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Última atualização: 23/01/2026

Prólogo

Quando um desejo é muito forte e sentido por muitas pessoas, ele pode ser atendido. A humanidade necessitava de justiça, para todos os lados que se olhava, coisas horríveis aconteciam, e por isso, quando desejaram que houvesse justiça, seu pedido foi atendido. Uma divindade criada para os humanos, a partir de seus próprios desejos, para punir os pecadores e defender os fracos. Salazar vive na terra há mais de 1000 anos, deus da justiça, a própria justiça, o significado de justiça, o justiceiro. Enquanto transita pela terra, ele garante que haja justiça para todos, sua existência é a própria garantia disso. Mas a sede de justiça pelas próprias mãos afeta até mesmo os deuses, dizem que Salazar foi corrompido pelo ódio e se esqueceu de ser justo, se tornando apenas um vingador, um punidor. As lendas dizem que ele transita pela terra como um ser humano qualquer, mudando de nome e de cidade com o tempo, para nunca ser descoberto. Seu ódio pelo que a humanidade se tornou transformou seu modo de enxergar justiça, e assim, ele não escuta mais os pedidos de justiça que chegam até ele, apenas o ódio da vingança, deixando que a justiça ocorra naturalmente apenas pela sua existência na terra.

? — Amélia sussurrava, a fim de despertar a amiga do que estava lendo.
— Hum? — A garota resmungou.
— O que está fazendo? A biblioteca já vai fechar. — Quando olhou para a janela, se deu conta que passara o dia inteiro lendo e já havia anoitecido.
— Esse maldito trabalho de justiça, origem da justiça e mitologias está me estressando demais, você acredita que haja um deus da justiça andando pela terra? — Indagou.
— Eu não, mas tem pessoas que acreditam, existem várias lendas, , não quer dizer que sejam reais. — tranquilizou a amiga. — O seu está muito mais divertido que o meu trabalho de direito constitucional, aliás, você podia me emprestar o seu e ser uma boa amiga. — sorriu, preferia mil vezes o trabalho de direito constitucional, que já estava pronto, do que essa loucura de mitos.
— Não copia, só se inspire, e antes de entregar me deixa ler pra ter certeza que não vai estar igual. — Respondeu enquanto juntava seus livros.
— Não vou copiar, quero ver a estrutura do trabalho para me embasar. — Falou Amélia, enquanto seguia . — Aqui, Srta. Parker, esse de mitologia eu vou levar, mas esses aqui eu já li. — entregou os livros à bibliotecária, que preencheu uma ficha e entregou para que a garota assinasse.
— Então, para onde vai? — ainda estava seguindo enquanto caminhava para a saída da faculdade.
— Para casa, pretendo terminar isso hoje. — Respondeu, tirando um pen drive da bolsa e entregando à amiga.
— Você ainda tem tempo para o fim do prazo, e não entendo porque entrou nisso se não gosta. — Amélia deu de ombros.
— Preciso das horas, era o menos bizarro que tinha disponível para agora, e os professores me mandaram fugir do padrão, era isso ou aquela palestra ridícula que o 9º período organizou semanalmente ensinando a como abrir o próprio escritório, sendo que todos herdaram de alguém.
— “Porque todos têm a mesma quantidade de horas no dia, basta querer” — Disseram em coro.
— Bom, então te vejo segunda. — acenou enquanto corria para o seu carro, sorriu e continuou seu caminho a pé, descendo a estrada para sua casa.

A rua estava estranhamente deserta para uma sexta à noite, não que isso a incomodasse, mas era incomum. Assim que dobrou a esquina da rua de sua casa, sentiu algo encostando em suas costas.
— Cala a boca e dê meia volta. — Quando se deu conta de que aquilo era uma arma, ela só obedeceu.
— Olha, eu não tenho dinheiro, mas pode levar meu celular. — Disse, com a voz trêmula.
— Você acha mesmo que eu te observo todas as noites por causa de um celular? — A resposta do homem causou um frio na espinha de . — Você não tem dinheiro, mas aposto que o papai pagaria um preço alto para tê-la de volta. — Ele a puxou pelo braço e a jogou dentro de uma van, onde um outro homem amarrou suas mãos e colou uma fita em sua boca.
Havia uma onda de sequestros com filhos de ricos, mas isso acontecia apenas em bairros nobres, não via o pai desde os 5 anos, nem usava o mesmo sobrenome, jamais imaginaria que isso aconteceria com ela. A situação era desesperadora, ela só sabia chorar, já que não podia gritar, o medo tomou conta de todo o seu corpo que não parava de tremer, ela sabia que provavelmente o pai nem se lembraria que tinha uma filha e ela ficaria lá a vida toda esperando pelo dinheiro do resgate, aquilo era injusto demais, ela passou a vida inteira sem receber qualquer coisa boa vindo do pai e agora era sequestrada por ser filha dele? Quando pensou nisso, o medo e o desespero se transformaram em raiva, a raiva que ela havia sentido por todos os 20 anos em que esteve longe do pai, a raiva que ela sentia toda vez que ligava o noticiário e criminosos achavam que eram os donos do mundo e podiam fazer o que quiser sem serem punidos. Naquele momento ela desejou que aquelas lendas que ela estava estudando fossem reais, que existisse mesmo um deus da justiça muito zangado andando pela terra e punindo quem merecia ser punido, ela desejou que ela mesma pudesse fazer isso, ela faria seu pai pagar por tudo que fez e tudo que deixou de fazer por ela, faria aqueles criminosos pagarem pelo medo e desespero que ela estava sentindo enquanto eles riam, ela explodiria aquela van se pudesse sair viva, porque ela merecia viver, mas eles não, simplesmente por se acharem no direito de decidir o que fazer com a vida das outras pessoas.

De repente a van freia bruscamente, um clarão invade o lugar e ela só fechou os olhos.
— Por favor, tenha misericórdia! — Foi a última coisa que ela escutou antes dos gritos e do silêncio ensurdecedor. Ela permaneceu de olhos fechados, escutou as portas se abrirem e sentiu alguém desamarrando suas mãos, só abriu os olhos quando a fita foi removida da sua boca.
— Eu também odeio quando eles pensam que são Deus. — O homem que estava parado à sua frente usava uma roupa preta, seus olhos e cabelos eram igualmente pretos e pareciam enxergar sua alma. — Não tenha medo, eu vim porque te escutei e senti sua raiva, e agora falta o papai, mas isso você dá conta? — Ele deu uma piscadela e saiu da van, estendendo a mão para que ela saísse.
— O que você está falando? — Perguntou, extremamente confusa, aceitando a ajuda daquele estranho.
— Todos os seres humanos são inferiores e medíocres, mas eu não os odeio, apenas os que se acham importantes demais. Dizem que parei de escutar, mas ainda escuto os corações com raiva quando outros decidem se vão tirar sua vida ou não, e eu escutei o seu. — Ele falava todas essas loucuras calmamente, como se fosse algo comum.
— Você escutou meu coração? Quem é você? — acreditava que estava falando muito mais alto do que estava, mas ela estava praticamente tossindo as palavras que saíam da sua boca.
— Você desejou que eu fosse real e não sabe quem sou? — O homem parecia estar zombando dela. — Eu sou a justiça.
— Sa-salazar?
— Chame como quiser, não se lembrará de mim. — O homem tocou em sua cabeça e fechou os olhos.
— O que aconteceu? — Perguntou .
— Está tudo bem, alguém cuidou deles e eu te ajudei a sair da van, porque estava amarrada. — Ela estava mais confusa ainda. — Você quer companhia para casa?
— Eu… eu não conheço você, estou perto da faculdade, vou voltar para lá. — só queria que aquilo acabasse.
— Tudo bem, se cuida. — Ele acenou se afastando.
— Espera! — Ela o puxou pelo braço. — Como devo chamá-lo?
— Hã… . — O homem sorriu amarelo e continuou andando, até que desapareceu quando piscou.
Na faculdade, ela ligou para sua mãe e para a polícia, explicando o que havia acontecido. Foram à delegacia e depois sua mãe a levou para casa.
— Tome um banho e descanse, foi um longo dia. — Sua mãe disse antes de sair do quarto. não acreditava no que havia acontecido, ela havia sido salva pelo deus da justiça após sentir raiva de seu pai e dos bandidos. E o que ele quis dizer com ela dava conta do pai? Aquilo tudo havia sido uma loucura, mas ela estava viva, então ela fechou os olhos e agradeceu a Deus por ter atendido o pedido de justiça e ter criado o deus da justiça.

estava feliz por ter feito alguns lixos pagarem pelos seus crimes, a polícia jamais seria capaz de puni-los do jeito que ele iria punir, mas por hoje bastava tudo que havia sido feito.
— Onde estava? — Perguntou , assim que abriu a porta.
— Trabalhando. — Respondeu, tentando ignorar a existência do ceifador.
— Nós recebemos uma carta, você deixou uma ponta solta. — se levantou do sofá e entregou o papel dourado na mão de .
— Não deixei pontas soltas, peguei todos os criminosos e enviei para a sala dos pecadores e apaguei a memória da garota. — Ele abriu o papel e leu o que estava escrito.
— Então, por que recebeu a carta dourada? — estava mais curioso do que preocupado, sabia que era minucioso.
— A garota se lembra de mim… — Murmurou.
— Você não apagou a memória dela? — estava chocado.
— Eu tenho certeza que sim, mas aqui diz para identificar o motivo dela se lembrar e resolver, mas acima de tudo protegê-la…
— Porque se ela morrer, você tem que dar sua vida para ela. Duro demais ser um deus. — zombou dele.
— E você também não pode matar humanos ou deixá-los morrer se não for a hora deles. — Retrucou .
— O que vai fazer? — Perguntou o ceifador, se jogando no sofá.
— Eu tenho que localizá-la, mas fui até ela porque ela pediu por mim. — O deus suspirou, isso significava que ele só poderia encontrá-la caso ela chamasse novamente.
— Você tá brincando? Ela chamou por Salazar? — estava mais chocado ainda, há séculos as pessoas não o chamavam por ele.
— Ela desejou que eu fosse real e fizesse todos eles pagarem. — O próprio não podia acreditar, mas estava satisfeito por ter sido lembrado por um humano.
— Em pleno século 21, um humano desejou que você fosse real? Inacreditável, estamos regredindo? — estava sorridente, enquanto o ceifador estava incrédulo. — E então, o que vai fazer? — Perguntou.
— Encontrá-la.

Capítulo 1 — A Justiça

Um dia após aquele acontecimento, ainda se perguntava se o que havia vivido era real. Decidiu que sairia para tentar espairecer e não ficar pensando sempre naquilo, ela se incomodava mais com o fato de ter acontecido por culpa do seu pai, do que por ter supostamente conhecido o Deus da Justiça. Após sair de casa, resolveu caminhar em um parque próximo dali, observava as paisagens e as crianças brincando, de certa forma aquele era um lugar confortável de se estar. Até que esbarrou em alguém, distraída.
— Desculpe. — Disse, o homem sequer estava olhando para ela, até aquele momento.
— O que disse? — Ele parecia surpreso.
— Eu pedi desculpa por ter esbarrado no senhor. — Respondeu.
— Você consegue me ver?! — O homem alto, usando um terno preto e com uma espécie de pergaminho em mãos, parecia incrédulo.
— E por que não veria? — estava confusa pela reação do homem.
— Como você se chama? — Ele abriu o pergaminho para ler.
— Por que eu te diria meu nome? Eu não te conheço, me dá licença. — Ela saiu andando irritada, o homem percebeu que não havia nenhuma mulher que tivesse idade próxima à dela naquela lista, ele tinha certeza que estava invisível, ela não poderia vê-lo e muito menos esbarrar nele. Imediatamente ele foi para casa, precisava notificar o acontecido. Enviou uma mensagem para que todos se reunissem e assim foi feito.
— Por que tanta urgência, Stefan? — estava sentado no sofá da sala, enquanto todos os ceifadores estavam de pé. — Espero que seja importante, senão…
, uma humana me viu enquanto eu estava invisível. — Todos presentes naquela sala demonstraram espanto, mas não como , que pulou do sofá.
— Como ela era? — Perguntou.
— Jovem, mais ou menos dessa altura…— Descreveu, subindo a mão até seu peito. — eu não reparei muito na aparência, fui verificar o nome no pergaminho e ela saiu andando.
— Como uma humana o enxergou estando invisível? — Jace, outro ceifador, perguntou.
— Onde você a encontrou? — Perguntou , ignorando a pergunta de Jace.
— Em um parque… — Stefan abriu seu pergaminho. — Empire, ao lado do condomínio Antares.
— Por que você está interessado em saber onde ela está? Temos que saber o motivo dela tê-lo visto enquanto estava invisível! — Jeremy bufou.
— Ele tem um motivo, Jeremy. — Disse , que parecia estar adorando aquilo tudo.
— Só vamos descobrir como isso aconteceu, quando a encontrarmos. Quero todos vocês procurando por ela nas proximidades do parque e do condomínio. — Ordenou ele.
— Não somos seus empregados, . — Reclamou Jeremy, fazendo rolar os olhos.
— Os ceifadores têm missões, diferente de você que fica o dia todo em casa e só sai pra bater em alguém. — Disse . — Sinto muito, mas vai ter que cuidar disso sozinho, amigo. — Completou, dando duas batidinhas no ombro do homem, que bufou. — Faça um relatório e encaminhe para a chefia, Stefan, enquanto isso vai procurar pela garota, já que se for quem ele está pensando que é, é responsabilidade dele. Depois de enviar o relatório, aguardaremos ordens. Por enquanto, voltem ao trabalho. — Ordenou e os demais ceifadores concordaram.
— Você tira a minha autoridade, não se esqueça que eu sou um deus. — Disse em tom ameaçador.
— Você é um deus, não o Deus, e se você quiser voltar a ter autoridade, volte a agir como um. Somos amigos, quase irmãos, sempre estarei ao seu lado, mas no trabalho temos regras e alguém tem que dar as ordens. — Respondeu . — Não fique zangado comigo, na volta de trago donuts. — Completou, acenando enquanto saía pela porta. respirou fundo, tinha que encontrar a garota.

— É sério, , a minha vida está uma loucura. — escutou a amiga rir do outro lado da linha. — Você ainda ri?
— Um esquisitão esbarra em você no parque e você diz que sua vida está uma loucura, mas ontem após ter sido sequestrada você disse que estava tudo em ordem. — não conseguia evitar o riso.
— Acho que isso foi o mais normal da semana, sei lá, eu tô vendo umas coisas estranhas… — notou uma mulher encarando as crianças que estavam no brinquedo. — Agora eu to vendo uma esquisitona encarando criancinhas.
— Acho que você deveria se mudar, isso sim, todos perto da sua casa estão sendo esquisitos. — Sugeriu
— E para onde eu iria? Agora mesmo, depois do que aconteceu, que a minha mãe não para de pegar no meu pé. Eu só vim aqui sozinha porque é do lado do trabalho dela. — suspirou, mas ainda prestando atenção na mulher.
— E como vai ser para ir pra faculdade? — Perguntou .
— Ela vai me levar e me buscar, como se ela fosse super forte para evitar que sequestradores armados sequestrassem nós duas. — As duas riram, notou que a mulher se aproximou de uma das crianças e puxou a pulseira do braço da menina. — Ei! — Gritou. — Devolve a pulseira dela! — Ela se levantou e foi até a mulher, que olhou para ela como se fosse devorá-la. Todos presentes a encaravam.
— Está falando comigo? — A mulher perguntou.
— Sim, estou! Eu vi você puxando a pulseira da mão da criança. — Respondeu, com raiva.
— Por que uma criança de 8 anos iria querer uma pulseira de diamantes que é única no mundo inteiro? Provavelmente ela iria perder em alguns segundos. — Respondeu a mulher, rindo.
— Você está bem? — Perguntou a monitora dos brinquedos.
— Aquela mulher pegou a pulseira da menina. — Disse, apontando para onde a mulher estava.
, não tem ninguém ali. — A monitora parecia assustada, ao contrário da mulher, que parecia com raiva.
— Exatamente, não tem ninguém aqui, ninguém consegue me ver, por que você está vendo? — Indagou, enquanto se aproximava da garota. — Eu não gosto de ser vista por pedaços de lixos como você, principalmente sem saber o motivo. — A mulher se aproximou o bastante para colocar a mão no pescoço de , que sentiu que iria sufocar, e ela nem parecia estar fazendo força. Quando a mulher apertou seu pescoço, acreditou que iria morrer, lembrou do deus que salvou sua vida no dia anterior e pediu sua ajuda, porque ela não queria morrer assim. Mas ela se lembrou que ele não escutava mais pedidos de ajuda, então seria inútil, porém era sua única chance.
— Sa…la…zar — Murmurou, fazendo a mulher inclinar a cabeça.
— Salazar? Ele não está ouvindo, querida! E todos vão acreditar que você teve um ataque cardíaco, não é incrível? Infelizmente, você teve azar de conseguir me enxergar enquanto eu apenas me divertia um pouco. — A mulher riu. De repente o tempo parou, todas as pessoas pararam de se mexer, menos as duas.
— Penelope. — Uma voz grave invadiu os ouvidos das duas mulheres, e elas conheciam aquela voz. — Solte a garota.
— E por que eu faria isso, Salazar? — Retrucou.
— Porque estou mandando. — Sua voz soava firme.
— Por que a protege? Ela só precisou chamar uma vez e você veio, o que aconteceu com o poderoso Deus da Justiça? — A mulher zombava dele.
— Que bom que se lembra que sou o poderoso Deus da Justiça.
— E você deveria se lembrar que sou a Deusa do Desejo. — Retrucou.
— Não mais, agora você é apenas a Ganância, o que não diminui sua força, mas não se autodenomine deusa. — Ele se aproximou das duas. — Solte a garota e te deixo ir. — Penelope não tinha a intenção de brigar com outro deus naquele dia, fora atrás da pulseira por puro capricho, nem poderia dizer que foi por ganância. Ser vista não estava em seus planos, nem encontrar-se com Salazar. Ela apertou o pescoço de com mais força por alguns segundos e a colocou no chão.
— Fique fora do meu caminho, garota. — Disse, antes de desaparecer. tossia e se aproximou dela para ajudá-la, fazendo o tempo voltar ao normal.
— Você está bem? — Perguntou, ajudando-a a caminhar até o banco e sentar-se.
— Você veio porque chamei? — Indagou.
— Na verdade, eu estava procurando por você. Pode me dizer o que aconteceu? — Perguntou, enquanto sentava ao lado dela.
— Eu estava aqui, sentada, falando com minha amiga pelo celular, quando aquela mulher apareceu e tomou a pulseira da menina, eu tinha que fazer algo a respeito, mas ela parecia não esperar que alguém a visse. — Explicou.
— Ela realmente não esperava, sequer esperava por mim, Penelope não pode ser vista quando está invisível, apenas por outros seres sobrenaturais, assim como o ceifador que você esbarrou mais cedo. — se lembrou do homem que parecia chocado por ter sido visto por ela.
— Agora entendi porque ele ficou tão surpreso, ele era um ceifador? — Perguntou, assentiu.
— Por algum motivo você consegue vê-los, mesmo estando invisíveis, e eu não consegui apagar a sua memória.
— Sim, eu me lembro exatamente de tudo. Mas até te encontrar, eu nunca tinha visto nada estranho como pessoas invisíveis.
— O mais estranho é que Penelope não pode ser vista nem por mim, se eu passasse por esse parque e ela estivesse aqui, passaria despercebido. Ela foi banida há séculos, e há séculos procuramos por ela, sequer consegui vê-la em sua forma original.
— Ela também é uma deusa? — Perguntou , perdida naquela situação.
— Não mais. — Suspirou . — De qualquer forma, você tem que vir comigo. Não que eu me importe com você, mas você estará em perigo se encontrar com Penelope de novo e recebi ordens para encontrá-la e apagar a sua memória, e até descobrir como fazer isso, você vem comigo. — Ele a puxou pelo braço.
— Eu não vou para lugar… — Antes que ela pudesse terminar, eles teleportaram do parque para uma casa. — nenhum… — Murmurou .
— Você não tem escolha. — Respondeu ele, soltando sua mão.
— Que lugar é esse? — Perguntou , sendo ignorada por que deitou no sofá.
— Em breve alguém vai aparecer para resolver. — Disse, pegando um livro que estava na mesa de centro. esperava que um deus fosse bem diferente de como ele era, por mais que quisesse gritar com ele para levá-la de volta, ela decidiu esperar, queria evitar que cenas como a de hoje se repetissem. Enquanto esperava, andava pela casa e observava as pinturas, cada uma com um nome de país embaixo.
— São de algum pintor famoso? — Perguntou. ergueu o olhar para ver do que ela estava falando.
— São meus, todos os países que já morei. — Respondeu.
— Sério? Uau! — Ela observou que haviam datas, imaginou que fosse o período em que ele esteve no lugar. — Você ficou bastante tempo na Itália, gostava de lá?
— Uhum, sinto falta da música. — Murmurou.
— Ah, verdade! Despacito é ótima! — Brincou , se levantou e a encarou.
— Essa música sequer é italiana, eu deveria imaginar que uma humana seria ignorante ao ponto de confundir um Porto Riquenho com um Italiano. — Resmungou.
— Calma, , ela só está curtindo com a sua cara. — Disse , entrando na casa.
— Parece que deuses não têm senso de humor. — Murmurou ela.
— Não se preocupe, ele é ranzinza assim há séculos. — Brincou . — E você é?
. — Respondeu ela.
— Muito prazer, ! Me chamo , sou um ceifador como o que você esbarrou hoje mais cedo, moramos aqui porque todos os ceifadores devem morar em um templo de um deus. — Explicou, enquanto mostrava a casa. — Mas como ainda não criou seu próprio templo, vamos onde ele vai. — Sorriu.
— E por que eu estou aqui? — Perguntou ela.
— Eu adoraria saber, sendo bem sincero, nunca aconteceu isso desde que eu estou nessa profissão, e eu nem me lembro quando foi que comecei.
— Há 2056 anos. — Disse .
— Você sabe quando me tornei ceifador? — sorriu.
— Sim, há 2056 anos deixei de ter paz na minha vida. — Resmungou ele, fazendo rolar os olhos e rir fraco.
— Bom, de qualquer forma, você deve ficar aqui até recebermos ordens do que fazer. — estendeu o braço para que se sentasse no sofá.
— Ordens? De quem? Achei que ele dava as ordens. — Disse ela, enquanto se sentava.
— Ordens de cima. — Respondeu .
— De Deus? — estava chocada.
— Pode se dizer que sim, nós o chamamos de Todo Poderoso, porque fica um pouco confuso com os outros deuses, mas Ele é o nosso chefe e… — o interrompeu.
— Falando em outros deuses, quando a encontrei, Penelope estava segurando-a pelo pescoço, se eu demorasse um pouco mais ela estaria morta. — Disse.
— O que? Você encontrou Penelope? — assentiu.
— Ela encontrou, na verdade.
— E a deixou escapar?
— O que eu poderia ter feito? Tinha que salvar a vida da humana aí. — deu de ombros.
— Salvou a vida dela? — suspirou.
— Uhum, pela segunda vez, na terceira pode pedir música. — Brincou ela.
— Não haverá terceira. — Resmungou ele. — Não sou anjo da guarda, da próxima nem pense em me chamar, não irei escutar. — riu, quando de repente a campainha tocou.
— Está esperando alguém? — Perguntou o ceifador, negou com a cabeça. caminhou até a porta para abrir, assim que abriu, uma mulher desesperada entrou na casa.
— Cadê ela??? — Perguntou, aflita.
— Ela quem? — Perguntou , sendo empurrado pela garota.
! — correu até a amiga.
! O que você está fazendo aqui? — Perguntou , sendo abraçada pela amiga.
— Eu rastreei seu celular pelo iCloud, você gritou com alguém e sumiu da ligação, de repente estava no parque e depois aqui, eu vim atrás, vai que você tivesse sido sequestrada de novo. — Suspirou.
— E o mais prudente para você, foi vir até aqui e não chamar a polícia? — Perguntou , arqueando a sobrancelha.
— Eu mandei o endereço para minha irmã e disse que se eu não desse notícias era para ela mandar a polícia, mas primeiro eu tinha que conferir. — Explicou-se, pegando o celular para enviar uma mensagem para a irmã. — Enfim, você tá bem? — Perguntou, assentiu. — Quem são esses homens bonitos? — Sussurrou.
— Ah, eu sou e esse é o , somos amigos da . — Respondeu , estendendo a mão para ela.
— Desde quando? — Perguntou, apertando a mão do ceifador.
— Desde hoje, eles estão me ajudando com um trabalho, pode ficar tranquila! — Disse , puxando a amiga e levando-a até a porta.
— Por que está me expulsando? — arqueou uma sobrancelha.
— Depois conversamos, agora você precisa ir. — sussurrou, assentiu.
— Tchau, ! — Disse , acenando, a garota acenou de volta, antes de fechar a porta na sua cara. — Desculpe por isso, ela se preocupa bastante. — Explicou , suspirando. — Não se preocupe, achei uma graça! — sorriu. — Ah, ela não vai mais se lembrar desse endereço quando chegar a uma certa distância. — Completou, dando uma piscadela. — Ugh, como um ceifador parece tanto um raio de sol? Você me enoja. — Resmungou . — Ignore-o. — Disse , fazendo rir. Stefan entrou na sala depressa e entregou uma carta nas mãos de . — Ei! É a garota! — Exclamou, quando se deu conta de que estava ali, e ela acenou para ele. — Temos resposta? — Perguntou , apenas negou com a cabeça enquanto lia a carta. — O que é, então? — Se você calar a boca e me deixar ler, eu já te respondo. — Resmungou , a presença de ali deixava Stefan nervoso, e já estava de saco cheio da situação, a sua simpatia já havia se esgotado e a paciência também, só queria resolver isso logo para mandar a humana de volta ao lugar dela. — E então, ? — estava impaciente. — A situação é a seguinte: nunca existiu uma humana que pudesse localizar uma deusa banida, coisa que nem nós podemos fazer, e não existe nenhuma humana que possa ver ceifadores invisíveis e não ter a memória apagada como ela. — Explicou . — Disso já sabemos. — rolou os olhos, estava ansiosa e começou a roer as unhas. — Não existe um meio de apagar as memórias dela, e as ordens são de protegê-la a todo custo, aqui diz que existe um plano maior para ela e que ela deve morar conosco, sob sua proteção. — cerrou os olhos esperando as reações. — O QUE?! — saltou do sofá e correu até . — Nem pensar, eu não vou morar em uma casa com deuses e ceifadores, eu não vou! — Ela cruzou os braços. — Eu não vou proteger uma humana, eu os odeio. — Disse , se aproximando de , que apenas estendeu a mão para que ele lesse a carta. — Sem chances. — Completou, soltando a carta no ar. — São ordens, . — engrossou a voz e não reconhecia o “raio de sol” que estava falando com ela há poucos minutos. — Mas existe o livre-arbítrio e ela escolheu não ficar. — Disse ele, concordou com a cabeça. — Não podemos deixá-la decidir isso, , sinto muito! — suspirou. — Daremos uma semana para se organizar e iremos te buscar. — Mas eu tenho uma vida! — Ela reclamou. — Não vai deixar de viver sua vida, mas precisa ser protegida, não somos os únicos interessados em descobrir o porquê de você conseguir todas essas coisas, sinto muito, você não tem escolha.

— xx —

Do outro lado da cidade, Penelope reunia todos os seus capangas, humanos e ceifadores. — Chefe, qual é o motivo da reunião? — Perguntou um dos homens. — Uma humana me viu enquanto estava invisível e revelou minha localização para Salazar. — Disse, tirando os óculos de sol e os encarando com olhos amarelos. — Quero que descubram quem ela é e como ela conseguiu isso. — E como faremos isso, chefinha? Não saberíamos por onde começar! — O nome dela é , comecem por aí, como vão descobrir não me importa, mas essas são as suas ordens! ANDEM! — Gritou, os homens se curvaram e saíram do local. — Se for preciso, vou destruir essa garota.

Capítulo 2 — A Mudança

Conviver com várias pessoas em uma casa é um grande desafio, se perguntava como seria conviver com ceifadores e um deus, que não era muito agradável. Ela se recusava a acreditar que estava naquela situação, como ela iria explicar a sua mãe que iria se mudar, assim, de repente? Ela não podia aceitar isso, sua vida seria uma completa loucura e ela não estava pronta para isso. Após a visita na casa do deus da justiça e dos ceifadores, eles a levaram de volta para casa, para que ela arrumasse suas malas e organizasse sua vida antes de se mudar. E aquilo era loucura, fora de cogitação, ela só podia ter batido a cabeça com força no dia do sequestro e estava alucinando desde então, pensou, enquanto caminhava até o espelho, as marcas no seu pescoço não podiam deixá-la negar tudo aquilo.
— Como uma mulher poderia ter tanta força e não ser vista por mais ninguém? — Pensou em voz alta.
— Porque ela é uma deusa. — Se assustou, ao ouvir a voz de na porta do seu quarto.
— O que está fazendo aqui?! — Perguntou, surpresa.
— Nem eu e nem você queremos morar na mesma casa, seria um inconveniente ter uma humana estragando meus dias dentro da minha própria casa. — Respondeu, mexendo em uma caixa de música em cima da penteadeira da garota.
— Mas o disse… — Ele a interrompeu.
é apenas um ceifador, eu sou um deus e eu mando nele. Mas nenhum de nós dois somos maiores do que o Todo Poderoso. — Explicou.
— Onde você quer chegar? — Perguntou ela, cruzando os braços. — E aliás, como entrou aqui? — Completou.
— Sua mãe me deixou entrar, tenho um excelente poder de persuasão em humanos. — Explicou-se. — Continuando, não estou disposto a viver com uma humana.
— E eu estou muito menos disposta a viver com um deus e vários ceifadores, se vai me dar uma solução, fale de uma vez. — Respondeu ela, irritando .
— Petulante. — Resmungou ele. — Livre-arbítrio, o Todo Poderoso respeita isso acima de tudo.
— Deus é homem? — Perguntou, fazendo-o rolar os olhos.
— Estamos no meio de uma situação, e você me pergunta isso? Por que isso importa? — Bufou, ela levantou as sobrancelhas, esperando uma resposta. — Depende, para os ceifadores Ele sempre aparece como um homem mais velho, mais parecido com um pai, mas que é seu chefe. — Explicou. — para Penelope, ela dizia que enxergava uma senhora. Então, não existe um gênero, Deus se apresentará para você como o que você precisa que Ele seja. — Ela assentiu.
— Faz sentido, e para você? Como Deus aparece? — Perguntou, curiosa.
— Não é da sua conta. — Retrucou, fez um bico e cruzou os braços. — Voltando ao nosso assunto, posso arrumar um encontro e você reivindica o seu livre-arbítrio… — foi interrompido por um jornal atingindo sua cabeça.
— Bom dia, , trouxe café. — Disse , sorrindo, acompanhado de .
— Bom dia, como entrou aqui? — Perguntou. — Por que vocês ficam entrando na minha casa?
— Ah, a se lembrou de mim e disse para sua mãe que sou seu amigo. — Respondeu ele, sorrindo.
— Só não me lembro de onde o conheço, mas me lembro dele ser seu amigo, então, trouxe comigo. Ah, e ele trouxe café. — se jogou na cama, com um copo de café expresso na mão, entregou um para , quando esticou a mão para pegar o último, ele o interrompeu.
— Esse é meu, se me dissesse que estaria aqui, teria trazido um para você. — Disse , cerrando os dentes. — Pare de dizer suas bobagens para , isso não vai acontecer, me desculpe, , sem livre-arbítrio nesse assunto. — sorriu, não entendia como um ceifador podia ser tão simpático e confortante. — Vim ajudar na mudança! — Exclamou ele.
— Verdade, você vai se mudar desde quando? — perguntou.
— Bom, ainda não decidimos… — interrompeu .
— Já está tudo decidido, ela morará conosco, na nossa nova casa. — Ele deu uma piscadela.
— O quê?! — disse em coro com a mãe de , que estava na porta com uma bandeja de sucos.
— Ah, você ainda não… — murmurou e negou com a cabeça.
— Você vai se mudar com essas pessoas que eu não conheço? — Perguntou sua mãe.
— Mãe, eu posso explicar… — a interrompeu, dando outra piscadela.
— Nós estamos alugando um quarto na nossa casa nova, é próximo da faculdade e como nós estudamos lá, sempre iremos juntos. — Explicou-se.
— Ah… — A mais velha suspirou. — Talvez seja melhor, não temos dinheiro para pagar um segurança e mesmo te levando e buscando sempre, eu não sei o que poderia fazer para te proteger, depois do que aconteceu. — Ela se sentou ao lado de .
— Mas é provisório, mãe. — Disse . — Só até terminar a faculdade. — Ela sorriu.
— Bom, então vamos arrumar tudo! Quanto mais rápido você se mudar, mais rápido ficará mais segura! — Exclamou sua mãe, fazendo encará-la de cara feia e pular na cama.
— Isso! — Exclamou , sorriu e suspirou.

