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Finalizada em: 28/01/2022

Capítulo 11 - No Olho da Tempestade

‘’— Eu realmente não quero que esse dia termine – disse Rony – mas o tempo está piorando, vamos voltar para escola?
— Desculpe por ter insistido! – a tempestade de neve prestes a começar – Eu achei que o tempo não pioraria dessa forma...
— Não se preocupe – disse ele dando um beijo em sua mão – Se formos rápido, chegaremos antes do primeiro floco de neve começar a cair.
Rony estendeu a mão para ela e aceitou, feliz por andarem dessa forma tão íntima. O vento começou a piorar à medida que os dois caminhavam na estrada de volta para o castelo. Vários estudantes os acompanhavam, todos andando muito depressa, ansiosos para se esquentar próximo as lareiras de suas Salas Comunais.
O ruivo apertou o corpo da garota contra o seu, acelerando o passo para que pudesse retirá-la do mal tempo o mais rápido possível, por dentro, o garoto estava em chamas, faíscas de felicidade percorrendo todos os seus neurotransmissores. Tudo estava bem. Ele e finalmente estavam juntos e por mais que o futuro o amedrontasse de certa forma, Rony se concentrou no momento presente e em todas as memórias que podiam compartilhar juntos.
Assim que os dois colocaram seus pés para dentro do castelo, a tempestade começou, se intensificando em questão de segundos.
— O universo ao nosso favor! – disse ela sorrindo.
Rony sorriu largamente, dando um beijo em seu nariz vermelho e gelado.

— Aqui – disse ele tirando algo do bolso – um presente para você lembrar de hoje...
Rony entregou uma fotografia deles juntos em Hogsmeade. Os dois riam para a câmera e depois trocavam olhares apaixonados.
— Como...? – perguntou maravilhada.
— Desculpe se não é muito... – ele disse um pouco sem graça.
selou seus lábios antes que ele pudesse continuar.
— Obrigada – disse ela.
— Vem, eu te levo até a sua sala Comunal – suas bochechas estavam coradas de uma forma adorável – Você quer se encontrar comigo mais tarde?
— Eu preciso fazer um pouco de companhia para Ava, ela não está lidando muito bem com todos esses acontecimentos ultimamente – disse .
— Sem problemas – disse ele – Te vejo amanhã?
sorriu, colando seus lábios novamente, suas respirações se tornando imediatamente ofegantes com aquele contato.
— Eu acho que eu nunca vou me acostumar com isso...— o coração do menino faltava explodir de felicidade.
— Até amanhã, Weasley – piscou ela entrando na Sala Comunal.
subiu cantarolando para o seu dormitório, onde encontrou Ava lendo um livro em sua cama. Ava ergueu uma das sobrancelhas observando o comportamento da amiga.
— Sua alegria é contagiante – mostrou a língua para a amiga.
— Isso é porque você é o próprio Grinch!
— HEY! EU ADORO O NATAL – Ava gritou indignada.
— O que está lendo? – perguntou sentando na cama da amiga – História da Magia. DE NOVO?
— Eu acho esse livro particularmente relaxante – as duas riram.
— Como você está? – perguntou.
— Ah, você sabe, sem muitas novidades – Ava suspirou deixando o livro de lado e se aconchegando em sua cama.
— Você está com muitas saudades do seus pais?
— Mais do que eu geralmente sinto – disse Ava.
— Nós estamos há uns dias do Natal – comentou tentando animar a amiga – Nós os veremos em breve!
— Parece que os dias estão passando muito devagar...— Ava disse derrotada – ah, por falar em Natal, os seus pais mandaram uma carta para você...D’artangnan deixou em cima da sua cama...
— Sério? Que estranho, eu falei com eles ontem mesmo...— disse abrindo a correspondência – Eles disseram que precisam falar comigo urgente...vou ao Corujal e já volto...
— Mas você tem que ir agora? – Ava argumentou – Está escuro e as escadas são lisas!
— Você lembra da última vez que eu ignorei uma carta da minha mãe? – olhou para a amiga com as sobrancelhas erguidas. Ava se encolheu se lembrando dos gritos – Pois é...
— Você quer que eu vá com você?
— Não precisa, volto já! – disse colocando um casaco grosso e saindo pela porta do dormitório.’’
— Ela parou de respirar – disse Blake – Weasley, ela parou de respirar – falar aquela frase lhe custou todo o seu controle emocional – Rápido a coloque no chão e estique os braços dela.
Rony fez com Blake orientou, o sonserino ajoelhou-se ao lado da garota, levando suas mãos para seu tórax e posicionando uma mão sobre a outra bem em cima do osso do peito, iniciando uma massagem cardíaca.
— Vamos lá, – a voz de Blake saiu firme, sem nenhum traço de desespero – Reaja! Não é a sua hora.
Rony estava pálido, assistindo em silêncio, porque seu pânico não ajudaria em nada no momento, para seu certo alívio, Ava cruzou o corredor acompanhada de dois professores, McGonagall e Flitwick.
– o grito simplesmente horrorizado de Ava percorreu feito um eco por todo o castelo, a garota correu em direção a eles, se ajoelhando ao lado dos meninos.
— O que está acontecendo? O que...— disse Ava.
— Ava, eu preciso que você fique calma, porque se eu perder a cabeça, eu não vou conseguir...— a voz de Blake saiu esganiçada enquanto ele continuava a pressionar o peito da garota. Seus lábios e dedos já possuíam certa cor arroxeada. Ava se calou imediatamente, lágrimas escorrendo amplamente por seu rosto redondo.
— Por Merlim....— bradou a professora – há quanto tempo ela está sem respirar?
— Há um minuto – disse Blake, suor começando a escorrer de sua têmpora – É ISSO! Eu tenho um pulso, essa é a minha garota...
— Direto para enfermaria ou iremos perdê-la – disse Flitwick levantando seu corpo inerte do chão e a levando para o local em questão de segundos.
Os outros saíram correndo em seu encalço.
— Preciso saber o que aconteceu — disse Madame Promfrey.
— Nos a encontramos assim, caída próximo ao corujal...
— Preciso saber dos sintomas...
— Ela estava ardendo em febre e sua boca estava espumando – disse Blake interrompendo o outro.
— Ela foi vítima de um envenenamento – disse a curandeira – esse remédio vai inibir o efeito do veneno enquanto tento descobrir o antídoto. Seja o que for, é muito poderoso, é um milagre ela ainda estar viva.
— Como podemos descobrir? – perguntou Rony.
— Vamos voltar ao corujal – disse Blake – quem sabe encontramos alguma coisa – Rony assentiu e os dois saíram correndo da enfermaria antes que pudessem ser impedidos pelos professores.
acelerou o passo apertando seu casaco contra si mesma por causa do frio. O castelo estava deserto, o vento uivando dentre as paredes da fortaleza, a neve mais densa, caía com tanta força que ela começava a se acumular na propriedade.
A corvina pensou em seus pais e o que precisavam conversar de tão urgente, a mensagem era curta e vaga, geralmente seus pais e irmãos lhe escreviam algumas páginas.
Na última carta que escreveram, eles relataram o seu medo em decorrência dos ataques e também do seu pesar ao escreverem sobre a morte de tantas pessoas conhecidas. No entanto, finalizaram o texto, lhe dando palavras encorajadoras e de esperança.
Nós já passamos por pior e sobrevivemos, mi hija. Vai dar tudo certo. Seu pai escreveu ao final. Essas palavras confortaram a garota que se dirigiu ao corujal tranquilamente, certa de que eles queriam saber alguma informação sem relevância para ela, mas de muita importância para a sua família.
Na última vez que se corresponderam, também contou aos pais sobre Rony Weasley e seu apreço pelo garoto. Sua mãe tinha ficado muito animada com a notícia como se aquilo fosse motivo para uma celebração enorme e chuvas de orações em agradecimento a sua Santa Intercessora. soltou uma risadinha, pensando na animação da mãe frente a desconfiança do pai, que testaria Rony de todas as formas para ter certeza de que ele era o bom o suficiente para a sua filha.
A garota começou a se dirigir a torre do Corujal, sem se intimidar pela escuridão, no entanto, um arrepio percorreu a sua espinha assim que ela seguiu o caminho e teve a certeza de que era observada, ela tirou a varinha das vestes e a acendeu olhando ao redor, mas o mal tempo a impediu de ver algo muito adiante, contudo, quando estava prestes a subir as escadas da torre, um vulto saltou em seu caminho impedindo a sua passagem.
— Surpresa – disse Luke, seus olhos brilhavam assustadoramente na escuridão, como se fossem dois faróis de gelo.
— O que quer Hampton? – disse ela apontando a varinha diretamente para ele, que ergueu as mãos em forma de rendição.
— Só conversar – ele disse sorrindo para ela. continuou com a varinha em guarda o observando com desconfiança.
— Não temos nada para conversar – disse ela.
— Eu acho que temos – disse ele sua voz se tornando cada vez mais hostil – afinal, ninguém troca um Hampton por um traidor do sangue.
— Por que isso te fere tanto Hampton? – disse sem entender – você mesmo disse que eu sou uma sangue-ruim...
— Vamos dizer que eu acabei me apegando a você...— ele disse olhando para o corpo da menina.
— Você me dá nojo – disse ela seu estômago se embrulhando no mesmo instante.
— Você não tem muitas opções – ele disse girando a varinha nas mãos – Você deveria ter mais cuidado com correspondência da mamãe e do papai...
— EU JURO POR MERLIM...— ela gritou perdendo toda a paciência, avançando para cima do garoto que não recuou.
— Você jura o que? – Luke chegou ameaçadoramente perto da garota – Eu não sei se você entendeu, mas sou eu quem dou as cartas por aqui...
Os olhos da garota começaram a faiscar de tanto ódio.
— Ou você faz o que eu quero...ou papai e mamãe vão receber uma visitinha dos Comensais da Morte como da última vez...
— Então foi você – disse, lágrimas a ponto de escorrerem de seus olhos castanhos – você foi o responsável pelas mortes em Enfield...
— Eu? – Luke riu-se levando a mão ao peito como se estivesse realmente ofendido – Eu não tive que sujar as minhas mãos com aqueles trouxas imundos, eu apenas fui o mandante...
comprimiu os lábios em uma fina linha. Ela olhou para os lados pensando em suas opções, se o desarmasse, conseguiria correr, mas de repente ela começou a sentir uma breve tontura.
— Eu não tentaria correr se fosse você – disse ele a rondando como se fosse um animal – eu posso ter colocado um pouco de veneno na carta que você acabou de receber...
— O...o quê – disse ela sentindo a sua visão turvar.
— Veja bem – ele começou a explicar – não foram os seus pais que enviaram essa carta...fui eu...você sabe o quão bom eu sou em Poções...então impregnei nela um tipo muito raro de veneno, fatal é claro...você está experimentando os primeiros sintomas, eles tocaram a sua pele e agora está percorrendo as suas correntes sanguíneas...Você está sentindo uma leve tontura e visão turva, estou certo?
engoliu em seco, piscando os seus olhos, tentando se sustentar em suas pernas trêmulas.
— O que eu preciso fazer? – disse ela e o rosto de Luke se abriu em puro deleite.
— Oh...oh...agora estamos conversando – disse ele se aproximando dela – você tem duas opções, primeiro, você vai largar aquele perdedor traidor de sangue e me acompanhar onde eu for no próximo ano, eu vou precisar de uma nascida trouxa para localizar os outros...e a segunda opção, você morre...na próxima hora...
o observou por um instante, sem saber se ele falava sério, Luke continuou a encará-la com seriedade. Ela não conseguiu evitar que uma gargalhada de puro deboche subir pela sua garganta. Já que iria morrer, ela partiria com ele sabendo de seu desprezo.
— E você acha que eu vou preferir você?
Luke sorriu chegando perto dela.
— Você vai morrer engasgada com o seu próprio sangue sujo – Luke lhe lançou um último olhar caminhando para longe dela – Tenha uma boa última noite, Fernandéz.
‘’Vamos lá, ’’ ela ouviu a voz de Blake ecoar em seu inconsciente e uma quantidade de ar voltou a encher os seus pulmões, no entanto, quando a garota abriu os olhos, ela não estava em Hogwarts, mas sim em um gramado verde tão grande a ponto de ser impossível enxergar as suas extremidades.
observou seus pés descalços, sorrindo ao sentir o contato de sua pele contra a grama verde, o calor do sol esquentando suavemente o seu corpo gelado, uma brisa leve esvoaçando os seus cabelos compridos. Ela caminhou por alguns minutos percebendo que estava completamente sozinha. Sem nem se lembrar de como chegara ali, deitou-se sob a grama, se entregando aquele sentimento estranhamente familiar. Ela fechou os olhos contemplando o momento, quando a voz de Blake ecoou novamente pelo campo ensolarado.
‘’Essa é a minha garota’’
sentou-se novamente, se recordando da verdade, de sua última conversa com Luke e do veneno que a matara. Ela observou seus dedos compridos, flexionando seus músculos e sentindo-se viva, mas e se sua mente estivesse lhe enganando?
— Você não está morta – disse uma voz solene atrás dela.
Uma mulher de cabelos longos e rosto tranquilo sorria para ela. observou suas feições, sentindo em seu íntimo como se a conhecesse de algum lugar. A mulher estava usando uma veste tradicional e muito antiga, um vestido azul adornado com bordados prateados e encrustado com pedras de cristal em sua cabeça, a mulher ostentava com imponência uma espécie de coroa, um diadema, o qual conhecia muito bem.
— Você é...você é Rowena Ravenclaw? – disse boquiaberta – Eu...nossa...é realmente uma honra...
— Bobagem querida...não precisamos de formalidades aqui — disse ela estendendo a mão para a garota – Venha, caminhe comigo...
aceitou a mão da mulher, compelida a andar ao seu lado, como se de fato estivessem conectadas de alguma forma. Rowena sorriu de forma maternal para ela e sentiu-se mais tranquila de segui-la para onde quer que fosse.

***



— Lumus máxima – murmurou Rony para conseguir olhar melhor pela escuridão. Ele e Blake começaram a procurar possíveis pistas para o envenenamento da garota. O choque inicial de adrenalina estava se dissipando, suas pernas começaram a tremer e o garoto estava suando apesar do tempo gelado do lado de fora.
Seu coração começou a bater forte, a gravidade da situação pesando em seu estômago, uma angústia torturante se acometendo de seu peito, o impedindo de respirar tranquilamente. Weasley parou por um instante, centrando-se mais uma vez, tentando ignorar o fato de que não estava morta por um triz.
Blake estava tão perturbado quanto ele, a lembrança do momento de suas mãos ressuscitando seu corpo sem vida, o acompanharia pelo resto de seus dias. O sonserino teve que parar por um momento e Rony não o impediu, porque compartilhava do mesmo sentimento de desespero e impotência. Os dois procuraram por pistas em silêncio, incapazes de proferirem qualquer palavra ou expressarem qualquer sentimento, porque se dessem vazão, não seriam capazes de manter a calma. A tempestade de neve estava se tornando cada vez mais forte, cobrindo tudo o que restara das pistas, por pura sorte, Rony conseguiu encontrar traços de sangue – sangue de — pela neve até encontrar um pedaço de papel.
— Blake, acho que encontrei algo...— ele disse se dirigindo ao papel com a mão.
— Não toque nisso – Blake disse imediatamente – isso pode ser envenenado.
— Um pedaço de pergaminho? – Rony franziu as sobrancelhas.
— Sei de algumas formas em que isso é possível – Blake respondeu – Vamos levar até a Madame Pomfrey.
Blake lançou o feitiço de levitação para não tocar no pedaço de papel, certo de que o mesmo estaria envenenado, Luke era muito conhecido pelo seu talento inigualável em Poções, o garoto teve certeza de que o conteúdo do frasco que Hampton recebera em Hogsmeade era de veneno, mas não tinha como comprovar suas suspeitas.
O moreno teve vontade de voltar para o dormitório da Sonserina, onde Luke agora dormia tranquilamente, mesmo carregando uma tentativa de assassinato em suas mãos e fazê-lo pagar pelo ocorrido, nem que isso o sentenciasse a uma vida toda em Askaban, mas a vida de ainda estava em risco e ela era a sua prioridade, ele se vingaria em um outro momento mais oportuno. Blake e Rony chegaram a enfermaria logo depois, o professor Snape também estava presente.
— Encontramos isso perto de onde a encontramos – Blake disse conduzindo a carta no ar por meio de um feitiço.
— Veneno de acromântula – disse o professor Snape ao examinar o papel e cheirá-lo algumas vezes — ele foi impregnado nas páginas dessa carta...
— Alguma prova do culpado? – McGonagall disse olhando para os garotos, mas tanto Blake quanto Rony não tinham como provar que era Luke.
— Não sabemos professora.
— Para fazer um antídoto, precisamos pegar veneno de uma acromântula viva, geralmente a matriz de todas as outras...caso contrário...
Rony arregalou os olhos. Ava começou a chorar perto da cama da amiga.
— Onde posso encontrar um espécime desse, professor? – disse a professora McGonagall.
— Em algumas partes da Escócia, mas receio que a senhorita não tenha todo esse tempo – disse Snape.
— Precisamos tentar – disse a mulher saindo pelas portas da enfermaria.
Rony chamou Blake para um canto do local.
— Escute, os professores não sabem, mas existe uma acromântula no meio da floresta. Não me pergunte como eu sei, não vou deixa-la morrer e se quiser você pode vir comigo.
Blake concordou sem hesitar.
— Vai ficar tudo bem, eu prometo – disse Rony dando um beijo na testa da garota que ardia em febre.
Blake engoliu em seco, apertando a mão da garota, seus dedos frios contra os dele.
— O que vocês vão fazer? – disse Ava em meio a soluços.
Weasley e Blake não responderam, saíram rapidamente da enfermaria, sem que Ava pudesse bombardeá-los de mais perguntas.
— Vamos lá – Blake disse correndo com ele para fora do castelo – Você tem algum plano?
— Da última vez, Harry e eu fomos salvos por um carro desgovernado, acho que não podemos contar com a sorte.
— Conhece algum feitiço contra aranhas?
Rony sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Arania exumai – ele disse – mas não serve para o que estamos prestes a encontrar...
— De quantas aranhas você está falando? – Blake ergueu uma das sobrancelhas.
— Nós vamos entrar em seu covil – Rony disse sombriamente.
Blake xingou baixinho. Os dois despistaram Filch e correram em direção a Floresta Proibida o mais rápido que puderam, encobertos pela escuridão e a tempestade de neve.
— Você sabe que existem mais feras aqui do que qualquer outra, certo?
— Acredite, eu já entrei nesse lugar, mais do que eu gostaria de admitir – disse Rony liderando o caminho.
— Vamos tentar imobilizá-la e depois colocamos fogo em toda essa merda – sugeriu Blake
— O problema vai ser atraí-la para o lado de fora – Rony disse.
— Deixe isso comigo...— Blake conjurou algo das vestes — isso vai fazer com que ele ache que eu possa ser um possível uma possível parceira, mas você tem que ser rápido, porque isso dura só alguns segundos...
Rony sentiu seu estômago embrulhar
— Certo...
— Você tem que manter sua cabeça no lugar – avisou Blake – se temos uma chance de salvá-la é agora...não podemos falhar.
Rony respirou fundo controlando o seu medo. Ele liderou o caminho pela floresta escura, o tempo estava tão ruim, que eles mal conseguiam enxergar o que estava a poucos metros à frente deles, por outro lado, isso também era um bom sinal, já que estavam passando despercebidos por todas as outras criaturas da floresta.
O grifinório parou em frente ao covil da aranha, lembranças de seu segundo ano invadiram sua mente imediatamente, mas ele não era mais aquele garotinho covarde e medroso. Rony preparou a varinha e acenou para Blake.
— Chegou a hora.

***


Rowena conduziu naquele jardim sem fim, o silêncio entre elas não era desconfortável, mas acolhedor. Ela sorriu de leve ao pensar como sua melhor amiga reagiria ao saber que ela conhecera Rowena Ravenclaw, mas este pensamento se desfez no mesmo instante ao pensar se um dia voltaria a vê-la. A mulher mais velha percebeu seu desconforto, apertou seu braço de leve em sinal de carinho.
— Você não está morta – Rowena disse como se lesse seus pensamentos.
— Então, por que estou aqui? – perguntou à mulher que sorriu.
— Você precisa saber de algumas informações para garantir a sua sobrevivência no próximo ano e para que tudo ocorra perfeitamente na guerra contra o Lord das Trevas – a mulher a observou atentamente.
— Então, haverá uma guerra? – disse.
— Oh sim...mas você já sabia disso, não sabia? – Rowena disse – eu fui a responsável por mandar essa mensagem para você...
engoliu em seco, a visão perturbando seus pensamentos.
— Mas por que eu? Por que estou aqui e por que estou recebendo todas essas mensagens?
— Ah, primeiro porque você é uma Corvina, obviamente – a mulher disse em bom tom – e uma das melhores, se me permite o elogio.
sorriu.
— Mas você tem um dom, um dom que nem todos os bruxos possuem e que começou a se manifestar há algum tempo, estou certa? – a garota concordou com a cabeça – Você tem um papel importante a desempenhar no próximo ano – disse a mulher com mais seriedade.
— E o que seria? – perguntou um pouco confusa.
— É uma tarefa difícil e isso te custará – os olhos da mulher ficaram sombrios – ouso em dizer que você jamais será a mesma..., mas você vai desempenhar um papel fundamental na Guerra e sem sua ajuda, estaremos perdidos...
— O que eu preciso fazer? – disse ela.
— É melhor você se sentar – disse a bruxa.
‘’, você precisa ficar viva, por favor’’ se sobressaltou olhando ao redor em busca da voz de Ava. Não a encontrou, era como se o som estivesse ressoando em sua cabeça.
— Não temos muito tempo – disse a mulher – Se você ficar por muito tempo neste plano, não conseguirá voltar...
***


Ava segurava a mão da amiga sem conseguir controlar os seus soluços. O rosto de estava cada vez mais pálido, seus dedos começavam a ficar roxos em suas extremidades. ‘’Por favor, fique viva’’ Ava repetia a frase como um mantra em sua mente, logo ela, que nunca acreditara em milagres, se encontrava pedindo fervorosamente por um. Nunca se sentira tão culpada em toda a sua vida. Se ela tivesse insistido ou acompanhado a amiga nada disso teria acontecido.
, você precisa ficar viva, por favor – disse ela se debulhando em lágrimas – você é minha melhor amiga, se lembra? Você não pode me deixar aqui sozinha.
Ava olhou para o rosto desfalecido de como quem espera um abrir dos olhos inesperado, mas ela continuou tão inerte quanto antes.
— Os pais dela já sabem? – ela perguntou a Madame Pomfrey.
— Eles estão a caminho querida...
— Ela vai ficar bem, não vai? – disse.
— Por enquanto, mas os pais foram convidados a se despedir...— seu tom era triste e solene.
— Não! Você não pode desistir dela! – Ava gritou se levantando de supetão, lágrimas turvavam a sua visão, quando em seu íntimo, ela começou a se preparar para o pior.
– a voz do pai de soou feito trovão na enfermaria vazia – mi hija...
O senhor aparentava ter cinquenta anos, suas feições duras se contorceram de puro pavor e desespero ao ver o estado da filha, a mãe de veio logo atrás, os gêmeos, irmãos da garota, colados em sua cintura, tão assustados quanto o resto da família.
— Por qué no usas magia para curarla? – o senhor Juan disse imperativamente.
— Não podem! É um veneno muito poderoso...— explicou Ava, a mãe de se limitou a chorar ainda mais.
— Qué pasó? – ele perguntou passando suas mãos calejadas pelos cabelos da filha.
— Não sabemos – Ava disse
— Vamos levá-la para um hospital! – disse Amelia, a matriarca da família – precisamos fazer alguma coisa...
— Nós somos a melhor chance que ela tem – a voz do professor Dumbledore soou tranquila e reconfortante – Dois dos nossos melhores professores estão em busca do antidoto neste exato momento...
Cómo puede suceder algo tan terrible dentro de una escuela? – o pai da garota se levantou confrontando o diretor – Minha filha estava SAUDÁVEL e BEM quando a deixei na plataforma 9/3/4 há alguns meses atrás, EU ME RECUSO A LEVÁ-LA DE VOLTA DENTRO DE UM CAIXÃO…
— Juan, por favor – disse a mãe da , tentando controlar suas emoções.
O pai da garota suspirou fundo andando de um lado para o outro tentando acalmar os nervos. Dumbledore não se ofendeu pela reação mais que apropriada dos pais da corvina.
— Eu lhe asseguro que vamos fazer tudo o que está em nosso alcance e devolveremos sua filha viva, sr. .
Amelia sentou-se ao lado da cama da filha, murmurando todas as orações que conhecia em sua língua nativa. Os gêmeos, Henry e Brian, sentaram-se ao lado dos pais em silêncio, seus olhos castanhos, traço característico da família, estavam marejados, seus rostos infantis apavorados de medo e confusão.
— Regresa a nosotros, mi hija (Volte para nós, minha filha) – sussurrou o pai dela em seu ouvido.

