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Capítulo 1


“-Aqui é Marie D’empine – a mulher que sempre via como repórter da família real dizia animada para as câmeras bem à frente do castelo de Avallon ao lado de Jeremy Cooper, o segundo repórter da família real
-E aqui é Jeremy Cooper – ele falou sorrindo, como sempre e logo depois os dois disseram juntos a frase que era um sucesso e todos diziam juntos, por ter sido decorada - do reino de Avallon, e esse é o Time Aykroyd!
-É, Jeremy, o rei Roger Aykroyd anunciou semana passada que tinha um grande comunicado para as famílias de Avallon – Marie começou a falar, com as mãos na cintura e encarando o homem ao lado dela
-Pois é, Marie... E há boatos de que esse comunicado irá mudar a vida de muitas pessoas de Avallon
-Daqui alguns minutos, nós estaremos lá dentro cobrindo esse comunicado da nossa querida família!
– Marie deu um sorriso, e Jeremy também. – e aí? Estão animados? Aguardem, em instantes nós voltamos ao lado da Elite do nosso país.”
Estava com minha mãe, minha irmã mais velha e meus dois irmãos menores, assistindo, como sempre, mais um jornal sobre Avallon, morávamos em uma pequena província em Southampton. Minha mãe era costureira e meu padrasto... Bem, meu padrasto trabalhava para quem pedia ajuda e pagasse, não é um emprego fixo, mas pelo menos em alguns momentos ele fazia algo para ajudar em casa. Eu era garçonete no restaurante da minha irmã mais velha junto com o seu marido, eles claramente tinham uma vida melhor que a minha e claramente, ela escolheu bem o marido para ter uma vida melhor.
- O que será que o Rei Robert tem pra dizer pra gente? – Kurt, meu irmãozinho de cinco anos perguntou, levantando do tapete e indo para o meu colo, já que eu estava no sofá com as pernas dobradas iguais a um índio. Eu o abracei rindo da sua cara toda suja de biscoito.
-Vamos descobrir juntos?! – perguntei fazendo cócegas nele e o mesmo gargalhava e concordava comigo
-Cada vez que Rei Robert anuncia algo assim, eu fico super nervosa – mamãe e levantou e foi para cozinha e voltando com uma bandeja com chocolate quente para nós – ainda mais agora, já que praticamente vai mudar a vida das pessoas de Avallon.
-Você acha mesmo que isso vai ser capaz de mudar alguma coisa? – perguntei dando de ombros – se quisermos, nós mesmo mudamos nossas vidas, mãe.
-Bem, você precisa de um marido para ter uma vida boa. Veja a Kira, depois que ela conheceu o Jordan, ela se veste super bem e até esta mais gorda – olhei espantada para Kiara, minha irmã mais nova, de sete anos. Ela já era super madura para a idade que tinha e eu não gostava nada do que ela pensava... – então sozinha você não vai conseguir nada, .
-Kiara! – a repreendi – Você não precisa de um homem para ser alguém na sua vida!
-, essa é a nossa monarquia, não adianta você querer muda-la, você não vai conseguir isso! – Kira falou dando de ombros passando as mãos nas minhas costas.
-Acontece que eu não quero um... Um... – falei irritada e encarei minha mãe que me encarou um pouco chateada
-Não quer o que, ? – minha mãe incentivou – não quer um Merck? – ela se referiu ao meu padrasto e eu suspirei
-Nem todo mundo tem a sorte de Kira – falei abaixando a cabeça e olhando a TV
-SERA QUE O PRÍNCIPE CHRISTOPHER VAI APARECER HOJE? – Kurt perguntou todo eufórico me fazendo rir, ele era o único naquela casa que me fazia ficar melhor
-Eu gosto mais do ! – Kiara falou se virando para a TV
-Ah, parem! é maravilhoso! – Kira falou rindo e encarando a TV.
-Eu gosto dos três – mamãe riu e também voltou o olhou para a TV
-Eles são basicamente iguais – falei inconformada e todo mundo só faltou me matar
-Pelo amor de Deus, , o tem um olho azul magnífico, fora aquele sorriso... O homem perfeito! – Kira me encarou como se eu fosse um monstro
- é forte, bonito e li em uma revista que ele é cheiroso e gosta de cozinhar! – Kiara falou toda apaixonada nos fazendo rir
-Bem, gosta de pintar, montaria, futebol e lacrosse! – Kurt falou como se isso fosse uma coisa incrível, todo animado, me fazendo sorrir do jeitinho que ele falava
-Como você sabe disso, Kurt? – Kiara perguntou com as mãos na cintura
-Mamãe leu pra mim! – Kurt mostrou a língua pra ela, fazendo todos rirem
-Fora que realmente, é um cara muito bonito – mamãe ajudou Kurt ao falar sobre o príncipe
-OLHA! – Kurt apontou pra TV – VAI COMEÇAR – não sabia o motivo, mas também estava ansiosa com esse tal anúncio da família real
-Boa noite, Avallon! – demos de cara com Rei Robert sentado em seu trono, ao lado de Leigh-Anne Aykroyd, nossa rainha. Eu achava ela maravilhosamente bela, toda cheia de postura, com os cabelos loiros sempre arrumados em um coque e a Coroa na cabeça e um sorriso incrível. Não poderia deixar de falar do rei, ele também era lindo, mesmo já com a barba e os cabelos um pouco grisalhos, porém sempre com os olhos azuis brilhando. Atrás deles, estavam seus três filhos, os trigêmeos Aykroyd. Príncipe , Príncipe e Príncipe . Eles não estavam com uma cara muito boa, na verdade, estavam com a cara fechada, sérios – É com grande prazer que cumprimento as Famílias avallonesas
-A família real esta muito feliz pelo 500° aniversário do nosso país começou a dizer, abrindo a boca espantado para seus irmãos que olharam para ele completamente pasmos -é galera, Avallon esse ano comemora o famoso cinco, zero e zero
-Caraca! fingiu estar surpreso, fazendo seus pais rirem e obviamente, toda Avallon – temos que comemorar, vocês não acham?
-Ah, ! Meu chapa... bateu nas costas do irmão gentilmente – eu acho que o Rei e a Rainha de Avallon devem decidir o que querem para Avallon. Quais são os planos para a grande comemoração do país, majestade?
-Príncipe , meu filho, você sabe...
– Rainha Leigh falou sorrindo amarelo e o mesmo deu um sorrisinho
-Ah, mãe, porque você mesma não da a grande notícia? – respondeu ele num tom de brincadeira, aquilo estava me cheirando a encrenca...
-... Se você não for falar, eu mesmo falo – Rei meio que deu uma estressada, ao ver que aquilo não ia dar em nada então tomou a frente, novamente – A primeira família real da corte aqui de Avallon, passou por isso, a quinta, a décima, décima quinta, vigésima, centésima, e assim foi sucessivamente... -encarei a TV abismada, ele não pode fazer isso que estou pensando que vai fazer – esse ano, como um pedido de agradecimento e diversão para a família Avallonesa, resolvemos que teríamos sim, isso!
-Oh, não – falei colocando a mão na boca
-Oh, sim! – Kira e mamãe falaram juntas animadas
-É com grande empolgação que a família real anuncia – Rainha Leigh falou se levantando calmamente e indo junto aos seus filhos – que as próximas três princesas de Avallon, uma das três, pode ser você, isso mesmo, cara jovem!
-Haverá uma seleção para cada província, todas as jovens solteiras com mais de 16 anos até 22, poderão participar! – o rei continuou – meus filhos e eu nos encarregaremos de escolher quinze garotas, que irão ficar aqui no castelo.
-No cartório de sua província você terá todas as informações necessárias.
– a rainha falou olhando para os filhos, e olhavam para baixo, um pouco abalados, olhava pra câmera, mas sem dar nenhum sorriso – as quinze damas irão ser anunciadas aqui mesmo, no Time Aykroyd, na próxima sexta-feira, as 19:30! – ela de sentou, segurando a mão de seu marido
-O prazo é até segunda, meninas! – Jeremy lembrou as pessoas ao aparecer na frente da câmera depois de saldar a realeza – mas, e aí, rapazes? Como estão se sentindo?
-Obviamente, muito feliz, certo?
respondeu com a sobrancelha arqueada, me fazendo rir da cara de Jeremy de palhaço com o sarcasmo visível na ponta da língua, para um bom entendedor
-Vou ter quinze garotas andando pelos corredores do castelo, tem como estar melhor? perguntou rindo – com todo respeito as minhas duas futuras cunhadas...
-Estou ansioso, vamos receber mais atenção do que estamos acostumados, vai ser legal ter pessoas novas aqui, no castelo
respondeu sem humor algum, deu totalmente de ombros
-Estou ansiosa pela Seleção de Aykroyd – Marie apareceu sorrindo para as câmeras – acompanhei a Do reino de Illéa e o Rei Maxon e a Rainha America estão administrando o reino muito bem! E essa vai ser inesquecível, já que os primeiros trigêmeos da história da corte real, estão em uma Seleção.
-Bem lembrado, Marie! – Jeremy lembrou e parabenizou a mesma – Rainha Leigh, boatos que Marie vai poder participar do reality
-Que ela vai poder participar, sim... Se ela vai ser uma das quinze, ai já não é algo que eu possa dizer – fiz careta ao ver o touché da rainha em Marie e Jeremy...

A família real ainda ficou conversando por alguns minutos, mas eu já não estava pensando e nem ouvindo mais nada... Aquilo era ridículo. Casamento arranjado, exposição dos próprios príncipes e das meninas, o que isso poderia fazer de bem para as famílias de Avallon?
Sabia que minha família me obrigaria a participar deste reality maldito e que eu negaria até o fim, não teria benefício algum para eles em casa, eu perderia meu tempo!
- ,VOCÊ TEM QUE PARTICIPAR! – Kiara gritou eufórica pulando pela sala
-, É UMA OPORTUNIDADE MARAVILHOSA! – Kira falou me encarando – DROGA, ODEIO NÃO SER MAIS UMA GAROTINHA!
-Eu não vou participar desse concurso ridículo! – falei na defensiva
-Deixem a sua irmã decidir o que ela quer para ela! – mamãe me defendeu e eu fiquei agradecida por ela não querer me obrigar a participar disso
-Ah, mãe! – Kira e Kiara resmungaram e eu fiquei aliviada pelo assunto ter sido encerrado
Depois de algumas horas, Jordan passou para buscar sua esposa, que no caso, era minha irmã. E eu fiquei arrumando a bagunça da casa com minha mãe, enquanto Kurt e Kiara ficavam brincando na sala
Bom, minha mãe estava arranjando coisa para fazer, já que estava preocupada com Merck, que ainda não tinha chego em casa, e o toque de recolher ia dar em alguns minutos. Southampton e todas as províncias de Avallon tinham uma hora de recolher se qualquer pessoa fosse pega por um dos guardas, era preso ou até mesmo morto! A da minha província eram as onze da noite.
Estava indo para o meu quarto, ajeitar minhas coisas pois amanhã eu tinha que estar no restaurante para trabalhar cedo. Enquanto minha mãe ficava na cozinha.
Nossa vida só não era pior, por causa do dinheiro que eu colocava dentro de casa e pelo trabalho duro de minha mãe para as pessoas mais ricas da cidade. Eu nunca conheci meu pai verdadeiro, na verdade, Merck sempre deixou claro que eu não era filha dele, porém, nunca deixou de cuidar de mim, até eu fazer treze anos, foi quando eu passei a odiá-lo. Nunca procurei saber quem era meu pai verdadeiro, não queria saber. Mas agora, passa na minha cabeça sempre, sobre como minha vida seria diferente, caso eu estivesse com meu pai, caso ele estivesse com minha mãe
Enquanto estava lá em cima, terminando de arrumar minha zona, ouvi um barulho de vidro quebrando, meu coração disparou e minha raiva subiu na hora.
Merck tinha chegado
Corri para a sala e vi Merck todo sujo, com a camisa aberta e uma garrafa quebrada nas mãos, gritando com minha mãe que estava protegendo Kurt e Kiara. Ele me olhou rindo.
-Oh, ! Vem aqui dar um abraço no papai! – ele falou já me puxando para um abraço, ele estava fedendo como um porco, eu odiava que ele me tocasse. Eu o odiava muito.
-Me solta, Merck! – o empurrei forte, com raiva, o mesmo cambaleou e caiu no chão em entender muita coisa. Me virei para as crianças sorrindo, deixando de lado minha raiva
-Vamos brincar de esconde-esconde? – perguntei e eles ainda estavam assustados, mas, assentiram com a cabeça – subam lá para o meu quarto, e se escondam! Vou contar até cinquenta!
-Uau! Até cinquenta?! – Kurt perguntou animado me fazendo sorrir e concordar com a cabeça
-Me ajuda nessa, Kiara? – perguntei pra ela, que assentiu e me abraçou
-Vamos, Kurt! – ela falou, encarando o pai, com nojo. Aquilo me partia o coração sempre que acontecia – Vamos nos esconder da ! – ela puxou ele, subindo as escadas correndo
Me virei para a mamãe, que foi para a cozinha na hora, para que a gente não visse a mesma chorando. Ela se fazia muito bem de forte. Encarei Merck e o mesmo mostrou os dedos do meio para mim
-Merck, a próxima vez que você chegar em casa nesse estado, eu juro por Deus, que eu denuncio você para os guardas, e você vai preso e nunca mais vai ver a sua família – agachei falando isso pra ele, apontando o dedo na sua cara e o mesmo gargalhou.
-Quem é você, ? Quem pensa que é? Essa casa é minha, tudo aqui me pertence, até você – ele riu malicioso me fazendo dar um soco em seu rosto, com ódio. Foi aí que ele virou “homem” e levantou puto da vida, indo para cima de mim, com as mãos apontadas para minha cara. Arqueei a sobrancelha e nem me movi, ele não teria a coragem de me bater.
-Você vai me bater mesmo, Merck? – perguntei com os braços cruzados, vendo o mesmo com a respiração descompassada, se segurando completamente – encosta a porra da sua mão em mim, para você ver se não vai para a cadeia novamente, e desta vez você não vai ter uma segunda chance, você vai ser decapitado na frente da cidade inteira.
-Você está me ameaçando, ? – ele perguntou rindo e eu dei de ombros
-Se entra na sua cabeça isso, como uma ameaça, então sim
-O que esta acontecendo aqui? – minha mãe entrou na sala e viu Merck com o rosto vermelho e eu segurando minha mão, por causa da dor pelo soco que dei. – Merck, vai dormir
-Você não manda em mi...
-AGORA, MERCK! – ela gritou extremamente irritada, o mesmo bufou e subiu, ela esperou ouvir a porta bater para se virar para mim – Já disse para não ficar perto dele, , ainda mais com ele bêbado deste jeito
-Eu não consigo ver ele fazer isso com você e você não reagir! – falei inconformada
-E eu não vou suportar caso aquilo aconteça novamente, ... – ela suspirou e eu olhei para o chão
-eu sei me defender agora, mãe
-Eu sei bem disso – ela sorriu me abraçando – e sobre o concurso... Acho que seria uma boa você pensar no assunto
-Boa noite, Dona Karin – gargalhei subindo para o quarto – dorme na minha cama hoje, eu espero você lá




