Prólogo
Assim que chegamos à Mansão Malfoy, eu fiquei um pouco ansiosa. Ainda precisava revelar a boa notícia para os pais de Draco, afinal teríamos um herdeiro a caminho.
Narcisa apenas mandou que os elfos abrissem todas as janelas para que entrasse luz, me fazendo ficar mais confortável naquela casa. Aconteceram coisas brutais ali que tenho certeza de que ninguém queria se lembrar. Narcisa mudaria as coisas aos poucos, eu presumi.
– Bom… – limpei a garganta chamando atenção dos três. – Tenho um anúncio a fazer. Temos, na verdade. – olhei para Draco e ele entendeu o recado. Ele se posicionou ao meu lado.
– O que foi? Irão se separar? – Narcisa perguntou aflita. – Eu pensei que vocês estavam bem.
– Mãe, tenha calma. Não é nada disso. – Draco a tranquilizou.
– Então...? – Lucius arqueou uma sobrancelha para que continuássemos.
– Eu estou grávida. – disse de uma vez. Os dois ficaram em choque por alguns segundos.
– O quê?
– Isso foi... Rápido demais. – Lucius comentou atônito. Vi um brilho surgir nos olhos de Narcisa.
– Merlin! Vocês são tão novos, não era para vocês terem um bebê agora, mas eu mentiria se dissesse que não estaria feliz. Acho que depois de tudo essa é uma notícia que precisávamos para seguir em frente. Obrigada, . – Ela me abraçou.
– Parabéns, filho. – Lucius abraçou Draco.
– Espere, você estava nessa batalha assim? – Narcissa arregalou os olhos.
– Sim... – Disse sem graça.
– Merlin! Tudo poderia dar errado, foi um risco enorme que você correu.
– De qualquer forma, tudo acabou querida. – Lucius disse.
– Sim, tem razão. Mas não faça isso novamente. Quantos meses? – Ela perguntou.
– Quase três. – senti os olhares de Draco em minha barriga, me fazendo rir um pouco. Aposto que estava querendo que minha barriga crescesse logo.
– No início da gestação. A partir de agora iremos ter um protocolo para cuidar de sua gravidez, certo?
– Cissa... – ouvi a voz de Lucius, seguido de Draco.
– Mãe...
– O quê?
– Acabamos de vir de uma guerra. Apenas queremos descansar, deixe isso para amanhã ou outro dia. – Draco reclamou.
– Sim, verdade! Tinha me esquecido. – ela suspirou. – Vão descansar, nós iremos também.
Um barulho de aparatar deu origem a dois elfos conhecidos. Speedy e Billy.
– Bem-vindos de volta, meus senhores!
– Billy! – exclamei enquanto me aproximava para abraçá-lo. Arrancando uma reação complexa dos Malfoy, mas eles não falaram nada. Narcissa subiu enquanto Lucius a puxava pela mão delicadamente.
– Olá, Senhor Malfoy! – Speedy cumprimentou Draco.
– Olá, Speedy! É bom te ver novamente. Pode, por favor, preparar um banho quente para a gente? – ele perguntou um pouco sem jeito.
– Sim, é claro. – Speedy parecia ser um elfo jovem. Era tão animado quanto um.
– Billy sente muitíssimo pela minha Senhora . – Billy segurava as lágrimas. – Apesar de tudo, ela era uma ótima senhora para Billy. Mas agora, Billy se sente honrado em servir a Senhora Malfoy e ao Senhor Malfoy.
– Sobre isso... – Draco interrompeu. – Conto com você para apenas servir a , será mais fácil. Já que agora tenho o Speedy me ajudando.
– Como queira, meu senhor. Billy trouxe roupas para a senhora. Como não sabia onde deixar, apenas coloquei em seu antigo quarto.
– Obrigada, Billy. Por enquanto não irei querer mais nada. Pode ficar pela mansão se quiser. Hoje não quero mais nada além de descansar.
– Sim, minha senhora. Poderia chamar o Speedy junto? – Billy perguntou a Draco.
– Claro, sem problemas. Podem fazer o que quiserem. – ele deu de ombros. Então Billy desaparatou da casa. Speedy já tinha desaparecido para preparar nosso banho antes.
– Que milagre é esse? – perguntei a Draco que me puxava pela mão para subir as escadas e ir para nosso quarto.
– O quê?
– Está diferente com os elfos.
– As coisas mudaram, . Eu sei que algumas coisas serão difíceis de perder o costume, mas outras coisas serão inevitáveis. – ele disse com a voz cansada. Sorri e dei um beijo rápido em sua bochecha.
– Gosto de você assim. – então subimos enfim para nosso quarto.
Depois de um banho relaxante para tirar qualquer evidência ruim daquela noite, deitamos na cama, abraçados finalmente em paz. Estávamos cansados e com sono, mas já tínhamos percebido que ao dormir poderíamos reviver tudo aquilo com pesadelos novamente.
– , como descobriu que estava grávida? – ele perguntou de repente.
– É uma longa história, mas vamos dizer que foi por causa de uma tapeçaria mágica. Eu estava com náuseas há um tempo, mas nem sabia que era por causa disso.
– Não se lembrou da poção, não é? – ele disse rindo.
– Estava com muita coisa na cabeça naqueles dias.
– Deve ter sido difícil para você. Sem contar a ninguém.
– Sim, mas para você também foi difícil. – olhei para ele. – Não imagino o que teve que passar, Draco. – ele suspirou.
– Voltando ao nosso filho… – ele trocou de assunto.
– Que pode ser filha...
– Não pense que me engana. – ele disse. – Regulus, não é? – Ele sorriu de lado presunçosamente, enquanto eu ficava em choque me levantando da cama rapidamente.
– Como você...?
– Acha que sou burro que nem... – ele parou de falar se corrigindo. – Eu sabia sobre eles... Max e “Leo”. Era tão óbvio. – então ele sabia sobre os dois.
– Tão óbvio que ninguém notou, a não ser você que é perspicaz demais. Como descobriu?
– Max, ele vacilou em algum momento. Eu sabia que a cor do cabelo dele era um feitiço. Mal-feito por sinal...
– Malfoy! – exclamei incrédula.
– É a verdade... Enfim, Regulus era a cara do meu avô, mas nisso confesso que só vim perceber um pouco depois que vi eles pela primeira vez. Estava mais preocupado em minha missão.
– E como descobriu o nome verdadeiro dele? Não me lembro de ter dito nada sobre isso.
– Eu tinha visto ele ajudar o elfo, então ele mesmo me falou. – ele disse parecendo lembrar. Parei para pensar um pouco, deve ter sido na mansão naquele dia. Por isso, Regulus demorou. – Então qual o nome dos outros dois?
– Não me faça essa pergunta! – Draco não poderia saber ainda sobre Albus.
– Quê? Não vai me falar sobre nosso segundo filho? – Ele perguntou indignado. Segundo? Hahaha, mal sabe ele.
– Scorpius. Não direi mais nada que isso.
– Todos são nomes de constelações, gostei. – Ele sorriu se ajeitando na cama.
– Eu também gosto da ideia. Mas não foi só por isso que coloquei o nome de Regulus. – Disse quando lembrei e me deitei novamente sobre seu peito.
– E por que foi?
– Seu primo, Regulus Black. Um sonserino que por influência da família seguiu o lado ruim, mas se arrependeu e escolheu a luz. Um bom apanhador de quadribol, um bom mestre. Ele me lembrou um pouco você. – Fitei seus olhos azuis acinzentados. – Por isso eu sabia que iria escolher esse nome, antes mesmo de Regulus e Scorpius aparecerem.
– Entendi... É um bom nome. Então, estou ansioso para conhecer Regulus em versão bebê. – Ele sorriu abobalhado.
– Precisamos dormir, estou com sono. – Disse fechando os olhos. Senti sua risada abafada perto da minha pele.
– Boa noite, minha serpente. – Eu sorri sem conseguir nem mais mexer a boca. Caí num sono profundo depois de muito tempo.
Estava demorando para eu ter pesadelos, mas eles vieram. Dessa vez não era sobre o futuro, era sobre a batalha em Hogwarts. Abri meus olhos, suando apenas por reviver aquilo.
Olhei para o lado e Draco estava acordado, com uma cara nada descansada.
– Que horas? Ainda não dormiu?
– Só dormiu por duas horas, pode descansar mais. Eu... Não consigo... – Ele suspirou.
– Você precisa dormir. – Disse me levantando para ficar sentada. Ele estava com cara de exaustão. Olheiras se formavam debaixo de seu olho e eu estava começando a me preocupar.
– Tenho medo. – Ele fixou os olhos na parede, enquanto alisava seu braço onde a marca ainda estava visível. – De ver tudo de novo.
– Venha! – Puxei ele para que se deitasse em meu colo. Ele obedeceu. – Preciso testar uma coisa, aproveito e faço você dormir. – Comecei a mexer em seu cabelo.
– Vai cantar novamente?
– Sim! Dessa vez uma música que escrevi... – Disse enquanto me preparava para cantar a música que apresentei no clube de música. Ele me observava enquanto eu cantava.
Antes que eu sequer terminasse de cantar o começo, ele tinha adormecido. Eu sabia. Talvez seja a magia antiga, ou sei lá. Eu conseguia fazer os outros dormir quando eu queria.
Draco adormeceu pesadamente, pela primeira vez eu o vi roncando. Ele deveria estar mesmo exausto. Ajeitei ele para que dormisse no travesseiro e o cobri com a colcha, dormi ao seu lado em seguida.
Os próximos dias foram mais difíceis do que pensava. Todos das casas pareciam carregar um peso nos ombros, os Malfoy estavam tensos por terem recebido uma carta do ministério pedindo que se apresentem para interrogatório em um mês, já que estavam sendo acusados de serem Comensais da Morte. Narcisa e Draco tinham mais chances de não serem presos em Azkaban. Mas Lucius, ele já tinha sido culpado e era um fugitivo, as coisas estavam desfavoráveis para ele.
Eu entendi que os Malfoy não tinham muita escolha. Eles já estavam envolvidos demais para que simplesmente Voldemort os deixasse em paz, eles só sairiam dali se fossem mortos, Lucius sabia demais. Claro que tiveram que ir para o fundo do poço para perceber que dinheiro e poder não é tudo.
Tínhamos acabado de chegar no Ministério quando senti muitos flashs vindo em nossa direção. Draco me puxou para perto para me proteger dos repórteres que estavam esperando o julgamento da família Malfoy. Nos livramos deles depois de pegarmos o elevador. Em nenhum momento em larguei a mão de Draco, ele estava muito nervoso, imaginando se ele seria levado a Azkaban.
No caminho eu vi Harry, apenas nos cumprimentamos de longe. Não poderia ter contato com ele, pois ele era testemunha do caso. O Ministério poderia ver com outras intenções. Fomos interrogados individualmente e então esperamos o resultado.
– Atenção, senhores! Começaremos com o resultado do julgamento de Draco Lucius Malfoy. Acusações: Três tentativas de assassinato em Hogwarts, Uso de uma maldição imperdoável e lutar como combatente inimigo, sendo assim considerado um Comensal da Morte. – Kingsley anunciava. Ouviram-se murmúrios. Eu estava tranquila por saber que tudo daria certo, não precisei ver o futuro para saber. Kingsley me garantiu que tudo seria levado em consideração, os Malfoy tinham deserdado antes que a guerra final acontecesse.
– O Ministério adverte que as duas acusações feitas, o réu ainda não completara a maior idade. Consideramos também que Draco Malfoy tenha estado sob extrema pressão, sendo coagido aos atos assim por dizer. A última acusação sobre lutar como combatente inimigo, foi considerado o testemunho de Harry James Potter e de Malfoy.
– Malfoy, foi considerada testemunha de defesa apesar de sua relação direta com o réu por sua ajuda contra Lorde Voldemort. Apesar de ser a única descendente viva do próprio bruxo das trevas, ela pôs sua vida e sua família em risco ajudando secretamente Albus Dumbledore e Harry Potter contra Lorde Voldemort, contribuindo para sua derrota. Suas habilidades foram notadas pela Suprema Corte dos Bruxos, no qual ganhara o título de Ordem de Merlin, primeira classe. – Senti minhas bochechas queimarem de vergonha, todos me olhavam curiosos. Não era qualquer pessoa que ganhava esse título, tendo como ministro um homem respeitável e ainda por indicação de Albus Dumbledore.
– Por fim, devido ao arrependimento do réu e da sua ação diante o final da guerra contra Lorde Voldemort que foram importantes para sua derrota, o Ministério decide que todas as acusações serão retiradas do processo. Assim, declarado inocente. – Senti Draco ao meu lado soltar um suspiro de alívio. Minha mão estava segurando a sua o tempo inteiro, e percebi o quanto suava de tensão e ansiedade.
– Iniciaremos a seguir o julgamento de Narcisa Malfoy. Acusações: Lutar como combatente inimigo. A ré foi considerada inocente da acusação pela sua não participação na batalha de Hogwarts, mesmo estando presente, assim dito pelo testemunho de Malfoy e devido ao testemunho de Harry James Potter, o qual citou também que sua vida foi salva por sua causa, pondo em risco a sua vida e de sua família. Assim, o ministério considerou importante, para não dizer, decisivo, para a derrota de Lorde Voldemort.
– A seguir, o julgamento de Lucius Malfoy. Acusações no presente momento: Fuga de Azkaban, Cúmplice de assassinatos em massa, Lutar como combatente inimigo, considerado um Comensal da Morte. O ministério adverte que devido novamente às testemunhas de Harry James Potter e Malfoy, o réu foi considerado inocente por ser cúmplice em dezenas de assassinatos de trouxas e pela não participação da batalha de Hogwarts, mesmo estando presente. Sobre a acusação de Fuga de Azkaban, o réu foi considerado culpado! – A sorte de Lucius era que ele tinha perdido poder entre os comensais. Então ele estava em cárcere privado como castigo. Não tinha como ele ser considerado culpado por assassinatos ao redor do mundo.
– Devido a alguns fatores o Ministério tem interesse em um acordo com o réu. Em troca da liberdade condicional, o réu deverá ajudar o ministério com todas as informações que assim desejar sobre os foragidos de guerra que conheça, para que sejam capturados. O Sr. Lucius Malfoy aceita os termos? – Kingsley perguntou.
– Sim, eu aceito! – Lucius disse. O ministro deu um papel para que ele assinasse.
– Dessa forma finalizamos com o réu sendo perdoado de todas as acusações. – Ouviu-se a batida do martelo encerrando o julgamento. Eu e Draco nos abraçamos aliviados, tudo deu certo no final. É claro que muitas pessoas achavam isso terrível, afinal no começo os Malfoy contribuíram com isso. E como ninguém estava presente como eu para ver o que de fato foi, era fácil julgar.
Sobre o pai de Draco ele realmente foi um babaca. Nem eu o suportava, mas percebi o quanto a humilhação o afetou e no fim ele tinha apenas medo, queria sair daquela vida. Ele tinha sorte por ter muito dinheiro e nome, por isso Voldemort ainda o manteve vivo. Mas era óbvio que ele e Narcisa ainda tinham preconceitos em suas cabeças, mas o amor pela família falava mais alto naquele momento entre a vida e a morte.
Quando Regulus falou sobre problemas familiares com a pessoa que gostava eu sabia que era algo desse tipo. Provavelmente a família Malfoy no futuro ainda não gostaria que seu neto se envolvesse com nascidos trouxas. Mas eu pensaria em como resolver isso, como eu seria a mãe, de jeito nenhum iria passar esses ensinamentos ridículos e ultrapassados para meus filhos. E já que conhecia dois deles, sabia que ia ser um sucesso.
No final da audiência vi novamente Harry, então dessa vez eu tinha que falar com ele. Troquei olhares com o Draco e ele entendeu. Fui em direção a Harry que sorria enquanto eu me aproximava.
– Ainda bem que tudo deu certo, não é? – Harry me cumprimentou com um pequeno abraço.
– Não sei como te agradecer.
– Ah por favor, depois de tudo?! Eles me ajudaram no final, foi só uma troca de favor. – Ele disse.
– Então, como está? Recebi cartas da Gina, finalmente voltaram, não é?
– Ah sim! Foi difícil descobrir que eu gostava dela e não poderia ficar com ela, entende?
– Sim, claro que entendo. Eu gosto de vocês dois juntos, formam um belo casal.
– Obrigado! Apesar de suas escolhas terríveis, até que confesso que você traz o melhor lado do Malfoy. – Nós rimos.
– Eu tenho que concordar apenas na última parte. Bom, ouvi falar que Kingsley te deu um cargo como auror, não é? Junto com o Rony. Isso é realmente incrível!
– Sim e nós aceitamos! Iremos nos juntar para caçar os fugitivos. Infelizmente não voltaremos para terminar a escola, ao contrário de Hermione que disse que assim que as aulas voltarem, ela finalmente estudará em paz. – Ele comentou enquanto tirava algo de seu bolso. – E por isso, consegui que pudesse ser convidada a se juntar a nós, também. Sei sobre seu interesse pelo cargo. – Ele me entregou uma carta do ministério. Assim que abri, vi o convite para se juntar como auror.
– Harry... Nem sei como te dizer. – Eu sorri. – Mas infelizmente não posso aceitar. Quer dizer, não agora. Eu tenho planos. Quero terminar meu ano também e viver um pouco. Sem falar que agora... – Coloquei a mão na minha pequena barriga que estava mais visível agora que estava com quatro meses e meio de gestação. - ...Estou em foco em cuidar do pequeno Regulus.
– Quê? – Ele arregalou os olhos, me analisando – Está grávida? – Ele sorriu. – Meus parabéns, !
– Obrigada!
– Regulus? É um nome ótimo. – Ele disse sorrindo, nós dois sabíamos perfeitamente o porquê do nome. – Espero poder conhecê-lo algum dia. Bom, posso guardar seu convite e te esperar até lá. Quando estiver pronta para trabalhar é só me mandar uma carta.
– Pode deixar. Diga aos outros que mandei lembranças, em breve eu visitarei todos vocês. Até mais, Harry!
– Até mais, Aura. – Ele disse me fazendo sorrir. A única pessoa que me chamava assim era Gina, ele já estava pegando suas manias. Acenei para ele enquanto ia em direção a família Malfoy que me esperava.
Capítulo 1 - O Nascimento do Herdeiro
Meses se passaram, Hogwarts ainda estava em processo de reparação. O estrago feito foi bem grande, precisaram de muitos elfos e bruxos que estavam trabalhando para sua reconstrução. A professora Minerva McGonagall agora era diretora de Hogwarts, e ela determinou que a escola só voltaria a funcionar depois de um ano e abriria exceção para a Geração Potter, que não teve tempo de terminar o último ano devido a tudo que aconteceu.
A escola terminará seus reparos em breve, mas muitos ainda estavam de luto pelas suas famílias e amigos que perderam naquela noite. O psicológico abalado de todos precisavam de um tempo para restabelecer e voltar a vida normal. Sem falar que o ministério ainda estava pegando os comensais que fugiram e ainda ofereciam risco a população, mesmo que fossem mínimos.
Draco ainda não dormia direito desde a batalha. Ele ainda sentia remorso pela morte de Crabbe, que foi o mais próximo dele que morrera naquele dia. Ele me contou o que foi obrigado a fazer enquanto estava na mansão Malfoy. Ele teve que torturar comensais e pessoas, para provar sua lealdade. Ele presenciou a morte da nossa professora, Caridade Burbage de Estudo dos Trouxas e de outras pessoas. Aprendeu algumas maldições e arte das trevas com sua tia Bellatrix.
Então, no fim, era óbvio o quanto ele iria demorar para se recuperar. Eu, às vezes, voltava para aqueles dias de terror também. A morte de Cedrico, Dumbledore e principalmente ao ver Tonks e minha mãe serem mortas para me salvar. Eu me senti inútil neste momento, não gostaria que ninguém se sacrificasse para me salvar, então era meus pesadelos atualmente.
Em um dia voltei à mansão para verificar as coisas, ver se tinha algo que eu queria trazer para mansão Malfoy e foi difícil pisar naquela casa, sabendo que não veria mais minha mãe novamente. Aquela casa estava vazia de vida. Resolvi deixá-la trancada até o dia que eu resolvesse fazer algo por lá.
Eu e Draco completamos dezoito anos, mas não fizemos nenhuma comemoração grande. Apenas fizemos um jantar agradável em comemoração, depois de tudo que passamos era sorte estarmos vivos. Recebemos parabéns de nossos colegas por carta como sempre. Meu título da Ordem de Merlin chegara no mesmo dia e agora estava pendurado na parede do nosso quarto.
Estávamos em outubro, já era o oitavo mês de gestação, todos pensavam que Regulus nasceria em novembro, mas eu já tinha um pequeno spoiler. Então começamos a nos preparar para a vinda dele. Narcissa já tinha contratado pessoas para auxiliar meu parto que seria em casa, o que me deixava nervosa. Fazer um filho era fácil queria ver mesmo era como ele sairia da minha barriga, especificamente por um canal pequeno demais.
A minha gestação foi tranquila, apesar das dores nas costas, a vontade de comer coisas fora do comum e o peso da minha barriga, não tive outros problemas. Draco sempre me fazia massagem nas costas todas as noites antes de dormir, sempre cantávamos para Regulus que já estava inquieto na minha barriga, fazendo ele ficar mais tranquilo e me deixar dormir. Lucius e Draco foram quem decidiram fazer o quarto do bebê, eu e Narcissa cuidamos do enxoval. Eles estavam bem animados com a chegada de Regulus, afinal eu tinha que concordar que ele seria a luz dessa casa.
Enquanto estava terminando de ler um livro, vi Draco entrar na biblioteca de óculos com alguns pergaminhos em mão, mas assim que me viu girou seus pés tentando sair dali.
– O que está escondendo? – Perguntei tentando me levantar do sofá. A minha barriga me impedia de fazer isso facilmente.
– Ah... nada! Apenas umas coisinhas. – Ele parou desistindo de sair por ser pego no flagra.
– Está aprontando e não vai me contar. – Semicerrei meus olhos.
– Por favor, não pergunte. Prometo que logo irá saber. – Ele se aproximou me dando um beijo na testa.
– A sua sorte é que estou sem forças para isso. – Disse, me sentindo cansada.
