Finalizada em: 19/06/2018
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Prólogo


Helen observava sua filha de três meses bocejar e passar as mãos gorduchas nos olhos enquanto estava deitada no tapete colorido de seu quarto. Ela fez um carinho nos cabelos da pequena e soltou um suspiro feliz.
— Jaqueline, onde está Nicholas? — Helen perguntou para sua assistente, que ergueu o rosto para sua princesa.
— Não sei dizer, vossa alteza. — ela lhe respondeu e a princesa voltou a prestar atenção em sua pequena herdeira. — Ele tinha uma reunião com o príncipe Nathaniel às três horas.
Helen olhou o relógio rapidamente, vendo que passava das cinco da tarde e se levantou do chão, deixando sua pequena ser vigiada pelo dálmata, Maurice.
Helen parou um momento próximo à cômoda e franziu a testa, achando que ouvia alguma coisa. Se aproximou das portas duplas de seus aposentos e abriu as mesmas, ouvindo um barulho cada vez mais alto ecoar pelos longos corredores do último andar do palácio. Ela se assustou quando Nicholas, seu marido e príncipe do reino, chegou correndo e suado junto de quatro seguranças. Ele entrou no quarto, fechando as portas duplas e os seguranças se escoraram nas mesmas.
— O que aconteceu, Nick? — ela perguntou e ele segurou seus ombros firmemente. Ela ergueu as mãos para seu rosto.
— Não temos muito tempo, Hely. Você precisa ir embora daqui agora! — sua esposa olhou confusa e balançou a cabeça.
— O que aconteceu, Nick? — ela repetiu a pergunta.
— Nathan matou o papai, Helen. — sua esposa arregalou os olhos, surpresa, e travou no local. — Ele deu um golpe!
— Como assim, Nick? O que ele fez? — ele agitou os braços, abraçando sua esposa fortemente.
— O rei está morto? — Jaqueline ergueu as mãos à boca.
— Não tenho tempo para explicar, Helen. Precisamos te tirar daqui agora.
— Mas, Nick... — ele saiu correndo, pegando sua filha no chão, o que fez com que seu cachorro latisse alto com o susto.
— Segure-a! — ele entregou a filha para sua esposa. — Vão agora! — ele falou.
— Para onde? — Helen segurou sua filha firmemente no colo.
— Qualquer país que tenhamos acordos políticos. Tem um avião da força aérea esperando por vocês na pista. — ele não esperou sua esposa responder e deu um rápido beijo em seus lábios.
— E você? — ela perguntou.
— Não importa, só vá! — ele falou. — Jaqueline, Cassius, Damon, Emerson e Jensen, vão com elas, agora!
— Mas nossas família, alteza...
— Ele quer a mim e à . — o príncipe virou para eles. — Vão agora!
— Eu protegerei o senhor até o fim. — Emerson falou e o príncipe assentiu com a cabeça, sentindo seu corpo tremer.
— E sua mãe? — ela perguntou. — Não, Nick. Por favor! — sua filha foi tirada de seus braços e os seguranças começaram a empurrar Helen por uma das várias passagens secretas que o palácio possuía.
— Eu te amo, minha princesa! Para sempre! — Nick falou em um sussurro, mandando um beijo nos ares e Helen, sua filha e os quatro empregados foram tirados de lá.
O príncipe Nicholas, primeiro na linha de sucessão à coroa, viu a porta da passagem secreta ser fechada e se virou novamente em direção à porta principal. Sentiu as paredes tremerem por um momento e elas estouraram com balas voando para todos os lados. Logo o chão do palácio foi tingido pelo sangue azul da família real.
Nathaniel passou por cima de seu irmão, deixando com que sua capa raspasse no sangue dele e do segurança e correu até o berço, gritando ao vê-lo vazio. Correu com os outros comparsas pelo quarto e empurrou uma das saídas de emergência para casos como esse, encontrando uma manta de bebê caída logo na porta.
— Por aqui! — o agora rei, com a morte do rei Oswald e do príncipe Nicholas, chamou seus comparsas e eles seguiram correndo pelos becos e corredores do palácio real.
Ele empurrou as portas, sendo cegado pelo pôr do sol e sentiu um forte vento em sua direção quando o jato real levantou voo à sua frente. Lá de cima, aos prantos, com sua filha chorando em seu colo, Helen olhou para o palácio e se lembrou da primeira vez em que chegou ali. Uma plebeia inglesa se apaixonando pelo futuro rei da pequena monarquia de Pollemani, e como foi fácil ser aceita como a namorada do príncipe, casando-se dois anos depois e tendo sua primeira filha após cinco anos, desde que tudo começou.
— Para onde vamos, sua alteza? — Cassius se aproximou e Helen respirou fundo.
— Londres. — ela respirou fundo. — É hora de voltar para casa. — ele assentiu com a cabeça e ela se virou para ele novamente. — Cassius... — ele se virou. — Avise à tripulação que agora é Helen. Só Helen! — ele assentiu sem falar nada e se afastou.
Ela olhou para sua filha, que parara de chorar, e acariciou seu rosto levemente, pensando em como cuidar de uma futura herdeira sem que ela ou o mundo soubessem disso.



Capítulo Único


Um homem esticou a mão em minha direção e eu aceitei a mesma, me levantando do trono que eu estava e seguindo para o meio do salão com ele. Ele segurou delicadamente em minha mão direita e depositou a outra em minha cintura. Uma valsa impotente tocava ao fundo e notei o olhar surpreso das pessoas com o atrevimento desse homem.
Notei a surpresa de todos e os encarei como quem não entendia nada. Até que passei por um vidro espelhado e notei a coroa brilhando em minha cabeça. Ali eu percebi que esse homem era só um plebeu dançando com uma princesa. Observei o altar e notei o rei e a rainha de mãos dadas, cada um em seu trono, sorrindo em minha direção. Eles pareciam felizes com a dança.
O homem me girou no ar novamente e notei que eu era uma criança agora, ajeitando meus pequenos sapatos de boneca em cima dos pés do homem, e segurei em suas pernas, sentindo-o andar devagar, comigo em seu encalço. O homem, que agora havia notado ser o mordomo, fez uma reverência para mim quando a música acabou e eu ergui as laterais da minha saia, repetindo o movimento, e ele sorriu.
Virei de costas, notando que a cena mudara novamente, e saí correndo em direção aos meus pais, que andavam pelo jardim. Eu assistia tudo do alto agora. Eles seguraram as mãos da pequena menina, ergueram-na no ar por alguns segundos e seguiram andando em direção ao castelo ao fundo. Suspirei com a cena e virei para frente, percebendo que estava dentro de um avião.
O despertador tocou ao meu lado, me fazendo acordar de meu sonho e eu joguei a cabeça para trás, respirando fundo. Me sentei na cama e deslizei o botão do celular rapidamente, feliz com o silêncio novamente. Suspirei por ter sido tirada do meu sonho de princesa, literalmente, e virei os pés para o lado, calçando meus chinelos e coçando os olhos.
Segui diretamente para o banho e fui fazendo as coisas no automático como sempre. Me arrumei, maquiei, escolhi minha roupa e bolsa ainda meio zumbi. Beijei minha mão, a passei pela foto de minha mãe e meu pai e saí do apartamento, cumprimentando o porteiro rapidamente e esticando a mão pela rua, vendo um táxi parar em minha frente rapidamente.
Me joguei dentro do carro e indiquei o caminho para meu trabalho. Peguei meu celular rapidamente e notei que tinha uma reunião em quinze minutos, tempo de chegar na agência. O táxi parou no caminho e eu passei meu cartão rapidamente, saindo do mesmo. Entrei na agência, respondendo a algumas pessoas rapidamente, e entrei no elevador.
O logotipo da empresa apareceu em minha frente e eu saí do mesmo com a bolsa pendurada no braço. Observei minha assistente parada na parte da diretoria da empresa e ela me estendeu um copo quando me aproximei.
— Bom dia, senhora! — ela falou.
— Bom dia, Annie! Como foi de fim de semana?
— Tudo certo! — ela assentiu com a cabeça e eu bebi um gole de café. — Eles estão te esperando. — suspirei, jogando a cabeça para trás. — Tem certeza que quer fazer isso?
— Tenho sim! — sorri a ela, entregando minha bolsa. — Preciso da minha vida de volta. — ela riu.
— Boa sorte! — ela falou e eu assenti com a cabeça, seguindo até a sala de reuniões no fim do corredor.
Respirei fundo, observando meus três sócios lá dentro e empurrei a porta de vidro, caminhando até o fim da mesa e me sentando na cadeira.
— Fala aí, gente! — falei e os três sorriram.
— E aí, ? Milagre você marcar reuniões. — Jonathan falou e eu ri.
— Para você ver. — suspirei, apoiando meus braços na mesa. — Eu juntei vocês aqui, pois nós quatro somos os sócios da empresa de forma igualitária, tendo cada um 25 por cento das ações.
— Certo! — Lavínia falou. — O que isso quer dizer?
— Eu estive pensando em algo há muito tempo. Foi quase um ano com esse pensamento se deveria ou não fazer e eu finalmente cheguei a uma decisão que vai afetar a forma que a Rainha Branca vai andar daqui para frente.
— Eu não estou conseguindo acompanhar, . — Andrew falou e eu suspirei.
— Eu vou vender minha parte da empresa, gente!
— O quê? — eles gritaram, surpresos.
— Por que isso agora? — Lavínia perguntou. — Você ama aqui! — ela segurou minha mão em cima da mesa e eu suspirei.
— Eu não aguento mais isso aqui, gente! — balancei a cabeça. — Minha mãe faleceu há alguns meses e eu ainda não consegui passar pelo luto por causa da loucura que está aqui. Eu tenho dinheiro para viver confortavelmente por uns 15 anos e, caso eu precise de mais, eu não me aperto em conseguir de outras formas. — relaxei os ombros. — Eu só preciso de um tempo para mim, viajar, conhecer o mundo, fazer o bem para alguém, sentir que o que eu faço importa...
— Essa é a maior agência de propaganda do Reino Unido. — Jonathan me cortou. — E você ajudou-a a se tornar o que é.
— Não é a mesma coisa! — virei para ele. — Eu sinto que estou fazendo tudo no automático. Eu não vivo mais, gente! — ri fraco.
— Eu te entendo, . Só espero que esteja certa com essa sua decisão. — assenti com a cabeça.
— Caso eu esteja errada, eu abro outra empresa de propaganda para competir com vocês. — os três riram, esticando as mãos em minha direção.
— As portas da Rainha Branca sempre estarão abertas para você. — Andrew falou e eu sorri.
— Bom, precisamos decidir sobre as minhas ações, se vocês três querem comprá-las, se eu vendo para alguém de fora, ou se algum de vocês ficará com 50 por cento e tudo mais, além do cargo de CEO. — os três suspiraram.
— O que você acha? — eles perguntaram quase juntos e me lembrei de que eu que fazia as decisões na empresa, eu era a CEO.
— Sobre as ações, sempre fizemos tudo igualmente. Então, se todos estiverem dispostos a comprar minhas ações pelos valores que valem, eu acho justo dividir entre os três. Sobre o cargo de CEO, eu não vou decidir. Isso é entre vocês. — afastei um pouco a cadeira, cruzando os braços.
— Você nos dá alguns dias para pensar? — Andrew perguntou.
— Claro! — falei. — Considere isso como um aviso prévio. Vocês têm 30 dias. — eles assentiram com a cabeça e eu notei a apreensão no rosto de todos.
— Vamos sair para beber hoje? — Jonathan virou e eu e os sócios viramos para ele. — O quê? Precisamos marcar isso de alguma forma. Isso é triste! — deu um pequeno sorriso, assentindo com a cabeça.
— Podemos, sim, depois do expediente! — me levantei. — Tenho reunião com Jamie Oliver em alguns minutos para falar da nova campanha do seu restaurante.
— Vai lá, chefe! — eles falaram e eu sorri, seguindo para fora da sala e batendo a porta.
— Como foi? — Annie estava parada do lado de fora novamente.
— Como deveria ser! — suspirei. — Não é como se eles tivessem muita escolha.
— Para onde agora? — ela perguntou. — Peru? Chile? Panamá? — ri fraco.
— Reunião com o Jamie, eu ainda trabalho aqui! — ela assentiu com a cabeça e seguimos juntas pela empresa.

