Finalizada em: 10/12/2018

Prólogo

Sempre que as pessoas perguntam como tudo aconteceu, sempre me vem essa ideia na cabeça, honestamente, não sei por quê. Sempre foi meu sonho conhecer a Austrália... Bem, sempre é relativo. Desde meus 12 anos, mais ou menos. Desde pequena eu sempre fui uma amante de praia, sempre, mas assim, eu tinha que ter o que fazer na praia, ficar na areia esturricando no sol não me chamava atenção, mas ficar na água... Ah, isso chamava minha atenção e muito, não que eu soubesse surfar, ou remar em um caiaque ou tivesse coragem de fazer wakeboard, kneeboard ou windsurf, não. Mas ir à praia, sentir o vento em meu rosto, a areia entre meus dedos e aquela água deliciosamente gelada... Era meu plano perfeito nas férias de janeiro.
Não sei por que Austrália também, com tantos países no mundo como México ou Jamaica, e alguns mais perto do Brasil, eu tinha que escolher um dos mais longe? Não sei dizer o porquê, mas depois que comecei a pesquisar sobre aquele país, a cultura, os animais, a música, a comida, os pontos turísticos, bem... Tudo, eu simplesmente me apaixonei. E eu fiquei namorando aquele país por um bom tempo, até que eu comecei a realmente namorar alguém. Ou melhor, até que eu comecei a namorar um famoso ator australiano.


Capítulo 1

Fazia pouco mais de cinco meses que eu estava em Los Angeles. Eu sou brasileira, do interior de São Paulo, e havia conseguido uma bolsa para fazer meus dois últimos anos da faculdade de jornalismo na UCLA. Tenho só 20 anos, então, quando eu consegui, foi um chororô lá em casa, minha mãe é divorciada, e minha irmã mais velha já é casada, então sobrou para a minha irmãzinha de cinco anos cuidar da minha mãe, não que fosse muito diferente de quando eu estudava em uma cidade perto da que eu morava, já que eu passava a semana nessa cidade, e voltava para passar os fins de semana com a minha mãe, mas agora eu ia demorar de dois à três meses para ir para casa, porque era mais fácil eu ir para o Brasil, já que eu tinha um desconto de estudante nas passagens, do que minha mãe para visitar, mas como eu estudava de manhã e fazia estágio à tarde, não era muito fácil arranjar tempo ir para lá, ainda mais quando começava a juntar provas e trabalhos da faculdade.
Fazer jornalismo tinha seus dois lados, a parte teórica e a parte prática. A teórica a gente conseguia enrolar de vez em quando, mas a prática era mais complicada, implicava em sair para entrevistar fontes, gravar reportagens e tudo mais para entregar o trabalho completo em um curto período de tempo, coisas que até de sábado eu havia começado a fazer, mas domingo era meu dia precioso, eu não existia aos domingos, eu ficava totalmente offline... A não ser que a prova de ética fosse de segunda-feira, mas isso acontecia só duas vezes no semestre, duas vezes que eu me preocupava e ponto, mas aos domingos normalmente eram os dias que eu e meus amigos combinávamos de passar o fim de semana em casa, a gente cozinhava, comia, saía, via filmes e todo mundo dormia lá em casa, já que eu era a única que realmente morava em Los Angeles, em um local que coubesse umas seis pessoas para dormir folgadas.
Minha mãe era do tipo preocupada, então aquela história de repúblicas universitárias e alojamento universitário ela já tinha boicotado assim que eu recebi o e-mail falando sobre minha aprovação. Ela tinha encontrado um apartamento próximo à faculdade, não era muito caro, mas sei que com ela recebendo em Real e eu gastando em Dólar, não era muito fácil pagar, então quando eu consegui o estágio, fiquei feliz, não que eu ganhasse o suficiente para me bancar, mas eu conseguia bancar meus gastos, minhas saídas com os amigos, essas coisas.
Meu apartamento tinha um quarto só, era uma suíte até que ajeitada, tinha sala, cozinha, uma mini área de serviço e estava ótimo, espaço era o que não faltava, já que ela não era exatamente mobiliada, parte dos móveis já estavam no apartamento quando a gente alugou.
