Última atualização: 02/08/2019
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Prólogo

2010 – Brasil

andava a passos rápidos em direção a sala quatro, finalmente havia a encontrado. Tinha recebido instruções da funcionária da secretaria da escola, mas como sempre teve uma memória péssima, acabou não decorando as instruções, e por isso estava atrasado. Hoje seria seu primeiro dia de aula na escola nova no estado novo, era de Goiás e havia se mudado para o Rio Grande do Sul, pois jogaria na categoria de base do Grêmio. estava nervoso, querendo ou não conhecer pessoas novas lhe deixava cheio de expectativas, positivas ou não.
Enfim, chegou em frente a sala e pode verificar que ela estava com a porta fechada, para deixá-lo ainda mais desconfortável teria que interromper a aula. Bateu à porta fazendo uma leve careta, e logo a mesma foi aberta pelo professor.
– Oi, me desculpa o atraso, sou aluno novo e acabei me perdendo pelos corredores. – sentiu as bochechas esquentarem.
– Ah, claro, fiquei sabendo de sua chegada – o professor sorriu, trazendo confiança ao jovem – Seu nome é…?
– ele respondeu baixo.
– Certo, seja bem-vindo ao colégio, espero que se adapte aqui, qualquer coisa você pode procurar a mim, aos outros professores, ou a sua colega de turma , que é a representante de sala e lhe passará tudo para que não fique perdido. – acenou para o rapaz que abriu um sorriso tímido ao vê-la.
– Tudo bem, muito obrigado. – ele caminhou a passos rápidos para uma carteira vazia que avistou, consequentemente era atrás da representante. Ela se virou para trás, cumprimentando-o.
– Seja bem-vindo, , estou aqui para ajudá-lo no que for preciso, viu? Qualquer coisa pode me procurar. – ela abriu um lindo sorriso metálico. Além de ser muito simpática, a garota despojava de uma beleza que não passou despercebido por ele. Nota mental: se aproximar o máximo possível dela e tentar algo mais.
– Eu agradeço muito. – a garota se virou para frente, anotando as tarefas que o professor escrevia no quadro. Ele a imitou, abrindo a mochila e pegando seu caderno para que pudesse anotar tudo aquilo também.

***

O sinal para o intervalo tocou, ajeitou seu material, e virou-se para o rapaz.
– Como eu já havia acabado a tarefa de português antes do tempo previsto, aproveitei e fiz seu horário de aulas…
– Nossa, você é muito legal… Obrigado. – ele pegou o horário que ela estendia em sua direção. Estava todo customizado com canetas de várias cores para matérias diferentes.
– De nada, . – ela alisou o braço dele – Sou representante de turma, preciso recepcionar a todos os alunos de forma mais legal possível. – abriu seu característico sorriso.
– Mesmo assim, muito obrigado mais uma vez. – ele sorriu sem graça.
– Que isso, não foi nenhum trabalho. – deu de ombros. – Tem alguma matéria que você tenha dificuldade?
– Matemática, aqueles cálculos simplesmente não entram na minha cabeça. Minhas notas na outra escola eram péssimas nessa matéria. – ela riu.
– Se precisar de ajuda com a tão temida, pode me pedir, graças a Deus não tenho problemas com ela e…
– Oi, amor. – Jonathan apareceu na sala da moça a interrompendo. Lhe deu um selinho rápido.
– Oi, Johny. – sorriu para o namorado. – Esse é , começou hoje na escola, estava passando algumas coisas pra ele, por isso ainda não tinha ido ao intervalo.
– E ai, . – o rapaz estendeu a mão para ele, que rapidamente apertou.
, ele é Jonathan, mais conhecido como Johny, meu namorado.
– Prazer, Johny. – sorriu forçado para o moço.
Parece que seus planos futuros de tentar investir na garota bonita foram desfeitos com sucesso, também, a quem ele queria enganar? era muita areia pro seu caminhãozinho, teria que se contentar com a ajudinha singela dela em matemática e que já estava de bom tamanho.


Capítulo 1

Me perdi pelo caminho
Mas não paro, não
Já chorei mares e rios
Mas não afogo não
Sempre dou o meu jeitin
É bruto, mas é com carin
Porque Deus me fez assim
Dona de mim


(Iza – Dona de mim)

Atualmente – Espanha

suspirou, enquanto abria o portão da casa, estava tão esgotada, ao menos aquele dia não precisaria dormir com nenhum cliente, dormiria em sua cama. Entrou na casa, e na sala pode avistar mexendo no celular, completamente distraída, a amiga não havia precisado trabalhar, era seu dia de folga.
– Achei que você dormiria com cliente hoje. – negou, se jogando no sofá ao lado da amiga, tentando olhar o celular dela.
– Graças a Deus não, por Deus, estou morta de cansaço. Para ajudar era o senhor Denvers. – revirou os olhos. – Aquele velho não aguenta mais nada, mas tive que fazer vários strip tease para entretê-lo…
– O senhor Denvers é fogo, pelo menos você não precisou transar, tudo tem seu lado bom. – elas riram.
– Quando Inês me disse que era ele, fiquei mais tranquila, não estava afim, aliás, eu nunca estou afim. – ela suspirou fundo.
– Eu te disse que essa vida nunca foi fácil, , você me escutou? De jeito nenhum. – se aproximou mais da amiga, a abraçando de lado e dando um beijo na testa dela.
Chica, eu imaginava que era difícil, mas jamais imaginei que fosse tanto. – aninhou-se a amiga – Não tive escolha, ou era isso, ou voltar para o Brasil, e pra lá eu só volto com meu diploma no braço.
– Teimosa feito uma mula, você se lembra que eu tentei te convencer do contrário quando aconteceu tudo aquilo? – ela assentiu.
– Sim, você tentou, porém não rolou. Mas eu não me arrependo, ao menos estou estudando, e falta tão pouco, é nisso que eu me apego...

FLASHBACK – Alguns meses antes...

não sabia o que fazer andava sem rumo pelas ruas de Barcelona com sua mochila nas costas e empurrando sua mala de rodinhas, sentia-se completamente sem rumo, não tinha pra onde ir, tinha sido expulsa de onde morava de forma tão injusta. Não conseguia entender porque Lisa havia acreditado naquele homem tão sem escrúpulos que ela mal conhecia, se namoravam há dois meses era muito. Poxa, elas eram primas, se conheciam a vida toda… Era difícil digerir aquilo.
suspirou fundo, procurando o número de , sua melhor amiga, não tinha mais a quem recorrer se não ela. Discou e no terceiro toque foi atendida.
Hola, chiquita! – saudou de forma animada. Mas a resposta não vinha, somente uma respiração barulhenta do outro lado da linha – , o que houve?
, eu… – suspirou – Eu fui expulsa, não tenho pra onde ir…
– O quê? Como assim? Aonde você está? – já se levantava da cama ao qual estava deitada, vestindo uma calça as pressas. Rapidamente anotou o endereço e correu para encontrar a amiga – Tenta ficar calma, eu estou indo pra ai, ok? – com sua última fala desligou o celular.
pegou um táxi, não era adepta a esse meio de transporte, mas percebeu só pelo tom de voz da amiga que ela estava com graves problemas, o que fez com que ela ficasse com o coração apertado, queria chegar o mais rápido possível ali. Afinal, o que poderia ter acontecido para que ela não tivesse para onde ir?

*

Todos estavam reunidos para o aniversário de oito anos de Pietra, a garotinha corria de um lado para o outro pelo local, era adorável ver o quão ela estava feliz com a comemoração que lhe era oferecida. suspirou fundo, tinha adiantado os estudos para ficar na festinha da priminha, mas tudo o que ela mais queria era se trancar em seu quarto e ficar por lá até que a festa acabasse. Tudo por causa daquele olhar que o novo namorado da sua prima Lisa lhe lançava. Tinha tanta luxúria que demasiava nojo a garota, estava vestida, mas era como se não o tivesse.
Aquela tortura tinha começado quando Lisa havia o levado sexta-feira passada até a residência da família para apresentá-lo como seu namorado. Ramon, não conseguiu esconder de Lisa que tinha achado sua prima brasileira muito bonita, e desde então, pelas três vezes que eles haviam se encontrado os olhares nunca paravam. De fato, ele não havia tentado nada com ela, mas sabia que era questão de tempo.
Ela respirou fundo, morava de favor na casa da tia para que pudesse realizar seu sonho que era estudar psicologia na Espanha, em uma das melhores universidades do país, a de Barcelona. Para que pudesse realizar seu sonho, precisou abrir mão de muitas coisas: de sua família, amigos, país e… Namorado. Tinha conseguido uma bolsa integral e durante esses quatro anos que morava ali com a tia e suas duas primas, nunca trabalhou, os pais não queriam, e ela nunca se opôs, afinal, queria se dedicar 100% aos estudos. Seus pais davam a tia uma ajuda de custo pequena, mas que auxiliava nas despesas da casa.
Ela suspirou fundo, levantando-se da mesa em que estava para que pudesse pegar um copo d’água, daria um beijo em Pietra e se trancaria no quarto, era a coisa mais sensata a se fazer, não queria problemas. Foi quando a voz que ela mais temia ouvir foi direcionada a si e para agravar a situação, estava sozinha no cômodo.
– Está quente, não? – se virou completamente surpresa com Ramon a sua frente.
– É. – ela jogou o resto da água que bebia na pia e estava pronta para sair quando o rapaz segurou o braço dela, a impedindo.
– Só por que eu cheguei você quer ir embora? – ele abriu um sorriso galanteador – Por favor, que isso.
– Me solta. – ela tentou se desvencilhar dele – Eu não quero problemas, você é namorado da minha prima.
– Sim, Lisa é linda, mas você… Você é maravilhosa, largaria sua prima em um piscar de olhos se você me desse um pouquinho de bola.
– Você está se escutando? Por Deus! – o olhava incrédula – Eu não quero nada com você, jamais! Agora você pode me soltar, por favor?
– Não, não posso… – ele se aproximou perigosamente. – Meu Deus, você emana algo surpreendente, eu não consigo olhar pra você e não querer te beijar. – ele a encarava fixamente, tinha o corpo próximo dela.
– Você deveria respeitar Lisa, ela realmente gosta de você. – conseguiu se soltar dele, agora caminhando para o mais longe possível do rapaz.
– Brasileirinha... – ele suspirou com um riso preso, rapidamente a alcançando. A puxou pra si, espalmou as mãos no peito dele, de olhos arregalados.
– Me solta, por favor! – ela dava socos no peito dele.
– Você é muito linda… – se aproximou dela, lhe beijando. Ela tentava se desvencilhar, mas não conseguia se soltar. Um grito estridente fez com que Ramon rapidamente soltasse . Ela lhe deu um tapa forte no rosto.
– O que está acontecendo aqui? – Lisa encarava a cena incrédula.
– Simples, seu namorado me beijou a força, esse porco imundo não te respeita, Lisa!
– É tudo mentira, essa garota está tentando me seduzir, estava dando em cima de mim desde que me conheceu.
– Você é muito nojento e mentiroso, jamais eu faria algo assim com a Lisa, ela é minha melhor amiga!
– Amiga, claro…
– Chega! – Lisa gritou assustando aos dois. – Eu tenho olhos e sei muito bem o que vi…

*

– Em quem você acha que ela acreditou? – secou os olhos, dando um sorriso forçado.
– Sua prima é uma tapada, sério. – encarava a amiga incrédula. – Como alguém escolhe um macho ao invés da própria família?
– Sinceramente, não sei. Eu estou tão decepcionada que não quero saber de ninguém daquela família, e mesmo que me implorassem de joelhos eu nunca mais voltaria a morar ali. – fungou – O fato é que eu não tenho pra onde ir, ! – a amiga abraçou de lado, lhe passando conforto.
Chica, hoje você não dorme na rua, mas você sabe que não pode ficar lá comigo, certo? – elas suspiraram fundo.
– Sim, e eu não sei o que fazer, estou me sentindo completamente perdida. – lhe deu um beijo na testa, tentando confortá-la.
– Já ligou pro seus pais? – negou.
– Provavelmente tia Flores deve ter ligado para eles e acabado com a minha raça, estou tão envergonhada. – tampou o rosto ao proferir a frase.
– Você não deve sentir vergonha por algo que não tem culpa. – ela alisou o braço da amiga – Deve ligar sim, e explicar sua versão dos fatos, duvido que seus pais deixem de acreditar em você, eles te conhecem, eles te criaram. – estendeu o celular a – Liga, você não perde nada… – a estudante de psicologia mordeu os lábios, procurando o número da mãe e discando.
– Mãe?! – ela falou assim que a mulher atendeu ao telefone.
Filha, já estou sabendo, sua tia me ligou e não consigo acreditar que você seja capaz de algo assim.
– Eu não fiz, mãe, eu juro! Mas tia Flores não quis acreditar em mim, preferiu acreditar na versão da filha dela, afinal de contas, eu sou a intrusa da casa. O que me dói e que moro com elas há quase quatro anos, elas preferem acreditar em um estranho. – sentiu que lágrimas voltavam a descer de sua face.
Tinha que ser irmã do seu pai, minha família jamais faria isso. – pode escutar um resmungo de seu pai. A mãe conseguiu arrancar um breve sorriso da filha. Era assim, ela sempre comparava as famílias – Acreditamos em você, ok? Fique tranquila.
– A senhora não tem noção do quão gratificante é saber disso, as pessoas mais importantes da minha vida acreditam em mim. – ela sorriu em meio as lágrimas.
Mas é claro que acreditamos, meu amor – suspirou fundo – Mas, diante das circunstâncias, achamos melhor que volte pra cá. – sentiu a garganta fechar, não podia voltar para o Brasil, não ainda.
– Mãe, por favor, falta apenas um ano para que eu me forme, não posso jogar tudo pela janela agora.
O fato é que com o dinheiro que mandamos, você não consegue se bancar ai, querida.
– E se eu arrumasse um emprego? Então eu conseguiria ficar, certo? – a mais velha suspirou fundo – Mãe, eu não posso jogar tudo fora, foram quatro anos de estudo, se eu voltar para o Brasil, nem sei se conseguiria reaver as coisas que aprendi, teria que começar tudo de novo, prestar vestibular… Por favor?
Filha, a única segurança que tínhamos, bem ou mal, era sua tia, agora, sem ela, você está sozinha em um país completamente diferente do Brasil.
– Mãe, por favor, me dê esse voto de confiança, eu posso arrumar um emprego, seria somente esse ano. Confie em mim. – a mãe sentiu pena da filha, era tão injusto que tão perto de se formar, as coisas desandassem daquele jeito.
Arrume um emprego primeiro, caso não consiga, você volta pra cá, combinado?
– Combinado. – ela deu um sorriso um pouco mais animado.
Onde vai ficar, meu amor? – perguntou curiosa. – Se eu pudesse pegaria o primeiro avião e iria para aí, mas você sabe, seu pai trocou de trabalho agora. – suspirou, preocupada. – E caso você não arrume o emprego, vai precisar voltar pro Rio Grande, é importante guardar o pouco de dinheiro que temos pra essa ocasião.
– Na casa de , a minha amiga que fiz aqui em Barcelona, sabe? As das fotos do instagram. E tudo o que eu mais queria era um abraço seu, mãe. – mordeu os lábios, tentando controlar o choro.
Meu amor, seja forte, e entrega tudo nas mãos de Deus, Ele sabe de tudo. – a mãe agora andava pela sala preocupada. Sua primogênita completamente sozinha ali estava matando-a. – Ah, eu sei quem é sim. Cuide-se, ok? Me mantenha informada. – a mãe tentou sorrir. – Filha, eu te criei bem, sei que jamais faria algo assim, em nenhum momento cogitei acreditar.
– Você não tem noção do quão importante pra mim é escutar isso. E pode deixar que confiarei em Deus sim – sua voz embargou ao fim da frase. Ela respirou fundo, se recuperando – Sim, vou te manter informada. Te amo muito.
Também te amo, meu amor! Se cuida, e qualquer coisa, independente do fuso horário me ligue, querida, sem hesitar.
– Sim, pode deixar. – suspirou, mandando beijinhos pelo telefone.
– Pelo pouco que entendi, ela quer que você volte? – concordou com a cabeça. – E o que pensa em fazer?
– Eu vou arrumar um emprego, ou eu não me chamo Darlozo! – comentou mais animada, limpando os resquícios de lágrimas da face – Eu vou dar a volta por cima.
– Sim, isso ai, gostei de ver. – a abraçou – Agora vamos pra casa, aproveitar que as meninas estão trabalhando, e ninguém vai te ver entrar lá, é melhor que não saibam, podem contar a Inês. – assentiu enquanto caminhavam em direção ao transporte público para que pudessem chegar ao destino.

***

Havia se passado um mês depois do fatídico dia, não havia conseguido nenhum trabalho e, aquilo estava a desesperando, pois o período letivo começaria em setembro, faltava ainda dois meses, mas a preocupava. Estava morando em um quartinho, a qual havia alugado com a ajuda de que havia juntado suas economias e a emprestado. O problema é que o dinheiro da amiga já estava acabando, e não podia recorrer aos pais.
Suspirou frustrada, enquanto esperava em uma cafeteria que chegasse. E isso não demorou a acontecer.
Chica! Tudo certo? – estava com o sobretudo preto de praxe, para esconder a roupa curta que usava. Sua maquiagem estava borrada, havia ido direto para a cafeteria.
– Mais ou menos, mas você está infinitamente pior que eu…
– Não quero nem me olhar no espelho, vim do motel direto pra cá. – bocejou longamente – Alguma novidade? – chamou com a mão a garçonete do local. Tudo o que ela mais precisava era tomar um café bem forte para renovar suas energias.
– Nada ainda, até para ser garçonete eles querem experiência, estou chocada com isso, porque é ridículo. Fiz algumas entrevistas, mas não coloco nenhuma expectativa. – suspirou – Eu não vejo outra solução senão me tornar g…
– Nem termina essa frase, nós não vamos voltar nesse assunto. Você não é pra isso, ! Eu já estou acostumada, mas você, não. – sempre que se sentia desesperada colocava o assunto em pauta, mas sempre a boicotava.
– Você também não teve um começo? – ela a questionou – Eu estou me vendo sem saída, e voltar para o Brasil não está nos meus planos.
– Não, eu já disse! – suspirou frustrada. – Vamos dar uma olhada, tem que ter algum bar precisando de garçonete, recepcionista, sei lá e então com a ajuda de custo de seus pais já dá pra continuar no quartinho.
, por que nunca tentou arrumar outra coisa? – amiga suspirou frustrada.
– Por que eu também me vi sem saída, e virar garota de programa me foi a única solução. – deu de ombros, como para afirmar que ela não poderia lhe julgar – , quando você entra nesse mundo, é difícil sair, entende? Eu estou devendo muito para Inês, é vestimenta, alimentação, convênio médico, enfim… É uma dívida alta, eu não tenho condições de pagar tudo isso a ela, não ainda. – enrugou a testa.
– E ainda suas economias você está gastando comigo – mordeu os lábios.
– Não é como se fosse me ajudar a sair dessa vida agora, é complicado… – torceu sua boca – A diferença é que eu não tenho ninguém, já você… – deu de ombros – É por isso que não quero que você se afunde nisso. – a garçonete lhe trouxe seu café puro.
– Sim, eu entendo. Mas você precisa concordar comigo que voltar para o Brasil sem um diploma nunca foi uma opção pra mim. Meus pais investiram tudo para que eu pudesse estudar e realizar meu sonho, sofreram comigo para que eu pudesse ganhar minha dupla cidadania, e olha que não foi nada fácil. – ela respirou fundo para retomar a fala. – Eu tenho três irmãs menores, e somente o meu pai trabalha em casa para sustentar todo mundo, e ainda me manda um pouco de grana aqui. Eu preciso dar esse orgulho a eles, eu preciso voltar psicóloga pra casa.
– Ai, … Tem certeza que quer isso mesmo? Não é fácil, vão ter caras que você vai ter que transar sentindo nojo, apesar de terem muita grana. É diferente de ter um namorado, quando você faz programa, o prazer é sempre do cliente.
– Eu imagino. Estou tentando arrumar outra coisa, mas já, já as aulas começam e eu continuo nessa, não dá, chiquita. Que seja o que Deus quiser, mas sim…. – respirou fundo, cansada, não ia mais tentar convencê-la do contrário, se queria, ela seria garota de programa. Ela tomou seu café de uma vez, e se levantou da mesa, assustando a amiga.
– Vamos lá, vamos conversar com Inês. – arregalou os olhos, surpresa.
– Assim no seco? – quis rir, mas se segurou.
– Mas você não quer virar garota de programa?
– Não é que eu quero, mas não tenho escolha. Minha tia não me deu opção e eu jamais a perdoarei por isso – suspirou fundo e se levantou da mesa. – Tudo bem, vamos lá.
pagou o café e as duas saíram do estabelecimento. Caminharam alguns quarteirões em completo silêncio, estava apreensiva. Tinha pensado e repensado sobre o assunto, havia feito tantas entrevistas, mas em nenhuma lhe chamaram, estava sem saída. Ela não podia abusar do dinheiro que estava lhe dando, era injusto com a amiga que havia juntado aquele dinheiro com o suor de seu trabalho. Não podia ser tão difícil assim, certo?
Chegaram em frente ao escritório da cafetina. segurou a mão da amiga, segurou fortemente, assentindo com a cabeça. Que Deus a ajudasse…

FIM DO FLASHBACK

– Se perguntassem para a de alguns anos atrás, ela jamais se imaginaria nessa situação. – ela sorriu triste.
– Pensa que isso será por pouco tempo, você poupa muito sua parte do dinheiro que recebe dos programas, logo mais você paga o que deve a Inês e sai daqui. Eu digo sempre, isso aqui não é pra você, , não é!
– Pra você também não é, mas eu vou te devolver tudo o que gastou comigo, jamais esqueceria disso. – apertou a mão da amiga – Eu vou subir, tomar um banho, fiquei de ligar para os meus pais, e não quero fazer isso com as garotas por aqui, elas podem falar alguma merda e eu não quero nem imaginar se meus pais desconfiarem de algo.
– Vou subir também, preciso ver algumas coisas com Anny, e depois cama.

tinha uma toalha enrolada no cabelo e a outro no corpo, havia tomado um banho relaxante. Agora caminhava até o quarto para que pudesse trocar de roupa, colocar algo mais confortável, estava exausta e tudo o que precisava era dormir. Tomou um susto quando viu que Antonieta estava sentada em sua cama.
– O que você quer? – Antonieta também era garota de programa, mas tinha uma raiva enorme de , tudo porque, de acordo com ela, a novata estava muito metida.
– Pra quem você tá dando pra conseguir folgar duas sextas seguidas? – arregalou os olhos, surpresa.
– Como sabe que vou folgar nessa sexta? – Antonieta se levantou da cama, encarando-a.
– Eu tenho os meus contatos, e então, tá dando pra quem? – suspirou fundo, revirando os olhos.
– Meu Deus, você é deprimente. – riu incrédula – Eu não devo satisfação da minha vida pra você. Sai já do meu quarto. – Antonieta a encurralou no guarda-roupa.
– Fique você sabendo que esse seu jeitinho de menina ingênua não me engana, ok? Você é mansa demais, e eu ainda vou descobrir o que você esconde! – ela empurrou contra o objeto, saindo do quarto.
Ela passou as mãos no rosto, cansada. Além de ter que transar com várias caras em uma noite, ainda quando chegava em casa tinha que lidar com aquela garota. Tudo começara porque saiu com um cliente fixo de Antonieta, pois ela havia ficado doente. Depois daquilo, o homem não quis mais sair com outra pessoa se não . O cliente não era um qualquer, era Lance, um rapaz que era gay, mas que não assumia sua orientação sexual devido ao preconceito que poderia enfrentar da família e da empresa. O homem era diretor de uma multinacional famosa. O fato é que ele pagava para que conversassem apenas, e geralmente quando ele ligava era exclusividade, era somente algum jantar e depois conversas a noite inteira.
secava os cabelos, quando foi surpreendida mais uma vez por alguém que abria aquela porta, mas dessa vez era já trocada para dormir.
– Que cara é essa? – se deitou na cama, jogando um cobertor sobre si, se ajeitando por ali.
– Antonieta. – bufou, agora vestia a camisola e continuava secando os cabelos em frente ao espelho.
– Essa mulher não dá um tempo, morre de inveja de você, é só não dar trela…
– É tão difícil, não sei como ela descobriu que vou folgar na sexta, eu tenho culpa se a Inês fez a bendita da escala assim?
– Você é carne nova, obviamente que os clientes vão te procurar mais, por isso a Inês tá sendo mais camarada contigo. Mas tenha calma, isso vai passar e logo, logo ela esquece do Lance.
– Eu não vejo a hora, ela é tão insuportável, como se tudo o que eu quisesse na vida fosse ser a melhor garota de programa. – terminou de secar os cabelos, desligou a luz, e se deitou na cama.
– Sim, ela ficou de birra comigo quando o Dembélé a trocou por mim…
– Dembélé é o jogador do Barcelona que é francês? – assentiu.
– Agora ela já até esqueceu disso, mas passei pelas mesmas coisas que você está passando, relaxa. – sorriu tentando confortar a amiga.
– Mas algum jogador do Barcelona frequenta aqui? – ela a encarou curiosa.
– Sim, tem até um que é seu conterrâneo, o Rafinha – fez uma careta.
– Não faço ideia de quem seja. – se remexeu na cama. Foi impossível não se lembrar dos tempos da escola quando foi mencionado o time do Barcelona. – Me lembrei que estudei com um garoto que jogava futebol e que tinha como sonho ser jogador do Barcelona, se chamava
– Jura? Perdeu o contato com ele? – a encarou extremamente curiosa.
– Sim, nunca fomos amigos de fato, então nem sei se ele conseguiu virar profissional ou não, espero que sim, era um bom menino – deu de ombros.
Chica, não me leve a mal, mas estou morta de cansaço, preciso dormir. – a amiga se ajeitou na cama pronta para que pudesse de fato o fazê-lo.
– Não estou diferente. – abriu um sorrisinho. – Boa noite. – virou-se para o lado, acabando por adormecer rapidamente.


Capítulo 2

Se a falta aflorar e você vir como eu sou ruim
Ainda vai gostar de mim
É toda torta a sensação de que o caminho é
Se encontrar na perdição

(Pittty – Deixa ela entrar)

desembarcou em Barcelona, finalmente seu sonho estava mesmo sendo realizado, sua compra para o time já havia sido efetuada há um tempo, mas seria de fato realizada no começo de 2019, porém, com a saída de Iniesta, anteciparam sua vinda ao time, o deixando completamente entusiasmado. Sentia um frio na barriga, porque era um país novo, não teria seus pais ou amigos próximos dele.
Atendeu alguns fãs no aeroporto, – que mal sabia que tinha, ainda mais ali – em seguida entrou em um veículo que lhe aguardava e que o levaria até o clube. Já sabia que durante a viagem até lá, teria que responder algumas perguntas de cunho pessoal ou profissional a TV Barcelona.
– Olá, , me chamo Caroline, nós vamos fazer uma pequena entrevista com você, te informaram, certo? – a repórter abriu um grande sorriso para ele, arrastando-se no português, já que tinha conhecimento que ele não sabia muito espanhol. Havia um rapaz ao lado do banco passageiro que os filmaria e obviamente o motorista que dirigiria durante o trajeto pelas ruas da cidade até o clube.
– Oi, Caroline! Sim, me informaram, por mim já podem começar. – ele abriu um rápido sorriso. A mulher assentiu, se ajeitando no banco, assim como o cameraman ajeitou a câmera para filmá-los.
bem-vindo ao Barcelona, você está feliz? – a mulher tinha a voz extremamente animada.
– Obrigado, sim, estou muito feliz, muito feliz. – ele abriu um sorriso tímido, não ficava muito à vontade em frente as câmeras.
– Já havia estado em Barcelona antes? – ele negou com um aceno de cabeça. – Já tinham falado alguma coisa de Barcelona para você?
– Já, me disseram que as pessoas são bem parecidas com brasileiros, um povo mais carismático, mais acessível, então estou muito, muito feliz. – ele se ajeitou no banco, tentando achar uma posição mais confortável, enquanto o veículo andava pelas ruas da cidade.
– Vamos conhecer um pouquinho mais do ? Como é o fora dos gramados? – ele sorriu.
– Bom, eu fico mais em casa com a minha família, gosto de jogar videogame, assistir filme, sou mais caseiro. – a repórter assentiu, pronta para efetuar mais um questionamento.
– Um ídolo? – ele respondeu sem muito hesitar.
– Andres Iniesta. – ela sorriu com a menção de um dos maiores nomes do clube.
– Uma canção?
– Ainda Sou Tão Seu do Felipe Araújo. – ele sorriu. A repórter pediu que ele cantasse um trecho da música. – Ainda sou tão seu… Olha aqui quem não te esqueceu… – as bochechas do rapaz estavam fervendo de tão quentes. – Não sou muito bom na música, mas enfim... – os dois deram risada. – O Felipe é um grande amigo meu que eu desejo tudo de bom pra ele. Eu o conheço desde pequeno, ele teve uma grande ascensão meteórica na música sertaneja, então estou torcendo para ele.
– Muito bem, com 14 anos você foi para o Grêmio, onde também jogou o Ronaldinho, e você conquistou os torcedores do time. O que tem o para conquistar os torcedores do Barça?
– Fui aos 14 anos para o Grêmio, né? Muito jovem. Então foi um clube que me acolheu, que realmente me formou cidadão, não só um atleta, eu sou muito grato. E o Barcelona, é o melhor time do mundo e desde criança até antes mesmo de virar jogador profissional, eu sempre gostei de assistir aos jogos do Barcelona por causa do estilo do jogo e porque atuou grandes jogadores brasileiros. Então sempre acompanhava e tinha um desejo de jogar no Barça. Com certeza empenho e luta não vão me faltar. Meu foco é dar alegria aos torcedores, ganhando títulos e fazendo boas partidas. – Já estavam próximos da entrada do clube, inclusive o veículo estava parando, era a hora de terminar a pequena entrevista.
– Muita sorte e muitas felicidades vestindo a camisa do Barcelona, . – ela lhe deu um singelo abraço de despedida.
– Certo, muito obrigado. – ele sorriu e assim a câmera foi desligada.
Ele desceu do veículo e foi caminhando até a entrada do clube para fazer sua apresentação formal, deixou as malas no carro mesmo, já que haviam pedido para que fosse diretamente ao clube. Respirou fundo algumas vezes, nervoso e enfim entrou.

***

Finalmente o grande dia havia chegado, era a estreia dele vestindo a camisa 4 do Barcelona, em uma competição importante, era a Copa dos Campeões Internacionais. Havia ficado quieto durante sua estadia no vestiário, precisava de concentração, afinal tinha que fazer tudo certo para garantir sua vaga como titular. Terminou suas orações e foi até a saída do vestiário, recebeu um afago de Rafinha.
O adversário não era fraco, Tottenham, o time inglês tinha sua tradição. Segurou a mão da criancinha que iria acompanhá-lo, suspirou fundo mais uma vez naquele dia e começou a andar em direção a entrada do estádio.

havia dado alguns bons passes, roubado algumas bolas importantes no meio do campo, mas o Barcelona não havia marcado ainda. Até que nos primeiros 15 minutos de jogo Munir El Haddadi abriu o placar a favor do time espanhol. comemorou muito, afinal aquele gol era de extrema importância.
Próximo do ponteiro chegar aos 28 minutos, recebeu um passe de Rafinha, e de fora da área ele analisou, viu que daria e bateu a bola para o gol com o pé direito e fez o seu primeiro. Sim, tinha feito gol em sua estreia, correu em direção ao Rafinha e lhe abraçou ternamente. Enquanto comemorava agradecia em pensamentos a Deus por ter lhe agraciado com uma oportunidade daquelas.
O restante do primeiro tempo, efetuou boas roubadas e passes de bola, mas não voltou para o segundo tempo, fora substituído por Ramón Rodríguez Jiménez. Do banco viu quando o Tottenham diminuiu o placar aos 73 minutos com o camisa 7 Son Heung-min. Trancou o maxilar, o Barça tinha que segurar aquele resultado, caso não o jogo poderia ser levado a prorrogação e ainda se não fosse definido, aos pênaltis. nem bem piscou e o Tottenham empatou o jogo com o gol de Georges-Kévin N’Koudou, camisa 14, aos 75 minutos.
O Barcelona tentou efetuar gols para que não chegasse a prorrogação, mas o resultado fora inevitável. Na prorrogação, nada foi resolvido pelos times e o jogo chegou aos pênaltis. Aquela tensão chegou, torcia por aquela vitória, e vibrou muito quando Anthony Georgiou do Tottenham errou sua cobrança. Agora o Barça tinha que fazer sua parte, e não errar nenhuma cobrança. Riqui Puig havia conseguido acertar o ângulo, assim como o Davinson Sánchez do Tottenham. Agora a decisão estava nos pés de Malcom, ele tinha que fazer aquele gol. O jogador respirou fundo e bateu com maestria a bola e a converteu em gol.
Sim, estava muito feliz, sua estreia estava completa, havia feito um gol, e seu time havia ganhado o jogo, apesar do sufoco. Tinha mesmo que agradecer muito a Deus.

***

A maioria das garotas estava em pé na sala da grande casa, enquanto a cafetina andava de um lado para o outro, sua expressão era indecifrável. Inês parou em frente a uma garota morena com o cenho franzido.
– Anny, por Deus esse seu cabelo está me dando aflição, cheio de pontas duplas! Procure Maria imediatamente. – Maria era a cabeleireira das meninas, Inês tinha uma espécie de convênio com ela. Toda a vez que era necessário acioná-la, 30% da renda do dia das meninas era retido para pagar os gastos com o serviço. Era justificável o porquê de elas não quererem usar, já que era bastante dinheiro.
, suas unhas estão cheias de cutículas! Vai na Carmem pra ontem… – Carmem era a manicure, a taxa era de 21% para o serviço.
– Mas, Inês… – tentou argumentar, mas fora em vão, a mulher estava irredutível.
– Sem mais! Você vai e ponto. A gente só atende cliente de alto nível, imagina se eu recebo reclamação que garota minha tá com a unha horrível! Se você não estiver satisfeita, cariño, tem outras casas de luxo que não se importam com isso... – engoliu seco para não respondê-la. Antes que a cafetina pudesse chamar a atenção de mais alguém, Antonieta, a última garota que faltava, descia as escadas sonolenta.
– Pronto? Estão todas aqui? – a cafetina olhava para conferir, e as meninas assentiram em confirmação. – Bom, vocês sabem quantos prostíbulos dão folgas, tirando os dias que você não trabalham devido à escassez de clientes? – ninguém se manifestou. – A resposta pra essa pergunta de 1.000,00 de euros é: nenhum! Eu sou um amor de chefe, não é? – ela abriu um falso sorriso. – Só que existe algo que eu detesto mais do que tudo nessa vida: reclamações.
– Inês... – Antonieta pedia a palavra, mas foi cruelmente interrompida pelo olhar da cafetina.
– Eu tenho recebido muitas: a fulana vai folgar na sexta de novo! Por quê? Ela não é melhor que eu! Isso é tão injusto... – ela revirou os olhos enquanto imitava. – Paciência tem limite, e vocês esgotaram a minha. A partir de hoje não tem mais folgas, vocês vão ficar em casa os dias que não tiverem programas, ou por ventura ficarem doentes! – com sua última fala um murmurinho se iniciou.
– Inês, por favor... – suplicava, a mulher negou.
estava estática, não escutava mais nada do que se falavam na sala, tudo o que vinha a sua mente eram as palavras de Inês. Por ser garota nova, sempre tinha programas para ela, quase nunca ficava em casa. A estudante de psicologia tinha as mãos trêmulas. Antonieta havia conseguido, tinha acabado com tudo por uma inveja tola. Não conseguindo frear suas pernas, se aproximou da garota que tinha o arrependimento no olhar. começou a bater palmas, a assustando e chamando a atenção das demais e de Inês que estava conversando com mais três meninas que tentavam reverter a decisão tomada. Todas de olhos arregalados, já que todo mundo sabia naquela sala que a culpa de terem tirado as folgas era grande parte de Antonieta.
– Parabéns, você conseguiu, satisfeita?! – Antonieta estava em choque enquanto a encarava.
suspirou fundo, deu um esbarrão forte no ombro da garota e subiu os primeiros degraus da escada, mordendo os lábios para não desmoronar na frente de todas.
! – Inês ralhou com ela. A mais nova a ignorou e se trancou no quarto e chorou de raiva. Parecia que a vida estava dançando Macarena sobre ela, quando achava que não podia piorar, sempre algo surgia.
Chica? – colocou a cabeça pra dentro do quarto, vendo se estava tudo bem com a amiga.
– Eu só tô muito puta, literalmente. – soltaram um risinho amargo. se sentou ao lado dela na cama.
– Confesso que nunca te vi com aquele olhar, achei que fosse bater na cara dela. – a encarava.
– Eu não ia bater nela, sabe? Não com Inês na sala, mas te juro que vontade não me faltou. – ela enxugou algumas lágrimas que ainda desciam do seu rosto. – É só que tudo só piora. – sentiu a voz embargar. – Carajo, semana passada eu só fiquei em casa no dia da folga mesmo, e ainda quase perdi a bendita da folga porque a Lauretta disse que tinha cliente me querendo, agora vai ser muito mais difícil de eu ficar em casa.
– Vai sim, mas eu acho que isso é coisa de momento da Inês, acho que ela volta atrás. – deu um abraço de lado na amiga.
– Tomara, de verdade, porque eu não sei o que vai ser de mim, se ao menos um dia, eu não tiver de descanso disso tudo. – chorou mais um pouco, sendo abraçada pela amiga.

