Avallon
Última atualização: 04/12/2017

Capítulo 1

“-Aqui é Marie D’empine – a mulher que sempre via como repórter da família real dizia animada para as câmeras bem à frente do castelo de Avallon ao lado de Jeremy Cooper, o segundo repórter da família real
-E aqui é Jeremy Cooper – ele falou sorrindo, como sempre e logo depois os dois disseram juntos a frase que era um sucesso e todos diziam juntos, por ter sido decorada - do reino de Avallon, e esse é o Time Aykroyd!
-É, Jeremy, o rei Roger Aykroyd anunciou semana passada que tinha um grande comunicado para as famílias de Avallon – Marie começou a falar, com as mãos na cintura e encarando o homem ao lado dela
-Pois é, Marie... E há boatos de que esse comunicado irá mudar a vida de muitas pessoas de Avallon
-Daqui alguns minutos, nós estaremos lá dentro cobrindo esse comunicado da nossa querida família!
– Marie deu um sorriso, e Jeremy também. – E aí? Estão animados? Aguardem, em instantes nós voltamos ao lado da Elite do nosso país.”
Estava com minha mãe, minha irmã mais velha e meus dois irmãos menores, assistindo, como sempre, mais um jornal sobre Avallon, morávamos em uma pequena província em Southampton. Minha mãe era costureira e meu padrasto... Bem, meu padrasto trabalhava para quem pedia ajuda e pagasse, não é um emprego fixo, mas pelo menos em alguns momentos ele fazia algo para ajudar em casa. Eu era garçonete no restaurante da minha irmã mais velha junto com o seu marido, eles claramente tinham uma vida melhor que a minha e claramente, ela escolheu bem o marido para ter uma vida melhor.
- O que será que o Rei Robert tem pra dizer pra gente? – Kurt, meu irmãozinho de cinco anos perguntou, levantando do tapete e indo para o meu colo, já que eu estava no sofá com as pernas dobradas iguais a um índio. Eu o abracei rindo da sua cara toda suja de biscoito.
-Vamos descobrir juntos?! – perguntei fazendo cócegas nele e o mesmo gargalhava e concordava comigo
-Cada vez que Rei Robert anuncia algo assim, eu fico super nervosa – mamãe e levantou e foi para cozinha e voltando com uma bandeja com chocolate quente para nós – ainda mais agora, já que praticamente vai mudar a vida das pessoas de Avallon.
-Você acha mesmo que isso vai ser capaz de mudar alguma coisa? – perguntei dando de ombros – se quisermos, nós mesmo mudamos nossas vidas, mãe.
-Bem, você precisa de um marido para ter uma vida boa. Veja a Kira, depois que ela conheceu o Jordan, ela se veste super bem e até esta mais gorda – olhei espantada para Kiara, minha irmã mais nova, de sete anos. Ela já era super madura para a idade que tinha e eu não gostava nada do que ela pensava... – então sozinha você não vai conseguir nada, .
-Kiara! – a repreendi – Você não precisa de um homem para ser alguém na sua vida!
-, essa é a nossa monarquia, não adianta você querer muda-la, você não vai conseguir isso! – Kira falou dando de ombros passando as mãos nas minhas costas.
-Acontece que eu não quero um... Um... – falei irritada e encarei minha mãe que me encarou um pouco chateada
-Não quer o que, ? – minha mãe incentivou – não quer um Merck? – ela se referiu ao meu padrasto e eu suspirei
-Nem todo mundo tem a sorte de Kira – falei abaixando a cabeça e olhando a TV
-SERA QUE O PRÍNCIPE VAI APARECER HOJE? – Kurt perguntou todo eufórico me fazendo rir, ele era o único naquela casa que me fazia ficar melhor
-Eu gosto mais do ! – Kiara falou se virando para a TV
-Ah, parem! é maravilhoso! – Kira falou rindo e encarando a TV.
-Eu gosto dos três – mamãe riu e também voltou o olhou para a TV
-Eles são basicamente iguais – falei inconformada e todo mundo só faltou me matar
-Pelo amor de Deus, , o tem um olho azul magnífico, fora aquele sorriso... O homem perfeito! – Kira me encarou como se eu fosse um monstro
- é forte, bonito e li em uma revista que ele é cheiroso e gosta de cozinhar! – Kiara falou toda apaixonada nos fazendo rir
-Bem, gosta de pintar, montaria, futebol e lacrosse! – Kurt falou como se isso fosse uma coisa incrível, todo animado, me fazendo sorrir do jeitinho que ele falava
-Como você sabe disso, Kurt? – Kiara perguntou com as mãos na cintura
-Mamãe leu pra mim! – Kurt mostrou a língua pra ela, fazendo todos rirem
-Fora que realmente, é um cara muito bonito – mamãe ajudou Kurt ao falar sobre o príncipe
-OLHA! – Kurt apontou pra TV – VAI COMEÇAR – não sabia o motivo, mas também estava ansiosa com esse tal anúncio da família real
-Boa noite, Avallon! – demos de cara com Rei Robert sentado em seu trono, ao lado de Leigh-Anne Aykroyd, nossa rainha. Eu achava ela maravilhosamente bela, toda cheia de postura, com os cabelos loiros sempre arrumados em um coque e a Coroa na cabeça e um sorriso incrível. Não poderia deixar de falar do rei, ele também era lindo, mesmo já com a barba e os cabelos um pouco grisalhos, porém sempre com os olhos azuis brilhando. Atrás deles, estavam seus três filhos, os trigêmeos Aykroyd. Príncipe , Príncipe e Príncipe . Eles não estavam com uma cara muito boa, na verdade, estavam com a cara fechada, sérios – É com grande prazer que cumprimento as Famílias avallonesas
-A família real esta muito feliz pelo 500° aniversário do nosso país começou a dizer, abrindo a boca espantado para seus irmãos que olharam para ele completamente pasmos -é galera, Avallon esse ano comemora o famoso cinco, zero e zero
-Caraca! fingiu estar surpreso, fazendo seus pais rirem e obviamente, toda Avallon – temos que comemorar, vocês não acham?
-Ah, ! Meu chapa... bateu nas costas do irmão gentilmente – eu acho que o Rei e a Rainha de Avallon devem decidir o que querem para Avallon. Quais são os planos para a grande comemoração do país, majestade?
-Príncipe , meu filho, você sabe...
– Rainha Leigh falou sorrindo amarelo e o mesmo deu um sorrisinho
-Ah, mãe, porque você mesma não da a grande notícia? – respondeu ele num tom de brincadeira, aquilo estava me cheirando a encrenca...
-... Se você não for falar, eu mesmo falo – Rei meio que deu uma estressada, ao ver que aquilo não ia dar em nada então tomou a frente, novamente – A primeira família real da corte aqui de Avallon, passou por isso, a quinta, a décima, décima quinta, vigésima, centésima, e assim foi sucessivamente... -encarei a TV abismada, ele não pode fazer isso que estou pensando que vai fazer – esse ano, como um pedido de agradecimento e diversão para a família Avallonesa, resolvemos que teríamos sim, isso!
-Oh, não – falei colocando a mão na boca
-Oh, sim! – Kira e mamãe falaram juntas animadas
-É com grande empolgação que a família real anuncia – Rainha Leigh falou se levantando calmamente e indo junto aos seus filhos – que as próximas três princesas de Avallon, uma das três, pode ser você, isso mesmo, cara jovem!
-Haverá uma seleção para cada província, todas as jovens solteiras com mais de 16 anos até 22, poderão participar! – o rei continuou – meus filhos e eu nos encarregaremos de escolher quinze garotas, que irão ficar aqui no castelo.
-No cartório de sua província você terá todas as informações necessárias.
– a rainha falou olhando para os filhos, e olhavam para baixo, um pouco abalados, olhava pra câmera, mas sem dar nenhum sorriso – as quinze damas irão ser anunciadas aqui mesmo, no Time Aykroyd, na próxima sexta-feira, as 19:30! – ela de sentou, segurando a mão de seu marido
-O prazo é até segunda, meninas! – Jeremy lembrou as pessoas ao aparecer na frente da câmera depois de saldar a realeza – mas, e aí, rapazes? Como estão se sentindo?
-Obviamente, muito feliz, certo?
respondeu com a sobrancelha arqueada, me fazendo rir da cara de Jeremy de palhaço com o sarcasmo visível na ponta da língua, para um bom entendedor
-Vou ter quinze garotas andando pelos corredores do castelo, tem como estar melhor? perguntou rindo – com todo respeito as minhas duas futuras cunhadas...
-Estou ansioso, vamos receber mais atenção do que estamos acostumados, vai ser legal ter pessoas novas aqui, no castelo
respondeu sem humor algum, deu totalmente de ombros
-Estou ansiosa pela Seleção de Aykroyd – Marie apareceu sorrindo para as câmeras – acompanhei a Do reino de Illéa e o Rei Maxon e a Rainha America estão administrando o reino muito bem! E essa vai ser inesquecível, já que os primeiros trigêmeos da história da corte real, estão em uma Seleção.
-Bem lembrado, Marie! – Jeremy lembrou e parabenizou a mesma – Rainha Leigh, boatos que Marie vai poder participar do reality
-Que ela vai poder participar, sim... Se ela vai ser uma das quinze, ai já não é algo que eu possa dizer – fiz careta ao ver o touché da rainha em Marie e Jeremy...

A família real ainda ficou conversando por alguns minutos, mas eu já não estava pensando e nem ouvindo mais nada... Aquilo era ridículo. Casamento arranjado, exposição dos próprios príncipes e das meninas, o que isso poderia fazer de bem para as famílias de Avallon?
Sabia que minha família me obrigaria a participar deste reality maldito e que eu negaria até o fim, não teria benefício algum para eles em casa, eu perderia meu tempo!
- ,VOCÊ TEM QUE PARTICIPAR! – Kiara gritou eufórica pulando pela sala
-, É UMA OPORTUNIDADE MARAVILHOSA! – Kira falou me encarando – DROGA, ODEIO NÃO SER MAIS UMA GAROTINHA!
-Eu não vou participar desse concurso ridículo! – falei na defensiva
-Deixem a sua irmã decidir o que ela quer para ela! – mamãe me defendeu e eu fiquei agradecida por ela não querer me obrigar a participar disso
-Ah, mãe! – Kira e Kiara resmungaram e eu fiquei aliviada pelo assunto ter sido encerrado
Depois de algumas horas, Jordan passou para buscar sua esposa, que no caso, era minha irmã. E eu fiquei arrumando a bagunça da casa com minha mãe, enquanto Kurt e Kiara ficavam brincando na sala
Bom, minha mãe estava arranjando coisa para fazer, já que estava preocupada com Merck, que ainda não tinha chego em casa, e o toque de recolher ia dar em alguns minutos. Southampton e todas as províncias de Avallon tinham uma hora de recolher se qualquer pessoa fosse pega por um dos guardas, era preso ou até mesmo morto! A da minha província eram as onze da noite.
Estava indo para o meu quarto, ajeitar minhas coisas pois amanhã eu tinha que estar no restaurante para trabalhar cedo. Enquanto minha mãe ficava na cozinha.
Nossa vida só não era pior, por causa do dinheiro que eu colocava dentro de casa e pelo trabalho duro de minha mãe para as pessoas mais ricas da cidade. Eu nunca conheci meu pai verdadeiro, na verdade, Merck sempre deixou claro que eu não era filha dele, porém, nunca deixou de cuidar de mim, até eu fazer treze anos, foi quando eu passei a odiá-lo. Nunca procurei saber quem era meu pai verdadeiro, não queria saber. Mas agora, passa na minha cabeça sempre, sobre como minha vida seria diferente, caso eu estivesse com meu pai, caso ele estivesse com minha mãe
Enquanto estava lá em cima, terminando de arrumar minha zona, ouvi um barulho de vidro quebrando, meu coração disparou e minha raiva subiu na hora.
Merck tinha chegado
Corri para a sala e vi Merck todo sujo, com a camisa aberta e uma garrafa quebrada nas mãos, gritando com minha mãe que estava protegendo Kurt e Kiara. Ele me olhou rindo.
-Oh, ! Vem aqui dar um abraço no papai! – ele falou já me puxando para um abraço, ele estava fedendo como um porco, eu odiava que ele me tocasse. Eu o odiava muito.
-Me solta, Merck! – o empurrei forte, com raiva, o mesmo cambaleou e caiu no chão em entender muita coisa. Me virei para as crianças sorrindo, deixando de lado minha raiva
-Vamos brincar de esconde-esconde? – perguntei e eles ainda estavam assustados, mas, assentiram com a cabeça – subam lá para o meu quarto, e se escondam! Vou contar até cinquenta!
-Uau! Até cinquenta?! – Kurt perguntou animado me fazendo sorrir e concordar com a cabeça
-Me ajuda nessa, Kiara? – perguntei pra ela, que assentiu e me abraçou
-Vamos, Kurt! – ela falou, encarando o pai, com nojo. Aquilo me partia o coração sempre que acontecia – Vamos nos esconder da ! – ela puxou ele, subindo as escadas correndo
Me virei para a mamãe, que foi para a cozinha na hora, para que a gente não visse a mesma chorando. Ela se fazia muito bem de forte. Encarei Merck e o mesmo mostrou os dedos do meio para mim
-Merck, a próxima vez que você chegar em casa nesse estado, eu juro por Deus, que eu denuncio você para os guardas, e você vai preso e nunca mais vai ver a sua família – agachei falando isso pra ele, apontando o dedo na sua cara e o mesmo gargalhou.
-Quem é você, ? Quem pensa que é? Essa casa é minha, tudo aqui me pertence, até você – ele riu malicioso me fazendo dar um soco em seu rosto, com ódio. Foi aí que ele virou “homem” e levantou puto da vida, indo para cima de mim, com as mãos apontadas para minha cara. Arqueei a sobrancelha e nem me movi, ele não teria a coragem de me bater.
-Você vai me bater mesmo, Merck? – perguntei com os braços cruzados, vendo o mesmo com a respiração descompassada, se segurando completamente – encosta a porra da sua mão em mim, para você ver se não vai para a cadeia novamente, e desta vez você não vai ter uma segunda chance, você vai ser decapitado na frente da cidade inteira.
-Você está me ameaçando, ? – ele perguntou rindo e eu dei de ombros
-Se entra na sua cabeça isso, como uma ameaça, então sim
-O que esta acontecendo aqui? – minha mãe entrou na sala e viu Merck com o rosto vermelho e eu segurando minha mão, por causa da dor pelo soco que dei. – Merck, vai dormir
-Você não manda em mi...
-AGORA, MERCK! – ela gritou extremamente irritada, o mesmo bufou e subiu, ela esperou ouvir a porta bater para se virar para mim – Já disse para não ficar perto dele, , ainda mais com ele bêbado deste jeito
-Eu não consigo ver ele fazer isso com você e você não reagir! – falei inconformada
-E eu não vou suportar caso aquilo aconteça novamente, ... – ela suspirou e eu olhei para o chão
-eu sei me defender agora, mãe
-Eu sei bem disso – ela sorriu me abraçando – e sobre o concurso... Acho que seria uma boa você pensar no assunto
-Boa noite, Dona Karin – gargalhei subindo para o quarto – dorme na minha cama hoje, eu espero você lá.


Capítulo 2

-Eu já me inscrevi no reality da seleção, espero que eu seja uma das selecionadas... Está completamente lotado o cartório! – escutei uma das cinco garotas dizendo isso no restaurante enquanto eu ia atendê-las. Revirei os olhos e dei um sorriso forçado.
-Bom dia, o que vão querer? – perguntei com o caderninho nas mãos e uma caneta para anotar o pedido.
-Quero o – a ruiva disse rindo, toda apaixonada e suas amigas riram. Dei uma risadinha falsa – brincadeira, quero algumas torradas com café.
-Hm – a loira fez a pensativa olhando para o cardápio – tem alguma coisa aqui que não engorde? Eu preciso manter o peso, príncipe ama loiras magras!
-Tem... Água – respondi sem humor e a mesma deu um sorriso amarelo ao escutar suas amigas rindo.
-Pode ser, então – ela revirou os olhos.
-Poderia mandar panquecas para mim? E suco de laranja... – a morena falou sorrindo. Anotei todos os pedidos e fui para a cozinha, completamente farta.
Entrei na mesma, e observei que não tinha ninguém ali, exceto por Eric, o nosso cozinheiro. Ele era dois anos mais velho que eu, loiro alto e magro, com os olhos verdes lindos. Era meu melhor amigo, meu companheiro e em alguns casos, a gente se pegava... Ele sempre ficou ao meu lado, sempre me diz o que fazer e qual direção seguir, está pra nascer alguém que me ajude e me entenda como ele.
-Que cara é essa? A freguesia vai embora por sua causa, ! – ele brincou, pegando o papel de minha mão, me fazendo revirar os olhos – quanto mau humor, não vai se inscrever no reality?
-Claro que não vou! – falei na defensiva – Eric, você acha mesmo que eu vou?
-... – ele riu enquanto fazia as coisas e falava comigo ao mesmo tempo – não vejo motivos para você não ir... É uma oportunidade única e isso vai te abrir muitas portas, como por exemplo... Na área da veterinária, você quer isso! Ou na dança, você vai ser reconhecida! – pensei por esse lado, ele tinha razão, como sempre.
-Não posso deixar minha família com Merck naquele estado... Não posso esquecer minha vida aqui – falei suspirando – fora que eu não vou ser uma das quinze selecionadas, é impossível.
-Você indo para lá, vai ter total segurança mandada do próprio palácio para sua casa, você não lei as regras e condições do reality? – ele perguntou rindo – você pode reconstruir sua vida lá, e muito melhor ainda por cima! Você tem medo, porque sabe que pode ser escolhida sim.
-Não li e nem vou! – falei rindo pegando a comida na bandeja – mas obrigada por tentar, você é o melhor – dei um beijo em sua bochecha, que quase foi em sua boca, já que ele quase virou o rosto, fiquei sem graça e ele sorriu sapeca e eu sai correndo.

Cheguei em casa sete da noite, cansada e estressada por causa do trabalho, as pessoas não paravam de falar do reality. O marido de minha irmã estava um saco de estressado, mas eu gostava dele até. Jordan era um bom homem, minha irmã teve sorte por ter conhecido alguém que a ame de verdade.
Adorava chegar em casa e ver Kiara e Kurt brincando no tapete da sala com seus brinquedinhos que eu consegui comprar com meu dinheiro. Sentir o cheiro de comida quase pronta, vindo da cozinha com minha mãe preparando a mesma... Mesmo ela não cozinhando bem e eu tendo que ir salvar a janta com meus dotes culinários.
Entrei e me joguei no sofá, recebendo um abraço caloroso de Kurt, eu amava o jeito que ele me tratava, amava a nossa relação de irmãos. Não queria que ele crescesse e isso mudasse.
Kurt estava um pouco tristonho, mesmo brincando e me abraçando como sempre fez, mas preferi não comentar nada, ele deve ter pedido chocolate e mamãe não quis dar para ele, provavelmente, não porque ela não queria, mas sim porque não tinha. Levantei do sofá e Kurt foi subir para o quarto, mas percebi uma marca vermelha em suas pernas e que ele estava mancando um pouco, fiquei assustada
-Kurt... O que houve? – segurei ele no colo e o mesmo balançou a cabeça abaixando a mesma, não dizendo nada. Olhei para Kiara que olhou para baixo também e correu para a cozinha, a segui, completamente assustada e irritada, já imaginando o que tinha acontecido. – Que merda que tá acontecendo aqui? – perguntei ao ver Merck sentado com os pés na mesa bebendo uma lata de cerveja. Enquanto minha mãe ainda estava no trabalho, tinha esquecido que hoje ela ficaria até tarde.
-Ah, você chegou! – ele disse jogando uma latinha vazia em mim e falhando completamente – venha, vamos lá em cima, você vai fazer algumas coisas para mim, a velha da sua mãe não tá mais me satisfazendo – se levantou e eu olhei para meus irmãos que estavam assustados .
-Kiara, leva Kurt para cima, não sai de lá até eu mandar – ordenei e a mesma fez isso sem pestanejar. Encarei ele novamente, que se aproximava de mim, peguei a primeira coisa que vi, a garrafa de vidro e quebrei a mesma apontando ela para ele – Merck, eu já falei que você não vai encostar mais em mim, nunca mais! Seu velho nojento.
-Velho nojento? – ele riu alto e passou a mão na barriga – você prefere quem? Ah, deve ser igual a sua mãe, prefere quem não pode do que ficar com quem pode e quer. Você será minha amante, sua mãe vai aceitar isso.
-O que você tá falando? – perguntei com dele e o mesmo ria me olhando da maneira que me olhou quando eu tinha 13 anos, senti um arrepio novamente por isso. – nunca irei ser amante de ninguém e nunca vou sentir interesse em você, seu escroto!
-De qual parte? De que você é igual a sua mãe? Ou que você vai ser minha putinha? – ele tentou se aproximar mas eu quase o ataquei com a garrafa, então ele se afastou – ela nunca te contou quem é seu pai, né? Em como você foi gerada? Em como ela gritava naquela cama onde nós dormimos juntos, com um dos guardas da corte real? Nunca te tratei como filha, você já sabia que não era o seu pai. Sua mãe é uma vagabunda e eu só percebo isso agora.
-Que bom que você aceitou o chifre! – soltei para provocar e o mesmo revirou os olhos apertando os punhos, irado comigo.
-Você é cheia de querer cutucar ferida, por que não me responde o motivo de nunca ter corrido atrás do seu verdadeiro pai? – via em seus olhos, a raiva, ódio, vontade de me ver sofrer.
-Eu não vou te responder isso, não lhe interessa e...
-Oh, claro! – ele bateu na testa rindo alto – Cendrowski, porque ir atrás de algo que provavelmente vá causar apenas dor e sofrimento? Você descobrindo quem é ele, vai praticamente entregar a cabeça de sua mãe na bandeja.
-Mas eu te conheço... E muito bem – ele me olhou de cima para baixo sorrindo – vou te dar uma dica sobre aonde ele está – tentou se aproximar de mim, e eu estava péssima, querendo chorar, com raiva, nojo... Não aguentava aquela situação – Mas antes você vai ter que abaixar essa garrafa, pode machucar alguém.
-Vá para a casa do caralho – me irritei, tentando correr para a sala, mas acabei tropeçando em um dos brinquedos de Kurt e Kiara, que acabei caindo e machucando minha mão esquerda, ela doía muito. Senti que Merck havia me segurado pela barriga, eu estava gritando para que ele me soltasse e tentando fazer com que eu conseguisse agarrar a garrafa, que havia parado alguns centímetros de distância de mim.
-Olha só, você assim... Que maravilha – ele dizia rindo e me segurando firme enquanto eu me debatia – senti falta, a última vez faz muito tempo, e agora com o seu corpo assim, você está mais gostosa e...
-E você vai me deixar em paz – grunhi ao enfiar a garrafa em seu ombro, o mesmo urrou de dor, me dando tempo para correr até a porta, que já estava aberta, e eu tinha fechado a mesma. Estava completamente ofegante, com dor na mão, acho que quebrei minha munheca, e com sangue em meus braços, sangue daquele homem nojento. Olhei para trás, antes de sair e vi o mesmo se levantando, ia correr atrás de algum guarda, porém dei de cara com dois em minha porta, com Kurt e Kiara atrás deles assustados.
Os mesmos me puxaram para frente ao ver Merck indo para cima de mim, com a garrafa que ele havia tirado de seu ombro e o segurando pelos braços. Estava assustada com tudo aquilo, não conseguia pensar direito então só sei que coloquei as crianças atrás de mim e me afastei da casa, de perto dos guardas, de Merck. Ele estava sendo levado para a cadeia, e só Deus sabe o que o juiz ia decidir. Provavelmente ele apanharia na praça, na frente de todo mundo, ou teria a cabeça arrancada, na frente do palácio de Avallon.
-Você pensa que isso vai ficar assim? Barato? .toUpperCase()), EU VOU VOLTAR E QUANDO EU VOLTAR, REZE PARA EU NÃO MATAR VOCÊ E SUA MÃE, SUA VAGABUNDA – ele gritou se debatendo contra os guardas, eu o encarava, com o rosto sem demonstrar emoção alguma – E SEU PAI NÃO VAI ESTAR AQUI NA CIDADE PARA SALVAR VOCÊS, AQUELE GUARDINHA DE MERDA!
Fiquei em choque. Se alguém não tivesse segurando-me pela cintura, eu teria ido para cima de Merck, ia ter provavelmente terminado de foder minha mão, mas pelo menos teria acabado com a cara daquele nojento. Kiara e Kurt estavam atrás de mim, assustados vendo a cena toda, vendo o próprio pai sendo levado pela polícia. Depois que a carruagem dos guardas estava longe, me virei para trás e vi Eric me segurando, pois eu já estaria no chão naquele momento. Eric além de trabalhar comigo, era meu vizinho. Ele morava algumas casas depois da minha.
Algum tempo depois olhei para o lado e vi minha mãe olhando para aquela bagunça, com os olhos arregalados. Kurt e Kiara correram até ela, chorando. Minha mãe veio até mim e eu só balanceia a cabeça, pedindo desculpas, entrei em casa pegando minha bolsa e sai andando ao lado de Eric, que me puxou para a casa dele.
Me joguei no pequeno sofá de sua casa, ele morava sozinho pois os pais morreram num acidente e sua irmã morava fora da cidade. Reclamei de dor por causa de meu braço, minha mão estava doendo muito.
-Primeiro você vai tomar água, vai respirar e se acalmar enquanto eu pego o que eu tenho aqui para ajudar você com sua mão – ele disse calmo, ao se ajoelhar na minha frente, visualizando minha mãe, dando um sorriso e depois saindo da sala. Alguns minutos depois ele voltou e fez eu tomar a água junto com o remédio. – , vai doer um pouco, você terá que ir ao hospital amanhã e...
-Eu tenho certeza que vou ficar bem, você é filho de enfermeiro, confio em você – falei sem jeito, mordendo o lábio, pois a dor estava ficando mais forte.
-Eu sou pau pra toda obra - gabou-se me fazendo rir baixinho e observar ele visualizando mão e logo depois apertando o mesmo pois tinha saído do lugar, ele não havia avisado que faria isso, foi difícil não gritar. Encarei o mesmo horrorizada – Desculpe, eu esqueci... Mas se eu tivesse avisado você não ia deixar eu fazer isso e precisava voltar ao lugar
-Doeu! – resmunguei e o mesmo riu balançando a cabeça, pegando umas faixas brancas e encaixando o meu braço.
-Pronto, ! – ele terminou colocando algo em volta de meu pescoço para meu braço não ficar caído e se sentou ao meu lado – estou orgulhoso de você...
-Mas eu não fiz nada – falei balançando a cabeça, muito mal.
-, você suportou essa luta por anos, hoje finalmente ele foi preso e desta vez, acho difícil ele conseguir sair... – ele me abraçou de lado e eu sorri – Você finalmente está livre.
-Finalmente me livrei dele, obrigada por aguentar isso junto comigo – agradeci e o mesmo revirou os olhos pois ele odiava quando eu agradecia algo, já que ele apenas estava fazendo o trabalho dele, como amigo, irmão mais velho, pseudonamorado e paizão. – mas... Meu pai, Merck disse que ele era um guarda... Eric, meu pai é um guarda! É impossível eu encontrar ele.
-Vai ser difícil mesmo – ele concordou comigo – mas pense que tem uma maneira um pouco menos difícil, digo, que seja mais acessível.
-O que...? – perguntei sem entender, ele me olhou sugestivamente e entendi tudo, falei dezesseis “não” e ele ficou esperando eu terminar o meu show – Não, não, não... NÃO!
-Por que é tão difícil pra você aceitar que tem que se inscrever na seleção?
-Eu não vou me inscrever! Eu não vou ser uma selecionada e eu não quero ter que criar expectativas com algo que sei que nunca vou conseguir, vivi sempre sem ele, não vai ser agora que vou simplesmente assinar um atestado de óbito! Vou perder minha vida, minha juventude, não vou ver Kurt e Kiara crescerem e...
-Você tá dizendo isso pra mim, porque tem certeza disso, ou tá dizendo isso, pra você acreditar nessas palavras? – ele me encarou daquele jeito que parece que está visualizando meu cérebro. Odiava Eric pois ele sempre sabia o que eu estava sentindo.
-Por que eu tenho certeza – segurei um suspiro ou qualquer outro detalhe que fizesse isso ser desmentido para ele, esperei ele terminar de me examinar, sem nem respirar direito.
-Okay, você perdeu – ele saiu da sala enquanto eu ficava indignada pelo fato de ele dizer aquilo e ia atrás dele.
-Ah, qual é, eu não hesitei e...
-, eu joguei verde e você caiu maduro – disse rindo me fazendo rir logo depois e dar um tapa em sua cabeça e sair andando pela casa.
-Mas de qualquer forma, eu não irei me inscrever – dei de ombros e ele suspirou – essa é a minha última palavra – disse andando comendo uma maçã, senti Eric segurando minha mão e olhei para trás rindo, pois sim, eu tinha cócegas nas mãos, e vi que ele estava com sua câmera nas mãos e havia tirado uma foto bem na hora – ERIC!
-Ah, qual é, ficou meiga! – ele disse rindo da minha cara irritada – vai ficar guardada na minha coleção.
-Você é ridículo! – falei andando nervosa e ele rindo atrás de mim – Vou pra casa.
-Já passou do toque de recolher, você vai ter que ficar – ele me olhou e u revirei os olhos – Faremos como sempre, eu no sofá e você lá em cima.
-se não se importar... Eu vou querer que você fique comigo – falei meio sem jeito e ele sorriu de novo, me puxando para um abraço – estou com medo – estava parecendo uma criança.
-Quer que eu leia uma história para você dormir? – dei um soquinho nele rindo – claro que eu fico com você, princesa .


