The Safety

Última atualização: 08/05/2018

Capítulo 1

Acordei naquela manhã mais disposta que o normal. Hoje seria o dia em que eu irei até a estação Kings Cross e ingressarei no famoso expresso Hogwarts. Isso mesmo, Hogwarts. É para lá onde eu estarei indo daqui algumas horas.
Já se passaram alguns meses desde que recebi a notícia de que seria transferida de Beauxbatons para Hogwarts. Ainda não me disseram o motivo. Meus pais evitam tocar no assunto e sempre que insisto eles respondem que foi uma simples transferência sem motivo especial, mas isso ainda não me convenceu.
De qualquer jeito, fazia algumas semanas que eu não tocava mais no assunto. Havia decidido que se eles não quisessem me contar não haveria problemas, alguém abriria o bico e me explicaria toda essa história quando eu chegasse lá.
Leves batidas na porta me despertaram de meus devaneios e logo a cabeça de minha mãe estava dentro do meu quarto.
-Levante já, temos uma hora para estar na estação. - ordenou e eu assenti levantando do pequeno colchão inflável em que dormia há 2 meses.

O fato é que, com essa minha repentina mudança eu e meus pais tivemos que nos mudar da França para a Inglaterra e eles acabaram perdendo o emprego.
Papai conseguiu uma carta de recomendação de seu antigo chefe e isso fez com que, logo que encontrássemos uma casa, ele fosse atrás de um trabalho e conseguisse rapidamente. Porém, nunca tivemos muito dinheiro e não havíamos conseguido comprar todos os móveis.

Como eu apenas passaria poucos meses em casa e depois partiria para minha nova escola, disse para meus pais que não se preocupassem com móveis para meu quarto passando a dormir em um simples colchão inflável. Não é o melhor lugar a se dormir quando se tem alguns problemas na coluna, mas eu fingia não me importar e continuava a tomar meus remédios.

Sem muito tempo para pensar na vida me levantei do colchão sentindo o mesmo afundando um pouco e me espreguicei; Estalei as costas e segui até o banheiro do corredor.

Liguei a ducha, me despindo em seguida e entrando em baixo da água quente.

Fazia frio em Londres e, por mais que eu ame esse clima gélido, sentia falta de um pouco de calor. Não que na França fizesse muito calor, mas quando voltava das aulas eu costumava visitar minha avó que mora na Califórnia e passava meses por lá, o que me fazia ficar acostumada com o calor.

Tomei meu banho com toda calma do mundo e enrolei meu corpo na toalha, quando saí do pequeno box.

Me dirigi até meu quarto e vesti a roupa que havia separado na noite anterior: uma calça jeans justa, uma blusa de manga comprida roxa e meu tênis branco. Soltei meu cabelo, que estava preso para não molhar no banho e os penteei, deixando que os longos fios castanhos caíssem até um pouco abaixo do busto.
Peguei meu malão e segui até a sala, depositando-o em cima do sofá.

-Bom dia - desejei aos meus pais assim que adentrei a cozinha.
-Bom dia, querida - meu pai respondeu sem tirar os olhos do jornal.
-Coma rápido, não temos muito tempo- minha mãe me apressou e eu resolvi irrita-la um pouco.
-Relaxe, mãe! Se nos atrasarmos muito, eu pego minha vassoura e nos levo até lá em instantes - brinquei e ela me fuzilou.
-Nem pense nisso, ! - me repreendeu e eu gargalhei.
Minha mãe odiava que eu voasse em minha vassoura, sempre dizia ser perigoso demais e alegava que eu ainda me machucaria.
-Estou apenas brincando- sorri e ela riu fraco.
-Pare de tagarelar e coma logo - mandou rindo e eu comecei a comer.
10 minutos depois, estávamos todos prontos e dentro do carro.
-, mande sua coruja ficar quieta! - meu pai pediu estressado e eu olhei para Edwin que tentava abrir a gaiola com as patas.
-Se tivesse me deixado solta-lo alguns minutinhos, ele não estaria tão angustiado- respondi acariciando as lindas penas beges da minha coruja. Ouvi meu pai bufar e ri fraco.

Alguns minutos a mais se passaram e logo meu pai estava estacionando o carro em frente à estação.
Saí do automóvel com meu malão em uma mão e a gaiola de Edwin em outra; Minha mãe pegou um carrinho e me ajudou a colocar minhas coisas no mesmo.
Segui conversando com eles e percebi alguns olhares direcionados a mim. Não os julgo, para um trouxa deve ser estranho ver alguém carregando uma coruja.
-Qual o número da plataforma, filha? - minha mãe perguntou.
- 9¾?- respondi checando no bilhete.
-Como? Isso deve estar errado. Não existe plataforma 9¾? - meu pai respondeu e eu dei de ombros seguindo até o local onde achava que ficava a plataforma.
E lá estava a plaquinha com os dizeres "Plataforma 9" e uma distância depois, estava em outra placa "Plataforma 10".
-Isso só pode ser brincadeira - resmunguei olhando no relógio e vendo que eram quase 11 horas.
Seis cabeças ruivas entraram em meu campo de visão e vi que estavam com um malão igual ao meu, ótimo.
-Com licença, senhora - pedi ao me aproximar da mais velha entre eles - Estão indo para Hogwarts também?
-Sim, querida. Algum problema?
-É que eu sou nova na escola e não achei a tal plataforma - expliquei e ela me olhou confusa.
-Nova? Quantos anos você tem? - o senhor ao seu lado perguntou.
-16 - respondi não entendo a necessidade da pergunta.
-Não sabia que aceitavam alunos mais velhos no primeiro ano - ouvi alguém dizer atrás de mim e me virei dando de cara com dois garotos idênticos. Eles perceberam meu olhar e logo desviaram, fingindo não ter falado nada.
-Bom, de qualquer jeito, você chega a plataforma atravessando por ali - ela disse apontando para uma pilastra entre a plataforma 9 e a 10.
-Como? - perguntei assustada.
-Fred e Jorge vão na frente para você ver como funciona e depois é só segui-los, ok? - o homem, que julguei ser o marido da senhora e o pai dos outros, me disse e eu assenti.

Os dois se posicionaram e saíram correndo em direção a pilastra. Eu já estava quase fechando os olhos pronta para vê-los se machucarem por irem de cara na parede mas eles simplesmente desapareceram. Meus olhos se arregalaram e ouvi uma risada atrás de mim.

-Todos que veem isso pela primeira vez tem a mesma reação - o outro garoto ruivo disse - Sou Ronald Weasley, mas pode me chamar de Rony - estendeu a mão e eu o cumprimentei. Ouvi um barulho de rodas e logo a garota que também estava lá havia desaparecido.
Me aproximei dos meus pais e sorri fraco.
-Vamos sentir saudades - meu pai disse.
-Nem terão tempo para sentir, daqui a pouco estarei em casa para o Natal - tentei os animar e eles sorriram. - Vejo vocês em alguns meses - disse enquanto os abraçava.
Peguei meu carrinho e apertei as mãos no mesmo. Olhei em volta e vi que o tal de Ronald já havia ido; Chequei as horas e vi que já eram 10:54, eu estava muito atrasada!
Respirei fundo e peguei impulso correndo com o carrinho em direção a pilastra. Assim que fiquei mais próxima dela, fechei os olhos pronta para sentir meu corpo bater contra a mesma, mas nada aconteceu.
Abri eles novamente e me encontrei de frente para um enorme trem com uma placa vermelha a frente escrito: "Expresso Hogwarts", tinha dado certo. Eu consegui!

Suspirei aliviada e me apressei para adentrar no trem. Do lado de fora, agora, só haviam os pais ou irmãos novos demais para iniciar os estudos. Então me apressei, guardei meu malão o mais rápido que pude e entrei no transporte.
Passei por cabines já fechadas e com as cortinas estendidas, por pessoas no corredor rindo e brincando e várias outras cabines, achei até mesmo a cabine do Ronald, mas nenhuma estava vazia.
Decidi então não procurar mais e entrei na próxima cabine que vi, lá havia uma garota loira que estava entretida demais em seu livro para perceber minha presença.
Pigarreei e ela levantou os olhos.
-Será que posso ficar aqui? As cabines estão todas cheias - pedi e ela sorriu docemente.
-Claro, sem problemas - respondeu e eu sorri agradecendo.
Entrei na cabine e fechei a porta atrás de mim.
-Eu sou a Luna, você é...? - perguntou.
-Me chamo , – respondi.
-Nome bonito – comentou e eu sorri agradecendo. Ela me encarou como se analisasse meu rosto e ficou assim por um tempo.
-Algum problema? – perguntei.
-Não, é que você se parece com um antigo conhecido. – respondeu e depois balançou a cabeça – Deixa pra lá. – E voltou a prestar atenção no seu livro.
Ótimo, passarei a viagem inteira sozinha.
Me acomodei melhor no banco e mirei meu olhar para a paisagem que aos poucos começava a surgir, conforme o trem ganhava velocidade e se afastava da estação. Ele andava tão rapidamente que tentar observar alguma coisa do lado de fora me deixava enjoada.
Decidi então tentar dormir um pouco já que, na noite passada, havia dormido poucas horas.
Porém, o barulho da porta abrindo me despertou.
- Vão querer algo? - Era a moça do carrinho de lanches.
-Não, obrigada - Luna respondeu sorrindo.
-Eu quero alguns Feijõezinhos de Todos os Sabores - pedi e lhe entreguei alguns sicles. Ela os pegou e me deu um pacotinho.
Abri a caixinha e comecei a comer, porém acabei pegando um de cera de ouvido e desisti de comer o resto, deixando a mesma ao meu lado.
Voltei a encostar minha cabeça na janela e fechei os olhos finalmente descansando um pouco.

[...]

Senti alguns dedos me cutucarem e abri os olhos lentamente, me deparando com Luna me encarando.

-Estamos chegando, é melhor colocar suas vestes - avisou e eu assenti.

Aproveitei que a cortina estava fechada e me troquei rapidamente. As vestes de Hogwarts ficavam certinhas em meu corpo e eram muito confortáveis.
Senti que estávamos desacelerando e alguns segundos depois o trem freou.
Luna se levantou e eu a imitei seguindo ela por todo o corredor e saindo do transporte.

- ! Onde está ? - ouvi uma voz feminina me chamando e levantei o braço - Ótimo, venha comigo - pediu e começou a andar e eu, sem mais escolhas, a segui.
Ela andava rapidamente e estava sendo difícil acompanhá-la, já que havia acordado há poucos minutos e ainda estava meio sonolenta.
-Eu fiz algo de errado? - perguntei e ela negou sem me olhar.
-Só estou lhe acompanhando até o salão comunal para ficar junto aos alunos do primeiro ano - ela respondeu.
-Eu iniciarei no primeiro ano? Mas eu já estava indo para o sexto em Beauxbatons .
-Você não iniciará no primeiro ano, apenas ficará juntos a eles para poder passar pelo Chapéu Seletor e descobrir em que casa ficará - explicou finalmente me olhando e sorriu de lado.
-Oh, certo - respondi e voltei a ficar em silêncio.
Andamos mais um pouco até pararmos em frente a uma porta marrom enorme.
-Sigam-me - ela disse e todos os alunos do primeiro ano começaram a andar atrás de senhora e eu, claro, os acompanhei.
Se eu já havia passado por alguma situação embaraçosa nada se compara àquele momento.
Todos no Salão Principal voltaram os olhares para mim e começaram a cochichar entre si. Foquei meu olhar no centro do local onde Dumbledore estava e tentei ignorar todos os olhares curiosos.
A senhora, que descobri se chamar Minverva, parou no centro do "palco" e nos olhou.
-Todos aqui, por favor - pediu indicando um lugar a sua frente - Quando eu chamar seus nomes deem um passo a frente, eu vou colocar o Chapéu Seletor em suas cabeças e serão selecionados para suas casas - ela disse e abriu uma grande lista começando a chamar os nomes.

Uns 10 nomes foram chamados até eu escutar o meu. Dei um passo a frente e sentei no banquinho sentindo Minerva colocar o chapéu em minha cabeça. Fechei os olhos e respirei fundo.

-Acalme-se, eu não mordo - o mesmo disse e alguns riram - Hm, vejamos - ele começou a resmungar coisas indecifráveis e eu fiquei mais nervosa ainda - Você tem coragem, isso é visível. E sua mente não é nem um pouco má. - ele demorou alguns segundos - Já sei. Grifinória! - gritou e eu suspirei aliviada por não ter ficado na Sonserina. Conhecia os boatos sobre aquela casa e se ficasse lá ficaria um pouco assustada.

O pessoal da mesa da minha mais nova casa gritou e eu levantei, indo até lá e cumprimentando alguns deles, incluindo os gêmeos ruivos de hoje mais cedo.

Me sentei ao lado de uma garota morena e de frente para Ronald e Harry Potter, confesso ter ficado ansiosa para conhece-lo, até porque ele é uma lenda, porém agi naturalmente.
O banquete já estava posto na mesa e logo comecei a comer, pois meu estomago já estava reclamando de fome há certo tempo.
Voltei meu olhar para a mesa dos professores, onde Dumbledore estava dando alguns avisos, porém senti olhares em cima de mim.
-Algum problema? - perguntei a garota ao meu lado que rapidamente balançou a cabeça.
-Desculpe, só estou curiosa. - respondeu.
-Novidade - ouvi Ronald resmungar fazendo ela revirar os olhos.
-Está curiosa com o quê? - perguntei.
-É meio estranho você ter sido transferida do nada - comentou.
-Sabe que fui transferida?
-É meio óbvio, né.
-A maioria achou que eu começaria no primeiro ano - ri e ela também.
-Eles não costumam raciocinar rapidamente - respondeu e eu ri - Sou Hermione Granger - estendeu a mão.
- - fiz o mesmo.
-Você foi transferida por qual motivo? - Ronald perguntou.
-Também não sei - respondi.
-Como não? - Hermione perguntou.
-Recebi a informação de que seria transferida há poucos meses e meus pais se recusam a me contar o porquê.
-Estranho - Hermione comentou e eu assenti.
Virei a cabeça e percebi que Harry me encarava como se estivesse assustado, porém desviou assim que percebeu que eu notei.
Voltei a prestar atenção em Dumbledore que havia terminado de apresentar o novo professor de poções, Horácio Slughorn, e agora tinha um tom mais sério.

-Como sabem, todos vocês passaram por uma revista quando chegaram essa noite e tem o direito de saber o porquê. Uma vez, um jovem rapaz, como vocês, se sentou nesse mesmo saguão, caminhou por estes corredores, dormiu sob este teto e para todos parecia ser um estudante como os outros. Seu nome: Tom Riddle. Hoje, claro, ele é conhecido no mundo por outro nome e por isso me coloco perante todos vocês esta noite para lembrar um fato muito importante: Todos os dias, todas as horas, talvez nesse exato momento, forças das trevas tentam penetrar as paredes desse castelo. Mas no final, a maior arma delas são vocês. É para que reflitam. Todos para a cama! – Terminou de falar e muitos começaram a levantar.
-Muito animador – Rony comentou e eu ri fraco.
Fui conversando com os gêmeos Weasley, que descobri serem chamados de Fred e Jorge, e eles me contaram como as coisas funcionavam aqui em Hogwarts, o que foi muito gentil da parte deles.
Fui acompanhada deles o tempo todo até chegarmos na sala comunal da Grifinória e eu me ver sozinha sentada no sofá.
-Sem sono? - alguém disse ao meu lado e eu pulei de susto - Desculpe, não era minha intenção te assustar - Hermione disse rindo.
-Tudo bem - respondi. – Mais ou menos, até que estou cansada. Você está sem sono?
-Na verdade, não. Só não estou com vontade de dormir - deu de ombros e eu assenti. - É sério que não sabe o motivo de ter sido transferida?
-Sim.
-Isso é muito estranho, deveria falar com Dumbledore - aconselhou.
-É, quem sabe – respondi suspirando.
Percebi que Hermione me encarou por um tempo, porém parou rapidamente, abaixou a cabeça e riu fraco.
-O que foi? – perguntei.
-É que você me lembra alguém, bobeira minha – riu novamente e lhe dei um sorriso amarelo. Me levantei e a encarei.
-Acho que vou dormir.
-Vou com você, estamos no mesmo dormitório. - avisou e seguimos as duas até nosso quarto.
Chegamos lá em silencio para não acordar as outras meninas e colocamos nossos pijamas.
-Boa noite – desejei para Hermione.
-Boa noite – respondeu e se deitou.
Deitei na minha cama que ficava ao lado da janela e comecei a observar a paisagem do lado de fora.
As serras em torno de Hogwarts ficavam a minha vista e pude ver até o campo de quadribol, onde certamente visitaria pois era apaixonada pelo esporte.
Vi a enorme lua brilhando no céu e parei para observá-la. Ver o céu a noite sempre foi uma das coisas que mais gostava de fazer.
Lembro-me de quando ia passar as férias com minha vó, e e eu, minha prima mais nova, ficávamos até altas horas conversando sobre bobagens.
Passar as férias na casa de minha vó era muito bom para eu controlar a vontade de usar magia, pois já que ela não sabia sobre eu ser uma bruxa, não podia nem tentar fazer feitiços perto dela.
Porém, me lembro de um dia ter saído para dar uma volta com minha vassoura e ter guardado ela debaixo da cama, minha vó que estava limpando o quarto quase a encontrou, mas acabei a enrolando dizendo que estava a chamando e assim que ela saiu guardei a vassoura dentro de minha mala.
Acabei me distraindo tanto com essas lembranças que adormeci sem nem perceber.


Capítulo 2

Uma voz estridente gritava a maldição da morte e o grito de um rapaz ecoava pelo local. Um homem, do qual não me era estranho, sorria para o rapaz a sua frente que permanecia de costas para mim e logo depois seu corpo era carregado pelo portal..

-! – ouvia alguém me chamar mas sua voz ainda estava longe – ! – a voz foi se aproximando e junto a ela cutucões me eram dados – ! – a pessoa acordou e eu gritei assustada.
Era Hermione!
-Não podia me acordar de uma forma mais fofa, não? – perguntei irritada.
Se havia uma coisa da qual eu odiava era ser acordada de maneira rude.
-Estou lhe chamando há mais de dois minutos, mas você não acordava, a solução foi gritar – respondeu e me sentei na cama.
-Podia ter me chacoalhado.
-Mas eu fiz isso! E quando fiz, você me empurrou. – respondeu irritada.
-Tudo bem, está perdoada.
-Não pedi seu perdão – implicou segurando o riso e eu a fuzilei.
-Estou sendo boazinha, não abuse! – respondi e ela levantou os braços em sinal de rendição.
-Então, Sra. Boazinha, trate de se arrumar logo, pois o banquete do café da manhã terminará em 20 minutos. – me avisou e levantei correndo.
Tomei um banho de 5 minutos e saí do mesmo já vestindo o uniforme de Hogwarts. Penteei meu cabelo deixando-o solto e voltei para o dormitório somente para calçar meus tênis.

-Estou pronta! – gritei com os braços levantados e respirei cansada da correria.
-10 minutos e 20 segundos – Hermione me informou – Mais um pouco e iríamos ficar com fome.
-Isso é um recorde pessoal, não reclame! – falei e ela revirou os olhos rindo. – Agora vamos logo.
A puxei pelo braço e saímos com os braços entrelaçados em direção ao Salão principal.
-Você realmente gosta de dormir – comentou quando paramos em uma escada.
-Quem não gosta?
-Todo mundo gosta, mas você é meio paranoica quando o assunto é o seu sono. – brincou e eu ri.
-Toda rainha precisa do seu sono de beleza – joguei o cabelo pro lado e Hermione gargalhou.
Voltamos a andar só que dessa vez sem os braços cruzados.
-Você também participará da aula de poções? – perguntou.
-Sim, era uma das minhas matéria preferidas em Beauxbatons. – respondi observando os quadros do castelo.
-Sorte sua que você entrou no ano em que o professor não é o Snape, senão perderia o gosto pela aula em segundos – disse e eu ri fraco.
-Pelo que parece, ele não é seu professor preferido.
-Ele não é o preferido de quase ninguém, somente o pessoal da Sonserina gosta dele.
-Percebi isso ontem quando ele foi anunciado como novo professor de Defesa Contra As Artes Das Trevas, Sonserina só faltava dar pulos de alegria. – disse e ela riu fraco.
Chegamos no refeitório ainda conversando sobre o Snape e assim que Hermione avistou os meninos, me puxou em direção a eles.
-Você devia ver quando a Umbridge foi interrogá-lo no meio da aula, a cara dele foi a melhor – Hermione contou rindo e eu ri também.
-Isso é tão estranho! – Rony disse assim que ela e eu nos sentamos de frente para eles.
-O que é estranho? – Hermione perguntou.
-Você conversando animadamente com uma garota. Sabia que não te vejo assim com uma desde, hm, sempre. - ele disse e ela revirou os olhos bufando.
-É impressão minha ou vocês vivem se provocando? – perguntei rindo.
-Já vai se acostumando – Harry direcionou a palavra a mim pela primeira vez e eu ri da cara dos dois.
- e eu nos inscrevemos para aula de poções, o professor novo parece ser bem simpático - Hermione disse e eles resmungaram algo de boca cheia fazendo a mesma olhar pra eles com cara de nojo.
-Falando nisso, é a nossa primeira aula, né? - perguntei e ela assentiu enquanto comia um pedaço de algo que julguei ser um bolo.
Tomei um copo de suco de abóbora em um gole só, comi alguns pãezinhos que havia ali e um pedaço de bolo.
-Melhor irmos andando, senão nos atrasaremos - ela disse.
-Tudo bem. Tchau, meninos - falei e me levantei seguindo Hermione por toda a escola até a sala onde ocorreriam as aulas de poções.
Fomos conversando o caminho inteiro e Hermione aproveitou para me dizer onde ficavam as aulas em que eu precisaria ir e até onde ficava a cabana de Hagrid, guarda caças de Hogwarts e grande amigo de Harry, Rony e Hermione.
Chegamos na sala acompanhadas de alguns alunos e nos reunimos na frente do professor que se apresentava. Como Dumbledore havia dito ontem, seu nome era Horácio Slughorn e era um velho amigo do diretor.
Um barulho interrompeu a aula e Harry e Ronald apareceram na porta.
-Com licença, professor - Harry pediu e Horácio sorriu contente.
-Harry, meu rapaz, já estava preocupado. Vejo que trouxe alguém com você.
-Rony Weasley, Senhor – Ronald se apresentou e uma garota ao meu lado suspirou. Olhei pra ela confusa e logo a mesma disfarçou. – Mas eu sou muito ruim em poções, uma ameaça, na verdade. Por isso, é melhor... – ele falava porém o professor o interrompeu.
-Tolice, nós podemos ajuda-lo. Qualquer amigo do Harry é meu amigo. – ele respondeu e a cara de decepção de Rony foi hilária. – Peguem os seus livros.
-Ah, me desculpe, senhor. Eu ainda não comprei os livros e nem o Rony – Harry disse.
-Não faz mal, podem pegar no armário. – Ele respondeu e os meninos se dirigiram até o armário.
Voltei a prestar atenção no professor que começou a explicar de novo.
-Agora, como eu estava dizendo, esta manhã eu preparei algumas misturas. Algum de vocês tem ideia do que seja esta aqui? – perguntou e Hermione levantou a mão. –Sim, senhorita...?
-Granger, senhor. – Se apresentou. Hermione começou a falar sobre as poções porém minha atenção foi tirada quando percebi que Rony e Harry brigavam para pegar algo dentro do armário.
Rony saiu puxando um livro de capa nova enquanto ria e Harry, que estava com um bem antigo bateu com o livro no mesmo e se juntou a nós com cara feia.
-E essa é a amortentia. A poção do amor mais poderosa do mundo – Hermione voltou a falar e comecei a prestar atenção novamente –Tem um cheiro diferente para cada pessoa dependendo do que a atraí. Por exemplo: Eu sinto o cheiro de grama cortada, pergaminho novo e pasta de dente de hortelã. – terminou de falar e voltou para o meu lado.
-Pasta de dente? Sério? – a zoei e ela me mandou ficar quieta me fazendo rir. -Mas amortentia não gera amor de verdade, seria impossível! Mas ela causa uma forte paixonite ou obsessão. Por essa razão é, provavelmente, a poção mais perigosa nesta sala. – enquanto ele falava várias garotas se aproximavam do frasco porém ele fechou rapidamente e elas voltaram ao lugar.
-Patético – comentei e Rony que estava ao meu lado riu concordando.
-Professor – uma garota o chamou –Ainda não disse o que tem naquele ali – apontou para um pequeno frasco que rapidamente chamou minha atenção.
-Ah, sim. O que estão vendo diante de vocês, prezados alunos, é uma poçãozinha curiosa. – ele dizia enquanto tirava o frasco do local onde estava preso – Chamada Felix Felicis, mas geralmente ela é conhecida por...
-Sorte Liquida – Hermione completou.
-Sim, senhorita Granger. Sorte Liquida! Muito complicada de se fazer e pode ser um desastre se preparar errado. Um gole e você vai obter sucesso em tudo que tentar fazer – percebi que nesse instante um garoto loiro que já havia conhecido antes e sabia que se chamava Draco Malfoy tomou um enorme interesse pelo que o professor falava – Pelo menos até passar o efeito – ele riu e começou a andar pela sala. –Então, isso é o que eu ofereço hoje a vocês: um vidrinho de sorte liquida para o estudante que, na hora que ainda nos resta, conseguir misturar uma poção do morto vivo aceitável. – Todos na sala prestavam atenção no que Horácio dizia e estavam mais do que animados com a possibilidade de conseguir um frasco de Felix Felicis. – A receita se encontra na pagina 10 dos seus livros. – ele contou e todos nós começamos a abrir os livros rapidamente – Preciso dizer que somente uma vez um estudante conseguiu misturar uma poção com qualidade suficiente para ganhar o prêmio. Todavia, boa sorte para vocês. Que comecem a misturar! – ele mandou e todos correram para um dos caldeirões. A poção de ninguém estava dando certo, uns ficaram com as sobrancelhas queimadas, outros com a cara suja e eu e Hermione ficamos com o cabelo armado.
Depois de uns 40 minutos, o professor anunciou que passaria de caldeirão em caldeirão para ver o resultado das poções.
Ele tinha um defeito para todas elas, inclusive a minha, o que me deixou decepcionada por sempre ter sido uma ótima aluna nessa matéria, mas assim que chegou no caldeirão de Harry disse:
-Pelas barbas de merlim! Está perfeita! Tão perfeita que eu diria que uma gota mataria todos nós. – Harry sorriu satisfeito e Hermione pareceu ter ficado muito incomodada.
Nos juntamos todos em frente a mesa novamente e o professor começou a parabenizar Harry e a dar seu prêmio. Aplaudimos e saímos da sala.
-Como fez isso? Você seguiu as instruções errado e ainda acertou! – Hermione perguntou irritada.
-Eu segui as instruções do meu livro – Harry respondeu rindo.
-Agora eu tenho uma pergunta – eu comecei a falar e os três me olharam.
-Grama cortada até vai, agora pergaminho novo e pasta de dente? Você é anormal! – zoei Hermione e Harry e Rony riram.
-Do que você sentiu cheiro? – perguntou.
-Chocolate, Grama molhada e esmalte – respondi.
-Você é atraída por cheiro de esmalte e depois eu que sou anormal. – Hermione ironiza e eu gargalho.
-Qual a próxima aula de vocês? – Rony perguntou.
-Transfiguração – respondemos juntas.
-É a mesma que a minha e do Harry, vamos logo – ele nos puxou.
-Ronald Weasley com pressa para chegar em uma aula? Qual a pegadinha? – Hermione brincou e ele revirou os olhos.

[...]

As aulas de hoje haviam acabado e eu tinha decido dar uma volta pelos campos de Hogwarts. Andei durante uns 30 minutos e quando estava voltando para o castelo, vi Harry sentado em um banco. Me aproximei dele e sentei-me ao seu lado.
-Pensando na vida? –perguntei e ele se assustou um pouco.
-É o que parece, não é?
-Acho que alguém não quer conversar – ri fraco e ele permaneceu quieto fixando seu olhar em algo mais a frente. Virei a cabeça na mesma direção e encontrei Gina Weasley, irmã de Rony, conversando com um garoto do qual eu não conhecia. Olhei para Harry novamente e vi seu rosto enfurecer.
Agora eu entendi tudo!
-Pareci que alguém está com ciúmes – cantarolei e ele bufou.
-Isso não é da sua conta – respondeu se levantando.
-Ei, calma, eu estava só brincando – me levantei seguindo-o.
-Você chegou ontem, não sabe de nada, será que dá pra parar de se intrometer na vida dos outros? – perguntou rude.
-Eu não estou me intrometendo na vida de ninguém, só quis ser simpática e fazer uma brincadeirinha, se não gostou me desculpe. – respondi ainda andando atrás dele.
-Tudo bem, está desculpada, agora será que dá pra parar de me seguir? - berrou e eu me assustei.
-Certo, desculpa.
-Quer parar de se desculpar por tudo?
-Quer parar de ser rude?
Harry bufou e voltou a andar e eu fui na direção oposta seguindo até a sala comunal da Grifinória.
Andei rapidamente e acabei esbarrando em Draco.
-Ora ora, se não é outra sangue ruim – zombou e eu revirei os olhos – Agora a Granger tem uma amiguinha e, veja só, ela também é filha de trouxas – ele falou e os meninos ao seu lado riram.
-Malfoy, se eu fosse você, passava a arranjar outro argumento, esse de sangue ruim não vai me afetar – respondi impaciente.
-Tá nervosinha, é? Isso tudo por que brigou com o Potter? Eu vi vocês lá fora. Vai me dizer que é apaixonadinha por ele e agora está indo chorar porque ele gritou com você? – ele imitou uma garota chorando e eu gargalhei.
-Pelo que percebi, você não é só mal argumentador, mas também é mal interpretador. – falei e ele parou de rir – Não sou apaixonada pelo Potter, eu não dou a mínima pra ele. Sim, estou indo para o meu dormitório mas não é pra chorar não, até porque não tenho motivos pra isso, mas sim pra terminar uma lição de transfiguração. Ah, acho que você deveria fazer o mesmo porque, pelo que soube, você não é muito bom nessa matéria, quer dizer, não só nessa.
-Olha como fala comigo sua...
-Sangue ruim? Obrigada pelo elogio porque se ser sangue puro é ser que nem você, eu sou grata por ter pais trouxas – respondi e o empurrei de leve parar que saísse do meu caminho – Boa noite, Draco – sorri docemente e continuei a seguir meu caminho.

Assim que cheguei na sala comunal percebi que era mais tarde do que tinha imaginado e o sono já tomava conta de mim. Subi para fazer a lição rapidamente e fui para o dormitório assim que terminei.
As meninas já estavam dormindo então fiz o mínimo de barulho possível e me deitei.
Assim que fechei os olhos senti meu corpo relaxando e logo tudo escureceu.

Uma mulher cozinhava enquanto cantava uma música que tocava na rádio, porém, um barulho altíssimo chamou sua atenção, fazendo-a virar assustada na direção oposta ficando de frente pra mim.
Sua cara de medo era mais do que visível e quanto mais passos eu escutava, mais apavorada a moça ficava. Ela era um pouco parecida comigo, tinha os olhos castanho-escuros como os meus e os cabelos lisos iguais ao meu.
Uma risada ecoou pelo local e tudo que eu ouvi depois foi:
-AVADA KEDRAVA!
A moça a minha frente ficou paralisada e caiu feito pedra no chão.

Acordei suando e assustada. Olhei pra frente e vi Hermione me encarando preocupada.
-Está tudo bem? - perguntou.
-Tive um pesadelo – respondi sentando na cama e respirando fundo.
-Costuma ter pesadelos sempre?
-Não, mas das duas noites que dormi aqui eu tive.
-Você estava suando e gritando, assustou as meninas – respondeu e eu olhei em volta vendo que elas não estavam mais lá.
-Onde elas foram?
-Chamar Minerva. Você realmente nos assustou – respondeu e logo a porta do dormitório foi aberta revelando minhas duas outras colegas de quarto junto a Minerva e Dumbledore.
-Não era pra tanto – disse olhando para as meninas.
-Está tudo bem, Srta. ? – Dumbledore perguntou
-Agora sim – respondi.
-Suas colegas de quarto chegaram horrorizadas na minha sala. – Minerva disse.
-Exagero delas.
-Elas disseram que estava gritando, chorando e suando – continuou a falar.
-Sim, mas agora estou bem, foi só um pesadelo.
-Costuma a ter pesadelos fortes assim o tempo todo? – Dumbledore perguntou e eu neguei – E o que acontecia nele?
-Uma mulher estava a minha frente cozinhando e cantando quando alguém arrombou a porta, uma risada aguda ecoou pelo local e tudo que se ouviu depois foi a maldição da morte sendo jogada. – respondi e Dumbledore e Minerva se entreolharam preocupados.
-Volte a dormir, Srta. , amanhã esquecerá isso. – Minerva aconselhou e vi que minhas colegas de quarto já estavam deitadas novamente.
Fechei os olhos e respirei fundo. Fiquei assim por alguns minutos e estava quase adormecendo quando ouvi Minerva falar:
-Precisamos contar pra ela, Alvo!
-Na hora certa, Minerva.
-A Srta. Granger disse que não é a primeira vez que tem pesadelos assim. Ela precisa saber a verdade.
-Cara, Minerva, a verdade é uma coisa bela e terrível, por isso deve ser tratada com grande cautela. Ela saberá quando for a hora certa – respondeu e Minerva bufou.
As luzes se apagaram e passos foram se distanciando. A vontade de perguntar a Dumbledore sobre o que ele falava era grande, porém, meu sono era maior. Fui me deixando ser levada pela inconsciência e acabei adormecendo calmamente.

Capítulo 3

Acordei na manhã seguinte com o barulho das meninas se arrumando. Fiz minha higiene matinal, coloquei minhas vestes de Hogwarts e saí do quarto sem Hermione, já que a mesma tinha ido tomar café sem mim. Quando entrei no salão a avistei comendo junto com Rony e Harry. Caminhei em direção à eles e sentei ao lado de Rony.

-Bom dia - desejei.
-Bom dia - Rony e Hermione responderam juntos.
-Se sente melhor? - Hermione perguntou e eu arqueei a sobrancelha sem entender a pergunta - O pesadelo... - ela explicou gesticulando com um bolinho na mão.
-Ah sim, estou bem - respondi sorrindo fraco e pegando um copo de suco.
-Hermione nos contou sobre isso, você sempre tem pesadelos? - Rony perguntou e eu neguei com a cabeça.
-Comecei a ter há pouco tempo - respondi comendo uma bolacha que tinha ali.
-Harry também costuma ter pesadelos - ele comentou e eu encarei Harry que até então não tinha dito nada.

Mas é claro que ele iria me ignorar, covarde.
Murmurei uma resposta qualquer para Rony e voltei a comer em silêncio.

-Aula de quê agora? - Hermione perguntou.
-Defesa contra as artes das trevas - respondi e ela fez uma careta.
-, passaremos na casa de Hagrid mais tarde, quer nos acompanhar? - Rony perguntou e quando eu ia responder, vi Harry se levantar rindo incrédulo e sair andando.
-Obrigada pelo convite, Rony, mas acho melhor não. Quem sabe outro dia? - respondi e me levantei - Tenho umas coisas pra fazer antes da aula, vejo vocês depois - me despedi e sai andando em direção à sala de Dumbledore.

Já estava caminhando há uns 5 minutos tentando encontrar a sala de Dumbledore, quando encontro o mesmo e Harry parados em frente à uma porta conversando. Me escondi atrás da pilastra que havia ali e fiquei ouvindo a conversa. Sei que não é algo bonito de se fazer, mas a curiosidade falou mais alto.

-Entendo que isso lhe incomoda, Harry, mas não será tratando a garota mal que você irá se sentir melhor e esquecer essa lembrança - Alvo disse.
-Eu sei disso, Senhor, é que eu não entendo o porquê de você querer tanto que eu seja amigo dela - Harry respondeu.
-Cada coisa na sua hora, Harry - Dumbledore continuou a falar - ainda precisa descobrir a verdade para que os outros também possam saber.

? Eles estavam falando de mim?

-Mas pra quê todo esse mistério? O que tem de tão sério nessa história para ela ser tratada com tanto cuidado?

-Na hora certa você entenderá tudo. Agora vá, suas aulas começam em alguns minutos - Dumbledore se despediu de Harry e ia entrar na sua sala quando parou e disse.
-Senhorita , ouvir a conversa dos outros não é um ato bonito - ele disse e meu coração disparou. Como ele sabia que eu estava ali?

Sai de trás da pilastra sorrindo envergonhada e encontrando um Dumbledore risonho.

-Desculpe por isso, diretor. Eu estava vindo falar contigo quando percebi que estava ocupado e resolvi esperar - menti e ele gargalhou.
-Esperando atrás da pilastra? - ele arqueou a sobrancelha.
-Certo, eu menti, mas a parte em que eu queria falar com você é verdade - respondi.
-Nisso eu acredito. Vamos, me acompanhe - ele fez um gesto com as mãos e seguimos até sua sala. - O que queria falar comigo?
-Antes de começar isso tudo, se o senhor sabia que eu estava ouvindo por que continuou a conversar normalmente?
-Porque assim eu não precisaria enrolar, você já sabe que precisa saber de algo.
-Certo... Que história é essa que eu preciso saber? - perguntei de uma vez.
-É melhor se sentar, temos uma longa conversa pela frente - ele indicou a cadeira em frente a sua com as mãos e fez um gesto para que eu me sentasse.
-Mas eu tenho aula e...
-Converso com Snape depois e peço para que ele te dê aulas em seu período livre - ele me cortou e eu assenti.
-Tudo bem. Então comece a me explicar, por favor - pedi sentando em sua frente.
-Senhorita , nossa história começa há 16 anos atrás quando uma jovem e simples bruxa conheceu Sirius Black em um bar na aldeia de Hogsmead.
-O que Sirius Black tem a ver comigo? - o interrompi.
-Bem... Tudo! - arqueei as sobrancelhas ainda confusa e ele fez sinal com as mãos indicando que continuaria a contar a história.
-Onde eu parei? Ah claro, Elisa conhece Sirius. Bom, os dois bruxos tiveram um caso durante cerca de um mês e esse foi o tempo necessário para que uma linda criança fosse gerada. Essa criança, minha cara , é você. - Ele disse e fez uma pausa.

Minha boca se abriu tentando dizer algo mas minha mente estava confusa demais para conseguir formular alguma frase. Ele só podia estar brincando, isso só podia ser brincadeira.

-Isso não é verdade - respondi gaguejando - Isso não pode ser verdade! - me levantei e comecei a andar em círculos. - Sirius Black é um assassino, ele não é meu pai. Meu pai se chama Robert e é um trouxa! Meus dois pais são trouxas, não bruxos.

-Eu sei que isso é muita informação, mas sinto em lhe dizer que é a verdade. Seus pais sabem disso e eles prometeram guardar segredo por quanto tempo fosse pedido, eles não se importaram de cuidar de você durante todo esse tempo, eles são ótimas pessoas.
-Sei disso. Sei porque sou filha deles, e não de Elisa e Sirius.
-, minha querida, você não se perguntou o motivo de ter sido transferida?
-Sim, era sobre isso que eu vinha falar com você.
-Esse é o motivo. Você tinha que saber a verdade sobre si mesma para poder seguir com o seu destino.
-Meu destino?
-Sente-se, por favor. Ainda não terminamos nossa conversa - ele pediu educadamente e eu voltei a me sentar. - Como eu dizia, você foi gerada. Sirius, quando descobriu, virou o homem mais feliz do mundo, mas infelizmente não teve tempo de aproveitar sua felicidade. Logo ele descobriu que Você-Sabe-Quem estava atrás de seus grandes amigos, Lily e James. Ele teve que deixar sua mãe e você por um tempo para ajudá-los, porém não conseguiu e ainda acabou sendo condenado por matar doze trouxas e por ter destroçado Pettigrew, o que não passa de uma mentira, mas isso é história pra outro dia. Voldemort já havia descoberto sobre sua existência e a de sua mãe antes disso. Então, antes de ir atrás dos Potter, ele mandou comensais encontrarem vocês duas e as matarem. Sua mãe sabia disso, mas achou que teria mais tempo do que teve. Um dia ela estava na cozinha preparando o jantar, quando sua casa foi invadida por uma comensal e a mesma a matou antes que ela tivesse tempo para dizer qualquer coisa. A comensal assassina foi Bellatrix Lestrange, aposto que já ouviu falar sobre ela. - ele disse e eu assenti tentando entender tudo isso - Por algum motivo desconhecido, Lestrange não a matou e simplesmente lhe deixou chorando assustada na cozinha...
-Era com isso que eu sonhava - o interrompi pensando alto.
-Desculpe, o que disse?
-Que era com essa cena que eu sonhava. Uma moça cozinhando enquanto uma música tocava, uma explosão, uma risada alta, luz verde sendo lançada, a maldição da morte sendo jogada e um choro de bebê. Eu passei por isso, não é sonho ruim, é uma lembrança. Uma muito ruim, mas ainda sim, uma lembrança.
-Eu imaginei que fosse isso. Sabe, Harry costuma ter pesadelos como os que você teve e em muitas vezes é uma lembrança. Enfim, quando descobri sobre isso pedi para que Hagrid fosse lhe buscar e que ele te levasse a um dos amigos trouxas que ele tem. E foi isso que ele fez, foi atrás de seus pais e implorou para que eles ficassem com você. Como seus pais estavam tentando ter um bebê há alguns anos, mas não estavam conseguindo, eles aceitaram lhe criar até que fosse necessário você saber toda a verdade.
-Por isso eu fui transferida agora? - perguntei e ele assentiu - Mas Sirius, quer dizer, meu pai, está morto, não?
-Infelizmente sim.

Ótimo, eu nunca conheci e nunca conhecerei meu pai.

-Sei que são muitas informações por isso continuaremos a conversa outro dia. Volte para suas aulas e se sentir algum mal estar está liberada para sair das aulas, conversarei com seus professores de tarde.
-Obrigada, diretor - agradeci me levantando e seguindo até a saída.
-Senhorita - me chamou e eu me virei para olhá-lo - Pode vir conversar comigo quando quiser, está bem? - sorri e assenti - Ah, aproveite e conte sobre isso para Harry. Dá próxima vez que vier aqui traga-o junto.
-Pode deixar - respondi e saí em direção a sala onde eu teria aula de transfiguração.

Entrei na sala pedindo licença e explicando o porquê do meu atraso, Minerva me liberou e eu sentei ao lado de Hermione.

-Por que estava conversando com Dumbledore?
-Longa história- respondi.
-Tudo bem, mas depois você não escapa - ela respondeu e eu forcei um riso só para finalizar a conversa.

As palavras ditas por Dumbledore ainda rondavam minha cabeça e a ficha ia caindo aos poucos. Talvez esse tenha sido o motivo de eu ter sido transferida, talvez isso tudo seja realmente verdade. Bem, eu disse talvez. Dumbledore poderia estar mentindo também, mas por que ele mentiria? Afinal, até onde sei, ele quase nunca mente.

"Não, é que você se parece com um antigo conhecido. – respondeu e depois balançou a cabeça – deixa pra lá. "
"É que você me lembra alguém, bobeira minha."
As vozes de Luna e Hermione ecoavam em minha cabeça. Será que elas falavam de Sirius? Porque, até onde eu sei, ele fora padrinho de Harry.
Harry...
Dumbledore pediu para que eu lhe contasse, será que eu deveria? Afinal, ele me tratou mal desde que cheguei. Acho que vou deixar isso pra lá por um tempo, pelo menos até ter certeza disso.
Passei tanto tempo distraída que só fui realmente prestar atenção na aula quando ela acabou.
Levantei junto de Hermione e recolhi meu material.

-E então, vai me dizer sobre o que conversou com Dumbledore? - Ela perguntou.
-Nada demais - menti sorrindo fraco fazendo-a rir.
-Você é uma péssima mentirosa, sério - ela disse e eu revirei os olhos.
-Não estou mentindo - insisti.
-Então, se não foi nada demais, não tem problema me contar - ela falou e eu fechei os olhos a xingando por continuar insistindo e saber como arrancar as coisas das pessoas.

A olhei e ela tinha uma expressão satisfeita e arqueava a sobrancelha.

-Primeiro eu gostaria de te fazer uma pergunta - falei e olhei em volta percebendo que somente nós duas restávamos na sala.
-Faça - ela deu de ombros.
-Noite passada você disse que eu te lembrava alguém, quem era esse alguém? - perguntei e ela me encarou confusa.
-Isso por acaso tem algo a ver com sua conversa com o Dumbledore?
-Não - menti - É só porque a Luna me disse a mesma coisa no trem a caminho daqui e eu fiquei curiosa - essa parte é verdade.
-Você me lembra Sirius Black - ela disse e meu coração acelerou de repente.
-Te encontro depois - eu respondi e sai da sala correndo indo atrás de Luna.

Se eu te falar que andei praticamente aquele castelo inteiro atrás dela e não a encontrei você acredita? Espero que sim, pois é verdade.
Onde essa garota se meteu?
Andei pelos jardins de Hogwarts e a encontrei observando algumas flores.

-Luna! - gritei chamando sua atenção. Ela virou o rosto e sorriu pra mim.

Corri em sua direção e parei ao seu lado.

-Como vai, ? - perguntou.
-Bem, obrigada. E você?
-Também - disse docemente.
-Luna, será que eu poderia te fazer uma pergunta?
-Claro.
-Não sei se você vai lembrar, mas quando estávamos no trem vindo para Hogwarts você me disse que eu te lembrava um antigo conhecido. Quem era essa pessoa?
-Oh - ela disse e voltou a olhar para as flores - Não sei se vai gostar de saber, muitas pessoas não gostam dele.

Dele.

-Eu preciso saber quem é - eu respondi meio desesperada.
-Precisa? Por quê? - ela perguntou confusa.
-É uma longa história que ainda não sei se é real, mas você pode me ajudar a descobrir. É só me dizer quem eu te fiz lembrar.
-Você me fez lembrar de Sirius, Sirius Black. - ela respondeu e então uma imensa vontade de chorar surgiu.

Era verdade.

-Certo, obrigada - sorri fraco.
-Vai me contar a longa história?
-Pode ser depois? Agora eu preciso ficar um tempo sozinha - respondi sorrindo fraco.
-Claro, mas não vai perder os testes hoje, né?
-Testes?
-É, para os times de quadribol.
-Ah, que horas será?
-Acho que em duas horas - ela respondeu.
-Ok, te vejo lá - disse me distanciando.
-Tchau, - a ouvi dizer e corri em direção do meu dormitório.

Os sonhos, as semelhanças entre nós dois, a conversa com Dumbledore, minha transferência sem motivo em especial. Era verdade e eu sabia disso.
Sem mais controle sobre minhas lágrimas eu corri até chegar em minha cama e poder finalmente desabar.
Eu chorei. Chorei feito um bebê que precisava de colo para voltar a dormir e depois eu apaguei, simples assim.


"Eu estava em um parque, muito lindo por sinal, repleto de árvores com flores coloridas que cercavam um lindo rio onde alguns animais nadavam ou tentavam pegar comida. Aquele lugar parecia um paraíso, me trazia paz.
De repente, do outro lado do lago, um homem apareceu.
Ele chamava meu nome porém não podia se aproximar, somente eu poderia fazer aquilo.
Então eu pulei do lago e comecei a nadar até o outro lado. Assim que cheguei perto a superfície ele me estendeu a mão e me ajudou a sair dali. E então eu finalmente vi seu rosto.

-Sirius - disse em um sussurro.
-Sim, filha, sou eu - ele sorriu e me olhou - Puxa, você cresceu muito.
-Então é verdade? - perguntei - Você é meu pai?

Ele assentiu e sorriu.

-Desculpe por ter ficado ausente esse tempo todo, mas saiba que fiz isso para te proteger.
-Me proteger? - perguntei incrédula - Você não faz nada pensando nos outros, é um assassino e um traidor! - respondi me afastando dele.
-Não faça isso, , não se afaste mais de mim. Você não sabe a verdade. - ele disse e eu ri.
-Por quê? Tem mais mentiras na minha vida? Eu estou aqui há menos de 48 horas e minha vida já mudou completamente. Tem algo que nela seja verdade?
-Eu sei que é difícil aceitar tudo isso, mas você precisa entender o meu lado. Olha, não temos muito tempo, eu preciso ir mas converse com Harry. Ele vai te ajudar a descobrir a verdade e então quando sentir necessário nós nos encontraremos aqui de novo. Eu te amo, filha - ele disse e então sua imagem desapareceu assim como todo o parque."



-. - eu ouvi alguém me chamar - . - agora esse alguém me balançava - !

Acordei assustada e dei de cara com Hermione.

-Achei que estivesse morta - brincou e eu revirei os olhos.
-O que você quer?
-Fiquei preocupada depois que você saiu correndo do nada. - ela disse se sentando na ponta de minha cama.
-Ah, desculpe por isso - respondi esfregando os olhos.
-Tudo bem. - deu de ombros - agora será que você pode levantar essa bunda da cama e ir se trocar? Temos que correr para chegarmos a tempo de ver os testes pros times. Rony vai tentar entrar esse ano - ela respondeu e eu assenti levantando.
-Me dê cinco minutos - pedi e fui atrás de alguma roupa.

Coloquei uma calça legging preta, uma blusa de maga comprida cinza, um sobretudo preto e uma touca vermelha. Calcei minhas botas pretas e saí do quarto com Hermione.

-Não pense que eu esqueci sobre sua conversa com Dumbledore hoje mais cedo - ela disse.
-Eu sei que não, mas preciso fazer uma coisa antes de te contar. - respondi me segurando na escada, enquanto ela se movia e descendo em seguida.
-Que tipo de coisa?
-Uma coisa. - respondi terminando aquela conversa.

Andamos em silêncio até o campo de quadribol que já tinha algumas pessoas.
As pessoas que gostariam de entrar no time da Grifinória estavam no campo junto a Harry e Gina.
Sentamos na arquibancada e esperamos até o jogo começar.
Rony olhou para onde estávamos e nós acenamos.
O jogo começou e assim ele foi rolando, porém eu estava com a mente muito ocupada para conseguir prestar atenção. Quando resolvi observar o jogo vi uma bola indo em direção ao outro garoto que tentava pegar o lugar de goleiro, assim como Rony, porém eu não sabia seu nome já que não havíamos sido apresentados ainda.

-Confundus - ouvi Mione sussurrar e então o garoto perdeu a bola.

A olhei incrédula por saber de sua fama de garota justiceira e ver que ela estava trapaceando. A mesma só me olhou rindo e dando de ombros.
Mais algumas bolas foram lançadas na direção de Rony e ele defendeu todas, nos fazendo gritar para parabeniza-lo.
Avistei Luna sentada em um banco abaixo de nós e acenei sorrindo para a loira, que retribuiu o gesto.
O jogo acabou e nós saímos dos nossos lugares e seguimos até o campo para parabenizar Rony, que havia conseguido entrar no time.

-Parabéns, Rony, você foi muito bom - sorri abraçando-o.
-Obrigado - ele sorriu e começou a falar com Hermione.

Olhei para Harry e sorri para ele porém o mesmo olhou para outro lugar na mesma hora me ignorando. Revirei os olhos brava por tal atitude e disse para eles que precisava sair e depois os encontraria na sala comunal da Grifinória.
Segui para dentro do castelo e encontrei quem eu procurava bem no meio do corredor.

-Professor Dumbledore - o chamei e ele me olhou sorrindo.
-, querida, como vai? - perguntou.
-Estou bem - sorri fraco. - Eu gostaria de lhe perguntar uma coisa.
-Claro, vamos para minha sala.
-Não tem necessidade, professor, é rápido - respondi e ele, que já fazia o caminho até a sala, parou e me olhou.
-Está bem então, pode falar - ele disse.
-Eu tive uma espécie de sonho hoje, com Sirius, e ele conversava comigo, pedia desculpas, dizia que eu não sabia a verdade e que eu deveria falar com Harry.
-Não foi bem um sonho, isso foi seu pai se comunicando com você - ele respondeu - Sobre que verdade ele falava?
-Eu não sei, eu o chamei de assassino e traidor e então ele disse que eu não sabia a verdade - disse.
-Acho que deveria falar com Harry mesmo, ele será a melhor pessoa para te explicar tudo.
-Só tem um problema, professor.
-E qual seria? - ele perguntou arqueando a sobrancelha.
-Harry não gosta de mim, jamais conversaria comigo sobre isso - respondi.
-Não é que Harry não goste de você, é que ele está assustado, provavelmente já notou sua semelhança com Sirius, a quem ele foi muito apegado no último ano, e isso o assustou. Fale com ele, comece de novo, aposto que pode ficar impressionada com o final disso tudo. - ele piscou e então começou a se afastar - Preciso resolver uns problemas agora. Nos vemos depois, senhorita .

Ele saiu e eu segui até a sala comunal da Grifinória.
Assim que entrei, encontrei Rony sentado em um sofá e Harry e Hermione no chão.

-Ele está afim de você, Hermione - ouvi assim que me aproximei.
-Quem está afim da Hermione? - perguntei me sentando no sofá ao lado de Rony que teve que ir um pouco para o lado.
-Córmaco - ele respondeu e eu o olhei confusa - Ah, esqueci que você só está aqui há dois dias - ele riu - Córmaco era o cara que estava competindo comigo hoje.
-Ah sim, o loirinho bonito - eu disse e ele revirou os olhos.
-Ele é um nojo - ela respondeu e eu ri fraco.

Olhei para o lado e vi que uma menina observava Rony, o cutuquei apontando ela com a cabeça e assim que ele a olhou, ela acenou. Ele a ignorou e olhou pra frente.

-Já ouviu falar desse feitiço? - Harry perguntou a Hermione mostrando-a uma página de seu livro de poções.
-Não, não ouvi. - ela respondeu meio estressada e ele voltou para seu lugar. E então ela começou a dar um sermão nele por ainda estar com o livro do professor.
-De jeito nenhum - Rony se meteu - Ele é o melhor da turma, ele é melhor que você, Hermione - ele disse e vi seu rosto mudando de cor. Rony não tem noção do que diz.
-Eu queria saber de quem era esse livro - ela falou se levantando e imediatamente Harry se levantou e colocou o livro atrás de seu corpo.
-Deixa eu ver - ela pediu.
-Não - ele negou.
-Por que não?
-A capa tá velha - ele perguntou e começou a andar pela sala.
- "A capa tá velha"? - ela perguntou.
-É! - ele respondeu.

Gina, que estava sentada atrás de onde Harry estava, aproveitou e pegou o livro de sua mão.

-Quem é o príncipe mestiço? - ela perguntou.
-Príncipe mestiço? - perguntei.
-É o que está escrito aqui: "Este livro pertence ao príncipe mestiço" - ela leu e então jogou o livro de volta a Harry.

Que o pegou e saiu da sala. Levantei do sofá aproveitando para segui-lo.

-Harry - o chamei e ele se virou assustado.
-O que quer? - perguntou.
-Falar com você, posso? - perguntei.
-Não tenho nada pra falar com você - ele disse virando de costas e voltando a andar.
-Ah, tem sim. - respondi seguindo-o.
-Não tenho, não.
-Jura? Por que não foi isso que Sirius me disse em um sonho - eu disse e assim que pronunciei o nome do Sirius vi o mesmo gelar.
-Sonhou com Sirius? - ele perguntou surpreso e finalmente me encarando.
-Sim. - eu respondi.
-Vamos para o jardim - ele fez sinais com a mão e eu o segui.


Capítulo 4

-Não é proibido andar pelo castelo a essa hora? - perguntei a Harry enquanto caminhávamos em direção ao jardim.
-Sim. - ele respondeu simplesmente ignorando o fato de que estávamos quebrando uma regra.
-É melhor voltarmos, então. - eu disse.
-Agora já estamos aqui - ele disse assim que chegamos no jardim e se sentou na grama.
Me sentei ao lado dele, mas antes dei uma olhada em volta para ter certeza de que ninguém nos veria ali e que não seriamos penalizados mais tarde.
-Você disse que sonhou com Sirius, certo? - ele perguntou depois de um tempo em silêncio.
-Sim. - respondi. - Quer dizer, não foi bem um sonho. Dumbledore disse que ele estava se comunicando comigo.
-Com você? Por que Sirius iria querer falar com você? - perguntou ele meio inconformado - Se Sirius tivesse que se comunicar com alguém, seria comigo. Afinal, sou afilhado dele.
-Talvez eu seja mais importante - respondi e ele revirou os olhos.
-E por que você seria mais importante? Porque, pelo que me lembre, Sirius nunca mencionou seu nome.
-Porque sou filha dele - respondi e fechei os olhos com medo da reação dele.
Nada.
Ele não disse nada.
Abri os olhos o encarando e ele permaneceu em silêncio por mais um tempo.
-Sirius não tem filhos - ele respondeu.
-Bom, pelo visto ele tem sim - respondi rindo fraco. - Estou tão surpresa quanto você. Até porque, não é nada legal saber que é filha de um assassino. - respondi me arrependendo logo em seguida.
Harry se levantou e me encarou furioso.
-NUNCA MAIS CHAME SIRIUS DE ASSASSINO - ele gritou comigo me assustando.
-Ele é MEU pai, posso chama-lo como quiser. Afinal, não estou dizendo nenhuma mentira - respondi levantando e ficando de frente pra ele.
-Está sim, você não sabe de nada, garota. Tudo que sabe é o que O Profeta Diário quer que acredite, mas é tudo mentira. - ele respondeu ainda irritado.
-Não sei porque está o defendendo, ele traiu seus pais.
-Nunca mais repita isso - ele respondeu se aproximando de mim.
-Não tenho medo de você, Potter.
-Também não tenho medo de você, . - ele respondeu me encarando. Por causa da enorme proximidade entre nós, eu sentia a respiração descompassada, por conta do nervosismo, de Harry bater em mim.
-O que é que vocês dois estão fazendo ai? - ouvimos alguém gritar e assim que olhamos para onde a voz vinha encontramos Snape nos encarando.
-Ótimo... - resmunguei revirando os olhos.
-Acredito que saibam que andar pelos arredores do castelo a esse horário é extremamente proibido - ele continuou falando enquanto se aproximava.
-Eu sei, professor, mas é que... - eu tentei explicar mas ele me cortou.
-Mas nada, . A senhorita chegou no colégio há poucos dias e já está violando as regras? Não sei como as coisas funcionavam em seu antigo colégio, mas aqui regras foram feitas para serem severamente seguidas.
-Me desculpe, professor, prometo que não voltará a se repetir. - eu respondi.
-Você não deve desculpas a mim, vou leva-los até Dumbledore. É com ele que devem se acertar - ele respondeu virando de costas - Sigam-me. - e então começou a andar.
-Valeu mesmo, Potter. - resmunguei e saí andando atrás de Snape sendo seguida por Harry que andava um pouco mais devagar.
Passamos por entre os corredores da escola e fomos guiados por Snape até a sala de Dumbledore. Assim que entramos ele começou a falar:
-Eu encontrei esses dois no jardim da escola namorando. - Snape disse e eu e Harry arregalamos os olhos.
-Como é? - perguntei.
-Não estávamos namorando! - Harry respondeu incrédulo.
-Pela proximidade que estavam, acredito que brigando é que não era.
-Mas era exatamente isso que estávamos fazendo. - respondemos juntos.
-Obrigado por traze-los aqui, professor Snape. Deixe que agora eu conversarei com os dois - Dumbledore disse e Snape saiu a contragosto. - Bom, devo acreditar em qual versão da história? - ele perguntou se levantando e parando em frente a nós dois.
-Na nossa, claro - respondi.
-Então por que estavam brigando?
-Essa louca veio atrás de mim dizendo que tivera um sonho com Sirius e que ele era seu pai - Harry respondeu.
-Acho que não ouvi direito, você me chamou de "louca"? - perguntei.
-Não sei porque se irritou. Afinal, não estou dizendo nenhuma mentira. - ele me imitou sorrindo sarcasticamente e fazendo meu sangue ferver.
-Olha aqui, garoto - eu ia pra frente dele quando Dumbledore se intrometeu rindo.
-Ah, crianças, vocês me fazem rir - ele comentou ainda rindo.
-Desculpe, diretor, mas não estou vendo graça - respondi.
-Bom, vamos esquecer isso. Antes de chama-la de louca e toda essa "briga" começar, o que você disse que ela fez? - ele perguntou a Harry.
-Ela veio atrás de mim dizendo que era filha de Sirius.
-Sim, e...? - ele voltou a perguntar.
-Ela está mentindo, oras.
-E o que te faz pensar isso, meu caro? - ele perguntou.
-Sirius não tinha filhos, ele nunca me falou deles.
-Acredito que esse não era um dos assuntos preferidos do seu padrinho, Harry.
-Está querendo dizer que ela está falando a verdade?
-Claro, fui eu mesmo quem contou isso a - ele disse e eu sorri vitoriosa.
-Isso não é possível!
-Quer que eu te explique como acontece? É bem possível sim, na verdade, é um método muito comum. - respondi debochada e ele me olhou furioso me fazendo rir fraco.
-Acho que você merece uma explicação, deixe eu lhe contar uma pequena história. - Dumbledore começou a contar sobre meus pais, como se conheceram e tudo mais. Harry acompanhava atento a cada detalhe como se estivesse assistindo a um filme. Assim que ele terminou de contar tudo, Harry respirou fundo antes de falar:
-E o que Sirius dizia sobre mim no seu sonho? - Harry perguntou.
-Nada muito específico, ele apenas disse que você poderia me explicar melhor a verdade.
-Sobre ele? - Harry perguntou.
-Acho que sim, pois ele disse isso logo após eu chama-lo de assassino - respondi e vi Harry ficando irritado de novo - Desculpe.
-Como? - ele perguntou.
-Desculpe - repeti.
-Por... - ele insistiu e eu revirei os olhos.
-Você não facilita também, hein. - eu respondi - desculpe por ter chamado seu padrinho de você sabe o que e por ter desejado que você caísse da vassoura no teste de quadribol hoje.
-Você desejou que eu caísse? - ele perguntou assustado e eu assenti rindo fraco.
-Eu estava com raiva, ué! - me defendi.
-Tudo bem, me desculpe também - ele respondeu.
-Por...? - eu o imitei e Dumbledore riu, ele parecia se divertir com toda essa situação.
-Por ter sido grosso com você desde o começo e por ter te chamado de louca.
-Sem problemas - dei de ombros.
-Bom... Agora que se acertaram presumo que não haverão mais brigas, não é?
-Não, senhor - respondi
-Ótimo. - ele sorriu - Tempos difíceis estão vindo e a amizade pode salvar muitas vidas - ele disse e eu senti que aquele recado era pra mim, talvez pelo simples fato de Dumbledore ter me olhado enquanto falava ou pelo arrepio que aquela frase me causou. - Vocês são muito especiais e poderosos para ficarem um contra o outro. Se juntem! Aposto que no final tudo dará certo - ele piscou para nós. - agora já pra cama.
-Professor, serão descontados pontos da Grifinória? - perguntei.
-Dessa vez, não. Mas se eu souber que andaram perambulando pelo corredor fora do horário mais uma vez, terei que deixar a punição com Minerva. - ele respondeu. - Boa noite, crianças.
-Boa noite, professor - respondemos juntos e saímos de sua sala.
- Ele tem sempre essa mania de mandar mensagens por entre linhas? - perguntei a Harry que riu fraco.
-Sim.
Andamos em silêncio até a torre da Grifinória.
-Que tal esquecermos todos os mal entendidos e começarmos de novo? - perguntei a ele.
-Ótima ideia - ele sorriu. - Prazer, eu me chamo Harry Potter - ele estendeu a mão e eu ri.
-Prazer, Harry Potter, eu me chamo ... Ops, Black - estendi a mão e o cumprimentei.
-Amigos? - ele perguntou e eu concordei.
-Ah, você acabou não me explicando essa historia toda de verdade e blá blá blá.
-É uma longa historia e está tarde. Amanhã nos falamos, ok?
-Ok, boa noite, Harry - desejei e subi até meu dormitório
"Eu sentia o vento batendo em meu cabelo e uma leve sensação de paz possuindo meu corpo. De repente, tudo ficou escuro, o céu que antes era claro e tinha um lindo sol raiando, agora estava uma cor acinzentada e nuvens carregadas se aproximavam.
Um jovem casal corria procurando algum lugar para se esconder antes que a chuva caísse.
-Anda, Sirius - a moça gritou. Ela tinha cabelos castanhos longos e lisos que caiam como uma cascata negra até metade de suas costas e lindos olhos verdes.
-Pra que a pressa, Elisa? - vi Sirius chegando por trás dela e rindo.
-Não está vendo que vai cair um temporal? - ela perguntou e mesmo tentando se manter brava era possível ver que ela queria rir.
-Não seja dramática, é só uma chuvinha - Sirius a puxou pela mão e ela finalmente riu. - o que acha de tomarmos um banho de chuva? Dizem que faz bem pra alma.
-Não vai fazer bem é pra sua saúde, vamos ficar gripados. - ela continuou insistindo.
-Você pensa demais - ele respondeu se aproximando mais ainda de Elisa e mexendo em seu rosto.
-E você de menos - ela retrucou e ele gargalhou logo depois a dando um beijo.
Pingos de chuva começaram a cair e ela se separou dele.
-Vamos logo - ela tentou o puxar mas ele era mais forte.
-Vamos ficar só mais um pouquinho, Elisa - ele pediu.
Pera aí, ele disse Elisa?
-Mamãe. - sussurrei.

