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Última atualização: 18/02/2021

Capítulo


Cheguei um pouco cedo demais. Resolvi aguardar no carro mesmo. Essa coisa de “moça sozinha” em um bar realmente não era muito confortável.
Eu sabia que era um cara bonito. Era moreno, pouca coisa mais alto, e gostava muito de música. Trabalhava com isso ocasionalmente.
E eu era estudante de jornalismo. Trabalhava com a área financeira de uma escola, mas era temporário. Seguiria meu sonho assim que surgisse a primeira oportunidade.
Quem sabe um dia não entrevistasse a famosa banda do cara. Quem sabe até esse match do Tinder não desse certo, e um alavancasse o outro ao sucesso.
Tudo bem, eu visava muito o futuro. Em nossas conversas, tratei de deixar claro. Eu não procurava uma transa ali, eu estava disposta a conhecer pessoas e procurar um relacionamento, quem sabe
Nós dois havíamos nos dado muito bem. Mas sempre era o “pessoalmente” que definiria o futuro da relação.
poderia ser louco. Beber chá pelo nariz ou mover as orelhas de uma forma não convencional. Ou poderia ser um senhor casado procurando aventuras usando a foto de um rapaz bonito.
Eu também não era a garota de nariz empinado da foto de perfil. Minhas costas me rendiam uma postura mais acuada. Minha pele não era tão lisa e meu cabelo era mais oleoso.
Brincar com isso era divertido. Mas em meio ao meu devaneio, o vi entrar rapidamente no pub. Não sei se era a expectativa do encontro, mas me rendeu uma nova avaliação do que chamo de “amor a primeira vista”. Não sei se foi seu sorriso de agradecimento ao recepcionista, ou seu jeitinho de andar com as mãos no bolso. Esse “jeito de ser” não era algo passado por mensagens.
Assim como minha mania de atravessar uma rua de mão única olhando para os dois lados. Ou de cutucar os cílios quando estava nervosa. Manias de convivência que tornavam cada pessoa única.
É que eu adorava brincar de observar.
- ? – Perguntei assim que me aproximei. Sabia que era ele, mas me certificar era um bom quebra-gelo. Eu estava um pouco nervosa.
- ! – Ele pareceu aliviado. Como se uma mulher em sã consciência fosse capaz de largar aquele homem esperando. – Você está linda.
- Você também. Muito obrigada! – Me sentei em sua frente. Era engraçado como por mensagens de texto tínhamos todo o assunto do mundo, mas pessoalmente, eu não me preocupava com isso. Eu gostava muito daquele cara. Era engraçado ver que o de tantas piadas, ficava acuado nessa de “primeiro encontro”.
Primeiros encontros são sempre divertidos. Você não sabe como agir. Não se imagina o que a pessoa pensa ao te encontrar, a última impressão que fica ao sair.
- Você sabe o que pedir? – Achei graça de sua pergunta. Tentei olhar o menu virado a ele. – Desculpa . – Ele também começou a rir. – Eu não sei porque estou tão desatento.
- Você tem que estar nervoso mesmo, eu possivelmente sou o amor da sua vida. – Brinquei.
- Eu espero que sim. – Ele sorriu. Eu também esperava que ele fosse o meu. Eu poderia me apaixonar facilmente por aquele sorriso todos os dias fácil e mesmo assim, tudo ainda pareceria ser novo.
Olhei o cardápio dessa vez. Um monte de pratos que não conhecia. Iria ficar nas bebidas mesmo.
- Acho que um pouquinho de álcool pode nos desinibir. – Sugeri.
- Vejamos se sabe apreciar mesmo a cultura cubana. – Dividimos o menu dessa vez. – Eu quero um daiquiri. – Dois, acenei com meus dedos.– Pra falar a verdade, achei esse lugar bem desanimado.
- Bem observado. – Olhei pela janela, um daqueles parques estilos american carnival. – Você pode muito bem disfarçar gostar ou não de uma comida. Mas eu não posso me relacionar com alguém que não aguente uma montanha russa.
- Eu que não posso namorar uma garota que não ganhe um mísero prêmio no stand de tiro. – Ele levantou e eu o copiei. – Me acompanha? – Eu não era muito habituada a andar de mãos dadas com ninguém. Mas não hesitei em aceitar.
E fomos a pé mesmo as duas quadras. De vez em quando, algo nos fazia rir pelo caminho. Mas a energia de estar conectada com alguém especial... Nada conseguia superar esse extase.
Observei uma porção de casais pelo caminho. Alguns dividiam sorvete, outros sentavam e conversavam apenas. Eu tinha a curiosidade de descobrir cada história de amor. Como haviam sido todos seus “primeiros”. Primeiro encontro, primeira conversa, primeiro beijo. Se o primeiro “eu te amo” havia resultado em sexo, ou um pedido de namoro. Como havia sido a reação dela ao descobrir que ele arrotava bem alto ao terminar seu refrigerante. O que ele havia pensado na primeira manhã ao vê-la bagunçada e com a maquiagem borrada.