Capítulo 3

Era sexta-feira, havia se passado uma semana desde que Merck estava longe de nós, havia uma semana que estávamos em paz. A convivência se tornou mais leve, não tinha brigas, não vivíamos com medo, minha mãe estava mais sorridente, Kiara não suportava olhar ou falar de seu pai e Kurt tinha medo ainda... Kira estava confusa em relação aos seus sentimentos com Merck, não a culpava, aquilo era demais para alguém.
Sobre meu pai, minha mãe não me contou muita coisa, apenas repetiu o que Merck havia dito, dizia que estava apaixonada por meu pai, desde a infância, e culpava meus avós por ter feito-a casar com Merck. Eu implorei por mais, porém ela não quis dizer muito, não consegui a força-la. Não vou mentir, pensei seriamente em me inscrever no concurso, para saber de meu pai, já e ele era um general de uma base de guardas que recrutavam outros guardas e estavam em Southampton quando fui concebida. Eu conseguiria descobrir mais caso eu fosse escolhida (uma coisa impossível, já que eles iriam escolher as com mais classe, condição de vida, educadas, bonitas e com dinheiro. )Não queria me iludir achando que isso seria possível, se ele realmente gostasse de minha mãe como dizia, ele teria vindo atrás dela, teria vindo atrás de nós duas.
Eric e eu estávamos muito próximos, mais do que nunca e eu ficava receosa as vezes, por talvez estar criando algum tipo de sentimento por ele, algum tipo de sentimento, do tipo você sabe. Ele estava sendo uma pessoa incrível me ajudando em casa com o que precisava ser feito... Kiara e Kurt adoravam ele, minha mãe o tratava como filho e Kira amava-o como irmão mais velho, ficava feliz por isso. Mamãe sempre fala sobre ele gostar de mim muito mais do que amiga, que aquilo era óbvio e visível, temia que fosse verdade, mesmo estando receosa com meus sentimentos, sabia que eles eram traiçoeiros e me trairiam caso Eric resolvesse se declarar para mim. Ele era incrível demais para uma pessoa como eu, que como Kira diz, não sei o que quero da vida e ainda acha que eu gosto de mulheres.
Jordan e Kira convidou nossa mãe e nossos irmãos para irem ao restaurante assistir o Time Aykroyd junto com a maioria do pessoal da cidade, já que aquilo estava uma bagunça cheio de ansiedade, então estavam todos animados com aquilo tudo. Eu estava trabalhando, já que o movimento estava grande, conseguiria algumas moedas a mais.
-Hey, Marie, conversei com o Príncipe e ele disse que esta muito animado com o dia de hoje! – Jeremy estava dizendo para sua parceira, depois de alguns minutos enrolando para entrar no castelo e dizer logo quem eram as quinze fantoches do reino, enquanto eu estava anotando o pedido de uma mesa de garotas que tinham se inscrevido no concurso e estavam animadas demais – nossa Rainha está animada para conhecer suas novas filhas.
-Não é só a Rainha que está animada para isso, todos os avallonesos estão deste jeito para conhecer nossas novas Meninas
– Marie estava mais arrumada hoje, ela estava confiante de que seria escolhida, aquilome irritava, seria marmelada, ela sempre ficou no palácio junto com os príncipes, não era justo! – daqui alguns minutos, depois do anúncio sobre o reino que não estão relacionados a Seleção, nós voltaremos já ao lado da família real! Aguardem!
Revirei os olhos ao ver as meninas dando um gritinho animado, com aquilo tudo, juntamente com a maioria das pessoas do local. Meus irmãos estavam mais preocupados com a comida do que com o concurso, na verdade, Kurt... E depois ele sempre vinha até mim perguntando se eu queria ajuda, eu não sabia lidar com aquela fofura toda. Já Kiara, estava ansiosa com quem seria escolhida, sempre jogando na minha cara que eu fiz a maior burrada da minha vida ignorando o concurso.
Depois que os pedidos deram uma abaixada, pude descansar um pouco, deixando dois garçons lá, entrei na cozinha a qual estava um fervo, pelo menos hoje Eric estava tendo ajuda de mais gente, então na hora que entrei, o mesmo estava indo pelas portas do fundo, tomar um ar. Dei um sorriso e fui atrás dele.
-Sua dissimulada! – ele disse assustado, depois de eu lhe dar um susto, enquanto eu ria muito com a sua cara
-Consegui! – falei me gabando, vendo o mesmo revirar os olhos rindo – o que você tem? Ta estranho... Parece que está nervoso...
-Ah, você sabe... A cozinha está uma bagunça hoje, o trabalho não parou... – ele respondeu passando as mãos no pescoço, sinal de que ele estava escondendo algo
-Você não me engana, o que você fez? – perguntei segurando suas mãos e o mesmo abaixou o olhar suspirando – Eric!
-, não se preocupa, okay? – ele sorriu encostando a testa na minha
-Eric, você fala o que tá acontecendo ou eu vou fazer greve com você de novo, você lembra como foi a última vez! – sai de perto dele cruzando os braços brava
-Ah, por favor, não faça birra! Você tem dezessete anos! – ele fez careta enquanto eu dava as costas para ele, voltando para o restaurante – Volta aqui, ! – ele me chamou umas três vezes, até eu encostar a mão na maçaneta da porta e entrar
Sabia que Eric viria atrás de mim, ele sempre vinha, só demorava alguns dias, ou semanas... Só esperava que isso não fosse por tempo demais, é horrível não poder contar com ele nessas horas, ele é meu único amigo. Nunca tive sorte com amigas, a única mesmo era Kira e minha mãe. Nunca consegui confiar em ninguém, meu mal é esse. Percebi que estava começando o programa novamente, já que todos da cozinha tinham ido para fora assistir junto com os outros.
Ouvi o hino do país sendo tocado junto com todo mundo cantando junto, e na calmaria, me sentei no balcão esperando pelo espetáculo que estava chegando.

- Boa noite, Avallon! – Rei Robert apareceu, sorrindo, ao lado e sua esposa com seus filhos atrás, os três usavam um terno preto junto com a coroa, o que o deixavam com cara de sérios, não vou mentir, estavam lindos. , e deram um sorriso para a câmera e fizeram uma reverência com a cabeça – estamos muito felizes por cada uma das garotas que se inscreveram, infelizmente eu só tenho três filhos – ele riu junto com a Rainha e os meninos riram juntos.
-Meu coração está cheio de alegria por poder estar fazendo parte de algo tão incrível como a Seleção dos meus filhos. - Leigh-Anne estava com os olhos marejados mas sorrindo muito.
-Meninos, como estão se sentindo com isso tudo? – Jeremy tomou a palavra e os meninos se encararam e a palavra acabou sendo tomada por vocês ajudaram na escolha das garotas? Como foi o processo?
-Escolhemos todas as garotas, foram mais de quinze mil inscrições. Nossa semana foi dedicada somente a isso, óbvio que tivemos ajuda dos membros do conselho, de alguns amigos e até mesmo meu pai, cada um separava as que mais agradavam e meus irmãos e eu decidimos quem ficava
deu uma risadinha lembrando de algo, fazendo seus irmãos rirem junto, até mesmo , que nunca tinha visto rir sem parecer falso.
-Espero que essas quinze garotas valham a pena, porque estou sem dormir faz dias, estou ansioso com tudo isso, e ansioso por conhecer cada uma disse me fazendo dar uma risadinha, ele era engraçadinho.
-Uhhh – Marie disse sorrindo para eles – e vocês já tem alguma preferida?
-Ou já teve alguma discussão sobre quem ficará com quem? – Jeremy alfinetou. Os garotos se olharam rindo ainda mais lembrando de algo, me deixando curiosa
-É cedo para dizer isso! respondeu despreocupado.
-Ah, , para! – começou a rir – Já temos uma preferida sim e é até engraçado, porque nós três gostamos dela.
-oh! – Jeremy riu alto e Marie deu um sorriso – Vamos querer saber o nome da sortuda, hein?!
-Vai ser difícil a gente dizer isso riu junto com os irmãos – é tipo um segredo de estado
-Vamos querer saber! – Marie repetiu a frase rindo e se virou para Robert e Leigh que estavam se divertindo com a situação toda – E o que vocês estão achando? Uma palavra que defina o momento!
-Estamos achando tudo isso incrível, é uma honra poder fazer parte disso tudo, ver meus filhos participando de algo feito em gerações passadas! – Rei Robert começou a dizer orgulhoso, eu adorava ele. – a palavra, creio que seja... Ansioso
- E acho que vamos tirar um bom proveito de tudo isso, vi as garotas escolhidas, gostei da maioria, vou adorar conviver com esse bando de mulher aqui nesse lugar, vivo muito sozinha e agora vou ter companhia até para ir ao banheiro! – rainha Leigh disse rindo – e a palavra, digamos que seja... Positividade
-E vocês, meninos? – Marie perguntou
-Confiante! foi o primeiro a dizer
-uh... Entusiasmado! – foi o segundo depois de pensar um pouco
-an... Esperançoso! deu um sorriso e o rei tomou a palavra se levantando
-Creio que já está na hora de dizer o nome das quinze garotas – ele sorriu segurando a mão de sua mulher – é com você, Jeremy!
-Aqui em minhas mãos, estão os nomes das quinze garotas e ai na tela de vocês, vai aparecer a foto de cada uma, respirem fundo e torçam os dedos! – ouvi o gritinho animado das garotas ali atrás dei risada, aquilo seria engraçado – e a primeira garota é... Summer McCanlies da província de Taim. – Ela era ruiva, dos olhos verdes e na foto estava com uma cara de má, o que me fez julgar pela imagem e achar ela uma nojenta, talvez pelo fato de ela morar em Taim, um dos lugares mais ricos de Avallon.- Bethany Bones de Huang – essa era morena dos olhos verdes – Courtney Gade de Bowen – ela era loura dos olhos castanhos. – conforme ia falando os nomes das garotas, estava entediada com tudo aquilo, as garotas eram realmente bonitas, porém, ficar sentada esperando não era meu forte, nunca foi, então resolvi ir tirando os pratos das mesas das pessoas, agilizando o trabalho. Ouvindo a voz de Jeremy falando e o povo reclamando de tudo.
Estava na mesa da onde minha família estava, pegando os pratos deles, que estavam concentrados na TV, olhei para o balcão, Eric estava sentado, encarando ora a TV, ora à mim. Se ele achava que eu ia recuar, estava enganado.
-Nossa penúltima garota é de Portillo, Lizzie Frost. – ela tinha o cabelo curto, da cor castanha e os olhos azuis. – agora rufem os tambores, pois nossa última menina, vem de Southampton – “Finalmente”, “AGORA SIM”, pude ouvir várias outras frases das pessoas que comemoravam ansiosos por aquilo, eu comecei a rir pela muvuca e comecei a andar novamente com alguns pratos nas mãos - é a nossa garota final! – me engasguei com o que eu ouvi, me virei para a TV e vi minha foto ali, a foto que Éric havia tirado em sua casa no dia que Merck foi preso, eu estava com a mão enfaixada, porém, meu sorriso estava tão sincero, tão real. Foi então que derrubei os pratos no chão assustada, com tudo aquilo, não conseguia ouvir mais nada, ninguém, mesmo sentindo o povo comemorando, mesmo vendo que a maioria estava feliz com aquilo. Olhei para frente e vi minha mãe e meus irmãos comemorando me abraçando.
Meio tonta, ainda, dei uma olhada procurando por Eric, vi o mesmo com as mãos no rosto e logo depois correndo para fora do restaurante. Tentei ir atrás, porém, sem sucesso.
Eu era a nova estrela da cidade.


Capítulo 4

-IA ME CONTAR QUANDO? – perguntei abrindo a porta dos fundos do restaurante, dando de cara com Eric jogado no chão, observando as estrelas. Obviamente, depois de ter conseguido fugir do pessoal que me paparicava e comemorava minha vitória por ter conseguido entrar no concurso, aliás, alguns nem acreditando que EU havia conseguido, mal sabem que eu estou tão surpresa quanto – HEIN?!
-Primeiramente, eu quero que você se sente e se acalm...
-Me acalmar? – atrapalhei ele rindo irônica, aquilo era piada – Ah, claro... Eu deveria estar feliz por estar indo para o palácio de Avallon.
-Entendo e compreendo sua revolta... Vou entender se não quiser mais falar comigo! – ele disse calmo, ainda olhando para as estrelas, bebendo um gole de sua cerveja. – só quero que saiba que eu não vou pedir desculpas por ter te inscrito nisso, e...
-Eric... – me abaixei e fiquei ao seu lado – eu disse que não queria, eu falei que não era pra mim!
-Isso é o que você acha, ! – ele respondeu já sem paciência e visivelmente, aquilo partiu meu coração, porém me deixou irritada o bastante para pegar a cerveja dele.
-O que eu acho deveria importar! – falei séria, jogando a garrafa dele longe, eu odiava gente bêbada, não suportaria ver Eric assim. – você me traiu.
-Quer saber? – ele me encarou e eu respirei fundo arqueando a sobrancelha – eu fiz isso sim, eu não estou feliz por isso, eu me arrependo muito! Agora você vai ficar longe de mim e eu nunca vou poder ficar com você! Com a garota que eu amo – arregalei os olhos, assustada com tal revelação, demorei alguns segundos para conseguir responder aquilo.
-E... Então porque fez isso? – gaguejei e ainda por cima tinha ficado com a voz trêmula.
-Porque eu te amo, ! – ele gritou me fazendo fechar os olhos, nervosa – quis provar à você que você era capaz de entrar nesse reality, quis provar que você é maravilhosa o bastante para isso, quis provar que você tem que e pode ir encontrar o seu pai... Quis provar que você pode ser uma princesa!
-Eu não queria isso, eu sei muito bem que sou capaz de tudo isso que você disse! – falei ainda de olhos fechados tentando me acalmar, me segurando e tentando me convencer de que aquilo era realmente verdade.
-Então convença seu coração disso, pois nem seu cérebro acredita nisso que você esta dizendo... Falar da boca pra fora é fácil – ele se levantou me deixando ali sozinha, completamente confusa, perdida e... Com medo. Com medo do que viria a seguir, com medo do que eu me tornaria daqui uma semana.
Minha vida havia ficado completamente diferente do que costumava ser. De uma garota invisível me transformei na mais nova artista, de filha da costureira à mais procurada em apenas três dias, desde que eu havia me tornado uma das selecionadas. Desde a discussão com Eric eu não havia mais conseguido falar com ele, e nem conseguia ir ao trabalho pois tinha sido demitida. SIM, DEMITIDA! Minha irmã disse que eu não precisava mais do trabalho. Contra minha vontade eu ficava dentro de casa sendo escravizada pelos meus irmãos que queriam brincar toda hora, mas dessa parte eu não reclamo, eu queria ficar com eles o tempo possível, eu ia ficar bastante tempo sem vê-los.
Eu estava tentando aceitar o fato de ter que ir para o castelo, estava colocando os pós tomar posse disso e deixando os contras fora disso, uma vez feito, jamais desfeito. Olhando para o lado bom, eu teria roupas novas, comida a qualquer hora, cuidar dos animais do castelo caso eu consiga fazer um dos príncipes gostarem de mim, poder tocar novos instrumentos, encontrar meu pai... E provavelmente, encontrarei um marido que me ajude a dar conforto a minha família. Não gostava de pensar assim, eu não sou assim!
Por culpa de Eric, eu perdi totalmente o rumo da minha vida. Minha mãe ainda estava tentando entender o que havia acontecido e o porque de eu estar entre as quinze escolhidas, Kiara estava orgulhosa de mim e feliz pela “surpresa” que ela achava que eu havia feito para ela, Kurt só me abraçou e perguntou se eu ia deixa-los e Kira não para de me bajular ou de se mostrar para as pessoas por ser Irmã de uma Escolhida. Até eu conseguir explicar para todos eles o que havia e fato acontecido, eu não teria mais voz então apenas contava que havia me inscrito mesmo... Não envolveria Eric nisso para minha família.
Hoje (terça-feira), é um dos últimos dias que tenho em casa, já que a apresentação das escolhidas é na sexta-feira e começamos nossa vida no castelo. Não podia negar estar nervosa com isso, mesmo que eu não virasse uma princesa, eu me tornaria em uma das damas mais renomadas de Avallon. Eu jamais teria minha vida pacata de volta. Estava deitada em meu quarto, pensando na vida e na seleção, abraçada com Kurt que estava dormindo em plena duas horas da tarde, esse safado aproveita que nossa mãe esta trabalhando para poder tirar suas sonecas. Até eu estava tirando uma soneca juntinho com Kurt. Estava tão entretida nisso que me assustei com o barulho de... Instrumentos musicais? Uma melodia que eu conhecia, porém nem em sonho, eu saberia da onde. Devo estar sonhando, ultimamente meus sonhos estão estranhos demais. Continuei ali, deitada completamente morta e pensando da vida.
-MARG! MARG! MARG! – Kiara entra toda afobada em meu quarto, fazendo-me cair assustada da cama.
-PORRA, KIARA! – gritei assustada me levantando da cama e segurando Kurt para que ele não caísse também, pois minha cama era pequena.
-Você vai começar a seleção já pagando micão – ela bateu na própria testa me deixando confusa, encarei ela com as mãos esperando uma explicação – tem uns caras aqui em casa, eles vieram do castelo, estão aqui para conversar com você! A mamãe já esta lá embaixo esperando por você.
-Ah, mais que palhaçada! – falei me levantando rapidamente e indo até a janela. Havia uma carruagem, homens atrás dela tocando todos os instrumentos possíveis e muitos guardas. Aquilo estava... Incrível. E tudo na frente de casa, eu não estava pensando direito Desci as escadas completamente correndo, e ainda consegui cair no último degrau. Aquela era a pior apresentação da minha vida e os representantes do reino já tiveram a primeira impressão sobre mim, a garota do interior de Avallon, toda desastrada e completamente sem nenhuma instrução para ser uma princesa. Ainda estava com a cara enterrada no chão, de qualquer maneira, criei coragem e me levantei toda desengonçada e fiz uma reverência, torcendo para que não houvesse câmeras ali.
-É um prazer conhece-la, Srta. – uma mulher alta, aparentemente com uns trinta e cinco anos, vestida formalmente com uma pasta encostada ao peito disse fazendo uma reverência à mim também, aquilo era completamente novo para mim. – sou Lady Robin, uma das quinze Lady da rainha e escolhida como sua tutora no castelo... Irei te ensinar a comportar-se como uma princesa, serei sua instrutora, sua psicóloga, sua professora, e por aí vai. Te ajudarei a lidar com tudo que for difícil no castelo.
-É um prazer, Lady Robin – sorrio agradecida convidando-a para se sentar na mesa da cozinha, junto com minha mãe, que estava fazendo café para a gente, e eu odeio café. Provavelmente elas já deviam ter feito as devidas apresentações.
-Por favor, só Robin, é muita formalidade... – ela se sentou rindo e encarou minha cara confusa, já que era para sermos totalmente formais – lição um, você deve ser formal com a Rainha e o Rei, no começo com os príncipes também, mas não vai durar muito, eles odeiam formalidade... Seja formal na frente de gente importante e na frente das câmeras, fora isso... Você pode agir normalmente, não estou criando um robô e sim uma princesa e caso você não seja uma Escolhida, você vai ter tido experiência o bastante.
-Tudo bem, irei anotar tudo isso – brinquei fazendo-a rir junto com minha mãe.
-Mas... Bem, ... Vamos ao que realmente importa! E ao que realmente explica o motivo de eu estar aqui – ela abre a pasta tirando de lá um monte de papéis, eu já fiquei entediada – as outras Lady não foram visitar suas selecionadas, viria um enviado do rei passar as coordenadas e você só me conheceria quando chegasse ao castelo, eu tomei liberdade de ter a aprovação do rei, da rainha e é claro, dos príncipes.
-Robin, por que você quis fazer diferente? – minha mãe se intrometeu e Robin a encarou e depois olhou para mim.
-Eu queria conhecer minha selecionada antes... Queria ter certeza de que ela entenderia tudo e estivesse ciente das coisas! E por sua filha ser a única menor de idade do reality, eu tive que vir – ela explicou mostrando-me o primeiro papel, aquilo estava meio confuso, mas eu preferi ignorar – nessa folha está tudo o que você já sabe sobre A Seleção, pode ler se quiser e assinar aqui aonde esta pedindo, na segunda folha é aonde pedimos que você diga algumas coisas pessoais como... Se já namorou, se ainda é virgem – ela e minha mãe me encararam e eu fiquei vermelha.
-É claro que ainda sou virgem! Não arriscaria meu pescoço com isso.
-Você seria desclassificada e ainda morreria por não ser mais virgem. Pior ainda, poderiam poupar sua vida, só que você perderia a chance de casar! – ela explicou escrevendo nos papéis, e me dando mais instruções, pedia para minha mãe assinar alguns papéis ainda, por eu ser menor de idade – Você sabe que agora é completamente do reino, né? Não pode ficar com ninguém, se for pega, eu não quero ver você sendo decapitada... Agora também você vai receber um tipo de pensão, já que você ajudava a sustentar a casa e eles vão perder o que costumavam receber de você... Cinco guardas vão cuidar daqui o tempo que você estiver no castelo, e caso for desclassificada, eles vão continuar cuidando de você, até você casar. No castelo, você precisa de permissão dos príncipes para qualquer coisa, nem o Rei pode dizer nada, e quando eu digo qualquer coisa, eu digo sobre sair do castelo para voltar para casa, viajar, coisas deste tipo, até anoitecer você tem permissão de ficar no jardim ou na piscina, você terá três empregadas em seu quarto ao seu dispor para qualquer coisa. Te darei mais informações conforme for lembrando no castelo... Você embarca para o reino daqui dois dias, terá uma festa na cidade para sua despedida... Quando chegar no reino estarei a sua espera de lá a sua nova vida começa.
-Fico tranquila por saber que você cuidará de ! – mamãe segurou a mão dela agradecida, ela se assustou com o movimento, porém, aos poucos foi se acostumando e acabou sorrindo com aquilo.
- ficará bem, cuidarei dela como se fosse minha filha! – sorri para elas e encarei minha mãe, sabia que ela não estava se aguentando.
-Mas me diga... tem chances de conseguir um dos príncipes? – revirei os olhos cobrindo o rosto com vergonha, enquanto Robin ria e respondia minha mãe com a maior calma do mundo.
-Sua filha é mais linda ainda pessoalmente do que por foto, pelo que pude perceber ela é muito inteligente e de personalidade forte... Não vou mentir, tenho muito trabalho ainda com ela, principalmente na parte de boas maneiras, modos, andar e essas coisas, creio eu que ela aprende rápido e se depender de mim, ela vai ser a mulher da vida dele.
-Espera, na vida de qual deles? – perguntei confusa e ela riu balançando a cabeça.
-Você escolhe qual!

Depois de mais uma longa conversa com minha Dama, Lady ou sei lá o que, Robin, ela foi embora deixando seus cinco guardas em volta de casa e um dos cinco lá dentro. O seu nome era Barney, ele era um cara de quase quarenta anos, muito legal, engraçado e morava em Southampton antes de se tornar guarda. Ele conhecia minha mãe e eu estava adorando tê-lo ali, sabia que estaria indo deixando-os em ótimas mãos.
Minha barriga estava cheia de borboletas, eu estava ansiosa para tudo isso, não estava feliz, porém, eu já tinha aceitado o fato de que essa era minha realidade e que era o que devia ser feito. Minha família receberia dinheiro, eu conseguiria achar meu pai, eu teria mais oportunidades assim como mamãe, Kurt e Kiara. Eu ajudaria minha família e se eu tiver que fazer esse sacrifício por eles, eu farei.
Já tinha planos, ficaria lá até os príncipes quiserem, quando eles me mandassem embora eu voltaria feliz e com dinheiro, mais as oportunidades que eu ganharia. E ainda teria tempo para achar meu pai. Já estava tudo certo. Pelo menos na minha cabeça e meus planos.
Tinha apenas mais alguns dias com minha família e eu queria aproveita-los ao máximo. De qualquer maneira, eu ainda tinha que conversar com Eric, mas estava sem coragem alguma pra isso. Tomei a decisão de que se ele quisesse, ele viria até mim e não o contrário No dia seguinte, (quarta de manhã), eu fui para a casa de Kira, ficar um pouco com ela, já que na quinta eu iria à noite para o castelo e ela teria que trabalhar, já que o movimento do restaurante iria aumentar mais pela festa que teria na cidade para mim. Praticamente não veria mais ela e aquilo me partia o coração.
-Hey, Bis – falei com voz de neném para o cachorro de Kira, que na verdade era meu cachorro, porém eu não pude cuidar dele então Kira resolveu adota-lo, e ele já estava enorme. O abracei forte enquanto ele fazia a festa por eu estar ali.
-Você chegou! – Kira veio de pijama me abraçar, eu ri da mesma estando toda desarrumada – fique aqui na sala, vou mandar Jordan vim te fazer companhia enquanto eu me arrumo, não posso ficar toda desarrumada agora! Sou irmã de uma selecionada! – revirei os olhos suspirando, vendo minha irmã correr para seu quarto. Fiquei fazendo carinho em Bis, completamente arrasada, nem percebi que Jordan estava do meu lado.
-Puta que pariu, Jordan! – falei ando um pulo de susto vendo-o rir alto.
-Esse vocabulário não é o certo para uma selecionada! – ele comentou me fazendo revirar os olhos novamente e abaixar a cabeça – Okay, pode falar o que você tem, porque de todo comportamento que uma selecionada deve ter, com certeza esse que você ta tendo, é o ultimo! – o que eu mais amava em Jordan, era esse senso de humor dele.
-Em todo lugar que eu vou, tem gente me bajulando... Os únicos lugares que eu posso ser tratada normalmente é aqui, em casa e com Eric – abaixei a cabeça novamente lembrando que ainda não estava de boa com ele – e eu não posso chegar na casa da minha própria irmã que ela me trata como uma selecionada... Eu ainda sou a irmã dela, ainda sou a filhinha do meio irritante. Eu estou com medo e eu só queria que ela me reconfortasse.
-Você sabe como Kira é... No fundo ela queria estar no seu lugar – ele riu me fazendo rir junto, segurando o choro – você continua sendo a garotinha irritante...
-Jord... – Kira atrapalhou a nossa conversa. Ela havia escutado tudo, nem tinha ao menos ido para o banho, ainda estava com a toalha e as outras coisas nas mãos e encarando a gente completamente magoada – não chame minha irmã de irritante, só eu posso! – nós dois rimos observando ela, que ainda estava seria, eu por um fio de começar a chorar – não sabia que isso te incomodava tanto e muito menos que você estava se sentindo assim... Meu amor, você é minha pirralhinha, eu tenho orgulho de você e orgulho de quem você vai se tornar... Sentir medo é completamente normal agora, você pode se mostrar mais forte que pedra, mas sabemos que não é assim, e nunca vai ser! Mas saiba que estamos aqui sempre, você tem com quem contar, tem à mim e...
-E tem a mim também, eu emprego no restaurante vai ficar pra sempre esperando você lá, pra quando precisar – Jordan atrapalhou a esposa, fazendo-me secar uma lágrima teimosa que escorria e dando risada ao mesmo tempo, me dando um abraço de lado junto com um beijo na testa.
-Você vai ter pra sempre sua família com você! – ela terminou de dizer com algumas lágrimas escorrendo, eu assenti com a cabeça vendo a mesa sorrir, segurando meu rosto e depositando um beijo na minha testa também e me abraçando forte. Acabou que ficamos os três abraçados por alguns minutos, como uma família.
-Obrigada –agradeci aos dois, secando o resto de lagrima que tinha em meu rosto e vendo os dois fazerem os mesmo em si. – prometo que mandarei cartas para vocês sempre que der e ligarei também, tenho esse direito de ligar para a casa pelo menos duas vezes por semana... Eu ligo uma pra mamãe e a outra pra vocês...
-Vamos estar sempre esperando por isso! – ela respondeu sorrindo – AGORA DEIXA EU TOMAR MEU BANHO!
O resto do dia foi completamente normal, ficamos na casa de Kira conversando, relembrando o passado, contando piadas e zoando Jordan pela barba que ele não queria tirar, porque segundo ele, ficava extremamente sexy com ela. À noite eu iria para o restaurante junto com eles e depois voltaria para a casa e ficaria com minha mãe e os baixinhos, depois curtiria minhas ultimas horas naquela casa e as seis, eu iria para a praça principal da cidade, me despedir do povo e de lá, iria para o castelo, uma longa viagem que duraria a noite inteira fazendo-me chegar lá provavelmente na hora do almoço. Estava quase entrando em colapso nervoso.
-Vocês são ridículos – eu fiz careta ao ver os dois comendo o mesmo macarrão, até encostarem a boca um no outro.
-somos românticos! – Jordan se gabou abraçando a esposa.
-você vai ser pior que a gente, quando encontrar o seu marido – Kira respondeu dando beijinhos no rosto de Jordan, que ria. Fiz careta fingindo vomitar – e estou torcendo que seja o .
-Eu não quero pensar nisso agora – mudei de assunto, vendo-a comer pela quinta vez, muito estranho já que Kira não é de comer demais e muito menos lotar o prato, tinha algo estranho acontecendo – Kira você ta com lombriga? Nunca te vi comendo tanto!
-Na verdade... – eles se encararam rindo cúmplices e se perguntando “será que contamos?”, Jordan tomou a liberdade e disse – é um bebê.
-Surpresa! – Kira sorria abertamente e balançava os braços.
-O QUE?
-Não íamos contar agora... Estávamos esperando a poeira abaixar por ser o seu momento, não queria roubar ele de você... Íamos contar depois, quando começasse a aparecer a barriga – ela explicar e eu apenas ignorei tudo dando-lhes um abraço forte. Eu estava tão feliz!
O resto do dia foi completamente perfeito, fazia tempo que não ria tanto, aproveitei ao máximo. Depois fui ao restaurante com eles, fiquei até fechar para ver se Eric não falaria comigo, mas ele não havia ido trabalhar hoje, eu achei aquilo completamente estranho. Ele nunca faltava um dia no trabalho.
Acabei voltando para a casa, as crianças já estavam dormindo e minha mãe também. Dei um beijo na testa de cada um e fui fazer o mesmo que eles. Claro que com mil coisas na cabeça, mas acabei pegando no sono alguns minutos depois.
Amanhã seria ainda mais complicado do que hoje, com muito mais emoção e pior ainda, muito mais difícil do que a despedida com minha irmã, Jordan e o pessoal do restaurante.

