Capítulo 1 – Sombras
Na volta para casa foi diferente. Eu voltei para a mansão com minha mãe e Draco voltou para mansão Malfoy.
Por alguma razão eu ia passar um tempo distante dele, pela primeira vez. Aproveitei esse tempo para conversar com minha mãe que me pareceu mais magra da última vez que a vi. Ela passou o dia inteiro tentando me enrolar, mas no final da noite tive que confrontá-la no jantar.
– Já passou da hora de me contar o que está havendo, não é? Mãe! Eu tenho sonho...
– Fique quieta. Não me fale sobre isso... Não me fale sobre nada da sua vida. – Ela disse ríspida. – É perigoso.
– Eu estou cansada de ser colocada de lado, como se eu não pudesse fazer minhas escolhas.
– Eu sou apenas uma mãe tentando lhe proteger! Entenda isso. Sabe da volta dele, sabe que ele está por perto. Você não aguentaria ficar naquela mansão... – Eu franzi a testa entendendo o que ela disse.
– Ele está na mansão Malfoy, não é?
– Não, mas de vez em quando os comensais vão para lá.
– Eles vão recrutá-lo?
– Não tem escolha. Agradeça por você ainda ter essa opção. – Ela falou com a expressão ainda fria.
– Eu posso vê-lo depois? – Ela me olhou me analisando.
– Claro. Se apaixonou pelo garoto? – Ela perguntou interessada e eu não respondi. Vi um sorriso brotar no seu rosto discretamente – Eu fico feliz que ao menos isso vocês tem.
– Como está Narcisa? – Perguntei ao me lembrar dela. Apesar de tudo sabia que ela era superprotetora com seu filho. Ela não deve estar bem com o marido preso e o filho sendo um comensal.
– Eu não queria estar em sua pele, mas está aguentando. Depois que Lucius foi preso, ela tem estado com o emocional instável. Draco chegou em boa hora para apoiar sua mãe.
– Os adultos fazem as merdas e nós temos que limpar. – Resmunguei.
– ! – Ela me repreendeu.
– Mas é verdade. Lucius quem começou isso... na verdade é tudo culpa da família e sociedade... – Reclamei desistindo de saber o real culpado.
– Fique preparada. Talvez ainda essa semana ele queira te conhecer. – Eu congelei. Não queria conhecê-lo. Ouvimos a campainha de casa.
Billy, nosso elfo doméstico foi atender a porta.
– O Senhor Nott está presente, minhas senhoras. – Billy disse anunciando a presença do visitante. Logo vi sua cara de bobo entrando pela sala de jantar.
– Sr. Nott, por um momento pensei que era seu pai... Bobagem a minha. – Minha mãe falou como se fosse normal. O pai de Theo foi preso junto com os outros comensais. – Bom, sei que veio visitar minha filha. – Ela se levantou da mesa.
– O Sr. Nott irá passar a noite aqui? – Billy perguntou.
– Sim, por favor, se eu puder é claro. – Theo falou envergonhado.
– Mas é claro! Você é sempre bem–vindo. Billy por favor, coloque as malas do Sr. Nott em um dos quartos.
– Sim senhora! – Billy respondeu. Minha mãe saiu da sala de jantar indo para algum lugar.
– Sente–se, aproveite que chegou bem na hora do jantar. – Falei sorrindo.
– Obrigado, princesa. – Ele se sentou. – Aqui me parece muito melhor que em casa, isso me conforta.
– Sim, você nunca veio aqui, não é? Nos mudamos a um ano. E concordo que ela é bem mais iluminada.
– Bom, desculpa ter que invadir sua casa sem avisar antes, .
– Ah, por favor, Theo, nos aproximamos muito nos anos anteriores, não me venha com educação. – Nós rimos.
– Sabe que vim aqui por um motivo, não é?
– Qual é o motivo? – Perguntei.
– Ele queria que eu viesse ver como estava. – Ele falou sério. – Visitei a mansão ontem.
– Como ele está? – Perguntei e Nott ficou em silêncio. – Vai me deixar preocupada.
– Ele está um pouco perdido. Mas acho que quando se verem ele vai ficar melhor.
– E você? Como está em casa? – Eu sabia que todos nós estávamos sofrendo com isso. Theodore era um deles, entre os três era o que mais não queria se meter no assunto de comensais. Sua mãe tinha morrido quando ele era pequeno e ele foi criado pela sua avó. Seu pai era presente, mas não adiantava ser presente com loucuras de bruxos das trevas. Ele o odiava. Mas aguentava tudo calado.
– Com meu pai preso passei os dias na casa da minha vó e bom, espero que ele continue por lá por um bom tempo.
Jantamos enquanto detonávamos nossa família com muito cuidado. Ele avisou que Zabini apareceria no outro dia para se juntar a nós. Ficamos na sala de música conversando sobre o próximo ano letivo enquanto ele bebia um copo de Whiskey de fogo aproveitando que não tinha nenhum adulto por perto.
– , posso te fazer uma pergunta? – Ele perguntou enquanto eu praticava piano.
– Você já estava me fazendo muitas a muito tempo.
– É sobre garotas. – Eu parei de tocar na hora e gargalhei.
– Você querendo me perguntar sobre garotas? Não é o garanhão da sonserina?
– Uma garota, em particular. – Ele complementou. Eu fiquei o analisando tentando descobrir por quem ele iria perguntar. – Sua amiga, Yumi.
– O que tem ela?
– Tem namorado? – Eu sorri.
– Depende de quem está perguntando. Se é uma pessoa que quer machucá–la ou com boas intenções.
– Ahh para com isso, Malfoy! – Ele reclamou me pegando surpresa me chamando pelo meu sobrenome de casada. Aquilo ainda era novo pra mim.
– É minha amiga, Nott. Não é qualquer uma...
– Eu sei, acha mesmo que se eu não tivesse interessado eu ia te perguntar?
– A última carta que ela me enviou me disse que tinha terminado com o Macmillan. Então está solteira... – Às vezes Yumi me lembra a Gina, essas duas estão passando o rodo na escola inteira. Gina tinha terminado com o Corner e estava com o Dino Thomas agora.
– Posso então...? – Ele perguntou. – Com sua ajuda, por favor.
– Uma cobra de olho em uma leoa? Essa é nova para mim. Sabe que isso causará confusão, não é?
– Não ligo. – Ele deu de ombros.
– Verei o que posso fazer, Nott. – Falei sorrindo.
– É por isso que você é minha melhor amiga. – Ele falou e senti uma pontada no peito, me lembrando de Harry. Estava sentindo sua falta. Queria lhe enviar cartas, mas não podia. Tinha medo de que alguém soubesse da minha amizade com ele e o rastreasse.
Acordei sentindo um cheiro familiar, senti meus cabelos sendo acariciados por alguém. Abri meus olhos e vi o cabelo loiro que eu adorava, isso me fez me despertar rápido demais.
Me levantei me sentando e o abracei forte, ele retribuiu o abraço.
– Bom dia, serpente.
– Bom dia, dragão – Sorri feliz por ele ter aparecido. – Senti sua falta!
– Eu também. – Ele me deu um beijo de leve.
– Você está bem? Eu sei de algumas coisas. – O analisei e ele apesar de ter perdido um pouco de peso, estava bem. Meus olhos focaram em seu braço que percebi ter algo desenhado. Ele tratou de esconder puxando suas mangas para baixo. – Está tudo bem. Posso vê-la? – Perguntei e ele pareceu envergonhado.
– Talvez não seja uma boa ideia, . – Ele respondeu ainda sentado na cama.
– Não é a primeira vez que eu veria uma. – Ele desistiu de esconder e inclinou seu braço esquerdo para que eu levantasse suas mangas.
Assim fiz e a marca negra estava bem nítida e em movimento. Ele mantinha seu olhar ainda baixo, me aproximei de sua boca, peguei seu rosto entre minhas mãos e o beijei. Nos deitamos na cama, com ele ficando por cima de mim escondendo seu rosto no meu pescoço.
– Eu senti muito sua falta. – Sua voz saiu abafada.
– Bom, estamos aqui agora.
– Vamos tomar café. Precisamos ir para um lugar ainda hoje. – Ele falou se levantando enquanto vi seu brilho sumindo aos poucos dos olhos.
– Vamos pra onde? – Perguntei me arrepiando. – Ele me chamou não foi? – Draco assentiu.
– Estava estranhando as notícias boas. – Suspirei frustrada.
Assim que descemos encontramos mamãe na mesa do café, com Zabini e Nott. Todos estavam sem muitas palavras.
– Vocês parecem que estão aqui para me escoltar.
– Bom dia pra você também princesa. – Theo falou.
– Bom dia, princesa. – Foi a vez de Zabini.
– Vão me chamar assim para sempre, não é? – Me sentei ao lado de Draco.
– Com certeza! – Zabini comentou. Olhei para minha mãe dando um cumprimento com os olhos.
Tomamos café em paz vendo as últimas do profeta diário. Draco parecia mais tranquilo aqui em casa, ele tinha uma expressão de alívio. Assim que terminamos era hora de ir para o tal lugar que se encontrava o Lorde das Trevas.
Draco me contou sobre a residência que os comensais estavam se reunindo. Me disse também que a mansão Malfoy estava com proteção para intrusos, mas quem quer que fosse um Malfoy poderia entrar normalmente, Sobre a residência Riddle, Voldemort não ficava lá o dia todo, apenas quando tinha reuniões. Era a sede dos comensais, igual o Lago Grimmauld para a Ordem da Fênix.
Eu percebi naquele instante o quanto era perigoso, eu sabia sobre informações demais. Por isso Snape e Dumbledore quiseram que eu aprendesse Oclumência, para aquele momento.
Os meninos queriam vir conosco, mas não deixei. Já bastava eu e Draco nessa posição, não iria colocar mais ninguém naquela casa. Aparatamos acompanhados da minha mãe, já que ainda éramos menores de idade e nem sequer sabíamos.
Assim que pisamos fora da residência percebi como era. O terreno era enorme, mostrando que quem quer que fosse seu dono tinha dinheiro. Possuía um grande jardim que tinha um caminho de pedras que dava em direção a casa principal, uma mansão grande o suficiente para haver vários cômodos. Ao lado do jardim um pouco mais perto do final da propriedade havia um casebre, mas não parecia que tinha alguém habitando ali.
Entramos e logo percebi que a casa estava abandonada, cheia de poeira, arranhões e rachaduras, mofos, teias de aranha. Alguns móveis estavam cobertos por algum tecido como proteção. Imaginei que aquela casa um dia foi muito bonita e aconchegante, ao contrário de atualmente que era bem tenebrosa. Típico de um lugar para comensais.
Analisei alguns quadros enquanto subia os degraus e percebi um nome familiar em uma das imagens, Thomas Riddle. Então ali era a casa dele, a residência dos Riddles.
Narcisa estava nos esperando no topo da escada do último andar, assim que nos viu se levantou e veio em nossa direção. Ela me abraçou já que havia muito tempo que não nos víamos. Cumprimentou minha mãe também.
– Onde estão todos? – Minha mãe perguntou.
– Em breve estarão por aqui. – Elas duas se afastaram para uma porta mais a frente enquanto conversavam.
Draco pegou minha mão e me levou até uma sala ali perto.
– Olhe. – Ele falou olhando a janela. Assim que me aproximei vi os comensais por todo o jardim.
– Como ninguém sabe que ele está por aqui? É meio óbvio. É a casa dele.
– ... Não faça perguntas. – Era estranho o ver daquele jeito. Ele estava mais distante que antes. Ouvimos barulhos no andar debaixo – Eles chegaram.
Senti outro arrepio. Isso era meu corpo me avisando sobre o perigo naquela casa, igual ao dia do ministério. Comecei a ficar nervosa.
– Fique aqui. Eu preciso estar presente, nos vemos depois. – Ele me deu um simples beijo e desceu a escada.
– Titã... – Falei e sabia que ele ouviria.
“Não irei aparecer, nem tente. Ele esssstá aqui...” A voz dele sussurrava mesmo em meus pensamentos.
– Não me deixe sozinha.
“Você não esssstá sssozinha”
Parecia uma eternidade à espera, estava curiosa para saber o que acontecia lá embaixo. Mas talvez tenha sido melhor eu ficar sem saber... Eu era inocente demais para saber o que realmente ele fazia por aí, não conseguia imaginar.
Ouvi passos subindo a escada. Titã me acalmou dizendo que era minha mãe. A minha mãe apareceu e estava com uma expressão vazia.
– Venha, é hora de conhecê-lo. – Ela falou e nesse momento eu senti náuseas. Tentei controlar minha ansiedade, não posso demonstrar fraqueza, não nessa cova de serpentes. Segui minha mãe até a sala de jantar.
Duas escadas abaixo estavam todos os comensais, e tinha muitos. Tentei controlar minha respiração para que não sofresse de um ataque de pânico ali mesmo. Vi um par de olhos cinzentos perto da porta o que me fez relaxar um pouco, assim que fiquei ao seu lado toquei em sua mão e nos olhamos por um breve momento, aquilo me ajudou a ter confiança, antes que eu e minha mãe entrássemos na sala onde o Lorde estava à nossa espera.
Capítulo 2 – Família
Eu o vi assim que entrei. Ele era uma cobra em pessoa, seus olhos vermelhos, sua pele pálida, sem nariz. Ele mantinha um sorriso cínico em seu rosto, quase cruel.
– ! Ou melhor Malfoy, correto? – Ele falou enquanto minha mãe me empurrou para eu cumprimentá–lo.
– Sim, senhor. – Pigarreei. Me curvando um pouco, por educação ou medo de morrer.
– Milorde, ... – Minha mãe me corrigiu. Eu estava com uma vontade louca de rir, mas acho que era nervosismo.
– Tudo bem, Alexandra... – Ele falou acenando levemente com as mãos. – Imagino que seja um orgulho conhecer a mim como seu padrinho. – Observei uma cobra gigante ao seu lado quando me aproximei um pouco mais. Arregalei meus olhos tomando um pequeno susto, não tinha reparado nela.
– Não se preocupe com Nagini, ela me obedece, apenas ataca se eu pedir. – Ele falou com um tom de ameaça. – Mas acho que esteja familiarizada com cobras... – Ele sorriu cinicamente. Engoli seco entendendo o que ele estava querendo falar, ele sabia, não era?
– Talvez. Nunca vi uma pessoalmente... – Murmurei baixo, mas ele escutou.
– , você sabe o porquê eu te recebi como minha afilhada? – Ele perguntou se levantando e conversando como se tivesse mais pessoas na sala.
– Meu pai... ele quem pediu.
– Seu pai me jurou lealdade, diante dos meus pés. Sim, quase isso. – Ele me encarou com seus olhos vermelhos. – Em troca da sua alma para algo... ele me pediu que eu te aceitasse como afilhada e talvez discípula?
– Como? – Perguntei em choque.
– Mas creio eu que com suas últimas atividades não queira isso. Já que era amiga de Harry Potter, o menino que sobreviveu. – Ele riu irônico. Então percebi que aquela reunião não era só para me conhecer, ele estava sabendo de muito mais coisas. – Não é, ?
– Desculpe, eu estou muito confusa... Meu pai... você o matou? – Perguntei ainda com meu Déficit de atenção atacando ou porque não queria falar sobre Harry.
– Ela não sabe de nada, Alexandra? – Ele perguntou sério para minha mãe. – Mesmo tramando pelas minhas costas você não contou a ela?
– Milorde! Eu não contei a ela, ela era muito nova. E não estamos contra o senhor, não mesmo! – Ele fez cara de tédio desviando o olhar dela para mim.
– Eu matei o seu pai, porque eu precisava dele... Ele sempre foi o meu seguidor mais fiel... e em troca disso eu te aceitei. – Ele falou frio e direto. – Mas agora me responda, por que está ao lado de Harry Potter? E cuidado com o que for falar... Eu a vi.
– Não sou mais amiga dele, brigamos, porque ele acha que estou do seu lado – Era mentira? Talvez. Porém depende do ponto de vista. Ele se aproximou me olhando fixamente e eu lembrei do professor Snape. Ele estava tentando ler minha mente, pois bem, deixei ele ver somente o que ele poderia ver.
– Sabe, ... eu até tinha planos bons para você. Ser afilhada do maior bruxo que já existiu é para poucos. Mas recentemente descobri sobre sua linhagem...também uma herdeira de Slytherin. – Ele me encarou esnobe enquanto falava língua de cobra. Então ele realmente sabia...Minha mãe arregalou os olhos em tensão ouvindo apenas o sibilado, já que ela não entendia. – Como pode uma sangue–puro, herdeira de Slytherin fazer amigos como Harry Potter?
Ele pegou meu braço esquerdo o puxando com força. Em sua mão estava sua varinha.
– Não, Milorde não pode fazer isso, por favor! – Minha mãe tentou se aproximar, mas ele a prendeu na parede com um aceno de varinha.
Ele fez um feitiço que me fez pequenos cortes no antebraço me fazendo gritar, eu mordi meu lábio para que não fosse alto o suficiente. Assim que ele fez isso, ele sentiu dor em si mesmo. Seu braço estava com o mesmo corte que o meu.
Ele olhou para minha mãe confuso e irritado.
– O que foi isso? Conte, agora! – Ele ordenou depois de soltar minha mãe.
– Ela é descendente de Morgana Spencer. – Minha mãe falou. Ao dizer o nome desconhecido, a cara de Voldemort se tornou quase em choque. – Ela é sua avó.
– Impossível! Como consegui matar Jonathan então? – Ele se aproximou dela irritado.
– Não somos pais verdadeiros da , Milorde. É claro que Jonathan não sabia disso, apenas eu. – Ela explicou me fazendo entrar em choque. – Eu sou filha adotiva dos s.
– O quê? – Perguntei sem acreditar. Minha mente estava um poço de confusão. A cara do Lorde das Trevas estava irritada, mas logo se recompôs voltando a se sentar na sua cadeira de antes.
– A sua sorte, Alexandra, é que tenho planos maiores do que perder meu tempo te torturando. Muito bem… Já que temos outra herdeira do nobre Salazar, se comporte como uma. – Ele agora se direcionava a mim. – Espero não ter que saber que está ajudando Harry Potter contra mim. Caso tenha esquecido, tenho pessoas que se importam em minhas mãos.
– Eu não irei entrar em seu caminho, Milorde. Mas também, não lhe ajudarei. – Falei colocando minha confusão de lado, porém meu sangue estava borbulhando, estava com raiva sobre o quão mentiram para mim a minha vida toda.
– Pois bem... Lhe apresentarei a todos. Você estará sob minha proteção, então se orgulhe disso e nem ouse ficar contra mim. – Ele falou me encarando.
Imaginei que ele tinha planos para me manter sob supervisão. Eu não era qualquer uma agora. Sabendo que ele não poderia me ferir, era uma grande informação.
Ficamos em silêncio por um momento. Minha mãe se aproximou para ajudar o meu sangramento no braço que eu quase havia esquecido. Assim que murmurou um feitiço o sangue parou. Eu ainda estava irritada com ela por tudo, então nem me atrevi a olhá-la.
– Saia! Em breve te chamarei de volta para lhe apresentar a todos os meus seguidores. – Ele ordenou e sai da sala em silêncio.
Todos os comensais olharam para mim curiosos, mas nada foi perguntado. O Lorde das trevas chamou todos para começar a reunião, enquanto eu ficava do lado de fora.
Depois de alguns minutos a porta se abriu novamente, Draco apareceu me chamando. Tanto eu quanto ele não tínhamos mais nenhum brilho no olhar naquele momento.
– Quero apresentar a todos Malfoy... – Ele me anunciou aos adultos presentes. – A única que tem a honra de ser minha afilhada, a segunda que tem sangue direto de Salazar Slytherin. – Ele falou em um tom de orgulho e poder. Todos na sala pareciam surpresos pela revelação, inclusive Draco. Notei uma pessoa do lado de Voldemort que estava me fitando com ódio em seus olhos, Bellatrix. – Recentemente se casou com o herdeiro dos Malfoy, não é? Apesar de ultimamente Lucius ter me decepcionado, eu realmente espero que o seu filho não faça o mesmo, não é Draco?
– Sim, Milorde.
Ele estava realmente ameaçando o meu marido? O fitei com raiva, Voldemort pareceu perceber, mas não ligou.
– Se casou com minha afilhada. Espero que sinta o tamanho disso. – Ele complementou. Até parece que ele se importava. – Nenhum de vocês tem autoridade de encostar um dedo nela sem minha autorização.
Assim que fui apresentada, fui dispensada. Como não sou uma comensal, não poderia ficar ouvindo nenhuma reunião deles.
Subi para a sala no terceiro andar esperando que a reunião acabasse e lá soltei todo o meu estresse, minha raiva, minha mágoa. Não entendia por que tudo aquilo estava acontecendo comigo, e eu me perguntei quem eu era afinal se tudo que soube enquanto crescia quase nada era verdade.
Ainda tinha que lidar com a preocupação de que Draco, Narcisa, minha mãe e Lucius podiam correr perigo se eu fizesse alguma merda. Apesar de nunca ter dado bola para o pai de Draco, ele me protegeu daquela vez e era pai dele, então ele era minha família também. Lembrei que Nott e Zabini poderiam sofrer com isso também se ele soubesse que eram meus amigos.
Ouvi um barulho novamente da escada enquanto eu esperava no sofá. Aquela casa era horrível, mas aquele cômodo me parecia mais confortável do que com todo aquele povo lá embaixo. Draco apareceu na escada e se aproximou.
– ... Tudo bem? – Ele perguntou checando meu corpo todo.
– Estou bem, o que está fazendo? – Ele suspirou aliviado quando não encontrou nada.
– O que ele fez para você ter gritado daquele jeito?
– Você ouviu?
– Sim. – Ele falou.
– Bom, ele me cortou para tentar verificar alguma coisa. – Falei sem nem saber se realmente foi aquilo. – Mas nada demais.
– Você não me contou que era afilhada dele. – Ele falou um pouco chateado.
– Me desculpe, tudo aconteceu muito rápido ano passado e eu esqueci de te falar.
– Me desculpe pelo que eu falei do seu pai também. – Ele pediu. Eu ri sarcasticamente.
– E eu realmente nem sei se ele é meu pai.
– Como? – Ele estranhou.
– Quando eu conheci você–sabe–quem, algumas coisas aconteceram e nessa confusão minha mãe me revelou algumas coisas. Eu precisava falar com ela sobre isso, mas não queria que fosse aqui.
– Quer que eu te leve para sua casa? – Ele me perguntou.
– Sim, se puder. – Ele sorriu fraco.
– Sempre posso para você. Vamos! Levarei vocês duas para lá. – Ele falou e eu agradeci por isso.
Quando voltamos para casa, os meninos estavam à nossa espera lendo algum livro. Os cumprimentei, mas estava focada em ter uma conversa com minha mãe, então fomos os três até o escritório da casa.
– Vamos ao que me interessa... Tem algo a contar para sua filha dessa vez? – Perguntei ácida.
– Vou lhe contar a história toda. – Ela falou pensando. – Por isso que eu ocultei essas informações de você.
– Ocultou? – Perguntei estranhando.
– Vamos do começo sim? – Ela finalmente me olhou. – O nome de sua mãe era Anna Spencer depois passou a ser quando se casou com seu pai, Adrian . Sua mãe faleceu assim que deu à luz a você, querida. Seu pai ficou arrasado, mas decidiu te criar sozinha, até seus quatro anos com minha ajuda. – Ela me entregou uma foto dos dois enquanto falava.
– Certo dia seu pai saiu a trabalho, ele era muito discreto trabalhando como auror. Sabendo que o trabalho era perigoso, ele me pediu para cuidar de você caso algo acontecesse. Então quando eu soube da morte dele eu desabei. Não éramos irmãos de sangue, mas tínhamos um vínculo especial. Ele me pediu para te proteger e cuidar de você como minha filha. Você lembrava dele... e isso te fazia mal. Então eu alterei sua memória aos cinco anos, foi quando eu me casei com Jonathan que pegou meu sobrenome e resolvemos te criar.
Me sentei na cadeira tentando absorver tudo.
– E onde entra a história da tal Morgana? – Perguntei. – E por que ele voltou atrás?
– Morgana Spencer era sua avó. Ela conheceu o Lorde das Trevas quando jovem, seu nome era Tom Riddle. Não sei qual era a relação deles, apenas sei o que sua mãe me contou quando ainda estava grávida de você. Ela temia pelos tempos sombrios, na primeira guerra bruxa... Ela falou que ele não podia matar nenhum dos descendentes de sua avó, nem machucá-los. Isso incluía todos da família, inclusive o marido. – Ela desviou o olhar para Draco.
– Por isso nos casamos?
– Sim e não. Na verdade, a história dos avós de vocês é de verdade, eles fizeram um pacto de sangue para que seus netos se casassem e vocês sabem o quão sério isso é. Mas eu e Narcisa sempre fomos próximas, ela me ajudou com muita coisa, por isso estava devendo uma a sua mãe, Draco. – Ela falou olhando para ele. – Por causa disso, pensamos que um casamento entre vocês seria o melhor a se fazer. Unimos o útil e o agradável.
– Agora tudo faz sentido. – Ele falou.
– Podiam ter falado com a gente
– Não... Seria mais seguro assim.
– Ele não pode tocar na gente, mas ele pode mandar, não é? – Draco perguntou.
– Sim, mas dificilmente ele faria isso. Sobre a família Gaunt, não toque no assunto. Os dois ainda precisam tomar cuidado, não contém nada sobre seus segredos a mim e nem a ninguém.
– E sobre meu pai... tio? – Eu perguntei confusa. – Como ele foi ser um comensal.
– Seu pai adotivo gostava da magia das trevas e era imaturo demais, ainda sim ele te amava e fez o que fez para te proteger.
– E sobre eu ser herdeira de Slytherin?
– Nem eu mesma sabia da linhagem do seu verdadeiro pai, desconfiei quando você começou a falar língua de cobra depois que ele faleceu. Ele nunca contou nada a mim...papai e mamãe também não falavam sobre nada disso, apenas sobre os . Um dia ele comentou sobre Ominus Gaunt, mas tratou de ficar calado depois. Antes de morrer ele guardou uma varinha para dar a você quando fizesse 11 anos e fosse a Hogwarts, era só isso que eu sabia. – Ela falou com olhar distante. – Agora sabe que foi por proteção. Vocês ainda não têm ideia do que ele pode fazer..., mas não percam as esperanças. – Ela pegou minha mão em forma de conforto.
– Isso é muito para compreender. Parece que eu não sou a de antes.
– Sei que é muito para um dia. Melhor nós descansarmos! – Ela saiu de lá nos deixando a sós.
– Isso tudo foi... intenso. Você está bem? – Draco me perguntou enquanto eu ainda permanecia na cadeira. Me levantei e fui até o sofá onde ele estava, abraçando–o.
– Não. Estou tentando assimilar tudo...
– Pelo menos agora sabemos o porquê de termos casado tão cedo. E isso foi bom... – Eu ri fraco pelo seu comentário.
– Acho que de tudo isso essa foi a única coisa que não ligo. E olha que antes era a coisa mais chocante para a gente. – Falei abraçando–o. – Você pode dormir hoje aqui?
– Não hoje, eu te falei. Mas posso ver o que posso fazer um outro dia. – Ele falou e eu parei de abraçá-lo.
– Eu espero que essas malditas férias acabem logo, mal começou e já estão virando um pesadelo.
Draco foi embora em seguida, me deixando pelo menos com Nott e Zabini que tentaram animar mais minha noite.
Capítulo 3 – Aniversário
Dias se passaram e recebi cartas da Gina e da Hermione perguntando o que aconteceu nos últimos dias, apenas respondi que era complicado, coisas de família. Gina me contou sobre a nova loja dos gêmeos e onde ficava, quando fomos ao beco diagonal iria visitá–los. Tinha que comprar algo para o pirraça o qual tinha prometido.
Nott e Zabini ainda estavam hospedados na minha casa, aproveitamos esse tempo para treinar quadribol, cartas embaralhantes, snap explosivos... estávamos conseguindo nos distrair.
Enquanto estávamos descansando na sala de estar e vendo a lista do material escolar esse ano, Theodore começou a dedilhar o meu piano e depois sua voz ecoou pela sala.
– Seasons, they will change, life will make you grow, death can make you hard, hard, hard... Everything is temporary, everything will slide. Love will never die, die, die… – Ele cantou um pedaço do refrão.
– I know that uuuuuuh uhhhhhh, birds fly in different directions, uhhhhhhh uhhhhhh I hope to see you again. – Eu comecei a cantar junto com ele.
– Uhhhhhhh uhhhhhh birds fly in different directions uhhhhh uhhh so fly high, so fly high…
(Estações, elas vão mudar, a vida vai fazer você crescer. A morte pode te deixar duro, duro, duro. Tudo é temporário, tudo vai passar. O amor nunca morrerá, morrerá, morrerá... Eu sei que pássaros voam em direções diferentes, eu espero te ver novamente. Pássaros voam em direções diferentes, então voe alto, então voe alto – Birds, Imagine Dragons).
Nós rimos quando terminamos aos aplausos de Blaise no sofá da sala.
– Você canta bem, princesa! – Ele falou.
– Deveria entrar no clube de canto. – Zabini falou. – O que mais tem de talento, ?
– Acho que só isso. – Nós rimos. – Theo também canta bem, por que não entra para o clube?
– Na verdade, essa ideia nunca passou pela minha cabeça. Vamos ver o que acontece esse ano.
– Então, vamos sair daí? Minha vez de tocar... – Falei o expulsando do meu piano.
– O que vai tocar?
– Na verdade, queria tentar algo. Uma melodia que está na minha cabeça a um tempo. – Comecei tentando pegar as notas que estavam em minha cabeça, meus dedos iam automaticamente.
“I am a lost boy from Neverland
Usually hanging out with Peter Pan
And when we're bored, we play in the woods
Always on the run from Captain Hook
Run, run, lost boy, they say to me
Away from all of reality
Neverland is home to lost boys like me
And lost boys like me are free...”
(Eu sou um garoto perdido da Terra do Nunca
Usualmente saindo com Peter Pan
E quando estamos entediados, brincamos na floresta
Sempre fugindo do Capitão Gancho
Longe de toda a realidade
A Terra do Nunca é o lar para os garotos perdidos, como eu
E garotos perdidos, como eu, são livres – Lost Boys, Ruth B.)
– Uau... Bonita a música. – Theo comentou.
– De quem é? – Blaise perguntou.
– Não sei... Só sei essa parte por algum motivo. Mas eu gosto dela.
– Então realmente deveriam entrar no clube de música. – Blaise ainda falava.
– E você? Canta? – Ele gargalhou
– Não, eu prefiro ser só o capitão do time da sonserina. – Nós rimos.
– Obrigada pela companhia nas férias rapazes. Eu ia ficar sozinha nessa casa deserta... – Falei um pouco triste. Nem sabia que as férias que eu passava na casa dos Malfoy era mais divertida que atualmente nessa casa.
– Não se preocupe, minha casa está pior que a sua. – Nott riu irônico. – Pelo menos vamos ser abandonados juntos.
– Agradeço por minha casa ser barulhenta, apesar de ser filho único, minha tia e meus primos moram perto e geralmente todos estão vindo à minha casa sempre. – Zabini deu de ombros.
– Pensei que pelo menos casando eu ia ter companhia...
– Uiiii, sentimos a indireta. Mas tente entender, ele é um deles agora. O lorde das trevas deve estar pegando muito no pé dele já que o Sr. Malfoy está preso. – Nott falou.
– Eu sei e entendo, só é frustrante... às vezes dá vontade de ir lá dá uns tapas no sem nariz...
– É, para você morrer. – Zabini caçoou.
– A gente tenta esquecer essa parte.
– Vai finalmente nos contar como foi? Encontrar ele? – Theo perguntou.
– Não posso revelar detalhes, mas não foi bom. Foi tenso e arrepiante. Dava para perceber que a sociedade bruxa não o teme atoa. Espero que não tenham esse desprazer.
– Amanhã é seu aniversário, não é? – Zabini mudou de assunto. – Que tal responder o que quer ganhar?
– Aí não teria graça.
– Mas eu não sei o que as meninas gostam!
– Por isso está solteiro, Zabini.
– Cala boca Nott. – O capitão jogou uma almofada em seu rosto. – Não por muito tempo.
– O quê? Vai investir em alguém esse ano?
– Talvez... tenho meus próprios planos.
– Vocês são terríveis. Olha como vocês falam das meninas, investir, planos... – Revirei os olhos.
– É apenas nosso jeito de falar.
– E é assim que está interessado em minha amiga, Theodore? – Falei de cara feia e Zabini gargalhou.
– Não fale meu nome todo. – Ele resmungou. – Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Isso não é uma coisa banal.
– Eu estou de olho na Dafne. – Zabini revelou, eu e Nott o encaramos chocados.
– Dafne Greengrass? – Perguntei. – A que anda com a cachorra louca?
– Cachorra louca? Está falando da Pansy? – Zabini perguntou.
– Sim, a sua amiguinha.
– Vamos lá, a Pansy é legal. Apenas se torna insuportável quando o assunto é Draco. – Nott comentou.
– O quê? – Eu ri alto. – Não viu o que ela fez comigo?
– Vi sim, eu já falei. Por causa de Draco.
– Dafne não é tão ruim quanto pensam, ela é legal. – Zabini disse. – Ela já te fez algo, ?
– Não... Nem ela e nem a Sophie. Elas são educadas pelo menos.
– Então... Pronto.
– Já que estamos nessa conversa, o que Draco e Pansy tiveram? – Perguntei. Os dois se olharam e continuaram calados. – Vamos, acham que eu nunca os vi pela escola? Falem!
– Eles apenas ficaram algumas vezes. – Nott falou.
– Uma semana eu acho, perto do baile de inverno talvez. Ela que ficava puxando o saco dele... e sabe que ele gosta. – Bufei com ciúmes.
– Você ficou com o Potter, não tem muito o que reclamar. – Zabini acusou.
– Eu só dei um beijo no Potter. E foi muito estranho porque a gente percebeu que éramos apenas amigos.
– É, mas você se sentiu atraída a ele de qualquer forma. O inimigo do Draco. – Nott falou me alfinetando ainda.
– Vocês fazem um belo papel de defensor do amigo de vocês! – Virei minha cara para a lareira, me irritei facilmente. Eu não gostava de imaginar Draco com outra pessoa.
– Acho que ele vai ter trabalho quando resolver aparecer... – Zabini comentou rindo com Nott.
– Irei dormir, Boa noite pra vocês! – Falei ainda ríspida saindo da sala e subindo as escadas. Arrancando mais riso dos dois. Eles se divertiam.
Acordei com minha coruja tentando entrar pela janela do meu quarto a todo custo. Abri dando caminho para Héstia, minha coruja que tinha cara de malvada, mas era um amorzinho.
Peguei as cartas que estavam com ela e deixei a janela aberta caso ela quisesse ir embora. Ela foi em direção ao seu lugarzinho perto da minha escrivaninha que tinha comida à vontade para ela. Billy de vez em quando trazia seus petiscos.
Abri a carta e percebi que era o resultado dos N.O.M’s. Meu coração acelerou... logo hoje, no meu aniversário?
Assim que li o resultado eu fiquei surpresa que eu tinha muitas notas altas. Finalmente eu não morreria nas mãos do professor Snape, teria que lembrar de mostrar a ele.
Depois de me arrumar, desci as escadas correndo para ver o resultado dos meninos. Eles estavam na mesa de café com suas cartas em mãos. Os dois conseguiram notas ótimas, porém não tanto quanto eu. Eles odiavam a adivinhação e estudo dos trouxas ganhando um P, a sorte que eles não estavam nem aí, não iriam trabalhar com isso de qualquer forma.
E do nada minha mãe trouxe da cozinha um bolo vermelho com velas. Eles cantaram parabéns para mim. E depois me deram presentes.
Primeiro foi Zabini que me deu uma máquina de polaroides, as imagens já saiam movimentadas e eu tinha amado. Mamãe me deu tênis novos, desta vez brancos, o que eu queria. Nott me deu uma caixa cheia de coisas, perfumes, sabonetes, produtos de pele. Ele me encarava sabendo que me deu um bom presente.
Na mesa da sala havia outros que chegaram pelo correio. Gina me deu um bisbilhocópio, na carta dela falou que os gêmeos tinham reservado um mini pufe especialmente para mim e eu fiquei animada. Os pufosos eram fofos, imagine em tamanho mini?! Hermione me mandou sapos de chocolates e tortinhas de abóbora, ela disse que Harry e Rony ainda estavam chateados, porém eles tinham comprado presentes para mim, mas resolveram não enviar. Sra. Weasley me enviou duas toucas de inverno.
E era só isso... Senti falta do presente do Draco, e eu espero que ele não tenha esquecido de hoje, eu ia matar ele.
A noite chegou e nada, eu estava bem desanimada para falar a verdade. Tinha um mês que não nos víamos, e isso me irritava. Mamãe não queria que eu fosse para a mansão dos Malfoy, para evitar que eu visse coisas que não deveria. Eu estava quase fugindo para pegar meu marido de volta.
Jantamos como todos os dias, e eu já tinha aceitado o fato que ele não viria me ver, então tentamos nos alegrar com jogos mais uma vez. Até que ouço a campainha tocar, minha esperança veio na mesma hora. Billy foi atender a porta, eu fui correndo sem fazer muito barulho, eu esperava muito que ele estivesse ali. Assim que o elfo abriu a porta, vi seu cabelo loiro e seus olhos azuis acinzentados novamente entrando pela casa. Assim que ele me viu sorriu, corri até ele o abraçando forte.
– Eu te odeio! – Falei enquanto grudava nele.
– Desculpe pela demora. – Ele afagou meu cabelo e eu me senti fraca. Me segurei para não chorar ali. Eu estava muito preocupada com ele. – Vamos! Hoje eu vim pra ficar. – Nós sorrimos.
– Malfoy! – Nott apareceu enquanto eu deixava Draco entrar em casa. – Até que fim deu as caras. Eu já não aguentava ter que distrair a sua esposa.
– Pronto, ele está aqui. – Zabini falou. – Estamos de saída... – Eles pegaram a mochila e foram para a lareira.
– Já estão indo embora?
– Mas é claro! Acha que vamos ficar aqui de vela? Com recém–casados? Nunca me prestaria a esse papel. – Nott zombou.
– Nos vemos no trem daqui a alguns dias. – Zabini sorriu e os dois desapareceram na lareira.
– Que grandes amigos... – Falei irônica.
– Bom, eles estão certos de qualquer forma. – Malfoy deu de ombros. – Sua mãe está em casa?
– Sim, mas ela já foi dormir. Você chegou bem atrasado.
– Desculpe... E feliz aniversário. – Ele me deu um beijo. – Está cansada?
– Estava é a palavra certa, mas você chegou e me animei. Como você está? Temos muita coisa para conversar não?
– Estou bem, estive tendo algumas aulas particulares com minha tia. – Ele falou.
– Venha! – Puxei sua mão o levando até meu quarto onde poderíamos ficar em paz.
– Eu trouxe seu presente. – Ele falou quando entramos no quarto, tirando duas caixinhas do bolso. – Espero que goste!
Peguei as caixinhas abrindo e vendo ele sorri. Era uma pulseira com uma serpente e outro chocolates.
– Eu adorei! – Draco amava me dar joias. Peguei um chocolate e comi, meu céu da boca começou a estalar. – Onde comprou esses chocolates?
– Segredo, acha que irei contar? É um motivo para me pedir. – Ele riu.
Coloquei as caixinhas na mesa e fui lhe dar mais um abraço.
– Quer me contar por que sumiu por tanto tempo? – Perguntei me afastando e se sentando do seu lado.
– Não... – ele desviou o olhar. – Era só reuniões, aulas com minha tia de Oclumência e ajudando minha mãe. Sabe que não posso entrar em detalhes.
– Certo... – falei pensando o porquê dele ser ensinado oclumência, mas não me atrevi a falar nada. – As notas dos N.O.M.S saíram, como foi?
– Tinha esquecido, eu fui bem 10 NOM’s e você?
– 11 NOM’s! – Falei convencida.
– Como pode conseguir ser tão boa em quase tudo? – Ele perguntou sorrindo e me puxando pela cintura.
– Porque eu sou boa em tudo!
– Aham, fala para sua pessoa a um ano atrás apavorada com as notas de poções. – Ele zombou.
– Sim, mas graças a você, eu consegui! – Dei um beijo nele agradecendo.
– Devia me agradecer mais... Foram muitas aulas, sabe. – Ele falou como se não quisesse nada. Dei-lhe vários beijos pelo rosto e parei para encará-lo.
– Eu senti saudades.
– Eu senti também, eu estava quase deixando tudo para trás e indo te ver. Mas teremos muito tempo agora. – Ele sorriu e me dando um beijo, correspondi colocando meus braços agora em volta de seu pescoço o puxando para mais perto.
Ele me pegou pelas pernas colocando–as em cada lado de sua cintura para que eu ficasse em cima dele.
– Podemos praticar o que queríamos agora, não é? – Ele falou entre nossos beijos. Eu assenti com a cabeça rindo. Ele agitou a varinha desligando as luzes do quarto em seguida.
Seus beijos invadiram meu pescoço intensamente me fazendo arrepiar. Minhas mãos estavam em seus cabelos, ajudando para que ele continuasse com sua boca em meu pescoço, aproveitei para bagunçar seus cabelos que eu tanto gostava.
Tirei minha camisa sem muita paciência e comecei a me livrar de seu blazer e sua camisa, assim revelando seu peitoral de pele pálida, mas em boa forma. Ele sorriu de lado quando me viu o secando, mas tomou meus lábios com pressa e depois sua boca seguiu uma trilha em todo meu peitoral me fazendo ficar enlouquecida.
Suas mãos estavam indo para debaixo da minha saia, tateando minhas coxas e minha bunda. Rapidamente ele se moveu me fazendo deitar na cama com ele por cima de mim.
– Eu estou bem ferrado... – Ele falou me olhando.
– Por quê?
– Estou viciado em você, pequena – Ele disse se escondendo em meu pescoço arrancando uma risada minha.
Antes que pudesse sequer reagir direito sua mão invadiu minha calcinha sem mais nem menos, me fazendo gemer. Ele se frustrou por eu ainda estar de saia e a tirou em seguida, junto com as suas roupas, ficando apenas de boxer. Voltou a me beijar enquanto sua mão se movimentava por debaixo da minha calcinha, me fazendo enlouquecer.
Apalpei seu membro o sentindo já volumoso e firme, gostei ainda mais quando ele soltou um pequeno gemido de prazer.
– Não faça isso... – Ele falou com sua voz rouca que eu amava.
– Você pode e eu não? – O provoquei.
– Pode, se quiser ver as consequências. – Ele sorriu maliciosamente.
– Eu quero você, agora.
– Seu pedido é uma ordem, amor. – Ele me deu um beijo e se afastou pegando algo do bolso de sua calça e colocando sobre seu membro, deduzir ser um preservativo. Enquanto isso eu estava apreciando aquela bela vista que era meu marido.
Depois ele tomou meus lábios novamente e ficou me provocando mais um pouco se roçando em mim me deixando mais molhada ainda. Não demorou para que ele se colocasse dentro de mim, devagar no início, com medo de que eu tivesse dor de novo. Eu tive, mas não era comparado a primeira vez, era uma dor prazerosa. Então dei sinal a ele que podia acelerar o ritmo.
Todas as células do meu corpo agradeciam por isso. Não precisávamos nos lembrar quem a gente era, nem sobre o que ia acontecer, precisávamos apenas nos amar.
Dessa vez nossas vozes ecoaram sem nenhum pudor pelo quarto, sabíamos que estávamos sozinhos e que ninguém atrapalharia. A casa era enorme e o quarto da minha mãe ficava longe e eu dei graças a Merlin por isso.
A cada vez que Draco gemia meu nome eu tinha mais tesão ainda, então fui a primeira a sentir meu corpo explodindo de prazer como nunca, depois de um tempo foi a vez dele. Ele saiu de cima de mim e caiu para o outro lado da cama.
Ficamos em silêncio tentando acalmar nossas respirações, tomamos um banho juntos e adormecemos sentindo o cheiro um do outro entre os lençóis.
Capítulo 4 – Sexto Ano letivo
Nessa noite eu sonhei e não era qualquer sonho. Eu sabia que era mais um sonho profético.
Não via claramente a cena toda, mas era nítido que Hogwarts iria ser atacada. Era uma guerra, tinha destruição por todos os lados e muito fogo. Depois eu vi alguém caindo da torre de astronomia, era Dumbledore.
Isso quer dizer que Dumbledore ia ser morto, em breve. E uma guerra se aproximava.
Acordei assustada com todos os sentimentos de medo e terror. Foi o que aquele sonho me fez sentir. Olhei para o lado e Draco ainda permanecia ali, dormindo serenamente. Ele deveria estar muito cansado.
Me levantei tentando me recuperar do sonho e fiquei apenas sentada na cama. Eu não sei o que eu deveria fazer com essa informação... eu precisava falar com o professor Dumbledore? Ou era melhor não? Estava cansada de saber sobre a morte das pessoas.
Agosta tinha chegado, iríamos visitar o Beco Diagonal para comprarmos os itens novos do sexto ano. Depois de irmos aos floreios e borrões e comprar algumas penas, vi a loja dos gêmeos que fazia muito sucesso. Combinei com Yumi de nos encontramos hoje, e a vi me esperando na porta da loja.
– Demorei? – Perguntei.
– ! – Ela falou e me abraçou me puxando para dentro da loja rapidamente.
Assim que entramos os gêmeos deram boas–vindas.
– Bem–vindos a Gemialidade Weasley, nossa loja de logros e brincadeiras!
– Ohhh, se não é a nossa dupla de leão e cobra. – George falou.
– Finalmente nossa sócia está nos visitando. – Fred se aproximou.
– Uau! Isso aqui está demais! – Yumi exclamou deslumbrada. Era muita coisa, colorida, mas divertida. A loja estava com bastante gente.
– Claro que está, temos mentes brilhantes. – George comentou.
– Ouvi falar que tinha um mini pufe reservado exclusivamente para mim. – Falei sorrindo.
– Sim! Venha ver! – Fred nos guiou, deixando George atender outros clientes.
Ele nos levou até o fundo em uma cabine especial e tirou um mini pufoso roxo.
– Meu Deus!!! Que fofoooo!! – Falei pegando meu recém mini–pufoso e lhe dando um pouco de carinho.
– Ele é lindo! Me avise quando tiver novamente para venda, Fred! – Yumi avisou.
– Pode deixar, eles acabaram rápido!
– Vou precisar de uma caixa especial para dá-lo à pirraça. – Falei e os dois me olharam estranhos. – Longa história, mas eu meio que devo a ele. – Logo a cena dele flagrando eu e Malfoy veio à mente. Se ele iria me deixar em paz mais um ano eu teria que ter suborno.
– Hmm isso é interessante. – Fred falou. – Tudo bem iremos mandar uma caixa com itens especiais e não precisa pagar, o que você investe é o bastante.
– Talvez eu aumente esse investimento depois também. – Sorri.
Eu e Yumi começamos a ver o que tinha na loja, tinha muita coisa legal e muita coisa que eu preferia nem chegar perto. Apesar dos gêmeos serem brilhantes eles tinham uma mente perigosa para brincadeiras. Encomendei luvas e capas protetoras que eram contra azarações. Só para ter guardado mesmo.
As meninas olhavam curiosa para as poções do amor, mas poucas tinham coragem de comprar, sabemos que não tinha nada de amor nisso era só ilusão. Então não era recomendável falar a ninguém que você tinha apenas um crush.
Antes de ir embora dei dois presentes a Fred e a George. Dois relógios bruxos com a inicial de cada, como nunca lembrei do aniversário dos Weasleys, resolvi comprar algo para todos eles, mais tarde avisei que enviaria por corujas. Tinha comprado o do Harry também, mas preferi entregar a ele na escola, se tivermos a chance de conversar.
As férias acabaram rápido e eu agradeci por isso. Embarquei no expresso de Hogwarts junto com Draco depois que nos despedimos das nossas mães, que fizeram questão de mandar nós cuidarmos um do outro. Dessa vez não estávamos com nossas vestes da escola, estávamos com roupas comuns. Ele de terno e blazer e eu com meu sobretudo preto.
Draco passou o resto das férias me visitando apenas nos fins de semana. Não sei o que aconteceu, mas recentemente ele tinha dado uma sumida, imaginei que era algo com o Lorde das Trevas. Só de imaginar eu ficava preocupada, mas depois lembrava que ele não podia fazer nada com ele, por causa do casamento. Uma parte minha ficava aliviada por isso.
Ele não me falava sobre isso, tentava de tudo para mudar de assunto. Eu via como a prisão de Lucius tinha o afetado, ele podia esconder para todos, mas eu o conhecia muito bem. Ele tinha apenas dezesseis anos e estava com a família inteira nas suas costas.
Dessa vez, ele não largou minha mão em nenhum momento enquanto entravamos no vagão até a cabine dos sonserinos. Passei pela cabine dos meus amigos, dando um leve aceno e na cabine que o trio de ouro estava. Assim que passamos meu olhar cruzou com o de Harry rapidamente, mas não tivemos tempo para falar nada.
– Olha se não é o príncipe e a princesa. – Nott falou atraindo atenção de todos.
– Cala boca, Theodore! – Reclamei sentando ao seu lado,
– Não me chame pelo...
– Seu nome inteiro. – O interrompi já sabendo o que ele ia falar – Então não me dê motivos para isso.
– Você quem manda, não é? – Ele riu. O encarei de novo. – Por que estão aqui? Não são monitores?
– Draco conseguiu nos tirar dessa. Tenho que concordar que a cabine dos monitores é chata. – Falei dando de ombros.
– Onde está Zabini? – Draco perguntou.
– Estou aqui... – Zabini apareceu rindo de outro lugar entrou e se sentou.
– O que estava aprontando? – Theo perguntou.
– Nada, apenas umas coisas.
– Isso é bem suspeito. – Falei para ele.
Algumas meninas passaram olhando para nossa cabine, cada um com um olhar para o trio de prata, me fazendo rolar os olhos. Elas não eram nada discretas.
Encarei Malfoy para ver qual seria a reação dele e ele tinha um sorriso presunçoso olhando para mim. Ele pegou algo em seu bolso e colocou em seu dedo. Era nossa aliança.
– Deveria fazer isso também! – Ele falou ainda me olhando.
– O que? Você quer que usemos na escola?
– Sim. Por que não? Já passamos dessa fase. – Ele falou e estendeu a mão para que eu entregasse meu colar a ele. – Vamos, me dê. Pode deixar que eu mesmo coloco.
– O que eu estou vendo com meus olhos? – Zabini perguntou enquanto eu tirava meu colar e entregava a Draco. – Irão mesmo assumir que estão juntos?
– Eles são burros e com certeza irão achar que estamos apenas namorando... – Ele tirou a aliança do colar e colocou em meu dedo. – Se descobrirem também não me importo e você?
– A essa altura eu também não estou nem aí. – Falei pensativa olhando para o anel – Porém só irei usar a outra quando estivermos em paz.
– Falando nisso... vocês não têm um padrinho, não é? – Theo falou. – Poderiam escolher um de nós dois depois.
– Sim e pense muito bem em qual dos dois. – Zabini empurrou Theo começando uma briguinha. Eu ri da bobagem deles. – Podia escolher os dois também, já que sabíamos de tudo e apoiamos desde o início.
– Eu tenho amigos também sabiam?!
– Ótimo, poderia chamar sua amiga também. – Theo falou com segundas intenções.
– Você não perde uma oportunidade, não é?! – Respondi. – Pensei que já tinha desistido da Yumi.
– A Rizzi? – Draco franziu a testa com desgosto
– Não começa, Malfoy. – Ele bufou e virou a cara para a janela.
– Sim, estou a fim de uma grifinória. – Theo afirmou para Draco. – Isso seria suficiente para você, ? Eu realmente gosto dela. – Ele sussurrou.
– É, para você estar implorando, ele deve realmente está apaixonadinho. – Zabini zombou.
– Continue zombando, um dia vai acontecer com você também. – Ele respondeu debochado.
– Está bem! Vou dar uma de cupido para você Nott. – Falei sorrindo ainda pela implicância dos dois.
– Por que vocês não ficam calados um minuto? Por Merlim! – Malfoy reclamou.
– Ih, lá vai o mal humorado. – Zabini falou.
