Última atualização: 04.10.2017

Capítulo 1

14 de Dezembro de 2012 – Campinas/SP

LUAN Sabe quando você vê uma oportunidade única de rever seus amigos, daquelas que é agora ou nunca! Por pura coincidência, meus três melhores amigos estavam na mesma cidade que eu e ainda era minha noite de folga. Encontrei Bruno e Diego que também estavam de passagem por Campinas e conseguimos localizar a casa do Matheus que tinha se mudado pra cá há alguns anos. Nem ligamos pra avisar, compramos as cervejas e as carnes e fomos direto pra casa dele.
Desde Campo Grande, era sempre assim, de repente já estava rolando o maior churrasco, sem nenhum motivo aparente, só pra gente se divertir mesmo.
– Anda Diego, aperta essa campainha de uma vez! – Bruno estava segurando duas caixas de cerveja na mão e Diego olhando a porta enorme da casa do Matheus.
– Eu acho que ele não tá em casa – Diego apertou mais duas vezes e ninguém apareceu, quando nós já estávamos dando as costas pra voltar pro carro, a porta se abriu rápido.
– Não acredito! – Matheus parecia que tinha corrido uma maratona, estava sem fôlego e com o cabelo todo bagunçado, olhava para nós três com cara de assustado.
– Eu que não acredito, tava dormindo né! – Diego riu e já foi entrando na casa, deu um meio abraço em Matheus e entregou o saco de carvão que carregava como se fosse um presente.
– Fala Guri! A gente trouxe carne e cerveja – Fiz o mesmo que Diego, dei um meio abraço em Matheus que ainda parecia meio estático por nos ver ali e entrei na casa dele, que era grande e espaçosa. Diego, folgado desde criança, já estava sentado no sofá, procurando o controle remoto da TV pra ligar o videogame.
– Eu sei que é muita emoção em me ver né Matheus! – Bruno riu e entregou uma das caixas pra Matheus ajudar a carregar.
– Onde vocês estavam?! – Matheus fechou a porta e veio até a sala, ele realmente parecia ter acabado de acordar.
– Eu estava falando com o Bruno que teria show em Campinas por esses dias e ele disse que viria pra cá a trabalho também, então a gente achou o Diego na rua e trouxe junto! – Expliquei pra ele que riu, enquanto Diego nem prestava atenção, só estava caçando o controle remoto.
– Cadê o controle? – Diego não se aguentava de ansiedade e perguntou apontando para a TV, Bruno deu um tapa na cabeça dele e apontou para o controle atrás da almofada.
Sempre foi assim, Diego era muito esperto só pro trabalho dele de ator porque no resto, era muito fácil aprontar com ele.
Desde a nossa infância era assim, nós quatro éramos o terror dos vizinhos, já quebramos várias vidraças e até já brigamos várias vezes com outros garotos da vizinhança, sempre aprontamos todas juntos. Mas com o tempo e a vida, acabou que cada um foi morar em um lugar e era realmente difícil a gente se encontrar assim, o grupo inteiro.
– Bora começar esse churrasco! – Bruno olhou para Matheus esfregando as mãos empolgado.
– Não, vamos jogar uma partida antes – Diego olhou para nós, por mais que não parecesse, ele era o mais velho de nós todos, com 22 anos e esse espírito adolescente que nunca morria.
– Eu te arrebento nesse jogo Bruno! – Ele jogou o controle do videogame pro Bruno que quase deixou cair e o olhou indignado.
– Quantos anos você tem Diego? – Bruno fingiu que não jogaria, mas foi apenas a tela da TV mudar que ele já se ajeitou no sofá, pronto para a partida.
Estava assistindo os dois crianções jogando, quando de repente escutei um trovão e uma chuva forte começou, parecia que o mundo estava caindo do lado de fora, Matheus estava rindo de Diego sendo massacrado no jogo e já estava pedindo pra jogar de próximo quando eu escutei um celular tocando.
– Cara, acho que seu telefone tá tocando – Matheus olhou no visor e se afastou um pouco.
Olhei na mesinha ao lado do telefone e vi uma foto do Matheus ao lado de duas garotas, muito bonitas por sinal, uma delas abraçava Matheus pelo pescoço e a outra fazia uma careta mostrando a língua e o dedo do meio. Me distraí vendo a foto e quando reparei Matheus já tinha voltado para sala e parou bem na frente da TV.
– Meu Deus! Saí daí Matheus, agora eu tô ganhando! – Diego estava quase desesperado, Matheus estava um pouco sério e desligou o videogame da tomada.
– QUÊ?! – Diego olhou indignado pra Matheus e eu queria muito rir da cara que ele estava fazendo, mas Matheus deu de ombros e olhou para nós três.
– Vocês vão comigo pra casa da agora, pode ser? – Nós três nos entreolhamos sem entender nada, Matheus começou a colocar os sapatos rapidamente e a gente percebeu que ele estava falando sério.
– Por quê? E quem é ? – Bruno fez a pergunta por nós, que estávamos ainda jogados no sofá.
é a minha namorada e hoje ela organizou uma festa pra comemorar a formatura, e eu não posso faltar de jeito nenhum e vocês vão comigo! Relaxem que é muito tranquilo, tipo nossos churrascos de sempre, só que em um lugar diferente!
– Não, a gente não quer te atrapalhar cara! Vai lá, a gente se encontra outro dia! – Levantei do sofá junto com os outros e Matheus parou na minha frente, encarando a nós três mais sério do que o normal.
– Não! Quando em, sei lá, cinco anos nós quatro vamos conseguir nos reunir desse jeito de novo?
De fato, os quatro reunidos seria algo realmente difícil, mas eu ainda estava na dúvida quanto a ir pra uma festa de outra pessoa, não era o que eu esperava.
– Bora lá! É tipo minha casa só que a mãe da cozinha melhor que eu! – Matheus começou a pegar tudo que trouxemos e pediu pra gente levar de volta pro carro, ele realmente não estava brincando quando disse que a gente faria o churrasco na casa da namorada dele.
Assim que saímos da casa, nos demos conta do quanto estava chovendo, Matheus e Diego foram em um carro, eu fui com o Bruno os seguindo até a tal casa. Tivemos que estacionar um pouco pra frente da casa, e saímos correndo pra tentar não pegar tanta chuva mas não adiantou nada. Assim que paramos embaixo da parte coberta, estávamos ensopados.

Matheus abriu a porta da casa sem nem apertar a campainha e nós entramos, eu estava com um boné pra tentar esconder um pouco o rosto e com minha jaqueta de couro favorita, esperava encontrar muita gente ali e era bom dar uma disfarçada, mas na sala não tinha ninguém, mal dava pra ouvir uma música que vinha dos fundos da casa.
Estava tentando desgrudar um pouco a camiseta, que ficou ensopada mesmo com a jaqueta por cima, que nem vi uma garota aparecer.
– ALELUIA! – Ela vinha do corredor, toda alegre e muito arrumada, parou um pouquinho antes de chegar na nossa frente, olhando confusa para Matheus. Só faltava ela expulsar a gente de lá.
– Oi amor! – Ele foi até ela e lhe deu um selinho, logo em seguida a trouxe um pouco mais pra perto de nós, e eu a reconheci como a garota que abraçava o Matheus na foto.
Ela olhava para nós muito curiosa, percebi seu olhar, mas não dava para saber se ela já tinha me reconhecido.
, esses são os meus amigos lá de Campo Grande, que vieram me visitar hoje e eu não podia deixar ninguém na mão, então eu trouxe eles comigo! – Matheus piscou para a namorada que sorriu e se aproximou ainda mais de nós, pelo visto ela até gostou dos intrusos que chegaram.
– Esse é o Diego, o Bruno e o Luan – Ela se aproximou e foi cumprimentando um a um com um beijo no rosto, quando me aproximei dela, senti seu olhar desconfiado sobre mim, depois ela se afastou e sorriu.
– Alguém já te disse que você se parece com o Luan Santana? – disse baixinho, como se fosse um segredo, Matheus olhou para mim tentando não rir, mas não conseguiu e nós dois acabamos rindo, sem querer. nos olhava confusa, e eu sentia Bruno e Diego ao meu lado, também segurando o riso.
– Não, nunca disseram... – Matheus abraçou a namorada que ainda me olhava com a sobrancelha franzida – Até porque ele É o Luan Santana né amor!
Assim que ele disse isso, a garota me olhou com os olhos arregalados e tapou a boca, parecia estar chocada e eu sorri sem graça pra ela, Matheus apenas se divertia vendo a cara da namorada.
– Minha mãe vai ter um treco! – Ela disse olhando de mim para Matheus
– A sogrinha vai adorar! – Matheus parecia se divertir com a “surpresa” que as pessoas teriam e eu que já não estava entendendo mais nada.
– Matheus tem alguma toalha aí? – Bruno pediu, torcendo um pouco da camiseta que estava encharcada e Matheus bateu na própria testa.
– Claro que tem, vou usar seu quarto, o.k.?! – concordou, quando eu estava saindo atrás dos garotos ela me chamou.
– Luan, posso te apresentar pra minha mãe primeiro?! – Ela sorriu sem graça e eu concordei, seguindo ela até a cozinha.
era muito animada e não parava de falar sobre como todo mundo que furou com a festa dela ia se arrepender pra sempre, que ela brigaria mais tarde com Matheus por nunca ter contado que eu era amigo dele e se calou apenas quando chegamos na cozinha, ela correu até uma senhora que estava de costas mexendo no fogão, tapou os olhos dela com as mãos e a trouxe pra perto de mim.
, me solta, eu tô ocupada menina! – A senhora limpava as mãos no pano de prato que segurava impaciente.
– A senhora não vai acreditar em QUEM está aqui! – sorriu pra mim e deu uma piscadinha, antes de tirar as mãos dos olhos da mãe.
– MEU DEUS! – A senhora que já tinha alguns cabelos brancos e lembrava um pouquinho , sorriu radiante para mim – Luan Santana! Na minha casa! – Sorri pra ela e estendi os braços, ela me abraçou apertado e falava várias coisas que quase não dava pra entender.
– Tudo bem com a senhora? – Perguntei quando sai do abraço, ainda estava meio molhado por causa da chuva, mas ela parecia nem ter notado.
– Tudo ótimo! – Ela e riram, e eu acabei rindo também.
As duas eram muito engraçadas e conseguiam deixar a conversa sempre muito divertida, me contaram que a pessoa que era mais minha fã era a Dona Cristina, e que ela tinha vergonha de ir no show, que a festa já estava praticamente cancelada e que agora seriamos apenas nós e uma tal de , melhor amiga da que estava quase chegando.
– Vocês duas já prenderam o Luan aqui né?! Ele ainda tem que se trocar, depois a gente volta! – Matheus apareceu na cozinha já com outra roupa, só o cabelo continuava molhado, e me levou até um quarto no andar superior.
– Essas roupas são minhas, acho que vão servir em você – Ele apontou para um montinho de roupa em cima da cama – Tem o banheiro aqui no quarto da e qualquer coisa, tô lá embaixo, só gritar! – Matheus riu antes de me deixar sozinho no quarto.

Como eu e ele sempre fomos quase do mesmo tamanho, tudo serviu certinho, só meu cabelo que estava uma porcaria por causa do boné e eu tinha que dar um jeito nele.
Entrei no banheiro e tentei arrumar da melhor maneira possível, quando terminei de repente escutei alguém batendo a porta do quarto com muita força.
– Eu odeio isso, tô parecendo a droga de um urso panda! – Era uma garota, e pela voz ela parecia estar muito irritada. Resolvi sair do banheiro antes que a situação piorasse e eu acabasse preso ali.
– Rapaz do céu, não fala assim dos bichinhos – Brinquei saindo do banheiro e dei de cara com uma garota de calcinha e sutiã, toda molhada de frente para o espelho, seus olhos se arregalaram quando ela me viu pelo reflexo, e eu não consegui me conter e sorri de leve, aquela situação era muito fora da realidade e pra completar, ela começou a gritar e xingar tudo que via pela frente, como uma doida.
– Calma, tô saindo, não grita! – Tentei falar com ela calmamente enquanto a garota não olhava pra mim e só se preocupava em achar alguma coisa pra se cobrir. Ela pegou a minha jaqueta de couro que estava jogada no chão e se abraçou a ela, cobrindo a parte da frente de seu corpo e foi impossível não deixar um sorriso escapar. Ela ficava ótima daquele jeito.
– Quem é você? O que você está fazendo aqui? – A garota me olhou séria, parecia muito brava por eu estar ali e eu não sabia o que responder, até que ela começou a ficar vermelha de repente, com vergonha, mexeu no cabelo tirando ele do rosto e eu a reconheci. Ela era a outra garota na foto do Matheus.
– Eu estou te vendo pelo espelho sabia?! – Ela ficou de novo na frente do espelho e eu me desconcentrei, eu poderia ficar vendo a calcinha dela se quisesse. A garota olhou pra trás e reparou no espelho, voltou a me olhar furiosa como se a culpa fosse minha do espelho estar ali e eu estava me divertindo vendo-a sair do sério.
– Ah que merda! Sai daqui! – Ela olhou para a única toalha disponível que estava ao meu lado e balançou a cabeça, ficando mais vermelha a cada segundo, mas mantendo a pose de durona, sei que ela queria a toalha mas não queria me pedir que a ajudasse.
– Calma aí, garota – Ri apenas para provocá-la e peguei a toalha, sentindo ela me observar impaciente, quando cheguei a sua frente ela ainda tentava manter a pose, mas estava encabulada, olhando para baixo.
– Prontinho! – A cobri com a toalha e quando ela olhou pra mim, não resisti e dei uma piscada pra ela antes de sair do quarto, querendo rir mais do que qualquer coisa.
Aquela noite tinha tudo pra ser muito divertida.

A tal festa não existia mais, era só nosso churrasco, os outros caras já tinham pego todas as carnes e as cervejas, só faltava a música, e segundo a , a melhor amiga dela que não podia faltar.
encontrou um violão, que estava bem desafinado, mas deu pra dar um jeito e eles me pediram pra tocar umas músicas. Eu ainda estava querendo saber quem era a garota que eu encontrei no quarto, mas não consegui falar com Matheus em nenhum momento.
De repente, estava todo mundo por perto me pedindo pra cantar uma música do Zezé Di Camargo e Luciano, e enquanto eu cantava ‘Você vai ver’, eu a vi descendo as escadas, estava linda, com uma calça preta bem justa e uma camisa de botões branca meio rendada, seus olhos se encontraram com os meus e ao vê-la toda envergonhada, foi inevitável não sorrir, mesmo que só eu entendesse toda aquela situação.
Depois de mais umas quatro músicas, Seu Roberto, o pai da finalmente nos liberou e Matheus foi nos levando até a churrasqueira.
– Bora fazer esse churrasco logo, olha a cara do Diego, tá até ficando fraco já! – Bruno deu um tapinha na cabeça de Diego que tentou reclamar sem sucesso.
– Vocês ainda sabem fazer churrasco? – Matheus tentou nos provocar, mas Bruno e eu fomos mais rápidos e demos um belo tapa na cabeça dele.
– Vamos fingir que você nem perguntou isso! – Respondi quando chegamos na cozinha rindo da careta que Matheus fazia massageando a cabeça.
e aquela garota conversavam num canto, quase não dava para enxergá-las, nós só as vimos porque elas começaram a rir junto com a mãe da , tentei puxar Matheus para perguntar quem era aquela garota, o bendito nome dela mas Bruno e ele saíram para buscar alguma coisa que eles esqueceram no carro e eu fiquei sem saber o nome dela mais uma vez.

– Me ajuda aqui Diego! – Entreguei pra ele uma das bacias com a carne para ele temperar, enquanto eu arrumava outras coisas na mesa, quando olhei pra trás vi as duas garotas ali, paradas perto da porta nos olhando.
estava extremamente sorridente, dava pra ver que ela segurava a amiga pelo braço e parecia procurar por alguém.
– Oi Rapazes, onde estão os outros? – olhou para Diego, mas ele nem ouviu, estava muito concentrado no que estava fazendo.
– O Bruno e o Matheus foram buscar algumas coisas no carro – Respondi olhando para elas, torcendo pra que deixasse ao menos escapar o nome daquela garota que parecia querer sair correndo dali, mas por sorte resolveu se aproximar, e as duas estavam cada vez mais perto de nós.
– Então vou apresentar minha amiga pra vocês! Diego e Luan essa é a ! Minha melhor amiga! – Com um sorriso gigante nos lábios, puxou para frente e apontou para Diego, que apenas fez um aceno com a cabeça, já que suas mãos estavam ocupadas com a carne e logo em seguida ela apontou para mim. Era a oportunidade perfeita.
– Acredita , que todos eles são amigos de infância do desnaturado do Matheus! Até o Luan! – sorriu simpática para mim, enquanto eu ia até elas, fazia questão de cumprimentar com um beijo no rosto, fazia questão de chegar pertinho.
– Jamais imaginaria! – Ela disse baixo assim que parei em sua frente, vendo-a me encarar, tentando me manter sério.
– Noite cheia de surpresas né! – Disse baixo, ainda muito próximo ao rosto dela quando dei um beijo demorado em sua bochecha.
– Já volto, vou achar o Bruno! – sumiu pelo corredor da cozinha, Diego também foi pra cozinha atrás de mais tempero e ficou ali, se afastou um pouco apenas para me encarar, com uma das sobrancelhas arqueadas.
– Olha aqui, você pode parar de me olhar desse jeito?! – Tentei esconder meu sorriso e cruzei os braços, tentando ficar sério, a observando ficar mais brava a cada segundo, agora próximo a ela, dava para ver melhor seu rosto, o quão bonita ela era.
– Que jeito?
– Sério, se você contar para alguém eu mato você, não é porque você é o famoso Luan Santana que…. – se aproximava cada vez mais para tentar me ameaçar, e eu não conseguia resistir, era muito divertido vê-la toda bravinha, tentando me colocar medo, coloquei minhas mãos nos bolsos da calça e a cada passo que ela dava na minha direção, eu me aproximava também.
– Hmmm... Agora você já sabe quem eu sou. Poxa , nem deixou eu me apresentar antes – Ela era muito linda, mesmo com seus olhos quase faiscando para mim, ela estava linda, cheirosa e perigosamente perto.
– Arghh... você não me conhece, não me chame assim! Já avisei, se você contar sobre aquela cena ridícula do quarto eu... – estava a centímetros do meu rosto, seu olhar fixado no meu, eu só queria beijá-la naquele exato momento e faltava muito pouco, muito pouco mesmo pra isso acontecer.
– Te achei! – O pai da surgiu no corredor fazendo ficar quieta de repente, pisquei pra ela antes dela se afastar, ainda querendo me fuzilar com os olhos.
– Meu filho, você não pode esquecer de me dar o seu autógrafo hein!
Concordei e autografei o violão e mais alguns CDs pra ele, quando Matheus voltou pra churrasqueira, vi que apresentava para o Bruno toda animada, não sei por que mas sabia que não ia gostar muito daquilo.

Quando começamos o churrasco pra valer, ao redor da churrasqueira se tornou o lugar mais divertido da casa inteira, enquanto nós preparávamos o churrasco e riamos das nossas velhas piadas, o rádio ligado tocando todo tipo de música, toda a família de ali, adorando ouvir e contar várias histórias, mas a única que quase não ficava por perto, era ela.
Já estava quase tudo pronto para o jantar, quando eu estava voltando do banheiro e tinha que passar pela cozinha, não vi que também estava vindo e carregava um pote cheio de molho de tomate, quando dei por mim nós nos trombamos e aquele molho quente veio parar na minha camiseta.
– Cacete! – Tentei não deixar o pano encostar em mim diretamente pra eu não me queimar – Isso tá quente!
– Meu Deus! Eu… – Ouvi ela gaguejando mas ainda estava tirando um pouco do molho da camiseta e não pude ver seu rosto.
– O que aconteceu? – A voz da mãe da me assustou, olhei para ela e para que parecia meio perdida, e vi a mulher me olhar assustada.
, corre, leve ele lá em cima pra tirar isso antes que ele acabe se queimando!
Em segundos, senti puxando a minha mão, segui ela até aquele mesmo quarto em que eu a vi pela primeira vez. Ela saiu vasculhando as gavetas até encontrar outra camiseta de Matheus para que eu vestisse.
– Por que você ainda está com isso? – apontou indignada para a camiseta suja que eu ainda vestia e eu a olhei desconfiado.
– Agora eu entendi tudo – Tirei minha camiseta lentamente na frente dela, toda oportunidade de provocá-la era sempre válida, e vi rolando os olhos – Você me sujou por vingança! Que feio !
– O quê?! – me olhou boquiaberta, ficando levemente vermelha de raiva – Você tá de brincadeira né? Jamais faria isso! Eu não sou louca não...
A cada palavra ela se aproximava mais e mais de mim, gesticulando sem parar com a camiseta de Matheus em uma das mãos, não aguentei e comecei a rir da cena, deixando mais furiosa do que antes.
– Qual é a graça? – Ela me olhava séria, com uma das sobrancelhas arqueadas e os braços cruzados – Toma! Se veste de uma vez!
Ela estava tão próxima a mim que quando eu puxei a camiseta que estava em sua mão, seu corpo bateu contra o meu, o olhar que ela tentava desviar a todo custo veio de encontro ao meu, e eu não ria mais, assim como ela não parecia mais tão brava assim. Era tão intenso, tão desconcertante que eu não conseguia desviar minha atenção dali. Era como se ela pudesse me ler e vice-versa.
Sentia a respiração de próxima a minha, a distância tão pequena que eu podia sentir o cheiro do seu cabelo, mas eu queria mais, ela mais perto.
fechou os olhos e eu sabia que ela ia sair dali, que ela ia fingir que nada estava acontecendo, num impulso, eu segurei sua mão antes que ela se afastasse e abriu os olhos de novo, me dando permissão pra fazer o que eu queria desde quando a vi descendo aquelas escadas.
Quando me inclinei sobre ela, ouvimos chamando por nós no corredor.
Em segundos, soltou minha mão e se afastou, coloquei a camiseta no exato momento em que escancarou a porta do quarto.
– Eita! – riu de leve, enquanto eu ainda estava com os olhos cravados em e ajeitando a camiseta – Só faltam vocês! Vamos jantar!
Antes de sair do quarto olhou pra mim uma última vez, eu poderia estar ficando louco mas sabia que ela também não queria que tivesse aparecido, disso eu tinha quase certeza. a puxou e as duas desceram as escadas conversando baixo, enquanto eu esperei um pouco e as segui.

Na mesa de jantar, o único lugar vago era de frente para e ao lado de Diego.
Toda a comida estava muito boa, todo mundo animado, mas eu não conseguia ignorar e Bruno cochichando e rindo toda hora do outro lado da mesa, ela sendo super simpática com ele, os sorrisos e a conversa mole deles, eu simplesmente não queria acreditar que eu teria que competir com o Bruno, nem estava prestando atenção direito na conversa do pessoal a minha volta, quando eu senti me olhando, seu olhar cruzou com o meu, mas ela desviou rápido.
Só depois reparei que Bruno me olhou e riu, de leve. Eu era o assunto dos dois.
– Luan, você ainda não chamou eles pro show? Que mancada! – me olhou novamente e agora eu não precisava disfarçar, olhando diretamente pra ela eu respondi.
– Nem deu tempo, mas já que você puxou esse assunto, amanhã eu quero todos vocês lá hein! - Olhei pra todos da mesa, e vi os pais de sorrindo meio incrédulos – Vocês são meus convidados!
– Jura?! – parecia a mais empolgada, e me olhou desconfiada – Você não tá brincando né?!
Ri e neguei com a cabeça, ela olhou diretamente para e deu uma piscadinha, provavelmente fazendo aquela transmissão de pensamento que envolvia muitos planos entre elas.
– É todo mundo mesmo, quero ver o Sr. e a Sra. lá com a gente também! Não pode faltar Dona Cristina! - Fiz questão de chamar a nossa anfitriã, que dizia que tinha vergonha de ir sozinha no meu show, agora não tinha mais problema. Ela sorriu ainda mais e concordou com a cabeça.

Já passavam das quatro da manhã quando nós decidimos chamar um táxi, Matheus lembrou das nossas roupas e foi buscá-las na lavanderia.
– Deu até tempo da roupa de vocês secar! – Matheus riu, entregando uma camisa azul a Diego.
– Amanhã cedo eu mando entregarem os ingressos, por favor, faço questão de ver todos no show hein! – Não pude evitar, meu olhar foi direto pra ela, eu queria ver a reação de , queria muito que ela fosse ao show.
Como Dona Cristina foi a única que percebeu, deu uma piscadinha pra mim antes de cutucar , fazendo ela olhar pra mim e sorrir sem graça. Matheus me entregou a jaqueta de couro que estava junto com as outras roupas e olhou da jaqueta pra mim, umas três vezes sem acreditar, coloquei a jaqueta e sabia que ela ainda me olhava, pra não perder o costume, sorri para e pisquei, provocando-a.
– Idiota! – Ela gesticulou, enquanto eu me aproximava para me despedir dela.
– Adorei te conhecer também – Beijei sua bochecha e senti bufando, impaciente – Te espero amanhã!
– Vai sonhando! – Ela disse baixo perto do meu ouvido, tentando me provocar.
– Pode deixar – Antes dela se afastar, dei um beijo no canto de sua boca e a vi estreitar os olhos para mim, tentando se conter – Amanhã será uma grande noite!
– Sai daqui! – Ela riu e eu sabia que, pelo menos, alguma coisa eu já tinha ganhado.
Me despedi dos outros e antes de entrar no táxi, vi me olhando com uma das sobrancelhas arqueadas e tentando permanecer séria.
Assim que saí dali, eu sabia que ainda ficaria com ela. Ela ainda seria minha garota.


Capítulo 2



Existem coisas que você acha que não podem ser verdade, mais parecem sonhos ou, no meu caso, pesadelos.
Queria com todas as forças que a noite de ontem tivesse sido um horrível pesadelo, que eu não tivesse aparecido praticamente pelada na frente de um desconhecido que por pura coincidência é um cantor famoso, mas acordei com quase quebrando a cama enquanto pulava de empolgação, me lembrando que nada do que aconteceu ontem foi loucura da minha cabeça.
– JÁ CHEGOU! JÁ CHEGOU! AI MEU DEUUUUUS! – cansou de pular na cama e começou a pular no chão, quase gritando, sem se importar com o fato de que eu ainda queria dormir.
– O que chegou? E porque eu não posso dormir por isso? – Foi inevitável não ficar mau humorada quando sentei na cama e vi toda saltitante e feliz na minha frente, olhei no relógio e eram apenas dez horas da manhã, de um sábado!
– Os ingressos, as pulseiras, nós vamos MESMO no show! – sorria e chacoalhava um envelope branco na minha frente. Como se o tesouro mais importante do mundo estivesse ali dentro.
– Que show? – Me joguei de novo no travesseiro, na esperança que depois eu pudesse dormir mais um pouco.
– Do Luan Santana! – parou e colocou as mãos na cintura, fechei os olhos esperando que ela desistisse e voltasse mais tarde, mas não funcionou.
– Acorda ! Nós temos zilhões de coisas pra fazer – Ela puxou o cobertor e tentou me fazer cócegas no pé, quase fui parar na porta do quarto de desespero enquanto ela ria.
– Idiota! – Joguei o travesseiro nela que apenas sorriu me mandando beijinhos no ar.
– Se arrume que nós vamos sair e um aviso, se quiser tomar café tem que correr porque o Matheus e meu pai estão acabando com tudo!

Desde a nossa infância sempre foi assim, era tão normal eu dormir na casa da que nunca fui tratada como ‘visita’, assim como ela na minha casa. Éramos como irmãs completamente diferentes que por ironia do destino se tornaram insuportavelmente unidas, era assim que a gente se definia. Sou um ano mais velha que a , e lá na 5ª série do fundamental acabei a defendendo de umas valentonas e pronto. Aquele dia nós voltamos juntas da escola e nunca mais nos separamos.
Mesmo com tudo pra dar errado, nossa amizade era uma das poucas coisas certas na minha vida. podia ser meio ‘princesinha’ demais e gostar de compras mais do que o normal, mas sempre que precisei de conselhos, um abrigo ou até mesmo uma companhia pra me ajudar a extravasar minha raiva, lá estava ela.