Acordei no dia seguinte com Kiara e Kurt em cima de mim, fazendo a maior bagunça e rindo muito, estavam tão felizes por eu ser uma selecionada que aquilo me dava até um pouco de alegria. Ainda estava pensando em Kira grávida e eu não a veria enorme de gorda, perderia uma das melhores fases dela. Pensando que Jordan ficaria louco com minha irmã pirada e imaginando a reação de minha mãe com isso. Não queria perder esses pequenos detalhes, mas teria. Tomamos um café da manhã, rimos muito e, pela primeira vez, Kurt e Kiara não brigaram nenhuma vez, mamãe estava muito feliz e dava pra ver que estava orgulhosa também, até mesmo Kiara demonstrava isso. Tinha medo de não conseguir dar a eles o que eles queriam de mim.
Depois do café eu fui arrumar minhas coisas, levaria apenas o que era mais valioso para mim, já que roupas Robin disse que eu deveria esquecer as que eu tinha, pois teria novas. Kurt ficou deitado em minha cama e acabou dormindo.
Peguei uma caixa que tinha em cima do meu pequeno guarda roupa cheio de fotos, eu levaria algumas para o castelo e algumas roupas também, não importa o que Robin dizia, eu levaria minhas calças comigo e minhas camisetas sem mangas. Escolhi a foto em que estávamos todos sorrindo, em uma apresentação que teve na escola de Kiara, Merck havia tirado a foto então ele não estava nela, apenas nós e Jordan. Outra em que estava apenas Kurt e eu abraçados com ele rindo muito; outra que só estava Kiara e eu sorrindo para a foto; uma em que estava Jordan, Kira e eu fazendo careta; uma com minha mãe, nós estávamos nos encarando e sorrindo uma pra outra e levaria minha foto com Eric, estávamos os dois abraçados com Bis jogados no chão, quem havia batido aquela foto era Kira. Todas essas fotos eu havia ganhado de Eric, ele havia tirado e me dado elas... Eu simplesmente amava ter essas recordações comigo. Estava tão entretida naquilo que nem percebi que Eric estava na porta encostado observando tudo.
-Ainda não terminou de arrumar tudo? – ele perguntou rindo, mas sabia que ele estava meio triste, acabei rindo fraco e dando de ombros - sempre deixando as coisas para a última hora.
-Eu estava adiando o momento mais dolorido – Ri guardando as fotos em uma caixa e colocando na mochila, junto com minhas duas calças pretas e minhas camisetas. – mas já terminei de arrumar, foi rápido.
-Eu sinto muito por ter causado tudo isso! – ele pediu desculpa com a cabeça abaixada – na verdade, eu queria te provar que você pode mas eu só me toquei que eu amava você na hora que disseram o seu nome e mostraram a sua foto. Eu estou arrasado, e não tenho coragem de pedir que você fique.
-Já está feito, Eric... – respirei fundo olhando para a janela – só não torne ainda mais difícil e...
-Você ficaria se eu pedisse? – ele me olhou desesperado, segurando fortemente minha mão, quase suplicando, o que mais partiu meu coração, foi ver que ele estava bêbado – diga, ? Podemos fugir, você e eu... Você não precisa se submeter a isso, você pode ser feliz comigo e...
-ERIC! – o olhei completamente assustada, soltando rudemente de sua mão, aquilo não tinha cabimento, ele estava bêbado e me pedindo algo que eu não conseguiria – eu não posso abandonar a seleção agora, não posso largar tudo por...
-Por mim? – Fechei os olhos querendo me matar por ter a boca tão grande.
-Eric, eu não posso abandonar minha família, fugir com você seria praticamente entregar a cabeça deles... Eu não posso arriscar isso, sou propriedade dos príncipes, eu não consigo! – falei encarando ele e depois olhando para Kurt, que dormia serenamente. Ele concordou com a cabeça, estava saindo do quarto quando voltou até mim e me deu um beijo na testa.
-Espero que não se torne uma sem cérebro como eles... Você esta escolhendo o lado errado, , você sabe que isso não vai dar certo – ele riu sarcástico fazendo meu coração se partir ainda mais - mas vai, vire uma daquelas... Burguesinhas.
-Eric... – o chamei vendo-o sair bravo pela porta, sem olhar para trás. Estava tudo dando errado antes mesmo de eu entrar no maldito castelo, eu perdi o meu melhor amigo. Sentei no chão, deixando algumas lágrimas caírem, segurando o rosto eu fiquei contando até dez e respirando fundo para voltar ao normal, eu seria forte agora também. Minutos depois senti um pequeno braço me envolvendo em um abraço, olhei e vi que era Kurt, aquilo só fez com que eu quisesse chorar ainda mais
-Eu ouvi a conversa com o Eric... Ele foi muito mal com você- ele falou com a testa enrugada e cruzou os braços mostrando que estava bravo, aquilo me fez rir um pouco – , não deixe ele te colocar assim pra baixo, você é incrível, bonita, legal e engraçada, ainda sabe cozinhar biscoitos como ninguém e sempre ajuda a gente quando precisamos... Já é uma princesa e eu tenho certeza que os príncipes vão te amar, principalmente o ! Quando eu crescer, quero namorar com uma garota que seja tão incrível como você. Eu confio em você, eu acredito que você pode qualquer coisa... Ficaria feliz com você mesmo se você fosse chata igual a Kiara! – ele tirou do bolso um colar, ele tinha o cordão preto simples com um pequeno pingente de pássaro voando, era tão simples e meigo ao mesmo tempo, antes de eu perguntar como ele tinha comprado esse colar, ele já o colocou em mim – comprei ele com o dinheirinho que eu estava guardando... É bem simples... Mas é muito importante pra mim que você use algo pra se lembrar de mim pra sempre.
-Você é o melhor irmão que alguém poderia ter – sorri emocionada o abraçando forte, o mesmo chorava um pouquinho, até eu estava chorando... Não esperava que Kurt me dissesse tudo isso e me fizesse realmente ficar melhor. Minha família era tudo pra mim – vai me visitar no castelo, quando chamarem você?
-É CLARO! – ele falou animado, pulando me fazendo rir.
Depois das palavras de Kurt, fiquei um pouco com ele ali no quarto, brincando e conversando com meu irmão mais novo que tinha uma cabeça tão evoluída, que parecia ser mais maduro que eu. Graças a ele, eu estava me sentindo mais leve. O medo não havia sumido, porém eu estava mais aliviada em relação de deixa-los.
-Kurt, posso falar com a ? – Kiara perguntou ao me ver descendo as escadas com Kurt nos ombros e a mochila nas costas, o tempo havia passado e já estava quase na hora, o mesmo assentiu voltando lá pra cima, indo com minha mãe, em seu quarto.
-Se você me fizer chorar também, eu te bato! – falei rindo e a mesma me acompanhou, apenas correndo ate mim e me dando um abraço – promete que vai cuidar de tudo aqui e mandara cartas para mim contando de tudo que acontecer?
-, eu juro que vou deixar você orgulhosa e cuidar daqui de casa como você cuidava... Vou cuidar do Kurt e da mamãe até você voltar e pedirei ajuda para Kira e Jordan quando necessário – ela dizia rápido e eu ria e sorria abertamente com tudo que ela falava – eu estou muito feliz com você e eu confio e acredito que você consegue... Não se preocupe com a gente, foque em você.
-Eu amo você, ta? – dei um beijo em sua testa e a mesma disse o mesmo – você é a mais velha agora – sussurrei rindo e ela se gabou
-eu sempre fui né, você só tomava meu lugar por seu mais alta e mais velha, porque mesmo eu sendo mais nova, sou bem mais madura e...
-Ah, pirralha, fica quieta! – empurrei sua cabeça pro lado rindo junto com ela
-Srta. , já esta na hora... O carro já chegou – um guarda disse aparecendo na porta, se curvando ao me ver, assenti com a cabeça e falei para Kiara já ir entrando no carro, eles iriam comigo até a praça principal para a despedida. Chamei Kurt e minha mãe, estava indo logo atrás dele e minha mãe atrás de mim, porem ela disse para ele ir indo na frente que nós duas já iriamos para o carro. Me virei para ela confusa.
-Quando foi que você cresceu? Já esta virando uma mulher... – ela me olhava orgulhosa e eu estava prestes a chorar novamente, ganhei um abraço dela –não importa o que você faça, terei sempre orgulho de você, acredito e confio em ti... Vai ser pra sempre minha garotinha! – ela passava as mãos delicadamente pelo meu rosto – não tema, , a sua caminhada começa agora... Vai passar por coisas horríveis, sei que você tem a personalidade forte, igual a mim, mas não deixe seu orgulho estragar tudo, não se torne um boneco como a maioria, acredito que você vai sempre fazer o certo, e quero que você faça apenas o que é certo, não te criei pra virar uma pessoa do mal, seja honesta... E quando eu digo isso, não falo apenas sobre as coisas erradas, eu digo em relação ao seu coração... Seja honesta com o que sente, seja honesta com você. Seja honesta.
-Ser honesta?... – perguntei confusa, ela apenas sorriu me dando um beijo.
-Quando for a hora certa, você vai entender!

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Chegando na praça, estava lotada, cheia de câmeras, gente me pedindo foto, autógrafo, placas com meu nome, minha foto nos lugares, camisetas com meu nome, gente gritando por mim, eu estava ficando maluca. Seguranças me levavam até o palco e minha família estava logo atrás de mim, o prefeito disse algumas coisas, perguntou se eu queria dizer algo, porém eu neguei. Começaram a gritar meu nome novamente, e depois o hino de Avallon começou a tocar, procurei por Eric na multidão, mas não o achei. As garotas que haviam se inscrevido estavam me encarando com raiva, não consegui controlar o sorriso sarcástico e o “tchauzinho” completamente falso. Ninguém mandou elas me tratarem com desdém.
E então chegou a tão chegada hora... Eu tinha que ir.
Me despedi de minha família com o coração partido, entrei no carro segurando as lágrimas e então ouvi uma gritaria lá fora, era Kira, os guarda não estavam deixando ela entrar junto com Jordan. Sai rapidamente do carro.
-Deixe eles entrarem – falei e na mesma hora, eles já estavam dentro. Os dois vieram correndo me abraçar.
-Você já esta até dando ordens! – Kira bateu palminhas me fazendo rir – não consegui ficar no restaurante, não queria deixar você sozinha agora... Nem a mamãe ou as crianças. – apontei pra mamãe que estava ali segurando o choro, Kira foi correndo abraçá-la.
-Cuida deles pra mim? – perguntei segurando a mão de Jordan – Por favor, sei que você não tem essa obrigação, mas...
-, vocês também são minha família... Vou cuidar muito bem de cada um deles – ele me abraçou e eu sorri aliviada – agora promete que vai cuidar de você mesma lá.
- Prometo! – sorri novamente.
-Srta. , temos que ir – o motorista alertou, desta vez era oficial. Olhei para trás e vi todos eles acenando pra mim, juntamente com a multidão da praça. Acenei para minha família e entrei no carro novamente, fechando a porta e esperando que o carro fosse e eu fosse para o meu destino.
Não tinha como voltar atrás. Tinha que ser feito.


Capítulo 5

Nunca fui uma criança decidida sobre que profissão eu escolheria, sobre qual rumo eu seguiria. Felizmente eu tenho muitos dons, me dou bem com os animais, sei cozinhar e gosto; tenho facilidade em desvendar mistérios, sei tocar instrumentos, sei cantar, consigo liderar várias coisas, não tenho medo de falar em público, sei lidar com as pessoas; Eric dizia que eu poderia tentar ser modelo e várias outras coisas. Mas ter tantos dons assim, só me fazia ficar ainda mais indecisa sobre o que fazer...
Pra qualquer coisa nesse país, você precisava ter dinheiro, ser importante ou ter sido indicada por alguém importante, era impossível você entrar em uma faculdade sendo um “Marginal”, como eram chamados os que não tinham profissão alguma, roubavam, matavam e essas coisas. Eu não queria me tornar uma Marginal... Esse era literalmente o fundo do poço. Eu ainda conseguia sair da lama com a ajuda de minha irmã. Não tinha ideia do que faria na minha vida.
Meu coração estava apertadinho. Sabia que seria difícil deixar minha família, já que eu era muito apegada a eles, mas não imaginava que doeria tanto... Nem que eles demonstrassem tanto que aquilo não os machucavam. Meu maior medo era Merck voltar, não saberia como lidar com isso estando longe, tenho em mente que é minha obrigação cuidar de minha mãe e meus irmãos. Sempre tive esse instinto protetor, desde pequena... E depois do que Merck fez comigo, isso só aumentou.
Agora meu destino estava tomando um rumo completamente oposto do que eu achava que eu tomaria. De tudo que eu sempre quis ser, NADA envolvia entrar na realeza. Já quis ser fotógrafa, veterinária, advogada, cantora, atriz, música, cozinheira... Mas nunca, ser uma princesa.
Sei que isso é algo errado de se imaginar, estaria me iludindo caso eu conseguisse chegar entre as seis finalistas, é loucura eu já me precipitar. Mas minha família acreditava e confiava em mim, eu tentaria por eles.
Foi uma longa viagem de carro até chegar na pista aonde um avião estaria a minha espera e de lá eu pararia em uma área do castelo e haveria uma carruagem me esperando para eu ter minha entrada ao castelo. Nunca tive tanto medo de algo como tive de andar naquele avião. Nunca tinha andado, havia sido uma coisa inesquecível, porém estressante. Só imaginava como Kurt e Kira ficariam loucos com isso e como mamãe, Kiara e Jordan ficariam morrendo de medo, igual eu.
Não irei mentir, ao ver de longe o castelo, eu comecei a ficar ansiosa novamente, ele era ridiculamente enorme e bonito... As treze torres eram muito maiores do que eu imaginava, os tons de pasteis laranja e amarelo mostravam que os anos foram realmente se passando... A ponte enorme que tinha desde o começo do rio até o castelo era muito elegante, a água era azul clarinha, mesmo sendo agua de um rio. Dava pra ver enquanto sobrevoávamos o castelo o grande labirinto que tinha ali perto, e o jardim incrivelmente impecável da rainha. Ele era maravilhoso.
Ao descer do avião, havia vários fotógrafos a minha espera, não tinha permissão de dizer nada então só acenei e entrei em minha carruagem branca com as cortinas vermelhas. AQUILO ERA INCRÍVEL.
Minutos depois, chegamos a ponte do castelo, a famosa Boulevard... Suspirei enquanto passávamos por ela, aproveitando ao máximo o momento e quando chegamos na frente do castelo, fui recebida por Robin e mais três garotas, sorri ao descer da carruagem e elas se curvaram levemente para mim, pedi que parassem com aquilo, eu não era nada pra que elas se curvassem.
-Você está atrasada duas horas! – Robin me repreendeu assim que me apresentou Lauretta, Taihne e Olívia, minhas... Empregadas. – Todas as outras selecionadas já chegaram e estão se preparando para a cerimônia de apresentação. Você esta completamente para trás.
-De que? – perguntei segurando minha mochila e subindo os degraus que me deixava cara a cada com a porra que me impedia de entrar dentro do paraíso.
-Primeiramente, seja bem vinda ao seu novo lar – ela sorriu abrindo a porta. Fiquei maravilhada com o grande corredor, cheio de guardas um do lado do outro, dos dois lados do corredor, o tapete dourado com detalhes vermelhos a iluminação clara e formal, com aqueles enormes lustres. – e agora você vai para a primeira fase.
-Primeira fase? – perguntei ainda olhando ao meu redor, maravilhada – tem como você parar de falar em código?
-Fase um – Olivia me encarou sorrindo tímida – banho, hidratação corporal, limpeza de pele, essas coisas – ela explicou e eu fiz uma cara de “Ah ta”.
-Levarei comida à você, Srta. – Lauretta fez uma reverência e saiu antes mesmo que eu a corrigisse sobre tanta formalidade e Taihne foi ligo atrás.
-Você tem sete horas para ficar pronta, ! – Robin olhou no relógio e depois nos milhares papéis – NADA DE IR ATRÁS DOS PRÍNCIPES OU DOS REIS... VOCÊ SÓ VAI CONHECER ELES NA CERIMÔNIA!
-Pode deixar – revirei os olhos imaginando o quão mimado eles seriam – e eu fico pronta em duas horas – me gabei fazendo Robin gargalhar alto.
-Querida, hoje você vai ter um dia de beleza, vai experimentar roupa, passar maquiagem, fazer as unhas, fazer cabelo e etc... Duas horas? Impossível! – bufei já imaginando o dia insuportável que eu teria.
Conforme o prometido, eu fiz exatamente tudo que foi dito, banho, limpeza de pele, cabelo, unha, maquiagem, experimentei cinco vestidos que minhas empregadas fizeram pra mim e pronto. Como previsto, seis horas depois eu estava pronta. Fui levada ao meu quarto, que tinha uma cama incrível grande e confortável e o quarto era maior do que minha própria casa. Eu estava assustada com tanto luxo, não sabia como me sentir confortável ali.
Comecei a rir lembrando do cabeleireiro real. Ele tentou pintar meu cabelo, cortar e passar uns produtos estranhos nele, mas eu não deixei ele fazer nada o que o deixou irritado. Também a escolha do meu vestido o deixou irritado já que, de acordo com ele, eu estava parecendo uma plebeia mais arrumada de tão simples que eu estava. Já que nem maquiagem eu deixei ele passar. Com certeza ele deve me odiar.
Resolvi colocar as fotos da minha família em minha cabeceira. Bem ao meu lado e os coloquei ali, nos quadros que eu havia pedido e... Perfeito! Aos poucos aquele quarto ficaria com a minha cara.
Tinha um grande espelho ao lado da janela, então resolvi me olhar nele.
Meus cabelos , estavam soltos, com uma pequena trança que passava por trás da minha cabeça, tipo uma coroa de flores, só que com meu próprio cabelo com uma tiara fina prateada, ele também havia passado um tipo de tinta em cima de meus olhos, parecia que eu estava com um traço de gatinho neles. Continuava usando o colar que Kurt havia me dado e vestia um vestido preto com detalhes dourados, ele era longo com um certo volume a partir da cintura, um tipo de tomara que caia, só que tinha um tipo de tecido “transparente” que ia ate antes de meu pescoço e não continha mangas. Nos pés eu usava um salto não muito alto, por eu ainda não saber usar, porém, por eu ser baixa, eles queriam que eu usasse logo os saltos com postura. Robin estava mais ansiosa que eu. Não vi nenhuma das outras participantes, de acordo com o chato do cabeleireiro da corte, eu era a mais simples e que ainda usava preto no dia da minha apresentação, e que isso daria azar. Nem liguei.
Olhei para a janela e fui olhar por ela, do meu quarto dava pra ver todo o jardim e mais a floresta mais a fundo.
Tinha uma enorme piscina dentro do labirinto no meio dele, eu estava tão entretida naquilo que abri a sacada de meu quarto, ficando lá tomando um ar, eu não estava conseguindo respirar muito bem, e não era só de nervoso, essa cinta que afina a cintura, me deixava sem ar. Olhei para baixo novamente e vi que tinha um cara lá embaixo, de cabelos loiro escuro, vestindo um tipo de sobretudo preto que ia até metade de sua coxa, com uma calça também preta e a camiseta branca com uma farda dourada, com algumas medalhas no peito, ele aparentemente estava bem nervoso, andava de um lado para o outro, e segurava algo na mão, minutos depois ele parou olhando para o horizonte, respirou fundo e colocou na a... Coroa. Meu coração disparou ao ver eu ele havia me visto e que naquele exato momento, estava olhando diretamente pra mim. Era .
-, você tem que tirar algumas fotos para as revistas... Oh meu Deus, você está linda! – Robin entrou no quarto sem bater e eu me virei com tudo rapidamente para a porta – porque esta com essa cara de assustada? – ela perguntou vindo até mim, olhando lá pra baixo, fiquei vermelha na hora ao ver ela rindo – , você não pode espiar as garotas! Eu achei que faria isso primeiro!
-Oh, vai me dedurar? – pude ver que ele estava fazendo drama com as mãos no peito, segurei uma risada – vim apenas tomar um ar... Não queria atrapalhar – ele faz uma reverência – vejo vocês daqui a pouco! – dando m sorrisinho e saiu andando calmamente.
-Vamos logo tirar essas fotos! – falei a puxando pelo braço, antes que ela começasse com algum comentário que me deixasse morrendo de vergonha.
Alguns minutos depois eu cheguei em uma sala ainda no mesmo andar dos dormitórios, e estava cheio das quinze participantes, todas elas estavam ali. Usando vestidos completamente claros e bonitos, com maquiagem forte, cabelos cortados e também um cheiro horrível de perfume forte, não demoraria muito para eu começar a espirrar e também não demorou muito para eu receber olhares fuzilantes.
Nenhuma delas veio até mim, falar alguma coisa, a não ser por Lizzie Frost, a garota dos olhos azuis e cabelos curtos... Ela era bem bonita mesmo, não é atoa que é uma das preferidas.
-Seu vestido é maravilhoso! – ela elogiou tocando em minha roupa, eu RI da emoção que ela usava ao dizer aquilo – minhas damas fizeram apenas esse azul.
-Oh, Lizzie, você com certeza esta arrasando com ele! – falei e coração, o vestido dela era azul tomara que caia, que tinha pedrinhas de brilhante e era rodado também. A mesma sorriu dando uma voltinha.
-Que bom que gostou! Dança comigo mais tarde? Gostei muito de você! – estranhei o jeito dela, porém, falei que sim. Lizzie não parecia ser cruel. Ficamos conversando um bom tempo, até eu ser chamada para as fotos Eu seria a última a tirar as fotos por ter chego atrasada. Estava com vergonha pois nunca tinha feito algo parecido, e parecia que todas elas já sabiam que pose fariam, eu não sabia como agir... Ao ser chamada, eu mantive a postura reta, e dei o meu melhor sorriso olhando para a câmera, e quando o fotógrafo me elogiou, acabei olhando para baixo dando risada sem graça e ele tirou uma foto nesse momento também.
Faltavam apenas dez minutos para as sete horas. Fomos encaminhadas para a grande escada que tinha ente o primeiro andar e i saguão dos bailes. Estava um pouco nervosa, com medo de cair ou algo de tipo, seria expulsa na hora.
-, querida, você será a primeira selecionada a descer as escadas – Robin dizia com calma, me levando até o começo da fila. Foi aí que eu quase desmaiei.
-Mas, Robin, por que eu? – perguntei nervosa e ela apenas deu de ombros.
-Lição dois, não questione, apenas faça! – pude perceber que ela também estava nervosa – Lição três – ela ajeitou minha postura, arrumou meu cabelo e me encarou – desça com calma e classe, ao chegar lá embaixo, fique parada que o chefe dos guardas vai te pegar e levar você aos príncipes, você ira se curvar, sorrir e ser gentil! – ela me fuzilou nessa hora, deixando claro que era pra eu ser gentil especialmente – faça a reverência ao rei e a rainha, olhe para a sua direita e se curve com classe e sem exagero e faça o mesmo para a sua esquerda. Um dos príncipes ira te guiar ate a sua cadeira, outro ira te entregar uma tiara simples e um ira colocar em você, vai ser do mais velho para o mais novo, ou seja, vai entregar a coroa, irá colocar em você e vai te guiar para a cadeira. Faça tudo que eu disse que você vai longe, entendeu?
-Acho que vou vomitar – admiti com a mão na barriga fazendo ela rir e me abraçar.
-Você consegue, estarei lá embaixo em cinco minutos, óbvio que depois de ver você sendo oficialmente uma selecionada! – Ela respirou fundo ao ouvir a música de Avallon, cantamos ela, e depois de longos cinco minutos o Rei começou a falar, a rainha começou a falar e então, o cerimonialista chamou o meu nome .
-A primeira Selecionada diretamente de Southampton, por favor, palmas para !


