Capítulo 28 – Magia Ancestral
Antes que a maioria dos alunos se recolhessem, eu me levantei da mesa da sonserina indo em direção a sala precisa. Não demorou para eu ver Yumi, Erik e Nick chegando separadamente.
– O que houve?
– Tenho uma pista, explicarei mais tarde. – Disse me aproximando da porta, sem precisar dar três voltas, a sala apareceu.
Assim que entrei eu vi um grande salão parecendo um dormitório, mas estava diferente. Tinham muitas cabines com redes e tapeçaria das casas de Hogwarts, havia um leão dourado sobre o fundo vermelho da grifinória, um texugo preto sobre amarelo da Lufa lufa e a águia bronzeada sobre azul da corvinal. Cada cabine pertencia a um aluno.
– O que é isso?! – Nick perguntou deslumbrante.
– OH! Novos recrutas! – Neville chegou animado. – Bem-vindos!
– O que está acontecendo, Neville? Estamos na A.D?
– Sim, na hora certa a sala apareceu para mim. O que acha? Faz tempo que não aparece junto a nós, .
– É bom te ver também, Neville. Mas cadê a Gina e a Luna? Não deveria estar junto com você?
– A Gina deve estar por aqui em algum lugar. A Luna infelizmente foi sequestrada.
– Sequestrada? – Yumi perguntou em choque. – Mas como?
– O pasquim, não é? – Erik disse pensativo. – O pai dela estava publicando coisas que não iria agradar os comensais.
– Sim, aconteceu no trem. Estou preocupado, mas não temos muito o que fazer. – Ele disse e eu me lembrei do meu sonho. Luna estava na mansão Malfoy.
– Ela está bem. – Falei. – Mas agora, precisamos da sua ajuda, Neville.
– O que precisam?
– Dobby me contou sobre um Dumbledore em Hogsmeade, sabe sobre isso? Ele disse que vindo até aqui vocês saberiam.
– Ahh! Aberforth Dumbledore, o irmão do diretor. – Ele disse. – Ele é quem comanda o cabeça de javali.
– Sim, isso mesmo. Precisamos ir até ele.
– Então está na sala certa. Temos uma passagem secreta aqui e isso leva diretamente ao cabeça de javali, porém não aconselho a ir agora. Hogsmeade está em toque de recolher, apesar de que leva até dentro então é seguro.
– Toque de recolher? Por quê? Pensei que era só aqui na escola.
– Não mesmo, não existem só os Carrow aqui. Tem muitos do lado de fora vigiando, porque sabemos que o Harry uma hora irá voltar. – Ele disse.
– Não só os Comensais! – Ouvi a voz da Gina se aproximando. – Existem dementadores, muitos. É praticamente sombrio.
– Interessante. – disse com certa curiosidade. Uma certa ideia me surgiu na cabeça, eu poderia brincar com os comensais qualquer dia desse, eles não poderiam me ferir de qualquer forma. – Nós precisamos ir agora para a cabeça de Javali.
– Ótimo! Eu estava indo para lá, precisamos de comida de qualquer forma. Muitos não estão saindo daqui por medo. – Ela disse e eu notei que alguns alunos tinham sido feridos no rosto ou nos braços.
– E se quiser, a sala pode mudar para algumas cabines verdes. – Neville sorriu me fazendo sorrir também.
– Sinto muito, mas dessa vez terei que ficar de fora, acho difícil outros sonserinos virem aqui sem bagunça. Mas estarei de olho no galeão se algo acontecer. E não pense que estou parada vendo tudo acontecer... – Acompanhei a Gina até o porta retrato.
– Bom, vamos caminhar um pouco agora, a passagem é por aqui. – Gina disse me levando até um corredor escuro. Erik, Nick e Yumi vinham logo atrás.
– Eu sinto falta do quadribol. – Ela comentou.
– Eu também, pelo menos, era uma boa distração. Apesar da pancadaria. – Eu ri acompanhada dela.
Depois de alguns minutos chegamos a outro porta retrato, Gina bateu com alguns toques e um homem com barba branca atendeu. Ele era bem parecido com o Prof. Dumbledore.
– Vim com uma visita.
– Sonserinos? Nem pensar! – Ele quase ia fechando a entrada na nossa cara depois que me viu.
– Rabugento não é mesmo? Somos os herdeiros de Hogwarts! – Disse rápido fazendo ele parar um momento.
– Herdeiros de Hogwarts? Não me diga que o que meu irmão disse era verdade?! – Ele perguntou deixando a gente entrar no bar. – Vocês são os descendentes dos fundadores? Eu pensei que não existissem mais nenhum além dos Smith.
– Pelo visto, muita gente sabia sobre a minha família, menos eu. – Nick limpou a garganta.
– Você é um Smith? – Ele perguntou. Gina nos encarava um pouco confusa, ela sabia só sobre algumas coisas.
– Desculpe, vamos nos apresentar. – Cutuquei Nick. – Comece!
– Ahn, eu sou Nicholas Smith!
– Yumi Rizzi, Grifinória.
– Erik Anker, Corvinal.
– Malfoy, Sonserina.
– Malfoy? Não tem como piorar. – Ele se levantou agoniado – E deveria estar por aqui? – Ele perguntou a Gina que deu de ombros.
– Meu nome de solteira era . – Disse sem muito humor, percebendo que ele já me odiava. Mas depois de falar sobre meu sobrenome ele ficou interessado e mais calmo.
– ? A senhorita vem de uma família que parte era comensal, mas soube que sua avó era uma Spencer. Seu pai era Adrian , um grande homem.
– Pelo visto o diretor conversou com você.
– Algumas coisas. Mas o que estão fazendo aqui?
– Dobby, nos mandou procurá-lo para sabermos sobre o patrono de magia ancestral.
– Hmm... Se está curiosa sobre isso é porque já viu em algum lugar.
– Titã – Invoquei titã. Assim que ele apareceu sobre sua fumaça esverdeada, os olhos de Aberforth ficaram surpresos.
– Isso é...
– Monstro me falou sobre uma magia ancestral que envolvia um patrono. Eu invoquei Titã quando era mais nova sem saber nada sobre ele... Ele veio dessa varinha. – Disse lhe mostrando a varinha de Salazar.
– Não! A varinha é apenas uma fonte fixa com uma pequena fonte de magia ancestral, mas ele é seu. Ele é o seu patrono!
– Impossível! Eu nunca consegui conjurar um patrono...
– Nunca? – Neguei novamente. – Mas de algum jeito você fez... Talvez sem saber. Você não sabe o que pode fazer, não é?
– É por isso que vim aqui, não sei sobre isso. – Ele olhou para as janelas.
– Se não tivesse a noite eu pediria a você para conjurar um patrono, mas seria muito perigoso. Todos vocês sabem conjurar? Ou só ela que não? – Ele perguntou olhando para todos.
– Aprendemos em reuniões da A.D. – Yumi disse.
– Eu fui a única que não consegui direito. – Resmunguei.
– Porque não está sabendo utilizá-lo! Você já tem um patrono conjurado, por que teria que conjurá-lo novamente?
– Faz sentido. – Erik comentou.
– Precisa treinar a canalizar seu poder ancestral, assim vai poder utilizá-lo normalmente. Todos vocês podem conjurar um patrono excepcional, diferente da maioria, só precisam de concentração.
– É melhor irmos... – Gina disse depois de pegar a cesta de comida. – Não podemos demorar muito.
– Ela tem razão, às vezes os comensais fazem patrulha.
– Posso voltar de dia? – Perguntei a ele.
– Sim, claro. – Ouvimos barulhos do lado de fora. – Andem! Voltem para o castelo. Foi bom conhecer um pouco da linhagem dos fundadores.
Passamos pelo retrato novamente e voltamos para a sala precisa.
– O que ele quis dizer? – Nick perguntou. – Nós podemos lançar um patrono mais poderoso que normalmente?
– Eu acho que sim. – Erik respondeu.
– Eu estou bem perdida na conversa de vocês. – Gina comentou. – Então vocês quatro são descendentes dos fundadores de Hogwarts? – Ela perguntou nos analisando. – Isso explica muita coisa. Vocês são os únicos amigos que são de cada casa. – Ela riu.
– É, sempre nos perguntamos sobre isso. – Nick disse.
Agradecemos a Neville e a Gina pela ajuda. Antes de seguir meu caminho para a comunal, falei sobre a reunião com os sonserinos e que seria uma boa ideia a gente praticar o patrono por lá depois.
Assim que todos voltaram das férias combinei com os sonserinos para irmos à câmara secreta. Para não levantar muitas suspeitas, preferi que cada um viesse individualmente até o banheiro da murta. Eles pareciam bem animados com isso, acho que nunca fizeram algo assim na vida. Nott e Zabini foram os últimos a chegarem.
– Acho que todos estão aqui...
– Você está montando um exército? Quanta gente! – Murta comentou.
– Pode ser que seja isso... – Eu ri. Apenas contei para a dupla de prata, o time de quadribol, Regulus, o trio colorido, algumas meninas que eu conhecia, incluindo as minhas colegas de quarto e alguns amigos de Theodore. No total éramos 17.
– Lembrem-se, isso é sigiloso, não quero que venham aqui sem mim. E se eu pegar alguém falando sobre isso, arrancarei a língua de vocês.
– Nossa... Não precisa ameaçar. – Zabini comentou.
– Infelizmente com sonserinos só funciona dessa forma. Vamos! Abra! – Disse para abrir a câmara novamente. Percebi olhares curiosos de todos.
– Temos que pular aí? – Theo perguntou fazendo cara feia, olhando para baixo.
– Claro! Achou que ia escorregar em plumas? Não estamos indo em uma festa Theodore.
– Theo! – Ele reclamou.
– Apenas vamos. – Zabini disse enquanto empurrava Theo e escorregava pelo enorme cano. Todos começaram a segui-los. Fiquei por último para verificar se todos tinham ido.
Fizemos todo o trajeto até a entrada para a grande câmara. No começo todos ficaram um pouco assustados pelos ossos, piorou quando viram o esqueleto do basilisco.
– Não existe outro basilisco aqui, não é? – Pansy perguntou.
– Não, fiquem tranquilos!
– Isso é genial! Slytherin era um gênio. – Zabini olhava ao redor. – Aposto que o Draco iria gostar de vir aqui. – Ele me encarou se arrependendo de ter tocado em seu nome.
– Então... O Potter realmente veio até aqui e matou essa coisa. – Davis disse enquanto já estava perto da ossada.
– Davis, volte aqui! Agora! Fiquem longe do esqueleto, o veneno ainda está ativo se quiserem morrer. – Ao ouvir isso ele voltou rápido. – Essa é a primeira regra, não podem mexer no esqueleto, de nenhuma forma. Para isso vamos praticar mais para lá. – Disse apontando para a entrada. – É longe o bastante para nenhum feitiço atingir ele.
– Hogwarts é um castelo encantador, quantas salas escondidas deve possuir?! – Erik comentou irônico. Yumi o cutucou como aviso.
– Vamos ao que interessa. – Disse enquanto eles se organizavam. Eu, Yumi, Erik e Nick nos juntamos para ensinar algumas coisas e praticar outras com os sonserinos. Os feitiços de defesa e ataque como a gente aprendeu na A.D. Muitos queriam lançar maldições, tive que os ameaçar para usarem isso em último momento. Eles estavam empolgados demais com isso, o que me ajudou a me sentir feliz por alguns minutos.
Então eu percebi que não seria nada mal se eu realmente fosse ensinar futuramente, como uma professora ou algo do tipo. Era divertido!
Mais tarde saímos cansados e aproveitamos a noite para nos reunirmos no salão comunal.
– Que tal uma música? – Nott sorriu e começou a tocar o piano. Eu o acompanhei apenas com a voz. Enquanto cantávamos todos apreciavam a vista do lago pela janela.
When the days are cold
And the cards all fold
And the saints we see are all made of gold
When your dreams all fail
And the ones we hail
Are the worst of all, and the blood's run stale
I wanna hide the truth
I wanna shelter you
But with the beast inside
There's nowhere we can hide
No matter what we breed
We still are made of greed
This is my kingdom come
This is my kingdom come
When you feel my heat, look into my eyes
It's where my demons hide
It's where my demons hide
Don't get too close, it's dark inside
It's where my demons hide
It's where my demons hide
At the curtain's call
It's the last of all
When the lights fade out, all the sinners crawl
So they dug your grave
And the masquerade
Will come calling out at the mess you've made
Don't wanna let you down
But I am hell–bound
Though this is all for you
Don't wanna hide the truth
No matter what we breed
We still are made of greed
This is my kingdom come
This is my kingdom come
When you feel my heat, look into my eyes
It's where my demons hide
It's where my demons hide
Don't get too close, it's dark inside
It's where my demons hide
It's where my demons hide
They say it's what you make
I say it's up to fate
It's woven in my soul
I need to let you go
Your eyes, they shine so bright
I wanna save that light
I can't escape this now
Unless you show me how
When you feel my heat, look into my eyes
It's where my demons hide
It's where my demons hide
Don't get too close, it's dark inside
It's where my demons hide
It's where my demons hide
Fomos aplaudidos pelos sonserinos. Agora vimos que não somente nossos amigos estavam ali, muitos alunos de outros anos também.
– Vocês cantam bem! – Sophie elogiou.
– Nada que uma boa música para um começo de ano...
– Nosso último ano. Vocês já sabem qual carreira seguirão? – Zabini perguntou.
– Não sei se você sabe, Zabini, mas tudo vai depender dessa guerra. Certo que talvez muita gente finja, mas estamos em guerra. Se um lado ganhar podemos seguir a vida normalmente, mas se o outro ganhar… Seremos comensais, e não sei como seria com você-sabe-quem governando. – Pansy disse e no final manteve seu olhar no chão.
– Eu me sinto como se esse ano não acontecesse... – Theo começou a falar. – Ninguém nesse castelo está contente, parecemos exércitos sendo treinados em sala de aula. Nem os professores estão gostando da situação.
– E somos. – Eu disse. – É isso o que ele pretende.
– Eu espero que isso tudo acabe logo. – Dafne suspirou se encostando em Zabini.
– Estações irão mudar, a vida vai fazer você crescer, a morte pode te endurecer. Tudo é temporário, tudo vai passar, o amor nunca morrerá… – Disse a tradução da música que eu e Theo cantamos uma vez.
Capítulo 29 – Treinos
Alguns dias se passaram, as aulas estavam cada vez mais sendo monitoradas. Os irmãos agora aproveitavam para vigiar todas as aulas dos professores. Alunos que quebravam as regras eram torturados sem pena alguma e eu estava começando a ficar farta disso, mas não podia fazer nada.
Aproveitei que era de dia e tomei a decisão de visitar Aberforth novamente. Mas dessa vez eu iria sair naturalmente do castelo, por bem ou por mal. Fui avisar o professor Snape antes que os idiotas dos comensais me irritassem.
– Entre! – Ouvi sua voz sombria depois que bati em sua porta.
– Bom dia, diretor!
– O que deseja, Malfoy? – Ele estava escrevendo alguma coisa em um pergaminho. Ainda que já tivesse bastante tempo que todos me chamavam pelo sobrenome, a cada vez que eu ouvia uma inquietação aparecia em meu coração.
– Autorização para sair do castelo. – Ele finalmente parou de escrever e me deu atenção.
– Você está ciente de que é proibido.
– Por isso estou aqui ainda fazendo um favor de pedir ao senhor, antes que eu saísse escondida. – Ele semicerrou os olhos e se levantou.
– É muita petulância sua achar que só porque tem uma certa proteção, pode andar como bem entender em qualquer lugar.
– Mas eu posso, não é? – Perguntei sabendo da resposta.
– O que vai fazer?
– Eu quero ir ao cabeça de javali, conversar com o dono sobre umas coisas.
– Vejo que está aprontando algo para querer conversar com Dumbledore.
– Você sabe?
– E quem não sabe?! – Ele perguntou friamente. Sentou-se a sua mesa, pegou outro pergaminho e começou a escrever novamente.
– Eu só estou procurando saber mais sobre algumas coisas. – Resmunguei. – Vai me deixar sair?
– Que alternativa eu tenho? Vejo que está se divertindo com a proteção do Lorde das trevas... – Ele pegou o pergaminho, enrolou e me entregou. – Aqui está sua autorização. – Antes que eu pegasse ele recuou.
– Eu não estou me divertindo, apenas usando isso ao meu favor. – O corrigi.
– Mais uma coisa... Irei te ensinar algumas coisas pessoalmente, venha a minha sala as segunda depois do jantar.
– Tudo bem. – Estendi a mão para que ele me entregasse o pergaminho, assim o fez.
– Evite os dementadores, Malfoy. – Ouvi sua voz de longe antes de sair da sala.
O caminho para Hogsmeade era longo, assim que sai do castelo me arrependi de não ter pegado o caminho mais curto, pela passagem secreta. Assim que eu saí das terras do castelo já fui abordada por alguns comensais, antes que pudessem abrir a boca eu entreguei o pergaminho. Ao lerem me olharam estranho, mas deixaram passar.
Snape tinha deixado claro no pergaminho que eu estava autorizada a sair sem ser questionada, pois estava a ordens dele. Então imaginei que Snape era o braço direito de Voldemort nesse momento, fazendo com que todos os comensais tivessem respeito por ele.
Depois de alguns minutos que pareceram horas eu consegui chegar ao cabeça de Javali sem muitos problemas, talvez a volta seria mais complicada. Teria que fazer o mesmo caminho para evitar que descobrissem sobre a passagem.
– Sra Malfoy? Quando me enviou uma coruja, eu pensei que viria pelo quadro. – Dumbledore disse.
– Eu preferi vir assim mesmo. – Disse me sentando perto da mesa do bar. O lugar estava fechado, Dumbledore tinha tirado o dia de folga para me receber.
– E te deixaram sair livremente? Acho que você possui mais influência do que imagino.
– Eu não estou do lado deles, mas porque não usaria eles? Eu sou afilhada de você-sabe-quem, não é do meu agrado, mas não tive escolha. E por causa de algum tipo de acordo ele não pode me machucar. – Disse lhe revelando para ganhar sua confiança um pouco.
– Oh, entendo! Agora faz mais sentido... Você já é de maior? – Ele perguntou me oferecendo uma bebida. – Tenho hidromel caso deseje se aquecer um pouco.
– Aceito sim, por favor. – Ainda estávamos no inverno, então uma bebida ajudaria com algo que as roupas às vezes não dá conta.
– Mas me diga, está aqui pela magia ancestral novamente?
– Preciso que me ensine a praticar, assim posso mostrar aos meus amigos. Se eles viessem para cá as coisas poderiam ficar complicadas.
– Não há muito o que praticar. O patrono básico envolve uma lembrança feliz, então é nesse ritmo. Mas precisa ser muito forte, precisa estar confiante enquanto lançar o feitiço. – Ele sentou ao meu lado. – Sabemos que o patrono é um feitiço defensivo, então nada mais forte do que pensar em proteger alguém, não é? – Seus olhos fitavam a parede, ele estava com uma expressão nostálgica.
– Por que não tenta o básico primeiro? – Ele perguntou voltando a realidade.
Então me levantei pegando a varinha.
– Expecto Patronum! – Disse enquanto lembrava da melhor lembrança que tinha. O Natal com os Weasleys, em seguida pensei no quanto me divertia com meus amigos. Parecia algo bobo, mas pra mim era especial tê-los ao meu lado. Uma luz azul saiu da minha varinha mais forte que da última vez.
– Muito bom! Já que seu patrono é conjurado e tem liberdade, vamos algo mais forte. – Ele me analisava. – Lembre-se do que falei, o que precisa proteger?
Minha família. Draco foi a primeira pessoa que me veio à cabeça. Tentei não lamentar por estarmos longe, então me lembrei de seu presente. Minha constelação. Lembrei de quando começamos a mostrar nossos sentimentos.
Não precisei falar o feitiço dessa vez, apenas girei a varinha como aprendi nas aulas de DCAT com Snape. Um clarão foi ganhando a forma de uma serpente, era titã.
– É um bom começo! Se arriscar poderá até mandar uma mensagem através do patrono, assim como os membros da ordem. – Ele disse enquanto eu sorria animada. Nunca tinha conseguido fazer um patrono completo. – Agora, não pode dar o próximo passo aqui. Continue praticando, você vai saber quando consegue sentir a magia ancestral.
– Obrigada!
– Sra. Malfoy, se algum dia sentir a magia ancestral e quiser utilizá-la, aconselho a não fazer perto de comensais. Tenho certeza de que, se um certo alguém souber sobre suas habilidades escondidas, irá tirar proveito disso.
– Tudo bem... Continuarei praticando.
– Mudando de assunto... Essa varinha é sua? – Ele perguntou curioso.
– Mais ou menos, é uma herança.
– Então, sua varinha ainda não te escolheu?
– Na verdade tenho outra, mas foi roubada. Tenho que lembrar de pegá-la de volta.
– E como ela é?
– Nogueira-negra, fibra coração de dragão.
– Ah, interessante. Então não acho que qualquer um poderá utilizá-la.
– É o que eu espero, não gosto da ideia de um comensal usá-la. Pelo menos um qualquer... – Me corrigi em seguida, se Draco a usasse eu não me incomodaria, sendo pelo menos para se defender.
– Sabe que a varinha diz muito sobre o bruxo, não é? Olivaras me contou um pouco sobre. Geralmente quem usa o seu tipo de varinha tem grandes habilidades e poderes. A flexibilidade também conta.
– A minha é razoavelmente flexível. – Disse curiosa para que ele falasse sobre mais.
– A flexibilidade diz sobre o quão o bruxo pode ser perigoso ou não. Por exemplo, a varinha de alguns comensais costuma ser inflexível, pelo menos os mais aterrorizantes. Então excluo o fato que você possa ir ao lado das trevas.
– Ainda desconfia de mim? Já te falei mil vezes que não estou do lado deles.
– Ainda sim, tudo me diz o contrário. Você tem pais comensais, marido comensal e o que mais? Ah, herdeira de sonserina e ainda afilhada do bruxo mais perigoso que nos ameaça constantemente.
– Eu não posso negar que isso é desfavorável para mim. As pessoas que nascem em um ambiente sombrio como nós, não tem muita escolha. Ou aprenderá a sobreviver ou morrerá em algum momento. Existe muita gente má? Sim, mas não são todos.
– Agora entendo por que meu irmão observava você.
– O professor Dumbledore me ajudou muito nisso. Ele é um dos poucos que vê coisas que outras pessoas não enxergam.