No fim do dia, eles já tinham empacotado tudo e sentia como se sua mãe estivesse esperando o momento certo para se livrar dela, não acreditava que ela tinha aceitado aquela desculpa de tão fácil. Todos estavam sentados na sala de jantar, esperando os refrescos que tinha ido preparar, junto com a mãe de sua amiga. se aproximou de e .
— Posso falar com vocês lá em cima? — assentiu e bufou, seguindo-os para o segundo andar, no quarto de .
— Nem começa. — Disse , entrando no quarto, fechou a porta atrás dele e fez cara de bravo.
— Não começar? Eu recebi ordens de vir até aqui hoje para garantir que ela não fosse dissuadida por você, achei que era um exagero e que você não faria isso, pois entende que nossa missão é resolver o que foi começado porque você atendeu ao pedido dela, não estou te culpando, fez o que deveria ter sido feito, mas , não é culpa dela também! Não podemos deixá-la morrer, principalmente por Penelope tê-la ameaçado e Penelope ser nossa responsabilidade! Eu aceitei suas ordens a vida inteira, meu amigo, mas você deixou de ser quem era faz tempo, e eu precisei assumir a sua posição, então, colabore comigo! — deu de ombros, estava irritado, mas respirou fundo para referir-se à . — Depois nos resolvemos, . … — Virou-se para ela. — Sinceramente? Eu adoraria que você tivesse outra escolha, que nós tivéssemos, sei que tudo isso deve estar sendo difícil de processar, mas por favor, ignore-o! Nesse momento, livre-arbítrio só vai existir quando sua vida não estiver mais em risco, e ele não se importa com a sua vida. — encarou , que olhava para o nada como se não estivesse ali. — Nada que vier dele será para outra coisa, além de benefício próprio. O deus da justiça praticamente não existe mais, a única coisa que o difere de Penelope, é que ele ainda cumpre ordens, abusa demais do seu livre-arbítrio, mas dentro das regras. Escute-me, faremos o possível para resolver isso e te manter a salvo, eu lhe dou minha palavra, mas confie em mim e faça esse sacrifício por enquanto. — suspirou e assentiu.
— Só é muito estranho, até alguns dias eu sequer acreditava que isso tudo existia, e de repente tenho que deixar a minha vida para morar com várias criaturas sobrenaturais, com todo o respeito, mas ter sido sequestrada já foi loucura demais, na maior parte do tempo eu acredito que estou delirando. — Disse, batendo a mão na cabeça, os dois a encararam. — Desde que eu possa continuar vivendo a minha vida, eu irei sem reclamar. — Completou, após um longo suspiro, fazendo suspirar aliviado e bufar.
— Eu gostaria que se mudasse hoje, mas mandei Jace e Stefan nas redondezas por precaução, se possível, organize tudo para irmos amanhã de manhã para a casa nova. — sempre falava com um sorriso no rosto sobre aquilo, começava a acreditar que era para aliviar a situação.
— Certo, vamos descer. — Disse ela, saindo do quarto e sendo acompanhada pelos dois, claramente estava odiando tudo aquilo e se arrependia de ter saído de casa para tentar evitar que a mudança acontecesse. — E por que uma casa nova? — Perguntou ela.
— Ainda precisamos que nosso templo seja um segredo, então, só alguns de nós irão se mudar, assim você pode receber visitas da sua mãe e da sua amiga, para checarem se está bem. — Explicou .
— Então, fico na casa antiga. — Murmurou , lançou um olhar mortal sobre ele, que retribuiu da mesma forma.
— Uau, o ar ficou meio denso. — Disse , se aproximando. — Onde encontrou esses caras bonitões? — Sussurrou para a amiga.
— Longa história. — respondeu. Todos se juntaram na sala de jantar e ficaram até terminar, permaneceu calado durante todo o jantar e era nítido que ele e queriam se matar, o que tornava tudo mais divertido para o ceifador, que estava pronto para acabar com ele quando saíssem dali. Após se despedirem, e foram caminhando para casa, preferiu que se resolvessem antes de chegarem.
— Eu preciso falar algo? — Perguntou o ceifador.
— E por que você falaria algo? Não vejo motivos para virar a minha vida de cabeça para baixo por uma humana. — Respondeu . — Eu não vou nem perguntar quem você pensa que é para ter feito o que fez hoje, talvez eu tenha te dado liberdade demais, mas já estou de saco cheio. — puxou seu braço.
— Se eu me importasse com isso, não teria vindo até aqui, se quiser dar as ordens, volte a ser quem você foi criado para ser! Somos amigos e eu te respeito, e esse é o único motivo de estarmos conversando agora e é a última vez que vou dizer isso: ela é sua responsabilidade, não minha! Quer resolver tudo isso? Então conviva com ela por um tempo, porque se ela morrer, você morre também, e nós dois sabemos que você ama a imortalidade! Você pode ser um deus, mas até você recebe ordens, as mesmas ordens que eu. — apertou o braço de com mais força, e ele jurava que podia enxergar chamas em seus olhos. — Pelo seu próprio bem, não tente desafiar as ordens.
— Ou o quê? O que você vai fazer? — o desafiou, soltou seu braço.
— Eu não vou fazer nada, amigo, mas você sabe que haverá consequência. — Respondeu, voltando a caminhar. — Estou tentando te ajudar, você dá trabalho demais! — Suspirou.
— Por que estamos brigando? — se deu conta da situação.
— Porque você é um idiota imprudente! — Respondeu . — Amanhã virei buscá-la, esteja aguardando. — bufou.

No dia seguinte, recebia ajuda de sua mãe para terminar de organizar a mudança.
— Onde conheceu homens tão bonitos? — Perguntou ela, riu fraco.
— Longa história. — Respondeu.
— Algum deles é seu namorado? — A mais velha arqueou as sobrancelhas.
— Não, mãe, credo! — sentia calafrios só de se imaginar namorando um ceifador ou um deus.
— Os dois são lindos, mas aquele … — Ela foi interrompida pela campainha, desceu as escadas deixando no quarto, agora fazia mais sentido para sua mãe estar tão tranquila, ela certamente quer empurrá-la para um deles. — Olha quem veio te buscar! — Exclamou a mulher, seguida de .
— Está pronta? — Perguntou, assentiu. parecia aliviado, na verdade, ele acreditava que seria muito mais difícil do que foi, talvez a aparição de Penelope tenha facilitado a situação, certamente não queria morrer. Os ceifadores buscaram as coisas de e colocaram dentro de uma van, após terminarem, foi se despedir de sua mãe.
— É temporário, logo estarei de volta! — Disse, sua mãe assentiu e a abraçou, com lágrimas nos olhos. entrou no carro e acenou, fazendo sua mãe acenar de volta, e ela viu sua filha indo embora naquele carro com aquelas pessoas que ela não conhecia. Assim que estavam longe o suficiente, ela pegou o celular apressada e fez uma ligação.
— Oi, a foi embora. — Disse. — Eu não sei, mas já fiz o que você pediu. — Completou, antes de desligar.

Chegando na casa, estava incrédula. A casa era ainda maior do que a outra que eles moravam antes, se eram poucas pessoas, por que uma casa daquele tamanho?
— Tentamos encontrar uma casa que fosse confortável. — Disse , descendo com as caixas dela.
— Bota confortável nisso. — Respondeu ela, passando pelo portão. Assim que a porta se abriu, ficou boquiaberta com a casa. — Com certeza isso é mais do que confortável.
— Nem me fala. — escutou a voz de e virou-se para vê-lo, ele vestia um robe de dormir aberto e uma calça de pijama. — Seja bem-vinda! — Disse, levantando uma xícara, como se estivesse brindando.
— Obrigada. — Respondeu , imaginando como havia sido a conversa com , já que ele estava sendo mais agradável.
— Vem. — Disse , puxando pelo braço, assim que subiram as escadas tiveram acesso a um enorme corredor. — O quarto do fim do corredor é o seu, ficou com o terceiro andar inteiro, então evite de ir lá. — Ele fez uma cara feia, o corredor parecia o das salas da faculdade, mas era um pouco menor e mais bonito, haviam quadros entre as portas. — Eu ficarei no quarto mais próximo de você, Stefan e Jace ficarão nos dois quartos do começo do corredor e Jeremy lá embaixo. Aqui tem um banheiro… — Disse, abrindo uma porta. — E um escritório para mim, eu teria aproveitado melhor a casa se não tivesse exigido um andar inteiro para ele. — Resmungou, caminhando até a última porta. — Todo seu.
— Uau! — Exclamou , quando a porta se abriu. Aquele quarto era maior do que o dela e de sua mãe juntos.
— Nós compramos o essencial, pode decorar como quiser, e eu preciso que você me faça uma lista dos móveis que vai precisar, compramos o básico mesmo. — Havia uma penteadeira, uma cama de casal, uma escrivaninha e uma estante de livros, mais duas portas.
— E essas portas? — Perguntou ela.
— Ah, closet e banheiro, imaginei que não iria querer dividir o banheiro com vários homens, se bem que eu e temos um banheiro, mas mesmo assim. — estava sem reação e parecia uma criança mostrando a casa.
— Um closet… — Murmurou.
— Eu disse que era exagero. — Disse , parando na porta.
— Fique quieto, quero que ela se sinta confortável. — apenas rolou os olhos para o ceifador.
— Eu escolhi a casa, teremos a mesma vista, então, aprecie. — se virou para olhar a vista e quando virou para responder , ele não estava mais na porta. Os outros ceifadores entraram e deixaram suas coisas no quarto.
— Nos diga o que precisa e também faça uma lista do que você come, nós geralmente só comemos pelo prazer de saborear, não temos fome. — Disse , antes de sair, apenas assentiu, estava chocada com aquela casa. Acho que ser imortal tem algumas vantagens, pensou ela. O dinheiro que eles gastaram nessa casa, ela acreditava que nem se vivesse 10 anos, conseguiria juntar.

Após arrumar todas as suas coisas, deitou na cama olhando para o teto, que loucura, pensou ela. Como sua vida havia se transformado no que ela estava vivendo? Ela se perguntava isso com bastante frequência. Levantou-se para olhar através da janela e a vista realmente era muito bonita. Alguém bateu à porta.
— Entra. — Disse, abriu a porta e olhou ao redor. — Vejo que já se instalou. — Ela assentiu.
— Estava apreciando a vista. — Respondeu, voltando o olhar para a janela.
— É uma das poucas coisas que ainda aprecio nesse mundo, e os humanos estão destruindo. — Disse ele, se aproximando dela.
assentiu.
— As pessoas não sabem dar valor às coisas boas que existem no mundo. — Falou baixinho, para surpresa de , que sorriu de canto. — Precisa de algo? — Perguntou, virando-se para ele, que estava perto demais e continuava vestido como estava quando chegou na casa, mas dessa vez ela pôde olhar melhor, u a u, pensou, para alguém com mais de mil anos, ele estava bem conservado.
— Você precisa? — Perguntou ele, notando que ela o estava encarando.
— Hã? Você bateu aqui! — Respondeu, voltando do transe que estava.
— É, para chamar para o jantar, mas você encarou tanto… — Ela o interrompeu.
— Eu não estava encarando! Estava pensando em algo e acabei me esquecendo que estava aqui. — Retrucou, fazendo-o rir.
— Desce para comer, eu cozinhei. — Disse, ainda rindo, saindo do quarto.
— Ele cozinhou para mim? Aposto que me envenenou. — Resmungou, procurando seu celular e jogando uma almofada longe. — deus irritante. — Continuou resmungando enquanto descia as escadas.
saiu. — Disse ele, assim que ela chegou na sala de jantar. — Os outros também, como você não descia, fiz comida para você não morrer no meu turno. — Sorriu amarelo, comendo um pedaço de vagem com as mãos.
— Obrigada. — Respondeu ela, se sentando.
— Fiz muitos legumes e vegetais, não sou muito fã dessas porcarias que os humanos gostam tanto de comer. — Ele colocou dois pratos sobre a mesa.
— Por mim, tudo bem. — estava faminta. — Comeria até pedra com a fome que estou. — Sua resposta fez rir de novo.
— Você… — Disse, recuperando o fôlego. — Você é estranha.
— Por que? — Perguntou ela, inclinando a cabeça para o lado.
— Vamos ignorar a estranheza de toda a situação que te trouxe aqui, eu te acho estranha porque você parece uma pessoa e quando fala parece outra completamente diferente. — Explicou.
— Você é desses que julga as pessoas pela aparência? — Perguntou ela, servindo-se.
— Claro! Ou acha que saio por aí conversando com humanos? — Ele franziu o cenho, engoliu o riso.
— É, faz sentido. — Deu de ombros.
— Na verdade, eu costumo julgar pelas atitudes e pelos pensamentos… — deu um pulo.
— Você… — Ela se lembrou do que estava pensando quando ele estava em seu quarto mais cedo. — Você lê pensamentos? — Perguntou.
— Sim, mas não se preocupe, não leio mais os seus desde que pensei que havia apagado sua memória. — Respondeu ele, pegando um pedaço de cenoura com o garfo e levanto até a boca, suspirou aliviada. — Mas sei o que estava pensando quando estava me encarando.
— Estava pensando que você não toma banho e usa a mesma roupa o dia inteiro. — Disse, fazendo o deus fazer uma cara feia.
— Você deve estar se achando muito importante para falar assim comigo. — Resmungou ele.
— Para um deus, você se afeta facilmente com brincadeiras. — Ela riu fraco, fazendo-o arquear uma sobrancelha.
— É melhor não se esquecer da sua insignificância de humana, não somos iguais, não se ache no direito de brincar comigo. — Seu semblante mudou, ele voltou a ser sério. — Coma tudo e lave a louça. — Disse, saindo da mesa.
— Não se incomode, ele não tem senso de humor. — Um dos ceifadores chegou, ela nem havia percebido a presença dele ali. — Acabei de teleportar, não se assuste, ouvi o final da conversa. — Ele sorriu.
— Ah… — Ela fez um bico.
— Eu sou o Jeremy! — Disse ele, pegando um prato. — cozinhou para uma humana, eu não acredito que vivi o suficiente para ver isso. — Jeremy riu.
— Ele estava sendo legal e de repente voltou a ser rabugento. — fez uma careta.
— Sabe o que você chama de rabugento? É ele sendo legal. — Explicou. — Pelo menos com humanos, eu nunca vi ele sentar na mesma mesa para jantar ou conversar sobre qualquer coisa, acredito que ele tenha ficado feliz por alguém ter pedido por ele. — Completou, servindo-se.
— Mas as pessoas não chamam por ele?
— Geralmente as pessoas pedem justiça, mas raramente alguém fala o nome dele pensando em fazer outra pessoa pagar pelos seus pecados. — Disse, sentando-se para comer.
— Como sabe disso? — Perguntou ela.
nos contou, você disse algo sobre pessoas se acharem importantes demais para ceifar a vida de outras pessoas, certamente gostou disso, ele não te acha tão medíocre como acha os outros humanos.
— Mas ainda acha várias coisas ruins sobre mim.
— Sobre todos, querida, não se ofenda! Tem para todos, até para nós, ceifadores. — Respondeu, sorrindo e levantando uma taça vazia que estava na mesa. — Aproveite a refeição, mas não se acostume, pegou muito no pé dele para te tratar bem, até deixou o terceiro andar inteiro para ele.
— Como se ele me deixasse acostumar com qualquer atitude agradável vindo dele. — Ela rolou os olhos e Jeremy riu.
— Acho que vamos nos dar bem.
— Já estão jantando? — Perguntou , surgindo do nada, igual ao Jeremy.
— Uhum. — Respondeu .
cozinhou para ela. — Jeremy sorriu, estava surpreso.
— Está falando sério? — Os dois assentiram, deixando boquiaberto.

No dia seguinte, a casa estava vazia de novo, pensou que se fosse sempre assim, a convivência seria mais tranquila do que ela pensou. Decidiu ir para a sala de estar, assistir alguma coisa na TV. Sentou-se no sofá e ficou surfando nos canais.
— Coloque no noticiário. — Ela escutou a voz de , que estava descendo as escadas.
— Não sabia que estava em casa. — Respondeu ela, colocando no noticiário.
— Estou na maior parte do tempo. — Ele se sentou em uma poltrona. — E você? Não estuda mais? — Perguntou, ela negou com a cabeça.
— Fui sequestrada, lembra?
— Como esqueceria? E por isso largou a faculdade? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Não. — Respondeu ela, se espreguiçando. — Mas me deram uma semana em casa, para me recuperar do trauma. — Explicou.
— Faz sentido, me chame para acompanhá-la no seu primeiro dia de volta. — Ele voltou o olhar para a TV.
— Por que? — Perguntou, surpresa.
— Caso estejam planejando fazer algo com você de novo, quero que olhem bem para o meu rosto, será a última coisa que verão antes de morrer. — gelou, mas não de um modo ruim ou por medo dele, pelo contrário, mas ela não esperava que ele agisse de modo protetor com ela.
— Por que? — Perguntou, ainda sem conseguir reagir direito.
— Se depois do que eu fiz com os outros, ainda vierem atrás de você, significa que o meu recado foi ignorado e estarão me desafiando, e odeio ser desafiado por humanos. — Respondeu, aumentando o volume da TV.

suspirou, era óbvio que ele não a protegeria porque se importava, mas por 1 segundo ela desejou que fosse por isso, pelo menos estaria protegida se ferissem o ego dele, e isso já era bom para ela.


Capítulo 3 — Convivência

No mesmo dia, estava estudando as matérias que tinha passado para ela, apesar do reitor ter dito que ela poderia ficar em casa uma semana que não levaria falta, ela não queria ficar para trás em nenhuma matéria. Em breve ela seria indicada pelo seu professor em um excelente estágio remunerado, ela não podia deixar todas essas loucuras que estavam acontecendo atrapalharem seu futuro. Enquanto estudava, começou a escutar de longe Master of Puppets do Metallica, parecia estar vindo do andar de cima, ela simplesmente ignorou. Ou pelo menos ela tentou ignorar, na medida que ele aumentava o som, mais ele fazia sons enquanto andava ou sabe se lá o que ele estava fazendo, e ela não conseguia se concentrar. Desceu as escadas, pegou uma vassoura e levou até seu quarto, batendo no teto. Depois de várias tentativas e perceber que não estava adiantando, ela resolveu ir até lá. Bateu na porta, com raiva, várias e várias vezes e não teve resposta, até que percebeu que estava aberta e simplesmente entrou, se deparando com de toalha, saindo do banho.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntou ele, estava em completo choque, mais uma vez. Que ele era muito bonito, ela já sabia, afinal estava sempre olhando para a cara dele, e já havia o visto sem camisa, mas aquela cena ficaria marcada na sua mente pelo resto da vida, o cabelo molhado e bagunçado aumentava ainda mais o charme dele. — Eu te fiz uma pergunta.
— O QUE? — Gritou ela, que havia entendido perfeitamente o que ele disse, mas fingiu que não entendeu por causa do barulho, fazendo-o abaixar o som.
— Eu perguntei o que você está fazendo aqui. — Repetiu, suspirou aliviada.
— Finalmente, não aguentava mais essa barulheira! — Exclamou ela. — Eu estou tentando estudar, não é só você que mora aqui! — Respondeu ela.
— E não sabe bater na porta?
— Eu bati até cansar! Não me culpe pela sua falta de senso coletivo. — A garota cruzou os braços, ele pensou em argumentar, mas se rendeu. Ele havia se esquecido que ela estava ali.
— Vou escutar mais baixo, os rapazes quase nunca estão em casa, então é costume. — Respondeu ele, fazendo-a arquear uma sobrancelha.
— Isso é um pedido de desculpas? — Provocou ela.
— Não, e se me irritar aumento no máximo e tranco a porta. — cruzou os braços, fez uma careta.
— Certo, obrigada e por favor, não atrapalhe meus estudos. — Ele assentiu e ela voltou para seu quarto.

Tentou se concentrar nos estudos, mas se perguntava se um deus também tinha desejos como um humano, se quando ele via alguém do mesmo jeito que ela o viu, pelo menos suspirava. Mas ele não tinha cara de quem faria isso, era sempre tão sério e ranzinza. Ela o odiava por ser tão bonito, porque era fácil esquecer como ele era insuportável. Quando finalmente conseguiu se concentrar, tinha tanta coisa pra fazer que perdeu a noção da hora e adormeceu na escrivaninha.

já jantou? — perguntou a na sala de jantar.
— Estava estudando. — Respondeu ele, servindo o jantar.
— Estou tentando ficar mais em casa, mas aconteceram muitos acidentes e todos nós trabalhamos muito. — suspirou. — Agora mesmo, tenho que levar uma família inteira. Verifique antes de se trancar. — Pediu, desaparecendo na frente de .
— Verificar? Existo há séculos e de repente viro babá de uma humana? — Bufou, deixando seu prato na mesa e subindo às escadas. Bateu na porta, que estava encostada e logo se abriu, não teve resposta, então entrou.
? — Sussurrou, não tendo resposta. Se aproximou e ela estava dormindo por cima do notebook. — ? — Ele sussurrou de novo, se aproximando mais. Olhou para a garota debruçada na escrivaninha, em cima de vários papéis e do notebook e sorriu, colocou a mão por baixo de sua testa para tentar levá-la para a cama, mas quando ela emitiu um som, ele soltou sua cabeça no susto e ela bateu com força na escrivaninha, acordando assustada.
— Hã? O que? O que aconteceu? — Perguntou confusa. segurava o riso, enquanto ela colocava a mão na testa.
— Você não desceu para comer e me pediu para verificar. — Respondeu, pigarreando a fim de manter a voz séria.
— E por que eu tenho um galo na cabeça? — Perguntou, com a mão ainda na testa.
— Não sei, acabei de chegar aqui. — Disse ele, virando-se para sair. — Não desça agora, não quero companhia no jantar, mas não durma sem comer. — ficou no quarto confusa com o que tinha acabado de acontecer, enquanto do outro lado da porta ria da cabeçada que ela deu. Ela abriu a porta de repente.
— Do que está rindo? — Perguntou.
— Você não estava sonolenta? — se assustou com ela chegando tão rápido na porta.
— Te ouvi rindo. — Ela cerrou os olhos. — Você bateu na minha cabeça? — Perguntou ela, cruzando os braços, segurou o riso.
— Não sei do que está falando. — Ele desconversou, olhando para o outro lado.
— Não sei porquê, mas sei que você tem algo a ver com isso. — Ela apontou para o galo na cabeça, que estava muito perceptível, fazendo rir.
— Vem. — Ele desceu as escadas, ela cerrou os olhos, mas o seguiu. Quando chegaram na cozinha, ele deu uma bolsa de gelo para ela. — Coloca nesse galo. — Ela pressionou a bolsa de gelo na cabeça.
— O que você fez? — Ela estava irritada e ele apenas deu de ombros.
— Pode jantar, depois eu desço. — Respondeu, deixando com um galo e irritada.

Após o jantar, ela apagou assim que deitou-se. Estava tendo um sonho tão bom, quando escutou um barulho na casa, levantou depressa e espiou no corredor, não viu sinal de ninguém, bateu à porta de , mas não teve resposta. Subiu as escadas de fininho e bateu na porta de , também sem resposta. Mas nenhum bandido entraria em uma casa com ceifadores e um deus, ou entraria? Ela pegou um candelabro que estava decorando uma mesinha no canto do corredor e desceu devagar até o primeiro andar, onde escutou vozes sussurrando no escuro, desceu mais alguns degraus para entender o que estavam conversando.
— Não pode trazer pessoas para torturar com a humana aqui. — Sussurrou Jace. — não vai gostar.
— Ele queria que eu fizesse meu trabalho, estou fazendo, preparei o porão com isolamento acústico por esse motivo, estou sempre em casa para proteger a humana, agora sai da frente. — Disse , acendeu a luz da sala e os dois se assustaram.
— O que estão fazendo? — Perguntou ela.
— O que você está fazendo com esse candelabro? — Perguntou , com um homem desmaiado no ombro.
— Achei que fosse um bandido. — Murmurou.
— E você iria usar um candelabro? — Perguntou Jace, rindo fraco, fez cara feia. — Não se preocupe, bandidos não entrariam aqui.
— E o que estão fazendo? — Ela se aproximou deles. — Ei! — Exclamou, reconhecendo o homem que estava no braço de . — Ele é meu professor de penal, o que fez com ele?
— Vou fazê-lo pagar. — Respondeu ele, virando-se.
— Não pode torturar meu professor de penal!!! — Ela cruzou os braços.
— Ele assediou alunas em troca de um estágio remunerado, e fez todas parecerem mentirosas, além de processá-las e vencer. — Explicou .
— Ele fez isso? — estava pasma, e assentiram. — Ele ia me indicar para um estágio… — Murmurou.
— Ah, ele ia? — sorriu malicioso. — Que ótima notícia, se me permite, tenho que fazer meu trabalho.
— Fique à vontade. — Respondeu , para a surpresa de Jace. — Só não me acorde. — Completou, assentiu e levou o homem para o porão.
— Você percebe que ele vai torturar o seu professor de penal e castigar ele? — Perguntou Jace, assentiu. — Isso não te incomoda?
— Ah, ele é o deus da justiça, e se o Sr. Stewart fez todas essas coisas, ele merece ser punido. — Ela suspirou. — Sei que a lei não vai fazer isso, então não irei me opor ao deus da justiça, dessa vez. — sorriu. — Boa noite. — Disse, subindo, Jace acenou e suspirou.
— Agora sei porque ele gosta dela. — Riu fraco, subindo também.

Quando o dia amanheceu, acordou com vontade de fazer uma caminhada. Desceu para tomar café e encontrou na cozinha com os outros ceifadores.
— Bom dia! — Disse, sorrindo. Eles se viraram para ela, pareciam preocupados.
— Bom dia, ! — Disse . — Você está bem? Sinto muito por ontem à noite, vou conversar com para que não se repita.
— Ah, seria bom! Odiaria ser acordada de novo acreditando que a casa está sendo invadida por bandidos, pede pra ele fazer silêncio da próxima vez. — Ela sorriu, pegando uma xícara. Os ceifadores ficaram sem entender.
— Eu disse. — Jace riu. — , só vamos ter café expresso.
— Tem café moído de hoje. — Disse , usando apenas uma calça de pijama. — Não gosto de café expresso. — Ele sorriu amarelo.
— Estávamos conversando sobre ontem à noite. — arqueou as sobrancelhas.
— Ah, sim. — pegou sua xícara, e foi até a cafeteira. — Não se preocupe, , o seu professor já foi punido. — Ele levantou a xícara cheia para ela, que sorriu fraco e foi até a cafeteira, assim que ele se afastou.
— Não é como se eu não pudesse lidar com isso, , não se preocupe. — Disse ela, bebendo um gole de café e queimando a língua. — Ai!
— Me preocupo que não seja um ambiente agradável para se viver. — suspirou.
— De fato, mas se não fizerem barulho, nem vou ver nada. — sorriu. — Vou subir, daqui a pouco queria fazer uma caminhada, estou um pouco entediada.
— Claro, um de nós irá te acompanhar. — sorriu de volta, ela assentiu e subiu as escadas.
— Eu não vou. — disse, depressa.
— Precisamos que você vá, estamos com um problema e preciso que você assuma as coisas por aqui por mais tempo. — ficou sério, de repente.
— Que tipo de problema? — Perguntou ele.
— Penelope tem ceifadores trabalhando para ela, e alguns estavam infiltrados na nossa casa, não podemos confiar em ninguém além de quem está aqui. — bufou. — Eles estão atrás de , e sabem que ela está morando conosco em algum lugar.
— Diga os nomes. — Todas as vezes que sentia tamanha raiva, era como se a densidade do ar aumentasse, os humanos sempre percebiam por sentir dificuldade em respirar, já os ceifadores sentiam a diferença no momento em que acontecia, nem um segundo a mais ou a menos.
— Você não pode tocar neles. — Disse Stefan.
Ainda. deu ênfase. — Enviamos os nomes e estamos esperando permissão, você poderá fazer o que faz de melhor, mas por enquanto, não saia do lado dela.
— Por que eles estão tão interessados nela? — Perguntou Jeremy.
— Ela conseguiu ver Penelope. — Explicou . — Ela me disse que nunca havia visto nada do tipo, até ser salva por mim.
— Sim, Ele nos disse a mesma coisa. — suspirou. — , é muito importante para darmos um fim nisso, precisamos dela.
— Nem pensar! — negou com a cabeça e respirou fundo. — Você é todo legal com ela, e quer usá-la numa guerra que é nossa?
— Você acha que quero isso? Mas como ela vai ter paz? — se levantou e começou a andar de um lado para o outro. — Talvez esse seja o plano maior que ela está envolvida. Por isso antecipei a mudança, não podia arriscar.
— Por que não pergunta ao Todo Poderoso sobre esse plano maior? — Perguntou Jace.
— Eu perguntei, Ele está falando em enigmas, como se tivéssemos que aprender algo com tudo isso, e acredito que esse seja o plano maior. — bateu a mão na bancada.
— Não destrua a casa! — Ordenou . — Escute, me dê os nomes quando tiver a permissão, vou resolver isso sem precisar usá-la.
— E se você não conseguir? — Perguntou , virando-se para ele.
— Então, deixo você fazer o que quiser. — levantou as mãos.
— Está se afeiçoando à humana? — Jeremy sorriu.
— Se ela morrer, eu morro. Você mesmo disse que ela é minha responsabilidade, . — olhou para ele como se aguardasse uma resposta, assentiu.
— Vou deixar por sua conta, mas não saia do lado dela! Ela não viveu nada da vida e ela merece ser feliz. — Todos estavam cabisbaixos, mas principalmente , ele realmente sentia empatia por .
— Tudo bem. — assentiu.


Mais tarde, estava escutando música enquanto organizava alguns materiais da faculdade, e alguém bateu à porta.
— Entra. — Respondeu, abriu a porta.
— Oi, vim perguntar… — Ele parou de falar quando percebeu que ela estava escutando uma música em Italiano. — Que música é essa?
— Vent’anni, é minha música preferida. — Respondeu, sem olhar para ele.
— Filha da… Você conhecia música em Italiano? — Ela assentiu.
— Falei de Despacito só para quebrar o clima pesado. — Respondeu, cerrou os punhos, ela realmente fazia questão de provocá-lo, mesmo sendo um deus, ela não tinha medo do que ele poderia fazer. Interessante. Pensou ele. — O que quer?
— A caminhada, que horas quer ir? — Perguntou ele, lembrando-se do motivo de estar ali.
— Pode ser daqui uns 15 minutos? — Perguntou, levantando-se. — Estou organizando essas coisas, não gosto de sair e deixar tudo desarrumado.
— Estarei esperando lá embaixo. — Ela assentiu e ele fechou a porta. A verdade é que ela estava chateada, contava tanto com o estágio remunerado e agora tinha ficado para trás pela semana que ficou em casa, precisava voltar para faculdade com tudo em ordem para conseguir por conta própria. Passados alguns minutos, ela desceu as escadas e encontrou sentado no sofá.
— Vamos? — Perguntou, ele se levantou e olhou para ela. — Vai sair para caminhar com essa roupa?
— Vamos dar um passeio no parque, não correr uma maratona. — Ele rolou os olhos, fazendo rir fraco.
— Tudo bem, onde vamos? — Ele se aproximou dela, fazendo-a dar dois passos para trás, seguro em seu braço e de repente estavam em um parque.
— Não é muito seguro ficar andando perto da casa. — Explicou, soltando a mão dela, que estava paralisada. — Qual é o problema?
— Acho que já vim aqui. — Ela olhou ao redor.
— Acha? — Perguntou ele, franzindo o cenho.
— Não tenho certeza, acho que eu era criança. — Ela tinha uma sensação de familiaridade, como se aquele lugar fosse reconfortante.
— Vamos. — Disse ele, puxando-a para andar.
Enquanto caminhavam, em silêncio, observava as crianças brincando com suas mães, estranhamente aquilo não a fazia sentir nem um pouco de falta da sua, porque elas nunca haviam feito aquilo.
— Vamos parar aqui. — Disse ela, virando-se para observar o lago à sua frente.
— É isso que você faz nas horas vagas? — Perguntou ele, incomodado com a quantidade de crianças que estavam naquele lugar. Ela negou com a cabeça.
— Era o que eu gostaria de fazer, mas raramente tenho horas vagas. — Respondeu, respirando fundo. — Gosto de estar em contato com a natureza.
— Com essa gritaria de criança, fica um pouco difícil de sentir a natureza. — Resmungou ele, fazendo-a rir e virar-se para observar as crianças.
— Não são umas gracinhas? — Perguntou, ele negou com a cabeça.
— Mini humanos são mais barulhentos do que humanos adultos. — Resmungou novamente.
— Gosto de crianças, são inocentes. — Ela sorriu enquanto observava uma menininha loira construindo um castelinho no playground.
— Mas quando crescem perdem essa inocência. — deu de ombros.
— Mas não é incrível como são puros? — Ela sorriu, até que percebeu que conhecia a menina. , que a observava prestando muita atenção na criança, percebeu quando seu semblante mudou.
— O que foi? — Perguntou, olhando ao redor.
— Agora faz sentido. — Ela suspirou.
— Gostaria que fizesse sentido para mim também, fale claramente. — Bufou ele.
— A criança ali, fazendo um castelinho de areia, é minha irmã. — Disse, para o espanto de .
— Você tem irmã?
— Filha do meu pai, me lembrei por causa da foto que vi no Instagram da mulher dele. — Ela sorriu para ele. — Estamos no bairro dele, por isso conheço o parque, vim aqui até os 4 anos com ele.
— Ainda quer se vingar dele? — sorriu malicioso, ela negou com a cabeça.
— Você disse que isso era comigo, mas foi um sentimento momentâneo, não acho que ele é culpado pelo meu sequestro. — Ela se virou e voltou a caminhar.
— Mas ele te abandonou. — Disse ele, aumentando o passo para alcançá-la.
— Sim, ele errou muito em me abandonar, mas no lugar dele eu também teria ido embora. — Ela parou de andar e ficou em silêncio. — Podemos não falar sobre isso? — apenas assentiu, ela estava séria e parecia triste, preferiu não prolongar a conversa porque ele não se importava o suficiente para escutar.
— Vamos sentar um pouco. — Ele apontou para um banco e caminharam juntos até lá.
— Obrigada pelo passeio. — Ela sorriu com os lábios.
— Você sabe que não tive escolha. — rolou os olhos, fazendo-a rir.
— Mesmo assim, obrigada. — deu um sorriso largo, fazendo , que estava olhando diretamente para seu rosto, sorrir de volta.
— Senhor? — Ele escutou uma voz e se levantou rapidamente. — Rapazes! Salazar! — Exclamou o homem com um terno perto.
— O que fazem aqui? — Perguntou , enquanto os outros dois ceifadores se aproximaram.
— Estamos em uma missão, e o senhor? Estão morando aqui por perto? — Perguntou o ceifador.
— Por que quer saber? — cruzou os braços.
— Por curiosidade, sentimos sua falta na casa. — apenas deu de ombros. — Essa é a humana? — O ceifador se aproximou de e entrou na frente.
— Não se aproxime dela. — Ordenou, fazendo o ceifador recuar.
— Não precisa ficar tão tenso, só queremos conhecê-la. — Disse outro ceifador que estava junto.
— Vamos embora! — puxou pelo braço, fazendo-a levantar.
— Calma, senhor. — Os três ceifadores os cercaram. — Não podemos deixá-la ir. — De repente o tempo congelou.
— Fique atrás de mim. — Disse , assentiu.
— Não há necessidade de brigarmos, podemos conversar! Sabemos que não quer conviver com uma humana, entregue a garota para nós e fingimos que nunca nos encontramos. — O ceifador sorriu, sentiu um pouco de dificuldade para respirar.
— Acha mesmo que vai levá-la no meu turno? Quem vocês pensam que são? — arregaçou as mangas, e rapidamente evitou um ataque que vinha da esquerda, lançando o ceifador longe e fazendo cair sentada de susto.
— Não queríamos brigar, mas não podemos perder essa oportunidade, espero que o senhor entenda. — Ceifadores normais, raramente desafiavam um deus, principalmente aqueles que eram de categorias baixas, mas sentia que havia algo diferente com eles e sua sensação foi confirmada quando seus olhos ficaram amarelos.
— Vou acabar com vocês bem rápido para não assustá-la. — Os dois vieram para cima dele de uma vez só, era nítido que eram mais fortes, mas ele ainda era um deus e eles apenas ceifadores. Ele empurrou os dois para longe, o que havia atacado pela esquerda se levantou e, antes que pudesse atacar, levou um soco muito forte. O primeiro dos dois a se levantar e se aproximar dele, foi segurado e levou repetidos golpes com o joelho no rosto, até ficar desacordado. O outro não foi diferente, ele o levantou e jogou no chão com força, desferindo vários socos no rosto, até que ficasse desacordado.
— Cuidado! — Gritou , mas aparentemente não precisava, evitou o ataque vindo da esquerda e deu uma cabeçada no ceifador, jogando-o no chão ao lado dos outros dois. Ele continuou batendo no que havia se aproximado dos dois primeiro, tinha certeza de que ele havia desfigurado o rosto daquele ali. Uma poça de sangue começou a se espalhar pelo chão, fez uma espada aparecer do nada e cortou a cabeça de um deles, deixando aparentemente, apenas um vivo. O que havia atacado pela esquerda, foi o único a ser poupado.
— Não sou misericordioso, não pense que está ficando vivo por isso. — Disse, se abaixando ao lado do ceifador. — Quero que dê um recado a Penelope. — Ele puxou o homem pelo paletó, para que pudesse sussurrar em seu ouvido. — Diga para ela, que eu mesma a matarei se tentar algo contra a humana. — Disse, soltando o homem com força no chão.
— Ai! — Gritou , tropeçando em um dos mortos e fazendo virar rapidamente. — Quase caí na poça de sangue.
— Achei que estava sendo atacada. — Ele suspirou, se levantando. — Está bem? — Ela assentiu.
— Eles estão mortos? — assentiu. — Não sabia que podiam sangrar.
— Apenas quando lutamos entre nós. — Explicou, chutando os corpos. — Vamos embora.
— E o que vai acontecer com eles? — Perguntou ela.
— O que sobrou vai limpar a bagunça. — O ceifador no chão estava tremendo. — Cuide dos seus amigos. — Disse, puxando para o braço.
— Mas as pessoas vão ver. — Ela continuava olhando para trás.
— Eles estão invisíveis, mas ele vai limpar tudo, não se preocupe. — a puxou com mais força, enquanto olhava para trás, percebeu entre todas as pessoas ali congeladas no tempo, um rosto familiar, mas resolveu se calar e apenas seguir , que parou de repente, fazendo-a se chocar contra seu abdômen.
— Ai! — Ela colocou a mão na cabeça.
— Está traumatizada com o que aconteceu? — Perguntou ele, olhando em seus olhos.
— Não, eu… — Ele a interrompeu.
— Por que está olhando fixamente para dois mortos e um quase morto?
— Estava olhando para outra pessoa. — Murmurou, olhou ao redor.
— Você viu alguém que te chamou mais atenção do que dois ceifadores mortos? — Ela assentiu, fazendo-o rir. — Vamos embora. — Disse, segurando seu braço e aparecendo em casa de repente. ainda não havia se acostumado com aquilo.
— É… Eu vou subir. — Disse, sem saber o que falar naquele momento, ele assentiu.
— Tem certeza que está bem? Não quero ouvir sermão de quando voltar. — Ele cruzou os braços.
— Estou bem. — Respondeu ela. — O que acontece com eles? Quando morrem?
— Voltam a ser apenas almas e vão para onde deveriam ir. — Explicou ele. — Todos os ceifadores são pessoas que escolheram trilhar esse caminho após a morte.
— Então, já foi humano? — Perguntou, curiosa.
— Todos eles já foram, mas não se lembram sequer da sensação de serem humanos… — A barriga de roncou, interrompendo a explicação de . — Vou tomar um banho e cozinhar algo. — Disse, subindo e deixando a garota parada na escada.
— O que eles querem comigo? — Perguntou, antes que terminasse de subir.
— Não se preocupe com isso, você está a salvo. — Disse, antes de subir, e na verdade, ela só estava curiosa. Parecia que mesmo em meio àquele caos, ela estava vivendo do jeito certo pela primeira vez. E ela sabia que estava a salvo, podia sentir. Enquanto sentia medo, pela primeira vez em toda sua vida, medo de não cumprir o que tinha acabado de dizer.