-Eu já me inscrevi no reality da seleção, espero que eu seja uma das selecionadas... Está completamente lotado o cartório! – escutei uma das cinco garotas dizendo isso no restaurante enquanto eu ia atendê-las. Revirei os olhos e dei um sorriso forçado.
-Bom dia, o que vão querer? – perguntei com o caderninho nas mãos e uma caneta para anotar o pedido.
-Quero o – a ruiva disse rindo, toda apaixonada e suas amigas riram. Dei uma risadinha falsa – brincadeira, quero algumas torradas com café.
-Hm – a loira fez a pensativa olhando para o cardápio – tem alguma coisa aqui que não engorde? Eu preciso manter o peso, príncipe ama loiras magras!
-Tem... Água – respondi sem humor e a mesma deu um sorriso amarelo ao escutar suas amigas rindo.
-Pode ser, então – ela revirou os olhos.
-Poderia mandar panquecas para mim? E suco de laranja... – a morena falou sorrindo. Anotei todos os pedidos e fui para a cozinha, completamente farta.
Entrei na mesma, e observei que não tinha ninguém ali, exceto por Eric, o nosso cozinheiro. Ele era dois anos mais velho que eu, loiro alto e magro, com os olhos verdes lindos. Era meu melhor amigo, meu companheiro e em alguns casos, a gente se pegava... Ele sempre ficou ao meu lado, sempre me diz o que fazer e qual direção seguir, está pra nascer alguém que me ajude e me entenda como ele.
-Que cara é essa? A freguesia vai embora por sua causa, ! – ele brincou, pegando o papel de minha mão, me fazendo revirar os olhos – quanto mau humor, não vai se inscrever no reality?
-Claro que não vou! – falei na defensiva – Eric, você acha mesmo que eu vou?
-... – ele riu enquanto fazia as coisas e falava comigo ao mesmo tempo – não vejo motivos para você não ir... É uma oportunidade única e isso vai te abrir muitas portas, como por exemplo... Na área da veterinária, você quer isso! Ou na dança, você vai ser reconhecida! – pensei por esse lado, ele tinha razão, como sempre.
-Não posso deixar minha família com Merck naquele estado... Não posso esquecer minha vida aqui – falei suspirando – fora que eu não vou ser uma das quinze selecionadas, é impossível.
-Você indo para lá, vai ter total segurança mandada do próprio palácio para sua casa, você não lei as regras e condições do reality? – ele perguntou rindo – você pode reconstruir sua vida lá, e muito melhor ainda por cima! Você tem medo, porque sabe que pode ser escolhida sim.
-Não li e nem vou! – falei rindo pegando a comida na bandeja – mas obrigada por tentar, você é o melhor – dei um beijo em sua bochecha, que quase foi em sua boca, já que ele quase virou o rosto, fiquei sem graça e ele sorriu sapeca e eu sai correndo.

Cheguei em casa sete da noite, cansada e estressada por causa do trabalho, as pessoas não paravam de falar do reality. O marido de minha irmã estava um saco de estressado, mas eu gostava dele até. Jordan era um bom homem, minha irmã teve sorte por ter conhecido alguém que a ame de verdade.
Adorava chegar em casa e ver Kiara e Kurt brincando no tapete da sala com seus brinquedinhos que eu consegui comprar com meu dinheiro. Sentir o cheiro de comida quase pronta, vindo da cozinha com minha mãe preparando a mesma... Mesmo ela não cozinhando bem e eu tendo que ir salvar a janta com meus dotes culinários.
Entrei e me joguei no sofá, recebendo um abraço caloroso de Kurt, eu amava o jeito que ele me tratava, amava a nossa relação de irmãos. Não queria que ele crescesse e isso mudasse.
Kurt estava um pouco tristonho, mesmo brincando e me abraçando como sempre fez, mas preferi não comentar nada, ele deve ter pedido chocolate e mamãe não quis dar para ele, provavelmente, não porque ela não queria, mas sim porque não tinha. Levantei do sofá e Kurt foi subir para o quarto, mas percebi uma marca vermelha em suas pernas e que ele estava mancando um pouco, fiquei assustada
-Kurt... O que houve? – segurei ele no colo e o mesmo balançou a cabeça abaixando a mesma, não dizendo nada. Olhei para Kiara que olhou para baixo também e correu para a cozinha, a segui, completamente assustada e irritada, já imaginando o que tinha acontecido. – Que merda que tá acontecendo aqui? – perguntei ao ver Merck sentado com os pés na mesa bebendo uma lata de cerveja. Enquanto minha mãe ainda estava no trabalho, tinha esquecido que hoje ela ficaria até tarde.
-Ah, você chegou! – ele disse jogando uma latinha vazia em mim e falhando completamente – venha, vamos lá em cima, você vai fazer algumas coisas para mim, a velha da sua mãe não tá mais me satisfazendo – se levantou e eu olhei para meus irmãos que estavam assustados .
-Kiara, leva Kurt para cima, não sai de lá até eu mandar – ordenei e a mesma fez isso sem pestanejar. Encarei ele novamente, que se aproximava de mim, peguei a primeira coisa que vi, a garrafa de vidro e quebrei a mesma apontando ela para ele – Merck, eu já falei que você não vai encostar mais em mim, nunca mais! Seu velho nojento.
-Velho nojento? – ele riu alto e passou a mão na barriga – você prefere quem? Ah, deve ser igual a sua mãe, prefere quem não pode do que ficar com quem pode e quer. Você será minha amante, sua mãe vai aceitar isso.
-O que você tá falando? – perguntei com dele e o mesmo ria me olhando da maneira que me olhou quando eu tinha 13 anos, senti um arrepio novamente por isso. – nunca irei ser amante de ninguém e nunca vou sentir interesse em você, seu escroto!
-De qual parte? De que você é igual a sua mãe? Ou que você vai ser minha putinha? – ele tentou se aproximar mas eu quase o ataquei com a garrafa, então ele se afastou – ela nunca te contou quem é seu pai, né? Em como você foi gerada? Em como ela gritava naquela cama onde nós dormimos juntos, com um dos guardas da corte real? Nunca te tratei como filha, você já sabia que não era o seu pai. Sua mãe é uma vagabunda e eu só percebo isso agora.
-Que bom que você aceitou o chifre! – soltei para provocar e o mesmo revirou os olhos apertando os punhos, irado comigo.
-Você é cheia de querer cutucar ferida, por que não me responde o motivo de nunca ter corrido atrás do seu verdadeiro pai? – via em seus olhos, a raiva, ódio, vontade de me ver sofrer.
-Eu não vou te responder isso, não lhe interessa e...
-Oh, claro! – ele bateu na testa rindo alto – Cendrowski, porque ir atrás de algo que provavelmente vá causar apenas dor e sofrimento? Você descobrindo quem é ele, vai praticamente entregar a cabeça de sua mãe na bandeja.
-Mas eu te conheço... E muito bem – ele me olhou de cima para baixo sorrindo – vou te dar uma dica sobre aonde ele está – tentou se aproximar de mim, e eu estava péssima, querendo chorar, com raiva, nojo... Não aguentava aquela situação – Mas antes você vai ter que abaixar essa garrafa, pode machucar alguém.
-Vá para a casa do caralho – me irritei, tentando correr para a sala, mas acabei tropeçando em um dos brinquedos de Kurt e Kiara, que acabei caindo e machucando minha mão esquerda, ela doía muito. Senti que Merck havia me segurado pela barriga, eu estava gritando para que ele me soltasse e tentando fazer com que eu conseguisse agarrar a garrafa, que havia parado alguns centímetros de distância de mim.
-Olha só, você assim... Que maravilha – ele dizia rindo e me segurando firme enquanto eu me debatia – senti falta, a última vez faz muito tempo, e agora com o seu corpo assim, você está mais gostosa e...
-E você vai me deixar em paz – grunhi ao enfiar a garrafa em seu ombro, o mesmo urrou de dor, me dando tempo para correr até a porta, que já estava aberta, e eu tinha fechado a mesma. Estava completamente ofegante, com dor na mão, acho que quebrei minha munheca, e com sangue em meus braços, sangue daquele homem nojento. Olhei para trás, antes de sair e vi o mesmo se levantando, ia correr atrás de algum guarda, porém dei de cara com dois em minha porta, com Kurt e Kiara atrás deles assustados.
Os mesmos me puxaram para frente ao ver Merck indo para cima de mim, com a garrafa que ele havia tirado de seu ombro e o segurando pelos braços. Estava assustada com tudo aquilo, não conseguia pensar direito então só sei que coloquei as crianças atrás de mim e me afastei da casa, de perto dos guardas, de Merck. Ele estava sendo levado para a cadeia, e só Deus sabe o que o juiz ia decidir. Provavelmente ele apanharia na praça, na frente de todo mundo, ou teria a cabeça arrancada, na frente do palácio de Avallon.
-Você pensa que isso vai ficar assim? Barato? .toUpperCase()), EU VOU VOLTAR E QUANDO EU VOLTAR, REZE PARA EU NÃO MATAR VOCÊ E SUA MÃE, SUA VAGABUNDA – ele gritou se debatendo contra os guardas, eu o encarava, com o rosto sem demonstrar emoção alguma – E SEU PAI NÃO VAI ESTAR AQUI NA CIDADE PARA SALVAR VOCÊS, AQUELE GUARDINHA DE MERDA!
Fiquei em choque. Se alguém não tivesse segurando-me pela cintura, eu teria ido para cima de Merck, ia ter provavelmente terminado de foder minha mão, mas pelo menos teria acabado com a cara daquele nojento. Kiara e Kurt estavam atrás de mim, assustados vendo a cena toda, vendo o próprio pai sendo levado pela polícia. Depois que a carruagem dos guardas estava longe, me virei para trás e vi Eric me segurando, pois eu já estaria no chão naquele momento. Eric além de trabalhar comigo, era meu vizinho. Ele morava algumas casas depois da minha.
Algum tempo depois olhei para o lado e vi minha mãe olhando para aquela bagunça, com os olhos arregalados. Kurt e Kiara correram até ela, chorando. Minha mãe veio até mim e eu só balanceia a cabeça, pedindo desculpas, entrei em casa pegando minha bolsa e sai andando ao lado de Eric, que me puxou para a casa dele.
Me joguei no pequeno sofá de sua casa, ele morava sozinho pois os pais morreram num acidente e sua irmã morava fora da cidade. Reclamei de dor por causa de meu braço, minha mão estava doendo muito.
-Primeiro você vai tomar água, vai respirar e se acalmar enquanto eu pego o que eu tenho aqui para ajudar você com sua mão – ele disse calmo, ao se ajoelhar na minha frente, visualizando minha mãe, dando um sorriso e depois saindo da sala. Alguns minutos depois ele voltou e fez eu tomar a água junto com o remédio. – , vai doer um pouco, você terá que ir ao hospital amanhã e...
-Eu tenho certeza que vou ficar bem, você é filho de enfermeiro, confio em você – falei sem jeito, mordendo o lábio, pois a dor estava ficando mais forte.
-Eu sou pau pra toda obra - gabou-se me fazendo rir baixinho e observar ele visualizando mão e logo depois apertando o mesmo pois tinha saído do lugar, ele não havia avisado que faria isso, foi difícil não gritar. Encarei o mesmo horrorizada – Desculpe, eu esqueci... Mas se eu tivesse avisado você não ia deixar eu fazer isso e precisava voltar ao lugar
-Doeu! – resmunguei e o mesmo riu balançando a cabeça, pegando umas faixas brancas e encaixando o meu braço.
-Pronto, ! – ele terminou colocando algo em volta de meu pescoço para meu braço não ficar caído e se sentou ao meu lado – estou orgulhoso de você...
-Mas eu não fiz nada – falei balançando a cabeça, muito mal.
-, você suportou essa luta por anos, hoje finalmente ele foi preso e desta vez, acho difícil ele conseguir sair... – ele me abraçou de lado e eu sorri – Você finalmente está livre.
-Finalmente me livrei dele, obrigada por aguentar isso junto comigo – agradeci e o mesmo revirou os olhos pois ele odiava quando eu agradecia algo, já que ele apenas estava fazendo o trabalho dele, como amigo, irmão mais velho, pseudonamorado e paizão. – mas... Meu pai, Merck disse que ele era um guarda... Eric, meu pai é um guarda! É impossível eu encontrar ele.
-Vai ser difícil mesmo – ele concordou comigo – mas pense que tem uma maneira um pouco menos difícil, digo, que seja mais acessível.
-O que...? – perguntei sem entender, ele me olhou sugestivamente e entendi tudo, falei dezesseis “não” e ele ficou esperando eu terminar o meu show – Não, não, não... NÃO!
-Por que é tão difícil pra você aceitar que tem que se inscrever na seleção?
-Eu não vou me inscrever! Eu não vou ser uma selecionada e eu não quero ter que criar expectativas com algo que sei que nunca vou conseguir, vivi sempre sem ele, não vai ser agora que vou simplesmente assinar um atestado de óbito! Vou perder minha vida, minha juventude, não vou ver Kurt e Kiara crescerem e...
-Você tá dizendo isso pra mim, porque tem certeza disso, ou tá dizendo isso, pra você acreditar nessas palavras? – ele me encarou daquele jeito que parece que está visualizando meu cérebro. Odiava Eric pois ele sempre sabia o que eu estava sentindo.
-Por que eu tenho certeza – segurei um suspiro ou qualquer outro detalhe que fizesse isso ser desmentido para ele, esperei ele terminar de me examinar, sem nem respirar direito.
-Okay, você perdeu – ele saiu da sala enquanto eu ficava indignada pelo fato de ele dizer aquilo e ia atrás dele.
-Ah, qual é, eu não hesitei e...
-, eu joguei verde e você caiu maduro – disse rindo me fazendo rir logo depois e dar um tapa em sua cabeça e sair andando pela casa.
-Mas de qualquer forma, eu não irei me inscrever – dei de ombros e ele suspirou – essa é a minha última palavra – disse andando comendo uma maçã, senti Eric segurando minha mão e olhei para trás rindo, pois sim, eu tinha cócegas nas mãos, e vi que ele estava com sua câmera nas mãos e havia tirado uma foto bem na hora – ERIC!
-Ah, qual é, ficou meiga! – ele disse rindo da minha cara irritada – vai ficar guardada na minha coleção.
-Você é ridículo! – falei andando nervosa e ele rindo atrás de mim – Vou pra casa.
-Já passou do toque de recolher, você vai ter que ficar – ele me olhou e u revirei os olhos – Faremos como sempre, eu no sofá e você lá em cima.
-se não se importar... Eu vou querer que você fique comigo – falei meio sem jeito e ele sorriu de novo, me puxando para um abraço – estou com medo – estava parecendo uma criança.
-Quer que eu leia uma história para você dormir? – dei um soquinho nele rindo – claro que eu fico com você, princesa .