– Então vocês dois têm algo em comum e eu imagino que tenham mais também. – Ele olhou para a janela. O tempo estava escurecido enquanto conversávamos. – Acho que é hora de voltar à escola. Acha que não seria melhor ir pelo quadro? Tem o toque de recolher e eu acho que o feitiço Miadura será ativado assim que pôr os pés do lado de fora.
– Então isso é mais um motivo para eu ir andando.
– Tem dementadores também. – Ele me avisou franzindo a testa.
– Boa hora para usar meu patrono. – Falei sem me preocupar. Por algum motivo ou pela minha astúcia eu queria que aquilo acontecesse, no fundo eu gostava um pouco de não ser tocada pelos comensais. Provocá-los era divertido, já que não podia atacá-los.
– Tome cuidado, garota! Não me responsabilizarei por você. – Peguei meu casaco e meu cachecol enquanto ele falava.
– Tudo bem, eu sei o que estou fazendo. Foi um prazer revê-lo e obrigado pelas aulas. – Acenei para ele enquanto saia do bar.
Na mesma hora que coloquei os pés no chão gelado da aldeia de Hogsmeade o feitiço foi ativado, fazendo com que ruídos sonoros fossem ouvidos. Caminhei tranquilamente enquanto percebi comensais saindo de outros lugares rapidamente.
– Peguem o intruso!
– Ah, por favor, acertem meu pronome pelo menos. – Reclamei com desdém.
– Quem é você? O que está fazendo aqui?
– Cale a boca! – Um outro o repreendeu. – Sra. Malfoy, não deveria estar caminhando pela noite em Hogsmeade.
– Malfoy? – Ouvi risadas e um cuspe no chão. Bufei.
– Bom, já que eu vim andando eu teria que voltar, não é? Não tenho culpa se vocês tiveram uma falta de comunicação. E a propósito, o toque de recolher não vale para mim. – Disse seguindo meu caminho. Olhei de canto observando o mesmo comensal me seguir.
– É claro, Senhora!
– Vai bancar a babá? – Um outro comensal desconhecido disse rindo.
– O caminho até o castelo é perigoso. – Eu parei enquanto ele continuava falando. – Existem coisas além dos dementadores, é claro. Sem falar que se o Lorde das trevas descobre que sua afilhada foi ferida eu tenho certeza que ele iria nos matar. – Ele fulminou o outro com o olhar. Eu ri fraco. Se eles imaginassem qual era a real situação, nem ligariam para mim. Aposto que iria tentar me intimidar apenas por eu ser uma Malfoy também. Nem imagino o que os Malfoy estariam passando.
O comensal que parecia o líder continuou a me seguir até as terras do castelo, quando encontrei mais dois comensais de guarda, igual a volta. Caminhei de volta ao salão principal, onde deu tempo de jantar. Depois fui diretamente para meu quarto dormi, estava muito cansada.
A semana passou rápido. Fim de semana aproveitamos para treinar na câmara secreta e eu passei os ensinamentos do irmão de Dumbledore para Nick, Erik e Yumi. Na semana seguinte eu comecei a ter aulas com Snape.
Ele queria ver se eu estava treinando Oclumência e Legilimência o suficiente. Ele ficou conformado quando, na tentativa de ler meus pensamentos, não conseguiu nada.
– Ao menos, alguma aluna minha ouviu meus conselhos. – Ele disse com sua expressão dura de sempre.
– No início foi difícil, mas depois fluiu fácil. – Comentei ainda inquieta, sem saber de fato porque ele queria dar aulas para mim. – Mas acho que o senhor não me chamou aqui apenas por causa disso, não é?
– Você quer ser mestre em poções, não é? Acredito que precise fazer seu N.I.E.M, mas com as atuais circunstâncias talvez seja um desafio.
– Não irá acontecer nenhum exame esse ano, professor. – Eu disse revelando a verdade. – Por isso não estou preocupada com provas e nem carreiras.
Ele me encarou e logo se virou para seu armário de livros. Se aproximou de mim com um livro de poções.
– Tenha em mente que não está recebendo um livro qualquer, Sra Malfoy. É o meu livro! Talvez isso lhe ajude depois. – Ele esticou o livro para mim. Severus Snape me dando o seu livro de poções? Isso era realmente uma novidade! – Considere isso um presente por ter tido uma boa nota dos N.O.M.’s.
– Obrigada, senhor! – Peguei sorrindo. Então os dois maiores professores de poções de Hogwarts tinham me dado seus exemplares.
– Não deixe ninguém ver esse livro, o Potter já fez estrago o suficiente com ele. Ele ainda achou que se livrando dele, iria me enganar... – Observei o livro que parecia com o do sexto ano, mas tinha algo escrito: “Pertence ao Príncipe Mestiço”. Então entendi perfeitamente tudo o que tinha acontecido, foi assim que Harry conseguiu altas habilidades do nada em poções. Folheei o livro com cuidado e vi um feitiço recém conhecido.
– Sectumsempra. – Disse em voz alta.
– Não use este feitiço como o tolo do Potter.
– Eu sei... Infelizmente eu me lembro de como ele funciona. – Disse sentindo um amargo na boca. Aquele dia foi horrível, só de lembrar da imagem de Draco todo ensanguentado me deixava tonta.
– Então aconselho prestar bem atenção nas aulas de artes das trevas. Apesar de não gostar, poderá tirar um bom proveito disso.
– Tentarei...
– Na próxima aula lhe ensinarei algumas coisas a mais. Por hoje está dispensada!
– Até mais, diretor. – Disse enquanto saia da sala.
Naqueles dias eu mal encontrava os grifinórios, apenas Yumi que vinha para nossos treinos na câmara e pelas informações dela, eles estavam recrutando muito mais gente. Todos estavam esperando a volta de Harry para ir lutar, tomar a escola de Snape e dos comensais. Mas eu sabia que não era assim que ia acontecer.
Capítulo 30 – A Saudade de um Dragão e de uma Serpente
Comecei a ter mais sonhos do que antes e era confuso, pois tinham muita informação, eu conseguia ver a guerra mais clara do que da última vez. Iria ser uma batalha sangrenta em Hogwarts muito em breve, me deixando um pouco ansiosa.
No salão principal todos comiam sem muitas novidades. Era notável pela quantidade de alunos que os únicos em paz eram os sonserinos e isso me deixava desconfortável, não gostava dessa regalia. Muitos alunos não tinham sequer voltado do Natal, com medo talvez.
Eu não aguentava mais as aulas nessa escola, pelo menos não assim. Os professores às vezes eram humilhados quando não obedeciam aos irmãos, eu estava me segurando muito para não me intrometer em nada. Então comecei a faltar algumas aulas por isso, sabia que meu sangue quente não ia conseguir me conter.
Ao entardecer resolvi ir para a torre de astronomia, ler mais sobre a magia dos elementos. Achei alguns livros na biblioteca sobre transfiguração e feitiços, então comecei a praticar algum feitiço de água inofensivo.
– Procreata aqua! – Lancei e um jato de água facilmente se tornou uma cobra. Consegui controlar bem por algum tempo. Lançar feitiços, que o básico eu já tenha aprendido na escola, era fácil. Mas lançar feitiços sem varinha, como o Prof. Dumbledore havia mencionado em seu caderno, era outra história. Se ao menos tivéssemos tempo para ter contato com a natureza, acho que ficaria mais fácil.
Ouvi passos subindo a escada, Titã me acalmou me avisando que era Regulus.
– Mãe?
– O que está fazendo aqui? – Perguntei a ele, enquanto observava ele se aproximar e sentar ao meu lado.
– Deve ser coisa de família, não é? – Ele riu divertido. – Eu sempre gostei daqui, dá pra observar o céu e a vista daqui é bonita.
– É um lugar que eu costumava vir com o Draco, desde o quarto ano. Como nunca vi ninguém por aqui fora das aulas de astronomia, então tornei nosso lugar.
– E eu como primogênito dos dois, posso herdar o lugar de vocês. – Nós rimos.
– Claro que pode! Só não imite ele com ideias românticas para suas namoradas.
– Como ele ter comprado uma estrela? Não, obrigado! Isso é cafona demais.
– Isso não é cafona! – Reclamei incrédula. – Retire o que disse! Achei que foi o melhor presente que já ganhei.
– Tudo bem... De qualquer forma, não direi que nunca faria isso para ninguém, há uma pessoa. – Levantei uma sobrancelha curiosa.
– Você me disse que não tinha namorada.
– E não tenho. Mas isso não quer dizer que eu não goste de ninguém.
– E você vai me deixar curiosa com isso?
– Você não a conhece... Quer dizer, é óbvio. O lance é que está uma confusão no tempo que vim.
– Estou ouvindo.
– Acho que percebeu que sou um pouco popular entre as garotas.
– Um pouco? – Ri sarcástica. – Você é bonito, Regus. Claramente todas as garotas se interessariam por você.
– Mas não sou do tipo que se beneficia com isso. Então, eu constantemente rejeito quem vem se confessar, e por isso ganhei até um apelido idiota.
– Qual?
– Príncipe de Gelo. – Eu gargalhei e ele fez cara feia.
– Tá bom, princesa. – Meu sorriso sumiu. Ele tinha um ponto. – Alguém me chamou atenção na escola, mas por algum mal-entendido ela acha que eu gosto da irmã dela. E adivinha? Por causa do namorado da irmã dela todos acham isso também. – Ele bufou, frustrado.
– E por que não fala com ela a verdade?
– É complicado, eu nem sei o que fazer... Nossas famílias têm problemas também. Enfim... Estou esperando voltar para ver como resolvo isso. – Ele disse tentando desconversar.
– Espere... Não conheço, mas provavelmente conheço os pais dela. – Afirmei enquanto tentava descobrir sobre mais.
– Melhor deixar isso para lá!
– Me conte quando voltar ao passado, pelo menos. O conselho que tenho agora é contar a verdade e falar o que estiver sentindo no seu coração.
– Como foi quando falou para o papai? – Ele perguntou.
– Sobre gostar dele? Não sei se realmente isso aconteceu. – Disse tentando lembrar um dia que falei abertamente sobre nossos sentimentos. – A gente só se aproximou e começamos a namorar, nunca tivemos tempo de falar sobre o que sentíamos tão profundamente assim. Nos apaixonamos quando um bruxo das trevas estava querendo dominar o mundo e nos matar, então acho que encontramos um porto seguro entre a gente.
– Ao menos tinham uma amizade antes. É difícil chegar em alguém que você mal conversou. – Ele resmungou.
– Isso tudo por causa de um casamento arranjado do qual não recomendo, seu pai era insuportável quando era pequeno.
– Cria do vovô. – Nós rimos novamente.
– Tive sorte de ter me apaixonado depois. Então, você está em vantagem! – Disse olhando para o horizonte que já estava escuro.
– Irei pensar sobre isso... Hoje terá uma chuva de meteoros. Vai querer ver? – Ele perguntou.
– Quebrar o toque de recolher? Tem certeza? – Perguntei a ele. – Pode ser que você seja o único que se dê mal.
– Se eu for pego. – Ele sorriu de lado. Ouvimos um barulho de ar cortando e uma luz brilhante vindo de fora. Eu e Regulus nos assustamos enquanto pegávamos nossas varinhas, porém eu sabia que não era nada das trevas.
“...”
Um patrono em forma de dragão bateu suas asas em minha volta, sibilou algo e desapareceu deixando apenas um vestígio de luz.
– Um patrono? – Franzi a testa tentando entender.
– É o do papai... – Regulus disse me fazendo ficar chocada.
– Mas como? Não sabia que ele podia lançar um patrono e muito menos em forma de mensagem. Pensei que isso era exclusivo de membros da ordem...
– Então é provável que nem ele saiba.
– Eu... Preciso ir. – Disse arrumando os livros rapidamente e entregando a Regulus. Eu estava me segurando para não ir de encontro a ele, como eu havia prometido, mas eu não iria mais conseguir. – Precisa entregar isso na biblioteca.
– Onde vai? – Ele perguntou segurando a pilha de livros.
– Para a mansão Malfoy! – Disse descendo as escadas ligeiramente. Ouvi sua risada abafada.
Passei apenas na comunal para mudar de roupa para uma mais quente e de cor preta. Eu já tinha um plano inteiro na minha mente para chegar à Mansão. Meu coração estava disparado com a ânsia de vê-lo novamente depois de meses, coincidentemente estávamos em fevereiro. Perto do Dia dos Namorados, onde sempre acontecem coisas boas entre a gente. Estava começando a amar fevereiro!
Sorrateiramente fui até a sala precisa que abriu facilmente como sempre, olhares curiosos me viram entrar e segui meu caminho sem falar com ninguém. Assim que chego no cabeça de Javali, encontro um Aberforth confuso.
– Combinamos algo hoje?
– Não, vim dessa vez apenas para conseguir aparatar. – Ele me analisou de cabeça aos pés.
– Bom, não acho que me interessa aonde a senhora vai. Mas esteja ciente que meu bar não é uma estação de trem. – Eu ri com o humor de sempre dele.
– Antes de partir... Uma pergunta. Um comensal poderia lançar um patrono? – Perguntei e vi ele ficar sério.
– Impossível! Como um coração de trevas poderia lançar um feitiço tão puro?!
– É claro que não. – Então, Dumbledore não tinha visto de tudo nessa vida.
Girei os pés com fluidez, pensei na Mansão Malfoy, especificamente no corredor do quarto onde eu ficava. Então assim caí num poço de escuridão.
Em segundos, o chão do corredor que eu tanto conhecia apareceu diante dos meus pés. Assim que percebi que tudo deu certo na aparatação, ouvi passos na escada com pressa e uma pessoa loira de olhos azuis acinzentados veio apontando a varinha na minha direção, a varinha de nogueira-negra que eu conhecia perfeitamente.
Na hora que nos encaramos parecia que o tempo tinha parado, sua expressão suavizou assim que viu quem tinha aparatado em sua casa, mesmo de longe eu vi um brilho intenso surgir em seus olhos. Tentei recuperar minha alma de volta ao meu corpo e corri em sua direção. Meu coração disparou no momento que cheguei aqui, mas assim que vi ele subindo as escadas meu cérebro liberou uma explosão de ocitocina em meu sangue, fazendo com que o meu coração pulsasse freneticamente.
Pulei em seus braços sendo rodopiada levemente. Senti seu cheiro maravilhoso entrar novamente em minhas narinas me fazendo soltar palavras incompreendidas. Sem demorar, nos beijamos de saudade.
– O que está fazendo aqui? Como...? – Ele disse depois que nos separamos, seus olhos estavam marejados e os meus deviam estar iguais. Suas mãos estavam segurando meu rosto como se não acreditasse no que estava vendo.
– Vim te ver. Eu tentei ficar longe, mas eu sabia que não ia conseguir. – Disse lembrando do que ele tinha me dito antes de ir embora. Ele olhou em direção a escada trocando a expressão em seu rosto e depois pegou minha mão me puxando para seu quarto.
Ele abriu a porta me colocando para dentro, fechando-a em seguida.
– Não me importo com mais porra nenhuma agora. – Ele disse rapidamente me puxando pela cintura e me beijando novamente. Tirei meu sobretudo e qualquer coisa que me atrapalhasse de uma vez, ele fez o mesmo, sobrando apenas as roupas normais. Meu corpo estava quente só de vê-lo, e depois de suas palavras eu só queria ele por inteiro.
Ele me empurrou na parede enquanto fazia o que ele sempre gostava, distribuía beijos no meu pescoço, com mais urgência do que antes, até chegar ao lóbulo da minha orelha, onde minha pele se arrepiou por inteira. O puxei pelo colarinho fazendo com que nossas testas se encostassem e nos encarassemos mais uma vez.
Sem perder a intensidade, ele me pegou pela cintura me apoiando em uma escrivaninha que tinha perto dali, enquanto minhas pernas, já sabendo onde deveriam ficar, se entrelaçaram rapidamente em seu quadril. Sua boca pressionou a minha com urgência novamente. Já podia sentir sua excitação entre minhas pernas em contato com o tecido das nossas roupas, me fazendo me sentir úmida facilmente. Meu corpo ansiava pelo dele o mais rápido possível, então resolvemos ficar por ali mesmo.
Sem muita paciência e com muita excitação ele tirou seu cinto, desabotoou os botões da calça e a abaixou, depois se colocou entre minhas pernas. Com poucos movimentos levantou um pouco minha saia e colocou minha calcinha de lado. Senti ele me penetrar sem aviso prévio, deixando com que eu escapasse um gemido prazeroso.
Eu senti o meu corpo inteiro queimar enquanto ele se movimentava dentro de mim com intensidade. Nossos gemidos tomaram conta do quarto em sincronia, não demorou muito para que chegássemos ao êxtase, primeiro eu e ele em seguida. Nossas testas se encostaram enquanto voltávamos à realidade.
– Acho que precisamos de um banho. – Ele disse enquanto sua respiração voltava ao normal. Tirou sua calça de uma vez e subiu apenas sua cueca. Me puxou pela cintura mais uma vez me levando até o seu grandioso banheiro. Grudei nele parecendo um koala enquanto ele fazia o caminho.
Capítulo 31 – Mansão Malfoy
Depois de encher a banheira de água e espuma, entramos sem roupa para aproveitar o banho quente e relaxar. Me deitei de costas enquanto ele me mantinha em seus braços.
– Eu senti sua falta. – Eu falei enquanto ele me dava beijinhos no topo da cabeça.
– Eu já não suportava ficar longe de você. Estava pensando em invadir outro lugar só para te ver.
– O que estava fazendo no trem falando nisso? Vestido de comensal. – Ele riu fraco.
– Eu sou um, não é? Mas aproveitei para ir te ver. – Me virei para observá–lo.
– Só isso? Não foi atrás do Harry? – Ele bufou.
– Não ia perder meu tempo com isso, eu sabia que ele não ia estar lá. Seria muita burrice. – Eu ri sozinha por ouvir novamente o jeito marrento dele.
– Do que está rindo?
– Nada. Eu só amo você, de qualquer jeito. – Um pequeno sorriso se formou na lateral de sua boca. Ele me puxou para um beijo rápido.
– Eu também te amo. – Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. – Agora me diga como veio parar aqui...
– Segredo! Apenas aparatei.
– A Mansão está enfeitiçada, como conseguiu? – Ele perguntou, mas se lembrou de algo na mesma hora. – Está com o colar que eu te dei?
– Estou, eu tirei antes de vir para o banho. Por quê?
– É bem... Só podemos aparatar e desaparatar fora da mansão. Mas me lembrei que seu colar é enfeitiçado.
– Quê? Então foi por isso que você me disse para não o tirar de jeito nenhum. – Ele limpou a garganta.
– Sim, ele tem algumas habilidades. Mas o principal motivo é que ele me mostra sua localização, me fazendo ficar mais tranquilo e pelo visto te dá liberdade para ir e vir em qualquer lugar. Talvez o meu elfo tenha colocado um feitiço. – Ele disse me fazendo entender. O colar era mais ainda especial do que antes.
– Então...Como andam as coisas aqui?
– As piores possíveis. Depois que meu pai foi solto, nossa família foi rebaixada, então não temos mais poder algum. Sendo constantemente humilhados por aquela gentinha podre que acha que tem moral para falar sobre minha família. – Ele falava com raiva e desprezo ao mencionar os comensais. – Depois de tudo ainda estamos nas mãos dele. Mamãe nos mandou ficar neutros, sem dar palpite, apenas ouvir e engolir nosso orgulho. Qualquer erro que tivermos irá custar nossas vidas dessa vez.
– Sua mãe está certa, com certeza a que tem mais razão nessa família.
– E a Sra. , está sendo obrigada a acompanhar ele em quase todo lugar. Acho que não ficaria surpresa se eu te dissesse que agora ela tem a marca. – Ele me encarou analisando minha reação.
– Isso tinha grandes chances. No último verão eles me visitaram, tinha percebido que ele a colocou como uma guarda, ou para me ameaçar.
– E a escola? Está tudo bem por lá? – Ele perguntou.
– Na medida do possível. Hogwarts é uma prisão agora, os alunos não são permitidos a andar livremente, os professores também. Eu ainda tenho acesso a fora da escola por autorização de Snape. – Senti suas mãos me aconchegarem pela cintura dentro d’água. – Os sonserinos estão em vantagem por serem sonserinos, então todos estão bem. Eles sentem a sua falta também.
– Eu duvido muito.
– Você tem amigos, Draco.
– Isso não vem ao caso.
Ficamos um tempo aproveitando a água quente para relaxarmos, eu estava começando a ficar com sono e com fome, então preferimos terminar o banho de uma vez. Assim que Draco colocou seu roupão, ele foi até a porta e pareceu estar conversando com alguém. Curiosamente eu fui para ver quem era, não me parecia ser ninguém da família e muito menos um comensal.
Assim que achei uma brecha por baixo de seu braço eu enxerguei um pequeno elfo, do qual ainda não tinha visto.
– Sra. Malfoy, é uma honra conhecê-la! – Ele me cumprimentou alegremente interrompendo sua conversa com Draco.
– Seja discreto, Speedy.
– Sim, senhor! – Ele disse desaparecendo em seguida. Draco me encarou fechando a porta.
– Quem é ele? Nunca vi ele pela mansão.
– Você deveria ter cuidado para não ser vista.
– Ora, essa estou na nossa casa. Quero saber quem vai reclamar só porque estou aqui vendo meu marido. – Ele sorriu de lado, abobalhado.
– Você é muito atrevida, não é? E ele é o Speedy.
– Disso eu já sei, mas desde quando tem um elfo? – Perguntei. Ele tinha mencionado ele mais cedo, mas nunca soube que era dele.
– Eu o salvei sem querer nas ruas. Desde então ele vem me seguindo sem eu pedir, não tinha muito o que fazer. – Ele resmungou. – Trouxe ele para cá, mas ele fica mais com o Billy na sua casa.
– Você salvou um elfo? – Perguntei surpresa.
– Sem querer.
– Mas ainda salvou. – Sorri apertando suas bochechas. – Está crescendo! – Ele bufou tirando minhas mãos de meu aperto, com gentileza.
– Eu o aceitei porque ele é útil para alguma coisa.
– Está bem, está bem, continue a engolir seu orgulho. – Me virei em direção a cama, me jogando nela. – O que pediu a ele?
– Um jantar para a gente. Aposto que está com fome.
– Estou morrendo de fome e você acabou de me lembrar disso. – Ele se aproximou deitando por cima de mim.
– Daqui a pouco virá, mas depois eu quero uma sobremesa também. – Ele disse com um sorriso travesso, me dando beijinhos pela bochecha em seguida.
– Está carente, não é? – Disse entre as risadas.
– Tem quanto tempo que não nos vemos? – Ele se levantou para se sentar.