***


Blake o frasco em suas mãos e passou por alguns pontos estratégicos de seu corpo como se fosse perfume, o cheiro embrulhou seu estômago, mas ele estava disposto a tudo para salvar a vida de . Ele marcou o território com os pés como tinha aprendido nas aulas de Trato de Criaturas Mágicas, não gostava muito da matéria, mas agradeceu mentalmente por ser tão bom, caso contrário, nunca conseguiriam captar veneno de uma acromântula adulta viva.
Rony estava posicionado estrategicamente a esquerda, dessa forma, o monstro Aragogue, não conseguiria sentir o seu cheiro e não anteciparia o seu ataque. O garoto não ousou respirar quando a aranha gigante começou a rastejar sua couraça para fora de seu covil. A criatura estava mais velha, mas continuava tão horripilante como da última vez que Rony o vira. O grifinório observou os movimentos de Blake, esperando seu sinal para atacar.
Blake fez o possível para atrair a criatura gigante para o mais longe do covil que pode, as acromântulas eram extremamente rápidas e aquela monstruosidade conseguiria voltar para o seu covil em um piscar de olhos. O sonserino engoliu em seco, continuando uma espécie de dança do acasalamento, sentindo suor frio escorrer pela sua têmpora, os seis olhos da criatura observando atentamente todos os seus movimentos, um passo em falso e ele colocaria tudo a perder.
— Agora! – gritou ele para Rony.
— Incarcerous – Rony gritou atingindo a criatura pelo flanco, cordas saíram pela ponta de sua varinha, prendendo o animal que urrou de dor.
— Immobilus – lançou Blake, confundindo a criatura, a qual cedeu na frente deles.
O sonserino conjurou um frasco e correu ao aracnídeo imobilizado de todas as suas funções. Blake tocou naquelas presas enormes, grandes o suficiente para arrancar a sua cabeça e drenou o máximo de veneno que pode. Tudo parecia bem, mas o grito da criatura despertou os demais, os quais começaram a sair em bandos para o socorro do patriarca.
— CORRA! – disse Rony para Blake que saiu em disparada em direção ao castelo, um exército de aranhas atrás deles.
A neve estava tão densa, que suas pernas atolavam até a altura do joelho, diminuindo a distância entre eles e as aranhas, as quais não tinham dificuldade nenhuma para se movimentar. Rony olhou para trás e se arrependeu no mesmo instante, cerca de quinhentas aranhas de diferentes tamanhos os perseguiam àquela altura.
— Mais rápido – disse Rony a Blake
— INCENDIO – bradou Blake e um muro de fogo se ergueu entre eles e as aranhas, as impedindo de continuar em seu encalço, as labaredas muito grandes para conseguirem transpassar, no entanto, o feitiço durou apenas alguns segundos devido as péssimas condições climáticas.
No desespero de correr das criaturas, eles não perceberam que estavam sendo guiados para uma armadilha, as aranhas tinham os direcionado para uma outra caverna na outra extremidade da floresta, de forma que os dois estavam impossibilitados de fugir.
— Pegue o veneno – disse Blake lançando os frascos para Rony – eu vou distraí-las e você corre de volta para o castelo.
— Isso é suicídio!
— A vida dela vale mais do que a minha – Rony soube a quem Blake se referira, ele acenou a cabeça em um movimento de agradecimento.
Blake suspirou fundo, seu coração batendo tão forte igual um martelo, as aranhas diminuíram o passo, se aproximando de suas vítimas com lentidão, suas presas estalando feito um brandir de facas afiadas. O sonserino pensou em em seu sorriso e olhos expressivos, pensando que gostaria de partir com aquela imagem em sua mente.
Ele engoliu em seco, preparando a varinha, focando seu pensamento na garota para não se entregar ao medo e da morte dolorosa que o esperava. Rony respirava alto ao seu lado, incerto do que aconteceria a seguir, mas em comum acordo de que algo precisaria ser feito e que ele se sacrificaria se fosse o caso, para salvá-la.
— Quando eu contar três...— disse ele retomando toda a sua coragem – um...dois...três...
No exato momento em que Blake ergueu sua varinha para lançar um feitiço poderoso, um grupo de centauros rompeu a armadilha, atacando com força e velocidade, afugentando boa parte das aranhas e pisando na cabeça daquelas que ousaram confrontar sua autoridade. O ataque foi tão rápido, preciso e mortal, que as aranhas foram aniquiladas em questão de minutos.
Rony se aproveitou da confusão instaurada pelos centauros e puxou Blake na direção correta a escola e os dois voltaram a correr o mais rápido que puderam. O garoto quase suspirou aliviado quando avistou as luzes do castelo, seu pulmão clamava ardentemente por ar, mas ele não se importou, precisava do antídoto o mais rápido possível.
A distância entre a floresta e a enfermaria era pequena considerando o que os dois tinham acabado de percorrer, mas ainda assim, os últimos minutos transcorreram lentamente, o tempo parando de alguma forma, os únicos ruídos presentes eram de seus sapatos batendo com o piso de mármore.
Em seu coração, a esperança latente de que continuava viva e de que eles chegaram a tempo. Rony não hesitou ao abrir as portas da enfermaria com violência, chamando toda atenção no local para eles. Os presentes abriram os olhos arregalados reparando o quanto os garotos estavam feridos, sujos e molhados por causa da neve.
— Conseguimos – disse entregando o antídoto nas mãos da Madame Pomfrey.
— Mas como...? – começou a mulher, mas se dando conta que o tempo era precioso, ela não se deu o trabalho de mais perguntas, preparando o antídoto imediatamente.

***


suspirou profundamente, seu coração se apertando ao tomar conhecimento de todas aquelas informações. A tempestade estava próxima e todos quem ela mais amava estavam bem no meio dela. Rowena lhe lançou um olhar carinhoso, compreendendo o fardo que acabara de colocar nas costas daquela menina tão jovem.
— Eu vou conseguir me lembrar de tudo isso? – ela perguntou à mulher – eu digo, quando eu voltar?
— Não imediatamente – disse ela – eu vou lançar um feitiço para que você comece a se lembrar de tudo aos poucos e de acordo com o necessário.
‘’Volte para nós’’ – uma voz entoou novamente.
— Chegou a hora – disse Rowena com um sorriso acolhedor – Boa sorte, querida corvina, as respostas estarão sempre dentro de você...— e desapareceu.
— ESPERE! – gritou a garota – Como eu faço para voltar?

***


— Volte para nós, minha filha – disse a mãe de .
Madame Pomfrey despejou um líquido viscoso dentro da boca da garota, o qual ela engoliu com dificuldade. Todos se entreolharam apreensivos enquanto esperavam uma reação de , qualquer que seja. Os minutos se passaram como se fossem horas e ainda assim, ela não demonstrava nenhuma reação.
Será que chegamos tarde demais? pensou Rony, ele se entreolhou com Thomas Blake, tão pálido quanto ele, e teve certeza de que ambos pensavam a mesma coisa.

Capítulo 12 - Segredos Revelados

tentou abrir os olhos, mas estes estavam pesados demais para conseguir mantê-los abertos, sua visão estava um pouco ofuscada, por isso não teve certeza se estava vendo o rosto de seus pais e irmãos ou se tudo era fruto de uma alucinação. Ela não conseguiu distinguir o que estavam falando ou o que estavam fazendo, não conseguiu nem se lembrar do porquê se encontrava naquela situação.
? Cariño mio? – ela ouviu a voz de sua mãe, mas não conseguiu formular nenhuma frase, apenas emitiu um gemido de dor em resposta.
— Ela precisa descansar – disse Madame Pomfrey – o veneno esteve em seu sistema por muito tempo, eu vou prescrever uma poção do sono restauradora.
A garota sentiu um gosto ácido descer-lhe por sua garganta seca, mas foi capaz de engolir cada gota e não se passou nem alguns segundos para que a escuridão lhe engolisse novamente, entregue a um descanso, o qual ela não soube dizer se seria eterno ou não.
não pode presenciar a grande comoção de todos os presentes, a família da garota chorava de alívio e de alegria pelo acontecido. Amélia, a matriarca, não se conteve e puxou Rony e Blake para um abraço triplo, os meninos ficaram um pouco surpreso com a atitude, mas retribuíram o abraço, enquanto a ouviam sussurrar diversas preces em agradecimento, o pai de , contido, mas ainda assim grato, apertou a mão dos meninos formalmente.
Rony se deixou sentar por um instante, a adrenalina se dissipando e dando lugar para o maior sentimento de alívio que já sentira em sua vida. Blake fez o mesmo, contemplando o momento, suas mãos tremiam levemente de susto, cansaço, mas também de raiva. O fato de Luke estar no castelo e ainda ser um ameaça a vida da garota não tranquilizou seus pensamentos.
— Blake? – Rony disse – obrigado...você sabe...por ela...
— Não me agradeça ainda – ele respondeu em um sussuro – Hampton ainda está no castelo...
Rony deixou escapar um longo suspiro.
— Vocês precisam voltar a suas salas comunais – disse Madame Pomfrey.
foi envenenada dentro do castelo, como podemos ter certeza de que ela ficará bem? – Blake argumentou.
Os pais de concordaram em resposta.
— O professor Dumbledore garantirá a segurança dela – disse a professora – ele está realizando encantamentos nesse mesmo instante.
— Nós não iremos sair daqui – assegurou o pai da garota – É melhor você ir descansar também Ava.
Thompson estava com os olhos inchados de tanto chorar, exaustão percorrendo por todo o seu corpo, mais tranquila pela presença da família que ela conhecia tão bem, ela não hesitou em concordar e foi a primeira a deixar o local. Rony e Blake relutaram a deixar a enfermaria e só saíram quando foram escoltados pela professora McGonagall e Snape, respectivamente, para suas salas comunais.
Todos os seus amigos estavam dormindo, quando Rony chegou esgotado ao dormitório da Grifinória. O garoto decidiu tomar um banho para tirar a sujeira de seu corpo, seus machucados arderam ao entrarem em contato com a água, mas este era um pequeno preço a se pagar perto do que realmente poderia ter perdido.
estava viva, mas ainda assim ele não conseguiu se livrar daquela sensação de angústia, um aperto insuportável em seu peito, tão forte, a ponto de fazê-lo puxar por grandes golfadas de ar afim de normalizar a sua respiração. Assim ele permaneceu por vários minutos, tentando se tranquilizar e recuperar a força de seu corpo, extremamente dolorido por causa da tensão. ‘’Ela está bem’’ convenceu-se, mas quando se deitou para dormir, não conseguiu pensar em nada a não ser pelo fato de Luke Hampton estar dentro dos perímetros de Hogwarts.

***


Blake acompanhou o professor Snape até as Masmorras da Sonserina em silêncio, o regente fez questão de escoltá-lo até a porta de seu dormitório, onde lançou um feitiço para garantir que o menino sairia apenas pela manhã. Blake observou quando a porta se fechou atrás dele, suas mãos estavam apertadas em um punho, seu corpo estava gelado por causa da tempestade de neve, mas por dentro, ele estava queimando de raiva.
Ele seguiu para o banheiro e trancou a porta, não quis despertar nenhum dos colegas. Blake observou seu rosto cansado, seus olhos cinzas, no entanto, denunciavam verdadeiramente o seu estado de espírito, ele girou a varinha em um movimento preciso, lançando um feitiço para que não pudessem ouvi-lo e nesse momento, em que novamente encarou o seu reflexo no espelho, ele lançou seu punho direito no vidro.
O espelho se estilhaçou no mesmo instante, pedaços de vidro perfuraram a mão do garoto, sangue vermelho começou a escorrer dentre os seus dedos, mas ele permaneceu com o punho fincado no vidro, seus braços tremiam de fúria, sua respiração extremamente ofegante. O menino soltou um urro, terminando de quebrar o que restava em sua frente, lágrimas ofuscavam sua visão, um turbilhão de imagens martelava em sua mente como se passassem diante de seus olhos feito um filme, mas a mais latente de todas era de sem vida, de suas mãos desesperadas pressionando o seu coração sem vida.
O garoto levou suas mãos ensanguentadas para seus cabelos, desespero tomando conta do seu corpo que começou a tremer violentamente, ele que sempre se considerou uma pessoa contida, não conseguia mais evitar toda aquela avalanche de sentimentos e de seu coração que ardia de amor por aquela garota.
Blake encarou o reflexo quebrado no espelho e percebeu em seus olhos uma expressão antes nunca vista. Ele limpou as lágrimas com o torço da mão e seu rosto ficou manchado com seu próprio sangue, ele girou a varinha sem dizer nada e tudo começou a voltar ao seu lugar. O garoto despiu suas roupas molhadas e entrou debaixo do chuveiro, o sangue de suas mãos se misturando com a água em tom rosado. Ele não se importou com a dor, porque algo muito maior em seu peito tinha se despedaçado, Luke despertou nele o que ele tinha de pior e ele que aguentasse o peso das consequências.
O sonserino não conseguiu dormir naquela noite, varinha em punho, ele observou o nascer do sol pálido daquela manhã tão fria, os campos de Hogwarts estavam cobertos por uma camada grossa de neve como se nunca tivessem sido verdes antes. Blake não se demorou nem por um segundo. vestiu suas roupas colocando o grosso suéter verde da Sonserina por cima de seu uniforme habitual e desceu as escadas para a Sala Comunal e lá ele esperou. Com sua varinha em punho e expressão fechada, ninguém que o encontrou resolveu incomodá-lo, de alguma forma, ele estava mais assustador do que antes.
Os minutos se transformaram em horas, mas Luke Hampton não se juntou ao resto dos alunos da Sonserina. Blake estranhou sua ausência, mas quando um de seus colegas de quarto desceu de seu dormitório, ele se pôs em sua frente, o impedindo de continuar, o menino se encolheu a sua presença.
— Não sei para onde ele foi, os pais o retiraram da escola nesta noite – o menino gaguejou e tratou de sair logo dali.
— Maldito – pensou Blake – O professor Snape deve ter lhe avisado sobre sua tentativa fracassada e tratou de tirar aquele assassino da escola.
Blake seguiu para enfermaria inconformado com o fato de Hampton ter conseguido se livrar de uma cela em Askaban, mas agora ele tinha outros planos em mente. Ele caminhou decidido, cansado de ser aquele garoto ponderado e que não age conforme tem que ser. Esse era um caminho para se tornar um homem de quem ele pudesse realmente se orgulhar.
Seu coração disparou quando encontrou já sentada em sua cama, seus irmãos dormiam nas camas ao lado e ela era auxiliada pela mãe no momento. Grandes olheiras beiravam os seus olhos castanhos, mas eles estavam tão brilhantes quanto antes. Ele sorriu sentindo seu coração se aquecer a sua visão, rindo um pouco ao se lembrar de que boa parte das memórias era com a garota na enfermaria. Ela sorriu pra ele, aquele sorriso que ele não via há meses, capazes de colar o seu coração partido. .
— Sei que não fomos propriamente apresentados Sra. Fernandez – ele disse estendendo a mão, mas a mulher o trouxe para um abraço.
— Não há necessidade de formalidade, meu querido – disse a mulher – não quando você acabou de salvar a minha menina.
sorriu carinhosamente para ele, seus olhos se enchendo inesperadamente de lágrimas.
— Mama, você poderia nos dar um segundo, por favor? – ela pediu com educação e o coração do garoto deu um salto.
Amelia Fernandez lhe deu um beijo na testa.
— Vou procurar o seu pai, ele com certeza está encantando com aqueles quadros que se mexem nas paredes.
Os dois riram baixo.
— Blake, eu...— ela começou a dizer, mas ele a envolveu em um abraço, um abraço forte e reconfortante, um abraço seguro de que tudo ficaria bem. o abraçou de volta, lágrimas começando a escorrer de seus olhos e manchando a camisa do garoto. Ele deu um beijo na testa dela por um instante e a trouxe para um abraço forte novamente, descontando toda aquela saudade e alivio de vê-la viver.
— Blake, eu...eu entendi tudo errado...me desculpe...— disse ela e ele balançou a cabeça em sinal de negação.
— Você não precisa se desculpar – disse ele – eu não agi certo com você e depois do que aconteceu ontem eu só posso te dizer uma coisa...
suspirou fundo, tentando controlar seu choro emocionado.
— Eu amo você – Blake disse sua respiração por um fio – E eu sei que você está com o Weasley e tudo bem por mim desde que você esteja feliz, mas depois do que aconteceu ontem...eu amo você, sinto sua falta e quero o seu bem. Eu sei que fiz tudo errado, que não consegui falar o que gostaria, mas eu amo você desde sempre e não há nada nesse mundo que eu não faria por você...eu...eu só queria que você soubesse...
não soube o que responder, sua versão de dois anos atrás, estaria simplesmente nas nuvens ao ouvir isso, mas ela estava com o Weasley, seu coração, no entanto, se apertou um pouco. Sem saber o que fazer, ela o trouxe novamente para um braço, ele a abraçou forte, suas mãos firmes dando uma volta em seu torço.
— Obrigada por tudo Blake. Eu não sei o que dizer...
— Não precisa dizer nada – ele disse – eu só queria que você soubesse, não quero esconder mais nada de você, inclusive o que eu sinto...
acenou.
— O que aconteceu ontem?
— Você não se lembra? – ela sacudiu a cabeça negativamente.
— Eu lembro de ir até o corujal, mas depois disso nada...
— O que aconteceu com suas mãos? – o encarou horrorizada.
Blake balançou a cabeça em sinal de negação e envolveu as mãos geladas da menina nas suas, começando a colocá-la a par de tudo o que acontecera.
— Não consigo provar que foi o Luke – ela disse com lágrimas nos olhos – não consigo me lembrar, mas acredito em você...
— O que foi? – Blake perguntou ao vê-la franzir a testa.
— Tive a impressão de conhecer alguém enquanto estava...hm...desacordada. – morta, ela estava ‘’quase morta’’.
— Promete pra mim que sempre vai buscar a minha ajuda quando estiver em perigo?
— Como eu vou prometer isso Blake? – a garota o olhou deprimida.
— Eu já sou maior de 17 se lembra? Posso lançar encantamentos na sua casa...não confio em Luke, mesmo que não esteja mais aqui.
A mãe de voltou acompanhada pelo marido.
— Bom dia, sr. Fernandez – Blake se levantou em um pulo para cumprimentar o homem.
— Thomas Blake, certo? – disse o homem.
— Sim, senhor.
— Sou grato por tudo o que fez pela minha filha...
— Gostaríamos de convidá-lo para nossa ceia de Natal, você pode trazer a sua família se quiser... – Amélia disse sorrindo afetuosamente.
— Sou só eu e a minha mãe – respondeu o garoto.
— Serão muito bem-vindos – disse a mulher.
— Não aceitamos não como resposta – o homem disse e a esposa o cutucou nas costelas.
— Faremos o possível para comparecermos senhor – disse Blake sorrindo fraco.
— Juan, pode me chamar de Juan.
— Certo, Juan – Blake respondeu um pouco sem graça – Faça uma boa viagem para casa sim? – ele disse para – nos vemos em alguns dias...
acenou novamente, sua mente fervilhando de pensamentos, não pode deixar de negar que todas as palavras do sonserino mexeram com ela, mas esqueceu-se de seu devaneio assim que Rony Weasley entrou pela porta, andando a passos rápidos na sua direção.
— Rony...— disse ela sorrindo largamente, o menino chegou a acelerar em sua direção, mas ao se dar conta da presença dos pais da garota, diminuiu o ritmo.
— Muito prazer, sr. e sra Fernandez, eu sou Rony Weasley...
— Nos ouvimos falar muito do senhor – disse a mulher com um sorriso maroto e não conseguiu deixar de corar.
— Até demais...— resmungou o pai.
— PAI!
Rony coçou a nuca sem graça.
— É um prazer finalmente conhecê-los.
— Vocês deixá-los a sós querido, eles têm muito o que conversar – a mulher piscou para filha, empurrando o homem porta a fora.
— Eu estou logo ali...do lado de fora – Juan deu um apertão no ombro do menino
— Pai! – cerrou os dentes e Juan deixou escapar uma risadinha.
— Muito obrigado por tudo – disse ele a Rony antes de sair, o ruivo acenou engolindo em seco.
Quando os dois saíram pela porta, Rony se sentou ao lado da garota, levando suas mãos imediatamente para o seu rosto e o tomando nas mãos. Sua respiração se tornou ofegante com o contato, sentimento de alívio de ver aqueles olhos castanhos tão familiares outra vez. Ele encostou a testa dos dois em um movimento de carinho, incapaz de dizer qualquer coisa. Os dois ficaram naquela posição por vários minutos, antes que Rony a tomasse nos braços e a abraçasse com toda a força que possuía.
— Eu fiquei com tanto medo de perder você – sua voz saiu esganiçada controlando o choro que nascia na base de sua garganta.
Ela não conseguiu dizer nada, lágrimas começaram a descer de seu rosto e ela se entregou em seus braços, soluçando alto, ao pensar que achou que nunca mais o veria ou sentiria o seu cheiro.
— Eu estou aqui – ela disse como se pudesse abraça-lo por todo o perímetro – eu não vou ir embora, nunca mais.
Rony selou os lábios deles em um beijo intenso, cheio de desespero, como se nada nem aquilo lhes fosse mais garantido. Ele pressionou seu corpo com o dela, se embebedando de seu cheiro, se embrenhando em seus cabelos compridos. Rony limpou as lágrimas da garota, olhando em seus olhos feito uma promessa e disse:
— Eu não deixar nada acontecer com você...
Nesse momento, uma voz retumbante gritou dentro dela.
— ‘’Se você não escolher, escolherei por você’’
Ela chegou a pular de susto, a voz percorrendo todo o seu corpo, acelerando seu coração em questão de um segundo.
, o que foi? – Rony estava com os olhos arregalados.
— Eu não sei – disse ela piscando os olhos várias vezes apertando seu coração em sinal de angustia.
— Você precisa descansar – Rony afofou as cobertas e auxiliou a garoto para deitar-se novamente – Quando você vai pra casa?
— Acho que hoje mesmo – suspirou ainda um pouco perturbada – O Professor Dumbledore vai nos escoltar até em casa e colocar feitiços de proteção ao redor dela...Você vai vir, não vai? Passar o Natal comigo?
— Não perderia por nada – ele disse dando um selinho na garota.

***


O professor Dumbledore fez questão de acompanhá-los para casa e ainda fez uma inspeção em todos os cômodos sem falar nos feitiços de proteção que lançou ao redor da residência. O Ministério da Magia também fora acionado e agora a casa de também estava sendo vigiada, os pais da garota ficaram um pouco incomodados com a presença dos bruxos no início, mas ambos tinham bom coração e logo estavam dividindo o pouco que tinham com os visitantes. observara a mãe levando grandes xicaras fumegantes de café para os bruxos que pernoitavam do lado de fora da residência.
O Ministério da Magia não tinha pistas em quem tinha a envenenado e apesar da garota não conseguir lembrar claramente, ela tinha certeza de que Luke era o responsável, só de pensar na presença do garoto, os pelos de suas costas se arrepiavam imediatamente. Ela balançou a cabeça afastando a imagem de seus olhos de gelo a perseguindo para onde fosse e tentou se focar na presença de seus pais e irmãos.
— E AÍ eles entraram na enfermaria TODOS SUJOS DE SANGUE E LAMA – contava ser irmão Henry sobre o que acontecera enquanto ela estava desacordada – E ENTREGOU O VENENO DA ARANHANTULA.
— Acromântula, seu burro – Kevin, o outro gêmeo disse rispidamente.
começou a rir, nunca achou que sua história quase trágica, pudesse quase diverti-la naquele momento. Ela estava ansiosa para o Natal, Ava ficara na escola por mais uns dias, Rony e Blake chegariam na véspera de Natal, até lá ela passaria mais tempo com a família, não que isso a incomodasse, já sentia falta das brigas dos irmãos e da presença do pai e da mãe.
Os gêmeos estavam mais grudados nela do que nunca, ficavam deitados em seu colo, checando se estava tudo bem a todo instante e de certa forma tudo finalmente estava. É claro que vários pensamentos perturbavam a sua mente, como se ela não estivesse se lembrando plenamente de tudo, mas ela agradeceu pelos dias de tranquilidade em família. Ela teve um vislumbre do rosto de Luke Hampton na escuridão e deu um pulo de susto. Seus irmãos pararam com a briga e se aconchegaram perto dela.
— Você está bem?
— Vou ficar bem – ela disse apertando os dois em um abraço, preocupada com o futuro da família sabendo que os Comensais da Morte estavam a par de sua localização. Ela segurou as lágrimas lembrando de seu pedido a Dumbledore e do compromisso firmado entre eles. O diretor lançaria um feitiço da memória na família, a qual partiria para Nova Zelândia logo após o Natal, sem nem ao menos lembrar-se dela.
’Professor Dumbledore – disse assim que os pais entraram dentro de casa – eu preciso de um favor...
— E o que o seria, srta. Fernandéz? – perguntou o diretor a observando por cima de seus óculos meia-lua.
— Eles são tudo o que eu tenho e preciso protegê-los, mas não posso realizar magia fora da escola – o professor inclinou a cabeça como se estivesse entendendo o pedido.
— Eu posso lançar um feitiço que pode os manter protegidos por um bom tempo, mas receio que não poderei desfazê-lo quando tudo isso terminar – sua voz soou pesarosa.
— Eu posso desfazer, quando chegar a hora...— suspirou fundo – se um dia tudo voltar ao normal...
— Muito bem então – ele respondeu – aproveite esse Natal com a sua família, talvez seja o último em algum tempo – acenou a cabeça tristemente
.’’
Ela apertou os irmãos com mais força ainda, desejando que não fosse o último Natal de todos.