Mal terminei de me arrumar, apareceu toda sorridente na porta do quarto balançando sua bolsa e me chamando pra sair para seu lugar favorito: Shopping.
Já estávamos na quarta loja e parecia estar só começando.
– Eu ainda me pergunto, por que eu ainda caio nos seus planos? – me puxou para ver mais uma vitrine, super empolgada.
– Vem logo , precisamos de uma roupa maravilhosa!
– Precisamos, quem?! – Puxei sua mão e ela me olhou levemente impaciente – Não pretendo comprar uma meia sequer! Tá louca ?!
– Claro que não, você não vai precisar de meias – riu e voltou a me puxar pra dentro de uma loja.
– Meu Deus, que exagero! – Mal tive tempo de terminar de falar e uma moça chegou para nos atender.
provou vários vestidos, de todas as cores e tamanhos, depois de quase uma hora finalmente escolheu um vestido azul-escuro, que ficava colado ao corpo, com detalhes nas mangas e um belo decote nas costas. Perfeito para ela. Apenas olhei alguns vestidos mas não provei nada. Depois de convencer a pelo menos tomar um suco antes de continuar a sessão tortura, ela decidiu que o assunto seria o Bruno e a noite de ontem.

confessa que você também viu! – pegou seu suco de morango e começou a me encarar – O Bruno não tirava os olhos de você – Ela piscou pra mim tentando me fazer concordar, estava realmente animada com a possibilidade de eu me envolver com o Bruno.
– Não, não vi nada disso, apenas pare !
– Ah , eu te conheço! Viu sim, vocês lá conversando, cochichando.... – estreitou seu olhar na minha direção e eu rolei os olhos pela insistência dela.
, não quero nenhum dos amigos do Matheus! O.k.?! – Mexi meu suco de maracujá, tentando não me estressar com aquela criatura na minha frente, mas ela parecia que não desistiria tão cedo.
– Como assim nenhum dos amigos... O que eu não sei ? – Minha amiga parou de tomar seu suco e me olhou com mais curiosidade ainda. Odiava quando ela conseguia captar as coisas no ar.
– Nada , nada! – Olhei de novo para meu suco e torci para que ela esquecesse esse assunto de uma vez.
– Pode ir falando, é o Diego? – me chutou de leve por baixo da mesa e eu a olhei, negando com a cabeça – Ai meu Deus, é o Luan?!!
– Cala boca garota! – Olhei para ela mais séria e quase soltou um de seus gritinhos escandalosos no meio da praça de alimentação do shopping.
– Você vai me contar cada detalhe.… – sorria como uma maníaca, extremamente feliz e curiosa, já que não tinha mais jeito contei tudo a ela, desde a desastrosa primeira vez em que o vi até a hora em que ele entrou naquele táxi.
– Ah , isso muda tudo! - Eu estava com medo do sorriso dela.
– Muda o quê? tem certeza que não tem álcool nesse suco? – Ri de leve da careta que ela fez e voltei a tomar meu suco, vendo minha amiga fazer caras e bocas enquanto terminava o seu, dava pra sentir que sua mente estava cheia de ideias, provavelmente eu as odiaria.
– Muda TU-DO! Amiga isso significa... – pegou minha mão e apertou +forte, olhei para ela sem entender, os olhos dela estavam quase brilhando de alegria.
– Significa o quê criatura? – Tentei terminar meu suco, mas ela começou a chacoalhar minha mão para que eu voltasse a prestar total atenção nela.
– Significa que agora você precisa do melhor vestido desse shopping e que sim, Luan tá a fim de você! – piscou para mim e eu comecei a tossir, quase me afogando com o suco enquanto ela apenas sorria plenamente do outro lado da mesa, sem nem se preocupar em me ajudar enquanto eu já estava mais vermelha que um tomate de tanto tossir.
– Você enlouqueceu de verdade, só pode! Luan só ficou me irritando porque ele deve ser idiota mesmo, nada além disso – Empurrei aquele suco para longe de mim enquanto continuava sorrindo daquele jeito irritante, ela levantou da mesa e já foi me puxando de leve pela mão.
– Ai amiga, as vezes você não é tão inteligente quanto eu acho que é.
Olhei indignada pra ela que apenas gargalhou me levando para uma loja cheia de vestidos e sapatos, quanto mais eu reclamava mais ela fingia que não me ouvia.
pra quê eu vou gastar dinheiro comprando um vestido agora? – Olhei para aquele vestido verde e me sentia meio idiota fazendo aquilo, enquanto rolava os olhos me observando pelo espelho, ela fez uma careta pro vestido em seguida subiu seu olhar, me encarando pelo reflexo do espelho novamente.
– Esse não tá bom, e pensa que isso é um presente de natal adiantado da sua amiga maravilhosa aqui! Agora experimenta esse preto aqui!
Ela me entregou um vestido preto, não era tão curto quanto os outros, com manga comprida toda rendada e alguns detalhes na frente, parecia ser simples, mas quando eu vi o decote nas costas fiquei seriamente na dúvida se o levaria.
– Meu Deus, olha essas costas... – Olhei pelo espelho e batia palmas toda empolgada, a vendedora ao lado dela também sorria.
– Amiga é esse! – piscou para mim e eu me recusei a dar qualquer resposta a ela.
No final das contas, mesmo eu querendo pagar por ele se recusou e realmente me deu de presente.

Voltamos pra casa dela e encontramos todo mundo no clima para o show, a Dona Cristina colocou o DVD do Luan pra tocar a todo volume, já estava toda alegre cantando, Matheus tinha ido pra casa dele se arrumar e o seu Roberto, pai da , era o único aparentemente calmo. mal pisou em casa já me puxou para o segundo andar e começamos a nos arrumar, como já tínhamos passado muito tempo no shopping, tínhamos que correr para não nos atrasarmos.
Quando saí do banho já estava quase pronta, linda em seu salto alto e cantarolando pelo quarto. Tive que correr um pouquinho, mas consegui ficar pronta a tempo.
– Sogrão não vai ter um treco lá hein – Conseguia ouvir Matheus provocando seu Roberto enquanto eu saía do quarto apressada.
– Sai daqui moleque – O pai da começou a rir, e eu ri também descendo as escadas. Eu sabia que eles estavam só me esperando.
– Wow, isso que ela não queria ir no show – Matheus me olhou fingindo estar se abanando e eu queria mandar um dedo do meio pra ele, mas os pais da estavam me olhando e eu não queria ser mal educada na frente deles.
– Você tem todo direito de ficar quieto Matheus, e é só isso! – deu um tapa no ombro dele e se virou para mim assim que cheguei ao fim da escada. Ela sorria orgulhosa, afinal, a maquiagem foi obra dela.
– Como estou?! – Perguntei rindo olhando para eles e colocando a mão na cintura.
– Está a mais gata de todas! – deu uma piscadinha pra mim, só pra me irritar e eu fiz uma careta pra ela.
Seu Roberto começou a balançar a chave do carro e nós rimos, ele sempre fazia isso pra nos apressar. Fui com e Matheus no carro dele enquanto os pais da preferiram ir no carro da família.

O local do show já estava lotado, parecia que a cidade toda tinha resolvido comparecer. Nossos ingressos eram para o camarote e assim que chegamos lá, deu pra ter uma dimensão do tamanho do show, aquele lugar era enorme e não parava de chegar gente. Estava conversando com a mãe da quando Matheus me cutucou de leve.
– Acabei de falar com o Luan no telefone, ele tá mandando alguém aqui pra buscar a gente! – Matheus olhava para mim e para Cristina enquanto falava bem baixinho.
– Onde nós vamos? – Dona Cristina se levantou da banqueta em que estava sentada, cheia de curiosidade, chegando mais perto do Matheus.
– No camarim! – Ele falou muito baixo, quase sem deixar sair som algum.
Olhei espantada para ele, em seguida olhei para Dona Cristina que sorria toda maternal pra mim.
– Luan parece ser um menino muito legal – Ela disse baixinho para que somente eu ouvisse enquanto os outros nem prestavam atenção em nós – Não seja muito dura com você mesma ! Se dê uma chance! – Ela piscou para mim e sorriu ainda mais.
Assim como , ela sabia toda minha história horrível com Henrique, meu ex-namorado que conseguiu arruinar muita coisa na minha vida, ele era a razão de eu estar praticamente há um ano sozinha, fugindo de qualquer relacionamento que durasse mais de um mês. As vezes eu sentia que estava simplesmente fechada pra qualquer tipo de sentimento de verdade. Eu não sentia mais nada.

Me perdi em pensamentos e quando me dei conta, já me puxava pela mão para fora do camarote. Acompanhamos um cara da equipe do Luan até uma porta que Matheus nem se deu ao trabalho de bater e já foi entrando.
– Fala Guri! Demoraram hein! – Era a última da fila e vi Luan vindo na nossa direção, para nos cumprimentar, um a um.
– Ah sabe como é né, mulher é complicado, ainda mais a – Olhei indignada para Matheus que ria sem a menor vergonha, enquanto eu não sabia se ia lá dar um belo tapa nele ou se mandava um dedo do meio dali mesmo. Luan parou na minha frente, completamente diferente da noite anterior, com uma camisa vermelha escura e calça jeans preta, simples e elegante, ele sorriu de leve para mim e se aproximou para me cumprimentar com um beijo no rosto demorado, quando pensei que ele ia me dar outro beijo no rosto, Luan desviou e chegou mais perto do meu ouvido, e disse para que somente eu ouvisse:
– Você está incrível, não liga pro Matheus – Uma de suas mãos estava na minha cintura e eu sentia ele apertar de leve ali, quando olhei em seus olhos, foi inevitável, um sorriso escapou e Luan deu uma de suas piscadinhas irritantes, me deixando arrependida quase que de imediato por sorrir para ele.
– Nem acredito que estamos aqui mesmo – Cristina que estava próxima a nós disse deslumbrada olhando tudo ao redor, Luan foi até ela e mostrou alguns detalhes do camarim. Observei que tinha um sofá ali e decidi ficar sentada esperando até que eles decidissem voltar para o camarote, meus pés já reclamavam da porcaria do salto alto.
que até o momento estava com Matheus tirando muitas fotos no painel com a logo ‘Luan Santana’, disse algo para ele que se afastou e ela veio diretamente na minha direção, com aquele sorriso de quem ia aprontar todas sentou ao meu lado.
– Ai , a noite tá maravilhosa né – Pelo tom de voz, mais empolgada que o normal, eu sabia que ela já estava armando alguma coisa.
– O que você quer ?
– Nada ué, só saber como está a noite pra você? – Ela sorria quase assustadoramente, eu estava ficando com medo do que vinha pela frente.
– Tá boa, por quê?
– Você sabe dançar né... – parecia pensar em alguma coisa, ou melhor, ela fingia que estava pensando – Sabe o que você podia fazer?! Você podia ser A Nega hoje! – Ela dizia como se aquela ideia fosse a mais genial de todas, como se tivesse acabado de descobrir a lâmpada.
– Hein?! – Olhei para ela sem entender nada e olhou para cima.
– Acho que a não tem coragem – Luan surgiu atrás de mim no sofá, não sabia dizer se ele esteve ali o tempo todo, mas ele se divertia em se meter na nossa conversa, saiu de trás do sofá e veio para frente me olhando em dúvida, junto com .
– Será? Acho que ela até se sairia bem lá em cima – disse meio decepcionada, olhando para Luan como se eu não estivesse sentada bem na frente dela, ouvindo cada palavra, ela sabia o quanto eu odiava aquilo e continuou conversando com Luan através de olhares.
– Na realidade, eu duvido que a aceite – Luan me encarou, levantando as duas sobrancelhas e realmente me desafiando a aceitar o convite. Olhei para os dois, indignada, não acreditando que eu ia cair naquele joguinho ridículo, mas sabia que eu não ia deixar barato, eu odiava que duvidassem de mim e não ia fugir daquilo.
Bufei e me levantei do sofá, ficando frente a frente com Luan que continuava a me desafiar com seu olhar, me deixando com mais vontade ainda de bater naqueles dois.
– Vamos ver então! – Cruzei meus braços e olhei fixamente para ele, que esticou a mão para mim e eu a apertei com firmeza, vendo um sorriso irritante surgir de leve em seu rosto e Luan piscar para mim mais uma vez.
– Idiota!
– Vai ser ótimo – Luan sorriu mais ainda e tentou me dar um beijo no rosto mas eu me afastei.
– Pra você é ! – Ele riu ainda mais forte e concordou com um aceno de cabeça, um cara da produção o chamou e ele se afastou de nós. Quando olhei para sentada no sofá com a expressão feliz e satisfeita eu queria apenas bater muito nela.
, eu vou te matar sua idiota! – Encarei minha amiga que apenas mostrou a língua e bateu palmas de leve, rindo como uma criança que acabou de ganhar o presente que tanto queria.
– Nada disso, você vai me agradecer um dia, isso sim! – Ela piscou para mim e me puxou pela mão para tirar fotos. Com certeza, ela ia fazer um álbum só de fotos na frente daquele banner.

Os pais da estavam encantados com tudo, conversaram com um cara da banda que apareceu por ali, riam o tempo todo, Dona Cristina fez questão de ficar ao lado de Luan na foto que tiramos e estava até bonito de ver, quando decidimos parar de atrapalhar e voltar para o camarote, eu pensei que Luan e iam esquecer aquela história idiota de eu participar do show mas me enganei, estava saindo do camarim quando eu senti alguém pegar na minha mão.
– Daqui uns 40 minutos, o Testa vai lá te buscar – Luan me puxou mais para o canto, onde quase ninguém poderia nos ver.
– Quem é Testa? – Olhei meio confusa e ele riu de leve.
– É aquele baixinho ali – Luan saiu um pouco da minha frente e eu pude ver um cara baixinho ajeitando uma mesa do outro lado do camarim – Se não for ele, vai outra pessoa da produção.
– Isso é sério? – Desacreditei que ele ia realmente fazer aquilo, Luan apenas confirmou com a cabeça me olhando ainda mais de perto.
– Claro que é! Não vai amarelar né ?! – Luan riu debochado, me desafiando novamente.
– Insuportável! – Tive de me controlar para não rolar os olhos – Já disse… – Ele me interrompeu, apertando de leve minha mão que ainda estava junta a dele.
– Até mais ! – Frisando a última parte do meu nome, Luan chegou tão perto que eu me senti congelar ali, com um sorriso de canto ele beijou o canto da minha boca rapidamente, seria quase imperceptível se aquele arrepio que senti não estivesse ali para me incomodar.
– Mas... – Tentei mais uma vez protestar, mas Luan apenas riu de leve abrindo mais a porta e me dando passagem.
– Te espero – Sussurrou quando passei por ele, me segurando pra não voltar e xingar tanto ele quanto por aquele desafio idiota, segui as instruções do pessoal da produção para chegar até o camarote de novo.

sabia o quanto eu era orgulhosa e não aceitaria ser desafiada por eles e permanecer quieta. Agora que ela não parava de sorrir pra mim de longe, já me arrependia de ter caído naquele joguinho e ela sabia disso, por isso evitava ficar do meu lado, para não ouvir nenhuma das minhas reclamações.
O camarote já estava bem mais movimentado do que antes, muitas mulheres bonitas e muito mais arrumadas do que nós já tomavam seus lugares para ter a melhor visão do palco, fiquei mais para trás, perto do bar tentando não pensar que daqui uns 20 minutos o show começaria e eu estava ferrada.
– Wow! – Bruno apareceu do outro lado do bar e sorriu para mim – , você está demais! – Ele disse quando chegou a minha frente, me dando um beijo no rosto e me deixando levemente corada.
– Vamos lá com a galera, quer uma bebida? – Ele apontou para o bar com cabeça e eu neguei.
– Vou ficar por aqui mesmo – Ri da tentativa dele de me levar pra perto de e sua família, e me mantive parada no mesmo lugar.
– Mas por que você vai ficar aqui sozinha? – Bruno riu e olhou em volta várias vezes meio intrigado.
– Tá esperando alguém? – Ele disse baixinho, como se fosse um segredo, e eu não consegui evitar a risada que escapou.
– Mais ou menos – Bruno me olhou surpreso mas nem teve tempo de falar mais nada, Diego apareceu ali, me cumprimentou rapidamente e saiu puxando Bruno até um grupo de garotas.

A movimentação do público já estava mais intensa, vi que pelo telão estavam sendo exibidos vários vídeos dos patrocinadores e pelo pouco que sabia sobre isso, me parecia que o show estava prestes a começar. Estava distraída observando algumas meninas na pista que me assustei quando um cara me cutucou de leve no braço, olhei para ele e reconheci a mesma camiseta que todo mundo vestia lá dentro do camarim, ele era da produção do Luan.
?! – Ele perguntou chegando mais perto, apenas confirmei com a cabeça e ele apontou o caminho que eu deveria seguir. Respirei fundo e o segui, agora não tinha mais volta.

Assim que cheguei a lateral do palco, ouvi uma gritaria ensurdecedora, Luan tinha acabado de começar o show e era simplesmente impressionante observar o tamanho daquele lugar dali de cima, a quantidade de pessoas que mal piscavam e acompanhavam cada passo que ele dava. Mesmo não sendo o tipo de música e o tipo de show que eu costumava frequentar, não podia deixar de admitir que a música era muito boa e contagiante, Luan sabia como conduzir toda aquela multidão, fazendo brincadeiras e elogios o tempo todo, levando aquela galera a loucura. Estava rindo da brincadeira entre ele e suas backing vocals, quando a música acabou e antes de se virar para o público, Luan olhou para onde eu estava, quando nossos olhares se encontraram ele deu uma piscadinha pra mim. Aquilo foi o bastante para eu congelar no lugar, Luan rindo começou a conversar com o público, e eu pensei seriamente em sair correndo dali.
– Oh gente, agora é sério – Luan pediu a atenção do público que gritou ainda mais – Eu estava ali atrás e veio uma moça me perguntar uma coisa muito séria! E eu quero saber de vocês, sinceramente hein!
O jeito brincalhão com que ele falava me fez dar uma espiadinha por um pano que tinha ali, Luan estava mais a frente, no final da passarela e fazendo um sinal de calma, as meninas mais próximas a grade riam e já esticavam a mão na direção dele.
– Quem aí vai querer ser minha Nega de hoje? – Ele mal terminou de falar e os gritos aumentaram consideravelmente.
Luan voltou para o meio do palco e começou a cantar, quando me dei conta tinha um segurança ao meu lado, focado no que estava acontecendo no palco e em mim ao mesmo tempo, ele me olhou com o semblante sério, quase bravo.
– Vamos! A hora que eu te pegar você VEM, entendido?! Nada de ficar pendurada nele! – O tom de voz bravo e o olhar quase assassino dele me fizeram concordar sem dar a devida resposta, ou rir da possibilidade de ficar pendurada em Luan. Aquele cara não sabia mesmo que eu estava quase dando meia volta só de pensar em subir naquele bendito palco. Não acreditava que eu estava realmente fazendo aquilo.
Nem prestava mais atenção na música, só me dei conta de que era a hora de eu entrar quando vi Luan olhando diretamente na minha direção e estendendo a mão. Dei um passo a frente mas assim que ouvi os gritos ficarem mais fortes e um holofote focar em mim, senti as pernas paralisarem, meu coração queria sair pela boca e quase que por instinto dei um passo pra trás, eu fugiria se pudesse, mas Luan veio para mais perto e o segurança que estava atrás de mim com um leve empurrãozinho me fez agarrar a mão de Luan pra não cair daquele bendito salto alto.
– Vem minha Nega, vem dançar coladinho comigo – Luan falou no microfone, enquanto me levava mais para o centro do palco. Ele me deu um beijo no rosto e colocou uma das mãos no meu cabelo, me fazendo olhar diretamente em seus olhos. Acho que ele viu o quanto eu estava apavorada por estar ali, nunca fui muito de gostar de todas as atenções em mim e estar em um palco, era muito além do que eu podia encarar.
Luan sorriu para me tranquilizar e passou levemente o dedo sobre a minha bochecha, afastando meu cabelo, ele colou sua boca ao meu ouvido:
– Não precisa ter medo ! Presta atenção só em mim – Luan passou a outra mão pela minha cintura e sorriu torto, dando uma de suas piscadinhas quando a batida da música mudou, ele me puxou com firmeza chocando nossos corpos diante daquela multidão e nos fazendo dançar, coloquei minhas mãos em seus ombros e quando ele riu perto do meu ouvido, foi inevitável, um arrepio subiu pela minha espinha e acabei rindo também, me deixando levar pelo momento. Luan continuou cantando e começou a rebolar, ele nos girou e rebolava com a bunda virada para o público que gritava cada vez mais alto, quando me dei conta eu seguia seus passos e rebolava de leve.
– De novo, de novo, de novo – Luan riu no microfone, fez um sinal para a banda e aquele verso foi repetido. Ele colou ainda mais nossos corpos, e enquanto ele rebolava mais para as fãs, eu sentia sua mão firme em minhas costas e seu perfume me inebriando. Não podia deixar aquilo barato, afinal ele estava conseguindo tudo que queria rápido demais, resolvi provocar também e com minhas unhas afiadas, comecei a riscar suas costas por cima da camisa, a plateia não me via direito porque Luan estava me “cobrindo” mas elas viram Luan jogando a cabeça para trás e rindo. Quando ele me olhou de volta, o segurança já estava ali ao lado me chamando, cerrei os olhos pra ele e gesticulei: “Você me paga”. Dei a mão para o segurança e antes de sair vi Luan rindo mais uma vez para mim. Aquele sorriso cheio de várias intenções.
Se virou para o público e terminou de vez aquela música.
– Que noite hein, vamos lá que só tá começando!

Não queria nem pensar no que aquele povo todo estava imaginando, eu só queria voltar a respirar direito, me acalmar e retornar até o camarote onde os meus amigos estavam. Meu coração ainda parecia uma escola de samba, nunca pensei que seria tão difícil fazer aquilo, parecia tão simples mas ter toda aquela gente olhando me deixou quase em pânico.
Assim que cheguei ao camarote, senti vários olhares na minha direção, por sorte um desses olhares era de que veio quase correndo na minha direção, com um sorriso quase rasgando seu rosto.
– Amiga do céu! – parou na minha frente e me deu um abraço rápido – Se aquilo não é química, eu não sei o que é! – Ela disse em meu ouvido, gargalhando em seguida.
– Eu vou matar vocês dois, nunca mais eu caio nessa – Disse também no ouvido dela que apenas rolou os olhos para mim em resposta.
– Preciso ir no banheiro, vamos comigo?! – Pedi pra ela, ainda muito sorridente pegou na minha mão e foi me guiando até o banheiro.
– Sua mão tá gelada – Ela olhou para trás e eu a encarei um pouco mais séria.
– Isso foi o que vocês fizeram comigo, não sei como eu não tive um treco lá em cima – Entrei no banheiro com e duas mulheres estavam lá retocando a maquiagem. Antes de entrar em uma das cabines senti o olhar delas sobre mim.
– Ai, ai, ela é só mais uma – Mal fechei a porta e ouvi a voz de uma delas dizendo em tom de deboche.
– Já fiquei com ele uma vez – A outra disse rindo levemente – É sempre assim!
– Já terminaram queridas? Estão me atrapalhando e nem adianta ficar retocando demais, isso aí não tem mais jeito não – Ouvi dizer, e pelo seu tom de voz, ela estava se segurando pra não atacar as duas. Depois de um tempo, ouvi as duas rindo e o barulho de porta fechando, só depois que elas saíram dali tive coragem de sair daquela cabine.
– Não liga pra elas , a inveja deu pra sentir no ar – sorriu para mim através do espelho, tentando me fazer sorrir de volta. Apenas concordei com a cabeça, sabia que não adiantaria querer explicar para agora, mas, no fundo, eu sabia que elas estavam certas. Era sempre assim.

Quando saímos do banheiro o show do Luan já estava quase terminando, na hora que cheguei junto a família da a zoação começou, ninguém me deixava esquecer do meu momento em cima do palco.
– Sempre soube que a ia ser estrela – Matheus riu e me abraçou pelos ombros, tentou me fazer cócegas, mas eu consegui escapar.
– Sai garoto! – Fiquei ao lado da Dona Cristina que olhava para mim, com aquele sorriso maternal e orgulhoso no rosto.
– Você estava ótima lá em cima – Ela deu uma piscadinha, chegando mais perto e falando ao meu ouvido – Vocês formaram um casal muito lindo.
Espantada olhei para ela meio incrédula, não esperava que justo ela também começasse a me atormentar com aquele assunto. A mãe da apenas riu de leve e apontou para o palco onde Luan agora terminava de agradecer o público sendo ovacionado até o último segundo. Ele saiu do palco e um DJ começou a tocar enquanto arrumavam o palco para a próxima atração.

O bar estava completamente inacessível, quando finalmente consegui pegar minha bebida e tentei sair dali, recebi um forte empurrão nas costelas e já pressentia o belo tombo que levaria, mas senti alguém me segurando por trás, puxando minha cintura com força e me impedindo de ir direto com a cara no chão.
– Cuidado aí – Ele riu e eu me virei para olhá-lo nos olhos, me estendeu a mão para que eu me equilibrasse de verdade e agradeci aos céus por ser alguém conhecido.
– Bruno! Essa foi por pouco – Ri junto dele que me ofereceu o braço para que eu apoiasse nele.
– Obrigada! – Estendi meu copo para ele que brindou comigo antes de sairmos dali em direção a nossa mesa.
– Como está a sua noite? – Perguntei tomando um gole da minha cerveja vendo Bruno sorrir torto antes de piscar marotamente para mim.
– Digamos que está bem boa – Ele riu de leve, em seguida cerrou os olhos para mim e abriu mais o sorriso – E a sua Dona ? Te vi lá em cima, foi demais – Bruno riu e ficou levantando as sobrancelhas, cheio de insinuações.
– Vamos ignorar aquilo, não sei o que pensar sobre isso ainda – Sorri de leve e Bruno riu mais ainda concordando em não tocar no assunto.
Vi uma grande movimentação na entrada do camarote e podia apostar qual era o motivo, Luan tinha acabado de chegar ali.
– Meu Deus! Vamos dançar essa ? – Bruno mais animado do que antes apontava para a pista de dança que havia ali. Eu não conhecia aquela música, mas ele sabia ela de cor e salteado e quando me dei conta, ele já deixava nossos copos em cima da mesa e me puxava pro meio daquele lugar.
Era uma música agitada, parecia ser Fernando e Sorocaba, mas eu não tinha certeza, Bruno depois de uns três pisões que eu dei no pé dele resolveu me ensinar como dançar aquela música direito, e aí sim nós começamos a dançar de verdade. Ele me girava para um lado e trazia de volta com facilidade, dava para perceber que ele era muito experiente nisso então mesmo eu dançando mal, Bruno fazia parecer que eu era ótima. Estava rindo de uma careta que ele fez quando eu pisei de leve em seu pé e percebi Matheus e dançando do nosso lado. me cutucou de leve e eu me aproximei dela que cochichou no meu ouvido:
– Se dos olhos dele saíssem faíscas, a gente já estava lascada! – apontou de leve para uma das mesas e eu olhei para lá.
Luan e algumas pessoas da sua equipe estavam ali, algumas mulheres também rodeavam a mesa, inclusive aquelas duas que eu encontrei no banheiro quando voltei ao camarote e ele olhava para nós. Muito claramente para nós.
– Vou te girar – Bruno me avisou e eu apenas concordei, girando para a esquerda e voltando até ele.
– Viu como é fácil – Ele disse e eu ri, pelo menos daquela vez eu não tinha pisado no pé dele.
– É fácil mas cansa – Nem percebi mas já era quase a quarta música que estávamos dançando e meu pé já não aguentava mais – Vou parar um pouco – Beijei o rosto de Bruno e ele sorriu me estendendo o braço para que eu me apoiasse para chegar até a mesa mas eu neguei sua oferta.
– Aquela moça ali, acho que ela vai gostar de me substituir – Puxei ele de leve e apontei para uma loira muito bonita, que eu já havia flagrado nos observando quase vidrada, e eu sabia que não era por minha causa. Bruno riu e piscou para mim antes de eu me afastar da pista, dei uma olhadinha e o vi convidando a moça para dançar, ela toda sorridente aceitou.

O segundo show começou e grande parte das pessoas que estavam espalhadas por ali, se aglomeraram perto das grades para assistirem melhor, e Matheus estavam vidrados no palco, Diego já tinha sumido fazia tempo e eu não aguentava mais ficar em pé. Fiquei sentada em uma das mesas quase ao fundo, retirei as sandálias dos pés e apenas ouvia a música, sem nem prestar atenção direito.
– Você não vai lá ver o show não? – De repente um copo apareceu na mesa e logo em seguida Luan se sentou na cadeira perto da minha, me olhando com curiosidade.
– Ah não, aqui é bem melhor.
– Então vou ficar por aqui, te fazendo companhia o.k.?! – Ele arqueou uma das sobrancelhas e eu apenas concordei, vendo Luan abrir um sorriso de canto antes de tomar um gole da sua bebida.
– Estava lembrando de você dançando com o Bruno e modéstia parte, acho que fui bem melhor! – Aquele sorrisinho irritante apareceu de novo, os olhos semicerrados sobre mim.
– E o que te faz pensar isso?
– Eu não fiz cara de dor em nenhum momento, muito pelo contrário, por mim você ficava o show inteiro lá comigo – Luan sorriu abertamente dando uma piscadinha logo em seguida.
– Idiota! - Não consegui me controlar e deixei uma gargalhada escapar, Luan ao meu lado também começou a rir – Não sei como o Bruno não me deixou cair por vingança, pisei muito no pé dele, coitado!
– Bom agora ele parece ter encontrado uma boa parceira de dança – Luan indicou com a cabeça um casal que eu demorei alguns segundos pra reconhecer como sendo Bruno e a loira que tinha dançado com ele, os dois estavam indo um pouco além dos beijos ali no cantinho e eu já estava constrangida de ficar olhando a cena.
– Meu Deus, eles precisam de um quarto! – Ri e virei minha cadeira deixando ela na direção do palco, mas, ainda assim, sem ver absolutamente nada do palco, quando percebi Luan estava muito mais perto, tão perto que eu podia sentir seu perfume com nitidez e a risada que ele dava parecia ser diretamente ao meu ouvido.
– E a gente de espaço né – Apontei para a cadeira dele que estava quase colada a minha, depois olhei para Luan que ria ainda mais jogando a cabeça para trás, me deixando mais irritada do que antes, ele aproximou seu rosto do meu deixando apenas alguns centímetros de distância.
– Por que ? Tá ruim assim? – Ele tinha aquele sorriso irritante nos lábios e aquele olhar que me desafiava a dar uma resposta boa o suficiente. Sem se mover nenhum centímetro, eu sabia que se não fosse rápida ele ia acabar ganhando.
– Sai daqui! Você é muito irritante! – Empurrei Luan pelos ombros e ele apenas sorriu mais ainda. Droga, resposta errada!
Era perigoso demais ficar tão perto assim, eu sabia disso, que as chances de eu me ferrar ali eram imensas e não estava disposta a arriscar tanto assim, mas quando me dei conta Luan estava vindo me beijar, e instintivamente eu também estava chegando mais perto dele.
– Cadê o meu amigo? Oh Luan! – Reconheci a voz de Diego e olhei acima de Luan. Diego estava muito bêbado e chamava por Luan quase gritando, chamando atenção de todos a nossa volta. Apontei para ele e Luan apenas fechou os olhos com força e abaixou a cabeça, provavelmente xingando mentalmente Diego e toda aquela situação.
Enquanto Diego continuava a falar coisas sem sentido, peguei minha sandália que estava embaixo da mesa e fui para o banheiro.
Nem sei quanto tempo ao certo demorei, mas quando saí do banheiro, me deparei com uma cena que me deu mais certeza ainda de que foi muita sorte não ter ficado com ele ali.
Luan estava conversando bem de perto com uma das garotas que eu tinha visto mais cedo no banheiro, enquanto a amiga dela tentava se divertir com Diego. A única coisa que se passava pela minha cabeça era o que uma delas tinha dito: Era sempre assim!
E eu não tinha o menor talento pra ser assim.