A viagem passou assim com conversas, piadas, logo Crabbe e Goyle se juntaram a nós depois de algum problema na entrada. Eles não andavam muito com o trio de prata, somente com Malfoy de vez em quando. Geralmente quando ele estava sozinho. Eram dois bobões, principalmente o Crabbe que me parecia que até tinha um bom coração, mas para se enturmar ele seguia os passos dos outros.
No meio da viagem Grengrass aparece em nossa cabine entregando dois pergaminhos, para mim e para Zabini.
“Srta ,
Eu teria grande prazer se você me fizesse companhia ao almoço no compartimento C.
Sinceramente, professor H.E.F. Slughorn.”
– O que é isso? – Draco perguntou.
– Um convite, do professor Slughorn.
– Ele nos convidou para um almoço agora, no compartimento dele. – Zabini falou.
– Por quê? – Nott perguntou.
– Não tenho a menor ideia. Nem conheço ele. – Falei estranhando.
– É melhor a gente ir. – Zabini falou se levantando.
– Voltamos logo! – Avise-me levantando também.
E assim fomos ao compartimento C onde estava o professor. Então vi Gina e mais alguns alunos por aí, sorri imediatamente. Sentia falta dela.
– Oh, Srta , Sr. Zabini! Bem-vindos! – O professor Slughorn nos cumprimentou.
Senti ao lado de Gina e Zabini ficou ao meu lado.
– O que está acontecendo? – Sussurrei pra Gina.
– Não tenho ideia... – Ela me imitou.
Depois, mais pessoas chegaram e de repente aparece Harry e Neville juntos para fechar o grupo. Nós nos encaramos, mas o professor começou a cumprimentá-los e falar algumas coisas.
Depois que ele começou a apresentar cada um eu percebi o que ele estava querendo, ele gostava da fama e influência de nossa família. Zabini era por causa da mãe que era famosa e bonita no mundo bruxo, Neville porque seus pais eram aurores famosos e tinham sido torturados pela Belatriz Lestrange que era tia de Draco, Gina eu ainda não entendi por que estava ali, mas acho que o professor de interessou nela por causa de algum feitiço que ele falava que ela fez perfeitamente. Então chegou minha vez...
– , conheci seu pai em Hogwarts uma vez. Adrian, não é? – Ele falou e eu arregalei os olhos. Como ele sabia sobre isso? – Um ótimo auror ele se tornou! Uma pena ter ido tão cedo.
A cara dos grifinórios confusos me deixou um pouco inquieta. Fiquei calada, não queria falar sobre isso e muito menos sabia o que falar já que tinha descoberto recentemente. Depois ele começou a falar do Harry, sobre ele ser o “Eleito” pelo profeta diário, pelas confusões que aconteceram ano passado.
A tarde toda foi assim, com o professor contando histórias e tudo mais. Eu estava bem entediada e queria sair dali. Harry e Zabini trocavam farpas de vez em quando, mas Graças a Merlim o professor percebeu quanto tempo tinha passado e nos liberou. Voltamos para a cabine, me sentei ao lado de Malfoy dessa vez e Zabini antes de fechar a porta tropeçou e caiu sobre Goyle. Eu ri dessa cena.
– Cala boca, ! – Eles reclamaram e eu gargalhei mais ainda.
– Então, o que ele queria? – Draco perguntou.
– Puxar saco de gente influente, não que tivesse encontrado muita gente. – Zabini falou ainda encarando feio para Goyle.
– Quem mais ele convidou?
– McLaggen, Belby, Longbottom, Potter, a garota Weasley.
– Longbottom? O que é que Longbottom tem que possa interessar o Slughorn? – Zabini deu de ombros. – Potter, o precioso Potter, claro que ele queria dar uma olhada no “Eleito”, mas a Weasley Fêmea?
– Ela é uma ótima garota! Nem comece, Malfoy. – Falei defendendo Gina.
– De qualquer forma... – Ele desviou os olhos – ...lamento o mau gosto de Slughorn, meu pai sempre me disse que no seu tempo ele era um bom bruxo. Meu pai era o favorito dele. Slughorn provavelmente não soube que eu estava no trem, ou...
– Eu não esperaria um convite. Ele perguntou sobre o pai de Nott quando embarquei, e não ficou feliz de saber que ele foi pego pelo Ministério. Ele não convidou o Theo. Acho que ele não está interessado em comensais da morte. – Theo bufou enquanto ainda observava a janela.
– Ele é um interesseiro e vem ainda julgar os outros. – Nott resmungou.
– Bem, quem se importa com o que ele pensa? É apenas um professor idiota. Talvez eu nem esteja em Hogwarts no próximo ano, isso não me faz diferença. – Ele comentou.
– Como assim? – Foi a vez de Goyle perguntar. Todos estranhamos o que ele acabou de falar.
– Ora nunca se sabe o que irá acontecer... – Ele falou misterioso e ele evitava olhar para mim a todo momento – Principalmente com o Lorde das Trevas de volta.
Eu sabia o que iria acontecer, mas Draco? Isso deve ter a ver com as pautas das reuniões.
– Já estou vendo Hogwarts, é melhor trocarmos de roupa. – Ele falou olhando pela janela.
Levantamos e pegamos nossas coisas, os meninos foram os primeiros a saírem até que eu ouço um gemido parecendo de alguém no bagageiro. Pensei que era coisa da minha cabeça, mas Malfoy pareceu notar também.
“O garoto” Titã denunciou.
Tentei fingir que não tinha ouvido, não tinha certeza, mas titã provavelmente se referia a Harry na sua capa de invisibilidade. E isso seria uma confusão se Draco soubesse que ele estava nos espionando.
Resolvi que trocaria de roupa no castelo, esperei todos saírem da cabine e esperei por Draco.
– Amor... – Ele sorriu de lado me chamando por um apelido que ele nunca disse antes, era de propósito. – Nos vemos lá fora.
– Draco...
– ... – Ele era teimoso. Não podia fazer nada, saí da cabine com muito desgosto e fui em direção a saída do trem.
– , quanto tempo! – Luna me cumprimentou assim que nos trombamos fora do trem. Luna era uma aluna da corvinal que eu conheci no terceiro ano, não nos falávamos muito porque ela era peculiar, mas ela sempre foi gentil. Ela era do ano da Gina, então nos trombávamos muito pouco. Muita gente a chamava de Di Lua, só porque ninguém a entendia bem.
– Ah, Oi Luna, como vai? – Perguntei.
– Tudo bem na medida do possível e você?
– Bem, poderia me fazer um favor? – Perguntei e ela assentiu. – Assim que Draco sair você poderia ir ver os compartimentos dos fundos? Talvez alguém esteja por lá.
– Claro! – Ela falou parecendo entender.
Fui caminhando para fora da estação de Hogsmeade, parei quando vi Draco se aproximando. Ele me puxou pela cintura me dando um beijo breve e pegou minha mão me conduzindo para fora.
– Vamos! – Ele estava feliz, então realmente encontrou o Harry.
– O que fez?
– Nada, vamos pegar logo as carruagens. – Ele desconversou.
Assim que chegamos, vimos o professor Snape à nossa espera com Fitch.
– Professor Snape! – O cumprimentei.
– Estão atrasados, a cerimônia já começou. – Ele me olhou sombriamente como sempre.
Fitch começou a implicar sobre algo na bagagem de Draco e que não poderia passar, mas Snape interveio. Enquanto isso percebi que Harry de Luna vinham de longe. Eles pararam para nos observar, troquei olhares mais uma vez com Harry, que estava aparentemente sangrando no rosto.
– Belo nariz, Potter! – Ele debochou e depois me puxou para irmos a carruagem que era puxada por testrálios, mas eu ainda não via.
Fomos junto com o professor Snape, comecei a encarar Draco de cara feia e assim que notou ele revirou os olhos.
– Não deveria ter feito aquilo! – Falei de uma vez.
– Ele tinha que aprender a não ficar bisbilhotando conversas alheias.
– Precisava machucá-lo? – Ele bufou.
– Se está com pena, você pode descer da carruagem e ir cuidar dele – Ele disse ríspido.
– Quietos! – Snape nos interrompeu. – Deveriam parar de brigar feito adolescentes idiotas e se comportarem como meus alunos.
Ficamos calados depois do sermão, mas fiquei bem irritada pelo comportamento de Draco. Odiava quando ele vinha com ignorância comigo.
Entramos no castelo na metade da cerimônia. Todos paravam para nos observar, logo atrás vinha Harry e Luna também. Sentei na mesa da sonserina mal humorada, mas os meninos não se atreveram a perguntar nada a mim e nem a Malfoy.
O Professor Dumbledore falou algumas coisas que sinceramente nem entraram nos meus ouvidos. Só entendi a parte que o professor Horácio Slugborn seria o novo professor de poções, me tirando um pouco dos devaneios já que eu esperava que fosse Snape, porém ele agora seria o professor de defesa contra artes das trevas. Talvez uma opinião diferente em poções poderia me ajudar.
Depois do jantar fomos para o castelo, como monitores eu conduzi mais uma vez os primeiranistas como sempre, ignorei Draco pelo resto da noite.
Capítulo 5 – Visões
Acordei pela manhã mais animada para falar com meus amigos, tinha muito tempo que eu não via todos eles. Assim que me aprontei fui para o café da manhã, todos estavam na mesa já comendo.
– Olha quem resolveu aparecer... – Nick falou.
– Oi gente, como estão? Quais as novidades?
– Muitas, pra começar começamos com boas notas no N.O.M’s, nós dois desencalhamos e iremos aproveitar muito esse ano. – Erik falou.
– Como? – Yuki perguntou.
– Relacionamento? Vocês dois estão namorando com quem? – Perguntei curiosa.
– Bom, acho que já sabe o meu. – Nick deu uma risadinha.
– Bole? Oh meu deus, finalmente eu consegui juntar alguém! – Comemorei animada. – Erik? – Ele pigarreou.
– Sophie Pucey. – Ele me disse e eu quase engasguei. Era minha antiga colega de quarto.
– Uma sonserina? Que diabos vocês têm com sonserinos? Todos vocês namoram algum deles – Yumi falou e eu gargalhei mais ainda. Isso por que eu tinha planejado de juntar ela e Nott.
– Desde quando? – perguntei.
– Fim do ano passado ficamos juntos e bom, trocamos cartas. Ela estava um pouco tímida, mas queria falar com você. – Erik falou dando de ombros.
– Bom, eu fico feliz com isso. Pelo menos eu sei que os dois são pessoas boas. – Falei.
– Obrigado pela indicação. – Nick riu.
– Estou começando a gostar de ser um cúpido. – Soltei uma indireta, mas Yumi não percebeu.
Depois de comermos o sinal tocou para nossa primeira aula, porém para os sextanistas as coisas eram diferentes, precisávamos ir para nossos diretores de casa para acertarmos as grades de horário, então no meu caso fui até o professor Snape. Alguns alunos da sonserina estavam por lá, inclusive Draco quem me notou assim que eu entrei na sala.
– Vai me ignorar até quando? – Ele me aproximou me perguntando enquanto aguardávamos ser chamados.
– Até quando você me pedir desculpas. – Sussurrei para que ninguém ouvisse nossa pequena discussão na sala.
– Desculpas pelo Potter? A gente sempre brigou e você nunca faz nada.
– Não, procure mais que você vai achar. – Falei olhando para frente. Ouvi um suspiro frustrado. Antes que ele pudesse falar o professor Snape me chama.
– Srta... . – Ele falou e eu estranhei a pausa. Talvez ele ainda ache confuso me chamar pelo sobrenome antigo. Fui até ele e entreguei meus resultados orgulhosa. – Vejo que se esforçou mais ano passado... quais matérias quer continuar?
– Feitiços, Defesa contra as artes das trevas, Herbologia, Poções, Tratado de criaturas mágicas e Astronomia. – Ele fez uma cara de confusão.
– Quais são seus planos para o futuro, ? – Ele perguntou seriamente, ainda olhando minhas notas.
– Er... Ser uma Auror e mestre de poções primeiramente.
– E por que diabos está querendo fazer criaturas mágicas e astronomia?
– Porque eu gosto...
– Esqueça astronomia! Mesmo tirando uma nota péssima em adivinhação ainda terá que ver as aulas com a professora Trewlaney.
– Como? Mas eu odeio adivinhação.
– Por que não coloca sua cabeça para funcionar por alguns segundos? – Ele falou sem paciência. – Ordens do diretor.
– Mas... Eu gosto de astronomia. – Eu realmente não queria sair da aula, eu amava estudar sobre o universo.
– A vida é injusta, não é mesmo? Fale com o diretor se tiver alguma coisa contra. – Ele falou devolvendo minhas notas e minha nova grade de horário.
Sai da fila mal-humorada, não acreditava que teria que fazer aulas de adivinhação ainda. Sei que o professor Dumbledore quis que eu fizesse por conta dos meus sonhos, mas eu odiava e não entendia nada.
Senti Malfoy em meu encalço sem saber se deveria ou não falar comigo.
– Diga de uma vez. – Falei finalmente olhando para ele.
– Desculpe... – Ele pigarreou engolindo seu orgulho.
– Pelo quê?
– Por ser ignorante com você. – Ele falou sem jeito e isso fez meu coração amolecer fácil. Às vezes me odiava por isso.
– Me encontre hoje a meia noite, na torre. – Falei e sai correndo dali, antes consegui ver seu sorriso brotar nos lábios.
Desci para seguir meu destino da primeira aula, tratado de criaturas mágicas. Era com Hagrid, na floresta proibida. Assim que desci pelo longo caminho até perto da cabana dele encontrei Yumi, Erik, Nick, Neville e Sophie. Uma reunião um pouco estranha, mas agradável.
Hagrid mandou a gente seguir ele para dentro da floresta proibida.
– O que será que vamos estudar agora? – Erik perguntou.
– Não sabia que todos vocês gostavam de criaturas mágicas. – Falei.
– Ah, eu prefiro herbologia, mas essa matéria era melhor que muitas outras. – Neville comentou.
– Eu quero trabalhar com isso na verdade. – Sophie Pucey falou enquanto andava de mãos dadas com Erik, por um momento esqueci que ele tinha revelado que os dois estavam juntos. – Eu acho fantástico.
– Isso eu concordo. Eu não irei trabalhar, mas gosto de saber sempre. – Falei, enquanto chegávamos ao ponto que Hagrid parou esperando todos se reunirem.
– Bom, para começarmos fico feliz que todos tenham escolhido essa matéria. Hoje iremos buscar os tronquilhos, devo ter comentado sobre eles no quinto ano. Porém hoje, vocês terão que se habilidosos para capturar um, se conseguirem. Lembrando que só vale se a captura não for forçada – Ele falou.
– O quê? Espera que eles venham de boa vontade? – Nick perguntou.
– Isso é impossível, professor. – Um outro aluno disse.
– Nada é impossível. Vamos saber o que eles gostam de comer. O problema será enxergar eles nas árvores, são ótimos se camuflando.
Então todos nós começamos a procurar em árvores. Os tronquilhos eram bem pequenininhos, pareciam com um galho, frágeis, mas espertos.
– Conseguiu ver algum? – Yumi me perguntou depois de algum tempo que tentávamos caçar.
– Ainda não – Disse me sentando em um tronco de árvore por ali. – Eu sinceramente já cansei.
– EU VI! – Sophie gritou mais longe. Todos foram olhar, mas eu estava cansada então resolvi ficar sentada.
Senti uma sensação estranha atrás de mim, olhei de canto de olho rezando para que fosse um tronquilho. Então vi uma cor verde se escondendo, era realmente um. Me virei o assustando e fazendo ele se esconder.
– Olá fofinho! Não tenha medo, apesar de eu ser uma sonserina... – eu ri sozinha. – Enfim, não irei fazê-lo mal. – Falei enquanto eu o via curioso, mas ainda se escondendo. Eu não forcei a pegá-lo até porque sabia que seria uma péssima ideia. Peguei um inseto que Hagrid nos deu e o ofereci devagar, esperei que ele viesse até mim.
Ele veio hesitante, pegou o inseto e se escondeu. Eu sorri, ele era bem fofinho.
– Tudo bem, pode ficar. – Suspirei desistindo de pegá-lo e me sentei novamente no tronco. Até que eu senti uma dor de cabeça muito forte e desmaiei.
Tive mais uma visão, de três garotos em Hogwarts. Não os conhecia nem tinha ideia de quem eles eram. Um parecia mais velho e dois bem mais novos... Consegui ver um relógio passando o tempo e mais nada...
Consegui ouvir Hagrid enquanto me carregava para a enfermaria. Tentei enxergar algo, mas tudo estava turvo, conseguia apenas ouvir, Yumi estava lá.
– O que aconteceu com ela? – Ouvi a voz de madame Pomfrey
– Não tenho ideia, ela estava sentada da última vez que a vi e de repente desmaiou. – Hagrid falava depois que me pôs na cama.
– Srta Rizzi, chame o responsável sim. – Madame Pomfrey disse e ouvi os passos de Yumi diminuindo até sumir. – Srta ? Está me ouvindo?
Eu conseguia me mexer um pouco, mas não conseguia abrir meus olhos de início, ela pareceu perceber.
– Certo, no seu tempo! – Ela falou enquanto se afastava. A minha visão começou a clarear.
– O que houve? – Ouvi a voz de Draco invadir o ambiente – O que esse... Mestiço fez dessa vez?
– Eu estou bem... – falei finalmente enxergando todos ali e me levantando. Madame Pomfrey se aproximou.
– O que está sentindo? Não se levante tão depressa. – Ela me impediu e ajeitou meus travesseiros para ficarem mais altos.
– Apenas estou tonta. Mas irei me recuperar... – Falei analisando o local. – Eu desmaiei por uma dor de cabeça repentina, só isso.
– Dor de cabeça? Espere aqui, irei pegar uma coisa para tomar.
– Ora, , você nos deu um susto! – Hagrid que estava ali falou.
– Me desculpe... atrapalhei a aula, não é? – Ouvi Malfoy bufar.
– Isso é o de menos não? – Ele respondeu se aproximando e pegando minha mão.
– Eu não estou com muita disposição de reclamar com você, então me ajude. – Falei e ele pareceu entender, com muito contragosto.
– Você está bem? – Yumi perguntou.
– Isso está ficando muito cheio! Com licença, todos já viram que a senhorita está bem, agora preciso trabalhar. – Ela falou. – Sr. Malfoy pode ficar, enquanto vocês dois podem ir.
– Ora, mas eu sou um professor...
– A enfermaria é minha, professor Hagrid. – Eles se encararam e Hagrid seguiu Yumi. – Pode deixar que ela está em boas mãos.
A madame Pomfrey me deu um líquido que era horroroso e ainda me fez engasgar com a pergunta que fez assim que todos saíram.
– Não está grávida não é, Srta Malfoy? – Cuspi o primeiro gole do líquido. Malfoy ficou branco na mesma hora.
– Claro que não! – Falei depressa em meio às tosses.
– Apenas para descartar a hipótese. – Ela disse enquanto ia para outro lugar. – Tome o líquido todo, vai melhorar a dor.
Nós dois ficamos vermelhos que nem tomates pela pergunta constrangedora. Tentei voltar a tomar o líquido ruim forçadamente.
– Não está mesmo? – Draco perguntou ainda envergonhado.
– Não! Óbvio que não! – Disse sem nenhuma dúvida.
– Por que é óbvio? Isso poderia acontecer...
– Primeiro. A gente tomou bastante cuidado, segundo que eu saberia se tivesse. Terceiro, eu sei o que foi, mas é coisa minha.
– Coisa sua? – Ele levantou uma sobrancelha curioso.
– Sim, igual você tem suas coisas que não me conta. – O alfinetei.
– Não é a mesma coisa. – Ele resmungou assim que Madame Pomfrey voltava.
– Quando começar a se sentir bem, estará liberada. Qualquer sinal estranho volte novamente a enfermaria.
– Certo, obrigada. – Sorri amarelo. Peguei minha mochila que estava ao meu lado e vi algo verde, que estava se escondendo.
– Pode sair amiguinho! – Falei já sabendo o que era. – Não sabia que estava por aqui... – Malfoy me olhava confuso.
– Ele essssstava preocupado e quissss ssseguir você! – Do nada Titã aparece dando um susto na gente.
– Você quer me matar cobra estúpida? – Ele reclamou. Titã deu uma cuspida de espectro nele, enquanto Draco fazia cara feia. Eu já tinha desistido de falar algo, eles gostavam de se implicar sempre.
– Não sssse importe com o pirralho, não deixará que ele faça mal. – Titã disse ao tronquilho, enquanto eu pegava novamente a mochila e colocava a mão dentro.
– Com quem estão falando? – Draco perguntou. Assim que o tronquilho subiu em minha mão ele foi direto ao meu ombro. – Oh! Um tronquilho!
– Estava na aula de criaturas mágicas, parece que ele me acompanhou. – Falei o analisando.
– Está começando a criar animais agora, Malfoy? – Ele falou sarcástico usando o meu sobrenome que era dele.
– Pois é não é. Uma serpente, um tronquilho e um dragão. – Debochei. Titã gargalhou fazendo ele revirar os olhos. Eu ri junto com ele.
– Pelo visto já está melhor, não é? Por que não saímos daqui?
– Estava tendo aula antes de vir? – Perguntei me ajeitando e saindo da cama.
– Não, estava indo para a comunal quando ouvi Rizzi me chamando. Por favor, não comece a ir à enfermaria toda vez.
– Tudo bem! – Peguei sua mão e entrelacei na minha, na mesma hora ele perdeu sua postura. Lhe dei um beijo na bochecha, mas ele foi rápido para me roubar um pequeno beijo. – Obrigada por vir ao meu socorro.
– Eu quase tive um pequeno infarto, mas sobrevivi.
– Como é dramático.
Titã naquele momento já tinha desaparecido e o tronquilho entrado novamente na minha mochila.
– Temos aula de defesa contra as artes das trevas. – Larguei sua mão e isso o incomodou.
– Não gosta de andar comigo de mãos dadas? – Ele perguntou.
– Estou evitando certos conflitos por enquanto. Hoje é o primeiro dia, vamos lá! – Falei enquanto caminhávamos até a sala de DCAT.
Capítulo 6 - Amortentia
A sala estava diferente do ano passado, já que Snape já tinha colocado sua personalidade sobre ela. Depois que eu e Draco nos acomodamos nas nossas cadeiras, o professor Snape apareceu.
– Quero conversar com os senhores e exijo sua total e absoluta atenção. Creio que já tiveram cinco professores nesta matéria. Naturalmente, cada um teve o seu método e suas prioridades. Diante dessa confusão é uma surpresa que tantos tenham obtido nota para passar nesta matéria. E surpresa maior será se todos conseguirem dar conta dos deveres do N.I.EM, que serão bem mais complexos. – Ele falava tanto que meus pensamentos começaram a viajar na quantidade de professores que já tivemos, todos já pensavam que existia uma maldição, será que dessa vez Snape corria perigo?
– ... Suas defesas, portanto, têm que ser flexíveis e inventivas como as Artes que vocês querem neutralizar. Esses quadros... – Ele andava pela sala falando demais. Cutuquei minha mochila para saber se o tronquilho estava ali, eu tinha que pensar no que fazer com ele.
– Creio que os senhores são absolutamente novatos no uso de feitiços mudos. Qual a vantagem de um feitiço mudo? – Ele perguntou e viu que eu não estava prestando muita atenção. – Senhorita ?
– Eu? – Perguntei por reflexo.
– Existe outra aqui? – Todos riram baixo.
– Ahn... Bom, o adversário não vai saber que feitiço você pode lançar, então pode pegar de surpresa. – Sorri pelo menos sabendo da resposta.
– Correto! 10 pontos para a sonserina. – Ele voltou a olhar para a sala. – Aqueles que se aperfeiçoam e aprendem a usar a magia sem proferir os encantamentos, passam a contar com o elemento surpresa em sua arte. Nem todos os bruxos conseguem fazer isso, é claro, é uma questão de concentração e poder mental que alguns não possuem. – Vi ele encarar Harry por segundos. – Os senhores agora vão se dividir em pares. Um parceiro tentará enfeitiçar o outro sem falar. O outro irá repelir o feitiço em igual silêncio. Comecem!
– Vai fazer comigo? – Draco perguntou em desafio. Eu iria com Yumi mas ela estava com o Erik.
– Já que você insiste, por que não? – Saímos das cadeiras e fomos para o espaço de duelo.
Nos encaramos tentando nos concentrar para lançar um feitiço, mas era difícil. Os outros alunos pareciam que iam explodir se segurando para não falar. Então tentei relaxar me concentrando apenas na varinha de Draco.
Apontei minha varinha, fazendo o movimento de “Expelliarmus” e não acreditei quando a varinha de Draco saiu voando.
Sorri vendo a cara de incrédulo dele e olhei para Snape que levantou uma sobrancelha, sem tirar a cara fria de sempre.
– Muito bem! Mais 10 pontos para a sonserina por conseguir ser a primeira, Srta . – Ele falou. Que milagre era aquele ele me elogiando? Os pontos tudo bem ele sempre puxava saco dos seus alunos da sonserina, mas elogio?
Dei de ombros me achando o máximo, enquanto via uma risada sarcástica de Draco. Ninguém conseguiu fazer o feitiço, apenas eu e eu me senti muito bem com isso. Consegui fazer duas vezes, conseguindo pegar o jeito.
No final da aula Harry lançou um protego falado sem querer, quando o professor tentou ensiná-lo e os dois se irritaram por algum motivo. Então a classe foi dispensada.
– Yumi, tenho uma proposta para você! – Falei enquanto ela estava almoçando na mesa da sonserina afastada de todos.
– Diga... – Nick e Erik estavam jogando baralho então nem sei se estariam ouvindo por estarem concentrados demais.
– Bom, você está solteira né?
– Depende do que você quer fazer com essa informação.
– É que tem alguém interessado em você. – Falei sorrindo. Os meninos logo ficaram curiosos, claramente fofoqueiros.
– Quem? – Nick perguntou.
– Bom... Você quer que eu revele para eles? – Perguntei pra Yumi.
– Não!
– Por quê? Somos seus amigos! – Erik protestou.
– Exatamente por isso, vocês podem estragar se tiver chance de acontecer. – Yumi se levantou me puxando pela mão enquanto íamos para o canto. Pude ver algumas reclamações dos meninos. – Então... quem é o indivíduo?
– Nott.
– O QUÊ? – Ela quase gritou chamando atenção de todo mundo. Nick e Erik estavam quase se contorcendo pra saber quem era de longe.
– Shhhhh!
– Desculpa, é que eu fiquei surpresa. – Ela ficou envergonhada pela atenção.
– Então...? Ele é bonito e legal...
– É um sonserino!
– Eu também sou. E você é minha melhor amiga, não seja preconceituosa. Ele realmente gosta de você... – Ela me olhou desconfiada. – Qual é, ele é popular na escola, poderia aproveitar essa chance.
– Não sei não, não confio em sonserinos. Mas como você é minha amiga, podemos sair algum dia, se... Em troca você vir comigo se inscrever no clube de música.
– Clube de música? Por quê?
– Bom, eu estava querendo entrar, mas não queria ficar sozinha.
– Interessante, porque o Nott queria entrar também. – Olhei para ela maliciosa e nós rimos.
– É pegar ou largar.
– Tá bom, o Theo irá ficar me devendo uma!
Nossa última aula era de poções com o professor Slughorn. Eu me matei de estudar ano passado porque pensava que era o professor Snape, mas com tudo que mudou fiquei desanimada. Vamos ver se o Slughorn é bom mesmo, Draco tinha comentado que o pai dele gostava então ele deve ser interessante.
Dessa vez tinha apenas alguns alunos da sonserina seguindo ainda com poções: Eu, Draco, Nott e Zabini. Na Corvinal o único que eu conhecia era Erik, na lufa lufa Nick, e na grifinória o trio de ouro. Me sentei com os sonserinos obviamente e notei alguns caldeirões por ali com algo dentro, todos pareciam diferentes.
– Ora muito bem... – O professor chegou começando a aula. – Apanhem as balanças e os kits de poções e não esqueçam o manual de Estudo avançados no preparo de poções...
Procurei na minha mochila o livro tentando me lembrar se eu realmente tinha comprado. Não me lembrava dele, até que Draco tirou um da sua mochila e me entregou.
– Acho que você nem lembra que quase esqueceu ele em casa – Ele disse me entregando.
– Ah, obrigada! Não lembrava realmente. – Passei minha língua entre meus lábios me segurando para não cair no hábito de beijá-lo. Ele levantou as sobrancelhas parecendo saber que eu estava me segurando.
Vi Harry passar ao lado para pegar algo na estante, nossos olhares se cruzaram e eu o cumprimentei educadamente, seguido dele. Espero que ele não tenha visto esse flerte de agora. Às vezes sinto que ele quer falar comigo, mas seu orgulho ainda fala mais alto. Sentia falta dele nos últimos meses.
– Preparei algumas poções para vocês verem, apenas pelo interesse que encerram, entendem? São o tipo de coisa que devem ser capazes de fazer ao fim dos N.I.E.M.s. Já devem ter ouvido falar de algumas, ainda que não saibam prepará-las. Alguém pode me dizer qual é essa aqui?
Tentei pensar em levantar a mão, mas Hermione como sempre era mais rápida.
– É veritaserum, uma poção sem cor nem odor, que força quem a beber dizer a verdade.
– Muito bem, muito bem! – Elogiou o professor. – Agora, essa outra é bem conhecida, apareceu em alguns folhetos no ministério ultimamente... – Ele apontou para outro caldeirão e eu já fuzilava Hermione com o olhar – quem sabe...? – Ela levantou a mão de novo, eu gostava muito dela, mas ela era irritante às vezes. Não deixava ninguém tentar responder.
– É a poção polissuco, senhor.
– Excelente, excelente! Agora, está outra...
– Amortentia! – Disse sem mesmo levantar a mão. Se era para pelo menos ela deixar alguém responder uma tinha que ser sem educação. Ela desceu sua mão quando eu respondi um pouco envergonhada.
– Oh, Srta , excelente! Qual efeito ela produz?
– É uma poção do amor muito perigosa, eu chamaria mais de poção da obsessão.
– Reconheceu, presumo, pelo brilho perolado?
– Sim, pelo vapor e o cheiro que é diferente para cada um e é das coisas que mais atrai na pessoa. – Falei.
– Que tal vir até aqui e me dizer qual cheiro sente? – Ele perguntou me fazendo um gesto para me aproximar. Como eu estava longe, o cheiro das poções podia se misturar. Me aproximei um pouco hesitante.
– Bom, sinto um cheiro de café que é bem nítido. Tortinha de abóboras, pimenta... Perfume Dior Sauvage elixir. – Quase mordi minha língua para tentar não descrever o cheiro do Draco. Ouvi indiretinhas e risadinhas no fundo dos sonserinos, me deixando um pouco constrangida na frente de todos.
– Muito bem! A Amortentia na verdade não gera amor, é claro. É impossível produzir ou imitar o amor. Não, a poção apenas causa uma forte paixonite ou como a senhorita falou, obsessão. Provavelmente é a poção mais poderosa e perigosa nesta sala. – Ele disse andando até o último caldeirão. – E essa última aqui é chamada Felix Felicis. Alguém sabe mais sobre ela?
– É sorte líquida. Faz a pessoa ter sorte. – Hermione falou depois que levantou a mão.
– Correto! 20 pontos para grifinória e 10 para sonserina. – Ele sorriu pra nós duas. – É uma poção engraçadinha essa Felix Felicis, dificílima de fazer e catastrófica se errarmos. Contudo, se prepararmos corretamente, como no caso, vocês irão descobrir que os seus esforços serão recompensados... pelo menos até passar o efeito.
– Por que as pessoas não bebem o tempo todo, senhor? – Erik perguntou.
– Porque ingerida em excesso causa tonturas, irresponsabilidades e perigoso excesso de confiança. Tudo que é demais, sabe… Extremamente tóxica em quantidade.
– O senhor já experimentou? – um outro aluno perguntou, me pareceu o ex da Gina, Miguel Corner.
– Duas vezes na vida. Uma aos vinte e quatro anos e outra cinquenta e sete. Duas colheres de sopa ao café da manhã. Dois dias perfeitos. – Ele falou como se estivesse sonhando. – E a poção será o que vou oferecer de prêmio nesta aula.
Um silêncio percorreu a sala.
– Um frasquinho de Felix Felicis é o suficiente para doze horas de sorte. Agora preciso avisar que ela é uma substância proibida em competições oficiais, eventos esportivos, por exemplo, exames e eleições. Por isso quem ganhar deve usá-la somente em um dia comum... Então, abram a página dez do livro para fazerem uma tentativa válida de preparar a Poção do Morto–Vivo. Eu sei que ela é complexa, não precisa ser perfeita, mas a melhor ganhará a pequena Felix aqui. Podem começar!
Todos os alunos eufóricamente pegaram seus caldeirões, kit de poções e seus livros para tentar ganhar a felix felicis.
– ! – Draco me chamou de canto. – Se você ganhar, poderá me dar um pouco, não é?
– Por que eu iria te dar? – Perguntei debochada.
– Eu sou seu namorado!
– Grande coisa. – Resmunguei. – Mas irei pensar no seu caso... Só lembre que você é melhor que eu.
– Se o professor Snape gosta mais de você, eu tenho certas dúvidas sobre seu talento. Ele deve ver algo que ninguém veja.
– Eu não sei se isso é um elogio ou uma ofensa.
– Elogio.
– Se concentre no seu caldeirão, Malfoy!
Como preparar a poção do Morto–Vivo
Essa poção leva mais ou menos uma hora para ser preparada
– Adicione Raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna
– Pique as raízes de valeriana
– Corte a Vagem Soporífera
– Mexa o caldeirão no sentido anti–horário até que a poção fique clara como água
– Em cerca de 10 minutos o caldeirão lançará uma fumaça azulada
– No meio do preparo a poção ideal terá um suave tom de groselha
– Após acrescentar suco de Vagem Soporífera suficiente, a poção ganha um tom claro de lilás
– Então a poção ficará rosa, até que, finalmente fique transparente.
Comecei a preparar exatamente como estava descrito, eu não tinha ideia se ia conseguir ou não, não ia fazer diferença para eu ganhar a Felix Felicis. Mas eu queria aprender para ser mestre futuramente.
– Professor, acho que o senhor conheceu meu avô, Abraxas Malfoy. – Disse Draco ao meu lado. Tentei me concentrar na poção, mas fiquei curiosa ao ouvir mais sobre o avô dele.
– Conheci, lamentei quando soube do falecimento, embora não tenha sido inesperado, varíola dragonina na idade dele...
Já tinha passado uma hora e eu estava vendo minha poção ficar roxa. Não sei se seria o ideal, mas não tinha muito o que fazer.
– E acabou o tempo! – O professor diz. – Vamos ver qual foi o melhor...
Ele passou por todos, por mim ele me elogiou por ter ido bem. Mas foi Harry quem ganhou, a poção dele estava transparente. Estranhei porque ele nunca foi bom em poções e do nada ele consegue uma das mais difíceis... Hermione pelo que vi ficou chateada por algo.
Todos saíram dali e eu fui a última sendo chamada pelo professor.
– Srta ! Você foi ótima!
– Ah, obrigada professor, mas acho que não fui ótima o bastante. – Eu sorri amarelo.
– Ah, tudo bem, às vezes acontece. O professor Snape me falou sobre você e suas intenções em ser mestre em poções.
– Ele falou? – Perguntei surpresa.
– Ficarei de olho na senhorita e tentarei ajudá-la quando for possível. Por favor aceite meu convite para o clube de poções, lá poderá aprender sobre algumas coisas a mais. – Ele sorriu.
– Obrigada professor! Até mais! – Sai de lá pensativa. Os sonserinos estavam à minha espera por alguma razão.
– Uhuuuuu, Dior! – Nott e Zabini me zombaram.
– A vai se ferrar vocês dois! – É claro que eles esperaram esse momento para me zoar. Tentei andar depressa, mas eles continuavam na minha cola. Zabini e Nott eram uma dupla perfeita para me atormentar quando queriam.
– Hoje temos monitoria, não é? – Draco perguntou ao meu lado com um sorriso de canto.
– Sim... Não quero saber o que está pensando. – Sussurrei para que os outros não ouvissem. Ouvi sua risada.
– Sr. Theodore... – Falei e ele revirou os olhos.
– Qual a ameaça da vez?
– Apenas quero que saiba que já falei com Yumi. – A feição dele se tornou séria e pude ver um brilho surgir nos olhos.
– E...?
– Bom, ela aceitou. Basta lhe mandar um convite por uma coruja e não por mim dessa vez. – Falei ainda andando. Nunca o vi tão animado na vida.
O fim do dia chegou e eu lembrei que tinha que visitar Hagrid e falar sobre o tronquilho que agora vivia na minha mochila. Titã conseguia se comunicar com ele e me disse que ele queria me acompanhar, não entendi o motivo. Mas teria que conversar com Hagrid no outro dia sobre isso.
Hoje à noite era a primeira monitoria do ano, desci até a sala comunal esperando Malfoy. Assim que ele apareceu, começamos a rondar o castelo de madrugada, ele passou quase o tempo todo calado, parecia perdido em seus pensamentos.
– Por que está tão calado? – Perguntei, notando-o pensativo demais.
– Estava pensando em qual lugar seria o ideal para ficarmos a sós. – Ele sorriu de lado.
– Idiota! Nunca que você ficaria sério pensando numa coisa assim. – Dei um empurrão nele de leve.
– Bom, você está certa. Mas eu consigo ter dois tipos de pensamento sim. Sinceramente, esta vai ser nossa última monitoria juntos.
– O quê? – Perguntei parando de andar.
– Foda-se a monitoria por hoje! – Ele pegou minha mão e me puxou. – Vamos até a torre de astronomia. – O segui sem entender nada. Milhões de coisas passaram na minha mente, talvez isso tenha a ver com as reuniões misteriosas com os comensais.
Chegamos na torre e como sempre estava vazia, o vento frio passava por ali indicando que logo chegaria o inverno.
– Agora pode me falar? – Perguntei o analisando um pouco mais séria.
– Tenho algumas coisas para fazer e a monitoria pode me tirar muito meu tempo. Estou pensando em sair do quadribol também.
– O quê? Ficou maluco? – Eu sabia que ele amava quadribol então por isso eu percebi que era algo sério.
– ... Por favor, estou apenas lhe avisando.
– Isso tudo é algo relacionado a reunião, não é? – Perguntei e seu olhar se tornou sombrio de repente. Ele não respondeu, mas também não negou. Suspirei frustrada. – Tudo bem, não vou lhe perguntar sobre isso.
– Obrigado. – Ele suspirou voltando a sua feição normal.
– Espero que não fique sem tempo para mim também. – Ele pigarreou me olhando de canto – Draco Malfoy!
– Eu não sei se ficarei presente sempre, mas tentarei não sumir. – Ele falou.
– Você! Nem pense em terminar comigo por causa das malditas artes das trevas. – Apontei o dedo em sua cara fazendo ele se afastar.
– Eu sou seu marido, não tem nem como! – Bati nele – Ai! Foi uma brincadeira, brincadeira! – Ele me abraçou. Apesar do que ele falou eu estava com uma sensação ruim, e isso para uma profeta não é boa coisa.
– Idiota!
– Eu... – ele parou de falar e olhou para mim ainda com seus braços envolvendo minha cintura. – Você foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos. Não largaria por nada...
– Melhor assim. – Ele encostou seu nariz no meu roçando-os devagar. Fechei os olhos rápido para sentir o carinho melhor.
– Já que será a última monitoria, poderíamos aproveitar de outro jeito, não é? – Abri meus olhos assim que ele falou aquilo. A cor dos seus olhos bem perto do meu me fez ficar zonza, a sorte que ele me segurava se não tinha caído.
– O que quer fazer? – Perguntei baixo.
– Te beijar. – Ele falou olhando para meus lábios e depois aproximou sua boca dos meus ouvidos – por todas as áreas de seu corpo.
– Você é impossível! – Falei rindo.
– E você gosta, não é?! – Ele me deu um leve beijo. – Depois de falar que o cheiro que te atrai na poção do amor é o meu perfume, você não pode mentir nunca mais.
– Ah, mas é claro que você ia trazer isso à tona.
– Eu confesso que para mim a poção tinha o cheiro de cerejeira. Igualzinho o cheiro do seu cabelo.
– Hm, se tivesse outro cheiro você estaria morto agora. – Ele riu, me apertando mais.
– Esse é um dos motivos por eu gostar de você. – Ele me beijou sem deixar que eu respondesse. Desisti de conversar e resolvi não segurar mais minha tentação.
Fiquei de ponta de pé, coloquei meus braços e enrolei em seu pescoço enquanto nos beijávamos intensamente. Massageava seus cabelos loiros como sempre fazia.
Ele me empurrou para uma parede parando alguns segundos e voltando a me beijar. Ah como eu adorava me perder em seus beijos... Ele desceu seus beijos para meu pescoço, mordendo meu lóbulo da orelha devagar me fazendo perder a sanidade. Ele sorriu sem sair dali notando o quanto eu me entregava fácil para ele.
Ele me pegou no colo enquanto eu prendia minhas pernas ao seu redor, a pressão que ele colocava entre minhas partes íntimas fez ele ficar excitado mais rápido. Àquela altura minha roupa já estava amassada e os primeiros botões da minha blusa aberto, fazendo com que ele me desse chupões naquele local.
– Draco...
– O quê? – Ele perguntou me olhando com seus olhos perdidos de excitação.
– Estamos na escola, não gostaria de ser pega pelo pirraça de novo! – Nós rimos.
– Vamos para um lugar melhor! – Nós saímos dali parecendo igual da última vez.
Porém ele parou no sétimo andar, nos fazendo passar três vezes pelo corredor que eu conhecia muito bem. Era ali que tinha acontecido as reuniões da A.D., a sala precisa.
– Como você...? – Perguntei, ele só me olhou levantando as sobrancelhas e depois a sala apareceu. Entramos rápido antes que alguém nos visse.
A sala, que antes era um corredor de treinamento para duelos, virou um quarto grande com um banheiro. Antes que eu pudesse reparar mais no local, Draco me encostou mais uma vez na parede da sala me beijando ardentemente.
Ele tirou sua camisa depressa junto com toda sua roupa, ficando apenas de cueca boxer de cor preta. Adiantei minha parte do processo me livrando das minhas também.
Nos deitamos na cama ainda aos beijos, enquanto ele começou a descer descaradamente até ficar entre as minhas pernas. Oh não, aquilo era demais... Ele olhou para mim e tirou minha calcinha, poderia ficar envergonhada, mas o desejo estava me consumindo tanto que nem ligava pra isso.
Assim que senti seus lábios nas minhas partes íntimas eu fechei os olhos soltando um leve gemido. Sua língua e seus lábios acharam meu clitóris e isso me fez gemer mais alto. Ele continuou ali, enquanto minhas mãos bagunçavam seu cabelo e empurravam de leve sua cabeça quando chegava em uma área mais prazerosa. O meu orgasmo não demorou tanto pra vir, me fazendo tremer as pernas pela primeira vez.
Ele agora subiu me dando um beijo e tirando sua cueca. Depois de ter colocado o preservativo se ajeitou entre minhas pernas, me penetrando sem o cuidado de antes. Ele sabia que não doía mais, então nos entregamos aos movimentos rápidos e gemidos que ecoavam pela sala inteira. Eu tive mais um orgasmo e ele demorou um pouco mais para ter o dele.
Assim que terminamos e nos recuperamos, tomamos um banho rápido e fomos para nosso ninho de cobra. É claro que ele iria invadir meu quarto.
Capítulo 7 – Visitas do futuro
Estava tarde então nos deitamos. Eu me aninhei em seu peito enquanto ele me dava cafuné e beijinhos no topo da minha cabeça.
– Você me acalma tão facilmente, qual a magia? – Ele perguntou de olhos fechados.
– A magia do amor. – Nós rimos.
– Obrigado por estar aqui, pequena. – Ele beijou minha testa.
– Obrigada por estar aqui também, doninha. – Eu segurei a risada.
– Olha você! – Ele reclamou.
– Está bem, Dragãozinho... – Beijei sua boca antes que ele reclamasse mais. – Vamos dormir! Boa noite.
– Boa noite.
Adormecemos juntos no meu quarto. Podia dar problema no outro dia? Talvez, mas ninguém ligava. Eu amava adormecer com seu cheiro maravilhoso...
Mas dessa vez seu cheiro me fez sonhar com algo aterrorizante. Draco estava com sua varinha apontada para Dumbledore na torre de astronomia. E se me lembro bem do último sonho, eu tinha visto Dumbledore morrer no mesmo dia.
Acordei assustada, percebendo que estava pela manhã. Eu odiava do fundo do meu coração isso. Ser acordada assim também não era bom. Eu precisava visitar o diretor hoje, sem falta! Não era possível que Draco fosse o responsável por sua morte, eu não conseguia acreditar.
Olhei para ele que ainda permanecia dormindo ao meu lado. Ele poderia ser um idiota e arrogante, mas ele tinha mudado recentemente. Não o via mais fazendo bullying com os mais novos e nem com os mestiços ou nascidos trouxas. Ele na maior parte do tempo ficava na dele, no máximo fazendo piadinhas e esse ano tinha piorado... Não sou inocente ao ponto de não saber que ele foi criado com pensamentos terríveis, mas eu vejo bondade nele, sei que ele não teria coragem de matar ninguém.
Para mim ele é apenas a ferramenta ideal para ser manipulado por forças sombrias.
Acordei deixando-o no meu quarto dormindo ainda, não queria acordá-lo e foi bom eu ter saído primeiro, assim ninguém ia suspeitar que ele estivesse ali na noite anterior. Deixei um bilhete caso ele procurasse por mim.
Tomei o café de sempre com meus amigos, dessa vez estava perdida nos meus pensamentos ainda sem acreditar no meu sonho. Meus amigos perceberam, mas resolveram não perguntar, sabiam que se eu estivesse confortável eu ia falar para eles.
– Hoje tem os testes para o clube de música... – Yumi falou. – Você vai?
– Vou sim, pode deixar! – Os olhares de Yumi de repente ficaram acima de mim. Olhei para o alto e vi um cabelo loiro. Me virei surpresa por ele ter vindo até a gente.
– Draco?
– Você esqueceu seu colar, pequena. – Ele tirou o pingente do bolso e fez cair a corrente para que eu visse. – Nunca esqueça ele, por favor.
– Oh, está bem. – Ele fez um gesto com o dedo para que me virasse. Fiz o que ele mandou, enquanto via o rosto dos meus amigos segurarem a risada olhando entre si. Draco colocou o colar do dragão que ele me deu no meu pescoço.
– Nos vemos depois. – Ele me deu um beijo na cabeça e foi embora. Fiquei vermelha assim que percebi que todo o salão me olhava agora. E como conheço bem Malfoy, ele tinha feito de propósito.
– Vocês, não ousem fazer piadinhas!
– Mas ninguém falou nada... – Nick ainda prendia o riso.
– É muito diferente ver o Malfoy te chamar de “pequena” – Erik colocou a língua para fora com nojo.
– Falou quem gostava de mim a algum tempo atrás.
– Ahh, não é por isso. O negócio é ele mesmo. – Resmungou.
– Não fiquei tão surpreso, já que quem saiu desesperado atrás da no quarto ano quando ela sumiu foi ele. – Nick comentou. – Espere... – Ele ficou pensativo e pegou minhas duas mãos encarando minha aliança. – Oh! É POR ISSO! – Ele gritou surpreso e depois se conteve quando todos olharam para ele.
– Shhh, não precisa falar alto.
– Vocês já se casaram! – Erik percebeu o que Nick estava querendo dizer. – E não nos contou.
– Foi nas férias de Natal do ano passado e com toda aquela loucura não tive tempo. Mas sim, casamos. – Os dois tinham a boca aberta de surpresa.
– Nossa, a gente perdeu muita coisa então. Quer dizer, eu sabia que vocês estavam se pegando, mas não assim. – Nick falou.
– Se tirar o fato do casamento, estamos namorando. – Os dois me olharam estranho.
– É coisa deles, não tentem entender. – Yumi falou. – Enfim eu achei fofo! Saber que a escola toda irá colocar isso em pauta, não é?
– Imagino! Malfoy já deixou muito claro principalmente para alguns grifinórios sobre isso. – Comentei lembrando dele passando na cara do Harry no começo do ano.
– Mudando de assunto... Yumi, ele entrou em contato com você? – Perguntei.
– Sim... – ela ficou vermelha.
– Quem?
– Theodore Nott. – Ela disse.
– Era ele quem estava interessado em você? – Nick perguntou e ela assentiu.
– Pois é, todos vocês agora estão saindo com sonserinos. E nós que somos a pior casa da escola hein. – Falei irônica.
Percebi a explosão de cochichos assim que sai da porta do salão principal. Yumi tinha razão quando disse que eu e Draco iríamos virar pauta. Minha sorte é que ninguém tinha notado nossas alianças, se soubessem do meu casamento aos 15 anos ia ser uma avalanche de boatos.
Como eu tinha horário livre, resolvi visitar Hagrid para saber sobre o que fazer com o tronquilho que de vez em quando ficava no meu ombro e outras vezes se escondia.
Era proibido ter animais de estimação no castelo, mas não tenho culpa se ele não quer desgrudar de mim. Assim que desci as escadas do grande jardim para ir a cabana de Hagrid vi rapidamente três silhuetas se escondendo em uma pedra, me parecia extremamente familiar.
Fui até eles sorrateiramente depois que minha intuição apitou como alarme.
– A culpa é de vocês dois que acabamos aqui! – Ouvi uma voz grave falando.
– Estamos ferrados, não é? – A voz da outra pessoa parecia mais infantil.
– Sabe o que acontece se nos vermos? Podemos não existir mais... – A voz grave que agora dava origem a um garoto de cabelo loiro com vestes da sonserina.
– Mamãe... – Um deles, que era menor, me viu quando me aproximei e calou a própria boca. O mais velho se virou rapidamente e seu par de olhos azuis acinzentados me olhava chocado.
Eram os mesmos garotos do meu sonho, tinha certeza! Um dos garotos mais novos tinham as mesmas características do mais velho. O outro tinha cabelo preto e olhos azuis esverdeados.
– Quem são vocês? – Perguntei suspeitando. Algo veio à minha cabeça e isso era loucura! Dois deles me pareciam muito familiar e um acabou de me chamar de mãe.
– Ahh, er... – O mais novo gaguejou e ele era muito parecido com o Draco. Isso me fez entrar um pouco em pânico.
– Ela já sabe... – O mais velho suspirou. – Olá, mãe! – Oh merda! Era realmente o que eu estava pensando. Fiquei sua reação.
– Qual a parte de que não podíamos nos revelar que você falou? – O loiro mais novo falou.
– Mas é a mamãe, acho que de todas seria a melhor pessoa.
– Ok. Esperem, esperem! Vocês três são meus filhos do futuro?
– Não, apenas nós dois. O outro é de outra pessoa... Bem, não sei se é seguro falar.
– Certo...– Falei analisando tudo rapidamente – Bom, eu sonhei com vocês, então tem alguma razão para isso. Pela lógica voltaram no tempo com um vira–tempo, não é? – O mais velho confirmou com a cabeça. – Mas preciso saber de algumas coisas para que eu evite a maioria. Quais os nomes de vocês?
– Eu me chamo Regulus Abraxas Malfoy. – O mais velho falou, entregando a quem ele parecia. É claro que eu já tinha visto alguma foto do avô de Draco pela mansão algum dia.
– Eu me chamo Scorpius Hyperion Malfoy. – O loiro mais novo dessa vez.
– E eu sou Albus Severus Potter. – O moreno quase me fez cair para trás. Acho que o que mais tinha riscos de mudar o futuro era ele.
– Tá bem, para começo de conversa precisam mudar de nomes. – Falei pensativa. – Não podem de nenhuma maneira falar o nome verdadeiro, principalmente você, Albus.
– É, o papai falou sobre os diretores de Hogwarts.
– Não quero nem perguntar sobre esse plural de diretores. – Falei tentando me concentrar. – Quem é sua mãe, Albus? Preciso saber para que vocês não se batam por aí.
– Gina Potter! – Ele falou e eu imaginei que seria a Gina com seu sobrenome de casada. Então no final ela conseguiu ficar com o Harry, sorri ao pensar nisso.
– Certo! Inventem um nome que gostem de ser chamados.