– Eu juro por Deus que se eu pudesse, tiraria você dessa vida, você não merece viver nisso tudo. – ele pegou na mão da que estava livre, a acariciando.
– E eu agradeço muito sua intenção, mas só de saber que você ligou para Inês requisitando minha presença hoje, já é uma folga daquilo tudo. – eles sorriram. bebericou o vinho que estava disposto na mesa de jantar.
– E seus pais? Tentou falar com eles sobre... – ela gesticulou com as mãos. – Você sabe…
– Não, , meus pais não podem nem sonhar com isso. Infelizmente não posso contar que sou maricón* a eles, jamais aceitariam. Eu sou o único herdeiro daquilo tudo.
– Deve ser tão difícil esconder quem você é, né? – Lance abriu um sorriso triste.
– É terrível, e ainda tem um adendo, Daniels… – ele suspirou, passando a mão no rosto.
– Daniels é o estagiário gostosão? – ela entortou a cabeça levemente, com um pequeno sorriso brincando nos lábios
– Sim, é ele mesmo, quando ele me encara… Me sinto completamente despida. – gargalhou – Ri mesmo, corazón. – ele segurou a ponte do nariz, simulando um choro.
– Segura os trejeitos, pode ter alguém olhando. – ele rapidamente tirou a mão do local. – Você acha que ele sabe?
– Conhece aquela frase de que um gay conhece outro gay? Ela não é mito. Eu vou acabar sucumbindo…
– Se você quiser me levar pro motel pra disfarçar, eu me tranco no banheiro, e ainda adianto alguns relatórios de estágio da faculdade. – ela arqueou a sobrancelha, eles acabaram rindo.
– Proposta muito tentadora, viu? Vou me lembrar disso caso eu for precisar. – ele sorriu, agora terminando de comer a sobremesa. – Você sabe que eu só paguei hoje pela sua companhia no jantar. Não paguei pela noite inteira, não posso abusar muito nos gastos. – ela assentiu.
– Sim, eu sei, Inês me mandou já uma mensagem dizendo o endereço que eu devo encontrar o próximo cliente, e esse provavelmente vai querer o serviço completo. – abriu um sorriso forçado.
– Força, falta pouco pra isso tudo acabar, ok? – ela mordeu os lábios, concordando.

*
Maricón: Gay.

– Eu com certeza te requisitarei mais vezes, você é muito caliente! – o homem com seus mais de 50 anos abotoava as calças, enquanto colocava as botas de cano alto, com um sorrisinho forçado. Terminou de fechar o zíper e se aproximou do homem.
– Hum, eu vou amar. – deu um selinho no empresário, fazendo uma voz sensual ou como ela mesma dizia: sua voz de guerra.
– Não me faça querer mais, preciso trabalhar. – ele abriu um sorriso malicioso. o abraçou de lado e eles saíram do quarto de motel juntos, naquela manhã de quinta-feira.
Se separaram no saguão, ele para a garagem do motel e ela para a saída da porta da frente do estabelecimento.
Já era setembro, hoje seria o primeiro dia de suas aulas na faculdade, pois é, o tempo estava passando rápido. Ela estava muito feliz, sinal de que em pouco tempo estaria formada, e consequentemente sairia da situação que estava em breve. Mesmo sendo verão, uma manhã fria se instaurava, sinal de que em breve a estação daria tchau e se iniciaria o outono. vestia uma mini blusa, uma saia curta, e meia calça rede. Apertou o sobretudo no corpo para ver se aliviava o vento gelado que batia em seu corpo. Nem para Inês lhe avisar que aquele homem pagou pela noite inteira, havia saído de casa completamente despreparada, sem a habitual troca de roupa para que pudesse ir a faculdade.
Olhou as horas no relógio e não passavam das 06h17min. Tinha que esperar até umas 06:30min para que pudesse ligar para lhe levar uma muda de roupa descente. O motel que tinha passado a noite era próximo do campi Plaça de la Universitat, então ela iria caminhando até lá. Tentou puxar mais o zíper até a gola, mas quase surtou quando ele emperrou e começou a abrir o sobretudo. Negou com a cabeça, o dia tinha começado bem... O fechou com as mãos e andou depressa. Rapidamente chegou em frente a cafeteria próxima ao campus e entrou, deu um suspiro quando percebeu que o ar estava quentinho no local. Sacou o celular do bolso e viu que era 06h33min, era hora de ligar para a melhor amiga.
Chica! Oi! – murmurou sonolenta um cumprimento – Inês não me avisou nada que eu teria que dormir com cliente essa noite, você poderia trazer uma muda de roupa pra mim?
Levo sim, quer mais alguma coisa? coçava os olhos, separando as roupas para que pudesse tomar um banho e despertar de uma vez.
– Sim, pega também minha pasta e o caderno. – tinha a unha do dedo mindinho na boca, se segurando para não roer, Inês lhe falaria blasfêmias se ela o fizesse.
Certo, te encontro na cafeteria de sempre, ok? concordou e ambas desligaram seus telefones. se aproximou do balcão, fez o seu pedido e pegou sua grande caneca de cappuccino. Quando ia se virar para sentar nas mesas que eram dispostas ali, se chocou fortemente com alguém, fazendo com que ela se desequilibrasse e quase caísse no chão, seu cappuccino não tivera a mesma sorte. Ela mordeu os lábios fortemente, era só o que faltava mesmo.
– Opa, cuidado! – ele segurou nos braços dela, a amparando. Ela levantou o olhar pronta para xingar quem quer que fosse o brasileiro que tivesse esbarrado nela, mas empalideceu. Ela conhecia muito bem quem ele era, e assim que ele a encarou rapidamente a reconheceu também, mas apenas ela conseguiu proferir alguma coisa.
? – ela prendeu o ar, o encarando petrificada. O jogador a encarou da cabeça aos pés, demorando seu olhar, já que devido ao encontrão o sobretudo dela havia aberto por completo, revelando a roupa curtíssima que ela usava.
! Que surpresa! – ele não conseguiu segurar a expressão, não tirando os olhos do corpo dela. percebendo aonde o olhar dele estava, rapidamente segurou o sobretudo contra o corpo, fechando-o.
– Voltando de uma balada, sabe como é, né? – quis justificar o porquê estava com aquela roupa, coisa que ela não precisava.
– Hãn, claro. – ele passou a mão nos cabelos, nervoso, finalmente soltando o braço direito dela. Estava embasbacado. – Me desculpa por sua bebida, eu pagarei outra. – ela concordou. – O que você iria tomar?
– Tá tudo bem. E bom, era um cappuccino. – ele assentiu, caminhando até o balcão para que pudesse pedir a bebida dela e o seu café da manhã. caminhou até uma mesa discreta no canto da cafeteria para esperar que o rapaz trouxesse sua nova bebida. Ela não se faria de rogada, ele derrubou, ele quem pagasse uma nova. Não demorou muito e já chegava com os pedidos de ambos, se sentado em frente a ela, entregando uma nova caneca de cappuccino a .
– Muito obrigada. – ela sorriu, dando uma longa golada na bebida. Estava maravilhosa, como sempre.
– Mas o que faz aqui? – suspirou, fazia muito tempo que não escutava alguém falar em português com ela.
– Eu estudo aqui, e você? Está a passeio? – abriu um pequeno sorriso, curiosa.
– Não, eu finalmente consegui realizar meu sonho, estou jogando no Barcelona. – ela o encarou, visivelmente surpresa, então ele havia conseguido mesmo...
– Meus parabéns, estou contente por você! – ela respondeu com uma falsa animação.
– Obrigado. Eu estou muito feliz, , você não tem noção. – ele abriu um grande sorriso.
– Sim, estaria muito feliz mesmo se estivesse no seu lugar. – bebericou mais uma vez sua bebida. Ele empurrou os pãezinhos em direção a ela, que negou. Não conseguia comer logo cedo.
– Mas me conta, você estuda o quê? Me lembro que você gostava de engenharia… – ela o encarou surpresa, como ele se lembrava daquilo?
– Não, definitivamente. – a boca dela se curvou em um pequeno sorriso. – Eu faço faculdade de psicologia. – ele bebericou seu café. – Meu pai é espanhol, então eu tenho dupla cidadania, fiz uns esforços aqui, outros acolá e consegui estudar em Barcelona.
– Então você também realizou seu sonho... – concluiu, com os pensamentos inundados por lembranças. – Você sempre teve vontade de sair do país para estudar. – comentou, comendo agora um pedaço de pão.
– Que memória, ! – ela mordeu os lábios – Em partes, né? – ela comentou se referindo a realização do sonho. – Ainda não estou formada.
– E o Jonathan? Como reagiu a isso tudo? – comentou como quem não queria nada, curioso para saber se ainda estavam juntos.
– Nossa, Jonathan, faz tanto tempo que não escuto alguém falar dele. – suspirou desconfortável. – Ele reagiu mal, mas acabou aceitando por fim. Eu não ficaria no Brasil por causa dele.
Outch. – ele fingiu uma dor, abrindo um sorriso contagiante, fazendo com que ela sorrisse também.
– Priorizo meus sonhos em primeiro lugar, , sou egoísta nesse ponto. – ela deu de ombros.
– E você tem toda a razão, só achei engraçado o jeito que você falou. – ele quis consertar qualquer má impressão que pudesse ter ficado por ali.
– Não, tudo bem. – o examinou, por fim continuando a contar a história. – Namoramos um tempo a distância, mas é complicado… – mordeu os lábios – Terminamos há um ano e meio.
– Namoro a distância é complicado mesmo, acabei terminando exatamente por isso, incompatibilidade de agendas, minha ex era modelo. – ela assentiu. – É tão bom ver um rosto amigo aqui, você não tem noção do que é viver em um país completamente diferente.
– No final você se enturma. – sorriu, tentando lhe passar conforto. – Já conseguiu vestir a amarelinha? – perguntou se referindo a seleção brasileira.
– Sim, não consegui jogar a Copa do Mundo, mas fui convocado para a disputa das duas últimas partidas das Eliminatórias da Copa, contra a Bolívia e o Chile. E agora também fui convocado para os amistosos do dia 07 e 11 de setembro. Tenho que me apresentar amanhã a seleção. – ela deu um longo gole no café.
– Nossa, você está no auge da sua carreira mesmo, meus parabéns. – forçou um sorriso. O sentimento que passava em sua cabeça era horrível, e ela queria se controlar, mas era impossível que ele não viesse com força. – Fico feliz!
– Obrigado, de verdade. – ele não percebera que a animação na voz dela era falsa. – Parece um sonho ainda pra mim. – deu mais uma mordida grande no alimento disposto a sua frente.
– Eu imagino. – olhava para a porta disfarçadamente a todo momento, por que não chegava logo?
– Mas como é sua vida aqui? Você só estuda? – ele simplesmente não podia ficar quieto? Ele esfregar aquele sorriso, com aqueles lindos olhos explodindo felicidade estavam-na deixando extremamente irritadiça.
– Não, eu trabalho também. – se limitou apenas responder isso, mas era bem curioso, obviamente que ele perguntaria mais coisas sobre o assunto.
– Trabalha com o quê? – ela suspirou fundo, se remexendo na cadeira desconfortável.
– Eu trabalho em um bar, como bartender, não é todo mundo que tem a mesma sorte que você, sabe? – ela arqueou a sobrancelha, dando uma sutil alfinetada no rapaz. Quando ele ia responder, um furacão moreno entrou pela cafeteria.
, trouxe suas coisas, vim o mais rápido possível, Inês questionou o porquê você... – ela foi vomitando as palavras, recebeu um leve chute na perna. – E você não está sozinha. – sorriu sapeca.
, esse é , estudou comigo no Brasil. – colocou a mão sobre a boca, surpresa. – , essa , minha melhor amiga aqui na Espanha.
– Muito prazer – ele a cumprimentou em português. – Estou aprendendo ainda a falar espanhol. – comentou sem graça.
– Claro, eu consigo entender algumas coisas de português, não sou expert, mas ok. – abriu um sorriso singelo a ele. – Veio passear por aqui? Barcelona é muito linda… – suspirou encantada.
– Ah, não, eu vim trabalhar mesmo. Estou defendendo a camisa do Barcelona. – encarou a amiga, prendendo o ar.
– Uau, que bom, meus parabéns. – ela deu grande sorriso para ele. – Então era de você que o Dembele estava falando… – ele a encarou curioso.
– Você conhece o Dembele? – arregalou os olhos. Sua amiga era completamente indiscreta, por que não conseguia segurar a porcaria da língua na boca?
– Sim, eu conheço. – suspirou, tentando raciocinar rapidamente. – Somos amigos.
– Que coincidência, ele não vai acreditar quando contar que você é amiga da minha amiga então… – ele concluiu pensativo. – Que mundo pequeno.
, você não pode contar ao Dembele que encontrou ! – o encarava de olhos arregalados.
– Mas por que eu não posso contar? Há alguma coisa de errado? – ele tinha o olhar curioso para as duas moças.
– Sim, é que eles estão brigados é… – suspirou. – Não acho que seja legal que você fale dela, o Dembele está morrendo de raiva.
– Sim, eu o irritei quando disse algumas coisas a ele. – assentiu com o cenho franzido, que coisa estranha. Mas preferiu concordar, sem maiores questionamentos.
– Bom, tá na hora de a gente ir, né, ? – comentou antes que ele pudesse puxar mais papo e as colocá-las em uma situação pior. – Tenho que trocar de roupa, sabe como é, né?
– Claro, mas antes de ir, me passa seu celular. – mordeu os lábios, nervosa.
– Anota ai. – informou o número, passando-o errado, tudo o que ela não precisava era dele em sua cola.
– Vou dar um toque no seu celular, então você já salva o meu. – ele já discava. gelou. – Ué, por que seu celular não está tocando? – ele encarava o aparelho dela com o cenho franzido.
– Acho que você anotou o meu número errado. – ela abriu um sorriso amarelo. – Repete os números? – assim ele o fez. – Olha que doido, é 7 ao invés de 3.
– Mas foi você quem passou esse número, tenho certeza que não anotei errado. – ele afirmou convicto.
– Perdão, é… – gaguejou, suspirando fundo. – Esse número é novo, acabei trocando recentemente, mas pode ligar agora. – ele o fez e apareceu no visor que uma chamada era recebida. – Prontinho.
– Certo, vou te ligar, é bom ver um rosto amigo aqui… – ele sorriu, e a abraçou rapidamente dando dois beijinhos na bochecha dela, fazendo o mesmo com . – Foi muito bom te rever, espero que não percamos o contato.
– Jamais, agora você tem meu número. – sorriu forçadamente, puxando para a saída da cafeteria.
– Ei, ei, ei, chica! – segurou no braço da amiga, agora na calçada da cafeteria. – Por que passou seu número errado pra ele? E não me venha com essa que você trocou de número porque você tem essa mesma linha há quase quatro anos.
– É que eu não quero ter contato com ele. – bufou, voltando a andar, apertou os passos para alcançá-la.
– Por quê? Carajo, o cara é lindo demais. Fiquei encantada com aqueles olhos azuis… E aquele sorriso?
– Simples, em primeiro ligar: eu não quero ter alguém com a mesma idade que eu, que ganha o triplo, se bobear o quádruplo do que eu ganho esfregando sua felicidade o tempo todo na minha cara. E ainda tem mais, na escola, eu o ajudei passar de ano muitas vezes… – vomitou aquelas palavras com raiva. – E você ainda me comete a gafe de falar do Dembele, ele não sabe o que eu faço pra viver aqui, , eu jamais contaria, não posso sair por baixo.
– Você não contou? , eu não acredito que estou escutando essas palavras da sua boca. – a encarava desacreditada. – Você está morrendo de inveja dele!
– Você não entende, eu jamais contaria para ele a situação que estou vivendo, por Deus! – suspirou. – E bom, ver outras pessoas felizes e eu nessa merda de vida me deixa extremamente irritada e frustrada. Sim, eu estou morrendo de inveja, porque eu era a melhor aluna daquela escola e ele um dos piores e olha onde ele tá? Isso é muito injusto mesmo, deprimente!
, esse tipo de sentimento não é bom ter no coração, ele não tem culpa de ter alcançado coisas boas na vida, para já com isso! – ela ralhou com a amiga. – Com certeza ele lutou muito para estar onde está, não o desmereça. – engoliu seco com a fala da amiga.
– Você tem razão. – abaixou os ombros. – Sou um ser humano e não consigo ser perfeita. – bufou audivelmente. – Ele é rico somente com o ensino médio e eu tendo que me tornar prostituta para terminar minha faculdade de psicologia… Enfim, eu não o quero perto de mim, ele joga no Barcelona, e você sabe, temos clientes de lá.
– Sim, eu sei, é perigoso e nem um pouco saudável, já que você não contou nada para ele. Só tenha cuidado, ele ficou mesmo feliz de ter te visto, ele vai te procurar! – a moça prendeu a risada – Vocês dois na época da escola já… – abriu um sorrisinho malicioso.
– Não, jamais! – negou freneticamente. – Eu namorei desde o final do fundamental, a qual foi quando conheci , até o fim do ensino médio. Nunca olhei para ele com esses olhos… – ela bateu os cílios rapidamente.
– Deveria, porque ele é um deus grego mesmo. – acabou rindo da careta que fazia.
– A escola toda babava por ele mesmo, mas eu nunca o vi dessa forma, só tinha olhos para Jonathan. – chegaram na faculdade, e agora estavam em frente ao banheiro feminino.
– Um cafajeste que te traía com o Brasil inteiro. – bufou. – Que seja, perdeu uma ótima oportunidade. – revirou os olhos indo para a cabine para que pudesse trocar de roupa.
– Não perdi nada, as coisas aconteceram do jeito que tinham que acontecer! – suspirou, enquanto se despia, agora vestindo a roupa que a amiga trouxera.
– Será mesmo? – deu de ombros, agora saindo do banheiro e caminhando com a amiga para as suas respectivas salas. Se ela tivesse tido algo com sua vida teria sido completamente diferente mesmo... Sacudiu a cabeça, ignorando aqueles pensamentos.


Capítulo 3

I'm never gonna let you close to me
Eu nunca vou te deixar perto de mim
Even though you mean the most to me
Mesmo que você signifique tudo para mim
'Cause every time I open up, it hurts
Porque toda vez que eu me abro, dói
So I'm never gonna get too close to you
Então, eu nunca vou ficar muito perto de você
Even when I mean the most to you
Mesmo que eu signifique tudo para você

(Too Good At Goodbyes - Sam Smith)

desembarcou no aeroporto dos Estados Unidos para partida do primeiro amistoso que seria contra os donos da casa dia 07 de setembro no MetLife Stadium. Se hospedaria no Hotel Park Hyatt. Estava orgulhoso de si, apesar de não ter sido convocado para a copa, era bom estar para um novo recomeço da seleção. Não tardou muito para chegar ao hotel, e enfim se apresentou ao técnico Tite e comissão técnica. Seria ótimo rever alguns bons amigos e também ver rostos novos, era bom demais encontrar aquela galera toda. A seleção tinha algo bom, o clima era diferente, era como se estivesse em casa. Viu Neymar também fazendo o check-in enquanto mexia no celular distraidamente, e se aproximou.
– E ai, Ney? – chegou de repente, assustando o jogador que portava a camisa 10 da amarelinha. O rapaz tinha os olhos arregalados pelo susto, estava distraído com uma conversa no celular.
– Hey! – fez um toque de mãos com . Bloqueou o celular, dando total atenção ao meia.
– Tava com uma cara de idiota mexendo nesse celular. – Neymar fez uma careta da fala do amigo, dando um empurrão nele.
– Chega me assustando e ainda me zoa mesmo? – arrancou gargalhadas de .
– Como você tá depois da copa? – sabia que o peso de ser o camisa 10 da seleção e não trazer o hexa era difícil, afinal, os torcedores e a mídia estavam fazendo fortes cobranças ao rapaz.
– O pior passou, agora só resta as piadinhas de cai, cai. – fez uma careta, dando de ombros. – Bola pra frente, foco total agora na Copa América no Brasil.
– Sim, com certeza. Espero dessa vez poder disputá-la. – vestir a camiseta da seleção era sempre uma honra para ele.
– Eu tenho certeza... – deu uma piscadinha como se soubesse de algo. Neymar sentiu o celular vibrar e abriu um sorriso quando leu a mensagem.
– Você ta sabendo de alguma coisa? – Neymar ainda tinha os olhos no celular. – Hei, cara? – chamou o rapaz de forma indelicada.
– Quê?! – Neymar bloqueou o aparelho, agora o encarando. o olhava com cara de tédio. – Ah, você tem mostrado um bom trabalho, a vaga será sua.
– Quem é? – apontou para o celular, ignorando a última fala do amigo. Neymar fez uma careta.
– Bruna! – sorriu em compreensão. – A nossa relação é complicada, brigamos muito por bobeiras. E então terminamos, porque é o melhor a ser feito, mas quando a gente se encontra... É como ímãs, não dá pra resistir. – Neymar desabafou. – E então, nós tentamos de novo, porque ainda existe muito amor em nós.
– Isso é meio tóxico, não? – ele o encarou curioso.
– Talvez seja, mas é impossível não cair nesse ciclo vicioso. – Neymar deu de ombros. – Você já se apaixonou assim? – ficou pensativo, ele não tinha essa resposta de imediato. Teve três namoradas, duas os relacionamentos foram extremamente curtos e a última durou um ano, mas comparando ao companheiro de seleção não tinha toda essa intensidade mencionada.
– Não... – por fim concluiu.
– Quando você se sentir assim, gostar de alguém desse jeito, você vai me entender... – Neymar deu um tapa nas costas dele. – O professor quer ter uma conversa comigo, preciso ir. – assentiu e viu o amigo caminhar para distante dele. Ele deu de ombros, terminou de fazer o check-in e voltou a andar de volta para o seu quarto.
Chegou ao quarto, tomou aquele bom banho para relaxar e depois se jogou na cama, puxando o celular para suas mãos. Olhou o WhatsApp, respondeu algumas mensagens dos amigos e familiares e viu que não havia respondido nenhuma de suas mensagens enviadas anteriormente. O engraçado é que ela não havia o bloqueado no aplicativo, será que havia feito algo errado? Deu de ombros, dessa vez bloqueando o aparelho, não ia ficar correndo atrás dela, se ela não queria conversar com ele, tudo bem, ele poderia lidar com aquilo ou não.
Escutou batidas na porta de seu quarto, abriu encontrando Coutinho e Firmino do lado de fora.
– Hey, bro! – Firmino lhe deu um abraço, fazia um bom tempo que não o via.
– Hey! – se separaram do abraço, agora dando toques de mãos com Coutinho.
– Vamos jantar, hoje tem iniciação dos novatos. – Coutinho esfregou as mãos rindo, arrancando um sorriso de .
– Opa, claro que sim. – saiu do quarto, seguindo os dois colegas.
– Você me parece cabisbaixo, o que há, ? – Firmino o questionou curioso.
– Ah, que isso não é nada demais, só alguns problemas bobos, que em breve serão resolvidos. – abriu um sorriso.
– Se quiser compartilhar, estamos ai pra ouvir, cara. – quem tinha a voz era Coutinho que inclusive deu um afago nas costas do companheiro de time.
– Não é nada demais, fica em paz, caras. Vamos logo iniciar esses novatos – sorriu, empurrando os rapazes para que eles andassem mais rápidos.

***

– Foi muito gratificante essa experiência de lidar com cuidados paliativos. – o professor assentiu para Cátia. – É possível que eu volte lá na semana que vem e ela não esteja? É, mas pelo menos, pude deixar aquela senhora um pouco mais confortável, apesar de tudo. – afagou as costas da colega de sala em conforto. Havia tido o estágio no hospital conveniado ao Campus, e agora se encontrava após o estágio na supervisão com o professor responsável pela disciplina.
– Muito bem, Cátia, sua consulta foi bem elogiada pelas enfermeiras que viram uma melhora emocional na paciente. – a moça assentiu feliz. – . – ele chamou atenção da moça que parecia imersa em seus próprios pensamentos, enquanto ainda afagava as costas da colega de classe. – Como foi a consulta de hoje?
– Então... – ela pigarreou, devido à falta de uso sua voz saíra estranha. – A psicóloga hospitalar me passou um caso extremamente difícil, de acordo com os médicos, a paciente viria a óbito naquele mesmo dia devido a um câncer avançado e eu tinha que preparar a família para o recebimento daquela notícia. Pra mim, foi um choque, profesor, porque mesmo que a família espere o pior, eles nunca estão preparados de fato pra isso. – ela mordeu os lábios.
– E como você os abordou? – o mais velho a indagou.
– Bom, primeiramente escutei a história de vida dessa mulher através dos familiares, que naquele momento consistiam no pai e no filho. Devido ao estágio da doença, ela estava em coma. Ressaltei os pontos positivos da paciente, toquei em assuntos íntimos, resgatando momentos importantes dela com a família. – seus olhos brilharam. – Preparei bem o terreno para jogar a bomba. A hora que eu tive mais vontade de chorar no atendimento foi quando eu disse que ela faleceria logo. Os levei até o quarto e fiquei com eles para que pudessem se despedir, depois me retirei para dar privacidade a eles. – ela suspirou. – Foi um dos atendimentos mais difíceis, já que assim que eles saíram do quarto ela faleceu. Os acompanhei até que fizessem todos os trâmites legais e depois os deixei com o coração na mão...
– Como você está depois disso tudo? – o professor lhe encarava preocupado.
– Eu fiquei mal, não posso mentir, profesor, mas internalizei que aquele problema é do outro, não meu. É difícil separar, mas é necessário.
– Sim, com certeza. Inclusive, seu atendimento à família foi excelente, ! Toda a equipe elogiou muito seu trabalho. – ela abriu um enorme sorriso, afinal, tudo o que estava passando valeria a pena. – Turma, diante do último relato estão dispensados. – os alunos recolheram suas coisas para que pudessem sair, fazia o mesmo, porém o professor lhe segurou pelo braço, pedindo que esperasse.
– O senhor queria falar comigo sobre o quê? – ela perguntou um pouco aflita quando o último aluno saiu da sala.
– Você sabe que desde que recomeçamos as aulas você tem sido muito elogiada por toda a equipe do hospital. – a moça assentiu. – Vou ser direto, quero te oferecer um estágio desvinculado ao da faculdade. Ao invés de três horas de estágio, seriam quatro horas, sendo por dois dias na semana, ao invés de um, como o obrigatório. – ela já tinha um enorme sorriso no rosto, porém, a última fala do professor o tirou. – Mas seria não remunerado.
– É uma oportunidade e tanto, já que eu sei que a psicologia hospitalar caminha a passos de tartaruga aqui... Mas eu tenho outro trabalho, e é esse que me mantém aqui no país.
– Você não pode conversar com seu empregador? Seria nas terças e quartas a tarde, das 14 às 18 horas. – ela suspirou fundo. Ah, se ele soubesse...
– Me parece um horário tranquilo, posso verificar com ela. Poderia responder até semana que vem?
– Claro, será a data do nosso próximo encontro. – ela concordou. – Nós conversamos depois dos seus atendimentos da semana que vem.
– Muito agradecida pelo convite, farei de tudo para participar, profesor. – o homem assentiu e saiu da sala.
– Você demorou, amiga. – a esperava do lado de fora da sala para que pudessem ir juntas até para casa.
– Você não sabe, , o profesor me convidou para que eu fizesse um estágio extracurricular no hospital conveniado ao campus. Não é demais?
– Calma, espera, você já não faz um estágio no hospital? – a amiga a encarou com os olhos confusos.
– Sim, eu faço todas as quintas, esse é o estágio obrigatório. Às terças e quartas eu faria um estágio de quatro horas extracurricular. Aumentaria minhas horas de estágio e ainda ganharia um certificado, mas as recomendações do profesor para um emprego futuramente.
– Nossa, é mesmo maravilhoso, então você com esse estágio conseguiria sair totalmente da prostituição e… – negou com a cabeça.
– Não, seria sem nenhuma remuneração… – fez um biquinho. – Eu queria fazer, mas não sei se a Inês autorizaria.
– Vamos tentar conversar com ela, vamos lá no “escritório” dela. – assentiu e elas caminharam rapidamente, mudando o caminho para o tal escritório da cafetina.
Elas pegaram o transporte público e desceram um pouco antes do local e foram caminhando até lá. Entraram no local tão conhecido, cumprimentando os dois seguranças, que mais pareciam armários ali. Adentraram a sala e encontraram a cafetina mexendo em alguns papéis, ela olhou para as meninas e voltou aos papéis.
– O que houve que não podia esperar eu chegar em casa para falarem? – ela perguntou, sem voltar a direcionar o olhar para elas.
– Vou ser direta, preciso te pedir algo… – agora tinha total atenção da mulher. – Meu profesor me convidou para um estágio sem remuneração de terças e quartas das 14 horas às 18 horas, queria saber se conseguiria fazer? Por favor, Inês. – a mulher suspirou fundo, apoiando as mãos na mesa. fechou os olhos, fazendo uma mini caretinha.
– Por favor, Inês, nunca aparece programas por esse horário, a foi superhonesta com você, é o sonho dela… – a mulher as encarava ainda calada.
– Vocês tem noção que se eu liberar algo assim, as outras vão enlouquecer? Olha como foi com as folgas! – Inês apoiou o rosto nas mãos.
– Será só por um tempo, até eu terminar a faculdade… – ela estava quase se ajoelhando no chão.
– Eu vou pensar, ok? Mas caso eu autorize, você nunca poderá contar para nenhuma das outras, se não isso acaba. Estamos entendidas?
– Sim, pode ter certeza que eu jamais vou contar as outras meninas. – Inês assentiu.
– Agora podem ir, quando eu tiver a resposta lhes dou, ok? – elas assentiram com um sorriso breve, saindo da sala.
– Ela já deixou. – abraçou a amiga animada.
– Será? – ainda não acreditava muito naquilo. As duas já estavam do lado de fora agora caminhando para casa.
– Eu a conheço há quatro anos, chica, vai por mim. Só temos que manter a boca muito bem fechada. – ela assentiu, sabia que caso isso vazasse adeus estágio.

***

chegou em casa exausta, precisava fazer alguns relatórios do estágio de plantão psicológico, a qual lhe demandava mais atenção, já que naquele dia havia atendido três pacientes diferentes. Para lhe dar mais disposição, decidiu que tomaria um banho e sem muitas delongas o fez. Voltava para o quarto enrolada na toalha, já que havia esquecido de pegar suas roupas e teve uma surpresa não muito agradável ao abrir a porta.
– O que você quer? Achei que já estivesse mais do que satisfeita de me boicotar em tudo o que é possível. – cuspiu as palavras com raiva para Antonieta que estava sentada em sua cama.
– Na verdade, eu… – mordeu os lábios, enquanto a encarava – Vim te pedir desculpas por aquilo das folgas. – sentiu-se mais leve por falar aquilo.
– Nossa, não sei se fico surpresa por você me pedir desculpas ou por demorar mais de um mês para o fazê-lo. – a estudante de psicologia riu desacreditada.
– Eu sou muito orgulhosa, se eu estou fazendo isso, sinta-se bem… – Antonieta deu de ombros, como se estivesse fazendo uma obrigação. – Minha opinião sobre você não mudou nada, mas sei reconhecer quando errei.
a achou tão infantil, parecia com uma criança birrenta que não queria ceder por nada seu brinquedo. Não estava a fim de ter que lidar com aquilo naquele momento.
– Você só destruiu o pouco de alegria que eu tinha. – comentou amargurada. – Mas agora também não faz diferença, então tanto faz. – Antonieta a encarava indecifrável.
– Certo… – se levantou da cama. – Só um toque, cariño, as reclamações não partiram só de mim, ok? Tem gente que se faz de tua amiguinha, mas te apunhala nas costas. Eu, pelo menos, mostro o que sou. – saiu pela porta do quarto.
O que Antonieta tinha dito não era nenhuma surpresa a , ela sabia que não podia confiar em ninguém ali, exceto por Brenda. No mundo da prostituição era difícil arrumar amizades verdadeiras, afinal, existia muita inveja ali.
Ela suspirou fundo, e se trocou colocando uma roupa mais confortável, não sabia se teria programas, mas caso estivesse seria fácil para se trocar. Pegou o celular esquecido na bolsa e se jogou na cama olhando as notificações. Bufou, quando viu que haviam mensagens de , ele não se tocava que ela não queria conversar com ele? Como era insuportável… Clicou em cima do nome dele e apagou as mensagens sem que as lesse. Se ele continuasse com aquela insistência ela o bloquearia logo, aliás nem ela sabia o porquê ainda não tinha o feito.

