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Finalizada em: 06/09/2021

Chapitre Unique

Wakanda, 2017

Celebrar a vida nunca foi uma tarefa fácil para Bucky.
E como poderia ser, depois de tantos anos passando por tudo o que passou?
Demorou quase sessenta anos para que ele percebesse, que tivesse ciência, de que não comemorava mais aniversários. Sessenta anos. Entre todas as coisas que ele havia perdido, que havia brutal e violentamente retirado dele, celebrar a vida, sua própria vida, também foi uma delas. Bucky não tinha consciência de quem era, de quantos anos tinha, de onde estava, do porquê exatamente fazia as coisas que fazia. Ele não comemorava mais aniversários porque sequer sabia a data do seu, porque sequer se lembrava de que celebrar o próprio nascimento era algo que costumavam fazer por aí. Bucky não tinha mais costumes, nem culturas, nem propósitos, nem celebrações. Não tinha mais nada. Era só um dia de cada vez, uma missão atrás da outra, o tempo que passava, mas que logo era propositalmente apagado de sua mente. Não havia motivo, nem espaço, nem interesse para celebrar. Bucky estava morto por dentro. E não se celebram aniversários de morte. Ao menos era o que o Hydra pensava.
Em meados dos anos noventa, contudo, aquele cenário havia se alterado ligeiramente. Bucky tinha sido encontrado e, de certa forma, resgatado, por um casal de cientistas. Totalmente desconhecidos, como qualquer outra pessoa naquele mundo para ele. O casal deu-lhe uma chance de experimentar algo novo, algo que Bucky sequer podia sonhar, porque seus sonhos também haviam sido censurados. A chance de ser livre novamente, a oportunidade de viver, finalmente, de sentir-se quem era, de ser mais do que uma arma, mais do que um projeto experimental. Bucky ganhou uma chance de ser humano, de viver e ganhou o primeiro motivo que se lembrava para celebrar sua própria vida.
O casal de cientistas, Benedict e Hellen Lamarck, o acolheram, o receberam no seio de sua família, o compreenderam e tentaram o ajudar. A primeira vez em décadas que Bucky estava sendo tratado como um ser humano, como uma pessoa que sentia, que sofria. A primeira vez em décadas que conseguiu respirar das torturas, dos aprisionamentos e que pode ter consciência de si mesmo. O que tinham a oferecer à Bucky era o maior e o melhor dos presentes que ele poderia receber. Em contrapartida, estavam pagando o mais alto dos preços por ele.
Bucky celebrou seu aniversário pela primeira vez, em sessenta anos, nas poucas semanas que conseguiu compartilhar com aquele casal. Eles tinham informações preciosas sobre sua vida, sabiam muito mais do que a ciência por trás do Soldado Invernal e como matá-lo de uma vez por todas. Eles sabiam sobre quem era James Barnes. Sabiam mais sobre ele do que ele mesmo naquela altura da vida. Bucky aprendeu sobre si naquelas semanas e se lembrava exatamente da sensação de se reconhecer, de ler sobre seu nascimento, sobre seu aniversário, em uma noite amena de verão, sentado na varanda da casa discreta e aconchegante em Nice.
Entre tantos papéis e relatórios que o casal o havia entregado, que discorriam sobre a vida dele, um deles em especial chamou sua atenção naquele dia. O Laudo Vinte e Cinco. Hellen o tinha roubado assim que conseguiu sair da Hydra de uma vez por todas, por algum motivo inconsciente que ela mesma não sabia dizer. Talvez quisesse levar consigo todas as referências do Soldado Invernal por medo de aquilo se repetir com outra pessoa ou por receio de aprofundarem o experimento e sabe-se lá fazer o que mais com James. Ou por culpa. Talvez mais por culpa do que por qualquer outro motivo. Hellen tinha parte considerável na autoria daquele laudo. Não em sua redação, mas pior: em seu progresso efetivo.