Eu ainda não estagiava quando o conheci então eu tinha literalmente a tarde toda para não fazer nada, passava bom tempo desse dia dormindo ou comendo... São as melhores coisas da vida, não?! E acabei conhecendo ele em um supermercado, em um desses encontros mirabolantes que eu e meus amigos estávamos planejando. Ele? Ah, ele é o Liam Hemsworth.
Você já deve ter ouvido falar, alto, olhos azuis, cabelos cor de mel, às vezes uma barba rala, às vezes uma barba mais cheia, um corpo de tirar o fôlego de qualquer pessoa, o Gale em Jogos Vorazes, irmão do Chris e Luke Hemsworth e... Ah, não importa, tenho certeza que você o conhece.
E sim, você leu direito... Em um supermercado.

Eu nunca fui do tipo que me preocupava muito com a aparência e eu me considerava bonita. Eu era alta, levemente acima do peso, mas minha altura escondia um pouco isso, coxas grossas, aquelas tão conhecidas curvas brasileiras e umas chatas marquinhas do rosto de conhecidas fases da adolescência que qualquer um teve. Honestamente, eu amava meu corpo, claro, emagrecer um pouco, saúde e tal, era ótimo, mas até aquele momento eu nunca tinha realmente me preocupado com isso, mas ficava feliz quando eu subia na balança e o número que eu via era menor. E também não era muito do tipo que me enchia de maquiagem, mas depois que vi que a maioria das pessoas em Los Angeles eram bonitas, eu passava um lápis preto e um batom na boca, pelo menos.
E era assim que eu estava naquela quinta-feira à tarde, além de um lacinho prendendo meus longos cabelos castanhos em um rabo de cavalo alto, uma calça jeans, allstar nos pés e meu já surrado moletom azul com amarelo da UCLA, eu estava lá desde março daquele ano e não arrancava aquele moletom, estando calor ou frio, em partes eu me sentia orgulhosa em estudar em uma faculdade boa como a UCLA, e em outras eu só queria mostrar mesmo. E também, não tem nada mais confortável que um moletom.
Eu havia andado pouco mais de duas milhas para chegar a Beverly Hills, porque eu havia descoberto que em um supermercado específico eu podia encontrar meu tão querido Guaraná Antártica, o original do Brasil, aquele mesmo, e como não tinha nada melhor para fazer, decidi dar uma passadinha no lado rico de Los Angeles.
- Mas o que você está fazendo do outro lado da cidade? - Um de meus amigos, que também era brasileiro, gritava para mim no telefone enquanto eu entrava no supermercado.
- Para começar, eu não estou do outro lado da cidade, é pertinho de casa, e eu fiquei sabendo que aqui tem o Guaraná, ok?! Sabe quanto tempo faz que eu não bebo um desses?
- Um mês, mais ou menos? Voltamos do Brasil há pouco menos de um mês. - Suspirei alto e peguei uma cestinha próximo ao caixa, caminhando rapidamente até a parte de refrigerantes, mais interessada em meus pés, do que nas pessoas que estavam ali.
- Ah, xí, nem vem. Onde vocês estão? - Olhei para frente encontrando um rótulo verde e vermelho no canto esquerdo da grande geladeira, quase saltitando para chegar até lá.
- Eu e a Olívia acabamos de sair da faculdade, íamos para Santa Mônica, dar uma volta, vamos? - Peguei duas garrafas de dois litros e coloquei na cestinha, equilibrando em segurar o celular, a cestinha e os quatro litros que estavam nela.
- Tenho que terminar de comprar as coisas para amanhã. Quanto tempo até aqui? - Apoiei a cestinha na geladeira e vi de esguio uma pessoa parar ao meu lado direito e mexer nos refrigerantes.
- Uma meia hora, o trânsito está paradão aqui na saída da UCLA, e aposto que aí em Beverly Hills também, horário de pico.
- Meia hora, então?!
- É! Mais ou menos.
- Meia hora, por favor. Vou estar cheia de coisas, realmente não vai rolar voltar de ônibus e ‘to sem grana para táxi. - Falei com a voz manhosa.
- Ok, combinado!
- Tchau!
Desliguei o celular e coloquei de qualquer jeito no bolso de trás da calça, segurando com firmeza a cestinha.
- Eu preciso de um carrinho.