- O que houve? Está se sentindo bem? – Ele perguntou preocupado.
– Estou bem, apenas cansada. Não é fácil carregar um bebê.
– Eu imagino… Ou não. Mesmo que eu te ache maravilhosa grávida, está na hora de Regulus começar a ter pena da sua mãe. – Ele disse me fazendo rir.
– Não fala isso que é capaz dele te obedecer. – Disse ficando em pé. – Vamos! Já está na hora do jantar, estou morrendo de fome. – Peguei sua mão e puxei para que ele me acompanhasse.
– Mamãe e papai saíram para algum lugar. – Ele comentou enquanto descíamos as escadas. – Então seremos só nós.
Parei puxando sua mão no meio da escada enquanto apoiava no corrimão. Senti algo líquido escorrer pelas minhas pernas. Eu ri com ironia. Ele me olhou sem entender.
– Ele te ouviu... – Disse séria, tentando processar o que estava acontecendo.
– Quem? – Ele perguntou confuso.
– Regulus. Minha bolsa estourou, Draco. – Disse olhando para a escada que agora tinha uma poça de líquido transparente. Ele arregalou os olhos ficando mais pálido do que já era. – Certo, tenha calma ou eu entrarei em pânico junto com você.
– Eu... eu... não sei o que fazer, . – Ele começou a ficar nervoso. – Minha mãe não está em casa! Eu não sei de nada sobre trazer um bebê ao mundo.
– Eu acho que consigo andar, tudo bem. – Falei para ele e para mim mesma. Regulus tinha me dito a data de aniversário, mas tive a ligeira impressão de que ele tinha mentido. Já estávamos em 30 de outubro, no fim da noite.
Fui até o nosso quarto enquanto Draco me acompanhava observando todos os meus movimentos. Eu não estava sentindo nada, apenas algumas cólicas de vez em quando, então acho que ele não iria sair de uma hora para outra.
– Speedy! – Draco chamou seu elfo. – Encontre minha mãe e diga a ela que Regulus vai nascer. – Speedy apareceu, mas rapidamente sumiu antes que pudesse dizer mais algo.
– O que está sentindo? – Ele perguntou.
– Estou bem, apenas cólicas por enquanto. – Disse tranquila. O rosto de Draco parecia pura tensão, então coloquei minha mão sobre suas bochechas fazendo carinho. – Não se preocupe muito, eu estou bem. Vamos ficar bem, e logo pegará seu filho nos braços. – Sua feição se acalmou, pude ver um sorriso lateral brotar em sua boca.
– Não vejo a hora de conhecê-lo.
– Você já conheceu.
– Ah, isso não conta. Um bebê é diferente! Espero que eu seja um bom pai. – ele disse pensativo. – Não quero que ele cresça que nem eu... você sabe. E sei que você vai ser uma mãe maravilhosa.
– Ele vai ter um pai maravilhoso também. Tenho certeza de que ele irá enxergar tudo o que eu vejo em você. – Ele sorriu e me abraçou. Ouvimos passos apressados chegarem ao cômodo. Era Lucius, Narcissa e estranhamente a Sra. Anker e a Sra. Smith.
– Oh, minha querida! Está tudo bem? – Narcisa disse enquanto se aproximava me checando.
– Sim, o que está acontecendo? – Perguntei enquanto via as mães dos meus amigos.
– Oh, estávamos juntas.
– Olá, ! Faz tempo que não nos vemos, não é? Bom, a Sra Malfoy tinha me convidado para fazer seu parto. Eu sou medibruxa, tenho experiência com a vinda de bebês. – Circe Smith, era mãe de Nick. Eu não tinha ideia de que era médica também. Nick apenas falava que ela gostava de jardinagem.
– Eu, infelizmente não tenho ideia, mas já tive três filhos... talvez ajude. – Selene Anker sorriu.
– Bom, agora vamos expulsar os homens inúteis desse quarto. – Narcisa falou para seu marido e seu filho.
– Como é? – Draco perguntou enquanto era puxado pela mãe. Lucius apenas aceitou mesmo fazendo cara de inconformado.
– Você não sabe de nada e só irá deixar mais nervosa.
– Mas eu não posso perder o parto do meu filho.
– Draco, tem coisas que homens apenas atrapalham. Um parto não é uma coisa linda para ser observada e aposto que você desmaiaria duro que nem seu pai. Agora, ande, saia daqui! Não se preocupe, assim que ele nascer eu deixarei você entrar. – Ouvimos seu protesto quando Narcisa bateu à porta na cara de Draco e a trancou com um feitiço.
– Não se preocupe, sabemos o que fazemos querida. – Circe disse. – Por enquanto está tranquila, mas as contrações irão piorar. Infelizmente poderá sentir bastante dor.
– Que ótimo! – Resmunguei um pouco tensa. De repente apareceram duas elfas para auxiliar Circe.
Aquilo durou horas e como Circe havia dito, as dores pioraram. Passei a noite inteira em trabalho de parto. Às vezes eu percebi que Draco vinha ver por de trás da porta se estávamos bem, ele devia estar enlouquecendo lá fora, mas estava mais preocupada com as contrações cada vez piores e não via a hora do meu filho sair de uma vez. Por algum motivo estranho minha magia começou a fazer efeito no quarto. Objetos começaram a flutuar em momentos de tensão e dor enquanto eu estava em trabalho de parto, Narcisa e Circe estranharam. Porém Selene disse que já tinha visto algo do tipo acontecer, era uma resposta à dor.
À meia noite do dia 31 de outubro, Regulus veio ao mundo aos berros. Eu estava extremamente cansada e exausta, não tive forças para pegar meu filho nos braços. Narcisa pareceu entender isso. Eu me contentei em ouvir seu choro enquanto me recuperava. Ela levou Regulus até Draco que estava no andar debaixo, enquanto isso eu comecei a ouvir uma língua bem conhecida. Língua de cobra.
POV DRACO
– Quer por favor parar de andar feito uma acromântula perdida? Está me deixando tonto, Draco. – Meu pai reclamava.
– Não consigo, está bem? Meu filho está nascendo e eu nem sequer posso acompanhar! – Disse frustrado passando a mão no meu cabelo umas mil vezes. Eu só queria que meu filho e tivessem bem e aquela agonia acabasse.
– Acredite, não iria querer ver o processo inteiro. – Meu pai disse com desdém.
– É verdade então? Que desmaiou no meu nascimento?
– Isso não vem ao acaso. Apenas tenha calma que seu filho logo nascerá. – Ele desconversou.
– Irei arrombar aquela porta. – Disse sem muita paciência. Meu pai me puxou pelo ombro.
– Sua esposa está com foco total em dar a luz a um bebê, isso não é nada fácil! O melhor que você pode fazer é esperar. Se você entrar naquele quarto é capaz de só piorar a situação. Não pensou que ela poderia ficar desconfortável com isso? – Ele disse me fazendo me acalmar um pouco. Ele tinha razão, podia ficar desconfortável na minha presença. Suspirei ainda estressado.
– Daqui para amanhã eu vou morrer do coração. – Me joguei no sofá.
– Ora essa que exagero! Pense bem da próxima vez se quiser passar por isso novamente. – Ele disse. Não tinha o que pensar, eu saberia que tinha próxima. Scorpius ainda viria. Isso me fez me perder nos pensamentos, imaginando como seria ver Regulus e mais tarde Scorpius.
Meu primogênito nem tinha nascido ainda e eu já estava pensando no segundo. Passei a mão no meu rosto assanhando mais ainda meu cabelo, enquanto me livrava dos pensamentos voltando à realidade. Voltei a caminhar para lá e pra cá, enquanto folgava a minha gravata, agoniado. De vez em quando dava para ouvir os gritos de de dor, o que me deixava mais tenso ainda.
Foi quando percebemos Speedy aparecerem rapidamente na cozinha.
– Meu senhor! Speedy viu serpentes do lado de fora. Speedy se assustou! – Speedy disse um pouco apavorado.
Meu pai se levantou para olhar a janela e eu o acompanhei. Tinham muitas serpentes, o que chegava a ser assustador. Pensei que talvez pela ser herdeira de Salazar e falar com as cobras tenha chamado elas sem querer.
– Incrível! – Meu pai disse. – Isso é... – Ouvimos um choro de bebê ficar mais audível perto das escadas. Meu coração deu uma pequena batida errada ao perceber que meu filho tinha nascido.
Vi minha mãe sorridente trazendo um pequeno embrulho em seus braços enquanto descia as escadas. Eu ignorei completamente o mundo quando me aproximava deles. Ela me entregou, e eu o peguei desajeitadamente em meus braços. Assim que seus olhos, ainda de cor escuras, encontraram os meus, eu pensei que o chão tinha sumido.
Eu nunca senti algo como naquele momento, ele tinha parado de chorar assim que eu o peguei. Meus olhos àquela altura já estavam marejados. Regulus mal tinha cabelo, mas dava para notar os pequenos fios loiros na sua cabeça. Ele era bem pequenininho, que eu duvidei se ele realmente existia.
– ... como ela está? – Perguntei ainda com os olhos fixos no meu filho. Ouvi minha mãe chorando, quando notei que meu pai estava a consolando. Meu coração deu um pequeno infarto ao achar que algo sério tinha acontecido a minha esposa, mas não parecia isso. Minha mãe só estava emocionada em ser avó.
– Ela está se recuperando no quarto. – Ela falou logo depois. – Vá vê-la. Ela ainda não pegou Regulus.
Então subi com cuidado as escadas enquanto carregava o meu filho em direção a sua mãe. Assim que abri a porta do quarto, estava encostada no travesseiro, com claros sinais de que foi difícil ter colocado ele ao mundo. No momento que ela nos viu, começou a chorar e estendeu os braços para que eu entregasse nosso filho para ela vê-lo.
Eu imediatamente a acompanhei em seu choro. Como podia não me emocionar com nós três finalmente juntos. Ela falou algo em língua de cobra que deveria ser exclusivamente para Regulus.
– Draco. – Ela me olhou enquanto eu me sentava ao seu lado, a abraçando. – Sabe o que Regulus significa em latim?
– Pequeno rei ou príncipe. – Disse sabendo o que ela queria dizer.
– Em grego é variante de Basiliskos. – Ela disse rindo de alguma piada interna.
– Estudou o nome do nosso filho? – Perguntei ainda olhando o pequeno que havíamos feito.
– Um pouco. Obrigada por ele. – Ela me olhou ainda com olhos marejados. Me aproximei sem resistir e a beijei.
– Obrigada vocês, pequena. Ele é tão perfeito que fiquei paralisado quando eu o vi. – Disse enquanto nós dois o observava. Ele estava dormindo e só por isso pareceu a coisa mais linda do universo.
– Pode ficar com ele um pouco? – Ela perguntou. – Eu preciso descansar, estou exausta, mas não queria deixá-lo.
– Os pais servem para isso. Descanse! Regulus precisará de você muito em breve. – Disse enquanto ela me entregava ele.
– Me acorde qualquer coisa. – Ela disse enquanto eu a beijava na testa.
– Boa noite, serpente.
– Boa noite, dragão. – Ela sorriu.
Ainda naquela noite a Sra. Anker me ensinou como acalmar um bebê, ele gostava da temperatura corporal. Então tirei minha camisa e me sentei na poltrona que havia no quarto de Regulus, elas o ajeitaram no meu peito para sentir meu calor corporal. Porém eu comecei a pescar meus olhos também, e senti uma pancada na cabeça que me fez despertar. Meu pai havia me batido com seu cajado de cobra.
– Você está segurando meu neto! Não tem o menor direito de dormir enquanto sua esposa descansa. Acostume-se com isso, Draco.
– Eu não posso evitar. Mas podia ao menos ter me acordado de um jeito menos agressivo. – Ouvi ele bufar. Minha mãe entrou para pegar Regulus, mas meu pai impediu. – Não, Narcisa. Ele precisa se acostumar.
– Eu não estou nem aí, Lucius! Eu quero ficar apenas com meu neto por um tempo também. – Ouvi ela reclamar ignorando meu pai. Ela pegou Regulus dos meus braços, o enrolou na mantinha e me expulsou da poltrona.
– Agora que tem um neto, vai esquecer do filho. – Comentei ao lado do meu pai.
– Então finalmente vai saber o quanto ela te mimou. – Eu e meu pai nos entreolhamos antes de sair do quarto. – Aproveite e descanse, amanhã será um longo dia. Pode deixar que sua mãe tomará conta dele.
– Boa noite, pai.
– Boa noite, filho.
Capítulo 2 - A Briga de Dois Idiotas
Ao pegar meu filho nos braços foi um sentimento inexplicável. Eu finalmente pude entender o que era ser mãe. Tinha dias que eu não conseguia desgrudar dele, então era uma guerra entre mim e Draco para quem ficasse mais tempo com ele nos braços. Era cansativo também amamentá-lo, porque toda hora ele acordava com fome, foram muitas madrugadas sem dormir direito.
Dias se passaram enquanto eu e Draco aprendíamos a ser pais de primeira viagem. Era tudo tão novo e complicado, mas fazíamos de tudo para cuidar de Regulus com todo amor possível. O Natal havia chegado, Regulus estava em meus braços, enquanto eu tentava fazê-lo dormir, ele era um bebê maravilhoso, não chorava muito e parecia que tínhamos uma conexão perfeita, pois sabia o exato momento em que ele estava com fome, ou tinha cólicas, ou quando tinha que trocar suas fraldas.
Me lembrei do único momento que eu lembrava do meu pai biológico. Da música que ele cantava para mim e que Regulus do futuro tinha cantado no clube de música. Quando comecei a cantar seus olhinhos claros me encararam curiosamente.
Usually hanging out with Peter Pan
And when we're bored, we play in the woods
Always on the run from Captain Hook
Run, run, lost boy, they say to me
Away from all of reality
Neverland is home to lost boys like me
And lost boys like me are free
Peter Pan, Tinker Bell, Wendy Darling
Even Captain Hook, you are my perfect story book
Neverland, I love you so, you are now my home sweet home
Forever, a lost boy, at last
And for always I will say
Ele adormeceu com a melodia facilmente, assim como Draco, mas dessa vez eu sabia que não era magia alguma. A porta do quarto se abriu e Draco apareceu se aproximando pelas minhas costas.
– Dormiu? – Ele sussurrou para que nosso filho não acordasse.
– Sim. – Disse enquanto o colocava em seu berço. O quarto de Regulus tinha um tom cinza escuro e branco, tenho certeza de que Lucius tinha escolhido a cor. Os detalhes da estrela e da lua foram ideia de Draco, em uma parede ele fez questão de colocar a constelação de leão com a estrela de Regulus. Narcisa tinha amado que nós continuássemos o lema da sua família Black. Lucius também gostou que homenageamos o seu pai, Abraxas. Então Regulus foi registrado como Regulus Abraxas Malfoy.
Saímos do quarto sorrateiramente para que não o acordássemos, era noite de Natal então jantamos em família. Não era a primeira vez que não passava com minha mãe, mas era a primeira vez no qual eu não tinha ninguém da minha família nem sequer longe, todos tinham falecido na guerra.
Observando os Malfoy ali, percebi o quanto eu era grata por eles. Enfim eu entendi as preocupações de minha mãe, ela sabia dos riscos e não quis que eu estivesse sozinha. Depois das refeições me retirei devagar já sentindo que não ia aguentar segurar minhas lágrimas por muito tempo, então fui para o jardim mesmo que estivesse nevando, tomar um ar puro. Caminhei um pouco e me sentei em um banco enquanto imediatamente comecei a chorar, desabafando a falta dela e tudo que aconteceu.
Minutos depois eu respirei fundo me recuperando, enxuguei minhas lágrimas aliviadas. Me levantei e me virei para entrar na mansão, mas dei de cara com meu marido encostado em uma árvore próxima.
– A quanto tempo está aí? – Perguntei.
– Não muito... eu percebi que fugiu. Depois de uns minutos vim ver o que aconteceu. – Ele falava ainda no mesmo lugar. Me aproximei dele e o abracei.
– Eu estava apenas-
– Eu sei. Por isso fiquei te esperando, sem me intrometer. – Ele fez um pequeno cafuné no meu cabelo antes de se afastar e entrelaçar sua mão na minha. – Quero te mostrar uma coisa, se estiver bem agora.
– Claro que estou. Só precisava de um tempinho.
– Então me acompanhe, por favor. – Ele puxou minha mão enquanto me levava a algum lugar dentro da mansão.
Fomos até o penúltimo andar, na última sala onde se encontrava a biblioteca da mansão. Assim que entramos, subimos mais escadas para a parte de cima e então ele mexeu em um livro em uma estante, no qual se revelou ser uma passagem secreta. A passagem deu origem a uma sala que era parecida com a torre de astronomia de Hogwarts, com um toque mais autêntico. Havia telescópios em três lugares para melhor observação do céu e uma sacada aberta.
– Você... como? Um observatório? – Perguntei enquanto dava uma observada por todo o lugar surpresa demais.
– Então, eu construí isso recentemente. Eu queria algo parecido com nosso lugar na escola... isso foi o que deu para fazer. – Ele se referia a torre de astronomia.
– Isso que deu para fazer? Draco isso é genial! Era isso o que estava aprontando não era?
– Sim, eu queria dar como presente de casamento, já que daqui a alguns dias completaremos três anos. E tem mais...
– Mais? – Ele se aproximou enquanto pegava minhas mãos. Me olhando nos olhos. O brilho do luar batia exatamente em sua íris azul acinzentada, fazendo com que eu me hipnotizasse facilmente.
– Quer casar comigo novamente? – Eu sorri imediatamente. - Mas dessa vez com cerimônia de modo correto e com convidados, é claro.
– É claro que sim! Eu aceito casar com você novamente. – Ele sorriu antes de me beijar. Ele me abraçou me levantando animado. – Você vai me derrubar!
– Não vou não. – Ele me colocou no chão. – Como pude demorar para te notar?
– Não achei que demorou. Você foi meu primeiro amor.
– Que mentira! – Ele bufou. – Me arrependo amargamente de não ter te chamado para o baile, assim nunca deixaria o Potter encostar em você. – Eu gargalhei.
– Sabia que um dia iria se arrepender, ainda tive que ouvir desaforo seu depois. – Disse me lembrando. – Nossa, aquela noite foi uma confusão. Já não bastava o Erik com ciúmes, veio você. Estava enciumado naquela noite, não é? – Perguntei enquanto ele se afastava e se sentava no sofá. Ele me puxou para me sentar em seu colo.
– Anker? – Ele fez a cara de incrédulo. – Não me diga que ele gostava de você, também?
– Sim e eu não sabia. Incrivelmente tinha outras pessoas interessadas e eu como uma tonta nem sequer tinha noção, poderia ter aproveitado tanto.
– Como é? – Ele me olhou indignado. – É claro que não aproveitaria, eu não ia deixar. E quero nomes.
– Você não gostava de mim na época. E para que quer nomes, para amaldiçoá-los? Nem em seus sonhos.
– Eu acho que eu já te notava, mas não percebia. Senão, por que eu ficaria com ciúmes?
– Verdade. – Disse enquanto o beijava. – Você era tão idiota... – Ele revirou os olhos. – O primeiro passo para mudar é confessar o que era, Draco.
– Quer que eu fale o que? – Ele disse sonso.
– Confesse o que você era.
– Isso é sério? – Ele perguntou ainda relutante.
– Vamos... estou esperando. Você é um pai agora, precisa ter responsabilidades. – Levantei uma sobrancelha esperando que ele confessasse.
Ele lutou muito internamente, mas fez o que eu pedi.
– Eu era imaturo. Idiota? É, talvez. Eu poderia ser melhor se eu conseguisse voltar no tempo, mas isso não é possível. – Ele disse resmungando depois.
– Me prometa que tentará ser uma pessoa melhor e que não ensinaremos preconceitos para nossos filhos. – Ele suavizou a expressão do seu rosto.
– Isso eu já estou fazendo. Depois da guerra eu não faço um pingo de questão que nossos filhos tenham esses pensamentos. – A expressão de Draco se tornou melancólica, enquanto tocava a marca-negra em seu antebraço que agora parecia uma cicatriz. – Não gosto de olhá-la, mas é parte do que eu sou, não é? Eu precisei chegar a esse ponto... – Eu o abracei ainda sentada em seu colo.
– Por isso eu gostei de você, sabia que tinha uma luz escondida o tempo todo.
– Na verdade, você quem despertou essa luz. – Ele disse apertando minha cintura. – Você me fez amar. – Seus olhos tão intensos se fixaram aos meus que fez minhas bochechas queimarem. Ele ainda me fazia ficar tão boba.
Nos beijamos apreciando o tempo raro que tínhamos juntos, não demorou para ouvirmos um choro baixinho e abafado vindo do corredor. A gente sorriu imediatamente depois de nos afastarmos. Era difícil termos um tempinho, mas não era incomodo. Tínhamos um filho de quase dois meses para dar atenção, eu ainda nem acreditava que éramos pais.
Dessa vez era a vez do Draco ficar um tempo com ele e ele adorava.
Nas próximas semanas recebemos cartas dos nossos amigos, menos de Theo. Apenas pessoas próximas sabiam sobre minha gravidez e o nascimento de Regulus, mas ninguém nos visitou ainda por escolha minha. Eu estava traumatizada com a guerra e a gestação fazia meus hormônios ficarem incontroláveis, eu quis ficar antissocial por esse tempo.
Porém segundo Zabini, Theo está bem puto com Draco e parecia mais ser coisas sobre a guerra. Draco ainda não tinha convidado Nott para ser o padrinho, coisa que segundo Regulus do futuro ele iria se tornar. Então comecei a achar que isso tinha mudado. E por esse motivo eu os convidei para virem visitar nosso filho, junto com Erik, Yumi e Nick.
Assim que Billy anunciou a presença dos nossos amigos, fui recebê-los enquanto Draco terminava de trocar Regulus.
– Olha se não é a senhora Malfoy que agora é mãe. – Nick foi o primeiro a estar na porta.
– É bom vê-los novamente. – Abracei os três que estavam na frente. – Vamos! Entrem!
– Acho que é a nossa primeira vez por aqui. – Erik comentou olhando tudo. Ouvi um barulho de aparatação. Então de longe eu percebi os dois sonserinos caminhando, ou melhor, um arrastando o outro à força.
