interrompeu.
- Você não precisa me explicar nada sobre vocês dois! Talvez só sejamos cobaias para os erros de alguém que só vai ser melhor com o próximo… se vocês estão se aproximando e se ele tem sido legal com você, eu fico feliz! Inclusive ele falou algumas coisas para sua mãe! Achei incrível vê-lo defendendo você! Ela queria ver você, e o Namjoon acabou falando poucas e boas para ela…
Hoseok engoliu seco… resolveu fechar os olhos. Uma coisa de cada vez!

Quando Namjoon abriu a porta, Hoseok olhou para as próprias mãos. Ele se sentia estranho ao estar tão vulnerável na frente de Namjoon… especialmente depois de tudo havia acontecido com eles.
Antes que Namjoon se aproximasse, Hoseok despejou:
- Me desculpe, Namjoon! - ele mexeu no cobertor - Especialmente pelo meu pai ter te envolvido nisso tudo! É que ele se desesperou e não soube com quem falar e você foi minha última conversa!
Namjoon deu um sorriso de canto enquanto se aproximava da cama dele.
- Desculpas pelo quê? Não tem problema nenhum! O seu pai não me incomodou me avisando sobre o que tinha acontecido! E outra coisa: eu gosto de você e me importo com você, Hoseok!
Namjoon reparou que as bochechas pálidas de Hoseok ficaram levemente rosadas e ele alargou o sorriso.
- Que bom que você está vivo! E bem! Você tem muitas pessoas que se importam com você, Hoseok!
Ele assentiu enquanto ainda olhava para as próprias mãos no cobertor.
- Eu não soube como encarar a dor toda de novo! - Hoseok ergueu os olhos.
- Sinto muito por ter te incentivado de alguma forma quando saímos para falar da sua mãe!
- Não! Não precisa me pedir desculpas! - ele balançou a cabeça em negativa - Fiquei sabendo que você discutiu com a minha mãe aqui no hospital…
Um sorriso sem mostrar os dentes surgiu nos lábios de Hoseok.
- Não foi nada demais para eu falar umas verdades para ela! Eu só não queria que ela machucasse você ainda mais! Não ia ser bom ver você se machucar ainda mais pela presença dela aqui!
- Seu pai disse que você falou algo sobre precisar de ajuda! Eu tenho alguns profissionais para recomendar… você vai procurar ajuda, não vai?
Hoseok olhou outra vez para o advogado e disse para ele que sim.
- Nem eu, e nem o pessoal queremos passar esse susto de novo, Hoseok! - Namjoon sorriu - E se sinta à vontade para me procurar! Sempre! E quando quiser repetir o programa que fizemos na noite passada, é só me mandar uma mensagem! Podemos sair sempre que você precisar e quiser…
Hoseok tentou sorrir genuinamente para o advogado.
- Eu agradeço!

Jimin abriu a porta para verificar se o amigo estava acordado e por sorte ele estava! Sorriu para ele, que sorriu de volta e então ele entrou no quarto com a mochila nas costas. Depositou a mesma em uma poltrona e então olhou para o quarto como um todo. Hoseok ainda estava pálido e continuava tomando soro para se hidratar e fortalecer o corpo.
- Acho que cabe todo mundo! - ele ajeitou uma mesa que havia no quarto, trazendo mais para o centro do local - E aqui cabem as coisas!
- Como assim? Do que está falando, Jimin? - Hoseok gargalhou baixo.
- Você verá! - Jimin piscou para o amigo.
Ele caminhou até a porta do quarto e a abriu, colocando a cabeça e quase todo o corpo para fora e então fez um gesto com a mão antes de abrir a porta do quarto totalmente. Hoseok, curioso e com os olhos levemente arregalados, observava sem entender nada. Logo os barulhos começaram a ser ouvidos e então Namjoon, seguido de: Jin, Suga, , , Jungkook, Taehyung, , e entraram no quarto. Eles seguravam alguns balões, caixas de pizza e bebidas não alcoólicas (sucos e refrigerantes), além de pratos e copos de plástico, guardanapos, garfos e também um pequeno bolo.
- O quê? O que é isso? Não é nem meu aniversário! - Hoseok sorriu com toda a força que ele tinha ao ver os amigos.
Alguns amigos arrumavam as coisas sobre a mesa, enquanto outros colocavam os balões na parede, amarravam-nos na cama de Hoseok e falavam todos juntos. Jimin observava o amigo, sorrindo por ele parecer feliz com a visita de todos.
Suga foi o primeiro a se aproximar dele na cama e então os dois deram as mãos e as apertaram.
- Que susto você deu na gente, J-Hope! Quando o Namjoon avisou para gente tudo o que tinha acontecido com você, eu havia acabado de sair de uma sessão de fisioterapia e estava pensando no progresso do seu pai? Acredita?
- Sério? - Hoseok perguntou depois de soltar as mãos do fisioterapeuta.
- Sim!
- O Namjoon contou para a gente toda a história da sua mãe… e então nós entendemos o quanto deve ter sido difícil para você todas essas descobertas!
deixou um beijo rápido na bochecha dele. Depois se aproximou, sendo seguida por Namjoon. se debruçou delicadamente sobre a cama e abraçou Hoseok. Os olhos de Namjoon bateram lá e ele pareceu ter ficado inquieto.
- Todo mundo tem os seus próprios problemas! Então estamos todos tentando encontrar o caminho... Dia após dia é uma luta nesse mundo. Basta saber que você não está sozinho, Hoseok!
Namjoon engoliu seco ao pensar no tempo em que estava demorando debruçada sobre Hoseok, que ainda estava fraco. Ele abriu a boca, mas não disse nada e a fechou outra vez. o observava…
- Obrigado, ! - ela finalmente soltou Hoseok e levantou o corpo.
foi a próxima a abraçar o amigo, Namjoon cruzou os braços, preocupado.
- Você tem que se levantar, Hoseok! Se erguer de novo! Você tem que se levantar e dar um passo, porque o mundo jamais te verá até você se ver! Então, você precisa mostrar para eles!
Hoseok assentiu para ela enquanto lhe afagava vagarosamente as costas. Depois foi a vez de V, que tinha os olhos marejados quando abraçou Hoseok com certa força.
- V! - Namjoon não aguentou - Cuidado! Ele ainda está fraco…
- Ah! - ele soltou Hoseok - Me desculpe, é verdade! Você assustou mesmo a gente, cara! Agora que estamos conseguindo ensinar você a jogar, você tem que ficar firme para conseguir ganhar de mim!
Os amigos e Hoseok riram e então V voltou a abraçá-lo, com mais delicadeza dessa vez, visivelmente emocionado e emotivo. Depois foi a vez de Jin, que segurou a mão de Hoseok ao invés de abraçá-lo.
- Assim está bom, Namjoon? - os amigos riram - Complementando o que a disse, você precisa mostrar para o mundo o seu eu verdadeiro, sabe? Você precisa mostrar o que você tem! Não deixe acharem que você não é forte!
Hoseok assentiu para Jin também, começando a ficar emocionado. O próximo a se aproximar dele foi Jungkook. Abraçou o amigo com os olhos bem pesados, mais até do que os de V. Hoseok sorriu enquanto tentava retribuir o abraço apertado do mais novo, que o apertava.
- Jungkook! - Namjoon deu dois tapinhas gentis nas costas de JK - Cuidado! Hum? Vai com calma.
ajeitou o cabelo atrás da orelha, observando como Namjoon estava super protetivo com Hoseok, depois ela coçou a sobrancelha enquanto os amigos riam. Por que aquele comportamento todo com Hoseok? Os dois realmente estavam tão próximos assim? Ela ficou curiosa… desviou os olhos dos de Namjoon quando ele olhou para ela.
- E você não tem que ser perfeito, J-Hope! Porque ninguém é perfeito… desculpe ter te apertado! É porque eu fiquei muito mexido com a possibilidade de… enfim!
Ele limpou uma lágrima que escorria do canto de seu olho e Hoseok também se permitiu chorar antes de se desculpar. V também chorava…
- Sem choro, Hoseok! Nós temos muito o que celebrar agora! - sorriu e se aproximou da cama, perto de Namjoon - Você nem sempre precisa ser forte só por conta própria... está tudo bem em pedir ajuda! As pessoas te julgarão, mas elas não irão te definir. E você encontrará pessoas que te ajudarão a se reformular... por exemplo, nós todos aqui! Pode ser? Que tal?
Os dois sorriram um para o outro e lhe afagou os cabelos, olhando para Namjoon logo em seguida e arrancando mais algumas risadas dos amigos.
- E cadê a ? - ele olhou pra e pra .
- Eu já ia ligar para ela agora! A acabou tendo uma recaída depois do aniversário dela, por causa do irmão. Você se lembra do que aconteceu, não é? - Hoseok assentiu - Então, ela aceitou ajuda e está em tratamento lá em São Paulo! Ela pediu que eu ligasse para ela, em um momento em que ela pudesse mexer no celular, que ela quer falar com você! Ou seja, tratamento é muito importante, senhor Hoseok!
- Viu só como você é importante? Nem eu recebi uma chamada de vídeo ainda! - Jin brincou, fazendo todos rirem outra vez.
ligou para a amiga e quando ela atendeu as duas sorriram uma para a outra e acenaram com as mãos, depois ela virou a câmera do celular para que pudesse ver todos os amigos. Os olhos dela bateram em Jin, e ele sorriu abertamente para ela, que sorriu de volta. Cumprimentou os amigos e então se aproximou de Hoseok, virou a câmera e virou o celular na direção dele. Hoseok sorriu para sem mostrar os dentes.
- Ei! - ela chamou - Que susto hein, mocinho?
Hoseok soltou um riso nasalado.
- Eu espero que você já esteja um pouco melhor!
- E eu o mesmo com você, !
- Eu não posso ficar muito com o celular então o que eu quero te dizer é o seguinte: aposto que você não achava que chegaria tão longe assim! Agora, aqui está você! Você é forte, você é inteligente, você vale mais do que mil motivos, Hoseok! Não há ninguém no mundo como você! E procure ajuda, ok? Me prometa que vamos os dois, ficar bem!
- Ok! - os olhos dele marejaram outra vez com o discurso de - Eu prometo!
se despediu rapidamente da amiga e então elas desligaram.
Eles começaram a comer e a conversar, e as risadas - baixas é claro - preenchiam o cômodo hora ou outra. Ao longo da noite o clima foi parecendo mais leve e o coração de Hoseok se encheu de amor, o que foi mais um incentivo para que ele se recuperasse logo.

Já do lado de fora do hospital, V que observou basicamente a noite toda resolveu agir. Estava angustiado demais!
- ! - ele se aproximou dela, que estava próxima a , Suga e Namjoon - Você precisa de carona para casa?
Ela achou estranha aquela pergunta vindo dele e então olhou para antes de responder.
- O Suga disse que ia me levar… por quê?
- Porque eu gostaria de te levar… preciso falar com você!
- Falar comigo?
- Sim! - ele olhou para os outros amigos presentes.
Eles entenderam. acariciou as costas da amiga então ela e Suga saíram, Namjoon seguiu o mesmo rumo que os dois, indo de encontro a e , deixando os dois sozinhos.
- Nós já vamos então! - e Jungkook se aproximaram deles - Te espero em casa!
beijou a bochecha do irmão e depois fez a mesma coisa com e depois foi a vez de Jungkook se despedir deles. O coração dela começou a tamborilar.
- Vamos?
Os dois se despediram dos amigos restantes e então seguiu V até seu carro, entrando no banco do carona assim que ouviu o barulho do alarme. Quando ele entrou no carro, observou o perfil dele e depois os cabelos que agora estavam mais longos. Como ele havia conseguido ficar ainda mais bonito depois desse tempo todo em que tudo havia dado errado? Ela engoliu seco, mas continuou observando o perfil dele, hipnotizada. Até que o carro começou a se movimentar e ela se deu conta que estava sem o cinto de segurança. Colocou-o logo em seguida. Os primeiros minutos foram feitos em silêncio.
- E o que você quer falar comigo, Taehyung?
Ele olhou rapidamente para ela e depois olhou para o trânsito.
- Podemos esperar eu te deixar em casa? Não quero falar sobre no meio do trânsito!
- Tudo bem! - ela deu de ombros, como se não estivesse morrendo por dentro.
Silêncio, até que enfim eles chegaram na porta do prédio dela. se desfez do cinto e ele também.
- Não quero mais ficar longe de você! - Taehyung umedeceu os lábios.
acompanhou o movimento com os olhos e surpresa, ela olhou para ele. O coração saltou no peito…
- Tudo isso que aconteceu com o Hoseok, me fez refletir muito! Sobre tudo na minha vida! E isso inclui você, é claro! A vida é um sopro, a gente não sabe de nada na verdade! Me afastar de você completamente e manter esse rancor aqui dentro de mim, pareceu sempre a coisa certa a ser feita! - ele voltou a umedecer os lábios.
engoliu seco enquanto aproximava o rosto do dele.
- Naquela época pareceu a melhor solução. Agora eu já não sei mais… na verdade, eu sei sim! Não é a melhor solução!
assentiu para V enquanto o via segurar uma de suas mãos.
- Quero voltar a ser seu amigo! Quero poder falar com você todos os dias, quero poder contar as coisas da minha vida, quero poder voltar a ouvir as suas piadas, quero voltar a rir com você e ser seu melhor amigo de novo! Podemos, por favor, voltar com a nossa amizade, ?
ouviu atentamente as palavras sinceras de Taehyung, sentindo seu coração acelerar com cada frase. Ela viu a mudança em seus olhos e percebeu o quanto ele havia amadurecido desde a última vez que se falaram. Apesar de ter tido esperanças sinceras de que a proposta seria outra, ela ficou feliz com ele querendo voltar com a amizade. Claro que ela gostaria que os dois pudessem recomeçar como um casal, mas aquilo já era incrível! Lentamente, um sorriso brotou em seus lábios enquanto ela segurava a mão dele de volta.
- Taehyung, eu senti sua falta! E mesmo que o passado tenha sido difícil, acredito que as pessoas podem mudar e evoluir e claro, eu aceito sua oferta de amizade novamente!
Os olhos de Taehyung brilharam de gratidão e alívio ao ouvir as palavras de . Ele a puxou para um abraço apertado, expressando sua felicidade pela reconciliação.

***

Os olhares de e Jimin se cruzaram, ele dormiria com Hoseok, mas havia ido até a porta do hospital para se despedir de todo mundo. Enquanto os dois ainda se encaravam, Jimin pensou se deveria se aproximar dela para lhe agradecer por ela ter ido até o hospital ver Hoseok. Mas qual o sentido daquele agradecimento? Ele fechou os olhos e balançou a cabeça, quem ele queria enganar? Só estava procurando uma desculpa para falar com ela… não podia!
também queria falar com ele, e assim o fez.
- Jimin! - ela umedeceu os lábios - Só vim te pedir para deixar de lado tudo que aconteceu entre a gente e voltar a falar com o Hoseok! Na verdade, não só com o Hoseok, com todo mundo! Isso que aconteceu hoje, eu acho que serviu muito para mostrar que a vida é um sopro! A qualquer momento podemos perder para sempre as pessoas que amamos, e sei que você ama o Hoseok! Então não é justo com ele e nem com o restante da turma que você se afaste por minha causa! E não é justo com você também! É só me ignorar, você não precisa falar comigo e nem eu com você, só não deixe de comparecer mais nos eventos em que todos estivermos! Como eu disse, vou respeitar seu espaço! E também estou cansada de brigar!
respirou profundamente, soltando o ar preso nos pulmões e fechando os olhos. Havia falado tudo de uma vez, ou então não teria coragem. Abriu os olhos e então encarou Jimin de volta. Ouviu a chamando… Jimin assentiu para ela com firmeza, sabendo que dessa vez ela tinha razão. Os dois se encararam por mais alguns segundos e chamou outra vez. Os olhos de Jimin desceram para os lábios dela e foi a vez de ele umedecer os próprios lábios. Se amaldiçoou por sentir saudades do beijo dela. voltou a respirar profundamente.
- Boa sorte na vida, Jimin! Você é um cara legal, não se perca da sua essência por minha causa! - ela assentiu para ele e então foi de encontro a -
Jimin fechou os olhos e contou: 3!



Centésimo Décimo Terceiro Capítulo – COMPLETE MESS

Jungkook ajeitou a grande mochila nas costas e depois retirou as chaves do carro do bolso da calça jeans, destravou distraidamente o mesmo e então parou de andar quando percebeu os quatros pneus furados e praticamente vazios… ele coçou a cabeça achando aquilo estranho.
Se fosse apenas um dos pneus, tudo bem, essas coisas acontecem! Um prego, uma pedrinha etc., mas os quatro pneus? E outra, ele não havia tirado o carro do estacionamento do prédio nem para ir almoçar. Alguém havia furado aqueles pneus… o coração dele saltou no peito enquanto ele pegava o celular dentro do outro bolso para ligar para o seguro, pois como os quatro pneus estavam furados, ele precisaria de auxílio. Depois de resolver com o seguro, ele resolveu ligar para Namjoon… no fundo, no fundo, Jungkook sabia que aquilo só podia ser obra de uma única pessoa! Antes que ele pudesse ligar, uma mensagem de texto de um número desconhecido brilhou na tela. Jungkook a abriu:

“Fique longe dela!”

Era apenas essa frase contida na tal mensagem de texto. Jungkook umedeceu os lábios. Era o stalker, ele tinha certeza!