- Guaraná, hum?! - Um sotaque americano mais forte que o normal falou de um jeito engraçado e eu virei o rosto para a pessoa parada ao meu lado.
- É gostoso. - Falei com meu inglês já treinado e encarei a pessoa alta ao meu lado, ficando muda rapidamente.
Dois finos olhos azuis me encaravam com um sorriso igualmente fino nos lábios, ele usava um boné preto com um símbolo branco em cima dos cabelos castanho claro e possuía uma barba cheia em seu rosto, como também bigode. Seu peitoral estava coberto com uma camiseta listrada de cinza e branco e uma camisa azul aberta por cima, não consegui olhar o que ele usava dali para baixo.
- Liam Hemsworth. - Foram as duas palavras que saíram da minha boca. Idiota.
- Hey! - Ele falou e eu ri, me sentindo incrivelmente intimidada encarando aqueles olhos azuis.
- Qual era a pergunta, mesmo? - Falei fazendo uma leve careta e foi sua vez de rir.
- Seu refrigerante, não o conheço. - Ele pegou um engradado de cerveja Stella Artois e apoiou na geladeira, do mesmo jeito que eu estava.
- É um refrigerante brasileiro. Muito bom, por sinal! - Falei dando de ombros.
- E por que um refrigerante brasileiro?
- Acho que estou com saudades de casa. - Suspirei e ele arqueou as sobrancelhas.
- Brasileira, então?
- Hey! - Falei e ele riu.
- Vou levar um para experimentar. - Ele pegou uma garrafa de dois litros igual à minha e equilibrou a garrafa em uma mão e o engradado em outra.
- Você vai amar. Tenho certeza! - Arqueei os ombros levemente e dando meu melhor sorriso, aposto que saiu um sorriso zoado.
- Por que você não me dá seu telefone, e eu te ligo para contar se gostei? - Senti meus olhos arregalarem e relaxei o rosto rapidamente em seguida, sacudindo a cabeça levemente.
- Cl-claro! - Falei rindo e ele soltou a garrafa por alguns segundos no chão e tirou seu iPhone do bolso, o desbloqueou rapidamente e me entregou.
Anotei meu celular dos Estados Unidos, demorando um pouco, pois nem eu lembrava direito o meu número de lá e entreguei o celular de volta para ele.
- Brazilian Girl? - Ele falou e eu dei de ombros. - Qual seu nome?
- ! - Falei e vi uma confusão em seu rosto. - Melhor brazilian girl, não?!
- Eu aprendo! - Ele guardou o celular de volta no bolso e senti o meu vibrar no bolso, vi o nome do João de novo na tela do mesmo.
- Licença! - Falei antes de apoiar o aparelho na orelha.
- Já estamos aqui. - Foi o que ele disse.
- Mas já? Nem comprei as coisas ainda. - Falei em português e Liam riu ao meu lado.
- Ficou fazendo o quê, ? - Ele perguntou com tom indignado na voz.
- Depois conto.
- Paga o que tem e amanhã a gente vai lá no perto da sua casa. Estamos com fome! - E desligou.
- Ok! - Falei encarando o aparelho desligado em minha mão.
- Tenho que ir. - Voltei para o inglês e coloquei o aparelho no bolso da calça.
- Ah sim! - Ele pareceu meio decepcionado e não segurei um pequeno sorriso.
- Vou esperar você me ligar, você vai gostar do refrigerante.
- Como você pode ter tanta certeza? - Ele me falou enquanto eu dava dois passos para trás.
- Porque é brasileiro. - Ele riu. - E porque eu quero uma foto contigo. – Ele fez uma careta.
- Por que você não tira uma foto agora? - Dei de ombros.
- Porque você vai me ligar. - Não sei de onde havia tirado aquela confiança toda, porque eu não era assim, sempre que eu conhecia um garoto eu agia como se ele fosse meu melhor amigo de infância, por isso nunca tinha namorado, então com certeza ia agir da mesma forma com caras lindos e famosos, mas eu havia falado isso, e eu havia gostado da cara que ele fez após isso. Ele deu um sorriso largo e acenou com uma mão, enquanto eu me dirigia aos caixas.