[...]


-Bom dia, bela adormecida - ouvi Hermione me chamar.
-Bom dia, Mione - desejei sentando na cama.
-Acho bom se apressar, temos aula já já.
-Estou indo.
Tomei um banho rápido ainda me lembrando de meu sonho, coloquei meu uniforme, escovei meus dentes, passei meu perfume e penteei meu cabelo. Saí do dormitório colocando meus óculos de grau pois não estava encontrando minhas lentes e segui até o salão principal.
-Bom dia, garotos - disse assim que me sentei ao lado de Hermione e Gina e de frente para Rony.
-Bom dia - eles responderam juntos.
Comi um pedaço de bolo que havia ali e tomei um copo de suco. Eu estava bem concentrada em meu lanche quando Hermione resolveu falar:
-Ah, agora que me lembrei - ela disse - Você ainda não me contou o que conversou com Dumbledore ontem.
-Já disse que não foi nada demais - respondi evitando o assunto.
- E eu já disse que sei que está mentindo - ela retrucou.
-Erm.. - Harry fez um barulho com a garganta - , lembrei agora que o Snape estava te procurando - ele disse.
-Me procurando? - estranhei.
-É - ele respondeu me olhando significativamente
-Ah, sim! Obrigada, Harry, vou procura-lo agora mesmo - respondi me levantando.
- Me espere, tenho que falar com Dumbledore - ele disse se levantando e me seguindo até a parte externa do salão.
-Obrigada, mesmo - agradeci e ele sorriu dando de ombros. - Acho que agora seria um bom momento para você me contar aquela história - disse.
-Hm... Claro, vamos até o jardim - ele disse e fomos andando até a parte externa do castelo.
Andamos por uns cinco minutos até pararmos em uma parte onde haviam pedras altas como se fossem uma pilastra e a vista que tínhamos era de uma humilde casinha.
-Ali é a cabana do Hagrid - ele explicou ao perceber que eu observava o local.
-Ah sim - respondi e me apoiei em uma das pedras. - E então...?
-Ah, claro, desculpe, o que quer saber? - perguntou.
-Qual é a verdadeira história de Sirius?
-Bom, ela é meio longa então acho melhor nos sentarmos - ele disse se sentando na grama e logo fiz o mesmo ficando com a cabeça apoiada na pedra olhando em sua direção.

(...)


-Então você quer me dizer que Sirius na verdade não traiu seus pais e sim, Pedro Pettigrew, cujo se passou por um rato chamado Perebas, por doze anos, e que tinha como dono o Rony? - perguntei tentando assimilar tudo que havia acabado de escutar.
-Exatamente, é meio estranho mas é a verdade.
-Bom, isso melhora um pouco as coisas - ri fraco - quer dizer, nem tanto, já que eu não sinto tanto ódio do meu pai, mas me dói mais saber que nunca o verei.
-Mas você o vê quando dorme.
-Não é a mesma coisa - respondi.
-Eu entendo - ele suspirou.
-Posso te fazer uma pergunta?
-Poder você pode, agora não te prometo que vou responder - ele disse e eu ri.
-Justo! Você gosta da Gina, né?
-Eu preferia não falar sobre isso - ele disse coçando a nuca visivelmente nervoso.
-Tudo bem, desculpe por isso, acabei me intrometendo demais - respondi meio envergonhada.
-Sem problemas - ele sorriu fraco - acho que perdemos a primeira aula.
- Pelas barbas de Merlim! Eu havia esquecido completamente disso - respondi levantando rápido.
-Eu também - ele riu - acho melhor irmos logo.
-Com certeza, Hermione deve estar louca atrás de mim - falei andando rápido ao seu lado. - falando em Hermione, queria te pedir pra não comentar nada com ela e nem com o Rony, não por enquanto.
-Tudo bem, se é o que quer.
-Obrigada, Harry, por tudo, pelas explicações, por entender meu lado, por guardar meu pequeno segredo - ri fraco. - sei que não começamos com o pé direito, mas você tem sido bem legal comigo e eu agradeço por isso.
-Me desculpe por isso também, é que você me lembrava muito Sirius e eu achei melhor me afastar - ele disse meio envergonhado.
-Tudo bem, eu entendo. Tenho que ir agora, te vejo mais tarde?
-Claro, boa aula.
-Para você também!
Sai correndo em direção a sala onde teria minha próxima aula.

(....)


Fazia exatamente dois meses desde que cheguei a Hogwarts e podemos dizer que minha vida mudou drasticamente. Desde então descobri ser filha de pais totalmente bruxos, sendo eles Sirius Black e Elisa Jungwirth; ganhei ótimos amigos como Luna, Harry, Hermione, Rony, Fred e Jorge, os últimos citados continuavam sem saber sobre minha real filiação. Na verdade, os únicos que sabiam eram Dumbledore, Harry e meus professores. Desde que tive minha primeira conversa com Dumbledore, eu não entrei em contato com mus pais, eu havia recebido cartas deles pedindo desculpas por terem escondido a verdade e tudo mais mas nunca as respondia, eu as deixava de lado. Hoje era mais um dia no qual eu ia visitar minha linda coruja.
Cheguei ao corujal e logo encontrei Edwin.
-Hey, Edwin - falei acariciando suas penas e recebendo uma bicada carinhosa em minha mão. - Você tem algo pra mim? - perguntei quando vi um papel preso em suas garras. O peguei e abri.
"Eu queria começar essa carta com um 'querida, ' mas de querida você não tem nada, já que simplesmente me esqueceu e não entrou em contato sequer uma vez com sua linda prima desde que foi estudar em Hogwarts. Já andou me trocando por aí? Aposto que nenhuma garota é tão incrível quanto eu! Ok, deixando minha modéstia de lado eu vim dizer que soube sobre o que você está passando e fiquei preocupada com seu estado mental, já que você já não batia bem da cabeça antes, brincadeira. Confesso que fiquei um pouco chocada no começo e assustada por saber da reputação do seu verdadeiro pai, me lembro de você lendo ao jornal bruxo nas férias e me contando sobre ele e então decidi lhe escrever essa carta logo que descobri. Edwin apareceu aqui por acaso, mas como sua coruja é extremamente inteligente duvido que tenha sido tão ao acaso assim, mas isso não importa. Logo que ele veio peguei um papel e uma caneta escrevendo o mais rápido que pude. Quero saber como você está, como é a nova escola, seus novos amigos e quando te verei novamente. Estou morrendo de saudade de você, prima. Acredite, sinto falta até de suas piadas que não continham graça alguma. Me escreva o mais rápido que puder.
Te amo.
Xx"
Minha prima sabia sobre eu ser bruxa e tudo mais. Quando ficávamos de férias na casa da minha vó, eu vivia contando para ela várias histórias e até tentei ensinar ela a andar de vassoura, mas não deu certo até porque ela é uma trouxa.
Sorri ao terminar de ler, como eu sentia falta de . Peguei um papel e uma caneta que haviam ali e comecei a escrever sua resposta.
"Primeiramente queria deixar bem claro que para nos comunicarmos não depende só de mim, está bem? Então não me culpe! Não andei te trocando, até porque é bem difícil achar alguém que possa te substituir, duvido que exista alguma garota tão metida e chata que nem você para preencher seu lugar. Pois é, fiquei bem chocada quando descobri também e passei por dias em processo de negação, mas depois de conversar com uma pessoa bem próxima dele percebi que meu pai na verdade não era tão cruel como diziam ser. Desde então não tenho entrado em contato com Robert e Susan, eles já me mandaram algumas cartas mas eu não respondo, não sei porque mas não me sinto a vontade fazendo isso, talvez em alguns meses eu me acostume com tudo e volte a falar com eles, talvez. E pode ficar calma, meu estado mental está exatamente como antes: incrivelmente perfeito, haha. A escola é bem legal e tem varias coisas diferentes em comparação com Beauxbatons, mas eu gosto bastante daqui. Conheci ótimas pessoas e uma delas tem me ajudado bastante com tudo que tenho passado agora, ele era afilhado de Sirius e então vive me contando historias sobre meu pai, o que acaba me deixando meio mal por perceber que ele teve mais momentos com ele do que eu jamais terei, mas é melhor saber que ele fora alguém bom e sentir falta da sua presença do que ter uma péssima impressão dele e sentir nojo das minhas origens. Dumbledore, diretor de Hogwarts, conhecia minha mãe e ele andou me contando varias historias dela, me parecia ser uma mulher extraordinária e eu amaria poder conhecê-la, aposto que você também já que ela era meio louquinha igual a ti. Não sei quando iremos nos ver, o Natal se aproxima e eu estou pensando em passar aqui na escola, pode soar estranho mas não me sinto bem pensando em voltar para casa mas prometo que assim que puder arranjo uma brecha pra te ver. Também estou com saudades de você e de suas historias mirabolantes. Sinto sua falta demais, não deixe de me escrever. Mande um beijo para a vovó, estou morrendo de saudades daquela velha haha.
Te amo.
Xx"

-Leve para a e espere ela me responder, combinado? - pedi para Edwin que mexeu sua cabeça - te vejo depois, amorzinho. - depositei um beijo em sua cabeça e saí do corujal.
Andava calmamente em direção ao dormitório quando ouvi a voz de Hermione.
-Eu sei que você sabe, Harry! - ela dizia nervosa e impaciente.
-Já disse que não sei de nada - Harry respondeu.
- está estranha, vocês de repente viram amigos e vivem de um lado pro outro juntos, quer mesmo que acredite que você não sabe o porquê?
-Mione? - perguntei me aproximando. - acho que te devo explicações - sorri envergonhada mordendo a ponta da unha do meu dedão e vi um sorriso satisfeito brotar no rosto de minha amiga.
-Já passou da hora! - ela respondeu e eu ri fraco vendo Harry se afastar.
-Vamos, tenho uma história pra te contar - falei a puxando.

Capítulo 5

Eu havia contado a verdade para Hermione há 10 minutos e a mesma continuava quieta encarando o nada com a boca entreaberta.

-Se fosse pra você ficar quieta com essa expressão no rosto eu nem te contava - resmunguei irritada.
-Me desculpe, eu só fiquei um pouco chocada. Quero dizer, ninguém nunca soube sobre Sirius ter tido uma filha. Nem uma simples hipótese foi declarada.
-Eu sei, fiquei tão surpresa quanto você - respirei fundo e me sentei ao seu lado na cama.
-Há quanto tempo você sabe disso?
-Um mês e pouquinho - respondi.
-E por que você só me contou agora? - perguntou irritada - achei que fossemos amigas, que você confiasse em mim.
-Nós somos e eu confio! Mas imagine como é descobrir de uma hora pra outra que sua vida inteira foi uma mentira, eu não quis que ninguém soubesse. - respondi.
-E o Harry?
-O que tem ele? - perguntei confusa.
-Ele já sabia? - perguntou novamente e eu revirei os olhos.
-Sim, mas eu tive meus motivos pra contar pra ele. Olha só, Hermione, você sabe que eu te considero uma das minhas melhores amigas e que se não fosse algo sério já tinha te contado faz tempo, mas isso mudou muita coisa na minha vida e eu precisei de um tempo para me acalmar. O Harry sabe porque ele tem me ajudado bastante, meu pai pediu para que eu procurasse ele. Mas se você quer ser infantil e brigar por algo desse tipo vá em frente. Só saiba que está agindo como uma criança. - Respondi irritada e saí do quarto deixando-a para trás.

Segui andando pelos corredores com pressa até esbarrar em duas pessoas.
-Me desculpa. - pedi.
-Só se nos contar o porquê de estar correndo tanto - ouvi a voz de Fred e olhei pra cima vendo ele e Jorge sorrindo.
-É uma longa e confusa história - respirei fundo.
-Temos todo o tempo do mundo - Jorge respondeu piscando e eu ri fraco.

-E é isso. - disse após contar a eles tudo.
-Então você é filha de Sirius Black, soube disso há um mês, só contou agora para Hermione e ela ficou revoltada? - Jorge perguntou.
-Exatamente.
-Que loucura! - Fred comentou rindo fraco.
-Não vão ficar bravos comigo por ter escondido isso de vocês? - perguntei, afinal, eles também eram meus amigos.
-Mas é claro que não! Você teve seus motivos - Fred respondeu e eu sorri aliviada.
-Então Sirius tem uma filha... quem diria que ela seria tão bonita tendo ele como pai. - Jorge disse e eu ri.
-Você deve ter puxado sua mãe - Fred continuou e eu gargalhei.
-Vocês são dois idiotas. - respondi rindo - mas obrigada por me fazerem sentir melhor.
-Estamos aqui pra isso, pirralha - Jorge disse e ele e Fred se aproximaram me dando um abraço de urso.
-Eu amo vocês - disse com a voz abafada.
-Ah não, Jorge, acho que ela confundiu as coisas.
-Eu concordo, Fred, sabe o que é, , nós só estávamos fazendo nossa boa ação do dia, não significa que gostamos de você. - Jorge disse me empurrando e saindo de perto de mim.
-Como é? - perguntei fingindo estar chocada. - Fred, ontem você disse que me amava, e Jorge você me falou isso semana passada, como podem me tratar assim depois das nossas noites maravilhosas? - perguntei e eles gargalharam.
-Agora sim você confundiu as coisas, . Nós até te amamos, mas como uma irmã. – Fred
-É! Beijar você seria como beijar a Gina - Jorge disse e ambos fizeram careta.
-Tudo bem, o Rony é mais bonito que vocês mesmo. - dei de ombros e mostrei a língua.
-Disso eu já sabia - A voz de Rony ecoou no salão comunal - mas é sempre bom ouvir - ele disse convencido.
-Modéstia não está no sangue dos Wesley. - comentei e os três riram.
-Eu deveria estar bravo com você, sabia? - Rony disse se sentando ao meu lado no sofá. -Bravo? Por quê?
-Por ter contado a verdade para Fred e Jorge antes de ter contado pra mim - ele fez bico.
-Como você sabe?
-Harry me contou. - deu de ombros.
-Eu mato o Potter.
-Entra na fila - Ouvi a voz de Harry na porta.
-Por que você contou pro Rony?
-Imaginei que você contaria logo depois de contar para Hermione e assim que o encontrei ele me encheu de perguntas e eu acabei deixando escapar, mas imaginei que não tivesse problemas.
-Não tem problemas, mas eu gostaria de ter contado.
-Tudo bem, me desculpe.
-Deixa pra lá - dei de ombros.
- , será que eu posso falar com você? - Hermione apareceu na frente do sofá onde eu estava sentada e perguntou.
-Depende, quem vai falar comigo vai ser a Hermione de sempre ou a infantil? - perguntei e ouvi Fred e Jorge murmurarem um "uou". Joguei uma almofada neles e logo os dois se calaram.
-A de sempre.
-Então tudo bem - respondi levantando e indo com ela até o corredor. - Diga.
-Eu quero pedir desculpas pelo modo como agi hoje mais cedo, é que eu nunca fui de ter muitas amigas e agora eu tenho você por isso quando soube que me escondeu algo pensei que não confiasse em mim e não fosse tão minha amiga assim. Mas a verdade é que esse era um problema pessoal e você tinha todo o direito de não querer ter me contado.
-Eu confio em você e eu sou sua amiga, fico feliz que tenha entendido o porquê de eu não ter te contado antes - sorri e ela sorriu também.
-Amigas de novo?
-Mas é claro que sim, sua idiota - ri e a abracei.
-Que cena mais linda, duas sangue ruins se abraçando, acho que vou até vomitar.
-Malfoy, em vez de perder tempo tentando nos insultar, por que não vai fazer como já te falei e arranja um novo insulto? Porque esse já está ultrapassado. - respondi revirando os olhos.
-Olha aqui sua...
-Sujeitinha de sangue ruim, hãn? Já te disse que isso não me afeta.
-Como ousa falar comigo desse jeito?
-E de que outro jeito eu falaria? Você é igual a mim, Malfoy. Quer dizer, igual você não é porque eu não saio insultando os outros só pra descontar a raiva que sinto de mim mesma. - eu respondi e vi ele pegar a varinha. - Vai fazer o que? Me atacar? Você e eu sabemos que não seria capaz disso.
-Escuta aqui, . - ele falou chegando perto de mim, mas perto mesmo, ficando com seu rosto quase colado ao meu. - Não me subestime, eu posso te surpreender.
-Aguardarei ansiosamente por esse dia. - respondi olhando em seus olhos e vendo ele fechar os mesmos irritado. - Tenha uma boa noite, Draco. - me afastei e voltei com Hermione para o salão comunal.

[...]


- , os meninos e eu vamos sair de tarde, quer ir conosco? - Hermione me perguntou logo após sairmos da aula. Olhei para frente do corredor e vi Malfoy me encarando. Sorri sarcástica pra ele que virou o rosto para o outro lado. Aposto que depois de ontem ele não vai me incomodar tão cedo, pelo menos eu espero que não.
-Claro, eu adoraria - respondi.
-Ótimo, te vejo depois do almoço. - ela disse e saiu na direção oposta indo até sua próxima aula. Caminhei lentamente pelos corredores sem pressa alguma para chegar na minha próxima aula, que seria com o Snape. Nada contra ele, eu até gosto de suas aulas e sei que é um bom professor, só que ele é meio chato então não me animei muito a ponto de me apressar.
-Psiu. - ouvi alguém me chamando mas segui em frente. -Psiu. - chamou de novo. Se quiser falar comigo que fale direito, tenho um nome.
-Olha só, Fred, agora que descobriu que é uma Black vai esnobar os próprios amigos - ri quando ouvi o que Jorge disse e me virei na direção deles.
-Pois é, Jorge, não somos importantes o suficiente para falar com ela - Fred disse fingindo estar magoado.
-Vocês são dois idiotas - comentei me aproximando e rindo.
-Você que nos ignorou.
-Eu tenho um nome, querido Fred, quando quiser me chamar, use-o. - respondi enquanto Jorge passava o braço por cima dos meus ombros e me abraçava.
-Lição aprendida - ele piscou e eu ri de novo.
-Você não tem aula, não? - Jorge perguntou.
-Ter eu até tenho mas é com o Snape, então...
-Pobrezinha - Fred disse apertando minhas bochechas mas assim que dei um tapa em sua mão ele as tirou dali - olha, é nervosinha que nem o pai,
-Engraçadinho. - respondi sarcástica.
-Acho que podemos resolver seu problema.
-Que ideia você tem em mente? - perguntei curiosa.
-Pegue seu casaco e nos encontre nesse mesmo lugar, vamos fazer algo melhor do que assistir aulas.
-E se nos pegarem? - perguntei.
-Você está falando com Jorge e Fred Wesley, nós nunca somos pegos - Jorge disse piscando e eu revirei os olhos.

-Três cervejas amanteigadas, por favor - Fred pediu assim que chegamos ao local, uma simples e confortável cabana.
-Aqui está. - o senhor nos entregou três canecas e nos sentamos em uma de suas mesas.
-Posso te fazer uma pergunta? - Fred disse.
-Claro - respondi tomando um gole da bebida.
-O que rola entre você e o Potter? - quase cuspi o liquido que estava na minha boca nesse momento.
-Como assim o que rola entre o Harry e eu? Não rola nada - respondi rindo.
-É que vocês tem passado tanto tempo juntos que achei que estava acontecendo algo.
-Não - abanei o ar - Harry tem sido bem especial pra mim, ele tem me ajudado com feitiços e com os assuntos ligado aos meus pais mas só isso. Até porque ele gosta da Gina. - Disse e bati a mão na boca na mesma hora. -Esqueçam o que eu disse por último.
- , meu amor, disso todo mundo já sabia, mas acho que você conjugou errado o verbo.
-Como assim? - perguntei confusa.
-Harry gostava da minha irmã, não acredito que ainda goste.
-Mas como vocês sabiam? Toda vez que eu perguntava pra Harry ele ficava envergonhado e mudava de assunto.
-Harry é um ótimo bruxo, mas quando se trata de amor ele é um idiota. - Jorge disse e eu ri.
-Bom, eu não tenho nada a ver com isso. Harry é meu amigo, só o vejo assim e tenho certeza que ele também. - respondi bebendo mais um gole da cerveja.
-Você é que sabe - Fred disse e me acompanhou bebendo.

Nós já estávamos no três vassouras há mais de uma hora, quando vi Hermione, Rony e Harry se sentando em uma mesa.
Quando ia chamar eles, minha atenção foi parar em Malfoy que saia do banheiro feminino. Arqueei a sobrancelha confusa e vi que Harry estava do mesmo modo. Um atendente foi até a mesa deles e vi Hermione pedindo algo e logo se sentando.
Senti o braço de Fred passando pelos meus ombros e ele se aproximando de mim.
-O que você tá fazendo? - perguntei sem olha-lo.
-Te provando que está errada.
-Sobre o que?
-Sobre o Harry gostar da Gina. - ele disse sussurrando em meu ouvido.
-Continuo sem entender.
-Olha para a sua direita - ele pediu e eu virei encarando Gina e Dino sentado juntos.
-O que tem de demais nisso?
-Veremos qual será a reação de Harry ao olhar pra eles e ao olhar pra nós.
-Quer parar de ser idiota? - perguntei rindo - Harry não gosta de mim - continuei falando e revirei os olhos.
-Quer apostar? Te dou 10 galeões se estiver certa, caso contrário você me dá.
-Feito, vai perder seu dinheiro facinho - respondi.
-Veremos.
-E como nós saberemos?
-É aí que o Jorge entra. Apenas olhe para a frente e depois atue como se fossemos um casal.
-Está se aproveitando de mim, isso sim! - respondi rindo.
-Já disse que beijar você é como se fosse beijar minha irmã, então nada contra, você é bonita e tal mas não vai rolar - ele disse e eu lhe dei um tapa de leve. -Que é? Queria que eu te beijasse?
-Não seu babaca, só cala a boca - respondi rindo fraco.
Jorge se levantou, caminhou até perto da mesa de Gina e Dino e jogou uma bolinha de papel em Rony fazendo o mesmo olhar em seguida para o local e fazer uma careta ao encontrar sua irmã com um garoto.
-Agradeça por eu ser ótimo em leitura labial - Fred disse.
-Que?
-Rony reclamou sobre ter visto os dois juntos e disse que quer ir embora, mas Harry, poxa, ele nem ligou - ele me encarou fazendo um biquinho como se estivesse triste.
-Você é ridículo - resmunguei.
-E você é chata mas depois discutimos sobre os defeitos um do outros, agora segura minha mão e olha pra mim - ele disse já segurando em minha mão e virando meu rosto com a outra mão sem me deixar responder.
-Tá e agora eu fico olhando pra sua cara feia por quanto tempo.
-Vou fingir que não ouvi você me chamando de feio e vou sorrir - ele disse e sorriu me fazendo revirar os olhos e ri com a péssima atuação dele.
-você não sabe atuar. - respondi.
-Pelo que parece, ele sabe sim. Olhe para o estado de Harry - Jorge disse voltando a se sentar conosco. Olhei para a mesa a frente e vi Harry bufar, revirar os olhos e fechar a cara enquanto Rony ria do seu estado.
-Isso não justifica nada, Rony pode ter dito algo que Harry não gostou, só isso. - dei de ombros.
-Eu vi bem a reação de Harry no momento em que Fred virou seu rosto pra perto do dele, sorriu e logo em seguida você riu. Tenho certeza que não foi por causa do Rony. - Jorge disse.
-Vocês não valem nada.
-Obrigada pelo carinho, agora levanta a bunda daí, aproveita que já pagamos a conta e que eu e o Jorge vamos embora e vá se sentar com seus outros amigos. Cansei de olhar pra sua cara por hoje - Fred disse fingindo estar irritado e eu ri.
-olha quem fala, tu não vive sem mim, garoto - respondi me levantando.
-Tem razão, quem mais eu vou encher o saco se não você?
-A escola inteira? - Jorge perguntou e nós três rimos.
-Vão se ferrar - Fred disse se levantando. - Agora vá. - ele me empurrou e eu revirei os olhos.
-Tchau, Jorge - dei um beijo em sua bochecha - Tchau, seu ridículo - disse pra Fred que me puxou pra um abraço.
-Tchau, pirralha - ele disse bagunçando meus cabelos.
Vi os dois saindo do local e segui até a mesa onde os outros três estavam.
-Posso me sentar com vocês?
-Claro, estávamos esperando você mesmo - Rony disse e eu me sentei na única cadeira vazia cujo era de frente pra Harry.
-Te procurei pelo castelo inteiro quando saí da aula mas não te encontrei.
-Ah, é que quando eu estava indo até minha aula de Defesa contra as artes das trevas encontrei Fred e Jorge e como eu estava sem vontade nenhuma de ir para aula do Snape, eles mataram aula comigo e me trouxeram até aqui.
-É, percebemos isso - Harry disse e eu sorri fraco.
Ficamos em silêncio até Rony soltar o ar.
-Me desculpe, mas eu vou ter que perguntar. - ele disse e todos reviraram os olhos me deixando confusa - Desde quando você e Fred estão juntos?
-Não estamos juntos - respondi como se fosse óbvio.
-Ah não, dois minutos atrás vocês pareciam um casal apaixonado. - puxa, somos ótimos atores.
-Não estamos juntos - respondi e ouvi Harry rindo sarcasticamente. - Algum problema? - perguntei.
-Com você? Nenhum - deu de ombros e levantou a mão chamando a atenção de alguém que logo percebi ser um de nossos professores.
-Harry, meu rapaz - professor Slughorn disse se aproximando de nós.
-Olá, senhor - ele disse o cumprimentando - muito bom ver o senhor.
-Igualmente. - Horácio respondeu sorridente.
-Então o que o traz aqui? - Harry perguntou e eu, Hermione e Rony só observávamos.
Eles começaram a conversar e eu me desvirtuei e aproveitei para pegar um pouco da cerveja amanteigada de Hermione, que resmungou em protesto.
Horácio acabou se atrapalhando e derrubou sua bebida em Hermione, me fazendo prender o riso com sua reação.
-Cuidado com a onda, Granger - ele disse e eu e Rony quase gargalhamos.
Ajudei Hermione a se secar e só prestamos atenção em Horácio quando ele fez um convite a Harry.
-Escute, meu rapaz, nos velhos tempos eu costumava festejar com uma ceia de vez em quando. Para um ou dois alunos mais seletos. Você viria? - perguntou.
-Eu consideraria uma honra, senhor - Harry respondeu educadamente.
-Vocês também são bem vindas, Granger e - ele disse para nós.
-Vou ficar muito feliz, Senhor - Hermione respondeu.
-Eu adoraria - respondi educadamente.
-Esplêndido, aguardem minha coruja - ele disse animado. - É bom ver você, Wolemy.
-Wolemy? - perguntei para mim mesma e ri fraco da reação de Rony.
Assim que ele saiu, Harry se sentou na mesa sorridente.
-O que você está querendo? - Rony perguntou a ele.
-Dumbledore pediu para eu me aproximar dele - Harry respondeu.
-Se aproximar dele? - Rony e eu perguntamos juntos, mas Harry agiu como se eu não estivesse ali.
-Eu não sei, deve ser importante - ele deu de ombros olhando pra Rony. - Se não fosse, Dumbledore não pediria.
-Nunca se sabe, ele costuma ter umas ideias estranhas - respondi e novamente ele me ignorou fazendo com que eu revirasse os olhos.
Hermione tomou um gole de sua bebida e acabou ficando com um bigode branco me fazendo rir.
Rony avisou ela que quase sumiu de tanta vergonha e novamente eu tive que segurar a vontade de rir ou levaria um tapa de minha amiga.
Depois de um tempo pagamos a conta e fomos embora.

Hermione andava a frente de nós um pouco alterada e eu andava calmamente ao lado de Rony e Harry.
-Você ouviu o que ela disse lá no bar? Sobre ela e eu nos beijando. Até parece - resmungou e eu revirei os olhos.
Ela diminuiu seus passos ficando perto de nós e passando o braço por cima do ombro de Harry e Rony tentando fazer o mesmo comigo com suas mãos.
Andamos mais um pouco até ouvirmos um grito assustador e pararmos.
Uma garota de casaco vermelho estava jogada no chão enquanto sua amiga gritava.
-Eu avisei. Eu avisei para ela não tocar nisso - ela gritou e nós corremos em sua direção.
O corpo da menina começou a ser jogado de um lado para o outro como se fosse um brinquedo até ser levantado e ficar suspenso no ar.
Eu olhava aquilo aterrorizada, a voz da garota que deveria sair como um grito estava praticamente rouca até seu corpo ser jogado novamente ao chão. Soltei um grito baixo assustada e arregalei os olhos.
-Não cheguem perto - a voz de Hagrid surgiu do nada. - Se afastem todos vocês.
Demos espaço e ele seguiu até a menina pegando a no colo.
Olhei para baixo enxergando um pacote e me aproximando ao mesmo tempo que Harry.
-Não toquem nisso - Hagrid chamou nossa atenção. - Só se estiver embrulhado - ele disse.
Me agachei ao lado de Harry e peguei um pano que estava perto do colar, tentando toca-lo, mas Harry bateu em minha mão e me empurrou pra longe dali, saindo de perto em seguida.
Fomos guiados por Hagrid até Hogwarts onde tivemos que seguir até a sala de Minerva.
Minerva fazia perguntas a amiga da garota que respondia todas, porém meu cérebro ainda estava em estado de choque e eu não prestava muita atenção no que as duas diziam.
-Muito bem, obrigada, Eliane, você pode ir - ela disse e a garota se retirou.
-Por que que toda vez que acontece alguma coisa vocês sempre estão por perto? - Minerva perguntou.
-Acredite, professora, eu me faço essa pergunta há seis anos - Rony respondeu.
-E pelo que parece, quando vocês agregam mais uma pessoa ao seu grupinho e ela também passa a correr esse risco, não é mesmo? Vejo que a senhorita tem presenciado bastante coisas nas últimas semanas, não é mesmo, Srta. Bla... quer dizer, Srta. .
-Não tem problema me chamar de Black, eles sabem a verdade. - respondi sorrindo fraco e ela retribuiu o gesto.
-Ah, Severo! - ela chamou a atenção do professor que acabara de chegar na sala.
Com um simples feitiço, Snape fez o colar levitar.
-O que você acha? - Minerva perguntou.
-Que a senhorita Bell tem sorte de estar viva - ele respondeu.
-Ela foi enfeitiçada, não foi? - Harry perguntou. - Eu conheço a Katia, fora o arremesso de quadribol, ela é inofensiva. Se ela estava levando isso para o professor Dumbledore, ela não sabia o que estava fazendo.
-Sim, ela foi enfeitiçada. - Minerva respondeu e foi aí que eu me lembrei de algo.
-Foi o Malfoy - eu disse e me surpreendi ao perceber que Harry tinha dito o mesmo que eu.
-É uma acusação extremamente séria, senhor Potter e senhorita Black. - Minerva nos repreendeu.
-Sem dúvida - respondeu Snape. - Evidências?
-Simplesmente sei, ou melhor, sabemos - Harry disse me olhando.
-Simplesmente sabem? - repetiu Snape. - Mais uma vez me surpreende-me com as suas habilidades que aos meros mortais só é dada a sonhar em possuir. Que grande honra deve ser saber que é o eleito. E dessa vez ainda fez a cabeça da senhorita Black.
-Ele não fez minha cabeça, eu só vi algo curioso, nem sabia que Harry tinha visto o mesmo. - respondi irritada pelo modo que Snape havia tratado Harry.
-Sugiro que voltem para os seus dormitórios - Minerva disse - todos vocês.
Hermione e Rony saíram rapidamente e Harry permaneceu encarando Snape. Coloquei a mão em seu ombro e ele acordou pra vida começando a andar em seguida.

Voltamos para o salão comunal em silencio e Rony e Hermione logo seguiram para seus dormitórios.
-Harry, será que poderíamos conversar? - perguntei quando vi que ele seguia pelo mesmo caminho que Rony.
-Sobre que exatamente? - ele perguntou grosso.
-Sobre o modo que você resolveu me tratar do nada - respondi.
-Amanhã falamos sobre isso, - ele disse.
-Não, Harry, eu quero saber o...
-Amanhã falamos. - ele aumentou a voz me assustando - boa noite - ele disse seco e subiu rapidamente para seu dormitório.
-Garoto mais problemático - resmunguei.
-Não sei sobre quem você está falando, mas aposto que normal você também não é, já que está falando sozinha - ouvi a voz de Jorge e pulei de susto.
-Por Merlin! Você me assustou.
-Desculpe - ele disse rindo.
-Está tudo bem - abanei o ar e respirei fundo.
-Quem é o garoto problemático de quem você estava falando? - ele perguntou.
-O Potter. Resolveu me tratar mal do nada - resmunguei.
-Quando começou isso? - ele perguntou como se soubesse a resposta.
-No Três Vassouras, por quê? Você sabe o motivo? - perguntei.
-Talvez... Vocês estavam se falando direito hoje de manhã?
-Sim. - respondi não entendendo o porquê da pergunta e logo vi meu amigo sorrindo - Que é?
-O Harry gosta de você!
-Ah, não, de novo isso? - perguntei cansada desse assunto.
-Curioso ele ficar bravo com você logo depois do seu teatrinho com Fred, não?
-Foi coincidência.
-Muita coincidência pro meu gosto - ele disse - não foi você quem viu a reação dele, gatinha.
-Não me chama de gatinha, eca.
-Tudo bem, desculpe, pirralha - ele disse e eu ri. - Mas eu estou certo e nós dois sabemos disso. - ele falou apontando pra mim e pra ele.
-Eu não sei de nada- fingi tentando ignorar quanto sentido tinha o que ele havia me dito.
-Você finge que me engana e eu finjo que acredito, ok? - ele disse piscando, ô mania! - mas eu vou te provar que estou certo e ainda te provo outra coisa.
-Que outra coisa? - perguntei confusa.
-Que você corresponde. - ele disse sorrindo maroto.
-Vá se ferrar, Jorge - disse passando por ele e seguindo até meu dormitório.
-Boa noite, pirralha.
-Boa noite, espantalho - gritei e ele gargalhou.
Acordei meio indisposta na manhã. Como se eu soubesse que ficar na cama seria melhor pra mim, mas eu não podia perder as aulas de hoje, minha consciência pesou depois de eu ter faltado propositalmente na aula do Snape no dia anterior. Quando terminei de me arrumar não havia mais nenhuma garota no dormitório, então resolvi me apressar. Apertei o suéter do uniforme e saí do salão comunal me dirigindo ao principal para poder tomar meu café.
Assim que cheguei ao local Fred e Jorge me avistaram e gritaram para eu ir até eles.
-Vocês não conseguem passar 5 minutos sem chamar atenção, não é? - perguntei assim que me sentei ao lado de Fred.
-Até conseguimos, mas qual é a graça nisso? - o garoto ao meu lado respondeu e eu ri.
-Bom dia pra você também, pirralha - Jorge disse.
-Bom dia, Jorge - eu disse e olhei em volta - Onde estão Rony, Hermione e Harry?
-Não sabemos - eles responderam juntos e voltaram a comer.
-Estranho...
-Quando você vai me pagar os 10 galões? - Fred perguntou ignorando totalmente meu comentário.
-Te pagar? E por que eu te pagaria? Você não me provou nada.
-Ah não?
-Lógico que não, só continuou com suas teorias idiotas - respondi.
-tudo bem, te provo até o fim da semana.
-Estamos na quarta, você tem dois dias, melhor se apressar se não quiser perder.
-Tenho toda a calma do mundo, até porque, eu já ganhei mesmo. - ele disse voltando a tomar seu suco.
-Veremos - dei de ombros.
Logo o trio de ouro estava entrando no salão e se sentando perto de nós.
-Onde estavam? - perguntei.
Fred passou o braço por cima do meu ombro e eu revirei os olhos.
-Não é da sua conta - Harry respondeu começando a comer.
-Prova número 1 - Fred sussurrou no meu ouvido e eu lhe bati por de baixo da mesa. - ogra. - ele respondeu se afastando de mim e alisando o local atingido.
-Pelo visto alguém acordou de mal humor - comentei baixo e o ouvi bufar.
- , vamos a cabana do Hagrid mais tarde, quer ir conosco? - Rony perguntou.
-Claro - respondi sorrindo pro ruivo a minha frente.
-Eu tenho que ir - Hermione disse se levantando.
-Vou com você, temos a próxima aula juntos - Rony disse se levantando. - nos vemos mais tarde - eles se despediram e saíram.
-Agora você finge que eu ti disse algo legal e ri - Fred disse sussurrando no meu ouvido de novo.
-E por que eu faria isso?
-Pra eu te mostrar como isso irrita o bruxo ali da frente - ele disse.
- Não sei fingir que estou rindo - respondi forçando um sorriso.
-Pense no qual feio o Jorge fica quando acorda e vai funcionar.
-Mas eu nunca o vi quando ele acorda - resmunguei.
-Sorte sua - o mesmo respondeu e eu ri. - Eu sou demais.
-sim, idiota demais - respondi e ele revirou os olhos.
-só olhe para a reação dele.
Olhei pra frente vendo Harry nos encarar e sua expressão era de raiva.
-Vejo vocês mais tarde - Harry disse se levantando e saindo da mesa.
-Prova número 2 - Fred sussurrou.
-Vou falar com ele - disse me levantando e seguindo o. -Harry! – gritei, tentando o chamar mas ele continuou seu caminho até o jardim da escola. -Harry Potter! - gritei ficando estressada por ele me ignorar tão descaradamente.
-O que você quer? - ele perguntou assim que chegamos no jardim.
-falar com você, oras. - respondi como se fosse obvio.
-Acho que você não percebeu que eu não quero falar com você.
- Na verdade, eu percebi sim e é por isso que eu estou aqui. Da pra você me falar o que te deixou tão irritado?
- Por que você não aproveita o tempo livre com o seu namorado, hein? - ele perguntou se virando e finalmente me encarando.
- Que namorado?
-O Fred, quem mais seria?
-Eu já disse ontem e vou repetir, o Fred e eu não estamos namorando!
-Pelo que eu vi agora não me pareceu muito isso.
-Fred estava me contando uma piada - menti.
-no seu ouvido?
-É que ele estava falando sobre a garota que estava sentada perto de nós e por isso falou baixo – respondi. Eu estou ficando boa em mentir.
-Ah, claro e ontem no Três Vassouras? Ele estava te falando do sal que estava na mesa, por isso teve que falar tão perto de você? Só acho que ele errou o local, já que estava quase falando na sua boca - respondeu sarcástico.
-Primeiro: eu não te devo explicações e segundo: por que isso te incomoda tanto?
-Exatamente como você disse : "eu não te devo explicações".
-A partir do momento em que você passa a me tratar mal do nada, você me deve sim.
-Quer saber, , eu tenho aula agora, depois a gente se fala - ele disse passando por mim.
-"Depois a gente se fala", essa é sua desculpa pra tudo, sempre tem que deixar nossas conversas pra depois, eu não entendo qual é o seu problema. - gritei já que ele estava longe.
-Você, o meu problema é você!


Capítulo 6

-Você, o meu problema é você! - e então ele simplesmente saiu andando.
-Garoto idiota - resmunguei e bufei irritada.
-Olá, - ouvi a voz de Luna atrás de mim e pulei assustada. - desculpe pelo susto, não era a intenção.
-Tudo bem, eu só estava meio distraída - sorri fraco.
-Sem querer ser indiscreta, mas Harry e você estavam discutindo?
-Sim, quer dizer, mais ou menos - cocei a nuca confusa e ela riu fraco.
-Quer conversar? As vezes é bom desabafar.
-Eu adoraria, sério mesmo, mas tenho que ir pois tenho aula agora, pode ser mais tarde?
-Claro, sem problemas. Tchau, - ela acenou e saiu saltitante.
-Tchau, Luna - falei mais alto para ela me ouvir e fui em direção a sala de aula.

-Vamos logo, , os meninos já devem estar esperando - Hermione resmungou impaciente.
-Não me apressa que eu vou mais devagar - respondi terminando de calcar o tênis. -Nunca vi alguém demorar tanto pra se arrumar.
-Hermione, se não vai falar nada de bom, fica quieta - ajustei minha touca e coloquei meu casaco - estou pronta.
-Finalmente - ela resmungou e me puxou pela mão.
-Sabe, é por isso que você não tem muitas amigas, você é muito chata - impliquei com ela que me lançou um olhar amedrontador.
-, se não vai falar nada de bom, fica quieta - ela repetiu o que eu disse e eu gargalhei.
-Sabe que eu estava brincando, né? Eu te amo, sua nerd insuportável - baguncei seu cabelo recebendo um tapa como resposta.
-A convivência com a faz com que a pessoa vire uma ogra, anota aí, Fred - ouvi Jorge falar
-Ah, mas faz mesmo! - Hermione concordou - essa garota é um péssimo exemplo de pessoa - ela disse rindo e eu mostrei a língua.
-Vou começar a achar que estão me seguindo - respondi os observando com os braços cruzados.
-Nosso tempo é precioso demais pra isso, pirralha - Fred respondeu.
-Você que está sempre no nosso caminho - Jorge completou.
-Ela tem mania de ser intrometida também - Hermione comentou e eu a olhei chocada.
-Eu já tinha percebido isso também - Jorge concordou.
-Isso é um absurdo, eu não sou intrometida - respondi e eles gargalharam.
-Pobre iludida - Fred comentou rindo e eu revirei os olhos.
- Hermione, não estávamos atrasadas? - a olhei sínica.
-Verdade. Nos vemos depois, meninos - ela se despediu e saímos andando.
-Além de ogra é mal educada - Jorge gritou.
-Só sou educada com quem merece - respondi e ouvi um "wow" em resposta vindo de Fred, o que me fez rir.
Andamos até chegar na frente do castelo e seguirmos até a cabana de Hagrid. Hermione e Rony conversavam sobre algo que eu não prestei muita atenção, já Harry e eu não falávamos nada.

Paramos na frente da cabana e batemos na porta, logo Hagrid veio abrir nos chamando para entrar.
-Aceitam um chá? – perguntou
-Claro - respondemos juntos sentando e sendo servimos em seguida.
-Obrigada - agradeci assim que ele me entregou uma xícara cheia de chá.
-como estão os estudos?
-ótimos - Hermione respondeu.
-só se for pra você, eu não aguento mais ter que fazer folhas e mais folhas de pergaminho como lição de casa todos os dias - Rony resmungou e eu ri fraco.
-E você, , se adaptou fácil?
-sim - sorri fraco e tive uma ideia - todos me ajudaram desde que entrei, principalmente o Harry - olhei pra ele que nem me encarou de volta.
-só fiz o que Dumbledore pediu - ele respondeu indiferente e depois deu um gole em sua bebida.
-na verdade, Dumbledore só pediu que me ajudasse com os assuntos ligados ao meu pai, mas graças a você aprendi e melhorei vários feitiços - disse.
-hm - ele respondeu tomando mais um gole e não dizendo mais nada.
Respirei fundo para não brigar com ele ali mesmo e voltei minha atenção para os outros.
-Mas sim, Hagrid, me adaptei muito fácil, Hogwarts é uma ótima escola - disse sorrindo para o gigante a minha frente.
-fico feliz de saber isto - ele sorriu e voltou a falar com Hermione sobre alguma matéria.
-Rony - chamei baixinho o ruivo que estava muito concentrado nos biscoitos - Rony - chamei de novo mas ele nem ouviu - Ronald - o cutuquei e ele me olhou.
-chamou?
-só umas três vezes - respondi irônica.
-desculpe - ele sorriu de lado. - o que quer?
-sabe o que aconteceu com Harry? Ele está estranho comigo desde de manhã, ou melhor, desde ontem.
-eu prefiro não responder, acho melhor vocês se resolverem sozinhos - ele respondeu e voltou a prestar atenção em seus precisos cookies.
O resto da tarde na casa de Hagrid seguiu do mesmo modo: eu tentava puxar assunto com Harry e ele me ignorava, nem sequer havia olhado para mim. Deixei de lado a vontade de perguntar a Hermione o porquê disso e preferi conversar com ele mais tarde já que teríamos o jantar do Professor Slughorn.

Eu havia demorado de novo para me arrumar e Hermione acabou me deixando sozinha e indo para o jantar com Harry. Corri até chegar na porta do local e entrei sem bater já que o professor havia dito que eu poderia fazer isso. Entrei tentando fazer o mínimo de barulho possível mas assim que terminei de fechar a porta e me virei vi que todos me encaravam.
-Ah, Sra. ! Entre, Entre! - Slughorn disse.
Sorri envergonhada e segui até a única cadeira vazia.
-Me desculpe pelo atraso. - disse puxando a cadeira quando Harry levantou e me encarou. O encarei de volta com a sobrancelha arqueada até ele perceber o que tinha feito e desviar o olhar. Me sentei e vi ele fazer o mesmo se sentando ao lado de uma Hermione risonha.
-Não importa, chegou a tempo da sobremesa! Isto é se o Belby deixou alguma coisa - Slughorn disse e riu.
Vi Harry abaixar para pegar algo e Hermione rir novamente.
Comi minha sobremesa em silêncio e depois quando todos se levantaram fui falar com Hermione.
-Córmaco não deixou de te olhar hoje - brinquei com ela.
-Nem me fale - ela revirou os olhos - não gosto dele, mas acho que ele não percebeu isso ainda - brincou e eu ri.
Percebi que a maioria dos alunos se preparavam para ir embora, exceto Harry. Pensei em ir até ele mas preferi deixar para depois.
Slughorn abriu a porta para que fossemos embora, porém, diferente dos outros alunos, eu fiquei esperando, após a porta ser fechada, por Potter.

Eu já estava esperando há uns bons minutos e já havia pensado em milhões de coisas das quais eles poderiam estar conversando para estarem demorando. Quando pensei em esperar Harry, imaginei que ele iria sair segundos depois e não 15 minutos depois.
A porta se abriu novamente e Harry saiu pela mesma se despedindo de nosso professor. Quando começou a andar, se assustou ao me ver encostada no corredor.

-O que faz aqui? - perguntou.
-Estava te esperando. - respondi desencostando meu corpo da parede.
-Para que? - ele arqueou a sobrancelha.
-Me deve uma resposta.
-Perdeu seu tempo. - ele disse seguindo caminho.
-Não perdi, não, você vai me responder ou não vou parar de te seguir. - disse andando atrás dele.
-Não pode entrar no dormitório masculino.
-Corro risco de ser expulsa. - dei de ombros mesmo sabendo que aquilo era mentira.
Harry respirou fundo e se virou pra mim.
-Certo, o que quer?
-Saber por que está me tratando tão mal do nada.
-Não estou tendo um bom dia.
-E por isso tem que descontar em mim? Só em mim?
-Desculpe, não sei porque te tratei mal, não deveria ter descontado meus problemas em você. - ele forçou um sorriso.
-Não acredito completamente, mas tudo bem - dei de ombros - vai voltar a me tratar bem de novo?
-Claro - ele disse sorrindo fraco.
-Ótimo - sorri em resposta.
Voltamos a andar em direção ao salão comunal da Grifinória, mas dessa vez conversando.
-E como está o Fred? - ele perguntou.
-Eu que vou saber? - estranhei sua pergunta.
-Imaginei que soubesse, é a namorada dele. - deu de ombros.
-Já disse que não estamos namorando.
-Não é o que pareceu - resmungou.
-Já te expliquei isso, estávamos conversando e brincando, só isso. - respondi.
-tanto faz - respondeu grosso.
-Por que toda vez que tocamos nesse assunto você volta a ser grosso comigo? - perguntei irritada.
-Por nada, não estou sendo grosso.
-Imagina, eu é que estou. - ironizei. - por acaso está com ciúmes? - brinquei gargalhando em seguida, porém parei de rir ao perceber que ele não respondera. - Está com ciúmes, Harry? - perguntei novamente.
-Não, claro que não - respondeu sem me olhar. - Até porque eu não teria motivo pra isso, teria? - falou nervoso.
-Eu acho que não. Até porque somos só amigos e você gosta da Gina - disse e ele riu.
-Não gosto dela.
-Qual é, Harry? Não precisa mentir pra mim. - insisti chateada por ele não me contar.
-Não estou mentindo - ele disse assim que entramos no salão. - Já gostei dela, admito, não gosto mais. - ele respondeu.
-Não gosta mais? - perguntei estranhando.
-Não dela. - ele piscou e se dirigiu até a escada que levava ao dormitório dos meninos. - Boa noite, . - ele disse subindo.
-Boa noite, Harry - respondi caminhando até a escada que levava até o dormitório feminino.
-Eu te disse. - ouvi uma voz e vi Fred saindo de trás de um armário.
-Por Merlim, garoto! - gritei assustada. - Será que dá pra parar de surgir do nada? Que mania chata! - resmunguei e ele gargalhou.
-É engraçado te ver apavorada.
-idiota - resmunguei e voltei a andar.
-Espera aí, eu tenho uma pergunta. - ele me chamou e eu olhei pra trás fazendo sinal para que ele prosseguisse. - quando vai me dar os 10 galeões?
-Não ganhou a aposta.
-Não? Acho que sua última conversa com Potter me deu vitória.
-Ele só disse que não gostava mais de Gina, só isso. - dei de ombros.
-Usando as palavras do próprio: não gosta mais dela. Mas sim de você.
-Ele não disse que gostava de mim.
-Você é lerda ou só se faz? Ele não precisa dizer em todas as letras. Quer saber, eu desisto dessa aposta. - ele disse revirando os olhos.
-Te disse que você perderia. - respondi rindo.
-Não perdi, estou certo mas você é burra demais pra perceber. Ele não vai chegar e dizer isso com todas as letras.
-Não sou burra, sou realista. Harry não gosta de mim. - disse e ele resmungou em resposta.
-Eu desisto de você, Black, amanhã te pago seus 10 galeões, mesmo sabendo que estou certo e que ganhei a aposta. Boa noite - ele disse saindo sem esperar eu responder.
-Depois eu que sou uma ogra. - revirei os olhos.

"-Oh, querida, estou tão orgulhoso de você! - meu pai dizia enquanto mexia em meu cabelo.
Estávamos naquele parque novamente, não sei porquê sempre nos encontramos aqui.
-Não tem motivo para estar orgulhoso, não fiz nada de grandioso. - respondi.
-Claro que tenho motivos, você está se tornando uma bruxa cada vez melhor. - ele sorriu. - E você ainda não fez nada de grandioso, mas tenho certeza de que no futuro fará.
-Obrigada por acreditar em mim - sorri agradecida. - eu me sinto tão culpada por ter dito coisas tão horríveis sobre você. - falei escondendo o rosto entre minhas mãos.
-Está tudo bem, querida, você não sabia a verdade.
-isso não me dá direito de dizer aquilo, ainda mais sobre meu pai.
-Quando você dizia aquilo não tinha nem ideia de quem eu era, você sabe a verdade agora e é isso que importa.
-Queria ter te conhecido, digo, pessoalmente.
-Eu também querida, mas quem sabe isso não te ajude a se esforçar para não perder mais ninguém que você ame. - ele piscou.
- o que quer dizer com isso? - perguntei confusa.
-quero dizer que terá que descobrir sozinha.
-isso não é justo! - fiz birra e ele gargalhou.
-A vida não é justa, meu amor, achei que com 16 anos você já teria aprendido isso. - ele falou e eu rolei os olhos - tenho que ir.
-fica mais um pouco. - pedi manhosa - ou traga a mamãe.
-prometo que voltarei a me comunicar com você, mas agora realmente preciso ir.
-está bem - eu disse.
-eu te amo, querida - ele falou e de repente tudo desapareceu."


Acordei dessa vez não mais assustada, já havia me acostumado em ter sonhos assim e eu queria que cada vez durasse mais. Levantei percebendo que só restava eu e Hermione no quarto e logo tratei de me arrumar para as aulas. Hoje teria um jogo de quadribol, o primeiro que Rony participaria e eu claro estaria lá dando uma força pra ele. Por isso tratei logo de acordar Hermione.
Vesti uma calça preta, uma blusa vermelha e meu moletom cinza por cima. Quanto terminei de me arrumar vi que Hermione também já estava pronta por isso saímos juntas do quarto.

-Estou com sono - reclamei no meio do caminho.
-novidade - Hermione resmungou.
Seguimos até o salão principal conversando sobre assuntos diversos e quando chegamos na mesa Harry já estava lá com seu uniforme, pronto para o jogo.
-Bom dia - desejei assim que sentei no banco de frente para ele e Hermione.
-Bom dia - ele respondeu enquanto tomava um gole de sua bebida.
-Cadê o Rony? - Hermione perguntou.
-Se preparando - Harry disse.
Me servi de alguns bolinhos e um pouco de suco enquanto Hermione logo pegou o jornal para ler.
Rony entrou no salão com um semblante nervoso e foi zoado por alguns alunos mas ignorou e se sentou ao meu lado.
-E ai, como é que foi? - ele perguntou.
-Como é que foi o que? - Hermione perguntou parando de ler.
-O jantar de vocês. - Rony respondeu.
-Ah, foi muito chato - ela disse - se bem que o Harry gostou da sobremesa - brincou com ele rindo e eu os encarei confusa. Harry ignorou e então Hermione voltou a falar: - o professor vai fazer uma festa de natal e nós podemos levar alguém.
-Eu acho que você vai levar o McLaggen, ele está no clube do Slug não está? - perguntou e eu e Harry rimos.
-Na verdade, eu ia convidar você - respondeu um pouco raivosa.
-mesmo? - perguntou Rony um pouco surpreso.
Senti alguns passos atrás de mim e me virei vendo Lila Brown parada atrás de mim.
-Boa sorte hoje, Rony. Eu sei que você vai ser brilhante - disse e saiu andando me deixando com vontade de rir.
-Eu vou desistir - ele disse depois de um tempo.
-O que? - perguntei inconformada.
-Depois do jogo de hoje, McLaggen pode ficar com meu lugar.
-Como quiser - Harry disse calmo e eu o olhei incrédula. - suco? - disse após empurrar um copo na direção de Rony.
-Quero - respondeu e bebeu.
-Olá, pessoal - disse Luna e eu pulei na cadeira assustada por não ter percebido ela chegando. - Você está péssimo, Rony - falou e o garoto ao meu lado fez uma careta - foi por isso que pingou aquilo no copo dele? - perguntou a Harry e nós ficamos em silêncio - É um tônico?
Harry continuou quieto, abriu a mão mostrando o frasco de felix felicis e guardou no bolso.
-Sorte liquida - Hermione disse olhando o frasco - não bebe, Rony - aconselhou.
Ronald nos encarou e virou o copo de uma vez enquanto Harry o encarava sorridente.
-Pode ser expulso por isso - Hermione disse a Harry.
-Não sei do que está falando - ele respondeu.
Rony sorriu e se levantou.
-Vamos, Harry, temos um jogo pra ganhar. - os dois se levantaram dando um aperto de mãos e saíram andando.
-Inacreditável. - Hermione resmungou e Gina e eu rimos.
-Agora ela só vai falar disso - Gina comentou.
-Com certeza, tenho até pena dos meninos - eu ri.
-Só eu que percebo a gravidade disso se alguém descobrir? - perguntou inconformada.
-Calma, Hermione, Harry não fez nada - eu respondi.
-Como não? Ele trapaceou.
Olhei para Gina rindo e falamos ao mesmo tempo:
-Não sei do que está falando. - respondemos e ela bufou nos fazendo gargalhar.

O jogo já estava acontecendo há algum tempo e ventava muito forte. Rony defendia quase todas as bolas e a torcida da Grifinória estava uma loucura.
-Vai, Rony - um garoto gritou.
Aplaudi quando meu amigo defendeu mais uma bola e virei para ver Hermione inconformada. Ele defendeu várias outras bolas e minha amiga continuava a bater palmas enquanto resmungava:
-Inacreditável. - me fazendo rir.
Todos gritavam "Weasley" ao meu lado me fazendo gritar junto e ver que Rony estava amando a atenção e carinho que recebia.
O jogo acabou com vitória para nossa casa e logo fizemos uma "festinha" de comemoração para Rony no salão comunal da grifinória.
Todos continuavam a gritar seu sobrenome e Harry, Hermione e eu acompanhávamos tudo de longe.
-Não devia ter feito aquilo - ela disse para Harry que sorria.
-Eu sei - ele respondeu. - Acho que poderia ter usado o feitiço confundus - ele falou e eu ri ao ver a reação de Hermione.
-Aquilo foi diferente - tentou se defender. - eram só testes, esse jogo foi de verdade.
Harry mexeu no bolso da camisa retirando de lá o vidro cheio de felix felicis.
-Não colocou nada? - ela perguntou e ele negou com a cabeça. - Mas o Rony achou que sim - ela disse e ele concordou rindo.
Voltamos a encarar nosso amigo quando Lila, a garota que havia ido até nossa mesa mais cedo, o puxou e o beijou na frente de todos fazendo os alunos gritarem mais ainda.
Harry riu e automaticamente me virei para Hermione vendo ela sair correndo dali. Harry e eu trocamos olhares e saímos atrás dela.
Encontramos ela em uma das áreas externas do local. Vários pássaros voavam e minha amiga chorava.
-Encantamentos, estou só praticando - respondeu com a voz alterada por conta do choro.
-Eles são muito bons - comentei e me sentei ao lado dela vendo Harry fazer o mesmo e sentar do outro lado.
-Como se sente, Harry? Quando vê a... - ela parou como se lembrasse de algo - , pode pegar um copo d'água pra mim? - perguntou repentinamente.
-Hm...Claro - respondi estranhando, me levantei porém ao invés de sair dali e buscar o que minha amiga pediu continuei ouvindo a conversa. Eu sei, isso é algo errado e feio de se fazer mas não é a primeira vez e eu tenho consciência de que esse é um defeito meu, mas a curiosidade fala mais alto.
-Como se sente quando vê a e o Fred? - perguntou e eu arregalei os olhos.
-Ah, eu...
-Eu sei - Hermione disse - Eu vejo como olha pra ela, você é meu melhor amigo. - continuou.
Ouvi risadas perto do local e resolvi sair em busca da água. Andei um pouco desnorteada até o bebedouro e enchi um copo de água para Hermione. Então Fred estava certo? Harry realmente gostava de mim? Não é possível.
Voltei com o copo d'água na hora em que Rony corria dos pássaros de Hermione e ela voltava a se sentar ao lado de Harry chorando no ombro dele.
-É assim que eu me sinto - Harry respondeu enquanto ela chorava e eu quase deixei o copo cair no chão por imaginar Harry do mesmo modo que Hermione por uma simples brincadeira de Fred.
-Mione - disse em seguida fazendo ambos se assustarem - sua água. - entreguei o copo pra ela.
-Obrigada, - sorriu agradecida e tomou um gole de água.
-Por que eu vi Rony saindo correndo assustado? - perguntei tentando melhorar o clima e acho que Harry percebeu já que entrou na minha.
-Porque Hermione sabe feitiços demais e resolveu usar alguns contra ele - Harry respondeu brincando e eu ri fraco.
-Viu, a gente achando que ela só queria ser inteligente mas na verdade ela tinha outros planos - brinquei e minha amiga riu fraco.
-Eu amo vocês - respondeu passando o braço por cima de meu ombro e do de Harry nos abraçando.
-Também te amamos - respondemos juntos.