“Jungkook…” - Namjoon atendeu.
“Hyung…” - Jungkook pausou, enquanto ainda observava os pneus. “Aconteceu uma coisa estranha!”
“E o que foi?”
“Eu saí agora do trabalho e meus quatro pneus estão furados… e também recebi uma mensagem de texto de um número desconhecido dizendo ‘Fique longe dela!’.”
Namjoon ficou em silêncio por alguns segundos.
"Notícias da ? Eu vou procurar saber alguma coisa com o delegado da penitenciária e avisá-lo sobre esse ataque que você recebeu! Vou procurar saber notícias da também, não conte nada para ela por enquanto, pode ser?”
“Pode! Só me dê notícias também!”
“Claro! Eu já te ligo aí! Está em um local seguro? Precisa que eu vá para aí?”
“Daqui a pouco o pessoal que o seguro vai enviar deve chegar! E hora ou outra o pessoal do prédio vem pegar os carros… eu não tenho medo dele, Namjoon!”
“Não é porque você não tem medo dele que deve ficar exposto! Espere dentro do carro!”
Cerca de quinze minutos depois o pessoal começava a trocar os pneus de Jungkook e ele andava de um lado para o outro, inquieto e sem notícias de e Namjoon. Até que o celular tocou…
“Oi, hyung!” - umedeceu os lábios e passou a mão livre pelo pescoço.
Jungkook sentia como se estivesse sufocado.
“A está bem! Conversei com o V antes de te ligar, achei melhor que ele soubesse também e nós dois combinamos de não contar nada para a por enquanto… Jungkook…”
“O que foi, hyung?”
“Ele fugiu, Jungkook! Outros três presos estão foragidos também! Eles conseguiram render dois agentes penitenciários e acabaram conseguindo fugir!”
“E você e o Taehyung realmente acham uma boa ideia a não saber disso?”
“Você acha uma boa ideia ela saber e se desesperar? Tem dois dias apenas, ainda há chances de ele ser pego! Preciso que você vá comigo até a penitenciária para entregar seu celular para uma rápida perícia! Eu não vou deixar nada acontecer com você e com a !”
Jungkook confiava no trabalho do advogado e sabia que ele faria o possível e o impossível para proteger os dois, especialmente . Jungkook olhava para o nada enquanto sentia os olhos marejarem, se o stalker não fosse preso logo, Jungkook infelizmente teria que se afastar de outra vez, e aquilo doía. Mas ele não podia colocar a vida dela em risco! Quando o pessoal enviado pelo seguro terminou o serviço, ele os agradeceu e finalmente entrou em seu carro.
Jogou a cabeça para trás, fechando os olhos com força. Ele tinha que proteger .

Namjoon abriu a porta devagar e então vislumbrou Hoseok ainda deitado na cama, com os fones no ouvido e os olhos fechados. Namjoon adentrou o quarto em silêncio, fechou a porta atrás de si e pôs-se a observar Hoseok que parecia dormir. Passeou os olhos pelo rosto delicado do químico, observou os olhos rasgados dele fechados, depois observou o nariz pontudinho de Hoseok, e sorriu involuntariamente. Aí os olhos dele baixaram para seus lábios, finos e rosados… Namjoon engoliu seco e então se aproximou a passos lentos dele na cama.
Voltou a engolir seco e se abaixou o suficiente para ficar com o rosto próximo ao de Hoseok enquanto ainda observava os lábios dele. Namjoon fechou os olhos e então depositou um selinho demorado em seus lábios… Hoseok sentiu o contato dos lábios de Namjoon nos seus e então abriu os olhos rapidamente, encarando Namjoon com os lábios grudados delicadamente aos seus.
Namjoon se afastou de Hoseok e então o viu com os olhos abertos e levemente arregalados! Os dois engoliram seco juntos quase que sincronizadamente e mais uma vez lá estava Namjoon com as bochechas coradas, o que era raro aos olhos de Hoseok.
- Eu vim buscar você! Você já ganhou alta! - ele pausou, respirando fundo - A deve estar chegando também!
- O meu pai tinha dito que a Maria viria me buscar, e eu até insisti dizendo que não precisava! - Hoseok piscava os olhos com os grandes cílios batendo uns nos outros.
- Eu e a combinamos ontem à noite com ele de buscarmos você no lugar dela! Mas seu pai provavelmente achou melhor deixar como uma surpresa!
Namjoon sorriu enquanto dava de ombros. Hoseok se livrou dos cobertores e do fone de ouvido e se sentou na cama. e o médico entraram no quarto e o doutor sorriu para Hoseok, que sorriu de volta, mas sem mostrar os dentes.
encarou Namjoon e fez a mesma coisa que Hoseok, sorriu para ele sem mostrar os dentes. Namjoon sentiu o coração acelerar quando ela ajeitou os óculos no rosto e ficou vermelha… ele passou a língua pelos lábios. O médico e Hoseok conversavam, e ele aconselhava Hoseok a procurar um especialista e um terapeuta, afinal de contas o que havia acontecido era considerado grave.
O médico fez algumas checagens padrões, aferiu sua pressão, mediu os batimentos cardíacos e verificou se ele estava com febre. Tudo estava tranquilo e então Hoseok ganhou finalmente a tão esperada alta. O médico se despediu de e Namjoon e os deixou sozinhos. Silêncio no quarto por alguns segundos. Como aquilo era estranho, pensaram os três.
- Você já arrumou suas coisas? - quebrou o silêncio.
- Ainda não! Mas está praticamente tudo arrumado! Eu só preciso me livrar dessa roupa de hospital! - ele se levantou e então Namjoon procurou pelas malas dele com os olhos.
- Está aqui! - apontou para a mochila preta sobre o sofá.
Ela caminhou até lá e a pegou com as duas mãos e então Namjoon andou até ela, ajudando-a, já que a mochila parecia pesada. Em seguida ele caminhou até Hoseok, depositou a grande mochila sobre a cama e a abriu. cruzou os braços abaixo dos seios, observando a dinâmica entre os dois. Hoseok vasculhou a mochila em busca de um par de roupas, e então retirou uma calça jeans de lá e uma camiseta branca lisa e simples. Hoseok então começou a levantar a camisola do hospital. Namjoon engoliu seco e então retirou o próprio blazer do corpo com rapidez e tapou Hoseok o máximo que podia. se aproximou, abrindo um sorriso sapeca, ficou na ponta dos pés e então tentou observar Hoseok se trocando e arrancou uma das gargalhadas gostosas dele, enquanto Namjoon franziu a testa e levantou ainda mais o blazer.
- Por que você está cobrindo-o? Não tem nada aí que eu já não tenha visto Namjoon!
- Uma coisa não tem nada a ver com a outra, ! E o Hoseok é tímido, então é melhor cobrir! E você, anda logo, Hoseok! Vire-se e olhe para o outro lado!
ergueu as duas sobrancelhas e ainda com o sorrisinho sapeca nos lábios ela virou o rosto para o lado oposto, virando-o novamente logo em seguida e fingindo espiar, apenas para arrancar outra gargalhada de Hoseok.
- Pronto, Namjoon, já estou vestido! - Hoseok avisou.
Namjoon voltou a vestir o blazer e então e Hoseok se encararam profundamente e finalmente depois de um tempo.
- Vamos? - ela enrolou uma mecha do cabelo nos dedos - Acho que a gente podia aproveitar para almoçar, não? Já são quase meio dia!
- Nós três? - Hoseok arregalou os olhos.
- Qual o problema? - Namjoon deu de ombros, gostando da ideia.
Hoseok chegou a abrir a boca para falar, mas não conseguiu. Então era isso? Os três não teriam uma conversa sobre tudo? Eles passariam por cima de tudo que aconteceu - aliás de tudo que vinha acontecendo - e sairiam para almoçar como se fossem melhores amigos? A cabeça dele deu um nó…

Dentro do carro de Namjoon, resolveu ir no banco de trás, ela não ficaria confortável ao lado de Namjoon no banco da frente, não com Hoseok lá, então ela se sentou no meio e colocou seu cinto. Hoseok e Namjoon fizeram a mesma coisa.
- E se a gente almoçar lá perto do seu trabalho, ? Já que você está sem carro, é mais fácil, não?
- Pode ser! Quando você volta para o trabalho, Hobi?
Namjoon reparou no sorriso gostoso que ele soltou ao ouvir chamando-o pelo apelido novamente e então ele sorriu também. As coisas pareciam estar voltando ao normal… mas que normal? Namjoon se perguntou.
Os três foram conversando sobre opções de psicólogos, elogiou bastante a profissional que a atendia, disse que ela também atendia a , já Namjoon disse que conhecia alguns profissionais bons e que também poderia recomendar várias opções… mas Hoseok pareceu mais interessado na profissional indicada por , o que não incomodou Namjoon.
Os pratos foram chegando e e Namjoon repararam que Hoseok mal levava o garfo à boca, e só mexia na comida dentro do prato. Os dois olharam um para o outro e então pigarrou.
- Por que não está comendo?
- Eu? - Hoseok apontou para si mesmo.
- Sim. senhor! - Namjoon respondeu - Você está se sentindo bem?
- Se não estiver, pode falar! Nós levamos você para casa!
- Eu só não estou com fome! - ele balançou a cabeça para os dois - Me lembrei de quando almocei com a minha mãe!
e Namjoon voltaram a se encarar.
- Você não pode deixá-la te assombrar de novo! Ela não pode acabar com você, Hobi!
esticou a mão, colocando-a sobre a de Hoseok. Namjoon tocou e segurou o ombro dele com firmeza.
- Você não precisa dela, Hoseok! Nunca precisou! Olha quanta coisa você conquistou…olha o quão longe você chegou!
- E você precisa comer! Passou dois dias comendo comida de hospital, que eu sei que é só sopa! E você estava desidratado, perdeu peso…
- Tem que se forçar, só um pouquinho! Por nós dois, que tal?
- Por você e pela ?
- É! - ela tocou a mão de Namjoon também.
Namjoon bateu os olhos nas mãos de pousadas sobre as mãos dele e de Hoseok, e então ele sentiu o coração acelerar gradativamente com a sensação. E se aquilo tudo fosse de fato normal? E se os três ali, sentados, almoçando, tocando uns nos outros, conversando, rindo, fosse de fato o normal? E por que aquilo não assustava Namjoon? Por que aquilo não o incomodava? Especialmente quando ele viu Hoseok comer e a mão de continuou sobre a dele… fechou os olhos e sentiu o coração saltar dentro do peito. Quando acariciou rapidamente a bochecha de Hoseok enquanto lhe apertava a mão, pela primeira vez Namjoon não sentiu ciúmes e muito menos ficou incomodado com aquela demonstração de afeto de com Hoseok, ele gostou inclusive… Aquilo parecia certo: os três ali, juntos.
Hoseok olhou para e Namjoon, sentindo o calor reconfortante da carícia de e do toque de Namjoon sobre seus ombros. Suas palavras ecoaram em sua mente, tocando lugares profundos dentro dele. Era verdade, sua mãe ainda assombrava seus pensamentos e afetava sua relação com os outros e consigo mesmo. Mas ali, naquele momento, ele tinha duas pessoas incríveis ao seu lado, dispostas a apoiá-lo incondicionalmente.

O celular de Suga vibrou com a resposta da namorada:


Para que você quer um currículo meu?



Ele sorriu, sabia que ela ficaria na defensiva e que aquela seria a primeira resposta dela para a mensagem de “Me manda um arquivo com seu currículo.”


Para que você quer um currículo meu?

Anda logo, , me manda! Depois eu te conto o que vou fazer com ele, oras. Não confia no seu namorado?



Ele digitou rapidamente. Alguns minutos depois o arquivo já estava sendo aberto por Yoongi. Ele leu cuidadosamente o currículo da namorada e então começou as mudanças. Nada demais, claro, ele não inventou nada, mas é claro que dar uma floreada não faria mal algum, certo? O formatou e então ele releu. Depois de mais algumas modificações ele julgou a mudança perfeita e voilà! Imprimiu algumas cópias para deixar em seu próprio consultório, ele faria propaganda da namorada é claro! Vai que algum de seus pacientes, ou filhos de seus pacientes precisam de uma professora particular para aulas de reforço? Ou vai que ele arruma um emprego para ela com alguma diretora de escola? Sim, ele estava otimista!

O telefone tocou três vezes e então finalmente atendeu, ouvindo a voz rouca do namorado do outro lado da linha.
“Curiosa para saber o que eu fiz com o seu currículo, mocinha?” ele sorria do outro lado da linha.
“Sim! Eu hein, nunca vi essa de namorado pedir currículo!” gargalhou, fazendo o sorriso dele se alargar.
“Eu dei uma reorganizada nele, formatei e mudei algumas coisas porque ele estava bem antiguinho né, meu bem?”
voltou a gargalhar achando o namorado a coisa mais fofa do mundo.
“Certo, meu bem! Muito obrigada!”
“Acho que está na hora de você voltar a pensar em ser professora! É o seu sonho, não é?”
soltou um muxoxo, ficando sensível ao pensar nesse assunto. Ele ouviu ela murmurar um “uhum”.
“Vou te ajudar nesse sonho! Confia em mim?”
“De olhos fechados, Yoongi!”
foi a vez de sorrir.
“Então pronto!”
“Vamos jantar com os meus pais hoje, né? Se não quiser ir, sem problemas!”
“Não! Eu vou! Adoro jantar com seus pais!”

O vento bagunçava os cabelos de Seokjin e ele tentava em vão os deixar no lugar enquanto fotografava o grande mar à sua frente. Depois ele deu um giro em volta do próprio corpo e a avistou chegando à praia com o grande chapéu e a saia balançando com o vento. Ela ajustou o grande chapéu de uma forma que o vento não fizesse com que ele tapasse seu rosto ou sua visão. E lá ela ficou, admirando o mar. Ele precisava de inspiração para as fotos, já que a próxima exposição seria composta apenas por elas. Quem sabe ela não podia posar para ele? De longe mesmo ele começou a tirar algumas fotos da estranha, claro que depois ele falaria com ela. As fotos iam ficando uma melhor que a outra e Seokjin sorriu. Cegamente e ainda mexendo na máquina, ele se aproximou dela.
- Com licença! - Seokjin umedeceu os lábios com a língua.
A loira observou o movimento da língua dele e pensou no quanto os lábios dele eram bonitos.
- Me desculpe por atrapalhar seu momento de lazer! Você pode não acreditar, mas… - ele pausou alguns segundos - Eu sou fotógrafo e artista plástico…
Os olhos da estranha desceram para a grande máquina que ele carregava consigo.
- E estou montando uma nova exposição, inspirada no mar! Precisava de uma modelo! Me atrevi a tirar essas fotos suas, que claro, se você não topar minha proposta, elas serão apagadas! - ele mostrou as fotos para a desconhecida.
Os olhares se cruzaram e Jin voltou a umedecer os lábios, mais uma vez ela acompanhou o movimento e umedeceu os próprios.
- E qual o seu nome? - ela ergueu uma sobrancelha.
- Seokjin! Aqui está o meu cartão! Se você quiser, podemos tomar um café para você entender a minha proposta! É um trabalho sério, não estou tentando ludibriar você!
- Kim Seokjin? - ela sorriu - Conheço você! Já participei de um seminário que você deu na minha faculdade! Eu também sou amante da fotografia e estou tentando me especializar!
- Ah! - ele sorriu satisfeito e um pouco envergonhado.
- A sua galeria é linda a propósito! As fotos expostas na entrada são maravilhosas!
- Você conhece a minha galeria?
- Sim! - foi a vez da loira enrubescer - Sou Maísa, a propósito!
Ela ergueu a mão e Seokjin a segurou com firmeza enquanto os olhos verdes dela pareciam querer engolir os dele.
- Eu aceito o seu café!
Os dois sorriram.

Já sentados numa cafeteria perto da praia mesmo, ele foi logo explicando:
- Você será paga pelo trabalho, e tudo será extremamente profissional! Caso você esteja achando estranho essa abordagem no meio da praia! Eu só tirei fotos suas para que você pudesse ver a qualidade do meu trabalho…
- Que é incrível! - Seokjin ficou vermelho.
- Eu não costumo fazer isso! Normalmente é a minha assistente quem me ajuda a achar uma modelo ou um modelo através de uma agência. Meu trabalho é sério!
- E eu acredito! Agora por que eu?
- Porque você combina com o tema da exposição, você tem cara de praia e mar… achei até que você fosse modelo!
Maísa sorriu, achando que fosse um elogio. Não deixava de ser, mas provavelmente não da forma que a loira estava imaginando.
- E eu sou! E aceito sua proposta!
- Mas eu nem te falei o valor… e qual a minha ideia!
- Não precisa, eu sei que vai ser incrível! Você só precisa falar com a minha agência! Está aqui o cartão com o telefone do meu agente, vou adiantar o assunto com ele! Os detalhes etc., podem ser acertados com ele, mas você tem o meu sim!