Era sexta-feira, havia se passado uma semana desde que Merck estava longe de nós, havia uma semana que estávamos em paz. A convivência se tornou mais leve, não tinha brigas, não vivíamos com medo, minha mãe estava mais sorridente, Kiara não suportava olhar ou falar de seu pai e Kurt tinha medo ainda... Kira estava confusa em relação aos seus sentimentos com Merck, não a culpava, aquilo era demais para alguém.
Sobre meu pai, minha mãe não me contou muita coisa, apenas repetiu o que Merck havia dito, dizia que estava apaixonada por meu pai, desde a infância, e culpava meus avós por ter feito-a casar com Merck. Eu implorei por mais, porém ela não quis dizer muito, não consegui a força-la. Não vou mentir, pensei seriamente em me inscrever no concurso, para saber de meu pai, já e ele era um general de uma base de guardas que recrutavam outros guardas e estavam em Southampton quando fui concebida. Eu conseguiria descobrir mais caso eu fosse escolhida (uma coisa impossível, já que eles iriam escolher as com mais classe, condição de vida, educadas, bonitas e com dinheiro. )Não queria me iludir achando que isso seria possível, se ele realmente gostasse de minha mãe como dizia, ele teria vindo atrás dela, teria vindo atrás de nós duas.
Eric e eu estávamos muito próximos, mais do que nunca e eu ficava receosa as vezes, por talvez estar criando algum tipo de sentimento por ele, algum tipo de sentimento, do tipo você sabe. Ele estava sendo uma pessoa incrível me ajudando em casa com o que precisava ser feito... Kiara e Kurt adoravam ele, minha mãe o tratava como filho e Kira amava-o como irmão mais velho, ficava feliz por isso. Mamãe sempre fala sobre ele gostar de mim muito mais do que amiga, que aquilo era óbvio e visível, temia que fosse verdade, mesmo estando receosa com meus sentimentos, sabia que eles eram traiçoeiros e me trairiam caso Eric resolvesse se declarar para mim. Ele era incrível demais para uma pessoa como eu, que como Kira diz, não sei o que quero da vida e ainda acha que eu gosto de mulheres.
Jordan e Kira convidou nossa mãe e nossos irmãos para irem ao restaurante assistir o Time Aykroyd junto com a maioria do pessoal da cidade, já que aquilo estava uma bagunça cheio de ansiedade, então estavam todos animados com aquilo tudo. Eu estava trabalhando, já que o movimento estava grande, conseguiria algumas moedas a mais.
-Hey, Marie, conversei com o Príncipe e ele disse que esta muito animado com o dia de hoje! – Jeremy estava dizendo para sua parceira, depois de alguns minutos enrolando para entrar no castelo e dizer logo quem eram as quinze fantoches do reino, enquanto eu estava anotando o pedido de uma mesa de garotas que tinham se inscrevido no concurso e estavam animadas demais – nossa Rainha está animada para conhecer suas novas filhas.
-Não é só a Rainha que está animada para isso, todos os avallonesos estão deste jeito para conhecer nossas novas Meninas
– Marie estava mais arrumada hoje, ela estava confiante de que seria escolhida, aquilome irritava, seria marmelada, ela sempre ficou no palácio junto com os príncipes, não era justo! – daqui alguns minutos, depois do anúncio sobre o reino que não estão relacionados a Seleção, nós voltaremos já ao lado da família real! Aguardem!
Revirei os olhos ao ver as meninas dando um gritinho animado, com aquilo tudo, juntamente com a maioria das pessoas do local. Meus irmãos estavam mais preocupados com a comida do que com o concurso, na verdade, Kurt... E depois ele sempre vinha até mim perguntando se eu queria ajuda, eu não sabia lidar com aquela fofura toda. Já Kiara, estava ansiosa com quem seria escolhida, sempre jogando na minha cara que eu fiz a maior burrada da minha vida ignorando o concurso.
Depois que os pedidos deram uma abaixada, pude descansar um pouco, deixando dois garçons lá, entrei na cozinha a qual estava um fervo, pelo menos hoje Eric estava tendo ajuda de mais gente, então na hora que entrei, o mesmo estava indo pelas portas do fundo, tomar um ar. Dei um sorriso e fui atrás dele.
-Sua dissimulada! – ele disse assustado, depois de eu lhe dar um susto, enquanto eu ria muito com a sua cara
-Consegui! – falei me gabando, vendo o mesmo revirar os olhos rindo – o que você tem? Ta estranho... Parece que está nervoso...
-Ah, você sabe... A cozinha está uma bagunça hoje, o trabalho não parou... – ele respondeu passando as mãos no pescoço, sinal de que ele estava escondendo algo
-Você não me engana, o que você fez? – perguntei segurando suas mãos e o mesmo abaixou o olhar suspirando – Eric!
-, não se preocupa, okay? – ele sorriu encostando a testa na minha
-Eric, você fala o que tá acontecendo ou eu vou fazer greve com você de novo, você lembra como foi a última vez! – sai de perto dele cruzando os braços brava
-Ah, por favor, não faça birra! Você tem dezessete anos! – ele fez careta enquanto eu dava as costas para ele, voltando para o restaurante – Volta aqui, ! – ele me chamou umas três vezes, até eu encostar a mão na maçaneta da porta e entrar
Sabia que Eric viria atrás de mim, ele sempre vinha, só demorava alguns dias, ou semanas... Só esperava que isso não fosse por tempo demais, é horrível não poder contar com ele nessas horas, ele é meu único amigo. Nunca tive sorte com amigas, a única mesmo era Kira e minha mãe. Nunca consegui confiar em ninguém, meu mal é esse. Percebi que estava começando o programa novamente, já que todos da cozinha tinham ido para fora assistir junto com os outros.
Ouvi o hino do país sendo tocado junto com todo mundo cantando junto, e na calmaria, me sentei no balcão esperando pelo espetáculo que estava chegando.

- Boa noite, Avallon! – Rei Robert apareceu, sorrindo, ao lado e sua esposa com seus filhos atrás, os três usavam um terno preto junto com a coroa, o que o deixavam com cara de sérios, não vou mentir, estavam lindos. , e deram um sorriso para a câmera e fizeram uma reverência com a cabeça – estamos muito felizes por cada uma das garotas que se inscreveram, infelizmente eu só tenho três filhos – ele riu junto com a Rainha e os meninos riram juntos.
-Meu coração está cheio de alegria por poder estar fazendo parte de algo tão incrível como a Seleção dos meus filhos. - Leigh-Anne estava com os olhos marejados mas sorrindo muito.
-Meninos, como estão se sentindo com isso tudo? – Jeremy tomou a palavra e os meninos se encararam e a palavra acabou sendo tomada por vocês ajudaram na escolha das garotas? Como foi o processo?
-Escolhemos todas as garotas, foram mais de quinze mil inscrições. Nossa semana foi dedicada somente a isso, óbvio que tivemos ajuda dos membros do conselho, de alguns amigos e até mesmo meu pai, cada um separava as que mais agradavam e meus irmãos e eu decidimos quem ficava
deu uma risadinha lembrando de algo, fazendo seus irmãos rirem junto, até mesmo , que nunca tinha visto rir sem parecer falso.
-Espero que essas quinze garotas valham a pena, porque estou sem dormir faz dias, estou ansioso com tudo isso, e ansioso por conhecer cada uma disse me fazendo dar uma risadinha, ele era engraçadinho.
-Uhhh – Marie disse sorrindo para eles – e vocês já tem alguma preferida?
-Ou já teve alguma discussão sobre quem ficará com quem? – Jeremy alfinetou. Os garotos se olharam rindo ainda mais lembrando de algo, me deixando curiosa
-É cedo para dizer isso! respondeu despreocupado.
-Ah, , para! – começou a rir – Já temos uma preferida sim e é até engraçado, porque nós três gostamos dela.
-oh! – Jeremy riu alto e Marie deu um sorriso – Vamos querer saber o nome da sortuda, hein?!
-Vai ser difícil a gente dizer isso riu junto com os irmãos – é tipo um segredo de estado
-Vamos querer saber! – Marie repetiu a frase rindo e se virou para Robert e Leigh que estavam se divertindo com a situação toda – E o que vocês estão achando? Uma palavra que defina o momento!
-Estamos achando tudo isso incrível, é uma honra poder fazer parte disso tudo, ver meus filhos participando de algo feito em gerações passadas! – Rei Robert começou a dizer orgulhoso, eu adorava ele. – a palavra, creio que seja... Ansioso
- E acho que vamos tirar um bom proveito de tudo isso, vi as garotas escolhidas, gostei da maioria, vou adorar conviver com esse bando de mulher aqui nesse lugar, vivo muito sozinha e agora vou ter companhia até para ir ao banheiro! – rainha Leigh disse rindo – e a palavra, digamos que seja... Positividade
-E vocês, meninos? – Marie perguntou
-Confiante! foi o primeiro a dizer
-uh... Entusiasmado! – foi o segundo depois de pensar um pouco
-an... Esperançoso! deu um sorriso e o rei tomou a palavra se levantando
-Creio que já está na hora de dizer o nome das quinze garotas – ele sorriu segurando a mão de sua mulher – é com você, Jeremy!
-Aqui em minhas mãos, estão os nomes das quinze garotas e ai na tela de vocês, vai aparecer a foto de cada uma, respirem fundo e torçam os dedos! – ouvi o gritinho animado das garotas ali atrás dei risada, aquilo seria engraçado – e a primeira garota é... Summer McCanlies da província de Taim. – Ela era ruiva, dos olhos verdes e na foto estava com uma cara de má, o que me fez julgar pela imagem e achar ela uma nojenta, talvez pelo fato de ela morar em Taim, um dos lugares mais ricos de Avallon.- Bethany Bones de Huang – essa era morena dos olhos verdes – Courtney Gade de Bowen – ela era loura dos olhos castanhos. – conforme ia falando os nomes das garotas, estava entediada com tudo aquilo, as garotas eram realmente bonitas, porém, ficar sentada esperando não era meu forte, nunca foi, então resolvi ir tirando os pratos das mesas das pessoas, agilizando o trabalho. Ouvindo a voz de Jeremy falando e o povo reclamando de tudo.
Estava na mesa da onde minha família estava, pegando os pratos deles, que estavam concentrados na TV, olhei para o balcão, Eric estava sentado, encarando ora a TV, ora à mim. Se ele achava que eu ia recuar, estava enganado.
-Nossa penúltima garota é de Portillo, Lizzie Frost. – ela tinha o cabelo curto, da cor castanha e os olhos azuis. – agora rufem os tambores, pois nossa última menina, vem de Southampton – “Finalmente”, “AGORA SIM”, pude ouvir várias outras frases das pessoas que comemoravam ansiosos por aquilo, eu comecei a rir pela muvuca e comecei a andar novamente com alguns pratos nas mãos - é a nossa garota final! – me engasguei com o que eu ouvi, me virei para a TV e vi minha foto ali, a foto que Éric havia tirado em sua casa no dia que Merck foi preso, eu estava com a mão enfaixada, porém, meu sorriso estava tão sincero, tão real. Foi então que derrubei os pratos no chão assustada, com tudo aquilo, não conseguia ouvir mais nada, ninguém, mesmo sentindo o povo comemorando, mesmo vendo que a maioria estava feliz com aquilo. Olhei para frente e vi minha mãe e meus irmãos comemorando me abraçando.
Meio tonta, ainda, dei uma olhada procurando por Eric, vi o mesmo com as mãos no rosto e logo depois correndo para fora do restaurante. Tentei ir atrás, porém, sem sucesso.
Eu era a nova estrela da cidade.