– Bom, posso ser Leo. – Regulus disse. – Scorpius vai ser Max e Albus...
– James, posso me chamar de James. – Albus falou.
– Será que tem problema? É o nome do avô dele. – Regulus comentou.
– Acho que não vai ter, James é até um nome comum. Bom, em hipótese nenhuma falem nada a ninguém. Como vieram parar aqui?
– Eles roubaram um vira tempo e eu acabei vindo junto sem querer. – Regulus comentou olhando feio para os mais novos. Olhei mais para eles e vi o brasão da sonserina nas vestes de todos.
– Sonserinos? – Eu realmente não sei o que mais me choca. Os meus filhos com Draco são amigos do filho do Harry ou o filho do Harry ser da sonserina.
– Sim, eles estão no primeiro ano. Eu estou no sexto...
– Certo, acho que vamos precisar encontrar o Prof. Dumbledore agora. Não falem com ninguém... E você, Scorpius. – Apontei para o mais novo. – Preciso fazer um feitiço para o seu cabelo pelo menos, você é a cara do seu pai. – Falei enquanto prestava mais atenção nele. – Não iríamos querer que todos soubessem disso.
– Colovaria! – Lancei em seu cabelo para que ele ficasse preto, melhoraria um pouco a aparência. – Vamos, me acompanhem! – Falei para todos enquanto desistia de ir em Hagrid para seguir o caminho ao escritório do professor Dumbledore.
Paramos em frente a grande fênix e esqueci completamente da senha. Tentei diversas vezes, mas sem conseguir.
– Titã! – O chamei fazendo aparecer. – Você consegue ver se Dumbledore nos ajuda? Só dizer que é urgente.
– Sssssim, irei fazer isso. – Ele falou e saiu flutuando por cima da estátua.
– Por que sua mãe tem uma cobra de estimação? – Ouvi Alvo sussurrar para Scorpius.
– Ele não é apenas uma cobra. É um espectro, é um protetor. – Scorpius respondeu me fazendo rir baixinho. Eu acho que vou ter grandes desafios com os três presentes.
Não demorou para o grifo rodar e uma escada aparecer. Subi com os meninos no meu encalço. Assim que empurrei a porta o professor Dumbledore estava nos esperando.
– Senhorita Malfoy, me surpreendi quando uma serpente em forma de patrono apareceu do nada revelando que você estava parada tentando entrar no meu escritório com informações urgentes. – Ele disse e seus óculos meia lua fixaram nos três meninos atrás. – Vejo que realmente foi uma boa escolha ter vindo aqui. Quem são eles?
– Bom, eles vieram do futuro. Com isso! – Entreguei o vira tempo quebrado ao professor.
– Oh! Isso é perigoso.
– Tirando o fato que já sei umas coisas que não deveria saber, consegui trazê–los por aqui sem muitas dificuldades.
– Muito bem, ! Eu presumo que já sabem quem são...
– Sim... Se apresentem meninos! Este é Albus Dumbledore, o diretor de Hogwarts.
– Sou Regulus Malfoy!
– Sou Scorpius Malfoy.
– E–eu ss–ou Albus Potter. – Disse tímido e fez com que o diretor tivesse uma reação maior.
– De fato, é uma honra.
– Honra é minha de conhecer o senhor! – Albus respondeu e Regulus lhe deu um cutucão.
– Bom, tentarei falar com o ministério sobre a presença deles e tentarei um novo vira-tempo. Porém vocês chegaram em um tempo perigoso. Acho que já sabem sobre isso...
– Sim, senhor. Estamos nos anos da Segunda Guerra Bruxa, não é? – Regulus perguntou. Aquilo me arrepiou, eu sabia que iria ter uma guerra, mas esse nome sendo falado me causava sensações ruins.
– Sim! Senhora Malfoy, como encontrou eles, ficará encarregada por mantê-los por perto. Eles ficarão como alunos transferidos de Ilvermorny por enquanto... Já que todos estão na sonserina deixo em suas mãos, digamos... que fizemos uma seleção com eles em particular. – Assenti. – Tentarei contato com o ministro o mais breve possível.
– Senhor, precisava falar com você sobre minhas visões. – Ele me encarou através dos óculos esperando que eu continuasse. – Bem, eu vi sua morte. – Não falei nada mais sobre, parecia errado naquela hora.
– Hmm... – Ele pareceu analisar, mas não me parecia surpreso.
– Não conseguirei evitar, não é? – Falei hesitando enquanto lágrimas estavam querendo vir.
– Não sei sobre o que você de fato viu, mas provavelmente não. – Ele falou levantando sua mão que estava preta. Não perguntei sobre, mas sabia que ele estava morrendo. – Tudo irá acontecer do jeito que tem que acontecer. Tente não olhar para as principais coisas, . Outras pessoas podem precisar de você. – Ele falou e em minutos me perdi nos pensamentos.
Tentei esquecer os sentimentos que isso me causava, tinha coisas mais importantes para resolver por agora.
– Se for só isso... estão liberados. Ah! Antes que eu me esqueça, suas aulas com a professora Trewlaney… O Prof Snape me falou sobre você não está interessada, mas aconselho que vá. Ela poderá lhe ajudar com suas previsões e seria bom levar seu garoto mais velho. – Ele falou e eu olhei para Regulus voltando a realidade que os meus filhos estavam ali diante de mim.
Regulus ficou inquieto por alguns segundos me deixando curiosa, mas decidi ignorar.
– Certo, vamos nos encaixar primeiro pelo castelo. Acho que já sabem onde é a sala comunal da sonserina não é? Iremos precisar ver o prof Snape antes para pegar os horários com ele. Vocês terão que fingir serem alunos daqui e estudarem. – Falei enquanto saímos da sala do diretor.
– Mas e eles? Tem certeza de que é uma boa eles ficarem sozinhos? – Regulus me perguntou.
– Não tenho certeza, mas é o melhor plano que temos. Scorpius e Albus, ou melhor Max e James, vocês não podem falar nada sobre vocês realmente certo? – Falei antes de irmos para os corredores que tinham mais pessoas.
– Sim, sabemos sobre o perigo de mudar o futuro.
– Albus, você é o que mais corre o risco de mudar tudo, seu pai é uma peça-chave dessa guerra, então se alguém souber de você... ou pior, se você-sabe-quem souber de você, eu nem quero pensar no que vai acontecer. Acho que sabem em que época estamos, não é?
– Sim, sabemos.
– Qualquer coisa vocês são da minha família. Meus primos, usem meu sobrenome de solteira ou inventem algum – Eles assentiram. – Então vamos a batalha de sobrevivência!
Seguimos em direção às masmorras, no caminho lembrei dos boatos e cochichos que faziam sobre mim e Draco, ouvi os meninos rindo baixo atrás de mim se divertindo com a situação.
– Ahnn, posso te perguntar algo, ma.. ! – Regulus disse se corrigindo.
– Sim.
– Você e o papai, estão casados certo? – Concordei – Mas, estão juntos mesmo ou não?
– É engraçado que vocês saibam de tudo..., mas sim, estamos juntos. Inclusive acho que esse ano o segredo entre a gente acabou, já que todos estão falando sobre nós dois.
– Isso é esquisito... Ver a época de adolescente de vocês. – Scorpius disse.
– Eu digo o mesmo, ainda não me imagino sendo mãe...– Falei analisando Scorpius com mais cuidado e ele parecia fazer o mesmo. Ele agora tinha o cabelo preto devido ao feitiço, mas ele era ainda bem parecido com o Draco.
Percebi que Regulus a cada corredor que passava ganhava atenção das garotas, não sei se por curiosidade do novo aluno ou pela sua aparência atraente, eu chutaria pela aparência. Eu realmente tinha feito um filho belíssimo! Fiquei orgulhosa disso e depois fiquei indignada por nenhum ter saído com minha aparência. Maldito genes Malfoy!
Capítulo 8 – Garoto Perdido
Entramos na sala do Prof Snape e falei sobre as novas transferências. Ele suspeitou claramente, mas não queria se intrometer em coisas que Dumbledore autorizou. Apenas liberou as grades para os três e eu fiquei responsável legal deles.
– Bom, vocês estão liberados para andar por aí, com atenção claro. – falei.
– Podemos te acompanhar? – Albus perguntou.
– Sim, mas nos horários vagos. Terei aula de transfiguração daqui a pouco e é apenas para o sexto ano. Vocês dois precisam ficar sozinhos por esses tempos, mas se nós toparmos por aí, podem me acompanhar. – sorri tentando ser amigável. Eu não sabia como me comportar diante deles.
– Ouviram o que ela falou, não é? – Regulus perguntou. – Estarei com ela já que estamos no mesmo ano. Tomem cuidado!
– Irei deixar Titã com vocês, por precaução. – Falei pegando minha varinha e colocando no bolso de scorpius. – Vocês são ofidioglotas?
– Menos eu. – Albus falou.
– Certo, então acho que vocês sabem como desativar a varinha caso aconteça algo.
– Sim, estou sabendo. – Scorpius afirmou. – Pode deixar que você teve um filho inteligente. – Regulus bufou.
– Um? Só se for eu, se fosse tão inteligente você nem estaria aqui, baixinho.
– Não me chame de baixinho! Eu tenho apenas 11 anos, ainda vou crescer. – Scorpius reclamou.
– Então... Comecem a se adaptar! – Falei enquanto os mais novos saíam curiosos para seus quartos.
– Leo... – falei seu nome falso para tentar me acostumar. – Está preparado para ver pessoas conhecidas e desconhecidas?
– Não sei, mas tentarei não fazer nenhuma expressão estranha.
– Bom, então vamos lá! Temos aula de transfiguração com a professora Minerva e vai ser justo com pessoas bem conhecidas. – Sorri tentando esconder meu pânico.
Saímos do salão comunal e fomos até a sala de transfiguração, antes de entrarmos dei sinal para a professora McGonagall, mas ela parecia já estar a par da situação. Entramos todos para começar a aula, assim que Regulus me seguiu e se sentou ao meu lado percebi olhares e cochichos sobre quem era o novo aluno. Todos da minha turma estavam lá, incluindo o trio de ouro, o trio de prata e o trio colorido que era meus amigos.
E pra piorar Draco sentou bem ao meu lado, estranhando Regulus. Não sabia que iria ficar suando frio por causa disso, era uma cena cômica para quem sabia. Nott e Zabini entraram, completando uma fileira da sonserina e com a cara de pau do mundo todo.
– Um novato? – Theo perguntou. – Desde quando?
– Hey, qual seu nome? – Zabini perguntou.
– Shhhh, a aula vai começar! – Reclamei e a professora McGonagall começou a falar.
– Antes de começarmos, queria dar boas–vindas ao novo aluno que foi transferido recentemente e apresentá–los a turma. – Dei um cutucão no Regulus para ele se levantar – Hogwarts terá um imenso prazer em ensiná–lo o estudo da magia Sr. Leonard Spencer. – Ele franziu a testa quase reclamando do nome que a prof. Minerva inventou, ou o prof Dumbledore.
– Obrigado... – ele falou e rapidamente se sentou. Eu prendi o riso pela cara que ele fez.
– Precisava de um nome ridículo desse? – Ele perguntou baixinho.
– Não tenho culpa. – Falei rindo e olhei de canto para Draco que estava com uma cara nada amigável.
A aula seguiu tranquila, apenas olhares curiosos principalmente das meninas para Regulus. Assim que acabou eu me preparei para o bombardeio de perguntas, eles notaram que eu conhecia o novo aluno. Foi bom que só tinha a gente ainda na sala.
– Então, ... Arranjou mais um loiro? – Zabini zombou piorando tudo.
– Não! – Falei antes que ele falasse mais merda.
– Cala boca, Zabini! – Draco o olhou furioso fazendo ele tirar a cara de zombeteiro. – Quem é ele?
– Sou Leo Spencer, mas podem me chamar de Leo. Satisfação conhecer vocês três. – Regulus olhou para os três e levantou a sobrancelha com o mesmo olhar que Draco fazia, de arrogância, misturado com desafio. Fiquei horrorizada pelo gesto ser igual, isso era muito estranho.
– Bom, ele é um primo distante que se mudou recentemente. – Falei tentando distrair o trio de prata que estavam estranhando-o demais. – Então não coloquem besteira na cabeça de vocês.
– Você me parece familiar, mas sou Theodore Nott. Esses são Blasio Zabini e Draco Malfoy. Bem-vindo a Hogwarts e a sonserina, a melhor casa da escola!
– Obrigado!
– Então... – Zabini olhou para Draco tentando saber se ele aprovaria Regulus ou não, como não obteve resposta começou a falar. – Você joga quadribol?
– Hmm, sim de vez em quando.
– Oh! Isso é brilhante! – Zabini começou a conversar com Regulus. Terminei de pôr minhas coisas na mochila e já estava de saída quando Malfoy me parou.
– Por que eu não soube sobre isso? – Ele perguntou.
– Porque eu também não sabia. Provavelmente minha tia nem falou com minha mãe ainda... Enfim. Não pegue no pé dele, ouviu?
– Mas eu nem fiz nada, apenas perguntei. – Ele olhava debochado para Regulus o que me fez ficar um pouco irritada, afinal era nosso filho. Mas ele não sabia, então tive que engolir isso.
Suspirei e o beijei na bochecha fazendo-o fraquejar as pernas. Sorri ao ver sua reação.
– Não invente ficar com ciúmes de alguém que é meu parente. Inclusive ele não é o único, ainda tenho mais dois primos no segundo ano. Seja bonzinho!
– Está bem, portanto que ele fique fora do meu caminho.
– ! – Zabini me chamou. – Já está sabendo que vai substituir o Draco, não é?
– Já imaginei que seria assim... – Falei ainda encarando Draco.
– Então, ótimo! Amanhã teremos treino antes da temporada começar, esteja por lá! – Ele avisou enquanto voltava a conversar com Nott e Regulus.
– Não me olhe assim... não vou conseguir me segurar em público. – Ele disse com os olhos fixos em meus lábios.
– Então irei sair daqui antes que você faça isso – O empurrei e saí da sala. Assim que saí vi Regulus me seguindo.
– Não me deixe com eles sozinho. Apesar de saber algumas coisas, estamos em outros tempos... – Entendi o que ele queria dizer. Eles não eram pessoas ruins, não podia fingir que os três tinham bom histórico. Eles pegavam pesado quando queriam, mas que bom que nunca mais vi atitudes ruins nos últimos anos vindo deles.
– Tudo bem! – Coloquei meu braço sobre seus ombros e puxei mais para perto, como ele era alto teve que se abaixar. – Pode andar comigo, filho! – Nós rimos. – Vou te apresentar seus futuros tios, de casas diferentes. Caso saiba sobre eles, melhor fingir que não sabe.
– Pode deixar! Mas tenho a impressão de que se eu colar com você demais o papai vai me matar. – Ele falou baixo rindo.
– Ainda é esquisito saber que vocês são meus filhos...
– Falando nisso, será que o meu irmão e o James estão indo bem? – Ele perguntou preocupado.
– Vamos ver eles agora na hora do almoço. Vamos!
Chegamos no grande salão e já estava começando a ficar cheio. Yumi e Nick estavam sentados mais para perto dos professores, corri até eles. Geralmente as mesas eram divididas por casa, mas como éramos de casas diferentes cada dia a gente mudava e dessa vez estávamos com os lufanos.
– Olá! – Falei ganhando atenção de Yumi e Nick.
– Oh!! O novo aluno! – Yumi sorriu curiosa.
– Ahh, este é o Leo, meu primo… – Falei e observei duas figuras chegarem perto da gente. – E esses são, Max e James. – Complementei vendo os meninos finalmente. – Sentem aqui, vocês são bem–vindos!
Os dois garotos sorriram.
– Oi! – Disse Scorpius um pouco tímido.
– Como foram as aulas? – Regulus perguntou.
– Tudo tranquilo, tivemos aula de feitiços. – Albus comentou.
– Vocês estão em que ano? – Nick perguntou.
– Segundo.
– Legal! Espero que gostem de Hogwarts... – Yumi falou e voltou a comer.
Percebi que Scorpius e Albus não paravam de olhar para a mesa da grifinória, Regulus também pareceu perceber isso enquanto mandavam eles pararem.
– Aposto que estão curiosos para ver um certo grifinório... – Nick sorriu. – Podemos apresent....
– Não! – Falei o interrompendo. Não era uma boa ideia eles conhecerem o Harry, além de que não estamos nos falando. Nick me olhou confuso. – Estamos sem se falar, esqueceu?
–Você, não eu.
– Sim, mas eles são da minha família. Não metam eles nisso...
– Tá bom... Então se vocês quiserem conhecer eles, sua prima terá que autorizar. Mas eu duvido que um dia vocês não irão se trombar por aí.
– Cadê o Erik? – Perguntei tentando mudar de assunto.
– Comeu mais cedo e saiu com sua namorada. – Yumi disse. – , você irá realmente para o clube de música, não é?
– Vou, já te falei.
– Clube de música? – Regulus e Scorpius perguntaram juntos.
– Sim, gostariam de entrar? – Yumi perguntou. – Iremos fazer um teste para ver se conseguimos.
– Ahh eu dispenso! Gosto de cantar porque a mamãe sempre... – Scorpius falou e Regulus o cutucou – errr... mas eu não estou interessado em clube de música. – Esses garotos serão bem difíceis de se controlarem ainda bem que Yumi e Nick não estavam tão focados neles.
– Eu sou horroroso cantando. – Albus falou. – Mas pelo que eu me lembro o Leo gosta. Ele sabe tocar violão.
– Isso é interessante. – Falei. – Se quiser entrar acho que não vai ter problema Leo.
– Posso tentar!
– O que sabe tocar além de violão? – Perguntei interessada.
– Hmm, piano, bateria, guitarra. Acho que só... – Meu filho era um prodígio, estava gostando de saber mais sobre eles.
– Ele canta também. – Scorpius falou de boca cheia.
– E qual o seu talento, Max? – Perguntei olhando para Scorpius.
– O talento dele é se meter em confusão. – Seu irmão mais velho disse. Albus começou a rir. – Você não está tão atrás, James!
– Vai ficar passando na cara da gente o tempo todo? – Scorpius falou de cara feia encarando Regulus.
– Talvez?!
– Não vamos começar a brigar de novo, não é? – Falei e os dois abaixaram os olhares. Acho que eles estavam acostumados à minha futura eu.
– Depois preciso visitar o Hagrid, estão querendo me acompanhar? – Perguntei e os mais novos confirmaram animados.
– O que é isso? Virou guia turístico? – Nick perguntou.
– Sou monitora esqueceu? Além do mais, foi um pedido do diretor. – Ele deu de ombros e voltou a comer.
Então almoçamos e saímos em direção a Hagrid, dessa vez eu teria que falar sobre o tronquilho.
– A gente não pode realmente ver nossos pais? – Albus perguntou tímido.
– Hmm, não sei se seria uma boa ideia. Quer dizer... O Regulus já conheceu o dele e já foi um caos, mas o seu pode ser perigoso. Mas posso tentar fazer algo sobre isso... – Falei pensativa.
– O que? Você já conheceu o papai? – Scorpius perguntou para Regulus que confirmou. – E como foi?
– Tirando o fato que ele era um papai diferente... Bom, foi estranho.
– Diferente como?
– Prepotente, orgulhoso, debochado. – Falei analisando os traços terríveis de Draco. – Ele realmente é difícil de lidar.
– Queria conhecer ele também. – Ele falou desanimado.
– Vocês precisam ter em mente que estão na linha do tempo errada, mas verei o que posso fazer. Albus... – Parei e olhei para ele. – Sei que a curiosidade de ver o famoso Harry Potter deve ser bem legal, mas cuidado. Além do mais ele deve me odiar agora. – Falei lembrando sobre os boatos que correm pela escola sobre meu relacionamento com Draco e sobre nossa briga passada.
– Tudo bem, eu entendo.
– Vamos tentar dar menos trabalho a ela sim? Aposto que tem muita coisa para resolver e somos mais um problema. – Regulus falou;
– Tudo bem, nada que eu não possa superar e resolver. – Falei parando na porta da cabana de Hagrid.
Foi uma visita curta, apresentei os meninos como novos alunos e falei sobre o tronquilho. Hagrid falou que aquilo era esplêndido, não é sempre que um animal daquele gosta de alguém e que ele me escolheu carinhosamente como dona. Então eu poderia ficar com ele, porém escondido, claro.
Mais tarde eu e Regulus fomos à sala de música para o teste para o clube. Os mais novos foram para suas próximas aulas à tarde.
A sala de música ficava em uma sala perto da torre do relógio, nunca tinha sequer entrado por aí. Assim que chegamos lá, o professor Flitwick já estava presente e notei vários instrumentos por ali.
– Vejo que novos alunos estão presentes para o teste do clube. Sejam bem-vindos! De início chamarei um por um para que mostre a habilidade escolhida. – Ele disse. Habilidades escolhidas? Eu não pensei em absolutamente nada.
Ouvimos uma porta abrir e revelar Theodore Nott.
– Senhor Nott, está atrasado!
– Ah! Hmm, desculpa professor. – Ele disse me vendo e se aproximando.
– Então você veio... pensei que estava brincando. – Theo disse a mim enquanto se sentava, porém, seus olhos procuravam outra pessoa na sala.
– Eu também não imaginei que viesse. O que está procurando?
– Sua amiga. – Ele disse assim que a achou em outro canto. Yumi percebeu e parecia muito envergonhada.
– Meu Deus, você realmente está encantado por ela, não é? – Ele concordou.
– Então o que eu perdi?
– Temos que cantar ou tocar algo. Seremos chamados por nomes. – Expliquei a ele.
– Entendi... Leo? – Ele notou a presença de Regulus. – Ele também vai fazer o teste?
– Oi, Nott! Sim, sei tocar e cantar.
– Legal! Isso vai ficar interessante. – Ele disse sorrindo e voltando a prestar atenção no professor.
O espaço já estava preparado. O aluno que fosse chamado iria até o centro e mostrava suas habilidades, este poderia tocar ou não algum instrumento. Então como eu era uma das primeiras por ordem alfabética, fui chamada.
Fui até o violão e o peguei. Eu sabia tocar, mas já tinha bastante tempo que eu preferia piano, mas queria tentar. Escrevi uma música a um tempo... então era ela que eu iria tocar. Era uma música que eu abri meu coração pela primeira vez e agora todos ouviriam, pelo menos a principal inspiração não estava aqui ou eu não conseguiria cantar.
Walls came down (Paredes vieram abaixo)
Where did they go? I didn't notice (Onde elas foram? Eu não notei)
When they fell, I fell for you (Quando elas caíram, eu me apaixonei por você)
Smitten and hopelessly (Ferida e sem esperança)
Lost in this feeling, maybe I'm healing (Perdida nesse sentimento, talvez eu esteja me curando)
Couldn't be scared if I tried (Não conseguiria ter medo se eu tentasse)
'Cause nothing's ever felt this right (Porque nada nunca pareceu tão certo)
I can't hold back, I'm falling in love (Não consigo segurar, eu estou me apaixonando)
It's been right on the tip of my tongue (Está bem na ponta da minha língua)
So here I go speaking honestly (Então aqui vou eu, falando sinceramente)
I think this is forever for me (Eu acho que isso é pra sempre pra mim)
When we're alone (Quando nós estamos a sós)
Time floats away, we stare at each Other (O tempo flutua, nós encaramos um ao outro)
Take me home (Me leve para casa)
I can't wait to hug and thank your mother (Mal consigo esperar pra abraçar e agradecer sua mãe)
Here's what I'd say: He's beautifully made (Isso é o que eu diria: Ele é lindamente feito)
I can't wait to show you, you'll see (Mal posso esperar pra te mostrar, você vai ver)
I promise his heart's safe with me (Eu prometo que o coração dele está seguro comigo)
They say: You know when you find the one (Eles dizem: Você sabe quando você encontra a pessoa certa)
Just a look from you, I come undone (Apenas um olhar seu, eu me desfaço)
So here I go speaking honestly (Então aqui vou eu, falando sinceramente)
I think this is forever for me (Eu acho que isso é pra sempre pra mim)
(4 EVER 4 ME – Demi Lovato)
Assim que parei de cantar aplausos foram ouvidos, me deixando um pouco envergonhada.
– Parabéns, Senhorita ! Não sabia que era tão talentosa assim. – O professor me elogiou.
– Obrigada! – Respondi e fui para meu lugar rapidamente já que estava bem envergonhada. Notei alguns cochichos e pela primeira vez reparei que minhas ex-colegas de quarto estavam presentes.
– Que música hein, ! É uma declaração de amor perfeita, Draco sabe sobre isso? – Nott me perguntou com um tom de quem iria aprontar.
– Não e você nem sonhe em fazer isso!
– Mas acho que ele ficaria feliz, não é? – Ouvi uma risada de Regulus do lado.
– Não importa! Finja que isso não aconteceu, Nott! – Falei encarando. Estava querendo me esconder em qualquer canto de vergonha. Eu tinha esquecido que ele estava presente, já sei que vai me atormentar.
Depois mais alguns alunos foram chamados. Então chegou a vez de Regulus e eu estava muito curiosa para ouvir o meu futuro filho cantar.
Ele não parecia nada nervoso, se concentrou e logo ouvimos seus dedos no piano. Aquelas notas me pareciam um pouco familiares no início.
There was a time when I was alone (Houve um tempo em que estava sozinho)
No where to go and no place to call home (Sem ter para onde ir e nenhum lugar para chamar de lar)
My only friend was the man in the moon (Meu único amigo era o homem na lua)
And even sometimes he would go away too (E mesmo às vezes ele ia embora também)
Then one night as I closed my eyes (Então, numa noite assim que fechei os olhos)
I saw a shadow flying high (Eu vi uma sombra voando alto)
He came to me with the sweetest smile (Ele veio até mim com o seu sorriso mais doce)
Told me he wanted to talk for a while (Me disse que queria conversar um pouco)
He said: Peter Pan, that's what they call me (Ele disse: Peter Pan, é como eles me chamam)
I promise that you'll never be lonely (Eu prometo que você nunca mais estará sozinho)
And ever since that day (E desde aquele dia)
I'm a lost boy from Neverland (Eu sou um garoto perdido da Terra do Nunca)
Usually hanging out with Peter Pan (Normalmente saindo com Peter Pan)
And when we're bored we play in the woods (E quando estamos entediados brincamos na floresta)
Always on the run from Captain Hook (Sempre fugindo do Capitão Gancho)
Run, run, lost boy they say to me (Fuja, fuja, garoto perdido, eles dizem para mim)
Away from all of reality (Longe de toda a realidade)
Neverland is home to lost boys like me (A Terra do Nunca é o lar de garotos perdidos como eu)
And lost boys like me are free (E meninos perdidos como eu, são livres)
Eu estava em pleno choque, era a mesma música que eu me lembrava e dessa vez era ela completa. No meio da música uma memória foi desbloqueada com meu pai biológico. Ele quem me ensinou essa música, ele cantava para eu dormir quase todas as noites.
E o fato de que futuramente eu irei passar isso para minhas gerações foi emocionante. Senti lágrimas caindo do meu rosto sem nem perceber. Theodore pareceu notar, mas não falou nada.
Assim que Regulus terminou muitas palmas e assobios foram ouvidos. E eu estava que nem uma boba chorando. Assim que ele se aproximou eu o abracei e não sei o motivo. Acho que minha ficha tinha caído que ele era meu primogênito.
– Não sabia que isso ia te fazer chorar, mãe – Ele disse baixinho e me separei de seu abraço.
– Tudo bem, apenas desbloqueou uma memória do meu pai. – Falei sorrindo enquanto limpava minhas lágrimas.
– Isso é coisa de família? Ou...? – Nott perguntou.
– Coisa de família. – Ele respondeu. – Eu geralmente cantava para Max e... – Ele disse com muito cuidado, parecendo esconder alguma informação. – Quando ele era pequeno, se assustava fácil a noite. Então quando mamãe não cantava, eu fazia.
– Isso é fofo. – Falei.
– O papel de irmão mais velho. – Nott fez cara feia. – Ainda bem que sou filho único. Falando nisso... Não vai apresentar os outros primos?
– Talvez mais tarde... – Falei tentando desconversar. Ia ser bem difícil os outros dois passarem despercebidos.
Depois de um tempo, ouvimos Theodore e Yumi que não era uma surpresa que eram talentosos. Yumi não cantava, mas gostava de tocar violino e Theodore saiu do piano e pegou uma guitarra.
O que foi novidade para mim foram Dafne, Pansy e Sophie que separadamente cantavam muito bem. No final a maioria entrou para o clube de música, na próxima reunião o professor falaria mais sobre.
Isso me lembrou o fato que eu tinha outro clube para entrar e dessa vez era o de poções. Muito mais importante para mim que queria fazer carreira na matéria. Descobri que no fim de semana ia ter a primeira reunião e eu confirmaria presença.
Depois de nosso tempo livre, vieram mais aulas. Os primeiros dias foram bem intensos por ser início do ano letivo, então o cansaço batia rápido.
Capítulo 9 – Reencontro
Chegou o dia da festa do Clube do Slug, lá encontrei Gina novamente e dessa vez com Hermione. Apresentei Regulus, que eu tinha convidado, a elas que ficaram empolgadas em conhecê–los, pelos sorrisos e olhares elas estavam que nem o resto das garotas no castelo, encantadas. E para piorar ele tinha uma mania de ser cavalheiro demais com um ar misterioso e que eu passei a odiar quando descobri que ele gostava da atenção que recebia.
– Você é do tipo que encanta e depois quebra corações? Porque eu espero que não. – Perguntei a ele enquanto nos afastava da multidão.
– Depende do ponto de vista. – Ele deu de ombros.
– Como eu te criei dessa forma?
– Desculpa, mas já é da minha personalidade. – Ele sorriu como um canalha.
– Está mostrando suas asinhas, não é? Quem era você no começo da semana?! Escute bem o que eu vou falar. Você não se atreva a ficar de beijos e amassos com alguma menina pelo castelo. – Ele riu – Regulus!
– Você está igual a mamãe do futuro.
– É sério! Você não pode ficar marcado na lembrança de ninguém, pelo menos desse jeito.
– Tudo bem, de qualquer forma não estou interessado em ninguém do presente e nem no futuro.
– Por que você não é da mesma idade do seu irmão? Seria mais fácil aceitar. Do nada eu tenho que lidar com meu filho já sendo adolescente. – O olhei de canto de olho, ele parecia se divertir com minhas preocupações.
Me afastei dele e fui falar com a Gina e Hermione já que tinha um tempo que não conversávamos.
– , agora eu fiquei confusa. Ele é realmente seu primo? – Gina perguntou.
– Sim... E você tem namorado. – Hermione riu quando me referi ao Dino pra Gina.
– Ora, não estou falando sobre isso. Mas é que tem fofocas por aí dizendo que vocês estejam interessados um no outro.
– ECA! NÃO! – Falei incrédula. – Impossível, o Leo é como meu irmão... E eu já tenho um namorado.
– Tem um namorado? Quem? – Hermione perguntou curiosa, mas sabia que ela queria ouvir da minha própria boca.
– O Draco, quem mais seria... – Ela ficou com a boca aberta horrorizada.
– Você está realmente com ele? Pensei que eram apenas boatos bobos...
– Está vendo? Eu te falei sobre isso. Não é nada chocante depois de ver vocês dois de mãos dadas por aí. – A Gina sabia de tudo e eu agradeci por ela continuar a fingir não saber.
– Como você consegue? – Hermione ainda estava incrédula. – Ele é um idiota e...
– Não se atreva a continuar a ofendê-lo Hermione. – Avisei. – Sei que ele era um idiota, mas é uma coisa que vocês não entenderiam.
– Eu realmente não entendo, ele nos odeia então você sabe minha opinião. Mas prometo não me intrometer entre vocês dois. – Ela fez cara feia.
– Sim, e eu digo a ele a mesma coisa quando ele começa a ofender vocês. Então meio que estou no meio do tiroteio. E não é uma coisa boa, mas preciso estar...
– Certo, então... Quando vai começar a falar com meu irmão? – Gina mudou de assunto.
– O que? Mas eu já falo.
– Não desconverse, Hermione. Você sabe do que estamos falando.
– Sabe que o Rony é lesado, não é? Acho que ele ainda não percebeu isso.
– E se depender dele, nunca irá perceber. – Gina falou e rimos.
Hoje recebi cartas de casa, mamãe estava demorando para mandar e eu desconfiava que as coisas estavam bem ruins por lá. Então escrevi atualizando das coisas, apesar de tudo Hogwarts parecia a de sempre.
Fui ao corujal para mandar as cartas para todos até que dei de cara com Harry. Uma hora isso ia acontecer, mas não sabia que ia ser tão cedo. Nos encaramos desconfortáveis, mas parecia que ele queria falar comigo.
– Oi – Ele finalmente quebrou o silêncio.
– Oi. – Respondi educadamente ainda olhando para ele de canto.
– Não parece que éramos melhores amigos a algum tempo atrás. – Ele disse enquanto dava petiscos para sua coruja.
– Parecemos dois estranhos agora. – Falei.
– Me desculpe, por te dizer aquelas coisas. Eu estava um pouco fora de mim...
– Aquilo realmente me magoou. – Eu falei olhando para ele.
– Eu sei... Mas lembra que eu pedi pra confiar em mim? Eu fiquei chateado por você não ter me contado nada e por ter sumido naquele dia.
– Harry, tem coisas que eu não posso te dizer, já falei sobre isso. E naquele dia eu estava indo me explicar sobre algumas coisas, porque eu sei o quanto você sofreu com a morte de Sirius. – Eu vi um brilho sumindo em seus olhos. – Me desculpe! Eu já sabia sobre o que ia acontecer, eu só não podia falar. Se não, coisas piores poderiam acontecer. – Falei lembrando do dia e meus olhos lacrimejaram.
– Como...?
– Não me pergunte, por favor. – Ele suspirou, sentando em algum lugar por ali. Eu entreguei as cartas a Héstia a fazendo ela ir embora depois. Um tempo depois Harry cortou o silêncio mais uma vez.
– Sobre Malfoy... É verdade, não é? Sabia que estava o beijando, mas não sabia que era para valer.
– Sim, estamos juntos.
– Eu não entendo. Por que não confiou em mim? E sabe que os pais dele são comensais, não é? E que ele provavelmente é um também.
– Não irei te responder sobre nada disso, Harry – Falei encarando–o. – Eu te considero uma boa pessoa, eu queria que você fosse meu melhor amigo, mas não dá para sermos. – Eu ia me desculpar com o Harry, mas lembrei que Voldemort não queria que eu tivesse perto dele, e isso me doeu mais do que eu imaginei. Mas eu precisava proteger minha família agora e os Malfoy's eram minha família.
– … Eu... Me desculpe.
– De qualquer forma, somos colegas de classe e eu continuarei gostando de você. Eu apenas não posso estar do seu lado... Me desculpe. – Falei me segurando e saindo dali. Harry parecia chateado também e isso acabou comigo.
Eu me retirei até meu quarto para chorar sem ser interrompida, mas me bati com meu futuro filho mais novo.
– Mãe? – Ele perguntou preocupado. – O que aconteceu?
– Eu apenas... Briguei com o Potter novamente. Não se preocupe. – Falei recuperando.
– Ah, sinto muito. Mas tudo vai ficar bem depois, não chore. – Ele me abraçou do nada. Ele era fofo e isso me fez ficar melhor.
– Obrigada, Scorpius. – Sorri.
– Oh desculpe... Eu às vezes esqueço que você não é do futuro. – Ele sorriu envergonhado.
– Tudo bem, está liberado me abraçar.
– ? – Uma voz familiar me fez parar de sorrir. Por que logo agora ele resolveu aparecer? Scorpius logo arregalou os olhos em pânico se escondendo atrás de mim. Não era ele quem queria conhecer o pai mais novo?
– Oi, Draco. – Respondi enquanto ele se aproximava. Ele estava preocupado porque claramente eu estava chorando, mas seus olhos curiosos chegavam em Scorpius.
– O que houve? E quem é esse pirralho? – Eu ri pelo apelido que ele usou para Scorpius. Logo o apelido que Titã usa com ele.
– Nada demais, apenas outra briga com o Harry. – Ele bufou irritado.
– De novo? Ele te fez chorar de novo? Maldito Potter! Não irei me controlar quando ele aparecer em minha frente.
– Malfoy! – O repreendi. – Não faça nada ouviu? Eu e Potter, a gente se entende. – Ele bufou, mas se calou se acalmando.
– Esse é seu outro primo?
– Sim, o nome dele é Max. – Falei empurrando Scorpius para Draco ver melhor, já que era inevitável. Eles ficaram se estranhando de início.
– O que foi? O que ouviu sobre mim? – Malfoy perguntou a Scorpius desconfiado. Depois do que ele ouviu sobre seu pai por aí, ele deve ter se assustado.
– N–Nada! Apenas que você é o príncipe da sonserina. – Scorpius respondeu.
– Isso é muito estranho. – Ele disse. – Alguém disse que a cor de seu cabelo não combina com você? – Eu me segurei para não rir.
– Não...
– Pois bem... Por que ele é estranhamente familiar para mim? – Ele perguntou e eu quase entrei em pânico.
– Deve ser coisa da sua cabeça. Aliás, onde estava? – Perguntei tentando desconversar.
– Resolvendo umas coisas em Hogsmeade, nada muito importante. – Ele disse rápido demais. – Irei ao meu quarto agora, preciso descansar. Se o Potter te fizer chorar de novo, eu não irei aguentar ficar quieto. – Ele me deu um beijo na testa, deu uma olhada estranhando Scorpius de novo e saiu dali.
– Ufa! Eu pensei que ia surtar. – Scorpius falou mais aliviado.
– Não era você que queria o conhecer?
– Imaginar é uma coisa, conhecer é outra. E eu já tinha ouvido falar que papai era ruim no passado.
– Ele não é tão ruim assim, é só um mimado mesmo. – Eu ri sendo acompanhada pela risada dele.
– Falam tão ruim assim do seu pai? No futuro? – Perguntei interessada.
– Hmm, bem... Na verdade, como posso dizer? Todos sabem o que Malfoys fizeram na guerra, a gente sempre ouve algumas coisas. Mas temos você, então está tudo certo. – Ele falou tentando não revelar muita coisa.
– Espertinho... Falou, falou e não me disse nada.
– Não posso de qualquer maneira. – Ele deu de ombros.
– E cadê o Albus?
– Está lendo alguma coisa no quarto dele. Estamos com horário vago hoje, e aí foi quando eu ia dar uma volta que te encontrei.
– Bom, hoje temos treino de quadribol se quiserem me ver jogando. Terei que substituir o Malfoy, então serei apanhadora. Fim de semana teremos sonserina e grifinória, acho que vocês poderão ver o famoso Harry Potter jogando. – Me diverti com a cara que ele fez. Eles realmente gostavam do Harry! – Irei me arrumar e nos encontraremos daqui a duas horas certo?
– Certo! Até mais... E não chore de novo. – Ele disse voltando para o quarto, provavelmente para avisar Albus. Nem notei que a minha tristeza tinha ido embora, esses meninos eram ótimos!
Fui ao campo de quadribol para nossos treinos e quando cheguei o time estava em campo. Os meninos vieram comigo, mas resolveram ficar na arquibancada com Yumi, Erik e Nick, dessa vez todos vieram observar o treino.
– Princesa! – Lucian me cumprimentou.
– Olá, cunhado! Como vai? – Eu sorri e ele ficou envergonhado. – Nem me contou que vocês se deram muito bem.
– Ahh isso é vergonhoso.
– Vamos pessoal! Preparados para o treino? – Zabini começou a falar. – Lembrando que nosso jogo está bem próximo e será contra nossa maior rival. Eu quero ganhar dessa vez. Montem em suas vassouras e iremos começar! – Ele apitou e começamos o treino.
Foi tranquilo, ainda mais porque dessa vez seria apanhadora e eu já imaginei que seria pelo resto do ano. Só tinha que me preocupar mais tarde quando fosse jogar com o Harry.
Assim que o treino acabou, mandei o time todo ficar no campo e fui ao vestiário às pressas pegar minha polaroid que Zabini me deu de presente. Eu precisava usá-la logo...
– Vamos, juntem-se! – Ordenei a todos que obedeceram ao meu comando. – Primeiro treino de quadribol esse ano com o quase time oficial.
Assim que tirei a imagem demorou um pouco mais saiu e como Zabini tinha falado a foto se mexia.
– Deixe que eu tiro com você lá! – Theo pegou a máquina das minhas mãos e eu me ajeitei. Só faltou Malfoy ali, mas eu iria tirar foto com ele mais tarde. – Perfeito!
– Podia colocar no nosso mural da sonserina depois. – Milo disse em relação a um mural de informação que tínhamos no salão comunal.
– Boa ideia! Quando acontecer o jogo eu tiro novamente de todo mundo. – Falei sorrindo.
Depois da foto todos foram dispensados, aproveitei o momento para tirar mais fotos com o pessoal da arquibancada e meus filhos também. Eu ia aproveitar que eles estavam aqui para deixar gravado isso e bem guardado em minhas coisas.
– Vamos, meninos! Você também, James, chegue mais perto. – Falei puxando James pela capa. Então a foto ficou primeiro Regulus, eu, Albus e Scorpius. Os dois mais novos resolveram fazer uma careta engraçada bem na hora. Mas foi divertido.
Guardei minha polaroid com as fotos em minha mochila e o tronquilho apareceu.
– Oh! Um bichinho... – Albus comentou.
– O tronquilho da última vez, não é? – Erik perguntou e eu assenti.
– Não tenho prestado atenção nele quanto devia.
– Qual o nome dele? – Scorpius perguntou.
– Não tem ainda... Quer escolher um?
– Eu adoraria! Hmm... – ele estava pensativo. – Tomtom, o que acha?
– Tomtom? – Eu ri pelo nome fofo. – Será que ele gostou do nome? – Olhei para ele que estava em meu ombro animado. – Pelo visto sim. Hmm, Max e James, que tal cuidarem dele por algum tempo? Eles são fáceis de cuidar, qualquer dúvida pode perguntar a mim ou ao professor Hagrid.
– Sério? – Albus perguntou animado olhando para Scorpius.
– Adoraríamos! – Coloquei o tronquilho em seu braço que foi tranquilamente.
– Cuide deles dois por mim, Tomtom! – Falei para ele que fez um barulhinho.
O halloween chegou para diversão de todos. Hogwarts estava toda enfeitada, os fantasmas estavam mais presentes que antes, parecendo até que era dia deles.
O clube da música estava indo bem, até que o professor Flitwick revelou que tínhamos algo para apresentar antes do Natal e seria em grupo. Para o meu azar foi sorteio e não fiquei com nenhum dos meninos e nem Yumi, tive que formar um grupo com minhas ex–colegas de dormitório.
Ainda não tínhamos nos reunido e eu estava querendo correr disso, porque eu teria que cantar ao lado da Pansy. Assim que soubemos já sabíamos que ia dar confusão, mas tentarei pensar positivo e ignorar a presença dela.
Durante alguns dias eu mal via Draco direito, me pareceu que ele estava se excluindo ou fazendo algo que eu nem imagino. Ele não estava prestando atenção nas aulas, o quadribol que ele tanto amava já tinha desistido com a desculpa que estava doente e aquilo começou a me preocupar. Não queria perguntar sobre porque eu saberia que ele não ia me contar, e eu já sabia que tinha algo a ver com ele ser um comensal.
Harry já estava começando a suspeitar disso desde o começo do ano, segundo Hermione. Eu estava de mãos atadas, não poderia fazer nada. Então comecei a focar no meu objetivo por enquanto, estudar e procurar saber sobre a tarefa que Dumbledore tinha passado aos meus amigos.
Eu e os meninos do futuro resolvemos visitar Hogsmeade, como dois deles eram dos primeiros anos tive que conversar com a Professora McGonagall e ela liberou a ida deles ao vilarejo. Eles estavam animados, já que nunca estavam me lembrando de quando eu estava no terceiro ano, que foi quando fui pela primeira vez por lá.
– Hmm, ! – Scorpius me chamou um pouco sem jeito. – Poderia nos emprestar dinheiro novamente? – Eu já tinha dado dinheiro a eles por causa dos estudos. Hogwarts não tinha mensalidade, porém ainda precisamos gastar dinheiro com compra de materiais, então como eles vieram sem nada aqui eu dei a todos os três.
– Emprestar? – Eu ri junto com Regulus que pareceu entender. – Mesmo que eu não fosse sua mãe do futuro eu te dava de qualquer forma. Não iria fazer falta! Falando nisso, vocês são bem de vida, não é? Me parecem pelo menos.
– Oh, sim! – Regulus disse. – Você pode imaginar o que a junção de um herdeiro Malfoy e uma herdeira pode ser. Vivemos muito bem graças a vocês. – Parei pra pensar nisso, como eu estava acostumada a vida boa eu nem imaginava.
– Isso me alivia. Albus sei que seu pai é rico também. – Falei lembrando que o Harry era herdeiro. Seus pais tinham deixado ele confortável.
– Sim, mas acho que não tanto quanto vocês. – Ele sorriu. – Pelo menos papai já comentou sobre isso. – Olhei para ele curiosa.
– Comentou o que?
– Que os Malfoys já eram ricos, mas quando se juntou com os s isso triplicou. Acho que vocês são a família mais rica do país.
– Oh! Isso é interessante.
– Certo, acho melhor vocês não contarem mais nada a ela. – Regulus falou.
– Ah, isso é uma coisa boba. – Falei assim que chegamos a Hogsmeade. – Bom, bem–vindos a hogsmeade! Eu vou levar vocês a vários lugares, mas sei que dedos de mel, Zonko e três vassouras são as preferidas daqui. Tem a loja de quadribol também.
– Então vamos logo! – Scorpius pegou minha mão me puxando. Fomos de cara na dedos de mel, todos adoravam doces.
Assim que entramos demos de cara com a Gina, sorri ao vê–la, mas depois percebi que o Albus estava lá, paralisado ao meu lado.
– Gina. – Falei sem saber o que fazer. Estava a dias tentando driblar para que nenhum conhecesse os pequenos, mas pelo visto foi inevitável.
– Olá, !
– O que está fazendo aqui? – Perguntei tentando parecer normal.
– Vim comprar alguns doces e comprar algo para o próximo jogo. E você? Vejo que está fazendo papel de monitora! São os seus primos mais novos? – Ela perguntou.
– Ah sim, eu vim trazer eles. Bom, esse é o Max e o James.
– Olá, eu sou a Gina Weasley! Se precisarem de ajuda é só vir na torre da grifinória procurar por mim. – Ela falou piscando o olho.
– Oi! – Os dois falaram em uníssono tímidos.
– Acho que eles não irão precisar pisar na grifinória.
– Olha! Você não tem preconceitos contra minha torre.
– Depois que vi que as outras casas eram melhores, talvez. – Falei brincando. Nós duas rimos.
– Bom, tenho que ir. Vejo vocês depois! – Ela disse e foi embora.
Albus respirou novamente, como se estivesse prendendo o tempo todo.
– Essa foi difícil! É estranho ver... é assim que se sentem? – Ele perguntou aos meninos.
– Sim, pior quando conversamos. – Scorpius falou.
– Bom, vamos, comprem o que quiserem. Hoje a noite tem o jantar de Halloween. – Falei apressando–os.
Ficamos horas ali, enquanto os menores se divertiam eu e Regulus ficamos conversando sobre coisas aleatórias. Perguntei a ele sobre o que ele queria ser depois de terminasse a escola e ele me disse que queria conhecer criaturas ao redor do mundo e revelou que estava procurando por algo que trouxe sem querer para cá, mas desconversou quando perguntei.
Na volta para a escola sentimos o frio mais forte, corremos para entrar no castelo. Estávamos no corredor da masmorra em direção ao dormitório quando algo explodiu e um odor fétido impregnou o lugar. E mais duas explosões foram ouvidas. Tapamos nossos narizes sem aguentar o fedor.
– Quem foi o idiota que soltou bombas de bosta aqui? – Algum aluno resmungou. Muitos alunos que estavam por perto começaram a reclamar e saírem correndo.
– QUANDO TEM CONFLITO E QUANDO TEM BARULHO, CHAMEM O PIRRAÇA, ELE DOBRA CONFUSÃO! – Ouvi a voz do pirraça passando pela gente cantarolando. Não entendi se foi ele quem jogou ou não. Apenas corri daquele mal cheiro com os meninos entrando no salão comunal. Ouvi a voz do professor Snape irritado com alguém antes de entrar.
– Eu quase morri ali... – Albus falou ainda tentando eliminar o fedor de suas narinas.
– Vai demorar para o mal cheiro sair, estamos nas masmorras quase não tem entrada de ar. – Regulus falou enquanto se aproximava da janela no salão. – Algum dia viu sereianos por aqui?
– Não, muito difícil. Já participei de uma tarefa no reino deles, mas eu estava dormindo então nem valeu de nada. – Sorri. Depois que eu falei vimos uma sombra enorme passando na janela.
– OH! A LULA GIGANTE! – Scorpius correu se aproximando da outra janela animado junto com Albus.
– Nunca tinha visto. – Albus comentou. – Isso é magnifico!
– Está impressionado? Espere até ver a serpente de estimação do meu irmão.
– Scorpius! – Regulus o repreendeu.
– Serpente? Você também tem uma? – Perguntei chocada.
– Não é igual ao titã. – Scorpius sorriu de lado.
– Não esqueça onde estamos tampinha – Regulus se irritou. – Fiquei quieto!
– Você é chato, sabia?
– Você não está muito atrás. – Regulus encarou Scorpius. Albus olhou para mim como um pedido de socorro.
– Está bem, já chega... vamos guardar as coisas. – Falei separando os dois. Paciência para minha futura eu que provavelmente irei separar os dois brigando sempre.
Capítulo 10 – Uma Queda de Quadribol
Novembro chegou trazendo neve e eu já odiei. O jogo contra a grifinória estava perto e sei o quanto era ruim jogar nevando, mas não tinha muita escolha.
Estava estudando poções na biblioteca quando fiquei sabendo que a artilheira da grifinória havia se ferido gravemente em uma visita a Hogsmeade, Katie Bell. Algo sobre isso me fez ficar preocupada, então fui atrás da Gina para saber se era verdade.
A vi enquanto desci as escadas que se moviam.
– Gina! – Chamei ela enquanto esperava a escada parar de se mover.
– ?
– Preciso te perguntar algo. – Falei finalmente me aproximando.
– Fiquei sabendo sobre a Katie Bell, é verdade? O que houve?
– Ah, bom quem viu foi Harry, Hermione e Rony. Ela foi amaldiçoada por um colar de opalas. Eles estavam na enfermaria com o diretor e Snape... – Ela falou parecendo preocupada. – Mas é só isso que sabemos. Provavelmente o colar estava cheio de magia das trevas.
– Isso é horrível! E como ela está?
– Bom, fiquei sabendo que ela foi para o St. Mungus. Sabe de algo sobre isso? – Gina perguntou.
– Não... espero que ela melhore e volte logo.
– Provável que alguém vá substituí-la no jogo amanhã. E você? Vamos realmente jogar uma contra a outra, não é?
– Na verdade, eu terei que substituir Malfoy. Ele está doente então não irei para a artilharia de novo.
– Nossa... Fiquei sabendo sobre a briga de vocês dois novamente. – Ela disse sem graça.
– Na verdade não foi uma briga, mas discutimos. Acho que não estamos preparados pra voltar nossa amizade agora. – Dei de ombros.
– Bom, boa sorte então, nos vemos amanhã!
– Até mais, Weasley fêmea! – Falei rindo.
– Ah, não está autorizada a pegar os apelidos dele! – Ela gritou enquanto eu seguia meu caminho rindo.
Hoje iria ser o começo da temporada contra a grifinória, dessa vez coloquei a minha capa nova que Draco tinha me dado. Dessa vez eu tinha o meu número com o nome Malfoy atrás. Hoje eu iria brigar pelo pomo com Harry no meio da neve e sem querer ser pessimista eu sentia que não ia ser um bom jogo para mim.
Eu queria que Draco jogasse, mas ele tinha seus problemas, então eu teria que apoiá-lo pelo menos. E eu estava inquieta sobre sua distância nos últimos dias, então hoje depois da partida eu ia caçar ele por todo o castelo. Seja lá o que ele estava aprontando, mas não iria deixá-lo sozinho.
Todo o time estava pronto para a partida, apenas esperando as apresentações.