Eram poucos minutos, mas ele estava feliz de poder falar com o tempo que fosse. Mesmo que só dez minutos… vê-la, saber como ela estava, poder observar suas feições mesmo que por vídeo já iria satisfazê-lo! Ajeitou os cabelos enquanto esperava atender, e quando o rostinho dela totalmente livre de maquiagem apareceu na tela, Seokjin sorriu automaticamente, sentindo o peito vibrar de felicidade.
- Oi! - sorriu de volta para ele.
- Oi! - ele fechou os olhos, mas os abriu rapidamente - Eu estou tão feliz de ver você que podia começar a chorar agora, sabia?
- Não! - ela gargalhou - Não chora, se não seus olhos vão ficar embaçados e você não vai conseguir ver a novidade!
- Que novidade? - ele colocou a mão no queixo e gargalhou de novo.
Ela afastou a câmera do rosto de repente e então mostrou o pé que havia quebrado completamente livre do gesso e recuperado. Seokjin voltou a sorrir enquanto aproximava novamente a câmera do rosto.
- Viu? - Seokjin, ainda sorrindo fez que sim para ela - Me livrei finalmente do gesso e agora estou andando normalmente!
- Estou muito feliz! E você, ficou feliz?
- Muito! Foi um alívio tirar isso para sempre!
- E como tem sido as consultas? - ele viu se ajeitar e pensou que ela provavelmente estaria sobre uma cama em seu quarto ou algo do tipo.
- Tem sido boas! Você tinha razão, eu precisava! As coisas tem começado a se ajeitar aqui dentro! - ela apontou para o próprio peito - São ótimos profissionais, já fiz amizade com quase todos eles e um deles até me disse que se eu quisesse podia jogar escondido!
Os dois gargalharam juntos.
- E como está aí na cidade? Você e o pessoal tem aproveitado muito?
- A gente conheceu bastante coisa aqui já! Mas é muito grande, tanto quanto o Rio! Então ainda queremos ir em mais lugares… mas à noite fomos num karaokê! - ela gargalhou parecendo se lembrar de algo - As salas desse karaokê são individuais e eu fui ao banheiro em determinado momento e quando voltei acabei entrando na sala errada! E aí eu não percebi, já fui pegando o microfone, cantando e fazendo gracinha e até performance! Daí percebi que estava numa sala cheia de estranhos! A vergonha Jin! Não! - ela riu.
A gargalhada alta de Jin preencheu os ouvidos de , que sentiu o coração aquecer de saudade de ouvi-la. Ainda rindo ele soltou:
- Esse é um dos motivos pelos quais eu amo você!
gelou e sentiu os músculos do corpo ficarem tensos. O que ele havia acabado de falar?
Se dando conta finalmente que havia soltado um “amo você”, ele cessou as risadas e os dois se encararam sem saber exatamente o que falariam. Aquilo não deveria ter sido dito daquela forma e naquele momento e Seokjin sabia disso, mas havia sido espontâneo. Então ele mudou de assunto:
- Hoje eu conheci uma moça na praia, Maísa, o nome dela! Ela vai ser a modelo das minhas fotos da próxima exposição! Foi engraçado porque eu só achei que ela combinava com o tema e quando fiz o convite, ela já me conhecia! De um seminário que dei na faculdade dela, ela também mexe com fotografia além de ser modelo…
Foi o primeiro assunto que ele pensou para mudar o foco dos dois. mudou levemente o semblante enquanto ouvia ele contar sobre a tal modelo…
- Saudades de quando eu era sua única musa inspiradora! - ela tentou rir e sorrir.
- Eu jamais venderia um quadro ou uma fotografia sua! Não quero ninguém tendo fotos suas em casa, só eu!
conseguiu finalmente soltar um sorriso sincero na direção dele.
- Bobo! - Seokjin sorriu, vendo as bochechas dela ficando vermelhas.
Os dois continuaram aproveitando os minutos restantes que lhes sobraram conversando o máximo de coisas que podiam, e deixando sempre claro em cada oportunidade que tinham a saudade que estavam sentindo um do outro e o quanto eram importantes.


Centésimo Décimo Quarto Capítulo – We’re not friends

Hoseok encarou a conversa dos dois lá, aberta pela nona ou décima vez durante o almoço. Ele mastigava sem pressa nenhuma como se não tivesse que voltar para o trabalho há menos de quinze minutos. A coragem enchia e esvaziava seu peito, mas estava perturbado com tudo aquilo, os dois precisavam de uma conversa. Digitou rapidamente, inflando o peito de ar, e ao apertar em enviar, ele soltou todo o ar preso em seus pulmões.

Namjoon ria distraído de algo que um dos sócios dizia até se dar conta do celular sobre a mesa do restaurante com a tela brilhando. O nome de Hoseok fez o coração saltar, e ele rapidamente pegou o aparelho em suas mãos.

Hoseok

Oi, Namjoon! Tudo bem? Acho que precisamos conversar sobre algo importante. Será que podemos marcar um encontro para falarmos pessoalmente?



O coração de Namjoon continuou dando saltos dentro do peito, será que Hoseok queria conversar sobre o que estava acontecendo entre os dois? E o que será que ele havia decidido sobre tudo isso que estava acontecendo? Na verdade, Namjoon também não sabia direito o que ele mesmo havia decidido sobre tudo isso também! Precisava parar para pensar com mais clareza e analisar tudo o que vinha acontecendo e todos os sentimentos que andava sentindo desde que se descobriu apaixonado por , e talvez até por Hoseok também… precisava falar com alguém, as pessoas de fora costumavam ter outra visão e aquilo poderia ajudar. Fitou os sócios e chegou a abrir a boca, mas eles não eram nem de longe as pessoas ideais! Eles não falavam muito sobre suas vidas pessoais, e jogar aquelas informações na mesa durante um almoço seria pedir para eles o ridicularizarem…Umedeceu os lábios e voltou a encarar o celular.

Hoseok entrava no elevador quando sentiu o celular vibrar dentro do bolso da calça social e então fechou os olhos. Só podia ser Namjoon com a sua resposta.

Namjoon

Oi, Namjoon! Tudo bem? Acho que precisamos conversar sobre algo importante. Será que podemos marcar um encontro para falarmos pessoalmente?

Claro, Hoseok! Estou disponível para nos encontrarmos. O que você acha de nos encontrarmos hoje à noite, por volta das oito na minha casa?



Hoseok leu a mensagem algumas vezes, começando a se arrepender da proposta. Mas agradeceu mentalmente por Namjoon estar disposto a conversar. Respirou fundo e se sentou em sua cadeira, encarando o microscópio, ele ainda tinha muitas amostras para analisar… mas precisava sair no horário para conseguir se preparar o suficiente para aquela conversa. Ele pensou em Jimin… balançou a cabeça.
Desbloqueou o celular, leu a mensagem outra vez.

Namjoon

Oi, Namjoon! Tudo bem? Acho que precisamos conversar sobre algo importante. Será que podemos marcar um encontro para falarmos pessoalmente?

Claro, Hoseok! Estou disponível para nos encontrarmos. O que você acha de nos encontrarmos hoje à noite, por volta das oito na minha casa?

Perfeito! Hoje à noite na sua casa. Obrigado por estar disposto a conversar, Namjoon!



Logo Namjoon estava digitando de volta:

Namjoon

Oi, Namjoon! Tudo bem? Acho que precisamos conversar sobre algo importante. Será que podemos marcar um encontro para falarmos pessoalmente?

Claro, Hoseok! Estou disponível para nos encontrarmos. O que você acha de nos encontrarmos hoje à noite, por volta das oito na minha casa?

Perfeito! Hoje à noite na sua casa. Obrigado por estar disposto a conversar, Namjoon!

Não há de quê, Hoseok. Estou aqui para você! Nos vemos mais tarde. Cuide-se até lá!



Hoseok deixou um sorriso escapar dos lábios com a parte final da mensagem. Finalizou o assunto:

Namjoon

Oi, Namjoon! Tudo bem? Acho que precisamos conversar sobre algo importante. Será que podemos marcar um encontro para falarmos pessoalmente?

Claro, Hoseok! Estou disponível para nos encontrarmos. O que você acha de nos encontrarmos hoje à noite, por volta das oito na minha casa?

Perfeito! Hoje à noite na sua casa. Obrigado por estar disposto a conversar, Namjoon!

Não há de quê, Hoseok. Estou aqui para você! Nos vemos mais tarde. Cuide-se até lá!

Até mais tarde, Namjoon. Obrigado novamente!



Jimin havia chegado primeiro, então se ajeitou na cadeira depois de ajeitar sua mochila na cadeira ao seu lado. Tirou os óculos escuros do rosto e os depositou sobre a mesa do lugar, logo em seguida ele ajeitou os anéis e retirou o relógio do pulso.
Hoseok havia ligado para ele algumas horas antes e o questionado se ele conseguiria sair uma hora mais cedo do trabalho para que os dois pudessem conversar. Ele se preocupou um pouco, mas depois se tranquilizou, deveria ser algum gatilho causado pela volta da mãe, e ele ajudaria o amigo.
O moreno chegou, segurando o capacete em uma das mãos, com força. Ele se livrou da pasta, depositando-a na mesma cadeira onde estava a mochila de Jimin e os dois se encararam. Jimin sorriu para o amigo e Hoseok, mesmo tenso, sorriu de volta para ele.
- E então? Uma cerveja?
- Uma só! Eu meio que tenho um compromisso mais tarde…
- Um compromisso? Com a ? - Jimin alargou o sorriso.
- Não! Com o Namjoon…
Hoseok engoliu seco e viu o semblante de Jimin ficar confuso.
- Ah! Com o Namjoon…
Hoseok levantou o braço, chamando um garçom. Eles pediram a cerveja e então voltaram a se encarar.
- Aconteceram algumas coisas, e elas me deixaram confuso!
- O quê? Quais coisas, J-Hope?
O garçom voltou com dois copos e a cerveja e os serviu, retirando-se logo em seguida. Hoseok e Jimin brindaram rapidamente antes de tomarem a cerveja.
- Eu e o Namjoon nos beijamos! E não foi só uma vez! - ele engoliu seco.
Jimin franziu o cenho e arregalou os olhos, completamente surpreso com a informação. Desde quando o amigo beijava homens também? E Namjoon? Os dois não se odiavam? As informações deram um nó em seu cérebro e Jimin levou o copo até os lábios outra vez.
- E você gostou? Aliás, isso é novo para você, não é?
- Mais ou menos novo… - Hoseok voltou a engolir seco - E bom…
Ele respirou fundo reunindo coragem para se aprofundar no assunto.
- Eu gostei dos beijos, Jimin! - ele gaguejou um pouco antes de continuar - E eu… no passado, quando a gente ainda fazia faculdade…
Bebeu mais cerveja, quem sabe o líquido ajudaria.
- O que que tem? Você beijou homens lá?
- Não! O Namjoon é o primeiro homem que eu beijo! Mas não é o primeiro homem que me sinto atraído! E eu fugi disso a vida toda, porque achava errado, porque tinha medo… e com isso eu acabei fugindo de você!
- De mim? - o semblante de Jimin voltou a ficar confuso.
- De você! Por isso eu sumi depois que me formei!
- Eu ainda não entendi, J-Hope… - foi a vez de Jimin engolir seco e tomar um longo gole da cerveja.
- Eu fiquei muito confuso com o que eu sentia por você! E aí acabei fugindo, Jimin! Eu tive medo de estar atraído por você, e achava errado! Além de saber que você não me corresponderia e que nossa amizade acabaria, então preferi fugir do que passar pela dor de perder você por um sentimento bobo do qual eu não tinha certeza! A minha cabeça estava uma bagunça! E eu não podia me sentir atraído pelo meu melhor e único amigo! E eu também evitava contato com muitas pessoas naquela época, especialmente com outros homens, justamente porque eu não queria sentir atração por alguém do mesmo sexo que eu!
Hoseok deixou que todo o ar preso em seus pulmões saísse num suspiro pesado e sôfrego. Jimin encarava o amigo com os olhos parcialmente arregalados, a cerveja em sua mão estava na metade do caminho, pois ele não havia conseguido leva-la aos lábios pela quantidade de informações. Hoseok já havia se sentido atraído por ele? Então Hoseok era bissexual? Ou ele havia finalmente se entendido apenas como gay? Ou será que ele estava confuso sobre sua sexualidade por causa do envolvimento com Namjoon e então não sabia se era homo ou bi? E desde quando Namjoon beijava outros homens? Jimin piscou várias vezes, colocando o copo de volta sobre a mesa, tentando alinhar seus pensamentos para ajudar o amigo.
- Por que você não conversou comigo na época, Hoseok? Meu Deus!
- Porque eu não tinha coragem de falar com ninguém sobre esse assunto, Jimin! E eu tinha medo de perder sua amizade! Caramba, foi muito difícil na época tomar a decisão que tomei quando a gente se afastou!
- Eu teria entendido você! E juntos nós dois teríamos arrumado uma solução para isso! Eu não teria me afastado de você, achei que me conhecesse!
- Me desculpe! - Hoseok serviu seu próprio copo com mais cerveja - Na época eu não soube como agir! Hoje te conheço o suficiente para saber que você não vai fugir de mim, nem me julgar! Por isso marquei com você antes de falar com o Namjoon!
- Você e ele tem um encontro? - Jimin sorriu largamente e depois gargalhou.
Hoseok ficou com as bochechas coradas e também gargalhou, mas de nervoso.
- Não é um encontro, Jimin! - Hoseok voltou a respirar fundo - Nós dois precisamos conversar sobre tudo isso que aconteceu entre nós dois!
- E quando esses beijos aconteceram? - Jimin ajustou as mangas da camisa.
- Um deles, o primeiro, foi no dia daquela reunião que fizemos na casa do V! Quando ele me deixou em casa! Mas ele estava meio alcoolizado, não é? Então eu fiquei achando que ele tinha feito aquilo por causa da bebida na cabeça! E o segundo, aconteceu no mesmo dia que minha mãe reapareceu!
- No mesmo dia? - Jimin franziu a testa.
- Acredita que ele estava na rua do meu escritório quando a minha mãe apareceu, e foi ele que a levou até lá? Então eu estava saindo para almoçar, e topei os dois! Ele presenciou toda a cena da minha mãe dizendo que era minha mãe… a noite, depois que jantei com ela, ele me mandou mensagens e acabamos nos encontrando.
Hoseok sentiu as bochechas esquentarem com o sorriso que Jimin soltou.
- Eu precisava conversar com alguém e você estava esquisito! Então aproveitei que ele havia me oferecido apoio!
- E até mais do que isso, não é? - Jimin voltou a gargalhar quando sentiu uma das mãos de Hoseok lhe acertarem um tapa de leve.
- Para, Jimin! - ele gargalhou tapando a boca - Quando estávamos na casa dele, do lado de fora para ser mais exato… acabou rolando outro beijo.
Hoseok abaixou o tom de voz ao final da frase, como se não quisesse que ninguém mais ouvisse aquela parte e Jimin revirou os olhos.
- E nesse beijo vocês estavam sóbrios?
- Mais ou menos! Mas estávamos mais sóbrios que no primeiro beijo!
- E o que você sentiu nos dois beijos?
Hoseok voltou a corar enquanto levava o copo até a boca. Aquela pergunta precisava mesmo ser respondida?
- Eu senti a mesma coisa que sentia beijando a
- Detalhes, Hoseok, detalhes! Preciso saber exatamente como se sentiu para a gente poder pensar juntos no que pode estar acontecendo!
- O meu coração acelerou! No primeiro beijo eu demorei um pouco para deixar as coisas acontecerem, porque eu fui pego de surpresa! Mas o meu corpo cedeu rápido demais, Jimin! E eu gostei! - ele engoliu seco - Parecia certo, não parecia errado como eu achei a vida toda que seria!
Hoseok fechou os olhos relembrando os dois beijos trocados com o advogado.
- O segundo beijo foi eu que tomei a iniciativa! O que me surpreendeu! Eu simplesmente não consegui não beijá-lo quando olhei para os lábios dele! Eu senti desejo, isso eu sei que senti! E ele tem bagunçado minha cabeça com a forma que tem me tratado e com a pessoa que ele é de verdade! Aquele Namjoon que eu conheci, não existe! Não sei se a dor de ter perdido a fez com que ele mudasse, ou se essa personalidade incrível dele estava só escondida… pelo medo que ele tem de amar. Que nem eu!
Os olhos de Jimin brilharam rapidamente e outro sorriso genuíno voltou a brotar nos lábios do mais baixo.
- Você está se apaixonando, amigo! Se é que já não se apaixonou!
- Me apaixonando? - Hoseok gargalhou de nervoso outra vez - Acho que é muito forte essa sentença!
- Como você soube que estava apaixonado pela ?
- Porque eu sentia por ela algo que nunca havia sentido por ninguém! Porque as sensações que ela me provocava, eram únicas! Ela me fazia extremamente bem, me fazia feliz!
Hoseok fechou os olhos com força se lembrando de .
- E você não sente as mesmas coisas com o Namjoon?
- Sinto! - ele sussurrou enquanto balançava a cabeça positivamente para o amigo.
- Então bingo, J-Hope! Você só precisa decidir o que vai fazer com esses sentimentos, pela , porque sei que você ainda gosta dela, e pelo Namjoon! E a propósito, caso você não saiba, você é bissexual e tudo bem!
- Mas isso é possível de verdade? - a pergunta havia sido feita mais para ele mesmo do que para Jimin - Não sei! Sempre me pareceu que o certo era escolher um dos lados para ficar! E que o lado certo, ou melhor dizendo, o lado que a sociedade prega, é que gostar do mesmo sexo é errado! Imagina gostar dos dois ao mesmo tempo?
- Você sabe o que é certo e melhor para você, Hoseok! Ninguém além de você! Você sabe que gosta dos dois! No seu íntimo você sabe… então por que não seria possível? Não tem nada de errado nisso! O que você precisa fazer agora é conversar com o Namjoon, da forma mais sincera o possível e esperar que ele faça o mesmo com você. Um passo de cada vez! Resolva sua situação com o Namjoon primeiro, depois você vai dando outros passos!
Hoseok assentiu com firmeza para o amigo enquanto o coração batia rápido no peito.