– Vamos logo, Theo! Deixa de ser imbecil! – Zabini resmungava com Theo que estava com a cara fechada mais adiante.
– Você quem me obrigou a vir.
– Vai fazer uma desfeita com a por causa de sua chateação com Draco? – Os dois perceberam que eu os observava. – Ahn... Oi, . Que tal dar uns puxões de orelha nele?
– Oi meninos! É bom vê-los de novo. – Zabini correu e me abraçou, entrando em casa logo em seguida.
– Oi, . – Theo se aproximou envergonhado.
– Não sei o que aconteceu, mas tente deixar isso de lado por enquanto. Tem um bebê para conhecer. – Nos abraçamos um pouco mais forte.
– Eu vou fazer isso por sua causa. Irei me segurar para não socar seu marido. – Ele respondeu.
– Nada de brigas por aqui ou eu estuporarei os dois.
Todos se acomodaram pela sala, sem os Malfoy acho que eles ficaram menos tensos, por isso aproveitei que os pais de Draco viajaram para recebê-los. Draco minutos depois apareceu com Regulus em seus braços, arrancando olhares e sorrisos curiosos. Malfoy e Nott se encararam tensos, mas ficaram em silêncio.
– Bom, esse é o Regulus pessoal! – Disse enquanto pegava dos braços de Draco.
– Se comporte. – Yumi sussurrou para Theo e depois se aproximou de nós. – Meu afilhado é muito fofo! – Entreguei Regus nos braços de Yumi que imediatamente sorriu quando viu ela.
– Já vai treinando. – Nós rimos.
– Nossa, ele é muito pequeno. – Nick comentou olhando.
– Mas é claro, é um bebê, queria o quê? – Foi a vez de Erik. – Ele realmente é o Regulus. – Ele sussurrou as últimas palavras para que os meninos não escutassem.
– Ele dará um ótimo jogador de quadribol! – Zabini falou se aproximando. – Uau! Ele é realmente fofo, uma pena que puxou o pai.
Draco bufou.
– Está tentando me ofender, Zabini? – Ele perguntou.
– Não, com certeza não. – Zabini ria zombando.
Olhei para Draco tentando fazer um sinal para que ele fosse conversar com o Theo, mas sem sucesso. O orgulho de dois sonserinos estavam nas alturas naquele cômodo que já estava influenciando todos ali presente.
– Parabéns, por ser mãe! Ele é lindo. Mas cuidado para ele não ser influenciado pelo pai dele que só pensa em si mesmo. – Theo disse sem conseguir se segurar.
– Como é? – Draco perguntou irritado.
– Theo! – Yumi o encarava em repreensão.
– Meninos... – Tentei dizer algo, mas Theo estava muito irritado e começou a despejar tudo.
– É isso que você ouviu! Como pode ser tão idiota? Simplesmente desapareceu depois de tudo e largou seus “amigos” como se fossem nada. Ainda considerava mais aqueles dois idiotas que eram mais seus capachos...
– Cala a porra dessa boca, Nott! – Draco elevou o tom de voz fazendo com que todos pulasse de susto.
– Quer saber? Melhor eu ir embora, não consigo olhar para você. – Ele saiu puto para fora da mansão.
– E eu pensando que ia ser um dia de paz... – Nick disse brincando com as mãos de Regulus.
– Draco. – Eu me virei para ele. Bufando ele saiu atrás de Nott, entendendo perfeitamente o que eu queria. Eles tinham que resolver isso de uma vez.
Yumi ainda estava com Regus nos braços e me olhou perdida.
– Tudo bem, eles vão se resolver. – Zabini comentou. – Um soco ali e outro aqui e já estarão juntos novamente.
– Blaise!
– O que foi? Eles são assim antes mesmo de conhecê-los, .
Fui em direção a porta com minha varinha preparada para saber o que estava rolando, se algum deles brigassem fisicamente eu ia acabar com essa palhaçada.
– Você não sabe de nada! – Draco dizia enquanto estavam discutindo.
– Exatamente! Você sempre esconde seus problemas e nunca sabemos o que está acontecendo. Tentar assassinar Dumbledore? Virar um comensal? Você foi quase assassinado e foda-se seus amigos, não é?! – Ele parou de falar passando a mão em seus cabelos escuros. – Isso se realmente fomos seus amigos... Crescemos e convivemos há anos, por que? Ficarmos em segundo plano? Você não se importa com a gente. Você se importou mais com a morte de Crabbe do que com o que aconteceu com a gente no pós-guerra. Se não fosse por nem saberíamos que ia ser pai.
Pela primeira vez eu vi Draco em silêncio. Dava para ver sua respiração intensa, mas controlada. Então era por causa disso que eles estavam brigados.
– Theo, tem muito mais coisa nisso tudo do que você pensa. E não, eu sempre me importei com vocês e por isso eu me afastei. Acha que se eu metesse vocês dois comigo não ia sobrar para vocês também? Seu pai era um comensal, Theodore! Eu não queria nenhum de vocês nesse rolo, não queria que vocês passassem pelo que eu passei. – Draco parou um momento para respirar fundo e continuou. - Crabbe e Goyle me acompanharam porque quiseram, eles já tinham sido influenciados pelos pais antes que eu soubesse de alguma coisa e por causa disso Crabbe morreu diante dos meus olhos. Eu agradeci que naquele dia eu não tinha visto mais mortes e muito menos dos meus dois melhores amigos.
– E por que não nos contou nada? Somos amigos não somente para festejar, Malfoy!
– Porque se eu contasse eu sei que ia fraquejar e isso custaria a minha vida e da minha família. Eu não podia arriscar nada! tinha descoberto algumas coisas e isso já era o suficiente. Eu tive que fazer de tudo para que seu pai não te chamasse, porque ele queria, Theodore! Ele queria te trazer para as reuniões, queria que você virasse comensal, mas eu não deixei. – Draco desabafava e agora percebi a presença de todos na porta e na varanda observando os dois que estavam mais distantes. Nunca tinha visto Draco colocar em palavras tudo que ele carregou nas costas. Não deixei de sentir meus olhos marejarem um pouco, imaginando o quão difícil foi pra ele.
– E sobre o pós-guerra, eu sabia que vocês estavam bem, que ficariam bem. Porém eu e não estávamos, precisávamos desse tempo, além de que descobrimos que seríamos pais. Foi tudo vindo me engolir em menos de dois anos!
– Por que não nos mandou uma carta? – Theo estava menos irritado dessa vez, seu tom de voz já entregava um pouco de compreensão.
– Tentei, mas não sabia o que escrever. Além de tudo isso, como eu iria convidá-lo para ser padrinho do meu filho? Eu sabia que estava com raiva de mim por besteira. – Nott de repente se interessou, mas bufou quando ouviu o final.
– Você é um idiota.
– Você também é um idiota.
Ouvimos apenas o barulho de vento e o balançar das árvores do jardim.
– Acha que irei te perdoar só porque me escolheu para ser o padrinho do seu filho?! – Theo perguntou sarcástico. Draco ergueu as sobrancelhas como se esperasse as próximas palavras. – É claro, seu idiota. – Ele deu uma chave de braço em Draco de brincadeira.
– Eu te conheço há anos. – Draco disse.
– É bom que me conheça mesmo, não faça essas burrices novamente. – Ele disse. – Dá próxima vez não serei pacífico.
– Agora, peça desculpas a seu afilhado que você assustou. – Draco disse enquanto os dois voltavam para dentro da mansão.
– Garotos. – Yumi resmungou balançando a cabeça em negação. – Não é Regulus? Como pode ter um pai e um padrinho tão cabeça de vento?
Eu ri com as palavras de Yumi.
– Desculpe, . – Theo se aproximou.
– Vocês podiam fazer o que quiserem, portanto que voltasse a se falar e não se agredirem fisicamente. – Eu dei de ombros.
– Acho que essa tarde já foi conturbada o bastante, pobre Regulus. – Erik dizia enquanto se sentava no sofá.
– Posso dizer que eu sou o padrinho de casamento de vocês? – Zabini perguntava animado. – Já que o Theo ficou com o filho de vocês não é mesmo? – Eu e Draco nos entreolhamos e rimos.
– Bom, já que todos estão aqui... Temos algo a contar. Vamos ter uma cerimônia de casamento.
– MERLIN! CHEGOU MEU MOMENTO! – Zabini deu um pulo, fazendo todo mundo ri. – Não corta meu barato, irei ser o padrinho, não é?
– Sim, Zabini! Você será o meu padrinho de casamento. – Draco disse revirando os olhos.
– Sempre soube!
– Sua sorte é que eu me retirei do posto para ficar em outro. – Theo disse. Blaise deu língua para ele.
– Minha madrinha será a Yumi como sempre. Só tenho ela entre as outras candidatas que acho que não seria boa ideia...
– Quem seria? – Draco perguntou interessado.
– Uma Weasley talvez...
– Se fosse apenas a Weasley fêmea eu não ligaria. Mas ela irá com certeza trazer a pobraiada toda.
– DRACO! – O repreendi o beliscando.
– Ai! Eu só disse a verdade. – Ouvimos pela primeira vez uma risada gostosa de Regulus. Todos viraram automaticamente para meu filho nos braços de Yumi, acompanhamos seu riso, fofo demais. – Olhe, até nosso filho concorda.
– Fique quieto! Os Weasleys são ótimas pessoas.
- Mas eu não falei que não eram. Só disse que... – O fuzilei com o olhar e ele se calou.
– O problema todo é que pretendo trazer os sonserinos e com os grifinórios esse casamento irá virar um enterro.
– Então... vou ser a madrinha de casamento também? Será uma honra!
– Bom, se algo mudar até lá eu falo para vocês.
– E quando será?
– Próximo mês. No Dia dos Namorados, espero todos presentes. – Disse animada.
– Estaremos, é claro! – Erik comentou.
Passamos a tarde inteira conversando como a muito tempo não fazíamos. Acho que a última vez que nossos amigos estiveram reunidos foi no quarto ano que Draco reuniu todos para me procurar enquanto estava no fundo do lago.
Capítulo 3 – Festa de Casamento
A preparação do casamento foi o suficiente para todos se distraírem, e como eu tinha quase acabado de ter um bebê, deixei tudo para os outros. Narcissa ajudou a preparar tudo e Yumi ficou responsável pela comida. Coloquei os sonserinos para preparar os convites e enviá-los por corujas, apesar de saber que alguns amigos não viriam, mandei do mesmo jeito. Erik e Nick ajudavam os elfos na montagem das tendas, para caso chovesse e na colocação das mesas e cadeiras. A cerimônia aconteceria no grande jardim da mansão, e pelo que notei ia ser uma coisa bem enorme. Vindo de Narcisa Malfoy, não será qualquer coisa.
Regulus estava perto dos quatro meses e estava crescendo bem. Seus cabelos loiros estavam mais visíveis e maiores, e seus olhos estavam começando a ficarem azuis. Ele agora estava interagindo mais conosco, Theo deu de presente um mordedor em forma de serpente no qual ele não largava de jeito nenhum, era seu brinquedo preferido.
Assim que Regulus dormiu eu fui para outro quarto e comecei a me arrumar para a cerimônia. Preferi não fazer bagunça no meu quarto porque quando tudo terminasse era só dormir e não me preocupar com nada.
Dou graças a existência da magia porque ajudou demais. Zabini tinha pegado nossas alianças para que fosse entregue mais tarde novamente. Eu e Draco poderíamos comprar outra, mas não queríamos. Aquela já significava bastante nesses últimos três anos.
Ouvi alguém bater na porta.
– Entre.
Disse ainda me olhando no espelho para conferir se está tudo certo.
– As vezes é bom perguntar quem é, antes. – Ouvi a voz de Draco.
– O que está fazendo aqui? Deveria estar lá embaixo. – Ele estava já pronto de terno com seu sorriso presunçoso nos lábios. Ele tinha deixado seu cabelo crescer mais, o que deixou ele mais bonito.
– Está vendo? – Ele riu se aproximando. – Mas estou onde deveria estar. – Ele me analisou dos pés à cabeça. Ele soltou um assovio me flertando – Você está maravilhosamente encantadora.
– Obrigada. – Me aproximei para beijá-lo rapidamente.
– Não quero tirar seu batom por agora, mais tarde terei o prazer de fazer isso. – Ele se afastou arqueando as sobrancelhas e sorrindo de lado.
– Então o que está fazendo aqui?
– Iremos juntos. Não irei deixar minha mulher andar sozinha até a frente, enquanto eu continuo parado feito um idiota. – Eu ria facilmente das suas ideias.
– Não vejo problema.
– Ah, tenho spoilers de quem veio. Quer saber?
– É óbvio!
– Bom, Slughorn e McGonagall estão aqui de professores. A maioria dos sonserinos que conhecemos também. E adivinha? O ministro. – Comecei a ver que tínhamos enviado convites demais, comecei a sentir um frio na barriga.
– Não diga mais nada se não eu vou ficar mais nervosa do que já estou.
– Ninguém sabe que tivemos um filho, quer dizer, a maioria. E ele vai entrar com as alianças no colo do Theo, já sabe que isso vai ser caótico.
– Não me deixe mais nervosa, Draco! – Disse enquanto ele ria.
– Não se preocupe, você irá gostar. Eu sei disso. – Ele disse com uma expressão tranquila, mas com um sorriso travesso em seus lábios.
– Você aprontou algo, não é?
– Vamos de uma vez! Só não esquece de me agradecer depois. Todos estão esperando, vamos! – Ele me puxou pela cintura me guiando até a porta.
Quando cheguei no local estava tudo quieto, havia uma tenda enorme preta que tomava conta do jardim. Eu ainda não tinha ideia do que esperar dos Malfoy, mas com certeza era coisa exagerada.
Draco me levou até a porta da tenda.
– Preparada? – Ele perguntou me olhando.
– Comparada a antes, dessa vez estou nervosa. – Ele se aproximou me beijando e me pegando de surpresa. Eu apenas respondi aproveitando o momento e a sensação que seu beijo sempre me causava. Então quando nos afastamos percebi que ele tinha me acalmado. – Você... – Não consegui achar palavras.
Ele limpou minha boca que talvez tenha borrado meu batom e ofereceu seu braço. Coloquei minha mão direita debaixo do seu braço e assim entramos na tenda. Havia um corredor ainda com muitas plantas, flores como decoração. Percebi a presença dos padrinhos: Yumi e Zabini, Theo estava segurando Regulus em seu colo. Nick e Erik estavam por ali também.
Assim que me viu Erik entrou para avisar que estávamos presentes.
– Você está linda! – Yumi disse.
– Eu estou prestes a infartar dentro desse vestido. – Disse ainda segurando o braço de Draco.
– Melhor se acalmar, assim que entrar você vai ficar pior. – Zabini disse.
– Fique quieto, Blaise! – Draco reclamou. Comecei a ficar mais nervosa ainda, o que esse garoto tinha aprontado?!
Então vi Selene, a mãe de Erik aparecer e mandar a gente entrar depois da música. Eu estava pensando sobre eu não ter ideia alguma nem sobre a decoração, sobre os convidados, sobre nada e comecei a me arrepender disso. Lembrei que odiava não estar no controle, mas eu preferi assim então terei que aguentar. Podia tentar ver o futuro? Sim. Mas não queria, depois de tanto tempo sem poder controlar isso, eu finalmente estava em paz sem ver nada. Tinha muito tempo que não acessava mais minhas visões.
Ouvimos a música começar, então os padrinhos foram os primeiros a entrarem e depois foi a vez da gente.
Surreal é só o que vinha na minha mente. A tenda era grande, mas nem de longe parecia com o que tinha dentro. Narcisa não teve pena alguma de gastar dinheiro com a decoração, fazendo com que todos soubessem quem eram os Malfoy. Estava tudo em cor preto, branco fazendo com que ficasse maravilhoso. Haviam bastante luzes e flores como decoração também.
Tinha muita gente, mas assim que vi uma mesa que chamava bastante atenção cheia de ruivos e rostos familiares eu entendi o que Draco tinha aprontado. Não consegui segurar as lágrimas a partir daí. A família Weasley estava presente junto com Harry, Hermione, Neville e Luna.
– Precisamos chegar ao final, . – Draco sussurrou em meu ouvido.
– Você... como?
– Depois explicarei tudo, mas não foi fácil.
Todos estavam em pé enquanto a gente chegava no centro que possuía um arco. Olhei para onde os padrinhos estavam e no lugar da Yumi, a Gina estava lá. Ela sorriu timidamente quando eu a notei. Não acredito que ela estava ali! Eu pensei que não teria como ela ser minha madrinha, mas Draco deu um jeito. E para isso acontecer, ele teve que engolir seu orgulho, o que era difícil. Tentei não chorar mais uma vez já que estávamos no centro de tudo.
Dessa vez o cerimonialista foi o pai de Erik. Os Malfoy tinham se aproximado dos Anker depois da guerra, principalmente porque eles cuidaram de mim no verão.
– Boa noite, bruxos e bruxas! Hoje estamos aqui juntos para celebrar o casamento de e Draco Lucius Malfoy. – Ouvi ele falar enquanto todos se sentavam.
– Duas pessoas que tiveram seus destinos cruzados antes mesmo de sequer nascerem, pela promessa de suas famílias. Por causa do amor de seus pais em protegê-los tiveram que se casar ainda jovens e imaturos. Então o mundo inteiro foi atingido por um tempo sombrio e juntos passaram por momentos difíceis, lutaram para proteger a própria família e amigos. No final o tempo foi suficiente para que eles estivessem aqui hoje, vivos e apaixonados. – Eu e Draco nos entreolhamos sorrindo.
– Sem delongas, vamos ao principal, não é? Tragam as alianças. – Ele disse e do fundo, Theo saiu das cortinas com Regulus no colo. Os Murmurinhos foram ouvidos por todo salão, todos estavam caindo de amores por Regulus vestido de terninho preto, igual ao pai. E depois muitas caras de surpresa ao saber que éramos os pais dele.
Theo se aproximou e pude ver que em cima de Regulus estava uma caixinha com as alianças e as nossas varinhas do lado.
– Draco Lucius Malfoy, aceita como sua legítima esposa?
– Sim.
– , aceita Draco Lucius Malfoy como seu legítimo esposo?
– Sim. – Respondi.
Draco pegou o meu anel e sua varinha, fazendo a mesma coisa que tínhamos feito na primeira vez.
– Receba esta aliança como símbolo do meu amor. Te prometo ser fiel, te amar e te respeitar, por todos os dias da minha vida. – Ele disse enquanto em um aceno de varinha a aliança ia devagar sendo colocada em meu dedo.
Repeti o mesmo processo mais uma vez.
– Então, eu os declaro Marido e Mulher! Pode beijar a noiva. – Draco me puxou pela cintura delicadamente e me beijou sem se importar com os gritos e aplausos de uma grande plateia.
Depois da cerimônia, tivemos que tirar algumas fotos com os padrinhos, famílias, amigos etc. Era difícil dar atenção a todo mundo que estava ali. Os Malfoy estavam como sempre ao lado de pessoas ricas, sonserinos e do ministério, sem ao menos trocar olhares com os grifinórios ou os Weasleys que estavam bem afastados. Dava para perceber a divisão ali, eles estavam tentando se ignorar.
Fui até os Weasleys animada ao vê-los.
– Eu estou tão feliz em vê-los. – Abracei a Sra Weasley o qual tinha uma grande admiração. – Não imaginaria que viriam.
– Ora essa! É claro que viriamos, por você é claro. Você salvou Rony e Fred, como poderia esquecer? Sem você não seríamos uma família completa agora, querida.
– Estamos felizes em revê-la, ! – Sr. Weasley me cumprimentou.
– Além de me salvar, é nossa patrocinadora até hoje. Qual é, não perderíamos esse casamento por nada! – Fred comentou. Eu estava muito feliz de vê-lo ao lado de George, ao contrário de quando eu via seu irmão sozinho nos meus sonhos.
– É bom vê-la, . – George disse.
– Nem acredito que agora é mãe. – Molly comentou. – Vai saber o que eu passo. – Nós rimos.
– ! – Ouvi o sotaque da Fleur. – Parrabéns pelo casamento e pelo bebezinho! Ele é lindo. – Ela me abraçou. Bill, o filho mais velho, apenas me cumprimentou com a cabeça.
– É bom conhecê-la pela primeira vez. E parabéns! – Um dos Weasleys que eu não conhecia disse.
– Suponho que seja Carlinhos Weasley!
– Sim, ele chegou de viagem recentemente. – Rony se intrometeu enquanto se aproximava de mãos dadas com Hermione. – Olá, ! Parabéns pelo casamento, apesar de ser com nosso inimigo. – Ele me fez arrancar uma risada.
– E pelo filho também! Harry nos contou. – Hermione disse me dando um abraço.
– Obrigada Hermione, não sei como você está aqui. Quer dizer, depois que você passou por tudo aquilo...
– Ah, eu realmente cogitei em vir ou não. Mas, Harry disse que era fora da casa, então eu estou tranquila. – Olhei dela para Harry e Gina que claramente estavam juntos também.
– Vocês dois...Gina! Minha madrinha, não é? Eu estou muito curiosa para saber sobre isso. – Disse a abraçando.
–- Sou sua confidente amorosa, perfeitamente ideal para sua madrinha de casamento.
– Nisso eu sou o culpado. – Harry disse.
– O que aconteceu? Como todos vocês vieram assim do nada?
– Não foi do nada... – Gina olhou em direção a Draco que agora estava com Regulus em seu colo que parecia estar se divertindo.
– Draco me pediu esse favor. – Harry disse. Era engraçado ele o mencionar com o primeiro nome, já que se odiavam, desde o sexto ano era assim. – Ele falou que era o seu desejo e que ele precisaria cumprir, segundo ele “mesmo que eu tenha que me rebaixar a esse ponto”. – Gargalhei alto, mas ninguém se importou estava muito barulho misturado.
– Com certeza não foi um encontro pacífico.
- Não conseguimos passar um minuto sem nos ofender, você sabe. Para nos aturarmos é só por causa do que aconteceu. Eu já bati nele, eu já quase o matei, eu o salvei, ele quase me entregou para Voldemort, ele me ajudou no final também. Enfim... – Ele disse tranquilamente enquanto eu e Gina riamos.