Se seria assim comigo e . Ou se terminaríamos o encontro de hoje e, amanhã, ninguém se lembrasse de mandar bom dia. Ou se surgisse um empecilho que nos afastasse. Ou talvez, ele passe me buscar um pouco mais cedo para que comêssemos uma fruta juntos pela manhã.
Era um enigma pensar. E era uma bobeira deixar de aproveitar toda uma noite por isso.
- Combinamos de nos vestir de gêmeos? – Perguntei. Ambos vestíamos jeans e uma camiseta preta.
- Se você me emprestar algumas dessas pulseiras. – Ele apontou meu braço. – Aposto que ficaríamos iguaizinhos. Assim aquele cara do final da fila me encararia tanto quanto a você. – Olhei disfarçadamente. O cara piscou e eu ri olhando a que mantinha sua expressão intacta. Seria aqui nossa primeira piadinha sobre ciúmes? Resolvi ser um pouco mais ousada. Soltei nossas mãos e o abracei dessa vez. Com minhas mãos sob seus ombros, encarei seus olhos mais de perto. A graça era que agora minha súbita coragem havia sumido ainda mais rápido.
Eu havia crescido com aquela de que a menina nunca dá o primeiro beijo. Da mesma maneira que eu sabia que isso era pura babaquice, eu acabava me deixando levar por imposições sociais. Era de se observar que, por isso, talvez tantos relacionamentos acabassem não seguindo em frente.
Acontece que não existe “um momento certo” para as coisas acontecerem. Mas, coincidentemente, para , aquele era o momento também. Seu braço direito passou sob minhas costas, enquanto o esquerdo sustentava nosso corpo sob a parede.
Eu já havia beijado alguns caras. Mas nada como beijar alguém que você sabia que torcia para o mesmo time. Alguém que detestava trânsito tanto quanto você, e compactuava com suas ideias de “como salvar o mundo”. Nada se comparava a beijar alguém que você tinha um afeto, e gostava de conhecer uma novidade a cada segundo. Como sua mania de beijar lento e se arrepiar com meus carinhos em sua nuca. Nada como conhecer e se sentir moldada a alguém que, de alguma forma, te pertencia. Mesmo que pelos instantes que durasse o carinho apenas.
- Desculpe. – Ele disse ao morder meu lábio com um pouco mais de força. – É só que... Eu podia fazer isso pra sempre.
Voltamos a nos beijar e a fila da entrada do parque seguia ao nosso lado. Eu realmente já não precisava do pânico nos olhos desse alguém na curva da montanha russa. O parque podia esperar nosso momento.
Eu que interrompi o beijo dessa vez, rindo um pouco. É nítido que acho graça de tudo.
- Você tem olhos ainda mais bonitos de perto. – Comentei. – Gosto muito deles.
- Gosto muito de você, . – Reciprocidade é algo gostoso de se sentir. Suas mãos se juntaram uma outra vez, e então compraríamos nossos tickets ao parque. – Talvez eu saiba lidar com sua pouca precisão nos tiros.
- Talvez eu saiba lidar com seu enjoo pos montanha russa. – A menos que vomitasse em mim.
- Talvez eu consiga lidar com sua “pouca habilidade na cozinha”. – Me lembrou da minha descrição sobre quem eu era, em uma de nossas primeiras conversas.
- Talvez eu goste de você também. – E era legal dizer alto. Se aquilo tudo progredisse pra um namoro, seria tudo bem, assim como se ficássemos apenas na amizade, também iria ser da mesma maneira.
Eu havia chegado mais cedo, e aguardado no carro. Se eu soubesse como seria, teria chego mais cedo ainda. Mas tudo ao seu tempo.
Ó tinder. Cada Match, uma nova conquista. Mesmo fora do aplicativo.

Oh, did I say too much? - (Oh, eu falei demais?)
I'm so in my head - (Estou total na minha mente)
When we're out of touch - (Quando nem nos tocamos)
I really really really really really really like you - (Eu gosto muito, muito, muito, muito, muito de você)
And I want you, do you want me, do you want me, too - (E eu quero você, você me quer, me quer também?)




FIM



Nota da autora: Eu adorei escrever IRLY, baseada em fatos reais. Quem dera todos os encontros do Tinder fossem assim, certo?
Por favor, aqueçam meu coraçãozinho com um comentario sobre? E claro, se puderem leiam minhas outras histórias também, o link da minha página de autora está logo aqui embaixo.
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OUTRAS FANFICS:

Em andamento
All Of The Lights [Bandas - One Direction - Em Andamento]
Tell Me About The Song [Bandas - One Direction - Em Andamento]

Confira mais histórias em minha página de autora


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