– Bastante.
– Ah, quase ia me esquecendo... – Ele se esticou e pegou a minha varinha que estava em suas mãos a uma hora atrás. – É melhor ela voltar para sua dona.
– Estava sentindo a falta dela! Desde quando está com você?
– Já tem um tempo. A gente meio que tem uma pilha de varinhas lá embaixo para dar... Enfim, o lobo colocou a sua junto, mas foi uma péssima ideia. Algum idiota teve a brilhante ideia de usá-la, então morreu. – Ele disse dando de ombro.
– Morreu? – Perguntei curiosa.
– Ele foi tentar lançar a maldição da morte e saiu pela culatra. Meu pai até tentou avisar que algumas varinhas eram perigosas. – Ele explicou rindo. – Não adiantou.
– Menos um então. O Sr Olivaras me disse sobre inimigos que tentarem usá-la, não sabia que ia chegar a ponto de ter uma morte. – Depois que falei que eu me dei conta do que estava acontecendo naquele momento. Mas é claro! – Espere, não me diga que o Sr. Olivaras está trancafiado com a Luna agora? – Arregalei os olhos.
– Como você? – Ele estranhou de início, mas depois lembrou que eu havia contado a ele. – Ah, sim, suas habilidades.
– Oh, merda! Então tem gente sequestrada no seu sótão e eu estou aqui me agarrando com você. Merlin! – Exclamei me levantando, andando de um lado para o outro do quarto. – E eu não posso fazer nada, mas me sinto culpada por deixar isso passar.
– Desculpe por isso...
– Não é sua culpa. – Ouvimos bater de porta novamente. Assim que Draco abriu, Speedy vinha com um carrinho prateado e algumas comidas nele.
Depois de jantarmos, ficamos deitados na cama por um tempo aproveitando a presença um do outro até que lembrei do patrono, afinal ele quem me trouxe até aqui.
– Draco?
– Hm?
– Você lançou um patrono? – Perguntei e seus olhos abriram rapidamente.
– Como você sabe? Ah, tenho que parar de perguntar, esqueço que você tem visões.
– Não foram visões. Eu recebi uma visita de um dragão, enquanto eu estava na torre de astronomia com Leo.
– Quê? – Ele perguntou sem entender. Não parecia que ele sabia que tinha lançado.
– Não foi você? – Perguntei levantando da cama em choque. – Impossível! Era o seu patrono, um dragão, até sibilou meu nome. Tinha que ser o seu. – Ele de repente se levantou encostando na cabeceira da cama e olhou para minha varinha que estava na estante.
– Eu tentei lançar um feitiço com a sua varinha porque queria testar algo. Então me veio à mente para tentar o feitiço do patrono, mas que eu saiba só saiu uma breve luz e não um completo.
– Que você saiba...
– Na mesma hora me chamaram, apenas deixei a varinha no canto e desci. Pode ter acontecido de eu não ter visto direito.
– Saiba que você é o primeiro comensal a conseguir lançar um patrono. – Sorri o abraçando. – Pelo menos que eu saiba.
– Isso é bom, não é?
– Sim. E o que estava pensando quando fez?
– Em você, é claro! Existe outra luz em minha vida escura por acaso? – Minhas bochechas queimaram de repente com o elogio. Ouvi sua risada quando tentava me esconder no seu peito. – Você é minha .
Ele me empurrou pela cintura para que ele ficasse em cima de mim, conseguindo com muita facilidade.
– Está ficando tarde... – Ele disse com os olhos fixos na minha boca.
– Eu sei. – Eu sorri, travessa.
– Então creio eu que vai passar a noite aqui.
– Sim...
– Não vou deixar você dormir. – Eu sorri.
– Não quero. Dormir, eu durmo na escola. – Ele riu antes de me beijar. Ele parou por um breve momento para se livrar de seu roupão e pela primeira vez eu notei as cicatrizes que o sectumsempra havia deixado. Não era nada extenso devido a rapidez que o professor Snape agiu, mas visível. Ele me olhou envergonhado enquanto eu passava meus dedos em cima da maior que tinha.
– Isso te incomoda?
– Claro que não... – Olhei para ele que estava ajoelhado na cama, apenas de boxer. – Ainda continua… Bonito. – O provoquei.
– Bonito? – Ele riu. – Vamos , fale o que você pensa. – Ele imitou exatamente como da última vez.
– Quando você os colocar eu poderei dizer. – Terminei rindo.
– E eu coloquei, não é? – Ele limpou a garganta e colocou a mão no seu quadril como se esperasse algo. – O broche que você me deu. – Eu reprimi um sorriso. Me lembrei de quando nos encontramos no trem, ele estava igual a roupa dos comensais, mas ele colocou o maldito broche.
– Aquele era um evento particular? – Ele se aproximou por cima de mim novamente.
– Depende do ponto de vista... Enquanto eu te beijava era particular. O que eu tinha em mente também, me segurei muito para não fazer outras coisas ali mesmo. – Ele disse apoiado na cama com seus dois braços, me prendendo entre eles. – Não posso dizer o mesmo com você aqui. Diga o que pensa, .
– Você é terrível!
– Diga. Não vai cumprir uma aposta? – Ele me provocou perto do meu ouvido me fazendo me arrepiar inteira e soltar um resmungo baixo. Devo me lembrar que é uma causa perdida apostar com Draco, e dessa vez ele sabe o que pode fazer.
– Ainda continua gostoso.
Ele sorriu com orgulho e depois me beijou.
Suas mãos desataram o nó que tinha no meu roupão revelando minha semi nudez, facilitando com que ele explorasse meu corpo inteiro. Ele voltou a beijar meu pescoço descendo até meus seios, deixando leves chupões me fazendo gemer com a sensação que me causava. Aos poucos ele descia distribuindo beijos pela minha barriga e meus quadris chegando a minha intimidade, tudo isso com seus olhos fixos aos meus que observava cada movimento que ele fazia.
Eu sentia a respiração dele entre minhas pernas depois que ele tinha tirado minha calcinha. Só foi ele colocar sua boca e língua para trabalhar perto daquela área que eu me contorci, assim que ele achou a parte mais sensível se manteve por alguns minutos, sem pressa nenhuma. Naquele momento eu não conseguia sequer manter meus olhos abertos, a sensação de prazer veio aos poucos, crescendo cada vez mais. Ele pressionou mais sua boca, aplicando mais sucção quando percebeu que eu estava pulsando por dentro, fazendo com que eu chegasse ao extremo prazer mais rápido.
Ele parou limpando sua boca enquanto eu tentava manter minha respiração de volta aos trilhos. Mas voltou para cima rapidamente de volta aos meus lábios. Mantive minhas mãos em suas costas arranhando de leve, senti ele se ajeitar entre minhas pernas pressionando seu quadril no meu com provocação. Porém dessa vez eu queria fazer diferente.
Me afastei dele, vendo sua feição mudar tentando entender o que eu queria. Empurrei seu corpo para o outro lado e subi em cima dele, trocando nós dois de posição. Ele pareceu se divertir com minha astúcia, mas não dei tempo para que ele falasse nada. Comecei a beijá-lo enquanto eu rebolava meu quadril provocando–o. Suas mãos quase imediatamente foram para minha bunda, dando leves apertadas.
Me afastei de nossas bocas, o imitando. Comecei a mordiscar e lamber o lóbulo da sua orelha ouvindo-o xingar baixinho enquanto eu sentia sua pele ficar arrepiada. Aproveitei para sentir seu cheiro quando desci para seu pescoço, aquele cheiro que era uma droga para mim. Continuei explorando toda sua pele enquanto descia mais e mais. No seu tórax, que possuía cicatrizes que tão pouco eu me importava, notei alguns pequenos músculos formados em sua barriga quando se contraia com o meu toque. Assim que cheguei em sua boxer preta, ele ajudou a se livrá-la em questão de segundos, revelando sua ereção.
No momento que passei minha língua, ele gemeu baixo. Então comecei a chupá-lo fazendo movimentos de cima para baixo arrancando gemidos mais altos dele, me fazendo ficar ainda mais excitada e eu nem sabia que isso era possível. Ele manteve sua mão em meus cabelos como apoio, seus olhos me fitavam em algum momento. Não demorou para que ele me puxasse para cima com urgência.
– Eu podia continuar... – Eu falei enquanto nossos rostos estavam bem próximos.
– Não daria... Ainda quero te sentir por dentro. – Ele disse arfando. – Eu estou louco de desejo por você. – Eu sorri com suas palavras. Ele se ajeitou por baixo de mim, enquanto eu achava um jeito para que encaixássemos perfeitamente.
Senti ele se introduzir devagar dentro de mim me fazendo escapar um gemido. Então comecei a movimentar o meu quadril de uma forma prazerosa. Ele levantou seu tronco e me abraçou, ajudando com que eu me movesse subindo e descendo enquanto permanecemos sentados um em cima do outro. Era uma posição nova para nós dois que, pelo menos para mim, proporcionava um prazer diferente.
Ele aproveitou a nova posição para mordiscar o bico dos meus seios me fazendo ter um orgasmo mais rápido do que imaginava. Ele trocou de posição mantendo um sorriso travesso quando percebeu que eu já estava cansada. Ele ficou por cima de mim sem muito esperar me penetrando novamente e acelerando os movimentos sem paciência. Eu nem consegui descansar do último tremor de prazer que tive e comecei a sentir outro vindo novamente.
– . – Ele disse aos gemidos que estavam ficando altos, avisando que estava perto.
– Draco. – Seu nome escapou dos meus lábios enquanto eu já começava atingir o segundo orgasmo. Ele chegou ao seu ápice no momento em que ouviu seu nome em meus lábios, fazendo com que nos derretêssemos juntos um sobre o outro.
Ele me olhou com seus olhos azuis acinzentados que agora continha um brilho divertido e me deu um beijo devagar de acalento, correspondi a seu beijo enquanto entrelaçava meus dedos em seus cabelos loiros. Ele se afastou saindo de cima de mim e caindo de lado, ainda cansado.
Capítulo 32 – Reunião ou Amassos
– Quando imaginávamos que seríamos assim? Casados e apaixonados um pelo outro?
– Nunca. Você lembra de quando começou a gostar de mim?
– Acho que quando vi você no baile com o Potter, aquilo começou a me incomodar. Eu podia gostar de você antes, mas não entendia o que eu estava sentindo. E você?
– Acho que eu sei... – Disse divertida enquanto lembrava das coisas que aconteceram no quarto ano. – O acidente de quadribol já foi algo que mexeu comigo, principalmente que foi um dos motivos para eu estranhar o beijo do Harry.
– Como? – Ele perguntou mais interessado.
– Foi diferente, o seu era mais agradável. – Ele gargalhou com satisfação. – Mas lembro que a primeira vez que senti meu coração descompassar foi quando você pegou minha mão enquanto íamos para a festa da lufa-lufa, eu sabia que era meu fim.
– O começo. – Ele corrigiu.
Me aninhei em seus braços em silêncio enquanto meus olhos já estavam querendo se fechar. Senti o cansaço em meu corpo enquanto Draco brincava com meu cabelo, pela janela vi a chuva de meteoros que acontecia, então apaguei. Não vi a hora que eu adormeci em seus braços.
Sonhos mantiveram minha mente trabalhando a noite toda, eu sabia que a morte de Dobby estava próxima e eu já tinha que começar a colocar os planos em ordem, precisava salvá-lo, dessa vez eu não ia deixar uma criatura inocente ser morta.
Abri os olhos quando ainda estava escuro, estava ofegante enquanto me levantava tentando me acalmar e processar os sonhos novamente. Eu estava me acostumando, mas os sentimentos de ver aquilo acontecer eram fortes demais. A batalha ia envolver não só bruxos, mas também criaturas que residiam na floresta proibida e dementadores contra alunos.
Draco acordou ao meu lado com minha inquietação.
– Você está bem? – Seu rosto estava sonolento, mas parecia preocupado.
– Sim, tudo bem. Foram só sonhos, previsões, já estou acostumada. – Suspirei pesado. – Volte a dormir. – Ele me puxou para deitar–se com ele, dessa vez em conchinha.
– Foi coisas ruins, não é? – Ele me abraçava pela cintura, colocando seu nariz em meu cabelo o que eu achava que era para sentir o cheiro do shampoo de cerejeira que ele tanto adorava.
– Eu só sonho com coisas ruins. – Sorri sarcástica.
– Vamos, esqueça isso um pouco. Você precisa dormir também, ainda está escuro. – Me virei para ele e seu par de olhos azuis acinzentados me encararam outra vez, curiosos para saber meu próximo passo. Aproximei meu nariz do rosto dele e fechei meus olhos, me senti confortável para adormecer mais uma vez sentindo sua respiração em minha pele.
Então eu sonhei novamente com a criança e dessa vez uma serpente.
TOC–TOC
Acordei ouvindo alguém bater na porta.
– Draco? Draco? – Assim que soube quem era a dona da voz arregalei meus olhos me despertando rápido. Draco tinha acordado do mesmo jeito, mas pulou da cama colocando seu roupão para atender ao chamado de sua mãe, antes que ela forçasse a entrada e me visse em péssimo estado.
– Já estou indo! Um segundo. – Ele disse enquanto eu me escondia sobre as cobertas sem ter o que fazer.
– O que foi? – Ouvi ele perguntar depois de abrir a porta um pouco.
– Já tem mais de 10 minutos que estamos te chamando, mandei o elfo vir aqui, mas você não respondeu e eu vim pessoalmente pensando que tinha acontecido algo.
– Aconteceu algo? Eu estava dormindo, mãe.
– Sono pesado, não é? – Ouvi sua voz sarcástica. – Acorde e venha tomar café, chame para vir junto, está seguro. – Assim que eu ouvi meu nome eu saí das cobertas em choque. Como ela sabia que eu estava aqui?!
Draco fechou a porta depois que ela desceu as escadas.
– Como ela soube que eu estava aqui? – Perguntei.
– Não tenho ideia, mas acho melhor irmos antes que ela venha reclamar novamente.
Tomamos um bom banho e nos arrumamos para descermos. Como eu não tinha roupa adicional na mansão, eu tive que pôr a mesma de ontem.
Enquanto saímos do quarto eu permaneci atrás de Draco, mas quando chegamos no corrimão da escada eu quase desisti. Como eu ia encarar a mãe de Draco depois dela saber que eu passei a noite com seu filho? E Lucius? Meu Deus, eu tinha esquecido que ele estava em cárcere também.
Draco pareceu perceber meu conflito interno quando viu que eu não estava descendo. Ele subiu novamente e pegou minha mão.
– Somos casados, . – Ele me lembrou.
– Isso não anula a minha vergonha.
– Não é a primeira vez que dormimos no mesmo quarto. – Ele disse e eu parei para pensar um pouco. É verdade, então vamos só fingir que nada aconteceu como das outras vezes.
– Certo, vamos. – Tomei coragem e coloquei um semblante inocente enquanto descíamos a escada e íamos até a mesa do café. Dessa vez não era na sala de jantar, a qual eu imaginei que continuava sendo onde os comensais se reuniam com ele.
– Bom dia, mãe! Pai! – Draco foi o primeiro a cumprimentar os pais.
– Bom dia. – Disse simples, tentando engolir minha vergonha.
– Oh, então era isso. – Lucius disse a Narcisa, parecendo entender algo depois de perceber minha presença.
– Bom dia, filho. ! – Ela sorriu fracamente. Os dois pareciam mais pálidos do que da última vez que eu vi. – É bom te ver novamente depois de tanto tempo.
– É bom ver que vocês dois estão bem, também.
– Por favor, sirva-se à vontade.
– Mãe, como sabia que estava aqui?
– Não sou idiota. Ouvimos que alguém aparatou inacreditavelmente aqui em casa, você subiu e nunca mais voltou... – Ela falou enquanto eu bebericava um pouco do café. Ela pigarreou antes de terminar. – ...agradeça a mim por ter lançado um feitiço para abafar sons antes que a reunião começasse. – Eu cuspi meu café imediatamente. Senti minhas bochechas queimarem enquanto tentava limpar a mesa suja de café, toda atrapalhada.
Draco pigarreou desconfortável enquanto sua mãe deixava escapar uma risadinha. Olhei para Lucius que estava lendo o profeta diário sem se importar com o rumo da conversa.
– Teve reunião ontem? – Draco perguntou tentando desconversar.
– Sim. E você estava ocupado para não notar a marca queimando em seu braço. – Lucius disse. – Não sei como o Lorde não notou sua cadeira desocupada.
– Ele notou. – Narcisa disse calmamente. Para onde essa conversa chegaria mais? Eu estava querendo me enfiar debaixo da mesa. Deu a entender que ele, o maior bruxo das trevas, Voldemort sabia que eu estava aos amassos com Draco no último andar enquanto rolava uma reunião séria para assassinar muitos bruxos e Harry Potter. Era hilário se eu não fosse a pauta dessa conversa.
– Mudando de assunto, . – Lucius voltou seu olhar para mim. – O diretor Snape me perguntou se estava conosco, já que desapareceu da escola sem ninguém saber de nada. – Ontem à noite eu teria aula com Snape, por isso ele notou minha falta.
– Ah, sim!
– Avisarei a ele que estava. Mas é um pouco interessante que ninguém tenha visto a senhora sair do castelo, com todas as passagens fechadas. Então me diga querida nora, como conseguiu sair do castelo?
– Apenas consegui. – Disse tentando desconversar. Lucius apesar de tudo era muito inteligente, ele não ia engolir essa, mas eu sabia me fingir de sonsa.
– Apenas conseguiu. – Ele levantou a sobrancelha com desdém.
– Pai! Vamos, por favor parar com isso? – Draco perguntou. – Não importa como ela saiu da escola.
– Draco tem razão. – Narcisa disse. – é da nossa família agora, e nossa prioridade é nos proteger. Não precisamos de algo que prejudique nossa família ainda mais.
– Eu sei disso. Apenas perguntei por curiosidade. – Ele disse me observando enquanto tomava seu café. Ao menos deixamos a conversa constrangedora de lado.
– , você precisa voltar para escola depois do café. Eu queria todos os Malfoy reunidos, mas... Receio que minha irmã esteja voltando logo, e sei que ela não gosta de você.
– Que coincidência, eu nutro o mesmo sentimento por ela. – Ironizei. – Eu entendo.
– Termine seu café, dessa vez viajará com o pó de flúor. – Ela disse e eu assenti.
Depois de comer, subi para pegar minhas coisas e ouvi Draco em meu encalço. Comecei a arrumar minhas coisas que veio comigo e minha varinha.
– Odeio essa parte. – Ouvi ele resmungar enquanto se encostava na porta.
– Também não, mas sabemos que eu preciso ir. – Disse me aproximando dele e depositando um beijo em seus lábios. Não satisfeito ele não me deixou me afastar e me segurou pela cintura, aprofundando mais o beijo enquanto nossas línguas saboreavam um ao outro.
Nos afastamos encostando nossas testas.
– Eu te amo, dragão, não esqueça disso. – Eu falei, ele sorriu.
– Eu também te amo, serpente. – Ele esfregou seu nariz no meu. – Você é minha estrela favorita.
– Ah, é verdade. Agora sou uma estrela da constelação do dragão. – Disse orgulhosa. – Obrigada por isso! Eu amei o presente.
– Sempre dou os melhores. – Ele me deu outro beijo.
– Está bem, melhor eu ir logo antes que você não me deixe mais sair daqui. – Peguei sua mão o puxando para me acompanhar para a lareira. Narcisa estava na sala me esperando para se despedir.
– Me prometa que nos veremos logo. – Ele falou.
– Hm, prometo que te verei antes de seu aniversário. – Disse dando uma dica. Ele beijou minha testa carinhosamente. Vi Narcisa sorri orgulhosa ou até mesmo vitoriosa, ela estava satisfeita que o casamento no qual ela planejou tinha dado certo.
– Tudo pronto? – Ela perguntou e eu assenti, me preparando. – Se cuide, ! – Ela se aproximou sussurrando. – Quando tudo acabar e estiverem prontos, eu espero que me dê um neto. – Senti minhas bochechas queimarem de vergonha. Peguei o pó de flúor rapidamente e disse o meu destino. – Sala do diretor em Hogwarts!
Então fui transportada pela rede, ainda consegui ouvir algumas palavras de Draco.
O que disse a ela?
Capítulo 33 – Denebolas
Segundos depois eu estava na sala do diretor, pude sentir sua presença, parecia que ele estava me esperando. Apostava que Lucius o tinha comunicado sobre minha volta.
– Senhora Malfoy, é uma honra a sua volta à escola depois de uma escapada noturna. – Ele me olhou com desdém.
– Só foi uma noite... – Ele se levantou com uma expressão mais séria que o normal.
– Espero que não haja uma próxima vez. Sei o quanto deve sentir falta do seu marido, mas não esqueça que você ainda tem uma escola para frequentar no qual existem regras e ela será responsável por seu futuro. Ah não ser que queira viver sem fazer nada, mas é claro, sendo uma Malfoy isso não é impossível. – Ele realmente estava bravo, eu percebia isso quando ele falava demais e te insultava de uma forma estranha.
– Para que tanta tempestade em copo d’água? Só foi uma noite. Além do mais, é fim de semana.
– Uma noite, pode virar dias depois. Sem falar que me informaram sobre sua ausência em algumas aulas. Só porque tem um benefício não pode abusar dele por muito tempo.
– Posso e devo. De qualquer forma isso tudo vai se explodir mesmo. Eu tive que sair daqui um pouco antes que eu mesmo desse um cruciatus naqueles dois.
– Segure sua língua, Malfoy. Não esqueça que sua família não está em uma boa posição. Além do mais, Hogwarts está sendo reforçada, então terá que se acostumar na presença de mais comensais.
– Que seja. – Resmunguei.
– Volte para sua comunal. – Ele ordenou. – E não se meta em problemas.
Então eu estava de volta aos corredores de Hogwarts, se não tivéssemos em uma prisão eu até iria ter gostado de voltar. Enquanto descia as escadas eu conheci uma silhueta de longe, ou melhor três silhuetas.
– ! – Yumi exclamou tentando não soar muito alto. Ela veio correndo ao meu encontro, junto com Erik e Nick. – Onde esteve? Você sumiu! Estávamos pensando o que foi aprontar desta vez.
– Ah, desculpe... Não foi nada demais.
– Nada demais? Não esteve no jantar e muito menos no café da manhã! Pensei que tinha sido presa e torturada até a morte. – Nick começou a exagerar.
– Pelas barbas de Merlin! Que exagero! Eu apenas fui em casa. – Pigarreei. – Visitar alguém.
– Em casa? – Yumi semicerrou os olhos.