– É, sempre foi assim.
– Então por você eu concordei em reunir todo mundo.
– Sobre eu ser madrinha, ele me mandou uma carta. E quando eu soube que Harry ia reunir todos, foi fácil aceitar. – Gina disse.
– Obrigada, isso realmente significou muito para mim. – Eu abracei os dois.
– Ahn... deixa eu te apresentar. – Harry me levou até a mesa que tinha uma senhora e um bebezinho bem mais velho que Regulus. – Está é Andrômeda e meu afilhado, Ted Lupin.
– Oh querida, muito prazer em conhecê-la. Se não se importa é claro, Harry nos convidou.
– Você é a tia de Draco, não é? – Perguntei já sabendo. – Tem todo o direito de estar aqui.
– É... Apesar da minha irmã fingir que eu não existo. – Ela disse olhando para Narcisa mais adiante.
– Obrigada por vir! Esse é o Ted Lupin então? – Disse pegando na mãozinha dele. – Então Regulus tem um amiguinho que nasceu no mesmo ano que ele, ou melhor dizendo, um primo. Isso é tão confuso!
– Concordo! – Harry disse rindo. O cabelo de Ted mudou para azul me fazendo ficar surpresa.
– Metamorfomago. – Harry explicou.
– Ah, igualzinho a mãe. – Disse me lembrando de Tonks.
Neville e Luna vieram me cumprimentar igualmente, agradeci por todos eles estarem presentes. Os Rizzi e os Smith se juntaram aos grifinórios presentes.
Depois fui ver a mesa dos professores. Draco era um bom mentiroso, não estava somente a Minerva e o Slughorn, todos os professores de Hogwarts estavam presentes. Me peguei sentindo falta de Lupin, que sempre o considerei professor, Dumbledore e Snape. A ordem da fênix inteira quase foi extinta, sobrando poucos ali.
Observei os Malfoy de longe que conversavam, ainda era visível a separação de lados, mas ao menos conseguiam ficar no mesmo lugar sem se humilharem. Estavam se ignorando? Sim, mas estava ótimo.
Depois que cumprimentei todos os convidados, me aproximei de Draco que não largava Regulus.
– Está com ele para fugir das pessoas, não é? – Perguntei desconfiada. Ele mal tinha falado com todo mundo.
– Tem muita gente.
– Você viu que sua tia está aqui?
– Tia? – Ele perguntou estranhando, observou todos no salão e logo percebeu de quem eu estava falando. – Ahh... Andromeda.
– Só isso?
– Não cresci tendo ela como tia, .
– Mas a Bellatrix sim. – Ele pigarreou incomodado.
– Não quer conversar sobre isso agora, não é?
– Está bem! Posso ficar com meu filho um pouco? Ele daqui a pouco terá que comer. – Disse estendendo o braço para pegá-lo. Ele me entregou.
– Por mim eu já me livrava de todo mundo.
– Ainda temos nossa dança.
– Ah é verdade… E mais tarde trate de fazer Regulus dormir. – Ele falava me circulando enquanto ficava nas minhas costas. – O período de resguardo já passou, não é? – Ele me deu um beijo no pescoço me fazendo arrepiar antes de sair dali.
Tentei me concentrar em sair daquele barulho e ir para o corredor, onde não tinha ninguém, para alimentar Regulus. Hermione, Gina e Yumi me acompanharam. Conversamos depois de muito tempo sobre várias coisas, foi um tempo ótimo para jogar fofocas na mesa. Finalmente todas estavam em relacionamentos fortes que eu sabia que ia durar muito, mas eu guardo essa informação apenas para mim por enquanto.
Depois da dança dos noivos, a festa seguiu sem muita confusão. Depois que todos estavam alcoolizados começaram as indiretas entre muitos, então foi a hora certa para finalizarmos tudo antes que varinhas começassem a ser erguidas.
Arranjei a ótima desculpa de colocar Regulus para dormir, já que estava bem tarde e ele estava agoniado com o barulho, sem conseguir dormir. Draco aproveitou para me seguir também. Apenas algumas chacoalhadas nas suas pequenas costas e bumbum que Regulus caiu no sono feito um bebê pedra. Enrolei ele na mantinha para deixar aquecido.
– Coitado, estava desmaiando de sono. – Draco sussurrou vendo todo o processo.
– Sim, mas não queria deixá-lo aqui sozinho enquanto nós nos divertíamos. – Disse.
– Tudo bem, agora ele vai tirar seu melhor soninho. – Draco se pendurou no berço depositando um beijo em Regulus, me dando um ataque de fofura internamente. Cada vez que ele fazia algo fofo com nosso filho eu morria por dentro de felicidade e amores. Ele me notou segurando meu surto. – O que foi?
– Nada demais. – Apressei meu passo em silêncio e o abracei forte. – É que eu fico derretida quando vejo vocês dois juntos.
– Vamos sair daqui, antes que ele acorde. – Ele beijou o topo da minha cabeça e me puxou pela mão. Tinha notado só agora que ainda estava com o vestido de casamento.
Chegamos no nosso quarto já tirando nossos sapatos dando alívio aos pés que não aguentava mais. Eu gostava de salto, mas para ficar muito tempo com eles não era nada confortável. Draco se jogou na cama e eu fiz o mesmo.
– E aí gostou da festa?
– Eu amei. – Rolei ficando de bruços com meus cotovelos apoiados na cama. – Não pudemos conversar direito sobre tudo, não é? Fiquei sabendo que conseguiu chamar todo mundo. – Ele se levantou num impulso.
– É claro, não podia deixar minha mulher triste no dia do nosso casamento. Sabe que eu me esforcei demais fazendo isso, não é? – Ele veio para cima de mim me fazendo rolar mais uma vez para encarar seus olhos azuis acinzentados.
– Eu imagino.
– E sabe que nada é de graça. – Ele perguntou sorrindo de lado, me fazendo gargalhar.
– Você sempre arranja uma desculpa. Desde o começo é assim. Fazendo apostas para que tirasse um pedaço de mim. Se eu negasse? O que aconteceria? – Ele gargalhou.
– Eu já sabia o que eu causava em você, . Se dissesse não, só seria uma questão de tempo para que um dia aceitasse.
– O quê? Como? Nem eu sabia naquela época.
– Não sei, apenas meus instintos.
– Seu ego, você quer dizer. – Ouvi sua risada.
– Fale do que quiser, você é minha agora. – Ele se aproximou dando um beijo no meu pescoço.
– Não faça isso... – Eu disse sorrindo bobamente.
– Claro que vou fazer. – Ele se levantou me puxando para que ficássemos em pé. – Mas antes terei que me livrar das nossas roupas. Camadas e camadas... – Ele resmungou. - Daqui a pouco eu vou rasgá-la, mais fácil.
– Nada disso.
Comecei tentando tirar meus enfeites do cabelo e em seguida ele me ajudou com o vestido, enquanto eu tirava o zíper e tudo mais, ele aproveitava para depositar beijos no meu pescoço e ombros. Ele foi rápido em se livrar de seu terno, revelando seu corpo seminu aos poucos ficando apenas de cueca.
– Vem cá! – Ele me puxou pela cintura e me beijou sem paciência enquanto me arrastava para cama. Entramos dentro do edredom já que fazia frio, senti suas mãos vagando por todo meu corpo enquanto ainda me beijava. Minhas mãos agarraram sua nuca entrelaçando seus cabelos loiros em meus dedos, sua boca foi em direção ao pescoço me fazendo arfar e me arrepiar. Eu amava quando ele fazia aquilo. Senti seu cheiro no seu pescoço me fazendo lembrar que meu corpo ansiava pelo dele depois de muito tempo.
Sua mão percorreu meu corpo e rapidamente parou dentro da minha calcinha, abri minhas pernas automaticamente para que seus dedos tivessem acesso ao meu clitóris. Ele começou a fazer pequenas massagens me deixando enlouquecida. Minhas mãos estavam explorando sem rumo suas costas que estavam mais definidas do que antes. Ele decidiu me provocar mais ainda quando enfiou seu dedo dentro de mim me fazendo gemer alto. Ele tirou-os de lá e me ouviu reclamar.
– Não… Volte o que estava fazendo. – Resmunguei e ele riu me olhando.
– Vou fazer melhor. – Ele disse descendo e sumindo para dentro do edredom. Senti sua boca e língua se deliciar brincando com meu prazer. Ele estava ficando mais habilidoso do que da última vez ou estava sensível por ficar muito tempo sem sexo. Oh céus! Aos gemidos, atingi o orgasmo bem mais forte e mais demorado dessa vez.
Ele subiu aparecendo no edredom com a cara mais feliz do mundo.
– Essa foi boa não?
– Shhh, fique quieto. – Eu falei ainda me recuperando. Ele não esperou nada para que se ajeitasse em cima de mim entre minhas pernas. Nem vi a hora em que ele tirou sua cueca e colocou o preservativo. Eu estava adorando!
– Ainda não acabou, pequena. – Ele disse me beijando nos lábios enquanto introduzia devagar dentro de mim. Deixei escapar um gemido alto de satisfação! Eu adorava quando ele me fazia gozar com sua boca ou seus dedos, mas pra mim ainda não tinha coisa melhor do que aquilo.
Entrelacei minhas pernas na sua cintura para que nos encaixássemos melhor e avisei para que ele acelerasse o ritmo, e assim ele fez. Ouvi seus gemidos perto do meu ouvido era meu fraco, só foi ele fazer isso junto com seu aperto mais fundo de mim que senti outro orgasmo vindo e com muita força. O bastante para eu não conseguir não gemer alto. Ele aumentou os movimentos e foi a vez dele. Ele se derreteu ainda em cima de mim exausto.
– Está bem? – Perguntei rindo quando observei ele sem mover um músculo.
– Estou me recuperando. – Ele saiu rápido de dentro de mim, lembrando que não seria uma boa ideia demorar para que não vazasse nada. Engravidar novamente enquanto você tem um recém-nascido para cuidar não era agradável.
Capítulo 4 – Primeiros passos
Aproveitamos para tomar um banho rápido juntos para nos aninharmos de vez na cama. Ele começou a me encarar por tempo demais me deixando envergonhada.
– Que tal olhar para outro lado? – Disse me escondendo em seu peito.
– Não, eu gosto de te observar. Às vezes nem acredito que tudo passou, aqueles dias sem você foram horríveis. Perdi muita coisa naquele ano...
– Foram dias difíceis para mim também. Você sabe que você é meu porto seguro, não é? Não quero mais ficar longe de você, Draco. – Voltei a olhar em seus olhos inebriantes.
– Eu também não, minha . – Ele encostou seu nariz no meu. Eu amava quando ele me chamava daquele jeito. Era um trocadilho entre meu nome e por eu ser a luz na escuridão dele. Aproveitei a aproximação para eu encostar meus lábios levemente nos seus antes de dormir.
Os meses se passaram e as coisas iam bem, era um ano novo, afinal, sem artes das trevas tudo era maravilhoso. Regulus crescia rapidamente que às vezes eu mandava o tempo parar um pouco para que eu não perdesse nada. Nesse meio tempo ele disse as primeiras palavras que para minha felicidade foi “mama”, ninguém sabia que eu treinava para que ele falasse logo.
Eu e Draco estávamos brigando para ver quem ele chamaria primeiro, quem perdesse ia ser responsável pela troca de fralda por um mês. Uma semana depois ele chamou “Da–da”, foi difícil, mas entendíamos que era um derivado de papai, ou de Draco mesmo.
E com nove meses pegamos ele dando os primeiros passos sozinho.
– Draco! – Chamei seu nome mesmo percebendo que ele estava com os olhos atentos enquanto nosso filho se levantava apoiado no sofá e tentava andar sozinho para a estante de livros.
– Eu estou vendo, eu estou vendo. Oh Merlin! – Ele disse enquanto estava em pé do outro lado do sofá. Estávamos parados, sem mover um músculo para não distrairmos ele. Regulus deu quatro passos sem se apoiar em nada, os últimos dois sendo rapidinhos antes de cair sentado, arrancando nossas risadas.
Fui até ele o pegando em meus braços e pulando em comemoração.
– Muito bem! Muito bem! – Disse enquanto o enchia de beijos. A risada de Regulus pela minha animação ecoou pela sala.
– Garoto esperto! Só podia ser meu filho. – Draco se aproximou animado apertando as bochechas de Regulus e beijando o topo de sua cabeça.
As interações dele com os avós eram divertidas, principalmente com Lucius. Como ele era sério demais, Regulus parecia se divertir demais com isso. Ele gostava dos mimos de Narcisa como ninguém, era muito fofo e apegado a ela. Estava orgulhosa do meu filho que está crescendo feliz.
Em meados de julho ouvimos barulho de corujas. Um sinal de que correio especial vinha por Héstia e por Eos. Ao pegar a carta que estava no bico de Héstia percebi de cara que era de Hogwarts, anunciando um novo ano letivo. Como já sabíamos, as aulas ficaram paradas por um ano para todos se recuperarem da batalha, sendo retornadas esse ano. Alunos do sétimo ano poderão refazer o ano letivo para concluir os estudos por causa da invasão naquele ano.
Eu já sabia que muitos iriam retornar, e outros como Harry e Rony não. Como eles conseguiram cargo de auror por motivos óbvios eles estavam certos em começarem a trabalhar. Não teria pessoas melhores que eles que lutaram contra os bruxos das trevas durante anos.
– Vai retornar? – Ouvi Draco perguntar enquanto nós dois terminávamos nosso café da manhã.
– Sim, preciso concluir meus estudos e algumas coisinhas a mais. – Disse me lembrando do caderno que Dumbledore nos deixou. – E você? – Draco estava olhando a carta ainda pensativo e receoso.
– Não sei.
– Talvez seja bom para você recomeçar. – Ele me entregou mais um pergaminho, me fazendo abrir. Era um convite especial para monitor-chefe, para nós dois. – Isso é incrível! Fomos nomeados monitores-chefes.
– Ainda não sei por que me colocaram junto. Talvez para que você ficasse de olho em mim.
– Pelas Barbas de Merlin! Claro que não. McGonagall sabe que você sempre foi um bom aluno. Apesar de tudo, você sempre foi um bom monitor.
– Aos olhos do mundo ainda sou um comensal. – Ele suspirou.
– Aos olhos do mundo eu sou filha de Voldemort. – Disse irônica por causa de uma manchete que vi um dia desses. – Vamos! Não ligue para isso, está na hora de fazer o que gosta. – Me levantei da cadeira e me aproximei dele o abraçando.
– Tem Regulus ainda. Vamos ficar um ano inteiro longe, isso não é um pouco preocupante? – Ele perguntou.
– Sim, podíamos ver com a professora McGonagall sobre vir passar os fins de semana com ele. É o que eu estava pensando é claro! Sua mãe cuidará bem dele, acho que ela está doida para nos mandar longe enquanto paparica o neto.
– Tudo bem, então acho que vou aceitar. – Ele disse ainda pensativo.
– Não tivemos um ano letivo em paz, juntos. Podíamos nos divertir esse ano também.
– Divertir? Iremos ter os N.I.EM’s, lembre–se disso.
– Ótimo, mais uma desculpa para você estudar comigo. – Disse sorrindo com malícia.
– Está bem! Dessa vez você me convenceu. – Ele se levantou me puxando pela cintura e tentando me beijar. Mas Regulus resolveu acordar aos berros com uma sinfonia de “Mama”.
– Quero ver quando ele não tiver a gente. – Draco comentou enquanto eu subia as escadas para ver meu filho.
Era difícil pensar em deixá-lo por tanto tempo, mas necessário. Eu sabia que ele ia ficar bem, mas na primeira urgência eu viria em seu encontro sem pensar muito.
Próximo do começo das aulas levamos ele pela primeira vez ao Beco Diagonal, ele iria se lembrar? Provavelmente não. Mas era bom que ele visse mais coisas além daquela casa. Sempre visitamos seus padrinhos e passamos o dia fora da mansão Malfoy, como Yumi morava mais para o campo, Regulus adorava estar em contato com a natureza.
– Soube do Sr. Nott? – Perguntei a Draco enquanto comprávamos alguns itens na Floreios e Borrões.
– Sim, saiu no profeta diário essa manhã.
– Falou com Theo? Como ele está? – Perguntei preocupada. O pai dele estava foragido desde o ataque à escola e teve a cara de pau de aparecer para pedir ajuda ao filho. Theodore o entregou para os aurores sem pensar duas vezes.
– Sabe como ele é, mas eles estão bem. – Draco se referia a avó de Theo também. – O veremos junto com Zabini no trem. Pegou tudo que a gente precisa? Eu estou com fome. – Ele resmungou.
– Quero passar ainda em um lugar antes.
– Onde?
– Olivaras. – Respondi sorrindo. Ele ficou em silêncio. – Se quiser ficar aqui. – Disse lembrando que Draco se sentia desconfortável ainda pelas coisas que sua família fez.
– Não. Nós vamos com você, para qualquer lugar, não é filho? – Ele perguntou enquanto segurava Regulus no colo. Mas ele não estava nem aí, seus olhos azuis acinzentados mirava o mini puff em meus ombros, ele tentava fazer de tudo para pegá-lo. Todo dia era isso. A pobre criatura se escondia nos meus bolsos fugindo do bebê gigante. – Não pode, Regulus. Você irá esmagá-lo! – Draco afastava suas mãos que estavam agarradas em minhas roupas.
Regulus soltou um chorinho de manha.
– Nem adianta chorar fazendo chantagem. – Eu disse a ele que logo parou de chorar e fez um bico gigantesco. Ele era tão fofo, mas não podia demonstrar. – Vamos à loja de varinhas! – Disse tentando ignorar.
Seguimos para a loja, assim que entramos uma nostalgia veio por todo o corpo.
– Olá senhores! Bem-vindos a... Ah, são vocês... – Ele disse assim que nos viu. – Os Jovens Malfoy – Os olhos de Draco miravam o chão. – Em que posso ajudar? Vejo que nenhum de vocês precisam de uma varinha, a não ser o pequeno que ainda não tem idade o suficiente. – Eu sorri.
– É bom ver que está bem e de volta! Realmente não precisamos, quis passar para cumprimentá-lo e pedir desculpas por algum transtorno que causamos...–
– Que eu causei. – Draco me interrompeu corrigindo.
– Oh, tudo bem! Seus pais vieram aqui recentemente atrás de uma varinha.
– Quê? Eles vieram pedir desculpas? – Perguntei estranhando.
– Certamente que não. De qualquer forma, não há o que desculpar... Não vi nenhum de vocês fazer nada contra mim. Mudando de assunto, posso dar uma olhada na varinha de vocês? – Ele perguntou um tanto curioso. – Todas. – Então tirei as duas varinhas que sempre andavam comigo e Draco entregou a dele. Ele pegou a de Draco primeiro, a analisando.
– Da última vez que a vi estava com o Senhor Potter, o qual ganhou sua lealdade. Então agora sua lealdade retornou ao dono original, sua varinha tem núcleo de unicórnio, Senhor Malfoy. Já lhe disse que varinhas desse tipo não gostam de artes das trevas.
– É, o senhor mencionou. – Ele entregou a varinha de volta a Draco.
– Está tudo bem com ela. – Ele pegou a minha de nogueira-negra. – Essa está ótima. Ouvi falar sobre sua honraria da Ordem de Merlin, parabéns! Eu disse que esperaríamos de você grandes feitos.
– Ah, não sabia que tinha chegado em seus ouvidos. Obrigada! – Então ele pegou na de Salazar.
– Sinto que a sua energia diminuiu mais do que a última vez.
– Sim, ela ficou bem poderosa quando eu me defendia na batalha, mas depois começou a oscilar novamente.
– Procurei saber sobre essa varinha, senhora Malfoy. Ela não deveria estar por aqui. O último lugar em que ela esteve foi em Ilvermorny, ela foi enterrada, por isso existe uma árvore raríssima pelos terrenos da escola, suas folhas têm propriedades de cura. Creio eu, que sua magia deva estar mais presente lá do que nessa varinha.
– Ilvermorny? Está longe demais! – Disse.
– Qualquer decisão que tome eu lhe desejo boa sorte. – Ele disse me entregando as varinhas.
– Obrigada, novamente.
Saí de lá pensativa. Talvez seja realmente a hora de devolvê-la no lugar onde deveria estar.
– Podemos ir para casa? – Ouvi Draco resmungar mais uma vez. Regulus tinha adormecido em seus braços.
– Antes... vamos ver a loja dos Weasleys!
– !
– Por favor? Só vamos ver e voltar para casa. Você não irá morrer de fome. – Disse cutucando o seu blazer de forma mais fofa possível. – Eu fico te devendo depois, ande! – Sorri quando ele revirou os olhos e veio me seguindo.
– Ora, ora quem está aqui! A filha de Voldemort... – George começou a dar as boas-vindas, assim que entramos na loja.
– O comensal que era realmente um comensal... – Fred se juntou ao irmão com as ironias.
– E sua cria que nasceu e já nem precisa sonhar em trabalhar. – Eu ri demais. Era bom ver os gêmeos de volta com suas piadocas.
– Há há há... – Draco debochou. – Não esqueçam que ainda sou seu patrocinador.
– Mas é claro, Doninha. Como pudemos esquecer do seu interesse para que usufruísse do nosso material contra a gente. – Ele me olhou incrédulo em como Fred o tinha chamado. Dei de ombros.
– Que inclusive tivemos que tirar de linha. – George completou.
– Estão falando sobre o Pó Escurecedor Instantâneo do Peru?
– Esse mesmo. – Fred disse.
– Não sabia que tinha escrito sobre como ou em quem eu deveria usar. – Draco disse irritado. – Não tenho culpa se sou inteligente, ao contrário de vocês.
– Está bem, está bem! Isso já passou, não é? Vim aqui ver como estavam.
– Estamos bem, a loja está voltando a bombar com a volta as aulas. Você vai voltar? – Fred perguntou.
– Sim.
– Nossa irmã querida também disse que iria, junto com Hermione.
– Vai ser um ano divertido dessa vez.
– Sem Lorde das Trevas e sem comensal. Ao menos os perigosos... – George riu tentando provocar Draco.
