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Última atualização: 10/10/2020

Capítulo 1 - Um Acordo Inesperado

gostava de andar pelos terrenos de Hogwarts, principalmente durante a primavera, onde o clima era agradável o suficiente para estudar ao ar livre. A convivência com os colegas durante praticamente o dia todo, em sua opinião, também era um pouco cansativa. Então, ela aproveitava esses momentos para estudar em locais e horários, com certa distância de outros alunos.
Por muitas vezes, saía de suas aulas e passava o final da tarde no estádio de quadribol, um de seus lugares favoritos da escola, e que se encontrava vazio durante esse período. Os testes começariam dentro de duas ou três semanas, então ela teria o espaço apenas para si. também era artilheira da Corvinal, mas estava afastada no momento, devido a uma lesão no braço, ocasionada em seu último jogo contra a Sonserina. Provavelmente, não teria a oportunidade de jogar dessa vez, pensou, suspirando. Quadribol era demais, e seu esporte favorito no mundo. E voar sempre fora sua paixão. Filha de pais trouxas, ela não tinha tido a oportunidade de voar até chegar a Hogwarts, contentando-se apenas a observar os pássaros e os aviões no céu.
Ao se descobrir versada em magia, fez a aquisição de uma vassoura assim que chegou, e percebeu-se natural no esporte. Era considerada uma das melhores artilheiras do time, no mesmo nível de outras jogadoras como Gina Weasley da Grifinória. E isso lhe dava muito orgulho. Tinha se esforçado e batalhado muito por essa posição.
Um sorriso triste brotou em seus lábios, pensando que voar era como respirar, e que nada lhe trazia essa sensação de liberdade. Esticou o braço esquerdo num movimento brusco e sentiu o músculo se torcer, uma dor lancinante percorrendo sua extensão, um espasmo que a fez se recolher instantaneamente.
Xingou baixinho, e resolveu se concentrar de vez em seu livro de necromancia. O professor Snape tinha pedido um pergaminho de 16 páginas sobre o assunto para a próxima semana e ela tinha que se concentrar caso quisesse entregar um trabalho decente. Sabia que se lamentar pelo ocorrido não melhoria a sua situação.
Distraída, e extremamente focada em seu trabalho, a menina não notou quando um certo alguém, de cabelos ruivos e vestes do time da Grifinória entrou em campo. Ele observou a garota de longe, e soltou um muxoxo de irritação. Não queria ser observado enquanto treinava, ainda mais quando tinha vários aspectos que melhorar. Especialmente tratando-se de , uma das artilheiras mais habilidosas de Hogwarts. Rony sentiu seu estômago embrulhar, sua confiança parecendo se esvair. Ele não precisava de mais alguém achando que não iria conseguir.
Por mais que Harry, o incentivasse, às vezes sentia que o amigo, não confiava 100% na sua capacidade. Será que ele poderia se destacar e ter esse momento de glória, pelo menos uma vez na vida? Não pelos outros, mas por ele mesmo? A garota parecia totalmente absorta em seus livros, e com certeza o acharia tão patético e indigno de atenção, que nem observaria seus movimentos. Sendo assim, Rony subiu na vassoura, e iniciou o seu treino.
desviou os olhos de seu livro quando ouviu o som de uma vassoura sobrevoando o campo. E logo avistou Rony Weasley fazendo uma série de aquecimentos perto dos aros. A menina não conseguiu conter um sorriso, Weasley era esforçado, e tinha feito uma ótima temporada no último ano, a seu ver, ele só precisava de um pouco mais de confiança. É claro que ela observou bem mais que isso, o fato de que o menino tinha deixado de ser desengonçado, e se tornado em...bem, em alguém bem bonito. Ela corou com o pensamento, refletindo que tinha um crush nele há séculos, mas que nunca foi recíproco. Principalmente, porque ele e seus amigos estavam mais preocupados em derrotar Voldemort do que prestar atenção em uma paixão adolescente qualquer.
Esses anos não deveriam estar sendo fáceis para Harry Potter, e era bom que ele tivesse um amigo tão leal quanto o Weasley para contar. Ela sorriu, e voltou-se para seu dever de DCAT, quando de repente, sentiu uma forte pancada na cabeça, que a fez cair entre as bancadas do estádio.
— Fernan-déz – gritou Rony gaguejando, inclinando sua vassoura com velocidade para vir a seu socorro – me desc-ulpe...a goles ricocheteou.
Ela abriu os olhos e encontrou seu rosto vermelho, os olhos arregalados de preocupação. O menino parecia se preparar para ouvir um sermão e tanto. ‘’Acho que ele está acostumado com os rompantes da Granger’’ ri internamente.
— Tudo bem, Weasley – sorri de leve percebendo que eu estava intacta – já aconteceu pior nos jogos – ele estendeu a mão para mim e me ajudou a levantar. Sua mão repousou na minha cintura e de repente estávamos muito próximos. Ele notou a proximidade e se afastou, um pouco sem graça, ainda segurando os meus braços, se certificando que eu estava bem.
— Sinto muito pelo seu braço – ele me soltou delicadamente, coçando a nuca – aquela colisão com o Travis foi feia. Tem certeza que não vai poder jogar esse ano?
— Tenho – suspirou um pouco sentida com a situação, e meio atordoada pelo fato dele estar sendo tão atencioso. Ela esticou o braço novamente, e remexeu os dedos, parando por um instante, e refletindo que aquele momento era uma oportunidade.
— Hey, posso te ajudar a treinar se quiser! – o menino pareceu ficar desconcertado com a sugestão — Ah vamos lá, Weasley! Eu não estou no time da Corvinal este ano, não sei de suas táticas, e nem tudo precisa ser a ferro e fogo. Além do mais, eu sinto muita falta de jogar – insistiu no assunto, o olhando com expectativa. Isso seria ideal. Os treinos seriam menos intensos que o habitual, e ela iria conseguir se recuperar aos poucos.
— Eu adoraria. Eu...gos-taria muito mesmo! Você é excelente – Rony exclamou, se retraindo um pouco depois, ficando da cor de seus cabelos. achou aquilo adorável.
— Podemos treinar todos os dias depois das aulas, te espero amanhã? – estendi a mão para ele que aceitou na mesma hora.
— Te espero amanhã,
— Você pode me chamar de , se quiser – sorri maroto pra ele, que riu, novamente, um pouco sem graça.
— Pode me chamar de Rony.
— Bem, eu tenho que ir, vê se não acerta a cabeça de mais ninguém – riu com vontade, deixando um Rony meio embasbacado para trás.

####


Levantei na manhã seguinte, com os olhos brilhando de expectativa e uma energia descomunal. Era sempre assim que eu me sentia quando estava prestes a jogar quadribol. Adorava sentir a adrenalina de entrar em campo, de ouvir o clamor da torcida, da velocidade e da gana da vitória.
As pessoas se enganam quando dizem que grifinórios ou sonserinos tem mais aptidão ao esporte por sua força, determinação ou velocidade, quando quabribol também é um jogo de estratégia e inteligência. E nisso, nós os ‘’corvos’’, éramos mestres. Também sabemos ser ‘’fogo’’ quando algo desafia nossa mente e nossos limites.
Vesti meu uniforme cantarolando, e minha súbita animação levantou algumas suspeitas entre minhas amigas e colegas de quarto.
— Até parece que você vai jogar quadribol – riu-se uma delas, não imaginando o quanto estava certa sobre aquele tópico.
está impedida de jogar quadribol – minha melhor amiga Ava vociferou, cruzando os braços parecendo muito irritada – você sabe que não pode! Ainda mais depois da lesão que sofreu no último jogo contra a Sonserina.

Revirei os olhos, um pouco chateada com a forma que não só Ava, mas o resto da Corvinal começará a me tratar depois da lesão, como se eu fosse um ser frágil e incapaz de me proteger. Eu sei que a intenção deles era a melhor do mundo, mas francamente, me impedir de jogar?

— Ava, você está exagerando, — o meu bom humor se esvaindo em um segundo – sabe que não jogo quadribol há meses.

— Você não leva essa lesão tão a sério quanto deveria – Ava colocou as mãos na cintura em uma posição extremamente autoritária – Você FICOU EM COMA! Sua recuperação levou um mês – é, eu não tinha comentado essa parte – para alguém que é da Corvinal, você não está utilizando o seu cérebro o suficiente.

— Ava, eu não estou jogando, ok? – menti sim, na cara dura, pelo menos não ainda – eu só acordei de bom humor, está bem? – me aproximei dela e chacoalhei seus ombros. Ava continuou a me olhar desconfiada, e eu sustentei o seu olhar, e ela deu de ombros.

— Você sabe que só quero o seu bem, não é? – disse.

— Sei sim, agora vamos descer, porque estou com uma fome de leão – ri internamente da minha piadinha, meu pensamento vagando até Rony Weasley.

Descemos para o Salão Principal, conversando animadamente sobre as atividades do dia. O lugar já estava cheio àquela hora da manhã. Os professores de Hogwarts exigiam rigor nos horários das aulas, e como fomos acostumados com essa rotina, cada aluno sabia que seu bom desempenho e respeito às regras, era de total responsabilidade sua.
Avistei Rony, acompanhado por seus amigos, e como sempre os três cochichavam, suas feições estampadas com preocupação. Rony olhou em minha direção e nossos olhos se encontraram brevemente. Sorri pra ele, que sorriu de volta um pouco constrangido.

— Eles estão sempre confabulando, não é? – Ava disse de repente, me fazendo virar o meu suco de abóbora nas vestes com o susto – Estava olhando pro Weasley de novo, né? – ela riu alto.

— Dá um tempo, Ava – respondi com raiva, limpando as minhas vestes com a minha varinha. Rony do outro lado do Salão parecia ter achado graça. Sua expressão suavizou um pouco, mas logo foi repreendido por um dos colegas e voltou a prestar no assunto em que falavam.

— Vocês viram o que estão dizendo sobre o Potter? Que ele é O Eleito? – Ava comentou baixinho para nosso grupo de amigas.

— Eu acho que o Profeta Diário mente. Ele e os amigos devem fazer isso para se promover – uma das garotas disse com arrogância.

— Nunca ouvi tantos absurdos em uma frase só – rebati com veemência – eu acredito no Potter.

— Só, porque todas sabemos, que você tem uma quedinha pelo amigo dele, o Weasley – Ruby Wilson me alfinetou, rindo com as outras meninas.

— Não, Wilson. Eu acredito no que é certo. É claro que uma sangue puro como você, não tem realmente com o que se preocupar. – respondi com raiva e a vi se calar com o meu forte argumento – Isso sempre foi maior do que Potter e seus amigos.

— Eu concordo com a – Ava se intrometeu na conversa com cara de poucos amigos. – e acho que quem não concorda tem que rever alguns conceitos. – e eu percebi outras pessoas, que agora acompanhavam as vozes exaltadas, concordando com nossa posição.

Levantei da mesa abruptamente, dando um fim no bate-boca, e caminhei com pressa em direção as Masmorras para a minha primeira aula de Poções. Eu não conseguia entender como algumas pessoas conseguiam defender o indefensável. Ava me acompanhou em silêncio.
Eu não conhecia muito Harry Potter, tínhamos algumas aulas juntos, mas eu acreditava que ele era O Eleito. Não deveria ser fácil carregar essa responsabilidade nas costas, ainda mais quando todo o mundo bruxo estava envolvido. É claro que eu estava um pouco preocupada com o retorno de Voldemort, e o que isso implicaria para nascidos trouxas, mas tentava não pensar muito sobre isso. Minha melhor amiga Ava também era nascida trouxa, e apesar de não tocarmos muito no assunto, eu sabia que isso a preocupava tanto quanto eu.
O dia transcorreu sem mais novidades ou tumultos. No fundo, nada poderia estragar meu humor. Quando as aulas acabaram, segui meu caminho para os terrenos de Hogwarts, e por fazer isso regularmente, minhas amigas não desconfiaram que eu estivesse a caminho do estádio, e dessa vez para treinar quadribol. Meus joelhos quase cederam com a expectativa, meu coração batendo com força entre as costelas.
Entrei no estádio, e fechei os olhos, pensando em todos os ótimos momentos que vivi ali dentro. Fiquei arrepiada dos pés à cabeça, quando dei um impulso e me lancei no ar com toda a velocidade que consegui.
Minha vassoura, uma Nimbus 2001, vibrava contra o vento, e acompanhava meus movimentos como se fossemos uma. Dei um looping de duas voltas consecutivas no ar, e soltei uma gargalhada de alegria, feliz que depois de todos esses meses eu não tinha perdido o jeito.

— Livre, me sinto livre.


####

Rony


"Ainda bem que o Harry estava concentrado lendo aquele bendito livro de poções" – Rony pensou aliviado, caminhando em direção ao estádio de quadribol.
— Não sei como ele acreditou que eu iria para a biblioteca – Rony falou consigo mesmo, indignado com a sua resposta – grande mentiroso você é, Rony Weasley!.
Ele precisava treinar para conseguir fazer parte do time este ano e fazer isso sem ajuda do amigo. Não seria justo com os colegas da casa, sem falar que ele gostaria de ser escolhido pela sua capacidade, e não por ser melhor amigo do capitão do time da Grifinória. Então era melhor treinar em segredo, assim Harry não seria tentado a ajudá-lo.
É claro que a ajuda de tinha sido uma enorme surpresa. Ele sempre nutriu uma enorme admiração por ela. Sua técnica no esporte era impecável, mas nunca tiveram a oportunidade de se conhecer. Primeiro que Rony sempre esteve envolvido nas mais diversas confusões que se pode imaginar, e outra que ele não se achava digno da atenção de alguém tão legal.
No início, ele achou que pudesse ser alguma pegadinha, ela não era conhecida apenas por ser uma fera indomável em campo, mas também por ser uma jogadora extremamente íntegra, por isso Rony resolveu não recusar essa chance.
E tinha o fato de que ele estava desesperado também. Estava próximo do estádio, quando ele a viu. Um raio cruzando o céu. Seu corpo leve como se fosse como um pássaro. Rony observou a menina jogar seu corpo para trás, dando dois loopings com a vassoura. Seu rosto iluminado por aquele simples momento. Um sorriso que fez o coração do menino vacilar.
Sua confiança em tudo o que fazia, era simplesmente assombrosa. De longe, ela o avistou e acenou com a mão. Rony acenou de volta meio hesitante. Se ele teve algum desejo no momento, seria ser livre e confiante como ela. Subiu em sua vassoura e já a encontrou no ar, o recebeu com um grande sorriso.
— Preparado, Weasley? – gritou para o menino jogando a goles em sua direção com força. Estimulado pelo momento, Rony agarrou a goles sem quebrar o contato visual.
— Vejo que não perdeu o jeito, . – respondeu no mesmo tom de voz firme. A menina pareceu que gostou do que ouviu. Uma leve tensão de competitividade se instalando entre eles.
— Então vamos começar.