Capítulo 4 — Lar

Todos os dias quando acordava, se divertia com o caos que era a sua casa. e brigando, os rapazes se divertindo às custas deles e todo aquele alvoroço logo cedo, trazia uma sensação boa. Exceto por hoje, estava de péssimo humor e era seu primeiro dia de volta na faculdade, o que aumentava seu péssimo humor. Ela resolveu dormir até mais tarde, mas os barulhos vindo do primeiro andar não deixavam, o que a fez levantar furiosa. Na medida em que descia os degraus, todos se viravam para as escadas, pois escutavam o barulho de seus pés batendo com força no chão.
— Que diabos?! — Disse, assim que deu de cara com eles. — Qual é o problema de vocês? Não tem educação? Uma pessoa não pode dormir um pouco justo no dia que tem um compromisso? — Perguntou, claramente irritada.
— Com quem você pensa que está falando? — Perguntou , cruzando os braços.
— Com 5 homens que dividem a casa comigo, não me importo se são deuses, ceifadores ou sei lá, a única coisa que eu me importo é que vocês ajam com educação!!! — Esbravejou ela, chocando a todos.
— Me desculpe, ! Não sabíamos que ainda estava dormindo. — se desculpou.
— Se vocês forem me infernizar diariamente, eu que vou ficar com o terceiro andar! — Disse, antes de subir os degraus.
— Olha, que audácia dessa insignificante, eu vou mostrar uma coisa a ela… — foi impedido por Jeremy e Jace.
— Deixe-a em paz! — Disse Jeremy. — Não é como se ela estivesse errada.
— Sim, mas nunca a vi falando dessa forma. — Stefan estava chocado. A campainha tocou.
— Quem é? — Perguntou Jace.
— Deve ser a , pediu que ela viesse hoje. — Disse , indo abrir a porta.
— Bom dia! — Exclamou assim que a porta se abriu, analisando os outros ceifadores que ela ainda não conhecia. Como ela consegue morar com tantos caras bonitos sem tirar uma casquinha? Pensou, fazendo rir fraco ao escutar seus pensamentos.
— Bom dia, ! — sorriu, tinha certeza que aquele homem havia sido feito para ela, que era dele que a vidente estava falando.
— Péssimo dia para visitar a sua amiga, acordou mal humorada. — Disse .
— É, eu imagino. — Respondeu, entrando na casa. — Que casa linda!
— Como você imagina? — Perguntou .
— Além de hoje ser o primeiro dia de volta, é um dia que é natural que mulheres fiquem estressadas. — Todos eles olharam com cara de interrogação. — Vocês sabem, coisa de mulher.
— Não sabemos não. — Disse Jeremy.
— Gente, ela está de TPM! — Explicou, apenas e entenderam o que ela queria dizer, os outros continuaram com a mesma cara. — Costumo monitorar isso, tenho que saber como vou interagir com ela e que vou precisar ser um pouco mais paciente, eu nunca vi a TPM afetar tanto alguém quanto afeta minha amiga, fica a dica para vocês, cuidado onde pisam durante essa semana. — Ela sorriu.
— Faz sentido. — Murmurou , com a mão no queixo.
— E então, onde ela está? — Todos apontaram para as escadas.
— Final do corredor. — Disse , sorrindo. subiu as escadas rapidamente e bateu à porta, até abrir. Quando abriu, parecia que estava emanando uma aura obscura.
— Credo, bem que disseram que está de mau humor. — Disse , entrando no quarto.
— Me esqueci que você viria. — fechou a porta e suspirou. — Sinceramente, que vontade de matar alguém. — Bufou.
— Você mora com cinco caras super gatos e está aborrecida? Querida, isso aqui é o paraíso! Olha o tamanho dessa casa, desse quarto, aqueles homens lá embaixo, eu adoraria estar no seu lugar. — se jogou na enorme cama de e suspirou.
— Não adoraria não. — Disse , sentando-se ao lado da amiga. — E o novo professor de penal?
— Ah, ele é bonito e inteligente, bem melhor do que aquele asqueroso do Sr. Stewart, depois que ele desapareceu, descobriram vários podres dele. — Respondeu , se sentando.
— Sério? — Perguntou , como se não tivesse visto ele sendo levado para o seu porão para pagar por seus crimes.
— Sim, ele era um escroto, ainda bem que não te indicou no estágio. — suspirou.

No primeiro andar, todos os rapazes estavam em casa, estava cozinhando e os outros estavam faxinando, já estava sentado no sofá mexendo no celular. parou atrás dele para observar o que ele estava fazendo.
— “O que fazer quando uma mulher está de TPM?” — Leu , arqueando uma sobrancelha.
— O que está fazendo? Vá cozinhar e não se intrometa na minha vida. — Disse , escondendo o celular e fazendo rir.
— Por que está pesquisando isso? — Perguntou , inclinando-se no sofá.
— Hmmm. — murmurou. — Estou tentando aprender a lidar com isso, não sei por quanto tempo ela vai continuar aqui. — gargalhou alto.
— E por que você está se importando tanto?
— Você viu o olhar mortífero que ela estava? — falou sério, Jeremy, que estava se aproximando, concordou.
— Ela estava assustadora. — e assentiram. — Nunca senti medo de uma humana antes.
— De qualquer forma, ela passa metade do dia tirando a minha paz, não quero que isso piore. — Explicou , voltando a ler e fazendo rir.
— Eu acho que ele tem razão, devíamos saber mais sobre como lidar com ela. — Disse Jeremy, voltando a faxinar.

e ficaram o dia inteiro no quarto, na maior parte do tempo reclamava de e do quanto estava se cobrando por ter ficado uma semana sem ir para a faculdade. E pensar em voltar trazia um frio na barriga que ela nunca havia sentido, ela viu levar um homem para ser torturado, foram atacados por ceifadores do mal e viu ele matar dois e deixar um quase morto, mas não havia sentido aquilo. Parte dela tinha medo de nada daquilo ser real e ela acordar de repente em um cativeiro, e a outra parte tinha medo de sentir o que ela havia sentido de novo. Ela acreditava que todo criminoso deveria ser punido, mas a raiva que ela sentiu naquele dia e o desejo de vingança, não poderia ser de um tipo bom. E foi isso que levou até ela, o que a deixava muito confusa em relação a esses sentimentos, porque estava se afeiçoando a ele e aos outros, mas existia uma parte dela que preferia não ter conhecido nenhum deles, preferia ser uma humana normal e viver uma vida normal. Naquele momento, ela sentia um turbilhão de coisas e despejava o que podia sobre . De repente, alguém bateu à porta.
— Pode entrar. — Disseram em coro, abriu a porta, mas ficou parado do lado de fora.
— Almoço. — Disse, fazendo franzir o cenho, apenas assentiu e ele desceu.
— É assim que vocês se comunicam? — Perguntou , levantando.
— Ah, depende. — Respondeu , seguindo a amiga.

O cheiro que vinha da cozinha estava ótimo e o primeiro andar estava brilhando, com cheiro de limpo, o que fez se sentir culpada por não ter ajudado na limpeza.
— Venham, eu cozinhei! — Disse , olhou para os pratos sobre a mesa de jantar e deu uma fungada para sentir o cheiro.
, o que mais você sabe fazer? Além de ser bonito, cozinha bem, preciso saber mais. — Disse ela, sentando-se, sentou ao seu lado e cutucou a amiga.
— Ah… — corou.
— Ignore-a! — Disse , pegando seu prato para servir-se. — Pare de flertar com meus colegas de casa. — Ela cerrou os olhos e levantou as mãos, em rendição.
— Hoje vocês têm aula, né? — Perguntou , assentiu.
— De que horas até que horas? — Perguntou .
— Geralmente, de uma às dez. — Respondeu .
— Esse tempo todo? — Jeremy se espantou.
— O horário é de uma às seis, mas fazemos estágio na faculdade e ficamos até às dez, quase todos os dias. — Explicou .
— Ah, é mesmo, e o estágio remunerado, ? — Perguntou , passou a mão pelo pescoço para que ele parasse de falar e parou de comer, respirando fundo.
— Não quero nem falar disso. — Resmungou.
— Tudo bem, então… — Ela o interrompeu.
— Se o Sr. Stewart não fosse um nojento, asqueroso e assediador, eu sairia hoje do estágio da faculdade e entraria na melhor empresa de advocacia da cidade, e não precisaria ficar até as dez naquele lugar, mas não, ele teve que fazer merda. — Disse, enquanto gesticulava de acordo com a sua entonação.
— Mas não existe chances de outro estágio? — Perguntou Jace, respirou fundo e fez sinal de novo para não tocarem no assunto.
— Eu posso aplicar para a vaga na defensoria pública, mas o problema é que a faculdade inteira vai aplicar e só tem 3 vagas. — Ela bufou. — Por favor, vamos comer em silêncio. — E assim fizeram, para , o silêncio era a única coisa que ele queria escutar e faziam dias que ele não sentia a paz de comer em silêncio, então, o mau humor de ajudou.

Após o almoço, foi para casa e apagou o endereço de sua memória. Antes de sair, desceu as escadas para tomar água e deu de cara com parado no último degrau.
— O que foi? — Perguntou.
— Estava subindo para perguntar a que horas iria sair. — Respondeu ele, abrindo passagem para ela.
— Por que?
— Porque te disse que iria com você no primeiro dia. — Ele sorriu forçado. — E me colocou de babá, então estarei por perto.
— Ótimo. — Ela rolou os olhos e foi até a cozinha, encheu o copo d’água e virou-se, dando de cara com um celular.
— Salve seu número no meu celular. — Disse ele, ela rolou os olhos novamente e colocou o copo em cima da bancada, digitando o número. Ele ligou para ela, que sentiu seu celular vibrar na mochila. — Salve o meu, mas caso precise de ajuda imediata, já sabe o que fazer.
— Tá. — Disse, tirando a garrafa da bolsa para encher. ficou parado esperando que ela terminasse, assim que encheu, ela guardou a garrafa na bolsa.
— Vamos? — Perguntou ele, assentiu e eles saíram pela porta. Um carro muito chique que ela sequer conhecia estava parado na frente da casa.
— Esse carro é seu? — Perguntou, ele assentiu, acariciando o carro. Ela observou bem e percebeu que era uma Ferrari. — Você tem uma Ferrari?
— Não uma Ferrari qualquer, Ferrari 812 GTS. — Ele deu uma piscadela. — Vai entrar ou vai ficar admirando meu carro? — suspirou e entrou.

Não demorou muito para chegarem na faculdade, deixando todos boquiabertos.
— Por que você chegou numa Ferrari? — Perguntou , recepcionando a amiga.
— É o carro do , ele me trouxe. — Explicou .
— Puta merda, ele é rico? — estava perplexa.
— Acho que sim. — deu de ombros.
— O que ele faz da vida? — Perguntou , enquanto caminhavam para a entrada da faculdade.
— Ele é herdeiro, passa o dia em casa torrando a minha paciência. — inventou uma desculpa, olhou para trás e percebeu que ele havia estacionado e estava parado de braços cruzados encostado no carro.
— O que ele está fazendo? — se virou para observar o que a amiga estava olhando e riu fraco.
— Intimidando meus possíveis sequestradores. — Respondeu, voltando a caminhar, sorriu.
— Que fofo. — Ela fez uma voz fina, segurando no braço de , que apenas ignorou o comentário.

deu o seu melhor para recuperar tudo que havia perdido, mas seu corpo estava esgotado. A semana em casa fez com que desacostumasse à rotina cansativa. A parte boa era que ela morava com várias pessoas ricas e podia relaxar por algum tempo pela manhã. O estágio foi a pior parte do dia, tudo estava dando errado, a máquina de xérox engasgou, os processos que ela precisava dar baixa eram intermináveis e ela sequer conseguia tirar xérox. Depois de ter perdido o dia de trabalho tentando resolver a situação da xérox, ela conseguiu despachar e dar baixa em quase todos os processos e encaminhar para a advogada responsável. Mas a quantidade de coisa que acumulou para o dia seguinte a desanimava, assim que o sinal das dez tocou, ela pegou suas coisas e correu para a saída, deixando para trás. Passou pelo pai de no estacionamento e nem o cumprimentou, assim que pôs os olhos em , correu até ele.
— Oi! — Disse ele ao vê-la. — O que foi? — Perguntou quando notou que ela não parecia bem.
— Só dirige. — Respondeu, entrando no carro e enfiando seu rosto na mochila. se manteve quieto até chegar em casa, tinha medo de perguntar. Assim que chegaram, ela desceu do carro e correu para o quarto, deixando confuso.

Ele esperou alguns minutos para ver se ela saía do quarto ou emitia algum som, mas isso não aconteceu, então respirou fundo e bateu à porta.
— Vai embora! — tinha uma voz de choro, que fez com que ignorasse o que ela havia dito, assim que ele entrou no quarto, ela enxugou suas lágrimas. — Eu disse para ir embora. — Disse, engolindo o choro.
— Você não parecia bem, vim verificar… — Ela desabou em lágrimas, fazendo-o sentar-se ao lado dela na cama. — Shhh, o que foi? — Perguntou, colocando a mão em sua perna.
— E desde quando você se importa? — Ele não podia negar que ela estava certa, mas por algum motivo, nos últimos dias tudo que ele fazia era se importar com ela.
— Eu estou aqui, não estou? Então, parece que eu me importo. — Respondeu, fazendo se arrepender do que havia dito. — Se quiser só chorar, fique à vontade, mas vou continuar aqui.
— Desculpe, a única coisa que você tem feito ultimamente é se importar, eu não sei porque disse isso. — Desculpou-se enquanto enxugava as lágrimas.
— Você não deve se desculpar, não está totalmente errada. — Os dois riram fraco.
— É que está tudo tão difícil, eu fiquei mais cansada que o normal e deu tudo errado na única coisa que tinha um equilíbrio na minha vida, ceifadores e uma ex-deusa do mal estão atrás de mim, eu perdi uma oportunidade excelente de estágio e não paro de pensar no meu pai desde que o vi naquele dia. — As lágrimas voltaram a escorrer.
— Você não me disse que viu seu pai.
— Eu meio que disse… — Ela respirou fundo. — Tentei ignorar que ele estava sendo feliz com a nova família dele enquanto me esqueceu, mas isso… — Ela colocou a mão no peito. — … tá doendo tanto, por que ele me abandonou? — Perguntou, caindo no choro e encostando a cabeça no ombro de , que pensou em se afastar, mas acabou permitindo que ela fizesse isso. — Eu passo a maior parte do tempo pensando que as pessoas que deveriam me proteger, minha mãe e meu pai, nunca fizeram isso. Eu me sinto insegura na maior parte do tempo, sinto que nunca vou conseguir alcançar nada por ter sido tão negligenciada e agora preciso de um babá 24h por dia.
— Lembra daquele dia no parque? — Perguntou ele, ela apenas assentiu. — Eu poderia ter acabado com eles de muitas outras formas, mas quis acabar com as minhas próprias mãos, para que entendessem que vou destruir qualquer pessoa que tentar te ferir, e terei prazer em fazer isso. — olhou nos olhos dele. — Não sei quanto aos seus pais, mas não precisa se sentir insegura enquanto eu estiver por perto.

— E sobre o seu pai, por que você mesma não pergunta isso a ele? — Sugeriu.
— Eu não poderia… poderia?
— Você é quem sabe. — Disse, se levantando. — Volto já. — assentiu. Não demorou muito para que entrasse no quarto com uma sacola com um pote grande.
— O que é isso? — Perguntou ela.
— Eu li na internet que quando mulheres ficam sensíveis deve-se comprar chocolate e sorvete. — Ele quase mencionou a TPM, mas lembrou-se do que leu sobre nunca mencionar isso. — Então comprei para você.
— Você pesquisou na internet? — Ela estava perplexa, todo aquele comportamento vindo dele era totalmente incomum. Ele apenas assentiu e ela sorriu, então era assim a sensação de ter um lar, pensou ela. — Por que fez isso?
— Tem noção do quanto estava assustadora de manhã? Você me irrita e importuna 24h por dia, mas hoje você deixou todos com medo, acho que Jeremy vai ter pesadelos. — Ela riu do que ele havia dito, fazendo-o sorrir. Ele entregou a uma colher para ela, junto com a sacola com os chocolates e sorvete, e sentou-se ao seu lado.

Do outro lado da cidade, Penelope tinha uma reunião com seus aliados.
— Perdemos 3 homens para Salazar, como se não fosse nada, não acho recomendável enfrentarmos um deus. — Disse um dos ceifadores, fazendo-a rolar os olhos.
— Obviamente que 3 ceifadores sozinhos e sem nenhum plano levariam uma surra. — Ela se levantou. — Se vocês seguissem as ordens, não fossem tão BURROS E QUISESSEM AGIR POR CONTA PRÓPRIA… — Ela esbravejou. — Isso não teria acontecido. — Completou, sentando-se.
— Sim, senhora. — Disse o ceifador, todos abaixaram a cabeça.
— E a mãe da garota? — Perguntou ela aos capangas humanos.
— Ela não se lembra de nada desde que nos ligou, acredito que seus amigos tenham feito uma visita à ela. — Disse o homem, fazendo Penelope bater a mão na mesa. — Mas, tem algo interessante, ela me disse que a garota foi um milagre.
— Um milagre? — Perguntou Penelope.
— Ela estava doente e teria que escolher entre a própria vida e a filha. — Explicou o homem.
— E o que ela escolheu?
— A própria vida. — Respondeu, fazendo Penelope rir.
— E onde o milagre se encaixa?
— Ela fez os procedimentos para realizar o aborto e a garota não morreu, e depois de um tempo hospitalizada a doença começou a se curar sozinha, os médicos disseram que ela poderia prosseguir com a gravidez, mas teria que realizar um procedimento para remover o útero, junto com o câncer. — Explicou.
— Sempre colocando esses seres insignificantes em primeiro lugar. — Disse, deixando todos confusos.
— Quem? — Perguntou o homem.
— Deus! Quem mais faria milagres? Vocês são estúpidos!
— Sim, senhora. — O homem abaixou a cabeça.
— Ela não orou pela criança? — Ele negou com a cabeça.
— O pai orou, ela disse que ele tinha muita fé e acredita que foi a fé dele que as salvou.
— Então, a resposta está no pai. — Ela colocou a mão queixo. — Onde ele está?
— Não sabemos, ele as abandonou quando a menina tinha 4 anos.
— Ele orou para salvar a vida da criança e as abandonou? — Penelope arqueou uma sobrancelha. — Acho que sei o que está acontecendo aqui. — Disse, sorrindo malicioso. — Escutem, preciso que mexam no fundo da mente da mãe da garota e encontrem alguma justificativa para o pai ter abandonado as duas, antes que Salazar descubra.

Capítulo 5 — Filhos

acordou no dia seguinte se dando conta do que havia acontecido na noite anterior, ela nunca havia colocado todos aqueles sentimentos para fora, estava vivendo guardando tanta coisa dentro de si, tantos medos, tantas mágoas e nunca havia percebido, até aquele momento. , mesmo sendo indiferente na maior parte do tempo, foi quem a fez colocar uma parte de tudo aquilo para fora. Talvez fosse a indiferença dele que a deixou confortável para isso, mas depois de tudo que ele, estava confusa. Ela respirou fundo e levantou-se, fazendo um leve alongamento matinal e caminhando até o banheiro. Pôs-se debaixo da água fria, sentindo como se a água estivesse levando tudo de ruim, que ela havia se lembrado, pelo ralo. Após terminar o banho, escovou os dentes e encarou seu próprio reflexo no espelho do banheiro por longos minutos, terminou de enxugar os cabelos, deixando-os úmidos e trocou de roupa. Olhou ao redor, percebendo a pequena confusão que estava em seu quarto, graças à noite anterior, e resolveu limpar, sua mente já estava confusa o bastante para olhar ao seu redor e ver que estava se expandindo para seu ambiente. Depois de separar o que era lixo, a roupa suja e guardar as outras coisas, desceu com o cesto e o lixo na mão. Os rapazes estavam em círculo na sala, como se conversassem algo sério, percebia a expressão de quando o assunto não era tão agradável. Ela passou despercebida por eles, fazendo-a concluir que o assunto realmente era sério, levou o lixo para fora e caminhou até a lavanderia, separando suas roupas e colocando-as na lava e seca, sendo surpreendida por Jeremy.
— Ei! — Exclamou ele, entrando no lugar. — Bom dia, quando desceu? — Perguntou ele, , que estava abaixada, fechou a porta da máquina e levantou-se, virando-se para ele.
— Bom dia! — Respondeu, sorrindo e batendo as mãos uma na outra, como se estivesse limpando-as. — Acabei de descer, estava organizando meu quarto.
— Hum. — Jeremy inclinou a cabeça, encarando a máquina. — Bom, estava indo chamá-la, vamos até a sala. — Disse, abrindo espaço para ela, que apenas assentiu e caminhou em direção a sala.
— Você já desceu?! — estava surpreso, não havia se dado conta que ela passou por ali. , que estava descendo as escadas, se surpreendeu com ela.
! Bom dia! — Exclamou.
— Bom dia! — Ela sorriu. — Vocês pareciam estar tendo uma conversa séria, então, não quis interromper. — assentiu, caminhando até o sofá e sinalizando para que ela se sentasse.
— Nós vamos precisar nos ausentar no fim de semana, por isso, vai levá-la para outro lugar. — Explicou.
— No fim de semana? — Indagou, assentiu. — Mas no fim de semana eu tenho um compromisso. — Murmurou, fazendo rolar os olhos.
— Ceifadores tentaram te atacar, e você quer ir à um compromisso? — Perguntou , ela assentiu.
— Eu imaginei que você poderia ir comigo, ou ficar por perto… — a interrompeu.
— Você está escutando isso??? — Dirigiu-se à . — Isso é porque você acha que eu sou babá, sou obrigado a ir onde ela quer ir. — Ele cruzou os braços, fazendo rir fraco. — Eu não vou, e se quiser morrer, pode ir sozinha.
… — foi interrompido por ela, que se levantou.
— Então, eu vou sozinha! — A garota cruzou os braços, encarando , para espanto de Jace e Stefan, fazendo Jeremy rir e respirar fundo.
— Tudo bem, se prefere a morte, pode ir! — deu de ombros.
— Eu vou mesmo, não é da sua conta se vou morrer ou não, você finge que se importa quando é conveniente! — Ela franziu o cenho e parecia que iria cuspir fogo.
— Quer saber?! Eu preferia mesmo que você… — Antes que pudesse terminar de falar, ele desapareceu, fazendo passar o polegar e o indicador sobre a testa.
— Para onde ele foi? — Perguntou , em choque.
— Ele foi chamado.

Não termine essa frase. — escutou uma voz infantil, e virou-se para identificar de onde vinha. — Você vai se arrepender se terminar, e não é uma ameaça, você realmente vai se arrepender se magoá-la.
— Por que o Senhor acha que eu me importo?
— Eu sei que se importa. — O garoto se aproximou dele. — Vocês são meus filhos, os conheço melhor do que vocês mesmos.
— Por que me chamou aqui? — estava irritado. — Disse que não iria interferir na minha vida.
— Desde que você não diga ou faça coisas que vão te assombrar pelo resto dos seus dias, não se esqueça, um dia ela morreria e esqueceria tudo isso, mas você iria viver para sempre e remoer todo dia o que disse.
— Ela é tão importante assim para o Senhor?
— Todos os meus filhos são. — O garoto sorriu. — Salazar… , eu gosto desse nome, volte para lá e impeça você mesmo de se tornar um poço de arrependimento.
— Me trouxe até aqui para me dar conselhos, e não me dá um direcionamento sobre toda essa situação?
— Sabe o que os pais amam mais do que eles mesmos?
— Não.
— Os filhos. — O garoto sorriu. — Não existe amor maior do que um pai por um filho, nenhuma oração é tão poderosa quanto a de um pai que quer salvar o próprio filho.
— O que isso quer dizer?
— Você me pediu um direcionamento. — O garoto deu uma piscadela.

— Que diabos que direcionamento é esse? Não fale em códigos! — esbravejou, mas percebeu que ao seu redor não existia mais um vazio branco brilhante.
— Você está de volta. — murmurou.
— Quanto tempo fiquei fora? — Perguntou, todos estavam na mesma posição, então, ele imaginou que foram segundos.
— De 5 a 10 segundos. — Jeremy encarou o relógio em seu pulso.
— O que o Pai queria? — Perguntou .
— Se meter na minha vida. — rolou os olhos. — E me dar um enigma para desvendar.
— Então, desvende. — se levantou. — Terminamos por aqui.
— Mas e sobre o final de semana? — Perguntou .
— Conversaremos até lá. — sorriu. — . — Disse, sério, entendeu que deveria segui-lo. Os dois subiram até o escritório de , que fechou a porta.
— O que quer? — Perguntou .
— Não pode dizer que prefere que ela morra! — estava claramente bravo. — Ela tem sentimentos, e se você disser isso e ela for embora?
— Eu a encontro.
— Não pode agir assim. — bufou. — Ele te chamou por isso, não foi? — assentiu.
— Disse que estava me impedindo de dizer algo que eu iria me arrepender. — Respondeu, rolando os olhos.
— Ela sentiu que você ia dizer aquilo, dê um jeito de se redimir e de levá-la para a cabana no fim de semana, precisamos ir no templo e se ficarem aqui, talvez cheguem até vocês.

Sexta-feira, 23:00.

estava na sala, assistindo um filme com Jeremy, que insistiu muito e até fez pipoca. estava no quarto dela, arrumando suas coisas para o final de semana, sem que ela soubesse, de acordo com sua pesquisa no Google. Havia subornado Jeremy para que distraísse , e garantiu a que tinha toda a situação sob controle e que ele não precisaria se preocupar. Se sentia um pouco invasivo mexendo em peças íntimas, mas não tinha escolha, com toda energia sendo concentrada no templo, ele não conseguiria manter a barreira de proteção e defendê-la ao mesmo tempo. Precisava fazer aquilo.

Sábado, 4:00.

virou-se na cama e de repente caiu no chão, úmido e duro, ao invés de um tapete fofo. Abriu seus olhos devagar e se deu conta de que aquele não era seu quarto, observou uma pequena iluminação vindo de longe, e quanto mais se aproximava, mais quentinho ficava. Alguém estava sentado em um sofá de frente para o que parecia ser uma lareira, ela olhou ao redor e viu uma espingarda no canto da parede, andou nas pontas dos pés e segurou, sem jeito, a arma em suas mãos.
— Solta isso. — Ela escutou a voz de , tomando um susto e deixando a arma cair no chão.
— É você??? — Ela correu até ele. — Que lugar é esse?
— É onde vamos passar o final de semana. — Ele virou a velha cadeira de balanço acolchoada para ela, com um sorriso nos lábios.
— O fim de semana… — murmurou e olhou ao redor, cogitando pegar a arma de novo. — Eu disse que não viria!!!
— Não tinha outro jeito, ! — Ele se levantou, aproximando-se dela.
— É claro que tinha! — Ela começou a bater nele. — Isso é sequestro!!! — Esbravejou, enquanto batia cada vez mais.
— Chame do que quiser, eu chamo de manter você segura. — Respondeu, segurando os braços da mulher.
— Eu vou gritar! — Avisou antes de começar a gritar.
— Pode gritar, ninguém vai ouvir. — Ele soltou os braços de . — Só os ursos. — Completou, fazendo-a parar.
— Você me trouxe para uma floresta com ursos??? — Ela estava incrédula.
— Não é como se eu não pudesse te proteger de ursos. — riu fraco. — Mas se me irritar, deixo que eles levem pelo menos um dedo para palitar os dentes.
— Por que não me deixa morrer logo? — Perguntou ela, fazendo mudar o semblante no mesmo momento, todas as vezes que fazia alguma pergunta do tipo, graças ao próprio comportamento dele, era como se levasse um soco no estômago. — Sei que era isso que ia dizer. — Agora ele entendia o motivo de ter sido interrompido, suspirou e caminhou até ela.
— Não tenho a intenção de deixá-la morrer. — Ele se aproximou dela, que o encarava de igual para igual, sem bambear. — Nunca.
— Não é o que você demonstra. — bufou.
— Não simpatizo com humanos. — Ele deu de ombros. — Todos são inferiores e medíocres… — fez menção à interromper, mas foi interrompida primeiro. — mas você, você é… diferente. — Ela sentiu seu rosto queimar assim que as palavras de alcançaram seus ouvidos, ele mantinha o olhar firme, no fundo de seus olhos, e ela não queria demonstrar que estava balançada, porque ele sempre fazia isso com ela e depois mudava de comportamento, então fazia o mesmo.
— Se eu sou diferente, por que uma hora me trata bem e outra hora me trata mal? — A garota cruzou os braços, fazendo-o rir fraco.
— Eu sempre te trato bem. Do meu jeito, mas trato.
— Então, você precisa repensar seu conceito de tratar bem. — Ela deu de ombros, ele riu fraco e se aproximou mais, quando se deu conta que ficaria entre ele e a parede virou de costas em uma tentativa de fuga, fazendo com que a puxasse para perto, chocando-se contra seu peito.
— Então, me ensina. — Ele podia sentir sua respiração, enquanto a segurava pelo pulso, notou que sua pulsação estava acelerada. sentia seu sangue ferver, mas não recuava, não importava se ele era um deus, eles eram iguais naquele momento.
— Você é um ser superior, pode aprender sozinho. — Respondeu, desvencilhando-se. Virou de costas para ele em um longo suspiro, estava em uma grande batalha interna para conseguir resistir aos desejos que sentia naquele momento, assim como ele.
— Tem razão. — Respondeu ele, passando a mão no cabelo. Ele a odiava por ter fugido, mas achava que era o melhor. — Por que não volta a dormir? Ainda é cedo.
— É, eu acho melhor.

Ao longo do dia, buscou lenha para fazer o almoço, enquanto o observava pela janela. Por mais que ela quisesse resistir aos seus desejos, ele era realmente um deus, mas em aparência. Ela já havia namorado e conhecido homens bonitos, mas tinha algo nele que fazia seu corpo ferver, só de escutar sua voz. Talvez o fato dele realmente ser um deus interferisse nisso, mas ela não podia se deixar levar, quando tudo acabar, ela não vai mais se lembrar dele. Só tem que aguentar mais um pouco.
Assim que ele entrou na casa, ela foi ajudá-lo a acender o fogão.
— Tem certeza que é assim? — Perguntou ela, ele resmungou que sim. — Não me lembro do meu pai fazendo assim.
— Porque seu pai era… — Ele tinha vontade de dizer burro, mas repensou antes de falar. — Seu pai não tinha o mesmo conhecimento que eu. — O fogo logo se acendeu, fazendo bater palminhas de alegria. — Eu disse. — Ele bateu as duas mãos.
— O que vamos cozinhar? — Perguntou ela, olhando todos os ingredientes.
Curry. — Disse ele, lavando as mãos, fez uma cara confusa, nunca havia cozinhado curry antes. percebeu que ela parecia não saber por onde começar. — Vai picando os tomates e depois tirando as sementes das pimentas. — Ela assentiu, parecia saber bem o que estava fazendo.
Depois de seguir as orientações de e esperar que ele terminasse a receita, o curry estava pronto.
— O cheiro está ótimo. — Disse , sendo servida por .
— Eu sei. — Ele não tinha fome como os humanos, mas adorava saborear comida boa.
— A última vez que estive em uma cabana assim foi com o meu pai, pouco tempo antes dele ir embora. — sorriu, olhando ao redor.
— Ele foi um bom pai? — Perguntou . — Pelo menos pelo tempo em que ficou com você. — assentiu.
— Meu pai me ensinou a ter fé, ele disse que foi a fé e o amor que ele sentia por mim que salvaram a minha vida. — Respondeu, colocando uma colher do curry na boa. — Hummm.
— Como assim salvaram a sua vida? — Perguntou .
— Minha mãe estava grávida de mim e descobriu um câncer no útero e iria precisar abortar, meu pai dizia que ele me amou tanto desde o momento que soube de mim, que não suportava a ideia de me perder, mas não queria perder a minha mãe também. Então, ele pediu muito a Deus para que salvasse nós duas, e ele disse que Deus escutou, aqui estou eu. — Ela sorriu. — Pode perguntar a Ele um dia? Se Ele escutou mesmo? — assentiu, sorriu e voltou a comer, deixando-o pensativo. “Não existe amor maior do que um pai por um filho, nenhuma oração é tão poderosa quanto a de um pai que quer salvar o próprio filho.”
Talvez agora aquilo fizesse sentido, era um milagre. Um milagre que foi salva duas vezes por divindades, que teve seu destino mudado duas vezes. Talvez ele devesse agradecer ao seu Pai por se importar tanto com os humanos.

Capítulo 6 — É a minha festa, e eu choro se eu quiser.

