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Última atualização: 09/03/2021

01- Scripted

♪ Pela segunda vez essa noite
Parece certo, então somos só você e eu
Então eu... Não quero dizer o que está no roteiro ♪


Pude ouvir a risada do ainda do corredor. Chegava a ser ridiculo o quanto eu estava nervosa em conhecer a banda naquela noite, e chegar interrompendo um daqueles momentos de tanta intimidade, era uma extrema covardia.
Eu já havia surtado quando conheci os Jonas Brothers, tido um colapso ao ser reconhecida por Angelina Jolie. E eram grandes artistas que eu admirava. Mas agora, como contratada da Columbia, dividir a atenção com a equipe da minha banda favorita chegava a ser além do que eu esperava com minha carreira.
Eu tinha 21 anos e três singles atuais no Top 100 da Billboard.
Acreditei muito na minha equipe quando começamos a tocar nas rádios do Brasil. Chorei de emoção ao ser indicada ao oscar latino em uma mesma categoria que Rosalía. Porém ao me dar conta de que meus singles atingiam as paradas musicais dos EUA e Reino Unido realmente vi até onde minha paixão pela música poderia me levar. Era a melhor época da minha vida.
Bom, a melhor época da minha vida até agora que eu iria conhecer a maior boyband do último século.
- Meninos, trouxe uma visita especial. - Simon disse e toda One Direction me olhou animada. Me enfiei de uma vez no camarim recebendo cumprimentos animados. Já havia esbarrado com os meninos em algumas premiações, mas agora era diferente, éramos simplesmente dois grupos musicais distintos. Sem câmeras, fãs, expectativa.
- , é um prazer. Seja bem vinda. - disse vindo em minha direção. Eu ainda estava sem reação quando ele me abraçou. - Eu sou um grande fã do seu trabalho. - Ele disse.
- Meu Deus. - Foi o que respondi sendo cumprimentada na sequência também pelos outros meninos da banda. - Imagina! Eu sou a maior fã de vocês. - Não pude deixar de dizer. Claro, a One Direction podia até conhecer algum dos meus singles, mas eu acompanhava suas histórias antes mesmo de estar envolvida com música. Minha antiga banda ainda engatinhava enquanto os meninos lotavam estádios na America. Eu tinha uma centena de tweets destacando o quanto era fã , posters já cercaram minhas paredes. Eu só queria entrar no meu fã clube anônimo no twitter e escrever dezenas de 140 caracteres de puro surto.
- Eu sou o maior fã de vocês. - Foi Simon que disse e pude ver que nem todos o olharam tão empolgados como eu estava. É, entre tantos processos, era óbvio que Simon Cowell era um produtor que fazia sua equipe surtar pensando apenas em lucros, mas não era a essa ideia que eu queria me apegar. Ele poderia cuidar dos meus números nas paradas musicais, desde que na minha vida, eu sempre tivesse autonomia.
- Eu sou a Kellendria. - A mulher além de mim na sala, se apresentou. - Serei sua produtora.
- Prazer, Kellendria. - A cumprimentei com carinho. Até o momento, as únicas pessoas que gerenciaram minha carreira haviam sido meus pais. Mas com a recente volta ao Brasil, saber que eu poderia ter alguém pra me ajudar com isso era sensacional e me livrava de um grande peso.
- E ele, quem é? - Sussurrei para ela, apontando um homem, pouco mais novo que Simon, no outro canto da sala.
- Ele é Richard. O que eu farei por você, é o que ele já faz pela 1D. - Sorri animada com a resposta da minha assessora.
- Eu espero que sim. - Disse empolgada com os números da Boyband. "Ser" agenciada pela mesma empresa que a One Direction foi um dos principais pontos que me fizeram assinar um gigantesco contrato com a SYCO. Desde o X Factor, a banda havia alcançado em muito menos tempo coisas que grandes como NSYNC e Backstreet Boys demoraram anos para atingirem. Eu sabia que todo esse empenho seria extremamente positivo para minha carreira, então os cinco anos com a empresa seriam primordias para a consolidação do meu nome como artista. Eu ainda almejava algo que Christina Aguilera, Rihanna e entre outras poucas alcançaram. Ser reconhecida por uma carreira impecável, poucas polêmicas e grandes singles.
- Mas por favor, venha comemorar com a gente. - Foi quem me puxou até o outro lado da sala. - Sei que é empolgante toda essa novidade da equipe, mas pelo que sei seu objetivo aqui hoje é se divertir. Falem de trabalho amanhã.
- Nós vamos deixar vocês a vontade. - Simon avisou saindo com os Richard e Kellendria em seu encalço. E então eramos ali apenas eu e a boyband dona do hit de 1bilhão de views no youtube. Cara, eu havia contribuído com isso.
- Então, , animada com a Syco? - me perguntou. Todos os meninos estavam sentados aguardando minha resposta e eu me sentia num programa de tv. A qualquer momento poderia sair Jimmy Falon com seu humor característico, medindo meus batimentos cardíacos e noticiando meu possível infarto.
- É, digamos que nunca tive uma equipe muito organizada. - Confidenciei, o que não era tão segredo assim, já que poderia ser lido em quaisquer site de fofocas. - Eu precisava de uma gravadora que fosse mais comprometida com meu trabalho, me dispus a encarar novas oportunidades. E sério, eu sou muito fã de toda música britânica. - Todos acompanharam meu riso envergonhado. Será mesmo que eu viveria me declarando para a boyband?
- E qual sua banda britânica favorita? - Foi a vez de perguntar e eu soltei todo ar de uma vez.
- Não me façam confessar uma coisa dessas, não quero parecer uma fã maluca. - Fechei os olhos me deixando levar pelo momento. Mas é claro que meu primeiro encontro com a One Direction foi me assumindo directioner e ainda sendo questionada sobre quem seria meu favorito.
Eu o olhei divertida, isso era coisa que eu havia escondido por muito tempo. Claro, fãs supõem o tempo todo, mas eu não tinha assumido isso em nenhum lugar publicamente. Mas estando ali, eu não poderia deixar de admirar de uma forma diferente. Eu disfarçava bem o quanto ele me deixava sem graça e sabia que esse crush adolescente ia passar com a convivência. Até ontem eu admirava um cara intocável, que conhecia por entrevistas e tweets, agora estava cara a cara com ele.
- O som que sua banda fazia era muito legal. Sinto muito que tenham rompido. - quem disse e os meninos concordaram. Será que o encarei por tanto tempo a ponto de ele dizer qualquer coisa só pra me despertar do transe? Poxa, eu sabia que o cara já tinha uma namorada.
- Teve que acontecer. - Respondi ainda desviando o olhar. - Acho que estamos em momentos bem diferentes agora... - Não era algo que queria falar no momento e eles pareceram entender.
A verdade é que , minha antiga co-vocalista havia passado por uma transformação gigantesca quando se tornou mãe. E ainda, eu ter envolvido um ex namorado na banda fora um dos principais motivos para que a Blitz se arruinasse. Eu sabia que grande parte era minha culpa e carregava esse peso comigo.
- As vezes as coisas parecem ser mais bonitas do que realmente são. - Completei.
- Você está certa. - concordou, encerrando o assunto. - Richard nos disse que a ideia de Simon é que trabalhemos juntos pro seu primeiro album. Você já tem algo?
- Tenho milhões de letras, mas nunca fui boa com instrumental...
- E voltamos ao papo de trabalho. - me cortou e todos riram. - Fala do Brasil, eu amo aquele lugar! Você visita frequentemente?
- O tempo todo. - Respondi, animada por ter abertura pra falar de casa. - Meu país ainda é meu maior publico, eu tento voltar sempre que dá, levo esse amor pelo Brasil onde quer que eu vá.
- E deixou algum amor te esperando por lá? - me perguntou e os meninos fizeram gracinha.
- Eu trocaria qualquer pessoa que fosse pela One Direction, , pode apostar. - Ele sorriu ainda mais e eu me sentia ainda um pouco mais fã da banda.
Meu medo agora era tentar não me apaixonar por nenhum dos cindo de verdade.

- É o Harry? - Niall se sentou ao meu lado e me encolhi. A presença deles ainda me intimidava um pouco.
- Do que você está falando, menino? - Brinquei, vendo o loiro rir mas ainda falando baixinho. A van da banda me deixaria em meu hotel antes de entregar os meninos em suas casas.
- Seu favorito da banda. Estou entre Harry e Louis. - Ele fingiu analisar os dois que conversavam nos bancos da frente.
- O que te leva a esses palpites? - Perguntei curiosa. Pelo menos não estava tão nítido quanto eu pensasse ser.
- Bom, você conversou muito mais com Harry do que com qualquer um de nós. Mas você parecia mais tímida quando Louis te dizia algo.
- Estou super tímida conversando esse assunto com você agora. - Respondi rindo. - Essa pergunta não é nada justa. Vocês perguntam isso pra todas as garotas que aparecem nas suas vidas?
- Só as que são interessantes. - Ele olhou em meus olhos antes de me dar uma piscadela que me fez tremer inteira.
- Está flertando comigo, Niall Horan? - Ele deu de ombros rindo. Gargalhei animada, ainda que extremamente envergonhada. - O que te faz pensar que não seria você a minha primeira opção?
- Está flertando comigo, ? - Devolveu a pergunta. Era muito fácil se sentir a vontade com esses meninos. - Não sei, geralmente as garotas que conhecemos se sentem atraídas pelo Harry. O jeito dele é muito mais comunicativo, isso faz as pessoas confiarem nele. Ou então elas escolhem Zayn. Zayn fala tudo com muito charme, derrete todo mundo com qualquer frase. Tem toda a questão das músicas também, ele sempre fica com as partes mais românticas. E eu sou só o irlandês que canta algumas vezes e conta umas piadas. Não tenho muitas coisas que despertem interesse em alguém.
- Não desperta interesse? Garoto, se olha no espelho. - Brinquei sentindo minhas bochechas queimarem no mesmo instante. - Eu também me senti muitas vezes insegura na banda, e eu precisei perder tudo pra me dar conta do quanto aquilo não fazia sentido. Niall, acredite quando eu te digo que você não precisa se pôr pra baixo por sentir que outra pessoa recebe mais atenção. Você tem, sei lá, 1 bilhão e meio de fãs espalhadas pelo mundo, claro que elas vão se indentificar mais com um ou outro. Mas todas te admiram. Eu te admiro. Não vai ser a simpatia do Harry ou o tal charme do Zayn que vai afastar as pessoas de admirarem as suas qualidades também.
- É ele então? - Me perguntou com um sorriso de lado. Realmente, ele que não se dava conta do charme que ele mesmo tinha.
- Ele o que?
- Zayn? Seu favorito?
- Eu acabei de me declarar aqui pra você e essa pergunta que você me faz?
- Exato, foi fácil demais ver você se declarar pra mim. Você falou normalmente do Harry mas disfarçou a afirmação que eu fiz sobre o Zayn. O charme dele mexeu com você então?
- Você não vai desistir? - Ri tentando fugir do assunto.
- Você ainda vai se arrepender de não ter me dado essa resposta agora. - Ele riu. - Mas eu aguardo, uma hora você dá com a lingua nos dentes.
- Meu Deus, vocês vão ir se xavecando daqui até em casa? - Foi Liam quem apareceu, vindo do banco de trás.
- Não perde tempo hein Horan. - Foi Zayn quem disse e eu disfarcei bem que o comentário havia me afetado.
- Bem, não sou eu o favorito então tiro meu time de jogo. - Niall ergueu os braços fazendo todos os outros meninos gargalharem. Olhou pra mim antes de continuar. - Perdeu sua chance, .
- Você que me desencantou Horan! - Me afastei em falsa indignação. - Vocês que não insistam nesse assunto ou eu desço aqui mesmo. - O silêncio durou pouco. Era a vez de me encher de perguntas.
- Acho que todos quiseram te perguntar isso, mas ninguém teve coragem. - fez misterio, virando em minha direção. - Onde você estava quando fizemos shows no seu país? - Suspirei aliviada pela troca de assunto. Os outros meninos se distraiam com seus celulares.
- Eu estava em Portugal. - Ri da recente lembrança. O show da minha banda favorita no meu país e eu do outro lado do mundo. - Eu queria muito estar lá, , mas a primeira vez de vocês no meu país foi a primeira vez que eu fui fazer um show na Europa.
- Eu queria muito ter te conhecido naquela época. - Ele baixou os olhos e meu coração deu uma breve acelerada. - Não vou negar que faz pouco tempo que devidamente parei pra conhecer seu trabalho. Mas você é incrivel, . Além de ter talento, ainda é muito divertida.
- Digo o mesmo. - Respondi envergonhada. Parecia que a qualquer resposta eu acabaria estragando o bom momento que compartilhamos por toda a tarde.
- Sei que tentou impedir esse momento a noite toda, mas minha curiosidade não me permite segurar. - Eu ri de sua confissão exagerada. - Sabe se eles tem algo planejado pra você? Digo, Simon não costuma misturar suas equipes assim e eu realmente senti que tanto Kellendria como Richard tinham grandes planos para as nossas bandas.
- Acredito que eles estejam focando no meu primeiro CD. - Respondi não entendendo muito bem sua pergunta.- Como eu disse, não sou a melhor compositora do mundo. Alem do mais, contaria muitos pontos a meu favor ter uma colaboração da One Direction.
- Isso no âmbito profissional. - Ele parecia buscar as palavras com cautela. - , alguma vez sua antiga banda já te fez montar uma personalidade com a qual você não se sentisse confortável?
- Pra falar a verdade, não. - Sorri pra ele. - Mas eu acompanhei essa fase de vocês ainda como fã. Essa coisa Zayn de topete, Louis de listras, Niall loiro... Não sei se "montar uma personalidade" pra mim seria algo legal. Eu ganhei fãs porque as pessoas se identificavam comigo. Sempre fui muito acessivel, fazia covers e falava da One Direction no twitter. Acho que isso me popularizou.
- E você nunca se sentiu, sei lá, pressionada a ter que fazer algo? Arranjar um namorado, ou algo assim?
- E alguém, por acaso, pode fazer essas coisas? - Eu ri mas dessa vez ele não me acompanhou. Toda a banda parecia muito tensa, mesmo que todos disfarçassem não estarem ouvindo a conversa.
- Não deixe nunca que façam isso com você. - Ele me respondeu. Acenei positivamente e agradecendo o conselho.
Quando cheguei no hotel pude finalmente ter meu pequeno surto de fã, sozinha enquanto me afundava na banheira.
era uma das pessoas mais receptivas que eu ja tinha conhecido na vida. Ele fez com que eu enxergasse em si e seus amigos muito além de uma banda. Me fez conhecer cinco amigos com uma paixão em comum e lembranças pra uma vida.
era o mais sorridente. Transmitia uma energia incomparavel de felicidade e era ainda mais animado do que as entrevistas nos permitiam acompanhar.
devia ser mesmo o grande piadista do grupo. Ele tinha um sorriso lindo e falava deslumbrado sobre tudo o que vivia com a banda.
tinha nas palavras o mesmo dom que tinha com a música.
E era misterioso, em resumo. Um dos mais perfeitos clichês.
Me permiti rir do pensamento de arranjar um namorado. Infelizmente naquele momento, os unicos solteiros na banda eram , e .
Por mim, eu teria um caso com os cinco...

3 meses depois
havia me mandado mensagem avisando que os meninos já estavam no que eles chamam de Complexo da 1D, em Los Angeles.
Desde o dia no camarim, os meninos e eu havíamos começado um projeto musical pro meu novo álbum, então haviamos passado muito tempo juntos e desenvolvido um material único. Na última semana, quando precisei voltar para os EUA, ouvi da minha assessora que pelo menos três das músicas que haviamos composto juntos estariam no meu primeiro CD. Três de pelo menos 15 que havíamos escrito, mas ainda assim, três.
- Preciso de um favor seu. - me chamou a atenção. Estávamos reunidos na casa dele e os meninos. - Acho que preciso de uma opinião diferente antes de mostrar pra alguém da banda. - Ele me entregou uma folha de papel meio amassada onde uma letra e acordes se misturavam. - Eu não mostrei pra ninguém. É só um esboço.
"Scripted" é o titulo que ele havia dado a canção.

Hearts don't feel the same (Corações não sentem o mesmo)
And the names we like to say (E os nomes que gostamos de dizer)
Change with time and age (Mudam com o tempo e a idade)
So I (Então eu)
I don't wanna say what's scripted (Eu não quero dizer o que está no roteiro)
Whether you are or aren't with it (Quer você esteja ou não com ele)
I know what I need (Eu sei do que eu preciso)
'Cause I (Porque eu)
I don't wanna say what's scripted (Eu não quero dizer o que está no roteiro)
Whether you are or aren't with it (Quer você esteja ou não com ele)
I know what I need (Eu sei do que eu preciso)
You'd still remember my eyes (Você ainda se lembra dos meus olhos)
Even if the Men In Black flashed (Mesmo que os Homens de Preto tenham jogado)
Their light into your eyes (Suas luzes em seus olhos)
For the second time this night (Pela segunda vez esta noite)
It feels right when it's, only you and I (Parece certo quando é só você e eu)


- Parece algo do fundo do seu coração. - Ele sorriu concordando. - Mas vou ser sincera, . Essa canção é sua. Suas emoções, sua verdade. É uma canção que não cabe na One Direction e eles destruíriam seu trabalho tentando a adaptar.
- Você acha uma boa música? Não pra banda em si. Posso pensar em vendê-la...
- Eu gostaria de ouvir você cantando. E sinceramente, acredito que você deva guardá-la para um momento seu. Quem sabe você não tem a oportunidade de gravar um single solo. - Pisquei em cumplicidade.
- Richard te mataria por estar me sugerindo algo do tipo. - Ele devolveu com uma risada. - Vou guardá-la. Essa canção é quase um desabafo, não gostaria de vê-la sendo transformada.
- Faça isso. - Concordei. - Você é um excelente compositor, . O que quis dizer com não querer seguir o roteiro?
- Vou guardar essa resposta pra um outro momento. - Se afastou e o segui até a sala onde estava toda a banda.
- Mariah sabe que vocês andam cheios de segredinhos? - perguntou, mais a que a mim. Mariah era a namorada de . Eu havia a visto pouquissimas vezes, mas nunca havia tido a impressão de que ela fosse essa mulher ciumenta que havia descrito.
- Fique tranquilo que não estou misturando nada. - tornou a responder. Naquele momento senti um pequeno conflito entre os dois que eu tornaria a questionar mais tarde.
- Suas namoradas costumam acompanhar vocês durante a tour? - Questionei, me dando conta do quão raras eram as oportunidades em que eu os via acompanhados.
- Só quando Richard quer que sejamos fotografados. - Foi quem disse. o censurou com o olhar firme. Decidi não prosseguir com o assunto, mas não sem prestar atenção no detalhe de que os meninos realmente nem costumavam utilizar de suas alianças. em especial, me despertava uma maior curiosidade.
A mídia o descrevia como extremamente apaixonado. E pra mim era extremamente estranho e solitário esse cara tão cheio de amor utilizar de uma amiga recente pra apresentar um trabalho em vez de sua namorada.

7 meses depois, dias atuais.
“Além de famosa, simpática, popular e talentosa, nossa convidada de hoje também é fã de One Direction. E para comemorar esse dia especial com os garotos, eu chamo .”

Nicole Scherzinger, Katy Perry e o Big Time Rush já tinham feito parte do "dia especial" dos garotos da One Direction, mas nenhum deles estavam tão nervosos como eu. Eu devia muito a essa banda e vê-los ali, completando mais um ano de carreira, era parte do meu sonho também.
Assim que entrei no palco, todos me aguardavam em pé. , e estavam ao lado direito da apresentadora enquanto e ocupavam o esquerdo. Havia uma cadeira vazia entre os dois, que presumi ser para mim.
Ignorei os olhares nervosos dos meninos. Em especial, o de . Já os conhecia o suficiente pra saber o quanto constrangedor aquele momento estava sendo.
Eu havia acabado de voltar de uma temporada nos EUA, e ainda nem tinha me encontrado com a banda. Estive muito ocupada fugindo de entrevistas, e confesso que primordialmente de e as lembranças de nossa última conversa.

Flashback - 2 meses atrás
- Por favor, não beije Tom Holland. - , um pouco bêbado, me disse e eu dei boas risadas.
Eu estava empolgada com minha pocket tour pelos EUA. Havia tirado folga aquela noite pra comemorar. E sim, tomei diversos drinques com meus dois melhores amigos em uma noite que no futuro renderia muitas risadas.
- Não posso te prometer nada. - Brinquei e ele desceu do carro me mostrando a lingua. Tentando não tropeçar.
- Qualquer um que você venha a beijar vai ser um cara de sorte. - Dessa vez foi que falou e o olhei com uma falsa indignação. havia descido da van e estavamos apenas eu e ele aguardando que os seguranças voltassem para nos buscar.
- , fiscal de bocas. - Brinquei. - Tom me dá mole há muito tempo. - Me lembrei de todas as oportunidades em que haviamos nos encontrado no passado.
- Eu te beijaria se você permitisse. - Ele disse, seus olhos fitando meus labios numa intensidade que eu jamais havia visto. Aquele momento era total culpa da ausência de sua namorada e muito alcool.
- Eu te beijaria se você não fosse comprometido. - Confessei, deixando que o álcool falasse por mim também.
- Você sabe que é falso, não sabe? - Ele me perguntou e eu o olhei confusa. Não estava com meus neurônios funcionando em sincronia. - Meu namoro. Mariah é mais um daqueles contratos de marketing que Simon insiste que funcionam.
Aquilo me deixou um pouco chocada. Durante meu primeiro ano de contrato com a SYCO, havia lidado com algumas imposições grosseiras da administração e minha assessora, mas aquilo nunca havia me passado pela cabeça. Eu já ouvi falar sobre essa coisa de contrato, mas acreditava ser uma situação que promovia apenas pares românticos do cinema. O amor vende. Nunca pensei que aquela realidade poderia se dar aos músicos também.
- Mas por quê? - Não pude deixar de perguntar depois de um tempo digerindo a noticia. Ele me disse que também não entendia. Os outros meninos também já tinham se envolvido em relacionamentos ficticios, descobri. Era um meio de vender a imagem dos garotos que eles apresentavam nas canções.
Toda a One Direction era muito jovem pra se prender as relações descritas em "Gotta Be You" e "Moments", por exemplo. Eles ainda estavam na fase de curtir a vida como "Up all night". Mas a imagem de garotos apaixonados funcionava e fazia os fãs se iludirem com a ideia de comprar e entender o álbum com mais atenção. Isso gerava stream nas plataformas musicais e logo, maior visibilidade a banda. Era doentio mas nada que o capitalismo não "normalizasse".
- Eu não sei o porquê. Mas gostaria que fosse você. - E por mais que eu caçasse seus olhos, ele não me olhava. - A gente se dá tão bem. Eu sequer conhecia a Mariah quando eles começaram a divulgar como boatos. Foi tudo muito estranho porque ela vive em um mundo completamente diferente do meu. E pouco tempo depois, eu conheci você. Já pensou se tivessem escolhido você?
- Eu não aceitaria algo assim, , me desculpe. Até mesmo sendo você. - Ele riu um pouco envergonhado. Eu sabia que ele também não aceitaria. E essa informação me assustava porque ele sequer tivera escolha. - É estranho te colocarem com alguém por contrato. É isso que você queria me dizer com aquela canção? Scripted?
- Em partes sim. - Ele confessou. - A canção foi mais uma metafora. Quando surgiu esse papo de contrato, Richard disse que eu estava sendo o menos focado na banda precisava de algum destaque, mas ele mesmo viu o quanto isso afetou nossos fãs negativamente. Foi terrível. E quando você veio trabalhar com a gente, aconteceu de novo, mas dessa vez eles estavam felizes.
- Isso é maluco. - Ousei dizer.
- Eu concordo. Essa coisa toda é. - Ele riu sem humor. - O pior é isso, nossos fãs te amam. E eu aprendi a enxergar em você o que leio todos os dias. E eu me sinto completamente acuado em ver uma mulher que realmente me desperta interesse passando pela minha vida sem que eu possa fazer nada. - Ele me pediu um momento quando pensei em interromper. - Acho que eu precisava desse momento de confissão. Nossa amizade foi uma das coisas mais importantes que me aconteceram no último ano, . Mas acho extremamente injusto que eu não possa me permitir experimentar o além disso. - Ele começou a encarar o colo, triste e meu coração apertou. Eu vivia o mais perfeito clichê do meu ídolo se declarando pra mim?
- Você acha que eles fariam isso com a gente, se tivessemos nos conhecido antes? Acha que daria certo? - Perguntei curiosa.
- Nunca precisei forçar nenhum sentimento com você. - Confessou e senti todo meu corpo se arrepiar. - Mesmo que fosse um contrato, acho que seriamos capazes de fazer isso funcionar de verdade.
- Eu também acho. - Com a recente descoberta, pensei alguns segundos em como seria se não houvesse esse impedimento entre mim e . Nós éramos grandes amigos, mas eu sabia que ele sentia a mesma chama que agora machucava meu peito. Eu sempre havia me prendido a ideia de que meu amigo já tinha alguém em sua vida e isso havia sim me privado de ter uma visão mais clara do que poderiamos viver juntos. - Se você se apaixonar por alguém nesse meio tempo, o que acontece? - Perguntei na esperança de que ele dissesse que poderia haver uma brecha naquele contrato.
- Se eu me apaixonasse... - Ele pareceu tomar cuidado com as palavras. - Bom, só me restaria tentar fazer com que ela não se afastasse. Mesmo que isso implicasse em ter que chamá-la apenas de melhor amiga.
E desde ali eu fugi o quanto pude.

Fim do flashback - Dias atuais

- Deve ser mesmo legal essa vida de popstar, não? - a apresentadora, Ellen Degeneres perguntou assim que sentei e voltei a minha realidade. - Quer dizer, além de famosa, gata e talentosa, você ainda têm a chance de estar sempre encontrando com seus ídolos. Como é essa vida de Directioner famosa? - ela riu e nós seis a acompanhamos.
- Já faz algum tempo que não vejo os garotos da 1D como meus ídolos inalcançáveis, sabe Ellen. Milhões de pessoas dariam tudo por estar no meu lugar, eu sinto a fúria delas diariamente em minhas redes sociais. - ri, mesmo não achando graça nenhuma. Só eu sei o quão difícil é suportar tanto hate na internet. - Ser uma "superstar" é super divertido, mas eu sinto falta de quando eu acompanhava os meninos de casa.
- Já faz algum tempo que ela não é nossa fã nem uma colega de trabalho, nós já somos muito amigos até. - sorriu e eu concordei.
- Pois é, e eu acho que não existe essa de "Directioner famosa" porque passamos por muita exposição. Eu tinha vários ídolos, e agora as pessoas me têm como uma. Ser fã é estar sempre sofrendo, na minha visão. Agora é tudo fácil pra mim, eu não sofro mais com boatos sobre um deles, não passo noites no meu fã clube esperando por uma música nova, nem posso chorar escondida em algum lugar porque uma letra se encaixou em um momento pessoal. Eu não tenho mais tempo nem de sofrer, eu simplesmente disco o número de um dos cinco e confirmo pessoalmente as coisas.
- Em resumo, ela nos ama menos porque finalmente pode ficar junto da gente. - todos rimos - Ela que é louca! - disse e todo o estúdio foi tomado por risadas.
- Tenho que concordar que nossa amada não é muito normal. - fiz biquinho e apertou minhas bochechas cheias de blush, me fazendo sorrir pra ele. - E antes de voltarmos a focar na boyband, vamos aproveitar que nossa estrelinha decidiu parar por aqui hoje. Vamos a uma entrevista rápida, depois vocês cantam um pouco, e então voltarmos ao programa especial. 4 anos hein, boyband!
- Pra você ver. - disse orgulhoso e eu sorri junto a ele.
- Bem . Nós já sabemos que você tem um álbum em andamento, tem a possibilidade de você ser jurada em um programa de talentos e que está muito bem solteira. - Os meninos fingiram comemorar e eu ri. - Vamos fugir então um pouco dos clichês. Você fazia um som bem diferente com sua banda no Brasil, né, bem mais focada no que conhecemos aqui como estilo alternativo. De onde veio essa ligação com o pop rock?
- Eu sempre amei pop, cresci ouvindo o estilo. Em todas as entrevistas da banda eu falava que minhas influências eram Beyoncé, Katy Perry, Rihanna, etc. Então não foi nada difícil pra mim. Quando a banda chegou ao fim, nós já tínhamos uma carreira fora do Brasil e eu já era apta a cantar em inglês. - respondi relembrando um passado não tão distante assim.
- E você continua amiga da ?
- É difícil encontrar com ela, mas a amizade permanece sim. Estamos em fases diferentes, já que ela optou por seguir a carreira de atriz. Não temos mais todo aquele contato, mas não conseguimos nos livrar uma da outra. - Tive que disfarçar um pouco minha resposta. As brigas entre e eu foram um dos principais motivos para o término da banda.
- A saudade deve ser forte né? Eu não me imaginaria sem meus melhores amigos. Mas você sente falta de estar em turnê com a Blitz?
- Um pouco, afinal foram mais de três anos na banda. Quando acabou, minha vida mudou completamente. O último show foi difícil, estávamos muito emocionados, especialmente com a última música. Desde então, eu nunca mais quis fazer um cover da Taylor Swift. - gargalhou, essa era uma história que havíamos dividido dias atrás. - The Story of Us têm uma pegada bem romântica, mas se encaixou total para a situação "fim-de-banda", e isso me deixa na bad.
- Isso porque você é maluca, . A coitada da Swift não tem nada a ver. - Verdade, e eu ri. Aliás, eu dou risada com qualquer coisa que essa mulher me diga. - Eu quero te perguntar muito mais, mas o editor está me barrando aqui, . E ainda temos que comemorar o aniversário dos meninos, não é? - ela falou com a plateia e uma multidão de gritos confirmou. - Então meninos, escolham a música que vocês vão cantar.
Me permiti apaixonar novamente por cada um enquanto eles cantavam One Thing.