***


Blake caminhou em direção a sua casa, arrastando seu malão pela rua deserta com a mãe esquerda, a varinha em punho na mão direita dentro de seu bolso. Sua residência era a última de uma rua sem saída, uma casa pequena e muito simples, mas cheia de boas memórias. O garoto sorriu ao observar a quantidade de plantas na frente do local, jardinagem era um dos hobbies favoritos de sua mãe e ele teve certeza que ela tinha comprado mais uma dúzia delas desde a última vez que estivera em casa.
Seu coração se apertou de saudades, sua mãe era sua única família, ela sempre trabalhara muito para sustenta-lo também na escola de Hogwarts, as vezes ele se perguntava como ela conseguia comprar seus materiais sempre tão caros. Ele estranhou as luzes apagadas, não encontrando sua mãe regando as plantas como de costume. Blake conferiu as horas, certo de que ela já tinha voltado do trabalho.
O garoto encontrou sua casa escura e em silêncio, ele empunhou a varinha, murmurando um feitiço para encontrar a presença de humanos, mas não encontrou ninguém, mais tranquilo ele vagou até a mesa de jantar onde encontrou um bilhete de sua mãe, avisando que iria se atrasar por conta do expediente de trabalho, ela estava cobrindo uma amiga durante suas férias.
Blake suspirou aliviado, mas ainda assim lançou alguns feitiços de proteção na residência, ele não tinha notícias do paradeiro de Luke desde que deixara a escola, logo precisava ser mais cauteloso, inclusive, cumpriria seu plano de manter sua mãe em segurança com mais antecedência do que previsto.
Ele segurou um porta retrato contendo uma foto sua e de sua mãe em frente ao jardim de sua casa e sorriu, ele tinha uns quatro anos e não conseguia se lembrar de quem tirara a foto, gostava de imaginar que tinha sido seu pai, mas isso não era possível, o pai de Blake havia falecido antes dele nascer, um trouxa como a sua mãe, comum e muito trabalhador. O garoto tinha uma foto dele e a guardava com muito carinho dentro seus pertences.
O garoto se dirigiu ao seu quarto e se jogou em sua cama arrumada, o cheiro de lavanda despertando mais memórias de infância. Sua mãe manteve todos os pôsteres de suas bandas favoritas nas paredes, apesar de não gostar muito deles, todos estavam um pouco desbotados por causa da ação do tempo. Seu violão estava esquecido atrás de seu guarda roupa. Ele pegou o instrumento, dedilhando suas cordas empoeiradas, o instrumento emitindo um som desafinado.
Ele despertou de seu devaneio quando sua coruja Charlotte começou a bicar a janela impacientemente. Blake sorriu abrindo uma fresta para que a coruja marrom pudesse lhe fazer companhia. ‘’Apressadinha’’ ele riu baixo, quando ela piou e se aconchegou em seu ombro, em seus pés estavam atrelada um pequeno bilhete, ao abri-lo, Blake reconhecer a letra de quase que imediatamente.
Querido Blake,
Espero encontrá-lo bem. Eu estou muito melhor, muito obrigada por todas as cartas que me mandou nesse período. Mamãe (e eu) quer saber se você e sua mãe se juntarão a nós no Natal?
Aguardo sua resposta,
Afetuosamente,

Blake riu baixo, imaginando a mãe da garota insistindo que mandasse uma carta para confirmar a presença dele. Ele tinha conversado com sua mãe e ela tinha concordado em participar, mas para ter certeza, ele resolveu esperar por ela para responder. Se esticou exausto em sua cama, relaxando seus músculos, sentindo o coração bater mais rápido ao pensar em . Ele sorriu reconfortado por sua lembrança e deixou-se dormir tranquilamente.
Ele acordou sobressaltado, ouvindo passos apressados subindo pela escada. Levantando-se em um pulo, ele esperou o visitante com a varinha em punho. Seu coração se encheu de alívio quando sua mãe entrou pela porta descabelada, ofegante e preocupada, mas seu rosto se torceu em confusão ao perceber que como ele, ela também estava segurando uma varinha.
— Blake, filho, você está bem? – ela perguntou se aproximando dele.
— Mãe? Por que você está segurando uma varinha? – ele perguntou confuso, olhando para os dois instrumentos apontados um para o outro. A mulher ainda jovem e de olhos cinzas feito os dele, abaixou o instrumento, lançando lhe um olhar de sombra e culpa.
— Filho, nós precisamos conversar.

Capítulo 13 - O Último Natal em Família

— Eu não tenho o que vestir – gritou contra uma de suas almofadas, se deixando cair em meio a sua cama desarrumada em um gesto dramático.
Rony estava a caminho de sua casa e ela não pode deixar de se consumir pela ansiedade de jantar com seu namorado e sua família pela primeira vez. Ela gostaria de impressioná-lo, como qualquer outra adolescente normal em seu primeiro encontro oficial.
— E essas pilhas de roupa servem para que? – a voz de Ava soou no batente da porta e se levantou num pulo.
— AVA! – gritou indo de encontro a amiga, as duas se abraçaram, dando pulos e gritinhos – VOCÊ É MINHA SALVADORA!
— É TÃO BOM TE TER DE VOLTA – Ava continuava a gritar.
— Ah, é você Ava? – Kevin um dos gêmeos apareceu na porta da garota – Achei que fosse o seu namoradinho ruivo.
corou fortemente ficando sem palavras, enquanto a amiga soltava uma grande gargalhada.
— E você presta atenção em tudo, não é? Pestinha – Ava disse esfregando a mão nos cabelos cacheados do menino.
— Ah, esse é o motivo da gritaria – Juan disse como se já soubesse o óbvio.
— Oi tio! – Ava disse abraçando o pai de .
Ele lhe deu uns tapinhas nas costas.
— Onde estão os seus pais? – ele perguntou.
— Eles estão atrasados como sempre, mamãe resolveu fazer uma nova sobremesa e não deu certo – Ava disse com uma careta – resolvi vir antes para ajudar a .
— Ajudar com o que? – o homem devolveu com uma das sobrancelhas erguidas.
— A escolher a roupa perfeita, ué! – Ava disse como se fosse óbvio.
— Tudo isso por causa daquele cabeça de fósforo? – o pai de brincou para ver a reação da filha, que cruzou os braços.
— Pai, você prometeu se comportar – ela choramingou.
— E ele vai – disse a mãe da garota, beliscando o homem entre as costelas, que se encolheu de dor.
— Você tinha que me avisar desse namoro com mais antecedência, o meu coração não vai aguentar – o pai dela disse fazendo drama.
é tão dramática quanto o pai – Ava fez um comentário e a acertou em cheio com uma almofadada na cara.
— Vou voltar para cozinha – disse Amélia trazendo o marido com ela – já deixei o Kevin cuidando das panelas por muito tempo.
— MÃE! EU ACHO QUE A TORTA VAI QUEIMAR! – Kevin gritou da cozinha.
— DESLIGA O FORNO CABEÇUDO – Henry berrou para o irmão, correndo para a cozinha.
— SANTA MADRE DE DIOS, TODO NATAL É A MESMA COISA – Amélia bufou correndo para a cozinha.
— Eu estava com saudade dessa gritaria – Ava riu sentando-se na cama da amiga.
riu também, mas logo uma sombra passou pelos seus olhos.
— O que foi? – perguntou Ava.
— Feche a porta – indicou – precisamos conversar.
Ela contou para amiga sobre o acordo firmado entre ela e Dumbledore, o diretor apagaria as memórias da família em relação a filha e todos partiriam para outro lugar em seguro. não quis mencionar o local, apesar de confiar em Ava, era melhor que o segredo estivesse nas mãos de poucas pessoas.
— Como você está se sentindo? – Ava perguntou pressionando os lábios.
— Aliviada, aflita, triste – deu de ombros – mas é o melhor a se fazer, Mamãe não quer que eu retorne a Hogwarts, não depois de tudo...e eu sei que se ficarmos juntos, vai ser muito perigoso.
— Você sabe quando? – Ava perguntou.
— Logo após o jantar – sorriu tristemente – eles irão se mudar daqui dois dias. Dumbledore fez questão de fazer todos os preparativos.
— Bem, se quer realmente a minha opinião, é o mínimo que ele pode fazer, depois do que aconteceu na escola, você se lembra de alguma coisa?
— Não – abaixou os ombros em derrota – eu me lembro de seguir ao corujal e depois disso, nada...mas eu tenho certeza que Luke foi o responsável, eu sonhei algumas vezes com ele, como se ele me perseguisse na escuridão.
Ava controlou um arrepio em seu corpo.
— Você tem ideia de onde ele pode estar?
— Nenhuma, mas por isso estou me assegurando de proteger a minha família – suspirou – eu não posso deixá-los aqui, sem proteção e ir para Hogwarts.
— É a decisão mais difícil, mas a mais correta no momento – Ava disse — eu vou viajar com os meus pais, então o seu segredo está seguro comigo. O pior vai ser quando eles voltarem e ver que seus amigos partiram sem nem dar uma explicação.
— Diga que não era mais seguro e que não sabe da localização deles – Ava concordou.
— Eu sei que muitas coisas estão acontecendo, mas vamos aproveitar essas últimas horas que restam e escolher o que você vai vestir.
— Você está certa – suspirou.
— Blake também vai vir? – Ava ergueu uma das sobrancelhas.
— Não! Ele me mandou uma carta falando de um imprevisto e que conversamos melhor quando voltarmos.
— Você tem certeza de que ele está bem?
— Sim, mandei mais de uma carta para ter certeza, me sinto tão mal por ter duvidado dele...
— Não se culpe tanto, Luke tem mais responsabilidade nessa história do que você...
— Blake disse que me ama – soltou sem querer.
— ELE O QUE?
— Fale baixo, Ava – silenciou a amiga – ele disse que não quer mais esconder nada de mim, inclusive o que ele sente.
— E você? Como está se sentindo com tudo isso?
— Eu estou certa de meus sentimentos pelo Rony, mas...
— Mas você ficou balançada com as palavras dele? Acho que é normal, você nutriu sentimentos por ele por anos...
— Parece injusto com o Rony...
— Você teve uma vida antes dele e Rony também! Não é como se nós não soubéssemos que ele e a Granger ficavam brigando igual gato e rato...
— Você não cansa de ser sempre sensata? – riu mudando de assunto para evitar o seu ciúme de pensar em Rony com outra menina.
— Eu sou ótima para dar conselhos, péssima para segui-los.
— E a Suzana, por falar nisso?
— Não consegui mais falar com ela, não depois de tudo o que você passou, eu fiquei meio fora de orbita esses dias...— Ava disse ocupando suas mãos a dobrar as roupas da amiga.
-Por que você não mandar uma carta para ela? Um cartão de Natal?
— Urgh...eu odeio você.
— Você me ama! E agora vai de uma vez, porque você precisa me ajudar com a roupa perfeita!
Ava saiu do quarto por um instante e olhou ao seu redor, memorizando seu quarto de infância em uma lembrança bem apertada. Seus pôsteres de quadribol, misturados com os de seus filmes favoritos, fotos da sua família, uma porção de desenhos de paisagens, criaturas mágicas e momentos de sua estadia em Hogwarts. Ela ia sentir falta de tudo aquilo.

***


Rony ajeitou sua camisa pela trigésima vez, em um braço segurava um calhamaço de flores silvestres, do outro uma sacola com presentes de Natal. Ele suspirou fundo antes de apertar a campainha da casa.
— Não seja covarde – ele murmurou para si mesmo, sentindo suas mãos suarem de nervoso – você enfrentou uma acromântula por essa garota!
Ele apertou a campainha, ouvindo passos atropelados e sendo bem vindo pelos gêmeos, irmãos da . Os gêmeos eram extremamente parecidos com ela, exceto pelos cabelos loiros e lisos.
, SEU NAMORADINHO CHEGOU – Kevin um deles gritou e Rony soltou uma risada fraca. Henry colocou o pé, impedindo sua passagem, olhando para o menino com cara de poucos amigos.
— Se você quebrar o coração dela, você vai se ver comigo...
— Tenho certeza que sim – ele sorriu.
— Por que você ainda está aí na porta, meu querido? – a mulher lançou um olhar feio para Henry que sorriu amarelo.
— Henry só quis se certificar de que eu precisava de ajuda — Rony respondeu mostrando algumas sacolas. O rosto do menino chegou a brilhar de surpresa, correndo para e sussurrando em seu ouvido, ‘’eu gostei dele’’.
— Essas flores são para Sra. – Rony entregou um buque lindo para a mãe de , que logo o trouxe para um abraço receptivo.
— É muita gentileza sua – ela sorriu abertamente – por favor, fique à vontade.
o aguardava na sala, ela passou as mãos pela sua roupa pela trigésima vez, tentando aliviar o nervosismo, mas não pode evitar as borboletas no estômago, assim que lacrou seus olhos com os dele.
— Oi – ele murmurou e ela sorriu beijando seus lábios delicadamente.
— Oi – ela disse de volta, seu rosto adquirindo um tom rosado adorável.
— Vocês me dão ânsia – Ava disse quebrando o clima e os dois riram, Rony depositou um beijo na testa da garota, a trazendo para um abraço.
— Ronald Weasley – Juan veio ao seu encontro, o recebendo com um aperto forte de mão – seja bem-vindo!
— Muito obrigado, sr. Fernandéz.
— Pode me chamar de Juan – ele disse com simpatia – É a sua primeira vez em uma casa... do que vocês nos chamam mesmo?
— Trouxas – Ava respondeu por ele.
— Ah é, que nome mais estranho.
— Já estive algumas vezes na casa do meu amigo Harry, senhor, mas não fui tão bem recebido como aqui.
— Os guardiões de Harry são meio complicados – completou.
— Como você está? – Rony sussurrou.
— Estou feliz que está aqui.
— Está tudo pronto? – e chacoalhou a cabeça como quem diz que não era o momento. tinha o comunicado de sua decisão por carta. E Rony tinha oferecido abrigo até as coisas se ajeitaram. Ele entendeu o recado, apertando sua mão com força.
— Espero que esteja com fome, Rony – Amélia disse terminando de arrumar a mesa.
— Estou sempre com fome – ele disse entre risos.
— Ah, nossos convidados chegaram – disse Juan recebendo os pais de Ava, Charlie e Olivia.
— Você não precisava ter se incomodado – Amélia disse assim que Olivia trouxe um bolo trufado de morango para a residência.
— Não se preocupe, tive que comprar na padaria, já que sou um desastre na cozinha – Olivia rebateu, abraçando a outra como velhas comadres.
— Ah, agora entendo o motivo de seus cabelos brancos, Juan – Charlie disse se aproximando para cumprimentar Rony — Nós ouvimos muito falar do senhor Rony Weasley.
— Muito prazer, sr. Thompson – Rony sentiu suas bochechas esquentarem – Boas coisas, eu espero.
fala de você há anos – Amelia sorriu furtiva
— Nós podemos mudar de assunto, por favor – disse tentando desconversar.
— Como assim há anos? – ele perguntou para ela.
— Ela gosta de você há um tempão, vai me dizer que nunca percebeu? – os olhos do garoto se arregalaram em resposta.
— Que tal falarmos sobre outra coisa que não seja a minha vida pessoal – sorriu forçado querendo morrer pelo rumo da conversa.
— Nós não seriamos os seus pais, sem lhe causar um pouquinho de constrangimento – Juan disse piscando para a filha.
— Nos conte mais sobre você Rony – Amelia disse – como é sua família? Todos eles são bruxos?
— Sim, senhora! Meu pai trabalha no Ministério da Magia, minha mãe se dedicou mais a nossa família, nós somos em sete irmãos, seis meninos e uma menina.
mencionou que vocês também têm órgãos governamentais como no nosso mundo, ele seria um tipo de servidor público?
— Sim, hoje ele é chefe da Seção para Detecção e Confisco de Feitiços Defensivos, ele evita que objetos amaldiçoados cheguem a outros bruxos ou até aos trou...quem não possui magia...
— Vocês escondem o seu mundo muito bem – disse Charlie – se não fosse por nossas filhas nascidas trouxas, nós nunca saberíamos sobre a existência de bruxos...nós achávamos que era coisa de filme...
— Mamãe quase morreu quando soube – disse entre risos – a professora McGonagalll precisou fazer uma visita a nossa casa para convencê-la.
— Mas é claro – disse a mulher com as mãos na cintura – eu achei que essa história de bruxa era coisa do demônio...
Todos começaram a gargalhar, até mesmo a matriarca.
— A magia já tinha se manifestado antes em – Juan falou – ela fazia coisas que nós não conseguíamos explicar, como aquela vez que ela pintou o cabelo de azul, sem tinta...
— Depois aceitamos bem, é claro... – o rosto de Juan se entristeceu, perturbado por alguma lembrança – mas isso foi antes do que aconteceu e agora não voltará a Hogwarts...
— Como assim? – Ava perguntou indignada.
— Se você acha que deixarei a minha filha voltar para aquela escola está muito enganada – Amelia concordava fervorosamente com o marido.
estava extremamente quieta, lhe doía não poder argumentar e armar um plano pelas costas dos pais, mas isso não estava mais em suas mãos. Rony apertou a mão dela novamente e ela conseguiu engolir o choro, fazendo um sinal discreto para Ava parar de insistir.
— Não vamos falar sobre isso hoje – argumentou limpando a garganta – É Natal e eu estou feliz por estarmos juntos.
— Você tem razão mi hija – Amelia disse rindo
— Mamãe, eu estou com fome – Kevin reclamou.
— Quando nos vamos abrir os presentes? – Henry olhava furtivamente para a base da árvore de Natal.
— Nós somos um pouco barulhentos querido – Amelia quis se justificar para Rony.
— Minha família também é! Não se preocupe com isso.
Todos sentaram para jantar e começaram a falar animadamente, o pai de Juan continuou a perguntar a Rony sobre sua vida de bruxo, o qual respondeu todas as perguntas com prazer, neste jantar ele ficou sabendo mais do trabalho do pai da namorada, que era dono de uma oficina de carros, bem como a mulher, que era auxiliar de enfermagem, uma espécie de curandeira, no mesmo hospital onde a mãe de Ava era médica, Charlie era um administrador e trabalhava em uma empresa de exportação.
estava sorrindo o tempo todo, de vez em quando, parava para observar a interação da família, sem se deixar levar pelo aperto em seu peito, fazendo seu coração ficar pequenininho à medida que o ponteiro do relógio se aproximava a meia noite.
Quando estava todos satisfeitos depois de uma refeição completa regada a carne assada, arroz com passas, tortinhas de limão com merengue, entre outras delícias, todos se sentaram ao redor da árvore de Natal para abrir os presentes.
Rony trouxe dois presentes da Geminialidades Weasley para os irmãos da garota, um de Truques de Magia para Trouxas e Varinhas de Brinquedo, que ficaram maravilhados com os objetos, brincando imediatamente com os presentes, os pais da garota receberam uma cesta com diversas iguarias do mundo bruxo como os sapos de chocolate, feijãozinho de todos os sabores, bem como bolos de caldeirão e varinhas de alcaçuz.
— Espero que goste – ele entregou um pacote para que sorriu largamente.
Dentro dele havia uma edição especial de Quadribol através dos séculos, uma caixa de seus bombons de chocolate e caramelo favoritos, e um desenho dela em um porta retrata.
Ela estava vestida com o uniforme de quadribol, seus cabelos soltos sobre o uniforme e ela estava rindo para alguém.
— Eu também gostava de você ‘’há séculos’’, sabia?
Ela o olhou boquiaberta, sem saber o que dizer.
— Eu lembro exatamente desse dia – ele falou – você tinha acabado de voltar de um treino e estava feliz por ter tortinhas de abóbora no jantar.
riu, seus olhos se enchendo inesperadamente de lágrimas.
— Rony, eu...— ela começou a dizer, mas Rony a interrompeu com um beijinho roubado.
— Você gostou? – ele perguntou incerto.
— É o melhor presente de todos – ela riu satisfeita, em retorno, ela lhe deu um suéter azul marinho, o primeiro que não era de segunda mão ou costurado pela mãe. Rony colocou o presente imediatamente, absolutamente chocado com o fato dela conhece-lo tão bem.
— Obrigado! – exclamou com a maior gratidão que pode expressar.
Eles continuaram a conversar por um bom tempo, até esqueceu-se por um momento que aquele seria o último natal de todos juntos, mas começou a ficar tarde e a tempestade de neve forçou a família de Ava a ir para casa antes do previsto. Os gêmeos dormiam no sofá, cansados demais depois de brincarem com suas varinhas de brinquedo.
e Rony continuaram no sofá, vendo um filme de Natal, o garoto assistia a televisão pela primeira vez em sua vida, seus olhos estavam vidrados no aparelho como se fosse a melhor invenção de todas.
— Nós vamos nos recolher, queridos – disse Amelia – tem certeza que não quer ficar, Rony? O tempo está tão feio.
— É muita gentileza sua, mas meus pais já estão vindo me buscar – ele disse se sentindo mal por mentir.
— Foi um prazer – ela disse abraçando o genro – você sempre será bem-vindo aqui na nossa casa.
abraçou a mãe com força, afundando seu rosto no pescoço da mulher, sentindo o cheiro familiar de seu perfume de baunilha.
— Obrigada por tudo, mãe.
— Nos vemos pela manhã, princesa – o pai dela disse lhe dando um beijo na testa.
observou os pais irem para seus quartos, carregando os gêmeos em seus braços e ela comprimiu os lábios na tentativa de não lhe escapar um soluço pela boca. Ela e Rony sentaram em silêncio, esperando a chegada de Dumbledore, seus pertences já estavam todos empacotados devidamente.
Era precisamente meia noite e meia quando eles ouviram uma batida delicada na porta da frente. Quando abriu a porta, encontrou o professor Dumbledore no batente da porta, o diretor estava vestindo um traje bruxo muito festivo nas cores vermelha e dourada.
— Me desculpe atrapalhar o seu Natal, professor Dumbledore – ela disse, mas ele a olhou com extremo carinho.
— Não se preocupe com isso, srta. Fernandéz. Você já está pronta? – ela apenas sacudiu a cabeça dando espaço para que ele entrasse no local.
Dumbledore não se demorou, imaginando o quanto aquilo estava sendo doloroso para a menina, ele iniciou uma série de encantamentos, seus pais e irmãos, completamente adormecidos não perceberam nada e quando acordassem nem se lembrariam da existência dela. Ela beijou os irmãos na testa e deu um último abraço em seus pais, saindo a passos largos da casa.
Rony observou tudo em silêncio e saiu em seu encalço, apertando sua mão com força, enquanto ela soluçava calada.
— Eu sinto muito – disse Rony a abraçando forte.
— Nem todas as lágrimas são más, srta. Fernandez, tenho certeza de que tudo vai se ajeitar eventualmente – Dumbledore disse e no próximo minuto, eles foram engolidos por aquela sensação de rodopio, aparatando em frente a Toca sozinhos.
— Acho que Dumbledore não quis ficar para o jantar – suspirou observando a ausência do diretor.
— Você está bem? – perguntou Rony fazendo um carinho em seu rosto.
Ela enxugou as lágrimas respirando fundo – vamos, vamos conhecer sua família.
— Ah, sejam bem vindos os pombinhos – Fred gritou para quem quisesse ouvir e todos presentes voltaram suas atenções para os dois.
— Está pronta para a segunda parte de constrangimento do dia? – riu.
— Ah, minha querida, o Rony falou tanto sobre você – disse Moly Weasley a trazendo para um abraço forte – veja como ela é linda Arthur.
— Seja muito bem vinda a nossa casa – Arthur veio ao lado da mulher para a receberem na Toca.
— Todos estão comendo, espero que tenham separado um cantinho para comer um pouco mais.
— Parece tudo delicioso! — respondeu um pouco sem graça.
— Me diga , como você é uma Corvina, mesmo sendo alguém de coragem ímpar? – George chegou perto dos dois.
— Por que você diz? – franziu a testa em confusão.
— Porque para namorar o meu irmão Ronald, você deve ter coragem para muito além do normal.
— Cale a boca George – Rony reagiu e George se fingiu de ressentido.
— Sem xingamentos hoje – Molly ralhou com todos eles.
— Foi ele quem começou – Rony e os irmãos começaram uma nova discussão.
vai achar que nós somos uma família de loucos! – a Sra. Wealsey interferiu na discussão, suas bochechas coradas de vergonha.
— Não se preocupe com isso, sua família é linda – disse com um sorrido no rosto.
— Nós já abrirmos os presentes querida – a senhora se aproximou com um pacote – mas eu fiz esse para você.
abriu o pacote e encontrou um suéter de cor vermelha com a letra D bordada no meio.
— Você faz parte da nossa família também...— não pode conter a emoção e se jogou em abraço apertado na sogra, que pareceu muito feliz e satisfeita com a reação.
— Muito obrigada, eu adorei...
– Fred, Jorge, lamento, queridos, mas Remo vai chegar hoje à noite e Gui vai ter de se apertar no quarto de vocês! pode ficar no antigo quarto de Percy.
– Não esquenta – respondeu George – E, como Carlinhos não vem, isto deixa Harry e Rony no sótão, e se Fleur dividir o quarto com Gina...– ... isso é que é um Feliz Natal! – murmurou Fred.– ... e todos ficarão confortáveis.
— Bem, pelo menos terão uma cama – acrescentou a sra. Weasley, um pouco cansada e ansiosa.
— Por que a não pode ficar no meu quarto? – Gina perguntou desgostosa.
— Sem discussão, Ginevra – a garota se calou no mesmo momento.
Todos continuaram conversando madrugada a fora, fez amizade rapidamente com o resto do grupo, inclusive com Remo e Tonks, aurores que participavam da Ordem da Fênix. Eles não falaram muito sobre a ordem, mas ela tinha certeza que faria parte assim que completasse 17 anos, o que seria dentro de duas semanas. Eles se divertiram também com diversos jogos de tabuleiro e descobriu que não conseguia ser boa em xadrez nem no mundo dos bruxos.
Aos poucos, todos começaram a ir para suas camas, Molly levou a garota para o antigo quarto de Percy Weasley, um dos irmãos mais velhos de Rony que não tivera a oportunidade de conhecer pessoalmente, o quarto estava completamente limpo, exceto pela cama ao lado da janela.
Ela trocou de roupa colocando um pijama confortável e se enfiou debaixo das inúmeras camadas de coberta. Ela tentou dormir, mas sua ansiedade não permitiu, ficou a todo momento pensando na família que deixara para trás. Será que ficariam bem? – se perguntava. Seu devaneio foi interrompido assim que a porta se abriu levemente e por ela entrou Rony Weasley.
— Fiquei preocupado, não está conseguindo dormir? – ele entrou no quarto e trancou a porta suavemente
— Sua mãe vai matar a gente – ela disse querendo rir, abrindo espaço nas cobertas para que ele se deitasse junto com ela.
— Ela só vai me matar se ela descobrir – ele brincou e os dois riram baixo.
— Eu não quero que ela me odeie – disse amedrontada
— Tá brincando? Nem a Fleur ganhou um suéter de Natal.
— Pobre Fleur... – os dois riram baixo.
— Ela e a mamãe tem o gênio muito parecido, por isso não se dão bem.
— Que bom que está aqui – cochichou ela, observando como os olhos do garoto ficavam salpicados de luzinhas feito pequenos diamantes por causa da luz do luar.
— Como você está? – ele perguntou se aconchegando a ela.
— Não estou conseguindo dormir, fico pensando neles o tempo todo...— com isso a garota suspirou fundo.
— Sei que acha que não tomou a decisão correta, mas você não tinha muitas opções. Ficar em casa sem usar magia colocaria sua família em mais perigo...
— Obrigada por me acolher – ela disse em um sorriso.
— Fico triste em não poder te ajudar mais...
— Você pode me ajudar me dando vários beijinhos... – ela piscou para ele que sorriu envergonhado.
— Você não cansa de me surpreender, não é?
— É o meu jeitinho – ela sorriu convencida e Rony selou os lábios deles no mesmo instante.
suspirou em meio ao beijo aprofundando suas mãos nos cabelos lisos do garoto. Os dois não conseguiam explicar a conexão e a química entre eles sempre quando estavam juntos. O garoto ofegou com a proximidade, sabendo que não conseguiria parar caso continuasse, mas aquele não era um bom momento e ele tinha plena consciência disso. Quando os dois quebraram o contato, um pouco envergonhados, Rony disse:
— Eu vou ficar aqui até você dormir.