Em cento e oito páginas datilografadas, com letras tão finas que era preciso espremer os olhos para ler com clareza, Bucky viu absolutamente tudo o que tinha acontecido consigo ao longo de todos os anos que passou com a Hydra. Todos os experimentos, todos os progressos, todos os fracassos. Viu sua saúde mudar junto com seu porte físico, a elaboração e a implementação da prótese de seu braço. Viu o que tinham feito com sua mente. Mas, mais do que aquilo, ele viu algo que o marcou para sempre. Algo que levou consigo daquele dia em diante e que, mesmo tendo passado pela tortura de ter sua mente apagada outras vezes depois daquele dia, ele nunca mais esqueceu. Bucky viu o seu nome completo, viu seu local de nascimento, viu os nomes de seus pais, de sua irmã. E ele viu sua data de aniversário.
Nada, nunca mais, foi o mesmo para Bucky depois de ler aquilo.
Foi a primeira vez desde que foi sequestrado pela Hydra que teve noção de quem verdadeiramente era, que soube de sua idade real, que caiu em si mesmo, sobre o tempo em que vivia, sobre a época que já não lhe pertencia mais. De certo, ele ficou confuso. Exasperado, desesperado, sufocado por tantas informações que pareciam desconexas, irreais. Ele tinha oitenta e tantos anos? Como podia? Como…? Estava vivendo uma mentira há décadas, estava sendo tão intimamente controlado, censurado, apagado, que nunca sequer teve a chance de perguntar sobre si mesmo para alguém. Uma sensação estranha o inundava, um sentimento de não se reconhecer e de ver a si mesmo descrito em folhas de sulfite, como se ele fosse uma história contada, como se sua vida não valesse mais do que palavras soltas em um calhamaço papel.
Bucky estava fazendo anos naquela semana.
De fato, muito mais do que gostaria de ter, bem diferente do jeito que ele gostaria de viver. Mas especial, por ainda assim, celebrar em silêncio a tormenta e a alegria de finalmente saber quem era.
O laudo vinte e cinco, curiosamente o número que era símbolo de introspecção e de sensibilidade, dizia ainda que havia uma característica comportamental de James que chamava atenção pelo bom progresso. Diferente de outras cobaias, de outras tentativas da Hydra, ele estava expressamente respondendo bem aos estímulos para se tornar o que queriam que ele se tornasse. O laudo vinte e cinco dizia que Bucky tinha chegado ao nível ideal de apatia. E dizia que aquilo era irreversível. Dizia que James seria incapaz de sentir qualquer coisa, de reagir a qualquer emoção, de responder a qualquer que fosse o estímulo emocional, ele era apático. Sempre seria. E aquilo não podia estar mais errado.
Bucky se esqueceu de Hellen. Se esqueceu da casa de Nice, de Benedict. Ele se esqueceu que um dia viveu aquilo tudo. Suas memórias foram apagadas poucas horas depois que voltou, algumas semanas mais tarde, voluntariamente, para a base central da Hydra, trocando a si mesmo pela vida da garota que haviam sequestrado, a filha dos cientistas que o resgataram, o preço alto demais que tiveram que pagar para conseguir tirar ele daquela sina. Bucky se sentou na cadeira que tiraria dele o pouco que tinha conseguido recuperar de si mesmo e, de olhos fechados, prevendo a dor insuportável e aguda que começaria em breves segundos, junto com a terapia eletroconvulsiva, tentava guardar o máximo possível de informações que leu naquele laudo.
O laudo vinte e cinco.
O laudo vinte e cinco.
O laudo vinte e cinco.
O laudo vinte e cinco.
Ele não se esqueceu.
Nas paredes da cela onde era trancado, na Sibéria, ele anotou o endereço de Nice, que não fazia mais sentido para ele, e nomes de plantas que lhe pareciam aleatórias depois que teve as lembranças recentes apagadas, mas que tinha aprendido com Benedict, para quando precisasse exercer a memória.
Mas Bucky não se esqueceu. Não de tudo.