Ellen se sentou mais proximo de nós e agora participaríamos, a One Direction e eu; de uma entrevista conjunta.
- Vamos começar logo após o intervalo. Vocês aí de casa tem um tempo pra prepararem e mandarem suas perguntas pra gente. Não se esqueçam de usar a hashtag #4Years1D. - com isso o programa foi interrompido e várias pessoas correram para o palco. Maquiadores, cabeleireiros, equipe técnica... Após as três mulheres que ficaram responsáveis pelos meus retoques saírem, levantei e corri em direção ao , que me segurou em um forte abraço.
- Senti sua falta. - ele disse e eu sorri, apertando-o ainda mais. Em meio a tantos shows, entrevistas e viagens, nossa amizade acabou ficando um pouco distante. E eu achava que seria assim para sempre, mas o destino me ama, e acabou incluindo no meio disso tudo, uma surpresa enorme que mudaria toda minha vida.
- Eu também senti. Muita! - me soltei e vi que se aproximava. - Você acha que devemos falar alguma coisa? Sobre a turnê?
- Simon não disse nada, mas acho melhor fazermos uma surpresa. Ele falou em fazer algo como foi o 'Big Annoucement, mas eu não sei se vai ser assim.
- disse que falaremos isso no final do programa. A noite serão anunciados os primeiros países da turnê, e já tem vários rumores sobre também. - disse.
- Eu mal posso esperar. - Sorri um pouco mais quando se aproximou. Os outros meninos se afastaram um pouco pra que eu e meu melhor amigo pudessemos conversar com mais privacidade. - Achei péssimo só conseguir parar pra te dar um abraço agora. - Ele me apertou com força e eu me senti em um filme clichê. Qualquer um desses musicais, onde a mocinha descreve o frio na barriga e vive des sorrisos bobos. Era o que ele despertava em mim.
- Estamos no meio do lançamento dos singles de verão. - Disse me distanciando do abraço e dos pensamentos que iam e vinham. - Esses dias foram corridos...
- Me desculpa por aquele dia. - Ele me disse. Assim como eu, a conversa da van ainda o assombrava. - Acho que disse muitas coisas que te assustaram.
- Estou muito animado. - disse se aproximando e nos tirando daquele momento. me olhou com carinho antes de se afastar. - Sete meses com a ! - ele e os outros comemoraram e então Ellen estava de volta, anunciando o retorno do programa.

- Estou vendo tanta coisa legal aqui. Selecionei algumas coisas e vamos começar por elas. - acenamos positivamente. - @Anne perguntou: "Como vocês conseguem não enlouquecer com tanto sucesso?". Ótima pergunta Anne, um beijo pra você.
- Eu acho que nós já éramos loucos sem toda a fama. - respondi e concordou rindo, pondo-se a falar em seguida.
- Não é nada fácil. Não esperávamos nada disso, é uma loucura! Estamos muitíssimo agradecidos pelo apoio que os fãs têm demonstrado. É incrível!
- A One Direction se apresentou nos jogos olímpicos de 2012 e a na abertura da copa desse ano. É diferente cantar para tanta gente assim? - Ellen perguntou enquanto imagens de ambos os eventos passavam no telão.
- Eu estava mais nervoso do que para a própria audição do X Factor. - falou. - Realmente havia o mundo todo assistindo, era uma responsabilidade gigante para mim e a banda toda.
- Sempre é legal se apresentar em casa, e para mim foi um bônus, porque eu inaugurei um evento no estádio do meu time (n/a: seja corintiana por uma fanfic). Futebol e música são realmente minhas grandes paixões, e eu ainda tinha minha nação toda ao lado. - Respondi alegre.
- Infelizmente, o Brasil foi eliminado e não foi o campeão do mundo. - meu loirinho favorito no mundo disse, e eu sorri triste como ele. - Mas em relação ao nervosismo, acho que já estávamos superando bem, na época.
- Eu acho que dá mais nervoso cantar em salas menores. Nos grandes estádios não vemos as caras das pessoas. Lugares pequenos nos deixam mais perto dos fãs e isso da medo. - sempre brilhante em suas respostas.
- Falando então em medos, temos uma pergunta da @canadian : "Se hoje fosse o último dia de vocês na terra, o que fariam?
- Eu visitaria meus amigos e família. - disse sorrindo. Ele sempre foi mesmo o mais responsável.
- Eu passaria o dia sozinho, pensando no que fiz de certo e errado, me desculparia com as pessoas e jantaria em um lugar diferente. - respondeu.
- Eu faria o mesmo que o . - respondeu e concordou.
- Eu viajaria para o Brasil e aproveitaria minhas últimas horas na praia. - eu respondi pensando nos meus parentes que lá estavam.
- Eu visitaria minha família e amigos também. – Foi a vez de . - Mas antes anunciaria nossa tour "On The Road Again", que inclusive a vai fazer parte... Seria um fim do mundo polêmico!


02 - Strip That Down

♪ Desde o dia que te conheci, você tirou meus pés do chão
Você sabe que eu não preciso de dinheiro
Quando seu amor está ao meu lado ♪


Não sabia se poderia estar falando sobre aquilo ao vivo. Mas ele parecia bem tranquilo.
- Vocês estão confirmando isso, no meu programa?! Vai chover audiência. - Ellen disse e todos rimos. - Bom, para quem esteve em um iglu, sem internet e tevê à cabo, poucos dias atrás, a One Direction anunciou uma nova turnê, a One The Road Again Tour, citada há pouco por . Pode parecer algo muito recente, já que eles acabaram a Where We Are no começo de outubro, mas com a meta "Cinco álbuns em cinco anos", eles têm mesmo é que serem bem rápidos.
- Nós realmente já nos acostumamos com essa vida corrida e agitada. - complementou
- Vocês têm duas músicas divulgadas e um possível nome para a abertura. - Ellen olhou significantemente para mim. - O que podem falar disso?
- Estamos tendo algumas reuniões para discutir várias coisas. A Where We Are foi como um aquecimento para a On The Road Again, mesmo que tenha sido uma tour grande. - falou.
- Como já estragou a surpresa, acho que podemos falar mais. - prosseguiu arrancando risos da plateia. - É verdade que a fará as aberturas, mas não sabemos realmente se será isso mesmo e nem se será só isso, porque não tem nenhum sentido. Ela já tem público o suficiente para uma turnê individual, então pode se dizer que vai ser um aquecimento pra quando ela for lançar algo sozinha.
- Nós ja vimos isso algumas vezes. A turnê feita pelos Backstreet Boys junto aos garotos do New Kids On The Block rendeu sempre uma plateia lotada, mashups divertidos e muitos sucessos. Temos o McBusted também, do pessoal do Busted e o Mcfly, que lançaram um hit muito legal recentemente, confiram na íntegra. Além de tantos outros espalhados pelo mundo. - Ellen disse, sempre linda e bem informada.
- Talvez seja isso mesmo. Pode ser que ela entre pra cantar com a gente e vice e versa. Tipo a turnê da Rihanna com o Eminem, da Beyoncé com o Jay Z, entende? - Ri baixinho empolgada. - Nós tocamos 23 músicas na última turnê, foi sensacional, e acho que isso irá se repetir na nova tour.
- O nome, On The Road Again, realmente fala da volta à estrada, da volta aos palcos, que é algo em comum; eles saíram da Where We Are, e a da banda. - Eu ri um pouco desconsertada.
- Tenho certeza que vai ser muito divertido. Não só pra nós, mas também para os fãs que poderão acompanhar tudo desde o show, até os bastidores. - eu disse, pronta pra soltar mais uma bomba. - Quem pediu pelos video diares dos meninos, foi atendido, e ainda ganharam uma nova louca para acompanharem!
- É muita coisa pra um programa só, gente. - Ellen disse e consultou o relógio. O programa estava no fim. - Mas nosso tempo está acabando, e eu sei que você está louco pra ir assistir o Especial Miley Cyrus na MTV. Bom, vai lá! Quem quiser saber mais sobre o programa ou nossos convidados, pode acessar o site do programa e nos procurar nas redes sociais.
- Obrigada, galera. - as câmeras foram desligadas. Tirei algumas fotos, dei alguns autógrafos. Posei para aquela foto que Ellen coloca em seu mural. Dei um beijo na Ellen, falei brevemente com os meninos, e corri para o camarim, pois estava muito cansada da correria que havia sido aquele dia.
- Vocês foram muito bem. - Richard quem disse. Toda a One Direction já estava ali. - A turnê está paralisando o twitter, é trending em todo o mundo.
- Eu já não aguentava mais segurar essa noticia. - confessou.
- Amanhã será um dia muito importante. - Foi Kellendria quem disse. Estavamos todos indo em direção a van. permanecia ao meu lado, calado como eu nunca havia visto.
- Tudo bem? - Perguntei e ele me disse que conversaríamos depois. E bastou pra que minha ansiedade não me deixasse respirar em paz até o momento em que nos sentamos nos fundos da van. Nossas conversas mais sinceras pareciam acontecer ali.
- Eu estou pensando em romper meu contrato com a banda. - Ele disse sem enrolar. O olhei assustada e na sequência conferi se mais alguem parecia ter escutado aquilo.
- Como é que é? - Falei um pouco mais baixo, na esperança que ele acompanhasse meu tom. - Você ficou maluco?
- Não sei se consigo mais lidar com isso, . - Me confessou. - Eu estou no meu limite desse relacionamento falso. Não aguento mais toda a pressão que tenho recebido de Richard e Simon. Eu quero cantar minhas musicas, viver minha vida. Tô exausto. Nunca me senti tão perdido.
- Ei, eu tô com você, . - Tratei de lembrá-lo. - Eu sequer posso imaginar como andam as coisas na sua cabeça. Mas eu tô com você. Hoje, amanhã e quanto tempo isso durar. - Seu olhar junto ao meu me despertava um instinto de proteção. - E eu sei que vou parecer extremamente egoísta dizendo isso, mas eu não suportaria essa tour se ela tivesse que acontecer sem você. É bonito eu dizer que estou vivendo um sonho, mas esse sonho só é possivel porque você está aqui comigo. Porque eu sei que não importa o que aconteça, eu vou ter você pra segurar minhas mãos e me trazer um pouco de confiança. - Eu segurava algumas lagrimas. A ideia de não viver aquilo com me dava um nó na garganta que eu não era capaz de aguentar.
- E isso é ainda mais dificil. - Ele também parecia segurar a emoção. - Eu não fui totalmente sincero na nossa ultima conversa, . - Ele fez com que seu olhar fugisse do meu. - Podemos conversar no hotel?
- Claro. - Respondi o abraçando. Eu precisava entender até onde ele ja tinha chego com essa ideia maluca, e uma conversa na van, com toda equipe presente, não havia como acontecer. - Eu vou até seu quarto.
- Vou estar te esperando. - Fechei meus olhos apoiada em seu peito.

Tomei um banho rápido assim que chegamos no hotel.
Me certifiquei de que Kellendria pensasse que eu ja estava dormindo quando peguei o elevador até o andar onde ficava o quarto dos meninos.
ja me aguardava na porta com o mesmo olhar machucado que tinha na van.
- Eu não sei nem por onde começar. - Ele sentou na cama. Me estiquei na poltrona ao lado tentando em vão criar uma imagem de confiança.
- Começa me falando desde quando você está com essa ideia. - Resolvi incentivar.
- Não faz muito tempo. Acho que começou com aquela nossa conversa antes da sua viagem.
- Não me diz uma coisa dessas. - Pedi. Saber que eu estava contribuindo pra desordem mental que estava acontecendo na cabeça de era um pedido mudo para que eu enlouquecesse também.
- Acho que quando disse que queria sair da banda foi um pouco de exagero. - Eu respirei um pouco mais tranquila com tal frase. Ele respirou fundo antes de prosseguir. - Eu só preciso saber que as coisas entre a gente não vão mudar após essa conversa. - Pediu.
- Claro que não, . - Falei convicta. - Falei sério quando disse que estou com você.
Ele levantou e foi até a janela antes de prosseguir. Era como se precisasse de uma luz também.
Desde que havíamos nos aproximado, descobri em mim o dom de ler as pessoas por suas expressões corporais. Eu tinha uma maior facilidade com essa dominio principalmente quando se tratava de ou . Ambos esboçavam a mesma reação quando estavam nervosos. Poupavam palavras mas carregavam olhares que falavam como mágica. A postura tensa, os olhos que encaravam sempre o horizonte.
Eu lia como quem lê Machado de Assis. Nunca sabia o que esperar. Ele sempre me dizia coisas com a boca que não condiziam com seu corpo.
Naquele momento, pelo contrario, eu conseguia enxergá-lo claramente. Perdido e assustado. Não consegui impedir meu instinto de proteção que me fez o abraçar pelas costas, meio sem jeito.
Ele respirava rápido. Nervoso. Assustado.
- ... - Voltei a incentivar. Pude ver seu olhar baixar pelo reflexo da janela.
Mais uma vez ele parecia estar em uma luta com as palavras em sua mente.
- Eu acho que comecei a misturar os sentimentos, . - Ele disse se afastando de mim. Respirei fundo, um pouco agoniada. - Eu estou confuso. Não sei em que momento deixei que nossa relação rompesse a barreira da amizade. Mas aconteceu. E eu não sei como lidar com isso. Não consigo te ver só como minha amiga. Eu sei que isso pode ser muito além e isso me deixa apavorado. - Seu olhar não encarou o meu por nenhuma vez e ele se mantinha o mais longe que podia - Desde nossa última conversa, eu não consigo deixar de pensar que você sente um pouco do que eu sinto também. Agora me diz, como posso passar uma turnê inteira lidando com um sentimento que eu não sou capaz de entender? - Ele finalmente me olhou. - Pior, um sentimento que eu nem posso tentar entender?
Respirei fundo novamente tentando conter o turbilhão de emoções que me rondavam. Eu não esperava que justo naquele momento fosse se declarar - de verdade - pra mim.
Não esperava que fosse viver um momento tão complicado.
- Eu não sei nem o que dizer. - Eu disse após um tempo. Ele soprou o ar com força.
- Eu só precisava te falar. - Disse. Seus olhos sem desviar dos meus por nenhum segundo. Dessa vez eu que encarava o horizonte.
Não era capaz de dizer nada. Não haveriam palavras.
A amizade que construimos era intensa. Eu confiava meus mais sinceros sentimentos a porque via nele um pouco de mim. Um cara apaixonado pelo que fazia, engolindo alguns sapos pra que conseguisse trabalhar com o que gostava. Por isso, ele não fez a minima menção de me seguir quando saí do quarto. Sabia que eu precisava de um tempo. sabia me ler tão bem quanto eu o fazia com ele. E eu fugi acreditando que sozinha seria mais facil de me entender. Na mais pura inocência de que minha solidão fosse capaz de me clarear as ideias.
Pela sacada do meu quarto, passei horas contemplando a lua que eu sabia que também tentava o distrair de seus piores pensamentos.


03 - Lights Up

♪ Todas as luzes não conseguiam apagar a escuridão
Invadindo meu coração
As luzes se acendem e eles sabem quem você é ♪


E então foram dois dias que eu tentava evitá-lo.
Depois da conversa no quarto, e eu não conversamos mais a sós e eu me afastava toda vez que ele tentava se aproximar.
apareceu de surpresa em meio a uma crise de choro que eu não soube controlar. E como um bom amigo, apenas me abraçou.
Desistiu de perguntar o que tinha acontecido após três tentativas. Passou uma hora apenas ali, presente.
Foi o tempo que levei pra ensaiar toda uma conversa. Talvez fosse a única pessoa capaz de me entender naquele momento. Eu sabia que essa distância estava machucando mais do que nossa última conversa.
Ele deveria pensar que eu estava indiferente.
E eu queria contar a confusão que ele havia causado em mim também.
Eu entendi seu desespero ao dizer que iria sair da banda, na manhã seguinte a nossa conversa. Meu primeiro pensamento foi juntar minhas malas, desistir de toda aquela tour e voltar ao Brasil também.
- Eu descobri o contrato de Mariah e . - Decidi começar. me analisava calmamente. Eu sabia que ele não iria falar até que eu indicasse que havia terminado. - Na verdade, ele me contou um pouco antes da minha viagem. - Consertei. - Eu passei vários dias assutada com isso, sabe, . Primeiro, como a Syco pode brincar com uma coisa dessas. E eu tentei entender que era apenas uma imagem ao publico. Não deveria ser uma coisa tão dificil de lidar. - Respirei fundo. Ele afagava meus cabelos com carinho. - Quando eu voltei, eu achei que tinha entendido. Pensei que havia me contado aquilo por confiar em mim. Era só mais um dos segredos de gestão que deveriamos carregar. Eu saberia lidar com isso e seguiriamos amigos. Seria uma piada interna. - Me permiti sorrir.
- Tem coisas que fogem do nosso controle, .
- Eu sei. Mas ainda assim, isso é terrível. - Prossegui. - É assustador. E então ele me disse uma coisa... me disse que queria sair da banda...
- O que? - me soltou por um momento.
- Ele estava nervoso. - Logo corrigi. - Não é uma ideia de verdade. - Ele indicou que eu prosseguisse, com uma ruga formada em meio aos seus olhos. Resolvi que precisava resumir a história para que ele não surtasse como eu havia feito dias atrás. - Ele me disse algumas coisas... Disse que não me vê só como uma amiga. Me disse que não entende o que sente por mim. Mas ele sabe que não pode se permitir tentar descobrir. - Fiz outra pausa. também parecia se esforçar pra entender. - Eu não consegui dizer nada. E desde então não conversamos mais.
- Eu não esperava isso. - Ele disse. - Quer dizer, é obvio que te admira, é bonito o quanto vocês se dão bem. Mas acima de tudo, ele te respeita. Confia em você. - Ele passou as mãos pelos cabelos. - Eu não consigo imaginar como ele deve estar nesse momento. Eu me sinto um idiota por não ter percebido algo assim...
- Não venha você se culpar também. - Sorri sincera, o atrapalhando. Ele não me devolveu o sorriso. Eu sabia que estava genuinamente preocupado com o amigo.
- Ele gosta de você, . - Ouvir aquilo em voz alta fez meu coração bater um pouco mais depressa. - Eu sabia! Você e esse seu jeitinho cativante só poderiam resultar em encrenca.
- ! - Tentei interrompê-lo. Entendi que no momento, era a vez dele de falar.
- Seja sincera comigo. - Prosseguiu. - O que você sente pelo ?
- Eu não estaria fugindo dele se soubesse. - Respondi. - Há dois dias atras, eu o via apenas como um amigo. Agora estou aqui, chorando por um cara que eu nunca nem beijei. - Ele riu.
- A primeira coisa que você tem que fazer é parar com esse choro. - me repreendeu. - Pra mim está mais do que obvia uma coisa que vocês vão demorar pra entender. Mas precisam descobrir juntos. Então você trate de ir conversar com ele. - O olhei assustada. Pra ele, as coisas pareciam simples.
- Eu não sei o que dizer pra ele. - Confessei.
- Então não diga nada. Seu silêncio não o faz mal. O que deve estar o atormentando é sua indiferença. - Ele me olhou nos olhos. - e tiveram uma briga ontem. No momento pareceu uma confusão qualquer, mas agora faz sentido o porquê de andar tão estressado. Você ainda é uma amiga, acima de tudo. Não o deixe pensar que perdeu isso também.
- Obrigada. - Agradeci tentando reordenar minhas ideias. Sabia que precisava mostrar pra que acima de tudo, eu estaria ali. Mesmo que isso fosse capaz de me confundir ainda mais.

Era três e pouco da tarde quando decidi finalmente ir ao quarto de .
Bati na porta ainda amedrontada. Ele demorou para atender, mas seu rosto se iluminou quando me viu.
Não pude controlar o impulso que fez com que eu me lançasse em seus braços. Aquele abraço foi capaz de me fazer sentir o peito doer de saudade. Eu não sabia que precisava tanto daquilo até finalmente sentir os braços de ao meu redor.
- Me desculpa por fugir. - Disse ainda apoiando a cabeça em seu ombro. Eu havia prometido a mim mesma que não voltaria a chorar, e naquele momento usava de todo meu auto controle para segurar as lagrimas. Ele não disse nada até me puxar e fechar a porta sobre minhas costas.
- Me desculpe por despejar tanta coisa em você em tão pouco... - Interrompi sua frase com um dedo em seus labios. Nunca que eu o deixaria se culpar por ter sido sincero. Eu que era fraca em lidar com emoções.
- Só cala a boca. - Pedi. Eu ainda não tinha palavras, mas senti-lo relaxar no meu abraço me deu uma pequena sensação de paz que eu não sentia a dias. - Vamos conversar? Dessa vez eu prometo que falo também. Você trouxe a tona uma conversa muito séria e acho que precisamos deixar tudo bem claro...
- Concordo. Como você tá? - Ele me puxou até as poltronas que ocupavam seu quarto. Afastei um pouco de sua bagunça e me sentei em uma delas.
- Bem confusa. - Confessei. - Você acabou com minhas noites de sono. - Ele riu. Se havia algo que eu fazia com facilidade, era abrir meus sentimentos pra .
- Me sinto vingado. - Respondeu com a mesma confiança. - Sei que você já mandou eu me calar mas eu ainda acho que preciso dizer umas coisas primeiro. - O olhei ainda sorrindo. Minha calma trouxe um pouco de sua confiança de volta. - Preciso concluir nossa conversa. , eu não quero que fiquemos numa situação constrangedora. Da última vez que conversamos, eu não esperei que você correspondesse a nada. Só te contei porque confio em você e confio que você vai continuar sendo minha amiga...
- É claro, . - Me pus a dizer também. - Eu sei que não fui justa com você. Sei que sou irresistivel e claro que em algum momento você iria se dar conta disso. - Ele riu concordando. Eu me sentia confortavel em brincar. - É só que eu nunca me dispus a sentir nada por você porque somos amigos. Nunca me permiti querer complicar as coisas.
- Nem eu. Se eu fosse me permitir escolher gostar de alguem, pode ter certeza que seria alguém menos complicado.
- Só para... - Pedi rindo mas ainda envergonhada. - Sabe... Com essa coisa de dizer que gosta de mim.
- Não há muito o que eu possa fazer com isso, . - Coçou sua nuca envergonhado também. - Mas também não é como se eu fosse viver pra escrever canções pra você ou algo do tipo. Pelo menos não conscientemente. Eu vou continuar respeitando nossa amizade acima de tudo. Só preciso que você colabore comigo também.
- Vou tentar ser menos sexy. - Pisquei forçando uma pose extremamente sensual. Ele me jogou uma almofada. - . - Chamei quando ele ficou quieto demais. - Obrigada por confiar em mim.
Ele não me respondeu, e nem precisava.

E então se passou pouco mais de um mês.
Quando finalmente nos demos conta de que a tour iria começar, foi complicado.
Eu ainda passava mais tempo na America e os meninos na Europa. Mas com a tour, tudo ficaria mais fundido e então seriamos nós todos por pelo menos 5x na semana durante mais da metade de um ano.
Lidar com havia ficado mais facil com o tempo também. Ter o seu melhor amigo afim de você pode ser muito benéfico, ainda mais ele, que sem querer movia mundos por mim.
Eu me sentia mal por não ser totalmente sincera com meus sentimentos, assim como era . A verdade é que minha razão sempre fora maior que a emoção. As vezes eu me chateava com as oportunidades que a vida insistia em me dar. Como hoje, quando encarei o complexo da 1D após alguns dias sem vê-lo.
Louis foi o primeiro a me ver, e quando o fez, correu até mim e me abraçou com tanta força que eu quase chorei ao sentir aquela delicia que era ele. Por alguma razão – que julgo se nomear TPM – lembrei-me da época em que nos conhecemos, e Louis usava roupas listradas e suspensórios. Já era lindo, mas nada se compara a ver esse homem com suas tatuagens a mostra, topete e camiseta de banda desfilando o homem maravilhoso que a puberdade trouxe a tona. Zayn, ele foi o segundo a me abraçar, mas me roubou um beijo no canto da boca que daria muitos argumentos às fãs que acham que eu tenho um caso com cada menino da banda. Vi Zayn passar por tantas fases que nem tive tempo de julgar uma favorita, mas em todas, ele estava muito sexy e era um dos homens mais bonitos que já vi na minha vida. O terceiro em meus braços foi Harry, e pro meu delírio ele estava sem camisa naquela tarde. Nossa intimidade me permitiu fazer com que ele desse uma volta e eu mordesse o lábio num gesto totalmente malicioso. Liam me fez girar no ar e berrou pro mundo ouvir que sentiu muito minha falta, e talvez seja ele o que mais sentiu mesmo. Nunca havia conhecido pessoa que me entendesse tanto pelo olhar quanto Liam Payne. E Niall? Bom, eu me derramei quando ele me abraçou e começou a me puxar pra dentro do complexo. Pra mim ainda era absurdo como nenhum desenho manchava sua pele, mas ele não precisava disso. Sempre amei tatoos, mas existiam pessoas que nem precisavam dela pra serem deliciosas e ele se aplicava totalmente a isso. Niall não era grande como Liam, mas me escondia totalmente no seu abraço. Eu me sentia em clara desvantagem junto a tantos homens absurdamente esculpidos por Deus. me puxou para um abraço mais forte, e só então me dei conta que em meio a todo esse devaneio, eu chorei um pouco. E nos braços dele, chorei mais ainda, feito uma desesperada que não conseguia passar tanto tempo sem os amigos que já entrava em depressão. Isso era eu nesse momento.
- Eu não to gostando de ver você assim. - disse, e o apertei mais.
- É só saudades amor, logo passa.
- Tá bom, amor. - Ele repetiu meu apelido carinhoso e eu sabia que ele iria sorrir o resto do dia por eu tê-lo chamado assim. Após um mês longe dele, descobri que nada mais me fazia falta quanto esse cara. Após um mês longe, cada dia mais eu insistia na maldita ideia de que queria ele pra mim, mesmo que nunca fosse capaz de confessar isso a ninguém.