Passei os Guaranás no caixa e peguei um chocolate nas laterais do caixa, pagando tudo junto com os últimos dólares na minha carteira. Peguei a sacola de papelão e coloquei os dois refrigerantes na mesma e guardei o chocolate no bolso do moletom. Caminhei até a porta de saída, encontrando Liam com alguns amigos em um dos caixas próximos a porta, ele mandou uma piscadela para mim e minha confiança sumiu, dei um sorriso de lado e abaixei minha cabeça em seguida, mordendo meu lábio inferior e saí do mercado.
É o que dizem, você só precisa de 20 segundos de coragem insana, a minha durou menos.
Entrei no carro de João que estava parado no estacionamento e coloquei a sacola ao meu lado.
- Oi, gente! - Falei e João engatou a marcha.
- Aquele é... Espera, João! - Olívia falou quase para fora da janela do carro. - Oh, meu Deus, é o Liam Hemsworth. - Ela quase gritou e João deu uma cotovelada nela. - , é o Liam! Ele estava lá no mercado. - Ela falou e eu ri de lado.
- Eu sei. - Falei simplesmente e não me segurei. - Ele pediu meu telefone.
- O quê? - Ela gritou e virou para o meio dos bancos dianteiros e eu ri. - Conta tudo! - João soltou uma gargalhada e saiu do estacionamento, atravessando a Santa Monica Boulevard.

Não me julgue por ficar decepcionada por ele não ter ligado no dia seguinte, eu nunca tinha namorado antes, então eu não sabia como funcionava essas coisas, a gente se conhecia, ele pedia meu telefone... E aí? Bem, eu estava meio surtada com isso, eu o havia conhecido no segundo dia de agosto, então assim, já tinham passado uns oito dias disso e nada. Eu não comentava nada com minhas amigas porque em partes eu sentia aquele sentimento de recalque no ar, sabe? E em outras porque falam que em alguns momentos de felicidade você deve guardar para si mesmo, sabe?
Mas entre todas as minhas crises internas... Ele ligou. Assim que o telefone tocou, eu sabia que era ele, o número restrito que apareceu no meu contato em uma segunda-feira após a aula de ética. Minha mãe sempre havia ensinado a não falar com estranhos ou a não atender números desconhecidos, mas eu estava à procura de estágio há pouco mais de meio ano, fazendo entrevistas e tudo mais, então todo telefonema que eu recebia, eu atendia, e caso eu não atendesse na hora, eu retornava depois... Claro que números restritos não tinha como eu retornar, mas não importa. Nesse dia eu simplesmente atendi.
- Hey. – Falei, sendo gente dos Estados Unidos ou do Brasil, era um cumprimento que servia para tudo.
- Esse refrigerante é realmente bom, viu?! – Ouvi o forte sotaque australiano falando e pressionei meus lábios um no outro.
- Liam? – Perguntei com um tom inocente na voz, caminhando até o ponto de ônibus mais próximo.
- Brazilian girl? – Eu soltei um riso fraco e fechei os olhos por um minuto.
- É, é ela! – Ele soltou a respiração forte do outro lado da linha.
- Gostou do refrigerante então?! – Ele soltou uma risada.
- Refrescante. Bom para o calor! – Ele falou.
- Imaginei que fosse gostar! – Parei ao lado do ponto de ônibus lotado e firmei o caderno na mão livre.
- O que mais de brasileiro você quer me apresentar?
- Querer? – Falei em tom baixo, soltando uma risada. – Já comeu o churrasco brasileiro? Não tem nada a ver com os hambúrgueres que eles fazem aqui e muito menos com a costela lá da Austrália.
- Como você sabe disso? – Ele soltou uma gargalhada gostosa do outro lado da linha.
- Outback Steakhouse? – Falei em tom de pergunta, ouvindo sua risada mais uma vez.
- Ok, perdoada. – O silêncio se instalou por pouco tempo. – Onde tem uma churrascaria brasileira boa?
- Tem a Fogo de Chão, é bem famosa no Brasil, e bem boa também! Bem, é churrasco! Fica em Beverly Hills mesmo. – Dei de ombros como se estivesse conversando com ele na minha frente e ri, olhando para as pessoas em volta.
- Quando pode me encontrar lá? – E eu travei.