Capítulo 14 - Vislumbre do Futuro

Luke Hampton encarou os pés, incapaz de enfrentar os olhos gélidos do pai, os olhos que herdara, bem como o resto de suas características físicas. Todos os bruxos costumavam comentar quão semelhantes fisicamente os dois eram, como se a aparência física fosse um motivo de orgulho, um troféu a exibir e se gabar. Para Luke, suas feições sempre foram um vislumbre do futuro, em quem em breve se tornaria.
Toda vez que se encarava no espelho e observava suas gemas azuis, consideradas tão belas e marcantes, se recordava imediatamente dos olhares de reprovação do pai, seus olhos eram os faróis que o julgavam a todo instante, feito um carcereiro de suas ações.
A pequena família estava reunida em uma suntuosa sala de estar, os quadros de seus antepassados também o miravam em desapontamento, o garoto voltou a olhar para seus pés, sua mãe também olhava para baixo, seu rosto impassível, seus cabelos pretos contrastavam com sua pele pálida emoldurados em um penteado perfeito.
Imogen Hampton era conhecida pelo seu comportamento impecável, contudo, suas mãos se apertavam em seu colo, uma gotícula de suor brotava teimosamente em sua têmpora e sua pele, apesar de comumente pálida, estava lívida a ponto de seus vasos sanguíneos serem perceptíveis mesmo a certa distância.
O pai do menino o estudava com extrema seriedade, de certo pensando na punição mais correta – pensou – estremecendo por um instante, as cicatrizes de seu torço começaram a arder, um pressentimento da dor que viria a seguir, apesar de estarem cicatrizadas há um bom tempo. Luke engoliu em seco, olhando para o homem a quem chamava de pai, pela primeira vez em horas, tentando demonstrar todo seu arrependido. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, as palavras escapulindo toda que vez que as enunciava.
— Pai...— ele começou a dizer, mas seu pai o interrompeu sem hesitação.
— Cale a boca! – sua mãe chegou a dar um pulinho no sofá, mas logo se recompôs, a mulher balançou a cabeça discretamente para ele em sinal de negação, um aviso de que aquele não era o momento ideal. Luke fez menção de sentar-se no sofá, mas seu pai logo o repreendeu.
— De pé! – sua voz soava como a de um ditador, sempre lhe dando ordens.
O garoto jamais ouvira o patriarca falar afetuosamente com ninguém, nem mesmo com sua companheira, sua mãe – pensou com pesar – sempre pálida e doente, fraca demais para lutar contra os abusos do marido, incapaz de proteger seu primogênito.
Luke desejou ter um irmão com quem pudesse dividir tamanho desprezo e crueldade, mas por alguma infelicidade do destino, este era um fardo que ele carregava só.
Os minutos se transformaram em horas, o som do relógio de pêndulo começou a contar a frequência de seus batimentos cardíacos, o barulho se tornando alto em seus ouvidos. Desesperado, ele olhou para a mãe que continuava olhando para baixo, buscando o menor sinal de apoio em seus olhos, mas os dela estavam tão vazios quanto.
Não se lembravam de ver a mãe feliz e saudável, exceto quando fora para Hogwarts, onde a jurisdição do seu progenitor não conseguia alcançá-lo. Ele se culpava tanto por não ser um bom filho, de não ser o herdeiro que seu pai esperava que fosse, passara anos de sua vida tentando agradá-lo sem êxito algum.
Luke voltou a pensar no que fizera: arriscara tudo, pensara por um momento que o escolheria visto suas outras opções. Ele pensou em suas mãos delicadas percorrendo o seu torço, em sua feição horrorizada diante seus ferimentos, na sensação de aconchego e misericórdia que experimentara pela primeira vez na vida em seus braços, e ele se odiou por isso. Seu pai estava certo, ele perdera a cabeça motivado por um sentimento irreal, talvez o mais frívolo e fugaz de todos – o amor.
Incapaz de carregar mais um culpa frente a tantas dores – o garoto fechou os punhos com raiva – fora a responsável de sua ruína.
— Pai, por favor... – pediu com a voz trêmula – me perdoe, por favor...
Seu pai ergueu os olhos cortando-o, desgostoso em ouvir sua voz. Alan Hampton, conhecia o significado de muitas palavras, mas perdão não era uma delas.
— Você arriscou todo o nosso plano – começou a dizer em uma voz baixa e ameaçadora – você mostrou que não é digno de confiança, você sabe muito bem qual é o preço de suas escolhas...
— Por favor Alan, reconsidere – interviu a mãe do garoto pela primeira vez — Luke já tem cicatrizes de mais.
— E PELO VISTO NÃO APRENDEU COM NENHUMA DELAS – bradou o homem jogando seu copo de whisky de fogo na parede.
Os dois se encolheram a sua reação.
— Vou lhe dar uma marca que será incapaz de esquecer de seu compromisso com essa família e com o plano do Lord das Trevas – sua voz fria conseguiu diminuir a temperatura do cômodo – se possível — Uma marca da qual se lembrara que erra não é permitido a um Hampton.
O menino pensou em suplicar, se ajoelhar diante dele e pedir fervorosamente para não receber mais uma de suas punições, mas antes que pudesse agir, o homem lançou um feitiço diretamente em seu rosto. Luke cedeu os joelhos em puro choque, suas mãos tocaram o seu rosto de onde escorreria um sangue quente e espesso. Não conseguiu chorar, nem emitir nenhum som, apesar da dor excruciante que martelava em seu crânio.
Hampton o observou sem um traço de ressentimento.
— Não – disse mãe dele em um grito sufocado correndo para o lado do filho e o recebendo em seus braços.
— Tire ele daqui. Não podemos sujar este tapete persa de sangue – o homem murmurou voltando a se servir de um novo copo de bebida – um dia ele aprendera o que precisamos fazer para manter o nome da família.
Incredulidade perpassou pelo seu rosto, como se uma peça inútil fosse mais importante que seu filho que sangrava a seus pés. Imogen puxou o menino para fora do aposento, Luke levantou os seus olhos para o espelho em frente a porta, reconhecendo a cicatriz que cortava o seu rosto na diagonal, do topo da sua sobrancelha esquerda para o canto de sua boca na parte inferior direita.
Não se parecia tanto mais com o pai. Nos braços da mãe, pode se sentir vulnerável por um segundo e abraçou-a, os dois chorando juntos no chão gelado de mármore.

***


O Ministério da Magia autorizou a todos os alunos a utilização da rede flu para voltarem a Hogwarts. se despediu da família Weasley a qual a acolhera durante todo esse período. Os dias foram animados por causa da presença de tantas pessoas, o que ocupou bastante os pensamentos da garota, a distraindo da despedida dos pais, que estariam no outro canto do mundo neste exato momento.
Rony a pegou pela mão e junto com Harry, os três foram conversando até o Salão Principal, com sorte Ava também estaria de volta ao castelo e Blake também. Hermione, a amiga de Rony e Harry se aproximou deles com um sorriso.
— Harry! Ron! Como passaram as festividades? – não pode deixar de notar que ela era invisível para a garota – Preciso falar com vocês, a sós...
Ela disse lhe lançando um olhar incomodado.
sentiu raiva de sua forma rude de falar.
— Não entendi o motivo da grosseria – Rony respondeu no mesmo tom – Qual é o seu problema, Hermione?
Granger estava a ponto de lhe devolver uma resposta afiada, mas interrompeu o momento.
— Nos vemos depois – disse apertando a mão do namorado, sem se despedir dele, ela estava cansada de confusões e sensível demais com os últimos acontecimentos.
O Salão Principal ainda estava vazio. caminhou para a mesa da Corvinal e sentou-se tristemente, um pouco triste de não ver Ava entre os presentes. Ela levou uma das tortinhas de caramelo salgado à boca, mastigando lentamente, sem nem mesmo apreciar uma de suas iguarias favoritas, seu estômago roncava em protesto por sua lentidão, mas estava frustrada com o que acabara de presenciar.
Não desejava brigar com ninguém – por que ela tinha que ser tão grosseira? Pensou. Será que ela gosta dele e sente ciúmes? voltou a divagar um pouco incomodada com a situação. Ela olhou para cima, observando os flocos caírem do teto enfeitiçado, sentindo um turbilhão de sentimentos, ela estava tão sensível e a cena com Hermione só piorara as coisas.
Seus olhos passaram pelo o salão e se arregalaram quando encontrou Blake parado nas grandes portas do local. O sonserino estava diferente, aparentava ter amadurecido alguns anos, ele estava vestido com peças finas de alfaiataria, uma camisa social emoldurando o seu porte atlético, seus cabelos um pouco mais curtos e arrepiados, destacando os seus olhos cinzas. Blake nunca fora alguém inseguro, mas tinha algo sobre ele...algo mudado. Ele abriu um sorriso encantador e caminhou em sua direção com uma confiança e altivez nunca vista.
Seu estômago se contorceu no mesmo instante – órgão estúpido — um sentimento estranho permeando o seu íntimo – Blake estava lindo, ele sempre fora alguém muito atraente, mas parece que finalmente tinha se dado conta disso.
— Como está a minha encrenqueira favorita? – brincou ele a chamando para um abraço, ela aceito o abraço, sua colônia masculina invadiu todos os seus sentidos.
— Dando um tempo de todas as encrencas – riu-se ela sentindo o calor do seu corpo a aquecendo e quis chorar no mesmo instante.
— Você está bem? – ele pode sentir sua mudança de humor.
— Só estou um pouco sensível com tudo o que aconteceu – ela sorriu sem graça – você está diferente!
Blake olhou para baixo, seus olhos se escurecendo por um momento, mas ele logo tratou de dispersar essa emoção.
— Eu disse para você que as coisas iriam mudar, eu não podia continuar a viver como um covarde, não depois de tudo...
— Gostei do cabelo – ela elogiou e ele sorriu mais ainda se aquilo era possível
— Como foi o Natal? Sinto muito, tive alguns contratempos e não consegui comparecer – ele pareceu muito sincero.
começou a conta sobre o que fizera em prol de proteger a família, sua voz carregava tanta culpa que a garota mal pode segurar o choro. Blake comprimiu os lábios, instintivamente apertou uma de suas mãos para confortá-la. Em seu íntimo, ele gostaria de fazer mais do que isso, mas respeitava as decisões da garota, inclusive seu relacionamento.
...— disse ele em forma de pesar – eu sinto muito tanto por não estar lá...
— Você não tem culpa...— disse ela limpando o canto dos olhos. Ela estava tão abatida, por mais que tentasse esconder, mas Blake a conhecia bem demais. O sonserino ficou triste por um momento, pensando em tudo o que estava por vir e por mais que quisesse não conseguiria protegê-la.
— Eu comprei um presente de Natal para você... – arregalou os olhos.
— Mas eu não comprei nada... – choramingou ela. Blake soltou uma gargalhada.
— Não tem problema – o garoto tirou uma caixinha das vestes – eu quero que isso fique com você...
resistiu um pouco, mas abriu o presente mesmo assim, o que mais importava para ela no momento, era recuperar a amizade entre os dois. Blake lhe dera um colar com uma pedra bruta de cristal verde.
— Blake, é lindo...— disse ela em um sorriso – mas eu não posso aceitar, isso parece tão caro...
— Aceite como um pedido de desculpas por todo esse tempo que eu agi feito um idiota, que tal?
pegou o objeto com carinho e o colocou no pescoço.
— Linda...— disse ele e a garota sentiu suas bochechas esquentarem no mesmo momento – preciso ir... – Blake lançou um olhar de relance para porta do salão – nos vemos amanhã na aula de Poções.
— Você jura? – ela disse abrindo um sorriso.
— Juro – ele piscou para ela acenando com a cabeça para Rony que estava se aproximando da mesa da garota.
perdeu o sorriso imediatamente, lembrando-se da situação dos dois.
— Me desculpe por hoje mais cedo, mais uma vez – ele disse dando um beijo em sua testa.
— Não quero ser o motivo de conflito entre você e seus amigos – a garota falou desenhando círculos com o dedo nas mãos de Rony – não quero mais problemas e eles parecem me perseguir onde eu vou...
— Você não é o problema, – ele disse lhe dando um abraço apertado – vou resolver essa situação, eu prometo.
Ela abriu um sorriso sincero e lhe deu beijo delicado nos lábios. Rony não pode deixar de notar o pêndulo com um cristal que a garota carregava, ele comprimiu a boca em uma fina linha, um pouco incomodado com o presente, que provavelmente, Thomas Blake dera para ela.
— Bonito colar – ele murmurou forçando um sorriso.
— Você se importa? Blake quem me deu – a garota fez menção de tirar o acessório, mas Rony a impediu.
— Você ficou linda com ele! – Rony a trouxe para um abraço – eu sei que você está lidando com tantas coisas agora, me desculpe por não te incluir nisso...
— Granger parece não gostar da ideia...— se amaldiçoou pela sua língua grande.
— Ela só não conhece você...
— E isso a permite ser sem educação? – a garota sentiu seu sangue borbulhar de raiva.
— Eu pedi desculpas pelo o que aconteceu...— Rony se defendeu.
— Não é você quem precisa me pedir desculpas – suspirou ela controlando todo o seu ímpeto – preciso dormir...nos vemos amanhã? – ela deu um beijo em Rony e partiu antes que ele pudesse dizer alguma coisa.

***



quis chorar de raiva, tristeza e ciúme. Amaldiçoou sua vida, sua má sorte e suas más escolhas, sobrou para Hermione Granger e toda a casa Grifinória. Ela se jogou em sua cama, não conseguindo controlar as suas lágrimas e desejando desaparecer para evitar todo e qualquer tipo de conflito.
— Eu nunca soube que você podia amaldiçoar tanta gente junta – ela ouviu a voz de Ava e ao invés de parar de chorar, seu soluço se intensificou ainda mais. Ava sentou na beirada da cama da amiga e passou a fazer carinho em seus cabelos para que seu choro cessasse.
— Eu sei que parece impossível agora – Ava começou a dizer ainda mexendo em seus cabelos – mas eu prometo que tudo vai ficar bem, você não está sozinha...
— Por que me sinto tão só ainda assim? – fungou encarando a amiga pela primeira vez.
— Tudo é muito recente e você precisa ser mais gentil consigo mesma – abriu espaço para que Ava se deitasse ao seu lado.
— Eu estou com tanto medo, o tempo todo... – a morena soluçou e Ava a encarou com os olhos tristes.
— Eu também – suspirou ela – mas estamos juntas, você é minha irmã de outros pais, se lembra? Eu também sou sua família.
sorriu sem conter suas lágrimas.
— Eu vou ficar aqui e velar o seu sono, igual quando fazíamos quando éramos pequenas e estávamos com medo – a corvina conjurou pequenas esferas de luzes coloridas, as quais piscavam e flutuavam pelo dormitório feito vagalumes.
sorriu fechando os olhos devagar, a visão do dormitório sumindo aos poucos. Logo, ela estava sonhando. A corvina começou a andar por um gramado muito verde e florido, suas mãos tocavam o topo das flores e o sol brilhava intenso acima dela. De repente, tudo escureceu, uma tempestade inesperada e uma voz que ela conhecia bem começou a retumbar pela paisagem.
— Ele vai escolhê-la não importa o que você faça. Ele precisa escolhê-los agora.
A cena mudou e ela viu: Rony, Harry e Hermione...imagens desconexas, Rony e Hermione dançando em um casamento e posteriormente viajando juntos. Seu coração se partiu com a visão, a cumplicidade dos dois e de como eles eram bons juntos, não só os dois, mas o trio em si. Ela sentiu-se tão mal feito uma intrusa.
— Mas ele me ama...— respondeu ela para a voz.
— Ainda assim, ele precisará escolhê-los...
acordou em um susto, sentando-se no quarto escuro, seu rosto manchado de lágrimas, ao seu redor, suas companheiras de quarto dormiam tranquilamente. O sonho ainda estava claro em sua mente, como se fosse uma lembrança de algo real. Imagens de Rony e Hermione, juntos...E por mais que ela não quisesse admitir, que se recusasse a aceitar, algo em seu íntimo começava a entender que talvez, ela não estaria presente em seu futuro.

Capítulo 15 - Vivendo o Presente

Blake costumava perguntar o tempo todo sobre o pai quando era pequeno, gostava de saber mais detalhes sobre aquele homem da foto, como ele era, quais eram suas características mais marcantes, suas qualidades e defeitos, seus hobbies...será que eles eram parecidos de alguma forma? Por mais que Blake procurasse se identificar com os traços do pai pela única fotografia que tinha dele, não cDiaonseguia encontrar muitas semelhanças. Regis Blake era um homem magro e alto, seus cabelos loiros e olhos amendoados e gentis, de nada se pareciam com os olhos cinzas e tempestuosos de Blake. Tampouco era muito parecido com a mãe, herdara apenas a mesma cor de cabelo e o humor sarcástico.
O menino cresceu sem conhecer o resto da família, aparentemente, este era um assunto delicado para se tratar com a mãe, seus olhos ficavam imediatamente tristes quando mencionava seus pais e avós, o que fez com que Blake parasse de fazer perguntas sobre seu passado e começasse a aceitar a sua pequena família de dois membros. No entanto, sua curiosidade não se limitava quando o assunto era o seu pai e Blake sempre ficava extremamente nervoso ao ouvir as respostas vagas e evasivas da mãe.
O que ela poderia estar escondendo, afinal? Eles eram aparentemente comuns, pelo menos, até o menino receber a sua carta de Hogwarts quando completara 11 anos e sua vida mudara drasticamente no período de um mês. Ele, contudo, ficou encantando com o mundo que lhe fora apresentado, em seu coração, ele sempre se sentiu de certa forma deslocado em seu mundo e na escola (agora trouxa) que costumava estudar.
Sua mãe, para sua surpresa, lidou muito bem com todas as mudanças, Blake teve a estranha sensação de que ela estava aliviada por algum motivo. Talvez porque agora ele estaria longe de algumas más companhias do seu bairro de classe média baixa e conseguiria ter de fato o direito à uma vida muito melhor do que a que os dois tiveram até o momento.
Antes que pudesse embarcar para o seu primeiro ano letivo, a mãe o presenteou com um instrumento, uma gaita de boca de cor prateada e gravada com as iniciais de seu pai. Blake mal conseguiu conter sua euforia de finalmente sentir seu pai tão perto dele, o instrumento parecia um amuleto, que o protegia e guiava nas horas mais difíceis, o garoto aprendeu a tocar tão rapidamente que acabou tendo mais facilidade para se expressar pela arte do que pela comunicação, como se as notas musicais traduzissem seus pensamentos mais complexos. Mas ao girar o instrumento em suas mãos, depois do que descobrira no Natal, era como se não fossem mais tão próximos e não se conhecessem tão bem.
É claro que em um ímpeto, ele quis se revoltar, exigir da mãe todas as explicações que não recebera todos esses anos, quem sabe se tivesse sido preparado melhor para o que estava por vir...É claro que agora, ele tinha respostas para algumas perguntas, como o porquê de ter sido escolhido para a casa Sonserina. Ele era um sangue-puro, o pensamento lhe causou certa repulsa e a palavra saiu retorcida de seus lábios, como se fosse algum tipo de veneno que ele se recusava a engolir, mas tinha pouco tempo e este era precioso demais para perder com definições tão estúpidas.
Blake ficara alguns dias sem falar com a mãe, mas acabou perdoando-a, visto que a matriarca desejava nada mais que protegê-lo. Os dois seriam mais fortes trabalhando juntos e o garoto tinha plena consciência disso. Ele sentiu-se obrigado a amadurecer em pouco tempo e colocar algumas outras questões em perspectiva, suas prioridades mudaram e a guerra estava próxima. Ele precisava prepará-la...principalmente agora que não tinha certeza de que estaria apto a protegê-la no próximo ano, na verdade, estaria correndo grande perigo se ficasse perto dele.
Ele passara praticamente metade do ano sem contato com a garota, agora que voltaram a ser amigos e ela estava feliz, como se sentiria depois, sabendo o que ele estava prestes a fazer? Será que entenderia seus motivos? Blake levou a gaita à boca, emitindo um som aveludado por um instante, mas não conseguiu continuar. Suspirou impaciente, largando o objeto de lado, enfiando seus dedos longos em seu cabelo, os deixando ligeiramente arrepiados, Thomas soltou uma golfada de ar, as gotículas saindo feito vapor branco e gelado de seus lábios carnudos.
Ele apertou suas mãos, observando o campo de quadribol a sua frente, a grama estava coberta por uma grossa camada de gelo, a neblina espessa o impedia de enxergar muito adiante. Blake não tinha cabeça para partidas, mas o jogo entre Corvinal e Sonserina chegaria em breve, talvez conversasse com o capitão e pedisse para ser substituído dessa vez, ele não iria gostar muito, mas era melhor do que não conseguir entregar sua melhor performance. Ele checou as horas em seu relógio de bolso, se dando conta que ainda era cedo e esticou os membros amortecidos pelo frio em uma tentativa de melhorar a sua circulação.
— Sabia que estaria aqui – o menino se sobressaltou quando surgiu na arquibancada atrás dele
Grandes olheiras circundavam os seus olhos amendoados, uma apatia colorindo suas costumeiras bochechas rosadas. Ela tentou lhe lançar um sorriso reconfortante, daqueles que indicam que não há motivo para se preocupar, mas Blake franziu as sobrancelhas mesmo assim, sua aflição evidente em seu rosto.
— O que está fazendo acordada tão cedo? – ele levantou uma das sobrancelhas – Não conseguiu dormir de novo?
Ela balançou a cabeça em sinal de negação, sentando-se ao seu lado e apertando seu casaco contra o corpo por causo do frio. Blake conjurou uma esfera de fogo para aquecê-los e agradeceu com um sorriso, abraçando-se a seus joelhos. Seus olhos desfocados pensando em algo distante. O sonserino não pode deixar de reparar no quão fragilizada ela se encontrava, perdera muitos quilos e seu desempenho nos estudos também caíra bastante.
— Por que você não me conta o que está acontecendo? Estou preocupado – ele disse fixando seus olhos cinzas nela.
— Você não vai acreditar em mim – esfregou os olhos.
— Por que você não me deixa decidir se eu acredito ou não?
suspirou fundo.
— Eu estou tendo alguns tipos de...visões...
— Você diz premonições? Como em adivinhação? – Blake franziu as sobrancelhas.
— Eu não estou louca, okay? – a garota parecia envergonhada.
— Eu não disse isso, me conte mais sobre.
mordeu os lábios, torcendo seus dedos um pouco ressecados por causa do frio.
— Eu comecei a ter essas visões no ano passado...como se estivesse em uma guerra...— Blake sentiu sua espinha gelar – vi pessoas...morrendo...vi pessoas que eu amo, irem embora...
Blake engoliu em seco observando seus olhos marejados. Quem ela vira ir embora?
— Eles estão piores a cada dia, cada vez mais lúcidos, a ponto de conseguir sentir cheiros e toques... as vezes, eu preciso pensar por alguns minutos para tentar discernir o que é real e o que não é – ela falou amargurada.
— Esse momento é real – ele pegou na mão dela e entrelaçou seus dedos gelados nos dela.
apertou a mão dele com força. Ela parecia tão pequena, tão frágil. Nada parecida com aquela garota que ele conhecera.
— Rony irá me deixar – ela disse com dificuldade, as palavras escapulindo de sua boca.
‘’Rony, certo’’
— Mais alguém? – ele perguntou disfarçando a rigidez que tomara conta de seu corpo.
— Eu não vou aguentar perder mais ninguém – disse ela.
Blake não conseguiu dizer nada, queria confortá-la, mas havia relatos de bruxos que sentiam presságios perto de guerras ou outros acontecimentos. E ele queria dizer que ela não iria perde-lo, mas estava cansado de faltar com suas promessas.
— Escute, o importante é sempre achar um jeito de nos encontrar de novo.
— Você acha? – ela disse apertando ainda mais a mão dele.
— Eu tenho certeza – Blake sentiu a voz quebrar por vê-la nesse estado – Você vai encontrar o caminho de volta...
— Para onde?
— Para qualquer lugar que quiser ir...
expressou um leve sorriso, aquele que ele amava.
— Por que você não tentar falar com o....Weasley sobre essas visões?
— Voltamos a Hogwarts há duas semanas e mal consigo vê-lo. Ele está tão ocupado, me parece que Dumbledore passou alguma tarefa à Harry...
— Você sabe o que é?
— Ele não me conta absolutamente nada, eu entendo, mas é frustrante não saber...
estava lhe dando indiretas sem saber.
— Você vai se sentir melhor se começarmos a nos preparar para isso? Eu tenho certeza que suas visões são um pressagio do que está por vir, quem sabe podemos ajudar mais alunos nascidos trouxas...
O rosto da garota pareceu se iluminar.
— E se convidarmos todos que participaram do clube anti-slug?
— Acho que seria maravilhoso, eu posso te ajudar, se isso for te fazer sentir mais segura...
Blake torceu por dentro para que ela aceitasse a proposta, ele também ficaria aliviado sabendo de seus esforços para se proteger.
— Eu vou organizar isso agora mesmo! – ela levantou-se animada e saiu correndo pelas arquibancadas.
— AINDA É CEDO, PORQUE VOCÊ NÃO DORME MAIS UM POUCO? – gritou ele.
A garota parou no meio do caminho, virando-se para o garoto e sorrindo verdadeiramente em semanas.
— BLAKE – gritou ela de volta – É MUITO BOM TE TER DE VOLTA.
Thomas Blake abriu um largo sorriso, de repente, estava com vontade de tocar sua gaita novamente.
***