Nem de seu nome, nem de onde vinha, nem da data de seu aniversário. Ele não se esqueceu do número escrito, em francês, na capa do laudo. Vingt-cinq.
O exato mesmo número, no exato mesmo idioma, que observava, no presente, pendurado em balões ao seu redor.
Apatia. Ele deixou escapar uma risada nasalada, seus olhos presos nos balões a sua frente. Se era mesmo apático, se aquilo realmente tivesse sentido, se o experimento tivesse mesmo tirado aquilo dele, como podiam explicar tudo o que estava sentindo naquele momento? Como podiam explicar tudo o que tinha vivido no último ano, tudo o que sentia pela garota cujos pais deram suas vidas para salvar a dele? Como podiam explicar tudo o que ele sentia em ter aquela lembrança só de ver um balão?
E como se estivessem respondendo àquela pergunta, o barulho alto de uma bexiga estourando bem seu ouvido esquerdo fez Bucky se assustar levemente, o fazendo afastar as lembranças de uma vez por todas e voltar seu olhar descontente para a criatura que agora aparecia em seu campo de visão. Ao fundo, o tom ameno mas animado e alto de I could be the one (Avicii) começava a tocar na sala principal onde estavam. O som já estava passando pelo teste, a hora mais esperada daquele dia, talvez da semana toda, estava finalmente chegando.
— Alô, Lobo Branco? Está dormindo? — A voz de Shuri praticante berrando despertou a atenção de Bucky — Estou há meia aqui gritando, no mínimo.
— Desculpe, estava… longe — Bucky respondeu baixo, sua mente prestando atenção na letra da música, o lembrando de .
— Achei que tinha morrido em pé — A garota bufou, revirando os olhos.
— O que você quer, Shuri? — Ele revirou os olhos voltando-se para ela.
— Tem gente querendo te ver — Ela apontou para a sala de recepção, atrás de si, dando alguns passos mais perto dele.
— Ah, mas que merda! Não vá me dizer que ela descobriu? — Bucky arregalou os olhos levemente, em claro sinal de frustração. Tinha se esforçado tanto para fazer tudo acontecer do jeito certo, não podiam ter estragado tudo. Não quando faltava tão pouco.
— Não, Barnes. Ela deve estar ocupada demais lidando com o que vai vestir pra ter uma noite de amor com… você — Shuri sorriu provocativa, apontando para o homem que, parado a sua frente, bufou envergonhado.
Apesar de velho e sempre usando as mesmas cores, o que era um tanto tedioso para ela, Shuri pensou que ele estava charmoso naquele final de dia. Bucky vestia uma calça preta e um camisa de mangas curtas da mesma cor, que deixavam seu peitoral relativamente marcado. Seu braço de vibranium estava exposto como poucas vezes ela havia visto, mas a jaqueta jogada em cima de um dos sofás perto deles entregava que ele não o deixaria à mostra por muito mais tempo. Seu cabelo estava solto, um lado atrás da orelha, e seus olhos carregavam uma expectativa tão intensa que o tom de azul chegava a brilhar.
Shuri não tinha dúvida alguma sobre o quanto Bucky amava . Apesar disso, sabia que ele ainda não havia dito aquilo expressamente a ela. E nem ela a ele. Era complicado, para os dois, Shuri sabia. Estavam oficialmente juntos há um ano e muita coisa ainda era delicada, complexa demais. Bucky carregava consigo um passado de décadas de violência, torturas e apagamentos. A cada parte, mínima que fosse, que se lembrava do que fez ou do que foi um dia mexia com ele de formas intensas e profundas. Ele tinha medo de si mesmo, tinha pavor das coisas que podia fazer e pânico de fazer qualquer coisa contra . Bucky teve muitas recaídas e muitos dias em que se questionava se deveria mesmo ter se apaixonado por alguém. Mas no amor, quem mais reina senão o coração?