Já em reunião, me passaram tudo que eu havia perdido sobre a tour. Datas, hotéis e outras coisas já haviam sido discutidas há muito tempo, e eu confiava na equipe o suficiente pra saber que não poderiam ter feito escolha melhor. Em duas semanas começaríamos a turnê da minha vida, e eu não poderia estar mais ansiosa.
Já era fim da tarde, quando todos se dispersaram pelo complexo, sobrando apenas e eu pela primeira vez naquele dia.
- Que tal a gente dar uma volta? - Ele, que estava jogado no sofá, levantou sua cabeça preguiçosamente, mostrando aversão à minha ideia. - Qual é , tá uma noite tão linda lá fora.
- E porque a gente não aproveita essa noite, sei lá, jantando na varanda. - Pediu. - Tem certeza que quer sair agora? Você acabou de dizer que não queria sair.
- Não, , eu não queria sair com o . - Respondi. - Se fosse dois meses atrás você estaria dando pulinhos por estar saindo comigo, o que aconteceu nesse tempo que te fez não me querer mais?
- Não é nada disso, . - Ele levantou do sofá, um pouco nervoso. - Eu só não quero ter que arranjar mais problemas a essa altura do campeonato.
- Eu acho que poderiamos chamar a Mariah pra sair com a gente também. - Tentei argumentar.
- Isso sim seria estranho. - Ele riu. - Esses dias ela até me perguntou se nós dois ja tinhamos ficado alguma vez?
- Eu e você? - Ele riu outra vez, concordando. - teria que malhar muito mais pra conseguir beijar essa boca aqui!
- Você só se faz de dificil porque sabe que eu não posso. - Concordei. Não tinha porque mentir logo pra ele.
- Bom, eu quero sair. Não posso perder meus últimos dias de folga trancada em uma casa. - Me levantei convicta. - Se não quiser sair, eu vou sozinha sem problemas.

Dez minutos depois estávamos andando pelas calçadas que cercavam o rio Tâmisa. Era realmente lindo ver a lua banhando as águas, mas ali não era meu destino favorito. Não porque o rio em partes me lembra do rio tietê, mas porque, os seguranças estavam nos levando até um bar que eu queria muito conhecer.
- Por que nunca viemos aqui antes? - Perguntei a , ainda deslumbrada com a beleza e simplicidade do lugar. Ele estava tão surpreso com o local quanto eu.
Um garçom nos entregou o cardápio e rumou a outra mesa, onde um casal nos encarava fixamente. Desviei meu olhar para o cardápio, mas pude ouvir um singelo barulho de fotografia, o qual tentei não dar muita atenção. Já estava quase acostumada a ser fotografada e em momentos como esse, sabia que nossos seguranças dariam um jeito para que não fossemos perseguidos por paparazzi.
- Acho que vou pedir uma sopa - parecia tão interessado no prato quanto eu. O garçom voltou, dessa vez menos sério que na primeira visita e levou nossos pedidos.
O que me incomodou não foi os fãs que começaram a se aglomerar muito rápido para pedirem fotos, mas sim a quantidade de fotos que parecia aumentar cada vez mais. Pedi pra que saísse primeiro, sem que tivessemos concluído nosso jantar, mas quando cheguei a van que me dei conta de que aquilo seria um problema muito grande no futuro.
- Não sei se poderíamos ter saído sozinhos. - Ele sussurrou nervoso. Eu sabia que ele não estava irritado propriamente comigo, mas não pude evitar o arrependimento que se abateu sobre mim. - Pode deixar que eu cuido disso.
- Nada a ver, . É culpa minha a gente estar aqui, então eu resolvo. - Então tive uma ideia pra tentar amenizar as coisas. Postei uma foto com a entrada do restaurante elogiando a estadia.

- E você achou que uma foto postada no twitter iria resolver tudo? Não pensou que isso simplesmente iria aumentar boatos e mais fofoca para a mídia? - Kellendria me perguntou e eu quis enterrar minha cabeça, porque foi exatamente o que eu pensei. Como alternativa para as fotos do meu jantar com , eu postei uma foto em meu twitter antes que qualquer boato surgisse de um encontro às escuras. Na minha cabeça, iria ser o suficiente para acalmar as fofocas, mas não foi.
- Ela não teve culpa Kellendria, fui eu que quis levar ela lá. - Ele tentou me defender.
- Claro que não, . Eu te convidei pra sair, não tem problema nenhum nisso.
- Acontece que vocês são dois irresponsáveis que nem pensam nas merdas que fazem. - Simon tomou a frente da conversa. - Você está em um relacionamento, , não consegue se contentar com isso?
- Grande relacionamento. - Fui eu quem disse. Simon me olhou no mesmo momento. Seu olhar me indicava que com certeza ele me mandaria pra uma tour com a Kelly Clarkson e a One Direction iria se tornar logo boas lembranças pra mim.
- Logo, é você quem vai arranjar um namorado. - Kellendria disse e a olhei instantaneamente.
- Mas é claro que eu não vou. - Simon ainda me encarava com seu jeito misterioso. - Eu vou sair daqui. - Avisei me afastando.
A última coisa que poderia me acontecer era eles terem a ideia de me arranjarem um contrato também.
- Você vai dar o melhor encontro da sua vida a sua namorada hoje. - Pude ouvi-los, falando com . Ele concordou, já tinha todo um contrato e tempo o suficiente pra lidar com isso. Eu jamais conseguiria. - Deem um jeito de levar a garota com a equipe nos primeiros shows.
- não tem que fazer nada. - Voltei a dizer. - Eu quis que saíssemos juntos, eu tirei e publiquei a droga da foto, é tudo minha culpa.
- Mas isso mancha a imagem dele, , não a sua. - Richard disse e eu me calei em respeito a ele. - É ele quem tem uma namorada, estão todos falando sobre uma suposta traição.
- Não aconteceu nada. - Senti que precisava confirmar. Naquele momento um sentimento muito ruim me invadia. Eu não queria ver tendo que sair com Mariah, muito menos sentir que ela participaria cada vez mais de nossas vidas. Mas eu não pude dizer nada quando os vi saírem naquela noite.
Eu já sabia há tempo suficiente que eles eram amigos, mas mesmo que fosse tudo de fachada, eu me incomodava com o carinho entre os dois. Invejava a cumplicidade que existia por ali.
Nossas fotos foram cada vez mais se tornando obsoletas, em questão das que e Mariah seguiram compartilhando pela semana. De alguma forma, a midia foi convencida de que estivera conosco no dia do restaurante, afastando de vez a ideia de que pudesse estar envolvido em uma relação comigo.
Felizmente, conviver com Mariah nos ensaios também acabou sendo facil. Além de bonita, era uma garota divertida e animada.
Uma atriz, ainda assim. Mas ela era natural.
Nada parecia forçado entre ela e . Mas ainda, a cada beijo que eles precisavam compartilhar, meus olhos eram os primeiros que ele buscava na sequência.
E eu jamais admitiria o quanto aquilo mexia comigo.



04 - Kill My Mind

♪ Você destrói minha mente
Mas traz meu corpo de volta à vida
E eu não sei o que eu faria sem você agora ♪


Finalmente era a semana do nosso primeiro show.
Acordei e logo saí do quarto, doida para marcar um dia de princesa em algum salão. Eu precisava de novas cores nas unhas, uma delineada na sobrancelha, uma mega hidratação no cabelo e colocar minha depilação em dia.
Falei com Kelendria sobre e ela agendou uma equipe para mim no dia seguinte. Parte boa é que eu nem precisaria sair do hotel.
Ainda era de manhã quando cheguei ao complexo da banda. Entrei no quarto maior e encontrei babando na cama. E eu que era a preguiçosa.
- Onde está todo mundo? - Perguntei a que parecia o único acordado a mais de cinco minutos.
- Acredito que estejam separando figurinos. - Fiz uma cara enjoada. O pré turnê estava sendo estressante. - Mas que bom que você chegou. Estou indo a casa de Gee, estava contando que você viesse comigo.
- O que eu ia fazer na casa da sua namorada? - O olhei questionando. Ele apenas riu.
- Agora que Simon quer as namoradas mais presentes, achei que seria legal vocês se conhecerem melhor. - Me animei. Seria mesmo legal ter novas amigas e por essa razão, não recusei o convite. - Kelendria me disse que você tem hora no salão amanhã. - A palavra depilação logo veio na minha cabeça e eu corei. - Ela esqueceu de te avisar que você tem uma entrevista pra hoje. - Já estavamos em seu carro quando ele me disse isso.
- O que? - Disse um pouco mais agudo e tirou o olhar da pista para me olhar um pouco assustado. - Poxa, me leva de volta pro hotel, eu não estou nem maquiada.
- Relaxa, eles vão fazer pelo telefone mesmo. Daqui a pouco devem te ligar.
- Mas, eu nem sabia de nada. Por que ela não me avisou? Nenhum resuminho sobre o que vão falar? - Questionei.
- Aquela coisa de sempre né. Com quem você está, onde está, se está namorando, compondo atualmente. - Ele riu e me olhou com carinho. - Pode ser que eu tome o telefone da sua mão, não gosto de perder o centro das atenções. - Rimos.
- Está certo.
Chegamos rápido até a casa de Gee. Ela era bem divertida, trabalhava como personal trainner, o que infelizmente a rendia pouco tempo livre. Ela era ainda cinco anos mais velha que , um outro pensamento sobre o mundo, e não éramos melhores amigas no mundo, mas eu a adorava porque ela o fazia muito bem. Eu ainda me lembro do antes da Gee e era essa razão pela qual eu tanto amava essa mulher. Não sabia se havia um contrato ali ou não, mas que eles se amavam era obvio.
Acabamos conversando pouco. Coisas relacionadas a trabalho, todo o papo que me fazia entender porque ela e eu não éramos tão próximas assim. Esse não era meio que meu ideal de “tarde divertida”, mas eu devia isso ao meu amigo.
Já estávamos ali a mais que uma hora quando meu celular começou a tocar. A rádio ainda estava offline enquanto começamos a conversar, e foi o tempo que levaram pra me instruir sobre a entrevista: Ao vivo, portanto, sem palavrões e nos poupem de detalhes.
- E agora, temos , via telefone, direto da casa da namorada do , da One Direction. - Achei estranho tanta informação. - , , se estiverem aí nos mandem um oi bem caloroso.
- Hey! - disse.
- Boa tarde. É otimo estar aqui com vocês. Como vão as coisas por aí, Mark? - Fingi conversar com o apresentador do programa.
- Tudo certo aqui, , e aí? O que vocês estão fazendo?
- Vim dar uma folga na casa de uma amiga. - Brinquei. - Ficar cercada de membros da One Direction cansa um pouco.
- E nada melhor que se distrair dos membros da One Direction saindo com um deles. - palpitou e todos riram. Ainda não entendia porque ele estava se metendo na minha entrevista.
- Na America é assim, pedimos por um famoso e vem outro de brinde. - O Mark riu.
- Só posso dizer que vocês atrapalharam algo bem intimo, Mark, meu amigo. - disse e eu fechei a cara instantaneamente. Gee riu ao fundo, mandando um ’”to de olho” ao seu namorado, que parecia bem mais solto que o normal. Já não basta todos os rumores //Mariah, ele quer arranjar treta pro romance dele também?
E em resumo, foi uma entrevista difícil, o que me fez anotar mentalmente que essa foi a primeira e última entrevista de e sozinhos.

- Qual é, , eu só estava brincando um pouco. - Estávamos entrando de volta ao complexo dos meninos. Eu estava, literalmente, puta da vida pela entrevista e pela tag #And cheio de piadas no twitter. Acontece que ele tinha total ultrapassado os limites da falta de noção, brincou com o que não devia e acabou deixando uma situação super desconfortavel. Ele não poupou piadas e suas brincadeiras durante toda a minha entrevista.
- Você devia guardar suas piadinhas pra você, seu sem noção. Eu só não te bato agora porque senão é capaz de você postar algo como "tapa de amor não arde" e deixar a internet pior do que já tá!
- Eu postaria mesmo. - Ele riu, mas agora parecia mais nervoso. Eu estava com raiva. Precisava me distrair, por isso logo bati os olhos pela casa procurando o desgraçado do meu melhor amigo. Tomei um susto quando senti me abraçar. O que tá acontecendo com essa banda hoje, que não me larga?
- Você precisa de um sorvete pra se acalmar. - Ele disse e me aconcheguei melhor em seus braços. Se tinha uma coisa que me fazia bem, era o abraço desses guris. Exceto o do , por hoje.
- Maracujá, pra acalmar a mocinha. - pediu já na sorveteria que ficava proxima, e eu me sentei, ocupada lendo tweets pelo celular dele. Havia algumas pessoas ainda na porta do estabelecimento, tínhamos tirado fotos com elas, mas acho que ainda buscavam um autografo. Havia alguns fotógrafos também, mas isso infelizmente ja era normal.
estava meio estranho também, parecendo querer falar alguma coisa e não ter palavras. Olhava impaciente ao redor enquanto aguardava nossos pedidos.
Tirei uma foto minha, e como gostei do resultado, dei uma de invasora e postei no twitter dele mesmo. Segui alguns fãs que estavam com seus "Follow me , I love u 1238623" diários, mas parei quando mensagens começaram a fazer o telefone vibrar na minha mão, e me deparei com não só uma, mas duas mensagens de Kelendria perguntando se ele já tinha pensado onde ia levar a hoje. E lendo a conversa um pouco mais entendi tudo. O passeio inesperado com , sorvete com o , o dia todo afastada do . Claro que era um plano esse tempo todo, um plano para que parassem de me associar exclusivamente ao e me ligassem a toda a banda! Isso não foi o que me fez sentir pior, o que mais doeu foi saber que esses idiotas sabiam e estavam jogando comigo.
- Seu sorvete. - Ele se atrapalhou quando joguei celular, sorvete e quase ele de qualquer jeito na mesa. – Calma, amor, seu problema é com o , né?
- Não, . - Levantei, contendo a minha vontade de chorar já quase transbordando sob meus olhos. - Meu problema é com vocês brincando comigo. Quando iam me contar que Kelly está forçando vocês a sair comigo? - Ele sentou. Tarde demais, eu já estava em pé, pronta para correr e me jogar na cama da minha casa-hotel até minha mãe chegar do Brasil e ficar me fazendo carinho.
- Não é bem assim, . A gente só achou que...
- Que era certo?! – Completei. – E vocês iam contar quando pra mim? Era facil, era só dizer que precisavam sair comigo, era só dizer que precisavam provar que o que e eu temos é só amizade... Eu iria com vocês, vocês são meus melhores amigos, achei que confiassem em mim... Que eu podia confiar em vocês. - Tentei falar baixo, para não atrair muita atenção, e isso só fez com que eu chorasse mais. estava com os olhos perdidos também.
- Kelly disse que você surtaria se soubesse. A gente nem pensou direito, linda. Sei lá, era só a gente sair, tirarem umas boas fotos e tava tudo certo. - Ele estava arrependido. Assim como estava, quando chegamos em casa. Eu sabia que eles também eram injustiçados, forçados a fazer algo por que mandaram. Mas eles deviam ter me contado.
Já no complexo, acabei esbarrando num , que logo começou a falar que nem besta, coisas como "Kelly queria que ele me levasse para jantar na noite seguinte e que como isso seria baixo comigo." Comecei a chorar um pouquinho mais. Era isso que os meninos deviam fazer. Confiar em mim, me contar o que estava acontecendo. Fechei a porta com tudo na cara dele, pronta para morrer chorando de desgosto e desapontamento.
Mas quem pensou que ele fosse me deixar chorar em paz se enganou. Mal me joguei na cama e lá estava de volta.
- também não te contou, né? - Ele deduziu, e eu olhava pra janela tentando não chorar mais. - O cérebro desses dois só funciona quando eu e estamos por perto. Eu tenho certeza que eles não pensaram direito, . Nem fizeram por mal ou porque não se importam contigo, você sabe que é muito importante pra gente. Eles só não tinham as boas mentes do grupo pra auxiliar eles a agirem direito. - , anjo protetor do céu, da terra e da 1D disse.
- Você sabe que eu vou perdoar eles em menos de cinco minutos. - Ri, já menos nervosa. Como disse, o abraço da One Direction me faz bem. - Mas minha cabeça ta uma bagunça também. Eu não quero que ninguém controle minha vida assim.
- Eu ja perdi a conta de quantas vezes me senti assim. - confessou. - Acuado, sem saber o que fazer. Sem poder estar com quem eu realmente gosto. Quando a gente pensa que está tudo certo, lá estão eles nos controlando novamente. Eles tem pego muito no pé de . Acho que todo mundo já percebeu que vocês se gostam de verdade.
- O que? - Perguntei um pouco desesperada. - Eu não gosto do . Quer dizer, somos amigos... - Corrigi. - Mas é isso, só isso.
- O que eu sei é que você nunca vai assumir que é tão cadelinha do quanto ele é de você. - Ele brincou. Eu não achei nenhuma graça.
- Se ele não namorasse, talvez eu pudesse gostar dele assim. - Disse a mentira que eu havia por tanto ensaiado.
- Eu não namoro e nós não temos a metade da intimidade que vocês dois tem, . - Me respondeu entre risos. Era um argumento que eu nem tinha como rebater.
- Ja disse, que tudo seria diferente se ele não tivesse esse namoro com a Mariah. - Confessei. Fui interrompida com e entrando no cômodo também. pareceu entender que aquele assunto seria encerrado por ali.
- Como você tá? - me perguntou me puxando pra um abraço.
- Ainda com raiva. - Respondi. - Já ta sabendo o que andam fazendo com a gente?
- Quem manda você ser irresistivel. - Ele respondeu sussurrando no meu ouvido. Não pude deixar de soltar a melhor gargalhada do meu dia.

No final da noite, estavamos todos reunidos na sala. Era uma das últimas oportunidades que teríamos de beber e nos comportarmos como adolescentes irresponsaveis.
Modestia a parte, , e eu faziamos isso muito bem. Não lembro quanto tempo demorou pra que estivessemos embriagados e rindo muito além. Mas além de tudo, havia descoberto que Mariah era absurdamente fraca pra bebidas. Ela ria alto com a companhia de .
- Para onde vocês iriam, de verdade, se hoje fosse o ultimo dia de vocês na terra? - perguntou. Logo lembrei da entrevista em que tivemos que ensaiar essa resposta.
- Eu transaria até não conseguir mais me movimentar. - disse e não houve uma pessoa ali que não teve uma crise de risos.
- Você é um tarado. - Eu não pude deixar de comentar. Naquele momento, me dei conta de como minha vida sexual andava pacata, e já havia muito tempo.
Olhei para Mariah se divertindo com e . Completamente alheios a situação, eles pareciam ter suas proprias piadas também.
Então me permiti olhar pra com um pouco mais de luxúria. Eu estava sentada no sofá menor, e ele no tapete, abaixo dos meus pés. Também ria das respostas que os meninos davam ainda a questão, mas por nem um segundo, consegui desviar meus olhos dele.
era absurdamente o cara mais gostoso que eu já havia visto na minha vida.
E não só por ser bonito. Tudo o que ele fazia era extremamente convidativo e apaixonante. Seus olhos olhavam de maneira intensa. Suas costas largas eram um convite a perdição. E sua boca, tinha os mais perfeitos labios. Me doía o quanto que eu queria prová-los.
O abracei sentindo meus seios roçarem por suas costas. Ele desviou o olhar pra mim, sorrindo de maneira inocente. Não fazia ideia de como meu corpo estava respondendo aquele toque.
Mas senti que ele se arrepiou quando deixei um beijo discreto em seu pescoço. Ele segurou minhas mãos que escorriam por seus braços no mais sincero carinho.
- Não faz isso. - Me pediu. Corri meus olhos pela sala, vendo todos ainda ocupados, cada um em seu momento.
- Eu quero te beijar. - Confessei, me afastando e voltando a posição ereta no sofá. Ele se virou todo em minha direção, suas mão afastando seus cabelos para trás.
Cochilei no sofá sem sentir seus olhos me abandonarem por sequer um segundo.

Acordei pouco mais de duas da manhã. No outro sofá, dormia e no tapete cheio de almofadas, . Os outros deveriam ter procurado uma cama de verdade.
Andei pela casa no mais perfeito silêncio até chegar a cozinha. Minha cabeça doía como eu não sentia há tempos e eu sabia perfeitamente que a culpa era de ter misturado vinho com outras coisas.
Enquanto caçava por um remedio, senti alguém se aproximar e nem precisei olhar para saber que era .
- O álcool ja foi, só ficou as dores agora. - Ele me abraçou e eu ri. Sua voz sonolenta era ainda mais gostosa.
- Vem cá, mocinho, vou cuidar de você. - Continuei a procura por algo que pudesse nos livrar de uma enxaqueca. - Eu não gosto desse coiso. - Fiz um biquinho o oferecendo um comprimido de dipirona.
- E eu não gosto de você resmungona e com ressaca de manhã. - Me ofereceu de volta a cartela. Eu ainda tinha esperança de encontrar outro remedio.
- Eu tomo depois de você, vai. - Teimei e ele sabia que eu faria isso. Ele me serviu um copo de água e finalmente pus fim aquela batalha contra o comprimido. - Tô totalmente arrependida de ter bebido ontem.
- Arrependida de tudo? - Me perguntou. Corei pensando na parte em que havia dito que queria o beijar.
- Mais ou menos. - Me afastei. - Eu sei que já tinha prometido não brincar assim. Mas você é adorável. - Tentei usar uma palavra menos carregada de emoção. - A mulher que não quiser te beijar é maluca.
- E você falou aquilo porque quis ou por conta do alcool? - Ele voltou a se aproximar de mim. A bancada da cozinha nos permitia ficar perigosamente proximos, e a cada passo dele, eu sentia que iria me fundir a pia.
- Eu ainda quero. - Confessei fugindo dos seus olhos que buscavam o meu. Ele apoiou uma de suas mãos na minha cintura, enquanto a outra se ergueu até meu rosto. - Mas não vou. Sai de perto de mim, .
- A gente pode fazer isso uma vez. - Ele ignorou meu pedido. Olhava meus labios enquanto mordia os seus. Eu ri antes de empurrá-lo, pronta pra seguir meu caminho de volta até a sala. Fui mais uma vez impedida por seus braços que me abraçaram por trás. Ele beijou meu pescoço exatamente como eu havia feito mais cedo.
- , não complica as coisas. - Voltei a pedir. Eu não podia negar o quanto queria aquele beijo, mas tinha consciência que por melhor que fosse, ele só ia resultar em mais uma nova encrenca. Ao mesmo tempo em que eu desejava que acontecesse, eu me agarrava a ideia de aquilo seria mais perigoso do que divertido. Porém ele beijando meu pescoço era covardia.
- Um beijo... - Ele ainda me abraçava. Girei meu corpo encarando seus lábios. O puxei para mais perto e deixei que meu nariz acariciasse o dele, tentando conter o arrepio que ia da minha mandibula até meus pés.
- Boa noite, . - O deixei pra trás procurando definitivamente um lugar que eu pudesse descansar.
Haviam muitos quartos no complexo, mas com na sala, senti que era a oportunidade perfeita de me esticar numa cama confortável de verdade. Me tranquei no quarto pra que minha vontade de beijar não me fizesse levantar como uma sonâmbula.
Demorei horas pra fechar os olhos e saí do complexo muito cedo no outro dia. Disse a Kellendria que estava ansiosa com meu dia de princesa e ela conseguiu adiantar a equipe. E quando cheguei ao meu hotel, realmente funcionou, consegui usar de toda a manhã pra me distrair dos pensamentos que me levavam até a cena da cozinha.
Não queria que pensasse que estava brincando com ele. Eu realmente queria aquilo, mas sabia que beijá-lo jamais seria a coisa mais sã a se fazer.
Deixei meu cabelo um pouco mais curto. Agora eu tinha uma franja alongada também.
Me senti um pouco mais como as meninas que a One Direction namorava.
Gee tinha os cabelos curtinhos, como os da Ashley Greene em crepusculo. Era alta como a atriz também, tão bonita quanto. Eu costumava admirar como ela e formavam um par impecável.
Mariah era mais baixinha. Seus cabelos também curtos, porém loiros, pareciam combinar perfeitamente com a figura de mulher ideal para em sua fase mais badboy.
Ambas eram perfeitamente moldadas para serem tudo que as fãs criavam em suas fanfics. Bonitas, simpaticas e inteligentes. De uma forma que eu sentia que deveria trabalhar em mim também. Não para ser mais "a cara da One Direction", mas porque elas eram realmente mulheres de causar inveja.
Eu ainda estava no hall com algumas fãs quando Mariah surgiu. Sempre impecável. Passou por todos os seguranças e veio em minha direção enquanto eu a admirava discretamente.
Era uma mulher que mexia facilmente com minha sexualidade.
- ? - Ela me chamou já ao meu lado. - Tudo bem por aqui? Tem muitos fãs lá fora.
- Elas estão aguardando os meninos que prometeram voltar. - Respondi. Tinha visto a banda subir há pouco tempo. Estavamos um pouco mais proximas desde ontem. - Os fãs fazem isso com você também? - Perguntei. - Te pedindo fotos, autografo...
- Muitas vezes. - Ela riu e a acompanhei. - Acho engraçado. Mas na maioria das vezes ainda sou "a namorada do da One Direction". Se aproximam mesmo pra perguntar de vocês...
- Tenho passado por isso também. - Ela me olhou sem entender. - Se aproximarem de mim pra perguntar da 1D.
- Sério? - Pareceu genuinamente surpresa. - Na maioria das vezes, me perguntam de você. - Me confessou. - Se somos amigas e tal. É engraçado ver os fãs perguntando com qual dos meninos você costuma dormir.
- O que? - Perguntei sem humor.
- Você já pensou em ter algo com ? - Estavamos quase no bar do hotel. Eu iria tomar um suco mas depois da pergunta quase pedi que o garçom me embriagasse.
- Claro que não! Você... Ta maluca?
- Eu vejo muita quimica em vocês dois. - Ela prosseguiu, rindo do meu desespero. - Ele me disse que você sabe que não temos nada de verdade.
- Ainda assim... Não. - Me sentei proximo ao balcão. - Aliás, eu sou amiga dos meninos. De todos, só amiga.
- Vou te contar uma coisa. - Acenei positivamente. - Eu já fiquei com uma vez. - Minha boca foi ao chão. Eu sabia que ela e nunca haviam passado dos bons beijos cinematograficos, mas a nova informação congelou meu cerebro. - Não dormimos juntos nem nada, e foi antes de toda essa coisa de contrato. Quando eu voltei a conviver com a banda, foi meio esquisito, mas hoje somos amigos.
- Como eu posso não surtar com uma noticia dessas? - Disse entre risos. Ela me acompanhou. - Isso é estranho. Até pro ... Você já pensou em ter algo com ele? - Usei de sua propria pergunta. Ela não me respondeu com palavras, mas acenou com a cabeça que sim. Aquilo ficava cada vez mais complicado. - Como foi essa coisa do namoro? Por que não colocaram você com ? - Resolvi perguntar.
- Richard é amigo dos meus pais, de longa data. - Começou a explicar. - Quando eu comecei na carreira de modelo, ele fez o que pode pra me colocar nos melhores desfiles, me apresentou a muitas pessoas. E então ele começou a trabalhar como assessor da One Direction. Em uma premiação, ele me convidou pra estar lá com a banda. Nada demais. Nesse dia e eu ficamos muito proximos, acabamos bebendo no after party e trocando uns beijos. Nada que ninguém visse. No dia seguinte, Richard me procurou com a proposta do contrato, e claro, estar com alguém da boyband do momento me traria mais visibilidade. Eu topei, achei que tivesse dito algo sobre a ultima noite, então eu dei minha palavra a ele, disse que iria pensar, mas de toda forma, ja tinha aceitado.
- Ele não te contou que seria com ?
- Ele contou depois. - Baixou seu olhar. - Eu estava tão empolgada, tinha certeza que aquilo havia sido um pedido de . Quando ele me contou que o namoro seria com , eu já tinha dado minha palavra pra ele. E ele havia feito tanto por mim que eu nem consegui voltar atrás. Fotos minha na premiação já estavam rolando, então foi só me seguir no instagram pra coisa toda começar. Foi tudo muito rápido.
- Não sei nem o que te falar. - A banda e seus adjacentes costumavam me deixar sem palavras com grande frequência. Por conta de sua sinceridade, resolvi confessar minha resposta a sua pergunta. Busquei toda confiança que tinha em mim pra dizer. - Eu já quis ter algo com sim. Nunca me permiti perguntar se durante esse contrato ele ja tinha tido algo com alguém. Nós trabalhamos diretamente juntos, isso seria ainda mais complicado.
- Eu até saí com alguns caras. - Ela me disse. - Mas nunca soube nada além do caso dele com algumas fãs, há muito tempo. É complicado.
- Por isso você perguntou se eu já quis ter algo com ele. - Ela acenou que sim.
- merece alguém pra ter essa intimidade. Mesmo que seja escondido.
- Espera aí. - Uma coisa se passou pela minha cabeça. - Você e o ...
- Não, , mil vezes não. - Se defendeu. - Na verdade, eu até queria... Acho que se você e tivessem algo, até facilitaria pro meu lado, mas...
- Você e ! - A interrompi. Era nitido que Mariah não era apaixonada nem nada do tipo, mas saber que ela seria capaz de me ajudar a ficar com parecia interessante. - Eu quase beijei ele ontem. - Contei. - Você agora surgiu como um diabinho no meu ombro me incentivando a fazer o que eu não devia.
- Pode ser que o que eu tenha com seja apenas tesão acumulado. - Me disse. - Eu jamais conseguiria transar com . Não por achar que ele não seja interessante, mas ele nunca fez meu tipo. Depois que ele contou que era afim de você, então... - Eu corei, como sempre fazia. - Era como se dividissemos um segredo. E eu quero ser sua amiga, , de verdade, não porque tecnicamente trabalhamos juntas, mas porque admiro você. Modestia a parte, você é absurdamente maravilhosa. é sortudo por você corresponder a isso.
- Você ta tentando me levar pra cama também? - Brinquei.
- Não duvide disso. - Ela piscou charmosa. Eu gargalhei. - O que quero dizer é que não ligo se você me meter um par de chifres. Acho que de você, posso aguentar.
- Definitivamente, cada dia que passa eu percebo que sou só cercada de malucos. Se eu subir e der um beijo em agora, quanto tempo até você se resolver com ?
- Acho que vou precisar contar com sua ajuda um pouquinho. - Pediu. - segue tudo que Simon e Richard mandam. Depois do anuncio do namoro, nunca mais conversamos direito, sabe. Eu não sei o que se passa na cabeça dele.
- Conte comigo. - Respondi e ela me abraçou empolgada. De todas as conversas malucas que eu já havia participado na vida, definitivamente essa estava no topo. - Afinal, quem sabe dessa coisa de contrato?
- Bom, a One Direction toda sabe. Simon e Richard. Acredito que sua assessora e toda Syco também.
- Seus pais, não sabem?
- Eles dariam com a lingua nos dentes. - Confessou. - Um amigo meu sabe. Nós costumávamos sair algumas vezes no começo... - Ela seguiu falando algumas coisas, mas eu só tentava conter a vontade que ela havia me despertado de correr até o quarto de e acabar com a agonia que vinha sentindo desde nosso ultimo flerte. - Enfim, amei seu cabelo. não vai te poupar de elogios.
- Eu acho que preciso subir. - Avisei. Ela me olhou empolgada.
Corri até o elevador. Quando saltei no andar do quarto dos meninos, conversava animadamente na porta de . Cômico, pensei comigo mesma.
- , uau. - me fez girar. Meu cabelo recém escovado balançando de um lado pro outro. - Já te disse, você fica cada dia mais irresistivel.
- Pelo amor de Deus! - fingiu vomitar.
- Já sei que prefere as loiras, . - Disse o que só eu pude entender no momento. Ri com o pensamento. - Na verdade, to procurando . Vocês o viram?
- Acredito que ele não tenha voltado do complexo. - me respondeu. Fitei seus labios com um pouco de atenção. Ele continuou a dizer algo que não entendi muito bem. - ? - Chamou minha atenção.
- Ahn? Sim.- Tentei disfarçar. - Hmmm, vou procurar por ele, nos vemos mais tarde. - Saí apressada. Subi até meu quarto tentando conter minha vontade de avançar em . Toda minha conversa com Mariah havia sido muito emocional, então precisava conversar com alguem que me fazia ativar todas as minhas barreiras. Se eu fosse capaz de conversar com , seria capaz então de tentar algo com .