O conhecimento da garota sobre o esporte era vasto. Neste primeiro dia, treinaram algumas técnicas conhecidas, mas que eram difíceis de serem executadas. A Defesa de Oito Duplo é uma defesa de goleiro, em geral usado contra o jogador que cobra uma penalidade. Dessa forma, o goleiro contorna os três aros do gol em alta velocidade para bloquear a goles.
Rony teve que admitir: mesmo estando afastada do campo há meses, e com uma lesão considerável no seu braço direito, com o qual arremessava, compensava com agilidade e estratégia descomunal. Depois de algumas horas treinando, o menino vertia suor. Não se lembrava de ter treinado tão duro nos últimos ano, e surpreendia com o fato dela não ter sido escolhida para capitã do time da Corvinal.
Para sua frustração, não conseguiu defender a maioria dos arremessos, apesar de tentar, tinha consciência de que precisaria treinar mais forte e melhor, se quisesse não só entrar para o time, mas também fazer uma excelente temporada. Não teria tempo de jogar quadribol no próximo ano. Não com tudo o que estava acontecendo com Harry, e a árdua jornada que os esperava adiante.
— MAIS VELOCIDADE, WEASLEY! – gritou ela, repetindo o exercício, enquanto ele contornava os três aros. Inclinou seu corpo e voltou à frente dos aros a tempo de segurar a goles.
— ÓTIMO! É ISSO! – sua voz entrecortou o ar, um pouco ofegante. Os dois inclinaram suas vassouras e desceram ao campo, exaustos, mas felizes.
— Você é muito boa nisso, eu já te disse? – Rony exclamou ofegante, apoiando seus braços em seus joelhos, enquanto retomava seu fôlego.
— Não me importo de ouvir mais uma vez – ela riu esticando seu corpo no gramado. Rony deitou-se ao lado dela. Por um momento, só se ouvia suas respirações ruidosas, devido ao treino excessivo. Rony não pode deixar de notar que o uniforme da garota estava extremamente colado devido ao suor, o que deixava suas curvas em mais evidência.
Desviou o olhar, com as bochechas levemente coradas, que passaram despercebidas pela menina que tinha os olhos fechados no momento. Rony levantou e esticou a mão para a garota, que aceitou a ajuda.
— Você está pronta pra jogar. Não acredito que o professor Flitwick ainda não te liberou — disse ele.
— É, não é tão simples assim – disse em tom de voz baixa. Desviando o olhar.
— Eu só acho que...bem, é muito claro pra mim que você ama isso – Rony exclamou mexendo os braços, se referindo ao estádio e ao quadribol – acho que não deveríamos ser proibidos de fazer o que amamos, não acha?
olhou pra Rony e sorriu, como se ele tivesse tornado uma questão muito difícil, em algo extremamente simples.
— Você é um cara muito legal, Rony.


Capítulo 2 - A Vassoura Escolhe o Bruxo

despediu-se de Rony, e se esgueirou pelo castelo, tentando não ser vista por nenhum estudante de sua casa ou professor. Suas vestes estavam sujas e molhadas de suor. Se alguém a encontrasse naquele estado, Rony daria adeus a sua ajuda e ela, ao quadribol. Pensou rápido, e se deu conta que o banheiro dos monitores sempre ficava vazio aquele horário. Todos deveriam estar ocupados com suas rondas, ou se arrumando para jantar.
Rezando para que nenhuma de suas amigas, principalmente Ava, viesse à sua procura, porque obviamente já estava mais atrasada do que o normal, a menina acelerou o passo, tentando ignorar o desconforto que sentia no seu braço direito sempre que jogava.
A dor aquele ponto estava se tornando insuportável. Comprimindo os lábios na tentativa de não soltar um urro de dor, a menina trancou a porta do banheiro e se despiu vagarosamente com o braço esquerdo. Cambaleante andou até o chuveiro, a água quente tocando seu corpo trêmulo, acalmando a tensão de seus músculos, a dor diminuindo gradativamente, o que a fez suspirar de alívio. Talvez o braço estivesse se curando finalmente, pensou relaxando, encostando seu corpo no azulejo. Subitamente, um espasmo fortíssimo percorreu seu braço em direção as suas costas, e a menina cedeu os joelhos, gritando de dor. Segurou seu braço com força, seu corpo deitado no chão frio do banheiro. O mundo parecia girar ao seu redor, e lágrimas turvaram sua visão. O preço de fazer o que amava, era simplesmente alto demais. Chorou baixinho, o seu corpo ainda trêmulo.
Sentiu falta de quando era forte e saudável, de quando não parecia estar presa em um corpo mais velho que o seu. Será que não existia algum remédio no mundo mágico que pudesse curá-la?
Depois de um tempo que pareceram horas, teve coragem de levantar e terminar seu banho. Com um aceno da varinha, suas roupas ficaram limpas como se nunca tivessem sido sujas.
A garota se olhou no espelho e se enxergou miserável. A maioria das pessoas não a compreendia. “É só um esporte’’, diziam. ‘’Você tem tanto potencial, pode tentar outra coisa’’. Como ela poderia desistir de algo que parecia pertencer a suas entranhas? Como renegar o desejo de estar livre? De estar em controle de tudo, e no topo do mundo? Como frear essa vontade de viver sua essência, de se sentir em seu elemento?
se encarou no espelho novamente, pensando que talvez, as pessoas estivessem certas. No entanto, as palavras de Rony Weasley ecoaram em sua mente no mesmo momento, e um lampejo de determinação passou por seus olhos. ‘’Acho que não deveríamos ser impedidos de fazer o que amamos, não acha?’’ Inspirada pelo pensamento, se sentiu corajosa o suficiente para continuar. Sem mais delongas, a garota decidiu que seria melhor ir se deitar do que enfrentar as amigas.
Quando se deparou com o dormitório vazio, iluminado pela luz do luar, se aconchegou em suas cobertas fofas das cores de sua casa, e se entregou a um longo sono.

##

Rony


Rony sentou para jantar com Harry e Hermione, e os dois estavam comentando algo importante, mas ele não conseguia prestar atenção. Ele estava lembrando-se da tarde que passou com . E de como estar com ela, mesmo que tivesse sido por poucas horas, era fácil.
E nem todas as coisas na vida de Rony eram fáceis. Ele sentia como se não pudesse ser um adolescente de verdade com as preocupações que alguém da idade dele teria. Era como se todas essas questões fossem irrelevantes e fúteis perto do que realmente os aguardava.
É claro que ele não tinha como conversar com os amigos sobre isso. O fardo que Harry carregava já era pesado demais para que ele pudesse compartilhar suas inseguranças e medos. No fundo, por mais que não demonstrassem, todos estavam amedrontados.
Rony achava que não era certo, alguém tão jovem ter que lidar com essas situações, porém, ele jamais se arrependera de ter tomado as decisões que de certa forma, traçaram o seu caminho até ali, Harry era como se fosse seu irmão, e também tinha Hermione. .
Olhou para a amiga, que continuava a falar, tentando entender melhor quando seus sentimentos tinham mudado tanto em relação à garota. Mas ao mesmo tempo, meio incerto, pensando em como nunca tinha reparado em , para começo de conversa. O jeito brincalhão e sorridente da garota, o fazia sentir leve. Involuntariamente, tornou seu olhar para a mesa da Corvinal, mas não a encontrou em lugar nenhum. Sua melhor amiga Ava passava seu olhar por todo o salão como quem busca a amiga, sem a de fato encontrar.

— Rony, você está prestando atenção? – Hermione disse com a voz levemente alterada de irritação.

— Acho que você está obcecado pelo Malfoy, mate – respondeu Rony se reportando a Harry, como se estivesse ouvido toda a conversa.

— Você tem que concordar que ele está agindo muito estranho – Harry insistiu baixando um pouco o tom de voz, e continuando seus argumentos.
Rony não prestou atenção mais uma vez. Seguiu Ava com o olhar, a menina já estava deixando o salão principal.

— Preciso ir...— Rony levantou de repente e saiu a passos largos do salão. Deixando Harry e Hermione intrigados.

— Você não acha que o Rony anda muito esquisito? – perguntou Hermione a Harry desconfiada, observando o menino sair do salão.

— Hoje de tarde, ele disse que iria à biblioteca – Harry comentou como quem quer rir, e Hermione devolveu seu olhar com total incredulidade.

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— Onde será que ela se meteu? – dizia Ava para outra colega da Corvinal – ela não veio comer, será que está bem?

Rony ouviu a menina falar sobre . E ficou um pouco preocupado. Tinha ouvido os boatos que ela levou mais de um mês para se recuperar. Talvez tenha sido imprudente da parte dele ao ter aceitado a sua oferta. Reuniu toda a sua coragem, e foi em direção à torre Oeste onde o se encontra o salão comunal da Corvinal.
Uma estátua de bronze em forma de águia guardava a porta do salão. Rony se aproximou da estátua, sem saber como agir, já que não seria possível entrar, e antes que pudesse dizer alguma coisa, a estátua se manifestou, sua voz feito trovão, ecoando pelo corredor.

— Esta ala é proibida para alunos da Grifinória — Rony quase deu um pulo de susto.

— Eu...se-i....sei...eu gostaria de falar com , se for possível – o menino respondeu com cautela – A Sra. poderia chamá-la?

A grande águia tornou a ficar imóvel, Rony a observou com uma cara engraçada, meio incerto se teria sido eficaz em seu pedido. O menino que já esperava há uns bons 10 minutos, resolveu ir embora, quando a estátua se move, e por trás dela uma sonolenta aparece para encontrá-lo.

— Rony? — perguntou ela sem entender – A estátua disse que você queria me ver. Está tudo bem?

— Está! – respondeu ele apressado, meio sem jeito – Bem, você não apareceu no jantar.... e eu fiquei preocupado...seu braço – dizia Rony se atrapalhando com as palavras.

— Ah, bem...eu estava exausta – disse ela simplesmente, um pouco surpresa.

— Ah, é claro...— Rony estava extremamente desconcertado, tinha que ter considerado essa possibilidade – e, seu braço, tudo bem?

— Não se preocupe, Rony – ela mentiu, abrindo um sorriso encantador – Fico feliz que tenha vindo.

— Mesmo? – ele respondeu sem sentir, e depois quis morrer pelo o que tinha dito. o encarava com um ar de quem estava achando tudo uma graça – ah...então eu já vou...

O menino já tinha virado as costas, quando o chamou novamente.

— Hey, Rony – ele parou no meio do caminho e olhou para a menina que ainda estava encostada no batente da porta, o observando com uma expressão que não conseguia decifrar – nos vemos amanhã?

Rony sorriu em resposta.


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Descobri em Rony, um excelente amigo.
Nós conversamos por horas, sobre diversos assuntos, e discutíamos várias táticas sobre quadribol. Nunca pensei que teríamos essa conexão imediata. Ás vezes, trocávamos olhares no Salão Principal, e parecíamos pensar as mesmas coisas. Nossa amizade passou a ser a melhor coisa do meu dia. E aparentemente para ele também. Acredito que eu era uma válvula de escape para tudo o que acontecia em sua vida.
É claro que ninguém sabia da nossa proximidade. Ava deveria desconfiar de que algo estava acontecendo, considerando que eu me atrasava constantemente para o jantar, e estava mais feliz que o normal. Mas se ela realmente tinha essa desconfiança, nada disse, parecia estar satisfeita de me ver tão bem e disposta.

— Por favor, não me diga que vai me deixar ir sozinha de novo – choramingou Ava – eu não quero ir a outro jantar do Slughorn sozinha!
achava esses jantares uma grande bobagem. E por mais que o professor de Poções insistisse, a menina sempre recusou seus convites. Não tinha interesse em participar de um grupo, que insistia em segregar os colegas dessa forma. Todos tinham habilidades e talentos a acrescentar, e não era a participação em um ‘’clube’’ que determinava seu verdadeiro valor.
— Ava, você sabe que nem você, e nem o professor Slughorn são capazes de me convencer a ir – respondi contrariada – eu odeio esse clube, é elitista e excludente, não tenho o menor interesse em participar.
— Eu amo e odeio sua fibra moral – minha melhor amiga disse o que me fez rir alto. Nunca entendi a dificuldade das pessoas em dizer não.
— Ava, é só não ir. É simples assim — dei de ombros continuando o meu caminho de rotina.
— Você sabe da minha ambição em trabalhar no Ministério da Magia – Ava argumentou, tentando acompanhar meu passo apressado – Slughorn pode abrir as portas para mim, e para você também!
— Ava, eu não preciso de recomendações! — suspirei irritada, tentando não parecer arrogante, e me desculpando na mesma hora por estar sendo – Desculpe, Ava, mas eu odeio essas convenções sociais, e essas trocas de favores. É obvio que ele se utiliza disso para manter seu poder e influência. Com certeza, vai te procurar depois te pedindo um monte de favores.
Ava ficou sem silêncio, considerando suas opções. E eu suspirei fundo, tentando não soar tão revoltada.
— Escute, se isso é tão importante para você, compareça! Você é uma bruxa incrível, e com certeza vai ser bem sucedida em tudo o que tentar fazer – respondi e Ava sorriu de lado, um pouco constrangida – Mas preciso que você entenda que isso não é pra mim, tudo bem?
— Eu odeio ser sua amiga – Ava disse tentando disfarçar um sorriso.
— E além de tudo é uma péssima mentirosa – pisquei.
— Acho que você tem que considerar ainda assim! Não me diga que ainda está pensando em ser jogadora de quadribol? – Ava estreitou os olhos me encarando.
— Como você se sentiria se não pudesse mais ter a chance de trabalhar no Ministério da Magia? – a respondi com outra pergunta na tentativa de não ser pega em minhas mentiras. Ava me conhecia BEM demais, mais do que eu gostaria.
Ava suspirou fundo, seus olhos ficando um pouco tristes, não por nossa quase discussão, mas porque ela tinha acompanhado de perto o meu sofrimento. Além de sermos amigas no mundo dos bruxos, nós também éramos próximas no mundo dos trouxas. E ela sabia que eu carregava mais limitações do que deixava transparecer. Na verdade, Ava era uma das pouquíssimas pessoas que realmente me enxergavam além das aparências. Ela sabia a minha história, e seu desejo era apenas me proteger.
— Eu não vou à festa do Slug – comecei — MAS podemos sentar amanhã e procurar algumas outras opções de carreira para mim, tudo bem?
O rosto de minha melhor amiga se iluminou com a possibilidade. E eu sorri também, a felicidade dela também era importante para mim.
— EU VOU PASSAR NA BIBLIOTECA E VAMOS PESQUISAR JUNTAS – Ava disse sem contar – Imagina o que poderíamos fazer, os avanços que podemos trazer para os nascidos trouxas nas leis bruxas!
Seus olhos brilhavam de tanta animação.
— Mal posso esperar – disse com sinceridade, mas Ava nem ouviu responder, já tinha seguido seu caminho para a biblioteca.
Voltei minha atenção para alguns alunos saindo pelos portões do castelo em direção à Hogsmeade (aqueles que não foram convidados para nenhum “clube”), e tive uma ideia. Corri na direção contrária ao estádio em direção à Sala Comunal da Corvinal. Rony teria que esperar.