— Essa é a minha última! — peguei o shot de tequila e virei em minha boca, sentindo o líquido arder e batendo o copo na mesa novamente, junto de meus três associados. — Eu vou para casa.
— Não, espera aí! Fica mais um pouco! — Jonathan segurou minha mão e eu ri, pegando minha bolsa na cadeira.
— Eu trabalho amanhã, Johnny! — pendurei a bolsa no braço. — Além disso, eu acho que estou bêbada. — vi o bar com algumas cores estranhas e balancei a cabeça.
— Você está bem para ir para casa? — Lavínia perguntou.
— Eu moro a quatro quarteirões daqui gente, tá sossegado!
— Se você não mandar mensagem em 30 minutos, vamos atrás de você! — Andrew falou e eu ri.
— Combinado! — suspirei — A gente se vê! — eles riram.
— Tchau, ! — eles acenaram e eu coloquei meus pés para andar um tanto quanto desengonçada para fora do bar.
Acenei rapidamente para o conhecido barman e saí do bar, apertando o casaco em meu corpo, sentindo alguns pingos de chuva cairem em meu cabelo, mas nada alarmante. Reparei outras pessoas saírem comigo do bar, mas segui em direção ao meu apartamento.
As luzes ainda estavam piscando um pouco sob meu olhar, mas nada que eu me preocupasse. Ouvi um barulho e virei o rosto, notando um homem atrás de mim, andando calmamente também. Suspirei e segui meu caminho, apertando as mãos no bolso da jaqueta. Virei a esquina e notei pelo canto de olho que o homem seguiu pela mesma direção, começando a me deixar nervosa.
Apertei o passo, meio desesperada para chegar em casa, ouvindo meus saltos baterem fortemente na calçada e outros mais fortes na minha direção também. Engoli em seco e não sei de onde veio tal coragem ou se era só porque eu estava bêbada, mas eu parei a poucos metros antes do meu apartamento e virei de frente, notando o homem quase colidir contra meu corpo e ficar muito perto.
— Oh! — ele falou.
— O que você está fazendo? — perguntei, notando que ele parecia muito bem vestido para alguém que poderia me matar.
— Você que parou! — ele falou.
— Só porque você está me seguindo. Eu posso ir para casa em paz ou devo correr porque você quer me estuprar e matar? — ele franziu a testa, dando um passo para trás.
— Desculpe-me, madame, eu não quis assustá-la. — balancei a cabeça.
— E então... — falei. — Você está só correndo para pegar o ônibus ou...
— Eu queria falar contigo, na verdade. — ele falou. — Qual seu nome? — ele perguntou.
— Quem pergunta? — cruzei os braços em cima do corpo.
— Você é Carlisle, não é?! — franzi a testa, encarando-o.
Kensington, na verdade. — suspirei e ele franziu os olhos. — Chegou perto.
— Quem é sua mãe?
— Quem é você? — devolvi com outra pergunta.
— Podemos conversar? — ele perguntou.
— Eu não te conheço! — falei firme. — A não ser que você me explique o motivo disso tudo, eu não vou te responder nada.
— Ok, vamos devagar. — ele suspirou, abaixando as mãos. — Eu sou , Lorde de Steinau. — franzi a testa.
— Ah, sei que estamos em Londres e títulos de nobreza são dados aos montes, mas as pessoas não saem por aí se gabando por isso. — franzi as sobrancelhas e ele riu.
— Lorde de Steinau, do reino de Pollemani.
— Oh! — coloquei a mão no queixo. — É um país minúsculo perto da Romênia, não?
— Alemanha, e por que usar uma denominação tão inferior? É um país digno, poderoso, com uma das melhores economias da Europa. — arregalei os olhos.
— Oh, desculpa se ofendi seu país. — dei um sorriso envergonhado.
— Nosso país. — ele falou. — Nós somos primos. — arregalei os olhos.
— Oi?
— Você é , filha do príncipe Nicholas e neta do rei Oswald. — eu havia travado. — Eu sou neto da Lady Anne, isso nos faz primos de terceiro grau, se eu não me engano.
— Você está me confundindo com alguém, cara. Meu pai se chamava Nicholas, mas ele não era nenhum príncipe, ele foi assassinado por causa de 30 libras na carteira dele, quando estava indo visitar minha mãe no hospital. — ergui os braços.
— Então foi isso que eles te contaram? — ele franziu a testa. — Olha! Eu não sei o que te contaram, mas seu pai foi sim assassinado, mas pelo próprio irmão, que deu um golpe de estado quando eu tinha três anos. Ele matou o rei também. — arregalei os olhos.
— Oh! — me afastei um pouco.
— Sua mãe era Helen, uma plebeia que se apaixonou pelo príncipe de Pollemani, eles se casaram e tiveram você, futura rainha do país. — engoli em seco.
— Você está me zoando, não é?! Eu não posso ser uma rainha, eu mal ouvi falar desse país. Como assim? — coloquei as mãos na cabeça, respirando fundo. — Eu devo estar muito bêbada. Isso é tudo mentira. — ele riu, balançando a cabeça.
— Por que não conversamos amanhã quando você estiver melhor? — ri fraco.
— Quem sabe amanhã você não seja só parte de um dos meus sonhos? — ele riu.
— Quer apostar? — ele falou sério e eu respirei fundo, encarando-o da mesma forma.
— Esteja naquele prédio às sete da manhã ou não conseguirá falar comigo. — apontei para meu prédio algumas casas para frente. — Apartamento 34. — ele assentiu com a cabeça.
— Estarei aqui, alteza. — franzi a testa e balancei a cabeça.
— Vai embora, vai! — abanei as mãos e segui novamente para meu prédio, conferindo duas vezes se o moço ainda estava ali, antes de passar pela portaria.