Capítulo 3



Março de 2013


Já se passaram três meses desde que Luan jantou na casa da , três meses que ela não conseguia entender porque eu quase joguei meu celular na parede quando ele me ligou e porque eu menti dizendo que voltei com meu ex-namorado.
Para tudo era muito simples, era só ficar com ele e pronto, mas eu sabia que nada era tão simples assim e ser só mais uma na vida de qualquer pessoa não era mesmo o meu maior desejo. Por isso até hoje ela está inconformada mas eu simplesmente não ligo. Luan já era página virada na minha vida.

me empresta aquele vestido rosinha pra eu levar na viagem? – Estava terminando de arrumar minha pequena mala, ia passar quatro dias em outra cidade, participando de vários seminários e palestras com os maiores jornalistas do país e se sobrasse algum tempo queria dar umas voltinhas pela cidade.
– Pode pegar, mas do jeito que você é, duvido que use né ! – me reprovava com seu olhar, ela me achava muito nerd as vezes, dizia que eu não sabia aproveitar as oportunidades, mas pra mim conseguir participar desse encontro era aproveitar!
– Para de pegar no meu pé! E vem me ajudar a ver se não está faltando nada – Joguei uma almofada nela que veio com toda preguiça do mundo me ajudar. Em menos de meia hora minha mala estava pronta.

Já estava no meu segundo ano da faculdade de jornalismo e quando surgiu esse encontro de jornalistas eu e a Clara, minha amiga da faculdade, não pensamos duas vezes e nos inscrevemos, era uma oportunidade maravilhosa, que valia totalmente o esforço de viajar alguns quilômetros até Sorocaba.
Quando chegamos na terça-feira tudo parecia muito incrível, tinha gente de várias faculdades ali, pessoas já formadas, calouros, profissionais, todos querendo aprender com quem já era mais experiente, ouvir as histórias, os desafios que enfrentaram, por sorte Clara e eu conseguimos ficar no principal hotel da cidade, e muito perto de onde eram realizadas as palestras.

Era sexta-feira a noite e todo mundo resolveu sair para aproveitar a cidade depois que a última palestra acabou, eu também iria se não fosse a dor de cabeça insuportável que eu estava sentindo, resolvi voltar para o hotel e deixei Clara com uns amigos que fizemos durante esses dias. Quando cheguei no hotel tinha muito movimento ali no lobby e eu tive que esperar alguns minutos até o rapaz da recepção finalmente me olhar.
– O que deseja? – Ele parecia mais estressado que nos outros dias e eu também já estava meio sem paciência.
– Tô sem a chave do meu quarto, pode me dar a reserva, por favor?! – Tinha esquecido a chave do nosso quarto com a Clara e o moço me olhava meio incrédulo, não sei porque eu mentiria sobre isso?!
– Seu nome? – Ele perguntou olhando para um rapaz baixinho que estava ao meu lado, não tinha reparado nele ali mas assim que o olhei tive certeza que aquele rosto não me era estranho.
– Não entendia aqueles olhares esquisitos entre eles, apenas dei de ombros esperando pela minha chave, só queria chegar até a minha cama e dormir, o moço ainda demorou alguns minutos até atender meu pedido.

Nem acreditava que finalmente ia dormir, tomei o remédio pra dor de cabeça, coloquei meu pijama e estava prestes a deitar quando bateram a minha porta. Tentei ver pelo olho mágico quem poderia ser mas não consegui ver nada, bateram novamente, um pouco mais forte desta vez. Abri a porta e simplesmente não conseguia acreditar no que via.
– Luan?! – Olhei pra ele, vestido com um moletom preto de touca, calça cinza e chinelos, ali parado na porta do meu quarto como se também estivesse indo dormir – O que você tá fazendo aqui? – Luan deu alguns passos para dentro do quarto, mas a porta continuou aberta.
– Queria ter certeza de que era você mesma! – Ele sorriu e me olhou, de repente me lembrei que estava vestindo apenas o meu pijama curto do Mickey, e queria mais uma vez um buraco pra me enfiar, eu precisava parar com esses momentos constrangedores na frente dele!
– Eu mesma?! – Cruzei meus braços e tentei manter minha pose, mesmo sem entender como aquilo ali estava acontecendo.
– O Testa disse que viu uma moça na recepção parecida com você, brava e que se chamava , queria ver se era a mesma – Luan deu uma de suas piscadinhas irritantes e eu não sabia em quem queria bater primeiro, nele ou no assistente dele.
– Hmm.... Acho que você já viu né, pode ir saindo que eu preciso dormir – Fui empurrando Luan para fora, não estava no clima para conversar justamente naquela hora.
– Não, espera.... – Luan segurou a porta, se encostando nela me impedindo de fechá-la – , eu preciso falar com você! Posso passar aqui amanhã?! – Ele me olhava fixamente nos olhos, pedindo silenciosamente que eu não negasse seu pedido.
– Tenho até medo de perguntar o que vem por aí! – Luan sorriu torto e deu uma piscadinha esperando minha resposta – Se você me deixar dormir, posso pensar no seu caso! – Cruzei os braços e Luan se desencostou da porta, alargou seu sorriso e se aproximou para me dar um beijo estalado no rosto.
– Até amanhã , bons sonhos! – Ele disse perto do meu ouvido me causando um leve arrepio, antes de se afastar e entrar no elevador com seu segurança que o estava esperando ali. Não queria nem imaginar o que poderia acontecer no dia seguinte.

Quando acordei Clara já tinha saído novamente e deixou um bilhete me pedindo para ligar para ela.
– Bom dia ! – Ela estava muito alegre do outro lado da linha e eu olhei no relógio, eram quase onze horas da manhã e Clara já parecia ligada no 220 volts – Tentei te acordar mas foi impossível! – Ela riu enquanto eu apenas concordava, eu realmente não era uma pessoa matinal.
– Bom dia! Onde você está? Nós não deveríamos ir embora daqui a pouco? – Perguntei olhando ao meu redor e vendo todas as nossas coisas jogadas por ali, nós teríamos que virar o Flash se quiséssemos arrumar nossas coisas a tempo do check out.
– É sobre isso que eu quero falar com você! Vamos ficar mais um dia?! Por favor! Por favor! – Clara falava bem devagar, sentia que ela tentava conter sua animação, com toda certeza deveria estar cheia de planos.
– Hmmm… O que você está aprontando?
– É que hoje tem uma festa muito incrível, que os meninos da faculdade vizinha a nossa estão organizando junto com o pessoal daqui, e nós precisamos ir! Sabe aqueles eventos do ano, que quem perde se arrepende pra sempre?! Essa festa é desse nível amiga! Entendeu minha alegria!!!
Clara começou a rir no telefone e eu sabia que qualquer argumento meu seria um grande desperdício de tempo, nada a convenceria a não ficar em Sorocaba por mais uma noite.
– O.k.! Ficamos mais um dia!

Segundo Clara, ela já tinha acertado tudo com o hotel então eu não precisava me preocupar com nada, ela estava passeando pelo centro e eu estava jogada na minha cama, decidindo se ia encontrá-la ou se ficava por ali mesmo. Decidi primeiro descer para tomar café e talvez depois fosse atrás da Clara.
Peguei a última mesa, já estava quase tudo vazio por ali por causa do horário, e eu adorei aquela tranquilidade. Fui até o buffet e peguei vários bolos e muito pão de queijo, e, por fim, não podia faltar meu café.

Pode-se dizer que eu estava literalmente devorando o meu terceiro pão de queijo quando senti um par de mãos taparem meus olhos, soltei o pão de queijo que estava segurando e passei as minhas mãos por cima das mãos que estavam em meus olhos, ouvindo como resposta apenas uma risadinha da pessoa e não sabia se estava feliz ou preocupada por adivinhar quem era, em apenas ouvir aquela risadinha irritante.
– Luan?! – Disse em dúvida e as mãos saíram da frente dos meus olhos e ele se sentou na cadeira ao lado da minha.
– Eu mesmo! Bom Dia ! – Luan se aproximou rápido e me deu um beijo na bochecha, ao mesmo tempo em que roubava meu último pão de queijo, tentei pegar de volta mas Luan foi mais rápido e mordeu o pão, não deixando quase nada pra mim.
– De onde você surgiu pra roubar a minha comida? – Mexi meu café enquanto Luan gargalhava ao meu lado, se endireitando na cadeira e roubando um pedaço de bolo que eu tinha pego para mim, olhei para ele indignada enquanto ele apenas dava de ombros.
– Hoje eu tomei café cedo demais mulher, me deixa comer também! – Desisti de brigar com aquela criatura e me preocupei em terminar meu café antes que ele esfriasse.
– Se as pessoas te verem aqui, não vai ter confusão não?! – Perguntei por curiosidade, vendo Luan agir despreocupadamente ali no restaurante do hotel.
– Aqui agora tá tranquilo, e o pessoal lá de fora não consegue ver a gente por causa do vidro, se fosse mais cedo já seria mais complicado, não poderia ficar aqui – Luan me explicou enquanto eu arregalava os olhos, imaginando o pessoal lá fora, deveria ter muita gente porque dava pra ver os seguranças do hotel sempre indo na direção da porta.
– Que mal lhe pergunte, da onde você tá vindo mesmo? – De novo, a curiosidade falou mais alto e Luan riu de leve, me olhando atentamente antes de responder.
– Hoje eu fui em uma rádio divulgar o resultado de uma promoção, e daqui a pouquinho eu volto pra lá! Vou passar a tarde toda com um grupo de fãs – Ele sorriu e eu o olhei impressionada, eram onze e meia da manhã e eu nem tinha terminado de tomar café da manhã ainda, enquanto ele estava indo pra segunda parte do seu dia.
– Tive que entrar pelos fundos, por isso eu consegui te pegar no flagra ! – Como não podia deixar de ser, Luan riu e me deu uma de suas piscadinhas, tentei não rolar os olhos só para não dar aquele gostinho a ele.
– Não vou nem comentar que eu não te convidei pra roubar minha comida! – Foi minha vez de piscar para ele que gargalhou com vontade.
– Mas eu vou te convidar.... – Luan disse baixinho, quase não consegui ouvir direito, olhei para ele confusa e o vi puxando sua cadeira para um pouco mais perto da minha – , desde aquele show, desde aquele dia eu não consigo tirar isso da minha cabeça....
Suspirei baixinho, já sabendo o que viria a seguir, não gostando nem um pouco do rumo daquela conversa, Luan parecia cada vez mais ansioso e eu nem queria deixar ele terminar de falar, aquilo ali não daria em nada.
– Acho que… – Tentei interromper mas Luan ergueu a mão rapidamente, me olhando nos olhos me fazendo parar.
– Espera, me deixa falar, eu sei tudo que você acha que eu sou, sei que você fez o Matheus mentir pra mim sobre seu ex-namorado mas eu só quero um jantar, sem nenhuma segunda intenção, um jantar e eu te deixo em paz! – Olhei para ele desconfiada e Luan estendeu seu dedo mindinho pra mim, como sinal de promessa.
– Ah , como futura jornalista, você sabe que tem que ouvir os dois lados da história, só tô pedindo a minha vez de contar meu lado – Ele piscou para mim e eu o olhei boquiaberta, como ele sabia que eu era estudante de jornalismo?! Ele tinha mesmo que usar isso de argumento?! Era quase golpe baixo.
Foi inevitável, arqueei uma das minhas sobrancelhas e Luan sorriu torto, apontando para seu dedo ainda estendido, me esperando aceitar seu convite, estiquei meu dedo e antes de selar aquela “promessa” eu precisava saber:
– Quem te falou que eu curso jornalismo? – Perguntei e Luan riu, só depois que eu cruzei nossos dedos, depois da nossa pinky promise que ele se aproximou e sussurrou próximo ao meu ouvido:
– Tenho meus informantes – Ele deu uma de suas piscadinhas irritantes antes de começar a se levantar.
ou Matheus? – Insisti e Luan apenas deu de ombros, fingindo que sua boca estava colada e que nem era com ele que eu estava falando.
– Não sei, só sei que eu estarei te esperando às oito, o.k.?! – Ele sorriu e quando me dei conta, Luan estava muito mais perto, e antes que eu pudesse reagir ele me deu um beijo no rosto e começou a se afastar junto com seu segurança.

Já eram quase duas da tarde quando meu celular tocou e eu poderia apostar que sabia quem era do outro lado da linha:
– E aí, como foi? O que aconteceu?!
– Foi você né ! – Sentei na cama e ouvi a gargalhada da minha amiga do outro lado da linha, alta e clara, como se ela estivesse rindo bem ali na minha frente – Eu vou te matar ! Quem mandou você falar qualquer coisa sobre mim para o Luan?!
– Amiga, foi inevitável, ele ligou pro Matheus e nós acabamos nos enrolando e quando eu vi, acabou escapando que você estava nesse encontro de jornalistas, foi sem querer, eu juro!!!!
– Consigo sentir você sorrindo, consigo imaginar sua cara de felicidade! Não vai acontecer nada , nem se iluda!
– Por que tão amarga ? Não seja má e mate a minha curiosidade… O que ele te falou? O que aconteceu? – Era a minha vez de sorrir sem que ela percebesse, era a hora da minha vingança.
– Nada!
– Não me faça ir até aí ! – já estava animada demais e eu deixaria ela curiosa por quanto tempo eu pudesse.
– Não vai saber de nada, esse será seu castigo! – Ouvi soltar um de seus gritinhos e segurei uma risada, a cara dela deveria estar impagável, era sempre engraçado quando ela ficava curiosa.
, eu vou mandar um detetive atrás de você pra me contar cada passo seu, vou aí te bater se não me contar tudinho….
– Que dramática – Comecei a rir ao telefone e ouvi me xingando de todos os nomes idiotas possíveis.
– O.k.,o.k. – Depois que nós duas paramos de falar, respirei fundo e disse tudo de uma vez – Nós vamos jantar hoje a noite e só, ponto final, acaba aqui, entendido !
– AI MEU DEUS! Eu queria tanto estar aí, que injustiça.... – choramingou e não pude conter a risada que escapou, se ela estivesse aqui com toda certeza já estaria me enlouquecendo, graças a Deus Sorocaba ficava há alguns bons quilômetros de Campinas.
– Não preciso nem dizer que não tem nada de mais, e que é pra você tirar seu cavalo da chuva, não é ?! - Chamei sua atenção e ela suspirou do outro lado da linha.
– Ai , é um encontro e eu vou ficar mais animada que você sim! Por favor, com que roupa você vai?! – Pelo tom de voz da , ela não tinha ouvido nada do que eu falei e só estava focada no “evento”.
– Com qualquer uma oras – Dei de ombros, mesmo sabendo que não podia me ver.
– É por esse tipo de resposta que sua mãe fica triste de fazer compras com você ! – parecia minha mãe sendo rabugenta em relação a tudo que eu vestia, apenas revirei o olho enquanto ouvia choramingando do outro lado, seu desgosto pelo meu desinteresse em moda.
– JÁ SEI! – Ela gritou ao telefone e eu me assustei, quase caindo da cama – Você pode usar meu vestido, aquele rosinha que você pegou emprestado, ele fica ótimo em você e será perfeito pra ocasião – Pela felicidade, parecia que ela tinha acertado os números da Mega Sena, fui até minha mala e depois de fazer uma bagunça considerável encontrei o vestido do qual ela falava.
– Acho que vai ficar bom – Estendi o vestido na minha cama e o analisei. Ele era de um tom rosa bem claro, a parte superior ficava bem mais colada ao corpo, delineando todas as curvas, e a partir da cintura ele ficava levemente mais rodado, era lindo e simples, e eu sabia que ficaria confortável nele.
– Você vai arrasar amiga! Me manda uma foto, pelo amor de Deus!
– Não! – Comecei a rir e antes que protestasse eu comecei a me despedir – Tenho que ir, mil beijos, até depois
– Quero todos os detalhes! Cada um deles! – Com a voz cheia de insinuações, logo começou a rir e eu queria mandá-la ficar quieta.
– Tchau ! – Antes de desligar, ouvi a gargalhada irritante dela, sabia que assim que possível ela me encheria de mensagens para saber tudo que aconteceria.

Clara só voltou para hotel quase no final da tarde e foi correndo se arrumar para sua festa, quando me dei conta eu já estava quase atrasada e comecei a me arrumar também, quando terminamos parecia que o Furacão Katrina tinha passado por ali e Clara começou a rir, terminando de calçar sua bota.
– A hora que a gente chegar não vamos ter lugar pra dormir – Olhei para ela assustada, tinha esquecido completamente de avisar que eu não iria naquela festa.
– Clara, com a correria toda esqueci de avisar que eu não vou poder ir pra festa com você – Olhei para ela pelo espelho e Clara me olhava confusa.
– Mas você tá toda arrumada, onde você vai então?! – Ela sorriu desconfiada e colocou as mãos na cintura esperando uma resposta.
– Encontrei um “amigo” e ele me chamou para um jantar – Disse rápido, fazendo aspas com as mãos e esperando que ela não quisesse saber quem era a pessoa, não estava preparada pra explicar toda aquela história aquela altura.
– Hmmm… Então a dona tem um encontro! Adorei! – Clara riu e começou a bater palminhas exatamente como faria se estivesse ali, tentei explicar que não era encontro nenhum mas Clara apenas riu, pegou sua bolsa e me soprou beijinhos no ar antes de sair pela porta. Um minuto depois, ela abriu a porta rapidamente.
– Boa Sorte ! Arrasa garota! – Joguei uma blusa nela mas ela foi mais rápida e bateu a porta antes de eu conseguir acertá-la.

Estava rindo da idiotice da Clara quando ouvi três batidas na porta e corri até lá, sabia que era ela.
– Sua idio… – Escancarei a porta e dei de cara com ele ali.
Luan inclinou a cabeça e sorriu confuso, foi inevitável e acabei sorrindo sem graça pra ele.
– Oi! – Disse sentindo minhas bochechas começarem a esquentar.
– Você está linda ! – Luan deu um passo a frente e me beijou demoradamente no rosto, me fazendo corar mais ainda.
– Obrigada, você também não está nada mal – Brinquei, sorrindo e fazendo uma careta ouvindo Luan rir ainda mais.
Ele vestia um jeans escuro, camisa e sapato pretos, estava com um topete no cabelo, e aquele mesmo perfume do último show. Tão bom quanto eu me lembrava que era.
– Vamos?! – Luan apontou para o corredor, corri pegar minha bolsa e sai com ele, seu segurança inseparável já estava segurando o elevador quando fechei a porta.
– Oi! – Disse quando entrei no elevador com eles e Luan riu ao meu lado, o segurança apenas acenou com a cabeça em resposta.
– Ele só tá fingindo que é tímido né, quando pegar confiança ninguém segura – O segurança sorriu de leve enquanto Luan dava um empurrãozinho nele.
– Vamos direto pra van, o.k.?! – O segurança ficou sério e o elevador parou, estávamos no estacionamento do hotel e fomos rapidamente na direção de uma van totalmente preta, Luan e eu ficamos nos bancos de trás, o segurança foi para frente. Saímos pelos “fundos” do hotel e depois de alguns minutos já estávamos passando pelas ruas do centro de Sorocaba, até que paramos em um lugar que não tinha muito movimento.
Era um restaurante bem bonito e parecia ser bem aconchegante, pensei que teria a maior bagunça quando entrássemos mas haviam bem poucas pessoas ali e elas apenas olhavam curiosas, nos indicaram a mesa que ficavam bem ao fundo do restaurante, e eu fui a frente com Luan e o segurança logo atrás.
– Essa é a mesa de vocês – O garçom puxou a cadeira pra mim e Luan sentou bem a minha frente.
– Obrigada! – Luan agradeceu e o rapaz se afastou, fiquei olhando curiosa e o segurança dele só ficou perto da mesa, observando o movimento discretamente.

Depois que fizemos os pedidos, Luan me olhou e eu me lembrei da descoberta que eu tinha feito hoje a tarde.
– Já descobri quem foi sua informante! é realmente uma pessoa muito discreta – Ironizei e Luan riu enquanto eu o olhava com os olhos semicerrados, fingindo estar brava.
– Ela atendeu o telefone do Matheus e eu só perguntei se era você mesma em Sorocaba, mas aí ela se assustou comigo no telefone e quando viu já tinha me contado todo o resto – Luan gargalhou e deu de ombros, enquanto eu apenas balançava a cabeça, pensando em vários jeitos de torturar com cócegas aquela maluca quando voltasse pra casa.
– A é muito lerda mesmo e você bem espertinho! – Arqueei minha sobrancelha e Luan apenas piscou para mim, tentando jogar charme.
– Ela gosta muito de você, sem eu nem ter dito nada já me deu uma bronca antecipada, não precisa brigar com ela – De repente, seu tom de voz ficou um pouco mais sério e seu sorriso mais suave, para tentar evitar qualquer atrito em eu e minha amiga. E eu o olhei impressionada, tentando não sorrir de mais e dar meu braço a torcer.
– Esses dois são como minha família de verdade, eu até tento ficar brava mas não consigo, nem com a doida da – Deixei um sorriso escapar só de lembrar da e do Matheus, e olhei para Luan que sorria me observando com curiosidade.
– Até hoje eu me pergunto, como eu nunca tinha ouvido falar de você, ou até mesmo ter te visto em fotos, Matheus é um daqueles amigos que mesmo distante nossa amizade é sempre a mesma e eu nunca te vi! – Luan me olhava meio incrédulo e eu gargalhei.
– Não sou muito fã de foto e também ficamos bem surpresas quando vocês três apareceram, a até hoje joga na cara do Matheus que ele “escondeu” você dela – Luan me olhou espantado e nós dois começamos a rir.
– É que pra gente tudo é natural, graças a Deus, meus amigos das antigas sempre me trataram da mesma maneira, então esse é o nosso normal, junta todo mundo na casa de alguém pra fazer bagunça, só mudou a casa dessa vez – Luan sorriu para mim de uma maneira diferente, como se lembrasse de algo, seu sorriso torto de alargou e ele se inclinou sobre a mesa, chegando mais perto de mim.
– Quer dizer, nem tão normal né, não é sempre que surge alguém de calcinha e sutiã do nada – Ele sussurrou como se fosse uma fofoca, e eu me esforcei para não me afogar com a comida e piorar minha situação, já sentia meu rosto esquentando de vergonha em lembrar daquele mico.
– Hey! – Apontei para ele tentando permanecer séria sem muito sucesso – Vo-cê era o intruso ali, aquele quarto é quase meu também, você que não deveria estar ali!
Luan me olhou boquiaberto enquanto eu apenas confirmava com a cabeça, mantendo minha pose.
– Mas eu cheguei ANTES! – Luan riu e me desafiou cruzando os braços e arqueando a sobrancelha, esperando de mim um argumento que vencesse aquela discussão.
– O quarto da é praticamente meu também, por isso eu entro sem bater, imagina se eu te flagro trocando de roupa?! – Comecei a falar enquanto mexia no meu prato e senti Luan sorrindo torto para mim, só então me toquei do que disse e senti que começaria a ficar vermelha de novo, e isso não era bom.
– Não que essa fosse a intenção – Disse rápido e o sorriso dele se alargou, me deixando ainda mais nervosa – Já disse, você que apareceu do nada, você que estava escondido dentro do banheiro!
Luan gargalhou pra valer, jogou a cabeça pra trás e depois se aproximou novamente, semicerrando os olhos para mim sem conseguir parar de sorrir.
– Espertinha, quase virou o jogo! Mas era vo-cê que estava ME esperando – Ele deu uma de suas piscadinhas irritantes e eu senti meu queixo cair. Droga! Quando tentei achar uma resposta, o garçom apareceu e retirou nossos pratos, trazendo logo em seguida a melhor parte: A sobremesa!
– Isso tá incrível! – Dei uma segunda garfada na minha torta de limão e percebi que Luan estava me observando.
– Que foi? – Ele sorriu e começou a comer sua torta de chocolate.
– Nada, nunca vi ninguém tão feliz comendo torta de limão – Luan pegou mais um pedaço de sua torta e deu de ombros enquanto eu ria.
– É meio inevitável, torta de limão é meu ponto fraco – Comi mais um pedaço vendo ele me observar novamente, mais atentamente desta vez.
– Bom saber que a Srta. tem, pelo menos, um ponto fraco – Luan sorriu enquanto eu não sabia o que responder – Mesmo que seja torta de limão – Ele piscou me fazendo rir da maneira com que ele falava, surpreso e incrédulo que justo aquilo era um ponto fraco.
Terminamos de devorar nossas sobremesas e vimos que o restaurante começou a ficar mais movimentado, Luan pediu a conta para podermos ir embora.
– Quando você volta pra Campinas? – Já estávamos quase saindo quando Luan parecia ter lembrado de alguma coisa.
– Na realidade, já era para a gente estar em casa mas surgiu essa festa e minha amiga não queria perder de jeito nenhum, acho que ficamos só até amanhã de manhã e depois voltamos pra Campinas.
– Posso fazer uma pergunta? – Ele me olhou um pouco mais sério do que antes e eu já temia pelo que viria a seguir, apenas acenei com a cabeça esperando a pergunta.
– O jantar ou a festa? – A conta chegou e Luan não tirou os olhos de mim, pagou rapidamente a conta e voltou a me encarar.
– Te respondo depois – Pisquei para ele e Luan riu me estendendo a mão para irmos embora.
Era engraçado perceber os olhares de algumas pessoas enquanto nós passávamos pelo restaurante, Luan permaneceu ao meu lado o tempo todo e seu segurança logo a frente, abrindo o caminho.