Capítulo 7

Acordei com um bom humor inexplicável no dia seguinte porém ele passou assim que me lembrei da situação de minha melhor amiga. Caminhei até o colchão de Hermione mas ela já não estava lá.

-Bom dia, flor do dia - Mione disse aparecendo sorridente na porta do quarto.
-Bom dia - respondi estranhando seu bom humor - Como está?
-Bem - respondeu - Ah, você quis dizer sobre ontem, não é? - perguntou e eu assenti - estou deixando de lado, prefiro não pensar nisso, é melhor.
-Fico feliz, odeio te ver mal - a abracei.
-Eu sei, , por isso você é minha melhor amiga de todas.
-Eu sou sua única amiga - brinquei.
-E você acabou de ser trocada pela Gina - ela disse me empurrando e eu gargalhei. -Vá se trocar antes que percamos a aula.
-Estou indo, mamãe. - a provoquei e senti uma almofada sendo tacada no meu rosto. - agressiva.
-Você ainda não viu nada - ela respondeu e eu ri.

Harry, Hermione e eu estávamos na biblioteca de Hogwarts com a intenção de estudar, mas acabou que Harry e eu servimos de ouvintes para o desabafo de Mione.
-O Rony é livre para beijar quem ele quiser - resmungou - eu não tô nem aí pra isso.
- Imagina se tivesse - comentei baixinho e Harry olhou pra mim rindo.
-Se eu achei que íamos juntos pra festa de natal do professor Horácio? Achei. - ela falava enquanto guardava os livros nas estantes e eu e Harry a seguíamos. - Depois de tudo isso é claro que eu tive que arrumar outro par.
-É mesmo? - Harry perguntou.
-É - ela respondeu - por quê?
-Bem, eu pensei que já que nenhum de nós vai com quem gostaria poderíamos ir juntos como amigos - Harry disse parando em sua frente.
-Por que eu não pensei nisso? - Hermione resmungou.
-Com quem você vai? - ele perguntou.
-Ah, é uma surpresa - ela disse a contragosto. - Agora temos que nos preocupar com você. Não pode levar qualquer pessoa.
-hm. - pigarreei chamando a atenção deles - Eu também não tenho par, Harry, poderíamos ir juntos, se você não se importar, não é? - falei sem graça.
-Não tem par? - os dois perguntaram juntos e surpresos.
-Não, porque parecem surpresos? - perguntei confusa.
-Achei que levaria o Fred - Hermione disse.
-Ah, não. Até você? - resmunguei colocando a mão no rosto. Se mais alguém achasse que o Fred e eu estávamos namorando, os ruivos ficariam mais raros porque eu iria matar dois deles.
-Até eu o quê? - perguntou confusa - só achei que você levaria seu namorado.
-Ok, vou repetir pela milésima e última vez: Fred e eu não estamos namorando! - disse um pouco impaciente - entenderam? Botaram na linda cabecinha de vocês?
-Mas aquele dia no...
-Mas nada, Hermione, estávamos apenas conversando e brincando, não estamos juntos. - respondi.
-Bom, então problema resolvido. Você e Harry vão juntos a festa - ela disse animada.
-Tem problema por você, Harry? - perguntei.
-Claro que não - respondeu rápido - digo, somos amigos também, qual seria o problema? Eu não vejo problema, só se você vê - ele começou a tagarelar e Hermione riu.
-Certo - o cortei - vamos juntos a festa. - disse e sorri vendo o imitar meu gesto só que de uma forma mais tímida.
-Estão vendo aquela garota ali- Hermione disse apontando com a cabeça para o outro lado da sala. - É a Romilda Vane, acho que ela está tentando fazer uma poção do amor pra você - olhei pra morena no fim da sala e ela sorria pra Harry.
-Sério? - perguntou surpreso enquanto olhava pra menina.
-Ou! - Hermione estalou os dedos na frente dele chamando sua atenção. - Ela só tá interessada porque acha que você é o eleito.
-Mas eu sou o eleito - ele respondeu risonho e Hermione bateu nele - tá bom, entendi.

Coloquei um vestido vermelho, arrumei meu cabelo e coloquei um salto preto. Saí e Harry já me encontrava lá em baixo. Como ele estava de costas aproveitei para lhe dar um susto. Corri até ele e gritei em seu ouvido fazendo-o virar assustado. Gargalhei enquanto ele me encarava em choque.
-Harry - o chamei porém ele continuou me olhando - Harry - balancei a mão na frente dele - Potter! - o empurrei e ele voltou ao normal.
-Desculpe, você está linda - ele respondeu envergonhado.
-Obrigada - agradeci - você também está ótimo.
-Potter - Jorge o chamou - limpa a baba, está escorrendo - brincou e ele e Fred gargalharam enquanto Harry corava.
-Idiotas - respondi pra eles que mostraram a língua. - vamos? - perguntei.
-vamos - ele respondeu e saímos juntos em direção a festa.

Horácio e Harry estavam tirando uma foto a pedido do professor que logo depois se distanciou.
-Bebida? - Neville perguntou.
-Neville! – Harry e eu o cumprimentamos.
-Eu não entrei para o clube do Slughorn. Tudo bem, né, ele colocou o Belby para entregar toalhas pra ele.
-Não queremos nada não, amigo, obrigado - Harry respondeu.
-Tudo bem - ele disse e saiu andando.
Eu olhei ao redor e vi Hermione se escondendo.
-Harry - o chamei.
-Sim?
-Acho que vi Mione ali - apontei para o local. Ele me olhou estranhando e seguimos até lá.
-Hermione!
-O que você tá fazendo? - perguntei.
-O que aconteceu com você? - Harry perguntou.
-Eu só fugi - respondeu arrumando o cabelo - Quer dizer, eu deixei o Córmaco debaixo do visco.
-Córmaco? - Harry perguntou.
- Foi ele quem você convidou? - perguntei.
-Foi pra deixar o Rony com raiva - respondeu.
Um garçom apareceu com uma bandeja porém negamos.
-Melhor assim, porque deixam um bafo horrível - ele comentou.
-Pensando bem - Hermione disse e puxou a bandeja da mão do cara e começou a comer. - Isso aqui deve manter o Córmaco longe. - comeu mais um - Ai, ele tá vindo - ela disse e saiu dali no mesmo momento que ele entrou.
-Eu acho que ela foi retocar a maquiagem - Harry inventou uma desculpa.
-A sua amiga é muito escorregadia - Córmaco comentou. - Ela não para de falar, não é? - disse e comeu alguns daqueles petiscos que Hermione estava se empanturrando segundos atrás. - que isso que eu tô comendo? - perguntou.
-Bolas de dragão - respondi.
Snape abriu as cortinas aparecendo do nada e nos assustando quando Córmaco vomitou nos sapatos dele. Harry escondeu o rosto na cortina e eu escondi o meu nas suas costas rindo. - Você acabou de receber um mês de detenção - Snape avisou e Harry e eu tentamos sair dali. - Podem esperar aí, Potter e Leigan. - paramos aonde estávamos e nos viramos.
-Senhor, nós precisamos voltar para a festa... - eu dizia quando ele me cortou.
-Eu só desejo entregar uma mensagem - disse.
-Mensagem? - Harry perguntou.
-Do professor Dumbledore, ele me pediu para que eu lhes transmitisse seus votos de boas festas, como sabem ele está viajando e não retornará antes das aulas recomeçarem.
-Viajando pra onde? - Harry perguntou porém Snape só nos encarou e saiu andando sem responder.
Olhei para Harry confusa porém minha atenção logo foi parar em Draco que vinha sendo carregado por Filch.
-Olhe só professor, acabei de descobrir esse menino escondido no corredor lá em cima, ele afirma ter sido convidado para sua festa - ele disse.
-Tá bom, tá bom, eu estava de penetra - Draco respondeu. - satisfeito?
-Que lindo, Draco! Entrando de penetra na festa só porque não conseguiu ser um bom aluno o suficiente para ser convidado a participar da mesma? - tirei um sarro de sua cara e vi Harry rindo.
-Eu acompanho você até a saída - Snape disse o puxando pelo braço - e você, senhorita Leigan, não vejo o porquê de se achar superior ao senhor Malfoy quando na verdade não está indo muito bem em minha matéria. - aquilo era mentira, eu estava indo bem na maioria das matérias e a de Snape era uma delas, mas preferi não responder e logo os dois saíram do local.
-Muito bem, pessoal, diversão, diversão! - Horácio disse e todos voltaram ao seus lugares.
Olhei pra Harry que estava curioso assim como eu.
-Eu acho que devíamos... - eu dizia porém ele logo entendeu.
-Eu concordo, vamos! - disse me puxando pra fora dali.

-Posso ter enfeitiçado aquela tal de Bell, ou não - Draco disse bravo. - o que você tem com isso?
-Eu jurei proteger você, eu fiz o voto perpétuo. - Snape respondeu.
-Não preciso de proteção, eu fui o escolhido, entre todos, fui eu e não vou decepciona-lo.
-Você está com medo, Draco! Está tentando esconder mas é óbvio, deixe-me ajudar você - Snape disse calmamente.
-Não! - ele gritou - eu fui o escolhido, este é o meu momento! - e então passos foram ouvidos e eles saíram dali.
-Esse voto perpétuo... - comecei a falar.
-Torna os dois comensais, eu sabia! - Harry disse.
-Acho melhor voltarmos pra festa - respondi.
-Sim, só vamos deixar essa conversa entre nós, ok? - Harry pediu e eu assenti.

Acordei um pouco desanimada por saber que no dia seguinte todos viajariam para casa para passar o natal com a família e eu não queria fazer isso.
-O que tanto está pensando? - Rony perguntou. Somente ele e eu estávamos no corujal.
-No Natal - respondi desanimada.
- o que foi? Não gosta dessa data?
-não é isso, eu adoro, mas não quero passar com Robert e Susan, sei que eles não merecem eu estar ignorando os dois por todo esse tempo mas ainda não me acostumei cem por cento a essa ideia e não estou afim de passar ao lado deles.
-você pode passar lá em casa, se você quiser é claro!
-sério? - perguntei animada em pensar que talvez não teria que passar sozinha na escola.
-Claro, Harry sempre vai comigo e depois de uns dias Hermione vai pra lá também.
-Sua mãe não vai ficar incomodada? Ela nem me conhece.
-Que nada, minha mãe adora que eu leve meus amigos pra casa, e tenho certeza que vai adorar ter você por lá.
-Bom, se é assim eu aceito, se não for incomodar, óbvio.
-Se eu te chamei é claro que não é incômodo - Rony respondeu e eu o abracei.
-Obrigada, Ron - disse enquanto estávamos abraçados.
-Que isso, , somos amigos e é pra isso que os amigos servem - ele disse me dando um beijo na testa. - vou avisar minha mãe que você vai com a gente - ele disse pegando um pergaminho e começando a escrever.
Fiz o mesmo que ele e comecei a carta para "meus pais".

" Olá, Susan. Olá, Robert! Sinto muito não começar essa carta com "olá, pais" ou algo do tipo, mas espero que entendam minha dificuldade de chama-los assim agora. Peço desculpas também por não ter me comunicado e por ter ignorado todas suas cartas. Minha reação sobre essa notícia em relação a vocês não se concretizou ainda. Sinto um pouco de raiva, mesmo sabendo que me sentir assim é errado. Sinto gratidão por terem me acolhido todo esse tempo, mas não sinto conforto em passar alguns dias com vocês. Não sei ao certo o porquê de me sentir assim então novamente peço que me desculpem. Sei que não é justo com nenhum de vocês, mas quero que entendam que não está sendo fácil pra mim. Finjo estar bem e ter levado tudo numa boa, mas é mentira. Queria ter conhecido meus pais verdadeiros, queria que tivessem me contado isso antes, queria não ter sido enganada. Mas as coisas aconteceram de outro modo oposto ao meu desejo e eu não posso mudar isso, tenho que aceitar e continuar assim. Tive sonhos com meus pais verdadeiros, e eles tem me feito muito bem, tenho me comunicado com ele. Pra vocês pode parecer estranho e impossivel mas meu mundo é diferente e aqui isso é possível, é nossa forma de comunicação, um privilégio se for comparado ao mundo dos trouxas. Desculpe usar essa palavra, sei que não gostam, mas é força do hábito. Fiz ótimos amigos aqui, pessoas muito especiais que vem me ajudando me apoiando. Uma dessas pessoas é o meu amigo Rony, ele me chamou para passar o natal com sua família, que agrega mais três amigos meus, e me disse que dois dos meus outros amigos também vão para lá. Como disse anteriormente não me sinto confortável em passar alguns dias com vocês, então aceitei o convite. Sei que ficarão chateados e por isso peço desculpas de novo mas quero que entendam meu lado também. Estou bem, a escola é ótima e todos tem me tratado da melhor forma possível (Ok, nem todos, mas esses outros não importam), peço pra que não se preocupem mesmo sabendo que irão. Estou em boas mãos! Me desculpem se eu demorar a me comunicar novamente mas peçam notícias minhas a Ariana, converso com ela semanalmente. Enfim, espero que entendam meu lado, sinto saudades de vocês mas não estou pronta ainda. Tenham um feliz natal! Xx"

-Olha aqui, Edwin, quero que entregue isso aqui para Susan e Robert, ok? Depois vá até o chalé dos Weasley, passarei o natal com eles e então poderei cuidar de você por lá, está bem? - acariciei suas penas e vi minha coruja voando em direção a minha antiga casa.
Olhei ao redor e vi que Rony já havia saído, devo ter demorado muito escrevendo a carta. Então segui caminho até meu dormitório para poder arrumar as coisas.
-soube que vai passar o natal conosco - Jorge disse assim que se jogou ao meu lado no sofá do salão comunal.
-sim, Rony me convidou.
- mas quem disse que nós queremos você por lá? - Fred perguntou bravo - gosto de passar o natal só com minha família.
-Ah, se preferirem posso recusar, não tem problema algum. - falei rapidamente.
-estamos brincando, pirralha! - Jorge bagunçou meus cabelos.
-sério que mesmo depois de meses você ainda acredita no que a gente fala? - Fred perguntou e eu revirei os olhos.
-cadê os meus 10 galeões? - perguntei. Tá eu sabia que ele estava certo e que tinha ganhado a aposta mas não admitiria ainda mais agora que viajaremos juntos, se ele souber que eu sei a verdade não vai largar do meu pé.
-os 10 galeões mais injustos que eu já dei - ele resmungou me entregando o dinheiro e eu ri.
-mamãe irá te adorar - Jorge comentou.
- como assim? - Hermione perguntou chegando ao local com Rony e Harry.
- passará o natal lá em casa - Fred respondeu.
-Sério? - Harry perguntou e eu assenti. - bom falando desse assunto preciso terminar de arrumar minhas coisas. - falou e subiu.
-eu também - Rony e Hermione falaram ao mesmo tempo e seguiram caminhos opostos.
-"Ah, sério, ?" - Fred imitou Harry de um jeito afeminado.
-os olhos dele até brilharam - Jorge entrou na brincadeira.
-calem a boca - resmunguei e me levantei seguindo até o dormitório.
-"meu pedido de natal se realizou" - Fred imitou de novo eu e eu ri jogando a almofada nos dois que gargalharam.

-Avisou seus pais que irá passar o natal fora de casa? -? Hermione perguntou.
-sim, mandei uma carta para eles - disse me deitando - já arrumou suas coisas?
-Sim, acabei agora.
-Mione, depois dos últimos acontecimentos você ainda vai para a casa do Rony?
-Eu não sei - respondeu sentado na cama.
-Por que você não diz como se sente pra ele? - perguntei encarando teto.
-Ficou louca?
-me dê três motivos para eu estar?
-1° ele tem namorada. 2° ele não gosta de mim. 3° ele é um idiota.
-Ele e a Lila não estão namorando, você só viu eles se beijando um vez - falei e ouvi ela resmungar um "tanto faz" - você não sabe se ele gosta de você.
-isso não importa mais, vou dormir. Boa noite - falou e se deitou.
-boa noite - respondi e fechei os olhos caindo no sono rapidamente.

"Uma moça de cabelos longos e castanhos andava alegremente com um bebê no colo. Ela tinha lindos olhos verdes e um sorriso encantador, era simplesmente linda. A bebê em seu colo vestia um macacão azul e tinha uma pequena tiara em seu cabelo. Era a perfeita cópia da mãe : cabelos lisos e castanhos e grandes olhos verdes. Impossível negar que eram mãe e filha.
A mais velha se sentou no jardim do parque e colocou a bebê em seu colo.
-Eu queria poder te acompanhar pelo resto da vida - disse a mãe acariciando o cabelo de sua filha que tinha o dedo na boca. -Quer dizer, eu sempre vou te acompanhar, mas queria fazer isso fisicamente. - uma lágrima escorreu dos olhos da mais velha porém a mesma logo a limpou passando as costas da mão no rosto.
Observou sua filha pegando na corrente do colar que circulava seu pescoço ainda pequeno. O pingente do colar havia sido dado pelo pai da menina, possuía uma varinha dourada com detalhes delicados. Um colar simples mas com um significado enorme.
-Seu pai e eu te amamos muito - a mais velha continuou seu monólogo - e sabemos que você terá um futuro brilhante. Você é muito especial, , muito mais do que imagina. Eu sei que, quando o momento certo chegar, você me deixará orgulhosa. - a bebê soltou um pequeno riso e sua mãe abriu um grande sorriso e então a abraçou. -Eu te amo, sempre se lembre disso."

Acordei ofegante e logo me sentei na cama observando todas no meu quarto ainda dormirem. Olhei no relógio que ficava ao lado da minha cama e vi que eram 4 da manhã. Voltei a respirar normalmente e me levantei indo até minha bolsa. Abri o bolso externo e coloquei a mão lá procurando uma coisa específica. Tirei de lá a pequena caixinha de veludo azul marinho e abri vendo minha corrente dourada.
Sorri criando um carinho pelo objeto que até então eu mantinha guardado e logo coloquei em meu pescoço. Guardei a caixinha de volta ao lugar onde estava e caminhei em direção a minha cama.
-? - ouvi a voz de Hermione me chamar - o que faz acordada a essa hora?
-Nada não, pode voltar a dormir. - disse calmamente sentando em minha cama.
-teve outro pesadelo? - perguntou preocupada.
-longe disso, tive um dos melhores sonhos da minha vida - falei sorridente e ela retribuiu.
-boa noite, então - respondeu fechando os olhos.
-boa noite, Mione - respondi e me deitei.
Passei minha mão pelo pescoço descendo a até o meio do meus seios onde um pingente caia. Segurei a pequena varinha em minhas mãos e adormeci novamente.
-Ah, qual é, ? Vamos ficar sem café da manhã - ouvi alguém resmungar enquanto meu corpo era balançado freneticamente.
-O que? - perguntei abrindo um olho e dando de cara com Hermione quase em cima de mim.
-Acorda, menina - ela resmungou.
-Pra que tanta pressa? - perguntei abrindo agora os dois olhos.
-Eu estou te chamando há mais de 10 minutos, achei que estava morta - ela falou rindo e eu revirei os olhos.
-Que exagero! - falei levantando da cama.
-Exagero nada, nunca vi alguém com um sono tão pesado quanto o seu - retrucou.
-Tá, já acordei, vou tomar um banho rápido. - falei e segui em direção ao banheiro.

-Vamos logo, Hermione - resmunguei pela vigésima vez enquanto minha amiga demorava um século para levar suas malas até o trem.
-Olha quem tá com pressa agora - respondeu irônica e eu revirei os olhos. -Se você me der uma ajudinha quem sabe eu vou mais rápido.
-Afinal, porque sua mala está tão pesada? - perguntei carregando o outro lado da alça da mala a ajudando a carregar.
-Estou levando alguns livros.
-Livros? - perguntei inconformada - estamos saindo para passar o feriado e você está levando livros? Qual o seu problema?
-Gosto de me manter ocupada - respondeu.
-Inacreditável - suspirei.

Entramos no trem e fomos procurar pela cabine onde os meninos estariam porém assim que encontramos Hermione parou encarando a porta onde havia um coração com as iniciais de Rony e Lila. Hermione lançou um olhar furioso ao ruivo e saiu andando. Parei na porta lançando um sorriso de lado para os dois e saí seguindo minha amiga que havia encontrado outra cabine.
Seguimos a viagem inteira conversando sobre todos os assuntos possíveis e eu acabei por nem perceber o tempo passar.

Me despedi de Hermione e saí junto com Rony, Harry, Gina, Fred e Jorge.
-Pirralha, não te vi o dia todo - Fred disse passando o braço por cima dos meus ombros.
-Pois é, passei o dia com Mione - respondi passando meu braço por sua cintura.
-Como ela está? - perguntou e eu arqueei uma sobrancelha estranhando a pergunta. - a vi hoje no trem passando correndo e sua cara não estava nada boa.
-Ah, ela está melhor - respondi sorrindo fraco.
Olhei em frente e vi que Harry nos encarava com uma feição nervosa. Sorri fraco para ele que pareceu sair de um transe e retribuiu o gesto virando o rosto em seguida.
-Devolve - Fred disse.
-Devolve o que, garoto?
-os 10 galeões que eu te dei. - olhei pra ele confusa - nem vem, eu sei que você já sabe, ganhei a aposta.
-Não sei do que está falando - me fingi de desentendida. Se eu admitisse para Fred de que sei que Harry gosta de mim, minha vida viraria um inferno.
-Tudo bem, pode ficar com o dinheiro pra você, mas sabemos a verdade - ele piscou e saiu andando.

-Mamãe, chegamos - Gina disse assim que entramos na cabana dos Weasley.
-Queridos - ela veio correndo nos abraçar. Cumprimentou um por um de seus filhos. - Harry, quanto tempo! Está mais alto.
-Olá, senhora Weasley - ele respondeu depois de abraçar a ruiva.
-E você deve ser a . - falou parando em minha frente.
-É um prazer conhecê-la, senhora Weasley - respondi sorridente enquanto ganhava um abraço da mesma.
-Até parece educada - ouvi Jorge resmungar e mostrei a língua pra ele que fingiu não ter dito nada.
-Venham, vamos servir o jantar - ela nos chamou e seguimos até a sala onde encontramos o senhor Weasley, Remo Lupin, um ex professor de Hogwarts e Tonks.

Fui até a cozinha com Gina para ajudarmos a sua mãe, mas acabamos só conversando.
Vi Gina pegar um prato com petiscos e levar até Harry sentando ao seu lado. De repente a conversa com a senhora Weasley ficou chata e minha atenção foi parar nos dois. Não conseguia ouvir o que eles falavam mas vi o momento em que ela colocou um dos petiscos na boca de Harry. Senti meu rosto queimar e meu estômago dar voltas. Mas o que era isso?
Estava prestes a ir até a sala quando Rony chegou e se sentou no meio dos dois. Suspirei aliviada.
-Vou mandar minha irmã tomar cuidado, quase que ela morre fuzilada por um simples olhar seu. - Jorge disse e eu pulei de susto.
-Não sei do que está falando - retruquei e ele gargalhou.
-Você pode enganar a si mesma, , mas não a mim - ele piscou e saiu andando.
Peguei meu prato do qual havia acabado de colocar um pouco de comida e me sentei no sofá já que a mesa estava ocupada e eu estava querendo ficar um pouco sozinha. Segundos depois senti o local afundar e vi que Harry sentava ao meu lado. Olhei para ele que sorriu pra mim e então retribui o gesto.

-Por que não está sentada com os outros? – perguntou.
-Não tinha lugar – respondi.
-Isso não é problema, a senhora Weasley daria um jeito. Quero o motivo real – falou e eu ri.
-Como em tão pouco tempo você pode me conhecer tão bem? – perguntei incrédula.
-Sou um bom observador– respondeu.– Anda, estou esperando.
-Sei lá, é meio estranho não passar o Natal com Susan e Robert – respondi dando de ombros.
-Então por que não foi para casa?
-Não me sentiria confortável – respondi comendo em seguida.
-O que vocês faziam no Natal? – ele perguntou e eu o encarei estranhando a pergunta – Que é? Fiquei curioso – falou e eu ri. – Viu, fiz você sorrir – ele disse e eu corei enquanto ele gargalhava.
-Idiota – lhe dei um soco no braço e ele continuou rindo. – Não fazíamos nada demais, visitávamos minha avó na Califórnia, jantávamos, trocávamos presentes e ficávamos jogando.
-Não posso resolver a parte da sua avó e da Califórnia, mas estamos jantando, podemos jogar depois e eu tenho um presente pra você – falou e eu o encarei surpresa.
-É sério? – perguntei e ele assentiu.
-Só um segundo – respondeu levantando e enfiando a mão no bolso tirando de lá um saquinho vermelho – está mal embalado – ele falou envergonhado e eu ri.
-Não tem problema – respondi e ele me entregou o saquinho se sentando ao meu lado.
-Abre – ele pediu e eu fiz. Coloquei meu prato em cima da mesa de centro e abri o saquinho tirando de lá uma pulseira dourada com um vários pingentes. Um trevo de quatro folhas, uma lua, um coração, uma nota musical, uma varinha e uma pedra verde.
-Harry, é linda – falei sorrindo enquanto via o acessório a minha frente.
-Que bom que gostou – falou contente – escolhi o trevo porque você me disse que acreditava que trazia sorte, a lua porquê você me contou uma vez que amava observa-la, uma nota musical porque sei que você adora música, uma varinha porque, bem, você é uma bruxa – falou e eu ri – e uma pedra verde porque é sua cor favorita.
-Agora eu me sinto mal por não ter te comprado nada – falei me sentindo culpada.
-Que isso, não me importo com essas coisas – falou e eu sorri.
-Prometo que te comprarei algo quando voltarmos.
-Já disse que não me importo.
-Não to nem aí, você vai ganhar um presente e ponto final – falei e ele riu.

Ficamos em silêncio até que me lembrei de algo.
-Sonhei com minha mãe – comentei e ele me olhou surpreso – foi um ótimo sonho, me fez bem – falei sorridente me lembrando.
-Fico feliz por isso. A propósito, belo colar – ele falou apontando para o meu pescoço – não tinha te visto com ele antes.
-Foi por causa do sonho. Nele, eu estava com esse colar e acabei descobrindo que foi meu pai quem me dera quando eu era bebê, lembrei que tinha o guardado em algum lugar e assim que o encontrei na minha mala o coloquei. – falei e vi ele sorrindo.
-É um colar muito bonito – falou. – Combina com você.
-Obrigada – sorri.
Sem que eu percebesse nossos rostos estavam se aproximando.
-Não me disse o significado do coração – falei quando seu rosto estava a poucos centímetros do meu.
-O que? – perguntou desnorteado.
-O pingente de coração, não me disse o significado dele – falei.
-Ah, acho que vai ter que descobrir sozinha – ele falou rindo fraco e quando nossos rostos se aproximaram mais ouvi passos.
-Ai, me desculpa! – Gina falava quando entrou na sala e nos viu. Rapidamente nos separamos e olhamos pra frente. – Não queria atrapalhar.
-Não atrapalhou nada – falei corada.
-É, não atrapalhou nada... – ouvi Harry repetir e quando vi Gina ela sorria constrangida.

Assim que acabamos de comer, eu subi com Gina para o seu quarto já que eu dormiria lá com ela.
Troquei minha calça jeans por uma de moletom preta e minha blusa de manga comprida cinza por um casaco moletom azul marinho. Soltei meu cabelo que até então estava preso em um coque e me sentei na cama com ela.
Gina mexia em alguns papéis e parecia concentrada.
-o que tanto você mexe aí? - perguntei rindo fraco.
-são algumas anotações que fiz de matérias - ela respondeu e eu a olhei como se dissesse "sério mesmo?" - não faça essa cara pra mim, eu estudo, ok? Não sou uma Hermione da vida, mas sou boa - falou e eu gargalhei.
-não disse nada - levantei as mãos em rendição.
-mas pensou - falou apontando um dedo e rindo.
-aí você nunca saberá - respondi e ela gargalhou.
-falou com seus pais? - perguntou.
-somente uma vez desde que entrei na escola - falei e depois bati a mão na testa fechando os olhos e percebendo a merda que eu tinha feito.
-nossa, por quê? - perguntou estranhando.
-nós brigamos - respondi inventando qualquer coisa.
-sério? - perguntou com um pouco de pena.
-sim, mas estamos nos resolvendo - respondi encarando o teto.
O quarto voltou a ficar em silêncio, Gina levantou para guardar os papéis e eu a observei.
-posso te fazer uma pergunta? - falei vendo-a andar até o móvel do quarto onde havia uma garrafa d'agua.
-acabou de fazer - respondeu e eu revirei os olhos.
-outra pergunta - arrumei a frase.
-claro - respondeu abrindo a garrafa e tomando água.
-você gosta do Harry? - perguntei e a vi cuspindo a água o que me assustou e logo sentei na cama. - está tudo bem? - perguntei vendo a se engasgar e passar a mão na boca para limpar a água que escorria.
-sim - respondeu depois de um tempo - que tipo de pergunta é essa, ?
-só uma pergunta ué, nada demais - dei de ombros e a vi ficar desconfortável.
-Harry e eu somos bons amigos - respondeu.
-isso não responde minha pergunta - comentei.
Ela ia voltar a falar quando vimos uma enorme bola de fogo passar perto da janela. Arregalei os olhos e assim que Gina me viu nós trocamos um olhar, pegamos nossas varinhas e saímos correndo lá pra baixo.
Passamos pela janela da escada e encontramos Harry, olhamos para o lado vendo Bellatrix Lestrange sorrindo. Harry desceu correndo passando pela porta e eu fui atrás dele ouvindo os demais nos chamando.
Assim que passamos pelo enorme arco de fogo que circulava a casa, ele se fechou impedindo Lupin de nos seguir.

-Eu matei Sirius Black. Eu matei Sirius Black - ouvi a mesma cantarolar e o sangue subiu na minha cabeça. Fui abrindo espaço por entre a folhagem e corri cada vez mais. - Venham me pegar, venham - ela gritou e eu fiquei mais irritada. – Venham me pegar, Harry e – ela gritava enquanto ria.
Eu corria ofegante atrás de Harry até que parei e olhei em volta não encontrando ninguém.
-Harry? – perguntei e ninguém respondeu.
Olhei em volta percebendo um movimento por entre a folhagem alta. Um homem alto e forte saiu do meio delas e eu soltei um grito assustada. Ele me olhava sorridente enquanto caminhava em minha direção e eu dava passos para trás. Ouvi passos na água e logo o braço de Harry me empurrava para trás.
-Estupefaça – Harry gritou apontando para o cara, porém o mesmo se defendeu. Ele sumiu como uma enorme mancha preta e eu aproveitei para pegar minha varinha que havia caído. Olhei em volta com a varinha pronta na mão caso precisasse me defender.
Harry e eu ouvimos um barulho no meio das folhas e viramos rapidamente. Passos e mais passos, barulhos de varinha. Paramos voltando a respirar novamente quando ouvimos a voz do pai de Rony nos chamando enquanto corria em nossa direção.
Vi Bellatrix por trás das folhas, logo quando ela começou a nos lançar feitiços fiquei de costas pra Harry e nós usávamos as nossas varinhas para nos defender.
Vários feitiços foram lançados em nossa direção enquanto nos protegíamos e revidávamos. Lupin e Tonks se aproximaram de nós e ficaram ao nossos lado enquanto nos ajudavam.
Vimos duas fumaças pretas aparecerem no céu rapidamente o que significava que eles haviam saído.
Ouvimos um barulho e Senhor Wealey que havia chegado a pouco tempo murmurou:
-Moly! – e saiu correndo nos fazendo segui-lo.
Quando chegamos ao local novamente vimos a casa toda destruída.
Encarei aquilo chocada e percebi que todos a minha volta estavam iguais. Um aperto tomou conta do meu coração ao ver uma das cenas mais tristes que já presenciei.


Capítulo 8

Logo após o desastre na casa dos Weasley, nós voltamos a Hogwarts e passamos o resto do feriado por lá até as aulas voltarem. Foi mais divertido do que eu imaginara, ainda estávamos abalados por causa daquele acontecimento, mas acabamos tendo um ótimo tempo juntos. Susan e Robert responderam minha carta dizendo que entendiam o meu lado, que sentiam minha falta e que estarão sempre comigo. Não os respondi, imaturo e meio ridículo meu gesto mas não me culpe por não saber agir em situações como essas.
Como eu disse, as aulas já haviam voltado. Harry, Hermione e Rony estavam em algum lugar do castelo, mas eu estava ocupada demais pensando nos meus últimos sonhos para me preocupar em estar com eles.
Acontece que de alguns dias pra cá eu tenho sonhado com guerras, tristeza e mortes de pessoas próximas a mim, resumindo, tenho tido vários pesadelos. Mas o que vem ocupando minha cabeça é que meus sonhos, ou pesadelos, tanto faz, sempre acabam com uma voz desconhecida falando "você poderia ter evitado tudo isso" seguido de choros desesperados ou risadas maléficas. Sem tirar a parte de que, em um momento de dois sonhos meus, uma voz doce falava "você é a solução, você é a salvação de muitos deles". Se tivesse sido apenas uma vez eu teria deixado passar, mas agora 8 noites seguidas não pode ser um simples sonho.
Pedaços da minha conversa com Dumbledore na qual ele dizia que sonhos possuem, muitas vezes, mensagens para nós martelavam minha cabeça e foi por esse motivo que decidi ir até sua sala
Assim que cheguei lá, ele e Harry estavam conversando.
-Atrapalho? - perguntei - Eu posso voltar outra hora.
-Não, eu já estava de saída - Harry disse indo até a porta onde eu estava - preciso te contar algo, nos falamos depois - ele disse baixo para mim e eu assenti.
-, querida, como vai? - Dumbledore perguntou.
-Muito bem, e o senhor?
-Estou ótimo - falou sorridente - venha, sente-se - ele indicou a cadeira a sua frente.
-Obrigada - agradeci assim que sentei.
-Diga-me, o que te traz aqui? - perguntou coçando o queixo.
-Eu ando tendo sonhos estranhos há algumas noites. - falei.
-Que tipo de sonhos? - perguntou.
-Bom, são sempre cenas de guerras, com muita tristeza e mortes. - falei e o vi ficando desconfortável.
-Certo, e o que mais?
-Eles sempre acabam com alguém me dizendo que eu podia ter evitado boa parte daquela tragédia, ou no meio deles uma voz feminina me fala que eu sou a solução e a salvação de muitas vidas.
-Há quanto tempo vem tendo esses sonhos? - perguntou prestando total atenção em mim.
-Há uns oito dias - respondi.
-Bom, eu achei que poderia evitar esse assunto por mais um tempo ou que eu estivesse até mesmo errado - falou se levantando.
-Desculpe, mas não entendi - falei vendo-o caminhar.
-Você quis saber o motivo pelo qual veio para cá, não é? - perguntou e eu assenti - existe uma teoria... Eu poderia dizer profecia, mas não tem nada que prove que essa teoria é real. Enfim, existe uma teoria/boato, que se um dos marotos tivesse uma filha e as coisas caminhassem como estavam sendo previstas essa garota seria um tipo de salvação. Ninguém nunca deu muita atenção para tudo isso, porém sempre existiu uma possibilidade de ser verdade. Só que até então, nenhum dos marotos havia tido uma filha, não uma que todos tenham conhecimento. Alguns, como eu havia te dito antes, sabiam a verdade, como eu, Hagrid, entre outros. E quando seu pai saiu para ajudar os pais de Harry e nós fomos informados sobre os comensais que estavam atrás de você e sua mãe nós voltamos a nos lembrar desse boato. Quando descobrimos que sua mãe havia sido morta, mas você não, nós não perdemos tempo e logo te tiramos daqui, te demos uma outra família e um outro lar. Você-sabe-quem tinha conhecimento sobre esse boato e foi por isso que ele foi atrás de vocês naquela noite, mas por algum motivo que desconheço até hoje eles não te fizeram nenhum mal. O ponto é: A cada dia que passa, essa teoria se concretiza. Se as coisas continuarem como estão em breve poderemos chegar a uma guerra. Sim, terrível pensar desse jeito, mas temos que estar preparados para tudo. E se essa guerra chegar, junto a ela virá muitas mortes e por saber dessa teoria, eu pedi para que seus professores prestassem mais atenção em você, que cobrassem mais de você do que dos outros. Eu acredito, sim, que você possa ser a salvação, não de tudo, mas de muitas pessoas. Não quero dizer que isso tudo dependa de você, porque todos sabemos que o alvo de você-sabe-quem é outro. Mas você é uma ótima bruxa e acredito que se esse for o seu destino, possa cumpri-lo.
Dumbledore havia me passado muita informação em pouquíssimo tempo. Ele parou de falar, mas meu cérebro funcionava mais do que nunca. Era muita coisa para absorver. Eu? Salvação de muitas pessoas? Isso, só pode ser loucura.
-Não sei se você se lembra - elevoltou a falar depois de perceber que não conseguia formular uma frase inteira sequer - mas em uma de nossas conversas, naquela em que Snape encontrou você e Harry no jardim e os trouxe para cá, eu lhe disse que a amizade poderia salvar muitas vidas. Disse aquilo para você, . - eu sabia! Eu disse que quando ele falou aquilo eu senti que era um recado para mim. - Quando criamos laços com as pessoas criamos também um enorme medo de perdê-las e isso faz com que nós nos esforcemos para protegê-las de tudo, e era isso o que eu mais queria despertar em você, a vontade de proteger os outros. Quando pedi para Harry se aproximar de você e quando pedi para os dois virarem amigos, é porque sei que ambos são muito poderosos e juntos podem fazer coisas incríveis. Confio nos dois.
-Então quer dizer que a minha vinda para cá foi toda planejada? Vocês sabiam que poderia haver uma guerra e lembraram-se de uma teoria antiga e acharam que uma simples garota de 16 anos poderia salvar outras vidas? Eu não sou tão poderosa assim como vocês acham - falei mais para mim do que para Dumbledore.
-Sim, você é, , só não tem conhecimento disso - Falou sorridente - Harry me contou que tem te ajudado com feitiços e que você é muito boa. Aprendeu em um dia feitiços que ele levou semanas para conseguir fazer. Você sabe, bem aí no fundinho da sua cabeça, que eu tenho razão. - falou e eu balancei a cabeça tentando apagar aqueles pensamentos.
-Muito obrigada pela conversa, professor Dumbledore, mas eu vou indo, está bem? - perguntei.
-Claro, quando quiser conversar é só vir aqui - piscou e eu agradeci saindo do local.
Eu andava sem prestar muita atenção no caminho que eu fazia, estava ocupada demais digerindo tudo que acabei de escutar.
- - ouvi alguém me chamar e virei dando de cara com Harry - está bem? - perguntou e eu neguei com a cabeça - o que houve? - falou chegando perto de mim e eu logo o abracei caindo no choro, eu estava assustada, com medo, confusa e essa foi a única reação que tive para mostrar o quão nervosa eu estava no momento. Percebi que ele havia se assustado, pois seu corpo tombou para trás, mas logo ele se recuperou e me abraçou também. - Vamos sair daqui e aí você me conta o que aconteceu, está bem? - perguntou e eu assenti limpando as lágrimas. Caminhamos pelo castelo até chegarmos ao jardim.
Olhei em volta percebendo que toda vez que eu e Harry precisávamos conversar vínhamos sempre para o mesmo lugar. Esse pensamento me fez rir fraco e percebi Harry me olhando confuso.
-O que foi? - perguntou.
-Já percebeu que toda vez que temos que conversar, sempre vamos para o jardim? - perguntei e ele riu também.
-Eu não tinha o hábito de vir aqui, mas tenho feito muito isso ultimamente.
-É um bom lugar para pensar na vida, colocar os pensamentos em ordem, traz um pouco de paz - comentei e ele assentiu.
-Vai me contar o por quê de estar chorando? - perguntou e então eu respirei fundo antes de lhe contar toda a história.
Contei sobre meus sonhos, minha conversa com Dumbledore e tudo que estava passando em minha cabeça.
-Agora eu entendi sua reação - falou e eu sorri torto.
-Eu não sei o que fazer, Harry. E se isso tudo for verdade? E se muitas vidas dependerem de mim para serem salvas? É muita responsabilidade. - falei escondendo a cabeça no meio dos joelhos.
Percebi ele se aproximar de mim com cautela e passar o braço em volta dos meus ombros.
-Você não está sozinha nessa e nem vai estar. Assim como Dumbledore disse: juntos somos mais poderosos. Se essa guerra realmente acontecer Hermione, Rony e eu vamos permanecer ao seu lado e juntos vamos passar por essa. - falou e eu sorri me acalmando.
-Obrigada, Harry - dei um beijo na sua bochecha e o vi ficar sem reação - você é um ótimo amigo - falei sorrindo e vi ele abaixar a cabeça.
-É isso que amigos fazem ,não é? – falou, porém senti um pouco de desdém na sua voz.
Levantei ignorando isso e deixando como se fosse só algo da minha cabeça e lhe estendi a mão. Ele levantou e voltamos a andar em direção ao salão comunal.
-O que você tinha que me contar? - perguntei.
-Ah, sim. Lembra que Dumbledore pediu para que eu me aproximasse de Slughorn? - perguntou e eu assenti. - Bom, ele fez isso porque quer que eu convença Horácio a me entregar uma de suas lembranças.
-Como assim? - perguntei confusa.
-Anos atrás, Slughorn deu aula para você-sabe-quem e em um dos seus jantares você-sabe-quem fez uma pergunta a ele.
-Que pergunta? - o cortei e ele fez careta como se dissesse "eu já ia falar" e eu ri - desculpa.
-Tudo bem, enfim, ele perguntou a ele sobre umas tais de horcruxes, não entendi ao certo o que são mas parecia ser algo muito perigoso já que Slughorn lhe deu uma resposta atravessada dizendo que esse tipo de coisa não deveria ser do interesse de um aluno.
-E o que tem de mais?
-Slughorn alterou essa memória, não foi exatamente isso que aconteceu, e Dumbledore quer que eu o convença a me dar a verdadeira memória, ele disse que isso pode nos ajudar e muito - Harry explicou assim que entramos no salão comunal.
-E você já foi falar com ele?
-Eu tentei - coçou a nuca, nervoso - mas não deu certo - falou - vou falar com ele amanhã novamente.
-Se precisar de ajuda, é só chamar - falei - vou dormir, boa noite, Harry - desejei.
-Boa noite, - falou e eu subi para meu dormitório.

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A manhã seguinte começou com uma enorme confusão. Fui acordada com Hermione preocupada me chacoalhando e falando rápido, demorei uns cinco minutos para entender que o motivo de sua preocupação era o Rony e que ele estava na enfermaria. Tomei o banho mais rápido da minha vida porque ela continuava a me apressar e me segurei para não usar um daqueles xingamentos usados pelos trouxas e mandar ela para um lugar nada amigável o qual meu pai, digo, Robert costumava falar quando chegava do trabalho nervoso com seu chefe.
Enquanto íamos até a enfermaria ela me contou o motivo de ele ter parado lá, pelo que entendi a tal menina da biblioteca, Romilda, havia feito uma poção do amor para Harry só que quem acabou tomando foi Rony, Harry o levou até o professor Slughorn pedindo ajuda e quando ele tomou tônico para os nervos acabou passando mal.
Agora eu estava parada na enfermaria ao lado de Harry, Gina estava sentada ao lado da cama assim como Hermione estava do outro lado. Minerva, Dumbledore, Horácio e Snape chegaram minutos depois.
-Raciocínio rápido o seu usando bezoar, Harry - Dumbledore disse assim que chegou - Deve estar muito orgulhoso dele, Horácio.
-Ah, sim - o professor concordou. - muito orgulhoso.
-Acho que concordamos que as atitudes de Potter foram heróicas, mas a questão é: por que elas foram necessárias? - Minerva falou.
-Sem dúvida - Dumbledore disse andando para perto de Slughorn - isto parece ter sido um presente, Horácio. Não lembra quem lhe deu essa garrafa? - perguntou e com a cabeça o outro negou - a qual se diga usa um perfume muito sútil de alcaçuz e cereja quando não misturados com veneno.
-Na verdade, eu tinha a intenção de dar a garrafa de presente. - Horácio perguntou.
-A quem? Posso saber?
-Para o senhor, diretor - respondeu.
O silêncio que havia sido estabelecido no local foi quebrado por Lilá, que chegou aos gritos perguntou por Rony.
-Ele está perguntando por mim? - ela perguntou assim que chegou. - o que ela tá fazendo aqui? - perguntou em relação à Hermione.
-Eu faço a mesma pergunta - Hermione respondeu se levantando.
-Acontece que eu sou a namorada dele - Lilá respondeu nervosa.
- ah é? E eu sou... - Hermione parou irritada - a amiga.
-Não me faça rir, já não se falam há semanas - retrucou Lilá - e você só quer fazer as pazes porque de repente ele ficou interessante.
-Escuta, ele foi envenenado, sua destrambelhada. E fique sabendo que eu sempre o achei interessante - respondeu Hermione nervosa.
Rony tossiu e todos olharam para ele.
-Ah, viu, ele sente a minha presença - ela falou se aproximando e eu olhei para Harry rindo baixo. - Não se preocupe, uon-uon, eu estou aqui - falou chegando mais perto - eu estou aqui - repetiu.
-Hermione - ele sussurrou, porém quase ninguém entendeu. - Hermione - disse um pouco mais alto.
Lilá se levantou incrédula e saiu da enfermaria chorando.
-Ah, tão jovem para sofrer as desilusões do amor - Dumbledore disse. - Bom, já podemos ir. O senhor Wesley está bem assistido. - ele disse e saiu da sala junto aos outros professores.
-Já estava na hora, você não acha? - Gina disse para Harry e saiu da sala.
Olhei para Hermione que segurava a mão de Rony e sorri.
-Não fala nada - ela resmungou e eu ri.

Saí da sala junto com Harry os deixando para trás.
Vi Fred sentado em um banquinho entretido com algo em suas mãos.
-O que é isso? - perguntei e ele se assuntou um pouco. -Uma invenção minha e do Jorge.
-Devo ficar preocupada? - perguntei fazendo careta.
-Sempre - falou e eu ri.
-Escuta, o que acha de irmos até o três vassouras e tomarmos um chocolate quente? - perguntei.
-Está me chamando para um encontro? - brincou.
-Não seja idiota, vamos logo - o puxei pela mão e seguimos até Hogsmead.

-Aqui estão - falei passando 20 galeões para Fred que arqueou a sobrancelha. - Você ganhou - falei dando mais um gole no meu chocolate quente e vi Fred gargalhar.
-Como descobriu? - perguntou guardando o dinheiro no bolso.
-Ouvi ele conversando com Hermione.
-Um dia essa sua mania de ouvir a conversa dos outros vai te meter em encrenca.
-Já corro risco de me meter em encrenca só por andar com você e o Jorge - falei e ele riu concordando.
-Mas e então, o que vai fazer? - perguntou me encarando.
-Como assim?
-O que vai fazer a respeito de Harry?
- Vou continuar fingindo que não sei de nada, somos só amigos.
-Não foi isso que pareceu quando estavam quase se beijando na minha casa. - falou tomando um gole de sua bebida em seguida.
-Como sabe disso?
-Gina me contou.
-Ah, claro - respondi - não estávamos quase nos beijando!
-Vai me enganar de novo? - perguntou e eu joguei uma bolinha de papel em sua direção rindo.
-O que acha que eu deveria fazer? - perguntei.
-Eu? Não acho nada, você que sabe o que é melhor para si mesma, faça o que quiser - falou.
-Nossa, Fred! Que conselho maravilhoso, estou tão melhor agora - debochei e ele riu.
-Disponha - falou - vou pagar nossas bebidas e já volto.
-O que? Não, vamos dividir - falei me levantando.
-Dividimos a próxima, essa é por minha conta - falou tirando os 20 galeões do bolso e eu ri me sentando.
Assim que Fred pagou a conta, saímos do três vassouras e seguimos rumo a Hogwarts.
-Então vai ter uma próxima? - tirei um sarro dele.
-Como? - perguntou confuso.
-Você disse que na próxima dividíamos - expliquei.
-Ah, isso, foi modo de falar. - ele falou colocando a mão no bolso do casaco - na verdade, pretendo de ignorar pelos próximos dois dias, já passei muito tempo com você hoje - falou e eu gargalhei.
-Quem vê pensa, você não vive sem mim, Weasley! - o provoquei e ele riu.
-Tá, até que sua companhia é legalzinha - respondeu.
-Idiota - resmunguei e abracei meu corpo quando uma rajada de vento passou por nós.
-Tá com frio? - perguntou.
-Não, to me abraçando porque estou carente - debochei e ele revirou os olhos rindo.
-Vem aqui - abriu os braços deixando parte de casaco grande disponível. Me aproximei passando meus braços envolta da sua cintura e ele me "cobriu" com o casaco. -viu, não sou tão idiota.
-Até que de vez em quando você é legalzinho - o imitei e ele riu.
Voltamos para Hogwarts e assim que cheguei lá, procurei por Hermione e Harry mas não encontrei nenhum dos dois, então peguei meus livros e fui para a biblioteca terminar os deveres que faltavam.

Quando acordei no dia seguinte Hermione veio sorridente me contar que Rony havia saído da enfermaria. Tomei um banho rápido, coloquei meu uniforme e fui com Hermione tomar o café. Como sempre, assim que chegamos Harry e Rony já estavam lá. Me sentei ao lado de Harry e de frente para Rony enquanto Hermione se sentava do outro lado da mesa.
Hermione logo começou a ler algo que eu não fiz questão nenhuma de saber o que era e eu fui me servindo porque estava faminta. Pequenos flocos de neve começaram a cair na mesa e eu olhei pra cima assustada.
-Para, Ron - Hermione chamou sua atenção - você está fazendo nevar.
Harry limpou a mesa e Rony que até então estava quieto se pronunciou.
-Me conta de novo como foi que eu terminei com a Lilá. - ele pediu.
Harry que estava entretido com seu livro parou de ler e prestou atenção nos dois a nossa frente.
-Ah... Ela foi visitar você no hospital e você falou... - Hermione parou pra pensar - Eu não acredito que tenha sido uma conversa muito longa.
-Não me entenda mal, to mais do que feliz por ter me livrado dela, mas ela parece que tá chateada - ele falou e eu e Harry nos viramos para olha-la.
Lilá encarava Rony quase o fuzilando pelo olhar, ela realmente estava chateada.
-Ah, é! Ela está mesmo - Mione falou e eu ri fraco. - Você diz que não se lembra de nada daquela noite, nadinha mesmo? - perguntou esperançosa.
-Só de algumas coisas - ele falou e Hermione prestou mais atenção assim como eu e Harry - mas não pode ser, eu estava completamente tonto, não é? - falou rindo.
-Isso ai, tonto - Hermione falou e voltou a ler assim como Harry.
-Harry - Hermione o chamou - - sussurrou para nós e eu que estava muito entretida com meu pedaço de bolo olhei para ela. -Olhem lá, é a Katia, Katia Bell - falou e eu e Harry olhamos para o lado.
-Vamos - Harry me chamou e nós nos levantamos indo até ela.
-Katia - eu a chamei quando chegamos perto.
-Como está? - Harry perguntou.
-Eu sei o que vão perguntar, mas eu não sei quem me enfeitiçou - falou direta - estou tentando me lembrar, mas eu juro que não consigo - disse e assim que terminou olhou para trás de nós e ficou estática.
Segui o seu olhar e dei de cara com Malfoy nos observando assustado e logo depois saindo com pressa do local. Olhei para Harry e logo fomos o seguindo. Andamos até pararmos na frente do banheiro masculino.
-Você fica aqui - Harry falou - ou melhor, volte para o salão principal.
-Ok, falo com você depois - eu disse e ele assentiu entrando no banheiro.

O dia se passou rápido e eu acabei não encontrando Harry, mas assim que as aulas acabaram e Hermione, Rony, Gina e eu fomos para o salão comunal encontramos ele.
Harry estava sentado no sofá e aparentava estar bem nervoso, seu livro de poções, o qual ele levava para todo lugar, estava em cima da mesa. Eu estava quase levantando e indo falar com ele, mas Gina foi mais rápida e fez isso.
-Você tem que se livrar disso - ela falou - hoje. - Harry concordou e ela se levantou estendendo a mão para ele e pegando o livro. Vi os dois se afastarem ainda de mãos dadas e revirei os olhos. Hermione percebeu e riu.
-O que foi? - perguntei sem paciência.
-Nada, ué - ela respondeu e saiu da sala rindo. Segundos depois Rony saiu também indo para sei lá onde e me deixando sozinha. Por algum motivo a cena de Harry e Gina saindo de mãos dadas ficava repetindo em minha mente e isso fazia meu estomago revirar. O que será que eles estavam fazendo naquele momento?
Meus pensamentos foram interrompidos por dois seres ruivos que pularam em cima de mim na poltrona.
-Não sei se alguém avisou vocês, mas não são tão leves quanto imaginam - falei os empurrando até eles saírem de cima de mim.
-E não sei se alguém te avisou, mas a gente não se importa - Jorge respondeu e eu revirei os olhos.
-Tá estressadinha hoje é? - Fred perguntou.
-Não é da sua conta - respondi, como eu havia dito, estava sem paciência.
-Wow, calminha, Black - Jorge falou e eu o repreendi - quis dizer, - ele corrigiu e eu ri.
-Por que está tão estressada? - Fred perguntou.
-Por nada, já foi - respondi e eles preferiram não perguntar de novo. - Vou dar uma volta - avisei me levantando e saindo do salão comunal.
Andei pelos corredores calmamente, não sabia para onde ir só queria sair um pouco.
-Como vai, ? - ouvi a voz de Draco atrás de mim - Ou devo dizer, como vai, Black? - arregalei os olhos e me vire pra ele.
-Por que você diria isso? - me fingi de desentendida.
-Pode parar com o teatrinho, , eu sei a verdade. - ele falou e eu arqueei a sobrancelha. - Eu estava mesmo errado te chamando de sangue ruim, se bem que Sirius Black não é alguém que mereça respeito - ele falou andando de um lado para o outro e eu quase lhe xinguei por causa da última frase, mas continuei fingindo não saber de nada.
-Não sei do que está falando - respondi.
-Já chega, , pode parar. - ele falou ficando nervoso.
-Parar com o que? Você que não está falando coisa com coisa. - respondi impaciente.
-Ah é, então vai negar? - ele perguntou se aproximando de mim
-Vou negar o que? - perguntei ignorando a pouca distancia que ele tinha deixado entre nós.
-Eu sei a verdade, pode parar de mentir.
-Mas que verdade, menino?
-Que você é filha de Sirius Black.

Capítulo 9

-Que você é filha de Sirius Black - Malfoy falou e eu gargalhei. O rosto do rapaz que antes expressava pura vitória agora estava bem confuso. - Não sei qual é a graça.
-Você é a graça, ou melhor, a piada - falei parando de rir. - De todas as suas conclusões e teorias mirabolantes, essa foi a pior.
-Não brinque comigo, - ele falou apertando meu pulso e eu logo fechei a cara.
-Você me solta, agora - falei entredentes e ele riu.
-Ou o que? Vai me agredir?
-Não, porque você não é tão insano ao ponto de continuar com essa brincadeirinha e me desafiar, você sabe muito bem que não tenho medo de você e muito menos do seu pai ou de ser expulsa. Por que o que você considera como um defeito, para mim, é um ponto bom, sabe por quê? Se eu for expulsa, eu esqueço que sou uma bruxa e volto para a minha antiga vida de trouxa, com os meus pais de verdade. - falei e ele me olhou com desgosto e logo soltou meu pulso.
-Posso não ter provas agora, mas essa sua mentira já já vai acabar, até porque, você não é a única que sai por aí escondida ouvindo as conversas dos outros. - falou e então saiu me deixando sozinha.
Respirei fundo aliviada por ter me livrado dele, pelo menos por um tempo.
-Você precisa aprender a ser discreta, - pensei alto e decidi que era melhor voltar para o salão da comunal.
Assim que cheguei me joguei no sofá que havia lá e fechei os olhos ainda tentando me acalmar, Draco havia conseguido me tirar do sério. Porém minha concentração foi parar na conversa de duas meninas ali perto.
-Mas como você soube? - uma menina perguntou.
-A Gina que me contou, ela disse ao Potter que se ele quisesse poderiam fingir que nada aconteceu e não contar a ninguém, mas ela me contou mesmo assim. - outra respondeu.
Espera aí, Gina e Harry?
Continuei de olhos fechados fingindo não estar prestando atenção enquanto ouvia a conversa das duas.
-Sempre achei que eles ficariam juntos, tomara que esse beijo ajude isso a acontecer - a primeira garota falou e eu arregalei os olhos.
ELES SE BEIJARAM?
Calma, ! E daí que eles se beijaram? Você não tem nada a ver com isso, como você mesmo disse: Harry é só seu amigo, só isso.
A quem eu estou tentando enganar? Eu estou sentindo um pouco de ciúmes sim, só não entendo o por quê.
Ótimo, eu tinha vindo pra cá pra me acalmar e fiquei mais confusa impossível.
Levantei e saí do local pela segunda vez no dia e pelo mesmo motivo. Mas por que diabos Harry Potter está me irritando tanto?
Eu estava andando tão distraída que acabei esbarrando em alguém. Levantei o rosto e bufei ao reconhecer a pessoa.
-Era só o que me faltava - falei irritada. -Nossa, parece que alguém está irritada - Harry brincou e eu revirei os olhos.
-Me erra, Potter - resmunguei e voltei a andar porém agora o menino me seguia.
-Ei, ei, ei - Harry me chamou - eu não fiz nada.
-Você nunca faz nada, ou melhor, faz até demais ás vezes - falei rindo irônica e vi Harry resmungar confuso.
-Do que você está falando? - perguntou assim que me alcançou e me fez parar de andar.
-De nada, a propósito, você se livrou do livro ou ficou muito ocupado beijando a Gina pra pensar nisso? - perguntei e ele arregalou os olhos.
-O que? Como você sabe disso? - perguntou.
-Por quê? Era pra eu não saber? Achei que amigos contassem as coisas um para o outro - falei com desdém.
-Não foi isso que eu quis dizer - ele revirou os olhos - Como você soube?
-Ouvi umas meninas falando no salão comunal - disse olhando pros lados e batendo o pé impaciente. - Pelo que eu entendi a Gina contou pra uma delas.
-A Gina contou? Achei que ela tivesse falado pra deixarmos isso em segredo - ele falou confuso.
-Parece que ela mudou de ideia - sorri sarcástica e tentei voltar a andar mas Harry novamente foi atrás de mim e me parou.
-Tá, eu beijei a Gina, e daí?
-Achei que fossemos amigos, porque não me contou? - perguntei um pouco mais calma.
-1: eu não tinha te visto desde então - ele falou contando nas mãos - 2: somos amigos, mas isso não muda o fato de que eu possa querer esconder algumas coisas da minha vida - ele falou e eu revirei os olhos percebendo que ele estava certo - 3: Por que ficou tão brava com isso? Você mesmo vive repetindo que somos amigos, amigos, mas quando descobre que eu beijei uma garota fica toda nervosa.
-Eu não sei - falei respirando fundo - talvez eu tenha apenas descontado a raiva de outra coisa em você, me desculpa.
-Tudo bem - ele falou - achei até que estivesse com ciúmes - ele brincou e eu ri forçado.
-Ciúmes? De você? Por favor, né - falei brincando e olhando para baixo - bom, eu tenho que ir - falei voltando a olhar pra Harry. - te vejo por aí.
-Está bem - concordou e andou na direção oposta.
Finalmente livre, eu segui para o jardim sozinha.

[...]