***


já estava de volta a Barcelona, tinha ido relativamente bem nos amistosos, esperava ser convocado para os próximos. Havia acordado o mais cedo que havia conseguido, havia se arrumado e trancado muito bem a casa.
Pegou o carro e o dirigiu o mais depressa possível para aquela cafeteria. Não conseguia tirar da cabeça , ela não tinha o direito de ignorá-lo sem que ele soubesse sequer o motivo para aquilo. A conversa deles havia fluído tão bem naquele dia, por que agora ela tinha tido uma atitude daquelas? Ela tinha que lhe dar uma explicação para aquilo. Não demorou muito e estacionou o veículo em frente ao local, por ser cedo, não havia encontrado ninguém ali. Escutou o sininho tocar quando adentrou o local. Se direcionou ao balcão, fez o mesmo pedido que havia feito no dia em que havia vindo e se sentou em uma mesa mais ao fundo. Colocou o capuz, para evitar que ela o reconhecesse e fugisse dele, isso é, se ela fosse no local novamente.
Esperou por volta de uns 15 minutos, até escutar a sineta tocar e ver a moça entrar ali. Ele suspirou embasbacado, ela era mesmo muito bonita. O jeito como ela se movia, tudo exalava uma sensualidade natural que o encantava, não era à toa que quando a viu pela primeira vez há uns bons anos se encantou de primeira.
Ela seguiu o caminho até o balcão para efetuar o pedido, tendo o olhar atento de sobre si, ela pegou seu cappuccino fumegante e sentou-se em uma mesa próxima ao jogador. Ele sacou o celular, e efetuou o envio de uma mensagem qualquer de bom dia. Sendo ignorada com sucesso por ela que viu, e bloqueou o celular. Ele se levantou da mesa, pegou sua bandeja e se sentou de frente a ela, lhe assustando.
– Oi, . – abriu a boca em um perfeito O, completamente surpresa com ele sentado à sua frente.
– O-oi. – ela deu um sorrisinho amarelo, enquanto tinha os olhos presos aos dele. Ela achou que nunca mais fosse vê-lo de novo, e ali ele estava.
– Você tá bem? – tentava prender o riso, a reação dela estava bem engraçada.
– Eu? – apontou pra si, tendo a confirmação dele. – Estou… É, estou. – suspirou. Ela estava chocada de vê-lo na sua frente, e ainda para piorar a situação ele havia mandado uma mensagem há poucos minutos, ao qual ela havia ignorado com maestria.
– Que bom. – ele levou a caneca a boca, não ousando quebrar o contato visual com ela, que a cada minuto ficava desconfortável na cadeira.
– Para com isso, ! – ela bufou. Estava difícil para ele prender a risada.
– Isso o quê? – ele comentou desentendido.
– Você sabe. – ela gesticulou, sem graça – Você fazia a mesma coisa na época em que eu fugia de você quando me pedia ajuda várias vezes em um só dia em matemática na biblioteca da escola. – e a risada que ele tanto prendia, acabou sendo solta e aquilo ecoou por todo o local, fazendo com que ela risse com ele também.
– Por que está ignorando minhas mensagens? Naquela época eu pegava mesmo no seu pé, ainda guarda mágoa de mim? – ele brincou para suavizar o clima que podia se instaurar ali.
– Não, não é isso. – suspirou fundo. – É complicado.
– Complicado por quê? Me conta e a gente pode tentar descomplicar. – acabou arrancando um sorriso dela. Sabe o que é, ? É que você me causa inveja e ainda tem mais, você tem amigos que utilizam o trabalho das minhas amigas, se é que me entende… Foi a primeira coisa que veio na cabeça dela, mas era meio óbvio que ela não utilizaria aquela desculpa. Ela bebericou o cappuccino enquanto sentia o olhar do jogador lhe queimar a face.
– Você me traz lembranças muito desconfortáveis, . Lembranças aos quais eu não quero lembrar, não quando eu não estou no meu melhor momento… – ajeitou o cabelo atrás da orelha, nervosa.
– Nossa! – comentou surpreso, esperava qualquer tipo de resposta, até que ela estivesse saindo com alguém, mas ele era tão desagradável assim para lhe trazer lembranças ruins? – Acho melhor eu sumir então, para você não ter mais nenhuma lembrança ruim. – ele se levantou da mesa, magoado. Ela encostou o corpo pra trás na cadeira, e respirou fundo, quase se arrependendo da atitude que tomaria. Se levantou rapidamente dali.
– Espera! – ela segurou o braço dele. – Me desculpa, , fica. – ela o encarava extremamente arrependida. – Por favor? – ele agora tinha o olhar voltado para ela. – Se você ficar, a gente faz um tour por Barcelona hoje, mato até aula por isso. – arrancou um sorriso dele.
– Matar aula pra fazer um tour comigo? Golpe baixo, . – ele voltou para a mesa com ela em seu encalço. Eles se sentaram nos mesmos lugares, voltou a bebericar sua bebida. – Sua sorte é que eu não tenho treino hoje, então, eu vou aceitar a proposta. – era um doce de ser humano, o coração dela pesou por tê-lo tratado tão mal.
– Perfeito. – ela sorriu. – Espera um minuto, preciso avisar que não vou a aula hoje.
– Você tá falando sério mesmo? – a encarava atônito.
Bah, claro que sim, eu disse e nós vamos! É uma forma de eu me desculpar pelas coisas que eu disse, isso se você quiser... – ela piscou os cílios demoradamente, o deixando sem palavras. Ele precisava se controlar, não era mais um adolescente virgem. Era um homem de 22 anos. Será que ela sabia que exalava sensualidade assim?
– Senti saudade de escutar esse bah. Seu estado era incrível e o Grêmio também, sinto saudades… E, é claro que eu quero. – ele respondeu meio desesperado, arrancando um sorriso dela.
– O grêmio era incrível, né? Eu também sinto muitas saudades de assistir aos jogos do meu time, com meus pais, sinto até saudades de falar português. Desde que coloquei os pés aqui é só espanhol... – suspirou fundo. – Enfim, só um minuto. – ela se levantou da mesa, discando os números de Cátia para que ela avisasse ao professor de cognitivo-comportamental que ela não compareceria ao estágio. Ela sabia que as faltas em estágio deveriam ser raras, mas estava se sentindo bem mal por tê-lo tratado daquele jeito, afinal, ele não tinha culpa. – Prontinho, avisado.
– Certo. – ele a encarou, enquanto ela terminava de tomar de uma vez o cappuccino.
– O que você conhece aqui, ? – comentou curiosa, enquanto o via se afundar na cadeira com medo da reação dela.
– O Estádio Camp Nou* conta? – foi a vez dela gargalhar audivelmente naquela manhã.
– Você é um ridículo mesmo. – ainda sorria. – Vou te levar a dois lugares que todo turista tem que conhecer.
Ela se levantou, a seguiu rapidamente até fora do lugar. Ela começou a caminhar quando ele segurou o braço dela. Como ela andava rápido, seu corpo voltou com tudo, fazendo com que ela fosse de encontro ao peito do jogador com força. Ela espalmou suas mãos ali e guardou um suspiro. estava muito diferente, estava tão... Gostoso.
– Espera... – ela direcionou o olhar pra cima, encontrando os dele que a fitavam intensamente. Aquilo definitivamente era perigoso. engoliu seco, desfazendo o contato ocular e se afastando dele.
– Por quê? – pigarreou desconfortável.
– É que meu carro está estacionado aqui na frente. – ela fez uma careta, colocando as mãos atrás do corpo.
– Claro, que tolice a minha, é óbvio que você teria um carro. – franziu o cenho, divertido. Apertou o alarme do veículo e entrou no carro, esperou quando entrou logo após ela. O modelo do veículo em questão era nada menos que um Toyota Yaris, branco.
– E então? Para onde vamos agora, ? – ela sorriu animada.
– Vamos para um dos maiores pontos turísticos daqui, a Igreja Sagrada arquitetada por Gaudí – ele a encarou estranho – Eu vou te explicar, mas primeiro vou te guiar até lá, ok? Mas vai preparando o bolso, porque você vai pagar os nossos ingressos para entrar. – ele deu partida no veículo.
– Como é que é? – ela riu da cara de mongo que ele tinha para ela, enquanto colocava o endereço do local dito por ela no GPS.
– Você é o amigo rico aqui, não eu. – deu de ombros, enquanto ele começava a seguir o trajeto do GPS.
– Eu nem vou falar nada sobre isso. – ele sorriu, agora com o olhar fixo na estrada.
Depois de muita loucura, ruas erradas, problemas para estacionar, finalmente pararam o veículo próximo ao local.
– Eu dirijo pro próximo ponto turístico, pelo amor de Deus, !
– E quem disse que eu vou deixar você pegar no meu carro? Sonha, . – arregalou os olhos, o empurrando pra frente.
– Eu não vou te ensinar de novo, você quase bateu seu carro! O tour vai acabar aqui se você não me deixar dirigir. – deu de ombros, passando na frente dele, quando ele parou de andar com a fala dela.
– Você é tão chantagista, . Não tem vergonha, não? – a encarava incrédulo.
– Eu não sou chantagista, apenas prezo pela nossa segurança, bonitinho. – ele sorriu com a menção àquele apelido, ela sempre usava para explicar algo pra ele, na época que o ajudava.
– Ok, você dirige quando sairmos daqui. – ela deu pulinhos animada, o pegando pela mão para que andassem logo para a entrada do local. O fato é que sair com não estava sendo nenhuma tortura, o rapaz era divertido, e fazia muito tempo que ela não se sentia assim tão leve, por alguns segundos seus problemas estavam esquecidos.
– Aqui onde estamos é a principal obra e o ponto turístico mais famoso e lindo de Barcelona, é a Sagrada Família de Barcelona. Uma igreja com uma grandeza incomparável e que ainda não está acabada, pela enorme quantidade de detalhes e pelo tamanho que foi projetada. Mesmo não acabada, é possível visitar o interior. É um dos pontos turísticos mais visitados do mundo, você tem noção disso?! – ela comentou animada enquanto tinha o olhar preso a igreja, que de fato era maravilhosa.
– É linda… – ele indagou maravilhado, enquanto olhava os detalhes dela.
– Vem, vamos comprar os ingressos e ver por dentro. – ela o puxou pela mão para que pudessem ir até a bilheteria, que estava um pouco cheia.
Assim que compraram, foram visitar o interior do local. olhava tudo maravilhado, era incrível como aquela obra era linda, mesmo não estando acabada, o que para ele era como se estivesse. Era um local e tanto para ter contato com Deus.
– Gostou? Eu gosto muito de vir aqui, apesar da quantidade de gente, me traz paz.
– Eu também me sinto assim, – ele deu uma rápida olhadela para ela, voltando a olhar o local.
– Quer que eu tiro umas fotos de você aqui? – perguntou prestativa. rapidamente pegou o celular do bolso da calça, o passando para ela.
Tirou várias fotos do rapaz dentro da igreja, sentado em um dos bancos fingindo orar, depois passou o celular para que ele mesmo pudesse registrar as imagens dentro do local. Ele não resistiu, a viu distraída e tirou algumas fotos dela. Depois de conhecerem cada cantinho do local, propôs algo a ele.
, tem um parque aqui na frente que você consegue tirar fotos com a igreja de fundo, quer ver? – ele assentiu e ambos saíram da igreja e rapidamente avistaram o parque a qual ela mencionou.
Ele tirou várias fotos ali, e com muita relutância da parte de , conseguiu bater algumas selfies com ela, prometendo que não postaria nenhuma em suas redes sociais. Ela jamais poderia ser vista com ele, seria muito complicado.
Depois de conhecerem cada cantinho por ali, como prometido, passou o carro nas mãos da moça que dirigiu até o próximo e último ponto turístico que ele conheceria: a Praia Barceloneta.
– Nossa, que lugar incrível! – sorriu quando viu fazer a baliza para estacionar em frente a algum ponto da praia.
– Temos que vir de manhã, porque isso aqui de tarde lota, principalmente no verão. – ela desceu do veículo, fez o mesmo. Ambos tiraram seus sapatos e começaram a andar por uma das praias mais bonitas do mundo.
– Essa areia é branquinha, – ele se abaixou pegando um punhado de areia e deslizando entre os dedos.
– Sim, é incrível, né? O mais legal é a localização da praia, bem pertinho do centro de Barcelona, e por isso existem muitos bares e restaurantes próximos, com opções à beira mar para você apreciar a comida típica junto ao Mediterrâneo. – tinha os olhos presos no mar. – Vem, vamos molhar o pé um pouquinho. – o puxou mais uma vez pela mão para que pudessem caminhar em direção ao mar e sentir a temperatura da água, que não estava tão gelada como ela imaginava que estaria.
– Esse passeio está sendo incrível, . Muito obrigado. – ela sorriu, enquanto os dois ainda andavam a beira mar.
– É uma forma de me desculpar por ter sido tão rude, ignorando suas mensagens, e descontando minhas frustrações em você. Me desculpe, de verdade. – ela o encarou, tinha arrependimento no olhar.
– Depois de um tour maravilhoso desses, está mais do que perdoada. – ela sorriu. tirou o celular do bolso, tirando mais umas boas fotos ali. Depois de cansar de tirar fotos, eles se sentaram na areia e encararam o mar, cada um imerso em seus próprios pensamentos.
– Eu gosto muito de vir aqui e olhar o mar… Parece que meus problemas desaparecem olhando para essa imensidão azul. É meu refúgio, sem sombra de dúvidas.
– É um lugar muito bonito mesmo, compreensível que você se acalme olhando. – ele assentiu agora olhando o perfil da moça. Ficou a encarando por um bom tempo.
, a visão do mar é mais bonita que o meu rosto, vai por mim. – ela deu de ombros, não desviando seu olhar em nenhum momento do mar.
– Eu tenho dúvidas se consegue ser mais bonito que você. Você é muito linda, . – ela fechou os olhos com a última fala dele. Não, definitivamente, não. Ele não podia enxergá-la desse jeito. se levantou da areia, limpando a calça jeans que havia ficado suja por ter sentado ali sob o olhar atento do jogador.
– Sinto te desapontar, mas a visão do mar é muito mais bonita que eu. – ela sorriu – Me desculpa, , mas antes que fantasie algo, eu e você não vai rolar, não desse jeito. – recomeçou a andar o deixando extremamente sem graça. Ele tinha dado tanta bandeira assim? Claro que tinha “Eu tenho dúvidas se consegue ser mais bonito que você. Você é muito linda, ” era mesmo um idiota. – Você não vem? – ela perguntou divertida. Como um cachorrinho ele se levantou a seguindo.


Capítulo 4

Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras, momento
Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento
Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar


(Cássia Eller – Palavras ao Vento)

– Eu não sabia que você era tão pretensiosa... – ele já tinha se levantado e agora tentava acompanhar os passos dela, incrédulo. – Eu não pensei nisso assim, só te elogiei, não pode mais?
– Claro que pode. – ela ainda sorria, deixando-o claramente sem graça. – Eu me equivoquei, claro... – continha ironia em seu tom de voz.
Uma coisa em que ela tinha experiência depois de ter entrado na prostituição era quando um homem a encarava com desejo. Desde a hora em que eles haviam saído da cafeteria para os passeios, ela percebeu aquele olhar sobre si diversas vezes. Mas quando sentados na praia aquele mesmo olhar veio com força, e com a cantada, ela percebeu que era hora de pará-lo antes que aquilo ficasse complicado.
Aquilo era um jogo perigoso, porque ela tinha que reconhecer que estava muito gostoso e ela infelizmente não era imune. Após se envolver com Jonathan, teve alguns casinhos aqui ou acolá, mas nada muito sério. E depois de ter virado garota de programa então, não sabia mais o que era sentir tesão por alguém, afinal seus clientes não ajudavam em nada para que ela mudasse aquela ótica.
– Sim, eu, é... – ele coçou a nuca, completamente sem graça com a fala dela. sorriu, o interrompendo.
– Está tudo bem, – eles agora estavam parados em frente ao veículo, ela colocando sua sandália, ele ainda descalço. Ela entregou a chave na mão dele. – Você sabe voltar sozinho?
– Acho que sim, estamos bem perto do Centro, certo? – ela assentiu – Por quê? – perguntou confuso, enquanto a fitava.
– Porque você vai voltar sozinho, eu vou ficar, moro aqui perto. – ela deu de ombros.
– Ah não, eu te dou uma carona até sua casa, . – ele a olhava prestativo. – É o mínimo que eu posso fazer por você.
– Não, por Deus! – ela exclamou nervosa, fazendo-o se assustar com o tom de voz que ela usou.
– Por quê? O que há? – a encarava intrigado.
– Não é nada, é só que não tem cabimento, eu moro pertinho. Ainda aproveito e faço uma caminhada, as vezes é bom ser fitness. – se aproximou do homem e lhe deu um beijo na bochecha.
– Tá certo. – desistiu, sabia que era uma causa perdida. – Se eu te mandar mensagem você não vai me ignorar, né? – ela riu da carinha de cachorrinho que ele fazia.
– Não vou fazer mais isso, prometo. – sorriu a vendo se afastar cada vez mais dele. – Fica bem, bonitinho.
– Você também. – ele sorriu a vendo se distanciar cada vez mais, até que ela sumisse de seu campo de visão.
Ele se encostou no veículo, pegou o celular, escolheu uma das fotos da igreja e fez uma postagem no Instagram: "Turistando por Barcelona! 🙏"

***

– Por que você não foi para a faculdade hoje? – foi a primeira pessoa que ela viu quando entrou na residência.
– Ah, que susto! – tinha as mãos sobre o coração. Se jogou na cama ao lado da amiga. – Então sobre isso, bem... Eu posso ter cometido um pequeno grande erro. – rapidamente se ajeitou na cama, olhando-a assustada.
– Como assim? – arqueou a sobrancelha, com o olhar fixo na amiga.
– Bom, eu acabei de voltar de um passeio com o . – a amiga tinha a boca escancarada em surpresa.
– Como é que é?! – se levantou da cama depressa, fitando . – Você tá louca? , você disse que não ia mais ter contato com o jogador.
– Sim, eu disse, mas eu fui pra cafeteria perto do campus e tomei um susto quando o vi ali, me exigindo explicações que eu simplesmente não podia dar, e bom, eu disse umas merdas para ele, mas me arrependi e, como desculpa, simplesmente o convidei para conhecermos alguns pontos turísticos daqui.
– Você sabe que não vai ter mais volta, que ele vai querer mais contato com você, querer você na vida dele e você vai se afundar mais e mais, e estará mais perdida do que nunca. Abre o jogo para ele, conta que é garota de programa!
– Você tá louca? Eu não vou contar isso para ele. – se sentou na cama, encarando a amiga incrédula.
– Ou você conta de uma vez, ou você se afasta dele. O que você não pode fazer é sustentar essa mentira. Esse cara vai se apaixonar por você, você por ele e as coisas vão ficar muito piores.
– Chega, ! Eu já sou grandinha e sei muito bem me virar, eu hein! Cuida sua vida, que eu cuido muito bem da minha! – saiu do quarto batendo a porta.
– Quando você se foder lindo, eu vou dizer “eu avisei”! – suspirou, deitando-se novamente na cama, e tentando dormir. A noite tinha sido bem agitada e não seria que atrapalharia o seu sono.

***

Havia virado um hábito, sempre ia aquela cafeteria para ao menos tomar o café da manhã acompanhado por . Já fazia uma semana, desde o passeio que eles tinham feito, e todos os dias os dois se viram. Ele chegou ao local com a roupa de treino, tomaria café e iria até o local após. já estava lá, e sorriu quando o viu, acenando para que assim que ele efetuasse seu pedido, fosse até lá.
– Você não enjoa de tomar cappuccino todo dia? – ele sorriu brincalhão, lhe dando dois beijinhos na bochecha dela, e se sentando à sua frente.
– Não, nunquinha, cappuccino é vida. – ela sorriu – Quer experimentar? – ele tinha o olhar desconfiado para a bebida.
– Como café, chocolate e leite podem ser bom juntos? – ainda encarava a bebida duvidoso.
– Bebe logo, , para de frescura. – ela empurrou a caneca em direção a ele, que efetuando uma careta engraçada engoliu o líquido. – E ai, o que achou?
– E não é que é bom? – arqueou a sobrancelha pretensiosamente, como quem diz “eu avisei”.
– Sim, é maravilhoso, agora me dá minha caneca de volta antes que você beba tudo. – ela puxou de volta para si, com um sorrisinho maroto.
– Se eu quiser eu compro um igual. – fingiu estar magoado, enquanto mordiscava um pedacinho de seu pão. – Você ainda acompanha futebol? – perguntou de repente, quebrando o breve silêncio que surgiu.
– Na verdade, mais ou menos, ando com a vida megacorrida. Trabalho quase todas as noites direto, , e bem, ainda tem a faculdade. – ela suspirou, dando de ombros. – Por quê?
– Como existem lugares que ainda mantém os funcionários sem qualidade de vida assim? É inacreditável, ! Por que você não sai de lá e arruma outra coisa? – seus olhos arregalaram.
– As coisas não são assim simples como acha que são, ! Não é só sair e pronto, emprego aqui na Espanha é difícil. Não é todo mundo que tem as chances que você teve na sua vida, que simplesmente caíram no seu colo. – pegou a colher e ficou remexendo no pouco líquido que tinha ali na caneca, completamente chateada. Custava ele entender isso?
– Você fala desse jeito, até parece. Não foi bem assim. – ele suspirou fundo.
– E como foi? Me explica porque, de verdade, não me parece que foi difícil estar onde você está. – comentou irônica. Ele arregalou os olhos, como é que era?
– Eu tive que lutar desde muito pequeno pelos meus sonhos, levei muito não na cara, . Ou você acha que não existe um monte de garotos que tem como sonho ser jogador de futebol?! Eu tinha que me esforçar, tive que treinar duro para me destacar mais do que os outros e chamar atenção de alguma forma de algum olheiro. Demorou muito para eu receber uma resposta positiva e, quando a recebi, tive que largar minha cidade, minha mãe, já que quem me acompanhou em tudo foi meu pai, meus amigos, minha escola… Tive que me habituar em um estado novo, que tem um clima completamente diferente de onde eu morava, minha saúde ficou frágil, fiquei diversas vezes doente, e eu não tinha minha mãe para os xaropinhos caseiros que só ela sabia fazer. – suspirou, lembrando-se de sua mãe. – Passei por muita coisa para estar onde estou, então não, as coisas não caíram simplesmente no meu colo. – ele despejou tudo aquilo.
Eu… – apertou os lábios, sem graça, evitando encará-lo. Desde que estudaram juntos, nunca havia comentado ou demostrado como tinha sido tão difícil sua mudança para o Sul, escutar aquilo tudo dele, havia a deixado sem palavras.
– Me desculpa se soei rude com você, não foi minha intenção. Mas você me jogando essas indiretinhas o tempo todo não estava legal.
– Não, está tudo bem, eu só não imaginava que você tinha passado por tudo isso… Por que nunca me falou?
– Sei lá, eu não queria te encher com minhas lamúrias, não éramos tão próximos. E também, eu era só o garoto burro que precisava da ajuda da menina mais inteligente da escola em todas as matérias possíveis. – ele desviou o olhar do dela, voltando-o para o pão que estava disposto a sua frente.
– Por favor, não fale assim, você não era burro, e eu o escutaria de bom grado. – ela segurou a mão dele, entrelaçando com a sua. – Me desculpa ter falado essas merdas pra você, eu não tinha o direito. – encarou as mãos de ambos entrelaçadas e apertou a sua com a dela.
– Tudo bem, só não ache que as pessoas não tem problemas, , todos têm, a gente só precisa aprender a lidar com eles para podermos vencê-los. – ele desentrelaçou suas mãos, terminando de comer, deixando-a sem palavras mais uma vez naquela manhã.
– É… Eu preciso ir pra aula. – ela tomou o cappuccino de uma vez, segurando suas coisas que estavam na cadeira ao lado.
– Espera, se eu te convidasse para assistir algum jogo do Barcelona, você toparia?
, eu despejo um monte de coisas em você, você me despeja mais um monte e depois simplesmente me solta uma dessas? Você é inacreditável. – ela mordeu os lábios com um meio sorriso, ela achou que ele pudesse ter ficado ressentido, com raiva, achou até que ele tivesse magoado e lá vem ele e esfrega na cara dela mais uma vez o quanto era incrível e bem superior a ela. Definitivamente, ela não merecia tê-lo em sua vida. Ele ainda a encarava esperando a resposta para sua pergunta. – Eu faria de tudo para ir. – ela sorriu, levantando-se da mesa, lhe dando um beijo na bochecha e saindo dali.
terminou de tomar seu café, com um sorriso no rosto. Estava gostando de ter em sua vida. Sim, as coisas que tinha dito eram pesadas mesmo, mas não tinha conseguido ficar com raiva, um pouco magoado sim, porque não era de ferro, mas já tinha resolvido aquilo, e com certeza ela tinha entendido.
só estava em um momento ruim, ele só não entendia por que ela tinha tanta mágoa dentro de si. O que havia acontecido com ela para ter se tornado tão… Amargurada? E o pior é que ele já estava envolvido por completo por ela, tinha algo que o intrigava, que o seduzia de um jeito tão natural que ele via-se cada vez mais enfeitiçado por ela.
Suspirou, sentia-se um merda porque achou que as coisas que sentia por ela haviam ficado no passado. Achou que conseguiria não se apegar a ela novamente. era tão simpática, tão meiga, que ele se viu nutrindo uma paixão platônica pela garota o colegial inteiro, e por isso muitas vezes procurava a ajuda dela para que ao menos ficasse um pouco ao lado da mesma, apesar de ela namorar, e ele saber que não tinha nenhuma chance. E agora cá estava ele na friendzone de novo, as coisas não poderiam estar melhores para o jogador.
Suspirou, levantando-se da mesa e deixando aqueles pensamentos de lado, seguindo até o seu veículo para que pudesse ir para o treino, precisava focar tudo de si para manter sua posição de titular, afinal, o banco estava cheio de gente que queria estar em seu lugar.

***

colocou os pés em casa cansada, se jogou no sofá. Os dias que tinha que dar plantão na clínica da faculdade para atender casos eram um dos dias mais cansativos para ela. E saber que por ser sexta, a noite a probabilidade de ter programa era de quase 100%, a deixava mais fadigada ainda, se é que era possível.
Inês ainda não havia lhe posicionado sobre deixá-la fazer o estágio ou não, precisou enrolar o professor por mais uma semana. Se até terça-feira Inês não lhe desse uma resposta, ela a procuraria para questionar. Como se a mulher pudesse ler pensamentos, surgiu no último degrau da escada.
, meu quarto, agora! – a moça suspirou fundo, e subiu as escadas atrás da cafetina, que já a aguardava sentada na cama de seu quarto. – Encosta a porta. – a obedeceu. – Você me pediu algo semana passada referente aos seus estudos, certo? – a jovem assentiu. – Eu já me decidi sobre isso, e tudo bem, você pode estagiar. – a moça começou a comemorar animada. – Desde que isso fique entre nós! Se isso vazar, adios!
– Muito obrigada, Inês, de verdade. Eu estou muito feliz…Você não tem nem noção. Muito obrigada mesmo.
– Faça por merecer o que eu estou te dando, hein? – para mostrar que a conversa tinha sido encerrada, a cafetina se levantou da cama e abriu a porta para que ela pudesse sair dali.
– Eu farei, pode deixar. Mais uma vez obrigada. – encostou a porta do quarto comemorando internamente, se pudesse estaria gritando aos quatro ventos.
Entrou em seu quarto e encontrou de toalha, provavelmente se arrumando para algum programa. Mordeu os lábios, estavam sem se falar direito desde o dia em que discutiram. Aquilo estava matando , querendo, ou não era sua única família ali, já que sua tia não estava nem ai para ela. Sabia o que tinha que fazer.
– Quero te pedir desculpas por ter falado daquele jeito com você, é que eu só… – não tinha palavras para completar.
– Você já está envolvida, eu sei. – completou a fala da amiga em reconhecimento. – Eu te desculpo, tá tudo bem entre a gente. – sorriu. Parecia que um peso havia saído de suas costas, não gostava de brigar com a melhor pessoa que havia conhecido na Espanha.
– O é tão legal, conversar com ele me faz bem, apesar do caos em que eu estou, eu tento me afastar, mas quando eu o vejo, essa vontade some. Eu sei que não deveria me envolver, você tem razão sobre eu contar a verdade sobre tudo, mas eu não posso, eu tentei hoje, mas eu não consegui. – ela mordeu os lábios tentando controlar as lágrimas que queriam jorrar de seus olhos.
– E você acha que essa mentira vai se sustentar até quando? – as lágrimas agora já desciam desenfreadamente de sua face. – Essa sua atitude vai magoar você dois, . – vestia um vestido apertado tubinho no corpo. – Você vai se apaixonar e ele também…
– Eu não vou me apaixonar, eu só quero a amizade dele, ok? – se virou para a amiga com a sobrancelha arqueada, enquanto se maquiava.
– Às vezes eu acho que sou eu que faço psicologia por aqui… – negou com a cabeça. – Se você quer se enganar, se engane. – suspirou fundo, vendo a amiga limpar as lágrimas que escorriam. Não adiantava falar, era teimosa feito uma mula. – Deixa isso para lá, eu não vou ficar dando murro em ponta de faca com você. – suspirou. – O fato é que o Dembelé me quer hoje, e cedo, porque tem um jogo a noite.
– Meu Deus, como ele é imprudente, ! Que eu saiba em dia de jogos os jogadores não podem transar…– fungou, limpando as lágrimas que ainda desciam, agradeceu a amiga silenciosamente pela mudança de assunto.
– E eu não sei? De qualquer forma eu vou encontrá-lo, não é como se eu tivesse escolha, ou pudesse opinar sobre algo. – suspirou, dando de ombros. – Ele é cliente e sempre tem razão.
– Sim, verdade. – se jogou na cama, enquanto olhava a amiga se arrumar. A viu terminar de secar o cabelo, deu mais uma rápida checada na maquiagem, viu que estava tudo certo, pronta para sair.
– Enfim, já está na minha hora, chica. – ela sorriu, enquanto procurava a pequena bolsa pelo quarto, a encontrando em cima de sua cama.
, espera! – se levantou e deu um abraço apertado na amiga. – Obrigada por tudo, eu vou tentar me afastar do , não é saudável mesmo para nenhum de nós. – correspondeu o abraço. – Ah, eu consegui o estágio, Inês autorizou! – as duas começaram a pular animadas enquanto ainda estavam abraçadas.
– Estou muito feliz por você, de verdade. – desfez o abraço com a amiga segurando suas mãos. – Quanto ao , não precisa se afastar, só conte a verdade. – deu uma piscadela, se despedindo da amiga.
se jogou na cama com os pensamentos ouriçados, estava confusa, sabia que precisava contar para ele, mas como abordaria o assunto. Ah, oi, , tudo bem? Sabe o que é, eu sou prostituta… Quis rir para não chorar de desespero quando esse pensamento veio à cabeça.

***

– Você é foda demais, fico enciumado só de pensar que você faz essas mesmas coisas com outros clientes. – Dembelé comentou, enquanto saía do banho. estava emaranhada nos lençóis enquanto via o jogador começar a se vestir.
– Essa questão é simples, é só você me tirar do prostíbulo e me tornar sua garota fixa… Quem sabe uma ficante ou talvez namorada... – em toda a oportunidade que tinha jogava aquela indireta, ela sabia no fundo que se pressionasse muito quem sabe ele não cedesse um dia?
– Muito tentador, mas não pegaria muito bem, se é que você me entende. – ele deu de ombros, ela abriu um sorriso fingido.
– Claro que sei, então lide bem com seus ciúmes e saiba que eu trato todos os meus clientes iguais, você não é especial… Sinto muito, sabe como é, não pegaria muito bem. – o jogador fechou a cara. Era claro que Dembelé era diferente, mas ela jamais diria isso a ele, se quisesse que ele a tirasse daquilo, ela precisava jogar bem sujo.
– Hum. – terminou de se vestir, engatinhou na cama e lhe deu um selinho – Preciso ir, jogo daqui a pouco. – ela mordeu os lábios, insinuativa. – Pelo amor de Dieu, não faz essa cara pra mim, se não dá merda. – o francês comentou.
– Vai lá, e faz um gol para mim. – ele lhe deu mais um selinho, segurando os lábios dela entre seus dentes e por fim saiu dali com um grande sorriso.
Ela não desistira, ele havia ficado chateado por não ser especial, só mais um pouquinho e conseguiria o feito que muitas meninas queriam, ela conseguiria enlaçar um jogador de futebol que a tiraria dali, ela só precisava continuar do jeito que estava…

***

Já era outubro, fazia exatos um mês que estava fazendo o estágio no hospital, a cada momento era elogiada pelo professor e os médicos dali. Sua presença era constante, e quando tinha dias que não ia, era como se a equipe sentisse falta dela ali. Estava muito feliz, se mostrasse cada vez mais seu potencial, conseguiria pagar a dívida para Inês e trabalhar na área que sempre sonhou na vida, até não precisando voltar para o Brasil.
De fato que fazer o estágio estava deixando extremamente cansada, mas ela não reclamava, fazia os programas calada, apesar de tudo o que mais queria era chegar em casa ir pra cama. Sua sorte era que as terças e quartas o movimento no prostíbulo não era tão intenso, e às vezes nem aparecia programa. Mas não era o caso de ontem, que ela precisou dormir com o cliente.
O rapaz era um CEO de uma empresa de médio porte. O que a deixou mais surpresa é que ele não era feio, era até bonito. Aquilo não entrou na cabeça dela, o cara poderia ter a mulher que quisesse, por que precisaria requerer uma acompanhante? Deu de ombros, afastando aqueles pensamentos de si.
Trocou de roupa no próprio motel, e agora caminhava em direção a cafeteria, com certeza já lhe esperava. Ela abriu a porta e dito e feito, ele já estava lá.
– Hey! – ela sorriu. Já estavam tão íntimos que havia pagado o cappuccino dela, que estava disposto à mesa, pronto para consumo.
– Oi, . – ela lhe deu dois beijinhos e se sentou em frente a ele. – Você não sabe da última, fui convocado novamente para os amistosos da seleção. Dia 12 e 15 de outubro. – se curvou na mesa dando um abraço apertado no rapaz.
– Parabéns, que bom! – ela sorriu sincera, afagando as costas dele.
– Obrigado. – sorriu, ela voltou a se sentar. – Pode ser pouco, mas todas as vezes que sou convocado para vestir a camisa do meu país, é gratificante.
– Sim, é claro que sim, é o Brasil! – ela alisou a mão do rapaz, a soltando. Bebeu um bom gole de cappuccino.
– E quando a senhorita vai dar a honra de sua presença em um dos jogos do Barcelona? – perguntou animado.
– Um dia, eu prometo, bonitinho. – ela sorriu – Me passa os dias de jogos depois pelo WhatsApp, pra que eu já tenho uma noção. Mas lembra que eu vou avisar em cima da hora quando puder, então esteja a postos. – ele assentiu.
– Certo. A partir de amanhã eu vou te deixar sem companhia para os cafés da manhã... – ela assentiu em concordância.
– Boa sorte pra vocês lá, viu? – sorriu largo. – Enfim, hoje vou precisar sair mais cedo. – ela deu uma longa golada no cappuccino para terminá-lo de vez. – Preciso passar na biblioteca antes da aula.
– Claro, sem problemas. Vamos nos falando. – ela se levantou, deu um beijo estalado na bochecha dele e saiu dali.
Não demorou muito e seguiu os passos dela, embarcando no seu veículo e dirigindo rapidamente até o centro de treinamento. Chegou rapidamente e cumprimentou a todos com um sorriso breve, indo em direção ao vestiário para que pudesse guardar suas coisas.
– Hey, ! – Rafinha já estava lá, acompanhado de Dembelé e Malcom. Ao fundo era possível ver Messi e Piqué. Ainda era inacreditável para ele estar no mesmo time de um dos melhores jogadores do mundo.
– Hey, caras! – sorriu, cumprimentando a cada um deles com um toque de mãos.
– Você tá com uma cara de bobo, . – Malcom foi quem falou aquilo para ele.
– Quê? Nada a ver. – ele enfiou a cara no armário, guardando suas coisas para evitar um contato com qualquer um deles, completamente tímido.
– Na minha terra isso se chama mulher... – Dembelé arrancou gargalhadas de todos, até de Messi que sempre era muito reservado e ficava na dele. – E por falar em mulher, alguém topa hoje uma festinha com algumas garotas de programa? Amanhã não tem treino, e depois vai ser complicado! Vamos!
Não era segredo pra nenhum deles que Dembelé sempre frequentava aquele tipo de lugar, desde que não atrapalhasse seu desempenho nos jogos ninguém se intrometia, mas não era o que estava acontecendo… O jogador estava faltando a alguns treinos. Em uma das vezes, um dos funcionários do time ligou às 11:30 para perguntar o porquê ele não havia aparecido para o treino das 11 horas, Dembelé completamente atrapalhado e consciente de que tinha feito asneira, inventou uma desculpa que estava mal da barriga. Um médico do Barcelona deslocou-se à sua residência e constatou que o jogador estava completamente recuperado das (fictícias) dores de estômago*. Sua fama não estava muito boa por ali.
– Eu dispenso, tô muito bem, obrigado, com a minha chica… – Malcom terminou de se trocar, sentando no banquinho que tinha ali.
– Rafinha? – Dembelé olhou para o rapaz com um sorriso.
– Amanhã não tem treino, então bora. – Rafinha sorriu animado com o rapaz.
? – chamou a atenção do jogador, que olhava seu armário com tanto interesse que parecia que tinha uma passagem para Nárnia ali.
– Eu não curto muito esse tipo de coisa, caras, então eu passo. Vou curtir minha noite com muito videogame. – deu de ombros.
– Nossa, , que coisa mais sem graça. – Dembelé fez uma careta para fala do colega, Rafinha gargalhou.
– Deixa o cara, Dembelé. – Rafinha ralhou, rindo. tinha fama de santinho por todos da equipe, não saía para noitadas com nenhum deles. – Vem, vamos ver com o Vidal, o Alba, talvez o Umtiti e.. – Dembelé e Rafinha foram pegando suas coisas e saindo do local, sendo seguidos por Malcom. terminou de se vestir e foi surpreendido por Messi que estava ao seu lado.
– Não se deixe levar pelo Dembelé, do jeito que as coisas andam, logo mais ele vai ter o banco de reservas como advertência definitiva. Valverde e a comissão técnica estão de olho nele. – Messi comentou, enquanto caminhavam até a arena.
– Ele tem ido direto? – perguntou curioso.
– Sim, ele vive com prostitutas, a mídia logo mais vai colocar isso em pauta, já que ele não tem jogado tão bem quanto o esperado. Ele precisa ter disciplina.
– Eu não imaginava... – o encarava perplexo.
– Você tem muito potencial, é um dos melhores reforços que chegou aqui no Barça, não perca essa essência. – deu dois tapinhas nas costas de e correu até o campo para começar o treino.
Parecia que explodiria tamanha era alegria de ter escutado um grande elogio do melhor jogador do time, quiçá do mundo, aquilo havia o feito ganhar o dia, agora é que tinha certeza que se manteria cada vez mais focado, não se deixaria levar por Dembelé ou qualquer outro colega de time que tentasse lhe desviar de seu foco. Dembelé... Lembrou-se de algo com a fala de Messi:

– Então era de você que o Dembelé estava falando… – ele a encarou curioso.
– Você conhece o Dembelé? – arregalou os olhos. Sua amiga era a pior pessoa, por que ela não conseguia segurar a porcaria da língua na boca?
– Sim, eu conheço. – suspirou, tentando raciocinar rapidamente. – Somos amigos.
– Que coincidência, ele não vai acreditar quando contar que você é amiga da minha amiga então… – ele concluiu pensativo. – Que mundo pequeno.
, você não pode contar ao Dembelé que encontrou ! – o encarava de olhos arregalados.
– Mas por que eu não posso contar? Há alguma coisa de errado? – ele tinha o olhar curioso para as duas moças.
– Sim, é que eles estão brigados é… – suspirou. – Não acho que seja legal que você fale dela, o Dembelé está morrendo de raiva.
– Sim, eu o irritei quando disse algumas coisas a ele. – assentiu com o cenho franzido, que coisa estranha. Mas preferiu concordar, sem maiores questionamentos.

Ele ficou pensativo, Dembelé só saía com prostitutas, o conhecia, havia pedido segredo… Será? Não, não deve ser isso, vai ver são amigos mesmo, era o que ele concluía pensativo. Decidiu entrar de vez no campo para o treino, mas a pulguinha tinha ficado atrás da orelha.


*Sim, gente, esse trecho eu adaptei de um jornal espanhol, então é verdade esse bilhete, rs. O jogador na época vinha faltado aos treinos, mas por noitadas jogando playstation.


Capítulo 5

Whatcha gotta say, whatcha gotta do
O que eu tenho que dizer, o que eu tenho que fazer
How ya get the one you want
Como fazer a pessoa que você quer
To wanna get next to you?
Querer estar perto de você?
Yeah, yeah
Sim, sim
To wanna get next to you
Querer estar perto de você

Next To You – Jordin Sparks

– Meninas, pedi para que todas vocês descessem porque temos uma requisição razoável hoje… – Inês andava de um lado para o outro, enquanto as garotas estavam espalhadas pela sala, algumas sentadas no sofá, outras em pé, esperando que Inês terminasse de falar.
– Quem contratou uma festinha particular, Inês? – Anny olhava para a cafetina visivelmente animada, programas assim sempre davam muito dinheiro.
– Um jogador de futebol, ele quer cinco meninas. Não será aqui, como geralmente esse tipo de evento pede, ele pediu que fosse na casa dele. – empalideceu, se apoiando na estante que estava perto dela. A probabilidade de ela ser convocada para aquilo era grande, muito grande, estava ferrada. – E eu já tenho os nomes de quem eu quero que vá. – olhou para a amiga. – , Antonieta, Anny, Pérola e ! – a última se levantou completamente trêmula.
– Inês, eu não posso ir pra esse programa! – a cafetina a olhou com atenção.
– Não vai me dizer que está menstruada, porque eu sei que não está. Você vai e pronto, . – a mulher foi taxativa.
– Inês, eu estou com febre, passei mal com dor de barriga. – suspirou, fingindo estar ruim. – Eu jamais abriria mão desse tipo de programa, o faturamento é bem maior do que os outros, mas eu não estou mesmo bem.
– Eu a escutei ir ao banheiro várias vezes hoje, Inês – apoiou a mentira da amiga. – Anny também. – a outra concordou, sem saber ao certo sobre aquilo, afinal não havia visto nada de anormal. A cafetina suspirou fundo, massageando as têmporas.
– Olha, Inês, se você quiser que eu vá ao médico, eu vou, ok? Como eu disse, eu ia querer esse tipo de programa mais do que tudo por conta do valor…
– Ok. – bufou impaciente. Tudo o que ela não precisava naquele momento era de baixas. – Você não precisa ir. – ela a encarou firmemente. – Maria, você vai no lugar dela. As demais até segunda ordem ficam em casa, eventualmente se aparecer clientes eu vou repassando, exceto , estamos entendidas? – as garotas concordaram.
, você disse que tomou medicações, certo? – a mais nova concordou. – Então se não fizer efeito amanhã você vai ao hospital.
– Claro que sim, eu mais do que tudo quero estar bem, quanto mais dinheiro melhor. – a cafetina concordou, subindo as escadas. Antonieta olhou aquela situação com o cenho franzido, não engolindo aquela história, tinha algo estranho. e seguiram os passos da cafetina, subindo as escadas e entrando no quarto em que dividiam.
– Eu tenho quase certeza que essa festinha foi ideia do Dembélé. – comentou, separando a roupa que usaria para a ocasião.
– Eu não tenho nenhuma dúvida, ele bate carteirinha aqui. – se jogou na cama, aliviada por ter conseguido enganar a cafetina. – Eu consegui me safar dessa, mas não sei até quando...
… – a estudante de direito suspirou. – Você sabe minha opinião sobre isso, não preciso externalizar, né? – negou veemente, cansada de escutar esporro. – Agora vou logo tomar banho antes que lote aquele banheiro. Ah, se o for, te conto. – assentiu, vendo sair do quarto para tomar banho. Será que fazia o tipo de cara que curtia esse tipo de coisa? Ela torcia internamente que não, porque caso ele fosse, veria lá e aquilo podia complicar e muito as coisas.

tinha ficado morgando a noite inteira, afinal a casa estava praticamente vazia, já que só a festinha particular dos jogadores tinha levado cinco meninas. Estavam apenas Inês, Jullie e Amanda na casa com ela. Havia tentado estudar ou adiantar algum relatório de estágio, mas não conseguiu, simplesmente as coisas não estavam fluindo na sua cabeça.
O ponteiro marcava por voltas das nove da noite. Sentiu o celular vibrar, viu que era um vídeoenviado por com os seguintes dizeres, “Hoje somos o Tuntz e eu” ela o abriu e achou a coisa mais adorável, não sabia se babava no jogador ou no cachorro. não havia ido a festinha, aquilo foi um alívio para ela, ao menos ele não descobriria de , ou seja, o seu segredo estava mais do que seguro.