O caminho de volta até o hotel foi muito diferente, como se aquele jantar tivesse derretido quase todo o gelo, Luan me contava algumas histórias engraçadas da estrada e eu contava os grandes micos e aventuras que eu vivia ao lado de e Matheus.
– Meu sonho mesmo é ir pra São Paulo, talvez esse ano eu consiga me mudar! – Luan me olhou espantado e eu ri, já estava quase acostumada com aquela reação das pessoas.
– Sério?!
– Sim! Na realidade eu já pedi minha transferência, só estou esperando o resultado da papelada, se tudo der certo mês que vem lá vou eu – Sorri empolgada em apenas imaginar minha vida nova em São Paulo.
– Wow! São Paulo é demais, tenho certeza que vai ser fichinha pra você!
– Por que?! – Me virei para olhá-lo e Luan sorriu para mim antes de responder.
– Você não parece ter medo de desafio e acho que São Paulo é um bom lugar pra crescer na sua carreira – Ele falava sério, enquanto eu sentia minhas bochechas corarem, Luan sorriu ainda mais, me deixando com mais vergonha, fiz uma careta pra ele e o empurrei de leve.
– Chegamos! – O segurança avisou e nós descemos na garagem do hotel.
Fomos direto para o meu andar e Luan dispensou seu segurança no meio do caminho.
– Vamos lá , seu prazo acabou…. – Estava encostada na parede próxima a porta do meu quarto e Luan se aproximou perigosamente.
– Prazo para? – Olhei para ele desconfiada e Luan riu chegando mais perto do meu rosto.
– Festa ou Jantar?!
– Idiota! – Empurrei Luan levemente e ele pegou na minha mão, e ficou brincando com meus dedos delicadamente, decidi ser sincera e falar o que realmente senti durante aquela noite – Sei que você vai ficar se achando, mas o jantar foi ótimo, não pensei na festa em momento algum.
– Aí sim ! – Luan riu e quando me dei conta sua mão já estava na minha cintura – Viu, não foi tão ruim assim – Ele arrumou uma mecha do meu cabelo que estava caindo e fixou seus olhos nos meus logo em seguida. Me deixando desconcertada e hipnotizada, não conseguiria desviar meu olhar nem se quisesse, e desta vez, só desta vez, eu não queria.
– Metido! – Disse baixo, perto do rosto dele sentindo Luan com as duas mãos em minha cintura, me abraçando e quase que involuntariamente me levando para mais perto dele enquanto ele ria, jogando a cabeça para trás.
– Ah …. – Luan riu e se aproximou mais do meu rosto, ele já estava com o rosto praticamente colado ao meu quando a porta do meu quarto se abriu de repente, desviando nossa atenção.
? Amiga? – Clara toda descabelada apareceu ali fazendo uma careta pela claridade que vinha do corredor, me afastei rápido de Luan e consegui segurá-la a tempo, antes que ela caísse no chão.
– Amiga! Cadê minha sandália? Eu perdi ela na festa – Clara olhou para meu rosto, depois olhou para Luan e começou a rir – Eu acho que eu tô louca !
– Entra logo nesse quarto Clara! – Ela me abraçou mais forte e eu pude sentir o cheiro forte de álcool que vinha dela, tentei a empurrar de volta para o quarto mas ela estava muito mais pesada do que eu imaginava.
– Amiga, eu tô vendo o Luan Santana! Eu tô vendo!!! – Ela gargalhou jogando a cabeça pra trás e eu quase a derrubei, Luan veio me ajudar a segurá-la e levá-la de volta para o quarto.
– Amiga, eu acho que não é ele não – Colocamos ela na cama e Clara tentou pegar no rosto do Luan mas desistiu no meio do caminho, e segurou minha mão.
– Eu vou indo ! – Luan me puxou para o cantinho e me deu um demorado beijo na bochecha, sussurrando em meu ouvido – Boa noite!
– Desculpa, sei que esse não é o melhor final pra noite mas eu tenho que cuidar da Clara agora – Olhei para minha amiga na cama e sabia que minha noite seria bem longa.
– Nossos amigos também gostam de ajudar – Luan riu sem graça e abriu a porta do meu quarto – Mas não tem problema, a gente dá um jeito depois – Ele deu uma de suas piscadinhas irritantes e eu ri ficando na ponta dos pés para dar um beijo na bochecha dele, senti Luan apertar minha mão e virar o rosto rápido, acertando minha boca, me roubando um selinho.
– Idiota! – Empurrei Luan para fora do quarto e ele saiu gargalhando.
– Um dia você não me escapa – Luan me encarava, desafiador, enquanto caminhava de costas até o elevador.
– Tenta a sorte querido – Fiz uma careta vendo Luan entrar no elevador, fazendo um aceno com a cabeça antes da porta fechar, sabia que aquela história ainda não tinha acabado, se dependesse de um certo cantor ia demorar pra eu ter sossego.
E depois dessa noite, até que não era uma ideia tão ruim assim, mas ninguém precisava saber disso.


Capítulo 4

LUAN

Por pouco não passei a noite em claro pensando no que eu queria fazer, o Matheus já estava quase me odiando por acordá-lo tão cedo num domingo mas eu não podia simplesmente perder aquela chance, talvez minha única chance. Depois de conseguir convencer Matheus a me passar o número certo da , mandei uma mensagem pra ela:
– Bom dia, ! Tenho um convite pra você, adivinha só quem é?!
Eram 09:30 da manhã quando a mensagem foi enviada e eu esperava que ela já estivesse acordada e super de bom humor.
– Sabia que você ia dar um jeitinho, não é mesmo Luan! Bom dia coisa chata!
– Então você estava esperando minha mensagem! Que linda!
– Cala boca, o que você quer garoto?
– Quero te chamar pra tomar café comigo, sua revanche pelo café de ontem, o que você acha?!
– Hoje é domingo, o restaurante deve estar super cheio, não vai dar problema?
– Essa é a questão, a gente pode tomar café aqui no meu quarto, sem ninguém pra atrapalhar, bem tranquilo….
– Não sei, acho que não é uma boa ideia!
– Ah , não tem como eu ir aí, sua amiga não estava passando mal ontem?!
– Estava, agora ela tá só dormindo….
– Vamos , pedi pão de queijo em dobro por sua causa!
– HAHAHAHA, o.k.! Qual o número do seu quarto?
– 705! Até daqui a pouco!
Olhei para a tela do celular várias vezes e deixei uma risada escapar, ela estava cedendo aos pouquinhos e talvez, se eu fosse com calma, ela poderia ver que eu não era aquele cara que as pessoas achavam que eu era, que ELA achava que eu era, talvez pudesse me dar uma chance. Desde o jantar na casa da , desde o show em que nós dançamos juntos, aquele jeito todo estressadinho dela, a maneira como ela não se deixava abalar ou impressionar, me deixam mais e mais curioso, quanto mais eu conheço, mais eu quero conhecer e suas manias, se ela soubesse o quanto já mexeu comigo, ficaria se achando.
Liguei no restaurante do hotel e pedi um café com tudo que tinha direito.

Dez minutos depois a campainha tocou e era ela, simplesmente linda com um vestido vermelho e meio florido e chinelo no pé, sorrindo de lado, parecendo envergonhada.
– Oi! – riu quando eu estiquei minha mão para ela,
– Oi ! – Puxei-a de leve e lhe dei um beijo na bochecha, vendo ela rolar os olhos por eu chamá-la pelo seu apelido – Como está sua amiga? – Fechei a porta e a guiei para um dos sofás.
– Agora tá melhor, mas a noite não foi uma das melhores – Ela fez uma careta e eu só imaginei a noite horrível que elas devem ter passado, quando ia perguntar sobre o café, bateram à porta para entregá-lo.

Estávamos concentrados no nosso café, que estava delicioso, as vezes me olhava e sorria mas logo desviava o olhar, como se quisesse me dizer algo mas estivesse com medo, ou vergonha.
– Que foi ?! Você tá me olhando de um jeito estranho.
– Eu não deveria mas eu quero saber mesmo assim, por que tudo isso?! – Ela apontou a nossa volta, a mesa a nossa frente, nós dois.
– Porque eu acho que vale a pena, mesmo que você não queira nada comigo agora, todo esse esforço vale a pena.
– Hmmm.... Você sabe que não mudou nada, né?! – Ela se aproximou, me olhando nos olhos, bem de perto.
– Sei, sei também que um dia vai mudar – Pisquei para ela vendo-a corar de leve, e desviar o olhar do meu novamente. Tentei esconder meu sorriso mas não consegui.
– Seu show é hoje a noite né?! – mudou de assunto, enquanto mordiscava um pedaço de bolo e voltava a me olhar.
– É, hoje a gente vai encerrar o festival de uma rádio, vocês vão?
– Não! Precisamos chegar até as nove da noite em Campinas – se aproximou novamente e sussurrou, como se fosse um segredo – Minha mãe já acha que eu vou me mudar pra Sorocaba.
– Ah que pena, mas você sabe que se quiser ficar, eu dou um jeito, certo?! – Encarei e ela apenas assentiu, sorrindo de lado, sem dar uma resposta a minha proposta.
– O dia hoje tá tão bonito, dá até dó de ficar no hotel! – olhou para a janela atrás de mim, e apontou para o céu que estava muito azul, o dia ensolarado.
– A gente não precisa ficar no hotel!
– Ah tá, vamos pra onde Senhor Luan Santana?! – Ela riu e cruzou os braços me encarando, esperando minha resposta, sabia que ela só me chamou assim porque era isso que me impedia de sair normalmente na rua, as pessoas me reconheceriam com facilidade.
– Sei lá, a gente podia ir pra algum parque, algum lugar tranquilo.
– Acho melhor não, imagina se te reconhecem, a confusão que não ia dar – arregalou os olhos e balançou a cabeça negando – Vou ficar por aqui mesmo, daqui a pouco a Clara vai achar que eu abandonei ela também.
– Que exagero ! – Ri de leve e fez uma careta revirando os olhos – Vamos pra piscina então!
– Aqui? No hotel? – Ela me olhou mais espantada ainda, como se eu tivesse chamado ela pra andar sobre cacos de vidro, como se fosse o maior absurdo do mundo.
– Que foi? O que tem o hotel criatura?! – Cruzei os braços esperando as desculpas que ela inventaria, e já balançava a cabeça negando minha oferta.
– Todo mundo sabe que você tá aqui, todo mundo vai querer ir pra piscina também, você consegue ver a bagunça que seria? Se a gente conseguisse chegar a piscina já seria um milagre!!! – enumerava nos dedos cada razão pela qual ela achava que estava certa, e eu não consegui me conter e quando ela parou de falar deixei escapar uma risada alta.
– Você ri porque pra você é super normal, eu não tô preparada pra ter cada mergulho registrado por uma câmera, nem nadar eu sei direito, caramba! Imagina o tamanho do mico! – terminou rindo nervosa e eu levantei, indo até ela do outro lado da mesa, a pegando de surpresa com um beijo estalado na bochecha.
– Você é tão exagerada garota que chega a ser irresistível, agora vem! – Puxei para levantar da cadeira e ela me olhava sem entender absolutamente nada.
– A gente vai fazer assim, eu vou me trocar rapidão e dar um telefonema, depois vamos passar no seu quarto, você se troca e eu vou te provar como a gente pode curtir uma piscina sem ninguém por perto, sem sair do hotel! Fechado?! – Estava segurando as mãos dela e me olhava surpresa, beijei sua bochecha e fui até minha mala, que estava no outro cômodo do quarto e me troquei, peguei tudo que precisaria e liguei para a recepção do hotel.
Quando voltei para a “sala” onde estava me esperando, ela estava na sacada olhando o pessoal que estava lá embaixo.
– Vamos?! – Peguei em seu ombro tentando não assustá-la mas mesmo assim, deu um pulinho assustada e começou a rir.
– Não parece uma boa ideia – Ela fez uma careta e por impulso peguei em sua mão, a puxando para dentro do quarto.
– Sem amarelar zinha! – Seu olhar desconfiado veio diretamente na minha direção e ela parou de me acompanhar até a porta do quarto.
– Sem apelidos, pra você eu ainda sou ! – Ela colocou as mãos na cintura e eu tentei me manter sério mas era difícil, agora que eu sabia que era só uma implicância boba, que ela só queria desviar o foco da conversa.
– Você só quer me enrolar, vamos logo! – A encarei e apenas balançou a cabeça, tentando escapar, peguei sua mão e a puxei comigo para fora do quarto, sentindo ela sorrir e me seguir até o elevador.

Quando chegamos em seu andar, fomos direto para seu quarto, ela entrou por alguns instantes e logo em seguida veio para o corredor onde eu a esperava.
– Minha amiga tá no quarto e não acho uma boa ideia você entrar lá agora – disse baixo e apressada – Acho que você vai ter que me esperar aqui mesmo, pode ser?
– Pode, mas não demore, se aparecer alguém ferrou tudo! – Encarei ela que apenas assentiu entrando rapidamente no quarto.
No meio tempo em que se trocava, Well chegou para nos acompanhar e ajudar no meu plano de ter, pelo menos, uma manhã tranquila acompanhado da . Estávamos repassando nosso “plano” quando a porta do quarto abriu e toda linda com uma saída de praia rendada surgiu, me deixando sem fala e com dificuldades pra me concentrar no resto da conversa. Podia sentir o Well tentando não rir ao meu lado mas eu nem ligava mais.
– Hmm…. Podemos ir?! – Ela riu e eu engoli em seco, precisava me comportar antes que ela desistisse.
– Bora, nós vamos pegar outro elevador e fazer um caminho diferente até a piscina, o.k.?! – Well já seguia a nossa frente, enquanto ouvia minhas instruções com atenção. Aquele elevador era um pouco menor que o outro e dava acesso mais fácil a piscina menor, na qual o hotel já havia me disponibilizado e hoje eu realmente a usaria, era em uma parte mais restrita, que até mesmo os hóspedes não poderiam chegar e mesmo se chegassem, Well estaria ali para nos ajudar com qualquer imprevisto.
Assim que chegamos olhou ao nosso redor desconfiada, depois me cutucou de leve no braço.
– Cadê todo mundo? O que você fez Luan?
– Conversei com o pessoal da recepção e por enquanto essa piscina aqui é só nossa! – Pisquei para que me olhava boquiaberta, enquanto deixava sua bolsa na espreguiçadeira.
Observei prender o cabelo e tirar sua saída de praia, revelando seu biquíni verde-escuro, me fazendo engolir em seco enquanto ela ajeitava a parte de cima despreocupadamente, pegou seu protetor solar da bolsa e começou a passá-lo em seus braços e pernas.
me olhou de lado enquanto eu tirava minha camiseta e ficava só de calção, parei em sua frente e estiquei a mão para ela.
– Posso te ajudar? – me olhou desconfiada enquanto eu tentava dar o meu sorriso mais verdadeiro – Como você vai passar nas suas costas?! – Perguntei cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha, apontou o dedo pra mim, chegando mais perto, tentando parecer ameaçadora.
– Só vou fazer isso porque realmente não tenho opção! – Sua voz quase séria, seus olhos semicerrados tentando me intimidar – Nas costas e só, te jogo na água e te afogo ali mesmo, não tem nem testemunha, entendido?! – me entregou o protetor solar enquanto eu tentava me manter sério, vê-la toda bravinha desse jeito era quase um costume, que eu adorava.
Fiquei atrás dela e pude perceber respirando fundo antes que eu pudesse tocá-la, sem nem perceber repeti seu gesto, era mais do que nós tivemos, e nós simplesmente nos dávamos conta disso ali e agora. Peguei o produto e comecei a espalhar pelas costas dela, sua pele macia me deixava com vontade de tocá-la mais e mais, desci minhas mãos de seus ombros para o meio das costas e sua cintura. Sem nem perceber minhas mãos foram parar na barriga dela, e eu já a trazia para mais perto, praticamente colocando nossos corpos.

Minhas mãos passeavam com suavidade por sua barriga e cintura, encostei minha cabeça no ombro de tentando resistir a vontade louca que eu estava de ficar com ela, senti deixar um suspiro escapar e quando eu já não aguentava mais, subi minhas mãos pelos seus braços pronto para virá-la de frente para mim, pronto pra acabar com aquela tortura, se afastou.
– Não, a gente não pode…. – Ela respirou fundo antes de olhar para mim novamente, eu sabia que ela queria tanto quanto eu, por mais que tentasse negar ou fingir que não, eu já a conhecia o suficiente pra saber que aquele arrepio ali não era de frio, que ela fugia do meu olhar porque sabia que aquilo significava alguma coisa. Antes que eu enlouquecesse ali tentando entender, pulei na piscina e só ouvi o grito irritado de .
– LUAN! – Olhei pra ela que estava furiosa por causa da água que espirrou da piscina e não pude deixar de rir enquanto ela me encarava.
Nadar sem pensar em nada, deixar o estresse das viagens pra trás, ou até mesmo querendo me enlouquecer aos poucos, depois de algumas braçadas, depois de relaxar, esvaziar completamente minha mente decidi que aquela piscina estava muito grande só pra mim. Joguei água em que estava de olhos fechados deitada na espreguiçadeira, tentando pegar sol, assim que sentiu a água ela me olhou brava.
– Eu te chamei pra curtir a piscina, não pra ficar aí deitada – fez uma careta, e começou a chacoalhar a cabeça, negando minha oferta, saí da piscina ensopado e ela me olhou surpresa entendendo em segundos qual era a minha real intenção.
– Ah não, nem vem – Ela tentou escapar mas eu fui mais rápido e a peguei no colo – Luan, me coloca no chão – começou a rir e a se debater enquanto eu a carregava direto pra piscina, ri junto com ela antes de pular na piscina.
voltou a superfície tossindo devido as risadas, soltou o cabelo e começou a nadar de uma borda a outra, a acompanhei por pouco tempo, quando parei em frente a ela, que estava apoiada em uma das bordas da piscina, se assustou e por instinto apoiou suas mãos no meu peito. Nós estávamos muito perto um do outro, eu podia sentir a respiração dela batendo levemente no meu rosto, como na noite anterior, antes de sua amiga nos atrapalhar, coloquei minhas mãos na cintura dela, sentindo os olhos dela cravados em mim, como se pudessem me ler de todas as maneiras possíveis, assim como eu podia ler e entender .
Quando ela sentiu minha aproximação, ela chamou meu nome baixinho, eu só queria que ela parasse de tentar resistir a uma coisa que nós dois queríamos.
– Me dê uma boa razão pra gente não ficar juntos ! – Encostei de leve minha testa na dela, e fechei meus olhos, tentando com todas as forças entender o que a impedia de ao menos tentar.
– Você jamais entenderia – disse baixo, quase inaudível e virou o rosto para o outro lado,
– Tenta ué, tem alguém te esperando, é isso?! – Ela ficou em silêncio, ergui seu queixo com a mão e busquei seu olhar, eu precisava e principalmente eu queria entender, ela só tinha que confiar em mim.
– Eu preciso que você fale comigo , por favor! – Quando chamei seu nome, ela me olhou surpresa e eu sorri para ela, subi uma das minhas mãos que ainda estavam em sua cintura e senti se arrepiar com meu toque, quando eu a trouxe para mais perto, nos seus olhos eu via que era só fazer a coisa certa, sorri de leve chegando mais perto, vendo fechar os olhos e finalmente se entregar.
Podia ter sido rápido, podia ter sido com toda urgência que nós estávamos sentindo mas foi uma entrega tão intensa que meus dedos se emaranham nos cabelos de , aprofundando cada vez mais o beijo enquanto eu sentia as mãos dela me acariciando e arranhando minha nuca, me provocando, me deixando totalmente louco por ela e pelo seu beijo, eu não queria parar, eu só queria tê-la para mim, mais e mais. sorriu em meio ao beijo e começou a me afastar devagar, balançando a cabeça de leve, suas mãos apoiadas em meus ombros.
– Eu já não sei nem o que dizer – disse baixo, parecendo envergonhada, tentando esconder seu rosto em meu peito.
– Só não fugir mais de mim, que tá tudo certo – Puxei seu rosto para me olhar e fez uma careta divertida pra mim.
– Por hoje, só por hoje vou te dar uma trégua – Ela deu uma piscadinha pra mim, se divertindo com a minha cara. Não pude resistir e comecei a fazer cócegas nela, sentindo ela se debater em meus braços enquanto gargalhava, eu nunca tinha a ouvido rir daquele jeito, sua risada era divertida e tão gostosa de ouvir.
– Meu Deus, eu vou morrer desse jeito – me empurrou e conseguiu escapar, nadando para longe de mim com um sorriso sapeca no rosto, que considerei como um convite para que eu fosse até lá, um convite que eu não recusaria nem sob tortura.
Não sei por quanto tempo nós ficamos na piscina, entre beijos roubados e muitas brincadeiras, “fugiu” de mim para ficar tomando sol e descansar.
Sentei ao lado dela e só para provocar, deixei alguns pingos de água respigarem nela e me olhou séria, virando o rosto para o outro lado, tentando se esconder.
– Para de ser chato criatura! – riu e ficou sentada a minha frente, com os olhos semicerrados por causa do sol – A gente já está há muito tempo aqui, não acha? – Ela apontou para a piscina e eu dei de ombros.
– É bom pra relaxar, sem pressa – Pisquei pra ela que apenas revirou os olhos teatralmente para mim, fingindo impaciência.
– Minha amiga, aquela de ontem, acha que sonhou com você! – gargalhou jogando a cabeça pra trás – Ela disse que parecia muito real, mas que não queria que fosse, porque no caso ela estaria bêbada perto de você, ela vai ficar arrasada quando souber a verdade – escondeu o sorriso e tentou ficar séria, nos entreolhamos e foi inevitável, nós dois rimos mais ainda.
– Não fala nada, deixa assim, não vamos piorar as coisas pra ela – Me aproximei sentando na mesma cadeira que ela.
– Mas que seria divertido ver a cara da Clara seria, mas não vou falar nada por enquanto – piscou de leve e eu a olhei mais de perto, com seu rosto quase colado ao meu.
– Vamos voltar pra piscina?! Lá está bem melhor que aqui – Passei meus braços ao seu redor e balançou a cabeça negando meu convite.
– Aqui está melhor! – Ela sussurrou me provocando, roçando seus lábios nos meus, sorrindo logo em seguida.
Acabei com o espaço que nos separava, e colei nossas bocas mais uma vez, sentindo rir em meio ao beijo quando eu a trouxe para mais perto e nós quase caímos da espreguiçadeira, mas nada que nos fizesse parar. estava abraçada a mim, com o cabelo todo molhado e tentava deixar o meu todo bagunçado como eu tinha deixado o dela.
– Idiota! – Ela tentou se afastar mas eu a prendi em meus braços, e começou a rir.
– Vamos pra água agora – Disse perto do seu ouvido e ouvi reclamar e começar a se agitar, ela conseguiu fugir começando a correr em volta da piscina, até que eu consegui nos derrubar mais uma vez na piscina, tentava se vingar me empurrando pra baixo mas como eu era mais forte conseguia inverter os papéis e várias vezes consegui erguê-la e jogá-la de volta na água, ouvindo apenas os gritinhos dela em meio as risadas, sempre tentando ficar afastada mas quase nunca conseguindo.
– Seu idiota! – Ela estava rindo e já se preparava para nadar para a outra borda, para fugir de mim quando de repente ela olhou para a parte externa da piscina e mergulhou, chegando a minha frente em tempo recorde, começou a tossir sem parar, a olhei assustado e ela se abaixou de leve, como se estivesse se escondendo de alguma coisa e eu não estava entendendo nada.
– O que foi ? – Tentei olhar para trás de mim mas ela puxou meu rosto para frente com rapidez, me deixando mais confuso do que já estava.
– Tem umas pessoas ali, acho que elas estão reconhecendo seu segurança – disse baixo e eu percebi ela me usando como escudo, se escondendo atrás de mim, sabia que se eu olhasse para trás agora as pessoas teriam certeza de que era eu, e não sei o que aconteceria.
– Calma, vamos ver o que a gente pode fazer – Ela me olhou atentamente e apenas acenou com a cabeça, concordando – Elas não conseguem ver a gente aqui com clareza, então você sai ali do ladinho, por onde nós entramos, enquanto eu atendo eles na outra entrada, pode ser?! – Ela parecia aliviada e sorriu concordando com meu plano.
Mal conhecia mas sabia que ela não ia se sentir confortável saindo dali junto comigo agora, nós saímos juntos da piscina, esperei pegar suas coisas e com um olhar nós nos combinamos silenciosamente, eu saí da parte fechada da piscina por uma porta e ela pela outra. Conversei com as fãs que estavam ali, tirei algumas fotos e logo depois me despedi delas.

Não esperava encontrar com no meio do caminho para o meu quarto, na realidade não esperava que essa manhã fosse tão boa quanto foi de fato, poder ficar com a na piscina, poder me aproximar mais, foi importante e mesmo parecendo bobagem eu não queria que acabasse, queria ficar naquela piscina o dia todo, fazer deste dia um dia mais longo, não deixá-la escapar tão fácil assim mas logo depois de tomar banho, resolvi ligar pra ela:
– Oi , tudo bem?
– Oi, tudo sim, acho que ninguém me viu – A última parte ela disse em um sussurro, seguido de uma risadinha.
– Vamos almoçar?! Eu já tô morrendo de fome – Já era quase uma hora da tarde e não custava nada tentar.
– Não vai dar, na realidade assim que eu cheguei a Clara estava me esperando pra gente sair almoçar
– Fazer o que né – Ouvi dar uma risadinha do outro lado da linha e resolvi fazer o pedido que eu realmente queria, sabe-se lá quando eu a veria de novo – Posso te pedir uma coisa?!
– Ai, ai, tô até com medo de dizer sim – Foi a minha vez de rir e antes que ela me fizesse perder a concentração, voltei a chamar sua atenção.
– Não queria sair pro show sem me despedir de você, então meu pedido é pra gente tentar se ver, nem que seja por 10 minutos, o que você acha?
demorou um pouquinho pra voltar a linha, falando um pouco mais baixo.
– Vou tentar fugir da minha amiga mais tarde, não prometo nada! – Eu podia sentir o sorriso em sua fala, mas era o que eu queria, queria que ela ao menos tentasse.
– Então até mais tarde! – Ouvi ela rindo mais forte, nos despedimos rápido e desligou.

O princípio da tarde foi tranquilo, resolvi alguns assuntos do escritório por telefone mesmo, almocei e por mais idiota que isso parecesse não conseguia parar de prestar atenção no relógio, no tempo que não passava de jeito nenhum. Quando deu 17:00 horas, liguei na recepção e com jeitinho consegui descobrir que já estava de volta no hotel. Eu só precisava dar um jeito dela sair daquele bendito quarto.
Liguei no quarto dela, torcendo com todas as forças que ela atendesse o telefone:
– Alô? – A Clara, amiga dela, atendeu com uma voz nada amigável.
– A Srta. está hospedada nesse quarto? - Disfarcei a minha voz o máximo que pude e torci pra que ela passasse o telefone logo para , tudo era só uma desculpa pra falar com ela.
– Tá sim, mas ela está ocupada agora. Posso ajudar?
– Chegou uma encomenda para ela, e eu preciso da autorização dela para deixar subir – Inventei uma desculpa esfarrapada tentando parecer o mais convincente possível.
– Sério?! Manda subir ué, ela tá dizendo que tá autorizado – Não estava acreditando que meu plano estava indo por água abaixo daquele jeito.
– Mas eu preciso…. – Nem terminei de falar e ouvi a garota do outro lado do telefone bufar impaciente, e uma gargalhada alta ao fundo, com toda certeza era .
– Vou passar pra ela, coisa chata viu! – A amiga da parecia ter se irritado de verdade e só sabia rir, cada vez mais alto, mais perto do telefone.
– Alô, é a falando! – Estava aliviado por finalmente conseguir falar com ela.
– Até que enfim! – Senti parar de rir de repente – Fingi que tá falando com a recepção, o.k.?!
– Ah sim, entendi….
– Sobe aqui , ou você prefere que eu vá até aí? – Ela riu de leve e demorou um pouco até responder.
– Pode deixar que eu vou buscar, obrigada pelo aviso – Comecei a rir no telefone pelo tom de voz dela, que tentava se manter séria mantendo o disfarce.
– Tô te esperando então!

Depois de uns vinte minutos, ouvi algumas batidinhas na minha porta e sabia que era ela.
– Eu não sei nem o que eu tô fazendo aqui, a Clara acha que deve ter um carro de presente me esperando na recepção – com as mãos na cintura, começou a tagarelar sobre as desculpas esfarrapadas que teve de inventar mas eu estava focado em como ela estava simplesmente linda, calça jeans, bota, e blusa básica cinza, ela aparentava já estar pronta para sair mas eu só queria que ela ficasse. Puxei-a pela mão e sem conseguir me conter, eu a beijei, com vontade, como se fosse a última coisa que fizesse, eu a trouxe para dentro do quarto, chutei a porta e a encostei na parede, colando seu corpo ao meu, sentindo se agarrar a mim em resposta, sentindo suas mãos na minha nuca, bagunçando meu cabelo, ela era irresistível e minhas mãos foram parar na barra da blusa dela, e como se despertasse para a realidade, ela parou tudo.
– Acho que.... – Antes que ela decidisse terminar o que nem começou direito, deixei minha testa colada a sua, peguei em suas mãos com firmeza, deixando sua respiração tão desregulada quanto a minha batendo em meu rosto, a calma voltou e ela não foi embora. Depois de um tempinho, roubei um selinho dela e a puxei para um dos sofás.

– O que é isso? – perguntou apontando para a tela do notebook que estava aberto na mesinha de centro.
– São fotos de uns shows de um tempinho atrás, estava dando uma olhada – Dei de ombros e me olhou de lado, sorrindo levemente.
– Posso ver?! – Ela sorriu mais ainda, com os olhos quase brilhando, igual ao gatinho do Shrek e eu apenas dei de ombros, vendo ela se sentar no tapete, pegando o notebook e repassando foto por foto.
Me sentei ao seu lado e enquanto ria de algumas fotos, elogiava outras, seu perfume se fazia mais forte, estar ali bem ao seu lado era bom demais, cheguei perto de seu pescoço e senti se arrepiar quando eu a beijei ali. Ela riu e me empurrou de leve, me olhando mais séria.
– Sai daqui, coisa chata! – foi rápida e conseguiu ficar sentada de frente para mim, dificultando o acesso até ela e seu pescoço.
– Espertinha! – Tentei chegar mais perto e ela colocou a mão no meu peito, piscando para mim e sorrindo logo em seguida.
– Sabe do que eu lembrei, enquanto estava no elevador, vindo pra cá?! – perguntou com um tom curioso na voz, apenas neguei com a cabeça.
– Que eu quase desisti de vir tomar café com você, hoje de manhã – Olhei surpreso para ela, e não consegui resistir, a curiosidade era maior do que eu.
– O que te fez mudar de ideia? – Foi inevitável e senti que estava sorrindo esperando a resposta dela.
– Definitivamente, foi o pão de queijo, não tinha como recusar – Ela piscou para mim, me provocando, enquanto eu a olhava quase indignado, vendo ela tirar uma com a minha cara. Minhas mãos foram parar na cintura dela, minha intenção era fazer cócegas mas antes mesmo de eu começar já se agitava e com os olhos cravados em mim, ela segurou meus braços, já rindo por antecipação, ela chacoalhava a cabeça com força.
– Sem cócegas! – Ela disse bem baixo, ainda me segurando, muito mais perto do que antes. E eu já nem queria mais fazer cócegas nela, eu só queria chegar mais perto, também parecia ter se tocado da nossa proximidade e desviou seu olhar do meu, ela soltou meu braço e eu peguei em suas mãos, chamando sua atenção, deixando nossos olhares se encontrarem mais uma vez, eu sabia o que tinha de fazer.
A puxei levemente pela mão e a beijei, diferente de todos os outros, era como se nós dois quiséssemos guardar aquele beijo, tão simples, tão calmo, ninguém poderia dizer como seria dali pra frente mas mesmo que não desse em nada, eu já sabia que tinha valido a pena.
Estávamos tão entregues ao momento que quando o celular da tocou, nós nos assustamos.
– É a ! – Ela ia levantar para atender e eu acenei que não. Afinal, podia ser divertido, era sempre divertida ao telefone.
– Coloca no viva voz – Pedi sorrindo e me olhou desconfiada.
– Se ela começar a falar muita besteira, eu tiro! – Ela apontou o dedo pra mim e eu apenas concordei, vendo atender a ligação no modo viva voz.