Um novo dia, novas emoções. Tá, por que eu acordei com essa frase na cabeça? Pelo menos meus pesadelos passaram, já não bastava eu não ter descanso acordada, dormindo também? Por Merlin, eu mal acordei e já estou toda confusa! Outro momento perfeito para soltar um daqueles palavrões que os trouxas adoram: Puta que pariu!
Ri com meu pensamento e me levantei da cama.
-Olha, alguém acordou de bom humor - Hermione falou e eu ri.
-Faz bem de vez em quando - falei e ela riu.
-Com certeza - concordou - Você sumiu ontem. Harry, Rony e eu te procuramos por todos os cantos mas não encontramos. Onde estava?
-Por aí - respondi lembrando de me esconder atrás de uma rocha quando vi os três me procurarem no jardim. Não me julguem, eu queria paz e pude ver no rosto deles que estavam prontos para aprontar algo. Vi Hermione me olhar desconfiada e resolvi falar algo logo antes que ela começasse a questionar o meu sumiço - O que queriam?
-Ah, Harry decidiu falar com Horácio de novo só que ele usou a Félix felicis - ela falou e eu assenti, tinha sido uma boa ideia - ai ele saiu dizendo que precisava ver o Hagrid, sabe se lá por que, e no caminho encontrou o professor. Enfim, os dois seguiram até o Hagrid e chegando lá ele estava acabado porque Aragogue havia falecido.
-Espera, quem é Aragogue? - perguntei confusa.
-Uma aranha, um antigo amigo dele - explicou e eu assenti.
-Ah, claro – falei sarcástica pensando em como alguém acha aquilo normal e ela prosseguiu.
-Voltando, o Hagrid estava triste, então Horácio decidiu falar algumas palavras de conforto para ele e...
-Eles fizeram um velório pra uma aranha? - perguntei rindo e Mione riu também.
-Quase isso - falou - cala a boca e me deixa falar de uma vez - resmungou irritada.
-Ok, continue.
-Depois disso eles beberam, muito, e então Hagrid começou a falar sobre Aragogue e aquilo virou um papo sentimental de dois bêbados e do nada ele pegou no sono. E então Slughorn começou a falar sobre um peixe que a mãe de Harry deu para ele e como ele desapareceu quando a mesma morreu. Aí ele disse que sabia o porquê de Harry estar ali e blábláblá. Encurtando tudo, Harry conseguiu a memória de Horácio.
-Sério? Isso é ótimo! - falei animada e ela sorriu.
-Eu sei, mas depois falamos disso, se arruma logo, temos que ir pra aula.
Arrumei-me rapidamente e segui Hermione para saber mais sobre a noite passada.
- O Harry já viu a memória. - Mione começou a falar e eu fiz sinal para que ela continuasse - Quando Tom perguntou ao professor ele, na verdade, contou o que eram horcruxes.
-E o que são?
-É um objeto criado por meio das Artes das trevas, pelo que eu entendi, o mesmo guarda um pedaço da alma do bruxo. Quando você faz isso você está protegido, caso seja atacado e seu corpo destruído.
-Como assim protegido?
-A parte da sua alma que você guarda nesse objeto está protegida, ou seja, você não pode morrer.
-Mas como que você consegue separar a sua alma?
-Matando - Hermione respondeu e eu me arrepiei.
-Credo - falei e ela sorriu fraco.
-Mas você-sabe-quem conseguiu fazer uma horcruxe? - perguntei.
-Dumbledore diz ter certeza que sim e não só uma vez. Poderia ser qualquer coisa. - Ela disse e de repente me puxou para um canto afastado. - Você já ouviu falar sobre a câmara secreta? - perguntou e eu assenti - quatro anos atrás a mesma foi aberta, é uma longa história, Gina estava sendo usada, ela foi enfeitiçada e no final levada para dentro da câmara, Harry conseguiu salva-la e quando fez isso levou a Dumbledore um livro, mais especificamente, o diário de Tom Riddle. Ele conseguiu destrui-lo, essa era uma das horcruxes de você-sabe-quem.
- E quantas mais Dumbledore acredita existirem?
-No dia em que Tom perguntou a Horácio sobre elas, ele perguntou se havia possibilidade de dividir a alma em sete objetos. Então esse é o número que imaginamos por enquanto. - ela disse e voltou a sussurrar - Dumbledore tem procurado por elas quando não está na escola. Ele acredita ter encontrado outra e quer ajuda desta vez.
-Ajuda de quem?
-Do Harry... E sua - falou e eu arregalei os olhos.
-Como assim? Minha ajuda? Eu vou acabar atrapalhando e não ajudando - falei assustada.
-Você sabe o quanto Dumbledore acredita em você e no seu potencial, ele é um homem sábio, jamais faria algo que achasse não ter cabimento e ser uma loucura.
-Mas ele acabou de fazer, eu já disse que não sou a garota da profecia!
-Garota da profecia? - Hermione perguntou e eu respirei fundo.
-É uma longa história e nós temos aula.
-Tudo bem, mas assim que as aulas acabarem eu quero saber dessa história. - ela disse e eu assenti.

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As aulas foram maravilhosas, menos a de poções, o professor parecia abalado e estava todo perdido. Quando todas as aulas acabaram e nós fomos liberados pro almoço, saí da sala e encontrei Luna no corredor.
-Luna! - a chamei e ela me olhou sorridente.
-! Como está?
-Bem e você? - perguntei.
-Mais ou menos, estou procurando meus tênis - falou olhando para os lados -acho que os perdi.
-Se lembra da última vez que usou eles?
-Ah claro! Ontem, eu estava no jardim quando resolvi tirar eles e sentir a grama. - falou e eu a olhei como se dissesse "tcharan" - acho que sei onde eles estão - falou e voltou a me olhar – tchau, , te vejo depois - disse saindo saltitante me fazendo rir.
A cada dia que eu passava com Luna eu ficava mais fascinada com aquela criaturinha.
Sai seguindo até o salão principal com tanta fome que me senti um Rony da vida. E falando no mesmo assim que entrei, encontrei ele.
-Ronald Wesley - o chamei e ele me olhou - me dê um abraço - pedi e ele arqueou a sobrancelha.
-O que? - perguntou confuso.
-Me dê um abraço - falei abrindo os braços - anda, vamos - falei e ele me abraçou rindo. - muito obrigada.
-Você é meio louca, não é? - falou e eu gargalhei.
-Acho que é porque estava com Luna, ela passa essa felicidade pros outros - falei e ele sorriu. -vamos, estou com uma fome de 10 Ronys - brinquei enlaçando meu braço no seu e o puxando.
-Devo me sentir ofendido?
-claro que não, eu só disse a verdade - falei e segui ate a mesa sentando e vendo Rony fazer o mesmo ao meu lado.
Começamos a comer com pressa e só paramos quando ouvimos risadas. Levantei o olhar e ri Hermione e Harry rindo de nós.
-Acho que Rony encontrou uma parceira pra comida - Mione brincou e Harry riu.
-Ei! - resmungamos juntos de boca cheia.
-nojentos - ela disse e se sentou.
Vi Harry ficar meio perdido no mundo e segui seu olhar dando de cara com Gina que também encarava Harry e tinha um pequeno sorriso na boca. Senti meu estômago revirar e voltei a olhar para o meu prato que já não parecia tão saboroso agora.
Segundos depois a mesma se aproximou e sentou junto a nós quatro.
-Aí, Gina, esqueci até de perguntar - Hermione falou assim que ela se sentou - as anotações te ajudaram? - perguntou.
-Sim, muito obrigada, Mione - ela respondeu.
-Anotações? - perguntei.
-Ela estava com algumas dúvidas em umas matérias e eu emprestei minhas anotações - Mione respondeu e eu assenti entendendo.
Voltei a olhar pra frente e vi Harry encarando Gina novamente. O chutei por de baixo da mesa e o mesmo virou instantaneamente.
-O que foi? - perguntou bravo.
-Limpa a boca - sorri sarcástica e ele me olhou confuso - a baba tá escorrendo. - falei e ele corou.
-Baba? - Rony perguntou sem entender.
-É! Ele estava secando... - eu ia continuar a falar quando Harry me chutou.
-Ela só fala besteira - Harry me interrompeu e eu arqueei a sobrancelha.
-Harry, seu braço melhorou? - Gina perguntou.
-Braço? - Hermione questionou.
-ele machucou o braço ontem - explicou.
-Sim, está melhor, obrigado por se preocupar - Harry falou e ela sorriu.
De novo meu estômago embrulhou. Levantei rapidamente e todos me olharam.
-Aonde vai? - Rony perguntou.
-Perdi a fome - falei olhando significativamente para Harry que estava mais perdido que cego em tiroteio. - com licença - disse e me retirei.
Saí do salão principal decidida a voltar ao meu dormitório, mas senti alguém puxando minha mão e assim que virei dei de cara com Harry.
-O que você tem? - ele perguntou.
-Desculpe? - perguntei.
-As suas indiretas na mesa, você quase contou ao Rony! - exclamou nervoso.
-E o que tem de demais em contar a ele? - perguntei sem entender.
-Ele não sabe de Gina e eu e do jeito que é ciumento duvido que irá gostar.
-Ah, então agora existe você e a Gina, achei que tivesse me dito que não gostava mais dela.
-E se eu gostar? Qual o problema? - perguntou se aproximando de mim e automaticamente eu dei um passo para trás.
-Nenhum - falei a contragosto.
-Sério? Por que está me parecendo que você se importa muito com isso. Está com ciúmes ou o que? - perguntou se aproximando e segurando meu braço não dando chance de eu me mover.
-Já disse que não estou com ciúmes, quer saber, deixa quieto - falei puxando meu braço com força - vá curtir o seu romance, Harry - falei e me afastei rapidamente dele.
Andei até o jardim e me sentei em um banco que havia ali. Vi duas cabeças ruivas se escondendo atrás de uma rocha e ri.
-Eu estou vendo vocês - falei e os dois saíram de trás da mesma.
-O que nos entregou? - Jorge perguntou triste por ter sido pego.
-Poderia ter sido o cabelo ruivo, ou o tênis chamativo, mas acho que foi a rocha pequena demais para esconder vocês dois - brinquei e eles riram.
-Viemos porque achamos que você estava mal, mas pelo visto está ótima - Fred falou se sentando ao meu lado e Jorge fez o mesmo sentando do meu outro lado.
-Estou bem - respondi.
-Não foi o que pareceu lá no salão principal - Jorge disse e eu revirei os olhos.
-Anda, desembucha - Fred me empurrou de leve.
Contei para eles sobre a história da Gina e do Harry e sobre minha briga com o mesmo.
-Está com ciúmes - Jorge falou e eu choraminguei.
-Eu sei - disse baixo e escondi meu rosto com as mãos - mas eu não gosto de Harry, não sinto como se gostasse - falei.
-Vai ver você gosta, mas só não sabe disso.
-Desde quando você é bom com conselhos? - perguntei a Jorge que revirou os olhos.
-A gente tenta ser legal com a pessoa e é zoada por isso.
-Estou brincando - falei sorrindo.
-Como está se sentindo? - Fred perguntou.
-Confusa - respondi - Harry havia dito que não gostava de Gina, depois eu descubro que ele gosta de mim, aí ele vai e beija ela. Não sei o que pensar. - falei apoiando a cabeça no ombro de Jorge.
-Ele não beijou a Gina, ela que deve ter beijado ele - Jorge disse.
-Verdade, Harry é muito lerdo para essas coisas, é por isso que nada aconteceu com vocês antes - Fred disse - ele tem que perceber que quanto mais ele demora, mais corre o risco de alguém fazer isso antes.
-Como assim? - perguntei.
Fred ia responder quando uma garota passou chamando Jorge.
-Sabe qual o lado bom de ser gêmeo? - ele perguntou. - você tem alguém exatamente igual a você pra te substituir - ele falou - então fiquei aí com o Jorge 2.0 que eu vou até ali rapidinho - falou apontando para a garota e eu ri.
-Sem problemas - falei sorrindo e ele me deu um beijo na bochecha antes de ir até a menina e sumir pelo local.
O jardim foi ficando mais cheio, pois as pessoas já haviam terminado o almoço e logo vi Harry chegando no local conversando com Gina.
Revirei os olhos e levantei.
-Aonde vai? - Fred perguntou.
-Não sou obrigada a ver esse tipo de coisa - falei e dei um passo a frente, mas Fred segurou meu braço.
Virei para ele e o mesmo envolveu minha cintura com o braço que antes me segurava.
-O que está fazendo? - perguntei vendo ele se aproximar de mim.
-Mostrando ao Harry que ele tem que fazer as coisas antes que alguém faça por ele - Fred disse e antes que eu pudesse questionar de novo, ele aproximou nossos rostos e colou nossas bocas.
Arregalei os olhos podem não o afastei, senti sua língua pedir passagem e abri a boca enquanto fechava os olhos e me entregava totalmente ao beijo.
Passei meus braços envolta do pescoço dele enquanto sua mão seguia até meu rosto. Nosso beijo era calmo e muito gostoso. Sempre achei que seria estranho beijar qualquer um dos gêmeos, mas muito pelo contrário, beijar Fred não era estranho, era bom.
Sua mão fazia um carinho em minha cintura enquanto eu arranhava levemente sua nuca com as minhas unhas.
A língua de Fred fazia um carinho gostoso na minha e eu estava sem vontade alguma de partir o beijo, mas Fred logo fez isso.
Ele puxou meu lábio inferior com os dentes e me deu um selinho antes de afastar sua boca da minha e me encarar.
-O que foi isso? - perguntei sussurrando.
-Uma coisa que eu estava com vontade de fazer - ele respondeu - vai me agredir? - perguntou e eu neguei com a cabeça - vai parar de falar comigo?
-Só se você não calar a boca e me beijar novo - falei e ele sorriu se aproximando e colando nossas bocas de novo.

Depois de muitos, digo muitos mesmo, beijos, Fred e eu nos separamos. Ele foi encontrar uns amigos e eu segui até a biblioteca porque tinha um trabalho para terminar, mas fui parada no meio do caminho por alguém que puxou meu braço até o corredor vazio que tinha ali do lado.
-Mas que mer... - eu falava até ver Harry - o que você quer?
-Eu que te pergunto, - ele falou e eu o encarei confusa - o que você quer com todo aquele showzinho?
-Que showzinho, Potter?
-Você e Fred - respondeu revirando os olhos.
-Ah, o beijo - falei finalmente entendendo sobre o que o louco a minha frente falava.
-Sim, o beijo.
-O que tem de demais em um beijo, Harry? - perguntei impaciente.
-Você disse que vocês dois não estavam juntos!
-E você também disse que não gostava mais da Gina e mesmo assim a beijou - sorri satisfeita com minha resposta.
-Então foi por isso? - perguntou rindo incrédulo.
-Foi por isso o que?
-Você beijou o Fred porque eu beijei a Gina - comentou e eu ri.
-Poupe-me, Potter - respondi e tentei sair, mas ele me segurou de novo e essa mania dele já estava me irritando. - quer parar de ficar me segurando e me deixar andar, por favor?
-Não, enquanto você não me explicar essa história.
-Que história? Foi um beijo só isso.
-Sei - resmungou irritado.
-Por que isso está te incomodando tanto? Por acaso está com ciúmes?
-Mas é claro que não - respondeu gaguejando um pouco.
-Não culpe os outros por terem coragem de fazer o que você não teve - falei me aproximando dele.
-Do que você está falando? - perguntou incerto.
-Você sabe muito bem do que eu estou falando, Harry - respondi e ele apenas me encarou.
Ficamos um bom tempo olhando um para o outro até ele respirar fundo e perguntar.
-Desde quando você sabe? - perguntou um pouco chateado.
-No dia em que vocês ganharam no quadribol, quando você foi consolar a Hermione, eu ouvi a conversa de vocês - respondi desconfortável com a situação e cocei meu cotovelo esquerdo, mania que eu tinha quando estava nervosa e não sabia aonde colocar as mãos.
-E por quê não falou nada?
-Não sabia o que falar, preferi ficar quieta e fingir que não sabia de nada - respondi dando de ombros e ele riu fraco.
-Está bem, vamos - falou me puxando pela mão.
-Vamos para onde? - perguntei confusa.
-Ficar parado esperando eu criar alguma coragem não adiantou de nada, não vou perder mais tempo. - respondeu ainda me puxando.
-Tá, mas pra onde vamos?
-É surpresa - respondeu sorrindo e eu sorri também.

--


-Harry Potter, eu já estou ficando cansada! - resmunguei e ele riu.
-Você é bem chata quando quer, sabia? Eu já entendi isso na primeira vez que você disse, não precisava repetir cinco vezes - respondeu e eu lhe soquei no braço - Ei!
-Grosso - disse e ele riu.
-Chegamos, senhorita - ele respondeu parando de andar.
-Por que viemos até a casa dos gritos? - perguntei confusa encarando a casa e Harry ficou atrás de mim - pretende se vingar de mim me jogando lá e me deixando presa com os espíritos? - brinquei e Harry riu.
-Na verdade, é uma boa ideia.
-idiota - ri.
-Mas não foi pra isso que viemos aqui, ela nem é assombrada de verdade.
-Como sabe? - perguntei olhando para trás e encarando Potter.
-É para isso que viemos aqui, achei que iria gostar de saber um pouco mais sobre a verdadeira personalidade do seu pai.
-O que essa casa tem a ver com Sirius? - perguntei sem entender.
-Essa história não é totalmente dele, na verdade, é de outra pessoa, mas eu gosto de lembrar do gesto que Sirius teve e pensei que fosse gostar também - explicou.
-Conta logo - pedi manhosa e ele riu se aproximando e ficando ao meu lado encarando a casa.
-Já ouviu falar dos marotos? - perguntou.
-Sim - respondi.
-Então, Lupin era um deles, ele também foi nosso professor de Defesa Contra as Artes das Trevas alguns anos atrás e essa casa foi criada especialmente para ele. - ele fez uma pausa antes de voltar a falar - Quando ele começou a estudar em Hogwarts foi construído uma passagem secreta que ligava Hogwarts a essa casa. Eles plantaram o Salgueiro lutador bem em cima dessa passagem para escondê-la. Lupin é um lobisomem e nas noites em que ele se transformava Dumbledore o levava até o local para ele ficar por lá até que voltasse a forma humana. Foi por causa dos gritos dele que os moradores do povoado começaram a achar que a casa era mal assombrada.
-Nossa - comentei surpresa.
-Pois é, na época Lupin já era amigo do meu pai, do seu e de Pedro, só que ele tinha medo de contar a eles a verdade porque achava que os três não iriam querer continuar sendo seus amigos mas é claro que uma hora eles perceberam o sumiço de Lupin uma vez por mês. Ele até chegou a inventar algumas desculpas, mas eles eram espertos e sabiam que aquilo não era verdade. Quando os três descobriram, Lupin achou que era o fim da amizade entre eles, mas muito pelo contrário. As transformações de Lupin eram horríveis e quando Sirius, Tiago e Pedro descobriram eles fizeram algo que fez das transformações de Lupin mais suportáveis.
-O que eles fizeram? Para de mistério, Potter - o empurrei de leve e ele riu.
-Calma - respondeu rindo - eles se transformaram em animagos, levaram quase três anos pra descobrir como fazer isso, sorte é que meu pai e o seu eram os alunos mais inteligentes da escola, porque isso é algo que pode sair muito errado, por isso o ministério controla. Enfim, no quinto ano eles conseguiram se transformar, podiam virar um animal na hora que quisessem.
-E por que eles fizeram isso? No que isso ajudava o Lupin?
-Eles não poderiam fazer companhia a Lupin como humanos, mas como animais, sim. Eles saiam escondidos todo mês na capa de invisibilidade do meu pai e se transformavam. Por influência deles que Lupin se tornou menos perigoso, eles saiam por ai e se divertiam, foi graças a Sirius, Tiago e Pedro que se transformar em um lobisomem se tornou menos pior para Lupin.
-Isso é bem legal - sorri ao terminar de ouvir a história - obrigada por me contar isso, Harry.
-Não há de quê - respondeu. - Agora acho que deveríamos ir, não é?
-Acho melhor. - concordei.
Voltamos o caminho inteiro conversando e rindo e assim que chegamos no castelo fomos direto para a sala comunal. Eu já estava indo em direção ao dormitório feminino quando Harry me chamou. Virei-me para encara-lo.
-Eu sei que as coisas agora complicaram, por causa de mim e da Gina e você e o Fred, mas eu não menti quando disse que não gostava mais dela e quando admiti a Hermione que gostava de você.
-O que isso quer dizer?
-Que eu não vou desistir de você.


Capítulo 10

Acordei, por incrível que pareça, antes de todas as meninas. Por isso, aproveitei para arrumar minha cama e tomar meu banho mais cedo.
Quando voltei para o dormitório já devidamente vestida, encontrei uma Hermione completamente preocupada.
-Ai está você! - ela gritou vindo em minha direção - Você sabe o quanto me assustei quando acordei e não te vi dormindo? O que houve? Você teve um pesadelo? Passou mal?
-Primeiramente, vamos respirar - eu respondi rindo e Hermione bufou estressada.
-Eu estava toda preocupada com o que tinha acontecido e você tira sarro de mim.
-Desculpe, obrigada por se importar - agradeci passando por ela e pegando minha varinha dentro da gaveta ao lado da cama - Mas eu estou bem, apenas acordei mais cedo e resolvi tomar um banho.
-Você acordando mais cedo? Ainda por cima de bom humor? Fred deve beijar muito bem pra te deixar toda felizinha.
-O que? - perguntei confusa - O que Fred tem a ver com isso?
-Bom, voce estava toda estressada ontem, aí você e Fred se beijaram, você sumiu por aí e quando acorda no dia seguinte está tão bem humorada.
-Isso não tem nada a ver com Fred - respondi terminando de pentear o cabelo.
-Então tem a ver com quem? -Mas que saco, Granger! O fato de eu acordar de bom humor é tão estranho assim pra ter que ter um motivo ou um alguém? - perguntei estressada e Hermione me encarou séria.
-É!
Revirei os olhos e sai do dormitório deixando Granger rindo de mim.
Desci as escadas e quando cheguei no salão comunal encontrei Harry sentado no sofá. Comecei a andar em sua direção, mas no mesmo instante vi que Fred estava sentado na poltrona ao lado dele.
Parei de andar rapidamente e encarei os dois, e agora? O que eu faço?
Fred e eu nos beijamos, mas isso não significa que temos alguma relação. Ele mesmo disse que sabia que Harry gostava de mim e que eu correspondia. Mas isso foi antes, até porque, ele disse que estava com vontade de me beijar há um tempo, e se ele estiver gostando de mim? E Harry e eu somos muito complicados juntos, enquanto as coisas com o Weasley são mais fáceis. Mas Potter e eu temos uma conexão diferente, mas especial. Sem falar que ontem à noite ele disse que não iria desistir de mim.
- - alguém gritou por mim e eu balancei a cabeça voltando a realidade.
-sim? - perguntei ao ver Rony parado em minha frente.
-Você está bem? Está pálida - o ruivo perguntou preocupado.
-Estou, quer dizer, eu acho que sim. Na verdade, me sinto um pouco mole - respondi.
-Sua pressão pode ter caído. - sua voz saiu demonstrando total preocupação, mas eu não consegui prestar muita atenção em seu rosto já que minha visão ficou turva.
-É acho que pode ser... - respondi e senti meu corpo ficando mole e minha visão escurecendo e então eu apaguei.
Recuperei a consciência aos poucos e a primeira coisa que notei foram vozes perto de mim.
-Ela está se mexendo - Era Hermione sussurrando.
-Será que está acordando? - Rony perguntou preocupado.
-Não sei não, ela parece péssima - antes eu estava na duvida de quem era a voz, mas somente pela frase eu tinha certeza que era Jorge.
Abri os olhos lentamente e pisquei algumas vezes tentando me acostumar com a claridade.
-, finalmente! - Hermione suspirou aliviada mas eu não respondi.
Olhei em volta e vi que estava na enfermaria. Tentei sentar na cama mas no mesmo instante o braço de Harry me impediu me fazendo deitar novamente.
-Espere um pouco, a madame Pomfrey já deve estar chegando - ele pediu e eu assenti. -O que aconteceu? - perguntei vendo todos me encararem. E por todos eu quero dizer os três Weasley, Harry e Hermione.
-Se lembra de conversar comigo no salão comunal? - Rony perguntou e eu assenti - então, você acabou desmaiando enquanto me respondia.
-Ah, sim - respondi respirando fundo e me sentindo um pouco enjoada.
Passos quebraram o silêncio do local e quando me virei madame Pomfrey estava ao meu lado na cama.
-Finalmente você acordou! Para uma simples queda de pressão já estava começando a ficar preocupada - ela disse me encarando gentilmente.
-Quando tempo eu fiquei inconsciente?
-Cerca de 10 minutos desde que seu amigo ruivo te trouxe para cá. - ela respondeu pegando a bandeja que carregava e colocando no meu colo - coma, você deve estar com fome.
-Na verdade, me sinto um pouco enjoada.
-Bom, vou deixar isso aqui do lado então, e quando se sentir melhor você come. - respondeu e eu agradeci - agora vocês têm aulas pra assistir, vamos todos pra fora - ela bateu duas palminhas e saiu do local.
-Tem certeza de que está bem? - Fred perguntou e eu assenti.
-Não tem com o que se preocupar, vou sair daqui com tempo suficiente para assistir às últimas aulas - respondi revirando os olhos e ele riu.
-Anda, vamos - Jorge os chamou - Fica bem, pirralha.
Rony bagunçou meus cabelos e saiu atrás dos irmãos sendo seguido por Hermione que me deu um sorrisinho antes de seguir os Weasley.
-Não vai para a aula, Potter? - perguntei rindo.
-Você me assustou - ele disse ignorando minha pergunta.
-Desculpe, não vai mais acontecer.
-E porquê sua pressão caiu tão rápido? Hermione disse que você acordou de bom humor...
-Acho que foi por causa do estresse, eu estava meio sobrecarregada antes de apagar - confessei
-Sobrecarregada com o que? - ele perguntou curioso.
-Senhor Potter, creio que já tenha pedido para o senhor se retirar - Madame Pomfrey apareceu novamente e eu fui salva pelo gongo, ou pela enfermeira, como preferirem. - Duvido que o professor Snape irá gostar se você chegar atrasado.
Harry revirou os olhos com a última frase e eu ri.
-Já estou de saída - ele respondeu sorrindo gentilmente - só tenho que entregar um recado de Dumbledore a .
-Tudo bem, mas depois disso você vai para a aula.
-Pode deixar - Potter a assegurou e então a senhora saiu nos deixando sozinhos.
-Recado de Dumbledore para mim? - perguntei.
-Sim, ele quer nos encontrar na torre de astronomia depois do almoço.
-E ele falou o por quê?
-Claro, e logo em seguida ele me contou como vencer Voldemort e me passou as respostas dos exercícios que o Snape deu na aula passada. - revirei os olhos e Harry riu.
-Certo, entendi.
-Agora, eu vou indo. Te vejo no almoço? - ele perguntou e eu assenti. Harry se virou e saiu da enfermaria me deixando sozinha. Olhei para a bandeja que Madame Pomfrey havia levado para mim e peguei um dos biscoitinhos que estavam ali.

Depois de três horas sem fazer nada, muitos biscoitos comidos e de assegurar que eu estava bem e que tudo não havia passado de um simples mal estar, madame Pomfrey finalmente me deixou sair da enfermaria. Porém, as aulas já tinham acabado e o que me restava era procurar Hermione mais tarde e pedir que ela me explicasse tudo que eu perdi. Segui até o salão principal que estava meio vazio e esperei que um dos meus amigos aparecessem.
Hermione e Rony foram os primeiros, eles entraram no salão juntos e pareciam estar discutindo sobre alguma coisa. Acenei para que eles me vissem e se juntassem a mim na mesa que estava quase vazia.
-Pela bilionésima vez, não, Rony - ela revirou os olhos quando sentou de frente para mim.
-Eu já disse que você é chata hoje? Se não, estou dizendo agora - ele bufou e eu ri.
-O que foi dessa vez? - perguntei.
-Rony quer que eu passe as respostas da aula de poções para ele - Hermione disse abismada e eu quis rir.
-Não! Meu Deus, que absurdo! - respondi fingindo estar incrédula e depois gargalhei - qual o problema, Mione? O menino está se esforçando nas outras matérias, não custa nada dar uma ajudazinha pra ele nessa.
-Isso é falta de ética! - ela respondeu brava.
-O que é falta de ética? - Harry perguntou se sentando ao lado de Hermione.
-Rony pediu as respostas da aula de poções para Hermione e ela está brava. - respondi e ele riu. -Eu passo pra você depois, Rony - Harry respondeu e ele sorriu.
-Está vendo, Hermione? Isso é que é ser amigo - ele a provocou e eu ri da cara de Granger. - Eu sempre preferi você - Rony "sussurrou" para mim e eu ri.
-"Sempre", a gente se conhece não faz nem um ano - respondi.
-Tanto faz - ele deu de ombros e começou a comer.
-Não vai comer? - Harry perguntou quando viu meu prato vazio.
-Tá brincando? Madame Pomfrey me fez comer tantos biscoitos que não sobrou espaço pra nada no meu estomago.
-Ótimo, também não estou com fome. O que acha de irmos encontrar Dumbledore? - ele perguntou ansioso.
-Se pudermos passar no dormitório antes, por mim tudo bem - dei de ombros e ele se levantou.
-Vamos - me chamou apressado.
Levantei sem paciência para a empolgação de Harry mas o segui até o dormitório. Troquei minhas vestes de Hogwarts por roupas simples e desci para encontrar Harry que me esperava, já trocado, no salão comunal.
-Pronto, agora podemos ir - disse e ele saiu do salão e começou a caminhar rapidamente em direção a torre de astronomia. -Potter, você podia ter me avisado que iríamos correr, ai eu colocava um tênis mais confortável.
-Não vamos correr - ele respondeu confuso.
-Então anda normalmente, menino, parece que está treinando para correr uma maratona - falei impaciente.
-Desculpe - ele falou parando em frente as escadas da torre e esperando que eu o alcançasse.
-Pronto, chegamos, mais calmo? - perguntei e ele riu.
-Engraçadinha - Potter resmungou e começou a subir as escadas.
Quando chegamos ao alto da torre vimos que Snape conversava com Alvo e então resolvemos recuar um pouco e talvez escutar o que eles falavam. Mas a conversa parecia já ter acabado quando passos foram ouvidos e Snape começou a descer visivelmente bravo. Severo parou na nossa frente, encarou Harry com raiva e depois saiu. Olhei confusa para Potter que fez sinal para eu deixar pra lá e então voltamos a subir.
Encontramos Dumbledore apreciando a vista e a cena seria engraçada se o clima não estivesse tão pesado. Ele se virou e nos encarou calmamente.
-Oh, Harry, - ele nos cumprimentou - precisa se barbear, meu filho - Alvo disse calmamente e eu ri.
Harry passou a mão no rosto e me encarou como se perguntasse se era sério. Neguei com a cabeça e então ele voltou a encarar Dumbledore.
-Sabe, ás vezes, esqueço como você cresceu, ás vezes, ainda vejo o menino que morava no armário em baixo da escada. - Dumbledore fez uma pausa - perdoe meu sentimentalismo, sou um homem velho.
-Ainda é o mesmo para mim, Senhor - Harry o respondeu e Alvo riu fraco.
-Exatamente como sua mãe, você é muito gentil, Harry - ele sorriu - Um traço que as pessoas nunca deixam de subestimar, eu acho. - Dumbledore parou de olhar para Potter e me encarou - você também, , tenho certeza que Sirius está muito orgulhoso de você, se tornou uma ótima bruxa e uma menina incrível.
-Graças a você! No pouco tempo em que estou em Hogwarts o senhor me ensinou muita coisa - respondi e ele sorriu.
-Como eu disse, os dois são muito gentis, mas não estamos aqui para jogar conversa fora - ele falou se aproximando de nós - O lugar para onde viajaremos essa noite é extremamente perigoso. Eu prometi que vocês poderiam em acompanhar e vou cumprir, mas com uma condição: terão que obedecer as ordens que eu der sem reclamar.
Espera aí! Harry me disse que Dumbledore havia chamado a gente e não que ele tinha pedido para que nós dois acompanhássemos ele, no que eu acredito ser uma caçada a horcruxes.
-Sim, Senhor - Harry respondeu por nós dois.
-Estão entendendo o que estou dizendo? Se eu disser para se esconderem, vocês se escondem. Se eu mandar vocês correrem, vocês correm. Se eu mandar vocês me abandonarem e se salvarem, vocês me obedecerão. Eu tenho a palavra de vocês?
-Sim, senhor - Harry respondeu e Dumbledore me encarou. Virei para Harry, nervosa, mas o mesmo me ignorou. Respirei fundo e assenti.
-Sim, senhor - repeti o que Harry disse e Dumbledore agradeceu.
-Segurem nas minhas mãos - ele estendeu a mão para nós dois.
-Senhor, pensei que não pudesse aparatar em Hogwarts - eu comentei.
-Bem, sendo quem sou, tenho privilégios - ele respondeu e novamente estendeu a mão para nós dois que rapidamente seguramos.
E então eu senti meu estomago revirar e minha visão ficar turva, pensei que iria desmaiar que nem fiz mais cedo mas a sensação parou assim que paramos em uma enorme pedra no meio de um mar revolto.
Olhei para frente e dei de cara com um conjunto de pedras que formavam uma caverna e, puxando nossas mãos, Dumbledore fez com que aparatássemos novamente e chegássemos dentro da caverna.
-Este lugar, já conheceu a magia negra - Alvo disse enquanto passava as mãos nas enormes paredes de pedra. Ele se virou para nós mostrando uma faca em sua mão e em seguida ameaçou fazer um corte na outra quando Harry o interrompeu.
-Senhor...
-Para que possamos entrar, um pagamento precisa ser feito, um pagamento para enfraquecer qualquer intruso.
-Devia dar o meu sangue - Harry comentou.
-Não, Harry, o seu sangue vale muito mais do que o meu - ele respondeu e depois de fazer um pequeno corte na mão, esfregou o sangue em uma pedra enorme que logo depois passou a desabar pequenos pedaços dela e então uma entrada apareceu.
Vi Harry pegar sua varinha e fiz o mesmo tirando-a da barra de minha calça.
-Lumos - sussurrei chacoalhando de leve a varinha e vendo uma pequena bola de luz aparecer. Dumbledore, que já possuía sua varinha acesa, começava a entrar no buraco de rochas.
-Voldemort não permitiria facilmente que encontrássemos seu esconderijo - ele falava enquanto andava cuidadosamente por cima dos pequenos pedaços de pedra. Segurei no ombro de Harry que andava em minha frente e o mesmo colocou a mão por cima da minha se assegurando de que eu não cairia. - Ele certamente colocou muitas defesas. - ele disse assim que passamos pela entrada e chegamos a um pequeno local de frente para um grande lago.
Soltei do ombro de Harry quando terminei de passar pela entrada, mas escorreguei em outro pedaço de pedra que tinha solto por ali. Harry rapidamente passou o braço pela minha cintura e me segurou.
-Cuidado - Dumbledore disse sem nos encarar.
-Obrigada - agradeci a Harry depois que consegui me equilibrar.
Dumbledore que olhava em volta a procura de algo lançou uma bola de luz em direção ao lago. Observamos a mesma seguir pela, razoavelmente grande, extensão de água até finalmente parar do outro lado.
-Está ali - Alvo apontou - A única questão é como chegaremos lá. - ele disse e começou a descer pelos poucos degraus que haviam ali. Ele chegou bem perto do lago e estendeu a mão. Segundos depois a água começou a se mexer como se estivesse fervendo e em seguida uma corrente surgiu no ar e Dumbledore a agarrou. - Pode puxar, Harry? - ele pediu e o mesmo rapidamente se prontificou a puxar a corrente.
Na medida que Harry puxava a corrente, um barco surgia no meio do lago e depois se aproximava de nós. Dumbledore foi o primeiro a entrar, o segui e logo depois que Harry entrou a pequena embarcação começou a se mover sozinha nos levando até o outro lado do lago.
Harry foi o primeiro a descer a ajudou Dumbledore e eu a sairmos do barco. Olhei para o chão que aprecia ser feito por pedaços de vidro e tomei cuidado ao pisar. Alvo foi rapidamente para o topo da pequena pedra de vidro onde estávamos e se pôs de frente para um reservatório que parecia um grande cálice.
-O senhor acha que tem uma horcruxe aí? - perguntei.
-Oh, sim - ele me respondeu enquanto passava as mãos no fundo do cálice que me parecia ser feito de uma camada grossa de vidro bem parecida com gelo. Conforme ele passava mão, um líquido incolor, que poderia ser água mas eu duvido muito que seja, surgia e a feição do homem a minha frente mudava. - Tem que ser bebida, toda a poção tem que ser bebida. Lembram-se da condição que impus para que viessem comigo? - ele perguntou e nós assentimos - essa poção deve me paralisar, me fazer esquecer a razão de estar aqui. Deve causar tanta dor que eu talvez implore morte. Não podem obedecer a esses pedidos. A tarefa de vocês é garantir que eu beba essa poção mesmo que tenham que me forçar a beber. Entenderam?
-Por que não posso beber a poção? - Harry perguntou.
-Porque sou muito mais velho, muito mais esperto e muito menos valioso.
-Então deixe que eu beba - me voluntariei - os dois são muito mais valiosos do que eu.
-Oh, , achei que já tivéssemos conversado sobre isso. - ele sorriu calmamente - só porque você não tem noção do seu valor não significa que ele não exista. Nos tempos em que estamos, a sua vida e a de Harry são bem mais importantes que a minha.
-Mas... - eu tentei contestar mas o homem já estava com uma pequena concha não mão e agora a enchia com a poção.
Dumbledore levou o liquido a boca e, depois de engolir, fechou os olhos e assim que os abriu começou a tremer.
-Professor - Harry o chamou assustado e observou o homem continuar a tremer.
Potter ajudou Alvo a se sentar enquanto ele tremia e resmungava palavras desconexas. Enquanto Harry continuava a fazer Dumbledore se acalmar, eu olhei em volta encontrando a concha no chão. A peguei e enchi rapidamente com a poção levando de volta pra Alvo. Me agachei em frente a ele e fiz com que bebesse o liquido todo enquanto Harry o segurava para evitar que ele derramasse ou cuspisse.
Voltei novamente para o cálice e enchi a concha mais uma vez levando até Dumbledore.
-Não, não faça isso - ele me implorava.
-O senhor precisa continuar bebendo como disse, lembra? - falei ficando nervosa com toda a situação e fazendo com que o homem bebesse o resto da poção.
Repeti o processo mais dez vezes em meio de implorações por morte, negações e resmungos. Vi que Harry estava visivelmente perturbado com a situação e me esforcei para acabar com aquilo o mais rápido possível.
-Só mais uma, Senhor, só mais essa e eu prometo que farei o que me pedir - disse e depois de pensar um pouco, Dumbledore abriu a boca a contragosto e engoliu a última dose da poção.
Ele respirou fundo e depois de um tempo chamou por Harry.
-Água - ele pediu ao menino enquanto salivava - água - ele repetiu e Harry rapidamente pegou a concha da minha mão. Ele seguiu até o cálice e parou para observar algo.
-HARRY! - Chamei sua atenção.
-O senhor conseguiu, olha - Harry falou se virando para nós com um medalhão em mãos.
-Harry, água - Dumbledore pediu mais uma vez e o menino guardou o colar no bolso do casaco e pegou a varinha.
-Aguamenti - ele conjurou porém parecia que o feitiço tinha sido em vão já que depois de várias tentativas ele não conseguia encher a concha.
Harry, percebendo qual seria a única solução, seguiu receoso até o lago.
-Lumos - ele acendeu a varinha e se agachou para pegar um pouco de água. Porém assim que a concha entrou em contato com o lago uma mão surgiu e agarrou seu pulso.
Vi Harry se afastar e andar até o meio da rocha onde estávamos. Vendo que ele precisava de ajuda, deixei Dumbledore sozinho e segui até ele.
-LUMOS MAXIMA - eu gritei e a enorme bola de luz iluminou o local nos deixando enxergar tudo melhor.
Centenas de criaturas esqueléticas que pareciam zumbis saiam do lago e nos cercavam.
-Inferi - comentei com Harry que assentiu. Inferi são cadáveres, corpos mortos que foram enfeitiçados para cumprir as ordens do bruxo da trevas.
As criaturas escalavam a pedra e começavam a se aproximar.
-Sectumsempra - eu e Harry conjurávamos mas de nada adiantava. Os inferi já ocupavam a pedra e estavam a pouquíssimos centímetros de distancia.
Senti mãos na minha perna e rapidamente a balancei fazendo a criatura me soltar. Mas mais delas apareceram e começaram a me puxar em direção ao lago. Virei para pedir ajuda a Harry mas o menino se encontrava na mesma situação que eu. Em meio a chutes e socos dados em vão eu fui jogada dentro do lago.
Senti meu corpo afundando e tentei nadar de volta a superfície quando um braço envolveu meu pescoço e puxou mais para o fundo. Tentei me soltar, mas como nunca fui boa em prender a respiração por muito tempo, o ar já se fazia necessário e os meus movimentos saiam lentamente.
Vi uma enorme chama vermelha se estender por cima de todo o lago e assim que atingiu a criatura que me rodeava eu consegui me soltar e voltar para a superfície.
Vi que Dumbledore era quem havia criado o anel de fogo e então me lembrei. Inferi não se machucam por feitiços como sectumsempra porque não tinham sangue, ou seja, estavam ilesos. Eles só podem ser destruídos por fogo.
Subi com a ajuda de Harry para a pedra onde Dumbledore continuava a fazer o enorme anel de fogo e assim que nos juntamos a ele, Alvo pediu para que segurássemos em seu braço e em seguida nós aparatamos.
Quando senti meus pés tocarem o chão novamente, nos encontravamos na torre de astronomia. Já havia anoitecido e eu me perguntava quanto tempo ficamos na "caverna".
-Tenho que levar o senhor para o hospital - Harry disse enquanto segurava Dumbledore e o levava até um banquinho o ajudando a sentar.
-Não, eu preciso de Severo, agora - Dumbledore pediu. - Contem o que aconteceu, não falem com mais ninguém.- ele tossiu - Severo, Harry, Por favor.
Harry soltou de Dumbledore e me puxou seguindo até a escada.
-Se escondam aqui embaixo, não falem e nem sejam vistos por ninguém sem a minha permissão. Aconteça o que acontecer vocês tem que ficar escondidos. - ele fez uma pausa por causa da dor - façam o que eu digo, confiem em mim.
Harry me guiou até a parte de baixo da torre onde pudemos ver Draco subindo. -Aqui, vem - Harry sussurrou me chamando para o meio do lugar, onde tinha um detalhe no teto que nos permitia ver o que acontecia na parte de cima.
-Boa noite, Draco - Dumbledore disse calmamente. - o que o traz aqui nessa linda noite de primavera?
-Quem mais está aqui? Eu ouvi o senhor falando - Draco perguntou enquanto apontava sua varinha para Dumbledore. Não era necessário ver o rosto do menino para saber que ele estava nervoso, seu tom de voz deixava isso bem explicito.
-Ah, eu costumo falar comigo mesmo, acho extremamente útil. - Dumbledore respondeu suavemente - Você tem conversado com você mesmo, Draco? - perguntou e fez uma pequena pausa antes de voltar a falar - Draco, você não é um assassino. -COMO SABE O QUE EU SOU? - Gritou nervoso e ofegante - Fiz coisas muito chocantes.
-Ah, como enfeitiçar Katia e esperar que ela me entregasse o cordão amaldiçoado? - ele perguntou e Malfoy permaneceu em silêncio - Como envenenar a garrafa de hidromel? Me perdoe, Draco. Suas tentativas tem sido tão tolas que não creio que queria mesmo me matar.
Arregalei os olhos e estava prestes a comentar com Harry quando ele pôs o dedo na frente dos lábios, me lembrando que devíamos permanecer em silêncio.
-Ele confia em mim, eu fui escolhido - e então Malfoy levantou a manga do casaco e mostrou a marca negra em seu braço.
E então rapidamente flashes da conversa de Draco com Snape meses atrás passaram na minha cabeça.

"Posso ter enfeitiçado aquela tal de Bell, ou não - Draco disse bravo. - o que você tem com isso?
-Eu jurei proteger você, eu fiz o voto perpétuo. - Snape respondeu.
-Não preciso de proteção, eu fui o escolhido, entre todos, fui eu e não vou decepciona-lo."


Como Harry e eu pudemos deixar esse assunto de lado? Nós sabíamos sobre o que os dois falavam mas preferimos acreditar que ouvimos errado e que não devíamos nos preocupar quando obviamente deveríamos ter feito o contrário.
Harry deveria estar a se lembrar do mesmo que eu já que sua cara mostrava que ele estava bravo consigo mesmo.
-Devo facilitar para você - Dumbledore disse abrindo os braços com a varinha em mãos.
-Expelliarmus - Draco ordenou e em segundos a varinha de Alvo havia sido jogada para o lado. E Harry instantaneamente havia pegado a própria varinha e se preparado para caso fosse necessário que ele interferisse.
-Muito bom, muito bom - Dumbledore o elogiava e o menino tremia. De repente um barulho de porta ecoou pela torre. - Você não está sozinho, existem outros - Alvo deduziu. - Como?
-O armário sumidouro dentro da sala precisa. Eu o consertei - Ele explicou.
-Deixe-me adivinhar... Tem outro armário, é um par?
-Na Borgin Burke - Draco respondeu - Forma uma passagem.
-Inteligente. - Alvo elogiou - Draco, há alguns anos, conheci um menino que fez todas as escolhas erradas. Por favor, me deixe ajudar.
-EU NÃO QUERO SUA AJUDA! - Ele gritou e por instinto eu peguei minha varinha - O senhor não entende. Eu tenho que fazer isso! - a voz de Malfoy deixava claro o quão difícil aquilo tudo estava sendo para ele. - Eu tenho que matar o senhor. Caso contrário, ele me matará.
Arregalei os olhos mais uma vez e encarei Harry, que estava cem por cento concentrado no que acontecia na parte superior.
Passos foram ouvido e rapidamente puxei Harry para trás de uma pilastra, onde nos escondemos enquanto outros comensais se juntavam aos dois. Assim que todos subiram, nós voltamos para onde estávamos. Eu não conhecia muitos comensais mas pude reconhecer o rosto de Bellatrix Lestrange.
-Oh, olhe o que temos aqui - ela disse e se aproximou de Draco sussurrando algo para ele.
-Boa noite, Bellatrix - Dumbledore a cumprimentou - Acho que fará as apresentações, não fará?
-Adoraria, Alvo - ela respondeu docemente - Mas acho que estamos com o horário apertado. - e então ela virou para Draco que ainda apontava a varinha na direção de Dumbledore - Faça!
-Ele não tem coragem, é igual ao pai dele - um dos comensais, cujo eu não sabia o nome, disse. - Deixa que eu acabe com ele do meu jeito.
Segurei minha varinha com mais força e, assim como Harry, apontei para a parte de cima. Senti a presença de mais alguém conosco e me virei encontrando Snape apontando a varinha para Harry que também percebeu e se virou para o homem. Snape pediu para que ficássemos em silêncio e abaixou sua varinha. Em seguida ele se virou para a escada e começou a subir em direção aos outros.
-Mate-o, Draco. Agora! - Bellatrix mandou.
-Não - Snape a interrompeu e eu sorri aliviada, ele iria botar um ponto final nessa história.
Continuei a observar tudo e quando me virei para Dumbledore ele discretamente olhou para mim e para Harry.
-Severo, por favor - Dumbledore pediu e levaram-se alguns segundos para a pior cena que eu poderia imaginar presenciar acontecer.
-AVADA KEDAVRA - Snape gritou e então o corpo de Dumbledore foi lançado sem vida varanda abaixo.
Coloquei a mão na boca evitando o grito que queria sair e senti meus olhos arderem.
Bellatrix seguiu até a parte onde Dumbledore foi jogado e com um grito e a varinha levantada para o céu ela conjurou o símbolo da marca negra.
Os comensais passaram por nós rapidamente enquanto desciam e depois de me recuperar do choque Harry e eu corremos escada abaixo na intensão de segui-los. Assim que ultrapassamos os portões de Hogwarts seguimos eles pela floresta até a cabana de Hagrid.
-Hagrid - Lestrange cantarolou.
-Snape! - Harry que estava a minha frente gritou assim que chegamos mais perto deles. Os comensais pararam e nos encararam. - ELE CONFIOU EM VOCÊ.
Vi Bellatrix movimentar a varinha em direção a casa de Hagrid e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa a mesma já estava em chamas.
-SIGAM - Snape gritou para os outros.
-Incarcerous - Harry tentou atacar Snape mas o mesmo se defendeu - Revide, seu covarde!
Snape nada fez mas Bellatrix com um feitiço lançou Harry para trás.
-Sua vadia! - eu resmunguei enquanto a mesma ria.
-A pequena Black, havia quase me esquecido de você. A última vez que nos vimos você ainda estava nas fraudas chorando por eu ter matado sua mamãe. - ela fez um biquinho. - Pelo menos eu te livrei de ser criada por Elisa, ela era um péssima bruxa, uma vergonha para o nosso mundo.
-Não ouse falar da minha mãe, você nunca será melhor do que ela ou qualquer outra bruxa, você sim é uma vergonha para o nosso mundo - eu respondi enquanto apontava minha varinha para ela.
-Expelliarmus - Snape ordenou e minha varinha voou longe enquanto Bellatrix gargalhava. - Potter pertence ao lorde das trevas e Black não tem tanto significado, vamos deixa-los ai - Snape falou e Lestrange se virou saindo do lugar.
Snape me encarou mais uma vez e se virou para sair. Harry, que havia levantado sem que eu percebesse, tentou atacar Snape pelas costas mas novamente não conseguiu. O homem se virou e atacou Harry, que mais uma vez caiu. Segui até ele correndo e me agachei passando as mãos em seu cabelo.
-Você está bem? - perguntei e ele assentiu.
Snape se aproximou de nós e apontou a varinha para Harry.
-Você ousa atirar meu próprio feitiço contra mim, Potter? - ele perguntou incrédulo e nós dois o encaramos confuso - Sim, eu sou o príncipe mestiço. - E ao perceber que não iríamos responder, ele saiu de lá nos deixando para trás.
-Harry! ! - Hagrid apareceu nos chamando. - O que aconteceu?
-Nós tentamos... Nós... - eu tentei falar mas me perdi, respirei fundo e depois de organizar meus pensamentos eu, o respondi - É uma longa história.
-Venham, tenho algo a mostrar a vocês - ele respondeu e então eu percebi que Hagrid chorava e já imaginei sobre o que ele falava.
Seguimos até a entrada de Hogwarts e encontramos uma multidão de alunos. Sabendo do que se tratava, Harry e eu corremos, passando por todos os alunos e chegando no motivo de todos estarem ali.
O corpo de Dumbledore se encontrava no chão, completamente pálido e sem vida. Cobri meu rosto com as mãos e então senti braços passando pelo meu ombro. Rony me abraçara e assim que a sensação de proteção me atingiu eu desabei. Harry havia se aproximado do corpo e estava agachado ao seu lado.
Me soltei de Rony lentamente e, depois de agradecer pelo consolo com um sorriso pequeno, eu segui até Potter. Me agachei ao seu lado e percebi que ele chorava. Passei minhas mãos pelo seu pescoço e o abracei. Senti suas mãos na minha cintura e, quando Harry se entregou totalmente ao abraço, seus soluços aumentaram assim como seu choro.
Lágrimas desciam pelo meu rosto descontroladamente. Eu estava destruída. Não apenas emocionalmente, mas também fisicamente. Eu estava destruída por ter visto o homem, que foi o mais perto que tive de uma figura paterna esses meses, morrer; Por ter quase sido afogada por vários inferi; Por ter desmaiado mais cedo; E principalmente, por ter o garoto que eu gostava agarrado a mim enquanto chorava compulsivamente pela perda de uma das pessoas que mais admirava.
Os alunos e professores envolta tinham suas varinhas apontadas em direção ao céu em sinal de luto. E aos poucos a marca negra foi tirada do céu e tudo que permaneceu no local foram as lágrimas e dores pela enorme perda que havíamos sofrido.

Capítulo 11

Tirar Harry de perto do corpo no dia anterior foi complicado, por mais que estivesse sendo difícil para mim também eu sabia que a dor que ele estava sentindo não tinha comparação a minha. Mas depois de muito tempo, ele finalmente se deu por vencido e me deixou tira-lo de lá.
Dizer que eu dormi calmamente seria uma completa mentira. Toda vez que eu fechava os olhos a cena de Dumbledore caindo da torre completamente sem vida passava em minha cabeça e os gritos de Harry ecoavam em meus ouvidos. Fui dormir lá para as três horas da manhã e eu sabia que não era a única acordada, já que Hermione mudava de lado na cama a cada cinco minutos.
Levantei com o dormitório já vazio e um bilhete de Hermione ao lado de minha cama. "Sei que dormiu tarde por isso não quis te acordar, se precisar de mim estarei na biblioteca."
Se fosse qualquer outra pessoa eu ficaria confusa, mas já que estávamos falando de Hermione Granger era meio óbvio que ela tentaria se distrair com livros.
Depois de me arrumar, vi que era quase hora do almoço por isso me apressei para chegar no salão principal a tempo, estava faminta. Desci as escadas e assim que cheguei ao salão comunal vi que todos pararam para me encarar. Arqueei a sobrancelha confusa com a reação das pessoas, mas deixei isso pra lá e saí seguindo até a escadaria.
-Olha só, se não é a celebridade do ano - a voz de Draco soou atrás de mim e eu revirei os olhos - O gato comeu sua língua, Black?
-Ainda com essa de me chamar de Black? - me virei ficando de frente pra ele.
-Não adianta mentir, , eu ouvi uma conversa da Minerva com o Hagrid, eu já sei de tudo, ou melhor, agora todos sabem. - ele sorriu.
-Como assim todos sabem? - perguntei confusa.
-Todos, tipo, todos os alunos de Hogwarts.
-E como eles saberiam? - perguntei sem perceber que de certo modo eu havia confessado.
-Porque eu contei - ele respondeu como se fosse óbvio.
-E todos acreditaram em você? - perguntei em deboche.
-Mas é claro, esqueceu quem eu sou?
-Como se você deixasse alguém esquecer seu nome - falei sarcástica - seu argumento para tudo é "Eu sou Draco Malfoy, seus sujeitinhos de sangue ruim".
-Ainda bem que sabe, Black. Porque sendo trouxa ou não você nunca será superior a mim - ele respondeu se aproximando de mim.
-Sabe que você me deu uma ótima ideia, Draco? - falei olhando em seus olhos e vendo-o ficar desconfortável.
-É? E qual seria?
-Já que as pessoas acreditam tão facilmente nas coisas só de ouvirem uma pessoa contando, acho que vou sair por ai espalhando como você foi corajoso em ameaçar Dumbledore na torre de astronomia. Mas só isso que você teve coragem de fazer, não é? Por que nem quando decide fazer a coisa errada você consegue cumprir com a sua responsabilidade. A verdade é que ser você é ser um covarde. Seu pai deve estar desapontado, assim como o seu lorde. - respondi e vi seus olhos ficarem vermelhos de raiva.
Malfoy me agarrou pelo colarinho da minha camisa e me empurrou até uma parede me deixando encurralada.
-Escuta aqui...
-Não, você escuta aqui - o interrompi me soltando de suas mãos e o empurrando para longe - se você ousar encostar um dedo em mim mais uma vez eu vou cortar cada um deles da sua mão, você não acha que eu sou filha de um assassino? Então deveria aprender a não mexer comigo - falei e saí dali deixando Draco para trás.
Segui até o salão principal e encontrei Fred e Jorge sentados em uma mesa. Aproximei-me deles e sentei de frente para Jorge.
-Bom dia - falei deixando meu mau humor transparecer em minha voz.
-Isso tudo porque todos já sabem do seu segredinho? - Fred perguntou.
-Todos acreditaram? - perguntei.
-Digamos que Malfoy andou juntando boas provas para sua teoria - Jorge respondeu e eu ri incrédula.
-Eu estou a um passo de bater nesse menino.
-Eu já fiz isso, não vou mentir, a sensação foi ótima - Hermione falou assim que surgiu do meu lado.
-Você bateu no Malfoy? - perguntei chocada.
-Sim, no terceiro ano.
-No mesmo ano que...
-Nós conhecemos Sirius, sim - ela respondeu com um sorriso triste no rosto.
-Vocês sabem onde o Harry está? - perguntei mudando de assunto.
-Sim, vim te chamar por isso.
-Me chamar?
-Ele precisa de você, sabe disso - ela respondeu me olhando significativa e eu sorri fraco. Me virei e encontrei Fred me encarando.
-Fred, eu acho que nós precisamos...
-Não precisamos nada - ele me cortou - Vai atrás dele, está tudo bem.
-Tem certeza? Acho que temos que conversar...
-Não se preocupa com esse aqui não, - Jorge se intrometeu - Ninguém parte o coração de um Weasley tão fácil assim.
-É sério? Eu posso...
-VAI LOGO - Fred gritou rindo - Vá antes que eu te empurre desse banco.
-Tudo bem então, vejo vocês depois - me despedi e saí com Hermione até a torre de astronomia onde Harry e Rony estavam.
Assim que entrei no lugar Hermione seguiu até Harry e me deixou para trás. Um calafrio percorreu minha coluna e um flashback do dia anterior me atingiu. Respirei fundo tentando esquecer tudo aquilo e segui até Rony que estava sentado um pouco afastado dos dois. Passei a mão no cabelo do ruivo que me respondeu com um sorriso desanimado. Retribui o gesto e segui até Hermione e Harry que conversavam sobre a noite anterior.
Vi Harry pegar o medalhão e entregar para Hermione que encarou o objeto curiosa.
-Pode abrir, é falso - ele respondeu visivelmente desapontado.
Hermione abriu o medalhão com cautela e tirou de lá um pequeno pedaço de papel que estava todo dobrado.
-"Ao lorde das trevas, sei que há muito estarei morto quando ler isto, mas saiba que fui eu quem descobriu o segredo. Roubei a horcrux verdadeira e pretendo destruí-la assim que puder. Enfrento a morte na esperança de que, ao encontrar o adversário certo, tenha se tornado outra vez mortal. RAB" - Granger terminou de ler a mensagem contida no bilhete e encarou a mim e a Harry - RAB - ela repetiu.
-Não sei - respondi.
-Nem eu, mas seja quem for está com a verdadeira horcrux, o que quer que seja foi tudo em vão - Harry respondeu e eu coloquei a mão em seu ombro em sinal de afeto.
-Vamos resolver isso juntos, Harry.
-Eu não vou voltar - ele avisou e eu arqueei a sobrancelha - Eu tenho que terminar o que Dumbledore começou. E eu não sei para onde isso vai me levar, mas eu aviso a vocês quando descobrir isso.
-Eu sempre admirei a sua coragem, Harry - Hermione fez uma pausa e eu virei para encara-la - Mas ás vezes você é muito burro - ela falou e ele a encarou confuso - Acredita mesmo que vai encontrar essas horcruxes sozinho? Você precisa da gente - ela sorriu fraco e ele deu um leve apertão em sua mão em forma de agradecimento.
-Sabe, eu nunca percebi o quanto esse lugar é lindo - mudei de assunto enquanto observava o reflexo do sol no lago.
Um barulho de pássaro chamou nossa atenção e ao olhamos para cima vimos a fênix de Dumbledore sobrevoando ao redor de Hogwarts. Saí de onde estava e fui acompanhando a fênix até vê-la se afastando da escola. Percebi que os outros três estavam atrás de mim, olhei para trás sorrindo, eles retribuíram e então eu tive certeza que todos estavam se sentindo que nem eu. Esperançosos.

[...]