Acordei no automático novamente, a diferença é que eu estava com uma baita dor de cabeça, resultado da bebedeira da noite passada. Já tinha passado da idade de encher a cara com os amigos, mas foi por um bom motivo: eu finalmente estava livre.
Só acho que devia ter bebido menos, havia sonhado que um lorde de um país pequeno na Europa havia me dito que eu era futura rainha desse país e que basicamente tudo que eu conhecia da minha vida era mentira.
Fiquei pronta alguns minutos mais cedo e me permiti comer uma vasilha de cereal de chocolate com leite, como eu fazia quando era muito pequena. Ouvi o interfone tocar e olhei para o relógio, eram sete horas. Quem tocaria assim tão cedo? Puxei-o do gancho e coloquei-o no ombro.
— Bom dia! — falei.
— Bom dia, senhora . está aqui para vê-la. — franzi a testa.
— Quem? — perguntei.
— Ele disse que combinou contigo de se encontrar ontem, aqui na rua mesmo, falar sobre Pollemani, ou algo assim. — engoli em seco, arregalando os olhos. — Senhorita? — balancei a cabeça.
— Pode deixar entrar. — falei, suspirando, e coloquei o interfone no gancho e a vasilha na pia, com medo daquilo espatifar no chão.
Voltei para a sala e peguei a primeira coisa que eu vi na minha cômoda, um castiçal, tirei a vela e ergui-o na altura da cabeça e ouvi a campainha da porta. Respirei fundo e contei até três antes de abrir a porta e dar dois passos em direção à pessoa.
— Oh! — o homem falou, se assustando e se protegendo com as mãos. — Quer matar seu primo, é? — arregalei os olhos, me lembrando do sonho, e respirei fundo.
— Diga que foi um sonho. — abaixei o castiçal.
— Não foi! — ele se aproximou, puxando o castiçal da minha mão e escondendo-o atrás do corpo. — E eu realmente preciso falar contigo. — abri espaço para ele entrar e puxei o castiçal de volta, o devolvendo na cômoda.
— Pode se sentar. — falei, apontando para meus sofás.
— Sabia que não tinha sido uma boa ideia te abordar ontem à noite, mas pensei que não tinha bebido tanto. — suspirei, me sentando em um pufe à sua frente.
— Como você sabe disso? — ergui as mãos.
— Tem um detetive te procurando por mim há uns cinco anos, na verdade. — ele deu de ombros.
— Pelo menos vemos que alguém consegue se esconder, já você não foi tão discreto assim. — ele riu e eu pude notar como esse homem era bonito, do tipo que eu daria em cima se tivesse visto no bar. Na noite de ontem ele era só um vulto para mim.
— Eu não tenho mais tempo para me esconder, alteza. — o encarei.
— Por que você está me chamando assim? Eu não sou quem você está procurando. — falei um tanto alto e respirei fundo.
— Sim, você é. — ele riu. — Você é Amélia Green Turner Carlisle, filha do príncipe Nicholas Carlisle e da princesa Helen Green. Seu avô foi Oswald Carlisle, sua avó é Amélia Carlisle, rainha de Pollemani. — engoli em seco. — Seu avô e seu pai foram assassinados pelo seu tio Nathaniel Carlisle quando você tinha somente alguns meses de vida. Sua mãe fugiu com quatro empregados para te proteger de uma possível morte também e te protegeram para poder se tornar rainha no futuro. — ele esticou a mão e segurou as minhas. — Sua avó estava fora do país quando isso aconteceu. Alguns anos depois ela voltou e tomou seu legítimo lugar como rainha. — engoli em seco, sentindo meus olhos lacrimejarem. — Mas ela está muito doente, não tem mais do que alguns dias de vida e um Carlisle precisa subir ao poder no momento de sua morte. — balancei a cabeça.
— Eu ouço nomes de familiares, mas eu não posso ser essa pessoa. Eu sou Kensington, nasci e morei em Londres minha vida inteira. — suspirei. — Eu sou uma publicitária, 30 anos, eu não sou uma governante. — ouvi minha voz embargada. — Eu não posso ser uma rainha.
— Pode sim! — ele sorriu. — Isso está no seu sangue. — balancei a cabeça.
— Por que você não vira rei? Você aparentemente vive em Pollemani e sabe tudo sobre esse país.
— Porque eu não posso. — ele falou. — Eu sou herdeiro da sua tia-avó, somente um herdeiro legítimo de Oswald pode tomar o trono. — senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
— Ele não teve outros filhos, não? — suspirei.
— Teve, só mais um. — ele franziu os lábios. — Mas eu não posso permitir que herdeiros do homem que matou o rei Oswald e o príncipe Nicholas subam ao trono. — engoli em seco.
— O que aconteceu com ele?
— Foi morto quando sua avó retomou o poder. Marcou a guerra dos 20 dias. — ele falou e eu assenti a cabeça.
— E só tem ele? — assentiu com a cabeça e eu respirei fundo.
— Eu realmente não viria atrás de você e mexeria em todo seu passado se eu tivesse outra opção. — relaxei o corpo, sentindo o pufe afundar um pouco, e coloquei as mãos no rosto, percebendo que estava chorando como uma criança.
Como era possível acreditar que eu era a herdeira principal de um reino que eu mal tinha ouvido falar e me tornasse rainha dele sem que eu soubesse nada sobre geografia, economia ou até mesmo sobre política. Ou melhor, sem que eu soubesse nada sobre esse país? Não sei como era a monarquia desse país, mas, se fosse como a Inglaterra, que a rainha era quase como um símbolo... Não, não! Eu não podia fazer isso, além do mais, como eu podia confiar nesse cara? Isso era loucura!
— Aqui! — ergui o rosto, vendo próximo à prateleira do meu corredor. — Príncipe Nicholas e princesa Helen. — ele ergueu o porta-retrato e eu respirei fundo.
— Eu não posso fazer isso. — falei para ele.
— O que te prende aqui? — ele perguntou. — Não me diga que é seu emprego que eu já sei que você pediu demissão.
— Como você sabe disso? — perguntei.
— Detetive particular. — ele falou e deu de ombros.
— Ok, ok. — me levantei, me aproximando dele. — Vamos supor que eu aceite esse desafio de ser rainha de um país que eu nunca ouvi falar na minha vida. Como eu cumprirei essa missão? Eu não sei nada de política. — ele riu.
— A sua sorte é que eu sei. — ele falou. — Eu faço parte do parlamento há anos e em breve chegarei ao posto de primeiro ministro. Eu posso te ensinar tudo sobre esse país, costumes, cultura, economia, política, educação, saúde, transportes, segurança... — ele perdeu o ar. — Eu sou uma enciclopédia sobre esse país.
— Quantos habitantes existem em Pollemani? — perguntei.
— 572 mil, divididos em 67 cidades, incluindo a capital Polle. — arregalei os olhos. — Segundo senso de 2015.
— Cacete! — falei e ele riu.
— Eu poderia falar para você pesquisar e saber um pouco da sua história antes de tomar uma decisão. — ergui os olhos. — Mas eu não tenho essa opção. A rainha Amélia está morrendo aos poucos, ela não deve durar mais que dois meses. — engoli em seco.
— O que ela tem? — perguntei.
— Câncer no intestino, que acabou se espalhando para estômago e fígado. — suspirei. — Sua saúde está por um fio.
— Quem me garante o que você falou? — ele suspirou.
— Eu posso te mostrar, se permitir. — suspirei, relaxando os braços.
— Quando eu falei que estava à procura de aventura, não foi exatamente isso que eu pensei. — ele riu.
— Pensa bem, tédio é o que não vai ter. — respirei fundo, engolindo em seco.
— Ok, senhor lorde. — engoli em seco. — Me leve para Pollemani.
— Fácil assim? — ele franziu o rosto.
— Você acha que foi fácil? — perguntei. — Minha cabeça está um turbilhão de emoções e são só 7:13 da manhã. — ele riu.
— Relaxa, você vai se sentir em casa quando chegar lá. — dei um pequeno sorriso, sentindo uma dor enorme na boca do estômago.

— Aqui, vossa alteza! — uma senhora me estendeu uma bandeja e eu a apoiei na do avião, sorrindo a ela.
— Obrigada! — falei e virei para , que olhava alguma coisa no celular. — Peça para eles pararem! — gemi a ele, que riu.
— Se acostume! — ele sorriu. — Você é a filha perdida de Nicholas e Helen, mesmo que não se torne nossa rainha, você ainda é a pessoa mais importante da realeza depois da rainha Amélia. — engoli em seco, suspirando.
— Tripulação, afivelar cintos, entrando em espaço aéreo pollemânico. — ouvi o piloto do jato real falar e respirei fundo.
Observei o lanche que a senhora havia me preparado e realmente parecia outro nível. Era um simples misto quente, mas o prato era montado e decorado de uma forma que eu nunca imaginei fazer em casa. Além do pêssego caramelizado que vinha de sobremesa, que aparentemente era fruta tradicional do país. Dei uma mordida rápida no lanche, mas eu estava sem fome, tudo era muito confuso para mim. Eu havia ficado as três horas e meia de viagem travada no meu acento.
— Talvez você queira olhar pela janela, princesa. — já ia xingar quando virei o rosto para a janela. — E bem vinda a Pollemani. — perdi o fôlego quando olhei o castelo dos meus sonhos de dentro do avião.
Ele era claro, como se saísse dos filmes da Disney, com quatro ou cinco torres mais altas. Percebi o avião começar a descer e notei que possuía uma pista de aterrissagem. O pouso foi suave, como se eu sempre estivesse no chão. se levantou de seu lugar e notei que ele e todos os tripulantes me esperavam. Apertei os braços da poltrona e me levantei, tentando me manter firme e não como uma gelatina que minhas pernas pareciam.
Notei que todos do avião fizeram uma reverência para mim e imediatamente senti meus olhos se encherem de lágrimas. Continuei andando pelo corredor do avião, vendo o capitão fora da cabine fazer o mesmo movimento e soltei o ar pela boca devagar. O sol me cegou por alguns instantes e eu prendi a respiração quando notei duas filas de soldados e um tapete vermelho na porta do avião.
— Eu não posso fazer isso. — falei baixo e notei atrás de mim.
— Você pode! — ele falou, apertando minha cintura e eu puxei o ar fortemente, soltando-o devagar. — Eu estou aqui contigo. — assenti com a cabeça e suspirei, segurando no corrimão da escada do avião e descendo com a meu encalço.
— Vossa alteza. — a primeira mulher da fila falou e bateu continência. — Eu sou a general Mason, te recepcionando de volta a Pollemani depois de 30 anos. — dei um sorriso trêmulo e assenti com a cabeça.
— Obrigada! — foi só o que eu consegui falar. Ela se afastou alguns passos e olhei para o corredor de soldados, enchendo o peito de ar e começando a caminhar pelo meio deles.
Conforme eu passava, as continências eram erguidas e o desespero só aumentava. estava próximo a mim e ele entendia meu desespero. Quando os soldados e o tapete acabaram, eu observei o palácio crescer em minha frente e entrei no mesmo pela lateral, subindo uma escadaria com e os seguranças atrás de mim. No topo das escadas, uma mulher com roupa de executiva nos esperava segurando uma prancheta e com fone no ouvido. deu alguns passos para frente e abraçou-a fortemente.
— Vossa alteza. — a mulher falou para mim e fez a reverência, me fazendo assentir com a cabeça. — Como você cresceu! — ela falou e eu suspirei.
, essa é Charlotte, assistente pessoal da rainha. — sorri para ela. — Ela te viu nascer e poderá te ajudar mais do que eu no seu novo dever.
— Obrigada, Charlotte! Eu realmente vou precisar. — ela riu.
— Permita-me dizer como eu estou feliz em vê-la aqui novamente bem, crescida e saudável. — sorri.
— É tudo meio confuso para mim, mas espero que eu possa ajudar. — dei um sorriso de lado.
— Você pode. — ela sorriu. — Você é filha de Nicholas, tenho certeza que, quando for a hora, saberá o que fazer. — suspirei.
— Espero que sim! — falei.
— Esse é Lionel. — ela falou, me apresentando a um senhor de terno ao seu lado. — Seu novo segurança particular. Sinto lhe dizer, mas, tirando dentro deste castelo, você não sai daqui sem ele, nunca mais.
— Seremos melhores amigos, Lionel. — ele riu, fazendo a reverência.
— Alteza. — ri fraco.
— Sinto que vocês três serão algumas das pessoas mais próximas a mim, então vamos entrar em um acordo agora. Meu nome é . Minha mãe me chamou assim desde que eu nasci, então vamos honrá-la. Só me chamem de alteza quando alguém estiver vendo e quando for necessário. — eles riram. — Entendidos? — perguntei.
— Sim! — os três falaram e eu sorri.
— Perfeito! — riu ao meu lado.
— Vamos? A rainha quer vê-la. — Charlotte falou e eu arregalei os lábios.
— Oh! — falei e os três riram.
— Vamos! — falou, me segurando pelos ombros, e segui Charlotte com ao meu lado e Lionel atrás.
Tentei observar tudo dos três andares do palácio, mas era muita informação para processar. Tudo era muito bonito, grandioso, bem decorado, mas discreto. Comparado ao palácio de Buckingham, por exemplo. A quantidade de arranjos de flores deixavam um perfume delicioso no local.
Nos aproximamos de duas portas duplas sendo guardadas por dois soldados uniformizados e eles também me reverenciaram quando me viram. Eles abriram as portas para mim e entrei em um quarto com uma antessala e algumas pessoas na mesma.
— Apresento vossa alteza real, Amélia Green Turner Carlisle, princesa de Pollemani. — as pessoas se afastaram da cama e me reverenciaram. Eu parei por um momento, olhando a senhora deitada na cama, e suspirei.
— É minha neta que está aqui? Ela chegou? — ouvi sua voz e respirei fundo.
— Sim, majestade. Ela está aqui. — Charlotte correu em dizer e se aproximou da cama. — Venha. — ela falou e eu me aproximei devagar da cama, começando a notar as feições da senhora na cama. Cabelos brancos e finos, rosto pálido, olhos incrivelmente azuis vidrados em mim.
— Ah, minha querida! — ela abriu um sorriso quando me viu e passou a mão na lateral da cama. — Sente-me, por favor. — fiz o que ela mandou e não sabia se eu me reverenciava ou se agia como se estivesse falando com a minha avó, havia me esquecido de perguntar isso a . — Meu Deus, querida. É você mesmo! — ela ergueu uma mão para meu rosto e eu sorri. — Ah, você tem os olhos do seu pai. — abri um pequeno sorriso, sentindo uma lágrima escorrer pelo rosto. — Tudo vai ficar bem agora, ok?! Você está aqui. — suspirei.
— Eu não sei se consigo fazer isso, majestade. — engoli em seco. — Minha maior experiência em liderança foi em uma empresa com menos de 40 funcionários, isso é algo muito diferente. — ela sorriu.
— Não se preocupe, minha querida. Isso está no seu sangue, você será uma grande líder, como seu pai e seu avô. — suspirei.
— Mas, senhora... — respirei fundo. — Eu deveria aprender, fazer cursos, eu...
— Querida...
— Eu só sei falar inglês e francês, como eu posso ser uma governante se eu só sei falar duas línguas? — senti que desmoronei em lágrimas e ela abriu um sorriso para mim. — Por favor, me ajude...
— Você terá toda ajuda necessária, não se preocupe. — ela riu. — Afinal, eu ainda estou aqui. Você pode conhecer Pollemani enquanto isso. — dei um pequeno sorriso, assentindo com a cabeça. — Além do mais, você tem um noivo te esperando. — naquele momento eu travei. — Ele te ajudará e apoiará em tudo o que você precisa.
— Me desculpe, você disse noivo? — ela sorriu.
— Acho que foi emoção demais para uma conversa. — a médica apareceu ao meu lado. — Ela precisa descansar um pouco. — assenti com a cabeça, me levantando, mais congelada do que eu já estava.