Tivemos que sair dali antes que a paciência de Draco fosse para o espaço. Nisso saímos do Beco Diagonal, com ele irritado. Acho que se não fosse Regulus em seu colo ele já tinha estuporado os gêmeos.
Capítulo 5 – Oitavo Ano Letivo
Saímos às pressas de casa para que não nos atrasássemos para o embarque para Hogwarts. Minutos depois estávamos pela última vez pegando o trem para o começo do ano letivo. Não foi fácil me separar de Regulus e pior depois que eu o vi chorando, querendo vir junto. Entrei na cabine com lágrimas nos olhos vendo o trem partindo em direção a Hogwarts.
Nossos amigos estavam juntos dessa vez, estávamos dividindo duas cabines porque tinha muita gente.
– Iremos vê-lo em breve. – Draco disse tentando me consolar.
– Nem imagino como deve ser. – Yumi disse enquanto eu enxugava minhas lágrimas.
– Mais tarde vai querer um minuto de paz. – Ouvi Zabini falando. – Meus primos são um terror.
– Preparados para mais um ano? – Disse recuperada.
– Com certeza! Talvez tenhamos que presenciar um assassinato esse ano. – Theo comentou olhando pra Zabini.
– Ah, qual é. – Zabini resmungou.
– O que aconteceu? – Draco perguntou curioso. – O que aprontaram?
– Estou perdida na fofoca. – Disse olhando para a cara deles.
– Não percebeu nada de diferente? Seus amiguinhos estão em outro vagão de propósito. Erik quer acabar com a cara do Blaise. – Theo disse rindo.
– Não ria, Theo! Isso pode dar muita confusão. – Yumi disse dando uma cotovelada nele.
– Vão contar para a gente ou não? – Draco disse sem paciência.
– Blaise está ficando com a Sophie. – Theo revelou.
– COMO É? – Perguntei de olhos arregalados. – Não estava com a Dafne?!
– Não! Estávamos apenas ficando. Nos distanciamos e eles também se quer saber.
– Eles tinham acabado de terminar, Zabini!
– Querem nos contar com clareza? – Draco disse confuso igual a mim.
– Deixa que eu falo. O Zabini se afastou da Dafne e o Erik e a Sophie tinham brigado, por consequência terminaram. Então na mesma semana Zabini ficou com a Sophie. – Yumi explicou.
– Zabini! Não pensou em como a Dafne e o Erik se sentiriam? – Perguntei o chutando.
– Ai! Não é bem assim... a Dafne me disse que gostava de outra pessoa, o Theo!
– Merlin! Isso só piora. – Draco disse.
– Ainda sobra para meu namorado. – Yumi reclamou com ciúmes.
– A Sophie! E eu achando que ela era a mais centrada. Cair no seu golpe, Zabini? Por favor!
– Olha, só eu gosto dela, está bem?
– Você diz isso para todas!
– Não tenho culpa do meu coração ser verdadeiro com todas. Enfim, e agora seu amigo toda vez que me ver quer me bater. Ele que mantenha longe as preciosas mãos dele antes que eu arranque elas fora. – Zabini ameaçou.
– Você não irá fazer nada. Está me ouvindo? Irei falar com o Erik sobre isso.
– Não preciso de você para me proteger, . Apenas diga a ele para não se meter comigo.
– Não estou te protegendo, Zabini. Só não estou querendo que vocês dois se matem. Caso não lhe falhe a memória, ele é mais forte que você. – Ouvi sua gargalhada.
– Mais forte que eu?
– Não se esqueça de que ele é herdeiro de Ravenclaw.
– Ele pode ser herdeiro de quem for, eu vou acabar com ele. – Revirei os olhos e encarei Draco, enquanto Blaise falava irritado para todos.
– O que foi?
– Ponha seu amigo no lugar dele, por favor. – Ele suspirou. Draco conhecia Zabini o suficiente para saber lidar com ele.
– Zabini, não se meta nisso! Já somos muito bem mal falados pela escola, se meter em confusão afundará a sonserina e o time de quadribol. Lembre que temos uma taça para ganhar esse ano, não foi o que disse? Sem o Potter teremos grandes chances. – Foi o suficiente para Blaise baixar a bola dele.
– Ele está certo. – Theo disse. – Pela primeira vez teremos o time completo esse ano, eu espero dessa vez ficar na arquibancada.
– Uma pena. A Milo já se formou... O Davis agora entrará como goleiro, Montague e você vai entrar como artilheiro, Nott. – Zabini avisou.
– Como é? Eu não queria...
– Não tem o que querer! Você vai porque é bom como artilheiro e dessa vez eu quero colocar as mãos na taça. Além disso, não quero fazer testes com os novatos.
– Como você aguenta eles? – Yumi perguntou a mim.
– Faz parte. Quando você gosta de um, tem que aguentar os outros dois. – Eu disse rindo, sendo acompanhada por ela.
A viagem foi rápida, assim que vimos a escola pela janela, fomos trocar de roupa. Com nossos uniformes começamos a desembarcar na estação de Hogsmeade.
Os meninos foram na frente para evitar o pessoal da outra cabine que eram Erik, Nick, Dafne e estranhamente Luna. Pansy e Sophie estavam separadas também para evitar confusão.
– Estou sentindo uma tensão realmente neles. – Draco disse enquanto caminhávamos de mãos dadas até a carruagem.
– E eu pensando que teríamos paz esse ano.
– Ao menos são tensões de relacionamentos e não de um bruxo das trevas. – Ele disse rindo. Isso era até raro de ver, ele sorrindo me fazia ficar feliz.
– Sabe... acho que já estou começando a ficar esquisita. Tenho certeza de que algumas lembranças irão aparecer. Alguns professores faleceram...
– Snape, não é? – Ele perguntou largando minha mão e passando um braço pelos meus ombros. – Afinal ele era nosso professor preferido.
– Sim. Tinha tanto a aprender com ele, não era justo!
– É normal, eu acho. Com o tempo vamos aprender a conviver com isso. – Ele me deu um beijo rápido antes que entrássemos na carruagem.
A cerimônia de entrada já começou esquisito. A professora McGonagall deixou ordens para que os alunos do oitavo ano esperassem a cerimônia dos novatos antes de entrar.
Enquanto esperávamos, vi Gina, Luna e Hermione mais à frente. Neville, Finnegan, Thomas e alguns alunos conhecidos também. Cumprimentei todos antes de chegar as meninas.
– Hey! – Gina veio me abraçando animada.
– Olá meninas! Que bom que nos encontramos novamente. – Sorri.
– Como está? E o pequenino? – Hermione perguntou.
– Estou bem. Tive que deixá-lo com os avós, mas o verei sempre que puder.
– Deixar com os avós, mas que coragem! – Gina disse rindo.
– Não tenho muito o que fazer, ele irá ser um mini Malfoy querendo ou não. – Fomos interrompidas por Filtch nos chamando para entrar. Me despedi das meninas voltando ao meu lugar com os sonserinos.
Assim que entramos, ouvimos palmas nos fazendo estranhar muito. Os alunos de outros anos nos aplaudiam junto com os professores, sabíamos que era por causa de tudo o que aconteceu.
– Hogwarts tem a honra de aplaudir os alunos do oitavo ano, que deram seu sangue para proteger a escola e por causa disso não conseguiram concluir o último ano de seus estudos. É bom vê-los novamente, depois de tudo. – A diretora McGonagall anunciou. – Alguns alunos resolveram não voltar mais, mas não serão menos homenageados. Outros infelizmente enfrentaram a morte por dias melhores, que serão eternamente lembrados.
– Por favor, irei anunciar alguns nomes que irão receber títulos e troféus de eterna bravura... – A diretora começou a chamada. Não fiquei surpresa ao ver Neville e Hermione sendo os mais aplaudidos, eles realmente honraram a casa deles.
– E por fim, tenho alguns comentários importantes a fazer sobre algumas pessoas. – Ela continuou depois que todos fizeram silêncio. – Como todos sabem, tivemos um diretor magnífico que infelizmente veio a falecer, mas que deixou um legado. O diretor Dumbledore me deu a honra de apresentar quatro pessoas que são importantíssimos para Hogwarts... – Eu e Yumi trocamos olhares com Erik e Nick. A gente sabia que era sobre a gente.
– ...no qual são descendentes dos fundadores da nossa escola. Convido, Malfoy, Herdeira de Salazar Slytherin! – Eu quase não consegui andar sem o empurrão de Yumi. Aplausos foram ouvidos com gritos dos sonserinos.
“É a princesa da sonserina” Ouvi a voz de Nott se sobressair, mas ignorei.
– Erik Anker, Herdeiro de Rowena Ravenclaw! – E mais aplausos e gritos maiores da mesa da corvinal. Erik subiu os degraus e veio ao meu lado me fazendo ficar mais confortável do que quando estava sozinha.
– Nicholas Smith, Herdeiro de Helga Hufflepuff! – Os lufanos começaram a bater na mesa no ritmo do nome da fundadora, igual a entrada dos dormitórios.
– Yumi Rizzi, Herdeira de Godric Gryffindor! – Yumi foi a última a ser ovacionada pelos grifinórios.
– Muitos de vocês podiam não saber sobre isso, então Dumbledore queria que todos soubessem e que ficasse registrado em Hogwarts que os descendentes de seus fundadores foram ensinados de igual para a igual, sem preconceitos. Além do título, ele os presenteou com condecorações. – McGonagall nos entregou uma plaquinha de certificado, um pergaminho e uma medalha. Havia um enorme troféu no centro do salão com nossos nomes e símbolos das casas. No final juntamos todos para tirar uma foto para o Profeta Diário.
Até no final Dumbledore nos deixou sem palavras, era muita coisa para processar de repente, mas ficamos honrados com isso.
Depois que o banquete de boas–vindas terminou, nos reunimos com os monitores e diretores das casas. Eu e Draco nos tornamos monitores–chefes, diferente de antes, poderíamos tirar pontos de todos e podíamos também decidir detenções. Os monitores tinham mudado também, agora com Theodore e Pansy como monitores da sonserina, Gina e Neville como da grifinória, Luna e algum quintanista que não conhecia chamado Marlon, e Lufa-lufa Justino e outra quintanista, Ashley.
Depois disso fomos ao nosso salão comunal, o prof. Slughorn nos esperava com algumas informações.
– Boa noite, Sr e Sra. Malfoy! A professora Minerva me pediu para lhe falar sobre os dormitórios. Como são agora monitores chefes, o quarto de vocês será diferente como sabem, eles têm banheiros inclusos para uso único dos monitores–chefes. Além disso, os dois foram realocados em um quarto, o outro ficará vazio. Ela mandou lembrar que apesar de serem casados e serem maiores de idade lembrem-se sobre as regras da escola.
– Claro, professor! – Senti minhas bochechas começarem a arder. Draco segurou o riso.
– É bom ver meus alunos de volta! – Ele sorriu. – Nos vemos nas aulas de poções. – Ele disse indo embora.
– Então, vamos? Conhecer nosso quarto? – Draco sorriu me puxando pela mão enquanto íamos para nosso quarto. Subimos as escadas onde continha apenas uma porta, além de uma sacada com visão para a comunal, era perfeitamente um lugar para monitores-chefes.
Assim que entramos as cores verde e prata da sonserina estava por todo o lugar, dessa vez junto com uma tapeçaria parecido com a comunal e todos os dormitórios, mas dessa vez tinha detalhes pratas. Uma cama de casal enorme tomava conta do local, junto com dois baús e duas escrivaninhas. Mais para o lado havia uma porta que dava acesso ao banheiro. E o que mais me interessei era a janela, que dava acesso ao lago negro. Aquela vista não era pra qualquer uma, podia passar horas observando.
– Até que está aconchegante. – Draco me tirou dos meus devaneios.
– Não compare isso com seu quarto de príncipe.
– Nosso quarto. – Ele corrigiu se aproximando de mim com um sorriso cheio de intenções. – Agora, que tal me dar alguns beijos?
– Temos que dormir. – Tentei desconversar. Draco era atacante demais se eu me deixasse levar ficaríamos a madrugada toda sem dormir.
– Prometo que namorar um pouco não te fará acordar tarde amanhã. – Ele disse me beijando em seguida, eu não me afastei. Na mesma hora que suas mãos rodearam minha cintura eu me pendurei em seu pescoço e entrelacei minhas pernas em sua cintura. Ouvi sua risada entre o beijo.
Ele me carregou para cama com cuidado, assim que deitamos ele ficou em cima de mim me provocando com suas mãos em meu corpo e seus beijos em meu pescoço, assim que percebeu que tinha me deixado rendida a ele se afastou se deitando ao meu lado.
– O que foi isso? – Perguntei reclamando. Eu estava com meus hormônios à flor da pele e ele faz isso, me irritando.
– Você disse que queria acordar cedo amanhã, não falei que íamos transar. – Ele riu.
– Você quer morrer hoje? – Perguntei incrédula.
– Desculpe, esqueci o quanto fica brava quando eu faço isso.
– Eu te odeio! – Resmunguei dando as costas para ele. Senti ele juntar seu corpo por trás do meu e me abraçar. – Não quero saber de você.
– Me perdoe, pequena.
– Não me chame de pequena! De qualquer forma eu posso te dar o troco mais tarde.
– Não precisa! Eu posso te recompensar depois...
– Como?
– Você vai ver.
Capítulo 6 – Confusão entre um Corvino e um Sonserino
Primeiro dia de aula foi aquela correria. No café da manhã já pude ouvir burburinhos em relação a Draco e a mim. As mentiras que as manchetes sensacionalistas contaram sobre mim eram horripilantes.
“Um comensal voltando a estudar em Hogwarts? Isso é um absurdo.”
“Ele traiu todos por que ainda está aqui? “
“Ela não é a filha de Voldemort?”
Nem todas eram ruins, é claro, por causa da homenagem na noite anterior, mas aquilo estava começando a me incomodar. Olhei para Draco que estava tentando ignorar, mas sabia que a paciência dele tinha limite.
– Vocês devem ser burros para notarem que estão falando sobre os monitores chefes que tem muita razão de tirarem pontos de vocês ou pior, colocarem em detenção por não deixarem a maldita língua dentro dessas bocas sujas. – Ouvi a voz de Theo atrás da gente brigando com os lufanos. – Nesse caso deveriam ter medo já que somos da sonserina não é? – Ele debochou me fazendo ri. Os lufanos pararam de conversar na mesma hora se afastando o máximo possível da gente.
– Daqui a pouco ninguém irá querer chegar perto da gente com suas ameaças, Theo. – Disse a ele. – Mas obrigada pela defesa.
– Ninguém chega mesmo. – Ele falou dando de ombros. – Somos os temíveis filhos de comensais! Que andam com a filha de Voldemort que todos pensam que irá ficar no lugar do pai. – Ele comentou com ironia. Zabini gargalhou.
– Mesmo depois de tudo, só se lembram disso. – Resmunguei.
– As pessoas acreditam no que querem. – Draco comentou enquanto comia o resto da sua torrada. Terminamos de comer e fomos direto para a aula de herbologia.
As aulas estavam tranquilas, como é a segunda vez que vejo o mesmo assunto facilitará demais. O novo professor de Defesa Contra Artes das Trevas foi apresentado, e era nada mais nada menos que Bill Weasley. Porém era temporário até achar alguém que não tivesse mais medo do cargo, já que nos últimos anos nenhum professor conseguia ficar fixo, graças a maldição que Voldemort tinha colocado, no qual Harry me disse.
Os meninos seguiram para algumas matérias que não me interessavam no meu currículo, como alquimia, então fiquei na biblioteca estudando um pouco.
– Pronta para os N.I.E.M’s? – Ouvi Gina se aproximar e sentar ao meu lado.
– Sim, vocês quem deveriam se preocupar. Já pegamos alguns assuntos ano passado...
– Isso é verdade. Harry me disse que você quer ser Auror, bem o contrário do que os boatos dizem. – Ela riu.
– Ah, é claro! Mas e você? O que quer ser?
– Bom, eu gosto de quadribol. Penso em ser jogadora profissional e tenho uma novidade para você.
– Isso é maravilhoso, Gina! Você é perfeita para isso. Mas que novidade?
– Já ouviu falar de Holyhead Harpies?
– Mas é claro! O time composto por bruxas.
– Elas estão de olho em algumas jogadoras de Hogwarts, isso inclui eu e você. – Ela disse animada.
– O QUÊ? E como você sabe disso e não eu?
– Oras, tenho minhas fontes. – Ela disse orgulhosa. – Enfim, vai que seja a chance de jogarmos no mesmo time? Seria legal, não é? A professora Hooch convidou elas para assistir o nosso próximo jogo, que será grifinória contra a sonserina.
– Você está sabendo muita coisa não é, Srta Weasley? Nem sabia que os jogos tinham sido definidos.
– Com a saída de Harry, eu sou a capitã, claro que saberei de mais coisas. – Ela piscou.
– Ah então tenho que te dar os pêsames, porque logo na sua liderança a grifinória vai perder a taça deste ano. – Zombei. Ela gargalhou.
– Nossa, Malfoy! Estou esperando ver se esse realmente vai ser o resultado. – Ela falou meu sobrenome e uma coisa me veio à mente.
– Gina, se você e Harry se casassem você seria uma Potter, não é? – Perguntei pensativa.
– Como você? Ah, esqueci que era vidente. – Ela pigarreou. Que? Olhei para ela confusa.
– O quê? Eu perdi alguma coisa?
– Você não viu? – Ela perguntou confusa também.
– Para que eu ia querer ver o futuro de vocês dois? – Perguntei em choque. – Espere, vocês estão noivos?
– Sim... Ele me pediu em casamento antes do embarque. Não queria que eu ficasse sozinha, pois eu sou “muito popular”.
– Mas você é mesmo! Os garotos te adoram, duvido muito que alguém te rejeitaria. A sorte do Harry é que você foi paciente, mas parabéns! Oh, Merlin. Fico muito feliz com isso! – Disse a abraçando.
– Bom, queria que você fosse minha madrinha de casamento. Se pudesse, é claro! Se o Malfoy não deixar, tu larga ele.
– E Malfoy tem que deixar alguma coisa? Eu irei aceitar o convite com o maior prazer. Já marcaram a data?
– Hmm, ainda não. Não temos pressa para nos casarmos, mas avisaremos se marcarmos algo.
– Olá gente! Perdi alguma coisa? – Hermione chegou se aproximando com muitos livros.
– Não, estava contando sobre meu noivado. Aliás meu padrinho vai ser um dos meus irmãos, agora imagine a escolha que eu tenho que fazer.
– Serão dois? – Perguntei e ela assentiu. – Deveria ter pensado nisso no meu.
– Agora tem uma pessoa experiente para conversar sobre casamento, Gina. – Hermione falou mais interessada nos livros.
– Hermione está me deixando mais em dúvidas do que antes.
– Você que é indecisa! – Ela protestou.
– Oi meninas! – Yumi e Luna se juntam à irmandade.
– Olá, é bom te ver novamente Luna.
– Igualmente. – Ela sorriu.
– É tão bom podermos falar e estudar sem preocupações não acham? – Hermione perguntou feliz.
– Eu que o diga! – Suspirei me lembrando de como era difícil carregar o fardo de me preocupar com a morte dos outros na guerra. Nunca mais tive sensações estranhas, premonições de mortes. Minhas visões dessa vez eram sempre boas.
– Como se sente sem os dois aqui? – Luna perguntou a Hermione.
– Hmm... eu sinto falta deles, mas eu estou em foco de terminar meus estudos. Tenho interesse em entrar no ministério e colocar minhas ideias em prática.
– Você é maravilhosa, talvez consiga até mais do que imagina. – Sorri ao lembrar que Scorpius tinha dito que ela era a Ministra da Magia.
– Você está sabendo de alguma coisa que queira nos contar? – Ela perguntou arqueando uma sobrancelha.
– Não. – Disse tentando focar no livro de poções. Comecei a ouvir burburinhos vindo de fora da biblioteca.
– O que está acontecendo? – Gina perguntou se levantando e indo ver a confusão.
Todas nós nos levantamos ao ouvir vozes de alterar.
– Parem com isso! – Ouvi a voz de Dafne. Tinha muita gente na frente então eu apenas empurrei para ter uma visão melhor. Erik estava sendo segurado por Nick enquanto Theo estava segurando Zabini, ambos estavam machucados devido com certeza a agressões. Aquilo ia dar tanta merda que eu tive que pensar rápido antes que algum professor visse.
Entrei no meio olhando os dois com o maior ódio do mundo. Eu juro que se Zabini for suspenso do quadribol eu esfolo a cara dele.
– Venham comigo, AGORA! – Disse com ódio em meus olhos. Eu senti uma energia forte que nem da última vez e isso não era bom. Era a magia ancestral e ela não poderia se manifestar com carga negativa.
Assim que me afastei para longe de olhares curiosos em uma sala mais privativa eu encarei os dois que se mantiveram calados. Yumi e Theo estavam ali para me darem assistência.
– Tragam Sophie e Dafne também. – Disse aos dois que saíram da sala em busca das meninas. Fiquei em silêncio o tempo inteiro para que eles soubessem o quanto não tinha graça sobre aquilo.
Comecei o sermão assim que chegaram todos.
– Vamos lá! Hoje não serei amiga de nenhum de vocês, fui obrigada a fazer meu papel de monitora–chefe! Cinquenta pontos serão tirados da corvinal e da sonserina.
– Cinquenta? – Zabini arregalou os olhos.
– Prefere que eu tire cem?
– Não! – Os dois responderam voltando a ficarem em silêncio.
– Eu não quero mais ver ninguém brigar por essa confusão, seja lá quem pegou quem. Ignorem, se entupam de ódio, mas não quero ver vocês acabarem com meu quadribol! Estão me ouvindo? Anker? Zabini?
– Sim, Senhora. – Erik respondeu em seguida de Zabini.
– Sim... Senhora.
– Isso vale para vocês duas também. – Disse apontando pra Dafne e Sophie. – Não quero confusão na minha casa. – Assim que terminei de falar vi Draco e Pansy entrarem pela porta.
– O que houve? – Pansy perguntou.
– Parkinson, ainda bem que chegou. Tenho a missão que fique de olho em todos os passos de Zabini.