-Tem certeza de que não quer passar um tempo lá em casa? - Hermione perguntou - Meus pais não iriam se importar.
-É! Se quiser pode ficar na toca também - Rony ofereceu.
-Eu adoraria passar as férias com você, sabe disso, mas se eu pudesse, nem eu passaria esses meses com os Dursley. - Harry comentou e eu ri.
-Eu agradeço por todas as ofertas, pessoal - sorri enquanto apertava minha mochila nas costas. Havíamos acabado de chegar à plataforma 9¾ e meus três amigos estavam tentando me convencer a passar as férias com eles. - Mas como nossos planos para o ano seguinte serão diferentes do que deveriam ser, acho que preciso ao menos me despedir de Susan e Robert.
-A escolha é sua, mas se quiser, já sabe, mande Edwin com um recado e vamos te buscar na hora. - Rony respondeu e eu sorri.
-Bom, eu não prometo de buscar na hora porque meus pais preferem que eu não use muita magia enquanto estou em casa, mas caso precise prometo que irei te buscar o mais rápido possível - Hermione falou.
-Obrigada, pessoal, mas vai dar tudo certo. Afinal, são só alguns meses mesmo, não é como se fosse o fim do mundo - falei e depois percebi que minha frase tinha um duplo sentido. Se não conseguíssemos derrotar Voldemort, possivelmente seria o fim do mundo. - Ops, comentário infame - disse e os três riram.
-Bom, meus pais estão ali, acho melhor eu ir. - Rony comentou apontando para um grupo com cinco cabeças ruivas. - Vejo vocês em breve.
Ele se despediu de Harry com um abraço, de um beijo em minha bochecha e quando foi se despedir de Hermione foi uma confusão só. Eles foram para o mesmo lado, depois bateram a testa, foram para o mesmo lado mais uma vez e decidiram se despedir com um simples e amigável aperto de mãos, o que causou muitas risadas minhas e do Harry.
-Eu já deveria ir também, aproveitar esse tempinho com meus pais - Hermione falou desconfortável e Harry riu. Ele me deu um abraço assim como fez com Potter, fez com que prometêssemos escrever para ela e partiu.
Harry e eu ficamos alguns segundos olhando um para a cara do outro até eu começar a rir.
-Credo, estamos ficando que nem Rony e Hermione - comentei e ele riu.
-Ninguém chega aos pés daqueles dois - ele respondeu e eu concordei. Vi que Harry encarava meu pulso e segui o olhar dele vendo que o rapaz observava a pulseira que eu usava - Bom saber que gostou do presente.
-É! A pessoa que me deu tem um ótimo gosto - brinquei e ele sorriu.
-Essa pessoa deve gostar muito de você, para te dar um presente desses. - ele disse entrando na brincadeira.
-Eu também gosto muito dela - respondi o encarando e Harry finalmente parou de observar meu pulso e levantou o rosto me encarando. -Só tem um probleminha.
-E qual seria? - ele perguntou avoado.
-Ela ainda não me disse o significado de um pingente - respondi me referindo ao pingente de coração que vinha junto na pulseira e que Potter havia me dito que eu teria que descobrir sozinha.
-Algo me diz que você já sabe - ele falou e eu sorri.
-Não sei não, eu sou meio lerda de vez em quando.
-Que pena, vai ter que se esforçar um pouco mais então - ele respondeu e eu revirei os olhos. - Infelizmente, eu tenho que ir. Os Dursley vão me matar se eu os deixar esperando.
Fiz uma careta ao ouvi-lo se referir aos tios e depois o respondi:
-É! Eu provavelmente deveria ir procurar por Susan e Robert.
-Nos vemos em algumas semanas? - ele perguntou e eu assenti.
-Tente não morrer de saudade - respondi e ele riu.
-Se eu fosse você não me preocuparia com isso - ele respondeu e eu fingi estar chocada.
-Grosso.
-Besta - ele respondeu e eu ri.
-Bom, eu deveria mesmo ir procurar pelos dois - voltei ao assunto e ele assentiu. -Até mais, Harry - o abracei rapidamente e me afastei. - SE CUIDA - Gritei depois que me afastei dele e segui caminho até a estação Kings Cross.
-CUIDADO - Alguém gritou, eu olhei para trás assustada. Segundos depois eu fui atingida na cabeça por uma mala.
-AI! - Gritei pondo a mão na cabeça.
-, me desculpe, estava treinando um feitiço, pelo visto não deu muito certo - Era Luna, tinha que ser a Luna.
-Sem problemas - respondi tirando a mão do local atingido e encarando a loira a minha frente. - Só acho melhor da próxima vez que você tentar um feitiço novo, talvez um lugar menos movimentado seja mais recomendável.
-Pode deixar - ela disse e eu sorri - Os boatos são verdadeiros? - ela perguntou e eu arqueei a sobrancelha confusa.
-Que boatos?
-Sobre seu pai. - ela respondeu meio sem jeito. Claro, tinha me esquecido dessa história.
-Sim - respondi e ela sorriu entristecida.
-Sabia que você me lembrava ele. Pena que nunca o conheceu, eu tive a chance de vê-lo uns anos atrás, ele era uma boa pessoa - ela disse e eu sorri.
-Tenho certeza disso - respondi - Agora, Luna, se não se importa, eu tenho que ir - falei meio sem jeito.
-Tudo bem, até o ano que vem, - ela se despediu e saiu saltitante.
Luna Lovegood precisa ser estudada.
Ri vendo a menina se afastar e me virei encontrando Susan e Robert olhando em volta da estação, obviamente me procurando.
-Vamos lá, , você consegue - murmurei para mim mesma e segui até os dois.
A cada passo que eu dava eu sentia meu coração bater mais rápido, a raiva já havia passado, e até aquele momento eu não havia percebido o quanto eu sentia falta deles.
O sorriso que Robert abriu assim que me viu fez meus olhos marejarem e eu rapidamente corri em direção aos dois, os abraçando.
-Filha, que saudade - Susan falou e eu me arrepiei.
Eu sabia que eles não eram meus pais, eu sabia que por mais que eu quisesse nunca escutaria aquilo da boca dos meus pais verdadeiros, mas naquele momento nada mais importava, eu me sentia em casa.
-Me desculpem por não ter escrito nada esse tempo todo, mas tudo mudou tão rápido assim que eu cheguei lá. E eu fiquei com raiva, mesmo sabendo que não tinha motivo para isso já que vocês me acolheram como sua filha desde o começo, mas eu não conseguia parar de me sentir assim. Sem falar que eu estava decepcionada em saber que eu jamais veria meus pais verdadeiros e...
-, se acalme - Susan me cortou ao perceber que meu monólogo não acabaria tão cedo - está tudo bem, querida. - ela sorriu e eu finalmente consegui parar de chorar.
-Vem, vamos para casa - Robert estendeu a mão para pegar minha bagagem e de braços dados com Susan eu consegui me retirar do local.
Fomos o caminho inteiro conversando, botando o assunto em dia e rindo. Por mais que as coisas fossem diferentes agora e a todo momento uma voz ecoava na minha cabeça perguntando "Será que com Elisa e Sirius a situação seria diferente?", eu estava feliz. Por todos esses anos nós fomos uma família e saber que, mesmo depois dos últimos acontecimentos, as coisas continuavam iguais, era muito bom.
-Eu senti falta até desse pestinha - Susan disse quando pegou a gaiola de Edwin, porém a coruja tentou bicar sua mão e ela quase a jogou longe. - Já não sinto mais.
Robert e eu rimos e eu fui até ela e peguei a gaiola do meu mascote.
-Só pode ser implicância com você, Edwin é a coruja mais dócil que existe.
-Imagina a mais brava - ela resmungou e eu revirei os olhos rindo.
-Não liga, não, Edwin, eu até gosto de você, sua criaturinha insuportável - Robert falou encarando Edwin que tentou bicar sua mão também. - Quem eu vou enganar? Eu só te suporto por causa dela. - ele respondeu e eu ri.
Segui até a porta de casa e percebi que eu não estava com as chaves.
-Pai - chamei Robert e me senti culpada, me senti como se estivesse traindo Sirius. Percebi Robert ficar surpreso e mesmo ele tentando disfarçar eu sabia que ele havia ficado feliz.
-Sim?
-Estou sem a chave.
-É só girar a maçaneta - ele falou e eu estranhei porém no momento seguinte em que eu girei a maçaneta e abri a porta eu entendi o porquê.
-SURPRESA - e minha avó gritaram juntas e eu sorri abobalhada.
-Vovó! - sorri colocando Edwin no sofá e correndo para abraçar a senhora que estava na cadeira de rodas. - O que aconteceu? - perguntei ao notar a cadeira.
-Eu caí da escada tentando pegar um prato no último armário da cozinha e me machuquei. Não se preocupe, ainda consigo andar, só não posso forçar muito minhas pernas - ela respondeu e eu me senti mal de, por ter me afastado de todos, não saber do que havia acontecido.
-Que bom que a senhora está bem. - falei e ouvi alguém pigarreando atrás de mim.
-Olha, essa velha não veio sozinha de avião até aqui não, ok? - resmungou e eu revirei os olhos rindo.
-De espírito você é bem mais velha do que eu, - minha vó retrucou e eu gargalhei. A relação das duas sempre me causava boas risadas.
Corri para abraçar minha prima que acabou caindo no sofá com o impacto.
-Que prima mais ciumenta a minha - falei com a voz abafada por causa do estofado do sofá.
-Mas é claro, você muda de escola e me esquece - ela resmungou e eu revirei os olhos.
-Me poupe desse seu drama, disso eu não senti falta - respondi e ele me socou de leve no braço.
-Também não senti falta dessa sua mania de revirar os olhos o tempo todo - ela comentou e eu revirei os olhos de propósito fazendo a mesma me socar de novo e então nós duas começamos uma briguinha no sofá.
-Parecem duas crianças - minha vó resmungou.
-Achei que eu era uma velha - provocou e quem revirou os olhos dessa vez foi minha avó.
-Já falei que qualquer dia eu mando você morar com sua mãe, de novo.
-Pra que isso, vozinha querida do meu coração? - levantou em um pulo e foi abraçar a senhora de 70 anos.
-Interesseira - minha vó resmungou batendo na bunda de que riu.
-Também te amo.
-Ah, mas eu estava com uma saudade dessa casa cheia - Susan comentou sorridente e eu me senti culpada em saber que aquilo não duraria muito tempo.
-Que tal um bolo para comemorar essa pequena reunião de família? - minha vó sugeriu.
-opa, bolo! - gritou.
-Sua gorda - a provoquei.
-Gorda é você, eu sou gostosa - ela respondeu e eu gargalhei.
-Vamos, quero ajuda para fazer o bolo - minha avó nos chamou e seguiu até a cozinha.

[...]

Eu havia voltado para Londres há sete semanas e nesse tempo eu mantive contato com os Weasley, Hermione e Harry. Fred e Jorge viviam me mandando cartas contando sobre os produtos que eles haviam criado para a loja deles e dias depois eles mandavam mais cartas contando como os produtos haviam dado completamente errado. Isso quando não decidiam me enviar um e pedir para que eu testasse. Só Deus sabe o quão difícil foi inventar uma desculpa para minha avó depois que uma das balas que eles me enviaram deixarem o cachorro dela verde.
Já Hermione sempre me enviava cartas contando as ideias e pesquisas que ela fez sobre as horcruxes e Voldemort. Não que eu esperasse receber algo diferente dela, tinha certeza que a morena passaria esse tempo livre estudando e pesquisando.
Harry sempre me mandava cartas reclamando de seus tios e implorando para dia em que nos entraríamos chegasse o mais rápido possível assim ele não precisaria mais aguentar os Dursley.
Rony era o meu informante, me mandava cartas contando o que se passava no mundo da magia, quantas broncas Fred e Jorge estavam levando por causa das inúmeras explosões que seus produtos causaram e quase sempre me enviava uma cópia do Profeta Diário, o que eu fazia questão de queimar depois que lesse assim minha avó não encontrava um pela casa.
E era exatamente o que eu estava fazendo agora, lendo a última cópia que Rony havia me mandado.
-"Marca negra espalha o pânico" - ouvi a voz de e dei um pulo da cama. - Te assustei? - ela brincou rindo.
-Achei que era a vovó.
-Não, a velha está dormindo lá em baixo - ela respondeu se jogando ao meu lado. - O que é a marca negra?
-É o símbolo de Voldemort e seus comensais - expliquei e ela me encarou confusa - você não vai entender - respondi e ela revirou os olhos.
-Não preciso entender do seu mundo para saber que isso não é bom - ela respondeu saindo da minha cama e se jogando na dela.
Pois é, enquanto estive fora meus pais compraram duas camas para o meu quarto, justamente para quando viesse passar um tempo conosco.
-É por isso que você veio? Para se despedir?
Parei de ler sobre o ministro da magia e fechei o jornal o colocando do meu lado.
-Como é?
-Nem vem, , eu te conheço melhor do que ninguém. Eu sei que você não vai voltar mais, pelo menos, não por um tempo. - ela respondeu e eu fechei os olhos respirando fundo.
Levantei caminhando até a porta do quarto, olhei o corredor para ter certeza de que ninguém pudesse ouvir nossa conversa e tranquei a porta em seguida.
-Tá tão na cara assim? - perguntei preocupada.
-Para Susan, Robert e a vovó, talvez não, mas para mim está mais do que claro. - ela respondeu se sentando direito na cama - Crescemos juntas, , se tem alguém que sabe dizer quando você está feliz, mentindo, ou tem algo de preocupando, esse alguém sou eu. - ela respondeu e eu soltei o ar que nem percebi estar prendendo.
-Eu achei que seria fácil, achei que estava vindo só por obrigação, para pelo menos dizer um "Tchau" para as pessoas que me bancaram e me aturaram esse tempo todo. Mas só quando encontrei Susan e Robert na estação é que eu percebi que eu estava vindo porque precisava, eu sentia falta deles. - desabafei sentando ao seu lado.
-Eu não imagino o quão difícil isso tudo deve estar sendo pra você, o seu mundo, é muito mais complicado do que o meu. Mas, eu estou aqui para te apoiar, em qualquer que seja a sua decisão. Eu vou estar sempre ao seu lado, talvez não fisicamente, mas psicologicamente sim. Eu só quero o seu bem, . E o que você decidir fazer, pode ter certeza que terá o meu apoio. Aqui do seu lado, ou a milhões de quilômetros. - ela respondeu me abraçando de lado e eu sorri.
-Obrigada, acho que eu estava precisando mesmo ouvir isto. - confessei e ela sorriu.
-Bonita a pulseira - ela mudou de assunto e eu ri observando o objeto. - O colar também, é um conjunto?
-Não - respondi me soltando do abraço e virando de frente pra ela - O colar é dos meus pais, os biológicos - respondi e vi se surpreender - E a pulseira foi um presente de um amigo.
-Um amigo, sei - ela ironizou e eu gargalhei da cara que ela fez.
-Por enquanto ele é só um amigo - respondi.
-"Por enquanto", como você não me conta uma história dessas? Anda, quero todos os detalhes - ela bateu palmas e eu ri começando a contar tudo sobre Harry.
-Então você está quase namorando o afilhado do seu pai e o único cara que pode matar o vilão psicopata do mundo bruxo?
-O seu resumo foi o melhor - respondi gargalhando e vendo minha prima fazer o mesmo. - Mas é basicamente isso, tirando a parte do quase namorando, a gente nem se beijou.
-Você já foi melhor hein, - ela falou e eu revirei os olhos.
-Você é ridícula - respondi.
-Pegou o melhor amigo mas não o cara que gosta? Qual o seu problema?
-Ei, eu não peguei ninguém, quer dizer, Fred e eu nos beijamos, mas foi ele que tomou iniciativa, a culpa não foi minha. - me defendi.
-Não se faz de santa, garota - ela resmungou e eu ri.
-Vou sentir sua falta - sorri triste e no mesmo instante a garota parou de rir e me encarou séria.
-Você não faz ideia do quanto eu vou sentir saudade de você - ela respondeu e vi seus olhos marejarem.
-Droga, se eu pudesse te levava junto - resmunguei sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto.
-Se eu pudesse fazia você mudar de ideia, mas como o velho barbudo que morreu disse que você é a única que pode salvar muitos, acho que seria egoísta da minha parte prender minha prima brilhante aqui no mundo trouxa. - ela respondeu e eu ri com o "velho barbudo que morreu".
-Você tem mania de estragar toda a mágica do mundo bruxo - respondi limpando minhas lágrimas e ela riu.
-É a minha função - ela deu de ombros e eu ri.
-Quando você vai?
-Não posso contar. - respondi e ela revirou os olhos.
-Pra onde você vai?
-Também não posso contar - eu respondi e ela bufou irritada - quanto menos você souber, mais segura você vai estar, é sério.
-Minha heroína - ela ironizou e eu joguei uma almofada em sua cara.

[...]

Na mesma noite, depois da conversa que tive com , ela teve a brilhante ideia de todos acamparmos na sala. E sem nem saber, ela havia facilitado muito as coisas para mim.
Enquanto todos arrumavam a sala, faziam comidas e escolhiam filmes no andar de baixo, eu estava terminado de arrumar minhas coisas.
Coloquei uma ultima camiseta em minha bolsa e a joguei em cima da cama. Olhei em volta do quarto tendo certeza de que não havia esquecido nada e por último meu olhar parou no jornal que eu lia mais cedo.
"Família de trouxas assassinada"
Meu estomago revirou ao ler aquela manchete mais uma vez e eu respirei fundo tentando controlar minhas lagrimas. Vesti o pijama por cima da roupa que eu usava e desci cuidadosamente com a bolsa e o tênis em mãos. Escondi os dois atrás do móvel da televisão e segui até um dos colchões infláveis que estava no chão da sala.
-A pipoca está pronta, o filme vai começar, será que vocês podem se apressar? - gritou chegando da cozinha e vindo sentar do meu lado - Olha, rimou.
-Você é patética - eu ri e roubei um pouco de pipoca do balde que ela carregava.
-E você é uma ladra. - respondeu e eu revirei os olhos.
-Por favor, me digam que não vamos assistir Esposa de Mentirinha mais uma vez - Robert falou chegando à sala com uma garrafa de cerveja acompanhado por Susan que apagara a luz da cozinha e trazia um balde de doces.
-Não ouse falar mal do melhor filme de comédia do mundo - resmungou nervosa.
-Já assistimos a esse filme quinhentas vezes - Ele resmungou sentando no sofá acima de nós.
-Até eu concordo com ele, meninas - Susan respondeu sentando ao lado do marido.
-Eu gosto desse - vovó comentou chegando à sala apoiada em suas muletas.
-Viu, a velha tem bom gosto - disse e vovó se apoiou em uma das muletas e com a outra acertou a cabeça de .
-Velha é sua mãe.
-Se você a botou no mundo e ela é velha, a senhora já deveria estar em um museu - respondeu e eu gargalhei.
-Fiquem quietas e coloquem o filme - Susan interrompeu e assim que minha avó sentou o filme começou.
Quarenta minutos haviam se passado e todos já haviam adormecido. E era exatamente por isso que eu queria ver um filme repetido, ninguém teria paciência para ver até o final e eles dormiriam rapidamente.
Me levantei tomando cuidado para não acordar , que dormia sentada do meu lado, e saí de cima do colchão inflável.
Arranquei o pijama que cobria minha calça jeans e meu moletom e joguei a roupa dentro da bolsa. Calcei meus tênis e peguei minha varinha de dentro da sacola.
Olhei mais uma vez para todos dormindo tranquilamente e senti meu coração se quebrar. Levantei a varinha apontando para os quatro e conjurei:
-Obliviate - senti uma lágrima escorrendo no meu rosto conforme acompanhava minha imagem sendo retirada de todas as fotos espalhadas pela casa.
Respirei fundo e segui até a porta, dei uma última olhada para todos controlando as lágrimas enquanto imaginava o quão difícil seria nunca mais vê-los e saí de casa com a bolsa em ombros.


Capítulo 12

Peguei um táxi alguns quarteirões depois de minha casa e pedi para que me levasse até o outro lado da cidade. Vinte e cinco minutos depois o táxi parou em um bairro deserto. Eu paguei o motorista e sai do automóvel. Caminhei rapidamente por mais três quarteirões e assim que vi uma placa indicando a Rua dos Alfeneiros, virei à esquerda. Segui até a casa de número quatro e encontrei todos ali na frente.
Corri para abraçar Rony que foi o primeiro a me ver e em seguida abracei Hermione.
-Hagrid, que bom te ver - falei e o homem gigante sorriu.
-, querida - ele me abraçou.
-Hm, olá? - Fred e Jorge falaram ao mesmo tempo.
-Já se esqueceu de nós, é? - Jorge perguntou.
-Como poderia? Os presentinhos de vocês me deram muita dor de cabeça - respondi e ele riu.
-E por causa disso a gente não merece nem um abraço? - Fred perguntou e eu revirei os olhos por causa do drama deles.
-Vocês são meus gêmeos favoritos, é claro que merecem um abraço - abri os braços e os dois me abraçaram tirando meus pés do chão.
-Muito bonito o momento de reencontro mas temos que ser discretos - Uma voz diferente surgiu e eu dei de cara com um homem um tanto quanto estranho. Ele estava apoiado em um longo cajado e coberto por uma capa de viagem preta. Cada centímetro de pele em seu rosto parecia ter cicatrizes e seus cabelos bagunçados tinham fios grisalhos e outros ainda escuros. Porém nada disso era mais estranho do que seus olhos que o tornavam assustador. Um deles era pequeno, escuro e penetrante. O outro era grande, redondo como uma moeda e azul-elétrico vivo. O olho azul se movia para cima, para baixo e para os lados sem piscar.
-Esse é o olho-tonto - Jorge me explicou.
-Ah, claro - resmunguei sorrindo forçado para o homem.
Cumprimentei o senhor Wesley, Gui e sua esposa e percebi dois olhares curiosos em cima de mim.
-Você deve ser a - um homem alto falou.
-E você seria...? - perguntei confusa.
-Sou Lupin, Remo Lupin - ele falou e estendendo a mão e eu entrei em choque.
-Você, você era...
-Melhor amigo do seu pai, sim - ele sorriu e eu também. - Tenho certeza de que ele está muito orgulhoso de você.
-Tenho muito orgulho de ser filha de Sirius - respondi e vi o homem ficar emocionado.
-Eu sou Tonks , esposa dele - a mulher ao seu lado me cumprimentou.
-Cabelo legal - elogiei.
-Gostei de você, menina - ela respondeu e eu ri.
-Pronto, os últimos chegaram, vamos - Olho-Tonto resmungou visivelmente impaciente.
Hagrid bateu na porta da casa de Harry que em segundos foi aberta.
-Olá, Harry - o gigante o cumprimentou.
-Olá, uau - ele respondeu surpreso ao nos ver ali.
-Você está ótimo - Hagrid comentou entrando em seguida. Harry abraçou Rony, Hermione e, assim que eu cheguei perto dele, pulei em seu pescoço.
-Você sobreviveu - brinquei e ele riu.
-Falei que não precisava se preocupar com isso.
-O que acham de entrarmos antes que alguém nos mate? - Olho-Tonto falou passando por nós.
Entrei na casa de Harry que estava totalmente vazia e me lembrei de uma das últimas cartas que ele havia escrito para mim contando que seus tios e primo haviam se mudado por questão de segurança.
Harry falava com Lupin, quando Tonks se pronunciou.
-Esperem até ouvir a novidade.
-Tudo bem, tudo bem, teremos tempo depois para colocar as novidades em dia - Olho-tonto a interrompeu passando por nós e ficando de frente para todos. - Nós temos que dar o fora daqui.
-Simpático - comentei baixinho.
-Você não viu nada - Fred me respondeu.
-Potter, você é menor de idade, então ainda tem o rastreador - Olho-tonto disse.
-E o que é isso? - Harry perguntou.
-Bom, se você espirrar o ministério saberá quem limpou o seu nariz. A questão é que teremos que usar transportes que o rastreador não possa detectar. - ele explicou. - Vamos em pares, assim se estiverem lá fora esperando por nós, e eu aposto que estarão, não vão saber qual é o verdadeiro Harry.
-O verdadeiro? - Harry perguntou surpreso e preocupado.
Olho-Tonto tirou um frasco de dentro de seu casaco e olhou sorrindo para Harry.
-Acredito que já conhece bem essa mistura.
-Não, de jeito nenhum - Harry respondeu ao perceber qual era o plano.
-Eu disse que ele ia adorar - ironizei e Harry que me encarou confuso.
-Mas você também é menor de idade, ainda tem o rastreador, não pode fazer isso. - ele me olhou preocupado.
-Meu aniversário foi duas semanas atrás, acho que não tenho com o que me preocupar - respondi.
-Que feio, Potter, não sabe a data de aniversário da própria namorada - Jorge provocou e eu revirei os olhos.
-Fica quieto, Weasley.
-Tanto faz, se acha que eu vou deixar vocês se arriscarem por mim...
-Nunca fizemos isso, né? - Rony debochou.
-Não, isto é diferente. - ele respondeu - Vocês beberem isso e se passarem por mim? Não.
-Nenhum de nós gostou muito disso, amiguinho - Jorge comentou.
-E se der errado e ficarmos magricelas e idiotas pra sempre? - Fred completou e eu revirei os olhos.
-Vocês são impossíveis - respondi e ri fraco quando eles mostraram a língua.
-Todos aqui são maiores de idade, Potter. Concordaram em correr o risco. - Olho-Tonto falava quando alguém pigarreou o interrompendo.
-Tecnicamente, eu fui forçado - um homem baixinho e careca comentou - Mundungo Fletcher, Senhor - ele se apresentou a Harry - Um grande admirador seu.
-Chega, Mundungo - Olho-Tonto voltou a falar - Granger, como planejamos - ele pediu e ela se aproximou rapidamente de Harry e arrancou um fio de cabelo dele que resmungou.
-Que droga, Hermione - Potter reclamou enquanto colocava a mão na cabeça.
Hermione levou o fio de cabelo até o frasco da poção polissuco e em seguida Olho-Tonto veio até nós.
-Para aqueles que nunca beberam a poção polissuco, só um alerta: Tem gosto de xixi de duende - ele falou levando o frasco até Jorge.
-Já bebeu muito xixi de duende, né? - ele brincou e o homem o encarou sem paciência - Só estou tentando aliviar a pressão.
Jorge tomou um gole e passou para Fred que fez careta ao tomar o liquido. Mundungo, Fleur e Hermione tomaram até o frasco chegar a mim. Tomei um gole rapidamente e fiz careta ao sentir o gosto amargo da bebida. Passei a poção para Rony que também fez careta e devolveu o frasco para o Olho-Tonto.
A sensação do seu corpo mudando quando você toma a poção polissuco é a pior. Você se sente como se fosse vomitar a qualquer instante.
Passei a mão no meu cabelo ao senti-lo encurtar e ri imaginando o meu estado no momento.
-Uau, estamos idênticos - Fred e Jorge falaram juntos e eu revirei os olhos.
-Ainda falta um detalhe - Olho-Tonto disse jogando várias roupas de Harry no chão.
Me abaixei para pegar as roupas que eram todas iguais e ri ao olhar para Hermione.
-Eu me sinto patética - ela comentou.
-Eu não quero nem ver como estou - respondi rindo.
Tirei a blusa e a calça que vestia ficando somente de sutiã e calcinha e comecei a gargalhar.
-Você está se divertindo, não? - Jorge perguntou.
-Isso é bizarro - respondi colocando a blusa vermelha e a calça cinza. - Harry, você precisa tomar um sol - zoei o garoto ao ver o quão branquelo ele era.
-Harry, a sua visão é ruim mesmo - Hermione comentou pondo os óculos.
-Engraçadinhas as duas - ele resmungou irritado.
-É isso aí, vamos fazer os pares, cada Potter terá um protetor. - Olho-Tonto explicou - Mundungo, você fica comigo, quero ficar de olho em você - ele resmungou - Já o Harry - ele disse e todos paramos e olhamos para ele. - O verdadeiro Harry - ele explicou e Potter surgiu lá do fundo já vestido que nem nós.
-Aqui - ele levantou as mãos.
-Você vai com Hagrid - ele explicou. - VAMOS LOGO! - ele gritou e seguiu para a parte de fora da casa.
-Espero que não se importe em ir comigo - Remo disse se aproximando de mim - É estranho que as duas pessoas com quem Sirius mais se importava se tornaram uma só - ele brincou e eu ri.
-Põe estranho nisso - respondi e ele sorriu.
Vi Harry saindo com Edwiges e fui até ele.
-É a primeira vez que eu não me sinto atraído por você - Harry comentou e eu gargalhei.
-Como sabia que era eu? Podia ser Rony.
-Seu colar - ele apontou para a pedra vermelha em meu pescoço.
-Ainda bem que você falou - comentei colocando a corrente para dentro da camiseta. - Tome cuidado.
-Você também - ele sorriu fraco.
-Sigam para a toca, nos encontramos lá - Olho-Tonto nos chamou. - Quando eu contar três.
Subi na minha vassoura e fiquei ao lado de Remo.
-Um, dois, três - ele gritou e Remo e eu rapidamente saímos de lá.
Olhei para trás mais uma vez e vi Harry e Hagrid se distanciando. Vi Lupin virar para a direita e o segui. Alguns comensais se aproximavam de nós e rapidamente eu peguei minha varinha.
-Estupefaça - conjurei e vi o comensal ir longe.
-Muito bem - Lupin elogiou por eu ter sido rápida. - Vamos acelerar - ele falou e eu assenti indo mais rápido com a vassoura.
Mais comensais apareceram e quando olhei para o lado vi a marca negra no céu. Eu havia conseguido acertar mais dois deles que quase atacaram Lupin. Me assustei ao olhar envolta e não encontrar Harry, mas tentei não pensar naquilo e focar em chegar segura na toca. Seguimos por mais alguns minutos sem mais ataques ou problemas e aterrissamos no mato em volta da toca. Notei que o efeito da poção já havia passado e que eu já tinha voltado ao normal.
-Você foi ótima lá em cima - Lupin me elogiou assim que eu saí de cima da vassoura - Você tem mais de Sirius em você do que imagina - ele falou me olhando nostálgico - do jeito que se arriscou para me defender que nem Sirius já fez inúmeras vezes... Tenho certeza de que ele está muito orgulhoso com a bruxa que você se tornou. - ele falou e não sei se foi por impulso pelas emoções do momento, mas eu me lancei para cima dele o abraçando.
-Obrigada - agradeci e ele sorriu.
-Vamos, temos que ir - ele falou e nós seguimos até a casa.
Chegando à toca, senhora Weasley foi a primeira a nos ver. Harry que estava ao seu lado se virou para me encarar e eu corri para abraça-lo.
-Você está bem? Eu olhei para trás e de um instante para o outro você não estava mais lá - falei passando a mão em seu rosto e notando um arranhão perto do seu nariz. - O que é isso? Você se machucou?
-Ei, ei - ele falou rindo e tirando minhas mãos de seu rosto delicadamente - Eu estou bem, é só um arranhão - ele falou e eu suspirei aliviada.
Ouvimos alguém aparatando e Remo foi logo olhar. Me assustei quando vi que ele voltava com Jorge pendurado em seu braço e com a orelha sangrando.
-Vamos, entrem - ele falou levando Jorge rapidamente para dentro da casa.
Corri com Harry e Gina para dentro da toca e encontrei Jorge deitado no sofá.
-Fomos traídos, Voldemort sabia que você seria transferido esta noite - Lupin disse.
O barulho de mais alguém aparatando soou e Lupin rapidamente foi para fora sendo seguido por Harry. Me aproximei de Jorge e agachei de frente para ele no sofá.
-Como você está? - perguntei preocupada.
-Dá pra falar mais alto? Eu sou surdo - ele respondeu rindo e eu revirei os olhos.
-Você é um idiota - respondi rindo também.
Ouvi a voz de Hermione e sai rapidamente indo para fora da toca. Suspirei aliviada ao ver que minha amiga estava bem e ela sorriu a me ver. Segundos depois Tonks e Rony chegaram e ela rapidamente correu para abraçar o ruivo. Olhei para Harry que arqueou a sobrancelha surpreso e eu sorri. Rony nos encarou e rapidamente nós corremos em direção deles.
-Vocês estão bem? - perguntei depois de abraçar os dois.
-Estamos, vocês? - perguntaram juntos e nós assentimos.
-Harry, eu vi o que houve com Edwiges, sinto muito - Hermione falou e eu o encarei confusa.
-O que houve? - perguntei.
-Ela tentou me defender, mas a atacaram - ele respondeu e eu arregalei os olhos surpresa.
-Sinto muito, Harry - falei o abraçando de lado.
-Está tudo bem - ele sorriu forçado e eu sabia que ele estava triste com a perda da mascote.
Fred e Senhor Weasley aparataram ao nosso lado e eu sorri ao ver que eles também estavam bem.
-Somos os últimos - Senhor Weasley avisou. - Onde está o Jorge? - perguntou e quando me olhou, eu sorri sem jeito fazendo o mesmo entender que algo tinha acontecido.
Rapidamente Fred correu para dentro da toca e nós fomos atrás dele. Assim que entramos vi que a senhora Weasley estava sentada ao lado do garoto acariciando seus cabelos enquanto Fred se ajoelhava a sua frente.
-Como se sente, Jorge? - o garoto perguntou preocupado.
-Estou moco.
-Como é que é? - Fred perguntou confuso.
-Estou surdo, ou seja, estou moco, Fred - ele explicou. - Entendeu?
-Com tantas piadas sobre orelhas que você tinha para escolher, você me vem com estou moco? - Fred perguntou rindo e eu sorri. - Isso é patético.
-Ainda estou mais bonito que você - Jorge respondeu e eu revirei os olhos.
Gui chegou na toca com uma cara abatida e todos olhamos para ele.
-Olho-Tonto está morto - eu o encarei surpresa e vi todos ficarem abalados - Mundungo viu Voldemort e desaparatou - ele explicou e todos ficaram em silêncio.
Pouco a pouco as pessoas foram se retirando da sala e indo descansar. Ajudei a Sra. Weasley a lavar a louça e quando voltei para a sala Hermione, Rony e Harry estavam me esperando. Vi que eles ainda estavam abatidos por isso preferi não falar muito. Ron levantou quando me viu e seguiu em direção à escada sendo seguido pelo resto de nós. Fomos juntos até o quarto dele, onde dormiríamos enquanto estivéssemos na toca, e eu me apressei em trocar aquela roupa pelo meu pijama e deitar. Estava exausta.
Não demorei em pegar no sono, havia acontecido tanta coisa no meu dia que eu simplesmente apaguei.

"Tudo que eu via era um borrão preto, eu estava em algum lugar, disso eu tinha certeza, mas era impossível enxergar qualquer coisa que tivesse lá. Senti uma mão em meu ombro e gritei assustada virando de frente para a pessoa que havia me tocado.
-Querida, relaxe, sou eu.
-Pai? - chamei ao reconhecer a voz de Sirius. - Por que estamos em um lugar tão escuro?
-Desculpe, não consegui pensar em nenhum lugar para te levar dessa vez - ele respondeu. - mas se você tiver alguma ideia é só pensar.
-Qualquer lugar que eu pensar a gente vai aparecer lá? - perguntei.
-Isso ai - ele respondeu e eu fechei os olhos pensando no parque em que havia encontrado ele outras vezes. Assim que mudamos para lá ouvi a risada de Sirius.
-Gostou mesmo daqui, não é? - ele perguntou e finalmente eu pude ver seu rosto.
-Me traz uma sensação de paz - respondi sorrindo.
-Eu adorava trazer sua mãe aqui, passamos inúmeras tardes sentados apenas conversando e observando o movimento - ele respondeu nostálgico, o que me lembrou de Lupin.
-Conheci Remo hoje - o contei me sentando na grama e ficando de frente para o lago.
-Remo, puxa, sinto falta dele - ele respondeu e eu sorri fraco. - Ele te reconheceu? - perguntou se sentando ao meu lado e eu assenti.
-Disse que você estaria orgulhoso de mim - respondi.
-E é claro que eu estou, você é a minha melhor criação, por mais que eu não tenha te criado a vida inteira, mas você entendeu, não é? - perguntou confuso e eu assenti rindo.
-Eu também tenho orgulho - comentei.
-De você mesma? E deveria ter...
-Não, de você - o interrompi - tenho orgulho de te ter como pai.
Vi Sirius se emocionar e sorrir depois.
-Bom, vamos mudar de assunto antes que eu me emocione demais - ele respondeu e eu ri. - Vejo que encontrou o colar que sua mãe e eu lhe demos.
-Ah, sim - respondi pegando o pingente com meus dedos. - Quase que ele estraga meu disfarce hoje, sorte que Harry me avisou.
-Falando em Harry... - Sirius disse levantando e ficando de frente para mim - Devo bancar o pai protetor e ser contra o relacionamento de vocês dois?
-O que? Não - respondi rindo.
-Que bom, porque eu estou feliz em vê-los juntos.
-Pai, não tem nenhum relacionamento, Harry e eu somos só amigos - respondi e ele revirou os olhos.
-Não vou bancar o chato e insistir no assunto, mas não ficarei surpreso se na próxima vez que nos virmos você me disser o contrário. - ele disse e dessa vez eu que revirei os olhos. - Eu tenho que ir, querida.
-Mas já? - perguntei triste.
-Infelizmente, sim. Só passei para ter certeza de que estava bem, e como eu já conferi isso, está na minha hora.
-Quando vamos nos ver de novo? - perguntei e ele sorriu passando a mão em meus cabelos.
-Em breve, eu juro - ele sorriu fraco e eu um beijo em minha testa. - bons sonhos, querida."

Capítulo 13

-Ai! - resmunguei quando fui acordada com um chute em minhas pernas.
-, me desculpa, foi sem querer - Hermione respondeu e vi que ela estava toda atrapalhada.
-O que aconteceu, um furacão passou por aqui? - perguntei ao notar a bagunça que a menina havia feito.
Hermione riu ao olhar o quarto e se sentou na cama derrotada.
-Eu sou um desastre nisso.
-Nisso o que? - perguntei confusa.
-Em me arrumar para festas - ela respondeu.
-Calma, ainda temos tempo até o casamento.
-Temos tempo? Falta menos de três horas até o casamento, .
-Por quanto tempo eu dormi? - perguntei surpresa.
-13 horas - ela respondeu e eu arregalei os olhos.
-Quais as chances de eu conseguir comer alguma coisa antes da festa? - perguntei sentindo meu estomago roncar.
-Eu guardei uns pedaços de bolo e um copo de suco para você - ela falou apontando para uma pequena bandeja ao lado da cama de Rony.
-Eu já disse que você é a melhor amiga do universo? - perguntei e ela riu revirando os olhos.
-E você é a amiga mais interesseira do mundo - ela respondeu e eu gargalhei.
-Vamos fazer o seguinte - falei enquanto engolia um pedaço de bolo - Você vai arrumar essa bagunça toda enquanto eu termino de comer e tomo banho. Quando eu sair do banheiro eu te ajudo a escolher a roupa e tudo mais. Combinado?
-Combinado - ela respondeu com a voz exausta.
Saí do banheiro enrolada em uma toalha e me apressei em chegar ao quarto de Rony. Vi que Hermione havia terminado de arrumar tudo e agora estava deitada lendo um livro qualquer. Vesti minhas roupas intimas e pulei na cama assustando Hermione.
-Vamos, senhorita, temos muito que fazer - falei e ela suspirou desanimada.
Ajudei Mione a escolher um vestido, sapatos e a arrumar o cabelo. E pedi a opinião dela quando fui escolher a minha roupa.
- - Hermione me chamou com cautela.
-Sim?
-Ultimamente eu tenho tido a impressão de que algo de errado vai acontecer nesse casamento. Me diz, por favor, que eu não sou a única. - ela desabafou sentando na cama depois de por o vestido.
Terminei de prender minha franja e me virei pra ela negando com a cabeça. Hermione suspirou aliviada em saber que não estava louca e se levantou.
-O que vamos fazer? - perguntou nervosa.
-Acho que deveríamos nos preparar. - respondi. - Juntar nossas coisas, deixar tudo pronto caso precisemos fugir rapidamente.
-Já ouviu falar no Feitiço Indetectável de Extensão? - ela perguntou e eu sorri.
-Como acha que eu trouxe tanta coisa em uma bolsa minúscula? - perguntei e ela sorriu tendo a mesma ideia que eu.
Usamos o feitiço na bolsa de Hermione e colocamos tudo que achamos necessário: Minha bolsa, a mochila de Harry, juntamos roupas e pertences do Rony, uma barraca e outras mil coisas.
-Vou guardar isso - ela falou e eu assenti vendo a morena sair do quarto, pronta para a festa.
Coloquei meu vestido preto e percebi que precisaria de ajuda para fecha-lo.
-Droga - resmunguei e caminhei, com cuidado por causa dos saltos, até o corredor - Mione, Hermione! - a chamei mas parecia que não havia ninguém por ali.
Desci procurando ajuda e encontrei Harry na cozinha. Vai ter que ser ele mesmo.
-Harry- o chamei - fecha pra mim, por favor -pedi virando de costas.
Potter levou alguns segundos até vir em minha direção. Puxei meu cabelo para o lado para não correr o risco de perder alguns fios preso no zíper. Percebi Harry meio sem jeito, por isso tentei puxar assunto. -Sonhei com Sirius noite passada - contei.
-Hm? - ele perguntou confuso.
-Eu disse que sonhei com Sirius - repeti querendo rir quando senti suas mãos meio tremulas no zíper do vestido.
-E o que ele disse?
-Ele perguntou se teria que bancar o pai chato e ser contra o nosso relacionamento - falei e senti Harry travar depois de fechar meu vestido.
-E o que você disse? - ele perguntou nervoso e eu virei de frente pra ele.
-Que por enquanto não tinha relacionamento nenhum para ele se preocupar - respondi e vi Harry ficar meio desapontado, o que me fez querer rir - e ele disse que não ficaria surpreso se na próxima vez em que nos encontrássemos, minha resposta fosse diferente - contei me aproximando dele.
-E você disse o que? - perguntou curioso.
-Sabe que ele me deixou sem resposta - comentei e vi Harry dar mais um passo deixando nossos corpos colados - E, então, Harry Potter, a minha resposta vai ser diferente? - perguntei olhando nos olhos dele que sem mais delongas me puxou para um beijo. Os lábios de Harry encostaram receosos no meu, mas assim que eu passei a mão envolta de seu pescoço ele entendeu que eu não fugiria e intensificou o beijo.
Um pigarro ecoou na cozinha e nós nos separamos rapidamente. Virei encontrando Jorge encostado na pia enquanto tomava café e nos observava.
-Bom dia - ele disse querendo rir e eu revirei os olhos.
Harry me olhou tão sem jeito, que eu ri.
-Eu vou ver se o Rony precisa de mim - ele falou e eu assenti. Assim que Harry saiu da cozinha, voltei a encarar Jorge.
-Você é patético - comentei e ele gargalhou.
-E você é uma idiota. Agora que já esclarecemos a personalidade um do outro, vai me contar o que estava acontecendo ali? - ele perguntou arqueando a sobrancelha e sorrindo malicioso.
-Vai se ferrar, Weasley - respondi revirando os olhos e saindo da cozinha rindo

[...]

Enquanto os meninos ajudavam o Sr. Weasley a montar a barraca onde aconteceria o casamento, Hermione e eu ajudávamos Fleur a se arrumar.
-Ai, Droga! - A loira gritou reclamando quando sua maquiagem sujou uma pequena parte de seu vestido.
-Calma, isso dá pra consertar - Eu falei me agachando ao lado da mulher que estava sentada de frente para um espelho prestes a ter um ataque. - Você precisa respirar fundo e se acalmar, Fleur.
-É, vai dar tudo certo - Hermione me ajudou.
Batidas soaram na porta junto a um grito assustado de Fleur.
-Se acalme, é só o Harry - Hermione disse abrindo a porta. A loira respirou fundo e Potter nos encarou confuso.
-O Ministro da Magia está aqui, ele quer nos ver - Harry avisou.
-Isso inclui quem, exatamente? - perguntei.
-Nós quatro - ele respondeu e eu assenti.
Deixamos Fleur com as outras meninas e fomos de encontro ao Ministro.
-Ao que devemos a honra? - Harry perguntou quando chegamos à sala.
-Acho que nós dois sabemos a resposta para esta pergunta, Sr. Potter.
Rony que estava na porta ao lado do ministro nos encarou confuso, Rufo Scrimgeour tinha um semblante sério e por mais que eu soubesse que sua profissão exigisse tal feição aquilo ainda sim me deixou preocupada.
O homem permaneceu em pé até que Hermione convidou-o para se sentar. Nos apertamos no pequeno sofá da sala e Scrimgeour se sentou de frente para nós. Ele colocou a maleta que carregava em seu colo, tirou de lá um pacote pequeno, colocou em cima de mesa e voltou a abrir a maleta. Dessa vez ele pegou umpequeno pedaço de pergaminho, soltou-o no ar e esperou alguns segundos para que se abrisse sozinho.
-"Aqui se encontram as últimas vontades de Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore.- ele começou a ler e então eu entendi que aquilo tudo se tratava do testamento de Dumbledore. - Primeiro, para Ronald Bílius Weasley, deixo o meu desiluminador, um objeto que eu mesmo criei na esperança de que quando as coisas parecerem mais sombrias, isso consiga lhe mostrar a luz."
Ele entregou um embrulho marrom para Rony que rapidamente estendeu a mão para pegar. Delicadamente ele tirou o tecido que envolvia o desiluminador do objeto e o observou.
-Dumbledore deixou isso para mim? - perguntou surpreso.
-Sim. - Scrimgeour respondeu.
-Legal - Weasley comentou. - E o que é isso? - perguntou confuso.
-Abra-o.
Assim que o ministro respondeu, Rony cuidadosamente abriu a tampa do desiluminador e as luzes presentes no ambiente foram sugadas para o objeto e fechando-o em seguida. Weasley tornou a abrir o presente mais uma vez e as luzes voltaram para o seu devido lugar.
-Maneiro - ele sussurrou guardando o desiluminador.
-"Para Hermione Jean Granger, deixo o meu exemplar Os contos de Beedle, o Bardo, na esperança de que ela ache divertido e instrutivo" - Scrimgeour a entregou um livro de bolso para Hermione que ainda estava surpresa.
-Minha mãe lia ele para mim - Rony contou - O Mago e o Caldeirão Saltitante e Babbitty a, coelha - ele citou alguns dos contos rindo e nós o encaramos confuso. – Ah, qual é? Babbitty, a coelha - ele repetiu na esperança de que algum de nós disséssemos conhecer a história. - Não? - perguntou e nós negamos com a cabeça.
-"Para Harry James Potter, deixo o pomo de ouro que ele capturou em seu primeiro jogo de quadribol em Hogwarts, para lembrar-lhe as recompensas da perseverança e da competência" - ele terminou de ler e Harry tinha um sorriso bobo no rosto.
O ministro tirou o pano que enrolava o pomo e entregou-o para Potter que pegou o presente com todo o cuidado.
-"E para Grace Black..."
-O que, ele deixou algo para mim? - perguntei surpresa.
-Certamente, agora se me permite continuar. - Scrimgeour me encarou bravo pela interrupção.
-Desculpe. - sorri fraco e ele pigarreou antes de voltar a falar.
-Como eu dizia - ele falou me olhando feio - "E para Grace Black, deixo o medalhão encontrado no corpo de Elisa Beadnell no dia de sua morte. Para lembra-la de que, assim como seu pai sabiamente disse uma vez, aqueles que nos amam nunca nos deixam de verdade."
O ministro retirou o pano que envolvia o colar e me entregou. Somente percebi que minhas mãos estavam trêmulas quando as estiquei para pegar o objeto. Cuidadosamente, abri o medalhão dourado e senti meus olhos marejarem quando encontrei uma imagem dentro dele. Era uma foto de Sirius e Elisa sorridentes enquanto carregavam um bebê risonho no colo. Eu era o bebê, aquela era a foto da minha família. Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto e a vi cair direto na foto. Com as costas da mão, sequei meus olhos e voltei a encarar o ministro.
-Terminou? - Harry perguntou.
-Ainda não. Dumbledore lhe deixou outra herança - ele respondeu olhando para Harry que arqueou a sobrancelha - A espada de Godric Gryffindor. - Percebi todos ficarem surpresos mas permanecemos em silêncio - Mas a espada de Griffindor não era de Dumbledore para que se despusesse dela. Ela é uma importante peça histórica, e como tal pertence...
-A Harry - Hermione o interrompeu. - Ela foi até ele quando ele mais precisou na câmara secreta.
-A espada pode se apresentar para qualquer aluno da grifinória que a mereça, senhorita. Isso não a torna propriedade exclusiva desse bruxo - ele argumentou - E de qualquer forma, o fato é que não sabemos o paradeiro da espada.
-Como é que é? - Rony perguntou confuso.
-A espada desapareceu - Scrimgeour respondeu e eu arregalei os olhos. Hermione me encarou desconfiada e eu a belisquei pedindo para ficar quieta - Veja bem, eu não sei o que está querendo, Sr. Potter, mas não poderá lutar sozinho nessa guerra. Ele é muito forte.
-Pretendo correr o risco - Harry respondeu visivelmente irritado.
-Deveríamos estar trabalhando juntos nessa - ele disse.
-Não gosto dos seus métodos, ministro. Está lembrado? - Harry respondeu nervoso e todos permanecemos em silêncio.
A contragosto, Scrimgeour levantou calado e se retirou da toca deixando para trás um clima horrível.
-Grace? - Rony perguntou para mim a fim de quebrar o silêncio e melhorar o clima.
-Verdade, não sabia que você tinha um nome do meio. - Hermione comentou.
-Eu não gosto muito dele, por isso não saio por aí contando para as pessoas. - respondi.
- Grace Black, fica uma nome legal - Rony disse e eu fiz careta.
-Bom, não temos tempo de ficar conversando, o casamento vai ser em uma hora - Hermione lembrou e se levantou saindo da sala junto a Rony.
Harry permanecia em silêncio encarando o nada por isso resolvi me intrometer.
-Ei - o chamei colocando a mão em seu ombro - você está bem? - perguntei mesmo sabendo que a resposta era não.
-Vou ficar - ele respondeu finalmente parando de olhar para a parede e se virando para mim. - O que tem dentro do medalhão que te fez chorar?
-Ah, isso - peguei o colar e entreguei a ele que abriu e viu a foto.
-É uma bela fotografia, você era uma bebê adorável - Harry sorriu.
-Eu continuo sendo adorável - respondi e ele riu.
-Não mesmo - falou me entregando o medalhão e se levantando indo para a cozinha.
-Ah, qual é, Potter? Eu sou sim muito adorável - resmunguei indo atrás do menino que ria de mim.

[...]

A noite chegou e com ela veio à cerimônia de casamento. O local estava lindo, todos estavam bem vestidos e por alguns minutos nós esquecemos a situação que vivíamos. Os noivos trocaram os votos e em seguida seguiram para a dança. A música era animada e todos se encontravam dançando e se divertindo.
Eu estava em pé ao lado da mesa de bebidas junto a Rony quando percebi o ruivo ficar quieto. Me virei para ver o que tinha chamado a atenção dele e sorri ao encontrar Hermione. Weasley a encarava fixamente e parecia um cachorro olhando para um pedaço de carne.
-Cuidado, Ronald! - o chamei e ele me olhou assustado - a baba está quase escorrendo - provoquei e ele revirou os olhos.
-Engraçadinha - ele resmungou e saiu andando me deixando rindo sozinha.
Me virei para sair de perto da mesa e acabei trombando com Luna.
-Olá, - ela me cumprimentou docemente.
-Olá, Luna - respondi - Como está?
-Muito bem, fui mordida por um gnomo de jardim há alguns minutos - ela me contou e eu ri.
-Que bom, eu acho... - respondi incerta.
-Meu pai disse que saliva de gnomo é muito benéfica. - Ela comentou.
-É, é mesmo - Xenofílio Lovegood, seu pai, se intrometeu. - Prazer em conhecê-la, Srta. Black.
-Digo o mesmo, Sr. Lovegood - estiquei a mão para cumprimenta-lo e quando ele se mexeu para aperta-la percebi um colar balançando em seu pescoço.
-Bonito colar - elogiei mesmo não entendo o símbolo.
-Ah, essa...
- Grace Black - Fred apareceu cortando o pai de Luna.
-Ah, não, Rony te contou meu nome do meio? - perguntei já prevendo quantas vezes ele me chamaria sim.
-Certamente, Grace - ele respondeu rindo.
-Devo esperar que você entenda que eu não gosto muito desse nome e pare de me chamar assim? - perguntei esperançosa.
-Obviamente, não - ele respondeu e eu revirei os olhos. - Desculpe interromper a conversa de vocês, mas minha amiga aqui me deve uma dança - ele falou para os Lovegood e bruscamente me puxou dali.
-Fred, eu estou de salto, seu idiota - reclamei quando ele começou a andar rápido e a me puxar junto.
-Não reclama, eu acabei de te salvar dos loucos - respondeu parando de me puxar e começando a dançar na minha frente.
-O único louco que eu estou vendo aqui é você - respondi rindo do ruivo tentando dançar.
-Ah, pare de ser chata - ele reclamou puxando meus braços e me fazendo dançar.
-O que você bebeu, menino?
-Não sei, era um liquido laranja lá na mesa - ele respondeu soltando meus braços e balançando os dele para cima.
-Com certeza não era suco de abóbora - comentei e ele riu.
Inesperadamente fui empurrada para frente e caí em Fred.
-E depois eu que estou bêbado. - Ele ironizou.
Me virei irritada para ver quem havia me empurrado e dei de cara com Jorge dançando.
-Vamos lá, , se mexa - ele começou a me empurrar para um lado e Fred entrou na leva me empurrando para o outro.
Eu estava rindo e me divertindo com os gêmeos quando as luzes se apagaram e uma bola de luz azul surgiu no centro da pista. Todos se levantaram e se juntaram no centro observando em silêncio.
-O ministério caiu - uma voz surgiu da bola de luz - O ministro da magia está morto. - Levantei o olhar à procura de Hermione e quando a achei encarei a morena assustada - eles estão vindo - a voz sussurrou - eles estão vindo - a voz repetiu e depois a bola de luz desapareceu.
Mão me puxavam e empurravam pelo salão até eu finalmente conseguir sair daquela correnteza de bruxos e procurar por algum rosto familiar. Comensais da morte surgiram e muitos bruxos duelavam uns com os outros. Encontrei Hermione e Rony de mãos dadas e corri até eles segurando a mão de Rony. Lupin empurrou Harry em nossa direção e assim que ele pegou na mão de Hermione nós aparatamos.


Capítulo 14

Uma buzina estridente soou e assim que eu abri os olhos me vi no meio de uma avenida com um ônibus vindo em minha direção. Hermione nos puxou para a calçada rapidamente e segundos depois o automóvel passou por cima de onde estávamos. Soltei o ar que nem sabia estar prendendo e novamente fui puxada por Hermione para longe dali.
Andávamos rapidamente pelas ruas movimentadas de Londres quando Rony resolveu se manifestar.
-Onde estamos? - perguntou assustado.
-Avenida Set Bourne, eu costumava vir ao teatro aqui com meus pais - Hermione explicou - Sei lá porquê eu pensei nisso, veio na minha cabeça - resmungou desviando de um homem com uma mala de viagens - Por aqui - ela avisou e virou em uma rua deserta e escura. - Precisamos nos trocar.
-Você trouxe a bolsa? - perguntei andando até seu lado. Hermione assentiu e parou atrás de uma lixeira abrindo a bolsa marrom que havíamos preparado.
Segurei a bolsa enquanto ela procurava as nossas roupas e Harry e Rony nos encararam surpresos.
-Caramba, como...
-Feitiço indetectável de extensão. - respondemos juntas.
Hermione retirou as roupas da bolsa e entregou para cada um de nós.
-Você é perfeita, sabia? - Rony falou encarando Hermione encantado. Olhei para Harry surpresa e vi que o menino se segurava para não rir.
-Sempre o mesmo tom de surpresa - Hermione debochou e eu ri. Ela mexeu mais uma vez na bolsa e algo caiu lá dentro. -Ah, esses são os livros - ela comentou envergonhada e eu revirei os olhos, óbvio que ela iria levar livros.
-Vamos fazer assim, vocês se trocam primeiro e ficam de olho na rua para ninguém passar por aqui, enquanto Mione e eu nos trocamos, ok? - todos assentiram e enquanto os meninos se trocavam nós vigiávamos a rua. Eles terminaram de pôr as roupas e foram para frente da lata de lixo para vigiar a rua.
Tirei o vestido que usava, com a ajuda de Hermione, coloquei uma calça legging preta, uma blusa de manga comprida cinza e meu casaco moletom da mesma cor da blusa somente um tom mais escuro. Troquei meus saltos por um tênis e coloquei as outras roupas de volta na bolsa.
Hermione também já havia terminado de se trocar e nós seguimos pela rua encontrando uma cafeteria vazia, quase abandonada, aberta. Empurrei a porta do estabelecimento e o sino que estava presa a ela tocou avisando a entrada de novos clientes. Nos sentamos em uma das poucas mesas que haviam no local e esperamos para alguém vir nos atender.
-E as outras pessoas no casamento? Será que a gente deveria voltar? - Harry perguntou nervoso.
-Estavam atrás de você, elas vão ficar em perigo se voltarmos lá - Rony respondeu e Potter voltou a roer as unhas inquieto.
Uma mulher de no máximo trinta anos saiu da cozinha e veio em nossa direção. Ela era a única que estava trabalhando no local naquele momento e parecia bem impaciente.
-Café? - perguntou quando chegou em nossa mesa.
-Um cappuccino, por favor - Hermione pediu.
-E vocês?
-O que ela pediu - Rony respondeu meio confuso.
-O mesmo.
-Eu quero um chocolate quente - pedi e ela assentiu voltando para a cozinha em silêncio.
-Pra onde nós vamos agora? - Rony perguntou assim que se certificou que a garçonete não conseguiria nos ouvir. Ele nem precisava se preocupar com isso, contando com o fato de que ela estava com fones de ouvido no volume máximo ela não iria escutar nem se quisesse.
-Caldeirão furado? - Sugeri.
-É muito perigoso. Se Voldemort realmente tomou o ministério, nenhum desses lugares é seguro - Hermione respondeu - Quem estava no casamento já deve ter fugido e se escondido.
-Faz sentido - comentei.
-Minha mochila com todas as minhas coisas, eu deixei na toca - Harry disse preocupado.
Hermione balançou a cabeça negando e em seguida direcionou o olhar para a bolsa que estava posta em cima da mesa. O sininho da porta tocou mais uma vez e minha atenção foi parar nos dois homens que haviam entrado no estabelecimento. Eles eram altos, fortes e vestiam macacões cinza iguais.
-Tá brincando? - Harry que ignorou a presença dos novos clientes perguntou surpreso para Hermione.
- e eu estávamos empacotando o essencial, por precaução - ela respondeu.
Vi Harry ter sua atenção puxada nos dois homens que agora se encontravam em pé de frente para o balcão e o encarei rapidamente. Rony comentava algo sobre sua calça estar apertada quando o mais baixo dos dois homens mexeu no bolso discretamente e tirou uma varinha de dentro dele.
-SE ABAIXEM - gritei na mesma hora em que o homem se virou lançando um feitiço em nós. Por termos ótimos reflexos ninguém foi atingido, mas o homem continuava a lançar feitiços junto ao outro mais alto.
Engatinhei para de baixo da outra mesa enquanto Harry atacava um dos homens que caiu para trás inconsciente. Observei o outro se esconder atrás do balcão e em seguida o lugar ser preenchido pelo silêncio. Me levantei na mesa hora que o Homem e o mesmo tentou me atacar, abaixei para desviar do feitiço e enquanto isso Rony lançou outro na direção do sujeito que, assim como eu, desviou a tempo. Aproveitei a pequena distração dele e o ataquei.
-Petrificus Totali - apontei minha varinha e o homem caiu com o corpo rígido no chão. A garçonete saiu na cozinha no mesmo instante em que minha varinha ainda estava apontada na direção que coincidia a ela. A mulher olhou para os dois homens caídos no chão e em seguida me encarou assustada.
-Sai! - mandei e ela permaneceu parada - VAI EMBORA! - falei mais uma vez e ela saiu rapidamente pela cozinha. Os outros se levantaram cautelosamente ainda olhando para onde os homens se encontravam.
-Tranque a porta e apague a luz - Harry pediu.
Rony rapidamente pegou o presente que recebeu de Dumbledore, abriu a tampa e em segundos toda a luz do local foi sugada para o objeto. Usando a varinha, Hermione trancou tocas as portas com a grade de segurança e veio em nossa direção.
-Lumus - sacudi minha varinha de leve para que ela acendesse e tivéssemos alguma luz no local.
Harry andou até o homem que ele havia atacado e rapidamente reconheceu o rosto.
-O nome desse é Rowle - ele falou se dirigindo ao mais alto dois. Encarei o rosto do homem e arqueei a sobrancelha achando-o familiar. Ele tinha pouco cabelo, era quase careca, era bem branco e em seu rosto havia uma barba mal feita.
-Ele estava na torre de astronomia no dia em que Snape matou Dumbledore - comentei e Harry se virou para mim assentindo.
Rony que estava do outro lado do balcão também identificou o sujeito que eu acertei o feitiço.
-Esse aqui é o Dolohov, ele está nos cartazes de procurados - explicou encarando o homem que permanecia paralisado com seus olhos abertos. - O que vamos fazer com vocês, hein? Nos matariam se fosse ao contrário, né?
-Matando eles vão saber que estivemos aqui - Harry o lembrou.
-Ron! - Hermione o repreendeu.
-E se ele matou o olho-tonto? Como você se sentiria? - ele perguntou bravo.
-É melhor apagarmos a memória dele - sugeri.
-Vocês é quem sabem - Rony respondeu e se virou vindo até nós - Hermione - ele se aproximou dela e levou um dedo ao seu rosto limpando sua bochecha que havia ficado suja. - É melhor em feitiços - ele falou e a morena seguiu até Dolohov. - Não que você seja ruim, , não foi o que eu quis dizer, eu...
-Está tudo bem, Ron - respondi rindo do desespero do ruivo - Eu entendi.
Hermione se aproximou do homem e tirou sua varinha do bolso de trás da calça.
-Obliviate - ela sussurrou e com a varinha apontada para o homem observamos em silêncio ele ter sua memória apagada. A morena se virou para nós e seguiu até a mesa onde estávamos pegando sua bolsa e a pendurando no ombro. - É melhor nós irmos embora antes que alguém chegue - aconselhou passando por nós e entrando na cozinha onde havia outra porta de saída.
Segui até o balcão onde várias comidas que aparentavam serem feitas a pouco tempo estavam expostas. Peguei alguns guardanapos que estavam ao lado e escolhi quatro bolinhos que não haviam sido afetados pelos vários feitiços lançados anteriormente. Me virei para os dois garotos que me encaravam confusos e estendi dois bolinhos.
-Com fome? - perguntei e eles riram fraco aceitando os bolinhos. Aproveitei também para pegar uma lata de coca que estava na geladeira da cozinha e segui para o lado de fora da cafeteria encontrando Hermione impaciente.
-Achei que teria que entrar lá de novo para buscar vocês - respondeu irritada.
-Desculpe, estava com fome e decidi pegar um pouco de comida. - respondi esticando um bolinho em direção à garota que sorriu.
-Me desculpa, eu só estou um pouco cansada - ela respondeu arrependida e mordeu um pedaço do bolo.
-Todos estamos, é normal a paciência esgotar em algum momento. - respondi e bebi um gole da coca que havia pegado - Foi um dia cheio. - comentei e ela assentiu pegando a latinha da minha mão e tomando um gole da bebida.
-Vamos? - Harry perguntou assim que ele e Rony saíram com mais dois bolinhos na mão. Ri dos meus amigos e assenti seguindo para longe da cafeteria. - Como foi que nos encontraram? - ele perguntou intrigado.
-Será que o rastreador ainda está em você? - Hermione perguntou.
-Não, o rastreador para de funcionar aos dezessete anos, é a regra - Rony respondeu enquanto andava rapidamente pela rua.
-Não comemoramos seu aniversário, Harry - comentei quando percebi que tínhamos esquecido. - Gina e eu fizemos um bolo, o parabéns seria no final do casamento.
-, sinceramente, agradeço a intenção, mas levando em conta que há poucos minutos quase fomos mortos por comensais da morte...
-É claro, você tem toda razão - respondi percebendo que isso no momento não era muito importante.
-Temos que sair da rua, vamos para algum lugar seguro - Rony disse.
-Tenho uma ideia - Hermione comentou e tomou a frente andando mais rápido e esbarrando em algumas pessoas.
Saímos da avenida super movimentada e andamos por cerca de 20 minutos até chegarmos a uma rua deserta e mal iluminada. Paramos em frente a um prédio onde poucas das janelas tinham suas luzes acessas e as que tinham televisão ligada era possível ouvir do lado de fora.
Com um feitiço, Hermione fez com que o prédio se movesse para o lado e nele surgisse mais uma porta e algumas janelas. Arregalei os olhos surpresa e segui os três que já se encontravam na porta do local. Abrimos a porta entrando na casa que estava totalmente apagada e receosa eu fechei a porta atrás de mim.
As luzes do corredor acenderam sozinhas e um moinho de poeira no fundo do corredor levantou do chão e a imagem de um homem veio rapidamente em nossa direção me fazendo gritar assustada. Porém antes mesmo de nos atingir a figura se dispersou pelo ar.
-O que foi isso? - Rony perguntou tão assustado quanto eu.
-Talvez ideia do Olho-tonto - Hermione comentou. - Caso Snape quisesse espionar.
Andei alguns passos tomando a frente deles e tirei minha varinha de dentro do casaco.
-Omnium revelium - conjurei mas nada apareceu, abaixei minha varinha e me virei para os outros - estamos sozinhos.
Hermione passou por nós e começou a acender todas as luzes da casa.
-Vamos, deve ter algum quarto em que possamos dormir - Ela nos chamou subindo a escada e nós a seguimos. Acabamos por ficar no primeiro quarto em que encontramos o que não foi uma ótima ideia já que Rony e Harry tiveram que dormir no chão pois o quarto só possuía dois sofás de tamanho pequeno demais para caber dois pessoas.
Eu estava assustada por tudo que passamos momentos antes e também preocupada por não saber o que era exatamente o lugar em que eu estava, mas, acima de tudo, eu estava exausta e assim que eu troquei minha roupa por um pijama e me deitei no sofá que era surpreendentemente confortável, meus músculos relaxaram e eu adormeci.
[...] Escutei um movimento ao meu lado e abri os olhos rapidamente tendo minha vista machucada pela luz que entrava através da janela. Voltei a fecha-los e esperei alguns segundos antes de abri-los novamente. Pisquei algumas vezes me acostumando com a claridade e quando finalmente consegui manter meus olhos abertos vi que o barulho vinha de Harry que já estava acordado e se encontrava sentado no meio de suas cobertas.
-Bom dia - ele falou e eu sorri respondendo o mesmo.
-Aconteceu alguma coisa? Parece que teve um pesadelo - comentei sentando na cama e ficando de frente para ele.
-É, quase isso - ele respondeu e se levantou.
-Bom, já que você não quer falar sobre isso agora, eu tenho outra pergunta - comentei me levantando e ficando ao seu lado - onde nós estamos?
Harry riu e se espreguiçou antes de me responder.
-Na antiga sede da Ordem da fênix, mais especificamente, sua casa. - Ele respondeu e eu o encarei confusa.
-Como assim "minha casa"?
-Essa casa pertence à família Black, ou seja, bem vinda a sua casa - Harry respondeu e riu da minha reação.
Potter andou em direção à porta do quarto e com a mão me chamou para segui-lo. Andamos até uma escada onde Harry novamente me chamou para subir.
-Quando Sirius morreu ele passou a casa para mim, mas agora acho que o mais correto é passa-la para você, já que é a única herdeira dos Black. - ele comentou enquanto subíamos.
-Não, Sirius sabia sobre mim e quis que ficasse com você, nada mais justo do que permanecer desse jeito - respondi quando cheguei ao topo da escada e vi Harry parado em frente a uma porta.
-Discutimos sobre isso depois, agora acho que você gostaria de conhecer um lugar - ele falou e saiu da frente da porta me permitindo ver o nome que estava escrito na mesma, era o quarto de Sirius.
Harry abriu a porta, entrou e deu passagem para mim. Entrei no quarto e automaticamente meus olhos encheram d'água. Ele havia vivido ali, passado dias, morado, era um pedacinho dele, o pedacinho que eu tinha e que me deixava o mais próximo do meu pai do que qualquer outro lugar ou objeto que eu tenha visto antes.
Dei uma volta observando cada detalhe posto ali, a cama com os lençóis amassados, a bicicleta branca que se encontrava encostada na cama, a estante vazia ao lado da janela. Dei mais uns passos pelo quarto encontrando alguns enfeites pendurado no teto que ao puxar uma cordinha fazia os bonequinhos se mexerem. Vi também que o móvel que havia no quarto tinha uma das gavetas abertas e muitos papéis jogados em cima. Olhei mais uma vez para a cama bagunçada e alguns livros jogados no chão, aquele quarto havia sido revirado, alguém tinha passado por lá antes de nós.
-Harry, , Hermione! - Rony nos chamou - Acho que encontrei uma coisa.
Harry que estava mexendo no único livro posto na estante ao lado da janela se virou para mim, ele, assim como eu, não queria sair daquele lugar, pelo menos não agora.
-Temos que ir - comentei a contragosto e ele assentiu vindo na minha direção e parando somente para puxar minha mão e me guiar para fora do quarto.
Descemos as escadas ainda de mãos dadas e Harry me levou até onde Rony se encontrava. Ele estava parado na frente de um quarto e Hermione foi a primeira a entrar.
-Tá arrumado, hein? - Comentou irônica vendo a bagunça que o local se encontrava. Rony a puxou levemente pelo braço e fez com que ela voltasse para a entrada. Ele empurrou a porta do quarto para que pudéssemos ver o nome escrito nela. - Regulo Arturo Black.
-RAB - Rony deduziu nos lembrando da assinatura que havíamos encontrado dentro do amuleto falso.
Harry se retirou rapidamente do local e nós nos apressamos para segui-lo. Ele caminhou até a cozinha onde o amuleto se encontrava em cima da mesa.
-Como isso veio parar aqui? - perguntei confusa.
-Eu acordei mais cedo que vocês e desci para comer - ele explicou e se sentou no banco de madeira em volta da mesa. Hermione e Rony deram a volta se sentando de frente para ele e eu fiquei ao seu lado. -"Sei que há muito estarei morto quando ler isto, roubei a horcrux verdadeira e pretendo destruí-la" - Harry leu novamente.
-RAB é o irmão do Sirius - Rony disse e me encarou esperando algum tipo de reação.
-É. - Hermione concordou e me olhou apreensiva. Era sempre assim, toda vez que o nome de Sirius era mencionado eles me encaravam daquele jeito.
-Será que ele destruiu a horcrux verdadeira? - perguntei tentando mudar o rumo que aquela conversa tomaria.
Harry fez menção de falar algo, mas o silêncio que estava no ambiente foi quebrado por um barulho de garrafas de vidro caindo. Nos viramos instantaneamente na direção do barulho e com cautela nos levantamos já com as varinhas em mão. O barulho soou de novo e percebemos que ele vinha da porta de um armário que ficava na cozinha. Harry tomou a frente de nós e com cuidado abriu a maçaneta. Assim que ele puxou a porta um elfo saiu de lá. Potter o agarrou e a contragosto o elfo parou de tentar fugir.
-Estava nos espionando, não é? - Harry perguntou irritado.
-Monstro só estava olhando - O elfo respondeu ranzinza.
-Talvez ele saiba onde está o verdadeiro medalhão - Hermione cogitou.
Como eu estava mais perto da mesa eu peguei o medalhão e joguei para Harry que interrogava a criatura.
-Você já viu isto aqui? - ele perguntou segurando o objeto porém o elfo evitou olhar - Monstro!
-É o medalhão do meu senhor - ele respondeu.
-Mas eram dois, não eram?
-Onde está o outro? - Rony perguntou.
-Monstro não sabe onde está o medalhão.
-Tá, mas você o viu? Ele estava aqui nesta casa? - Hermione perguntou impaciente.
-A sangue ruim! Os comensais da morte estão... - ele se virou raivoso, porém eu me pus na frente de Hermione e segurei minha varinha em sua direção. - E você seria?
- Black - respondi e os olhos do elfo foram arregalados.
-Mas... Não é possível! - ele murmurou surpreso - Então os boatos que eu ouvi nesta casa eram verdade? Você é mesmo a filha de Sirius? - perguntou e eu assenti - Me des... Me perdoe, senhorita - ele pediu fazendo reverência. - É a função de Monstro servir os Black, Monstro tem que obedece-la.
Olhei para Harry com a sobrancelha arqueada e ele deu de ombros.
-Certo, então responda ela - pedi.
Monstro ponderou por alguns segundos mas acabou por me responder:
-Sim, ele estava aqui nesta casa. O mais cruel dos objetos...
-Mas, como assim...?
-Antes de o meu senhor Régulo morrer ele deu ordem para Monstro destruir, mas nada que Monstro tentou conseguiu destruir - ele respondeu se encolhendo perto da parede. Até que ele não parecia ser de todo ruim.
-E onde ele está agora? - perguntei me aproximando dele.
-Alguém está com ele? - Harry se intrometeu.
-Era noite quando ele veio, ele roubou muitas coisas inclusive o medalhão.
-Quem fez isso? - perguntei. - Quem foi, Monstro?
-Mundungo - ele respondeu depois de pensar - Mundungo Fletcher.
-Encontre ele - pedi e segundos depois o elfo aparatou.
-Mandou bem - Rony elogiou e eu ri.
-Até que ter um elfo doméstico me parece ser bem divertido - comentei e os três riram. - E ele não parece ser tão ruim, só é um pouco rabugento.
-Um pouco? Isso porque ele é obrigado a te respeitar e obedecer - Rony respondeu voltando a sentar-se à mesa.
-Olhe, hoje é dia 1 de setembro - Hermione comentou checando o calendário.
-A essa hora eles já devem estar chegando em Hogwarts - falei andando pela casa e encontrando uma cópia do profeta diário do dia. - isso não é bom.
-O que não é bom? - Harry perguntou enquanto colocava uma chaleira no fogo.
Levantei o jornal para que ele pudesse ver a primeira folha onde seu rosto estava estampado com a seguinte manchete : "Indesejável número um". Harry revirou os olhos e voltou a preparar seu chá. Abri o jornal a fim de saber o que estava acontecendo e senti meu estomago revirar ao ler certa notícia sobre o ministério.
-"Como novo ministro da magia, eu prometo recuperar a antiga glória desse tempo de tolerância. Por isso, a partir de hoje, cada funcionário irá se submeter a uma avaliação, mas saibam, nada há temer se nada nos deve." Essas foram as palavras do novo ministro da magia Pio Thicknesse - falei ao ler a matéria para os outros.
Vi Rony se mexer desconfortável na cadeira e me arrependi por tê-lo deixado preocupado, afinal, seu pai trabalhava no ministério.
-Hm, me desculpe, Ron - pedi e ele deu de ombros murmurando um "deixa pra lá". - Bom, enquanto dependemos de Monstro para continuarmos nosso trabalho, eu vou subir para tomar um banho.
-A bolsa com as roupas está no quarto em que dormimos. - Hermione avisou e eu gritei agradecendo enquanto subia as escadas.
Peguei a bolsa no quarto e subi mais alguns degraus indo em direção ao quarto do meu pai. Abri a porta com cuidado e me assegurei de fecha-lá para que ninguém entrasse enquanto eu estivesse lá. Caminhei até a outra porta dentro do quarto e me deparei com um banheiro, pequeno e simples. Coloquei meus pertences em cima da pia e liguei o chuveiro acertando a temperatura da água, me despi e rapidamente tomei meu banho. Enquanto me ensaboava, aproveitei para observar cada pedacinho daquele lugar, tomando atenção até nos pequenos defeitos nos azulejos. Tirei o sabão do meu corpo e vesti algumas das roupas que Hermione e eu tínhamos separado. Depois de escovar meu dentes, resolvi xeretar um pouco mais as coisas de Sirius e agachei até o armário debaixo da pia que estava trancado.
-Alohomora - usei minha varinha para destrancar o cadeado. Não é exatamente invasão de propriedade, se ele quisesse mesmo esconder algo ali teria usado algum feitiço e não um simples cadeado.
Abri a porta do armário e encontrei uma caixinha branca guardada sozinha ali dentro. Me sentei no chão e peguei o objeto colocando-o no meu colo. Puxei a tampa da caixa e me deparei com vários pedaços de pergaminhos. Peguei o primeiro e o menor deles e abri com cuidado o que me parecia ser uma carta.