-IA ME CONTAR QUANDO? – perguntei abrindo a porta dos fundos do restaurante, dando de cara com Eric jogado no chão, observando as estrelas. Obviamente, depois de ter conseguido fugir do pessoal que me paparicava e comemorava minha vitória por ter conseguido entrar no concurso, aliás, alguns nem acreditando que EU havia conseguido, mal sabem que eu estou tão surpresa quanto – HEIN?!
-Primeiramente, eu quero que você se sente e se acalm...
-Me acalmar? – atrapalhei ele rindo irônica, aquilo era piada – Ah, claro... Eu deveria estar feliz por estar indo para o palácio de Avallon.
-Entendo e compreendo sua revolta... Vou entender se não quiser mais falar comigo! – ele disse calmo, ainda olhando para as estrelas, bebendo um gole de sua cerveja. – só quero que saiba que eu não vou pedir desculpas por ter te inscrito nisso, e...
-Eric... – me abaixei e fiquei ao seu lado – eu disse que não queria, eu falei que não era pra mim!
-Isso é o que você acha, ! – ele respondeu já sem paciência e visivelmente, aquilo partiu meu coração, porém me deixou irritada o bastante para pegar a cerveja dele.
-O que eu acho deveria importar! – falei séria, jogando a garrafa dele longe, eu odiava gente bêbada, não suportaria ver Eric assim. – você me traiu.
-Quer saber? – ele me encarou e eu respirei fundo arqueando a sobrancelha – eu fiz isso sim, eu não estou feliz por isso, eu me arrependo muito! Agora você vai ficar longe de mim e eu nunca vou poder ficar com você! Com a garota que eu amo – arregalei os olhos, assustada com tal revelação, demorei alguns segundos para conseguir responder aquilo.
-E... Então porque fez isso? – gaguejei e ainda por cima tinha ficado com a voz trêmula.
-Porque eu te amo, ! – ele gritou me fazendo fechar os olhos, nervosa – quis provar à você que você era capaz de entrar nesse reality, quis provar que você é maravilhosa o bastante para isso, quis provar que você tem que e pode ir encontrar o seu pai... Quis provar que você pode ser uma princesa!
-Eu não queria isso, eu sei muito bem que sou capaz de tudo isso que você disse! – falei ainda de olhos fechados tentando me acalmar, me segurando e tentando me convencer de que aquilo era realmente verdade.
-Então convença seu coração disso, pois nem seu cérebro acredita nisso que você esta dizendo... Falar da boca pra fora é fácil – ele se levantou me deixando ali sozinha, completamente confusa, perdida e... Com medo. Com medo do que viria a seguir, com medo do que eu me tornaria daqui uma semana.
Minha vida havia ficado completamente diferente do que costumava ser. De uma garota invisível me transformei na mais nova artista, de filha da costureira à mais procurada em apenas três dias, desde que eu havia me tornado uma das selecionadas. Desde a discussão com Eric eu não havia mais conseguido falar com ele, e nem conseguia ir ao trabalho pois tinha sido demitida. SIM, DEMITIDA! Minha irmã disse que eu não precisava mais do trabalho. Contra minha vontade eu ficava dentro de casa sendo escravizada pelos meus irmãos que queriam brincar toda hora, mas dessa parte eu não reclamo, eu queria ficar com eles o tempo possível, eu ia ficar bastante tempo sem vê-los.
Eu estava tentando aceitar o fato de ter que ir para o castelo, estava colocando os pós tomar posse disso e deixando os contras fora disso, uma vez feito, jamais desfeito. Olhando para o lado bom, eu teria roupas novas, comida a qualquer hora, cuidar dos animais do castelo caso eu consiga fazer um dos príncipes gostarem de mim, poder tocar novos instrumentos, encontrar meu pai... E provavelmente, encontrarei um marido que me ajude a dar conforto a minha família. Não gostava de pensar assim, eu não sou assim!
Por culpa de Eric, eu perdi totalmente o rumo da minha vida. Minha mãe ainda estava tentando entender o que havia acontecido e o porque de eu estar entre as quinze escolhidas, Kiara estava orgulhosa de mim e feliz pela “surpresa” que ela achava que eu havia feito para ela, Kurt só me abraçou e perguntou se eu ia deixa-los e Kira não para de me bajular ou de se mostrar para as pessoas por ser Irmã de uma Escolhida. Até eu conseguir explicar para todos eles o que havia e fato acontecido, eu não teria mais voz então apenas contava que havia me inscrito mesmo... Não envolveria Eric nisso para minha família.
Hoje (terça-feira), é um dos últimos dias que tenho em casa, já que a apresentação das escolhidas é na sexta-feira e começamos nossa vida no castelo. Não podia negar estar nervosa com isso, mesmo que eu não virasse uma princesa, eu me tornaria em uma das damas mais renomadas de Avallon. Eu jamais teria minha vida pacata de volta. Estava deitada em meu quarto, pensando na vida e na seleção, abraçada com Kurt que estava dormindo em plena duas horas da tarde, esse safado aproveita que nossa mãe esta trabalhando para poder tirar suas sonecas. Até eu estava tirando uma soneca juntinho com Kurt. Estava tão entretida nisso que me assustei com o barulho de... Instrumentos musicais? Uma melodia que eu conhecia, porém nem em sonho, eu saberia da onde. Devo estar sonhando, ultimamente meus sonhos estão estranhos demais. Continuei ali, deitada completamente morta e pensando da vida.
-MARG! MARG! MARG! – Kiara entra toda afobada em meu quarto, fazendo-me cair assustada da cama.
-PORRA, KIARA! – gritei assustada me levantando da cama e segurando Kurt para que ele não caísse também, pois minha cama era pequena.
-Você vai começar a seleção já pagando micão – ela bateu na própria testa me deixando confusa, encarei ela com as mãos esperando uma explicação – tem uns caras aqui em casa, eles vieram do castelo, estão aqui para conversar com você! A mamãe já esta lá embaixo esperando por você.
-Ah, mais que palhaçada! – falei me levantando rapidamente e indo até a janela. Havia uma carruagem, homens atrás dela tocando todos os instrumentos possíveis e muitos guardas. Aquilo estava... Incrível. E tudo na frente de casa, eu não estava pensando direito Desci as escadas completamente correndo, e ainda consegui cair no último degrau. Aquela era a pior apresentação da minha vida e os representantes do reino já tiveram a primeira impressão sobre mim, a garota do interior de Avallon, toda desastrada e completamente sem nenhuma instrução para ser uma princesa. Ainda estava com a cara enterrada no chão, de qualquer maneira, criei coragem e me levantei toda desengonçada e fiz uma reverência, torcendo para que não houvesse câmeras ali.
-É um prazer conhece-la, Srta. – uma mulher alta, aparentemente com uns trinta e cinco anos, vestida formalmente com uma pasta encostada ao peito disse fazendo uma reverência à mim também, aquilo era completamente novo para mim. – sou Lady Robin, uma das quinze Lady da rainha e escolhida como sua tutora no castelo... Irei te ensinar a comportar-se como uma princesa, serei sua instrutora, sua psicóloga, sua professora, e por aí vai. Te ajudarei a lidar com tudo que for difícil no castelo.
-É um prazer, Lady Robin – sorrio agradecida convidando-a para se sentar na mesa da cozinha, junto com minha mãe, que estava fazendo café para a gente, e eu odeio café. Provavelmente elas já deviam ter feito as devidas apresentações.
-Por favor, só Robin, é muita formalidade... – ela se sentou rindo e encarou minha cara confusa, já que era para sermos totalmente formais – lição um, você deve ser formal com a Rainha e o Rei, no começo com os príncipes também, mas não vai durar muito, eles odeiam formalidade... Seja formal na frente de gente importante e na frente das câmeras, fora isso... Você pode agir normalmente, não estou criando um robô e sim uma princesa e caso você não seja uma Escolhida, você vai ter tido experiência o bastante.
-Tudo bem, irei anotar tudo isso – brinquei fazendo-a rir junto com minha mãe.
-Mas... Bem, ... Vamos ao que realmente importa! E ao que realmente explica o motivo de eu estar aqui – ela abre a pasta tirando de lá um monte de papéis, eu já fiquei entediada – as outras Lady não foram visitar suas selecionadas, viria um enviado do rei passar as coordenadas e você só me conheceria quando chegasse ao castelo, eu tomei liberdade de ter a aprovação do rei, da rainha e é claro, dos príncipes.
-Robin, por que você quis fazer diferente? – minha mãe se intrometeu e Robin a encarou e depois olhou para mim.
-Eu queria conhecer minha selecionada antes... Queria ter certeza de que ela entenderia tudo e estivesse ciente das coisas! E por sua filha ser a única menor de idade do reality, eu tive que vir – ela explicou mostrando-me o primeiro papel, aquilo estava meio confuso, mas eu preferi ignorar – nessa folha está tudo o que você já sabe sobre A Seleção, pode ler se quiser e assinar aqui aonde esta pedindo, na segunda folha é aonde pedimos que você diga algumas coisas pessoais como... Se já namorou, se ainda é virgem – ela e minha mãe me encararam e eu fiquei vermelha.
-É claro que ainda sou virgem! Não arriscaria meu pescoço com isso.
-Você seria desclassificada e ainda morreria por não ser mais virgem. Pior ainda, poderiam poupar sua vida, só que você perderia a chance de casar! – ela explicou escrevendo nos papéis, e me dando mais instruções, pedia para minha mãe assinar alguns papéis ainda, por eu ser menor de idade – Você sabe que agora é completamente do reino, né? Não pode ficar com ninguém, se for pega, eu não quero ver você sendo decapitada... Agora também você vai receber um tipo de pensão, já que você ajudava a sustentar a casa e eles vão perder o que costumavam receber de você... Cinco guardas vão cuidar daqui o tempo que você estiver no castelo, e caso for desclassificada, eles vão continuar cuidando de você, até você casar. No castelo, você precisa de permissão dos príncipes para qualquer coisa, nem o Rei pode dizer nada, e quando eu digo qualquer coisa, eu digo sobre sair do castelo para voltar para casa, viajar, coisas deste tipo, até anoitecer você tem permissão de ficar no jardim ou na piscina, você terá três empregadas em seu quarto ao seu dispor para qualquer coisa. Te darei mais informações conforme for lembrando no castelo... Você embarca para o reino daqui dois dias, terá uma festa na cidade para sua despedida... Quando chegar no reino estarei a sua espera de lá a sua nova vida começa.
-Fico tranquila por saber que você cuidará de ! – mamãe segurou a mão dela agradecida, ela se assustou com o movimento, porém, aos poucos foi se acostumando e acabou sorrindo com aquilo.
- ficará bem, cuidarei dela como se fosse minha filha! – sorri para elas e encarei minha mãe, sabia que ela não estava se aguentando.
-Mas me diga... tem chances de conseguir um dos príncipes? – revirei os olhos cobrindo o rosto com vergonha, enquanto Robin ria e respondia minha mãe com a maior calma do mundo.
-Sua filha é mais linda ainda pessoalmente do que por foto, pelo que pude perceber ela é muito inteligente e de personalidade forte... Não vou mentir, tenho muito trabalho ainda com ela, principalmente na parte de boas maneiras, modos, andar e essas coisas, creio eu que ela aprende rápido e se depender de mim, ela vai ser a mulher da vida dele.
-Espera, na vida de qual deles? – perguntei confusa e ela riu balançando a cabeça.
-Você escolhe qual!