Hoje teriamos uma confraternização com toda a equipe. Me arrumei um pouco mais pela data, e por ser cedo, tentei ser discreta quando fui até o quarto de .
Ele e pareciam duas garotas empolgadas se arrumando. Eu amava participar desse tipo de momentos.
- Preciso falar com vocês. - Disse chamando a atenção. - É sério. Vocês podem me zoar depois que eu acabar. - Pedi.
- Vou até me sentar. - me olhou rindo. o copiou. E então minha coragem foi embora. Estava prestes a mudar de ideia, mas pensar em como deveria estar impecavelmente lindo no quarto ao lado, trouxe de volta as palavras que eu havia ensaiado durante a tarde.
- Mariah e eu conversamos hoje. - Comecei a dizer. - E eu to quase convencida de que posso ficar com escondido.
- Você o que? - Nenhum dos dois pareceu entender. Confesso que havia falado baixinho de proposito. Parecia divertido na minha cabeça.
- Ontem eu quase beijei o . - Voltei um pouco mais a historia. parecia se divertir em me ver assumindo pra ele algo que eu já havia negado tantas vezes. - Eu gosto dele, ta bem? Acho que podemos ter algo escondido.
- Escondido de quem, pelo amor de Deus? - se divertia também. - O mundo todo acha que vocês se pegam. Você só vai tornar isso real.
- Bom, ainda não é real. E eu jamais assumiria algo assim sem ter um ponto. Foi a Mariah que me pediu que desse uma chance pra ele.
- , chega de negar... - incentivou. Inconscientemente eu já estava a culpando sem querer.
- É que é complicado assumir isso. Eu to contando pra vocês porque vou precisar de ajuda.
- Você quer que sejamos seus cumplices nisso?
- Foi escolha de vocês dividirem quartos de hotel.
- E você já está me pedindo privacidade pra transar? - , que dividia o quarto com muitas vezes, disse.
- Eu tô pedindo só que vocês me apoiem, . - Corei. - Eu não sei nem se vai entrar nessa de ser, sei lá, meu amigo colorido.
- Ah sim, ele vai negar, com certeza. - provocou.
- Enfim. Vou contar pra ele hoje. O que to dizendo é que nem Richard, nem Kellendria, nem ninguém pode saber...
- Vai ser divertido brincar com a cara deles. - riu. Contei também das coisas que Mariah havia me dito sobre ela e . Por um momento foi bom saber que os meninos acharam tão novidade quanto eu.
Quando descemos até o espaço de eventos do hotel, Mariah e já estavam lá em seu mais perfeito teatro de casal feliz. O pensamento de que eu poderia vir a ser uma amante me fez companhia durante a noite.
A confraternização foi toda gravada e seria utilizada para o primeiro diário de bordo que a boyband havia se proposto a compartilhar com os fãs. A proposta é que fossem videos diários, mas com a ascenção do Instagram e seus stories, por ali era muito mais facil.
Ja no fim da noite, me permiti observar as estrelas. O terraço do hotel era um espaço lindo e aquela noite estava sendo quase perfeita.
Contemplei a lua e a cidade. As ruas estavam cheias de gente, era uma noite agradavel. Aquele ambiente era romântico.
Procurei por , ansiosa pra compartilhar daquele clima com ele.
Como no mais perfeitos dos clichês, ele não estava ali. Nem Richard, nem Mariah. também não estava.
Voltei ao meu quarto frustrada. Mas quando peguei meu celular, entendi o porquê.
O assunto mais comentado no twitter era e Mariah, que haviam acabado de ficar noivos.

- . - me chamou. Eu podia ouvir sua voz sussurrar por trás da porta. - .
- Não estou. - Disse abrindo a porta. Ele entrou, ainda arrumado da festa. - Que é.
- Você estava sabendo dessa história de noivado? - Me perguntou. Apenas neguei com a cabeça. - Você acha que Mariah sabia?
- Isso também não me importa. - Respondi desanimada. Aquela noticia havia me surpreendido não pelo fato de ser tão repentino, mas por ser tragicamente inoportuno.
- Você não vai desistir, né? - Me perguntou. Eu nem sabia o que responder.
- Você acha que eu devia? - Me agarrei ao unico fim de esperança que tinha. era meu cerebro e toda minha razão naquele momento.
- Claro que não. - Respondeu-me. - pediu que eu te chamasse, aliás.
- Foi? - Tentei conter minha animação. - . Eu to muito chateada com isso agora, capaz de eu ir lá e estragar tudo.
- Você que pensa. - Ele riu. - Por favor. Foi um passo dificil pra ele também, mas é só um novo titulo. Deve ter acontecido algo muito grande pra que Richard fizesse isso tão rapido. Eu tô é curioso. - Confessou.
- Sabia que tinha algo por trás dessa sua animação genuína. - Me levantei saindo do quarto. - Anda, não vou te deixar aqui com minhas coisas.
Quando cheguei ao quarto de , ainda estava na porta junto comigo. Pro caso de alguem aparecer e não nos pegar por ali.
- Que que foi essa coisa de noivado, hein? Maluquice. - Ele saiu sem aguardar uma resposta.
- Parece que as mocinhas conversaram bastante hoje. - me disse. - Quase não te vi. - Eu não sabia se ele se referia a mim e ou da minha conversa mais cedo com Mariah. - Você e passaram o tempo todo juntos na festa.
- Se eu soubesse que era sua festa de noivado, teria te dado mais atenção. - Fingi desinteresse.
- Você foi pega de surpresa tanto quanto eu. - Me confessou. - Mariah não vai poder ir com a gente pros EUA, vai desfilar uma temporada na Itália.
- Bonitinho reafirmarem o relacionamento de vocês. - Ri sem humor. - Pelo menos a mídia não vai dizer que estão afastados.
- Foi exatamente por isso que o noivado aconteceu. - Me encarou. - Minha irmã me ligou me perguntando sobre o casamento. Como se planeja algo que nunca vai acontecer?
- Você tem certeza? - Perguntei com medo da resposta.
- Claro que sim, . Casamento é uma coisa muito séria. Isso pelo menos está fora dos limites do Simon.
- Graças a Deus. - Ele sorriu com meu alívio. - Foi por isso que você mandou me chamar?
- Sim e não. - Ele se aproximou. Eu ainda estava proxima a porta quando ele passou ao meu lado, trancando-a. Quando pensei em me virar, o senti me abraçando pelas costas novamente, como na última noite. - Passei o dia inteiro pensando em você. O dia todo lembrando de como você se arrepia. - Me deu um beijo no pescoço. - De como seu coração dispara quando estamos juntos. - Outro beijo. - Você dizer que queria me beijar foi demais. - Confessou. - E te ver a noite toda assim, tão linda... - Confesso que tentei prolongar o momento, mas meu corpo respondeu mais forte. Então fui eu que juntei nossos lábios antes que ele completasse seu jogo de sedução. acabou ficando sem reação por alguns segundos. Esse era nosso primeiro beijo, afinal de contas.
E foi como se já fizessemos aquilo por anos. Sua boca sob a minha era um encaixe absurdamente anormal. Havia intensidade, ao mesmo tempo que havia carinho. Ele não deixou que a distância que tivemos pra respirar durasse mais que cinco segundos. Sabia que eu não iria querer falar no momento.
- Só mais um. - Sussurrou mais pra ele que pra mim. Pus meus dois braços sob sua nuca e ele aproveitou suas mãos em minha cintura pra me erguer sobre a mesa de seu quarto. E eu o abracei com mais força, o desejo fazendo meu corpo arder em chamas.
Eu poderia beijar quantas vezes ele achasse necessario.
- Não precisa ser só isso. - Disse interrompendo o beijo. - Eu quero você, , estou disposta a fazer isso funcionar.
- Você tá falando sério? - Perguntou mais sorridente que o normal. Acenei que sim. Ele emendou a resposta em um novo beijo. Como se depois de provar eu fosse capaz de mudar de ideia.


05 - Loved You First

♪ Eu nunca entendi o que o amor realmente era
Mas eu senti como era na primeira vez
Que olhei nos seus olhos ♪


- Durante esses dois anos após o término da banda, confesso que fiquei um pouco perdida. – Respondi a entrevistadora. – Foi um período que passei a me redescobrir, tanto na vida pessoal quanto na música, uma etapa que formou meu caráter e me tornou essa pessoa que eu sou atualmente. Desde que tinha meus 14 anos a Blitz era meu tudo. Eu estava na Blitz quando tive meu primeiro namorado, quando fiz minha primeira viagem internacional, quando tinha medo de avião, quando assinei meu primeiro autógrafo. E romper com a banda foi a coisa mais triste que me aconteceu. Como se um pedaço de mim ficasse manchado a tinta, no rompimento daquele contrato. Eu me vi totalmente perdida, e de verdade, não enxergava nenhum futuro a partir dali. Eu não sabia se iria acordar a noite e simplesmente desabar, se podia pegar toda aquela dor e transformar em alguma canção. Mas tenho certeza que foi a melhor coisa que pode nos acontecer nos aspectos pessoais. Nós tínhamos uma administração horrível, e acabávamos por sermos muito imaturos e desprevenidos, levando a coisa toda como uma brincadeira, esquecendo que deixamos de ser uma banda, e nos tornamos uma empresa. Haviam centenas de pessoas por trás de um show da Blitz, pra que simplesmente não cumpríssemos a agenda, atrasássemos, entre outras coisas. Foi uma coisa que acabou desgastando muito a família que formamos, sabe. e eu só brigávamos e foi melhor romper com tudo antes que os problemas enfrentados na banda acabassem com a gente. – Concluí. Aquela revista iria vender como água, pensei.
- E como você se sentiu entrando pra vida do One Direction? Como é essa coisa de aguentar a loucura deles junto com a sua própria? – Ela me perguntou. Eu já tinha uma resposta sempre ensaiada pra essa mesma pergunta. Era simplesmente muito chato ter que passar essa coisa de roteiro, mas eu sabia que era totalmente necessário para saber como estava indo o andamento do processo.
- Eu mal pude acreditar quando conheci os meninos. Imagina só, a gente se conheceu em um show deles em Londres. Eu nunca imaginei que daquele show, conheceria amigos que completamente transformariam a minha vida. Não vejo como eles entrando pra minha vida mas o completo oposto. Os meninos eram um time, uma equipe unida em busca de um sonho. Eu era só a garota apaixonada pela banda que vez ou outra trocava uns tweets, aparecia em festas e dividia piadinhas. E então tudo aconteceu muito rápido, e agora iniciamos uma turnê juntos, 80 shows em todos os continentes. O mundo nos enxerga como uma empresa, mas nós somos apenas seis amigos brincando com microfones enquanto distraímos uma plateia. E é loucura imaginar que nenhum de nós tinha essa perspectiva de “conquistar” o mundo. Foi um bônus. Eu era aquilo que toda garota sonhava. Com , , , e eu criei uma outra família. Foi amor a primeira vista…
- Reformula essa frase, ! – Ouvi Kellendria me chamar a atenção e já sabia onde tinha que corrigir.
- Com , , , e eu criei uma outra família. Eu finalmente deixei de ser maluca sozinha!

Encerramos a gravação em um clima de nostalgia. A Blitz era a parte mais importante da minha vida. Metade do que me havia acontecido não seria possivel sem a banda, como a partir dela eu havia ganho a notoriedade necessária para chegar até aqui. Cada passo, cada barreira destruída, cada obstáculo ultrapassado, eu tinha , minha melhor amiga, sempre ali. Sempre disposta a agarrar minha mão se fosse necessário. Sempre dividindo comigo suas maiores lutas. E isso não refletia o presente. Eu sequer sabia o que ela havia feito em seus trabalhos nos últimos anos, e minha negligência chegava a ser pavorosa. Ela com certeza não queria mais saber de mim.
Hoje estávamos em Sidney, onde faríamos o primeiro show da turnê, o que significava o mundo todo de olho no que iríamos aprontar. Expectativas a serem superadas eram nossa meta, então estávamos realmente muito empenhados nesse show. Havíamos ensaiado por longos dias sem parar.
Uma tour conjunta era algo muito difícil de fazer, visto que eram dois públicos que deveríamos agradar majoritariamente se esperássemos obter sucesso com ela. Exatamente por isso, a estrutura do palco, o formato do show e os figurinos vinham sendo constantemente estudados durante todo o período que antecedia a data de hoje.
E então haviam passados três meses desde o anúncio oficial da tour e o inicio da venda de ingressos. Finalmente o dia havia chegado.

Cheguei da gravação pouco depois das duas da tarde. A One Direction estava “de folga” naquele dia, então Richard aproveitou para induzir e Mariah a saírem e tirarem algumas fotos pela cidade. Ela aparecia quando podia.
- Achei uma coisa legal. - me mostrou seu celular. Era um vídeo onde ele, eu e fazíamos um jogo. Esse jogo consistia em simplesmente “não rir”, o que era muito difícil com aqueles palhaços. No fundo os outros meninos gritavam suas preferências de ganhador, e no fim, eu era a primeira a desistir, caindo na gargalhada assim que , do outro lado da sala, moveu suas orelhas nos atrapalhando. – Podiam usar isso no seu futuro filme.
- É nosso primeiro vídeo juntos. – Sorri nostálgica. Aqueles 15 segundos de vídeo eram importantes. – Se eles não colocarem, eu proíbo o uso da minha imagem.
- Você não existe. – Ele me abraçou de lado. Estávamos apenas nós dois acordados no quarto que ele dividia com , que deveria estar no milionésimo sono. – Está ansiosa? Eu sonhava todo dia com o This is us antes de ele oficialmente entrar em cartaz.
- Eu não sei como me sinto. Estou adorando essa coisa de resgatar o passado e estar sempre gravando o presente. Porém, eu também mal posso esperar pra abrir meu twitter e ver a reação dos fãs. Ou postar sobre a minha mesmo, depois que o projeto estiver pronto. Acho uma ansiedade gostosa.
- Você até fala como uma diva. – Ele disse e eu joguei meu cabelo, concordando em brincadeira. Me senti uma Rihanna por alguns segundos. – Isso sim daria um bom pedaço pro filme. Vou querer meus créditos.
- Kellendria me disse que estamos gravando demais com a One Direction. – Comentei. – Talvez possamos sim usar isso, mas eu vou ter que te trocar por um protagonista diferente.
- Não sendo John Mayer, pra mim está ótimo. – John; meu supremo cantor favorito, era também o motivo dos ciúmes da minha banda favorita. Assim como eu me sentia enciumada pelas Taylor Swift’s que passaram pela vida de cada um dos cinco. - Faz tempo que não temos um momento assim. Só a gente. – Voltou a dizer
- Eu sei. – Sorri culpada, deitando em sua cama e o trazendo junto comigo. Como eu havia dito na gravação, esses cinco meninos são a coisa mais sensacional que havia me acontecido. Eram minha família, minha base. Eu não me conseguia ver longe deles, torcia para que tudo nunca tivesse que acabar. Eu sabia que isso inevitavelmente aconteceria, mas não queria sofrer por antecedência. Não por esse assunto também - e eu nunca temos tempo. Acaba de que só podemos ficar juntos quando vocês também estão, e é difícil conciliar as coisas.
- Não estou reclamando. Vocês também precisam da sua intimidade. – Corei, envergonhada. – Vocês decidiram ficar juntos bem na hora que toda a Syco estaria em cima da gente por causa da turnê. Não sei como estão conseguindo lidar.
- E não estamos. – Confessei. – Quanta coisa mudou recentemente. Nunca pensei que fosse assumir logo pra você que estaria tendo um caso secreto com o .
- Vocês sempre estiveram juntos, só você que não aceitava. – Disse. – Sempre foi bonitinho de ver. completamente de quatro enquanto você fazia questão de tratá-lo como um amigo. Eu achava que a friendzone já tinha ganhado e que era minha vez de jogar.
- Idiota. – Resmunguei, deitando em seu peito.
- Como estão as coisas entre vocês? – Perguntou, dessa vez sem fazer menção de nenhuma piadinha.
- Você sabe, tem sido duas semanas muito agitadas. Nós mal conseguimos um tempo juntos. Geralmente são só algumas horinhas na madrugada, mas fora isso, parece que eu sou uma criminosa.
- Vocês ainda tem sorte de conseguirem dar suas escapadinhas – Ele voltou a rir. E no milésimo de segundo seguinte, emendou. – Me admira a Mariah, com o . Esses dois podiam fazer a mesma coisa.
- E a sorte é toda dela de não se envolver com ninguém. – Brinquei. – Digamos que ela simplesmente está com a bunda virada pra lua desde que nasceu. Eu adoro o , mas seria tudo tão mais fácil se não tivéssemos nos envolvido. Nos privaria de passar por toda essa dor de cabeça de “namoro das rapidinhas semi-secretas”– Sussurrei baixinha a confissão, dando risada na sequencia. Olha do que estávamos falando. E saía de uma forma tão natural que eu mal pensava em medir as palavras.
Mas os meninos viviam sempre a par da correria que estava minha vida. Os últimos dias estavam sendo uma loucura total. Entre entrevistas e viagens urgentes, e eu mal tínhamos tempo de criar nossa intimidade. E que não fosse por falta de vontade. Quando Kellendria e Richard não mantinham todo o grupo reunido e tínhamos um quarto só pra nós, estávamos cansados demais para fazer outra coisa que não fosse dormir.
- Só não criem uma tensão sexual tão grande que comece a ofuscar meu brilho nos shows.
- Vem cá, ficou quanto tempo formulando essa frase? – Ele e eu demos boas risadas. E então ficamos em um breve silêncio, seguindo os passos de , que só não babava por estar de barriga para cima. Acabei acordando um tempo depois, com ao pé da cama tentando atrair minha atenção. – Hey!
- Hey. – Disse baixinho. – Atrapalho? – Seus ciúmes transbordavam pela voz aparentemente calma. Afinal, era ele que algumas horas atrás estava dando uns beijinhos em outra garota, só eu tinha o direito de me enciumar.
- Claro que não. – Me sentei. Resolvi ignorar sua alfinetada, e rapidamente juntei meus lábios aos seus, sentindo-o murmurar alguma coisa entre o beijo.
- Aí estão vocês. – Richard entrou de uma vez no quarto, seus olhos pousando direto em mim e , que fechou os olhos, numa falha tentativa de o que os olhos não veem, o coração não sente. Fingi estar espremendo alguma coisa em sua bochecha. – Temos meia hora pra vocês se arrumarem e então irmos ao estádio. Estão preparados?
- Mais dez minutos e posso dizer que sim. – Um ainda sonolento respondeu. A essa altura eu já estava mega afastada de praticamente fundida a parede que apoiava a cama.
- Não se atrasem. – Deu a palavra final e saiu. Pude respirar fundo sabendo que ele não tinha visto nada.
também estava tenso, então tratei de abraça-lo pelas costas mesmo. Ele suspirou alto de soltar o ar de uma vez.
- O twitter vai ter muito o que surtar com o almoço romântico que tive com a Mariah – Ele comentou, tentando dispersar o clima ruim. E então eu estava novamente tomada por aquela insegurança sem sentido. Eu sabia que Mariah não representava risco nenhum a minha relação com , mas mesmo assim me sentia muito mal com essa coisa de os dois mostrarem ao mundo que estavam bem. Quando é que acabava esse contrato mesmo? – Como foi o seu dia?
- Nada demais. – Respondi ainda pensando. e eu havíamos acordado de esperar que o contrato acabasse para que pudéssemos dar um rumo real a nossa relação. Mas isso parecia extremamente distante, em um futuro que teimava a chegar. – E eu não quero saber desse papo que me torna ainda mais uma amante secreta. – Ri.
- Não se atrasem. - repetiu se levantando da cama, diretamente a mim e . – Isso lá é hora de ter uma DR? – Fechou a porta ao som das minhas risadas. - já dormia pesadamente de novo, então o deixaríamos ali até que tenha pelo menos desligado o chuveiro.

Uma hora havia se passado. Estávamos no Allianz as seis da tarde e o estádio já estava lotado para um show que apenas aconteceria daqui a uma hora.
Lembrei-me da época em que esse tipo de fã era eu. Chegava à fila logo cedo, passava todo o dia sobrevivendo a besteiras e lanches simples, só pra ter a oportunidade de ver meus ídolos de pertinho. E como era estranho de uma hora pra outra eu ser objeto dessa admiração.
Assisti Lou terminar de arrumar o desembrenhado cabelo do Harry, e me pus a observar mais uma vez aqueles cinco garotos. O quanto me eram importantes, e como eu negaria minha vida se fosse para o bem estar das suas.
Peguei-me observando até demais. Seus olhos, seu nariz, sua boca. Demorei demais em sua boca, sentindo uma vontade imensa de beijá-la naquele exato momento.
Era surreal a forma como agora ele era tudo pra mim e o quanto eu havia demorado pra perceber.
Hoje eu era uma pessoa completamente diferente da que suava frio antes do show. Mas a admiração pelos meus meninos, pode ter certeza, ela nunca mudou.
Eu só podia me sentir completa naquele momento. Não resisti e tirei uma foto de e sua distração, já que ele brincava com algumas guloseimas deixadas ali para nós no camarim. Eu não a postaria em lugar nenhum, mas a teria junto comigo, uma memória congelada de toda minha plena realização.