– Não acredito que foi ver o Malfoy! – Erik exclamou. – E a gente preocupado enquanto a bonita foi... Ah, deixa para lá.
– Desculpa. Eu apenas não tive tempo de avisar, é uma longa história. – Sorri e os abracei em conjunto. – Obrigada por se preocuparem, mas estou bem!
– De qualquer forma, melhor não ficarmos tanto tempo aqui. – Yumi comentou olhando para os lados. – As coisas estão ficando pior ainda, temos que andar como se estivéssemos em um exército.
– Eu preciso voltar a comunal agora. Vejo vocês mais tarde! Se cuidem. – Nos separamos um pra cada lado.
Cheguei nas masmorras dando de cara com o atual trio de prata, dessa vez o lugar de Draco estava com Regulus.
– Ora, se não é a princesa da sonserina voltando da sua fortaleza. – Nott comentou como sempre fazendo piada.
– Re… Leo? – Eu ainda não estava acostumada com o nome falso, não combinava nada com ele. – Contou para eles?
– Desculpe, eles já estavam começando a se preocupar e quase avisando a meio mundo de gente. Preferi contar a verdade... – Ele deu de ombros.
– Eu sei que vocês me amam, mas não precisam se preocupar tanto.
– Se estivesse realmente desaparecido? – Zabini perguntou. – Da próxima pelo menos nos avise. Também somos amigos que podem guardar segredo, além do mais somos os padrinhos de casamento.
– É o que? Desde quando a gente disse que vocês eram?
– Não precisa nem dizer, é óbvio. – Nott disse. Percebi algo em seu rosto quando me aproximei mais.
– O que houve? Por que está machucado? – Perguntei já imaginando coisas. Ele estava escondendo seu lado direito, mas peguei seu queixo o forçando a me mostrar. Ele tinha machucados na lateral da sua sobrancelha e um roxo perto dos olhos, sua boca tinha um corte pequeno. – Eles que fizeram isso?
– Esqueça isso, ! – Ele disse e meu sangue ferveu. Eu odiava quando mexiam com meus amigos. – Fique quieta, não piore as coisas.
– O que aconteceu? – Falei, trincando os dentes.
– Eu fui defender a minha namorada. Ao menos ela não se machucou, fui torturado em seu lugar. – Ele comentou. – Não faça nada, mesmo que você os mate, as coisas não irão mudar.
– Você é um Nott! Como puderam fazer isso? – Perguntei ainda irritada.
– Eles não ligam! – Zabini respondeu. – Eu também fiquei puto quando o vi, mas Theo tem razão. As coisas são bem maiores do que pensamos, nos rebelar sendo poucos não adianta nada.
– Mas então... Como foi lá? O Draco está bem? – Theo tentou mudar de assunto.
– Sim, a família Malfoy não pode sair de casa. Eles também estão passando por algumas dificuldades. – Suspirei tentando acalmar meu coração. – Ao menos, recuperei minha varinha. – Disse enquanto mostrava ela a todos. Agradeci mentalmente por ela ter se livrado de um comensal.
Semanas se passaram e estávamos começando a sentir o inverno indo embora. Não nevava mais e isso era importante para eu saber que a morte de Dobby estava próximo.
Fui à biblioteca com Regulus para fazer nossos deveres, mas eu estava pensando em como eu faria para salvar o elfo. Fechei meus olhos novamente para ver o flashback do futuro novamente tentando saber mais sobre algum detalhe. Eu e Regulus praticávamos juntos o que tínhamos aprendido com a professora Trewlaney, e agora eu conseguia controlar minha visão sem precisar sonhar.
– O que sabe sobre os Weasleys? – Perguntei a ele.
– Ué, você não é amiga deles?
– Não é isso. É que eu vi em um sonho a casa de um deles, mas não consegui ver quem. – Disse trocando a linguagem para a de cobra.
– Me conte como foi.
– Eu vi que o trio será pego em breve, e isso vai ajudar no resgate de algumas pessoas que estão presas. Depois que Dobby os salva, eu vi uma casa de conchas, na porta tinha o sobrenome Weasley escrito.
– É o chalé das conchas. Bem, eu nunca estive lá, mas é na Cornualha.
– E como sabe disso?
– É a casa de Bill Weasley, o filho mais velho dos Weasleys. Vamos dizer que eu conheço os filhos deles.
– Eu estou pensando em aparatar na casa e pegar o punhal, ou acertar a Bellatrix.
– Ficou maluca? Você esqueceu que não pode se meter nisso? – Ele disse nervoso. – Se ela perceber que você está ali não quero nem saber o que vai acontecer.
– E o que eu faço? Eu não tenho ideia melhor.
– Eu posso ajudar. Eu sou de outro tempo, ninguém me conhece, seria mais fácil.
– Não esqueça que você é a cara do avô do Draco. Todos irão estar presentes na sala.
– Mas quem disse que vão me ver? Eu conheço aquela casa de olhos fechados.
– E qual seu plano?
– Irei aparatar na hora certa, vou enfeitiçar o punhal e desaparatar antes que alguém veja.
– Isso é ridículo, e se algo der errado? E se você for exposto?
– Eu não vou ser! Confie em mim, já passei por muitos maus bocados.
– Então, eu irei até o chalé das conchas. Só não sei como irei fazer isso, já que nunca estive lá.
– Você pode aparatar se lembrar do lugar. – Ele sorriu de lado. É claro! Eu conheço por causa das visões.
– Já sabe quando vai ser?
– Acho que vai ser no final desse mês. Eu sei que era fim do inverno.
– Precisamos saber exatamente a data e a hora.
– É difícil! E tem o feitiço fidelius também, eu preciso falar com a Gina. – Disse quase se levantando da mesa, quando Regulus me impede.
– Mãe!
– O quê?
– Você tem o colar que o papai te deu! – Ele me lembrou.
– Como você sabe? – Perguntei em choque. – Eu sou do futuro, lembra? – Ele respondeu irônico e eu o bati com o livro por isso. – Desculpe, mas às vezes você é lerda.
– Ainda sim, eu acho invasão demais. Apesar de ter conhecido o Bill e a Fleur, eu ficaria envergonhada.
– Não é hora para isso! São só medidas urgentes. – Ele disse revirando os olhos com tédio. – Eu não vejo a hora de ir para casa, nessa linha do tempo tudo é uma bagunça e problemas. – Ele resmungou. Fechei a cara e ele me analisou. Parecia que ele não iria sentir minha falta, e por mais que eu o entenda, Regulus foi importante para me manter equilibrada nesse ano letivo. – Não foi isso que eu quis dizer... Eu preciso ir antes você sabe.
– Então é assim que os filhos são. A gente cria para depois ele nos dar uma facada nas costas. – Ele gargalhou.
– Você ainda não me criou. E quem deve estar pensando isso é você do futuro. – Ele disse arrumando a pilha de livros que tinha pegado para estudar. – E essa será minha última missão, eu já encontrei o que tinha procurado.
– Achou? Finalmente, não é?! E vai me contar o que é?
– Que tal irmos sexta para a floresta proibida? De preferência pela noite.
– Ficou louco? Quem em sã consciência vai até a floresta que tem mil criaturas mortíferas à noite? – Ele riu parecendo se divertir com o que eu acabei de falar.
– Apenas confie em mim! Irei te mostrar o que vinha procurando. – Ele se levantou para sair da biblioteca, o acompanhei.
– Espere! Esse tempo estava indo para lá? Sem ser descoberto? – Perguntei tentando pensar em como ele fez essa proeza.
– Tenho algumas cartas na manga. Sabe, eu sei que puxei a aparência da família Malfoy, mas herdei suas habilidades de se sair furtivamente também. – Ele disse divertido.
Sexta-feira tinha chegado, depois do jantar esperamos o toque de recolher para irmos para a floresta proibida. Mas depois que soube do poder mágico do colar que Draco havia me dado, as coisas ficaram bem mais fáceis.
Entreguei meu colar nas mãos de Regulus, já que ele era o único que sabia onde nós íamos. Pegamos nossas vestes mais quentes e o cachecol da sonserina, apesar da primavera ter chegado, ainda fazia frio a noite, então aparatamos diretamente na floresta proibida.
Estava tudo escuro, menos a ponta das nossas varinhas no qual tínhamos o feitiço Lumos. O silêncio da noite transbordava pela floresta misturada com o vento frio que batia nas árvores. Enquanto eu seguia Regulus, começamos a ouvir barulhos de animais me fazendo ficar com mais medo... Não era a minha primeira vez andando pela floresta proibida, mas com coisas ruins soltas por aí e sem uma pessoa mais sábia, era diferente. Não confiava nas minhas habilidades contra bichos.
– Espero que não nos encontremos com centauros, eles já detestam bruxos ainda mais sendo da sonserina. – Resmunguei para quebrar o silêncio.
– Pode ficar tranquila, a área dos centauros é pelo oeste. – Ele disse parecendo saber muito das coisas.
– E se uma acromântula aparecer? – Ouvi ele rir.
– Acredite, isso nunca irá acontecer e você verá logo o porquê. – Ele disse enquanto caminhávamos para um rumo sem fim.
Depois de alguns minutos uns silêncio predominou o ambiente, não havia mais barulho de animais, e agora havia uma caverna entre algumas árvores. Ouvi um barulho ecoando pela caverna, como se fosse um animal rastejante. Paralisei na hora.
– Regus? – Sussurrei chamando seu nome.
– Chegamos.
– Nunca que eu vou entrar nessa caverna! – Falei ainda aos cochichos, meu corpo inteiro estava querendo sair daquele lugar. Então eu ouvi uma voz.
“Trouxe uma vissssita ou uma comida?”
“” Ouvi Titã no meu consciente.
Eu dei alguns passos mais para trás enquanto fitava a caverna. Não mesmo! Aquela língua eu sabia muito bem do que era! Peguei a mão de Regulus por impulso e o puxei para que pudéssemos nos virar para trás. Fechei meus olhos quando eu vi uma sombra no chão crescendo, enquanto seu rastejar ficou mais alto. Ouvi uma risada de Regulus.
– Não se preocupe, mãe. Ele é cego! – Ele disse então eu abri meus olhos confiando nele. A Sombra da cobra ainda estava sobre mim, olhei incrédula para Regulus que sorria. Então me virei para analisar melhor e então vi o basilisco diante dos meus olhos. Ele era enorme e realmente era cego.
– VOCÊ FICOU MALUCO? – Exclamei alto demais. – Como pode criar um basilisco?
– Sssseu filho é um desmioladoo! – Titã apareceu como espectro novamente ao meu lado. Ótimo, o encontro de serpentes!
– Bom, Denebola, acho que você já conhece minha mãe, só que ela está um pouco mais nova. E mãe, este é o Denebola.
– Ah, Ssssra. Malfoy é bom revê–la de novo. – O basilisco era mais educado do que muita gente.
– Então, Denebolas?! Eu estou confusa demais, mas é bom te conhecer. Então e você... – Disse voltando a falar com Regulus. – Me explique.
– Ah, Denebolas é que nem o Titã, só que maior e não é um patrono. Eu o encontrei quando ainda era um filhote, então hoje em dia protegemos um ao outro. Coloquei o nome de uma estrela da minha constelação.
– Não me compare com esssssa criatura! – Titã reclamou.
Eu comecei a gargalhar sem conseguir entender nada. Ainda não estava acreditando que meu primogênito tinha a porra de um basilisco que numa escala de perigo ele é mortal para qualquer pessoa, e estava com ele aqui na minha frente.
Lembrei do que Scorpius tinha dito quando vimos a lula gigante. “Está impressionado? Espere até ver a serpente de estimação do meu irmão.”
– Você vai me dar muito trabalho no futuro. – Disse, parando de rir.
– Desculpe... – Ele sorriu amarelo.
– O que vai fazer? Não pode manter um basilisco aqui e muito menos no castelo. Não de novo! – Memórias do segundo ano foram desbloqueadas. – Apesar dele ser cego, ainda continua perigoso. Se o ministério souber...
– Então, eu consigo transfigurá-lo também. Mas por enquanto o deixarei aqui para melhor se alimentar. E por favor, Denebolas, não acabe com tudo. Conhece as regras.
– Esssstá bem!
– Volte para a caverna. – Regulus mandou e o basilisco obedeceu.
– Não quero nem saber o que poderia acontecer se ele souber de um basilisco e pior ainda, sobre nós.
– Que bom que ele não sabe e nem vai saber. – Ele disse enquanto voltávamos para o castelo com titã ainda sobrevoando ao meu lado. No caminho eu senti uma tontura que tive que me sentar em um tronco de árvore.
Então vi novamente a visão sobre Dobby. Dessa vez com mais detalhes, dentro do chalé das conchas havia um calendário e tinha exatamente o dia da chegada deles, Hermione iria ser torturada por Bellatrix na mansão. Assim que voltei ao presente, senti um embrulho no meu estômago. Levantei correndo para fora da trilha e vomitei na grama perto de uma árvore. Ainda estava tonta pela visão repentina, às vezes acontecia quando elas vinham assim.
– Você está bem? – Regulus batia nas minhas costas. Assenti com a cabeça.
– Eu vi mais coisas... Hermione vai ser torturada. E vai ser no final do mês, perto da páscoa.
– Próxima semana... – Ele comentou pensativo. – Estaremos preparados então.
– É melhor darmos o fora daqui. – Disse enquanto pegava na sua mão.
– Está bem para aparatar? – Ele perguntou.
– Acho que sim.
Então nos preparamos e aparatamos diretamente para o meu quarto que era o lugar mais seguro no castelo. Como Regulus tinha o meu colar de dragão, ele conseguiu entrar no meu quarto, já que Hogwarts tinha os dormitórios femininos protegidos para não permitir a entrada de homens.
– É melhor eu ir. – Ele disse ainda me analisando. – Tem certeza de que está bem?
– Estou parecendo tão ruim assim? – Perguntei e fui até o espelho para me ver. Eu estava sem cor no rosto.
– Nunca viu ninguém ser torturado?
– Claro que não! Mas não foi isso, as visões quando me pegam desprevenidas é uma merda. Não sei como não desmaiei.
– Hm, está bem. – Ele tirou o colar de seu bolso e me entregou. – Se cuide, nos vemos amanhã. Boa noite, mãe! – Ele se despediu saindo do quarto.
Capítulo 34– Última Missão
Ainda bem que era fim de semana, porque eu capotei e não percebi que já estava tão tarde. Eu perdi o café da manhã e já era hora do almoço. E como sempre as refeições eram em silêncio, com a presença dos comensais ninguém ficava confortável com nada.
– ... Já ouviu falar em uma rádio clandestina? – Theo perguntou cochichando.
– Rádio?
– Melhor falarmos disso na comunal. Te explico melhor, mas é um canal onde temos informações sobre o que acontece no mundo. Talvez eu seja o único sonserino ouvindo. – Ele comentou atiçando minha curiosidade.
– Certo, nos encontramos depois então. – Eu disse observando todos os alunos. Encontrei os olhos de Erik na mesa ao lado. Eu sentia falta deles, mas o medo de que eu podia colocá-los em perigo era maior, principalmente a Yumi por ser mestiça. Os comensais apenas queriam uma desculpa para torturar eles.
Depois do almoço fomos direto para comunal, não teria outro lugar mais seguro. Então Nott me contou sobre o Observatório Potter, onde os anônimos que ele sabia muito bem que eram os “grifinórios”, sabiam sobre informações ao redor do mundo. Mas para acessar a transmissão precisa de uma senha, o qual Yumi tinha dado a Theo no qual prometeu não revelar a mais ninguém.
Porém em uma noite antes do fim de semana de páscoa enquanto estávamos treinando na câmara secreta, Theo levou o rádio e sintonizou escondido para que todos pudessem ouvir. Um silêncio se instalou na câmara enquanto ouvíamos atentamente.
– Antes de ouvir as novidades de Royal e Romulus, vamos tirar um minuto para noticiar as mortes que a Rede Rádio Bruxa e o Profeta Diário não acham importante mencionar. É com grande lamento que informamos aos nossos ouvintes os assassinatos de Ted Tonks e Dirk Cresswell. – O sobrenome Tonks me despertou um sentimento estranho, aquele deveria ser a família da Nymphadora que conheci na ordem.
– Um duende de nome Gornope também foi morto. Acredita-se que o nascido trouxa Dino Thomas e um segundo duende, que estariam viajando com Ted Tonks, possam ter escapado. Se Dino estiver nos ouvindo, ou se alguém tiver conhecimento do seu paradeiro, seus pais e irmãs estão desesperados por notícias. – Eu e Regulus nos entreolhamos. Dino estava em minhas visões.
A rádio transmitiu mais mortes, como a da Batilda Bagshot, autora do livro, A História da Magia e pediu um minuto de silêncio. Os sonserinos não deram uma palavra desde que começamos a ouvir a rádio. Era diferente quando finalmente sabíamos o que estava acontecendo por ali.
– Romulo, você continua a sustentar, como tem feito nas vezes em que compareceu ao nosso programa, que Harry Potter continua vivo?
– Sustento, não me resta a menor dúvida de que os comensais anunciariam amplamente a morte dele se tivesse ocorrido... O menino que sobreviveu continua a ser um símbolo de tudo porque estamos lutando: o triunfo do bem, o poder da inocência, a necessidade de continuar resistindo.
– ...o que diria as novas notícias sobre os amigos de Harry Potter que estão sofrendo por sua lealdade?
– Bem, como os nossos fiéis ouvintes sabem, vários partidários de Harry Potter foram presos, inclusive Xenofilio Lovegood, outrora editor de O Pasquim. Soubemos de última hora que o conhecido guarda-caças de Hogwarts, Rúbeo Hagrid escapou por um triz de ser capturado nos terrenos da escola, onde correm boatos de que ele teria dado uma festa em sua casa com o tema “Apoie Harry Potter”. – Ouvi algumas risadas abafadas do sonserino.
– ...Embora aplaudamos a iniciativa dele, gostaríamos de insistir com os partidários mais devotados de Harry que não sigam o exemplo de Hagrid. Festas do tipo “Apoie Harry Potter” são absolutamente insensatas no clima atual.
Regulus me cutucou de canto.
– Precisamos ir, hoje é sexta-feira. – Ele disse. Eu estava ciente que era a noite que o trio iria ser capturado. Porém eles ainda iriam passar horas até sair da Mansão.
Depois de algum tempo, conseguimos voltar com todos os sonserinos de volta para as masmorras sem serem pegos. As coisas estavam ficando mais difíceis, então anunciei que daquela vez era a último encontro.
Eu e Regulus fomos dessa vez para o scriptorium de Salazar Slytherin, pela primeira vez ele tinha colocado os pés ali, o que fez ele ficar surpreso.
– Acho que estamos seguros por aqui. – Eu disse. – Vamos?
– Chalé das conchas primeiro, não é? – Ele perguntou e eu assenti. Então eu fechei meus olhos visualizando tudo que vi na visão do chalé. Regulus apoiou seu braço no meu e logo depois eu rodopiei seguido dele. Em segundos aparatamos na praia onde não conseguia ver nada além disso.
– Está protegido pelo feitiço. – Ouvi ele falar enquanto o vento abafava sua voz. Minutos depois vimos alguém aparecer do nada. Era Bill Weasley com sua varinha posicionada.
– ? – Ele perguntou franzindo a testa e com a varinha ainda apontada.
– Oi... – Disse estranhando. Não sabia como cumprimentá–lo. – Weasley! – Vi outra pessoa com uma voz familiar sair do invisível. Era Fleur. Fazia muito tempo que eu não a via.
– ! – Ela disse com seu sotaque, enquanto empurrava Bill e me abraçava. – Faz tempo que não te vejo! O que está fazendo aqui?
– Ah, oi Fleur... Não temos muito tempo. – Olhei para Regulus. – Temos que ajudar Harry em algo, na verdade o Leo vai. – Disse atropelada nas palavras.
– Espere! – Bill apontava a varinha e puxava Fleur para perto dele. – Como vou saber que você é a ?
– Estive com a ordem no lago no Natal e conheci Sirius e na enfermaria depois do falecimento de Dumbledore, onde todos estavam confusos por eu estar com Draco e Snape.
Então depois de explicar um pouco como acabamos ali e o que iria acontecer, Bill nos revelou a casa. Agora víamos perfeitamente o que minha visão tinha mostrado.
– Você sabia sobre o chalé? Como soube? – Bill perguntou.
– Não posso dizer sobre isso. Dumbledore me aconselhou sobre algumas coisas e por isso estou aqui hoje.
Entramos no chalé enquanto esperávamos a hora passar. Regulus só podia aparecer pela madrugada, onde aconteceria todo o caos na Mansão Malfoy. Eu estava começando a ficar ansiosa e com náuseas de novo. Se alguma coisa desse errado, meu filho poderia morrer.
– Fique calma, tudo vai dar certo. – Ele disse colocando o meu colar no bolso.
– Não desgrude desse colar! E qualquer coisa, peça ajuda a seu pai. Tenho certeza de que ele não será burro se você mandar uma indireta. – Disse arrancando uma risada dele. – Não deixe que ninguém te veja.
– Eu sei. Já falou isso mil vezes... – Ele resmungou.
– Regulus! – O repreendi enquanto Fleur e Gui estavam nos observando.
– Eu preciso ir agora... Confie em mim. – Ele sorriu de lado.
Observei ele indo para fora da casa e aparatar finalmente em direção a mansão Malfoy. Agora era só esperar, tentando não imaginar mil e uma coisas que dariam errado. As náuseas aumentaram e eu corri em direção ao banheiro enquanto Fleur me olhava preocupada.
POV REGULUS
Assim que pisei em um dos quartos da mansão eu me certifiquei de que estava vazio. Era longe o bastante para ninguém ouvir minha aparatação porque eu já sabia que estava um caos nos andares debaixo. Da porta dava-se para ouvir os gritos de Hermione sendo torturada, então muito em breve era minha deixa.
Fiz o feitiço da desilusão para qualquer acaso e fiquei esperando no quarto. Meu plano era apenas descer as escadas e lançar um depulso mudo no punhal, era uma coisa básica no final, mas que precisava ser precisa. Era estranho estar em casa e ao mesmo tempo não. Aquele tempo estava muito diferente e eu agradeci por ter nascido depois, era um privilégio.
Tive uma visão ainda enquanto esperava. Meu tempo aqui estava esgotando. Assim que eu terminasse minha última missão eu teria que partir, era difícil pensar em deixar minha mãe sozinha, mas eu precisava. Já tive uma oportunidade de conhecer meus pais na época de escola e ainda poder conversar mais com a mamãe.
Barulhos de duelos interromperam meus pensamentos. Era minha deixa.