– O que? ...
– Sra Malfoy para você! Me irritou o bastante por hoje!
– O.k. – Ela falou confusa. Draco apenas observou e se manteve em silêncio.
– Está dispensado, Zabini. – Disse ajeitando sua gravata. – Que fique de aviso para fazer seu papel de capitão direitinho. – Disse cinicamente.
– Eu tenho medo de você assim.
– Isso é para saber o quanto eu quero ganhar a taça de quadribol e nada, nem ninguém vai me impedir. Agora se retire! – Disse e ele obedeceu. – Anker!
– Eu!
– Esqueça a Sophie e bola para a frente, se preocupe em achar sobre os segredos do caderno. Não acha que é uma boa distração?
– Sim, com certeza! – Ele disse forçando a ser feliz.
– Saia. – Ele correu para fora da sala.
Suspirei tentando esquecer daquilo tudo.
– O que foi isso? – Theo perguntou.
– Eles mereceram. – Yumi comentou.
– É seu lado sonserino ou aquele lado? – Draco perguntou se aproximando. – Aqueles dias estão perto?
– Junte os dois. Enfim, posso ficar a sós com as meninas? Preciso ter uma conversa com elas.
– Claro, vamos, Nott! – Draco puxou Theo pela gola e saiu da sala.
– Desculpe... pela confusão meninas. – Sophie disse.
– Que tal me contar o que aconteceu? – Perguntei mais calma tentando entender tudo. – Você não gostava do Erik?
– As coisas estão confusas para mim. Erik foi meu primeiro namorado e Zabini apareceu numa hora adequada.
– Ela quer dizer que o Erik tem uma pegada fofa ao contrário do Zabini. – Dafne disse.
– Hey! Não é bem assim... – Sophie protestou.
– É praticamente isso, sim. Nós, mulheres, precisamos de um homem com as duas coisas, o que é bem difícil. – Pansy disse.
– Não é não. – Eu e Yumi dissemos juntas.
– Mas é claro! Já estão com os únicos dessa escola, que já eram raros. – Pansy continuou. – Experiência própria com um.
– Me poupe de me lembrar desse passado tenebroso, Pansy. – Disse fazendo cara de nojo.
– Ta, e o que eu faço em relação a isso? – Sophie perguntou.
– Nada! – Yumi disse. – Eu acho que nesse caso você precisa saber o que está sentindo antes de tomar alguma decisão.
– Concordo, se eles estão brigando o problema é deles, mas a decisão é sua. – Disse a minha opinião.
– Me sinto uma idiota. Poderia ter esperado um pouco antes de ter ficado com o Zabini.
– Acho que é normal isso acontecer. Eles fazem isso direto, por que não podemos? – Dafne perguntou. – Em um momento de confusão às vezes acontece.
– E agora eu tenho uma pergunta para você. – Yumi disse se virando pra Dafne. – Desde quando está a fim do meu namorado?
– Ahn... preciso comentar?
– Sim! – Yumi cruzou os braços.
– Já tem um tempo, mas não era para ninguém saber disso! Eu sabia que ele estava com você, não tinha outras intenções.
– Oh Merlin, quanta confusão! Acho que já deixamos tudo claro então, não é? – Perguntei.
– Aproveitar esse momento, . Tenho uma carta para você. – Dafne prendeu o riso. – Pelo visto não é todo mundo que sabe que você é casada. – Ela me entregou a carta.
– Quê? Do nada? – Perguntei estranhando. – Não é nem Dia dos Namorados!
– Que isso? – Yumi perguntou curiosa. – Abre!
“O seu nome não sai da minha cabeça. O seu jeito de ser conquistou o meu coração. Te admiro em segredo, mas não vejo a hora de te entregar todo o meu carinho.“
Ouvi as risadas das meninas.
– Pelas Barbas de Merlin! – Yumi disse. – Esse já fez a cova dele.
– Mas gente, quem é que nunca percebeu que os professores e todo mundo chama de Malfoy? – Sophie perguntou aos risos.
– Ou, pode ser que achem que ela vai largar ele em breve, vai que quando ver o admirador secreto vai se apaixonar. – Pansy disse e todas gargalharam.
– Vocês não prestam, sério! – Disse acompanhando as risadas.
– Mas agora é sério, estou realmente curiosa para quem seja o corajoso. – Dafne disse.
– Eu realmente estou desacreditada. – Disse escondendo o bilhete no bolso. – Quem te entregou Dafne?
– O Montague. Porém ele disse que ganhou dinheiro para entregar pra mim, mas que o destino era você.
– Então vemos que ele é rico. – Sophie notou.
– Ficarei de olho para saber quem é. – Dafne disse.
– Vocês vão querer saber quem é? – Perguntei.
– Mas é claro!! – Todas responderam.
– Que seja, temos aula agora, vamos!
Mais tarde soubemos do Observatório Potter que depois da guerra foi oficialmente colocado em toda a escola para transmitir mensagens e outras coisas em horários específicos.
Capítulo 7 – Admirador Secreto
No outro dia tivemos o primeiro treino de quadribol, o time estava com muita energia para voltar a voar novamente. Assim que entrei no campo vi todos já em volta vestidos adequadamente e conversando, como a Milo tinha saído eu agora era a única mulher no time da sonserina. Apesar de já estar confortável com o time, era um pouco triste.
– Que cara é essa? Está bem? – Draco perguntou enquanto eu me aproximava.
– Estou refletindo do porquê eu sou a única mulher do time agora. Nenhuma das meninas da sonserina nem sequer cogitou em fazer testes ao menos para ser reserva. – Disse me lembrando de ver o cartaz de testes que já estava no mural da comunal.
– Falando nisso, amanhã terá testes e já tem bastante gente querendo pegar nosso lugar no próximo ano. – Zabini disse. – Então, vamos fazer o máximo esse ano para termos nosso lugar na sala de troféus.
– Isso é o que eu mais quero.
– Soube do time das Harpias estarem nos observando, . É uma boa escolha se quiser tentar... – Me perdi nos pensamentos enquanto Draco falava e eu só o observava apoiado em sua vassoura. Nunca mais o tinha visto de uniforme e ele estava bem mais atraente. Na verdade, quando ele não ficava, não é? Mas o uniforme de quadribol me chamava mais atenção.
– Se continuar me olhando assim não responderei pelos meus atos. – Ouvi seu sussurro em meu ouvido me dando um pequeno susto. Eu nem tinha notado o quanto ele tinha chegado tão perto. Seu sorriso presunçoso apareceu enquanto me encarava.
– Eu estava apenas pensando... – Disse voltando a ouvir o time. Ouvi sua risada enquanto ele se posicionava atrás de mim.
–...então eu quero agilidade! Vamos dar nosso sangue e vencer todos os jogos. Temos um jogo contra os malditos grifinórios essa semana, e sem o Potter será nossa melhor performance. – Zabini ainda falava. Ouvi gritos do time.
Todos se preparavam em cima de suas vassouras para dar início ao treino de quadribol.
No fim da tarde enquanto estávamos de volta ao castelo vejo Gina vindo em nossa direção.
– Olha se não é a Weasley fêmea, está pronta para perder no fim de semana? – provocou Draco.
– Olha se não é a Doninha, estou preparada para ver vocês perderem. – Ela debochou. – , tenho uma coisa para você. – Ela me entregou um bilhete. Hesitei em pegar já sabendo o que poderia ser, para piorar Draco fitava todo o movimento curioso. – Pegue logo! Alguém enviou para você. – Gina fez piorar toda situação e eu só peguei e guardei no bolso tentando não atrair atenção. Ela riu e saiu correndo.
– O que é isso, Malfoy? – Theo perguntou rindo. – Alguém enviou um recado secreto?
– Cala boca, Theodore!
– Um admirador secreto. – Montague comentou. Minhas tentativas de escapar de Draco foram em vão.
– Como é? – Draco franziu a testa. – Isso é realmente de um admirador secreto? Quem ousa mandar para você um bilhete? – Ele tentava a todo custo roubar o bilhete do meu bolso. Na briga ele conseguiu roubá–lo de minha mão.
– Draco!
– “Guardo o meu carinho em silêncio, na expectativa de quando terei coragem de me expressar para você” – Ele leu em voz alta, a cada frase que lia mais incrédulo ele ficava. O time todo começou a rir, mas Draco os olhou puto e eles se calaram.
– Sabe quem é? – Ele perguntou. Se ele pudesse estaria soltando fumaça pelo nariz.
– Eu lá vou saber? Apenas sei que me entregam por outras pessoas. – Zabini puxou o time para seguir em frente para que conversássemos a sós.
– Como é? Me entregam? Não é o primeiro bilhete? – Ele já estava começando a ficar vermelho. – Quero ver quem é o corajoso para sair de trás desse maldito bilhete! Ele não sabe que você é casada? – Ele dizia olhando para todos os lugares irritado.
– Eu não tenho ideia e vamos por favor parar com isso? Não estou a fim de atrair fofoqueiros.
– Está bem! Mas não gosto nada de alguém dando em cima da minha esposa como se eu não existisse.
– Eu não gosto disso também, mas não tenho controle. – Disse enquanto caminhávamos para dentro.
– Talvez, as pessoas precisassem saber melhor sobre nosso casamento. – Ele disse pensativo, como se estivesse aprontando algo. Ouvimos o alto-falante da escola começar o Observatório Potter. Draco e eu nos entreolhamos.
– Não! Você não vai fazer isso! – Disse puxando as vestes dele quando ele tentou ir embora.
– Ah, eu vou! – Ele sorriu de lado. – Desculpe pequena, mas essa é a solução. – Ele tirou minhas mãos das suas vestes e a beijou, saindo correndo em seguida para onde atualmente estava Lino Jordan.
Não demorou para ele voltar sorridente enquanto entrava na comunal da sonserina.
– Conseguiu o que queria?
– Claro! O Jordan só precisa de alguns galeões para anunciar alguma coisa.
– Espere... você vai anunciar o casamento com a ? – Theo perguntou. Fiz cara feia.
– Eu não quero estar presente quando isso acontecer. – Disse tentando não imaginar.
– Não importa, não quero outros meninos dando em cima de você! – Ele disse.
– Então eu espero que não tenha outras meninas perto de você também. – Avisei.
– Ihhh, já tava até demorando a briguinha de casal. – Theo reclamou.
– Se preocupe com sua vida, Theo. – Draco disse.
– Não fale isso... – Theo riu fraco. – Meu pai vai para julgamento novamente em breve e eu terei que ir depor. Não quero me preocupar com isso.
– E como você está? – Zabini perguntou.
– Apenas querendo que isso acabe logo. Não contei a vocês, mas... descobri que tenho um irmão mais velho.
– COMO? – Nós três perguntamos surpresos. A família Nott era complexa, mas pensávamos que Theo era filho único.
– Meu pai traiu minha mãe. – Ele disse revirando os olhos. – Apenas mais uma confusão.
– E onde está seu irmão? – Draco perguntou.
– Não sei. Irei procurá–lo assim que terminar os estudos.
– Nossa, sua vida está parecendo a minha. Não sei como consegue ficar assim sem ligar para nada.
– É porque eu já estou acostumado desde sempre. Prefiro ignorar mesmo, mas de algum jeito tudo volta.
– Se precisar, a gente vai junto com você. – Zabini disse.
– Vamos ver como vai ser...
Enquanto estávamos tomando café quando ouvimos a rádio novamente.
“Hoje temos um aviso um tanto especial, acho que vocês já sabem quem é a nossa , não é? A herdeira de Salazar Slytherin, essa mesma! Ela está completamente solteira agora que terminou com Malfoy, então quem quiser arriscar a mão da princesa da sonserina, boa sorte!”
Cuspi o suco de abóbora ao ouvir meu nome por ser um anúncio completamente diferente do que eu esperava e terrível aos meus ouvidos. Senti o olhar de todos os alunos em mim e a mesa da sonserina rachando o bico.
– Eu. Vou. Matar. O. Jordan. – Draco falou pausadamente enquanto mantinha seus olhos fechados e seus punhos fechados. Na mesma hora que ele se levantou, Theo e Zabini tentaram segurar ele. – Me larguem! Eu vou amaldiçoar esse bastardo! – Ao menos Theo foi rápido o suficiente para pegar a varinha de Draco.
Fui atrás de Draco enquanto ele se direcionava para onde a rádio se localizava, em uma sala perto do jardim. Lino ainda estava anunciando algo quando viu Draco furioso vindo em sua direção, ele arregalou os olhos, largou tudo e tentou correr.
– ISSO JORDAN, CORRA! – Draco disse enquanto corria atrás dele empurrando quem quer que esteja na frente.
– FOI O TROCO DO QUE FEZ PELOS GRIFINÓRIOS ANTES.
– VENHA AQUI! EU VOU TE MATAR POR ISSO!
– SOCORRO! SEGUREM ELE! – A cena era um tanto engraçada.
– Draco! Pare com isso. – Eu disse enquanto me enfiava num espaço entre os dois. – Jordan! Precisamos resolver isso calmamente. – Os dois pararam de correr como gato e rato, mas ainda se encaravam.
– Eu vou resolver, não se preocupe. – Lino disse. – Mas só porque é nossa .
– “Nossa ” vai ser eu te lançando uma maldição. – Draco o ameaçou irritado. Eu sabia o porquê dele estar muito puto com uma simples frase. Já que ele sempre me chama de “minha ”.
– Não precisa dizer que você é um comensal, Malfoy. Nós sabemos! – Lino debochou.
Draco mais uma vez tentou ir para cima dele.
– ESTÁ BEM! PAREM VOCÊS DOIS! – Me irritei. – Jordan! Apenas conserte isso antes que eu mesmo estupore você junto com Draco. E você, meu querido marido, dê meia volta e vamos embora daqui. – Disse empurrando Draco que a contragosto me obedeceu.
Logo ouvi a voz do Lino nos alto–falantes novamente.
“Quero informá–los que isso foi apenas uma brincadeira é claro... agora é uma Malfoy, então indisponível no mundo dos solteiros, a não ser que queiram que Malfoy o amaldiçoe. Enfim, parabéns pelo casamento entre os sonserinos...”
– Está vendo? Não precisava dessa confusão toda. – Disse ao observar que Draco ainda estava chateado.
– Você viu não é? Eu apenas pedi para ele fazer o seu trabalho e ele começou isso. Depois ainda acham que os grifinórios são santos. – Ele bufou.
– Eu vi, não se preocupe. – Eu sorri pegando em seu braço e entrelaçando–os no meu. – Está satisfeito agora?
– Um pouco. A sorte dele é que você está aqui se não ele não sairia vivo.
– Deixe de ser marrento um pouco. Hoje temos quadribol! Você poderá descontar na grifinória toda sua raiva.
– Isso é verdade. Está pronta para hoje?
– Sim!
– Tem certeza? – Ele perguntou mais uma vez sorrindo maliciosamente.
– O que é que vai aprontar? – Perguntei já sabendo o que sua cara entrega.
– Nada não. Nos vemos mais tarde! – Ele me deu um beijo rápido e saiu correndo, sem eu ter tempo de perguntar mais nada. Tentei parar de pensar nisso e resolvi procurar o Nick.
Estávamos com horário vago hoje por conta de um acidente na aula de poções. Alguém fez alguma merda e explodiu a sala com algum cheiro horroroso.
Fui até a comunal da lufa–lufa, percebi algumas pessoas me olhando e rindo. Provavelmente por conta da brincadeirinha do Jordan. Me lembrei que era monitora chefe, então poderia usufruir desse poder entrando na comunal dos lufanos.
Assim que parei fiz exatamente como ouvi falar. Bati os barris no ritmo de Helga Hufflepuff, o túnel se abriu dando passagem para a comunal da lufa–lufa. Assim que entrei me deu uma nostalgia um pouco ruim. A última vez que estive ali foi antes do Cedrico morrer, eu sentia falta dele.
– Malfoy? O que uma sonserina está fazendo na lufa–lufa? – Uma aluna perguntou estranhando minha presença, mas estava sorridente.
– Ah.. oi. Vim apenas ver se o Nick estava aqui.
– Ah sim. Lou, poderia ver se o Nick está em seu dormitório? – A garota perguntou para seu colega. Então ele foi ver.
– Eu sou Emily Roberts, quinto ano, é um prazer conhecê-la pessoalmente. – Ela estendeu a mão.
– O prazer é meu. – Disse apertando sua mão. Ela me olhava com entusiasmo.
– Eu ouço muito falar de você, então passei a te admirar.
– Como...?
– ? O que está fazendo aqui? – Ouvi a voz do Nick. – Vejo que já conheceu a Emily.
– Vim te procurar para resolvermos algo. Talvez já saiba o que...
– Ah sim! Com licença, Emily. Agora não é um bom momento para bajulação. – Ele pegou minha mão e me puxou para fora da comunal. – Ela é sua fã a algum tempo... – ele explicou sorrindo.
– Ora essa, nem sabia que eu tinha algum fã.
– Você é popular. Todos gostam de você, apesar do medo... você tem cara de uma cobrinha. – Ele disse rindo.
– Não sei se isso foi um elogio, mas obrigada. Então, achou alguma pista sobre o que temos que fazer? – Perguntei.
– Temos que nos reunir, Erik que desvendou o caderno. Lembra? – Ele perguntou.
Então resolvi pedir ao titã que chamassem Erik e Yumi até o scriptorium de Helga para nossa reunião. Depois que a confusão sobre Voldemort tinha finalmente terminado, tínhamos que finalizar a missão de Dumbledore.
– Cheguei! – Yumi apareceu descendo as escadas. – Quero dizer que titã não foi nada discreto ao aparecer no fim da aula de tratado de criaturas mágicas. Tive que sair correndo para não ser questionada.
– Tudo bem, acho que isso não tem mais risco se alguém souber. – Eu disse.
– Enquanto esperamos Erik, queria saber o que foi aquilo de manhã? – Nick ria.
– Ihh, nem me lembre disso. – Disse enquanto contava tudo sobre o bilhete e a ideia de Draco.
– Gente, queria perguntar uma coisa. – Yumi disse animada. – Tinha comentado com o Theo e ele topou. Que tal fazermos um dia um encontro?
– Está querendo que eu chame o Lucian para um encontro com vocês quatro? – Nick perguntou ainda sem acreditar. – Isso soa ridículo!
– Eu acho fofo.
– O Theo e o Draco são melhores amigos, mas o Lucian é apenas do time... não sei se ele ficaria confortável.
– Bom, nunca tentei ter encontros em grupo. Por mim tudo bem. – Eu disse de ombros. – Só falar onde que a gente se encontra.
– Opa! Estou atrasado, que história é essa de encontro? – Erik apareceu.
– Você não entra já que está solteiro. – Yumi comentou e depois mordeu a língua. – Desculpe.
– Obrigado por isso! – Ele resmungou.
– Desculpaaaaa! Foi impulsivo, mas realista.
– Eu sei... também não estaria com tempo para isso. Os N.I.E.M’s estão vindo com força.
– Já sabem o que querem fazer? – Perguntei.
– Por incrível que pareça gosto muito de transfiguração, e gosto de Hogwarts. Então estou querendo ser professora algum dia. – Yumi sorriu.
– Eu estou interessado em explorar magia, mas gosto dos animais. Mazologista talvez... Não seria descartada a ideia de colocar mais conhecimento sobre os animais em Hogwarts para os alunos mais tarde. – Nick disse animado. Ele era fã do Newt Scamander.
– Queria seguir no Ministério com meu irmão, no departamento de relações exteriores. Sou bem fascinado em artefatos históricos também. – Erik deu de ombro. Ele não jogaria a toa o fato de ser poliglota. – E você?
– Quero ser a melhor em poções, mas estou pensando em ser várias coisas. Podia fazer um pouco de tudo, não é?
– É só ter as melhores notas. – Yumi disse. – Mas enfim, qual o propósito de ter nos chamado?
– O caderno. Acho que está na hora de vermos qual o nosso próximo passo.
– Aqui, vamos ver novamente. – Nick abriu o caderno que sempre andava em sua mochila.
– Então claramente precisamos ir atrás das chaves. – Nick dizia.
– Dumbledore deixou dicas. Lago, Floresta, Montanha e Caverna. – Erik disse pensativo demais. Estranhei sua feição. – Se eu falar para vocês que eu sonhei com os quatro lugares acreditariam?
– O que? Acreditaria é óbvio.
– Eu venho treinando em segredo. É difícil, mas eu consigo sentir a energia, ainda não sei controlar o ar, é óbvio. – Ele confessou.
– Bom, eu tentei praticar também, mas sem muito sucesso. – Eu revelei.
– Nick vai me dizer que você também? – Yumi perguntou.
– Eu não! Nem sabia que teríamos que fazer isso agora.
– É que para vocês dois deve ser mais difícil. Teriam que ter bastante contato com a terra e o fogo, e isso é aonde as dicas querem chegar. – Erik disse pegando o livro e apontando. – Lago, água. Floresta, terra. Montanha, ar. Caverna, provavelmente terá fogo. Temos isso tudo ao redor de Hogwarts!
– Então precisamos fazer isso pessoalmente? – Yumi perguntou.
– Sim... e sozinhos. – Erik suspirou. – Não poderemos sentir a energia do elemento se outros estiverem por perto para alterá–los. Ainda bem que estou estudando alquimia.
– Eu terei que ir para a floresta proibida sozinho? Corta essa! Já tive que ir uma vez na guerra para nunca mais.
– Pois vai sim! Na verdade, pode ir com você. A Terra e a água não são opostos, assim como o ar e o fogo.
– Essas coisas são demais para minha cabeça. – Disse tentando entender. – Então vamos começar devagar. Já que Nick fez um escândalo, ele vai ser o primeiro.
– O quê? – Ele perguntou arregalando os olhos. – Aposto que terei que ir à noite.
– Ninguém poderá estar junto, quer dizer, somente a . – Erik afirmou. – Então terá que ser a noite mesmo, não podemos ser pegos também.
– Quer saber? Nada me abala depois daquela batalha infernal. Marcaremos um dia então. – Ele olhou para mim. – Conto com você, Best.