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Rony


‘’Clube idiota’’ – resmungou Rony subindo as escadas pisando duro. Ele sabia que no fundo sua irritação era justamente porque não tinha sido convidado. Harry diferente dele, sempre era chamado para festas e confraternizações, ainda mais agora, em que a imprensa bruxa estava escrevendo matérias em favor do menino que sobreviveu. E Hermione era bem...Hermione era a bruxa mais talentosa da série deles.
Rony se sentiu mal por ter sido grosseiro com os colegas há poucos minutos atrás, eles realmente não tinham culpa, mas ser deixado de lado dessa forma, o incomodava demais. Infeliz por deixar afetar-se, o menino se jogou em sua cama, decidido a dormir pelas próximas 24 horas consecutivas, quando pulou de susto checando o horário. Ele tinha se esquecido de seu treinamento completamente! Xingou-se mentalmente, irritado, trocando de roupa o mais rápido que pode. Se existia alguém que ele não queria magoar hoje era .
Só de pensar nos bons momentos que passava com a amiga, o deixava mais leve. Os dois conversavam muito sobre quadribol, mas também suas inseguranças, planos para o futuro e assuntos sem importância. Apesar do pouco tempo de convivência, Rony sentia que podia confiar nela plenamente. Obviamente, nem tudo era compartilhado, a vida pessoal do amigo Harry, bem como as aulas que tinha com Dumbledore, não eram mencionadas. E para a surpresa dele, isso não parecia a incomodar. Era legal, pelo menos uma vez na vida, saber que alguém se interessava por ele, e não o utilizava como ponte para chegar até Harry.
O castelo parecia vazio àquela hora da noite, os alunos mais velhos não convidados para os clubes, geralmente passavam suas sextas no povoado de Hogsmeade. Apesar do horário, o clima estava agradável o suficiente para ficar ao ar livre. O céu estava limpo e estrelado. Uma leve brisa soprava, mas não o suficiente para sentir frio. Rony agradeceu por isso. Os treinos iam ser prejudicados se estivesse um mau tempo. O universo a favor dele, finalmente.
Quando chegou ao campo, no entanto, sua animação se desfez. Estava sozinho. Possivelmente, a menina teria chego para treinar antes dele, e depois de esperar já teria ido embora. Ou estaria no jantar do Slug. Rony não achava que alguém como ela poderia ficar de fora. Desapontado, resolveu dar meia volta, e ater-se ao seu plano original de dormir por 24 horas seguidas, quando ouviu a voz da menina ecoar pelo estádio.

— RONY! ESPERE! – a menina gritou esbaforida. Suas bochechas coradas por causa da corrida. – Rony, mil desculpas, eu tive uma ideia, e me atrasei...

— Calma! Respira – o menino riu-se, feliz por não ter sido o único a se atrasar – eu me atrasei também, achei que já tinha ido embora!

— Ah fala sério, nós temos um trato! Não confia em mim? – disse ela e o menino percebeu que a garota carregava um pacote dentro de suas vestes.

— O que você tem aí? – perguntou curioso, querendo sorrir com a expressão marota que tinha em seu rosto.

— Ah isso? – disse ela como se estivesse algo desimportante – Contrabando! — e soltou uma gargalhada cheia de segundas intenções – mas isso é pra depois! – deixando o pacote de lado e o puxando pela mão.
Rony se surpreendeu pelo contato físico que parecia tão intimo e natural, e aceitou ser conduzido pela menina.

— Eu estava pensando hoje em fazermos um treino mais leve e trabalharmos no nosso estilo pessoal como jogadores – disse a menina soltando a mão de Rony – eu acredito que como as varinhas, as vassouras também possuem emoções, e se conectam com seus donos a partir dos seus sentimentos! Hey, não me olhe como se eu fosse uma lunática, eu falo sério! – riu da cara incrédula do menino – A varinha escolhe o bruxo, se lembra?

— Não sei se realmente estou entendendo...

— Vamos exercitar na prática! Voaremos na mesma vassoura, está bem? – disse, e o menino agradeceu por estar escuro, caso contrário, perceberia o rubor que tomará conta de seu rosto. – Eu conduzo primeiro...

— Pode segurar minha cintura, Ron – disse com carinho, quando o menino se posicionou na vassoura atrás dela.
A menina sentiu as mãos suadas do menino, envolvendo sua cintura, e ela sentiu seu coração perder o passo por um segundo. Tinha que se concentrar, caso quisesse provar o seu ponto de vista.
Rony sentiu que a menina enrijeceu ao seu toque, e se perguntou se ela estaria tão nervosa quanto ele com aquela aproximação.
deu um impulso, e a vassoura se lançou aos céus, com uma estabilidade incrível. Rony se surpreendeu o quanto ela tinha controle do instrumento, mesmo carregando mais uma pessoa.

— Eu me sinto confiante quando eu voo – explicou ela, estabilizando no ar, em uma altura de uns 30 metros – você notou alguma diferença?

— Sim! Sua vassoura está totalmente estabilizada, é como se estivesse voando desacompanhada.

— Exato! Se me sinto nervosa ou com o medo, a vassoura não vai responder os meus comandos como eu gostaria. É por isso que eu preciso que você trabalhe suas emoções! Algumas emoções não são tão ruins como as pessoas pensam. Se eu sinto raiva e consigo canalizá-la, minha vassoura ganha velocidade! – se concentrou e inesperadamente a vassoura disparou feito um jato.

— WOW! – Rony gritou sendo pego de surpresa. Mas sem deixar de perceber que a vassoura exercia uma espécie de campo magnético ao redor dos dois, os impossibilitando de cair.

— Você consegue notar alguma alteração? – perguntou olhando ligeiramente para trás.

— SIM! Isso é incrível! Pode me dar outro exemplo? – Rony pediu recuperando o fôlego.

— Se eu sinto felicidade ou alegria, a vassoura me possibilita fazer movimentos criativos – respondeu empolgada em provar sua teoria – SEGURE-SE – pediu sentindo o aperto em sua cintura se intensificar. voou com velocidade e deu um looping para frente, e depois para trás numa sincronia perfeita.

— WOW! ISSO É DEMAIS! – Rony gritou soltando uma gargalhada de puro deleite.

— Vamos! Sua vez! – a menina disse inclinando seu corpo para o chão. Trocando de lugar com o menino – Lembre-se que, por mais que seu funcionamento seja familiar com a das varinhas, as vassouras precisam que você canalize suas emoções, ao invés de simplesmente senti-las.

Rony suspirou fundo, identificando a emoção mais presente no momento, e se deparou com uma porção delas, como se nada e tudo estivesse em evidência.
O que você sente? – ele sentiu os braços da menina envolvendo o seu torço, e suas mãos firmes e ao mesmo tempo delicadas, parando em cima de seu coração.

Rony vacilou.

— Sinto como se não fosse capaz de fazer isso – ele respondeu sincero, e a vassoura oscilou como se respondesse as emoções de seu dono.

— Eu confio em você – disse, e ele sentiu o aperto dela se intensificar. Teve certeza que ela podia sentir seu coração batendo descontrolado dentro de seu peito.

Rony iniciou seu voo, sua vassoura hesitante, não respondendo seus comandos, e nem ganhando a velocidade esperada. Rony bufou irritado, e a vassoura perdeu altitude.

— O que você sente, Rony? – espalmou suas mãos em seu coração novamente.

O menino sentiu raiva por se sentir inseguro e por não reconhecer seu valor, raiva por ser sempre a segunda opção. Fechou os olhos, ainda sentindo o corpo de abraçado ao seu, e canalizou aquele sentimento, deixando que tomasse conta de seu corpo, e assim que o fez, a vassoura disparou. Os dois cortaram o vento, com extrema estabilidade, voando desta forma seria possível jogar bem mesmo em péssimas condições climáticas.

— UHUL! – gritou sem conter uma gargalhada – É ISSO, RONY! ISSO FOI DEMAIS!

— Vem, quero tentar uma coisa – Rony se virou estendendo uma mão, a garota aceitou e com um rápido puxão, ele trocou de lugares, de forma que a garota que estava em sua garupa, agora ficou de frente para ele.
Suas bochechas estavam rosadas, e seus olhos brilhavam na mesma intensidade das estrelas acima deles. A menina pareceu gostar de sua atitude ousada, e sustentava seu olhar na mesma intensidade.
Rony a trouxe para perto, e ela entrelaçou suas pernas ao redor da cintura dele, os dois ainda suspensos no ar.

— Eu nunca achei que você fosse um aventureiro, Weasley! – ela disse com um tom que estava repleto de malícia.

— Sou um grinifório no fim das contas – ele respondeu com a voz rouca. E então ele inclinou a vassoura em um voo vertical num ângulo de noventa graus. soltou um grito de pura adrenalina, sentindo como se estivesse em queda livre, e quando estava próximo ao chão, Rony freou puxando o cabo da vassoura para cima, mantendo a estabilidade da vassoura novamente.

— INCRÍVEL – jogou a cabeça para trás, e Rony sentiu um desejo crescente dentro de seu peito, como se quisesse beijá-la sem parar e fazê-la para sempre sua. Conflituoso com essa avalanche de sensações que a garota despertava no mais íntimo do seu ser, o menino inclinou a vassoura, e fez a aterrissagem com segurança até o chão.

— Você estava chateado com alguma coisa? – perguntou assim que seus pés tocaram o gramado – é aquele clube idiota não é?

— Sim, mas você fez eu me sentir bem.

— E estou prestes a te fazer sentir ainda melhor – disse ela tirando uma garrafa de hidromel de dentro do pacote que trouxe anteriormente.

Rony gargalhou jogando a cabeça para trás. abriu a garrafa e bebeu um grande gole.

— UM BRINDE AOS DESAJUSTADOS! – gritou levantando a garrafa no ar.

— FODA-SE, SLUGHORN E SEU CLUBE IDIOTA! – Rony gritou e bebeu mais um gole da garrafa. Os dois riram alto, bebendo o líquido escuro como se fosse água. Rony sentiu seu corpo esquentar, pensando em que a vida era boa por proporcionar esses momentos.

— Você foi convidada, não foi?

— Fui, mas não concordo com essas coisas – ela disse dando um leve empurrão nele com o ombro – prefiro estar aqui com você.

— Obrigado – Ron agradeceu, e por um momento seus olhos se encontraram – é legal poder conversar essas coisas com você... você sabe... como eu me sinto...

— E como é que você se sente? – ela perguntou de volta, o que fez o menino rir fraco.

— Eu sinto que todos eles são talentosos, e bem...às vezes eu sinto como se não me encaixasse em lugar algum... – notou como as palavras saíram engasgadas, e como se abrir dessa forma devia ser difícil para ele.

— Não me entenda mal, Ron – ela respondeu, e ele sentiu como se ela pudesse ler a sua alma – mas você é um adolescente, eu acho que ser adolescente é basicamente não se encaixar...

— Fale por você! – ele retrucou em tom de brincadeira – corvina jogadora de quadribol fodona! – riu e tomou mais um gole da bebida, que lhe desceu ardendo pela garganta.

— Eu sou filha de imigrantes no mundo dos trouxas, sei bem como é não se encaixar – respondeu com simplicidade.

— Nunca achei que você poderia se sentir assim – Rony pegou com delicadeza na mão da menina e deu um apertãozinho de leve. – eu digo...você é tão talentosa...inteligente...

O menino não tinha conhecimento de base, mas pelo o que seu pai Arthur falava a situação de imigrantes não era muito diferente dos nascidos trouxas no mundo bruxo.

— E você também é...só precisa acreditar que pode – devolveu o apertão na mão do garoto, que sorriu – Eu vejo você, Weasley.
Os dois se encararam por longos minutos, sentindo a conexão entre eles crescer cada vez mais forte.

— O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO FORA DA CAMA? – a voz de Filch gritou do outro lado do campo, interrompendo o momento.

— CORRE – pegou a garrafa e a mão de Rony, e o puxou com força, saindo em disparada para o castelo. Só podiam ouvir os gritos de Filch atrás deles – ALUNOS FORA DA CAMA! ALUNOS FORA DA CAMA!

Os dois não conseguiam parar de gargalhar enquanto corriam, e com muito custo, conseguiram despistá-lo, e se sentiram sortudos por ele não ter os reconhecido devido ao horário, caso contrário, levariam uma baita detenção. Depois de pararem de correr, perceberam que tinha corrido de mãos dadas durante todo o tempo.
soltou sua mão um pouco sem graça, tentando se apoiar na parede, o hidromel parecendo fazer mais efeito.

— Precisamos ir! Acho que já testamos a sorte o suficiente – supriu uma gargalhada — Boa noite, Weasley – Rony observou a menina cambaleante.

— Tem certeza que consegue chegar sozinha?

— Sim! Só estou preocupada em como vou adivinhar aquela maldição de enigma para entrar na sala comunal da Corvinal – os dois riram ainda mais, e correu sumindo de suas vistas.

Rony apressou o passo (o tanto que conseguiu), ainda inebriado pelos momentos que acabara de vivenciar, e chegou a sua sala Comunal, sem ser pego por nenhum professor, mas não deu sorte com Harry e Hermione, que pareciam esperar por ele.