Na sequência, entrou no nosso camarim coletivo, uma moça bonita, de olhos castanho claro e pele pálida. Era uma jornalista australiana. Ao seu lado, uma garota com seus 14 ou 15 anos, fã ganhadora de uma promoção na rádio, que correu diretamente na direção de Niall pedindo uma foto, enquanto a moça pálida e seu assistente configuravam a câmera e gravadores. Continuei sentada na cadeira em que estava, os meninos espalhados por todo lugar.
A Syco havia acordado dez minutos de entrevista antes do show, e a emissora mais popular no país acabou comprando esses direitos. A intenção era focar somente na turnê e deixar vida pessoal de fora, para não criar boatos inesperados, e, foi decidido de última hora que apenas um dos meninos iria responder, para que as coisas corressem no tempo esperado. Além das cadeiras das duas australianas, colocaram duas, a de , que representaria os meninos, e a que presumi ser pra mim.
Já estava quase sentando por vontade própria em uma delas, quando Kellendria me indicou para seguir . Realmente, seria muito egoísmo colocá-lo para falar por mim.
A moça pálida, que descobri por se chamar Juney, gravou duas vezes a introdução da entrevista mais extensa, a câmera posicionada em locais diferentes. Dei graças a Deus que ela era só mais uma dessas entrevistadoras estilo Revista Capricho e não tão ameaçadoras quanto as da Rede Globo ou inoportunas como as do programa Pânico.
Primeiro ela perguntou a como estava a expectativa do show, coisa que já estávamos até cansados de dizer, sempre sob o olhar atento de Richard. Minha resposta não foi muito diferente da dele.
- Vocês conhecem o que do nosso país, Austrália? – Ela voltou a perguntar, e dessa vez fui eu quem respondeu primeiro.
- Cangurus, avestruzes, diabo da tasmânia. – Brinquei. – Tem também artistas incriveis, Kylie Minogue que eu especialmente sou muito fã, Natalie Imbruglia...
- Toooooorn. - cantarolou, uma das principais músicas que os levaram ao estrelato mundial. – Não podemos esquecer também dos revolucionários do Rock, AC/DC...
- Nicole Kidman, Mel Gibson. Nossos heróis favoritos, Hugh Jackman, Eric Bana e Chris Hewsworth… - Na ordem, Wolverine, Hulk e Thor.
- E também vilões. Que descanse em paz, Heath Ledger. – Citou o Coringa, e então terminamos a resposta de uma forma melancólica.
- Agora vamos fazer um tipo de brincadeira. Citando as músicas da One Direction, pra ficar mais simples, e mil perdões, , a próxima brincadeira tem a ver com você. - eu ri. – Quero que vocês me deem um titulo de música para cada momento e digam porque a escolheram. Começando com... Uma música para o coração partido...
- Loved u fist. – Fui a primeira a dizer. Saiu completamente espontâneo, e sem querer. Logo notei que aquilo poderia ser completamente relacionado a minha história com . me olhou, e presumi que ele havia pensado o mesmo que eu, o que acabaria sendo muito errado. Acabei corrigindo antes que isso pudesse gerar alguma associação e eu tivesse que explicar. Mas pela parte boa, eu não havia dito I Wish. – Mas acho que fico com Over Again.
- NÃO! - disse, como se estivesse ofendido. – Que tipo de fã você é, para não dizer Moments...
- Deus que me livre de falar sobre essa música. - Disse rindo. – Escolhi Over Again porque ela narra uma história onde não vitimiza ninguém. Os dois erraram na história de amor, os dois saíram de coração partido. E pra mim, essa equivale mais a realidade.
- Eu penso que Moments fale de sentimentos de uma forma mais intima. Mostra um lado mais emotivo da história, e eu sempre prefiro esse tipo de música que faça as pessoas se identificarem com a canção.
- Agora uma canção que vocês usariam numa festa, pra sair desse melodrama.
- Eu escolheria No Control sem nem pensar duas vezes. – Logo disse. - E nem é só pelo ritmo ser tão contagiante, mas a canção diz mais do que “hoje é noite de festa e eu quero virar a noite”. – Alfinetei Up All Night, que seria minha segunda opção. – Ela festeja a intimidade. Gosto da sensualidade que ela transmite.
- Uma romântica incurável. - respondeu, sobre meu comentário. – A minha escolha é Live While We’re Young pelo fato do refrão me descrever. Vamos ficar loucos até que vejamos o sol. É um pedido mudo pra tornar a festa memorável.
- Uma canção sobre se apaixonar. – Essa eu pensei um pouco mais, antes de sair entregando They Dont Know About Us aos berros e lágrimas.
- Acho que History, e essa sei que a vai discordar completamente. – Rimos. – Mas a escolho porque essa coisa de paixão é ampla na canção. Ela celebra um novo amor, ao mesmo que celebra a paixão por algo. Por exemplo, ao que tenho com a One Direction hoje.
- Você costuma falar tão bem que eu fico com vergonha de responder depois. – Olhei pra ele, que piscou pra mim e ficou envergonhado. Eu amava ver suas bochechinhas vermelhinhas. – Minha escolha fica como Summer Love. Cara, quem não teve um amor especial assim, que arranje. É como aquela coisa de viajar e gostar da comida de um restaurante. Você não vai voltar lá tão cedo, então ela sempre será especial. É uma memória boa que você faz questão de recordar.
, é lindo ver que você escolhe as canções como uma fã. Escuta as músicas, acaba se identificando com uma em especial no álbum. E não é necessariamente aquela que virou hit, que até seus pais conhecem, mas sim aquela mais discreta, que você ouve sozinha ou com uma amiga que também seja fã da banda. Mas , qual foi essa de escolher apenas singles?
- Você fala como uma psicóloga. – Ele disse primeiro e eu completamente concordei. – Essa coisa de escolher singles, acabou sendo mesmo sem querer. Mas acho que é porque tenho o conhecimento mais aprofundado sobre elas mesmo. Nos entregam umas cem musicas, pra escolhermos vinte e quinze irem para o álbum. Então temos que escolher três ou quatro pra podermos produzir o single. Acaba que temos que discutir sobre elas, e eu acabo pegando pontos de vista diferentes dos meus. São músicas especiais, de nossa escolha e responsabilidade, então temos que estar completamente certos de que aquela é a música antes de produzi-la.
- Isso é ótimo. – Ela prosseguiu, a entrevista chegando ao fim. – Agora como prometido, vamos brincar um pouco. – Ela entregou um tablet para cada um, desbloqueado na galeria. Eu não sabia o que esperar. – A brincadeira é fácil. é brasileira, e como o Brasil é a terra dos memes nós separamos alguns dos mais usados pelos fãs na internet e vocês comentam sobre. Vamos começar.
A primeira* era uma fotografia do Niall. Uma foto onde ele havia ido cumprimentar os fãs e ficado trancado do lado de fora de um estádio, segurando a grade. A legenda era atrasados pro Enem e rapidamente expliquei a o significado as sigla, e o limite de horário.
O segundo era sobre Harry quando ele dizia seu nome e automaticamente se tornava o personagem de Harry Potter.
A terceira era uma foto do Liam gordinho, a legenda como antes de Herbalife. Na seguinte foto, Liam bem mais magro, um depois o Herbalife.
A penúltima foto colocava Louis como “um bom jogador” sob notas de dinheiro do mundo. A informação não era dólar, nem euro, nem real. Nessa, gargalhou e o acompanhei.
A última era uma comparação. A primeira foto, mostrava Zayn sentado em uma poltrona emburrado, a legenda de 23:59. A seguinte era o próprio na piscina do clipe de Live While We’re Young, acompanhado de várias garotas.
A última era eu. Uma montagem me passando por gulosa. Na primeira foto eu sorria com um hambúrguer na mão, e na segunda aparecia triste, só com os farelos no prato.
[Inspirados na página 1DCalque, do Facebook.]

- Eu amo a internet. – Foi quem disse. – Mas sim, certa cantora comendo confere totalmente. Fiquei meio magoado com meu meme - Forçou um sotaque engraçado. – Mas os outros, cara...
- O meu é completamente falso. Onde já se viu? – Fingi estar indignada. A entrevistadora gargalhou.
- Bom é isso. – Ela começou a encerrar. – Vocês tem alguma coisa especial pra dizer aos fãs?
- Eu primeiro. – Disse para . – Queria agradecer a todo apoio. Tudo o que fazemos é por e para vocês, esperamos que compensem essa energia retribuindo com muita vontade nos shows, e que tornem essa turnê memorável.
- *Quero dizer que sou extremamente agradecido por ter essas adoráveis fãs, vocês são tudo que nós temos. Nós somos muito sortudos em trabalhar para vocês. Nós nunca nem sonhamos que íamos chegar ao quarto álbum e agora estamos aqui, na quarta turnê. Vocês fizeram isso acontecer e são os melhores de todo o mundo!
- *[Discurso inspirado nas notas de agradecimento do Niall no álbum do Up All Night e os agradecimentos gerais do álbum Four]

Encerramos a entrevista e eu estava muito contente. E ansiosa. Era como tudo o que havia sido tido e confirmado, agora caísse como um peso. Era nossa obrigação tornar aqueles shows memoráveis aos nossos fãs.
- Dez minutos. – Uma menina baixinha disse, e presumi que fosse da organização do evento. Eu tremi um pouco, mas não estava nervosa só pelo show. Era a primeira vez que eu encarava toda aquela plateia escondendo um segredo tão bizarro quanto meu romance com . Seria um show difícil.
Mas seria só a primeira etapa antes dos melhores dias da minha vida.


06 - XO

♪ Antes que apaguem as luzes
Antes que nosso tempo acabe
Baby, me ame com as luzes apagadas ♪


Os últimos dias haviam sido os menos estressantes que havíamos tido em anos, então eu me sentia completamente revigorada e animada para começar toda a correria novamente.
Era tudo mais divertido agora que e eu estávamos juntos. Não era nada oficial, muito menos que nossos a equipe soube, e era isso que tornava as coisas ainda mais excitantes.
Nesse momento ele dormia e eu observava atentamente meu amante. Era como se fosse a primeira vez que eu podia observá-lo dormir, e ainda o chamar de meu. Sem querer, em vez de ficar só observando, inconscientemente meus dedos começaram a traçar as linhas de seu rosto, o que fez com que ele acordasse, mas ainda continuasse mantendo seus olhos fechados aproveitando o carinho.
Eu queria congelar aquele momento para sempre. Era tudo muito simples quando estávamos ali, só ele e eu. Não tínhamos que nos esconder de ninguém, tomar cuidado com o que diríamos, ou como estávamos, ali na nossa privacidade, ele era só o da e eu a do .
- Bom dia. – Ele disse, e não me opus em me aproximar mais e roubar um selinho, levantando em seguida meio envergonhada. – Vem cá, acho que a gente pode ficar um pouquinho mais na cama, não?
- Não tenho paciência pra aturar sua cara babada logo cedo não, senhor. – Brinquei e ele me seguiu até o banheiro, rindo, então, levantou a tampa da privada, abaixou sua calça e estava fazendo xixi. Me senti extremamente envergonhada de ficar observando sua bunda pelo espelho, porque, de tantas as outras vezes que já havia feito isso, essa era diferente, agora estávamos numa relação de verdade. Nossa intimidade sexual ainda era uma coisa muito nova.
Coloquei pasta dental em sua escova enquanto ele lavava as mãos e tentava fazer alguma coisa com seu cabelo. Observando aquele homem sem camisa, completamente distraído com uma coisa tão fútil, eu finalmente estava ciente de toda a responsabilidade que era namorar . Astro teen, desejado mundialmente por todas que o conheciam. Eu nunca fui de me sentir insuficiente, mas devia ser uma TPM próxima me fazendo contestar que aquele homem só podia ser louco. O que ele via nessa garota que dormia com uma camiseta comprida e rabo de cavalo, que não era nada sem uma maquiagem no rosto?
- Você é tão linda. – Ele disse, pegando sua escova da minha mão e escovando seus dentes, ainda sem tirar os olhos de mim. Eu sorri por ele ler minha mente. Sorri por estar finalmente me dando a chance de ser feliz com o melhor cara do mundo. E não conseguia parar de olhá-lo. – E tá me deixando envergonhado - Ele disse, me olhando pelo reflexo no espelho.
- Não tenho culpa de você ser tão delicioso. – Disse o abraçando, sendo escondida por aquelas costas largas. Não pude deixar de apoiar meu queijo em seu ombro, passando meu nariz em seu pescoço, fazendo-o arrepiar. enxaguou sua boca, e num passo rápido virou-se, levantando-me e apoiando sobre a pia. Demorou menos tempo que nada para juntar sua boca a minha, sua mãos em minha cintura, enquanto, abraçando-o pelas pernas, eu o trazia para mais perto de mim.
- Eu que sou uma delicia? – Me provocou. Fui ao céu sentindo-o me beijar no pescoço, aquele hálito fresco em contato com minha pele quente. Agarrei firme em seus cabelos, ouvindo seus elogios soprados contra minha boca, daquele jeito que faria qualquer mulher se derreter, e era o que eu já podia sentir em minha calcinha. - Você não tem noção do efeito que causa em mim. – Resmungou, dessa vez contra meu pescoço. O que era deliciosamente errado, porque eu tinha muita noção sim. Eu o sentia crescer por entre sua calça, enquanto arranhava suas costas sem pudor, sentindo-o erguer minha camisa, agora tocando minha pele. Ele tirou toda a peça, me deixando apenas com o mini shorts que eu vestia, trilhando beijos até onde o cós do shorts alcançava, refazendo o caminho até minha boca.
Pra me abusar ainda mais, adentrando sua mão em meu shorts, passou a brincar com a minha intimidade de forma que eu tinha vontade de gritar. Seus dedos me tocavam com carinho, enquanto eu não conseguia me decidir entre sua boca e seu pescoço, me esforçando pra não arrancar as roupas que nos separavam e dar um fim à aquela agonia.
Então um som conhecido invadiu nossos ouvidos.
Era o toque de telefone que indicava se era alguém do trabalho ligando.
- Depois a gente continua. - Eu ri sem querer. Derrotado e bufando, ele tirou a mão que me divertia e me levantei, indo até a escrivaninha do quarto, de onde vinha o som, ainda atordoada com o que estava acontecendo. Era Kellendria quando atendi.
- Alô. – Disse, a voz ainda meio falha.
- O que acontece com os celulares que demos a vocês? Estou a meia hora tentando falar com e .
- Ainda devem estar dormindo. – Disse e mordi o lábio, tentando controlar minhas mentiras. Os dois supostamente estavam dividindo o quarto, então haviam combinado de não atenderem a seus telefones enquanto não estivessem juntos.
- Que seja. – Ela riu. saiu do banheiro, pegou uma toalha e voltou. – Espero vocês em dez minutos no hall do hotel. Trate de levar toda a One Direction com você.
- Sim senhora. – Concordei e desliguei. Minha vontade era de entrar naquele banheiro de volta, mas ele parecia tão frustrado que havia até fechado a porta. Tratei então de vestir algo mais adequado e saí de porta em porta, apressando a banda.
Mais cinco minutos se passaram, então estava toda a equipe reunida. Richard e Kellendria apenas queriam nos motivar a dar tudo de melhor no show. Falaram do hall até o restaurante em que fomos almoçar, e depois do restaurante até de volta ao hotel. A equipe toda estava animada. Seria um novo momento tanto para One Direction e a . E nós trataríamos de fazer com que também fosse o melhor a nossos fãs.
- E que horas saímos daqui mesmo? - perguntou, se referindo a hora que finalmente estaríamos indo para o show.
- Por volta das cinco da tarde. – Foi Richard quem respondeu. – Precisamos passar as limitações do palco a vocês, para que o incidente de Adelaide não se repita. - Tal incidente, se deu quando, em um dos últimos shows que fizemos, acabei pisando em falso, num pedaço do palco que não deveria estar solto, o que me rendeu alguns dias de repouso, três shows cancelados, e uma onda de demissões.
- Então vamos matar o tempo. - sugeriu e eu já até sabia a que isso se referia. me olhou, seus olhos sugerindo que tínhamos outras coisas mais importantes pra fazer.
- Eu to morrendo de sono. – Tentei desconversar. Não adiantou muito, visto que dez minutos depois, estava junto a toda a banda comendo salgadinhos e falando bobagens.

- Os americanos são divertidos. – disse, observando pela janela, pensando na América, um destino próximo da tour. – Estendem bandeiras por toda a cidade, mas vivem em guerra uns com os outros.
- Os estadunidenses. – Corrigi. – Eu sou brasileira, America do Sul, portanto, americana. – Brinquei. – Mas eu gosto de lá. É a janela do mundo. Eu não seria ninguém sem os Estados Unidos.
- E nós não seríamos nada sem você. - disse e fomos ovacionados por um coral de “owns”. - Eu principalmente. - Disse pra que só eu ouvisse, enquanto os meninos continuavam murmurar palhaçadas, e eu agradecia por sermos só o grupo de amigos ali dentro.
- Mas pensando bem, tudo seria completamente diferente sem a . – prosseguiu. – Olha só, imaginem. Nós nunca teríamos provado caipirinha, brigadeiro. Nunca teríamos visitado o estádio da copa do mundo. provavelmente seria gay...
- Assim como você é? – O último citado respondeu, fazendo todos darem uma bela gargalhada.
- Você já parou pra pensar como estaria agora se a Blitz não tivesse acabado? – Foi a vez de me perguntar.
- A Sony do Brasil está num desespero enorme tentando lançar um brasileiro ao mundo. Mesmo com a música no filme do Spider Man, não conseguiu emplacar o P9. Eu tenho muita sorte de estar aqui hoje, mas penso que se tivéssemos ainda como banda, a única e principal diferença, é que nosso grupo aqui hoje seria maior. – Eu não duvidava do meu talento e capacidade, como se pode observar.
- Acho que nunca cheguei a perguntar. - disse. – Porque sua banda acabou mesmo?
Então me remeti a um passado não muito distante. Um passado onde eu era a da Blitz e rodava o mundo junto a minha melhor amiga, fazendo aquilo que fora nosso sonho conjunto.
Nesse passado só o que devia importar era diversão. Mas talvez eu estivesse começando a levar tudo a sério demais.
Eu não queria com seu namorado. Ele e seu vício por descontrolado por bebidas, manchavam a reputação da banda.
Eu não gostava quando colocava sua filha acima de tudo. Pois é, mesmo sendo apenas dois anos mais velha, ela tinha uma filha. Minha afilhada, com quem eu não tinha contato a dois anos.
E eu não tinha nada disso. Não sabia qual a responsabilidade de ter uma família a cuidar, assim como não sabia o porquê de colocar tudo em primeiro plano. Naquela época eu não sabia como era querer fazer de tudo por aqueles que te amavam de volta.
- Porque eu sou louca. – respondi a , mas meu pensamento estava atormentado pela injusta que fui no passado, ao fazer minha melhor amiga decidir entre a carreira e a banda.
- Nós somos loucos?! - fingiu se desesperar. – Não vamos deixar nossa banda acabar meninos.
- Claro que não. - o repreendeu. – Mas se isso acontecesse, vocês sabem que eu seria o mais famoso.
- Só porque você é ruivo. - brincou e se levantou. – Vou comprar alguma coisa pra beber lá em baixo. Querem? – Ninguém disse que sim, então ele me chamou pra o fazer companhia.
- Comprar algo pra beber? É assim que chamam hoje em dia? - comentou e eu fingi não ouvir, seguindo para fora do quarto.

Acontece que nós realmente não fomos comprar nada.
Eu já estava bem perto do elevador quando senti me puxar, e só me soltou quando estávamos fechados sob o quarto em que dormimos. E então ele nem esperou mais.
- Acho que eu me lembro de termos uma coisa pra terminar. – Gentilmente, me prensou contra a parede e começamos a nos beijar, com delicadeza e determinação. De inicio foi mais um de nossos beijos comuns, mas as coisas costumavam esquentar bem rápido quando estávamos sozinhos. O que não era muito frequente, devido a pouca privacidade que tínhamos ultimamente.
Senti sua mão descer até meu bumbum, prensando meu quadril mais próximo do seu. Meus braços o abraçavam pelo pescoço e eu brincava com seu cabelo enquanto o sentia me apertar de forma pouca gentil. E ao mesmo tempo em que eu queria fazer aquilo durar, sabia que tínhamos pouco tempo até que sentissem nossa falta.
Já que era um pouco mais alto do que eu, resolvi me aproveitar da situação e nos facilitar as coisas. Ergui minhas pernas, apoiando em sua cintura, ficando na mesma altura. Suas costas com certeza estavam avermelhadas devido a pressão que minhas unhas faziam sobre.
Ele começou a vagamente ir pra trás me levando junto, e só parou quando bateu sobre algo, que de olhos abertos, eu soube ser a cama. então me deitou e agora eu estava completamente à sua mercê. Eu queria senti-lo bem mais, então comecei descer minha mão até que encontrasse a barra de sua camiseta, subindo-a comigo na sequência. Só paramos de nos beijar para que a sua e a minha camiseta passassem.
Com a minha incomum ausência de sutiã naquele dia, estávamos empatados na questão das roupas, o que acabava sendo injusto pra mim. Sua mão, adentrando por meu shorts igual a lembrança de mais cedo, era uma recordação do que não podia deixar acontecer. Eu não queria que atrapalhassem novamente, então sabia que não havia tempo para essa coisa de preliminares, naquela tarde. Então decidi que tinha eu mesma ira tomar a frente da situação.
Inverti nossas posições e então eu estava sentada sob suas pernas. Não era uma maneira muito confortável de se continuar o beijo, então ele se sentou, aproximando seu tronco totalmente do meu ao fazê-lo. Gemi baixinho com a fricção que causou, e me ergui, baixando suas únicas peças de roupa que faltavam. Passei a acariciar suas coxas, enquanto ele respirava fundo, silenciosamente pedindo para que eu continuasse. Comecei a tocá-lo subindo e descendo, um pouco desesperada e urgente. Ele crescia na minha mão ao mesmo tempo em que eu sentia minha calcinha cada vez mais úmida.
Nossas respirações se sincronizaram quando decidi eu mesma me livrar do meu shorts e encerrar aquela agonia que nos acompanhava desde a situação da manhã. Meus olhos varreram o quarto tentando me forçar a lembrar de onde tinha colocado a camisinha e ele pareceu fazer o mesmo, mas minha mente não conseguia formular ideias muito concretas naquele momento. Eu confiava no meu anticoncepcional, foi a única coisa que pensei antes de colocá-lo dentro de mim e soltar um suspiro aliviado.
- Isso amor. – Ele gemeu e eu me senti segura de acelerar nossos movimentos. Suas mãos me apertavam desde as coxas até a cintura e nunca estivemos tão unidos, enquanto ele me acompanhava subindo e descendo, fazendo com que nossos corpos não se distanciassem por muito tempo. Nosso corpo parecia sempre trabalhar no modo de emergência nessas situações.
Eu o sentia se segurar enquanto atingia meu próprio orgasmo, e sem força pra continuar, foi ele que me deitou na cama e continuou me preenchendo até que atingisse o seu, se derramando sobre minhas coxas. A gente se superava no prazer a cada uma dessas rapidinhas.
- Temos que voltar. – disse, me referindo a ter que ir ao quarto dos meninos.
- Essa coisa de fazer tudo escondido é um saco. – Ele confessou. – Mal temos tempo de ficarmos sozinhos.
- Foi você que decidiu voltar ao X Factor como banda, não me culpe. – Brinquei e ele riu, secando o cabelo. Pensei que seria muito suspeito os dois aparecerem do nada com o cabelo molhado pós banho, então sequei o meu, tratando de fazer o mesmo com o seu. Estávamos prontos pra sair quando ouvi uma voz por de trás da porta:
Espero que vocês dois estejam vestidos em cinco minutos, quando eu voltar.
Era Richard. Olhei para de olhos arregalados e ele devolveu o olhar, ambos assustados demais pra se concentrar em uma expressão facial.br> Quando ele disse voltar em cinco minutos eu sabia que essa espera duraria pra sempre. E o tempo demorou pra passar.
- E agora? – Sussurrei pra , mesmo sabendo que não tinha mais ninguém pra ouvir.
abriu a porta para ver se encontrava ao menos um dos meninos. Estava tudo vazio, exceto por Richard que surgiu do nada, entrando em seguida e fechando a porta logo atrás. Respirei fundo e parecia que o ar estava muito pesado.
- Vocês sabem que eu nunca concordei com essa coisa de contrato. – Disse, sentando- se em uma cadeira, muito desconfortável. – Nunca me pareceu uma boa ideia envolver nenhum de vocês com essa coisa de namoro falso. e , ela era o reflexo de garota que todas queriam ser. Vocês estão juntos a pouco mais de dois anos, e ainda faltam longos meses pra acabarmos com isso, porém nesse meio tempo, a Syco trouxe você – apontou pra mim – e tudo virou uma bagunça. Mariah não era mais a garota do One Direction. Mesmo trabalhando para eles, era da próspera cantora que cantava com eles que os olhos do mundo se voltaram. E então a Syco quis agir, colocando você como o par de qualquer um deles, exceto .
- Eu não tenho culpa de ter acontecido. – Interrompi.
- Eu sei. – Ele me olhava nos olhos. – E fui eu quem não autorizou quando Simon disse que você seria namorada de . Inventei que os fãs a viam como a melhor amiga dos meninos, e isso colou por um tempo, até que as fãs passaram a preferir você com do que a própria Mariah. Interromper o contrato arcaria em muito mais dor de cabeça do que simplesmente afastar vocês. Pro mundo, você é , amiga dos meninos da One Direction, melhor amiga do casal principal da banda. Não podemos manchar sua ficha como “a garota que roubou o namorado da amiga”, e muito menos a de como “traidor descontrolado”. Mas eu sabia que ia chegar nisso, acho que todos sabem. Essa coisa de vocês dois escondidos, vocês acham mesmo que as pessoas não conseguem descobrir? Vocês emanam “somos um casal”. E eu de verdade, torço pra que um dia vocês deem certo juntos.
- Mas agora vai ter que contar ao Simon. - disse aquilo que ninguém queria dizer.
- Não na verdade. – Eu que observava meus pés subi os olhos de encontro aos de Richard na hora. – Eu não vim aqui ser um vilão. Só vim mostrar o que está em jogo caso alguém além descubra. Mostrar pra vocês que não é por capricho que assinou não se deixarem descobrir o fato dele se envolver com ninguém pelo tempo determinado. Não é só pra conquistar vendas agora. É pra preservar suas imagens frente a mídia. – Ele se levantou, e a bronca doía forte. – Agora vamos nos encontrar lá embaixo. Vocês tem um show pra fazer.

- Preciso dar um jeito nessa franja. – Gee disse, fazendo um bico de cabeleireira pra mim. Lou, que tinha tal função, estava cuidando dos meninos, já que no momento, estávamos um pouco atrasados.
- Eu falei que escovando ela fica rebelde. – Argumentei sobre, conhecendo muito bem meu cabelo. Não parava de cair sobre minha testa e não se prendia a grampos. Por fim, resolvi deixa-la solta mesmo.
Em minhas turnês solo habituais, abusava de bodys, meia calças e saias, mas nessa, especialmente por estar com os meninos, que tinham um look mais despojado, estava me sentindo bem com um shorts jeans preto, com uma camiseta branca estampada com minhas iniciais e um all star preto. Louis vestia uma regata cinza e calças pretas, assim como o look de Zayn que apenas acrescentava uma jaqueta mais clara e um colar com a letra Z. Liam combinava o vermelho de sua camisa, uma calça preta e uma jaqueta jeans, seu sapato cor de mostarda, da mesma cor que os de Harry, que além da calça jeans, vestia uma camisa preta e branca, a estampa dando a entender que eram flores. Niall usava uma camiseta cinza, uma jaqueta jeans escuro e uma calça jeans-gasto. Estavam todos lindos, e prontos com uma hora de antecedência.,br> - Essa turnê está saindo uma grande dor de cabeça – Simon quem disse. Tinha vindo da America até o outro lado do planeta apenas pra reclamar? – Eu não aguento mais acordar a cada dia com um rumor novo.
- Antes vários rumores do que um só, não é? – Kellendria tentou argumentar. Eles falavam de mim e as brincadeiras que eu e os meninos costumávamos fazer nos palcos.
No show em Brisbane, Niall me roubou um beijo no rosto em Kiss you, de forma que várias câmeras captaram como um selinho.
Em Melbourne, vesti uma longa camiseta de Liam, que mais parecia um vestido provocando-o com a próxima canção. O mesmo cantou toda a música de Little Black Dress diretamente pra mim, me trazendo pro palco quando o fez.
Zayn me transformou em sua garota por uma música. E conforme cantávamos steal my girl, ele e os meninos faziam um teatro que dava a entender que eu era a garota que ninguém tomaria dele.
Em Adelaide, foi minha vez de brincar. Fazendo um cover da música de Demi Lovato, Made in the USA, em um dos versos, troquei “USA” por “Manchester”, cidade natal de Harry, que não parava de me fazer gracinhas do canto do palco.
E só tenho a dizer que em Perth, talvez Louis e eu tivéssemos abusado das brincadeiras no palco, ao som de Best Song Ever. Porém em todos os shows, era bem mais nítida minha aproximação com , eu assumo. Estávamos naquela fase gostosa de querer ficar um perto do outro em todos os momentos, e naquela tour eu não aguentava passar um minuto longe de seu sorriso. Eu sabia que isso já estava irritando nossos gestores, mas acabava sendo automático. Mas agora eu estava 200% mais preocupada, já que Richard sabia das escapadinhas que e eu estávamos dando. Eu sabia que tinha que ter mais cuidado para que Kelly não descobrisse, pois ela não seria tão compreensiva. E quanto a Simon, bom...
- Vocês vão arranjar um namorado pra ela, antes que eu pegue uma garota do Little Mix e transforme duas meninas em duas lésbicas do pop. – Ele foi embora, nervoso. Eu havia achado tudo muito engraçado, mas ao olhar o assessor da 1D e a minha tão sérios, percebi que aquilo poderia estar sendo realmente cogitado.
- Vocês não vão me arranjar um par, não é? – Perguntei diretamente a ela.
- Com as garotas da Little Mix, não. – Ela riu. E eu já não conseguia entender se essa era ou não uma boa resposta.