- Te encontrar lá?! – Perguntei lentamente, eu não poderia mais tratá-lo como um amigo agora, eu precisava ter coragem.
- Sim, você vai me apresentar a essas coisas. Pessoalmente! – Engoli em seco.
- Eu... É... Eu não sei o que dizer.
- Dizer que aceita é um ótimo passo. – Soltei uma risada nervosa.
- É, eu sei! Mas é que eu nunca fiz isso antes. – Admiti logo de cara.
- Um encontro?
- É, você captou. – O nervosismo havia diminuído.
- Vou fazer questão de ser legal, você vai gostar! – Ele falava com o tom de voz mais calmo, talvez havia descoberto que eu não era qualquer uma.
- Ok, então. Vou confiar em você! – Falei baixo e me aproximei da rua, onde meu ônibus começava a subi-la ao longe.
- Pode ser no sábado na hora do almoço? – Passei rapidamente meus compromissos da faculdade na minha cabeça.
- Pode ser! – Falei com o tom de voz calmo.
- Eu te encontro lá? – Sua voz parecia esperançosa.
- Sim! – Falei abrindo um largo sorriso, equilibrando o caderno e a bolsa enquanto eu entrava no ônibus e passava o passe.
- Estou empolgado para isso. – Ele falou e eu pressionei meus lábios um no outro novamente.
- Até lá então! – Falei e suspirei, antes de desligar o celular, a tempo de o motorista arrancar com o ônibus, quase me desequilibrando.
Encarei o aparelho em minha mão, que piscava o número restrito, e o tempo de conversa, suspirei.
- Oh, meu Deus! – Foi o que eu consegui falar, antes de abrir o WhatsApp e procurar por João nos contatos, porque eu precisava contar isso para alguém.

Me encarei no espelho e suspirei. Isso estava bom? O comprimento estava bom? O sapato estava bom? A maquiagem estava boa? Meu cabelo estava bom? Oh, meu Deus, como isso era difícil. Passei a mão em meu cabelo, desfazendo a trança que eu havia feito e os baguncei, estava muito Katniss Everdeen. Passei a escova novamente nos fios escuros e puxei a longa franja para trás, prendendo-as com duas presilhas, somente tirando o cabelo do rosto. Passei um mousse capilar nas pontas e os enrolei rapidamente com as mãos, somente firmando as ondas do meu cabelo.
Voltei para o quarto e me encarei no espelho de corpo inteiro preso à parede. O vestido estava sim em um comprimento bom, ele ia até um pouco acima do joelho, era inteiro em um xadrez vermelho e na parte de trás ele fazia um bonito trançado até o meio das costas, deixando um pouco da pele clara à mostra. Nos pés eu usava um peep toe anabela com salto de corda branco, com diversos recortes no pano, fazendo esse ser o único tipo de sapato anabela que eu usasse, porque o resto eu não achava muito bonito.
Minha maquiagem estava simples, não muito diferente do que eu usasse diariamente, o olho estava marcado por um lápis e rímel preto e os lábios com um forte batom avermelhado. Eu havia colocado um pequeno brinco de argola de ouro, meu relógio e um anel que eu não tirava do dedo que eu havia ganhado de minha mãe quando era mais nova. Ajeitei meu cabelo mais uma vez e encarei o relógio ao meu lado, faltavam 15 minutos para o horário combinado. Liam havia me mandado uma mensagem com o horário marcado, uma da tarde.
Mandei uma mensagem para João, que iria me levar até a churrascaria. Ele respondeu logo, falando que estava saindo de casa, não demoraria muito para chegar até meu apartamento. Guardei o celular na bolsa, conferindo meus documentos e dinheiro dentro da mesma e a fechei, caminhando até a sala, e sentando no sofá de dois lugares à espera.
João chegou logo em seguida, achei melhor ir de carro, odeio me arrumar toda e depois ter que ir de ônibus, era realmente chato e desconfortável, a gente suava e toda aquela imagem de estar bela ia embora rapidamente. Não costumo pedir para as pessoas saírem do caminho delas para me ajudar, mas esse era um caso diferente, e João era de casa já. Quando soube que eu tinha um encontro, ele logo ofereceu carona e tudo mais.