– Oi !
– Oi Desnaturada! Tô pensando em já ir pra sua casa, assim me poupa o trabalho de posar no seu portão te esperando chegar.
– Meio folgada né – riu e fingiu estar ofendida do outro lado da linha – Mas pode ir pra minha casa, chegou lá por uma nove da noite.
– Pensei até que vocês fossem ficar pro show, aliás, falou com o Luan hoje? – perguntou totalmente empolgada no telefone.
– Falei pouco, e nada de show, tô terminando de ajeitar tudo, tô indo pra casa! – foi direta em suas respostas, sem olhar para mim.
– Que pena, até te perdoaria por chegar mais tarde se você fosse no show…. – nem deixou ela terminar de falar e já encerrou o assunto.
– Nem vem !
– Ah , eu sei que você odeia quando eu digo isso, mas daria certo amiga! Eu sinto que sim!
Olhei para e dessa vez seu olhar se encontrou com o meu, e eu tentei ver se ela também acreditava naquilo, que nós talvez daríamos certo.
– E posso saber porque você acha isso?! – ainda olhava para mim quando fez a pergunta a , aquele olhar estava cheio de perguntas também, cheio de dúvidas.
– Ai amiga, ele te olha de um jeito diferente, pra mim parece que vocês combinam mais do que você combinava com aquele traste, rola uma química – não parava de falar e tentava desviar o olhar, escapar, se ela perguntou para é porque queria a opinião da amiga, saber o que ela realmente achava – Eu queria TANTO que você desse uma chance pro Luan! Ele pode ser melhor do que você pensa….
pegou o celular, tirou do viva voz e se despediu dizendo que ligaria mais tarde.

se levantou rapidamente do chão, como se aquele telefonema tivesse mexido com ela, e agora só quisesse fugir, ela ficou totalmente na defensiva de novo.
– Eu vou indo, até logo e esquece essa ligação! – Ela mal me olhava no rosto, todo seu corpo inquieto, eu não conseguia compreender o que aconteceu ali.
– Por quê?! – Levantei também e tentei pegar em sua mão mas se esquivou – O que foi ? O que aconteceu?!
– Nada, só esqueça as besteiras da !
– Mas ....
– Tchau Luan, bom show pra você – Mais rápida do que nunca, ela veio e me deu um beijo na bochecha e se afastou rapidamente.
Quando saiu pela porta como um foguete, eu fiquei sem entender nada, sem nem me despedir direito, corri até a porta mas já era tarde demais, o elevador já tinha passado por ali e levado para o seu andar.
Mesmo sem ser o final que eu esperava para aquele dia, não podia reclamar, finalmente me deixou chegar mais perto, me deixou espiar por cima daquela muralha na qual ela se escondia, e confesso que a curiosidade e vontade de conhecer mais, eram muito maiores agora, ela ainda era uma caixinha cheia de segredos e surpresas, mas que eu não tinha a menor intenção de deixar de lado. Eu queria mais, muito mais.

Capítulo 5



Nas duas últimas semanas, minha vida era empacotar coisas, encaixotar meus livros e me livrar das roupas que já não me serviam mais. Finalmente eu iria pra São Paulo, finalmente começaria a viver o meu sonho, mesmo extremamente feliz em poder ir, uma grande parte do meu coração estava despedaçado por deixar em Campinas, minha irmãzinha do coração era meu porto seguro e também a pessoa mais louca e insistente que eu conhecia mas sei que sentiria sua falta, provavelmente todos os dias.

– Eu não me conformo, como que você deixa uma ligação MINHA atrapalhar vocês? Era só não atender! Eu ia entender, eu até apoiaria!
Desde que cheguei de Sorocaba esse é o único assunto de , eu já tinha desistido de pedir pra ela esquecer e apenas ignorava quando ela começava a falar sozinha sobre uma coisa que não era para acontecer, definitivamente.
– É sério, você tem que ligar pra ele, vocês têm que dar um jeito de se encontrar, isso não pode ficar assim! – estava sentada no chão do meu quarto, me ajudando a separar alguns livros, me ajudando a decidir os últimos detalhes antes da minha viagem.
– De novo isso , não vou ligar pro Luan, não vou mais falar dele. Esse assunto não existe mais, o.k.?! – Peguei as mãos dela e fiz com que seu olhar se fixasse ao meu e disse palavra por palavra com toda calma do mundo, esperando que desta vez ela entendesse.
, isso tá errado.... – ainda insistia com toda força e eu apenas rolava os olhos – Ele te ligou? Algum sinal de vida?
– Não e é muito melhor assim! – Menti, Luan havia me ligado algumas vezes depois do dia do hotel mas eu decidi não atender nenhuma vez, era perigoso demais deixar aquilo ir adiante então apenas esperei, e ele parou.
Levantei do chão e fui até a minha caixinha que ficava na cabeceira da cama – Podemos parar de falar de Luan Santana, por favor? – Voltei a me sentar na frente de que concordou a contragosto e ficou em silêncio.
– Como amanhã é meu último dia aqui, e eu fiquei com medo de esquecer, quero te dar isso pra que você sempre tenha algo relacionado a nossa irmandade juntinho de você! – me olhava curiosa enquanto eu abria a caixinha, peguei as duas pulseiras de prata que eu havia mandado fazer, de um lado tinham dois pingentes, de um livro e outro de um vestido, e no outro extremo da pulseira dois corações entrelaçados.
– Que linda ! – Entreguei uma para e a outra ficou comigo – Adorei! De verdade! – Olhei para e vi que seus olhos já estavam marejados – Não acredito que eu vou ter que ficar sem você aqui.
– Eu também não sei o que vou fazer lá em São Paulo sem minha maluquinha favorita! – Sequei meus olhos antes que começasse a chorar antes da hora – O vestido é pela sua paixão por roupas, o livro é por mim e pelo amor por todas as histórias, e os corações somos nós duas, nossa união!
– Ai Meu Deus! Não acredito que estou vendo sendo fofa, é uma pegadinha? Cadê o Faustão?! Onde estão as câmeras, produção?! – Mesmo fazendo palhaçada, eu vi enxugando o canto dos olhos enquanto eu me aproximava para abraçá-la o mais apertado que podia, tentei ao máximo segurar a emoção mas só de ver chorando eu já queria chorar junto.
– Você é tão chata, mas eu te amo! – Ela riu do que eu disse e saiu do abraço.
– Ainda vou receber sua ligação dizendo “, vem ser chata aqui comigo, tô com saudade” – começou a me imitar e não deu para segurar a gargalhada, ela adorava me irritar com aquela voz chata e anasalada que ela dizia ser como a minha.
– Desisto de você! – Tentei empurrá-la para longe mas foi mais rápida e começou a me atacar com a almofada que estava ao seu lado, e meu quarto virou nosso campo de guerra, nós só paramos porque caímos em cima das caixas e já estávamos cansadas de tanto rir e correr.

só foi embora quando já era quase meia-noite, e foi uma das nossas noites mais divertidas, minha família e ela me paparicaram durante todo o jantar, e eu guardei cada segundo no coração. No dia seguinte acordei com meu nariz coçando, como se tivesse um bicho andando nele, abri os olhos assustada e dei de cara com meu irmão, Rodrigo, gargalhando com uma pena na mão.
– Acorda dorminhoca! Sua amiga já ligou e disse que é pra você se arrumar pra alguma coisa – Olhei para ele e pela roupa sabia que estava indo para o hospital, para mais um dia de residência.
– Hmm…. – Sentei na cama e Rod cruzou os braços me olhando – Você volta que horas?! – Tentei me orientar e prestar atenção na resposta dele.
– Acho que umas oito da noite, mas amanhã bem cedo vou te levar pra São Paulo, não se preocupe, vou te perturbar por todo o caminho!
– Queria que você ficasse com a gente, pelo menos hoje Rod!
Ele fez uma careta e se sentou na minha cama, para que eu pudesse olhar nos seus olhos.
– Eu também queria mas não posso faltar de jeito nenhum, e já troquei com o meu colega para ter o dia de amanhã livre, então já sabe né, se eu vacilar meu chefe me mata!
– O papai é seu chefe!
– Piorou! Aí sim, ele me esgana e nem pega mal pra ele! Amanhã vai ser ótimo, prometo! – Rod beijou minha testa e levantou, não sem antes puxar meu edredom e me deixar toda arrepiada por causa da mudança brusca da temperatura – Agora vamos levantar, é seu último dia aqui e tem que aproveitar bastante essa calmaria – Rodrigo ironizou dando um bocejo antes de sair do quarto.
Ele adorava essa vida, estava no primeiro ano de residência e passava quase o dia todo no hospital, mesmo com nosso pai lá, a todo momento querendo se intrometer, nada disso o abalava, sempre com a Isabela, sua namorada, Rodrigo era sempre o mais tranquilo daquela casa e um dos meus melhores amigos.
– Me liga qualquer coisa! Até mais tarde pestinha!
Olhei meu celular, já eram dez da manhã e já tinha deixado algumas mensagens do tipo: “Se arrume”, “Hoje você é nossa ”, “Passo aí as 10:30” e várias outras instruções.


Nunca tinha visto um cardápio tão recheado pra uma de nossas reuniões mas segundo , eu passaria o dia todo com ela e a gente ia comer tudo ao longo do dia. Estava ajudando ela na cozinha a terminar um molho para a lasanha quando ela riu de leve olhando par o celular.
– O Matheus está vindo, conseguiu escapar do trabalho da faculdade – piscou para mim e riu um pouco mais.
– Sabe quem tá faltando? – Olhei para ela pelo canto dos olhos e só por aquele sorrisinho que ela tentava esconder eu já sabia sobre quem ela estava falando.
– Ninguém ! Sua mãe, talvez, mas só ela mesmo – gargalhou enquanto ia para o outro lado da cozinha fingir que não estava fazendo nada demais.
– Mas fala sério, não foi ruim né?! Você gostou de ter ficado com o Luan, não gostou? – Parei de mexer meu molho e respirei fundo, sabia que ela não ia parar até que eu admitisse, talvez ela nunca superasse o Luan na nossa vida.
– Até que foi legal, se é isso que você quer ouvir mas já passou! Satisfeita! – Me virei rápido pra encarar e ela olhava para o celular fazendo uma careta de desgosto e eu fiquei curiosa.
– Que foi? Por que essa cara? – Cheguei perto dela e tentou esconder o celular de mim, fui mais rápida e consegui pegar de sua mão antes que ela saísse correndo. O que poderia ter ali que eu não podia ver?!

Estava na página de um jornal online, bem ao centro havia uma foto do Luan em uma balada com uma loira, bem curvilínea, que parecia ser muito bonita, e aparentemente aproveitando muito bem a festa, e ao lado uma foto dos dois saindo da boate, um na frente do outro, entrando direto em uma van. Logo em seguida a matéria:

Novo Affair de Luan Santana: Conheça Audrey Albuquerque
Que Luan Santana está aproveitando muito bem a solteirice, todos nós sabemos, mas o que talvez as Luanetes não saibam é que possivelmente essa fase esteja perto de acabar. Apontada como novo affair do cantor, a modelo Audrey Albuquerque, carioca de 20 anos, foi flagrada acompanhando o cantor logo após curtirem a balada juntinhos. Segundo fontes próximas ao casal, essa não é a primeira vez deles juntos.
E agora, será o fim da era Luan Santana Solteirão?!


– Acabo de retirar o que eu disse, ficar com ele foi péssimo!!!
– Ah ! – pegou seu celular da minha mão e olhou meio decepcionada – Podia ser diferente contigo!
– Claro que podia, eu poderia ser a trouxa agora e simplesmente ser traída por aí! Não, obrigada, isso não é o que eu quero pra mim!
desistiu de continuar com aquilo e foi arrumar a mesa do almoço, perceber que eu tinha razão em relação ao Luan era um alívio e um pouco frustrante também, aquele ali era o tal Luan Santana, aquele que a fila anda em segundos, aquela era a realidade, o que ele sempre fez e sempre faria, e não seria justamente comigo que seria diferente.
A partir daquele segundo, enquanto eu esperava nossa comida ficar pronta, decidi que toda aquela história de Luan Santana era passado, como uma estrela cadente que passa rápido e mal se pode ver seu rastro, seria assim a passagem dele pela minha vida. Era o meu último dia em Campinas e a vida nova de não teria mais espaço para nenhum cantor sertanejo, pra nenhuma confusão ou problema relacionado a isso.

Aquele almoço estava muito engraçado, e Matheus estavam sendo as pessoas mais incríveis e divertidas, me deixando ainda mais lembranças boas para guardar da minha dupla favorita.
– Fala sério, você vai morrer de saudades de mim ! – Matheus que enchia o prato mais uma vez, me olhou todo brincalhão – Quem vai fazer as piadinhas mais geniais do mundo lá em São Paulo? Isso, você só encontra em Campinas – Matheus deu uma piscadinha e bateu no peito, todo orgulhoso.
– Matheus suas piadas são horríveis! – Disse séria e ria do lado dele, dando leve batidinhas em suas costas como consolo.
– Verdade amor! – disse beijando a bochecha dele, quase me engasguei rindo enquanto Matheus tentava ficar bravo do outro lado da mesa.
– Mas…. – Fiz questão de olhar para os dois e sorri, tentando não me emocionar demais – Eu sei que vocês farão muita falta no meu dia a dia, mesmo vocês sendo meio desajustados e querendo me enlouquecer na maioria das vezes, não quero que a gente se afaste! Prometem me ajudar com isso? Estava quase impossível segurar as lágrimas que tentavam escapar, esticou a mão e eu coloquei a minha sobre a dela, Matheus a dele no topo do nosso montinho.
– Não vamos te deixar em paz amiga! – que também já estava emocionada, sorriu para mim e deu uma piscadinha em seguida.
– Não vamos mesmo, mas qualquer coisa, se a estiver demais por aqui, eu mando entregar ela lá em São Paulo! – Matheus tentou fazer graça mas levou um belo beliscão em resposta da , acabei rindo e chorando ao mesmo, deixando algumas lágrimas escaparem e aquele aperto no peito só querendo aumentar.
– Antes que nosso almoço vire em apenas lágrimas, tenho uma surpresa pra você! – secou rapidamente os olhos enquanto Matheus que estava tentando dar uma de durão vinha até mim e tapava meus olhos, ouvi saindo da mesa e voltando poucos minutos depois.
– Tô com medo de vocês! – Disse estendendo a mão e tentando adivinhar pelo toque o que poderia ser, mas me deu um tapinha na mão, me fazendo recuar.
– Vai estragar a surpresa ! – Fiquei imóvel e curiosa esperando eles ajeitarem tudo.
– SURPRESA! – Matheus tirou as mãos dos meus olhos e eu pude ver uma torta de limão enorme, com meu nome escrito ao centro junto com um coração, os dois sabiam que aquilo pra mim era melhor que qualquer bolo de chocolate, era o meu doce favorito, com duas das minhas pessoas favoritas.
– Vocês querem mesmo me fazer chorar.... – Comecei a rir e a chorar ao mesmo tempo, nos entregou garfos e os dois sentaram um de cada lado, e nós começamos a comer juntos, enquanto lembrávamos das nossas histórias mais idiotas juntos.

A noite minha mãe me mandou uma mensagem, avisando que todos estavam me esperando em casa e eu não podia furar no meu último dia junto com eles. Levantei e já puxei Matheus junto, o abracei o mais forte que podia e senti ele retribuir da mesma maneira.
– Se cuida garoto! E sabe que eu estou contando com você para cuidar direitinho da , não sabe? – Senti meus olhos cheios de lágrimas e minha voz falhar – Vê se não me esquece!
Matheus saiu do abraço e me olhou com os olhos também marejados.
– Jamais ! Vou cuidar da e nós vamos sempre estar perto de você, pode acreditar! – Ele me deu um beijo na bochecha e mais um abraço apertado antes de se afastar e abrir espaço para que já chorava quando nós nos abraçamos.
– Ai ! Vou sentir tanto sua falta! Não deixa ninguém roubar meu lugar! – me abraçou mais forte e eu tentava não chorar horrores ali, sempre odiei chorar e aquilo ali estava sendo mais difícil do que eu imaginava.
– Você é a irmã que eu escolhi, não esqueça nunca disso! – Olhei nos olhos dela e a abracei mais uma vez, antes de engolir em seco, pegar minha bolsa e olhar para os dois ali abraçados na minha frente.
– Amo vocês! – Dei um beijo no rosto de cada um e sai dali. Sentido um aperto no peito, já sentindo saudade dos meus melhores amigos.

Meu pai arruinou completamente meu jantar de despedida, decidi então passar o resto da noite terminando de arrumar minhas coisas, assistindo qualquer coisa para me distrair para que a manhã chegasse logo, mal podia esperar para chegar a São Paulo.
Como eu imaginava meu pai não iria conosco, então assim que o alarme despertou as oito da manhã, fui até o quarto de Rodrigo e comecei a sacudi-lo como uma louca.
– Vamos meu filho, você tem uma missão hoje!
, que horas são?! Porque essa tortura? – Meu irmão parecia ainda estar dormindo e apenas se virou para o outro lado enquanto eu escancarava a cortina.
– Rodrigo ! Não me obrigue a jogar água em você! – Puxei seu braço e ele apenas bufou sentando na cama.
– Chata! Levantei!
– Lindo! Agora se arruma, em uma hora a gente vai sair!
Acordei minha mãe e me arrumei em tempo recorde, quando Rodrigo desceu as escadas, tudo já estava pronto pra nossa viagem, e nós partimos rumo a São Paulo, minha nova casa!


Não sei se porque eu queria chegar logo mas foi uma das viagens mais rápidas que nós já fizemos, chegamos na casa da minha tia antes das dez da manhã e ela riu assim que abriu a porta ainda de pijama e deu de cara com a gente.
– Mana! Que saudade! – Tia Carla abraçou minha mãe com toda força, quase as derrubando no chão devido ao impacto.
– Carla!! Quer acordar todo mundo mulher! – As duas riram e entraram de vez no apartamento, nós entramos logo em seguida.
– Oi tia! – Rodrigo que era o mais grande naquela sala, abriu os braços e praticamente escondeu minha tia no abraço de urso dele – Quanto tempo!
– Nem me fale garoto! Porque ele nunca para de crescer?! – Minha tia olhou pra minha mãe que deu de ombros, enquanto Rodrigo estufava o peito cheio de orgulho, se achando o próprio Super Homem.
– Finalmente minha companheira de casa chegou! Você vai adorar São Paulo, ! – Carla, pegou em minhas mãos e chacoalhou de leve, me abraçando logo em seguida, super empolgada.
Minha tia era apenas três anos mais nova que minha mãe, elas sempre foram totalmente diferentes, enquanto minha mãe adorava a vida mais tranquila no interior do estado, criando os filhos e cuidando da família toda praticamente, tia Carla era uma pessoa totalmente urbana, São Paulo era uma das cidades favoritas dela, mas ela conhecia e vivia viajando para Nova York, Londres, Itália, depois de ter feito uma breve carreira como modelo, ela estudou moda e criou a própria linha de roupas, seu ateliê era sempre muito movimentado. Ela não parava quase nunca.

Nós apenas deixamos minhas malas no meu novo quarto e ficamos o resto do dia entre a sala e cozinha, colocando a conversa em dia, deixando minha tia por dentro de tudo que rolou na família e eu fiquei curtindo a companhia da minha mãe e do Rodrigo por mais algumas horinhas. Lá pelas seis da tarde, eles resolveram ir embora e foi definitivamente a parte mais difícil do meu dia. O abraço que dei em minha mãe durou quase cinco minutos inteiros e ela só sabia chorar. Mas antes de entrar no carro ela me disse:
– Eu sei que você vai conseguir tudo que quer, mas não esqueça que eu tô sempre aqui pra você! Te amo minha menininha!
Eu sabia, ela era a minha rocha e o meu anjinho, me guiando mesmo de longe.
Rodrigo quase me desmontou em seu abraço e tentou disfarçar o choro mas já era tarde demais, eu ri secando o olho dele e ele chorou um pouco mais.
– Se cuida sua pentelha! Vou sentir sua falta lá em casa, mas quero que fique bem aqui! Mostre pro papai que você é mais corajosa do que ele acha que sabe, você já é minha heroína só por estar nessa cidade! – Tentei não chorar mas estava quase impossível – Só para lembrar, cuidado com os marmanjos hein! – Eu ri e empurrei ele pra longe, Rodrigo gargalhou indo em direção ao carro.
– Tchau gente! Amo vocês! – Mandei beijinhos no ar enquanto eles ainda estavam por perto.
Senti minha tia me abraçando de lado, enquanto minha ficha caía lentamente.
Era real, eu estava oficialmente morando em São Paulo, tinha saído de casa e estava só no primeiro passo para realizar meus sonhos.

Quando subimos de volta ao apartamento, minha tia sorriu pra mim e disse:
– Já que agora você vai morar aqui, vamos comer pizza! Um clássico paulista – Ela piscou pra mim e foi ligar na pizzaria.
Tomei um banho rápido, quando sentei no sofá para me juntar a minha tia, a pizza chegou e estava com um cheiro ótimo, segundo tia Carla, elas eram diferentes das que a gente pede em Campinas e eu acabaria amando comer pizza sempre.
Já estava no meu segundo pedaço quando minha tia olhou para TV e sorriu, pegou o controle e aumentou consideravelmente o volume enquanto eu queria apenas desligar a TV e fingir que a luz tinha acabado, eu não queria ter que ouvir justo ele naquele momento.

– É ele, Luan Santana!!!! – Os gritos da plateia ficaram mais fortes e Luan deu um passo pra frente enquanto a música começava.
– Adoro esse menino cantando, acho tão bonitinho! – Minha tia riu me olhando, consegui forçar um sorriso enquanto Luan de olhos fechados já ia pra segunda estrofe da música:

– .... Mesmo que vocês fiquem sem se gostar Mesmo que vocês casem sem se amar E depois de seis meses Um olhe pro outro E aí, pois é
Sei lá


Tentei não deixar transparecer nada mas minha vontade era não olhar pra TV, era fingir que eu não conhecia aquela pessoa, que era só mais um programa idiota de domingo a noite. Minha tia sabia a letra inteira da música, ela comia e cantarolava do meu lado, adorando a participação do Luan no programa.
– …. Nem que seja além dessa vida Eu vou estar Te esperando

Luan de olhos fechados recebeu os aplausos da plateia que tinha adorado a apresentação, então o apresentador se aproximou rindo e disse:
– Só Luan Santana mesmo para ficar esperando alguém por 10, 20, 30 anos, porque as pessoas não esperam nem dois dias hoje dia – Luan deu uma risadinha meio sem graça enquanto o apresentador continuava
– Agora fala sério, você ficaria esperando alguém por tanto assim? É muito tempo! Tem que ter paciência – O apresentador riu meio irônico olhando pra câmera, depois olhou para Luan novamente e continuou, sem esperar resposta nenhuma – Se bem que você tá solteiro ainda? Não? Porque rolam vários boatos mas se você tá curtindo a vida, ninguém tem nada com isso, né!

Odiei perceber aquilo, mas eu estava prestando atenção demais naquela entrevista idiota, eu não deveria querer saber nada sobre ele, muito menos da vida pessoal daquele idiota mas eu me toquei que eu tinha parado de comer, e estava olhando pra cara de sem graça do Luan, tentando fugir do assunto.

– Rapaz, eu tô solteiro sim, tô tranquilo, na verdade! – Luan riu e deu uma piscadinha pra câmera, e aquilo só me deu mais vontade de jogar aquela pizza na cara dele de verdade, ridículo. As meninas da plateia gritaram mais felizes ainda e Luan já aproveitou para puxar outra música, e desta vez não teve como evitar e acabei revirando os olhos.

– Quem aí vai querer ser minha Nega de hoje?!
– Um dia a gente podia ir no show dele né, ! Nunca tinha ninguém pra ir comigo antes – Minha tia parou de cantar e me olhou, sorri pra ela e apenas confirmei com a cabeça.
– Um dia, quem sabe!

A participação dele no programa acabou, e eu esperava que na minha vida também. Se dependesse de mim, Luan Santana não voltaria tão cedo a ficar na minha frente!


Capítulo 6



Acordei atrasada para o primeiro dia de aula, quase fui atropelada por uma moto quando saí de casa, mas, ainda assim, estava rindo igual uma boba quando cheguei em frente da minha nova faculdade, aquele lugar era enorme, muito maior que meu antigo campus, com muito mais gente, muito mais gente mesmo. Entreguei o resto da papelada que estava faltando na secretária e a moça me indicou onde ficava a minha sala, e só para variar me perdi no meio daqueles corredores e não conseguia encontrar minha sala de jeito nenhum.
– Oi, você.... – Pedi para uma garota mas ela passou reto e simplesmente fingiu que nem me viu ali.
– Mas que droga – Bufei e estava decidindo para que lado ir para encontrar sozinha minha sala quando senti um leve empurrão nas costas e me virei rápido, dei de cara com uma linda negra de cabelos bem cacheados e roupas muito diferentes e estilosas. Com toda certeza, amaria todo o look dela se estivesse ali.
– Desculpa, hoje eu tô um desastre total! – Ela estava segurando alguns livros e tirando o cabelo do rosto com a outra mão, sorriu simpática pra mim.
– Sem problemas! Pode me ajudar? – Sorri pra ela também, e esperava do fundo do coração que ela soubesse onde ficava aquela bendita sala de aula.
– Nossa, você não é daqui né?! – Ela me olhou divertida e eu tentei não ficar séria, só faltava ela começar a querer tirar com a minha cara no meu primeiro dia, não ia dar muito certo – Você tem sotaque, sua boba! – Ela riu vendo a cara que eu fazia e eu relaxei um pouco.
– Qual sua sala? – Mostrei o papel pra ela que me olhou surpresa em resposta.
– Cara, é muito destino, você tá na minha sala! Prazer, meu nome é Isabella, mas pode me chamar de Bella – Ela sorriu e deu uma piscadinha.
– Sou a , mas pode me chamar de , se quiser – Sorri pra ela que pegou minha mão e começou a nos ‘arrastar’ até a sala de aula.

Por sorte, chegamos alguns segundos antes do nosso professor e não levamos bronca, o ritmo das aulas era mais acelerado mas eu sabia que seria assim então estava preparada, e mesmo demorando um pouquinho, com o tempo conseguiria acompanhar o ritmo do curso. No intervalo da aula, Bella me apresentou aos seus amigos, todos muito engraçados e divertidos me acolheram assim como ela.
– Se você precisar de ajuda, com qualquer matéria pode falar com a gente – João Pedro, que parecia ser o mais tranquilo do grupo sentou do meu lado e apontou para o meu caderno.
– Acho que vou precisar! – Ri vendo meu caderno quase vazio em comparação ao dele.
João Pedro passou todo o intervalo me mostrando vários pontos das matérias que seria bom que eu revisasse, me ajudou a ir até a biblioteca e depois nós voltamos pra sala, para encerrar meu primeiro dia com um trabalho gigante pra entregar em algumas semanas.

Quando voltei para casa estava tudo quieto e tranquilo, aproveitei o tempo para desfazer por completo as minhas malas e deixar aquele quarto um pouco mais a minha cara, distribui meus porta-retratos por ali, organizei alguns livros, e comecei a revisar as matérias. Perto da hora do jantar me ligou e me fez contar cada detalhe do meu dia, como era tudo, quem eu tinha conhecido, como se ela estivesse ali e pudesse ver cada detalhe. Minha tia me avisou que não conseguiria vir para o jantar, enquanto comia e assistia Arrow, João Pedro me mandou uma mensagem e quando me dei conta, já estava conversando com ele por quase uma hora, ele era tímido e engraçado, mas adorava séries de heróis tanto quanto eu, então nossos assuntos só aumentavam a cada minuto, quando ele me lembrou que nós deveríamos calar a boca, que amanhã não conseguiríamos prestar atenção em nada, eu tive que rir e concordar. Fui dormir feliz por saber que São Paulo era muito maior do que eu imaginava mas não era tão assustadora assim, eu poderia sim encontrar o meu lugar ali.