Sai do quarto sorrateiramente e desci as escadas até o andar em que estavam parando poucos degraus antes. Fiquei escondido, observando quase tudo. Notei Harry e Rony que estavam parados olhando para Hermione que estava refém de Bellatrix, mais ao alto, no lustre estava Dobby. Minha última missão!
As cenas a seguir foram bem rápidas, no momento que o lustre caiu, Bellatrix soltou Hermione que correu para Harry. Minha avó tentou desarmar Dobby mas sem sucesso, então ouvi Dobby falar.
– Dobby não tem senhores! Dobby é um elfo livre, e Dobby veio salvar Harry Potter e seus amigos!
Em questão de segundos as coisas começaram a acontecer e eu foquei apenas nos movimentos de Bellatrix. Assim que ela pegou o punhal e jogou, eu lancei depulso mudo para que ninguém me ouvisse. Assim que vi o punhal sendo arremessado de lado eu subi sem fazer barulho. Não podia aparatar ainda, sem fazer barulho.
Tudo deu certo, apenas por uma coisa que eu não tinha notado.
Assim que o feitiço da desilusão terminou eu ouvi um barulho, assim que me virei dei de cara com meu pai, no corredor do andar de cima. Ele tinha me seguido, é claro.
– Leo? O que está fazendo aqui? – Ele perguntou com voz baixa, surpreso, mas também apreensivo. Ele olhava as escadas como se estivesse vigiando. Estávamos a um metro de distância, então não pensei muito.
– Regulus! Regulus Malfoy. – O corrigir. – Esse é o meu nome. Até mais, pai. – Sorri de lado antes de girar os pés e aparatar dali mesmo. A última coisa que eu vi foi seu olhar um pouco mais chocado que antes.
Pisei novamente no chão de areia calmamente, vendo a minha mãe correr quando percebeu que era eu. Ela me abraçou como nunca, e dessa vez chorava. Eu estava estranhando-a ultimamente.
– Todos estão bem? – Perguntei tentando ver o que tinha acontecido. Logo notei Harry, Hermione, Rony, Grampo e Dobby. Todos vivos!
– Sim, eu fiquei preocupada quando todos voltaram e você não. – Ela disse limpando as lágrimas.
– Eu tive um pequeno contratempo, mas nada demais. – Eu disse sem revelar muito. Irei deixar aquele pequeno encontro só entre mim e ele por enquanto.
– Obrigada! – Minha mãe me agradeceu novamente enquanto todos seguíamos para o chalé das conchas.
POV
Assim que eu ouvi um PLOC do lado de fora eu corri para ver se tudo tinha dado certo. Dino, Olivaras e Luna já tinham sido trazidos por Dobby a um tempo, então agora era hora do trio com o duende e Dobby. Meu coração se tranquilizou quando vi Dobby vivo, sem nenhuma adaga em seu corpo. Regulus tinha conseguido.
Esperei alguns minutos para Regulus aparecer novamente. Comecei a ficar apreensiva novamente, eu aquela hora já tinha me arrependido de ter mandado ele, que não tinha nada a ver com tudo isso, ele nem deveria estar aqui nesse tempo. Harry ficou muito confuso quando me viu, ele perguntou algo se aproximando, mas ignorei ainda olhando para o horizonte. Assim que eu ouvi outro PLOC eu não aguentei e comecei a derramar lágrimas em meu rosto enquanto ia em sua direção. O abracei forte ainda me tremendo. Eu chorava por alívio. Alívio pelas coisas finalmente ter dado certo. Conseguimos evitar uma morte finalmente, depois de tudo. Era reconfortante.
Depois de me acalmar, entramos no chalé para conversarmos. Eu expliquei o básico como sempre, eles não precisavam saber sobre tudo, mas aquele momento era hora de saber que estávamos do lado deles.
– Não podemos ficar muito tempo por aqui. – Eu disse. – Harry, feche sua mente, ele não pode saber que te ajudei, ou eu e minha família estaremos em perigo. Por isso evitei você por tanto tempo, mas dessa vez eu tive que salvar o Dobby. Por isso o Leo me ajudou também.
– Dobby foi salvo pela Sra. Malfoy e o Sr. Spencer! Dobby está eternamente grato por isso.
– Não foi nada, Dobby! Porém precisamos que venha conosco… Te explicarei no caminho.
– Mas é claro, senhora.
– Ah, Dobby! Preciso de um favor. – Harry se aproximou.
– Dobby ficará contente em ajudar Harry Potter e seus amigos novamente. – Ele olhou para Harry e para mim sorrindo.
– Vá até Monstro! Diga que destruímos o medalhão e que a vontade de Regulus foi finalmente feita. – Ele disse.
– Irei levar a Sra Malfoy e o Sr. Spencer com Dobby para entregar o recado ao Monstro no lago grimmauld. – Ele olhou para mim novamente e eu assenti confirmando que íamos junto.
– Obrigado, ! – Harry agradeceu me abraçando.
– É bom ver você novamente! E vivo! – Sorri. – Nos vemos em breve.
Nos despedimos de Bill e Fleur enquanto agradecíamos também por ter nos recebido. Pegamos na mão de Dobby que nos teletransportou rapidamente para a casa dos Black’s.
Capítulo 35 - Regulus
Senti em segundos o chão se materializar sob meus pés, me causando mais tontura do que eu estava acostumada. Tive que me segurar em Regulus para não cair no chão.
– Está bem?
– Sim, só preciso de um minuto. – Disse me sentando no sofá da sala. Ele me observou calmamente até o monstro aparecer.
– Monstro! O Senhor Harry Potter mandou Dobby te dizer que o medalhão foi destruído. – Dobby disse.
– Ele foi destruído? – Os olhos do Monstro brilharam. – Finalmente o senhor Regulus pode descansar em paz!
– Regulus? Regulus Black era seu mestre? – Perguntei a Monstro e depois troquei olhares com meu filho.
– Sim. – Ele disse e então me lembrei do bilhete que encontrei no medalhão.
– O que é uma Horcrux? – Perguntei a Regulus.
– É uma magia das trevas. Resumindo, você divide sua alma e coloca em um objeto, assim você nunca morre, mas para isso precisa matar alguém. Vo… Quer dizer, você-sabe-quem, dividiu-se em sete. Um foi sem querer... Não deve revelar isso a ninguém. Harry está caçando-as.
– Então esse medalhão era uma? – Tudo fazia sentido agora, principalmente se juntar com a profecia. Harry estava atrás das Horcruxes esse tempo todo para matar Voldemort.
– Sim! Ele já destruiu três. O anel, o diário e o medalhão.
– Então, em breve tudo isso irá acabar. – Suspirei um pouco aliviada.
– Então quer dizer que esse lugar é antiga casa dos Black. – Regulus comentou olhando o lugar. – Que agora é do Potter, eu presumo.
– Sim! Infelizmente não sobrou mais nenhum Black vivo, então Sirius Black deixou tudo para Harry Potter. – Monstro respondeu.
– Ouvi falar sobre uma tapeçaria aqui. – Regulus sorria como se estivesse aprontando algo. Como ele saberia sobre isso? Eu não lembro de ter comentado.
– Sim, fica lá em cima. A Sra. Malfoy sabe onde se encontra.
– Por que não me leva até lá, Mãe?
– Precisamos realmente ir? Preciso conversar com o Dobby! – Ele puxou minha mão me tirando do sofá.
– Sim, eu quero ver. – Ele me obrigou a levá-lo até o andar da tapeçaria. Quando entramos ele estava com um olhar curioso para o fundo da sala.
– Quer saber sobre seus antepassados? Está aqui! – Falei apresentando a sala. Os primeiros e últimos Black. Quem tem um furo é porque foi rejeitado pela família. – O nome em latim Stirps Nobilis Et Gens Antiquissima Black (Eis a Linhagem do Nobre e Mais Antigo Clã dos Black) estava dando destaque como sempre.
– Bem amigáveis, não é? E onde está a nossa parte da família?
Então andei até o final da sala onde eu lembrava que estava o nome e a imagem de Draco que agora continha um pequeno nome adicionado do lado do seu, o meu. Assim que apontei para mostrar a Regulus percebi algo que não estava ali também. Havia um galho maior, a mais, depois do nome de Draco e parecia que estava se formando um nome. Quando me aproximei eu consegui visualizar o nome bem claro, quase transparente. Regulus Malfoy.
Então eu entendi o porquê daquele garoto ter me forçado a vir até aqui. Olhei pra ele em choque enquanto ele tinha uma cara super divertida no rosto.
– Eu estou... Grávida? – Perguntei mais para mim. Lágrimas brotaram do meu rosto sem eu querer e então eu finalmente entendi o porquê dos meus sentimentos estarem fortes e a causa dos meus enjoos e tonturas. Sem mais, eu abracei meu futuro filho que já estava em meu ventre. – Como sabia sobre isso?
– Eu apenas parei para pensar apenas hoje, então aproveitei o momento para te empurrar pra cá. Não vi a melhor maneira do que essa pra te contar.
– Então era por isso que não quis me contar o ano em que nasceu. – Enxuguei minhas lágrimas tentando me recompor.
– Sim, estava próximo, não é? Não poderia arriscar. – Ele riu.
– Como pode vir, quando uma guerra está prestes a rolar. Por Merlin! – Me apavorei quando eu percebi que teria que lutar grávida.
– Bom, se eu nasci é porque as coisas deram certo. – Ele deu de ombros. – Não se preocupe com isso.
– Hoje está sendo muita coisa para um dia só. Ainda precisamos voltar pra escola. – Disse saindo da sala.
– Mãe, sobre isso... – Ele parou olhando para o chão. – Eu não voltarei. – Ele olhou para mim.
– Chegou a hora, não é? – Perguntei sabendo o que ele queria falar. Ele precisava voltar para o tempo dele.
– Sim, vamos descer. – Ele pegou minha mão enquanto descíamos as escadas em silêncio. Os elfos ainda estavam pela casa, assim que descemos eles trouxeram chá pra gente tomar, eram fofos demais.
– Obrigada! – Disse pegando o copo da bandeja e se sentando no sofá para tomar, estava precisando de um desse.
– Bom, é hora de ir. – Regulus disse em pé me encarando.
– O Sr. Spencer irá embora? – Dobby perguntou.
– Sim, voltarei para casa dessa vez. Não poderei lutar com vocês, é complicado. – Ele falou para os elfos. – Desejo sorte a vocês.
– É uma pena. Dobby será eternamente grato por tudo que fez a Dobby. Espero te ver novamente, Leonard Spencer. – Regulus riu.
– Regulus. – Ele disse para os elfos. Monstro o encarou curioso. – Meu nome é Regulus Malfoy. E estou voltando para meu tempo, a propósito, cuidem dela por favor, ela está grávida. – Ele explicou e os elfos ficaram sem entender, mas animados pela minha gravidez.
– Então... Você veio do futuro? – Monstro perguntou. – O seu nome é o mesmo nome do Senhor de Monstro?
– Isso é magnífico! Primeira vez que Dobby conhece alguém do futuro.
– Acho que mamãe explicará melhor isso a vocês, preciso ir. – Ele disse voltando a me encarar.
– Melhor fazermos isso sem muita enrolação, senão eu irei chorar novamente. – Coloquei a xícara na mesa enquanto levantava e o abracei. – Vou sentir sua falta.
– Não se esqueça que eu estou com você. – Ele sorriu de lado enquanto nos afastava. – Foi bom te conhecer assim, finalmente nos reaproximamos. Antes que eu esqueça... – Ele devolveu o meu colar de dragão.
– E a cobra? Não deixou em Hogwarts?
– Claro que não! Está comigo. – Ele sorriu e se afastou um pouco. – Até mais, mãe. – Senti meus olhos marejaram novamente. E lá estava eu novamente me despedindo do meu filho do futuro que conheci. – Nos vemos em outubro.
Só percebi um flash de luz depois que ele fechou os olhos e em segundos Regulus desapareceu. Fiquei sem reação por um tempo, estava acostumada demais com a presença dele, e agora estava sozinha para comentar sobre minhas visões.
– Dobby, precisamos conversar. – Chamei o elfo me tirando dos devaneios.
– Sim, senhora. O que precisa?
– Você deveria ter... Morrido. Então, tecnicamente você não pode fazer absolutamente nada até que a guerra finalize, ou isso irá trazer sérias consequências. Porém irei precisar da sua ajuda, se eu chamasse seu nome em algum momento poderia vir em meu auxílio?
– Mas é claro! Dobby fará de tudo para ajudar seus amigos.
– Então, certo. Existem mais pessoas que eu devo salvar, pessoas inocentes. Assim que eu as salvar, você deverá vir e levá–las para um lugar seguro. Pode ser na casa dos Weasleys, creio que até lá esteja seguro.
– Certo, Dobby estará de prontidão para ajudar a Senhora Malfoy!
– E o que Monstro deve fazer, minha senhora?
– Monstro pode fazer o que quiser. – Eu disse a ele.
– Monstro irá lutar para proteger a honra do meu senhor na hora que precisar.
– Falando nisso, Monstro, me conte mais sobre seu senhor. Regulus Black. – Eu falei me sentando no sofá novamente.
– Meu senhor Regulus tinha orgulho da família, sabia reverenciar o nome Black e a dignidade do seu sangue puro. Durante anos ele falou do Lorde das Trevas, que ia tirar os bruxos da clandestinidade e dominar os trouxas e os nascidos trouxas... E quando fez dezesseis anos, ele se reuniu com o Lorde das Trevas. Tão orgulhoso, tão orgulhoso, tão feliz de servir... – Essa história estava bem parecida com alguém que eu conheço.
– E um dia, um ano depois que se alistou, meu senhor, Regulus veio a cozinha ver Monstro. Meu senhor, Regulus sempre gostou de Monstro, então ele disse que o Lorde das Trevas precisava de um elfo. Então o Lorde das Trevas levou Monstro até uma caverna onde havia uma bacia cheia de poção, o Lorde das trevas fez Monstro beber... Enquanto Monstro bebia, monstro via coisas horríveis. As entranhas de Monstro queimavam... Monstro gritou pelo senhor Regulus e pela Senhora Black... o Lorde das Trevas apenas ria. Ele fez Monstro beber a poção toda... Ele pôs um medalhão na bacia vazia... tornou a encher a bacia com mais poção. Então o Lorde das trevas foi embora e deixou Monstro na ilha... – Não esperava menos dele. Era ridículo demais... estranhei ainda mais o porquê dele não ter feito nada terrível comigo, era um tanto curioso.
– Monstro quase morreu quando foi arrastado para água, quando mãos mortas apareceram. O Senhor Regulus disse a Monstro para voltar, então eu voltei.
– E então...? – Perguntei para que ele continuasse.
– O senhor Regulus ficou muito preocupado, muito preocupado. Ele mandou Monstro ficar escondido e não sair de casa. Depois, o meu senhor, veio procurar Monstro, ele estava esquisito, fora do normal, perturbado. Ele pediu pra Monstro levá-lo até a caverna... – Monstro começou a ficar choroso.
– Meu senhor tirou um medalhão igual ao que o Lorde das Trevas tinha. Ele disse para Monstro pegar e quando a bacia estivesse vazia, trocar os medalhões. Ele mandou Monstro ir embora...sem ele. Ele disse para Monstro ir para casa e nunca contar a minha senhora, o que ele tinha feito... Ele bebeu a poção e Monstro trocou os medalhões e ficou olhando, meu senhor, Regulus, sendo arrastado para baixo d’água e... – Ele chorou enquanto se lembrava. Limpou as lágrimas em sua camisa. Dobby observava tudo atentamente com lágrimas também.
– Sinto muito. – Eu disse emocionada igual os elfos.
Então no final Regulus Black era apenas um garoto que foi manipulado como a maioria das crianças sonserinas. Achou que a nobreza, o sangue puro era importante assim como a maioria das famílias que passaram esse preconceito para seus herdeiros. Mas Regulus ao ver seu elfo ser maltratado e deixado para morrer, ele se arrependeu amargamente de ficar ao lado de Voldemort. Tentando então dar um fim em tudo isso... ele tentou destruir o medalhão, que era uma Horcrux e com isso se sacrificou para um bem maior.
Parece pequeno, se não fosse pelo fato de que por causa dele Harry provavelmente conseguiu recuperar e destruir a Horcrux verdadeira.
“Enfrento a morte na esperança de que, quando você encontrar um adversário à altura, terá se tornado outra vez mortal.
Sorri ao lembrar que no final, as palavras de Regulus se tornaram reais.
– Obrigada por me contar, Monstro. Infelizmente terei que voltar a Hogwarts antes que o professor Snape surte outra vez, apesar do feriado. Até mais!
– Até mais, Senhora Malfoy. – Dobby disse.
– O senhor do Monstro ficaria honrado pelo nome da criança.
– Sim, sobre isso. Não contem a ninguém.
Então me despedi do elfo e aparatei para Hogwarts, no meu quarto. Senti um vazio repentino, Regulus tinha me acostumado muito mal. Então toquei na minha barriga que ainda nem estava volumosa, tentando fazer minha ficha cair. Se for pensar, eu estava com quase dois meses.
Imagina quando todos souberem, imagina quando Draco souber. Sorri imaginando. Teria que ir à enfermaria falar com a Madame Pomfrey e pedir segredo.
Capítulo 36 – Revelações
Abril passou devagar como esse ano inteiro. Sem estar bisbilhotando o castelo, sem escapar às escondidas para a torre de astronomia, eu estava ficando com tédio, descobrindo que eu gosto de ser uma boa investigadora. Então me daria muito bem se eu seguisse a carreira de Auror.
Aproveitei esse tempo para decidir o que fazer da minha vida. As coisas mudaram demais, além de não saber como ficaria o mundo pós-guerra, ainda tinha meu filho que iria nascer em outubro, então teria que ter um tempo nosso. Talvez só em um ano eu iria conseguir fixar meu lado profissional e olhar lá.
Escrevi finalmente no meu diário. Metas para depois da formatura: Ser mãe, Auror, mestre em poções.
Depois do feriado fui à enfermaria para saber o que eu precisava para manter minha gestação o melhor possível. Observei alguns alunos feridos ali, provavelmente pelas torturas dos comensais, tentei ignorar principalmente agora que teria que proteger mais uma pessoa.
– Oh, Sra. Malfoy! Pensei que não iria te ver aqui esse ano. – Madame Pomfrey disse me fazendo rir.
– Pelo menos eu não estou desmaiada.
– Então, o que houve? Eles fizeram algo a você? – Ela perguntou preocupada.
– Ah não... Er... Dessa vez eu queria perguntar o que preciso para manter uma gestação saudável. – Ela ficou surpresa, mas feliz.
– Você está...?
– Sim. – Falei baixo. – Ninguém sabe ainda, eu espero que ainda ninguém saiba. Preciso contar para o pai primeiro. Você entende?
– Ah, claro querida! Não se preocupe. Deite-se na cama por favor, irei te avaliar e te dizer o que precisa. – Ela disse animada. – Finalmente uma notícia boa nesse castelo.
Eu ri sozinha, enquanto Madame Pomfrey me avaliava. Tudo estava bem, eu estava saudável sem nenhum problema. Ela me passou algumas vitaminas para me ajudar na gestação e me pediu para que viesse mensalmente vê-la, pelo menos até final do ano letivo.
Aproveitei para ir ver Yumi e contar a novidade. Tinha muito tempo que não nos falávamos direito, sempre era por bilhete para que nenhum comensal nos visse conversando. Com Erik e Nick era a mesma coisa, as regras de Hogwarts mudaram tão severamente que mal podíamos nos misturar direito.
Assim que fiquei em frente a sala precisa, olhei para os lados para conferir se tinha algum comensal, então entrei. Estava muito maior que da última vez que vi e tinha muito mais cabines, a A.D estava crescendo com seus apoiadores.
– ! – Yumi veio ao meu encontro assim que me viu entrando. – Finalmente apareceu por aqui.
– Eu estive a uns dias atrás, mas enfim. Tive que vir te contar sobre notícias. – Olhei para a sala ao todo. – Precisamos de privacidade.
– Venha! – Ela pegou minha mão e me levou a um canto mais privado. Era do lado das cabines das meninas. Sentamos em um canto e ela lançou um Abaffiato. – Não se preocupe, estamos acostumados com conversas reservadas.
– Isso é estranho, mas tudo bem.
– Me conte, o que tem de novas?
– Primeiramente eu vi o Harry. O trio de ouro na verdade e eles estão bem, apenas passando alguns perrengues. – Ela arregalou os olhos, mas sorriu com a notícia.
– Isso é ótimo! Suponho que não posso contar aos outros, não é?
– Isso, infelizmente eles ainda têm uma missão pela frente antes de chegar em Hogwarts.
– Oh, então eles virão?
– Sim, e é por isso que eu preciso da sua ajuda e dos meninos. Tenho que salvar algumas pessoas, Yumi. – Disse a ela, recentemente tive outras visões, mas não era claro ainda. – Porém creio que para salvar eu preciso estar em vários lugares ao mesmo tempo, coisa que eu não consigo.
– Entendo. Mas já sabe quem são as pessoas que correm perigo?
– Não, mas logo irei saber. Quanto mais próximo, a visão fica mais clara. Então na hora certa irei convocar vocês três.
– Certo, pode contar comigo. Mas e o Regulus? Ele não pode te ajudar? – Ela perguntou. Tinha esquecido completamente de informar que Regulus tinha voltado para seu tempo.
– Ah, ele já foi embora.
– O que? Quando? Sem se despedir?
– Bom, nós saímos do castelo para salvarmos Dobby. Foi ele na verdade, então ele teve que partir. Disse que era a hora de ir, ele não podia estar aqui quando tudo começasse.
– E você sai livremente pelo castelo como se fosse simples. Não quero nem entender. É uma pena que não me despedi dele...
– Contudo, você irá vê-lo em breve... Na verdade daqui a seis meses mais ou menos. – Disse a ela já contando a segunda notícia. Ela ficou sem entender por um minuto e depois arregalou os olhos.
– Você está grávida? ! – Eu ri da sua expressão.
– Sim!
– Isso é maravilhoso, eu acho! Espere, mas estamos quase em guerra, como você...? – Suspirei.
– Tento não pensar nisso. Não sei como vai ser, mas dessa vez tenho que me cuidar para protegê-lo.
– Quem sabe?
– Só a Madame Pomfrey por enquanto, e você. – Ela fingiu estar emocionada.
– Ai que lindo! Não acredito que escapou naquela noite para fazer um filho. – Ela comentou me fazendo ter uma crise de riso.
– Só você para me fazer rir uma hora dessas, Yumi.