Conferi em minha bolsa se meu cartão estava lá, pelo que eu vi algumas pessoas comentando, o Fogo de Chão era bem mais caro que no Brasil, e eu realmente não tinha dinheiro para ir com frequência. Joguei um batom dentro da bolsa só para fazer peso, pois sabia que não iria retocá-lo e enviei uma mensagem para João avisando que eu estava descendo, antes de jogar o aparelho na bolsa.
Saí do meu quarto e passei apagando as luzes de todos os cômodos, nunca havia visto um apartamento tão pequeno com tanta luz. Puxei a porta e joguei a chave também na bolsa.
Saí pelo portão do condomínio e o carro de João logo estava estacionado na porta, em local proibido, acenei para o porteiro rapidamente e entrei em seu carro, sentindo o ar gelado do ar-condicionado.

Ouvi minha risada ecoar no restaurante brasileiro, enquanto um dos garçons se aproximava com um espeto de carne, e eu retirava um pedaço para mim com a pinça.
- Não pode ser tão difícil! - Ele falou me encarando com aqueles lindos olhos azuis, enquanto virava um pouco de sua cerveja para dentro.
- Sério! Você não tem noção como é difícil! Porque você acha que eu fico em silêncio em alguns momentos? Seu sotaque é complicado, acredite, não tenho nada para esconder.
- Nada é?! - Arqueei minhas sobrancelhas e peguei o copo ao meu lado, me escondendo atrás do mesmo, enquanto o entornava dentro da minha boca.
- Ah, acho que nada! - Falei e o som saiu abafado.
- Estou ansioso em descobrir tudo isso. - Afirmei com a cabeça e soltei uma risada fraca antes de retornar os olhos para meu prato com diversos cortes de carne.
Adivinha quem pagou a conta? Dica, não fui eu, não posso nem dizer quanto ficou o valor, pois não cheguei nem perto da conta.
- O que você gosta de fazer? - Ele falou colocando as mãos no bolso da jaqueta preta, enquanto eu segurava minha bolsa com ambas as mãos, não sabia o que fazer com elas.
- Eu gosto de cinema, praia, juntar meus amigos para fazer loucas festas do pijama. - Soltei uma risada fraca o acompanhando para fora do restaurante.
- Cinema, praia, amigos? - Ele virou o rosto para mim, pude ver seu cabelo cor de mel voando por causa do vento. - Irônico.
- Não acho! - Falei me virando para ele que o fez me encarar. - Cinema é óbvio, quem não gosta de cinema? Sou meio viciada, mas isso é outro fato. - Ele soltou uma risada fraca. - Praia, acho que é meio sorte, porque minha família não é muito chegada a isso, sou a ovelha negra da família. - Dei de ombros e o vi parar em minha frente. - E quem não tem amigos, não tem nada, certo?! - Ele abriu um sorriso e passou a mão em sua barba cheia e desceu até seu pescoço.
- Você tem razão! - Ele riu e um silêncio se instalou entre nós dois.
Virei de costas por um tempo para ele, observando a rua, passei os olhos pelas pessoas que entravam e saíam, o movimento era grande, mas não havia dado sorte de encontrar algum famoso lá, a não ser o que estava me acompanhando.
- Austrália tem ótimas praias. - Ele falou atrás de mim e eu me virei rapidamente.
- Eu sei! - Senti minhas bochechas avermelharem.
- Já foi para lá?
- Não, só pesquiso muito sobre aquele país.
- Tem vontade de ir para lá?
- Para caramba! - Falei e abaixei a cabeça rindo. - É um sonho, tem uns oito anos que sempre quis ir para lá, mas sei lá porque Austrália.
- Porque é demais... Você é demais! - Ele falou me fazendo rir.
- Por quê? - Falei tentando conter a risada, sentindo meu rosto esquentar.
- Precisa ter motivo? - Ele encarou meus olhos e eu fiquei quieta por um minuto, passei a mão em meu cabelo, colocando uma mecha atrás da orelha.
Dei uma olhada rápida ao redor e senti um vento bater em minhas costas, me fazendo arrepiar, e meus cabelos bagunçarem, o trazendo para frente.
- Você parece mais velho. - Falei virando o rosto para ele e apontando para a penugem em seu rosto.
- É para um filme, mas eu acabei me acostumando com ela. - Abri um sorriso. - Tenho gravações de outro filme no fim do ano, vou acabar deixando até lá!