— Merda! Merda! Merda! — saí do quarto da rainha massageando as têmporas e segui em linha reta vendo Charlotte e Lionel me seguindo.
— Senhorita... — Charlotte foi atrás de mim. — Devo te alertar que uma princesa não fala palavrões. — ignorei-a, continuando meu mantra.
— Eu sabia que tinha alguma pegadinha, estava muito fácil eu simplesmente ser princesa de um país, muito fácil. — segui andando, sentindo meus saltos baterem com força no chão de granito. — Como eu posso me comprometer com o dever de ser rainha e ainda ter que lidar com um casamento arranjado? — bufei. — Eu não posso fazer isso. Eu não namoro porque meu maior medo é perder minha liberdade e ter que ser controlada por alguém...
— Senhorita... — Charlotte tentou me interromper.
— Eu não posso fazer isso. — suspirei. — É muita informação. Eu não consigo processar tudo ao mesmo tempo... — parei por um momento para notar onde eu estava e soltei um suspiro ao notar que havia um trono a minha frente. — O que é aqui? — virei para Charlotte, que deu um pequeno sorriso.
— Aqui é a sala do trono. — ela falou. — Onde a rainha recebe moradores, políticos, reis, e pensa, na maior parte do tempo. — suspirei, observando o trono dourado com algumas pedras preciosas incrustadas no mesmo. — E nas paredes, os antigos governantes. — ela falou e eu ergui o rosto, reparando em todos os quadros que haviam ali.
Puxei o ar quando notei um quadro com três pessoas pintadas no mesmo. Um homem de cabelos escuros estava em pé, uma moça ruiva sentada com um bebê no colo. Segui em direção à pintura de meus pais e senti meus olhos lacrimejarem. Ergui a mão para tocá-lo e foi quando percebi que tudo que me contaram era verdade. Eu era uma Carlisle. Eu era herdeira direta do trono e havia chegado a hora de eu assumir essa responsabilidade.
Olhei para o quadro do lado e notei minha avó, bem mais jovem do que eu havia visto na cama, sentada na cadeira, e meu avô, o falecido rei Oswald, apoiando a mão em seus ombros. Virei o rosto para os outros quadros e escorreguei meu corpo para o chão, tentando absorver toda aquela história.
— É tudo meu, não é? — Charlotte sorriu e assentiu com a cabeça.
— Sim, alteza. — suspirei. — Você é parte dessa história e futuro dela. — coloquei as mãos na cabeça.
— É muito difícil processar tudo isso. — ela assentiu com a cabeça. — Antes de ontem eu era dona da maior empresa de propaganda do Reino Unido, eu decidi abandonar essa vida para fazer o bem, para conhecer o mundo, conhecer culturas diferentes e...
— Eu posso garantir que a senhora fará tudo isso quando for rainha. Pollemani tem um parlamento que decide tudo, a rainha tem opiniões nas decisões, levando o parlamento aos resultados. Temos também o primeiro-ministro que funciona como um presidente, mas ser rainha nada mais é do que um trabalho humanitário. — ela sorriu. — Para o próprio país e para o mundo. Um símbolo. — suspirei.
— Só isso? — ela riu fraco.
— Não, senhorita. É um trabalho político como todos os outros, com toda pressão em cima de você, além das aparições frequentes e atendimento aos seus súditos. — suspirei, olhando para cima.
— Ok, vamos devagar. — balancei a cabeça. — Primeiro eu preciso falar com esse meu noivo. — revirei os olhos, apoiando as mãos no chão e me levantando. — Quem é ele e onde ele está? — olhei para Charlotte, que franziu a testa.
— Você já o conheceu, alteza. — ela apontou para o lado e eu virei o rosto, vendo a alguns passos de nós, com as mãos cruzadas em frente ao corpo.
— Você? — acabei reagindo de forma um tanto quanto rude e arregalando os lábios e olhos.
— Podemos conversar? — ele perguntou, rindo nervoso.
— Ah, não! Isso só pode ser mentira. — suspirei, olhando para cima.
— Com licença, alteza. — Charlotte falou e ela e Lionel se retiraram da sala do trono. se aproximou de mim.
— Eu posso explicar. — ele falou.
— Esse tempo todo estivemos noivos e você nem se deu ao trabalho de me informar? — coloquei os braços na cintura. — Você se esqueceu de me contar ou eu descobriria quando estivesse subindo ao altar contigo? — bufei.
— Todo esse tempo? Eu te conheço há dois dias. — ele ergueu os braços. — Não achei que fosse a melhor hora para te contar, ‘ei, você é rainha, mas você também é minha noiva, beleza? Seja feliz’. — ele falou, irônico, e eu revirei os olhos. — Também não esperaria que a rainha mencionasse isso agora. — relaxei os ombros.
— Você quer isso? — perguntei. — Você quer o trono, por acaso? Você disse que seria rei se pudesse...
— Só para sua informação, alteza. Um homem, ao casar com a rainha, não se torna rei. Isso é prioridade das mulheres. — ponderei com a cabeça e notei que ele estava certo. — Antes de falar isso tudo, você se esqueceu de fazer a pergunta mais importante.
— Qual? — perguntei.
— Se isso é oficial ou se você pode desistir.
— Eu posso? — franzi a testa.
— Claro que pode! — ele falou. — Não somos um país antiquado. Uma princesa não precisa se casar para ser rainha. — senti um alívio passar pelo meu corpo. — Esse noivado seria caso crescêssemos juntos. Vivêssemos todos os dias juntos, brincássemos, nos conhecêssemos. — ele suspirou. — Faz 30 anos, . — ele suspirou. — Só a rainha Amélia acha que ficaremos juntos um dia, mas ela está doente, então dá um desconto. — ri fraco. — Eu te juro, meu único interesse nisso tudo é que você seja uma grande rainha e que torne Pollemani uma superpotência. — suspirei, balançando a cabeça.
— Foi por isso que veio atrás de mim? — ele deu de ombros.
— Eu coloquei um detetive particular atrás de você há cinco anos. — ele sorriu. — Quando a rainha Amélia ficou doente, eu sabia que era só questão de tempo para termos que ir atrás de um herdeiro. E a única herdeira direta do príncipe Nicholas é você. — suspirei. — Sua mãe poderia assumir o trono, pois eles eram casados, mas ela faleceu nesse tempo. — Assenti com a cabeça.
— Eu sou a única opção mesmo? — ele assentiu com a cabeça.
— Sim! — ele falou. — O país precisa de você. Eu vi um pouco do seu trabalho como publicitária, cuidar de um país não é tão diferente de cuidar de uma empresa. — gargalhei alto.
— Desculpe-me, Lorde, mas creio que você está levemente enganado. — ele riu.
— Ok, eu exagerei, mas eu sei do que você é capaz.
— Como se você acabou de me conhecer? Nem eu sei se sou capaz disso. — ele sorriu.
— Você é! E será uma incrível rainha. — suspirei alto, olhando para o quadro de meus pais na parede.
— Eu preciso pensar. — balancei a cabeça e ele assentiu.
— Espero que faça a escolha certa. E rápido. — suspirei.
— Cuide da minha avó por mim, pode ser? — ele assentiu com a cabeça e eu saí da sala do trono sentindo meus ombros mais pesados que antes.