Desviando-se de seus pensamentos, nota que estava inquieta, recordando-se da insistência de que ela tinha um compromisso e não podia ir para a floresta.
— Qual era o compromisso importante que você tinha mesmo? — Perguntou, fazendo a garota suspirar.
— Eu não disse nada porque você ia achar estupidez, mas é aniversário da e tentei dar um jeito de estar presente, mesmo não sendo recomendado ir na festa. Não queria decepcionar minha melhor amiga. — abaixou a cabeça, batendo as duas mãos nas coxas.
— Bom, realmente eu não vou tirar você daqui para te levar em um aniversário, principalmente porque aniversários para mim são coisas banais. — Ele cruzou os braços. — Além do mais, aqui você está totalmente segura. Neste final de semana seríamos apenas eu e você, talvez o , o que deixa a barreira da casa mais fraca, porque esse é um poder de ceifador, manter o templo oculto. Eu sou obrigado a te proteger, então não tenho escolha. — suspirou.
— Tudo bem. — Sorriu com os lábios, como se estivesse conformada.
— Vou dar um jeito. — caminhou até uma gaveta e tirou uma maleta preta, abriu e tirou um telefone via satélite de lá.
— O que vai fazer? — foi até ele.
— Fique quieta. — Ele apertou alguns botões e levou o celular até sua orelha.
! Aconteceu algo? — Perguntou do outro lado da linha.
— Você precisa ir na festa de aniversário da e levar um presente. — Disse, para o espanto de .
É sério? — estava incrédulo.
— Sério, faz parte da missão de garantir a segurança de . Talvez pensem que ela vai estar na festa e apareçam por lá, é bom que você esteja por perto. — deu uma piscadela para , que tinha as duas mãos na boca para segurar o riso.
E o que eu compro? — Perguntou .
— O que ele compra?
— Lírios. — Respondeu . — Todo ano trocamos buquês de flores, até termos um namorado para fazer isso. — riu, franziu o cenho. — Fizemos um pacto quando tínhamos 10 anos.
— Compreensível. — assentiu. — Leve lírios para ela.
Mas… — desligou antes que pudesse terminar.
— Eu não acredito que você fez isso! — deu um tapa de leve no braço de e os dois riram, o momento durou um pouco, até perceberem o próprio comportamento e, ao mesmo tempo, virarem para lados opostos tentando disfarçar.

Na cidade, estava usando um suéter listrado e carregando um buquê de lírios em suas mãos, esperando alguém atender à porta. Do outro lado, abre a porta e é surpreendida ao pôr os olhos na figura, meio sem jeito, de pé na sua frente.
— Oi, !!! — exclamou assim que a porta se abriu.
? — não fazia ideia do que ele estava fazendo ali.
— É… e tiveram que fazer uma pequena viagem de última hora e tiveram problemas para voltar, acabaram em um lugar sem sinal e conseguiu falar comigo por um telefone via satélite que conseguiu emprestado. — Inventou.
— Nossa… — colocou as mãos na boca. — Mas por que eles estavam viajando juntos? — Ela cerrou os olhos.
— É… Isso eu não sei… bem… — riu do rapaz totalmente sem jeito.
— Entra aí, a festa ainda não começou. — Ela abriu espaço para que ele entrasse, e assim o fez.
— Eu trouxe pra você. — Disse ele, esticando a mão para , que havia acabado de fechar a porta.
— Lírios?! — sorriu.
— É… — coçou a cabeça. — pediu para trazer.
— Ah… — Ela fitou as flores. — Pode ficar à vontade, vou colocá-los numa jarra. — olhou ao redor e respirou fundo.

À medida que os convidados iam chegando, sentia mais vontade de ir embora. Mas pensava que estava certo, alguém podia aparecer. Observando de longe, percebia que os humanos realmente se importavam com essa coisa de aniversário, ele sequer se lembrava quantos anos tinha. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios na hora do parabéns de , e ela podia jurar que viu bater palmas.

Quando todos já estavam começando a ficar bêbados, decidiu que estava na hora de ir embora. Mas percebeu uma presença que não existia ali antes, um homem com aparência bem mais velha apareceu no lugar, hesitou em ir embora, sua intuição dizia que tinha algo errado com aquele homem. Mas o observou de longe, e ele parecia estar conversando com todos. Então, ficou aliviado e resolveu ir embora. Olhou ao redor procurando por , mas não a encontrou. Achou estranho, já que ela era o centro da festa.

Chegando na frente da casa, ele notou um grupo estranho de homens parados em frente ao local, então decidiu entrar e procurar por . Quando retornou, o local estava um pouco revirado, ele se deparou com o homem que viu antes, colocando contra a parede.
— Eu só quero saber onde está a sua amiga. — Ele tinha a mão contra o pescoço dela.
— Solta ela. — Ordena ele, se aproximando, ao virar-se, ele percebe que o homem é um humano… Mas existe algo diferente em seu olhar. nota que a aura daquele humano é muito obscura, mais do que o habitual de um criminoso psicopata.
— E por que eu faria isso? — O homem pergunta, com desdém. segura o homem pelo pescoço e o levanta, fazendo com que ele soltasse , e o arremessa para longe.
— Você está bem? — Pergunta, preocupado com , que se senta no chão e começa a chorar. O homem, que havia atravessado uma parede, se levanta como se nada tivesse acontecido. — Eu sabia. — caminha na direção do homem, com um instinto assassino, mas se lembra que ceifadores não podem matar humanos. Então, ele segura o homem pelo pescoço, apertando com força.
— Me diga, qual é o seu nome? — Pergunta ele, consegue enxergar uma aura em volta do corpo de e chora ainda mais, sem entender o que acontecia. O homem não responde, pressiona o seu pescoço com mais força, até que percebe que ele usa uma tag do exército. puxa o colar e lê o nome que está escrito, e um livro surge em sua frente. — Deixe-me ver… Aqui… Um nome insignificante como o seu passaria despercebido, mas você errou ao cruzar meu caminho. — lê a causa da morte. — Hmm, afogamento. — Ele se lembra que havia um lago no fim da rua, ele carrega o homem pelo pescoço até local e pressiona seu pescoço até que ele fique sem ar e desmaie, jogando seu corpo no lago.
— Não posso matar, mas em algumas situações, posso antecipar a morte. — Ele sorri e cronometra o tempo no relógio, após alguns minutos, a alma do homem sai de seu corpo. estende a mão e uma chama vermelha sai de sua mão. — Só por hoje, você vai pagar um pouco.

volta para a casa de e a encontra sentada em uma cadeira com uma bebida na mão.
— Você está bem? — Ele pergunta ao se aproximar dela, que estava chorando.
— Claro que não! É minha festa de aniversário, minha melhor amiga não veio e mandou você vir no lugar dela, um homem chega aqui perguntando por ela e quase me mata, eu não sei o que você é, mas definitivamente não é humano! E eu estou chorando no meio do meu aniversário, mas tudo bem porque a festa é minha e eu choro se eu quiser. — Ela bebe outro gole de sua cerveja.
— Ceifador. — Diz , olha para ele, como se tentasse entender o que ele disse. — Eu sou um ceifador, estou protegendo . — derruba o copo de plástico no chão.
— O que…
— Não se preocupe, também vou te proteger agora.

Na cabana, o clima fica pesado novamente entre e . Eles não entendiam muito bem porque nunca conseguiam manter o clima amigável, apesar dos momentos acabarem surgindo às vezes.
— É… — quebra o silêncio, sentindo a tensão pairar no ar porque os dois perceberam que estavam se dando bem. — Por que fez isso? Digo, por que se importou com o aniversário de ?
— Não me importo com nada, principalmente aniversários. — Ele rola os olhos. — Eu tenho que te proteger e ficar aqui com você, não é como se eu quisesse aguentar você azucrinando a minha cabeça.
— Eu ia te agradecer! Mas você nunca consegue manter o clima agradável entre nós, né? Estávamos conversando e nos divertindo até percebermos que estávamos fazendo isso. — cruza os braços e bufa.
— Exatamente! Eu não tenho motivos para ser agradável com você, você me colocou nessa situação e agora estou preso tendo que te proteger! — Ele cruza os braços e aumenta a voz.
— Eu não pedi para que você fizesse nada disso!!! — também aumenta a voz.
— Então eu deveria ter te deixado morrer naquele dia? No dia do sequestro? — se levanta e se aproxima de .
— Era o que você queria??? — Ela fica de pé, olhando nos olhos dele. — Queria que eu morresse? Ainda dá tempo, eu vou embora daqui e não precisa mais me proteger.
— Quer calar essa boca? — Ele levanta a mão na direção do rosto dela e por um momento ela acredita que ele vai acertá-la, mas ele apenas encosta a mão em seu rosto. — Se eu te deixasse morrer, que tipo de deus eu seria? — engole seco.
— Foi você quem sugeriu isso! — Ela cruza os braços.
— Porque você não consegue calar a boca e ignorar as coisas que eu faço por você, eu não quero escutar em voz alta que me importei ou que me diverti com você!!! — Ele esbraveja, ainda com a mão no rosto dela, se aproximando mais.
— E por que não?
— Porque… — Ele se aproxima o suficiente para que ela sinta sua respiração. — Porque você está certa. — Uma onda de choque percorre o corpo de ao escutar essa afirmação, ela não consegue se mover, o telefone via satélite toca e ela sequer escuta a conversa ou percebe que se afastou. O que era aquilo que ele estava dizendo?
— Eu… — Antes que ela pudesse terminar de falar, a interrompe.
— Temos que voltar, houve um problema com .

Capítulo 7 — Fogo de Phoros

e teleportam de volta para a casa, encontrando com e na sala.
— O que… de onde vocês… como? — não conseguia falar de tão perplexa.
— O que aconteceu? — percebe marcas no pescoço de e começa a analisar a amiga. — Quem fez isso com você???
— Relaxa, ele já pagou por isso. — é sempre tão doce, mas naquele momento sentiu nele uma aura que nunca havia sentido antes, seu corpo chegou a arrepiar.
— Explica melhor o que aconteceu. — Diz , bagunçando o cabelo.
— Invadiram a festa dela perguntando por , eu estava indo embora, mas notei um grupo estranho e voltei. — Explica .
— Humanos? — Pergunta , se sentando em uma poltrona.
— Humanos, mas não o que eu enfrentei não era um humano normal, Penelope fez alguma coisa com eles. — coloca a mão no ombro de . — Achei que seria melhor se ela soubesse e ficasse aqui com a gente, já que foram atrás dela. — concorda com a cabeça e abraça a amiga.
— Por que não me contou nada? — Pergunta , se afasta e acaricia seu rosto, colocando seus cabelos atrás da orelha.
— Estava te protegendo, desculpe. — sorri gentilmente, mas com preocupação em seu olhar, enxuga as lágrimas que insistem em escorrer pelo seu rosto e concorda com a cabeça.
— Eles estavam te procurando. — A voz de sai quase como em um sussurro e assente, se aproxima das duas.
— Não se preocupe, ela está sob minha proteção. — Afirma ele, tentando acalmar .
— Você também é um ceifador? — nega com a cabeça.
— Deus da Justiça, diferente deles, posso matar alguém por ser um canalha. — Ele sorri malicioso e dá uma piscadela, fazendo rir fraco. Nós próximos minutos, Jeremy, Stefan e Jace retornam para a casa e todos se sentam juntos, atualizando da real situação. Ela pareceu ter digerido melhor do que , pensava que poderia ser choque do que havia acontecido.
limpou o escritório e instalou lá, garantindo que no dia seguinte ela teria um quarto para ela. Para ele, era importante que elas tivessem um quarto, privacidade e ao menos pudessem se sentir à vontade em meio aquilo tudo. Ele percebeu que algo estava estranho entre e , mas não quis se meter. Caminhou até a sala e escutou e conversando.
— O Nick está afim de você, por isso você está o evitando? Para proteger ele também? — Pergunta , tentando entender o que estava se passando pela vida da sua amiga, nega com a cabeça e seu olhar se cruza com o de por alguns segundos.
— Não é por isso… — Ela é interrompida por Jeremy, que chega na sala com batatas fritas e refrigerantes.
— Quem é Nick? — Pergunta ele, se jogando no sofá ao lado de .
— Crush de , desde o ensino médio. — Explica , abrindo a lata de refrigerante. , que tinha um jornal aberto na frente do seu rosto, faz um barulho alto ao amassar o jornal de repente e dobra o mesmo, encarando Jeremy.
— E por que você está o evitando? — Pergunta Jeremy, comendo uma batata.
— Bom… — engole seco, estica a mão para pegar uma lata de refrigerante. — Não acho que seja um momento apropriado para isso, é claro que em outra situação seria diferente, mas não quero que tenham mais trabalho por minha causa. — Ela sorri e rola os olhos.
— Ah, você deveria sair com ele, eu te levo… — Jeremy é interrompido por respingos de refrigerante em seu rosto, causados por , que quando escutou as palavras de Jeremy, apertou a lata com tanta força que voou refrigerante para todos os lados. Jace e Stefan, que estavam sentados mais afastados, apenas olharam a cena de longe, os 3 que estavam no sofá conversando, ficaram perplexos e , que estava de pé, rolou os olhos.
— Você vai limpar! — Disse , apontando para .
— Eu? — fica indignado.
— Claro, você sujou! — aponta para a despensa. — Anda, vai limpar. — bufa e caminha para pegar um balde, pano, rodo e produtos de limpeza. acompanha com o olhar, enquanto ele limpa a bagunça.
— Por que ficou tão nervosinho? — Jeremy provoca , enquanto bebe seu refrigerante.
— Porque você está dizendo coisas ridículas, e o resultado disso sempre acaba comigo tendo que fatiar pessoas ao meio. — Resmunga enquanto esfrega o chão.
— Eu concordo com os dois, concordo com Jeremy porque elas tem que continuar vivendo, mas concordo com que talvez um namoro não seja o melhor no momento. — Diz , sentando-se na poltrona onde antes estava sentado. — parece estar lidando bem com a situação, mas aquilo foi só uma parte. Não sabemos a que tipo de poder Penelope teve acesso, não sabemos quem trabalha para ela e nem onde ela pode aparecer.
— Até agora não entendi muito bem porque essa tal de Penelope tem tanto interesse na . — Diz , se ajeitando no sofá.
pode enxergar quando estamos invisíveis e não conseguimos apagar a memória dele. — Explica , terminando de limpar. Ele olhou para e se lembrou daquele sentimento que ela tinha quando se encontraram pela primeira vez, ele nunca havia visto um humano com o coração como o dele, mas ela nunca mais foi assim. Talvez isso era o que mais o irritava, ela tinha um lado que mantinha escondido e aquele lado era o que mais fazia com que ele se identificasse com ela. Ele pensava que talvez fosse o motivo dela ter escolhido cursar direito, mas ainda assim, existia algo em seu coração que a tornava diferente. franze o cenho.
— Você disse que me escutou naquele dia, quando fui sequestrada… — Ela se vira para . — Ela também pode me escutar?
— Não. — Ele acena com a cabeça, negando, e se apoia no cabo do rodo que estava em sua mão. — Eu te escutei porque você me chamou, mas não foi só isso… — Ele fica pensativo. — Você tinha um sentimento de justiça naquele momento, que fez com que eu te escutasse mais alto do que todas as outras pessoas que estavam pedindo por justiça. Não acho que nenhum dos seus sentimentos atraíram Penelope, até porque, ela é a Ganância pura. — sente algo diferente na forma em que fala, ela não consegue descrever o motivo, mas seu coração bate com força. concorda com a cabeça e suspira, parecendo ter uma ponta de esperança.
— Você consegue me descrever como ela era? Penelope… — pergunta baixinho, quase sussurrando e assente.
— Ela era ruiva, a pele era pálida e os seus olhos eram… — se lembra do dia no parque. — Eu achei que era a luz, mas tenho quase certeza que seus olhos eram amarelos. — Stefan e Jace, que estavam sentados mais afastados, voltaram a atenção para a conversa. Jeremy e deram um pulo no sofá e derrubou o rodo, deixando confusa.
— Impossível… — Murmura .
— Tem certeza que os olhos dela eram amarelos? — se aproxima de , que assente, de repente seu rosto é tomado por uma fúria inexplicável e ele sai pela porta da frente, deixando e confusas.
teleporta para o topo de um arranha-céu no centro da cidade e olha ao redor, procurando entender como Penelope havia conseguido tal poder. Como ela poderia ter tido acesso ao Fogo de Phoros, e como ela estaria moldando aquele poder daquele jeito? Ele olhava ao redor tentando buscar qualquer vestígio daquele poder, mesmo sabendo que não seria possível. escuta passos atrás dele e sente a aura que se aproxima.
— O que quer, Selene? — Pergunta, sem se virar.
— O que você está procurando, Salazar? — Uma mulher com um longo cabelo loiro e ondulado se aproxima, com seus olhos cores de ametista e sua voz doce.
— Penelope. — Murmura ele, fazendo o corpo da mulher se arrepiar, ela se encosta na beirada do prédio e olha nos olhos de .
— E por que veio atrás de mim? — sempre teve certo desdém à aura de Selene.
— Não vim, estava apenas tentando achar alguma pista sobre o Fogo de Phoros. — Selene deu um pulo e de repente foi teletransportada para um tempo muito distante, onde ela e seus irmãos deuses estavam reunidos em uma sala, no dia em que Penelope havia sido banida.

“Um ceifador lia um pergaminho de nome ‘O Fogo de Phoros’ — Origem: O Fogo de Phoros era uma chama divina mantida pelos deuses primordiais. Ela representava o livre arbítrio puro, o impulso de escolher o próprio
caminho sem interferência divina. Porém, essa chama era volátil e perigosa — não distinguia bem entre o que é certo ou errado, apenas intensificava o desejo. A deusa do desejo foi banida, garantimos que ela não terá acesso a nenhum poder dos Deuses Primordiais, mas cada um de vocês ficará responsável por proteger esses poderes.”


Selene voltou a realidade e olhou para , que parecia irritado e incomodado, enquanto olhava para as pessoas que circulavam pela a cidade.
— Caerthas estava responsável pelo Fogo. — Diz ela, fazendo menção ao deus do equilíbrio.
— E você sentiu Caerthas pela última vez há quanto tempo? — A pergunta de fez o corpo de Selene estremecer.
— Não é possível… — A deus da compaixão murmurou.
— Penelope tem o Fogo, conte aos outros, estou indo para a guerra com ela. — vira de costas e Selene segura seu braço.
— É bom te ver assim, irmão, mas me dói saber que irá lutar com ela, mas… — Os olhos de Selene brilharam. — … e a humana? — Sua pergunta fez com que o coração de pulsasse forte.
— O que tem a humana? — Rebate ele, puxando seu braço de volta.
— Nós não podemos lutar com você ao menos que Penelope ameace a existência do mundo, você realmente vai conseguir proteger a humana enquanto luta uma guerra? — odiava admitir que Selene tinha razão, mas o principal motivo dele querer ir para a guerra com Penelope era para salvar .

***


De volta à casa após uma longa conversa com Selene, estava com muita coisa em sua mente, ao abrir a porta, se deparou com de braços cruzados, e os rapazes sentados no sofá e de cabeça baixa.
— Onde estava? — Perguntou , com frieza em seu tom de voz.
— Fui conversar com uma das minhas irmãs. — Ele deu de ombros ao responder e levantou a cabeça.
acaba de nos dizer que Penelope teve acesso à um poder muito forte, que poderia até matar você, e você saiu pela porta como se estivesse indo arrancar a cabeça de alguém. — continua com os braços cruzados e sorri de canto.
— Estava preocupada comigo? — Pergunta ele e , que estava pronta para reclamar de algo, fica em silêncio e engole seco. se levanta e interrompe os dois.
— Quem você encontrou? — Pergunta ele.
— Selene. — suspira e se senta.

Ele conta com detalhes sobre como foi feita a divisão dos templos dos deuses e como cada um deles guarda um poder de um deus primordial, Selene ainda era uma das poucas que mantinha uma conexão com os outros deuses. Zethar era um de seus irmãos, com quem não se dava muito bem, mas foi quem trouxe a notícia da morte de Caerthas.
— Caerthas foi fraco, se deixou levar pela nostalgia de Penelope. Zethar está furioso, mas não pode abandonar o templo. Todos os deuses estão se fortalecendo para esperar por Penelope. — Explica .
— Você deve fazer o mesmo. — Diz e nega.
— Não sou responsável por nenhum poder primordial, irei ser o primeiro a declarar guerra contra Penelope. Começaremos amanhã com uma varredura no templo e eliminaremos todos os ceifadores que forem traidores. — Ele se levanta e olha para ele com preocupação, sente seu coração apertar com as palavras dele, mas ele já havia tomado sua decisão. Custe o que custasse, ele iria derrotar Penelope antes que ela conseguisse colocar as mãos em .
— Como assim? Nas escrituras do templo você é guardião de uma arma celestial. — Jeremy pergunta, confuso.
— Eu deveria encontrar essa arma em um momento da minha vida, mas ainda não a encontrei. Acredito que se esse momento chegar, as chances de ser na guerra serão grandes. — não gostaria de admitir, mas apostava tudo nessa arma celestial, mesmo sem sequer ter uma pista do que seria.

Há muito tempo, quando Penelope havia sido banida, os deuses ficaram responsáveis pelos poderes primordiais, mas uma arma celestial capaz de enfrentar todos eles foi confiada a , que nunca soube o que seria, apenas que ela apareceria em algum momento da sua vida. A arma celestial havia sido criada caso algum dos poderes primordiais fosse corrompido, fragmentos de todos os poderes foram forjados na arma e ela era a única coisa capaz de derrotar quem estivesse utilizando os poderes. Quando foram distribuídos ganharam nomes: Vento de Zethar, deus da liberdade; Sombra de Nevara, deusa da noite e do silêncio; Águas de Kaelith, deus das marés e dos sentimentos; Relâmpago de Erion, deus da força; Crescimento de Tiala, deusa da criação; Fúria de Vraxis, deus da guerra; Luz de Selene, deusa da compaixão, e o Fogo de Phoros, que era protegido por Caerthas, deus do equilíbrio. Por ser o poder mais forte, foi confiado à Caerthas por sempre manter o equilíbrio do mundo, sua morte e a perda desse poder, impactou em uma virada de balança no mundo inteiro. imaginava que o plano celestial deveria estar um caos, e ele sequer sabia da metade disso. Estava tão cansado de tudo que só percebeu que seu irmão havia morrido quando mencionou os olhos amarelos de Penelope. Estava tão preocupado com os sentimentos que tentava esconder que as respostas que procuravam estavam diante de seus próprios olhos e ele não as enxergava. Ao mesmo tempo que a necessidade de proteger o deixava cego, fazia com que ele enxergasse tudo com mais clareza. No momento em que declarou a Selene que iria para guerra com Penelope, não sabia, mas ele havia declarado verdadeiros os sentimentos por ela. Talvez esse seja o plano maior do qual seu Pai sempre falava, os sentimentos por ela seriam a virada de chave para que ele lutasse pela humanidade mais uma vez, mas ele não se importava com a humanidade como um todo, ele se importava com apenas uma humana e era . E ele se irritava com a petulância dela, que mesmo após ele ter declarado guerra para protegê-la, ela estava na sala reclamando com e os outros sobre ele. passa a mão pelos cabelos e caminha em direção à , puxando-a pelo pulso e subindo as escadas.
— O que… — Ele a interrompe.
— Cala a boca e vem comigo. — Seu tom sai como uma ordem, mas diferente de todas as vezes que ele a provocou ou brigou com ele, era um tom mais sereno e não parecia sentir raiva ou estar irritado com ela. engoliu seco e subiu as escadas até o quarto de , que fechou a porta assim que entraram.
— O que você quer? — Pergunta ela, cruzando os braços.
— Que você pare de reclamar um pouco e entenda o que estou tentando fazer. — Ele se senta na cama, mas ainda não aparenta estar irritado com ela, como era de costume.
— Tentando se matar? Acho que você está agindo no impulso e não está considerando as suas opções, você ainda nem sabe como ela está utilizando esse poder e como ela utiliza nos humanos. — se senta em uma cadeira do lado a porta e cruza as pernas, olha para ela por um tempo, com o cenho franzido e não consegue deixar de sorrir.
— Você tem razão. — Diz ele. — No momento em que soube que ela estava em posse desse poder e pensei na possibilidade dela conseguir te alcançar, quis agir antes que ela agisse. Mas por incrível que pareça, você está certa. — se surpreende com o que ele diz.
— Você… — Ela engole seco. — … queria me proteger? — Pergunta ela e ele assente.
— Você não entende? Tudo que eu tenho feito desde que te conheci é te proteger! — Ele se levanta e caminha até ela, que se levanta, ficando na defensiva.
— Não é verdade! Você me humilha de todas as formas possíveis e me fala para morrer e deixar de ser sua responsabilidade! — Ela cruza os braços. — Diz que despreza os humanos e me trata com desprezo o tempo inteiro, não haja como se cuidasse muito de mim! — Ele segura os cotovelos dela.
— Eu cuido. — aproxima o rosto do dela. — Do meu jeito, mas eu cuido.
— Talvez você deva ter umas aulas de como cuidar de alguém, porque certamente esse não é o jeito. — Ela desvia e caminha para o outro lado do cômodo, fazendo rolar os olhos.
— O que você quer que eu faça??? — Ele se vira para ela. — Eu nunca tive que cuidar de ninguém, apenas faço com que a justiça se cumpra e puno pessoas canalhas, acha que eu deveria saber como cuidar de uma humana? — dá de ombros e esbarra em uma cômoda com as costas, caminha na direção dela novamente e segura seus ombros. — Você também nunca facilita as coisas para mim, está sempre rebatendo tudo que eu falo. — Ele aproxima o rosto do dela. — Olha nos meus olhos e me diz que você me despreza o tanto que você acha que eu te desprezo. — Ela nega com a cabeça.
— Eu não te desprezo. — Responde, quase como um sussurro. aproxima mais seu rosto do dela e a pressiona contra a cômoda com seu corpo, se aproximando de sua orelha.
— Então, me diz que você não me deseja o tanto que eu te desejo, que eu paro agora. — Ele coloca a mão em sua nuca e ela fica em silêncio.
— Não posso dizer isso. — Ela sussurra, e aquela era a resposta que estava esperando para prosseguir. sentia o corpo inteiro vibrar com a proximidade dele, como se cada nervo estivesse à flor da pele. As palavras que disse, a maneira como a puxou, o toque em sua nuca... tudo parecia gritar que havia chegado o momento que os dois vinham evitando, temendo e desejando. Quando ele a beijou, foi como um estalo no escuro. Um beijo sem cerimônia, urgente, faminto, como se estivesse tentando compensar todos os instantes em que resistiu à ela. respondeu com a mesma intensidade, suas mãos se enroscando no tecido da camisa dele, puxando, exigindo mais. As roupas foram se desfazendo como se queimassem em suas peles. a despiu como se descobrisse algo sagrado sob cada camada, suas mãos firmes percorrendo suas curvas com reverência e fome. arfava entre beijos e mordidas, seus dedos cravando nos ombros dele ao sentir sua boca descendo por seu pescoço, seus seios, sua barriga, como se a mapeasse, traçando cada centímetro como um homem que encontrava sua redenção no corpo de alguém.
Ela puxou os cabelos dele quando sentiu sua língua entre suas pernas, e o gemido escapou de seus lábios antes que pudesse contê-lo. a segurava com força, os olhos fixos nos dela, observando cada reação que causava, como se decorasse cada uma. Afastou-se apenas para penetrá-la e quando a sentiu se contorcer sob ele, os quadris buscando mais, gemeu abafado, satisfeito. Então, com o corpo colado ao dela, a respiração quente em seu pescoço, ele começou a movimentar seus quadris. Seus olhos buscaram os dela uma última vez, e ele continuou a penetrando com uma lentidão carregada de intenção, como se quisesse que ela sentisse cada centímetro seu dentro dela. arqueou o corpo e soltou um gemido profundo, sentindo-o preenchê-la por completo. Seu membro erqa grande e pulsava dentro dela, despertando uma mistura de prazer e ardência que fez seu corpo estremecer. Ele entrou de uma vez, até o fim, e ela sentiu o impacto se espalhar pelo ventre, um calor que explodia do centro para cada extremidade. A respiração dela ficou presa na garganta, e seus olhos se fecharam por reflexo, tentando absorver tudo: a textura da pele contra a sua, o peso dele sobre seu corpo, o calor, o ritmo. gemeu contra o ouvido dela, rouco, como se lutasse para manter o controle. Mas o controle estava por um fio. Começou a se mover, devagar no início, fazendo o corpo dela se moldar ao dele. E então acelerou, cada estocada fazendo a cama ranger, os corpos colidirem como ondas. sentia as pernas tremerem ao redor dele, seus quadris buscando mais, respondendo ao ritmo como se fossem parte de uma mesma dança selvagem.
— Me olha — ele pediu, entre um gemido e outro. — Eu quero ver o que você sente.
E ela olhou. Viu o fogo nos olhos dele, a intensidade crua de alguém que se despedia de todas as defesas ali, dentro dela. segurou o rosto dele com as duas mãos, puxando-o para um beijo que misturava desejo, raiva contida, paixão e medo. O medo de que tudo aquilo fosse efêmero, o medo de que a guerra que se aproximava os separasse. O prazer crescia entre eles como algo vivo, consumindo os dois. Quando ela atingiu seu ápice, foi como se todo seu corpo fervesse, fazendo-a tremer sob ele. a seguiu logo depois, o corpo se contraindo, os gemidos roucos contra sua pele, o suor escorrendo entre os dois. Por um instante, não havia mais nada. Apenas os corpos entrelaçados, as respirações ofegantes e o gosto da entrega no ar. Ele se deitou ao lado dela, ainda a tocando, como se precisasse garantir que ela estava ali de verdade. E, pela primeira vez, não tentou esconder o que sentia. Passou os dedos devagar por sua cintura, encostou os lábios em seu ombro e sussurrou, quase para si mesmo.
— Você me ferra de todas as formas possíveis... e mesmo assim, é a única coisa que me faz querer ficar. — não respondeu. Apenas se virou e o abraçou, os olhos fechados, como se quisesse guardar aquele momento dentro do peito, antes que o mundo os puxasse de volta para a guerra que os esperava.

Sem perceber, os dois adormeceram ali, acordou de madrugada com barulhos de batidas na porta. Vestiu suas roupas no escuro e caminhou devagar para abrir a porta, se deparando com , que ficou surpreso ao enxergar a figura da mulher do outro lado da porta.
, o que faz aqui? — Perguntou ele, deixando confusa.
— Estou no meu quarto… — Antes que terminasse de falar, ela se deu conta que não estava em seu quarto. — … ou não. — Ela sorri, meio sem jeito e arqueia uma sobrancelha.
— É tarde, bati na porta do seu quarto e você não atendeu, vocês subiram parecendo que iriam brigar feio e fiquei preocupado porque você não desceu para jantar. — Explica ele.
— Perdi a noção da hora. — Ela olha para , dormindo sem roupas na cama e espia para dentro do quarto.
— É, posso imaginar o motivo. — Ele ri. — Desça para comer depois, já passa de 00:00. — Ela concorda com a cabeça e fecha a porta.

***

Do outro lado da cidade, Penelope se olhava no espelho com satisfação ao ver seus olhos amarelos brilharem. Sentia que finalmente poderia conseguir o que sempre quis. Sabia de todos os burburinhos sobre os deuses estarem se preparando para caso ela fosse até eles, mas ela não iria, já havia encerrado o equilíbrio do mundo com a morte de seu irmão Caerthas e estava com o Fogo de Phoros, pronta para colocar seu plano em prática. Penelope sentia mágoa e rancor ao se lembrar de sua vida antes de ser banida, por que a Deusa do Desejo foi banida por desejar demais? Por que ela não poderia querer mais poder? Por que ela não podia desejar ser a melhor entre todos? E principalmente, por que ela deveria servir aos humanos? Seu pai havia a criado para ser incrível, lhe deu habilidades e poderes incríveis, mas tudo por causa de pessoas medíocres.
— Você coloca um pouco de poder nas mãos deles… — Diz ela, enquanto acaricia seu próprio cabelo e se olha no espelho. — … e eles mostram quem realmente são. — Ela ri, e continua se admirando no espelho. No momento em que Penelope tocou no Fogo de Phoros, ele se tornou A Verdade que Queima. A chama que arde em seus olhos não nasceu das trevas, mas daquilo que um dia foi luz. Fragmentos do Fogo de Phoros, roubados, corrompidos, distorcidos pela antiga deusa do Desejo, hoje queimam eternos em sua alma. Ela consegue tocar nas mentes humanas com um simples sussurro, não oferece promessas e sim visões. Visões vívidas, encantadoras, hipnotizantes. Fama, amor, poder, beleza, prestígio… Os desejos mais profundos de cada alma, refletidos com uma perfeição tão cruel que é impossível distinguir ilusão de verdade. E assim, os mortais acreditam. Acreditam que podem alcançar tudo aquilo, se seguirem a vontade dela. E quando aceitam o presente da deusa, quando se entregam à sua chama, o fogo os molda por dentro e por fora. Aqueles que ansiavam por poder, tornam-se fortes, dominantes… e violentos. Os que desejavam beleza ganham formas que hipnotizam… mas jamais se reconhecem no espelho. Os que buscavam respeito se tornam líderes natos… paranoicos, cercados por sombras e fantasmas de traições.
Quanto mais alimentam seus desejos, mais suas almas se perdem. Suas mentes se apagam. Tornam-se cascas douradas, reluzentes por fora… e vazias por dentro. Marionetes reluzentes da vontade dela. A chama, no entanto, respeita uma única lei divina: o livre arbítrio. A deusa não força. Apenas oferece. São os humanos que escolhem se queimar. E por isso, nenhum de seus irmãos pode interferir. Nenhum deles pode condená-la por oferecer aos humanos o que eles desejam, nenhum deles pode julgá-la por almas que escolheram se corromper por conta própria. E nenhum deles pode rastreá-la, porque a chama a concedeu a liberdade. Enquanto ainda aprecia seus olhos no espelho, Penelope se sente a salvadora, dos deuses, dos humanos e dos ceifadores. Apesar de se sentir maior do que todos eles, existe uma pequena alma medíocre que ela ainda teme: . Saber que Salazar a protege, só deixou Penelope com mais vontade ainda de colocar as mãos nela, e o mais importante de tudo: a garota nunca deveria ter nascido, era um milagre. Ela ainda não tinha certeza, mas aquela pequena alma insignificante poderia ser a chave para seus planos darem certo.
— Senhora… — Ela foi interrompida por um de seus capangas.
— O que? — Perguntou, com desdém.
— Não conseguimos descobrir nada com a mãe da garota, ela sente muito rancor pelo ex-marido e culpa a filha por ele ter ido embora, mas nada que sirva para nós. — Explica o homem e Penelope assente.
— Isso já é o suficiente. — Ela sorri maliciosa. — E a faculdade?
— Descobrimos um rapaz chamado Nick, ele convidou para sair nas últimas semanas e ela recusou, mas pelo que conseguimos descobrir com os colegas, ela é apaixonada por ele desde o ensino médio. — Responde o homem.
— Ótimo, você vai trazer esse rapaz até mim e eu irei conversar com ele. — Ela sorri, mas não era um sorriso de felicidade, era um sorriso de quem estava tramando algo. — É só isso por hoje.
***

No dia seguinte, acorda na cama de , com uma bandeja com algumas frutas e torradas ao lado da mesa de cabeceira. Ela olha ao redor e não o encontra, na noite anterior ela desceu para comer algo e pensou em voltar para o seu quarto, mas se sentiu mal em sair sem que ele visse. Ela se sentou na cama e havia um bilhete na bandeja.
“Bom dia, dorminhoca! Acordei cedo porque tive que ir ao templo, não quis te acordar porque vi o horário que voltou para a cama, mas espero que aprecie o café da manhã!”. Ela sorri ao ler e fica ali por um tempo, comendo o que ele havia preparado para ela. Após comer, ela pega a bandeja e caminha para o seu quarto, lava o rosto, escova os dentes e decide tomar um banho antes de descer. Desceu as escadas com a bandeja na mão, caminhou até a cozinha, onde , e Jeremy tomavam café em silêncio.
— Bom dia! — Diz ela, colocando a bandeja na pia.
— Bom dia! — Os três dizem em coro, sorri, mantém os olhos em um livro que está lendo e Jeremy acompanha a bandeja com os olhos.
— Por que você desceu com uma bandeja? — Pergunta Jeremy, inclinando a cabeça para ela, que ficou meio sem jeito.
— Ah, essa bandeja estava no meu quarto e eu havia esquecido de trazer de volta. — Mente, arqueia uma sobrancelha ao perceber que a amiga mentiu, mas Jeremy se convence.
, que horas vai para a faculdade? — Pergunta , abaixando o livro.
— Às 13:00. — Responde ela, se sentando em uma das cadeiras.
— Você espera o voltar e vai com ele, vou levar para comprar algumas coisas para o quarto dela e de lá eu irei levá-la para a faculdade. — Diz ele e assente.
— E vai chegar à tempo? — Pergunta .
— À tempo de quê? — Eles escutam a voz de vindo da sala.
— De levar a … Ah, você já voltou! — Jeremy sorri e caminha para a cozinha, olha para e sorri, como se nenhuma outra pessoa estivesse no local.
— É claro que eu chegaria à tempo. — Ele continua sorrindo, o que faz com que Jeremy fique confuso.
— Como foi lá? — ignora a situação e muda de expressão, ficando sério.
— Nosso templo não foi muito corrompido, tirando aqueles que eliminei, só haviam três com Penelope… — Ele caminha até a cafeteira. — … você estava certo, sobre a faculdade. — Completa, pegando sua xícara e suspira.
— Era o que eu temia. — Diz .
— O que tem a faculdade? — Pergunta .
— A faculdade não é segura com 100% de certeza agora. — Explica e e dão um pulo na cadeira.
— Não se preocupem, vamos observar vocês de perto. — garante.
— E como farão isso? — Pergunta .
— Eu sou o Deus da Justiça, com certeza darei um jeito de fazer parte de uma faculdade de direito. — sorri.
— Endoidou? — Pergunta .
— Não se preocupem, temos poderes e disfarces, estaremos por perto, vocês verão. — e se entreolham e sorriem, como se estivessem tramando algo.