"Querido, Sirius.
Sei que pediu para me afastar de você para o meu próprio bem, mas sei também que isto está sendo tão doloroso para você quanto está sendo para mim. Ou talvez não, talvez eu esteja errada. Mas eu não posso me permitir seguir em frente sem ao menos ter a certeza de que é isto que você quer e de que eu não estarei virando as costas para o amor. Se eu estiver certa me encontre no parque da rua... Bom, você sabe qual é.
Te espero na nossa árvore.
Com amor, Elisa"

Conforme eu lia, eu já imaginava quem era o remetente mas ao ler o nome dela no final da carta e ter certeza daquilo fez meu coração apertar.

"Fechei os olhos pensando no parque em que havia encontrado ele outras vezes. Assim que mudamos para lá ouvi a risada de Sirius.
-Gostou mesmo daqui, não é? - ele perguntou e finalmente eu pude ver seu rosto.
-Me traz uma sensação de paz - respondi sorrindo.
-Eu adorava trazer sua mãe aqui, passamos inúmeras tardes sentados apenas conversando e observando o movimento - ele respondeu nostálgico."


Me lembrei do último sonho que tive com meu pai e sorri, era aquela praça, era aquela árvore, o lugar deles.
Abri outro pedaço de pergaminho e encontrei uma carta um pouco maior.

"Querido, Sirius
Ou devo dizer almofadinhas? Sim, pode reclamar o quanto quiser mas eu sempre agradecerei Remo por ter me contato seu apelido na escola. Enfim, esse não é o motivo de eu estar lhe escrevendo mais uma vez, na verdade, o assunto é bem mais sério do que eu gostaria que fosse. Não existe jeito fácil de dizer isso, então vou ser direta. Estou grávida!
Isso não é nenhum tipo de brincadeira e eu não queria que fosse mesmo, estou gerando um fruto do nosso amor. Não vou dizer que entendo caso você não queria criar a criança, porque duvido que isto acontece, mas entendo caso precise de um tempo para assimilar tudo.
Sei que estamos passando por tempos difíceis e que um filho nesse momento pode não ser a melhor ideia, mas eu lhe pergunto: Se não agora, quando?
Não sabemos o que irá acontecer com Você-Sabe-Quem a solta, sei também que você tem muito com o que ocupar a cabeça mas o que melhor que um filho para nos alegrar e nos fazer lutar com mais garra do que nunca?
Espero sua resposta assim que se sentir confortável com a situação.
Com amor, Susan e sua futura filha.
Sim, vai ser uma menina, eu posso sentir isso."


A esse ponto meus olhos já lacrimejavam mais do que qualquer coisa mas meu momento teve que ser interrompido por batidas na porta. Me levantei rapidamente imaginando ser algum dos meus amigos me avisando que Monstro chegara e tratei de enxugar as lágrimas com a toalha.
Coloquei a caixa dentro da minha mochila que estava na bolsa de Hermione e sai do banheiro indo até a porta onde as batidas ainda ecoavam. Destranquei-a e por pouco não levo um soco no rosto, já que Harry estava com o braço levantado pronto para bater novamente.
-Me desculpe - ele respondeu e eu ri.
-Sem problemas, Monstro chegou? - perguntei saindo do quarto.
-Não, só estava preocupado, você demorou bastante - ele respondeu.
-Ah, claro, estava olhando as coisas de Sirius, mais uma vez - falei enquanto descia as escadas com Potter no meu encalço.
Assim que pisei no último degrau tive que tapar meus ouvidos porque o barulho do piano sendo tocado incorretamente perfurava minha audição. Caminhei até a sala e encontrei Rony e Hermione sentado lado a lado no banco do piano. Harry já havia se sentado no sofá e eu tratei de fazer o mesmo somente ficando de frente para os dois.
Rony tentava acertar as notas e Granger ria do garoto que errava tudo. Ela tirou as mãos dele do piano e tocou perfeitamente a música que o Weasley estava destruindo. Rony que a encarava encantado chacoalhou a cabeça tentando voltar a realidade assim que ela terminou de tocar e mais uma vez ele arriscou tocar a música e foi bem melhor dessa vez.
Hermione se levantou vindo na direção de Harry que observava o pomo de ouro voar em sua frente.
-Eles guardam na memória - ela comentou e Harry pegou o objeto e a encarou - Quando Rufo deu o pomo a você, achei que fosse se abrir com o seu toque e que Dumbledore tivesse posto algo nele.
Harry encarou o pomo porém sua atenção foi atraída para o barulho que veio da cozinha. Nos levantamos juntos e seguimos até o cômodo encontrando Mundungo com Monstro sentado em sua cabeça e outro elfo que eu desconhecia preso em suas pernas.
-Harry Potter, há quanto tempo! - o elfo desconhecido que aparentava ser bem mais amigável que Monstro se pronunciou.
-Sai de cima de mim! - Mundungo reclamou tentando andar o que acabou fazendo com que ele e as outras duas criaturas caíssem no chão.
-Como ordenado, Monstro retornou com o ladrão - O elfo disse fechando a porta dos fundos.
Mundungo se mexia tentado pegar sua varinha mas Hermione foi mais rápida e com um feitiço desarmou ele.
- O que estão querendo mandando dois elfos atrás de mim? - perguntou andando pela cozinha.
-Dobby só estava querendo ajudar - o outro elfo que eu acabara de descobrir o nome se pronunciou subindo na mesa - Dobby viu Monstro no beco diagonal o que deixou Dobby curioso e aí Dobby viu Monstro mencionar o nome de Harry Potter e depois... - ele falava enquanto o outro elfo tentava se intrometer. - Dobby viu Monstro falando com o ladrão Mundungo.
-Eu não sou ladrão, seu idiota imbe... - Fletcher ameaçara atacar Dobby mas se conteve. - Sou um vendedor de objetos raros.
-Todo mundo sabe que você é um ladrão, Mundungo - Rony o cortou.
-Senhor Weasley - Dobby correu em sua direção - que bom ver o senhor novamente - disse apertando a mão que Rony estendera em sua direção.
-Tênis maneiro - Ron elogiou e o elfo ficou envergonhado.
-Eu entrei em pânico naquela noite, tive culpa do Olho-tonto ter caído da vassoura - Mundungo disse se sentando na poltrona que ficava no canto da cozinha.
-Fala a verdade - Hermione protestou.
-Quando você vasculhou essa casa? Não negue! - perguntei e ouvi Dobby sussurrar no fundo "Quem é essa?". - Você encontrou o medalhão, não foi?
-O que? Era valioso? - perguntou interessado.
-Está com você?
-Não, ele só quer saber se vendeu barato - Rony respondeu Mione.
-Eu praticamente dei esse troço - ele respondeu irritado - Eu estava lá vendendo minhas coisas quando uma assessora do ministério apareceu e pediu para ver minha licença, disse que estava pronta para me prender e que prenderia, se não estivesse interessada no medalhão.
-E quem era ela? - Harry perguntou. - A bruxa, você sabe?
-Não, eu... - ele dizia quando parou e encarou o jornal que eu havia lido mais cedo e que estava no chão, se levantou e pegou o objeto - Olha ela aqui, vejam - falou colocando o jornal na mesa - De laço na cabeça e tudo - disse e percebi os três ao meu lado ficarem tensos.
-Desculpe, quem é essa? - perguntei confusa.
-Dolores Umbrigde - Rony respondeu.
-Assim... Continuo na mesma - respondi.
-Era trabalha no ministério, se infiltrou em Hogwarts alguns anos atrás começando como professora de Defesa contra as Artes das Trevas mas acabou até assumindo o posto de diretora por um tempo - Hermione explicou.
-Ela é cruel, chegou a torturar Harry uma vez - Ron contou e eu encarei Potter surpresa.
-Foi um ano depois do campeonato tribuxo em Hogwarts, Cedrico um aluno da lufa-lufa foi assassinado por Voldemort, mas eu fui o único a presenciar e por isso ninguém acreditara em mim.
-Eu me lembro de ouvir algo sobre isso, afinal, algumas garotas da minha escola foram para Hogwarts nesse ano. - respondi.
-Exatamente, um ano depois as pessoas ainda não acreditavam em mim e na primeira aula que ela deu Hermione questionou o motivo de não usarmos feitiços em sua aula e ela respondeu que não era necessário já que não tínhamos com o que nos preocupar. Eu interrompi e falei sobre Voldemort, ela me acusou de mentir e pediu para que eu fosse a sua sala no final do período e assim que eu cheguei lá Dolores pediu para que eu escrevesse "Não devo contar mentiras" quantas vezes fossem o suficiente para eu aprender. Porém ela usou um feitiço e escreveu isso em minha mão. - ele me contou e eu rapidamente encarei suas mãos - saiu com o tempo - ele respondeu rindo fraco e eu assenti.
-O problema é que ela é uma cobra, vai ser praticamente impossível pegar o medalhão dela - Hermione disse.
-Mais impossível ainda vai ser entrar no ministério, vocês viram, Harry está sendo procurado - Rony contrapôs.
-Eu lhe disse tudo que sabia, meu trabalho já foi feito - Mundungo disse e segundos depois aparatou.
-Deve haver algum modo de conseguirmos entrar lá - falei tentando pensar em algo.
-Tem algo que Monstro possa fazer, Senhorita? - o elfo perguntou me encarando.
-Com ela, ele é gentil - Rony resmungou e eu ri.
-Acredito que não, mas obrigada - respondi.
-Dobby não quer se intrometer, mas não pode deixar de notar que Monstro serve para a senhorita, Dobby acha estranho já que ele serve a família Black - o elfo questionou ficando de frente para mim.
- Black, prazer - entendi a mão e os olhos do elfo se arregalaram.
- Black? Você é filha de...
-Sirius.
-Dobby não sabia que Sirius tivera uma filha, perdoe-me.
-Está tudo bem, eu também não sabia até um tempo atrás - respondi e ele sorriu gentilmente.
-Na verdade, tem um jeito sim - Hermione comentou sorridente.
-E qual seria? - perguntei.
-Poção polissuco - ela respondeu e eu arqueei a sobrancelha, só pode ser brincadeira.
Eu já havia tomado essa poção anteriormente e não deu muito certo, ou seja, minhas experiências com esse tipo de coisa não me traziam boas lembranças.
Hermione tratou de sair da cozinha rapidamente e começar a preparar a poção já que os meninos acharam que era uma ótima ideia. Rony se voluntariou para ajuda-la e eu decidi cozinhar algo para comermos.

[...]

-, vamos, acorde! - a voz de Rony soou baixinha enquanto eu sentia ele me chacoalhar de leve - vamos lá - ele me chacoalhou de novo e depois o escutei suspirar - Se eu não conseguir te acordar, vou ser obrigado a chamar Hermione, você sabe como ela é delicada quando está com pressa.
Rony não precisou falar mais nada para eu abrir os olhos e sentar na cama rapidamente.
-Estou acordada! - respondi e o ruivo riu.
-Garota inteligente - ele respondeu e eu ri.
-Por que a Hermione está com pressa mesmo?
-Porque temos que ir para o ministério, esqueceu? -Weasley perguntou e eu bufei.
-Felizmente eu havia esquecido, mas que droga de ideia vocês tiveram - reclamei levantando e indo até o banheiro enquanto prendia o cabelo
Rony levantou e me seguiu parando no batente da porta enquanto eu escovava os dentes.
-É, eu ia perguntar isso ontem, mas acabei esquecendo - comentou - por que você não gostou da ideia?
-Não tive boas experiências com essa poção - - respondi quando terminei de escovar os dentes e me virei para encarar o ruivo.
-Mas você tomou quando fomos buscar Harry.
-Verdade, só que daquela fez eu tinha que fazer isso.
-E dessa vez você vê outra opção? - perguntou confuso e eu suspirei.
-Não sei, pode parecer covardia da minha parte mas talvez não tenhamos que ir os quatro - respondi sem jeito.
-, eu entendo que você não queria contar o que aconteceu, que você esteja receosa em tomar a poção novamente, mas somos um time, estamos nesta juntos e de vez em quando temos que deixar nossos medos de lado por alguns minutos. - ele disse vindo em minha direção - Digo isso por experiência própria, no nosso segundo ano em Hogwarts, Harry me fez seguir várias aranhas até a floresta proibida onde nós encontramos mais aranhas, algumas até gigantes - fez careta ao relembrar e eu ri.
-Tudo bem, eu entendi - sorri encarando meu amigo - obrigada pela ajuda - agradeci o abraçando.
-É pra isso que os amigos servem, não?
-RONALD WEASLEY, EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ NÃO CONSE... - Hermione surgiu gritando mas parou ao nos encontrar abraçados no banheiro - o que tá acontecendo aqui?
-Rony estava sendo um ótimo amigo - respondi saindo do banheiro e caminhando até minha amiga - Relaxa, ele ainda é todo seu. - sussurrei passando por ela.
-Não sei do que você está falando - retrucou irritada.
-Você pode ser boa com feitiços e tudo mais, mas é péssima mentindo - respondi descendo as escadas e indo até a cozinha onde Harry e os dois elfos se encontravam. - Bom dia.
-Bom dia - Harry respondeu terminando de beber seu chá - Rony conseguiu te acordar ou foram os berros da Hermione?
-Rony - respondi tomando um gole do suco que Monstro havia comprado. Percebi Harry abrir a boca para falar algo, depois fecha-la, abrir de novo e fecha-la mais uma vez. - Desembucha.
-O que? - perguntou confuso.
-Você quer falar alguma coisa, desembucha.
-Hm, eu... - gaguejou - Com tudo que aconteceu nós não tivemos tempo para conversar sobre o que aconteceu na toca, você sabe, no dia do casamento. - ele falou se referindo ao beijo.
-Ah, sim, eu...
-Não, Rony, nós já falamos sobre isso - Hermione me interrompeu entrando na cozinha.
-Nós não, você falou, eu não tive nem chance - ele se defendeu.
-Porque é uma péssima ideia - retrucou e quando eu achei que Mione não podia ficar mais nervosa, ela me encontrou sentada comendo - VOCÊ AINDA NÃO TOMOU BANHO?
-Por Merlim, Hermione, pare de gritar - resmunguei tapando os ouvidos. - Acordou com o pé esquerdo, por acaso?
-Acordou com o que...?
-É uma expressão usada pelos trouxas, Ron - expliquei.
-Não, eu não acordei com o pé esquerdo, mas parece que vocês acordaram sem memória. Será que eu preciso lembrar que temos que coletar um fio de cabelo de pelo menos quatro funcionários do ministério antes de eles irem trabalhar, o que vai acontecer em alguns minutos?
-Certo, estou indo, prometo tomar o banho mais rápido da minha vida - respondi me levantando.
-Essa eu duvido. - Mione resmungou e eu revirei os olhos.

[...]

Estávamos em um depósito abandonado que ficava ao lado de uma das entradas que levavam ao ministério. Já havíamos conseguido capturar dois homens que trabalhavam no ministério: Reginald Cattermole e Alberto Runcorn. Hermione e eu estávamos esperando, enquanto Potter e Weasley capturavam a última pessoa necessária. Alguns minutos se passaram quando os dois entraram carregando Mafalda Hopkirk.
-Finalmente - Hermione suspirou nervosa.
Eles colocaram a mulher desacordada ao lado dos outros dois e Hermione logo arrancou um fio de seu cabelo, colocando-o no frasco da poção.
-É o seguinte, lembrem-se : não falem com ninguém a não ser que seja absolutamente necessário. Vamos tentar agir naturalmente, fazer o que todo mundo estiver fazendo. Se fizermos isso, com sorte conseguiremos entrar e depois...
-Vai ficar mais difícil - Harry completou.
-É, isso ai - Granger respondeu sorrindo nervosa e entregando os frascos para os dois.
-Isso é uma loucura total - Potter comentou observando os três corpos desacordados.
-Põe loucura nisso - Hermione comentou.
-A maior loucura - Rony completou.
-Eu avisei que não era uma boa ideia - comentei dando de ombros e recebendo olhares assassinos em seguida. - Tá bom, tá bom, não foi um comentário muito apropriado para o momento. - me desculpei e Hermione revirou os olhos.
-Vamos logo, temos uma horcrux para encontrar - Rony os lembrou e virou o vidro com o liquido.
Assisti os três se transformarem e agradeci por Hermione ter tido outra ideia para mim.
-Tem certeza que vai funcionar? - perguntei quando Harry chegou com a capa da invisibilidade.
-Não, mas não custa nada tentar - respondeu e eu suspirei nervosa.
-É a primeira vez que eu não me sinto atraída por você - repeti o que ele me disse alguns dias atrás quando me transformei nele e o garoto riu.
-Estamos quites então - piscou e jogou a capa sob mim.
-Vamos - Hermione nos chamou - espera, cadê a ? - perguntou e eu pus o braço para fora da capa. - odeio esse treco - resmungou e eu ri.
Saímos do depósito e seguimos pelas ruas até a entrada masculino. Hermione se separou de nós e eu segui escondida com os meninos.
Entramos em um banheiro e Harry se posicionou de frente para uma das cabines do banheiro, assim que a porta abriu novamente ele discretamente me deu passagem e depois de eu entrar ele fechou a porta atrás de si. Olhei o cubículo em que estávamos e fiquei confusa ao não encontrar nenhuma entrada. Harry me encarou confuso e segundos depois a cabeça de Rony surgiu por cima da cabine.
-Temos que dar descarga para entrar - ele explicou e eu quis vomitar. - isso é muito nojento - comentou e saiu.
-Você primeiro - Harry sussurrou e tentando não pensar muito coloquei meus dois pés dentro da privada.
Segurei com força a capa para não perde-la e fiz sinal para que Harry puxasse a descarga. Segundos depois de ser sugada pelo vaso sanitário eu cheguei ao ministério. Esperei que Potter aparecesse para segui-lo. Assim que ele desceu eu dei um leve chute em seu tornozelo para ele saber que eu estava ali e assim seguimos até Hermione e Rony que estavam parados de frente para uma fila de seguranças. Observei dois seguranças saírem rapidamente na direção de um homem e o levando para dentro do ministério.
-Isso não vai dar certo - sussurrei olhando em volta - eles vão perceber que eu estou com a capa, é melhor vocês irem, eu espero aqui.
-O que? É muito arriscado você ficar aqui sozinha - Harry respondeu nervoso.
-É mais arriscado ainda eu tentar passar por eles, eu espero aqui, agora andem logo - empurrei eles de leve e assisti os três passarem pelos seguranças sem problema algum.
Eu fiquei esperando por exatamente quarenta e cinco minutos e me assustei quando eles finalmente apareceram, e não como os funcionários, mas como eles mesmo.
Observei Rony que era o único em que a poção ainda surtia efeito conversar com uma mulher e em seguida ser puxado para um beijo enquanto voltava ao seu corpo normal. A morena se afastou assustada e as coisas só pioraram quando o verdadeiro Reginald apareceu vestindo uma regata e uma cueca samba canção. Rony se afastou dela e logo eu ouvi um homem gritar:
-É HARRY POTTER.
Os três saíram correndo mas Harry parou e olhou em volta, ele estava me procurando. Arranquei a capa guardando-a na bolsa de Hermione que eu carregava e corri até os três enquanto seguranças tentavam nos alcançar.

Capítulo 15

Quando finalmente consegui chegar perto deles, alguns dos seguranças estavam quase nos alcançando. Voltamos a correr pelo ministério, desviando e esbarrando em algumas pessoas. Tirei minha varinha do bolso da calça e com um feitiço simples fiz com que as cópias recém-impressas do Profeta Diário saíssem voando pelo local e atrapalhassem alguns deles. Corríamos até a saída dos funcionários quando percebemos que só restara um bruxo nos perseguindo.
-Expelliarmus - Rony parou para lançar o feitiço no homem.
Enquanto chegávamos mais perto da saída eu percebi que elas estavam sendo travadas uma por uma. Passamos a correr mais rápido e Harry foi o primeiro a se jogar na saída seguido por nós três que fomos sugados instantaneamente. Juntamo-nos para podermos aparatar quando percebemos que o bruxo havia nos seguido e estava atacando Rony. Hermione entrou em pânico e com um feitiço conseguiu fazer com que o homem soltasse Ronald e em seguida aparatássemos.
Quando senti o chão novamente vi que estávamos em uma floresta. Me levantei rapidamente e me assustei ao encontrar Rony deitado no chão enquanto gemia de dor. Hermione tentava acalmá-lo enquanto Harry pegava a tal poção que a bruxa havia pedido. O braço dele tinha cortes grandes e profundos e ele se contorcia no chão de dor. Finalmente Harry encontrou a poção e entregou para Hermione, que estava quase tendo um ataque, e então a mesma pingou um pouco do líquido nos cortes.
-O que aconteceu? Pensei que íamos para largo grimmauld - Harry perguntou confuso e nervoso.
-E íamos - ela falava, mas fez uma pausa para tentar acalmar Rony que gemia de dor - Estávamos lá, é que ele me agarrou e eu sabia que se ele visse onde estávamos não poderíamos ficar mais lá. Ai eu trouxe a gente pra cá, mas o Rony estrunchou.
-Desculpe, o quê? - perguntei confusa mesmo sabendo que aquele não era o momento perfeito para isso.
-Ele estrunchou. Quando a aparatação não é feita corretamente, o bruxo corre o risco de estrunchar, ou seja, uma parte do corpo fica no lugar onde ele aparatou. - Harry explicou já que Hermione ainda chorava nervosa.
-Ah, claro.
Hermione terminou de pingar a poção no braço do Weasley e ele finalmente se acalmou.
-Vai melhorar. - ela sussurrou o encarando, largou a varinha no chão e encarou as mãos cheias de sangue.
Olhei em volta observando as árvores que nos cercavam e percebi que mesmo que estivéssemos no meio do nada, aquele lugar não era seguro o suficiente. Peguei minha varinha no bolso de trás da minha calça e me afastei um pouco deles. Segurei-a com firmeza e a levantei começando a conjurar o feitiço.
-Protego totalum, salvio hexia - respirei fundo e continuei a movimentar a varinha no ar quando fui interrompida por Harry.
-O que está fazendo?
-Feitiços de proteção - respondi - Não quero receber outra visita igual a da shafterburry, você quer? - perguntei um pouco irritada por conta dos últimos acontecimentos - podiam ir montando a barraca - resmunguei e me distanciei um pouco voltando aos feitiços.
-Barraca? -ouvi-o resmungar confuso.
-Protego totalum, salvio hexia - conjurei aumentando o tom de voz para fazer Harry ficar quieto.
-E onde é que eu vou encontrar uma barraca?
-Repello trouxatum, Abafiatto - terminei de conjurar e me virei vendo Hermione entregar a barraca para Harry.
Quando o mesmo terminou de montar já era noite e por isso nos dirigimos todos para dentro do local que, como toda barraca do mundo bruxo, aparentava ser pequena, mas era maior por dentro.
Todos estávamos cansados, não só fisicamente como psicologicamente também, por isso fomos dormir rapidamente.

[...]


No dia seguinte, acordamos cedo e logo após tomarmos o café da manhã nos dirigimos para fora da barraca para que pudéssemos começar a trabalhar na destruição da horcrux.
Harry colocou o medalhão em cima de uma pedra e nós tomamos uma pequena distância do objeto, posicionando-nos de frente para ele.
-Diffindo - Harry acertou o objeto e ele foi lançado alguns centímetros longe caindo na grama. Andamos para mais perto dele, mas a horcrux continuava intacta.
Hermione posicionou a varinha e usou outro feitiço, dessa vez, ele nem se mexeu.
Tomei o lugar dela e com a varinha em mãos me preparei para atacar o medalhão.
-Incendio! - observei a horcrux pegar fogo e assim que as chamas se apagaram encarei o objeto ainda intacto.
-Expulso! - Harry a atingiu novamente, mas como em sua primeira tentativa o medalhão só se moveu um pouco.
Percebi o mesmo ficar nervoso e tomei sua frente atacando o objeto.
-Bombarda! - uma enorme explosão aconteceu, mas assim que eu cheguei perto ele continuava sem nem um simples arranhão.
Harry se irritou e começou a lançar um feitiço atrás do outro e depois de incendiar a horcrux mais uma vez ele finalmente desistiu. Agachou, pegou o medalhão e colocou-o no pescoço.
-O que você está fazendo? - perguntei confusa.
-Temos que guardá-lo em segurança até que saibamos como destruí-lo. - respondeu colocando-o para dentro da camisa que vestia.
-É estranho, cara. - Rony que até então assistia tudo em silêncio se pronunciou - Dumbledore mandou você procurar todas essas horcruxes, mas não te disse como destruí-las. Isso não perturba você?
Harry apenas o encarou irritado e saiu de perto de nós em silêncio seguindo em direção à barraca.
Hermione virou para o ruivo um pouco chateada e ele a encarou incrédulo.
-O que é? Agora eu sou errado por dizer o que todos nós estamos pensando? - perguntou irritado.
-Não, mas você não precisa perguntar algo que já sabe a resposta. É óbvio que isto perturba o Harry. - ela respondeu e eu percebi que eles começariam uma pequena discussão por isso me intrometi rapidamente.
-Eu vou atrás dele, só pra me certificar de que ele não vai fazer nenhuma besteira. Sabem como Harry é quando está de cabeça quente. - avisei e me retirei seguindo pelo caminho que Potter havia feito.
-Sair invocado e brigar com o seu melhor amigo não vai melhorar nada - falei assim que me aproximei dele.
-Ouvir os seus sermões agora também não. - ele retrucou e eu ri.
-Não venha para cima de mim, não sou eu a pessoa com quem você está nervoso - respondi me agachando e sentando ao seu lado. - Muito menos Rony ou Hermione. A única pessoa com quem você realmente está bravo é consigo mesmo.
-, eu adoro a sua companhia, e você sabe disso, mas estou querendo ficar sozinho no momento, sei que você vai entender já que uma vez me disse que a melhor companhia que temos somos nós mesmos. - respondeu virando de lado para me encarar.
-Usando minhas palavras contra mim, jogo sujo, Potter. - retruquei e ele riu. - Mas tudo bem, vou deixá-lo sozinho, quando quiser conversar já sabe. - avisei e entrei na barraca.
Poucos minutos depois Hermione e Rony entraram e me avisaram que Harry se voluntariou para ficar de guarda por um tempo. Peguei um livro que eu havia colocado na bolsa de Hermione e comecei a ler.
Foram poucos os minutos em que eu tive um lugar em silêncio para aproveitar uma boa leitura já que logo depois de se deitar, Rony ligou o rádio na estação que falava os nomes dos bruxos mortos do dia. Desisti de ler meu livro, pois sabia que não iria conseguir me concentrar e o guardei na bolsa novamente. Olhei para frente da barraca e vi a sombra de Harry sentado então resolvi sair para saber se ele já estava com um humor melhor.
Assim que pisei para fora da barraca encontrei Potter encarando o nada. Seus olhos estavam sem brilho, seu rosto pálido e sua mão repousava em cima da cicatriz. Ele havia deixado Voldemort entrar em sua mente, de novo. Esperei ele voltar a respirar novamente e me aproximei.
-Pensei que tivesse parado com isso. - disse. - Não pode deixar isso acontecer, Harry.
-Você-sabe-quem encontrou Gregorovitch. - contou-me.
- O artesão de varinhas? - perguntei confusa.
-Ele quer alguma coisa que estava com Gregorovitch. Eu não sei o que é, mas parece que ele está desesperado. - fez uma pausa tentando normalizar a respiração que tinha se acelerado conforme ele me contava o que viu - É como se a vida dele dependesse disso. - respondeu e foi interrompido pelo barulho do rádio de Rony.
Harry se virou irritado pronto para gritar com o ruivo quando eu o impedi.
-Não! O rádio o conforta - expliquei.
-Eu sei, mas fico irritado com isso - respondeu nervoso - E o que ele espera ouvir, boas notícias?
-Acho que ele só espera não ouvir notícias ruins. - comentei e Harry se levantou.
-Hermione comentou quanto tempo falta para nós viajarmos?
-Ela ainda não sabe, disse que está fazendo tudo o que pode.
-ENTÃO NÃO ESTÁ FAZENDO O SUFICIENTE - ele gritou e eu arregalei os olhos assustada.
Harry me encarou antes de começar a andar na direção oposta da barraca.
-Tira isso - mandei irritada. - Eu já disse, Potter, tira isso agora! - me virei para o bruxo que havia parado no meio do caminho.
Andei em sua direção e observei Harry tirar o medalhão do pescoço a contragosto. Estendi a mão e ele me entregou o objeto.
-Melhorou? - perguntei.
-Muito. - respondeu surpreso e eu revirei os olhos.
-A gente reveza ok? - avisei e me virei para sair dali quando ele segurou meu braço.
-, eu... Me desculpe por ter gritado com você.
-Tudo bem. - respondi seca e ele suspirou.
-Não, não está tudo bem. É a segunda vez no dia em que você vem atrás de mim preocupada em saber como estou e eu te trato desse jeito. Eu juro que não queria, só tem muita coisa acontecendo. E esse treco ficava chiando no meu ouvido. - gesticulou irritado.
-Eu sei disso, Harry, eu entendo, mas é que...
-Não, você não entende, eu não quero começar outra briga, mas você não sabe...
-Ah não? Eu não entendo? Caso você tenha esquecido, estamos todos juntos nessa, eu, você, Hermione e Rony, os seus problemas agora também são os nossos e vice-versa. Ah, mas você tem toda a pressão por ser o eleito e blá blá blá. Pois eu também tenho, Harry, assim como você, existe uma profecia sobre mim e não tem uma noite sequer que eu ponha a cabeça no travesseiro antes de dormir e não me lembre disso, não me lembre das palavras de Dumbledore e do meu pai em meus sonhos, não me lembre de que possivelmente várias vidas estão em minhas mãos. Ah, você perdeu os seus pais? Pois bem, eu também perdi, não só uma como duas vezes. Então Potter não venha me dizer que eu não entendo o que você está passando, porque se existe uma pessoa que sabe exatamente como é ser você esta pessoa sou eu. - desabafei irritada e observei o garoto me encarar perplexo.
-Como assim perdeu seus pais duas vezes? - perguntou sussurrando como se caso ele falasse com a voz muito alta eu voltaria a vomitar palavras em cima dele.
-Eu obliviei Susan e Robert, para eles, eu nunca existi - respondi sentindo meus olhos marejarem e mesmo eu tentando segurar foi impossível não começar a chorar.
Harry rapidamente se aproximou de mim e me envolveu em seus braços. Eu desabei, chorei como não chorava há tempos. Eu estava exausta, havia sido testada de todos os jeitos possíveis, nas últimas semanas passei por situações que jamais me imaginei passando, situações essas que mexeram com minhas emoções de várias maneiras, e eu havia guardado tudo isso pra mim, até aquele momento.
Era incrível o quão vulnerável eu ficava perto de Harry, parecia que quando ele estava presente era impossível controlar minhas emoções, mas era impossível pelo simples fato de eu não querer controlar. Eu sentia que com ele eu podia desabar, chorar horrores, contar sobre todos os meus medos e inseguranças e, ainda sim, seria o lugar mais seguro onde eu poderia estar.
Ri com esse pensamento e Harry me abraçou mais forte.
-Me desculpe, eu não tinha ideia que isso tinha acontecido - ele disse soltando minha cintura e colocando as mãos em volta do meu rosto me fazendo olhá-lo diretamente nos olhos. - Eu me sinto um idiota por ter falado todas aquelas besteiras pra você e principalmente por não ter notado que algo havia acontecido.
-Você foi um idiota mesmo - respondi brincando e ele riu. -Mas pelo menos tem noção disso, o que já melhora sua situação.
-É sério, eu sinto muito - falou pausadamente para que eu entendesse e eu sorri.
-Está tudo bem - respondi e ele sorriu.
Percebi Harry se inclinando e vi seu rosto se aproximar cada vez mais do meu. Fechei os olhos assim como ele e esperei até sentir seus lábios tocarem o meu. Suas mãos, que seguravam firmemente meu rosto, passaram a ficar mais delicadas e uma delas escorregou até minha cintura. Dei um passo acabando com a pouquíssima distância que havia ficado entre nós e passei meus braços ao redor do seu pescoço. Harry entendeu como um sinal para aprofundar o beijo e foi o que ele fez. Sua língua foi de encontro à minha primeiramente de forma delicada, mas acelerando aos poucos. O beijo que antes era calmo se tornou algo desesperador, era como se finalmente estivéssemos matando a saudade que sentimos um do outro. Aquele beijo tinha muitos significados e sentimentos envolvidos e talvez por isso estivesse sendo tão bom. Ou talvez porque Harry beijava muito bem mesmo, mas eu prefiro a primeira opção. O beijo foi desacelerando e nos separamos delicadamente.
-Ótimo jeito de se desculpar - comentei quando abri os olhos e a primeira coisa que vi foi o sorriso de Harry enquanto ele ria, o que fez meu estômago saltar.
-Acho que vou começar a brigar mais vezes com você, se toda vez que eu for me desculpar puder ser dessa forma - ele brincou e eu revirei os olhos.
-Que tal você não brigar mais comigo e eu te recompensar desse jeito? - perguntei e em seguida lhe dei um selinho.
-É, também é uma boa ideia - respondeu e eu ri me afastando um pouco dele e olhando em volta percebendo que a tarde já estava virando noite.
-Acho que eu gastei todas as minhas energias com você agora, Potter - resmunguei bocejando - o que acha de irmos dormir um pouco?
-E quem vai ficar de guarda? - ele perguntou.
-Eu fico - Hermione disse e nos viramos assustados para a morena.
-Há quanto tempo está aí? - perguntei depois de me recuperar do susto.
-O suficiente. - respondeu significativa e eu ri entendendo que ela havia visto o beijo. -Andem, vocês dormem agora e mais tarde eu acordo vocês para trocarem comigo - ela disse e nós assentimos.
Segui em sua direção e retirei o medalhão do bolso entregando para ela, que rapidamente colocou no pescoço e escondeu dentro da blusa que vestia.
Entrei na barraca indo direto para minha cama e troquei a blusa que vestia por um casaco moletom. E pelo visto desabafar com Harry havia me deixado muito mais leve, pois assim que me deitei adormeci.
[...]


Acordei no meio da noite com barulhos de passos e me levantei rapidamente. Peguei minha varinha e segui para fora da barraca onde encontrei Hermione já em pé e com a varinha em mãos.
Em silêncio seguimos em direção ao barulho dos passos e demos de cara com um homem enorme segurando um corpo de uma mulher e sendo acompanhado por outro um pouco menor. Eles se aproximaram de nós e paramos e nós travamos no lugar, porém eles passaram por nós fazendo Hermione soltar todo o ar que prendia, aliviada. Mas quando já estávamos comemorando o menor deles parou.
-O que é isso? - ele perguntou farejando.
Deu alguns passos para trás e parou na frente de Hermione que rapidamente prendeu a respiração com medo de que ele pudesse ouvir. Segurei a varinha em minhas mãos com mais força, pronta para atacar caso necessário. O homem parou com o rosto a centímetros do de Hermione e continuava a farejar. Ele tinha toda sua concentração no cheiro que sentia quando sua atenção foi parar no cara que carregava o corpo e que agora havia jogado a mulher no chão.
-O que está fazendo? - ele se virou para o outro.
-Ficou pesado. - o grandalhão respondeu dando de ombros.
-Ah, ficou pesado? Coitadinho. - o outro ironizou saindo de perto de nós e indo na direção do homem - Pega logo! - resmungou irritado e saiu andando na frente dele.
Hermione respirou aliviada e eu fiz o mesmo guardando minha varinha no bolso da calça.
-Sequestradores. - eu comentei me aproximando dela.
-Bom saber que seus feitiços funcionavam. - ela respondeu e eu ri fraco. - foi o cheiro do meu perfume.
-Eu adoro o seu perfume, amiga, mas nos próximos dias acho melhor não usá-lo. - brinquei e ela riu. - Vamos - chamei-a e voltamos a andar na direção da barraca. - Harry está nervoso por não podermos viajar.
-Eu já falei, Rony ainda não pode aparatar. - respondeu.
-E por que não vamos andando? - perguntei e ela me encarou pensativa.
-Não é uma má ideia!
[...]


O sol estava radiante sob nós, mas não o suficiente para nos aquecer naquele dia frio. Logo quando acordamos, recolhemos nossos pertences e partimos pela floresta caminhando. Harry e Hermione se encontravam à frente, abrindo caminho, conversando e rindo e mais atrás estávamos eu e Rony, que acordara com um incrível mal humor. O rádio que carregava continuava a dizer os nomes de bruxos falecidos, mas sua atenção se encontrava exclusivamente nos dois bruxos à nossa frente. Quando estava prestes a puxar assunto com o ruivo, manchas no céu chamaram minha atenção, eram comensais da morte. Hermione, que avistara um aglomerado de casas abandonadas, fez-nos correr até uma delas para que pudéssemos ficar escondidos até que os comensais partissem. Assim que entramos em uma das casas sem porta, Rony se afastou e sentou sozinho do lado oposto ao que estávamos enquanto encarava Harry e Hermione como se fuzilá-los pelo olhar fosse possível. Saí da casa checando se o caminho estava livre e depois de avisar aos outros voltamos a andar, dessa vez com Rony tomando a frente.
O dia já estava virando noite e meus pés e pernas imploravam por um descanso quando finalmente decidimos parar. Estávamos em uma espécie de ilha onde chegamos por meio de uma ponte que interligava um lado ao outro e o tempo indicava que a qualquer hora poderia chover, por isso eu e Hermione nos apressamos em montar a barraca. Harry havia se afastado e estava na beira do rio observando a vista e chutando algumas pedrinhas enquanto o resto de nós estava sentado em frente à barraca comendo alguns bolinhos trazidos por mim.
-Ele não tem ideia do que está fazendo, não é? - Rony perguntou se pronunciando pela primeira vez no dia.
-Nenhum de nós tem. - Hermione, que arrumava o curativo no braço do ruivo, respondeu observando Harry.
-E nós largamos tudo por isso. - Rony comentou em deboche e eu revirei os olhos.
-O que você achou que seria diferente? Que encontraríamos uma pista todos os dias e em menos de uma semana Voldemort já estaria morto? - perguntei cansada do ruivo reclamando.
-Não, mas achei que pelo menos um de vocês tivesse alguma ideia do que estava fazendo, afinal Dumbledore não foi um grande mentor para vocês dois? - retrucou irritado e eu vi que Harry virara para nos encarar, talvez tivesse escutado as palavras do amigo.
-Talvez você devesse ir dormir, esse rádio vai te enlouquecer. - respondi ignorando as últimas palavras ditas por ele que suspirou e se levantou indo para dentro da barraca.
-Ele está preocupado com a família. - Hermione disse defendendo-o.
-Eu sei, Mione. Também estou. - respondi encarando Harry mais a frente, não havíamos conversado o dia todo.
-Mas sua família não corre perigo, . Nem a minha, ou a de Harry, não sabemos exatamente pelo que ele está passando.
-Isso pouco não facilita as coisas para nós, Fred e Jorge são meus amigos, não os vejo há semanas, acha que não me preocupo com eles? O fato de minha família biológica estar morta e a minha adotiva não ter lembrança alguma da minha existência não é algo que conforte. - disse irritada. Sabia que estava sendo difícil para Rony, estava preocupado com a família e provavelmente se sentia inútil por não poder ajudar com os feitiços já que machucara o braço, mas é egoísmo da parte dele de achar que é o único a sofrer. -Certo, desculpe. - Hermione sussurrou e se levantou indo para a barraca.
Encarei Harry, que fazia o caminho de volta, enquanto continuava a chutar algumas pedrinhas no chão.
-Como está? - perguntei quando ele se aproximou e recebi um suspiro em resposta.
-Exausto. - respondeu e eu sorri fraco abrindo os braços e o chamando para um abraço.
Harry deu dois passos na minha direção quebrando a distância entre nós e me envolvendo em seus braços. Apoiei minha cabeça em seu ombro e respirei fundo.
-Você ouviu o Rony, não é? - perguntei e ele riu fraco murmurando um "sim". - não fique se martirizando, Dumbledore não nos deu muito com o que trabalhar, mas vamos conseguir! - disse tirando a cabeça de seu ombro e encarando seus olhos. - Você é Harry Potter, acha mesmo que não é capaz de destruir umas simples horcruxes? - brinquei e ele riu balançando a cabeça.
-Quem dera fosse tão fácil assim. - resmungou e eu sorri fraco.
-Se fosse não teria graça. - dei de ombros e ele assentiu.
-Ah teria sim! - respondeu e eu ri.
-É, talvez. - concordei fazendo Potter rir. - Vamos, está escurecendo. - afastei-me o puxando pela mão mas Harry me puxou de volta e antes que eu dissesse alguma coisa me calou com um selinho.
-Agora podemos ir - disse entrando na barraca e me puxando.
Aproveitei para trocar a roupa que vestia por um casaco moletom que estava usando como pijama durante esses dias e me deitei em um dos colchões pegando o livro que estava lendo. Harry, que também trocara de roupa, estava sentado em uma cadeira enquanto Hermione cortava o seu cabelo, o que na minha opinião era uma péssima ideia. Rony, que eu achara que estava dormindo se encontrava deitado em outro colchão enquanto encarava o rádio.
-Não acredito! - Hermione disse incrédula parando de cortar o cabelo de Harry me fazendo imaginar o estrago que ela casou por ali.
-O quê? - Harry perguntou preocupado provavelmente pensando o mesmo que eu.
-Digo em um minuto. - respondeu se levantando e caminhando para a mesa de madeira onde havia alguns livros.
Larguei meu livro sob o colchão e me levantei dando uma última olhada em Rony que permanecia na mesma posição antes de ir até os outros.
-ou você pode nos dizer agora - disse me aproximando dela.
-A espada de Gryffindor foi feita por duendes.
-Brilhante. - respondi irônica não entendendo o porquê do entusiasmo com aquela informação.
Hermione riu divertida e me encarou antes de voltar a falar.
-Não, você não entendeu. - respondeu-me e se virou para Potter. - sujeira e ferrugem não afetam a lâmina, ela só absorve o que a fortalece - disse mostrando uma página de um dos livros para nós.
-É, legal... - Harry respondeu tão confuso quanto eu o que me fez rir e Hermione bufar.
-Harry, você já destruiu uma horcrux, lembra? - perguntou se afastando de nós e mexendo nos livros. - O diário de Tom Riddle, na câmara secreta.
-Com a presa do basilisco, se você disser que também tem isso aí na sua bolsa. - respondeu sarcástico.
-Não está vendo? - Hermione se sentou de frente para Harry - na câmara secreta você apunhalou o basilisco com a espada de Gryffindor, a lâmina está impregnada de veneno de basilisco.
-A espada só absorve o que a fortalece... - Harry repetiu entendendo onde Hermione estava querendo chegar, pelo menos alguém entendia.
-Exatamente! - exclamou animada por Harry estar compreendendo. - E é por isso...
-Que ela pode destruir as horcruxes. - ele completou e eu arqueei sobrancelha encarando os dois.
-Por isso Dumbledore deixou-a para você. - Hermione concluiu encarando Harry, que estava concentrado em algo de um dos livros.
-Você é brilhante. - respondeu e Mione riu.
-Na verdade, sou muito lógica, o que me permite enxergar os detalhes mais estranhos e perceber com clareza o que os outros ignoram. - respondeu e Harry assentiu fingindo ter prestado atenção.
-É, só tem um problema, é lógico... - pronunciei-me depois de um tempo, mas fui interrompida quando as luzes que iluminavam a cabana apagaram.
Todos viramos na direção em que as luzes foram sugadas e encontramos Rony de pé nos encarando.
-A espada foi roubada. - completou minha frase e abriu o desiluminador fazendo as luzes voltarem a iluminar a cabana - É, eu ainda estou aqui. - disse nervoso. - Mas vocês podem continuar, eu não quero ser desmancha prazer.
Harry respirou fundo e se virou para ele.
-Qual é o problema? - perguntou impaciente.
-Problema? Não tem problema. - respondeu dando de ombros - Não de acordo com você, não é?
-Se você quer dizer alguma coisa, diga logo. Desembucha!
-Tá certo, eu vou “desembuchar". - Rony respondeu aumentando o tom de voz deixando claro o quão irritado estava - Não espere que eu fique agradecido só porque agora tem mais uma droga dessas para achar.
-Pensei que soubesse no que estava se metendo. - Harry argumentou.
-É, eu também pensei.
-Bom, me desculpe mas eu não estou conseguindo entender. - Harry se levantou e caminhou na direção do ruivo. - Qual é a parte que não está correspondendo a suas expectativas? Você achou que a gente ia se hospedar em um hotel cinco estrelas? Encontrar uma horcrux todo dia? Voltar a tempo para passar o natal com a mamãe?
Hermione se levantou e nos aproximamos deles em silêncio.
-Eu só achei que depois de todo esse tempo já teríamos conseguido alguma coisa. Pensei que soubesse o que estava fazendo, pensei que Dumbledore tivesse dito alguma coisa, pensei que tivesse um plano. - despejou e me encarou no final.
-Você sabe exatamente o que Dumbledore disse a mim, e caso não tenha notado já encontramos uma horcrux.
-É, e estamos tão perto de nos livrar dela quanto estamos de achar as outras, não é? - Rony riu irônico.
-Ron... - Hermione se aproximou dele tentando tirar o medalhão de seu pescoço mas ele empurrou os braços dela para longe e se afastou. -Por favor, tira. - ela tentou mais uma vez em vão - Tira essa coisa. Você não estaria falando assim se não tivesse usado isso o dia todo.
-Quer saber por que eu escuto aquele rádio toda noite? - perguntou ignorando Hermione - Para ter certeza de que não vão falar o nome do Fred, do Jorge, da minha mãe ou da Gina. Não sei se lembra dela, a minha irmã por quem você dizia estar apaixonado meses atrás, mas claro, isso foi antes dela aparecer. - retrucou apontando para mim.
-Ronald... - tentei falar mas Harry me interrompeu.
-Você acha que eu também não fico ouvindo? Você acha que eu também não sei como é isso?
-Não, você não sabe como é isso, seus pais estão mortos! - gritou irritado - os pais de vocês estão mortos. - disse me olhando. - não tem ideia de como é isso.
-É porque não ter alguém com quem se preocupar em casa é algo muito confortante. - respondi irritada, - Não se acha um pouco egoísta demais em pensar que é o único que realmente tem algo a perder?
-Não sou egoísta por pensar a verdade. - respondeu me encarando e se virando para Harry - vocês não tem família.
E em questão de segundos Harry saiu do lugar em que estava e pulou no pescoço de Rony o atacando. Hermione se meteu entre eles e os afastou.
-Então vai, vai embora! - Harry disse irritado e os dois ficaram em silêncio.
Rony arrancou o medalhão do pescoço e entregou para Hermione se virando e pegando a mochila que estava por perto.
-Rony, não... - Hermione pedia enquanto assistia o menino recolher seus pertences.
Caminhou até a saída da barraca e se virou para encarar a morena.
-E você? Vem comigo ou vai ficar? - perguntou e Hermione se virou encarando Harry.
-Ah... - tentou falar mas não conseguiu.
Rony encarou o amigo e se virou para a menina balançando a cabeça.
-Certo, entendi. - disse olhando nos olhos da menina - vi vocês juntos na outra noite.
-Ron, espera aí. - Hermione tentou se explicar. - Não era nada.
-Você nunca fica satisfeito, não é? Afinal, essa deve ser uma das vantagens de ser o eleito.
-Como é? - Harry perguntou incrédulo.
-Não basta ficar no pé da minha irmã até ela se apaixonar por você e então partir para a novata que surgiu do nada dizendo ser filha do seu padrinho, você também tem que ter ela. - disse e por mais irritada que estivesse com ele pude perceber o quão magoado Rony estava.
-Como é? - Harry repetiu na esperança de ter ouvido errado.
-Não se iluda com os beijos e declarações de amor que ela fizer a você. - disse me olhando e eu arqueei a sobrancelha - afinal, qual é a sua?
-Me desculpe, como? - perguntei chocada.
-Você aparece do nada, com uma história de que é filha de Sirius, e faz parte de uma profecia e blá blá blá. De repente se infiltra entre nós, descobre nossos planos, segredos, tudo. - disse me encarando antes de começar a rir - sabe, parando para pensar chega a ser engraçado a coincidência de certos acontecimentos ligados a sua presença. A primeira vez que você vai para minha casa comensais nos atacam e então ela pega fogo, na transferência de Harry até a toca comensais novamente nos atacam. Alguém nos entregou, foi o quanto disseram. O que me garante que não foi você? O que me garante que o motivo de não termos achado mais nenhuma horcrux ou de não termos conseguido destruir nenhuma delas não seja a sua culpa? - perguntou e eu sentia meu sangue ferver por todo meu corpo e a vontade de dar um tapa em sua cara ou usar algum feitiço que o deixasse mudo pela eternidade me atentava. - Nossas vidas já estavam complicadas o suficiente antes de você aparecer.
-Rony, pare...
-Então eu sou a culpada de todo este fracasso? - perguntei incrédula interrompendo Harry. - Vai dizer o que também, que fui eu quem pediu para os comensais atacarem a festa de casamento? Ou melhor, que foi eu quem trouxe Voldemort de volta à vida? - debochei encarando o ruivo.
-Não tenho motivos para não poder duvidar, afinal, não sabemos nada sobre você? Tudo o que sabemos é que você chegou no penúltimo ano por motivos que para você eram desconhecidos, e então nós acolhemos você, deixamos você fazer parte da nossa vida e no momento seguinte está tudo um caos. Dumbledore está morto, nós saímos em uma missão suicida e minha irmã chora toda vez que vê o Harry. Tudo isso é culpa sua, você estragou tudo.
-Você não tem ideia do que está falando...
- Quer saber? Pra mim já deu - disse por fim indo embora.
-Ron, espera - Hermione gritou indo atrás dele.

Capítulo betado por Gi Craveiro


Capítulo 16

Senti meus olhos marejarem e tratei de seca-los instantaneamente. Me sentei no sofá atrás de mim e segundos depois Harry estava ao meu lado.
-, não leve a sério o que ele disse - Harry pediu me abraçando de lado - Não é verdade, você sabe disso, nos sabemos disso e ele também. Rony só está irritado.
-Se eu saísse dizendo merda para todo mundo toda vez que eu estivesse irritada não seria legal, isso não justifica - respondi me levantando e seguindo até o colchão em que estava.
-Eu sei que não, Rony foi um babaca e não espero que queira abraça-lo no momento, eu mesmo estou nervoso com ele. Mas, sabemos que ele não quis dizer nada daquilo, ele só estava irritado consigo mesmo e descontou em nós.
-Harry, não me entenda mal, mas a última coisa que preciso agora é te ouvir defendê-lo - respondi me deitando e vendo Harry sentar em meu colchão.
-Tudo bem, mas tem uma coisa que eu preciso te falar - disse e eu resmunguei incentivando o garoto a prosseguir - O que houve entre mim e Gina foi antes de você entrar, e como as coisas acabaram não tem nada a ver com você - comentou e eu arqueei a sobrancelha - Está bem, talvez tenha a ver com você, mas terminamos as coisas do jeito certo, pacífico, evitando magoar um ao outro. Se ela realmente faz o que Rony disse, é um problema que eu tenho que resolver, mas isso não te envolve, em circunstância nenhuma eu fiz algo na intenção de magoa-la, mas aconteceu. E eu não me arrependendo. A culpa não é sua que tenha despertado sentimentos em mim desde e primeira vez que nos vimos, mesmo sendo aqueles sentimentos raivosos - brincou e eu ri. - Mas o que Rony disse sobre eu estar te iludindo é a mais pura mentira, nada aconteceu comigo e Gina depois que nos beijamos e nada jamais vai acontecer entre Hermione e eu, você é a única garota com quem eu estou e com quem quero estar - disse e eu sorri encarando-o.
-Vou te dar um conselho - pigarreei antes de voltar a falar - pare de falar agora antes que estrague tudo. - o puxei para um beijo e ele riu com os lábios colados nos meus. Quando estávamos prestes a aprofundar o beijo ouvimos passos e nos deparamos com Hermione. Ela tinha os olhos vermelhos e usava a manga do casaco para secar o rosto.
-Como você está? - perguntei e ela apagou as luzes.
-Com sono - respondeu seca e se deitou.
Harry que tinha o corpo apoiado sob o meu encarou a amiga e depois se virou para mim.
-Só mais uma coisa - disse e eu assenti - chega pra lá - me empurrou.
-Como é? Você tem seu próprio colchão! - disse enquanto o garoto me empurrava.
-Eu sei, mas quero dormir com você esta noite - respondeu quando finalmente consegui arranjar um espaço no meu colchão e se deitou.
-Se você abusar de mim enquanto durmo, vai acordar com uma parte do corpo a menos - ameacei fazendo-o rir.
-Entendido

[...]