— Posso te atrapalhar um pouco? — ergui o rosto, vendo Charlotte em minha frente e me levantei das escadarias principais do palácio.
— Claro! — ela deu um pequeno sorriso.
— Eu gostaria de te levar até seu quarto.
— Eu tenho um quarto? — franzi a testa.
— Claro que sim! Desde antes de você nascer. E sempre soubemos que você voltaria. — suspirei.
— Vocês sabiam minha vida inteira e eu não. — ela se abaixou e sentou ao meu lado.
— Sei que não é meu dever lhe dizer isso, mas penso que você está se sentindo abandonada ou traída por Pollemani. — virei o rosto para ela, assentindo com a cabeça.
— Um pouco.
— Faz 30 anos que o príncipe Nathaniel deu um golpe em Pollemani. Demorou 15 para que sua avó tomasse o governo de volta. Ela precisou de exércitos, políticos poderosos em quem ela pudesse confiar e muita coragem. — franzi os lábios. — Era só ela. Sua mãe havia fugido com você e seu pai foi morto naquele mesmo dia. — suspirei. — Faz só 15 anos que Pollemani começou a se reconstruir. As coisas estavam voltando ao normal quando sua avó descobriu a doença, aquilo baqueou a todos, pois ninguém quer que os herdeiros do príncipe Nathan tomem posse, mesmo que digam que eles são diferentes, nós ficamos com um pé atrás. — suspirei, apoiando a cabeça na pilastra. — começou a te procurar logo que sua avó ficou doente e vivemos sua vida, sem que você soubesse, por todo esse tempo. Aguardando, observando, esperando o dia que precisássemos fazer contato. — dei um pequeno sorriso. — Eu também não sei se você é a melhor opção para o trono do nosso país, mas você é filha do príncipe Nicholas e da princesa Helen. — ela acariciou meu rosto. — Se você for metade do que eles eram, tenho certeza que você trará feitos grandiosos para Pollemani. — senti meus olhos se encherem de lágrimas. — Eu te prometo que vai dar tudo certo. — assenti com a cabeça, suspirando.
— Uma princesa tem o direito de se consultar com um psicólogo? — ela riu. — Porque eu acho que preciso. — ergui as mãos, passando-as embaixo dos olhos.
— Claro que sim! Te providenciaremos tudo o que precise. — suspirei, relaxando os ombros.
— Eu gostaria de ver meu quarto agora, se não se importa. — ela sorriu, se levantando prontamente.
— Vamos lá!
Segui Charlotte andares acima novamente, mas, diferente de seguirmos para os aposentos de minha avó, seguimos para o outro lado. Notei que Lionel estava me guardando esse tempo inteiro que eu fiquei nas escadarias. Dois homens guardavam as portas, Charlotte fez um aceno com a cabeça e eles abriram a mesma, me fazendo abrir a boca.
Obviamente aquilo não era um quarto, era maior que meu apartamento. Havia um hall que antecedia o quarto com uma mesa e um grande vaso de flores rosa em frente. Passando por esse local, um grande quarto se abria para mim. Ele era dividido em três ambientes. Um escritório próximo à parede com uma linda mesa de mogno e cadeiras acolchoadas. Uma sala de estar com sofás macios, mesas de centro e vários vasos com flores que deixavam o ambiente mais confortável. Além da cama dos meus sonhos. De casal, com a maior quantidade de travesseiros e almofadas que eu podia imaginar.
Me aproximei da mesma e não me contive, me joguei na mesma, sorrindo, e Charlotte riu ao meu lado. Virei o rosto em sua direção e torci o pescoço ao notar um berço colocado no canto do quarto. Me levantei desengonçada e me aproximei do berço rosado, apoiando as mãos no móbile de coroas e fadas, e suspirei.
— Eu dormia aqui?
— Não nesse local, mas esse era seu berço.
— Vocês mudaram o quarto? Aumentaram? — ela deu um sorriso de lado.
— Seu pai foi morto no seu quarto, não achamos que seria uma boa recordação. — assenti com a cabeça.
— Com certeza não! — ela sorriu e eu notei duas mulheres no quarto.
— E vocês são? — Charlotte bateu a mão no rosto como se lembrasse.
— Essas são Jane e Joana, suas camareiras. — acenei para elas e ambas se reverenciaram.
— Alteza... — balancei as mãos.
— Vamos entrar em um acordo logo agora, ok?! , senhorita ou você, nada de alteza, a não ser que esteja em publico. — elas sorriram, assentindo com a cabeça. — Obrigada! — elas sorriram.
— Bom, venha, acho que vai gostar de ver isso. — Charlotte andou por uma das portas do quarto e observei rapidamente a porta do banheiro e fiquei boquiaberta com todo granito em qualquer parte e no tamanho da banheira, que era quase do tamanho da piscina do meu antigo apartamento. — Pode entrar. — ela apontou para outra porta com uma sala escura e dei alguns passos para dentro da mesma.
Fiquei boquiaberta quando as luzes se acenderam e eu vi o grande closet se abrir em minha direção. Diversas prateleiras e araras com os mais diversos tipos de roupa. Na maioria vestidos e terninhos executivos, mas todos, sem exceção, incrivelmente lindos e adequados para a minha idade. Minha preocupação era só se serviriam, mas certeza que esse pessoal sabia mais de mim do que eu mesma.
Passei pelas prateleiras com centenas de pares de sapatos somente de marcas famosas e suspirei com cada um deles, encontrando meu mundo dos sonhos. Bolsas, óculos de sol, cachecóis, echarpe e... Joias! Me aproximei das pedras brilhantes e suspirei ao olhar cada uma delas.
Me senti com oito anos novamente e coloquei as mãos para trás para observar todo aquele brilho de tirar o fôlego. Brincos, na maioria pequenos, colares discretos, anéis, pulseiras e braceletes maravilhosos.
— Talvez queira abrir a porta. — ela apontou para o armário e eu o abri devagar, levando as mãos à boca. — Sua avó fez uma seleção das joias da coroa e escolheu algumas tiaras para ti. — observei-as, com medo de tocá-las de tanto que elas brilhavam. — Tiaras só são usadas em eventos oficiais ou encontro com outros líderes. Você vai aprender tudo isso. — assenti com a cabeça, notando que ela apoiou a mão em seu ponto e confirmou com a cabeça sozinha.
— O que aconteceu? — perguntei.
— O primeiro-ministro soube da sua chegada e convocou uma reunião de emergência no parlamento. Ele quer te conhecer. — suspirei, erguendo as mãos à cabeça.
— Oh, mer... — Charlotte me olhou. — Droga! — ela riu, assentindo com a cabeça. — Agora?
— Você tem uma hora. — suspirei, soltando o ar devagar e puxando-o novamente.
— Oh, Deus, o que eu faço? — perguntei.
— Eles provavelmente farão as perguntas e o primeiro-ministro já está informado sobre a sua situação. Como eu disse: estamos te esperando há muito tempo. — assenti com a cabeça. — Sei que não temos muito tempo, mas que tal um banho e uma troca de roupa? — dei um sorriso forçado.
— Se fosse em Londres, eu faria isso de olhos fechados, mas como eu vou estar minimamente apresentável em uma reunião com um grupo de pessoas que definirão meu futuro? — Charlotte riu ao meu lado.
— Eles não definirão seu futuro. Você é a herdeira do trono, você está aqui e, caso decida aceitar, será nossa futura rainha, mas você não vem para cá há 30 anos, eles querem te conhecer...
— Legal! Entrevista de emprego. — ela riu com a minha ironia.
— Além do mais, creio que os cabeleireiros e maquiadores da rainha estão disponíveis para cuidar de você. — olhei para ela, surpresa, que abriu um sorriso. — Vamos cuidar de você. — assenti com a cabeça, seguindo-a para fora do closet.