— Onde é que você estava? – Hermione veio em sua direção, confrontando-o – você...você está alcoolizado? – disse extremamente escandalizada. Harry começou a rir da situação.

— Parece que ele se divertiu mais que a gente, Hermione.

— Você não sabe o quanto está certo — Rony assegurou dando as costas para os colegas, ainda meio tonto. Não estava em condições de discutir, então seguiu rapidamente para o dormitório. Harry seguiu o amigo dando de ombros para uma Hermione que permaneceu estática para trás.

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não teve a mesma sorte que Rony, a mesma se encontrava na frente da sala comunal da Corvinal sem conseguir entrar.

— Sem senha, sem autorização para entrar – repetia a águia constantemente.

— Sra. águia, eu estudo aqui há 6 anos! VOCÊ JÁ ME CONHECE, SABE QUE EU NÃO SOU DE OUTRA CASA – já estava perdendo a paciência. Tinha errado os últimos cinco enigmas. Seu cérebro entorpecido de hidromel não estava funcionando como gostaria.

— Se pertence à Corvinal saberá a senha – respondeu a estátua.

— Fale isso por você! É UMA ESTÁTUA! – a menina retrucou cruzando os braços, considerando dormir ali na frente mesmo.

— E depois dizem que quem pertence à Corvinal é inteligente – uma voz masculina ecoou no corredor, sobressaltando a garota.

— E depois dizem que todos da Sonserina são arrogantes! E não é que estavam absolutamente certos? – estreitou os olhos reconhecendo Thomas Blake, um dos alunos da Sonserina.
— Os boatos são verdadeiros então? Você é mesmo uma boca dura – ele riu divertidamente, e não conseguiu deixar de rir também.

— Como você está, Thomas Blake? Andando pelo castelo a essa hora da noite? – perguntou cumprimentando o menino, Blake era seu parceiro em preparo de poções avançadas.

— O sujo falando do mal lavado – Blake respondeu sem poder se conter, e a menina riu novamente.

— AH, BLAKE! ME AJUDA POR FAVOR! NUNCA TE PEDI NADA! Vou ter que dormir aqui fora se eu não adivinhar esse enigma – choramingou.

— Tudo bem, mas você vai ficar me devendo essa!

— Não tem como você ser caridoso só dessa vez?

— Não! — ele sorriu malicioso e a garota revirou os olhos.

— Você não tem um pingo de bondade nesse teu corpinho hein? – a menina reclamou mais uma vez, e ele não pode deixar de rir. Ela realmente era uma graça – Manda mais um enigma, estátua dos infernos!

“Em uma estante há 10 livros, cada um com 100 folhas. Uma traça faminta come desde a primeira folha do primeiro livro até a última folha do último livro. Quantas folhas a traça faminta comeu?”

— Quem se importa com uma maldita traça? – disse entredentes, furiosa.

— Essa é fácil! – Blake disse cheio de si, e sussurrou no ouvido da garota – 802 folhas.


— A resposta é 802 folhas – respondeu a garota para a estátua que finalmente se moveu – Blake, realmente! Te devo essa! – Blake sorriu e respondeu.

— Tente não se envolver em nenhuma confusão, está bem?

— Você sabe que eu tento – ela respondeu marota dando uma risadinha. Blake riu também esperando a passagem se fechar para finalmente seguir seu caminho para as masmorras.

Capítulo 3 - Eu Vejo Você

A necessidade de dar conta de uma infinidade de trabalhos e deveres da escola fez com que tivesse que suspender seus treinos de quadribol. Rony que estava tão atrasado quanto ela, não se opôs a ideia, inclusive os dois estudavam juntos sempre que podiam, mas o “sempre” se resumia a apenas uma ou duas horas por semana. Agora, além de estar sem praticar o esporte, a corvina também começara a sentir falta desta amizade tão improvável.
Ela conseguia perceber os olhares dele sempre quando passavam pelo mesmo corredor ou estudavam no Salão Principal. No entanto, o menino não tinha tentado se aproximar para conversar ou para dizer um “oi!”.
relaxou seu pescoço, dando uma pausa em suas anotações, olhou para os inúmeros pergaminhos em sua frente, perguntando-se onde estava com a cabeça quando decidiu cursar tantas matérias. Tinha terminado um trabalho complicadíssimo sobre a forma cabalística de Transformação Animalesca em Objetiva e precisaria estudar ainda mais se quisesse preparar com excelência o Antídoto para Venenos Incomuns para sua próxima aula de Poções.
Seu olhar percorreu o Salão Principal procurando Rony, que estava concentrado em seu dever, ela não conseguiu conter um sorriso ao lembrar-se do seu último treino juntos.
Fernandéz, certo? – uma voz infantil a interrompeu de seu devaneio – A professora Minerva deseja vê-la em sua sala – informou uma segundanista da Grifinória – e também me pediram para te entregar isso!
— Muito obrigada...ah? Como é seu nome? – perguntou recebendo um bilhete da garota.
— Jullie Campbell! – a menina parecia super empolgada em falar com ela – você é a minha artilheira de quadribol favorita e nascida trouxa igual a mim! Um dia quero ser igual a você!
— É muita gentileza sua, Jullie! Tenho certeza que irá conseguir se tiver foco e persistência! – a menina abriu um sorriso enorme, suas bochechas ficando coradas de tanta animação.
— GENIAL! – disse Jullie com os olhinhos brilhantes – você poderia assinar o meu livro? — fez questão de escrever várias palavras bonitas para a garotinha, que saiu saltitando pelo Salão Principal.
recolheu seus deveres, e os organizou devidamente na mochila, mas antes disso, abriu o bilhete que Jullie tinha lhe entregado.
Eu vejo você, Fernandéz. Sinto sua falta!
Ron
abriu um sorriso enorme e direcionou seu olhar para o outro lado do salão, onde encontrou um Rony sorridente, olhando para ela. A menina correspondeu com um aceno discreto, sinalizando que podiam conversar mais tarde. Sorriu mais uma vez, mirando o bilhete em sua mão, pensando que eram raras as ocasiões em que realmente demonstrava seus sentimentos. As pessoas a conheciam por ser alguém muito racional, seus posicionamentos eram tão verdadeiros e assertivos, que muitas vezes tinha que controlar este temperamento para não ser taxada de arrogante.
Tinha certeza que herdara a personalidade do pai por quem nutria uma enorme admiração, por mais que ele não fosse bom com as palavras ou demonstrações de afeto, ele sempre dava um jeitinho de fazê-la sentir especial, como quando ele cozinhava seu prato favorito ou como era sempre o único a ir levá-la ou buscá-la na estação de King’s Cross. Ele era meio turrão e teimoso, mas no fundo tinha um coração enorme, disposto a fazer tudo por sua família.
preferia ser assim, talvez porque algumas palavras são mentirosas e promessas em sua maioria não são realmente cumpridas. Por outro lado, é muito difícil esquecer o que já fizeram por você, esta influência por menor que seja não pode ser apagada. As ações de alguém revelam sempre suas verdadeiras intenções.
A sala da professora McGonagall se encontrava no sétimo andar da escola de Hogwarts, perto da Sala Comunal da Grifinória, apressou o passo, subiu as escadas, pulando de dois em dois degraus, e quando chegou, a porta se encontrava semiaberta.
— Com licença, professora! – se anunciou batendo na porta delicadamente.
— Oh, Olá Srta. Fernandéz! Por favor, sente-se – Minerva McGonagall olhou por cima de seus óculos, suas mãos em cima de alguns documentos que parecia assinar.
O escritório tinha formato oval, muito parecido com a sala do professor Dumbledore, a qual visitou uma ou duas vezes, no entanto esta era definitivamente menor, ao invés de quadros, todas as paredes eram compostas por prateleiras abarrotadas de livros de diversos títulos. Todos perfeitamente catalogados e organizados por cor. duvidou que isso fosse trabalho de Madame Pince, a bibliotecária da escola. Professora Minerva também era conhecida por ser absolutamente impecável. Os arquivos e documentos estavam dispostos perfeitamente e milimetricamente sobre a mesa da professora. Uma planta com folhas verdes num tom degradê ocupava um vaso perto da janela, que reconheceu como Acanto’ muito utilizado no preparo de Poções para curar cortes ou queimaduras.
— Vejo que reconheceu minha pequena muda de “Acanto” — a professora seguiu o olhar da aluna e sorriu como se lhe confiasse um segredo – sempre tenho algumas em estoque, os primeiranistas da Grifinória sempre acabam se machucando.
— Em que posso ajudar, professora?
— Na verdade, a pergunta correta seria em que eu posso ajudar você, Srta Fernandéz? – a professora reformulou a pergunta anterior, e a garota ficou um pouco confusa.
— Não sei o que quer dizer, professora.
— Bem, como a Srta. sabe boa parte dos alunos do sexto ano declaram a profissão que desejam seguir e se especializar em seus últimos anos de Hogwarts. Sei de suas aspirações em relação ao quadribol, mas também tenho conhecimento da lesão que te impede de jogar.
levou a mão ao braço direito inconscientemente.
— Hoje, vamos discutir algumas opções. Eu e o professor Flitwick concordamos, que mesmo não sendo a responsável pela Corvinal, sou a pessoa mais indicada para te acompanhar neste processo – reafirmou a professora sem hesitar.
suspirou fundo, sentindo-se sem saída, tentando aceitar o fato de que precisaria se contentar com um trabalho de escritório no Ministério da Magia.
— Eu sei o que se passa por sua cabeça, mesmo que não esteja falando sobre isso, srta. Fernandez – a professora observou e riu fraco, permanecendo em silêncio.
— Não estou aqui para te impedir de jogar quadribol. – disse McGonagall para total surpresa da menina.
— Não...?
— E acredito que tentar dissuadi-la do esporte é uma completa tolice – complementou sem tirar os olhos dela. sentiu como se ela pudesse ler a sua alma – eu gostaria de apresentar algumas opções, não para fazê-la escolher, mas para oferecer alternativas que podem desenvolver o seu potencial como um todo.
nada disse, continuava totalmente estupefata pelo rumo que a conversa estava tomando.
— E cá entre nós, acredito que eu entenda o que a senhorita esteja passando mais do que qualquer pessoa.
A professora Minerva sorriu com os lábios comprimidos em uma fina linha. De sua gaveta, ela retirou uma fotografia e entregou a aluna. observou sem reação, uma jovem McGonagall realizar habilidosamente vários movimentos com a vassoura, Minerva vestia o uniforme do time da Grifinória e parecia tão sagaz como em campo.
— Professora, eu não sei o que dizer.— disse completamente emocionada ainda segurando a fotografia em suas mãos.
— Eu era a melhor apanhadora de quadribol de Hogwarts na época – a professora sorriu timidamente, mas parecia muito orgulhosa de seu feito – levei a Grifinória a vitória por três anos consecutivos.
— Brilhante! – exclamou vendo uma série de fotos da professora – A senhora usou a Manobra de Surfe Inspirado para capturar o pomo? É muito difícil.
— Creio que a senhorita utilizou a mesma manobra na última vez que jogou contra a Grifinória – a menina sorriu timidamente — Eu tinha um talento especial para o esporte, assim como você. Nós somos feitas do mesmo material, Srta. Fernandéz! Somos destemidas, persistentes, competitivas. Se me permite dizer, a Srta. possui diversas habilidades de quem pertence à Grifinória. Às vezes, eu me pergunto o porquê de o chapéu seletor ter te colocado na Corvinal?
— Creio que para me impedir de ser tomada totalmente pelo orgulho e me tornar alguém completamente arrogante, professora. Na Corvinal, eu convivo com bruxos muito mais inteligentes do que eu, e eu acho que isso foi fundamental para eu me tornasse uma pessoa mais humilde e justa.
McGonagall assentiu sem ressentimentos.
— Mas o que aconteceu, professora? Por que resolveu parar? — perguntou sem conseguir se conter.

— Uma falta cometida pelo time da Sonserina, no jogo que decidiria a Copa de Quadribol de 1954 em meu último ano escolar, me deixou com uma contusão e várias costelas quebradas, e, logicamente, fiquei impedida de jogar – a mulher em sua frente explicou sucintamente – quando digo que sei o que está passando, tenho conhecimento de causa.
sentiu sua voz quebrar como se estivesse prestes a chorar na frente da professora, contudo, respirou fundo, sentindo seus olhos ficarem molhados.
— E como você conseguiu superar?
— Eventualmente, eu era uma bruxa de muitos talentos, assim como a senhorita – McGonagall disse tirando os óculos de seu rosto e segurando-o com a mão direita – Sua postura é impecável. A senhorita é uma das primeiras da minha classe, sem falar em outros diversos talentos, obviamente tem potencial para absolutamente tudo que decidir realizar.
— Professora Minerva, eu...eu não sei o que dizer – a garota disse simplesmente.
— Na verdade, eu sei – a professora complementou – a senhorita vai tentar me convencer que nada no mundo te proporciona à liberdade de estar em campo!
riu novamente, ela diria isso em outras circunstâncias, mas a professora a compreendia profundamente.
— Mas se me permite um último conselho, senhorita Fernández: há várias maneiras de ser livre.
sorriu verdadeiramente, sentindo o seu coração explodir de gratidão.
— Eu e o professor Flitwick também concordamos que você pode voltar aos treinos do time como Reserva e com cautela, seguindo com rigidez um tratamento estabelecido pela Madame Pomfrey — o tom da professora foi mais sério dessa vez, soltou uma breve exclamação de felicidade, totalmente extasiada pelo momento, seu coração batendo tão forte, que ela achou que iria desmaiar.
— Sei que já voltou a treinar há semanas com o Sr. Weasley.
arregalou os olhos de susto, sua felicidade sendo substituída por receio.
— Mas, como a senhora sabe? – arriscou perguntar.
— Ah, minha querida, eu sei de tudo que se passa nessa escola – Minerva voltou a colocar os seus óculos – a sua orientação vocacional está agendada todas as terças-feiras às 17h! E devo alertá-la que eu não tolero atrasos – a mulher voltou a assumir sua postura rígida e sisuda.
— Com certeza, professora! Não vou decepcioná-la! – exclamou com o maior sorriso que pode dar. Num ímpeto, a menina jogou os seus braços ao redor da professora, que retribuiu absolutamente surpresa, dando alguns tapinhas nas costas da menina.
Minerva McGonagall observou a aluna sair saltitante de seu escritório, olhou suas fotografias antigas, sentindo-se um pouco saudosa. Pode lembrar com absoluta clareza, a adrenalina de estar em campo, de voar em sua vassoura e de suas experiências quando era tão jovem. Deu um sorrisinho, sentindo-se satisfeita por ter encontrado um propósito em sua vida. Depois, guardou as fotografias na gaveta, pensando que deveria emoldurá-las qualquer dia desses.