- ? - me chamou após o show. - Pode me ajudar com uma coisa?
- Claro. - Me despedi do restante da equipe e o acompanhei. Haviamos acabado de chegar ao hotel. andava apressado, quase não dando chance para que eu o acompanhasse. - Me espera.
Enlacei meu braço junto ao seu para que ele não me deixasse pra trás. Estava tão animado quanto eu com tudo aquilo, me disse. Eu podia ver seus olhos brilhando. Aquela semana estava sendo incrivel e eu sabia que ele estava tão empolgado, era muito bonito de se ver e acompanhar. Não mediamos palavras pra descrever o sentimento.
Eu me sentia nas nuvens.
- Olha, se vocês se casarem um dia, eu espero ser no minimo o padrinho. - Ele abriu a porta de um quarto pra mim. O olhei sem entender, já que ele havia me chamado ali. Não era em nenhum dos andares reservados por nossa equipe. Me cedeu a passagem mas não entrou comigo. Quando observei o quarto, sorri emocionada.
O quarto estava cheio de flores. Um cheiro gostoso e amadeirado. John Mayer tocava bem baixinho, quase inaudivel.
Não fosse saindo do banheiro com duas taças na mão, eu poderia me apaixonar por qualquer pessoa que estivesse naquele cômodo comigo.
- Resolvi tirar um momento pra ser extremamente clichê. - Ele começou a falar. Eu ainda estava extasiada com aquele clima de romance. O encarei divertida. Ele poderia dizer o que fosse, mas que nos encaixavamos em um casal clichê era quase uma afronta ao destino. - Você costuma dizer que é minha amante, e eu particularmente acho isso sexy. - Sentou-se ao meu lado. - Mas a verdade é que isso vai além de rótulos. A conexão que criamos juntos é desafiadora. Temos mil e um motivos pra nos virarmos as costas mas seguimos insistindo nessa rebeldia.
- Sou sua fã. - Respondi. - Queria que eu fizesse o quê? - Ele riu assentindo. Resolvi me aproximar. e eu éramos mais um "casal parceiro" do que romântico, e talvez isso se dê por termos construído uma grande amizade primeiro. Por isso esses momentos em que ele me preparava algo diferente, eram momentos ainda mais especiais.
- Você é a fã mais importante! Desde a primeira vez que ouvi falar de você. - Me puxou pra ficar ainda mais perto. - Só quero te dizer que sou seu fã numero um também. - Me deu um beijo. - Fã da sua energia. - Outro beijo. - Do seu carisma. Da sua beleza. Da sua boca... - Não completou porque o beijei. Sentei sobre seu colo, num beijo calmo, ainda tomado pela sensação gostosa que toda aquela cena estava me proporcionando.
- They don't know how special you are, they don't know what you've done to my heart... - Cantarolei em seu ouvido. - Canta pra mim, ? - Pedi, realizando ali meu último e talvez mais bobo desejo como fã.

People say we shouldn't be together (As pessoas dizem que nós não deveríamos estar juntos)
We're too young to know about forever (Somos jovens demais para saber sobre "para sempre")
But I say they don't know what they talk talk talkin' about (Mas eu digo que eles não sabem o que estão falando)

Eu ainda estava em seu colo ouvindo uma das vozes mais doces que já havia conhecido. Uma das minhas músicas favoritas, meu sonho adolescente.
Ele cantarolava em meu ouvido, só pra mim. No fim era sempre assim, nós mais que amantes, éramos fãs um do outro. O que me permitia conhecê-lo como ninguém. Admirá-lo.
- Cause this love is only getting stronger...- Eu cantarolei antes de envolvê-lo em um novo beijo. Dessa vez com mais fervor, porque sua voz sussurrada contra minha pele já ea um golpe baixo.
Me afastei do beijo apenas para levar sua camisa. Tocar sua pele me fazia arrepiar tanto quanto a ele.
Sabia que provavelmente tinha planos menos urgentes e mais românticos naquela noite, mas ele também não fez a menor intenção de resistir antes de tirar meu vestido e me admirar só de lingerie.
Eu sabia que o olhava tão admirada quanto.
Ele beijava meu pescoço e acariciava meus seios ao mesmo tempo que eu desamarrava sua calça. Escorreguei da cama ao chão levando o restante de sua roupa comigo, meus olhos o acompanhando a todo tempo. Só ele despertava tanto desejo em mim.
Ele não deixou que eu o chupasse por muito tempo. De trás do travesseiro que o apoiava, puxou uma camisinha pra que pudesse vesti-lo. Já havíamos falhado uma vez e tínhamos consciência de que não podíamos deixar de nos proteger.
Nosso sexo era amor, tesão e intimidade na medida certa. Nosso corpo se entendia por olhares e suspiros.
Eu o chamava de amor no começo da transa. E ele concluía me chamando de gostosa, me fazendo sentir a mulher mais desejada do mundo.
- Eu te amo, . - Disse, me movimentando por cima dele. Não é como se não soubessemos o que sentíamos um pelo outro, mas o momento me deu vontade de falar. O tipo de amor romântico que me fazia suspirar e relaxar. O amor que me fazia doer só de imaginar perder por um instante.
- Shhhh. - Me respondeu chiando e rindo. sempre fora o mais emotivo entre nós dois, então nessas situações, ele costumava "fazer meu papel". Era nossa fantasia preferida. - Eu te amo.
- Claro que sim. - Nos afastei apenas para que ele se livrasse da camisinha e eu pudesse abraça-lo e curtir aquele momento pós transa. - O que não se tem pra amar em .
- A modéstia. - Ele me beijou com paixão. Se eu não estivesse tão cansada, o provocaria até que fizessemos tudo de novo.
- Por que você tem que ser assim, hein ? - Fingi uma indignação. - Se você não fosse tão apaixonante teríamos ficado apenas uma vez. Seria o melhor dia da minha vida. - Confessei. - Agora você me enche de expectativas e surpresas. Não consigo nem me imaginar sem você.
- Acho que quero ser o cara que você compartilha nas suas canções... - Ri com sua frase. Ele ia descobrir agora que ele já era.
Peguei meu celular com uma letra que estava ali não tinha muito tempo. Era meu presente pra ele nessa noite maravilhosa. Ele a leu animado, refazendo meu pedido para que eu cantasse pra ele, dessa vez.

Baby you the best (Meu bem, você é o melhor)
'Cause you worked me out (Porque você me entende)
I keep building walls up (Eu sigo construindo muros)
But you tear'em down (Mas você os derruba)
I'm figthing (Estou lutando)
I don't wanna like it (Eu não quero gostar)
But you know I like it (Mas você sabe que gosto)

Cantarolei meio sem ritmo.
- Posso seguir a melodia? - Assenti que sim. Ele pegou seu violão no canto do quarto, dedilhando algumas notas enquanto eu cantava.

All of them other boys can walk away (Todos os outros caras podem ir embora)
They ain't even in the game (Eles nem sequer estão no jogo)
'Cause they know that you own it (Porque eles sabem que você ganhou)
You got this swag you got this attitude (Você tem esse gingado você tem essa atitude)
Wanna hear you say my name (Quero ouvir você dizer meu nome)
'Cause you got me (Porque você me faz)
Flying with ur love (Voar com seu amor)
Shining with ur love (Brilhar com seu amor)
Riding with ur love (Viajar com seu amor)
I feel like I'm on top of the world (Eu sinto que estou no topo do mundo)
With ur love (Com o seu amor)


- Temos um hit. - Elogiou. Voltei a abraçá-lo empolgada em apresentar a canção pra alguém da equipe.
- Tenho você... - E ele era minha (ins)piração. E ao mesmo tempo que aquilo me acalmava, me assustava. Minha parte mais racional sentia que aquilo era encrenca.
Deixe que o sono levasse meus pensamentos, e eles me atormentaram em pesadelos...


07 - Torn

♪ Nada está bem, eu estou quebrada
Eu estou totalmente sem fé
É assim que eu me sinto ♪


E então conseguimos lidar com a situação do romance escondido por um mês.
Eu não me lembrava de me sentir daquela maneira antes. Não sabia como era acordar pensando exclusivamente em alguém, e ir dormir se lamentando por a pessoa não estar ao seu lado te fazendo companhia. Não sabia como era a sensação de se sentir correspondida, ao mesmo tempo em que parecia que nada fazia sentido. Nunca havia deixado meu bem estar pra trás focando em simplesmente agradar a uma única pessoa.
Ainda na Austrália, me deu um colar com um pingente de coração. Disse que significa uma lembrança do nosso romance, mesmo que pra mim, o colar tivesse um significado muito mais especial e além do que esse. O colar era minha lembrança de que ele estava ali comigo. Não importando onde eu fosse, ou como estivesse, eu tinha um cara ao meu lado que estaria me dando total apoio. Como se naquele colar, eu encontrasse um medalhão que me enchia de energia e esperança. E eu o carregava comigo onde quer que fosse.
Agora na Indonésia, eu sentia esse medalhão enfraquecido. Eu pensei que com Richard a par do que acontecia entre e eu, as coisas aconteceriam mais facilmente. Eu estava completamente enganada em imaginar isso.
Ele havia cumprido sua promessa e não contado a ninguém, mas também não facilitava as coisas. Marcava em cima, e não deixava e eu sozinhos por dois minutos. Não ia dormir sem antes se certificar que estávamos cada um em um quarto. E até com Mariah tentou negociar, para que nos vigiasse, o que ela não topou, e veio me contar no instante seguinte. Tínhamos que fugir ainda mais para que conseguíssemos nos encontrar sem um vigia.
Ou seja, não estava dando certo. E eu, como uma perdida, inconscientemente coloquei em ação uma autosabotagem.
Foi assim que, mesmo vivendo a melhor fase da minha vida, decidi que era hora de surtar e estragar tudo.
Nesses dois últimos dias, havíamos tido uma pausa entre os shows antes de embarcarmos para a África. O que estava me fazendo bem, visto que eu estava completamente exausta. Especialmente hoje, acordei cedo, sentindo-me vazia. Não eram nem oito da manhã e eu já chorava sem parar. E não eram lágrimas de quem bate o dedinho na porta ou se machuca fisicamente, eram lágrimas de desespero. Eu estava completamente desolada, minha cabeça estava uma bagunça. E eu me levantei chorando. Não havia dormido com por uma noite, e já doía. Mas eu estava disposta a tentar fazer minha promessa muda se concretizar.
Eu me olhava no espelho e enxergava uma que não queria ver. Eu me sentia inchada, como se tivesse levando o hábito de me alimentar pior a cada dia, e realmente já não me lembrava da ultima vez que havia seguido o cardápio de café da manhã – almoço – jantar. Minhas refeições se baseavam em coisas que eu não costumava comer, como tortas de amora no almoço e sopa de tomate no jantar. Devido a esse nervosismo, meu corpo me forçava a por pra fora cada refeição que eu fazia, e eu vivia enjoada. Precisava conversar com minha psicóloga urgentemente sobre questões como bulimia, já que eu nem me forçava a vomitar, a vontade vinha naturalmente.
Isso não pode mais continuar a acontecer. – Eu disse a ele na noite passada. Sim, após que tivessemos um de nossos melhores momentos, eu resolvi acabar com tudo.
Eu simplesmente não conseguia controlar minha cabeça que ia de extremamente apaixonada pra completamente perdida em segundos. O tanto que eu amava e respeitava , era equivalente ao desespero que eu sentia. Se fizessemos algo de errado, se acabassem descobrindo, se nos afastassem... Sabia que quanto mais ao céu eu subisse, maior seria o meu tombo.
Referia-me a ter que continuar essa nossa relação de momentos. Eu entendia que não dava pra funcionar comigo sendo a amante e que cedo ou tarde, acabaríamos nos destruindo pra guardar esse segredo. E aquele meio porcento que o levava a entender que eu tinha razão, acabou vencendo a maior parte que o levaria a me pedir para ficar. Mas ele me deixou ir. Me deixou ir porque sabia que estávamos sendo injustos com nós mesmos. Que isso só nos levaria a prejuízos irreparáveis. Me deixou ir porque era mais fácil que me fazer ficar. Mas no momento doía muito. Eu estava desesperada. E não há um desespero maior do que não saber o que fazer.
Como quando você cai em um rio e não sabe o que fazer para não se afogar. Como quando uma criança se perde dos pais na multidão, sendo simplesmente ignorada apenas por ser pequena demais. Ou como eu nesse momento. Tendo que escolher entre um relacionamento e uma carreira. Uma coisa devia ser tudo. Mas era totalmente injusto ter que reduzir a outra a nada.
E então talvez eu estivesse errada. Havia sim uma dor muito pior. A de não poder fazer nada.
A mais injusta das dores. Aquela que ardia sem que você descobrisse onde estava a ferida. Aquela que colocava tudo em seu redor ao chão, enquanto tudo que você podia fazer era assistir, sofrendo, no seu silêncio interno. Esse silêncio que emanava como um pedido de socorro. E agora escorria como em lágrimas pelo meu rosto.

Eu não desci pro café às oito. Respondi ao chamado de na porta com um breve já vou. E não iria.
Eu não queria descer e ter que encarar o olhar ferido de . Eu não queria olhar meus meninos sabendo que naquele momento eles estavam sentindo pena de mim. Eu não queria encarar ninguém que me fizesse lembrar que eu não podia correr atrás da minha felicidade.
Eu só queria que o tempo passasse. Que os meses daquela tour se esvaíssem. Que por fim, o acordo entre a Syco, e Mariah terminasse e então eu pudesse dar um verdadeiro rumo aquela relação.
Eu não sabia se ele iria me esperar. Se nesse meio tempo, se apaixonaria por outra que topasse viver seu romance secreto. Ou que acabasse vendo a menina incrível que Mariah era e tentasse fazer aquilo realmente dar certo. Mas eu não tinha escolha. Porém não sabia nem se conseguiria manter viva a promessa de que continuaremos sendo os melhores amigos.
- Eu te amo. - Me disse novamente. Ele sempre sabia como respeitar meus momentos. - Prefiro continuar sendo seu amigo que as coisas acabarem continuando difíceis e te perder pra sempre. Eu só quero que o tempo passe.
- Eu também.
- Sussurrei o abraçando, levantando e saindo sem que ele dissesse nada.
E agora no espelho, eu encarava a imagem da ilusão. Estava dando graças a Deus por não ter um show naquela noite, ou teria que inventar algo muito convincente a meus gestores que me fizesse não subir no palco, e só esse pensamento já me deixava completamente exausta.
Exausta. Olhei o calendário pendurado na parede, marcando o dia 15. Apertei meus olhos lembrando de uma memória não tão recente.
Puta merda. Não podia ser.
Desembarcamos no continente africano sem que minha mente descansasse por um segundo.


Era difícil fingir que estava bem com o que tinha acontecido. E foi ainda mais quando tive que dizer a Richard que ele não tinha mais com o que se preocupar sobre e eu.
Fitei meu quarto procurando algo de interessante. Peguei meu celular e vi como o mundo parecia errado.
Em um Jornal da própria cidade de Johanesburgo onde nos apresentaríamos pela noite, vi estampada uma foto minha com Mariah, enquanto ao lado, aparecia em uma outra, abraçada a e , a noticia embaixo relatando o show que faríamos amanhã na cidade. E não me parecia certo a forma como tínhamos que jogar com nossos fãs. Os convencer a acreditar em nossas mentiras, e deixarem conhecer pessoas que não éramos.
Era chata a forma como eu me sentia um boneco da Syco. Principalmente agora, que tinha me envolvido nessa situação que não teria mais volta.
Enquanto era apenas eu e Mariah, as coisas eram completamente diferentes. Com toda essa coisa do contrato, e ela fazendo parte do time da One Direction, inevitavelmente nos tornamos amigos. Eu me esforçava pra gostar dela de verdade e transmitir mais verdade ao nosso público, mas não se manda no coração, muito menos se brinca com ele.
Coração esse que não teve piedade nenhuma em me colocar em uma enrascada.
A partir do momento que e eu nos comnhecemos, nos tornamos muito amigos. Conversávamos diariamente por mensagem, e nos víamos quase todos os dias a partir de quando ela se mudou pra Londres, assinando contrato com a Syco.
Não sei dizer exatamente quando passei da barreira da amizade para a de um carinho mais especial, mas sei que não foi algo tão difícil assim. era tão apaixonante que meu medo maior era que acontecesse com os outros meninos, o que me aconteceu. Porém, mesmo com suas inseguranças, ela conseguia me transmitir que aquilo que tínhamos ia além de uma relação entre melhores amigos.
E eu tive que ter paciência. Mas infelizmente, só fiz conquistá-la para logo depois perdê-la.
Eu sabia que acabaria não dando certo. Levar uma coisa por alguns dias era simples, agora por meses, era completamente surreal e improvável.
Por isso, não a impedi quando me disse que precisava ir. Por mais que minha vontade fosse de mostrá-la o quanto éramos melhores juntos, eu não podia privá-la de viver. Não poderia jamais fazê-la completamente feliz, e se ela precisava desse espaço, era o mínimo que eu não poderia negar.
Eu estaria a esperando. Contando os dias, as horas e os minutos que faltavam.


Levantei-me pela décima vez naquela manhã para ir ao banheiro. A cada vez que passava frente ao espelho, sentia uma vontade maior de escorrer pelo ralo da pia.
Tirei toda minha roupa, entrando no chuveiro em seguida. Minha mente traçou planos para que meus pensamentos acabassem se perdendo em meio a certezas. Possíveis falhas que levassem a isso não estar acontecendo de verdade. Que fosse apenas fruto da minha imaginação fértil e perturbada.
Conforme a água escorria por meu corpo, minha mente voltou a me trair, e fui fazendo um cálculo mental para tentar me lembrar de tudo o que estava sentindo durante as ultimas semanas.
Como as três ou quatro pausas que eu fazia nos show para poder usar o banheiro.
Como eu sempre estava enjoada ou vomitando.
Como eu passei a odiar o perfume dos meninos, que com certeza eram as melhores fragrâncias que eu já havia sentido.
Como eu parecia estar inchada e mal humorada.
E principalmente, como eu havia me esquecido de tomar a injeção do anticoncepcional por tanto tempo.
Desliguei o chuveiro com as mãos tremendo. Em minha cabeça, colidindo mil e um problemas que isso poderia me causar. Mil e uma outras razões que me fizessem acreditar que aquilo era tudo psicológico e eu buscava algo que me fizesse prender a .
E eu me vi outra vez sem saber o que fazer. Não era como se simplesmente pudesse chamar um dos meninos e sair os assustando antes da hora. E precisava de uma certeza antes que simplesmente saísse gritando aos quatro ventos.
Richard foi a primeira pessoa além que me passou pela cabeça. Mas eu tinha certeza que ele não saberia ser discreto.
Entre tantas poucas possibilidades, somente uma única ultima pessoa me passou pela cabeça. A única pessoa que eu saberia que não iria me julgar, que não iria ter medo de enfrentar a situação, simplesmente por já ter passado por isso.
Rolei minha agenda de contatos no celular, com único nome em mente. Eu sabia por cima que ela estava vivendo em Paris. Esperava que estivesse disposta a me ajudar a enfrentar esse conflito, e que a distância não impedisse de fazer seu papel de conselheira.
- ? – Disse fraco. Há mais de dois anos, não ouvia sua voz. – Acho que eu estou grávida!

A probabilidade de aquilo estar acontecendo era mínima. Assim como a possibilidade de vulcões entrarem em erupção a qualquer momento, mas nos cansávamos de ver noticias sobre o assunto ocupando os telejornais.
Disquei para porque confiava nela. Sabia que mesmo machucada pela distância e brigas, ela ainda era muito especial pra mim e eu a amava. Sabia que ela, por no mínimo que fosse, me daria sua atenção e não me deixaria sozinha num momento como aquele. No momento, tudo o que eu queria era um abraço, alguém que pudesse me transmitir verdade quando dissesse que estava tudo bem.
Como fruto de um milagre, estava fazendo alguns estudos sobre uma personagem que iria interpretar, esses estudos acontecendo em Cape Town, a próxima cidade que íriamos nos apresentar. Ficamos por um grande tempo no telefone, e então ela disse que ia vir pra cá assim que conseguisse. Dessa maneira, como se nada nunca tivesse mudado e ainda estivéssemos no Brasil, com nossa banda e amizade.
Então ela me lembrou de agir como ela fez na situação. Fingir que nada estava acontecendo. Porém era muito mais forte que eu e eu sabia que ia dar na cara que estava acontecendo algo assim que saísse daquele quarto. Mas estava morrendo de fome e sabia que precisava encarar a realidade.
Era quase hora do almoço, e eu havia confirmado a Kellendria que iria comer com toda a equipe. Equipe essa que incluía , e eu tinha plena certeza que não o conseguiria encarar sem transmitir por meu rosto, a bagunça que estava na minha mente.
Enrolei até que desse uma da tarde e esse era meu máximo. Kelly já havia me ligado umas dez vezes, essas que eu dizia estar descendo e não ia.
Chegando ao hall do hotel ele foi a primeira coisa que vi. com certeza devia ter falado algo engraçado, pois os dois se olhavam e praticamente gargalhavam. E eu sorri junto o vendo feliz daquele jeito. Era como se sua felicidade, mesmo que por um minuto, fizesse a minha vida ser completa também. Como se pegasse todos meu problemas e trancasse numa caixinha bem pequena, guardada no fundo da gaveta.
Me aproximei e ele ainda sorria quando me olhou, mas dessa vez o sorriso era pra mim. Eu sabia que enquanto estivéssemos juntos, não haveria motivos para que o meu também deixasse de ser motivado por ele.
- Bom dia. – Sussurrei só pra ele. – Bom dia gente. – Falei um pouco mais alto, dessa vez pra todo mundo. – Desculpe não descer pro café, fiquei com muita preguiça.
- De qualquer forma, os garotos mal esperaram. – Foi Kellendria quem disse. – Zero novidades..
- Como você tá infantil hoje, Kelly. – Richard disse rindo, e eu só fiz olhar de um pro outro. Parecendo dividir do mesmo pensamento que eu, Harry disse:
- Parece que pra alguns a noite não foi tão preguiçosa assim.

Chegamos no restaurante meia hora depois. Meu voto de Mc donalds acabou sendo voto nulo, visto que todos ali estavam morrendo de vontade de comer comida da África, o que também acabou sendo muito bom, visto que eram bem mais simples do que eu imaginava, já que a típica comida africana era típica de todo o mundo.
Me senti muito bem quando se sentou ao meu lado na mesa. Estávamos divididos em dois grupos; um com nós dois, , e , e o outro com , , Kelly e Richard se sentaram na outra. Achei estranho a forma como Richard pediu gentilmente que trocasse de lugar com , mas não comentei. Eles sempre eram cheios dessa de transformar nossos almoços em pequenas reuniões, e eu estava muito contente de não ser eu a participar disso nessa vez.
Inventei de pegar a mesma coisa que para dar uma variada. Sempre combinávamos no paladar, porém nesse dia foi diferente. Completamente diferente. Eu quis morrer quando aquela coisa com peixe e legumes foi deixada na minha mesa. O aspecto, o cheiro... Tudo me enojava. Eu agradeci por ser uma porção pequena, e eu conseguir engolir pelo menos metade conseguindo conter a vontade de vomitar.
Eu não sabia como funcionava a tal da gravidez. Mas se fosse daquele jeito, eu imaginava como seria difícil ter que comer por dois. Como seria ter que aguentar coisas como arroz, peixe, legumes, camarão. Eu adorava até ontem, mas hoje não conseguia comer. Será que essa criança seria sempre assim tão fresca?
Fresca a ponto de só me fazer pensar em fondue. Muito chocolate derretido, com morangos e uvas frescas, talvez um kiwi.
- O que vocês tem de sobremesa? – Perguntei ao garçom, que saiu e voltou com outro cardápio. , parecendo tão interessado quanto, enfiou a cara por detrás do papel junto ao meu. Richard tirou uma foto nossa bem naquele momento e eu só lhe dei um dedo não muito educado.
- Essa torta de morango... – Chamei novamente a atenção do garçom. – Vocês conseguiriam adicionar uma porção de chocolate?
- Perfeitamente senhora. – Disse, seu sotaque muito fofo, mas seu perfume muito forte. – Além dessas opções, temos um menu de chocolates. Milk shakes, tortas, fondues, sorve...
- Um fondue, por favor. O maior que tiver. – Salivei com a ideia, quase chorando de prazer. Aquele menino iria ganhar uma maravilhosa gorjeta. – Chocolate meio amargo, e muitas, muitas frutas. - me olhou divertido.
- Isso tudo é pra lidar com o coração partido, ? – Brincou. Olhei pra , que não parecia ofendido, mas sim ansioso com a minha resposta. Ele sabia o que eu queria dizer. Não havíamos partido o coração um do outro, o sentimento continuava ali intacto.
- De partida aqui, só sua cara daqui a pouco. - gargalhou e eu fui até o balcão entender a demora da minha sobremesa. Já haviam passado o que, trinta segundos?
- Mas nem pra partir seu coração eu servi? - disse, me acompanhando. – Poxa, , assim eu me sinto péssimo cumprindo meu papel de homem. – eu ri.
- Eu não podia deixar tão explícito, não é? – Entrei em sua brincadeira. – Porque você acha que eu não desci de manhã? – Era estranho como a verdade sempre saía naturalmente quando estávamos conversando.
- Eu mal consegui dormir essa noite. – Confessou também. – Aquela cama parecia uma imensidão sem fim sem você por lá. A gente não pode continuar naquela amizade que tínhamos antes daquilo acontecer?
- Eu não sei se conseguiria. – Ri. – Não sei se provar do vicio tem cura, não.
- Sinto sua falta. – Pegou minha mão numa atitude inesperada. Não hesitei em segurá-la e dar um beijo sob suas costas, soltando-as em seguida. No mesmo momento, pude ver aquele mesmo garçom entregando-me o pedido, e Richard mandando ir em nossa direção. – Acho que a gente deve conversar.
- Não agora. – Foi quem disse, então nós dois viramos em sua direção. – Kellendria acabou de receber uma ligação. Tem uma visita te esperando no hotel, .

Saltei da van correndo direto pra dentro do hotel. Eu já sabia quem era antes mesmo de vê-la na recepção. E então todo o sentimento voltou, quando ali, sorrindo pra mim, estava . Minha irmã, minha melhor amiga. Tínhamos tanto que conversar. Mas cada palavra se esvaiu da minha mente assim que ela me deu um abraço. Um abraço cheio de dor, saudade. Não percebi quando comecei a chorar,mas soltei de seu abraço soluçando.
Os meninos parados ali atrás com certeza não sabiam o que pensar, mas eu sabia que eles deveriam estar felizes por mim. Richard e Kelly filmavam mais uma vez, tentando ser discretos, enquanto segurei a mão dela e saí a puxando dali. Eu precisava daquela garota e de uma privacidade urgente.
- Eu senti sua falta. – Já estávamos no elevador quando ouvi sua voz dizer a frase que mais me marcou naquele dia, outra vez. E foi o que mais me doeu acima de tudo. A forma como eu acabei tornando sua vida um inferno em nossos últimos meses juntas, e sua capacidade de ser uma garota tão maravilhosa que ela não guardava mágoa. A forma como ela não hesitou em atender ao meu pedido de socorro, e atravessou o país pra me ajudar, quando tudo o que devia ter feito era soltar a ligação na internet e acabar com a minha vida. Eu estava em prantos outra vez. – Mas desse jeito não dá. – Sua voz era divertida. – Tanto tempo sem te ouvir falar, e agora você só faz chorar?
- Desculpa. – Tentei sorrir pra ela, que já estava com o sorriso mais bonito do mundo preparado pra mim. E só então pude reparar em como havia mudado nesses últimos anos. Sua pose menininha, com saias curtas e colares perolados davam lugar a agora uma mulher de classe, saltos finos e joias caras. Talvez seja o efeito que a maternidade causa em uma mulher.
O elevador chegou ao meu andar e então pude respirar tranquilamente. Eu já havia parado de chorar, mas eram muitos sentimentos conflitando naquele ambiente, eu sabia que as lagrimas voltariam a qualquer momento.
- Eu não sei como começar isso. Eu sei que você me disse por cima, mas , como isso foi acontecer? – Perguntou-me sobre a gravidez. Então lhe contei tudo. Desde a parte do contrato de Mariah e , até nosso romance secreto. Coisas a serem guardadas, mas eu não tinha sequer uma dúvida sobre nossa confiança. Posso jurar que fiquei uma hora falando sem parar e mesmo assim a história parecia não ter fim. – E poxa, a bonita da camisinha nada?
- Foi só uma vez. – Corrigi. – Confiei que o remédio fosse me ajudar, mas parece que isso é nada é a mesma coisa.
- Eu engravidei com o anticoncepcional e camisinha. – Lembrou-se. – Mas Cassie foi uma benção na minha vida, estávamos completamente preparados para tê-la, não nessa sinuca de bico que você tá metida...
- Ok, já sei. – Interrompi. Nem sabia se já estávamos novamente nessa fase de amizade, mas era simplesmente automático eu pedir para ela calar a boca, visto que falava demais quando queria.
- Eu te comprei uma coisa. – Ela sorriu pra mim. – Você só tem que me prometer de que não vai surtar, tenho certeza que tanto falou que eu finalmente poderia ver o resultado.
- Veja você. – Disse. Nem tanto por medo, mas eu realmente não sabia como aquilo funcionava. Ela fez cara de nojo ao tirar a tira do pote, e com o semblante calmo, virou-se pra mim. Calmo era ruim. Com calmo eu não conseguia entender se era animadora ou não a noticia.
Antes de ela dizer, mil e uma coisas se passaram pela minha cabeça. Como eu contaria a , à minha família, a Simon, e principalmente, ao mundo.
As palavras de Richard, quando havia descoberto sobre meu caso secreto, vieram à minha mente como flechas: É pra preservar suas imagens frente a mídia. E era simplesmente isso que seu possivelmente estava destruindo.
Senti minha cabeça girar com a ansiedade. Respirei fundo vendo ver e rever a tira em sua mão. Três tiras que indicavam a mesma coisa.
Quase congelei ao ouvi-la dizer:
- É. Você está grávida.