— Eu não aguento mais você vivendo igual um bicho papão – Ava reclamou enquanto a puxava ainda cedo para o Salão Principal.
— Se eu não consigo dormir, ninguém mais dorme...— tirou alguns pergaminhos da bolsa.
— Muito engraçado – Ava disse tomando um grande gole de café, seus olhos ainda se acostumando com a claridade.
— Vamos transformar o club anti slug em uma Armada dos Nascidos Trouxas – disse enfeitiçando um novo pergaminho.
— Que ideia foi essa? – Ava esfregou os olhos tentando assimilar tantas informações.
— Acho que me envolver em uma atividade extracurricular vai me ajudar e também os outros para nos preparamos...bem...você sabe...
— Parece interessante, você nem vai precisar implorar para que eu participe...
olhou para Ava escandalizada.
— Implorar? Alguém acordou com a língua afiada hoje!
— Você sabe que detesto acordar cedo – reclamou ela se servindo de mais uma xícara de café – parece que se namorado também caiu da cama...
esticou o pescoço e viu Rony entrar acompanhado de Harry e Hermione, os três riam e confidenciavam algo entre eles. A corvina desejou não sentir ciúmes, mas sentiu. Os três eram a lembrança viva do que aconteceria a seguir e ela não conseguia evitar que seu coração se partisse em mil pedaços. Ela fechou a cara imediatamente, voltando sua atenção para o pergaminho.
— O que foi? – Ava lhe deu um cutucão. Rony tentou chamar-lhe a atenção do outro lado do Salão, mas decidiu simplesmente ignorá-lo. O garoto franziu a testa em confusão e Ava deu de ombros para ele.
— Você está com ciúmes da Granger, não é?
— E por que eu teria ciúmes dela? – enfeitiçou o pergaminho com tanta força que ele acabou pegando fogo.
— Eles são amigos! Se Rony consegue aceitar sua amizade com o Blake, você precisa aceitar a amizade dele com ela, eles se conhecem há anos...
— De que lado você está? – fechou a cara, pegando um novo pergaminho.
— É claro que é do seu! Mas isso não quer dizer que não preciso dizer nada quando obviamente é você quem está errada em toda a situação.
respirou fundo.
— Você não viu o que eu vi.
, você está remoendo essas visões há semanas. Você perdeu peso, está pálida, mal come, mal dorme...está tão preocupada com o futuro que não consegue viver o presente. Se você terminar seu relacionamento, não vai ser por causa de uma visão idiota, mas por causa dessas atitudes infantis...— Ava se levantou mal humorada, recolhendo todos os seus materiais e seguindo em direção as suas aulas.
— AVA! – chamou, mas a garota já tinha saído pelas portas do Salão – ótimo. Todos estão contra mim...
— Eu não estou contra você...— ela reconheceu a voz de Rony, o garoto estava em pé ao seu lado, suas mãos em seus bolsos, Rony estava com os olhos baixos e parecia chateado.
— Não é o que parece – bufou ela enfiando os pergaminhos de qualquer jeito na bolsa.
— Você tem me evitado.
bufou chateada.
— Sinto que não tem espaço para mim na sua vida – a garota levantou indo em direção a saída do Salão com o garoto em seus calcanhares.
— Você está sendo injusta – Rony falou um pouco irritado – você está cada vez mais distante em um ponto onde não estou conseguindo te trazer de volta...
parou de caminhar, voltando-se para ele com os olhos marejados.
— Quem sabe seja melhor, quem sabe se você ficar com alguém mais estável como a Granger...
— Você está com ciúmes – o rosto de Rony se abriu em realização. voltou a caminhar antes que se humilhasse ainda mais, mas Rony a impediu segurando-a gentilmente pelo braço. mordeu tanto os lábios que por pouco não os feriu, tamanho a sua força e revolta consigo mesma, principalmente por estragar tudo. Ava estava certa mais uma vez.
— Estou – admitiu ela querendo dar um murro em seu próprio rosto – você não precisa falar o quão imatura eu sou.
Rony a trouxe para um abraço apertado, sua raiva se dissipando no mesmo segundo.
— Você precisa comunicar os seus sentimentos, eu achei que você precisava de um tempo sozinha...achei que estivesse incerta sobre nós...
— Rony, eu nunca...eu só sinto como se não pudesse suportar...
— O que?
— Te perder aos poucos...
Rony não entendeu o porquê estava dizendo aquelas coisas, quem sabe a culpa realmente era sua, a garota estava passando por um momento difícil e sua mudança de comportamento era notável para qualquer um.
— Por que você está dizendo essas coisas? Eu estou aqui, não estou? – ele disse a trazendo para um abraço, o qual retribuiu com ferocidade.
‘’Mas por quanto tempo?’’ – pensou ela enfiando seu rosto na curva de seu pescoço.

***

enfeitiçou os pergaminhos como da última vez, pensando em como suas preocupações e prioridades mudaram desde o clube Anti-Slug, que sorte tinha em se preocupar com um assunto tão trivial como não gostar de um professor. Eles decidiram por usar a sala precisa para começarem a treinar algumas magias avançadas, soubera dessa informação por Rony, o qual participara da Armada de Dumbledore no quinto ano, uma organização fundada pelo trio para combater os absurdos de Dolores Umbridge, uma das piores coisas que já tinham acontecido em Hogwarts.
O grupo era tão secreto que ela não acabou participando, apesar que teria adorado ter uma chance de revidar. Ela passou por vários corredores, pregando os cartazes, os quais só podiam ser vistos por nascidos trouxas. No caminho, ela encontrou os seus amigos Patrick e Alex, os dois estavam sentados em uma das escadas, acompanhados por seus gatos de estimação. ficara feliz em saber que tivera bons resultados com o clube anti-slug, e o relacionamento deles era prova disso. Os dois estavam se dando tão bem.
— Você está péssima – disse Alex antes mesmo que ela pudesse abrir a boca, Patrick o cutucou nas costelas.
— Ele não quis dizer por mal – Patrick respondeu entredentes – só não consegue filtrar os pensamentos que saem pela sua boca.
Alex sorriu amarelo
— Todo mundo anda me dizendo a mesma coisa, acho que preciso escutar – disse um pouco sem graça.
— Você não está conseguindo dormir por causa das visões não é?
— Visões? Como você...— Alex começou a dizer.
— Eu achei que você já tinha se acostumado com o jeito do Patrick, Alex – riu-se
Alex ainda o encarava boquiaberto.
— Eu nunca vou me acostumar com isso, eu acho tão bizarro...mas no bom sentido – ele retificou antes que Patrick lhe lançasse um olhar cortante.
— Você já tentou pedir uma poção de Sono para a Madame Pomfrey? Costumava me ajudar bastante – ele piscos os olhos de cores diferentes – eu sei como esses pesadelos podem ser...hum...perturbadores...
engoliu em seco.
— Eu e o Blake estamos organizando uma armada dos nascidos trouxas, reuniões para nos organizarmos para o futuro, você devia vir Alex...
O loiro engoliu em seco.
— Ela tem razão – Patrick apertou a mão do menino em sinal de conforto – eu posso ir junto se você quiser e se você deixar eu participar...
— Quanto mais gente melhor! – confirmou ela se afastando – vejo vocês amanhã...

***

Para a surpresa da garota, muitos alunos apareceram, mais do que ela esperava. Ava também estava lá por mais que não estivessem se falando. Todos os nascidos trouxas cochichavam nervosos, um burburinho preenchendo o ambiente, também estava com as mãos suadas. Ela lançou um olhar para a porta da Sala Precisa esperando por Rony ansiosa, mas teve quase certeza de que ele não iria comparecer.
Ela apertou os lábios tentando disfarçar o seu descontentamento, tudo ficara mais leve entre eles desde a última conversa que tiveram, mas Rony continuava muito ocupado com os outros assuntos. olhou incerta para Blake, o menino estava muito sério, os braços cruzados, uma de suas mãos segurando firmemente a varinha. Ele encontrou o olhar dela nesse mesmo instante e o menino relaxou a sua postura, lhe lançando um sorriso encorajador. Ela arranhou a garganta um pouco incerta de como prosseguir e logo todos os presentes se calaram, seus olhos arregalados fixos nela.
— Lorde Voldemort retornou e estamos presenciando muitos ataques aos nascidos trouxas como nós. Criamos esse grupo para que possamos discutir estratégias para nos proteger no ano que vem e nos planejarmos diante a esse cenário caótico e discutirmos as nossas opções...
— Como assim, opções? – um deles perguntou um pouco confuso.
— Nós acreditamos que Hogwarts não será mais seguro para nós no próximo ano...— a sala preencheu-se com exclamações e todos começaram a falar ao mesmo tempo.
— Como pode ter certeza? Os bruxos das trevas não estão no controle do ministério – interferiu uma aluna do sexto ano da lufa-lufa – Que lugar pode ser mais seguro para nós do que Hogwarts?
Muitos alunos balançaram a sua cabeça em concordância.
— Eu não vim aqui para falar de certezas, eu estou te oferecendo uma oportunidade para se planejar melhor e ter uma chance. Não podemos ignorar os desaparecimentos e os assassinatos ou vocês já esqueceram da morte dos pais da Chloe Wright? Vocês são livres para acreditarem no que quiserem, mas se existe alguma intuição dentro de você, que te pede para ficar e aprender, fique.
Todos se calaram imediatamente. Blake lhe deu um aceno com a cabeça e continuou a falar, alguns alunos se encolheram a sua presença, mas sua voz saiu aveludada e tranquilizadora.
— Nós temos a presença de alguns alunos do sétimo ano que vão no ajudar a desenvolver nossas técnicas de combate bem como alguns feitiços mais complicados. Iremos concentrar essas aulas em três matérias específicas, as quais consideramos mais interessantes para nos proteger como Poções, Transfiguração, Feitiços e DCAT. Iremos nos reunir três vezes na semana depois das aulas devido ao extenso conteúdo. Caso você não consiga participar de todo o processo, os materiais ficaram disponíveis aqui para sua consulta a qualquer momento.
— Começaremos hoje com o tema ‘’ Rastreamentos e Rotas de Fuga’’ pediu para que Patrick tomasse a frente do estudo – Patrick já estudou a matéria no sétimo ano e seus pais são aurores com grande experiência no campo.
O sonserino começou a falar sobre as melhores rotas de fuga dentro da Inglaterra e também onde eles teriam menos probabilidade de serem encontrados por algum outro bruxo, muitos dos alunos também estavam cogitando saírem do país com suas famílias para conseguir protege-los melhor, no entanto, nem todos tinham a mesma condição financeira e se encontravam aterrorizados pelo o que estava prestes a acontecer.
— Vocês precisam manter a calma e permanecer centrados! Suas famílias precisam de vocês – disse a garota os encorajando.
O grupo revisou feitiços como Abaffiato para abafar o som dos locais e também a Azaração de Ofuscamente, um feitiço que impede a visão normal de objetos encantados, assim eles poderiam enfeitiçar uma capa de viagem e conseguir ficar invisível sem a utilização de uma Capa da Invisibilidade.
Patrick também falou sobre o feitiço Collorportus, uma forma mais eficiente de lacrar portas ou passagens, um feitiço bem útil para aqueles que não tinham opção a não ser ficar na Inglaterra. conseguiu realizar o feitiço Cave Inimicum – feitiço que potege uma área determinada, impedindo que qualquer pessoa veja de fora — com eficiência pela primeira vez na vida e essa realização lhe passou mais confiança, ela sorriu para Blake que a observava com os olhos atentos, sua expressão preocupada pareceu acender um alerta dentro da garota. Blake estava escondendo alguma coisa dela.
— Isso já é o suficiente por hoje – Patrick encerrou as atividades e todos pareceram deixar o local mais aliviados do que entraram.
fez menção de conversar com Blake, mas Rony entrou esbaforido pelas portas da Sala Precisa, seu rosto vermelho denunciava que correra até ali.
— Me desculpe, eu tive que resolver algumas coisas com o Har...
— Com o Harry, eu sei...— ela sorriu compreensiva.
— Como foi? – disse se referindo ao grupo.
— Foi bem produtivo, aprendi algumas coisas novas...
— Você vai ao jogo de quadribol amanhã?
— Vou sim, te espero lá? – perguntou a Rony. Ele sorriu a beijando nos lábios.

***


O jogo da Corvinal contra Sonserina estava acirrado, os dois times estavam jogando com extrema ferocidade, ambos os grupos tentando desestabilizar o adversário. O tempo nebuloso dificultava a visão até mesmo dos espectadores. Blake não estava jogando dessa vez, dissera a que precisava se concentrar em outros assuntos e não aparecera ao jogo e ainda assim a Corvinal estava sentindo muitas dificuldades para passar as defesas da outra equipe.
faltava comer os próprios dedos de tanto nervosismo, seu corpo estava queimando apesar do tempo gelado. Nada atacava mais os seus nervos de que um bom jogo de quadribol. Ela esticou o pescoço procurando por Rony no meio da torcida elétrica e não o enxergou em lugar algum, bufou frustrada por não poder comentar o jogo com alguém, Ava ainda estava brava com ela e tinha se sentado longe da amiga.
Wilson pega a goles e sai em disparado para os aros da Sonserina – disse Zacharias Smith na cabine de narração – mas espere...Travis está voando em sua direção para tentar interceptá-la e....UHHHHH – gritou ele seguido por toda a torcida – Que colisão horrível! Travis escapou ileso desta manobra, mas não podemos dizer o mesmo da artilheira Wilson, esperamos que ela esteja bem – a garota acabara de cair ao chão, seu rosto banhado em lágrimas, segurando com força o braço direito.
Uma memória sobreveio a sua mente, desbloqueando o que acontecera com ela em seu último jogo como titular da Corvinal.
‘’ voava com agilidade em direção aos aros da Sonserina, em seu caminho, ela desviou de um balaço lançado por um dos batedores do time adversário, voltando novamente a sua rota. Tudo acontecera rápido demais. Travis viera por cima, utilizando-se de seu ponto cego e colidiu com o seu braço que segurava a goles.
A garota sentiu o braço retorcer e dobrar, uma dor insuportável tomando conta de seu corpo a ponto de ela perder a consciência e cair da vassoura’’
Raiva percorreu todo o seu corpo e ela se viu caminhando em direção ao campo de quadribol a passos firmes, Ava gritou o seu nome, mas ela estava cega pelo ódio e rancor que aquela cena despertará. Ela acelerou o passo, agora correndo em direção ao centro do campo. Os professores atendiam Wilson no chão que esperneava de dor ao segurar o seu braço direito.
— EU VOU ACABAR COM VOCÊ – disse batendo com a ponta do seu dedo no peito de Travis, o qual era o dobro de seu tamanho. O garoto riu debochado e ela se virou no mesmo instante, caminhando a passos duros para falar com o professor Flitwick.
— Me libere para jogar, professor – pediu furiosa.
— Mas srta. Fernandez, eu não tenho...
— Me libere para jogar, professor – ela pediu com ferocidade e o professor buscou apoio de McGonnagal.
A mulher, no entanto, sorriu levemente e disse para o colega.
— Acho que a Corvinal está precisando de uma artilheira substituta.
O time da Corvinal vibrou com a volta da garota. se dirigiu ao vestiário com o resto da equipe e voltou a colocar o seu uniforme favorito. Ela se olhou no espelho como se a vestimenta a abraçasse feito um manto, então ela teve certeza que conseguiria. Os jogadores a observavam atentos quando ela se dirigiu ao quadro de estratégia.
— Eu tenho um plano...
voltou ao campo sob os aplausos das outras casas, ela nunca esteve tão séria em uma partida. Sonserina aprenderia uma lição. Eles podiam conhecer seu estilo de jogo, mas não depois de sua lesão, se Travis achara que ela estava acabada, ele estava muito enganado. Ela lançou um olhar para a multidão e encontrou Rony aos berros, torcendo por ela.
Madame Hooch apitou novamente e colocou o seu plano em ação, voava rápido e precisamente. Travis tentou intercepta-la, mas não pode esperar que tinha desenvolvido suas habilidades e agora não arremessava mais com a direita e sim com a esquerda. Em um passe surpreendente, a garota realizou uma manobra em pé na vassoura – Surf Inspirado — ela observou Travis vir rapidamente em sua direção e esperou até o último minuto para desviar para esquerda, o sonserino passou por ela feito um jato e colidiu com um dos batedores de seu time, a torcida vibrou. Com o caminho livre, abriu o placar, marcando um gol.
Todos gritavam nas arquibancadas, enlouquecidos pela sua excelente performance. se tornou uma incógnita em campo, o goleiro nem os artilheiros tinham certeza com qual mão ela arremessaria, fazendo com que o elemento surpresa permeasse todo o jogo. Corvinal abriu uma vantagem de quase cento e cinquenta pontos à sessenta.
voava em direção aos aros para marcar mais um gol quando viu que Cho Chang mergulhara para o pomo e acabara de agarrá-lo com força. Os torcedores explodiram em vivas, ela também comemorou erguendo seus braços no ar, seu olhar encontrou o de Ava que girava seu cachecol da Corvinal em cima de sua cabeça, totalmente enlouquecida.
— ESSA É A MINHA NAMORADA! – berrava Ron das arquibancadas.
Lágrimas de felicidade brotaram no canto de seus olhos e ela pode respirar aliviada pela primeira vez em semanas. Quando desceu ao campo, ela foi envolvida pelos abraços de colegas e torcedores, para sua surpresa, Ava a abraçou apertado e as duas puderam comemorar juntas e para , voltar a falar com a amiga era melhor do que conquistar qualquer outra partida de quadribol.
No meio de tanta confusão e festa, não conseguiu chegar a Rony, basicamente fora arrastada pelo resto do time para que pudessem comemorar nos vestiários da Corvinal. Depois de muitos abraços, gritos e agradecimentos, se viu sozinha no vestiário, se lembrando de todos os momentos do jogo, continuava a sentir o gosto da vitória, consciente de tudo que era capaz de realizar.
Não se sentiu mais tão fraca, pode perceber que daria conta de tudo e que voltaria cada vez melhor depois enfrentar alguns desafios. Ela soltou os cabelos compridos e se olhou no espelho, seus olhos cintilando de excitação. tirou o uniforme ficando apenas de shorts e camiseta, percebendo que alguém a observava.
Rony estava encostado no batente da porta de braços cruzados, suas mangas estavam dobradas até a altura do cotovelo, seu cabelo bagunçado por causa do vento e seus olhos azuis brilhando de admiração.
— Você estava incrível hoje, Fernandéz – seu estômago se contorceu ao perceber a intensidade de seu olhar.
— Foi bom estar de volta – sua voz saiu um pouco trêmula, ele caminhou vagarosamente em sua direção, parando a um palmo de seu rosto e posicionando suas mãos em sua cintura.
— Me lembrei da primeira vez que voamos juntos.
Seu coração deu um salto, começando a bater forte dentro do peito.
— Como esquecer, Ron? – disse ela em tom meigo.
— Acho que me apaixonei completamente por você naquele dia – Rony colocou uma das mechas da garota atrás de sua orelha – tão, tão linda...
pode ver seu reflexo nos olhos de Rony e o desejo entre eles se tornou eminente. Ela selou os lábios dos dois com ferocidade, passando seus braços ao redor do pescoço do garoto e o trazendo mais para perto, sem se preocupar com o futuro já traçado diante deles.
Rony estava ali e ainda era dela.
O garoto a abraçou forte pela cintura, aprofundando ainda mais o beijo, a ponto de faltar ar em seus pulmões, mas eles não estavam preocupados em parar, a necessidade de estarem juntos mais latente do que nunca. Em um impulso, ela entrelaçou suas pernas ao redor da cintura do garoto que agarrou suas coxas com firmeza. Rony andou devagar em direção ao sofá do vestiário, sem quebrar o contato entre eles.
Devagar, ele deitou-se por cima da garota, não antes, de passar seus olhos azuis, apaixonados e desejosos, por todo o seu corpo, como quem quisesse memorizá-lo de primeira. Ela ofegou quando seus lábios quentes a tocaram no pescoço e percorreram a curva de seu colo coberto.
Rony passou suas mãos quentes por debaixo da blusa da garota, que arfou com esse contato tão íntimo, a ponto de levantar o quadril para conseguir sentir melhor a sua extensão. Os beijos continuaram constantes e desesperados, porque tinham pressa, não precisavam mais resguardar seus sentimentos, puderam transbordá-los sem medida.
O ruivo retirou a blusa dela, deixando seu tronco totalmente despido. Ele sentiu suas bochechas ficarem vermelhas por um segundo ao encarar os mamilos eretos, mas sua vergonha logo se dissipou ao encarar aqueles olhos amendoados desejando seu toque e proximidade.
Ele passou a língua ao redor da aureola, segurando seus seios delicadamente em suas mãos e pode sentir a garota estremecer embaixo dele, suas pernas encaixando ao redor de sua cintura, aumentando cada vez mais o atrito entre eles. Concentrado em dar o máximo de prazer que pudesse, Ron continuou a descer seus beijos pela sua cintura onde pediu aprovação para tocar a sua intimidade. suspirou em resposta, arfando quando seus lábios quentes encostaram em seu clitóris.
— Ron...— ela arfou pedindo por mais, enterrando suas mãos em seus cabelos ruivos.
O garoto continuou a mexer a língua em movimentos constantes e suaves, os gemidos de tornando-se cada vez frequentes e abafados, sua crescente excitação se tornando insuportável, pacientemente ele prosseguiu, totalmente inebriado pelo seu cheiro e o calor de suas coxas grossas. Ela chamou o seu nome uma última vez e estremeceu em seus braços, lânguida, completamente entregue aos seus carinhos.
o beijou delicadamente, abaixando suas mãos para o cós da calça do garoto, que suspirou profundamente com seu toque.
— Você está nervosa? – perguntou ele fazendo carinho em seus cabelos.
— Não estou... – sorriu.
— Você...quer vir por cima? – sugeriu ele – sei que é a sua primeira vez, quero que você se sinta confortável...
inverteu as posições, passando por cima dele, seus cabelos compridos fazendo cócegas em seu peitoral nu.
— Esse momento será para sempre nosso, Ron – disse ela beijando seus olhos, seu nariz e sua boca, descendo as mãos para o cós de sua calça, terminando de despi-lo.
Ela não pode deixar de admirá-lo visualmente, seu torço estava com os músculos mais definidos e suas coxas mais torneadas, sua excitação evidente. sentiu sua boca secar, o coração batendo forte entre as costelas. Os dois estavam completamente nus, no vestiário da Corvinal, mas eram tão íntimos que ela não conseguiu sentir nenhum pingo de vergonha. suspirou fundo quando Ron a preencheu e os dois gemeram juntos quando a garota rebolou em seu membro pela primeira vez.
Sentindo a excitação percorrê-la novamente, colocou as mãos grandes de Ron em seus seios, começando a controlar os movimentos, sentindo-se cada vez melhor e ficando ainda mais a vontade. Ron segurou firme em seus quadris, ajudando-a com previsão, teve certeza de que nunca esqueceria do fogo em seus olhos e do desejo com o qual ele a fitava. Ela observou o peito dele arfar ao suprimir um gemido gutural, o que a incentivou a acelerar os movimentos, descontrolado, Ron inverteu as posições, investindo contra ela com firmeza e precisão, sugando cada parte exposta de sua pele. Uma dança sensual em uma sincronia tão perfeita, que não resistiu chegando ao seu segundo ápice. Ron jogou a cabeça para trás também atingindo um forte orgasmo, se deitando cansado em cima dela, seus corpos embebidos de suor e de prazer.
o abraçou forte.
— Eu amo você – Ron a beijou mais uma vez nos lábios, suas respirações ofegavam em sincronia.
— Eu também amo você, Ron.