Capítulo 8 — Dia dos Namorados

caminhava com pelos corredores da faculdade, tentando buscar algum vestígio dos rapazes, mas o dia seguiu normal. No terceiro tempo, Nick sentou no lugar de , ao lado de , o que não era muito comum de acontecer.
— E aí, ? — Ele a cumprimentou e apenas sorriu, sentou do outro lado e ficou cutucando para entender a interação. Nick tirou um papel de dentro do caderno e entregou para . — É o evento anual de costume, meu aniversário! Vai ser no sábado, lá em casa, eu sei que você nunca vai… — Ele sorri. — Mas gostaria que fosse dessa vez. — retribuiu o sorriso.
— Vou ver se consigo aparecer dessa vez. — Mentiu e Nick assentiu. A professora de direito penal entra na sala acompanhada de alguém, que logo percebe ser Stefan.
— É o Stefan… — Ela sussurrou para , que não conseguia ver a mesma coisa que ela.
— Sério? Não parece ele. — arqueou uma sobrancelha e franziu o cenho.
— Boa tarde, alunos! Hoje vim apresentar para vocês o Sr. Kyle Jones, ele é o responsável pela nossa semana do direito e trouxe um grupo de advogados, juízes e promotores que estarão na universidade durante essa semana! Pedimos que participem das atividades e visitem suas salas. Dou à palavra ao Sr. Jones. — A professora abre espaço para que o homem fale.
— Boa tarde, estudantes e futuros doutores! É um imenso prazer para nós, ex-alunos e hoje, advogados, promotores e até mesmo juízes, retornarmos à nossa querida universidade para compartilhar nossa experiência com vocês. Ao final desta aula… — Ele colocou uma pilha de papel sobre a mesa. — … vocês preencherão as fichas de inscrição para as palestras e aulas que gostariam de participar durante essa semana. É uma honra para mim e para meus colegas poder ensinar algo aqui nesta universidade de prestígio. Obrigado! — Todos aplaudem e Stefan dá uma piscadela para , que se perguntou o motivo de terem escolhido ele para esse papel, indo de sala em sala se apresentando, logo ele que sempre é tão calado. Talvez seja porque ele é muito sábio e se expressa bem quando fala. Mesmo assim, ainda é o mais calado daquele grupo tão caótico.

Após a aula terminar, todos pegam a ficha e se encaminham para o auditório, a fim de escolherem o que vão fazer na semana acadêmica de direito. Ao chegar no auditório, reconhece e os outros, sentados nas mesas de tutores. Cutuca , que não reconhece ninguém por causa dos disfarces, mas acredita na amiga. As duas se aproximam discretamente deles, sorri ao colocar os olhos em , mas logo o sorriso se desmancha quando escuta alguém chamar por ela.
! — A voz de Nick soa de longe. — Já sabe o que vai escolher? — Ele deu uma corrida suave para alcançá-la.
— Ah… — olhou para . — Acho que vou conversar com os tutores primeiro, antes de decidir algo. — Ela sorri com os lábios e Nick assente.
— Depois me fala, então. — Ele acenou e voltou para o grupo dele, viu conversando com e se aproximou de . — E então, quem é você? — Perguntou ela, pigarreou.
— Juiz Dalton Miller. — Ele ajeita a roupa e sorri. Jeremy se aproxima dos dois.
— Quem era aquele, ? — Ele aponta para Nick, discretamente, e faz uma cara feia para ele.
— Ah, é o Nick! — sorri.
— Hmmm, seu crush? — Jeremy provoca a mulher e leva uma pisada de . — Ai! Você não viu meu pé aí?
— Vi sim. — sorri. — Pisei de propósito. , não demore muito aqui para não desconfiarem. — assentiu e foi para a próxima mesa, onde estava Jace.
— Oi, ! — Jace sorriu e apontou para uma caixa sobre a mesa. — Seus colegas querem fazer uma dinâmica de dia dos namorados… — Ele pegou um papel e uma caneta, parecendo um pouco confuso. — Não entendi muito bem, mas foi o mais pedido para o momento de interação da SEMADI. — riu fraco.
— Cartões de dia dos namorados? — Ela sorriu e encarou a caixa. — Quem foi que teve essa ideia?
— Eu. — Disse Nick, se aproximando dela. — Achei que seria divertido e os outros concordaram. — assentiu. — Vai escrever para alguém? — Perguntou ele.
— Bom… — Ela se virou para , percebeu que ele tinha o maxilar travado, como se estivesse segurando a raiva. Não tirava os olhos dela por um segundo sequer. — … acho que não. — sorriu e Nick pareceu desapontado. — Vou até os outros.

Stefan se apresentou no palco, apresentou todos os outros pelos nomes de seus disfarces e cada um fez uma breve palestra, explicando que durante a semana cada um estaria em uma sala para aplicar um curso que acrescentaria horas complementares para a faculdade. Cada curso tinha um tema, havia se interessado pelo curso aplicado por : Direito e Mídia: Liberdade de Expressão e Responsabilidade na Era Digital. Mas havia algo na expressão de que a fazia acreditar que ele queria mantê-la por perto, então ela escolheu o curso dele: Ética, Moral e Julgamento na Prática Jurídica. A reitora da faculdade discursou por um bom tempo, o típico discurso que fazia todos adormecerem, ficava alternando entre as fichas de inscrições enfrentando uma leve confusão sobre qual curso escolher. suspirou, Nick sentou ao seu lado e parecia que ia voar nele a qualquer momento. Quando os discursos terminaram, a monitora começou a ler os cartões de dia dos namorados. No ensino médio era bem comum, mas eles nunca haviam feito aquilo na faculdade ainda.

escutou cada cartão sendo lido, declarações de casais, convites para sair, declarações anônimas. Até que escutou seu nome.
— Para : Se quer saber, eu não bati na sua cabeça, mas você acertou em cheio no meu coração. Sem nome, um admirador secreto! — Todos começaram a gritar e ficou boquiaberta, quem teria batido em sua cabeça? Ela não conseguia pensar em ninguém… a não ser… . Ao final do evento, caminhou até ele.
— Foi você? — Perguntou ela, ele estava ajeitando sua gravata.
— Eu o quê? Eu faço muitas coisas. — Respondeu sarcasticamente.
— O bilhete. — rolou os olhos.
— EU? — Ele se virou para ela. — Deve ter sido seu amigo Nick. — Completou, mantendo o tom sarcástico.
— O Nick não bateu na minha cabeça. — Retrucou ela, cruzando os braços.
— Então, não sei. Eu também nunca bati na sua cabeça. — Ele pegou a maleta e saiu andando, deixando-a falar sozinha.
bufou, mas foi aplicar a ficha de inscrição para o curso.

Depois da aula, ficou para o estágio, como de costume, e saiu às 22:00. Saindo pela porta, enxergou encostado em seu carro na frente da faculdade, enquanto caminhava até ele, Nick apareceu na sua frente.
— Oi, ! — Disse ele, surpreendendo-a.
— Ah… — Ela inclinou a cabeça para o lado, olhando para . — Oi, Nick! — Completou, sorrindo amarelo.
— Parece que você tem um admirador, né? — Ele parecia meio sem jeito. — Me arrependi de não ter enviado nada para você, achei que você não quisesse participar por ter vergonha… — se aproximou e segurou pelo braço.
— Vamos embora. — Disse ele, seu tom firme e sem esboçar nenhuma expressão, apenas o maxilar travado.
— Podemos conversar depois, Nick? Tenho que ir. — A voz de foi ficando mais longe na medida em que a conduzia até o carro. — Por que está agindo assim? — Perguntou ela, abriu a porta do carro para ela, que logo entrou. Em seguida, ele foi até o banco do motorista e se sentou, dando partida no carro.
— Por que esse cara fica atrás de você o dia inteiro? — Perguntou ele, claramente irritado.
— Somos amigos. — Respondeu , colocando o cinto de segurança.
— Então não seja. — bufou e apertou o volante, fazendo rir.

Na faculdade, Nick estava ao celular.
— Não consegui me aproximar dela, um cara veio e a levou embora. Mas eu estou tentando, eu prometo. — Sua voz estava trêmula, seu corpo completamente tomado pelo medo.
— É melhor que tente mesmo, até conseguir. Senão, acabo com a raça da sua mamãe querida. — Uma voz feminina soava do outro lado da linha, fazendo-o engolir seco.
— Senhora Penelope, por favor, estou dando o meu melhor. — Nick sentia suas mãos suarem.
— Se esforce mais, você precisa conseguir tirá-la de perto deles. — Disse ela, antes de desligar a ligação.

***

No decorrer da semana, se inscreveu no curso de e acompanhou todas as aulas e palestras. Até que o curso tinha tudo a ver com ele, e ele, obviamente, sabia muito sobre o que estava falando. Tudo seguia normalmente, tirando o fato dela sempre encontrar bilhetes em seu armário. No primeiro dia, estava escrito: “Tentei pesar os prós e contras de você na minha vida. A balança quebrou.”.

Ela não se convencia de que não eram escritos por , mas ao perceber uma aproximação de Nick, começou a cogitar outras possibilidades. , que observava tudo sobre ela de longe, sem poder interferir, não conseguia disfarçar a raiva que sentia toda vez que Nick se aproximava dela, seu coração estremecia.

No dia seguinte, ela encontrou outro bilhete: “O universo pode ter leis imutáveis. Mas desde que você chegou, eu repenso todas as minhas certezas”.
— Leis imutáveis? — Pensou alto, sentiu alguém pegar em seu ombro e se virou para ele com um sorriso, que se desfez quando percebeu que era Nick. — Ah, é você. — Ela sorriu amarelo.
— Parece desapontada. — Nick inclinou a cabeça.
— Não é isso, é só que… — Enquanto falava, ela notou passando pelo corredor sem olhar para eles. Não estava diferente em casa, desde a segunda-feira, quando ele havia impedido que ela falasse com Nick, ele a ignorava dentro de casa. Era como se ela não existisse, algo em seu coração insistia em achar que aqueles bilhetes eram escritos por ele, mas ele parecia estar irritado demais para fazer algo assim.
? — A voz de Nick a despertou de seus pensamentos. — Como está o curso que escolheu?
— Ah, é bem interessante. — Respondeu ela, com um breve sorriso nos lábios. — Acho que vai agregar muito no meu currículo. — Ela observou indo para a biblioteca.
— Eu também acho, essa SEMADI está sendo… — o interrompeu.
— Podemos nos falar depois? — Ela sorriu e caminhou até a biblioteca antes que Nick pudesse ter a oportunidade de responder, entrou no lugar, que estava vazio porque todos estavam em um curso. Caminhou pelos corredores buscando por , até que as luzes se apagaram e ela sentiu um frio na espinha, virou-se para caminhar até a porta e sentiu alguém puxá-la pelo braço, fazendo com que ela batesse de frente com seu peito, levantou o olhar e enxergou , o que a fez suspirar aliviada.
— Ah, agora você suspira aliviada? E se fosse uma emboscada? — Ele a colocou contra uma prateleira de livros e ela sorriu.
— Eu vi você entrando aqui, se fosse uma emboscada, você me salvaria. — Respondeu com um sorriso malicioso nos lábios.
— E quem te garante que eu salvaria? — Retrucou ele, apenas levantou as sobrancelhas e ele relaxou a expressão, soltando-a. — Tem razão, eu viria salvá-la mesmo se estivesse do outro lado do mundo. — relaxou um pouco e olhou em seus olhos. — Não pode vir atrás de mim assim.
— Por que? — Perguntou ela, seus olhos brilhando.
— Porque estou tentando manter um disfarce. — Ele aproximou o rosto do dela. — E se não te ignorar, não vou conseguir. — deu um passo à frente.
— E por que precisa me ignorar? — Retrucou, aproximando o rosto do dele, que deu um passo para trás ao notar a aproximação.
— Porque eu posso acabar arrebentando a cara desse seu amiguinho Nick, que fica te seguindo por todos os lugares. — cerrou o punho.
— Ciúmes? — arqueou uma sobrancelha.
— Sim, definitivamente ciúmes. — Ele se afastou dela. — É melhor irmos, vai na frente. — fez um biquinho, mas obedeceu. Ela saiu primeiro, um tempo depois saiu. Os dois foram para a sala do curso, como de costume.

No dia seguinte, continuou ignorando , em casa, na faculdade, até mesmo enquanto dirigia com ela para casa. Ela encontrou outro bilhete em seu armário escrito: “A justiça é cega. Mas toda vez que você sorri, eu enxergo mais do que nunca”. E ela nem se cansou em perguntar novamente, sabia que era ele, tinha certeza. Evitou Nick o máximo que pôde durante o dia, mas se divertia com o olhar assassino nos olhos de toda vez que Nick estava por perto.

Na sexta-feira eles foram informados que os certificados da SEMADI seriam entregues no sábado, o que atrapalhava um pouco os planos de Nick para o seu aniversário.
! — Ela escutou a voz de Nick e sentiu seu braço ser puxado por ele. — Que bom que te encontrei! — Ele estava ofegante, , que estava ao lado da amiga, franziu o cenho demonstrando confusão.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou , preocupada.
— Ah, não! Só queria dizer que a festa de aniversário vai ser depois da entrega do certificado da SEMADI, não vai poder ser o dia todo como sempre foi. — Ele sorriu e entregou um papel na mão dela. — Espero ver as duas lá! — pegou o papel da mão de e leu, Nick se afastou e acenou para ela.
— Não acredito que ele fez um convite exclusivamente para você, todo mundo recebeu um e-mail e você um convite físico?! Ele quer MUITO te pegar! — se inclinou para ler o convite e murmurou um “hum”. — HUM?! , você quer o Nick desde o ensino fundamental, se duvidar. — se virou e abriu seu armário, um bilhete caindo no chão, abaixou depressa e leu o que estava escrito: “Nem todo erro merece punição. Te amar, por exemplo, é uma infração que eu cometeria de novo. Me encontre na biblioteca amanhã após a entrega dos certificados”.
sorriu, sem conseguir disfarçar a empolgação.
— Está interessada por alguém que nem tem coragem de dizer o nome? — cruzou os braços.
— Ele não precisa dizer o nome, eu jamais o confundiria. — Respondeu com um sorriso nos lábios.

No dia seguinte, todos se reuniram para assistir ao encerramento da SEMADI, a reitora fez seu discurso enorme como sempre, mas Stefan subiu ao palco para dizer algumas palavras.
— Boa noite a todos. — Disse ele, se aproximando do microfone, todos retribuíram em coro. — É uma honra encerrar essa semana tão rica em debates, reflexões e, acima de tudo, propósito. O Direito, dizem, é a ciência da justiça. Mas eu diria que ele é muito mais: é a tentativa humana de dar forma ao invisível. De transformar o que sentimos, indignação, esperança, medo, em algo que se sustente diante do tempo. Vocês escolheram uma profissão que lida com a morte todos os dias. A morte de certezas, de ilusões, de versões mal contadas. A cada sentença, a cada argumento, vocês enterram uma história e dão vida a outra. É por isso que eu digo: poucos têm coragem de seguir por esse caminho. De pesar almas em vez de apenas papéis. De enxergar além da superfície, além do que está nos autos. Porque a verdadeira justiça não é só técnica. Ela exige sacrifício. E, às vezes, silêncio. Então, se eu puder deixar um conselho e é só isso que me cabe deixar, é este: Protejam aquilo que vocês não entendem ainda. Nem tudo que é invisível é inexistente. Às vezes, o que parece só um detalhe fora do lugar é, na verdade, o centro de tudo. Parabéns pela jornada até aqui. O mundo que espera por vocês não é justo por natureza. Mas talvez, com algum esforço… e algum destino… ele se torne mais próximo do que deveria ser. Boa sorte. E cuidado com o que vocês desejam encontrar. Às vezes, a verdade não quer ser revelada. — O discurso de Stefan fez com que todos aplaudissem de pé, uma sensação estranha, mas boa, tomou conta do peito deles. Em fila, cada um pegou seu certificado da mão de cada responsável pelo curso.

Ao final, todos estavam saindo para festa de Nick ou para comemorar o dia dos namorados, esperou um pouco e caminhou até a biblioteca, que estava escura, apenas com uma luz acesa em uma das mesas e uma caixa. Ao abrir a caixa, ela encontrou uma caixinha menor, uma rosa e um bilhete. A primeira coisa que ela fez foi abrir o bilhete, a mesma letra dos anteriores. “Eu pesei todas as consequências. Nenhuma delas me assusta mais do que a ideia de te perder.
Não sei se o que sentimos tem nome entre os mortais, mas sei que existe há muito mais tempo do que podemos lembrar.
Esse colar representa o vínculo entre dois destinos traçados antes mesmo de existirem. Se ainda for recíproco...
Quer namorar comigo?”

olhou ao redor, mas não viu ninguém. Tinha um sorriso nos lábios quando abriu a caixinha menor. Com as mãos trêmulas, ela abriu a caixinha menor. O colar cintilou sob a luz suave: a metade de um eclipse, com traços finos e antigos. E atrás, gravado com precisão quase invisível, estava a frase que só ela e ele poderiam entender: "Onde você estiver, eu volto a ser inteiro." Antes que ela pudesse absorver completamente, uma presença silenciosa surgiu à sua esquerda. Não houve som de passos, apenas a sensação de que o ar ao redor tinha mudado. Ela virou o rosto devagar e o viu. Ele estava ali, encostado no batente da estante mais próxima, observando-a. Vestia-se de forma simples, mas havia algo eterno nele, como se o tempo recuasse em sua presença. Sem dizer uma palavra, ele tirou do pescoço uma corrente idêntica. Na ponta, a outra metade do eclipse. Quando ele estendeu a mão, as duas metades brilharam por um breve instante, uma luz cálida, silenciosa, viva. Ele falou baixo, como se a própria biblioteca não devesse ouvir:
— Agora você sabe, se você deixar, eu sempre carregarei você comigo. — Ele sorriu, um sorriso que ela tinha certeza que nunca havia visto em seus lábios.
— Você… quer namorar comigo? — Ela ainda estava processando a ideia.
— Eu te perguntei primeiro. — Brincou ele, se aproximando dela. — Não entendo como esse tipo de coisa funciona, mas me deixa extremamente irritado te ver andando por aí sem que você seja oficialmente minha, enviei todos aqueles bilhetes para preparar esse momento hoje, descobri que um pedido de namoro no dia dos namorados é romântico. — riu, deixando confuso. — Qual é o motivo do riso? — Ele cruzou os braços.
— Eu achei extremamente fofo, mas nunca pensei que acharia isso de você. — Ela sorriu. — Eu aceito ser sua namorada, mas você nunca mais pode me ignorar, entendeu? — se aproximou dela e a puxou pela cintura.
— Entendi. — Ele levou seus lábios ao dela, que de repente sentiu o clima mudar, um vento forte começou a balançar seus cabelos e de repente eles estavam em um arranha-céu.
— Como…? E a caixa??? — Perguntou ela, confusa.
vai passar lá para buscar tudo, agora eu vou te apresentar o mundo que eu vejo. Feliz dia dos namorados! — Ele apertou sua cintura e ela observou a cidade inteira de cima do arranha-céu, olhou para cima e viu as estrelas de um modo que ela nunca havia visto.
— Uau! — Seu rosto se iluminou, fazendo sorrir.
— Está pronta para o nosso primeiro encontro? — Ele estendeu a mão para ela, que a segurou e sorriu.
— Estou!

Na faculdade…

— Eu não entendo porque nós temos que cuidar disso! — Resmungou , saindo da faculdade com a caixa de presentes que e haviam deixado na biblioteca.
— Porque eles são nosso amigos e estão aproveitando o dia dos namorados. — Respondeu , abrindo a porta do carro para que ela entrasse.
— Eu também queria aproveitar o dia dos namorados, ao invés disso, estou presa em casa. — Ela fez um biquinho e entrou no carro, entrou no carro e se sentou no banco do motorista.
— Para onde quer ir? — Perguntou ele, piscou duas vezes, confusa. — Para onde você quer ir aproveitar seu dia dos namorados?
— Com você, ? — Ela arqueou uma sobrancelha.
— E por que não? Não sou uma boa companhia? — fez um beicinho.
— Dia dos namorados se comemora com um namorado, ou um quase namorado! — Ela cerrou os olhos.
— Então, a gente providencia isso, ué. — Ele deu partida no carro, deixando confusa.
— O que está falando?
— Estou falando que gosto de você. Gosto da sua companhia e você me faz sorrir, então, por que não? Por que não podemos tentar? — sorriu e corou.
— Eu… não… não estava esperando por isso. — Respondeu ela, com um sorriso.
— Você despertou algo em mim desde que apareceu na nossa casa pela primeira vez, sei lá, seria legal.
— Vamos em um parque, então, tem um aqui perto que sempre tem coisas legais no dia dos namorados. — sorriu, fazendo o rosto de se iluminar, ele concordou e dirigiu até o local indicado.

Do outro lado da cidade…

Ali, no topo do mundo, com as estrelas acima e a cidade inteira abaixo deles, percebeu que algo dentro dela havia mudado — como se uma parte antiga, adormecida, finalmente tivesse despertado. Não era só sobre , nem sobre o dia dos namorados. Era sobre tudo o que ela começava, pouco a pouco, a lembrar sem ter vivido. Ela olhou para ele de novo. Ainda era o mesmo, o mesmo olhar severo, o mesmo jeito contido, como quem carrega o peso de muitos julgamentos nas costas. Mas agora havia um brilho nos olhos dele que ela nunca tinha visto antes. Um brilho só para ela. E, enquanto suas mãos se entrelaçavam, ela sentiu: não importava onde estivessem. Não importava o que viria. Eles já se pertenciam muito antes de se reconhecerem. E talvez esse fosse o verdadeiro significado do destino.

Capítulo 9 — Guerra dos deuses

Era manhã, o sol invadia as janelas do quarto de e abria os olhos. estava deitada em seus braços, o que o fez esboçar um sorriso suave, fazendo-o se inclinar para beijar seus lábios. Mas algo estava diferente, o jeito que o sol invadia o quarto… não era comum. Em seu peito, que estava tão repleto de felicidade e sentimentos bons, havia um buraco, um peso inexplicável, seus olhos começaram a escorrer lágrimas sem motivo. Ele se levantou e caminhou até o espelho do quarto, onde ao ver o próprio reflexo, teve a sensação de ter olhado nos olhos de seu irmão: Erion, deus da força. virou para o lado, notando a ausência dele.
— Bom dia… — murmurou, ainda sonolenta, observando que se vestia. — Onde vai tão cedo? — Perguntou, se levantando.
— Erion está em perigo, vou até o templo dele. — Respondeu, se inclinando e selando seus lábios, e em seguida — desaparecendo.

seguiu sua rotina normalmente, preocupada, mas foi até o banheiro e depois desceu para tomar café com os outros. Notou que e estavam sorridentes no canto da sala e se aproximou dos dois.
— Quem é Erion? — Perguntou ela, os olhos de escureceram.
— Bom dia para você também, . — Respondeu , se levantou e foi até .
— Por que está perguntando isso? — A expressão em seu rosto fazia parecer que ele queria ouvir algo diferente do que tinha a dizer, alternava o olhar entre os dois e os outros se aproximaram.
saiu, disse que Erion estava em perigo… — a interrompeu.
— Por isso o dia estava diferente. — Suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Jeremy, fique aqui com elas e não saia da casa por nada. Os outros, vamos. — E eles desapareceram.
— O que foi isso? — Perguntou .
— É por que o dia está com esse ar pesado? O sol entrou no meu quarto de um jeito diferente hoje, e tudo ao redor parece estar carregando um peso absurdo. — Disse e Jeremy assentiu.
— Geralmente só nós sentimos essas coisas… — Suspirou ele. — …você sente e vê coisas que geralmente só nós vimos, então faz sentido.
— Alguém pode me explicar o que tá rolando? — Perguntou , confusa.
— Sentimos o dia diferente quando um dos deuses… morre. O equilíbrio muda, e sabe disso… — Jeremy suspirou novamente. — …não faz sentido dizer que ele está em perigo, sabemos que ele já está morto. — Completou, caindo no sofá.
— Mas… e aquele outro? Caerthas? não sabia sobre ele. — sentou-se ao lado de Jeremy, tentando entender melhor o que estava acontecendo.
— Não se sabe se Caerthas morreu ou não, mas sabemos que ele foi derrotado. Ninguém sentiu nada, não dá para saber o que Penelope fez com o fogo de Phoros, apenas Caerthas sabia do que esse fogo era capaz. — Explicou ele, ficando mais tensa.
— E se a pessoa que matou esse deus ainda estiver lá? — Ela ficou de pé, Jeremy e levantando seus olhares para ela. — foi para lá… e os outros.
— Sim. — Jeremy suspirou. — Se Penelope estiver lá, apenas seria capaz de lutar com ela, mas sem a arma celestial… — Ele faz uma pausa.
— O que seria essa arma celestial? — Perguntou , virando-se para ele.
— Nós não sabemos. — Antes que pudesse perguntar algo, e os outros apareceram na sala. segurando , os demais com expressões obscuras. se levantou rapidamente e foi até eles, seguida por .
— Está machucado? — Perguntou ela, colocando a mão sobre o rosto de . Ele segurou a mão dela com força, como se precisasse se ancorar, mas então… caiu. Seus joelhos bateram contra o chão, os ombros tremiam. Não chorava. Mas o silêncio era ensurdecedor.
— Meu irmão… morreu. — O rosto de parecia petrificado entre o choque e a fúria. Os olhos cheios de algo que queimava, mas não eram lágrimas. Era fogo. Era ódio. Era perda.
— Não tem mais como esperar. — A voz de soou firme. — Não é mais uma ameaça de guerra, a guerra já começou. Se não formos até ela, ela vem até nós. — se abaixou ao lado de , puxando-o para um abraço.
— Como faremos isso? — Perguntou Jace.
— Começamos pelos humanos que trabalham para ela, você e Stefan vão procurar qualquer pista, Jeremy vai ficar encarregado de e , eu e vamos ao templo… criar o nosso exército. — As palavras de mudaram a atmosfera. se levantou, seus olhos refletindo como se estivessem em chamas. Sem dizer uma palavra, o ar se tornou mais denso e todos, incluindo , puderam sentir a mudança no ambiente.
— Vou matá-la. — Ele olhou nos olhos de . — Juro que ela não vai tocar em um fio de cabelo seu. — Seu olhar emanava fúria e determinação, não disse uma palavra sequer, apenas assentiu.
— Espero que vocês duas entendam que isso é uma guerra e muitos irão se machucar, talvez até mesmo pessoas inocentes, mas muitos mais sofrerão se ela vencer. Inclusive… — Stefan olha ao redor. — Nós podemos não sobreviver, até mesmo , estejam preparadas para isso. — sentiu as pernas bambeando com as palavras de Stefan, se jogou no sofá, sem acreditar no que estava ouvindo. Stefan falava como alguém que tinha experiência e sabia sobre o que estava falando. caminhou até e segurou seu rosto com as duas mãos.
— Quando tudo isso acabar, estarei aqui com você. — Ele beijou seus lábios, com urgência e como se necessitasse daquele beijo para ter forças.
— Você promete que vai voltar para mim? — Perguntou ela, os olhos brilhando, lágrimas sendo seguradas. assentiu.
— Eu prometo. — Ela pôde ver em seus olhos que a promessa era verdadeira, então, assentiu e se levantou. Ao virar-se de costas, viu e abraçados e ficou confusa.
— Jeremy, contamos com você. — Disse , Jeremy assentiu. Stefan e Jace já não estavam mais ali, e agora e desapareceram. E assim, foi marcado o início da guerra dos deuses.

Alguns dias se passaram sem notícias de ou de , Jace e Stefan sempre apareciam dando notícias de suas investigações, mas e não.
estava completamente agoniada com toda a situação, uma agonia diferente, fazia seu corpo coçar como se quisesse ajudar de alguma forma. Não era algo que ela já havia sentido, mas era como se seu corpo não conseguisse deixá-la ficar parada esperando algo acontecer. Ela foi até a sala de estar e encontrou assistindo um filme com Jeremy.
— Jeremy, o que você sabe sobre essa tal arma celestial? — Perguntou, enquanto descia as escadas, os dois viraram o olhar para ela ao mesmo tempo e Jeremy suspirou.
— Primeiramente, por que você quer saber disso? — Ele cruzou os braços, acompanhando com o olhar até a frente da televisão, onde ela parou, de pé.
— Não aguento ficar aqui parada sem notícias, tenho que fazer algo para ajudar. — Ela cruzou os braços ao ver que ele estava de braços cruzados.
— É por isso que você e sempre brigam, você é teimosa e não sabe não se meter onde não deve. — Respondeu ele, cerrando os olhos e assentiu. — De qualquer forma, não sabemos nada sobre ela. Existe uma escritura, lendas, mas nem mesmo sabe do que se trata. — olhou para os dois, alternando a direção do olhar, rapidamente.
, se nem ele encontrou isso, como você vai encontrar? — Perguntou . — Estamos preocupados, mas o que vamos fazer sem notícias e sem poder fazer nada para ajudar? — a ignorou.
— Essas escrituras… — Ela pensou por um tempo, antes de continuar. — Eu posso ler?
— Você não vai mesmo sossegar, né? — Jeremy se levanta do sofá. — Tudo bem, se pesquisar for te fazer sentir melhor, eu levo vocês à biblioteca celestial. — olha para ele, incrédula, enquanto fica animada.
— Existe uma biblioteca celestial? — Perguntou , se levantando, segurou em suas mãos e de repente eles estavam em um segurou em suas mãos e, de repente, eles estavam em um. . . salão sem fim. O chão sob seus pés parecia feito de estrelas cristalizadas, pulsando suavemente como se respirassem. O ar era denso, carregado de magia antiga. Fileiras de estantes douradas flutuavam pelo espaço, algumas fixas no chão, outras suspensas no ar, como se obedecessem a uma ordem que apenas os deuses compreendiam. Lá em cima, onde deveria haver um teto, havia apenas um céu profundo, entre roxo e azul, salpicado por constelações que se moviam lentamente, como se o tempo corresse diferente ali dentro. parecia em choque, já , estava fascinada.
— Tem uma biblioteca celestial. — Jeremy sorriu. — Geralmente, não podemos trazer humanos aqui, mas como é uma situação urgente… — Ele abre caminho para . — Pesquise. — Obrigada. — Caminho o aglomerado de livros, alguns flutuando, outros acorrentados e outros brilhando. — Por que esse tem correntes?
— Nem tudo que está aqui pode ser lido… ou entendido. — Jeremy caminhou até uma pilha de livros. — Se quiser saber algo sobre a arma celestial, vai estar aqui, mas … Já vou avisando, nem tudo é para compreensão humana. Existe um limite, sei que você vê as mesmas coisas que nós, mas não sei até onde isso vai. Então, pare no momento em que começar a sentir algo diferente. — assentiu, seus olhos transmitiam determinação. Já , que estava mexendo em um dos livros, se afastou automaticamente.

encontrou alguns livros sobre os deuses, entendendo um pouco mais sobre eles. deslizou os dedos pelas lombadas dos livros flutuantes, até que alguns desceram suavemente em sua direção, como se tivessem escolhido ser lidos. Sentou-se na mesa de pedra etérea e começou a folhear.
As páginas se abriram com facilidade, revelando textos antigos que, curiosamente, conseguia ler sem esforço — como se o idioma tivesse sido impresso direto na mente dela.
"Os Deuses Primordiais: sete forças que nasceram com a criação, cada um incumbido de guardar um fragmento do poder absoluto concedido pelo Deus Maior. Cada fragmento é a origem do mundo material, emocional ou espiritual."
Ela continuou, com os olhos correndo pelas descrições.
Zethar, o Vento: não apenas o deus da liberdade, mas também aquele que sopra vida nas almas recém-criadas. É dito que nenhum lugar é inalcançável para ele, e que ele escuta os pedidos de socorro antes mesmo de serem pronunciados.
Nevara, a Sombra: guardiã da noite e do silêncio, é quem protege os segredos dos deuses e recolhe as palavras não ditas. Diz-se que sua presença pode acalmar ou enlouquecer, dependendo do que você esconde no coração.
Kaelith, as Águas: suas marés não regem apenas oceanos, mas também os sentimentos. Quando ele se ira, tempestades emocionais varrem até mesmo o plano dos deuses. Foi ele quem ensinou aos humanos o que é chorar.
Erion, o Relâmpago: não apenas deus da força, mas também da determinação. Sua queda, como registrado por oráculos antigos, traria a quebra do equilíbrio entre coragem e medo. parou por um momento, o peito apertando ao reviver a memória de caindo em sua frente.