A semana passou voando, já era quinta-feira e eu não tinha percebido ainda, só percebi quando Bella toda sorridente sentou ao meu lado no intervalo de uma das aulas e começou a tagarelar:
, minha amiga tá de aniversário no sábado e ela vai fechar um camarote em uma boate muito incrível e eu já pedi pra ela colocar seu nome na lista! – Bella fingia que estava escrevendo quando o nosso professor de Mídia e Cultura entrou na sala.
– Hmmm.... Não sei não Bella, eu nem conheço ela – Tentei escapar e sorri amarelo para Bella.
– E o que é que tem? Você me conhece! Já é um ótimo começo e além do mais, você pode se enturmar com mais gente!
– Que tipo de música toca nesse lugar incrível? – Perguntei só para tirar uma cisma da minha cabeça e vi Bella abrir um sorriso cheio de segundas intenções antes de responder.
– Toca de tudo, mas principalmente sertanejo! Uma das melhores casas da cidade – Ela piscou para mim e a única coisa que eu queria era recusar com todas as forças aquele convite.
– Ah Bella! Acho que eu passo, não gosto muito....
– Para de ser boba ! Não precisa dançar se não quiser, o que na minha opinião é uma das melhores partes, mas, pelo menos, vai se divertir, conhecer gente nova, conhecer minha cidade! É sábado à noite e não posso te deixar trancada em casa! – Bella já estava virada totalmente para mim e sorria muito abertamente, com uma animação quase desnecessária.
– O.k.! Mas se estiver ruim, eu volto pra casa, fechado?! – Estiquei minha mão para ela, que riu apertando minha mão e dando um beijo no meu rosto ao mesmo tempo.
– Não vai se arrepender! Vai ser foda! – Ela piscou antes de se levantar e ir até o professor que a estava chamando.

Quando contei para que sairia no sábado, ela já se empolgou muito mais do que eu e fez questão de saber com que roupa eu iria, ela adorava toda essa coisa de sair pra “balada” enquanto eu poderia listar muitas razões para ficar em casa e assistir qualquer coisa na TV. Me desanimei ainda mais em saber que João Pedro não iria porque ele já tinha outro compromisso para o mesmo dia, seríamos eu, a Bella e os amigos dela, e não fazia a mínima ideia de como seria.
Sábado à tarde ela me ligou e passou as instruções de como chegar na tal balada, ela me avisou que chegaria lá por umas 22:30 e que nós podíamos nos encontrar na entrada do camarote, anotei todos os detalhes e só então comecei a pensar no que eu realmente vestiria para a ocasião.
Escolhi um vestido cinza escuro, rendado e um pouco brilhante, que vinha até um pouco acima do joelho e ficava bem colado ao corpo, mas me deixava totalmente confortável se eu quisesse dançar, para completar coloquei um blazer preto, que tinha me dado de presente e que ficava legal com aquele vestido. Minha sandália preta favorita, uma maquiagem quase básica se não fosse meu batom vinho favorito e voilá, quando Bella me ligou para visar que estava saindo, já estava pronta também.

– Que linda ! – Dei de cara com a minha tia quando estava saindo do meu quarto e sorri pra ela.
– Obrigada! – Dei uma voltinha e ela encostou no batente da porta me observando.
– Vai encontrar algum gato? É da faculdade? – Ela empolgou e começou a sorrir demais para mim que não aguentei e cai na gargalhada.
– Não! Calma tia, é minha primeira semana aqui e só tô indo no aniversário de uma amiga mesmo – Ela murchou o sorriso mas não desistiu.
– Mas logo, logo você vai ver como São Paulo tem muita gente bonita! – Carla piscou pra mim e eu apenas concordei, não querendo explicar naquele momento que eu não estava muito a fim de encontrar ninguém, nem bonito, nem feio, só focar no meu curso, na minha futura profissão.
– Leve sua chave e divirta-se! – Ela me jogou um beijinho antes de entrar em seu quarto, peguei tudo que precisaria e pedi um táxi que demorou apenas alguns minutos para chegar ao prédio.

Quando cheguei em frente a tal balada, a fila estava quilométrica e eu tinha certeza que minha cara deveria denunciar que eu não estava acostumada a ver tanta gente assim apenas para entrar na balada, liguei para Bella e ela disse que era só falar com o segurança, apresentar minha identidade e subir até o camarote para encontrar com ela.

Mesmo sem enfrentar fila demorou alguns minutos até o segurança me liberar, o lugar estava tão cheio que eu tive que me esforçar para encontrar um caminho pra chegar até Isabella, ela estava no pé de uma escada, muito linda de vestido branco cheio de paetê, maquiagem bem escura e a boca vermelha, um salto tão alto que eu sei que ia parar com a cara no chão se usasse um daqueles, me estendeu a mão e me puxou escada acima até onde seus amigos estavam.
– Você tá maravilhosa ! – Bella riu ao meu lado, assim que terminei de cumprimentar seus amigos.
– Você também está Bella! Uma super produção! – Ela sorriu mais ainda e deu uma piscadinha me puxando pra mais perto.
– Tenho planos pra hoje, se é que me entende! – Bella sorriu ainda mais desviando levemente o olhar para alguém atrás de mim, ajeitou o cabelo, o jogando para o lado e eu pisquei pra ela, entendendo completamente suas intenções, tentei espiar para ver o cara mas ela não deixou.
– Depois eu te mostro com calma, agora ele vai reparar! – Bella se enganchou em meu braço e me levou até o bar, pedimos nossas bebidas e ficamos conversando por um tempinho, alguns caras que estavam em outra rodinha, se aproximaram de nós.
– Bella! Que saudades! Você anda muito sumida! – Um cara alto, de camisa polo azul, cabelo quase milimetricamente ajeitado em um topete e sorriso aberto, chegou por trás dela que gargalhou quando reconheceu ele.
– Oi Fê! Tudo bom? – Eles se abraçaram rindo e ele olhou para mim enquanto abraçava Bella.
– Faz tempo que eu não venho aqui! Mas tô por aí, você sabe né – Bella sorriu torto para ele, que se virou para mim sorrindo abertamente e eu sorri amarelo, ouvindo Bella cumprimentar os amigos desse cara.
– Gente, essa é a – Isabella ficou ao meu lado, e apontou para cada um para me apresentar – , esses são o Felipe, o Júnior, e o Pedrinho – Cumprimentei eles com a mão, de longe, sentindo o olhar daquele tal de Felipe sobre mim.
– Vocês não dançam não? – Um deles perguntou e eu peguei minha bebida, tentando achar uma desculpa.
– Agora não, a gente acabou de chegar! – Por sorte, Bella deu a melhor das respostas e alguns deles saíram indo achar outras meninas para serem o par da vez. Felipe ficou por perto e tentava sempre se aproximar, chegar mais perto de mim enquanto Bella conversava com ele, e eu não estava gostando nada daquilo.
Consegui me esquivar e fui para o banheiro perto dali, quando voltei Bella já estava novamente com seu grupinho de amigos, e eu me juntei a eles.
– Oi espertinha! – Bella riu assim que chegou ao meu lado e dei um gole na minha cerveja – O Felipe está arrastando um bonde por você e a dona sai correndo dali! Ele é lindo, menina!
– Pode até ser bonito mas não tô a fim agora, de verdade! – Sorri para ela que deu de ombros concordando.

A música agitada, as bebidas liberadas, as risadas cada vez mais altas era assim que eu definia aquela balada, olhei para o canto e Bella estava abraçada com um cara muito bonito, ela me olhou e sorriu, com toda certeza aquele era o rapaz que ela queria desde o início da festa, um dos nossos colegas de faculdade chegou ao meu lado.
– Vamos dançar, não tem graça se você só ficar aqui ! – Ele era muito fofo, eu avisei que eu era péssima dançando mas ele quis descer pra pista de dança mesmo assim. E estava muito divertido, eu distribuindo pisões no pé dele e ele fingindo que não doía, até eu sentir uma mão em minha cintura e me virar assustada.
– Bú! – Felipe abriu seu sorriso galanteador para mim e eu sorri de leve, tentando não parecer assustada demais – Dança comigo ?!
Ele pegou em minha mão e quando eu olhei para trás, o garoto com quem antes eu dançava já estava com outro par e Felipe em minha frente com as mãos estendidas, todo sorridente.
– Só uma música! – Felipe me puxou para ele, enquanto a música mudava e eu sentia as mãos dele na minha cintura e seu rosto praticamente colado ao meu.
– Você é muito linda! – Ele me girou e eu ri sem graça – Sério, ! – Felipe virou o rosto para tentar me beijar mas eu desviei, ele beijou minha bochecha e sorriu, fingindo que nada tinha acontecido.
Olhei ao meu redor e percebi que Bella já não estava mais ali por perto, nem meu colega de classe, estava planejando dar qualquer desculpa, ou pisar fortemente no pé de Felipe pra ele desistir de mim definitivamente, mas fui pega de surpresa, ele virou meu rosto rápido e tentou me beijar a força.
– ME SOLTA! AGORA! – Gritei e me afastei dele – Você enlouqueceu?! Sai de perto de mim!
Senti algumas pessoas nos olhando e Felipe erguer as mãos como se fosse inocente e eu fosse a louca, olhei furiosa pra ele e arqueei uma sobrancelha, até que um dos amigos que estavam com ele veio e o puxou para longe.
Meu coração estava acelerado e meu sangue fervendo de raiva daquele idiota, procurei mais uma vez por Isabella e não a encontrei em lugar nenhum, ninguém mais olhava para mim e eu resolvi ir ao banheiro e tentar me acalmar. No banheiro perto do camarote onde eu estava antes a fila estava muito grande, perguntei a uma moça que trabalhava lá se existia outro e ela me apontou o outro extremo, dizendo que as pessoas não iam lá por preguiça. Quando cheguei no banheiro realmente estava praticamente vazio, entrei em uma das cabines e liguei para Isabella, mas ela não atendeu, já era eram quase duas da manhã, e como dizia Ted Mosby de How I Met Your Mother “Nada de bom acontece depois das duas da manhã”, decidi ir embora, sem me despedir de ninguém mesmo.
Me olhei no espelho e estava quase sem batom, fora o que estava borrado me deixando com uma aparência péssima. Retoquei meu batom, dei uma última ligada para Bella sem sucesso e saí do banheiro, para procurar a saída. Já estava quase perto da saída quando Felipe apareceu na minha frente, bloqueando minha passagem.
– Dá licença? – Tentei desviar mas ele não me deixava passar, olhei para ver se via qualquer pessoa “conhecida” mas não tinha ninguém.
– Tá com pressa linda? A gente ainda nem fez nada – Pela maneira como ele falava era perceptível que estava muito mais bêbado agora, e aquilo me apavorou, eu precisava sair de perto dele, o mais rápido possível.
– Nem vai fazer! Sai da frente! – Avancei e tentei empurrá-lo mas Felipe segurou meu braço com força.
– Nossa noite não pode terminar assim gatinha! – Um sorriso horripilante surgiu em seu rosto e eu não tive dúvidas:
– ME LARGA! EU NÃO TE CONHEÇO! SAI DE PERTO CACETE! – Antes que ele tentasse me arrastar pra qualquer lugar, comecei a falar muito alto, a praticamente gritar e quase chorei de emoção quando um segurança apareceu atrás dele.
– Algum problema? – Ele me olhou e eu apenas confirmei com a cabeça, sentindo Felipe soltar meu braço aos poucos e o segurança olhá-lo com seriedade, sem dizer uma palavra Felipe começou a se afastar meio cambaleando no meio das pessoas. Me apoiei na escada que dava para um outro camarote, apenas para esperar ele sumir de vista e o segurança da balada veio até mim.
– Tudo bem moça? Precisa de alguma coisa? – Sorri fraco pra ele.
– Onde é a saída mais próxima? – Ele sorriu e apontou para o final de um corredor ali perto, o mesmo corredor pelo qual Felipe tinha acabado de ir.
– Ah sim, obrigada! – Concordei desanimada, vendo ele se afastar. Senti uma movimentação atrás de mim, como eu estava obstruindo a passagem da escada do camarote, dei um passo para o lado mas a pessoa mesmo assim me cutucou de leve no ombro, me fazendo virar para ver quem era. Não podia acreditar que eu estava mesmo vendo eles na minha frente.

Bem a minha frente o segurança do Luan, e lá em cima, no topo da escada, o próprio Luan me observava.
– Vamos subir? O Luan pediu pra falar com você – Olhei para o Luan lá em cima e olhei para a saída, onde Felipe ainda estava dando showzinho bêbado e decidi subir por precaução.
Segui o segurança até onde Luan estava, pra entrar naquele camarote o acesso era mais restrito, colocaram uma pulseira no meu braço antes que eu realmente pudesse entrar ali.
– Tudo bem ? – Apenas concordei com a cabeça vendo Luan me estender a mão, ele me deu um beijo no rosto e levou para sentar no bar, onde era mais afastado e menos movimentado que os sofás que tinham ali. Ele pediu uma água pra mim e só percebi que estava tremendo quando peguei o copo.
– Se acalma, agora ninguém vai mexer com você! Fica tranquila – Luan segurou minha mão, e eu o olhei desconfiada – Não é nada !
Luan riu e deu uma piscadinha, ele sabia que eu achava aquilo irritante mas não consegui conter a risada que escapou e o vi sorrindo ainda mais, pedindo uma bebida para ele desta vez.
– Então é oficial, agora só se encontra em São Paulo!
– Pois é, agora eu sou da capital, mesmo percebendo que não das baladas daqui, só da cidade mesmo – Terminei de beber minha água e Luan me olhou de lado, ponderando, como se estivesse tentando ler meus pensamentos.
– Sei que não tenho nada a ver com isso, mas o que você estava fazendo aqui? – Arqueei uma sobrancelha para ele que me imitou em resposta, dando um gole em sua cerveja – Só vi de relance uma confusão mas você estava com uma cara de peixe fora d'água! Fiquei curioso, só isso! – Luan ergueu as mãos em sinal de inocência e eu dei de ombros, já tinha desistido daquilo ali mesmo.
– Eu vim acompanhar uma amiga, conhecer gente nova mas não deu muito certo – Fiz uma careta de desgosto e olhei ao nosso redor, já era tarde da noite mas ainda tinha muita gente naquela balada, mas surpreendentemente parecia que Luan tinha acabado de chegar – E você? Tá aqui faz tempo?
Luan apenas chacoalhou a cabeça negando e sorrindo de lado.
– Meu show acabou faz um tempinho, daí resolvemos dar uma esticadinha aqui! Sempre gostei deste lugar – Ele disse só para me provocar e eu rolei os olhos teatralmente.
Tirei meu blazer, que já estava me incomodando há muito tempo e prendi meu cabelo em um coque desajeitado, para mim aquela festa já tinha acabado faz tempo e eu só queria ir embora, quando percebi Luan estava me observando de um jeito diferente, e antes que ele resolvesse me encher de perguntas sobre “nós”, levantei da banqueta onde estava.
– Já vou! Aproveita a festa e muito obrigada pela ajuda! – Me aproximei dele para lhe dar um beijo no rosto e Luan segurou minha mão.
– Não vai agora , fica um pouco mais! – Ele pediu quando eu estava muito perto do seu rosto, eu conseguia o ouvir claramente, como se ele falasse ao pé do meu ouvido e eu odiei perceber o frio na barriga que se instalava conforme a mão dele brincava com a minha, de forma quase imperceptível, olhei nos olhos de Luan e balancei a cabeça vendo ele fazer uma careta engraçada.
– Então dança só essa comigo?! Depois eu peço pra alguém te deixar em casa, sã e salva! O que você acha? – Luan se levantou também, ficando mais alto que eu, pegou meu blazer e deixou sobre a banqueta em que eu estava sentada antes e continuava a segurar minha mão.
– Você está me devendo uma dança, sabia? – Luan sabia que eu negaria, o olhei indignada e ele balançava a cabeça com convicção, dizendo que ele nunca esquecia.
– Tá doido, criatura?! Já paguei mico com você até em cima do palco! Isso é muito mais do que o suficiente – Cruzei os braços e Luan abriu a boca, fingindo estar chocado, logo em seguida caímos na gargalhada porque parecíamos duas crianças competindo por algo totalmente sem sentido.
– Lá não vale, nem é uma música inteira, eu queria, pelo menos, uma música inteira dona ! – Luan piscou para mim e eu dei de ombros.
– Sem chance! Vou pra casa mesmo! – Minha vez de piscar pra ele, Luan riu derrotado e abriu os braços pra que eu me despedisse com um abraço. Era diferente e familiar ao mesmo tempo, mesmo sem querer eu me lembrava daquele perfume, do abraço dele, eu ainda lembrava de tudo que aconteceu naquele hotel em Sorocaba, mas a situação era diferente, e justamente por ele ter sido o rosto mais amigável pra mim daquela noite, eu sentia como se Luan fosse um amigo que eu estava com saudades, alguém importante pra mim. Luan me envolveu pela cintura em um abraço apertado, tentei não me concentrar em seu perfume tão perto de mim mas sim em retribuir aquele carinho que eu sentia ele fazendo em minhas costas, querendo ou não, era bom tê-lo por perto.
– Se cuida! – Ainda estava muito perto do rosto dele e Luan me olhou, com aquela cara de cachorro que caiu da mudança e eu tentei não rir.
, é Jorge e Mateus! Quem recusa Jorge e Mateus mulher? – Parei pra ouvir a música que começava a tocar e realmente parecia ser eles, Luan riu e pegou em minhas mãos – Eles eu sei que você conhece! – Não consegui me conter e comecei a rir, Luan aproveitou minha distração e me girou, me fazendo dançar.
– Viu só! – Ele deu uma piscadinha e me puxou para perto, como se realmente estivéssemos dançando.
– Idiota! – Empurrei ele de leve, e Luan continuou com a mão estendida me esperando – Só essa, e mais nada!
Luan riu antes de me pegar pela cintura e levar para mais perto enquanto Jorge e Mateus chegavam ao refrão da música, era engraçado e divertido tentar dançar com ele porque a música estava rápida, mas a gente era devagar, e quando tentávamos acompanhar o ritmo certinho, um acabava sempre se atrapalhando e quase pisando no pé do outro, até a gente decidir dançar no nosso ritmo e entre giros, e dois pra lá e pra cá, eu conseguia ouvir Luan cantarolando perto do meu ouvido algumas partes da música me causando arrepios involuntários.
– O nosso amor
Todos querem por um fim
Querem nos afastar Tirar você de mim....

Olhei para ele que sorriu como se não fosse nada demais e me girou, cortando nosso contato visual, em seguida me trouxe para perto e manteve as mãos na minha cintura, enquanto a gente se movia e a música prestes a acabar, eu tive certeza que aqueles versos não eram besteira da minha cabeça, tinham significado de verdade, parecia uma brincadeira mas algo me dizia que não era:
– E não me importa o que vão dizer Eu quero só você
Eu quero só você

Luan sorria perto do meu ouvido, ele sabia que eu estava entendendo tudo aquilo, me olhou um pouco antes da música acabar e era exatamente daquele jeito que ele me olhava no hotel, ele me desconcertava, me deixava sem resposta, como se pudesse ler o que eu pensava, mesmo que eu negasse, de alguma maneira, nossos olhares diziam muito mais do que eu gostaria, ele me girou algumas vezes me fazendo rir enquanto aquela música acabava.
– Idiota! Vai me deixar tonta desse jeito! – Empurrei ele para longe e voltei para perto do bar.
– Era o final do nosso número, tem que caprichar ué! – Luan em segundos já estava ao meu lado, sorrindo torto.
– Nem vem, não danço mais nada! – Coloquei meu blazer novamente e peguei minha bolsa, que já estava quase esquecendo ali.

– Vou te levar pra casa, o.k.?! – Luan fez sinal para o segurança dele e eu o olhei espantada, eu não queria que ele saísse de lá por minha causa.
– Não! Não precisa! Fica e aproveita, eu me viro!
– De jeito nenhum, tá tarde demais pra você ficar sozinha por aí, você nem conhece a cidade direito, deixa eu te levar – Luan me olhou mais sério e eu olhei para os lados tentando pensar em outra saída.
– Acho melhor não Luan, eu vou sozinha….
– Para de ser teimosa! – Luan riu e eu acabei rindo também – Eu quero ir junto, pode ser? Já deu essa festa pra mim, só te levo e ponto!
– Tá bom, seu chato! – Luan me deu um beijo na bochecha e se afastou indo falar com seu segurança, em poucos minutos ele voltou e me abraçou pelo ombro enquanto seu segurança dava ordens pra algumas outras pessoas.

Em poucos minutos nós conseguimos sair da boate sem muito alarde, quase imperceptíveis, indo direto para um carro preto que estava na porta nos esperando, entrei antes dele que sentou ao meu lado, seu segurança foi na frente junto com o motorista, e mais uma vez lá estávamos nós, praticamente “sozinhos” rumo ao apartamento da minha tia. Luan subiu a divisória do carro nos dando mais privacidade.

– Você mudou faz pouco tempo, né? – Luan sentou de lado me olhando, e eu apenas confirmei com a cabeça – E tá gostando daqui? – Ele me olhava com curiosidade.
– É bem diferente de tudo que eu imaginava que seria, mas tô gostando cada dia mais, acho que vou me adaptar em pouco tempo.
– E a ? Tá tranquila com a mudança radical?
– Não! – Ri e Luan me acompanhou balançando a cabeça como se já soubesse minha resposta – A gente se fala sempre mas vai ser complicado, com certeza tanto eu quanto ela vamos fazer essa rota Campinas – São Paulo, muitas e muitas vezes! Ela foi uma das partes mais difíceis da mudança!
Luan sorriu de leve pra mim e eu olhei pela janela, tentando identificar onde estávamos, se demoraria muito o trajeto.
– Posso te fazer uma pergunta? – Luan ainda olhava diretamente para mim e pelo seu tom de voz, eu já sabia que não queria ter aquela conversa.
– Depende, se for sobre.… – Tentei cortar o assunto mas ele foi mais rápido.
– Por que ignorou minhas ligações? Eu fiz algo de errado? Queria conversar com você….
– Olha Luan, é difícil, já tenho as minhas complicações aqui, não queria mais problemas, tá tudo mudando pra mim – Me virei de frente para ele também, cara a cara de uma maneira que não dava para escapar, eu sentia aquela ansiedade na boca do estômago, ele tentava me decifrar através daquele olhar e eu tentava ao máximo manter a postura.
– Eu estava igual louco atrás de você , mas eu entendi que você não queria, mas sabe o que me deixava muito chateado? – Luan me olhou um pouco mais sério e eu apenas engoli em seco enquanto ele continuava – Era sentir que enquanto nós estávamos juntos no hotel você queria tanto quanto eu, que fosse o erro que fosse, ele não era meu!
Estava sem resposta, tentando fingir que aquela conversa não estava séria demais, me surpreendi quando Luan pegou minhas mãos que estavam antes sobre meus joelhos, e como se fosse um costume ele brincava com a ponta dos dedos de nossas mãos, em movimentos tão leves que não me incomodariam se não fosse as “borboletas no estômago” brincando enquanto eu sentia minha respiração pesar.
– Eu sei que você não acredita em mim, mas eu quis tanto desviar a rota nessas últimas semanas pra dar um jeito de te ver, eu queria ligar, conversar contigo....
– Luan, não faz isso! – Ele parecia determinado a terminar, seja lá como se chamava aquilo, a nossa '‘conversa’'.
– Não sei quem é o tal do traste que a falou na ligação, mas eu sei que ele ainda mexe com você de alguma forma, eu não quero me meter em nada, só quero que você saiba que eu estou disposto a dar uma chance pra essa história aqui – Luan cruzou nossas mãos e apertou com um pouco mais de força me fazendo desviar o olhar pra elas, enquanto meu coração começava a acelerar levemente, eu não esperava tê-lo ali, ele não fazia parte do plano, eu não sabia que aquilo podia ser mesmo verdade.
– Não podia deixar passar essa oportunidade, você se afastar ainda mais, não sem antes te dizer tudo isso, eu já não conseguia dormir direito pensando em fazer isso! – Luan ergueu meu queixo, nossos olhares se encontraram mais uma vez, e eu senti aquele arrepio na espinha passeando por ali de novo. Deixando a sensação de que aquela era uma chance única, meu coração falava durante essas últimas semanas exatamente isso, era a chance de tentar mais uma vez, poderia dar certo, talvez tivesse tudo para dar certo, ou não.
?! – Luan riu e colocou uma mão no meu rosto para me “despertar”.
– Foi mal – Retirei a mão do Luan do meu rosto e fiquei segurando-a, olhando para ele de verdade agora – Sinceramente, eu não acho que daríamos certo Luan, sua vida é tão corrida, eu vou viver uma vida diferente agora e exatamente por ter tido alguém que fez tanto mal na minha vida, não me dou ao luxo de arriscar dessa maneira, não dá!
– Então você nunca mais vai ficar com ninguém? Seu medo é tão forte a ponto de te fazer desistir assim, sem nem ao menos tentar? – Luan parecia um velho amigo me aconselhando, não o cara que eu estava praticamente dispensando, ele falava baixo como se para me acalmar e eu o olhei nos olhos.
– É tão complicado, vamos fingir que nada daquilo aconteceu, seremos só amigos! – Tentei sorrir mas sabia que não estava funcionando, não tinha verdade ali, não encontrava a resposta certa.
– Eu não quero ser seu amigo ! Eu quero ficar com você garota! – Luan riu de nervoso mas soltou minha mão com calma, enquanto eu o observava fazer isso, logo em seguida se aproximou e com as duas mãos no meu rosto chegou tão perto que eu podia sentir sua respiração quente batendo contra a minha pele, seus olhos cravados em mim fizeram pensar que ele beijaria minha boca mas Luan desviou e beijou minha testa, sussurrando em meu ouvido logo em seguida: “Eu não posso querer por nós dois, boa sorte na sua nova vida minha linda”.
Beijou minha bochecha e começou a se afastar. Ele sentou em uma ponta do carro enquanto eu permanecia na outra, o silêncio entre nós era quase ensurdecedor, tinha muita coisa ali, eu estava virada para a janela e observava a paisagem passando rápido enquanto aquele aperto em meu peito apenas crescia, fechei os olhos com força e quando me dei conta já estava falando pra janela como se não tivesse ninguém para ouvir mas eu sabia que ele estava ouvindo cada palavra.
– Por que você tinha que aparecer aqui?! Porque não ficou escondido pra sempre?! Estava fácil, tão mais fácil!
– Fácil por que ?! Eu já estou tentando deixar o mais fácil possível pra nós – Olhei para Luan e ele estava novamente virado totalmente para mim, apenas observando. Senti o carro parando mas não queria descer, não sem antes terminar de falar tudo que eu precisava.
– Estava fácil porque eu podia dizer que foi passageiro, que estava passando, que eu não sentiria nada por você porque foi um único final de semana, que era passado, que não me afeta....
– Eu não quero que seja passado , me deixa te ajudar a tentar! – Em instantes Luan voltou a ficar bem mais perto e com uma mão em meu cabelo, eu decidi parar de pensar, de imaginar as consequências e calcular os possíveis danos, apenas fechei meus olhos dando a ele o consentimento para fazer o que nós queríamos a tempos e (devo confessar) estava com saudades até.
Em um impulso Luan me puxou para um beijo, intenso e cheio de vontade, ele me pegou pela cintura, quase me colocando em seu colo, colando ainda mais nossos corpos, com os dedos emaranhados em meu cabelo ele aprofundava ainda mais nosso beijo, enquanto eu o agarrava pelos ombros e nuca, Luan me beijava com desejo e carinho, me deixando sem fôlego, já me esquecia completamente de onde estava quando aos poucos ele foi parando nosso beijo e desviou sua boca em direção a minha bochecha e pescoço, distribuindo vários beijinhos naquela área me fazendo rir.
Luan riu e colocou uma mecha do meu cabelo pra trás enquanto me olhava com um sorrisinho no canto da boca.
– Vou pedir pra eles darem mais uma volta no quarteirão! Tá cedo demais pra eu te deixar em casa – Ele deu uma piscadinha enquanto eu tentava não rir muito alto vendo ele abaixar a divisória e falando com seu segurança e o motorista.
– Ô Boi, vamo dá mais uma volta aí! Sem pressa! – Dei um tapa no braço dele que praticamente gargalhou enquanto eu me esforçava pra não virar um pimentão de tanta vergonha.
– Idiota! – Luan apenas deu de ombros, o carro voltou a andar e ele veio para mais perto, me colocando sentada de lado em seu colo e me beijando mais uma vez, como se agora o mundo não fosse acabar, mas fosse nosso, e só aquele momento realmente importasse.

Nem sei por quanto tempo nós andamos sem destino, mas quando o carro parou estava quase amanhecendo e meus olhos já estavam quase fechando de sono.
– Te ligo mais tarde, o.k.?! – Peguei minha bolsa e meu blazer que estavam jogados por ali e Luan me deu um último selinho antes de eu sair do carro. Olhei para ele que sorria e sorri da mesma maneira, apenas confirmando com a cabeça.
Agora tudo estava em jogo, será que nos daríamos bem de verdade levando aquilo adiante? Alguma coisa dentro de mim talvez soubesse a resposta mas por enquanto eu pagaria pra ver, todas as minhas fichas estavam ali desta vez.