Capítulo 6

Sempre fui uma pessoa decidida, e nunca abaixei a cabeça pra ninguém... Mas ver aquele tanto de gente olhando para mim, esperando um deslize para aumentar em dez vezes e espalhar para o mundo fez com que eu ficasse intimidada. No começo eu estava com a cabeça baixa, porém lembrei da “Lição 4: cabeça erguida, jamais abaixe ela pra ninguém!”. Aquilo foi essencial para minha entrada.
Respirei fundo, olhei para frente e desci as escadas com classe. Meu coração estava saltando pela boca. Ao chegar lá embaixo, como o esperado, havia um homem fardado, um guarda-chefe, fiz uma leve reverência e ele fez o mesmo pegando em minha mão, os olhos dele brilhavam. Conforme íamos andando pelo enorme tapete vermelho, eu pude ver o rei e a rainha no trono, fui levada até eles, fiz uma reverência e os mesmos fizeram com a cabeça, o rei me deu um grande sorriso, já a rainha nem olhou direito para a minha cara. Do lado estavam os três príncipes, na lateral, um ao lado do outro, não tive coragem de encara-los, até eu ser levada até , ele era alto, os ombros largos, os olhos irritantemente lindos com um sorriso de arrancar suspiro, ele usava a coroa e a mesma roupa que mais cedo, só que a diferença é que a cor era preta e vermelha.
“Lição 5: sorria sempre”
-É um prazer conhece-la, Srta. – ele falou sorrindo, pegando em minha mão depositando um beijo na mesma, depois de fazer me ver fazendo a reverência.
-Digo o mesmo, príncipe – sorri me segurando para não dar tão na cara que eu estava sendo sarcástica. Ele sorriu novamente, vendo-o pegar uma pequena coroa de boas vindas e entregando pra , que estava com um sorriso divertido preso nos lábios – Príncipe – fiz a reverência e ele fez o mesmo.
-É um prazer – ele não tirava os olhos azuis de mim, normalmente, eu encarava de volta ate a pessoa , só que ... Ele me intimidava, e eu odiava que isso acontecesse comigo. O encarei da mesma maneira – Seja bem vinda A Seleção – ele veio mais perto de mim, colocando a pequena coroa em minha cabeça, e encarou, pegou minha mão e deu um beijo, igual ao irmão.
-Que gentileza! – comentei sorrindo e provavelmente ele percebeu que estava sendo sarcástica, pois ele arqueou uma sobrancelha sorrindo sem mostrar os dentes. Virei para o lado e me encarava sério e, Deus, ele era provavelmente o mais bonito dos príncipes. Ah, na verdade nessa parte de beleza eu não sabia opinar, infelizmente eles eram muito bonitos, mas tinha cara de mais velho e mais novo ao mesmo tempo, era único dos três que tinha barba e os olhos eram verdes claros. Ele estava completamente sério e eu achava que ele era o mais simpático.
-Srta. – ele abriu um primeiro sorriso, mostrando os dentes, um sorriso que fez os olhinhos encolherem. Sorri junto com ele fazendo a reverência e o mesmo fez o mesmo – venha, vou acompanha-la até sua cadeira – senti uma de suas mãos me guiando pela cintura – Céus, como eu odeio essas celebrações – olhei para cima, para enxerga-lo melhor e comecei a rir, o mesmo ria junto comigo.
-Você não esta sozinho nessa, Príncipe – ele olhou pra mim rindo – Até o fim da noite eu aposto que você será a única que vai ter odiado.
-Ah, qual é, você vai ganhar! – revirei os olhos rindo e o mesmo revirou os olhos graciosamente me deixando em minha cadeira – conversarei com você quando tudo isso acabar – ele se despediu graciosamente e voltou ao lado de seus irmãos. me encarava, quando percebeu meu olhar sobre ele, sorriu dando um tchauzinho com as mãos, sorri novamente para ele. me encarava as vezes e quando ele percebia que eu tinha visto, ele mantinha o olhar para me intimidar.
Confesso que estava nervosa com essa cerimônia, achei que eu ia estragar tudo, acabar dizendo algo que me tiraria da competição, ser sarcástica demais com os príncipes ou algo assim, mas aparentemente estava tudo bem, não podia ir embora agora, eu precisava ficar ali por pelo menos uns três meses... Ajudaria minha família com o dinheiro que íamos ganhar, eu não me sentia culpada pelo que estava fazendo, muito pelo contrário... Era uma troca. Meu rosto, meu corpo, minha exposição pelo dinheiro.
Já disse que não éramos completamente miseráveis, morávamos numa casa boa que Merck havia ganhado de seus pais como herança, minha mãe não tinha onde cair morta e como consequência, nós também, eu trabalhava pra colocar comida na mesa e ainda dar um pouco de doce para as crianças, eles mereciam mais, EU merecia mais.
De qualquer maneira, me senti bem fazendo aquilo. Ser o centro das atenções no começo me deixou desconfortável, mas aos poucos eu fui me acostumando. Não tinha jeito de princesa, nunca me tornaria uma na verdade, isso era fato, me manteria na minha.
O salão estava completamente arrumado, cheio de gente importante. Um grande tapete vermelho ligava a escada até o final do salão, aonde estava o Trono. A esquerda do Rei, estavam as quinze cadeiras, e a direita, o trono dos príncipes. As pessoas que estavam ali no salão, estavam sentadas nas mesas espalhadas pelo salão. Tudo estava muito bonito, elegante, clássico. Tentei achar Robin e a avistei em uma das mesas com as outras quinze damas da Rainha, fiquei completamente arrasada ao perceber que eu não ia ficar perto dela. A mesma me encarou bem na hora, sorrindo graciosamente e assentindo com a cabeça levemente, me parabenizando e logo depois fez uma cara brava mandando eu arrumar a postura.
Conforme o tempo foi passando e as participantes foram chamadas e se sentando, eu já estava ficando angustiada por ficar tanto tempo parada, aquilo me deixava inquieta demais. Comecei a bater o pé, a bufar, mexer o pescoço, olhando para as unhas, suspirando e ficar olhando para os lados, distraída. Sinais claros de que eu estou entediada e perdendo o jeito nas coisas.
Pude perceber que a maioria estavam muito animadas com tudo, teve até as que choraram, pelo menos umas duas choraram descendo a escadaria, achei que tinha encontrado o limite de uma selecionada, mas me enganei ao ver que teve as que não se controlaram e correram abraçar eles. Era óbvio o espanto dos conselheiros e as damas. Eu dava risada, essas eram ousadas, gostava é de ver bagunça mesmo.
Quase uma hora depois, uma vez que todas já estavam sentadas, o rei tomou a palavra, saudou Avallon, agradeceu pela presença de cada uma de nós ali, que éramos todas lindas e blá blá blá, perdi o interesse novamente, desta vez, quase dormindo. Fui perceber que ele tinha parado de falar quando todo mundo começou a bater palma e as selecionadas tinham se levantado para o tanto de gente nos saldando. Levantei toda assustada, controlando um bocejo e uma esticada de braço, mas meu estado tido atrapalhado. Encontrei sem querer o olhar de , que disse um “estamos na mesma” sem que quase ninguém percebesse, comecei a rir baixinho.
Ficamos paradas ali até o Rei e a Rainha irem até sua mesa, e logo atrás, seus belíssimos filhos. Estava morrendo de fome, queria muito atacar os salgadinhos ou comer o que tivesse ali, não sabia o que era pra fazer. Olhei para Robin que apontou com a cabeça para a dela, havia uma cadeira ao lado de cada dama, como não vi aquilo antes?! Nenhuma garota havia se movido ainda, aquilo me deixou estressada, acabei saindo do meu posto e caminhei até a mesa de Robin, algumas pessoas me cumprimentavam e eu sorria para cada uma, Robin sorriu ao me ver chegar, me dando um abraço quando cheguei até ela.
-Agiu perfeitamente, como combinamos! – ela comentou me olhando orgulhosa e depois brava – Lição seis, NUNCA, demonstrar a falta de interesse e NEM dormir.
-Estava muito óbvio? – perguntei fazendo uma cara de “ops”. Ela me encarou meio nervosa e eu sorri culpada – anotado, nunca mais farei isso. – a balançou a cabeça vendo eu já demonstrando a falta de interesse por estar olhando para os lados. Quando eu avistei uma mulher bandeja cheias de aperitivos, eu estava pronta pra chama-la, até Robin acabar com minha graça.
-Lição sete, você nunca chama uma empregada, ela vem ate você em uma cerimônia. Lição oito, nunca coma demais! – olhei para ela sem paciência e a mesma bebericava alguma coisa.
-Mas e se eu ainda estiver com fome?
-Lição nove, suas empregadas estão ao seu dispor vinte e quatro horas por dia, peça que elas fazem. – bufei me encostando na cadeira completamente irritada. Onde já se viu não poder comer direito? Como previsto, o prato do dia era um pedaço de carne no meio do prato, com um molho espalhado nele, para dar aquela graciosidade e uma folha de hortelã no meio. Estava tão bom, que me doía a barriga por não poder comer mais. Eu aceitei a taça de vinho pois eles tinham proposto um brinde, não era de beber, costumava ser muito fraca pra isso. E não via a hora de chegar em meus aposentos e poder me acabar na comida lá. Nunca fui de me alimentar direito, sempre comia pouco, esperava passar mal para comer ou ate mesmo comia dias depois da ultima refeição... Mas quando eu sentia fome, eu precisava comer pra alimentar aquele eu interior maligno.
As garotas eram um pouco esnobes... Não conversavam muito uma com as outras, tinham o nariz empinado e se achavam melhores que as outras. A única até agora que foi legal era Lizzie, que estava muito animada na mesa, conversava com todo mundo, sorria, dava risada, contava piadas e etc... Olhei para a mesa dos príncipes e os mesmos estavam rindo e fazendo piadas entre si, a Rainha se mantinha séria e ás vezes ria junto com eles, já o Rei, entrava na palhaçada dos filhos. Aquilo era uma cena muito bonita, eles pareciam realmente felizes. Não estava sendo ruim ficar ali, pelo menos até agora.
Alguns minutos depois os príncipes se levantaram e caminharam até a pista de dança junto com seus pais, os mesmos começaram a dançar ao som de uma melodia bonita, apenas com o piano e o violino, eles sorriam, se olhavam completamente apaixonados.
Literalmente o casal mais bonito daquela festa. Observava com atenção até sentir uma mão em meu ombro, me virei calmamente e vi um guarda, sorrindo para mim, nunca tinha visto ele na vida. Seus olhos eram castanhos e seu cabelo da mesma cor.
-Srta. , me concederia a honra de sua primeira dança aqui no reino? – olhei para sua mão que estava esperando que eu a pegasse. Encarei Robin que incentivou que eu fizesse o que era necessário. Fiquei surpresa com isso, já que eu era uma propriedade dos príncipes. Peguei em sua mão e o mesmo sorriu aliviado – por um instante eu achei que você não aceitaria! – dei risada olhando para ele e depois vi que todas as outras selecionadas estavam da mesma maneira que eu, indo dançar com um guarda.
-Pensei em recusar, confesso... Mas, estamos aqui, creio que não vai ser tão ruim assim! – comentei e ele riu parando na pista de dança.
-Talvez vá ser sim – ele me olhou meio serio com a cara desesperada – eu não sei dançar.
-Bem, temos um problema, eu também não sei... Tipo, sei o básico... Dois pra cá e dois pra lá – o encarei fazendo o mesmo cair na risada e colocar as mãos em minha cintura – você me enganou?!
-Eu sou um bom dançarino, confesso, e como serei seu parceiro de dança enquanto você estiver sem a companhia de um dos príncipes. – ele ia explicando conforme íamos dançando, bem... Tentando dançar – e a propósito, meu nome é Ben Walker. Soldado Walker, mas você pode me chamar do que quiser.
-Certo, Ben Walker – disse dando uma voltinha e ele revirou os olhos – por chamar de , ou , Srta. me faz parecer uma velha, eu odeio tanta formalidade.
-Certo, , eu também prefiro assim! – ele riu me virando para ele – você pisou TRÊS vezes no meu pé, você é horrível!
-Eu não falei que era boa! – resmunguei fazendo o mesmo dar um sorriso sarcástico – aliás, eu acho que preciso descansar, estou cansada.
-Temo que você não poderá fazer isso agora, é sua cerimônia de apresentação, terá que ficar aqui até pelo menos a metade tiver ido embora – ele respondeu totalmente formal, exatamente como um guarda fala – eu terei que te deixar sozinha, pois trocarei de turno com outro guarda que é casado com uma cozinheira que está em trabalho de parto, ele quer ver o nascimento do filho e eu, como padrinho, vou ficar no lugar do pai... espero que você não se importe.
-Ben, você tem total apoio, vá sim, é muito bonito da sua parte fazer isso, com certeza será um ótimo padrinho! – ele sorriu rodopiando mais uma vez e me segurando ao ver que eu ia cair.
-Olha, vou conversar com Robin pra ela te ensinar alguns passos de dança – abri boca completamente inconformada dando risada logo seguida de um tapinha que não fez nem cócegas nele – tenha uma boa festa, ! – ele se curvou e saiu.
Tinha gostado de Ben, estranhamente eu tinha gostado de alguém do sexo masculino no castelo. Eu não tinha me acostumado com aquelas roupas pesadas, com ter que me manter sempre sorrindo, tudo isso me enchia o saco, viver da aparência enchia o saco. E isso é tudo que aquela gente sabe fazer, todas elas. Até eu. Aquilo me deixava irritada e quando eu ficava irritada, eu simplesmente ficava uma fera Queria deitar, dormir ate essa droga acabar, ou dormir e descobrir que isso é apenas um pesadelo... E dos piores! Que Kiara entrasse em meu quarto gritando e me assustando, ou até mesmo dividindo a cama com Kurt quando ele tinha pesadelo. Pena que Aquela não era mais minha realidade.
Andava pelo salão calmamente, até que consegui sem que ninguém percebesse, ir até o corredor grande, não sabia pra que lado ir para ir ao quarto e muito menos pra onde eu ia pra conseguir tomar um ar, e isso era o que eu mais precisava naquele instante. Comecei a passar as mãos em meu rosto, olhava para os lados e não via ninguém, nem um guarda pra me guiar pra algum canto, eu simplesmente estava ficando maluca.
Comecei a andar na direção oposta da que eu estava, aqueles corredores enormes me davam agonia, Deus, eu não estava conseguindo raciocinar mais nada. Virei a direita depois da escada dando de cara com um corredor escuro, apenas a luz da lua iluminava aquela área (que era gigante). Eu estava desesperada, eu precisava de ar, estava ficando sem conseguir respirar.
Estava apoiada na parede quando decidir correr por conta do desespero, sem raciocinar direito. Conforme eu tentava correr, eu senti algo batendo com tudo em mim e me segurando, ao perceber que eu iria cair. Comecei a apertar minha garganta e encarei a pessoa. Era .
-Srta... ?! – ele perguntou confuso e continuou me segurando, vendo aquela cena completamente horrorosa. – O que esta acontecendo?
-Ar... – foi a única coisa que consegui dizer, foi nessa hora que ele pareceu entender o que estava acontecendo e me arrastou comigo em seu pescoço sem esforço nenhum. Meu coração estava descompassado e eu tinha certeza que não era por causa dele. Não sabia pra onde estava indo.
-Alteza... – escutei um dos guardas falando e fazendo a reverência – esta tarde, não é seguro e...
-Abra a porta, ela precisa de ar fresco! – parecia estar um pouco nervoso, e eu estava ficando roxa. – É ordem, me deixe passar! – o soldado pareceu pensar e rapidamente abriu uma enorme porta. Era muita informação. me arrastava para fora do castelo me pedindo pra ter calma – escuta, respira fundo pelo nariz e solta pela boca – ele me sentou em um banco e se ajoelhou em minha frente, eu estava olhando para os lados, segurando minha garganta não conseguindo fazer o que ele pedia. Então, ele segurou minha mão direita e com a outra mão, segurou a direita e repetiu com calma – se concentra, respira pelo nariz e solta pela boca – ele fazia os movimentos junto comigo, e por algum instante eu pude ver que ele estava realmente preocupado comigo. Aos poucos eu fui voltando ao normal, sentindo tudo ficar como sempre foi. Fui acalmando, passei as mãos em meu rosto ignorando completamente o fato de estar com batom. Olhei para ele, que ainda me encarava, só que agora o olhar preocupado havia sumido e aquele olhar irônico tinha voltado.
-Hm... – passei as mãos pelo meu pescoço e olhei para os lados um pouco sem graça – er... Obrigada, alteza – ele sorriu balançando a cabeça.
-Me chame de Thor, eu odeio ser chamado de ‘alteza’ – ele continuou ali aonde estava desde o começo – você é a garota que estava com o braço enfaixado na foto de apresentação, certo? – agora eu tinha entendido o olhar irônico, ele achava graça naquilo. Revirei os olhos.
- , pra você – bufei me levantando ouvindo sua gargalhada irritante.
-Olha, eu posso te chamar do que eu quiser, – me virei para ele, que ainda estava agachado e sorri sarcástica.
-É mesmo?! – meu tom irônico estava no auge e eu estava nem aí se era o Príncipe ou não. E comecei a andar de volta para o castelo.
-Espera, princesa – fiz uma careta e o ignorei completamente – meu amor? Minha linda? – eu estava quase na porta quando ouvi o mesmo bufar – ? – sorri vitoriosa me virando para ele.
-Desculpe, me chamou, Príncipe ? – fiz a maior cara de inocente e o mesmo fez careta.
-Você acabou de ter um ataque de asma... Você não marcou isso no seu relatório medico – ele explicou caminhando até mim e eu o olhei confusa.
-Você leu meu relatório?
-Por que eu não leria? – ele rebateu e dei de ombros.
-Porque você não se importa, isso esta estampado na sua cara desde o dia que anunciaram a seleção na TV – Cruzei os braços e ele se fez de desentendido.
-Observadora... Mas não – revirei os olhos rindo sarcástica.
-Okay, príncipe – me sentei em um outro banco sentindo aquele ar fresco gostoso – eu não marquei porque eu não sabia que eu tinha asma... É a primeira vez que ela ataca – ele pareceu surpreso e o olhar preocupado havia voltado.
-Eu só queria que você fosse amanhã para a enfermaria conversar com nosso médico, pra ele encaminhar você alguns remédios e essas coisas... – ele abaixou a cabeça e logo depois a levantou e ficou observando as estrelas – eu devo agradecer você por me trazer aqui fora agora... Eu estava precisando de ar também.
-Mas você é o príncipe, pode ir e vir a hora que quiser – argumentei, fazendo ele concordar com a cabeça e olhar para o lado.
-Tem razão, mas não é tão fácil quanto você pensa – percebi que ele não queria falar sobre o assunto, então mudei, em respeito, sabia como era ruim ter alguém se metendo.
-Meu problema respiratório disse “ao seu dispor, alteza” – Ri baixinho e ele riu me olhando grato por não perguntar nada, e surpreso também por isso.
-Acho que você deve voltar para a festa – ele comentou olhando pra cima me fazendo olha-lo brava.
-Você deveria voltar também! – Cruzei os braços e ele arqueou uma sobrancelha.
-Eu sou o Príncipe, posso fazer o que eu quiser - gabou-se me fazendo rir com desdém.
-Eu posso ser sua cunhada, não me faça ter ódio de você e ter que conviver a vida inteira te desprezando – foi a vez dele rir com desdém e eu jogar meu cabelo, me gabando também.
-Quem te garante isso? – encarei o mesmo e arqueei a sobrancelha da mesma maneira desafiadora que ele.
-Quem me garante o contrário? – rebati fazendo ele olhar novamente para o céu.
-Quem te garante que você ficará com meu irmão e não comigo? – desta vez eu o encarei rindo de verdade.
-Deixe de ser idiota! – eu tinha acabado de chamar um PRÍNCIPE de IDIOTA. Ou eu seria expulsa, mandada pra uma prisão ou teria minha cabeça cortada por desrespeito. Mas isso não me abalou, vi que o mesmo ficou surpreso por eu ter dito algo assim, mas manteve o sorriso sacana nos lábios – se você acha que presunçoso deste jeito vai arrumar alguém, pode ter certeza, essa pessoa não será eu!
-Você me chamou de idiota!? – eu fiz que sim com a cabeça e ele começou a rir – que ousadia! Garota, você ta falando com um Príncipe!
-Eu não me importo, você ainda é um ser humano que merece ouvir umas verdades as vezes. – me virei para frente com um sorriso no canto dos lábios, ainda sentindo o olhar dele em mim, aquele olhar surpreso. Talvez eu tenha sido um pouco rude e ele tenha ficado bravo, já que bufou e cruzou os braços olhando para o lado oposto da onde eu estava, mas falar a verdade seja pra quem quer que fosse, era um lema da minha família. Nem se ele fosse o Papa eu iria deixar de dizer.
Ficamos por um bom tempo apenas ouvindo nossa respiração, a natureza naquela noite estrelada e bonita. Estava meio desorientada, confusa, cansada... Ficar em silêncio me deixava numa paz. Um silêncio que eu não conseguia há tempos. Infelizmente esses momentos seriam difíceis de conseguir.
-Alteza, Srta. vocês precisam voltar para o castelo, dois Selvagens tentaram invadir o castelo, estamos fazendo uma averiguação pelas redondezas. – olhei para o guarda e depois para , confusa. O que seriam os “Selvagens?” – e já estão procurando por vocês dois na festa.
-Certo... – se levantou rapidamente, me dando sua mão para eu levantar também, e me entregando ao guarda. Eu estava sendo levada novamente para aquela festa chata e nem consegui conter minha reclamação ou minha cara de bosta. Olhei para ele novamente e o vi me pedindo desculpa por ter sido tão curto o nosso tempo ali fora – Leve a Srta. para quarto dela, diga que eu mesmo a liberei. Diga que a mesma não esta se sentindo muito bem e que eu estou em meus aposentos. – olhei pra ele agradecida e o mesmo cumprimentou com a cabeça, sorrindo de lado, me vendo partir, pela primeira vez.


Capítulo 7

Abri os olhos com um pouco de dificuldade, conforme eu ia fazendo minha visão ficar menos embaçada eu ia conseguindo enxergar aonde eu estava. Aos poucos fui identificando, a primeira coisa que consegui ver, foi a enorme janela que havia no meu humilde quarto, senti a seda em minha pele, o colchão macio no qual eu me encontrava, o famoso travesseiro com penas. Aquela havia sido minha primeira noite no castelo. E não irei mentir, nunca me senti tão bem na hora de dormir... Simplesmente incrível. Foi como dormir nas nuvens. Queria que minha família pudesse sentir isso que eu estava sentindo.
Não vou negar que a noite ontem foi estranha, eu simplesmente dei um perdido nas Selecionadas, quase morri sem respirar e ainda por cima xinguei um Príncipe de idiota. O qual independente de eu ter falado merda e ter sido grossa, me deixou ir para o quarto mais cedo e ainda teve a bondade de me ajudar a ir tomar um ar. Ainda acho ele presunçoso demais, não gosto disso, mas foi completamente gentil comigo ontem e eu infelizmente não conseguia enxergar isso nele, eu apenas enxergava um cara querendo fazer pontos com uma das Selecionadas pra dar um pé nela quando cansar. Eu odiava ele. Eu odiava os três.
Minha mordomia acabou quando Robin entrou feito um furacão em meu quarto junto com as minhas damas. Minhas damas estavam vestidas com o uniforme simples de sempre, um vestido verde claro com um avental branco por cima, e uma toca na cabeça. Já Robin, vestia um elegante vestido social cinza, parecia uma advogada, já seus cabelos estavam presos em um coque com uma maquiagem leve. Pude notar que Robin estava aflita, já as meninas, estavam sorridentes. Mal chegaram, fizeram uma leve reverência, dando bom dia e anunciaram que iam começar a preparação do meu banho. Não estava entendendo nada.
Olhei para Robin que se sentou em minha cama colocando a prancheta de lado e segurando minhas mãos e me olhando nos olhos.
- me contou sobre ontem... – ela começou a dizer e eu revirei os olhos.
-Fofoqueiro – resmunguei e ela riu baixinho.
-Como eu ia dizendo... – ela continuou – vamos na enfermaria logo depois do café da manhã.
-Robin, não tem necessidade – garanti vendo a mesma fazer uma cara de “Você está bem mesmo?” – foi tudo por conta da emoção, novos ares... Você entende, não é?
-Okay, seus argumentos são válidos... – comemoro batendo palminhas – mas recebemos ordens de alguém lá de cima. Temos que obedecer.
-Mas eu to bem, por favor, Robin, eu juro que se eu passar mal novamente, vou sem reclamar para a enfermaria – colei nossas mãos para dar mais impacto ao meu drama.
- vai odiar isso – ela resmungou me olhando feio
-Se ele vier falar algo pra você, mande-o diretamente pra mim, eu resolvo as coisas com o Príncipe – ela me olhou orgulhosa fazendo-me sorrir, pois já sabia que tinha ganho aquela discussão.
-Lição dez – ela e levantou sorrindo – atitude e ousadia! É isso que tem que ter para ser uma princesa.
Sorri pra ela contendo a vontade de dizer que a ultima coisa que eu queria, era virar princesa, e apenas fiquei ouvindo as instruções para o grande dia no castelo. Como previsto, minhas damas me arrumaram. Prepararam um banho incrível e relaxante de banheira.
Meu primeiro banho de banheira, era tudo totalmente novo pra mim e eu estava feliz com algumas coisas.
Elas me deram varias opções de tipo de perfume, sabonetes e cremes para eu usar e ter um toque diferente das outras garotas, para os príncipes diferenciarem e terem uma essência melhor de todas as Selecionadas.
Nunca fui muito com cheiro de outras coisas, na verdade, eu me virava com o que tinha em casa. E ali tinha tantos cheiros que estava me deixando enjoada porem, o que me deixou completamente apaixonada, foi o de essência de baunilha com chocolate, nunca havia visto ou sentido aquilo. E provavelmente não teria condições de comprar nem o sabonete, nem o chocolate é pro meu bolso, que dirá os cosméticos.
Acabei escolhendo aquele, e tomando meu banho relaxante NA BANHEIRA.
Minutos depois, Lauretta e Taihne apareceram com um vestido dentro de um saco preto e uma caixa de sapatos. Olívia me deu um roupão branco e colocou em meus cabelos uma toalha. Na correria, pois eu já estava atrasada para o primeiro café da manhã na realeza, enquanto eu colocava a cinta na barriga para deixa-la mais fina para ajudar o vestido a entrar, Lauretta secava meus cabelos, Taihne me passava alguma coisa na cara e Olívia me ajudava na cinta. Quanto tudo já estava pronto, elas abriram o saco e eu pude ver um vestido ciganinha, branco com parte da cintura num tom amarelo meio marrom e a parte da saia também branca, com um pouco de volume. Nos pés eu estava usando um pequeno salto e na cabeça, a coroa de selecionada.
Quando finalmente estava pronta, fui direcionada ao meu guarda, Ben. Ele me levaria a sala de refeições, já que Robin já estava lá e minhas damas não podiam ir além de certa parte do castelo.
-Você está atrasada, sabia? – ele ofereceu o braço para eu segurar já que o salto estava me incomodando e claramente se via que eu não sabia lidar com aquilo.
-Sério, Ben? – falei sarcástica fazendo-o revirar os olhos
-Só estou te avisando... Torça para aRainha e o Rei não terem chego ainda, vai ser menos embaraçoso pra você – ele riu descendo junto comigo um monte de degraus.
-Ah que ótimo, é hoje que todo mundo descobre meu nome – bati na testa me amaldiçoando por ter enrolado tanto no banho e parando na frente de uma grande porta, sentindo o frio na barriga por isso.
-Vai dar tudo certo, ! – ele garantiu, sorrindo. – de acordo com o público, você ta entre as cinco preferidas e de acordo com os murmúrios entre os guardas.
-O QUE? – falei nervosa vendo ele rir da minha cara, o que me deixou mais nervosa ainda.
-Entre logo! – ele abriu a grande porta.
Não tive tempo pra muita coisa, apenas de ver todos os olhos em cima de mim, inclusive os príncipes e os olhos malvados da Rainha. Não sabia onde enfiar minha cara e se eu pudesse, correria dali mesmo, mas lembrei de uma das lições de Robin e falei a mim mesma: Cabeça erguida, ousadia e atitude.
-Sinto muito pelo atraso, Majestades - me curvei para eles sentindo a bochecha corar – acabei perdendo um pouco a noção de tempo.
-Bom dia, Srta. – o rei falou sorridente – tem um lugar vago entre e , fique a vontade de ficar ali.
Foi aí que eu senti todos os olhares furiosos e fuzilantes em minha pessoa, não precisava nem ver pra comprovar, era fato que eu morreria naquele instante se pudessem me matar.
-Bom dia, Majestade, obrigada – fiz outros reverência e caminhei até meu lugar. Aquilo era tão constrangedor.
Fiz uma pequena reverência aos príncipes e me sentei, estava super sorridente e , que estava na minha frente, e ao seu lado estava Lizzie também estavam sorrindo. Já , estava com a cara fechada. Mas eu ouvi a risadinha dele ao me ver quase cair ao sentar na enorme cadeira super pesada.
-Vou te dar um relógio, ! – falou pensativo me fazendo rir daquilo, eu adoraria ter um relógio.
-Como se isso fosse resolver o problema dela, atraso pelo jeito é algo natural – resmungou dando um sorriso sarcástico me fazendo revirar os olhos e bufar.
-Não enche, – sussurrei tomando meu suco de laranja e fingindo que não estava ligando pra ele.
-, não seja rude – repreendeu, me fazendo sorrir. Toma essa, .
-Eu só fui sincero! – ele se defendeu, comendo algo com calda de chocolate.
-Mas você nem a conhece direito pra chegar a essa conclusão – riu comendo suas panquecas.
-Príncipe chegou no ponto X mesmo, você nem me conhece – retruquei sorrindo falsamente e sendo servida com as panquecas salgadas.
-Ela tem o jeito, ! Aquele jeito de...
-Aquele jeito do ? – ele começou a rir da cara que o irmão mais velho fez para ele. Parece que alguém se ofendeu.
-Ei! – ele se defendeu – eu aprendi a lidar com a hora, estou chegando no horário e como príncipe mais velho, próximo a linha de sucessão eu estou melhorando nisto! – fiquei surpresa por ele falar daquela maneira tão prepotente, talvez um dos irmãos gostariam de ter a coroa ou talvez ele nem queria aquilo. Mas fiquei na minha.
-Claro, depois que nós começamos a te presentear com relógios, você não podia mais dar a desculpa de que perdeu a hora – respondeu dando de ombros. Aquele jeito dele me irritava. Aquele jeito de não ligar pra nada e “eu sou o dono da verdade”. Já saquei qual é a dele e aqui temos um problema...
Eu também acho que sou a dona da verdade.