- Eu gostei! - Ele riu. - Por incrível que pareça. - Vi suas bochechas se avermelharem. Ponto para mim. Virei meus olhos pela rua e avistei um banco embaixo de uma luminária do outro lado a rua. - Quer sentar? - Ele afirmou com a cabeça e apoiou a mão em meu ombro para atravessarmos a mesma, sua mão era grande e era quente.
- O que você faz em Los Angeles? - Ele perguntou após um tempo em silêncio. Virei meu corpo para ele, colocando uma perna embaixo do meu corpo, em cima do banco.
- Consegui uma bolsa de estudos para fazer os dois últimos anos do meu curso aqui em Los Angeles, na UCLA. Vou ficar até o fim desse ano e ano que vem inteiro.
- Isso é bem legal! - Ele apoiou os dois braços no encosto do banco, fazendo sua mão quase tocar na minha. - O que você faz?
- Comunicação Social. - Abri um sorriso de lado.
- Jornalista, hum?! - Dei de ombros e ele soltou uma risada. - Vai nos atazanar em alguns anos.
- Ah, que isso, pretendo conseguir um estágio logo. - Ele soltou uma gargalhada nervosa e eu soltei uma risada nasalada.

- Da próxima vez, você vai se virar na batatinha, porque eu não vou ficar mais 50 minutos dentro de um ônibus, Hemsworth! - Falei em tom bravo, enquanto pisava no verde gramado que havia em frente a sua casa em Malibu, totalmente ignorando o caminho que dava até a porta. Ele surgiu na porta com um sorriso de risada no rosto, vestindo uma camiseta verde sem mangas.
- Falei que ia te buscar, nem vem! - Ele gritou de volta e eu ri.
- Da próxima vez, eu aceito! - Ajeitei a bolsa em meu ombro e os textos em minha mão e caminhei até o tablado de madeira que dava para sua casa.
Liam e eu havíamos ficado bem próximos, bem próximos mesmo, todos os dias a gente ficava conversando, seja por mensagens, ligações, se encontrando, entre outros, estava sendo muito bom. Eu estava realmente gostando dele, mesmo, mesmo, mas eu não sabia ler sentimentos, e ele não tinha dado o primeiro passo ainda, e eu que não faria isso.
Assim que eu pisei no último degrau do deque, ele abriu os braços para mim, um suspiro que passou despercebido escapou de mim. Suas mãos passaram pelas minhas costas rapidamente e algo rápido passou demoradamente em minha cabeça.
- Como foi a faculdade? - Ele falou se afastando de mim e tirando a pilha de textos da minha mão. - Vem! - Ele falou entrando em sua casa.
- Ah foi ótimo, lindo, maravilhoso! - Falei em tom de ironia. - Ainda bem que chegou o fim de semana. - Ele riu e passamos por uma pequena sala de estar e entrou na longa cozinha. - Rústico! - Foi o que eu comentei, enquanto ele apoiava meus textos na mesa de madeira. - Isso é de verdade? - Ele soltou uma gargalhada e pegou uma jarra com um líquido amarelo na mesma e colocou na minha frente, pegando dois copos no armário. - Isso tem cara de casa de veraneio, Liam, não sua casa que você mora, tipo, sempre! - Sentei no largo banco da mesa e joguei as pernas para dentro, pegando o copo que ele havia acabado de encher.
- Esse é seu jeito de falar que odiou? - Soltei uma gargalhada, fechando a boca antes que o suco saísse da mesma e imediatamente coloquei a mão na boca, vendo-o gargalhar na minha frente.
- Essa foi péssima! - Falei rindo e pegando um guardanapo em cima da mesa para limpar tanto meu rosto, como a mesa. - Não, eu gostei, só não acho minha cara, ok?!
- Ok! - Ele ainda ria, então ergueu o copo também e eu fiz o mesmo, antes do líquido descer pela garganta.
Guardamos as coisas rapidamente e logo estávamos com as pernas dentro da água gelada de sua piscina, falando sobre os assuntos que apareciam em nossa cabeça esporadicamente.
- Eu era Team Gale muito antes de te conhecer, não vai ser agora que vou mudar.