Suspirei, me olhando no espelho, e gostei do resultado. Jane e Joana me ajudaram a vestir o sobretudo rosado por cima do conjunto de saia e blusa e o salto da mesma cor. Passei a mão em meus cabelos alisados e olhei para Charlotte.
— Está na hora! — ela falou e eu assenti com a cabeça.
— Vamos, então! — soltei o ar três vezes antes de sair do quarto, com Lionel e Charlotte atrás de mim.
Nas portas do palácio, um carro nos esperava e eu pude ver, pela primeira vez, o palácio de frente, não conseguindo impedir que um sorriso se formasse em meu rosto. Reparei nas bandeiras do país no carro e entrei com Charlotte.
O caminho até o parlamento foi rápido, notei que Polle, a capital de Pollemani, era bem menor que uma Londres, afinal, segundo , Pollemani tinha 500 e poucos mil habitantes, só a cidade de Londres tinha mais de oito milhões.
O carro parou no prédio antigo e eu observei o mesmo de fora por alguns segundos. Charlotte assentiu com a cabeça e Lionel abriu a porta para mim. Fui cegada por alguns flashes vindo dos dois lados e fiquei perdida por alguns segundos, notando que eram repórteres. Lionel apoiou a mão em minhas costas e me indicou escadas acima, fazendo o ambiente escurecer quando passei pelas mesmas.
— O que foi aquilo? — perguntei para Charlotte.
— A princesa perdida voltou, alteza. — ela falou. — Todos querem ver você. — balancei a cabeça, tentando religar os pontos novamente, e abanei as mãos.
— Onde é a reunião? — perguntei.
— Na sala do fundo. — Charlotte indicou e eu respirei fundo antes de seguir pelo largo corredor, notando várias pessoas parando para que eu pudesse passar. Eu estava me sentindo na escola novamente, quando a escola inteira precisava parar para que as patricinhas pudessem passar. A diferença agora é que eu era uma das patricinhas.
Lionel passou à frente e abriu a porta para mim. Comecei a ouvir murmurinhos de lá de dentro e entrei devagar, vendo cerca de 30 ou 40 pessoas, e uma quantidade ínfima de mulheres, o que fez meu coração doer. estava lá, próximo a dois homens, e ele abriu um largo sorriso para mim. Olhei para trás rapidamente e vi que nem Charlotte ou Lionel tinham entrado, respirei fundo.
— Vossa alteza. — se aproximou de mim, fazendo uma reverência e eu acenei com um gesto de cabeça. — Gostaria de lhe apresentar ao primeiro-ministro, Sebastian Mosques! — observei o senhor mais velho se reverenciar também e dei um pequeno sorriso, estendendo minha mão.
— Primeiro-ministro. — notei a confusão em seu olhar e mantive minha mão estendida. — Sou diferente de outros monarcas.
— Consigo notar! — ele apertou minha mão e sorri.
— Fui requisitada pelo parlamento, então já gostaria de pedir desculpas antecipadamente pelas confusões que podem ocorrer. Vocês devem saber minha história, então eu possuo costumes diferentes dos adequados à monarquia.
— Isso são situações que se ajeitam, alteza. — confirmei.
— Perfeito, podemos começar? — perguntei.
— Claro. — ele falou. — Aqui, por favor. — ele apontou para um trono parecido com o que havia no palácio, na parte mais alta da sala do parlamento, e eu me encaminhei até o mesmo, me sentando e mantendo meus pés cruzados abaixo da cadeira, como Charlotte havia me indicado.
— Declaro aberta esta sessão do parlamento de Pollemani, o primeiro-ministro Sebastian está presidindo e temos a presença da princesa Caslisle. — falou no centro do parlamento e se dirigiu a seu lugar, longe de mim.
— Vossa alteza, o parlamento se uniu aqui hoje, pois ficamos sabendo da sua presença em Pollemani, após 30 anos longe de nosso país. — assenti com a cabeça. — Como a nossa rainha Amélia não está bem, em breve você ascenderá ao trono e, perdoe-nos, mas é difícil acreditar que uma pessoa que nunca esteve em Pollemani é a melhor opção para o nosso país. — Assenti com a cabeça.
— Entendo, senhor primeiro-ministro. E acho muito válida essa constatação. Afinal, eu fui embora de Pollemani devido a um golpe de estado e me foram escondidas muitas coisas para minha proteção que eu descobri somente há três dias. Confesso que ainda acho que acordarei de um sonho profundo em um hospício. — os mais jovens riram. — Mas eu não posso garantir aos senhores que eu serei uma boa governante. — o primeiro-ministro ponderou com a cabeça. — Aposto que a rainha Amélia também não conseguia garantir e nem meu pai conseguiu lhes garantir antes de tudo. — ele se calou. — Mas eu posso falar aos senhores que, mesmo sem saber falar 12 línguas, sem ter um conhecimento sobre política, economia e ciências políticas, eu sou forte. Eu abri uma empresa com mais três amigos quando eu tinha somente 16 anos e, em quase 15 anos, ela é a maior empresa do ramo no Reino Unido. Famosos e comerciantes locais confiam em entregar sua empresa para que eu ajude a prosperá-la. — dei um pequeno sorriso. — Todos falaram que eu falharia. A princesa Helen disse que eu falharia. — ri sozinha. — Mas em quatro anos ela já tinha ganhado todo tipo de reconhecimento possível, isso vindo de adolescentes. — dei um pequeno sorriso. — Eu não me importo se eu não conseguir dormir, se eu precisar trabalhar doente, se eu tiver que encarar os maiores líderes políticos do mundo, ou os piores, eu o farei com a mesma empolgação. — suspirei. — Descobrir do dia para noite que seu pai e avô faleceram por uma briga de poderes não me amedronta. Só me deixa mais forte para que suas perdas não sejam em vão. Manter o legado de ambos e da rainha Amélia vivos para sempre. — observei sorrir ao fundo do parlamento e eu assenti com a cabeça.
— Belas palavras, alteza. — o primeiro-ministro falou e eu assenti com a cabeça. — Se me permite, quais seriam os primeiros trabalhos a serem realizados em Pollemani?
— Antes de lhe responder essa pergunta, eu preciso me trancar com os documentos oficiais e históricos de Pollemani e aprender. Conhecer e conviver com o povo, além dos senhores e senhoras, para que possam me repassar as últimas decisões feitas pela rainha e por vocês. — eles assentiram com a cabeça. — Eu não sei quanto tempo eu tenho até o padecimento da rainha, mas eu pretendo sugar dela tudo que eu conseguir, além das pessoas à sua volta. — suspirei. — Então, eu não sei o que esperam de mim dessa reunião hoje, mas eu gostaria de um voto de fé. — virei para Sebastian. — Para todos nós.
— Em situações assim, costumamos dar um prazo de um ano para que o rei ou rainha atual consiga passar o máximo de informações para o futuro governante. — assenti com a cabeça.
— Eu adoraria que tivéssemos esse tempo, mas sinto que não é possível.
— Exatamente! — o primeiro-ministro falou.
— Me concede a palavra, senhor primeiro-ministro? — falou, se levantando.
— Lorde Steinau... — Sebastian apontou para ele.
— À pedido de minha tia-avó, a rainha, eu fui pessoalmente atrás da princesa para trazê-la de volta para o nosso reino e convencê-la de sua posição real. — assenti com a cabeça. — Eu recebi informações durante cinco anos de um detetive particular e, em nenhuma dessas informações, a conduta de se opôs a de uma monarca. Ela sempre se demonstrou muito trabalhadora, organizada e comprometida com os seus anseios, como eu os apresentei há algumas semanas antes de oficialmente fazer contato. — dei um pequeno sorriso. — Então, sim, estamos sem tempo, mas ela merece uma chance e aposto meu cargo e meu título que ela será a melhor rainha que Pollemani terá em anos. — sorri, apoiando a mão no peito em agradecimento.
— Será um prazer lhe conhecer, vossa alteza. — o primeiro-ministro falou e eu assenti com a cabeça.
— A vocês também. — suspirei. — Se for só isso, gostaria de retornar ao palácio e começar a aprender meu ofício.
— Claro, por favor. — o primeiro-ministro falou. — Faremos um recesso de cinco minutos. — ele falou e eu me levantei, junto de todos os homens da sala.
Atravessei a sala do parlamento olhando para frente, como uma das instruções de Charlotte e saí da sala, vendo ela e Lionel olhando esperançosos para mim.
— E então? — Charlotte perguntou.
— Acho que foi tudo bem. — falei com naturalidade, dando de ombros.
— Alteza! — virei o rosto, vendo atrás de mim. — Você foi muito bem. — sorri. — Falou como uma monarca preparada. — ri fraco.
— Charlotte me deu algumas instruções antes de entrar.
— Você foi muito bem. — ele sorriu. — Provavelmente agora eles palpitarão sobre você e sua conduta, mas depois venho com as informações. — ri fraco.
— Parecem amigas fofoqueiras. — falei e ele riu.
— Talvez! — dei de ombros.
— Pensei que usassem perucas no parlamento. — riu ao meu lado.
— Oh, não, abolimos ela há uns sete anos. — franzi a testa e ele gargalhou ao meu lado. — Pior de tudo é que é verdade! Elas coçavam muito! — sorri, negando com a cabeça.
— Se você diz... — dei de ombros.
— Vossa alteza. — virei o rosto, notando uma mulher da minha idade parada ao lado de . — Eu gostaria de me apresentar. — ela se reverenciou. — Eu sou Odette Carlisle. — ela deu um sorriso de lado. — Filha do homem que matou seu pai. — me surpreendi. — Faço parte do parlamento há dez anos a pedido de sua avó, a rainha. — assenti com a cabeça. — Quero que saiba que eu não sou uma ameaça para você, eu não quero o trono. Eu sou bastarda, meu pai não sabia que minha mãe estava grávida de mim antes de tudo aquilo.— mordi meu lábio inferior. — Gostaria de dizer que estarei disponível para lhe ensinar o que precise para que torne Pollemani um país ainda melhor. — sorri, apoiando em seus ombros e puxando-a para um abraço.
— Obrigada, Odette! — nos separei. — Vou gostar de ter um parente perto ao entrar nessa aventura. — ela sorriu.
— Com licença. — ela voltou para a sala e eu virei para .
— Acredite, ela é incrivelmente inofensiva. É só outra vítima de tudo aquilo. — assenti com a cabeça.
— Que bom! Porque eu realmente vou gostar de ter alguém por perto. — ele assentiu. — Mas, me diga, ela era a pessoa que vocês não queriam no trono? — perguntei.
— Não, não. Nathaniel deixou mais dois filhos que são bem mais velhos que você. Eles são o perigo. Ele nunca soube de Odette, sua avó descobriu alguns anos depois.
— Ah sim! E cadê eles?
— Boa pergunta. Só esperamos que não estejam planejando outro golpe de estado. — franzi a testa e ele deu de ombros. — Nos vemos depois, alteza. — ele sorriu e eu assenti com a cabeça.
— Mas, ...
— Relaxa! — ele balançou a cabeça. — Lionel vai te proteger!
— Você não está ajudando! — falei e ele riu, dando de ombros.

Eu tentei aprender muito com a rainha Amélia, mas era difícil para ela dar tanta atenção a mim. A doença estava deteriorando-a aos poucos e nem mesmo ela notava, mas eu tentava tirar qualquer palavra, qualquer informação, qualquer ação que pudesse me ajudar no futuro.
Charlotte me ensinava alguns detalhes de etiqueta. Como uma monarca deveria falar, andar, se apresentar, enfim, todos pequenos detalhes que nem percebíamos quando era feito, mas que faziam uma grande diferença na minha apresentação.
Passaram-se cerca de dez dias e eu já havia começado a entrar nos eixos de Pollemani. Eu tomava café com a minha avó em seus aposentos, dava uma andada pelo palácio e normalmente encontrava o primeiro-ministro, na sala de arquivos da coroa, para ele me passar algumas informações e decisões mais recentes do parlamento e da coroa.
aparecia esporadicamente no castelo para dar aquela checada básica se tinha feito a escolha certa sobre mim, mas ele não deveria ficar lá, então tentava se manter afastado. Já Odette havia se tornado uma boa aliada. Ela sabia muito sobre a coroa e sobre a monarquia, então acabava me passando informações privilegiadas sobre como o parlamento estava reagindo comigo e quem eu deveria me esforçar para agradar mais.
Mas, na parte da tarde, eu ficava andando por entre os comércios da cidade, conhecendo meu povo e tentando entender quais eram as principais necessidades deles. Eu havia conquistado certa simpatia com alguns deles, outros mais velhos ficavam meio desconfiados comigo, mas eu sentia que estava fazendo a minha parte.
— Boa tarde. — me aproximei de uma banca de frutas, vendo a senhora se levantar.
— Vossa alteza. — ela sorriu. — Que prazer tê-la aqui. — abri um sorriso.
— O prazer é meu. — ela assentiu com a cabeça. — O que temos aqui hoje?
— Os morangos estão fresquinhos, senhorita. — sorri. — Gostaria de experimentar?
— Por favor! — falei e notei as mãos calejadas da mulher pegarem um pequeno morango vermelhinho e estendê-lo em minha direção. Dei uma mordida no mesmo, sentindo-o explodir em minha boca. — Está muito gostoso. Será que você me consegue meio quilo para eu levar para o palácio? — ela sorriu.
— Com certeza, alteza. — ela sorriu.
— E três pêssegos também, eles estão muito bonitos. — observei a mulher separar as frutas e vi uma menina com menos de cinco anos se aproximar de cabeça baixa e observei sua mãe do outro lado da rua de braços cruzados, me observando.
— Princesa... — a menina falou para mim e eu me abaixei para ficar da sua altura. — Você pode me dar um autógrafo?
— Ah, meu Deus! Você quer meu autógrafo? — perguntei e ela assentiu com a cabeça, sorrindo.
— Quero! — ela estendeu seu caderno e a caneta com plumas cor-de-rosa.
— Qual seu nome? — perguntei, abrindo seu caderno.
— Carolina. — abri a caneta e escrevi somente “com amor, princesa de Pollemani” e fechei novamente o caderno, devolvendo-o com a caneta.
— Espero que goste! — ela assentiu com a cabeça.
— Obrigada! — ela falou com a voz baixa e se virou em direção à sua mãe, atravessando a rua. Sua mãe acenou em minha direção com a cabeça e eu fiz o mesmo, vendo Carolina abraçar suas pernas.
— Parece que as pessoas estão se acostumando contigo. — a senhora da banca de frutas falou e eu suspirei, pegando a sacola de sua mão.
— Espero que sim. — sorri.
— Não estamos com muito tempo, não é? — ela perguntou e eu somente assenti com a cabeça, não era indicado falar com comuns sobre o estado de saúde da rainha.
— Muito obrigada, viu?! — entreguei-lhe algumas moedas com a cara de minha avó e a senhora agradeceu com a cabeça.
— Eu que agradeço, alteza. — falou e eu segui para a banca do lado, observando várias tulipas em buquês. Observei o jovem com cerca de 15 anos entediado do outro lado.
— Olá, princesa! — ele sorriu e notei seu pai se aproximar também.
— Vossa alteza. — sorri.
— Olá, senhores. — falei. — Acho que a rainha gostaria de um buquê de tulipas amarelas, que tal?
— Com certeza! — o pai da criança falou e eu o observei preparar um arranjo com as flores que eu havia pedido e colocar em meu braço após alguns segundos.
— Aqui! — estendi o dinheiro.
— Não, por favor. Um presente para a rainha. — assenti com a cabeça, em um sorriso.
— Muito obrigada! — cheirei as flores. — Tenho certeza que ela vai gostar.
— Tenha um bom dia! — sorri.
— Vocês também.
Virei para atravessar a rua e coloquei o pé na mesma quando um carro parou bruscamente em minha frente. Lionel, que andava há vários metros atrás de mim, surgiu do nada e se colocou em minha frente, me protegendo. Notei as bandeiras no carro e me apoiei em Lionel.
— Está tudo bem! — cochichei para ele que se afastou devagar.
— Alteza! — saiu do carro e olhei para ele confusa. — O momento chegou. — franzi a testa. — Sua avó! — engoli em seco, olhando meio desesperada para ele, que me indicou pra dentro do carro e eu entrei rapidamente, com ele logo atrás.
— É hoje? — perguntei e ele deu de ombros.
— Ela está somente com um sopro de vida. Seu coração está batendo muito devagar. — suspirei. — Ela pediu para vê-la. — abaixei o rosto em seu ombro e senti os olhos lacrimejarem aos poucos.