***


correu o mais rápido que pode, gargalhando como se fosse uma louca. Finalmente, pensou ela, sem mais mentiras, sem mais julgamentos, sem mais restrições. Sentiu como se pudesse respirar novamente, como se um enorme peso tivesse sido retirado de suas costas.
Não conseguia raciocinar no momento. A única coisa que gostaria mais do que tudo no mundo, era compartilhar a noticia com Rony Weasley. Será que ele ficaria feliz por ela? Será que a abraçaria? Ou ainda melhor... Será que ele a beijaria?
Seu estômago chegou a se contorcer com o pensamento. Não que ela não tivesse pensado nisso antes. Aliás, pensava nisso com frequência, seria hipocrisia dizer que não. Imaginava seus lábios avermelhados colados nos dela, suas mãos fortes segurando firmemente a sua cintura. não conseguia não criar expectativas sobre esse encontro.
A menina estava tão absorta em seus pensamentos, que não viu quando um aluno da Sonserina cruzou seu caminho, vinha a todo vapor não teve tempo de frear ou desviar de seu alvo, a menina trombou com o sonserino com força, mas foi a única a cair no chão. Ele conseguiu de alguma forma manter o equilíbrio. Os pergaminhos escaparam de sua mochila e se espalharam no chão junto com a garota.
— Olha por onde anda – o menino ralhou com a garota – Tinha que ser você, Fernandez... — Thomas Blake deu uma risadinha
— Será que dá pra você me ajudar aqui? – ainda estava no chão, rindo em meio aos seus pergaminhos.
— Essa história de me pedir ajuda está se tornando um pouco frequente, você não acha, Fernández? – ele perguntou entendendo a mão para ela – você se machucou?
— Eu que deveria te perguntar isso! – riu aceitando a ajuda do amigo sonserino.
— Foi só um esbarrão... Bem forte – ele riu bem-humorado– por que a pressa?
— Ah, eu...— a menina vacilou recuperando o fôlego – os professores me autorizaram a voltar para o time.
— Genial! Isso merece uma comemoração, você não acha? – Blake perguntou em voz baixa, olhando profundamente nos olhos da garota, que sentiu seu rosto corar.
— Ah...eu... preciso encontrar alguém agora – disse meio sem graça, os olhos amendoados de Blake ainda fixos nela.
— Nós podemos comemorar no Três Vassouras outro dia – Blake sugeriu sem quebrar o contato visual – você ainda me deve uma, se lembra?
— Claro! Você me diz o dia e o horário, pode ser? – sorriu para o parceiro de Poções – mas agora eu realmente preciso ir!
— Hey, Fernandez! – ele a chamou antes que pudesse continuar seu caminho.
— Sim? – ela falou esbaforida.
— Estou feliz por você. De verdade. – abriu um lindo sorriso pra ele, um sorriso tão lindo, que ele involuntariamente sorriu de volta.


***


procurou por Rony em todos os lugares dentro da escola, sem encontrá-lo. Se deu conta de que talvez ele estaria praticando sozinho no estádio. Os treinos para seleção dos times das casas aconteceriam dentro de alguns dias e mesmo achando que ele teria um ótimo desempenho, Rony insistia que precisava praticar um pouco mais. Seu coração acelerava à medida que se aproximava do estádio, tinha certeza que se ele não tomasse a iniciativa, ela o beijaria.
Talvez, ela nunca o tivesse considerado apenas como um amigo, no fim das contas. Ela parou nas grandes portas do estádio, um pouco apreensiva e diminuindo um pouco suas expectativas, tinha que ter consciência de que o sentimento poderia não ser recíproco. também era muito conhecida pela sua impulsividade, mas que culpa tinha por sentir tudo tão profundamente? Ela se conhecia bem demais, bem o suficiente para entender que o que sentia pelo menino era especial.
Ela agradeceu mentalmente por ter segurado o seu ímpeto, já que desta vez não estavam sozinhos, uma porção de estudantes pareciam ter escolhido aquele mesmo dia para se prepararem para os testes de quadribol. Rony estava ao lado de sua vassoura, e ela observou o ruivo de longe. Ele sorriu quando um dos amigos disse algo engraçado, o canto de seus lábios se curvando para cima levemente. Ele percebeu a presença da artilheira da Corvinal, seu rosto anuviado se suavizando, como se pudesse finalmente ficar confortável. sorriu para ele, e Rony veio ao seu encontro. Os seus olhos não se desgrudaram por nem um momento. sentiu as pernas vacilarem, logo ela, que nunca se interessara por ninguém.
— Oi – ela disse engolindo em seco.
— Oi! – ele respondeu parecendo tão nervoso quanto ela – você está bem? Parece um pouco nervosa?
— Estou de volta ao time da Corvinal – ela disparou sem hesitar.
— BLOODY HELL! – Rony xingou tomando a garota em seus braços, a abraçando tão forte, que a levantou do chão – BRILHANTE! VOCÊ É DEMAIS.
o abraçou sem reservas, gargalhou quando ele a rodopiou no ar, parecendo tão feliz quanto ela. Rony a olhou com extrema intensidade, tentando se segurar para não lhe tacar um beijo na boca, porque estavam sendo observados por muitas pessoas. Rony se afastou dela um pouco sem graça e disse:
— Só podemos comemorar isso de uma forma! – pensou em várias formas não muito ortodoxas de como eles poderiam comemorar e isso envolvia os dois sozinhos se beijando sem parar.
— Como? – ela perguntou tentando não denunciar seus pensamentos.

— Voando! – ele respondeu e gargalhou jogando a cabeça para trás. Isso não era o que ela tinha em mente, mas ela se deu satisfeita devido às circunstâncias.
Os dois subiram suas respectivas vassouras e subiram aos céus, sem que estivessem receosos dessa vez. A garota pensou que se não tivessem em casas opostas, eles seriam ótimos companheiros de equipe, juntos partilhavam de muita dinâmica (e química), como se pudessem adivinhar suas próximas táticas e movimentos.
Os dois jogavam com tanta determinação, que os outros alunos pararam seus treinos para poder observá-los. resolveu colocar em prática uma de suas táticas favoritas: a Derrapagem na Vassoura, um movimento que consiste em contornar os três aros por trás e marcar pontos pela parte da frente. Sem que Rony pudesse antecipar dessa vez, ela contornou os aros em alta velocidade, freou com apenas um dos pés para realizar a derrapagem e quanto foi arremessar a goles no aro em um movimento perfeito, o seu braço se contorceu, a goles escorregou pela sua mão, e ela tombou. percebeu que iria cair, mas nada pode fazer, seu corpo desmontou como se não tivesse mais comando.
— ARESTO MOMENTUM — foi a última coisa que ouviu antes que se entregasse totalmente a escuridão que a envolveu.


***



Rony não soube explicar como conseguiu agir com tanta destreza e precisão. Em uma segundo estava tentando impedir que marcasse um ponto, no outro já estava com a varinha em punho, lançando um feitiço que tinha conjurado apenas algumas vezes na aula de Feitiços, mas que fez toda a diferença no momento. Ele a salvou de uma queda que sem dúvida seria fatal. Todos se aglomeraram ao redor da garota, que ainda flutuava a poucos metros do chão. Rony largou a vassoura em um canto do estádio e correu em sua direção.

— SAIAM DA FRENTE, PRECISO LEVÁ-LA PARA MADAME POMFREY! – gritou em sem paciência, esbarrando em todos que encaravam a cena, petrificados.

O menino nunca tinha se sentido tão nervoso, ele a aconchegou em seus braços, constatando que ainda estava viva e a carregou o mais rápido que conseguiu até a enfermaria. Sentiu-se tão culpado. Ela deveria sentir essa dor há semanas. Rony percebia a garota alongando o músculo de vez em quando, mas sempre quando perguntava, o assegurava que estava tudo bem. Deveria ter sido mais incisivo.
O rosto da garota estava tão pálido, Rony sentiu uma gota de suor escorrer pela sua têmpora, assim que chegou à enfermaria com vários outros alunos em seu encalço, ele a colocou delicadamente em uma das camas da enfermaria e tirou uma mecha de cabelo de seu rosto desacordado.
— O que aconteceu, Sr. Weasley? – Madame Pomfrey veio recebê-los prontamente – e o resto de vocês pode deixar a enfermaria, francamente...

— Não tenho certeza! Nós estávamos jogando quadribol e estava tudo bem! E então ela desmaiou, eu acho que seja o braço dela – Rony falou sem parar, totalmente aterrorizado com a situação.
— Ela deveria ter vindo direto a mim para buscar seu tratamento – Madame lamentou fazendo uma série de exames em uma que começava a recobrar sua consciência.
— O que aconteceu...? – ela disse em um suspiro.
— Nunca mais faça isso comigo, ok? – Rony perdeu a calma se aproximando da cama e segurando a mão da garota.
— Ouch...— disse ela reclamando de dor novamente e Rony se afastou dando mais espaço para Madame Pomfrey trabalhar.
— Você já pode ir, Sr. Weasley!
— Mas... – Rony tentou argumentar.
— Mas nada! Preciso de espaço para eu possa tratá-la da melhor forma que eu puder. Ela vai ficar bem – assegurou a curandeira o direcionando para fora da enfermaria. Rony ficou parado do outro lado da porta, sentindo-se completamente impotente.
— Hey, Rony, você está bem? – Harry e Hermione vieram ao seu encontro – ficamos sabendo do que aconteceu!
— Estou bem! Houve um acidente no estádio com a artilheira da Corvinal, Fernandez – explicou ele recobrando a postura para não parecer tão desolado.
— Você a conhece? – perguntou Hermione erguendo uma das sobrancelhas.
— Sim, estamos treinando juntos há semanas – explicou ele com simplicidade. Hermione fechou a cara no mesmo instante. Harry, no entanto, deu-lhe um leve aceno com a cabeça, como quem compreendia a situação.
— Você sabe que poderia ter me pedido ajuda, não sabe? – perguntou Harry colocando uma das mãos no ombro do amigo.
— Eu sei, mas não queria ser escolhido para o time por ser amigo do capitão – explicou Rony para Harry, que assentiu sem fazer mais perguntas.
Rony deu uma ultima olhada para as portas fechadas da enfermaria, desejando que pudesse ficar, mas como elas permaneceram cerradas, os três caminharam para a Sala Comunal da Grifinória em silêncio.

***


acordou com a cabeça latejando e uma tipoia em seu braço direito, piscou algumas vezes olhando para o cenário ao seu redor, tentando se lembrar do que tinha acontecido, alguns flashes de memória passaram por sua cabeça, o rosto preocupado de Rony olhando para ela. E num sustou sentou em sua cama de enfermaria. Sentada aos pés da cama estava Ava de braços cruzados com uma expressão de pouco amigos.
— Ava, eu posso explicar...
— A sua sorte é que você quase morreu ao cair daquela vassoura, caso contrário, não seriamos mais amigas – ela disse em tom extremamente sério. riu fraco,
— Eu realmente sinto muito, Ava – a menina respondeu sinceramente arrependida.
— Eu não acredito que você mentiu para mim! Eu sou sua melhor amiga – Ava estava realmente chateada com toda a situação e tentava não alterar a sua voz.
— Eu realmente mereço esse sermão, Ava – continuou recostando-se na cama – eu sinto muito mesmo, espero que você encontre um lugar no seu coração para me perdoar.
As duas ficaram em um silêncio desconfortável. de repente achou seus próprios pés superinteressantes, pensando que deveria ter dado mais crédito à amiga e compartilhado tudo o que andara fazendo nas últimas semanas.
— Então, você e o Weasley... já deram umas beijocas? — Ava disse quebrando o momento de tensão e as duas riram.
— AVA – riu alto, segurando o braço que doía – não posso rir...
— Tudo bem, mas não pense que essa conversa acabou — respondeu Ava dando um abraço na amiga.
— Obrigada por tudo, Ava, principalmente por não desistir de mim, eu falo sério! – disse com toda a sinceridade que conseguiu.
— Fique boa logo! Se eu tiver que passar mais um mês sozinha no dormitório com a Eloísa Walsh, eu vou acabar matando alguém! – riu alto mais uma vez.

***


Rony deitou em sua cama e ficou observando o teto, estava mais calmo agora que soube que a garota se recuperaria plenamente de seu machucado. Não se perdoaria se algo tivesse acontecido com ela. Ele realmente se importava com ela, trazia uma leveza para a sua vida. Ela sempre lhe dava esses sorrisos bonitos, mesmo em dias ruins, tinha soluções para aparentemente todos os problemas adolescentes possíveis, e, ela era tão linda...Rony não conseguiria esquecer do dia que voaram no céu estrelado, em seu cabelo esvoaçante e nos seus olhos brilhantes.
— Vocês estão juntos? – perguntou Harry o interrompendo de seu devaneio – eu digo...você e a Fernandez?
— Somos amigos – Rony respondeu com sinceridade – eu gosto muito da companhia dela...
— Ela parece legal...— disse Harry.
— Ela é.— Rony disse um pouco constrangido – mate, você poderia me emprestar a capa de invisibilidade?
Harry sorriu parecendo entender o que ele pretendia e jogou a capa de invisibilidade para o amigo.
— Use a bem – Harry riu. Rony mandou o dedo de meio para ele.