: Que coisa mais fofa é o Tuntz e você não fica atrás também. Desde quando você tem cachorro?
: Uai, tu já me respondeu…😲 Nós agradecemos. Desde hoje eu tenho o Tuntz, eu o vi em um PE tshop e não resisti e o adotei. Trabalhando?
: Que atitude linda, ele é uma graça. E não, hoje eu estou em casa, uma folga forçada.
: Folga forçada? Você está doente?
: Não, é uma longa história...🤪
: Que com certeza não vai me explicar. Você e seus mistérios… Bem que você podia nos fazer companhia, né? Tuntz e eu estamos sozinhos e tristes…😭
:
:, você acha que eu vou te agarrar e tentar algo com você, é isso?
: Vamos lá, por favor, venha nos fazer companhia nessa noite fria de outono…

Ela mordeu os lábios, se saísse poderia dar problema, afinal, para todos os efeitos estava doente... Mas ela estava tão curiosa para conhecer o cachorrinho fofinho dele. tinha jogado sujo com ela, todo mundo sabia da paixão que ela tinha por animais, e filhotes de cachorros conseguiam ser ainda mais fofos. Ela tentava se convencer disso, mas era claro como água que não era só por Tuntz que ela queria ir à casa do jogador.
Abriu a porta do quarto, estava tudo muito quieto. Saiu pelo corredor e desceu as escadas, não tinha ninguém por ali mesmo. Se Inês soubesse, com certeza ela perderia o estágio, a não ser que fosse muito cautelosa. Ela, definitivamente, não sabia o que fazer, seu lado racional dizia para que ela não fosse, mas o emocional...
Decidiu que se Inês não tivesse em casa, iria. Foi até o quarto dela, deu três batidas, e não houve nenhum retorno, abriu uma brecha da porta e viu que ela não estava mesmo lá.

: Qual é o seu endereço?

Não demorou muito e a mensagem com o local apareceu ali. Sarria Sant Gervasi, era perto do centro e de fácil acessibilidade pra ela. Voltou ao seu quarto, vestiu uma calça jeans justa, colocou seu tênis All Star branco, blusa preta sem nenhuma estampa, e prendeu seus cabelos em um coque firme. Não estava nem um pouco a fim de penteá-los, afinal, a visita era rápida.
Pegou um dinheiro para o ônibus e estava pronta para ir até lá. Ela ficaria na casa do jogador no máximo umas duas horas, não queria se arriscar e receber esporro da cafetina. Caso Inês fosse dormir lá, ela tinha a desculpa perfeita, diria que havia ido a farmácia comprar mais remédios para dor de barriga.
Antes de ir até a casa dele, fez exatamente isso, passou por uma farmácia e comprou o remédio, o colocou na pequena bolsa que portava e pegou o transporte público para que pudesse ir. Não demorou muito e já desceu próximo do local. Suspirou, criando coragem e dando passos decididos até lá.
estava mesmo bem de vida, a julgar pelo tamanho daquelas casas, ou melhor, mansões naquele condomínio fechado, a qual, ela precisou se anunciar para entrar. Ela continuou a caminhar e achou a mansão. Estava embasbacada, aquele lugar era desumano de tão grande. Tocou a campainha ainda estática, logo escutou latidos finos e alguns passos vindo em sua direção. Não demorou muito e o portão eletrônico foi aberto, mostrando e um cachorrinho branco em seu colo.
Ela quase passou mal com tanta fofura que emanava daquele filhote, entrou tímida, e foi se aproximando do jogador de forma cautelosa. A primeira coisa que fez foi tirar Tuntz do colo dele, alisando o pelo do animal, que queria lambê-la eufórico, ele tinha gostado dela.
– Nossa, eu existo também, sabia? – fez um biquinho fofo, arrancando gargalhadas de .
– Seu dono é muito ciumento, Tuntz, ele quer a atenção só para ele, mas é impossível, você rouba todos os holofotes, né? – ela ainda alisava o cão e fazia uma voz fofinha para falar com ele. Se aproximou de e lhe deu um beijo estalado na bochecha. – Pronto! – ele abriu um sorriso fofo. – , que casa gigante! – encarava aquilo ainda admirada. Ele riu da cara que ela fazia.
– Vem, entra. – ele sorriu.
– Ah, já logo te adianto que preciso sair daqui às onze horas no máximo porque tenho um monte de trabalho da faculdade, ok? – mentiu.
– Tá, tudo bem. Estou feliz por ter vindo, agora entra de uma vez. – ele a pegou pela mão direita e entraram no local.
A mansão consistia em quatro quartos, três banheiros, dois andares e garagem. Havia um enorme jardim e uma piscina também.
– Caralho, , você mora mesmo sozinho aqui? Me diz que não. – ela ainda olhava minuciosamente o local.
– Pior que moro sim. – ele riu. – Tá, é meio grande, mas minha família e meus amigos vêm me visitar aqui, então, bom, espaço é que não falta para hospedá-los.
– Com certeza. – ela se jogou no sofá da sala, enquanto apertava a bola de pelos em seu colo. – Eu estou definitivamente apaixonada por esse animal, sabia?
– Sabia, o meu mais novo companheiro é apaixonante. Não é, Tuntz? Quando eu olhei no pet shop não resisti, ele me fisgou. – afagou o pelo do cachorro, que nem ligou para o dono, estava adorando o novo colinho que tinha ganhado. – Me trocou por você, olha isso. Com um dia aqui em casa, ele já me trocou, que ingrato. – tinha os olhos arregalados, fazendo com que ela gargalhasse. – Só eu adotando um cachorro pra você vir aqui conhecer minha humilde residência.
, meu trabalho não me dá folga, não posso simplesmente vir aqui, né? – ele levantou as mãos em sinal de rendição, sabia que o trabalho dela era uma zona perigosa.
– Quer beber alguma coisa? Um suco, ou uma água, whisky? Se quiser comer também, acabei de fazer uma pipoca na pipoqueira.
– Hum, pipoca, claro que eu quero e me traz o suco também. – rapidamente ele se levantou, colocou a pipoca em um pote grande, trouxe os dois sucos e se sentou no enorme sofá próximo a ela. Ela deixou o cachorrinho no chão para que pudesse comer. – , por que queria que eu viesse?
– Para me fazer companhia mesmo, estava me sentindo sozinho... – fez um biquinho, o que não passou despercebido por ela, era adorável. – Fiquei de repente carente, você não foi trabalhar, juntei o útil ao agradável.
– Certo, a gente vai terminar esse pote de pipoca e eu vou embora, tá bom? – ele assentiu, enquanto ela começava a comer junto com ele. – , você já fez amigos aqui? – o rapaz ia abrir a boca, mas ela o interrompeu – Tirando eu, pelo amor de Deus!
– Hum, certo, bom, tirando você, eu tenho amizade com os caras do time. – ela se ajeitou no sofá, querendo esconder a curiosidade latente.
– Com quem você tem mais afinidade no Barcelona?
– Não sei por que, mas por ser brasileiro, a gente acaba meio que se apegando aos seus conterrâneos, né, então eu sempre troco ideias com o Rafinha, Malcom e o Coutinho .
– Hum… Certo. – pegou o copo de suco e o tomou rapidamente, antes que pudesse falar alguma bobeira. – E você tem que viajar quando mesmo?
– Bem, amanhã à noite, eu acho. – sorriu – Já tá com saudades, é? – ela o empurrou, lhe dando um tapa, voltando a pegar o cachorrinho no colo e alisar seu sedoso pelo, enquanto colocava pipoca na boca dela. – Vou ficar um tempinho longe, hein? Os amistosos serão na Arábia Saudita.
– Nossa, que chique, vai andar de camelo? – ele entortou a cabeça com um pequeno sorriso, ela o achou adorável.
– Acho que sim, queria te levar, sabia? Nós andaríamos pelos pontos turísticos de lá... – ele pensava distraído, enquanto desenhava uma rota imaginária na coxa dela. – Poderíamos andar de camelo… – continuou o desenho imaginário, distraído, mas aquele simples movimento estava deixando-a desconfortável. – Vestir uma túnica, e ainda tem mais, seria legal ter você lá na arquibancada torcendo por mim e... – ela pigarreou quando a mão dele subiu na coxa dela. Ela, com a sua mão livre, tirou a mão do jogador delicadamente.
– Eu tenho cócegas. – sorriu amarelo. – Mas sim, seria incrível, de verdade, mas não poderei.
– Depois dos 10 anos, isso não é mais cócegas, sabe o nome disso? – ele arqueou a sobrancelha. – T-e-s-ã-o. – parafraseou, fazendo-a engasgar com a saliva.
– Meu Deus, você é tão idiota, que nossa! – respondeu sem graça. Deitou-se, ajeitando Tuntz na sua barriga, ainda acariciando o pequeno animal que tinha os olhinhos fechados curtindo o carinho. colocou os pés nas pernas de .
– Eu sou realista, é diferente. – ela negou, lhe dando um empurrão com o pé. Depois daquela fala dele, um silêncio desconfortável se instaurou ali.
– Tá, isso tá ficando chato. – ela falou com a boca cheia, quando havia lhe dado um punhadinho de pipoca na boca. – Vamos fazer algo.
– Eu tenho uma sugestão, mas eu duvido muito que você vá curtir. – arqueou a sobrancelha maliciosamente.
– Não, definitivamente não. Tá saidinho hoje, hein? – ele deu de ombros, sorrindo inocentemente. – Eu já te disse que eu e você desse jeito não vai rolar. – ela lhe deu um empurrão com o pé, enquanto pedia para que ele lhe desse mais pipocas.
– Uai, eu nem falei nada. – ele se defendeu risonho, colocando mais um pouco de pipoca na boca dela. – E você toda folgadona no meu sofá… – ela sorriu fechado, lhe dando uma piscadinha.
– Mas pensou, esse seu olhar não me engana… – as sobrancelhas dela se levantaram. – E sim, seu sofá é melhor que minha cama, olha essa maciez. – alisou o local com a mão livre.
– Tá, tá psicóloga que tem habilidades de ler mentes. – ela mordeu os lábios, tentando não rir – Lembra das festas na casa da Tayla? A gente sempre fazia uns jogos de perguntas e respostas que quem errava tirava uma peça de roupa.
– Lógico que eu não me lembro disso, eu não ia para esse tipo de festas que você frequentava, , eu era a nerd que tinha um namorado grudento.
– É verdade, você não ia mesmo, mas a gente podia jogar esse jogo para passar o tempo, o que acha?
– Você quer me ver nua, né? Não, só pode. – ele gargalhou, de todo não seria mal. – Claro… – ele já ia abrindo um sorriso feliz quando ela o cortou. – Que não vamos brincar disso, bonitinho. – desfez o sorriso.
– Tá, e o que você sugere então? – fez um biquinho chateado. Ela suspirou pensativa. Pegou o celular e digitou algumas coisas ali, sendo observada pelo meia. – , você nunca me contou o porquê de fato você terminou com o Jonathan…
– A noite estava tão linda, né, , até você trazer o nome do meu ex para conversa. – ela ainda procurava alguma coisa no celular.
– Você não fala, e eu sou curioso para saber... – se defendeu, enquanto agora fazia massagens nos pés dela, a ouvia bufar baixinho.
– Certo, ele me traiu, . Eu vim pra cá, mesmo com ele não gostando. O primeiro ano foi ok, mas depois as coisas começaram a ficar difíceis, não conseguia ir para o Brasil com frequência, porque não tinha condições, era muito caro, e bom, ele também não fazia nenhum esforço para vir para cá, sempre tinha empecilhos. – bufou. – Sempre tinha que ser eu, não o contrário. Enfim, namoramos via Skype por um tempo, e ele me traiu, choro, choro e fim de história. Mas de todo eu não o culpo, namorar sem transar não é algo legal, né?
– Eu acho que se as pessoas se gostam elas sempre dão um jeito de darem certo, apesar da distância. – comentou. – Mas como você descobriu a traição? – tinha os olhos fixos nela, mesmo ela achando o celular muito mais interessante do que encará-lo.
– Uma amiga minha me contou, mandou fotos e tudo, enfim… – mordeu os lábios – Eu nunca achei que fosse sofrer, porque estava fadado ao fim, eu sabia disso, mas eu sofri. E como eu sofri, me ajudou muito nessa fase. Namorávamos há seis anos, ele é, – ela se corrigiu imediatamente – quer dizer, era importante pra mim. Eu perdi minha virgindade com ele, eu descobri o que era amar alguém de verdade com ele. Ele foi meu primeiro namorado. – ele encostou as costas no encosto do sofá, desconfortável com o que ela dizia do ex, mas agora ele que aguentasse, afinal, havia perguntado.
– Entendo... – ele comentou enquanto continuava a massagem distraído, estava adorando aquilo, estava a relaxando. – Mas você ainda gosta dele?
– Não, não sinto mais nada. Eu tinha dúvidas, mas depois que o vi quando fui visitar meus pais, foi como se não tivesse visto ninguém especial. Ele está bem superado para mim. – deu de ombros, finalmente largando o celular e o fitando. Ele viu sinceridade no olhar dela. – Então, , somos só dois, os jogos não são legais com esse número de pessoas. O único que talvez dê para jogarmos é verdade ou consequência.
– Eu topo. – ele sorriu animado.
– Então, ‘bora relembrar nossa adolescência. Meu Deus! A que nível eu cheguei. – ele gargalhou. – Eu começo: verdade ou consequência?
– Vamos começar mais de leve: verdade. – ela torceu a boca, enquanto pensava em alguma coisa.
– Coxinha pela pontinha ou pela "bundinha"? – ele colocou a mão no queixo, fazendo uma cara séria com a pergunta.
– Sem dúvidas pela bundinha, sempre. – riram. se levantou e colocou o cachorro adormecido no outro sofá. – Sua vez, verdade ou consequência?
– Verdade. – ela o encarou medrosa. Se jogando no sofá novamente, agora dessa vez apoiando a cabeça no colo dele. Inevitávelmente ele levou a mão nos cabelos dela, afangando-os.
– Certo, vamos lá. – pigarreou, modificando a voz, tentando fazê-la engraçada. – Dorme nua ou com roupa?
– Depende do dia, mais a maioria das vezes é nua mesmo. – foi impossível que os olhos dele não nublasse ao imaginar aquilo. Ele balançou a cabeça em negação, fechando os olhos tentando afastar aqueles pensamentos impuros. E o pior de tudo era que ela não mentira, afinal, a maioria das noites ela passava com clientes.
– Uau! – ele comentou atônito. – Acho melhor eu buscar uma bebida bem forte se eu quiser continuar com isso, já venho. – prendeu o riso, levantando o tronco, para que ele pudesse ir buscar a bebida. Era inacreditável o poder que algumas palavras tinham. Ele voltou com um whisky, e mais dois copos. Ele a serviu, e se serviu o tomando de uma vez, fazendo uma careta. – Quero verdade!
– Certo. Olha, temos uma hora para essa brincadeira continuar, , e eu não posso beber muito, afinal, eu vou estudar. – o rapaz concordou. Ela engoliu o shot de uma vez, sem careta ou nada do tipo. O jogador a encarou surpreso. – O que é? – riu levemente.
– Você acabou de tomar um shot de whisky de uma vez, sem careta, sem tosse, eu só estou espantado mesmo.
, é melhor você apagar a imagem da estudante inteligente, nerd e que nunca bebeu na vida. Eu mudei e muito, não sou mais ela. Agora fica a seu critério achar se essa mudança é boa ou não. – o encarava com um sorriso divertido. – Então, vamos lá, é possível morrer de amor?
– Bom, eu já percebi que eu gosto de você de qualquer jeito, então... – a boca dela se curvou num sorriso fofo. – Referente à sua pergunta, de amor, eu não sei, mas de tesão definitivamente sim, porque olha, tem uma mulher que está me tirando o sono. – as suas pupilas estavam dilatadas enquanto tinha o olhar preso no dela. Ela pigarreou sem graça.
– Estou achando que é melhor eu ir embora, sabe? Talvez a brincadeira esteja entrando em uma zona perigosa. – arregalou os olhos, não queria que ela fosse embora tão rápido.
Deus era testemunha que ele tentava se controlar ao lado da moça, mas as coisas simplesmente não eram possíveis de serem controladas.
– Me desculpa. Eu prometo não ficar jogando essas indiretas com duplo sentido pra você, vou me conter. – ela o avaliou, por fim assentindo.
– Ok. Eu quero verdade também. – ela tampou os olhos com uma mão.
– Bom, com quantas pessoas você já transou na sua vida? – touché, era melhor ter pedido consequência, sem sombra de dúvidas.
– Muitas, . – ele a encarou descrente. – Eu transei com muitas pessoas mesmo, inclusive, eu não faço ideia de quantas. – ele a encarou com a boca aberta. – Eu te avisei que eu não era a mesma que você conheceu, hum? – arqueou a sobrancelha.
– Certo, você está virando mesmo uma caixinha de surpresas essa noite. Você está tão misteriosa nessa sua nova versão, e isso me instiga demais. – os olhos dele brilhavam, era um claro desafio. – Cada dia eu tenho vontade de te desvendar, de te conhecer. Nos seus olhos eu vejo que você me esconde algo, . Um dia eu descubro. – ela sentiu um gelo subir por sua espinha. Pegou a garrafa de whisky, e sem precisar pegar um copo ou nada do tipo, deu uma enorme golada. Aquilo não passou despercebido por ele. – E eu quero consequência.
– Hum… – sorriu diabólica. – Poste uma foto fazendo cara de sensual no seu stories do Instagram. – ele suspirou, pegou a garrafa de whisky e deu uma golada.
Pegou o celular, e entregou na mão dela para que ela tirasse a foto. Já que queria, ela teria. Ele retirou a camiseta, desabotoou a calça jeans que usava, tudo sob os olhos atentos dela, que quase o devorava com o olhar. Ele se encostou no sofá, colocou a mão em seu membro, fechou os olhos, e mordeu os lábios. Só de olhar aquilo, ela havia suspirado internamente. A consequência havia sido mais pra ela, do que para ele.
– Já tirou? – abriu os olhos, e ficou com uma vontade imensa de rir quando viu que ela estava bem afetada pelo jeito que ele estava. Então não era imune a ele, as coisas estavam começando a ficar interessantes aquela noite, definitivamente ele não estava na friendzone como imaginava. Ponto para ele.
– Não, eu não tirei. Volta pra pose. – disse e ele rapidamente o fez. Ela conseguiu tirar a foto tentando controlar as mãos trêmulas. – Pronto, pode se vestir. – ela pegou a camiseta dele e jogou para o rapaz.
– Acho que não vou colocar não, está calor aqui, você não está? – ele abotoou o botão da calça com um riso preso. Ela jogou o celular na mão dele, virando-se de costas.
– Não estou. – deu de ombros. Mas se xingava internamente, não prestava nem para esconder suas emoções, tinha pegado-a no flagra e aquilo não era bom. – Se está com calor, não põem a droga da camiseta. – fingiu indiferença para aquilo. postou a foto no stories conforme foi pedido. – Já são quase 11 horas, , eu preciso ir…
– Espera, eu não te dei nenhuma consequência, isso não vale. – ele deu mais uma golada no whisky. revirou os olhos, impaciente.
– Tá bom, para fechar a brincadeira, você pode me pedir uma consequência também.
– Certo. – ele esfregou as mãos com um olhar malicioso para ela. Ela sabia que dali com certeza viria merda. O meia deu mais golada no whisky para criar coragem para falar aquilo que pensou. – Me faz um lap dance*.
– Não, ! – ela se levantou procurando sua pequena bolsa. Aquilo não seria bom para nenhum deles.
– Ah, não foge, não. Eu tinha direito a uma consequência, e o que eu te pedi não é nada demais, é só uma dança, ué. – fingiu indiferença. – Quem vai aguentar os caras do time e amigos no WhatsApp pelo stories? Se você pensou eu, acertou. A sua não vai sair daqui...
– Não é só uma dança quando você acabou de assumir que tá quase morrendo de tesão por mim há poucos minutos. – arqueou a sobrancelha, o desafiando.
– Eu disse, mas a consequência é sua. Eu fiz a minha e não reclamei. Tá com medo de sentar no meu colo e não resistir? – ela franziu o cenho completamente ultrajada. – Reformulando a consequência: me faz um lap dance com minhas mãos presas, já que você claramente está com medo que eu te agarre.
– Que coisa mais ridícula, claro que não é isso! – ainda o encarava incrédula com tamanho disparate. – Quem vai passar mal é você e sabe muito bem disso. Só pra deixar claro, o que eu fizer aqui, não vai se estender, ok? Você vai ter seu lap dance e acabou, nós não vamos transar. – ele concordou veemente. – Com música ou sem música? – ela viu a coleira de Tuntz no canto da sala, a pegou e amarrou nas mãos dele, para que se mantivessem atrás de seu próprio corpo, e ele não pudesse tocá-la.
– Nossa, que força. – ele se referia ao amarro dado nas mãos dele. – Tem experiência nisso também? – a encarou divertido. Definitivamente, para sua própria sanidade mental, ela preferia sóbrio. – Com certeza com música. – ela pegou o celular, digitando algo ali, e logo os acordes introdutórios da música Needed Me da Rihanna começaram a tocar.
Ela se sentou no colo dele, e o encarando começou a rebolar de forma lenta, passava as unhas no peito dele, deixando leves arranhões ali, estava tentando não se excitar, mas ter uma mulher daquelas no seu colo não tornava o processo fácil.
Passou a língua pelo pescoço dele, enquanto ainda rebolava sobre seu membro. A mão direita dela estava no cabelo dele, bagunçando-o. Ela foi lambendo toda a extensão do pescoço dele até chegar perto do lóbulo a qual ela deu uma mordidinha leve e um suspiro fundo foi solto no ouvido dele. Fazendo com que os pelos do corpo do rapaz se arrepiassem. Ele fechou os olhos, mas não conseguiu se conter, sua ereção ficou incrivelmente visível.
subiu o rosto, parando de rebolar lentamente, era hora de parar. Maldita hora em que elevou seu olhar ao dele, os olhos do jogador estavam completamente nublados de desejo, e ela tinha certeza que os dela não estavam diferentes. Como resistir a ele daquele jeito, assim tão entregue a ela? Seus rostos foram se aproximando, como se fossem ímãs, a ponto de suas respirações estarem aceleradas e soprarem no rosto um do outro, o desejo pulsava por cada partícula de seus corpos.
Ela fechou os olhos, e com uma força sobre-humana saiu do colo dele, se levantando e ficando o mais longe possível do rapaz. O ambiente tinha uma tensão sexual tão grande, que se alguém tivesse uma faca era possível cortá-la.
… Por favor, termina isso que a gente começou... Eu sei que você quer, eu vi isso nos seus olhos. – ele sussurrou rouco, quase fazendo-a desistir de tudo e terminar com aquilo de uma vez.
– Não… Eu te disse que seria somente o lap dance. – ela passou as mãos no rosto, evitando contato ocular com ele. tentava se levantar, mas sem o apoio das mãos tornava aquela tarefa difícil.
– Por quê? O que te impede? Eu tô louco por você, e eu sei que você também me quer. Somos adultos.
– Eu já disse que não, por favor, não insiste! – ela se aproximou dele, alisou seu rosto. – Me escuta, não vai ser saudável para nenhum de nós. – ela tinha agora a atenção para a região das mãos dele, desamarrando-as. se levantou e agora procurava a bolsa para ir embora.
– Eu não consigo entender… Você tem alguém, é isso? – ela o encarou.
– Não posso te explicar, , é muito mais complexo do que você possa imaginar, ok? – fechou os olhos, respirando fundo. – Um dia você vai me agradecer por isso. – viu o pequeno Tuntz deitado no cantinho do sofá, dormindo. Ela se abaixou e acariciou o pelo do animal, que despertou com o toque dela, ela continuou a acariciá-lo, até perceber em pé ao seu lado. – Abre a porta pra mim? – ele ainda estava frustrado.
– Vou fazer melhor, te levo. – procurou a chave do veículo na mesa que ficava próxima da porta.
– Não vai mesmo, você bebeu e não foi pouco. – o rapaz suspirou, ela tinha razão, por fim acabou concordando. – Eu vou ficar bem, ok. Eu conheço muito bem as ruas daqui, fica em paz. – deu um beijo na bochecha dele, e os dois foram caminhando até o portão. – Boa sorte nos amistosos da Seleção Brasileira.
– Muito obrigado, . – ela acenou para ele e saiu dali. Ele a viu caminhar cada vez para mais distante dele até que ela sumisse pela rua. Fechou o portão e entrou.
– É, amigão, eu tô tão fodido, porque cada vez que essa mulher me repele, mais eu a quero. – o cachorro lhe encarava, sem muito entender. – E isso não é saudável… – suspirou, se levantando. – E lá vou eu ter que me aliviar sozinho igual há sete anos tendo ela em meus pensamentos… – o cachorrinho se levantou, abanando o rabinho. – Não, você vai ficar ai, pelo amor de Deus, Tuntz. – ele ralhou com o cachorro, caminhando para o banheiro mais próximo dali, e o trancando rapidamente quando percebeu que o cachorro o seguia.
Mas não foi só que precisou de uma mãozinha aquela noite...

*Dança sensual no colo.


Capítulo 6

E vai saber se um dia seremos nós
Nenhum beijo pra calar nossa voz
Um minuto, uma hora, não importa o tempo
Se estamos sós
Se você quiser, a gente casa ou namora
A gente fica ou enrola
O que eu mais quero é que você me queira

(Cristiano Araújo – Caso Indefinido)

Já fazia dois dias que tinha chegado à Arábia Saudita para os amistosos da seleção brasileira, depois de um treino exaustivo, entrou em seu quarto para tomar um banho, relaxar um pouco e em seguida descer para jantar. Os dias depois do fatídico dia com tinham sido normais, mas não conseguia tirar aquilo da cabeça, estava quase enlouquecendo com a toda a situação.
Pegou o celular, e abriu o Instagram dela, não tinha nenhuma postagem nova, para falar a verdade, ela quase nunca postava nada ali há tempos. Começou a descer a barra de rolagem do aplicativo e foi curtindo fotos mais antigas dela, até que se deparou com uma em que ela ainda estava com o Jonathan, bufou, ignorando-a e voltando a olhar as outras. Uma em específico que ela estava de jaleco chamou sua atenção, não se aguentou e escreveu um “linda”. Em instantes, sentiu o aparelho vibrar e a foto de aparecer na tela do celular, era uma ligação, ele franziu o cenho atendendo-a.
– O que deu em você, ? Eu pego meu celular e tem mais de 30 notificações no meu Instagram, e a maioria delas são você curtindo minhas fotos antigas. Você comentou uma de 2016?! – ele prendeu a risada.
– Olá, . Que recepção calorosa! – ela bufou, arrancando uma risada dele. – Me desculpa, eu acabei me empolgando, sua beleza tem esse efeito em mim, sabe? – brincou. – Quando eu vejo já estou fazendo essas coisas…
... – ele pode escutar uma respiração forte do outro lado da linha. – Por favor, eu já conversei com você sobre isso, não estraga nossa amizade.
– Você simplesmente me enlouquece! Quando eu voltar para a Espanha... – ele se jogou na cama, e pode escutar uma respiração forte do outro lado da linha. Ela não queria pensar na volta dele. – Mas, você está bem? – ela abriu um sorriso, enquanto terminava de fazer um relatório.
– Sim, estou e você? Já começaram os amistosos? Quando vai ser a Champions mesmo? – largou a caneta e focou na conversa com o rapaz.
– Os amistosos vão começar daqui alguns dias, então ainda estou na Arábia, e o jogo da Champions é dia 24/10, então antes da Champions eu estou de volta. Dia 16, se tudo der certo, já estarei em Barcelona. – ela assentiu com a cabeça, como se ele pudesse ver. – Eu sinto sua falta,
– Mas, , faz só três dias que a gente não se vê... – achou aquilo tão adorável, que as palavras simplesmente pularam da boca dela. – Eu também estou com saudades. – um silêncio se instaurou, só era possível escutar o barulho das respirações de ambos. – Eu vou desligar… Preciso terminar esse trabalho. Fica bem, e pelo amor de Deus, para de curtir todas as minhas fotos, e principalmente comentar. Gosto de ser anônima, não me agrada em nada ser vista como um possível affair seu. – ele gargalhou. – Boa sorte nos jogos.
– Nossa, essa doeu no fundo da minha alma, tem vergonha de mim, é? – fingiu uma voz ofendida.
– Claro que não, , é só que é… Complicado. – ele suspirou fundo.
– Você já percebeu quantas vezes essa frase sai com frequência da sua boca? Muitas, , muitas vezes... – ela suspirou fundo.
... – ela mordeu os lábios.
– Ok, vou tentar me controlar nas suas fotos. – bufou, cansado daquela situação. – Agora eu não preciso de boa sorte, só de escutar sua voz eu sei que vai dar tudo certo. – mordeu os lábios, passando as mãos pelos cabelos, com um pequeno sorriso.
– Obrigada!? – respondeu em dúvida. – Ah, eu não sei o que dizer depois disso… Então, tchau. – desligou o telefone de uma vez.
ficou encarando o aparelho por um tempo, ela tinha mesmo desligado na cara dele, acabou rindo incrédulo. Por fim, decidiu se levantar de uma vez e descer para jantar. Precisava se distrair, e nada melhor do que uma resenha com a rapaziada. Embarcou no elevador até o refeitório e assim que o mesmo parou no térreo, o jogador adentrou o refeitório no qual pode encontrar Ederson, Neymar, Richarlison, Rafinha e Gabriel Jesus sentados juntos, decidiu que se sentaria ali também. Pegou um pouco de comida e se direcionou até lá.
– Fala, menino ! – Gabriel o saudou, os outros fizeram o mesmo, deu um rápido toque de mãos em cada um deles.
– Então, foi na época dos amistosos que a gente a conheceu, mas ela é linha dura, viu, princesa. – Neymar usou o apelido especial de Rafinha. – Várias broncas naquela sala de reunião. – continuou o discurso. – Me fodi depois do jogo contra a Costa Rica, por conta da quantidade de palavrões que falei.
– Ah, nossa, eu lembro bem daquela tal reunião. Muitos comentários... – Ederson comentou rindo, e Gabriel concordou. – Mas ela é muito gente boa, ela conhece muito desse mundo, era goleira na época da faculdade. – franziu o cenho.
– De quem vocês estão falando? – encarou os amigos em dúvida.
– Da Alessandra, social mídia da seleção. – assentiu, levando uma garfada de comida à boca.
– Ah ela, não tive muito contato nos amistosos de setembro, só a vi trabalhando muito focada... – respondeu de boca cheia.
– É verdade... – Neymar concordou com Ederson. – Enfim, ela é muito simpática, sempre bem humorada e com bons conselhos.
arqueou a sobrancelha… Bons conselhos? Hum, ele estava precisando de alguém, principalmente do sexo feminino que pudesse lhe aconselhar. Olhou pelo refeitório a procurando, mas não a achou. Amanhã, assim que possível conversaria com a moça.

***

visualizou o celular naquela manhã depois do estágio e viu quatro ligações perdidas de sua mãe, o que poderia ser? Suspirou, preocupada, será que tinha acontecido algo grave? Pegou o celular discando os números tão conhecidos com as mãos trêmulas.
– Mãe, está tudo bem com você? Aconteceu algo? – estava aflita enquanto caminhava para fora do campus.
– Está sim, querida, eu só estou empolgada mesmo, por isso o número em excesso de ligações. – a senhora comentou com animação na voz. – Está tudo bem com você, meu bem?
– Não faz mais isso, por favor, mãe! Eu quase enfartei aqui de preocupação. – ela voltou a respirar normalmente, equilibrando o celular na mão com os livros que carregava. – Estou sim, na medida do possível. Qual é o motivo da empolgação?
– Ah, filha, seu pai está bem estável na nova empresa, e bom conversamos muito e vou conseguir te fazer uma visitinha em Barcelona, não é um máximo?
– Mãe! Como assim? Você tá brincando, né? – perdeu a cor, aquilo não podia estar acontecendo, não podia.
– Não, meu amor, não estou. Seria somente uma semaninha já que tem suas duas irmãs que precisam de mim. – a mais velha suspirou. – Eu estou muito preocupada com você sozinha por ai, então eu quero te visitar.
– Mãe, não precisa… – se sentou em um assento em frente a estação. Sentia as pernas bambas diante da notícia.
, o que há? Filha, por Deus, até parece que não quer que eu vá! Estou com saudades de você, meu amor.
– Me desculpe, não quis passar essa impressão, estou com muitas saudades da senhora também, é só que fui pega de surpresa. – forçou uma risada. – Não quero que a senhora gaste dinheiro que não tem, é isso.
– Eu entendo sua preocupação, mas está tudo sob controle, viu? Vamos passar uma semaninha juntinhas, mamãe vai cuidar de você.
– Uh, estou tão feliz… – fechou os olhos, tentando controlar a vontade de chorar. – Quando a senhora vem?
– Mês que vem, querida, novembro, se tudo der certo.
– Mãe, está tão próximo do natal, eu vou voltar para ai em dezembro para passar as festas, não tem a necessidade de a senhora vir. – tentou convencer mais uma vez a mulher.
, eu só vou aquietar meu coração quando eu ver onde você está hospedada e como é as condições do lugar. Não tente me convencer do contrário, entendo sua preocupação, mas não é necessário, eu vou e ponto final. – e com aquela frase, teve conhecimento que o assunto estava encerrado.
– Tá bom, que seja. – passou a mão pelos cabelos. – Eu preciso desligar, sabe como é, aulas, liguei porque fiquei preocupada. – mentiu.
– Tudo bem, meu amor, vamos nos falando. Boa aula, se cuida. – se despediu, e sentiu grossas lágrimas descerem por sua face. O que não estava ruim que não pudesse piorar? E agora, como faria com a visita inesperada da mãe?

***

entrou correndo no refeitório atrás da social mídia da seleção, ele precisava conversar com alguma mulher, mulheres geralmente se entendem, certo? Era com isso mesmo que ele contava. Pode avistá-la almoçando ao lado do goleiro titular da seleção e correu até eles, interrompendo o almoço do casal.
– Nossa, , o que houve? – ela o olhava preocupada. se apoiava na cadeira tentando recuperar o fôlego.
– Eita, cara, respira. – Alisson olhava o meia com o olhar preocupado.
– Desculpa atrapalhar o almoço de vocês. – ele recuperava o fôlego. – Bom, eu preciso conversar com você, Alessandra, mas é algo pessoal... – Alessandra olhou Alisson com o cenho franzido, o que ele poderia querer com ela? A curiosidade pulsou em suas veias e nas do goleiro também. – Eu sei que você pretendia almoçar com Alisson, mas é muito importante, não sei a quem recorrer.
– Tá, calma, respira, não quero sua morte aqui... – ela brincou, arrancando um sorriso do rapaz. – Eu vou almoçar com você, tudo bem? – ele assentiu.
– Olha ai, , minha mulher, hein? Tenha respeito. – ele fingiu estar com ciúmes, arrancando uma risada de .
– Desde quando virei propriedade sua, hein, senhor Alisson? – ela negou com um pequeno sorriso. Pegou sua bandeja e se levantou dali. Se sentou em uma mesa mais afastada, esperando que o jogador fizesse seu prato e se direcionasse até lá também. chegou, sentou-se de frente a ela, e sem hesitar, Alessandra o questionou. – O que foi? – ele respirou fundo.
– Bom, eu sei que a gente não se conhece muito, apenas tive a oportunidade de te ver algumas vezes, conversamos pouco diretamente. – ela assentiu, concordando. – Talvez eu nem devesse falar, mas eu estou desesperado. – ela o encarava atentamente. – E agora eu estou sem jeito de falar, a ideia tinha ficado melhor nos meus pensamentos mesmo...
– Fala, , pelo amor de Deus, pode confiar em mim. – ele suspirou mais uma vez e assentiu.
– Você é mulher, certo? – ela franziu o cenho.
– Até a última vez que eu fui no banheiro sim, mas sei lá, eu posso ir lá de novo só para conferir. – respondeu sarcástica. Aquela enrolação estava tirando a pouca paciência que a social mídia tinha.
– Me desculpa, eu estou um pouco nervoso. – ela fez uma cara tipo “sério?”. – Enfim, tem uma mulher que me atraí demais, mas essa mulher ela é… Complicada. É, eu acho que essa é a melhor definição para ela, já que o tempo todo ela define o que vive como complicado.
– Mulher, claro, por que isso não me surpreende? Eu já podia imaginar... – ela sorriu. – Por que ela é complicada, ?
– Porque ela vive dizendo que eu e ela não vai rolar nada amorosamente, mas bom, com os olhos e com o corpo, eu sei que ela me quer, entende?
– Entendo. E ela tem um motivo para não querer nada com você? – perguntou curiosa, levando uma grande garfada à boca.
– Ela diz que não pode dar certo, mas não me explica o porquê, me deixando com cara de idiota… Eu não sei o que fazer. – ela concordou, pensativa.
– Você já a confrontou? A pressionou perguntando o motivo de ela achar que vocês dois não vão rolar? Por você, por exemplo, ser galinha, eu, pelo menos, não gosto de caras galinhas, então eu evitaria ter algo com um.
– Mas eu não sou um cara galinha. – ele fez uma careta.
, é só uma suposição… – Alessandra revirou os olhos. – Já a confrontou ou não?
– Na verdade, sim, da última vez que nos vimos, mas eu estava com álcool no sangue, inclusive, muito por sinal, e ela não me explicou direito.
– Entende essa mulher, ela não deve ser assim tão complicada, as vezes é você quem está complicando demais as coisas… – ela deu de ombros, voltando a comer. – Tem uma conversa franca, abre seu coração, diga o que sente, é o melhor que você pode fazer. – ele assentiu. – Mas, fala com ela sóbrio, hein?
– Eu vou fazer isso, eu agradeço muito. – ele abriu um sorriso, finalmente dando uma garfada na comida.
– Às vezes o problema é tão pequeninho e a gente faz com que ele se transforme em uma bola de neve. Tudo pode ser conversado, . – ela abriu um pequeno sorriso.
– Você tem toda a razão, é só que, eu sou uma pessoa difícil de me abrir, não consigo falar com qualquer pessoa, e pensando sozinho eu não estava encontrando nenhuma solução boa.
– Você fechado? Eu nem percebi, sabe? – ela brincou. – Pode contar comigo para qualquer coisa, fico feliz que você tenha se aberto para falar sobre isso.
– Desculpa atrapalhar seu almoço com o Alisson. – ela mexeu com a mão, como se não se importasse com o ato.
– Está tudo bem, relaxa. – ele assentiu, voltando a comer e o almoço se seguiu agora de forma muito mais leve, Alessandra de fato era mesmo muito simpática e gente boa, conversaram durante toda a refeição.