- É bom que não mude mesmo! - Ele bateu a mão na água, fazendo-a respingar em mim.
- Na real, eu acho que a Katniss deveria ficar sozinha, quanta indecisão! - Imitei seu gesto e joguei água nele, molhando um pouco sua bermuda.
- Os fãs iriam te amar! - Ele falou ironicamente e apelou, virando um monte de água para mim, que não molhou só meus shorts, como também parte da minha blusa.
- Você deveria ficar sozinho! - Falei emburrada, afastando a blusa molhada do corpo e o encarando com os olhos semicerrados.
- Você é má! - Ele apoiou as mãos na beirada da piscina, e se impulsionou para dentro da piscina. Pude ver seu corpo de roupa afundar na água e algumas bolhas surgirem no lugar que ele afundou.
- Há, há, há. - Falei erguendo os olhos para o céu alaranjado sem nuvens acima da minha cabeça. Los Angeles escurecia mais cedo, o que deixava um tom alaranjado no céu da cidade pouco antes das cinco da tarde.
- Sabe nadar? - Ouvi a voz de Liam novamente e o encarei em minha frente, com os cabelos molhados e bagunçados.
- Sim...? - Falei em tom de pergunta, pensando aonde aquilo chegaria.
- Bom! - Ele deu um passo mais perto e senti suas mãos apertarem meus tornozelos e os puxarem para baixo.
- Liam, não! - Falei o reprimindo. Mas ele puxava mais e mais e minha mão apertava mais na beirada da piscina. - Eu não trouxe roupa, Liam!
- Opa! - Ele deu um último puxão, antes que eu sentisse meu corpo entrar em contato com a água gelada. A piscina era funda, deveria ter pouco mais de dois metros de profundidade. Na mesma direção que eu afundei, impulsionei meus pés no fundo e subi novamente, mexendo meus pés para que eu não afundasse novamente.
Passei as mãos nos olhos, antes de abri-los e dar de cara com um Liam rindo da minha cara. Encostei meu corpo na lateral da piscina e fiquei encarando seus olhos fixos nos meus, enquanto sua risada cessava.
- Obrigada! - Foi o que eu falei, ironicamente, para tentar quebrar algum gelo, mas em vão. Seu rosto ficou sério e eu comecei a ficar incomodada.
Passei a mão nos meus cabelos, abaixando eles, que ficaram bagunçados devido ao mergulho. Tentei tirar os olhos dos dele, eu tinha começado a tremer, não estava acostumada aquilo. Os olhos dele eram pequenos, mas a intensidade que se via neles me deixava desconcertada.
- Eu quero te beijar. - Minha respiração simplesmente travou e meus pés pararam de se movimentar, eu sentia meu corpo afundando devagar. Para ajudar minha situação eu senti suas mãos apoiarem em minha cintura, mantendo minha cabeça para fora da água.
- Eu posso não ser boa nisso. - Minha voz saiu fraca e eu pude ver um sorriso gentil nele, antes que eu fechasse os olhos.
Eu pude sentir a proximidade dele por algum tempo, sua respiração batia em seu rosto e seu hálito fresco me entorpecia. Sua mão tocou minha testa levemente e o dedo arrastou pela mesma, afastando o que seria uma mecha de cabelo do rosto.
Sua respiração ficou mais próxima de meu rosto, antes de sentir seus lábios colarem nos meus. Imediatamente eu senti minha respiração relaxar. Ele foi gentil. Seus lábios ficaram tocados nos meus por alguns segundos, creio que ele sabia que era para ser delicado e calmo, e que eu não tinha experiência nenhuma na ação. Quando eu senti liberdade, ou quanto minhas mãos começaram a dormir paradas na lateral do corpo, eu apoiei as duas em seus ombros, apertando-as, para que eu pudesse me equilibrar, ele já passou os braços em volta do meu corpo, me trazendo para mais perto dele, me permiti suspirar. Esse movimento foi o que fez com que ele aprofundasse o beijo.
Eu não tinha experiência nenhuma, então ele guiava e eu tentava acompanhar. Não posso dizer como estava para ele, mas para mim estava... Ah! Eu senti que o beijo estava no fim quando ele soltou um suspiro e usou o suspiro para ir se afastando lentamente.
- Nada mal! - Ele falou en