Hermione nos apressara desde que acordamos, o mau humor da noite passada ainda se fazia presente, mesmo que a morena tentasse mascara-lo. Enquanto Harry e eu recolhíamos as coisas, Granger amarrava um de seus cachecóis em uma árvore para marcar o território. Com a mochila nas costas, observei ela caminhar lentamente em nossa direção e assim que deu as mãos para Harry nós aparatamos. Depois do acontecimento na torre de astronomia em Hogwarts, quando Dumbledore nos levou até a caverna e eu aparatei pela primeira vez, achei que com o tempo me acostumaria com a sensação de enjoo que aquilo trazia, mas lá estava eu, aparatando pela décima vez e sentindo meu estomago embrulhar. Abri os olhos encarando a nova paisagem que era bem diferente da de antes. As árvores que ficavam a pequenos passos de distancia se encontravam longe e abaixo da pequena elevação em que nos encontrávamos, e a grama no chão se tornara pedra, grandes pedras com espaços entre elas tornando um pouco difícil caminhar por ali.
Harry não perdeu tempo e logo começou a caminhar pela montanha de pedras em que estávamos observando o lugar, já Hermione se sentara em uma das pedras com os pés presos no espaço livre abaixo. Não sabia exatamente onde estávamos, mas tinha certeza de que havia uma diferença no horário já que o dia estava se transformando em noite. Indecisa entre consolar minha amiga que chorava em silêncio ou armar a barraca, decidi sentar ao lado de Granger.
Ficamos em silêncio por longos minutos, eu queria dizer alguma coisa, tentar fazer com que ela se sentisse melhor, mas as palavras sumiram e eu não conseguia formular sequer uma pequena frase.
-Hermione... - chamei sua atenção, mas ela continuou a encarar a natureza a sua frente. - Eu sei que...
-Você deveria montar a barraca - me interrompeu secando o rosto com os dedos.
-Mas você...
-Eu estou bem, só estava me sentindo um pouco enjoada, mas já vai passar.
-Hermione, não precisa mentir. Eu sou sua melhor amiga, sei que não está bem - disse na esperança de ela se abrir comigo.
-Já disse que estou bem.
E então ela se calou, voltou a encarar o horizonte e agiu como se eu não estivesse ali. Aceitando o fato de que não conseguiria conversar com ela naquele momento, me levantei tomando cuidado ao caminhar pelas pedras e tirei a barraca da mochila armando-a.
A noite caíra e trouxera o frio consigo, por isso eu me encontrava debaixo das cobertas lendo o livro que eu tinha esperanças de poder finalmente terminar. O rádio que antes era usado para escutar os nomes de bruxos sequestrados ou então falecidos, tocava em volume baixo uma música suave que preenchia o ambiente. Hermione estava sentada nos pequenos degraus de madeira em frente a minha cama, abraçada aos joelhos encarando o rádio enquanto balançava o corpo levemente de acordo com a música.
Harry, que estava de guarda do lado de fora da barraca, entrou e se sentou na cadeira do lado oposto ao nosso. Encontrávamo-nos em total silêncio, e se não fosse pelo rádio o único barulho seria o de nossas respirações, havia sido assim o dia inteiro. Todos nós sentíamos falta de Rony.
Eu continuava concentrada em meu livro quando vi Harry se aproximar de Hermione e estender uma mão em sua direção, convidando-a para dançar. A morena o encarou e incerta se levantou ficando de frente para ele, Potter passou as mãos pelo seu pescoço tirando o medalhão e jogando em minha cama. Deram alguns passos indo para o meio da barraca, Harry que segurava as duas mãos de Hermione começou a dançar devagar com a intenção de fazer a amiga acompanha-lo, e depois de insistir muito a morena se deu por vencida e começou a dançar com Harry. O garoto a fazia girar, jogava para um lado e para o outro e finalmente um sorriso surgiu no rosto de Hermione. Peguei minha varinha fazendo um movimento leve com a mão em direção do rádio e aumentando o volume da música no momento que os dois se soltaram e passaram a dançar animadamente. Sorri vendo a cena.
Eu sempre ficava encantada quando parava para observar a amizade dos três, a conexão entre eles era algo único, todos tinham sua importância. A ausência de um deles afetava o outro mais do que algumas pessoas considerariam certo, mas eles eram uma equipe e se não trabalhassem juntos durante todos esses anos não teriam chegado tão longe, acho que era por isso que alguns alunos de Hogwarts os chamavam de trio de ouro e foi aí que eu percebi o quanto ambos estavam sentindo falta de Rony. A música foi desacelerando até acabar. Hermione se soltou de Harry e em silêncio se dirigiu até sua cama. Potter me encarou confuso e eu dei de ombros, por um momento chegamos a pensar que o humor de Hermione havia melhorado, odiávamos ver ela triste daquele jeito. Harry suspirou, desligou o rádio e apagou as luzes indo para a cama. Irritada por não ter conseguido terminar meu livro mais uma vez, guardei-o debaixo do travesseiro e fechei os olhos pronta para adormecer.

[...]

Eu já estava ficando irritada com todo aquele silêncio e estava prestes a surtar como Rony. Hermione se encontrava de guarda do lado de fora da barraca, Harry estava deitado observando o pomo de ouro voar a sua frente e eu estava na cozinha fazendo um sanduíche, havia considerado pegar meu livro e finalmente termina-lo, mas sabia que no momento em que fizesse isso alguma coisa aconteceria e me impediria de continuar a ler.
Assustei-me ao ver Harry se levantar e sair da barraca com pressa, larguei meu lanche em cima da mesa e o segui para fora. Ele caminhava dizendo algo para Hermione que estava mais afastada lendo e eu tive que apertar o passo para alcança-lo.
-O que aconteceu? - perguntei me sentando ao lado deles.
-Lembra quando Hermione disse que os pomos de ouro tem memória? Eu não peguei o meu primeiro pomo com as mãos, eu quase o engoli - Harry me explicou entregando o pomo.
-"Abro no fecho" - li as palavras escritas no objeto. - O que significa?
-Eu não sei - Hermione respondeu confusa e eu devolvi o pomo para Harry. - Eu também achei uma coisa - contou pegando o livro que Dumbledore havia lhe dado o qual estava lendo, abriu em uma página rapidamente e mostrou um símbolo para nós - primeiro eu achei que fosse um olho, mas agora eu acho que não, não é uma runa, foi feito a tinta, não faz parte do livro, alguém desenhou isso.
-O pai da Luna estava usando um colar com este símbolo no casamento - lembrei e Hermione me encarou pensativa.
-Por que alguém desenharia isso em um livro infantil? - se perguntou.
-Eu tenho pensado... Eu quero ir para Godric’s Hollow. - Harry disse e nós o encaramos surpresas - Foi lá que eu nasci e foi lá que meus pais morreram.
-É para lá que esperam que você vá, Harry - Hermione respondeu. - Sabem que significa alguma coisa para você.
-É, mas também significa para ele - Harry argumentou tentando convencer Hermione que já se levantava. - Você-sabe-quem quase morreu lá, não seria o lugar perfeito para ele esconder uma horcrux?
-Isso é perigoso, Harry.
-Mas faz sentido - comentei e Hermione arqueou uma sobrancelha - Não posso mentir, ultimamente tenho pensado em ir para lá, acho possível que tenha outra coisa escondida.
-O que? - ela perguntou.
-A espada, se Dumbledore queria que você achasse sem que ela caísse nas mãos do ministério que lugar melhor para escondê-la senão o lugar em que o fundador da Grifinória nasceu?
Hermione que andava a nossa frente parou e se virou para me encarar.
-Não acredito que não pensei nisso antes - disse inconformada e eu sorri. Virou-se para Harry e o encarou - nunca mais me deixe cortar o seu cabelo - disse e se afastou entrando na barraca.
-Ela tem razão - respondi mexendo em sua franja que estava torta e vendo o menino rir.
-Por acaso você conhece algum feitiço que arrume isso? - perguntou e eu neguei com a cabeça.
-Mas não está tão ruim - disse e ele arqueou a sobrancelha duvidando de mim - é sério! - Harry abrira a boca para me responder quando Hermione nos chamou.
-Se vamos fazer isso hoje temos que arrumar nossas coisas, não é?

[...]

E lá estava ela, a maldita sensação de enjoo, eu estava rezando para que não tivéssemos que aparatar novamente pelos próximos dez dias, mas eu sabia que não era algo com que eu pudesse contar. Ao menos o vento gélido que batia em meu rosto e a neve que caia em meus casacos amenizava a sensação e me acalmava. As ruas cobertas de neve se encontravam vazias, a maioria das casas tinham as luzes apagadas fazendo com que as únicas iluminações viessem da lua, dos poucos postes de luz e de alguns enfeites de natal.
Peguei-me sorrindo ao encarar uma casa enfeitada, não havia nada de incrível ou exagerado na decoração, era a mais simples possível, com apenas algumas luzes douradas na faixada da residência, mas fora o suficiente para despertar em mim a sensação de nostalgia. Minhas lembranças de natais passados foram interrompidas quando Hermione levemente tossiu e me trouxe de volta a realidade.
-Ainda acho que deveríamos ter usado a poção polissuco - disse olhando em volta.
-Não, aqui é o lugar onde eu nasci, não voltaria como outra pessoa - Harry contestou.
O som de um sino tocando não tão distante dali chamou minha atenção que logo se dispersou quando Harry estendeu o braço esquerdo para mim. Tirei minha mão do bolso do casaco e segurei em seu braço passando a caminhar a seu lado. A voz de um homem desejando boa noite e rindo fez com que eu virasse rapidamente para trás e encontrasse dois rapazes andando na direção oposta a nossa. Mais calma, voltei à posição de antes.
Continuamos seguindo até chegarmos ao fim da rua onde havia um cemitério e, em frente ao mesmo, uma pequena igreja.
-Pessoal, acho que é véspera de natal. Escutem- disse observando a igreja a qual estávamos parados em frente. Vozes doces e afinadas podiam ser escutadas enquanto cantavam músicas natalinas.
Os dois observando superficialmente o local ao qual eu me referia, mas logo voltaram sua atenção para o cemitério.
-Vocês acham que eles estão aí? - Harry perguntou - Meus pais.
-Sim, acho que sim - Hermione respondeu cautelosa.
Harry sutilmente soltou nossos braços e seguiu andando pelos túmulos a procura de um específico e sem que eu percebesse Hermione tinha seguido pelo outro lado. Peguei-me observando o lugar ao redor e me espantei ao notar que era a primeira vez em que estava em um cemitério. Nunca havia perdido alguém a ponto de ter que comparecer em lugares como aquele e sempre que meus pais adotivos perdiam algum conhecido e iam a velórios e enterros eu me recusava a acompanhar, a sensação de morte e fim que aqueles lugares me traziam era algo que eu evitava sentir até que fosse extremamente necessário. Mas isso fora antes. Naquele momento, devido a tudo que havíamos passado, o que estava por vir e a situação em que nos encontrávamos, nada daquelas sensações pareciam ter importância, não me afetavam mais. Eu via a morte como algo diferente, afinal, meu pai biológico cujo eu nunca conhecera se fazia presente em meus sonhos mesmo tendo falecido. Talvez cemitérios não significassem absolutamente o fim.
Vi que Harry havia parado em frente a um túmulo e ficara ali por um tempo, ele havia achado o de seus pais. Com cuidado me apressei em ir ao seu encontro diminuindo os passos quando estava próxima.
O túmulo de mármore branco tinha os nomes dos dois escritos junto a suas datas de nascimento e morte. Abaixei-me delicadamente e com a varinha conjurei uma coroa de flores na frente. Levantei tomando cuidado para não escorregar na neve e vi que Harry tinha os olhos avermelhados enquanto algumas lágrimas escorriam por seu rosto. Olhei para baixo encarando sua mão e levemente segurei nela enquanto apoiava minha cabeça em seu ombro. Harry fungou e levou a mão livre até o rosto secando as lágrimas e apertou minha mão.
-Feliz natal, - sussurrou e eu sorri fraco.
-Feliz natal, Harry - respondi depositando um beijo em sua bochecha.
Hermione que se aproximara sem que eu percebesse colocou a mão em meu ombro e sorriu sem jeito. Passamos alguns segundos em silêncio observando o túmulo de James e Lily até que Granger ajeitou a postura e nos encarou rapidamente disfarçando em seguida.
-Gente, tem alguém nos observando, perto da igreja. - avisou discretamente.
Cuidadosamente Harry e eu nos viramos na direção da igreja e encontramos uma senhora baixa nos observando. Ela se virou e em passos lentos tomou uma pequena distância.
-Eu acho que sei quem é - Harry disse e começou a andar automaticamente me puxando já que ainda segurava minha mão.
Seguimos a certa distância a senhora que caminhava lentamente por uma rua sem movimento ou barulho.
-Eu não gosto disso, Harry - Hermione que estava ao meu lado sussurrou para o menino que insistia em seguir a senhora.
-Se você estivesse gostando, teria certeza que todas essas noites que tem passado sem dormir estavam começando a afetar sua inteligência. - respondi encarando minha amiga que revirou os olhos em resposta.
-Ela conhecia Dumbledore, ela pode estar com a espada - respondeu e eu olhei para a senhora e depois para Hermione arqueando a sobrancelha como se perguntasse se era realmente uma boa ideia seguir aquela mulher, a morena deu de ombros e suspirou mostrando que não concordava, mas respeitava a decisão de Harry.
Harry caminhava atento observando as casas ao redor até que eu o senti estremecer e então ele parou em frente a uma casa específica. Hermione que havia continuado a andar parou e voltou quando percebeu onde estávamos. A casa estava coberta de neve e parte do telhado estava destruído. A madeira que a mantinha em pé parceria querer ceder devido às chuvas e tempestades de neve que deve ter aguentado desde o último acontecimento.
-Foi aqui onde eles morreram - Harry sussurrou e sem saber o que dizer apenas aperte de leve sua mão demonstrando que eu estava ali para apoia-lo. - Foi aqui onde ele os matou.
Senti olhos em cima de nós e instantaneamente todos viramos para o lado encontrando a senhora nos encarando o que fez com que eu desse um pequeno pulo pelo susto e meu coração acelerasse.
-Você é Bathilda, não é? - Harry perguntou e ela assentiu. Fez um sinal para que acompanhássemos e voltou a andar com Harry ao seu encalço.
Aproveitei que Hermione e eu estávamos mais afastadas e sussurrei para a morena.
-Só eu que achei ela extremamente parecida com um personagem de filme de terror? - perguntei e Hermione negou com a cabeça.
-Como ela chegou do nosso lado sem que percebêssemos? - perguntou confusa.
-Exatamente, parece que veio rastejando de tão silenciosa que foi - comentei observando ela abrindo a porta de uma casa pequena.
-Não sei o que há de errado com ela, mas é melhor estarmos preparadas, Harry vir até Godric’s Hollow desperta certos sentimentos nele que o faz esquecer-se de ter cuidado - respondeu mostrando que tinha a varinha em baixo da manga do casaco e entrou na casa em seguida.
Certifiquei-me de que minha varinha estava no bolso de trás da calça escondida de baixo do sobretudo que eu usava e caminhei pelo mesmo caminho que os dois passando pela porta estreita e entrando na casa de Bathilda. A iluminação da sala era péssima sendo grande parte feita por velas que ela acabara de acender e a mais eficiente sendo das luzes dos postes da rua que atravessavam a janela pelas frestas da cortina. Harry continuava ao lado da senhora ajudando a acender as velas já que as mãos dela estavam tremulas, dei uma olhada em volta observando o pequeno espaço em que estávamos que era repleto de móveis de madeira antigos, voltei a observar Potter e Bathilda e senti um arrepio percorrer minha espinha quando vi o olhar que ela dava a Harry e talvez por ter encarado demais ela notou minha presença e virou em minha direção me encarando quase sem piscar fazendo-me prender a respiração.
-Sra. Bagshot, quem é esse rapaz? - Harry perguntou iluminando um porta retrato com um fósforo que mantinha acesso. Inclinei-me na intenção de enxergar o tal homem da foto e me deparei com um jovem de cabelos loiros muito bem vestido, ele me lembrava alguém, só não sabia ao certo quem. Bathilda não respondeu, pegou uma das velas acessas e subiu as escadas em silêncio sendo seguida por Potter.
-Harry... - sussurrei o chamando, mas já era tarde demais, o menino já havia subido as escadas atrás da mulher. - Droga! - resmunguei me virando para Hermione que me encarava desanimada respirando fundo. Revirei os olhos e peguei minha varinha usando um feitiço para usa-la como lanterna e voltando a andar pela casa a procura de algo que me ajudasse a entender quem realmente era aquela senhora. No corredor perto a saída encontrei uma porta entreaberta e com cuidado a empurrei para trás entrando no pequeno quartinho sem iluminação. Senti um pingo cair em meu braço e rapidamente apontei a varinha para o teto encontrando sangue escorrendo no andar de cima. - HARRY!
Saí rapidamente do cubículo e encontrei Hermione na sala me olhando assustada.
-O que foi? - perguntou confusa com a varinha em mãos, mas minha resposta foi desnecessária já que fui interrompida por um barulho alto vindo do andar de cima como se algum móvel tivesse caído. Subi com rapidez as escadas e encontrei Harry sendo atacado por Nagini, a cobra de Voldemort, procurei pela senhora em volta e não a encontrei entendendo que havia sido a cobra o tempo todo. Ela virou em minha direção pronta para atacar, mas eu usei um feitiço me protegendo e fazendo o animal cair com força no andar de baixo causando um tremor no chão e me fazendo perder o equilíbrio e cair sentada ao lado de Harry que segurava o braço direito contra o corpo, provavelmente havia sido machucado tentando se defender. Vi que ele encarava algo no chão e reconheci sua varinha jogada perto da escada, engatinhei até a varinha apressadamente e a peguei assim que cheguei perto o suficiente, recuando em seguida. Levantei-me cuidadosamente e estiquei o pescoço tentando enxergar no andar de baixo quando vi algo rapidamente vindo em nossa direção me fazendo gritar assustada, por sorte Hermione agira de maneira rápida e lançara outro feitiço na cobra a fazendo cair no chão e em seguida segurou em minha mão e na de Harry aparatando para longe dali.

[...]

Fazia alguns dias desde que voltamos de Godric's Hollow e aparatamos para uma floresta cuja localização exata eu desconhecia. As árvores estavam se folhas sendo somente galhos altos e espessos e o chão se encontrava coberto de neve e troncos caídos. A temperatura negativa do local havia feito com que Harry ficasse gripado e por isso o bruxo havia passado esses dias descansando dentro da barraca enquanto Hermione e eu tomávamos conta do resto. Terminei de checar Potter, que havia pegado no sono, e saí da barraca silenciosamente indo até Hermione que estava de guarda encostada em uma árvore há poucos passos de distancia lendo um livro que trouxera da casa de Bathilda.
-Como ele está? - a morena perguntou assim que me viu fechando o livro e apoiando-o nas pernas que estavam cruzadas e cobertas por um edredom.
-Melhor - respondi me sentando ao seu lado. - onde estamos?
-Floresta do Dean - ela respondeu e eu assenti. - Vinha aqui com meus pais, anos atrás e está do mesmo jeito, as árvores, o lago, tudo igual, como se nada tivesse mudado. Não é verdade, é claro, tudo mudou. E se meus pais voltassem provavelmente não reconheceriam as árvores, o lago, nem mesmo a mim. - suspirou entristecida olhando em volta nostálgica, apoiei minha cabeça em seu ombro mostrando que entendia exatamente pelo o que ela estava passando. - Talvez devêssemos ficar aqui, , envelhecer.
Ri de sua ideia e me afastei aproveitando para pegar um pouco do cobertor que ela usava para me esquentar.
-Provavelmente enlouqueceríamos com toda essa calmaria - comentei e Granger riu concordando. - Eu estava para te perguntar, você se lembra da foto que Harry viu aquele dia em Godrics Hollow? O rapaz loiro... - Hermione assentiu. - Sabe quem ele é?
-Gellert Grindelwald - abriu o livro na página marcada e me mostrou a foto do rapaz junto a Dumbledore.
-Ele é o ladrão que vi na loja de Gregorovitch - Harry comentou aparecendo de repente ao meu lado me fazendo gritar assustada. - Desculpe - ele deu uma risadinha e pôs a não em meu ombro. - Falando nisso, onde está minha varinha?
Olhei apreensiva para Hermione que sorriu nervosa para Harry fazendo o bruxo nos encarar confuso.
-Onde está minha varinha? - tornou a perguntar preocupado. Hermione se levantou com cuidado e retirou a varinha quebrada de baixo de um pano no chão.
-Na fuga de Godrics Hollow eu lancei um feitiço e ela ricocheteou - contei entregando o objeto em pedaços. - Sinto muito, nós tentamos concentrar, mas com varinhas é diferen...
-Tá bom - me interrompeu se esforçando ao máximo para não soar rude, mas seu rosto denunciava o quão irritado havia ficado. - Me dê a sua. - pediu estendendo a mão - Vão para dentro e se esquentem, eu vou ficar com o medalhão. - avisou e eu hesitei antes de por a mão no bolso do casaco que vestia, pegar minha varinha e entregar para Harry.
-Sei que ficou chateado, mas, por favor, não se vingue quebrando a minha - disse preocupada fazendo Harry me olhar incrédulo.
-Eu jamais faria isso! - retrucou levemente irritado pelo meu comentário.
-Sei que não, me desculpe - sorri sem jeito e me levantei entregando o edredom que eu e Hermione usávamos para ele que recusou com um movimento da cabeça.
-Não estou com frio - respondeu e eu assenti segurando o edredom entre os braços e caminhando em direção à barraca pronta para dormir algumas horinhas, estava exausta.

(...)

Abri os olhos encontrando nada senão escuridão em toda a barraca, me mexi na esperança de voltar a dormir, mas já era tarde demais, desde que embarcamos nessa caçada a horcruxes meu sono era algo extremamente sensível, uma vez que acordara voltar a dormir era quase impossível. Passei a mão por de baixo do travesseiro a procura da minha varinha quando me lembrei de que havia dado a mesma para Harry. Bufei frustrada e me sentei na cama apertando os olhos e tentando enxergar algo, o que obviamente não aconteceu. Calcei meus tênis que se encontravam ao lado da cama, e cuidadosamente caminhei até a cama de Hermione pegando sua varinha debaixo do travesseiro e depois de usar um feitiço para iluminar o local, rumei para a parte de fora da barraca encontrando Harry sentado na mesma árvore observando o pequeno pedaço de vidro que ele carregava para todos os lados.
-O que faz acordada? - perguntou surpreso ao me ver sentada ao seu lado.
-Perdi o sono - respondi dando de ombros. - Se quiser ir dormir, eu fico de guarda. -ofereci.
-Não - ele rapidamente respondeu - Dormi demais durante esses dias, não estou cansado.
-Tudo bem, então vou ficar aqui te fazendo companhia, se não se importar, é claro - disse o olhando e vendo-o negar.
-Quantas vezes vou ter que repetir que adoro sua companhia? - perguntou e eu ri sem jeito.
-Achei que estivesse bravo comigo, sabe... Pela varinha - comentei e ele fez um barulho com a boca negando.
-Não posso dizer que amei o fato de estar sem uma varinha no momento, mas sei que não foi culpa sua. - me empurrou de leve com o corpo e eu sorri aliviada.
Voltamos a ficar em silêncio observando a floresta a nossa volta quando um ponto de luz brilhante surgiu distante de nós na direção do lago, a luz foi tomando formato e rapidamente eu reconheci como um patrono o que indicava a presença de mais alguém por ali.
-Harry...
-Também estou vendo - respondeu assim que o chamei e se levantou atento. - Vou até lá.
-Mas não vai mesmo! - me levantei rapidamente o segurando pelo braço já que ele já caminhava em direção ao lago, e tudo que recebi em resposta foi um olhar impaciente. - Vou com você então.
-Alguém tem que ficar de guarda da barraca - resmungou.
-Você não vai até lá sozinho - retruquei decidida, Harry respirou fundo e assentiu voltando a caminhar enquanto eu o seguia alguns passos atrás sempre olhando em volta e checando se ninguém se aproximava da barraca.
Levamos alguns segundos até chegarmos ao lago onde o patrono perdeu o formato de animal e voltou a ser uma pequena bola de luz. Harry pegou minha varinha no bolso de traz da calça e a usou como lanterna iluminando o local onde estávamos.
-Acha que tem algo no rio? - perguntei a Harry que agora estava do meu lado
-Só tem um jeito de descobrir - respondeu pisando com cuidado no gelo que cobria o rio.
Posicionei o pé no gelo e fiz pressão me certificando de que ele não cederia abaixo de mim e seguindo Harry que dava passos cautelosos em direção à bola de luz que continuava parada em cima de uma parte específica do rio. A cada pisada um barulho ecoava como se o gelo estivesse prestes a quebrar me fazendo hesitar em continuar, mas eu não morreria se caísse na água, por isso continuei. Assim que nos aproximamos a bola de luz mergulhou no rio iluminando algo por debaixo da camada de gelo. Agachamos nos aproximando da luz e Harry usou a varinha para iluminar mais ainda enquanto eu passava a mão pelo gelo retirando a camada fina que impedia a visualização da água abaixo. Arregalei os olhos ao constatar que objeto que havia preso na água do rio congelado era a espada de Gryffindor.
-Accio Espada! - Harry tentou usar um feitiço para atrai-la, mas foi em vão. Pôs a mão em meu braço e me puxou para trás. - Difindio - conjurou fazendo um pedaço do gelo ceder dando passagem a água.
-O que vai fazer? - perguntei nervosa ao imaginar a resposta.
-Vou ter que entrar na água para busca-la - respondeu como se fosse óbvio e eu o encarei chocada.
-Ficou louco? Essa água está sei lá quantos graus abaixo de zero - disse incrédula.
-Não temos outra opção, precisamos da espada - respondeu retirando a blusa, os calçados e a calça e me dando para segurar. Abaixou com cuidado colocando os pés na água e contorcendo o rosto.
-Eu disse que a temperatura deve estar abaixo de zero - resmunguei irritada pela teimosia do garoto. Ele respirou fundo prendeu o ar e mergulhou nadando até a espada.
Observei ele se aproximando dela quando repentinamente recuou com as mãos envolta do pescoço, havia algo de errado. Larguei as roupas dele no chão e me aproximei ficando de prontidão caso precisasse ajuda-lo. Percebi que ele se contorcia na água tentando voltar à superfície enquanto algo o segurava para baixo, me preparei para pular na água e busca-lo quando alguém gritou me impedindo.

Capítulo 17

-, não! - Rony gritou me surpreendendo, de todas as pessoas ele era a última que esperava ver naquele momento. Ele largou a bolsa no chão ao lado das roupas de Harry e mergulhou no lago me deixando confusa. Segundos depois ele emergiu com a espada em uma não e Harry na outra, o ajudei a puxar Harry para longe do lago e voltei para pegar suas roupas e a bolsa do ruivo.
Potter respirava acelerado enquanto tinha o corpo encostado em uma pedra e os óculos largados no chão ao seu lado. Corri em sua direção e segurei seu rosto em minhas mãos.
-Você está bem? - perguntei e ele assentiu em resposta, me certificando de que Harry estava bem aproveitei e descontei minha raiva o estapeando - você ficou maluco, Potter? Se está querendo me matar do coração é só falar.
-Aí! - ele gritou quando um tapa forte foi de encontro ao seu braço descoberto e gelado. Respirei fundo me acalmando e apressadamente puxei seu corpo para perto do meu, o abraçando. - Eu estou te molhando...
-Cala a boca - retruquei o apertando mais forte - se você me der outro susto desse eu te mato - avisei e ele riu.
Me afastei deixando Harry pegar seus óculos e me virei vendo Rony nos encarar.
-Você ficou louco? - Rony perguntou a Harry que se surpreendeu ao vê-lo molhado.
-Foi você? - perguntou surpreso.
-Foi - ele respondeu ainda segurando a espada.
-Você conjurou a corsa também, não foi?
-Não, achei que tinha sido um de vocês. - respondeu.
-Não, meu patrono é um cervo - Harry disse enquanto vestia as calças.
-Ah, sim, tem gralhadas - Rony comentou imitando chifres em sua cabeça e me encarou em seguida.
-Também não fui eu, o meu é um gato selvagem - respondi e o ruivo riu de leve assim como Harry.
Harry pegou o medalhão e o posicionou em um pedra perto de nós, se virou para Rony e disse:
-Está pronto?
-Eu não vou conseguir. - o ruivo respondeu preocupado. - Esse troço me afeta mais do que a vocês.
-Mais um motivo - disse e ele negou.
-Não posso.
-Então por que está aqui? Por que você voltou? - Harry perguntou já impaciente e Rony se calou pensativo. - Vou usar ofidioglossia para ele abrir, quando isso acontecer não hesite. Não sei o que tem aí dentro, mas ele vai lutar. O pedaço de Riddle que estava no diário tentou me matar - Harry avisou, esperou Rony assentir e começou a falar na língua das cobras.
O medalhão se abriu libertando uma forma por entre fumaças negras e nos empurrando para trás. Harry se revirava no chão se protegendo das trevas enquanto eu procurava pela varinha de Hermione que havia caído durante a queda. A forma por entre as fumaças falava algo para Rony que chegava aos meus ouvidos como múrmuros desconexos mas que pareciam lhe afetar já que ele encarava a fumaça apavorado e escorregava para longe. Percebi a imagem mudar para a minha e então os múrmuros tomaram forma e eu conseguia entender o que a minha imagem dizia.
-Você quis colocar a culpa em mim? Que culpa eu tenho em ser mais poderosa do que você - vi Rony parar de se arrastar para longe e encarar minha imagem vidrado. - O ruivinho na sombra do melhor amigo, o Weasley mais sem graça... - minha imagem sorria maldosa e eu tentava gritar para que Rony não desse ouvidos a ela e destruísse o medalhão - o covarde que fugiu e nos abandonou, como você acha que Hermione iria gostar de você se nem você gosta de si próprio?
A imagem passou a ficar distorcida e se transformou na figura de Harry e Hermione deixando o ruivo mais aterrorizado.
-Estávamos muito bem sem você - a voz de Harry dizia encarando Rony. - Mais felizes sem você.
-Quem poderia olhar para você ao lado de Harry Potter? - a imagem de Hermione dizia - Quem é você comparado ao eleito?
-Rony, ele está mentindo! - o verdadeiro Harry gritou desesperado enquanto sua outra imagem dizia ser mais preferido pela mãe do ruivo do que ele mesmo.
-Que mulher te aceitaria? Você não é nada... - Hermione resmungou sorrindo traiçoeiramente.
-Rony, não é verdade! - Gritei tentando chamar a atenção do menino que ficou mais vidrada ainda nas imagens quando elas mudaram para Harry e Hermione se beijando.
O ruivo levantou do chão com raiva e com a espada em mãos correu por entre a fumaça e quebrou o medalhão fazendo as trevas sumirem. Caminhei com cuidado para perto de Rony que se encontrava ajoelhado no chão com a espada ao seu lado.
-Pensa só - chamei sua atenção em uma tentativa de anima-lo - só faltam três.
Harry e Rony riram de leve e se levantaram pegando a horcrux destruída e a mochila do Weasley e seguindo de volta para barraca.
Olhei em volta vendo o céu que já clareava e a manhã que chegava.
-Hermione! - Harry gritava acordando a amiga que saiu da barraca em poucos segundos nos encarando confusa ao ver Rony.
-Oi - ele sorriu animado para a morena que saiu o atacando.
-Seu... Ridículo - ela xingava enquanto tacava a mochila do garoto no chão e o empurrava - Idiota, Ronald Weasley! - ela resmungou tacando um pouco de terra do chão no menino que estava confuso. - Aparece aqui depois de semanas e diz "oi"? - ela finalmente parou de bater em Rony com a mochila e o encarou irritada. - Cadê minha varinha, Grace Black? - perguntou nervosa e eu arregalei os olhos.
-Por que sua varinha está com ela? - Rony perguntou confuso.
-Isso não te interessa - ela respondeu e voltou a estender a mão para mim que entreguei a varinha rapidamente. - O que é isso? - perguntou confusa ao ver a horcrux destruída na mão do ruivo. - Você destruiu ela... E como é que de repente você destruiu ela? E como é que vocês estão com a espada de Gryffindor?
-É uma longa história - Harry respondeu sem jeito.
-Não pense que isso muda alguma coisa - Granger disse para Rony e se virou para sair.
-Ah, é claro que não. - Rony retrucou fazendo com que a morena parasse para escutá-lo. - Eu só acabei de destruir uma porcaria de uma horcrux, por que isso mudaria alguma coisa? - Hermione virou e voltou a encarar o ruivo - Escuta, eu quis voltar na mesma hora que parti, eu só não sabia como achar vocês.
-E como foi que nos achou? - perguntei curiosa.
-Com isso - respondeu tirando o desiluminador que ganhou de presente de Dumbledore - Não serve só para apagar luzes, eu não sei bem como funciona, mas na manhã de natal, eu estava dormindo em um pequeno bar, fugindo dos sequestradores e eu ouvi...
- O que?
-Uma voz - respondeu a Harry - A sua voz, Hermione. - olhei para minha amiga e vi que ela havia amolecido um pouco, mas continuava zangada - Sua voz saindo do desiluminador.
-E o que eu disse exatamente, posso saber? - perguntou sem acreditar muito na história.
-O meu nome, só o meu nome - respondeu a encarando. - Como um sussurro. E então eu peguei, liguei e uma bolinha luminosa apareceu e eu soube. E foi como se a bolinha de luz flutuasse ao meu encontro, foi direto pro meu peito, atravessando bem aqui - apontou para onde seu coração ficava e eu reprimi um sorriso ao vê-lo praticamente se declarar para a morena. - E soube que ela me levaria para onde eu precisava ir, então eu desaparatei e me vi na encosta de um morro, estava escuro e eu não fazia ideia de onde estava, só tinha esperança de que um de vocês ia aparecer...E vocês apareceram. - terminou de contar a história encarando a Harry e eu em silencio.
Hermione, que havia ficado balançada com o que Rony dissera, encarou o menino mais uma vez antes de virar as costas e ir para a barraca.
-Quanto tempo acham que ela vai ficar com raiva de mim? - perguntou e eu revirei os olhos.
-Continue falando da tal bolinha de luz que tocou seu coração e ela vai te perdoar - respondi e ele sorriu envergonhado.
-Foi verdade, cada palavra - respondeu e eu assenti.
-Por mais babaca que eu te ache agora, ainda acredito em você - respondi e vi o sorriso do menino sumir.
-Sobre isso...
-Eu vou ver se Hermione precisa de ajuda com algo - Harry deu uma desculpa qualquer para nos deixar a sós e saiu.
-Então...
-Por que não se instala direito? Guarde suas coisas, descanse um pouco, depois conversamos - o cortei e ele assentiu seguindo comigo até a barraca.

[...]

A tarde já estava no fim quando Rony veio para fora da barraca conversar comigo, o sol já se punha e eu estava de guarda quando o ruivo apareceu perguntando se podia se sentar ao meu lado e ficando em silencio pelos cinco minutos seguintes.
-Se veio aqui para ficar em silêncio, vou deixá-lo de guarda sozinho - disse e ele riu sem graça.
-Não sei nem por onde começar...
-Um pedido de desculpas seria um bom começo - respondi o encarando de canto de olho.
-Certo... Me desculpe. - Rony começou a falar - Tudo que eu disse, foi o medalhão mexendo com a minha cabeça, jamais diria alguma coisa do tipo para nenhum de vocês, mas eu estava ficando louco, me sentindo excluído por não poder ajudar e fraco por ter sido o único a se machucar. - ele fez uma pausa mas ao perceber que eu não diria nada voltou a falar - Não acho que você tenha qualquer envolvimento com Voldemort ou que tenha nos entregado para comensais aquele dia na casa dos tios de Harry.
-Então eu não sou a culpada pelos choros de sua irmã? - perguntei e o vi ficar sem respostas.
-Não completamente, o culpado mais é o Harry, você só foi um dos motivos.
-Uau, me fez sentir muito melhor - respondi irônica revirando os olhos.
-Me desculpe, eu só... Escute, eu não te culpo por nada muito menos desconfio de você, os problemas de Gina são entre Harry e ela e não tem o porquê te envolver já que em nenhum momento você tentou manipular as coisas ao seu favor, tudo só aconteceu. Mas eu te considerei uma amiga desde o primeiro dia em que você entrou no salão principal de braços dados com Hermione rindo e conversando, eu me preocupei quando você desmaiou na minha frente e até torci por você na aposta de quem Harry beijaria primeiro...
-Que aposta? - perguntei confusa.
-Isso não importa - quis mudar de assunto e eu ri. - O que estou tentando dizer é que eu te considero alguém da família. Você foi praticamente adotada pelos meus irmãos e meus pais te adoraram, quando sai aquela noite e percebi tudo que havia dito a você, eu queria me bater, quis arranjar algum jeito de me desculpar o mais rápido possível, mas não sabia onde vocês estavam e nem como voltar. Sinto muito se te machuquei, nunca foi minha intenção.
-Até que você é bom com pedidos de desculpas - respondi sorrindo fraco e vendo o menino sorrir abertamente ao ver que tinha sido perdoado - desde que entrei em Hogwarts minha vida inteira mudou. Tudo que eu sabia sobre mim era mentira e de repente tudo que eu tinha era vocês, quando pensava em família era a imagem de vocês que vinha na minha cabeça, eu não tinha pais ou mães e minha prima é trouxa, não podia me visitar ou muito menos me comunicar a todo tempo com ela. Então ter a amizade de vocês significa muito para mim, principalmente depois de que eu apaguei a memória de minha família trouxa...
-Eu não sabia, sinto muito - Rony me interrompeu e eu abanei o ar sorrindo fraco mostrando que estava tudo bem.
-E então tudo o que eu realmente tenho é vocês. Ouvir você dizer aquilo me machucou muito, pensar que existia alguma possibilidade de algum de vocês desconfiar de mim doeu, mas eu entendi que nada daquilo era o que você pensava, eu me coloquei no seu lugar e imaginei tudo que deveria estar passando na sua cabeça naqueles dias, afinal, eu vi o que o medalhão te mostrou.
-Então estou desculpado? - perguntou e eu assenti sorrindo - você não tem ideia do quanto isso significa - respondeu me abraçando de lado e me puxando para si.
-Agora voltando a aquela aposta...

-Foi tudo culpa do Fred e do Jorge - respondeu me soltando e erguendo as mãos sinalizando que era inocente e me fazendo gargalhar.

[...]

Já era tarde da noite quando decidi me juntar a Hermione e ficar de guarda do lado de fora da barraca, não havia tido muito tempo para conversar com ela desde que Rony voltara e estava esperando o momento certo para trazer o assunto à tona.
-Você está bem quieta hoje - comentei me sentando ao seu lado e roubando um pouco do cobertor que ela usava. Hermione permaneceu em silêncio e só me respondeu com um sorriso de lado. - Quanto tempo pretende fazê-lo sofrer?
-Não estou fazendo-o sofrer - retrucou e eu revirei os olhos - estou?
-Claro que está, Rony só faltou implorar seu perdão - disse e ela choramingou em resposta. - Sei que o que ele fez não foi legal, mas você sabe o quanto ele sofre toda vez que você o ignora.
-Não consigo entender o porquê - Hermione respondeu e eu bufei impaciente.
-Não se faça de burra, Hermione...Mas quer saber? Eu não vou voltar nesse assunto, cansei de perder meu tempo conversando sobre isso. - disse irritada com os dois - Só pegue mais leve com Rony, ele está se esforçando para conseguir seu perdão.
-Vou pensar - respondeu encerrando o assunto.
Sua atenção voltou para o livro em seu colo e seus dedos passavam por cima do símbolo que nos instigava tanto ultimamente. O triangulo junto ao círculo e a um traço possuía algum significado, Xenofílio Lovegood não estaria usando um colar daqueles sem motivos e muito menos esse símbolo estaria rabiscado em um livro infantil por razão nenhuma. Notei que aquele não era o livro que Hermione havia recebido de Alvo, era, na verdade, o livro que ela pegou na casa de Bathilda na véspera de natal.
-O que é isso? - perguntei apontando para o símbolo no livro. - Por que ele está aí?
-Eu não sei - respondeu irritada por não ter conhecimento sobre o símbolo - ele fica aparecendo em tudo ultimamente. Essa é uma carta escrita por Dumbledore, não consigo entender porque o símbolo aparece aqui novamente.
-Sabe, deveríamos visitar Xenofílio Lovegood - comentei e ela arqueou uma sobrancelha confusa. - Ele usava um colar com o símbolo, lembra? Deve ao menos saber o que significa.
-Na verdade, é uma ótima ideia - disse surpresa por não ter pensando nisso antes o que me fez rir - Podemos...
Hermione foi impedida por chamas enormes vindas de dentro da barraca seguidas da voz de Harry usando um contrafeitiço para apagá-las.
-O que foi isso? - a morena perguntou assustada ao entrar na barraca comigo ao seu encalço.
-Nada - Harry se fez de inocente e Granger preferiu ignorar já que tínhamos assuntos mais importantes a tratar.
-Precisamos conversar - avisou e os dois assentiram. - Queremos visitar Xenofílio Lovegood - ela disse me olhando rápido e depois voltando a encarar os meninos.
-O que? - Harry perguntou confuso, Hermione abriu o livro na página marcada e caminhou até Potter mostrando o símbolo para ele.
-Olhe isso, é uma carta que Dumbledore escreveu para Grindewald - explicou - Olha a assinatura, é o símbolo de novo. - ela fechou a página do livro e se afastou de Harry - Ele não para de aparecer. Aqui, em Beedle, o bardo, no túmulo em Godrics Hollow.
-Também estava lá - Harry respondeu se lembrando de algo e fazendo Hermione o encarar curiosa.
-Onde? - perguntei confusa.
-Em frente à loja de varinhas de Gregorovicth. - respondeu me encarando rapidamente e voltando sua atenção para Hermione.
-E o que significa? - Rony perguntou totalmente perdido no assunto.
-Não sabemos - interrompi Hermione por saber que ela ignoraria o Weasley - Olha, nós não fazemos a menor ideia de onde está a próxima horcrux, mas isso significa alguma coisa - comentei certa do que dizia e tendo a atenção de todos.
-Temos certeza - Hermione enfatizou.
-É, Hermione está certa, digo, vocês estão certas - Rony respondeu desajeitado e eu arqueei a sobrancelha encarando o ruivo que caminhou até o lado de Hermione e se esforçava para ter a atenção da morena. -Vamos visitar Lovegood... Vamos votar! Quem é a favor? - perguntou e levantou a mão em seguida fazendo Harry me olhar prendendo o riso e Hermione o encarar sem paciência.
Rony, ao ver que não seria acompanhado por ninguém, abaixou a mão sem jeito e sorriu envergonhado vendo Hermione balançar a cabeça incrédula e voltar para fora da barraca.
-Forcei muito a barra? - perguntou preocupado e Harry riu.
-Um pouco - respondi risonha me divertindo com a situação dos dois e vi o ruivo se afastar decepcionado.
-Dê um tempo a mais para ela, Ron - Harry gritou para o amigo que estava do outro lado da barraca e riu ao ser xingado em resposta. Potter se virou para mim risonho e eu estranhei ao ver que ele carregava uma varinha diferente em mãos.
-Onde conseguiu essa varinha? - perguntei confusa e ele olhou para a mão direita rapidamente e depois para mim.
-Rony pegou de um dos sequestradores há algumas semanas, não é grande coisa mas serve - deu de ombros e eu assenti em compreensão.
-Da próxima vez que for testa-la, tente não incendiar a barraca - brinquei e ele riu revirando os olhos.
-Engraçadi... - Harry parou de falar repentinamente e procurou algo atrás de si para se apoiar enquanto fechava os olhos e levava a mão até a cabeça com uma careta de dor.
-Harry! - gritei correndo até ele e atraindo a atenção de Rony e Hermione que rapidamente se juntaram a nós.
-De novo não... - Hermione resmungou irritada e se abaixou ao meu lado encarando Harry que continuava sentado com as mãos na cabeça. - Não pode deixar ele entrar o tempo todo, Harry! - gritou nervosa.
Os olhos de Harry se abriram e ele respirava ofegante enquanto seu rosto mostrava o quão assustado ele estava. Rony surgiu com um copo d'água e entregou a Potter que imediatamente recusou com um movimento na cabeça. Hermione chamava por ele perguntando o que ele vira, mas Harry continuava a respirar ofegantemente me encarando assustado.
-Harry, você está me deixando preocupada - comentei apoiando minha mão em seu joelho. - o que foi que você viu?
-Voldemort... - ele resmungou tentando fazer a respiração voltar ao normal.
-O que tem ele? - perguntei agoniada com o estado dele.
-Ele... Ele quer...
-O que ele quer, Harry? Diga de uma vez! - Hermione perguntou nervosa e Harry fechou os olhos respirando fundo antes de voltar a abri-los e responder.
-Você... Ele quer você, !


Capítulo 18

-Eu não entendo - Hermione repetiu a mesma frase pela vigésima vez enquanto eu a observava, sentada em um dos degraus, andar de um lado para o outro. - Por que Voldemort iria querer ? Não faz sentido!
Revirei os olhos irritada por ela constatar o óbvio e passei a mão pelo cabelo respirando fundo. Rony estava encostado na mesa com os braços cruzados, a mão no queixo e os olhos em Hermione; Harry era o que estava pior, talvez por ter sido aquele que viu o que Voldemort queria, ele estava sentado em uma das camas com as mãos entrelaçadas e o olhar perdido.
-Harry - consegui a atenção do garoto que parou de encarar o chão e se virou para mim - O que foi, exatamente, que Voldemort te mostrou? - o garoto respirou fundo, passou as mãos pelo rosto e voltou a me olhar.
-Foi muito confuso, primeiro apareceu Nagini, depois você e no fundo ele disse "me dê a garota".
-Nagini? O que a cobra tem a ver comigo? - perguntei confusa sentindo minha cabeça dar voltas, aquilo não fazia sentido nenhum.
-Será que isso não tem ligação com a profecia? - Rony perguntou deixando de observar Hermione roer as unhas e vindo em minha direção - digo, existe uma profecia sobre você, não é?
-Foi o que Dumbledore disse - dei de ombros encarando a entrada da barraca- Mas não dizia nada sobre a cobra.
Levei as mãos ao cabelo bagunçando de leve e respirei fundo, precisava me acalmar para conseguir organizar meus pensamentos.
-Deveríamos dormir, temos que visitar Xenofílio amanhã e passar a noite tentando desvendar o que Harry viu não vai nos levar a nada a não ser desgaste, pensamos nisso de manhã - Hermione parou de andar de um lado para o outro e nos aconselhou.
-Eu fico de guarda. - Rony se voluntariou e eu assenti levantando e seguindo para minha cama em silêncio.
Os minutos passaram se transformando em horas rapidamente, Harry e Hermione estavam dormindo há muito tempo enquanto eu continuava a encarar o teto com medo de simplesmente me mexer na cama. Sabia que quando decidi ajudar Harry e os outros enfrentaríamos todo tipo de situação e que ter medo não ajudaria em nada, mas as palavras de Harry e sua expressão ao dizer que Você-Sabe-Quem queria a mim causavam-me mais pavor do que gostaria de admitir. Conforme o tempo foi passando adormecer se tornou inevitável e sem que eu percebesse já estava imersa em sonhos e pesadelos.

"- - alguém sussurrava meu nome - , querida! - a pessoa não sussurrava mais, porém mantinha o tom cauteloso ao falar - Sou eu. - minha respiração que havia acelerado foi acalmando conforme eu reconhecia a voz.
-Pai? - olhei em volta mesmo sabendo que era inútil, estava tudo escuro.
-Sim, querida, sou eu. Agora, preste atenção! Eu não posso estar aqui e muito menos te mostrar as coisas que você verá por isso não temos muito tempo, mas sei que está confusa e você merece explicações. - respirou fundo antes de voltar a falar rapidamente - Sei que está com medo mas agora não é hora pra isso, lembre-se da bruxa maravilhosa que você é e do quão orgulhosos sua mãe e eu estamos, você é uma Black, então lute como uma.
-Sirius, eu não estou entendendo...
-A história que você conhece não é a verdadeira, Dumbledore tinha outra ideia de como contar isso a você, mas seus planos foram interrompidos, então eu tenho que me apressar se quiser te mostrar a verdade, fique de olhos bem abertos...
De repente a voz de Sirius sumiu e a escuridão se tornou um grande foco de luz que aos poucos foi tomando forma, assim que meus olhos conseguiram se acostumar com a claridade pude enxergar onde estava, era a cozinha onde minha mãe havia sido assassinada.
E falando nela lá estava Elisa, cozinhando calmamente enquanto o rádio tocava ao seu lado, parou de mexer o caldo, apoiou a colher na pia e se virou para brincar com a bebê que estava no carrinho observando a mãe cantarolar a música e cutuca-la lhe causando risadas.
Senti meus olhos marejarem e levei a mão até a boca ao perceber o que estava acontecendo. Me lembrava daquele local, daquela cena, lembrava-me do pesadelo que tive ano passado, e quando a ficha finalmente caiu eu senti meus joelhos fraquejarem.
Elisa continuava a brincar com a bebê, ou melhor, comigo, até o barulho do cronômetro soar e ela se virar voltando para o fogão, a música ainda tocava e sua voz acompanhava a da cantora, soava doce e afinada me fazendo questionar se eu havia puxado meu pai nessa parte já que minha voz era um desastre. Um estrondo alto acabou com a calmaria presente no ambiente e eu me encolhi ao rever a cena de uma maneira prolongada e pior.
Elisa se virou para a bebê assustada e com a varinha em mãos, os passos aumentavam e sua mão tremia sem parar, reconheci a imagem de Bellatrix e Voldemort quando os dois adentraram a cozinha sendo seguidos por Nanini.
Arqueei a sobrancelha encarando a cobra e, conforme Lestrange gargalhava, vi que o olhar de minha mãe também estava no animal rastejante ao lado de Voldemort. Ela alternou o olhar entre mim e a cobra e, conforme Voldemort levantava a varinha apontando para ela e conjurando a maldição da morte, sua varinha também se levantava enquanto ela proferia um feitiço desconhecido por mim no mesmo segundo que a luz verde tomou conta da cozinha e seu corpo caiu duro e sem vida no chão.
Senti meu estômago revirar como se tivesse levado um soco e meus joelhos cederam fazendo-me cair no chão horrorizada por ter presenciado aquela cena. Um barulho na porta de entrada chamou a atenção dos dois e Voldemort e Bellatrix aparataram com a cobra deixando único som que preenchia o ambiente ser o da música do rádio.
-Sinto muito por ter que ver isso, mas era mais rápido do que eu descrever - Sirius voltou a falar - Sua mãe utilizou um feitiço complexo e pouco conhecido. Como você deve saber, para se criar uma horcrux e dividir a alma é necessário matar alguém, você-sabe-quem precisa de mais uma e também queria nossa morte, então ele arranjou a solução que seria perfeita, matar sua mãe e dividir a alma mais uma vez e foi isso o que ele fez. Mas Voldemort não sabia que Elisa tinha um extenso conhecimento em feitiços, imaginando qual seria o plano dele e na intenção de te proteger ela criou uma conexão entre você e o animal, te tornando a única pessoa a poder matá-la. Meu tempo esgotou, sei que deve estar cheia de perguntas e que é muita informação, mas você precisava saber. Sua mãe e eu estamos sempre com você, tenha cuidado!"

Acordei sentindo o suor escorrer pelo meu corpo e com a respiração ofegante, sentei na cama tentando assimilar tudo que havia visto e ouvido, era demais. Joguei os pés pra fora da cama quando percebi que não conseguiria voltar a dormir, peguei minha varinha, calcei os chinelos e segui para o lado de fora da barraca onde Rony estava sentado mexendo nas folhas que caíram da árvore.
-Ei - sussurrei chamando sua atenção e fazendo-o se assustar.
-! O que faz acordada? - perguntou indo para o lado me dando espaço no cobertor ao seu lado. Sentei guardando minha varinha no bolso do casaco e respirei fundo antes de responde-lo.
-Eu tive um sonho estranho - respondi e ele assentiu em sinal de compreensão.
-Tenho tido bastantes pesadelos esses dias, acho que é por causa da loucura que estamos vivendo - desviou o olhar da árvore a nossa frente e se voltou para mim. - Sabe, quando eu era criança e tinha pesadelos minha mãe sentava comigo e conversava sobre eles, normalmente ajudava, quer tentar? - sorri imaginando a cena de um pequeno Rony sentado com a Sra. Weasley contando sobre algum sonho que envolvesse aranhas gigantes.
-Não foi bem um pesadelo, eu...
-Sonhou com Sirius? - me interrompeu e eu assenti surpresa por ele ter adivinhado. - O que ele te disse pra te deixar assim?
-O problema não foi exatamente o que ele disse, mas sim o que ele me mostrou - fiz uma pausa esperando algum comentário do ruivo que apenas fez um sinal com a cabeça me dizendo para prosseguir - Não sei se você vai lembrar, mas logo no começo do ano letivo quando eu entrei em Hogwarts eu tive um pesadelo, envolvendo a morte da minha mãe.
-Quando as meninas do dormitório chamaram Minerva para te ajudar, certo?
-Exatamente! - parei de encara-lo para prestar atenção na lua cheia que brilhava em cima de nós. - Só que dessa vez eu estava observando tudo por mais tempo, de uma forma pior, eu vi Elisa cantando para a bebê, quer dizer, para mim, a vi sorridente cozinhando e de repente tudo mudou, a explosão, a risada de Bellatrix, Voldemort a matando.
-Espera, não foi Bellatrix que a matou? - perguntou confuso e eu neguei com a cabeça. - Mas porque Dumbledore lhe disse que havia sido ela?
-Porque ele não queria me contar qual era a verdadeira profecia escrita sobre mim, ele não queria me assustar logo de cara, ou talvez não tivesse certeza de que era verdade, eu não sei porquê.
-E qual é a verdadeira profecia? - Rony perguntou preocupado sem desviar os olhos de mim.
-A cobra. Quando minha mãe foi morta por Voldemort na intenção de transformar Nagini em uma horcrux, ela executou um feitiço pouco conhecido, na intenção de me proteger, sem que ele soubesse, ela havia criado uma conexão entre mim e o animal me tornando a única pessoa a poder destruí-la. - contei vendo os olhos do Weasley arregalarem e ele soltar o ar pesadamente.
-Então é por isso que ele quer você... - concluiu e eu assenti. - Não vamos deixar que ele te encontre, você-sabe-quem não conseguiu encontrar Harry, não conseguirá te encontrar também.
-Espero que sim - suspirei apoiando a cabeça de leve em seu ombro e sentindo seu braço passar por volta de meu corpo em um abraço discreto. -Será que você poderia deixar isso entre nós? Não quero preocupar Hermione e Harry com isso, não agora. Sei que a informação é importante, mas talvez tenhamos pistas de outra horcrux, saber que a cobra é uma não ajuda em nada no momento.
-Hm, claro, se você prefere assim - concordou ainda incerto.
-Obrigada - agradeci sorrindo -Pode ir dormir, eu fico de guarda.
-Não estou com sono.
-Tem certeza? Faltam poucas horas para o amanhecer e não tenho dúvidas que Hermione irá querer sair daqui o mais rápido possível. - ele riu com meu comentário e balançou a cabeça positivamente.
-Tenho sim, prefiro ficar aqui com você - me deu um empurrão e eu ri.
-Falando em Hermione - me soltei do abraço o encarando.
-Ah não... - Rony resmungou e eu gargalhei.

[...]

Terminamos de subir o morro em que havíamos aparatado e a primeira coisa que vi foi uma casa pequena e simples com uma plantação de algo que eu desconhecia. Hermione bateu na porta quando chegamos mais perto e Rony leu intrigado a placa que havia na frente da casa.
-Não se aproxime das ameixas dirigíveis - ri com o aviso e ele balançou a cabeça. - Luna...
A casa se encontrava literalmente no meio do nada, não havia uma pessoa sequer que vivesse envolta do local, e Xenofílio não demorou a nos atender encarando-nos confuso ao abrir a porta.
-O que é isso? - perguntou assustado - Quem são vocês, o que querem?
-Olá, Sr.Lovegood - Harry que estava atrás de nós se pronunciou subindo as escadas e se aproximando do pai de Luna. - Sou Harry Potter, nos conhecemos há alguns meses. Podemos entrar?
Xenofílio nos encarou desconfiado mas acabou por permitir que entrássemos, abrindo a porta em silencio e nos dando passagem. Passei ao lado de Hermione observando a decoração da parte interna não tendo dúvida de onde Luna puxara seu jeito peculiar, claramente era muito parecida com o pai. Sr. Lovegood nos ofereceu xícaras de chá que havia acabado de ser feito e depois apontou para as poltronas e cadeiras da sala indicando que deveríamos sentar-nos. Permanecemos em silêncio por longos minutos, até que Hermione se pronunciasse quebrando o gelo.
-Onde está Luna? - puxou assunto um pouco sem jeito enquanto o homem encarava o chão desconfortável com a situação.
-Luna? Hm, ela virá logo - respondeu atrapalhado me fazendo estranhar seu comportamento. - Então, como posso ajuda-lo Sr. Potter? Se bem que me lembro vagamente de conhece-la também senhorita. - vi que falava comigo e sorri simpática.
-Nos conhecemos na festa de casamento de Gui Weasley, Luna nos apresentou.
-Claro, a filha de Sirius Black. - senti meu sorriso desmanchar porém forcei uma expressão simpática e assenti permanecendo em silêncio.
-Bem, queria saber sobre uma coisa que o senhor estava usando no pescoço no casamento, era um símbolo - Harry percebendo meu desconforto tratou de mudar de assunto atraindo a atenção do homem.
-Está falando disto? - perguntou retirando o colar de dentro da roupa e mostrando o símbolo que estava nos perseguindo nas últimas sems.
-Sim, exatamente. - Harry tocou no pingente observando-o -O que queríamos saber é... O que é?
-Ora, é o símbolo das relíquias da morte, é claro. - respondeu como se fosse óbvio.
-O que? - perguntamos juntos ainda confusos.
-As relíquias da morte, suponho que conheçam o conto dos três irmãos.
-Sim - Hermione e Rony responderam juntos, mas Harry e eu negamos ao mesmo tempo fazendo Xenofílio nos encarar divertido.
-Tenho um exemplar aqui - Hermione se lembrou abrindo a bolsa e pegando o livro que ganhara de Dumbledore. Ela abriu na página exata e começou a ler a história. - Era uma vez, três irmãos que estavam viajando por uma estrada deserta e tortuosa ao anoitecer...
-À meia noite - Rony a corrigiu e Hermione o encarou sem paciência - Era como a mamãe contava. - justificou e eu balancei a cabeça incrédula. - Mas ao anoitecer tá bom, melhor, na verdade. - tratou de se corrigir quando viu o olhar que Hermione lhe lançava.
-Você quer ler? - ela perguntou no mesmo momento que o pai de Luna se levantou indo até a janela.
-Não, não, pode ir - respondeu rápido e sem jeito me causando risadas.
-Era uma vez, três irmãos que estavam viajando por uma estrada deserta e tortuosa, ao anoitecer. Depois de algum tempo, os irmãos chegaram a um rio muito perigoso para atravessar, os irmãos porém eram exímios em magia, por isso os três irmãos simplesmente balançaram suas varinhas e fizeram uma ponte. Antes que pudessem atravessar a ponte, tiveram o caminho bloqueado por uma figura encapuzada.
Era a morte. Ela se sentiu traída. Traída porque o normal seria os viajantes se afogarem no rio, mas a morte era perspicaz. Ela fingiu parabenizar os três irmãos por sua magia e disse que cada um ganharia um prêmio por ter sido inteligente o bastante para evita-la.
O mais velho pediu a varinha mais poderosa que existisse, e a morte lhe deu uma varinha feita da árvore de sabugueiro. O segundo irmão resolveu humilhar a morte ainda mais e pediu o poder de ressuscitar os entes já falecidos, então a morte apanhou uma pedra da margem do rio e a entregou a ele. Finalmente, a morte perguntou ao terceiro irmão, um homem humilde. Ele pediu algo que lhe permitisse sair daquele lugar sem ser seguido por ela. E a morte, de má vontade, lhe entregou sua própria capa da invisibilidade.
O primeiro irmão foi para uma aldeia distante, onde, com a varinha de sabugueiro na mão, assassinou um bruxo que não teve nem a oportunidade de lutar. Tomado pelo poder que a varinha das varinhas havia lhe dado, ele seguiu por uma estalagem onde se gabou por ser invencível, mas naquela noite, um outro bruxo roubou a varinha e cortou a garganta do mais velho dos irmãos, e assim a morte levou o primeiro irmão.
Enquanto isso, o segundo irmão viajou para casa onde pegou a pedra e virou-a três vezes na mão, para sua alegria, a moça que um dia desejara se casar antes de sua morte precoce, apareceu diante dele, contudo, ela estava triste e fria, não pertencia mais ao mundo dos mortais. Enlouquecido pelo desesperado desejo, o segundo irmão se matou para poder se juntar a ela. Assim, a morte levou o segundo irmão.
Já o terceiro irmão, a morte procurou por muitos anos mas nunca o encontrou. Somente quando atingiu uma idade avançada foi que o irmão mais novo, despiu a capa da invisibilidade e deu-a para seu filho, ele acolheu a morte como uma velha amiga e a acompanhou de bom grado. E como iguais, partiram dessa vida.
-E é isso. - a voz do pai de Luna soou ao meu lado me fazendo pular no sofá assustada já que estava imersa na história. - Essas são as relíquias da morte. - respondeu voltando a olhar para a janela.
-Me desculpe, senhor, ainda não entendi - Harry o encarou confuso.
-Eu... preciso de um pedaço de papel e de uma pena - saiu da janela a procura dos objetos que encontrou em uma mesa próxima a nós. Ele desenhou um traço vertical no meio da folha e se virou para nós - A varinha de sabugueiro, a varinha mais poderosa que existe. - Explicou; desenhou um círculo pequeno envolta do traço e voltou-se para nós - A pedra da ressurreição. - Desenhou um triangulo envolta dos dois símbolos completando a imagem igual a seu pingente. - A capa da invisibilidade. Juntas formam as relíquias da morte, unidas, fazem de seu dono o senhor da morte.
-Esse símbolo - pigarrei antes de atrair a atenção de todos - Estava em um túmulo em Godric's Hollow - os lembrei - Senhor, a família Peverell tem alguma ligação com as relíquias da morte?
-Ignoto e seus irmãos Cadmo e Antíoco, acredita-se que eles foram os primeiros donos das relíquias e também a inspiração para a história - explicou passando por nós e pegando a jarra de chá da mesa. - Mas... O chá vai esfriar - gaguejou antes de voltar a falar. - Eu já volto, já volto. - avisou descendo as escadas a caminho da cozinha. Esperamos que ele se distanciasse antes de falarmos qualquer coisa.
-Vamos dar o fora daqui, não bebo mais um gole desse troço, quente ou frio. - Rony avisou pegando a mochila do chão e eu concordei.
-Foi coisa da minha cabeça ou ele está agindo de maneira estranha, como se estivesse preocupado, fazendo algo de errado. - comentei e Hermione assentiu.
-Ele é pai de Luna, esse deve ser o estado normal dele - Rony brincou e eu revirei os olhos.
-Estou falando sério. - peguei minha bolsa pendurando-a no ombro e guardei minha varinha no bolso de trás da calça escondendo-a com o casaco que usava.
Desci as escadas atrás de Hermione que tomou a frente na hora de agradecer ao homem que ainda encarava a janela.
-Obrigada, Senhor - ela chamou sua atenção assustando-o.
-Esqueceu da água - Rony avisou e ele arqueou a sobrancelha - pro chá - explicou confuso.
-Eu... eu esqueci? - gargalhou me fazendo saltar de leve no degrau da escada sendo segurada por Harry que colocou as mãos em minhas costas me apoiando. - Que burrice a minha - caminhou para o outro lado da cozinha indo atrás da água.
-Não se preocupe, já estamos de saída - Hermione avisou e ele se virou instantaneamente.
-Não podem ir! - gritou derrubando a jarra e por instinto eu coloquei a mão por cima da varinha. - Não podem, têm que ficar aqui. - caminhou até a porta impossibilitando nossa saída.
-Senhor... - Rony o chamou e ele se virou para nós com a cabeça baixa e olhar em Harry.
-Você é minha única esperança, eles ficaram furiosos com o que eu andava escrevendo, - sua respiração estava acelerada e ele gaguejava algumas vezes. - Eles a levaram, eles levaram minha Luna.
Xenofílio caminhou até Harry e pôs sua mão sobre a cicatriz na testa de Potter, olhei em volta enquanto tentava tirar a ideia que passava em minha cabeça, mas ao encarar Rony me lembrei do sonho da noite anterior e mesmo sabendo que poderia ser uma missão suicida a ideia me pareceu boa. Se o Sr. Lovegood nos queria ali porque eles estavam atrás de nós, provavelmente se referia a comensais da morte, e se eu conseguisse chegar até eles talvez conseguisse chegar até a cobra.
No mesmo segundo em que decidi o que fazer a janela da casa foi estourada. Enquanto sombras de comensais nos atacavam, por instinto me joguei no chão como os outros, mas ao vê-los se juntarem na intenção de aparatar para longe dali recuei seguindo até a porta engatinhando.
-! - Hermione gritou por mim e eu olhei para trás vendo os três me encararem confusos.
-O que está fazendo? - Harry perguntou preocupado, hesitei em responder e Rony logo percebeu minha ideia.
-É loucura, não vai dar certo! - gritou tentando me fazer mudar de ideia.
-Andem, vão embora. - Rony me olhou incerto mas pareceu confiar em mim. - Eu sinto muito. - sai da casa indo para trás do pai de Luna que gritava na escada pedindo para os comensais pararem de destruir seu lar. Olhei para trás não encontrando mais ninguém o que me fez acreditar que Rony havia aparatado eles de volta para a floresta, mas não tive tempo para raciocinar já que segundos depois mãos envolveram meus braços e me aparataram para longe dali.