***

espalmou as mãos no peito de Julius, quando percebeu que o homem havia chegado ao ápice, ela parou de rebolar lentamente, saiu de dentro dele, se jogando na cama, fingindo ter tido um orgasmo junto com o homem. Orgasmo era algo que ela não tinha há muito tempo...
– Foi bom pra você? – o homem com seus mais de 50 anos quebrou o silêncio, curioso, ela quis revirar os olhos. Todas as vezes que eles transavam, Julius precisava se auto afirmar e aquilo a irritava.
– Mas é claro que foi, tive um orgasmo daqueles. – mordeu os lábios de forma provocante. – Coisa que só você sabe com maestria fazer, nenhum outro cliente, somente você. – o bajulou, e o homem estufou o peito orgulhoso de si.
– Você é inacreditável… – sorriu debilmente. – Bom, eu vou tomar um banho, hoje não paguei pela noite toda, infelizmente. – ela fingiu um biquinho triste.
– Quer companhia para o banho? A gente pode tentar um round dois, hum? – ela arqueou a sobrancelha provocante. Ela sabia que ele não aguentava duas fodas em uma noite, mas sempre falava isso, tinha que agradar, afinal.
– Não, você me esgotou. – ele sorriu. – Eu preciso ir para casa com um pouco de gás, minha mulher pode desconfiar. – abriu um sorrisinho sujo para o homem.
– Tá, né? – ela ainda forçava uma cara triste no rosto. – Posso pegar um cigarro? Preciso dar uma relaxada, gastei muitas energias hoje também, se é que me entende… – ele riu, pegando o maço de cigarro e passando para ela junto com o isqueiro, agradeceu.
O homem foi para o banheiro, e ela fez uma cara enojada. Suspirou, pegando um cigarro, colocando a camisa do homem, abotoando-a e indo até a sacada. Apoiou-se no parapeito da mesma, acendendo o cigarro. Deu uma bela tragada, que a relaxou de imediato. Ela não fumava, mas quando estava com a cabeça pilhada, e ansiosa com algo aquilo lhe acalmava como ninguém.
O que estava lhe tirando o sono eram duas coisas: a primeira era a visita inesperada da mãe em novembro, cujo ela não sabia o que faria, havia mentido que estava morando com , mas agora, como sustentaria sua mentira? Alugar um quartinho? Era uma semana com a mãe ali, Inês não permitiria de forma alguma que ela se ausentasse por todo aquele tempo. Ela tragou mais uma vez, sentindo um mal estar no estômago, completamente impotente, precisava pensar rápido e criativamente, senão, estaria encrencada.
A segunda coisa que lhe afligia tinha nome e sobrenome: . O fato é que o jogador voltaria para Barcelona amanhã. Eles conversaram por mensagens durante o tempo em que ficaram afastados, após a ligação que ela havia feito a ele, inclusive ela até apreciou as fotos que lhe foram encaminhadas da Arábia Saudita com as roupas do local e as paisagens, mas vê-lo cara a cara...
Tragou mais uma vez, soltando a fumaça pelo nariz, ela deveria ter escutado todos os seus instintos naquele dia e o deixado ir embora daquela cafeteria com raiva de si, mas não, tinha que tentar fazer a coisa certa, e agora estava emaranhada em uma situação, em que a cada dia ela perdia o controle.
Não havia contado nada a , não queria que a amiga lhe repreendesse, mas aquilo estava a sufocando, o que era uma droga. Por que sempre tinha a necessidade de explanar tudo? Não podia simplesmente guardar as coisas para si e pronto? Deu mais uma tragada funda na bituca a jogando no cinzeiro agora olhando para a paisagem noturna do motel, não fazia ideia de que horas seriam, talvez umas 23 horas?
– Rúbia, preciso da minha camisa, cariño. – ela levou um susto com a fala do homem, muito distraída. Agora precisava colocar a máscara de Rúbia, seu nome de guerra. Apenas Lance sabia seu nome real, os outros clientes não precisavam saber, aliás, nem deveriam.
– Claro que precisa, me desculpe, fiquei distraída enquanto fumava. – abriu um sorriso ao homem, agora desabotoando a camisa, e entregando a ele, que cobiçava seu corpo. Aquele olhar… Fechou os olhos controlando-se para não fazer uma careta de nojo.
– Ah, Rúbia, você é um pecado em forma de mulher… – o homem ainda a encarava maliciosamente, vestindo suas roupas.
– Muito obrigada, um elogio desses me deixa imensamente feliz, sueño. – abriu um sorriso da melhor forma que conseguiu. O homem enfiou a mão dentro do bolso, tirando algumas notas de euros dali.
– Você é impecável em tudo, por isso, um agradinho para você. – ela colocou as mãos na boca com um enorme sorriso, o primeiro sorriso verdadeiro daquela noite.
– Muito obrigada, Julius, de verdade. – pegou o dinheiro estendido para si.
– De nada, nos vemos. – o homem se aproximou lhe dando um selinho e saindo pela porta do motel. Ela se jogou na cama, contando a quantia lhe dada, 120 euros, uma gorjeta e tanto!

***

– Por que simplesmente você não está com vontade de ir a cafeteria de para tomar café? – lhe encarava confusa.
– Eu… – suspirou, evitando encarar a amiga.
, o que há com você? Anda toda estranha desde a noite em que rolou a festinha do Dembelé, eu não entendo, já faz quase duas semanas… – franziu o cenho. – O que você está me escondendo?
– Eu não estou escondendo nada, não seja louca! – negou, fingindo indiferença.
, chega! Hoje você vai me falar o que há, você não está bem! – a quase psicóloga mordeu os lábios. – O que houve naquela noite que você não me contou?
– Eu não quero críticas nenhuma sobre o que eu vou te falar, eu já estou me martirizando muito por isso, não preciso que você me espezinhe mais, tudo bem, chica? – arregalou os olhos.
– O que você fez? – tentava buscar o olhar da melhor amiga, mas sem sucesso, encarava todos os cantos daquele quarto, menos os olhos da estudante de direito novamente.
– Eu fui na casa do
– Você transou com ele! Eu não acredito que você transou com ele e não me contou! Carajo, eu sou sua melhor amiga e você transa com o e não me conta nada!
– Para! Pelo amor de Dios!, eu não transei com ele, me deixa terminar de contar a história antes. Calma! – suspirou fundo, contando tudo para que a cada palavra arregalava os olhos.
– Claro que você foi na casa do cara por causa do adorável perrito*, claro! , você acha que engana quem? Duvido que engane a si mesmo, não é possível. – a encarava incrédula. – A gente vai discutir no caminho, ok? Já estamos atrasadas. – suspirou fundo, pegando seu material e seguindo a amiga.
– Eu pedi que não me julgasse, já estou me punindo muito, ok? Meu erro foi não ter o deixado ir aquele dia, agora eu estou perdida, eu não sei como afastá-lo… Na verdade, eu não quero afastá-lo, a companhia do me faz um bem danado. - suspirou. - Por que ele tinha que misturar as coisas e me desejar como se eu fosse a última água do deserto do Saara?
– Não afasta, conta a verdade e se liberta disso. – negou com a cabeça, enquanto estavam em frente a parada do transporte público, não tardou e logo elas embarcaram.
– Eu não posso mais contar, as coisas tomaram proporções enormes, temo que ele não me perdoe, eu menti, e não é uma simples mentira, sabe? – suspirou fundo, mordendo os lábios.
– A verdade sempre é a melhor coisa, independente do quão dolorida ela seja… – assentiu àquelas palavras, ela tinha que contar, não era justo com ele.
– Tudo bem, você tem razão, vamos para a cafeteria e seja o que Diós quiser. – jogou as mãos para o céu, derrotada. Passaram o caminham inteiro caladas, imersas em suas próprias angústias.
Não tardou muito e chegaram à cafeteria e logo puderam avistar sentado em umas das mesas mais discretas do local. Quando ele a viu, seu rosto se iluminou, ele gostava mesmo dela, pode perceber. segurou seu braço, temendo que a amiga pudesse se afastar dela. Elas foram se aproximando lentamente até pararem em frente ao rapaz.
– Oi, ! Que saudade! – ele se levantou, dando um abraço apertado na moça e a tirando do chão. os encarou, achando-os a coisa mais adorável, era tão errado shippar os dois, mas era impossível não o fazê-lo. – , tudo bem? – ele soltou , que ficou visivelmente surpresa com o abraço de urso que recebera, mas sentiu o coração aquecer. deu um abraço rápido na melhor amiga dela.
– Oi, e sim, estou bem. – ela sorriu enquanto encarava os lindos olhos azuis do rapaz.
– Certo, hum... – colocou a mão na nuca. – Eu fiz apenas o pedido da , eu não sabia que você viria com ela. – comentou completamente sem graça. – Me desculpe, por favor, se você quiser eu faço agora o pedido pra você. – ele já ia se direcionando ao balcão, quando foi segurado pelo braço por .
– Fica tranquilo, não é preciso. Eu frequento a cafeteria todos os dias, só nunca paro de fato para tomar café, eu geralmente pego meu frappuccino e levo para biblioteca da faculdade, sabe como é, último ano. – deu de ombros. ainda estava petrificada, não havia proferido uma palavra sequer, estava completamente desconfortável. – Todos os dias, inclusive, eu vejo vocês tomando café juntos…
– Eu não sabia… E por que nunca se aproximou para sentar conosco? – ele perguntou curioso.
– Bom, eu não queria atrapalhar nada. – fechou a cara para o comentário ácido de .
– Nossa, que besteira a sua. – ele comentou com as bochechas pegando fogo, o achou adorável mais uma vez naquela manhã. – Mas e você e o Dembelé voltaram a se falar?
– Não, ainda não, acho que não voltaremos a nos falar mais, foi algo bem grave. – forçou um sorriso, apertando fortemente o braço de que se segurava para não esboçar uma careta de dor.
– Nossa, o Dembelé anda tão perdido, acho que sua amizade está fazendo falta para ele… – mordeu os lábios evitando soltar uma gargalhada.
– Está? Puxa… Coitadinho do meu amiguinho, mas não rola mais… – pigarreou, dando de ombros, agora soltando o braço de que estava nervosa com as falas da amiga. sabia muito bem mentir, mas era fato que ela estava adorando jogar com . – Enfim, eu vou fazer meu pedido e estudar um pouquinho. – o jogador franziu o cenho a fala anterior de , aquilo estava intrigante.
– Eu vou com você. – quebrou o raciocínio dele, pela primeira vez proferindo algo naquela conversa.
– Na verdade, eu queria conversar com você, . – o jogador tinha súplica na voz, enquanto aguardava a moça responder.
– Eu preciso mesmo ir, nos falamos depois… – saiu a passos rápidos, deixando no local. Ela não conseguiu sequer seguir a amiga, ela tinha simplesmente saído e nem seu pedido fez. “Vaca pensou. Se sentou na frente do jogador, pegando seu cappuccino e evitando encará-lo.
– Eu já sei sobre o que quer falar, e de verdade, eu não estou pronta para essa conversa, . – levou o dedo mindinho a boca, nervosa.
– Mas eu preciso conversar. – ela suspirou, afundando-se no estofado da cadeira. – Eu passei esses dias pensando em você, você não saiu um minuto sequer da minha cabeça, tudo o que eu sonhava e desejava era que nós terminássemos o que começamos…
, por favor, não estraga a nossa amizade... – se sentia hiperventilar com as falas do rapaz.
– Não, eu preciso falar… Não quero sua amizade, já não é mais o suficiente pra mim. Eu simplesmente não consigo tirar você da minha cabeça, preciso de você, que seja por uma hora, por um dia, ou uma noite… - passou a mão nos cabelos, desesperado. - Eu fico imaginando como são seus beijos, abraços, você gemendo meu nome enquanto eu te encho de prazer... – ela fechou os olhos, mordendo os lábios, aquelas palavras haviam a arrepiado dos pés a cabeça.
, eu já disse que eu e você desse jeito não vai rolar… – respondeu com um fio de voz, ele bufou irritado.
– E por quê? Eu preciso saber... É por que eu sou galinha? – ela o encarou com o cenho franzido.
– Você é galinha?! – arregalou os olhos, negando freneticamente.
– Não, pelo amor de Deus, mas eu não sei o que você acha de mim, então eu preciso saber. – tinha os olhos aflitos direcionados a ela.
, o problema não é você, sou eu. É a minha vida, é os meus martírios, meu carma... – suspirou.
– Por que você não me conta as coisas? Talvez eu possa te ajudar… Acima de tudo você não me considera seu amigo? – ele cuspiu aquelas palavras enquanto a avaliava com o olhar.
– Eu confio em você, e sim, te considero como tal. Me desculpe se transpareço que não confio, mas não é algo que eu me sinto confortável em compartilhar. Um dia, eu juro que um dia, eu vou te contar tudo, mas enquanto eu tiver nessa situação na minha vida, não quero uma amizade colorida.
– Uma vez, , por favor. – ele suplicava, se pudesse estaria ajoelhado aos pés da moça.
Você pode se apaixonar, ou eu posso me apaixonar, nós vamos nos magoar muito, . – bebericou o cappuccino.
– Eu não vou me apaixonar… – eu já estou apaixonado, completou mentalmente, mas não precisava saber daquilo. – E você se apaixonar por mim? Não mesmo.
– Não se menospreze, bonitinho, você é uma pessoa incrível. – ela piscou. – E desiste da ideia, por favor, foi uma brincadeira o lap dance, já foi, passou.
– Eu vi que eu não sinto sozinho, agora eu não consigo entender o porquê você simplesmente não se permite.
Ela abaixou o olhar para a caneca de café que tinha na mesa. Por que ele tinha que ser daquele jeito? Por que ele não era um ogro? Seria tão mais fácil de ela o afastar, mas não, ele vinha e se mostrava um ser humano incrível, estava desacostumada a ser tratada daquela forma.
Ela ia se levantar, mas ele segurou o braço dela impedindo que ela o fizesse, ele se levantou e se sentou ao lado dela. tinha um olhar tão intenso que fazia a garota tremer as pernas, ele puxou delicadamente o rosto dela. desviou o olhar, virando o rosto.
– Não… – ela já tinha a respiração desregulada, buscando forças de onde não tinha para evitar que algo mais pudesse acontecer ali.
– Por que não? – ele sussurrou. – ... – ela fechou os olhos, começando a negar freneticamente com a cabeça.
Contrariando toda a razão, ela se virou de uma vez, pegando de surpresa e o beijou. Primeiramente foi um encostar de lábios, mas não demorou muito para que enfiasse a língua na boca dela. colocou as mãos no rosto dele, enquanto ele a segurava pela cintura. Eles se separaram, se encararam e voltaram a se beijar de forma mais vigorosa. encostou a cabeça na parede, abaixou os beijos para o pescoço dela, ela piscou as pálpebras completamente desnorteada. Ela levantou o rosto de e eles voltaram a se beijar com intensidade. enfiou suas duas mãos por dentro da camiseta que ele usava, passando as mãos pela barriga do rapaz, arrepiando-os. Era forte aquilo, um desejo ao qual nenhum deles havia experimentado.
Foram interrompidos pelo dono da cafeteria que pigarreou, os chamando a atenção. Eles se separaram ofegantes.
– Aqui é um local de família, por Diós. – encarava com a respiração ainda desregulada. Se levantou de uma vez, pegou suas coisas e saiu da cafeteria às pressas. A merda estava feita mesmo, agora definitivamente não tinha mais volta.

*Perrito: cachorrinho.


Capítulo 7

Volta, ou vai embora, meu amor.
Sem ameaças ensaiadas na frente do espelho.
O caminho mais fácil nem sempre é melhor que o da dor.
Dê uma chance pra vida te mostrar
Um jeito menos doloroso de se despedir.
Não seja assim tão dura com as palavras.
Lave bem as suas mãos antes de se decidir.
Tira essa lama das botas Antes de me dar as costas.

(Lama – Luxúria)

O jogo da Champions havia acontecido e, parece que o beijo de , fez com que fosse o principal destaque na partida contra a Inter de Milão em sua especialidade: a excelente troca de passes. teve o segundo melhor aproveitamento em passes completos do Barcelona em toda a partida. O atual camisa 8, manto que pertenceu antigamente a Andres Iniesta, acertou 95,4% dos 87 passes que distribuiu na partida. Ofensivamente, conseguiu um passe-chave no duelo, estatística que acena algum passe importante que deixa o companheiro na condição de finalizar. O meio-campista ainda foi o segundo jogador do Barcelona que mais driblou na partida: foram três completos. Perdendo apenas para Luis Suárez que efetuou mais dribles, quatro ao todo.
Contente, tudo o que queria era contar todo o seu desempenho para assim que voltasse, mas as coisas não haviam saído como o planejado…O casal havia voltado à estaca zero mais uma vez.
Depois do beijo na cafeteria, simplesmente parou de frequentar o lugar, e parou de respondê-lo, deixando completamente desnorteado. Como alguém poderia ser tão escorregadia daquele jeito? Mais uma vez ele voltava da cafeteria sem vê-la por ali e ia para o treino chateado. Antes que pudesse descer do carro, pôde escutar o celular vibrar, rapidamente olhou para a tela e suspirou não era a ligação que esperava.
– Hey, Keila, tudo bem? – ele cumprimentou a ex-namorada com um pequeno sorriso, fazia um bom tempo que não se falavam.
– Oi, , eu estou bem sim e você? Como anda a vida em Barcelona? – ela perguntou animada.
– Está tudo certo, estou me adaptando bem, tenho mostrado um bom trabalho, Messi até me elogiou. – comentou, pegando as coisas do treino e descendo do carro. – E você?
– Fico muito feliz de verdade por suas conquistas, eu sempre, sempre te disse que você ia longe, . – ele abriu um grande sorriso com a fala dela. – Eu estou indo para Espanha semana que vem, tenho uma sessão de fotos em Barcelona, e pensei em te ver, claro, se você não se importar…
– Bom, podemos jantar juntos depois da sua sessão. – ele suspirou. Seria bom revê-la, Keila era muito legal, quando namoravam tinham um relacionamento saudável, só terminaram mesmo porque as agendas não eram compatíveis, ela viajava muito, e houve falta de esforço de ambos para que pudessem continuar juntos, não houve ressentimentos, e ainda continuaram bons amigos.
– Certo, então jantamos juntos, colocamos o papo em dia e tal… – ela concordou animada.
– Sim. – ele já estava na porta do vestiário, era hora de desligar. – Bom, Keila, me passa o horário que você chegar depois e o endereço, ok? Vou treinar agora. Se cuida. – ele desligou quando ela se despediu dele, entrando de vez no vestiário. Cumprimentou todos educadamente, e se direcionou aos gramados, dessa vez treinou pesado.

Coutinho vinha observando como o amigo estava cabisbaixo desde que haviam voltado da Champions e decidiu que depois do treino, confrontaria o rapaz.
– Ei, Coutinho, sobre o que quer falar? – fez um toque de mãos com o rapaz, tomando uma bela golada de água, estava com sede.
, você tá bem, cara? – Coutinho encarava o rapaz a procura de respostas, a cara do jogador não estava das melhores.
– Tá tão na cara assim? – Coutinho deu uma risadinha, dando tapinhas nas costas dele afirmando com a cabeça.
– Bom, se você quiser me falar sobre, sou um bom ouvinte também, igual a Alessandra. – riu com a fala do jogador. Depois que ele havia feito aquela cena toda no refeitório, fora muito zoado por todos os jogadores da seleção.
– Nada tão ruim, mas que não possa melhorar. Está tudo bem, irmão, de verdade. – Coutinho deu de ombros, sabia bem como era fechado, mas mostrou-se disponível, caso ele quisesse falar. – Mas obrigado, de verdade por demostrar preocupação. Eu sei que se eu precisar, posso contar contigo. – Se despediram com um toque de mãos e cada um foi para um canto.
entrou no carro, mas antes que pudesse ligá-lo bateu a cabeça várias vezes no volante, frustrado. Foi impossível que diante do papo breve com o Coutinho seus pensamentos fossem direcionados à . Seu humor estava transparecendo aos campos e aquilo, de fato, não era bom. Ele estava se cansando daquela história toda, ele não era um brinquedo que brincava e se cansava e o jogava no fundo da caixa. Ele estava pronto como nunca para pôr um ponto final nesse assunto, e ele já sabia para onde ele deveria se direcionar, e definitivamente não era para sua casa.

***

chegou atrasada para a supervisão do estágio mais uma vez naquela semana, aliás, naquelas últimas semanas. Na verdade, desde que a mãe havia dito que viria para Barcelona, não sabia o que era dormir direito, estava muito preocupada, e não via uma situação para aquilo, quando sua mãe descobrisse que ela era garota de programa… Só de pensar naquilo sentia-se mal, seria um desgosto e tanto.
Escutou quando o professor dispensou os alunos, e quando ia se levantar, ele pediu para que ela aguardasse.
, pedi para que esperasse, pois tenho algo importante para te questionar. – ela suspirou fundo, sentindo um amargo na boca. – Você tem chegado atrasada a todas as nossas supervisões. Questionei os outros profesores e eles me disseram que os atrasos são recorrentes nas supervisões deles também, está tudo bem? É o estágio no hospital que está te sobrecarregando?
– Não, profesor, não é o estágio, de forma alguma. – ela tinha o desespero pulsando na voz. – Eu amo aquele estágio, amo mesmo. Eu estou bem, peço perdão pelos atrasos, só tenho mesmo dormido demais. – sorriu amarelo.
– Às vezes vocês, alumnos, esquecem que tem professores psicólogos. – ele abriu um sorriso amarelo. – , você está tudo, menos bem! – ela suspirou derrotada, o olhando em súplica.
– Eu estou sim com uns probleminhas pessoais, profesor, mas não estão me atrapalhando em nada em meu desenvolvimento no hospital, você é mesmo testemunha que...
– Calma, , eu não disse isso em momento algum. – a acalmou. – Você está fazendo acompanhamento psicológico? – engoliu em seco.
– Não, eu… Não tenho tido tempo. – confessou derrotada.
, para que a gente cuide dos outros, temos que estar bem emocionalmente e tudo o que eu percebo nesses tempos é que você não está. Olheiras profundas, ombros pesados... Desse jeito você não vai conseguir ajudar ninguém. – ele suspirou. – Olha, serei taxativo com você, ok? – assentiu. – Se você não começar a fazer terapia, terei que ser obrigado a tirar seu estágio não obrigatório.
– Não, por Diós, não faça isso comigo, por favor… Eu amo esse estágio com todo o meu ser. Me desculpa, vou procurar um profissional, eu juro.
– Eu tenho uma profissional que presta trabalho voluntário, é só você dizer que foi por indicação minha. – ele pegou uma folha de papel e anotou um nome com telefone entregando nas mãos dela. – Você é uma das minhas alumnas mais esforçadas e muito dedicada, mas precisa cuidar desse emocional. – ele sorriu, deu dois tapinhas nas costas dela, fazendo-a abrir um sorriso forçado e saiu da sala.
Tudo o que ela menos precisava era de mais aquilo. Bufou, saindo da sala a passos apressados, hoje teria que ir embora sozinha, ia ficar até mais tarde na biblioteca com suas amigas de curso, tinham um trabalho para entregar. Saía da Universidade, quando sentiu alguém segurar seu braço. Ela se virou para trás e fechou os olhos, mais um de seus problemas aparecendo na sua frente.
, eu preciso falar com você. – ela nunca o viu tão sério na vida. – Vem, vamos para o carro para conversarmos com mais privacidade. – ela pode ver que o veículo estava estacionado próximo dali, e sem contestar ela o seguiu calada, não tinha o que falar, estava envergonhada por, depois do beijo, ter sumido nas redes sociais e parado de frequentar a cafeteria. E ele mais uma vez a surpreendia, não sabia desde quando ele a esperava ali. Eles entraram no veículo, e um silêncio completamente desconfortável se instaurou.
… – ela tentou começar um diálogo, mas ele a cortou.
– Não, dessa vez eu quero falar e você só vai me escutar. – ela engoliu em seco, remexendo-se desconfortável no banco. – Eu cansei. – ele passou a mão nos cabelos, bagunçando-os. – Cansei de tentar algo com você e só tomar fora atrás de fora. Eu não sei o que te prende tanto em não se relacionar comigo, mas eu te respeito, por isso eu vou sumir da sua vida de vez. Você pode voltar a frequentar a cafeteria, já que você sempre teve o costume de ir lá, eu não vou mais.
, por favor, eu... – ele negou, retomando a fala novamente.
– Eu não vou mais correr atrás de você. – Ele tinha os olhos vermelhos depois de despejar tudo aquilo nela, quase a ponto de chorar. mordeu os lábios, sentindo gosto de sangue tamanha era a força que aplicava na ação.
, eu deveria ter te afastado desde o início, eu temia tanto e você se apaixonou, tudo o que eu mais evitei nessa vida é que você se apaixonasse e isso aconteceu…
– Eu sempre fui apaixonado por você, , desde quando te conheci, há sete anos. – ela arregalou os olhos. – Você foi a minha paixão durante o ensino médio inteiro, e eu guardei para mim, pois eu sabia que não tinha chance, afinal, você namorava o cara mais legal e influente da escola, jamais olharia para mim. – ele desviou o olhar dela. – Depois de todos esses anos eu achei que tivesse acabado, mas foi só te reencontrar de novo que os sentimentos foram voltando aos pouquinhos e agora estão ai com força dentro do meu coração.
… – ela estava chocada, jamais pensou que ele pudesse proferir aquelas palavras – Eu não imaginava… Eu…
– Não precisa sentir pena ou nada parecido com isso, por favor. – muitos sentimentos passavam pelo coração dela, menos pena. – É por isso que eu não quero sua amizade, eu quero algo mais e sei que isso você não pode me dar.
– Tudo bem, se você quer se afastar completamente de mim, você tem todo o direito, e tudo o que eu não quero, e Deus é testemunha disso, é te machucar, apesar de já estar fazendo isso. , você é o ser humano mais incrível que eu já conheci na minha vida. Me dói muito que nos afastemos, mas eu não posso ser egoísta…Pode parecer a atitude mais infantil desse mundo para você eu ter sumido e até ter te bloqueado nas redes sociais, mas é porque olhando nos seus olhos eu não tenho forças para te afastar. – ela viu quando grossas lágrimas desceram da face dele e se sentiu o pior dos monstros. Ele a fitava calado.
– Se é tão difícil, por que afasta? – ele tinha os olhos presos nos dela, vendo que ela estava quase a ponto de chorar.
– Porque eu não posso ficar com você, , entenda, eu... – ela suspirou fundo, pronta para contar a verdade, porém mais uma vez se acovardou. – Eu vou embora, e eu espero de verdade que você seja feliz. – ela voltou a morder os lábios, para que não desmoronasse na frente dele e abriu a porta do carro, descendo do veículo o mais rápido que conseguiu.
Saiu às pressas e as lágrimas foram impossíveis de serem seguradas, e enfim, pela primeira vez ela assumiu para si mesma o que mais temia, que estava apaixonada por ele, e vê-lo chorando por ela acabou com todas as barreiras que ela havia imposto dentro de si. Era muita dor, era uma dor dilacerante, mas ela tinha que fazer aquilo, ela não podia enganá-lo daquele jeito, não era justo, era até cruel.
E dentro do carro, não estava diferente, ele chorava, e na sua cabeça um questionamento passava: por que o coração não escolhe por quem se apaixona?

Abril de 2012

chegou à biblioteca e visualizou enquanto fazia anotações em seu caderno, concentrada, ás vezes franzia o cenho, parecendo ter dúvidas em seja lá o que estivesse lendo. Até com dúvidas ela ficava linda, como não gostar dela? Suspirou, se aproximando, e sentando-se ao seu lado.
– Hey! – ela se assustou levemente, mas logo mostrou seu sorriso metálico ao jogador.
– Oi, , pronto para efetuarmos uns exercícios de seno, cosseno, tangente e seus correspondentes trigonométricos? – fez uma careta com a fala dela.
– É de comer isso tudo que você falou? – arrancou um sorrisinho dela. – Se não tem jeito, estou pronto.
– Vamos começar primeiro com seno, ok? – ele concordou com um meio sorriso. – O seno de um ângulo é a razão entre o Cateto oposto a esse ângulo e a hipotenusa. Assim, a relação seno depende do ângulo considerado. – ela desenhou um triângulo ilustrando sua explicação. Ele a olhava atento.
– Licença, desculpa atrapalhá-los. Primeiramente, oi, . – acenou para a moça. – , podemos conversar? – Taisla encarava o rapaz.
– Taisla, eu estou estudando, não posso agora. – a garota fez um biquinho e ele sentiu-se desconfortável, pois sabia que observava a cena. – Daqui a uma meia hora mais ou menos a gente se fala, eu vou só terminar aqui com a . Me espera. – ela sorriu, deu um selinho no rapaz, e saiu dali, o fazendo ficar com as bochechas coradas.
– Ela é fofinha, , vocês fazem um casal muito bonito. – ele deu de ombros, como se concordasse, mas percebeu algo estranho. – Você não gosta dela?
– Na verdade, eu até gosto, mas tem outra garota que eu gosto muito mais… – franziu o cenho.
– Então por que você está com a Taisla? Não é certo estar com alguém e gostar de outra pessoa. – ele soltou um riso amargurado.
– É uma merda, , essa é a verdade. Taisla é uma menina muito legal, pediu para ficar comigo, eu aceitei e estamos nessa, não é nada sério também…
– E por que você não fala para essa outra menina que gosta dela? – ele negou freneticamente com a cabeça.
– Eu e ela não pode acontecer, apesar de ela ser uma garota legal, divertida, bonita, simpática, ela tem um namorado… – suspirou derrotado.
– Sinto muito. – ela pegou na mão dele, fazendo uma careta. – Amor platônico é foda!
– Você não tem noção do quanto é… – suspirou pesadamente, voltando a olhar para as explicações do livro. sentiu pena dele, ninguém merecia gostar de alguém e não ser correspondido.

Burra, burra, burra. Eram essas as palavras que estavam na cabeça da estudante de psicologia. estava deitada na cama, enquanto tinha os olhos inchados de tanto chorar. Havia chegado em casa, subido as escadas e chorou pela tarde inteira. E agora estava imersa em suas lembranças, os sinais estavam todos na cara dela, só ela não havia visto. Se sentia tão cega.
Era por volta de umas 15h:30min quando a porta do quarto fora aberta por . A amiga a olhou com os olhos arregalados, completamente surpresa ao ver estado deplorável em que estava. fechou os olhos, virando-se para o lado oposto de , tudo o que ela menos precisava era de alguém esfregando em sua cara que esteve o tempo todo certa.
– O que você tem? – se aproximou preocupada. pôde perceber a cama se afundar, tendo a certeza que estava sentada ali.
– Não é nada… – tentou respirar fundo, mas suas vias nasais estavam entupidas devido ao crescente choro.
– Ah, meu Deus, sua mãe descobriu que você é prostituta e você vai voltar para o Brasil? – tentava encarar a amiga, mas a mesma ainda estava com o rosto virado para a parede. A estudante de psicologia apenas negou com a cabeça, por um momento tinha esquecido da mãe e sua visita à Barcelona.
– Pelo amor de Deus, você está mal, e eu quero muito te ajudar, , por favor, me conta o que está acontecendo, somos amigas! – mais uma vez insistiu. se virou mostrando a face inchada. Suspirou, tentando juntar as palavras.
– Você tinha razão, ele se apaixonou por mim. – falou com a voz embargada, entendeu quem era o ele na hora. – E eu estou apaixonada por ele. Satisfeita? Pode falar agora eu avisei, eu sei que você está se corroendo de vontade.
Darlozo! Como você pode achar que eu vou falar uma coisa dessas para você? Desde quando eu sou um monstro?
– Me desculpa, eu só… – fungou, sentindo a vontade de chorar vir com força. – Nós colocamos um ponto final na nossa história hoje, e meu coração dói muito. Tá pior do que quando terminei com Jonathan. – suspirou, abraçando-a de lado.
– Ai, amiga. – deu beijo na testa dela. – Eu jamais dançaria macarena em cima da sua dor, mi amor, jamais! – ela suspirou beijando a testa da amiga. – Eu estou aqui e vou sempre, sempre mesmo te apoiar, ok? – assentiu, abraçando fortemente a amiga.

***

tinha as pernas cruzadas, enquanto seus olhos encaravam suas mãos, que precisavam urgentemente de uma manicure. Assim que chegasse em casa ela com certeza iria fazer as unhas, porque gastar com uma profissional estava fora de cogitação. Olhou a recepção do local, aquela espera estava quase a matando, nem ela sabia direito o porquê estava tão nervosa para conversar com a psicóloga. Suspirou fundo quando escutou que era sua vez, e enfim entrou no consultório da profissional.
Sentou-se ao divã, e cumprimentou a profissional, que se apresentou como Dara respondendo aos primeiros questionamentos básicos. Quando a pergunta mais esperada lhe foi feita, o porquê ela havia procurado a terapia, ela suspirou.
– Bom, assim, – ela fechou os olhos, movimentação a qual não passou despercebida pela psicóloga. – Eu sou garota de programa, e ninguém a não ser minha melhor amiga sabe disso. Meus pais moram no Brasil, e acham que eu sou bartender. Esse segredo me sufoca de um jeito que as vezes me dá vontade de desistir de tudo.
– Desde quando você se tornou prostituta? – ela se deitou de vez no divã, vendo que tudo o que ela mais precisava era desabafar com alguém que não lhe julgaria.
– Já faz mais ou menos uns três meses ou quatro, não me recordo de fato. Tive que entrar no mundo da prostituição, pois eu morava com minha tia e prima, a última tinha um namorado escroto, que deu em cima de mim, mas eu nunca o quis. Minha prima presenciou um momento ao qual ele fazia exatamente isso, e acreditou nele.
– Você tem passado por muita coisa no decorrer de seu tempo… E como você se sente diante de tudo isso?
– Eu me sinto a pior pessoa do mundo. – lágrimas desciam por sua face. – Quando minha tia me expulsou de casa, eu até hoje guardo uma mágoa sobre-humana dela, porque se ela não tivesse feito isso comigo, eu jamais estaria nessa situação! Eu a odeio tanto, eu também odeio a minha prima idiota e sonsa! – fungou, suspirando fundo. – Eu tenho conhecimento que esse é um péssimo sentimento para se ter por alguém, mas eu não consigo sentir outra coisa por elas senão ódio. Elas me abandonaram, me jogaram na rua sabendo que eu não tinha para onde ir... – piscou rapidamente, a psicóloga lhe deu um lencinho para que ela pudesse secar a face. – E para piorar a situação tem um rapaz também…
, é normal se sentir assim, você não é um monstro, é só um ser humano. Quanto ao rapaz, quem seria? Algum cliente seu? – ela negou veemente.
– Na verdade não, ele era um amigo da época da escola, e que está morando aqui em Barcelona, eu estou completamente apaixonada por ele, e bom ele também está por mim, só que ele não sabe da minha profissão. Eu tenho muita vergonha de contar, aliás, não é algo que eu me orgulhe de que as pessoas saibam. Existe muito preconceito… Ele tem uma situação financeira bem melhor que a minha, joga profissionalmente futebol. – sentia lágrimas descendo por sua face, passou o lenço pelo rosto. – A princípio eu o afastei, mas ele é um cara tão legal, tão gente boa, que eu simplesmente o quero em minha vida, mas não posso ser sincera, eu não consigo falar… Como eu vou continuar alimentando esse amor dele, se eu escondo um grande segredo?
– Entendo, mas você acha que ele irá te repelir se descobrir?
– Acho, acho que ele vai me odiar, e de qualquer forma vou perdê-lo, ele sabendo ou não… Prefiro que ele não saiba. – limpou a face, tentando controlar as lágrimas. – Minha mãe vem para Barcelona, ela está a dois passos de descobrir tudo. Eu estou perdendo total o controle da minha vida, Dara!
– Esconder uma coisa dessa magnitude, já mostra que o controle dessa situação você não tem a muito tempo… – encostou o corpo totalmente no divã, fechando os olhos.
– Eu sei, eu sei, você tem razão, o controle acabou, assim que eu entrei na prostituição… – se debulhou em lágrimas novamente. – Me desculpa. – aceitou mais lenços para que pudesse secar o rosto. – Se minha mãe descobre, meu pai também, e ele me idealiza como o orgulho da vida dele, como será se ele descobrir? Minhas irmãs, elas me veem como exemplo… Eu não tenho emocional para isso, não tenho. – o choro veio com força em si.
– Não queira carregar o mundo nas costas, , você é uma só. Você disse que o Anthony pediu para que você viesse, e é notável o porquê, você carrega um peso enorme em seus ombros, isso está te consumindo. – suspirou. – Olha, hoje nosso tempo está acabando, semana que vem continuamos, ok? Para semana que vem eu quero que você traga os prós e contras de esconder isso de quem você ama, ok? Reflita bastante e depois conversaremos sobre. – assentiu, se levantando do sofá e saindo dali.
O tempo tinha passado tão rápido que ela nem havia percebido, mas aquela lição que a psicóloga tinha passado não era nada difícil de ser efetuada, ela sabia que a maioria dos contras eram bem maiores que os prós, sabia aonde ela queria chegar com isso, ela queria que ela refletisse sobre isso.