Capítulo 7



Dizer que acordar naquele domingo e lembrar da noite anterior, de tudo que aconteceu, de quem reapareceu na minha vida, era normal e simples seria uma mentira das grandes. Minha tia ficava rindo e tentando descobrir o que aconteceu, se eu tinha ficado com alguém e se tinha gostado da noite paulistana, por sorte consegui escapar do questionário sem decepcioná-la com o que eu tinha achado da noite.
Quando Luan me ligou no meio da tarde, com uma voz meio rouca, como se tivesse acordado àquela hora, sai da sala para fugir dos olhares dela sobre mim e conseguir conversar em paz.
– Eu até falaria pra gente se ver, mas eu vou viajar daqui a pouco.
– Nossa, pra onde você vai agora?
– Santa Catarina, eu acho – Luan riu fraco e eu ri junto – , essa semana eu vou tentar voltar mais vezes pra São Paulo, pra gente se ver e tal, o.k.?
– Tudo bem – Concordei e me dei conta que aquilo era mais um sim.
– Eu sei que pode parecer meio idiota mas eu queria ter mais um tempinho com você, hoje e amanhã, depois de amanhã também….
Comecei a rir e ouvi ele rindo fraco do outro lado da linha.
– Engraçadinho, só é um pouquinho idiota – Luan riu ainda mais e eu dei de ombros, mesmo sabendo que ele não podia me ver.
– Volto em alguns dias, se cuida dona ! – Luan falava com a voz divertida, só para me lembrar de quando eu brigava com ele pela maneira como ele me chamava.
– Pode deixar, você também, se cuida e bom show!
Depois que desliguei o telefone ainda fiquei um bom tempo em meu quarto, pensando em tudo que foi dito, tudo que aconteceu e mesmo que quisesse negar, ter falado com ele hoje, era como se fosse a comprovação de que tudo aquilo era real. Era de verdade. E continuava a acontecer.

Quando estava quase voltando para sala, recebi uma mensagem de João Pedro perguntando sobre a festa de ontem, dizendo que Bella só respondia coisas esquisitas e ele queria saber se estava tudo bem, passei praticamente o resto da tarde trocando mensagens com João Pedro e conversando com a minha tia sobre sua nova coleção, sobre os vestidos maravilhosos que ela estava criando.

Na segunda-feira estava quase dormindo um pouco antes da terceira aula, quando uma mensagem de Luan me despertou, nós começamos a conversar sobre o show dele, a minha aula, e vários outros assuntos, era engraçado ficar conversando com ele daquela maneira, um pouco errado da minha parte mas tudo bem.
– Hmm, tá falando com o Fê né?! – Quase morri do coração quando senti Bella atrás de mim na cadeira, tentando espiar o visor do meu celular.
– Quem?! – Não me dei conta que minha voz ficou mais alta do que o necessário e nosso professor olhou para nós. Dei um sorriso amarelo para ele e fingi escrever algo no meu caderno.
– Você tá cheia de sorrisinhos pro celular, sábado o Felipe estava quase de quatro por você, 2+2 né ! – Isabella piscou para mim e eu tive de me segurar para não virar para trás e dizer exatamente o que Felipe queria comigo, e o que ele estava a fim de me forçar a fazer, a raiva ainda era aparente no meu rosto, disso eu sabia.
– Não, nada a ver! – Trinquei os dentes e tentei ao máximo prestar atenção somente na aula daquela hora em diante.

No intervalo Isabella resolveu que saber absolutamente tudo que aconteceu no sábado era a sua missão, e tentava de todas as maneiras saber cada palavra de Felipe, se eu tinha gostado dele e tudo mais.
– Não, Bella! Felipe não é alguém que eu quero ter por perto, nem no Facebook eu quero ele! – Olhei séria pra ela que parecia finalmente entender que o Felipe que ela queria tanto me arranjar não daria certo, de maneira nenhuma.
– Ai , ele é tão legal, é tão gato! – Ela sorriu e tentou me balançar pelos ombros e eu apenas neguei com a cabeça. João Pedro chegou perto de nós e se sentou ao meu lado, sorrindo simpático pra mim.
– Pergunta pro João Pedro como foi o final de semana dele! Pronto! Você nem sabe como foi.... – Pisquei pra ela tentando fugir das perguntas chatas e Bella riu.
– Ai que chata, ! Tá bom, JP a não quer me contar porque não quis ficar com o Felipe! Bella me deu língua e eu apenas rolei os olhos, escondendo meu rosto no ombro de João Pedro ao meu lado.
– Aquele cara é um ogro! – João Pedro deu de ombros e eu ri vendo a cara de indignação de Isabella – Fez bem !
– JP assim não vale! No campus inteiro acho que só você não gosta dele – Bella cruzou os braços fazendo birra.
– Eu também não gosto! Tô no time do JP e não abro! – Pisquei para ele que riu fazendo um high five comigo.
– Mas que a tá com alguém! Ela está! – Bella semicerrou os olhos pra mim e eu apenas neguei com a cabeça tentando não rir da maneira como ela parecia uma criança querendo descobrir algum mistério. João Pedro me olhou também, e eu apenas neguei mais uma vez, vendo ele dar de ombros e mexer no celular.

Dois dias se passaram e minhas conversas com Luan estavam cada vez mais divertidas e frequentes, ele era um palhaço e quase sempre eu me pegava tendo que disfarçar minhas risadas no meio da aula ou até mesmo em casa, sabia que precisava falar com , ela mais do que qualquer um ficaria feliz e merecia saber sobre o que estava acontecendo, por isso antes de sair para a faculdade mandei uma mensagem dizendo apenas que precisava lhe contar uma novidade, sabia que aquilo seria mais do que o suficiente para ela morrer de curiosidade.


Estava na biblioteca com João Pedro fazendo algumas pesquisas para nosso trabalho, deixei minhas coisas com ele e fui para as prateleiras explorar alguns temas, quando voltei para mesa João Pedro olhava para meu celular como se ele fosse um animal feroz e eu tive que rir.
– Que foi JP? – Me sentei ao seu lado e ele apontou para meu celular em cima da mesa e começou a encarar seu livro.
– Seu celular tocou e eu não sabia o que era melhor, se deixar tocar ou desligar, e sem querer me meter, eu atendi.... – A cada palavra ele ia ficando mais e mais vermelho, por um segundo pensei que ele pudesse ter falado com Luan e só de imaginar a bagunça que seria se as pessoas soubessem disso, já me dava dor de cabeça – E ela te xingou, depois eu disse que você tinha saído e ela começou a me perguntar se eu era seu namorado, e até agora não sei direito o que aconteceu! – João Pedro gaguejava e ficava vermelho cada vez mais, sempre gesticulando e olhando só para o livro a sua frente, pelo jeito que ele ficou só podia ter falado com uma pessoa a: “Furacão ”.
– Relaxa! Já sei com quem você falou, ela é assim mesmo – Bati de leve em seu ombro e sorri quando ele me olhou – Era a , daqui a pouco ela liga de volta, sem proble…. – Nem pude terminar e vi meu celular vibrando em cima da mesa.
– Sua Vaca! Como você quer que eu tenha paz desse jeito ?! – Tentei não rir do João Pedro do meu lado com os olhos arregalados ouvindo quase gritando ao telefone.
– Fala baixo criatura, a biblioteca inteira vai conseguir te ouvir idiota! – Olhei para a bibliotecária e ela fez cara feia pra mim, decidi continuar do corredor, avisei JP que ia ficar alguns minutos fora e tentei achar o lugar mais calmo para conseguir realmente conversar com .
– Pronto sua doida, agora eu posso falar, aliás, não era pra me ligar agora ....
– Nada disso, você não pode me deixar curiosa desse jeito e achar que eu vou esperar até de tarde, isso não se faz – parecia estar realmente falando sério e eu comecei a rir só de imaginar a reação dela – Agora me conta, esse menino que atendeu o telefone é seu namorado? Por que ele me pareceu bem calminho, acho até que eu assust....
– Eu fiquei com o Luan ontem! – Disse rápida e clara, antes que me fizesse enlouquecer e eu não conseguisse falar mais nada, joguei a bomba em seu colo.
– COMO É QUE É?! – Ouvi alguma coisa caindo do outro lado da linha e comecei a rir, queria muito ver a cara dela nesse exato momento – do céu! Me explica isso menina!
Dei mais algumas risadas antes de contar para ela a minha noite na balada, como encontrei o Luan e tudo mais.
– Eu sabia!! Meu sexto sentido é infalível! Ai , tô muito feliz por você! – Eu sentia sorrindo enquanto falava, sua empolgação aumentando a cada segundo.
– Sabia que tinha que te contar mas vamos com calma aí minha filha, a gente tá indo bem devagar! – Falei lentamente tentando fazer entender mas ela apenas riu do outro da linha.
, você me deixa torcer garota! Mal vejo a hora de encontrar vocês ao vivo, esse encontro vai ser mara!
– Credo , você parece minha mãe querendo forçar a barra, vou fugir de você! – Tentei parecer séria mas era impossível com fazendo palhaçada do outro lado da linha.
– Me aguardem! – Ela soltou uma daquelas gargalhadas maléficas dos filmes e eu apenas revirei os olhos, era impossível controlá-la quando ela se empolgava com alguma coisa, mesmo que esse “coisa” seja o meu quase relacionamento com o Luan.
– Preciso voltar ao trabalho, se cuida e seja discreta sua doida! – Disse já me dirigindo de volta a biblioteca, também se despediu com pressa e nós desligamos, voltando aos nossos deveres diários.

A tarde estava praticamente dormindo na sala quando meu celular tocou, para atendê-lo eu quase caí do sofá e nem vi quem ligava.
– Alô! Quem fala?
– Dormindo uma hora dessas ! – Era Luan do outro lado da linha, que começou a rir de leve.
– Ai que susto! Nem sei que horas são…. – Comecei a rir também.
– Pode sair mais a noite? Queria te ver!
– Posso sim, que horas?
– Na realidade, estava pensando em passar por aí antes, mas você tem que me liberar na portaria! – Luan falava em um tom divertido.
– Só quero ver o que você tá aprontando, vou te liberar! Mas que horas você chega aqui?
– Aí é surpresa! – Luan riu e nem me deixou protestar – Até daqui a pouco , beijo!
– Beijo!!

Depois de falar com o porteiro, fui tomar banho e não fazia a mínima ideia do que vestir, nem onde nós iriamos, estava de roupão, com o cabelo todo bagunçado em um coque quando a campainha tocou, tentei ver quem era pelo olho mágico mas não consegui.
– Bú! – Abri só uma frestinha da porta e dei de cara com Luan tapando o olho mágico e rindo.
– Meu Deus! Luan! – Escancarei a porta esquecendo completamente que estava de roupão.
– Oi !!! – Ele riu colocando as mãos no bolso e me olhando de lado, fechei mais meu roupão e abri espaço para que ele passasse – Tudo bem? – Luan me deu um beijo apertado na bochecha e sorriu.
– Tudo, não tá muito cedo não?! – Não resisti e soltei a pergunta que estava na minha cara e Luan apenas gargalhou em resposta.
– Ah , eu não queria ficar esperando na rua, estava tão pertinho que resolvi ver se tinha um café, vai que cola né?! – Ele piscou pra mim enquanto eu só sabia piscar incrédula, ainda eram seis da tarde!
– O.k.! Apressadinho mas olha bem como eu estou! Vou demorar! – Abri os braços apontando para o meu ‘look do dia’ e Luan pegou minha mão, me fazendo dar uma voltinha e parar quase colada a ele.
– Tá maravilhosa! – Ele sorriu com a boca quase colada a minha, me abraçou pela cintura tão forte que senti meus pés quase saindo do chão, Luan uniu nossas bocas me causando arrepios involuntários por todo corpo, o puxei pelo pescoço e senti ele sorrir em meio ao beijo e me apertar mais em seus braços. Era inevitável, manter o controle perto dele era muito difícil.
– Estava com saudade – Luan disse quando eu ainda estava de olhos fechados sentindo minha respiração descompassada bater em seu rosto, sentindo a pele dele tão perto da minha.
– Também estava – Sorri para ele, fazendo um carinho em seu rosto e vendo Luan sorrir de leve em resposta – Como foi de viagem?
– Tudo certo! Foi tudo bem agitado nos shows mas consegui essa folguinha e corri pra cá – Ele riu e beijou minha bochecha.
– Eu preciso me arrumar, ainda tô de roupão! – Me afastei dele e Luan riu tentando me puxar de novo para seus braços.
– Ah não ! Tá ótima assim – Corri para o meu quarto e Luan me seguiu, mas eu consegui fechar a porta a tempo, ouvindo ele protestar do lado de fora.
Coloquei uma calça jeans básica, com uma camiseta preta qualquer e abri a porta dando de cara com um Luan derrotado fazendo cara de cachorro caído da mudança.
– Como não sei pra onde a gente vai depois, vou ficar assim por enquanto – Pisquei para ele que apenas balançou a cabeça quase indignado e espiando pra dentro do meu quarto.
– Quer entrar?! – Abri um pouco a porta e Luan entrou devagar, fingindo que estava pisando na lua, cheio de graça, e eu apenas ri revirando os olhos – Idiota!
Ele riu jogando a cabeça pra trás e começou a observar meu quarto, ainda não tinha quase nada mas Luan gostou de ficar olhando as fotos na parede, cada uma ele olhava com muita atenção.
– Essa aqui é a ? – Ele riu olhando uma foto minha e de , as duas totalmente descabeladas, mostrando a língua com os olhos borrados praticamente destruída, sem sustentar a pose das nossas fantasias de havaianas, eu tentava fingir que era a Scheila Carvalho do É o Tchan e fazia um passo de dança, foi uma noite muito louca e divertida. Ri e contei a Luan toda a história daquele dia, vendo ele rir ao imaginar nós duas tentando dançar hula-hula sem pisar naquela saia e sem cair.
– Eu quero ir em uma festa com vocês! Deve ser muito engraçado!
– Depende, algumas vezes é mais confusão do que qualquer outra coisa.
Contei algumas histórias desastrosas de quando resolvia implicar com algumas coisas nas festas e Luan mal se aguentava em pé rindo. Nossas confusões sempre acabavam de alguma maneira meio vergonhosa e ridícula.

Estava rindo junto de Luan quando meu celular tocou e era João Pedro.
– Oi JP! Diga – Me sentei na cama sentindo o olhar de Luan sobre mim.
, pra gente terminar nosso trabalho amanhã você pode levar aquele seu livro sobre comunicação?! Aquele da capa preta….
– Ah posso sim, aliás, falta mais uma parte né?! O que você acha da gente ficar amanhã a tarde e terminar?
– Eu diria pra gente tentar terminar agora, vamos nos ajudando, qualquer coisa apelamos até pro Skype – Fiz uma careta e Luan começou a rir, pegou meu porta-retrato e começou a fazer careta tentando me imitar na foto, não consegui conter minha risada.
– Luan! Deixa minha foto aí! – Luan gargalhou se virando novamente para a parede e eu lembrei de JP do outro lado da linha, senti um frio na espinha ao imaginar ele ouvindo a risada de Luan, e associando o nome e a risada a pessoa.
– Desculpa JP! Hoje eu não posso, tenho um compromisso daqui a pouco, se você quiser, amanhã termino a minha parte! – Fui o mais sincera possível e ouvi João Pedro suspirando.
– Não, relaxa, amanhã a gente termina! Mas é quarta, ! Você vai sair agora? – Eu conseguia imaginar a cara de confusão dele em me imaginar em uma balada em plena quarta-feira.
– Não é balada, pode ficar tranquilo – Ri ouvindo João Pedro rir também.
– Então até amanhã, não esquece o livro e divirta-se!
– Pode deixar! Beijo, até amanhã! – Ele me respondeu e riu, e eu vi Luan me imitando de um jeito totalmente exagerado e joguei um travesseiro nele.

– Idiota! – Luan riu e tentou me jogar o travesseiro de volta mas eu desviei e ele foi parar no chão.
– Beijo, não vou pra balada viu – Luan fazia mil caretas e tentava fazer a voz mais irritante possível enquanto eu apenas revirava os olhos, querendo pegar de volta aquele travesseiro e jogar naquele topete dele, Luan veio até a cama e se sentou ao meu lado.
– E então pra onde vamos?! – Perguntei quando senti Luan me abraçando de lado, estava quase esquecendo que nós sairíamos pra jantar.
– Estava pensando em a gente pedir alguma coisa por aqui mesmo, dá preguiça de enfrentar restaurante agora, o que você acha? – Luan distribuía beijinhos entre meu rosto e pescoço, me fazendo arrepiar e encolher os ombros, enquanto ele apenas ria se divertindo com a situação.
– Menino, me deixa pensar – Levantei rápido e Luan riu mais ainda, me olhando da cama com aquela cara de quem teve seu brinquedo favorito tirado de suas mãos e foi minha vez de sorrir pra ele vitoriosa – Acho que é a melhor opção mesmo, não tô muito a fim de me arrumar toda pra um jantar chique com cantor sertanejo, imagina as capas de revista, hoje não! – Fiz uma careta negando com a cabeça, vendo Luan me encarar com os olhos semicerrados enquanto eu ria da minha piadinha irônica, corri para a sala e Luan me seguiu, quando me alcançou nós quase caímos no sofá e destruímos as coisas da minha tia, Eu não conseguia parar de rir.
– Só por isso, vou te levar só em lanchonete e pizzarias, vamos só comer com a mão e tudo mais….
Luan tinha me pegado pela cintura e tentava me fazer cócegas, mas eu consegui me debater e impedir isso, Luan me virou de frente e antes que ele começasse a falar mais eu o calei com um beijo, que começou totalmente risonho e atrapalhado mas aos poucos ganhou forma.
Senti Luan me sentando no sofá sem quebrar o beijo, suas mãos passeavam pela minha cintura e minhas costas, enquanto as minhas mãos puxavam com força os cabelos da nuca dele, tudo estava acontecendo muito rápido mas eu simplesmente não conseguia raciocinar. Estávamos muito desajeitados, Luan então nos virou, as minhas pernas ficaram uma de cada do lado do corpo dele e agora ele estava sentado no sofá, distribuindo beijos pelo meu pescoço enquanto eu jogava a cabeça pra trás e puxava seu cabelo, passei minhas unhas pelo braço dele, o sentindo arrepiar e sorrir maliciosamente para mim, quando as mãos de Luan entraram dentro da minha blusa e eu senti todo meu corpo arrepiar quando ele apertou minha cintura, deixei um suspiro pesado escapar e ele me olhou, acho que entendeu o que eu também tinha acabado de entender.
– Muito rápido…. – Ele disse baixo e eu apenas concordei com a cabeça, escondendo meu rosto na curva do pescoço dele, me deixando acalmar ali, sentindo seu perfume enquanto ele também respirava com dificuldade.
– Vamos com calma, nós temos todo o tempo do mundo – Dei meu melhor sorriso pra ele que me retribuiu com um beijo calmo e paciente, apenas me abraçando pela cintura com delicadeza.

Depois que nossos ânimos se acalmaram, nós começamos a procurar comida pelo delivery e estava quase impossível entrar em um acordo, quando finalmente decidimos por pizza, começamos a guerra pelos sabores, quando eu queria uma coisa, ele queria outra, parecíamos duas crianças num cabo de guerra idiota.
Nossa pizza finalmente chegou, nos sentamos no chão da sala mesmo e Luan começou a me contar sobre o projeto do seu novo DVD, das músicas que estavam por vir, de todas as mudanças que estavam acontecendo em sua vida profissional, e eu não podia deixar de notar o quanto ele amava fazer aquilo, o quanto aquilo era importante pra ele.
– Sério, ainda é surpresa mas acho que você vai gostar muito de onde será gravado o DVD – Luan sorriu todo cheio de mistério apenas para atiçar minha curiosidade e eu empurrei ele de leve.
– Ah Luan, muita injustiça isso aí, eu sou muito curiosa! – Tentei fazer manha mas ele apenas riu negando com a cabeça mordendo seu pedaço de pizza enquanto eu o olhava boquiaberta – Tenho alma de jornalista meu filho, vou descobrir! - Luan apenas colocou a mão na boca e deu de ombros, como se não ligasse pra minha ameaça.
– Luan Rafael! Vou descobrir e contar pra internet todinha! – Minha vez de ser ruim, mordi minha pizza com vontade e tentei ignorar Luan, mas ele começou a me olhar diferente e eu não estava entendendo nada.
– Que foi?! – Ainda estava de boca cheia mas não conseguia ignorar aquilo.
– Do que você me chamou?! – Luan com um sorrisinho no canto dos lábios se virou totalmente para me olhar.
– Pelo seu nome, não é Luan Rafael?!
– Ai que lindinha, ela foi descobrir coisas sobre mim! – Luan veio me abraçar de lado e eu ri sentindo minha bochecha corar levemente.
– Idiota! – Tentei empurrar ele mas Luan apenas me puxou para mais perto.
– Ah ! Pensei que fosse demorar pra ouvir você falando assim, coisa linda – Luan beijou minha bochecha e eu ri mais ainda, conseguindo empurrar ele pra longe.
– Sai daqui! – Ele gargalhou e eu queria me esconder atrás do sofá de vergonha.

Fui até meu quarto buscar um casaco e uma coberta, já que Luan decidiu que ia ficar e assistir minha série favorita comigo, nós faríamos aquilo direito. Quando voltei pra sala encontrei uma cena um tanto inusitada, minha tia com a mão no coração, todas as sacolas que ela segurava jogadas no chão e Luan se afogando no chão da sala, com os olhos esbugalhados olhando pra minha tia, que estava gritando meu nome.
Corri até Luan e comecei a bater em suas costas até ele se desafogar, minha Tia Carla olhando como se eu fosse a Cuca e estivesse fazendo algo muito errado ali naquela sala, e eu simplesmente comecei a rir de nervoso puxando Luan para levantar comigo.
– Tia, calma, tá tudo bem! – Fui até minha tia e peguei em sua mão, que estava muito gelada por sinal, e a trouxe para mais perto – Sei que não é o melhor jeito, mas….. – Respirei bem fundo antes de continuar.
– Tia Carla esse é o Luan, Luan minha Tia! – Aproximei os dois e minha tia olhava de Luan pra mim, sem parar, enquanto Luan estava ali com a mão esticada pra ela.
– Depois te explico tudo! – Disse no ouvido dela enquanto ela sorria e apertava a mão dele de volta
– Eu preciso dizer que: Quase morri do coração, menina! – Minha tia começou a recolher suas coisas que tinham caído, nós ajudamos, mas, mesmo assim, ela continuava a olhar como se não estivesse acreditando – Tô até com vergonha – Ela finalmente riu, nos deixando mais confortáveis.
– Não precisa, você foi pega de surpresa, normal acontecer isso! – Luan disse entregando algumas sacolas pra ela que sorriu pra ele mais simpática desta vez.
– Eu não quero atrapalhar e também estou exausta, fiquem à vontade e…. – Ela começou a se virar em direção ao seu quarto mas mudou de ideia e nos olhou de novo – Desculpa o mal jeito viu, só pra deixar registrado que eu vou obrigar ela a me levar em todos os seus shows depois dessa! Onde já se viu ! – Minha tia me encarou como se fosse me dar uma bronca, depois riu e olhou diretamente para o Luan.
– Volte mais vezes, será bem mais normal que isso – Ela sorriu e se despediu com um aceno de cabeça, indo direto para seu quarto desta vez.

– Ai meu Deus! Quase que eu perco os dois de uma vez, que desastre! – Abracei Luan de lado e ele riu baixinho, beijando o topo da minha cabeça.
– Acho que ela não vai gostar muito de mim não! – Olhei para ele que fazia uma careta, e apenas neguei com a cabeça.
– Acredite que ela já gosta, ela vai parar de gostar é de mim, isso sim! – Ele riu um pouco mais e eu o puxei para o sofá, agora que já estava feito, amanhã eu lidaria com minha tia, com JP, com todo o resto, por enquanto a única coisa que me importava eram aqueles momentos ali com Luan.
Nem eu sabia explicar o que estava sentindo, só sabia que aquela noite estava maravilhosa e que eu queria muitas mais como aquela. Só a gente, construindo nosso mundinho, sem ninguém pra atrapalhar, sem pressa. Somente eu e ele.

Capítulo 8 - Parte I

LUAN

O último mês foi o mais louco e inesperado. Jamais imaginaria encontrar com exatamente naquela balada, naquele dia, e devo admitir que mesmo querendo muito ficar com ela, pensei que fosse fugir de mim para sempre, pelo menos essa era a impressão que eu tinha. Mas conhecer era totalmente diferente. Agora que ela já não era mais tão desconfiada assim em relação a mim, nossas conversas eram intermináveis e até mesmo idiotas, ela me mostrava seu mundo um pouquinho a cada dia, e ia descobrindo o meu assim também.

– Adivinha onde eu tô, ? – Mandei uma mensagem pra ela assim que cheguei em frente a sua faculdade, como hoje eu tinha “madrugado” resolvi fazer uma surpresa pra ela.
– Em casa? Só pra mudar um pouquinho o destino!! – Eu conseguia vê-la saindo do prédio junto com seus amigos, linda como sempre.
– Tá engraçadinha, né, você nunca vai acertar!
Vi a amiga dela tentando pegar o celular de e por um segundo pensei que ela tivesse conseguido ler a conversa, parecia dar uma bronca na amiga que apenas ria. Como a movimentação ali era muito grande, eu perdi de vista e tive que ligar para ela, eu mesmo teria que estragar a surpresa.
! Você pode falar? – Falei baixo e riu do outro lado da linha.
– Porque você tá falando baixo, criatura? – Ela me imitou achando graça e eu sabia que não tinha mais ninguém por perto dela.
– Eu achei que seus amigos estivessem aí do seu lado, vai que eles me ouvem, né.... – Estava conversando com quando ela me pediu pra esperar e eu consegui ouvir sua amiga dizendo, cheia de empolgação: “ do céu! Vamos lá fora, tem um carrão que eu nunca vi por aqui e eu quero saber quem ele veio buscar, vamos comigo, por favor!!! O JP já fugiu de mim”.
Tentei não rir alto mas queria muito ver a cara que faria quando descobrisse que era justamente ela quem eu estava esperando, os carros já estavam saindo, em pouco tempo só restaria meu carro na frente da faculdade.
“Nem vem, Bella, não vou ficar vigiando a vida dos outros, né!”, “Sem chance!”.
já estava no meu campo de visão, saindo da faculdade e ver a cara dela quando reconheceu meu carro foi impagável, ela sabia que era eu e demorou uns 15 minutos para se livrar da sua amiga e finalmente entrar no carro.
– Meu Deus do céu! Quase morri do coração! – entrou no banco de trás e nós saímos dali.
– Surpresa!!! – Comecei a rir e me encarou, semicerrando os olhos e tentando parecer brava.
– Eu não queria nem ver o que viraria essa faculdade se eles te vissem, se a Bella sonhasse que era você ali, eu estaria frita! – começou a enumerar os problemas e eu não consegui mais resistir, antes que ela pudesse perceber eu já estava com meu rosto a centímetros do dela, sentindo seu cheiro.
– Saudades! – Disse com minha mão em seu pescoço e ela sorriu respondendo com um sussurro:
– Muitas!
Juntei nossas bocas, acabando com aquela distância, matando as saudades que eu estava de sentir seu beijo, seu gosto, saudades da minha garota.
– Deveria te dar uma bronca bem grande, mas.... – me abraçava pela cintura, eu ainda estava com meus dedos em seus cabelos quando ela disse sorrindo – Eu adorei te ver ali, adorei essa loucura – Ela riu e começou a distribuir beijos pelo meu rosto até eu resolver beijá-la de verdade, sentindo-a arrepiar quando eu a trouxe para mais perto.
– Valeu muito a pena! – Pisquei pra ela que gargalhou antes de se acomodar ao meu lado, enquanto íamos em direção ao meu hotel me contava que estava quase impossível mexer no celular sem sua amiga tentar olhar e ver com quem ela conversava.
– Não consigo imaginar o que a Bella faria se um dia descobrisse que é você o meu “Cara Misterioso”, ela me mata e depois desmaia....
– Por que? Ela é minha fã? – Me afastei um pouco para olhá-la e apenas negou com a cabeça antes de continuar.
– Ela gosta da música, mas ela me mataria muito mais por ser um “furo jornalístico” que ela não fazia a mínima ideia que estava acontecendo, o fato dela não saber em primeira mão, aí sim eu estaria ferrada – se encostou em meu peito e continuou a falar enquanto olhava para o lado de fora.
– Conta pra ela, ué!
– Não sei se a Bella consegue guardar um segredo assim, ela deixa muita coisa escapar!
– Não vai ser um segredo pra sempre, né…. – Falei um pouco mais baixo sentindo enrijecer ao meu lado.
– Mas tá cedo demais pra mim, não saberia lidar com isso agora, por isso eu ainda não falo nada.
– O.k.! Você é quem sabe! – Beijei o topo da cabeça dela e resolvi mudar de assunto, mesmo não conhecendo há séculos, sabia que esse ainda era um ponto que a deixava desconfortável, principalmente em relação a mídia em cima dela.