Assim que o carro estacionou em frente ao palácio, eu saí do mesmo correndo. A imprensa já havia sido informada e ocupava os pés das escadas que haviam sido fechadas para dar mais privacidade. e Lionel me seguiram com a mesma velocidade.
Passei pelas salas do palácio, subindo para o último andar, e desacelerei o passo quando notei vários empregados acumulados na antessala do quarto de minha avó. Todos se reverenciaram quando eu passei e eu entrei em seu quarto, observando cinco médicos lá dentro, Charlotte e outras pessoas.
— Como ela está? — me aproximei dos médicos.
— É a minha neta que está aqui? — ouvi a voz de Amélia e me aproximei da cama, sentando na beirada da mesma. — Ah, minha querida! — ela acariciou meu rosto com a mão e apertou a outra com firmeza. — Nos deixem a sós. — minha avó falou firme.
— Mas, majestade...
— Agora! — ela falou firme e observei a sala se esvaziar e Charlotte acenou com a cabeça para mim. Ouvi a porta se fechar e olhei novamente para minha avó.
— Você não pode me deixar agora, vovó. É muito cedo! — falei, apertando sua mão. — Eu não consigo encarar isso sozinha.
— Você consegue, sim, minha queria. — ela sorriu, passando a mão nas lágrimas que escorriam pelo meu rosto. — Você é uma Carlisle. Você vai conseguir. — balancei a cabeça.
— Não, vovó, por favor. Eu não posso fazer isso, eu não sei como. — ela sorriu.
— Confie nas pessoas que eu confiei todos esses anos. Eles te mostrarão o caminho. — engoli em seco. — a criadagem sabe muito mais do que o parlamento. Converse com eles, escute o que eles têm a dizer. Além do povo, eles precisam das coisas. Sem eles, nós não seríamos nada. — engoli em seco.
— Mas eu não consigo fazer isso sozinha.
— Consegue! — ela falou. — E qualquer coisa, você sempre terá seu pai, sua mãe, eu e seu avô em seu coração para te guiar por muitos e muitos anos. — engoli em seco. — Além de ... — olhei para ela. — Foi ideia dele ir atrás de você, te procurar, te estudar, para que a verdadeira herdeira ascendesse ao trono. — balancei a cabeça. — Ele acredita em nós, querida. Ele acredita em você. — as lágrimas já me cegavam e eu não conseguia falar mais nada.
— Eu preciso de mais tempo...
— Infelizmente eu não posso te dar isso. — suspirei. — Eu sei que vai ser difícil, mas vai valer a pena. Eu confio em você, querida. Como eu confiava cegamente em Nicholas e Helen. — ela deu um pequeno sorriso. — Sei que tudo ainda é muito confuso para você, minha criança, mas seus pais estariam orgulhosos de você. — suspirei, balançando a cabeça. — Eu te coroo rainha, querida. — neguei com a cabeça. — Leve Pollemani em direção ao novo milênio e transforme na potência que seu pai queria.
— Não, vovó. Eu não posso fazer isso, eu não consigo...
— Xí... — ela apoiou o dedo em minha boca. — Você pode... — ela falou, puxando sua mão para baixo, e apoiei-a em seu peito.
— Vovó... — falei, chamando-a, quando seus olhos se fecharam. — Vovó! — falei um pouco mais alto, me assustando com o som do aparelho ao seu lado, mostrando um traço reto no monitor. — Vovó! — falei um pouco mais alto, respirando fundo. — Ah, não... — abaixei meu corpo em seu peito, sentindo as lágrimas caírem em meu rosto rapidamente.
Em meus pensamentos, a única coisa que estava confusa era como eu havia me afeiçoado a essa senhora caridosa e carismática em duas semanas? Como ela confiava em mim sendo que eu nunca mereci sua confiança? Como eu poderia me tornar rainha sendo que eu mal conhecia esse país?
Respirei fundo e ergui o rosto, observando o corpo sem vida de minha avó. Ajeitei suas mãos em cima de seu peito e ajeitei seus cabelos para trás. Me levantei, respirando fundo, e fiz uma reza silenciosa, pedindo somente uma coisa: força, para que eu pudesse enfrentar o maior desafio da minha vida. Passei a mão embaixo do rosto e segui em direção à porta. Abri a mesma e dei alguns passos para fora, vendo os médicos e criados olhando esperançosos para mim. Engoli em seco, antes de falar as quatro palavras que eu nunca pensei que usaria juntas nessa mesma frase.
— A rainha está morta. — soltei um largo suspiro, passando a mão no rosto novamente, e notei que todos, sem exceção, olharam para baixo ressentidos e algumas lágrimas começaram a surgir no rosto de outros.
Eu queria me permanecer forte, mas meus olhos já se enchiam de lágrimas novamente, me fazendo erguer as mãos até o rosto, tentando espantar qualquer lágrima ou suspiro que aparecia por ali. Ouvi um barulho de cetro bater contra o chão e eu olhei para o responsável por aquilo.
— Apresentando vossa majestade, Amélia Green Turner Carlisle, rainha de Pollemani. — eu me desmontei em lágrimas quando ouvi aquelas palavras e senti meu corpo começar a tremer de nervosismo.
Meu desespero aumentou quando ergui meu rosto e observei todas as pessoas presentes se curvarem diante a mim em uma reverência. Levei as mãos até a cabeça e apertei meus cabelos em sinal de nervosismo. Balancei a cabeça ainda confusa e saí correndo dali, esbarrando em algumas pessoas, assustando a todos.

Apoiei meu queixo nas mãos e respirei fundo, balançando a cabeça. Passei as mãos nos olhos e senti uma sombra pairar sobre mim, ergui o rosto e notei com uma feição séria me encarando. Ele se sentou no degrau que eu estava e soltou um suspiro.
— Você não deveria ter corrido. — ri fraco, suspirando.
— Percebo isso agora. — virei o rosto para ele. — Mas entrei em desespero.
— Por quê? — ele perguntou. — Você sabia que isso aconteceria um dia ou outro.
— Eles me chamaram de rainha, . E dessa vez não era uma brincadeira de criança. — ele riu, assentindo com a cabeça. — Eu sou a rainha de um país. — ergui as mãos. — Isso é louco para caramba. — ele riu ao meu lado.
— Tenta relaxar. — ele falou. — Você terá mais uns dois meses antes de ser oficialmente coroada rainha e começar a trabalhar. — virei para ele.
— Por quê? — perguntei.
— A morte de um líder marca várias coisas em um país monárquico. A primeira de todas é o luto de uma semana. — ele suspirou. — Tudo fecha durante uma semana, depois começam as preparações para o funeral, o funeral e só então temos a coroação. — suspirei. — Você terá que comparecer a todos os compromissos, mas ainda terá bastante tempo para aprender. — soltei o ar fortemente. — Mas a criadagem está feliz.
— Com o quê? — perguntei.
— Com você como rainha. — ele sorriu. — O parlamento também. — suspirei. — Pollemani gosta bastante de inovação e uma rainha com 30 anos que sabe o que é pegar no pesado, talvez seja o que precisamos. — assenti com a cabeça, suspirando.
— Obrigada, ! Mas suspeito que eu só saberei disso na prática mesmo. — ele assentiu com a cabeça.
— Sim! Nada do que eu diga é certeza sobre o seu futuro ou sobre seu reinado, mas estamos esperançosos sobre isso. — sorri, assentindo com a cabeça.
— Obrigada. E com essa mudança, onde isso te coloca? — perguntei.
— A mim? — ele riu. — Se a rainha não quiser demitir o parlamento inteiro e mudar as caras, não vai mudar nada. — assenti com a cabeça. — Mas, depois da sua coroação, eu vou me ausentar um pouco.
— Você vai me abandonar? — ele riu.
— Não se preocupe, você nem vai precisar de mim. — neguei com a cabeça.
— Para onde você vai?
— Eu vou voltar meus estudos. — assenti com a cabeça. — Ainda aspiro a vaga de primeiro-ministro e preciso de um pouco mais para chegar lá.
— Estarei torcendo por ti, então. — ele assentiu com a cabeça.
— Quem sabe não nos encontramos no parlamento um dia? — ri fraco, balançando com a cabeça.
— Tenho certeza que, quando esse momento chegar, eu ainda precisarei de ti. — ele sorriu.
— Não vai precisar, não. — ele balançou com a cabeça. — Você está pronta! Não que o nosso intensivo foi mais ideal para ti, mas a vida vai te guiar por onde precise.
— Obrigada, . — ele franziu a testa.
— Por que dessa vez?
— Por me trazer de volta para minha família, mesmo que por pouco tempo. — ele sorriu.
— Era o que sua avó mais queria. — suspirei, me levantando, jogando os cabelos para trás.
— Ok, passou! — respirei fundo. — Me leve para meus súditos. — ele sorriu, se levantando, e esticou a mão.
— Me siga, minha rainha! — suspirei, abrindo um pequeno sorriso com essa palavra, e segurei sua mão.