Quando os olhares de Seokjin e Namjoon se encontraram, os dois sorriram um para o outro e o advogado se levantou para cumprimentá-lo com um aperto de mãos, e depois os dois se abraçaram rapidamente. Seokjin estava curioso para saber o porquê Namjoon havia o chamado para aquele café, já que os dois eram sim próximos, mas era a primeira vez que o advogado pareceu precisar de ajuda.
Os dois se sentaram e resolveram fazer seus pedidos primeiro, depois conversaram sobre amenidades, Seokjin comentou sobre a compra da casa de campo dos pais de , até falou de eles marcarem outro acampamento, e então um pequeno filme passou pela cabeça de Namjoon… como as coisas estavam diferentes naquela época!
- Seria uma ótima ideia! - o sorriso nostálgico tomou conta dos lábios de Namjoon.
- O que te perturba, Namjoon? Precisa de ajuda com alguma coisa?
Namjoon inspirou profundamente e depois soltou o ar, fazendo Seokjin sorrir, tentando tranquilizar o amigo.
- Entre todos os garotos, eu achei que você fosse a pessoa ideal! Por ser o mais velho de nós, eu imagino que você já deva ter passado por muitas coisas, além de ser o mais maduro de nós! Bom, eu te imagino assim!
Os dois gargalharam juntos.
- Me chamando de velho assim na minha cara? Que audácia! - Namjoon voltou a gargalhar antes de encarar Seokjin - Pois me diga então, meu amigo!
Namjoon engoliu seco e pigarreou, depois ele coçou a nuca e encarou Jin novamente:
- Acho que talvez isso seja uma informação irrelevante para você, mas eu sou bissexual! Eu me descobri assim no período da faculdade!
- Jura? - Seokjin ergueu uma das sobrancelhas - Eu não estou aqui para te julgar, saiba disso!
Namjoon sorriu para ele sem mostrar os dentes e continuou:
- Fazia algum tempo, que bom, eu não ficava ou me interessava por algum homem.
- Até porque você estava com a até pouco tempo, mesmo não sendo sério… - os dois assentiram um para o outro.
- Sim! Mas recentemente acabei me envolvendo novamente com um! E isso tem mexido comigo!
- Em que sentido, já que você se entende bissexual há muitos anos?
Os pedidos haviam chegado e a conversa fora pausada. Depois de um gole no café, Namjoon prosseguiu:
- É que nesse caso em específico é um pouco complicado! - Namjoon coçou a nuca outra vez.
- E por quê? - foi a vez de Seokjin levar a xícara até os lábios.
- Porque esse homem é o Hoseok!
Seokjin quase cuspiu o café quente para fora da boca, o pescoço e rosto dele ficaram vermelhos e Namjoon arregalou os olhos, se preocupando com o artista plástico.
- Como assim? Vocês dois não estavam quase saindo no soco esses dias pela ?
O advogado coçou a nuca outra vez depois de soltar uma gargalhada nervosa.
- É verdade! Eu não sei explicar em que ponto isso mudou… eu sempre tive curiosidade de saber por que a tinha tanta dúvida entre nós dois…
Os dois se olharam outra vez.
- E em uma conversa que nós dois tivemos, no acampamento inclusive! Enquanto corríamos atrás das coisas do aniversário da , eu percebi que talvez ele também fosse bi, e aí uma coisa levou a outra e agora estamos nessa situação!
- Estão confusos?
- Acho que ele um pouco mais do que eu, acredito que eu tenha sido o primeiro…
- Não conversaram sobre o que sentem?
- Não! - Namjoon balançou a cabeça e bebeu mais de seu café - Eu não tive coragem e muito menos ele! Quer dizer, ele me mandou uma mensagem hoje querendo me encontrar para conversar…
- Ótimo! Agora vocês dois podem finalmente entender o que sentem! E alinhar as expectativas, eu sei melhor do que ninguém o quanto isso é importante, Namjoon.
- Eu sei! É que eu fugi do amor a vida toda e agora estou completamente apaixonado por duas pessoas de uma vez só!
Seokjin lhe apertou um dos ombros.
- Não tenha medo, meu amigo! O amor pode ser muito bonito! Vocês dois, ou três, não sei… só precisam conversar! Com sinceridade. E claro, seja empático com o J-Hope, já que para ele isso deve ser ainda mais novo do que para você!
Namjoon balançou a cabeça positivamente para o mais velho.

Ele abriu a porta da casa e tinha exatamente uma hora livre antes que Hoseok chegasse. Os olhos de Namjoon passearam pela sala repleta de papéis, e ele teve uma espécie de déjà vu, um flashback:

“- Sei que é impossível, mas não repara na bagunça! - ele riu desgostoso enquanto fechava a porta.
- Que papelada, meu pai! - gargalhou - Como você encontra os papéis que precisa nessa bagunça?
Ele amava a sinceridade dela! Ela sempre dizia o que pensava, Namjoon sorriu enquanto passava uma das mãos pelas costas dela.
- Assim, eu não sou das mais organizadas, não! Longe de mim! Mas vamos dar um jeito nisso? - ela largou a bolsa no braço do sofá.
Namjoon coçou a nuca, sem jeito, e então abriu a boca para protestar, mas resolveu não falar nada.
- Você tem um escritório, certo? - Namjoon assentiu - E lá tem algum espaço para gente mover alguns desses papéis para lá? Porque se não nem cabe a gente aqui nessa sala, Namjoon!
- Deve ter sim! Eu tenho um monte de pastas vazias! É que fico com preguiça de guardar de novo quando mexo! - ele voltou a coçar a nuca enquanto ficava vermelho.
sorriu, achando extremamente fofo um homem daquele tamanho corar.
- Então vamos lá pegar! É essa porta aqui? - ela apontou para a porta que ficava entre a cozinha e a sala.
Namjoon assentiu enquanto caminhava até ela para abri-la. Assim que ela acendeu a luz, se estranhou com o quanto o lugar estava organizado até demais.
- Como assim? - ela perguntou apontando para o lugar impecavelmente organizado - Que dualidade é essa? Agora estou imaginando seu quarto, será que ele se parece com o escritório ou com a sala?
Os dois gargalharam e Namjoon voltou a corar. Ele caminhou até um grande armário que ficava lá e então o abriu pegando as pastas. Entregou algumas para ela e ficou com as restantes, os dois então foram para a sala.
- E onde estão os papéis que você precisa para dar a resposta para o cliente?
- No escritório!
- Então vai lá ler e ligar logo para o homem, se não ele vai ficar bravo! Eu vou organizando por aqui!
- Sim, senhora! - ele bateu continência, rindo.
- Ó, não me provoca, Namjoon! - ela bateu com uma das pastas nele.”

Ele sorriu com a lembrança enquanto o coração no peito pulava. Aquela havia sido a primeira vez dos dois… apertou os olhos uns nos outros. Ali ele já deveria estar apaixonado por ela, mas não se deu conta… não deixaria que aquela cena se repetisse, então colocou a pizza que havia comprado na cozinha e o vinho na geladeira, deixou a pasta dentro do escritório e voltou para sala, desfazendo o nó da gravata no caminho. Ele recolheu os papéis espalhados pela sala, se atentando em organizá-los em ordem alfabética, fez a mesma coisa com os papéis que estavam sobre a mesa da cozinha, depois com os papéis do escritório e os depositou dentro das pastas. Ajeitou a capa no sofá e abriu as cortinas e a janela para que a casa pegasse alguma ventilação. Olhou ao redor e agora sim a casa parecia apresentável. Olhou no relógio e ele tinha cerca de meia hora agora. Aproveitou o banho para pensar no que aquela conversa traria para os dois, e em como ele se expressaria sem deixar Hoseok ainda mais confuso… o que Hoseok queria falar?
Quando ele saiu do banho, com a toalha enrolada na cintura e caminhava em direção ao seu quarto para se vestir, o interfone da casa tocou. Só podia ser Hoseok… o advogado umedeceu os lábios e passou as mãos pelos cabelos, ajeitando-os para trás e correu até a sala, pegando a chave da porta e o controle do portão elétrico. Ele o abriu o suficiente para que Hoseok pudesse entrar e aí caminhou até a porta, abrindo-a.
Hoseok caminhou pela garagem com o capacete nas mãos, ele olhava para baixo enquanto se espremia entre o 4x4 de Namjoon e a parede. O coração de Namjoon queria se acalmar, mas não conseguia, já o de Hoseok, bateu forte dentro do peito quando encarou o advogado apenas de toalha na porta esperando por ele. Foi inevitável, os olhos de Hoseok passearam pelo abdômen desnudo de Namjoon e ele inclusive acompanhou algumas gotinhas de água que escorriam por lá. Umedeceu os lábios, os sentindo ficarem secos. Ele abriu a boca, mas nada disse.
- Entra! - ele deu passagem.
Hoseok adentrou a casa do advogado, sentiu as pernas vacilarem.
- Eu só vou me trocar, fica à vontade!
“Graças a Deus!” Hoseok pensou antes de dar uma última olhada nele e assentir.
Enquanto o advogado se trocava, ele se sentou no sofá e depositou o capacete no braço dele, ao seu lado. Balançava a perna sem parar de ansiedade. Havia repassado todo um discurso em sua mente durante o caminho, mas agora já não se lembrava de nada.
Ouviu os passos de Namjoon ecoarem pelo corredor e rapidamente ele já estava lá, em frente a Hoseok. Os dois se olharam e as orbes de Namjoon pareciam ainda mais intensas naquela noite. Hoseok subitamente se levantou, ficando bem próximo ao advogado.
- Pode ficar sentado! Vou ligar a TV para você e buscar a pizza que peguei para nós dois!
- Eu ajudo você!
Namjoon concordou e os dois foram para a cozinha. Enquanto o mais alto pegava os pratos e talheres, Hoseok tirava a pizza da sacola e abria a tampa que a cobria, sentindo o cheiro bom da pizza invadir a cozinha. Namjoon serviu os dois pratos com um pedaço para cada e então Hoseok os pegou, levando-os de volta para a sala. Namjoon caminhou até ele com o vinho e duas taças.
Em silêncio ele ligou a TV e os dois se sentaram no sofá, cada um com seu prato e calados. Assim os dois comeram, e tomaram uma ou duas taças de vinho. Namjoon se levantou, indo até a cozinha colocar seu prato agora vazio lá. Quando ele voltou, encarou rapidamente o químico que engolia seu último pedaço. Hoseok precisava falar.
- Eu me pergunto se estou sendo realista… eu falo o que penso ou eu filtro como me sinto? - Namjoon olhou para o perfil bonito dele - Eu me pergunto: não seria bom viver em um mundo que não é preto e branco? Eu me pergunto como é ser, meus amigos, espero que eles não pensem que eu os esqueci… Eu me pergunto, e me pergunto, e me pergunto…
Hoseok sorriu enquanto balançava a cabeça em negativa. Umedeceu os próprios lábios, se levantou, depositou a taça sobre a mesa de centro da sala de Namjoon e caminhou até a cozinha depositando seu prato na pia ao lado do de Namjoon. Ele voltou para sala e então continuou:
- Eu me pergunto por que sou tão medroso? Por que tenho tanto medo de falar algo errado? Eu me pergunto, quando eu choro com minhas mãos em meu rosto: estou condicionado a sentir que isso me torna menos homem? E eu me pergunto se algum dia você estará ao meu lado, e vai me falar que tudo vai ficar bem? Eu me pergunto…
Namjoon engoliu seco e fechou os olhos quando sentiu o olhar de Hoseok sobre si.
- Logo antes de fechar meus olhos, a única coisa que está em minha mente… é você! Tenho sonhado que você também sente isso, e também me pergunto! Me pergunto como é ser amado por você! É, eu me pergunto como é ser amado por você!
Hoseok engoliu seco e então se levantou para pegar sua taça de vinho, dando um longo gole nela. Namjoon permaneceu de olhos fechados.
Hoseok olhou fixamente para Namjoon por um momento, processando as palavras corajosas que o advogado acabara de compartilhar. Seu coração batia acelerado no peito, e ele lutava para encontrar as palavras certas para responder. Por fim, ele deu um suspiro profundo e se aproximou de Namjoon, colocando uma mão gentilmente em seu ombro. Namjoon abriu os olhos, encarando Hoseok.
- Hoseok, eu entendo o medo que você está enfrentando! Descobrir esses sentimentos pode ser assustador e confuso, especialmente quando há tantas camadas envolvidas. Eu não sei como as coisas estão aí dentro de você, mas eu sei como as coisas estão aqui… - ele colocou uma de suas próprias mãos no peito - Eu posso ter perdido a por medo de amar, não quero perder você também!
Hoseok olhou Namjoon de volta por um momento, pensando em como expressar seus próprios sentimentos sem diminuir a importância da presença de na vida e no coração dos dois.
- Eu tenho me questionado e me descoberto de uma forma que nunca pensei ser possível. Eu fugi disso a vida toda, Namjoon! Por uma infinidade de motivos, mas você arrancou as minhas amarras de repente, sem nenhum aviso prévio! E eu não tive muitas escolhas… eu me sinto em queda livre! Deveria ser errado, eu não deveria gostar do que você me provoca! Não devia ser tão bom… e ainda tem a !
Hoseok apertou o ombro de Namjoon com delicadeza e desespero ao mesmo tempo. Namjoon se levantou, ficando a centímetros de Hoseok, ele sentia a respiração descompassada dele batendo em seu rosto.
- Não precisa sentir medo, Hoseok! Sei que a tem um lugar especial em nossos corações… Não temos todas as respostas agora, mas podemos consegui-las juntos! Vou estar ao seu lado e sempre pronto para te dizer que tudo vai ficar bem!
- Às vezes sou tão pateticamente inseguro!
A ponta do nariz de Namjoon se encostou na de Hoseok, que fechou os olhos.
- Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa! Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem… E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo. Não fuja do sentimento e nem de mim! Sinta, Hoseok… viva a vida, Hoseok!
Namjoon segurou o rosto delicado dele entre as mãos e então os lábios roçaram um no outro, e logo os dois estavam se beijando, com urgência, com sentimento, com vontade…
As mãos de Hoseok se embrenharam nos cabelos pretos e longos de Namjoon, eles ainda pareciam estar úmidos. Uma das mãos de Namjoon desceu para a cintura fina dele, colando ainda mais o corpo dos dois. A língua dos dois não demorou muito para baterem uma contra a outra e o corpo de Hoseok se arrepiou, enquanto a mão grande de Namjoon tratou de lhe apertar a cintura com força. E Hoseok se indagou, por que diabos o beijo dos dois encaixava tanto? Não tinha mistério, e eles não precisavam se esforçar para que aquilo tudo fosse gostoso… o beijo foi ficando ainda mais intenso e quando o corpo de Hoseok começou a reagir, ele parou o beijo, agora começando a ficar atônito.
- Esquece! Isso não pode acontecer! É errado, e eu e você sabemos disso!
- Errado? Errado por quê? - Namjoon segurou a cintura dele.
Hoseok se desvencilhou de Namjoon procurando por seu capacete.
- Nós dois estávamos disputando a mesma mulher até semanas atrás, e agora estamos aqui?
- Atraídos um pelo outro? Sim! Estamos, pare de fugir! Isso só vai destruir você…
- Eu preciso ir embora! - ele tremia e Namjoon percebeu.
Hoseok atravessou Namjoon e pegou seu capacete, pronto para ir embora.
- Hoseok! - Namjoon, paciente, chamou pelo químico.
- Somos amigos! É isso! É o melhor, é o ideal! Amigos!
Namjoon segurou Hoseok pela cintura outra vez quando o químico se aproximou da porta de sua sala impedindo que ele continuasse. Agora Hoseok estava outra vez frente a frente com Namjoon.
- Temos mentido para nós mesmos, agindo como se fôssemos outra coisa! Como entramos neste baile de máscaras? Há um segredo em seus olhos, Hoseok, e é o mesmo que está nos meus! Caramba, você não está cansado de ser assim? Chame do que quiser, chame, mas não mudará nada! Chame do que quiser, mas no final do dia... Somos um beijo às 2 da manhã que tem gosto de vinho, como esse que acabamos de trocar! Estamos voltando para casa no escuro com nossos dedos entrelaçados… Você e eu continuamos tentando fingir, mas você e eu, sim, temos que admitir, Hoseok! - Hoseok balançava a cabeça em negativa, atônito outra vez - Somos um conjunto extra de roupas no chão do quarto, onde eu vejo você o tempo todo, mas ainda quero te ver mais! Você e eu continuamos tentando fingir, mas você e eu, Hoseok, não somos amigos!
Hoseok e ele se encararam nos olhos e o moreno umedeceu os lábios.
- Não, não somos amigos, Hoseok! - Namjoon segurou o rosto dele entre as mãos outra vez.
Namjoon juntou a testa na dele e fechou os olhos. Hoseok aproveitou para passear os olhos pelo rosto bem desenhado dele e então se atreveu a colocar as duas mãos na cintura do advogado, se permitindo sentir os lábios dele roçarem os seus levemente, e logo os dois estavam se beijando novamente. Quando o beijo tomou intensidade e os dois acabaram se sentando de volta no sofá com os corpos ainda colados um ao outro, as mãos de Namjoon desceram para a cintura dele, enquanto as de Hoseok subiram para o rosto de Namjoon, invertendo os papéis de antes. Quando o beijo tomou certa intensidade, ele afastou Namjoon com delicadeza. Os dois estavam ofegantes quando finalmente se olharam de novo. Logo em seguida Hoseok fechou os olhos e respirou profundamente:
- Acho que talvez você tenha razão… mas toda essa minha reação é porque eu estou ainda muito inseguro de mim mesmo, e não acreditando absolutamente que alguém possa me curtir bem assim como eu sou. Eu não tenho quase experiência dessas transações, me enrolo todo, faço tudo errado, acabo me sentindo confuso. Tudo isso é tão íntimo, e eu já estou tão desacostumado de me contar inteiramente a alguém, tão desacreditando na capacidade de compreensão do outro, sei lá, não é nada disso, sabe? Conviver é difícil, as pessoas são difíceis, na verdade viver é difícil.
Namjoon usou o polegar para acariciar a bochecha do químico que abriu os olhos.
- Mas chega de fugir! Você tem razão, toda a razão! Não posso ignorar esses sentimentos e seguir a vida como se isso não fosse me sufocar, quando sei que vai! E eu preciso parar de fugir, não posso ter medo da rejeição para sempre…
Hoseok balançou a cabeça em negativa antes de segurar com força um dos braços de Namjoon, que ainda acariciava a bochecha dele.
- É só irmos devagar com as coisas, um passo de cada vez! Não vamos atropelar nada, tudo bem? Eu também não sei amar direito, eu sempre fugi disso, Hoseok! Então, você vai ter que ter um pouquinho de paciência comigo!
- Teremos! Você comigo também!
Os dois encostaram as testas uma na outra, os lábios voltaram a se engolir.