***


Blake caminhou vagarosamente para o estádio de quadribol naquele dia, o garoto jogava no time da Sonserina como goleiro desde o seu segundo ano em Hogwarts. Ele era alto para sua idade e a prática do esporte tinha contribuído para desenvolver o seu porte físico.
Em campo, ele era conhecido como “Muralha”, principalmente por causa de seu tamanho e também pela dificuldade que os adversários encontravam para marcar pontos quando ele estava jogando. Apesar de gostar de praticar esportes, especialmente quadribol, Blake não tinha muitos amigos no time. Não concordava com a postura de muitos dos jogadores e de suas táticas agressivas, uma opinião que não era compartilhada pelo resto da equipe. Contudo, Blake era uma figura de autoridade, muito respeitada entre os colegas da casa e isso não estava relacionado apenas a sua excelência no quadribol, mas também pelo seu ótimo desempenho escolar.
Blake chegou ao vestiário e o encontrou vazio, sentou em um canto como sempre fazia, e tirou sua gaita de boca do bolso e passou pela boca, produzindo um som um pouco melancólico. Sempre tocava sua gaita de boca antes de todos os jogos, como se fosse um ritual de sorte, a música relaxava seus músculos e esvaziava sua mente. Concentração era a chave para um bom desempenho.
Ele ainda soprava delicadamente a gaita em seus lábios, quando alguns companheiros de time começaram a chegar para o treino, como de costume, a maioria acenou com a cabeça em sinal de reconhecimento, mas não puxaram conversa.
Blake preferia dessa forma, isso fazia parte da sua personalidade, seu patrono era um lobo solitário como ele. Ainda soprava delicadamente sua gaita de boca, quando um dos membros do time falou algo que chamou a sua atenção.
— Você soube que artilheira sangue ruim da Corvinal caiu da vassoura hoje de tarde – Travis disse em tom de deboche – deve ter se esquecido como se voa.
Blake parou de tocar no mesmo momento. Um silêncio constrangedor invadiu o ambiente, Travis e Scott se encolheram quando Blake levantou e caminhou ameaçadoramente na direção deles. Os dois pareciam pequenos perto de sua imponência.
— Do que você a chamou Travis? – ele rosnou num tom assustador.
— Artilheira da Corvinal – o menino se apressou a responder, engolindo em seco.
— Foi o que eu pensei – disse Blake esgueirando os olhos – e eu te aconselho a agir com mais respeito daqui em diante. Principalmente quando foi você o responsável pela lesão dela.
— Cla..ro...isso não vai mais se repetir, Blake – Travis abaixou a cabeça mirando os próprios pés.
Blake encarou o menino da cabeça aos pés, o qual parecia querer desaparecer de suas vistas. Sem dizer mais nada, o menino virou as costas e saiu do vestiário. No caminho de volta para o castelo, acabou encontrando o capitão do time da Sonserina.
— Onde você está indo, Blake?
— Não é da sua conta – ele disse simplesmente e o capitão do time não insistiu. Blake era um cara comprometido e jamais perdera um treino antes. Se ele precisava ir, era porque realmente tinha suas razões.
Blake apressou o passo se sentindo um pouco preocupado, tinha acompanhando parte da recuperação de Fernandez, inclusive ele preparava regularmente algumas poções que a ajudavam lidar com a dor, Blake simpatizava com a situação da amiga, ainda mais quando ela se demonstrava tão ativa e apaixonada pelo esporte. estava acordada e se deliciava com uma tortinha de abóbora. Blake a observou por alguns instantes da porta da enfermaria.
— Eu não disse para você não se meter em confusão? – disse ele caminhando lentamente em sua direção.
— Eu juro que não eu tento, mas as confusões me perseguem – a menina fez uma cara culpada. O menino riu fraco.
— Fique boa logo para você acabar com o Travis no próximo jogo – disse Blake olhando para o braço enfaixado da garota.
— Travis é do seu time – disse ela confusa.
— Merecemos perder depois do que ele fez com você – ele disse com sinceridade. sorriu levemente — Eu passo aqui te ver amanhã.
— Eu juro que estou bem, não precisa se incomodar – disse um pouco surpresa com a atitude de Blake, ele era um garoto de poucas palavras, os dois sempre conversaram, mas seus assuntos eram relacionados à escola de um modo geral.
— Eu quero – ele a encarou novamente, seus olhos amendoados geralmente turvos e misteriosos, pareciam mais gentis dessa vez. Ela concordou com a cabeça e ele acenou de volta, seguindo seu caminho para fora da enfermaria sem olhar para trás.


***


Rony se esgueirou para dentro da enfermaria, assim que Madame Pomfrey deixou o lugar para se dirigir ao salão principal. A ala estava silenciosa e vazia, a não ser por uma das camas onde uma jovem corvina repousava. Os candelabros em forma de gárgulas refletiam uma luminosidade quente e dourada, a luz parecendo dançar nas paredes pálidas do castelo. dormia profundamente em sua cama, seus cabelos compridos espalhados pelo travesseiro. Seu rosto estava corado devido às várias camadas de coberta. Rony despiu a capa de invisibilidade e sentou aos pés da cama, a observando dormir.
— Estou sonhando ou você está aqui mesmo? – sussurrou a menina com a voz arrastada
— Fiquei tão preocupado – disse se aproximando da garota e pegando em sua mão.
— Eu estou bem – disse ela dando um daqueles sorrisos que ele amava.
— Por que não me disse? – Rony estava extremamente frustrado – achei que confiava em mim...
— E eu confio. Me desculpe, de verdade...— o menino sentiu sinceridade nos olhos de , que segurou sua mão outra vez – você não quer mais me ver?
— Você sabe que isso é impossível, não é? – ele disse se aconchegando na cama junto com a garota que se deitou em seus braços. Rony deu-lhe um beijinho no nariz.
— Eu estava esperando um beijo de verdade depois de quase morrer, Rony Weasley, mas vou te perdoar, porque você salvou a minha vida – ela disse brincando, mas o menino sentiu verdade em suas palavras e riu baixinho.
— Você fica feliz se eu dormir aqui com você? – Rony perguntou e com um aceno da varinha ele fechou o biombo para encobri-los. se aninhou ainda mais em seus braços.
— Hoje sim, Weasley – disse ela em meio a um bocejo – mas só porque estou extremamente medicada.
Rony riu baixinho, dando um beijo no topo da cabeça da menina, que adormeceu rapidamente em seus braços.

Capítulo 4 - O clube anti-slug

Os testes de quadribol começaram no primeiro dia de outono, o tempo os presenteou com um céu azul perfeito, o que não poderia ser dito da temperatura, que caiu alguns graus naquela semana. Os alunos já ostentavam seus suéteres e cachecóis pelo castelo, uma mistura de pontinhos amarelos, vermelhos, azuis e verdes andando em grupos, aconchegados por causa do frio e do vento que parecia uivar dentre as paredes da escola.
Naquela manhã de sábado, Rony Weasley levantou-se meio pálido, um leve suor tomava conta de suas mãos e ele engoliu o nervosismo a seco. Vestiu-se em silêncio, abotoando seu uniforme de quadribol sem pressa, ajustou os protetores de canela, braço e peito com destreza, conferiu os coturnos pretos uma última vez e por fim olhou-se no espelho. Ele tinha crescido uns bons centímetros nos últimos meses, estava diferente fisicamente, emocionalmente não tinha absoluta certeza.
Seu coração deu um pulo, acelerando como se estivesse correndo a todo vapor e por um momento ele fechou os olhos, suspirando fundo e lembrando que sentir não era sinônimo de fraqueza. “O que você sente, Rony Weasley?” pensou consigo mesmo levando a mão em seu coração, lembrando-se das mãos de espalmadas pelo seu peito. Seu batimento se estabilizando aos poucos.
— Canalize suas emoções – disse para si mesmo se reafirmando na frente do espelho. O menino pode perceber que ao identificar suas emoções era possível ressignificá-las e dessa forma conseguir performar melhor quando voava. Suspirou mais aliviado, sentindo um sorriso brotar no canto de seus lábios. Ele pensou em Fernandez e automaticamente lembrou-se da garota dormindo em seus braços, do cheiro do perfume no cantinho do seu pescoço, como se esquecia de todos os seus problemas quando estava com ela. Talvez ela estivesse certa, talvez ele realmente estivesse devendo-lhe um beijo na boca. Se arrependeu por ser tão burro e não ter tomado uma atitude antes, mas nunca era tarde.
Os colegas de quarto ainda dormiam quando Rony saiu das do dormitório, marchando com confiança para Ala Hospitalar. No caminho encontrou Lilá Brown, uma das colegas de casa, que estranhamente lhe desejou “boa sorte hoje, Rony!”. Ele agradeceu com um aceno da cabeça, os dois não tinham alguma intimidade, nesses seis anos de escola, raramente conversaram, a não ser quando extremamente necessário. O menino deu de ombros, esquecendo-se desse momento e empertigando-se para entrar na enfermaria. Para sua surpresa, estava acordada, os cabelos compridos presos em um rabo de cabelo e as bochechas pintadas com dois riscos das cores da Grifinória.
— GO, WEASLEY! – gritou ela erguendo apenas o braço esquerdo, já que o direito estava ainda em uma tipoia. Rony riu jogando a cabeça para trás, totalmente encantado com a atitude da garota e neste momento tomou uma decisão importante.
— Não seja covarde, Rony Weasley – Rony caminhou em direção à garota com os olhos famintos, fixos em sua boca, a menina se empertigou na cama, pressentindo o que aconteceria a seguir. Tudo pareceu sumir do seu campo de visão, seus olhos fixos nela, em seu rosto pintado das cores da Grifinória, nos seus olhos castanhos e brilhantes. O menino segurou o rosto da garota em suas mãos, suas mãos ficando levemente sujas de tinta e eles chegaram tão perto, tão perto, que o hálito de menta da garota chegou a tocar-lhe a face por um instante.
— O que está fazendo aqui, Sr. Weasley? – Madame Pomfrey disse irritada colocando as mãos na cintura. Rony deixou suas mãos caírem ao lado de seu corpo.
— Mas não é possível... — resmungou totalmente indignada com a interrupção e Rony riu sem saber se ficava constrangido ou com raiva.
— Não estamos em horário de visitas, Sr Weasley – reafirmou a Madame Pomfrey. Rony tentava suprimir uma gargalhada que brotava no fundo de sua garganta.
— Por que eu não posso assistir aos testes? Meu problema está no braço e não nas minhas pernas – reclamou tentando argumentar com a curandeira.
— Nos concordamos que, para voltar ao time, a Srta. precisa seguir o tratamento – uma voz firme ecoou da porta da enfermaria por onde entrou Minerva McGonagall, sua capa esbarrando em seus calcanhares. — e eu acredito que o Sr. Weasley esteja a caminho dos testes de quadribol.
— Boa sorte! Vão te escolher, com certeza! – disse se dando por vencida, dando um daqueles sorrisos que só ela sabia dar.
— Você sabe que a melhor parte não está no teste em si, mas sim na antecipação, não é? – disse Rony piscando para ela e duvidou que ele estivesse se referindo ao quadribol. Rony saiu da enfermaria sob o olhar desconfiado das duas docentes.

***

Se Rony estava sentindo-se nervoso há poucas horas, este sentimento foi facilmente substituído pela raiva. Se ele tivesse que conviver com Córmaco Mclaggen por mais alguns minutos, ele não responderia pelos seus atos. “Arrogante de merda” pensou furioso, seu rosto queimando. Mclaggen não poupava comentários maldosos sobre o time, tampouco o desempenho de seus antigos integrantes, na opinião dele, Harry Potter tinha escolhido Gina e Rony por serem seus amigos e não por suas habilidades no esporte. Rony pensou em avançar e arrebentar a cara daquele — mauricinho ensebado, filhinho de papai, lambe-botas do Ministério – mas de nada adiantaria. Ele iria ganhar essa vaga nem que fosse à força do ódio. A vassoura vibrou debaixo de sua mão. Talvez a raiva realmente não fosse um sentimento ruim e hoje ele testaria isso na prática.
O ruivo percebeu que Harry estava tão incomodado com Córmaco quanto ele, mas sabia que ele não poderia tomar lados. Rony direcionou o olhar para as arquibancadas e Hermione acenou timidamente para ele retribuiu o cumprimento. Lilá Brown também tentou chamar sua atenção com um tchauzinho nem tão discreto, aquele dia não podia ficar mais estranho. Córmaco se aproximou dele e o garoto segurou o seu ímpeto de não partir para uma briga e meter-lhe um soco no meio da fuça.
— Espero que não guarde ressentimentos quando eu ganhar a vaga de goleiro, Weasley – Córmaco lhe lançou um sorriso cínico.
— Você diz SE você ganhar – o menino replicou o encarando sem medo. Córmaco deu uma risadinha debochada parecendo extremamente confiante em suas habilidades.
— Você não se importaria de me apresentar a sua amiga Granger depois, não é? – respondeu Córmaco mudando de assunto e olhando para Hermione nas arquibancadas do estádio. Rony revirou os olhos, dando as costas para o adversário e se concentrando para que pudesse canalizar de forma correta suas emoções.
Harry começou os testes com os batedores, deixando os goleiros por último. É claro que Mclaggen se “voluntariou” para ir primeiro, ele não perderia a oportunidade de se exibir o máximo que puder. Na opinião de Rony, Mclaggen representava o que a Grifinória tinha de pior, o seu estereótipo caricato de quem é extremamente soberbo, egocêntrico e narcisista. O ruivo observou com paciência sem se abater quando Córmaco conseguiu uma, depois duas, três, quatro defesas e perdeu a última por pura tolice, sua vassoura resvalou para o lado oposto no exato momento em que Gina marcou.
Finalmente chegou sua vez, Harry lhe lançou um olhar incerto e ele o odiou por um instante. Deu as costas para todos os colegas que assistiam aos testes em silêncio. Quando se lançou perto dos aros, percebeu que a vassoura estava totalmente estabilizada sem vacilar por causa do vento. Ele encarou Gina tentando antecipar seus movimentos, a garota estava se preparando para fazer uma Derrapagem na Vassoura (manobra que consiste em contornar os três aros e marcar pela frente), mas não estava na velocidade necessária para realiza-la. ‘’Ela vai marcar por frente’’ pensou Rony seguindo sua intenção e conseguindo defender o primeiro ponto.
E assim ele conseguiu fazer mais um... e mais um.... e agora já estava empatado com Mclaggen. O menino se concentrou percebendo que tinha dois artilheiros na área, Gina voava com toda direção dos aros. “Velocidade! Ela vai arremessar a goles de trás para outro artilheiro marcar pela frente”. E ele estava certo mais uma vez. A goles quase deslizou por suas mãos por causa da força em que foi arremessada, mas ao antecipar o movimento, Rony conseguiu defendê-la.
Os alunos da Grifinória vibraram junto com ele, descendo de suas arquibancadas em direção ao campo para cumprimentar os novos escolhidos para o time. Córmaco por outro lado, saiu do estádio pisando duro e bradando aos quatro ventos o quanto fora injustiçado.
— Você foi brilhante, Ron! – Hermione disse vindo ao seu encontro. O menino assentiu um pouco constrangido, sem saber muito bem como reagir ao elogio.
— Parabéns, Rony – Lilá também veio em sua direção, suas bochechas estavam extremamente coradas.
“Isso é muito estranho” – ele pensou olhando para as duas meninas em sua frente, que agora demonstravam estar incomodadas com a presença uma da outra. Rony cumprimentou mais algumas pessoas, sentindo-se muito satisfeito com seu desempenho, mas não demorou a ir. Tinha alguém que certamente estava esperando os resultados dos testes.