Capítulo 16 - Promessas desfeitas

Rony aconchegou a garota nos braços, seus corpos ainda nus, repousavam tranquilamente no sofá de veludo azul do vestiário da Corvinal. O garoto passou a mão em seus cabelos compridos, espalhados pelo seu peitoral nu, a garota caíra em um sono profundo, mas seu cheiro estava intoxicado em sua pele. Ele a observou dormir, encantado com sua visão, seus grandes cílios compridos, seus lábios grossos e avermelhados. Gentilmente, ele alcançou seu relógio de pulso, esquecido no chão ao lado de sofá e verificou as horas, já era tarde e era preciso que os dois fossem para suas salas comunais antes que alguém os encontrasse ali. Ele a observou mais uma vez com medo de acordá-la de seu sono tão tranquilo, mas era melhor do que serem pegos em uma situação mais constrangedora.
? — murmurou ele, intensificando o carinho em seus cabelos. A garota resmungou baixo e ele riu baixinho — Precisamos ir…
Ela sentou-se num pulo, o assustando, seus olhos amendoados adquiriram uma cor branca e brilhante.
? — perguntou ele, preocupado. — , o que foi?
Ela despertou em um susto, seu rosto perdendo toda a cor, por um minuto ela se deu conta de que não estava mais sonhando, seu peito arfava e ela soube que teve mais um de seus pesadelos. Rony a encarava com os olhos arregalados.
— Você está bem? O que foi isso?
— Tive um pesadelo — disse ela tentando controlar sua respiração.
, seus olhos…
— O que é que tem eles?
— Eles estavam brancos por alguma razão…parecia que você estava tendo um acesso ou coisa do tipo.
Ela franziu a testa preocupada. Ninguém nunca notara isso antes, mas desde que voltara a Hogwarts lançava abaffiato em sua cama no dormitório, para que não ficasse acordando as meninas frequentemente com seus gritos desesperados. Então, ela se lembrou do sonho, de Rony com Hermione, deles se despedindo uma última vez e depois disso, abraçou-o.
— Foi só um susto, está tudo bem! — disse ele tentando confortá-la.
— Promete que nunca vai esquecer de mim?
— Por que você está dizendo essas coisas?
— Só prometa pra mim…
— Eu prometo! — disse ele dando um beijinho na ponta de seu nariz – mas só se isso fazer você se sentir melhor.
— Faz sim — mentiu ela. Frustrada com os pesadelos terem atrapalhado um momento tão especial dos dois.
— Precisamos ir — ele disse suspirando fundo – não queria, mas podem vir nos procurar…
— Você tem razão, Ron.
Os dois se vestiram em silêncio e partiram do vestiário de mãos dadas, a noite fria recebendo seus corpos ainda quentes. Rony caminhou tranquilamente para a sala da Grifinória, seu coração ainda aquecido pelos últimos momentos compartilhados com a namorada. Harry e Hermione estavam a sua espera quando chegou.
— Onde é que você estava? — perguntou a menina em um tom urgente.
— Qual é o assunto tão grave? — ele retorquiu com outra pergunta.
— Hagrid disse que Aragogue morreu e que quer que o vejamos… disse que ele morreu por cause um feitiço e que o covil estava queimado por alguma razão.
— Eu não consigo me sentir nem um pouco culpado por isso — Rony disse tranquilamente. — fico triste de não termos queimado tudo.
Hermione lhe lançou um olhar cortante.
— A questão é que ele quer que nós o vejamos lá.
— Ele é maluco? — exclamou irritado.
— Disso eu tenho que concordar com o Rony, Harry, sair desacompanhado, ainda mais a esse horário…
— E eu ainda estou sem sorte para conseguir a memória do Slughorn…
— Sorte é isso! Por que você não toma a sua felix felicis? — sugeriu Rony satisfeito com a sua ideia.
— É isso Harry! Genial Ron! — elogiou Hermione.
— Por que não pensei nisso antes? — disse Harry tirando o frasco das vestes – acho que não vou precisar de tudo… — o menino tomou um pequeno gole do vidro em forma de gota.
— Então, como está se sentindo? — perguntou Hermione o observando com expectativa.
— É uma sensação incrível quando você toma! — Rony disse.
— Mas você nunca tomou — riu. —se Hermione.
— Ah, foi como se tivesse tomado — os dois riram.
— Vou ir a cabana de Hagrid — Harry disse, de repente muito eufórico.
— Não, Harry, você tem que conseguir a lembrança do professor, se lembra?
— Algo me diz que eu preciso estar lá essa noite, faz sentido?
— Não — responderam Rony e Hermione juntos.
— Bem, eu sei o que estou fazendo ou, pelo menos, a Felix Felicis sabe...
Rony e Hermione ficaram para trás observando a porta do retrato pela qual Harry saíra.
— Bem, só nos resta torcer para que ele consiga…
— Nós iremos junto com ele, não iremos?
— O que você quer dizer?
— Ir atrás das horcruxes no ano que vem...
O ruivo suspirou profundamente.
— É claro que sim...eu jamais deixaria o Harry seguir nessa jornada sozinho... e você?
— Nós estamos juntos nessa…
— O que você vai fazer em relação a sua família? E a sua namorada?
Era a primeira vez que Hermione se referira assim a .
— Não consigo pensar nisso agora, vou esperar os próximos acontecimentos... teve que enfeitiçar os pais dela, sabe? Eles estão em outro país em segurança, mas sem se lembrarem dela.
Hermione engoliu em seco.
— Presumo que é algo que precisarei fazer mais cedo ou mais tarde.
— Você é forte, Hermione! Tenho certeza de que vai conseguir passar por isso — ela sorriu triste, encostando sua cabeça no ombro do amigo.
Rony congelou seu corpo no exato momento, os cabelos volumosos da garota fazendo cócegas em seu rosto. Ele ficou um pouco desconfortável, mas deu batidinhas de consolo em seu ombro.
— Você vai dormir? — ela perguntou a Rony.
— Estou ansioso demais para isso, odeio dizer, mas acho que vou aproveitar para fazer alguns deveres atrasados…
— Eu te ajudo….não vou conseguir dormir sabendo que o Harry está lá fora…
— Você vai me ajudar mesmo? — riu-se ele.
— Haha, como se não te ajudasse sempre – disse ela em tom de ironia.
— Bem, fazia um tempo… — ele falou sentindo o assunto morrer em sua boca.
Ela não continuou o assunto, tomando alguns de seus deveres nas mãos e começando a corrigi-los, o garoto se dedicou a escrever um trabalho extenso de Defesa Contra as Artes das Trevas, as horas se passaram e Harry voltou para a Sala Comunal quase três horas da manhã. Rony se esforçava para manter seus olhos abertos, Hermione tinha deitado em um dos sofás do local.
— E então? Conseguiu? — perguntou ele esfregando os olhos, Hermione despertou imediatamente.
— Consegui e fui direto para a sala do Dumbledore...não tenho boas notícias — disse Harry contando sobre o fato de que Voldemort dividira sua alma em seis partes.
— Seis? — exclamou Rony baixinho.
— Preciso caçá-las, só assim teremos uma chance real contra Voldemort…
— Isso quer dizer? — disse Hermione
— Que eu não vou voltar para a escola no ano que vem…
Rony fechou os olhos se dando conta do que viria a seguir, as despedidas estavam mais próximas do que eles pensavam. Isso também queria dizer que, também ficaria para trás.
— Nós vamos com você – disse Rony e Hermione concordou veemente com a cabeça.
— Precisamos fazer os preparativos… — disse Hermione anotando coisas furiosamente em seu caderno.
— Não, não, vai ser muito perigoso.
— Ah, Harry, você é tão burro, às vezes, será que não percebe que iremos com você de qualquer jeito? — disse a garota sem paciência.
— Mas e as suas famílias? E a . Ron?
— Nós daremos um jeito, ela sempre soube que um dia eu iria com você….
Harry suspirou cansado demais para discutir com os amigos.
— E tem mais uma coisa, daqui alguns dias, irei caçar uma das Horcruxes com o Dumbledore...
Rony e Hermione se entreolharam um pouco receosos, mas todos estavam cansados demais para continuar discutindo naquele momento. Os amigos subiram para seus respectivos dormitórios apreensivos com o futuro.

***


Fazia um tempo desde que Luke Hampton não perturbava os sonhos de . Era como se o envenenamento nunca tivesse acontecido. O trauma era tão grande que ela suprimiu essa memória, porque olhar para ela, era simplesmente, muito doloroso. Mas era inegável o quanto o evento a deixara aterrorizada, o fato é que tantas coisas acontecerem nesse meio tempo, tantas situações que a abalaram psicologicamente, que ela mal teve tempo de pensar no garoto.
Mesmo depois de um momento tão lindo e íntimo que compartilhara com Rony, assim que deitou-se para dormir, os olhos gelados de Luke pareciam persegui-la. Em seus sonhos, ela o viu pela primeira vez em meses, ele estava apontando a varinha para o seu peito e seu rosto antes, tão milimetricamente esculpido, tinha uma enorme cicatriz que o cortava na diagonal. O corte era similar aqueles que Luke tinha pelo corpo. E não conseguiu sentir medo, como era possível sentir alguma pena de seu algoz?
Ela se viu desarmada e alguém apareceu em seu sonho para interceder por ela.
Ela acordou num pulo, o sol ainda estava entrando timidamente pelas grossas cortinas azuis do dormitório da Corvinal e ela não pode evitar sentir como se aquilo fosse uma espécie de presságio, de algo que estava por vir. Chorou baixinho, lembrando do dia que achará que morreria, congelada e sozinha no lugar que mais amara em sua vida.
Ela limpou as lágrimas, quando Ava abriu sua cortina em um susto.
— Você chegou tarde ontem — disse ela com os olhos ainda cheio de sono. esfregou os olhos, disfarçando.
— Cheguei? — ela fez cara de quem não estava entendendo.
— Eu quero saber de tudo — Ava ergueu as sobrancelhas e riu baixinho.
— Achei que estava brava comigo.
— Vou te perdoar se você me contar o que aconteceu!
— Perde a minha amizade, mas não perde a fofoca não é mesmo?
— Desembucha! Eu sei que o Weasley foi atrás de você depois do jogo e você chegou toda saltitante no dormitório!
— Nós passamos a noite juntos – disse sentindo suas bochechas corarem.
Os olhos de Ava se arregalaram e ela soltou um gritinho de felicidade.
— Eu quero saber de tudo! Quer dizer, só algumas partes, vai ser estranho olhar para vocês sabendo que…vocês cometeram essa profanidade em um espaço escolar!
— VOCÊ É RIDÍCULA, AVA THOMPSON — gritou escandalizada e as duas iram alto.
— Espero que você tenha se protegido, eu não estou pronta para cuidar dos meus sobrinhos ruivos. Espero que eles puxem seus olhos.
—AVA! — urrou de tanto rir — é claro que nos protegemos!
— Então você não é tão irresponsável como eu pensava… — as duas riram novamente — confesso que vou precisar de uns dias para processar essa informação, minha melhor amiga desvirgi…
— Ava! Fala baixo! Quer que a escola inteira fique sabendo?
— E como tudo aconteceu?
— No vestiário da Corvinal
— Que ousado! — riu-se a garota – Imagine se alguém pegasse vocês!!!
— Nem pensamos nisso na hora, ainda bem que ninguém apareceu…,mas falando nisso o que VOCÊ fez depois do jogo?
Foi a vez de Ava ficar constrangida!
— Você é uma hipócrita imunda! — Ava começou a gargalhar – com quem VOCÊ cometeu profanidades ontem?
— Suzana? — ela disse ainda mais vermelha se fosse possível.
— Vocês estão ficando sério dessa vez?
— Resolvi dar uma chance para nós!
— Eu estou feliz por você! — a trouxe para um abraço — mas temos que considerar que somos uma má influência uma para a outra.
— Precisamos ir ou vamos nos atrasar! — disse Ava se afastando para ir se trocar no banheiro.
Por um momento, desviou os olhos para o canto do quarto e pode ver Luke Hampton parado, seus olhos congelados fixos nela, um grito prendeu-se em sua garganta, mas antes que pudesse emitir qualquer som, ele tinha desaparecido. alcançou a varinha, suas mãos trêmulas, mal conseguiam segurar o instrumento. Ela se deu conta que as visões estavam cada vez mais reais. Qualquer coisa que estivesse se aproximando, estava vindo e rápido.
, você está bem?
Ela pensou em falar alguma coisa, mas resolveu calar—se, sabia muito bem a opinião de Ava sobre suas visões premonitórias.
— Acho que estou com a pressão baixa, faz muito tempo que comi alguma coisa – mentiu ela.
— Mas energia você gastou bastante né…
— Você não vai parar com essas piadinhas sexuais nunca, não é?
— Você é minha primeira amiga a perder você sabe o quê…
— Eu sou sua ÚNICA amiga!
— O que faz essa ocasião ainda mais especial…
chegou para comer no refeitório e não viu Rony, nem seus amigos Harry e Hermione, suspirou um pouco insegura. E se Rony tivesse detestado o momento dos dois? Chegou a compartilhar a preocupação com Ava.
— Impossível, ele é louco por você – disse enfiando uma grande pedaço de ovos mexidos na boca.

***


Infelizmente os dias que se seguiram não ajudaram a melhorar sua insegurança em relação ao seu relacionamento, Rony continuava amoroso e de acordo com Ava, muito apaixonado por ela, mas ele estava cada vez mais ocupado. Os momentos a sós estavam se tornando cada vez mais raros e os pesadelos de cada vez mais frequentes. Quando não tinha sonhos mórbidos com Luke Hampton, ela avistava a marca negra acima do Castelo de Hogwarts, as visões estavam tão frequentes e perturbadoras, que a menina chegou a tomar uma decisão extrema e começou a tomar uma poção para não dormir, no entanto, o remédio tinha alguns efeitos colaterais quando consumida em excesso, como irritação e letargia. Blake notou que algo estava errado quando a desarmou pela quinta vez enquanto todos treinavam na Armada dos Nascidos Trouxas.
— Você sempre foi muito boa com esse feitiço, te desarmar é algo quase impossível, o que está acontecendo?
esperou que todos saíssem para que conseguissem conversar com mais tranquilidade.
— Estou sem dormir, por causa das visões…
— Há quanto tempo exatamente?
— Alguns dias…
, você está tomando poção para não dormir? Você está maluca? Você sabe muito bem quais são os efeitos colaterais.
— Se eu não dormir, eu não sonho – disse ela sentando-se cansada em um sofá.
— Isso está fora de cogitação, você vai acabar se matando, você sabe muito bem o que acontece quando se toma muitas doses dessa poção…
— Irritação, letargia…
— Alucinações, esgotamento físico, entre outras consequências – completou ele – deite-se…
— Blake, eu…
Eu tenho uma dose de Poção Drenhose, ela vai ajudar você a dormir sem sonhar, quando você estiver mais tranquila, você precisa contar ao Weasley...
— Ele não vai entender… — disse ela.
— Ele vai ser um babaca se não entender – Blake disse seco – Vamos, tome tudo, eu vou ficar aqui enquanto isso.
— Mas…
— Mas nada, sua teimosia vai ser o seu fim – ele disse esperando—a tomar a poção. virou de uma vez só, aconchegando—se no sofá dentro da sala precisa. Blake pegou uma das cobertas que apareceram magicamente na sala precisa e aconchegou a garota nas cobertas fofas.
— Por que você tem uma Poção Drenhose na bolsa? — perguntou ela.
— Porque eu tenho muitos pesadelos… — ele disse suspirando fundo.
— E com o que você sonha?
Com ela, morta em seus braços.
— Durma — ele insistiu. começou a fechar os olhos e em poucos minutos, sentiu seu corpo relaxar e se entregar a um profundo sono. Ele suspirou, sentando-se na beira do sofá e colocando uma mecha de cabelo da garota atrás de sua orelha, um pouco triste por não poder fazer mais.
Quando a garota acordou, algumas horas depois, Blake continuava na Sala Precisa, concentrado escrevendo em um pergaminho.
— Você ainda está aqui?
— Eu disse que iria ficar, não disse? — ela acenou a cabeça — como se sente?
— Um pouco melhor, não tive nenhum pesadelo — ela suspirou fundo.
— Você precisa contar para ele, esse fardo não é só seu para carregar…você precisa se sentir acolhida neste momento…essas visões estão acabando com você e ele pode te confortar de maneiras, que eu não posso… — seus olhos cinzas a analisaram milimetricamente.
respirou fundo para que o rubor não tomasse conta de suas bochechas. Ela pensou em Rony, na conversa que adiara o máximo que pode e levantou com coragem para encontra-lo.
— Blake? Obrigada.
— Eu vou estar aqui se precisar de mim – ela sorriu dando as costas para ele e saiu em busca de Rony.

***


Por sorte conseguiu encontra-lo saindo do Salão Principal, ele estava acompanhado de Granger e Potter e os três pareciam com pressa.
— Hey Ron, você parece com pressa, mas preciso falar com você.
— Vão na frente — disse ele — Hey, eu não te vi o dia todo. Você está bem?
— Eu precisava dormir e…
— E o que você precisa falar? — ele cortou olhando para os amigos que o esperavam no fim do corredor com ansiedade.
— Eu estou experienciando algumas visões…
— Visões não querem dizer nada, ok? Eu realmente gostaria de ficar para conversar com você, mas eu realmente preciso ir – ele deu um beijo em sua testa e saiu ao encontro dos amigos, seu rosto contorcido de preocupação, mas por alguma razão duvidou que fosse por causa dela.
Ela tentou conversar com ele no dia que se seguiram, mas raramente o via e quando falou novamente sobre o que estava acontecendo, era como se ele não estivesse realmente prestando atenção. Os efeitos colaterais da poção para não dormir que tomara por quase cinco dias seguidos, mais do que era geralmente prescrito, estava começando a lhe dar efeitos colaterais. O espectro de Luke começara a persegui-la, ela até se perguntou se ele não tinha morrido e voltara como um fantasma para assombrá-la, mas ninguém, além dela estava percebendo a sua presença, o que a fez pensar que os efeitos colaterais da poção realmente eram reais.
Ela vira Luke durante a aula de Poções e quase explodira seu caldeirão, para o horror do professor Slughorn, que não entendeu o porquê de inesperado mal desempenho na matéria. Blake, no entanto, sabia muito bem a razão e logo quando os dois saíram da Sala de Poções, ele fez questão de puxá-la para uma conversa.
? São os efeitos colaterais da Poção, não é? — os olhos da garota flutuavam atrás dele.
— Eu vejo Luke o tempo todo Blake — disse ela com a voz trêmula — estou ficando louca, não estou? — seus olhos estavam marejados.
— As visões estão sendo potencializadas pelos efeitos colaterais da poção para não dormir. Ele não está aqui
— Blake, eu não sou capaz de passar por isso…
— Escute — ele a trouxe para um abraço — vai ficar tudo bem, você confia em mim?
estava prestes a ter um ataque de pânico, a garota respirava com força.
— Olhe para mim! — disse ele levantando o queixo dela, de forma que seus olhos se encontraram, cinzas e castanhos — Você confia em mim?
A corvina foi capaz de apenas acenar com a cabeça.
— Eu não vou deixar nada…nada acontecer com você. Vem, vamos dar uma volta lá fora.
Ela nem hesitou, apenas o seguiu para o lado de fora, o frio abrandou suas bochechas coradas. Em certo momento, Blake parou e virou—se para ela novamente, seus olhos estavam suplicantes. nunca o vira tão preocupado.
— Me escute com atenção — ele disse colocando as mãos ao redor de seu rosto — uma grande tempestade se aproxima, as visões estão corretas...
— O que você quer
— Só me escute — o tom de Blake era urgente — você precisa manter a calma, você sabe muito bem que as visões não são “fatos concretos” do futuro. Tudo depende de como você reage diante delas. É tudo uma questão de perspectiva e para que você consiga passar por isso, você precisa estar focada, entendido?
— Blake, você está me assustando...
— Você confia em mim? — ela sacudiu a cabeça novamente — quando o momento chegar, você precisa me prometer que você não virá atrás de mim...
— Blake…
, por favor… — ele implorou.
— Eu prometo. — Ele suspirou fundo, a trazendo para um abraço e depositando um leve beijo em sua testa.
— Você precisa de mais da Poção que eu te dei — disse em tom de comando — quero que você vá até a Madame Pomfrey e peça um frasco para conseguir se reestabelecer essa semana.
— Um dia, você vai me contar tudo o que está acontecendo? — perguntou ela.
— Espero que sim – ele respondeu ansioso – eu realmente espero que sim…Vamos agora...
Os dois caminharam em silêncio em direção a enfermaria, quando estavam quase em seu destino, avistou Rony e Hermione saindo debaixo do que parecia de uma capa de invisibilidade. não soube exatamente o que deu nela, talvez fossem os dias de privação de sono. Ela não via Rony há dias, ele sempre estava ocupado por alguma razão.
— Então é isso o que você anda fazendo? — disse ela confrontando os dois.
? — Rony franziu os olhos em confusão — eu não estou entendendo…
— Quer dizer que você sair de baixo da capa de invisibilidade com a Granger, não quer dizer nada?
— Não é nada disso do que você está pensando — Rony se defendeu.
— Com licença, isso parece privado… — disse Hermione muito constrangida, abandonando-os.
, você está sem dormir há dias, é melhor você não fazer nada do que vai se arrepender… — disse Blake em voz baixa, tentando acalmar os ânimos.
— Por que você está sem dormir? — perguntou Rony esquecendo de sua raiva por um minuto.
— Obviamente, o que eu faço ou deixo de fazer não te interessa… — disse ela deixando-o para trás.
— Por que Thomas Blake sabe o motivo e eu não?
— Eu tentei contar para você, Ronald Weasley — disse tremendo de raiva — várias vezes essa semana e você não teve a decência de parar para ouvir nem uma vez.
— Você não está falando sobre aquelas porcarias de visões, não é? Se você não percebeu, eu estou envolvido em algo muito maior do que premonições idiotas, isso é a vida real .
parou de andar, olhando para ele com uma expressão de choque.
— Eu tenho visões sobre a guerra seu grande imbecil — disse ela sacando a varinha, Blake interveio a segurando pelo braço — e você sabe por que Blake sabe e você não? Porque ele acredita em mim. EU ESTOU SEM DORMIR PORQUE VEJO PESSOAS MORREREM NA PORCARIA DAS MINHAS VISÕES IDIOTAS.
Rony deu um passo para trás, um pouco chocado com o descontrole da garota.
— Mas é claro que isso é insignificante para o melhor amigo de Harry Potter. Do que isso importa de quem viverá ou morrerá desde que não seja vocês três não é mesmo?
— VOCÊ NÃO SABE O QUE ESTÁ DIZENDO! — Rony urrou — ISSO NÃO É UMA ESCOLHA!
— Mas você escolhe ainda assim – disse , lágrimas escorrendo pelo seu rosto – você escolheu o seu caminho e eu vou escolher o meu.
… — Blake disse em tom de advertência.
— Não precisa interromper — disse Rony com sarcasmo. — eu quero ouvir o que ela vai dizer…
— O que existe entre nós, acabou.
Rony não soube o que responder, talvez ele esperasse muitas coisas, mas não isso. lhe lançou um olhar cheio de tristeza e desapontamento e virou as costas com Blake em seus calcanhares, sem olhar nem ao menos uma vez para trás.


Capítulo 17 - O início do pesadelo

piscou os olhos, eles se ajustaram lentamente a claridade da enfermaria de Hogwarts, ela não tinha ideia de que horas eram, mas devia ser tarde da noite e tinha certeza de que estava dormindo há mais de um dia. Pensou em sua discussão e término com Rony, porém não chorou desta vez, estava muito mais magoada do que triste. Como ele pode ignorar seus sentimentos dessa forma? Bufou com raiva, incapaz de sentir qualquer outro sentimento, talvez fosse se arrepender de sua decisão, mas este não seria o dia.
Eu não tinha ideia de que você já acordava soltando fogo pelas ventas — uma voz que ela conhecia bem soou do seu lado, quando ela se virou na cama, Blake estava sentado em uma cadeira — Que encantador.
— Uma dos meus melhores traços da minha personalidade — brincou ela.
— De deixar qualquer rabo córneo húngaro com medo — ele respondeu, um sorriso brincando em seus lábios.
— Você está me chamando de dragão, Thomas Blake? — semicerrou os olhos. Blake gargalhou jogando sua cabeça para trás.
— Você é muito mais bonitinha — piscou ele.
— Você não tem jeito — disse ela sentindo suas bochechas corarem.
— Você desperta o pior em mim — Blake soltou um daqueles sorrisos encantadores. desviou os olhos, arranhando a garganta.
— Há quanto tempo estou dormindo? — perguntou ela.
— Uns dois dias.
— DOIS DIAS? — gritou ela.
— Madame Pomfrey não ficou nada feliz, muito menos o diretor da sua casa — urrou se jogando em sua cama — mas não se preocupe, eu disse a eles que você estava estressada com a chegada de todos os exames…
— Nem sei como posso te agradecer.
— Eu sei de várias maneiras que você pode.
olhou para ele em estado de choque.
— Blake, eu...eu acabei de terminar um relacionamento.
— Eu juro que não tem ninguém mais triste do que eu… — ele soltou algumas faíscas em forma de fogos de artifício de sua varinha.
— Você é inacreditável — ela chacoalhou a cabeça.
— Só não quero ver você triste — ele suspirou — não depois de tudo o que você passou…
— Tudo bem, eu vou precisar de uns dias para processar tudo isso…
— Você está pronta para voltar ao seu dormitório? Tenho certeza de que Ava deve estar te esperando ansiosa.
choramingou.
— Ela vai querer me matar.
— Você dá conta — ele disse sem conter um risinho — Vamos — ele estendeu a mão e ela aceitou se levantando num pulo — tem mais uma coisa que você precisa saber…
— Eu não sei se eu quero saber…
— Weasley veio te procurar, ele provavelmente quer conversar com você…
suspirou fundo. Os dois teriam que conversar melhor eventualmente, mas isso podia esperar.
***

— Isso está ficando meio repetitivo, sabe? — disse Ava sem desviar os olhos de seu profeta diário assim que entrou no dormitório — você deveria mudar de estratégia, porque não consigo mais me compadecer… — seu tom de voz, no entanto, saiu um pouco trêmulo.
se jogou em sua cama esticando seus músculos adormecidos, tinha dormido por dois dias, mas, ainda assim, estava um pouco cansada, provavelmente esse era um mais um dos efeitos colaterais de ficar sem dormir por alguns dias.
— Eu só estava tão cansada de todas essas visões...— confessou a garota — não consegui tomar a melhor decisão…
— E eu fui uma péssima amiga por não levar essas visões tão a sério...— seus olhos demonstravam certa culpa — eu deveria ter te aconselhado melhor e ter te levado antes para a Madame Pomfrey…
— Ava você não pode se culpar pelas minhas más decisões! Você não é a minha mãe...— sua voz quase embargou ao pensar na família.
— Eu sei, mas me preocupo tanto com você por causa disso! Você não tem mais ninguém…
O estômago de se contorceu ao lembrar do quanto estava sozinha no momento.
— Eu terminei com o Ron...— disse sentando-se—se na cama, passando suas mãos por seus cabelos compridos — Nós tivemos uma discussão e bem...dissemos coisas horríveis…
— Eu tenho certeza de que vocês podem conversar e resolver tudo — Ava disse sentando-se—se na cama da amiga.
— A questão é que eu não sei o que eu quero...eu não consigo ter a maturidade para lidar com essas visões, ainda mais depois de ter visto ele e a Hermione saírem da capa de invisibilidade do Harry juntos…
— Se quer saber a minha opinião, ele aparenta estar péssimo nesses últimos dias e um pouco afastado dos amigos...tem certeza que não quer pensar e conversar com ele antes de tomar alguma decisão?
sacudiu a cabeça.
— Vai ser melhor assim. Eu não consigo manter mais esse relacionamento me machucando tanto no processo...talvez seja melhor assim…talvez não seja a nossa hora…
***

Na manhã seguinte, Rony já estava a sua espera no corredor de entrada da Sala Comunal da Corvinal, seus olhos estavam fundos e ele parecia profundamente abatido. Ela comprimiu os lábios, o arrependimento lhe subindo pela garganta, mas as palavras de Rony ainda ecoavam em seus ouvidos, cruéis e afiadas. estava ferida, como se o elo que existisse entre eles tivesse sido seriamente danificado.
— Podemos conversar? — perguntou ele, colocando as mãos nos bolsos de sua calça de uniforme.
— Não tenho mais nada a dizer, Weasley — o garoto se encolheu ao ouvir a menção de seu sobrenome — eu já disse tudo o que precisava.
— Você não está falando sério! Eu sei que errei e para falar a verdade não sei como começar a consertar o que eu fiz, mas nós…sempre fomos bons em tentar e resolver nossas diferenças…
— Eu preciso que você se afaste e respeite a minha decisão — disse com a voz embargada — você não acreditou em mim, Ron...— ela terminou em um sussurro.
Ron comprimiu os lábios, a realização do óbvio finalmente se apoderara dele, de que nada do que ele pudesse fazer ou falar mudaria o fato do que ele verbalizara. Quebrara a confiança da garota de tal forma que esta não conseguiria ser revitalizada de um dia para o outro ou quem sabe para sempre. O garoto se calou observando—a por um minuto, seus olhos castanhos tão expressivos, derramavam toda sua mágoa e desapontamento.
— Eu ainda amo você...mas nesse momento não posso buscar o seu perdão da forma que você merece...eu só quero dizer que eu sinto muito e que você merecia mais do que eu pude de dar…
apenas assentiu, incapaz de dizer qualquer coisa sem ceder imediatamente a necessidade de se debulhar em lágrimas. Ron a mirou com intensidade uma última vez e seguiu seu caminho em direção ao Salão Principal. não conseguiu comparecer as aulas aquele dia.