***

estacionava o veículo em frente ao restaurante ao qual havia combinado de encontrar Keila. Desceu do veículo e deu a chave ao manobrista. Andou a passos firmes até a entrada do local, e logo pôde visualizar a recepção, se identificou e logo foi direcionado a mesa a qual sua ex-namorada já estava sentada o esperando. Era um restaurante bem chique, mas não fora nenhuma novidade, Keila sempre gostara de frequentar aquele tipo de local. Cumprimentou a moça com um abraço apertado e se sentou.
– Tudo certo? – ela assentiu. – Fiquei sabendo que você estourou bem em Nova York. Como anda sua carreira? – ela abriu um imenso sorriso.
– Touché, como soube? Não vai me dizer que andou me stalkeando no Instagram ou procurando notícias sobre mim? – ele deu de ombros com um sorriso pequeno.
– Culpado! – levantou as mãos, arrancando risadas dela. – Estamos chegando ao patamar em que sempre sonhamos, né?
– Sim, verdade. Eu lembro o quanto a gente conversava sobre isso… – suspirou. O garçom os estregou o cardápio para que pudessem escolher seus pratos. Rapidamente fizeram seus pedidos, e enquanto aguardavam, voltaram a conversar. – E minha ex-sogrinha? Seu pai? Como todos estão?
– Graças a Deus, todos estão bem, minha mãe inclusive sente saudades de você, sabia? – ela deu um sorriso genuíno.
– Ela sempre foi uma pessoa maravilhosa, gostava muito dela, muito alto-astral. Um dia vou ao Brasil e a faço uma visitinha. Ela vem muito para cá?
– Sim, vem bastante, na verdade. Agora faz mais ou menos um mês da sua última visita. Até meu pai já veio. – ela sorriu. – E olha que ele tem medo de avião, imagina ficar 12 horas dentro de um.
– Verdade, coitado. – riu lembrando-se disso. – Mas e você? Como anda as coisas no Barcelona? Grandes números, hein?
– Ah sim, verdade. Tenho consegui… – antes que pudesse completar a frase viu quando entrou no restaurante com um vestido extremamente curto, colado ao corpo e que corpo, não tinha conseguido refrear seus pensamentos. Ela estava acompanhada de um sujeito bem boa pinta. Era tudo o que precisava, ver com outro cara… É aquela noite prometia.



Capítulo 8

I'm missing you so much
Estou sentindo tanto a sua falta
Can't help it, I'm in love
Não posso fazer nada, estou apaixonada
A day without you is like a year without rain
Um dia sem você é igual a um ano sem chuva
I need you by my side
Eu preciso de você ao meu lado
Don't know how I'll survive
Não sei como vou sobreviver
A day without you is like a year without rain, oh
Um dia sem você é como um ano sem chuva, oh

(A Year Without Rain – Selena Gomez)

? Oi!? – Keila deu leves batidinhas no braço dele, fazendo com que o rapaz voltasse a prestar atenção nela. – O que há? – o garçom chegou a mesa, disponibilizou os pratos de ambos e saiu rapidamente.
– Então, eu meio que distraí… Me desculpe. – bufou, passando as mãos no rosto. Keila começou a comer.
– Isso, eu já percebi. – brincou. – Mas ela é muito bonita, , até eu me distrairia se fosse homem. – riu levemente. – Você a conhece? – ele a olhava com a cara interrogativa. – A moça que acabou de entrar no restaurante acompanhada do rapaz.
– Keila… – havia esquecido o quão observadora a modelo era. – Sim, eu a conheço. Nós tivemos um lance, se é que eu posso chamar o que tivemos de lance...
– Primeiro, come se não esfria. – ele suspirou, e voltou o olhar o prato pegando o talher. – Agora me conte essa história direito...

– Eu fiquei tão, mas tão feliz por você ter ligado, você é um anjo, Lance, aparece sempre nos meus piores momentos. – ele sorriu, apertando a mão dela para lhe passar força.
– O que há dessa vez, chiquita? – ela forçou um sorriso.
– Problemas atrás de problemas, primeiro, minha mãe vindo para Barcelona; segundo, eu estou apaixonada; terceiro, quase perdi o estágio que pode me fazer ficar aqui na Espanha depois de formada… – deu de ombros, como se aquelas coisas não significassem nada. – Ah, já ia me esquecendo, estou fazendo terapia.
Diós, quando eu acho que tenho problemas, você vem e me dá uma surra de palavras, me fazendo perceber que os meus problemas são insignificantes perto dos seus. – ela segurou a mão do rapaz, com um pequeno sorriso. – Mas hoje eu paguei pela noite inteirinha, estou com meu notebook na mochila, podemos ver muita Netflix.
– Ah, meu Deus, sim, muita Netflix. Inclusive, a gente podia ver aquela série Elite, né? Ela foi feita aqui na Espanha, fiquei sabendo que lançou agora dia cinco de outubro, mas eu não consegui assistir ainda.
– Claro que podemos, apesar de eu já ter assistido. – colocou a mão na boca, efetuando um gesto bem afeminado.
– Ah, Lance, poxa! – fez um biquinho, vendo os pratos lhe serem servidos. – Mesmo que você já tenha assistido, nós vamos assistir, não quero nem saber. – ele sorriu, dando a primeira garfada no alimento.
– Iremos, baby, a série merece ser assistida duas vezes. – bateu palminhas, animada, a noite seria perfeita. – , você já sentiu uma sensação estranha, de quando parece que você está sendo observado por alguém? – ela assentiu em concordância olhando para cada canto do restaurante, Lance a imitou. virou-se para trás e sentiu-se empalidecer, olhava fixamente para ela. tentou um aceno rápido, mas fora lindamente ignorada. Suspirou, ele estava mesmo muito magoado.
– Ah, nós estamos mesmo sendo observados! O meu hombre está aqui! – Lance a encarou confuso. – O jogador de futebol! Diós, ele me odeia, ele me odeia! – hiperventilava, largou o garfo no prato, com as mãos trêmulas.
Carajo, fica calma, não surta. – tentou obedecê-lo, mas estava bem difícil aquela simples tarefa. estava ali em sua frente - mas gostoso, se é que aquilo era possível - e a ignorava. – Respira fundo. – tentou, mas não teve sucesso.
– Lance, nós meio que terminamos o que nem tivemos e eu já chorei muito por isso. Essa semana que passou eu sofri com a ausência dele, sem as mensagens durante o dia, sem ele na cafeteria para tomar cappuccino comigo… se transformou em meu alicerce em tão pouco tempo, sem ele minha vida perdeu o pouco brilho que possuía.
– E por que você não se permite tê-lo? Eu sei que ele não sabe da situação, mas por que não ser egoísta, ? Você não quer esse hombre? – ela assentiu. – Então, tenha esse hombre.
– Ah, sem chances, nem se eu quisesse. Ele já colocou a fila para andar. – ela virou-se para trás, olhando-o e sendo encarada fixamente por ele. Ela suspirou, voltando agora a olhar para Lance. – Está lá acompanhado de uma moça extremamente linda, que só de olhar para ela minha autoestima vai no lixo.
– Ah, mas você para, ! Você é linda demais. – ela sorriu com o elogio do amigo. – Aposto que do jeito que ele me fuzila com os olhos, ele te acha muito mais interessante do que ela.

, tenta disfarçar. – Keila sorriu, bebericando um pouco de seu vinho. – Assim ela vai perceber. – a modelo viu quando se virou para trás. – É, ela já percebeu…
– Eu juro que eu tento direcionar meu olhar para qualquer lugar desse restaurante, mas sempre acabo voltando a olhar para eles. – suspirou. – Deve ser por isso que ela não quis nada comigo, ela tinha mesmo alguém… – fez uma careta de desgosto.
, eu sinto muito. – segurou na mão dele. – Queria estar solteira agora só para te dar um beijão de cinema para ela ver o que perdeu. – ele abriu um rápido sorriso.
– E você namorando mesmo, hein? – mudou de assunto. Ela sorriu apaixonadamente.
– Então, sim. Ele é fotógrafo, o conheci quando estava em uma sessão de fotos no Uruguai, ele é um cara incrível, estamos fazendo dar certo. – ela voltou a bebericar o vinho.
– Eu fico contente por isso. – ele sorriu. – Você está diferente, me parece bem feliz.
– Obrigada, . – suspirou, o encarando. – Estou amando. Nunca me senti assim antes.
– Na verdade, nós tivemos um lance legal, mas amor de fato nunca sentimos um pelo outro, só um grande carinho e amizade mesmo. – ele deu de ombros.
– Sim… Com certeza, o importante é que nossa amizade permaneceu. – segurou a mão do rapaz. Ele sorriu, correspondendo ao aperto de mão dela.

– Lance, e agora, o que está acontecendo? – o amigo deu uma rápida olhada para o casal.
– Eles estão conversando, nada demais até agora, – revirou os olhos, entediado, voltando a olhar para o seu prato e comendo.
– Lance, eu sei, eu estou tornando a nossa noite um porre, né? – ela suspirou – É só que…
– Ah, Diós! – Lance a interrompeu bruscamente. – Não olha agora, mas eles estão com sorrisos lindos um para o outro, enquanto seguram as mãos. – como se ele tivesse dito para olhar, o fez, e suspirou fundo. É, havia colocado mesmo a fila para andar… Ela deveria culpá-lo? Jamais, ela quem havia o dispensado. a flagrou o encarando e sustentou o olhar, ela mordeu os lábios e voltou a se sentar direito, olhando para Lance.

– Papo está maravilhoso, mas vamos pedir a conta? Eu ainda tenho algumas coisas para fazer aqui em Barcelona amanhã e vou precisar acordar bem cedinho, e o fuso europeu me deixa toda atrapalhada. – ele concordou, se lembrando do quão foi difícil para se acostumar nos primeiros dias. Não demorou muito para que o garçom trouxesse a conta.
– Você quer uma carona, Keila? – ela negou.
– Eu estou hospedada em um hotel exatamente na rua do restaurante, então, de verdade, não precisa, mas agradeço sua gentileza. Uma vez gentleman, sempre gentleman. – ela brincou, arrancando um rápido sorriso dele.

– Eles pediram a conta, … – Lance viu quando a moça tinha a mão estendida para chamar a atenção do garçom.
– Melhor assim, estava péssimo nós ficarmos nos encarando de um jeito tão intenso assim, a acompanhante dele deve ter percebido e ter se aborrecido. – ela torceu a boca, descontente.
, ela está indo embora sozinha. – parafraseou. – E na despedida só rolou beijinho na bochecha, eles não têm nada, chica. não aguentou e virou completamente o corpo, e viu quando Keila passou por ela, sozinha, enquanto ainda digitava sua senha para pagar seu jantar.
– Nossa, eles não estão juntos mesmo. – não conseguiu conter o pequeno sorriso que surgiu em sua face.
– Ele está se levantando para ir embora, vai atrás dele. Ele é um gato, e um gato a gente não perde de jeito nenhum…
– Mas, Lance… – ele a cortou rispidamente.
– Esse hombre é louco por você, se ele pudesse teria me matado hoje só com o olhar! Não se reprima, vá. – tinha os olhos arregalados. – Mi amor, foca no hoje, no aqui e agora e fica logo com ele. Faça aquele sexo selvagem, a tensão sexual está tão grande entre vocês que estou me sentido sufocar aqui. – não aguentou e riu. Ela viu quando a encarou quando passou por ela. – Vai! – ela pegou sua bolsa e se levantou, indo atrás dele.
, espera! – ela tentava correr desajeitadamente, enquanto tinha grandes saltos nos pés. – Espera, por favor! – ela conseguiu o alcançar e segurou o ombro esquerdo do rapaz, ele se virou bruscamente.
! O que você quer? – ele falou de forma ríspida, e ela bem sabia que merecia a raiva dele.
– Sabe o que eu quero, ? – ele ainda a encarava. – Eu quero esquecer você, mas eu não consigo, entende? E está tudo bem, eu não vou mais negar os meus sentimentos por você, eu te quero, , eu te quero muito. – o jogador arregalou os olhos quando percebeu o teor daquelas palavras.
… – passou a mãos nos cabelos, exasperado.
– Eu não vou mais fugir disso que a gente sente, eu vou mergulhar de uma vez, , e eu juro que você não vai se arrepender.
– Mas e o cara no restaurante? – ele perguntou aquilo que tinha o intrigado desde que ele havia visto os dois juntos.
– Ele é meu amigo, nós nunca tivemos nada… – o manobrista trouxe o carro dele, tirando a atenção de ambos por um momento.
– Sério? – ela balançou a cabeça positivamente. – Vamos sair daqui. – entraram rapidamente no carro, e não demorou muito para que a boca de ambos se grudassem de uma forma intensa. O beijo era sôfrego, havia muita tensão acumulada ali. Ouviram barulhos de buzina, e rapidamente se separaram. – Vamos para minha casa… – concordou. Colocaram os cintos e ele começou a dirigir. se aproximou dele, e colocou a própria mão sobre a barriga do rapaz e em seguida foi descendo até chegar no membro dele, que suspirou quando sentiu as mãos quentes dela sobre o local.
, eu posso causar um acidente se você continuar me atiçando assim... – sorriu malicioso, puxou o rosto dela dando um selinho e voltando o rosto para as ruas. se esticou no banco, começando a deixar beijinhos no pescoço dele. Conforme ela ia deixando os beijos, era como se fosse brasa no pescoço dele. – … – respirou fundo – Pelo amor de Deus… Já estamos chegando!
– Tá eu parei, parei. – ela mordeu os lábios, voltando a se sentar corretamente, olhando para ele fixamente, admirando o quanto era lindo.
O rapaz entrou pelo condomínio, abriu a própria garagem, estacionou o carro de qualquer jeito. desceu do carro e assim que colocou os pés na garagem, se jogou nos braços do rapaz que tinha acabado de descer também. Ele a colocou em seu colo e a beijou profundamente, tentava abrir a porta com ela em seu colo, mas a tarefa estava difícil. Por fim, conseguiu, desceu de seu colo, mas não parou de beijá-la, enquanto tirava os próprios sapatos, e ela fazia o mesmo. O casal foi tirando as peças de roupa do jeito que conseguiam enquanto subiam as escadas para o quarto do rapaz, com os conduzindo. Chegaram ao quarto e se jogou na cama seminua, se colocou por cima dela, voltando a beijá-la. Se separaram, ofegantes, tirou o próprio sutiã, deixando mais excitado do que já estava quando viu os seios dela.
– Você é linda demais, como isso é possível?! – ela sorriu, enquanto ele ainda a olhava encantado. aproximou o rosto da região dos seios dela, e começou a beijá-los, e sugá-los, enquanto gemia extasiada, fazia tempo que não sentia um desejo tão grande por alguém.
dividia sua atenção em seus seios, estimulando-os cada vez mais. arqueava as costas tamanho era o tesão que sentia. O rapaz foi descendo os beijos do colo e parando na barriga dela, ele a encarou enquanto segurava a lateral da pequena calcinha de renda que ela usava, a puxou de uma vez jogando-a em qualquer canto do cômodo.
Ele abriu as pernas dela, e começou a beijar a parte interna de sua coxa, traçando o caminho para a região que mais precisava da atenção dele. Não demorou muito para que ele começasse a investir a língua por toda a extensão da intimidade dela, arrancando gemidos da moça. Ele agora tinha a língua no clítoris dela, fazendo movimentos de vai e vem, causando sensações indescritíveis para a moça. Ela soltou um gemido alto quando o jogador a penetrou com um dedo, sabia o que fazia, e como fazia… Aquilo estava a deixando completamente fora de si, ela segurava os lençóis com força enquanto tinha os olhos fechados. Ele introduziu mais um dedo dentro dela e ela arfou.
, por favor… Mais rápido. – ela pediu e ele sem nenhuma objeção a obedeceu, agora a estimulando com o dedo, e a penetrando com a língua, ela estava quase chegando lá, ele continuou o que estava fazendo e não demorou muito para que ela atingisse um orgasmo intenso. Céus, ela tivera um orgasmo depois de tanto tempo!
Ela tinha a respiração ofegante, mas com um sorriso no rosto, estava plena, e só de pensar que aquilo era só o começo a fazia ficar em êxtase, mal podia esperar para tê-lo dentro de si. foi trilhando beijos pela região da barriga dela, dessa vez subindo até parar de frente ao rosto dela, tendo a imagem mais perfeita, tinha os lábios presos pelos dentes, respiração ofegante e os olhos fechados.
– Já cansou? Porque eu só estou começando… – ela sorriu maliciosamente, abriu os olhos e avançou nele, o surpreendendo invertendo as posições, agora quem estava por cima era ela. lhe deu um beijo sugado, e o encarou profundamente. Pegou a mão que ele havia a masturbado e a levou até sua boca, lambendo lentamente os dedos molhados de com seu próprio gozo, passando sua língua por toda a extensão e chupando fortemente. Enquanto fazia isso, o fitava intensamente e o homem se sentia cada vez mais excitado só de vê-la fazendo aquilo.
– Mal posso esperar por isso... – piscou marotamente, passando a língua pelos lábios dele, lhe dando mais um daqueles beijos intensos. – Aonde ficam as camisinhas, ? Aqui? – ela abriu a gavetinha do cômodo que tinha ao lado da cama, e não achou nada. – Hum, nadinha aqui… Acho que você não vai cumprir sua promessa de me encher de prazer. É, eu me lembro do dia da cafeteria...
– Calma, eu vou achar... – o rapaz arregalou os olhos, tirando de seu colo, e levantando-se apressadamente da cama. Procurava pelo guarda-roupa alguma camisinha, o observava deitada na cama com um sorriso de lado.
pegou sua carteira e lá havia um preservativo, quase se jogou no chão para agradecer aos céus por isso. Pegou o pacotinho que naquele momento valia ouro e se jogou na cama novamente.
Ela passou as pernas de cada lado do corpo dele, agora era a vez dela dominar a situação. estava sentada sobre o membro do rapaz e começou a rebolar lentamente, somente a boxer de os separava. respirava ofegante por conta daquela doce tortura. se colocou sobre a barriga dele, e como conseguiu começou a abaixar a cueca de desajeitadamente, ele a ajudou, levantando o corpo da cama, e finalmente liberou o membro rígido daquele pedaço de pano. Ela ia se direcionar para começar a chupá-lo, mas ele puxou o rosto dela.
, por favor… – respirava ofegante. – Não me tortura mais... – suplicou e ela soltou uma risadinha. Na verdade, ela o queria mais do que tudo dentro de si.
Ela pegou o preservativo da mão dele e rasgou o pacotinho com os dentes, e preencheu o membro do rapaz com o mesmo. E antes que pudesse ao menos processar, se sentou sobre o membro dele, preenchendo-a completamente, fazendo com que um gemido escapasse pela boca dos dois ao mesmo tempo. As mãos de agarraram os ombros dele, deixando rastros de arranhões e as de a cintura dela, a ajudando a movimentar-se sobre o seu membro. ia devagar, seus olhos estavam fechados fortemente e ela mordia o lábio inferior, tomando impulso para movimentar-se gradativamente mais rápido.
cavalgava habilmente sobre o membro de , o jogador só conseguia pensar que aquilo só podia ser um sonho, era difícil acreditar que depois de tantos anos ele tinha aquela linda mulher para si. O jogador a ajudava colocando as mãos em seu quadril para que ela rebolasse circularmente em seu membro, dando prazer a ambos com o atrito das peles. gemia, enquanto agarrava forte os lençóis para que pudesse apoiar-se para efetuar os movimentos. Os olhos dela estavam semiabertos e escuros de desejo, excitando o rapaz ainda mais.
– Ah, ... – ela gemeu o nome dele e o rapaz sentiu como se uma corrente elétrica tivesse passado por seu corpo. – Isso está tão... Nossa! É tão bom... – Ela jogou a cabeça para trás, dando a uma completa visão de seu pescoço e seios. Ele ergueu o corpo, encostando-se a cabeceira da cama, trazendo-a para mais perto de si, e começou a distribuir beijos pelo pescoço dela, dando alguns chupões na região, aquilo estava maravilhoso que não pensou nas consequências que aquelas marcas poderiam ocasionar no dia seguinte.
– Você é tão gostosa... – ele sussurrou no ouvido dela, mordendo o lóbulo, enquanto suspirava fundo a cada nova investida. Aquilo arrepiou cada parte do corpo de , que já estava chegando mais uma vez ao ápice aquela noite. – Oh… – ela disse, em um tom de voz completamente excitante, enquanto gemia cada vez mais alto, arranhando as costas do rapaz. Ela cavalgou mais umas duas vezes e o orgasmo intenso a preencheu. inverteu as posições, e deu mais algumas estocadas em .
, eu amo... – antes que pudesse completar as palavras o orgasmo o preencheu de uma vez, arrancando qualquer palavra que ele pudesse proferir.
O jogador saiu de cima de com um sorriso incrível, enquanto tentava se recuperar da sensação, a respiração estava bem ofegante. não estava diferente, ofegava, com um enorme sorriso na face. Se virou de lado, vendo o rapaz, olhando para o teto, completamente sem graça por quase ter deixado aquelas palavras escaparem, e ela achou aquilo tão adorável, nem parecia o mesmo que havia lhe dado uma de suas melhores fodas da vida.
, olha pra mim... – ele virou-se de lado, a fitando. – Relaxa, está tudo bem. – ela se aproximou dele, lhe dando um beijo lento e apaixonado.
– Isso parece um sonho, estou realizando minhas fantasias da época da escola… – agora foi a vez de rir. Puxou o rosto dele, e lhe deu um selinho.
– Eu ainda não acredito que você gostava de mim desde essa época, eu nunca percebi nada, me sinto tão cega…
– Eu disfarçava bem, não se culpe. – ele piscou, alisando o rosto dela. Ficaram um tempo calados, se encarando.
Ele a abraçou apertado, e colocou a cabeça em cima de seu peito e pôde escutar as batidas frenéticas do coração dele, suspirou, sentia-se igual. Aquilo era errado, mas inevitável, era bom estar nos braços dele, e dali ela não sairia tão cedo...

***

havia dormido na casa de , na noite anterior não haviam nem lembrado do pequeno Tuntz, mas assim que o dia amanheceu e viu aquele emaranhado de pelos brancos parado embaixo da cama, abanando o rabinho, ela pegou a blusa que encontrou de pelo chão e brincou um pouquinho com o cachorro, enquanto o jogador ainda dormia. Trouxe Tuntz até a cama e começou a afagar o pelo do animal, pensativa, tinha finalmente cedido aos desejos de , e apesar dos pesares, não se sentia arrependida, sabia que deveria estar, afinal. Em uma coisa ela deveria concordar com Lance, ela precisava ser um pouco egoísta, e se permitir ter esses momentos de felicidade. Deitou-se de uma vez na cama, deixando o cachorro no meio dos dois, e ficou a admirar ali, tão calmo e sereno, queria poder deitar no travesseiro e poder dormir assim, já fazia um bom tempo desde a última vez que conseguiu…
– Sabia que é a primeira vez que o Tuntz sobe na cama? – disse ainda de olhos fechados, despertando a atenção de para si.
– E o belo adormecido acordou, achei que só acordasse amanhã. – ela zombou. – Já deve ter passado das seis e meia e eu preciso ir para a faculdade. – comentou manhosa.
– Não vai, fica aqui comigo, está tão boa a cama, não? – abriu os olhos, a fitando. – Melhor visão da vida abrir os olhos e me deparar com você tão linda assim. – ela negou com a cabeça, se aproximou dele e lhe deu um rápido selinho em agradecimento pelo elogio.
– Tentador, mas infelizmente não. Você não tem treino hoje? – se ajeitou na cama, virando-se completamente para ele.
– Na verdade, até tenho, mas é umas 11 horas hoje. – ele acariciou o rosto dela, com um pequeno sorriso. – Não quero atrapalhar seus estudos, eu só preciso levantar e te levo até lá. – ele suspirou, se espreguiçando na cama, mas perdeu a coragem para levantar.
– Eu vou aceitar sua carona, porque senão vou chegar atrasada. Só preciso achar minha bolsa, pegar minha muda de roupa e me trocar. – ela se levantou da cama, parando com os carinhos no cachorro, e foi andando pelo quarto caçando sua bolsa, não a encontrou e saiu do cômodo procurando-a.
– Hum… Quem anda com uma muda de roupa na bolsa? – respondeu alto, enquanto arqueava a sobrancelha, divertido.
– Eu ia dormir na casa do meu amigo, não podia ir para a faculdade com a mesma roupa que estava ontem, mas deixa de perguntas e levanta essa bunda da cama. – ela gritou. Finalmente havia achado a bolsa no terceiro degrau da escada. A pegou e foi subindo as escadas até chegar no cômodo novamente. – Preciso me banhar.
– Eu te mostro aonde fica o banheiro, se a gente puder tomar banhos juntos. – se levantou da cama de uma vez e a abraçou por trás, lhe dando vários beijinhos na região do pescoço.
… – ela suspirou, gostando daquilo. – Eu duvido muito que você só vá querer um banho. – ela sorriu marota, se virando de lado e roubando um selinho dele. – A gente tem 15 minutos, me surpreenda. – ele riu gostosamente e a puxou para o banheiro.

***

Dembelé suspirou fundo, calado enquanto encarava do outro lado da banheira. A mulher sabia bem o que fazer para deixá-lo louco. Já havia contratado inúmeras garotas de programas, mas nenhuma igual a ela, a espanhola era única. Ficou encarando a moça por um tempo, e permitiu que seus pensamentos voassem.
– Hei, o que foi, Dembe? – ela o encarou com a sobrancelha arqueada.
– Não posso mais te olhar? – ela sorriu, dando de ombros.
– Poder, pode, mas é como se você olhasse além de mim. É difícil explicar, eu sei. – ela se justificou.
– Talvez… Eu só estava pensando um pouco.
– No quê? – ela o fitava, curiosa.
– No Valverde…
– Nossa, Dembelé, depois de transar comigo, você pensa no técnico do Barcelona? Legal, isso me deixou com a autoestima lá em cima. – comentou irônica. Ele negou com a cabeça com um pequeno sorriso. – Estou preocupado. Valverde está no meu pé por falta de disciplina, aliás não só ele, a imprensa também… – suspirou fundo. – Posso ficar enterrado no banco, e isso em nada me agrada, perderia patrocinadores, e grana, muita grana.
– Eu sinto muito. – o encarou compreensivamente, não sabia bem o que falar para consolá-lo.
– Meu empresário me deu uma ideia, que eu já venho cogitando há um tempo, preciso me afastar dos holofotes, do mundo das farras, prostituição, preciso arrumar uma namorada*. – fechou a cara, levantando-se da cama de uma vez.
– Acho que agora é o momento que você diz que foi bom enquanto durou, mas que precisamos ficar um tempo sem que nos ver, eu já sei desse blá, blá, blá todo.
– Na verdade, eu não ia falar isso…

***

Como prometido, a levou até a cafeteria, e como o local era bem próximo da Universidade, eles tomaram café juntos cheios de sorrisos, carícias e beijos. Quem olhava de longe achava que estavam namorando fazia um tempo, e aquela cena não passou despercebida por um paparazzi que estava ali. Ambos foram clicados, mas não perceberam.
– Tem jogo do Barça essa semana, queria que você fosse. – ele bebericou o seu cappuccino com o olhar direcionado ao dela.
, vamos devagar… – ela suspirou fundo, enquanto o encarava.
– Mas eu já tinha te convidado bem antes de a gente pensar em ter algo. – deu de ombros.
– Que dia seria?
– Dia 31 de outubro. – ela arrepiou-se a menção da data. Estava cada vez mais próximo da visita de sua mãe.
– O que foi? Algo errado com a data? – a encarou, curioso.
– Na verdade não. – ela tentou sorrir, mas saiu como uma careta. O jogador suspirou fundo, mas um de seus segredos, queria tanto que ela fosse sincera com ele, era muito pedir isso? – Eu vou ver como estará minha agenda, será no Camp Nou? – ele afirmou que sim com a cabeça. – Certo, bonitinho. É contra quem? – ela segurou a mão dele, e fez um leve carinho.
– Cultural Leonesa, pela Copa del Rey. Quero mesmo que você vá. – ele fez uma carinha tão adorável, que não resistiu, se debruçou na mesa e lhe deu um selinho longo.
– Nunca ouvi falar do time, mas ok. Eu prometo que vou fazer de tudo para ir, de verdade. – ela alisou o rosto dele, voltando a se sentar. – Mas agora eu preciso mesmo ir, a gente demorou 30 minutos naquele banheiro, e eu te dei 15 minutos! – ela arrancou gargalhadas dele.
– Mas valeram à pena, vai? – riu, pegou suas coisas da cadeira ao lado, deu um beijo rápido no rapaz e por fim, se levantou.
– Sim, valeram muito. – mordeu os lábios, com um sorrisinho malicioso. – Bom treino! – ele agradeceu e se despediu dela com rápidos selinhos, não querendo deixá-la de fato ir mesmo embora.
foi para casa, e ela para a faculdade. Na rua da cafeteria, acabou encontrando , a amiga tinha um grande sorriso no rosto.
– Eu estou muito, mas muito feliz mesmo, você não vai acreditar no que me aconteceu, ... – ela pulava radiante. também ficara animada e curiosa por sua empolgação. colocou o cabelo atrás da orelha, despertando a atenção de para o seu pescoço. – Ah, meu Deus! Lance virou hétero e eu não estou sabendo? – a encarou interrogativa. – Seu pescoço está cheio de marcas, Inês vai cobrar uma multa alta dele… Você sabe, clientes não podem nos marcar e… – a estudante de psicologia parou de escutar o que falava e, arregalou os olhos passando a mão no pescoço, e o sentido dolorido.
– Puta que pariu! – exclamou, brava em português, assustando a amiga. – Eu vou matar o ! – falou sem pensar.
– Você transou com o ? – tinha as mãos na boca, completamente chocada. O que havia perdido daquela história toda? respirou fundo e contou tudo o que havia acontecido aquela noite, desde o encontro no restaurante até o café da manhã na cafeteria, enquanto andavam pelos corredores da Universidade.
– Eu sei, eu não deveria, mas não me arrependo de nada. Eu não sabia o que era um orgasmo há meses, e me proporcionou tudo isso. Aquela carinha dele de anjo, chica… – fingiu se abanar, arrancando gargalhadas de .
– Esses são os piores, mi amor. – elas ainda riam juntas. – E agora o que pretende fazer? – trouxe seriedade a conversa novamente, engoliu em seco.
– Deixar as coisas rolarem, não pensar no futuro, viver o presente, é nisso que eu vou me apegar agora. – suspirou fundo, negando com a cabeça. Com aquela postura, já sabia o que ela queria dizer. – Não fala nada, ok? Eu já sei o que você pensa, e tem toda a razão, mas eu não vou contar nada para ele.
– Ok, eu lavei minhas mãos, chica, faça o que quiser, você já é grandinha… – deu de ombros. – Com toda essa falação, eu não te contei o que queria contar...
– Ah, sim, verdade. Mas você que se interrompeu, não fui eu. – riu. – O que te deixou tão feliz?
– Eu vou virar a namorada do Dembelé. – arregalou os olhos, abraçando a amiga ternamente, era tudo o que mais queria na vida, e estava muito contente por ela.
Dios, como conseguiu? Me conta tudo. – sorriu, animada.
– Bom, eu já estava trabalhando isso na cabeça dele há um bom tempo, , tudo o que eu mais queria era isso, implantava um pouco de ciúme aqui, falava alguma coisa ali, o fato foi que de tanto eu insinuar, ele me fez a proposta. Ele vai quitar minhas dívidas, me colocar em um apartamento luxuoso e eu vou viver às custas dele. Parece um sonho.
– Mas isso não te preocupa? Ele quitando todas as suas dívidas, você fica nas mãos dele, . – ficar dependente de homem não era algo que almejava em sua vida.
– Eu não me importo com isso, eu estava nas mãos da Inês, o que é ficar nas mãos do Dembelé? Só de ter que transar apenas com ele, ter um apartamento todinho para mim e poder me dedicar 100% aos meus estudos, está tudo ótimo. – deu de ombros, entendia o lado de , não a julgaria, mas aquilo não era para ela.
– Sim, você está certa… – suspirou fundo, abraçando a amiga mais uma vez. – Vou sentir tantas saudades de você na casa, mas desejo mais do que tudo que saía logo dessa vida. Quando vai?
– Bom, hoje mesmo ele vai falar com Inês, então creio que muito em breve eu já vá. – elas se abraçaram animadas. – Finalmente livre!
– Sim, finalmente livre, chiquita! – sorriu grande, limpando uma lágrima solitária de .


Capítulo 9

You say it's getting late, it's getting late
Você diz que está ficando tarde, está ficando tarde
And you don't know if you can stay, if you can stay
E você não sabe se pode ficar, se pode ficar
But you, you don't tell the truth
Mas você, você não fala a verdade
No, you, you like playing games
Não, você, você gosta de fazer joguinhos

(Little White Lies - One Direction)

Já fazia três dias que estava morando no apartamento bancado por Dembelé, sentia muito a falta da amiga, afinal, elas faziam tudo, mas estava feliz por e também, não era como se nunca mais se vissem, sempre que podiam ficavam juntas na faculdade. Tinha fé que em breve sozinha, ela conseguiria quitar suas dívidas com Inês e ficaria livre de tudo aquilo…
Suspirou, enquanto terminava de fazer a evolução de uma paciente no computador do hospital. Estava esgotada, havia efetuado um atendimento que durou um pouco mais de duas horas. No hospital, geralmente os atendimentos eram diferentes do que em uma clínica. De acordo com sua supervisora que seguia a abordagem humanista, o tempo de atendimento era de acordo com a necessidade do paciente, ou seja, poderia ser de 10 minutos, ou de três horas.
A mulher a quem ela havia atendido estava grávida, mas infelizmente o bebê havia morrido durante o parto, e foi difícil acalmá-la, afinal, por estar de seis meses, boa parte das coisas para o bebê haviam sido compradas, a família inteira aguardava o serzinho que não viria mais ao mundo... Ela suspirou enquanto digitava mais algumas palavras e finalizava a evolução, amanhã teria que dar uma passada no quarto daquela paciente de novo, todo o cuidado era pouco.
Olhou para o relógio e viu que se passava das 17h17min, lembrou-se de e o ingresso que ele havia lhe entregado no dia anterior, o jogo estava marcado para as 17h30min. Levantou-se da cadeira, e seguiu para a sala da sua supervisora de estágio, parecia loucura o que faria, mas não custava nada pedir para sair mais cedo, afinal, cansou de várias vezes devido a estar em meio a atendimentos extrapolar seu horário de estágio.
– Com licença. – colocou apenas a cabeça no cômodo, vendo a psicóloga mexendo em alguns papéis. – Só para avisar que terminei o acolhimento com a paciente que perdeu o bebê.
– Ah, certo, e como foi? Muito difícil? Dessa vez talvez eu tenha te desafiado muito, não é? –
negou com um sorriso, jamais reclamaria, apesar de ter sido extremamente cansativo.
– Foi sim difícil, mas deu tudo certo, ela se acalmou, apesar de estar muito triste. – sorriu. – Já fiz a evolução dela, quando puder dá aquela conferida, por favor? – a psicóloga assentiu. – Na verdade, eu vim te pedir um favor…
– Diga, , sou toda a ouvidos. – Dulce a incentivou.
– Já são 17:20 e eu gostaria de…
– Sair mais cedo? Está tudo bem, , depois desse atendimento você merece, e eu sei que em quase todos os dias você tem passado do seu horário, então vá.
– Ah, Diós, gracias, Dulce. – ela sorriu. – Hasta manãna! – a mulher se despediu também, e correu para a saída do hospital. Que desse tempo de pegar ao menos a metade do primeiro tempo, faria de tudo para prestigiar .

: Adivinha só quem conseguirá ir ao estádio? Eu duvido muito que você veja essa mensagem há tempo, mas não custa avisar. 😂😂

Chegou ao estádio cansada devido a andar extremamente rápido até lá, já fazia uns 20 minutos que o jogo havia começado, se acomodou no local indicado na arquibancada e viu ao longe o número 8, com o nome de no meio do campo, abriu um breve sorriso, estava feliz por estar ali.
Sentiu uma nostalgia boa no meio daquela torcida maravilhosa que era a do Barcelona, era uma energia incrível, lembrou-se do tempo em que ia aos estádios com o pai para ver seu Grêmio jogar, aquilo parecia em um passado tão, tão distante... Respirou fundo, limpando uma lágrima solitária que escorreu por sua bochecha, tentando pensar em qualquer outra coisa que não fosse aquilo, não era hora para chorar. Visca Barça!