Tiala, o Crescimento: deusa da criação, da colheita e do florescer. Mas também das mudanças. Seu domínio não é só sobre o que nasce, mas também sobre o que precisa morrer para que o novo venha.
Vraxis, a Fúria: deus da guerra, mas também do instinto de proteção. Ele representa o limite entre o caos e a defesa, e seu poder aumenta diante da injustiça.
Selene, a Luz: a mais empática dos deuses. É ela quem se comunica melhor com os humanos, pois carrega a compaixão que o Deus Maior deu ao mundo como esperança. É dito que, quando ela chora, as estrelas piscam.

Por fim, encontrou um trecho apagado. O nome “Phoros” estava quase ilegível, coberto por manchas escuras como cinzas.
"O Fogo de Phoros é a única centelha do Deus Maior que não foi dada, mas roubada. Seu poder não é de criar, mas de destruir o que jamais deveria existir."
Ela sentiu um arrepio percorrer a espinha.
— Jeremy… — murmurou, chamando-o. — Por que o fogo de Phoros estaria envolvido agora, se ele nunca foi parte dos outros deuses?
Jeremy se aproximou, olhando a página.
— Porque Penelope não quer destruir apenas os deuses… ela quer queimar o plano onde a criação começou. — Explicou ele, com uma expressão séria no rosto.
— Todos esses são irmãos do ? — Perguntou ela, Jeremy assentiu. — Não encontrei nada sobre Caerthas.
— Como não? Está aí! — Ele pegou o livro nas mãos, notando que a parte onde Caerthas deveria ter sido mencionado, estava em branco. — Como isso… — Ele pegou vários livros, que ele tinha certeza que Caerthas estava, e não havia mais menções sobre ele. Foi até um dos livros acorrentados, que reagiu com a sua presença, se abrindo. O livro estava em branco, completamente em branco.
— O que aconteceu? — Perguntou .
— Tudo sobre Caerthas… desapareceu. — O olhar de Jeremy estava tomado de um único sentimento: medo. Medo do desconhecido, algo que ele nunca havia sentido. olhou para a capa do livro.
— Do que era esse livro? — Perguntou, curiosa.
— Sobre Caerthas, especificamente. — Ele fechou o livro com firmeza.
— Eu vi um livro com uma capa parecida na faculdade, enquanto fazia meu projeto. — Disse ela, assentindo.
— Sim, eu vi também. Inclusive, existem outros. — Completou . — Tem uma seção inteira sobre o poderoso deus da justiça.
— Tem? — Jeremy ficou surpreso. — Por que?
— A gente tem alguns projetos para horas complementares, então a faculdade nos disponibiliza todo tipo de livro que envolva direito ou justiça. — Explicou , assentiu.
estava trabalhando em um projeto sobre isso. — Disse .
— Estava, ? — Jeremy ficou curioso. — Você acha que esses livros poderiam ajudar em algo?
— Eu não cheguei a ler todos, mas estava trabalhando nisso mesmo. Podemos ir até lá dar uma olhada. — Sugeriu.
— Vamos, não temos nada a perder mesmo. — Jeremy estendeu a mão para ela e . E de repente, eles estavam na porta da faculdade.
— Vem. — Disse , sendo seguida por eles. Os dois chegaram na biblioteca e toda seção de livros sobre o deus da justiça estava…vazia.
— Como todos os livros desapareceram? — Perguntou , foi até a bibliotecária.
— Sra. Addams, o que houve com os livros sobre o deus da justiça? Estava precisando para o meu projeto. — se inclinou no balcão para enxergar a senhora responsável pela biblioteca.
— Acredito que estejam emprestados. Posso ver para quem foi e você pega com ele o que precisar, quer? — A senhora se levantou, indo até uma caixa com fichas.
— Sim, por favor. — sorriu educadamente, depois de um tempo de espera, ela encontrou a ficha.
— Nicholas Harris. — A mais velha entregou a ficha na mão de . — Ele é da sua turma.
— Sim, é o Nick. — sorriu. — Eu o conheço, obrigada. — Acenou, caminhando de volta para Jeremy e .
— E então? — Perguntaram, em coro.
— Nick pegou os livros. — Explicou, arqueou uma sobrancelha.
— Nick? Aposto que entrou no projeto para tentar se aproximar de você! — Ela cruzou os braços.
— De qualquer forma, posso pedir emprestado a ele. Talvez ajude em algo. — Disse, enquanto pegava o celular para enviar uma mensagem para Nick.
— É mesmo tão importante assim? — pareceu desanimada. — Não vai mudar muita coisa para eles, só vamos ficar andando em círculos.
— Preciso tentar. — enviou uma mensagem para Nick, seu corpo queimando, como se algo a atraísse para o meio disso tudo. Nick respondeu sua mensagem. — Ele disse para passar na casa dele que vai nos emprestar. Vamos voltar para irmos de carro e não levantarmos suspeitas. — Jeremy concordou, , apesar de hesitante se rendeu e os acompanhou.

Ao chegarem na frente da casa de Nick, desceu do carro.
— Me esperem aqui. — Disse, Jeremy negou com a cabeça.
— Eu vou com você. — Começou a tirar o cinto de segurança, mas o interrompeu.
— Você vai estar me olhando daqui, e é apenas o Nick, o máximo que ele pode fazer é dar em cima de mim. — Ela fez uma careta e Jeremy suavizou a expressão.
— Me avise se eu precisar socar ele. — Respondeu ele, sorriu e foi até a porta. Tocou a campainha e Nick atendeu com um sorriso.
— Oi, ! — Ele deu espaço para que ela entrasse. — Fique à vontade, vou buscar os livros.
— Obrigada. — Ela ficou de pé na sala, esperando por ele. Olhou ao redor e não escutou nenhum barulho, e não teve sinais dos pais de Nick. Fazia tempo que não os via, gostaria de cumprimentar. De repente, tudo congelou, o chão abaixo dela tremeu. A casa perdeu suas cores. O céu do lado de fora escureceu instantaneamente. As paredes desapareceram como fumaça. Ela estava em outro lugar. Um campo vazio, coberto por névoa. O céu era um manto de nuvens cor de sangue. Um portal flamejante se abriu atrás deles. Do fogo, Penelope emergiu.

Jeremy, notando a demora, desceu do carro e tocou a campainha, sem resposta. Quebrou a maçaneta com facilidade e entrou na casa, Nick estava de pé, tremendo e apavorado, murmurava algo repetidamente.
— Cadê a ? ? ? — Perguntou Jeremy, olhando ao redor, procurando por ela.
— Eu não tive escolha, eu não tive escolha, eu não tive escolha… — Nick não parava de repetir, até que Jeremy o segurou pelos ombros e sacudiu seu corpo, para que recuperasse a consciência.
— Cadê. A. ? — Perguntou, pausadamente.

— Ela me obrigou, está com meus pais… — Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Nick. — Eu não sei, ela estava aqui e não está mais… Eu não sei… Eu não tive escolha. — As palavras de Nick foram como um soco no estômago de Jeremy. Ela o obrigou. Penelope. Ele sabia que era Penelope, e agora, ele havia falhado na única missão que recebeu: proteger .

Capítulo 10 — Leve-me de volta à noite que nos conhecemos

O sabor áspero e ferruginoso queimava sua língua, permanecendo como uma sombra que não se deixava apagar. Sangue. Mas, como era possível?

Jeremy saiu da casa acompanhado de Nick, levantou o olhar no mesmo instante que os dois entraram no carro.
— O que aconteceu??? — Perguntou ela, procurando por .
— Era uma emboscada. — Jeremy bateu as mãos no volante e empurrou sua cabeça contra a buzina, soando um barulho estridente.
o puxou para trás.
— Jeremy, cadê a ? — sentiu um frio em sua espinha. Jeremy apenas olhou para Nick, deixando uma furiosa ao lado dele. — Nick! Você… você armou para ? — Nick apenas olhou pela janela, a voz dela se partiu, misturada a raiva e medo. Nick desviou o olhar, fixando-se na janela. , tomada por uma fúria que nunca havia sentido antes, começou a desferir tapas contra ele. De repente, uma angústia brutal apertou seu peito, e um medo desesperador percorreu todo o seu corpo.
— Vamos. — Jeremy ligou o carro.
— Para onde? — olhou ao redor, em desespero.
— Achar a . Nick disse que conhece um dos esconderijos da Penelope. — Ele deu partida e levou as mãos ao cabelo, bagunçando-o num gesto de tensão, como se a qualquer instante fosse se despedaçar.
— Eles montaram um exército para enfrentá-la, Jeremy. Você não pode ir sozinho! Precisa falar com eles. — insistiu.
— Nick, nos diga o caminho. — A voz de Jeremy soou com firmeza, como se estivesse decidido a seguir em frente, independente do que viesse. — Essa é a minha missão, … e eu não vou falhar.

Do outro lado da cidade, sentia seu corpo queimar com as correntes em volta dela. Mas era uma dor suportável, uma queimação leve. O lugar onde ela estava presa era escuro e úmido, ela sentia o cheiro de mofo, mas não conseguia visualizar nada ao seu redor. Naquele momento, ela não sentia medo. Ela se sentia culpada de estar naquela situação, de piorar as coisas para eles. Ela não conseguia controlar seus impulsos — mesmo presa — era como se seu corpo quisesse a guiar para aquele lugar. Algo dentro dela não a permitia sentir medo, era a mesma coisa que ela havia sentido no dia do sequestro. Mas havia algo de desesperador em estar presa naquelas correntes, ela não sabia explicar.

Uma fresta de luz invadiu o ambiente e ela enxergou dois olhos brilhando em sua direção, analisou a figura dos pés à cabeça. Penelope.
— Foi mais fácil do que eu pensei. — Disse Penelope. Um homem colocou uma cadeira para que ela se sentasse à sua frente. — Então, você é um milagre.
— Um milagre? — Indagou . — Seu pai pediu ao meu pai para te salvar, e ele salvou. — Penelope sorriu. — Sua mãe escolheu a própria vida, o que eu acredito ser muito sensato da parte dela.
— Eu não sei nada sobre isso. — engoliu seco, ela realmente não sabia.
— Eu investiguei a sua vida, sabe? — Penelope cruzou as pernas. — Pais separados. Achei estranho, um pai que implorou para que salvassem a vida da filha, a abandonou quando ainda era criança. A mãe, sempre culpou a filha por isso. Você interfere no equilíbrio do mundo, não deveria ter nascido, e aqui está. — Ela ficou de pé e levantou o queixo de . — Eu ainda não tenho certeza do motivo, mas você é perigosa. Interfere em meus planos e não posso deixá-la solta por aí. — Um sorriso malicioso percorreu os lábios dela, que empurrou o queixo de para cima.
— Não vai mudar nada, você sabe, né? — A resposta de fez com Penelope franzir o cenho.
— E por que não? — Penelope cruzou os braços.
— Só vai enfurecê-lo. Eu não sou uma vantagem para você, e nem para ele. — Era nítido que tinha confiança no que estava falando, o que fez Penelope rir.
— Essa é a vantagem, querida. — Respondeu, com um sorriso malicioso nos lábios. — Enfurecê-lo… É exatamente o que eu quero. — Completou, saindo do cômodo.
O silêncio sufocante no carro de Jeremy fazia a angústia de crescer a cada segundo. Suas pernas tremiam sem controle, o coração golpeava o peito como se quisesse escapar. Ao lado dela, Nick permanecia imóvel, os olhos perdidos em algum ponto distante, vazios. Uma gota de suor escorreu por sua têmpora, embora o ar não estivesse quente. Ele não precisava dizer nada: o pânico estava estampado em cada traço de seu rosto. Parte de queria bater nele, mas outra parte compreendia perfeitamente o que o paralisava. Medo.
Jeremy não vacilava, o olhar fixo no horizonte e as mãos firmes no volante indicavam que ele não pensava em recuar. Não havia a opção de voltar para casa e esperar por e os outros. Ele salvaria , não importa o que acontecesse. O caminho até o esconderijo indicado por Nick parecia torturante, era como se um nó se formasse em sua garganta a cada quilômetro percorrido.
Dentro dele, havia uma emoção que parecia adormecida há anos. despertava algo que ele não sentia há muito tempo: cuidado, proteção e uma conexão que ia além de qualquer explicação. Desde o primeiro momento em que a conheceu, sentiu que havia algo nela que mexia com ele de um jeito profundo. Era como se fossem amigos de longa data, como se sempre tivessem se entendido sem precisar de palavras.
Enquanto dirigia, cada curva e cada semáforo só aumentava a intensidade daquele sentimento. Seu coração disparava não apenas pelo perigo à frente, mas pelo bem-estar dela. Cada risada compartilhada, cada gesto simples que mostrava sua humanidade e coragem, reforçava o quanto ele precisava mantê-la segura. Ele apertou o volante com força, os olhos fixos na estrada, enquanto a responsabilidade de protegê-la pesava sobre seus ombros. não era apenas uma amiga; ela era alguém cuja segurança estava completamente em suas mãos naquele momento, e ele não podia falhar.
Ao chegarem no local indicado por Nick, Jeremy estacionou a uma distância considerável. — , quero que fique aqui e tente falar com o até conseguir. Caso consiga, indique o local para ele, que ele virá. — Disse ele, antes de descer do carro.
— Jeremy! — chamou seu nome. — Tome cuidado, por favor. — Ele notou o medo no olhar dela e apenas assentiu, com um sorriso nos lábios.
— Voltarei logo com . — Disse, em um aceno.
Jeremy analisou o local à distância e, em silêncio, desapareceu da visão de e Nick. A fachada lembrava uma fábrica abandonada, janelas quebradas e paredes cobertas de ferrugem. Assim que entrou, notou a ausência total de guardas. Nenhuma barreira, nenhum sinal de resistência. Suspeito demais. Parecia um convite — como se Penelope quisesse que fossem até ali. E, se ela realmente esperava por , significava que estava preparada. Mais um motivo para ele redobrar a cautela.
Os passos de Jeremy ecoavam pelo chão frio enquanto avançava sorrateiramente pelos corredores úmidos. Nada. Apenas mofo impregnado no ar e paredes descascadas. Nenhum sinal de , nenhuma ameaça. A dúvida começou a corroê-lo: estaria Nick dizendo a verdade? Por um instante, quase acreditou que tivesse sido enganado. Mas, ao lembrar do olhar vazio e perturbado de Nick — o olhar de quem entrega alguém para a morte —, teve certeza de que estava no lugar certo. Penelope queria aquilo. E Nick era apenas uma peça no jogo dela.
Mas Jeremy não podia recuar. Não podia decepcionar . Fechou os olhos, controlou a respiração e deixou que sua sensibilidade se expandisse, buscando qualquer vibração de uma alma viva no ambiente. Por alguns segundos, o silêncio absoluto o fez acreditar que estava sozinho. Mas então… uma centelha. Fraca, quase apagada. .
Jeremy seguiu aquela energia como se fosse uma bússola. Quanto mais se aproximava, mais o ar se tornava pesado, sufocante. As paredes estreitas o guiavam até uma porta de ferro enferrujada, onde a presença dela era inconfundível. Com um impulso, arrombou a entrada.
estava lá, caída de joelhos, as correntes queimando sua pele como brasas. Seus olhos se ergueram quando o viram, um misto de dor e alívio.
… — Ele sussurrou, aliviado. levantou a cabeça, mas ela não parecia aliviada ou feliz em vê-lo, pela primeira vez desde que chegou ali, sentiu medo.
— Jeremy? O que faz aqui??? Onde estão os outros? — Perguntou ela, Jeremy se aproximou e puxou as correntes, arrebentando-as.
— Eu vim sozinho. — A resposta de Jeremy fez tremer.
— Não, Jeremy! Ela está esperando por . É uma armadilha! — Jeremy terminou de livrá-la das correntes.
— Eu sei, . — Ele segurou seu rosto para que ela olhasse em seus olhos. — Mas agora não importa mais, temos que sair daqui. — Ele segurou pela mão, mas não conseguiu teleportar.
— Qual é o problema? — Perguntou .
— É uma barreira. — Jeremy suspirou. — Ela sabe que tem alguém aqui, não posso teleportar na barreira dela. — O olhar de transmitia um medo descomunal.
— Você precisa ir embora! Me deixe aqui e vá. — Ordenou ela, Jeremy negou com a cabeça e segurou sua mão.
— Sairemos daqui juntos, entendeu? Juntos. — Ele olhou em seus olhos com confiança, fazendo ceder e deixar o medo de lado.
— Então, qual é o plano? — Perguntou ela.
— Vamos pelo caminho que eu vim. — assentiu com relutância, tentando acompanhar os passos apressados de Jeremy. Os dois avançaram pelos corredores escuros, os sons de suas respirações ecoando no silêncio abafado da fábrica. A cada passo, sentia o coração martelar, como se o próprio lugar estivesse prestes a desabar sobre eles.
— Está estranho demais… — Jeremy murmurou, os olhos atentos a cada sombra. — Não tem guardas, não tem resistência. — engoliu em seco.
— Porque ela não quer parar você. Ela quer parar o . — Disse ela.
Um arrepio percorreu a espinha de Jeremy. Ele já sabia disso, mas ouvir da boca dela tornava a armadilha ainda mais real. De repente, um som de passos ecoou pelo corredor atrás deles. Firmes, ritmados, quase como se alguém estivesse saboreando o momento. Jeremy empurrou para trás de si, os olhos fixos na escuridão que lentamente revelava a figura de Penelope. Ela surgiu com um sorriso malicioso, como se cada movimento tivesse sido ensaiado.
— Que cena bonita — disse, cruzando os braços. — O cão fiel tentando salvar sua dona. — agarrou o braço de Jeremy, o medo estampado em seus olhos.
— Jeremy… — Ele não respondeu. O corpo dele inteiro estava tenso, os músculos prontos para agir, mas o olhar dizia tudo: não vou deixá-la.
— Solte-a, ceifador. — Ordenou Penelope. — Eu te deixo ir se não insistir em lutar, apenas vá e indique a Salazar onde estamos.
— Fora de cogitação. — Respondeu Jeremy, fazendo Penelope rolar os olhos.
— Acha mesmo que pode lutar contra mim? não pôde, Caerthas não pôde. Você, um ceifador inútil, vai conseguir? — Ela riu.
— Não tenho como saber sem tentar. — Retrucou ele. Penelope franziu o cenho e bufou.
— Isso é sem graça demais. — Ela levantou a mão como se fosse atacá-lo.
Antes que Jeremy pudesse reagir, se colocou à frente dele instintivamente. Um clarão explodiu no ambiente no instante em que o fogo de Phoros a atingiu. Mas, em vez de destruí-la, seu corpo brilhou, erguendo uma barreira luminosa que refletiu as chamas para longe.
— Arma celestial. — Ela sussurrou, com um sorriso nos lábios.
— Arma celestial… — Jeremy olhou para , um lampejo de esperança cruzando seu olhar, que logo se desfez após notar o sorriso nos lábios de Penelope. Ele puxou para trás dele. — , você é a arma celestial que o precisa para vencer essa guerra, eu vou lutar contra ela, corra direto por esse corre… — Antes que ele pudesse terminar de falar, uma lâmina atravessou seu peito. O ar lhe escapou como se tivesse sido roubado. A dor foi aguda, cortante, mas não permaneceu como para um humano comum. Logo se transformou em algo mais profundo — uma lembrança. Jeremy sabia o que era morrer. Seu corpo se lembrava. Era como reviver o momento em que escolhera se tornar um ceifador: frio, inevitável, porém estranhamente familiar.
Ele sentiu o fio que o prendia ao mundo se desfazer, como seda rasgando sob pressão. O som ao redor se distanciava, como se viesse debaixo d’água. Seus músculos, antes tensos e prontos para lutar, agora cediam pouco a pouco. Não havia medo. Havia apenas o peso da despedida e a cruel ironia de que, embora a morte fosse antiga conhecida, cada reencontro ainda doía. Um vazio o envolveu, puxando-o para a escuridão silenciosa que anunciava a transição. Mas antes que fosse levado por completo, Jeremy tentou segurar algo, qualquer coisa, para não deixar-se dissolver. E foi o nome dela que se prendeu em sua mente, vibrando em seus lábios sem som: .
… — sussurrou ele, antes de seu corpo tombar no chão. O impacto contra o cimento frio ecoou como um trovão nos ouvidos dela. Alto demais. Mais alto do que qualquer coisa ao redor. sentiu como se pudesse escutar tudo em detalhe: o som da respiração dele falhando, o baque surdo do corpo contra o chão, o tilintar metálico da lâmina caindo ao lado, e o nome dela… o nome dela sendo dito como se fosse a última vez. O mundo desacelerou. Tudo parecia em câmera lenta, cada movimento se arrastava diante dos olhos dela. Mas não se moveu. Não conseguiu. Estava paralisada, engolida pelo choque e pelo pavor de ver seu melhor amigo inconsciente diante dela.
Não. Não o Jeremy. Qualquer um, menos ele. Por favor… não o Jeremy.
O seu despertar se deu pelo som da risada de Penelope, um som que trouxe à tona a dor e a raiva que ela estava sentindo naquele momento. Ela queria atacar Penelope, mas sabia que não tinha forças para isso. Sentiu seu corpo pesar e suas pernas enfraquecerem. Ela caiu ao lado do corpo de Jeremy sem vida no chão. Segurou sua mão, sentindo suas próprias mãos tremerem. O corpo de seu amigo não tinha mais nenhum sinal de vida, ele havia se tornado apenas matéria, ele havia partido. levou a mão de Jeremy até sua bochecha e permaneceu ali por uns segundos, desejando voltar ao momento em que se conheceram. Desejando aproveitar mais o amigo que o destino havia colocado em sua vida, desejando aproveitar mais os momentos em que ele era a única pessoa que ela podia ser ela mesma. Desejando ter vivido mais ao lado dele, porque não existia ninguém como ele. No momento em que percebeu isso, uma dor dilacerante cruzou seu peito, como se a lâmina tivesse sido acertada nela. Um grito estridente ecoou de sua garganta, um grito de dor, de raiva — um pedido implícito de socorro para uma pessoa que ela sabia que viria. . O som que saiu de sua garganta não era humano, era uma dor que rasgava o ar, que explodia em cada canto do lugar. Uma dor tão brutal que atravessou a distância, alcançando , que estremeceu ao sentir o chamado.
Do outro lado da cidade, parou subitamente. Seu peito se apertou, como se uma mão invisível o tivesse agarrado com violência. Uma força descomunal o puxava em direção contrária ao caminho que seguia, arrastando sua alma antes mesmo de seu corpo reagir. Ele não precisava ouvir seu nome. Não precisava que pedisse ajuda. O grito dela era suficiente.
… — murmurou, deixando sua espada cair com estrondo contra o chão. o observou, ainda segurando um ceifador pelo pescoço, mas o olhar de parecia distante, como se o mundo tivesse desabado sob seus pés. Ele sabia. De qualquer lugar, ele sempre saberia. precisava dele. Ela não disse seu nome ou sequer pediu que ele fosse salvá-la, mas seu grito era o suficiente para que ele entendesse. estava em perigo e ele largaria tudo por ela.
, o que está fazendo? — A voz de o despertou.
— Essa batalha acabou. — Ele pegou sua espada e a cravou no chão com tamanha força, algo nunca visto antes por e pelos outros. Os demais ceifadores, já feridos, que lutavam contra eles caíram no chão.
— Qual é o problema? — Perguntou Stefan, tirou o celular do bolso e leu uma mensagem de .
precisa de mim. — O olhar de era carregado de fúria e determinação.
— Ela realmente precisa. — Disse . — me mandou o endereço. — Ele chutou o ceifador que estava atrapalhando o caminho para longe.
— Vamos.

Capítulo 11 — Eu Vou Te Encontrar

This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?


e foram os primeiros a chegar ao local indicado por . ainda podia sentir a vibração do grito de dor de naquele lugar; o cheiro de mofo no ambiente estava encoberto pelo odor metálico de sangue — um aroma que os dois conheciam bem demais para se confundir.
— Alguém morreu aqui… — Murmurou , enquanto os dois avançavam pelo espaço. cerrou os punhos, cada músculo denunciando a batalha silenciosa contra a fúria que ameaçava consumi-lo. Ao caminharem lado a lado, notou um corpo estirado no chão.
… — Sua voz falhou ao chamar pelo nome do amigo, que levou o olhar até a figura caída.
— Não! — correu até o corpo sem vida, confirmando enfim quem era. — Jeremy! — se aproximou e se abaixou devagar ao lado de , que mexia no corpo do companheiro na esperança de ainda encontrar uma faísca de vida. Com delicadeza, afastou a mão dele, sinalizando para que parasse.
— Ele se foi… — A voz de saiu mais baixa do que o habitual, como se lutasse para controlar as próprias emoções. Mas, no instante em que seu olhar sereno encontrou o desespero estampado nos olhos de , o autocontrole simplesmente se quebrou.
— Ele era minha responsabilidade! — esbravejou, socando o chão com força.
— Minha também. — Lágrimas escorreram pelo rosto de , seguidas de um longo suspiro. — Mais minha do que sua… eu recolhi a alma dele e o guiei para se tornar um ceifador… — sua voz estremeceu. — Ele era como um irmão mais novo.

Stefan e Jace foram os próximos a chegar. Ao se aproximarem de e , a cena diante deles foi como um soco no estômago — como se tivessem sido atingidos diversas vezes por uma força descomunal. Jeremy.
— O que aconteceu??? — perguntou Jace, o desespero evidente em sua voz. Ele olhava em volta, como se buscasse qualquer vestígio de quem pudesse ter feito aquilo, a espada já surgindo em sua mão.
— Não sabemos. — respondeu , o olhar fixo em , que parecia prestes a explodir a qualquer momento.
— Sabemos. — a voz de soou baixa, porém perigosa. — Foi Penelope. E ela levou a .
— Jeremy morreu para salvá-la… porque ela era responsabilidade dele. — disse Stefan. Seu rosto escondia qualquer emoção, mas dentro dele havia uma batalha de sentimentos maior do que qualquer guerra que estivesse para começar. Ele deveria ser o sábio, aquele que sempre tinha as estratégias certas e as palavras corretas — mas, naquele instante, nem ele conseguia sufocar a dor. sentiu as mãos tremerem. Não sabia dizer se era raiva, tristeza ou culpa. Talvez fosse tudo ao mesmo tempo.
— Nós precisamos agir… — disse Stefan, assumindo o papel racional. , porém, sinalizou para que ele esperasse; eles precisavam daquele momento. De repente, passos ecoaram pelo corredor, logo substituídos por um grito que cortou o ar. Todos, exceto , viraram-se em direção ao som e viram surgir.
— JEREMY! — ela correu até o corpo. — Não! O que aconteceu??? Jeremy, acorda! — Soluçava enquanto segurava a mão fria dele no chão. Nick, com o olhar perdido, congelou ao ver ali.
— Você… — apontou para ele, a voz embargada. — Por que ele…? Ela estava… esperando você… — As palavras se quebravam em sua boca. segurou pelos ombros, tentando contê-la.
! Por que vocês vieram aqui sozinhos? — As lágrimas desciam pelo rosto dela sem parar. Incapaz de responder, apenas apontou para Nick. Foi o suficiente. se levantou de súbito e empurrou Nick contra a parede.
— O que você fez? — Sua voz soou como um trovão, carregada de raiva e dor.
— Espera! — finalmente conseguiu se conter para responder. — queria ajudar, fomos investigar e acabamos caindo em uma emboscada na casa do Nick. Penelope a raptou e nós viemos salvá-la. Nick sequer consegue falar algo coerente, está morrendo de medo. — enxugou as lágrimas, e assentiu. — Eu pedi para ele esperar por vocês e ele não me ouviu! Eu tentei convencê-los a não investigar… talvez se eu tivesse insistido mais… — enxugou as lágrimas que escorriam pelo rosto de e depositou um beijo em sua testa.
— A culpa foi nossa por tê-los deixado sozinhos. — Disse ele, tentando tranquilizá-la. — Vamos encontrar a e vingar a morte de Jeremy. — Sua voz, antes suave, tornou-se fria.
— Levem o Jeremy para o templo, ele não merece apodrecer aqui. Iremos nos despedir devidamente assim que tudo se acalmar; por enquanto, vamos honrar a memória dele. — Ordenou . Jace e Stefan assentiram. — Eu e seguiremos daqui, venham nos encontrar assim que o deixarem em segurança.
— E quanto aos dois? — Stefan apontou para e Nick.
— Levem os dois junto com vocês. — Disse , levantando-se e ajudando a se erguer. — Tem qualquer pista sobre ? — negou.
— A única coisa foi um clarão muito forte que iluminou todo o quarteirão; parecia que a temperatura havia aumentado. Não demorou muito para vocês chegarem. — Ela enxugou as lágrimas.
— Um clarão? — arqueou a sobrancelha.
— Tem algo a ver com o fogo de Phoros? — perguntou , e apenas acenou com a cabeça, sem saber.
— Tá, vocês fiquem no templo e não saiam de lá por nada. — ordenou . — Vamos, .

Não muito longe dali, estava cercada por ceifadores e capangas de Penelope. Pendurada em correntes, seu corpo inteiro doía. Parecia que estavam preparando algum tipo de ritual ou apenas exibindo-a como um prêmio, vangloriando-se diante de .

— Sabe, tudo faz mais sentido agora… — Disse Penelope, sentada em uma espécie de trono. — Você não é um milagre qualquer, é a maldita arma celestial destinada ao . — Ela sorriu. — Por isso vocês se apaixonaram, por isso você me via mesmo invisível. E sabe o melhor? Eu sei disso, e ele não. — Penelope gargalhou, e todos os capangas ao redor riram com ela.

apenas engoliu seco; não tinha forças para responder. Sentia o suor escorrendo pelo rosto e os pulsos latejando; o peso de seu corpo, suspenso, era o que mais doía. Ela estava exausta de tentar se manter acordada, exausta de tentar afastar de seus pensamentos.

— Chame-o. Agora. — Ordenou Penelope.

resistiu. Um dos capangas a cortou com uma espada brilhante, fazendo seu corpo arder em dor e obrigando-a a morder os lábios com tanta força que sentiu o gosto do próprio sangue. Seu corpo tremia; quanto mais resistia, mais a dor aumentava. O peito lhe sufocava com o grito que mantinha preso, consciente de que, se aparecesse ali, ele estaria em desvantagem. Foi cortada mais uma vez, e a dor a fez apagar por um instante.

. — A voz de despertou o ceifador de seus pensamentos. — Ela não está longe.
— Ela chamou por você? — perguntou . apenas negou com a cabeça.
— Ela não chamaria, não depois de ver Jeremy morrer diante dela. Mas eu sinto o sofrimento dela… — S voz de estremeceu, como se estivesse segurando as lágrimas. — …e ela está sofrendo muito.
— Consegue sentir a direção que devemos seguir? — colocou a mão no ombro de , que assentiu.
— Antes de irmos, , você precisa me prometer algo. — olhou nos olhos do amigo, que engoliu seco e assentiu.
— Não precisa dizer, eu sei. Eu prometo. — Os dois trocaram olhares; com anos de convivência, não precisavam de palavras para se entenderem.
— Você é meu irmão, . Me desculpe por ter sido tão negligente todos esses anos… — o interrompeu.
— Você encontrou seu caminho de volta. Não vamos nos tornar emotivos agora. Vamos salvar a . — assentiu, e os dois sumiram no ar. O local onde sentia a presença de estava cercado por uma barreira, fazendo com que ele e se chocassem contra ela e se separassem.

caiu próximo ao ponto central; tinha certeza de que era ali. Sentia a presença de mais forte do que nunca. caiu um pouco afastado, mas também percebeu uma presença intensa vindo do mesmo lugar, então soube para onde seguir. Enviou a localização para Stefan e Jace, caso os meios convencionais falhassem.

reuniu suas forças e avançou, penetrando a barreira posta por Penelope. Ele sabia que ela tinha consciência de que ele poderia atravessá-la, enquanto os outros provavelmente teriam dificuldades — mas não hesitou.

A cena vista ao adentrar o local revirou seu estômago, Penelope sentada em um trono luxuoso, seus capangas reunidos e pendurada pelas mãos em duas correntes. Sangue escorria pelo corpo dela, indicando que ela estava ferida. Uma fúria eminente possuiu o corpo de , fazendo seu poder explodir pelo local. E foi nesse momento que percebeu que ele estava ali. Ela abriu os olhos devagar, com o pouco de força que a restava, e enxergou alguns dos homens caindo ao chão e Penelope se afastando do poder de .

— Ela nem precisou chamar. — Penelope sorriu. — Como vai, Salazar? — Ela acenou.
— Não estou com tempo para isso. — Uma espada brilhante surgiu em suas mãos, Penelope estalou os dedos e seus homens começaram a atacá-lo. Com um golpe, ele os empurrou para longe, correu em meio à multidão, despreocupado com o efeito de seus golpes, apenas querendo alcançar . Quando finalmente se aproximou dela, Penelope se colocou em sua frente.
— Não tão fácil. — Ela deu um chute em seu abdômen, o empurrando para o outro lado do local, fazendo-o quebrar a parede. respirou fundo, ignorando a dor que já começava a tomar seu corpo após o impacto contra a parede. Seus olhos brilhavam com fúria e determinação; ele não podia falhar. dependia dele. Penelope riu, confiante, o calor do fogo de Phoros envolvendo sua aura, tornando cada movimento seu mais poderoso. Um brilho alaranjado tomou suas mãos, e o chão ao redor começou a rachar sob a energia concentrada dela.

— Vamos ver se consegue me alcançar, Salazar. — Ela avançou, veloz como uma tempestade de fogo.

a recebeu com toda a força que tinha. Seus golpes de espada colidiam com a magia flamejante de Penelope, provocando explosões que levantavam destroços e nuvens de fumaça. Cada ataque dele era potente, mas cada bloqueio de Penelope o empurrava para trás, fazendo sua carne latejar e seus músculos queimarem de esforço. Ela golpeava com precisão divina, aproveitando cada oportunidade para atingir pontos vitais; o fogo de Phoros lhe dava velocidade, força e alcance que não podia ignorar. Cada impacto deixava mais machucado: cortes profundos, queimaduras nas mãos e braços, respingos de sangue que escorriam pelo seu rosto.
— Você está ficando lento. — Penelope provocou, girando no ar e lançando uma onda de chamas que mal conseguiu bloquear com a espada. Ele foi arremessado para trás, quebrando pilares ao cair, mas levantou-se, respirando com dificuldade, a fúria pulsando em suas veias.

tentou atacar de novo, acertando golpes rápidos, precisos, como se cada movimento fosse o último que poderia executar. Penelope desviava e contra-atacava com uma força descomunal, quase fazendo se curvar de dor a cada colisão. Ela usava o fogo não apenas como arma, mas como escudo, tornando impossível que ele se aproximasse sem ser queimado. Mesmo ferido e ensanguentado, continuava avançando, ignorando a exaustão. Cada passo era uma batalha contra o próprio corpo, cada golpe, uma explosão de dor. Mas ele sabia que não podia parar — estava pendurada ali, seu corpo frágil e sangrando.

O chão rachava, as paredes explodiam e a atmosfera vibrava com o poder de dois seres sobrenaturais. e Penelope eram iguais em determinação e força, mas a vantagem elemental de Penelope, com o fogo de Phoros, deixava a deusa no controle. cambaleava, respirando com dificuldade, cortado, queimado, mas os olhos permaneciam fixos nela. Ele precisava resistir. Ele precisava alcançar .
— Não vai adiantar, sabe? Vai morrer igual ao seu amiguinho ceifador. — A provocação de Penelope fez o corpo de ferver. — Não vai adiantar, sabe? Vai morrer igual ao seu amiguinho ceifador. — A provocação de Penelope fez o corpo de ferver, o sangue pulsando com raiva e desespero. Ele gritou, a fúria queimando em cada músculo, e avançou sem pensar. Cada golpe era um trovão, cada movimento um impacto capaz de destruir paredes e chão ao redor. Mas no fundo, sua mente estava turva, tomada pelo luto pela morte de Jeremy. O medo de perder misturava-se à dor da perda do amigo, criando uma tempestade que cegava seu julgamento.