Os olhos de Jimin pareciam vidrados em cada movimento que fazia, o jeito que ela jogava o cabelo para trás, a forma que ela o colocava para trás da orelha, o jeito que o corpo dela se inclinava para trás ou para frente quando ela gargalhava de algo que o novato da área de marketing digital dizia, o que na cabeça de Jimin estava acontecendo com certa frequência… então ele era tão divertido assim? Por que ela estava umedecendo tanto os lábios? Ela queria beijá-lo? Estava seguindo mesmo a vida sem remorso algum? Porque nele ainda doía tanto tudo o que havia acontecido, enquanto que para ela, ali, agora, tudo o que havia acontecido com eles parecia nunca ter acontecido.
Chloe, que a essa altura do campeonato já sabia de tudo - ele havia confessado em uma noite de bebedeira profunda - apoiou uma das mãos nos ombros do moreno, chamando sua atenção. A cabeça dele rodava, afinal de contas, ele havia sido um dos primeiros a chegarem à confraternização da empresa, e não havia parado de beber desde então.
- Você ainda ama essa garota! Está nítido! - ela revirou os olhos - Mesmo depois de tudo…
Jimin umedeceu seus próprios lábios e então segurou Chloe pela cintura, ficando frente a ela.
- Eu a amo e a odeio ao mesmo tempo. Eu a amo tanto que meu coração quase se quebra! Mas ninguém me machucou tanto quanto ela.
- Então deixa ela para lá! Por que você não escolhe uma música e canta para nós? Tenho certeza que sua voz é muito melhor do que a do senhor Djalma! - Chloe revirou os olhos.
Jimin gargalhou e resolveu ouvir a sugestão da colega de trabalho. Assim que o senhor Djalma, um dos diretores acabou sua canção ele conversou com o pessoal da banda, mostrando a música que ele gostaria de cantar e pedindo que o ritmo dela fosse alterada para algo mais “acústico”.
Quando a melodia do piano começou a tocar, Jimin atraiu a atenção de todos os presentes na festa, inclusive , que sentiu o peito arder como se estivesse em chamas.

“No matter how hard I try, you keep pushing me aside and I can't break through… there's no talking to you!”
engoliu seco e Jimin fechou os olhos.
“So sad that you're leaving, it takes time to believe it, but after all is said and done, you're gonna be the lonely one, oh…”
Ela olhou rapidamente para baixo e depois encarou Jimin outra vez, os presentes na festa, pareciam embasbacados com a voz doce e angelical de Jimin, menos Chloe que gritava e batia algumas palmas. Jimin abriu os olhos e encarou os de diretamente:

“Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now! Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now!”

mordeu o lábio inferior enquanto se segurava para não chorar ali na frente de todo mundo na festa e acabar provando para Jimin que ele tinha razão: ela podia realmente não ser forte o suficiente…

“What am I supposed to do? Sit around and wait for you?
- ele franziu a testa para ela - Well, I can't do that! There's no turning back…”
Agora ele balançava a cabeça em negativa e acabou desviando o olhar, depois olhou de volta para ele.

“I need time to move on, I need love to feel strong, 'cause I've had time to think it through, and maybe I'm too good for you, oh!”
O sorriso de canto que ele deu na direção de fez o coração dela doer e então ela engoliu seco antes de tomar mais um gole de sua bebida.

“Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now! Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now!”
ainda a encarando, ele repetiu: “Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now! Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now!”

A voz dele agora tomava um pouco mais de força e Jimin voltou a fechar os olhos enquanto cantava com mais intensidade:

“Well, I know that I'll get through this, 'cause I know that I am strong! I don't need you anymore, oh, I don't need you anymore! I don't need you anymore, no, I don't need you anymore!”

Ao abrir os olhos e encarar de novo, os olhos dele marejaram levemente, e então sua voz acabou se tornando sofrida:

“Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now! Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now! Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now! Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough now!”

Quando os aplausos começaram, e os gritos de animação também, os dois ainda se encaravam com profundidade. Mais uma vez ela sabia que Jimin havia cantado para ela…

Momentos depois Jimin observou e o novato - que no momento a bebida não o deixava se lembrar o nome - caminharem até a pista de dança. Na verdade ele havia arrastado até lá para dançar junto vários colegas que também estavam por lá. Os dois estavam virados um de frente para o outro, e fechou os olhos por alguns instantes, pensando apenas no ritmo da música. O novato então se atreveu a colocar as mãos na cintura dela… Jimin explodiu e puxou Chloe pelas mãos, até eles estarem próximos a e o novato na pista de dança.
Quando abriu os olhos, ela encarou Jimin e Chloe próximos o suficiente dos dois… encarou as mãos do novato em sua cintura e depois o encarou diretamente nos olhos. Depois encarou Jimin de novo: agora os lábios dele estavam colados aos de Chloe e os dois se beijavam.
As mãos de Chloe se embrenharam nos cabelos negros de Jimin enquanto ele em vão apertava a cintura dele, mas os pensamentos estavam todos em … os lábios dela não eram doces como os de , o toque dela não o arrepiava como o da mais baixa, a língua dela misturada a dele não tinha gosto de nada!
sabia que ele estava fazendo aquilo para atingi-la, para deixá-la abalada e sim, ele havia conseguido. Mesmo sabendo que talvez Chloe não significasse nada para ele, quantas vezes os dois não haviam se beijado? E se eventualmente ele acabasse se apaixonando por ela? Quando o novato puxou o corpo de de encontro ao seu, ela sorriu para ele sem mostrar os dentes e então se desvencilhou dele. Encarou Jimin, que agora tinha Chloe agarrada a ele, com o rosto afundado na curva de seu pescoço. Uma lágrima discreta desceu pelo olho direito de , e então ela falou que ia ao banheiro para o novato.
Antes de sair da pista de dança, ela limpou outra lágrima torcendo que ninguém percebesse, mas Jimin havia visto. Jimin fechou os olhos com o coração quase saltando pela garganta: 4.

viu as botas dele brotarem em sua frente enquanto estava sentada na arquibancada da quadra, mesma arquibancada onde e Hoseok haviam se conhecido há quase um ano atrás… mal podia imaginar que estaria lá, quase um ano depois tentando se acalmar.
- Sente-se. Bem aqui, sente-se…Fique ou vá embora, Jimin!
Ela ainda encarava as botas pretas dele. Ouviu Jimin suspirar alto.
- O que está fazendo? - ela ouviu a própria voz embargar.
- Estou me divertindo, ué! Não é isso que mandam a gente fazer? Quando a gente chora e escreve aquele monte de poesia profunda? Quando a gente se apaixona e tudo mais e enche o saco dos amigos com aquela melação toda, não fica todo mundo dizendo para a gente parar de tanto drama e se divertir? Poxa, estou só obedecendo todo mundo.
suspirou alto e então o encarou, finalmente. Ela se levantou, os dois estavam frente a frente, mas não estavam próximos.
- Como entramos nessa bagunça, Jimin? E ficamos tão agressivos? Eu sei que tínhamos só boas intenções…
Jimin observou os lábios alaranjados dela pelo batom, depois olhou para ela outra vez. o encarava de volta. Os olhos dele passearam por ela dentro do vestido marrom, e ele se amaldiçoou por desejá-la outra vez! Por que ele não conseguia sentir só ódio e desprezo? O amor continuava ali, cravado no peito dele…
- Eu queria muito beijar você! - ele engoliu seco.
- Mas beijou a Chloe! - assentiu para ele com a cabeça, enquanto engolia o choro.
- Querendo você! Droga, ! - ele bagunçou os cabelos com força - Você precisa sair de dentro de mim, porra!
Ela encolheu os ombros com a força das palavras dele.
- Eu imaginei você o tempo todo enquanto a beijava! E eu só conseguia pensar no quanto queria que você fosse! No quanto eu ainda desejo você…
- Então me puxe para mais perto! Por que você não me puxa para perto, Jimin? Por que você não vem aqui? Eu não posso deixar você ir…
fechou os olhos com força e cerrou os dois punhos, com raiva de si mesma e de toda a situação. Ela havia prometido para si mesma que não o procuraria mais, que o deixaria em paz! Além do mais, ele já havia beijado Chloe, mesmo que para provocá-la.
Jimin respirou fundo e contou outra vez: 5. Cortou a distância entre os dois e puxou o corpo pequeno de para si. abriu os olhos e encarou as pupilas dilatadas de Jimin, e elas brilhavam. Aquilo não podia acontecer, destruiria ainda mais os dois e acabaria com a paz que eles estavam lutando tanto para ter.
- Me solta, Jimin! - ela sussurrou contra os lábios dele - Nós dois sabemos que isso vai acabar mal!
Jimin encostou a testa na dela, fechando os olhos.
- … - ela também fechou os olhos ao ouvi-lo chamá-la pelo apelido depois de tanto tempo.
- Não, Jimin! - ela voltou a sussurrar enquanto abria os olhos - A Chloe está vindo, e eu não quero confusão com essa garota!
Jimin engoliu seco e então soltou o corpo de , se afastando dela logo em seguida. engoliu seco, antes que ela pudesse ir, Jimin a segurou pelo braço.
- Ainda que soe controverso, nós éramos boas companhias um para o outro. Éramos bons nas coisas simples, no abraço apertado, no fone compartilhado, na colher de sorvete dividida… mas tudo se complicava quando o peito falava mais alto, quando meu coração gritava palavras que o teu não compreendia, quando o entendimento não se fazia presente... Parecia que tínhamos sidos feitos para durar, mas não soubemos fazer isso acontecer... Ainda acredito que somos almas gêmeas, mas somos péssimos em nos amar, !
Ela sentiu o coração queimar dentro do peito, os olhos marejaram pesadamente. Ao encarar Jimin, viu que os dele também…
- Eu atrapalho alguma coisa? - Chloe, emburrada, cruzou os braços abaixo dos seios.
- Nada! Não atrapalha nada! - engoliu seco - Pode me soltar, Jimin? Você e a Chloe devem ter muito o que conversar, e eu preciso ir embora!
Jimin soltou o braço miúdo de , deixando-a finalmente ir embora. Relutante, ele se virou para encarar Chloe. Devia desculpas a ela, e precisava acabar com aquilo tudo, não podia mais envolver a garota naquela bagunça toda, a machucaria muito e ele não queria. Encarou os olhos marejados de Chloe e engoliu seco.
- Vamos conversar, Chloe?

Jungkook abriu a porta do apartamento, suspirando, por já saber que era do outro lado. Já havia perdido as contas de quantas vezes havia aparecido por lá, bêbada. Fazia cerca de oito ou dez dias que os dois não se viam ou se falavam. Jungkook mal a respondia, só o básico e estava evitando se encontrar com ela, com a desculpa que estava trabalhando muito e sem tempo.
- Entra! - JK maneou a cabeça enquanto dava o devido espaço com o corpo para que ela entrasse.
cambaleou levemente e foi amparada por ele, que segurou sua cintura enquanto empurrava a porta com a outra mão. O estrondo dela batendo fez a cabeça de latejar.
- , você precisa maneirar, sabe disso melhor do que eu!
Ela, bêbada, apenas balançou a cabeça, concordando falsamente.
- Você não apareceu, então eu vim!
- Você tem vindo muito… você é complicada! Muito complicada, e complica as coisas para mim também!
- Aí quanto eufemismo, Jungkook! - pronunciou o nome coreano dele com dificuldade - Algo mais?
Ela viu um sorriso de canto brotar nos lábios dele e sorriu de volta.
- Você também é indecisa e inconstante! Vai tomar um banho para tirar esse cheiro de álcool de você e para ficar sóbria! E então eu te levo para casa!
- Não! - a morena passou os braços em volta do pescoço dele - Me deixa dormir aqui!
- Vai tomar o seu banho e a gente conversa!
Jungkook caminhou com , guiando-a até o banheiro e então fechou a porta, deixando a enfermeira, lá, sozinha. Sua mente, bêbada e confusa a fez relembrar mais uma vez que os dois não podiam ficar juntos. O stalker estava preso, mas ainda tinha muito medo. Se algo acontecesse com Jungkook por sua culpa, ela não suportaria. Mas não conseguia se livrar da vontade de estar com ele… Então sempre que bebia, lá estava ela no apartamento dele. Dizem que todos os caminhos, nos levam ao mesmo destino: Roma. Mas por mais que ela se desviasse, sabia que o final de seu caminho, não levava a Roma, a levariam para o Jungkook.
Ela olha o próprio reflexo no espelho, com um sorriso falso nos lábios. Ainda se sentia um pouco bêbada. A porta foi aberta e Jungkook a olhou, pelo reflexo do espelho também.
- Meu dente cada dia mais torto, né? - tentou descontrair o clima, quebrar o gelo.
- Eu adoro! É seu charme! - ele abaixou a cabeça, rindo - Tem uma roupa minha para você lá no meu quarto, só trocar e eu te levo!
assentiu e então ele saiu do banheiro. Caminhou até o quarto dele, e sentiu seu cheiro cítrico invadir suas narinas. O cheiro estava impregnado por todo o cômodo, então não tinha como fugir. Vestiu o samba canção e a camiseta que ele havia separado e caminhou arrastando os pés de volta para sala.
Sentou-se ao lado dele, que a olhou com ternura, como sempre fazia. Os olhos de marejaram pesadamente.
- Eu sinto como se já tivesse dado três voltas ao mundo tentando te esquecer. E eu pintei beijos sobre os teus, mas eu não consegui cobri-los…
- Você pensa demais, pelo menos quando está sóbria, até estragar as coisas boas…
“Algo mais?”
pensou.
- Então a gente pode aproveitar quando eu não estou!
Ela se levantou, posicionando o corpo entre as pernas dele. Deixou que o samba canção de Jungkook descesse por suas pernas e o viu fechar os olhos. As mãos dele seguravam-lhe a cintura, com força. lhe acariciou os cabelos pretos enquanto sentia o nariz dele passear pela pele de suas coxas. Em seguida ela sentiu Jungkook depositar alguns beijos pelas estrias ao redor de suas coxas, fazendo a pele de ficar ainda mais quente.
- Beije-as até eu mudar de ideia sobre todo o resto…
Jungkook encostou o rosto em sua barriga, e então ele suspirou pesadamente.
- Veste esse short! Vou te levar para casa!
Um balde de água fria caindo sobre a cabeça dela.
- Já sei! Estou bêbeda! Conheço você tão bem…
Mal sabia ela que não era só por ela estar bêbada…
- Então por que tentou? - ele se levantou, se afastando de .
A morena deu de ombros antes de vestir o samba canção dele de volta.
- Sinto falta da sua pele… mas não vou começar esse assunto, se não a gente briga! E eu não quero brigar hoje!
Viu Jungkook fechar os olhos enquanto pegava o molho de chaves. Ele não podia falar sobre aquilo com ela ou acabaria contando.
- Prefiro brigar a passar uma única noite tranquila com outra pessoa. suspirou depois de balbuciar a sentença.
Jungkook abriu os olhos e respirou fundo. Como aquilo era difícil! Ele abriu a porta do apartamento devagar e então olhou para o corredor, com medo… pelo menos ali, pareceu tudo tranquilo. Na rua é que os dois teriam que tomar cuidado!
Os dois entraram no carro dele, com os olhos de Jungkook grandes e atentos a todo e qualquer movimento. Deu partida e ainda preocupado, ele saiu com o carro para a rua, pronto para deixá-la em segurança em casa. Pelo menos ele pretendia que ela chegasse sã e salva!
- Você sabe que precisa parar, não é? Ou vai acabar me enlouquecendo de verdade, !
achava que ele se referia às suas idas até seu apartamento todas as vezes que enchia a cara.
- Diga o que eu faço, se você está em todo lado? Você é aquele cravo que eu não consegui tirar, Jungkook! - ela voltou a embaralhar o nome dele na língua. - Eu bebo para esquecer toda essa situação de merda que nos coloquei e acabo na sua rua… É que meus pés não sabem chegar a outro lugar… Acho que uma parte de mim se perdeu em você.
Silêncio da parte dele, e passou a olhar a vista da janela do passageiro do carro dele. As pernas de Jungkook balançavam, de ansiedade e medo. Temia pela vida de , mais do que pela própria.
- Tudo que eu sei é que você me cura quando estou machucada.
- Você precisa parar! - JK fechou os olhos quando pararam em um semáforo.
- Tudo o que sei é que você me salvou e sabe disso, me salvou e sabe disso!
apoiou uma de suas mãos na coxa de Jungkook, enquanto fazia referência ao dia em que eles se beijaram pela primeira vez, quando ele a salvou do stalker… O peito de Jungkook doeu. Ele se lembrava daquele dia como se fosse hoje! E ele estava de volta… Jungkook olhou para ela, tão preciosa!
- Sei! Me lembro disso com frequência! E eu te salvaria de novo quantas vezes fosse preciso, mas você é maluca, ! Você me puxa para você e me empurra de volta e eu fico nesse limbo!
Foi a vez de ficar em silêncio por alguns segundos.
- Você realmente, realmente me conhece… A futura e a velha eu! Todos os labirintos e a loucura da minha mente! Você realmente, realmente me ama. - seus olhos marejaram com força - Você me conhece e me ama, e é o tipo de coisa que eu sempre esperei encontrar!
- Por favor, ! Para! - ele apertou o volante com as mãos - Você vai ter que me prometer que não vai mais beber e ir atrás de mim, hum?
balançou a cabeça em negativa, diversas vezes, deixando algumas lágrimas descerem por sua bochecha.
- Não posso!
- Eu já desisti de tentar entender! - ele balançava a cabeça em negativa.
Pararam em frente à casa dela e então o olhar de JK se encontrou com o de , embaçado das lágrimas.
- Odeio ver você chorar! - ele apertou os olhos com força, fazendo o possível para não chorar também - Me prometa!
- Não posso, JK! Eu não quero ficar sem ver você, caramba!
As mãos dele seguraram o rosto de , e então eles aproximaram as testas.
- Sempre achei que eu fosse difícil de amar, até que você fez parecer tão fácil, tão fácil! - selou os lábios dele rapidamente - Me toque até eu me encontrar em um sentimento, diga com suas mãos que você nunca irá embora…
- Te amar foi juvenil, selvagem e livre... - ele pausou - Te amar foi legal, quente e doce! Te amar foi luz do sol, foi estar sã e salvo, foi um lugar seguro para baixar minha guarda. Mas te amar teve consequências, ! Mas você sabe bem quem eu sou, sabe que se chamar, eu vou. Droga, !
Jungkook amaldiçoou em voz alta, mesmo sabendo que ela não fazia ideia do que estava acontecendo, e do quanto ele estava lutando para protegê-la.
Antes de beijá-lo, sussurrou contra seus lábios outra vez:
- Sempre achei que eu fosse difícil de amar, até que você fez parecer tão fácil, tão fácil!
Quando os lábios dela se chocaram com os de Jungkook, ele quase cedeu, mas o celular começou a vibrar no bolso. Ele afastou-se de o máximo que pode e então pegou o celular dentro do bolso da calça de moletom. Um número desconhecido, certamente era ele. Jungkook umedeceu os lábios e começou a olhar em volta, preocupado. tentou segurá-lo, mas ouviu o portão de casa sendo aberto.
Taehyung apareceu, abrindo a porta do carro e encarando Jungkook, que parecia apreensivo. Os olhos dele bateram no celular dele brilhando com a chamada e os dois se encararam.
- Obrigado mais uma vez, Jungkook! Você podia ter me ligado, que eu buscava essa pentelha! - Taehyung engoliu seco enquanto puxava a irmã para fora do carro.
- Tudo bem! - ele balançou a cabeça em negativa, o celular havia se apagado - Eu vou indo! Cuida dela, hyung!
Taehyung assentiu para ele e antes de entrarem em casa, ele conferiu a rua. Com o portão trancado, Jungkook soltou todo o ar preso em seus pulmões e jogou a cabeça para trás, a batendo no encosto do carro. Tomou uma decisão assim que leu mais uma ameaça do stalker em suas mensagens de texto: proibiria a entrada de na portaria! Aquilo tudo machucaria demais os dois - especialmente a enfermeira - mas era a melhor solução no momento.
- Quando você vai voltar para a cadeia, seu infeliz? - Jungkook bateu as mãos com força no volante.