***

saiu de campo aliviado, não havia sido um dos melhores jogos, haviam ganhado de 1X0 nos acréscimos do segundo tempo com um gol de Clément Lenglet, para um time relativamente fraco. Será que havia ido? Dá última vez que havia checado o celular não tinha visto nenhuma mensagem dela. Foi um dos últimos a passar pelo túnel para o vestiário e pode escutar uma voz vindo dali, mas ao canto esquerdo.
– Acho que eu não vou mais assistir aos jogos, , não dei muita sorte a vocês, ganharam no sufoco… – ele a olhou e abriu um enorme sorriso ao vê-la ali com a credencial que ele havia a entregado.
– É uma alucinação você aqui? Não, deve ser. – ela sorriu, se aproximando dele rapidamente e o abraçando. a correspondeu com fervura, a tirando do chão e lhe deu um beijo apaixonado. passou as mãos pela nuca dele, era bom demais estar nos braços de , definitivamente ele coloria os seus dias tão cinzentos.
– Uhum… – o casal se separou com o pigarro de alguém. suspirou fundo, aliviada quando virou-se e viu quem era, sabia do risco que foi ter vindo ali. Que ela soubesse não tinha transado com ninguém do time, mas todo cuidado era pouco.
– Hey, Coutinho, essa é … – ele coçou a nuca, sem graça por não saber bem como apresentá-la. o cortou.
– Prazer, Coutinho, , amiga do . – ela estendeu a mão para ele, que apertou a mão dela rapidamente, franzindo o cenho. Desde quando amigos se beijavam daquele jeito? Bom, aquilo não era da conta dele. – Sou muito sua fã, pude acompanhar um pouco de seu trabalho na Copa do Mundo.
– Opa, que legal, muito obrigado. – ele sorriu entusiasmado. – Apesar de termos perdido. – ele suspirou.
– É que vocês não tinham o lá, mas para a próxima eu tenho certeza que ganham. – Coutinho gargalhou. riu também, dando um selinho nela.
– Claro, com uma torcedora dessas incentivando, é claro que o vai conseguir trazer o hexa. – ela abriu um enorme sorriso. – Precisamos ir, cara. – Coutinho estendeu a mão para novamente para cumprimentá-la. – Mais uma vez, prazer em conhecê-la. – ela assentiu, em concordância. Coutinho começou a andar a passos lentos para dar privacidade para o casal de amigos se despedirem.
, me espera para irmos embora juntos? – ela sorriu, mordendo os lábios.
– Queria, mas preciso mesmo ir embora, tenho que trabalhar, , estou atrasada até. – fazia alguns minutos que havia recebido uma mensagem de Inês dizendo o endereço que ela deveria ir, então ela tinha que correr para casa. – Preciso inclusive tomar um banho, porque você me abraçou todo suado, eca. – ele a puxou para si e esfregou seu rosto no pescoço dela, arrancando gargalhadas de . – Para, . – pediu manhosa, ele riu, lhe dando um selinho.
– Enfim, é uma pena que você não vá para minha casa... – se aproximou da orelha dela e sussurrou. – Mesmo não sendo um dos melhores jogos, eu ia amar que a gente transasse a noite toda em comemoração.
, você com essa carinha de anjo eu não imaginava que fosse pura perversão, por Deus. – ele gargalhou. – Agora vai, bonitinho, vai logo! – ela sorriu e lhe deu um rápido selinho. – Fica bem.
– Só isso? E o meu beijo de verdade? – ele a puxou pela cintura, encostando os seus corpos de forma abrupta, fazendo com que soltasse um gritinho. Ele a beijou apaixonadamente, as mãos dele apertavam a bunda dela de forma firme, a trazendo cada vez mais para perto dele, mas um pouco e eles se fundiam. Ela o empurrou delicadamente.
! Você virou um monstrinho safado! – o encarou com a boca vermelha, ele gargalhou. – Depois nos falamos. – ela acenou, seguindo caminho contrário ao dele. – Eu sempre fui assim, você só não conhecia esse meu lado… – sorriu, acompanhando-a com o olhar, ela piscou para ele e foi embora. andou rapidamente, ainda pegando Coutinho chegando ao vestiário.
– Amigos, é? Hum… Eu beijo a minha esposa desse jeito, sabe… – gargalhou com a fala do rapaz.
– Ela quem quis ser apresentada assim, mas em breve, mas muito em breve ela vai virar minha namorada. Eu sou louco por essa mulher desde os tempos da escola.
– Eu te entendo, cara, eu me apaixonei pela minha mulher na mesma época e hoje estamos ai juntos e casados.
– Essa é minha meta de vida com a , se depender de mim eu não separo nunca mais. – ele tinha os olhos brilhando. Chegando ao vestiário de fato, desfizeram rapidamente os sorrisos com a cara que Valverde olhava para eles, é, as coisas não estavam tão boas assim…

***

– E como foram as coisas nessa semana, ? – a psicóloga a questionou. A moça suspirou audivelmente, estava extremamente esgotada.
– Cansativas, muito cansativas. Minha melhor amiga saiu do prostíbulo e a maioria dos clientes dela vieram para mim. Estou atendendo em média seis programas por noite, quando o normal é só no máximo dois. – a psicóloga não conseguiu esconder a expressão de horror a fala da paciente. – Ontem durante o último programa eu não consegui disfarçar, o cliente lá todo empolgado e eu imóvel, sabe? Está ficando cada vez mais difícil… Só de pensar em sexo eu já estou cansada, nem com o eu transaria se me aparecesse hoje. – riu da própria fala.
– Mas as coisas vão ficar sobrecarregadas assim até quando? Isso não funciona como um emprego regular que é colocado outra pessoa no lugar?
– Ela está vendo de contratar outra garota, está quase fechando, mas por enquanto eu preciso segurar as pontas.
– Entendo... – a psicóloga a encarou. – Uma coisa você nunca me contou, o que te impede de sair de uma vez dessa situação? Você disse que tem uma quantia guardada no banco. – se deitou de uma vez, se afundando no divã.
– Não é tão simples assim, eu estou cada vez mais fundida a uma bola de neve… – suspirou – Eu juro por tudo o que é mais sagrado na vida que se fosse por mim hoje mesmo não colocaria meus pés lá, mas as coisas não são assim, eu devo dinheiro a eles, e só posso sair de lá quando eu quitar tudo isso. E eu só penso em tudo o que minha mãe vai achar quando descobrir todas essas coisas.
– São pessoas perigosas, não é? – assentiu. – Você me disse na semana passada que não tinha uma data específica para a visita dela. – comentou.
– Agora tem, falta exatamente uma semana para minha mãe vir para cá, meus dias estão contados em Barcelona, ou talvez ela me deserde, eu ainda não sei que atitude ela vai tomar. – riu amargurada. – Ela me liga toda contente, e eu só sei chorar de desespero.
– Conte do início, conte que ficou com medo de destruir seu sonho que era cursar psicologia na Espanha, e que voltar para o Brasil quase na finalização do curso iria te prejudicar, diga as coisas que me disse, .
– Parece simples assim falando, mas a realidade é outra, Dara.
– Há outra alternativa se não essa, ? – negou, suspirando.
Mais uma vez pessoas vinham e esfregavam as coisas em sua face, até ela estava cansada de bater na mesma tecla… Estava na hora de enfrentar seus maiores medos, estava na hora de contar a verdade, mas não apenas para sua mãe, também merecia escutar de seus lábios, ela só precisava achar um jeito de contar e uma oportunidade propícia.

***

Estavam no vestiário Phelipe, Rafinha, Dembelé, e , este último mais afastado dos demais, pois estava no chuveiro. Após o treino, todos estavam se aprontando para a volta para a casa.
– Quem diria, achei que estaria morto, mas não veria o Dembelé namorando. – todos gargalharam com a fala de Rafinha.
– Era isso, ou ficar no banco eternamente, então sim, estou com as pernas arriadas por uma mulher, mas ela é muito linda, e não está sendo sacrifício nenhum. – se enrolou na toalha, e pôde escutar as gargalhadas dos colegas.
– Qual é o nome da mulher que merece um prêmio por te aturar? – Coutinho perguntou, quando já vestia uma bermuda.
, ela é espanhola… E bem caliente. – arregalou os olhos, e se aproximou de onde Dembelé estava.
– Você está namorando uma garota chamada ? – o jogador francês franziu o cenho, mas assentiu. – Eu a conheço.
– Quê? , achei que você não fosse esse tipo de cara. – sorriu maliciosamente. – Se faz de santinho, mas esconde as safadezas. – deu um cutucão em Rafinha, que logo entendeu e começaram a gargalhar. e Coutinho olhavam para ambos sem entender nada, mas quando ia perguntar o motivo da risada, fora interrompido.
– Fala, rapaziada. – Malcom se aproximou, fazendo um toque de mão com os demais.
– Hey, Malcom, precisava falar com você, quando vai ser mesmo a data da sua despedida de solteiro? – Rafinha o questionou.
– Poxa, cara, já esqueceu? É essa semana ainda, na sexta-feira. Vocês vão, né? – todos assentiram, exceto Coutinho e . Malcom revirou os olhos a negativa deles.
– Não é todo dia que se casa, caras, e outra, não vai rolar nada demais, nós vamos para a casa do Dembelé tomar umas, algumas garotas de programa para alegrar à noite, mas vocês não vão ser obrigados a nada. Eu mesmo pretendo não pegar ninguém. – Dembelé explodiu em risadas com a última fala dele, Malcom lhe deu um tapa na cabeça. – Qual é? Vamos! – e Coutinho se olharam.
– Tudo bem, a gente vai. – Coutinho respondeu pelos dois. Todos começaram a pular em volta dos jogadores, afinal, arrastá-los para algo era sempre um sacrifício, nunca topavam. tentou retomar a conversa anterior com Dembelé para entender melhor sobre o porquê aqueles comentários e risadas, mas acabou se empolgando com as informações da festa e esquecendo.

***

– Hoje é a bendita despedida de solteiro que Inês ficou falando a semana toda. – suspirou, enquanto e ela caminhavam para a cantina, o intervalo não era muito longo, por isso andavam rápido.
– Imagino, detestava esses programas, já somos tratadas como pedaços de carne, mas em eventos assim é muito pior, apesar do diñero ser melhor que um programa convencional… – concordou com a amiga. – Descobriu de quem é?
– Na verdade não, Inês não soltou nada, apesar de Antonietta e Ana perguntarem a todo o momento sobre isso…
– Deve ser algum empresário rico, nada demais, fica tranquila. – negou.
– Eu não sei, eu estou com um pressentimento horrível dentro de mim, e não faço ideia do motivo… – suspirou fundo.
– Eu acho que é preocupação pela chegada da sua mãe que está cada dia mais próxima. – abraçou a amiga de lado.
– É, pode ser mesmo, ela chega na segunda feira à tarde, eu tenho três dias para me despedir de Barcelona.
Carajo, cala-te! Não irá acontecer nada, já disse que hospedo sua mãe no meu apartamento…
– É, então o Demebelé chega e pega a minha mãe lá, vai falar o que para ele? Ah, oi, Dembelé, essa é a mãe da minha amiga… Sabe o que é? Ela não sabe que a filha é prostituta!
– Você falando assim até parece que a ideia é tão absurda… – fez um biquinho. – Só quero te ajudar, chiquita. – abraçou apertadamente a amiga.
– Eu sei mi amor, eu sei, e aprecio muito sua preocupação, mas fica em paz, eu já me decidi, vou contar tudo para ela… E para o também. – a estudante de direito desfez o abraço, de olhos arregalados.
– Você está brincando, não é, ? – colocou a mão na testa da moça para ver se ela estava com febre.
– Boba. – tirou a mão da amiga de sua testa. – Eu só cansei de esconder, quero tirar esse peso das costas, poder encostar minha cabeça no travesseiro e dormir sossegada sabendo que não estou enganando ninguém. – as duas agora já tinham suas barrinhas de chocolate e se sentavam em uma mesa para comê-las.
– Brincadeiras à parte, fico muito feliz por você conseguir enxergar que bem ou mal a melhor coisa é ter a consciência limpa, chica. assentiu.
– Com certeza, vou encontrar amanhã de manhã e vou contar tudo para ele, chega de mentiras.
– Chega! Estarei aqui para você, caso as coisas saiam de controle, ok? Te amo! – a abraçou novamente, correspondendo as palavras da amiga.

***

deu mais uma esborrifada no perfume para que pudesse ir para a despedida de solteiro de Malcom, se esforçava para ir pois era Malcom, um cara positivo, gente boa, não custava nada ir, ficar um pouquinho para dizer que foi, depois voltava para casa e jogava seu videogame com a galera online, já que mais uma noite não teria a companhia de . Por falar nisso, fazia umas duas semanas que a garota trabalhava sem parar, e eles pouco se viam, a última vez fora a dois dias atrás, sentia falta dela. Suspirou, mandando uma mensagem:

: Eu sinto sua falta…😕

Mandou a mensagem, e em poucos segundos teve um retorno. Rapidamente pegou o celular e visualizou.

: Também estou com saudades... Amanhã eu prometo que vou a cafeteria para tomarmos café da manhã. Esses dias acordei bem cansada e acabei chegando atrasada na faculdade para dormir mais. 😅
: Inclusive, quero falar com você amanhã, preciso contar te algumas coisas…Já está na hora.

olhou aquela mensagem e sorriu, finalmente estava se abrindo para contar as coisas para ele, afinal, era sinal de que ambos caminhavam para algo mais sólido. Foi até o guarda-roupa e de lá tirou uma caixinha, nela havia um colar, que fazia alguns dias que ele havia comprado para ela, a presentearia assim que possível, queria que aquele colar simbolizasse o seu amor por ela.

: Sem mais segredos, finalmente. Sinal de que está confiando em mim…
: Eu sempre confiei em você, só não me sentia à vontade para contar, é diferente. Eu vou terminar de me arrumar, dever me chama. 😍😍😘😘
: 😍😍

Olhou uma última vez para o celular, e antes que pudesse desistir e ficar de vez em casa, pegou a chave do carro e se direcionou a saída, não sem antes afagar Tuntz , que estava próximo dali.

***

chegou à festa na casa de Dembelé e pode ver que Rafinha e Coutinho estavam lá, viu outros companheiros do time, acenou para cada eles, mas se sentou perto dos brasileiros.
– Hey, caras. – cumprimentou-os com um breve aperto de mão, se sentando ao lado deles no sofá.
– Parece uma miragem, você e o Coutinho em um mesmo rolê que a gente, ainda é inacreditável, o Coutinho ok, é compreensível porque ele é casado, agora você não, nem aproveita sua solteirice direito.
– O seu conceito de aproveitar a solteirice é diferente do meu. – riu, pegando uma cerveja no freezer e se servindo.
– E lá vem você com a mesma ladainha de sempre, que sua vida não é regrada a sexo, mulheres e bebidas, é, eu já sei disso de cor. – Rafinha revirou os olhos.
– Deixa o cara, eu não vivi essas coisas e sou bem feliz, e até hoje estou com a primeira garota que eu conheci e me apaixonei. E outra, tem alguém. – Coutinho deixou escapar as últimas palavras, deixando desconfortável. Todos sabiam o quão o jogador era discreto com sua vida pessoal no trabalho, se Coutinho flagrou os dois aquele dia, foi por um total acaso.
– Como é que é? Eu nem sabia que esse cara namorava. – Rafinha lhe deu um empurrão. – É surpresa atrás de surpresa! – com aquela fala, lembrou-se da conversa no vestiário a qual fora interrompido por Dembelé.
– Hey, Dembelé, chega aqui. – gritou, já que a música estava bem alta, o jogador ouviu e se aproximou dos brasileiros, cumprimentando .
– Fala, , você está bem? – assentiu.
– Sobre aquela brincadeira no vestiário anteontem... – Dembelé franziu o cenho, não se lembrando. – Que eu conhecia a , sua namorada e você e o Rafinha riram.
– Ah tá me lembro sim… Por quê? O que foi?
– Bom, por que vocês riram? O que há por eu conhecer a ? – Demeblé abriu um sorriso maroto.
– É, só pela sua pergunta dá para perceber que você não conheceu a como eu a conheci. – deu um cutucão em Rafinha, e ambos negaram com a cabeça. – Eu achei que você já tivesse transado com ela, arregalou os olhos espantado.
– Quê? Como assim, cara, eu não estou entendendo aonde você quer chegar… – Dembelé revirou os olhos para a lerdeza de seu colega de time.
, minha namorada era garota de programa, foi assim que eu a conheci, ela é uma garota bacana, divertida, e eu a chamei para limpar minha imagem.
era garota de programa… Eu não sei o que pensar sobre isso apoiou o corpo no balcão da casa de Dembelé, e foi impossível que um flashback não viesse com força na cabeça, o comportamento estranho de referente a conhecer o Dembelé, o sarcasmo da garota quando ele comentou que Dembelé estava mal nos jogos, ela era uma das causadoras daquilo. Agora uma coisa não se encaixava de jeito nenhum, por que esconder aquilo dele? Ele não tinha nada e ver com o que fazia da vida dela, a não ser que…
– Hey, cara, você está bem? – Coutinho perguntou, estranhando o comportamento do rapaz. – De repente ficou estranho com a fala do Dembelé. – Todos os rapazes lhe encaravam com o cenho franzido.
– Eu estou bem, eu só fiquei surpreso… Nada demais, eu conheci através de uma amiga e não imaginava que ela fosse garota de programa. – concluiu. A campainha do local foi acionada.
– Finalmente as garotas de programa chegaram! – Malcom gritou para os amigos, enquanto ia abrir a porta. Assim que ele abriu uma a uma as garotas de programa entraram, ao todo ali eram oito garotas.
– Quem é o noivo que quer um pouquinho de diversão essa noite? – Antonietta gritou, arrancando gritos de todos ali.
– Sou eu! – se direcionou para ele, a qual deu um leve beijinho no cantinho da boca dele. estava de costas a porta, mas sua respiração parou quando ouviu a voz dela.
– Te prometo que iremos te divertir muito nessa noite… – não, não era possível, era um pesadelo, só podia ser. Ele não tinha coragem de se virar para constatar.
– Não só ele, não é, toda essa rapaziada aqui. – Ana completou a fala de .
virou-se de vez e a surpreendeu abraçada de lado a Malcom, sua boca foi ao chão, sentiu o corpo formigar. Como se sentisse que estava sendo observada, olhou para direção onde ele estava, e sentiu a boca secar, não conseguia puxar o ar para seus pulmões, estava ali, em sua frente, a olhando petrificado. Ela viu que sua única opção era sair dali, e o mais rápido que conseguiu ela o fez, se desvencilhando de Malcom, e empurrando as garotas de uma vez. Não era para ele descobrir assim, não era… Não quando ela estava decidida a finalmente contar.


Capítulo 10

Tô tentando te esquecer
Mas meu coração não entende
De novo, eu fechando esse bar
Afogando a saudade num querosene
Vou beijando esse copo, abraçando as garrafas
Solidão é companheira nesse risca faca
Enquanto cê não volta, eu tô largado às traças
Maldito sentimento que nunca se acaba


(Largado Às Traças – Zé Neto e Cristiano)

Um silêncio se instaurou depois da saída brusca de , o jogador ainda encarava estático o local onde ela estava há pouco. Todos os convidados não conseguiam compreender o que acontecia, exceto Coutinho que olhava para com o cenho franzido, era a garota do amigo que estava ali há poucos segundos. passou as mãos pelo cabelo, ainda incrédulo e seguiu o mesmo caminho dela.
– Alguém entendeu alguma coisa? – a maioria negou a pergunta de Dembélé. – Quer saber de uma coisa? Aumenta o som, DJ. – todos voltaram ao que faziam, alguns bebendo, outros curtindo o som, e as garotas começaram a divertir os jogadores naquela noite.

Ela não podia sumir assim, ela lhe devia explicações plausíveis, afinal, desde quando escondia dele que era garota de programa? Ele engoliu em seco só de pensar naquela possibilidade, mas não tinha outra explicação se não fosse aquela. havia descido as escadas correndo, mas quando chegou a calçada, nem vestígio de foi encontrado.
Ele entrou no carro e ficou pensativo, não sabia onde a moça morava, não sabia para onde ela poderia ir…

– Eu gosto muito de vir aqui e olhar o mar… Parece que meus problemas desaparecem olhando para essa imensidão azul. É meu refúgio, sem sombra de dúvidas.
– É um lugar muito bonito mesmo, compreensível que você se acalme olhando. – ele assentiu agora olhando o perfil da moça. Ficou a encarando por um bom tempo…

abriu um sorriso, agora tinha um norte de onde poderia ir, esperava estar certo, afinal, teria que andar um bom trecho para testar sua teoria.

***

já havia andado um bom trecho da praia de Barceloneta, mas nada de encontrar ali, já estava desistindo quando pôde ver ao longe uma moça sentada em frente ao mar, mas ninguém próximo dali, os cabelos esvoaçavam ao vento, era ela, só podia ser ela, aliás, tinha que ser ela. Ele se aproximou e obteve a certeza.
– Eu sabia que te encontraria aqui... – ele respirou fundo, ofegante pela corrida. Ela não teve coragem de encará-lo de volta.
– Como sabia? – encarava a imensidão daquele mar, com os olhos lacrimejando de novo, não tinha mais como fugir, teria que ter aquela conversa com ele.
– Você me disse quando me apresentou a praia que aqui era seu refúgio… – ela assentiu, olhando para baixo. suspirou, cansado e se sentou ao lado dela. – ... Você me deve explicações! – ela mordeu os lábios, nervosa.
– Devo, e não sei por onde começar... – ela tentou engolir o choro, mas ele veio com força, e ela se permitiu chorar. pensou em abraçá-la, até esticou a mão, mas desistiu, não conseguia consolá-la, não quando ele também estava em frangalhos. Ele se levantou, foi até um quiosque próximo de onde estavam e comprou uma água. estava com a cabeça baixa e tinha a mesma apoiada nos joelhos.
– Toma, bebe. – estendeu a garrafinha de água, ela levantou a cabeça e suspirou, vê-la daquele jeito estava o matando também. Ela deu uma golada na água, respirando fundo e retomando a fala com a voz embargada.
– Eu me sinto tão envergonhada, não era para você ter descoberto assim... – ele respirou fundo, esperando que ela continuasse de uma vez. – , eu sou prostituta! – escutar aquelas palavras da boca dela era como se facadas acertassem seu coração, ele já sabia, mas escutá-la dizer tornava ainda mais real. – Não entrei nessa vida porque quis, foi mais por necessidade... – passou as mãos no cabelo, tentando achar um jeito de retomar a fala. – Olha, nem sempre foi assim, eu morava na casa da minha tia...
Naquele momento contou toda a história desde o momento que veio para a Espanha morar com a tia, até a expulsão da casa da mesma e o quanto procurou emprego, mas não obteve sucesso. só escutava, mas não esboçava reação alguma.
– Enfim, me vi sem saída, faltava pouco para que eu me formasse na faculdade, meus pais não conseguiam me bancar aqui na Espanha. – suspirou com a lembrança. – Eu entrei nisso porque eu precisava terminar a faculdade e, voltar para o meu país sem o meu diploma, não estava nos meus planos. Se você quer saber, eu não me sinto arrependida, era o único jeito, e se tivesse que fazer de novo, eu faria, era o meu sonho em jogo. – finalmente o encarou, ele tinha o olhar perdido, mas a fitava também. desviou o olhar, olhando para o mar, e passou um tempo assim, absorvendo as palavras dela.
– Eu estou sentindo tantas coisas dentro do meu coração, raiva, ódio, compaixão, frustração... Mas o sentimento que mais se destaca é decepção. Estou muito decepcionado com você. – ela sentiu os olhos marejarem de novo. – Mas não por você ser garota de programa, quem sou eu para te julgar? Você teve os seus motivos e talvez eu fizesse o mesmo que você, ou não, quem é que vai saber? – ele suspirou fundo, tentando controlar a voz. – Estou decepcionado por você ter escondido isso de mim e eu ter que descobrir dessa forma. – ele passou as mãos pelo rosto, exasperado. – Você ia transar com o Malcom, e sabe-se mais quem, são os meus colegas de time! – podia se notar as veias de seu pescoço já saltadas, ele parecia que sufocaria.
– Eu ia te contar... – ela fungou, tentando controlar as lágrimas.
– QUANDO? QUANDO TRANSASSE COM O TIME INTEIRO DO BARCELONA? PORQUE VOCÊ DEIXOU BEM CLARO QUE ISSO IRIA ACONTECER HOJE. – ele gritou, se virando completamente para ela.
, EU NÃO TENHO ESCOLHA! – ele fechou os olhos, enojado. – Eu não posso negar programa, tem uma cafetina no meio, é gente perigosa. Olha, eu sei que é difícil entender, mas se coloca no meu lugar! – suspirou fundo.
– Eu estou tentando, mas eu não consigo, tudo o que vem na minha cabeça é que você ia transar com o Malcom e mais um monte de caras do time, eu… – ele passou a mãos nos cabelos.
– Qual é a parte do “eu sou garota de programa e não tenho escolha”, que não ficou clara? – ela perdeu a pouca paciência que tinha. – Eu não sinto nada por nenhum cara que eu já transei, é só sexo. – ele negou várias vezes com a cabeça. – Sim, é verdade, para mim é só sexo, não tem sentimento! - mordeu os lábios tentando controlar mais uma crise de choro que viria. – Sabe o que eu sinto de verdade? Um vazio imenso dentro de mim! Só! – ele pode perceber tristeza na fala dela.
… – ele a encarou, estava esgotado emocionalmente. – Por que você não me pediu ajuda? Estávamos tão próximos… Eu não hesitaria em fazê-lo, se você tivesse sido sincera desde o início tudo isso poderia ter sido evitado! – ele tentou controlar a voz, para não se exaltar novamente. – Uma coisa que não me falta é dinheiro, já que você está nessa vida por falta de grana!
– A princípio eu tive orgulho, porque você era o garoto que me pedia ajuda na escola, e eu era a inteligente que te ajudava, ver você bem-sucedido me fez sentir inveja, você já sabe disso... Eu já te contei, mas agora você entende todo o contexto. – ela fungou, limpando as lágrimas que desciam. – Enfim, depois senti vergonha, a gente não se falava há anos, eu não tinha coragem e jamais pediria dinheiro para você assim do nada. Você poderia me julgar como interesseira, e isso, definitivamente eu não sou. – ele ficou calado, e um silêncio se instaurou ali, cada um preso em seus próprios pensamentos. – Me perdoa? Eu não queria te magoar, o fato foi que as coisas foram tomando proporções gigantescas e eu perdi o controle. , eu estou apaixonada por você. – ele fechou os olhos, se afastando de uma vez.
– Eu não consigo. Eu simplesmente não consigo te perdoar, apesar de entender seus motivos, eu só… Não consigo! – ela suspirou fundo, assentindo e se colocando no lugar dele, sabia que o segredo que escondia era grave, e sabia também que nem ela mesmo se perdoaria caso a situação fosse contrária.
sem qualquer aviso prévio se levantou e caminhou a passos rápidos para longe dela, e aquilo comprimiu o coração de que sentiu um soluço vir, por conta do choro forte que tomou conta de si.

foi caminhando em direção ao seu carro, e adentrou o mesmo, e suspirou fundo. Pegou o celular, ficou encarando a foto de tela, era uma foto que ele havia tirado de dormindo, ele suspirou, abrindo a agenda do celular e clicou no número de Coutinho.
– Hey, ! Você está bem, bro? – ele negou.
– Coutinho, você pode me encontrar no Bar Angelin* daqui uns 30 minutos, estou precisando beber e conversar, se isso não der problema para ti…
– Não dá não, estou aqui na despedida de solteiro do Malcom ainda, te encontro sim. – desligaram. E assim o fez, nunca pensou no quanto precisava desabafar com alguém e beber nunca pareceu tão atrativo assim.

***
Já fazia mais ou menos uma hora que os companheiros de time estavam no bar, iniciou os trabalhos com whisky, e agora estava tomando cerveja, estava bem bêbado, mas o propósito daquela noite era aquele mesmo.
– E então é isso, ela simplesmente é prostituta, e me escondeu todo esse tempo. – o jogador contou toda a história a Coutinho. deu uma boa bebericada em sua cerveja.
– Nossa, cara, que situação de merda – Coutinho tomou um pouco da cerveja, dando uma rápida olhadela no celular. deu de ombros.
– Você está aqui comigo, mas e sua esposa? Não quero que você tenha o coração partido como o meu… Senão seremos dois de coração partido, e coração partido é fodasticamente foda, dói para porra, você já teve seu coração partido? Claro que não teve, você está com a mulher que você gosta desde o ensino médio, porra, eu queria ser você! – Coutinho gargalhou, dando tapinhas nas costas do amigo.
– Relaxa, cara, a Aine confia em mim, estava na despedida de solteiro do Malcom, e agora já avisei para ela que estou no bar contigo para te fazer companhia, fica em paz! – assentiu, tomando mais um pouco de cerveja. Coutinho tinha um relacionamento invejável, existia muita confiança na relação e companheirismo e por isso ele havia ido sem nenhum problema para a despedida, era só sempre avisar com antecedência sobre qualquer evento, o mesmo era para Aine, que tinha a liberdade de sair quando quisesse.
– Está doendo pra porra! – passou a mão no olho, não sabia se era a bebida, mas finalmente se permitiu chorar. Coutinho riu internamente, e pegou o celular para gravar, teria uma prova para zoar . – Eu comprei uma corrente de compromisso, ia pedi-la em namoro, agora nada mais faz sentido, eu nem quero mais ver a na minha frente, acabou tudo, ela mentiu para mim e mentira é algo que eu não consigo perdoar, cara! Ela mentiu para mim…– abriu outra cerveja para si, Coutinho contou mentalmente que aquela era a sexta da noite e seria a última já que finalmente se permitiu chorar, e nada melhor que o choro para colocar de vez a dor para fora.
– Isso, chora, irmão, põem essa dor para fora. – fungou, sentindo as lágrimas descerem. Coutinho posicionou melhor o celular para gravá-lo.
– Cara, eu amo aquela mulher, e tudo o que eu quero é ver ela na minha frente e pedi-la em namoro, você acha que ela aceitaria? – Coutinho tentou prender a risada, mas foi em vão.
– Claro que aceitaria, pede ela em namoro se é isso que você quer. – Philippe deu corda, assentiu e bebeu mais um pouco da cerveja.
– Eu quero essa mulher do meu lado a vida inteira, quero casar, ter filhos, inclusive já temos um filho juntos – Coutinho olhou para o amigo com o cenho franzido. – O Tuntz. – com a língua pesada foi quase difícil pronunciar o nome do animal. – Meu cachorro ama aquela mulher, estamos fodidos, Tuntz, sua mãe mentiu para nós. – Coutinho gargalhou, dando tapinhas nas costas do amigo.
– Pobre Tuntz, está órfão de mãe, sinto muito… – negou, chorando copiosamente. Coutinho afagou as costas do amigo, mas não resistiu em parar de gravar.
– Por que ela tinha que mentir para mim? Por quê? – era possível escutar que a música Largado às Traças de Zé Neto e Cristiano era tocada. – Porra, essa música não está me ajudando, Coutinho. Troca essa música, DJ. – ele abaixou a cabeça no balcão. – Vou beijando esse copo, abraçando as garrafas, solidão é companheira nesse risca-faca, enquanto ‘cê não volta, eu ‘tô largado às traças. – ele levantou a cabeça do balcão. – Maldito sentimento que nunca se acabaaaaa... – alongou a última nota de forma desafinada, chamando a atenção dos demais clientes do local.
, caramba! – Coutinho deu um empurrão no amigo, parando de gravar. Eram pessoas públicas acima de tudo, não era legal chamar atenção, aquilo podia prejudicar ambos. – Presta atenção, cara, sem gritar! É melhor irmos, você já bebeu demais.
– Mas já? Agora que começou a tocar Infiel da Marília Mendonça para eu me afundar mais na minha dor. – o amigo negou rindo, chamando o garçom para fechar a conta.
se levantou bruscamente e sentiu uma tontura, teve que se apoiar no balcão, Coutinho pagou e ajudou o amigo a andar, estava cambaleando e Philippe percebeu que tinha 0% de chance do amigo pegar no carro para dirigir.
Entraram no veículo de Coutinho com muita dificuldade e os dois foram em direção a casa do camisa 11 do time do Barcelona, não havia como falar o próprio endereço para Coutinho, pois de acordo com o mesmo, havia esquecido, aquela noite estava memorável a Philippe, fazia tempo que não se divertia tanto.
Chegaram na casa de Philippe e entraram fazendo barulho, acordando Aine, que já dormia.
– Pelo amor de Deus, Lippe, você disse que não ia beber no bar com o seu amigo e… – Aine foi descendo as escadas, mas calou-se quando viu que o marido estava acompanhado. – O que está acontecendo? – Ela encarava a cena risonha, Coutinho jogou no sofá, que ria à toa.
precisava beber, ele teve o coração partido. – Aine suspirou, enquanto quase dormia no sofá.
– A gente não vai deixá-lo dormir ai, né? – Coutinho deu de ombros, a esposa riu do gesto dele. – Para, amor, vamos levá-lo lá para cima, coitado. – Os dois pegaram um de cada lado do corpo de e o levaram para o quarto de hóspedes.

Na manhã do dia seguinte, havia acordado com uma ressaca forte, e demorou a saber que estava na casa de Coutinho. Foi medicado pela esposa do amigo, e depois de tomar um café reforçado, saiu dali, muito agradecido, porém envergonhado, afinal, nunca havia ido na casa do amigo e quando foi, era naquelas condições.
Chegou em sua casa e foi recepcionado por Tuntz que abanou o rabinho para o dono, ele se abaixou e afagou o cachorro e o pegou no colo. Se jogou no sofá e colocou o cachorro no colo e suspirou fundo. A cabeça estava a mil, mesmo após os analgésicos. Decidiu levantar, tomar um banho e dormir, era o melhor a ser feito, estava sem cabeça para nada, hoje era dia de ficar deitado o dia todo para curar a ressaca.

***
Era hoje à noite que a mãe de chegaria em Barcelona, a garota estava muito nervosa, não tinha mais mesmo para onde correr, então contaria toda a verdade e se livraria daquele tormento de uma vez. Ela suspirou fundo, terminou de passar base nas olheiras e agora finalizava com um pouco de rímel, para que pudesse disfarçar a noite mal dormida que tinha tido. Terminou de se vestir, estava sozinha no quarto do motel, o cliente já havia ido embora. Pegou suas coisas e saiu de uma vez do local.
Chegou a cafeteria, e pediu um café expresso, não quis pedir o cappuccino habitual, pois até sua bebida preferida a lembrava de , e Deus sabia o quanto ela estava evitando ter lembranças dele. Terminou de tomar o café e foi para a faculdade.
Teve supervisão sobre o estágio de psicologia cognitiva, mas não conseguiu prestar atenção em nada, estava extremamente nervosa com tudo. Terminou a supervisão, foi dispensada e pôde ir para o intervalo. Enquanto caminhava, abriu sua bolsa e tomou sem qualquer líquido seu remédio para o estômago, parece que quando estava ansiosa/nervosa a dor de estômago vinha com força, e com o café que ela havia tomado hoje, só agravará mais, desvantagens de ter gastrite nervosa. Sentou-se com a mão sob o estômago, esperava que com a medicação as coisas melhorassem.
procurava por , e viu que a amiga estava sentada próximo a lanchonete da faculdade, se aproximou dela com um pequeno sorriso, mas o escondeu quando percebeu que nem a maquiagem conseguia esconder a cara de enterro que a amiga estava. Mordeu os lábios e se sentou ao lado dela e sem qualquer aviso prévio ou questionamentos, a abraçou apertadamente. Naquele momento soube que mesmo se sua vida inteira desse errado, ela tinha ali, ao lado dela, a melhor amiga que alguém poderia ter.
– Você não tem noção do quanto eu precisava desse abraço… Esse fim de semana me destruiu de um jeito, amiga. – trouxe a amiga para si, a abraçando de lado, encostou a cabeça no ombro dela. – descobriu toda a verdade! – arregalou os olhos, tirando a cabeça de bruscamente de seu ombro. – Ai! – alisou a cabeça.
– Ah, meu Deus! E por que você não me ligou? , meu Deus. – ela voltou a abraçar a amiga.
– Porque eu não queria te preocupar, ou sei lá, nem eu sei por que não liguei. Ele me descobriu trabalhando naquela maldita festa de solteiro. Eu estava com um pressentimento tão ruim, agora entendo o porquê… Foi horrível. – contou toda a história a , que sempre pontuava ou perguntava sobre algum detalhe.
– O Dembé estava lá, ? – desviou o olhar.
– Estava, eu acho que quem organizou tudo foi ele, . – a estudante de direito endireitou a coluna na cadeira, tentando achar uma postura confortável.
– É claro que ele não mudaria… Eu sou muito tonta de achar que isso aconteceria, eu preciso internalizar que eu sou a namorada dele nas câmeras. – suspirou fundo. – Eu devia estar bem feliz e ser grata por isso, não é? Afinal, estou tendo a vida que eu sempre sonhei, mas eu não consigo!
– Está tudo bem, , é normal se sentir assim, você não é uma ingrata por isso. – deu um beijo na cabeça da amiga. – Eu não sei se ele ficou com as meninas, ok? Eu só vi que ele estava lá, chica, não vi o que veio depois.
– Ok, investiga para mim com as outras garotas? – assentiu, perguntaria assim que voltasse para casa, hoje não era dia de estágio. – Mas e quando você voltou para casa? Inês deve ter ficado possessa, as meninas devem ter contado sobre seu sumiço no meio do programa. – a fitou, e seu mecanismo de defesa para sempre mudar de assunto quando as coisas não saiam como ela planejava, típico.
– Contaram sim, eu levei uma bronca de Inês. Eu inventei uma desculpa que estava passando mal, obviamente que ela não acreditou, tenho certeza que uma das meninas fez minha caveira dizendo como eu saí dali… O fato é que ela me tirou 150 euros por conta disso, fiquei possessa, porque é muita grana!
– Sim, é muito dinheiro, sinto muito. E as coisas com como estão? Vocês se falaram depois? – negou, os olhos voltando a lacrimejarem.
– Ele nunca vai me perdoar, e eu tenho que respeitar isso… – suspirou. – Eu mesmo me odeio por ter enganado-o.
– Ele deveria te ajudar, te tirar dessa vida, apesar de ele não aprovar sua atitude. É inaceitável que ele te deixe passar por todas essas coisas, tendo a grana que ele tem. É um absurdo!
, por favor… – tentou defender , mas foi em vão.
– Não, nem tente. Ele tinha a obrigação de te ajudar, por tudo o que você contou para ele, chiquita! – estava possessa. – Isso não vai ficar assim…
! Me escuta, por Diós! Você não vai fazer nada, eu vou sair da prostituição por mim mesma, não quero a ajuda do , você entendeu? – a amiga suspirou fundo, assentindo. não precisava saber de nada, mas que agiria, ah ela agiria sim!