Respirei fundo, olhando meu corpo no espelho, e eu poderia jurar que era o dia do meu casamento pelo vestido branco com detalhes em dourado e o manto longo quase como um véu de noiva. Passei a mão em meu tórax, sentindo o corpete bem justo em meu corpo e soltei um suspiro.
Meu maquiador oficial me olhava para ter certeza que tudo estivesse certo. Eu estava alheia, só pensava na minha perna, que não parava de tremer embaixo da saia longa, e nas palavras que eu teria que dizer em alguns minutos.
Estendi meu braço para Jane e Joana, que colocaram as pulseiras, colares e anéis, além da coroa de princesa sob o delicado penteado que o cabeleireiro havia feito. Ouvi a porta se abrir e vi pelo reflexo do espelho, me fazendo sorrir.
— O que acha? — virei para ele, puxando a cauda junto.
— Você está fascinante. — assenti com a cabeça, respirando fundo.
— Está na hora. — Charlotte falou ao meu lado e eu sorri.
Virei meu rosto novamente para o espelho e puxei o ar três vezes, soltando-o devagar. Passei a mão em meu pescoço, tocando o antigo colar de minha mãe e engoli em seco. Desci do pequeno degrau e olhei para e Charlotte.
— Podemos ir. — falei e e Charlotte me reverenciaram e eu suspirei.
— O pardal está voando pela última vez. — ouvi Charlotte falar pelo seu ponto e abri um sorriso. Ela abriu a porta e Lionel me esperava do lado de fora.
— Olhos na futura águia. — assenti com a cabeça e saí pelo corredor do quarto.
Me coloquei no centro do corredor e Jane e Joana se colocaram atrás de mim, segurando a cauda do vestido. Charlotte se retirou do quarto e seguiu em direção à sala do trono, onde seria a coroação. saiu do quarto e sorriu para mim.
— Está na hora. Está pronta? — suspirei, sorrindo para ele.
— Ironicamente, estou. — falei, fazendo-o sorrir. — Esse é o meu país, esse é o meu povo. — ele passou a mão em meus ombros, assentindo com a cabeça.
— Você será uma rainha incrível, eu não tenho dúvidas disso. — não me contive e passei meus braços pelo seu corpo, apertando-o fortemente.
— Obrigada por tudo, ! — falei contra seu ouvido. — Obrigada por confiar em mim. — nos afastei devagar e ele sorriu. — E boa sorte na França. — ele assentiu sorrindo.
— Eu estarei de volta antes que sinta minha falta. — ri fraco, negando com a cabeça.
— Espero que sim! — sorri, suspirando.
— O pardal está voando. — Lionel falou e sorriu, se retirando. — Em três, dois, um...
No que Lionel falou, uma música instrumental começou a ser tocada lá embaixo, na sala do trono, fazendo meus pelos arrepiarem. Coloquei as mãos à frente do corpo, segurando minhas mãos delicadamente e segurando o antigo anel da coroação de minha avó.
Coloquei meus pés para caminhar devagar, sentindo Jane e Joana me acompanharem, segurando a cauda do meu vestido, e tentei manter minha mente limpa, focando somente em coisas boas e muita esperança.
Desci a primeira escadaria do palácio e segui pelo lado esquerdo, entrando na sala do trono por trás. Parei por alguns segundos no topo da escadaria que possuía na lateral da sala do trono e notei várias pessoas sorrindo para mim, incluindo meus antigos sócios de Londres. tinha um largo sorriso no rosto e cochichou algo para Charlotte, fazendo-a passar a mão em seu rosto.
Voltei a descer as escadas, agora podendo notar que a música era cantada por um coral e pelo primeiro-ministro, que se empolgava efusivamente com a canção. O bispo me estendeu a mão quando eu coloquei meu pés no plano e Jane e Joana se afastaram. Ajoelhei-me em frente ao trono, fazendo uma súplica a Deus, que me ajude a reinar justamente e para todos os habitantes de Pollemani, para os nascidos aqui e os que a acolheram como seu país, como eu.
Ajeitei minha cauda e me arrepiei ao sentar no trono de rainha, sorrindo para o pessoal selecionado que estava presente, mas sabendo que meu rosto estava sendo transmitido por todo o país. Um pano subiu, excluindo a mim e ao bispo de todos e ele molhou seu dedo no óleo sagrado e o passou em minha testa, me fazendo fechar os olhos, e cochichou algumas palavras sagradas para mim. O pano foi abaixado novamente e eu suspirei.
Em seguida, o bispo trouxe a bíblia até a mim e eu estendi uma mão sobre a mesma e a outra para cima, olhando fixamente para um ponto aleatório lá na frente, depois dos soldados de Pollemani.
— Você promete e jura solenemente governar o povo de Pollemani de acordo com as leis aprovadas no parlamento e com as respectivas leis e costumes elaborados pelo mesmo? Você, através de seu poder, irá exigir que a lei, a justiça e misericórdia sejam cumpridas em todos os julgamentos? — o bispo perguntou para mim.
— Eu solenemente prometo que assim será. — respondi, respirando fundo.
Ele se afastou por alguns segundos e se aproximou do trono que estava colocado abaixo da foto de minha avó, pegando sua coroa roxa com pedras incrustadas no assento almofadado. Ele a trouxe em minha direção e outros dois sacerdotes me estenderam os símbolos reais: a ampola com o óleo sagrado e o cetro, me fazendo sentir o peso desse cargo.
O bispo se colocou ao meu lado e ergueu a coroa, antes de colocar o objeto pesado em minha cabeça, em cima da coroa de princesa. Fechei os olhos por alguns segundos, soltando o ar devagar pela boca. Ele assentiu com a cabeça e eu me levantei. Jane e Joana tiraram a calda branca do vestido e outros sacerdotes trouxeram o manto da mesma cor da coroa e os colocaram-no em meus ombros, me fazendo completa.
Meu único pensamento ali era que eu gostaria muito que minha mãe visse isso. Ela gostaria de ver o que eu havia me tornado e a importância que eu teria tido para ela e para o país em que ela escolheu como lar, assim como eu.
O bispo se afastou e o som da banda mudou, transformando-o em uma música conhecida: o hino de Pollemani. O qual os presentes começaram a cantar com emoção, fazendo as lágrimas querem começar a escorrer de meu rosto em um momento totalmente inapropriado.
— Apresentar armas! — a general Mason do exército de Pollemani disse e a fila de soldados em minha frente ergueram suas espadas para cima.
Comecei a caminhar por entre os soldados, devagar, segurando firmemente a ampola e o cetro, além de manter a cabeça bem reta para que a coroa nem o manto tombassem.
Pollemani, the land I call my home. From the green clear summers, from blossoming peach trees. Magnificent her mountains and seas. Pollemani, Pollemani, you're noble, proud and brave. Pollemani, Pollemani, forever will your banner wave.*
Caminhei por entre os soldados enquanto o hino ressoava em meus ouvidos e eu gostaria de acompanhar, mas a emoção já tomara conta de meu corpo e eu mal esperava o momento em que eu chegasse à frente dos soldados. Olhei para os lados, em inspeção aos soldados, e fechei os olhos quando meu caminhar e o hino acabaram juntos. Dois toques do cetro me fizeram abrir os olhos e o sorriso ao mesmo tempo.
— Apresentando sua majestade real, Amélia Green Turner Carlisle, rainha de Pollemani. — soltei um suspiro e ergui os olhos para o quadro de meu pai e minha mãe à minha frente e sorri, me sentindo no lugar em que eu sempre deveria estar, que meus sonhos sempre me contaram.


Epílogo


— Senhorita? — ergui o rosto para Charlotte, que entrou em meu escritório, e tirei os óculos. — o candidato a primeiro-ministro está aqui para vê-la.
— Agora? — perguntei, franzindo a testa.
— Posso pedir para que ele volte depois. — neguei com a cabeça.
— Não, deixe-o entrar. Odette havia comentado que ele apareceria por esses dias. — ela assentiu com a cabeça, se retirando novamente.
Fechei minha caneta, a colocando novamente na mesa, e me levantei, respirando fundo. Observei o tempo em Pollemani nos jardins do palácio e reparei que a neve cobria tudo nessa época do ano. Já estava acostumada com isso, principalmente após o aniversário de cinco anos do meu reinado.
— Majestade. — virei o rosto, me surpreendendo ao ver entrando em meu escritório e levei a mão à boca.
— Oh, meu Deus! É você? — ele abriu um largo sorriso e vi Charlotte rindo ao lado. — Você sabia? — ela assentiu com a cabeça e se retirou. — Quando você chegou? — me aproximei do mesmo, notando que ele estava mais bonito do que antes, e o abracei fortemente. — Você está ótimo!
— Você também! — ele sorriu. — 98 por cento de aprovação é bastante coisa para uma governante. — ele riu e eu o soltei.
— E você quer ser meu primeiro-ministro? — perguntei, dando a volta na mesa e me sentando novamente, vendo-o fazer o mesmo.
— Se você me permitir. — mordi o lábio inferior, apoiando as mãos na mesa.
— Você não tem noção de como eu estou feliz em te ver. — ele riu, esticando a mão sobre a mesa. — Eu vou adorar te ter por perto. — ele sorriu.
— Só tem um problema. — ele falou e eu franzi a testa. — Dois, na verdade. Totalmente contraditórios
— Quais? — me aproximei da mesa.
— Eu gostaria muito de ser primeiro-ministro de Pollemani, mas eu sou apaixonado pela minha rainha. — suspirei, erguendo a mão para seu rosto. — E isso não é uma expressão. — ri.
— E qual é a sua dúvida? Se consegue fazer os dois ao mesmo tempo? — perguntei.
— Como me concentrar, trabalhando tão próximo a ela.
— Isso é uma decisão sua, Lorde. Mas acredito que você consegue fazer ambos muito bem. — sorri.
— Que ambos? — ele ponderou.
— Ser o primeiro-ministro e namorar a rainha. — ele abriu um sorriso. — Tenho certeza que ela também te ama e esperou todo esse tempo por sua volta.
— Vamos parar de falar em terceira pessoa e decidir como faremos isso, então. — ele ergueu minha mão, dando um beijo na mesma e eu sorri.
— Primeiro convença o parlamento que você será uma boa sucessão de Sebastian, depois tiraremos nosso relacionamento das sombras. — dei de ombros e ele sorriu, se levantando da cadeira e se debruçando sobre a mesa, me surpreendendo com um rápido beijo em meus lábios.
— Como vossa majestade desejar. — abri um sorriso, acariciando seu rosto, emendando outro beijo em seus lábios, soltando um suspiro feliz.
— Ah, como eu te esperei ansiosamente. — suspirei, acariciando seu rosto. — Mas agora, me conte, como foram esses anos? O que você fez? — perguntei. — Preciso te dar meu aval para ir para aprovação do parlamento. — ele riu e se sentou novamente na cadeira em minha frente, mas sem soltar minha mão.
— Difícil! — ele falou rindo. — Difícil estar lá e não parar de pensar em você, em Pollemani e em todos os desafios que você precisou enfrentar.
— Desafios? — ri debochada. — Aquilo foi tudo fichinha! — falei sarcástica e ele riu. — Os primeiros meses foram o pior, pareceram que jogaram um milhão de informações em minha cabeça e eu precisava decidir no que me afogava primeiro. — ele riu. — Mas depois tudo foi melhorando. O povo gosta de mim, então eles me apoiam bastante.
— Isso eu não tinha dúvidas. — ele sorriu. — Eu sabia que você seria uma incrível rainha.
— Foi sua convicção que me fez acreditar. — sorri, suspirando.
— Espero que eu possa continuar a te fazer acreditar em você. — ri fraco.
— Por toda minha vida, se você quiser. — ele sorriu.


*O hino de Pollemani foi adaptado do hino de Genóvia cantado no final do filme O Diário da Princesa 2: Casamento Real.


Fim.



Nota da autora:
Ah, como eu to feliz em finalmente escrever algo que envolva família real, princesas e monarquia. É simplesmente algo que eu sou muito fascinada! E ainda escrever uma pessoa que nunca soube sobre seu país ter que encontrar sua rainha interior em um curto tempo, é simplesmente sensacional!
Espero que vocês tenham gostado! Não se esqueçam de deixar seu comentáriozinho aqui embaixo e caso tenha gostado e queira mais histórias minhas, acompanhe pelo grupo do Facebook.
Beijos, beijos!

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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