Seokjin suspirou baixo antes de bater mais aquela foto de Maísa e então olhou a mesma na câmera. Sensual demais, ele pensou. Aquele já era o terceiro dia que eles tentavam tirar as fotos para a exposição de Jin, mas da primeira vez que tentaram, o mar não ajudou muito e somente duas fotos salvaram, da segunda vez que tentaram ela fez a mesma coisa que agora lá dentro do estúdio: as poses eram sensuais demais, mesmo com ele ditando para ela como queria que ela ficasse.
- Maísa… - ele chamou enquanto analisava as fotos - Não é bem isso, sabe? Lembra quando conversamos ontem? A vibe da exposição é mais melancólica…
Maísa se aproximou dele para ver as fotos na câmera e encostou o corpo no dele, deixando-os bem colados enquanto colocava uma das mãos sobre a dele na câmera. O cheiro doce - até demais - dela invadiu as narinas de Jin e ele tentou afastar o corpo do dela, mas Maísa voltou a se jogar sobre ele para ver as fotos.
- Você é incrível, sabia? - ela olhou para Seokjin com o rosto bem próximo a bochecha dele.
Seokjin engoliu seco.
- Olha essas fotos, que incríveis! Sabe, se eu fosse sua namorada, eu adoraria ser fotografada por você sempre! E eu faria questão de exaltar o quão incrível é o seu trabalho, todos os dias! De verdade, olha isso!
Seokjin sorriu sem mostrar os dentes pelos elogios e Serena revirou os olhos. Havia detestado a garota com toda a sua alma.
- Podemos repetir para ver se dessa vez acertamos a vibe?
- Claro! Quantas vezes você quiser! - a loira piscou para ele antes de caminhar para o cenário outra vez - Vou me esforçar para alcançar todas as suas expectativas, prometo!
Jin balançou a cabeça para ela e Serena revirou os olhos com ainda mais força.
Mais alguns cliques e flashes e finalmente Maísa parecia entender o propósito de Jin, e então ele sorriu, satisfeito com as fotos que estavam saindo.
- Agora sim! Muito bem! - ele riu.
Maísa riu de volta para ele, caminhando em sua direção.
- O que acha de fazermos alguma coisa depois que a sessão acabar? Uns drinks… você parece cansado! Talvez uns drinks recarreguem sua energia!
Seokjin franziu a testa. Às vezes ela parecia confundir as coisas… mas Seokjin não queria ser grosseiro com ela!
- Ele não pode! - Serena respondeu com um tom ríspido.
- Jin? - ela ignorou a assistente de Jin - Talvez amanhã então…
- Eu vou pensar! Hoje eu tenho um compromisso em família!
- E amanhã você tem que terminar umas esculturas, olha só que pena! Não vai dar mesmo! Que tal você terminar logo essa sessão para não se atrasar?
Quando eles estavam fechando o estúdio, Maísa abraçou Seokjin, passando os dois braços em volta de seu pescoço. Seokjin sentiu os músculos travarem e então ele deu dois tapinhas discretos nas costas da loira.
- Obrigada! Você foi incrível e me deixou extremamente à vontade! Espero trabalhar mais vezes com você… obrigada!
- Eu que agradeço sua disponibilidade…

Já na porta da casa dos pais, ele sentiu o celular vibrar. Duas mensagens: uma de Maísa e outra de . Abriu a de Maísa para se livrar logo da notificação dela:

Maysa

Uma pena não ter dado certo os nossos drinks! Sua companhia é muito agradável e tenho certeza que nos divertiríamos juntos… quem sabe no final de semana, não?



Respirou fundo e não respondeu nada, era melhor. Depois abriu a de , que era uma foto, mais precisamente uma selfie dela sorrindo:

Maysa

Para você não se esquecer do meu rosto! Saudades!



Ele sorriu genuinamente. Como se fosse possível Jin esquecer-se dela!



Centésimo Décimo Quinto Capítulo – Lejos estamos mejor

Sentados no banco confortável do refeitório, os três conversaram animadamente sobre a possível alta de nos próximos dias, e então os pais dela se entreolharam, concordando em começar a revelar os planos para a filha:
- Sabe o que estamos pensando em fazer quando você receber alta e nós voltarmos para casa? - o pai deu mais uma colherada da gelatina.
- Não! - ela fez o gesto com a cabeça - O quê?
Os pais se entreolharam e Eliana sorriu antes de segurar uma das mãos da filha.
- Nós vamos finalmente oficializar nosso casamento e fazer nossa festa!
- Mentira? - soltou um sorriso largo enquanto apertava a mão da mãe. - Vocês juram?
Os pais de não eram casados oficialmente, não havia nenhum documento que comprovasse legalmente a união dos dois, mesmo que eles estivessem juntos como marido e mulher há anos! Os dois sempre foram focados em construir um império juntos e em se estabilizarem primeiro, daí os anos foram passando e o sonho de se casarem de papel passado e com festa foi ficando esquecido, eles sempre confiaram muito um no outro, então um papel não mudaria nada! Mas agora sentiam a necessidade de finalmente realizarem esse sonho, Eliana sempre quisera uma cerimônia de casamento, e por que não? Os filhos sempre foram os maiores incentivadores da ideia, e bom, Mário certamente ficaria feliz de onde estivesse.
- Você poderia me ajudar a organizar e preparar todas as coisas, o que acha?
- Claro, mãe! - alargou o sorriso. - Que incrível! O Mário certamente amaria tudo isso!
Silêncio e então balançou a cabeça, afastando os pensamentos, estava indo bem, aquilo não podia ocasionar outra crise e fazê-la voltar para a estaca zero. Fechou os olhos e tratou de fazer o que a psicóloga vinha falando sessão após sessão: ressignificar o luto. Tratou de pensar que o irmão poderia não estar presente de corpo, mas que de alguma forma ele acompanharia tudo e aquilo fazia parte da aceitação da morte de Mário que vinha tanto buscando. Abriu os olhos e encarou os pais, ainda sorrindo para ela. De onde ele estivesse, estaria feliz e ela também trataria de ficar. Piscou os olhos algumas vezes:
- Vamos começar então com a senhora me contando o que já tem planejado aí nessa cabecinha, que tal?

A música ecoava nos ouvidos de Jungkook através dos fones enquanto ele corria distraidamente pelas ruas, que àquela hora estavam desertas. Ele estava voltando da academia, que não ficava muito longe de seu prédio, pelo menos três vezes na semana ele ia se exercitar, e voltava de lá correndo, terminando assim sua rotina de exercícios com o cardio. Havia algumas semanas que ele não ia, orientado por Namjoon, devido aos últimos acontecimentos. O stalker havia conseguido fugir de uma perseguição recente e ainda estava à solta. Mas hoje ele não havia aguentado, precisava tirar toda a tensão acumulada em seu corpo, nem que fosse se exercitando.
E foi exatamente assim que ele e um comparsa se aproveitaram do momento de vulnerabilidade de Jungkook, aparecendo por trás e o levando para o primeiro beco escuro e deserto, há poucas quadras da casa dele. Os olhos de jabuticaba de Jungkook saltaram para fora com o susto que ele havia levado ao ser rendido por um homem alto e incrivelmente forte, que o apertou o pescoço com um mata leão.
Jungkook o reconheceria mesmo que anos tivessem passado, mesmo rendido, ele não teve medo. Sabia o que iria acontecer, tentou lutar, mas o outro homem era infinitamente mais forte.
- Você sabe que não pode tê-la, não sabe? Ah, Jungkook, ela é minha! Você deveria sumir! Desaparecer! Tudo seria tão mais fácil para nós dois se você simplesmente não existisse…
Jungkook lutava desesperadamente para se libertar do aperto do homem, seus olhos demonstravam uma mistura de medo e determinação. Ele tentava falar, mas suas palavras eram abafadas pela pressão no pescoço.
- Nós não estamos mais juntos, eu nem estou vendo-a mais! - ele tentou com a voz sufocada.
O homem apertava ainda mais, aumentando a angústia de Jungkook. Os pensamentos corriam em sua mente enquanto ele buscava uma oportunidade de escapar. Até que um primeiro soco fora desferido pelo stalker, fazendo com que Jungkook fechasse os olhos com força e ficasse tonto pela pancada. Ele pediu em pensamentos que alguém pudesse passar, para ajudá-lo, enquanto era agredido novamente. Mas, infelizmente, não havia ninguém por perto para ajudá-lo. A escuridão do beco parecia engolir seus gritos silenciosos.
O comparsa, com um sorriso cruel nos lábios, pressionava com mais força o pescoço dele, deixando Jungkook cada vez mais fraco. Mais e mais golpes são desferidos pelo stalker e Jungkook sente o mundo ao seu redor escurecendo, enquanto lutava para manter-se consciente.
No último momento, quando Jungkook já estava quase perdendo as forças, um lampejo de determinação cruzou seu rosto. Ele reuniu todas as suas energias e, com um movimento rápido, conseguiu desvencilhar-se do aperto do homem. Jungkook caiu no chão, tossindo e recuperando o fôlego. Ele olhiu para o agressor, que estava momentaneamente surpreso com a reviravolta. Uma fagulha de raiva e coragem acendeu nos olhos de Jungkook.
Com a voz trêmula, Jungkook vociferou:
- Você... nunca mais vai tocar em mim ou nela! Eu não vou permitir!
O stalker, enfurecido, partiu para cima de Jungkook novamente. A violência se intensificou, cada golpe e chute ecoando pelo beco escuro. Jungkook revidou, canalizando toda a sua força e raiva em cada movimento defensivo.
Apesar do medo que permeava seu ser, Jungkook mostrou uma força interior surpreendente. Ele lutou com todas as suas forças, determinado a proteger-se e a deixar claro que não seria vencido tão facilmente. Mas as suas forças se esvaíram novamente e quando ele pareceu perder a consciência, um apagão.

Os três se encararam em silêncio, já no hospital. Por sorte não estava de plantão por lá hoje. A polícia havia acabado de tomar o depoimento de Jungkook, um estranho havia o levado para o hospital, e quando ele estava chegando lá, no carro do estranho ainda, ele acordou. Com dor, muita dor. Por sorte ele se lembrava de algumas coisas ainda, e explicou o que de fato havia acontecido. O estranho chamou então a polícia quando eles chegaram ao hospital, e depois ele ligou para Namjoon, como se a presença dele lá pudesse trazer alguma esperança ou conforto, e Namjoon avisou V.
- Isso tomou outra proporção! Agora o risco é ainda mais real! Ele provou que não tem medo de nada! Muito menos da polícia!
- E que trabalho é esse que a polícia tem feito desde que ele foi preso? - Jungkook bufou e depois gemeu de dor.
Namjoon bufou também enquanto começava a andar de um lado para o outro na enfermaria do pronto-socorro. A polícia precisava fazer alguma coisa.
- A não pode nem sonhar que isso aconteceu!
- Será que não é melhor ela saber, hyung? - V coçou a cabeça enquanto marejava os olhos - Para ele ir atrás dela agora, é um pulo!
- Vou providenciar seguranças para ela, sem que ela saiba! E para você também, Jungkook! Ela não precisa saber ainda, isso só vai desesperá-la ainda mais! Se ela sonha o que aconteceu com o Jungkook, ela vai se sentir culpada e pode meter os pés pelas mãos e acabar querendo sei lá, se encontrar com ele! A chance de isso acontecer é grande! Especialmente porque a tendência dele agora, deve ser procurá-la sim, mas pelo telefone ainda! Se ela descobre que ele está solto e que fez isso com o Jungkook, quando ele ligar, é muito arriscado! Ela certamente vai querer salvar o Jungkook!
Os três voltaram a se encarar e JK encarou o chão, sentindo os olhos marejarem também. O peito dele ardia de ódio, um ódio que ele jamais havia imaginado sentir na vida, por ninguém!
- Isso precisa acabar, hyung! Ou eu mesmo vou ter que resolver, como da primeira vez! Isso só aconteceu porque ele teve ajuda! E me pegou num momento de vulnerabilidade! Eu teria acabado com ele! - ele tentou socar o travesseiro,
- Calma, Jungkook! - V apertou os ombros do mais novo - Não diga uma besteira dessas! Algo muito pior poderia ter acontecido, deixe a polícia cuidar disso!
- Eu sei que confia em mim! Aliás, sei que vocês dois confiam em mim… eu prometo dar um jeito nisso! Vou conversar com a polícia agora, depois eu dou notícia para vocês! Eu vou resolver isso, confiem em mim!
Jungkook e V passaram por Namjoon e os policiais e então foram para casa de Jungkook no carro de V.
- Você promete que vai tomar cuidado, JK? - os dois se olhavam.
- Eu prometo! - Jungkook olhou para baixo - Você também precisa se cuidar! E cuidar da , já que eu agora ofereço um grande risco e não posso te ajudar.
- Vamos cuidar dela, você vai cuidar dela mesmo de longe! Esse pesadelo precisa acabar! Eu também não aguento mais!
Jungkook assentiu para Taehyung e então os dois assentiram um para o outro.