08 - No Judgement

♪ Quando você está comigo, não há julgamento
Podemos conseguir isso de todos os outros
E nós não temos que provar nada ♪


Certo, seria fácil evitar os meninos com a desculpa de “estar mal pelo rompimento com”, mas era difícil enrolar o mesmo com um “a gente precisa desse tempo” quando meu rosto não conseguia transmitir a verdade necessária ao dizer.
e eu havíamos conversado sobre cada consequência que essa criança pudesse trazer de imediato, e eu estava plenamente ciente de como tudo isso acabaria com não só a minha vida naquele momento.
Deus sabe que eu jamais faria mal aquele bebê. Não era culpa sua, e meu instinto materno só iria o proteger. e eu éramos os irresponsáveis que teríamos que responder por nossos atos, o feto estava ali apenas existindo por nossa irresponsabilidade.
Estávamos nos preparando para o primeiro show na cidade. No camarim que dividíamos, nesse momento estava apenas , ao lado os meninos se preparavam. Era uma situação perfeita para eu contar a temida novidade, mas eu simplesmente não conseguia. Sabia que a frase “estou grávida” acarretaria em emoções que necessitariam de um momento em especial.
estava me dando todo o suporte. Era maravilhoso tê-la de volta. E fora dali, ninguém entendia nada.
Os meninos não tiveram tempo de conversar comigo e então era hora de subir no palco tentava a todo custo arranjar um tempo para que conversássemos. Estava “me notando estranha”. havia dito a mesma coisa, e conseguia ser ainda mais insistente que o . Era péssimo, eu sei. Mas seria o fim de uma era quando essa gravidez viesse a tona, e eu queria prolongar esse momento ao máximo. Em alguns dias, estaríamos fazendo uma pausa de dois meses, e ali seria o momento. Quem sabe a tour nem voltasse desse hiatus, ou voltasse com Zara Larson em meu lugar. Eu não podia prever.
- Tudo bem, ? - me olhou meio preocupada. Havia passado o dia todo enjoada e estava péssima agora. Meu estômago não conseguia segurar nada além dos caldos que eu vinha tomando e eu me sentia tão verde quanto o Hulk. Eu havia lido muito sobre inicio de gravidez, e o pior era que nenhuma relatava enjoos tão absurdos como os meus, assim como dores tão intensas que eu vinha a sentir. Meu coração me auxiliava a buscar um médico. Minha cabeça me pedia para pular de um penhasco.
Richard cortou duas músicas em especial nesse show. Disse a ele que não estava me sentindo bem, e o próprio se ofereceu para encurtar um pouco o tempo das apresentações e comunicar a plateia. E eu me diverti muita naquela noite. Meus fãs era meu tudo, e os fazer bem, era mais que minha obrigação.
A ultima musica foi difícil mas eu cantava com os meninos no encerramento. Eram notas muito longas, as quais meu fôlego não conseguiu segurar por tanto tempo, mas o que não as tornou tão ruins, mas levaram toda minha energia, me deixando despedir dos palcos com o tradicional gesto de agradecimento em que me misturava aos meninos da banda e murmurávamos um estendido thank you todos juntos.
Senti Richard me segurar e minha cabeça pesar quando saí do palco. estava bem ao seu lado, e ele chamando meu nome foi a ultima coisa que ouvi antes de apagar totalmente. Quando abri os olhos, já estava sob o sofá do camarim, mil e uma pessoas ao meu redor.
- Os bombeiros disseram que foi apenas uma queda de pressão. – Minha cabeça estava sob o colo de Kelly. - , você quer ir ao hospital? Você disse que esta se sentindo indisposta a dias. - Eu conhecia muito bem meu corpo. Ele dizia claramente que eu precisava consultar um especialista e que esse era o momento, mas eu sabia no que isso iria resultar, e não era uma boa coisa ao momento.
- Foi só uma crise de ansiedade. Eu também tenho me alimentado um pouco mal. – Argumentei. Havia evitado sair com a equipe e os meninos para comer, então a desculpa acabara por se tornar convincente.
- Eu deveria matar você só por você quase me matar de preocupação. – Richard me abraçou. Era mesmo um paizão naquele momento. tentava me dizer alguma coisa, mas acabei por fechar meus olhos, tentando em vão reprimir algumas lágrimas. Podia sentir os olhos de todos sob os meus, e sem querer, os meus encontraram com os de . Era um pedido de socorro que eu não sabia se queria ou não que ele entendesse. Mas era muito difícil passar por essa situação sozinha. Não demoraria para que acabassem descobrindo minha gravidez e todo esse apoio que eu estava recebendo, se transformasse no mais perfeito desprezo.
se sentou ao meu lado assim que Richard saiu acompanhado de Kelly. Os meninos fingiram se distrair com alguma coisa, e eu estava ali. Havia parado de chorar por fora, mas por dentro, todo o meu cérebro se derramava em confusão.
- , o que ta acontecendo? – Seus olhos estavam fixos sob os meus. – Você tem me evitado, e eu entendo. está contigo à todo tempo, eu não sei como isso aconteceu, mas você não precisa me contar. Porém eu olho pra você, e te conheço o suficiente para saber que você não está bem.
- Não é nada, . – Tentei dizer. Minha voz até pra mim não soava suficientemente convincente. Eu não o convenceria de nada que fosse a verdade. – Eu só acho que... Eu não estou preparada pra isso.. Eu tô com muito medo, . – O abracei com toda minha força. Que meu abraço fosse capaz de dizer o que minha boca não ousava pronunciar.
- Eu sei que essa turnê vem sendo uma loucura, você anda muito estressada. Eu vejo todo o tipo de ódio que as pessoas vêm demonstrando... Se é isso que te faz mal. Eu vou dar um jeito. – Ele provavelmente havia entendido que a tour estava sendo o motivo tudo. Saiu do camarim em algum momento, mas meu cérebro não o acompanhou. Segui seu caminho atrás de um banheiro, e então estava enjoada de novo. Sem energia, apenas me sentei sobre a tampa da privada, a cabeça sob as mãos. Ouvi a porta ser fechada e trancada, e não me espantei com a presença de ali. Seu olhar me assombrava desde o inicio da noite. Seu poder de dedução era incrível. Ele me conhecia tanto quanto , arrisco afirmar, ou se não melhor que ele. Eu tinha que estava completamente no assunto, mas sabia que só com a ajuda de alguém da banda poderia colocar minha cabeça pra funcionar.
- Você vai me contar, ou eu vou ter que deduzir o pior? – Seus olhos me encaravam profundamente, mas eu só os enxergava como um borrão. As palavras simplesmente não saiam. – Vou tentar arriscar. – Ele dizia baixo. – Eu sei que nenhum parente morreu. Foi alguma coisa que o fez? – Minha cabeça pouco esperou para acenar um “mais ou menos”. – Tem alguma coisa a ver com a volta repentina da ? – Mais uma vez repeti o gesto. – Você me deixa meio sem opções assim.
- Eu não tenho certeza ainda, ... – Tentei começar. - e eu cometemos um erro... Eu não sabia a quem consultar... é minha amiga, eu pensei que...
- Você está grávida. – Ele concluiu, sentando-se ao meu lado. Suas mãos foram a seu rosto exatamente como eu havia feito. E eu voltei a chorar. Seus braços me abraçaram, o abraço mais forte e confiante que eu havia recebido na vida. Eu sabia que podia confiar em para o que quer que fosse. Que mesmo sem saber o que fazer, bom, ele estava ali pra mim. Não causaria minhas lagrimas, e as secaria de bom grado. E eu o amava tanto por isso. Mal cabia em mim a gratidão por ele não estar me julgando no momento. Meu menino estava tão perdido quanto eu, mas jamais deixaria transparecer.
- Eu não sei o que fazer. – Eu soluçava pelas lagrimas. Estava num estado deplorável. Só queria um lugar onde pudesse por um dia me esquecer de qualquer coisa. Sem gravidez, sem turnê, consequentemente, sem . Eu precisava só da minha velha companhia. Da minha solidão poética e triste.
ligou para alguém. À surdina, saímos do banheiro e entramos na van antes de todo mundo. Chegamos primeiro ao hotel, e sem muitas palavras, ele ficou no meu quarto comigo, dividindo a cama e os pensamentos. Ele era divertido me livrando das lembranças da gravidez com comentários maldosos sobre o mundo pop. Quem dera brigas entre Katy e Taylor pudessem ser grandes o suficiente para encobrirem uma situação como a minha.
Avisei que estava com ele e ela foi até seu hotel onde estava sua filha. Eu precisava do meu momento assim como sabia que ela iria ter o dela com a família.
Richard ligou para , e ele se separou do meu abraço para poder explicar a situação à ele. Mas o assunto era outro. Pude ouvir coisas de como você não sabe onde está e não acredito que ele fez isso. parecia exausto quando se deitou de novo ao meu lado.
- O que aconteceu? – Perguntei. Seus olhos fechados, tentando me evitar, diziam muito mais que sua boca calada. - Não finja que não me escuta. O que houve?
- fez outra merda. - Então ele pegou o celular. Mexendo um pouco no twitter, pude ver do que ele estava falando.
Um mesmo tweet era retweetado milhões de vezes. Nos 140 caracteres, uma simples frase que significava muita coisa:

@: Se vocês realmente nos amam, deixem minha em paz!


E não precisava ser muito inteligente para entender o quanto aquilo deveria ter mexido com os fãs. Não a reclamação, nem o adjetivo usado com possessão ao me colocar como de , mas o todo. Lavei meu rosto antes de seguir com até o quarto de Richard, como o mesmo havia solicitado na ligação. Lá, encontramos um sem expressão, uma Kellendria desesperada e um Richard irado. Isso que eram onze e quarenta da noite.
- Vocês querem saber o que Simon disse? – Eu queria ter respondido que não.
- Richard, eu não quis... - tentou dizer.
- Não é pelo que você quis dizer , mas pelo que você disse. Em menos de 140 caracteres, você não defendeu uma amiga... Você disse “oi fãs que fanficam sobre e ”. Você disse “oi mundo, Mariah não é nada”...
- Não foi a intenção dele. - defendeu o amigo.
- Também não foi minha intenção chamar vocês aqui. – Kelly quem disse dessa vez. – Eu sei o que está acontecendo. Sei que essas suas crises é pela falha que vocês dois – apontou para e eu – descobriram nesse relacionamento impossível. E Deus não quis que Richard me contasse antes, porque essa situação seria muito mais complicada...
- Você sabe... – Concluí invalidamente. Richard havia contado, talvez após o incidente do tweet..
- E o Simon sabe. – Me sentei na cama de Richard meio desolada. olhou de mim a Kelly e baixou o olhar. Eu sabia que estava perdida. – As coisas vão se complicar muito para vocês três a partir de agora...
- O que? - Perguntei aflita. - Vocês não podem fazer isso! – Eu sabia onde a conversa ia chegar. Eu não podia deixar isso acontecer com .
- Não é uma decisão nossa, . – Richard tentou se justificar. – Simon vem falando disso há meses. Ele só precisava de uma falha de vocês.. – Minhas mãos começaram a tremer e eu me sentia tonta. Não, não e não.
- Foi Simon quem quis assim. A gente disse que era muito radical, mas... – A voz de Kelendria ficou por trás da porta que bati. Corri pro meu quarto sozinha dessa vez, trancando a porta e me deixando levar por muito mais lágrimas.
Eu não estava pronta pra lidar com tantas coisas em tão pouco tempo. Eu não devia ter aceitado essa vida, onde pessoas mandam e decidem por mim. Eu só queria fechar meus olhos, e voltar ao tempo em que éramos só a Blitz e eu... Numa época onde eu não seria o maior problema da minha banda favorita.
Olhei a janela. Os outros meninos haviam acabado de chegar e conversavam entre si, claramente preocupados. Muitos fãs cercavam a entrada principal do hotel, vi pela outra janela. E me sentia presa ali, naquele espaço de quarto e banheiro onde estava fazendo morada. Amanhã estaríamos indo para outro país, e eu gostaria de largar todos meus problemas nesse. Em três dias, anunciaram como meu namorado. Eu não deixaria isso acontecer. Mesmo que tivesse que usar da gravidez para mudar isso, mesmo que tivesse que deixar a vida dos meninos, eu não podia fazer isso com ele.
Eu estava decidida a ser uma mulher de verdade. Por isso não hesitei ao ver por de trás da porta, e a abrir na sequência. A gente precisava desse momento.
Seus olhos estavam vermelhos, e daí eu sabia que ele também havia chorado. O puxei pra mais perto de mim e ele pareceu relaxar. Respirou muito fundo antes de dizer alguma coisa.
- , eu sei que fiz merda. - Suspirou. - Minha vida ta uma merda, minha cabeça não para... Eu acho que fiz mal. Mas não pensei direito na hora. E eu sei que provavelmente coloquei você e em um problema ainda maior. Isso ta acabando comigo.
- Me escuta. - Pedi tentando acalmá-lo. - Nada é sua culpa, , você sabe que não é só pelos tweets que eles querem fazer isso.
- Sei sim. - Ele deitou e o acompanhei. - Nossas fãs perceberam, elas não são burras. - Me assustei, e ele pareceu perceber, pois segurou minha mão. - Nem eu sabia que estava tão na cara assim, mas fazer o que. Não posso mandar no meu coração, e nem mandaria. Agora se pudesse escolher por você, a gente já estaria junto a tempos.
- Eles reclamaram muito? - troquei de assunto antes que ele falasse mais besteira do que deveria.
- Eu não estava nem um pouco preocupado com eles, , minha cabeça estava o tempo todo trabalhando na ideia do que te dizer pra me desculpar. Agora você está aqui e pela primeira vez, não sei o que eu faço. Eu estraguei tudo entre nós, estraguei tudo para o .
- Eles não vão levar isso adiante... – Eu precisava contar. Acabar com essa agonia de ter algo tão importante em segredo.
- Eu sinto sua falta. – Eu o abracei. Dessa vez não chorei. Estava decidida a não aceitar nada em silêncio. Eles não poderiam me privar de ser quem eu sou. Não estragariam a vida de ... Não arruinariam a existência do meu filho.
- Me perdoa, . – Me antecipei. O amanhã era o dia mais incerto, e ele tardou a chegar.


09 - Secrets

♪ Cansado de toda esta insinceridade
Então abrirei mão de todos os meus segredos
Desta vez ♪


Logo cedo, tomei um banho quente, torcendo para que a água fizesse evaporar cada problema. Nua, de frente ao espelho,a verdade me vinha como um tiro pelas costas. Meu corpo tinha apenas sutis mudanças, mas a minha mente estava se forçando a amadurecer. Eu amava meus meninos, eu amava essa criança. Precisava tomar uma decisão não por mim. Tudo o que precisava fazer, a partir de agora, seria somente e para eles.
- E se eu assumir esse bebê? - disse aleatoriamente. - É isso. Assumimos nosso relacionamento porque vamos ser papais.
- Você presta atenção nas coisas que diz? - Questionei meu amigo. Estavamos nós dois, ignorando o mundo lá fora por um dia. Ele havia passado a noite comigo assim que e eu encerramos nossa conversa. Pela manhã, pedimos café na cama. Richard pareceu extremamente feliz com essa repentina aproximação e liberou nossa agenda. Teríamos o dia todo de folga antes de embarcamos de volta a Europa.
- Baby . - Ele continuou. - Fica bonito.
- Aposto que sim. - Ri, mais contente engolindo os pães de queijo que movera o mundo pra encontrar.
- Você decidiu o que vai fazer? - Perguntou cautelosamente. A verdade é que não. Por mais que eu soubesse que tudo que cabia no momento era ser totalmente sincera, eu não tinha energia pra encarar e a assessoria de uma vez. E em nenhuma ordem.
Tinha menos de 48h pra comunicar. Sabia que se anunciassem meu namoro com , seria uma rede de mentiras da qual eu não conseguiria me livrar.
Na melhor das opções, Simon romperia o contrato de com Mariah. Mas ainda assim a gravidez daria espaço para uma traição, e Richard jamais permitiria que a filha de seus melhores amigos ficasse envolta em uma imagem negativa.
A melhor das opções era péssima. Não me permitia pensar em mais nada.
E toda pressão só aumentava minha ansiedade.
- Você acha que eles me obrigariam a tirar o bebê? - Me arrepiei só de imaginar.
- Claro que não, . - Falou exasperado. - Tudo bem que não somos privilegiados pela gestão que temos, mas eles também não são uns monstros. No maximo o que podem fazer é te pedir pra esconder a gravidez de alguma forma.
- Depois que o bebê nascer vai ser impossivel. Eu nem sei ser uma madrinha. Imagina mãe. - Ri com o pensamento.
- Você sabe há quanto tempo está gravida? - Eu acreditava que sim.
- Devo ter completado cinco semanas.
- E você já procurou um médico? Não quero ser chato nem nada, mas você tem se esforçado muito fisicamente e se alimentado debilmente.
- Muita gente faz muito mais que isso. - Rebati. - Eu procuro um médico assim que contar ao Richard.
- Procure um cardiologista pra ele também, vai precisar.
- E o , hein? - Sorri, trocando de assunto. - O que você acha que ele vai pensar?
- é perigoso. - Me respondeu sério. - Você sabe que ele pode explodir e fazer alguma merda irresponsável.
- Eu nunca pensei que pudesse passar por uma situação tão dificil. - Confessei. - Acho que vou fugir pro Brasil. Me intocar em alguma floresta, sobreviver da caça.
- Você caçando? Vai morrer de fome. - Ele colocou a mão sobre minha barriga. - Meu filho não vai com você.
- Imagina mesmo se eles fossem capazes de te pedir pra assumir essa criança... - Eu ri. Se eu não saberia ser uma mãe, seria um pai três vezes pior.
- A gente transa agora e coloca mais verdade nessa história. - Ele se apoiou sobre mim. Eu estava deitada na cama e ele perigosamente proximo. - Que tal?
- Sai daqui. - O empurrei. Ele rolou por minha cama rindo.
- Por que não foi comigo que você se envolveu, hein? - Me perguntou. - Você sabe, é tudo que Simon sempre quis. Ele até me perguntou algumas vezes se eu não me interessava por você.
- O que você respondeu? - Perguntei curiosa.
- Nunca tive tempo nem de pensar nisso. Quando te conheceu, ele já não parou mais de falar de você. De como era bonita, talentosa. - Confessou. - Eu sabia que você correspondia e não podia competir. Assim como você não se permitiu gostar dele logo de cara, eu fiz o mesmo com você. E . E ...
- Nossa, mas que tipo de deusa grega eu sou hein?
- Você nem imagina. Acho que até Richard deve ter uma quedinha por você.
- Credo, . - Fiz uma cara de nojo. - Se você tivesse insistido um pouquinho, seria meu favorito. É menos estourado que o .
- E mais gostoso também. Sexy. Bom de cama.
- O que é isso, fetiche por gravidas? - Ri de suas insinuações pra mim. Ele deitou sobre meu colo sorrindo. - Sai dessa, , tô cheia de hormonios, não vou resistir. - Brinquei. Ele ainda tinha o olhar vago.
- Vai ser divertido ver você comendo pedra por aí. - Ele riu. - Todos sempre falaram do tal apetite de Niall Horan. O mundo não está preparado pra gestante.
- Nem eu tô. - Senti minha barriga apertar de fome. Pretendia abusar de o quanto fosse. Pra me trazer comida, claro. - Sabe o que eu queria... - Ele me olhou apreensivo. - Picles. De um grande pote de vidro.
Foi engraçado vê-lo discutindo com a recepção do hotel que os de plastico não serviriam. Era ótimo poder contar com tão dedicado. E olha-lo tão preocupado, me trouxe a cabeça uma doce lembrança:

Flashback - 1 mês antes
- ? - Invadi o quarto no meio da tarde. Me aproximei ao vê-lo resmungar, ainda cochilando. Me deitei, o abraçando.
- ? - Foi quem disse. Me afastei rindo.
- Esqueci que vocês estavam dividindo. - Me referi ao quarto. se sentou na cama, me chamando pra ficar ao lado dele.
- São cinco da tarde, como ousa me acordar e ainda me confundir com um cara feio desses. - Eu gargalhei.
- Mil perdões, , grande príncipe dos lençois. Tô entediada.
- Eu não to nem aí. - Ele voltou a deitar. - Transei com uma mulher maravilhosa ontem. Sai daqui, preciso descansar.
- Nessa cama? - Levantei um pouco apressada. Ele riu negando. - Quem foi a felizarda?
- Vai parecer meio cafajeste, mas eu não lembro o nome dela. - Me confessou. - Mas ela parecia com você. Pelo menos tinha seios maiores.
- Ca-fa-jes-te. - Soletrei. - Impossivel se parecer comigo. Eu sou irresistível.
- Insuportável. - Voltou a me insultar. - Se eu vê-la de novo, pode deixar que aviso que você ficou enciumada.
- Eu não vim aqui pra você tentar me vencer pelo ego. - Logo o lembrei. - Por onde anda o ?
- Eu estava dormindo, como vou saber. - Disse o obvio. - Coloca uma coleira nele, daí é só chamar... - Saí do quarto sem o deixar terminar.
Naquele dia, e a noiva foram passear de barco. Voltei pro meu quarto um pouco mais chateada por não me permitir ter um daqueles momentos também.
Mais tarde, quando voltei ao quarto dos meninos, ele ainda não havia chegado. Por isso, resolvi tirar de seu momento preguiça pra me fazer companhia num famoso cassino.
Pois é, não era só Las Vegas que tinha suas casas de show, e naquela noite, e eu quebramos a banca.
- Você nunca me contou que curtia jogar pôker. - O acusei.
- Você também não. - Ele rebateu. - Foi divertido. Poderíamos sair dali ricos se fossemos uma dupla mais frequente. - O parei. Os seguranças ainda não haviam nos visto sair.
- O que acha de andarmos um pouco por aí? - Sugeri. Um brechó proximo havia me chamado a atenção. acompanhou meu olhar. - A gente pode se disfarçar... e só andar.
- Faz muito tempo que não faço algo assim. - Me pegou pela mão. Corremos desajeitados até o brechó, tentando ao maximo não sermos reconhecidos. E por lá funcionou. Passamos varios minutos testando combinações de roupas, até que por fim, virei ruiva e se disfarçou com uma touca, oculos e uma roupa social. Qualquer pessoa que se permitisse prestar atenção saberia que aquele era .
- Você não serve nem pra um disfarce digno. - Enlacei meu braço ao seu. Já era proximo da meia noite e as ruas não estavam tão lotadas.
- Você acha que realmente convence alguém com essa peruca de fibra? Palhaça. - Avistamos um restaurante.
- Vamos testar... - Estava faminta. O local, diferente das ruas, estava lotado. Chegamos até o balcão sem maiores dificuldades.
- Eu quero um hamburguer com fritas. - Pedi. copiou meu pedido. - Pode nos entregar naquela mesa ali?
- Claro. - A atendente me sorriu animada. - Eu posso servir vocês! Me dão um autografo? - Ela sussurrou não estragando nosso disfarce. Sentamos numa mesa escondida e bufei desanimada.
- Estavamos indo tão bem. - Suspirei desanimada. me olhou descrente.
- Mais um pouco e você se convence. - Ele sorriu. Parecendo se lembrar de uma coisa, continuou. - Você não pediu seu lanche sem picles!
- Por que eu faria isso? - Questionei.
- sempre pede seu lanche sem picles. Diz que você não gosta.
- Ele só pode estar maluco. - Não me lembrava nunca de ter dito algo parecido.
- Isso torna mais humana. - Brincou. - Você gosta de ovos em conserva também?
- Isso não. - Fiz uma careta. - Costumava ver muito nos bares do Brasil. Mas não gosto.
- Filmes de terror? - Respondi que gostava. - Tem medo de palhaços?
- Claro que não.
- É, acho que apresentou uma outra pessoa pra gente. - Me disse.
- Como assim me apresentou? - Questionei, curiosa.
- Quando a gente se conheceu, eu lembro que vocês conversaram bastante. Ele falou de você por uma semana. Pesquisou coisas. - Ele riu. - Não tão bem quanto deveria, mas ainda assim.
- E você não se interessou em pesquisar também?
- Eu nem poderia. Sempre foi obvio o interesse de , então eu meio que deixei pra lá. Quanto menos te conhecesse, menos me aproximaria.
- Não deu muito certo. - Dei com os ombros. - De toda forma, eu acho que você me conhece melhor que ele.
- Nunca te vi nua. - Brincou, tomando seu suco.
- Eu te conheço melhor. - Agradeci quando nossos lanches foram entregues. Tiramos uma foto com a garçonete, visto que o disfarce não havia funcionado. - Você é facil de entender, . As vezes meio óbvio. De todos os meninos, você é o que mais interage com os fãs. É o que mais escreve canções. É o mais ativo nas redes socias, mesmo que as vezes compartilhe coisas que só você entende. - Ele sorriu, se concentrando em seu lanche. - Você faz tudo com paixão. Não conheço nada que você não seja capaz de fazer. E ainda assim é completamente deslumbrado. Você sorri observando ruas, vira uma criança quando está acompanhado delas. Você é incrivel. - Completei.
- Isso foi intenso. - Me deu seu melhor sorriso. Concordei. - Bom, se eu fosse tão óbvio, teria notado que me interessei por você primeiro.
- Se interessou como? - Perguntei. Sua confissão fora totalmente inesperada.
- É só isso que você vai arrancar de mim, . - Finalizou. Terminamos nosso lanche conversando coisas aleatorias. Mas ainda assim eu me perguntava: E se eu me apaixonasse por ?
Fim do flashback

Relaxei quando a recepcionista nos entregou o pote de picles. não estava interessado, e eu sentia que não precisava de mais nada se não aquele saudoso pote de vinagre e vegetais.
- Isso sim é a melhor coisa do mundo. - Puxei papo. - Quase me esqueci que tenho outros problemas pra me preocupar.
- Quer que eu converse com ? - Me perguntou. Parecia tentador, mas eu sabia que era algo que eu precisava fazer.
- Por Deus, homem, seja um pouco menos ansioso. - Disse rindo. - Me deixa curtir essa paz só por hoje, ok?
- Você que sabe. - Olhou o celular. - Bom, Richard está vindo pra cá.
- É claro que está. - Pensei. Claro que eu não podia me iludir com uma falsa calmaria. - Se ele estiver calminho, eu conto.
- Se ele estiver bravinho, eu sumo. - Ele se levantou. - Tenho mesmo que ficar aqui? Eu sei que posso estar bancando o amigo preocupado, mas na verdade, eu também tô surtando. Se você virar minha namorada, eu não vou nem conseguir te trair.
- Por isso você deve ficar. - Dei boas risadas. - Eu não vou deixar esse namoro acontecer, .
- Azar o meu. Seria um prazer partir seu coração.
- Você não consegue nem sonhar com isso. - Me aproximei o provocando. - Seu medo é só não conseguir resistir...
- Já resisto a tanto tempo. - Ele se virou pra mim, de novo me encurralando na cama. A campainha tocou e eu não sabia se devia respirar aliviada ou não. Ele se afastou me olhando com intensidade. Não perdi a oportunidade de lhe lançar um beijo no ar, que o fez rir. - Fala papi. - Ele deu espaço pra que Richard entrasse.
- Podem parar de se esconder. Simon está convencido de que o namoro de vocês não vai rolar. - soltou um murmurio decepcionado.
- Que milagre você andou realizando, hein? - Perguntei. Ele me olhou animado. De todos da equipe, era quem mais nos entendia.
- Bom, além de dizer o óbvio sobre como você e viriam fazer a mídia questionar a autenticidade da Syco no futuro, ainda o fiz pensar sobre uma questão. - e eu nos olhamos sem entender. - Muita gente se pergunta se você, , tem algum tipo de envolvimento com . E com . Com , enfim, toda banda. Isso faz as pessoas fantasiarem. Milhões de jornalistas nos procuram atrás de uma entrevista em que você possa dizer algo sobre isso. Milhões de paparazzi estão sempre atrás de uma foto do tão genial momento em que vai revelar seu grande amor. Os fãs assistem cada video, lêem cada tweet, inventam mil e uma histórias. Enquanto isso, vocês estão sempre sendo vistos. Pesquisados. Estudados. Não teria a menor graça se você assumisse, perderia toda essa magia.
- Isso é intenso. - foi quem falou primeiro.
- Você é quase um gênio do mal. - Brinquei, complementando. - Quer dizer, se pra equipe tudo é marketing, apresente uma proposta melhor.
- Apenas cuide pra que não siga com suas besteiras. - Richard me pediu. - Pode ter sido uma boa jogada dessa vez, mas não podemos acertar sempre. - Concordei. Fiz menção de falar, mas me cutucou fazendo sinal para que eu não o fizesse. Seus dedos discretamente sob os lábios eram um pedido mudo. Eu não devia contar ainda. Mesmo sabendo que Richard jamais teria um humor melhor.
- Eu ia contar. - Disse quando Richard saiu.
- Você vai falar com primeiro. - Me afirmou. Sem entender o porquê, assenti.
Confiava em mais que em mim mesma.
Terminei meu pote de picles aguardando chegar. Não contive o suor frio que desceu por meu rosto quando ele cruzou a porta.