Depois de mais uma longa conversa com minha Dama, Lady ou sei lá o que, Robin, ela foi embora deixando seus cinco guardas em volta de casa e um dos cinco lá dentro. O seu nome era Barney, ele era um cara de quase quarenta anos, muito legal, engraçado e morava em Southampton antes de se tornar guarda. Ele conhecia minha mãe e eu estava adorando tê-lo ali, sabia que estaria indo deixando-os em ótimas mãos.
Minha barriga estava cheia de borboletas, eu estava ansiosa para tudo isso, não estava feliz, porém, eu já tinha aceitado o fato de que essa era minha realidade e que era o que devia ser feito. Minha família receberia dinheiro, eu conseguiria achar meu pai, eu teria mais oportunidades assim como mamãe, Kurt e Kiara. Eu ajudaria minha família e se eu tiver que fazer esse sacrifício por eles, eu farei.
Já tinha planos, ficaria lá até os príncipes quiserem, quando eles me mandassem embora eu voltaria feliz e com dinheiro, mais as oportunidades que eu ganharia. E ainda teria tempo para achar meu pai. Já estava tudo certo. Pelo menos na minha cabeça e meus planos.
Tinha apenas mais alguns dias com minha família e eu queria aproveita-los ao máximo. De qualquer maneira, eu ainda tinha que conversar com Eric, mas estava sem coragem alguma pra isso. Tomei a decisão de que se ele quisesse, ele viria até mim e não o contrário No dia seguinte, (quarta de manhã), eu fui para a casa de Kira, ficar um pouco com ela, já que na quinta eu iria à noite para o castelo e ela teria que trabalhar, já que o movimento do restaurante iria aumentar mais pela festa que teria na cidade para mim. Praticamente não veria mais ela e aquilo me partia o coração.
-Hey, Bis – falei com voz de neném para o cachorro de Kira, que na verdade era meu cachorro, porém eu não pude cuidar dele então Kira resolveu adota-lo, e ele já estava enorme. O abracei forte enquanto ele fazia a festa por eu estar ali.
-Você chegou! – Kira veio de pijama me abraçar, eu ri da mesma estando toda desarrumada – fique aqui na sala, vou mandar Jordan vim te fazer companhia enquanto eu me arrumo, não posso ficar toda desarrumada agora! Sou irmã de uma selecionada! – revirei os olhos suspirando, vendo minha irmã correr para seu quarto. Fiquei fazendo carinho em Bis, completamente arrasada, nem percebi que Jordan estava do meu lado.
-Puta que pariu, Jordan! – falei ando um pulo de susto vendo-o rir alto.
-Esse vocabulário não é o certo para uma selecionada! – ele comentou me fazendo revirar os olhos novamente e abaixar a cabeça – Okay, pode falar o que você tem, porque de todo comportamento que uma selecionada deve ter, com certeza esse que você ta tendo, é o ultimo! – o que eu mais amava em Jordan, era esse senso de humor dele.
-Em todo lugar que eu vou, tem gente me bajulando... Os únicos lugares que eu posso ser tratada normalmente é aqui, em casa e com Eric – abaixei a cabeça novamente lembrando que ainda não estava de boa com ele – e eu não posso chegar na casa da minha própria irmã que ela me trata como uma selecionada... Eu ainda sou a irmã dela, ainda sou a filhinha do meio irritante. Eu estou com medo e eu só queria que ela me reconfortasse.
-Você sabe como Kira é... No fundo ela queria estar no seu lugar – ele riu me fazendo rir junto, segurando o choro – você continua sendo a garotinha irritante...
-Jord... – Kira atrapalhou a nossa conversa. Ela havia escutado tudo, nem tinha ao menos ido para o banho, ainda estava com a toalha e as outras coisas nas mãos e encarando a gente completamente magoada – não chame minha irmã de irritante, só eu posso! – nós dois rimos observando ela, que ainda estava seria, eu por um fio de começar a chorar – não sabia que isso te incomodava tanto e muito menos que você estava se sentindo assim... Meu amor, você é minha pirralhinha, eu tenho orgulho de você e orgulho de quem você vai se tornar... Sentir medo é completamente normal agora, você pode se mostrar mais forte que pedra, mas sabemos que não é assim, e nunca vai ser! Mas saiba que estamos aqui sempre, você tem com quem contar, tem à mim e...
-E tem a mim também, eu emprego no restaurante vai ficar pra sempre esperando você lá, pra quando precisar – Jordan atrapalhou a esposa, fazendo-me secar uma lágrima teimosa que escorria e dando risada ao mesmo tempo, me dando um abraço de lado junto com um beijo na testa.
-Você vai ter pra sempre sua família com você! – ela terminou de dizer com algumas lágrimas escorrendo, eu assenti com a cabeça vendo a mesa sorrir, segurando meu rosto e depositando um beijo na minha testa também e me abraçando forte. Acabou que ficamos os três abraçados por alguns minutos, como uma família.
-Obrigada –agradeci aos dois, secando o resto de lagrima que tinha em meu rosto e vendo os dois fazerem os mesmo em si. – prometo que mandarei cartas para vocês sempre que der e ligarei também, tenho esse direito de ligar para a casa pelo menos duas vezes por semana... Eu ligo uma pra mamãe e a outra pra vocês...
-Vamos estar sempre esperando por isso! – ela respondeu sorrindo – AGORA DEIXA EU TOMAR MEU BANHO!
O resto do dia foi completamente normal, ficamos na casa de Kira conversando, relembrando o passado, contando piadas e zoando Jordan pela barba que ele não queria tirar, porque segundo ele, ficava extremamente sexy com ela. À noite eu iria para o restaurante junto com eles e depois voltaria para a casa e ficaria com minha mãe e os baixinhos, depois curtiria minhas ultimas horas naquela casa e as seis, eu iria para a praça principal da cidade, me despedir do povo e de lá, iria para o castelo, uma longa viagem que duraria a noite inteira fazendo-me chegar lá provavelmente na hora do almoço. Estava quase entrando em colapso nervoso.
-Vocês são ridículos – eu fiz careta ao ver os dois comendo o mesmo macarrão, até encostarem a boca um no outro.
-somos românticos! – Jordan se gabou abraçando a esposa.
-você vai ser pior que a gente, quando encontrar o seu marido – Kira respondeu dando beijinhos no rosto de Jordan, que ria. Fiz careta fingindo vomitar – e estou torcendo que seja o .
-Eu não quero pensar nisso agora – mudei de assunto, vendo-a comer pela quinta vez, muito estranho já que Kira não é de comer demais e muito menos lotar o prato, tinha algo estranho acontecendo – Kira você ta com lombriga? Nunca te vi comendo tanto!
-Na verdade... – eles se encararam rindo cúmplices e se perguntando “será que contamos?”, Jordan tomou a liberdade e disse – é um bebê.
-Surpresa! – Kira sorria abertamente e balançava os braços.
-O QUE?
-Não íamos contar agora... Estávamos esperando a poeira abaixar por ser o seu momento, não queria roubar ele de você... Íamos contar depois, quando começasse a aparecer a barriga – ela explicar e eu apenas ignorei tudo dando-lhes um abraço forte. Eu estava tão feliz!
O resto do dia foi completamente perfeito, fazia tempo que não ria tanto, aproveitei ao máximo. Depois fui ao restaurante com eles, fiquei até fechar para ver se Eric não falaria comigo, mas ele não havia ido trabalhar hoje, eu achei aquilo completamente estranho. Ele nunca faltava um dia no trabalho.
Acabei voltando para a casa, as crianças já estavam dormindo e minha mãe também. Dei um beijo na testa de cada um e fui fazer o mesmo que eles. Claro que com mil coisas na cabeça, mas acabei pegando no sono alguns minutos depois.
Amanhã seria ainda mais complicado do que hoje, com muito mais emoção e pior ainda, muito mais difícil do que a despedida com minha irmã, Jordan e o pessoal do restaurante.

Acordei no dia seguinte com Kiara e Kurt em cima de mim, fazendo a maior bagunça e rindo muito, estavam tão felizes por eu ser uma selecionada que aquilo me dava até um pouco de alegria. Ainda estava pensando em Kira grávida e eu não a veria enorme de gorda, perderia uma das melhores fases dela. Pensando que Jordan ficaria louco com minha irmã pirada e imaginando a reação de minha mãe com isso. Não queria perder esses pequenos detalhes, mas teria. Tomamos um café da manhã, rimos muito e, pela primeira vez, Kurt e Kiara não brigaram nenhuma vez, mamãe estava muito feliz e dava pra ver que estava orgulhosa também, até mesmo Kiara demonstrava isso. Tinha medo de não conseguir dar a eles o que eles queriam de mim.
Depois do café eu fui arrumar minhas coisas, levaria apenas o que era mais valioso para mim, já que roupas Robin disse que eu deveria esquecer as que eu tinha, pois teria novas. Kurt ficou deitado em minha cama e acabou dormindo.
Peguei uma caixa que tinha em cima do meu pequeno guarda roupa cheio de fotos, eu levaria algumas para o castelo e algumas roupas também, não importa o que Robin dizia, eu levaria minhas calças comigo e minhas camisetas sem mangas. Escolhi a foto em que estávamos todos sorrindo, em uma apresentação que teve na escola de Kiara, Merck havia tirado a foto então ele não estava nela, apenas nós e Jordan. Outra em que estava apenas Kurt e eu abraçados com ele rindo muito; outra que só estava Kiara e eu sorrindo para a foto; uma em que estava Jordan, Kira e eu fazendo careta; uma com minha mãe, nós estávamos nos encarando e sorrindo uma pra outra e levaria minha foto com Eric, estávamos os dois abraçados com Bis jogados no chão, quem havia batido aquela foto era Kira. Todas essas fotos eu havia ganhado de Eric, ele havia tirado e me dado elas... Eu simplesmente amava ter essas recordações comigo. Estava tão entretida naquilo que nem percebi que Eric estava na porta encostado observando tudo.
-Ainda não terminou de arrumar tudo? – ele perguntou rindo, mas sabia que ele estava meio triste, acabei rindo fraco e dando de ombros - sempre deixando as coisas para a última hora.
-Eu estava adiando o momento mais dolorido – Ri guardando as fotos em uma caixa e colocando na mochila, junto com minhas duas calças pretas e minhas camisetas. – mas já terminei de arrumar, foi rápido.
-Eu sinto muito por ter causado tudo isso! – ele pediu desculpa com a cabeça abaixada – na verdade, eu queria te provar que você pode mas eu só me toquei que eu amava você na hora que disseram o seu nome e mostraram a sua foto. Eu estou arrasado, e não tenho coragem de pedir que você fique.
-Já está feito, Eric... – respirei fundo olhando para a janela – só não torne ainda mais difícil e...
-Você ficaria se eu pedisse? – ele me olhou desesperado, segurando fortemente minha mão, quase suplicando, o que mais partiu meu coração, foi ver que ele estava bêbado – diga, ? Podemos fugir, você e eu... Você não precisa se submeter a isso, você pode ser feliz comigo e...
-ERIC! – o olhei completamente assustada, soltando rudemente de sua mão, aquilo não tinha cabimento, ele estava bêbado e me pedindo algo que eu não conseguiria – eu não posso abandonar a seleção agora, não posso largar tudo por...
-Por mim? – Fechei os olhos querendo me matar por ter a boca tão grande.
-Eric, eu não posso abandonar minha família, fugir com você seria praticamente entregar a cabeça deles... Eu não posso arriscar isso, sou propriedade dos príncipes, eu não consigo! – falei encarando ele e depois olhando para Kurt, que dormia serenamente. Ele concordou com a cabeça, estava saindo do quarto quando voltou até mim e me deu um beijo na testa.
-Espero que não se torne uma sem cérebro como eles... Você esta escolhendo o lado errado, , você sabe que isso não vai dar certo – ele riu sarcástico fazendo meu coração se partir ainda mais - mas vai, vire uma daquelas... Burguesinhas.
-Eric... – o chamei vendo-o sair bravo pela porta, sem olhar para trás. Estava tudo dando errado antes mesmo de eu entrar no maldito castelo, eu perdi o meu melhor amigo. Sentei no chão, deixando algumas lágrimas caírem, segurando o rosto eu fiquei contando até dez e respirando fundo para voltar ao normal, eu seria forte agora também. Minutos depois senti um pequeno braço me envolvendo em um abraço, olhei e vi que era Kurt, aquilo só fez com que eu quisesse chorar ainda mais
-Eu ouvi a conversa com o Eric... Ele foi muito mal com você- ele falou com a testa enrugada e cruzou os braços mostrando que estava bravo, aquilo me fez rir um pouco – , não deixe ele te colocar assim pra baixo, você é incrível, bonita, legal e engraçada, ainda sabe cozinhar biscoitos como ninguém e sempre ajuda a gente quando precisamos... Já é uma princesa e eu tenho certeza que os príncipes vão te amar, principalmente o ! Quando eu crescer, quero namorar com uma garota que seja tão incrível como você. Eu confio em você, eu acredito que você pode qualquer coisa... Ficaria feliz com você mesmo se você fosse chata igual a Kiara! – ele tirou do bolso um colar, ele tinha o cordão preto simples com um pequeno pingente de pássaro voando, era tão simples e meigo ao mesmo tempo, antes de eu perguntar como ele tinha comprado esse colar, ele já o colocou em mim – comprei ele com o dinheirinho que eu estava guardando... É bem simples... Mas é muito importante pra mim que você use algo pra se lembrar de mim pra sempre.
-Você é o melhor irmão que alguém poderia ter – sorri emocionada o abraçando forte, o mesmo chorava um pouquinho, até eu estava chorando... Não esperava que Kurt me dissesse tudo isso e me fizesse realmente ficar melhor. Minha família era tudo pra mim – vai me visitar no castelo, quando chamarem você?
-É CLARO! – ele falou animado, pulando me fazendo rir.
Depois das palavras de Kurt, fiquei um pouco com ele ali no quarto, brincando e conversando com meu irmão mais novo que tinha uma cabeça tão evoluída, que parecia ser mais maduro que eu. Graças a ele, eu estava me sentindo mais leve. O medo não havia sumido, porém eu estava mais aliviada em relação de deixa-los.
-Kurt, posso falar com a ? – Kiara perguntou ao me ver descendo as escadas com Kurt nos ombros e a mochila nas costas, o tempo havia passado e já estava quase na hora, o mesmo assentiu voltando lá pra cima, indo com minha mãe, em seu quarto.
-Se você me fizer chorar também, eu te bato! – falei rindo e a mesma me acompanhou, apenas correndo ate mim e me dando um abraço – promete que vai cuidar de tudo aqui e mandara cartas para mim contando de tudo que acontecer?
-, eu juro que vou deixar você orgulhosa e cuidar daqui de casa como você cuidava... Vou cuidar do Kurt e da mamãe até você voltar e pedirei ajuda para Kira e Jordan quando necessário – ela dizia rápido e eu ria e sorria abertamente com tudo que ela falava – eu estou muito feliz com você e eu confio e acredito que você consegue... Não se preocupe com a gente, foque em você.
-Eu amo você, ta? – dei um beijo em sua testa e a mesma disse o mesmo – você é a mais velha agora – sussurrei rindo e ela se gabou
-eu sempre fui né, você só tomava meu lugar por seu mais alta e mais velha, porque mesmo eu sendo mais nova, sou bem mais madura e...
-Ah, pirralha, fica quieta! – empurrei sua cabeça pro lado rindo junto com ela
-Srta. , já esta na hora... O carro já chegou – um guarda disse aparecendo na porta, se curvando ao me ver, assenti com a cabeça e falei para Kiara já ir entrando no carro, eles iriam comigo até a praça principal para a despedida. Chamei Kurt e minha mãe, estava indo logo atrás dele e minha mãe atrás de mim, porem ela disse para ele ir indo na frente que nós duas já iriamos para o carro. Me virei para ela confusa.
-Quando foi que você cresceu? Já esta virando uma mulher... – ela me olhava orgulhosa e eu estava prestes a chorar novamente, ganhei um abraço dela –não importa o que você faça, terei sempre orgulho de você, acredito e confio em ti... Vai ser pra sempre minha garotinha! – ela passava as mãos delicadamente pelo meu rosto – não tema, , a sua caminhada começa agora... Vai passar por coisas horríveis, sei que você tem a personalidade forte, igual a mim, mas não deixe seu orgulho estragar tudo, não se torne um boneco como a maioria, acredito que você vai sempre fazer o certo, e quero que você faça apenas o que é certo, não te criei pra virar uma pessoa do mal, seja honesta... E quando eu digo isso, não falo apenas sobre as coisas erradas, eu digo em relação ao seu coração... Seja honesta com o que sente, seja honesta com você. Seja honesta.
-Ser honesta?... – perguntei confusa, ela apenas sorriu me dando um beijo.
-Quando for a hora certa, você vai entender!