– Eu só disse a verdade!
– Eu apenas esqueci de tomar a poção depois... tinha muita coisa em mente.
– E como descobriu?
– Regulus. Ele me levou à tapeçaria da família Black...
– Uau! O próprio filho. – Nós rimos.
– Eu sei que o Draco não está aqui e nem deve ter sequer ideia, mas queria te convidar para ser madrinha do nosso filho.
– ... – Ela disse com os olhos marejados. – Eu adoraria ser madrinha do Regulus. – Ela me abraçou. Não pensaria em outra pessoa para isso. Assim que afastou, tratou de enxugar as lágrimas.
– Quando eu tiver um filho eu te farei madrinha também. – Nós rimos novamente.
Nós conseguimos nos encontrar, os quatro, depois no scriptorium de Rowena que era muito mais fácil de todos chegarem, exceto eu, é claro, mas eu tinha mais facilidade para caminhar por aí sem ser questionada.
– Finalmente estamos juntos novamente. Sendo sincero não aguentava mais sem falar direito com vocês. – Nick comentou enquanto sentava no sofá.
– Eu quero que tudo isso acabe logo. – Falei dando uma volta novamente na sala.
– Então, vidente, o que tem para nos contar que Yumi disse? – Erik perguntou.
– Em breve Gringotes irá ser invadido pelo trio de ouro, essa vai ser a notícia que irá percorrer Hogwarts muito em breve. Daí saberemos que no dia posterior irá haver uma batalha aqui no castelo, precisamente ao anoitecer. – Comecei a revelar o que nos últimos dias eu tinha visto em meus sonhos.
– Então, vamos ter realmente duelos entre varinhas, com muita gente. – Nick estava pensativo ainda tentando acreditar no que viria.
– Sim, essa noite vai ser muito intensa. Ficará para a história se tudo der certo, como a Batalha final de Hogwarts. Você-sabe-quem será derrotado pelo Harry.
– Então tudo bem nos contar isso.
– Sim, porque está perto e os principais eventos já aconteceram. – Respondi. – Bom, Dumbledore me falou que algumas coisas deveriam acontecer sem intervenção, a morte dele era um exemplo. Eu sabia o que ia acontecer, mas não poderia fazer nada sobre isso.
– Deve ter sido difícil. Desde a morte de Cedrico isso vem acontecendo, não é? – Yumi perguntou.
– Sim... Não tinha controle, ainda. Depois que tive treinamento com Regulus isso mudou, consigo fechar meus olhos e ver o que irá acontecer. O diretor me disse para não olhar para as principais coisas, pois outras pessoas podem precisar de mim. Isso quer dizer que outras pessoas inocentes podem ser salvas, um exemplo disso foi que salvamos Dobby.
– Dobby? O Elfo doméstico? – Nick perguntou.
– Sim. Ele ia ser morto, mas Regulus conseguiu impedir. Porém ele não pode aparecer na batalha porque ele deveria estar morto. Enfim, resumindo... preciso de ajuda. Em uma batalha tão grande que eu vi o que ia acontecer, eu não poderei estar em vários lugares ao mesmo tempo.
– Ah, então você quer que nos posicionemos num lugar no tempo exato para salvar alguém. – Erik compreendeu meus pensamentos.
– Exatamente! Não sei ainda quem irá morrer... mas espero ver em breve. Mas também não queria obrigar a vocês a isso, sabe. É perigoso e...
– Ah me poupe, ! – Nick reclamou me interrompendo. – O que acha que somos? Estamos nisso juntos desde o momento que a gente se conheceu no trem. – Erik riu.
– Ele tem razão! Dumbledore não mandou a gente pesquisar sobre os fundadores atoa, ele queria que a gente estivesse juntos. – Yumi concordou.
– Que defendêssemos Hogwarts juntos. – Erik completou. – Não somos os fundadores, mas somos seus herdeiros, ao menos um dever a gente tem. Proteger a escola e os alunos. – Senti meus olhos marejados. Malditos hormônios!
– É claro! Eu apenas queria dar a vocês o direito à escolha. – Disse em tom de brincadeira enquanto enxugava as lágrimas.
– Está muito chorona ultimamente... – Yumi mandou uma indireta rindo.
– Então... Quando eu souber de tudo. Contarei a vocês!
– Ah, me lembrei de algo que eu fiz! – Erik tirou do bolso quatro moedas, pareciam galeões, mas eram bem diferentes. Cada um tinha uma cor. – Confesso que eu imitei a A.D, mas graças a Hermione isso irá ser útil para a gente. – Ele entregou a moeda verde a mim e notei que ela tinha uma serpente, que às vezes desaparecia e virava um número. Yumi tinha a moeda vermelha que continha o leão da grifinória. Erik possuía a moeda azul com o símbolo da águia e por fim Nick com o texugo de cor amarela.
– Isso é incrível!
– Podemos marcar um dia em um dos scriptorium a partir de hoje para nos reunirmos. O que acham? – Erik perguntou.
– E como seria a rotação do local?
– A cada final de reunião nós falaríamos qual seria a próxima. Infelizmente se desse, incluiríamos a grifinória, porém já fizeram aquele lugar de sala do diretor e quem está lá é o Snape.
– Eu tenho acesso livre. Por que não podemos invadir lá uma vez?
– O que? Com Snape lá? Ficou maluca? – Yumi perguntou.
– Sabe a parte que vocês não sabem das coisas? Apenas confiem em mim. – Eles não sabiam que Snape estava do nosso lado, a única pessoa que sabia era eu, por enquanto.
– Está bem! Então podemos marcar de irmos até lá da próxima e procurar mais sobre Godric Gryffindor. – Yumi disse animada.
Então todos concordaram. Eu esperava que desse tempo de mostrar a sala do diretor para eles, afinal era raro alunos aparecerem por lá.
Capítulo 37 – O Plano dos Herdeiros
Na semana seguinte, tive um sonho mais longo. Harry iria vir para o castelo no final de semana para procurar uma Horcrux e por isso ele vinha até aqui, o último objeto estaria aqui. No flash seguinte vi exatamente as mortes que iriam ter.
Lupin, Tonks, Fred, Colin Creevey, Yumi Rizzi.
Acordei assustada demais, eu sabia como e quando ia ser. Eu não sabia se conseguiria salvar todos, mas tinha que tentar.
Chorei sozinha no quarto quando eu lembrei de como Yumi iria morrer, não poderia deixar isso acontecer, e ela não poderia saber. Então eu teria que protegê-la.
As únicas pessoas que eu sabia como iria morrer eram Tonks, Fred e Yumi. Passei a noite bolando um plano para colocar meu trio colorido em todas as posições.
No meio da semana, convoquei todos pelas moedas coloridas. Depois do jantar eu esperava cada um deles na porta da sala do diretor. Não sabia se Snape estava ali dentro, mas não me importava. Vi um feitiço da desilusão ser desfeito e Erik aparecer na minha frente. Esperamos mais um tempinho e logo vimos Yumi e Nick chegarem juntos.
– Vamos? – Perguntei e eles concordaram. O grifo se movimentou como sempre fazia e deu acesso às escadas para a gente.
E como tinha uma enorme probabilidade de nos encontrarmos com o Prof. Snape, aconteceu. Ele estava descendo as escadas da parte mais alta do escritório e nos olhou franzindo a testa.
– Você não disse nada sobre ele estar aqui! – Yumi sussurrou.
– O que os senhores estão fazendo em minha sala? – Ele perguntou.
– Sala do diretor Dumbledore. – Nick corrigiu. Snape olhou para ele irritado pelo atrevimento.
– Ahn, acho que o senhor sabe que Dumbledore nos deu acesso a sala.
– Primeiramente, ele te deu acesso a sala. Segundamente, não estou nessa sala para ser apenas um enfeite, Sra Malfoy. – Ele semicerrou os olhos. – Não poderia ao menos me avisar com antecedência? E se algum deles estivesse aqui comigo? Se você-sabe-quem estivesse aqui, o que faria? – Todos endureceram tensos.
– Desculpe, mas já que nada disso aconteceu, podemos fazer o que... – Fui interrompida por uma visão de repente. Snape... Ele também iria ser morto por Voldemort. Voltei ao presente com todos me observando, enquanto eu estava no chão. As náuseas começaram a voltar.
– Você está bem? – Erik perguntou.
– Teve outra visão? – Snape perguntou e eu olhei para ele chocada. Eu sabia que ele sabia de muita coisa, mas ele nunca tinha me dito que era realmente de tudo.
– Sim, mas… Não é tão importante. – Disse me levantando e tentando ser sonsa. – Enfim, precisamos da sala, professor.
– Que seja! Vocês têm uma hora. – Ele voltou a expressão fria. – Não tem permissão de entrar nessa porta. – Ele apontou e depois saiu pela porta que dá acesso ao castelo.
– O que foi isso? – Nick perguntou. – Ele estava um pouco... Estranho.
– Como ele sabia de suas visões? – Erik perguntou.
– Bom, ele e o Dumbledore tinham muitas conversas.
– Mas então, não podemos demorar muito, o que iremos fazer? – Yumi observava a sala com bastante atenção. – Acho que é a primeira vez que venho aqui.
– Bem-vindos! – Os quadros dos diretores nos saudaram dando susto nos três.
– São os diretores de Hogwarts, cada um tem um quadro, conforme a tradição.
– Isso quer dizer que... – Nick disse enquanto procurava o outro quadro.
– Sim, o quadro do professor Dumbledore está ali em cima. Ele foi enfeitiçado para responder algumas coisas. – Disse enquanto mostrava o quadro.
– Boa noite, senhores! – Dumbledore nos cumprimentou. – É bom vê-los juntos outra vez. Receberam o diário que deixei para vocês?
– Sim. – Nick respondeu.
– Isso é bom!
– Diretor… As coisas irão acontecer em breve. – Disse ansiosa.
– Sim, mas lembre de minhas palavras, . Com confiança tudo dará certo, aprenda a confiar no seu instinto.
– Já sabe quando irá acontecer? – Yumi perguntou a mim.
– Sim, depois de amanhã. Pela noite... Vamos lá! – Falei me afastando dos quadros. – Nick, eu preciso que você acompanhe Colin Creevy onde ele for... principalmente se isso envolver ele indo para a floresta proibida.
– Colin? Mas ele nem está no castelo. Ele é um nascido trouxa... – Ele ficou sem entender.
– Então em alguma hora ele virá. Ele é da A.D também, eu duvido muito que ele ficará parado, mesmo sendo menor de idade.
– Está bem, irei procurá-lo.
– Se eu conseguir ver onde ele estiver na hora, passarei o recado através de Titã.
– Certo!
– Yumi, você irá proteger o Fred.
– O Fred? Oh Merlin, não imaginava que ele iria... Você sabe. – Yumi disse.
– Ele correrá risco em uma explosão, não se preocupe... talvez eu esteja com você no momento. – Eu disse sem tentar revelar muita coisa.
– Erik, precisa ficar com o Lupin. Ele estará perto da torre da corvinal...não sei muito o que irá acontecer. Eu estarei tentando proteger a Tonks enquanto isso.
– Uau! Será todos ao mesmo tempo? Estou começando a ficar nervoso.
– Não, mas o intervalo é pouco.
– E se algo der errado? – Nick perguntou. – E se não conseguirmos salvá-los?
– Às vezes, o destino dará um jeito para deixar as coisas nos seus devidos lugares. – O Quadro do professor Dumbledore respondeu de repente.
– O que quer dizer? – Perguntei.
– Saberá quando for a hora. – Ele respondeu e sumiu do quadro. Típico de Dumbledore. Às vezes me dava raiva quando ele dava esses papos enigmáticos e era isso, você que entendesse.
– Ótimo! Então tem mesmo a chance de dar errado... – Nick resmungou.
– Tudo bem gente, eu sei que pode ser difícil. Mas é tudo o que temos, precisamos tentar pelo menos.
– Vamos ser positivos! – Yumi disse.
Passamos um pouco a noite conversando até o Snape nos expulsar de lá. Não podíamos ter liberdade para procurar algo de Godric por causa dele. Então apenas esperamos as notícias boas virem, a de que Harry invadira Gringotes e estava vindo para Hogwarts.
Capítulo 38 – A Batalha Final
Exatamente sexta pela manhã do dia 1 de maio houve um burburinho sobre o trio ter escapado de Gringotes em um dragão. Era realmente um feito muito grande! Estávamos falando de um dragão, no qual é considerada uma das criaturas mais perigosas do mundo mágico. Nesse dia eu consegui ter a visão de Voldemort com bastante fúria, Harry conseguiu a taça de Helga que era uma Horcrux e estava vindo para cá, em busca da última.
Pensando em como o Lorde das Trevas escolheu suas Horcruxes, todas eram valiosas demais. O medalhão pertencente à sonserina, a taça de Lufa–lufa, a próxima era a relíquia da corvinal que eu já tinha ouvido falar. Erik me contou sobre o diadema de corvinal que estava perdido.
Pelos corredores a segurança foi dobrada, tivemos que andar enfileirados como em uma marcha para que tivessem mais controle sobre os alunos, para que Harry e seus amigos não andassem facilmente pelo castelo.
Então ao ver o céu, eu notei a lua brilhante... Harry deveria estar chegando em Hogsmeade a essa hora.
– ? – Zabini me chamou ao meu lado.
– Sim?
– Os comensais estão patrulhando mais severamente. O Potter está por perto, não é? – Nott perguntou.
– Se preparem meninos, hoje à noite será longa. – Avisei. Ouvi o suspiro tenso dos dois.
– Não foi atoa que nos preparou, não é? – Zabini disse sorrindo de lado, sendo acompanhado de Nott que pôs a mesma expressão – Não estamos desprotegidos.
– Então chegou o grande dia de mostrar a todos como é um sonserino em batalha. – Theo disse.
– Não se empolguem muito... Vocês dois não banquem os sabichões e heróis. Eu quero vocês vivos até o final. – Disse séria.
– Tudo bem, princesa. – Nott debochou, mas sabia que ele tinha entendido.
Fomos para o salão comunal da sonserina com o toque de recolher. Enquanto esperava no meu quarto, um turbilhão de pensamento começou a me deixar um pouco nervosa.
Regulus, eu tentaria de tudo para protegê-lo. Nós éramos a prioridade no momento. Draco, eu espero muito que ele esteja bem e não tenha a ideia idiota de vir para cá, apesar que o conheço muito bem é claro que ele viria. Nossa família lutando do outro lado, eu espero que não me bata com eles, espero que fiquem seguros.
Yumi, eu precisava protegê-la com o restante dos alunos. E depois daquela noite tudo iria acabar. Tudo ficará bem e voltaremos a ser o que era antes, ou tentaríamos. Tentei esvaziar minha mente como o Prof Snape ensinou, ficando mais calma depois.
Me levantei e saí do quarto depois que eu ouvi um burburinho do lado de fora, no salão comunal.
– Atenção! – Ouvi a voz do diretor da sonserina, Slughorn. – Todos os alunos estão sendo convocados para o salão principal. Acordem todos imediatamente! Senhora Malfoy! Preciso que me ajude... – Ele se aproximou.
– O que quer que eu faça, Professor?
– A professora Minerva está no comando agora, ele está chegando. – Ele disse um pouco apavorado. – Precisaremos evacuar em breve. Consegue me acompanhar?
– Sim, é claro! – Olhei para Zabini e Nott que estava próximo. – Me ajudem, tirem todos os meninos da cama, precisamos estar no salão comunal agora. – Eles assentiram.
– Professor, o senhor pode usar o feitiço de amplificador de voz também. – O lembrei.
– Ah, mas é claro! – Ele deu outro aviso e dessa vez com a ponta da varinha encostada em seu pescoço.
Assim que todos se reuniram no salão comunal, seguimos com o diretor Slughorn diretamente para o salão principal. Os meninos e as meninas me ajudaram com o caos que se instalou com todos caminhando em fila. No final todos estavam reunidos no grande salão, a maioria de pijamas mesmo.
No momento que pus os olhos na mesa da grifinória, notei todos ali. Menos Rony e Hermione, deduzir que eles foram até a câmara secreta como eu tinha visto antes. McGonagall começou a explicar o que estava acontecendo, um silêncio predominou a escola.
– ... a evacuação será supervisionada pelo sr. Filtch e por Madame Pomfrey. Monitores, quando eu der a ordem, vocês organizarão os alunos de suas Casas e os levarão, enfileirados, ao lugar de retirada.
– E se eu quiser ficar e lutar? – Ernesto Macmillan se levantou falando. Ouviram-se aplausos.
– Se você for maior de idade, pode ficar.
– E as nossas coisas? Nossos malões e corujas? – Alguém perguntou.
– Não temos tempo para recolher pertences. O importante é sair daqui são e salvo.
– Onde está o Professor Snape? – Alguém da sonserina perguntou.
– Para usar a expressão vulgar, ele se mandou. – Ouvi ovação da mesa das outras casas. Então, Harry resolveu andar pela mesa da grifinória procurando algo. Todo mundo começou a notar sua presença, murmúrios foram ouvidos. – Já fizemos a proteção ao redor do castelo, mas é pouco provável que dure muito tempo, a não ser que a reforcemos. Portanto, devo pedir a vocês que andem rápido e calmamente e façam o que seus monitores...
Ouvi então uma voz aguda, clara e fina. Era muito parecida com a do basilisco no segundo ano, que saia das paredes.
“Sei que estão se preparando para lutar” Era a voz de Voldemort.
Gritos foram escutados entre os alunos, que se abraçaram com medo, aterrorizados enquanto procuravam de onde vinha o som.
“Seus esforços são inúteis. Não podem lutar comigo. Não quero matar vocês. Tenho grande respeito pelos professores de Hogwarts. Não quero derramar sangue mágico.”
Fez silêncio do grande salão.
“Entreguem-me Harry Potter e ninguém sairá ferido. Entreguem-me Harry Potter e não tocarei na escola. Entreguem–me Harry Potter e serão recompensados.”
“Terão até meia-noite”
E mais uma vez o silêncio predominou o ambiente. Muitos olhares foram para Harry que parecia petrificado.
– Mas ele está ali! O Potter está ali! Podemos pegá-lo! – Pansy gritou, me fazendo olhar incrédula para ela.
– Não! – Me levantei atraindo olhares. – Fica quieta, Pansy!
– Senhora Malfoy, espero que acompanhe os demais alunos da sonserina para fora desse castelo. – A Professora McGonagall disse.
– Sim, senhora. – Olhei para os sonserinos na mesa determinada. – Ouviram? Todo mundo me siga, agora! – Eu queria fazer um discurso e proteger os sonserinos, mas não era hora.
Então segui em direção a sala precisa no qual a maioria dos estudantes iriam pela passagem secreta que dava ao cabeça de javali. Tínhamos apenas meia hora antes que Voldermort e seus comensais começassem a invasão. Graças a Merlim, a sonserina foi a primeira a ser evacuada.
Ao chegar no cabeça de Javali, eu e o professor Slughorn garantimos que todos os menores de idade tinham sido levados de volta para casa, ou ficado em um lugar seguro. Sem os comensais em Hogsmeade, ficou muito mais fácil. Mas por outro lado, aquilo era um sinal que eles também estavam se reunindo.
– Muito bem... Escutem todos! – Disse chamando atenção dos sonserinos maiores de idade. – Quem ainda tiver a coragem de se opor contra nós eu sugiro que vá para casa, a sonserina não merece covardes que nem vocês que no primeiro temor, se esconde no “melhor” lado. Está na hora de mostrar a todos o que exatamente somos: Orgulhosos, Astutos, Ambiciosos, Inteligentes e Determinados. Hora de defender nosso lar, nossa escola. – Disse com determinação em meu olhar, olhando para cada um. O professor Slughorn me observava em choque, mas orgulhoso.
– Eu sei que a maioria tem os próprios pais do outro lado, eu mesmo estou nessa posição. Mas já cansei de estar nessa guerra e se for para ficar desse jeito, eu prefiro lutar e proteger a quem eu amo.
– Temos a sorte de ter uma princesa liderando a sonserina. – Zabini disse sorrindo. – O time de quadribol está te seguindo, é claro!
– Nós também! – Sophie gritou, me fazendo sorrir.
– Vamos lá! – Ouvi a voz de Montague.
– Vamos voltar ao castelo com reforços, em breve. – O professor Slughorn avisou a mim.
Todos os sonserinos que treinaram na câmara secreta vieram juntos, e para minha surpresa outros mais. Avisei a todos para andarem em conjunto quando tudo começar, nunca ficarem sozinhos para que não sejam pegos em emboscadas e que eu queria ver todos vivos até o amanhecer.
Ao chegarmos de volta ao castelo, todo mundo já tinha sido evacuado.
– Se preparem! Temos apenas 10 minutos. – O professor Slughorn avisou olhando para o relógio.
– ! – Ouvi a voz de Yumi. Graças a Merlin! Erik e Nick vieram ao meu encontro. – Procuramos vocês demais, então pensamos que não tinha voltado de Hogsmeade ainda.
– Bom, tive que dar uns puxões de orelhas nos sonserinos. – Dei de ombro. – Estão preparados?
– Não! Mas faremos o possível! Porra! Vamos duelar até a morte... – Nick falava nervoso.
Fechei meus olhos e me concentrei tentando encontrar todos os que deveríamos proteger.
– Expecto Patronum! – Tentei fazer algo que nunca tinha tentado. – Titã, leve o Nick até o Colin Creevy! Siga o titã, Nick e fique salvo!
Ele entendeu e se despediu, seguindo titã.
– Vocês dois venham comigo! – Falei subindo as escadas em direção a sala precisa. No meio do caminho escutamos um tremor, paramos e nos entreolhamos. Tinha começado o ataque!
Continuei a correr pelo caminho até que vi Harry com, Gina, Alberforth, Rony e Hermione.
– ? – Harry me viu e eu corri para abraçá–lo.
– É bom vê-lo novamente. – Mas alguns barulhos foram ouvidos pelo castelo inteiro. – Vocês três também.
– Olha essa garota! Preparada Sra. Malfoy? – Alberforth disse.
– O possível! Viram Tonks por aí? – Perguntei.
– Ela acabou de passar por aqui. – Gina disse. – Ela foi atrás de Lupin. – Olhei para Erik como um aviso. – Eu preciso ir. Boa sorte para todos!
Eu, Yumi e Erik continuamos correndo, e então uma cena familiar me veio à mente. Só tive tempo de ver um flash vindo em direção a janela em formato de vulto. Fiz o movimento da varinha lançando um protego, em seguida um aresto momentum fazendo com que o comensal parasse no ar.