~

O café foi incrivelmente bom e não totalmente agradável, mas fora isso, a comida estava ótima e pra minha primeira refeição da manhã eu já estava preparada para um dia todo na guerra. e Lizzie conversaram bastante e eu fiquei ouvindo-a o caminho todo até o quarto sobre o encontro que eles haviam marcado para hoje à tarde. E como era segredo, ela havia contado apenas pra mim.
não parava de tentar me fazer rir e me fazer engasgar com a comida, já , fazia eu querer me dar um tiro de tão inconveniente que era.
-Lizzie, só não crie esperanças demais, ainda estamos no começo da Seleção, você sabe quem tem mais treze garotas preparadas pra puxar seu tapete – comecei a falar me jogando em sua cama, que era igualzinha a minha.
-Você é sempre tão pé no chão assim? – ela perguntou rindo se olhando no espelho, dando voltinhas – e por quê treze? Não seriam quatorze?
-Eu não sou uma ameaça, acredite em mim – respondi garantindo a ela aquilo. A mesma me olhou toda sorridente se jogando ao meu lado na cama.
-, você é uma ameaça sim e eu não deveria estar confiando meus segredos a você – ela falou rindo me fazendo gargalhar. Não deveria mesmo. – Mas eu senti que você não é má, pelo menos aparentemente... Eu sempre fui muito carente e não ter amigas aqui me deixa triste. Precisava de alguém.
Amiga. Aquela palavra eu desconhecia, nunca havia tido uma sem ser do mesmo sangue que eu. Aquele castelo estava sendo uma caixinha de surpresas pra mim e eu estava me acostumando com as novidades aos poucos. Não deveria considerar Liz uma amiga, mas eu não estava na Seleção pra valer, então ela automaticamente não era uma ameaça pra mim e nem eu para ela.
-Pode confiar em mim – sorri sincera, mostrando o dedo mindinho pra ela que logo aceitou ele, de bom agrado me mostrando o dedo indicador para selarmos nosso pacto.
-Não acredito que encontrei alguém que saiba fechar um acordo com o mindinho. É tipo pacto de sangue – ela gargalhou e eu acompanhei ela. Até eu fiquei surpresa, achei que só eu e minhas irmãs fazíamos aquilo. Saudades delas. Fomos tiradas dos nossos devaneios quando ouvimos algumas batidas na porta.
Robin e Shelby, a “governanta” de Lizzie.
-Que bom que já se conheceram – Shelby era da mesma forma que Robin, per simpática e engraçada – mas não sumam dessa forma novamente, os príncipes estão no salão principal esperando as selecionadas para terem uma pequena conversa entre si, para se conhecerem melhor... E vocês também, as selecionadas devem pelo menos se cumprimentar e ter a decência de ser adulta e desejar um “bom dia” a colega.
-Eu sempre desejo isso à quem eu vejo, se elas não respondem a culpa não é mais minha – Lizzie se defendeu. Sim, ela era a simpatia em pessoa.
-Se elas não fazem questão, por que eu tenho que fazer? – olhei pra Robin que sorriu entendendo o que eu estava sentindo.
-Lição onze – ela olhou pra Shelby que sorriu de lado – Uma princesa sempre vai ser simpática e educada, mesmo nos piores dias.
Não sou uma Princesa!
Não quero ser uma!

Eu quis gritar aquilo pra deixar claro minha posição sobre o assunto, mas me contive novamente.
Depois de um diálogo longo com Shelby e Robin e muita farpa trocada pelas opiniões diferentes entre nós duas, Ben e outro guarda estavam em nossa porta, nos esperando para irmos ao salão principal em direção aos leões.
Descobri que o guarda de Lizzie se chamava Kapel Megawatt, ele era mais alto que Ben e tinha os cabelos mais claros com olhos verdes. Um rapaz adoravelmente fofo. Foi super educado e junto com Ben, formavam uma dupla de palhaços.
Chegamos no grande salão, que estava enfeitado com flores e fitas e varias comidas em uma mesa de centro, e uma música tocando de fundo.
Era piano.
Eu sentia tanta falta de tocar.
-, Lizzie, estão atrasadas – um guarda nos avisou ao entrarmos. Os príncipes estavam em algum lugar, ali no salão eu não vi nenhum. Mas Liz e eu fomos as ultimas selecionadas a chegar ali e de acordo com alguns murmúrios, eles estavam caminhando com as primeiras que chegaram.
As conversas iam de vinte minutos para mais, eu já tinha feito tudo possível ali no salão, inclusive conhecer as outras selecionadas. A maioria era bem simpática, eu entendia a cara de merda pra mim, independente de tudo, estávamos ali pra ficar com um dos príncipes.
Fui para a janela observar o jardim e avistei conversando com Summer. Ela gargalhava, tocava e era super exagerada. Ele parecia gostar daquilo, pelo menos eu achava pela cara que ele fazia. Um sorriso preso nos cantos dos lábios.
Ouvi uma outra selecionada rindo alto com em seu encalço entrando no grande salão e logo atrás, pude ver descendo as escadas com Lizzie, que estava visivelmente contente.
-De acordo com a minha lista, falta só uma selecionada – anunciou sorrindo olhando para mim. Dei um sorrisinho constrangido pela atenção dos olhares em cima de mim. Caminhei em direção à ele, que me ofereceu o braço assim que cheguei ao seu lado.
Ele usava uma calça preta e uma camiseta social branca, assim como os irmãos. Só mudava o estilo de uso, pelo que vi, estava com alguns botões abertos, todo arrumado, impecavelmente e , nem tão formal e nem tão bagunçado. O sorriso dele era cativante.
Era verdadeiro.
-Senhorita ... – ele começou a dizer num tom elegante, me fazendo gargalhar com o jeito ridiculamente prepotente ele usava. – você é de Southampton, certo?
-Certinho! – respondi da mesma forma, tirando um sorriso do mesmo.
-E você fazia o que lá?
-Depende... Eu trabalhava no restaurante do meu cunhado e minha irmã... Mas eu sempre fazia bico para conseguir mais dinheiro pra sustentar minha família. – terminei de falar olhando pra frente, tendo uma vista incrível pelo corredor aberto do castelo, onde tinham vários guardas preparado para atacar.
-Interessante – ele me olhou sorrindo novamente – quantos irmãos você tem?
-três, sou a mais velha, depois que Kira se casou, nossa monarquia exige que a gente não se envolva mais depois de um casamento, mas é impossível. – já tinha me irritado com aquele assunto.
Funcionava de uma forma horrível: a moça que se casasse, automaticamente perderia a ligação com a família. Você irá ter uma nova casta, uma nova família e uma nova vida, deixaria para trás o que era seu por direito.
Kira não levava aquilo a sério, embora arriscasse sua ficha limpa e até mesmo seu sobrenome com seu casamento. A nossa família sempre seria tudo pra ela tanto como era pra mim. E aquele cara , vulgo Jordan, havia nos adotado nisso tudo. Assim como amava Kira, amava a família dela e não queria perder o contato de forma alguma. Ele não tinha uma família, perdeu os pais muito jovem e seu único irmão quando se casou, perdeu a ligação com ele. O que tornava tudo mais complicado pra ele, já que sempre foi muito família.
Agora, independente de tudo, nós não ligávamos para a merda da monarquia.
-Só pra deixar claro, eu simplesmente odeio essa lei e caso um dia eu tenha algum poder, será umas das primeiras coisas que irei abolir – ele olhava pra frente, brincando com os próprios dedos. Dei uma encarada básica para ver requisitos de mentiras mas não encontrei nenhum, então acabei dando um pseudo sorriso.
-Irei cobrar isso, – ele me olhou sorrindo de lado.
-... – ele riu pelo nariz – Você parece minha mãe e minha avó falando... Me chame de .
-Como esta a Lady Devimon Aykroyd? Ela sumiu da mídia – eu adorava a Lady Devimon. Ela era tão simples e realista, depois que o Rei Roger II (seu marido) faleceu, ela sumiu de tudo que é lugar e nunca mais soube dela.
-Ela esta dando a volta pelo mundo, literalmente – ele voltou a andar me oferecendo o braço – A morte do meu avô foi demais para ela... Ou ela ficava aqui e morria de depressão, ou ela ia esfriar a cabeça com suas damas. Desde então, só recebemos cartões postais e ligações de uma senhora muito animada.
-Foi a melhor coisa que ela fez – ele me olhou sem entender e eu comecei a explicar – Ela saiu daqui de dentro, ela pensou nela e ta curtindo a vida... Certíssima!
-Eu concordo plenamente, minha avó precisava deste tempo... Ela esta super animada com a Seleção, quer conhecer vocês o mais rápido possível, mas ela esta em algum lugar da Coréia e vai demorar alguns meses.
-Eu não vejo a hora de conhece-la – falei e provavelmente meus olhos estavam brilhando. Só minha mãe sabia o quanto eu amava Lady Devimon.
-Fico feliz que goste dela... – ele sorriu – Com certeza será a primeira a conhecê-la.
Dei um sorriso sem graça por isso, talvez ele esteja fazendo isso só pra ganhar pontos comigo, ou só porque é um galanteador e é automático ser assim. Dando aquele sorriso de tirar o fôlego e sendo extremamente fofo e engraçado, conseguia mostrar a transparência de ter um pouco de inocência e mesmo assim, mostrar que é sem vergonha. Eu queria muito odiá-lo, mas aparentemente, ele tinha ganhado parte de mim só pelo jeito incrivelmente puro de ser. Me lembrava Kurt, saudades daquele pestinha.
-Cabeção, agora é minha vez de falar com essa Selecionada, seu tempo acabou – Do nada brotou uma cabeça no meio de nós dois, nos fazendo dar um pulinho de susto.
-Não sabia que tínhamos tempo com elas – Ele respondeu na defensiva. Aquilo era engraçado.
-Logico que você sabia, o tempo máximo é trinta minutos. Eu conversei com todas, só falta a Senhorita estava com um sorriso brincalhão nos lábios e também, mesmo querendo parecer chateado.
-Droga – ele chutou o ar me fazendo gargalhar do jeito forçado de fingimento – Vejo você mais tarde, mademoiselle – e com uma reverência extremamente forçada, ele se retirou.
Olhei para , que observava o irmão partir, com uma expressão facial como se dissesse “ele não tem jeito mesmo” e depois me encarou sorrindo.
-Senhorita ...
-Ah não, , por favor, – falei meio sem paciência. ODIAVA TANTA FORMALIDADE.
-Desculpe... ! – ele sorriu me levantando e andando ao meu lado para o lado mais aberto do castelo, a famosa área do jardim. – então... O que te fez querer entrar na Seleção?
Dinheiro, meu melhor amigo traidor, meu pai.
-Minha família ficou muito animada com o comunicado – menti. Meu grande defeito era não saber mentir. Sempre aparecia uma ruguinha entre minhas sobrancelhas e eu não conseguia não colocar a mão na boca.
-Por que eu acho que não senti firmeza nessa resposta? – ele perguntou com a sobrancelha arqueada me fazendo sorrir culpada.
-Não quero que pense que eu sou interesseira, não que eu ligue para o que os outros pensam de mim, mas pensarem que estou me aproveitando da situação, é a última...
-Jamais pensaria isso de alguém, ainda mais de você - fui cortada por , que sorria de canto me olham nos lábios – só por ter chamado de idiota, você se mostrou diferente.
-Ele contou isso? – perguntei visivelmente constrangida.
-Temos que contar um pro outro tudo que acontece entre nós e uma Selecionada. Acredite, ele esta surpreso com isso até agora – dei m sorriso me sentindo vitoriosa. Ficaria marcada na Seleção por ser a verdadeira.
-Não me arrependo e se tiver a oportunidade, falarei novamente – dei de ombros passando as mãos nas flores amarelas que tinham ali em um canteiro.
-Estamos adorando ter uma selecionada que não faz tudo pra agradar – ele me seguia, e me observava. Ele era observador até demais, isso me deixava com medo do que ele poderia descobrir.
-Serei assim até me mandarem embora.
-Se depender de mim... Você fica aqui – observei as bochechas dele ficarem vermelhas, o mesmo se tocando que havia acabado de falar ficando ainda mais constrangido. Apenas dei um sorriso agradecendo. não era do tipo que era galanteador demais.
era aquele tipo de cara reservado e sério, mas que depois de muita conversa e ele se sentisse confortável, começava a ser menos “só príncipe” e ficava bem mais “humano”. Completamente diferente de , que já era bem mais extrovertido e estava sempre me fazendo rir, era mais na dele, reservado. Não o culpava, ele era sério daquele jeito para impor respeito já que basicamente, ele seria o próximo Rei de Avallon.
De qualquer forma, ele tinha ido bem na nossa primeira conversa, tinha me sentido bem ali. Eu só me amaldiçoava por ser tão desconfiada e não conseguir gostar deles por causa de tudo isso. depois de um tempo comentou que o tempo dele havia acabado e que era a vez de , eu não estava nem um pouco afim de falar com ele. Mas estava no cronograma, havia de ser seguido.
Fiquei sozinha no jardim, pela primeira vez, esperando que aquele rapaz aparecesse, mas adivinhem... Ele não apareceu.


Capítulo 8

Estava tão irritada que ao entrar em meu quarto, bati a porta com toda a força, esquecendo-me completamente que não estava em minha casa (e era impossível eu fazer algo do tipo lá, já que a porta não aguentaria e minha mãe provavelmente me daria alguns tapas). Mas de qualquer forma, eu estava irada e queria esmagar com as mãos o pescoço daquele cara que se achava demais e não era nada.
Fiquei com dó de Olívia que estava distraída limpando o espelho, a mesma levou um susto ficando pálida. Lauretta e Taihne que arrumavam os vestidos no guarda roupa ficaram assustadas também e surpresa por eu ter feito tal ato.
-Está tudo bem, senhorita? – Olívia de imediato veio até mim, preocupada.
-Me chame de , por favor... – falei um pouco grosseira, mas pedi desculpa logo em seguida – Desculpe, estou um pouco nervosa...
-Sem problemas – ela sorriu me trazendo um copo de água – O que houve? Quer conversar?
- me deixou esperando... – contei a história toda, fazendo elas ficarem bravas e inconformados da mesma forma que eu, mas obviamente, elas tinham que defender quem Era da coroa. Logo, inventaram alguma desculpa pelo ato de tal Príncipe e disseram que ele jamais faria algo do tipo com alguém, especialmente comigo, uma Selecionada renomada entre o público. – Nada justifica! Nada! Existem milhões de guardas nessa merda de castelo, o que custava pedir que alguém me avisasse?
-Por que isso te deixa tão brava? – Taihne perguntou, confusa. Já que eu havia contado para ela que não gostava nenhum pouco de estar na Seleção e minhas ações demonstravam que eu não gostava nada de nenhum dos príncipes.
-Estaria tudo numa boa se algumas selecionadas malditas não ficassem rindo e cochichando sobre mim agora. As notícias correm rápido nesse lugar, hein? – Comentei irritada, tirando os brincos e colares que estavam em mim, ficando só com o que Kurt havia me dado.
-Senhorita, por que está tirando a roupa? Você tem o jantar ainda e...
-Não estou afim de jantar, pelo menos não com eles – cortei Lauretta que fez uma cara de “como quiser” – avise Robin que estou cansada e com dor de cabeça, não quero ver de forma alguma.
-Quer que tragamos seu jantar aqui? – Olívia, com toda fofura do mundo perguntou colocando as mãos gentilmente sob meus ombros, mostrando que estava preocupada. - Posso pedir permissão a um dos príncipes, eles não se importariam em deixá-la ter um pouco de paz no jantar...
Merda.
Tinha me esquecido que para jantar no quarto, eu precisava de permissão. Robin não mandava em nada naquela parte.
O que fez só me deixou com raiva dos outros príncipes e, principalmente, dele. O que não era justo, mas minha cabeça movida a teimosia e ignorância fazia com que eu ficasse com raiva de tudo e todos que eu relacionasse o rosto do culpado, que no momento era . Dei de ombros, não queria ter que pedir algo à eles mas também não queria ter que olhar pra cara deles no jantar
Rapidamente, Taihne e Lauretta saíram em busca das três autorizações para meu jantar ser em meu quarto e fiquei sozinha com Olívia.
Ela tinha a pele morena e os cabelos cheios de cachos que eu sentia inveja, a boca carnuda e os olhos verdes. Eu gostava dela, mesmo que tenhamos nos conhecido a pouco tempo, eu sabia que ela era confiável. E parecia que ela sentia o mesmo por mim, já que não demorou muito para contar sobre sua vida pessoal pacata e triste.
-Minha mãe morreu no meu nascimento, mas não por minha causa... – ela começou a falar enquanto lavava meu cabelo e eu estava na banheira, relaxando. – no dia, os Selvagens atacaram o castelo, estava acontecendo uma rebelião e nisso tudo, um deles atacou minha mãe e quem estava com ela no quartinho... Meu pai estava lutando, não havia o que ser feito... Perdi os dois na mesma noite - meu coração se partiu ao ver os olhos dela marejados, que história terrivelmente triste. – Fui criada pela Marlene e o Tristan, ela é a chefe da cozinha... Ele é um dos guardas mais velhos do castelo, marido de Marlene... Eu adoro os dois.
-Sinto muito, Olívia – falei segurando em sua mão, estava horrorizada com tamanha violência.
-Tudo bem – ela sorriu dando uma risadinha depois – eu já aprendi a lidar com isso tudo. O Rei Roger me tratou como filha e me ajuda até hoje, estou como sua dama por conta dele.
-Por que você não sonhou mais alto? Tipo... Pediu pra sair do castelo, se formar em algo que goste, por exemplo – fiquei um pouco pensativa mesmo sobre o que ela queria se tinha, praticamente o tudo nas mãos.
-É difícil explicar... – ela começou, olhando para a janela – Não tive meus pais pra me guiar e, se eles estivessem vivos, provavelmente eu estaria em uma categoria aqui no reino, como por exemplo, faxineira. A política do castelo não é melhor que a de fora.
-Como assim?
-Quem nasce aqui, morre aqui. – ela sorriu triste - eu nasci aqui, sou filha de servos do castelo, viverei aqui servindo o reino e o melhor que pode me acontecer, é eu subir de cargo. – estava inconformada, mas essa era a realidade do reino de Avallon: nasceu pobre, morrerá pobre. A não ser que me case com um ricaço.
-Eu simplesmente odeio a nossa monarquia – falo fechando os olhos de raiva.
-Eu também.



Depois de mais um banho relaxante, coloquei um pijama e me deitei na cama, não iria jantar com ninguém. Naquela altura, eu chegaria atrasada e Taihne com Lauretta não haviam voltado até aquela hora. Me perguntava o quão difícil era conseguir a permissão dos príncipes.
Mesmo depois do banho, ainda estava puta da vida e queria matar pelo maravilhoso bolo que havia me dado, aquilo era humilhante pra mim. Peguei um caderno que eu havia pedido para Robin para eu escrever sobre meu dia e mostrar para Kira e Kiara. E fiquei na escrivaninha.
-Com licença – Lauretta entrou fazendo um movimento com o olhar pra Olívia, que rapidamente saiu do quarto me deixando sem entender nada – , conseguimos a confirmação do príncipe e Príncipe .
-Então...?
- disse que viria até aqui para falar com a senhorita – ela começou a dizer meio incerta, pela reação que eu teria.
-Você disse que eu não queria vê-lo? – perguntei já irritada, mas não com ela, com a situação em si.
-Sim, falamos... Mas você deveria saber que de todos os príncipes, e competem no quesito teimosia, é o menos teimoso de todos – bufei batendo minha cabeça na mesa, aquilo seria entediante – Senhorita...? Sei que servimos você, mas o príncipe ainda é o que tem mais voz na hora de dar ordens.
-Tudo bem – sorri amarelo, eu entendia elas nessa parte, elas serviam ele, não eu. Mas eu não era obrigada a falar com o príncipe quando não estivesse disposta.
-Ele esta do lado de fora esperando que a senhorita o atenda – ela disse correndo para a porta e fazendo uma cara meio receosa mais uma vez pela minha reação – não podemos negar algo à ele – quando ela dizia “ele”, se referia a coroa.
-Não quero vê-lo – falei simplesmente me deitando na cama vendo-a ficar nervosa pelo que ia acontecer, já que a mesma havia percebido que não ia dar em nada e eu não daria o braço a torcer. Já que havia perguntado algumas vezes se eu não poderia apenas ouvi-lo.
-Ela não quer te ver, alteza – pude ouvir ela dizendo da porta, minha curiosidade aguçada fez com que eu ficasse atenta ao que ia acontecer.
-Você insistiu? – ouvi a voz rouca dele me fazendo revirar os olhos. Aposto que ele estava fazendo aquela cara de gato de botas com aqueles olhos azuis enormes.
-Sim, alteza. – ela respondeu fazendo algum gesto com as mãos toda nervosa, talvez por estar ao lado dele. – mas ela é teimosa e está com raiva do senhor, não quer vê-lo de forma alguma – fiquei ofendida no começo, mas de qualquer forma, era verdade mesmo.
-Merda – ouvi ele dizer e bufar tentando olhar através de Lauretta, mas Olivia entrou na frente dele, não permitindo.
-Alteza, lamento, mas acho que você não deveria passar por cima do que quer... Que tal esperar a raiva dela passar e conversarem amanhã? – ela foi super educada e tomou cuidado com as palavras, fiquei grata por ela ter tido aquele ato, pelo jeito, ninguém ousava passar por cima da vontade de alguém Real, e a surpresa do príncipe e de minhas damas eram nítidas.
-Você não tem que pensar, Olívia – ele respondeu sem paciência, fiquei completamente irritada com o jeito que ele havia falado com ela – Diga a sua querida Selecionada que irei falar com ela a hora que eu tiver vontade novamente – ela assentiu, firme. Eu levantei correndo para xingá-lo por ter sido tão grosso, mas quando cheguei na porta, ele já tinha virado para o corredor que o levava para a escada onde os dormitórios reais se encontravam.
-Babaca – quis gritar mais alto, só que Olívia me puxou rapidamente para dentro junto com Lauretta e Taihne.
-Não se preocupe comigo, – Olivia sorriu sincera – somos acostumadas com isso, sendo arrogante nem é mais uma coisa para se chatear – assenti com a cabeça, mas não concordei com o que ela havia dito, sendo arrogante não deveria existir.
Depois deste episódio ridículo de mais um dia de Seleção, e depois de MUITA insistência, convenci que minhas damas poderiam tirar a noite para elas, precisava ficar um tempo sozinha e elas poderiam descansar da forma certa. Elas me levaram a janta na cama e, depois de eu comer, foram fazer o que queriam. Olivia, iria dormir, ela tinha olheiras enormes e não me arrependo de ter feito a mesma ir se recompor. Já Taihne ia aproveitar para encontrar um dos guardas, aparentemente, ela estava namorando. Lauretta iria visitar alguém na enfermaria. E eu ficaria finalmente sozinha.
Me joguei na cama suspirando de alívio. Depois peguei a caixinha de fotos que eu havia trazido comigo para lembrar da minha família e dos momentos felizes. Sorri ao dar de cara com uma foto minha e de Kurt, na qual o mesmo fazia uma cara feia emburrada ao ser forçado a tirar uma foto comigo, que sorria abertamente abraçando meu caçula.
Passei para a foto seguinte e me vi com Kira vestida de noiva, no dia de seu casamento. Um vestido simples que a deixava ainda mais linda, ela tinha os olhos marejados e eu não sabia segurar um sorriso dando risada do que ela falava naquele momento, ela sussurrava entre dentes que ia “dar na cara daquela perua” que estava conversando tocando nos braços de seu marido”. Na outra, Kiara e eu abraçadas no campo, aquela foto foi tirada por Eric, ele realmente amava tirar fotos principalmente de minha família e eu. Lembro-me daquele dia perfeitamente, foi no dia do aniversário da nossa província, não queríamos ficar na praça e resolvemos sair para dar uma volta, foi então que descobrimos aquele lugar escondido no meio do nada. Se tornou nosso lugarzinho para pensar. Amava minha província pelo fato de que naquele lugar em específico, desse para ver o mar e o horizonte. Ela era pacata e sem graça, mas era minha. Tão acolhedora quanto qualquer outro lugar.
Passei para a outra foto e era minha mãe e eu. Ah, essa mulher! Nos encarávamos e sorriamos, foi tirada também no casamento de Kira. Sentia tanta falta e não fazia muito tempo que estava no castelo, mas de qualquer forma, era uma eternidade pra mim não poder ouvir Kurt pedindo pra dormir comigo, Kiara me atormentando ou Kira com as ideias de querer bater em quem se aproximasse de seu marido.
Estava perdida em pensamentos quando escutei alguém batendo na porta. Olhei no relógio e já era tarde, bem tarde para visitas, aliás. Fiquei achando que era uma das meninas ou Robin, mas elas teriam entrado, até mesmo Lizzie teria. Resmunguei por ter que levantar da cama e me arrastei até a porta, xingando mentalmente quem quer que fosse.
Abri a porta e dei de cara com a última pessoa que eu queria ver na terra. No mesmo instante Fechei a porta com o intuito de não precisar me submeter aquela situação irritantemente inconsistente, mas o mesmo a segurou, impedindo que eu fizesse tal ato. Cruzei os braços grunhindo de raiva e o mesmo deu um sorrisinho vitorioso.
-Você deveria ser mais delicada, eu posso te tirar da Seleção – ele comentou sorrindo de lado se apoiando na porta.
-Oh, céus – coloquei a mão na testa, soando sarcástica – por favor, não me tire da Seleção!
-Engraçadinha – ele riu falso me fazendo sorrir falsamente
-Sou mesmo – dei de ombros – agora saia daqui, alteza
-Sério, não achei que você fosse ficar tão chateada com isso. Aliás, se o problema for eu não ter comparecido, eu posso tirar amanhã o dia inteiro só pra você, pra me desculpar – ele começou a falar me fazendo revirar os olhos e rir alto da tamanha besteira que ele dissera.
-Não estou chateada e nem quero que você tire um dia todo pra mim – falei sem paciência, a última coisa que eu queria era isso.
-Então porque esta fazendo todo esse drama? – ele realmente parecia não entender, não o julgava por não entender minha cabeça, mas também não o defendia por isso.
-Porque você me deixou plantada. Poderia ter avisado, se você não queria ter um encontro comigo, era só ter avisado. Saiba que eu não queria me encontrar com você de qualquer forma. – falei mexendo as mãos, sinal claro de que eu estava irritada – a coisa que eu mais odeio nesse mundo, é ser tratada feito qualquer uma e Coroa alguma vai fazer eu mudar meu jeito de pensar sobre isso.
-Eu não tive como avisar, tive que resolver uns problemas e...
-Acho que quem precisa de um relógio, na verdade é você – o mesmo me encarou feio.
-Deixe-me explicar!
-Dane-se, Alteza, dane-se! – bati uma mão contra a outra vendo que alguns guardas observavam a nossa conversa, o que me deixou constrangida, não queria que falassem de mim pelos corredores do castelo – não acredito que exista problema tão grande que você não possa ter avisado alguém para me dar o recado.
-Eu nem pude pensar direito, abandonei Lizzie no meio de nosso encontro e não consegui lembrar que faltava você e... – fiquei ofendida, minha cara de indignação mostrava isso – Não feche a porta na minha cara.
-você tem mais um minuto, príncipe – falei e olhos fechados.
-Não irei conseguir dizer tudo em apenas um minuto, !
-Cinquenta e dois segundos – cantarolei ainda de olhos fechados e pude perceber que o mesmo havia ficado inquieto olhando para os lados.
-Venha comigo – ele pediu me oferecendo sua mão depois de olhar para o relógio.
-Eu não!
-Se quiser saber o real motivo, venha comigo – fiquei tentada a ir, mas não podia, não com ele sendo escroto do jeito que era.
-Acho que dispenso – falei dando um sorrisinho sarcástico tentando fechar a porta
-Acho que estou dando uma ordem - encarei-o de boca aberta. Filha da puta! Ele iria usar as mordomias de Príncipe contra mim.
-Não vou sair daqui, ! Nem com você me dando ordens
-Céus, você é irritantemente teimosa! – ele passou as mãos pela testa depois olhando para seu relógio novamente – olha, se vier comigo, vamos lá fora e você poderá tomar um ar.
-Agora estamos começando a nos entender – falei de braços cruzados, esperando por alguma outra proposta.
-Você pode vir comigo? – perguntou novamente, me fazendo bufar e concordar com a cabeça.
-Como posso ter certeza de que você não vai fazer mal nenhum à mim? – ele riu e balançou a cabeça.
-Você vai me agredir se eu ousar chegar perto de você, creio eu que sabe muito bem se defender – gostei da imagem que ele havia criado de mim, que ele continuasse pensando desta forma, assim ambos não precisaremos nos machucar.
-Vou precisar te agredir ou me defender?
-Me agredir, não... Se defender, talvez – fiquei sem entender mas dei de ombros, ele não parecia que iria explicar as coisas. – mas não se preocupe, eu estarei lá pra você não ter que se defender de nada.
Coloquei um chinelo e saí atrás de , ele andava pelos corredores do castelo ao meu lado, falando baixo sobre como ele odiava aqueles quadros enormes e os vasos de flores que não combinavam nada com a cor dourada das paredes. Eu tinha que concordar, por mais que as orquídeas rosas fossem lindas, não combinavam nada com o castelo.
Ao chegarmos perto da porta principal que dava para o jardim, me segurou contra a parede para que eu não andasse mais, estava pronta para xingá-lo, mas o mesmo tapou minha boca. Olhei para a porta principal e vi que haviam guardas reunidos ali, não entendia o motivo de tudo aquilo, ele era um Príncipe, com apenas uma ordem faria a porta abrir.
-Merda – ele grunhiu olhando em seu relógio de pulso – era pra eles estarem trocando de turno agora.
-Você pode ir lá e ordenar que deixem-nos sair – falei como se fosse óbvio. Ele olhou novamente para a porta e depois me apertou ainda mais contra a parede, resmunguei por estar abraçada com o príncipe e sendo prensada contra a parede com alguém tão detestável como ele. Aquela situação era RIDÍCULA, mas viver perigosamente daquela forma, me deixava ansiosa – Me largue! – disse irritada por estarmos tão próximos.
-Não é tão fácil quanto parece – ele resmungou não me largando, estávamos juntos demais e eu não entendia o porquê – eles tem ordens de meu pai para não deixar ninguém sair depois do jantar, medidas de proteção.
-Então temos que sair escondidos? – ele assentiu, me fazendo entender um pouco melhor a situação. – por que não saímos por um lugar menos movimentado?
-Porque tem um guarda nesses lugares, aqui fica vazio na troca de turno, é mais fácil de sair – revirei os olhos por ele ser tão chato. – não entendo o porque de eles ainda não terem saído daqui.
-Você é ansioso demais – resmunguei mostrando os guardas saírem juntos dali e irem para algum lugar. – acho que já pode me soltar.
-acho que devemos ficar aqui mais alguns instantes só por precaução – olhei pra ele vendo-o sorrir malicioso, me fazendo sorrir da mesma forma.
-Acho que você já pode me soltar – repeti minha frase fazendo ele se apertar ainda mais contra mim, ele era muito mais alto que eu, mas da forma em que nos encontrávamos, eu estava basicamente com a orelha dele na minha boca, de modo em que eu pudesse sussurrar.
-Você não quer que eu te solte – ele falou convencido, me fazendo sorrir novamente, não sabia aonde estava se metendo.
-Não?! – perguntei toda inocente após ver ele segurando o grunhido de dor depois e eu ter chutado os diamantes reais.
-Você é uma dissimulada! – ele sussurrou irado, com uma mistura de raiva.
-Eu falei pra me soltar – disse olhando para as unhas e depois pra ele – Vamos logo, antes que eles voltem – saí na frente vendo-o se arrastar atrás de mim. Aquela cena era maravilhosa.
Saímos do castelo e eu já sentia a brisa fresca em meu rosto me fazendo sorrir com a sensação de “liberdade”, enquanto estava com a cara fechada pelo ocorrido minutos atrás. Aquilo era cômico.
Não consegui curtir muito, senti as mãos de em meu braço me puxando para atrás de uma moita, me mostrando alguns guardas novamente. Aquilo estava ficando chato.
-Me siga, não faça barulho e, não importa o que aconteça, fique perto de mim!
-Você vai se aproveitar dessa última parte? – questionei seguindo ele, por mais que soubesse que ele não encostaria em mim tão cedo.
-Só quando minhas joias estiverem protegidas – segurei uma gargalhada, não só pelos guardas, mas também pra que ele não achasse que eu estava gostando das piadas dele.
Andamos por um tempo bom, estávamos afastados do castelo de modo que não desse pra enxergar muita coisa, apenas algumas luzes. A luz da lua iluminava o nosso caminho e eu gostaria de ser mais corajosa, já que estar naquele lugar estranho e afastado não era bom para estar aquela hora da noite.
Pude ver uma pequena cabana, ela estava completamente acabada por fora, precisava de uma restauração urgentemente, e tinha uma fresta acesa, estava começando a me deixar nervosa novamente.
-Aonde é que você esta nos metendo?
-Relaxa, princesa. – se eu pudesse, atacaria uma pedra naquela cabeça. Seguindo até a cabana – Você tem que vir devagar para não assustar ninguém, eles podem ser ainda mais violentos que você.
-Eles quem? – estava nervosa esperando algum monstro sair de lá, mas quando entrei, vi que não era nada daquilo que eu imaginava.
Era uma cadela, uma bernese montanhês, com quatro filhotinhos colados nela. Eu estava completamente apaixonada por eles. Amava cachorros, de forma que eu fosse louca por todos os que eu via. Ser a louca dos bichos tinha sua vantagem.
-Ah meu Deus! – falei com as mãos na boca.
-Essa é Nala, eu encontrei ela perdida e machucada na floresta, imediatamente trouxe aqui para cuidar dela...
-Por que ela não está no castelo? – me irritava ele ser um príncipe e não ter voz nenhuma no castelo.
-Minha mãe não quer, ela fez um inferno quando viu Nala, ninguém pode sonhar que Nala está aqui ainda. – ele explicou me fazendo entender aquilo. Nobre da parte dele, ponto positivo silencioso para .
-Então foi por isso que você me deixou sozinha? – perguntei retoricamente e ele se agachou passando a mão na cachorra que estava visivelmente cansada, mas não excitou na hora de receber o carinho do cara que ela parecia gostar muito.
-Sim, eu não deixaria uma dama esperando – ele sorriu galanteador, me fazendo revirar os olhos.
-Cadê o pai dos filhotes? – mudei de assunto pra poupar a minha lábia com ele.
-Ele é um cachorro dos guardas, muito bravo, tenho medo dele – quis rir imaginando um homem daquele tamanho com medo de um cachorro. – Não sei como não está aqui. Mas isso é bom, porque assim posso ficar perto de Nala.
-Já gostei deste cachorro, preciso conhecê-lo.
-Iam se dar bem mesmo – falou irônico, me fazendo rir alto. – os dois me odeiam, são bravos... Personalidade forte terrivelmente assustadora.
-Alteza, está começando a me ofender
-Sinto muito, mas é a verdade – ele riu abraçando Nala, e passando a mão nos filhotes. – Venha aqui, acaricie eles.
-Você está louco? Ela não foi com a minha cara – falo me referindo a ela rosnando para mim, assim que entrei ali.
-Ela só esta um pouco estressada.
-Não vou arriscar – não era uma garota frescurenta, mas sabia onde me metia, que desculpa eu daria pra mais uma vez estar com a mão enfaixada? Robin me mataria!
-Já tem algum preferido? – depois de alguns minutos em silêncio, resolveu falar o que me deixou bem confusa. Não tinha nenhum preferido, não mesmo.
-Nunca vai saber – ele sorriu balançando a cabeça negativamente.
-Você não tem jeito!
-Qual é!? Não vou dizer meu preferido, estou no começo de uma Seleção, quem tem que ter uma preferida são vocês, não eu – recebi um olhar completamente horrível de .
-Você vai passar a vida toda com alguém que não gostaria que fosse seu? – ponto positivo pra você, alteza, era esse meu pensamento também, mas queria te testar.
-Caso eu tivesse um preferido – comecei a falar fazendo-o rir – seria o . Mas não estaria longe de ser um forte concorrente.
-E eu?
-Em último lugar – sorri fazendo-o revirar os olhos teatralmente rindo depois – Você não faz o meu tipo, não me leve a mal.
-Sabia que eu poderia te mandar embora? Você está sendo a pior Selecionada de todos os tempos – pude sentir o tom de brincadeira, mas sabia que era verdade. E o pior de tudo, era que eu não ia parar e sabia que ele não me mandaria pra casa, algo me dizia isso. E normalmente, quando eu sentia alguma coisa, dificilmente ia contra o que eu estava pensando.
-Poderia – repeti olhando-o nos olhos – mas não vai.
-Como tem tanta certeza?
-Você vai tentar fazer eu gostar de você, vamos brigar, eu irei sempre agir como a escrita da história e você não vai conseguir me mandar embora pois precisa das minhas grosserias – sorri presunçosa. QUE DIABOS EU ESTAVA FAZENDO? POR QUE EU NÃO CONSEGUIA CALAR A BOCA?
-Sua teoria está completamente equivocada, – vi o mesmo se sentando no chão, com a cadela. Me sentei um pouco distante, mas sentei.
-Então me mande embora – dei de ombros. O príncipe me encarava com surpresa no olhar e eu estava procurando algo pra tapar minha boca. Eu estava sendo completamente abusada.
-Meus irmãos me matariam.
Ouvi um barulho e acabei ignorando aquela frase, olhei assustada para o lado de fora e me abaixei. Nala levantou a cabeça atenta e se levantou rapidamente saindo de perto de Nala. O mesmo foi para o meu lado se escondendo atrás de mim.
-É sério? – perguntei inconformada com o tal gesto. Ele sorriu culpado vendo um enorme cachorro preto entrar ali dentro. – Uau.
-Esse é o pai dos filhotes, e é o Simba – ele falou um pouco nervoso, com medo do animal
-Que graça – falei completamente apaixonada pelo cachorro, que depois de cheirar os filhos, foi para lamber a companheira e assim que me viu, veio correndo me cheirar. Deveria sentir medo dele, mas algo impedia que isso acontecesse, era como se eu o conhecesse – Hey, Simba -falei passando a mão em sua cabeça, recebendo uma lambida no rosto – Como você pode ter medo dele? Ele é adorável.
-Eu falei que iam se dar bem – disse revirando os olhos recebendo um rosnado de Simba. Comecei a rir e fiquei alguns minutos com o cachorro adorável. Não demorou muito pra falar pra irmos para casa, estava tarde e era perigoso. Mesmo sabendo que estávamos completamente protegidos.
Me despedi de Simba, tentei me aproximar de Nala, mas ela não quis contato, então simplesmente a deixei com apenas um ‘tchau'. parecia mais feliz depois daquilo, acho que ela fazia isso com ele, recarregava as suas energias e eu tinha adorado conhecer esse lado dele, só o deixava menos babaca, bem pouco, mas deixava.
-Sair foi difícil, entrar vai ser ainda mais – ele comentou, me fazendo arregalar os olhos. – Mas já tenho um jeito. Ele me pegou pelos braços e me puxou rapidamente para o lado contrario do que viemos. – Aparece, Blake – ele deu um assobio umas duas vezes e rapidamente uma enorme escada feita com lençóis foi jogada – pronto, suba!
-Tá de brincadeira, né? , isso é muito alto! – falei medindo o tamanho da janela até ali onde estávamos no chão.
-Só vai ser ruim se você tiver medo de altura – ele simplesmente disse, olhando pra cima e depois para mim – Oh, você tem medo de altura!
-Não vou conseguir subir isso – Cruzei os braços.
-E o que você quer fazer?
-Não sei, o príncipe aqui é você – recebi um olhar horrível dele, pela minha ignorância.
-Você vai ter que resolver esse seu lance com a altura – ele cruzou os braços.
-Tudo bem, mas não hoje! – ele bufou me fazendo sorrir – vamos, tem a cozinha.
-Se tem a cozinha, por que você quer fazer do jeito mais difícil?
-, você tem que se arriscar mais, a vida é curta, sabia? – revirei os olhos.
-Exato, é tão curta que não vou me arriscar subindo uma corda – ele riu pelo nariz. Aquilo era engraçado. A situação em que nos encontrávamos, um príncipe com uma simples qualquer tentando entrar novamente no castelo de forma que ninguém veria ou desconfiasse.
e eu fazíamos uma péssima dupla, acredito eu que por sermos diferentes demais e eu odiá-lo. De qualquer forma, teria sido bom se eu tivesse escalado aquela corda, levamos uma bela bronca por sermos pegos andando pelo castelo naquela hora.
Como fugitivos.