– E vamos a apresentação do time da grifinória! – Lino Jordan começava as apresentações. – Como novo capitão da grifinória temos Harry Potter, como apanhador. Depois temos como artilharia Demelza Robins, Gina Weasley e Dino Thomas que está substituindo Katie Bell.
– Nossos batedores são Jimmy Peakes e Ritchie Coote. E o goleiro sendo o novato Ronald Weasley.
Ouvimos a torcida animada pelo lado de fora.
– É a nossa vez! Se concentrem, e vamos acabar com os leões! – Zabini falou. Fizemos nosso grito de guerra e depois entramos em campo.
– E vamos a apresentação dos jogadores da sonserina! O capitão Blaise Zabini como artilheiro. Dessa vez temos uma mudança na artilharia, além de Graham Montague teremos Theodore Nott substituindo nossa querida que me parece que está substituindo Draco Malfoy como apanhadora!
– Seguindo com nossos batedores, Lucian Bole e Tracey Davis. E a goleira Milo Bletchey completando o time astuto da sonserina! – Ele completou.
– E vamos ter finalmente o confronto que inicia a temporada de quadribol deste ano e ainda melhor sendo que temos dois apanhadores excepcionais. que agora está com o nome Malfoy, não sabemos se é por causa da substituição ou dos boatos... – Ele falou especificamente de mim o que me deixou bem envergonhada. – E o nosso famoso apanhador Harry Potter entraram numa briga para ver quem pegará o pomo de ouro primeiro. Boatos que os dois já tiveram... – O microfone foi interrompido por algum professor.
– Sr. Jordan isso é um jogo e não um rádio transmissor de fofocas. – A voz da professora Mcgonagall foi ouvida de longe fazendo todos rirem. Já estávamos em nossas posições esperando a professora Hooch apitar o começo do jogo.
– Quero um jogo limpo! – Ela demorou um tempo e o apito foi dado.
Podemos dizer que o jogo não foi nada limpo, como sempre. Mas eu já não queria me preocupar com isso... tentei focar em procurar pelo pomo de ouro que era difícil ver por causa da neve caindo.
Percebi Harry se movimentar rápido e aí percebi que ele tinha enxergado o pomo. Segui ele que pareceu notar minha aproximação. Demos voltas no campo atrás do pomo, nenhum de nós conseguimos ainda chegar próximo a ele. Enquanto isso, ouvimos a narração do Lino. Estava 40x70 para grifinória e isso era ruim.
O pomo resolveu subir, assim como eu e Harry. Nossas vassouras tinham a mesma marca, eram firebolts então as duas estavam em velocidade máxima. Tentei me concentrar na bolinha amarela enquanto eu e Harry dava uns empurrões como parte do jogo.
Senti minha visão se fechar do nada, minha vassoura começou a perder velocidade e eu desabei em pleno ar. Ainda pude ouvir a voz de Harry gritando meu nome e depois comecei a ter novamente uma visão.
Dessa vez vi Rony tomando algo e sendo envenenado, mas sendo salvo por alguém. E mais uma vez uma batalha que aconteceria esse ano mais precisamente, era diferente da outra vez.
Abri meus olhos e percebi que já me encontrava na enfermaria. Todos do time estavam ao meu redor preocupados, inclusive meu marido desaparecido.
– ! Está bem? Você nos deu um susto! – Yumi apareceu. Observei mais e muito mais gente do que eu esperava estava ali.
– O que aconteceu? – Perguntei e percebi que Regulus estava na cama ao lado também.
– Você desmaiou da vassoura em uma altura enorme, a sorte que Dumbledore te salvou. O Potter até tentou te salvar, mas não conseguiu. – Lucian comentou.
– E o jogo? Como terminou?
– Perdemos, antes de você cair o Potter já tinha pegado o pomo. – Zabini falou meio contrariado.
– Desculpe, pessoal! – Falei me sentando. – Pelo susto e por não ter capturado o pomo.
– Vamos saindo? – A madame Pomfrey já veio expulsando todos. – Já viram que ela acordou e está bem, por favor se retirem. O Sr. Spencer já está liberado!
Eu e os meninos trocamos olhares significativos, tinha que falar com Regulus depois. Mas por enquanto um par de olhos azuis acinzentados me fitavam.
– Resolveu aparecer? – Perguntei.
– O que foi que eu te falei sobre vim para a enfermaria? – Ele parecia preocupado, mas ao mesmo tempo cansado.
– Eu não tenho culpa. Tive uma tontura só...prefiro ser artilheira, já falei. – Resmunguei. Ele pegou minha mão e fez um leve carinho. – Você parece cansado, está bem?
– Só com algumas coisas em mente. – Ele falou.
Desci da minha cama já que me sentia bem, Madame Pomfrey fez um gesto como se eu estivesse liberada. Peguei minhas coisas e entreguei a Draco enquanto pegava sua mão entrelaçando com a minha e o puxava para fora dali.
Ele estava confuso então eu preferi levar ele para um lugar mais calmo. Atravessamos os corredores com olhares fixos na gente, mas não estávamos mais ligando para essas fofocas. Então fomos para nosso destino, fora do castelo, perto do lago.
Finalmente chegamos e não tinha ninguém, podíamos ficar sozinhos. Sentamos em algumas pedras e ficamos abraçados em silêncio.
– Não se afaste tanto, ou serei obrigada a ir até você. – Ele fez cara feia.
– Desculpe, mas eu precisava por meus pensamentos em ordem. – Ele disse me olhando e me dando um beijo no topo da cabeça.
– Está desculpado. O Natal está chegando, já sabe o que vai fazer? – Perguntei mudando de assunto.
– Dessa vez vou ficar em Hogwarts mesmo. De qualquer forma, não seria uma ideia legal voltar para lá.
– Vai ficar? Então eu irei ficar com você.
– Não precisa. Se você quiser passar o Natal em outro lugar pode ir.
– Eu só poderia passar com minha mãe, que eu duvido muito que vá estar em casa.
– E os Weasleys? Ou Rizzi?
– Weasleys? Eu até queria, mas esqueceu que eles são traidores de sangue? Além do mais o Harry vive por lá. O sem nariz ia mandarem me matar junto com todo mundo... E a Rizzi é uma mestiça, então não quero envolvê-la. Parece que estamos pisando em ovos. – Suspirei frustrada.
– Estamos mesmo. – Olhei para ele observando sua expressão de preocupação ainda. – Você precisa relaxar um pouco, tudo vai acabar bem ok?
Na hora que ele olhou para mim não pude deixar de te dar um selinho rápido, ele me puxou pela cintura e me beijou. Sua língua invadiu minha boca calmamente, parecendo querer apenas um acalento. Ficamos por um tempo juntos até a hora do jantar. Tive que forçar ele a comparecer arrastado pelo braço.
Assim que entramos no salão principal de mãos dadas, todos os olhares foram pra gente. Apesar dos boatos recentes na escola e daquele dia em que ele me entregou o colar, nunca fomos vistos sozinhos daquele jeito em um lugar cheio de gente.
Tentei ignorar os murmurinhos e nos sentamos com os sonserinos.
– Então resolveram não esconder mais a relação de vocês? – Zabini veio logo perguntando.
– Desde o começo do ano a gente não esconde. – Falei mostrando o anel.
– Esse detalhe aí eu duvido que as pessoas sequer imaginam.
– Porque não é da conta de ninguém. – Draco respondeu.
– ! – A voz de Regulus chamou minha atenção. – O diretor quer te ver mais tarde, e amanhã começa nossa aula de adivinhação.
– Ahh, certo! Obrigada Re... Leo. – Quase que eu ia esquecendo do seu nome falso. E isso foi notado pelos sonserinos. Regulus estava mais afastado com Albus e Scorpius, talvez para não atrapalhar a conversa ou ficarem o mais longe possível de Draco. Se ele não estivesse tão focado em outras coisas tenho certeza de que Malfoy teria descoberto sobre Regulus e Scorpius, eu ainda fico surpresa por ninguém ter acho eles semelhantes.
O jantar foi servido e comemos tranquilamente. Hoje tem festa na grifinória mais tarde por causa da vitória contra a sonserina, então obviamente eu não ia. E além do mais hoje eu tinha monitoria ainda e dessa vez sozinha.
– Vou precisar ir falar com o diretor agora. – Falei para Draco.
– Pode ir! Tenho que terminar uma detenção com a professora McGonagall. – Ele fez cara feia.
– Detenção? Por quê? – Perguntei estranhando. Nunca mais vi detenção na agenda dele.
– Não fiz os deveres de casa e aí ela começou a pegar no meu pé. Hoje termina essa palhaçada pelo menos. – Ele resmungou.
– Você esse ano está displicente.
– Do que adianta estudar se o futuro vai ser outro? – Ele desviou o olhar. Peguei uma colher da mesa e bati na sua cabeça. Ele me olhou incrédulo.
– Pare de ficar falando baboseiras! Pode vir o sem nariz que for, o estudo é para sempre. Estou indo agora ver Dumbledore... – Falei me levantando da mesa.
– Nos vemos depois? – Ele perguntou.
– Talvez. – Sorri debochada e vi ele revirar os olhos. Aproveitei para lhe beijar pegando–o desprevenido, mas senti ele sorrindo em seguida. Ouvi Zabini se engasgar e Nott ficar vermelho. Saí às pressas dali com um sorriso de satisfação vendo o time inteiro desconcertado pela cena.
Assim que cheguei no grifo que estranhamente se moveu e uma escada apareceu sem que eu dissesse senha. Assim cheguei na sala do diretor que estava à minha espera.
– Ora, se não é a serpente mais falada de Hogwarts! – O Chapéu seletor começou a falar, fazendo os quadros e o diretor me olharem.
– Oi, eu acho! – Falei tímida. Era esquisito falar com um chapéu. – Boa noite professor! – O cumprimentei. – Regulus disse que queria me ver... – Falei ainda estranhando o porquê da estátua ter liberado meu acesso.
– Olá, senhorita Malfoy! – Ele sorriu. – Vejo que percebeu que subiu direto... Eu a enfeiticei para que você tivesse livre acesso quando quisesse, já que a professora McGonagall me disse que você nunca sabia a senha. – Fiquei envergonhada.
– Obrigada por isso.
– Bom, lhe chamei aqui para conversarmos. Sua queda no jogo de quadribol me deixou um pouco preocupado.
– Ah sim... Eu tive uma visão novamente professor e dessa vez coisas que acontecerão em breve.
– Hm, entendi. Imagino que dessa vez não haverá morte de ninguém.
– Na verdade, perigo sim, mas consegui ver que ele ficará bem depois.
– Por isso quis que tivesse aulas particulares de adivinhação. Pode ser que Sibila seja um pouco... – Ele procurou as palavras enquanto se levantava e caminhava em seu escritório.
– Esquisita? – Falei enquanto dava uma boa olhada por ali.
– É talvez... Mas eu confio no poder dela. Como dessa vez você não teve uma visão dormindo, isso pode tornar perigoso. Precisa aprender a controlá-los, igual o seu filho mais velho.
– O Regulus tem o mesmo que eu? Espera, ele consegue controlá-los? – Perguntei chocada. Ele não tinha me contado sobre isso.
– Sim, ele compartilhou algumas coisas comigo. Falando nisso, já falei com o ministério e até final do ano letivo eles irão conseguir um vira tempo.
– Até o final do ano letivo, isso não é muito tempo? O senhor sabe o que irá acontecer...
– Sim, você precisa protegê-los até lá. – Suspirei pensando nas últimas coisas que vinham acontecendo. Eu tinha muitas perguntas em mente, não sabia qual delas queria fazer.
– Quer me perguntar alguma coisa? – Ele se aproximou.
– Minha cabeça está cheia de dúvidas senhor...
– Tenho tempo para ouvi–las. – Ele falou enquanto alisava sua fênix que estava em seu poleiro. Ela era enorme e magnífica.
– Bom, tenho uma pergunta... eu conheci você–sabe–quem nas férias. Não posso revelar mais que isso. – Apressei antes que continuasse.
– Eu sei... e não deve revelar a ninguém. A vida às vezes é igual a um jogo de xadrez, parece fácil mover as peças, não é? Mas qualquer movimento errado pode trazer consequências desastrosas... – Ele disse enquanto voltava a se sentar. – Bom, continue...
– Então, minha mãe me falou sobre uma pessoa, talvez o senhor conheça... Morgana Spencer. – Ele levantou o olhar quando ouviu o nome.
– De fato. Ela era uma aluna em Hogwarts, sonserina também... Inclusive ela me lembra um pouco a senhorita.
– Então, descobri que ela era minha avó. E ela e o Tom Riddle se conheciam, a ponto de fazerem um acordo. – Ele franziu a testa.
– Acordo? Que tipo de acordo?
– Ele não pode machucar e nem matar seus descendentes. Ele tentou me machucar, mas isso fez ele ser também.
– Voto perpétuo. Se ele fosse um qualquer já estaria morto só por tocá–la. – O diretor parecia pensativo.
– O quê? – Perguntei chocada. – Por que logo ele faria isso? Quer dizer, ele não tem coração algum.
– Isso nos leva a outra questão. Eu lembro dos dois serem monitores juntos na época, foi até antes da câmara secreta ser aberta... Para ele fazer um voto perpétuo, ela era importante.
– Oh não! Eles eram apaixonados? – Um quadro se meteu na conversa parecendo ler meus pensamentos. Era o quadro do ex-diretor Dippet.
– Não posso dizer ao certo, Dippet. Não acho que Tom algum dia teve amor na vida, mas pode ser que chegou perto. Não vejo outra ocasião para ele fazer um voto perpétuo com outra pessoa. – Ele me encarou com os oclinhos meia lua. – Talvez uma pessoa que conheceu ele melhor possa te ajudar a descobrir mais. O professor Slughorn. Tom era seu aluno preferido na época, e até hoje ele se culpa por ser ingênuo demais.
Aquilo me despertou uma imensa curiosidade. O professor Slughorn foi professor de Voldemort?
– Agora tudo faz sentido que os Malfoys tenham casado seu único filho com você. – Ele disse me fazendo voltar os pensamentos.
– Sim.
– Espero que suas dúvidas tenham sido esclarecidas...já está tarde, acho melhor voltar ao dormitório. – Ele disse.
– Posso vir aqui se tiver mais dúvidas?
– Claro, é por isso que eu enfeiticei para você entrar. – Ele sorriu.
– Obrigada professor. Boa noite!
Fui ao meu dormitório em seguida e percebi que Draco estava por lá sozinho, olhando o fundo do lago pela janela. Todos já estavam em seus quartos.
– Ainda por aqui? – Perguntei tendo sua atenção.
– Estava te esperando... – Ele falou se aproximando.
– Isso me lembrou ano passado. – Sorri. – Porém tenho monitoria daqui a pouco, e já que largou seu distintivo, então terei que ir sozinha. E já adianto que não quero ver você fora da cama.
– Nem se isso envolver uma missão? – Ele perguntou debochado.
– Não dificulte as coisas para mim.
– Pode tirar os pontos que for, . Mas eu preciso sair... – Fiquei incrédula a ponto da minha boca ficar aberta. Ele foi em direção a saída da comunal.
– Malfoy para você! E o que deu em você para sair falando sobre isso abertamente?
– Eu só falei o que você já sabe... não me siga. – Ele saiu misterioso como sempre.
Dessa vez fiz monitoria sozinha, o professor Snape me disse que eu ia começar a patrulhar com outros monitores já que não podia colocar outra pessoa no lugar ainda. Evitei ir atrás do Draco, mas eu dei de cara com ele entrando na sala precisa, mas nem me atrevi a chegar perto. Ignorei fingindo que não tinha visto nada e segui minha monitoria normalmente.
Capítulo 11 – Morgana Spencer
No outro dia tive aula cedo de adivinhação com Regulus, apenas apareci por causa de Dumbledore porque ainda não via motivos. Eu nunca entendi nada, apesar de não ter nada contra a professora.
– Olá, professora!
– Senhorita Malfoy... Digo ! Senhor Malfoy... Digo Spencer. – Ela falou toda atrapalhada e me fez ficar um pouco chocada. Troquei olhares com Regulus. – O diretor pediu para que eu ensinasse mais coisas aos dois. Disse que tinham um talento escondido, visões do futuro.
– Oh sim... – Regulus falou. Eu ainda não tinha conversado com ele sobre isso.
– Peguem esses livros. – Ela nos deu. – E abram na página 245. Sabem, vocês nasceram igual a mim, com olho interior. Suas habilidades são raríssimas! Mas algumas vezes as pessoas não entendem sobre isso... – Ela começou a fazer sons estranhos como se estivesse magoada.
– Eu não consigo prever o futuro facilmente, mas posso ajudá-los com isso. A entender melhor... Por exemplo, esse nobre rapaz é seu filho, não é? – Ela perguntou curiosa. – Tenho em mente que ele precisa estar aqui. Mas não sei o porquê. São informações que vem a minha mente... outras vem sem eu perceber e vão do mesmo jeito.
– Sim, ele é. – Falei ainda confusa.
– Os livros podem te ajudar a saber como começa... eles dão sinais que estão vindo. As visões. – Ela disse com a voz baixa.
– A senhora já viu o futuro desse ano, por exemplo? – Perguntei curiosa.
– Não claramente quanto vocês. Eu recebo apenas avisos sobre perigo, informações incompletas. Eu fiz profecias, mas sem saber sobre elas.
– Profecias?
– Sim... O último foi sobre você-sabe-quem.
– “Aquele que tem o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima... Nascido daqueles que o desafiaram três vezes, nascido quando o sétimo mês morre... E o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá poder que o Lorde das Trevas não conhece... Um deve morrer pela mão do outro, pois nenhum pode viver enquanto o outro sobrevive... Aquele que tem o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês morrer..." – Regulus disse.
– Harry? – Perguntei depois de analisar. Regulus concordou. – Então no final... – Um silêncio ficou no ar.
– O foco é que precisa controlar suas visões e entendê-las.
– Mas você não controla a sua. – Eu disse. – Por que eu deveria fazer isso?
– Porque vocês são diferentes. A minha é por outros meios, de vez em quando é que eu falo, mas não são visões. A sua é perigosa, você vê o que vai acontecer e muitas vezes...
– Falando nisso... – Olhei para Regulus. – No quadribol o que aconteceu?
– Tive a mesma coisa que você.
– Então você realmente também tem o olho interior.
– Sim, mas foi diferente para mim. Eu costumo controlar as minhas visões, consigo ver apenas quando eu quero ou quando eu preciso. É complicado...
– E por isso, precisa ele está aqui. – A professora Trewlaney comentou.
Então ou ela sabia demais mesmo ou o professor Dumbledore tinha falado para ela. Aquilo era bizarro, mas tentei continuar. Praticamente a aula era pra mim, Regulus só estava ali para me ajudar. Comecei a tentar fechar os olhos e me concentrar, mas passei a aula só tentando. Isso me fez ver que agora eu dominava a oclumência.
Assim que acabou a aula eu agradeci a Merlim. Depois tinha aula de Astronomia e DCAT, que eu gostava bastante, então fez meu dia mais feliz. O sinal tocou mais uma vez indicando tempo livre, porém pra mim não. Hoje eu iria me reunir com as meninas para o trabalho de música, tentei não pensar muito em ter que aturar a Parkinson. Avistei todas elas no pátio da torre do relógio.
– Oi, meninas! – Cumprimentei todas que estavam ali, olhando de canto Pansy e fingindo que ela não estava ali.
– Oi ... Posso te chamar assim, não é? – Dafne me perguntou.
– Sim, claro.
– Então, todas estamos aqui. Sei que nós não somos exatamente unidas e bom, tivemos alguns desentendimentos no passado, mas vamos esquecer disso e fazer o nosso melhor. – Ela disse e eu e Pansy nos encaramos imediatamente.
– Que tal irmos para a sala de música? Não tem ninguém lá e podemos pensar em algo para fazermos. – Sophie falou.
– Vamos! – Dafne puxou Pansy e eu acompanhei Sophie.
– O que temos de ideias? ? Pansy? Alguma? – Dafne perguntou. Acho que ela queria muito que nós duas nos desse bem, o que talvez era impossível.
– Todas cantam? – Perguntei.
– É claro que sim. – Pansy respondeu com um tom de deboche. Eu ignorei pelo bem das meninas.
– Então é isso que vamos fazer! – Dafne disse. – Temos que cantar harmonicamente algo legal.
– Bom, eu consigo compor músicas se quiserem tenho algumas escritas. – Sophie começou a procurar algo em sua mochila. Assim que achou me entregou.
Comecei a ler a música que continha partituras, achei bem interessante. Entreguei a Dafne que depois foi pra Pansy. Todas gostaram.
– Vamos começar então? – Todas concordaram.
No começo estávamos bem horríveis na harmonização, mas ensaiamos e começamos a melhorar. A música era lenta então eu achei mais fácil para cantar. Dafne era a que tinha mais voz, mas todas tinham uma característica única, até mesmo a Pansy.
Quando terminamos o ensaio todas seguiram seu rumo, antes de sair da sala Sophie me chamou no canto.
– O que houve?
– Ouviu falar? Tem algumas meninas que receberam a poção do amor dos gêmeos Weasleys. Não sei exatamente pra que, mas bom... Melhor ficar de olho.
– Ficar de olho?
– Sim, no Draco.
– Acha que a Pansy está querendo dar uma poção para o Draco? – Perguntei chocada.
– Não sei... não duvidaria. Mas outras garotas também. Eu já avisei ao Erik sobre isso.
– Elas não sabem sobre o quão perigoso pode ser?
– Provavelmente perderam a aula de poções. – Nós rimos.
– Obrigada pelo aviso. Irei ficar de olho!
Nos despedimos e fomos em direções diferentes. Hoje eu terminaria o dia tentando falar com o professor Slughorn sobre a minha conversa com Dumbledore. Tinha esperanças de que ele fosse a chave de quem era Morgana Spencer.
Depois do jantar, procurei o professor em sua sala. Fiquei um pouco surpresa ao ver Harry ali.
– Boa noite, ! Como vai? – Ele falou um pouco hesitante.
– Vou bem e você?
– Estou bem... Sobre o último jogo, eu me assustei vendo você cair. – Ele disse. Ainda era estranho falar com ele desde a última conversa. Mas ele parecia entender agora os limites.
– É... Tive uma dor de cabeça de repente. Mas estou melhor! Os meninos me falaram sobre você ter tentado me pegar no ar. Obrigada. – Falei dando um simples sorrindo.
– Não foi nada, nem consegui. Ainda bem que Dumbledore estava por lá.
– Parabéns pelo jogo. – Disse. – Vou precisar falar com o professor agora.
– Oh sim, tudo bem. Até mais. – Ele disse e bati na porta do Prof. Slughorn. Ouvi um “entre” abafado.
– Oh, Senhorita Malfoy! Desculpe... . – Ele se atrapalhou e eu ri. Não era novidade que todos os professores sabiam sobre nós.
– Tudo bem, pode me chamar pelo meu atual sobrenome.
– Não se incomoda com ele? Quer dizer, seu parente está na prisão.
– Não. Cada um tem suas escolhas e precisam arcar com suas consequências. – Falei e ele pareceu feliz com a resposta.
– Então, não sabia que viria. Em que posso lhe ajudar? – Ele se levantou da escrivaninha e se aproximou.
– Bom, conversei com o professor Dumbledore e ele me revelou umas coisas.
– Ah, espero que não seja sobre ele. – Ele respondeu parecendo cansar desse assunto.
– Então, mais ou menos. O senhor conheceu Morgana Spencer? – Fui direto ao assunto. Ele pareceu pensativo.
– Senhorita Spencer? Sim, lembro claramente dela. Ela era do meu clube de poções. – Ele foi para um lugar, tirou uma foto que tinha dos seus ex–alunos e me entregou. – Essa à minha esquerda.
Pude perceber como realmente éramos um pouco parecidas. No canto direito havia um rasgo na folha, bem no rosto de alguém.
– Quem é? – Perguntei apontando e ele desviou os olhos. – Vou interpretar isso como ele.
– Se for perguntar sobre a vida dele, pode voltar!
– Ela era minha avó! – Falei e isso fez chamar a atenção dele. – E eu sei que eles eram amigos na época. Só queria saber se o senhor soube de algo mais entre eles.
– Pelas Barbas de Merlim! Morgana Spencer era sua avó?
– Sim...
– Oh, genial! Você sabe qual era a linhagem da sua vó? – Ele perguntou atraindo minha curiosidade.
– Não, não sabia até recentemente que ela era minha avó.
– Ela era uma descendente de Merlim minha querida. Isso é esplêndido! – Ele falou sorrindo. Meu Deus! Mais outra informação? Minha família estava se superando. – Você então é uma descendente de Merlim!
– Espere... que? Então eu sou descendente dos dois maiores nomes da sonserina? – Falei de propósito porque sabia que ele gostava de pessoas influentes. Já que ele queria desconversar sobre Riddle, então eu tinha uma carta na manga.
– Dois maiores nomes?
– Sou descendente de Salazar Sonserina, senhor. Venho da linhagem dos Gaunt por parte de pai! Você tinha comentado que também conhecia ele. – Ele ficou mais chocado do que antes. Até se sentou no sofá.
– Oh, sim! Adrian era um dos melhores alunos que tive. Mas estou ainda chocado por você ser parente do Tom Riddle. – Ele finalmente disse seu nome.
– Então... Morgana e Tom? Eles eram próximos? – Perguntei aproveitando.
– Sim, eles andavam juntos na maior parte do tempo... – Ele parecia perdido nas lembranças. – Antes de sua perversão.
– Ela era apaixonada por ele, dava para ver quando eles participavam do Club juntos. Tom não era um garoto com grandes emoções, mas ele gostava de estar com ela... Depois de um tempo não via mais os dois juntos, e aí o Tom parecia mais sombrio que antes. É tudo que eu sei, minha jovem!
– Bom, então realmente eles poderiam ter feito um voto perpétuo. – Falei e ele olhou rapidamente pra mim.
– O quê?
– Tom nas atuais circunstâncias não pode machucar nenhum descendente da minha avó. Professor Dumbledore achou que era um voto perpétuo que fizeram. Minha teoria é que ela descobriu sobre a ideia dele e não gostou, então os dois se separaram com um voto perpétuo em troca de seu silêncio. Ele não a mataria porque... Ele a amava. Ou algo perto disso. – O rosto do professor estava cheio de confusão e indignação.
– Ele a amava? Tom? Não acho que ele saiba desse sentimento. Ele é cruel!
– Sim, é só uma teoria. A única opção é tentar achar uma pista da minha avó, ou o próprio contar o que acho bem difícil.
– Você tem um histórico bem complicado, senhora Malfoy!
– Sim, percebi isso também. Mas obrigada senhor, desculpe tomar o seu tempo. Era apenas isso que eu queria saber.
– Oh, tudo bem! A festa de natal está próxima, espero lhe ver no clube. – Ele falou sorrindo.
– Estarei lá! – Falei e sai da sala.
Quando eu pensava que não tinha o que mais descobri, vem mais coisas.
O fim de semana chegou depressa, eu e as meninas resolvemos sair juntas já que não colocávamos as fofocas em dias. Pelas novas Hermione estava com raiva do Rony, que depois da partida da grifinória contra sonserina começou a namorar Lilá Brown. Gina estava puta com ele porque dias antes ele estava falando bobagens sobre ela ficar se agarrando nos lugares públicos e agora quem está fazendo isso era ele.
– Hipócrita! – Ela bebia a cerveja amanteigada enquanto xingava seu irmão.
– Por que homens são difíceis de lidar? – Yumi perguntou.
– Brigou com o Nott? – Perguntei. Sabia que eles estavam saindo a um tempo, mas só isso.
– Mais ou menos, ele é difícil de entender às vezes.
– Pelo menos vocês estão em bons lugares, todas namorando. – Hermione resmungava.
– Sinto muito por você gostar de um lerdo, Hermione. – Falei tentando consolá-la. – Mas quer saber? Acho que não dura muito.
– Isso que eu falei. Eles se grudam tanto que é bem desconfortável ver! – Gina disse. – Uma hora isso vai enjoar, e tenho certeza que ele está fazendo isso apenas porque não tinha sequer beijado ainda. – Nós gargalhamos com as palavras dela.
– Agora o que dizer da nossa leoa que está pegando um sonserino? – Hermione perguntou pra Yumi.
– Não precisa anunciar para ninguém.
– Mas ele é carinhoso? Educado? – Gina perguntou.
– Sim, disse eu não tenho o que reclamar. – Ela disse sorrindo.
– E agora, nossa querida sonserina... – Gina começou me olhando maliciosamente. – Deveria nos contar como é a vida de casada já que é a única... – Ela parou de falar no momento que percebeu a merda que disse. Hermione ainda não sabia sobre isso. Ela tapou a própria boca arregalando os olhos.
– O QUÊ? – Hermione parou me olhando chocada. Todas as três vassouras olharam pra gente, então tentamos ser discretas.
– Desculpa... Eu tinha esquecido... – Gina disse envergonhada.
– Você se casou? – Hermione perguntou. – Desde quando?
– Sim... Já tem um tempo... na verdade irá fazer um ano no Natal.
– UM ANO?
– Hermione... Estamos em público! – Yumi alertou.
– Oh, desculpe... mas é que...Você se casou com Malfoy e nem nos disse. Eu pensei que vocês apenas namoravam, mas então... vocês já eram casados. Por isso que...você disse que a gente não entendia. – Ela falou enquanto baixava a voz e reunia seus pensamentos.
– É uma longa história, mas foi isso. Noivamos, depois ficamos, depois nos casamos e namoramos.
– A linha de tempo confusa deles, nem queira entender. – Gina falou.
– E vocês duas sabiam disso?
– Sim... ela nos contou antes do casamento. – Yumi falou e Hermione me olhou incrédula.
– Desculpe, mas você odeia ele, Hermione... não contei por isso.
– Ele me odeia, eu não dou a mínima pra ele. – Ela disse. – De qualquer forma, por que tiveram que se casar logo cedo?
– Fomos prometidos pelos nossos avôs e tem outras questões que não é melhor citar ainda...
– Enfim, não mude de assunto. O foco é a vida de casada. – Gina se intrometeu sem paciência. – Eu quero saber tudo.
– O quê? – Perguntei já ficando envergonhada. – Tudo o que? Não irei revelar minha intimidade para vocês, Weasley fêmea!
– Ahh qual é, somos inexperientes aqui. Vamos! Precisamos de dicas... – Ouvimos um pigarro vindo de Yumi.
– O que foi? Vai me dizer que você já transou com o Nott? – Gina perguntou fazendo eu e Hermione se engasgar enquanto tomávamos nossa cerveja amanteigada.
– Merlim! Ela fala tão naturalmente. – Falei pra Hermione.
– Depende... – Yumi começou a confessar e eu olhei chocada para ela.
– Como assim depende? Até onde chegaram?
– A gente só se tocou... Não perdi minha virgindade ainda.
– Eu não sabia que vocês dois estavam nesse nível! Eu vou ter uma conversinha com ele muito em breve... – Falei pensando em pegar Nott pelas orelhas.
– Eu ainda não cheguei nesse nível não. – Gina disse.
– Imagine eu. – Hermione comentou. – Ainda estou no processo de amor unilateral.
– Não esqueça sobre você e o Krum, numa época em que ninguém tinha nem dado o primeiro beijo. – falei.
– É verdade, não é? Tinha esquecido disso. – Yumi disse.
– Olha lá, de novo! está me enrolando... – Gina reclamou.
– O que quer que eu fale?
– Vocês já consumiram o casamento? – Ela foi direta.
– Sim... – Falei tentando desviar o olhar. A Yumi era a única que sabia. Ouvi risadinhas delas.
– Como foi a primeira? Com dor? Ouvi falar que a primeira vez é ruim por conta da dor. – Hermione perguntou. Eu gostava do fato dela esquecer que eu estava com seu arqui–inimigo.
– Foi bom sim. – Falei sorrindo e vendo a cara de maliciosa delas. – E doeu, mas depois você se acostuma e fica bom.
– Deve dar um nervosismo, não é? – Yumi perguntou.
– Não é vergonhoso ficar sem roupa? – Gina perguntou.
– Se você for pensar nisso acho que sim, mas não aconteceu comigo porque estava mais concentrada em outras coisas. – Falei sem jeito.
– Por Merlim! Eu esqueci o fato de que você está com o Malfoy, isso é muito estranho... – Hermione lembrou e fez cara de nojo.
– Sinceramente? Ele é bem bonito se querem saber, ele só tem o cérebro meio afetado, mas com o tempo a gente ajeita. – Todas gargalharam. – O fato é que vai ser bom quando for com a pessoa que vocês têm sentimentos. E depois as coisas ficam mais interessantes com o tempo e a prática.
– Nossa! Assim você vai virar conselheira sexual! – Yumi disse
– Sai fora! Cada uma que se vire como eu me virei. Além do mais eu ainda estou nesse processo… – Falei e elas riram mais uma vez.
A gente ficou um bom tempo conversando coisas sobre meninos como sempre, era bom ter a companhia delas, eu me divertia e agora sabendo que elas sabem de quase tudo me sinto aliviada.
Estávamos caminhando de volta para o castelo com um pouco de dificuldade por causa da neve.
– Eu adoro passar um tempo com vocês. Acho que finalmente eu percebo que não sou uma solitária que nem antes. Os primeiros anos foram difíceis para mim.
– No primeiro ano eu me sentia do mesmo jeito. – Gina falou. – Quer dizer, claro que eu falava com as meninas da grifinória, mas nada desse tipo.
– Acho que eu também. – Hermione falou sorrindo – Talvez tenha sido destino nos encontrar. Eu sempre ficava com Harry e Rony, mas é totalmente diferente. Não dá pra sempre ficar contando coisas que só meninas entenderiam.
– Bem, eu tinha o Titã pelo menos. – Falei sorrindo. Acho que era hora de apresentá-las a elas. Yumi olhou para mim, como sempre a única que sabia.
– Titã?
– Titã! Que tal aparecer? – Falei em língua de cobra. Gina e Hermione me olharam confusas.
– Língua de cobra. – Yumi avisou. – Depois vocês se acostumam.
Titã logo apareceu deixando as meninas chocadas.
– É um prazer conhecê-las, sssssenhoritasss! – Ele cumprimentou com um resmungo no final. – Apessssar de serem grifinóriassss.
– Esse é o Titã, ele é o meu protetor.
– Um patrono? – Hermione perguntou.
– Não sei na verdade. Ele veio na varinha de Salazar Slytherin, com a função de me proteger e me dar conselhos.
– Oh, tinha esquecido sobre você ser a herdeira da sonserina. Uma serpente? Pelo menos não é um basilisco. – Gina fez uma cara azeda. Talvez pelo trauma dela no seu primeiro ano letivo ter sido quase morta por Tom Riddle com seu basilisco.
– Isso é incrível! Nunca tinha visto nada assim... Ele vem de uma varinha? – Hermione perguntou. Eu assenti mostrando a varinha que vivia em meu bolso. – Nunca ouvi falar sobre isso, acha que o Sr. Olivaras sabe de algo?
– Eu já tentei falar com ele, como foi o próprio Salazar quem fez ele não sabe muita coisa.
– Na minha opinião isso parece um encantamento sobre a varinha.
– De qualquer forma, ele é fofinho! – Gina falou dando uma volta nele e tentando tocá-lo sem conseguir. – Ele parece um patrono.
– Imagino que Harry nem Rony saibam disso, não é? – Hermione perguntou.
– Não, com os últimos acontecimentos nem consegui mostrar a Harry. Falando nisso... – Parei de falar pensativa. Acho que com as meninas eu poderia contar sobre meu padrinho. – Como sabem sou parente de Tom Riddle. – Elas assentiram. – Porém também sou sua afilhada...
– Quê?
– Você é afilhada de você–sabe–quem? – Hermione perguntou com cara de espanto.
– Alguém já falou que sua vida é caótica? Acho que por isso se deu bem com Harry. – Gina comentou e rimos.
– Sim, já me falaram algo parecido.
– E por isso preciso ficar longe de Harry... Na verdade, é perigoso até me aproximar de vocês. Mas como ele ainda não conhece nenhuma, o risco é menor. Se ele cogitar que alguma vez eu ajudei Harry, não sei o que ele fará...
Todas suspiraram imaginando.
– Agora eu entendo... Na verdade, sempre imaginei que você tinha um bom motivo, mas os meninos são muito teimosos. Você sabe... – Hermione disse.
– É... O Harry e eu não voltamos a nos falar como antes, mas pelo menos não estamos mais sem nos falarmos.
– É um bom começo. – Yumi comentou.
– O Natal está chegando... vocês vão pra festa do Clube do Slugue? – Gina perguntou.
– Eu não, não fui convidada e odeio poções.
– Estarei lá... – Falei. Ouvimos um suspiro sofrido de Hermione.
– Tive que convidar Comarco McLaggen como acompanhante. Para fazer ciúmes no Rony... – Ela fez careta.
– Corajosa! Ele é estranho. – Yumi falou.
– Eu sei... Mas era o único que achei que poderia ajudar.
– Precisa convidar alguém? – Perguntei sem saber.
– Sim.
– Ainda bem que soube antes se não iria sozinha.
Capítulo 12 – Natal no Clube do Slugue
Passei o dia inteiro procurando Draco para convidá-lo, mas sem sucesso. Provavelmente ele poderia estar na sala precisa, mas não iria até lá. Acabei convidando Regulus, apesar que ele iria de qualquer forma já que o professor gostou de suas habilidades em aula, então ele acabou entrando para o Clube.
Coloquei um vestido simples azul para festa, com minha pulseira de cobra e meu colar de dragão de sempre. Assim que nos aproximamos da sala de Slughorn ouvimos uma música e conversamos. Na hora de entrarmos demos de cara com o anfitrião.
– Olá Senhorita Malfoy! É bom vê-la. Sr. Spencer! Entrem entrem, tem muita gente já presente. Aproveitem a festa. – Ele sorriu.
A sala parecia maior do que antes, provavelmente com algum encantamento. Haviam diversas pessoas, algumas conhecidas e outras não.
– A prof. Trelawney está aqui. – Regulus disse.
– Ah não. Melhor esquivarmos dela, não estou muito afim de que ela fale novamente sobre adivinhação. – Falei puxando–o em outra direção. Ouvi sua risada escapar.
Vi Hermione que estava fugindo de algo e depois a presença de Harry que acabara de entrar pela sala. Longbottom passou servindo bebidas e logo o abordei para pegar um hidromel. Quando Regulus fez menção de pegar eu bati em sua mão.
– Obrigada, Neville! – Agradeci e ele foi embora.
– O quê? Você pode e eu não?
– Exatamente! Apesar de não ser mãe agora ainda sou sua mãe. Nunca que ia deixar você beber. – Ele me olhou azedo, mas não protestou.
– Olá! – Gina apareceu por trás nos pegando de surpresa. – Leo! – Ela sorriu cumprimentando Regulus.
– Olá ti...– Ele se engasgou. – Gina! – O encarei suspeitando do que ele iria chamá-la.
– Oi Gina, como está? Veio com o Dino? – Perguntei.
– Sim, ele foi pegar algumas bebidas. Vi vocês dois aqui sozinhos se excluindo para não conversar com ninguém e vim até aqui. – Ela disse e rimos.
– Então, é quase isso. Deixo isso para Harry... O professor sabe muita coisa de mim e não estou a fim de ser explanada para todos.
– Então deveria fugir agora, porque ele está vindo para cá. – Regulus comentou baixo rindo.
– Senhorita , venha se aproxime. Preciso que conheça algumas pessoas também. – Ele se aproximou me chamando. Dei um sorriso falso e olhei com um pedido de socorro para Gina e Regulus que estavam rindo da minha cara. – Esse é Eldred Worple e seu amigo Sanguini. – Um vampiro? Olhei para ele curiosa.
Olhei para Harry que estava por ali tentando se esquivar também e o cumprimentei. Ele deu um sorrisinho tímido.
– , é um prazer conhecê-la!
– esse ano me revelou grandes novidades, além de ser ótima em poções... – Ouvi ele tagarelando. Ah não, ele realmente vai revelar o que eu disse. – Ela é nada mais nada menos que descendentes de dois grandes bruxos. Salazar Slytherin e Merlim! Você acredita?
– O quê? – O homem pequeno chamado Worple me olhou chocado, igual Harry a minha frente. – Isso é verdade? Pelas Barbas de Merlim! Temos duas pessoas aqui perfeitas para uma autobiografia.
– Eu estou ótima sem uma autobiografia. – Falei nervosa.
– Eu também não estou interessado. – Harry complementou. – Acabei de ver uma amiga minha, lamento. – E ele saiu dali, aproveitei a deixa dele e fui em direção a Regulus e o puxei para dançar.
– O que está fazendo? – Ele estranhou.
– Apenas, tentando não conversar com pessoas desconhecidas. Não acredito que ele revelou que eu era descendente de Merlim!
– Já descobriu? – Ele sorriu e eu o encarei. Às vezes esqueço que ele veio do futuro.
– Sim... não me diga que tem mais sobre minha família que eu não sei? – Levantei uma sobrancelha em questionamento.
– Acho que não... – ele desviou o olhar. – Vamos ficar dançando até quando? Não é por nada não mamãe, gosto de dançar com você, mas isso é ridículo. – Nós rimos, realmente. Estávamos dançando em um ritmo aleatório e sem sincronia nenhuma.
– Desculpe, eu estava desconfortável naquela roda.
– Deveria se acostumar, é uma Malfoy. – Ele falou baixo.
– Fique quieto, não quero ficar curiosa e fazer perguntas do futuro. – Assim que olho para o lado vejo o prof. Slughorn prendendo o prof. Snape pelos ombros.
– ...Eu estava justamente falando sobre a excepcional preparação de poções de Harry! Parte do crédito é seu, naturalmente, já que foi seu professor durante cinco anos!
– Engraçado, jamais tive a impressão de ter conseguido ensinar alguma coisa a Potter.
– Então é uma habilidade natural! – Slughorn gritou. – Você deveria ter visto o que ele me entregou na primeira aula, a poção morto-vivo, nunca um estudante se saiu melhor na primeira tentativa, acho que nem você mesmo, Severo...
– Sério? – Snape perguntou desconfiado.
A conversa se estendeu para uma parte chata, sobre futuro... Eu ia me distanciando do pessoal até que vi Filch arrastando meu marido pela orelha.
– Professor Slughorn, encontrei este rapaz se esgueirando por um corredor lá de cima. Ele diz que foi convidado para a sua festa e se atrasou na saída. O senhor lhe mandou convite? – Ele disse e eu entendi tudo rapidamente.
– Eu o convidei. – Falei rapidamente atraindo atenção de todos. – Se perdeu pelo caminho? Onde estava? Esperei você tempo suficiente... – Disse para Draco.
– Mas a senhorita não veio com o Sr. Spencer? – O professor perguntou.
– Na verdade ele apenas estava no mesmo caminho. – Falei e todos pareciam entender, menos Snape que olhava furioso para Draco. Percebi que Harry olhava curiosamente para ele também, desde o início do ano que ele tinha uns papos sobre ter quase certeza de que Draco era um comensal.
– Bom, já foi explicado, Sr. Filtch! – O professor disse e o zelador saiu resmungando. – Bem-vindo a festa, Sr. Malfoy!
Me aproximei de Draco e o puxei a um canto.
– O que estava aprontando? – Ele me deu um beijo de repente.
– Você apareceu na hora exata! Obrigado. – Bufei. Antes que pudesse perguntar mais alguma coisa, o professor Snape interrompeu.
– Com licença, gostaria de ter uma palavra com você, Draco.
Assim que vi Snape e Draco saindo, segundos depois Harry foi pelo mesmo caminho. Então já sabia o que ele ia fazer, usar sua capa de invisibilidade para bisbilhotar. Era uma mania terrível dele, inteligente, mas ainda sim chata.
Não quis nem me meter nisso. Esperei até o Draco voltar...
– Essa foi por pouco. – Regulus disse.
– Você sabe? Sobre o que vai acontecer? – Perguntei baixo para ter certeza de que ninguém ouviria.
– Depende, eu tive uma visão, lembra? Mas só isso. – Ele respondeu.
– Mudando de assunto, amanhã temos apresentação de música, já sabe o que vai apresentar? – Perguntei.
– Bom, como somos eu e o Theo, então resolvemos um tocar e o outro cantar. De qualquer forma só quero me divertir, não pensamos em ganhar.
– E como está sendo com o Theo?
– Só mais idiota do que eu conhecia. – Ele riu.
– Então ele está presente no seu futuro? – Perguntei curiosa.
– Sim, ele é meu padrinho. – Ele deu de ombros.
– E você me joga essa informação como se fosse nada. – Falei pensando qual seria o motivo da minha escolha de colocar Nott como padrinho.
– Não ia mudar nada de qualquer forma...
– Vocês não se desgrudam não? – Draco interrompeu nossa conversa quando voltava. – Toda vez que eu vejo vocês sempre estão juntos. – Ele olhou de cara feia para Regulus.
– A gente gosta de ficar juntos, além do mais você a esqueceu. – Regulus respondeu quase que imediatamente, irritando mais ainda Draco, que se aproximou ameaçadoramente.
– O que...?
– Vamos parar vocês dois? – Disse enquanto me metia no meio deles que se encaravam. Olhei repreendendo Regulus, que fazia de propósito. – Ele é meu primo, pare com besteira!
– Ora essa, primos se casam, sabia?
– Não lembro de você ser meu primo, Draco. – Falei irônica lembrando a ele com quem eu me casei. – Estamos em uma festa, comportem-se!
– Festa idiota! – Draco resmungou.
– E você, não saia do meu lado... Temos assuntos para conversarmos depois. – Ordenei sem paciência nenhuma.
Os dois se alfinetavam com os olhos de vez em quando, mas não ousaram falar nada. Regulus então se afastou para algum lugar. Olhei para Draco que aparentava estar um pouco com olheiras.
– Está dormindo direito? – Perguntei ficando de frente a ele.
– Estou. – Ele desviou o olhar.
– Mentiroso! – Exclamei pegando sua mão e saindo dali.
– Para onde vamos?
– Para o meu quarto. Ninguém está se divertindo nessa festa mesmo... – Disse enquanto caminhávamos em direção ao salão comunal.
Passamos um tempo em silêncio até nossa chegada ao quarto. Como era Natal, a maioria dos alunos estavam em casa.
– Vamos ao que interessa. Não vai pra casa no Natal? – Eu perguntei mesmo sabendo a resposta.
– Não. Com ele lá? Nem que me pagassem.
– O que foi que estava fazendo para ser pego pelo Filtch? – Ele desviou o olhar mais uma vez.
– Certo, não vai me contar. Você e o Snape conversaram sobre o que?
– Ele queria se meter onde não era chamado. Me acusando de coisas... e querendo usar Legilimência. – Ele disse. Eu sabia que Snape estava trabalhando como agente duplo, só não sabia qual lado ele era leal.
– Olha, não me importa o que você está fazendo, mas tenha em mente que Harry suspeita de você. Precisa tomar mais cuidado!
– O Potter é um intrometido! Ele sempre está suspeitando de mim até para coisas que eu não faço. Estou ciente, ele vai se ver com o Lorde das trevas muito em breve. – Ele falou irritado.
– Deite-se e descanse. – Falei depois de um tempo enquanto tirava minhas roupas e colocava meu pijama.
– Me trouxe até aqui para dormir?
– Achou que faríamos o que? Olhe para sua cara, está cansado. E eu sei que se você ficasse sozinho ia fazer tudo menos dormir. – Ele me olhou a contragosto, mas afrouxou a gravata enquanto tirava seus sapatos e deitou–se na cama.
– Não irei conseguir dormir de qualquer forma.
– Eu duvido muito, as últimas vezes que dormiu ao meu lado parecia um urso hibernando. – Deitei ao seu lado, entrando nas cobertas. Estava frio e com neve fora do castelo. – Sei que está ansioso, mas precisa descansar. – O Abracei sentindo seu aroma de sempre.
– Não é tão fácil quanto pensa.
– Quer que eu cante para você?
– Isso não é brega demais? – Ele fez cara feia.
– Vamos apostar se você não dorme rápido. – Sorri desafiando-o.
– Apostar o quê?
– Como sempre um pedido.
– Certo, vamos apostar. – Ele disse me olhando com uma sobrancelha levantada. Selei nossos lábios como um acordo. Peguei minha varinha e desliguei as luzes.
Comecei a cantar enquanto estávamos deitados, abraçados. Era uma outra música que eu tinha escrito nas férias e descrevia meus sentimentos em relação a ele. Compor música, estava sendo no atual momento uma terapia para mim, mas isso ele não saberia tão cedo.
– I see the light upon your eyes. I see the stars behind the way you are, I see the moment waiting for me. I see the light I see the hope I see the love... I see the night I see the love I see them all… – Comecei a música com um tom baixo. Era uma música lenta e as vezes ela descrevia meus sentimentos atuais.
(Eu vejo a luz em seus olhos. Eu vejo as estrelas de trás do seu jeito de ser. Eu vejo o momento esperando por mim. Eu vejo a luz, eu vejo a esperança, eu vejo o amor... Eu vejo a noite, eu vejo o amor, eu vejo tudo isso.)
– I see you and believe it's you. The sun for the morning and I must be for you... See you... you know I miss you. Please don't leave me far…– Draco silenciosamente se mexia e dessa vez rolou apoiando a cabeça em minha barriga, seus braços me envolviam, porém estavam relaxados. Eu vi seus olhos se fechando e eu não deixei de sorrir. Eu sabia que ele ia dormir, seu corpo dava sinal de exaustão.
(Eu vejo você e acredito que é você. O sol para o amanhã e eu devo ser pra você. Vejo você, você sabe que eu sinto sua falta. Por favor não me deixe longe...)
– You are here for me and l have to be for you.
Depois que terminei de cantar, ele já estava dormindo completamente. Eu já estava com meus olhos cansados, então foi fácil adormecer também.
Capítulo 13 – Show de Talentos
Acordei cedo mais uma vez antes de Draco, sai do quarto rindo pois ele agora estava em dívida comigo. Corri para o pátio da escola onde eu deveria me reunir com as meninas.
– Mais um minuto e eu vou embora. Ela deveria chegar pontualmente como todas nós... – Já ouvia a voz de Pansy de cara feia.
– Eu cheguei, desculpem pelo atraso.
– O que estava fazendo? – Ela perguntou irritada.
– Desculpa, Draco me atrasou na hora de me levantar. – Falei cinicamente. Era mentira, mas não perderia essa oportunidade, ela fez cara feia, mas não falou nada.
– Vamos meninas, hoje teremos que nos apresentar e vale um prêmio curricular. Sei que todas cantam bem, mas qualquer estresse pode alterar nossa performance. – Dafne comenta.
– Desculpe. – Disse de novo.
– Iremos cantar Black Magic mesmo? – Sophie perguntou. – Apesar de ser uma música animada, será que não vão pensar mal da gente? Somos sonserinas afinal. Numa época não muito boa...
– E ainda com boatos da poção do amor dos Weasleys sendo vendida por aí... – comentei olhando para Pansy.
– O que foi? Acha que eu comprei? Me poupe, !
– Bom, eu não me importo. Se falarmos ou não, sempre pensam o pior da gente. – Dafne deu de ombros.
– Bom, não tô nem aí também. – Pansy disse. – Eu até acho que poderíamos ganhar com ela. Estamos misturando música com poções e podemos depois dar um aviso lembrando que é proibido.
– É uma boa ideia, Pansy. – Dafne disse.
Então a gente ensaiou quase o dia todo, a apresentação iria ser no jantar. E apesar de sabermos que somos boas, o nervosismo bateu de repente. Estávamos começando a ficar apavoradas.
– Eu acho que vou vomitar. – Sophie disse enquanto ia de um lado para o outro.
– E eu estou ficando com dor de barriga. – Pansy comentou.
– Isso é normal, estamos nervosas. Iremos nos sair bem! – Dafne tentou dar um conforto.
– Por que tem tantos alunos presentes em Hogwarts? Eles não deveriam ir pra casa? – Perguntei olhando o público.
– Muitos foram, mas acho que alguns querem ver a apresentação. – Dafne comentou.
Começou o show de talentos e ainda tivemos que esperar nossa vez. Me lembrei porque acabei entrando nessa palhaçada, tudo culpa da Yumi e do Nott.
Chegou a nossa vez, assim que fomos chamadas nos posicionamos no palco que colocaram ali no salão principal. As luzes estavam fortes o bastante pra não conseguirmos ver muito a plateia.