, por sua vez, carregava o fardo de ter feito o que fez com seus pais biológicos e temia repetir aquilo. Como se tivesse algo dentro dela avisando que, a qualquer momento, ela poderia explodir, feito uma bomba-relógio. Ela podia perder o controle, podia simplesmente não aguentar a pressão da fitocinese, podia causar mais dor e sofrimento para as pessoas ao seu redor. Assim como Bucky tinha medo de machucá-la, tinha medo de atingir ele. Tinha medo porque sentia que havia um risco potencial em perder tudo aquilo que amava. Então, talvez, se não confessasse seu amor em voz alta, se não dissesse à Bucky que o amava, aquilo não poderia se consolidar. Poderia?
Contudo, entre medos e inseguranças, o que Shuri via na maior parte dos dias era muito mais do que aquilo. Via ali duas pessoas entregues uma à outra, responsáveis, respeitosas e companheiras. Duas pessoas que se ajudavam a seguir em frente, que estavam estancando os machucados uma da outra sem sequer se dar conta daquilo. Duas pessoas que se divertiam, que riam das mesmas coisas, irritavam Shuri na mesma proporção. Um casal normal, apesar das anormalidades. Que passavam boa parte dos dias juntos, dormiam juntos e discutiam às vezes. Que se importavam um com o outro, que se enchiam de carinhos pequenos e diários e que faziam planos para o futuro. Antes e acima de qualquer sentimento que eles carregavam, havia o amor. O amor por si mesmo e o amor de um pelo outro.
Talvez o que faltava a eles era coragem. A mesma coragem que tiveram ao sair juntos pela primeira vez, em dar o primeiro beijo, em transar naquela noite. Faltava a eles coragem em dizer um ao outro o que verdadeiramente sentiam, em assumir o amor com todas as letras que ele tinha, com todos os desafios e incertezas que ele carregava, com toda a força que só amar alguém de verdade poderia ter. Vendo Barnes parado diante dela, depois de tantas semanas planejando e organizando aquela festa, tão cheio de expectativas e segurando a alegria de viver aquilo talvez pela primeira vez em sua vida, Shuri só desejou que eles o fizessem logo. Dizer ‘eu te amo’ não demandava tanto esforço assim.
Mas o que ela ouviu de Bucky, contudo, foi bem diferente daquilo.

— Você é muito desnecessária, sabia disso?
— Troca o disco, vovô — Ela desviou seu olhar dele até algumas pessoas que, animadas, começavam a se aglomerar na sala, onde a festa deveria começar em breve — Você me fala isso pelo menos dez vezes por semana.
— Por essas e por outras, sempre vale a pena repetir — Com as mãos nos bolsos da calça, ele levantou as sobrancelhas — Quem sabe você não muda.
— Quem tem que mudar alguma coisa aqui é você — Shuri deu de ombros — A começar pelos hábitos de higiene. Lavar mais o cabelo, por exemplo.
— Me deixa em paz, garota — Bucky semicerrou os olhos, não entendia por que Shuri pegava tanto no pé dele com banho.
— Nunca — Ela sorriu vitoriosa e, sem desviar o olhar dele, voltou a andar lentamente em direção a cozinha.
— Vou falar que você está dormindo com o mesmo pijama surrado de dinossauro há seis meses e não quer mandá-lo pra lavanderia porque tem apego emocional — Bucky apontou com o queixo para a DJ poucos passos de onde eles estavam, que testava o som, e que reparou Shuri não tirar os olhos desde que chegou ali horas antes — Depois eu quem sou o sujo.
— Você é mesmo — Ela parou de andar por um momento e encolheu os ombros — Qual é? Eu vou matar a por ter te contado isso.
— Então é verdade?
— Vai para o INFERNO, fóssil — Shuri falou alto e pausadamente ao exato mesmo tempo que a música que tocava parou. Como se tivessem combinado, as poucas pessoas por perto voltaram seus olhares curiosos para Shuri, que soltou uma risada sem graça, sem querer encarar a DJ gatinha que também a olhava.
— Para um primeiro contato, acho que você não mandou muito bem — Provocativo, Bucky curvou-se como se ficasse mais perto dela, desviando seu olhar da DJ para Shuri. A garota revirou os olhos e, impaciente, virou-se de costas para ele, mas não sem dar-lhe o dedo do meio e gritar:
— Eu te odeio, Barnes.