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Chegando na praça, estava lotada, cheia de câmeras, gente me pedindo foto, autógrafo, placas com meu nome, minha foto nos lugares, camisetas com meu nome, gente gritando por mim, eu estava ficando maluca. Seguranças me levavam até o palco e minha família estava logo atrás de mim, o prefeito disse algumas coisas, perguntou se eu queria dizer algo, porém eu neguei. Começaram a gritar meu nome novamente, e depois o hino de Avallon começou a tocar, procurei por Eric na multidão, mas não o achei. As garotas que haviam se inscrevido estavam me encarando com raiva, não consegui controlar o sorriso sarcástico e o “tchauzinho” completamente falso. Ninguém mandou elas me tratarem com desdém.
E então chegou a tão chegada hora... Eu tinha que ir.
Me despedi de minha família com o coração partido, entrei no carro segurando as lágrimas e então ouvi uma gritaria lá fora, era Kira, os guarda não estavam deixando ela entrar junto com Jordan. Sai rapidamente do carro.
-Deixe eles entrarem – falei e na mesma hora, eles já estavam dentro. Os dois vieram correndo me abraçar.
-Você já esta até dando ordens! – Kira bateu palminhas me fazendo rir – não consegui ficar no restaurante, não queria deixar você sozinha agora... Nem a mamãe ou as crianças. – apontei pra mamãe que estava ali segurando o choro, Kira foi correndo abraçá-la.
-Cuida deles pra mim? – perguntei segurando a mão de Jordan – Por favor, sei que você não tem essa obrigação, mas...
-, vocês também são minha família... Vou cuidar muito bem de cada um deles – ele me abraçou e eu sorri aliviada – agora promete que vai cuidar de você mesma lá.
- Prometo! – sorri novamente.
-Srta. , temos que ir – o motorista alertou, desta vez era oficial. Olhei para trás e vi todos eles acenando pra mim, juntamente com a multidão da praça. Acenei para minha família e entrei no carro novamente, fechando a porta e esperando que o carro fosse e eu fosse para o meu destino.
Não tinha como voltar atrás. Tinha que ser feito.




Nunca fui uma criança decidida sobre que profissão eu escolheria, sobre qual rumo eu seguiria. Felizmente eu tenho muitos dons, me dou bem com os animais, sei cozinhar e gosto; tenho facilidade em desvendar mistérios, sei tocar instrumentos, sei cantar, consigo liderar várias coisas, não tenho medo de falar em público, sei lidar com as pessoas; Eric dizia que eu poderia tentar ser modelo e várias outras coisas. Mas ter tantos dons assim, só me fazia ficar ainda mais indecisa sobre o que fazer...
Pra qualquer coisa nesse país, você precisava ter dinheiro, ser importante ou ter sido indicada por alguém importante, era impossível você entrar em uma faculdade sendo um “Marginal”, como eram chamados os que não tinham profissão alguma, roubavam, matavam e essas coisas. Eu não queria me tornar uma Marginal... Esse era literalmente o fundo do poço. Eu ainda conseguia sair da lama com a ajuda de minha irmã. Não tinha ideia do que faria na minha vida.
Meu coração estava apertadinho. Sabia que seria difícil deixar minha família, já que eu era muito apegada a eles, mas não imaginava que doeria tanto... Nem que eles demonstrassem tanto que aquilo não os machucavam. Meu maior medo era Merck voltar, não saberia como lidar com isso estando longe, tenho em mente que é minha obrigação cuidar de minha mãe e meus irmãos. Sempre tive esse instinto protetor, desde pequena... E depois do que Merck fez comigo, isso só aumentou.
Agora meu destino estava tomando um rumo completamente oposto do que eu achava que eu tomaria. De tudo que eu sempre quis ser, NADA envolvia entrar na realeza. Já quis ser fotógrafa, veterinária, advogada, cantora, atriz, música, cozinheira... Mas nunca, ser uma princesa.
Sei que isso é algo errado de se imaginar, estaria me iludindo caso eu conseguisse chegar entre as seis finalistas, é loucura eu já me precipitar. Mas minha família acreditava e confiava em mim, eu tentaria por eles.
Foi uma longa viagem de carro até chegar na pista aonde um avião estaria a minha espera e de lá eu pararia em uma área do castelo e haveria uma carruagem me esperando para eu ter minha entrada ao castelo. Nunca tive tanto medo de algo como tive de andar naquele avião. Nunca tinha andado, havia sido uma coisa inesquecível, porém estressante. Só imaginava como Kurt e Kira ficariam loucos com isso e como mamãe, Kiara e Jordan ficariam morrendo de medo, igual eu.
Não irei mentir, ao ver de longe o castelo, eu comecei a ficar ansiosa novamente, ele era ridiculamente enorme e bonito... As treze torres eram muito maiores do que eu imaginava, os tons de pasteis laranja e amarelo mostravam que os anos foram realmente se passando... A ponte enorme que tinha desde o começo do rio até o castelo era muito elegante, a água era azul clarinha, mesmo sendo agua de um rio. Dava pra ver enquanto sobrevoávamos o castelo o grande labirinto que tinha ali perto, e o jardim incrivelmente impecável da rainha. Ele era maravilhoso.
Ao descer do avião, havia vários fotógrafos a minha espera, não tinha permissão de dizer nada então só acenei e entrei em minha carruagem branca com as cortinas vermelhas. AQUILO ERA INCRÍVEL.
Minutos depois, chegamos a ponte do castelo, a famosa Boulevard... Suspirei enquanto passávamos por ela, aproveitando ao máximo o momento e quando chegamos na frente do castelo, fui recebida por Robin e mais três garotas, sorri ao descer da carruagem e elas se curvaram levemente para mim, pedi que parassem com aquilo, eu não era nada pra que elas se curvassem.
-Você está atrasada duas horas! – Robin me repreendeu assim que me apresentou Lauretta, Taihne e Olívia, minhas... Empregadas. – Todas as outras selecionadas já chegaram e estão se preparando para a cerimônia de apresentação. Você esta completamente para trás.
-De que? – perguntei segurando minha mochila e subindo os degraus que me deixava cara a cada com a porra que me impedia de entrar dentro do paraíso.
-Primeiramente, seja bem vinda ao seu novo lar – ela sorriu abrindo a porta. Fiquei maravilhada com o grande corredor, cheio de guardas um do lado do outro, dos dois lados do corredor, o tapete dourado com detalhes vermelhos a iluminação clara e formal, com aqueles enormes lustres. – e agora você vai para a primeira fase.
-Primeira fase? – perguntei ainda olhando ao meu redor, maravilhada – tem como você parar de falar em código?
-Fase um – Olivia me encarou sorrindo tímida – banho, hidratação corporal, limpeza de pele, essas coisas – ela explicou e eu fiz uma cara de “Ah ta”.
-Levarei comida à você, Srta. – Lauretta fez uma reverência e saiu antes mesmo que eu a corrigisse sobre tanta formalidade e Taihne foi ligo atrás.
-Você tem sete horas para ficar pronta, ! – Robin olhou no relógio e depois nos milhares papéis – NADA DE IR ATRÁS DOS PRÍNCIPES OU DOS REIS... VOCÊ SÓ VAI CONHECER ELES NA CERIMÔNIA!
-Pode deixar – revirei os olhos imaginando o quão mimado eles seriam – e eu fico pronta em duas horas – me gabei fazendo Robin gargalhar alto.
-Querida, hoje você vai ter um dia de beleza, vai experimentar roupa, passar maquiagem, fazer as unhas, fazer cabelo e etc... Duas horas? Impossível! – bufei já imaginando o dia insuportável que eu teria.
Conforme o prometido, eu fiz exatamente tudo que foi dito, banho, limpeza de pele, cabelo, unha, maquiagem, experimentei cinco vestidos que minhas empregadas fizeram pra mim e pronto. Como previsto, seis horas depois eu estava pronta. Fui levada ao meu quarto, que tinha uma cama incrível grande e confortável e o quarto era maior do que minha própria casa. Eu estava assustada com tanto luxo, não sabia como me sentir confortável ali.
Comecei a rir lembrando do cabeleireiro real. Ele tentou pintar meu cabelo, cortar e passar uns produtos estranhos nele, mas eu não deixei ele fazer nada o que o deixou irritado. Também a escolha do meu vestido o deixou irritado já que, de acordo com ele, eu estava parecendo uma plebeia mais arrumada de tão simples que eu estava. Já que nem maquiagem eu deixei ele passar. Com certeza ele deve me odiar.
Resolvi colocar as fotos da minha família em minha cabeceira. Bem ao meu lado e os coloquei ali, nos quadros que eu havia pedido e... Perfeito! Aos poucos aquele quarto ficaria com a minha cara.
Tinha um grande espelho ao lado da janela, então resolvi me olhar nele.
Meus cabelos , estavam soltos, com uma pequena trança que passava por trás da minha cabeça, tipo uma coroa de flores, só que com meu próprio cabelo com uma tiara fina prateada, ele também havia passado um tipo de tinta em cima de meus olhos, parecia que eu estava com um traço de gatinho neles. Continuava usando o colar que Kurt havia me dado e vestia um vestido preto com detalhes dourados, ele era longo com um certo volume a partir da cintura, um tipo de tomara que caia, só que tinha um tipo de tecido “transparente” que ia ate antes de meu pescoço e não continha mangas. Nos pés eu usava um salto não muito alto, por eu ainda não saber usar, porém, por eu ser baixa, eles queriam que eu usasse logo os saltos com postura. Robin estava mais ansiosa que eu. Não vi nenhuma das outras participantes, de acordo com o chato do cabeleireiro da corte, eu era a mais simples e que ainda usava preto no dia da minha apresentação, e que isso daria azar. Nem liguei.
Olhei para a janela e fui olhar por ela, do meu quarto dava pra ver todo o jardim e mais a floresta mais a fundo.
Tinha uma enorme piscina dentro do labirinto no meio dele, eu estava tão entretida naquilo que abri a sacada de meu quarto, ficando lá tomando um ar, eu não estava conseguindo respirar muito bem, e não era só de nervoso, essa cinta que afina a cintura, me deixava sem ar. Olhei para baixo novamente e vi que tinha um cara lá embaixo, de cabelos loiro escuro, vestindo um tipo de sobretudo preto que ia até metade de sua coxa, com uma calça também preta e a camiseta branca com uma farda dourada, com algumas medalhas no peito, ele aparentemente estava bem nervoso, andava de um lado para o outro, e segurava algo na mão, minutos depois ele parou olhando para o horizonte, respirou fundo e colocou na a... Coroa. Meu coração disparou ao ver eu ele havia me visto e que naquele exato momento, estava olhando diretamente pra mim. Era .
-, você tem que tirar algumas fotos para as revistas... Oh meu Deus, você está linda! – Robin entrou no quarto sem bater e eu me virei com tudo rapidamente para a porta – porque esta com essa cara de assustada? – ela perguntou vindo até mim, olhando lá pra baixo, fiquei vermelha na hora ao ver ela rindo – , você não pode espiar as garotas! Eu achei que faria isso primeiro!
-Oh, vai me dedurar? – pude ver que ele estava fazendo drama com as mãos no peito, segurei uma risada – vim apenas tomar um ar... Não queria atrapalhar – ele faz uma reverência – vejo vocês daqui a pouco! – dando m sorrisinho e saiu andando calmamente.
-Vamos logo tirar essas fotos! – falei a puxando pelo braço, antes que ela começasse com algum comentário que me deixasse morrendo de vergonha.
Alguns minutos depois eu cheguei em uma sala ainda no mesmo andar dos dormitórios, e estava cheio das quinze participantes, todas elas estavam ali. Usando vestidos completamente claros e bonitos, com maquiagem forte, cabelos cortados e também um cheiro horrível de perfume forte, não demoraria muito para eu começar a espirrar e também não demorou muito para eu receber olhares fuzilantes.
Nenhuma delas veio até mim, falar alguma coisa, a não ser por Lizzie Frost, a garota dos olhos azuis e cabelos curtos... Ela era bem bonita mesmo, não é atoa que é uma das preferidas.
-Seu vestido é maravilhoso! – ela elogiou tocando em minha roupa, eu RI da emoção que ela usava ao dizer aquilo – minhas damas fizeram apenas esse azul.
-Oh, Lizzie, você com certeza esta arrasando com ele! – falei e coração, o vestido dela era azul tomara que caia, que tinha pedrinhas de brilhante e era rodado também. A mesma sorriu dando uma voltinha.
-Que bom que gostou! Dança comigo mais tarde? Gostei muito de você! – estranhei o jeito dela, porém, falei que sim. Lizzie não parecia ser cruel. Ficamos conversando um bom tempo, até eu ser chamada para as fotos Eu seria a última a tirar as fotos por ter chego atrasada. Estava com vergonha pois nunca tinha feito algo parecido, e parecia que todas elas já sabiam que pose fariam, eu não sabia como agir... Ao ser chamada, eu mantive a postura reta, e dei o meu melhor sorriso olhando para a câmera, e quando o fotógrafo me elogiou, acabei olhando para baixo dando risada sem graça e ele tirou uma foto nesse momento também.
Faltavam apenas dez minutos para as sete horas. Fomos encaminhadas para a grande escada que tinha ente o primeiro andar e i saguão dos bailes. Estava um pouco nervosa, com medo de cair ou algo de tipo, seria expulsa na hora.
-, querida, você será a primeira selecionada a descer as escadas – Robin dizia com calma, me levando até o começo da fila. Foi aí que eu quase desmaiei.
-Mas, Robin, por que eu? – perguntei nervosa e ela apenas deu de ombros.
-Lição dois, não questione, apenas faça! – pude perceber que ela também estava nervosa – Lição três – ela ajeitou minha postura, arrumou meu cabelo e me encarou – desça com calma e classe, ao chegar lá embaixo, fique parada que o chefe dos guardas vai te pegar e levar você aos príncipes, você ira se curvar, sorrir e ser gentil! – ela me fuzilou nessa hora, deixando claro que era pra eu ser gentil especialmente – faça a reverência ao rei e a rainha, olhe para a sua direita e se curve com classe e sem exagero e faça o mesmo para a sua esquerda. Um dos príncipes ira te guiar ate a sua cadeira, outro ira te entregar uma tiara simples e um ira colocar em você, vai ser do mais velho para o mais novo, ou seja, vai entregar a coroa, irá colocar em você e vai te guiar para a cadeira. Faça tudo que eu disse que você vai longe, entendeu?
-Acho que vou vomitar – admiti com a mão na barriga fazendo ela rir e me abraçar.
-Você consegue, estarei lá embaixo em cinco minutos, óbvio que depois de ver você sendo oficialmente uma selecionada! – Ela respirou fundo ao ouvir a música de Avallon, cantamos ela, e depois de longos cinco minutos o Rei começou a falar, a rainha começou a falar e então, o cerimonialista chamou o meu nome .
-A primeira Selecionada diretamente de Southampton, por favor, palmas para !