Penelope observava, sorrindo com calma, absorvendo a raiva dele como se alimentasse seu próprio poder. O fogo de Phoros girava ao redor dela, cada chama como um punho invisível, cada onda de calor como um golpe que não conseguia prever. Ele tentou golpeá-la com toda sua força, mas seu ataque, impaciente e desordenado, foi facilmente bloqueado.
— Patético… — murmurou Penelope, enquanto desviava de uma série de golpes rápidos e respondia com uma rajada de chamas que acertou no peito. O impacto o lançou contra uma parede, quebrando pilares e levantando uma nuvem de poeira e entulho. Ele se ergueu, cambaleando, a respiração curta, os músculos ardendo, o rosto marcado pelo sangue que escorria de cortes profundos. fechou os olhos por um instante, tentando se concentrar, mas a imagem de Jeremy e o peso do luto o distraíram. Penelope percebeu a fraqueza e avançou com rapidez sobrenatural. Um chute poderoso acertou suas costelas, quebrando-as parcialmente, enquanto uma mão flamejante se fechava em torno de seu ombro, pressionando com força esmagadora.

— Isso é o que acontece quando você se deixa levar pelo ódio e pela dor… — ela sussurrou, e uma onda de chamas explodiu de suas mãos, atingindo por todo o corpo. Ele gritou, mas não podia reagir; cada músculo queimava, cada respiração era uma luta. tentou atacar novamente, mas seu corpo não respondia como antes. As queimaduras ardiam, os cortes latejavam, e o peso do próprio desespero o fazia vacilar. Penelope não o atacava apenas fisicamente; ela atacava sua mente, provocando lembranças de Jeremy, o medo de falhar, a culpa de não conseguir proteger . Cada golpe dela parecia sincronizado com seus próprios pensamentos mais dolorosos, destruindo a confiança e a precisão de cada movimento de .
— Você acha que consegue me vencer assim? — perguntou Penelope, sorrindo com superioridade. Ela girou no ar, lançando uma tempestade de chamas que se fechou sobre como uma prisão ardente. Ele tentou bloqueá-la com a espada, mas o calor derreteu parte da lâmina e queimou suas mãos. O fogo passou por seus braços, deixando queimaduras profundas, enquanto ele cambaleava para trás, sentindo cada osso doer, cada músculo rasgar. caiu de joelhos, exausto, sangrando, queimado e com dificuldade para respirar. Tentou levantar-se mais uma vez, mas sua raiva havia se tornado sua fraqueza. Ele avançou novamente, sem pensar, mas Penelope estava pronta. Um golpe certeiro na lateral de seu corpo o lançou contra o chão, quebrando parte do piso e arrancando um grito de dor que ecoou pelo ambiente.

— Você se perdeu na raiva… e agora vai pagar o preço. — Penelope avançou, golpeando seu ombro e torcendo o braço com força sobre-humana. gritou, mas não havia forças suficientes para reagir. Cada tentativa de atacar era recebida com uma resposta ainda mais devastadora. O fogo de Phoros queimava sua carne, o arranhando, enquanto cada golpe que ele recebia parecia penetrar não apenas no corpo, mas na alma. estava quase completamente dominado. O chão estava rachado ao seu redor, seu corpo coberto de sangue e queimaduras. Ele tentava se levantar, tentava reagir, mas cada movimento doía mais que o anterior. E mesmo assim, seus olhos permaneciam fixos em , que ainda estava suspensa nas correntes, observando em silêncio, impotente.

— É assim que termina para aqueles que se deixam levar pelas emoções… — Penelope disse, erguendo a mão, a chama de Phoros pulsando com intensidade. Ela desferiu o golpe final, acertando de frente, arremessando-o contra a parede com tanta força que ele desabou, inconsciente, quase irreconhecível, seu corpo marcado por cortes, queimaduras e hematomas profundos. sentiu a presença dele quase desaparecer por um instante, seu coração apertando. Ela sabia que ele ainda estava vivo, mas a visão de derrotado, ferido e impotente pela primeira vez na vida, fez com que o medo se instalasse ainda mais profundo em seu peito. Antes que Penelope pudesse se aproximar de novamente, uma energia nova irrompeu pelo local. , Jace e Stefan atravessaram a barreira residual com determinação, sentindo imediatamente a intensidade do poder que consumia o ambiente.

! — gritou, correndo em direção ao amigo caído. Mas, ao se aproximar, ele viu o estado crítico de : queimaduras, cortes profundos, respiração difícil. Seu coração se apertou. Penelope se ergueu do trono, a chama de Phoros crescendo ao redor de seu corpo, intensificando a atmosfera sufocante. Ela sorriu com malícia, como se tivesse previsto a chegada deles, e ergueu ambas as mãos, preparando uma onda de fogo que parecia capaz de derreter a própria pedra do chão.
— Vocês vieram tarde… — Disse ela, a voz ecoando pelo local. — E agora vão pagar por tentar interferir. Jace avançou, sua espada reluzindo, bloqueando uma explosão de chamas que Penelope lançou em sua direção. O impacto lançou Jace alguns metros para trás, mas ele se reergueu rapidamente, determinado. Stefan correu por outro lado, tentando criar uma abertura para que chegasse até . Mas Penelope girou com velocidade sobre-humana, lançando chamas como lanças, obrigando-os a recuar, desviando e protegendo cada movimento de Stefan com precisão mortal. se aproximou de , usando toda a força que tinha para levantar o corpo do amigo.
— Aguenta, velho amigo… — Murmurou, enquanto sentia a dor e o peso do sangue de escorrer por suas mãos. Penelope riu, observando a cena.
— Vocês realmente acham que podem me deter? — E, com um gesto, o chão explodiu em chamas e estilhaços, lançando todos para trás, menos , que estava suspensa no ar, observando impotente.
— Não podemos deixá-la sozinha! — gritou , reunindo sua energia. Ele e Jace avançaram juntos, atacando Penelope em sincronização perfeita, tentando forçar uma brecha no fogo de Phoros. Cada golpe deles fazia a deusa recuar por momentos, mas não por muito tempo. A vantagem elemental ainda estava com ela; o calor ardente queimava o chão, e cada rajada parecia mais forte que a anterior.

Stefan, percebendo que a força bruta não seria suficiente, começou a usar estratégias rápidas, manipulando o ambiente para criar obstáculos entre Penelope e . Estilhaços de pedra e energia flutuavam ao redor, desviando parte do poder da deusa, mas não totalmente. Cada movimento deles exigia coordenação perfeita; qualquer erro poderia ser fatal. Enquanto isso, respirava com dificuldade, tentando se levantar, sentindo cada osso latejar, cada queimadura arder. o segurava parcialmente, mas o olhar do deus da justiça se fixava em — a raiva, a culpa e o amor ferviam dentro dele. Ele queria entrar na luta novamente, mas seu corpo quase não respondia.

— Não subestimem o fogo de Phoros… — Penelope sussurrou, e o calor ao redor dela se intensificou, uma barreira incandescente surgindo, afastando todos por alguns segundos. O chão tremia com cada impacto, paredes rachas se espalhavam, e a sensação de caos absoluto se misturava à urgência desesperada de salvar . olhou para seus amigos, então para Penelope, e mesmo ferido, a fúria tomou conta dele novamente. Cada respiração era dolorosa, mas ele sabia que ainda podia lutar — não por si mesmo, mas por , por Jeremy, e por tudo que não podia perder. Em um instante, ele se pôs de pé e balançou a espada, lançando um golpe que quebrou as correntes de . rapidamente a pegou no ar, colocando-a no chão.
— Você está bem? — perguntou ele. apenas assentiu, exausta demais para responder. — Vamos resolver isso. — se posicionou na frente de , bloqueando qualquer golpe que pudesse ser desferido contra ela. apoiou a espada no chão; com protegida por , ele podia finalmente liberar todo o seu poder.

A espada de começou a brilhar, canalizando todo o seu poder concentrado; a lâmina que antes havia sido danificada agora estava intacta, emanando uma energia pura e cortante. Ele se moveu com velocidade impressionante, mal visível aos olhos humanos — mal conseguia acompanhar, e até mesmo Penelope hesitou por um instante. A estratégia de Stefan contra o fogo de Phoros havia sido clara: se Penelope não conseguisse enxergar , não poderia acertá-lo. Ele surgia e desaparecia, atacando de ângulos inesperados, desviando das chamas incandescentes e contra-atacando com golpes precisos. Cada ataque era medido, cada movimento calculado, tornando-o quase intocável. Penelope rugiu, frustrada, enquanto uma onda de fogo se erguia diante dela. se esquivava com uma velocidade sobre-humana, surgindo atrás dela, cortando correntes de energia e criando aberturas que a obrigavam a recuar. Pela primeira vez na batalha, ele parecia ter a vantagem, a combinação de seu poder concentrado e da estratégia de Stefan dando-lhe controle da situação. respirou fundo, seus olhos seguindo cada movimento dele. Pela primeira vez, uma faísca de esperança surgiu — talvez eles conseguissem virar a batalha a seu favor.

avançou novamente, movendo-se como um borrão, sua espada traçando linhas de luz que Penelope mal conseguia acompanhar. Cada golpe atingia pontos estratégicos, derrubando pilastras e desviando sua atenção, obrigando-a a recuar continuamente.
— Impressionante… — Penelope murmurou, o fogo de Phoros ao redor dela pulsando ainda mais forte, iluminando o ambiente em tons alaranjados e vermelhos. — Mas você ainda é fraco! — Ela lançou uma rajada concentrada de chamas que cortou o chão com força, criando uma barreira de calor quase insuportável. girou sobre si mesmo, desviando, e aproveitou a abertura criada por sua manobra para golpeá-la no ombro, fazendo-a cambalear. Pela primeira vez, ele tinha a vantagem: não era apenas força bruta, mas inteligência e estratégia. , e os outros observavam, segurando a respiração. estava queimado, ensanguentado, e mesmo assim conseguia manter a ofensiva, surgindo de ângulos inesperados, desaparecendo e reaparecendo. Cada golpe bem calculado desgastava Penelope, obrigando-a a usar cada vez mais do fogo de Phoros para se defender.

— Você acha que pode me vencer? — Penelope rugiu, liberando uma onda de calor que quase derreteu o chão sob eles. Mas não recuou; ele girou, desviou e aproveitou a vulnerabilidade momentânea da deusa, acertando seu lado direito com a lâmina brilhante. Uma explosão de energia percorreu o local, derrubando parte das chamas e criando uma abertura ainda maior. Penelope cambaleou, surpresa com a intensidade e precisão dos ataques de . Pela primeira vez, a arrogância que sempre a caracterizava deu lugar a um lampejo de cautela. respirou fundo, mesmo com cada músculo latejando de dor, cada respiração ardendo em seus pulmões. Ele sabia que ainda não podia vencer, mas tinha conseguido tomar a iniciativa.

— Isso não acabou… — Penelope sibilou, os olhos brilhando com fúria, enquanto recuperava o equilíbrio e concentrava ainda mais energia de Phoros em suas mãos. percebeu o perigo e, em vez de avançar cegamente, recuou alguns passos, mantendo protegida atrás de . Cada movimento agora era calculado, estratégico, usando sua velocidade e a distração causada pelos golpes anteriores para equilibrar a luta e reduzir a vantagem elemental da deusa. O ar ao redor tremia, o chão rachava e o fogo de Phoros queimava com intensidade máxima, mas tinha finalmente conseguido algo que antes parecia impossível: ele estava lutando de igual para igual, mesmo ferido, mesmo exausto.

avançava com toda a fúria e poder que ainda conseguia reunir, mas, apesar de sua vantagem temporária, o fogo de Phoros de Penelope ainda era esmagador. Cada rajada de chamas queimava sua carne, cada golpe que não atingia Penelope o deixava mais exausto, mais ferido. Seu corpo tremia, cortes profundos ardiam, queimaduras latejavam, e sua respiração tornava-se cada vez mais difícil.

— Você… não consegue me vencer sozinho, Salazar… — Penelope rugiu, erguendo uma parede de fogo entre eles. — Todo esse esforço será inútil!

caiu de joelhos, a espada escorregando de suas mãos, quase completamente drenado de forças. Ele engoliu em seco, o peito ardendo, a raiva e a dor do luto de Jeremy misturadas ao desespero. Por um instante, parecia que tudo estava perdido. Penelope se aproximava, o fogo de Phoros girando ao redor de seu corpo como uma tempestade imparável.

, , Jace e Stefan recuaram, observando lutar para se manter de pé. Ele fitou Penelope, a determinação ainda presente nos olhos, mas o corpo claramente não respondia mais. Um golpe final de Phoros atingiu seu ombro, lançando-o contra o chão, sangue e fuligem misturados no impacto. caiu, sem forças, quase inconsciente, e pela primeira vez, ele parecia realmente vulnerável.

— Isso é o fim, Salazar… — Penelope sussurrou, aproximando-se de forma ameaçadora. — Aceite sua derrota. — Nesse instante, algo brilhou ao lado dela. , ainda exausta, sentiu uma energia desconhecida pulsar dentro de si. O brilho de sua essência cresceu, sutil mas intenso, reverberando pelo corpo de . Ele olhou para ela, sentindo aquela presença, aquela força que jamais havia sentido antes.

… — sua voz saiu fraca, mas cheia de reconhecimento. — Você… você é a arma… — O poder dentro dela começou a reagir à presença de , envolvendo-o em uma aura que o reforçava, restaurando parte de suas forças. O choque foi instantâneo; o sangue queimado e os músculos latejantes começaram a se recompor, a dor ainda existia, mas agora havia algo que ele podia agarrar: uma esperança real. Penelope percebeu a mudança imediatamente, franzindo a testa com raiva.
— O que… isso não deveria ser possível! — se levantou lentamente, apoiando-se na espada, o olhar agora fixo em Penelope com nova intensidade. Ele ainda estava ferido, ainda precisava ser cuidadoso, mas a presença de ao seu lado o fortalecia de maneira que ele nunca imaginou. Ela era a arma celestial que não apenas poderia protegê-lo, mas também inverter a balança da batalha.

As palavras dela atingiram como uma lâmina. Ele olhou para , exausta, com os olhos cheios de dor e determinação. Seus amigos ao redor — , Jace e Stefan — estavam parados, chocados, entendendo o peso do que ela representava. Eles sabiam que o poder dela poderia mudar a batalha… mas a um preço terrível.

engoliu em seco, o peito apertando, mas não havia hesitação em seus olhos. Ele não podia, jamais, pedir que se sacrificasse. O mundo poderia cair, a guerra poderia continuar, mas ele não permitiria que ela morresse.

… — murmurou , firme, sentindo o poder da arma celestial pulsar em suas veias. — É hora de vencermos juntos. — O ar ao redor deles vibrava com a energia recém-descoberta; mesmo ferido, agora tinha uma chance real contra Penelope — mas somente com . O jogo acabara de mudar, e a guerra ainda estava longe do fim.

— Está tão esperançoso. — Penelope riu, fria e cruel. — Acha mesmo que isso muda alguma coisa? Se esqueceu tudo que sabe sobre a arma celestial? — As palavras dela atingiram como uma lâmina. Ele olhou para , exausta, com os olhos cheios de dor e determinação. Seus amigos ao redor — , Jace e Stefan — estavam parados, chocados, entendendo o peso do que ela representava. Eles sabiam que o poder dela poderia mudar a batalha… mas a um preço terrível. engoliu em seco, o peito apertando, mas não havia hesitação em seus olhos. Ele não podia, jamais, pedir que se sacrificasse. O mundo poderia cair, a guerra poderia continuar, mas ele não permitiria que ela morresse.

— Vai se arrepender de ter subestimado o fogo de Phoros. — Penelope lançou uma chama para cima, fazendo com que o teto desaparecesse. — É hora de acabar com esse mundo! — Penelope gritou, sua voz reverberando como trovões pelo ar. O fogo de Phoros explodiu de seu corpo, expandindo-se em ondas que queimavam tudo ao redor. A atmosfera parecia se tornar um forno, e o céu acima se tingiu de vermelho e laranja, refletindo o caos que ela liberava.

As chamas não se limitaram ao local da batalha. Ao longe, cidades começaram a entrar em colapso. Prédios desmoronavam, ruas se rachavam, carros e pessoas eram engolidos pelo fogo impiedoso. O calor era insuportável mesmo a quilômetros de distância. O mundo inteiro parecia estar em chamas, e sentiu o peso da destruição na espinha: milhares de vidas eram consumidas, famílias inteiras desapareciam, e tudo que conheciam podia ser apagado em segundos.

! — gritou, desesperado. Ele precisava protegê-la, mas também sabia que não poderia ignorar a escala da destruição. Cada rajada de Phoros parecia ter vida própria, buscando qualquer vestígio de humanidade para aniquilar. , Jace e Stefan tentavam conter os ataques próximos, mas mesmo com todo o esforço, cidades inteiras eram reduzidas a cinzas. O fogo de Penelope não mostrava piedade; ele queimava sem distinção, consumindo inocentes, soldados, animais — qualquer coisa viva que cruzasse seu caminho. se moveu como um borrão, desviando de chamas que derretiam o chão, protegendo e tentando atingir Penelope de forma estratégica. Mas o alcance dela era infinito: ele podia salvar um bairro, enquanto outro estava sendo destruído a quilômetros de distância. O mundo estava em chamas, e ele estava impotente para impedir tudo.

— Não! — seu grito se misturou ao rugido do fogo. — Eu não vou deixar que ela te toque, ! — olhou para ele, o coração apertado. Mesmo exausta e ferida, sentiu a urgência da situação: o mundo estava morrendo, mas não recuava, e ela se tornou sua âncora. O poder da arma celestial nela pulsava, pronto para emergir, mas ele precisava estar vivo, inteiro, para lutar junto — e para impedir que Penelope destruísse tudo que amavam. O cenário era apocalíptico: fogo, fumaça, prédios desabando, gritos, correntes de energia e explosões iluminando a noite. , sangrando e exausto, sentiu a fúria de Penelope atingir níveis incomparáveis. Mesmo assim, ele não desistiu: sabia que a chave para impedir a destruição total não era apenas sua força, mas proteger a qualquer custo, mesmo se isso significasse lutar contra um mundo em chamas.
, leve para o templo e a mantenha segura. Stefan, convoque meus irmãos e Jace… — apertou a espada com força, cada músculo do corpo gritando de dor e exaustão. — Lidere meu exército.
— Espera! — segurou seu braço com força, enquanto a segurava pelo outro. — Por que não me deixa ajudar? Se eu posso te ajudar a vencer, não me afaste! — acariciou o rosto dela, o toque delicado contrastando com a destruição ao redor.
— Isso é indiscutível, . — A voz dele saiu baixa, mas carregada de emoção. — Eu te amo mais do que qualquer outra coisa, e se o mundo tiver que acabar para que você sobreviva, eu não vou hesitar. engoliu em seco, lágrimas escorrendo pelo rosto.
, por favor! — Implorou, a voz tremendo.
— Não insista. — Ele segurou a mão dela por um instante, olhando profundamente em seus olhos. — Espere por mim no templo. Eu vou te encontrar, custe o que custar. Apenas vá… agora. — assentiu rapidamente, protegendo enquanto ela se afastava. ficou parado por um instante, observando a figura dela desaparecer no meio da fumaça e da destruição, o coração apertado. Cada fibra de seu ser gritava para correr atrás dela, mas ele sabia que sua prioridade era enfrentar Penelope e deter a destruição, garantindo que ela tivesse a chance de viver. Ele respirou fundo, erguendo a espada ensanguentada. Cada passo que dava em direção à batalha era um passo carregado de determinação, dor e amor absoluto — e a promessa silenciosa de que ninguém, nem mesmo a própria guerra, poderia tirar dele. olhou para o horizonte em chamas, o mundo ao redor desmoronando em caos e fumaça, mas no fundo de seu coração havia uma certeza que nenhuma destruição poderia apagar.

This could be the end of everything…

Mas para ele, não era o fim. Não enquanto existisse, não enquanto ele pudesse respirar. Ele fechou os olhos por um instante, sentindo a força dela, a presença que o guiava, mesmo à distância.

So why don't we go…

Ele sabia onde ela estaria, sabia que precisava protegê-la a qualquer custo. E, mesmo que o mundo caísse ao seu redor, ele não desistiria, ele não poderia desistir dela.

Somewhere only we know…

— Eu vou te encontrar, — sussurrou, a voz firme e carregada de promessa. — Não importa o que aconteça, não importa o quanto o mundo tente nos separar… eu vou te encontrar. O vento trouxe consigo o cheiro de fumaça e destruição, mas também a esperança de que, mesmo em meio ao caos, aquele laço não poderia ser quebrado. respirou fundo, ergueu a espada e avançou, cada passo o levando mais perto dela, e do reencontro que seria inevitável.

Capítulo 12 — Irmão contra irmão: o último recurso.

Fear in their eyes
Ash raining from the blood orange sky [...]
I'd let the world burn
Let the world burn for you [...]


Em um instante, a humanidade sentiu o terror de uma deusa fora de controle. O céu — que antes brilhava com o fogo de Phoros — agora se cobria de escuridão. Todas as pessoas que habitavam a Terra sabiam, naquele momento, que algo grandioso estava acontecendo — algo além da compreensão humana.
, eu preciso ajudar. — insistiu e ele apenas negou com a cabeça.
— Os 8 deuses primordiais vão lutar entre si, sete contra um, certamente não precisarão de sua ajuda. — Respondeu , colocando sobre uma mesa luminosa.
— Oito? Achei que eram sete. — se acomodou na mesa de mármore, fria e brilhante.
— Leu as escrituras? — Ele empurrou sua cabeça para que ela se deitasse e ela assentiu.
— Existem alguns erros, não costuma aparecer mais por seu comportamento recente, mas deve voltar. Penelope foi retirada no momento em que se corrompeu, e Caerthas… — suspirou. — Caerthas desapareceu de todas as escrituras. Ao todo, existiam 10 deuses primordiais. Cada um com sua função, mas as escrituras mudam quando eles se desviam de seus caminhos. Sinceramente, , achei que desapareceria de vez delas. Nunca imaginei que ele lutaria pela humanidade, você fez isso acontecer. — A mesa se iluminou completamente, engoliu em seco, não sabia muito bem o que sentir naquele momento. Aos poucos, suas feridas foram diminuindo. — Fique aqui até se curar completamente.

A pressão atmosférica sentida por quem estava próximo daquele local era simplesmente esmagadora. Nenhum ser humano seria capaz de sobreviver à tamanha força do ar. se colocou de pé com dificuldade; até mesmo ele podia sentir a carga atmosférica provocada pela reunião de seus irmãos naquele lugar.
Zethar foi o primeiro a chegar, sem sequer olhar para . Logo depois, Vraxis, Kaelith e Nevara se aproximaram juntos.
— Salazar. — Disse Vraxis, deus da guerra. — Nos atualize.
— Ela despertou o fogo de Phoros e pretende destruir a humanidade. — Explicou .
— E como deixou isso acontecer? — Perguntou Zethar, ainda sem olhá-lo nos olhos.
— E o que você estava fazendo enquanto eu lutava contra ela e seu exército? — Rebateu .
— Não é hora disso. — A voz de Selene ecoou, revelando sua chegada. Ela vinha acompanhada de Tiala, que se aproximou ao lado dos demais.
— Isso não deveria ter chegado a esse ponto, Salazar. — Disse Tiala. O rosto de se contorceu em fúria ao encará-la.
— E por que vocês não intervieram? Selene sabia de tudo! — bufou.
— Acha que é o único com problemas para lidar? — Retrucou Tiala. — Eu estava no Brasil; as pessoas também precisam de nós em outros lugares. Se precisava de ajuda, bastava chamar.

Selene ergueu a mão, pedindo silêncio, e apontou para o alto. Penelope, flutuando acima deles, passava por uma transformação sombria.
— O que fazemos sem Caerthas? — Perguntou Kaelith. A verdade era que nenhum deles sabia muito sobre o fogo de Phoros.
— Nós lutamos. — respondeu Vraxis.
De todos os presentes, ele parecia o mais velho — não por terem sido criados em épocas diferentes, mas porque fora escolhido para liderar quando necessário. Sua aparência havia sido moldada para transmitir respeito.
— Não vai me dizer o que fazer, Vraxis. — Zethar abriu os braços, e um vento violento varreu o local, como um aviso.
— Zethar! — A voz angelical de Selene ecoou mais alta que o normal, impondo respeito. — Se atacarmos sem estratégia, mataremos mais pessoas do que salvaremos.
— Selene tem razão. — Disse Nevara, a guardiã das sombras. — Vraxis é quem lutou mais guerras. Deixe que ele lidere.
Assim que suas palavras silenciaram, Jace surgiu acompanhado de Stefan e , exatamente como fora ordenado: liderando o exército de .
— Meu exército vai enfrentar o dela. — Declarou , firme, apoiando-se na espada.
— Os nossos também. — Completou Kaelith, e os demais assentiram em uníssono. As nuvens se fechavam sobre o campo, pesadas como chumbo. Os deuses se entreolhavam em silêncio, cada um consciente da gravidade do que estava por vir, mas incapazes de formar uma estratégia em comum.
— Precisamos agir juntos — disse Vraxis, sua voz firme, os olhos chamejando de determinação. — Se cada um lutar por conta própria, Penélope nos esmagará. Zethar riu com desdém, o vento soprando em redemoinhos ao seu redor.
— Unir forças é coisa de covarde. A liberdade está no indivíduo, não em correntes que nos prendem. — Disse ele.
— É essa sua liberdade que vai custar vidas inocentes! — retrucou Selene, sua luz cintilando em meio à escuridão crescente. Kaelith cruzou os braços, gotas de água escorrendo de seus dedos. — O vento sopra, a maré responde. Se cada elemento for egoísta, não restará nada além de destruição.

— Chega! — a sombra de Nevara se expandiu atrás dela, cobrindo parte do solo. — Discutir não vai impedir o que está vindo. observava em silêncio, apoiado em sua espada, os olhos fixos no horizonte. Sua voz, calma e cortante, interrompeu todos.
— Ela já está aqui. — O ar vibrou, pesado e sufocante, quando Penélope desceu dos céus em um clarão de trevas e fogo. O impacto rachou a terra sob seus pés, lançando ondas de energia que arremessaram pedras e poeira em todas as direções.
— Vocês falam em união… mas eu vejo apenas medo. — A voz dela ecoou como uma sentença, carregada de desprezo. Com um movimento de mão, lançou uma rajada de poder que fez o chão estremecer. Os deuses se espalharam em reações instintivas, cada um atacando por conta própria, sem coordenação. O caos começava, e Penélope tinha a vantagem. O campo reverberava com energia bruta. Oito deuses, cada um carregando a essência de sua própria divindade, erguiam-se contra Penélope. Mas a união entre eles era apenas uma ilusão: não havia ritmo, apenas o choque desencontrado de forças primordiais. Zethar ergueu os braços, e um corte de vento atravessou o ar com força devastadora. Porém, antes que atingisse o alvo, Kaelith invocou as águas em resposta, transformando a rajada em uma tempestade descontrolada. A chuva cortante chicoteou o campo, golpeando aliados e inimigos sem distinção.

Das sombras, Nevara projetou ilusões que se espalharam como espectros pelo campo de batalha. Mas seus enganos confundiram também Selene, que, ao tentar afastar a escuridão, liberou um clarão tão intenso que cegou momentaneamente até os próprios irmãos. Vraxis rugiu de fúria e avançou, envolto em energia bélica. Seu punho cerrado encontrou o aço de Salazar, que ergueu a espada no último instante para repelir não apenas o golpe, mas a desordem que ameaçava consumi-los. O deus da justiça, porém, isolado, não tinha peso suficiente para impor ordem ao caos crescente. Tiala, em reflexo ao tumulto, fez a vegetação ao redor explodir em raízes e espinhos, tentando conter Penélope. Mas o crescimento desordenado acabou prendendo também os pés de Kaelith, que se debateu furioso contra as amarras involuntárias. Penélope sorria. Sua figura irradiava uma calma cruel em contraste com o tumulto divino. Cada passo dela era calculado, cada gesto, certeiro. Quando Zethar soprou outro vendaval, ela girou o corpo e usou a rajada para se impulsionar contra Kaelith. Quando Nevara tentou cobri-la de trevas, ela agarrou um fragmento da sombra e o moldou em lâmina para aparar o golpe de Vraxis. Ela não precisava criar nada novo: bastava redirecionar, distorcer, usar contra eles o próprio desequilíbrio. Enquanto os deuses tropeçavam em sua falta de harmonia, Penélope era a única a lutar em unidade consigo mesma — e isso lhe dava a vantagem absoluta.

— Chega! — A voz de ecoou pelo campo de batalha, firme como um trovão. Os deuses pararam por um instante, surpresos, enquanto ele avançava alguns passos, a espada ainda manchada e o corpo vacilante. — Vocês são um bando de egoístas que se acham melhores uns que os outros! — Esbravejou, o olhar queimando de indignação. — Mas nós não fomos criados para medir forças entre irmãos! — O silêncio foi quebrado apenas pelo rugir distante da energia de Penélope no céu. — Fomos criados para a humanidade! — continuou , a voz ganhando peso a cada palavra. — E agora a humanidade está em risco. É nossa responsabilidade detê-la!

Ele ergueu a lâmina, apontando-a para os deuses que o observavam em conflito.

— Então parem de agir com birra de irmãos e lutem como vocês realmente são: deuses! — A atmosfera mudou subitamente, o céu se iluminou, um lindo arco-íris se formou e uma brisa serena começou a cair. Os deuses se posicionaram lado a lado, com determinação no olhar.
— Tiala, consegue mudar a atmosfera? — Perguntou Selene. Tiala assentiu e alterou o relevo do ambiente, dando vantagem para eles.
— Erion não está mais entre nós, então Kaelith não pode combinar ataques com ele. O mais prudente seria que eu e Zethar lutássemos juntos: use o vento para me guiar, e eu aplico a força nos golpes — Disse Vraxis. Zethar assentiu.
— Lutarei com Nevara. Ela poderá usar as sombras para causar confusão, enquanto eu manipulo as águas — Disse Kaelith.
— Zethar e Vraxis, eu irei com vocês. — disse, para surpresa de todos. — Eu a matarei.
— Temos o sinal para atacar juntos; a mudança do céu indica que nosso pai está contando conosco. Iluminarei o caminho de vocês e darei o meu melhor para cuidar de suas feridas. Eu e Tiala ficaremos juntas.

No instante em que se tornaram mais confiantes, uma força esmagadora os empurrou para baixo. Aquilo não era só Penelope. Não era só o fogo de Phoros. Era algo maior, algo que já havia sido previsto no momento de suas criações. Selene buscou o olhar de , lembrando-se da conversa que tiveram dias atrás, mas não vacilou.
— Isso foge do nosso controle. — A voz de Vraxis soou trêmula. — É maior do que pensamos, não é apenas uma luta entre deuses.
— Então… — Zethar encarou Vraxis. — Isso significa…? — Vraxis assentiu.
— Não temos a arma celestial de Salazar, mas não podemos deixá-la destruir a humanidade.
— Sem a arma, não vai adiantar nada reunir os poderes primordiais. — Disse Selene.
— É a única coisa que temos. Sem os poderes primordiais, não temos chance. — Vraxis abriu o amuleto em seu pescoço, onde retirou uma pequena pedra que brilhava em vermelho carmesim. não conseguia encará-los, não quando o destino da humanidade dependia da única vida que ele queria salvar, não quando ele a perderia. Vraxis quebra a pequena pedra em sua mão, fazendo o chão ao seu redor tremer. Lâminas etéreas de energia surgem, pairando no ar como se fosse um exército invisível respondendo ao seu chamado.

Penelope desceu seu olhar para eles, um sorriso malicioso cruzou seu olhar. Zethar, rapidamente, fechou os olhos e o vento se tornou mais forte. Uma clarão iluminou o local e os olhos de Selene começaram a brilhar em um roxo profundo.
— Vocês vão mesmo fazer isso? — Penelope riu, concentrou seu poder em sua mão e atirou na direção deles.
— Zethar. — Disse Selene, fazendo com que Zethar desviasse. Em seguida, uma flor enorme surgiu no meio do campo de batalha, liberando um odor capaz de confundir os sentidos do alvo. Nevara, levitou para a direção de Penelope, uma grande sombra se posicionou entre elas. Penelope atacou, mas a velocidade de seu ataque foi reduzida pela sombra. Kaelith fez surgir um tridente em sua mão, fazendo gotículas de água começarem a surgir do solo.

O poder dos seis se entrelaçou, preenchendo o campo como se a própria terra respirasse com eles. Vraxis ergueu a pedra partida e a energia vermelha se expandiu em torno de si, fazendo o ar vibrar como tambores de guerra. O vento de Zethar cortava o espaço, violento e preciso, moldado pelas ordens rápidas que Selene gritava ao prever cada ofensiva da inimiga. O chão se abriu sob os pés de Tiala, revelando raízes que cresceram como serpentes, erguendo muralhas vivas que atrasavam os golpes. As sombras de Nevara se contorciam, cobrindo o horizonte até sufocar a luz, mas obedecendo apenas à sua vontade. E quando Kaelith ergueu o tridente, a umidade do ar respondeu em fúria, ondas surgindo como lâminas líquidas que fechavam a passagem de Penelope.

Por um instante, a balança pareceu pender para o lado deles. Penelope, porém, apenas riu. Seu sorriso era um rasgo cruel em meio ao caos.
— Vocês são fortes… mas esquecem de uma coisa. Eu não luto apenas contra vocês. — Sua voz ecoou em todas as direções. E então, ela expandiu os braços. Um círculo de fogo dourado e distorcido se abriu ao redor do campo, alcançando quilômetros além do olhar dos deuses. Em segundos, cidades próximas foram atingidas. Gritos atravessaram a barreira de realidade. As chamas não eram apenas fogo: eram desejo materializado, consumindo corpos e mentes. Homens, mulheres e crianças ardiam em vida, seus olhos ficando amarelos como os dela, antes de caírem sem alma.
— Não… — Selene levou a mão à boca, horrorizada. — Maldita…! — Vraxis avançou, golpeando o ar com fúria, suas lâminas etéreas rasgando a atmosfera. Mas a cada alma consumida, Penelope crescia. Sua pele cintilava com poder roubado, e sua risada se transformava em algo demoníaco, ensurdecedor. Zethar cambaleou, o vento perdendo força. Tiala caiu de joelhos, sentindo a vida da Terra definhar junto à das pessoas. Kaelith mal conseguiu manter o tridente firme, a água evaporando antes de tocar o inimigo. Nevara lutava para conter as sombras que, ao invés de obedecerem, começavam a se inclinar para Penelope, atraídas pela corrupção.