Capítulo 9

Acordei com Robin fazendo a louca, simplesmente gritando e abrindo as cortinas, coisa que eu não havia me acostumado depois de alguns dias de mordomia no Reino. As meninas sempre me acordavam com a maior delicadeza e Robin simplesmente estava irada. Não entendia nada que ela falava pelo simples fato de ainda não ter acordado totalmente. Fui dormir uma hora bem tarde, diga-se de passagem.
-Bom dia, Robin – falei com voz de sono, esfregando os olhos e observando ela abrir a janela com as meninas na porta uma ao lado da outra apenas observando, quietas.
-Estão todos comentando, , todos!
-Comentando o que? – eu realmente estava sem entender nada, e como se eu ligasse mesmo para o que diziam sobre mim.
-“Selecionada é encontrada na cozinha roubando comida com Príncipe” – ah, se ela soubesse
-Estávamos com fome, eu não tinha ninguém no meu quarto pois já era tarde e nenhum guarda estava na minha porta para me ajudar – inventei. Adorava como meu cérebro funcionava sob pressão. Simplesmente dava uma desculpa que tecnicamente, as pessoas acreditavam. Foram anos de prática – por conta do destino, o Príncipe me encontrou no caminho e fomos juntos para a cozinha.
-Você não pode sair do seus aposentos sem alguém por perto, é perigoso e principalmente ir à cozinha roubar comida! – revirei os olhos me jogando novamente na cama
-Céus, eu não tenho culpa de sentir fome de madrugada – retruquei – e por ser o castelo, isso aqui deveria ser o lugar mais seguro do mundo
-Você terá que se controlar e evitar sair do seu quarto sozinha. Se sentir fome, não precisa ir até lá, existem pessoas que fazem isso pra você! – ela respondeu se apoiando na janela
-Não sou incapaz de fazer alguma coisa e não preciso que me sirvam como se eu fosse uma criança
-Você terá que aceitar que se for uma princesa, isso será mais comum do que imagina – dei um olhar tão feio pra ela, que se fosse a laser, Robin teria sido queimada – você não está mais em Southampton, você está no Reino, é uma Selecionada e terá de ser servida assim
-Isso não é justo! – cobri minha cabeça, brava.
-Céus, , você é a única pessoa que precisa ser obrigada a aceitar que te sirvam – ela batia na testa, cansada da minha teimosia.
-Eu fui criada pra isso – respondi olhando pra baixo, recebendo o silencio como resposta. Depois de minutos da que jeito, ela fez sinal com as mãos para as meninas começarem o trabalho delas e antes de sair pela porta falou:
-Esteja pronta no horário, hoje seu dia será com as majestades.
Fiquei ansiosa, seria a primeira vez a sós com o Rei e com a Rainha. Individualmente.
-Tente não ser mandada pra forca – dei uma risada pelo nariz, ironicamente.
Conversei com as garotas, perguntando como foi a noite de folga e eu não me senti nenhum pouco mal por ter feito aquilo. Nunca tinha visto elas tão descansadas. Mesmo que sempre estivessem dispostas e sem fazer corpo mole. Admirava muito.
Não era de se esperar o surto de Robin, as meninas me explicaram o que estava circulando pelo castelo e eu estava me saindo uma bela pretendente para , tanto que fui instruída a tomar cuidado com as selecionadas que preferiam ele. Não que eu ligasse, todos sabem que não ligo.
-Relaxe, , mas e aí? Ele beija bem? – Lauretta perguntou me fazendo soltar uma careta.
-Não nos beijamos – falei com nojo.
-Ah, conta outra! – Taihne respondeu arrumando minha cama, enquanto Lauretta me ajudava no banho.
-Sério – dei de ombros – não beijarei ele depois de como tratou Olívia. E nem nunca.
-, as pessoas morrem pela boca, não diga isso – Olívia dizia rindo. Me fazendo jogar água na mesma, rindo junto. Havia contado à ela sobre Eric e eu, de que eu havia dito que nunca beijaria ele e nem nada, mas aconteceu exatamente o oposto.
-Eu não vou morrer desta vez – garanti e a mesma gargalhou. Era óbvio que ela não acreditava.
Escutei batidas na porta, assim que terminei o banho e estava vestida com a roupa do dia. Olhei para a mesma esperando que fosse Robin ou Lauretta. Mas não era nenhuma delas.
Olivia correu para abrir e demos de cara com Ben segurando várias caixas e algumas cartas nas mãos.
-Entrega Real – comecei a rir da voz entediada que o mesmo dizia. – eu sou um guarda, fala sério, ser entregador faz com que eu me sinta broxante.
-Cadê o Entregador Real? – Olívia perguntou pra ele que revirou os olhos deixando as caixas no chão.
-Aquele preguiçoso faz com que os guardas das Selecionadas entregassem as coisas pra elas. Ele está de folga – ele falou bem irritado se aproximando de mim fazendo uma reverência -Mademoiselle – entregando as cartas em minhas mãos .
-Que cartas são essas? – perguntei duvidosa.
-Sua família – ele sorriu me fazendo dar um gritinho junto com vários pulinhos e lhe dando um abraço. Sentia tanta falta deles.
-Obrigada, obrigada, obrigada – estava tão animada por finalmente ter noticia deles que não queria fazer mais nada, apenas ler tudo e me acabar de chorar. Mas, como sempre, fui impedida
-Você não deve se atrasar, como seu parceiro temporário, devo recordá-la de algumas coisas. Vamos, primeiros suas obrigações – ele começou a dizer, me empurrando pelos braços, fazendo-me ficar irritada e fazer birra. Tiramos várias gargalhadas das meninas.
-Mas, Ben, é minha família! – grunhi sendo arrastada olhando para as cartas em cima da cama.
-Elas vão continuar aqui quando você voltar, , quanto mais rápida você for, mais cedo irá voltar – Olivia, como sempre, sendo a voz da razão. Me convenceu e rapidamente saí de meus aposentos, indo para o jardim. Ben não parava de falar um segundo sequer.
-Sente-se em uma das cadeiras – ele cochichou e eu comecei a rir das dicas que ele me dava – Eu não acredito que rolei no chão, arrisquei minha vida em ataques ao castelo, pra agora eu estar dando dicas de como uma selecionada deve se portar perto do Rei e da Rainha.
-Está indo super bem, admito – falei com a mão direita levantada, sinal claro de que estava sendo sincera – Acho que se o rei tivesse uma filha e ela tivesse uma seleção, e você fosse um selecionado, eu ia torcer por você!
-Você é tão aleatória – ele revirou os olhos rindo – está dizendo isso porquê quer um torcedor e quer que eu corrompa meus companheiros? Não precisa me bajular
-Largue de ser pretensioso – dei um leve empurrão nele, rindo junto
-Obrigado, – ele parou de rir e deu um sorriso – Saiba que a torcida de pelo menos metade dos guardas, já é sua e os príncipes vão ter sérios problemas pra escolher quem ficará com você
-Oi?! – perguntei rindo nervosa, aquilo era novidade. Ele ia responder, mas fomos distraídos quando o Rei Roger apareceu acompanhado de sua esposa, que estava com um leve sorriso preso nos lábios. Fizemos a reverência e eles se sentaram embaixo no guarda-sol, aquilo seria bom.
-Quer que eu fique? – ele perguntou me fazendo olhar para os lados e ver Lizzie, que estava sozinha e aflita.
-Fique tranquilo – sorri e me virei pra Lizzie e depois pra ele – Irei conversar com Lizzie. – ele avisou que iria dar umas voltas pra ter certeza de que estava tudo bem nas redondezas do castelo, nunca vi alguém tão preparado como ele. Sinceramente, não sabia como podiam ter dado um cargo tão pequeno pra alguém como ele.
-Que cara é essa? – me aproximei da mesma que se assustou colocando as mãos no peito, nervosa
-A Rainha me dá medo – estranhei aquilo, é visível que a Rainha intimidava mas não era pra se ter medo. – Ela olha pra gente como se não fôssemos boas o bastante para um dos seus filhos.
-Talvez não sejamos mesmo, pra ela, mas pra alguém nós somos muito mais que boas – sorri pra ela, que retribuiu o sorriso – ela é a rainha, relaxe – tinha sido irônica nessa última frase, era visível, e Lizzie havia percebido, o que tirou gargalhadas da mesma.
-Você vai de Amorzinho à um monstrinho, como pode? – dei um sorriso me sentando na cadeira embaixo do guarda-sol – Summer e Kimberly estão indo muito bem com eles – observei a rainha conversando com a ruiva e o rei com a loira, era incrível a capacidade de Summer fazer de tudo pra chamar a atenção, ria alto, usava maquiagem forte e vestidos decotados com cores quentes. Não acreditava que alguém tão bonita como ela, poderia fazer algo forçado do tipo.
-A Rainha deve estar se sentindo super bem, finalmente encontrou alguém pra falar sobre os últimos vestidos da moda – fiz um sotaque enrolado, imitando a rainha, fazendo Lizzie segurar a risada e imitar Summer, com o dedo mindinho super levantado ao segurar a xícara de chá e tocando o meu vestido, elogiando-o.
-Ôh, Alteza, um dia quero ser igual a você, que vestido maravilhoso, que elegância, que presença! – estava querendo rir muito, quem visse de fora, com toda certeza saberia que somos talentos natos.
-Alguns simplesmente nascem com esse dom, com muito esforço, você chega lá – falei com superioridade, fazendo-a rir alto, eu a acompanhei. Chamamos a atenção de todos do jardim, e até mesmo a Rainha com Summer. O Rei nos encarava com um sorriso nos lábios.
Mudamos o assunto e tentamos agir normalmente, eu sabia que tinha algo atormentando Liz, só não sabia o que e não era apenas a rainha. Perguntei tantas vezes que ela acabou cedendo.
-Summer e saíram ontem – suspirou ela, me fazendo bufar. Óbvio – Qual é, ! Você não liga porque não é sua preferência, queria ver se fosse ou .
-Primeiramente, eu não tenho interesse no – falei na defensiva fazendo a mesma revirar os olhos – segundo, eu tenho que saber a lidar com isso, somos em quinze meninas, eles precisam conhecer cada uma. E Poxa, Liz, você é maravilhosa, não se sinta menos que a Summer, cada uma de nós teremos nosso momento com cada um deles.
-Eu sei é que... – ela bufou passando a mão na testa – ela é tão... Sei lá, ela tem uma coisa que eu não tenho.
-Seja específica.
-Ousadia?
-E daí? Você pelo menos tem a sua dignidade intacta.
-Você tá azeda, hein!? – comecei a rir, não é azeda, é sincera. Não conhecia Summer, posso estar enganada, mas até agora a única coisa que ela deixou claro, era que não prestava.

Depois de quase uma hora esperando por um momento com eles. Finalmente chegou a minha vez de falar com o Rei. A rainha me esnobou completamente, e puxou Lizzie pra sentar com ela antes mesmo de chegarmos no destino.
O rei se levantou para me cumprimentar, todo educado. Queria abraça-lo por tanta fofura.
-Então você é a famosa – ele comentou se sentando, me fazendo corar.
-Famosa? – Ri nervosa, fazendo-o sorrir – Não sei, mas sou .
-É que meus filhos falaram muito de você e também está em alta nas revistas – eu deveria ler mais. – e também, depois do ocorrido ontem, acabei decorando seu nome.
-Queira me desculpar, não sabia que daria todo aquele problema por e eu termos saído à noite – fiz a cara de “Puts” e ele não tirava o sorrisão do rosto.
-Você não sabia, mas conhece as leis, ele só não as segue. Aliás, muito me surpreende ele ter sido pego – pelo jeito, o rapaz não era muito ‘domesticado’.
-Foi minha culpa – admiti, se eu não tivesse parado e pedido que ele fizesse algo pra comermos não teríamos sido pego.
-Quer um conselho? – ele olhou para os lados e sussurrou – se forem sair, tomem cuidado e não voltem por um lugar tão óbvio.
-O Rei está me dando conselhos para dar uma escapadinha? – perguntei surpresa e ele riu, bebendo o chá.
-Já tive a idade de vocês, sei quando é necessário um tempo e ficar preso aqui, pode ser um inferno - com certeza, eu não suportava ficar lá dentro. – e até agora está tudo tranquilo, sem ataques contra o castelo.
Conversamos muito sobre absolutamente tudo e eu ficava cada vez mais surpresa pelo Rei ser tão cabeça aberta. Por debatermos sobre alguns assuntos que ninguém nem fazia ideia de que eram possíveis. E tudo isso, em quase uma hora de conversa.
-como está sendo essa semana no castelo? – questionou ele, já que esse diálogo, teria ocorrido no começo da conversa, e era óbvio, que não conversamos sobre isso.
-Confesso que está sendo difícil me adaptar, venho de uma família simples, nunca vi muitas coisas até chegar aqui.
-Entendo... Mas vai ser bom pra você se descobrir e descobrir coisas novas. Não vai ser fácil e caso você venha a ser uma Princesa, vai ter que lidar com muitas coisas – Concordei com a cabeça sorrindo sem mostrar os dentes
-Mas de qualquer forma, estou gostando. A comida é maravilhosa e os vestidos que uso, com certeza daria pra alimentar minha família por meses.
-Fico feliz, gostei de você – aquilo era uma honra. – meus filhos são difíceis. Mas eu tenho certeza que vai agrada-la. De qualquer forma, gostaria de te desejar sorte e que tudo que precisar, venha falar comigo. Até mesmo se for pra falar mal de meus filhos, vou adorar falar deles. E adorarei ser seu confidente do sexo oposto, sei que Robin será uma ótima madrinha, mas quero que saiba que estarei do seu lado.
-Me sinto grata por poder contar com você, majestade – o rei Roger foi o mais próximo do nível paterno que cheguei a vida toda, eu sentia que ele faria o possível para ver eu e as meninas bem. Ele tinha aquele jeito protetor, eu sentia isso. O mesmo se levantou e pediu licença alegando ter trabalho a ser feito.
A Rainha, por sua vez, levantou-se e foi acompanhada de suas damas para dentro do castelo, me deixando sem saber o que fazer, já que era pra conversarmos. Tal mãe, tal filho.
Vi que algumas selecionadas foram pra dentro assim que o Rei decretou que ia para dentro e que quem quisesse, podia ficar no jardim e dar uma volta por lá. Por incrível que pareça, fiquei sozinha ali depois de meia hora. Observava o jardim impecável, com flores coloridas, folhas vivas e verdes, o ar puro. Parecia cena de filme, até os passarinhos cantarolavam e brincavam uns com os outros. Estava tudo lindo.
Senti uma mão tapando meus olhos, ignorei meu instinto de defesa esperei que indivíduo se identificar. Mas não aconteceu.
Senti o perfume masculino e as mãos eram grandes, porém, macias. Já descartei 50% das pessoas daquele castelo.
-Ben? – perguntei receosa, não era a cara dele chegar dessa forma, na verdade, ele iria chegar me assustando
A pessoa riu pelo nariz e negou com a cabeça me deixando atordoada.
-Cansei da brincadeira, tira a mão da minha cara ou eu irei partir pra violência – a pessoa gargalhou alto.