Eu teria dois dias de trabalho em São Paulo, mas mesmo trabalhando dava pra aproveitar e ficar com durante esses dias, e ela também pareceu gostar bastante da ideia.
– Vamos fazer assim então: Enquanto você vai lá pro estúdio, eu termino meu trabalho aqui e nos encontramos mais tarde! O que acha? – sugeriu durante nosso almoço no hotel.
– Tem certeza que você não quer vir comigo? Vai ficar aqui mesmo? – Tentei convencê-la mais uma vez e apenas fez uma careta negando.
– Provavelmente só irei te atrapalhar e tenho trabalho atrasado, só preciso de uma tomada para meu notebook, café e tudo certo, passo a tarde todinha sem nem ver a hora passar – deu uma piscadinha pra mim antes de voltar ao seu almoço.
– O.k.! Mas a noite você é minha! – Ela riu e concordou.
Passei a tarde toda em estúdio, vendo mais alguns arranjos e detalhes para o novo DVD, preferiu ficar estudando e quando cheguei às sete da noite encontrei-a jogada na cama, dormindo em cima de seus livros, com o notebook ainda ligado, parecendo estar cansada.
! Acorda – Chacoalhei ela de leve que apenas virou o rosto para o outro lado – , meu amor, levanta! – As palavras saíram tão rápido que nem eu mesmo tinha me tocado, mas quando senti me olhando, sabia que ela tinha ouvido e suas bochechas corando me deram mais certeza ainda.
– Eu não deveria ter dormido.... – se sentou rápido na cama e eu a segurei quando ela ficou tonta – Que horas são?
– Quase sete e meia – Coloquei uma mecha do cabelo dela atrás de sua orelha e sorriu tímida – Que foi?
– Eu não.... – Ela começou mas pareceu mudar de ideia de repente – Nada! Eu vou tomar banho, o.k.? Pedi pra minha tia passar aqui e deixar umas roupas pra mim, se não se importa....
– Claro que não me importo, , pode fazer o que quiser aqui! – Disse rindo, mas ela não me acompanhou, antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa ela foi pro banheiro, me deixando sem entender nada.

Saímos pra jantar em um restaurante bem calmo, como na primeira vez em que jantamos juntos ainda estranhava ver como as pessoas reagiam quando eu entrava nos lugares, como São Paulo é mais movimentada não passamos tão despercebidos quanto da primeira vez e vários olhares nos acompanharam até nossa mesa.
– Esqueci completamente que estamos na capital – sorriu tentando disfarçar quando algumas meninas passaram olhando na nossa direção.
– São Paulo e Rio são as mais agitadas – Pisquei pra ela que fez uma careta em resposta, fizemos nossos pedidos e me lembrei de um convite que eu precisava fazer a ela.
, sabe o próximo feriado daqui umas duas semanas, o que você vai fazer? – Perguntei e ela me olhou desconfiada antes de responder.
– Nada, tenho prova na véspera, mas é só, por quê?! – Estendi minha mão na mesa e ela juntou sua mão a minha, me observando, cheia de curiosidade.
– Eu tenho alguns shows em BH, o que você acha de vir comigo?! A gente pode aproveitar o feriado juntos e também não vai te prejudicar na faculdade.... – Sorri para ela que me olhava boquiaberta, sorriu logo em seguida e apertou sua mão unida a minha.
– Tem certeza que não vai te atrapalhar? Em nada mesmo?! – me olhou desconfiada, semicerrou os olhos e se aproximou, não consegui conter minha risada, e a imitei, me aproximando e a encarando bem mais de perto.
– Não! Vai ser ótimo! – Quase consegui roubar um beijo dela, se nossos pedidos não tivessem chegado naquela hora eu teria conseguido.
– Obrigada! – agradeceu o garçom sorrindo e ele ficou olhando demais pra ela, depois se virou pra mim e pareceu mais surpreso ainda.
– Precisam de mais alguma coisa? – Encarei ele e acenei que não com a cabeça.
– Não! Obrigado!
Ele se afastou, mas eu consegui vê-lo nos observando de longe e aquilo estava bem estranho.
, você conhece aquele cara? – Ela já estava comendo e me olhou sem entender nada, apontei com a cabeça para onde o garçom tinha ido e ela apenas negou com um aceno de cabeça.
– Não, por que?!
– Ele olhou pra gente de um jeito esquisito, como se te conhecesse, sei lá – Dei de ombros e riu.
– Luan, o famoso aqui é você, meu bem! – Ela piscou pra mim e ergueu sua taça para mim – Voltando ao que interessa, eu aceito seu convite!
sorriu abertamente pra mim, aquele sorriso torto que eu adorava ver e que me dava vontade de dar a volta naquela mesa e agarrá-la bem ali, na frente de todo mundo, ergui minha taça e brindei com ela, só para manter a tradição dei uma piscadinha pra ela que riu antes de tomar seu vinho.

O resto do jantar foi muito divertido, quase se afogou em um momento enquanto eu tentava roubar sua sobremesa e uma garotinha parou ao seu lado, com o susto ela começou a tossir e a menina que parecia ter uns 7 anos de idade, começou a erguer a mão de pra ajudar ela a se desafogar. Quando já estava bem novamente, eu olhei pra garotinha que sorriu pra mim, não fazia a mínima ideia de como ela conseguiu chegar na nossa mesa, já que geralmente o Well cuidava pra que eu não fosse incomodado durante o jantar.
– Luan, você pode tirar uma foto comigo? – Seu sorriso meio banguela era a coisa mais fofa do mundo, ela veio para o meu lado e eu a abracei, pediu o celular e tirou a foto pra ela.
– Como é seu nome? – Perguntei quando ela se virou para me dar um beijo no rosto.
– É Júlia! – Ela me abraçou forte pelo pescoço e me deu mais um beijo no rosto – Eu te amo, Luan! – Os olhinhos dela brilharam na minha direção e eu sorri ainda mais pra ela.
– Eu te amo, coisa linda! – Ela sorriu para que lhe entregou o celular e saiu, toda sorridente em direção a uma mesa do outro lado do restaurante. Nós dois acompanhamos ela com o olhar até a mesa dos seus pais.
– Que amorzinho, que coisa fofa! – sorriu quando voltamos ao nosso jantar e eu sorri concordando com ela.
Na saída do restaurante, algumas pessoas me aguardavam e enquanto eu as atendia vi saindo de fininho e indo direto para o carro, passando quase despercebida, só no final uma menina me perguntou se a moça que estava comigo era minha amiga e eu apenas acenei que sim, sabia que ainda não queria que eu dissesse nada sobre nós pra ninguém, então respeitei sua vontade.

Quando entrei no carro espiava pela janela, vendo a movimentação do lado de fora.
– Podemos ir! – Sentei ao lado dela e o motorista deu partida no carro, se aconchegou ao meu lado, olhando desconfiada pra mim poucos minutos depois.
– Perguntaram alguma coisa sobre a gente? – Eu via em seus olhos a curiosidade e tentei esconder meu sorriso.
– Perguntaram e eu disse que era uma das minhas peguetes – Dei de ombros vendo abrir a boca chocada, tentei permanecer sério, mas estava praticamente impossível.
– Ah é! – Ela se afastou indo para o outro extremo do banco me olhando quase indignada, mas por aquele sorriso no canto dos seus lábios eu sabia que ela estava entrando na brincadeira – Quando me perguntarem na faculdade com quem eu tô saindo, vou dizer que é um dos carinhas da minha lista, tem um pra cada dia da semana, esse é o mais fraquinho.... – Ela fingia mexer no celular e eu a olhei boquiaberto, enquanto ela abria seu sorriso mais sacana e me jogava beijos no ar.
– Vou te mostrar quem que é fraquinho aqui! – Me aproximei dela e a puxei pela cintura com força, ouvindo ela soltar um gritinho de susto.
– Idiota! – Ela riu quando eu a coloquei sentada em meu colo, mas eu nem a deixei continuar, beijando ela com toda vontade que estava desde o início da noite, sorriu em meio ao beijo e colocou suas mãos em minha nuca, correspondendo o beijo e me provocando com suas unhas, me deixando com mais vontade ainda de chegar logo naquele bendito hotel. Nossas bocas já estavam muito vermelhas quando cortou o beijo rindo e levemente sem fôlego, tentei protestar, mas ela colocou seu dedo sobre meus lábios.
– A gente tá quase chegando! Não posso aparecer no seu colo quando a porta abrir né – Ela sorriu e me deu um selinho antes de voltar a sentar do meu lado como se nada tivesse acontecido, minha frustração era evidente quando ela riu me abraçando de lado.
– Depois a gente continua – Ela sussurrou no meu ouvido, beijando meu pescoço logo em seguida, nem pude dar uma resposta, o carro parou e ela desceu de um lado e eu de outro. Fomos em direções opostas, mas eu mal podia esperar pra encontrá-la de novo, aquela noite prometia.

Aqueles dois dias junto de só me deixaram ainda mais ansioso pelo nosso feriado, era tão bom ficar com ela que eu só queria mais e desta vez, ainda bem, o tempo parecia correr e a semana daquele feriadão chegou, finalmente.
, você vai comigo pra BH, né?! – Liguei pra ela no início da semana, pra lembrá-la da nossa viagem.
– Na verdade não, acho que vou ter que te encontrar lá, tenho prova um dia antes.
– Jura?! Quer que eu dê um jeitinho de te esperar? – Sugeri a ela que demorou um pouquinho pra voltar a me responder.
– Não precisa! Você tem o show lá na quarta, e eu vou acabar atrapalhando e não quero isso de jeito nenhum – Pelo tom de voz dela, eu sabia que nem adiantava insistir que não mudaria de ideia.
– Tem certeza? Eu mando alguém te buscar então....
– Quando eu chegar no aeroporto eu te aviso, o.k.?!
– Tá bom né, fazer o quê! Mas qualquer coisa, você vai ficar com o número do segurança e de mais algumas pessoas da equipe, se eu não puder responder você fala com eles, promete?!
– Prometo!
– Olha, olha hein! Você não consegue mesmo sair antes da faculdade?
– Não, Sr. Luan, eu preciso terminar essa prova na quarta e você tem o show...
– Ai que certinha você!
– Ai que chatinho você!
Não consegui evitar e comecei a rir junto dela, era quase impossível fazê-la mudar de ideia, pelo menos desta vez ela aceitou meu convite e eu estava contando as horas pra que o dia chegasse logo.


Capítulo 8 - Parte II

LUAN

Finalmente já eram 17:30hrs de quinta-feira e eu já estava tentando falar com há algum tempinho, mas ela simplesmente não atendia ao bendito telefone. Então eu tentei pelas mensagens:
“Já chegou?”
“Tô ansioso, mulher, custa responder?”
“Se você não responder, não te conto a surpresa que eu preparei pra gente”
“Tô ficando preocupado, quer que eu mande alguém te buscar?”
Eu já estava agoniado com essa falta de resposta quando ela me ligou quase meia hora depois:
– Desculpe não ter ligado antes – A voz dela estava muito estranha como se ela estivesse fraca ou muito cansada.
– Aleluia, eu estava preocupado aqui! Onde você está? Como foi a viagem? – Ouvi-la daquele jeito me deixou inquieto, como se algo estivesse errado e eu só precisasse vê-la para que aquilo passasse, deixou um suspiro escapar.
– Tô saindo do aeroporto, não precisa se preocupar, o.k.?!
– Você tá bem, ? Sua voz tá estranha! – Falei mais baixo e aquela pausa dela em responder parecia apenas confirmar as minhas suspeitas.
– Eu só não dormi direito, mas eu tô bem…
– Tem certeza? Jura?!
– Juro, juradinho! – Ela riu e era tudo que eu queria ouvir, ri junto dela.
– Olha, vem logo, que eu quero te ver antes do show!

Quando cheguei no hotel, Rober me avisou que estava em outro quarto me esperando, e aquilo estava cada vez mais estranho.
!! Tá aí?! – Bati à porta algumas vezes e apareceu de roupão, cabelo molhado e olheiras profundas, como eu nunca tinha visto antes – Tudo bem, minha linda?
– Tudo, só estou muito cansada! – Ela sorriu fraco e me abraçou, muito mais apertado do que o de costume, e eu tentei olhar em seus olhos, mas era difícil, apertei-a em meus braços sentindo que precisava disso.
– Eu queria tanto te ver! – Ela se afastou para me olhar e eu a ergui, fazendo-a rir, passou suas mãos por meu pescoço e me beijou, consegui entrar no quarto e fechar a porta com um chute.
– Eu tô bem aqui, ! – Disse em seu ouvido e ela sorriu um pouco mais pra mim – Vamos pro meu quarto? Por que você veio pra cá primeiro?! Eles já sabiam que você vinha...
apenas balançou a cabeça negando e fazendo uma careta, se afastou sentando na cama e aquele semblante preocupada voltou.
– Tá bom, o que houve? Você não tá bem, .... – Me sentei em sua frente e peguei em sua mão que só agora eu percebia estava muito gelada.
– Eu sei que parece idiotice, e você pode achar a coisa mais boba do mundo, mas.... – abaixou seu olhar e eu sentia o aperto dela em minha mão mais forte, ela estava realmente nervosa.
– Fala, , eu tô aqui, pode falar!
– Fazia tanto tempo que eu não fazia isso que tinha até me esquecido como era horrível e desesperador – Ela me olhou novamente e agora ela parecia um bichinho acuado e indefeso, e não a forte e destemida que eu conhecia desde o primeiro dia – Eu tenho medo de avião, Luan! Medo de verdade!
– Sério? – Foi inevitável e quando me dei conta as palavras já tinham pulado da minha boca e me olhou triste e decepcionada.
– Sim, e hoje foi horrível, teve uma turbulência nesse voo e eu demorei pra te atender porque eu estava lá no banheiro do aeroporto, botando tudo pra fora, pensando em morar ali ou voltar de ônibus pra São Paulo….
Eu a abracei antes mesmo que ela terminasse e senti escondendo o rosto no meu peito.
– Tá tudo bem agora, você tá aqui comigo! – Sussurrei em seu ouvido e se afastou para me olhar, seu sorriso parecia triste.
– Desculpa, eu queria....
– Não, nada disso você deve ter se assustado porque você estava sozinha, mas agora nós vamos nos concentrar nesse tempo do aqui e agora! – Peguei as duas mãos dela e beijei, me olhou e eu dei o meu melhor sorriso.
– Você tem um show pra ir agora, dizem que o cantor é bem legalzinho até, depois a gente vai sair.... – Eu disse tentando fazê-la sorrir e fez uma careta em resposta, balancei a cabeça negando aquele pedido antes mesmo que ela dissesse alguma coisa.
– Você veio ficar comigo, mulher! Então a gente tem que ficar junto, oras – riu e eu passei meus braços por sua cintura, beijando seu rosto várias vezes vendo ela tentar escapar de mim.
– Luan! Eu vou acabar ficando pelada aqui! – Ela reclamou tentando ajeitar seu roupão e eu a olhei nos olhos, me segurando pra não desviar meu olhar.
– Não ia achar ruim, hein! – Pisquei pra ela que riu me dando um tapa no braço.
– Idiota!

Tentei convencer a ir comigo para o meu quarto e se arrumar lá, mas ela preferiu ficar ali naquele mesmo e depois trocava de quarto. Precisava pensar em um jeito de poder ajudar , eu não queria vê-la daquele jeito, eu não queria vê-la mal de jeito nenhum.
Me arrumei em tempo recorde, quando bati em seu quarto ela estava quase pronta, simplesmente linda com um vestido todo preto, cabelo solto e aquilo que eu estava sentindo mais falta, seu sorriso, lindo e contagiante tinha voltado. Ela só pegou o que faltava e veio me encontrar na porta.
– Vamos?! – Fiz graça imitando aqueles lordes ingleses e ela entrou na brincadeira, me cumprimentando com uma reverência de leve, como se fosse uma princesa dos contos de fadas.
– Com prazer! – sorriu e me deu uma piscadinha antes de enganchar seu braço ao meu e trancar sua porta.
– Depois você vai ficar comigo, certo?! – Perguntei quando já estávamos no elevador e riu concordando.
– Certo! – me deu um selinho e assim que o elevador parou, ela seguiu com o Rober para a van enquanto eu ficava pra trás e atendia algumas pessoas que estavam me aguardando na frente do hotel.

O tempo passava muito rápido quando estava perto do show começar, já tinha feito o atendimento da imprensa e dos fãs, e estava terminando de aquecer a voz quando entrou no camarim apressada.
– Não quero atrapalhar, só vim buscar minha bolsa – Ela disse baixo e eu ri, a puxando antes que ela conseguisse sair dali.
– Preciso do meu beijo de boa sorte, Srta. – Abracei pela cintura e a beijei sentindo seu sorriso no meio do beijo.
– Você precisa ir! – Ela tentou me afastar rindo, mas eu a puxei para mais perto roubando mais um beijo dela.
– É sério, Luan! – conseguiu afastar o rosto e eu ergui a mão me rendendo.
– Tá bom! Parei! – Ela já ia saindo do camarim quando eu peguei em sua mão, chamando sua atenção.
– Que foi? – me olhou de lado, tentando parecer séria e eu entrelacei sua mão a minha, sorrindo pra ela vendo seu sorriso se abrir em resposta.
– Eu só estou muito feliz porque você está aqui! – Pisquei pra ela e vi seu sorriso aumentar mais ainda, me jogou um beijo e saiu do camarim, me deixando sozinho. Ajeitando os últimos detalhes.

O show começou muito animado, e essa sempre seria a minha hora favorita do dia, a hora de dar tudo de mim pra aqueles que sempre me retribuíam de maneiras diversas e intensas. A energia era sempre boa, diferente em todos os lugares, mas sempre boa, o público estava muito animado e não pararam de cantar em nenhuma música. Eu já estava suando e me divertindo, quando chegou a hora da ‘Nega’ e eu fui buscar a fã pra participar comigo do show, consegui ver ao lado do palco, curtindo o show perto do pessoal da minha produção.
No momento mais calmo do show, comecei cantando ‘Te Esperando’ e um pouco antes de iniciar a próxima música, consegui olhar ali para o lado e ver prestando atenção no que eu falava, esperava que ela entendesse através da música pelo menos um pouquinho do que a presença dela ali significava pra mim. Especialmente hoje.

– Antes de cantar essa música, que é tão importante pra mim e pra minha história, eu quero que vocês sempre se lembrem que assim como diz na letra dessa música que “a gente não precisa tá colado pra tá junto”, que eu vou estar sempre com vocês! Nunca se esqueçam disso!

O público gritou bastante e aproveitando o embalo, comecei a cantar “Te Vivo” que de todas aquelas músicas ainda era uma das que mais me emocionava, que trazia uma verdade inegável à tona, era forte e sincera, Te Vivo era mais forte que Te Amo.

– …. Eu não preciso te olhar
Pra te ter em meu mundo
Porque aonde quer que eu vá
Você está em tudo
Tudo, tudo que eu preciso
Te vivo

– Eu vivo vocês demais! – Fechei os olhos e disse ao final da música. Sorrindo para o público e ganhando muito mais sorrisos e gritos como ‘Luan, Eu Te Vivo’ como respostas. Aquele era o combustível, o melhor pagamento, a melhor recompensa.

– Simbora, que ainda tem muita festa pra gente curtir!

A animação continuou no mesmo nível, o restante do show passou tão rápido que quando me dei conta já era a última música e eu precisava encerrar porque a próxima atração já estava aguardando. Quando voltamos para o hotel, estava abraçado a no elevador e ela começou a sorrir pra mim através do espelho.
– Que foi? Que carinha é essa?
– A menina que participou do show hoje como Nega achou que eu era da imprensa, mas depois que ela ficou ali por perto mudou de ideia e achou que eu era da produção e me perguntou se eu sabia pra que balada você ia depois – riu e semicerrou os olhos pra mim.
– O que você respondeu? – Sorri apenas para provocá-la e me deu uma cotovelada em resposta.
– Disse que você ficaria lá, no show mesmo! – Ela deu de ombros e eu a olhei boquiaberto.
– Que feio, , tô dando um bolo sem nem saber....
O elevador parou e ela saiu na frente, corri e enlacei sua cintura, puxando pra mais perto.
– Idiota! – Ela disse quando eu beijei seu pescoço, consegui abrir a porta do quarto enquanto ria se debatendo tentando fugir de mim.
– Da próxima vez eu te deixo lá então! – Ela conseguiu escapar e foi pro outro lado da cama – Deveria voltar pro meu antigo quarto!
– Não! Eu estava brincando! – Consegui alcançá-la e a abracei, desta vez olhando em seus olhos, vendo ela tentar se manter séria – Aqui tá melhor que em qualquer outro lugar – Beijei seu pescoço mais uma vez sentindo se arrepiar e encolher de leve – E vai ficar melhor ainda! – Sussurrei em seu ouvido e senti as mãos dela agora em meu pescoço, suas unhas me arranhando e me provocando cada vez mais.
– E posso saber por que?! – mordeu minha boca de leve, sorrindo ainda mais quando eu a ergui em meu colo.
– Porque agora nós temos todos esses dias só pra gente! – Disse com minha boca quase colada a sua, a deitando na cama e sentindo me puxar pra ela.
Era só a primeira noite do nosso feriado, era mais um pedacinho daquela história que a gente estava construindo.

Aqueles dias ao lado de foram incríveis e muito relaxantes. Mesmo sendo a minha estressadinha favorita ela conseguia deixar as coisas mais leves, nós fomos para um resort mais afastado do centro da cidade e parecia que não existiam preocupações em relação a nada, era só eu e ela, e nossas idiotices.
, você prometeu que ia ver o filme comigo….. – Mudei de canal na TV a cabo e estava passando um filme de terror e eu deixei ali, levantou rápido da cama e foi em direção a sua mala.
– Ah não, obrigado! Vou pra piscina mesmo – Ela nem desviou o olhar pra mim e eu comecei a rir.
– Mas tá chovendo, mulher! Vem cá!
– Não! Não gosto desse tipo de filme…. – Ela parou em frente à TV me olhando desta vez.
– Você tem medo? Não acredito nisso – Cruzei meus braços vendo ela começar a ficar corada – Logo a Dona que queria bater em todo mundo quando eu te conheci, pensei que você fosse mais….
– Fica quieto e muda de canal! – Ela se aproximou de mim e tentou pegar o controle da minha mão.
, é só um filme – Ri e comecei a brincar com ela, não a deixando alcançar o controle – Socorro! – Ela riu e começou a me bater de leve no braço, em um movimento rápido consegui puxá-la pra cama e ficar por cima dela.
– Sai de cima de mim, sua coisa gorda – Ela me provocou quando eu segurei suas mãos acima da cabeça.
– É o quê?! – Me aproximei dela, meu rosto estava a centímetros do seu, fingi que ia beijá-la e quando nossas bocas estavam quase se encontrando coloquei uma das mãos por dentro de sua blusa e fiz cócegas nela, gargalhava alto e tentava me bater ao mesmo tempo.
– Luan! Seu idiota! – Ela conseguiu escapar e ficou do outro lado da cama me olhando, enquanto sua respiração se normalizava ela apenas chacoalhava a cabeça, me reprovando.
Desliguei a TV e fui até ela novamente, tentou fingir que estava brava mas não durou nem um minuto, quando comecei a brincar com a ponta de meus dedos em suas pernas, depois subi minhas mãos até sua barriga e me olhou fixamente esperando meu próximo movimento. Sorri de lado pra ela antes de puxá-la para meu colo e unir nossas bocas, ela sabia que eu não conseguia ficar muito tempo longe dela e de seu toque, quanto mais eu pudesse sentir e provar, eu o faria. Ela era irresistível e sabia disso. Adorava brincar comigo.


Já era noite quando nós decidimos pedir nosso jantar, enquanto esperávamos vestiu somente sua calcinha e a minha camiseta que estava jogada no chão do quarto.
– Que tal?! – Ela me olhou colocando as mãos na cintura e fazendo pose.
– Tá linda! – Dei uma piscadinha e deu de ombros, me mostrando a língua em seguida.
– Vou pegar ela pra mim – se virou para o espelho para ver como ela tinha ficado e eu me ajoelhei atrás dela na cama, nos observando pelo reflexo do espelho, e sorriu pra mim, nosso estado estava no mínimo engraçado e meio destruído, mas eu não reclamaria nem por um segundo.
– Que lindezas, olha esse cabelo – riu tentando ajeitar o cabelo mas eu a puxei para deitar de novo, e ela caiu meio desajeitada em cima de mim.
, eu quero falar com você! – Ela ainda estava rindo, mas parou e me olhou desconfiada.
– Que foi? É alguma coisa ruim? – sentou de frente pra mim, e eu pigarreei antes de começar.
– Não, não é nada ruim, é uma coisa que eu lembrei…
– Eu vou ter um treco aqui – escondeu o rosto com as mãos e me espiou entre os dedos.
– Lembra quando você chegou de viagem, muito tensa, com medo e tudo mais?!
– Nem me fale, lembro até demais! – fez uma careta e se manteve séria.
– Eu sei que deve ter sido difícil enfrentar seu medo sozinha, que talvez eu nunca vá entender direito o que você sente ou sentiu quando estava viajando mas eu quero te dar uma coisa – Tirei minha correntinha do pescoço e acompanhou cada movimento quase sem piscar – Quando ganhei essa medalhinha da minha mãe foi para me proteger, é de Nossa Senhora Aparecida, e ela nunca me faltou em nada, ela vai cuidar de você também! – Peguei a mão de e coloquei a medalhinha ali, sorriu pra mim e me olhou com os olhos marejados.
– Que lindo isso, mas eu não posso aceitar…. Foi sua mãe que te deu! – tentou me empurrar de volta o presente mas eu apenas neguei com a cabeça.
– Eu falei com ela, que já deve ter outra dessa me esperando em casa – Dei uma piscadinha pra ela que riu olhando a medalhinha mais de perto desta vez.
– Luan…
– Olha, eu sei que pode parecer pouco, eu aprendi que nem tudo a gente pode controlar mas podemos confiar em Deus! Te prometo fazer todo possível pra te ajudar, viajar segurando a sua mão, te distraindo, o que você quiser e precisar…
Peguei as mãos dela as entrelaçando as minhas. Os olhos de brilhavam ainda mais por causa das lágrimas que ela tentava não derrubar e eu fiz uma careta apenas para vê-la sorrir um pouquinho mais, ela soltou da minha mão e me entregou a corrente para que eu colocasse nela. Logo depois que fiz isso beijei sua testa, senti quase me derrubar quando me abraçou apertado, como se fosse a última coisa a ser feita no mundo.
– Obrigada! Obrigada, de verdade! – me deu um selinho que parecia mais especial que qualquer um de nossos beijos.
– Eu vou estar aqui pro que você precisar! – Pisquei pra ela e a apertei em meu braços, nosso jantar chegou e eu fui receber, estávamos simplesmente famintos e nem nos demos conta.

Infelizmente o feriado acabou e já era hora de voltar pra vida normal, na nossa viagem de volta ainda estava bem tensa, me sentei ao seu lado e dei minha mão pra ela apertar se quisesse, em alguns momentos ela me segurou com força, mas depois de um tempo, ela acabou relaxando e dormiu durante quase toda a viagem. Quando chegamos em São Paulo, ainda estava meio sonolenta e era até engraçado, ela me abraçou de lado enquanto nós ainda estávamos na pista esperando o resto da equipe.
– Eu quero dormir mais! Parece que um trator passou por cima de mim – disse tentando não bocejar e se encostou mais em meu ombro, querendo fazê-lo de travesseiro.
– Mas não dá pra dormir na pista, né, daí sim vão passar por cima da gente.
– Ah, engraçadinho! – fingiu uma risada me olhando de lado, fomos andando atrás do pessoal da minha equipe, assim que chegamos próximos a saída me puxou de lado.
– Vou pra casa, depois a gente se fala, o.k.?! – Nem tinha reparado mas já estava com sua mala, pronta pra ir.
– Tem certeza? Não quer me esperar? – Onde estávamos ainda era em uma parte mais reservada do aeroporto e sabia que não tinha problema se eu abraçasse como eu estava fazendo, passei meus braços por sua cintura e a trouxe para mais perto.
– Você já deve ter várias coisas pra fazer e eu já tô morrendo de cansaço – piscou pra mim ficando na ponta do pé antes de me beijar – Se cuida! E… Adorei todos esses dias!
Ela ainda estava com a mão na minha nuca quando sorriu de lado, e me puxou de leve, indo até meu ouvido e sussurrando as últimas palavras.
– Se cuida! – Dei um último selinho nela, vendo ela se afastar para o lado oposto ao qual eu sairia.

No final do dia, eu já teria que ir para o Rio de Janeiro, tinham várias gravações programadas para programas de TV e o dia seguinte seria cheio. Assim que cheguei no aeroporto do Rio, vários fãs já me aguardavam, saí da van e comecei a tirar fotos e conversar com eles.
– Oi, Luan! – Uma fã veio me abraçar e antes de se preparar pra foto ela me olhou meio desconfiada, depois tentou espiar dentro da van – Você tem mesmo uma nova namorada? Ela não veio com você?!
Olhei para o Rober e ele apenas deu de ombros, sorri pra garota e apenas neguei com a cabeça. Como elas sabiam daquela história?! Estava sem entender nada, depois daquela fã, todas perguntavam quase a mesma coisa, se eu estava namorando, qual era o nome dela, se eu não contaria pra elas e se a ‘menina da foto’ era essa tal namorada.
Eu ainda não fazia ideia sobre o que elas estavam falando, mas sabia que não gostaria nem um pouco disso!


Continua...



Nota da autora: (04.10.2017)
Oieee!! Tem alguém aí?!
Tudo bem?!
Estava super ansiosa pra chegar nesse capítulo <3 Ele é muito especial pra mim, e eu espero que vocês gostem e aproveitem, ele ficou bem grande hein ;D
Me contem o que estão achando, ok?! O que será que vai acontecer?!
Qualquer coisa, tô sempre no twitter.
Miiil Beijoos, até a próxima!






Outras Fanfics:
Better With You - One Direction/Andamento
07.This - Ficstape Ed Sheeran/Finalizada
06.Risk It All - Ficstape The Vamps/Finalizada


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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