Sempre fui uma pessoa decidida, e nunca abaixei a cabeça pra ninguém... Mas ver aquele tanto de gente olhando para mim, esperando um deslize para aumentar em dez vezes e espalhar para o mundo fez com que eu ficasse intimidada. No começo eu estava com a cabeça baixa, porém lembrei da “Lição 4: cabeça erguida, jamais abaixe ela pra ninguém!”. Aquilo foi essencial para minha entrada.
Respirei fundo, olhei para frente e desci as escadas com classe. Meu coração estava saltando pela boca. Ao chegar lá embaixo, como o esperado, havia um homem fardado, um guarda-chefe, fiz uma leve reverência e ele fez o mesmo pegando em minha mão, os olhos dele brilhavam. Conforme íamos andando pelo enorme tapete vermelho, eu pude ver o rei e a rainha no trono, fui levada até eles, fiz uma reverência e os mesmos fizeram com a cabeça, o rei me deu um grande sorriso, já a rainha nem olhou direito para a minha cara. Do lado estavam os três príncipes, na lateral, um ao lado do outro, não tive coragem de encara-los, até eu ser levada até , ele era alto, os ombros largos, os olhos irritantemente lindos com um sorriso de arrancar suspiro, ele usava a coroa e a mesma roupa que mais cedo, só que a diferença é que a cor era preta e vermelha.
“Lição 5: sorria sempre”
-É um prazer conhece-la, Srta. – ele falou sorrindo, pegando em minha mão depositando um beijo na mesma, depois de fazer me ver fazendo a reverência.
-Digo o mesmo, príncipe – sorri me segurando para não dar tão na cara que eu estava sendo sarcástica. Ele sorriu novamente, vendo-o pegar uma pequena coroa de boas vindas e entregando pra , que estava com um sorriso divertido preso nos lábios – Príncipe – fiz a reverência e ele fez o mesmo.
-É um prazer – ele não tirava os olhos azuis de mim, normalmente, eu encarava de volta ate a pessoa , só que ... Ele me intimidava, e eu odiava que isso acontecesse comigo. O encarei da mesma maneira – Seja bem vinda A Seleção – ele veio mais perto de mim, colocando a pequena coroa em minha cabeça, e encarou, pegou minha mão e deu um beijo, igual ao irmão.
-Que gentileza! – comentei sorrindo e provavelmente ele percebeu que estava sendo sarcástica, pois ele arqueou uma sobrancelha sorrindo sem mostrar os dentes. Virei para o lado e me encarava sério e, Deus, ele era provavelmente o mais bonito dos príncipes. Ah, na verdade nessa parte de beleza eu não sabia opinar, infelizmente eles eram muito bonitos, mas tinha cara de mais velho e mais novo ao mesmo tempo, era único dos três que tinha barba e os olhos eram verdes claros. Ele estava completamente sério e eu achava que ele era o mais simpático.
-Srta. – ele abriu um primeiro sorriso, mostrando os dentes, um sorriso que fez os olhinhos encolherem. Sorri junto com ele fazendo a reverência e o mesmo fez o mesmo – venha, vou acompanha-la até sua cadeira – senti uma de suas mãos me guiando pela cintura – Céus, como eu odeio essas celebrações – olhei para cima, para enxerga-lo melhor e comecei a rir, o mesmo ria junto comigo.
-Você não esta sozinho nessa, Príncipe – ele olhou pra mim rindo – Até o fim da noite eu aposto que você será a única que vai ter odiado.
-Ah, qual é, você vai ganhar! – revirei os olhos rindo e o mesmo revirou os olhos graciosamente me deixando em minha cadeira – conversarei com você quando tudo isso acabar – ele se despediu graciosamente e voltou ao lado de seus irmãos. me encarava, quando percebeu meu olhar sobre ele, sorriu dando um tchauzinho com as mãos, sorri novamente para ele. me encarava as vezes e quando ele percebia que eu tinha visto, ele mantinha o olhar para me intimidar.
Confesso que estava nervosa com essa cerimônia, achei que eu ia estragar tudo, acabar dizendo algo que me tiraria da competição, ser sarcástica demais com os príncipes ou algo assim, mas aparentemente estava tudo bem, não podia ir embora agora, eu precisava ficar ali por pelo menos uns três meses... Ajudaria minha família com o dinheiro que íamos ganhar, eu não me sentia culpada pelo que estava fazendo, muito pelo contrário... Era uma troca. Meu rosto, meu corpo, minha exposição pelo dinheiro.
Já disse que não éramos completamente miseráveis, morávamos numa casa boa que Merck havia ganhado de seus pais como herança, minha mãe não tinha onde cair morta e como consequência, nós também, eu trabalhava pra colocar comida na mesa e ainda dar um pouco de doce para as crianças, eles mereciam mais, EU merecia mais.
De qualquer maneira, me senti bem fazendo aquilo. Ser o centro das atenções no começo me deixou desconfortável, mas aos poucos eu fui me acostumando. Não tinha jeito de princesa, nunca me tornaria uma na verdade, isso era fato, me manteria na minha.
O salão estava completamente arrumado, cheio de gente importante. Um grande tapete vermelho ligava a escada até o final do salão, aonde estava o Trono. A esquerda do Rei, estavam as quinze cadeiras, e a direita, o trono dos príncipes. As pessoas que estavam ali no salão, estavam sentadas nas mesas espalhadas pelo salão. Tudo estava muito bonito, elegante, clássico. Tentei achar Robin e a avistei em uma das mesas com as outras quinze damas da Rainha, fiquei completamente arrasada ao perceber que eu não ia ficar perto dela. A mesma me encarou bem na hora, sorrindo graciosamente e assentindo com a cabeça levemente, me parabenizando e logo depois fez uma cara brava mandando eu arrumar a postura.
Conforme o tempo foi passando e as participantes foram chamadas e se sentando, eu já estava ficando angustiada por ficar tanto tempo parada, aquilo me deixava inquieta demais. Comecei a bater o pé, a bufar, mexer o pescoço, olhando para as unhas, suspirando e ficar olhando para os lados, distraída. Sinais claros de que eu estou entediada e perdendo o jeito nas coisas.
Pude perceber que a maioria estavam muito animadas com tudo, teve até as que choraram, pelo menos umas duas choraram descendo a escadaria, achei que tinha encontrado o limite de uma selecionada, mas me enganei ao ver que teve as que não se controlaram e correram abraçar eles. Era óbvio o espanto dos conselheiros e as damas. Eu dava risada, essas eram ousadas, gostava é de ver bagunça mesmo.
Quase uma hora depois, uma vez que todas já estavam sentadas, o rei tomou a palavra, saudou Avallon, agradeceu pela presença de cada uma de nós ali, que éramos todas lindas e blá blá blá, perdi o interesse novamente, desta vez, quase dormindo. Fui perceber que ele tinha parado de falar quando todo mundo começou a bater palma e as selecionadas tinham se levantado para o tanto de gente nos saldando. Levantei toda assustada, controlando um bocejo e uma esticada de braço, mas meu estado tido atrapalhado. Encontrei sem querer o olhar de , que disse um “estamos na mesma” sem que quase ninguém percebesse, comecei a rir baixinho.
Ficamos paradas ali até o Rei e a Rainha irem até sua mesa, e logo atrás, seus belíssimos filhos. Estava morrendo de fome, queria muito atacar os salgadinhos ou comer o que tivesse ali, não sabia o que era pra fazer. Olhei para Robin que apontou com a cabeça para a dela, havia uma cadeira ao lado de cada dama, como não vi aquilo antes?! Nenhuma garota havia se movido ainda, aquilo me deixou estressada, acabei saindo do meu posto e caminhei até a mesa de Robin, algumas pessoas me cumprimentavam e eu sorria para cada uma, Robin sorriu ao me ver chegar, me dando um abraço quando cheguei até ela.
-Agiu perfeitamente, como combinamos! – ela comentou me olhando orgulhosa e depois brava – Lição seis, NUNCA, demonstrar a falta de interesse e NEM dormir.
-Estava muito óbvio? – perguntei fazendo uma cara de “ops”. Ela me encarou meio nervosa e eu sorri culpada – anotado, nunca mais farei isso. – a balançou a cabeça vendo eu já demonstrando a falta de interesse por estar olhando para os lados. Quando eu avistei uma mulher bandeja cheias de aperitivos, eu estava pronta pra chama-la, até Robin acabar com minha graça.
-Lição sete, você nunca chama uma empregada, ela vem ate você em uma cerimônia. Lição oito, nunca coma demais! – olhei para ela sem paciência e a mesma bebericava alguma coisa.
-Mas e se eu ainda estiver com fome?
-Lição nove, suas empregadas estão ao seu dispor vinte e quatro horas por dia, peça que elas fazem. – bufei me encostando na cadeira completamente irritada. Onde já se viu não poder comer direito? Como previsto, o prato do dia era um pedaço de carne no meio do prato, com um molho espalhado nele, para dar aquela graciosidade e uma folha de hortelã no meio. Estava tão bom, que me doía a barriga por não poder comer mais. Eu aceitei a taça de vinho pois eles tinham proposto um brinde, não era de beber, costumava ser muito fraca pra isso. E não via a hora de chegar em meus aposentos e poder me acabar na comida lá. Nunca fui de me alimentar direito, sempre comia pouco, esperava passar mal para comer ou ate mesmo comia dias depois da ultima refeição... Mas quando eu sentia fome, eu precisava comer pra alimentar aquele eu interior maligno.
As garotas eram um pouco esnobes... Não conversavam muito uma com as outras, tinham o nariz empinado e se achavam melhores que as outras. A única até agora que foi legal era Lizzie, que estava muito animada na mesa, conversava com todo mundo, sorria, dava risada, contava piadas e etc... Olhei para a mesa dos príncipes e os mesmos estavam rindo e fazendo piadas entre si, a Rainha se mantinha séria e ás vezes ria junto com eles, já o Rei, entrava na palhaçada dos filhos. Aquilo era uma cena muito bonita, eles pareciam realmente felizes. Não estava sendo ruim ficar ali, pelo menos até agora.
Alguns minutos depois os príncipes se levantaram e caminharam até a pista de dança junto com seus pais, os mesmos começaram a dançar ao som de uma melodia bonita, apenas com o piano e o violino, eles sorriam, se olhavam completamente apaixonados.
Literalmente o casal mais bonito daquela festa. Observava com atenção até sentir uma mão em meu ombro, me virei calmamente e vi um guarda, sorrindo para mim, nunca tinha visto ele na vida. Seus olhos eram castanhos e seu cabelo da mesma cor.
-Srta. , me concederia a honra de sua primeira dança aqui no reino? – olhei para sua mão que estava esperando que eu a pegasse. Encarei Robin que incentivou que eu fizesse o que era necessário. Fiquei surpresa com isso, já que eu era uma propriedade dos príncipes. Peguei em sua mão e o mesmo sorriu aliviado – por um instante eu achei que você não aceitaria! – dei risada olhando para ele e depois vi que todas as outras selecionadas estavam da mesma maneira que eu, indo dançar com um guarda.
-Pensei em recusar, confesso... Mas, estamos aqui, creio que não vai ser tão ruim assim! – comentei e ele riu parando na pista de dança.
-Talvez vá ser sim – ele me olhou meio serio com a cara desesperada – eu não sei dançar.