Eu nunca esqueceria a risada gostosa dele.
-, quando o falou que você era agressiva eu não acreditei muito, mesmo adorando saber que você bateu nele. – dei um sorriso envergonhado, eu não queria ser daquela forma, mas era meu jeito. Uma pena.
Ou não.
-Alteza, eu não costumo ter muita paciência, sinto muito – ele balançou a cabeça rindo e se sentando ao meu lado.
-Alteza não!
-.
-Melhor! – sorrimos um para o outro.
-O que lhe traz aqui, ? – perguntei quando percebi que estávamos nos encarando demais.
-Estava trabalhando arduamente para melhorar nosso país, mas aí precisei descansar, então vi você e resolvi te dar um ‘oi’ e te chamar para um passeio – ele dizia com uma voz tão dramática que me fez revirar os olhos e dar risada.
-Você estava sem fazer nada, né? – ele sorriu culpado me fazendo gargalhar.
-Mas te chamar pra dar um passeio já estava em meus planos! – garantiu ele – estava na sala de reuniões com meu pai, os conselheiros e meus irmãos... Só que o próximo na linha de sucessão é , então eles estão dando mais atenção à ele.
-Então você queria atenção?
-Não é pela atenção – ele riu – na verdade, eu tenho atenção de sobra – falou se referindo a Seleção – É pelo modo que e eu somos tratados em relação a isso...
-Não sabia que ligava para os outros desta maneira – resolvi provocá-lo e o mesmo me encarou revirando os olhos logo depois, de modo dramático.
-Você não vai entender.
-Você pode me explicar – comecei a andar ao lado dele pelo jardim.
-Quem sabe um dia?! – olhei pra ele da mesma forma que o mesmo havia me encarado minutos atrás – como príncipe, não posso sair falando as coisas para qualquer pessoa, ainda mais.
-Não sou qualquer pessoa! – disse na defensiva e ofendida.
-Oh, God – ele bateu na testa e pegou em minha mão – não foi isso que eu quis dizer, eu não sei me expressar as vezes.
-Eu entendi muito bem – falei fingindo realmente estar ofendida. Eu havia entendido o que ele tinha dito. E entendia muito bem.
-, desculpa, eu não quis te deixar ofendida, é que eu não posso falar realmente o que acontece no Conselho, é contra as leis e...
-Hey, eu to brincando, eu entendi sim – falei garantindo que era brincadeira, era visível o desespero dele. – mas se precisar de alguém pra conversar, pode falar comigo.
- , você é muito sacana, eu achei realmente que havia te magoado – ele disse soltando de minhas mãos, despreocupado, me fazendo sorrir.
-Sinto muito, príncipe – o mesmo sorriu e pegou em meu braço novamente, para andarmos juntos.
Ele começou a perguntar como havia sido minha manhã, da conversa com seus pais e como eu havia me sentido. Estávamos em uma conversa super entrosada e tinha dias que eu não ‘desabafava' daquela forma com alguém. E ele contou da manhã dele também.
Me sentia como melhor amiga dele e enxergava-o da mesma forma. Um grande e belo amigo.
Não esperava encontrar pessoas tão legais naquele lugar, me surpreendia cada vez mais à cada dia.
Minha mãe sempre diz que não devemos julgar antes de conhecer, e conhecendo um pouco, me arrependia das coisas que havia dito. Obviamente não me convenceram por completo, mas estava no caminho de realmente começar a mudar de ideia sobre quem eram.
estava com uma camisa social preta e uma calça jeans clara, com um sapato social, os cabelos estavam ‘arrumados' e o mesmo estava totalmente descontraído.
-Confesso que ter esse monte de mulher no meu pé está fazendo eu duvidar do meu caráter... Tenho vontade de pegar todas, mesmo sabendo que duas podem vir a ser minhas cunhadas.
-! – o repreendi com um tapa rindo daquele absurdo – Como você ousa a falar isso pra mim?
-Desculpe – ele falou rindo – mas você é totalmente área restrita.
-Área restrita? – perguntei rindo, aquilo era ridículo.
-É que...
De repente, começamos a ouvir barulhos de tiro e espadas se chocando uma com a outra. Não estávamos completamente distantes do castelo, mas dava pra ouvir absolutamente tudo.
-o que está acontecendo? – perguntei me virando rapidamente para onde o barulho estava acontecendo. Foi então que eu vi um homem saindo de dentro do castelo, com touca cobrindo o cabelos com a cara e o resto do corpo sujos, vândalos. Com uma arma na mão.
Meu coração gelou quando ele se virou e olhou dentro de meus olhos. Foi tudo tão rápido, que quando ele apontou pra mim e , senti o mesmo me pegando pela cintura e me jogando em cima de um arbusto. Foi o tempo de ouvir dois tiros.
Um em nossa direção.
E outro na cabeça dele.
-ALTEZA, É VOCÊ? – o tal guarda correu até nós, nos ajudando a levantar. – vocês estão bem?
-Selvagens ou Vantronis? – perguntou se levantando e me colocando atrás dele.
-Selvagens – respondeu ele olhando para os lados e dando um outro tiro – Vá para o abrigo.
-Não dá pra ir por dentro – estava nervoso e eu estava paralisada com o ocorrido, tinha um homem morto na minha frente. – não lembro dos abrigos aqui de fora.
-Fiquem aqui, abaixados – ele nos fez abaixar – irei averiguar aqui antes de colocar vocês em um abrigo.
Não sabia o que estava acontecendo, ainda estava assustada, nunca tinha visto algo do tipo. Nunca tinha visto alguém morrer na minha frente e nunca tinha sido apontado uma arma na minha cabeça. estava olhando para todos os lados e não desgrudava de mim um minuto sequer, sempre me colocando atrás dele, como se eu fosse indefesa. Não queria admitir, mas naquele momento eu realmente era.
Não tinha ideia do que fazer ou como reagir. Sabia que haviam Selvagens atacando lugares, mas não sabia que eles tinham atacado o castelo e que conseguiram passar pelos milhares guardas só na frente do castelo.
-Alteza – o tal guarda o chamou e olhou para ele – Venha.
O tal guarda ficou atrás de mim, sempre a postos em caso de ataque e em minha frente, seguindo as coordenadas do primeiro.
Foi muito rápido, ele mexeu em uma lamparina apagada e a mesma simplesmente abriu uma passagem que era enorme. Instantaneamente senti os dedos de se entrelaçarem com os meus.
Não estava nem ligando. Estava correndo risco de morte no “lugar mais seguro do país”
-Volto pra buscar vocês, protejam-se – eles se cumprimentaram e o guarda saiu novamente em disparada após fechar a grande entrada. Ficou tudo escuro. Meu coração batia tão rápido, que dava até pra fazer uma música com a batida dele.
-Deve ter algum projetor de luz aqui - ele falava encostando na parede, procurando. Comecei a ajuda-lo. Não achamos nada. – Não é possível.
-Pelo menos estamos a salvo – tentei parecer otimista, mas era visível que estava nervosa.
De repente, as luzes se acenderam. Eu quase pulei em cima de , o mesmo estava assustado demais até pra rir.
-Eles estão no abrigo lá de dentro – ele comentou sozinho, olhando pra cima e depois me olhou, viu minha cara de confusa e tratou de se explicar.
Tem mesmo um projetor em cada abrigo, que no caso, tem milhares em volta e dentro do castelo, mas nem todo mundo realmente sabe onde eles estão. Só que assim que o abrigo real tem a sua luz acesa, automaticamente, todos os abrigos se acendem. E em cada um deles tem água, comida e cobertores para dias lá dentro, um pequeno mictório totalmente aberto e desconfortável, mas dava pra sobreviver ali.
E não tinha tempo determinado para quanto ficaríamos ali.
-Por que estamos sendo atacados? – questionei ainda olhando pro nada, digerindo tudo.
-Nunca sabemos o real motivo. – ele suspirou passando a mão na testa – Meu pai e eu achamos que os Selvagens estão em busca de uma revolução, derrubar o sistema...
-Abolir a monarquia – completamos a frase juntos.
- acha isso também, só que crê que alguns são apenas pra colocar terror mesmo e acredita que estão fazendo isso por não serem aceitos na sociedade, pela condição que tem. Eu realmente não sei o que realmente acontece – ele realmente estava cansado, as ruguinhas que eu nunca vi nele, apareceram.
-Pessoas de condição 7 e 8? – perguntei e ele assentiu com a cabeça – se me permite dizer, acho que as três opções estão corretas... São milhares de pessoas com condições precárias e horríveis. Com uma monarquia que ajuda a todos, menos quem realmente precisa, é fácil quebrar um paradoxo da sociedade, mas mantê-lo e realmente faze-lo era outra história.
Condição era como chamávamos as Castas. No caso, são um grupo social hereditário, no qual a condição do indivíduo passa de pai para filho e cada integrante só pode casar-se com pessoas do seu próprio grupo. No reino de Avallon, há alguns anos atrás, esse sistema de Condição foi abolido, mas ainda sim, existia. E as pessoas fechavam os olhos para isso.
-Nós ajudamos à todos! – ele falou na defensiva.
-Se esse país fosse justo, ataques desse tipo não aconteceriam – dei de ombros e ele me encarou e depois ficou pensativo – Não falaram isso na mídia por quê?
-Como podemos soltar uma notícia dessas? A segurança começa dentro do castelo, como demonstraríamos autocontrole sendo que ao menos isso realmente temos? – estava chocada. Minha mãe achando que eu estava segura. Coitada.
-Concordo - finalmente havia concordado com ele e o mesmo suspirou aliviado.
-Se pudesse ser Rei, eu com certeza iria fazer o país ser mais justo – ele comentou depois de algum tempo de silêncio – Meu pai faz o possível para manter o Reino de uma forma melhor que a de meu avô. Só que não é totalmente fácil.
-E ninguém agrada a todos – terminei a frase novamente junto com ele. – Não vamos discutir sobre a política do país.
Fiquei em silêncio, apenas esperando e observando, até que meus olhos bateram em , distraído, seu pescoço estava arranhado, por causa do arbusto em que nos jogamos e a camisa dele deixava claro uma mancha nos ombros. Fiquei nervosa.
-, tira a camisa – Falei rápido, procurando por algo que pudesse limpar aquilo.
-Nossa, como você é direta! – ele falou realmente assustado, me fazendo encará-lo brava.
-Você está machucado, como pode não sentir? – falei chegando mais perto dele, com o kit nas mãos.
-Adrenalina, provavelmente – Ele começou a tirar a blusa e reclamou um pouco da dor. Estava realmente feio, uma enorme ferida e eu não sabia ao certo como tratar, era muito sangue. – Bala de raspão?
-Provavelmente – respondi jogando água, fazendo o mesmo urrar de dor. – DESCULPA! – Ele tentava fugir de mim igual criança – , não sabemos quanto tempo ficaremos aqui, por favor, me ajuda a te ajudar!
-Mas está doendo – ele reclamou, me fazendo segurar o sorriso pela manha feita.
-Se eu cuidar agora, não vai inflamar e doer ainda mais depois.
-Tem razão – concordou ele sem querer muito, me fazendo sorrir culpada ao jogar mais água e um pouco de água oxigenada e ouvir ele gritar novamente.
-Grita mais alto, acho que os Selvagens ainda não nos localizaram - ironizei e o mesmo sorriu sarcástico – Deixa eu te enfaixar – puxei ele com delicadeza e comecei a enfaixa-lo – Pronto, fracote!
-Fracote? – ele perguntou totalmente ofendido – Eu tomei um tiro de raspão por você, ingrata!
-Eu cuidei de você, ingrato! – retruquei, não querendo dar o braço a torcer.
- , como você pode ser tão sacana? – perguntou rindo, sem acreditar.
-É um dom – sorri me sentando ao lado dele e lhe entregando um comprimido com água e o mesmo tomou rapidamente – Hey, descansa um pouco, a dor passa mais rápido.
-Não consigo – e novamente a ruguinha apareceu, ele estava preocupado. Nem parecia que ele era o ‘mais novo’. As ideias que ele tinha, o modo que falava das coisas, principalmente relacionadas as coisas do castelo e Avallon. Ele falava com amor, ele realmente gostava. Era uma pena ele ter que esperar a coroa passar para seus irmãos antes de chegar no próprio. – Será que estão todos bem? Meu Deus, minha mãe vai ter um infarto quando perceber que eu não estou lá.
-Hey, está tudo certo, estamos seguros aqui, eles vão nos procurar e é só abrir a porta quando acharmos que está seguro – falei olhando pra ele.
-As portas só abrem por fora.
Meu coração gelou.
Eu tinha pânico de ficar trancada em lugar pequeno, minha fobia era tanta que as vezes ficava até sem ar.
-C...Como assim? – perguntei já trêmula. O mesmo viu minha cara de pânico e ficou nervoso.
-Ah, , não brinca comigo, eu não sei lidar com sangue ou gente desmaiada. – ele começou a me abanar com a própria camisa.
Foi então que eu reparei no corpo dele, ombros largos, barriga marcada e braços fortes. Mas não forte demais, era na medida certa. Era a primeira vez que eu tinha contato com o corpo de alguém, sem ser o de Eric, e aquilo me assustava. Fiquei ainda mais tonta.
-, inferno! – ele falou passando água em minha testa e fazendo eu beber. – Já já vão tirar-nos daqui.
-Eu preciso de ar! – falei passando as mãos pela parede. Atordoada demais.
-Aqui tem bastante – ele disse desesperado – Se você quiser eu fico sem respirar pra sobrar mais pra você, olha! – ele parou de respirar me fazendo rir alto, estava tentando me distrair, tinha conseguido. – Mantenha a calma, como futura princesa, você deve saber lidar com situações deste tipo.
-Futura princesa? – ele deveria saber que eu não queria ser uma, certo?
-Tem grandes chances – sorriu tímido olhando pra baixo. Eu achava fofo quando ele ficava daquela forma, não era algo que a gente esperava dele, que era cara de pau.
-Tem 15 garotas aqui, você não conhece todas – dei de ombros e ele riu pelo nariz.
-De qualquer forma, eu aposto que você vai terminar no altar com algum de nós – eu me senti desafiada e então aceitei de cara esse desafio.
-O desafio está aceito! – apertei a mão dele – O que irei ganhar?
-O que você quer?
-Irei pensar, te digo até antes de eu ser eliminada – o mesmo riu com desdém – E o que você quer?
-Te digo antes do casamento – revirei os olhos. Aquilo era arriscado. poderia trapacear e eu poderia criar sentimentos mas de qualquer forma, eu tinha controle sobre mim. Eu era a dona da minha verdade
Ficamos tanto tempo lá que minha crise estava voltando, simplesmente me abraçou e eu não recuei. Sabia que não era pra se aproveitar de mim. Passou ainda mais tempo e acabamos dormindo, daquela forma.
Comecei a ter pesadelo com o cara que apontou a arma pra nós, ele era horrível e pior ainda foi sua morte. Teve os tímpanos estourados.
Viver dessa forma era horrível. A mercê de algo que vai apenas piorar a sociedade.
-ELES ESTÃO AQUI – eu escutei, bem baixinho, vindo de fora. E a porta sendo aberta. Não havia mais luz solar, eram apenas lanternas e a luzes de velas – Alteza – mais de cinco guardas adentraram o abrigo, se curvando à ele e logo depois, à mim – Conseguimos deter os Selvagens. Está tudo sob controle. A Família real e as selecionadas estão loucos atrás de vocês dois. As garotas foram encaminhadas para os dormitórios, mas sua família ainda prevalece no grande Salão, esperando por vocês.
-Obrigado, Soldado P2 – respondeu, colocando a camiseta com a minha ajuda. – me passe as coordenadas, como estão todos? Os feridos? Mortos?
-Prendemos dez Selvagens, os outros quinze foram mortos – ele respondia prontamente andando ao lado de , que não me largava minuto algum – Alguns empregados foram feridos, mais o pessoal da cozinha e uma dama de alguma das Selecionadas – nesta hora me envolvi sem me conter.
-Quem? – o mesmo me encarou e depois olhou pra pedindo confirmação.
-Não sei o nome, sinto muito, senhorita – assenti, ficando preocupada novamente – mas foi coisa do tipo cortes, e enfim. Nada muito grave.
-Prossiga, soldado – o cortou.
-Todas as selecionadas foram levadas ao abrigo real, junto com seus irmãos e seus pais. As líderes também foram pra lá, mas não todas, algumas ficaram onde deu, o ataque não foi fraco, então não dava tempo de irem ao mais luxuoso. Houve cinco mortes, até agora. Três guardas e dois empregados.
-Isso é terrível – passava a mão na testa bufando – E meu pai?
-Ele está esperando respostas, irá interrogar os selvagens amanhã pela manhã. – oi, me leva -Obrigado, Soldado, obrigado – eles e cumprimentaram, fizeram reverência e nós entramos, os cinco guardas se mantiveram lá fora.
Fomos acompanhados por outros guardas que comentavam com sobre o atentado e era visível que era muito querido pelos guardas, eles se mostraram aliviados ao ver o Príncipe, eram respeitosos mas seguiam por uma linha tênue entre o formal e o informal.
Quando chegamos no Grande Salão, a Rainha soltou um suspiro e correu até o filho. Foi a primeira vez que vi a mesma literalmente “descer do salto”.
-Meu filho – ela repetia dando vários beijos em seu rosto – O que é isso? – perguntou horrorizada ao ver a faixa no braço dele – Ah meu Deus, John! – ela chamou o marido, que estava logo atrás.
-Mãe, está tudo bem... Foi de raspão, cuidou de mim – ele sorriu apontando pra mim, que sorri fazendo uma reverência. Ela me olhou de cima a baixo, com a cara de arrogância.
-Obrigada, ! – respondi com uma reverência com a cabeça.
- – o rei lhe abraçou – Que susto que nos deu!
-Estávamos no jardim, foi tão rápido – falava, contando tudo.
-Oh, , sinto muito por isso, não deve ser fácil ver algo de se ver – o rei pegou em minha mão sorrindo – Obrigado por cuidar do meu filho.
-Ele faria o mesmo por mim – sorri para o rei. Que logo se despediu da gente, subindo com a rainha para os aposentos.
-Seu babaca – deu um tapa na cabeça de , logo depois o abraçou – Eu achei que você tinha morrido.
-Você me deve 100 pratas – falou batendo em .
-Você me deve 100 também! – empurrou ele.
-Vocês apostaram o que desta vez? – perguntou rindo.
- apostou que você tinha morrido e eu apostei que você tinha sido sequestrado – falou rindo e depois abraçando o irmão – Não gostava da ideia de você morto, então o sequestro era melhor aposta.
-Os dois me devem 100 pratas – deu de ombros estendendo as mãos para os dois que contestaram, mas aceitaram o fato. Era um tipo de regra deles, caso de aposta e dois perderem, a vítima ganha 100 pratas de cada um. Era lei de ouro pra eles.
Era lindo ver aquela cena de irmãos, amigos e inimigos ao mesmo tempo. Gostava daquela imagem que tinha dos três juntos.
Imbatíveis
-Ah, garota! – Robin entrou rapidamente no salão, primeiro esperei pela bronca, que não veio, mas o abraço inesperado apareceu. – Eu achei que estava morta!
-Not today, bitch – Ri da cara que a mesma fez, prestes a me repreender, mas fomos interrompidas.
-Hey, , obrigado por cuidar do , de verdade – apareceu, me fazendo apertar a mão de Robin, que parecia uma adolescente pirada ao ver a cena – Como posso agradecer?
-Um obrigado já está bom – falei automaticamente, e me arrependi por ter sido tão grossa sem perceber – Digo... Não precisa agradecer.
-Por que você não a convida para passear à cavalo amanhã? – Robin se intrometeu, me fazendo encará-la nervosa.
-Parece-me uma boa ideia, o que acha, ? – ele perguntou sorrindo. Todo formal.
-Pode ser – sorri concordando.
-Passo te buscar amanhã às 15 – assenti com a cabeça vendo- o saindo de perto de nós, indo até os irmãos e encarei Robin, querendo matá-la.
-E aí, princesa apareceu antes que eu pudesse xingar Robin, me fazendo revirar os olhos.
-Vamos, estou cansada – tentei empurrar Robin mas ela nem se moveu.
-Só vim agradecer. – falou na defensiva do jeito debochado de sempre – é muito importante pra nós, nunca ficamos separados diante de um ataque.
-Não há de quê – respondi sinceramente.
-E sinto muito pelo que você presenciou – Assinto com a cabeça e o mesmo volta pro modo babaca rapidamente – Vê se não arranja encrenca para o , parece que o carma é em você. Coisas ruins acontecem quando saímos com você.
-Você devia ter levado o tiro no lugar do – respondi fuzilando-o com raiva.
-Você é bem violenta, né? – falou rindo ironicamente. – Difícil, gosto assim.
-Nojento – respondi praticamente com a cara colada nele, querendo dar um tapa na cara dele.
-Vamos, , está tarde – Robin interviu me fazendo recompor rapidamente.
-Hora de princesa estar na cama – disse rindo ironicamente novamente.
-Hora de criança estar dormindo – mandei beijo no ar saindo com Robin.
-Hey, correu atrás de mim, me fazendo virar pra ele.
-Obrigado pelo passeio, independente das coisas, foi muito bom e eu gostei muito da sua companhia – fiquei vermelha.
-Digo o mesmo, Príncipe – sorri e ele sorriu junto. – Cuide do braço.
-Pode deixar – ele sorriu me dando um beijo na testa. – Boa noite.
-Boa noite, Alteza.


Capítulo 10

-, fiquei sabendo de ontem, fiquei tão preocupada – Liz apareceu do nada ao me ver na hora do café, estava em pé observando um dos quadros, com a mão novamente enfaixada, já que na madrugada, começou a doer de novo. E alguns curativos nos braços e no pescoço, nada demais.
-Esta tudo bem – sorri lhe dando um abraço – Foi um susto.
-Eu imagino! Estava com e na hora do ataque, eles não queriam entrar no abrigo sem o – imaginei a cena. Os três tinham uma ligação muito além de gêmeos e irmãos. – e quando fizeram a contagem das selecionadas, eles ficaram ainda mais preocupados querendo sair de lá. Você literalmente causou um impacto.
-Não foi por mal, eu juro – falei rindo – mas de qualquer forma, agradeço a preocupação, ainda bem que já esta tudo certo.
-Sim, você precisava ver a cara que algumas selecionadas fizeram ao saber que vocês dois estavam sumidos – era tudo que eu precisava mesmo. – Summer, Wayne, Tess e Natalie quase enfartaram.
-Ia ser atoa – revirei os olhos, vendo Summer e Tess chegarem juntas, totalmente exuberantes, com os cabelos presos em um coque alto, um vestido rosa e o outro roxo, uma maquiagem que combinava as deixando ainda mais bonitas. Foi então que elas me encararam, me fuzilando. Andando em minha direção, como modelos, e trombando em mim e em Liz, aquilo foi ridículo – Bom dia pra vocês também – falei sarcástica, fazendo-as sorrirem da mesma forma – e olhem por onde andam da próxima – desta vez retirei o sorriso ficando mais séria.
-Desculpe – Summer falou irônica sorrindo – eu não vi você.
-É claro que não viu – respondi da mesma forma e me virei pra Liz, que encarava tudo atenta.
-É impressão ou ela está tentando te provocar?
-Seja o que for, é bom que não se meta comigo – falei passando a mão pela testa – é totalmente infantil.
-Você me dá medo as vezes – Liz disse rindo, me fazendo sorrir revirando os olhos – mas não arrisque-se por ela. Não vale a pena.
-Eu sei que não – ofereci meu braço pra ela, a mesma aceitou e fomos para a mesa do café.
Nenhum membro Real apareceu, todas as selecionadas ficaram se perguntando o motivo, e eu suspeitava do porquê, mas não diria de forma nenhuma, não era da conta delas, pelo menos, por enquanto. Porém, não deixava de estar preocupada com os garotos, tinha a sensação que os ataques eram para afetar o rei, e para afeta-lo, os príncipes.
Pelo menos, essa era a minha teoria.
Não sabia se devia contar a Lizzie sobre o ‘encontro' com , ela ficaria chateada comigo, certeza. Mas era o certo a se fazer.
Depois do ataque, Robin me deu um super sermão mas ele foi amenizado por saber que ‘salvei' a vida de um Príncipe. Ben quando me viu, me deu um abraço, aliviado. Pelo jeito, ambos acharam que eu havia morrido.
Tomamos o nosso maravilhoso café da manhã, e pela primeira vez, todas conversamos, coisas aleatórias, mas conversamos e demos risadas. Ora ou outra, Summer tentava me afetar com alguma resposta atravessada, mas não conseguia, já que eu tinha resposta pra tudo.
-Mas, , nos conte como foi ontem com o Príncipe – ela falou, juntando as mãos e automaticamente, os 15 rostos viraram pra mim – deve ter sido ótimo ficar com ele.
-Ele é muito gentil – dei de ombros – diante da situação, não foi bom quanto deveria.
-Por que não nos conta os detalhes? – ela dizia com aquela grandes olhos verdes transbordando de ciúmes e inveja.
-Porque acho que não interessa à nenhuma de vocês – respondi sorrindo falsa – não fico perguntando pra nenhuma sobre como foi o encontro com eles.
-Você foi a primeira a ter um encontro com e com – Wayne se intrometeu e era visível que não estava conformada com aquilo.
-E? – só faltou elas rosnarem de raiva – Cada uma aqui vai ter o seu momento, por que não me deixam curtir o meu? – resolvi provocar, aquilo era ridículo demais.
-Não é justo você ter simplesmente os dois em sua mão sem nem nos dar chance – Tess disse, parcialmente triste.
-Por favor, eu saí com os dois uma vez apenas, nem considero um encontro com e , as circunstâncias foram horríveis – falei nervosa daquele assunto – E eu não vou falar com nenhuma sobre minha relação com os príncipes, essa Seleção não se baseia nisso, e se vocês querem algo, corram atrás disso.
E do nada, todas ficaram em silêncio me vendo levantar bruscamente da mesa e sair de lá com raiva. Não acreditava que estava sendo intimidada por simplesmente ter contato com os príncipes. Lizzie saiu rapidamente atrás de mim, caminhando ao meu lado, quieta. Ben e Kapel nos seguiam, conversando baixinho. Sequer perceberam que estávamos em silêncio e bravas. Tecnicamente, eles não estavam dando a mínima pra gente, o assunto sobre a guerra de ontem era mais interessante.
-, não ligue para elas, estão com ciúmes por isso te atacam – ela tomou a palavra e eu suspirei.
- Eu sei, mas pra mim isso é ridículo.
-É ridículo porque você não tem um preferido – ela riu – quando tiver, vai sentir da mesmo forma.
-Deus me livre – falei batendo três vezes na madeira – caso eu venha a ter interesse em algum deles, não serei psicopata!
-Vamos ver – fuzilei a mesma fazendo-a sorrir e sair saltitando na minha frente, tendo um Kapel bufando ao correr atrás da mesma pra vigia-la
-Te vejo em breve – Kapel falou pra nós dois, que rimos alto ao vê-lo correndo atrás.
-Por que você está com essa cara de derrotada? Digo, você sempre está com essa cara, mas vamos combinar que agora tá bem mais visível.
-Benjamin! – o repreendi lhe dando um tapa, o mesmo me deu um empurrão leve, o suficiente pra me tirar do lugar – Quanta audácia – falei inconformada, vendo-o rir alto e depois nos recompormos rapidamente, já que nunca estávamos sozinhos.
-Qual foi? Te conheço a pouco tempo, mas eu sei como você esta se sentindo com apenas um olhar – gargalhei alto para aquele comentário. – Promete que quando se tornar rainha vai me colocar como Líder de Guerra?
-Primeiro que não vou ser rainha – comecei ainda rindo secando o canto dos olhos – segundo, caso eu fosse, com toda certeza iria te deixar como líder dos animais reais ou, como meu guarda-dama. Vai depender do meu humor
-Céus! – o mesmo fez o sinal da cruz – que você nunca seja rainha!
Amém, Ben. Amém.
Depois do almoço, foi terrivelmente tedioso, já que Robin não ia me dar aulas, pois estava em uma reunião com a rainha; não havia visto nenhum dos príncipes; Ben havia sido convocado para treinamento e minhas damas estavam entretidas no meu grande vestido para domingo à noite, no Time Aykroyd.
Segundo elas, as damas das selecionadas haviam feito uma competição entre elas para verem qual Selecionada tinha a melhor roupa. Estava contente por elas encontrarem diversão no trabalho, mas ficava triste por não ser a Selecionada perfeita que levaria minhas Damas a ganharem, por mais que elas tivessem o talento de fazer um vestido exuberante como faziam, eu não tinha a mínima elegância pra me portar dentro dele.
Estava entediada de forma que andava de um lado para o outro, batia o salto no chão só pra fazer alguma melodia baseada naquilo. Gostaria muito de ter acesso as salas de música, poder tocar piano, poder fazer alguma comida, poder pintar meus quadros e jogar bola, igual fazia com Kurt na rua de casa, ter uma câmera pra tirar fotos de tudo que gostava, ir ao jardim, relaxar. Mas para tudo isso, eu necessitava de permissão e eu não tinha.
Era prisioneira. Uma prisioneira real.
Foi então que ouvi alguém batendo na porta e fiquei em alerta. Não estava apta pra receber visitas.
Lauretta correu para abrir a porta e fez uma reverência.
.
Merda, eu havia esquecido do encontro hoje!
Me levantei rapidamente e fui até a porta. Ele estava completamente diferente do que costumava vestir. Estava usando uma calça clara e uma camiseta pólo preta com o símbolo do castelo e um óculos escuros pendurado na camisa.
-Hey, alteza – fiz uma reverência e ele sorriu, beijando minha mão. Depois me olhando de cima a baixo. – Algum problema?
-Não... Er, sim. Quer dizer... Não sei – ele começou a falar incerto coçando a nuca e a barba. – digo, vamos cavalgar... Vestido não é bem uma boa opção para o nosso passeio.
-Oh, sim! – falei me tocando ao assunto. Não havia avisado as garotas, não sabia o que fazer naquela situação toda.
-Pra sua sorte – com a mão que ele escondia atrás das costas, tirou uma caixa e me entregou – eu vim preparado. Sabia que você provavelmente não teria o que vestir.
-... Não precisava – falei com as mãos na boca surpresa pelo tal ato. Nunca havia recebido presente de alguém que não fosse da minha família.
-É apenas um presente... Imagino que vai gostar do passeio hoje e com suas roupas normais é meio desconfortável – “normais”, claro. – Pode de arrumar, estarei esperando na escada.
Ele fez uma reverência e saiu andando. Estava pasmada. Fui atrapalhada por Olivia, que sorria e dava pulinhos com Lauretta e Thaine.
-Venha! – ela me puxou pra dentro do quarto, já tirando o kit de cabelo e maquiagem do nada. – Devia ter nos contado do encontro.
-Eu esqueci – admiti levantando os braços pra elas tirarem o vestido de mim.
-Mas esse é seu primeiro encontro – encarei Thaine, que sorria – primeiro encontro oficial.
Ela estava certa. Diante de tudo o que ocorreu, o único que me chamou para o encontro, foi ele. e apenas apareceram e praticamente me sequestrou, mas não nego que foi algo bom, conheci Nala e seus filhotes. foi o cara mais meigo desse mundo comigo quando saímos. Estava ansiosa pra saber o que seria de mim e no nosso encontro.
EU IA USAR CALÇAS!
Estava quase gritando por poder finalmente cobrir minhas pernas e usar uma camiseta.
As meninas prenderam meu cabelo em um rabo de cavalo, colocando algo nele, para prender um topetinho e deixando alguns fios dando o ar de bagunçado, mesmo não estando. Vestia uma camiseta polo preta, com o símbolo do castelo no canto, igual a de . A calça era preta e bem colada, realçando meu corpo de uma forma que eu estava me sentindo constrangida. Era calça montaria. Nos pés, eu havia ganhado botas da mesma cor. E também um ray-ban do tom preto meio marrom.
Me sentia bem e mal ao mesmo tempo, não sabia explicar direito.
As garotas só faltavam pular em mim. Eu estava muito bonita, de acordo com elas.
- , você consegue ser bonita até de calça! – Olivia dizia me admirando.
-Ganhamos o concurso, com total certeza – Lauretta comemorava, me fazendo rir alto. – vá buscar sua coroa, garota!
-Vou buscar meu dia ao ar livre, fora desse lugar, isso sim – gargalhei indo em direção a porta - desejem-me sorte.
-Boa sorte! – falaram em conjunto voltando para o grande vestido.
Dei de cara com um guarda que nunca havia visto na vida, ele era alto e tinha os olhos verdes. Parecia ter uns quarenta anos. Tinha varias medalhas em seu casaco, e usava uma faixa vermelha também.
Senti um choque ao encara-lo.
-Boa tarde, jovem – ele se curvou depois de alguns minutos.
-Boa tarde! – disse educada, ainda assustada pelo que havia sentido. Ele sorriu e continuou andando. Estava meio baqueada só que continuei andando. Ignorando a estranha sensação de que o conhecia, mas nunca tinha o visto e eu lembraria de ter visto aquele guarda.
Chegando na grande escada, avistei , e , os três rindo lá em baixo e fazendo gracinhas. Do nada senti minhas bochechas corarem ao sentir o olhar dos três sobre mim, ambos com sorrisos enormes no rosto, digo, e , estava com a cara de bosta de sempre, só que com a sobrancelha arqueada.
-Uau – se pronunciou, depois de se curvar – cara, eu devia ter tido essa ideia antes, uma pena.
-Perdeu, Irmão – riu e depois me olhou sorrindo – ainda bem que Robin sabia exatamente qual era seu número, eu realmente ia escolher um numero muito maior que o seu.
-Esta me chamando de gorda? – perguntei com a sobrancelha arqueada fazendo-o engasgar e os irmãos darem risada.
-Não! – Ele disse prontamente.
-Está sim! – falou junto com ele, me fazendo fuzila-lo.
-Cala a boca, – dissemos todos juntos, o mesmo revirou os olhos.
-A verdade dói, não é? – ele deu de ombros e depois me olhou – não sei como você esta vestindo algo assim, pensei que fosse fazer drama e usar vestido.
-Está brincando? – perguntei horrorizada – estou amando poder usar calça! – disse olhando pra minha roupa – é muito mais confortável. E os sapatos? Estou no céu!
-Cada dia me surpreendendo mais – ele falou realmente surpreso, me fazendo dar uma piscadinha e me virar para .
-Você não é gorda, muito pelo contrário – falou me medindo de cima a baixo, e depois ficando vermelho – É que pelos vestidos, não da pra ter noção do tamanho de vocês.
-Certo – olhei pra ele rindo e depois pro e – escutem aqui – apontei para os três que me encararam confusos – eu estou sendo massacrada pelas coisinhas de vestido, por conta de vocês terem saído comigo. Eu sinceramente não sou obrigada a aguentar inveja de gente recalcada, então, façam o que tiver que ser feito, só não quero ter que conviver com gente que não sabe competir.
-Esta com medo das outras? – tirou sarro me fazendo revirar os olhos. Ele não levava nada a sério.
-Na verdade, elas é que deveriam sentir medo – revirava os olhos todas as vezes que trocávamos farpas. – nunca gostei de ser o centro das atenções e não vai ser agora que irei aturar esse tipo de atitude.
-Mas, , é completamente normal termos encontros com você, isso não quer dizer que estamos juntos ou não, é pra nos conhecermos – explicou, passando a mão na nuca, confuso – todas irão ter a sua vez.
-Exato! – tomou a palavra e segurou minha mão – Pode deixar que conversaremos com todas, não irei aceitar intriga de ninguém aqui. Fique tranquila.
-Vamos resolver isso sem precisar que você cometa nenhum crime – sorriu me fazendo rir, pegando minha outra mão. O mesmo olhou para , que bufou e colocou a mão em meu ombro e olhou em meus olhos.
-Por mais que eu adore uma briga de garotas, não iria suportar a ideia de ver esse rostinho machucado e não ter mais ninguém pra provocar. Vamos resolver essa situação.
-Me sinto honrada – digo irônica pra ele, vendo-o sorrir. Olho pra – Vamos ou não?
-Como quiser, madame – o mesmo fez uma reverência e ofereceu o braço – Até mais tarde, crianças.
-Comporte-se – ouvi a voz de e segurei a risada.
-Tenta não cair do cavalo – fuzilei , que me deu um beijinho no rosto e saiu correndo me fazendo segurar novamente a risada. Ele era ridículo.
-Tchau, alteza – falei piscando pro , que riu e mandou beijo no ar – Vamos, , estou ansiosa.
O mesmo riu e me mostrava as coisas de dentro do castelo, até chegarmos no jardim. Vi aquela marca de sangue de ontem, meu coração gelou e eu dei alguns passos pra trás, atordoada. percebeu e segurou minha mão, me dando apoio.
-Terá que enfrentar algumas coisas antes de encontrar o que te agrade.
-Além de tudo, ainda é filósofo? – perguntei brincando, fazendo-o rir.
-Meu pai sempre costuma dizer isso pra nós, principalmente quando éramos crianças. A primeira vez que ele falou isso pra mim, foi quando eu caí do meu primeiro cavalo – ele falou rindo se lembrando – eu não queria de jeito nenhum subir novamente, mas queria poder ser igual os guardas que eu via, correndo e se sentindo livre em cima do animal. Eu estava fazendo birra e ele olhou pra mim, daquele jeito duro e carinhoso que só ele consegue fazer e falou “Terá de enfrentar se quiser encontrar o que te agrada”, e assim ficou.
-Isso é bem bonito – falei encarando ele, que ainda sorria olhando pro horizonte se lembrando de algumas coisas. – admiro seu pai.
-Ele é um bom homem – concordou ele, me olhando novamente e depois para o sangue no chão – Podemos?
-Certo. Vamos – sorri e caminhei ao seu lado.
Fomos conversando o caminho todo, sobre diversos assuntos, mas ele era um cara... Formal demais? Digo, ele era fechado, eu entendo, mas ser travado e fechado era o fim. Nunca sabia se ele estava agindo como o futuro Rei ou só . No caso, aquilo me irritava um pouco.
-Aqui é o celeiro, todos os cavalos ficam aqui – ele mostrou e eu realmente fiquei maravilhada com tudo aquilo. – eu costumo escolher o cavalo, mas vou deixar que você escolha. O meu é esse aqui – ele sorriu indo até a Ala do cavalo branco e enorme – esse é Tobby.
-Ele é lindo! – falei maravilhada observando o animal.
-Demorei alguns anos pra conseguir ter a confiança dele por completo. Não se sinta mal caso não consiga de primeira com algum... – ele parou a frase quando viu um dos cavalos batendo a cabeça em minhas costas e depois pegando meu cabelo – Pelo jeito, ela simpatizou com você.
-Adorei ela também – digo rindo, me virando para o cavalo, ela era preta com algumas manchas brancas e os olhos verdes. – Quero ela.
-Essa é Anchor – disse ele se aproximando de mim – é o cavalo de .
-Vou escolher outro – falo rindo nervosa, com toda certeza do mundo que tenha treinado ela pra me derrubar.
-Nem tente, Anchor não costuma gostar de ninguém, nem de mim – ele explicou me fazendo arregalar os olhos – conquistou ela de primeira e eu estou muito animado em ver que você também. E nem precisou se esforçar.
-Certo – suspirei rindo – vamos lá, então! – sorriu e chamou duas pessoas para irem arrumando os cavalos.
-Sabe andar a cavalo?
-Eu aprendo rápido – nunca vi me olhando tão surpreso, eu gostava daquele olhar. Surpreender as pessoas.
-Anchor costuma fazer o que der na telha, caso ela saia correndo e você perca o controle, apenas se segure e deixe ela ir aonde quiser, uma hora ela vai parar. Se lembrar o caminho que fizeram, tente retornar, caso contrário, iremos atrás de vocês. - Qualquer semelhança com o dono era mera coincidência. Mas assenti e guardei todas as coordenadas para não precisar sofrer mais tarde. – Vamos?
-Alteza – o senhor tirou seu humilde chapéu, se curvando para , que sorriu – Os cavalos estão prontos.
-Obrigado, Senhor Koch. – e saiu andando na frente, quando Koch ia se curvar para mim, coloquei as mãos em seu ombro, o parando.
-Não precisa fazer isso, eu não sou melhor que você – o mesmo me olhou sem entender e eu coloquei o chapéu em sua cabeça e sorri – tenha um bom dia.
-Tenha um bom dia, senhorita – ele sorriu me vendo partir com nos encarando sem dizer nada depois. Pelo menos naquele momento.
-Segure essas cordas e segure aqui, com o pé esquerdo você se apoia aqui e o direito você joga para o outro lado, estarei te ajudando e... – em questão de segundos eu já estava em cima de Anchor, e os outros homens que estavam ali estavam de boca aberta.
-Eu falei que aprendia rápido – sorri me ajeitando nela. Minutos depois, estava em cima de Tobby.
-Hey, Anchor – sussurrei enquanto conversava com alguns guardas e os funcionários – Seja boazinha comigo, prometo que irei ser legal com você – a mesma fez um barulho com o nariz e balançou a cabeça, me fazendo rir – você é mais inteligente que seu dono, estou orgulhosa.
-Conversando com o cavalo? – Ben apareceu do nada ao meu lado, em cima de um cavalo – sabia que você era louca, mas dessa forma é novidade.
-Achei que estivesse em treinamento – comentei e ele sorriu.
-Estou voltando agora, enquanto você vai se divertir com o príncipe, irei ver meu afilhado e ligar para o meu pai – ele tirou o boné que usava – ele está com a Lady Devimon.
-Seu pai é um cara de sorte – Ben sorriu fazendo reverência ao príncipe.
-Pode descansar, soldado, eu cuido da Mademoiselle – como se eu precisasse de cuidados. Parecia que Ben havia lido meus pensamentos, pois jurei que ele havia segurado uma risada ao olhar pra minha cara.
-Fico mais tranquilo por isso, Alteza – Ben me encarou e fez uma reverência – Tenham um ótimo passeio.
-Obrigada