Então todas começamos a cantar a primeira parte:
“All the girls on the block knocking at my door
Wanna know what it is
Make the boys want more...”
Depois Dafne começou a parte dela e seguiu as estrofes de cada uma das meninas. Vi de canto a Gina batendo palma e rindo ao mesmo tempo, não adivinhei se ela gostou ou estava rindo da música. Como Dafne era a melhor nesse quesito, no final da música ela alertou sobre a proibição da poção do amor, atraindo assobios e palmas dos alunos e professores.
Saímos do palco e um alívio percorreu no corpo de todas nós. Mas antes que eu pudesse respirar, meu futuro filho me puxa para outro lugar.
– Mãe! O vagabundo do meu padrinho desapareceu o dia todo... Como irei fazer isso sozinho? – Ele estava nervoso.
– Do que está falando? O Nott não veio? – Perguntei e ele negou.
– Consegue me ajudar?
– O que quer que eu faça?
– Cante ou toque comigo. – Ele disse e eu arregalei os olhos.
– O quê? Mas eu não sei que música você vai cantar.
– Você sabe... – Ele disse. Eu tentei saber qual era, mas nada me veio à mente, então resolvi confiar nos meus instintos e no meu futuro filho. Assim que ele foi chamado eu fui em direção ao piano.
Ele começou a tocar o violão primeiro, então a música me veio à cabeça. Era a mesma que eu toquei com Theo no verão passado.
– Two hearts, one valve Pumpin' the blood, we were the flood we were the body and...Two lives, one life stickin' it out, lettin' you down Makin' it right… – Ele começou. Comecei a acompanhar ele no piano.
Seasons, they will change
Life will make you grow
Dreams will make you cry, cry, cry
Everything is temporary
Everything will slide
Love will never die, die, die
I know that
Birds fly in different directions
I hope to see you again
Comecei a minha parte da música.
– Sunsets, sunrises livin' the dream, watchin' the leaves changin' the seasons. Some nights I think of you Relivin' the past, wishin' it'd last Wishin' and dreamin'...
No final na música começamos sincronizando nossas vozes, não sabia que ia combinar tão bem. Regulus tinha uma voz muito boa para cantar, por isso todos estavam vidrados na música. Acho que todos precisavam ouvir essa música por agora...
Depois que acabamos nosso dueto, as palmas foram ouvidas. Abracei Regulus forte contente por ter dado certo, eu estava orgulhosa do filho que ia ter.
Saímos do palco sorridentes e animados. Regulus não ganhou, mas ele pouco se importava com isso. Meu grupo que tinha sido escolhido para o melhor prêmio, o que fez a sonserina surtar. Ganhamos 80 pontos para a nossa casa também por isso.
Mas o que eu e Regulus não contávamos era os burburinhos sobre nós tomar conta da escola no outro dia, apesar da maioria estar finalmente indo pra casa, quem ficou era o suficiente para fofocas.
Assim que saí da comunal, um Draco muito enciumado resolveu aparecer.
– Você sabe o que estão falando, não é? – Ele perguntou parando na minha frente. – Ainda estão inventando coisas sobre mim!
– Se você parasse para pensar direito, saberia que isso é impossível. Leo é da família. – Falei empurrando-o da frente. Ele me impediu de andar de novo.
– Que seja! – Ele pegou minha mão. – Vou ter que provar que está comigo de qualquer forma.
– Não me incomodo com isso. – Falei enquanto ele praticamente me puxava. – Não estava ocupado?
– Apenas a noite.
– Nem consegui conversar com você ontem. – Falei enquanto passeávamos de mãos dadas aos olhares dos outros alunos. – Saiba que está me devendo um favor. – Ouvi ele bufar e revirar os olhos.
– Eu sei disso...
– Dormiu bem? – Perguntei caçoando-o.
– Maravilhosamente bem! – Ele me puxou e me pegou pela cintura enquanto tinha um sorriso presunçoso nos lábios. Olhei de canto de olho para o corredor e pude ver o trio de ouro se aproximando. Ele queria dar o show dele... E assim fez, me beijou sem nenhuma hesitação na frente de todo mundo. Não me afastei em nenhum momento. Um dos meus desejos acabou de ser realizado!
Nos separamos ainda nos encarando e seguimos naturalmente nosso destino. Ignorando os assobios e comentários das outras pessoas. Harry estava vermelho e não sabia se era de raiva ou vergonha. Mas eu chutaria raiva. Hermione estava envergonhada, mas eu percebi um risinho e Rony estava incrédulo. Draco não perdeu a oportunidade de encarar Harry debochadamente.
Mais tarde tínhamos combinado com uma turma enorme de sonserinos para visitar Hogsmeade. Nessa turma estava eu, Draco, Blasio, Theo, Regulus, Scorpius, Albus, Sophie, Pansy e Dafne.
Enquanto andávamos eu percebi o quanto aquela junção era quase uma bomba relógio.
– Podemos visitar a casa dos gritos? – Scorpius perguntou.
– Não podemos ir tão longe. – Falei para ele. – Lembra que precisamos ficar em áreas protegidas?
– Dã, , às vezes eu acho que você é inocente demais... – Zabini falou. – A gente não corre perigo algum.
– Nem parece que nossas famílias estão todas em um bolo só. – Theo disse.
– Eu estou falando isso para crianças inocentes. Calem a boca! – Reclamei.
– Seria divertido. – Albus falou.
– Eu duvido. – Draco falou com cara feia. Ele estava ali forçadamente porque eu pedi, já que ultimamente ele tinha se afastado de todo mundo.
– , trouxe a máquina de fotos? – Dafne perguntou animada.
– Claro. – Falei tirando da mochila.
– Ótimo, antes de chegarmos à cidade vamos fazer uma foto? – Ela perguntou animada.
– Eu tiro. – Regulus finalmente falou algo. Ele pegou a câmera e nos posicionamos. – Que tal o sexto ano primeiro? – Ele perguntou. Então as crianças ficaram de fora e eu sabia que ele queria fazer. Não era muito bom provas concretas da passagem deles já que na linha do tempo real eles não existem.
– Está bom de foto não? – Nott resmungou.
– Só tiramos duas. – Pansy reclamou. Ela estava menos chata que antes.
A maioria saiu dali e caminharam entrando em Hogsmeade.
– Vamos tirar mais uma? – Perguntei aproveitando o momento em família. – Segure a câmera Draco! Dessa vez você vai tirar e participar também.
Ele resmungou como sempre, mas fez o que pedi. Então finalmente tiramos uma foto com ele e os meninos, incluindo o Albus que apesar de não ter sangue Malfoy eu já o considero quase meu sobrinho.
Passamos o resto do dia conversando no três vassouras e passeando por Hogsmeade. À noite resolvemos voltar aos nossos dormitórios para descansar. Fiquei um pouco na sala lendo o profeta diário com Draco que parecia estar perdido nos próprios pensamentos.
– ... – Albus e Scorpius apareceram. Eles estavam um pouco nervosos.
– O que houve?
– Eu preciso voltar à sala de feitiços, acho que deixei minha mochila lá e eu preciso dela. – Albus disse tímido.
– Tudo bem, então vamos lá! – Já que eu era monitora, precisava acompanhá-lo, pois já tinha passado da hora de recolher. – Malfoy! Cuide de Max por mim.
– Ele tem pernas não?
– Draco!
– Está bem, ficarei de olho no pirralho. – Ele resmungou. – Volte rápido!
Me aproximei de Scorpius e sussurrei.
– Cuidado com seu pai... Ele não parece, mas é uma cobrinha. Não vacile!
– Pode deixar.
Então eu e Albus finalmente saímos do dormitório. Estava rezando que aqueles dois se dessem bem. Fomos até a sala de feitiço e assim Albus pegou logo seus pertences, no meio do caminho demos de cara com Harry. Albus arregalou os olhos e se agarrou em minha camisa nervoso.
– Harry?
– Oi, ! – Eu esqueci que talvez eles ainda estivessem por aqui.
– O que está fazendo perambulando a noite? – Perguntei
– Ah... estava falando com o professor Dumbledore. – Seus olhos foram para Albus que estava ao meu lado. – É o seu primo? – Assenti. Então algo me veio à cabeça, por que não?!
– James, você não queria conhecer o Harry? – Perguntei de propósito para Albus.
– James? – Harry perguntou curioso. – Engraçado, o nome do meu pai era James. – Eu prendi meu riso.
– Ahh, Oi! É um prazer te conhecer. – Albus sorriu envergonhado.
– Ele é um dos seus fãs, Harry. As vezes acho que é o número 01.
– Oh, um sonserino meu fã? É novidade. Obrigado, mas não acho que seria a pessoa ideal.
– Você é brilhante! – Ele disse animado para Harry que apenas sorriu e voltou seus olhos para mim.
– Pensei que estava com raiva de mim.
– Não estou... – Falei sem ter muito o que comentar. – Vai passar a semana nos Weasleys? – Perguntei o óbvio.
– Sim, amanhã nós iremos.
– Poderia mandar um abraço para todos? – Perguntei.
– Claro, com certeza mandarei.
– Bom, temos que ir antes que algum professor apareça. Boa noite, Harry!
– Boa noite e James! – Ele sorriu e seguiu seu caminho. Claramente nossas conversas eram estranhas, sem muita profundidade, porque sabíamos onde isso ia chegar.
– Isso foi estranho. – Albus comentou enquanto andávamos de volta à masmorra.
– Você gostou de conhecer seu pai? – Perguntei.
– Sim, foi simples, mas foi bom vê-lo mais novo. – Ele sorriu animado.
Agora quando se encontrarem por aí tome cuidado.
– Pode deixar.
Voltamos para o salão comunal e eu vi uma cena bem inusitada. Puxei Albus pelo braço para que ele não atrapalhasse e ele pareceu entender.
De alguma forma Scorpius estava dedilhando um piano que havia em uma parte do salão comunal e Draco estava ao seu lado. Os dois estavam tocando juntos alguma música calma e baixa. Deduzir que eles haviam lançado um abaffiado na sala para que ninguém ouvisse.
– Scorpius tem sorte... – Albus comentou baixo.
– É talvez, mas você também! É filho do bruxo mais famoso do mundo. – Eu sorri para ele.
– É, isso conta muito. – Ele sorriu.
Observando a cena eu me dei conta que futuramente Draco poderia se lembrar deles. Não sei se isso mudaria alguma coisa, mas era provável que não.
Assim que eles notaram nossa presença pararam de tocar. Albus e Scorpius voltaram para o dormitório. Draco resolveu sair ignorando meus protestos de que alunos não poderiam perambular a noite pelos corredores. Então resolvi ir para meu quarto dormir.
Os dias seguintes passaram rápido e sem muita coisa nova os alunos estavam retornando de suas casas para o recomeço das aulas. Um grande aviso foi pendurado no mural da sala comunal.
AULAS DE APARATAÇÃO
Se você tem dezessete anos, ou vai completá–los até 31 de agosto, inclusive, poderá se inscrever em um curso de aparatação de doze aulas semanais com um instrutor do Ministério da Magia.
Se quiser participar, assine abaixo, por favor.
Custo: 12 galeões.
Sem muito esperar assinei meu nome. Aparatação minimizava muito os problemas de transportes e eu invejava minha mãe quando ela sempre ia e vinha quando queria. A maioria dos alunos começaram uma fila para assinar também, todos estavam ansiosos para aprender.
Depois tivemos aula de poções e aprendemos sobre antídotos para veneno. E dessa vez Harry foi parabenizado novamente pelo professor, ele tinha feito um benzoar. Comecei a estranhar a repentina melhora de Harry em poções já que ele era péssimo na época do professor Snape.
Assim que tocou o sinal descemos para o salão principal onde iria começar o grande curso de aparatação. Acho que todo mundo do sexto ano estava presente, seria doido quem não quisesse aprender a aparatar.
– ... Irei resolver algo com Crabbe e Goyle. – Draco sussurrou antes de se afastar.
– Boa coisa é que não é com certeza... – resmunguei, ele parece ter ouvido, mas só revirou os olhos.
Então os diretores de cada casa se reuniram e pediram silêncio a todos. Pude perceber a presença de um dos funcionários do ministério.
– Bom dia! Meu nome é Wilkie Twycross e serei seu instrutor de aparatação nas próximas doze semanas. Espero poder prepará-los para o teste de Aparatação neste prazo...
– Malfoy, sossegue e preste atenção! – Professora McGonagall reclamou chamando atenção de todos ali. Observei meu marido se irritar e se afastar de Crabbe.
– ... prazo em que muitos de vocês talvez estejam prontos para fazer o teste. – Continuou o bruxo. Como vocês devem saber, normalmente, não é possível aparatar ou desaparatar em Hogwarts. O diretor suspendeu este encantamento apenas no Salão Principal, por uma hora, para que vocês possam praticar. Aproveito para enfatizar que não poderão aparatar fora das paredes deste salão e que seria imprudente tentar.
– Gostaria agora que cada um se posicionasse deixando um metro e meio de espaço livre à frente.
Então todos começaram a se movimentar causando empurrões e tumulto. Os diretores de cada casa tiveram que intervir e organizar as filas. E eu notei que Harry saiu de perto de Rony e Hermione, indo em direção a Draco. Observei a cena de longe.
Harry estava muito desconfiado, ele queria ouvir o que Malfoy estava falando. Percebi que Draco percebeu e quase enfrentou Harry, por sorte os diretores mandaram todos ficarem quietos, atraindo a atenção dos dois.
– Obrigado! – O bruxo disse. – Agora então... – Ele acenou a varinha e instantaneamente apareceram aros antiquados de madeira no chão em frente a cada estudante. – É importante lembrar dos três Ds quando aparatamos! Destinação, Determinação e Deliberação!
– Primeiro: concentrem a mente na destinação desejada, nesse caso seria o interior do seu aro. Agora, façam o favor de se concentrar nesta destinação.
Então comecei a fazer o que ele disse. Focar na destinação.
– Segundo: focalizem a sua determinação de ocupar o espaço visualizado! Deixe este desejo fluir da mente para todas as partículas do seu corpo!
– Três: e somente quando eu der a ordem... girem o corpo, sentindo–o penetrar o vácuo, movendo-se com deliberação! Quando eu mandar...
Tentei bloquear outras coisas do meu pensamento. Destinação, determinação e deliberação.
– Um...
– Dois...
– TRÊS! – Assim que ele autorizou eu girei meu corpo e percebi um deslocamento de ar. Em segundos apareci do outro lado do aro. Se eu não fosse a única pessoa a ter conseguido isso, eu ia até comemorar.
Então todos estavam olhando para mim impressionados com a primeira tentativa ter dado certo. Fiquei um pimentão.
– Isso é impressionante, Srta...– O instrutor do ministério comentou tentando saber meu nome.
– ... – Completou o prof. Snape.
– Srta ! É muito raro uma pessoa conseguir de primeira, parabéns! – Ele me elogiou e vi o sorriso dos diretores, menos de Snape é claro. – Vamos tentar novamente?
Então voltei para trás do aro e todos começaram a tentar novamente. Alguns caiam, outros cambaleavam... Ouvimos um grito de dor em um canto e quando virei era Susana Bones bamboleando no arco com a perna esquerda ainda parada a um metro e meio de distância, onde começara. Os professores correram para ajudá-la. E rapidamente depois de algum feitiço a perna foi reintegrada.
– Estrunchamento, ou separação casual de partes do corpo. – O bruxo explicou. – Ocorre quando a mente não tem determinação suficiente. É preciso se concentrar continuamente em sua destinação e se mexer sem pressa, mas com deliberação... Assim. – Ele fez a aparatação com elegância.
– Lembrem-se dos três Ds e tentem outra vez... Um... Dois… Três. – E assim todos os alunos começaram a tentar novamente. Eu finalmente consegui por três tentativas seguidas. Uma hora se passou e quase ninguém tinha conseguido. Então ele deu fim à primeira aula.
– Como conseguiu fazer tão facilmente? – Nott perguntou.
– Não tenho a menor ideia, apenas me concentrei.
– Talvez ela tenha um talento para isso. – Malfoy comentou e eu fiquei surpresa por ele me elogiar. – Que foi?
– É um milagre você me elogiar tão fácil assim.
– Que? Não é a primeira vez... – Ele me olhou franzindo a testa.
– Em público, sim.
– É porque antes não podíamos. – Ele disse pegando minha mão para andarmos juntos.
– Acho que eu preferia vocês dois em pé de guerra. – Zabini disse. – Era mais divertido!
– Isso é porque vocês não têm com o que zoar mais.
– Tem certeza, princesa? – Nott sorriu de lado me arrependendo das minhas últimas palavras.
– Não, vindo de vocês eu espero tudo. Fiquem quietos! – Reclamei.
Capítulo 14 – Um presente envenenado
A semana passou voando, aquele começo de ano estava sendo aulas e mais aulas. Em comparação ao ano passado estava mil vezes melhor, mas as aulas de adivinhação estavam acabando comigo, o foco que eu precisava só conseguia nas aulas de aparatação. Eu tentava me deslocar para aula de astronomia que era quase ao mesmo tempo e nunca conseguia.
Os meninos estavam se adaptando muito bem à escola. Nada fora do normal aconteceu, apenas Albus que agora de vez em quando se batia com o Harry e ele sempre fugia para não acabar mexendo na linha do tempo.
Cheguei no salão comunal da sonserina para descansar um pouco até que vi o trio de prata com algo em mãos um tanto suspeito.
– O que é isso? – Perguntei curiosa me aproximando. Tinha três caixas para cada um deles.
– Chocolates, recebemos pela manhã. – Nott disse enquanto desembrulhava alguns. Olhei para Zabini que pareceu ter copiado Theo e fitei Draco que não ousou fazer nenhum movimento.
– Chocolates? Ganharam de quem? – Falei dando um tapa na mão de Theo evitando dele comer um pedaço.
– Hey!
– Draco, nem ousa comer!
– Eu nem abri...
– Não comam nada disso! – Exclamei com voz alta um pouco nervosa. Lembrei do que a Sophie tinha me dito, os contrabandos de poções do amor. Com o Dia dos Namorados chegando era perigoso. – É muito suspeito darem de presente para vocês do nada. – Peguei a caixa de Draco e analisei os chocolates. – Ouvi falar sobre um bando de garotas comprando poções do amor.
– Garotas são perigosas quando querem... – Theo falou fechando a caixa e colocando em cima da mesa.
– Tem alguma carta? – Perguntei.
– Sim, mas anônimas. – Draco disse. Olhei feio para ele que não pareceu entender. – Eu não tenho culpa!
– Não mexa em nada que sua namorada não tenha te dado!
– E é por isso que eu li a carta.
– E quem será que foi as loucas? – Zabini perguntou. Eu realmente espero que não tenha sido a Pansy, ela ultimamente estava bem quieta e parecia ter aceitado o fato de que Draco estava comigo.
– Não sei, mas quando eu souber, não irei deixar passar em branco. – Falei pensativa.
– O que vai fazer? – Theo perguntou curioso.
– Ainda não sei, mas... Tenho que deixar claro para ninguém mexer com meu marido. – Observei um sorriso vindo de Draco.
– E os amigos esquecidos no churrasco...
– Arranjem namoradas! – Draco debochou.
– Eu já tenho uma. – Theo disse e olhamos chocados para ele.
– Que? Desde quando? – Zabini perguntou. Meu cérebro estava dando nó com essa informação. Quer dizer que ele arranjou outra namorada ou era da Yumi que ele tava falando?
– Acho que me perdi nessa informação. – Falei esperando que ele me dissesse quem era.
– Não se preocupe, princesa! Eu honro o que falo, sim estou namorando sua amiga.
– Então está realmente com a grifinória? – Draco perguntou e eu dei uma cotovelada nele.
– Fico feliz por vocês! – Falei sorrindo. – Mas sabe que agora cruzou a linha perigosa, não é? Um movimento brusco e a serpente te envenena. – O meu deboche veio em seguida.
– Aí, não precisa me ameaçar, eu sei bem o que eu quero.
– Ótimo! Teremos uma conversinha depois... E agora se me dão licença tenho uma coisinha para resolver. – Falei me virando para ir embora, mas Draco me parou.
– Não está esquecendo de nada não?
– Do quê? – Perguntei inocente tentando pensar o que eu tinha esquecido. Ouvi risadas debochadas atrás de mim.
– Vai sair sem se despedir? – Ele perguntou levantando as duas sobrancelhas.
– Ora essa, você nunca... – Antes que eu terminasse de responder ele me puxou me beijando rapidamente. E bem na hora um grupo de alunos tinha chegado no salão me deixando vermelha que nem um tomate.
– Tudo tem a primeira vez. – Ele sorriu sendo fofo.
– Argh! Alguém me tira daqui! – Zabini comentou fazendo teatro e Theo ficou rindo.
– Calem a boca vocês dois! – Reclamei e saí correndo de lá.
Era hora de eu tirar informações com a Parkinson.
A pior parte desse castelo era procurar alguém, então tive a ideia de perguntar aos fantasmas e aos quadros, era a melhor opção. Logo vi o Barão Sangrento, fui em sua direção.
Ninguém gostava ou se aproximava dele por sua aparência assustadora, sem falar que ele ficava gemendo e arrastando suas correntes pelo castelo. Os primeiranistas sempre corriam. Não tinha muita escolha, precisava achar Pansy logo.
– Olá, Barão! – O cumprimentei e percebendo minha presença ele se virou.
– Uma aluna? Puxando conversa comigo? Isso é uma novidade. – Ele se aproximou sem muita expressão.
– Ah, er... Queria saber se o senhor não viu uma garota da sonserina. – Perguntei sem nem saber se ele conhecia a Pansy. – O nome dela é Pansy Parkinson.
– Nem sei quem é essa. – Ele disse confirmando minhas suspeitas. Eu tinha esquecido que ninguém falava com o Barão. – Por que não pergunta ao Pirraça? Ele deve saber, já que sempre está irritando alguém por aí.
– Certo, Obrigada! – Falei dando a volta para não passar por cima dele para seguir o caminho. Até que um quadro me chamou, parecia ser de um antigo artista.
– Psiu! Eu sei onde ela se encontra. Não é ela que anda com duas meninas? De qualquer forma já te vi com elas.
– Oh sim! Acho que é ela mesma.
– Até onde eu sei estava indo em direção a enfermaria.
– Obrigada pela informação. – Agradeci e corri em direção a enfermaria.
Enquanto subia as escadas, dei de cara com ela que estava descendo pelo mesmo caminho.
– Parkinson! Preciso falar com você. – Ela levantou a cabeça e continuou vindo em minha direção. Assim que paramos uma em frente a outra, ouço um barulho e sentimos uma água ser derramada em nossas cabeças.
– Hahaaa hahaaa. – Ouvimos a risada de Pirraça que se divertia enquanto voava pra lá e pra cá. – Como sempre aluninhos caindo na minha diversão...
– Pirraça! – Protestei enquanto enxugava meu rosto cheio de água, ele parou de rir quando soube que era eu, mas ainda continha um sorriso divertido no rosto.
– Ora, se não é a serpentinha.
– O que foi que a gente combinou? – Perguntei a ele.
– Não tenho culpa se você estava na hora errada... E falando nisso, disse que ia trazer algo pra mim. Cadê?
– Assim que eu acabar aqui eu te entrego os presentes. – Falei mudando de foco para Parkinson.
– O que é, ?
– Por acaso você não entregou nada ao Draco hoje, não é?
– O que quer dizer com isso? – Ela me olhou debochada.
– Fale de uma vez. Algo com uma poção do amor talvez? – Ela bufou.
– Ihhhh, briguinha de meninas por garotos!
– Cale a boca pirraça! – Ela vociferou o que deixou o poltergeist irritado.
– Serpentinha derruba ela pela escada!
– Eu não dei poção nenhuma para seu namorado! Apesar de ter gostado dele eu não ia perder meu tempo sabendo que ele gosta de você. – Ela disse de cara feia.
– Então realmente não entregou chocolates a ninguém?
– Não! Já te falei.
– Não sabe de ninguém então? – Ela negou com a cabeça.
– Eu sei... – Pirraça deu um looping no ar na frente da gente.
– O que sabe pirraça?
– Depende, o que vai fazer? Vai chamar o Pirraça pra confusão?
– Talvez... Isso não seria má ideia. – Falei pensativa. Se ele soubesse de algo, iria me fazer um favor.
– Tinha um bando de garotas no banheiro antes do Natal falando de poção do amor. E digo mais que foi da sonserina...
– Se você as visse, saberia quem foi?
– Claro! Pirraça nunca esquece.
– Então ótimo! Me siga pirraça, irei te entregar algo em troca. – Ele se animou gargalhando pelo teto do castelo.
– Não está esquecendo de nada não? – Pansy perguntou. – Olha, , eu nunca fui de me esconder pelas costas dos outros... E você já sabia que eu gostava do Draco primeiro que você. Mas isso já não faz diferença para mim, eu sei que se casaram... Então eu tenho amor-próprio ao invés de ficar atrás de homem que não está solteiro.
– Como você...?
– Ora, é bem óbvio. Vocês estão usando anéis na mão e no dedo que utilizam quando as pessoas se casam. Somente quem não presta atenção é que não veria.
– Hm, desculpe então por pensar que foi você. Mas lembra da última?
– Foi há muito tempo, isso já passou.
– Vão passar quanto tempo nesse papinho tedioso? – Pirraça falou sem emoção alguma na voz.
– Vamos, Pirraça! – Falei indo em direção novamente ao salão comunal. Eu ia pegar algumas coisas da loja dos Weasleys que tinha prometido a ele e precisava trocar de roupa.
Chegando no salão comunal o trio de prata ainda estava lá com alguns alunos, todos me olharam curiosos quando viram que pirraça estava atrás de mim. Mandei ele ficar ali quieto para que eu pudesse pegar as coisas e trocar de roupa.
Pirraça nunca entrava no salão comunal da sonserina, pois o barão sangrento sempre estava por perto, e por alguma razão desconhecida ele tinha medo dele. Então ele só entrou porque eu autorizei, então sabia que ele não ia aprontar nenhuma.
Assim que saí do quarto entreguei uma caixinha cheia de itens e percebi um sorriso maldoso se formar em sua boca.
– Agora pode ir, lembre-se do que combinamos, pode irritá-las em meu nome! – Falei e ele saiu dali rodopiando pelo ar dando gargalhadas.
– O que foi isso? – Zabini perguntou.
– Apenas dei um suborno a ele.
– Mas como conseguiu? Quer dizer, é o Pirraça de quem estamos falando. Ele parece te ouvir.
– Não sei, apenas consigo. – Dei de ombros.
– Você sabe que os únicos que conseguem respeito do Pirraça é o Barão Sangrento e o diretor, não é? – Theo perguntou.
– Sim, e daí?
– Isso quer dizer que você acabou de entrar na lista também.
– Ah, por favor, se tomar um balde de água na cabeça é ser respeitada por ele, então todo mundo da escola é assim. Eu apenas consigo que ele me esqueça um pouco.
– Se você diz... – Zabini deu de ombros. Parei pra analisar o lugar e tinha uma pessoa que nunca mais tinha visto.
– Algum de vocês viu o Regulus?
– Ele saiu. – Draco disse perdido em seus pensamentos. – Me mandou dizer para não se preocupar, que ele tinha coisas a fazer. – Seus olhos acinzentados me observaram por tempo demais, ele parecia me analisar enquanto pensava. Antes que ele falasse ou perguntasse alguma coisa eu resolvi sair dali.
Tive uma pequena sensação de que talvez Draco desconfiava de Regulus e Scorpius.
Fim de semana chegou e eu tive um sonho profético novamente, o mesmo com Rony Weasley. Acordei suando, com a respiração ofegante. Dessa vez eu sabia que aquilo aconteceria hoje, a sensação estava péssima. Eu precisava ir até a torre da grifinória.
Então me apressei em me arrumar e ir em direção ao salão principal. Depois de lá eu pensaria em ir pra torre.
Passei meus olhos pelo grande salão especificamente na mesa da grifinória, não encontrei nenhum deles. Ainda estava cedo? De repente senti uma tontura. Fechei meus olhos e quase fiquei em transe, tive uma visão de Harry e Rony indo para o escritório de Slughorn.
– ? – Ouvi a voz de Yumi.
– Agora não! Preciso ir urgente! – Falei e corri em direção às masmorras. Fui na velocidade que eu consegui, me esbarrando em alunos sem querer. Enfim cheguei no corredor e bem na hora Harry aparece carregando Rony pelo braço. Mas ele não parecia envenenado, parecia abobalhado.
– Harry? O que houve? – Falei fingindo que eu não sabia de nada, mas preocupada.
– ! O Rony está...
– Estávamos indo para a sala de poções conhecer a Romilda Vane. Você conhece? Pode chamá-la aqui? – Ele disse sorrindo. Lancei um olhar confuso para Harry.
– Esse é o problema... O amor.
– Ohh, entendi. Ela disse que ia chegar em breve na sala, Rony. Por que não se adianta? – Falei empurrando-o em direção a sala do prof. Slughorn.
– Claro, não vejo a hora de vê-la. Eu a amo sem mesmo conhecer. – Ele disse.
Chegamos ao salão e Harry deu um toque esperando o professor atender. Não demorou para ele abrir a porta e ficar surpreso.
– Oh, meninos... É muito cedo para fazer visitas. Em geral eu durmo até tarde no sábado. – Ele ainda estava de pijama com um roupão verde.
– Professor, lamento realmente incomodar o senhor, mas o meu amigo Rony ingeriu uma poção do amor por engano. Será que o senhor poderia preparar um antídoto para ele? Eu o levaria até Madame Pomfrey, mas é proibido ter artigos da Gemialidade Weasley e, o senhor entende… Perguntas embaraçosas.
– Eu teria pensado que você fosse capaz de preparar um remédio em um minuto, Harry, um exímio preparador de poções como você, não?
– Ãh, bem, eu nunca preparei um antídoto para uma poção do amor... Até que eu acertasse, Rony poderia ter feito alguma coisa grave.. – Ele disse. Tentei não me meter na conversa, eu estava ali por outra coisa.
– Não estou vendo ela... O professor está escondendo a Romilda? – Rony perguntou tentando se esgueirar na porta.
– A poção está dentro da validade? Elas ficam mais concentradas quando são guardadas por muito tempo.
– Provavelmente não... – Eu falei e eles me olharam. – Eu ouvi falar desde final do ano que tenham garotas com poções de amor por aí.
– Isso explica muita coisa. – Harry falou. – Professor, hoje é aniversário dele...
– Ah, está bem, entrem, entrem... Tenho o que eu preciso aqui na bolsa, não é um antídoto trabalhoso.
Entramos na sala enquanto Rony procurava por todos os cantos Romilda.
– Ela ainda não chegou, Rony... – avisei, observei o professor misturar a porção com algumas coisas.
– Como eu estou?
– Bonitão! Agora beba, é um tônico para os nervos, para mantê-lo calmo quando ela chegar, sabe.
– Genial! – Ele tomou tudo em um gole. Todos observavam para ver como ele ia reagir. Do sorriso bobo sua expressão passou para um total horror.
– Voltou ao normal? – Harry perguntou e nós rimos. Parei para analisar qualquer risco, mas não pude ver nada. Fiquei confusa em alguns instantes, como Rony ia correr perigo?!
–... Tenho uma cerveja amanteigada, vinho, uma última garrafa de hidromel envelhecido em barril de carvalho... Hm… Ia presenteá-la a Dumbledore no natal... Ah bem... Ele não pode sentir falta de algo que nunca recebeu. Porque não abrimos agora para comemorar o aniversário do Sr. Weasley? Nada como uma boa bebida para curar as dores de um desapontamento amoroso... – O professor riu. Nos sentamos em seguida.
Então ele nos serviu um copo de hidromel envelhecido e ergueu o copo.
– Bem, um ótimo aniversário para você, Ralph... – Eu segurei o riso pelo nome errado.
– Rony... – Sussurrou Harry. Porém Rony já tinha dado um gole no hidromel com rapidez.
Eu ia virar o copo, mas Titã ecoou na minha mente.
“Não.”
Era aquilo, o líquido estava com veneno.
Harry pareceu perceber que tinha algo errado também.
– Rony!
Rony tinha deixado a taça cair, tentou se levantar da cadeira, mas caiu no chão enquanto se debatia. Ele babava espuma e seus olhos estavam arregalados.
– Professor! Faça alguma coisa! – Harry gritou. Rony se contorceu e se engasgou. Sua pele começou a ficar azul. Eu fiquei desesperada, tentava olhar para todos os lugares pra ver se algo vinha em mente.
– Quê? Mas... – Slughorn gaguejou em choque.
– ! Me ajude a encontrar algo no estoque... – Eu e Harry nos disparamos tentando procurar algo nas gavetas rapidamente. Até que em uma eu vi o benzoar da aula de poções que ele tinha feito. O benzoar que era antídoto para a maioria das poções.
Então peguei o benzoar, saltei do sofá que estava no meu caminho e enfiei ele goela abaixo de Rony. Ele estremeceu, deu um arquejo estertorante e seu corpo ficou imóvel em seguida.
Os próximos minutos foram os mais tensos. O professor enfim se moveu pra ajudar Rony, enquanto eu e Harry ficamos observando. Depois chegou a professora Minerva e a Madame Pomfrey e levou ele para a enfermaria.
Pelo menos ele ficou bem, só precisava ficar um pouco aos cuidados da Madame Pomfrey.
– Obrigado! – Harry falou enquanto andávamos em direção a enfermaria. – Você salvou o Rony.
– Nós salvamos, você quem fez o benzoar na aula lembra? Eu apenas achei.
– Só não entendo como tinha veneno no Hidromel... – Harry suspirou ao meu lado.
Depois os Weasleys foram avisados e chamados para visitar Rony. Eu preferi ficar de fora já que Madame Pomfrey ia me expulsar assim que visse tanta gente na enfermaria. Pedi para que Harry me desse notícias dele depois.
Então sai pensativa em direção a comunal da sonserina.
“Caraminholasss na cabeça?” Titã falou em minha mente.
– Mais ou menos... Estou pensando em como o veneno foi parar lá. E eu acho que no fundo eu já saiba.
“Voccccê é inteligente, às vezesss precisa confiar em você. Pelo menos soube usssar ssseus donss”
– Irei precisar falar com o professor Dumbledore em breve... – Suspirei.
Pulei o café da manhã e resolvi dar um passeio pelos arredores de Hogwarts sozinha. Aquele incidente me deu um choque de realidade.
Rony quase morreu por algo que nem era para ele. E o Slughorn que também quase se tornou vítima de algo que era diretamente para Dumbledore. Juntando com a história do colar de opalas, essa era a missão de Draco. Matar Dumbledore. Essa foi a missão que o Lorde das trevas ordenou, porque ele tinha medo... Dumbledore é o único que está impedindo a guerra começar, o único que está o impedindo de retomar o poder do mundo bruxo.
Lembrei do meu outro sonho. Eu via Draco apontando a varinha para Dumbledore... Isso realmente irá acontecer.
Draco nos últimos dias estava sumindo e aparecendo, Harry estava suspeitando dele com razão. Ele tinha perdido algum peso e parecia nem dormir direito, então ele estava preocupado em realizar a missão.
Arrisco dizer que no final deste ano os meus sonhos se completarão. Igual o último ano letivo. Será que terá mais tentativas indiretas de Draco matar Dumbledore?
Minha cabeça estava explodindo de teorias e imaginação. Eu tinha que me reunir com o diretor logo.
Capítulo 15 – Um Dragão Atormentado
Dias se passaram e hoje tivemos jogo contra a lufa lufa, o time e nossa casa estava gritando ofensas para outros jogadores. Eu estava com meus amigos de casas diferentes na mesa da corvinal.
– Preciso falar com vocês! – Nick chegou ofegante na mesa.
– O que aconteceu? – Erik perguntou.
– Tive uma conversa com o prof. Dumbledore e foi muito esquisita. Foi sobre uma relíquia... É que tal conversamos em outro local? – Ele perguntou olhando para todos os lados.
– Não vai me dizer que é sobre o que a gente tem procurado? – Perguntei curiosa.
– Na mosca! Vamos, me sigam! – Ele se apressou em sair do salão principal.
Eu dei uma olhada na mesa e lá estava Draco mais quieto do que nunca. Ultimamente só ficávamos juntos na presença de algum dos sonserinos e parecia de propósito. Percebi que quando ele sumia sozinho, Crabbe e Goyle sumiam juntos, então eu iria investigar isso depois.
– Então? – Yumi perguntou quando a gente se sentou perto do lago.
– Então o professor me chamou e me perguntou sobre como andava as coisas...
– Resuma Nicholas! – Erik mandou.
– Ok, ok... Ele me fez perguntas sobre minha família e sobre alguém ter comentado sobre alguma relíquia importante. Eu disse que sim, minha mãe sempre comentava sobre a relíquia perdida da família, uma taça. Disseram que Hepzibá Smith foi a última pessoa vista com ela a muito tempo atrás.
– Sim, e o que isso tem a ver?
– Tenha calma Anker, não terminei... – Nick bateu nele com o livro que sempre carregava. – Enfim, ele disse que essa taça provavelmente pertenceu a Helga Hufflepuff e ela continha uma insígnia na taça que provava que era dela. E adivinha? Tem um quadro na comunal da Lufa lufa e é a Helga segurando a mesma taça.
– O quê? Então... – Yumi tentou fazer uma linha de raciocínio.
– Sim, minha família é da linhagem da Helga Hufflepuff.
– Oh merda! – Ela exclamou assustada – Isso quer dizer que temos três herdeiros, quais as chances de eu ser uma herdeira de Gryffindor?
– Eu arrisco que são bem altas. – Ele disse. – E eu encontrei a passagem secreta que leva ao scriptorium dela.
– O quê? E por que não me disse? – Erik perguntou indignado.
– Porque na hora que eu percebi eu não aguentei esperar... De qualquer forma eu ainda não entrei. Como sempre não é qualquer um que entra.
– E onde fica?
– Perto da comunal como sempre. A passagem secreta é pelo chão. Havia marcas de plantas, parecendo um código. Irei precisar da ajuda de vocês... – Ele disse.
– Ótimo! Então amanhã podemos tentar entrar por lá. – Falei me levantando. – Combinado? – Eles concordaram. Vi Yumi ficar pensativa um pouco. – Não se preocupe, o próximo passo será descobrir se Godric Gryffindor era seu parente, mas temos quase certeza disso. Se quiser perguntar para seus pais já adiantaria o processo.
– Sim, vou fazer isso.
– Vocês irão assistir a partida de quadribol? Acho que daqui a pouco começa, preciso ir.
– Sim, vamos juntos! – Erik se levantou colocando um braço no meu pescoço em um abraço. Mandei-o segurar minha vassoura enquanto seguíamos pelo caminho.
Notei um loiro familiar pelo caminho que há algum tempo não via.
– Hey! Onde estava? Você sumiu do mapa esses dias... – Falei quando Regulus se virou pra mim.
– Ah, oi... Estava resolvendo umas coisas. Desculpe! – Ele suspirou parecendo preocupado.
– O que aconteceu?
– Eu tenho procurado uma coisa que eu perdi. Ah, o diretor mandou dizer que o ministério conseguiu um vira tempo. Em breve ele será mandado a Hogwarts. – Ele disse baixinho para que o trio ao lado não ouvisse.
– Certo... tenho algumas coisas pra resolver antes de ir vê-lo...
– E como está para o jogo de hoje? – Ele perguntou.
– Bem, na verdade meus pensamentos estão perturbados por algumas coisas, mas acho que isso não irá me atrapalhar.
– Algum problema?
– Vários... Mais tarde posso te contar. – Falei enquanto chegávamos no campo. Todos já estavam se preparando. – É melhor eu ir, até mais!
– Boa sorte no jogo! – Ele gritou. Me despedi dos meus amigos e fui em direção ao time da sonserina.
– Eu quero que todo mundo foque no jogo de hoje! Não aceito mais perdas, já basta o jogo humilhante contra a grifinória. Nada contra você, . – Zabini falou.
– Tudo certo... – falei sorrindo.
– Vamos detonar!
– SOMOS ASTUTOS! – Zabini puxou o grito de guerra.
– ORGULHOSOS, AMBICIOSOS!
– SOMOS SLY...
–THERIN!! – Todos juntaram as mãos explodindo no ar.
E fomos a mais uma partida de quadribol. Pela primeira vez senti que tinha o controle dos meus pensamentos. Estava ansiosa demais, era muita coisa que eu podia lidar, principalmente quando chegava à noite. Isso só me dava mais medo do que estava por vir.
Então segui não pensando em nada enquanto ia atrás do pomo de ouro. Acho que de todas as casas o único que eu realmente tinha medo de enfrentar como apanhador era o Harry. O talento dele era nato, também tinha mais experiência, desde os onze anos que estava no time da grifinória.
A sonserina ganhou contra a lufa lufa, eu peguei o pomo assim finalizando o jogo com 250 x 70 pontos. Eles eram bons, me lembrei de Cedrico Diggory nos antigos anos letivos. Eu sentia falta dele... aquela época era divertida.
Então o time da sonserina ia dar uma festa hoje, como sempre. Mas resolvi ficar de fora, ainda ouvindo os lamentos dos meus parceiros de time. Porém hoje eu tinha algo em mente.
– Zabini! – Chamei ele.
– Diga princesa...
– Você viu o Draco hoje? – Ele tentou desviar o olhar.
– Zabini!
– A última vez que eu vi foi no salão principal com Crabbe e Goyle...
– Claro que sim... Obrigada! – Falei saindo da comunal.
Anoiteceu rapidamente, aproveitei para tomar um banho e tirar aquele uniforme do jogo, estava ficando com agonia. Então ouvi uma voz familiar enquanto eu ajeitava meus cabelos.
– Algumas pessoas deveriam se importar mais com outras, não é? – Murta, o fantasma do banheiro feminino apareceu. Ela foi uma das vítimas de Tom Riddle na câmara secreta. Já tinha a visto por aí, mas nunca troquei palavras com ela.
– Talvez... Do que está falando especificamente?
– Ele sempre vai ao banheiro masculino conversar... Ele está apavorado! Mas isso você não nota. – Ela falou com cara de brava. – Alguns alunos falam dele pelas costas. Ele está sozinho... Se fosse eu estaria o confortando.
– De quem você está falando, Murta? – Perguntei com o coração apertado.
– Ora essa de quem mais? Eu prometi não falar nada, mas você deveria saber. – Então ela saiu flutuando entrando na parede.
Não pensei duas vezes e corri em direção a sala precisa. Ele estaria lá com certeza... Confirmei minhas suspeitas quando vi dois meninos na porta, parecendo guarda costas.
– Oi... Er... O que é que você está olhando? – Um baixinho falou.
“ Elesssss pensam que enganam você!” Ouvi Titã na minha cabeça.
– Calem a boca e saiam do caminho!
– Não pode entrar aí... – Ele tentava falar mais alto.
– Crabbe e Goyle! Deixem de ser imbecis e saiam da minha frente! Eu sei que ele está aí dentro.
– Como sabe...? – O segundo deu uma cotovelada nele. – Quer dizer, não somos...
– Ah, calem a boca os dois! Eu preciso falar com ele. E não se preocupem, podem parar de vigiar a porta. – Falei e uma porta apareceu magicamente na parede.
Eu sabia que ela não abriria quando alguém estivesse dentro, apenas se alguém soubesse.
– Saiam! – Ordenei e os dois saíram. Entrei na sala em seguida.
Tinha muita bagunça ali e estava escuro. Lancei um lumos na ponta da minha varinha e observei que a sala estava repleta de objetos. Ouvi um barulho mais pra frente, me aproximei devagar e vi alguém com raiva chutando objetos, indo de um lado para o outro parecendo sem saber o que fazer. Na sua frente estava um grande armário.
– Essa merda! Por que nunca dá certo? – Ouvi a voz de Draco que se levantou bruscamente depois que ouviu barulho de passos. – Quem está aí? – Sua varinha estava apontada para mim.
– Sou eu... – Falei finalmente aparecendo.
– ? O que está fazendo aqui? Como entrou? – Ele perguntou de testa franzida um pouco em desespero. – Não devia estar aqui! Cadê Crabbe e Goyle que deveriam estar de olho na maldita porta? – Ele tinha uma feição de cansaço pior que da última vez. Seus olhos estavam vermelhos e tinha olheiras mais uma vez. Ele parecia ter chorado.
– O que está fazendo?
– Não é da sua conta. – Ele disse ríspido se virando de costas.
– Draco Malfoy! – Vociferei com raiva. – Você acha que eu sou idiota?
– É melhor você sair daqui… – Ele me encarou novamente. – Não é para você saber de nada disso.
– Eu estou preocupada com você.
– , você não entenderia, por favor... – Sua voz falhou segurando um choro.
– Eu sei sobre suas tentativas do colar e do hidromel... Eu sei o que está tentando fazer. – Ele se virou novamente tentando não olhar para mim. Eu percebi que ele estava chorando em silêncio e isso partiu meu coração.
– Você não é um assassino. Ouça, você é bom em oclumência, não é? Se você me prometer contar tudo, eu posso explicar algumas coisas.
– Eu te contar alguma coisa não vai mudar nada. Se eu não fizer isso...
– Ele vai nos matar. – Completei. Ele se virou para me olhar surpreso. – Eu sei que ele quer que você mate Dumbledore. Por que não pode confiar em mim? Eu sou sua esposa. Eu estou do seu lado... – Ele pareceu pensar por um momento.
– Você deveria estar vivendo sua vida...
– Eu estou, mas a partir do momento que eu soube que você estava mal eu vim correndo te ver. No momento que eu precisei de você, você estava lá. Está na hora de eu te ajudar, não é? – Ele me olhou e senti que ele finalmente ia se abrir comigo.
– Preciso consertar esse armário, mas não consigo. – Ele disse sentando no chão.
– O que ele faz?
– Tem outro desse na Borgin e Burkes, ele serve...
– Para teletransporte. – Completei montando o quebra cabeça. Então era como os comensais iam entrar. Ele olhou confuso para mim. – Tem umas coisas que não sabe sobre mim. – Me sentei ao seu lado.
– Desde quando soube?
– Sobre a sua missão? Já tem muito tempo. Tentei ignorar porque você parecia bem… E eu não posso fazer nada contra isso.
– E como me encontrou aqui?
– Bom, já tinha visto Crabbe e Goyle antes, mas não quis me meter. Mas a murta me avisou sobre você estar apavorado e sozinho.
– Aquela fantasma maldita!
– Deve ser difícil passar por isso sozinho, mas porque não me contou? Você não está sozinho Draco.
– Eu apenas não queria você envolvida nisso, já basta eu.
– Você não precisa carregar esse peso sozinho, não quando eu estou aqui. Às vezes precisamos desabafar e já ajuda. – Ele deixou sua cabeça cair em meu ombro. – Você é inteligente, vai conseguir consertar o armário.
– Por que não conta isso para o diretor? – Sua voz estava baixa.
– Porque eu não posso me meter em nada, ou minha família sofrerá as consequências. – Ri irônica. – Eu estou quase igual a você, mas um pouco menos ruim. De qualquer forma, lembra que eu falei que tinha um segredo? – Perguntei e vi seus olhos azuis de encontro ao meu. – Eu vejo o futuro de vez em quando.
– O quê? – Ele levantou a cabeça com rapidez.
– Sou um pouco vidente, não é para tudo. Desde o começo do ano eu sabia o que ia acontecer. E eu não posso revelar nada para ninguém.
– E por que está me contando?
– Primeiro porque você se abriu comigo e segundo porque você também aprendeu oclumência.
– Então, acho que não adiantará perguntar se eu vou... – ele parou de falar ficando sério.
– Deixe o destino seguir naturalmente, não posso revelar até porque não vi tudo. Estou aprendendo a interpretar ainda, mas nos protegeremos da melhor forma! Está melhor? – Perguntei e ele deitou sua cabeça em meu colo dessa vez.
– Sim... – Ele abriu seus olhos me deixando mais deslumbrada, mesmo num momento como aquele. – Obrigado. – Ele agradeceu fechando os olhos mais uma vez. Passei um tempo brincando com seus cabelos enquanto ele descansava um pouco.
Saímos da sala precisa e fomos em direção ao meu quarto, não larguei sua mão em nenhum momento. Adormecemos abraçados com um peso a menos nos ombros.
No outro dia acordei com ele me observando enquanto me fazia um leve cafuné. Eu não me cansaria se todo dia acordasse ao lado dele desse jeito. Meu coração se apertava a cada vez que encarava o par de olhos azuis acinzentados.
– Bom dia, pequena.
– Bom dia, dragão. – Dei um selinho rápido. – Conseguiu dormir?
– Sim, magicamente eu consigo descansar do seu lado.
– E é por isso que eu já tinha falado para vir dormir comigo, mas você é teimoso. – Me levantei, mas fui impedida quando ele me puxou novamente para a cama.
– Não quero me levantar!
– Mas precisa, temos aula ainda.
– Por que não matamos?
– Porque você já fez isso várias vezes. Já aprendeu a aparatar? Os testes estão chegando.
– Já, mas não completamos dezesseis anos ainda, lembra? – Ele resmungou. Tinha esquecido desse detalhe, ficaríamos de fora até que completássemos dezessete.
– Vamos! – Falei saindo da cama e puxando ele. – Prometo que se você vier comigo, eu posso te fazer companhia enquanto conserta aquilo.
– Sério? Então tudo bem. – Ele se animou finalmente de levantando.
Tomamos nosso café da manhã na mesa da sonserina normalmente. Meus olhos bateram no trio de ouro que estava presente no café da manhã, a um tempo eu tinha recebido notícias da recuperação de Rony depois do episódio de envenenamento. Fiquei feliz por ele estar bem. Notícias do profeta diário da semana estavam perambulando o castelo: prisões, desaparecimentos, assassinatos... Tentava ficar longe dessas notícias.
Então fui para aula de adivinhação com a prof Trewlaney novamente com Regulus, arrastando os pés. Mais uma vez treinamos o meu foco e concentração, o que ajudou um pouco, consegui ter vislumbres do futuro por poucos segundos. Isso me animou bastante, já que eu odiava as aulas, pelo menos algum resultado tinha que sair.
A próxima aula era de DCAT com Snape e apesar dele ser um tanto chato e sombrio, eu gostava das aulas dele. Sentei ao lado de Draco como na maioria das vezes e esperamos o professor começar que já estava presente em sala. Começamos a pegar os livros e nos prepararmos.
– Outra vez atrasado, Potter? – Ouvi Snape falar com Harry que acabara de entrar às pressas pela sala. – Menos dez pontos para grifinória. – Ele fazia de tudo pra acabar com o dia do Harry, coitado.
– Antes de começarmos, quero ver os seus trabalhos sobre dementadores. – Ele acenou a varinha enquanto pegava nossos pergaminhos.
– ... – Draco disse um pouco desesperado. – Não consegui fazer o trabalho...
– Tudo bem, eu fiz o seu. – Ele me olhou confuso. – Vai precisar me agradecer depois... Eu notei que estava displicente desde aquela vez, então eu sabia que não ia fazer.
– Mas o professor vai saber...
– Não, eu consegui enfeitiçar para que ficasse com sua letra. – Eu sabia que o professor Snape e a McGonagall eram os que mais pegavam no pé de Draco, então fiz questão de ajudá-lo. – Ele sorriu.
– Obrigado! Me cobre depois. – Ele me deu um beijo rápido na bochecha me pegando de surpresa. Fiquei vermelha e olhei para os lados, mas ninguém pareceu notar, a não ser Snape que pigarreou e agora nos encarava com a cara de sempre.
– Eu espero, em seu benefício...– Eu abaixei a cabeça e desviei o olhar tentando não ficar vermelha. – ...que estejam melhores do que o chorrilho que tive de ler sobre a resistência à Maldição Imperius. Agora, queiram abrir seus livros na página... Que foi, sr. Finnigan?
– Senhor, como é que se pode diferenciar um morto-vivo ou Inferius de um fantasma? Porque saiu no profeta uma notícia sobre um inferius...
– Não, não saiu. – respondeu Snape entediado.
– Mas, senhor, ouvi comentários...
– Se o senhor tivesse lido realmente a notícia, saberia que o assim chamado Inferius não passava de um ladrãozinho infecto chamado Mundungo Fletcher... – Ouvi uns cochichos do outro lado, Snape pareceu ouvir também. – Mas Potter parece muito a dizer sobre o assunto. Vamos perguntar a Potter como ele descreveria a diferença entre morto-vivo e um fantasma.