Quando chegou à cafeteria, vislumbrou ele concentrado mexendo no notebook com a testa franzida. Será que ele ainda estava trabalhando? Caminhou até a mesa escolhida por ele e lhe afagou as costas, chamando sua atenção. Taehyung desviou os olhos da tela do notebook e olhou para .
- Você já chegou! Nem me avisou que estava vindo! - um sorriso brotou em seus lábios. - Ah, é que aqui é bem pertinho do escritório! - coçou a cabeça, sem graça.
- Eu escolhi justamente por isso! - apontou a cadeira do lado da sua com a cabeça para ela se sentar.
assim o fez, depositando a mochila e os papéis na cadeira ao lado.
- Já fez seu pedido? - ela pegou o cardápio sobre a mesa.
- Não! Eu estava esperando você chegar… - os dois se encararam - Como está o trabalho? Você precisa me atualizar sobre a sua vida…
engoliu seco e voltou a olhar para o cardápio. Apesar do tempo afastados, não tinha tanta coisa assim para contar… estava feliz demais pela reaproximação dos dois e tinha medo de meter os pés pelas mãos.
- Ah! - ela riu. - Eu só tenho trabalhado muito mais! Foi basicamente o que mudou desde que assumi meu cargo!
deu de ombros enquanto sentia o olhar de V passeando por seu rosto.
- Mas você está feliz? Ou se arrependeu?
- Não! Não me arrependi! - olhou para ele enquanto balançava a cabeça que não - Era o meu sonho, e eu batalhei muito para conseguir subir, V! Estou muito feliz!
sorriu genuinamente ao confirmar que estava feliz. Taehyung sorriu de volta, ele também estava feliz! Por tê-la de volta em sua vida, por ela estar feliz…
- Que bom! - ele umedeceu os lábios.
- Você está de plantão?
- Não! - ele riu e se atreveu a segurar a mão dela sobre a mesa depois que ela soltou o cardápio.
engoliu seco ao sentir o toque quente da mão dele sobre a sua, de forma consciente, ela apertou a mão dele.
- Eu estou apenas aplicando o dinheiro!
- Ah! Você continua aplicando?
Eles soltaram as mãos e foi a vez de Taehyung pegar o cardápio.
- Continuo… e tenho ido bem! Inclusive eu te chamei aqui porque queria que você, depois da , fosse a primeira a saber…
- O quê? - ela arregalou os olhos.
- Vamos fazer os pedidos primeiro, que tal? - ele sorriu, sapeca.
soltou um muxoxo e então ele aproximou o ombro do dela, para que eles pudessem olhar o cardápio agora juntos. Em silêncio os dois analisaram as opções e então fizeram seus pedidos.
- Tá agora, por favor! Eu estou muito curiosa… - lhe apertou um dos ombros.
- Você sabe que é o meu sonho abrir meu próprio restaurante, não sabe?
- Sei! A gente sempre falou sobre! Você tem um dinheiro guardado para isso, investe o restante para conseguir inteirar o valor, faz consultorias. Mas me lembro que você tinha medo de arriscar…
- Sabe aquela bolsa que eu concorri?
- Em Paris? - voltou a arregalar os olhos.
Taehyung assentiu para ela enquanto a olhava com os olhos brilhando.
- Eu finalmente recebi o resultado!
- E? - coração dela acelerou.
- E eu consegui a bolsa! Já tenho até uma data de quando minhas aulas começam!
- Mentira, Taehyung? - ela abriu o sorriso mais lindo que V já havia visto.
Ele balançou a cabeça positivamente enquanto abria um sorriso de volta para . A morena se jogou sobre ele, abrindo os braços e o envolvendo em um abraço apertado. sabia o quanto aquilo era importante para Taehyung e aquilo certamente significava um grande passo para que ele pudesse se sentir confiante para finalmente abrir seu próprio restaurante.
- E quanto tempo você vai ficar por lá? - os dois se soltaram.
Taehyung passeou os olhos pelo rosto sem maquiagem dela e quis muito beijá-la, mas não podia, aliás ele precisava colocar a cabeça no lugar e os sentimentos também. O que ele sentia por ela de verdade? Conseguiria ficar perto dela sendo só amigo? A amizade seria o suficiente? O que ela ainda sentia por ele? Aquilo tudo precisava ser esclarecido antes que ele partisse…
- Trinta dias! É um curso pequeno, de aperfeiçoamento apenas.
- Que incrível, V! Caramba eu estou tão feliz por você! Você vai realizar um sonho!
Ele assentiu para ela outra vez e então deram as mãos. Ele precisava resolver as coisas antes de partir…

Ajeitou os cabelos para trás depois de fazer seu pedido ao garçom, ela estava com fome então resolveu se adiantar enquanto esperava por Namjoon e Hoseok. Depois ela mexeu por alguns minutos no celular, e aí viu Namjoon chegar ao local. Num impulso ela se levantou, ato que pegou Namjoon de surpresa. Os dois se encararam e então tanto o advogado, quanto se viram sem jeito.
Namjoon se aproximou um pouco dela e então se atreveu a segurar sua cintura fina para finalmente abraçá-la. sentiu os músculos relaxar e então retribuiu o abraço, passando os braços em volta do pescoço dele. O abraço foi rápido, mas valeu a pena, pelo menos para Namjoon. Sentir o corpo pequeno dela colado ao seu novamente, mesmo que por alguns segundos, fez ele se lembrar que ainda era apaixonado por ela…
Sentados à mesa, Namjoon aproveitou:
- Marcaram a data da audiência, !
- Do processo contra os meus pais? - ela ergueu as sobrancelhas.
Namjoon assentiu para ela, ainda sentindo o coração acelerado pelo rápido contato dos corpos.
- Eu não sei, Namjoon! - coçou a cabeça - Eu só abri esse processo porque você insistiu muito, logo depois a gente…
parou de falar e sentiu os olhos marejarem levemente. Namjoon baixou a cabeça rapidamente, levantando-a logo em seguida.
- A gente parou de se falar! E por minha culpa…
- Não! - maneou a cabeça - Não foi bem sua culpa! Talvez tenha sido minha… enfim!
- Eu realmente insisti que você entrasse com esse processo, e só fiz isso porque sei que vale a pena! A causa está praticamente ganha, , e, além disso, é um direito seu! Eu já te expliquei várias vezes os motivos desse processo… acho que devemos ir até o fim!
- Então vamos! Eu ainda confio em você…
Silêncio enquanto eles se encaravam.
- Ainda confia em mim como advogado, e como homem?
respirou fundo, sendo pega de surpresa outra vez, então os olhos dela bateram em Hoseok caminhando até a mesa deles, com o capacete nas mãos enquanto já se livrava da alça da pasta que ele carregava sempre consigo. Quando ele parou em frente a , ela subiu à cabeça e o olhar para encará-lo e então, sem mostrar os dentes, sorriu para ele. É, aquilo seria difícil e ela já não sabia mais se havia tomado a decisão correta… aliás, ela não sabia se existia uma decisão a ser considerada “correta” naquela situação.
Ele, visivelmente nervoso - ou ansioso -, sorriu para a morena de volta e então se abaixou, depositando um beijo em sua testa. Logo em seguida os olhos dele se cruzaram com os de Namjoon e o sorriso nos lábios dele ficou ainda maior. reparou, é claro.
Com os três sentados, o pedido de acabou chegando e ela se desculpou:
- Eu estava com fome, então resolvi adiantar meu pedido!
Os dois, em uníssono, disseram que ela não precisava se preocupar. Com o cardápio nas mãos de Namjoon, o químico chegou à cadeira mais perto de Namjoon e juntos eles olharam o cardápio, enquanto riam e conversavam sobre as opções. tomou um longo gole de seu chá enquanto encarava os dois. Dentro dela, um misto de sensações: ao mesmo tempo que era estranho ver os dois daquele jeito, ela estava feliz por vê-los tão próximos e amigáveis!
Deu uma mordida em seu sanduíche natural enquanto observava Namjoon olhar Hoseok gargalhar, alto como sempre. Depois os olhos de Namjoon se cruzaram com os de e ele voltou a olhar o cardápio. Eles precisavam disfarçar, já que aquele ainda não era nem de longe o momento de falarem com tudo o que estava acontecendo… especialmente porque provavelmente aquela conversa havia sido marcada por para que ela pudesse falar algo importante. E bom, aquela conversa poderia simplesmente mudar o rumo de tudo!
Os dois se decidiram e fizeram seus pedidos, nisso já terminava seu sanduíche, calada. Namjoon pigarreou, chamando a atenção para si, como sempre.
- E então? Algum motivo especial para esse encontro, ?
Foi a vez de ela pigarrear e tomar seu chá logo em seguida. Ela tinha que falar, mesmo que agora, ali, encarando os dois homens pelos quais ela era apaixonada, a decisão que achava certa naquele momento, para os três.
- Eu chamei vocês dois aqui, para anunciar enfim, o que eu decidi, sobre toda essa situação entre nós três!
- Você se decidiu? - Hoseok arregalou os olhos e olhou para Namjoon - E o que você decidiu?
Os lábios dele estavam secos e o coração começava a acelerar. E se ela tivesse percebido que era mais apaixonada por um deles e quisesse firmar finalmente um compromisso com um deles? O que os dois iriam fazer agora que estavam se conhecendo e tendo algo legal? Hoseok piscou os olhos várias vezes.
A mesma coisa se passava pela cabeça de Namjoon, mas ele tinha uma carta na manga… tudo dependia da resposta de . Mesmo que Hoseok não soubesse, ou tivesse medo, Namjoon tinha sim uma carta na manga, ele não era advogado à toa!
- Eu decidi que quero seguir sendo amiga de vocês dois! Acho que é o mais coerente agora! Não quero ficar longe de vocês dois mais, e no momento, o melhor é seguirmos como amigos… se vocês concordarem e estiverem confortáveis com isso, é claro!
- E por que essa decisão? Você consegue explicar para nós dois?
fechou os olhos com força depois da pergunta de Namjoon.
- Porque eu não consigo me decidir, caramba! É muito difícil para mim! Eu não quero ter que fazer uma escolha, não seria justo machucar um de vocês dois e me machucar também! Isso, claro, partindo da premissa que vocês dois ainda gostam de mim! Então se formos amigos, me parece a decisão que menos vai machucar todo mundo!
Hoseok continuava piscando os olhos enquanto encarava um ponto qualquer da mesa. Namjoon ajeitou o corpo grande na cadeira desconfortável do lugar e viu abrir os olhos.
- Certo, então você não pode escolher um só, porque gosta dos dois na mesma intensidade? - ele ouviu suspirar - É isso, ?
- É! É isso, Namjoon! Vocês dois acreditando ou não, é! É isso!
Namjoon e Hoseok se encararam, e o advogado se perguntou se Hoseok havia pensado a mesma coisa que ele: sim, era possível, e os dois agora sabiam disso tanto quanto .
- Eu entendo, não querer machucar ninguém! - foi o que Hoseok conseguiu dizer.
Namjoon sabia exatamente a solução para todo aquele problema que os três estavam envoltos, e na cabeça dele tudo funcionaria perfeitamente! Mas o advogado sabia que não era hora… não ainda. Então guardou a ideia dentro da cabeça e apenas assentiu.
Hoseok voltou a encarar Namjoon rapidamente e depois de engolir seco, encarou , que o olhou também.
- Podemos tentar! Porque também não quero ficar longe de você! Esse período longe foi um dos piores que já passei, ! - ela engoliu seco. - Não quero ter que pensar em você longe de mim de novo! Mas eu não consigo garantir que não vou sentir ciúmes de você ou coisas do gênero, porque os meus sentimentos por você não mudaram…
Hoseok olhou rapidamente para Namjoon, que mantinha os olhos em . Ele sentiu medo de que aquilo pudesse abalar o que ele e Namjoon estavam tendo, mas ele não pareceu abalado. Hoseok suspirou, levemente exasperado.
- Nem os meus! - os dois se olharam novamente antes de olharem para ela - Mas eu concordo e respeito sua decisão!
Os pedidos de Namjoon e Hoseok chegaram, e então eles começaram a tentar colocar os planos de em prática: serem amigos. Conversaram rapidamente sobre a audiência do processo de , ela e Namjoon precisavam combinar alguns encontros para falarem sobre o caso e para que claro, Namjoon a instruísse sobre como se comportar na audiência, o que falar e etc. o admirava tanto! E Hoseok pareceu admirar também, já que hora ou outra via os olhos do químico brilharem enquanto Namjoon falava. Os dois pareciam tão à vontade agora um com o outro… ela esperava ter tomado a decisão correta.



Centésimo Décimo Sexto Capítulo – Espero um sinal

Alguns dias depois…

colocou uma das mãos por cima dos olhos, tentando se livrar pelo menos um pouco da claridade do sol, que começava a se pôr. O sorriso que brotou nos lábios dela quando viu Hoseok sair do fórum fez o estômago inteiro dele se revirar, inquieto. Vê-la feliz, o deixava feliz também! Os dois se abraçaram e então Hoseok balançou o corpo magro dela enquanto eles gargalhavam.
Depois os dois observaram Namjoon conversando com alguns advogados conhecidos que havia encontrado por lá. As covinhas na bochecha dele fizeram suspirar, e Hoseok olhou para ela. Ela gostava muito de quando as covinhas dele apareciam…
- Nós precisamos comemorar a sua vitória!
- Ah, não é grande coisa essa vitória, Hobi! - deu de ombros - Eu gostaria de nem tê-los visto! Ainda bem que foi por videoconferência!
- Os dois são tão diferentes de você! Bom, na personalidade…
e Hoseok se encararam, e ela ajeitou os cabelos atrás da orelha.
- Confirmou que me pareço mesmo com a minha mãe? - forçou um sorriso.
Hoseok gargalhou alto e aí Namjoon se aproximou deles, sorrindo de orelha a orelha.
- Você infelizmente é a cara dela, ! - fez uma espécie de bico.
Namjoon sentiu vontade de depositar um selinho rápido nos lábios dela, mas ao invés disso, ele acariciou o rosto dela com o polegar. Hoseok acompanhou o movimento da carícia, e arregalou os próprios olhos ao perceber que ao invés do esperado, ele não se incomodou nem um pouco com a cena. Aquilo deveria incomodá-lo, não deveria? Antigamente aquilo teria o deixado completamente irado, inseguro e insatisfeito… A cabeça dele ainda estava muito confusa com tudo aquilo… e ele tratou de tentar esvaziá-la.
- Viu só? Ganhamos! Eu não entro no tribunal para perder, !
Hoseok sorriu enquanto apertava o ombro dele e sorriu.
- Obrigada, advogado! O senhor é incrível, doutor! - a gargalhada de Hoseok preencheu os ouvidos deles.
- Você sabe que eu odeio que me chamem de doutor! - ele revirou os olhos enquanto sorria - Ainda mais você, que não precisa dessas formalidades todas comigo!
- Eu estava falando com a , Namjoon… - o advogado olhou para ele - Acho que precisamos comemorar! Ainda mais porque você precisa nos contar como está se sentindo agora que o resultado da última etapa do concurso está chegando!
olhou de Hoseok para Namjoon, parecendo um pouco confusa e até tristonha.
- Que concurso? - o bico estava de volta.
Hoseok olhou confuso para Namjoon, não sabia da vontade de Namjoon de virar promotor? E especialmente que há um mês, basicamente, ele havia prestado a última etapa para finalmente tentar se tornar promotor público? A boca do químico se entreabriu e Namjoon engoliu seco. Fazia muito tempo que os dois não se falavam, então não sabia de algumas coisas. Aliás, de muitas coisas…
- Você se lembra da minha vontade de virar promotor? - a morena fez que sim - Ontem eu fiz a prova oral do concurso público que saiu aqui para o Rio! São quarenta e quatro vagas! E a prova oral é a última etapa antes do resultado sair! É que a gente ficou um tempinho sem se falar!
O advogado coçou a nuca.
- Ah! - os olhos de brilharam - Eu tenho certeza que você vai conseguir! E agora eu concordo com o Hoseok, acho que deveríamos sair para comemorar!
A morena achou estranho que Hoseok soubesse de algo tão íntimo como aquilo, o que a fez acreditar que os dois estavam ainda mais próximos do que ela achava.
- Na verdade, eu estava pensando em outra coisa!
- O quê? - Hoseok ajeitou o capacete no braço.
- Minha mãe está bem doente! E eu estava planejando ir vê-la hoje, tudo bem que eu fui ontem, mas estou tentando ir todos os dias! Queria apresentar vocês dois para ela!
e Hoseok se olharam. Daquela informação, nem Hoseok sabia! Dos amigos, a única que sabia era , porque ela também era próxima de Yuna. Namjoon temia pela vida da mãe, ele honestamente não sabia quanto tempo de vida ela tinha! Então mesmo que ela nunca se lembrasse dele, ou de quase ninguém no fim da vida, ele queria apresentar os dois para mãe. Afinal de contas, ele estava completamente apaixonado pelos dois, e gostaria que a mãe os visse, pelo menos uma vez…
- Por mim tudo bem! - concordou.
- Você acha uma boa ideia? Levar dois estranhos com ela doente?
- Acho! Quero muito que ela conheça vocês dois! Mesmo que ela não se lembre nunca mais… vocês dois não entendem ainda, mas é importante para mim!
e Hoseok voltaram a se encarar.
- Vamos, Hoseok! - ela o empurrou levemente com o cotovelo - Não custa nada e é importante pro Namjoon!
Ele engoliu seco, mas tinha razão. Se era importante para ele… concordou com a cabeça.
- Não corra! Eu vou seguir você, tá bom?
Namjoon involuntariamente se aproximou dele, pronto para lhe puxar pela cintura, como fazia sempre que estavam só os dois, mas se conteve. Fez que sim, começando a ficar corado. Quase metia os pés pelas mãos.
Ele observava e Hoseok fazendo seus respectivos cadastros na recepção do abrigo e então a médica que vinha acompanhando sua mãe, se aproximou.
- Ouvi dizer que você trouxe visitas! - ela sorriu.
Namjoon balançou a cabeça para ela, tentando sorrir também.
- Seus amigos? - a médica olhou para e Hoseok enquanto eles também se aproximavam.
“Minha namorada e meu namorado”, ele quis responder. Mas não podia…
- Sim! Meus melhores amigos!
É, aquela definição era boa também! e Hoseok sorriram para ele e depois para a médica.
- A senhora pode me dizer como ela está agora?
- Acabou de acordar! Ainda está um pouco sonolenta, mandei servir o jantar dela agora! Com sorte você consegue, quem sabe, fazê-la comer!
- Ela não quer comer, né? - o semblante preocupado de Namjoon se fez presente.
- Não! Mas estamos fazendo de tudo para não precisar introduzir a alimentação via sonda! A presença dos seus amigos pode ajudar, ela tem gostado de ver gente nova!
- Continua estável de ontem para hoje?
- O coração dela tem batido mais fraquinho hoje! Mas já vamos iniciar os exames amanhã…
Namjoon suspirou pesadamente. e Hoseok voltaram a se encarar, preocupados também. A situação parecia não estar nada boa mesmo…