***


— Ruby Wilson é a nova artilheira da Corvinal? – Ava se encolheu, fechando os olhos, esperando ter um de seus ataques de fúria, porém, ela permaneceu calma, assimilando a informação.
— É isso? Você não gritar aos sete ventos o quanto a odeia? – Ava perguntou extremamente desconfiada. riu fraco.
— Não me leve a mal, eu continuo não sendo uma fã da Wilson, mas tenho que admitir que ela é uma boa jogadora – disse enfiando um grande pedaço de bolo na boca.
Ava a conhecia bem o suficiente para saber que isso era uma forma de encerrar a conversa e ela tinha consciência de que admitir isso foi muito difícil para a amiga.
— Ava, você está fazendo aquela cara de novo – disse erguendo uma de suas sobrancelhas.
— Eu não estou fazendo cara nenhuma – Ava retrucou um pouco incomodada, focando em seu dever de DCAT – eu só me preocupo com você...
— Você se preocupa demais, Ava – respondeu colocando outro pedaço de bolo na boca. A corvina tinha um pouco de dificuldade de demonstrar sua vulnerabilidade diante a essas questões, na maioria das vezes era mais fácil fingir que estava tudo bem do que conversar sobre o que realmente sentia.
— Todo mundo da nossa casa está triste por não ser você – Ava comentou tentando fazer se sentir melhor e conseguiu, o rosto da amiga se iluminou e ela sorriu consigo mesma.
— Obrigada por passar o seu precioso sábado me passando todos os deveres aqui na enfermaria – disse , os pergaminhos espalhados por toda a sua cama.
— Não é como se eu tivesse tido escolha – Ava sussurrou acenando para a professora McGonagall que as vigiava de perto. As duas riram baixinho.
— Me fale um pouco de você! Como estão as aulas? E o clube do Slug? Eu sinto como se não conversássemos há séculos.
— Sim, você só tem tempo para o Weasley agora – Ava a alfinetou e jogou uma almofada na cara dela, chocada com a audácia da melhor amiga.
— Não ouse mudar de assunto, Ava Thompson! – as duas riram novamente.
— Ah, você sabe, o de sempre! O clube do slug até que é legalzinho – Ava disse sem conseguir conter uma careta.
— Uhum – concordou em tom de descrença.
— Está bem, o clube do Slug é um porre! – Ava disse se juntando a ela na cama da enfermaria e esticando os pés – Da última vez, o professor Slughorn nos contou como se recuperou de varíola de dragão. Foi nojento, é sério!
— E você ainda queria me convencer a ir! – disse entre risos.
— Eu quero que você me convença a NÃO IR! – Ava bufou cruzando os braços, se dando por vencida, não sobreviveria a outro encontro sem a melhor amiga.
— Para sua sorte, eu sei como resolver isso – se entreolhou com a amiga, que a encarou desconfiada.
— Eu conheço esse olhar – Ava sussurrou como se pudesse ler os pensamentos de . Bem, qualquer coisa era melhor do que o Clube do Slug.
riu em tom malicioso, voltando sua atenção ao seu pergaminho. Iria ser muito bom tê-la de volta ao seu convívio. Ava não tinha muitos amigos, estava sempre focada em seus estudos para pensar em qualquer outra coisa, mas ela tinha que admitir que o ano estava sendo estressante o suficiente para viver sem distrações. tinha razão, ela se preocupava demais para alguém tão jovem, precisava se permitir a tentar coisas novas e também a conhecer pessoas diferentes.
As duas continuaram a estudar quando Thomas Blake entrou pelas portas da enfermaria, carregando alguns pergaminhos em suas mãos. Ava reconheceu o menino, o qual sempre fora, o parceiro de Poções de . Ela estranhou a presença do Sonserino no local, já que ele e mantinham uma relação não muito próxima e de extrema cordialidade.
— Thompson – Blake disse calmamente acenando com a cabeça num curto cumprimento, o qual Ava retribuiu estranhando completamente a situação – Vejo que você já está recebendo ajuda para colocar seus deveres em ordem, !
— Sim, Ava se ofereceu para estudar comigo!
— Não mesmo, eu fui obrigada! – Ava disse e deu um cutucão na amiga. As duas riram. E Blake levantou uma das sobrancelhas.
— Eu posso assumir seu lugar caso queira ir! – ele sugeriu e Ava estreitou o olhar como quem suspeita de algo. parecia totalmente alheia à situação.
— Eu bem que gostaria – Ava disse e quis resmungar em forma de protesto – mas a professora McGonagall quis que eu ficasse de olho nessa desmiolada.
— Desmiolada? – vociferou . Ava soltou uma grande gargalhada achando tudo uma graça.
Blake riu fraco balançando a cabeça, seus olhos fixos em . A menina pigarreou um pouco desconfortável, poucas pessoas a faziam sentir tão vulnerável e Thomas Blake era uma delas. Ava observava a cena com as sobrancelhas erguidas como quem acabará de receber um presente de Natal.
— Eu vejo você em aula, então? — Blake perguntou e assentiu, incapaz de formar uma frase, tentando entender quando ele ficara tão atencioso com ela.
Ava não teve tempo de abrir a boca para tecer um de seus comentários, porque assim que Blake saiu pelas portas da enfermaria, Rony Weasley entrou por elas, ainda vestido com seu uniforme de quadribol.
— E então? – perguntou com os olhos brilhando de expectativa.
— Estou dentro – disse ele parecendo feliz e ao mesmo tempo constrangido ao se deparar com Ava.
— Eu não tinha dúvidas disso! – fez menção de querer lhe dar um abraço, mas se conteve por causa da presença da amiga – ah...essa é minha amiga Ava Thompson.
— Como vai, Thompson?
— Muito bem, este dia não tem como ficar mais interessante – disse ela totalmente debochada e os dois ficaram extremamente envergonhados.
— Hm...você vai ficar aqui até quando? – perguntou Rony coçando a nuca, ainda sob a mira do olhar questionador de Ava.
— Eu saio na segunda...
— Eu te vejo então? – ele respondeu sem graça, fazendo menção de sair da enfermaria.
— Nos vemos! — acenou envergonhada, observando o menino sair do seu local – Ava, QUAL É O SEU PROBLEMA?
— O meu problema eu não sei, mas o seu são dois problemas – Ava argumentou caindo na gargalhada mais uma vez.
— O que você quer dizer? – Fernandez disse arregalando os olhos.
, você consegue ser muito burra às vezes!
— Ai, também não precisa ofender! – respondeu emburrada, cruzando os braços.
— Os dois estão caidinhos por você, sua anta! – Ava falou como se explicasse o obvio.
— De quem você está falando? Do Blake? – arregalou os olhos e Ava a olhou com descrença – Ava, você está louca, Blake é meu parceiro de Poções...
— Uhum...e qual outra pessoa se oferece para ficar com a outra em uma Enfermaria em PLENO SÁBADO? – Ava ergueu as sobrancelhas tentando provar o seu ponto de vista.
— Você está enganada, Ava, este é o jeito dele... — sacudiu a cabeça, achando a teoria da amiga totalmente sem cabimento, mas no fundo se questionando se aquilo teria algum fundo de verdade. Blake tinha sido seu parceiro de Poções desde sempre, mas a verdade é que não eram muito próximos, inclusive se deu conta que apesar de estudarem juntos há seis anos, tinha poucas informações sobre ele. O menino sempre fora extremamente reservado, mas ela sempre respeitara seu espaço, Blake era educado e comprometido com seus deveres, além disso, ela sabia que o garoto era um ótimo goleiro e musicista.
— E você está interessada no Weasley, não é? – Ava disse complementando a linha de pensamento da amiga.
— Eu acho que você tinha que dar aulas de Adivinhação! – alfinetou a amiga, que não era muito fã da matéria!
— Ninguém adivinha o que é óbvio! – bradou Ava e as duas engataram em uma longa discussão sobre adivinhação e astrologia bruxa.

***


Os alunos pertencentes à Sonserina tinham histórias de vida um tanto peculiares, deve ser por isso que pensam que a casa é a morada de bruxos das trevas. E sim, uma parcela realmente escolhe esse caminho conscientemente, em outros casos, os pais escolhem por eles e existe um outro grupo, os que não se encaixam em nenhuma dessas polaridades. Geralmente, esses alunos são os solitários ou os que andam em pequenos bandos. Mas, na verdade, o que de fato as pessoas precisam saber da casa Sonserina é que eles conhecem de fato a sua história e vivem sua verdadeira essência. Ser diferente e escolher o próprio caminho independente das opiniões requer coragem.
Blake era um deles. Dificilmente influenciável, detestava o fato de que alguém pudesse escolher quem ele deveria ou não ser. Ele era o senhor de seu destino. O único responsável pelas suas escolhas e odiava o fato de muitos alunos sujarem o nome da casa em nome de Voldemort. Um sorriso macabro brotou em seus lábios como quem sabe de algum segredo muito importante. Todos os alunos partidários de Voldemort andando arrogantemente pela Sala Comunal da Sonserina, achando que estão rodeados de alunos puro sangue, quando na verdade, Thomas Blake também era um nascido trouxa e ele não era o único.
O garoto tirou a gaita prata das vestes e passou a mão pelas inicias gravadas no instrumento, pensando no pai que nunca pode conhecer e que morrera antes de seu nascimento. Sua vida por si só era uma grande ironia, talvez por isso o chapéu Seletor tenha o colocado na Sonserina, Thomas Blake realmente não era um garoto comum. O menino soprou o instrumento delicadamente, estava um pouco frio do lado de fora da escola, mas ele preferia ficar afastado do Salão Comunal da Sonserina, onde Luke Hampton estava realizando (embaixo do nariz do diretor), alguns recrutamentos para o exército de Voldemort. Ele tinha suas suspeitas de que o Professor Snape também estava envolvido. A quem recorreria? Ao Professor Dumbledore? Quem conversara uma vez na vida? Ministério da Magia? Comensais da Morte estariam infiltrados no governo, com absoluta certeza. Voldemort estava esperando a hora certa. Blake tinha certeza disso. O garoto, no entanto, já tinha sua rota de fuga.
Seu pensamento vagou até a sua mãe trouxa, trabalhando despreocupadamente, sem saber que em algum ponto do próximo ano, não estariam mais seguros. A cortina entre o mundo bruxo e o dos trouxas se estreitaria de tal forma que os dois colidiriam cedo ou tarde. Os colegas acreditavam que ele era mestiço, mas se investigassem mais a fundo, descobririam sua verdadeira natureza. E Blake estava disposto a muitas coisas, exceto arriscar a vida de sua mãe. A única família que lhe restara.
No momento, ele tinha a vantagem do conhecimento, mas estava incomodado com o fato de não compartilhar essas informações com outros nascidos trouxas como ele, se perguntou desde quando começara a se importar tanto com outros e, é claro, que pensou nela. e aquele maldito sorriso. Sua entrega, sua paixão, suas palavras eloquentes. Ele poderia citar com tranquilidade suas mais diversas características. Céus, Blake estava perdendo a cabeça. Logo ele, quem nunca se interessara por ninguém além do desejo físico, criara uma conexão com a garota. Não poderia ser mais patético?
O menino era muito prático, talvez teria que ser mais enfático em relações aos seus sentimentos, caso quisesse ser notado. Isso era muito mais culpa dele do que dela. Soprou a gaita em suas mãos mais uma vez, quando alguns colegas da Sonserina se aproximaram dele.
— Blake – cumprimentou Luke Hampton, acompanhado por Pansy Parkinson e Blásio Zabini.
— Hampton – disse Blake endurecendo o tom de voz, guardando sua gaita nas vestes.
— Precisamos conversar – Luke disse em tom de voz sério.
— Sei o que vai me pedir – respondeu Blake encarando o garoto – a resposta continua sendo não.
— Você será um poderoso aliado e sabe disso – Luke insistiu – O Lord das Trevas nos recompensará de formas inimagináveis.
— Não estou interessado no que ele tem a me oferecer. Me surpreende sua atitude. Nunca achei que fosse tão covarde – Blake rebateu e Luke avançou.
— Você sabe que quando a hora chegar você terá que fazer uma escolha – Luke agarrou o braço do Sonserino, que se desvencilhou com repulsa.
— Eu já escolhi – disse Blake entredentes dando as costas aos colegas.
— Ele está escondendo alguma coisa – Luke disse desconfiado — E eu vou descobrir o que é.
— Talvez o Lord das Trevas tenha uma missão especial para ele – ponderou Zabini – o pai dele está trabalhando para nós, tenho certeza que é um dos nossos.
— É, talvez – sussurrou Luke observando Thomas Blake sumir de suas vistas.