– Alguém quer fazer as honras? – Perguntei enquanto mantinha a retaguarda. Seríamos atacados por mais três e a Yumi iria ser atingida por uma maldição da morte.
– Estupore! – Yumi estuporou o comensal parado no ar e expulsou ele que caia do castelo.
– Erik! – Eu gritei e ele entendeu o que eu queria dizer não sei como.
– Protego máxima! – Dissemos juntos enquanto mantivemos Yumi entre nós. Na mesma hora veio um conjunto de feitiços em direção a gente. Dois comensais apareceram e Erik conseguiu derrubar os dois.
– Estupefaça! – Disse enquanto direcionava a minha varinha para uma direção oposta pegando de surpresa o comensal que acabara de aparatar sem dar tempo dele lançar a maldição da morte na Yumi. Tudo isso durou segundos, então tivemos que aguçar nossos reflexos.
– Yumi! Está bem? – Ela estava atônita.
– Sim! Essa foi por pouco! Era minha hora ali não? – Ela perguntou. Eu não respondi, apenas dei um sorrisinho de lado.
– Eles não estão te atacando! – Erik disse. – Todos eles sabem sobre você?
– Não sei, acho que esses conheciam...
– Melhor sairmos daqui. ! Lembre-se que está carregando um bebê! – Yumi reclamou enquanto corríamos.
– O QUÊ? – Erik exclamou. – Você está grávida?
– Isso não é hora para isso. Vamos!
– !
– Erik! Estamos em guerra e eu vou ficar bem, ande logo! – Estava com pressa, a essa hora Harry estava na sala precisa. Teríamos que estar lá depois, e antes eu tinha que proteger Lupin e Tonks. Encontramos Fred e mais alunos em um dos corredores que dá acesso à parte de cima do castelo. Essa foi a deixa pra Yumi proteger Fred.
– Não saia de perto dele! As coisas irão acontecer no sétimo andar. – Sussurrei.
– Certo! – Ela disse e foi com eles.
Eu e Erik corremos para o outro corredor e encontramos uma zona de guerra. Lupin e Tonks estavam duelando, então tudo aconteceu muito rápido.
Erik correu para ajudar Lupin e eu vi Bellatrix na mesma hora parando na frente de Tonks se preparando para lançar uma maldição, sem que eu pensasse eu lancei um estupefaça, mas ela me bloqueou rapidamente, mesmo com o ataque surpresa. Ela não era uma das mais importantes comensais à toa.
“Cuidado, ! Ssssssaia daí!” Ouvi Titã no meu subconsciente.
– Olha se não é a garotinha sonsa. De hoje você não passa! – Ela gritou. Na mesma hora que ela me viu, senti seu olhar transbordar ódio.
Ela lançou quatro feitiços rápidos, consegui bloquear me desequilibrando. Ela era forte e rápida demais.
– ! CORRA! – Tonks me puxou pelo braço me fazendo correr.
– Saia da minha frente sua mestiça imunda! Como ousa ficar viva com esse seu sangue envenenado. Irei matar as duas! – Bellatrix lançava feitiços, enquanto Tonks me protegia.
– Avada Kedavra! – No momento que eu ouvi essas palavras eu olhei para trás e me arrependi amargamente, parando em choque vendo minha mãe entrando na frente e sendo atingida pela maldição lançada.
– NÃOOOOOO! – Gritei apavorada.
– Não, ! Continue... Continue... – Tonks dizia.
– Você não irá escapar, queridinha! – Ouvi outro feitiço ser lançado em minha direção rapidamente. Só pude ver o olhar de Tonks sorrindo e entrando na frente do feitiço verde. Seu corpo sem vida apenas caiu em meus pés.
Não! NÃO PODIA!
Ouvi a gargalhada de Bellatrix enquanto meus olhos se encheram de lágrimas, então um ódio subiu a minha cabeça. Apontei a varinha em direção a Bellatrix, enquanto ela fazia o mesmo.
– Vai duelar de mulher para mulher agora garotinha? – Ela debochou rindo. – Precisou de duas pessoas para se....
– CRUCIUS! – Lancei sem pensar duas vezes. Bellatrix se contorcia ainda em pé tentando resistir a maldição. – Não ouse sequer mencionar nenhuma delas com sua boca imunda! – Ainda mantinha minha varinha fixa em seu corpo.
Vacilei quando vi o corpo da minha mãe e da Tonks caídas pelo corredor. Ela se recuperou, mas antes que pudesse lançar um feitiço em mim, alguém a atacou jogando para outro lado que eu não conseguia mais vê-la. Kingsley Shacklebolt foi o autor da façanha.
“CORRA”
Senti braços me arrastarem enquanto eu via minha mãe no chão com Tonks. Eu sabia muito bem quem era o dono daquelas roupas pretas que parecia um morcego.
Snape.
Capítulo 39 – O Patrono Titã
Snape me levou até uma sala segura enquanto eu chorava descontroladamente.
– Volte a si, ! – Snape me pegava pelos ombros. – Estamos em guerra! – Eu o encarei. – Escute, você é uma das melhores alunas que tive, por mais que seja tola. Como pode se meter no meio disso? Você não pode salvar todos.
– Professor...
– Vá atrás de Draco. Ele está aqui… Não faça mais nada tão tolo quanto enfrentar Bellatrix. Está ouvindo?
– Você precisa se proteger... Você... Morre. – Falei entre os soluços. Ele me olhou, mas não disse nada.
– Vá atrás de Draco, agora! – Ele saiu da sala me deixando sozinha. Controlei meus sentimentos, engolindo o choro. Eu deveria me manter firme! Tinha muita gente lutando e morrendo, e eu precisava proteger o máximo que desse.
Hora de ir procurar o meu marido.
Sai da sala indo em direção ao sétimo andar, onde ficava a sala precisa. No meio do caminho vi alunos serem cercados, não pensei duas vezes.
– Protego! – Lancei sobre eles. – Everto Statum! – Apontei para um dos comensais. – Expelliarmus!
“Vê ssssse da próxima vez me ouça” Titã reclamava nos meus pensamentos. Enquanto eu corria em direção ao meu destino.
– É difícil, está bem?
“Vá para a esquerda, a direita esssssstá tendo uma luta.” Ele me direcionou.
– Tem notícias do Nick? – Perguntei a ele.
– Está na floresssssta, massss está bem. Ele conseguiu salvar o garoto. – Suspirei aliviada. Faltava o Fred e o Lupin então... meus pensamentos foram em Lupin, não saberia se poderia salvá-lo.
Assim que dobrei o corredor vi o trio de ouro e ao chão, Draco e Goyle que estavam inertes.
– ? – Draco disse enquanto se sentava. Corri em sua direção ignorando o trio.
– Draco! Você está bem? O que diabos estava fazendo? – Perguntei checando-o. Goyle permanecia em choque, alguma coisa aconteceu.
– Ele está bem, depois de quase nos matar. – Rony resmungou.
– Draco... – Então alguns berros foram ouvidos atraindo nossa atenção. Os comensais apareceram. Era o ministro com Percy e Fred. O trio de ouro foi ajudar no duelo.
Draco se levantou e me puxou para um canto para que nos protegêssemos dos feitiços, até que ouvimos um BOOOM! Meus ouvidos latejaram com o barulho da explosão, Draco me protegeu dos escombros com seu corpo.
– Você está bem? – Ele perguntou.
– Sim, estou! – Disse enquanto tentava ver alguma coisa. Goyle tinha corrido dali fugindo, e mais para a frente enxerguei aflita. Esse era o momento que Fred morreria, porém vi Yumi caída com Fred e sua varinha apontada para cima. Ela tinha lançado um feitiço protetor.
Os dois se levantaram normalmente me deixando aliviada. Segurei minhas lágrimas antes que eu chorasse novamente enquanto abraçava Draco como conforto.
– O que houve? – Ele pareceu preocupado.
– Nada, eu preciso ir. – Disse me recompondo. Nos levantamos para sairmos dali. – Eu não posso ficar com você, e por favor não se meta mais nisso. – Seu olhar foi para o chão. Peguei minha varinha que estava em mão e entreguei a ele.
– O que? Por quê?
– Eu tenho outra.
– Não posso aceitar, !
– Não irei deixar você desarmado. Não faça nenhuma bobagem! – O avisei. – Nos vemos em breve está bem? Preciso ir com Harry. – Puxei seu rosto com minhas mãos lhe dando um beijo rápido. – Não se envolva com mais nada.
– Você salvou minha vida. – Fred agradecia a Yumi mais para a frente.
– DOBBY! – O chamei enquanto me aproximava do trio. Ele apareceu rapidamente ao meu lado. – Leve Fred para onde nós combinamos. Precisa achar Colin também.
– Sim, senhora Malfoy!
Todos me olhavam estranhos, sem entender nada.
– Fred, precisa acompanhar Dobby. Confie em mim! – Disse.
– É claro! Era você. Você sabia, não era? – Fred perguntou parecendo entender tudo.
– Apenas vá! Precisamos ir atrás da cobra. – Disse enquanto olhava para o trio.
Dobby desapareceu com Fred na mesma hora. Sem muito explicar, puxei Yumi comigo e fomos atrás do trio. Foi o maior caos, tivemos que lutar com aranhas pelo caminho enquanto descíamos. Harry conseguiu ver onde Voldemort estava, ele iria atrás de Snape nas Docas.
No caminho, encontrei com Erik que estava um pouco abatido. Não perguntei nada a ele, mas eu senti o que poderia ter acontecido.
Chegamos no pátio da torre do relógio e começamos a proteger o trio. Além de acromântulas, tinha trasgos e outros animais da floresta proibida. Senti que Erik e Yumi me protegiam, eu tentava duelar com algum animal, mas um deles se metia no meio e eu sabia que eles estavam protegendo Regulus.
Então tudo ficou gelado, sombrio... Olhei para o horizonte e vi um exército de dementadores.
– Merda! – Ouvi a voz de Nick de repente. Ele se juntou a nós.
– O que faremos? – Neville estava presente também com Luna.
– O feitiço do patrono! – Eles tentaram, mas todos estavam cansados, horrorizados. Com a aproximação dos dementadores em massa, os pensamentos ruins começaram a invadir nossas mentes.
A morte da minha mãe veio à tona. Junto com a de Tonks, Cedrico, Sirius e Dumbledore.
Dumbledore... Foi então que sua voz ecoou em minha mente.
“Lembre–se sempre, a felicidade pode ser encontrada mesmo nas horas mais difíceis, se você lembrar de acender a luz.”
Então a primeira coisa que eu lembrei foi quando eu conheci meus filhos, quando Regulus me ajudou a descobrir sobre minha gravidez. Minha luz em tempos sombrios. Eu precisava proteger o meu filho!
Quando me dei por mim, Yumi, Erik e Nick estavam lançando patronos, cada um era o animal da própria casa. Então senti uma chama ardente crescer em meu peito. Ergui a varinha de Slytherin e falei o feitiço.
– Expecto patronum! – Disse em voz alta. Uma pequena luz verde saiu da ponta da minha varinha, mas dessa vez a luz cresceu e virou uma serpente gigante, que eu conhecia, era Titã, que diferente de antes estava quase engolindo a noite escura, ele foi em direção a todos os dementadores. Senti um vento forte me rodear enquanto mantive minha varinha firme.
Foi o bastante para repelir todos os dementadores que vinham atacar Hogwarts, deixando o vestígio verde da minha magia ancestral no céu, que agora parecia semelhante a uma boreal.
– O que foi isso? – Rony perguntou em choque.
– Nada demais! Vamos! – Empurrei Harry para que continuássemos a descer. Yumi, Erik e Nick ficaram lutando por lá mesmo.
– Nada demais? Foi o patrono mais poderoso que eu já vi! – Hermione exclamou.
– Obrigada!
Seguimos direto para as Docas. Hesitei em um momento quando eu senti um arrepio, ele estava ali. Harry me chamou para que usássemos a capa de invisibilidade, então nós quatro conseguimos ficar debaixo dela escutando do outro lado da parede.
– Procurei uma terceira varinha, Severus. A Varinha das Varinhas, a Varinha do Destino, A varinha da Morte, tirei-a do seu dono anterior. Tirei-a do túmulo de Alvo Dumbledore. – A voz de Voldemort escoava pelo lugar enquanto falava com Snape.
– Milorde... Me deixe ir até o garoto...
– Durante toda noite, de vitória iminente, estive pensando, pensando... Por que a Varinha das Varinhas se recusa a ser o que deveria ser, se recusa a agir como a lenda diz que deve agir para o seu legítimo dono...
Um silêncio se fez.
– Talvez você já saiba, não? Afinal, você é um homem inteligente, Severus. Você tem sido um servo bom e fiel, e eu lamento o que terá de acontecer.
– Milorde...
– A Varinha das Varinhas não pode me servir corretamente, Severus, porque não sou seu verdadeiro dono. A Varinha das Varinhas pertence ao bruxo que matou o seu dono anterior. Enquanto você viver, a Varinha das Varinhas não pode ser verdadeiramente minha.
– Milorde! – Protestou Snape. Eu já sabia o que ia acontecer, mas ouvir aquilo sem poder fazer nada era muito pior.
– Não pode ser de outro modo. Tenho que dominar a varinha, Severus. Domino a varinha e domino Potter, enfim.
Ouvimos um barulho, era a cobra dele. Nagini que rastejava.
– Mate. – Ele disse em linguagem ofídica.
Então ouvimos um berro terrível, e mais um baque.
– Lamento. – Disse Voldemort friamente. O que eu duvidava era que as palavras seguissem realmente suas emoções. Então ouvimos um barulho de aparatação.
Harry saiu da capa largando-a comigo e entrou na Doca, onde se encontrava o professor Snape.
– Harry! – Seguimos ele.
Snape estava caído, ensanguentado pelo ataque da cobra. Seu pescoço estava com um corte horrível. Ele agarrou a frente das vestes de Harry e o puxou para perto.
– Leve... Isso... Leve... Isso... – Ao meio ao sangue, havia lágrimas.
Hermione entregou a Harry um pequeno frasco, então ele os coletou.
– Olhe... Para... Mim... – Sussurrou o professor.
Senti meus olhos encherem de lágrimas, quando o brilho de seus olhos se foram enquanto ainda olhava para Harry. Ficamos parados ali por alguns instantes, até ouvimos a voz novamente.
A voz do Lorde das Trevas ecoou novamente em todo lugar para que todos que estavam lutando em Hogwarts e em áreas vizinhas ouvissem.
“Vocês lutaram, valorosamente.”
“Vocês sofreram pesadas baixas. Se continuarem a resistir a mim, todos morrerão, um a um. Não quero que isto aconteça. Cada gota de sangue mágico derramado é uma perda e um desperdício.”
“Lorde Voldemort é misericordioso. Ordeno que as minhas forças se retirem imediatamente.”
“Eu me dirijo agora diretamente a você, Harry Potter. Você permitiu que os seus amigos morressem por você em lugar de me enfrentar pessoalmente. Esperarei uma hora na Floresta Proibida. Se ao fim desse prazo, você não tiver vindo ao meu encontro, não tiver se entregado, então a batalha recomeçará. Desta vez eu participarei da luta, Harry Potter, e o encontrarei, e castigarei até o último homem, mulher e criança que tentou escondê-lo de mim. Uma hora.”
– Não dê ouvidos a ele! – Rony exclamou.
– Tudo dará certo! Vamos voltar ao castelo, se ele foi para a floresta proibida precisaremos pensar em um novo plano. – Hermione comentou. Então tive uma visão novamente.
Harry já tinha tomado a decisão dele, ele iria se entregar para Voldemort. Ele tinha que fazer isso.
Harry me encarou com seus olhos claros, parecendo querer um conforto que somente eu poderia dar, já que eu sabia o que ele iria fazer. Então entreguei a sua capa de invisibilidade.
Voltamos para o castelo em completo silêncio. Chegamos ao salão principal e vimos muita gente se reunindo, se lamentando. Alguns estavam recolhendo os corpos de nossos colegas e aliados. Hermione e Rony foram na frente, os Weasleys ao menos estavam bem, respirei fundo aliviada por conseguirmos salvar o Fred, ou essa cena seria outra.
Me aproximei e vi Tonks ao lado de Lupin, então Erik não tinha conseguido salvá-lo. Minha mãe foi posta ao lado de Tonks, meu coração se despedaçou ao vê-la, parecia estar dormindo.
– ! – Yumi veio me abraçando com lágrimas nos olhos.
– Estão todos bem? Alguém...
– Não, estamos todos bem sim. – Yumi disse. – Mas o Erik... Está abalado. – Olhei em direção ao lado esquerdo, em que estavam todos por lá. Erik estava em um estado de transe. Caminhei até ele e o abracei, eu sabia o que ele estava sentindo.
– Desculpe, ... Não... Consegui salvá–lo. – Ele falava segurando suas lágrimas. – Eu tentei, mas ele me protegeu. Não pude evitar! Eu sou um inútil...
– Não! Não se desculpe, você fez o que pôde! – Nick tentava consolá-lo.
– Escute, Erik. – Disse me afastando de seu abraço. – Eu também não consegui salvar a Tonks. Ela me protegeu também...ela e minha mãe. – Disse fraca.
– Era isso que Dumbledore quis dizer... Às vezes o destino dará um jeito para deixar as coisas nos seus devidos lugares. – Yumi disse pensativa.
– Então, realmente era hora deles dois. – Disse entendendo o que ele queria dizer. – Ou então seria nós dois. – Erik e eu nos entreolhamos.
– Sinto muito, pela sua mãe. – Ele disse mais calmo.
– Eu também sinto. – Yumi me abraçou. Meus olhares procuraram os sonserinos, me acalmei quando os vi salvos. Feridos, cansados, mas salvos. Procurei Blaise, Theo e Draco por todo o salão, mas não encontrei, comecei a ficar um pouco apreensiva.
– Preciso ir. – Disse enquanto saia dali.
– Theo estava indo para o andar de cima com Zabini. – Yumi me avisou, ela sabia só de me analisar a quem eu estava procurando. Então corri em direção às escadas, foi então que vi os dois.
– Meninos!
– ! Finalmente nos encontramos. Você está bem? – Theo me abraçou. Ele estava com alguns arranhões, mas nada demais.
– Sim e vocês?
– Cansados, mas bem. – Ele sorriu.
– Ele está na torre de astronomia. – Zabini disse. – Só cuidado que o caminho está caótico.
– Obrigada! – Agradeci correndo as escadas freneticamente.
O castelo estava em ruínas, não se parecia igual a antes e isso nem tinha quatro horas de batalha. O tempo estava acabando, sabia que a guerra terminaria quando amanhecesse.
Assim que cheguei à torre de astronomia eu vi seus cabelos loiros um pouco maiores do que antes, voando enquanto o vento o bagunçava. A torre tinha sinais de batalha.
– Draco? – Chamei sua tensão. Seu rosto que tinha uma expressão de angústia se suavizou assim que me viu. Corri em sua direção e o abracei forte. Dessa vez tínhamos tempo para sentir, diferente do caos que foi em frente a Sala Precisa. Ele me beijou sem esperar mais nada, um beijo de alívio entre nós.
– Você está bem? – Ele perguntou se afastando tentando checar meu corpo inteiro – Merlin! Eu estava tão preocupado, mas sabia que estava viva.
– Estou e você? Se machucou?
– Não, estou bem... – Sua expressão voltou a ser sombria. – Estou odiando isso. Eu só queria ir para casa.
– Quando tudo isso acabar, voltaremos os três juntos para casa. – Eu disse decidida a contar a ele. Eu o encarei esperando sua reação, ele me analisou rapidamente.
– Três? – Suas sobrancelhas que estavam franzidas, relaxaram. Seu olhar estava surpreso dessa vez. – Você está grávida?
– Sim. – Disse sorrindo.
– Está grávida e ainda está aqui? – Sua expressão mudou mais uma vez.
– Eu não podia não vir. Discutiremos isso depois... Por favor. – Ele não reclamou. Ele fixou o olhar em minha barriga e depois me abraçou novamente.
– Não irei te largar dessa vez. Agora temos um filho que está em perigo também.
– Como sabe que é um filho? Pode ser uma filha. – Ele resmungou algo que não pude compreender.
– Sinto muito por sua mãe. – Ele disse mudando de assunto, enquanto ainda continuávamos abraçados, olhando para fora do castelo. Estava tudo escuro, mas parecia muito melhor do que lá embaixo. – Eu não pude acreditar quando a vi.
– Ainda estou desligada dos meus sentimentos, tudo aconteceu tão rápido, não tive tempo de pensar. Ela me protegeu da sua querida tia.
– Não tenho nenhum afeto pela minha tia. – Ele disse, enquanto olhava o relógio. – O Potter se entregará?
– Vai! Conhecendo ele... Com toda certeza! – Disse. – Melhor descermos, Vamos! – Descíamos o castelo enquanto Draco segurava minha mão me guiando com cuidado. Agora que ele sabia sobre nosso filho, eu sabia que ele não iria a lugar algum.
Assim que chegamos no salão principal, ninguém parecia notar um certo par de óculos redondo que acabara de colocar a capa de invisibilidade.
– Draco, me espere aqui! – Disse largando sua mão enquanto ia atrás de Harry. Puxei sua capa, tirando sua invisibilidade. Draco se aproximou, mas parou deixando uma distância entre nós.
– O que está fazendo, ?
– Eu sei o que vai fazer.
– Eu sei que você sabe... – Ele falou por fim. – Eu vi as memórias do Snape... Eu preciso ir. – O abracei forte, ele fez o mesmo.
– Boa sorte pelo caminho. – Disse enquanto me segurava para não chorar. Eu sabia que ele voltaria, mas não deixava de ser horrível.
– Obrigado, cuide de todos para mim. Eu não poderia... não conseguiria me despedir.
– No caminho... vai encontrar o Neville, conte a ele Harry, o que precisa fazer. – Disse revelando alguns detalhes. Ele pareceu confuso, mas entendeu. Ele pôs a sua capa e foi em direção ao seu destino. A morte.
Draco se aproximou novamente e pegou minha mão.
– O que faremos agora? – Ele perguntou. – Se ele vai morrer, quem irá destruir o Lorde das Trevas?
– Um adversário a sua altura. – Disse sorrindo de lado, ao lembrar o que Regulus Black deixou no bilhete. – Temos apenas que esperar...
Capítulo 40 – O Fim de uma Era das Trevas
Eu e Draco permanecemos reclusos em um canto, abraçados juntos enquanto esperávamos a hora passar. Chegamos até a descansar um pouco de exaustão, faltava poucas horas para o amanhecer.
Foi quando ouvimos novamente a voz.