***

estacionou o veículo em frente ao local. Ajeitou o boné e os óculos, estava esperando que ela saísse daquele lugar, precisava conversar com ela. Esperou uns bons minutos e finalmente pôde ver quem queria saindo da Universidade. Desceu do carro, andou a passos rápidos em direção a ela e conseguiu puxá-la pelo braço.
Diós! – arregalou os olhos, quando viu que estava sendo puxada por alguém.
– Me desculpa, , eu precisava mesmo falar com você, não queria que me visse, e eu sei que vocês sempre estão juntas, me arrisquei vindo para cá. Por favor, entra no carro. – suspirou, assentindo e entrando no veículo. deu a volta e entrou no carro também.
– Sobre o que quer falar que tem que ser longe da ? – ela revirou os olhos. Ela tentou encará-lo, mas não conseguiu devido aos óculos de sol que ele estava. afundou seu corpo no banco.
– Como eu faço para ajudar a ? Eu quero tirá-la da prostituição, ela me disse que tem uma dívida alta com essa gente, e eu quero quitar tudo. – abriu um lindo sorriso, era mesmo um príncipe, mesmo magoado com , ele ia ajudá-la. Até se sentiu mal por ter pensado que ele tinha abandonado sua amiga.
– Eu vou te levar lá, e você quita a dívida dela, mas antes disso temos um pequeno problema. – o jogador se virou para a moça. – A mãe dela desembarca hoje à noite em Barcelona, e eu acho que não é o momento para que ela descubra o que a filha faz para viver aqui, a mãe dela a levaria sem pestanejar para o Brasil e o esforço dela de conseguir se manter aqui em Barcelona para terminar a faculdade seria em vão. – assentiu.
– Ela não me contou nada sobre a mãe dela... – suspirou. – Enfim, ela nunca me contou nada mesmo... – comentou magoado. suspirou fundo, ignorando a última fala dele.
– Eu tive uma ideia sobre o que fazer, , mas talvez a ideia não te agrade muito… – abriu um sorrisinho amarelo. a olhou de escárnio.
– Quem está na chuva é para se molhar, não? – ela riu. – Me leva lá para conversar com a cafetina, e me conta essa ideia no caminho... – ele deu partida no veículo.
assentiu e assim o fez, primeiramente contou sobre a ideia que , obviamente, não gostou e logo após foi explicando o caminho, até que finalmente ele encostasse o carro em frente ao escritório da cafetina. Ambos desceram juntos e conversaram com a mulher que não ficou nada contente com a notícia, já que não fazia nem três semanas que havia perdido e perderia outra garota, e por isso cobrou um valor mais alto do jogador, que, sem nem hesitar, pagou a quantia para a mulher.
ensinou o caminho para que chegasse até onde morava, pediu para que ele esperasse ali e desceu do veículo para chamá-la. suspirou fundo, não estava pronto para vê-la ainda, era tudo muito recente, mas não tinha escolha, não podia abandoná-la depois de saber a história de vida dela, era desumano. Que Deus o ajudasse a ter forças.
A estudante de direito adentrou o antigo quarto, sem sentir nenhuma falta do local, e pôde ver que estava dormindo, abriu um sorriso malicioso e se jogou na amiga, a acordando de uma vez no susto.
Mierda, o que está fazendo aqui? Carajo! – acordou mal humorada.
– Vim te buscar, mi amor, faz sua mala, você vai embora daqui! – ainda estava em cima de , e começou a pular nela. estava atônita após a informação.
– Você está louca? Não, só pode estar… Ah já sei, você bebeu todas em plena... – tentou buscar o celular debaixo do travesseiro para visualizar as horas, mas não conseguiu, pois estava em cima dela. – Sai de cima de mim, sua louca! Não ‘tô conseguindo respirar. – gargalhou, se jogando ao lado da cama da amiga.
– Eu estou falando sério, chica. – ela se virou, se nenhum resquício de risada na face. – Faz sua mala agora, você vai embora daqui. – a encarou e percebeu o teor das palavras da amiga.
– Mas como assim?
pagou sua dívida, você está livre! – sentou de uma vez na cama.
– Ele o quê?


* Eu inventei o nome do bar, não existe. Eu cacei no Google, mas não achei nenhum bar com música brasileira por ali.


Capítulo 11

If there's one spark of hope
Se houver uma centelha de esperança
Left in my grasp
Deixada ao meu alcance
I'll be holding it with both hands
Eu seguraria ela com as duas mãos
It's worth the risk of burning
Porque vale a pena o risco de se queimar
To have a second chance
Para ter uma segunda chance
No no no no no no
Não, não, não, não, não, não
I need you baby
Eu preciso de você, querido

(I Still Believe - Mariah Carey)

– Isso mesmo que você ouviu, agora vamos embora logo, arruma suas malas – ficou estática, não conseguia acreditar no que a amiga dizia. – , o está lá fora nos esperando!
– Meu Deus! Meu Deus! – estava surtando, andava de um lado para o outro.
– É real, mi amor. sorriu, sua reação tinha sido a mesma da amiga quando Dembelé lhe propôs o namoro falso. ainda andava pelo quarto, mas parou bruscamente quando pensamentos nublaram sua mente.
– Espera, você foi atrás do e falou alguma coisa para ele? – negou com a cabeça.
– Juro que não, chica, ele quem veio atrás de mim e me perguntou como fazia para quitar sua dívida… Eu sei, é difícil de acreditar, mas você vai sair daqui! – a abraçou de lado.
– Eu não sei nem como olhar para o , eu… – sentiu a bile vir à boca, estava nervosa. – Me sinto muito desconfortável com essa situação. Você sabe o quão importante é para mim sair com as minhas próprias pernas daqui, eu junto o meu dinheiro para isso.
, por Diós, quanto mais você junta, mas sua dívida aumenta, é um ciclo sem fim! – esbravejou com a amiga.
– Eu não queria sair daqui com a ajuda de ninguém, essa é a verdade, me sinto tão fracassada… – suspirou, passando as mãos no rosto.
– Engole esse orgulho! – ralhou. – Você não está em condições de negar a ajuda de ninguém, ainda mais do que te ajudou sem você se quer merecer! – a encarou chateada, as palavras eram duras, mas verdadeiras. – Olha, se te deixa mais tranquila, quando você estiver bem, você devolve todo o dinheiro para ele! – suspirou fundo.
– Não é como se eu tivesse escolha, né? – deu de ombros. – Tá certo, você tem razão, não deveria nem olhar para a minha cara e está fazendo tudo isso para mim, sem eu sequer pedir – mordeu os lábios. – Será que ele me perdoou? – fez uma mini caretinha.
– Não, ele não te perdoou, chica, sinto muito… – se jogou na cama, tampando o rosto, não seria fácil conseguir o perdão do rapaz.
– Ai, Deus, as coisas nunca melhoram… – suspirou fundo cansada. – Enfim, de qualquer forma, eu juro por Deus que vou devolver esse dinheiro! – sua voz saiu abafada, devido a estar com o rosto no travesseiro.
– Eu não duvido de nada, com certeza você devolverá. – se levantou da cama e na pontinha do pé conseguiu pegar a mala da amiga que estava em cima do guarda-roupa. – Agora, mala! – ela cutucou a lateral da barriga dela, fazendo cócegas, sabia que ali era o seu ponto fraco.
– Tá bom, tá, já me levantei… – terminou a fala aos risos. – Vamos a mala... – foi em direção ao guarda-roupa e foi pegando as coisas.
Chica, descobriu aquela história do Ousmane Dembélé? – mordeu os lábios, assentindo. – E então?
… – fechou os olhos, tentando achar palavras para falar com a amiga. – Ele ficou com a Antonietta. – era como se facadas fossem dadas na boca do estômago da estudante de direito.
– Com a Antonieta! Transou com a Antonieta! Se eu estou com raiva? Muito, eu estou espumando… Eu odeio aquela mulher! – A boca da moça transformou-se numa linha dura. – Minha vontade é de matar aquele francês sem vergonha!
– Eu não sabia como te falar sobre isso, eu sinto muito, ! – a olhou com pena.
– Não me olha assim, pelo amor de Deus, , eu sabia onde estava me metendo, está tudo bem, eu vou dar a volta por cima.
– O que pretende fazer? – alternava o olhar entre a mala e .
– Eu vou fazer o que eu sei fazer de melhor, colocar aquele homem na linha, ando frouxa demais com ele...
– O que está querendo dizer? – recolhia suas bijuterias e maquiagens espalhadas pelo quarto e as colocava na mala.
– Eu vou deixar aquele homem louco por mim, pode apostar, chiquita, ele não vai procurar mais nenhuma mulher. – balançou a cabeça em negação, sabendo bem o que era capaz na cama para prender um homem, só ela sabia o quanto sofreu para lidar com os clientes da amiga. – Eu te prometo, ainda viro a namorada de verdade dele.
– Eu não duvido de nada vindo de você, nunca duvidei – fechou a mala. – Tudo pronto. – sua boca se fechou em um sorriso fechado. – Antes de descermos, tem algo que eu preciso saber: onde eu vou morar? – engoliu em seco com aquela pergunta.
– Isso é assunto para depois, agora, por favor, vamos descer?! – a encarou desconfiada, mas resolveu fazer o que a amiga dizia, afinal estava lá esperando-a. Quase teve uma síncope ao constatar que estava mesmo esperando-a. Mordeu os lábios, deu uma última olhada no quarto… Mas uma nova fase em sua vida estava sendo escrita, agora restava saber se ela estava preparada para tal.

já estava entediado com a demora das duas em saírem do prostíbulo, o quão difícil era pegar as próprias roupas e enfiar em uma mala? Mulheres... Finalmente ele pode avistá-las saindo da casa com uma mala grande que pertencia à , o jogador sentiu seu coração vir a boca. Ele desceu do carro de uma vez e travou quando parou em frente a , ambos se encararam de forma intensa.
– Oi, , eu gostaria de… – desviou o olhar de uma vez e não deixou que ela terminasse de concluir a fala, ignorando-a e pegou a mala dela colocando dentro do porta-malas do carro.
fechou os olhos, seu lábio inferior tremeu, ela o mordeu antes que sentisse qualquer vontade de chorar. Sem maiores delongas, abriu a porta de trás do carro, não ia na frente com ele, ele sequer conseguia encará-la, ela não ia forçar a barra.
– O que está fazendo? – sussurrou para a amiga.
– Estou poupando o , você não viu como ele me ignorou? Me senti um lixo como ser humano… – sussurrou de volta. fechou o porta-malas, e entrou no banco de trás. revirou os olhos, mas entrou ao lado da amiga.
– Eu não vou ficar de motorista das duas… , passa para frente. – a moça ia questionar, mas foi interrompida por .
Chica, só passa para o banco da frente, por favor… – a amiga bufou, mas fez o que lhe foi pedido. Aquela indiferença de estava acabando com , desde quando eles haviam evoluído para aquilo?
– Certo, antes do dirigir, preciso falar sobre algo com você, , já sabe de tudo e concordou… – abriu um sorrisinho maroto. – Eu tive uma ideia, talvez você não goste, mas não vejo outra solução se não essa.
– O que mais pode vir de você, ? Depois de hoje, nada mais me surpreende – pôde sentir o olhar de pelo retrovisor, ela o correspondeu e ele se acovardou desviando o olhar.
– Certo, sua mãe chega em menos de duas horas aqui e bom, você não vai contar nada para ela sobre o que você fazia para viver.
– Como assim? Não, chega de mentiras, , estou esgotada de tudo, eu só quero poder encostar minha cabeça no travesseiro e poder dormir, dormir como há tempos eu não consigo fazer…
– Você quer ir embora de Barcelona sem concluir sua graduação, Darlozo? Não, porque se você quiser, é só contar tudo para sua mãe! – engoliu em seco.
– E o que você tem em mente? – suspirou fundo, se rendendo, falar sobre sua faculdade era golpe baixo.
– Você vai morar com o , simples assim. Para todos os efeitos vocês estão namorando/casados, não é uma ideia perfeita? – engasgou com a própria saliva. se virou para trás prendendo a risada.
– Ele concordou com isso? – depois de conseguir recuperar a voz, foi a primeira coisa que perguntou. ia responder, mas se conteve quando percebeu que falaria.
– Sim, eu concordei, me convenceu que é o melhor, já que no final de junho você se forma e seu esforço irá para o ralo se sua mãe descobrir tudo, não é? – sentiu um quentinho no coração ouvindo aquelas palavras dele, ele queria que ela terminasse sua faculdade. encarava de um para o outro.
– Certo, você tem razão… Mas como você se sente com isso, ? Vamos ter que fingir um namoro, afinal… – ela não ousou terminar a frase.
– Não ache que está sendo fácil para mim, me machuca muito ficar perto de você, é extremamente desconfortável tudo isso, mas é só por três dias... – fechou os olhos com força, estava doendo ver trata-la daquele jeito, doía, mas doía muito. – Eu fui convocado novamente para vestir a camiseta do meu país e tenho que me apresentar ainda essa semana ao técnico Tite.
– Que incrível, meus parabéns! – ele assentiu. – Bom, se você concordou com essa maluquice, eu não me oponho, , não tem motivos para me opor. Eu, na verdade, só tenho que te agradecer por tudo o que fez por mim sem que eu merecesse, serei eternamente grata e assim que Deus me permitir devolverei centavo por centavo.
– Não precisa, eu faria por qualquer pessoa que precisasse… – negou veemente com a cabeça.
– Eu sei, mas eu vou devolver de qualquer jeito. – ele suspirou fundo, e ligou o carro.
– Enfim, vamos para casa de , você se troca, guarda as suas coisas, a gente forja que você mora lá há um tempo e depois você dois vão buscar dona Maria no aeroporto, combinado? – eles assentiram. E assim foi feito, a primeira parada foi na casa de .

***

Os três chegaram na casa do jogador e espalharam por toda casa pertences pessoais de como roupa, calçados, e colocaram algumas coisas dentro da suíte de para deixar a situação bem mais real.
– Minha mãe acreditaria mais se eu dissesse para ela que é meu amigo. – revirou os olhos, estava somente as duas amigas na suíte do jogador, acompanhadas por Tuntz que estava no colo de , enquanto ela afagava os pelos do cachorro, não tinha quem resistisse ao animal.
– Pelo amor de Deus, será que eu terei que desenhar? Você não vê que essa é a sua chance de reconquistar o ?
, não acho que isso seja uma boa ideia, a situação pode piorar mais ainda e eu não quero que piore, entende? – suspirou cansada.
– Me escuta, ele ama você, ama muito mesmo, tá? Não é qualquer um que faz o que ele está fazendo, eu já te disse isso. – ralhou com a amiga. – Eu sei que minha ideia não é das melhores, talvez um pouco infantil, mas poxa, estou fazendo isso para te ajudar! - suspirou. - Você precisava de um plano para se manter aqui, o me procurou querendo te ajudar… Eu só uni o útil ao agradável. – fechou os olhos, sentando-se de uma vez na cama, mais uma vez naquele dia seria vencida pelo cansaço.
– O que sugere?
– Seduza-o, você conhece os pontos fracos dele, conhece o que ele gosta, explore isso, ele vai ficar mexido, pode apostar. Homens são homens.
– Eu não quero e não vou transar com ele brigado comigo… – fez um biquinho. – Ele tem que me perdoar de coração e não me procurar por tesão reprimido. É por isso que eu sinto que isso pode piorar minha situação com ele.
– Não estou falando para você transar com ele, eu só disse para seduzi-lo, a ponto de deixá-lo louco e não concluir nada. Fora que vocês vão fingir só na frente da sua mãe… São nesses momentos que você usará a seu favor…
– Eu vou pensar sobre isso, ok? – deu de ombros, assentindo. As duas levantaram da cama de uma vez e concluíram o resto que faltava arrumar no quarto. Terminaram tudo por volta das 17h30, pois às 18h30 estava previsto que o voo de Maria pousaria em solo espanhol.
estava sentado no sofá imerso em pensamentos, quando pôde avistar as duas descendo as escadas. Respirou fundo e se levantou do sofá direcionando-se para a saída da casa. Novamente, sentou-se no banco da frente e foram em direção a casa da moça para deixá-la lá.
– Pelo amor de Deus, ajam como namorados para a mãe dela, selinhos trocados, demonstração de afeto, palavras de carinho, estamos entendidos? – ambos assentiram. tinha fé que seu plano seria vitorioso, afinal, tudo tinha sido milimetricamente pensado. Suspirou enquanto via o carro se distanciar, aqueles dois eram feitos um para o outro, só precisavam deixar aquele orgulho de lado.
, passa para frente, namorados não são motoristas de namoradas. – negou com a cabeça a infantilidade dele, mas fez o que ele havia pedido pulando o bando para frente, sentando-se ao lado dele.
Depois daquele breve diálogo, passaram o caminho inteiro calados. Chegaram ao aeroporto antes do horário do avião pousar, ambos sentaram para aguardar e permaneceram em silêncio. não sabia muito bem o que dizer, nunca havia visto uma versão dessas de , será que aquela maluquice de daria mesmo certo? Ela não sabia, mas escutaria a amiga, que ela estivesse certa.
Enquanto ela devaneava, mexia no celular desconfortável, afinal só de tê-la ao seu lado o desestabilizava, nunca pensou que iria querer tanto, mais tanto representar o Brasil em um amistoso.
olhou o celular e percebeu que estava próximo do desembarque da mãe, e que de acordo com o painel informativo, o voo estava dentro do horário. Deu um leve cutucão em e ambos foram para o portão de desembarque.
O avião pousou em solo espanhol, sentiu o corpo arrepiar, desde quando ela sentia tanta saudade assim da mãe? Talvez estivesse tão preocupada que não conseguia pensar na falta que ela fazia, depois de toda a reviravolta em sua vida, era a primeira vez que a veria.
Pessoas começaram a passar por ali, mas nada de sua mãe, estava tão ansiosa para vê-la, sentia o coração disparado... a abraçou de lado, ela se assustou com o toque, fazendo com que ele ficasse completamente tímido.
disse que... – ela quis rir, mas se segurou.
– Eu sei, tudo bem, só me assustei mesmo. – abriu um sorriso tranquilizador. Pode ver uma senhora com uma mala de rodinhas andando em direção a ela e abriu um sorriso, quanto tempo fazia? Quase um ano… Se desvencilhou de e correu em direção a mãe e a abraçou ternamente, sentiu lágrimas virem com força, tudo o que ela precisava na vida era daquele abraço. Seu choro agora era alto, como estava com saudades dela… E pensar que nem queria que a mãe viesse visitá-la, o quão injusta ela se sentia. encarava um pouco distante a cena e sentiu-se emocionado, afinal, sabia o que era estar longe de sua família, vivenciava aquilo desde muito jovem.
– Filha, meu amor, está tudo bem, eu já cheguei, estou aqui. – Maria passava as mãos na bochecha da filha limpando suas lágrimas, enquanto ainda estavam meio abraçadas.
– Eu sei, mãe, eu sei. – a mãe tentava inutilmente não chorar, mas estava difícil então tinha o rosto encharcado. – Aconteceu tanta coisa, eu só queria um abraço seu. – a abraçou novamente, dessa vez com mais força.
– Eu juro que tentei vir antes te acolher, mas infelizmente eu não pude, seu pai tinha acabado de trocar de emprego, mas eu estou aqui agora, ok? Eu vou ficar uma semaninha inteira e não vou desgrudar de você.
– Será a melhor semana da minha vida aqui em Barcelona. – sorriu ainda abraçada a mãe.
Não deu para saber quanto tempo durou aquele abraço, mas, com certeza tinha sido longo, pois já não havia mais ninguém desembarcando por aquele portão. Antes de começarem a andar, Maria encarou profundamente a filha.
– Minha filha, você está muito pálida, sem cor, fora que é possível perceber que emagreceu um pouco, está tudo bem mesmo?
– Agora está, mãe, estou estagiando, te contei sobre isso, por isso estou mais magra, é a correria do dia a dia.
– Tem certeza mesmo, ? Não está me escondendo nada? – a mãe encarava a mais nova com um olhar desconfiado. Como mesmo dizia, era o olhar de raio x, dava para escanear a alma.
– Na verdade, eu estou escondendo algo sim, mãe… Vem. – as duas caminharam juntas e as aguardava agora com um sorriso nervoso. Que enrascada havia se metido… – Há algo que não te contei... Não estou morando com . – Mãe, esse é o meu namorado . , essa é Maria, minha mãe. – a mulher encarou o rapaz minuciosamente. Que novidade era aquela? E por que havia escondido aquele relacionamento?
– Prazer, querido. – ela se aproximou dele e lhe deu um beijo no rosto. – Você não me é estranho, rapaz... – abriu um sorriso tímido.
– Olá! Feliz em conhecê-la, dona Maria. Sou brasileiro e jogador de futebol, saÍ do Grêmio em julho, agora defendo a camisa do Barcelona, talvez a senhora tenha me visto algumas vezes na tevê. – Maria arregalou os olhos novamente, nada estava fazendo sentido nenhum para ela, definitivamente lhe devia boas explicações.
– Claro, sim devo ter te visto na tevê, meu marido é torcedor fanático do Grêmio, deve ser isso mesmo… – forçou um sorriso ao rapaz.
– Ah, por favor, deixa que eu carrego a mala da senhora, deve estar muito pesada. – ele pegou a mala dela e foi levando consigo.
– Você é muito gentil, agradeço por isso. – ela abriu um bonito sorriso, recomeçando a caminhada. Maria segurou o braço de , deixando com que tomasse uma distância relativamente grande delas, engoliu em seco.
, por que não me contou sobre isso? – apontou de para ela e dela para .
– Eu prometo que conto tudo, mãe, mas vamos sair daqui. – a mulher suspirou fundo, desconfiada, mas assentiu. Andaram mais depressa, alcançando , abraçava de lado a mãe, não queria mais desgrudar dela. O jogador guardou as coisas no porta-malas do veículo, e gentil do jeito que era, abriu a porta de trás para que a sogra se acomodasse, fez o mesmo com . Entrou e ligou o carro, começando a sair daquele lugar.
– Mas então, me contem, como se conheceram? – um olhava para a cara do outro, lembrando-se das recomendações de .

– Prestem bem atenção no que eu vou dizer a vocês… Não vai dar tempo de inventar uma historinha muito elaborada sobre a relação dos dois, então trabalhem com a verdade, mas quando vier perguntas do tipo, quanto tempo faz que namoram, quando houve o pedido de casamento/morar juntos, como surgiu o convite e etc, apenas um de vocês devem responder, ok? Não se embananem e respondam os dois, se não o plano vai por água a baixo, conhece muito bem a mãe que tem. Estamos entendidos? – ambos assentiram.

– Nós já nos conhecíamos, mãe, estudou comigo na escola, ele entrou no último ano do ensino fundamental. Nos reencontramos ao acaso em uma cafeteria próxima a minha faculdade, fomos nos aproximando cada dia mais e quando percebi estávamos completamente envolvidos e apaixonados. – olhou de soslaio para . – Eu o amo muito…
– Ela não queria a princípio, levei muitos foras até que ela aceitasse sair comigo… – complementou, com um pequeno sorriso. – Agora estou apaixonado e não enxergo minha vida sem ela comigo, só de pensar me deixa quebrado. – confidenciou. sentiu que poderia passar mal a qualquer momento, será que aquela declaração tinha algum fundo de verdade?
Maria pode sentir sinceridade vinda dos dois, mas por que esconderia aquilo? Aquela história não se encaixava direito, não via a hora de poder conversar com a filha a sós.
– Nossa, parece história de novela, não? Se conhecem há tanto tempo, mas só foram ficar juntos agora… – Maria encarava aos dois.
– Tudo no tempo de Deus, mãe, quando eu o conheci éramos só amigos, você sabe, namorei o Jonathan por muitos anos, não tinha a menor possibilidade de eu me relacionar com naquela época, apesar de ele querer. Digamos que ele já gostava de mim há muito tempo. – se deliciou quando viu mexer-se desconfortavelmente no banco. 1 x 0.
– É, pois é, o coração não escolhe por quem a gente gosta, se pudesse escolher eu não teria gostado dela naquela época – Outch, tirou o sorrisinho da boca, ela havia pegado a indireta. – Sofri um bocado.
– Eu imagino, eu imagino. – Maria comentou em compreensão. 1 x 1. se ajeitou no banco e levou sua mão até os cabelos de os afagando, vez o outra descia um pouco mais a mão arranhando de forma leve a nuca de , ele acabou por se arrepiar, e ela percebeu.
gosta quando eu faço um cafuné nele, diz o que o relaxa... – virou a cabeça em direção a mãe – Mas me conta, como está meu pai? Minhas irmãs? – tentou mexer-se no banco para tirar a mão da mulher dali, mas ela fez mais força, mantendo sua mão ali. sabia mesmo o que estava fazendo e aquilo estava o torturando lentamente. 2 x 1.
– Estão bem, meu amor. Seu pai está adorando o novo emprego, diz que aquilo é empresa de verdade e que lá é muito bem reconhecido. – abriu um sorriso feliz. – Luna e Nina estão muito bem, Luna está estudando muito, quer fazer como você, meu amor, vir para cá estudar… – diminuiu o carinho na nuca de , aquele assunto não era muito agradável. Luna tinha 14 anos, e estava já no final do ensino fundamental, logo entraria no ensino médio. Nina era mais nova, tinha 10 anos, e ainda estava no início dos anos escolares. – Elas sentem muito orgulho de você, meu amor, contam para todo mundo que tem uma irmã que mora na Espanha, você bem sabe disso...
– Sim, eu sei… – fechou o sorriso, aquilo antigamente era motivo de orgulho para ela, queria mesmo que as irmãs seguissem seus passos, mas só de pensar que elas pudessem passar por tudo o que ela estava passando, ela se arrepiava, não desejava aquilo nem para o seu pior inimigo, quiçá para as razões de sua vida. – Eu que tenho orgulho delas, muito esforçadas, elas vão longe e não vão precisar seguir meus passos, elas serão pessoas muito melhores que eu, mãe.
– Você já é uma pessoa incrível, querida, por que fala isso? – a encarou de forma perigosa.
– Por nada, mãe, é só besteira minha… – o jogador entrou no condomínio fechado e fez com que a atenção da mais velha se voltasse para o tamanho daquelas mansões. O genro parou em frente a uma das maiores dali.
– Chegamos em minha humilde residência. – ele arriscou brincar, arrancando uma risada de . Maria estava completamente boquiaberta.
– Menino, me diga, você mora sozinho ai? – a mulher descia do automóvel embasbacada ainda.
– Morava sozinho no início, mas agora tenho a companhia de , e do nosso filho, o Tuntz – a mulher arregalou os olhos. – É o nosso cachorro. – mordeu os lábios fofamente, negando com a cabeça, tinha que se controlar, aquilo não era verdade, era só teatro. O jogador abriu o porta-malas e pegou a mala de Maria – Mas vamos entrar, por favor.
Entraram na casa, e Maria a cada passo que dava ficava visivelmente mais surpresa, aquilo era luxo demais, nunca imaginou que a filha estivesse tendo aquele padrão de vida… Sentiu um vulto branco em volta dela, abaixou-se e pegou o animal que pulava eufórico.
– É a vovó, meu amor… – alisou o pelo do animal. – Ele amou você, mãe. – encarava a cena com um enorme sorriso, Tuntz era tão dócil, tão neném.
– Ele é um amorzinho. – a senhora desceu o animal do chão, afagando-o pela última vez.
– Ele é sim. - abriu um sorriso. - Mas vamos subir, vou apresentar o quarto onde a senhora vai ficar. – carregou a mala da mulher escada acima. Chegaram em frente ao quarto e entraram. – Espero que a senhora goste daqui e que esteja a seu agrado.
– É claro que irei gostar, olha o tamanho desse quarto, é imenso, . – ele abriu um sorriso sem graça. – Ah, enquanto eu estiver aqui, poderei cozinhar? A está morrendo de saudades do meu tempero.
– Claro que sim, vou dispensar a cozinheira para a senhora ficar à vontade na cozinha. Só é uma pena que ficarei por aqui por no máximo três dias – Maria franziu o cenho. – Vou jogar pela seleção brasileira em um amistoso em Londres, quando eu voltar, a senhora não estará mais, infelizmente.
– Entendo, o dever chama, não é? – assentiu.
– Bom, creio que vocês tenham muito o que conversar, e então eu darei a privacidade que precisam. – caminhou relutante e parou em frente a estudante de psicologia, a olhou e aproximou seus lábios dos dela, lhe dando um rápido selinho, mas que foi o suficiente para sentir o coração querer pular do peito, qualquer proximidade com aquela mulher o deixava assim, completamente sem chão. suspirou fundo, vendo o se afastar e deixá-la a sós com a mãe.
– Ele é mesmo muito bonito, , me pareceu um rapaz muito gentil, atencioso, mas sabe o que não se encaixa de jeito nenhum nessa história? – sentou na cama de uma vez, esperando que a mãe terminasse – Por que você me escondeu essa relação?
– Eu… Não sei, achei que a senhora pudesse achar que eu fosse interesseira, porque eu estava na pior, dividia um apartamento pequeno com e ele apareceu… - Maria lhe olhava surpresa.
– O que está dizendo? , o que acha que eu sou? Eu jamais acharia isso de você, querida. Você nunca deu indícios disso, sempre foi uma menina batalhadora, esforçada e inteligente. Viveu anos de relacionamento com um rapaz que não tinha perspectiva de vida nenhuma, se fosse assim você já tinha trocado ele por um espanhol ricaço qualquer daqui. – Maria sentou-se ao lado da filha e a encarou. – Filha, você está tensa… É só isso mesmo? Você não está me escondendo nada a mais?
– Não, mãe, não estou escondendo mais nada, eu só não te contei por que também fiquei com medo de a senhora não gostar, afinal, eu não casei com ele, e já estamos morando juntos…
– Filha, só seu pai acredita que você é virgem ainda, agora morando com esse rapaz você destruiu as ilusões dele. – as duas gargalharam com aquilo, amenizando o clima. – Confesso que não idealizei isso para você, meu amor, queria que você casasse na igreja antes de morar com alguém, mas está tudo bem.
– Quando for o momento a gente casa na igreja com tudo nos conformes, pode apostar. – isso se um dia ele me perdoar, e quiser ter algo comigo, aquilo ela completou mentalmente. Maria lhe abraçou ternamente. Não estava sendo fácil para ela mentir assim para a mãe, Deus sabia como doía no peito isso, suspirou fundo tentando esconder o choro que poderia vir. tinha razão, se a mãe soubesse toda a verdade, ela iria embora de Barcelona sem pestanejar e seus estudos estariam arruinados, precisava ser forte e sustentar aquela mentira. Era por um bem maior e também ela nunca descobriria sobre, afinal, ninguém contaria, certo?
– Quanto tempo faz que estão juntos? – fez uma careta engraçada. –
– Então, nos reencontramos em setembro, mas estamos juntos mesmo desde o mês passado. – Maria arregalou os olhos. – Eu sei, faz pouco tempo, mas é o amor, sabe? Eu estou apaixonada, ele também, a gente só quis mesmo morar juntos.
– Meu amor, você já é uma mulher feita, espero que saiba o que está fazendo, hein? Fico preocupada com você. - a mãe suspirou, era óbvio que não estava feliz, era uma loucura tudo aquilo.
- Sim, eu sei, mãe, mas fomos feitos um para o outro, o que pode acontecer é eu me magoar e quem nunca teve um coração quebrado? O importante é que estou plenamente feliz. – mexeu nos cabelos com um sorrisinho de lado
- Fico feliz que esteja feliz, querida, mas, vou ocultar de seu pai esse tempo de namoro, se não é capaz de ele vir aqui em Barcelona e acabar com o pobre . – elas gargalharam mais uma vez. Que saudades estava dessa cumplicidade que elas tinham.

Como já estava a noite, depois da conversa que ambas tiveram, desceram e havia pedido que a cozinheira servisse o jantar daquela noite, já que não daria tempo de Maria fazer qualquer coisa. Ambos comeram regrados de muita conversa e risadas, havia gostado de Maria, a mulher era extremamente simpática e de riso fácil. Todos sabiam o quão reservado ele era, mas havia ficado bem à vontade com a mulher. Maria estava estranhando muito o fuso horário e depois do jantar decidiu que era a hora de deitar e tentar dormir.
subiu as escadas em direção ao quarto de e foi tomar banho, precisava disso. Entrou no chuveiro e respirou fundo enquanto a água escorria por seu corpo e seus pensamentos voaram, que dia tinha sido aquele, uma chuva de surpresas, ela morando na casa de , a mãe dela ali no mesmo teto que eles achando que eles tinham um relacionamento.... Ela gargalhou, era melhor rir do que chorar. Com aquela água ela queria passar uma borracha em seu passado, e se preparar para o que o futuro lhe reservava.
Saiu do banho e procurou por uma toalha, mas não localizou nenhuma, havia esquecido de pedir uma a ele.
! – ela gritou pelo rapaz, não demorou muito e ele estava na porta do banheiro.
– O que houve? – perguntou já dentro do quarto.
– Bom, eu vim para o banho e esqueci de pegar a toalha, poderia, por gentileza, pegar para mim? – ela respondeu através da porta. Ele abriu a porta do guarda-roupa e pegou uma toalha limpa, deu dois toques na porta para que ela a abrisse de uma vez, e assim ela o fez, apareceu só sua mão para pegar o objeto esquecido. – Obrigada.
– De nada. – se virou de costas, quando ia encostar a porta lembrou-se de sua conversa com , e decidiu só empurrá-la levemente, de forma que ela abrisse e ficasse uma fresta. Ficou de frente a fresta da porta, lá deixou a toalha pendurada e começou a passar a mão em seus cabelos molhados.
virou-se para trás quando viu que saía vapor da porta e foi melhor que não o fizesse. Prendeu a respiração ao ver completamente nua, em frente aquela porta, virou-se de uma vez e não conseguiu desviar os olhos daquela visão. agora passava a toalha por todo o seu corpo, enquanto assistia aquilo e tinha os seus olhos loucos de desejo. Ele tentava desviar o olhar da cena, mas simplesmente não conseguia, era como ímãs.
terminou de se secar de uma vez, e agora passava creme por todo seu corpo, mania a qual tinha de sempre fazer quando tomava banho. instintivamente foi mais para frente, para apreciar melhor aquele showzinho, parando praticamente em frente a fresta, sentiu seu membro dando sinais de vida. Aquilo era tortura! Passou a mão no rosto, atordoado. Aquela mulher ainda o enlouqueceria.
terminou de passar todo o creme, colocou sua pequena camisola, sem qualquer peça íntima, virou-se de uma vez em direção a saída da porta, pegando-o no flagra, ele tentou disfarçar, virando-se de costas, mas era nítido que ele tinha visto tudo, era só ver o volume nas calças dele. quis rir, mas se controlou.
– Ah, meu Deus, a porta abriu… – comentou cínica, saindo enfim do banheiro, vendo-o ainda de costas. Deu a volta no quarto, deitando-se de uma vez.
– Eu… É… Eu… Vou tomar um banho. – comentou com a voz fina, se trancando no banheiro. riu baixinho, estava começando a gostar daquilo.
se despiu de uma vez, abriu o chuveiro no gelado e entrou, só assim para acalmar os ânimos, aquilo não ia dar certo. Mais uma daquela e ele não teria forças para resistir. Mas, também ela era muito gostosa, gostosa até demais, que homem são conseguiria resistir àquilo? dividindo aquele quarto com ele por três dias seria tortura, ele tinha que dar um jeito de se apresentar antes a seleção brasileira, caso não, ele cairia em tentação… E ele ainda estava muito magoado com ela para se deixar levar.
Ele suspirou fundo, saiu do banheiro e já estava adormecida, ou parecia estar. Ele pegou uma almofada, lençol, e jogou no sofázinho que tinha no canto, ele não estava louco ainda de dividir aquela cama com ela. Tentou arrumar uma posição confortável ali, mas estava sendo uma tarefa difícil. se virou na cama, ficando agora de frente para ele.
, você vai amanhecer com dores, é nítido que esse sofá é pequeno para você. – ele bufou, a encarando – Vem, deita aqui.
– Não, estou bem. – ele tentou se mexer no sofá, fazendo uma careta de dor.
– Bom, você que sabe, não vou ficar insistindo com isso, se nem falar comigo direito você quer, que amanheça cheio de dores amanhã! – ela fez um bico de lado, virando-se para o lado oposto ao dele, tentando dormir. Ele conseguiu arrumar uma posição melhor no sofá e fez o mesmo, poderia amanhecer com dores, mas era melhor para sua sanidade mental.




Continua...



Nota da autora: Venho com mais uma atualização quentinha de ACOL, do nosso casal fofinho. Hum… Mari, tu acertou, hein? Eles vão fingir um namoro para a mãe dela hhahah. E o que acharam da dona Maria? E esse joguinho de sedução da com o PP? Será que o resiste?
Vem para o grupo do Facebook ou o do WhatsApp, posto alguns spoilers sobre a fic e aviso quando entrar a próxima atualização! Só clicar nos ícones. Beijos <3






Nota da beta: Aquele capítulo que a gente fica ruborizada durante ele inteiro pelas risadas e pelas investidas da Aline! Hahahaha E traga o Arthur para Alê, só ela para colocar jeito na cabeça desse garoto! Hahahaha

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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