– Enfim, voltando ao foco. Tem mais coisas por aqui... – Erik disse voltando a folhear o caderno. – Terra representa estabilidade, segurança e prosperidade, é invocada em feitiços para ancorar intenções, trazer abundância e conectar–se com energias terrenas. Isso deve servir, Nick. Quando chegar a hora precisa se conectar com a terra de alguma forma.
– Certo... vamos devagar então. – Nick concordou. – , acho que no próximo fim de semana está bom para irmos.
– Sim, pode ser.
Mais tarde tive que ir me preparar para o quadribol. Peguei minhas roupas e acessórios enquanto ia para o campo para me preparar. Zabini tinha avisado para irmos um pouco mais cedo para nos reunirmos e planejar uma estratégia. Enquanto seguia o caminho percebi que todos estavam animados para assistir finalmente a um jogo, tinha mais de um ano que não nos divertíamos assim.
Como sempre a sonserina e a grifinória antes do jogo já jogava xingamentos e provocações, na real isso era em qualquer jogo, mas a rivalidade entre a gente era maior.
Algumas pessoas estavam começando a chegar para o jogo, enquanto isso Zabini conversava com a gente sobre a estratégia e para que ficássemos de olho nele em jogo. O time da grifinória chegou e nos calamos.
– E aí Malfoy, pronta para se divertir? – Ouvi Gina perguntar.
– Em segundo plano sim, mas estou pronta para ganhar. – Disse provocando.
– É claro! Vamos ver... que o melhor vença.
– Vão se trocar! Quero vocês em campo em trinta minutos. – Zabini ordenou. Então fomos para o vestiário para podermos vestir nossos uniformes. O campo tinha quatro, dois masculinos e dois femininos, para que nenhum dos dois times se topassem e se matassem antes do jogo.
Antes de fechar a porta do vestiário feminino vejo um braço impedir.
– O que está fazendo? – Perguntei olhando Draco entrar furtivamente e fechar a porta. – Aqui é o banheiro feminino!
– E eu estou aproveitando que você é a única mulher em nosso time. – Ele sorriu de lado enquanto se aproximava me prendendo na parede e me beijando. Estava preocupada com o tempo, mas não pude negar que aquilo era bom demais.
– Malfoy! Temos trinta minutos. – Eu disse separando nossas bocas.
– É mais que o suficiente. – Ele disse me beijando novamente.
Como tínhamos pouco tempo ele não foi nada paciente. Consegui pegar minha varinha com um pingo de sanidade mental e trancar a porta para não sermos incomodados.
Nos livramos da capa da escola rapidamente, suas mãos me apertavam enquanto estavam em minha bunda. Desabotoei sua camisa apressadamente que revelava seu abdômen que estava mais definido que antes, nem tive o prazer de tirar sua camisa, apenas resolvi explorar seu corpo por debaixo dela. Enquanto isso ele já tirava seu cinto e sua calça. Nem sequer notei quando ele tinha desabotoado minha blusa, ou melhor rasgado. Ele não teve a paciência de desabotoar. Ele beijava meus seios ainda cobertos pelo meu sutiã e ao julgar pela sua excitação não perderia seu tempo com isso e eu nem queria que perdesse também. Aquela selvageria estava bom demais, eu nunca tinha experimentado daquele jeito.
Ele afastou nossas bocas e senti seus dedos irem para dentro da minha calcinha me fazendo arrepiar e soltar um gemido baixo. Ele sorriu.
– Não temos muito tempo. – Ele disse perto do meu ouvido e só senti ele abaixar minha calcinha e tirá-la em segundos. Não sabia que ele poderia ser tão rápido. Apenas senti ele se introduzir dentro de mim, encaixando nossos corpos perfeitamente. Minhas pernas automaticamente se entrelaçaram em seu quadril enquanto ele fazia movimentos devagar, mas intensos.
Ele começou a mordiscar meu pescoço e eu agarrei seus cabelos loiros com minhas mãos, puxando-os a cada gemido. Em algum momento ele aumentou a velocidade dos movimentos me fazendo ter muito mais prazer.
– Não pare! – Avisei. Ele continuou me fazendo ter um orgasmo mais rápido dessa vez. Ele me segurou enquanto a sensação passava, então foi a vez dele.
Nos entreolhamos ainda em êxtase, enquanto descansamos nossas testas uma na outra e rimos.
– Gostou? – Ele perguntou.
– Sim! Isso foi demais.
– Bom saber...
– Agora, temos que nos arrumar! – Disse descendo minhas pernas e indo para o chuveiro com ele.
Capítulo 8 – Temporada de quadribol
Assim que saímos do banheiro dou de cara com Theo, nos encaramos e vi seu olhar parar atrás de mim assim que Draco saiu logo depois. Ele tentou se segurar para não rir.
– Calado, Theodore! – Eu disse saindo dali.
– Por que sou sempre eu que vejo vocês dois? Num lugar tão grande desses. AI! – Ouvi ele reclamando por algo.
– Cala boca e ande logo. – Ouvi Draco dizer em seguida.
Chegamos e todos estavam a postos, com suas vassouras.
– Muito bem! Juntem–se, chegou a hora do nosso grito de guerra. – Zabini chamou enquanto todos faziam uma roda. – SOMOS ASTUTOS!
– ORGULHOSOS, AMBICIOSOS!
– SOMOS SLY...
–THERIN!! – Todos juntaram as mãos explodindo no ar.
– Hora de envenenar os leões. – Draco disse sorrindo e levantando as duas sobrancelhas. – ... – ele se aproximou de mim. – Espero que eu tenha te dado energia o suficiente.
– É, talvez. – Disse sorrindo fazendo seu ego brilhar. – Trate de focar no pomo, Malfoy!
– Trate de golear, Malfoy. – Nós rimos.
Montamos nas nossas vassouras e a porta se abriu.
– E VEM AÍ O TIME DA SONSERINA! – Ouvi Lino Jordan assim que arranquei voando pelo campo. – Desde a última vez os sonserinos tiveram algumas alterações, mas depois de muito tempo vemos um time titular completo sem substituições. Começando pelo capitão Blaise Zabini, número 04. – Ouvi Zabini ser ovacionado.
– Tracey Davis, número 01 sendo o goleiro das serpentes. Lucian Bole, número 02 e Graham Montague 03 sendo batedores. – Bole e Montague fizeram um showzinho com as vassouras e bateram as suas mãos levando o público à loucura.
– Theodore Nott, número 05 como artilheiro da temporada, junto com... – Lino limpou a garganta. – Nossa princesa da sonserina, Malfoy, número 06. – Ele gostava de provocar Draco que já estava encarando–o mortalmente. – E por último Draco Malfoy, número 07, como apanhador da sonserina. Será que teremos uma vitória surpreendente do time das serpentes?
Meus olhos conseguiram notar uma mini presença loira entre duas pessoas que conhecia perfeitamente. Quase cai da vassoura quando notei que Regulus estava na plateia acompanhado com meus sogros.
Ainda em nossas posições antes do jogo começar olhei para Draco e apontei para eles.
– Eu já sabia... – ele disse.
– O quê? E não me contou?
– Era para ser uma surpresa. – Ele deu de ombros. – Vamos ganhar pelo nosso filho!
– Malfoy’s! – Zabini nos chamou atenção. O jogo ia começar.
– Já sabem o que eu quero, não é?! – Madame Hooch disse. – Ao meu sinal! 3,2,1... – Ela apitou o começo do jogo.
Em um piscar eu voei na maior velocidade e peguei a gole. As coisas estavam diferentes dos jogos passados, eu estava mais confiante! Não por causa de Draco, nem por causa do meu filho, mas porque era meu último ano e eu precisava lembrar dele como um dos melhores, e eu planejava ganhar todos os jogos.
Theodore me deu assistência até a chegada dos aros. Gina era uma perfeita artilheira, mas eu era mais rápida. Peguei a Gole que Theo tinha lançado e fazendo uma perfeita acrobacia joguei a gole fazendo de início 10 pontos.
– E COMEÇAMOS O JOGO COM A SONSERINA FAZENDO 10 PONTOS. – Ouvi a voz de Lino.
Em segundos voltamos para o meio onde a gole foi lançada novamente. Zabini estava brigando com o artilheiro da grifinória, dessa vez ele e Theodore tentavam chegar no aro, enquanto eu ficava em retaguarda. Bole e Montague se divertiam atirando os balanços em direção aos outros jogadores da grifinória.
Em minutos a sonserina vencia por 40x20, então Zabini começou a voar ao meu lado.
– , quero que fique na frente da formação. Você será o foco da gole! – Ele gritou. Eu apenas assenti. Ele foi falar com Theodore e os batedores. Acho que Zabini queria que eles me protegessem caso alguém tentasse me atacar ou roubar a gole quando estivesse comigo.
Draco estava atrás do pomo com o novo apanhador da grifinória que não era o Harry, mas dava um pouco de trabalho.
Gina estava com a gole dessa vez então era minha hora de mostrar a ela o que era fazer parte do time das serpentes e o quanto eu tinha aprendido com ela. Planejei meu voo alto, acima dela para que ela não me visse chegando. Quando ela olhou pra trás foi um sucesso, ela pensava que não tinha ninguém perto dela. Olhei para Theo que me observava e mandei ele tentar pegar a gole pela lateral.
Assim que ele voava na mesma linha da Gina, outros artilheiros da grifinória estavam perto, então cheguei perto e prendi minhas pernas na vassoura e me atirei no ar, de cabeça pra baixo, deixando meus braços livres. Assim que Theo deu um empurrão em Gina eu agarrei a Gole do outro lado a pegando completamente de surpresa.
Com um impulso voltei a ficar normal em minha vassoura mudando de rota. Acelerei e joguei a bola para Zabini que estava mais adiante. Ele estava na frente, mas viu eu me aproximar. Os batedores da grifinória se aproximaram de um balaço e jogaram eles em minha direção. Montague e Bole apareceram desviando os dois balaços. Perto do aro, Zabini enganou o goleiro e jogou a gole para mim, assim fiz mais 10 pontos para sonserina.
– E MAIS 10 PONTOS SÃO GARANTIDOS PARA A SONSERINA! – Lino marcava no placar que agora era 50x20
– VAI SONSERINA! VAI SONSERINA! – Os sonserinos cantavam uma letra que nunca tinha ouvido falar. – A GRIFINÓRIA NUNCA VAI TER, NOSSA ARTILHEIRA RAINHA!
Senti os meninos fazerem uma formação atrás de mim, como se eu fosse a número 01. Olhei para o lado enquanto eles comemoravam os pontos do jogo.
Em exatamente quarenta minutos de jogo foi dado o apito final.
– MALFOY PEGA O POMO DE OURO! SONSERINA GANHA O JOGO POR 270 PONTOS CONTRA 100 DA GRIFINÓRIA.
Gritei extremamente empolgada comemorando nossa vitória. Hoje iria ser uma festança na comunal da sonserina.
Depois de comemorar no ar, descemos em campo. Larguei meu firebolt e corri para abraçar meu apanhador. Ele me abraçou pela cintura me levantando no ar.
– Você é a melhor! – Ele disse me pondo no chão e me beijando em seguida. Ele se afastou e me colocou sentada em cima de seus ombros facilmente. O público ainda nos ovacionava. Tinha muito tempo que não sentíamos o gosto de vitória desse jeito.
– Hoje teremos festa na comunal para comemorar!! – Montague gritou pulando ao lado de Bole enquanto íamos para fora do campo.
– Parabéns artilheira rainha! – Ouvi a voz de Gina. – Foi uma ótima partida.
– Obrigada, Gina! Vocês jogaram bem também, mas os melhores tinham que vencer. – Disse a zombando ainda nos ombros de Draco que não queria que eu descesse. – Me deixe descer, Draco.
Algumas pessoas de rostos desconhecidos se aproximaram do gramado. A professora Minerva e Hooch estavam próximos. Draco me deixou descer rapidamente.
– Sonserinos e Grifinórios, me permitam apresentar alguns membros da Harpia de Holyhead que vieram ver o jogo. – Madame Hooch disse sorrindo.
– Olá! Sou Gwenog Jones, Batedora e capitã do time. Estou feliz por presenciar um jogo surreal desses, vejo que os dois times têm ótimas jogadoras. – Ela sorriu enquanto apertava a minha mão e a da Gina, mostrando obviamente o interesse.
– Obrigada. Eu me chamo Malfoy.
– Eu sou a Gina Weasley! – Gina estava com seus olhos brilhando.
– Eu sou Wilda Griffiths, única artilheira no time. Talvez quem sabe teremos mais duas em breve. – A outra garota disse.
– Sim, estamos recrutando artilheiras para completar o time. E não minto quando eu digo que sou uma boa olheira, conheço talento de longe. – Gwenog Jones disse.
– Bom, seria ótimo, não é?! Quem sabe quando o ano letivo terminar. – Eu falei sendo sincera.
– Esperaremos vocês para os testes então. – Elas falaram. Assim que vi um bebê aparecendo no meu campo de visão no horizonte, no colo de Narcisa Malfoy, eu esqueci tudo. Pedi licença e corri para pegar meu pequeno em meus braços.
– Ma–ma! Ma–mainn! – Ele disse a única palavra que ele sabia completa.
Narcisa sorriu ao nos ver e me entregou Regulus. Ele tinha crescido nesses poucos dias com toda certeza. Aos muitos beijos que dei nele, senti seu cheirinho de bebê que tanto sentia falta.
– Estava com tantas saudades sua, filho! – Disse a ele enquanto ouvia sua gargalhada.
– Papa! – Ele notou Draco ao lado enquanto ele cumprimentava Narcisa e Lucius. Draco estendeu seus braços e ele pulou para o colo dele.
– Foi um ótimo jogo! Regulus estava animado. – Narcisa disse.
– Como ele se comportou? – Perguntei observando Regulus ser apertado pelo pai.
– No começo foi difícil, ele chorou muito. Mas acho que está se adaptando.
– Aii, não sei se vendo ele novamente vou ter coragem de deixá-lo. – Resmunguei.
– Vamos voltar ao castelo sim? – Lucius disse fazendo todos saírem de lá.
Ficamos todos juntos por algum tempo enquanto conversávamos. Mas logo foram embora, dessa vez Regulus tinha caído no sono então foi menos doloroso para ele. Para mim foi terrível do mesmo jeito, juntando o cansaço depois do jogo o desânimo veio em seguida.
– Não vai querer festejar nada, não é? – Ele perguntou enquanto caminhávamos em direção a comunal.
– Só queria ficar com meu filho. – Ele entrelaçou nossas mãos.
– Que tal irmos para a torre de astronomia? Igual aquela vez. – Ele disse me olhando. – Talvez você precise de uma paz, e é uma boa vista também.
– Agora?
– Sim, posso levar algumas coisas para comermos também. – Ele disse. – Podemos aproveitar e ver o pôr do sol.
– Não é uma má ideia. Está bem!
– Vamos!
Ao entrar na comunal já estava uma zona. Claramente todos estavam animados pela vitória, dessa vez lufanos e corvinos tinham invadido junto.
– Olha se não é nosso príncipe e nossa princesa! – Nott zombou e notei que Yumi estava ao seu lado.
– Yumi?
– Ahh, oi amiga! – Ela riu. – Agora sei como se sentiu solitária na grifinória.
– Vamos! – Draco me puxou para nosso quarto. – Não podemos perder o horário ou não vamos ver o pôr do sol.
Então resolvemos tomar banho juntos tentando ignorar o máximo um ao outro, ao contrário do acontecido a horas atrás. Como era fim de semana praticamente, decidi usar o uniforme de quadribol de Draco, era um suéter quente que dava para vestir com uma calça jeans preta e um tênis branco.
Ouvi um assovio de aprovação quando terminei de me arrumar. Ele estava como sempre todo de preto, mas dessa vez sem seu blazer, apenas com um suéter o que ficava muito elegante nele.
– Está pronta? – Ele perguntou. – Precisamos passar na cozinha antes.
– Talvez eu tenha uma ideia. – Eu disse pensando em Dobby. – Vamos! – Peguei sua mão enquanto saímos do caos que continuava pelo salão comunal.
Fomos até a cozinha onde encontramos Dobby, pedi um favor para que nos arrumasse um pouco de comida e facilmente ele fez. Nos entregou uma pequena cesta com algumas coisas que eu mais gostava. Antes de sair ele me deu os parabéns pela vitória no jogo.
Então fomos direto para a torre de astronomia passar um tempo juntos.
Capítulo 9 – Encontro com as estrelas
Draco se sentou em uma das colunas e eu resolvi sentar entre suas pernas para aproveitar um pouco seu abraço.
Comemos algumas coisas enquanto víamos o pôr do sol para repor nossas energias, afinal, o jogo foi bem cansativo.
– Um beijo por seus pensamentos. – Ele disse perto do meu ouvido.
– Estou pensando na gente, no que irá acontecer depois que nos formarmos. – Eu disse sorrindo. Ele me deu um beijo na bochecha.
– Uma coisa eu tenho certeza: estaremos juntos.
– O que irá fazer, Draco? Ainda não vejo você dizer nada sobre isso direito.
– Eu vou continuar estudando alquimia, já disse a você.
– Só isso?
– Somos ricos. Além do mais, você está pensando em fazer mil e uma coisas. Quem irá cuidar das crianças? Eu posso cuidar disso. – Ele disse, me fazendo rir.
– Espere, crianças? Sabe que o Scorpius só vai nascer muito depois, não é? – Ele deu de ombros.
– Não tenho pressa, já falei que somos ricos.
– Narcisa te criou para realmente ser um herdeiro, hein? Não ensine Regulus a ficar igual a você.
– Isso é uma coisa ruim?
– Sim, olhe bem para você quando entrou em Hogwarts. Era insuportável.
– Ahh, bem... eu era imaturo.
– Estamos de acordo, não é? Vamos criar nossos filhos sem mimos demais.
– Pode deixar. Mas no final, quem foi que gostou do mimado, não é? – Ele disse, me envolvendo mais em seus braços.
– Não vou discutir isso com você.
– Eu sei... – Ele repousou seu nariz em meus cabelos, provavelmente sentindo meu cheiro.
A gente ficou observando o sol ir embora e dar espaço para as estrelas brilharem no céu. Draco se levantou e inventou de caçar constelações em um dos telescópios da torre.
– Estamos em que mês mesmo? – Ele perguntou com seu olho no telescópio.
– Começo de outubro. – Disse enquanto tentava ver algo em outro telescópio.
– Olha, achei o grande quadrado de Pégaso. Para cima, temos a estrela Alpheratz, então sabemos que é a constelação Andrômeda no Norte. – Ele disse, me fazendo parar um pouco. Me lembrei que nossa próxima cria seria uma filha. – Quer ver?
– Claro, não sabia que sabia tanto sobre estrelas. – Disse me aproximando e vendo o telescópio.
– Ora essa. Minha família tem nome de estrelas e constelações... eu tenho que saber.
– Qual você gosta mais de observar? – Perguntei, me afastando do telescópio.
– Quando minha mãe me falou sobre a origem do meu nome, foi quando eu me interessei mais por astronomia. Então, eu fiquei obcecado pela minha constelação, mas depois vi as outras. Gosto bastante da de escorpião, e isso não tem nada a ver com nosso futuro filho. Ou talvez sim... – Ele franziu a testa, ficando confuso. – Quero dizer que eu sempre gostei dela antes de saber sobre o Scorpius.
– Hmm, talvez seja por isso que colocamos o nome dele, não acha? – Perguntei, analisando. Ele deu de ombros, voltando a olhar pelo telescópio.
– Achei! – Ele disse sorrindo. – Uau! Olhe para isso, uma chuva de meteoros.
– O quê? Onde? – Perguntei tentando ver algo a olho nu, mas não consegui enxergar nada.
– Dá para ver melhor no telescópio. Veja! – Ele me posicionou. – Chuva de meteoros Draconídeos. Está sob a minha constelação!
– Isso é muito lindo. – Disse enquanto observava.
– Dá para ver sua estrela também. – Ouvi sua voz no meu ouvido, me dando arrepio atrás da nuca. Me afastei do telescópio pela reação repentina. – O que foi?
– Nada! – Disse, voltando a observar a chuva de meteoros. Ouvi sua risada. Ele sabia o que aconteceu, só se fez de sonso. – Qual é a minha mesmo?
– A segunda mais brilhante.
– Eu não era a primeira? – Perguntei, o encarando, lembrando do bilhete que ele tinha me deixado.
– No meu coração, é sim. – Ele se aproximou, me envolvendo em seus braços.
– Olha só... – Ele me beijou. Seus lábios estavam gélidos, mas seu beijo estava quente. Toda vez que nos beijávamos, eu sentia que estava nas nuvens. Seu beijo calmo, sem pressa, me deixava inebriada, me fazendo esquecer de tudo ao nosso redor.
– Já disse que te amo hoje? – Ele perguntou, se separando e grudando nossas testas. Ainda continuávamos abraçados.
– Não. – Eu sorri, mordendo meu lábio inferior.
– Eu te amo, minha . – Ele disse, me encarando com seus olhos azuis acinzentados.
– Eu te amo, meu dragãozinho. – Beijei meu marido novamente.
Draco era claramente a sombra da minha vida, mas não era qualquer sombra. Ele era aquela sombra única e capaz de aliviar meu calor em dias quentes. Com sua presença, ele trazia a calmaria e a brisa leve de um verão.
Nunca pensei que o amaria tanto assim, e foi a melhor coisa que me aconteceu.
Na noite da festa, ficamos sabendo que a bebida foi batizada por Montague, fazendo com que todos tivessem ressaca no dia seguinte.
A sorte era que era fim de semana, então não tivemos aula.
Os dois dias de folga eram para visitar Regulus, mas Narcisa me aconselhou a ficar mais tempo longe dele para que ele se acostumasse.
Depois de nos ver na partida de quadribol, foi difícil novamente para nosso filho não nos ver, então preferimos ficar um tempo sem visitá-lo.
A semana passou correndo. Aulas, estudos, trabalhos... Estava realmente pesado acompanhar esse ano, e isso era tudo graças aos N.I.E.Ms.
Eu e as meninas nos juntamos para organizar um grupo de estudos, para facilitar a distribuição de conhecimentos.
Pela primeira vez, sonserinos e grifinórios estudavam juntos em paz — até a Madame Pince ficou surpresa com isso.