***

estava ouvindo pela vigésima vez o tratamento estabelecido pela Madame Pomfrey, seu pé balançava impacientemente, enquanto a mulher a sua frente parecia repetir mais uma vez a lista de remédios, exercícios e injeções. Tudo o que ela desejava naquele instante era tomar seu café da manhã com ovos mexidos e café. Não iria aguentar se tivesse que comer comida de enfermaria. Ela também estava com saudade de sua rotina de aulas e do convívio com os colegas.
— E depois, a Srta. precisa comparecer a enfermaria todas as sextas para a Injeção Rejuvenescedora de Ossos... – continuou Madame Pomfrey.
— Com licença, Madame Pomfrey, eu já anotei todas as informações – disse mostrando um caderno – eu posso ir? Caso contrário, vou me atrasar para as aulas!
A curandeira suspirou fundo como quem fosse reclamar, mas desistiu, apenas acenando com a cabeça. juntou todos os seus pertences e saiu o mais rápido que pode. Não tinha a intenção de voltar àquele local tão cedo. Ela respirou profundamente o ar gelado, a brisa leve bagunçando seus cabelos e ela curtiu aquela sensação como se fosse a primeira vez.
O outono era sua estação favorita, as manhãs de frio, os campos cobertos pela fina geada e os fins de tarde, aqueles que o sol está tão distante que seu calor não lhe aquece, mas você é tocado por aquela luminosidade dourada de qualquer forma. Quando estava a caminho do Salão Principal encontrou Rony, que vinha ao seu encontro. Ela sorriu andando em sua direção e ele sorriu de volta, lhe presenteando com ramalhete de flores do campo coloridas.
— Ron, elas são lindas! – exclamou sorrindo abertamente para o ruivo.
— É bom te ter de volta – Rony disse pegando na mão da garota, seu rosto ficando corado de imediato.
— É bom estar de volta – ela disse sentindo seu coração acelerar. Ela entrelaçou suas mãos com a dele. Sem saber exatamente o que fazer.
— Gostaria de passar o dia com você hoje – ele disse em tom de desculpa – mas Harry precisa de ajuda...
— Parece sério...— franziu as sobrancelhas.
— Não se preocupe – ele disse a trazendo para um abraço, ao qual ela correspondeu com vontade.
— Eu preciso ir, mas espere a minha coruja! – disse sorrindo marotamente e Rony levantou uma das sobrancelhas.
— Pela amor de Merlim, só não vá cair da vassoura mais uma vez...— Rony respondeu e a menina riu.
— Eu estava procurando você por toda parte! – disse Ava vindo em direção aos dois – Ah! Olá, Weasley!
— Oi, Thompson!
— Precisamos ir! Você não pode se atrasar hoje – Ava argumentou puxando a amiga pelo braço (esquerdo!).
— Eu já estou de saída – Rony disse seguindo seu caminho – até mais, – ele piscou para ela.
olhou para Ava como quem lhe confiasse um segredo e elas riram. A conexão entre as duas era incrível. As amigas saíram de braços dados até o Salão Principal. Ava falava sem parar, algo sobre ter tido que ameaçar Eloísa Walsh, mas não se importou, gostava de ver a amiga confortável, falando pelos cotovelos e feliz por ela estar de volta.
Quando chegaram ao salão, se serviu de sua comida favorita, totalmente satisfeita por estar rodeada pelas colegas. Seu olhar cruzou com o de Blake, que olhava fixamente para ela da mesa da Sonserina. lhe deu um tchauzinho, sem saber muito bem como reagir e ele sorriu para ela. Blake nunca sorrira. Não daquela forma. E ela tinha que admitir que ele tinha um sorriso lindo? Se repreendeu por estar pensando essas bobagens e ficou um pouco brava com a Ava por ter colocado essas caraminholas em sua cabeça.
— Lá vem problema... — Ava cochichou parando de falar e desviou a atenção para entender ao que ela referia. Ruby Wilson caminhava na direção delas.
suspirou fundo e enfiou um pedaço grande de torta na boca, porque se conhecia bem o suficiente para saber que cederia as provocações da menina e tinha prometido a uma porção de pessoas que não se meteria em confusão. Isso a fez pensar que tinha que parar de fazer promessas.
Ruby Wilson sentou perto de suas amigas mais próximas e outras colegas de time como a apanhadora Cho Chang. Ela ostentava um grande sorriso e enquanto falava, direcionava seu olhar para em tom de provocação.
— Com certeza ganharemos a Taça de Quadribol este ano! – disse Ruby em um tom de voz elevado – a pior artilheira da Corvinal está fora.
fechou a mão em punho, focando o seu olhar em qualquer parte do salão, o pedaço de torta descendo a seco em sua garganta.
— Realmente acredito que a taça seja nossa esse ano, até porque temos mais seis jogadores no time para fazer o que você não faz — Ava se intrometeu na conversa. E arregalou os olhos.
— Eu sou a melhor artilheira que esse time já teve – Ruby Wilson ficou vermelha se levantando do banco.
— Tenho pena de você, Ruby! Essa sua necessidade de atenção é patética – Ava disse tranquilamente — quando souber ao menos qual lado do uniforme de quadribol é o correto, nós conversamos. Agora pode, por favor, nos dar licença?
percebeu que as vestes da menina realmente estavam do avesso e não conseguiu controlar uma grande gargalhada, logo todos da Corvinal também estavam rindo. O rosto de Ruby empalideceu quando se deu conta que suas vestes estavam de fato do lado oposto. E sem dizer mais nada, saiu correndo do Salão Principal, com suas amigas no seu encalço.
— Ava, o que foi que deu em você? – perguntou entre risos.
— Eu não iria deixar aquela sem noção humilhar a minha melhor amiga! – Ava respondeu totalmente indignada, mordendo com força um pedaço de sua torrada.
— As pessoas são muito más – outra aluna da Corvinal, Luna Lovegood se intrometeu na conversa das duas amigas – se quer saber, você foi a melhor artilheira que nós já tivemos.
— Muito obrigada, Luna – respondeu sorrindo de orelha a orelha. Luna sorriu de volta, voltando sua atenção para uma revista sobre Zomzóbulos.
— Você tem algum horário livre hoje? – perguntou a Ava.
— Eu só tenho Herbologia no primeiro período e depois dois tempos livres! – Ava disse relembrando sua grande de horários.
— Ótimo, porque vou precisar da sua ajuda!

***


— De todos os lugares da escola, nós temos que vir perto do lado negro? – Ava disse estendendo uma espécie de toalha no gramado.
— Ninguém vai nos ouvir aqui! – disse terminando de escrever um bilhete e entregando para sua coruja — D’artagnan você já sabe o que fazer! – a menina deu um petisco para a coruja e fez carinho em sua cabeça antes que ele alçasse o voo.
— Eu ainda não superei o fato de você ter dado nome de um dos Três Mosqueteiros para a sua coruja – Ava fez uma careta.
— Ele é o meu mosqueteiro favorito, ok? – a olhou com raiva, tirando um pergaminho de sua bolsa – e não seremos interrompidas aqui.
— Eu não teria tanta certeza disso – indicou Ava.
Um menino alto e esguio saiu de trás de uns dos arbustos e caminhou em direção das garotas. Ele apagou nas suas vestes o que parecia ser uma ponta de cigarro e com um aceno da varinha o resíduo desapareceu. Sua gravata da Sonserina pendia em suas vestes e como todo aluno da casa, ele também era incomum, algumas de suas unhas estavam pintadas de um esmalte preto desbotado e de sua calça de uniforme pendiam algumas correntes. Ela não tinha muita certeza se o uniforme podia ser customizado daquela forma, mas não podia negar que ele tinha estilo.
Seu gato preto chamado Salém o perseguia em todos os lugares e ambos tinham a mesma condição de heterocromia, quando cada olho tem uma cor característica. Um de seus olhos era de um castanho amendoado, quente e gentil, enquanto o outro era de uma tonalidade forte de verde esmeralda, misterioso e impactante. o conhecia, ele tinha sido seu tutor em Adivinhação e tinha um talento especial para Cartomancia (ler cartas de tarot).
Os dois costumavam interagir bastante durante suas sessões de estudo, e ela tinha aprendido muito mais com ele do que com a professora Sibila Trelawney. Por mais que Ava achasse a matéria um desperdício de tempo, sempre a achara interessante. Não porque era supersticiosa ou algo do tipo, mas porque este processo a levara para um caminho de autoconhecimento muito grande e que tinha influenciado muito em seu desenvolvimento como uma bruxa.
Ela não conseguia se lembrar do por que tinham se afastado, mas provavelmente isso se deu por causa de suas rotinas que raramente coincidiam.
— Hey, Patrick! – acenou para ele, o menino abriu um sorriso tímido, colocando as mãos no bolso e se aproximando das garotas.
— Qual é o nome da organização que você pretende formar? – perguntou ele estreitando os olhos. Ava o encarou com cara de assombro e sorriu. Patrick tinha uma conexão sobrenatural com o mundo mágico, ele entendia o que acontecia nas entrelinhas, nos pequenos sinais do dia a dia, ele costumava dizer que a magia, de qualquer origem, deixa rastros.
— Anti-slug club – a garota respondeu com um sorriso como se estivesse muito orgulhosa de seu feito.
— Já estava na hora! – ele disse em tom de mistério, olhando para o firmamento, a divisa entre o lago e o céu – isso é uma confirmação dos astros e deveremos seguir juntos em um mesmo caminho.
Ava ainda estava boquiaberta, sua face beirando a incredulidade. Ele sentou no chão com as garotas e o seu gato preto se enrolou em suas pernas. Patrick pegou um dos pergaminhos da mão de e desenhou as iniciais “AS” em um risco de apenas uma linha e finalizou escrevendo uma letra de forma caprichada os dizeres “ANTI-SLUG CLUB”. olhou satisfeita para o desenho. Finalmente, tinha tido a ideia há semanas, finalmente conseguiria colocá-la em prática.
— Podemos espalhar esses pergaminhos pela escola e apenas quem não for convidado para o Clube conseguirá ler a mensagem e comparecer no horário e data marcada – disse levantando a varinha e enfeitiçando o pergaminho de forma que ficasse visível apenas para o seu público.
— Ok, mas isso é metade da escola! – disse Ava apavorada.
— Se considerarmos os alunos que já completaram 16 ou 17 anos, este número cai por três – argumentou Patrick.
— Então nós temos um plano! – sorriu. Patrick olhou para as duas garotas e soube que aquele era o início de uma parceria duradoura. Os astros nunca mentem.

***

Após dividir as tarefas com Ava e Patrick, seguiu seu caminho para o corujal onde esperaria D’artagnan chegar com a sua encomenda especial. Ela também pedira para Rony encontrá-la, assim poderia explicar melhor a ideia do AS. A garota tinha outros planos em mente, como beijá-lo sem ser interrompida dessa vez, sentia que estava perdendo o seu autocontrole, estava esperando muito tempo por essa oportunidade, seu corpo se arrepiou só de pensar na imagem mental de ter Rony tão perto dela. Em pensar que eles quase se beijaram na enfermaria...
estava perdida em pensamentos quando avistou D’artagnan, a coruja com pelugem cinza voava majestosa, os raios solares refletiam em suas asas e ele parecia um pontinho brilhante no horizonte. nunca iria se esquecer de quando o viu pela primeira vez, uma garotinha de 11 anos andando pelo Beco Diagonal. Sua conexão com a coruja foi instantânea, D’artagnan esperava por ela.
Ela o recebeu com afeto, fazendo um carinho em sua cabeça e o aconchegando em seus braços antes que pudesse desprender a bolsinha de suas perninhas. A coruja piou de alegria, sacudindo suas asinhas.
— Você é a coisa mais fofa desse mundo D’artagnan! – exclamou ela para o animalzinho que piscou os olhos em entendimento.
— “Engorgio” – exclamou a garota apontando a varinha para a bolsa, que triplicou de tamanho. tinha executado um feitiço de extensão em sua bolsa. De dentro tirou um frasco de bebida. O clube anti-slug iria bombar.
— Bebidas em Hogwarts são proibidas, você sabe disso, não sabe? – uma voz que ela conhecia muito bem ecoou atrás dela.
La puta madre, casi me matas del susto xingou em sua língua materna. O idioma que utilizava com os seus pais em casa.
Lo siento – ele respondeu no mesmo idioma, cruzando os braços e se encostando no batente da porta. ergueu as sobrancelhas em sinal de surpresa.
Hablas español? perguntou cada vez mais intrigada.
Soy um hombre instruído, si se me permite la audácia – ele respondeu com confiança ainda sem quebrar o contato visual.
— Você é realmente uma caixinha de surpresas, Blake.
— Diz a bruxa com uma garrafa de tequila na mão – ele indicou com a cabeça e quis que o chão a engolisse.
— Isso é para uma ocasião especial – disse ela retornando o fraco para a bolsa em seu tamanho original.
— Você quer dizer uma ocasião tipo o nosso encontro no Três Vassouras? – Blake deu alguns passos em direção a garota, parando a centímetros do seu rosto. Ele observou a garota engolir em seco. Blake desceu os seus olhos para os seus lábios avermelhados por causa do frio. deu um passo para trás, mas não tinha realmente para onde ir.
Os olhos de Blake demonstraram algo que ela nunca tinha notado antes: desejo.
— Perdeu alguma coisa, Thomas Blake? – Rony segurou o ombro de Blake e o afastou de .
— Algum problema, Weasley? – vociferou Blake se desvencilhando de Rony.
— Sim, você! – Rony disse como quem se apronta para a briga.
— Rony, está tudo bem! Não foi nada – tentava entender a situação.
— Então está tudo bem para você? – Rony respondeu a garota em tom de ironia virando as costas para sair do lugar.
— Rony, espere, não aconteceu nada – sentiu a voz quebrar e tentou segurar o braço do garoto.
— Tire suas mãos de mim – respondeu Rony com raiva.
— Não fale assim com ela – Blake aumentou o tom de voz e os dois meninos voltaram a se encarar.
— Quem você pensa que é, Thomas Blake? – Weasley o empurrou com uma de suas mãos. Blake era pelo menos dois palmos maior do que Rony, mas ele não recuou – Saia da minha frente. – Blake olhou para e seus olhos marejados e deu um passo para o lado. Ela saiu correndo atrás de Rony e Blake não a impediu.
— Rony, o que foi isso, o que aconteceu? – tentava argumentar em vão.
— Você. Você aconteceu – ele disse com raiva.
— MAS NÃO ACONTECEU NADA!
— NÃO ACONTECEU, PORQUE EU CHEGUEI BEM NA HORA, NÃO É? – ele revidou. recuou e Rony percebeu que ele a tinha ferido com suas palavras. O menino não conseguia controlar sua raiva. Ver sua garota naquela situação, o desestabilizou.
— Eu só penso em você...eu gosto de você, Weasley – ela disse com a voz a ponto de chorar. E o menino sentiu seu próprio coração apertar.
— Eu não tenho certeza disso, já que VOCÊ ESTAVA A PONTO DE BEIJAR AQUELE CARA! – Rony gritou perdendo toda a compostura.
— Eu nunca faria isso com você, Weasley. Eu não sei, porque o Blake estava lá, eu juro que não aconteceu nada...— tentava em vão controlar sua voz que tremia de nervosismo.
— Eu não acredito em você – vociferou ele – Suma da minha frente.
— Como queira – lhe lançou um olhar magoado e sem dizer mais nada lhe deu as costas.


Continua...



Nota da autora: UFA! Eu não esperava escrever um capítulo tão grande e tão complexo! Por isso, tive que dividí-lo em duas partes. O que será que nos espera na parte 2 desse capítulo? O que vocês acharam mais interessante? Conta para mim nos comentários! Um beijo nas minhas potterheads!




Outras Fanfics:
The Death of Me


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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