Quando a enfermeira abriu a porta para os três, Namjoon foi o primeiro a entrar. Encarou a mãe, que o encarou de volta.
- Mãe! - ele sussurrou enquanto se aproximava dela na cama.
- Esse moço não esteve aqui ontem? - ela olhou para a enfermeira.
A mesma, pesarosa, confirmou com a cabeça para dona Yuna, depois de olhar para Namjoon, com pena.
- Você não é o advogado? - ela tossiu, levando a mão a boca.
Namjoon ficou feliz de ela pelo menos se lembrar que ele era advogado…enquanto ela ainda tossia ele se atreveu a colocar uma das mãos sobre as pernas dela sobre o cobertor grosso.
- É! Sou eu!
- Como é mesmo o seu nome? - ela umedeceu os lábios quando finalmente parou de tossir.
- Namjoon! Kim Namjoon!
- Ah! E eu sou Kim Yuna! Somos da mesma dinastia, olha só! Você é filho de quem?
Namjoon sentiu o bolo de lágrimas se formar em sua garganta e ele engoliu seco enquanto apertava as mãos sobre o cobertor. também sentiu os olhos marejarem. Yuna estava magra, as roupas do hospital pareciam enormes nela… e aquela pergunta certamente havia sido um soco no estômago de Namjoon.
- A senhora já comeu? - Hoseok se intrometeu.
Ele se aproximou da cama, do outro lado onde Namjoon estava em pé. Pegou o pratinho branco com a sopa de feijão e se sentou na cama, chamando a atenção de Namjoon e de Yuna.
- Eu ainda não comi… não tenho fome! Quem é esse? - ela olhou para Namjoon.
- Um amigo… - Namjoon e Hoseok sorriram um para o outro.
- E a moça? Sua namorada, Namjoon? Ou sua? - Yuna olhou de um para o outro.
Namjoon ficou feliz por ela ter se lembrado de seu nome e sorriu e timidamente se aproximou da cama, ficando em pé ao lado de Namjoon. Acenou para Yuna, que sorriu para ela.
- Não! Ela é nossa amiga também!
- Meu nome é , dona Yuna! E o dele - ela apontou para Hoseok, - é Hoseok!
- Muito prazer! Agora, o que três jovens que nem vocês estão fazendo aqui nesse hospital?
Outra crise de tosse, um pouco mais intensa do que a outra começou e então Namjoon olhou para a enfermeira que se aproximou de Yuna, fazendo os três se afastarem. Namjoon fechou os olhos enquanto a mãe era atendida pela enfermeira e reparou que os olhos de Hoseok ainda estavam arregalados, então ela se aproximou dele, segurando seu rosto delicadamente, fazendo com que ele olhasse para outro lugar.
Os três acharam melhor se retirarem do quarto enquanto Yuna recebia atendimento. Namjoon andava de um lado para o outro e também foi a responsável por tentar acalmá-lo.
- Ei! - ela segurou os dois braços dele - Vai ficar tudo bem! Foi uma crise de tosse, a enfermeira disse que ia medicá-la e quando ela se acalmasse ia nos chamar!
- É desesperador ver tudo isso acontecer! Eu sinto a vida dela se esvaindo pelos meus dedos!
Hoseok também se aproximou dos dois e colocou uma das mãos nos ombros do advogado.
- Nós imaginamos! Mas você precisa se acalmar, Namjoon, se não, como vai aproveitar os dias que restam com ela? Aqui está repleto de profissionais preparados para cuidar dela…
assentiu, concordando com Hoseok e então acariciou os braços de Namjoon, que respirou fundo algumas vezes, ajeitando os óculos no rosto. Ele sabia que os dois tinham razão, mas era imensamente difícil saber que a mãe dele podia simplesmente partir a qualquer momento e ele nada podia fazer nada.
- E eu sei, que por mais que a gente esteja preparado para isso, no fundo a gente nunca está de verdade… então tenta aproveitar!
Namjoon assentiu para depois que ela acariciou-lhe o rosto rapidamente.
A enfermeira apareceu, com um sorriso no rosto, chamando-os de volta para o quarto.
- Ela quer ver vocês! E eu vou aproveitar para esquentar o jantar dela novamente. Quem sabe vocês não conseguem alimentá-la?
A esperança no olhar da enfermeira era quase palpável, e eles se dispuseram a tentar, é claro. Depois que ela recolheu a bandeja com a sopa, os três entraram de novo.

- Me desculpem! É que ando com essa tosse que a todo momento me ataca, mas vai ficar tudo bem!
- Vai sim! - Namjoon se sentou perto dela, sorrindo.
Yuna reparou no sorriso dado por Namjoon e então tocou as mãos dele.
- O seu sorriso é bonito, querido! E você me parece familiar… - ela pausou.
Os olhos de Namjoon brilharam na mesma intensidade em que voltaram a marejar. Será que existia algum vestígio dele dentro da memória confusa e quase inexistente da mãe? e Hoseok, sentados - quase colados um ao outro - no pequeno sofá do quarto, olharam um para o outro.
- Pareço? - ele alargou o sorriso enquanto tentava não chorar.
- Sabe… - ela tremia um pouco as mãos e agora tinha os olhos marejados - Eu tinha filhos…
- Sei! Eu sei! - ele assentiu com a cabeça.
- Um deles foi tirado de mim, e aí me botaram aqui! - Yuna apertou as mãos dele - E eu me lembrei que tinha outro garoto! Eles eram dois, sabe? E eu acho que o outro garoto, também era meu filho… não tenho certeza!
Os olhos de Namjoon se arregalaram e ele apertou de volta às mãos da mãe, depois a porta foi aberta pela enfermeira, trazendo de volta o jantar. Namjoon e Yuna continuaram se olhando.
- Ele era seu filho, dona Yuna! E ele sou eu! Kim Namjoon… por isso temos o mesmo sobrenome, por isso eu lhe pareço familiar!
Yuna ficou boquiaberta, segurando as lágrimas que ameaçavam rolar por seu rosto. Ela olhou para Namjoon, tentando assimilar aquelas palavras tão significativas e buscar por mais alguma memória que lhe remetesse ao então filho.
- Kim Namjoon... Meu filho? - sua voz estava trêmula enquanto ela processava a revelação.
Namjoon assentiu com um sorriso terno e segurou as mãos dela com mais firmeza.
- Sim, dona Yuna. Eu sou seu filho. Eu estive esperando que a senhora se lembrasse, mesmo que minimamente, de mim por tanto tempo...
As lágrimas finalmente escaparam dos olhos de Yuna, e ela abraçou Namjoon com força, deixando suas emoções fluírem livremente.
- Meu querido Namjoon... Como eu pude me esquecer de você? - soluços escapavam de sua voz, misturados com alegria e tristeza.
Hoseok e , observavam a cena com ternura, felizes por presenciarem aquele momento tão importante e bonito para o advogado. A enfermeira permaneceu na porta, dando-lhes um momento de privacidade, também emocionada por dona Yuna ter finalmente se lembrado de Namjoon, depois de tantos anos de sofrimento por parte do homem.
Enquanto Namjoon e Yuna se abraçavam, uma sensação de completude e conexão preenchia o ar. Namjoon chorava tanto quanto a mãe, afinal de contas, só ele sabia o quanto havia esperado por aquele momento, ele havia inclusive perdido as esperanças de que aquilo algum dia aconteceria. Apesar de abraçá-la com força, ele tomava todos os cuidados necessários, já que a mãe estava com o corpo fraco. O coração dele batia tão rápido, estava tão feliz!
- Por favor, querido, não me deixe! Não deixe ninguém tirar você de mim, como tiraram o seu irmão!
- Não vou deixar você, mamãe. Eu nunca deixei! Vou cuidar de você e estar ao seu lado sempre! - Namjoon sussurrou suavemente no ouvido de Yuna, transmitindo seu amor e promessa.
Yuna sorriu entre as lágrimas, sentindo-se abençoada por ter se lembrado de seu outro filho novamente. Como ela pôde se esquecer dele por tanto tempo? Naquele momento, a tosse de Yuna parecia ter diminuído, como se o reencontro com seu filho tivesse trazido uma cura para sua alma.
Namjoon limpou as lágrimas de Yuna e depois limpou as próprias lágrimas, a enfermeira pediu então licença e entrou no quarto, ajeitou a cama novamente e depositou a bandeja sobre o apoio que lá havia.
- Acho que para comemorar essa descoberta incrível, a senhora devia pelo menos provar a sua sopa preferida! Nós fizemos com tanto carinho!
- Justamente, dona Yuna! A senhora deveria comer! A sopa parece tão bonita…
Hoseok se levantou do sofá e foi em direção a cama, pegou a bandeja, depois o prato com a colher e mexeu a sopa, misturando a cebolinha e os temperos que estavam por cima. A senhora observou o mais novo, assim como e Namjoon. Depois ele se sentou na cama, perto o suficiente dela e aí soprou uma colher cheia do líquido.
Levou delicadamente até os lábios de Yuna, que recebeu o líquido de bom grado, abrindo a boca e deixando que Hoseok a alimentasse. Namjoon, admirado, sorria enquanto os dois conversavam e Yuna comia. segurou uma das mãos de Namjoon com força.
- Que incrível! Ela lembrou de você…
Namjoon olhou para ela e timidamente levou uma das mãos de até os lábios, depositando um beijo por lá.
Yuna sorriu ao ver o filho beijando a mão de .
- São um casal bonito, não acha?
- e seu filho? - Hoseok engoliu seco e Yuna fez que sim - Sim!
Ele desviou o olhar para os dois e os encontrou de mãos dadas conversando sobre algo. Ele não havia mentido… os dois faziam sim um casal bonito.
- Mas ela também combina com você! Não são namorados mesmo? Nenhum dos três?
Hoseok levou mais uma colherada até os lábios finos de Yuna e balançou a cabeça. O que eles eram um do outro mesmo? Especialmente ele e Namjoon…
- Não, dona Yuna! Somos amigos. Melhores amigos!
- Eu me lembro de ter um melhor amigo na adolescência! - ela sorriu - Mas eu era apaixonada por ele. Depois acabei conhecendo o pai de Namjoon, e do meu outro filho! Minha memória tem melhorado…
- Que bom, dona Yuna! - Hoseok sorriu para ela.
Depois que ela comeu um pouco mais de metade da sopa, os três se reuniram perto dela na cama e foram conversar, ouvir as coisas que Yuna começava a se lembrar… Namjoon contou para ela o que havia feito da vida, como estava a vida agora… Yuna sentiu orgulho do filho e pediu desculpas a ele por tê-lo esquecido mais uma vez. E assim eles ficaram até que o horário de visitação acabasse. Namjoon, feliz, se despediu da mãe, já sonolenta com um beijo demorado na testa dela.
- Amanhã você vem? - ela segurou a mão de Namjoon impedindo que ele fosse.
- Claro! Eu venho praticamente todos os dias! Prometo que agora venho todos os dias, sem falhar. Não quero perder mais tempo agora que a senhora se lembrou de mim!
A mãe sorriu para ele antes de tossir um pouco e soltar a mão de Namjoon. Assim que ela começou a adormecer, ele saiu do quarto se encontrando com e Hoseok do lado de fora.
Já perto do carro do advogado no estacionamento, enquanto falava ao telefone com as amigas, informando que se atrasaria alguns minutos para o compromisso marcado, Hoseok aproveitou para abraçar Namjoon com força.
- Eu estou muito feliz que ela se lembrou de você! Foi tão emocionante! Ainda bem que eu vim!
- E eu estou feliz que vocês dois estavam comigo nesse momento! - os dois se soltaram rapidamente assim que começou a caminhar de volta na direção deles.
Ela havia visto de relance os dois se soltarem, mas não se importou com o abraço trocado pelos dois, afinal de contas, agora eles eram amigos e aquele momento havia sido especial para Namjoon.
- Vocês dois não precisam agir estranho um com o outro perto de mim! Sei que são amigos agora! Podem se abraçar ou qualquer coisa do gênero perto de mim…
Os dois homens se olharam, e engoliram seco juntos. Esconder as coisas dela não agradava Hoseok em nada.
- Você vai se encontrar com as meninas onde? Eu deixo você lá!
- Tá bom! Podemos ir então? Elas já estão me esperando!
- Claro! Você fica bem indo para casa sozinho?
- Sim! Chego rapidinho de moto!
- Não corre! - acariciou as costas dele antes de os dois se abraçarem com força.
Quando Hoseok já estava na moto com o capacete sendo colocado, e Namjoon em uníssono:
- Avise quando chegar em casa! - os dois se olharam, estranhando a coincidência.
Hoseok gargalhou, ficando vermelho.
- Eu aviso! Aos dois, prometo!

Os dois pararam em um semáforo, um pouco antes de chegarem ao bar. observou o sorriso que não saia dos lábios de Namjoon, e sorriu também.
- Se ela não estivesse tão doente, eu a levaria para morar comigo e pagaria uma enfermeira, que nem o Hoseok faz com o pai dele!
- Seria incrível ter ela morando com você agora, né? Sinto muito!
O semáforo abriu e mais alguns minutos eles estavam na porta do bar. Namjoon olhou para , que se desfazia de seu cinto. Ele fez o mesmo e saiu do carro primeiro que ela.
Namjoon abriu e segurou a porta do carro para , revelando um pequeno sorriso gentil. sentiu um arrepio percorrer sua espinha enquanto seus olhares se encontraram por um breve momento. Havia algo na expressão de Namjoon que sempre despertava um calor reconfortante no coração de .
- Eu acompanho você até a entrada do bar! - ela, ainda hipnotizada, apenas assentiu.
Enquanto caminhavam juntos em direção ao bar, cada passo parecia impregnado de uma eletricidade palpável. podia sentir o olhar de Namjoon sobre ela em uma intensidade que a deixava sem fôlego. Ao chegarem à porta do bar, se virou lentamente para Namjoon, mantendo o contato visual.
Namjoon sentiu um nó se formar em seu estômago, uma mistura de desejo e excitação que o consumia por dentro. Ele apertou os punhos, lutando contra a intensidade do momento. Foi então que alguém querendo adentrar o bar se esbarrou em fazendo seu corpo pequeno aproximar-se lentamente de Namjoon, deixando apenas uma pequena distância entre eles.
Namjoon, quase incapaz de resistir ao desejo e saudade dela que o consumia, inclinou-se levemente em direção a , sentindo a eletricidade entre seus corpos. Eles estavam tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro…
No entanto, antes que seus lábios se encontrassem, eles se afastaram abruptamente, cortando de repente o ar pesado de expectativa entre eles. O momento ficou suspenso no ar, deixando um gostinho de desejo inacabado.
e Namjoon trocaram olhares intensos, sabendo que haviam ultrapassado uma linha perigosa. O clima entre os dois estava carregado de uma tensão elétrica, e ambos sabiam que a atração que sentiam um pelo outro era impossível de ignorar. Mas eles precisavam ignorar, mesmo que fosse doloroso e difícil.
- Obrigada! Por tudo! E eu estou muito feliz por você! Tchau!
Quando ela entrou no bar, finalmente, se virou abruptamente, vislumbrando Namjoon ainda parado lá na porta.
- Ah! Me avise quando chegar em casa também!
- Divirta-se! E comemore a sua vitória! Gosto muito de você, não esquece!
assentiu para ele, como se dissesse que também gostava. E era verdade! Quando ela sumiu das vistas de Namjoon, ele voltou para o carro e viu a mensagem de Hoseok avisando que já estava em casa. Namjoon fechou os olhos, quando os outros dois iam perceber que eles funcionavam perfeitamente bem juntos, os três?





Continua...



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