Yumi, Hermione, Gina, Sophie, Dafne, Pansy e eu éramos perfeitas para estudar em conjunto.
Então, no fim de semana à noite, eu e Nick partimos para nossa primeira etapa da missão das chaves: iríamos para a Floresta Proibida.
Erik nos disse para mandar um patrono se precisássemos de algo.
Avisei ao trio de prata que estaria em uma missão simples, expliquei mais detalhadamente a Draco, que apenas ficou calmo por causa do meu colar, que tinha o feitiço de localização.
– Isso é maluquice. Ainda estou tentando entender por que estamos arriscando nossas vidas. – Nick resmungava enquanto caminhávamos pela entrada da floresta.
– Somos bruxos, Nick. É o seu sétimo ano letivo. Depois de tudo, ainda está com medo da floresta?
– O medo é imortal, está bem?! E então, como vamos saber o local exato?
– Me diz você! Quem tem o elemento terra é você.
– Bom, nós vemos que a floresta inteira é coberta por terra. – Ele ironizou.
– Tá, vamos lá! Eu acho que você irá sentir. Você precisa se concentrar para saber...
Estava anoitecendo. Pegamos nossas varinhas e lançamos o Lumus. No fundo, eu estava rezando para não encontrar nenhum bicho que quisesse arrancar nossas cabeças.
– Eu acho que deveríamos ver um mapa daqui. Se não me engano, estamos em território dos... – Nick falou, mas foi interrompido.
– Centauros. – Ouvimos a voz conhecida. Era nosso antigo professor de Adivinhação, Firenze, o qual dividia a aula com Trelawney. – Malfoy e Nicholas Smith, acho que não deveriam estar por aqui.
– Ahh, oi professor Firenze. – Eu disse, o cumprimentando.
– Olá. Estamos apenas procurando uma terra sagrada. – Nick disse, ainda se recuperando do susto que levou com sua aparição repentina.
– Apesar dos centauros terem ajudado Hogwarts, eles ainda não simpatizam com humanos. Mesmo sendo vocês dois, dos quais ouvi bastantes coisas positivas. Estão procurando sobre a terra sagrada? – Ele perguntou com certa curiosidade.
– O quê? Realmente existe uma terra sagrada?
– É, bem... Dumbledore nos passou uma missão. Tem algo a ver com elementos. Não sei se já ouviu falar. – Expliquei a ele.
– Sim, já ouvi. E sim, existe uma terra sagrada. Nenhuma criatura da floresta sequer pisa lá. Tem algumas runas e é protegida por feitiços.
– Onde fica isso? Pode nos mostrar? – Nick perguntou.
– Sim, me sigam. Ela está bem no meio da floresta. Incrivelmente, possui um brasão de um texugo em seu portão. – Eu e Nick nos entreolhamos. Aquilo com certeza era um sinal.
Firenze nos levou um pouco mais distante do que estávamos.
Como toda floresta, havia muitas árvores, mas em um círculo dava para ver o céu aberto, e no chão havia algumas pedras com inscrições em runas antigas.
– Me diga que você é bom em runas, Nick. – Falei tentando entendê-las. Alguns símbolos eram conhecidos, outros eu não fazia ideia.
– Pior que eu sou mesmo. – Ele disse, analisando os símbolos.
– Bom, não poderei passar mais daqui. Espero tê-los ajudado. Não demorem muito, sabem que a floresta é perigosa. – Firenze aconselhou.
– Certo. Muito obrigada, professor. – Disse a ele. Ele saiu trotando pela floresta, sumindo de vista.
– Esse símbolo com o triângulo e um traço é o símbolo da terra na alquimia. E isso é de um texugo. – Ele apontou para o chão, que parecia ser um tipo de porta ou alçapão de pedra. – Um lufano descendente de uma elementar da terra.
– Não me diga que temos que abrir isso e nos enfiar debaixo da terra novamente? – Perguntei, lembrando do scriptorium de Helga.
– Sim! É o que literalmente dizem as runas. Preciso abrir isso, mas antes terei que abrir a mente. – Olhei para ele sem entender o que ele estava falando. – Lembra o que o Erik falou? Conectar-se com a terra. Vou precisar de um tempinho. – Ele se sentou no círculo central e fechou os olhos.
Fiquei apenas de lado, vendo o processo. Nicholas demorou mais de 20 minutos, e eu já estava ficando agoniada, mas não queria desconcentrá-lo. Ele parecia saber o que estava fazendo.
Foi quando senti um pequeno tremor de terra. De início, pensei que era coisa da minha cabeça, mas depois começou a crescer até se tornar bastante notável.
Nick abriu os olhos e percebi que eles tinham mudado de cor: agora eram dourados.
Ele encostou sua mão no símbolo da terra e vi as plantas saírem do caminho e o grande alçapão se abrir.
Ele então desceu. Tive que correr para acompanhá-lo.
– O que foi isso? Não me abandone.
– Está sentindo isso? Está ouvindo? – Ele perguntou, ainda com seus olhos dourados, observando as paredes.
– Não. Apenas senti o tremor, que desconfio que você causou.
– Acho que as árvores estavam falando comigo. Uau! Isso é realmente incrível. – Ele pegou um pouco de terra com a mão e, magicamente, brotou uma pequena flor. – Queria que sentisse o que estou sentindo.
– Isso é... magnífico! – Disse, percebendo o que havia acontecido. Nick tinha acabado de despertar seu poder da terra.
Descemos mais escadas até encontrar um pequeno baú sobre uma pedra.
A pedra tinha outro símbolo de texugo. Nick pegou a caixa, que brilhou magicamente e se abriu.
Nela, continha uma chave.
– Essa deve ser uma das chaves que estamos procurando, não é? – Ele perguntou. Seus olhos ainda permaneciam dourados.
– Sim!
– Vamos voltar para o castelo. Eu gosto de explorar, mas não gosto de correr riscos demais. – Ele disse depressa, me fazendo rir. – Graças a Merlin, não tivemos muita dificuldade.
– Não fale isso. Ainda não saímos daqui. Deixe para falar quando chegarmos ao castelo.
Depois que voltamos ao castelo, Erik, Yumi e Draco estavam nos esperando dentro do scriptorium de Rowena, que foi onde combinamos de nos encontrar.
Agora, Draco ali era uma novidade para mim. Fiquei bem curiosa em como ele acabou junto com os meninos.
– Draco?
– O que ele faz aqui? – Nick, parecendo ler meus pensamentos, perguntou.
– Longa história. – Erik disse.
– Vocês saem à noite para alguma missão esquisita na Floresta Proibida há horas. Não ia dormir sem saber onde estava . – Draco explicou. – Resolvi seguir eles.
– Então, conseguiram? – Yumi perguntou.
– Sim! Foi até fácil... – Eu disse, pegando a chave e entregando para Nick. – Acho que ela deveria ficar com você.
– Como foi? O que precisou fazer? – Erik perguntou.
– Achamos a terra sagrada com ajuda de Firenze. Então vi alguns símbolos. Depois foi só me conectar com a terra...
– Sentiram algum tremor pela escola? – Perguntei, tentando saber o alcance que teve.
– Não. – Yumi respondeu.
– Então foi apenas local. – Disse, pensativa.
– Vocês querem me explicar o que estão aprontando? Estão mexendo com magia elemental? – Draco perguntou, confuso.
– Sabe alguma coisa sobre isso? – Erik perguntou.
– Sim, estudo algumas coisas em Alquimia. Ninguém vai me explicar? – Ele perguntou, olhando para mim.
– Dumbledore nos deixou essa missão. Precisamos controlar os quatro elementos que simbolizam nossas casas. – Resumi para ele.
– Por qual motivo?
– Não sabemos. – Nick deu de ombros.
– Eu acho que é mais para evoluir nossas magias. – Erik comentou. – Gostamos de investigar Hogwarts.
– É, estou percebendo. – Draco disse, enquanto dava uma bela olhada no lugar. – Não sabia que tinha outro scriptorium.
– Outros. – Yumi corrigiu. – Todos os fundadores têm um.
– Pelo visto, Hogwarts tem muitas salas secretas. – Ele comentou.
– Qual vai ser a próxima? – Perguntei.
– Vai ser eu e Yumi. Achei um mapa aqui recentemente. Ele mostra uma caverna com símbolos do ar e do fogo. – Erik pegou um pergaminho e me mostrou. – Como estamos chegando no inverno, talvez não seja uma boa ideia irmos agora. Vamos esperar para depois...
– Está tarde. Melhor voltarmos para a comunal. – Draco se levantou e ofereceu sua mão para que eu pegasse.
– Está bem. – Entrelacei nossas mãos.
– Nós estamos indo também. Vocês são monitores-chefes, então não serão pegos, mas nós sim! – Yumi disse. Os três nos acompanharam para fora do scriptorium.
– Engraçado isso, porque se eu quisesse, tinha dado detenção para vocês. – Draco disse.
– Você não seria uma boa escolha para nos julgar por estarmos fora da cama. Caso não tenha percebido, você estava com a gente, sendo cúmplice. – Nick respondeu.
– Isso não iria me fazer parar.
– E ainda perguntam o porquê de ser uma cobra. – Nick comentou, me fazendo rir.
– Aqui é minha deixa. – Erik disse, se despedindo e indo em direção à torre da Corvinal.
Continuamos descendo até Yumi e Nick também irem para os próprios dormitórios.
Draco me perguntou como eu me acostumava vindo toda vez para o topo e tendo que voltar à masmorra. Era um caminho muito longo. Não havia muito o que fazer.
Capítulo 10 – Primeira viagem no tempo
Duas semanas se passaram, estávamos comendo no salão principal quando ouvimos um POC, mas ignoramos. Era comum os elfos se teletransportando em muitos lugares de Hogwarts, mas assim que olhei percebi que era Dobby — e ele não estava sozinho.
– Regulus?! – Disse me levantando e falando alto demais, atraindo a atenção de todos.
– Acho que achamos os responsáveis pela criança, Dobby. – Professora McGonagall disse ao elfo.
– O quê? – Ouvi a voz de Draco enquanto eu saía da mesa e ia em direção ao meu filho.
– O que aconteceu? Como Regulus veio parar aqui? – Perguntei, o pegando no colo. Regulus parecia estar maior do que da última vez e mais pesado. Mas era isso todo momento que eu passava longe dele.
– Esse é o Regulus?! – Dobby perguntou, levantando as orelhas. – Dobby viu ele no jardim. Estava engatinhando, chorando, e parecia estar sozinho. Estava chamando pela mãe. – Meu coração apertou só de imaginar isso.
– Como um bebê que nem anda poderia aparecer em um jardim do nada? – Ouvi a voz de Draco perto de mim. Ele estendeu os braços e Regulus quis ir para o colo dele.
– Esperamos que os senhores saibam. Ele estava com os avós, não é? – Minerva perguntou, e então algo me veio à cabeça enquanto analisava Regulus.
– Eu acho que já sei o que aconteceu... – Suspirei, já tendo uma intuição sobre isso. Regulus era um viajante do tempo, afinal. – Acho que não é um bom lugar para discutirmos isso. – Olhei para o salão, que tinha os olhos em todos nós. Senti minhas bochechas queimarem pela atenção.
– Certo. É melhor terminarem de almoçar. Podemos ver isso em minha sala depois, sim.
Agradeci a Dobby e voltamos à mesa da Sonserina. Vários olhares curiosos e sorridentes nos esperavam animados. Assim que nos sentamos, todos vieram ao nosso redor.
– Não acredito que o meu afilhado está aqui! – Nott comentou.
– Nossa, finalmente estou conhecendo a cria de vocês. Qual o nome mesmo? Regulus? – Montague disse, tentando encostar em Regulus, levando um tapa de Draco. – O que foi isso?
– Meu filho não é um brinquedo para você apertar. – Ele reclamou.
– Está bem, calma pessoal. – Disse, percebendo que Regulus já olhava assustado enquanto se encolhia nos braços do pai.
– Sentem-se antes que ele comece a chorar. – Nott controlou a situação.
– Vocês poderão conhecê-lo e brincar com ele depois. Ele não é acostumado a ver tanta gente.
– Desculpa, é que não é todo dia que vemos um bebê em Hogwarts. – Sophie comentou.
Regulus estendeu os braços para mim, então Draco o passou para mim. Senti seu cheirinho de bebê enquanto matava a saudade. Ele grudou em mim em um abraço. Estava com sua mantinha azul e sua chupeta amarela, presente de Nick e Erik.
– Ele é muito fofo. – Pansy disse.
– O útero chega a dar cócegas. – Dafne disse, me fazendo rir.
– Isso eu tenho que concordar.
Terminamos de almoçar rapidamente para encontrarmos McGonagall na sala da diretoria, afinal, isso tinha que ser resolvido. Antes que o toque de início das aulas soasse, saímos em direção ao sétimo andar, onde ficava a sala dela.
Parei alguns segundos antes para ativar meu olho interior e descobrir algo sobre o futuro. Então eu entendi o porquê de Regulus estar em Hogwarts.
– Sr. e Sra. Malfoy, vamos ao que interessa, sim. – Ela disse. – Como o filho de vocês veio parar no meio de Hogwarts? Não se pode aparatar por aqui...
– Bem, não sei se a senhora sabe sobre minhas habilidades de vidência..., mas Regulus tem um poder ancestral, do tempo. Ele consegue voltar no tempo quando quiser, e, pelo visto, a primeira vez dele foi agora.
– O quê? – Draco perguntou, segurando Regus novamente nos braços. – Então esse é o nosso filho do futuro?
– Pelo que eu vi, sim. Por isso os Malfoy nem sequer deram falta dele — porque, no atual momento, ainda estão com Regus.
– Isso é magnificamente complicado. – Minerva disse. – Só nos resta então uma coisa: o filho de vocês terá que ficar no castelo.
– Isso seria possível? – Draco perguntou.
– Terão que fazer ser possível, afinal, vocês são os pais. Assim que os Malfoy aparecerem, já será o sinal de que ele pode voltar para casa. Enquanto isso, posso oferecer ajuda. Dobby! – McGonagall chamou o elfo, que rapidamente apareceu. – Tenho uma missão para você. Ajude o Sr. e a Sra. Malfoy com o bebê durante a estadia do pequeno aqui.
– O bebê irá ficar no castelo? – Dobby perguntou.
– Sim, temporariamente.
– Será um imenso prazer para Dobby cuidar do menino que salvou a vida de Dobby. – Ele disse, quase emocionado.
– Obrigada, Dobby.
– Se não tiverem mais nada... estão liberados. Caso precisem de uma licença durante as aulas, mandem Dobby falar comigo.
– Obrigada, diretora. – Agradeci, enquanto saíamos da sala.
No caminho para o salão comunal da Sonserina, resolvemos pensar no que fazer daqui pra frente. Tínhamos aulas juntos, e nem sempre Dobby poderia ficar com Regus — ainda mais se ele começasse a se irritar. Então, no final, tentaríamos levá-lo com a gente em algumas aulas, mas se não tivéssemos opções...
Assim que chegamos na comunal, mais pessoas queriam ver o nosso bebê, mas como Draco estava com ele no colo, ninguém teve coragem de se aproximar — só pelo olhar mortal que ele deu a todos.
Fomos então para nosso quarto. Precisávamos de um tempo só pra gente.
– Olha a confusão que está nos dando, filho. – Draco comentou, colocando ele sentado na cama. – Aurora, como ele conseguiu chegar aqui? Não podemos nem aparatar em Hogwarts.
– Não sei. Eu nem sabia que ele ia manifestar magia ancestral tão cedo, e pode ser isso também.
– É perigoso. E se ele voltar novamente? E estiver em um lugar sem a gente?
– Por favor, não fique colocando paranoias na minha cabeça também! – O repreendi.
– Eu só estou preocupado.
– Eu sei... – Suspirei, sentando na cama e vendo meu pequeno mexer em seus próprios pés como se fosse a descoberta do ano. – Dobby disse que ele estava me procurando. Talvez sentisse nossa falta.
– É muita loucura... Magia ancestral, magia elementar... era por isso que estava tão ocupada esses anos. – Ele disse, me fazendo rir.
– Sim. Foi muita coisa que descobri. Por isso parece que nasci no quinto ano. Tudo sobre mim passou a ser diferente de um ano para o outro.
– Ao menos minha esposa é uma bruxa extraordinária. – Ele se gabou. – Não é, Regulus? Temos sorte. – Ouvimos um gritinho de animação dele.
– Como consegue fazer isso? – Draco conseguia tirar reações dele com muita facilidade.
– Conseguindo... – Ele me deu língua.
– Não importa, vamos ver quem ele é mais apegado mais tarde.
– Fala isso porque já sabe, não é? E guarda os segredos para você mesma, me deixando de fora. – Ele bufou.
Regulus nos olhava discutir com uma cara divertida.
– Eu não sei de tudo, só de algumas coisas. Por exemplo: ele é um ótimo aluno da Sonserina.
– Isso não seria novidade.
– Draco...
– Está bem, vou parar de te perguntar. – Ele resmungou, voltando sua atenção para Regulus. – Temos aula de Transfiguração daqui a pouco. Como vamos fazer?
– Podemos deixar ele com Dobby.
– E ele vai conseguir não chorar?
– Tentaremos.
X
Nos próximos dias, tentamos nos adaptar com Regulus em uma nova rotina. Dobby nos ajudou muito. Compramos tudo que ele iria precisar: roupas, comida, brinquedos...
Em algumas aulas tivemos que levá-lo, pois não havia com quem deixá-lo. Os professores pareciam entender, e Regulus colaborava ficando quietinho o tempo todo. Em outras aulas, ele apenas dormia.
No começo, nosso filho virou atração. Todo mundo queria falar com ele ou apenas vê-lo. Mas, depois, os alunos começaram a se acostumar — para nosso alívio. Eu odiava chamar atenção.
O fim de semana havia chegado. Eu e as meninas resolvemos dar um passeio pelos terrenos do castelo, com a humilde presença do bebê mais lindo do mundo.
– O aniversário dele é amanhã, não é? – Yumi perguntou.
– Sim. – Regulus deveria fazer um ano, mas o que estava no meu colo já tinha mais que isso. Com a presença de Hermione e Gina, resolvi nem comentar sobre o detalhe.
– Temos que fazer uma festinha, não acha? – Gina sugeriu.
– Dia 31 é Dia das Bruxas. Hogwarts estará toda enfeitada, poderíamos aproveitar também. – Hermione completou.
– Yumi, você é a madrinha. Deixo nas suas mãos. – Disse, tentando me livrar dessa responsabilidade.
– Pode deixar.
Sentamos debaixo de uma árvore para apreciar a bela vista que sempre existia ao redor do castelo. Muitas folhas estavam no chão, avisando que o outono havia chegado. Regulus parecia se divertir com elas enquanto engatinhava para pegá-las.
– É tão boa essa sensação de paz. – Gina comentou, aproveitando a brisa com os olhos fechados.
– Vocês já imaginaram o que faremos em um ano? Vamos nos formar. Nunca mais andaremos por esse castelo como estudantes normais. – Hermione refletiu.
– É difícil pensar nisso. Talvez eu sinta falta de Hogwarts. Apesar de que, desde o primeiro ano, não ficamos muito em paz. – Todas rimos.
– Se for pensar assim, este é o primeiro ano que não corremos perigo de fato. – Hermione lembrou.
– Nem diga isso! Ainda não terminamos. – Yumi respondeu, quase supersticiosa.
Enquanto ajeitava meu cabelo bagunçado pelo vento e o cachecol, ouvi Yumi me chamando e apontando para trás.
– !
Assim que me virei, procurando Regulus, vi uma cena familiar. Ele havia engatinhado para longe e agora estava rodeado por duas cobras enquanto brincava com elas. Igual ao meu sonho.
– Isso é normal, não é? Significa que ele deve falar com as cobras também. – Hermione comentou.
– O seu sonho... aquele do bebê e das cobras... era isso? – Yumi sorriu, perguntando.
– Igualzinho. – Respondi, indo pegar meu filho. As duas serpentes apenas me olharam quando o peguei nos braços. – Licença.
– Então era uma visão... – Yumi disse, pensativa.
– Não sabia que conseguiria ver um futuro tão distante. – Então o mistério era que eu havia sonhado com meu futuro filho.
– Você sonhou com isso? – Gina perguntou, e eu assenti.
– Não tinha ideia sobre meus poderes na época.
– Falando nisso, nunca conversamos sobre isso, não é? Deve ter sido difícil pra você na guerra. – Gina disse.
– Sim. Eu sempre tinha sonhos, porque não sabia controlar. Mas que bom que, no final, consegui salvar algumas pessoas. – Me sentei ao lado delas com Regulus no colo novamente.
Ele começou a ficar rebelde, querendo sair dos meus braços para voltar a brincar com as serpentes.
– Regus, é perigoso. Você não pode fazer isso.
Ele começou a chorar.
– Tadinho. – Gina disse com pena.
– Tadinho? Você cai no papo desse espertinho rapidinho. – Yumi retrucou. – Esse aí é um sonserino mirim. Gosta de fazer birra como manipulação. Experiência própria, já caí muitas vezes.
– Tal pai, tal filho. – Hermione riu, sacudindo a cabeça.
– Não seja assim. Chorar por birra é muito feio, sabia? Nem sempre vai conseguir o que quer. – Levantei com ele e resolvi mostrar as flores por perto para distraí-lo.
Ele parou de chorar, mas fez um bicão, se escondendo no meu pescoço e soltando chorinhos de reclamação.
– Engraçado que com seu pai você se diverte, não é? Vou ter que conversar com ele. Está te mimando demais.
– Papa! – Ele balbuciou, me olhando.
– É isso mesmo. Estou vendo um complô. Vai ficar contra sua mamãe, que te carregou por oito meses? – Perguntei, fingindo estar triste.
Ele negou com a cabeça... e depois afirmou.
Regulus entendia muito bem as coisas, mas às vezes ficava confuso.
– Então... Regulus prefere a mamãe ou o papai? – Ouvi a risada das meninas.
– Mamain. – Ele respondeu, me fazendo sorrir.
– Muito bem!!! Você é o garoto mais inteligente e bonito do mundo! – Beijei sua bochecha e o apertei. O humor dele voltou com sua risada gostosa.
Fim.
Nota do autor: Sem nota.
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