Quando havia percebido, eu estava correndo na frente de com Anchor, de modo que o mesmo tivesse que gritar para eu esperá-lo, mas eu simplesmente não conseguia, eu adorava a sensação de liberdade que estava tendo.
era um cara fechado e sempre estava com aquela pose de príncipe. Aquilo me irritava.
-! – ele gritou quando Anchor parou bruscamente em um precipício. Eu não sabia que tinha aquele penhasco enorme perto do castelo.
-Céus! – comecei a rir por causa da situação. – Anchor é muito mais esperta que você e eu juntos.
-Você tem que parar de ir na frente desta forma – ele desceu do cavalo dele e me ajudou a descer de Anchor – devia ter imaginado que não daria coisa boa você e a revoltada potranca de meu irmão.
-Qual é, ?! – disse ainda rindo limpando minha calça da poeira e depois passando a mão em Anchor – Se divirta um pouco, deixe de ser tão careta.
-Eu só fiquei preocupado – ele falou inconformado – tem noção do que poderia ter acontecido?
-Não aconteceu!
-Poderia ter acontecido!
-Mas não aconteceu!
Nesse momento estávamos cara a cara, discutindo por um assunto, que ao meu ver, era irrelevante. Mas para ele, era super relevante, de modo que tínhamos que demonstrar um para o outro que nossa própria tese era a verdadeira.
-Achei que andar a cavalo era exatamente pelo fato de sentimos a liberdade na cara – dei de ombros e ele riu sem humor.
-Meu anjo, uma coisa é se sentir livre, outra, completamente diferente é tentar se suicidar.
-Não use esses apelidinhos comigo, alteza – grunhi cruzando os braços – se for pra discutirmos eu prefiro voltar para o castelo e ficar presa em meu quarto.
-Desculpe – ele abaixou a cabeça – eu sou um pouco protetor demais, as vezes.
-Percebi – falei sem querer e o mesmo riu balançando a cabeça.
-Eu não queria ser assim, mas é meu dever e...
-Seu dever agora é ser um cara normal e esquecer essa pose de príncipe-Rei – levantei a mão e ele ficou surpreso novamente – estou do lado de um marionete ou de um cara ?
- tinha razão quando disse que você era abusada – dei de ombros e ele balançou a cabeça – certo, tentarei fazer o que você quer, mas não te garanto nada.
-Já é um começo, .
Paramos naquele penhasco e ficamos sentados ali, observando o mar e de longe, algumas cidadezinhas, Avallon tinha uma beleza inexplicável. Meu país era maravilhoso demais e a beleza estava nas pequenas coisas. foi se abrindo aos poucos comigo, de um cara fechado, ele foi para um cara que eu não tinha conhecido.
O palhaço sem graça.
Achava fofo o fato de ele querer me fazer rir com coisas pequenas, ele realmente conseguia. Gostava daquele lado descontraído e eu havia decidido que exploraria mais daquele . Esse era o melhor dele.
-O que te trouxe na Seleção, ? – ele me perguntou me fazendo arregalar os olhos discretamente, graças ao óculos escuros, ele não veria.
-O que as outras Selecionadas respondem quando vocês perguntam isso?
-Na verdade eu não perguntei ainda pra elas. Pra Lizzie apenas, e ela disse que foi por vontade própria e por ser mais romântica, já imaginou o conto de fadas todo e tudo mais – eu imaginei Lizzie contando para ele aquilo, achei super fofo.
-Lizzie é uma garota incrível – comentei e ele sorriu.
-O pouco que a conheci, também tirei essa conclusão – olhei pra ele tirando os óculos e ele virou a cara.
- Aykroyd, está meio apaixonadinho? – tirei sarro e ele deu um leve empurrão em mim – mas já?
-Fica quieta, é claro que não!
-Não te culpo, eu também ficaria. Lizzie é o tipo de garota perfeita!
-Por que estamos falando de mim e de Lizzie? – ele perguntou inconformado me fazendo gargalhar com o rumo da conversa.
-Porque eu estou tentando fazer o filme da minha amiga pra você!
-Vocês são bem amigas, né? – ele me encarou me fazendo sorrir e balançar a cabeça concordando.
-Ela é minha única amiga, na verdade... Não costumo fazer amizade com garotas, elas normalmente não sabem lidar comigo e algo faz com que elas não me suportem, sou mais amiga de homens.
-Sinto muito, ! – ele fez uma cara triste, segurando minha mão. Não pra tirar vantagem nem nada, e sim, por que ele era um lorde e fazia isso porque era mania.
-Eu já aprendi a lidar com isso – sorri mostrando que estava bem.
-Se te conforta, elas não devem suportar você por causa da sua presença. Incomoda demais as pessoas – olhei pra ele fingindo estar incrédula. Ele havia acabado de me destruir
-Como isso serve de consolo?
-Porque é algo bom!
-Então... Obrigada – dei de ombros ainda olhando para o horizonte.
-E suas amizades com os homens, é bem comentada aqui no castelo. - olhei-o surpresa. Esperando uma continuação – digo, a sua amizade fácil com os guardas, cozinheiros, empregados e enfim. Falam muito bem de você. Parte da torcida deles é em você.
-Eu não faço isso pela torcida – dei e ombros – eu gosto de conversar com eles, tem tanta gente lá dentro precisando de apenas um sorriso pra ter um dia melhor e a gente se quer os olha. Você conhece o Sr. Took?
-Acho que não – ele coçou a cabeça, meio envergonhado.
-O marceneiro real – dei continuidade e ele me encarava – conheci ele quando eu estava andando pelo castelo procurando coisas para fazer, ele estava arrumando uma das maçanetas de algumas portas, que foram quebradas em uma das invasões... Ele estava tão tristinho. Eu olhei pra ele, parei e perguntei se ele queria ajuda.
-Ele aceitou? – me atrapalhou, meio inconformado me fazendo revirar os olhos.
-Qual seria o problema se ele tivesse pedido ajuda? Ninguém faz nada sozinho, a gente sempre precisa de alguém em pasmem, eu irei ajudar qualquer um que eu ver que precise de mim e não importa quem seja – Cruzei os braços e continuei falando – e não. Ele não aceitou minha ajuda, mas eu insisti e no tempo em que ficamos juntos, eu ouvi toda a historia dele. Somos super amigos e ele sempre que me vê, conversa comigo.
-Isso é bem bonito, – ele elogiou – mas você é uma Selecionada... Não tem que servir, deve ser servida.
-Vou te dizer o que falei pra Robin – me levantei já cansando daquele papo, sabendo aonde ia levar – eu fui criada pra Servir. Não tente impedir que eu não ajude quem precise, eu irei fazer sem ligar para o que aconteça depois. Enquanto eu estiver ajudando as pessoas, irei saber que ainda sou quem sou.
-Se ou te ouvir falando isso, vão te agarrar e não te soltarão mais – ele riu me fazendo balançar a cabeça.
-Tente ser mais simpático com os seus funcionários... – ignorei o que ele havia dito e ele me olhou um pouco diferente, bravo. – como futuro Rei, eu ia querer alguém que se interessasse por coisas quaisquer sobre os súditos e o Reino. Você sequer sabe o nome do seu cozinheiro!
-Eu sei o nome dos meus funcionários – ele falou na defensiva, me fazendo cruzar os braços.
-Diga um! – com a sobrancelha arqueada ele respondeu rapidamente.
-Parton!
-O que ele faz?
-É um guarda – gargalhei alto e ele me encarou sem entender.
-Você não sabe mentir – mandei beijinho no ar e continuei andando – você contrai os lábios e o seu nariz abre, dilata!
-Quem te garante isso? – ele estava com a aparência mais calma, me fazendo ficar mais tranquila.
-Eu analiso bem – comecei a cutucar a terra com a bota – você contraí os lábios quando esta nervoso, dilata o nariz quando fica ansioso... Enfim.
-, você é cheia de surpresas – ele riu e depois virou o rosto – vou pensar mais no que você disse.
-Obrigada – sorri lhe dando um abraço rápido e o soltando.
Ficamos em silêncio por um longo tempo, um silêncio que incomodava ele. Era perceptível que ele queria falar, mas não sabia como e o que. Eu não gostava daquilo, queria conversar. Mas me deixava com uma barreira na frente novamente, que impedia que eu falasse qualquer coisa.
-Eu não me sinto a vontade – admiti e ele me olhou confuso – com você. me estressa, eu o odeio, mas conseguimos conversar e eu me sinto bem assim... eu me sinto super confortável de fazer absolutamente tudo. E agora vem você, que é todo fechado... É estranho -Sinto muito por isso – ele falou meio surpreso, coçando a nuca – eu não estou acostumado com isso também. É estranho pra mim conviver com um monte de mulher.
-Na verdade... É difícil pra mim lidar com todos vocês – falei mexendo as mãos, meio nervosa.
-É difícil pra mim também – ele riu segurando minhas mãos impedindo-as de se baterem – o que acha de aprendermos juntos? Prometo melhorar.
-Prometo ser mais gentil – sorri junto com ele, vendo-o selando nossas mãos depositando um beijo em cima da minha.



-Você só ganhou porque eu deixei! – falou rindo, descendo do cavalo quando paramos perto do castelo, no fim da tarde. Dando vista para ao celeiro.
-Continue pensando assim, você vai longe, Rei – Ele revirou os olhos. Achava estranho, todas as vezes que eu me referia a ele daquela forma, ele revidava os olhos. Mas não ousaria perguntar nada. – Meu cavalo é incrível – brinquei dando um beijo em Anchor.
-Ainda estou estupefato em ver que ela te escolheu. Não consigo acreditar que ela gosta de outras pessoa que não seja o . Nunca aconteceu. – ele dizia realmente surpreso, aquilo aparentemente era mesmo. Pra ele e para algumas pessoas ali. Principalmente o rapaz que cuidava das baias.
-Ah, devia estar predestinado a acontecer – dei de ombros – ou algumas coisas a gente não pergunta, simplesmente deixa acontecer – RI pelo nariz – eu amo animais.
-Eu percebo o jeito que você olha pra eles, acho lindo – olhei pra ele sorrindo e ele sorriu também.
-Eu queria poder fazer mais coisas aqui no castelo, me sinto presa e quando estou aqui fora, tendo contato com o ar e agora, com Anchor... Me sinto viva – disse passando as mãos no rosto dela.
-O que você gostaria de fazer? – perguntou curioso.
-Pintar... Tocar piano... Poder cozinhar... Poder tirar fotos... Cuidar dos animais... Jogar bola. Ah, tantas coisas. – falei rindo e olhei pra ele.
-Não sabia que tocava – falou surpreso e eu dei um sorrisinho.
-Não sabemos muitas coisas, príncipe.
-Espero poder conhecer mais.
-Quem sabe?! – vi que ele ficou sem graça e parei, vendo-o balançar a cabeça sorrindo – Se você não fosse destinado a ser Rei, o que seria?
-Trabalharia com os animais, treinaria os cavalos. Meu sonho é treinar os animais Reais, imagine treinar os cachorros dos guardas? E trabalhar como um guarda? Eu ia ser o cara mais sortudo do mundo! – ele dizia com os olhos brilhando, eu o encarava vendo absolutamente tudo o que ele sentia – ou ser médico.
-Tecnicamente você já é o cara mais sortudo do mundo – disse rindo e ele me olhou “você entendeu” – nunca imaginei, alteza, pra mim você queria ser Rei.
-Esse sonho é de – encarei ele surpresa – e eu gostaríamos de viver nossas vidas fora daqui, ama Avallon de uma forma que ninguém entende.
-E por que ele não pode ser rei?
-Ele pode! – respondeu ele – mas existe uma linha de sucessão, eu sou o próximo e caso eu venha a ter filhos, eles serão os próximos, depois e por último, .
-E se você renunciasse a coroa? – perguntei, realmente estava curiosa.
-Já pensamos nisso. Mas minha mãe exige que eu seja o próximo e os líderes do conselho não aceitam também que seja o próximo, por ele ser mais novo, o acham imaturo – dizia tudo isso com certa mágoa na voz.
-Isso é ridículo! – falei extremamente horrorizada, se existia alguém que merecia aquela coroa, com toda certeza era !
-Eu concordo.
-Deve haver alguma forma de burlar isso.
-Não compre essa luta, . – ele me encarou vendo que eu fiquei ofendida – é pelo seu próprio bem. Não quero que se machuque.
-Por que eu me machucaria? – perguntei com as mãos na cintura.
-A Coroa envolve muito mais gente do que você pensa – explicou ele – tem sempre alguém tentando acabar com meu pai, meus irmãos e eu, porque a Coroa interessa mais do que tudo. Se você se envolver, ainda mais pra ajudar , vão tentar te eliminar. Ninguém quer uma pessoa que vá contra o sistema.
-Acho que entendi – falei meio horrorizada com o que ele havia dito. Já imaginava que as coisas fossem cruéis no reino, mas não queria acreditar que era dessa forma.
-Como sou um cavalheiro e você “tecnicamente” ganhou a nossa corrida, te dou o direito de escolher duas coisas dessa lista, você vai poder fazer as duas – ele mudou o assunto e eu olhei pra ele quase dando um grito, não acreditando.
-Esta falando sério? – ele sorriu.
-Palavra de Aykroyd – levantou o dedinho me fazendo pular em cima dele, lhe dando um abraço. O desequilibrei e fomos os dois para o chão. – Socorro.
-É que pensar na hipótese de tocar e pintar novamente me deixa animada. Sinto muito – falei sem jeito, olhando pra ele ainda em cima do mesmo.
-Você acabou com as minhas costas – gargalhou ele e depois me olhou.
-As minhas doem também – dei risada e o encarei. Aquilo durou longos minutos ate que eu cortasse a situação e levantasse o ajudando logo depois – me desculpa.
-Não se preocupe, a minha promessa ainda está de pé. – Ia abraça-lo novamente, mas ele me impediu – fica longe um pouco, para não nos machucarmos – fiquei ofendida. Mas era verdade, nós, de quebra, iriamos nos machucar feio ainda. E o sorriso que ele me dera após a piada, me fazia querer mata-lo.
-Fique tranquilo, eu não te abraço mais!
-Por que isso me deixa tão chateado? – fez uma cara pensativa, me fazendo gargalhar – droga!
-Adorei o passeio, príncipe – falei ao chegarmos nas baias e o funcionário vir de encontro a nós, para levar os cavalos de volta – você fez eu conhecer Anchor, eu simplesmente amei.
-Só gostou pela Anchor? – disse ofendido, me fazendo balançar a cabeça rindo – isso é uma afronta.
-Você ficou fantástico depois, adorei por nós também – falei sincera, ele sorriu tímido.
-Você também é incrível quando não está na defensiva.
-Eu sei – respondi jogando o cabelo pro lado – obrigada pelas roupas.
-Ao seu dispor, princesa – o encarei revirando os olhos, vendo-o rir.



Entrei em meu quarto logo após a janta, depois que chegamos, fomos direto ao grande salão e lá estavam todos, inclusive a Rainha e o Rei. A mesma não gostou nada de me ver vestida daquela maneira e o Rei ficou curioso e perguntou discretamente depois, o por que eu continuar com a roupa de montaria mesmo estando na hora de jantar.
Lizzie não olhou pra mim e eu fiquei chateada por causa disso, ela era minha única amiga e estava brava por conta de . Não ligava para as outras, mas pra ela, sim. me lançava olhares do jeito dele, com a sobrancelha arqueada e , ora ou outra, me olhava e sorria. havia sumido por alguns minutos durante o jantar, sem dar explicação, apenas pediu licença e saiu com os irmãos.
Quando entrei em meu quarto, minhas Damas não estavam lá, nem Ben. Robin não deu as caras.
Troquei de roupa e preparei meu banho, sozinha. Eu precisava muito de um banho. O meu banheiro tinha um chuveiro, que eu sempre quis usar.
Conforme eu terminava o banho, eu ia pensando naquela primeira semana no castelo. Havia se passado tão pouco tempo e eu de certa forma, havia me acostumado com alguma coisas. Os príncipes não eram totalmente ruins.
Eu sentia tanta falta da minha família.
Foi então que lembrei das cartas que eu havia recebido ontem. Não tive tempo de ler.
Essa foi a deixa de eu acabar com o banho e me enrolar na toalha.
Corri para o quarto novamente e me assustei ao ver um homem na janela. Ele estava de costas pra mim, na varanda e inteiro de preto.
Meu coração parou e eu achei que fosse gritar, mas nem isso consegui fazer. Caminhei até a cama sem tirar os olhos do homem e me preparei pra correr até a porta e gritar por socorro. Quando cheguei na porta, senti duas mãos tapando minha boca e me puxando pra trás. Comecei a me debater.
-, sua toalha vai cair, pare com isso! – ouvi a pessoa dizer. .
-Você está louco? – quase gritei quando ele me soltou – por que não usou a porta? Por que não bateu? E se eu estivesse pelada? Isso é invasão, vou denunciar você pro seu pai, ele vai ficar bravo!
-Céus, cala a boca – ele respondeu sem paciência – usar a porta é clichê.
-E aparecer na sacada não é?
-Não tanto.
-Desembucha e saia daqui! – Cruzei os braços, brava.
-Você está muito mandona, – ele disse simplesmente, andando pelo meu quarto e se jogando na cama – deveria ser mais gentil.
-Não me irrita, garoto! Eu vou gritar – ameacei e ele bufou revirando os olhos.
-Fiquei sabendo da sua afronta e que você andou em cima da minha potranca, como você ousa? – revirei os olhos rindo de nervoso por causa daquela situação.
-Era só isso? Eu não acredito! Você realmente deve me amar muito pra invadir meu quarto só pra dizer isso.
-Me poupe né, querida – ele respondeu na defensiva – vim aqui pra reclamar da traição de Anchor e te avisar que um filhote de Nala morreu hoje.
-Oh, isso realmente é triste, sinto muito, – falei triste, aquilo realmente havia me chateado.
-Eu também, Nala está muito tristinha – estalou os lábios e me encarou – só vim avisar mesmo... E dizer que se Anchor te escolheu, eu devo ficar de olho em você.
-Anchor e eu somos melhores amigas agora – me gabei – agora saia do meu quarto. Vá invadir quartos de outras Selecionadas.
-Deus me livre, eu seria agarrado – gargalhei da cara dele.
-Aposto que você ia amar essa situação.
-Ia mesmo!
-Então saia daqui – respondi na defensiva de novo e ele riu pelo nariz indo ate a sacada depois de dizer perto de meu ouvido:
-Tenha uma boa noite, princesa – revirei os olhos bufando – e a propósito... – gritou antes de pular da sacada – belas pernas.
Grunhi de raiva dele e tranquei a porta, o xingando de tudo que era possível.
Depois que me arrumei pra dormir, escutei algumas batidas na porta, fui rapidamente abrir e não vi ninguém. Olhei para o chão e vi duas caixas.
Eram de e de .

Continua...




Nota da autora: (04.12.2017)
Hey Avallonesa, gostaria de dizer que esta é uma história baseada em “A seleção” (com o nome baseado no filme ‘Passageiros'. Os trigêmeos que provavelmente não serão iguais dependendo da sua escolha, não tem um certo ainda para ficar com você, será decidido conforme o povo for lendo e escolhendo (se quiser ajudar, diga nos comentários usando o “mais velho”, “mais novo” e “do meio” vou conseguir ter uma noção dos queridinhos. Espero que gostem!





Qualquer erro nessa fanfic e reclamações somente no e-mail.




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