***


Rony nunca teve a mesma dedicação e esmero para os estudos que Hermione, mas nesta manhã em particular, ele estava desligado, seus pensamentos muito longe da sala de aula. Por inúmeras vezes ele reviveu sua briga com , contudo, outra lembrança invadiu sua mente, parecia tão fugida, como se tivesse acontecido em um passado muito distante — e lembrar disso era extremamente doloroso — da noite em que passaram juntos no vestiário da Corvinal, da maciez da pele dela e do calor de seu corpo no seu.
Como era possível tudo mudar tanto em um espaço tão curto de tempo? Como ele pode ser tão cego em relação as necessidades da namorada? Como ele pode não acreditar na palavra de quem sempre fora tão honesta com ele? Talvez ele conseguisse se reconciliar com ela — a ideia de haver a mínima chance de reatar o namoro fazia seu coração palpitar de alegria, mais do que isso, ele se sentia leve, como se pudesse flutuar sem ajuda de um feitiço. Talvez, ela só precisava de tempo.
De repente, uma pancada oca nas costas interrompeu seu devaneio. Ele tentou não olhar com raiva para Hermione, que já começara a criticá-lo.
— Rony, você precisa parar de ficar sonhando durante as aulas, os testes de aparatação são em alguns dias e você precisa se focar nos seus NIEMs. O tom de Hermione vinha com aquela pitada de superioridade, que o irritava tanto.
— Vai como calma Hermione — Harry interveio rapidamente, ele convivera tempo suficiente com Rony e Hermione para perceber quando um conflito estava se armando — Ele terminou com a namorada dele há poucos dias — Harry continuou — é normal que esteja desligado e chateado.
— Dá um tempo Harry, ele já está bem crescidinho, deve saber muito bem separar a sua vida pessoal das atividades escolares, sem ficar perdendo tempo...
— Fácil para você dizer isso — Rony interrompeu, sua voz era calma, mas perfeitamente audível — Já que suas esperanças em ter um romance com alguém foram para o brejo desde que aquele idiota do Krum foi embora, o único pretendente que te restou foi seu livro de Aritmancia, mas acho que você não faz muito o tipo dele.
Harry que era sempre o mediador de conflitos entre os amigos não conseguiu se segurar e soltou uma gargalhada abafada. Hermione encarava o amigo totalmente desconcertada, mas Harry teve certeza de que aquilo não duraria muito tempo e que ela se recuperaria em breve com uma resposta ainda mais afiada. Ron, como se percebesse o mesmo que Harry, tratou de se despedir logo.
— Estou muito cansado, não durmo direito a dias, vejo vocês no Salão Principal na hora do jantar. Rony deu as costas para os dois e saiu em direção a Sala Comunal da Grifinória.

— Não olha para mim com essa cara não, você bem que mereceu! — disse Harry, percebendo a tempestade que se formava.

— Ele não tinha esse direito...— disse furiosa.

— Pare com isso Hermione, você sabe muito bem o que precisa fazer para tornar a vida de vocês dois muito mais fácil né?

— Não sei do que você está falando e além do mais, achei que você estivesse do meu lado.

— Hermione eu sou seu amigo — disse Harry demonstrando uma serenidade que não lhe era peculiar. E com seu amigo tenho obrigação de falar o que penso quando você estiver errada, você não perde a oportunidade de corrigir a mim e ao Rony quando necessário. Portanto nada mais justo do que você ouvir umas verdades de vez em quando.

— E que verdades seriam estas?

— Bem, como eu disse antes, tudo seria muito mais fácil, se você falasse pro Rony o que sente por ele. Eu aposto que essa briga dele com a te encheu de esperanças, mas você quer que ele esqueça a garota de uma vez? Que conveniente não é? — ele continuou sem dar espaço para ela interrompê-lo — Se você parar de criticá-lo toda vez que tem a oportunidade e conversar com ele de forma franca, quem sabe você pudesse começar a ter uma chance!
Hermione o encarava sem palavras. Harry percebendo o desconforto que se instalara, achou melhor dar um tempo para a amiga.

Então— Harry se aprumou. É isso que eu queria falar, disse Harry se preparando para sair. Acho melhor eu ir para a Sala Comunal para dar uma olhada no Ron. Vejo você mais tarde.

Harry encontrou Ron em sua cama, o garoto abraçava uma almofada fortemente e tinha um olhar vago no rosto, ao seu redor, vários papéis de embrulho de chocolate. O garoto franziu a testa percebendo que o amigo estava mais fora de órbita do que o normal.
— Hey Ron, você está bem? — perguntou ele.
— Eu não consigo parar de pensar nela — abrindo um sorriso bobo.
— Esse término está sendo meio difícil para você, não é? — Harry disse meio incerto tentando ser compreensível.
— Término? Do que você está falando? Eu mal a conheço — Harry encarou Ron com incredulidade.
— Você namorou com ela por meses! — disse perdendo a paciência. Rony não estava em seu estado perfeito.
— De quem você está falando? — Rony respondeu no mesmo tom.
, é obvio, De quem VOCÊ está falando? — Harry disse com rispidez.
— Romilda Vane, é claro! Estou apaixonado por ela, você não vê? — Harry piscou os olhos tentando achar uma explicação plausível para aquela loucura.
Ron voltou a abraçar o travesseiro e possuía um olhar desfocado e apaixonado. Harry buscou o quarto e percebeu que os bombons que Ron comera, foram enviados para ele com um cartão assinado por Romilda Vane.
— Poção do amor...é claro — chegou à conclusão observando Ron que agora dançava no quarto feito um idiota — Vamos lá Ron, eu vou apresenta-lo para a Romilda Vane — ele disse tentando segurar o riso, conduzindo o amigo para fora do dormitório e logo depois para a sala do professor Slughorn.
— Harry? — disse o professor assim que ele abriu a porta.
— Desculpe incomodá-lo professor, mas meu amigo bebeu uma poção do amor muito forte — ele conduziu Ron para dentro quando o professor deu espaço.
— Ora Harry, achei que você era capaz de produzir um antídoto simples para uma poção do amor… — Slughorn respondeu,
— Ele é meu melhor amigo senhor, achei que era melhor buscar mãos experientes… — respondeu Harry fazendo com que Rony se senta—se em um dos sofás.
— Sempre preocupado com o bem-estar dos outros, não é mesmo, meu garoto? — Slughorn riu buscando seu kit de poções. Em poucos minutos, ele já estava com a poção pronta.
— O que é isso? — Ron perguntou assim que recebeu uma taça.
— Tônico para acalmar os nervos — respondeu o professor entre risos.
Ron virou a taça de uma vez. Harry percebeu sua inexplicada euforia e olhar desfocado desaparecer aos poucos e logo o garoto pareceu acordar de seu transe.
— Nossa, eu me sinto horrível…— resmungou ele sentindo-se um pouco enjoado.
— Um efeito colateral, com certeza…— disse o professor Slughorn pegando uma garrafa de hidromel de dentro de seu armário — eu estava pensando em dar essa garrafa de presente para o professor Dumbledore, mas acredito que um pouco de açúcar fará bem para o nosso amigo…
Ron não esperou o brinde e virou a bebida que lhe desceu queimando pela garganta. Harry assistiu com horror o amigo cair para trás e começar a convulsionar.
— Professor, faça alguma coisa! — gritou ele indo ao socorro do amigo.
— Eu...eu não entendo… — respondeu o professor em choque.
Harry não perdeu tempo esperando uma reação apropriada do professor, correu para seu armário procurando por algo específico. Suas mãos tremiam de pavor enquanto buscava por bezoar, do canto do olho, ele pode perceber que Rony estava adquirindo uma coloração roxa. Assim que achou o que precisava, voltou—se para o amigo e enfiou o bezoar goela abaixo.
— Vamos lá Rony! — gritou ele imperativamente depois de fazer com que o amigo engolisse o item.
Depois do que pareceram longos segundos, Rony buscou uma grande lufada de ar e abriu seus grandes olhos azuis.

***


Os dias se passaram cada vez mais cinzas. não fez esforço algum para esconder sua tristeza, se aprendera algo com os últimos meses era de que ignorar a dor não fazia com que ela fosse embora, pelo contrário, parecia uma forma de agarrar—se ainda mais a ela. Ela precisava externar suas emoções, aceitar que tudo o que planejara não viria a ocorrer e que estavam em um momento delicado. Sua mudança de comportamento foi percebida por todos, mas boatos do que acontecera entre ela e Rony tinham se espalhado pelo castelo, e apesar de não gostar de ser alvo de pena, achou melhor assim, todos de certa forma, estavam respeitando o seu momento e evitando fazer perguntas.
Ela também começou a passar mais tempo com Blake, o único que entendia profundamente a sua introspecção. O sonserino simplesmente conseguia decifrá-la, podiam passar horas juntos apenas lendo e aproveitando a companhia um do outro. Blake não tentava força-la a seguir em frente. Ele respeitava seu fluxo e a acompanhava devagar, isso fez com que conseguisse se sentir mais vulnerável e começasse de fato a curar todas as suas feridas.
— O que você vai fazer? Eu digo...no ano que vem...— Blake perguntou-lhe lançando um olhar incerto.
— Eu não sei ainda...nós tínhamos combinado de eu ficar na casa do Ro...do Weasley...talvez eu fique na casa da Ava… — Você deveria sair do país e ir morar com a sua família, você estará segura lá… — E deixar Ava e você para trás? — a menina sacudiu a cabeça — precisamos de todos que possam lutar e você sabe disso… — Sei, eu só esperava que eu pudesse passar por tudo isso sabendo que você está a salvo… — Blake, o que você quer dizer com tudo isso? — e antes que Blake pudesse dizer qualquer coisa, viu Gina correndo em sua direção.
— Desculpe interromper vocês — disse Gina ofegante — , você precisa vir, o Ron foi envenenado…
sentiu seu coração despencar para o seu estômago.
— Onde ele está? Ele está bem? — se levantou imediatamente, seus olhos buscando por respostas.
— Harry conseguiu salvá-lo por um milagre. Ele está na ala hospitalar — Gina tinha os olhos um pouco vermelhos. a envolveu em um abraço, seu coração batendo forte.
— Eu vou com você — disse ela juntando todos os seus materiais.
— Mamãe e papai também estão chegando...eu sei que vocês não estão juntos, mas eu achei que você gostaria de saber…
— Você fez certo — nem hesitou em sua resposta — Vamos! Nos vemos depois, Blake… — o sonserino assentiu a cabeça, de certa forma aliviado por não ter que responder aquela conversa. acompanhou o passo acelerado de Gina, seu coração preocupado só descansaria se colocasse os seus olhos nele.
— Como isso foi acontecer Gina? — perguntou ela.
— Não sabemos! Harry deu alguns detalhes, mas não conseguiram achar algum culpado…
Todos os Weasley já estavam esperando por elas na enfermaria, não pode deixar de notar que Hermione estava ao lado da cama onde Rony permanecia desacordado, segurando a sua mão.
quis chegar ao seu lado, abraça-lo e agradecer a todas as entidades mágicas possíveis pela sua vida, mas não se sentiu no direito. Não depois da discussão que tiveram. Ela nem ao menos estava por perto quando tudo aconteceu… prendeu a respiração, sentindo—se culpada.
— Hey … — Harry disse atrás dela. o envolveu em um abraço, o qual o menino retribuiu um pouco sem graça.
— Muito obrigada Harry...por estar lá! — disse sua voz saindo um pouco trêmula.
— Eu...fico feliz que ele esteja bem...foi só um susto…
— Como isso aconteceu? — perguntou ela e Harry a informou brevemente sobre os últimos acontecimentos. ouviu atentamente sem tirar os olhos de Rony…
— O hidromel estava envenenado…
— O professor Dumbledore já suspeita de alguém? — disse.
— Não, mas eu tenho um bom palpite…
— É melhor todos vocês irem para suas casas...— Madame Pomfrey comandou, praticamente os expulsando da enfermaria — o sr. e a sra. Weasley serão os acompanhantes do filho nesta noite…
— Se precisar de qualquer coisa, é só me chamar! — informou a Sra. Weasley que a trouxe para um abraço afetuoso — Se quiser, eu posso vir de manhã caso esteja cansada…
— Não se preocupe, minha querida, fico feliz do Rony ter você… — sentiu—se entristecer no mesmo instante ao se dar conta de que a Sra. Weasley não sabia do término dos dois e para não causar ainda mais problemas, resolveu não tocar no assunto.
— Eu também fico feliz por tê-lo, Sra. Weasley — as palavras lhe rasgaram a garganta.

***


levantou cedo aquela manhã. Ela não pode deixar de colher algumas flores silvestres para levar para Rony. Ela lembrou—se de todas as vezes que ele passara junto dela na enfermaria, de todas as flores que lhe levara e sentiu que não poderia fazer diferente. A enfermaria estava vazia exceto por ele dormindo em sua cama. A garota sorriu aliviada, emoldurando as flores em um vaso ao lado de sua cama e puxou uma cadeira para sentar-se—se ao seu lado. Ela pegou sua mão, sua pele instantaneamente reconhecendo aquele calor tão familiar. A sensação fez com que seus olhos ficassem marejados. fungou, tentando conter suas emoções e não resistiu a fazer um carinho em sua testa, brincando com seus fios ruivos.
Rony abriu os olhos lentamente, se acostumando com a claridade do local.
— Eu estou sonhando? — perguntou ele franzindo a testa.
sacudiu a cabeça, um nó se formando em sua garganta.
— Isso é bem real — sua voz saiu esganiçada — você deu um grande susto na gente…
— Eu me sinto péssimo — ele gemeu.
— Você está sentindo alguma dor? Quer que eu chame a Madame Pomfrey? — ela perguntou em alerta.
Ele sacudiu a cabeça.
— Você precisa dormir mais um pouco e se recuperar — ela fez carinho em seus cabelos.
— Fique aqui comigo...— pediu ele ainda sonolento — por favor…
o olhou por um minuto um pouco apreensiva.
— Só até você dormir, está bem? — ela disse deitando-se—se do lado dele na cama estreita — seus pais e a Madame Pomfrey vão voltar logo…
— Eu sinto sua falta — disse ele voltando a fechar os olhos.
— Eu também Ron...eu também — mas o garoto já tinha voltado a dormir.

***


Rony saiu da enfermaria depois de dois dias. voltou a visitá-lo algumas vezes durante a noite enquanto estava dormindo. Os irmãos e os amigos faziam companhia para ele durante o dia. Ela não queria que sua presença fosse um pretexto para discussão, o que ele mais precisava no momento era de focar na sua recuperação completa.
É claro que o fato de não participar de todo o seu processo de recuperação a machucou, ainda mais quando Rony esteve ao seu lado em todas as vezes que sua vida correra perigo. Ela esperou por ele na porta da Sala Comunal da Grifinória, quando este voltava de sua rotina escolar. viu os olhos de Rony se arregalarem de surpresa ao perceber sua presença.
— Oi — disse ela — como você está?
— Oi, estou bem...pronto para outra… — ele riu um pouco sem graça…
— Vamos torcer para que não tenha uma próxima vez…
— É...— ele disse mirando os pés — e você? Está bem?
— Estou sim, feliz que você está bem...hm...é isso, eu só queria checar se você estava bem… — nunca se sentira tão constrangida na frente dele.
— Obrigado por ter ido me ver — ele lhe lançou um olhar esperançoso.
— Você fez o mesmo por mim — assentiu encerrando a conversa e os olhos de Rony voltaram a ficar tristes.

***


continuava a tomar as poções do sono, mas nem sempre conseguia evitar certos tipos de pesadelo. Ela suspirou cansada, tentando aliviar a tensão em seu pescoço. Os pesadelos começaram há alguns dias, boa parte ela não conseguia identificar, apenas o registro da Marca Negra acima da Torre de Astronomia.
Ela focou o melhor possível em suas atividades, gastando muita energia para que conseguisse dormir durante a noite sem nenhum sonho perturbador. saiu das estufas de Herbologia onde estava estudando propriedades de plantas curativas e dirigiu—se ao castelo. Nuvens escuras rodeavam o castelo de Hogwarts e ela não conseguiu evitar um frio percorrendo a sua espinha. sacudiu a cabeça. Isso não era um sinal, apenas indício de que choveria em breve. Assim que concluiu o pensamento, sentiu um pingo de chuva cair em seu nariz.
Ela suspirou aliviada, chegando à conclusão de que sua mente estava lhe pregando algumas peças. passou no Salão Principal para pegar algumas coisas para comer, procurou por Blake, mas ele não estava em lugar nenhum. Deu de ombros, ignorando os alertas de sua intuição e avisou Ava que iria comer no dormitório.
Depois de tomar um banho quente e relaxante, ela deitou-se em sua cama da Corvinal para ler um livro e conseguir se distrair. Ava chegou logo depois.
— Você está bem? — perguntou ela
— Sim, só estou muito cansada. Esse final de semestre está acabando comigo — disse ela desviando a atenção de seu livro.
— Eu também — disse ela abrindo a boca de sono — vou direto para cama, está bem? Qualquer coisa você me chama.
concordou, voltando sua atenção ao livro. Todas suas colegas de dormitório já dormiam profundamente quando o relógio marcou onze horas da noite. ainda lia seu livro e aproveitava o som terapêutico da chuva a bater na janela. Para sua surpresa, um dos quadros de seu dormitório, veio avisá-la que Blake estava a sua espera na porta da Sala Comunal da Corvinal.
Ela sentiu um outro calafrio percorrer seu corpo, vestiu—se silenciosamente, pensou por um momento em avisar Ava que dormia tranquilamente em sua cama, mas achou melhor não incomodar a amiga. desceu as escadas do dormitório de dois em dois e quando abriu a porta percebeu que Blake tinha uma expressão sombria no rosto.

— Tem alguma coisa errada — ele disse assim que ela abriu a porta da sua Sala Comunal. Blake apontou para a Torre de Astronomia e pode ver a Marca Negra pairando sobre ela assim como vira em seu sonho.


Capítulo 18 - Fantasmas do passado

Blake soube. Ele soube no momento em que Malfoy deixou a Sala Comunal da Sonserina. Ele estava preparado para o evento há alguns meses, sua mãe tinha lhe alertado para que não fosse pego de surpresa e depois...tudo mudaria. Blake fechou os olhos respirando fundo buscando por toda a sua coragem, ele já estava vestido, seu dormitório parcialmente vazio, despachara algumas coisas em uma bolsa com feitiço extensível há alguns dias. Sua coruja Pandora levara a bolsa para onde quer que sua mãe esteja agora.
Ele não sabia que tipo de futuro esperar, mas ele sempre soube que era sombrio. Blake deveria se levantar em silêncio e seguir o planejado, porém não conseguiu: não iria embora sem se despedir dela. Ele simplesmente não poderia deixá-la sem um fechamento, buscando respostas pelo que aconteceria em breve... Por isso, ele admirou uma última vez o seu quarto na Sala Comunal da Sonserina, lugar que tinha sido o seu lar por todos aqueles anos e saiu em disparada para o dormitório da Corvinal.
Blake passou despercebido por todo o caminho, o silêncio sepulcral do castelo, lhe deixou com um gelo na espinha, da última vez que sentira esse pressentimento, quase perdera a vida. Ele engoliu em seco, mantendo o passo sem fazer muito barulho. Ele deu um pulo quando no céu nebuloso daquele dia, um jato verde iluminou a torre de astronomia e pode ver com clareza a Marca Negra pairando sobre ela. Por isso, quando abriu a porta, ele não conseguiu conter seu terror e sentiu as palavras lhe escaparem antes que pudesse controlá-las.
— Tem alguma coisa errada — ele viu toda cor sumir do rosto da garota, suas mãos delicadas se apertarem ao redor da sua varinha.
— Precisamos avisar alguém — correu ela imediatamente.
‘’Droga’’ pensou ele correndo atrás da garota. Não era essa sua intenção. tinha que ficar dentro da Sala Comunal e não do lado de fora correndo perigo, mas ele sempre soube que ela nunca fugiu de uma luta e talvez, esta fosse uma dessas características tão marcantes que tinha feito ele se apaixonar por ela.
— Espere — gritou ele e a garota parou em um solavanco. Ele caminhou decidido em sua direção e a garota estreitou os olhos sem entender sua atitude — Agora que você não tem alguém em sua vida, eu não vou me sentir culpado em fazer isso.
Blake tomou o rosto cético da garota nas mãos e a beijou. pareceu assustada no início, seus olhos se arregalaram no último minuto, mas o garoto fez questão de mostrar o quanto desejava esse momento. Suas mãos desceram para a cintura da garota e a trouxeram ainda mais para perto. relaxou passando as mãos ao redor do seu pescoço, sua boca abrindo passagem para ele desse continuidade. O sonserino não conseguiu conter um gemido abafado assim que suas línguas se encontraram e ele pode sentir com firmeza a maciez do seu toque e seu perfume cítrico invadirem-lhe as narinas.
Finalmente, era dele. O momento de fato não era apropriado, mas ele não soube dizer se um dia teria essa oportunidade novamente. Ele espalmou suas mãos fortes contra a cintura da menina e sentiu-a amolecer ao seu toque. Blake se conteve para não perder a razão, imaginara aquela situação diversas vezes, mas realizá-la era infinitamente melhor. Ele pode sentir tantas coisas: reciprocidade, afeto, carinho. talvez tentasse se enganar todo esse seu tempo, mas no fundo, Blake pode ter certeza de que ela cultivava um sentimento profundo por ele.
Blake quis esquecer-se de tudo, seu coração estraçalhado pensando no que viria a partir do momento em que rompesse aquele contato e voltasse para aquela realidade intragável. Um grito ecoou dos jardins e os dois se separaram ofegantes. Blake olhou uma última vez para o rosto da garota, sua expressão atônita banhada pela luz da lua cheia, ele segurou seu rosto em suas mãos e o que proferiu a seguir disse olhando profundamente nos seus olhos.
— Não importa o que aconteça apenas se lembre de que isso é real — ele terminou olhando para sua boca, resistindo à vontade de fazê-la sua mais uma vez – vá para sua Sala Comunal e fique lá até tudo isso terminar.
— Eu não vou deixar você — ela exclamou ferozmente.
Eles não puderam argumentar mais, gritos começaram a ecoar no andar de baixo e os dois saíram correndo em direção ao barulho com suas varinhas em punho. Nada poderia tê-los preparado para o que encontraram no andar de baixo. reconheceria aquelas vestimentas em qualquer lugar do mundo. Comensais da Morte. O lugar estava mais escuro do que de costume, uma poeira preta permeava o ar, tornando quase impossível distinguir quem de quem. Feixes de feitiços verdes, vermelhos e dourados iluminavam o ambiente brevemente para que eles pudessem distinguir os rostos no meio da escuridão.
Eles se juntaram a batalha se separando brevemente, correu para junto de Gina que tinha dificuldade em derrubar um Comensal grandalhão. A corvina lhe lançou um feitiço estuporante no meio do peito e o homem tombou.
— Achei que estava precisando de mais uma varinha desse lado — disse ofegante e Gina lhe olhou com os olhos cheios de gratidão.
! Cuidado — disse ela quando um dos homens encapuzados veio na sua direção trombando com força.
Os dois caíram com tudo no chão e a garota sentiu sua varinha lhe escapar pelas mãos. Os gritos estavam se intensificando e ela teve certeza de que estavam perdendo. Por um momento ouviu o grito familiar de Ron e focou firme em suas habilidades para não ceder ao desespero. Ela deu um chute no rosto do comensal que tentou agarrá-la pelo pé e partiu em busca da varinha tateando o chão para encontrá-la, assim que colocou as mãos no instrumento, sentiu alguém a pegando firme pelos cabelos. gritou.
— Achei você, vadia — a voz fez com que o seu sangue gelasse imediatamente. O homem não deu chance para que ela pudesse responder e continuou a arrastá-la pelos cabelos em direção a floresta proibida.
— Me larga! — gritou ela se debatendo quando este colocou a varinha em sua garganta e a arrastou mais alguns metros longe do castelo.
— Mas eu vou... E aí nós vamos nos divertir juntos — disse ele jogando a garota no chão e lhe metendo um chute no estômago. regurgitou segurando sua barriga assim que ele parou para observá-la — você se lembra de mim, não é? Não faz tanto tempo assim... Ora , vai dizer que não me reconhece mais? — tentou focar em seu rosto, a dor ainda pontilhando a sua visão.
O Comensal se abaixou do lado dela, sua máscara prata ainda em seu rosto.
— Eu vou ajudar você — ele disse retirando o item e teve certeza de que seus ouvidos não lhe enganaram da primeira vez. Aquele era o garoto que assombrava os seus sonhos. Aquele era Luke Hampton. Uma cicatriz grotesca agora cortava o seu rosto, seus olhos azuis brilhavam gélidos na escuridão da noite.
— Sentiu minha falta? — ele perguntou em um tom sádico. não conseguiu conter seu ódio e por mais que não fosse capaz se levantar cuspiu em seu sapato e logo se arrependeu da decisão, porque Luke lhe acertou um chute na boca. gritou por causa da dor agonizante, levando às mãos a boca, sentindo sangue quente escorrer por entre seus dedos. Ela sentiu que poderia desmaiar a qualquer minuto, mas conseguiu se levantar, a boca arrebentada ainda continuava a verter sangue manchando suas vestes.
— Você estragou tudo sabia — ele disse em tom divertido a cercando feito um animal — Era para você ter morrido aquela noite e tudo o que eu tinha planejado teria dado certo... Luke rodou sua varinha nas mãos, certo de que a garota não tinha forças para retrucar o feitiço. respirava forte, a dor lhe nublando seu pensamento, seus ouvidos zunindo.
Ela tentou manter a cabeça ereta quando Luke chegou mais perto, encarando seu rosto ferido.
— Agora estamos até parecidos — seu olhar lunático percorreu os ferimentos do rosto da garota e depois ele tocou a própria cicatriz — não precisava terminar assim, você sabe? Eu te dei tantas... Tantas opções... — ele estalou a língua em sinal de reprovação.
observou pelo canto do olho uma sombra se aproximar por dentre os arbustos e sentiu como se os seus joelhos pudessem ceder assim que o estranho lançou um feitiço que atingiu Luke no meio do peito, o atirando alguns metros para longe. Blake surgiu e não conseguiu manter-se de pé, suas pernas cederam e seus joelhos tocaram o chão. Ela pode perceber que ele gritou seu nome, mas antes que pudesse chegar perto dela, Blake foi atingido por outro feitiço, infelizmente, Luke tinha se recuperado mais rápido do que ele esperava. O comensal veio em sua direção e a pegou pelos cabelos novamente colocando sua varinha em sua garganta, sua respiração forte em seu ouvido.
Blake observou com horror os machucados no rosto de , o sangue escorrera pelo seu queixo manchando seu pescoço, sua camiseta e jeans. Luke ainda o encarava com divertimento no rosto. O sonserino ergueu as mãos como se viesse em paz e deu um passo à frente para conversar com Hampton.
- Dê mais um passo e ela morre – Luke disse apertando a varinha contra o pescoço da garota que expeliu mais um bocado de sangue pela boca. Blake deu um passo para trás.
— Sabemos que não é isso que você quer e não é por isso que você veio – Blake argumentou seus olhos passando rápido da garota para Luke.
— E você está disposto a me dar o que eu quero? – Luke o encarou achando graça.
— Eu por ela – Blake disse abaixando a varinha e assistiu a cena em horror. Ela quis gritar, mas sua boca estava tão inchada que não conseguiu emitir nada apenas gemidos de dor – Você pode dizer que mudei de ideia e que você me contou toda a verdade e eu me juntarei ao Lord das Trevas... Voluntariamente...
Luke emitiu uma risada abafada.
— Você é fraco Thomas Blake e isso será sua ruína – ele disse lançando a garota para os pés de Blake que a amparou com firmeza.
— ACABOU – eles ouviram alguém gritar de longe e Luke fez menção da varinha para Blake seguir em frente. O garoto a deixou com certa relutância e começou a seguir Luke para dentro da floresta e antes que os pudessem seguir, fez força para realizar uma única pergunta:
— Por que você Blake?
— Oh, ela não sabe? – isso pareceu divertir Luke ainda mais. Ele caminhou em direção da garota se ajoelhando na frente dela, seus olhos brilhavam de uma forma sádica – Blake é sangue puro e filho de um dos Comensais da Morte mais leais de todos os tempos: Regulus Black.
sentiu o ar fugir de seus pulmões.
— Seu nome verdadeiro é Thomas Black – ele disse rindo – Imagina como o Lord das Trevas irá me receber quando souber que eu não só achei o herdeiro dos Black como o recrutei para lutar ao seu lado?
Blake estava paralisado olhando para ela. Ela encarou seus olhos cinza, buscando por respostas, mas não havia nada neles exceto a confirmação da verdade. se deixou cair sob seus pés e ela observou em silêncio Luke e Blake desaparecerem pela floresta proibida. Ela não soube quanto tempo ficara deitada na grama gelada, as palavras de Luke continuavam a martelar no seu interior. Blake é filho de um comensal da morte. ‘’Não importa o que aconteça se lembre que isso é real’’ dissera depois do beijo dos dois. O sonserino fora em seu lugar, salvara mais uma vez, por que então ela se sentia tão traída?
pegou a varinha aspirando um pouco de sangue de seu rosto, seu estômago e boca doíam terrivelmente, mas seu coração, se é que isso era possível, doía muito mais. Ela se levantou devagar, sua barriga se contraindo com o movimento, arfou. Ela subiu com dificuldade e levou mais de meia hora para fazer um percurso de cinco minutos, assim que chegou ao castelo, se escorou nas paredes e elas lhe deram o sustento para caminhar até conseguir encontrar alguém.
— Ah, meu Deus – Minerva McGonagall soltou um grito exasperado quando avistou a garota – eu preciso de ajuda aqui – a mulher falou trêmula amparando de um lado, dois grifinórios, quem ela conhecia por Dino e Simas, vieram ajudá-la.
Os três seguiram para enfermaria, tentou a todo custo manter a consciência, precisava relatar o acontecimento para algum professor, talvez até para o diretor, o professor Dumbledore. A enfermaria estava cheia, todos falavam ao mesmo tempo, nervosos, tentando descobrir o que acontecera, mas ela não conseguia distinguir nada no momento.
— Pomona, aqui – chamou a professora Minerva.
, por Deus – Rony que tinha um corte no supercílio veio auxiliar os amigos para colocá-la em uma das camas da enfermaria. O garoto tentou conter o terror ao perceber quão machucada ela estava seu lábio inferior estava cortado de tão forma que pendia um pouco para baixo.
— Lu-ke... – ela conseguiu dizer com dificuldade buscando o olhar de Ron.
— Luke Hampton fez isso com você? – ela confirmou com a cabeça. Os professores presentes se entreolharam. Ron levou as mãos da cabeça parecendo transtornado.
gemeu de dor quando a enfermeira tocou acidentalmente seu abdômen onde ela possuía um grande hematoma.
— Ela está com hemorragia interna – Madame Pomfrey disse – precisamos esvaziar a enfermaria Minerva, temos que dar aos enfermos mais privacidade.
— Eu não vou sair – Rony disse alterado – Meu irmão e estão aqui...
Os outros Weasleys endossaram o discurso do irmão.
— Dumbledore está morto – Revelou Harry, que acabara de entrar pelas portas da enfermaria – Snape o matou - E foi à última coisa que ela conseguiu ouvir antes de ceder à exaustão.