— Eu sei — Ele respondeu alto e risonho, observando a garota se afastar impaciente.
Apesar de irritante, como sempre, Shuri estava sendo a melhor pessoa que podia ser com Bucky naqueles últimos dias, em especial. Ela tinha comprado a ideia dele de fazer aquela festa e, animada em enganar a amiga, estava levando cada detalhe tão a sério quanto ele próprio. Shuri tinha mandado fazer os balões coloridos, com o nome de e a idade dela, vinte e cinco anos, estampados, além de outras frases em francês como “feliz aniversário”, “nós te amamos” e “está ficando tão velha que os anciãos logo te convidarão a fazer parte do conselho”.
O conselho. A parte boa de Shuri ter gostado da ideia de fazer uma festa surpresa, para quase cem pessoas, dentro de um prédio oficial de governo, no Palácio, era justamente o poder de persuasão que ela tinha. O conselho claramente não aprovou um absurdo daqueles, mas Shuri conseguiu convencer T’Challa, sua mãe, Okoye e seu marido. E aquilo já representava praticamente metade dos conselheiros que tinham efetivo poder de voto. A outra metade, embora não concordasse nem com a festa de aniversário nem com a presença de no país, foi comprada com meia dúzia de convites. No final das contas, não havia nada que boas bebidas e bolo não conseguissem comprar.
Shuri tinha conseguido mobilizar um buffet que, vindo diretamente da França, trazia o melhor que a culinária nacional de podia oferecer misturado com o que Wakanda tinha de mais refinado. Ela havia contratado uma DJ, uma equipe de decoração que fez muito mais do que arrumar uma mesa simples no canto, como Bucky havia pedido e, não bastasse, tinha forrado todos os cantos da gigante sala principal do Palácio, penduradas no teto, nas paredes e até dentro do piso transparente e de vibranium, com buquês de rosas. Brancas, vermelhas, cor-de-rosa. Flores que, certamente, chamariam a atenção de antes do esperado e estragariam a surpresa, pela energia concentrada que transmitiriam, e que foram rapidamente substituídas por versões bastante realistas de plástico. Por todos os lados, luxuosas, chamativas, e misturadas a cascatas de luzes que pareciam cachoeiras.
Bucky estava satisfeito com o apoio de Shuri. Ela conhecia tão bem quanto ele, sabia do que ela gostava, entendia do gosto refinado da mulher. Não podia estar melhor do que aquilo e Bucky assumia, para si mesmo e em segredo - porque não aguentaria Shuri se gabando pelo resto da vida, que jamais faria algo tão grandioso e tão detalhadamente delicado quanto tudo aquilo que Shuri fez. O que ele não fazia ideia, contudo, era que Shuri estava empolgada daquela forma porquê de todas as coisas que já tinha ganhado na vida, aquela era, sem dúvidas, uma das mais amorosas e especiais.
Shuri estava verdadeiramente empolgada. Tão animada pela festa que tinha até comprado roupas novas, o que não passou despercebido por Bucky que não deixou de reparar em como ela estava elegante. Usava uma calça com pernas largas de tecido social, maleável, e cintura alta e um top, como um sutiã, com um nó torcido no meio dos seios. Ambas peças eram cor de laranja, a calça ligeiramente cintilante e o top dégradé. Seus cabelos trançados estavam presos em um rabo de cavalo alto e a maquiagem que usava tinha tons terrosos e cítricos, como o cheiro do perfume que ela vestia.
Tudo estava saindo exatamente como planejado e aquilo era ótimo. Apesar dos balões celebrando os vinte e cinco anos de o lembrarem de um momento tão íntimo de sua própria trágica história, Bucky tentou não mais se concentrar naquilo. Era um dia especial, um dia a ser vivido com felicidade e muito amor. Era o dia de . O dia de agradecer e comemorar a vida da pessoa que, nos últimos poucos anos, era sem dúvida a mais importante da vida dele.