Somente Vraxis permaneceu em pé, mesmo com os joelhos quase cedendo. O fogo da guerra queimava em seus olhos, mas até ele sabia que estavam sendo esmagados. Penelope flutuou acima deles, o corpo reluzindo com a energia de incontáveis vidas humanas.
— A humanidade é minha moeda. Quanto mais vocês me enfrentam, mais eu coleciono. Vocês já perderam. — A confiança que os deuses carregavam minutos atrás havia se transformado em medo, e pela primeira vez o peso da derrota parecia real. — Não podem fazer nada sem a arma celestial e , e adivinhem? Ele não vai sacrificar a humana. — Penelope subiu mais alto, sabendo que havia acabado de semear a discórdia para desestabilizá-los.
— O que ela quis dizer? — Vraxis se virou para , que apenas encarou o nada.
— Ela disse a verdade? — Selene tinha esperança de que Penelope estivesse mentindo, mas apenas confirmou.
— Estamos dando tudo que temos, e você se recusa a utilizar a arma que foi feita para acabar com isso? Olha quantas pessoas morreram! — Zethar caminhou furioso até , segurando a gola de sua camisa. — Você não se importa???
— Não. — A frieza na voz de era sentida por todos ali. — Vocês nunca tiveram algo que quiseram proteger acima de qualquer coisa? Eu não abandonei a humanidade, ainda estou lutando por eles. Mas, não me peçam para sacrificá-la. — Os olhos de brilharam, demonstrando uma sensibilidade jamais vista antes por eles. Zethar soltou a gola de sua camisa lentamente.
— Mas é isso que nos difere dos humanos, . — Disse Nevara. — Não podemos nos dar ao luxo de proteger quem amamos.
— Ela é a única coisa que já amei na minha vida. — Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de . — É a razão da minha existência. Eu vou morrer nessa batalha, se for preciso, mas jamais a sacrificaria.
— Eu entendo. — Disse Tiala. — Também tenho alguém que valeria a pena sacrificar o mundo.
— Eu também. — Selene sorriu, com um olhar triste. Kaelith assentiu, indicando que também tinha.
— E é por isso que eu preciso que você traga a arma celestial para o campo de batalha. — A voz de Tiala mudou e logo ficou preso por cipós, surpreendendo os demais.
— Eu tenho que sacrificar quem eu amo para que quem você ama viva? — Retrucou .
— Eu sinto muito, mas não é minha culpa. — Respondeu ela.

Enquanto discutiam, o exército de lutava contra o de Penelope em uma luta incansável. Apesar de Penelope vencer em números, muitos dos seus eram humanos, já o exército de era composto apenas por ceifadores. Ela podia distribuir seus poderes para os humanos, mas não era a mesma coisa que criaturas imortais. O campo inteiro se tornou um caos pulsante. De um lado, o exército de avançava com disciplina mortal; ceifadores surgiam das sombras e do chão, suas lâminas cortando com precisão cirúrgica, cada golpe calculado para neutralizar o inimigo sem desperdício. Seus movimentos eram frios e implacáveis, um contraste sombrio com os gritos e o pânico do exército humano de Penelope. Do outro, Penelope distribuía seu poder com maestria cruel. Raios dourados percorriam o corpo dos humanos, acelerando seus reflexos e aumentando sua força, transformando-os em armas de destruição que avançavam sem pensar, cada passo espalhando morte e caos. Eles eram mais numerosos, mas caíam com frequência diante da resistência sobrenatural dos ceifadores.

— Não acho que devemos agir antes de conversarmos sobre isso. — Disse Selene.
— Você acredita que tenhamos tempo de conversar? Estamos no meio do campo de batalha, Selene, cresça! — Esbravejou Zethar.
— Zethar está certo, e o que Salazar fez foi um crime gravíssimo. Conseguem perceber quantas vidas foram perdidas por causa de uma única humana? — Perguntou Vraxis, fazendo-os ficarem em silêncio.
— Vocês não vão me obrigar a matar a mulher que eu amo. — O ar se tornando rarefeito era a indicação de que a situação estava tensa. arrebentou os cipós que o prendiam e olhou nos olhos de Tiala. — Não me lembro de ser tão fraco para que me ameacem. — Zethar sorriu de lado com a voz perigosa do irmão.
— Você consegue entender o que está em jogo? São vidas! Inúmeras!!! — Tiala expressou sua indignação, mas Kaelith colocou a mão sobre seu ombro.
— Não há o que fazer, ele é o único que pode usar a arma celestial. — Disse ele.
— Então, vamos arrebentá-lo até que use. — Sugeriu Zethar, um trovão soou nos céus e a chuva começou a cair, fria e grossa.
— Isso não pode ser bom… — Murmurou Selene, Vraxis coçou a testa.
— Vamos em frente. — Disse ele.
— Quer mesmo que lutemos uma guerra que sabemos que vamos perder? — Perguntou Zethar.
— Nós não sabemos isso. Já estamos lutando contra nossa irmã, não vamos enfrentar outro irmão. Iríamos lutar de qualquer jeito antes de saber que a arma foi encontrada. — Vraxis virou-se para seus irmãos. — Não podemos abandonar a humanidade.
— Eu não pretendo abandonar a humanidade, vou lutar com ou sem vocês. Eu já estava fazendo isso antes de chegarem. — arregaçou as mangas, uma espada ainda maior surgiu em suas mãos, carregando runas brilhosas.
— Se vamos mesmo fazer isso… — Nevara se aproximou. — É hora de parar de brincar de humano, certo, Salazar?
— Eu concordo. — cravou sua espada no chão e segurou com firmeza pelo punho. Contrariados, os deuses se posicionaram ao seu lado, preparados para exibirem suas formas originais.

Selene foi a primeira a se revelar. Sua pele irradiava um brilho suave, como se tivesse sido moldada pela própria luz. Cabelos longos e cintilantes flutuavam ao redor de seu rosto, e de suas costas surgiram asas etéreas que pareciam feitas de pura energia luminosa. Seus olhos eram orbes luminosos, antecipando cada movimento no campo de batalha como se enxergassem o futuro. Tiala ergueu os braços e o solo respondeu. Seu corpo foi envolvido por folhas, pétalas e raízes, até que ela própria se transformou em um ser colossal, vibrante e vivo. A pele ganhou tons de verde e dourado, e de seus cabelos se espalhavam ramos floridos que dançavam ao vento. Sua presença trazia o perfume da vida, mas também a força esmagadora da própria natureza. Vraxis avançou sem hesitar. Sua carne se fundiu à armadura carmesim, e marcas incandescentes surgiram pelo corpo como brasas vivas. Seu porte cresceu em imponência, os músculos definidos pela fúria da guerra, e em cada mão empunhava uma lâmina flamejante. Ao seu redor, o ar tremia como se estivesse em chamas, e cada passo fazia o chão ressoar em desafio. Nevara deixou que a escuridão a tomasse. O véu de sombra que a cobria se abriu em asas imensas, feitas de trevas em movimento. Sua silhueta parecia líquida, os contornos se desfazendo em fumaça, e os olhos dourados brilhavam no contraste como duas estrelas presas no abismo. A cada gesto, a noite se moldava ao seu querer. Kaelith ergueu o tridente e seu corpo foi consumido por água em turbilhão. A pele adquiriu o tom profundo do mar, os cabelos se transformaram em correntes translúcidas que nunca paravam de fluir. Ele irradiava a força de maremotos e tempestades, e cada batida do tridente fazia surgir ondas que pareciam vir do nada, prestes a engolir tudo. Zethar ergueu os braços e o vento atendeu de imediato. Seu corpo foi coberto por marcas prateadas que percorriam a pele como relâmpagos, e seus olhos se tornaram brancos, cheios da fúria da tempestade. Os cabelos flutuavam sem jamais tocar o chão, e lâminas invisíveis de ar giravam em torno dele, prontas para dilacerar qualquer obstáculo. Por último, . Sua forma humana se rompeu em estilhaços de luz, revelando a essência da Justiça. Sua pele tornou-se branca como mármore vivo, as veias brilhavam em dourado, e de suas costas se abriram duas asas desiguais — uma negra, outra branca — em perfeito equilíbrio. Em sua mão surgiu uma espada cujo formato lembrava uma balança, cada golpe pesando o destino dos que ousassem enfrentá-lo. Seus olhos, intensos, refletiam julgamento absoluto, sem margem para mentira ou perdão.

O céu se rasgava em trovões e luz quando os deuses se lançaram sobre Penelope. Em suas formas originais, eram colossais, forças primordiais reunidas em um só campo de batalha. Vraxis ergueu suas lâminas flamejantes, golpeando em cruz. As espadas atravessaram o ar e se multiplicaram em dezenas de cortes incandescentes, que convergiram contra Penelope em uma tempestade de fogo e aço. Ela desviou parte com um gesto, mas Zethar já havia se lançado, sua figura fundida ao vento. Lâminas invisíveis cortaram em direções imprevisíveis, obrigando Penelope a recuar por instantes. Kaelith ergueu o tridente, e do chão irromperam colunas de água que subiram como serpentes marinhas, tentando aprisionar os braços da deusa da ganância. Selene brilhou logo atrás, antecipando o movimento de Penelope, e lançou uma rajada luminosa que explodiu como um clarão de mil sóis, cegando a inimiga. Tiala aproveitou o instante e fez o campo de batalha florescer em espinhos colossais, muralhas vivas que se erguiam para limitar a fuga de Penelope. Nevara desceu das alturas como um rasgo de trevas, cobrindo a deusa com asas de sombra que drenavam a velocidade de seus gestos. Por um breve momento, parecia que tinham conseguido cercá-la.

Penelope, porém, gargalhou. Seu corpo ardeu em energia dourada, alimentada por incontáveis vidas humanas sugadas no caos da guerra. Um único movimento de sua mão fez os espinhos de Tiala apodrecerem em segundos, transformando vida em pó. Ela abriu os braços e liberou uma onda de poder que varreu o campo. O impacto lançou Kaelith contra o chão, rachando a terra em crateras. Zethar caiu de joelhos, tossindo sangue, suas marcas prateadas tremendo como se fossem rasgadas de dentro para fora. Selene resistiu, sua luz repelindo parte da energia, mas a claridade vacilava, frágil. Vraxis avançou novamente, gritando como a própria guerra, mas Penelope o interceptou com um único disparo dourado que o fez cair, armadura quebrada em fragmentos flamejantes.

— Vocês são poderosos — Penelope declarou, flutuando acima dos destroços, o corpo reluzindo com a luz das almas humanas consumidas. — Mas eu tenho algo que vocês nunca terão: a humanidade inteira como minha fonte. — ainda resistia, asas abertas, espada da justiça erguida. Ele bloqueou o raio seguinte com a lâmina, mas o choque fez suas pernas cederem. O campo de batalha já não era deles; era dela. Penelope desceu, pairando diante dele. — O juiz, o herói, o salvador... mas não passa de um homem acorrentado pelo coração. — Seus olhos brilharam em amarelo ardente. — Sem a arma celestial, você não passa de um tolo tentando conter o oceano com as mãos.

rangeu os dentes. Atrás dele, os irmãos lutavam para se levantar, todos feridos, todos exaustos. Diante dele, Penelope reunia energia o suficiente para varrer a cidade inteira em uma única explosão. A espada da justiça tremia em sua mão, como se até ela soubesse a verdade: não era suficiente. E, pela primeira vez, percebeu que realmente estava encurralado. O chamado da arma celestial pulsava dentro de seu peito, inevitável, como se o próprio destino tivesse prendido seu coração àquele instante. Mas ele não podia, não podia perdê-la.

E foi naquele momento que todo o campo de batalha paralisou, sentiu a arma celestial mais próxima de si do que ele gostaria que estivesse. E foi apenas um som que confirmou a sua presença ali:
… — A voz de ecoou no campo de batalha, guiando seu olhar exatamente para a direção que estava. De longe, em meio à toda aquela fumaça e poeira, ele viu seus longos cabelos sendo balançados pelo vento. Em suas mãos, estava uma adaga.
… — Sua voz mal conseguia sair de sua garganta. Não, , vá embora. Era o que ele queria dizer, mas algo o impedia, seus olhos imediatamente se encheram de lágrimas, voltando à sua forma de humano. correu na direção dela, mas o tempo parecia andar em câmera lenta e ela parecia cada vez mais longe dele. — Não…

Capítulo 13 — Arma Celestial

O coração disparou em seu peito, a cada tremor do solo a ansiedade aumentava. Não havia a possibilidade de permanecer parada, não quando ela sabia que era essencial naquela batalha. Quando toda a dor se esvaiu de seu corpo, ela ficou de pé, encarando um enorme espelho que estava em sua frente.

O espelho, que antes refletia seu reflexo, mostrou uma estrada em um dia ensolarado. O céu estava tão azul e as nuvens tão brancas. Uma voz soou de dentro do espelho.
— Filha… — A voz fez com que se aproximasse lentamente do espelho. — Não tenha medo… — De algum modo, aquela voz parecia confortá-la. caminhou na direção do espelho e de repente estava caminhando naquela estrada. Ao seu lado havia um homem, sua presença impunha respeito sem esforço; cada gesto e cada palavra pareciam carregados de uma sabedoria antiga, como se tivesse visto séculos de histórias passarem diante de seus olhos. Sua voz, grave e cadenciada, era capaz de acalmar tempestades internas ou comandar atenção como quem domina a própria realidade. Havia nele uma serenidade quase sobrenatural, um tipo de magnetismo silencioso que fazia todos ao redor se inclinarem não por medo, mas por admiração silenciosa. Ele se virou para ela, um sorriso acolhedor nos lábios.
— Você é…? — Ele apenas assentiu em resposta à sua pergunta.
— Percebi sua inquietude, o que te aflige?
— Preciso ir para lá. — respondeu, olhando nos olhos daquele homem.
— Precisa mesmo? — Perguntou Ele.
— Sim… eu… — Ela sentiu seu peito apertar.
— Você não é obrigada a ir só porque se descobriu a arma celestial. Você ainda é um ser humano e pode escolher o que fazer. — Ele estendeu a mão para o caminho de onde ela veio. — Você pode escolher voltar para onde veio, ou seguir essa estrada adiante. — Virou-se para o outro lado.
— Ele precisa de mim. — Disse ela, como se estivesse convencendo a si mesma disso.
— Se está certa disso e se é a sua vontade, siga adiante e irá encontrá-lo no final da estrada. — deu um passo à frente, mas hesitou. — Existem dúvidas no seu coração?
— Apenas algo que tenho que saber antes de caminhar para minha possível morte. — o encarou, o que o fez sorrir.
— Estou ouvindo. — Sua voz era acolhedora.
— Ela me disse que sou um milagre, o que isso quer dizer? E por que eu sou a arma celestial? — Perguntou.
— Eu sinto muito por tudo que você enfrentou por isso. Quando um filho deposita tanta fé em sua oração, eu não posso desampará-lo. E quando eu sei que um outro filho vai esquecer de quem é, eu preciso de um motivo para lembrá-lo. Considere que tudo que aconteceu na sua vida foi o destino. — Ele sorriu. — Se tens certeza do que quer fazer, siga adiante e não olhe para trás. — E assim ela fez.


… — Sua voz mal conseguia sair de sua garganta. Não, , vá embora. Era o que ele queria dizer, mas algo o impedia, seus olhos imediatamente se encheram de lágrimas, voltando à sua forma de humano. correu na direção dela, mas o tempo parecia andar em câmera lenta e ela parecia cada vez mais longe dele. — Não…
— Ela veio. — Penelope sorriu. Jace correu em sua direção no momento em que a viu, antes que ela pudesse usar a adaga, ele a arrancou de sua mão.
— Enlouqueceu?! — Jace a segurou pelos ombros e a examinou, certificando-se de que ela estava bem. Penelope lançou um feixe de luz em direção aos dois, que explodiu no momento em que colidiu com o chão. Jace a empurrou para longe, recebendo parte do ataque. Quando finalmente os alcançou, foi até Jace.
— Está ferido? — Perguntou ele, Jace apenas negou com a cabeça. — Obrigado. — Seus olhos brilharam de gratidão, Jace assentiu.
— Cuide dela. — Disse, voltando para sua própria luta. foi até e a segurou pelos ombros.
— O que deu em você? Eu te disse para ficar no templo. — Ele não parecia irritado, na verdade, parecia aliviado por ela estar bem.
— Você não pode decidir isso por mim. — Respondeu ela.
— Sabe que estou tentando te proteger? Qualquer um daqueles ali… — ele apontou para os deuses. — te matariam para que eu a use na guerra.
— E você sacrificaria a vida de milhares apenas para me salvar? — Retrucou ela.
— Sem pensar duas vezes. — Respondeu, sem hesitar. Gritos ecoavam de todos os lugares possíveis, o cheiro de sangue era o único odor que existia no ar há quilômetros. Era aterrorizante para saber que tantas pessoas estavam morrendo e a morte dela poderia salvá-los. Era aterrorizante saber que poderia morrer naquela batalha por simplesmente querer protegê-la.
— Você não pode fazer isso… — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Não pode permitir que tantos morram só para que eu sobreviva!
— Posso e vou! Não vou sacrificar a mulher que amo, isso é indiscutível. — Sua voz soou decidida e firme.
— Mas é a minha vida! E eu decido o que fazer com ela.

Explosões douradas varriam o campo como ondas de fogo. Penelope, pairando acima de todos, erguia os braços e absorvia a energia de cada vida que arrancava, rindo enquanto o caos se espalhava. Aldeias inteiras ardiam ao longe; as casas se tornavam pó, e os gritos das crianças se misturavam com o ruir das muralhas que cediam. Um grupo de humanos tentou resistir, armados apenas de coragem e lâminas enferrujadas, mas Penelope fechou os dedos e eles simplesmente desmoronaram no chão, como bonecos sem alma. Cada corpo que caía alimentava ainda mais a aura dourada que queimava em torno dela.
— Sentem isso? — A voz da deusa ecoou pelo campo, quase melodiosa, mas repleta de crueldade. — Cada vida perdida me torna mais forte. Enquanto vocês discutem sobre sentimentos tolos, eu transformo sua humanidade em pó. — Uma muralha de pedra, construída às pressas, foi reduzida a cinzas em segundos. Mulheres e homens correram em todas as direções, mas não havia para onde fugir. Do céu, Penelope lançou feixes em forma de lanças douradas, que atravessaram centenas de pessoas ao mesmo tempo, e o sangue evaporou antes mesmo de tocar o chão. O cheiro de ferro queimado enchia o ar.

— Mas é a minha vida! E eu decido o que fazer com ela. — A voz de rompeu o ar pesado, firme, mas trêmula. Um estrondo cortou o horizonte. O chão tremeu como se o próprio mundo gritasse. Penélope estava no alto das ruínas de um templo, envolta por uma aura dourada distorcida — os olhos completamente amarelos, brilhando como se o sol tivesse enlouquecido. Ela ergueu as mãos, e o que restava da cidade começou a se desintegrar. As casas se partiram como vidro, o céu tomou uma coloração ferrugem e as sombras ganharam forma, engolindo tudo o que tocavam.
— Humanos patéticos… — sussurrou, a voz dela reverberando como um eco de mil vozes. — Lutam por migalhas, e ainda assim acreditam que merecem salvação. — O grito de uma criança ecoou próximo. se virou de súbito, o coração apertando ao ver os humanos correndo em desespero, cercados por criaturas formadas da própria ganância — corpos sem rosto, com mãos longas e deformadas, arrastando tudo para dentro de fendas negras que se abriam no chão.
, você precisa me deixar decidir isso! — a voz de era puro desespero. Ela sabia que podia ajudar, sentia isso em cada parte do corpo, mas sem ele para guiá-la, tudo parecia fora de alcance.
— Não existe a menor chance de eu te sacrificar. — Outra explosão sacudiu o campo de batalha, e se colocou à frente dela por instinto. — Fique atrás de mim. — Antes que pudesse conjurar a espada, um raio foi lançado em sua direção.
reconheceu a cor no mesmo instante. Aquela luz. O mesmo poder que havia tirado a vida de Jeremy. Ela soube — com uma certeza cruel — que aquilo o mataria. Seu corpo se moveu antes que sua mente pudesse acompanhar, como se algo antigo e adormecido a empurrasse para frente. Em uma velocidade que ela jamais experimentara, se colocou diante dele. Não houve tempo para gritos, nem para reação. O raio atravessou seu peito. , impotente, congelou. Teria sido atingido em cheio… se ela não fosse quem era. No instante do impacto, uma explosão dourada irrompeu ao redor deles. A energia liberada por se espalhou como uma onda viva, rasgando o chão, o ar e tudo o que encontrou pelo caminho. Em segundos, boa parte do exército de Penelope foi dizimada, reduzida a silêncio e cinzas. E no centro daquela luz,E no centro daquela luz, permanecia de pé. Mas não era sua vida humana que a sustentava — essa havia se esvaído no instante em que fora atingida. O que a mantinha ali era apenas o poder, indomável e antigo, usando seu corpo como último canal.
— Não… não, não… — se aproximou, o desespero tomando cada passo, implorando silenciosamente por qualquer sinal de que ainda houvesse algo dela ali. Não havia. Quando o brilho dourado começou a se dissipar, o poder deixou o corpo de como um sopro final. Ele a amparou tarde demais. O peso caiu em seus braços, inerte, vazio de vida. No mesmo instante, a energia que a consumira se desprendeu, condensando-se no ar entre eles.
A luz se moldou, ganhou forma, matéria — até que a arma celestial surgiu, pulsando com a força que carregara até o fim. sentiu o impacto atravessar seu corpo. O poder o reconheceu. Escolheu-o. E enquanto a arma se firmava em suas mãos, ele soube: a vitória que viria jamais compensaria o preço que havia acabado de pagar.
— Fique aqui um pouco, eu volto para você assim que isso terminar. — Ele depositou um beijo em sua testa e finalmente entendeu, a arma celestial não era uma arma de verdade, era um poder que ele escolheria canalizar em uma arma.
No momento em que ficou de pé, Jace virou seu olhar para ele. O corpo de estava estirado no chão, pálido e sem vida. Seu exército estava avançando com a vantagem que ela havia conseguido, mas agora ele entendia o motivo. E ele sabia que preferia perder a vida do que perdê-la naquele campo de batalha. Ele sentiu seu coração se dilacerar, por ela, por Jeremy que morreu para salvá-la… e pelo o amigo que tanto a amava. Em seguida, foi a vez de Stefan perceber o que havia acontecido. Ele caminhou até Jace, machucado e com dificuldade de andar.
— Ela… ela morreu? — perguntou, agarrando-se à esperança frágil de ouvir um não. Mas eles viam. Vi­am a alma dela, à deriva, esperando para ser guiada.
— Ela escolheu isso. — Uma lágrima escorreu pela bochecha de Jace, uma sensação estranha, quase desconhecida. — Mas por que dói assim? Era só… só uma humana. — Stefan o ajudou a se levantar.
— Não, Jace. — disse firme, apesar da voz trêmula. — Não podemos cair agora. Ainda não. Ele está de pé, e vai lutar para pôr um fim nisso. É nosso dever nos manter firmes por ele. Agora não. — Jace assentiu e pousou a mão no ombro de Stefan.
— A presença dela… me fazia sentir… vivo. — conteve as próprias lágrimas.
— A todos nós. — Stefan assentiu. — Avise . Eu seguro as pontas por aqui.
Jace voltou para o templo com o corpo coberto de ferimentos que demoravam a se curar, o rosto abatido e lágrimas insistentes que ele não se dava ao trabalho de conter.
— Jace! — exclamou. — O que faz aqui? A sumiu. Eu estava indo para o campo de batalha e… — notou a expressão no rosto de Jace, e tudo o que pretendia dizer morreu ali. Havia em seu semblante uma dor tão profunda e definitiva que não deixava espaço para perguntas. — Como? — a expressão de se tornou sombria.
— Se sacrificou por . — a voz de Jace saiu fraca. apenas assentiu.
— Você está ferido. Fique aqui e se recupere. Garanta a segurança de . Eu vou até lá. — Seu olhar emanava determinação.
… nós vimos a alma dela.
— Isso não importa agora. — ele o interrompeu. — Eu preciso estar lá. E então desapareceu.
Ao chegar ao campo de batalha, contemplou o caos que Penelope havia deixado para trás. O chão estava marcado por destruição e dor, e inúmeras almas humanas aguardavam, perdidas, para serem guiadas. Ainda assim, seu olhar buscava apenas uma. . Ele a encontrou presa ali, ao lado do próprio corpo, como se ainda se recusasse a partir. correu até ela e, com reverência, segurou sua alma entre as mãos.
— Eu a guiarei. — sua voz foi firme, solene. — Apenas espere por mim. Ele lhe prometeu que não se perderia. Que, independentemente do que ainda se desenrolasse naquele campo amaldiçoado, ela encontraria seu lugar. E que, quando chegasse a hora, não estaria sozinha.
— Obrigado. — a voz de saiu baixa, carregada de algo que não era mais apenas dor. Ele caminhou na direção do campo devastado enquanto canalizava todo o poder que lhe fora legado. — Obrigado por cuidar dela. — Foi a última coisa que disse antes de se lançar à frente.
O ar mudou no instante em que seus pés tocaram o solo marcado pela guerra. A arma celestial em sua mão pulsava, viva, faminta. A energia que dela emanava não se limitava a envolvê-lo — ela o atravessava, queimando veias, músculos e ossos. sentiu o poder se espalhar como veneno e fogo, consumindo-o por dentro, exigindo tudo o que ele tinha… e mais. Ele aceitou.
— ELYRIA! — O grito rasgou o campo de batalha como um trovão antigo. O nome verdadeiro ecoou, carregado de força primordial. O céu respondeu com um estalo seco, e o chão tremeu sob seus pés. As chamas ao redor vacilaram, as criaturas invocadas hesitaram, e até os outros deuses voltaram o olhar — alarmados. Penelope virou-se lentamente. Ou melhor… Elyria. Seus olhos dourados encontraram os dele, e um sorriso torto surgiu em seus lábios, cheio de desprezo e algo perigosamente parecido com reconhecimento.
— Salazar. — Ela o chamou pelo nome, e o som deslizou por sua pele como lâmina. — Então foi isso que você se tornou. — O poder reagiu. A arma em sua mão brilhou com intensidade cruel, arrancando-lhe um grunhido de dor. caiu sobre um joelho por um instante, sentindo o peso daquilo que carregava — a fúria, a perda, o sacrifício de pulsando dentro dele como um segundo coração.
— Você a matou. — ele disse, erguendo-se. Sua voz não tremia mais. — E tudo o que restou em mim… é isso. — E então ele avançou.
O impacto do primeiro golpe lançou Elyria para trás, atravessando colunas de pedra como se fossem poeira. O choque da energia explodiu em ondas douradas e carmesins, varrendo o campo de batalha. Os deuses ao redor tentaram reagir — conjurações foram erguidas, símbolos antigos traçados no ar — mas nada funcionava. O poder que fluía por os anulava. Era demais. Antigo demais. Alimentado por algo que nenhum deles ousara tocar: a dor absoluta. Penelope se ergueu envolta em chamas negras, o fogo de Phoros rugindo ao redor de seu corpo, distorcendo o ar, queimando tudo o que ousava se aproximar.
— Você acha que pode me enfrentar com isso? — Ela provocou, a voz ecoando em múltiplas camadas. — Eu sou o desejo que aprendeu a tomar. Eu sou— não a deixou terminar.
Cada passo em sua direção fazia o mundo ceder. O poder o consumia, rasgando sua essência, cobrando um preço alto demais — mas ele não recuou. A raiva o tornava mais rápido, mais forte, mais letal. Não havia estratégia. Não havia misericórdia. Havia apenas fim. Eles colidiram no centro do campo, espada contra fogo, luz contra fome. Penelope gritou quando a lâmina tocou o núcleo das chamas, e sentiu o calor atravessá-lo, queimando pele e alma. Ele empurrou.

— Saia dela. — rosnou, cravando a espada mais fundo. — Esse poder nunca foi seu. — O fogo de Phoros reagiu violentamente, tentando se agarrar a Penelope, resistindo como uma criatura viva. Mas segurou firme, mesmo enquanto o poder o rasgava por dentro, mesmo enquanto sentia partes de si se desfazerem. Com um grito que misturava dor e fúria, ele puxou. As chamas foram arrancadas do corpo de Penelope em uma explosão ensurdecedora, condensando-se diante dele antes de se dissiparem no vazio. O campo de batalha silenciou. Penelope caiu de joelhos. Por um instante, ela pareceu… vazia. Menor. O brilho dourado se apagou, substituído por algo frágil e mortal demais. Ela ergueu o rosto para ele uma última vez.
— Então é assim que termina, Salazar… — sussurrou. não respondeu. Com um único movimento, preciso e definitivo, ele atravessou o peito de Penelope com a espada celestial.
A luz explodiu. Quando tudo cessou, o corpo dela caiu ao chão, inerte. O campo de batalha estava em ruínas, os deuses restantes observavam em silêncio absoluto — impotentes, derrotados não pela força… mas pelo preço que ele esteve disposto a pagar.
permaneceu de pé por alguns segundos, a arma ainda em mãos, o poder finalmente começando a se afastar. E quando caiu de joelhos, não foi como vencedor. Foi como alguém que havia perdido tudo.

— Você conseguiu! — Selene exclamou, correndo em sua direção, animada. — Irmão, você conseguiu! — Zethar a segurou, impedindo que se aproximasse mais.
— Eu consegui… — sussurrou. — Mas… — Ele levantou a cabeça para olhar para os irmãos, seus olhos estavam vermelhos e lágrimas escorriam pelo seu rosto. A fúria não tinha mais sentido agora que Penelope havia sido derrotada, restando apenas dor. — …a que custo?
— Ela sabia o que estava fazendo. — Tiala se abaixou ao lado dele. — Ela escolheu isso.
— Ela escolheu… você acha que ela escolheu morrer??? Acha que ela queria ser uma arma??? Que ela queria… — Ele não conseguia mais falar, uma dor forte consumia seu peito, quase um lembrete de que ele tinha um coração, o que era impossível. Vraxis colocou a mão em seu ombro.
— Nós vamos cuidar de tudo aqui, vá. — Ele e Kaelith ajudaram a ficar de pé. — Entendemos o seu sacrifício, e não tem nada que possamos fazer para tirar a sua dor, então vá se despedir da sua amada. — assentiu, agradecendo com o olhar.
Ele caminhou até onde o corpo de estava, ao redor dela estavam e Stefan. Seus passos eram lentos, mas houve uma certa urgência ao notar que seus amigos estavam ali para conduzi-la para outro plano. caiu de joelhos ao lado dela, suas mãos trêmulas tocando seu rosto — agora frio e pálido. Ele a puxou para seu colo, envolvendo-a em seus braços. Suas lágrimas começaram a cair descontroladamente e seu grito de dor ecoou para longe dali, bem mais longe do que ele sabia.
abriu os olhos e teve a sensação de estar dentro de uma caixa completamente branca. A luz era intensa, vindo de todas as direções, sem origem definida. Ela começou a andar, mas, quanto mais avançava, mais parecia não sair do lugar.
? — A voz era familiar. Ela se virou e encontrou Jeremy diante de si. — Como você… você…?
— Eu acho que sim… — Respondeu ela, ainda confusa. — Eu saltei na frente dele. — Jeremy a envolveu em um abraço. não sentiu calor, nem conforto, apenas uma confusão densa, difícil de nomear.
— Onde estamos?
— Presos com . — Explicou ele, com um sorriso gentil. — Ele segurou sua alma… e me alcançou quando Penelope foi derrotada. — As peças começaram a se encaixar.
— Você… me desculpa, Jeremy. — a voz dela vacilou. — Eu desperdicei o seu sacrifício.
— Eu não esperaria nada diferente de você. — Jeremy sorriu, sem mágoa. — Se sacrificar por quem você ama e por desconhecidos… essa sempre foi você, .
— Era… — Ela suspirou, sentando-se no chão. — Algo me fez acordar aqui. E eu sinto que foi o . — Hesitou. — Ele deve estar arrasado…
— Certamente. — Jeremy concordou, olhando ao redor daquele vazio branco. — Eu pude ouvir o grito de dor dele.
— Como é… depois daqui? Para onde eu vou? — abraçou os próprios joelhos. Jeremy se sentou ao lado dela, espelhando seu gesto.
— Não tenho tanta certeza de que você vai descobrir isso agora, querida. — disse, com um sorriso suave demais para aquele lugar.

No campo de batalha, onde agora só restavam ruínas e morte, ainda a segurava com força contra o peito. O céu se abriu, trazendo de volta a luz antes destruída por Penelope, formando um arco-íris.
— Não! — gritou, olhando para o céu. — Você não pode fazer surgir um arco-íris! Não tem vitória aqui! Não faça isso quando você tirou tudo de mim, você está ouvindo? Porque é isso que ela era: tudo para mim. — Ele afundou o rosto nos cabelos de . — Você era tudo para mim. Eu teria destruído o mundo para derrotar Penelope, apenas para não te perder. Por que você me deixou? Por quê? — sua voz estava pesada, carregada de uma dor impossível de descrever.
O ambiente ao seu redor mudou; de repente, ele e estavam em um jardim iluminado, o que o fez segurá-la ainda mais perto.
— Você não aprendeu nada com ela? — perguntou a criança à sua frente.
— O que eu deveria aprender? Eu aprendi que você coloca as pessoas no mundo para sofrerem! — esbravejou .
— Não acho que pense do mesmo jeito. — ele sorriu, abaixando-se ao lado deles. — Ela sempre esteve disposta a dar sua vida pelo fim da guerra. Sempre se importou com o mundo, a ponto de desistir da própria vida.
E continuou:

— E você se importava tanto com ela, a ponto de desistir do mundo pela vida dela. Mas ela fez uma escolha. escolheu morrer nessa batalha para salvar o mundo… e você. — Ele ergueu o olhar para . — Isso foi o amor mais lindo que um ser humano já me demonstrou. Você disse que a humanidade não tinha salvação. O que me diz agora?
— Então era isso que você queria? — explodiu. — Me ensinar uma lição? Você a colocou no mundo para me ensinar uma lição?! A fúria transbordava em sua voz.
— Eu nunca desamparo meus filhos. — respondeu com serenidade. — Os humanos costumam dizer que escrevo certo por linhas tortas. Você havia perdido a fé na humanidade, e ela te mostrou que você estava errado.
— Mas não fui eu quem fez isso. Foi ela. — continuou. — O pai dela me pediu pela vida dela, e você estava perdido. Eu cuidei de três filhos ao mesmo tempo. — Ele sorriu.
— E como exatamente você cuidou dela? — rebateu, a voz cortante. — Deixando que morresse?! — puxou ainda mais para perto.
— Deixando que ela escolhesse o próprio destino. — Ele sorriu. — E você, meu filho? O que vai escolher para o seu destino? — apertou ainda mais contra o peito e fechou os olhos. Sua voz saiu baixa, quebrada, como se cada palavra exigisse coragem para existir.
— Se o Senhor me ouve… — começou, com dificuldade. — eu não sei mais rezar como antes. Não sei pedir do jeito certo, nem entender os seus planos. Ele respirou fundo. — Mas eu sei amar, e tudo o que eu fui capaz de fazer de bom neste mundo nasceu desse amor. — A mão dele tremia ao segurar .
— Eu aceito qualquer peso, qualquer punição, qualquer caminho que o Senhor escolher para mim. — A voz falhou. — Tire de mim o que for preciso, menos a chance de vê-la viver. — engoliu em seco. — Se a vida dela custar a minha paz, ou tudo o que eu sou… eu aceito. Mas não deixe que o sacrifício dela termine no silêncio.
Ele encostou a testa nos cabelos de . — Eu entrego o meu destino em Suas mãos. — Concluiu, num sussurro. — Só peço que a vida dela volte a existir. — A criança ao seu lado se levantou e assentiu.
— Eu vou conceder o seu pedido.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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