***


A dor física tinha ido embora, Madame Pomfrey tinha curado todas suas feridas, inclusive sua boca mutilada, no entanto, a garota ficara com uma cicatriz razoável no rosto, uma pequena fenda do seu lábio inferior que descia pelo seu queixo. ‘’De fato, não estamos mais tão diferentes’’ pensou ela quando olhou para o espelho pela primeira vez e lembrara-se do que Luke tinha dito a ela.
Ela estaria marcada para sempre e por mais que o ferimento estivesse completamente cicatrizado, teve certeza que suas feridas emocionais estavam em carne viva. Ela não conseguiu raciocinar muito bem nas primeiras horas, o olhar de despedida de Blake continuava a retumbar em sua mente, o beijo entre eles uma lembrança distante em sua mente.
Todos os Weasley ainda estavam na enfermaria quando acordou. Gui, um dos irmãos de Rony tinha sido atacado pelo lobisomem Greyback, os demais, no entanto, não tinham se machucado seriamente.
— É verdade mesmo? – perguntou ela a Rony que dormira no leito vago ao lado de sua cama – Dumbledore está morto?
O menino concordou com a cabeça, ainda muito abalado.
— O que aconteceu com você naquela noite? Achei que estivesse segura... – ele parecia carregar certa culpa em sua voz.
— Eu... Blake veio me avisar... – ela disse apertando os lábios – eu preciso falar com o Harry, onde ele está?

***


confidenciou a Harry, Rony Hermione, o que se passara entre ela, Blake e Luke, principalmente a parte em que descobrira que Thomas Blake também poderia ser um herdeiro dos Black. sabia que Sirius Black era padrinho de Harry Potter e que era importante que ele soubesse dessa informação.
— Isso é impossível – disse Harry – Hampton estava mentindo. - Não parecia mentira para mim, Harry – a menina negou com a cabeça – Blake não está mais no castelo, você pode conferir...
— E se ele estiver apenas plantando uma informação falsa? – perguntou Hermione com cuidado, era a primeira vez que as duas conversavam de forma civilizada.
— Pode ser. Não posso ter 100% de certeza, mas gostaria que vocês soubessem caso... Bem... Precisem dessa informação para onde quer que estejam indo...
Harry concordou com a cabeça. Rony e Hermione permaneceram em silêncio.
— Eu sinto muito Harry... Pelo professor Dumbledore — apertou seu ombro em sinal de condolências.
— Eu te levo até o seu dormitório, pode ser? — Rony se ofereceu. pensou em negar, mas estava exausta demais para argumentar qualquer coisa.
Os dois caminharam lado a lado em silêncio.
O castelo estava vazio, muitos pais vieram buscar os seus filhos por causa do ataque, os alunos nascidos trouxas tinham sido mandados para suas casas, Ava estava entre eles, agradeceu por isso, primeiro por estar segura e segundo para não ter que enfrentá-la para dar mais explicações. Ela voltaria dentro de alguns dias para pegar o resto de suas coisas e participar do funeral do professor Dumbledore. Muitos outros bruxos viriam para prestar suas últimas condolências ao diretor.
— Eu sinto muito por não estar ao seu lado – Rony disse antes que ela pudesse entrar na sala Comunal da Corvinal.
— Não tinha como você adivinhar Ron – ela disse com tranquilidade – nossas escolhas estão nos levando para caminhos diferentes, você não precisa se sentir responsável pelo que acontece comigo...
Ron deu um leve aceno.
— Eu queria não ter que fazer uma escolha — ele disse um pouco amargurado.
— Acho que essa guerra está escolhendo por nós — respondeu pensando na voz que tentou alertá-la diversas vezes.
‘’Se você não escolher, escolherei por você’’
Ela soube de imediato o que esta visão tentava lhe dizer. Nada nunca esteve em seu controle. Tudo o que ocorrera com ela, Rony e com Blake era a prova disso. De que suas ações por mais assertivas que fossem não conseguem impedir certas coisas de ocorrerem e que importava de fato era o que ela faria com tudo o que aconteceu com ela.
se despediu de Ron e subiu lentamente as escadas em direção ao seu dormitório. Ela olhou as camas vazias e não conseguiu evitar o sentimento de tristeza que invadira o seu coração, ela dobrou algumas roupas de Ava, separando-as para que fosse mais fácil de empacotar depois, a tarefa lhe ajudou a limpar um pouco os seus pensamentos perturbados, quando se deu conta, quase tudo estava empacotado.
Ela se dirigiu para sua cama, cansada e notou algo que não estava ali no dia anterior. Ela levou as mãos à carta endereçada a ela com a letra de alguém que ela conhecia muito bem: Thomas Blake.

Capítulo 19 - Reminiscência da verdade

Thomas Blake: passou a mão pela sua caligrafia, as letras delgadas, conectadas em traço lindo. Seu coração bateu forte quando encarou o pergaminho em sua mão, incerta se gostaria de saber o conteúdo daquela carta. Ela sentou-se em sua cama, buscando apoio e coragem para ler o que quer que ele teria escrito. Suas mãos trêmulas denunciavam o seu medo, será que encontraria uma verdade que não estaria pronta para enfrentar?
Ela conheceu Thomas Blake, não tinha ideia do que esta nova versão fosse capaz...se é que conheceu de fato quem ele era de verdade. Ela jogou a carta longe, sentindo-se angustiada demais. ‘’Lembre-se que isso é real’’ recordou-se das palavras de Blake, encarando o pergaminho no chão, continuando a analisá-lo.
Blake seu parceiro de Poções, um de seus melhores amigos, alguém que estivera ao seu lado e a amparara em todos os momentos, um garoto que a salvara…mais de uma vez. Ele merecia o benefício da dúvida, tomada por este pensamento antes que pudesse se acovardar novamente, abriu a carta que continha uma única frase.
‘’Deixe-me mostrar a você toda a verdade’’
Depois, a frase desapareceu e uma fenda dourada começou a pontilhar do início do papel até sua ponta, onde se abriu uma fenda, um portal de outra dimensão para qual fora sugada quase que instantaneamente. Ela sentiu como se estivesse caindo, seu grito sufocado na garganta, pensou por um minuto que era um buraco sem fim, no entanto, seus pés encontraram o chão e ela caiu em um baque seco. O lugar não lhe era nada familiar, um quarto comum em uma vizinhança trouxa, vários pôsteres de bandas expostos nas paredes, ela virou-se para trás dando de cara com Blake adormecido em sua cama, ressonando tranquilamente.
‘’Blake? disse seguindo em sua direção, mas não pode tocá-lo. olhou ao redor novamente percebendo que o cenário não parecia exatamente real. ‘’Isso é uma lembrança’’ ela se deu conta, voltando a atenção para o garoto novamente, deu um passo para trás quando ouviu o ranger de passos e não foi a única, Blake sentou-se imediatamente na cama, apontando sua varinha para a porta, que se abriu com certa violência e por ela entrou uma mulher esguia com cabelos muito pretos feito os de Blake.
— Blake, filho, você está bem? — ela perguntou se aproximando dele.
— Mãe? Por que você está segurando uma varinha? — ele perguntou confuso, olhando para os dois instrumentos apontados um para o outro.
‘’Essa é a mãe de Blake? Ela é tão jovem…’’ pensou a menina se dando conta que a mulher deveria ter por volta de seus trinta e cinco anos.
— Filho, nós precisamos conversar… — disse a mulher guardando a varinha no bolso.
— Você pode começar me contando o porquê você estava segurando uma varinha…? — confusão estampava os olhos cinzas de Blake.
— Filho, eu preciso que você entenda que tudo o que eu fiz foi para te proteger e para que você tivesse uma chance de viver uma vida diferente da minha… — seus olhos lacrimejavam suplicantes.
— O que quer dizer? Eu não entendo… — Blake deu um passo para trás se distanciando da mãe.
— Antes de ter o nome do seu pai...meu nome era Cassandra Avery…
Blake deu mais um passo para trás, chocado totalmente com a informação, sua mãe não era apenas sangue puro, sua linhagem pertencia a lista dos Sagrados Vinte e Oito, um diretório que reunia famílias bruxas verdadeiramente puras.
— E seu pai...era Regulus Black…
— Regulus Black? Você está falando da família Black? — Blake riu com ironia — isso só pode ser uma brincadeira de muito mal gost…
— Filho, você precisa acreditar em mim, eles descobriram sobre nossa existência, eu ganhei algum tempo, eu disse que fiz isso para te proteger e te preparar para servir o Lord das Trevas…
— Você está louca…você perdeu completamente o juízo — gritou ele
— Eu estou protegendo você! Eu não posso perder você como eu perdi o seu pai… — lágrimas tomavam conta do rosto da mulher — Você vai precisar confiar em mim…
— Confiar em você? - seus olhos cinzas faiscavam – como eu posso confiar em alguém que está me entregando para o Lord Voldemort? Eu não sei mais quem você é...EU NEM SEI MAIS QUEM EU SOU…
— Filho, eles vão caçar você e todos que você ama… — Blake paralisou com o impacto daquelas palavras, lembrando-se de — por isso, quando eles vierem te buscar, você precisa ir com eles…
sentiu como se o ar tivesse sumido de seus pulmões e antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, a visão mudou. Ela fora transportada novamente, mas para um lugar que ela conhecia bem, a enfermaria de Hogwarts. estava dormindo tranquilamente em uma das camas do local e Blake estava sentado ao seu lado escrevendo em um pergaminho.
‘’Querida
Se você está acessando essas lembranças é porque meus planos deram errado e eu não pude te contar tudo pessoalmente como eu gostaria de ter feito...é engraçado falar isso, principalmente quando se trata de nós dois...porque o nosso tempo nunca parece certo, não importa o que façamos…
Sei que você tem muitas perguntas, mas não posso respondê-las, porque preciso que você esteja segura, longe de mim você tem uma chance de conseguir sobreviver a guerra que se aproxima…
Também sei que você não irá embora, mesmo se eu te implorar para ir, por isso, estou deixando o segredo da minha casa para você, caso não se sinta confortável em ficar na casa dos Weasleys… a visão mudou novamente e ela se viu de pé em frente a uma casa simples no fim de uma rua sem saída.
Você é a única fiel do segredo e passará despercebida se assim desejar.
E eu espero que você deseje.
Por favor, eu te peço.
Não venha me procurar.
A lembrança voltou novamente para Blake finalizando o pergaminho, o garoto observou a garota por mais uns instantes e antes que fosse embora, depositou um beijo em sua testa e sussurrou em seu ouvido. ‘’Eu amo você’’
tentou seguir em direção a Blake, mas um solavanco fez com que ela fosse transportada novamente para a sua realidade, em suas mãos, os dizeres anteriores tinham sido substituídos por apenas três palavras: ‘’Eu amo você’’.

***

Muitas pessoas compareceram ao funeral do professor Dumbledore, ex-alunos, pais, funcionários do Ministério da Magia, grandes personalidades e a comunidade bruxa em geral. Ava também voltou para prestar suas condolências ao diretor, ela pareceu aliviada ao ver a melhor amiga em bom estado, mas observou no mesmo momento a cicatriz em seu rosto e seus olhos tristes e soube que depois conversariam com mais tranquilidade sobre o assunto.
O lindíssimo dia de verão parecia rir da cara deles. Um céu azul esplêndido e um sol reluzente brilhava acima deles. Ninguém deveria ser enterrado em um dia assim tão lindo, pensou ela com um pouco de amargura. Ela e Ava sentaram-se ao fundo da cerimônia perto de seus amigos Alex, Patrick e Suzanna. Não conhecia o diretor Dumbledore o suficiente para ocupar uma das cadeiras da frente como Harry, Rony e Hermione.
É claro que estava sentindo a morte do diretor, mas isso não lhe dava o direito de ocupar espaços de outras pessoas que o tinham em mais alta estima. De longe, ela pode ver que Hermione deitara sua cabeça no ombro de Rony, seu corpo sacudindo por causa do choro e ela não evitar sentir uma pontada de dor em seu coração, mas mais uma vez não estava em posição de exigir nada, beijara Blake e de certa forma também descobrira sentimentos por ele. Não fazia sentido conservar amargura de Rony ou Hermione, todos eles estavam fazendo o melhor que podiam frente aquela situação, inclusive ela. Seu coração se apertou ao pensar em Blake e em seu futuro destino. Será que o garoto estaria perdido para sempre para o lado das Trevas?
O pensamento lhe fugiu quando ela avistou o guarda-caça Hagrid trazer o corpo de Dumbledore envolvido em um tecido de veludo roxo. Ava apertou sua mão um pouco nervosa e ela retribuiu o aperto, prendendo a respiração. Um homenzinho pequeno e de cabelos tufos começou a fazer o elogio fúnebre, os sereianos também vieram prestar as suas homenagens e até mesmo os centauros, mesmo que encobertos pelas árvores da floresta prestaram suas condolências com uma saraivada de flechas que percorreram o horizonte, longe o suficiente para não acertar ninguém.
Depois, vivas chamas envolveram o corpo de Dumbledore, a fumaça espiralando em diversas formas acima dele e em seu lugar, um túmulo de mármore branco surgiu fazendo deste lugar, a morada eterna do diretor. piscou os olhos tentando evitar o choro, mas uma lágrima solitária desceu pelo seu rosto ainda assim.

Epílogo

suspirou dando uma última olhada no castelo de Hogwarts, o local que tinha sido mais do que sua escola, o seu lar. Ela sentiu seus olhos ficarem úmidos de repente, pensando em seu namoro com Ron e depois no término de seu relacionamento, mas ele precisou escolher o seu caminho e ela, escolheria o dela...E Blake...Blake estava nas mãos dos Comensais da Morte e ela nunca se sentira tão impotente. Lembrou-se de seus lábios contra os dela, no desespero em seus olhos, em seu total desprendimento quando a salvou mais uma vez.
Ela tirou a carta do seu bolso analisando as palavras ali escritas. Deixaria Blake a resolver tudo por conta própria? ‘’Você não vai gostar nada disse Blake’’ pensou ela guardando a carta novamente em seu bolso. Ela iria encontrá-lo de qualquer jeito mesmo que isso significasse deixar Ava e principalmente, o seu passado com o Rony totalmente para trás.
O céu brilhava majestoso, seus raios solares salpicavam a superfície do Lago Negro, como se ele fosse coberto de infinitos estilhaços de diamante. De longe, a fênix de Dumbledore ainda soltava suas lamúrias de tristeza, configurando a bela paisagem em um quadro triste. esboçou o fantasma de um sorriso quando Ava apareceu para encontrá-la arrastando o seu pesado malão de Hogwarts, a tristeza também estampada em seu rosto.
— Não acredito que nunca mais voltaremos — ela disse em pesa se posicionando ao lado da amiga.
— Vamos torcer para que ainda haja um futuro para nós aqui..
— Nunca vou me esquecer de quando chegamos pela primeira vez. O castelo continua tão lindo quanto antes…
— Só nós estamos diferentes…
Ava sorriu tristemente.
— Como você está?
— Bem, na medida do possível… — disse dando de ombros.
— Você está com esse olhar no rosto...o que você vai fazer?
— Preciso procurá-lo Ava…
— Blake? Mas isso é uma missão suicida! Ele está com os outros Comensais da Morte.
— Não vou abandoná-lo, ele salvou a minha vida, mais de uma vez…
— Então eu vou com você…
— Ava, não! Pegue seus pais e fuja do país!
— E deixar você para trás? — disse a menina com os olhos marejados — Nunca! Eu vou com você!
suspirou um pouco nervosa, doía-lhe em pensar em deixar a amiga que era como uma irmã para trás, mas lhe confortava saber que não estava sozinha.
— Blake me deixou um endereço, assim que eu verificar que está tudo bem, eu mando uma mensagem, tudo bem?
Ava concordou ainda um pouco chorosa.
— Vamos ou iremos perder o trem — disse dando uma última olhada para o castelo de Hogwarts.
A viagem para a plataforma 9/3/4 foi silenciosa, nem ela e nem Ava tinham muitas coisas a dizer. Patrick e Alex também dividiam a cabine com elas em profundo silêncio. não pode deixar de procurar por seu pai na plataforma, mas logo lembrou-se que ele estava do outro lado do mundo, sem nem lembrar de sua filha mais velha.
— Você não está sozinha — Patrick disse a trazendo para um forte abraço, Alex que parecia que iria desatar em lágrimas em alguns minutos bastou-se por dar-lhe alguns tapinhas nas costas.
— Nós iremos até você quando precisar de nós — disse Patrick a olhando com seriedade e ela soube nesse momento que ele tinha conhecimento de coisas que ela não sabia.
Ela sorriu tristemente vendo os dois aparatarem da plataforma. Para sua surpresa, Molly Weasley veio em sua direção, a abraçando com força.
— Querida, eu sinto muito por vocês — disse ela se referindo ao término com Rony, o garoto a observava abalado do outro lado da estação. se limitou a olhar para ele por poucos segundos.
— Eu adorei fazer parte da sua família, Sra. Weasley.
— Ah, querida, nossa família sempre terá um espaço para você. Você tem para onde ir? Tem tudo o que precisa?
— Tenho sim, Sra. Weasley...muito obrigada… — a mulher olhou para ela e Rony e pensou em dizer alguma, mas resolveu se despedir em silêncio em um abraço apertado, lembrou-se na saudade que sentia da sua família.
A garota observou os Weasley acompanhados de Granger e Potter se dirigirem a saída da estação. Rony lacrou seus olhos azuis com ela por um tempo e ela sentiu como seu próprio coração fosse se partir dentro do peito. Ela fechou os olhos gravando da imagem do garoto que amava, mas que agora precisava partir e quando os abriu de novo, Rony já tinha ido embora.
— Espere minha coruja em alguns dias — disse dando um abraço de despedida em Ava.
— Tem certeza de que não quer que eu vá com você? — Ava perguntou temerosa.
— E o que você diria aos seus pais? — chacoalhou a cabeça — espere alguns dias e eu mandarei Dartagnan avisá-la.
Ava a abraçou forte e antes que pudesse mudar de ideia, ela a soltou, aparatando logo em seguida, o rosto inchado de Ava desaparecendo de sua visão. Ela lançou um feitiço de desilusão em si mesma e no malão, tomando cuidado para que seus passos não fizessem barulho. Ela se deparou com uma rua sem saída, que estava deserta àquela hora da noite. Ela andou cuidadosamente, olhando para todos os lados caso o lugar estivesse sido vigiado. Blake dissera que ela era a fiel do segredo e a única pessoa que conseguiria enxergar a casa. Ela caminhou com a varinha em punho, seu coração batendo forte entre as costelas.
A rua silenciosa parecendo a engolir. A casa surgiu em um passe de mágica diante de seus olhos, ela estava cheia de vasos de plantas, outrora tão bem cuidadas, agora todas secas e mortas. Ela olhou a caligrafia de Blake no papel e olhou para casa pensando em tudo o que a aguardava, pode finalmente deixar-se desabar pensando que não sobreviveria com tantas despedidas. Guardou o bilhete com carinho em seu bolso e entrou na casa desabitada, torcendo para que Blake lhe deixasse pistas por onde começar.



FIM!



Nota da autora: Eu quero dedicar essa história para a minha versão adolescente de 14 anos, aquela garota que achou que não tinha capacidade para escrever uma história, quero te dizer Diandra do passado para você ficar tranquila, você achou o seu caminho de volta para casa.
Eu não sei o que sentir na verdade, quero agradecer a todas as pessoas que contribuíram para que isso se tornasse realidade. Encerro esse ciclo com a maior amor do mundo. The Keeper ajudou a encontrar a minha voz e o meu propósito de vida.
Espero voltar em breve.
Um beijo
com carinho,
Di.


Nota da scripter: Obrigada por permitir que eu fizesse parte da resolução dessa fanfic incrível, Di! Queremos te ver de volta com cada vez mais histórias para lermos. Agradeço a ti por tudo, The Keeper possibilitou que eu conhecesse a autora maravilhosa que você é! Muito sucesso para ti! Te amo muito, sua linda.


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Outras Fanfics:
Halloween In New Orleans
The Death of Me


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