Todo mundo se virou para Harry na mesma hora.
– Ah... Bem... Fantasmas são transparentes...
– Oh muito bem. – Snape desdenhou. – É fácil verificar que não desperdiçamos quase seis anos de estudos de magia com você, Potter. Fantasmas são transparentes. – Eu me segurei para não rir. Era quase sempre a mesma coisa desde que começamos a estudar em Hogwarts, Snape não gostava do Harry e arranjava de tudo para humilhá-lo, porém Harry às vezes pedia.
– Sim, fantasmas são transparentes, mas Inferi são corpos sem vida, certo? Então seriam sólidos... – Harry respondeu calmamente, mas conhecendo ele estava querendo esganar Snape.
– Uma criança de cinco anos poderia ter nos dito isso. Um Inferius é um morto que foi reanimado por meio de um feitiço das trevas. Não está vivo, é meramente usado como uma marionete para cumprir ordens do bruxo. Um fantasma, como espero que a esta altura todos saibam, é uma impressão deixada por um morto na terra... e é claro, como diz Potter tão sabiamente, é transparente.
– Bem, o que Harry disse é muito útil para diferenciarmos os dois! – Rony comentou. – Quando nos defrontarmos com uma aparição em um beco escuro, vamos olhar depressa para ver se é sólido, não é, não vamos perguntar: “Com licença, o senhor é uma impressão deixada por uma alma que partiu?”
Dessa vez não consegui segurar o riso, a sala inteira fez a mesma coisa. Mas Snape cortou a onda quando olhou friamente para todos ali. Eu tive que prender minha boca com as mãos porque eu estava com muita vontade de gargalhar.
– Outros dez pontos a menos para Grifinória. Eu não esperaria nada mais sofisticado do senhor, Ronald Weasley, um rapaz tão sólido que é incapaz de aparatar dois centímetros em uma sala. – Ele mantinha um olhar desdenhoso para Rony. – Agora abram os livros na página duzentos e treze e leiam os primeiros dois parágrafos sobre a Maldição Cruciatus...
Essa era uma das razões pela qual eu adorava as aulas de Snape e eu havia acabado de perceber. Sempre foi uma guerra dele com o trio de ouro, Rony e Harry eram demais.
Depois que a aula acabou, sai ainda segurando a risada. Fechei na mesma hora que vi Snape se aproximando ao meu lado.
– Se divertindo em minhas aulas, Sra Malfoy. – Eu parei imediatamente seguido dele.
– Talvez...
– Acham que minha sala de aula é um banco para namoros? – Oh, claro que ele ia me alfinetar depois do que ele viu. Olhei para Draco que estava ao meu lado.
– Mas não fui eu...
– Calada. Espero que tudo esteja andando bem para que tenha tempo para diversão, Draco. – Ele disse e saiu com sua capa preta balançando pelo castelo.
– O que? – Fiquei incrédula com o que ele disse, Draco pareceu ter voltado a expressão sombria de antes. – Ele nem sequer sabe de nada para falar tamanha baboseira. Não dê ouvidos a ele, Draco. – Ouvi um suspiro frustrado dele.
– Ele tem razão.
– Não, ele é um idiota! – Falei irritada. Senti a presença de alguém nos espionando. Olhei ao redor, mas não consegui ver nada. Então ignorei.
– Você vem mais tarde me fazer companhia? – Draco perguntou.
– Sim, vai ser pela noite, não é? Só preciso procurar uma coisa com Nicholas, mas assim que eu terminar irei ao seu encontro. Prometo.
– Certo, vou para a comunal descansar um pouco.
– Ta, mas não fique pensando no que o morcego disse. Você vai conseguir! – Ele sorriu fraco e me abraçou me dando um beijo na cabeça.
– Te vejo no jantar, então. – Assenti e nos separamos.
Então segui meu caminho para encontrar Nicholas que estava no salão principal e dei de cara com o trio no caminho. Hermione deu um empurrão em Rony parecendo que ele tinha algo a me falar.
– Ah, oi... ! – Ele começou a falar. – Bom… Er. Queria agradecer a um tempo, mas você sempre está ao lado do Malfoy... Aí! Hermione! – Ele reclamou quando Hermione deu um beliscão.
– Não enrola... – Eu ri.
–Tenha calma! Então... Fiquei sabendo que me ajudou a me salvar naquele dia. Obrigado, por isso. – Ele disse tímido.
– Ah, tudo bem Rony. Harry quem fez o bezoar na verdade...
– É, mas você foi mais rápida. – Harry comentou.
– Mamãe pediu que eu agradeça a você por ela também. Todo mundo queria te ver de novo algum dia.
– Ah, não foi nada, faria de novo sem pensar duas vezes. E não coma coisas duvidosas que tenha poção do amor por aí. – Eu falei enquanto riamos.
– Isso me lembrou do quarto ano, tudo era mais fácil. – Rony comentou nos fazendo lembrar quando não tinha um certo lorde das trevas para nos preocuparmos.
– Bom, tenho que ir. Até mais pessoal! – Falei acenando.
Corri pelo salão principal e fui até Nick na mesa dos lufanos. Almoçamos e esperamos Yumi e Erik aparecerem. Enquanto isso vejo Lucian Bole vindo em nossa direção.
– Oi, !
– Olá, cunhado! – Eu o cumprimentei, ele se sentou ao meu lado ainda tenso porque ele e Nick tinham a preocupação em se manter como héteros para a escola. Ele aproveitou minha presença para ficar mais perto do namorado.
– O que vão fazer hoje? Estão com cara de que vão aprontar.
– Com certeza, vamos perambular pelo castelo a noite, mas isso você não pode contar a ninguém. – Nick disse.
– Mas eu não conto a ninguém. – Algo veio à mente, todos estavam namorando sonserinos, quem sabe até podíamos fazer um encontro em grupo?! Seria legal, só tira o fato que não irá dar certo com uma guerra próxima.
Capítulo 16 – Hufflepuff
Quando anoiteceu eu percebi pela primeira vez alguns membros da ordem da fênix e aurores em ronda pelo castelo, é claro que eu já sabia sobre o ministério ter mandado escoltas para a escola, mas os membros da ordem? Difícil. Isso tinha o dedo de Dumbledore.
Ignorei e fui furtivamente para o térreo próximo da cozinha. A cozinha de Hogwarts ficava perto de um quadro que tinha em um corredor e só quem sabia a senha conseguia acesso. E bem próximo era o salão comunal da lufa–lufa, a última vez que estive por lá foi na festa em que falei com Cedrico. Enquanto esperava notei algo um pouco mais para frente, dava a um beco sem saída, mas apenas tinha um quadro de comidas. Mas o que me chamou atenção foram três imagens de texugos nos archotes que tinha função de iluminar o local, igual a entrada do scriptorium da sonserina.
– ? – Ouvi a voz de Yumi. Nick e Erik também tinham chegado.
– Ela achou! – Nick exclamou enquanto eu olhava para o chão. Era o que ele tinha descrito, existiam marcas de plantas. Ou melhor, de uma planta específica.
– Então como fazemos? – Yumi perguntou.
– Que planta é essa Nick?
– Malva. Eu trouxe três aqui... – Ele disse e começou a pegar as folhas da planta e colocar dentro do símbolo. – Se eu não estiver enganado, é assim.
Assim que ele se afastou um buraco foi aberto no chão dando origem a uma escada.
– Isso é maravilhoso! – Falei curiosa. – Vamos!
– Lumus! – Nick colocou uma luz na ponta da varinha e seguiu em frente.
O lugar estava escuro e podemos ver plantas escuras pelo caminho, pareciam se mexer pela luz das varinhas.
– Isso não é visgo do diabo? – Yumi perguntou.
– Sim, cuidado. Não encostem em nada. – Nick disse enquanto andávamos pelo corredor, até acharmos uma porta que estava cheia do visgo do diabo.
– E agora? – Erik perguntou, ele tentou colocar a luz perto, mas as raízes só se mexiam. Não era o suficiente. Tentamos colocar todos juntos mas nada...
– E se lançássemos fogo? – Perguntei.
– Quer queimar a escola? – Nick perguntou.
– Um feitiço menor, Nick! – Ele deu de ombros. Então resolvi tentar.
– Confringo! – Lancei a magia assim fazendo os tentáculos explodirem, todos pegaram fogo e sumiram da porta.
– Brilhante, ! Onde ouviu esse feitiço? – Yumi perguntou.
– Não é um feitiço comum. – Erik disse. – É uma maldição explosiva.
– Vamos lá! – Nick ignorou e entrou pela porta. Assim que todos entramos foi revelado a grandiosa sala, o scriptorium de Helga Hufflepuff.
– Estou começando a achar que a mais sem graça é a de Slytherin. – Falei achando o lugar um dos mais lindos. Tinha muita planta para decorar o ambiente, uma mesa de jantar, mais para a frente ficava a escrivaninha da fundadora. Como sempre havia pergaminhos, porém estavam mais organizados.
– Isso é tão legal! – Yumi comentou. – Estou me sentindo o máximo por encontrar as salas com vocês.
– Olha! – Nick falou. – O retrato da minha tatatataravó. – Nós rimos com o comentário dele. Tinha um quadro grande com o retrato dela e com a relíquia da lufa-lufa em mãos, a taça.
– Não acham que todos os fundadores tenham alguma relíquia? Ouvi falar no diadema de Ravenclaw também. No salão comunal a estátua da fundadora, ela está com o diadema.
– Pode ser, eu nunca ouvi falar no de Slytherin. – Falei ainda deslumbrada com o scriptorium de Hufflepuff.
– Bom, achamos o terceiro... Vamos começar a investigar mais? Será que ela deixou algum escrito?
– Na verdade, eu acho que vou deixar com vocês. – Falei me lembrando que eu tinha que encontrar com Draco. – Eu preciso fazer uma coisa agora, mas se acharem algo me avisem.
– Certo. Cuidado com a volta! – Nick gritou assim que eu corri em direção a saída.
Fui em direção ao sétimo andar onde ficava a sala precisa. Os corredores já estavam começando a ficar vazios, até que ouço algumas vozes e paro tentando ouvir algo.
– Ele está aí dentro.
– Eu sei, eu sei... – Ouvi vozes familiares.
“Elfos” Titã denunciou. Quando eu resolvi aparecer, não tinha mais vestígios de quem seja. Mas eu tinha uma suspeita.
– Dobby! Pode sair, sei que é você. – Um elfo pelo castelo, só podia ser ele que aliás nos avisou sobre a briga inquisitorial ano passado.
Dobby aparatou na minha frente junto com Monstro, ah, então ele era o outro elfo. O monstro se curvou diante da minha presença.
– Monstro fica honrado em estar diante da pureza da senhorita Malfoy.
– Olá, senhorita Malfoy! – Dobby disse animado.
– Como é que todos sabem do meu sobrenome? – Perguntei.
– Monstro quem disse.
– Monstro viu na tapeçaria da casa do meu senhor.
– E o que vocês dois estão fazendo aqui?
– Monstro e Dobby estão em uma missão... – Dobby pulou em cima de monstro calando sua boca.
– Estão vigiando Draco para Harry, não é? – Perguntei desconfiando o óbvio. Eles estavam em frente a sala precisa, Monstro era o elfo da família Black, com a morte de Sirius ele ficou com Harry e Dobby nem preciso comentar.
Dobby tentou se castigar pelo que eu descobri batendo a testa na parede.
– Dobby, tudo bem, não precisa fazer isso!
Do nada, Titã entra no meio da conversa aparecendo, assustando os elfos.
– Não adianta mentir para , criaturinhasssss! – Titã falou.
– Uma cobra? – Dobby se escondeu atrás do monstro.
– Ele é um patrono. – Monstro comentou se afastando de Dobby. Eu franzi a testa estranhando, ele pareceu saber mais coisas.
– Monstro? O que sabe sobre, Titã?
– Oh, o senhor do Monstro já falou sobre isso. Sobre uma magia antiga que fazia com que os patronos ficassem ao lado do bruxo como protetores.
– Isssso é uma dessscoberta! – Titã exclamou.
– Dobby falhou em sua missão com Harry Potter. O senhor Malfoy é mal, ele vai causar mal a Dobby se souber – Ele ficou apavorado.
– Não Dobby, tudo bem. Não vou contar nada ao Draco, mas isso não quer dizer que não vou impedir de vocês ouvirem algo. Entendem? – Sua feição se suavizou. – Podem contar ao Harry que me encontraram, e se me derem licença... já atualizarei vocês que estou me encontrando a sós por motivos óbvios na sala precisa. – Pigarreei tentando acobertar Draco. – Acho que não seria legal namorar na frente de elfos.
– Ah, então Dobby e Monstro estão de saída. Obrigado e até mais senhorita Malfoy. – Dobby disse.
– Ah! E quanto a isso... Por favor guardem segredo. Ninguém sabe ainda. – Avisei e eles pareceram entender.
– Foi uma honra para monstro! – Os dois elfos desapareceram do local.
– Pelo menoosss isso foi útil! – Titã comentou.
– E eu quero saber como você aparece e fala comigo, sendo que a varinha está com Scorpius. – Disse estranhando só agora esse fato.
– Talvez porque eu ssssou seu protetor, eu consigo ssssaber onde os pequeninos ssssse encontram agora, estão adormecidos.
– Me lembre depois de falar com Monstro sobre isso. E continue a cuidar deles. – Mandei e titã sumiu em seguida. Então voltei a caminhar e não precisei dar voltas para que a sala abrisse para mim, ele estava me esperando.
– ? – Ouvi sua voz.
– Sou eu mesma. Que milagre os guarda costas não estão na porta? – Perguntei me aproximando.
– Eu mandei eles não vir dessa vez, por sua causa. – Draco disse.
– E aí? Conseguiu alguma coisa?
– Não. Estou tentando fazer testes com um pássaro, mas não adianta. – Ele passou a mão no cabelo nervoso.
– Eu queria te ajudar, mas não sei como funciona, acho que você é mais inteligente que eu.
– Tudo bem, pelo menos sua presença não me deixa ficar tão deprimido... Você sabe que se alguém descobrir, se algo der errado...
– Não estou preocupada com que as pessoas irão achar, Draco. É mais sério a gente correndo perigo, se caso não der certo. Mas vai dar certo! – Disse tentando lhe passar confiança. Eu me aproximei para abraçá–lo e ele veio a meu encontro ainda estressado, mas me abraçou.
– Conseguiu resolver o que queria? – Ele disse, me olhando.
– Sim... Por alguma razão descobrimos sobre o Erik ser descendente de Ravenclaw e Nicholas ser de Hufflepuff. – Ele levantou as sobrancelhas dessa vez em surpresa. – Sim, parece que somos todos herdeiros dos fundadores. Era nisso que estávamos investigando.
– Isso é interessante. – Ele disse me dando um beijo em seguida. – Você vai me distrair aqui... Estou logo vendo.
– Então, comece a pensar no que fazer. – Disse me separando enquanto ele protestava.
– Hey! Não estou reclamando... em parte. Já estou aqui a algum tempo de qualquer forma, estou cansado.
– Me conte, o que está fazendo?
– Preciso unir as duas partes. Estou fazendo isso com um feitiço, mas tenho desgaste físico. – Isso explica por que ele parece extremamente cansado.
– Como conseguiu encontrar esse armário? Já que estamos em um lugar de objetos perdidos.
– Montague. Os gêmeos Weasley o colocaram dentro dele no quinto ano, daí ele aparatou para um vaso no banheiro, foi quando eu o encontrei. Ele quase morreu, Snape o ajudou e aí ele me disse o que tinha acontecido. Ele ouvia tanto pessoas em Hogwarts quanto pessoas na Borgin. O armário estava no primeiro andar, mas depois foi movido para cá.
– Uau! – Eu ri imaginando o Montague dentro do armário e depois ficando preso no vaso. – Os gêmeos não têm pena de ninguém mesmo. – Eu amava os Weasleys demais! – E olhe para você, ainda pensou nisso só por ouvi essa história.
– É, pensei depois que eu fui designado para a missão.
– Eu não pensaria nisso. Sempre estou tendo ajuda de uma certa serpente.
– Titã? – Assenti. – Nunca mais o vi.
– Está tomando conta de uma pessoa que eu pedi. Mas realmente ele anda quieto nesses últimos anos. Enfim, e aí? Como que repara o armário?
– Um feitiço que Borgin me disse, Harmonia Nectere Passus. Mas como eu te disse, não é fácil. Estou a meses tentando e não tenho sucesso. – Ele suspirou observando o armário em nossa frente.
– Entendi. Você irá conseguir... Sei que vai, você é talentoso.
– Sim, mas não estou com muito tempo para muitas tentativas.
– O lance do colar e do hidromel, foi porque não conseguiu consertá-lo? – Perguntei receosa, já que era um assunto delicado. Imagine se ele soubesse que eu quase tomei o hidromel, não sei como seria a sua reação.
– Sim... Não vi outra opção.
– Bom, pelo menos você não está tentando matar aleatoriamente alunos por aí. – Ele riu fraco.
– Só você para ficar rindo sobre uma tentativa de assassinato de pessoas que conhece, inclusive que são seus amigos.
– Ah não... Eu fiquei assustada, mas como passou, estou mais tranquila e tentando tirar coisas positivas disso tudo. Não adianta ficar se lamentando por algo que é passado. – Ele se aproximou novamente de mim me puxando para mais um abraço, mas longo. Ele abaixou sua cabeça e escondeu seu rosto em meu pescoço.
– Já falei que eu gosto do seu cheiro? – Sua voz saiu abafada.
– Não, apenas falou do cheiro do meu shampoo. – Eu disse sorrindo enquanto o abraçava ainda. Ele esfregou seu nariz em meu pescoço causando arrepios.
– Não comece... – Disso rindo pelas cócegas também. Ele levantou a cabeça e me encarou. Não conseguia ficar mais de segundos trocando olhares com ele tão de perto, sempre me desviava envergonhada.
– Eu fico pensando em quando estávamos noivos, não tínhamos nem imaginado como estaríamos hoje. Como que eu, Draco Malfoy estaria tão encantado por uma garota?
– Olha! Não é qualquer garota, uma herdeira de slytherin não é para qualquer um. – Ouvi sua risada depois de muito tempo. Eu amava quando ele ria comigo, era uma risada gostosa de ouvir.
– Isso eu tenho que concordar.
– Pior sou eu que caí nas suas garras tão fácil. – Dei língua.
– Cuidado! Ainda pertenço as serpentes, garota.
– E daí?
– Eu posso te dar o bote quando eu quiser. – Ele levantou uma sobrancelha desafiando.
– Quando você quiser? – Perguntei debochada. – Tem certeza?
– Não me provoque... – Ele avisou. Eu sorri passando a língua em meus lábios inferiores atraindo seu olhar diretamente para minha boca. Assim que eu mordi o mesmo lábio ele eliminou qualquer espaço de nós dois rapidamente e me empurrou me beijando. Não sabia onde estava me encostando, mas era algo confortável.
Começamos a nos beijar sem pudor na sala precisa, eu sentia sua falta e meu corpo estava claramente rendida a ele. Minhas mãos automaticamente iam para seu cabelo o prendendo entre meus dedos enquanto nos beijávamos sem parar.
Até demorou quando ele saiu da minha boca para ir explorar meu pescoço como ele sempre fazia, mas dessa vez uma de suas mãos estava em minha nuca tomando controle da minha cabeça enquanto sua outra estava levantando minha perna para que ele se encaixasse mais em mim. Isso fez com que eu sentisse seu volume entre minhas pernas me deixado com mais tesão ainda.
Ele sabia fazer meu corpo inteiro ter sensações inexplicáveis. Meu corpo estava quente, então já queria me livrar das roupas sem ligar a mínima. Tirei sua gravata e a minha enquanto nos separamos por um breve momento, mas sem tirar os olhos um do outro. Ele desabotoou todos os botões da minha camisa fazendo com que meu sutiã fique amostra, voltou ao meu pescoço deixando alguns chupões e ao mesmo tempo sua mão foi para minhas costas tirar o que estava tapando meus seios. Não percebi que ele tinha ficado tão habilidoso tirando meu sutiã em poucos momentos.
Assim que ele eliminou a peça de roupa ele chupou meus seios com delicadeza me fazendo suspirar profundamente, minhas mãos bagunçavam seu cabelo loiro enquanto ele variava entre meus dois seios. Naquele dia eu estava de saia o que facilitou seu acesso com sua mão por debaixo delas. Depois que ele brincou com meu clitóris ele resolveu fazer algo diferente, introduziu seu dedo em mim me fazendo ter mais sensações do que eu poderia imaginar.
Eu fechava meus olhos enquanto gemia baixinho com seus movimentos, eu sabia que ele estava me observando, não queria encará-lo enquanto eu estava tão vulnerável. Depois de um tempo ele cansou de esperar mais e tirou sua camisa totalmente, me revelando mais uma vez sua pele pálida e ainda em boa forma. Draco não era forte, mas não era magro, ele tinha um bom corpo apesar de recentemente ter se desgastado fisicamente.
Ele tirou seu cinto e desabotoou sua calça enquanto eu me perdia em seu peitoral nu na minha frente. Ele se aproximou se ajeitando e abaixando sua boxer um pouco o suficiente para revelar seu membro já excitado, na mesma hora ele me pega pelos braços sem nenhuma paciência e me apoia no mesmo lugar que me pareceu algo confortável. Enrolei minhas pernas entre sua cintura enquanto ele se colava a mim, senti ele introduzir seu membro dentro de mim devagar arrancando gemido de nós dois ao mesmo tempo.
Nos encaramos concentrados nos sentimentos e sensações que os movimentos nos traziam. A posição era diferente das outras vezes, então era uma coisa diferente, divertida e prazerosa. Enquanto ele se movimentava, ele me prendia mais ainda entre algo sólido, que eu já nem sabia se era parede ou armário. E quanto mais ele me prendia, mas seu pênis alcançava mais fundo dentro de mim o que me causava mais prazer ainda.
Enquanto nossos gemidos ecoavam alto pela sala, cheguei ao meu orgasmo bem mais forte e demorado que os anteriores. Ele não aguentou por muito tempo e gozou depois de mim, perdendo sua força enquanto me segurava nos fazendo bambear e quase cair no chão.
Nos desencaixamos e recuperamos nossas respirações ainda abraçados no mesmo lugar.
Capítulo 17 – Sectumsempra
– E o nosso objetivo era outro... – Ele disse, me arrancando uma risada.
– No começo sim, mas depois não deu para segurar. – Disse enquanto ria.
– Tenho que me lembrar que você provoca demais e consegue o que quer.
– Não tenho culpa, dragãozinho. Você também me desafia... – Ele sorriu me beijando novamente.
– Foi assim que te ganhei. – Ele se gabou.
– O pior que não é mentira. – Falei, enquanto nos ajeitamos. – Dessa vez vou precisar tomar uma poção, não é?
– Sim, não trouxe preservativo.
– Ok, amanhã pegarei na enfermaria.
– Sobre isso... Você gostaria de ter filhos? No futuro eu digo, quando e se isso tudo terminar. – Ele disse enquanto se sentava em uma cadeira que estava abandonada por ali.
– Sim, claramente eu irei querer. – Disse enquanto lembrava de Regulus e Scorpius. Sorri automaticamente, gostaria de ter filhos que nem eles, apesar de saber que eles eram realmente os meus.
– Quantos? – Ele perguntou e isso me pareceu tão suspeito.
– Não sei, e você? Acho que vai depender do primeiro.
– Bom, é claro que sim também. Minha família geralmente é apenas um herdeiro, mas acho que não ligaria se fosse mais.
– Tendo em vista nós, que somos dois solitários em nossa família, poderíamos ter mais de um. – Me aproximei sentando em seu colo, ele sorriu enquanto me abraçava pela cintura. Dei um beijo rápido nele.
– Eu concordo! – Ele disse. – Parece tudo tão fácil, não é? Nem parece que tem um bruxo das trevas querendo nossas cabeças.
Aquela semana passou rápido, os períodos de provas estavam chegando e isso era mais uma coisa para nos preocupar. Draco ainda passava horas tentando consertar o armário sozinho e às vezes comigo, piorou quando ele recebeu um aviso ou melhor uma ameaça de Voldemort.
Fui ao encontro com Dumbledore para ter uma conversa, minha cabeça estava cheia e piorou quando estávamos próximo do final do ano letivo. Me aproximei próximo a estátua de grifo que abriu sua escadaria para mim e segundos depois eu estava na sala do diretor.
– ! – Ele me cumprimentou.
– Olá, professor!
– Faz muito tempo que conversamos, não é? Como posso ajudá–la? – Ele fez um gesto para que eu me sentasse na cadeira.
– O dia está chegando, você sabe... E eu já sei o que vai acontecer.
– Hmm entendo. Como vão as aulas de adivinhação?
– Sinceramente? Eu não gosto, senhor, mas sinto uma mudança nas visões positivas.
– Tenho certeza de que irá melhorar.
– Queria perguntar ao senhor uma coisa... – Ele deixou de focar em algum pergaminho e olhou diretamente para mim. – Qual a razão para o senhor querer que eu e os meus amigos descubram sobre nosso passado?
– Ah sim, não é todo dia que vemos os quatro herdeiros dos fundadores de Hogwarts estudando ao mesmo tempo, não é? – Ele disse. Então a Yumi era realmente herdeira de Godric Gryffindor. – Bom, Hogwarts e seus fundadores têm um segredo, uma magia escondida. Não posso dizer o que é, porque eu não sei. Dizem que apenas os descendentes podem ter acesso a sala secreta no subterrâneo. – Ele disse pensativo.
– Isso pode ajudar a gente a vencer a guerra?
– Acredito que isso seja outro assunto. O único que pode finalizar essa guerra é o próprio Harry.
– Igual a profecia.
– Correto! – Ouvimos um barulho de alguém subindo e um bater na porta.
– Com licença, diretor. – Snape se fez presente. – Me chamou?
– Sim, Severus! É uma ótima hora que vocês dois estejam aqui. – Ele se levantou. Eu troquei olhares com o professor.
– O ministério está enviando o vira tempo, mas receio que venha em tempos conflituosos. Caso eu não esteja aqui, precisa mandar os garotos de volta. A professora Minerva está ciente disso. – Ele falou denunciando que Snape sabia sobre os meninos. Então Dumbledore realmente confiava nele.
– Em outra questão, deixo a senhora Malfoy em seus cuidados professor. – Ele disse e eu olhei para ele confusa. Dumbledore apenas deu algumas voltas na sala e passou a alisar sua fênix presente – Severus sabe de muita coisa, ele é confiável. Vocês dois são os únicos que estão tanto de um lado quanto de outro, ele sabe sobre a missão do garoto também.
Snape me olhou um pouco pensativo.
– Severus me contou sobre seu interesse em ser mestre em poções, e que tem habilidade para isso. Qual caminho deseja seguir quando se formar, ?
– Hmm, tem tantas coisas que eu quero experimentar. Quadribol, Auror... Mas sabe, eu gosto de Hogwarts... – Falei pensando sobre meus sonhos. – Não descartaria ser professora também. Apesar que mamãe seria contra tudo, ela queria que eu fosse alguém importante do ministério como meus antepassados. – O diretor riu.
– Ambiciosa! Mas sabe, eu acho que você pode conquistar tudo o que quer... basta ser confiante e persistente. A muito tempo estive observando a senhorita, desde seu primeiro ano. – Ele disse me pegando de surpresa. – Eu já sabia quem você era, filha de Adrian .
– O senhor conheceu meu pai biológico? – Perguntei.
– Sim, ele foi colega de classe do professor Snape não é? – O diretor perguntou a Snape que ainda estava ali parado ouvindo, ele confirmou apenas com a cabeça. Eu sabia que Snape sabia sobre meu pai adotivo, mas não sobre meu pai biológico.
– E como ele era?
– Extremamente habilidoso, ele se tornou um Auror mais tarde. – Snape disse ainda parado de frente a escrivaninha do diretor.
– Soube que ele morreu quando você era pequena. – O diretor disse. Eu não estava gostando muito do rumo dessa conversa. – Sabe como?
– Não, a algum tempo atrás nem sabia que minha mãe era minha tia, senhor. – O diretor olhou para Snape, esperando que ele continuasse.
– Ele foi morto, assassinado por Bellatrix Lestrange enquanto tentava prendê-la depois que ela torturou os Longbottom’s. – Ele disse me encarando.
– Ela sabe que sou filha dele? – Perguntei tentando processar tudo.
– Talvez. Pelo que vi o Lorde das trevas conta algumas coisas para ela, mas não tudo. Apesar de ser uma lunática, ela tem suas fraquezas. Mas ela não gosta de você porque você é herdeira de Salazar Slytherin, igual a ele. Então, ela pensa que você é mais importante que ela. – Snape revelou.
– , precisa ter cuidado com ela. Foi ela quem matou Sirius Black. – O diretor comentou.
– Sim, eu já percebi que ela é uma das piores. – Lembrei do meu sonho da morte de Sirius.
– E ela irá vir atrás de você quando tiver a oportunidade. – Snape disse. – Quando ela foca em alguém, ela não desiste. Portanto precisa focar na aula de Defesa Contra Artes das Trevas.
– Por isso minha cabeça dá um nó, é muita coisa acontecendo. E eu sou apenas uma garota de dezesseis anos. – Resmunguei.
– Bom, eu acho que agora os dois podem ir. – O diretor disse. Snape o cumprimentou e saiu pela porta. Os olhos do diretor voltaram a mim. – Alguma pergunta a mais?
– Estou com medo... De sair. – Falei sentindo que aquele momento era o último. Tinha absoluta certeza que não voltaria a falar com o diretor.
– Hmm, entendo.
– Eu não queria que o senhor morresse. Quer dizer, você é o mago mais poderoso que já conheci... – Falei sem coragem de encará-lo.
– Obrigado pelo elogio e pela sua sensibilidade, . Mas as coisas precisam ser assim...
– O senhor não tem medo?
– Para uma mente bem estruturada, a morte é apenas a aventura seguinte não acha?! – Ele se sentou novamente. – Não se preocupe com o garoto, às vezes as escolhas nos levam a caminhos difíceis para que olhemos para trás para percebermos como nos perdemos.
– E lembre-se sempre, a felicidade pode ser encontrada mesmo nas horas mais difíceis, se você lembrar de acender a luz. – Ele falou novamente o discurso que ouvi dele no meu terceiro ano.
– Obrigada professor! – Agradeci e fui a caminho da porta. – Tenha uma boa aventura. – Nos olhamos pela última vez nessa vida.
Fui até o salão principal para o jantar ainda pensando em tudo que falei, estava de luto antes mesmo de acontecer, o pior é não poder contar a ninguém... Assim que eu vi Regulus na mesa da sonserina com os meninos, uma luz se acendeu dentro de mim... Podia conversar com alguém ainda. Corri até eles.
– Olá! – Falei anunciando minha presença.
– Oi mãe. – Scorpius me cumprimentou em língua de cobra. Franzi a testa estranhando. Regulus e Albus apenas me deram um aceno com a cabeça já que tinham a boca cheia de comida.
– Desde quando conversa assim?
– Ele tem praticado com Titã. – Albus falou fazendo cara feia. – Eles vivem conversando entre si e me deixando de fora.
– Ora, preciso aproveitar minhas habilidades.
– Desculpe, Albus. Acho que vou aderir a isso algumas vezes – Falei olhando para o filho do Harry. Scorpius riu orgulhoso de si mesmo pela ideia. – Mas, vocês em breve terão que partir. – Eu disse e todos paralisaram com a ideia. – Vamos menino! Vocês não são daqui, teriam que partir em algum momento.
– Isso é verdade. – Albus falou desanimado. – Sinto falta dos meus pais de qualquer forma, estamos a quase um ano aqui, quanto tempo será que passou por lá?
– Geralmente é diferente lá. Possa ser que tenha passado apenas horas. – Regulus sussurrou com medo de que outras pessoas escutassem.
– Sem querer ofender, mas eu confesso que sinto falta dos meus pais também. – Scorpius comentou e eu ri pela forma que ele ainda se dirigia a mim.
– É claro que deveriam sentir! Provavelmente o tempo lá está bem melhor que aqui. – Suspirei e voltei para Regulus ao meu lado. – Preciso conversar com você depois. Sobre o que está chegando. – Disse em língua de cobra mais alto do que eu queria, atraindo olhares curiosos.
– Acho que falar língua de cobra por aqui não seja tão legal assim. – Albus comentou observando. Nós nos entreolhamos e seguramos o riso para que não chamássemos mais atenção que antes.
Depois jantamos silenciosamente, ou melhor eu. Albus e Scorpius conversavam algo sobre quadribol, era interessante ver o quanto os dois eram amigos, se não fossem até melhores amigos. Tive a curiosidade de saber como eles se conheceram, mas acho que seria demais.
Assim que terminei, preferi voltar para o salão comunal enquanto os meninos ainda ficaram no salão principal. Não tive nem a oportunidade de chegar às masmorras quando tive uma visão, me escorei na parede para não cair enquanto via a cena.
Draco caindo no chão e sangue, muito sangue no banheiro do andar de cima. Antes que eu pudesse ver mais da visão eu consegui bloquear e correr disparada para o banheiro masculino.
Meu coração disparava enquanto eu corria, não conseguia pensar em nada a não ser chegar a tempo e impedir isso. Ele não poderia morrer! De jeito nenhum!
Assim que consegui chegar nos corredores estava em silêncio, então um barulho de algo quebrando veio do banheiro. Assim que entrei vi um duelo acontecer, o fantasma da murta estava gritando.
– Não! Não! Parem com isso! Parem! PAREM!
– O que está acontecendo? – Perguntei tentando ver os dois. Mas tive que desviar de um feitiço que ricocheteou na parede. Eu queria tentar chegar perto, mas não dava para entrar em fogo cruzado sem ser atingida. Eu não conseguia ver onde estava Harry e nem Draco.
– Cruci! – Ouvi a voz de Draco ecoando pelo banheiro de algum lugar.
– SECTUMSEMPRA! – Harry lançou um feitiço o qual eu desconhecia. Na mesma hora eu gritei apavorada correndo para onde estavam.
– NÃO! – Vi sangue ser espirrado e Draco cambalear até cair na minha frente sob a água que havia pelo chão do banheiro. Foi o que eu tinha visto. – DRACO! – Corri até ele com as mãos tremendo, apavorada.
Senti Harry se aproximar e cair de joelhos na minha frente.
– Não! Eu não...
Draco estava tremendo enquanto sangrava e eu comecei a ter um ataque de pânico. Não naquela hora... Eu precisava fazer alguma coisa. Eu não poderia deixar ele morrer. Ele tinha um corte grande e profundo no peito, eu não sabia o que fazer. Ele ia morrer.
– CRIME! CRIME! CRIME NO BANHEIRO! CRIME! – Murta gritou.
Tentei segurar minha crise de pânico que estava querendo paralisar meu corpo e tentei colocar minhas mãos sobre o corte para tentar evitar a hemorragia dele. Draco estava começando a ficar pálido e eu sabia que não ia conseguir me segurar por muito tempo. Ele ia morrer e eu ia ficar ali parada o vendo morrer.
Em seguida, se escancarou e Snape invadiu o banheiro com o rosto lívido. Empurrou Harry com violência, ajoelhou–se ao lado de Draco, tirou a varinha e começou a murmurar algum encantamento.
– Vulnera Sanentur. – O fluxo de sangue começou a diminuir, Snape limpou o coágulo do rosto de Draco, repetindo depois o contrafeitiço. – Vulnera Sanentur. – Os cortes começaram a fechar. – Vulnera Sanentur.
Enquanto isso eu estava paralisada e sem respirar. Regulus apareceu de repente assustado vendo tudo. Ele deveria saber o que aconteceu.
– ! – Senti ele se aproximar de mim horrorizado e assim que percebeu que eu não me mexia, me abraçou.
Snape ajudou Draco a se levantar, ele ainda estava um pouco ferido.
– Você precisa da ala hospitalar. Talvez fiquem muitas cicatrizes, mas, se tomar ditamno imediatamente, talvez possamos evitar até isso... – Ele disse enquanto o amparava. – Regulus traga a senhorita Malfoy.... W você Potter, você espere por mim aqui.
Olhei para Harry e ele estava com uma feição de choque, ainda tremendo.
– Consegue caminhar? – Regulus perguntou a mim. Eu não conseguia falar, lágrimas invadiram meus olhos rápido, eu voltei a respirar com dificuldade e ele entendeu. – Respire, está tudo bem, ele vai ficar bem.
Em alguns segundos ele me pegou no colo em direção a ala hospitalar, no caminho ele me lembrava de respirar e de que tudo ia ficar bem.
Eu nunca tinha sentido aquela crise novamente desde a morte de Cedrico e dessa vez diferente de antes ela veio devagar, assim que cheguei na enfermaria eu comecei a me tremer novamente iniciando um segundo episódio. Só vi quando Regulus me colocou na cama assustado e Madame Pomfrey injetou algo em mim, me fazendo adormecer em seguida.
Capítulo 18 – Três
Acordei com a cabeça pesada, pela claridade estava pela manhã. Olhei para o lado e Regulus estava dormindo sentado na mesma posição que Draco tinha ficado da última vez. Olhei para o lado e Draco estava de olhos abertos me observando. Meu corpo entrou em alívio quando o vi.
– Você está bem? – Ele perguntou preocupado.
– Eu é que te pergunto... – Disse sussurrando para não acordar Regulus. Draco pareceu observá-lo.
– Estou bem... Ele ficou a noite toda. Ele realmente te adora... – Ouvi um deboche na sua voz no final. Sem pensar duas vezes me levantei tirando o lençol da cama e fui ao seu leito, fazendo ele me olhar curioso.
Olhei cada centímetro dele, tentando saber se aquilo foi real e se ele estava realmente bem. As lembranças da noite passada vieram à tona e eu senti lágrimas caírem no meu rosto.
– Eu estou bem, não chore pequena. – Ele falou enquanto eu o abraçava sem apertá-lo. Suas feridas ainda estavam cicatrizando. – Eu irei apenas ficar com algumas cicatrizes, mas nada demais.
– V–você me assustou! Eu pensei que você iria morrer... – Disse entre soluços. Notei que Regulus acordou assustado.
– O que...? Você está bem? – Ele perguntou nos olhando ainda tonto. – Hm... é melhor eu ir. Mais tarde venho visitar vocês. – Ele saiu sonolento nos deixando sozinhos na enfermaria.
– Eu sei... Eu também pensei. – Draco disse depois que Regulus saiu pela porta. – Você viu, não é? O que o Potter é capaz...
– Eu vi também o que você tentou fazer. – Disse enxugando minhas lágrimas. – Os dois estavam errados! O que aconteceria se os dois tivessem morrido, hein? Foda-se para quem se importa com vocês, não é? – Comecei a ficar com raiva só de imaginar a irresponsabilidade dos dois. Ele desviou o olhar sem coragem de me encarar.
– Eu não ia matar ninguém, ao contrário dele... – Resmungou baixo.
– Você! Não está autorizado a se ferir novamente ouviu bem? Não se meta em perigo ou eu mesmo mato você! – O olhei furiosa.
– Eu estou em perigo. Se não consertar aquilo...
– Não se faça de desentendido! Estou falando sobre situações que você escolhe.
– Está bem! Está bem! – Ele disse pegando minha mão. Ouvimos um barulho e Madame Pomfrey entrou pela enfermaria.
– Ah, vejo que estão acordados! Senhorita Malfoy, se sente melhor?
– Sim.
– Então está liberada. O senhor Malfoy terá que ficar alguns dias por aqui, pode visitá-lo quando quiser. Aceitarei seis visitas por vez, ouviu senhor Malfoy?
– Sim, senhora. – Ele respondeu e depois me encarou. – Nos vemos mais tarde certo?
– Está bem. Descanse e ouça a Madame Pomfrey! – me aproximei e colei meus lábios no seu rapidamente.
– Pode deixar. Se cuide!
Sai da ala hospitalar ainda meio desnorteada, caminhei até o salão principal onde estava acontecendo o café da manhã. Assim que cheguei, fui bombardeada de perguntas pelo time na mesa, percebi olhares dos meus amigos que também estavam milagrosamente com os sonserinos todos juntos.
– Vamos pessoal, deixe ela respirar! – Regulus disse. – A noite foi caótica.
– Obrigada! Ele está bem por pouco. – Disse me sentando e encarando a comida.
– E você? Soube que desmaiou depois... – Yumi perguntou.
– Estou bem melhor agora, tive um ataque de pânico de novo.
– Deve ter sido assustador. – Zabini disse. – Mais tarde iremos visitar Draco, certo pessoal?
– Sim. – Todos concordaram.
– Mas o que de fato aconteceu? Falaram que ele estava duelando no banheiro masculino... – Goyle comentou.
– Sim, estava em pedaços. – Foi a vez de Davis.
– Deixa eu adivinhar com quem... Potter? – Nott ironizou.
– Ele quase morreu... como Potter saberia de algum feitiço assim? – Montague perguntou.
– Vocês querem parar! – Sophie que estava próxima reclamou. – acabou de presenciar tudo a pouco tempo, vocês não se importam com que ela está sentindo? – Um silêncio predominou a mesa da sonserina.
– Eu estou bem, não se preocupe.
– Não é isso, eles precisam respeitar o tempo certo para fazer comentários imbecis. – Parkinson resolveu falar também. As meninas estavam começando a mudar meus pensamentos sobre elas, principalmente a Pansy.
– Desculpe, . Só estávamos curiosos... – Nott disse voltando a focar no café da manhã. – Que bom que Draco está bem.
– Tudo bem, vou precisar recarregar minhas energias agora. – Falei observando quais comidas tinham na mesa. Notei que Scorpius estava calado demais e fiquei um pouco preocupada. Albus me encarou fazendo alguns sinais para que eu falasse com ele depois. Depois do café, chamei as “crianças” para darmos uma volta pelo castelo.
Fomos em direção às docas para ficarmos sozinhos, era onde os barcos que pegamos no primeiro ano ficavam. Enquanto Regulus ficava com Albus dando uma olhada ao redor das docas, eu e Scorpius nos sentamos perto do lago.
– O que houve? Não ouvi sua voz hoje.
– Estou começando a não gostar daqui.
– Foi sobre o acidente do Draco?
– Nunca imaginei que veria meu ídolo quase matar meu pai. – Scorpius tinha uma grande admiração por Harry no futuro, ele tinha me contado uma vez. – De qualquer forma também não foi bom ouvir que você estava no meio do duelo dos dois. Eu pensei que eu nem ia nascer mais... – Ele disse me fazendo gargalhar. – Não é engraçado pensar que vocês quase morreram.
– Ah, não é para tanto. – Falei tentando tranquilizá-lo. Ignorei o terror que foi a noite anterior para mim. – Eu não estava no meio do duelo, quando eu cheguei já estava acontecendo.
– E por que foi para a enfermaria? – Ele perguntou me encarando com seus pequenos olhos acinzentados.
– Não vou mentir para você. Eu fiquei em choque, então tive que ser sedada... Desculpe a gente, por preocupar nosso filho mais novo – Falei sorrindo enquanto o abraçava de lado. Ele bufou. – Agora entende o que eu passo com seu pai e o Harry? Eles dois são incontroláveis!
– Sim, mas quero voltar logo! Eu ouvi sobre as notícias do profeta diário. Desaparecimento, mortes sem explicações, ataques de dementadores... – Ele dizia enquanto Regulus e Albus se aproximavam. – Estamos em 1997, em plena segunda guerra bruxa. A batalha final daqui a pouco chega e eu....
– Scorpius! – Regulus o alertou. – Não está lembrado que não podemos falar sobre isso?
– Batalha final?
– Mas e daí? A mamãe não é igual a você? Que tem visões do futuro, uma hora ela vai saber.
– Você. Tampinha. Não consegue segurar sua língua não é mesmo? Sua cabeça não pensa? Um pequeno detalhe pode mudar muita coisa! – Regulus começou e eu já sabia que os dois iam terminar brigando.
– Certo, já está bom, não é? Eu não irei perguntar mais nada, não precisa brigar com seu irmão, Regulus. – Scorpius sorriu em triunfo, para Regulus que me olhou um pouco de cara feia. – O que foi?
– Você acabou de falar como a mamãe, do futuro. – Regulus bufou. – Protegendo sempre esse pirralho.
– Coitado do Albus que aguenta a implicância de vocês dois.
– Coitada é da Andrômeda. – Albus falou sem perceber. Eu franzi a testa sem saber quem era Andrômeda, isso era óbvio.
– ALBUS! – Regulus gritou e rodou sem paciência agarrando os cabelos.
– Ops! Desculpe... Mas isso seria também um risco? – Ele perguntou inocente.
– Eu devo perguntar quem é Andrômeda? Não. Na verdade, pelo nome já posso até ter ideias... – falei pensativa. Andrômeda era o nome de uma constelação igualmente como Regulus e Scorpius. – É a irmã de vocês, não é?
– E é por isso que eu digo que uma coisa pode mudar tudo. Apenas por um nome ela já descobriu. – Regulus comentou suspirando. Eu sorri sem acreditar que eu tenho mais uma filha, quer dizer então teríamos três?!
– Espero que seja só três, pelas barbas de Merlim!
– Atualmente sim, apenas nós três. – Scorpius confirmou.
– Ela é mais velha ou mais nova?
– A do meio. E eu te confirmo tia, ela é mais bonita que eles... Puxou mais a você. – Albus disse. Essa era uma informação importante.
– Tudo bem, já que estamos no meio dessa conversa, que tal matar minha curiosidade? Regulus? – Perguntei esperando-o autorizar. – Juro que não vou perguntar sobre fatos importantes.
– Eu já lavei minhas mãos, pode perguntar.
– Albus, quantos irmãos tem? – Perguntei curiosa demais. Queria saber sobre as famílias deles.
– Tenho dois. James Sirius é meu irmão mais velho e Lily Luna é a caçula. – Ele revelou sorrindo.
– Isso é demais! E Hermione o que tem para me revelar?
– Ela é casada com o tio Rony. E tem dois filhos, Rosa e Hugo. – Ah, então Rony ia parar de ser lerdo e finalmente ver que ela gostava dele. Eu estava me divertindo muito com essas novidades.
– Deveriam me contar antes, isso é muito interessante!
– O Regulus que é chato! – Scorpius resmungou.
– Desculpe se estou tentando não mudar o futuro. – Ele fez cara feia olhando para o horizonte.
– Ah, e outra... Tia Hermione virou ministra da magia! – Albus sussurrou rindo. Regulus o encarou quase querendo esganá-lo.
– O QUÊ? UAU! BRILHANTE! – Eu estava animada para o futuro, Hermione como ministra? Ela era perfeita para esse cargo!
Com aqueles meninos meu dia tinha acabado de melhorar. Depois voltamos para assistirmos a mais aulas e à tarde aproveitei para visitar Draco novamente. Quando cheguei na ala hospitalar já tinha um monte de gente do time envolta dele, e ele não ia perder a oportunidade de explanar para todo mundo o que o Harry fez. Draco conseguia manipular todo mundo com seu vitimismo. Quem não conhece, que compre.
O último jogo de quadribol aconteceu no final de semana, Grifinória tinha conquistado o troféu deste ano, mesmo sem ter jogado com seu apanhador que havia sido suspenso do jogo pelo incidente no banheiro, mas eles tinham a Gina. A sonserina estava ruim esse ano, apesar da última vitória, ficamos em último lugar. Os grifinórios fizeram uma festa em comemoração enquanto eu passava a noite na enfermaria com o Draco.
Entramos em junho rapidamente, me fazendo ficar mais tensa. Então assim aquela manhã tinha chegado. Na noite anterior voltei a ter os mesmos sonhos, confirmando que o dia da morte do diretor chegará, hoje.
– Está quieta, . Tudo bem? – Erik comentou. Estávamos no pátio da escola tentando relaxar um pouco.
– Hoje à noite, não saiam da comunal de vocês. – Avisei séria demais, eles perceberam o aviso.
– Vai acontecer algo de ruim? – Yumi perguntou com receio.
– Me prometam. – Disse olhando para os três ali. Eles assentiram.
A nossa confiança era assim, bastava dizer algo que todos entenderiam. Nós nos entendíamos tão perfeitamente bem, que pareciamos almas gêmeas divididas em quatro. Então entendi o que Dumbledore fez nos últimos anos, ele queria que nós nos fortalecessemos, juntos. Por isso fez com que explorassemos Hogwarts para criar laços mais fortes.
Capítulo 19 – Ataque a torre
A noite caíra, terminamos nosso jantar em silêncio, estava tudo tranquilo até então. Fui à biblioteca com Regulus para acabarmos nosso dever de poções, mas eu estava muito ansiosa, não sabia o que iria acontecer e que horas exatamente. Percebi que Harry ainda estava estudando na biblioteca também e isso era um bom sinal, no meu último sonho ele era quem iria presenciar a morte do diretor. Mas não demorou para ele sair.
– Vai ficar aqui até quando? – Regulus perguntou. – Não seria melhor a gente ir para a comunal? Daqui a pouco dará o toque de recolher.
– Eu acho que irei ver o Draco. – Disse me levantando. – Regulus, vá atrás dos meninos.
– Certo, então vou ver se eles estão na comunal. A gente se encontra depois, ok? – Ele disse antes de seguirmos nossos caminhos.
Eu precisava ver Draco, o dia todo não tinha visto ele pelo castelo então ele devia estar na sala precisa. E já que era hoje que tudo ia acontecer, ele provavelmente deveria ter terminado de consertar o armário, não saberia se iria vê-lo novamente.
Corri até o sétimo andar, mas parei bruscamente quando ouvi vozes. A professora Trelawney estava conversando com o Harry sobre alguma coisa. Não peguei a conversa inteira, mas algumas coisas que a professora de adivinhação falou eu tinha entendido perfeitamente.
“Dumbledore prefere ignorar os avisos dados pelas cartas... A torre atingida pelo raio. Calamidade, Catástrofe. Cada dia mais próxima...” Ela tinha visto a mesma coisa que eu, só não soube colocar em palavras para outras pessoas entenderem e Harry pareceu ignorar isso.
Eles não demoraram para se afastarem caminhando para outro lugar juntos, deduzir ser o escritório do diretor pelo caminho. Então resolvi ir para sala precisa, a porta como todas as vezes apenas apareceu. Assim que entrei, corri para onde Draco estava, o vi com a manga da camisa levantada onde mostrava a marca negra e um galeão em mãos.
– Draco? – Ele se virou ao ouvir minha voz um pouco assustado, mas quando me viu sua feição suavizou.
– Pensei que fosse a chata da professora louca novamente. O que está fazendo aqui, ? – Ele perguntou com a testa franzida.
– Vim te ver... Consertou, não é? – Perguntei e ele assentiu. Olhei novamente para sua marca negra que estava bem acentuada e isso fez ele esconder o braço para trás. Olhei para ele e me apressei para abraçá-lo. Depois de me afastar por segundos, me aproximei pressionando meus lábios no seus.
– Precisa sair daqui... – Ele disse quando nos separamos ainda com as testas coladas.
– Boa sorte e tenha cuidado! – Nos afastamos e sai correndo para fora da sala precisa.
Os corredores já estavam vazios, já tinham dado o toque de recolher. Enquanto seguia para sala comunal percebi que o galeão da A.D tinha mudado, o que desde o quinto ano não acontecia. Tentei apressar meus passos para encontrar com Regulus, eu odiava que as masmorras fosse tão longe.
Com sorte no meio do caminho me deparo com Regulus, mas por azar ele estava sem Scorpius e Albus. Notei que havia alguns membros da ordem da fênix de prontidão, provavelmente Dumbledore já estava preparado.
– Mãe! – Regulus gritou em língua de cobra assim que me viu descendo mais escadas. – Não consegui encontrar Scorpius e nem Albus.
– ? – Reconheci a voz do Prof. Lupin. – Não deveriam estar por aqui, precisam estar na comunal de vocês.
Minha mente ficou escura novamente. Não! Não era hora de ter visão naquele momento. Senti as mãos de Regulus me pegando antes que eu batesse no chão. Tive um vislumbre da morte de Lupin na batalha de Hogwarts, não era naquele momento. Seria um pouco mais tarde... Voltei minha consciência rápido ao lado dos dois que estavam me chamando preocupados.
– Estou bem, apenas fiquei tonta. – Disse enquanto Regulus me levantava. – Precisamos achar os dois. Professor, desculpe, mas temos que ir. – Puxei a mão de Regulus ignorando Lupin quando nos chamava até que pareceu que ele tinha desistido.