-Bem, temos um problema, eu também não sei... Tipo, sei o básico... Dois pra cá e dois pra lá – o encarei fazendo o mesmo cair na risada e colocar as mãos em minha cintura – você me enganou?!
-Eu sou um bom dançarino, confesso, e como serei seu parceiro de dança enquanto você estiver sem a companhia de um dos príncipes. – ele ia explicando conforme íamos dançando, bem... Tentando dançar – e a propósito, meu nome é Ben Walker. Soldado Walker, mas você pode me chamar do que quiser.
-Certo, Ben Walker – disse dando uma voltinha e ele revirou os olhos – por chamar de , ou , Srta. me faz parecer uma velha, eu odeio tanta formalidade.
-Certo, , eu também prefiro assim! – ele riu me virando para ele – você pisou TRÊS vezes no meu pé, você é horrível!
-Eu não falei que era boa! – resmunguei fazendo o mesmo dar um sorriso sarcástico – aliás, eu acho que preciso descansar, estou cansada.
-Temo que você não poderá fazer isso agora, é sua cerimônia de apresentação, terá que ficar aqui até pelo menos a metade tiver ido embora – ele respondeu totalmente formal, exatamente como um guarda fala – eu terei que te deixar sozinha, pois trocarei de turno com outro guarda que é casado com uma cozinheira que está em trabalho de parto, ele quer ver o nascimento do filho e eu, como padrinho, vou ficar no lugar do pai... espero que você não se importe.
-Ben, você tem total apoio, vá sim, é muito bonito da sua parte fazer isso, com certeza será um ótimo padrinho! – ele sorriu rodopiando mais uma vez e me segurando ao ver que eu ia cair.
-Olha, vou conversar com Robin pra ela te ensinar alguns passos de dança – abri boca completamente inconformada dando risada logo seguida de um tapinha que não fez nem cócegas nele – tenha uma boa festa, ! – ele se curvou e saiu.
Tinha gostado de Ben, estranhamente eu tinha gostado de alguém do sexo masculino no castelo. Eu não tinha me acostumado com aquelas roupas pesadas, com ter que me manter sempre sorrindo, tudo isso me enchia o saco, viver da aparência enchia o saco. E isso é tudo que aquela gente sabe fazer, todas elas. Até eu. Aquilo me deixava irritada e quando eu ficava irritada, eu simplesmente ficava uma fera Queria deitar, dormir ate essa droga acabar, ou dormir e descobrir que isso é apenas um pesadelo... E dos piores! Que Kiara entrasse em meu quarto gritando e me assustando, ou até mesmo dividindo a cama com Kurt quando ele tinha pesadelo. Pena que Aquela não era mais minha realidade.
Andava pelo salão calmamente, até que consegui sem que ninguém percebesse, ir até o corredor grande, não sabia pra que lado ir para ir ao quarto e muito menos pra onde eu ia pra conseguir tomar um ar, e isso era o que eu mais precisava naquele instante. Comecei a passar as mãos em meu rosto, olhava para os lados e não via ninguém, nem um guarda pra me guiar pra algum canto, eu simplesmente estava ficando maluca.
Comecei a andar na direção oposta da que eu estava, aqueles corredores enormes me davam agonia, Deus, eu não estava conseguindo raciocinar mais nada. Virei a direita depois da escada dando de cara com um corredor escuro, apenas a luz da lua iluminava aquela área (que era gigante). Eu estava desesperada, eu precisava de ar, estava ficando sem conseguir respirar.
Estava apoiada na parede quando decidir correr por conta do desespero, sem raciocinar direito. Conforme eu tentava correr, eu senti algo batendo com tudo em mim e me segurando, ao perceber que eu iria cair. Comecei a apertar minha garganta e encarei a pessoa. Era .
-Srta... ?! – ele perguntou confuso e continuou me segurando, vendo aquela cena completamente horrorosa. – O que esta acontecendo?
-Ar... – foi a única coisa que consegui dizer, foi nessa hora que ele pareceu entender o que estava acontecendo e me arrastou comigo em seu pescoço sem esforço nenhum. Meu coração estava descompassado e eu tinha certeza que não era por causa dele. Não sabia pra onde estava indo.
-Alteza... – escutei um dos guardas falando e fazendo a reverência – esta tarde, não é seguro e...
-Abra a porta, ela precisa de ar fresco! – parecia estar um pouco nervoso, e eu estava ficando roxa. – É ordem, me deixe passar! – o soldado pareceu pensar e rapidamente abriu uma enorme porta. Era muita informação. me arrastava para fora do castelo me pedindo pra ter calma – escuta, respira fundo pelo nariz e solta pela boca – ele me sentou em um banco e se ajoelhou em minha frente, eu estava olhando para os lados, segurando minha garganta não conseguindo fazer o que ele pedia. Então, ele segurou minha mão direita e com a outra mão, segurou a direita e repetiu com calma – se concentra, respira pelo nariz e solta pela boca – ele fazia os movimentos junto comigo, e por algum instante eu pude ver que ele estava realmente preocupado comigo. Aos poucos eu fui voltando ao normal, sentindo tudo ficar como sempre foi. Fui acalmando, passei as mãos em meu rosto ignorando completamente o fato de estar com batom. Olhei para ele, que ainda me encarava, só que agora o olhar preocupado havia sumido e aquele olhar irônico tinha voltado.
-Hm... – passei as mãos pelo meu pescoço e olhei para os lados um pouco sem graça – er... Obrigada, alteza – ele sorriu balançando a cabeça.
-Me chame de Thor, eu odeio ser chamado de ‘alteza’ – ele continuou ali aonde estava desde o começo – você é a garota que estava com o braço enfaixado na foto de apresentação, certo? – agora eu tinha entendido o olhar irônico, ele achava graça naquilo. Revirei os olhos.
- , pra você – bufei me levantando ouvindo sua gargalhada irritante.
-Olha, eu posso te chamar do que eu quiser, – me virei para ele, que ainda estava agachado e sorri sarcástica.
-É mesmo?! – meu tom irônico estava no auge e eu estava nem aí se era o Príncipe ou não. E comecei a andar de volta para o castelo.
-Espera, princesa – fiz uma careta e o ignorei completamente – meu amor? Minha linda? – eu estava quase na porta quando ouvi o mesmo bufar – ? – sorri vitoriosa me virando para ele.
-Desculpe, me chamou, Príncipe ? – fiz a maior cara de inocente e o mesmo fez careta.
-Você acabou de ter um ataque de asma... Você não marcou isso no seu relatório medico – ele explicou caminhando até mim e eu o olhei confusa.
-Você leu meu relatório?
-Por que eu não leria? – ele rebateu e dei de ombros.
-Porque você não se importa, isso esta estampado na sua cara desde o dia que anunciaram a seleção na TV – Cruzei os braços e ele se fez de desentendido.
-Observadora... Mas não – revirei os olhos rindo sarcástica.
-Okay, príncipe – me sentei em um outro banco sentindo aquele ar fresco gostoso – eu não marquei porque eu não sabia que eu tinha asma... É a primeira vez que ela ataca – ele pareceu surpreso e o olhar preocupado havia voltado.
-Eu só queria que você fosse amanhã para a enfermaria conversar com nosso médico, pra ele encaminhar você alguns remédios e essas coisas... – ele abaixou a cabeça e logo depois a levantou e ficou observando as estrelas – eu devo agradecer você por me trazer aqui fora agora... Eu estava precisando de ar também.
-Mas você é o príncipe, pode ir e vir a hora que quiser – argumentei, fazendo ele concordar com a cabeça e olhar para o lado.
-Tem razão, mas não é tão fácil quanto você pensa – percebi que ele não queria falar sobre o assunto, então mudei, em respeito, sabia como era ruim ter alguém se metendo.
-Meu problema respiratório disse “ao seu dispor, alteza” – Ri baixinho e ele riu me olhando grato por não perguntar nada, e surpreso também por isso.
-Acho que você deve voltar para a festa – ele comentou olhando pra cima me fazendo olha-lo brava.
-Você deveria voltar também! – Cruzei os braços e ele arqueou uma sobrancelha.
-Eu sou o Príncipe, posso fazer o que eu quiser - gabou-se me fazendo rir com desdém.
-Eu posso ser sua cunhada, não me faça ter ódio de você e ter que conviver a vida inteira te desprezando – foi a vez dele rir com desdém e eu jogar meu cabelo, me gabando também.
-Quem te garante isso? – encarei o mesmo e arqueei a sobrancelha da mesma maneira desafiadora que ele.
-Quem me garante o contrário? – rebati fazendo ele olhar novamente para o céu.
-Quem te garante que você ficará com meu irmão e não comigo? – desta vez eu o encarei rindo de verdade.
-Deixe de ser idiota! – eu tinha acabado de chamar um PRÍNCIPE de IDIOTA. Ou eu seria expulsa, mandada pra uma prisão ou teria minha cabeça cortada por desrespeito. Mas isso não me abalou, vi que o mesmo ficou surpreso por eu ter dito algo assim, mas manteve o sorriso sacana nos lábios – se você acha que presunçoso deste jeito vai arrumar alguém, pode ter certeza, essa pessoa não será eu!
-Você me chamou de idiota!? – eu fiz que sim com a cabeça e ele começou a rir – que ousadia! Garota, você ta falando com um Príncipe!
-Eu não me importo, você ainda é um ser humano que merece ouvir umas verdades as vezes. – me virei para frente com um sorriso no canto dos lábios, ainda sentindo o olhar dele em mim, aquele olhar surpreso. Talvez eu tenha sido um pouco rude e ele tenha ficado bravo, já que bufou e cruzou os braços olhando para o lado oposto da onde eu estava, mas falar a verdade seja pra quem quer que fosse, era um lema da minha família. Nem se ele fosse o Papa eu iria deixar de dizer.
Ficamos por um bom tempo apenas ouvindo nossa respiração, a natureza naquela noite estrelada e bonita. Estava meio desorientada, confusa, cansada... Ficar em silêncio me deixava numa paz. Um silêncio que eu não conseguia há tempos. Infelizmente esses momentos seriam difíceis de conseguir.
-Alteza, Srta. vocês precisam voltar para o castelo, dois Selvagens tentaram invadir o castelo, estamos fazendo uma averiguação pelas redondezas. – olhei para o guarda e depois para , confusa. O que seriam os “Selvagens?” – e já estão procurando por vocês dois na festa.
-Certo... – se levantou rapidamente, me dando sua mão para eu levantar também, e me entregando ao guarda. Eu estava sendo levada novamente para aquela festa chata e nem consegui conter minha reclamação ou minha cara de bosta. Olhei para ele novamente e o vi me pedindo desculpa por ter sido tão curto o nosso tempo ali fora – Leve a Srta. para quarto dela, diga que eu mesmo a liberei. Diga que a mesma não esta se sentindo muito bem e que eu estou em meus aposentos. – olhei pra ele agradecida e o mesmo cumprimentou com a cabeça, sorrindo de lado, me vendo partir, pela primeira vez.

Continua...



Nota da autora: (26.05.2017)
Hey Avallonesa, gostaria de dizer que esta é uma história baseada em “A seleção” (com o nome baseado no filme ‘Passageiros'. Os trigêmeos que provavelmente não serão iguais dependendo da sua escolha, não tem um certo ainda para ficar com você, será decidido conforme o povo for lendo e escolhendo (se quiser ajudar, diga nos comentários usando o “mais velho”, “mais novo” e “do meio” vou conseguir ter uma noção dos queridinhos. Espero que gostem!




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