Dando uma última olhada no balão à sua frente, especialmente em seu número, Bucky suspirou. Onde quer que Hellen e Benedict estivessem agora, Bucky desejava que vissem aquele momento. Que se lembrassem de como e quando tudo aquilo começou, com o laudo vinte e cinco, e que celebrassem os vinte e cinco anos de sua filha. Vinte e cinco foi o número que ele nunca esqueceu. Talvez fosse um número a ser lembrado. Talvez vinte e cinco fosse seu número da sorte.
Dando uma rápida olhada ao redor, Bucky encontrou sua jaqueta e a vestiu rapidamente, caminhando em direção a sala de recepção, onde Shuri havia indicado que alguém o esperava. Talvez fosse T'Challa ou Okoye. Não havia muitas outras opções de pessoas no país que poderiam querer falar com ele. Se não era nem Shuri, a lista já caía pela metade. Talvez Ayo. A poucos passos de cruzar a enorme porta, contudo, Bucky parou por um instante ao ver, vindo da cozinha em um carrinho de metal empurrado pela melhor confeiteira de Wakanda, o bolo mais bonito que ele já tinha visto.
Empilhando macarons, o bolo em patamares era completamente incrustado com eles, da base ao topo. Com a casquinha sabor frutas vermelhas e o recheio de ganache branca belga e vegana, do jeito que ele havia pedido, aquilo não podia ser mais . Junto com ele, bandejas enormes estavam recheadas com mais macarons em formato de flores, exatamente como os que ele havia dado para ela quando conversavam a sós pela primeira vez, quando ele foi desculpar-se depois que voltaram da Sibéria. Bucky sorriu feliz e discreto, a sensação boa de animação tomando conta de si enquanto esperava a confeiteira passar por ele para dizer sincero e um tanto encantado:
— Está lindo, Enila, ela vai amar.
— Obrigada, eu espero que sim — Tímida, a confeiteira respondeu. Estava orgulhosa de si mesma pelo trabalho, mas ficava sempre um pouco nervosa perto do Sargento Barnes. Só conseguia pensar que Bast tinha seus preferidos e certamente era um deles.
Todavia, ela não estava mais nervosa do que Bucky naquele momento. Só faltava o bolo para a festa verdadeiramente começar e ali estava ele. Tudo estava em seu lugar, finalmente, depois de tantas horas organizando. Okoye ainda tinha que segurar por mais algum tempo para que os convidados chegassem e Bucky estava ficando nervoso. Um nervosismo que não se recordava sentir antes, não havia memórias parecidas com aquela que criava ali. Não de raiva ou de braveza, mas sim de expectativa, de ansiedade. Não tinha certeza se já teve uma festa de aniversário surpresa na vida, não tinha certeza se ela ia gostar, se o bolo estava realmente do jeito que ela amava. Não sabia como ela ia reagir quando descobrisse que, na verdade, eles não iriam sair para jantar. Será que ela ficaria frustrada?
Bom, certamente não. gostava de festas, gostava de dançar e gostava das pessoas que estariam ali com ela naquela noite - ao menos de uma parte delas, a outra, contudo, Bucky tinha certeza de que nem sequer conhecia, mas estavam ali porque Shuri não soube filtrar muito quem deveria ou não convidar. Parte do nervosismo de Bucky, contudo, vinha daquele fato, em especial. Ele tinha inventado aquela história toda de festa surpresa, ele queria dar uma festa de aniversário para , mas, no fundo, ele estava com certo receio de tanta gente por perto. Nem todas as pessoas estavam acostumadas com a presença dele e a maior parte delas parecia ter certo receio de ficar perto. Bucky era discreto e um tanto recluso. Não costumava sair, frequentar lugares cheios e nem se expor. Algumas pessoas o olhavam torto, algumas outras, Bucky sequer conseguia ler os olhos. Era estranho recebê-las ali e era mais estranho ainda tentar ser descontraído e se divertir na frente delas.