– Tem alguma ideia? – Perguntei enquanto corríamos e verificamos todos os lugares do térreo.
– Da última vez eles estavam na sala de troféus, detenção da prof. McGonagall.
– Ah não, isso fica no sexto andar. – Assim que eu falo vejo uma silhueta conhecida, Zabini. – ZABINI! – Gritei seu nome e ele se virou assustado.
– ? – Ele arregalou os olhos. – Que susto!
– Você viu Max e James por aí?
– Eu os vi quase nesse instante, fomos parados pela professora Trelawney, mas eu saí correndo.
– ONDE?
– Sétimo andar – Ele falou e eu saí disparada com Regulus até o sétimo andar.
– VOLTE PARA MASMORRAS ZABINI, OU VOU TIRAR PONTOS DE VOCÊ! – Gritei ainda correndo.
– E EU VOU TE EXPULSAR DO QUADRIBOL! – Ouvi seu grito de volta.
Corremos e subimos mais lances de escadas, para nos atrasar mais ainda elas começaram a se mover nos atrapalhando. Entramos no sétimo andar e ouvimos um barulho alto de explosão. Parei de correr quando eu vi uma sombra enorme vindo de um corredor, segurei Regulus que ainda estava correndo para que ele parasse.
– O que foi?
– Os comensais estão aqui.
– Mãe? – Ouvi uma voz conhecida do outro lado. Scorpius e Albus estavam na porta do banheiro masculino. Corremos até eles e entramos no banheiro.
– Tem um lobisomem do lado de fora. – Albus sussurrou com medo.
– O que estavam fazendo aqui? Eu não falei sobre hoje?
– Não! – Os dois falaram em uníssono. Explosões e barulhos de feitiços pelas paredes foram ouvidos atraindo nossa atenção para a porta.
– Preparem as varinhas, precisamos dar o fora daqui! – Disse tirando minha varinha do bolso.
Saímos do banheiro em direção às escadas, mas em um corredor demos de cara com um comensal. Estava um caos, não conseguimos ver muita coisa já que o corredor agora tinha uma grande névoa escura. Coloquei os três atrás de mim como proteção, mas assim que o comensal nos viu lançou um feitiço e fomos jogados todos para trás, nos separando.
– Não, idiota! – Um outro comensal apareceu na lateral de outro corredor que não estava com a nevoa. – Ela não pode ser machucada!
Ouvi um rosnado e o homem grande se aproximando.
– O que está acontecendo? – A voz de Bellatrix pode ser ouvida. – Temos que chegar na torre de astronomia.
– Olá, garotinha! – O lobisomem Fenrir Greyback passava sua língua nos lábios que estavam com sangue. Olhei de lado e os meninos que tinham caído mais longe não estavam mais lá. Regulus provavelmente se escondeu com eles me deixando aliviada.
– Traga ela, ela pode ser útil até chegarmos até Draco. – Bellatrix disse. – Andem logo antes que os homens daquele velho cheguem!
O lobisomem fez questão de me levantar e pegar minha varinha. Então tive que seguir eles até a torre de astronomia. Enquanto caminhávamos, vi Neville desmaiado, alguns dos comensais começaram a lançar feitiços para impedir a entrada da torre, para ganharem tempo. Assim que subimos dei de cara com a cena dos meus sonhos.
Draco apontava a varinha para Dumbledore que estava perto da grade da torre, ele aparentava estar cansado, morrendo. Mas acho que ninguém percebeu isso.
– Dumbledore encurralado! Dumbledore sem varinha, sozinho! Parabéns, Draco, parabéns! – Um dos comensais disse mais à frente.
– Boa noite, Amico. – comentou Dumbledore. – E trouxe Aleto também... Que gentileza...
– Então acha que suas gracinhas vão ajudá-lo no leito de morte? – Ela zombou.
– Gracinhas? Não, não são boas maneiras. – Respondeu Dumbledore.
– Liquide Logo. – O lobo que estava comigo disse enquanto íamos mais para a frente. Assim que Draco me viu ele arregalou um pouco os olhos vacilando.
– Por que trouxeram ela? – Draco disse irritado.
– É você, lobo? Por que trouxeram uma aluna inocente?
– Acertou... Feliz em me ver, Dumbledore? Inocente? – Ele riu mostrando seus dentes pontiagudos. – Você sabe que eu gosto de criancinhas, Dumbledore.
– Devo entender que você agora anda atacando, mesmo fora da lua cheia? Que insólito... Você criou um gosto por carne humana que não pode ser satisfeito uma vez por mês?
– Acertou. Choca você isto não, Dumbledore? Assusta você?
– Bem, não posso fingir que não me desgostei um pouco. E, sim, estou um pouco chocado que o Draco, aqui, convidasse logo você a vir a uma escola onde seus amigos vivem...
– Não convidei... – sussurrou Draco. – Eu não sabia que ele vinha e ainda trazendo a .
– Eu não ia querer perder uma viagem a Hogwarts, Dumbledore. Não quando há gargantas a estraçalhar...uma delícia... uma delícia... – O lobo erguer uma de suas unhas amarelas e palitou os dentes da frente olhando, malicioso para Dumbledore. – Eu poderia estraçalhar você de sobremesa...
– Não. – Bellatrix interrompeu. – Temos nossas ordens. Draco é quem tem de fazer isso. Agora, Draco, e rápido. Sua querida mulher está aqui para te encorajar. – Ela sorriu me olhando debochadamente como se fosse uma ameaça.
– Não dê ouvidos a ela, eles não podem me machucar!
– Cala a boca! – O lobisomem prendeu suas garras no meu pescoço e eu me calei. Não podia provocá-los, mesmo que Voldemort os matassem depois, o que eu duvidaria muito que ele fizesse com seus melhores seguidores. Preferiria deixar minha garganta intacta.
– Ele não irá demorar muito nesse mundo se quer saber! – Comentou Amico arrancando uma risadinha de sua irmã. – Olhem só pra ele, que aconteceu com você, Dumby?
– Ah, menor resistência, reflexos mais lentos, Amico. Em suma, velhice... um dia, talvez lhe aconteça o mesmo... Se tiver sorte.
– O que está querendo dizer? – Berrou Amico, repentinamente violento. – Sempre o mesmo não é, Dumby, fala, fala e não faz nada. Nem sei por que o Lorde das Trevas está se preocupando em matar você! Vamos, Draco, mate de uma vez!
Naquele momento ouvimos mais barulhos e ruídos de luta vindo do andar debaixo. Uma voz gritou:
– Eles bloquearam a escada... Reducto! REDUCTO!
– Agora, Draco, Rápido! – O comensal ainda instigava Draco. Porém ele estava tremendo, eu sabia que ele não queria. Ele não ia conseguir matar alguém.
– Eu farei isso – O lobo me largou andando em direção a Dumbledore rosnando e com as mãos estendidas.
– Eu disse não! – Amico exclamou. Um lampejo foi visto atrás, o lobo foi afastado com violência. Ele bateu nos parapeitos e cambaleou enfurecido.
– Draco, mate-o ou se afaste, para um de nós... – Bellatrix começou a falar. Mas uma porta foi escancarada mais uma vez e surgiu Snape com sua varinha na mão.
– Temos um problema, Snape. – Disse Amico. – O menino não parece capaz...
Snape percebeu minha presença e franziu a testa.
– O que ela está fazendo aqui? Vocês trouxeram a afilhada do Lorde das trevas aqui? – Ele olhou com raiva para Amico. Ninguém respondeu... De repente ouvimos uma voz baixa.
– Severo... – Dumbledore olhou para Snape suplicando. Agora eu percebi o que ia acontecer. Não era Draco, era Snape. Ele quem ia matar Dumbledore. – Severo... Por favor...
Snape apenas ergueu a varinha e apontou diretamente para Dumbledore.
– Avada Kedavra!
Um jorro de luz verde disparou da ponta de sua varinha e atingiu Dumbledore no meio no peito, que caiu em seguida de costas pelo parapeito da torre de astronomia.
– NÃOOOO! – Gritei enquanto via toda a cena. Eu nunca tinha visto ninguém morrer diante dos meus olhos, mesmo sabendo que aquilo ia acontecer, as emoções eram totalmente diferentes.
– Fora daqui, rápido. – Disse Snape que pegou Malfoy pelo cangote e me puxou pelo braço.
Então nós três fomos descemos a escada em espiral e encontramos a ordem da fênix embaixo. Porém nos deixaram passar normalmente, talvez porque na frente era apenas eu, Draco e Snape que até então pertencia a ordem da fênix.
Draco me puxava pela mão rápido enquanto os comensais estavam bem atrás da gente. Assim que chegamos no pátio da torre do relógio, ele parou.
– Você precisa ficar. – Ele disse se virando olhando fixamente para mim.
– Draco! – Snape o alertou.
– Me prometa que não irá atrás de mim... – Ele disse com os olhos marejados. – , me prometa!
– Não... – Eu disse tentando controlar meus sentimentos diante de tudo que acontecera – Mas tentarei... – Ele me abraçou forte.
– Eu amo você. – Ele sussurrou em meu ouvido antes de se afastar e correr. Snape foi atrás dele, e não demorou para que outros comensais aparecessem e fosse na mesma direção.
Eu fiquei apenas parada vendo tudo acontecendo. Quando Harry passou disparado atrás, eu acordei dos meus devaneios e fui atrás. Percebi pela primeira vez ali enquanto corria atrás de Harry a marca negra no céu.
Parei em um momento que vi lampejos, gritos e jogos de luz mais à frente. E senti os comensais da torre passarem por mim apenas me olhando. Eu não podia fazer nada, para que eu estava indo para lá? Então voltei correndo para onde estava o corpo de Dumbledore.
Quando eu cheguei ainda não havia ninguém, o corpo dele estava estirado, todo quebrado. Seus olhos estavam fechados, com sangue na boca. Era uma cena horrível e lamentável. Não pude evitar de chorar em silêncio.
Meus olhos naturalmente foram para um colar ali ao lado, provavelmente caíra com ele. Peguei sem tentar mexer muito e percebi um bilhete.
“Ao Lorde das Trevas
Sei que há muito estarei morto quando ler isso,
Mas quero que saiba que fui eu quem descobriu o seu segredo
Roubei a Horcrux verdadeira e pretendo destruí–la assim que puder.
– Enfrento a morte na esperança de que, quando você encontrar um adversário à altura, terá se tornado outra vez mortal.
R.A.B. “
Eu conhecia aquela sigla de algum lugar... O nome... R.A.B. Na casa do Sirius, no último andar, eu vi o quarto do seu irmão da última vez. Regulus Arcturus Black. Por algum motivo coloquei aquele bilhete de volta no colar. Acho que quem precisava ver isso era o Harry e não eu.
Capítulo 20 – O Canto da Fênix
As pessoas começaram a chegar no local curiosas, assim que reconheceram quem era o choque em seus rostos eram visíveis. Limpei minhas lágrimas e assim que vi minha mão, ela estava com sangue. Eu acho que estava machucada sem mesmo saber.
Regulus apareceu na multidão com Scorpius e Albus, e me questionei sobre o porquê de ter escolhido o nome de Regulus.
– Mãe, você está bem? Precisamos ir à enfermaria, você está sangrando. – Ele falou em língua de cobra. Acho que estávamos acostumados a nos comunicarmos assim.
Dei uma última olhada para o corpo do diretor caído ali e segui Regulus para a enfermaria, ainda em total silêncio.
Chegamos na enfermaria e vi que a ordem estava toda por lá. Assim que me viram me bombardearam de perguntas, afinal eu estava com Snape e Draco quando passei pela maioria deles. Mas eu estava muito abalada ainda por ter visto tudo aquilo, ignorei todos.
– Senhorita Malfoy, deite-se aqui por favor. – Madame Pomfrey disse enquanto eu a seguia.
– Malfoy? – Ouvi a voz de Rony.
Ela olhou meu corte na testa lançando um feitiço. – Apesar de ser um corte profundo, irá ficar bem. Irei te entregar uma poção para te ajudar, precisa descansar também. – Ele me encarou sabendo que eu tinha um problema com crise de ansiedade. Pegou um frasquinho de poções na prateleira e me deu.
Depois apenas me deitei virando para o outro lado, sem querer fazer contato com ninguém. Eu sabia que ia vir perguntas como: “O que você estava fazendo lá? Por que não ajudou? Porque estava com Snape e Draco correndo?”
E pra piorar eu sabia que Harry estava presente naquela torre, invisível, provavelmente pela capa de invisibilidade. Não demorou muito para que eu ouvisse sua presença, eles começaram a conversar sobre o que aconteceu. De início alguns não sabiam da morte do diretor e depois ele contou que Snape o tinha matado.
Um pouco depois chegou à professora McGonagall também sem saber de nada, anunciando que Molly e Arthur Weasley estavam a caminho. Gui estava ferido porque o lobo o atacou. Então foi que começaram a tocar no nome do Draco. Não tinha ideia de como ele conseguiu passar fácil por todos até agora. Então entendi que ele estava com a mão da glória e utilizou o Pó Escurecedor do Peru dos gêmeos, assim só o portador enxergava o caminho. Deixando toda a ordem às cegas.
– ... Então o que aconteceu quando ele voltou?
– Bem, o comensal grandalhão tinha acabado de disparar um feitiço que fez metade do teto ceder, e desfez o feitiço que bloqueava a escada. Todos avançamos, pelo menos os que estavam em pé, então... Snape, e o garoto saíram do meio da poeira, obviamente nenhum de nós os atacou... – Lupin disse e provavelmente os olhares estavam sobre mim.
– Simplesmente os deixamos passar – Disse Tonks. – Pensamos que estavam sendo perseguidos pelos Comensais e no momento seguinte os outros Comensais e Greyback estavam voltando e recomeçando a lutar.
– ... Você estava lá. Na torre. Presenciou a mesma coisa que eu. Por favor, não poderia explicar um pouco? – Harry perguntou com um tom calmo na voz. Suspirei e virei para todos eles ficando sentada na cama.
– Eu não tinha ideia do que aconteceria. – Menti. – Eu estava com Leo, Max e James, eles podem confirmar isso. – Regulus que ainda estava ao meu lado confirmou com a cabeça. – Eu fui atrás de Max e James que estavam no sétimo andar, foi quando ouvimos uns barulhos e o lobo. Nos escondemos, mas na hora de sair dali fomos atingidos, então eles vieram para cima de mim. O lobo me fez de refém até a torre.
– Por que ele te faria de refém se você é afilhada de Voldemort? – Harry perguntou mudando o tom da sua voz. Todos me olharam chocados.
– Eles me pegaram de refém por causa de Draco, para que ele tivesse coragem de matar Dumbledore e você viu claramente que nem isso teve efeito, ele não tem coragem de matar ninguém, nem mesmo sob ameaças de morte contra sua família. – Disse tentando não perder o controle da situação. Eu tinha um limite. – E provavelmente eu ser afilhada dele foi o que me manteve viva ali, eles adorariam ter me matado também.
– Mas segundo eles, você é uma Malfoy. Deveria ter ido com eles.
– Eu já te falei que estou fora disso!
– Nós já sabíamos sobre isso. – Lupin disse e eu agradeci mentalmente por ele ter interrompido mais perguntas. – tinha nos avisado sobre seu noivado, então acho que ela realmente foi apenas uma marionete.
– Todos vocês sabiam? – Rony perguntou. – Eu era o único que não sabia que ela era casada com o Malfoy? Hermione?
– É, eu já sabia...
– Eu também... – Ouvi a voz de Gina. – Não acho que a sabia de algum plano, Harry.
– De qualquer forma, podem achar o que quiserem. Não gosto de ser associada a ele, nem mesmo como afilhada. E ainda roubaram minha varinha! – Disse irritada, o lobo tinha pegado ela.
– Harry, antes que eu fale com o ministério, poderíamos trocar uma palavrinha? – A professora McGonagall o chamou. – Depois me procure senhorita Malfoy, tenho algo para te entregar também.
Depois daquele dia eu só queria dormir, pelo menos para que aquela confusão saísse da minha cabeça por algumas horas. Madame Pomfrey tinha deixado um frasco de poção do sono, então eu apenas tomei. Depois que Harry saiu dali eu não lembro de mais nada.
No dia seguinte todas as aulas foram suspensas, todos os exames adiados. Alguns alunos foram retirados às pressas da escola pelos pais, por medo. Não sabíamos se Hogwarts ia fechar ou não no próximo ano letivo, depois do ataque isso era bem provável. Os diretores estavam planejando o funeral de Dumbledore, Horácio Slughorn ficou no lugar de Snape como diretor da sonserina.
Assim que cheguei na comunal da sonserina todos ficaram em silêncio, eles já sabiam o que acontecera. Não queria imaginar o que estavam se perguntando.
– Como está? – Zabini se aproximou com Nott e as meninas. Assim como Crabbe e Goyle. – Não sabíamos sobre nada...
– Eu sei, por isso te mandei para comunal. – Ele pareceu entender. – Estou bem, vou ficar para o funeral do diretor e... – Falei para todos ouvirem. – Espero que todos vocês também, já está na hora da sonserina ter um senso! – Encarei todos ali nos olhos, fazendo com que todos abaixassem a cabeça.
– Mas se o seu namorado e o prof. Snape fizeram aquilo tudo, você não deveria ir para o lado do Lorde das Trevas? – Um aluno perguntou.
– Não! Vocês não sabem de nada, não é? Apenas vão com os outros... Ao menos por enquanto, talvez no próximo ano vão cair na real sobre o que estamos lidando. – Disse e deixei a sala indo para meu quarto.
Me enterrei no travesseiro colocando tudo o que aconteceu aquele dia para fora, como eu sempre fazia. Não acreditava ainda na morte de Dumbledore. Snape matou Dumbledore, isso era o que todos pensavam. Mas somente eu sei que o diretor já estava morrendo, então era muito provável que eles já tinham planejado isso. Nunca que Dumbledore ia ser tão tolo ao ponto de não saber o que estava acontecendo, ele sabia quem iria matá-lo. O que Snape ganhou com isso? A confiança de Voldemort. Depois de matar o bruxo que ele mais tinha medo, Snape deve ser o primeiro a quem ele confia agora.
Não sei como minha mãe está nisso tudo... Ela não tem a marca, mas deve estar junto deles por minha causa. Fico mais tranquila que Draco tenha conseguido sua missão, ao menos o pai e a mãe dele estão a salvo.
Dias se passaram e chegou o dia do funeral de Dumbledore, estava na mesa da sonserina quando os professores começaram a se reunir. O ministro da magia estava presente, no lugar de Snape. Os diretores de cada casa levaram todos os alunos para a ilha perto de Hogwarts, no qual foi escolhida para ser o descanso eterno do diretor.
Sentei ao lado dos meus amigos de casas diferentes ignorando as casas separadas em filas, os meninos do futuro estavam ao meu lado. Muita gente estava ali para prestar homenagem a Dumbledore e eu não esperava menos, ele era muito respeitado no mundo bruxo. Começou um discurso, eu não aguentei muito sem chorar, o mesmo das outras pessoas.
Uma música me fez arrepiar, olhei para trás, era um grupo de sereianos cantava algo em outra língua, como um lamento pela morte do diretor. Então Hagrid entrou carregando Dumbledore sob uma manta. Os centauros também estavam presentes, escondidos. No final da cerimônia eles atiraram flechas para o alto, com um sinal de lamento, assustando a maioria dos bruxos presentes. Alguns fogos foram vistos, parecendo uma fênix assim o túmulo do professor foi finalmente fechado.
Voltamos à escola para arrumar nossas malas, aquele foi o último dia por ali. Iríamos voltar para casa, ou pelo menos a maioria dos alunos.
– O ministro veio e trouxe algo que Dumbledore pediu à senhorita. – A professora McGonagall agora estava na sala do diretor. – Ele queria ficar para ver quem era o visitante, mas eu dei uma desculpa. Então... aqui está. – Ela disse me entregando um vira–tempo. Era hora dos meninos voltarem para o próprio tempo.
– Estão preparados? – Perguntei com a voz fraca. E seriam mais três pessoas que iriam embora da minha vida em menos de dias.
– Sim... mas... – Scorpius veio me abraçar rapidamente. – Eu vou sentir sua falta, mãe. Mesmo que eu tenha você no futuro. Cuide do papai. – Me arrancou um riso, minimizando a sensação ruim que esses últimos dias trouxe. Scorpius devolveu a varinha de Salazar colocando em meu bolso.
– A gente se vê em breve, hm? – Olhei para Albus que estava tímido. Então o abracei também. – Você é um ótimo garoto! Tenho certeza de que seu pai se orgulha disso.
– Obrigado, tia. Espero te ver mais tarde! – Ele falou como se o futuro fosse amanhã. Olhei para Regulus que me pareceu inquieto.
– Não posso ir ainda. – Ele disse provocando confusão em todos.
– Mas você precisa voltar. – A professora McGonagall disse.
– Eu tenho que achar uma coisa que veio junto. Não posso deixá-lo aqui, de qualquer forma... – Ele tirou do seu bolso um relógio, outro vira-tempo. – Eu tenho outro para voltar.
– Quê? Esse tempo todo você tinha um? Por que não disse que tinha?
– Esse é diferente... Eu guardei para emergência. É um presente de família. – Ele falou meio misterioso. – Mas eu prometo, que se eu achar o que tenho procurado eu volto rápido.
– Certo, mas se as coisas piorarem, eu te mando de volta a força. – Disse a ele.
– Bom, quando voltarem digam à mamãe o que estou fazendo. Acho que a essa altura ela já vai saber. – Regulus disse.
Os meninos colocaram o vira tempo no pescoço de cada um, e giraram mais de treze voltas, eu perdi as contas. Em segundos eles sumiram e meu coração se apertou por um tempo.
– Ah, mais uma coisa... – Ela pareceu pensar. – Sua mãe, ela nos mandou uma carta. Você não poderá voltar para casa esse ano letivo.
– O quê? E o que eu vou fazer?
– Não sei. É uma escolha sua agora... Você em breve completará dezessete anos, já é maior de idade no mundo bruxo.
– Sim... Espero que Hogwarts não feche.
– Eu também espero. Até mais senhorita Malfoy! – Ela colocou sua mão no meu ombro como conforto e saiu da sala. Notei o lugar onde a fênix de Dumbledore ficará, estava vazia. Ela tinha ido embora na noite da sua morte, ela se lamentou fortemente que dava para ouvir em todos os cantos do castelo e nunca mais voltou. É como estudamos sobre uma fênix, ela é extremamente leal ao dono.
Assim que sai da sala do diretor fui parada pela professora Sinistra, de astronomia, que incrivelmente tinha o mesmo nome que eu.
– Olá, senhorita Malfoy! – Ela sorriu. – Quanto tempo, não é? Nunca mais a vi em minha classe, a senhorita faz falta.
– Olá, professora! Sim, infelizmente o diretor me obrigou a ter aulas de adivinhação.
– É uma perda lastimável, não é? Hogwarts nunca mais terá um diretor como Dumbledore.
– Concordo.
– Ah, por que não me segue até a sala? Tem algo que eu quero lhe mostrar. Algo que foi deixado para você. – Ela mudou de assunto parecendo se lembrar de algo.
Foi difícil retornar à torre de astronomia, mas pelo menos não tive que subir para o topo.
– Aqui está! – Ela pegou um quadro que estava lacrado e um pergaminho. Desembrulhei o quadro e notei ser uma constelação. – Um certo rapaz no começo do mês me mandou lhe entregar isso. – Ela sorriu orgulhosa – Vejo que terei que alterar um nome na hora de apresentar as constelações.
Ela saiu pela porta me deixando sozinha na sala com o quadro em mãos. Era a constelação do Dragão. Havia estrelas maiores e menores como foi ensinado, mas dessa vez estava diferente. Eltanin, Rastaban, Grummium, Altais, Dziban, , Athebyne, Edasich, Thuban e Giausar.
Peguei a carta que estava junto com o quadro e li.
“Achei que minha constelação precisava de mais uma estrela, uma que nasceu em meu peito devagar, até ser a que mais brilha. A minha .
Feliz um ano de casamento e feliz aniversário – D.”
E naquele momento foi impossível segurar minhas lágrimas, que não sabiam se eram de felicidade por causa do presente ou tristeza porque eu já sentia sua falta.
Antes de chegarmos à estação de Hogsmeade encontrei o trio de ouro. Harry fez questão de se aproximar, os meus amigos e Regulus entenderam que ele queria conversar em particular.
– Desculpe... – Ele se aproximou. – Deve ter sido difícil para você também.
– Eu sinto muito, Harry. Sei o quanto era próximo de Dumbledore.
– E acho que você também... – Ele colocou a mão no bolso e me entregou um caderno. – Ele deixou isso comigo, disse que era para te entregar. Somente você entenderia como abri-lo. – Peguei o caderno preto das mãos dele, tentando saber o que tinha ali para o diretor querer me entregar.
– Obrigada.
– Tem algumas coisas que eu ainda não entendo, mas... Acho que preciso dar um voto de confiança a você. – Ele disse. – Não sei quando iremos nos ver novamente, mas espero que logo. Fique bem !
– Sim, vocês também. Irão precisar ser grifinórios agora. – Nós sorrimos.
Nos despedimos de Gina, Rony e Hermione em seguida. Chegamos à estação mais uma vez, porém era diferente. Sem Malfoy parecia que havia um buraco dentro do meu coração. De repente sinto uma mão pegar na minha.
– Vamos? – Regulus pergunta. Pelo menos ele estava ali, nosso futuro filho. Isso me trazia certo conforto.
– Vamos! – Sorri e entramos no vagão. Yumi, Erik e Nick já estavam sentados em uma cabine, mas dessa vez estava Nott e Sophie, uma combinação um pouco estranha, mas que eu tinha gostado.
– Para onde vai passar as férias, ? – Theo perguntou.
– Na minha casa. – Erik disse. – Convidei ela e o Leo para ficarem por lá, enquanto tudo se ajeita melhor. Mamãe adorou convidá-la! Mas se quiserem ficar por lá também, não me importaria. Só não levem comensais, por favor.
Todos riram.
Estávamos voltando para casa novamente, mas dessa vez sem a certeza de que voltaríamos para mais um ano letivo, a não ser por um pequeno detalhe. Eu era vidente, então já sabia que voltaríamos, porém seria o ano mais estranho e mais assustador que Hogwarts poderia ter.
Capítulo 21 – Draco
POV DRACO
– Eu preciso voltar à sala de feitiços, acho que deixei minha mochila lá e eu preciso dela. – O pirralho número 2 falou.
– Tudo bem, então vamos lá! Malfoy! Cuide de Max por mim.
– Ele tem pernas, não?
– Draco!
– Está bem, ficarei de olho no pirralho. – Resmunguei enquanto saia com o pirralho 02 para que eu ficasse com o pirralho 01 – Volte rápido!
Observei os dois sumindo pelo salão comunal. Olhei para Max que sentou no sofá sem conseguir olhar diretamente pra mim.
– Você tem medo de mim? – Eu perguntei.
– Por que teria? – Ele perguntou levantando uma sobrancelha. – Quer dizer... Você não fez nada contra mim, não há razão.
– Você parece estar sempre fugindo de mim.
– mandou eu ficar longe de você. – Ele disse indo para o piano que se encontrava perto dali.
– O quê? – Perguntei incrédulo. Por algum motivo me senti ofendido. – Me senti sendo esfaqueado pelas costas agora.
– Aí, o senhor deveria falar com ela. – Ele disse me fazendo estranhar as suas palavras. Senhor? Esse garoto era muito estranho.
– Sabe tocar? – Perguntei me levantando e me aproximando.
– Claro! Sou um Spencer! – Ele falou orgulhoso como se eu soubesse quem era sua família. Ele começou a tocar alguma música. – He got a bad reputation, he takes the long way home...And all of my friends seen him the day or so the story goes. Mistakes, we all make them but they won't let it go...
– Vai me ajudar a tocar? – Ele parou de cantar me perguntando. – Ou não sabe? – Ele caçoou.
– Para sua informação eu sei tocar, não sou um Malfoy atoa. De qualquer forma eu não sei que música é essa.
– Mas é óbvio, foi minha mãe quem escreveu para meu pai. – Ele disse sorrindo, mas logo seu sorriso se desfez, e continuou tocando. Semicerrei meus olhos o analisando.
– Qual a cor de seu cabelo? – Perguntei, decidindo testá-lo.
– Está cego? Ele é loi...– Ele me olhou arrogante, mas desviou o olhar parando e logo se corrigiu. – Preto! – Ele começou a focar ainda mais no som do piano.
– Você não combina com cabelo preto. – Disse sem mais palavras. Me aproximei do piano revezando alguma nota com ele.
É claro! Minhas suspeitas estavam corretas. Nada que um vira-tempo não explicasse.
Era tudo muito estranho desde que eles chegaram, as conversinhas de que tiveram que ser transferidos de Ilvermorny só um idiota cairia, eles nem tinham sotaque de lá, sem falar que pareciam conhecer o castelo que “nunca viram na vida”.
Vim perceber recentemente o quanto Leo era a cara do meu avô, me espanta a ser tão inteligente e esquecer desse detalhe. O Max mesmo com cabelo preto era a minha versão quando mais novo, sem o gel. Parando para analisar, eu provavelmente ficaria mais bonito sem o gel.
O outro pirralho com certeza não era meu, tinha cara de pobre e nada a ver comigo. Se aqueles dois eram meus filhos, certeza que a era a mãe deles, porque não haveria outra pessoa em meus pensamentos.
Depois do sucesso da missão, o Lorde das trevas perdoou o meu pai, com ajuda de Snape e fez questão de tirá-lo da prisão como resultado. Isso fez com que a pressão que eu tinha o ano todo por causa disso fosse embora e eu finalmente pude ter uns dias para respirar.
Eu salvei minha família de uma morte terrível, mesmo que isso me custasse muito caro. No começo eu tinha uma ideia diferente da arte das trevas, era bom ser escalado para algo importante e se fosse um sucesso você estaria com o poder em suas mãos. Todos te respeitarão por você está no topo, tudo o que você quer, você conseguiria. Mas tudo tem um preço... Além do medo a todo momento. Não consigo sentir um pingo de felicidade, de tranquilidade. Todo dia tenho medo de alguém da minha família ser morto, eles eram minha única pilastra que me mantinha em pé. Se um desabar, eu desabarei junto.
Desci a escadaria da mansão depois que o Lorde das Trevas tinha ido embora. Ele escolhera nossa casa como lugar para reunião, às vezes ele ficava muito mais tempo, mas sempre preferia está fora, fazendo sabe–se o que lá. Ouvi algo que parecia que ele estava em busca de alguma coisa, uma relíquia importante.
– Trouxe o homem? – Minha tia perguntou a alguém.
– Qual dos?
– O fazedor de varinhas seu idiota!
– Sim, ele está no porão como mandado. – O cara grandão falou.
– Ótimo! Em breve o interrogaremos.
– Eu acho que achei essa varinha ótima... – Um comentou analisando uma varinha conhecida que estava em cima do móvel, com muitas outras. – Onde pegou, lobo?
– Da garota. – Greyback disse.
– Hm, então acho que agora ela é minha. – Ele disse e eu estava me segurando para não me meter nisso.
– Cuidado. Varinhas não são tão fáceis de manusear. – Meu pai avisou.
– É claro que eu sei, Malfoy! – Ele pegou a varinha e começou a brincar com ela. Apontou para uma aranha que surgiu ali no canto da parede e tentou lançar o feitiço da morte. Todos se assustaram quando o feitiço saiu pela culatra e o atingiu. Todos ficaram com cara de tédio depois que viram ele cair duro no chão.
Nunca tive um prazer tão grande com a morte de alguém. Ele morreu tão humilhado pela própria imbecilidade.
– Scarpin como era idiota. – Meu pai deu uma checada nele.
– O que houve? – Minha tia perguntou curiosa.
– É como eu falei, nem todas as varinhas são fáceis de manusear.
– Ele brincou de roleta russa. – Falei quando eu me aproximei da varinha no chão e a peguei, olhando curiosamente pela primeira vez. Nunca tinha visto detalhadamente como ela era. Em algum momento pensei ter visto um desenho surgir perto do seu anel, mas voltou ao normal. – Acha que eu poderia falar com o Olivaras? – Perguntei para minha tia.
– Ele está no porão com todo o tempo do mundo. – Minha tia disse com tédio. – Qualquer coisa me chame que eu te ajudo. – Ela sorriu de repente maleficamente.
Fui em direção ao porão com escolta. Assim que o vi um pouco mais para o fundo do porão ele pareceu saber quem eu era.
– Preciso que dê uma olhada nessa varinha. – Perguntei entregando-a.
– Sr. Malfoy, tem muito tempo que não nos vemos... – Ele me cumprimentou enquanto pegava a varinha. – Não imagino o quão esteja perturbado desse lado.
– Cale a boca, não te interessa como eu me sinto.
– Sabe, a varinha às vezes fala muito mais sobre as pessoas. – Ele me encarou e depois pôs os olhos na varinha da . – Oh... E ela está novamente na minha frente. Nogueira-negra, fibra de coração de dragão. Extremamente leal ao seu dono, um perigo para quem tiver a coragem de roubá-la. É a varinha de .
– Isso explica muita coisa. Alguém acabou de morrer tentando utilizá-la.
– Uma pena, tem muitas pessoas que acham que varinha é qualquer coisa. – Ele falou sem emoção.
Ela pode se alterar visualmente? – Perguntei. Ele levantou a cabeça com curiosidade em seu olhar.
– Ela mudou com você?
– Por um momento. Quando eu a peguei, mas depois voltou a cor original.
– Qual sua relação com a dona da varinha? – Ele perguntou.
– Somos casados.
– Entendo... Essa varinha só tem um dono como leal, mas ela pode ser usada por outras pessoas que tenham honra e dever o suficiente para estar ao lado de sua dona. Não posso afirmar que a mudança dela é um sinal, só saberá tentando utilizá-la. E sabe por que ela não aceita qualquer um?! Por causa de sua capacidade. Algum dia se a Sra. Malfoy tiver o controle de sua magia o suficiente ela poderá fazer feitos incríveis, algo que está fora dos aprendizados do mundo bruxo, algo vindo de sangue ancestral.
Eu saí do porão pensativo pelas palavras do bruxo, analisando a varinha em minhas mãos. Lembrei que eu já tinha usado a varinha antes, tinha testado minha confiança, mas foi antes de tudo acontecer. Sabia que pelos últimos acontecimentos não era uma garota qualquer... Descendente de Salazar Slytherin e de Merlin juntos, não ia sair uma pessoa fraca.
Então, talvez por agora eu só precisasse saber se eu tinha honra ainda para continuar sendo seu marido, se tivesse, eu ficaria feliz, se não... As coisas iam se complicar.
Capítulo 22 – Visita de Aniversário
Meu verão foi na casa dos Anker’s, era minha primeira vez que vinha à casa de Erik e fui muito bem recebida. Os seus pais eram gentis e bruxos de classe alta assim como era a maioria dos puros–sangues. A primeira vez que pisei os pés na casa eu já sabia o porquê dele ser da Corvinal, a casa era totalmente de corvinos. Era média, mas luxuosa, a arquitetura me lembrava muito torres.
Dentro as paredes eram brancas, mas tinha um toque azul com bronze em algumas paredes. Sua mãe amava astrologia, seu pai e seu irmão mais velho trabalhavam no ministério, então eram bem de vida. Além disso Erik tinha um irmão mais novo, mas ele ainda não havia entrado em Hogwarts.
Estava no quarto de visitas por um tempo com algumas cartas em mãos. Dessa vez escritas por mim, mas sem serem enviadas. Não poderia enviar para o trio de ouro e nem para Draco. Não sabia o que estava acontecendo dentro do ministério e com os comensais. Ao mesmo tempo que tinha medo de rastrearem o trio, tinha medo de rastrearem Draco que agora estava fugitivo. Por eu ser da família Malfoy, não duvidaria que estivessem me rastreando.
“Me prometa que não irá atrás de mim... Eu amo você. “
Ao lembrar das últimas palavras que ele me disse fez meu coração apertar. Eu espero que ele esteja bem.
Aquele mês foi tão conturbado que nós esquecemos do seu aniversário no começo de junho, que foi quando tudo estava acontecendo ao mesmo tempo. Eu imaginava a hora do nosso reencontro e eu esperava que seria logo.
Arrumei minha mala com meus pertences, o cachecol de Cedrico e o seu colar que eu tinha dado sempre andava comigo, como um amuleto. O caderno que Dumbledore tinha deixado para mim também estava ali. Os meninos nos próximos dias iam se juntar a nós para tentarmos desvendar isso como teria que ser, juntos.
A morte de Dumbledore me assombrava pela noite, para minha sorte Regulus tinha se juntado conosco na casa dos Anker’s, eu agradeço por ele estar comigo.
– Mãe. Vou precisar sair por algumas horas… – Ele falava em língua de cobra quando tínhamos algo em particular para conversar, como ideia do pequeno Scorpius que agora tinha voltado para sua época. Regulus estava inquieto esses dias, estava procurando por algo que quando eu sempre perguntava, ele dizia que não estava na hora de contar a mim. – Se cuide! – Ele disse e saiu pela porta.
Hoje era meu aniversário, então estava esperando o jantar. Regulus se ausentando assim era estranho demais, mas não conseguia protestar, ele era do futuro e eu sabia muito bem como essas coisas eram. E eu me arrepiei inteira quando eu senti uma nuvem escura se aproximar da casa dos corvinos. Os risos e barulhos divertidos lá embaixo pararam subitamente e eu odiei aquilo. Peguei a varinha que Erik tinha me emprestado e fui cuidadosamente para o andar debaixo. Assim que desci as escadas eu vi a cobra... Nagini! Tinha ouvido seu nome da última vez que a vi.
Tom Riddle... Ou melhor dizendo, Voldemort estava ali sentado no sofá da sala da família Anker, acompanhado da minha mãe, Alexandra e de dois comensais mascarados.
A família Anker estavam todos sem querer mexer um músculo sequer, eles estavam apavorados, mas não demonstravam. Eu fui burra por não pensar que ele poderia vir me ver.
– Olá, minha querida afilhada! – Seus olhos vermelhos me fitaram quando desci o último degrau. Ainda continuei com a varinha erguida e isso fez ele rir. Eu tinha a varinha de Salazar comigo, mas nunca a mostraria. – Não acho que precisará de algum duelo por aqui. – Ele disse, mas senti a pontada de ameaça. Então preferi guardar no meu bolso da calça. – Muito bem.
– O que vieram fazer aqui? – Perguntei sem o mesmo medo de antes, mas me dirigia a minha mãe agora.
– Viemos te visitar, o Lorde queria ver onde e como estava. – Minha mãe parecia uma boneca de porcelana, sem expressão.
– Afinal, hoje é seu aniversário não é, ?! – Ele perguntou rindo. – Fico satisfeito com a amizade que cultivou. A família Anker são sangues-puros, evitando que eu os extermine de sua vida. Criou-a muito bem, Alexandra! – Ele elogiou minha mãe.
– Obrigada, Milorde! – Ela agradeceu e me olhou.
– Não veio aqui só para isso. – Falei sem muita paciência, os comensais pareceram se preparar para castigar minha petulância, mas Voldemort apenas riu.
– Você está certa. – Ele começou a sibilar, língua de cobra. – Vim aqui lhe perguntar sobre alguma ideia que tenha para onde Harry Potter vai.
– Poderia mandar algum comensal vir perguntar, e não perder seu tempo pessoalmente.
– De todos, aparentemente nenhum deles conseguiria lidar com você sozinha. Afinal, todos podem te ver como uma garotinha, mas eu sei que não é tão tola, você tem sangue de Slytherin, que nem eu. – Ele voltou a falar normalmente. – Então...?
– Não tenho ideia sobre Harry e nem qualquer um deles. Eu me afastei completamente, eu tinha falado que não ajudaria ele e nem a você.
– Hm, bom. Ao menos dois Malfoys cumprem com o que se pede. – Ele disse, meu coração palpitou.
– Não faça nada com os Malfoys. – Sem querer minhas palavras em língua de cobra já tinham saído pela minha boca. Ele pareceu interessado nelas de repente.
– Vejo que se importa com eles. – Ele sorriu maliciosamente. – É bom saber disso, não se preocupe querida afilhada... Caso saiba algo sobre Harry Potter, me conte. Então teremos um trato, o que acha? – Ele queria me ameaçar.
– Já temos um trato. – Disse o encarando. – Não me meto nas suas jogadas, apenas me deixe em paz. Isso inclui minha família. – Ele semicerrou os olhos vermelhos e depois pareceu satisfeito. Então eu finalmente pude perceber uma pequena coisa. Ele tinha medo que eu ficasse contra ele, por isso ele sempre aceitava de bom grado minhas posições neutras. Mas por quê? Será porque ele sabia que não conseguia mais ler minha mente?!
– Ainda preciso deles, acabamos por aqui! – Ele se levantou. – Nos vemos em breve, afilhada! – Ele aparatou junto com os outros dois comensais. Fazendo todos respirarem aliviados depois de uns segundos que perceberam que estavam seguros. Minha mãe havia ficado e nos entreolhamos.
– Filha! – Ela se aproximou e me abraçou. – Me desculpem pelo transtorno. – Ela se dirigiu a família Anker.
– Tudo bem, querida. Já sabíamos do perigo, por isso recebemos ! Nosso sangue nesse momento nos torna seguros. – A mãe de Anker disse.
– Precisamos conversar... Vamos lá pra cima. Acho que todo mundo precisa de uns minutos para voltar ao normal. – Falei enquanto olhava a família voltar a ficar rosados novamente.
Subimos para o último andar, onde haveria uma sala com uma biblioteca e claraboia no teto, para admirar os astros.
– Por que ele veio aqui?
– Ele só queria checar você. – Ela disse. – As últimas reuniões foram desagradáveis, ele matou uma professora sua na frente de todos. – desabafou.
– Como ele está? – Perguntei querendo saber de Draco, eu estava doida para receber notícias suas.
– Está bem, aguentando. Ele é um garoto forte! – Ela comentou. – Você o ama, não é?
– Por que está me perguntando isso?
– Porque eu quero ter a certeza de que vocês dois estejam juntos no futuro. Iria confortar meu coração que tivessem uma família feliz. – Ela suspirou. – Eu... Minha família… – Ela se corrigiu. – Nossa família já foi conturbada o suficiente. Eu quero isso para você, porque era o que eu queria para mim. Nunca foi ideia minha ir para artes das trevas, fui por medo. E eu vejo que você não tem medo, e eu sinto orgulho disso.
Ao dizer aquilo um sentimento ruim veio à minha mente. De novo não!
Abracei minha mãe tentando me livrar daquele mesmo sentimento que eu percebia quando era a última vez que eu falaria com a pessoa. Ela ia morrer? Quando? Por quê?
Tentei me recompor para que ela não percebesse.
– Eu o amo, mamãe. Nós nos amamos. Fique tranquila! – A afastei sorrindo.
– Não deixe nossa linhagem terminar com a gente. – Estranhei o que ela falou, afinal e meus tios?!
– O que aconteceu? – Perguntei um pouco nervosa. Ela me olhou em silêncio. – Mãe?
– Um acidente aconteceu... – Ela disse.
– Acidente? Não me venha com essa...Diga de uma vez!
– Seu tio tem sangue trouxa. – Ela revelou. – Você sabe que eles estão limpando a árvore genealógica das famílias. No momento que ele soube do seu casamento, ele pegou a oportunidade. Infelizmente sua tia estava no mesmo lugar. Ele sabia que você só queria proteger a parte mais próxima. – Por isso ela estava me mantendo longe tudo.
– Hipócrita! – Berrei com raiva. – Porque ele não mesmo se mata já que é um mestiço imundo como ele mesmo diz!
– ! Cuidado!
– Foda-se, eu o odeio. Eu espero que o Harry acabe com ele do jeito que ele merece. Ele mata qualquer um como se fosse moscas, daqui a pouco o mundo bruxo será extinto.
– As coisas não estão bem lá fora, escute. Vocês serão obrigados a voltarem à escola esse ano.
– O quê? Por quê? Ninguém nunca foi obrigado a frequentar Hogwarts.
– As coisas irão mudar, . Você acha mesmo que o ministério irá segurá-lo? – Minha mãe riu com sarcasmo.
– Talvez?
– Talvez? Filha não seja ingênua... Não darei muitos dias para que ele tome o controle de tudo. Ele vai querer fazer uma limpa no mundo bruxo e vai procurar uma forma de controlar o ministério. Se tivéssemos do lado errado, já estaríamos presas ou mortas. – Ela suspirou sentando-se no sofá.
– Eu sei... Só não quero acreditar. – Ficamos em silêncio por um tempo.
– Terei que voltar. – Ela disse se levantando. – É bom saber que está bem.
– Mamãe... Poderia me fazer um favor? – Perguntei e ela me analisou.
– Diga. – Tirei do meu bolso uma caixinha, no qual tinha comprado um presente de aniversário de Draco. Ele tinha feito dezessete anos, todo bruxo ganha um relógio quando completa a maioridade.
– Por favor, entregue a Draco. – Disse a entregando a caixinha. Ela deu um sorrisinho de lado.
– Fico feliz que tenha alguém em seu coração. Agora, terei que ir. Se cuide está bem? Não faça bobagens. Feliz aniversário meu bem. – Ela me abraçou e beijou minha testa.
– Mamãe. – Ela esperou minha resposta antes de me soltar. – Eu te amo.
– Eu também te amo. Saiba que tudo o que eu estou fazendo é para nos proteger. – Ela me encarou. – Sei que não sou sua mãe verdadeira, mas eu fiz de tudo por nós.
– Você é minha mãe verdadeira. – Disse firme. – Pode não ser biológica, mas para mim você é e sempre será minha mãe. – Ela sorriu e pude ver umas lágrimas em seus olhos, porém ela tratou de espantá-las.
– Preciso ir... Até mais. – Ela se despediu e saiu da sala.
Fiquei parada por um tempo em silêncio pensando em tudo que aconteceu hoje. Que aniversário animador não? Por isso Regulus quis sair, ele sabia o que ia acontecer.
Capítulo 23 – Elementos
A semana passou tranquila depois disso. Fiquei desconfortável por ter colocado a família de Erik em perigo, mas a família me confortou mais tarde. Regulus no mesmo dia tinha retornado a casa, mas não tocamos no assunto. Alguns dias antes do aniversário do Harry eu tive um sonho.
Sabia que Harry ia ser transferido da sua casa em breve, a ordem da fênix estava com ele, porque Voldemort sabia onde ele estava. Mas nessa transferência eles iam ser atacados e o professor Moody iria morrer. Com essa informação eu não poderia fazer nada, o próprio Voldemort ia atacar pessoalmente, os riscos seriam altos se eu me metesse.
Me lembrei do que Dumbledore me falou no quinto ano.
“Pode ser que haja uma razão para isso. Devo lhe falar que algumas coisas devem acontecer, mas nem por isso outras não possam ser mudadas.”
Queria saber que outras coisas podem ser mudadas, porque até agora eu não vi nenhuma.
Peguei o caderno que Harry tinha me entregado depois que o diretor tinha morrido e fui direto para sala de visitas, onde estava o meu trio colorido. Nick e Yumi tinham se juntado a nós na mesma manhã, e rapidamente iriamos tentar abri-lo. Assim que cheguei na sala todos estavam na mesa pequena e redonda, coloquei o caderno em cima ainda encarando.
Ele era preto, mas para um caderno normal era grande. Eu deduzi que tinha anotações diferentes de um livro.
– E aí? Alguém tem ideia de como abre? – Yumi perguntou.
– Eu tentei normalmente, sem chances.
– Se foi Dumbledore que o enfeitiçou, acho muito improvável que seja aberto facilmente. – Nick comentou.
– Precisamos pensar, se ele queria que a gente abrisse é porque sabia que teríamos habilidade para isso. – Erik completou.
– Tá, então vamos lá! Começaremos por nós sermos parentes dos fundadores, então deve ter o que haver com eles não? – Yumi perguntou.
– Será que precisaríamos juntar as relíquias? Quer dizer, ele tinha me dito sobre a taça. – Nick disse.
– Não acho que seja isso. – Falei pensativa e analisei o caderno com as mãos. – Se ele está enfeitiçado, precisaríamos de um contra-feitiço.
– Eu posso estar louco, mas vejamos... , você é descendente de Merlin, não é? – Erik disse lembrando do que eu contei a eles pelas cartas. A única coisa agora que meus amigos não sabiam era sobre Regulus. – Então acho que começamos por ele.
– Mas por quê? Não seria melhor pelos fundadores? – Yumi perguntou.
– Calma, entenda minha linha de raciocínio... Merlin era um dos bruxos que descreveram com habilidade elementar, e ele era aluno de Salazar Slytherin, um dos fundadores. E se por causa de Slytherin, Merlin tenha conseguido controlar os quatro elementos? Porque ele é conhecido por ser um dos poucos a dominar a magia elemental.
– É provável, isso quer dizer que Salazar poderia ser um elementar também? – Perguntei.
– Sim, e para melhorar ainda eu acho que todos os fundadores também seriam. Uma prova é as casas em Hogwarts. Não repararam que cada uma tem um símbolo de um elemento? – Erik perguntou empolgado.
– Mas é claro! – Nick disse.
– Sonserina tem símbolo da cobra que tem elemento a água. Por isso a comunal é debaixo do lago negro. – Eu disse.
– Lufa-lufa tem o símbolo do texugo, que é da terra. E a comunal é no térreo, porém no subsolo.
– E Corvinal é uma águia, animal do ar. E temos a torre da corvinal bem no alto.
– E temos a Grifinória que é um leão, mas não vejo ligação com o fogo gente. – Yumi disse. – Nem a nossa torre.
– Diretamente não, mas os leões são fortes e ferozes e isso lembra como o fogo é. As cores da grifinória também são vermelhos e dourados. – Erik disse. – Não seria possível fazer a comunal da grifinória no fogo, não é?
– Se parar para analisar, realmente. – Yumi falou pensativa. – Mas como chegamos ao segredo de abrir o caderno?
– Os quatro elementos são a chave. – Eu disse entendendo o raciocínio de Erik.
– Exatamente! Vamos testar? – Ele perguntou nos encarando. – , pegue um copo d’água, Nick precisará de terra e Yumi acho que um feitiço é suficiente.
– Mas aquamenti não daria certo? – Perguntei em dúvida.
– Talvez, mas acho que seria muita água não? – Ele perguntou e eu concordei. Era um feitiço bom, mas não para a ocasião.
Assim que eu e Nick pegamos os elementos aguardamos a ordem de Erik.
– Nick começa, coloque a terra em cima do livro.
– Não vai manchar não? – Ele perguntou receoso.
– Isso é o que veremos... – Erik falou, mas estava confiante. Eu podia colocar todas as minhas fichas em Erik agora, nunca o vi daquele jeito, nunca vi ele com suas habilidades de corvino que geralmente eram bem inteligentes.
Assim que Nick colocou uma pequena fração de terra em cima do caderno algo bem estranho aconteceu. A terra não conseguiu topar no caderno, ela estava acima como se estivesse flutuando. Sinal de que tinha um feitiço ali.
– , sua vez! – Então fiz o que Erik pediu, coloquei um pouco de água sob a terra. Nada aconteceu.
– Yumi, só precisa lançar um feitiço.
– Lacarnum Inflamari. – Ela apontou a varinha para o lugar onde a terra estava. Em seguida Erik apenas assoprou o pequeno fogo que Yumi produziu, imediatamente vimos a magia quebrar do caderno e ele ser aberto. As letras escritas por Dumbledore apareceram automaticamente por todas as folhas.
– Isso é... Genial! – Falei elogiando Erik.
– Não é à toa que ele está na corvinal! – Yumi disse.
Abrimos o caderno e tentamos saber o que as anotações diziam. Era sobre as magias elementais e a magia ancestral.
– Uau! Aqui diz tudo sobre magia elemental e é como Erik falou. Cada fundador tinha controle sobre um elemento pelo menos. – Nick folheava e lia o caderno, até que parou mais para a frente lendo o que tinha escrito.
“Anotações importantes para os herdeiros de Hogwarts
Dica para achar as chaves e ter acesso ao fundo de Hogwarts: Lago, Floresta, montanha, caverna.
A Magia Ancestral é uma forma de magia misteriosa, poderosa e antiga, que é pouco conhecida e compreendida no mundo bruxo moderno. Podem ser usadas sem a necessidade de uma varinha pois fazem parte da própria magia do universo.