10 - Jealous

♪ Não quero ser desrespeitoso
Mas tenho o direito de ficar bravo
Ainda sinto ciúmes ♪


- Vou deixar vocês conversarem. - sumiu pela porta sem nos dar outra opção.
Deixei que entrasse sem a menor coragem de enfrentar aquela situação. Seu olhar ansioso ainda não era do mais animados e eu sabia que ele ainda se sentia mal pela confusão da outra noite. E foi olhando em seus olhos que decidi que não seria naquele momento que eu iria dar a notícia.
Claro, precisava saber. Mas ao mesmo tempo, eu temia qual seria sua reação. Meses atrás ele havia cogitado sair da banda pelo fato de se sentir envolvido comigo, o que faria quando soubesse que agora seria um pai?
Era seu sonho, aliás. Seria o melhor pai do mundo. Porém de cabeça quente ele não agiria com a razão. Eu precisava esperar as coisas se acalmarem.
- Bom, o lance com o não vai rolar. - O avisei. Seu olhar se tornou completamente aliviado e foi o suficiente para eu tirar um pouco do peso que estava carregando comigo. - Parece que o mistério pra saber com qual de vocês eu venha a me envolver é mais divertido do que entregar isso pra mídia.
- E qual é o cara do One Direction que você vai escolher? - Perguntou em seu tom mais divertido. O puxei pra deitar comigo em minha cama.
- Acredito que o . - Fingi pensar. - Ele canta, compõe, toca violão. Boatos de que até aulas de muay thay ele tem feito.
- É um bom partido. - Ele entrou na brincadeira. - Os contras são que ele dorme muito e ultimamente tem bebido um pouco além. - Me lembrei de vê-lo algumas vezes alegre demais em nossos dias de folga. - Inclusive, isso vem sendo um problema.
- Sério? - Perguntei já mais séria. - Você acha que ele tem bebido tanto assim? Não reparei... - Me senti mal por não estar prestando tanta atenção assim em meus amigos.
- Nem tanto, só que ele tem feito isso com uma frequência incomum. - Ele se virou para o meu lado. Estavamos agora deitados um de frente pro outro. - E você sabe, não é muito absurda a ideia de Simon querer dar uma controlada nele e isso fugir dos limites. - Fiquei um tempo em silêncio tentando absorver melhor a notícia e ele continuou. - Nosso último show, por exemplo, digamos que ele tenha feito um pouco alterado...
- Sério? - Tentei fugir da recordação. Eu estava passando tão mal que realmente, se houvesse um coelho gigante cor de rosa no meio da plateia eu não teria notado. - Você chegou a conversar com ele?
- fez isso. - Seu olhar voltou a ser curioso. - Eles estão bem próximos, agora que parece que você trocou todo mundo pelo . - O tom ciumento em sua voz me fez rir. - Bom, ele só dormiu aqui por estar fugindo do Richard. - Disse rindo. Dessa vez não me acompanhou e se sentou na cama, novamente sua cara pensativa. - ...
- Ele dormiu aqui com você? - Imitei sua pose já ereta na cama. Não podia acreditar que realmente ele queria discutir por causa disso.
- Dormiu, , a gente ficou assitindo tv, conversando, cada um virou pra um lado e foi isso. Acordamos e fizemos o mesmo.
- Você pediu que eu não dormisse com você. Disse que queria ficar sozinha, que...
- É uma coisa muito diferente o "eu e você" e o "eu e o ", amor. - Tentei acalmá-lo. Era uma discussão que não valia a pena e só me confirmava que a decisão de não contar sobre a gravidez era a mais sã. precisava aprender se acalmar melhor antes de lidar com uma notícia dessas. Abracei suas costas tentando controlar sua respiração descompassada. - Eu não sei se você está tentando me seduzir com essa de ciumento, mas , eu não gosto disso.
- Não é ciúmes, . - Ele se afastou do meu abraço. - Eu sou inseguro com isso, ok? Você é livre, pode se envolver com quem quiser, também. E eu não sou nada, se você decidir que quer ficar com ele, eu não posso fazer nada.
- Cala a boca, por favor. - Interrompi novamente seu discurso. - Ciúmes do , , sério? Logo ele que foi o primeiro a mover os pauzinhos pra que eu e você ficássemos juntos, ele que é o primeiro a se mobilizar quando a gente quer ficar junto.
- Você não entende...
- Claro que eu entendo, . Você acha que eu não me sinto mal quando tenho que te ver por aí com sua amiga Mariah, linda e loira? Sim, eu me sinto insegura, aquela mulher é um espetáculo, é perfeita em tudo que faz, como posso não me comparar com ela? Ou como não pensar que, sabendo que com ela é muito mais fácil, você não desista a qualquer momento e resolva tornar isso real. Eu penso nisso, mas confio que o que a gente tem é mais forte. Quando você foi claro sobre seus sentimentos eu também fui. Jamais faria algo que pudesse te machucar porque confio que você também não faria nada pra mim. - Voltei a abraçá-lo com um pouco mais de carinho. - Eu amo você, . Eu desejo você no meu coração, na minha cama e na minha vida. , ou qualquer outro dos meninos, são meus amigos e só isso.
- Você me faz me sentir um idiota quando diz coisas assim. - Ele me puxou pro seu colo. Passei minhas duas pernas ao seu redor sentando sob suas coxas antes de decidir beijá-lo. Era uma vontade que eu não poderia me livrar. Eu tinha tanto desejo por quanto poderia caber em mim. - Eu amo você. Me perdoa por ser um idiota as vezes.
- Você também me deixa idiota. - Confessei.

Acordei no meio da noite ainda pensando em e no que havia me contado. Vesti novamente meu vestido e saí quietinha me livrando da solidão daquele quarto. Fui em direção ao quarto de . Toquei a campainha tanto quanto pude até vê-lo aparecer com sua pior cara de sono. Eram quase duas da manhã.
- Aconteceu algo, ? - Ele me perguntou dando passagem para que eu entrasse. - Você está bem?
- Estou preocupada com você.
- E eu com você. - Me deitei em sua cama quentinha enquanto ele se sentou sobre a ponta da mesma. - Afinal você é quem tem passado mal nos últimos dias, certo? - Observei algumas garrafas de cerveja sobre a mesa do quarto. Nada preocupante. O que me chamou atenção no entanto foi uma jaqueta que eu conhecia muito bem.
- Você e a , hein. - Me levantei correndo até a peça. Ele me acompanhou com o olhar, rindo quanto toquei a jaqueta.
- Estávamos falando de você. - Ele me olhou sério. - Você tem algo pra me contar?
- O que? - Tentei desconversar. Não era possível que já tinha saído espalhado a notícia ultra-secreta pra toda a boyband. - O que ela te contou?
- Bom, nada. Ela disse que você que faria isso. - Seu olhar ainda era firme sobre mim.
- Do que conversaram, afinal? - Desconversei novamente. e sabendo no momento já era gente demais para que eu controlasse.
- Da sua banda, de como vocês voltaram a se entender. Acho isso muito bom. Você sempre foi bem nostálgica quando falava da sua banda. Nostálgica pra não dizer superficial. Ver você feliz me faz bem também. - O abracei como costumava fazer nesses momentos de carinho. Podia culpar os hormônios agora por essa minha necessidade de afeto.
- Se ela já não tivesse casada eu adoraria que vocês ficassem juntos. - Ele gargalhou. Marie estava com o noivo e a filha na cidade, sabia que eles estavam bem.
- Bom, ela nunca fez meu tipo. - Continuou rindo. - Eu vi você analisando o quarto. Provavelmente ou te contaram sobre o show, certo?
- Eu não consegui dormir pensando nisso. - Confessei. - Geralmente a bêbada do grupo era eu.
- As coisas andam estressantes. - Seu olhar deixou de me encarar para ir de encontro a janela. Como sempre fazia quando entrava em uma conversa mais emocional. - Simon tem aparecido e enchido o saco. Ele faz bem menos com você, mas com a gente ele é um idiota.
- Vocês são mais famosos que eu, eis o preço da fama.
- As vezes eu sinto que a ideia de nos colocar numa banda não funcionou tão bem. - Continuou. - Eu e os outros caras nos adoramos, mas somos muito diferentes. E a One Direction parece um sexto membro do grupo, pois acaba que nenhum de nós acaba sendo um artista de verdade sabe? Nenhum de nós é verdadeiramente a One Direction. A melodia não bate com estilo do , as letras nunca são o que quer expressar e meu sonho nunca foi ter que ficar escolhendo figurino e contratando cabeleireiro para que as fãs vejam o perfeito boneco que a Syco tem nos tornado. Tenho pensado muito nisso nos últimos dias, e percebi que isso tinha atrapalhado um pouco minha animação nos shows... Pensei que beber um pouco poderia funcionar melhor, mas foi um fiasco, todo mundo percebeu e agora sim Simon está pirando como nunca.
- E ainda estamos na metade da tour. - Lembrei melancólica.
- Acho que se não fosse por você, um de nós já teria chutado o balde. - Riu sem humor.
- Não, não. Já te contei que me disse algo parecido antes dessa tour começar. E vocês pareciam tão bem antes dessa tour começar, agora por onde olho só vejo problemas, crise, coisas que não somos capazes de aguentar...
- Você não tá falando só da tour, certo? - Me interrompeu curioso. Me levantei disposta a sair dali antes que falasse demais. Mais do que nunca, não podia depositar meus problemas em cima do meu menino.
- ? - Chamei antes de cruzar a porta. - Quando eu estiver pronta pra contar... Saiba que falarei com você primeiro, ok? - Ele sorriu fraco acenando que sim. Voltei ao meu quarto ainda mais atormentada com essa notícia. Já sabia que 3/5 da One Direction estava em crise. E eu era emocionalmente ligada demais a cada um dos cinco pra deixar a banda desmoronar com e por minha culpa.

11 - Angels Like You

♪ Não é sua culpa eu estragar tudo
Não é sua culpa que eu não sou o que você precisa
Anjos como você não podem voar para o inferno comigo ♪


- , você está um pouco inchada. - Kellendria me disse vestindo no figurino que eu usaria naquele show. Finalmente, um show para nossas tão aguardadas férias de verão. Três dias inteiros que eu havia descoberto a gestação e me dado conta de como minha vida estava passando por uma outra provação.
- Preciso de uma massagem com drenagem. - Justifiquei. Minha barriga parecia mesmo um pouco mais alta, e não era algo que fosse normal em um mês de gravidez. mesmo só foi começar a ter barriga quando Cassie já estava com mais de 13 semanas.
- Estarei agendando. - Anotou em seu celular antes de sair, acompanhada da maquiadora que nos fazia companhia. Até então,eu estava bem. Não havia passado mal, meu paladar estava normal e não havia mais nenhuma dor. Se não fosse a confirmação do exame feito pelo xixi eu provavelmente teria colocado na cabeça que aquilo tinha sido apenas algo relacionado a crises de ansiedade. Ou de TPM.
Por isso, quando entrou em nossa chamada de vídeo com a pequena Cassie no colo, não soube segurar a emoção e a comparação entre momentos. Sabia que a mesma coisa se passava na cabeça da minha amiga.
e eu nos conhecemos quase duas décadas atrás. Éramos pequenas crianças, com pais dedicados a ter filhas que trabalhassem com a música. Tudo começou sim por influência deles, mas conforme as coisas aconteciam, menos parecia trabalho e se tornava diversão.
Imagina a experiência de duas melhores amigas que, de uma hora para outra, tinham suas vidas reviradas por conta de um single em uma trilha sonora de um filme de Hollywood? Não conseguimos lidar muito bem com as coisas quando a fama bateu a porta. Eu, muito jovem, só pensava em comprar e como aparecer ainda mais bonita nas revistas. queria conhecer garotos bonitos, sair com quantos possíveis e estourar cartões de crédito com baladas e bebidas. Até que um cara chegou e mudou tudo.
Quando meu pai colocou um jovem produtor para canalizar e executar nossas pobres ideias musicais, não sabia no que estava nos metendo. Eu posso até ter sonhado em dar uns beijinhos no cara, mas minha amiga foi além, se apaixonou, namorou e acabou engravidando. Ainda bem que ele era um bom rapaz e até hoje estão juntos, mas na época, não fui a melhor pessoa em apoiá-los porque tudo que eu pensava era em como aquilo mudaria toda a banda. Quando Cassie nasceu, estávamos bem, mas após seu batizado, eu fugi. Me desliguei da banda, do Brasil e deixei um rastro que produtora nenhuma foi capaz de consertar. A ganância me fez chegar até aqui, conhecer e trabalhar com a minha boyband favorita. E, irônicamente, viver eu uma situação tão igual.
- Eu não posso prever como vai lidar com isso. - Disse a ela, em português. Ainda assim, meu tom de voz sempre baixo, visto que mesmo com a passagem de som ao fundo, eu ainda estava num estádio cheio de pessoas. - Ele vai ser um bom pai, isso eu sei. Mas a One Direction esta em crise e essa notícia vai desestrutrurar a toda equipe de vez. Não quero ser eu a tocar a trombeta do apocalipse.
Do começo da One The Road Again até agora, tanta coisa havia mudado.
estava conhecendo uma modelo misteriosa. Saía com a garota as vezes mas não sabíamos como nem quando. Parecia cada dia mais inquieto com o momento em que vivíamos. Se fechava pra mim e estava assim com toda a banda. Possivelmente pensava nas complicações que relacionamentos traziam para a 1D. Não havia sequer um bom exemplo de que namorar um famoso poderia ser fácil, e eu sabia que isso o assustava no momento.
e a namorada se viram um pouco mais distantes, e era nítido que isso já afetava o relacionamento. Gee sendo professora tinha tão pouco tempo que eles passavam a maior parte do tempo namorando apenas por skype. Ambos eram carentes demais para ficarem nesse tipo de situação, e ela ja havia dito por algumas vezes que talvez fosse melhor que dessem um tempo. Ele nunca aceitou.
tinha começado a enfrentar problemas com álcool. Tomava todos os problemas da banda pra si e estava emocionalmente muito abalado. Eu passava cada vez mais tempo com ele, tentando fazer com que seus sentimentos fossem passados pra mim também. Vivíamos toda aquela dor juntos. E eu sofria para fazer com que meus problemas não doessem nele também.
estava cada vez mais distante. Desde que o contei sobre o cíumes de , ele sentiu que precisava mesmo se afastar um pouco. Usava a volta de a minha vida como desculpa de que eu não precisava tanto de um melhor amigo assim naquele momento. Mas estava comigo sempre que eu precisava.
Complicado mesmo, era . Não me ouvia, não lia minhas mensagens e só me respondia o necessário quando estavámos juntos. Parecia fazer o mesmo com .
E isso acabava com a minha cabeça. Eu lia todos os dias dezenas de matérias que me aqueciam o ego. Palavras que me transformavam em uma grande super estrela, vivendo meu momento, acompanhada da minha banda favorita no que tinha para ser a tour mais lucrativa do ano. Ainda assim não conseguia me sentir feliz.
Recorrentemente os piores pensamentos passavam por minha cabeça. E eu estava passando por uma fase sem acompanhamento psicologico, longe da minha família e fugindo dos meus melhores amigos.
- , eu entendo seu medo, claro. - Ela me respondeu enquanto eu andava pelo pequeno camarim. - Mas você precisa dar a ele a opção de decidir, e não te deixar enfrentar isso sozinha. Se resolver sair da banda, não vai ser a única opção mas a que ele escolheu. Você precisa entregar esse poder de decisão a ele, e não ficar sofrendo antecipadamente por isso. E você ficar postergando essa decisão não vai torná-la mais fácil. Nós vivemos isso juntas uma vez, aprendemos com os erros que tivemos, mas você não pode privar de cometer os dele também. Se ele achar que tem que sair da banda pra viver a paternidade com você, apoie. Se ele sentir que precisa ajuda da gravadora de vocês, peça. - Mesmo pelo computador, podia sentir ela fazendo seu máximo para me confortar. - , não se trata mais de um contrato de namoro ou de uma turnê mundial, é a sua vida e a vida da sua família. Principalmente, desse bebê. Não tem como ser fácil, vocês já entraram nesse relacionamento sabendo disso. E quanto a banda, , olha como você leva todos os problemas pra você. Os meninos tem seus próprios problemas pra enfrentar também e o que podemos fazer é os instruir a trabalhar em equipe em suas decisões. Eles vão precisar de força e não de julgamentos. - E ela tinha razão. Talvez se tivessemos sido mais unidas no passado, as coisas tivessem tomado uma proporção diferente.
Sentei tentando normalizar minha respiração. Me despedi dela alegando que precisava me concentrar, o que não era mentira. A ansiedade vinha sendo constante a alguns dias, mas eu não podia culpá-la por tudo. Porém olhando ao meu redor, vendo a imensidão cheia de prédios que era Dubai, mais uma vez me deixei levar a uma epifania. A cidade que me cercava era imensa, assim como o público que envolvia toda a carreira da 1D e a minha também. E eu não queria seguir a farsa que era enganar as pessoas que acreditavam no meu trabalho e me dedicavam tempo, conhecendo meu material, me visitando em show e pagando meus luxos. Eu devia lealdade a essas pessoas, e o fato de fechar os olhos para os relacionamentos de fachada que aprendi a reconhecer já me fazia sentir mal, como se eu vivesse aquela mentira também. E de certa forma eu vivia, claro, e queria a todo custo que aquele problema pudesse se desfazer.
Para o mundo, eu amava um cara comprometido. Esperava um filho de um cantor que já era noivo. Dormia com o que deveria ser apenas meu colega de trabalho.
Toda vez que e Mariah estavam juntos, eu sentia uma quantidade maior de culpa. E hoje ela estava com a gente o tempo todo, e mesmo que eu fugisse ao máximo fingindo me ocupar, para o resto da equipe, tudo estava bem e eu tinha que lidar sozinha com os demônios que se despertavam em mim, ao ver me evitando, em sua nova crise com o álcool e o casal do meu triângulo amoroso de mãos dadas e risinhos.
Não passei aquele dia bem, e quando chegou o show, tudo ficou pior. No palco foi automático, e quando minha última música chegou, tantas luzes me cegaram. Era o fim e eu queria sumir, reinventar minha história durante os dois meses de pausa. Era o fim e eu queria que nunca tivesse começado.
Kellendria foi do palco até o camarim segurando firme em minha cintura. Eu ouvia vozes e sabia que Simon ou Richard estavam nos acompanhando mas meu corpo tentava apenas não apagar de vez. Eu achei que era forte o suficiente pra aguentar tudo o que estava acontecendo, mas as milhares de pessoas gritando e exibindo em seus cartazes o quanto nos amavam foi o gatilho primordial para que eu desabasse de vez.
Eu ouvia os meninos cantando ao fundo e eu ouvia vozes chamando meu nome. Mas não conseguia responder, só conseguia sentir minhas mãos tremendo, lágrimas que escorriam dolorosamente e o ar que não parecia suficiente mesmo que eu desesperadamente tentasse puxá-lo.
Foi Richard que me pegou no colo quando minhas pernas cederam. Reuni todas minhas últimas forças para pedir que ele fosse comigo sozinho ao hospital.
E apaguei.
Sei disso porque quando acordei, era dia. Eu tinha algo pingando em direção a minha veia. E Richard dormia, muito torto, em uma cama ao meu lado que originalmente deveria pertencer a outro paciente mas que ninguém o impediria de utilizar.
E eu sabia que ele sabia. Da gravidez, digo. Sabia porque certamente os médicos precisaram investigar a fundo o que tinha me deixado naquele estado, o que requer exames, e o mais simples deles atestaria a gravidez.
Tentei alcançar meu celular na mesa ao meu lado apenas para uma noção de horário, mas ele estava sem bateria. Mas minhas mãos ainda tremulas me fizeram derrubá-lo e acordar o homem ao meu lado.
- , graças a Deus. - Richard levantou num pulo vindo em minha direção. - Você nos deu um grande susto! Como está se sentindo, quer que eu chame um médico?
Neguei com a cabeça ainda sem saber o que falar. Ele sabia. Eu que não sabia como lidaria com a situação. e sabendo era muito mais fácil, eles não eram meus chefes. Não eram o pai. Não eram fãs apaixonados. Mas com Richard a coisa mudava de proporção e eu sabia que após a porta do hospital teria muita gente para lidar.
- Está tudo bem, minha princesa, passou. - Ele me deu um beijo na testa, provavelmente via o pânico nos meus olhos. - Acabou, agora você vai ter um longo tempo pra descansar.
- O que quer dizer com isso? - Perguntei novamente ansiosa. Me substituíriam na tour? Cancelariam meu contrato com a Sony? Eu teria que voltar ao Brasil?
- A turnê, voltamos apenas em Junho. Você vai pode descansar, trabalhar menos e repor essa energia. Seus exames não foram o esperado, porém...
- Meus exames... Rich, o que disseram pra você? - Perguntei receosa. Era o momento de encarar minha real situação.
-O que exatamente você quer me perguntar, ? - Tornou me responder. Claro, ele não facilitaria pra mim.
- Você sabe do bebê. - Confirmei, seu nervosismo me confirmava isso.
- Sim. - Respondeu firme. Seu rosto estava sem expressões.
- E quem mais sabe? - Minha voz vacilou ao perguntar. Era melhor eu lidar de uma vez com o que quer que tenha acontecido durante a última madrugada.
- Estão todos no hotel, preocupadissimos. - Ele andou pelo quarto, seu rosto ainda sem emoções. - Eu disse ser uma crise ansiosa, entenderam que sim. - Quando ele parou em minha frente, segurou minhas mãos e sorriu. Sorriu. Eu estava me controlando para não desmaiar de novo. sabe? - Perguntou depois de um tempo.
- Sim. - Foi minha vez de não transparecer emoções. Mas não pude deixar de sorrir quando seu olhar foi até minha barriga. Ele era como um pai pra mim, o que o tornava quase um avó de quarenta anos. Mas vê-lo feliz realmente não era o que eu esperava. Não antes de um surto, ao menos.
- sabe? - Seu rosto voltou a ser nervoso, assim que neguei. - Vocês vão ter um problemão pra contar pra ele. - Acenei que sim. Pelo menos ele não sabia ainda, o que ja me fazia imaginar mil e um problemas a menos.
- Rich, eu não sei o que eu faço. - Confessei já com novas lágrimas escorrendo. Ele me interrompeu.
- , fica calma, hoje estou aqui como seu amigo, não seu produtor nem nada. Leve tudo ao seu tempo, você tem duas semanas de férias antes de voltar com seus compromissos nos EUA. Dois meses até que tenha que subir num palco de novo. Nós vamos nos encaixando nas suas limitações, a estrela aqui é você, não é uma gravidez não planejada que vai mudar isso. A equipe médica tem um sigilo a manter. não vai falar sobre enquanto você não estiver preparada. Tire esses dias para se cuidar, repor sua alimentação, planejar seus próximos meses... - Calmo, extremamente calmo como jamais imaginei.
- Rich... - Resovi ousar de sua boa vontade. - Eu preciso sair daqui. Eu não vou conseguir pensar, não consigo lidar com nesse momento. Eu preciso cuidar da minha saúde. Preciso de você Rich...

E então, após a alta, eu estava em um avião. Tinha o nome de um médico, uma clínica especializada, e minha melhor amiga me aguardando.
Richard havia me garantido que guardaria meu segredo até o momento que eu me sentisse confortável em falar sobre. E eu jurava que estava fugindo de todos os problemas quando saí da Ásia e não contei a ninguém. Porém, quando cheguei na Alemanha, as coisas pareceram piorar ainda mais. E quando me encontrou no consultório, eu sabia que as coisas estavam mais confusas do que eu podia imaginar.





Continua...



Nota da autora: (09/03/21) Clique aqui para seguir à página da autora
Pois é, All Of The Lights está quase completando seis anos. E por um tempo eu desisti, confesso. Mas a quarentena me deu tempo livre. E os dez anos de One Direction, me deram inspiração.
Só pra situar a quem acompanhava a historia anos atras: Contei aqui a mini deprê que tive com toda a turbulência na 1D após o lançamento do Four. A história se passa meio que focando na On The Road Again, e como fãs da 1D, com certeza sabem o que aconteceu né. E então com a saída do Zayn da banda; meu inspirador da história, foi-se embora minha vontade de terminar. Na real mesmo. Mas depois de anos num hiatus desgraçado, eu resolvi voltar. Voltei, porque como dito lá na primeira nota da fanfic, qualquer divergência com a realidade é meramente proposital. E agora que passou a tristeza do badboy largar a boyband, com todos aí empenhados em seus projetos solo, vim tornar All of the lights como um escape de final feliz.
Eu espero que estejam gostando da história. De todas que já fiz, essa com certeza é a que mais me empolga até hoje.
Então deixa aqui seu comentariozinho que eu prometo voltar pra responder. E a todos que já li aqui, obrigada pelo carinho, vocês são sensacionais!
Não deixem de me acompanhar, seja no @victoriapqno_, ou no grupo do face.




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