“A batalha está ganha. Vocês perderam metade dos seus combatentes. Os meus Comensais da Morte são mais numerosos que vocês, e O-Menino-Que-Sobreviveu está morto. A guerra deve cessar. Quem continuar a resistir, homem, mulher ou criança, será exterminado, bem como todos os membros da sua família. Saiam do castelo agora, ajoelhem–se diante de mim e serão poupados. Seus pais e filhos, seus irmãos e irmãs viverão e serão perdoados, e vocês se unirão a mim no novo mundo que construiremos juntos.”
A voz de Voldemort era bem convincente e aterrorizante, se eu não soubesse a verdade estaria repensando duas vezes tudo. Não culparia ninguém se rendesse.
– Draco, escute! – Me levantei virando para ele. – Quando chegar a hora exata você deve fazer.
– O que..? – Ele perguntou sem entender.
– Apenas confie em mim. Vai saber o que fazer...
Algumas pessoas começaram a ir para fora, onde um dia foi o pátio da escola.
– NÃO! – Ouvi a voz da professora McGonagall desolada. Quando aparecemos na porta, vimos aquela cena horrorosa. Harry estava nos braços de Hagrid aparentemente morto.
– Não!
– Não! – Hermione e Rony disseram juntos sem acreditar.
– Harry! HARRY! – Gina tentou ir mais próximo, mas seu pai a impediu.
– SILÊNCIO! – exclamou Voldemort enquanto fazia o feitiço silenciador. Todos fizeram silêncio. – Estão vendo? – Ele se aproximou de Harry com um sorriso satisfeito. – Harry Potter está morto! Entenderam agora, seus iludidos? Agora venham se juntar a nós!
– Draco... ... – Lucius apareceu nos chamando. – Venham.
Entrelacei minha mão na de Draco, apertando de leve para depositar a sua confiança.
– Venham... – A voz de Narcisa aparentou estar cansada de tudo. Então puxei a mão de Draco enquanto descíamos as escadas passando por alguns alunos. Pude ver a expressão de todos, de incredulidade. Todos pensavam que depois de tudo ainda iríamos para o lado deles.
– ? – Ouvi a voz de Hermione, mas ignorei. Não podia vacilar agora.
– É claro que seriam os primeiros... – a voz de Voldemort ressoou novamente, sorrindo sombriamente ele continuou. – Zelando a continuidade de nossos antepassados, nosso sangue, . – Ele se aproximou. – Não precisam se ajoelhar, já que se comportou bem. Apesar de seus esforços para proteger a escola serem em vão.
Eu me segurei para não ser sarcástica naquele momento. Não precisam se ajoelhar? Psicopata! Nunca que eu me ajoelharia para ele.
Seus olhos vermelhos penetraram os meus, mas tratei de desviar o olhar e puxar Draco comigo. Fui até onde estavam seus pais.
Narcisa me abraçou, em seguida seu filho no qual devolveu sua varinha de pilriteiro e depois me posicionei ao lado de Draco. Ele me olhava com tensão.
– Continuemos então... Harry Potter não era nada, jamais foi, era apenas um garoto, confiante de que outros se sacrificariam por ele!
– Ele o derrotou! – Rony. Então todos começaram a gritar insultos aos comensais.
– Ele foi morto tentando sair escondido dos terrenos do castelo, morto tentando se salvar... – Ele ainda mentia para desencorajar todos.
Então Neville em sua genialidade tentou investir em Voldemort, é claro, sem sucesso.
– E quem é esse? Quem está se voluntariando para demonstrar o que acontece com os que insistem em lutar quando a batalha está perdida?
– É Neville Longbottom, milorde! O garoto que andou dando tanto trabalho aos Carrow! O filho dos aurores, lembra?
– Ah, sim, lembro. Mas você tem sangue puro não tem, meu bravo rapaz?
– E se eu tiver?
– Você demonstra vivacidade e coragem, e descende de linhagem nobre... Você dará um valioso Comensal da Morte. Precisamos de gente como você, Neville Longbottom.
– Me juntarei a você quando o inferno congelar! Armada de Dumbledore! – Gritou ele. A multidão foi à loucura com gritos e vivas.
– Muito bem. Se essa é a sua escolha, Longbottom, revertemos ao plano original. A culpa será toda sua.
Voldemort então acenou sua varinha e segundos depois, algo voou da janela do castelo até suas mãos. O chapéu seletor.
– Não haverá mais Seleção na Escola de Hogwarts. Não haverá mais Casas. O emblema, escudo e cores do meu nobre antepassado, Salazar Slytherin, será suficiente para todos, não é mesmo, Neville Longbottom? – Ele apontou a varinha para Neville e forçou o chapéu a entrar na cabeça dele.
A multidão que assistia na porta do castelo se movimentou e em sincronia os Comensais apontaram as varinhas.
– Neville agora vai demonstrar o que acontece com quem é suficientemente tolo para continuar a se opor a mim. – Com um aceno da varinha o chapéu pegou fogo.
Gritos cortaram o amanhecer, Neville ardeu em chamas, pregado ao chão, incapaz de se mexer. Então tudo aconteceu rápido.
Assim que eu vi um barulho enorme vindo da divisa da escola eu olhei para Draco.
– Entregue a varinha. – Disse a ele rápido. Assim que ele viu Harry se mexer ele entendeu o que eu queria dizer.
Ao mesmo tempo ouviu–se o irmão de Hagrid gritando seu nome, junto com os gigantes de Voldemort. Então apareceram os centauros com seus arcos e flechas, Bicuço veio para batalha também. O professor Slughorn trouxe reforços, aldeões de Hogsmeade, pais de alunos vinham correndo com fervor para proteger Hogwarts. Enquanto isso, Voldemort e outros comensais olhavam tudo distraidamente.
– Potter! – Draco chamou a sua atenção, onde Harry já estava invisível. Ele lhe jogou a varinha, Harry a pegou e sumiu de vista.
Neville a essa altura tinha escapado do feitiço e ficado em pé. O chapéu em chamas caiu de sua cabeça e do fundo dele Neville tirou a espada de Gryffindor chamando atenção de todos. Com um único golpe, ele decepou a cabeça de Nagini.
Um berro de fúria foi ouvido vindo de Voldemort. Antes que ele pudesse atacar Neville, Harry ainda invisível o protegeu.
Então o caos se instalou. Fui puxada por Draco para distante dos comensais e de seus pais. Então entramos no castelo para sair daquela confusão antes que nos machucássemos.
Os comensais começaram a vir com tudo para cima da gente. Então Draco ficou na minha frente lançando feitiços escudos, enquanto eu tentava proteger alguns alunos. Centauros e uma multidão de elfos começaram a se juntar à batalha.
– À luta! À luta! À luta pelo meu senhor, defensor dos elfos domésticos! À luta contra o Lorde das Trevas, em nome do corajoso Regulus! À luta! – Ouvi monstro na frente dos elfos com o medalhão em seu peito. Os elfos com adagas feriam os comensais em qualquer parte do corpo.
Eu não sei em que prestava atenção. Draco me puxou entrando no Salão Principal onde todos estavam para tentar se proteger. Senti que havia alguém me encarando com ódio nos olhos pela segunda vez essa noite. Bellatrix Lestrange.
Antes que ela pudesse lançar, alguém a bloqueou com um feitiço. Era Hermione. Percebi que Luna e Gina estavam posicionadas para atacá–la também.
– Vai correr novamente, garotinha ? – Ela perguntou debochadamente. – Sempre protegida por outras pessoas. Assim que eu acabar com elas, não irá ter sobrinho nenhum que me impeça de te pegar. – Ela gargalhou.
Draco tinha assumido a posição de defesa na minha frente. Essa diabólica, eu só não a enfrentava por causa do meu filho. Eu prometi a mim mesmo que nós seríamos a prioridade.
Hermione, Gina e Luna começaram a duelar contra Bellatrix. Voldemort a alguns metros no mesmo lugar duelava com McGonagall, Slughorn e Kingsley. Era um duelo árduo. Então vi Bellatrix lançar uma maldição da morte e quase pegar em Gina.
– A MINHA FILHA NÃO, SUA VACA! – A Sra. Weasley veio correndo para defender Gina. – SAIAM DO MEU CAMINHO!
As meninas saíram de perto deixando Molly duelar contra Bellatrix. E foi um duelo que fez o sorriso de Bellatrix vacilar.
– Não! Para trás, para trás! Ela é minha! – Molly gritou quando alguns alunos tentaram ajudar.
– O que irá acontecer com seus filhos quando eu matar você? – Bellatrix provocava.
– Você nunca mais tocará em ninguém! – Ela disse e Bellatrix gargalhou horripilantemente. Mas Molly lançou um feitiço que a atingiu no peito, fazendo com que sua gargalhada sumisse. Por uma fração de tempo antes que ela morresse, ela soube o que tinha acontecido. Então desmontou no chão. Uma multidão que assistia tudo começou a aplaudir e comemorar.
Voldemort gritou fazendo com que todos o olhassem, ele ergueu a varinha e tentou lançar um feitiço em Molly. Mas Harry ainda invisível lançou um protego e para espanto de todos, ele tirou sua capa de invisibilidade.
Todos começaram a gritar vivas.
– HARRY!
– ELE ESTÁ VIVO!
Harry e Voldemort finalmente se encararam e um silêncio predominou o ambiente. Eles começaram a se rodear e eu sorri de lado. Era hora do duelo final.
– Não quero que mais ninguém tente ajudar. – Harry disse em voz alta. – Tem que ser assim. Tem que ser eu.
– Potter não está falando sério. Não é assim que age, é? Quem você vai usar como escudo hoje, Potter?
– Ninguém, não há mais Horcruxes. Só você e eu. Nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver, e um de nós está prestes a partir para sempre...
– Um de nós? – Zombou Voldemort. – Você acha que vai ser você, não é, garoto que sobreviveu por acaso e porque Dumbledore estava puxando os cordões?
– Acaso, foi? Quando minha mãe morreu para me salvar? Acaso, quando decidi lutar naquele cemitério? Acaso, quando não me defendi hoje à noite e ainda assim, sobrevivi e retornei para lutar? – Harry era muito debochado. Eu me segurei para não ri, enquanto permanecia que nem os outros alunos, no canto observando tudo.
– Acasos! – Berrou Voldemort. – Acaso e sorte e o fato de você ter se escondido e choramingando atrás de saias de homens e mulheres superiores a você, me permitido matá-los em seu lugar!
– Você não matará mais ninguém hoje à noite. Nunca mais... Você não está entendendo? Eu estive disposto a morrer para impedir que você ferisse essas pessoas...
– Mas você não morreu!
–... mas tive a intenção, e foi isso que fez a diferença. Fiz o que minha mãe fez. Protegi–os de você. Você não reparou que nenhum dos feitiços que lançou neles são duradouros? Você não pode torturá-los. Você não pode atingi-los. Você não aprende com os seus erros, Riddle, não é?
Harry estava falando da magia ancestral. A morte. Por isso ele não morreu, apenas a parte da alma de Voldemort tinha morrido.
– Você se atreve...
– Sim. Sei coisas que você ignora, Tom Riddle. Quer ouvir algumas antes de cometer outro grande erro?
– É o amor de novo? A solução favorita de Dumbledore, amor... Amor, que não me impediu de matar sua mãe sangue–ruim como uma barata, Potter. E ninguém parece amá-lo o suficiente para se apresentar desta vez e receber a minha maldição. Então, o que vai impedir que você morra agora quando eu atacar?
– Só uma coisa...
– Se não for o amor, você deve acreditar que é dotado de uma magia que não tenho, ou, então, de uma arma mais poderosa do que a minha?
– Creio que as duas coisas.
– O que? Você acha que conhece mais magia do que eu? Do que eu, capaz de magia com o que o próprio Dumbledores jamais sonhou?
– Ah, ele sonhou, sim, mas sabia mais do que você, sabia o suficiente para não fazer o que você fez.
– Você quer dizer que ele era fraco! Fraco demais para se apoderar do que poderia ser dele, do que será meu!
– Não! Ele era mais inteligente do que você, um bruxo melhor e um homem melhor.
– Eu causei a morte de Alvo Dumbledore!
– Você pensa que causou, mas se enganou.
– Dumbledore está morto! O corpo dele está apodrecendo no túmulo de mármore nos jardins desse castelo, eu o vi, Potter, e ele não irá retornar!
– Ele está morto, sim. Mas não foi você quem mandou matá-lo. Ele escolheu como queria morrer, escolheu meses antes de morrer, combinou tudo com o homem que você julgou que era seu servo.
– Que sonho infantil é esse?
– Severus Snape não era homem seu. Snape era de Dumbledore, desde o momento em que você começou a caçar minha mãe. E você nunca percebeu por causa daquilo que não compreende. Você devia ter percebido, ele lhe pediu para poupar a vida dela, não foi?
– Ele a desejava, nada mais. – Voldemort disse com desdém.
– Ele se tornou o espião de Dumbledore a partir do momento que você o ameaçou. Dumbledore já estava morrendo quando Snape o matou.
– Não faz diferença! Ele está morto, esmagado igual sua mãe. Dumbledore tentou me impedir de possuir a Varinha das Varinhas! Queria que Snape fosse o verdadeiro senhor da varinha! Eu matei Severus Snape a três horas, e a Varinha das Varinhas, a Varinha da morte, a Varinha do Destino é realmente minha! O último plano de Dumbledore falhou, Harry Potter”
– É, falhou. Você tem razão. Mas, antes de você tentar me matar, eu o aconselharia a pensar no que fez... tentar sentir algum remorso, Riddle.
– Que é isso?
– É sua última chance, eu vi em que se transformará se não aproveitá-la.
– Você ousa...
– Ouso, sim, porque o último plano de Dumbledore não saiu às avessas para mim e sim pra você, Riddle. – Voldemort estava pura fúria, sua mão tremia onde localizava a varinha. – A varinha não está funcionando porque você matou a pessoa errada. Severus Snape nunca foi o verdadeiro senhor da Varinha das Varinhas. Ele jamais derrotou Dumbledore.
– Ele matou...
– Você não está prestando atenção? A morte de Dumbledore foi planejada pelos dois! Até sua afilhada sabia disso e você não. – Senti os olhos vermelhos me fitarem com raiva por alguns segundos. – Dumbledore pretendia morrer sem ser derrotado, o último e verdadeiro senhor da varinha! Tudo correu conforme ele planejou, o poder da varinha morreria com ele, porque jamais foi arrebatada de suas mãos!
– Mas então, Potter, Dumbledore praticamente me entregou a varinha! Eu roubei a varinha do túmulo do seu último senhor!
– Você ainda não entendeu, não é, Riddle! Possuir a varinha não é suficiente. A varinha escolhe o bruxo... A varinha das varinhas reconheceu um novo senhor antes de Dumbledore morrer, alguém que jamais tinha posto a mão nela. O novo senhor tirou a varinha de Dumbledore contra sua vontade, sem perceber exatamente o que tinha feito, ou o que a varinha mais perigosa do mundo lhe dedicara a sua fidelidade. – Assim que olhei para Draco eu percebi que ele já tinha entendido tudo.
– O verdadeiro senhor da Varinha das Varinhas era Draco Malfoy. – Harry continuou.
– Que diferença faz? Mesmo que tenha razão, não faz a menor diferença. Você não possui mais a varinha de fênix e depois de tê-lo matado, posso cuidar de Draco Malfoy.
Eu podia pegar um banquinho enquanto assistia tudo de camarote. Eu tinha acabado de ter outra visão e já sabia como ia acontecer. Eu vivi para ver isso de perto! Tinha um lado bom em ser vidente, então.
Draco ficou tenso, mas assim que olhou para mim estranhou minha tranquilidade, então relaxou mais. Ele sabia que nada demais iria acontecer porque se não eu já estaria mais tensa.
– Mas é tarde demais. Você perdeu sua chance. Cheguei primeiro. Subjuguei Draco faz semanas. Arrebatei a varinha dele. – Harry girou a varinha de Draco em mãos. – Então, a questão se resume nisso, não é? Será que a varinha em sua mão sabe que o último senhor foi desarmado? Porque se sabe... eu sou o verdadeiro senhor da Varinha das Varinhas.
Assim que o amanhecer apareceu nas janelas de Hogwarts, ouviu-se Harry gritando apontando a varinha de Draco.
– Avada Kedavra! – Voldemort lançou o seu feitiço ao mesmo tempo.
– Expelliarmus!
Os feitiços se colidiram fazendo com que os alunos recuassem para a parede. Draco me abraçou em reflexo enquanto ainda assistíamos tudo. O jato verde foi de encontro ao próprio feitiço de Voldemort. A Varinha das Varinhas voou alto, girando de encontro a Harry, que pegou com uma mão sem o menor esforço. Típico de um apanhador. O corpo de Voldemort caiu no chão duramente, seus olhos vermelhos sumiram.
Um silêncio predominou o ambiente. Tudo tinha acabado, finalmente! Todos de repente começaram a gritar e se aproximar de Harry contente.
Observei ainda ao lado de Draco o sol subindo gradualmente, tinha amanhecido finalmente. O salão havia voltado a ter vida e luz graças a Harry, um símbolo de comemoração que iria se seguir mais ainda daqui para a frente.
– Draco! – Ouvi a voz de Lucius de longe, seguido de Narcisa.
– !
Eles nos abraçaram fortemente.
– Vocês estão bem? – Narcisa tinha os olhos lacrimejando. – Oh, querida! Sinto muito pela sua mãe. – Ela me abraçou individualmente.
– Ela disse que viria na frente para te achar e te proteger. – Lucius disse tentando se recompor.
– E ela conseguiu... ela me protegeu da melhor forma. – Disse com lágrimas me lembrando dela.
– Iremos cuidar de você está bem? Sei que não posso substituí-la, mas te considero uma filha. – Ela me abraçou novamente fazendo com que eu chorasse tudo que tinha guardado desde que a noite começou. Ela me confortou com tapinhas nas costas.
– Tudo acabou, finalmente. Será que é um problema ficar aqui? – Draco perguntou.
– Não. – Respondi me afastando de Narcissa e me recompondo. – Não há problema nenhum.
Epílogo
As notícias chegaram rapidamente. Quem estava sob efeito da maldição imperius tinha voltado ao normal. Comensais fugitivos estavam sendo capturados, inocentes em Azkaban estavam sendo libertados. Kingsley Shacklebolt agora era o Ministro da Magia interino.
O corpo de Voldemort foi retirado e posto em uma câmara do lado do Salão Principal, longe dos corpos que tinham morrido no combate. McGonagall tinha reposto as mesas no salão, mas ninguém tinha sentado de acordo com as casas. Estava uma mistura maravilhosa. O banquete foi servido para que nos recuperássemos depois de uma longa batalha. Todas as famílias estavam por ali, reunidas novamente. Dobby havia retornado com todos que salvamos enquanto o próprio se juntava aos elfos de Hogwarts.
Assim que fui cumprimentar meus amigos coloridos, ouvi pirraça passando pelo corredor.
“Vencemos, esmagamos a fera, Potter é o máximo, Voldy já era, então agora vamos nos divertir à vera”
– Quando veríamos isso? – Ouvi a voz de Harry. Olhei para trás e vi o trio juntos novamente.
– Oi, ! Você nos deu um susto. – Hermione cumprimentou. Nós sorrimos.
– Bem típico de uma sonserina. – Harry comentou. Ele parecia exausto.
– Eu fico feliz que tudo está bem, tudo acabou finalmente! – Disse a eles. – Descansem, preparem–se para mais dias caóticos.
– Mas pelo menos não teremos mais um psicopata de olhos de cobra querendo nos matar. – Rony disse rindo.
– Ainda bem!
– Tome. – Harry me entregou a varinha de Draco. – Acho que isso ainda pertence a ele.
– Obrigada! – Agradeci.
– Ah, diga aos Malfoys que eu sei o que fizeram... Acho que sabe o que fazer, . – Harry disse.
– Sim... Melhor você descansar por agora. Já fez muita coisa... O herói precisa viver também. – Sorri.
– Até mais, . – Hermione se despediu. O trio então subiu até a torre.
No caminho encontrei Kingsley. Tinha que agradecê-lo por me salvar.
– Sra. Malfoy! – Ele me cumprimentou.
– Sr. Shacklebolt. Obrigada por me livrar da Bellatrix.
– Não foi nada. Sinto muito por sua mãe... Queria conversar com você sobre sua família. – Ele disse. – Sei que é uma péssima hora, mas...
– Eles não irão fugir. – Eu assegurei. – Sei o que eles fizeram ao lado de Voldemort. Garanto que irão ser julgados depois. E a verdade irá vir...
– Certo… Mais uma coisa. – Ele tirou uma carta do bolso. – Acho que isso chegou exatamente pela manhã para a senhorita.
Prezada Sra. Malfoy,
O Ministério da Magia foi informado pela Suprema Corte dos Bruxos sobre a recomendação de Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore (in memorian) sobre seus atos de extraordinária bravura ou distinção em magia em Hogwarts e contra o bruxo das trevas, Lorde Voldemort. Assim, ganhando o título da Ordem de Merlin, primeira classe.
Seu título chegará por coruja em breve.
Atenciosamente,
Kinglsey Shacklebolt
Ministro da Magia.
– O quê? – Perguntei, tentando entender o que Dumbledore queria com isso.
– Espere seu presente chegar à mansão Malfoy em breve. – Ele sorriu e se afastou.
Não tinha imaginado que Dumbledore me daria um presente tão honrado. Talvez por isso ele tenha me perguntado sobre meu futuro.
– Senhora Malfoy. – Ouvi uma voz conhecida, era a Madame Pomfrey. Olhei para ela. – Está tudo bem? Precisa de atendimento?
– Eu estou bem. Nós estamos bem. – Eu sorri. Ela apontou a varinha para mim.
– Episkey! – Senti meus pequenos ferimentos se fecharem. – Assim está melhor.
– Obrigada, Madame Pomfrey.
– . – Draco me chamou, ele estava junto com seus pais. – Vamos para casa.
Olhei para o castelo mais uma vez, estava em ruínas. Mas havia uma diferença, a luz que cobria o castelo não era só pelo amanhecer. Depois daquele dia eu passei a gostar de ver o sol nascer.
Coincidentemente, na mitologia romana era uma titânide e uma Deusa do amanhecer.
“ renovava-se todas as manhãs ao amanhecer e voava pelos céus anunciando a chegada do amanhecer. Ela representa o ciclo de renascimento e o otimismo inerente ao amanhecer de um novo dia. Sua associação com o céu da manhã e as cores vibrantes do nascer do sol ressalta temas de renovação, esperança e o potencial infinito encontrado nos começos.”
Fim.
Nota do autor: Sem nota.
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