Ela deixa sussurros ou rastros. A capacidade de perceber, rastrear, controlar ou executar esse tipo de magia é considerada uma habilidade muito rara. Alguns tinham a capacidade de perceber vestígios sob objetos ou superfícies e interagir de forma adequada, outros podem aprender feitiços e encantamentos antigos, ou em circunstâncias raras exercer involuntariamente formas de magia poderosas.
Também pode ser uma fonte para aumentar a potência de seus feitiços.
O castelo é cheio de magia antiga e tem muito para ser explorado. Hogwarts foi construída por magia ancestral.
Pensamento, Morte, Profecia, Amor, Espaço, Tempo.
Ps: Sala de mistérios do Ministério da Magia
Bruxos com capacidades de executar magia ancestral conhecidos:
Lilian Potter, Alvo Dumbledore, Harry Potter (?), ”
– , acho que isso é especificamente para você. – Nick comentou. E eu fiquei pensativa vendo os nomes ali.
– Isso é muita coisa para pensar. O que acham?
– Eu já ouvi falar sobre magia ancestral. – Erik disse. – Mas nunca pensaria quais são. De qualquer forma acho que tem a ver com suas visões, não é?
– Provavelmente sim.
– Certo, por onde começamos? – Erik perguntou.
– Dumbledore me disse uma vez que essa guerra não é nossa. – Eu disse. – Eu acho que não é um momento certo para irmos atrás disso. São magias poderosas e estamos vivendo um período ruim, se isso cair em mãos erradas...
– Concordo... – Yumi ficou pensativa. – Sinceramente, estou com medo de voltar a Hogwarts esse ano. Ouviram sobre a obrigatoriedade?
– Sim, recebemos uma carta do ministério.
– E acham que isso é à toa? – Yumi perguntou. – Porque eu acho que vai ter algo por trás disso, e como sabemos quem está apavorando todos. Eu sendo mestiça tenho medo.
Um silêncio predominou o ambiente, Yumi tinha razão. Havia muitas notícias sobre nascidos trouxas desaparecendo.
– Eu acho que os mestiços não serão tão perseguidos assim. – Falei me lembrando de que alguns comensais eram também. – Fique tranquila com isso, Yumi. Se ele for desaparecer, vai mais da metade da comunidade bruxa. Eu acho que é mais com os nascidos trouxas.
– Hermione... – Ela murmurou com preocupação.
– Espero que ela esteja bem.
Percebi a presença de Regulus ao canto da sala lendo alguma coisa, ele me encarou e sorriu. Estava começando a ter certeza de que meu filho sabia de bastante coisa.
Agosto chegou voando com notícias bem ruins. O ministro da magia tinha renunciado e agora era Pio Thicknesse, que antes era Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia. Mas como eu tinha o poder da visão, meus sonhos me relataram que o antigo ministro havia sido assassinado. O ministério e o profeta diário agora estavam nas mãos de Voldemort, o que facilitava o terror pelo mundo da magia e dos trouxas.
Enquanto isso estávamos nos preparando para voltarmos para Hogwarts, íamos para o beco diagonal comprar as coisas para o sétimo ano, e dessa vez a carta de materiais já deixava bem explícito que esse ano não aprenderíamos defesa contra artes das trevas.
O beco estava diferente de antes, na verdade todo o mundo bruxo agora vivia em pleno medo. As ruas pareciam sombrias sem alegria, enquanto víamos comensais passeando tranquilamente como se fossem seguranças.
– Isso está bem sinistro! Ouvi falar que os gêmeos fecharam a loja por medo já que são considerados traidores de sangue e bem, tem ligação com Harry. – Nick comentou baixo.
– Na verdade, eles estão abertos, mas apenas por encomendas. – Yumi disse.
– É melhor pararmos de comentar sobre isso. – Sussurrei quando passávamos pelos comensais que nos encaravam por de trás da máscara, notei um me dar um leve cumprimento de cabeça.
– Ele parece te conhecer. – Erik chegou perto notando.
– Talvez, ele me apresentou para a maioria.
Passamos pelos Olivaras e estava tudo destruído, pareciam ter sido queimados por dentro. Isso era ruim, eu espero que ele esteja bem. Fomos a gringotes pegar um pouco de dinheiro e depois compramos nossos materiais, roupas e o que precisávamos para voltar à escola. Antes de irmos embora visualizei silhuetas pequenas bem familiares em um beco. Dobby e Monstro estavam tentando sequestrar alguém, mas não quis me intrometer.
Capítulo 24 – O Beijo de um Comensal da Morte
Passou alguns dias e era dia de voltar à escola. Já estávamos embarcando pelo trem em mais um ano e pela primeira vez não foi uma ida feliz. Todos estavam preocupados, Snape tinha acabado de ganhar o cargo de diretor de Hogwarts e tínhamos dois professores novos, os irmãos Carrow que até então a maioria não sabia que eram comensais. Então para mim já era óbvio que Voldemort mandava também em Hogwarts.
A viagem de início estava sendo tranquila, porém na metade do caminho o trem pára bruscamente, parecido com o que aconteceu no terceiro ano quando os dementadores entraram.
– O que é isso? – Nick perguntou.
– Eles chegaram... – Regulus disse e sombras pretas apareceram sobrevoando fora do trem, causando um susto em todos. Depois de um solavanco a nossa porta foi escancarada por um comensal, assim que ele me viu saiu dali.
– O que eles estão fazendo? – Nick perguntou.
– Vendo se Harry está dentro do vagão. – Falei me levantando.
– , para onde vai? – Erik puxou minha mão me impedindo de sair.
– Fiquem aqui, todos vocês. Eles não podem fazer nada comigo. – Erik soltou minha mão e eu segui o caminho pelos corredores em direção ao vagão dos grifinórios. Conhecendo bem, eles iriam implicar e eu não iria deixar.
Assim que me aproximo ouço uma voz familiar.
– Procurem o quanto quiserem, idiotas. Ele não está aqui! – Era Neville. Antes que eu pudesse me aproximar, uma mão me impede, me puxando para longe dali um comensal.
– O que está fazendo? Como ousa...? – Tentei sair de seu aperto no meu braço enquanto era puxada. Ele achou uma cabine vazia e me colocou para dentro a fechando em seguida.
Eu ainda estava furiosa pela sua ousadia quando encarei ele, então eu notei que de trás de sua máscara havia um par de olhos azuis acinzentados que eu conhecia tão bem. Um brilho prateado ganhou minha atenção em suas vestes, o broche que eu tinha o presenteado confirmou minhas suspeitas. – O que está...
Ele me interrompeu enquanto tapava meus olhos com uma mão e em segundos sua boca estava pressionando a minha enquanto eu me encostava na janela do trem. Por causa disso imaginei que ele tinha tirado sua máscara e não queria que eu o visse daquele jeito.
Eu sentia tanto sua falta, que não me importei em me afastar e nem nada. Eu apenas aproveitei para sentir seu beijo ardentemente apaixonado. Usufruir o momento para sentir seus cabelos com os dedos da minha mão, senti sua mão sendo retirada dos meus olhos e as colocando em minha nuca, mas nem tentei abri-los. Ele se afastou devagar e pôs sua máscara de novo, eu abri meus olhos e ele já estava com seu perfil de comensal da morte de novo. E sem mais nenhuma palavra ele sumiu pelos corredores.
Fiquei ali depois de um tempo ainda em choque, meu coração ficou feliz por um momento, mas começou a doer quando ele se foi novamente. Apenas voltei à realidade quando percebi o trem voltando a andar pelos trilhos. Só precisou de um beijo e alguns minutos para ele me deixar sem reação, esse era o efeito que Draco Malfoy conseguia fazer em mim.
Voltei ao vagão onde estava meus amigos, ainda perdida em meus pensamentos.
– O que aconteceu? Para onde foi? – Yumi perguntou preocupada.
– Eu não sei.
– Como assim não sabe? Você está bem? – Erik perguntou e eu ouvi um risinho baixo de Regulus.
– Ela está bem, só está desconcertada. – Ele disse com um sorriso de lado. Ele sabia.
– Como você...? Você viu?
– Ele passou por aqui, o reconheci facilmente mesmo através das vestes e da máscara. – Regulus disse.
– Quem foi que passou aqui? – Nick perguntou. – Que tal colocar a gente na conversa e explicar por favor?
– Ah, é que era o papai. – Regulus disse simplesmente, sem esconder nada. Fiquei tensa um pouco, mas quando eu ainda o observava, ele parecia tranquilo, não era uma escorregada.
– Seu pai é um comensal? – Erik perguntou em choque e eu tive que segurar meu riso. Vendo de fora aquilo era hilário.
– Estou confusa, o que o pai do Leo tem a ver com a ? – Yumi perguntou.
– Agora que você começou, pode terminar. – Falei desviando o olhar para qualquer canto.
– Regulus, o meu nome. – Ele corrigiu seu nome. – E o meu pai é o Draco Malfoy. – Ele disse encarando o trio colorido.
– O QUÊ? – Os três gritaram surpresos.
– Como assim o Draco é seu pai? Olha sua idade não tem como. – Nick falou, mas depois se arrependeu. – Claro que teria como… Espere. – Os olhos de todos se voltaram para mim. – ELE É SEU FILHO?
– Fale baixo! – Reclamei. – E não entendo por que o Regulus quis contar a vocês.
– Eles iam saber muito em breve de qualquer forma. – Ele deu de ombros.
– Espere, então o Leo se chama Regulus e é seu filho com o Malfoy? – Yumi perguntou. Assentimos. – Uau!
– Do futuro para completar. – Regulus disse.
– Então os primos nunca existiram? Quem eram aqueles outros dois? Por isso desconfiei com a volta do nada deles para casa.
– Max era o meu irmão, que se chama Scorpius na verdade. E o outro era o filho do Harry. – Ele revelou e todos arregalaram os olhos.
– Você realmente resolveu contar tudo. – Falei ainda o analisando.
– Não vai mudar nada. Não existe risco algum, mãe.
– Então o Harry terá um filho. Isso quer dizer que ele vai derrotar você-sabe-quem? – Erik perguntou.
– Não posso responder mais nada sobre isso.
– Certo, isso ainda é muito para assimilar. – Yumi falou ainda pensativa. Os três agora olhavam Regulus atentamente.
– Como não pudemos perceber isso? Estou me sentindo um idiota! Ele é claramente um Malfoy! – Nick resmungou. – Estava mais fácil ele ser parente do Malfoy do que da .
– Hey! – Protestei.
– Mas é a verdade, olhe para ele! O que ele tem parecido com você? Nada.
– Minha personalidade! E o formato do rosto!
– Um pouco quem sabe. Mas olhe pelo lado bom, ele não tem a do Draco, se não ele ia ser insuportável. – Todos riram.
– Mas enfim, por que não voltou para seu tempo como seus irmãos? – Erik perguntou.
– Tenho algo para fazer ainda. Não contem a ninguém sobre isso, continuem a me chamar de Leo. – Todos assentiram.
No escurecer chegamos a Hogwarts, nada parecia fora do normal, apenas o tempo sombrio que parecia cerca a escola. Parecia que o próprio castelo e seus arredores não gostavam dos tempos atuais. Depois de toda a cerimônia de entrada, vimos algumas alterações não muito boas nos professores.
O diretor atual o qual pensávamos que iria ser a Prof. McGonagall, se tornou Snape. O professor de defesa contra artes das trevas era um dos comensais e por isso foi anunciado que a matéria tinha sofrido alteração, agora era Artes das Trevas. Os irmãos Carrow além de professores também foram postos como vice-diretores.
No fim, Hogwarts passava para todos que ainda continuava uma escola como antes, mas dentro era outra coisa. Não tínhamos o que fazer quando o próprio ministério autorizou tudo isso, estávamos de mãos atadas. O problema era bem mais complexo para que apenas alunos como nós resolvêssemos.
Pelo menos o Prof. Slughorn agora era oficialmente diretor da sonserina, eu gostava dele, mas sabia que todos ali estavam sendo obrigados a ter uma conduta do qual não se orgulhariam, apenas para nos proteger.
– O senhor me chamou? – Entrei depois de entrar no escritório de Dumbledore que atualmente Snape estava. O Grifo ainda estava enfeitiçado, estranhei o porquê já que dependendo do feitiço, quando um bruxo falece, o feitiço é quebrado.
– Sim, Sra. Malfoy. – Snape respondeu. – Vamos direto ao assunto. – Ele olhou para a porta parecendo verificar se alguém estava ouvindo. – Apenas nós dois sabemos da real situação e espero que permaneça assim.
– Então você realmente está do lado certo? Isso tudo era parte do plano, não é?
– A única coisa que me importa é que o Potter faça o que deve fazer. O professor Dumbledore me pediu para cuidar de você enquanto isso e interessantemente o Lorde das Trevas me pediu para ficar de olho em você. E sabe o porquê?
– Não tenho ideia.
– É claro que não, mas deve saber que duas pessoas extremamente poderosas ter estado de olho em você não é coincidência. – Ele falou cruzando os braços me analisando. – O melhor a se fazer é não se meter em confusão.
– Eu farei o possível, professor.
– Você é a única aluna que tem a permissão de andar pela escola tranquilamente, e espero que isso não seja um aval para que faça qualquer besteira.
– Espere... O que quer dizer com isso? Ninguém poderá andar livremente?
– Não. Alunos não estão autorizados a andar pelos corredores em nenhum momento. Da comunal para as salas de aula, com exceção na hora das refeições.
– Isso é ridículo!
– Não estamos no mesmo tempo, Sra. Malfoy. As coisas estarão perigosas, e com os irmãos aqui, não terei muito controle sobre tudo. Eles são impacientes, então cuidado. Ah, e mais uma coisa, esta sala só permite eu e você de entrar. – Ele disse antes de voltar a olhar para a mesa cheia de pergaminhos. – Caso queira uma informação, o quadro dos diretores poderá te ajudar. – Ele disse apontando para os quadros. Notei que havia um adicionado recentemente, o do professor Dumbledore.
Então saí pela porta depois de ser dispensada. Os corredores estavam em silêncio, escuros, pareciam sem vida. No retorno ao salão comunal da sonserina, percebi a patrulha dos irmãos Carrow no castelo.
Sem o trio de ouro o castelo foi tomado pelas trevas e ainda Draco não tinha retornado esse ano para Hogwarts, por isso as aulas me afetaram muito. A semana passou devagar demais, nenhum dos alunos podiam ter liberdade para se divertirem fora do castelo, todos sempre pareciam apreensivos. Mesmo a sonserina que tinha vantagens em comparação ao restante das casas, foi afetada. O quadribol foi cancelado devido as ‘ameaças” fora do castelo por Harry Potter, que agora estava sendo procurado pela invasão ao ministério da magia. Ao menos tínhamos aulas normais com os outros professores, tirando artes das trevas.
Aprendemos algumas coisas bizarras, chegando até treinarmos algumas maldições, uma delas era Fogomaldito que para mim era uma das piores para controle. Depois da aula de artes das trevas, encontrei Gina em um dos corredores e me aproximei. Fazia bastante tempo que não a via e nem conversávamos.
– Hey! Quanto tempo, não é?
– Como vai, Aura? – Ela perguntou enquanto parávamos no corredor perto do pátio. Ao menos, pelo dia ainda podíamos apreciar um pouco do sol sem que os irmãos Carrow enchessem nosso saco.
– Tentando adaptar, e vocês? No caso deve ser difícil para os grifinórios, não é? – Ela riu sem humor.
– Sim, eu ainda fico incrédula ao saber o que estamos estudando e com quem.
– Você sabe algo? Do trio. – Perguntei curiosa.
– Não, eles deixaram a gente sem saber por motivos de segurança. Quer dizer, meu irmão até agora está “doente”, mas quem está no lugar dele é o vampiro da família. – Ela disse num tom mais baixo. – Apesar de saber que eles sabem se virar, fico preocupada. Eles fugiram depois do ataque ao casamento do Bill.
– Espero que eles fiquem bem!
– E o Malfoy? – Gina perguntou. – Não vi ele retornando às aulas. Mesmo depois de tudo, pensei que com o controle do Snape ele viria.
– Me pergunto a mesma coisa. Não sei, faz tempo que não o vi. – Disse pensativa, era estranho demais. Ele está bem sendo um comensal? Ou ainda está sendo forçado?
– Desde aquele dia?
– Na verdade, ele apareceu no trem durante a checagem, como um comensal, mas não me pareceu interessado em vasculhar nada. Ele apenas me beijou... – Disse ficando um pouco envergonhada. Gina deu um risinho.
– Provavelmente ele foi te ver. – Ela disse olhando para o chão. – É uma merda a gente está aqui de braços cruzados, enquanto nossos namorados estão nesse bolo todo, com perigos em volta.
– Nossos namorados? Gina? Está namorando o Harry? – Perguntei perdida nas fofocas.
– Sim e não. Ele terminou comigo antes de sumir. – Ela disse e eu entendi o porquê.
– Se serve de consolo, o meu só não fez isso porque estamos casados. – Resmunguei e ela riu.
– Então parece que compartilhamos o mesmo sentimento. – Ela cruzou os braços observando o corredor.
– De todos, eu espero que a Hermione esteja bem. Se algum comensal pegar ela, eu não quero imaginar o que irão fazer... – Disse pensando nela.
– Os meninos não irão deixar eles fazerem mal a ela, tenho certeza! Além disso, ela é inteligente! – Ela comentou tentando me confortar pela preocupação. – A Yumi está com medo por ser mestiça. Ouvi falar que os irmãos estão arranjando uma desculpa qualquer para torturar os alunos mestiços.
– Isso é ridículo! – Exclamei. – Sinceramente, às vezes dá vontade de não me segurar. Meu sangue sonserino me faz pensar em fazer mil coisas, mas sei que isso tornaria tudo pior.
– Você tem coragem de amaldiçoar alguém?
– Depende de quem. Se for em um dos irmãos, eu não hesitaria em nada. E você?
– Eu tenho pavio curto também, mas tenho medo pela minha família.
– Inteligente! – Disse enquanto eu via os irmãos se aproximando. – Melhor a gente se separar. A gente se vê por aí, Gina!
– Até mais, Aura! Ah, não esquece de sempre carregar a moeda. – Ela falou baixo.
Capítulo 25 – Gryffindor
A noite chegou e os corredores esvaziaram, aproveitei para dar uma volta e seguir para o escritório de Dumbledore essa noite. Não sabia se Snape estava por lá, mas talvez os quadros me deem respostas para o que eu procuro.
O único lugar que faltava achar era o scriptorium de Godric Gryffindor e eu tinha muitas suspeitas sobre isso. Yumi era herdeira, como o diretor já tinha revelado, mas não tínhamos mais nada sobre isso. Nem o caderno secreto que ele havia deixado tinha pistas sobre isso.
Depois de chegar no sétimo andar, me aproximei do grifo e facilmente ele deu passagem. Subi as escadas encontrando o escritório vazio.
– Boa noite! – Os quadros me cumprimentaram.
– Boa noite... – Disse enquanto analisava mais uma vez o lugar. Era aconchegante apesar de ser pequeno. Snape tinha deixado o lugar ainda quase igual a antes, o poleiro da fênix ainda estava ali parecendo aguardar sua presença que nunca chegaria. Um sentimento de tristeza me atingiu aos poucos, sentia falta do professor Dumbledore. Assim que me aproximo vejo seu quadro perto da mesa dormindo em uma cadeira, assim que sente minha presença abre os olhos. – Olá professor! É bom te ver novamente, mesmo que seja apenas em um quadro.
– Olá, Senhora Malfoy! É bom te ver de novo, mesmo na minha pós-ventura. – Ele disse arrancando uma fraca risada minha. – Como posso ajudá-la?
– O scriptorium. É aqui, não é? – Perguntei olhando o lugar mais uma vez. – Seria uma perda se não fosse.
– Por que acha que é esta sala?
– Bom, aqui é um escritório, no alto de uma torre. Perto da torre da grifinória e ainda tem um grifo de entrada. Achei que seria plausível ser o scriptorium de Godric Gryffindor.
– De fato! Então, vejo que concluiu a tarefa que enviei a vocês. Está vendo as escadas? – Ele disse apontando para o lado. – Ele dá acesso ao dormitório do diretor, apesar que isso eu mesmo quem aprimorei.
– Sim, concluímos. Mas não entendemos ainda o porquê disso.
– É importante que vocês entendam a origem de suas famílias, principalmente porque os fundadores construíram Hogwarts. Eu penso que talvez vocês tenham uma influência com esse castelo que possa contribuir positivamente no futuro. – Ele sorriu.
– Certo, acho que entendi um pouco. Os outros podem entrar aqui? – Perguntei em dúvida.
– , sabia que a sala não aceita qualquer um? Acho que se lembra que Dolores Umbridge nunca conseguiu, mesmo se tornando diretora de Hogwarts, entrar nessa sala ou se apoderar dela. – Confirmei com a cabeça lembrando do quinto ano. Ela tinha feito a própria sala como diretoria. – Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem.
– Acho que entendi. – Disse tentando seguir a linha de raciocínio. Quem tem coração corroído, ou com alguma intenção ruim nunca terão acesso a sala. Hogwarts ajuda quem merece. – Obrigada professor!
Depois daquela conversa me despedi e segui os corredores indo para o salão comunal. O inverno chegará rápido, dava para sentir a friagem ainda pelos corredores.
– O que está fazendo pelos corredores a noite? Não ouviu o toque de recolher? – Ouvi uma voz chata vindo de trás no escuro. Aleto estava com um Lumus na ponta da varinha enquanto patrulhava.
– Não é da sua conta. – Falei virando para ela. Ao me reconhecer ela fez uma careta, se segurando para não me amaldiçoar. Ela sabia que não podia fazer nada comigo. Por um lado, aquele sem nariz foi útil para mim.
– Sra. Malfoy, bom saber que tem liberdade para passear ao contrário da sua família. – Ela disse com um tom divertido.
– O que quer dizer com isso? – Perguntei irritada. Ela estava querendo me dizer que minha família estava presa?!
– Mas é claro que o Lorde das Trevas não tolerou as falhas de Lucius, mesmo com o filhinho mimado completando sua missão. – Ela debochou. Eu estava me segurando muito para não atacar ela da pior forma. Acabei de saber que minha família pode ser o que fosse, mas não aguentaria outras pessoas falando mal deles, piorou quando era esse tipo de gente. – Eles apenas falam e falam sobre sua nobreza, mas são inúteis para agir.
– Ainda bem que a nobreza deles estão em outra ocasião então, imaginem ser “nobres” que nem vocês? – Disse no mesmo tom de deboche. – Carrow? – Eu ri sarcasticamente. – Quem lembra quem são vocês, afinal? Duvido muito que alguém se lembraria da nobreza de algum de vocês, talvez seja porque não existe. Só são peões, que serão sacrificados em algum momento inútil. E acredite eu estarei de pé ao lado do Lorde das Trevas, vendo vocês caírem, um por um. – Ela estava vermelha de raiva. Sua varinha que estava em suas mãos tremia de pura fúria. Menti um pouco no final? Sim, mas sabia como irritar os comensais.
– Eu pertenço a família dos sagrados 28 e... – Ela esbravejou.
– Ninguém se importa! Vocês estão quase extintos de qualquer forma. – A interrompi sem muita paciência. – Lembre-se com quem você está falando, não sou apenas uma Malfoy. Sou uma ... Herdeira de Salazar Slytherin. Continue a falar mal da minha família e eu não ficarei parada. – A encarei com ódio e segui meu caminho logo depois. Ela com certeza estava querendo me amaldiçoar, mas olha que coincidência eu estava da mesma forma.
Xinguei ela de todas as formas possíveis enquanto andava pelos corredores, cheguei no salão comunal da sonserina com alguns alunos acordados. Estranhei a reunião, a maioria era meus amigos e o time.
– O que estão fazendo? – Perguntei.
– Olá, princesa! – Zabini respondeu. – Estamos apenas conversando.
– Não me parecem entusiasmados. – Disse observando todos que pareciam sérios demais.
– Não estamos mesmo, essa escola está tão sem vida. – Nott resmungou. – Já soube das novidades? – Ele perguntou enquanto eu me juntava a eles na lareira.
– Qual?
– Os alunos que estão indo para detenção estão sendo torturados, e é bem pior que na época da Umbridge. Os grifinórios estão começando a fazer movimentos estranhos. – Ele disse preocupado.
– Ela vai ficar bem, Theo. – Disse a ele sabendo que no fundo sua preocupação estava na Yumi. Ele me olhou agradecendo o conforto das palavras.
– Alguns alunos estão adorando isso. – Ouvi a voz de Dafne pela primeira vez ali.
– Deixa eu advinhar? Sonserinos? Não tem muito o que fazer quando a maioria dos pais da gente são comensais. Mas vocês parecem ter mudado de ideia, não é? – Perguntei curiosa. Tirando Theo, eu desconfiava que a maioria gostava de poder.
– Nunca dei a mínima. – Dafne falou. – Acho que uma coisa que eu aprendi foi sobreviver.
– Crabbe e Goyle estão adorando. – Nott falou com desprezo.
– Eles são dois idiotas.
– E advinha quem andava com eles. – Ouvi Davis me alfinetar. O encarei como um aviso. Bole o repreendeu com uma cotovelada. – Desculpa, . Mas o que ele está fazendo?
– Por que se preocupam tanto em saber o que ele está fazendo? – Perguntei me levantando. – Já notei que a maioria o reconhece como líder, mas o Draco nem tem controle da vida dele. Vocês precisam parar com isso e tentar pensar por vocês mesmos. – Um silêncio tomou conta da comunal.
– Acho que o vemos como um líder porque precisamos de um. – Pansy disse. – Não temos ninguém legal para nos orientar, sempre somos manipulados.
– Ou, estamos vendo o líder errado. – Nott disse me encarando.
– O que quer dizer com isso?
– Sim, a única pessoa que está nos dando conselho agora é você. – Ele disse.
– E na minha opinião, não tem nada de manipulação nisso. – Era vez de Zabini. – Sempre soube que tinha talento para capitã de alguma coisa.
– Eu não tenho talento para liderar ninguém... – Eles me olharam debochados me fazendo limpar a garganta – Pelo menos nunca notei.
– Olhe a sua volta. – Regulus disse. – Quando veria todo mundo aqui junto? – Eu observei a dupla de prata, as meninas e o time da sonserina ali presente. Realmente nenhum deles no começo sequer interagiam, sempre ficavam na própria bolha. – E ainda fez um sonserino e uma grifinória namorarem.
– Hey! – Nott protestou com a revelação. Regulus deu de ombros.
– Todo mundo já sabe.
– E nos fez a gente pensar um pouquinho as nossas atitudes. – Montague falou. – Fiquei até feliz de reprovar um ano por causa do time novo. – Eu ri fraco. Montague que era um verdadeiro marrento e violento em campo, mudou muito de uns tempos para cá.
– Acha mesmo que é a princesa da sonserina atoa? – Zabini perguntou.
– Não invente coisas, Zabini, isso foi uma brincadeira.
– Pode até ter sido, mas você se encaixou muito bem. Ninguém da nossa casa tem coragem de te enfrentar e não é por medo... Eles gostam de você. Te respeitam!
– Eu tenho que concordar, apenas um líder tem respeito entre os sonserinos. – Sophie sorriu.
– Está bem! Apenas parem com esse bajulamento todo. – Eles riram pela minha careta feia.
– Posso sugerir algo? – Bole perguntou levantando a mão tímido.
– Depende...
– Você é da Armada Dumbledore. – Ouvi alguns bufarem. – Ouvi falar que aprendeu a se defender, por que não nos ensina?
– Como é? Como sabe disso? – Perguntei em choque.
– Ah, eu ouvi falar. – Ele limpou a garganta. Certeza que foi o Nicholas.
– Ficou maluco, Bole? – Montague perguntou.
– Que mal faz? Aprendermos a nos defender... A gente só teve um ano em paz para aprender com o professor Snape.
– Vocês querem aprender feitiços para se defender ou atacar?
– Os dois? – Zabini disse rindo. – Ah qual é, não usaremos para lançar em alunos aleatórios! Eu achei a ideia legal.
– Não irei passar as informações da A.D. para vocês se querem isso.
– Ora essa, a gente não quer nada com o povinho do Potter! – Montague reclamou. Suspirei pensativa.
– Irei pensar no assunto, mas com os irmãos das trevas aqui acho muito difícil.
– Então perfeito! – Dafne disse encerrando o assunto. Todos se retiraram para os dormitórios em seguida e eu fui em direção ao corredor dos quartos dos monitores. Naquele ano não tinha um monitor na sonserina, o que me deixava mais nostálgica.
Parei perto do quarto que era de Draco pensando se era uma boa ideia entrar ou não. Então apenas entrei. O quarto não estava como antes, era óbvio, os elfos provavelmente tinham arrumado antes das aulas começarem, porém ainda havia um resquício do perfume do Draco ali. Me joguei na cama olhando para o teto ainda pensativa, de alguma forma aquele quarto me fez sentir confortável.
Era óbvio o quanto sentia sua falta, tentava me distrair de todas as formas, até porque a vida continuava. Mesmo depois de o encontrar no trem, a saudade não foi saciada. Como eu podia estar tão dependente dele assim? Tinha raiva de mim mesma por me sentir assim.
Depois de saber que os Malfoy e muito provavelmente minha mãe estavam proibidos de sair de casa, me segurei para não sair daqui e ir visitá-los. Eu podia não era? Mas não sabia se seria uma boa ideia. Eu tinha medo de fazer qualquer bobeira, eu estava tentando não aparecer diante do Lorde das Trevas mais do que necessário. Não queria que ele inventasse mais ameaças sobre minha família, já bastou o ano passado.
Resolvi adormecer por ali mesmo. Me ajeitei na cama ainda perdida nos meus pensamentos e no cheiro daquele quarto.
Nessa noite tive sonhos. Muitas mortes, mortes de pessoas próximas. Em breve uma delas era de Dobby.
Acordei assustada como sempre. Tentei recuperar minha respiração e lembrar o que aconteceria e quando, foram tantos flashs que eu não consegui entender. Fechei os olhos como aprendi nas aulas de adivinhação.
Mansão Malfoy, o trio de ouro, aparatação, punhal jogado por Bellatrix... antes da invasão de gringotes, taça de Helga, muitos duendes mortos.
Abri os olhos voltando ao presente. Não havia neve no sonho e estávamos perto do Natal... Então acho que seria apenas na próxima estação, ao menos dava para pensar. Dobby poderia ser salvo? Mas como? Eu teria que pensar em como parar aquele punhal.
Capítulo 26 – O Segredo de um Malfoy
Pela manhã tive aula de poções e transfiguração então foi bem tranquilo. O professor Slughorn tinha me chamado para um chá mais tarde para conversar sobre meu futuro, acho ele que sabia que eu queria ser mestre em poções. Aproveitei um tempo para conversar adequadamente com Regulus.
– Está livre agora? – Perguntei encontrando-o pelos corredores das masmorras.
– Sim, por quê?
– Precisamos conversar, em um local mais quieto. – Peguei em sua mão e o arrastei até a biblioteca, ainda sob olhares curiosos. No meio do caminho vimos uma parede pichada escrita: Armada de Dumbledore o recrutamento continua. Eu sabia que eles estavam se reunindo, desde que Gina me disse sobre o galeão, ele vinha mudando.
Eu nem sequer tentei participar porque os grifinórios não eram muito discretos e isso podia ferrar comigo. Talvez o que Bole me disse seria uma boa ideia, porque não recrutar sonserinos na calada da noite?! Ninguém ia suspeitar que os sonserinos se aliaram para defender Hogwarts, já que também não sabiam sobre uma batalha futura. E Voldemort não teria tempo de pensar em me matar por causa disso, afinal, eu estaria ajudando Hogwarts e não Harry como tinha falado.
Voltei aos meus pensamentos em foco em Regulus, tinha muita coisa que ele estava escondendo e eu precisava descobrir algumas coisas. Fomos até a biblioteca e escolhemos uma mesa distante para conversarmos.
– Pode ir falando...
– O quê? – Ele perguntou se fazendo de sonso.
– Por que anda tão calado e afastado? Não acha que tá na hora de saber? – Perguntei e ele suspirou pesadamente.
– Tem algumas coisas que você precisava descobrir sozinha, que nem a magia ancestral.
– Espere... Então sabe sobre isso? – Perguntei levantando uma sobrancelha.
– Eu também uso. – Ele limpou a garganta. – Seus genes passaram para mim, talvez o meu controle de ver o futuro seja melhor por causa disso.
– Diga mais...
– A nossa magia ancestral veio de Merlin também, então eu sei que depois você estudará bem sobre isso. Pensamento, Morte, Profecia, Amor, Espaço, Tempo, todos eles fazem parte do universo, se aprender a respeitá-los poderá utilizar alguns, como já utilizam. – Ele dizia olhando para a mesa e em seguida para mim. – A sua magia é da profecia. Ainda não se sabe sobre todas, sei apenas o que me disseram.
– Certo, acho que estou entendendo.
– A profecia é feita por videntes. Nós dois, apesar de vermos o futuro, ainda temos controle de ignorá-lo, ao contrário da professora de adivinhação. Amor é um dos mais poderosos, se sacrificar por alguém que ama muito... Sabemos disso por causa de Harry Potter quando sobreviveu a maldição da morte. Tempo... É o que conhecemos como vira-tempo. Como os bruxos podem voltar no tempo. – Percebi os olhos de Regulus se tornar azuis escuros, o brilho tinha se perdido.
– O que houve? – Perguntei.
– É que eu nasci com um poder desconhecido... o do tempo. Mãe, não foi o relógio do papai que me fez estar aqui. – Ele começou a falar língua de cobra, então sabia que a conversa era séria. – Eu consigo voltar no tempo quando eu quiser, porém isso me fez cometer um erro. – Ele se ajeitou na cadeira inquieto em silêncio.
– Sabe que pode confiar em mim, não é? – Perguntei a ele, preocupada. Nunca tinha visto ele tão sério.
– Quando eu era mais novo… – Ele parou por breve momento antes de continuar. – ...eu perdi alguém importante, meu melhor amigo. Foi um acidente no nosso segundo ano em Hogwarts. Eu sofri muito com isso... então eu voltei no tempo sem querer, mas assim que percebi o que estava acontecendo eu inocentemente mudei muitas coisas. – Ele suspirou parecendo relembrar as coisas em seus pensamentos. Eu observava com cuidado seu rosto que estava tenso e dava para ver que Regulus ainda sofria com isso. – Sem orientação eu baguncei o tempo. Resultado disso, eu fiz você morrer. Nem Andrômeda e nem Scorpius existiam. Foi então que percebi que mudar algo mesmo que mínimo pode haver consequências.
– É por isso que pegava no pé dos meninos. – Eu disse entendendo tudo. Regulus nunca deixou escapar nada do futuro porque já tinha feito besteira. – Mas o que fez então? É por isso que está aqui?
– Não. No mesmo ano eu consegui reverter tudo... E desde aquele dia eu não viajo mais, já que tenho controle. Eu não ia suportar ver você morrer novamente. – Ele me olhou novamente, mas dessa vez seus olhos estavam cheios de lágrimas. Sem aguentar eu o abracei, confortando-o.
– O papai ficou arrasado...
– Mas estamos em outros tempos, isso não vai acontecer, não é? – Eu disse.
– Espero, mas tem riscos. Por isso evito estar me metendo em tudo. – Ele se afastou enxugando as lágrimas que tinham caído pelo rosto.
– Me lembre de te apoiar nisso futuramente. – Falei e ele riu.
– Não se preocupe! E sobre o resto das magias, ainda não se sabe muito…
– Obrigada por me contar, Regulus. – Sorri, pegando e apertando sua mão. Apesar de ser uma mãe do futuro, era óbvio o quanto eu me conectava com ele, ainda que não tenha o gerado atualmente. Eu o via como um garotinho, apesar de termos a mesma idade.
– E mudando de assunto, tenho procurado um animal. – Ele se ajeitou voltando ao semblante Malfoy de sempre, deixando seus sentimentos de lado.
– Animal?
– Quando eu o achar, irei te mostrar. – Ele sorriu. – Assim que eu o encontrar, terei que partir, não posso estar aqui quando a batalha começar. Essa batalha não é minha. – Ele deu de ombros.
– Não gostei muito dessa ideia. – Resmunguei. Já tinha me acostumado com sua presença.
– Ora essa mãe! Não posso ficar aqui o tempo todo, tenho outra mãe no futuro doida para me ver novamente. – Eu gargalhei. Eu adorava quando Regulus me chamava de mãe, era bem fofo.
– Coitada, quando isso acontecer eu vou puxar sua orelha. – O ameacei.
– Pelo menos você já vai saber o que vai acontecer.
– Mudando de assunto, qual a data do seu aniversário? Você já tem um ano aqui e aposto que omitiu isso. – Falei e ele riu.
– Eu omiti mesmo, acha que sabendo quando vou nascer não poderá ter risco algum?
– Não. Aí que eu ia planejar sua vinda.
– Ah não, me poupe do seu planejamento! – Ele fez cara de nojo.
Tentei fazer as contas baseado no ano de Hogwarts dele e do Scorpius e ele se desesperou. – Não! Pare com isso! Eu posso te dar dicas! – O encarei esperando. – 30 de outubro. O ano eu não posso revelar... – Ele pigarreou. – E por favor não faça as contas.
– Por que seu nome é totalmente o contrário do mês de nascimento? – Perguntei sabendo que Regulus era uma estrela de Leão.
– Mãe! – Ele revirou os olhos. – Não me faça perguntas, e você quem me deu, terá que saber sozinha.
– Então me fale o aniversário dos seus irmãos... É uma troca justa!
– Apenas o mês, tá bom?! Scorp em novembro, Dromeda em dezembro.
– Hm, mesma época que as constelações estão visíveis. – Disse lembrando das aulas de astronomia. – Só você que é fora da curva. – Ele deu de ombros rindo.
– Não esqueça que foi sua ideia e do papai. Falando nisso... Está bem? Sobre tudo que tá acontecendo com vocês separados. – Ele perguntou me observando.
– Eu não sei. É uma coisa que não tenho controle, só espero o dia que possamos nos ver novamente e pelo menos conversar.
– Eu torço por vocês! – Ele disse brincando com algum livro na prateleira perto da mesa.
– Regus. – Chamei por um apelido que acabei de inventar. Ele me olhou rapidamente por instinto. – Nós nos damos bem, no futuro? Eu e Draco.
– Não se preocupe com isso, não é à toa que vocês tiveram três filhos. Vocês têm uma boa parceria.
– Menos mal...
Nossa conversa foi esclarecedora em muitos pontos. Regulus era um bom garoto, não parecia que tinha passado por um trauma de morte tão cedo. Por isso ele parecia bem mais maduro. Mais tarde fui ao encontro do professor Slughorn.
– Com licença, professor. – Entrei na sala depois que ele mandou entrar.
– Oh, Sra Malfoy! Entre, por favor.
– Queria me ver professor?
– Sim, o professor Snape me pediu para lhe observar em poções, ele disse que está querendo seguir a profissão. – Ele disse se levantando da mesa.
– É, sim. Eu pretendo, eu gosto apesar de ter um pouco de dificuldade.
– Dificuldade? Na minha aula você sempre foi boa.
– Ah, isso porque Draco me ajudou bastante ano passado.
– E esse ano? Ainda estou vendo boas habilidades, apesar do que está ocorrendo pela escola.
– Obrigada, tenho me esforçado um pouco para me distrair também.
– Irei te dar meu exemplar de poções avançadas, tem algumas anotações, talvez vá ser de grande ajuda. – Ele disse pegando o livro da mesa e me entregando.
– Obrigada, professor. Posso te fazer uma pergunta?
– Claro!
– Você é um sonserino muito diferente da maioria, você não o apoia, não é? – Perguntei e ele ficou sério, pensativo.
– Claro que não! Ele é perverso e eu me arrependo de tê-lo como aluno, apesar da genialidade.
– Se alguma batalha ocorresse, o senhor iria lutar ou fugir? – Ele me olhou um pouco chocado pela pergunta.
– Eu... É difícil. – Ele virou as costas. – Eu me culpo por algumas coisas senhorita, não me escondi apenas por medo.
– Ser sonserino às vezes me deixa em dúvidas. Por que a maioria vai pro lado das trevas?
– Todos nós temos um lado sombrio, minha jovem. Apenas não temos a necessidade de escondê-lo, fazemos o que é necessário para sobreviver. Minha mãe sempre dizia que para um sonserino mostrar sua verdadeira face é só mexer com seu orgulho.
– Podendo ser a face de luz ou trevas, não é?
– Claro! E que bom que temos a face boa não? É só ver que temos muitos bruxos poderosos e que nem todos foram ruins. A senhora mesmo tem um descendente que era bom e outro fora da curva. Porém o que todos têm em comum é serem habilidosos, sábios. Não somos astutos a toa! – Ele sorria.
– Bom saber disso.
– Mas acho que essa filosofia toda tem um propósito, não é?
– Eu tenho alguns pensamentos para o futuro e talvez eu ajude Hogwarts com isso se tudo der certo. É hora dos tempos mudarem.
– Oh! Estarei ansioso para ver suas ideias algum dia. Por isso Albus comentou sobre você... Ele disse que você era especial para Hogwarts.
– Ele disse? – Perguntei um pouco surpresa. Ele confirmou com a cabeça.
– O mundo perdeu um grande bruxo, mas está formando outros. – Sorrimos.
Capítulo 27 – A Câmara Secreta
O Natal chegou e muitos alunos preferiram ficar em Hogwarts, as aulas tinham acabado, mas ainda não estávamos autorizados a sair normalmente. Eu, Yumi, Erik e Nick já tínhamos conversado sobre o scriptorium de Gryffindor, fiquei sabendo que a A.D estava novamente se reunindo na sala precisa e com muito mais gente.
– Tenho que contar a vocês algo. Quem sabe vocês têm uma ideia melhor. – Eu disse enquanto estávamos no salão principal. – Querem que eu ensine algumas pessoas a se defender na sonserina, mas não querem se envolver com a A.D. por ser perigoso, entende?
– Quem quer? – Nick perguntou.
– Alguns alunos.
– Eles não querem por ser perigoso ou com medo de manchar o orgulho? – Yumi perguntou seca. Mas não parecia ser com a gente.
– O quê? Não! É perigoso para nossa família. Enfim... Brigou com o Theo, foi? – Perguntei desconfiada.
– Nos desentendemos.
– Como sempre. – Erik disse. – Vocês, de uns tempos para cá estão que nem cão e gato. Continuo a achar grifinório e sonserinos um match ruim.
– É um pouco difícil, mas não é impossível convivermos. Acontece que os dois são orgulhosos. – falei imaginando a característica de todos os grifinórios.
– Mas um nunca dá o braço a torcer. – Yumi disse.
– Mas quando se juntam, saiam da frente. – Sorri.
– Como seria se você e o Harry tivesse fluido bem? – Erik perguntou.
– Ia ser uma bomba. Eles estão em lados opostos da guerra, mesmo que não seja por querer... – Yumi comentou.
– Mas então, vamos ao foco? – Nick perguntou. – Qual ajuda que quer diante disso?
– Então, precisamos de um lugar secreto e eu não tenho ideia. Os irmãos bloquearam todas as passagens para fora de Hogwarts. – Todos pareciam pensativos, até que Erik sorriu de lado parecendo ter uma ideia.
– Você deveria saber que há um lugar especial.
– Onde? Me poupe de enigmas Anker, diga de uma vez. – Ele gargalhou.
– Não tem graça sem! Pare e pense um pouco, . Sua casa é responsável por um lugar perfeito que foi lar de um bicho com olhos mortais.
– Mas é claro! A câmara secreta! – Exclamei animada. Eu tinha esquecido dela.
– E para ser perfeito, apenas um herdeiro pode abri–la. Com exceção de Harry Potter por motivos desconhecidos.
– Se for que nem o scriptorium, aposto que precisa saber a língua de cobra. – Yumi comentou. – E Harry sabe falar.
– A única coisa é que eu não sei onde fica a entrada. – Suspiramos em conjunto.
– Os únicos que sabem é o trio de ouro. – Nick comentou me fazendo lembrar de algo.
– Não! Há uma pessoa que foi levada para lá, Gina Weasley!
– Ela não tinha voltado para casa? – Yumi comentou.
– Merda! Tinha esquecido disso. Acho que irei ter que apelar para algum professor... – Falei observando todos os professores na mesa. Será que a prof. Mcgonagall poderia me ajudar?
Fui até sua sala depois do jantar, mas infelizmente descobri que apenas poucas pessoas sabiam da entrada. Então pensei em quem tinha sido petrificado naquela noite, mas eu duvidaria que eles lembrassem de algo. Voltei ao salão comunal derrotada, foi quando me bati com meu primogênito.
– Regulus! – Ele se assustou. – Ainda bem que apareceu. – O puxei pelo braço em um canto da comunal, perto das janelas.
– O que houve?
– Sabe a entrada da câmara secreta? – Perguntei e ele me olhou com sarcasmo.
– Não me olhe assim, eu sou sua mãe!
– Está se acostumando mal me pedindo informações.
– Então você sabe, não é? – Ele suspirou pesadamente.
– Procure a murta que geme, fantasmas às vezes observam mais que os vivos. – O abracei em agradecimento e sai correndo em direção ao banheiro feminino no segundo andar.
Assim que entrei já ouvi seu resmungar. Era a hora perfeita de agradecer a murta por ter me alertado sobre Draco no sexto ano.
– Murta?
– Quem está aí? Ah, é você. O que quer? – Ela percebeu minha presença flutuando em cima do banheiro.
– Não seja assim. Bom, vim agradecer pelo aviso sobre Draco. Obrigada!
– Não deveria ter avisado, não é? Depois daquele dia ele parou de falar comigo... Pensei que ele poderia te largar...
– Infelizmente isso está fora de questão. Mudando de assunto, sabe o que está acontecendo no mundo bruxo? E com Harry Potter?
– Harry? Ele está bem?
– Eu espero que sim, ele tem andado ocupado fora de Hogwarts, fugindo de você sabe quem.
– Ahh, não quero nem pensar nele. – Ela balançou a cabeça.
– Enfim, você sabe onde é a entrada para a câmara secreta, não é? Preciso encontrá-la.
– Você é uma herdeira de slytherin, irá colocar outro monstro aí dentro? – Ela se aproximou um pouco rude. Mas percebi algo estranho em sua fala.
– Não! Por que eu faria isso? Apenas quero ensinar os alunos secretamente a se defender. E o que quer dizer com “aí dentro”?
– Na época Harry abriu a pia do banheiro. Foi onde eu lembro de ter visto os olhos amarelos, aí ele com o garoto ruivo e um professor abriram a pia. – Ela dizia enquanto eu me aproximava da pia. Observei atentamente e percebi relevo de cobra na torneira.
– Abra!
Rapidamente a pia se abriu, sumindo e dando origem a um cano no chão.
– Obrigada mais uma vez Murta! – Falei antes de escorregar pelo cano.
Parei de escorregar e cair em uma pilha de ossos de pequenos roedores. Peguei a varinha de Salazar e com um feitiço Lumos, clareei a ponta da varinha. Ela não parecia mais fraca que nem antes.
– Voccccê acha que é ssssseguro aqui embaixo? – Titã resolveu aparecer depois de algum tempo.
– Olha quem resolveu aparecer. – Ele ficou calado.
– Eu não conssssigo mais vir com muita frequência. Depois você precisa procurar Monsssstro para contar mais sssssobre mim. – Ele me lembrou.
– Oh, claro! Depois veremos sobre isso. – Falei me aproximando de outra porta que parecia a entrada para um túnel. – Aqui é uma rede de canos bem interessante! O que me deixa mais curiosa sobre os segredos de Hogwarts.
– Percebo que esssstá maissss desssstemida.
– Sim, acho que depois de ver você–sabe–quem de frente, nada mais me abala muito. Abra a porta! – Disse mais uma vez em língua de cobra. E como eu imaginava a porta deu acesso a mais um túnel.
Depois de descer os degraus vi uma câmara enorme, escura, mas com luzes esverdeadas tentando iluminar o local. Me lembrava muito do nosso salão comunal. O teto não dava para ser visualizado, apenas uma escuridão. Andei pelo corredor que nas suas duas laterais possui várias estátuas de serpentes.
Mais na frente o rosto de Salazar Slytherin era notado perto de uma grande poça d’água. Perto da poça havia um esqueleto enorme de uma serpente, provavelmente o basilisco que Harry matara no segundo ano.
– Então finalmente achou. – Titã disse enquanto flutuava e observava o local.
– Sim... – antes que eu pudesse falar algo mais uma pequena dor de cabeça começou a surgir. Dessa vez eu não lutei, apenas deixei que a visão do futuro viesse naturalmente.
Rony e Hermione estavam nesse lugar para fazer algo importante com a presa do basilisco. Destruir uma taça, a taça de Helga Hufflepuff.
A minha visão clareou novamente me fazendo voltar ao tempo atual.
– Certo, entendi. Não podemos tocar no basilisco, a presa dele ainda tem veneno. Então teremos que preservá-lo se quisermos treinar por aqui.
– Masss o esssspaço é enorme, apessssar de ter água em todo lugar.
– Acho que já sei como irei fazer. – Disse voltando para o início da câmara tentando achar a saída. Para voltarmos para o banheiro teria que ir voando, então preferi explorar mais os canos. Impossível não ter outra saída, não quando o basilisco se movia pelos canos de Hogwarts.
Foi um pouco cansativo, mas consegui. Depois de alguns canos e algumas escadas, cheguei a uma passagem que dava acesso a outro banheiro na masmorra e só abriria em linguagem ofídica.
– Tenho certeza de que seria melhor trazer vassouras. – Falei baixo analisando o corredor.
“Está limpo.”
Fui direto para meu quarto já que estava bem tarde.
A semana tinha passado, o ano estava acabando eu fui até a cozinha onde se encontrava os elfos. Pelo que eu me lembro a cozinha ficava atrás de um quadro de frutas perto da comunal da lufa-lufa.
Assim que entrei, dei de cara com muitos elfos, ninguém pareceu perceber minha presença, a não ser Dobby é claro.
– Oh, Senhora Malfoy!
– Oi Dobby, pode me chamar de . – Sorri gentilmente.
– É difícil para Dobby chamar os bruxos pelo seu nome, senhora.
– Tudo bem, como queira. Eu estava mesmo querendo falar com você! Eu vi você e o Monstro da outra vez, teria como me ajudar chamando-o?
– Claro, só preciso de um segundo. – Ele sorriu e plac, ouvi um ruído quando ele aparatou. É incrível como o poder dos elfos de ir e vir ultrapassa a magia poderosa em Hogwarts, já que bruxos não podiam se apartar por aqui. Depois de um minuto ouvi novamente outro ruído e dessa vez Monstro estava com ele.
– A senhora Malfoy me chamou? – Monstro se curvou me cumprimentando.
– Olá, Monstro! – O cumprimentei. – Obrigada, Dobby!
– Não há de quê!
– Não posso demorar muito senhora, o senhor de Monstro me prometeu esperar notícias logo. – Ele disse sussurrando.
– Você está falando sobre Harry? – Sussurrei junto. Ele confirmou. – Ele está bem?
– Sim, da última vez que Monstro viu, todos estavam bem.
– Bom, queria saber sobre o patrono que comentamos antes.
– Ah, Monstro não sabe muito sobre isso. Apenas o que tinha lhe dito, senhora. O meu senhor, quem falou sobre isso quando foi ao cabeça de javali.
– Cabeça de Javali? – Perguntei pensativa. Era o restaurante em Hogsmeade que ocorreu a reunião da A.D. – Bom, isso já é alguma coisa. Obrigada Monstro! – Ele fez outra reverência e foi embora.
– Dobby sabe de algo que talvez lhe interesse, senhora! – Dobby se aproximou novamente. – O dono do cabeça de javali é um Dumbledore. Caso queira ir até lá, encontre a sala precisa. – Ele disse enigmático e sorriu. Dobby era muito fofinho, principalmente quando entendeu o que era ser um elfo livre.
– Você é demais, Dobby! Obrigada! – Disse fazendo um carinho no topo de sua cabeça. Em seguida sai da cozinha em direção ao salão principal para jantar. Avisei aos meus amigos para me encontrar no sétimo andar depois, em frente a sala precisa e não podíamos ser vistos.
Continua...
Nota do autor: Sem nota.
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