[...]

Aparatei em uma sala sem móveis porém com várias pessoas ao redor me encarando. Não consegui reconhecer o comensal que me trouxera, mas reconheci Draco e sua família ao canto esquerdo da sala do lado oposto a Bellatrix Lestrange que alternava entre um olhar confuso na minha direção e um raivoso para os comensais que chegaram comigo.
-Seus imprestáveis! Cadê o Potter? - gritou irritada vindo em nossa direção.
Olhei em volta procurando por qualquer sinal de Nagini e me arrependi da ideia que tive no mesmo momento que percebi que ela não estava ali e que eu havia me entregado à Voldemort da maneira mais ridícula possível.
-Ele não estava lá quando chegamos, só a garota e o pai da loira - o comensal que ainda segurava meus braços respondeu e eu me lembrei de Luna, será que ela estava por ali?
-O que você fazia sozinha? Potter já se cansou de você? - Bellatrix perguntava enquanto tinha o rosto próximo ao meu e as mão mexendo em meu cabelo. - Ou só é tão burra que nem o papai? - me forcei a ficar quieta e continuei focando meu olhar na janela atrás da bruxa evitando olhar para seu rosto. - A última vez que passamos tanto tempo juntas foi no dia da morte de sua mãe - ela dizia andando por trás de mim e eu sentia seus olhos queimando em minhas costas. - Você não falava muito na época, mas chorava que era uma beleza - ela gargalhou e eu fechei os olhos respirando fundo. - Black... tão estupida quanto os pais, eu poderia te matar bem agora.
-Sabe que não pode, Voldemort quer a ela - Narcisa, mãe de Draco, interferiu e mesmo estando aliviada senti um arrepio percorrer minha espinha ao ouvir o que ela disse. Bellatrix bufou incomodada pelo comentário e lembrete que recebeu e se afastou.
-Levem-na para junto da outra. - disse de costas para mim e novamente eu fui carregada pelos braços só que dessa vez me levaram para uma pequena escada ao final da sala onde um portão de grades enferrujadas foi aberto e eu empurrada para dentro do que eu deduzi ser um porão.
Me lembrei de ter escondido minha varinha em meu sutiã e a peguei usando-a para iluminar um pouco o local, olhei em volta e me assustei ao encontrar Luna sentada atrás de uma das pilastras.
-? - me encarou confusa.
-Luna, que bom te encontrar! - suspirei aliviada em ver que ela estava bem - seu pai está super preocupado com você.
-Quando esteve com meu pai? - perguntou confusa virando a cabeça para o lado e se levantando.
-Há pouco tempo, mas isso não importa, precisamos sair daqui. - olhei em volta iluminando as paredes a procura de algo que nos ajudasse a sair.
-Onde estão Harry, Rony e Hermione? - perguntou me acompanhando com o olhar.
-Não faço a mínima ideia, mas espero que bem longe daqui. - Virei para olha-la rapidamente e voltei a procurar por alguma saída.
-Como entrou com sua varinha?
-Escondi no meu sutiã, acho que eles não pensaram em procurar em minhas roupas íntimas - respondi rindo em deboche e ouvi um tumulto começando na parte de cima, desfiz o feitiço e guardei a varinha enquanto corria até o portão tentando ouvir o que estava acontecendo.
Pude ouvir passos e a voz de Bellatrix gritando, mas não consegui entender o que ela dizia, minutos depois ouvi ela mandar Rabicho levar alguém para o porão e me escondi atrás de uma pilastra enquanto os passos se aproximavam e a porta se abria. Vi Harry e Rony serem jogados ao chão junto com o barulho da porta se fechando e rapidamente fui até eles.
-O que estão fazendo aqui? - perguntei surpresa e confusa ao encontrar os dois.
-! - Harry correu e me abraçou - Mas que merda você estava pensando quando se deixou ser levada?
-Eu...
-, não me entenda errado, estou muito feliz de ter te encontrado, mas onde estamos? Não podemos deixar Hermione sozinha com ela - Rony disse desesperado e eu tirei a mão de Harry de minha cintura e fui até ele.
-Estamos no porão do que eu acredito ser a casa dos Malfoy - respondi - Luna está aqui também - avisei apontando para onde achava que ela estava e Rony tirou o presente que ganhou de Dumbledore do bolso e acendeu uma das luzes no local me fazendo perceber que haviam mais duas pessoas ali, Sr.Olivaras e Grampo, um duende que trabalhara no banco de Gringots.
Harry fez menção de falar, mas foi interrompido por um grito agudo vindo do andar de cima nos deixando mais desesperados ainda.
-Temos que fazer alguma coisa- Rony disse nervoso.
- Não tem como sair daqui, tentamos de tudo, está enfeitiçado - Sr.Olivaras respondeu enquanto eu olhava em volta, percebi que Harry se abaixou e tirou um pedaço de um espelho da meia.
-Você está sangrando, que coisa curiosa para se guardar numa meia - Luna comentou risonha e Harry se virou de costas olhando para o espelho e sussurrando algo que eu não entendi graças aos gritos de agonia e desespero de Hermione. Passos se aproximavam e Rony rapidamente apagou as luzes no mesmo instante que Pedro Pettgrew abriu a porta mandando o ruivo se afastar e chamando por Grampo que sem relutar, o seguiu para fora.
Eles foram embora, Rony acendeu as luzes e Dobby aparatou bem ao meu lado.
-Dobby, o que está fazendo aqui? - Harry perguntou confuso ao ver o elfo.
-Dobby está aqui para salvar Harry Potter, é claro. - a pequena criatura deu de ombros sem jeito.
-Quer dizer que consegue nos tirar daqui? -Harry o encarou esperançoso.
-Mas é claro, sou um elfo. - suspirei aliviada ao ouvir sua resposta e me virei para Harry e Rony esperando um deles ter alguma ideia.
-Ok, leve Luna e Sr.Olivaras para...
-Para caverna das conchas, confie em mim. - Ron completou e Harry assentiu repetindo para Dobby o que ele deveria fazer.
-Quando estiver pronto, senhor - Luna disse sorridente e Dobby ficou envergonhado.
-Senhor? Eu gostei dela - disse animado me fazendo rir. Ele pegou na mão dos dois e nos encarou. - Me encontrem no topo da escada em 10 segundos.
Assim que Dobby aparatou ouvimos passos descendo a escada, Rony e eu nos escondemos em um lado, Harry do outro, e no instante que Pedro Pettigrew abriu o portão um feitiço o atingiu e ele caiu paralisado no chão. Tomei frente do caminho e encontrei o elfo parado no topo da escada.
-Quem quer a varinha dele? - perguntou me fazendo rir porém fui obrigada a me lembrar da situação em que nos encontrávamos e voltei a ficar em silêncio focada em somente tirar Hermione dali.
Enquanto subíamos as escadas cuidadosamente era possível ouvir a voz de Bellatrix gritando com Grampo, agachamos nos últimos degraus e percebi que o pomo de ouro voava ao lado de Harry que não perdeu tempo e guardou-o rapidamente no bolso de seu casaco.
-O que vamos fazer? - sussurrei olhando para os dois que não me responderam nada.
-Se considere sortudo, duende - Lestrange disse com desgosto caminhando - o mesmo não será dito para essa aqui.
-Não! - Rony gritou se levantando e correndo - Expelliarmus - atingiu Bellatrix pelas costas, Harry e eu corremos atrás dele atacando os outros comensais. Lucius Malfoy foi lançado para longe por um feitiço de Harry e Rony e eu lutávamos contra Narcisa e Draco quando um grito de Bellatrix chamou nossa atenção.
-Parem! - nos viramos para dar de cara com a bruxa segurando Hermione pelos cabelos e segurando uma adaga contra seu pescoço. - larguem as varinhas - mandou, mas permanecemos parados o que não agradou a comensal impaciente - Larguem, eu já disse! - gritou nos fazendo soltar as varinhas no chão - apanhe-as, Draco. - o loiro rapidamente agachou recolhendo nossas varinhas assustado me fazendo encara-lo com nojo, não passava de um capacho não só dois pais como de todos os comensais. Bellatrix que já se recuperara do ataque surpresa agora sorria animada enquanto caminhava com Hermione em nossa direção. - Olha, olha, olha... Olha quem temos aqui, é o Harry Potter - ela sussurrou no ouvido de Hermione que respirava nervosa e assustada - Ele está claro, me olhando novinho em folha, em tempo para o lorde das trevas... Draco, chame-o. - nos viramos para Draco que alternava o olhar entre nós e os comensais visivelmente perdido. - Chame-o!
Lucius ao perceber que seu filho não se moveria, tomou a frente levantando o casaco que escondia a marca negra e levantou as mãos pronto para chamar seu lorde quando um barulho de parafusos sendo soltos quebrou o silêncio e atraiu a atenção de todos. Olhamos para cima encontrando Dobby sentado no enorme lustre da sala enquanto ele rosqueava os parafuso calmamente até faze-lo se soltar indo de encontro ao chão assustado todos os comensais que recuaram para não serem atingidos e fazendo Bellatrix soltar Hermione que logo foi pega por Rony e trazida para perto de nós. Harry que havia se afastado voltou para meu lado com nossas varinhas em mão, peguei a minha de volta e me posicionei para atacar Lucius que vinha em nossa direção, mas Harry foi mais rápido lançando um feitiço em sua direção e o mandando para trás.
-Seu elfo estúpido, podia ter me matado! - Lestrange gritou nervosa e eu puxei Dobby para perto de mim o colando em cima da mureta da escada enquanto Grampo se juntava a nós.
-Dobby nunca quis matar, Dobby só queria causar um ferimento muito sério - respondeu assustado e foi rápido ao desarmar Narcisa que tinha a varinha apontada para ele.
-Como ousa tirar a varinha de uma bruxa? Como ousa desafiar os seus senhores? - Bellatrix gritava sem parar conforme ficava mais irritada.
-Dobby não tem mais nenhum senhor, Dobby é um elfo livre! - respondeu orgulhoso. - E Dobby veio para salvar Harry Potter e seus amigos. - estendeu a mão para nós no mesmo instante em que vi Bellatrix lançar a adaga em nossa direção mas tudo ficou embaçado conforme íamos aparatando e assim que cheguei em uma praia deserta com um céu nublado me sentei recuperando o fôlego. Olhei em volta encontrando Hermione sentada na areia com Rony a segurando e corri em sua direção.
-Hermione! Você está bem? O que ela fez com você? - perguntei nervosa me aproximando dela que sorriu fraco.
-Estou bem, Graças a vocês. - respondeu fraca e eu sorri aliviada em ver que apesar de tudo ela estava salva.
-Agradeça a Rony, ele que foi o primeiro a atacar Bellatrix - respondi e ela riu fraco olhando para o ruivo que tinha a aparência exausta.
-Hermione, você está bem? - Harry correu em nossa direção mancando um pouco. -Estamos salvos, estamos todos salvos - ele dizia enquanto se agachava ao nosso lado.
-Harry Potter - a voz fraca de Dobby chamou nossa atenção me fazendo perder o fôlego assim que vi seu estado. Ele estava em pé com as mãos sobre algo em sua barriga e assim que notei o sangue em sua roupa percebi que a adaga de Bellatrix havia o atingido. Harry correu de encontro a ele e eu fui atrás chegando no momento em que o elfo perdeu suas forças e caiu nos braços de Harry que respirava acelerado e pedia para ele aguentar firme depois de arrancar a adaga de seu corpo e o segurar no colo ainda sentado na areia.
-Aguenta firme, tá? Nós vamos te ajudar - Harry repetia e Dobby tinha seus olhos encarando o céu. - Hermione deve ter alguma coisa na bolsa - disse desesperado mas a morena negou triste. - Hermione, ele tá... me ajuda! - ela sorriu entristecida em um pedido de desculpas e Harry começou a chorar.
-Que lugar lindo... para se estar com os amigos - Dobby disse com dificuldade e eu usei a manga de meu casaco para secar as lágrimas que caiam molhando todo meu rosto. - Dobby está feliz de estar com seu amigo Harry Potter. - Harry abaixou a cabeça encostando-a na de Dobby e o abraçando. Quando ele levantou sua cabeça notei a de Dobby cair para trás e seus olhos pararem de se mexer indicando que ele não estava mais ali. Harry se desesperou chorando e o máximo que consegui fazer naquele momento foi passar meu braço por seus ombros o abraçando.

Capítulo 19

-Que tal... - pigarreei antes de falar - Fecharmos os olhos dele? - falei levando minhas mãos que percebi estarem trêmulas até seu rosto e descendo suas pálpebras fazendo seus olhos fecharem. - Assim ele está só dormindo. - Sorri fraco ao encarar o elfo em seu colo, não o conhecia há muito tempo, mas as únicas vezes em que tinha o visto ele havia me ajudado a encontrar Mundungo Fletcher e salvado minha vida. Ele era um ótimo elfo e definitivamente não merecia uma morte daquelas.
-Eu quero enterra-lo - Harry disse e eu assenti - Devidamente, sem usar magia.
-Tudo bem, vamos fazer isso então - me levantei oferecendo uma mão para Harry que aceitou tomando cuidado para não derrubar o corpo de Dobby.
Seguimos os quatro para um pequeno morro de areia ao lado da casa da família de Rony e assim que ele e Harry terminaram de cavar, o céu que antes eu achara estar nublado, que na verdade estava apenas amanhecendo, já possuía alguns raios de sol iluminando as folhas secas envolta do buraco de areia cavado. Entreguei o corpo que Hermione havia enrolado em um lençol para Harry e assim ele enterrou o elfo que o ajudara por todos esses anos. Hermione e Rony se retiraram após alguns minutos indo para dentro da casa e deixando somente Potter e eu para trás.
-Harry, devíamos descansar um pouco - disse com cuidado para não irrita-lo ou magoa-lo.
-Não estou cansado. - respondeu de birra e eu revirei os olhos.
-Mas é claro que está, não dormimos há quase 24 horas, passamos por inúmeras coisas - tentei convencer o bruxo, mas o ver que ele se preparava para retrucar me adiantei - que tal entrarmos para uma xícara de chá?
-Pode ir na frente, daqui a pouco eu vou - respondeu me fazendo entender que ele percebera que eu estava cansada, mas que não sairia dali até ele concordar em ir comigo, mas eu também conhecia Potter e sabia que ele não iria daqui a pouco. Ele continuaria ali, por mais exausto que estivesse.
-Tudo bem, me chame se precisar - avisei e ele assentiu.
Me levantei com cuidado e desci pelo morrinho de areia até a casa onde encontrei Gui e Fleur descendo as escadas.
-, como está? - ele perguntou e eu sorri cansada em resposta - Entendi.
-Acabamos de mostrar o quarto para Rony e Hermione, lá tem algumas toalhas caso queira tomar um banho, o banheiro é no final do corredor e o quarto é o segundo a esquerda - Fleur disse simpática e eu agradeci seguindo até o quarto disposta a tomar um banho antes de deitar um pouco, mas assim que encontrei Rony e Hermione deitados com as camas coladas dormindo senti meu corpo pesar ainda mais e apaguei antes mesmo de deitar no colchão ao meu lado.

(...)

Faltavam poucas horas para o sol começar a se pôr o que indicava que eu havia tido um longo descanso. Hermione e Rony também já estavam acordados e os dois arrumavam a bagunça que havíamos feito e reorganizavam os itens que estávamos levando deixando de lado tudo que não seria útil novamente. Desci encontrando Harry sentado em uma das cadeiras da pequena cozinha com o rosto apoiado na mão e os olhos piscando lentamente como se esforçasse para de manter acordado, revirei os olhos vendo seu estado e caminhei em sua direção.
-Como está? - Entrei na cozinha passando por ele, indo até o fogão e colocando uma chaleira de água para esquentar.
-Exausto - respondeu após longos segundos em silêncio. - Dormiu bem?
-Sim, você deveria tentar descansar um pouco - me apoiei de costas na pia ficando de frente para Potter.
-Não consigo.
-Harry, você tem que ao menos tentar...
-Você não entende, eu não consigo ficar calmo sabendo que tem pessoas aí arriscando a vida por minha causa, morrendo por mim - Harry me interrompeu e por mais que ele estivesse irritado seus olhos mostravam que a tristeza ainda era maior. - Dobby, ele não merecia, não daquele jeito, não para me salvar.
-Desculpe, Harry, mas é muito pretensioso de sua parte achar que tudo isso está acontecendo por sua causa. Não é sobre você, não é mais sobre você já faz um tempo. - Respondi me aproximando dele - Estamos lutando contra algo maior do que eu, você, do que todos nós. Essa não é a primeira guerra que o mundo bruxo enfrenta e provavelmente também não será a última, mas temos que fazer de tudo para que não se torne a pior, essa luta na qual estamos agora tem algo motivador que talvez as outras não tivessem. Algo que você mesmo já usou contra você-sabe-quem. - disse observando ele se movimentar na cadeira em volta da mesa - Nós temos amor, Harry, amizade, e não existe nada que faça uma pessoa lutar com toda a garra que possui do que o amor, seja ele vindo da amizade, família ou um romance. O amor nos motiva a vencer, ele nos dá o medo de perder. Então pare de carregar o mundo em suas costas, achar que tudo isso é por sua causa, porque não é. Cada morte, cada gota de sangue bruxo derramado foi escolha própria, por motivos particulares, você... Bom, você foi apenas o prólogo dessa história. - Me posicione atrás da dele e coloquei as mãos em seu ombro - Dobby, eu... Não cheguei a conhecer muito bem, mas ele me parecia um elfo muito feliz e grato, você o libertou, Harry, lhe deu o melhor presente que um elfo doméstico poderia receber. Foram poucos os seus anos de liberdade comparado aos muitos em que ele passou servindo aos Malfoy, mas a questão é, o tempo não é um problema se você decidir não o torna-lo. Ele viveu e aproveitou cada segundo dessa nova vida dele e sim, ele morreu enquanto tentava te salvar, mas ele morreu bravamente e tenho certeza que se Dobby pudesse escolher como seria sua morte teria decidido que fosse assim, salvando seu amigo Harry Potter do mesmo jeito que você fez com ele anos atrás. - Terminei de falar e ouvi Harry fungar.
Apertei de leve seus ombros em uma pequena demonstração de carinho e ele levou sua mão até a minha a segurando.
-Dumbledore estava certo em dizer que eu precisaria de você em minha vida, é impressionante como você sempre sabe o que, quando e como dizer. - Ele respondeu rindo levemente e eu sorri.
-Me inspirei nele mesmo, sempre gostei de como Dumbledore usava as palavras com delicadeza e profundidade - Respondi soltando levemente minha mão e puxei a cadeira ao seu lado me sentando e fixando de frente para ele.
-Bom, você aprendeu direitinho - ele riu brincando - Obrigado, por tudo - disse pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos.
-Quando precisar é só gritar - pisquei e ele revirou os olhos por eu ter "cortado o clima" o que me fez gargalhar.
-Eu sempre torci para o Harry ficar com a irmã de Rony, mas você combina mais com ele - Luna disse surgindo do nada e eu pulei na cadeira pelo susto - Desculpe, te assustei?
-Só um pouquinho - respondi rindo e me levantando - aceita um chá? Acabei de fazer.
-Muito gentil de sua parte, mas dessa vez irei recusar - disse se sentando na cadeira do lado oposto da mesa e ficando de frente para Harry - Soube que está sem sua varinha.
-Pois é, quebrou - Harry respondeu dando de ombros e eu ri da atitude do menino. Sems atrás ele ainda passava horas lamentando a perda da varinha.
-E não está usando nenhuma agora?
-Hm, não, eu encontrei uma, quer dizer, Rony encontrou e me deu. Não é tão boa quanto a minha, mas dá pro gasto.
-Está tudo empacotado, de novo - Hermione avisou assim que chegou e puxou uma cadeira ao lado de Luna. Rony que vinha logo atrás dela tinha uma expressão engraçada no rosto em uma mistura de cansaço e impaciência.
-Está tudo bem, Ron? - encarei o ruivo abrir os olhos e me olhar em uma falsa expressão de raiva.
-Você foi esperta, Black - disse com a voz arrastada de cansaço me fazendo rir confusa.
-O que eu fiz?
-Fugiu da Hermione antes de ela te chamar para arrumar as coisas, fingiu que estava dormindo.
-Mas eu estava dormindo - respondi gargalhando pelo modo que Weasley falava.
-Sei...
-Eu nem fui tão mandona dessa vez - Hermione respondeu de bico por Rony ter reclamado dela.
-Mione, você gritou comigo por ter perdido a página de um dos seus livros. - Rony a lembrou achando um absurdo a reação da menina.
-Mas é claro, você tem noção de quantos livros eu leio ao mesmo tempo? Não conseguirei me lembrar em que página parei e quem sabe o único jeito de permanecermos vivos seja com as informações daquele livro. - Se exaltou fazendo Harry rir ao meu lado.
-Juro que pode me usar como escudo se isso acontecer. - Rony respondeu indiferente enquanto Luna sorria olhando os dois.
O outro Weasley da casa se juntou a nós e no mesmo instante Potter se levantou o encarando.
-Preciso falar com o duende - pediu e Gui assentiu voltando a subir as escadas com nós a seu encalço. Parou em frente a uma porta e em silêncio entrou dando passagem para nós e saindo em seguida.
-Como você está? - Harry perguntou chamando a atenção do duende que estava de costas sentado em uma poltrona.
-Vivo - respondeu sem emoção.
Harry levou alguns segundos até voltar a falar e caminhar até perto dele.
-Provavelmente não lembra que...
-Que levei você ao seu cofre, na primeira vez que foi ao Gringotes? - ele o cortou - Mesmo entre os duendes, é famoso, Harry Potter. - O moreno ouviu o comentário do duende em silêncio enquanto andava pelo quarto parando para observar a vista de uma janela. - Enterrou o elfo.
-Sim - respondeu se apoiando em frente à janela.
-E me trouxe aqui - continuou a falar - Você é... um bruxo muito incomum - disse após pensar um pouco. O quarto inundou em silêncio e Hermione me olhou desconfortável.- Como conseguiu essa espada? - o duende perguntou ao se referir a espada de Gryffindor que estava ao lado de Harry encostada na parede.
-É complicado - Potter respondeu não agradando muito. - Por que Bellatrix Lestrange achava que ela estava no seu cofre?
-É complicado. - o duende respondeu do mesmo modo com um tom levemente irritado me fazendo revirar os olhos.
-A espada se apresentou para nós em um momento de necessidade, nós não a roubamos. - me intrometi na conversa atraindo os olhares de todos presentes.
-E você seria...?
- Black, filha de Sirius Black - respondi vendo o duende se esforçar em não parecer surpreso com a informação.
-Intrometida igual o pai - resmungou e suspirou antes de voltar a falar. - Há uma espada no cofre de madame Lestrange idêntica a essa, mas é falsa. Foi posta lá no último verão.
-Ela não desconfiou de que era falsa? - perguntei estranhando.
-A réplica é bem convincente, só um duende saberia que esta é a verdadeira espada de Gryffindor. - Respondeu convencido.
-Quem a colocou lá? - Hermione questionou.
-Um professor de Hogwarts, pelo que sei, agora ele é o diretor.
-Snape? - Rony perguntou confuso. - Ele pôs uma espada falsa no cofre de Bellatrix? Por quê?
-Há muitas coisas estranhas nos cofres de Gringotes.
-No cofre de madame Lestrange também? - Harry perguntou e o duende percebeu onde ele queria chegar.
-Talvez.
-Preciso entrar no Gringotes, em um dos cofres.
-É impossível - respondeu com desdém.
-Sozinho, sim. Com você, não.
- Por que eu ajudaria você?
-Eu tenho ouro, muito ouro.
-Ouro não me interessa - respondeu rapidamente.
-E o que quer? - Harry perguntou indiferente.
-Ela - apontou para a espada. - É o meu preço.
Harry olhou para espada e suspirou antes de murmurar um "ok" e seguir até nós para sair do quarto.
-Acha que tem uma Horcrux no cofre de Beatriz? -Hermione sussurrou assim que eu fechei a porta atrás de mim.
-Ela entrou em pânico quando achou que tínhamos estado lá, ficou perguntando o que mais tínhamos pegado. Aposto que tem uma horcrux lá, uma outra parte da alma dele. Vamos achá-la e matá-la, e estaremos mais perto de matá-lo.
-E se não tiver horcrux nenhuma lá? Tem noção do quão difícil vai ser entrar no cofre? Estamos sendo procurados, podemos nos arriscar em vão. - disse não muito contente com a ideia de Harry.
-E se tiver? Não temos outro jeito de saber, não posso arriscar perder essa chance. De um jeito ou de outro estaremos nos arriscando.
-E quando a encontrarmos? Como a destruiremos se você deu a espada ao Grampo?
-Ainda estou pensando nessa parte. - Potter respondeu Rony que abrira a boca para continuar a falar, mas fora impedido por Fleur que saíra do quarto a frente com uma bandeja em mãos onde uma taça vazia repousava.
-Ele está fraco - comentou se referindo a Sr.Olivaras a quem esperávamos para conversar.
Harry foi o primeiro a entrar no quarto segurando a porta aberta para nós o seguirmos.
-Sim? - o senhor perguntou assim que nos viu.
-Sr. Olivaras, preciso lhe fazer algumas perguntas.
-Pergunte o que quiser, meu rapaz. - respondeu simpático com a voz falhando.
-Se importaria em identificar essas varinhas? Precisamos saber se é seguro usa-las. - Potter seguiu estendendo a varinha para o senhor.
Ele virou o objeto na mão, a testando e forçando. - Nogueira e fibra cardíaca de dragão, 32 centímetros, inflexível. - parou um pouco assustado para pensar - Esta pertenceu a Bellatrix Lestrange, trate-a com cuidado. - entregou de volta para Harry e pegou a outra de sua mão. - Pinheiro e pelo de unicórnio, 25 centímetros, razoavelmente flexível. Esta era a varinha de Draco Malfoy.
-Era? Não é mais dele?
-Bem, talvez não, se você a tirou dele. Sinto que a lealdade dela mudou.
-Você fala de varinhas como se elas tivessem sentimentos ou pudessem pensar - Me intrometi mais uma vez comentando o fato que achara engraçado.
-A varinha escolhe o bruxo, minha querida, isto sempre esteve claro para todos os estudiosos de varinhas.
-E o que sabe sobre as relíquias da morte?
-O boato é que são três. - pensou um pouco antes de responder Harry. - A varinha das varinhas, a capa da invisibilidade, para se esconder dos inimigos e a pedra da ressureição, que traz entes queridos de volta à vida. Juntas, elas tornam o Senhor da Morte. Mas poucos realmente acreditam que esses objetos existem.
-E o senhor? Você acha que existem?
-Eu não vejo razões para acreditar num conto antigo. - riu levemente sem encarar Harry.
-Está mentindo. O senhor sabe que existem e contou para ele. Contou sobre a varinha das varinhas e onde encontrá-la.
A feição do senhor mudou de descontraída para como se revivesse traumas.
-Ele me torturou. Além disso, eu só contei boatos, não dá para saber se ele vai encontrá-la. - suspirei concordando com o senhor em silêncio para não chamar atenção quando Harry me surpreendeu com sua resposta.
-Ele a encontrou, senhor. - disse atraindo a atenção de todos. - Vamos deixá-lo descansar. - se levantou da cama onde havia sentado e veio em nossa direção evitando olhar diretamente para nossos rostos.
-Ele está atrás de você, Sr. Potter - Olivaras chamou nossa atenção assim que Rony abriu a porta. - E se é verdade o que diz, que ele está com a varinha das varinhas, receio que você realmente não tenha nenhuma chance.
-Então terei que matá-lo antes que ele me ache. - respondeu e saiu em silêncio.
-Temos que entrar em Gringotes ainda hoje - Harry respondeu antes que qualquer um de nós respondesse. - Hermione, tem o que te pedi?
A morena assentiu e seguiu para o quarto onde havíamos descansado. Assim que entramos no local ela se dirigiu até o casaco que usava mais cedo e retirou de lá um fio de cabelo.
-Tem certeza de que é dela? - Harry perguntou e eu entendi qual era o plano deles.
-Absoluta. - respondeu a contragosto.
-Certo, vocês preparam a poção, vou atrás de Grampo. - Harry se retirou me fazendo encarar a porta por onde ele saiu perplexa, voltei a olhar para os dois que permaneceram comigo e Hermione logo se manifestou.
-Vai.
- O que...
-Vai logo - disse impaciente e eu sai do quarto indo atrás de Potter resmungando. O encontrei com a espada em mãos seguindo para o lado de fora com Grampo ao seu lado.
-Potter - o chamei e vi ele parar e suspirar antes de virar para me encarar - Podemos conversar?
Ele olhou de mim para Grampo algumas vezes antes de se virar para o duende.
-Vá indo na frente, já estamos indo - a criatura reclamou e seguiu andando irritado. - Se veio falar sobre...
-Por que não contou sobre a varinha? - o cortei me aproximando dele.
-Porque não achei necessário preocupar ainda mais vocês, Voldemort tem a varinha, o que podemos fazer com essa informação? Nada do que já não fora planejado.
-Ah, claro, ao invés disso você guarda isso consigo e sai por aí contando para Senhores de idade que acabaram de ser torturados por Voldemort, faz muito sentido, Potter. - respondi irônica e o vi revirar os olhos.
-Só contei porque ele mentiu.
-Que diferença faz o por quê de você ter contado? Não estou brava por Sr.Olivaras saber, estou brava por você não contar para nós, estamos juntos nessa Harry e qualquer novidade é importante que saibamos.
-Está bem, , agora você sabe, que diferença isso faz na sua vida? Continuamos tendo que achar as Horcruxes e tendo que enfrentar Voldemort, que com ou sem uma das relíquias é extremamente poderoso.
-Mas pelo menos eu sei o quão poderoso estamos falando agora, você tem noção de como a situação muda agora?
-E você saber que Nagini é uma horcrux e não contar para o resto de nós não muda a situação? – Perguntou nervoso e eu senti como se tivesse levado um tapa na cara.
-Como você sabe disso?
-Rony me contou assim que saímos da casa de Luna, não achou que ia agir daquela maneira e me deixar sem explicações, não é mesmo? – retrucou irritado.
-Nagini não tem nada a ver com vocês, se eu sou a única solução para mata-la, vocês saberem o que ela é não altera nada – respondi sabendo que estava errada.
-Não muda nada? Saber que ela é a porra de uma horcrux não muda nada? – gritou nervoso e eu senti meu sangue ferver.
-Se você soubesse, nunca teria deixado eu ir! – gritei em resposta, se era assim que ele queria resolver as coisas assim seria.
-Mas é claro que não, você tem noção de que arriscou sua vida em vão? Voldemort não é o único que pode te matar, ele quer você morta, não necessariamente pelas mãos dele, você morre, nagini vive pra sempre e assim ele também, não seja tão estupida. – ele parou de falar ao perceber do que havia me chamado e eu ri em deboche.
-Pode deixar, Potter, a próxima vez que eu tiver alguma ideia maluca que arrisque minha vida vou pedir permissão pra você primeiro, afinal, você nunca fez algo tão estupido assim, né? – respondi irônica e passei por ele subindo o pequeno morrinho de areia onde Grampo estava posicionado com a espada em mãos.
-, volta aqui - suspirou parecendo um pouco arrependido, mas eu o ignorei.
Harry permaneceu parado por um tempo observando o mar, depois se juntou a nós com Hermione e Rony que já não aparentavam o mesmo, se passando por Beatrice e Rony que tinha o cabelo comprido, barba e bigode junto a uma aparência envelhecida usado como disfarce para acompanhar a bruxa.
-E então, como estamos?
-Horríveis - Harry respondeu e ela sorriu de lado. - Grampo, dê a espada para Hermione guardá-la.
A morena se abaixou para o duende esconder a varinha em suas vestes e depois seguiu até nós. Rony estendeu a mão tendo a de Hermione em cima da sua e após Harry posicionar a sua a cima da minha nos viramos para Grampo.
-Contamos com você, a espada é sua se passarmos pelos guardas e entrarmos no cofre. - o duende estendeu a mão cauteloso e assim que se juntou as nossas nós aparatamos para um beco lado do banco.
Hermione que tomara nossa frente fora reconhecida por um bruxo que a cumprimentara como madame Lestrange.
-Bom dia - Hermione respondeu receosa e mesmo um pouco confuso o bruxo se retirou dali nos deixando sozinhos.
-Bom dia? - Grampo perguntou inconformado - Você é Bellatrix Lestrange, não uma garotinha inocente.
-Calma aí - Rony o repreendeu.
-Se ela nos entregar, a espada servirá para cortar nossas gargantas. - respondeu irritado.
-Ele está certo, fui uma idiota - Hermione concordou com o duende fazendo Rony se irritar, mas permanecer em silêncio.
-Está bem, vamos lá. - Harry nos chamou a atenção e se virou para Grampo pular em suas costas. Nesse momento me arrependi de não ter pedido para Hermione usar algum disfarce em mim e me aproximei de Potter cruzando meu braço no seu para não correr o risco de andarmos em velocidades diferentes e então Rony jogou a capa da invisibilidade em nós.
Entramos em Gringotes atrás de Rony e Hermione que sofria um pouco para andar nas botas altas de Bellatrix. Olhei em volta tomando uma noção de quantos guardas haviam ali e voltei a observar Hermione que parara ao centro do banco.
Ela pigarreou tentando chamar atenção e após o fracasso começou a falar: - Quero entrar em meu cofre.
-Identificação? - o duende pediu sem nem encara-la.
-Não acho que seja necessário. - o duende se virou impaciente mas arrumou a postura ao ver a bruxa.
-Madame Lestrange. - a encarou e se virou saindo de onde estava.
-Não gosto que me deixem esperando - Hermione reclamou e Rony deu um passo para trás se aproximando de nós.
-Eles sabem - Grampo sussurrou - Sabem que é uma impostora. Foram avisados.
-Harry? - Rony chamou baixinho - o que vamos fazer?
O duende voltou trazendo outro consigo, que exigiu mais uma vez em ver a varinha de Hermione.
-Potter - chamei o bruxo - vem comigo. - o puxei para caminhar até os duendes parando ao lado do que falava sobre a política do banco para Hermione que continuava a insistir que não era necessário. Me aproximei o máximo que pude e tirei minha varinha do bolso para o lado de fora da capa.
-Imperio. -conjurei e no logo sem seguida o duende sorriu enfeitiçado.
-Pois não, Madame Lestrange. Queira me acompanhar. - Nos levou até um carrinho e esperou que entrássemos para dar partida. Tirei a capa de cima de nós três e guardei na mochila de Harry devolvendo pro garoto em silêncio, ainda estava irritada e se ele ia sair por ai sem falar as coisas para a gente eu iria sair por ai sem falar com ele.


Capítulo 20

O carrinho deu partida e, assim que tomou certa velocidade, eu me segurei sentindo o vento jogar meu cabelo para trás e meu estomago revirar cada vez que o carrinho aumentava a velocidade. Eu estava me sentindo em uma montanha-russa e eu odiava montanhas-russas. Grampo, que coordenava o carrinho, seguiu passando por cima do que parecia uma cachoeira.
-O que é aquilo? - Harry perguntou assustado. O duende permaneceu em silêncio e desacelerou, passando pela água e nos molhando. Meu cabelo, que antes balançava para trás, caiu encharcado em meus ombros e senti minha roupa pesar por estar molhada. Poucos metros depois dali, o carrinho parou e um alarme começou a soar antes de eu sentir o banco em que estava sentada sumir e meu corpo cair em queda livre me fazendo gritar assustada.
-Aresto Momentum! - Hermione usou a varinha e antes que nosso corpo atingisse o chão, parou o ar e de leve nos soltou, fazendo a queda ser bem menos dolorosa do que seria.
-Mandou bem, Hermione - Harry agradeceu se levantando com pressa. Levantamos rapidamente vendo o carrinho ir embora e o alarme parar de soar.
-Ah não! - expressei ao ver Hermione e Rony - vocês voltaram ao normal.
-A queda do ladrão elimina todos os encantamentos, pode ser fatal. - Grampo explicou.
-Não diga! - Rony respondeu irônico ainda ofegante pelo susto. - Só por curiosidade, existe outro jeito de sair daqui?
-Não - Grampo respondeu no mesmo momento que o outro duende se levantou irritado.
-Que diabos vocês estão fazendo aqui embaixo? - perguntou nervoso e começou a tagarelar, mas Rony fora rápido e usara a varinha para enfeitiça-lo novamente.
Um barulho alto parecido com um rugido atraiu nossa atenção.
-Isso não parece bom - Rony comentou em alerta e tomou nossa frente com a varinha em mãos se aproximando da entrada do cofre. Eu estava atrás de Hermione e a frente de Harry que pôs a mão nas minhas costas quando dei um passo para trás ao ver de onde o barulho surgira.
Um grande dragão, cuja espécie eu não saberia reconhecer, se encontrava amarrado a algumas correntes de ferro e se levantava ao nos ver.
-Puta merda! É um dragão ucraniano. - Rony reconheceu graças ao seu conhecimento já que um de seus irmãos estudava dragões. -Tome - Grampo entregou a Harry e a Rony um objeto que parecia um instrumento musical que os trouxas chamavam de chocalho. O dragão se levantou nervoso, Grampo começou a balançar o objeto e ele se encolheu no canto da sala ainda fazendo barulhos só que dessa vez como se reclamasse. - Foi treinado para esperar dor ao escutar esse barulho.
-Que horror! – expressei, observando o dragão se encolher mais e mais.
-Isso é brutal. - Hermione disse em desgosto.
Os meninos continuaram a fazer barulho até passarmos pelo dragão e irmos a porta do cofre. Grampo usou a mão do outro duende, cujo o nome eu ainda não sabia, para abrir a porta do cofre de Bellatrix. Entramos com pressa e fechamos a porta na hora que o dragão soltou uma enorme chama de fogo em nossa direção.
-Lumos! - dissemos os quatro ao mesmo tempo iluminando um pouco o local.
O cofre era enorme cheio das mais incríveis, joias e o dos objetos mais luxuosos.
-Accio Horcrux! - Hermione tentou usar o feitiço em vão.
-Não vai realmente tentar isso, vai? - Rony perguntou achando meio obvio que aquele feitiço não funcionaria.
-Esse tipo de magia não funciona aqui. -Grampo explicou.
-Acha que está aqui? Sente alguma coisa? - perguntei olhando em volta, Potter assentiu.
Vi que ele olhava fixamente para um objeto no final da sala, mas fui distraída pelo som de Hermione esbarrando em uma das mesas e derrubando um cálice de ouro no chão que começou a se multiplicar.
-La está, ali em encima! - Harry expressou contente, mas não pude responde-lo porque na intenção de me afastar do objeto caído esbarrei em uma mesa derrubando várias outras joias que também se multiplicaram.
-Puseram o feitiço de gêmeos. Tudo que tocar se multiplicará - Grampo explicou quando Rony derrubara uma estátua.
-Me dá a espada - Harry pediu e Hermione jogou para o moreno que corria em direção a Horcrux. Quanto mais os objetos se multiplicavam mais complicado ficava não toca-los e assim a sala foi enchendo de milhões de artefatos até o ponto de nos cobrir da cintura abaixo.
-Parem de se mexer! - Hermione gritou nos fazendo ficar imóveis na hora e o único som sair de Harry que corria para pegar a Horcrux. Um silêncio repentino se instalou na sala e segundos depois Potter jogou um cálice na direção de Hermione, mas Grampo fora mais rápido e pegou-o.
-Tínhamos um acordo! - Harry gritou nervoso deitado em cima da montanha de réplicas.
-A espada pela taça! - Grampo respondeu e assim que Potter jogou a espada para ele o duende arremessou a taça para Hermione. - Falei que ajudaria você a entrar, não falei nada sobre ajudar a sair. - Conforme Grampo usava o outro duende para sair do cofre os objetos iam crescendo até a altura dos nossos pescoços nos deixando sufocados. Com a porta ainda aberta, Harry foi o primeiro a sair sendo seguido por Rony e Hermione, me deixando por último, já que eu era a que estava mais longe.
-Grampo! - Harry gritou correndo atrás dele.
-Ladrões, ladrões! - ele gritava para os guardas que se aproximavam tacando todos os tipos de feitiços em nós.
-Seu traíra! Pelo menos ainda temos o Bogrode - Rony disse se referindo ao duende cujo nome eu não sabia, mas que fora queimado pelo dragão logo em seguida. - Que falta de sorte.
Assim que as chamas do dragão cessaram, os guardas voltaram a nos atingir com feitiços, nos obrigando a usar pilastra como proteção.
-Não podemos ficar parados. Quem tem alguma ideia? - Hermione perguntou nervosa.
-Você pergunta? É a inteligente. - Rony respondeu inconformado.
-Se eu tivesse alguma não teria perguntado! - gritou por conta do barulho feito pelos guardas.
-Eu tenho uma, mas é loucura - comentei após olhar do dragão para o teto. Observei a pequena grade que separava o nosso andar da parte de baixo onde o dragão e os guardas estavam. - Reducto! - usei minha varinha para explodir a grade e corri até pular nas costas do dragão e me segurar em uma de suas longas e duras escamas. -Vamos, subam!
Os três se apressaram em me seguir e, apontando a varinha para a calda do objeto, usei um feitiço para solta-lo das correntes e logo que fora libertado ele começara a escalar as paredes em direção ao teto, me fazendo segurar com mais força sua escama. Ele chegou na parte central do banco, destruindo e queimando não só a decoração, mas alguns duendes. Assim que saiu pelo teto de vidro, ele se apoiou no teto da casa ao lado e parou para respirar.
-E agora? - Rony perguntou preocupado.
-Reducto! -atingi o feitiço na calda do dragão e ele rapidamente se arrumou começando a levantar voo, caiu um pouco no começo destruindo alguns telhados, mas logo pegou o jeito e se distanciou do chão ficando na altura das nuvens.
Estávamos voando por longos minutos. Já havíamos nos distanciado da cidade e estávamos sobrevoando acima do oceano cercado por montanhas quando o dragão começou a diminuir a distância entre nós e a água.
-Estamos descendo – Harry gritou assustado.
-Vamos pular – Rony sugeriu aos berros para que todos escutassem.
-Quando? – Hermione perguntou de imediato.
-Agora! – Harry gritou e por reflexo soltei minhas mãos que agarravam as escamas do dragão, deixando meu corpo escorregar sentindo a sensação de queda-livre atingir meu corpo enquanto o vento me alcançava, causando frio e meu estomago revirava odiando a altura em que estávamos caindo, me causando enjoo.
Senti a água tocar meus pés e então eu estava submersa afundando cada vez mais por conta da força exercida em meu corpo, recuperei os sentidos rapidamente e comecei a nadar para voltar a superfície. A água estava bem mexida causando dificuldade para manter meu rosto para fora, mas percebi que o que mais sofria com isso era Harry que mantinha os olhos fechados e alternava entre afundar por longos segundos e voltar buscando desesperadamente por ar.
Quando ele finalmente parou e abriu os olhos, me encarou confuso e olhou de Hermione para Rony, começando a nadar de volta para a terra com nós o seguindo e nadando rapidamente, me fazendo finalmente ter noção do quão baixa era a temperatura da água e me deixar tremendo ao alcançar o chão e sair do oceano.
-Ele sabe, você-sabe-quem – Harry disse ofegante assim que começou a subir a pequena montanha onde estávamos – ele sabe que invadimos Gringotes, o que nós pegamos, que estamos procurando Horcruxes.
-Como você sabe? – Hermione perguntou confusa.
-Eu o vi – respondeu nervoso.
-Você o deixou entrar? Harry, não pode fazer isso -ela disse nervosa e cheia de preocupação quando finalmente chegamos ao topo do morro e largamos nossas coisas no meio da rodinha que fizemos para podermos nos trocar.
-Hermione, nem sempre eu consigo evitar, talvez eu consiga, eu não sei – Harry dizia inquieto olhando para os lados constantemente.
-Deixa pra lá, o que aconteceu? – Rony perguntou impaciente com a discussão dos dois.
-Ele está com raiva, mas está com medo também. Sabe que se encontramos e destruirmos as Horcruxes conseguiremos mata-lo. E fará tudo para garantir que não conseguiremos encontrar as Horcruxes. – Retirei as botas que usava largando-as dentro da bolsa e trocando por um tênis, troquei minha calça jeans por uma legging preta e minha blusa de manga comprida que havia encolhido demais por conta da água para uma regata azul junto de um casaco moletom quase do mesmo tom. – E tem mais – Harry prosseguiu após terminar de se trocar - Uma delas está em Hogwarts.
-O que? – perguntamos juntos.
-Você viu?
-Eu vi o castelo e Rowena Revenclaw, deve ter alguma coisa a ver com ela, temos que ir pra lá agora. – respondeu à Hermione.
-O que? Não podemos fazer isso. – A mesma voltou a falar nervosa. – Não temos um plano, a gente tem que planejar.
-Hermione, quando foi que um de nossos planos realmente deu certo? – Potter perguntou irritado e impaciente.
-Ele tem razão – Rony respondeu depois de guardar amarrar os sapatos – o problema é que Snape é o diretor agora, não podemos entrar pela porta da frente.
-Vamos a Hogsmead, para dedos de mel, usaremos a passagem secreta do porão. – Harry sugeriu. – Tem... Tem alguma coisa errada com ele, antes eu conseguia compreender os pensamentos dele, mas agora parece que está tudo uma confusão.
-Devem ser as Horcruxes, pode estar ficando fraco ou talvez morrendo – Rony deu um palpite.
-Não, não, parece que ele está ferido e ainda parece mais perigoso – Harry respondeu e todos ficaram em silêncio apenas pensando. Rony pareceu perceber meu incômodo e me olhou preocupado.
-Está tudo bem, ? Ainda assustada pela altura? Sei que você não é muito fã – brincou e eu ri leve.
-Verdade, você quase não disse uma palavra desde que saímos da água. – Hermione me olhou preocupada e parei de olhar para o chão e levantei a cabeça encarando Harry.
-Você por acaso viu... – respirei fundo nervosa – Não sei, alguma coisa sobre...
-Não vi nada ligado a você, só não sei se isso é uma coisa boa ou ruim – respondeu incomodado e eu forcei um sorriso, assentindo em compreensão.
-Certo, hm... – Rony pigarreou percebendo o clima entre Harry e eu – devemos nos apressar, não? Melhor aparatarmos agora – Estendeu a mão e todos a seguramos e em segundos nos encontrávamos em Hogsmead.
Assim que tocamos o chão coberto de neve uma sirene com som de pássaro soou e ao ouvir as vozes de homens chamando por Harry não perdemos tempo e corremos para encontrar algum esconderijo. Encontramos uma barraca aberta com mesas cobertas por panos e nos escondemos ao lado de uma.
Dois bruxos adentraram o local e retiraram o pano de cima de uma mesa próxima a nós, se aproximaram ao pouco, mas o som da sirene que voltou a tocar a alguns metros dali despertou a atenção deles, que saíram gritando o sobrenome de Harry.
Esperamos o som dos passos sumirem e voltamos a correr, entrando em um dos becos do local e encontrando uma parede indicando um portão trancado, impossibilitando nossa passagem. Uma porta se abriu e um senhor que pouco deixou o rosto a mostra chamou nossa atenção.
-Por aqui, Potter – ele avisou e deu espaço para que passássemos, olhei para seu rosto enquanto entrava em sua casa e me assustei ao perceber quem ele me lembrava.
Entramos na pequena casa com pouca iluminação e Rony logo puxou a mim e a Hermione e sussurrou:
-Conseguiram olhar para ele? Por um momento eu pensei que era...
-Dumbledore – respondemos juntas e ele pareceu mais assustado, mas ao mesmo tempo aliviado por não ter sido o único a perceber isso.
Na parede, ao centro da casa, havia um retrato de uma mulher jovem e morena segurando um livro enquanto o vento balançava seus cabelos e ela mantinha um singelo sorriso de boca fechada.
Hermione, que observava tudo a sua volta, chamou Harry, confusa ao ver seu rosto em um pequeno espelho na parede que tinha um pedaço arrancado. Potter parou de olhar para o pedaço que tinha nas mãos e seguiu até a morena colocando o pedaço na frente do espelho e vendo que se encaixava.
-Seus idiotas – o homem barbudo apareceu ao lado de Rony – Que ideia foi essa de vir aqui, vocês têm noção do quanto isso é perigoso?
-Você é Aberforth, irmão de Dumbledore – Harry afirmou. – É você quem eu tenho visto aqui, foi você quem mandou o Dobby.
-Onde o deixou? – perguntou enquanto procurava por algo nos armários.
-Está morto.
-Lamento saber, gostava daquele elfo – disse fechando o armário e abrindo outro.
-Quem deu isso a você? – Apontou para o espelho nervoso.
-Mundungo Flecther, há quase um ano – respondeu andando até Harry.
-Mundungo não tinha o direito de vender isso a você, era do...
-Sirius – Aberforth respondeu e eu que não prestava muita atenção na pequena discussão levantei a cabeça rapidamente e encarei o irmão de Dumbledore. – Alvo me disse, ele também me disse que você ficaria uma fera se soubesse que estava comigo, mas onde você estaria se eu não comprasse? – se virou de Harry para mim e me encarou de uma forma estranha – Você deve ser a filha dele, de Black...
-Sim – respondi desconfortável com o olhar que recebia.
-Quando meu irmão disse que você iria estudar em Hogwarts, torci para que fosse mais esperta que seu pai e não se metesse com um Potter, mas acho que a afeição ao perigo é algo que você herdou dele. – se virou de costas sem esperar uma resposta e saiu da sala voltando segundos depois com uma bandeja cheia de sanduíches e sucos, só naquele momento eu me lembrara da fome que estava sentindo.
-Tem tido notícias dos outros, da ordem? – Hermione perguntou depois de pegar um copo de suco e um pedaço de sanduiche.
-A ordem acabou, você-sabe-quem venceu e qualquer um que diga diferente está se enganando.
-Precisamos entrar em Hogwarts, esta noite – Harry o interrompeu. – Dumbledore nos deixou uma tarefa.
-Deixou é? Tarefa legal? – questionou irônico e rindo leve.
-Estamos caçando Horcruxes e achamos que a última está dentro do castelo, precisamos da sua ajuda para entrar lá – Harry respondeu.
-Isso que ele te deixou não foi tarefa, foi uma missão suicida, faça um favor a si mesmo e vá para casa, vá viver mais um pouco.
-Dumbledore confiou em mim para cumprir essa tarefa.
-E por que acha que pode confiar nele, por que acha que pode acreditar em tudo que meu irmão te disse? Desde que o conheceu alguma vez ele mencionou o meu nome? Mencionou o nome dela? – Apontou para a moça na pintura.
-E por que ele iria...
-Guardar segredos? Me diga você – cortou Harry.
-Eu confiei nele.
-É a resposta de um menino, um menino que caça Horcruxes acreditando em um homem que não disse a ele nem por onde começar, está mentindo! – Aumentou o tom de voz no final da frase e se aproximou de Harry. – Não só para mim porque não importa, mas para si mesmo. É isso que um tolo faz e não tente me tratar como um tolo, Harry Potter. Eu vou perguntar de novo, tem que ter uma razão.
-Não estou interessado no que aconteceu entre você e seu irmão, não me importa se está desistindo, confiei no homem que conheci e temos que entrar no castelo hoje.
-Sabe o que fazer – Dumbledore disse olhando para a moça do quadro, ela assentiu e se virou caminhando para longe.
-Pra onde ela foi? – Potter perguntou.
-Você verá – Aberforth respondeu e se afastou.
Me aproximei da pintura e observei a moça que estava de costas.
-É a sua irmã Ariana, não é? – perguntei antes dele sair da sala. – Ela morreu muito jovem, não morreu?
-Meu irmão sacrificou muitas coisas em sua jornada em busca de poder, inclusive Ariana, e ela era fiel a ele. Ele deu tudo a ela, menos tempo – disse e saiu.
-Obrigada, Sr. Dumbledore – Hermione agradeceu enquanto ele fechava a porta. – Ele nos salvou duas vezes, nos viu pelo espelho – se explicou para os meninos que a olharam questionando – Não me parece coisa de quem já desistiu.
Ficamos em silêncio e de repente a moça voltou a aparecer no quadro.
-Ela está voltando, quem está com ela? - Rony perguntou ao notar mais uma sombra na pintura. Por instinto peguei minha varinha e apontei para o quadro esperando a pessoa se aproximar. O quadro foi abrindo como uma porta e revelou um buraco na parede de onde saiu Neville.
-Você está..
-Arrebentado – Longbottom completou a frase de Harry que se referia a todos os machucados em seu rosto. – Isso não é nada, o Simas está pior. Ai, Ab! – chamou Dumbledore que voltara para a sala – Teremos mais duas pessoas para passar. – O homem assentiu e nós passamos pela porta seguindo Neville pelo corredor escuro que só era iluminado pela luz de nossas varinhas.
-Não me lembro disso no mapa do maroto – Rony comentou.
-É porque não existia ainda, as sete passagens secretas foram lacradas antes do início das aulas, é o único jeito de entrar ou sair, na região há muitos comensais da morte e dementadores.
-Como está Snape como diretor? – Hermione questionou.
-É difícil vê-lo, os Carrow é quem inspiram o cuidado – respondeu com um riso irônico.
-Carrow? – Questionei.
-Irmão e irmã, responsáveis pela disciplina e gostam de castigar – respondeu apontando para o rosto.
-Fizeram isso com você? – Perguntei assustada. – Por quê?
-Na aula de artes das trevas, mandaram praticar a maldição cruciatus nos alunos do primeiro ano e eu me recusei, as coisas mudaram por aqui – depois disso acho que mais ninguém teve coragem de perguntar o que mais havia mudado e permanecemos em silêncio por cerca de dois minutos. – Vamos nos divertir um pouquinho? – ele perguntou sorrindo e se colocou a nossa frente abrindo a porta que eu imaginava ser um quadro do outro lado. – Aí, olha só, pessoal, uma surpresa!
-Tomara que não seja a comida do Aberforth, surpresa seria digeri-la – ouvi Simas dizer e ri fraco. Neville saiu de nossa frente e a gritaria soou quando viram Harry.
Descemos por uma escada de madeira que estava ali do lado e fomos abraçados por muitas pessoas, várias delas eu nem conhecia. Depois de todos se acalmarem, os olhares mudaram de surpresos para esperançosos.
-Qual é o plano, Harry? – Neville perguntou.
-Tem uma coisa que precisamos encontrar, uma coisa que está escondida aqui no castelo e que pode nos ajudar a derrotar você-sabe-quem.
-Certo, e o que é?
-Não sabemos – Harry respondeu.
-E onde está?
-Também não sabemos, sei que não muitas pistas.
-Não tem pista nenhuma – Simas corrigiu.
-Isso tem a ver com a Ravenclaw. Pode ser pequeno e fácil de ser escondido, alguém faz alguma ideia?
-Tem o diadema perdido de Rowena Revenclaw – Luna se pronunciou.
-Fala sério, lá vem ela – Rony resmungou e eu dei um tapa de leve na sua barriga mandando-o parar. – O diadema perdido, nunca ouviram falar dele?
-É, Luna, mas ele está perdido, faz séculos, não tem uma pessoa viva que o tenha visto – Cho respondeu.
-Desculpe, dá pra alguém me dizer o que é um diadema? – Rony perguntou e eu segurei o riso.
-É uma espécie de coroa, tipo uma tiara – Cho explicou e ele assentiu em compreensão.
Um barulho de passos soou no salão e todos se viraram para ver Gina entrando, porém ela só olhava para uma pessoa.
-Harry – parecia aliviada em vê-lo e bem feliz.
Rony se manifestou para cumprimenta-la, mas ela o ignorou.
-Oi – ele respondeu sem jeito.
-Há seis meses que ela não me vê e parece que eu nem existo, eu sou o irmão. – Rony disse incrédulo.
-Ela tem muitos irmãos, mas só um Harry – Simas brincou e eu senti como se tivesse levado um soco no estomago.
-Cala a boca, Simas – Rony resmungou o mesmo que eu, porém deixei o meu em pensamento.
-O que foi, Gina? – Neville perguntou preocupado ao vê-la mudar de feliz para nervosa.
-Snape sabe. Sabe que Harry foi visto em Hogsmead.


Continua...



Nota da autora: AAAAA, ficou pequeno, eu sei! Mas eu amo esses últimos capítulos, eu nem acredito que estamos chegando no final da fanfic, já adianto que o capítulo 21 é definitivamente um dos meus favoritos, todos os 3 últimos são muito especiais pra mim e eu espero que vocês gostem tanto quanto eu. Estou enviando esse no mesmo dia que o 19 entrou no site então sintam o quão ansiosa eu estou para vocês lerem o final. Obrigada pelo carinho nos comentários, amo vocês! Não se esqueçam, qualquer dúvida ou se quiser alguma atualização é só mandar pro perfil da fic no twitter



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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