Bucky estava se sentindo inseguro. Uma vez mais, inseguro. Queria ser e fazer tudo o que merecia, tudo o que ela era e fazia por ele. Contudo, para Bucky, ainda não parecia o suficiente e ele não sabia se realmente conseguiria. Será que era o bastante? Será que daria tudo certo? Será que podia pular para a parte em que cantam parabéns e comem o bolo de macarons e todo mundo vai embora? Bucky balançou a cabeça. A festa mal tinha começado e ele já estava criando julgamentos que não existiam. Tinha que se dar uma chance de ser sociável, de socializar. sempre dizia que bastava conhecer ele para que os olhares parassem de ter medo e começassem a ser simpáticos. Mas ele tinha que olhar dessa forma para si mesmo antes. Aquela era uma ótima oportunidade para isso. E, afinal de contas, não haveria hora dos parabéns, porque não se cantava parabéns em Wakanda. Teria que lidar com a festa sem pausas.
— Isso aqui é tão a cara da , que nem sei o que dizer — A voz feliz e um tanto emocionada de Karl chamou atenção de Bucky que se virou, a tempo de ver os pais dela saírem da sala de recepção e caminharem em sua direção. Bucky sorriu abertamente, surpreso.
Não via Karl e Everett ao vivo desde que chegou em Wakanda, mais de um ano atrás. De fato, depois que passou a ter algo mais sério com , o casal de homens passou a ter uma presença mais constante em seus dias. Sempre se conversavam, por telefone, mensagens ou por hologramas, conseguiram se aproximar e conseguiram trocar mais de si ao longo do tempo. Embora no começo tivessem certo receio da escolha de em ficar justamente com James, Karl e Everett o haviam abraçado como família também. Haviam dado a chance que ele pedia de mostrar ser quem era e havia ganhado muitos pontos em mostrar tanto amor, carinho e cuidado por . Hoje, Karl e Everett se sentiam seguros com a presença de James na vida de sua filha. Seguros o suficiente para sentir que Bucky era, de fato, parte da família deles.
— Fico feliz que tenham conseguido vir — Abraçando brevemente Karl e, em seguida, Everett, Bucky comentou sorridente. O casal tinha deixado com os recepcionistas da festa presentes das lojas preferidas de e uma pequena mala de mão, com o suficiente para passar uma ou duas noites ali. Era o tempo que tinham livre antes de ter que voltar a trabalhar, mas era o suficiente. Estavam realmente felizes de terem conseguido participar do evento.
— Quase não chegamos a tempo, achamos que o voo iria atrasar — Everett comentou, soltando-se de Bucky.
— Ela já descobriu? — Karl perguntou ansioso, dando uma nova olhada ao redor.
— Ainda não. As pessoas estão começando a chegar agora, estão em tempo da surpresa — Bucky deu uma rápida olhada para trás, a tempo de ver novas pessoas chegando e se sentando nos sofás, cumprimentando umas às outras e deixando presentes mais ao canto. Shuri dava as últimas coordenadas aos garçons que começavam a aparecer pelo amplo salão, uma música nova, I took a pill in Ibiza (Mike Posner ft. Seeb), começava a tocar e o bolo estava, finalmente, em cima da mesa principal de doces. Tudo estava começando a acontecer.
— Estou impressionado com a organização, lindo demais — Karl comentou outra vez, seus olhos varrendo a sala luxuosa com surpresa e admiração.
— Obrigado! Fiz o melhor que podia, vocês acham que ela vai gostar? — Transbordando expectativas, Bucky pressionou os lábios, encarando os dois homens à sua frente que se entreolharam.
— Sinceramente? Não — Karl respondeu sério, seus lábios pressionando-se em uma fina linha, tirando de James um olhar confuso e um sorriso murchando — Ela vai AMAR!
— Bom, se ela não amar, eu pelo menos já amei, é o suficiente — Everett brincou acompanhando o marido, seus olhos caindo no garçom que passava por perto — Aquilo é Moscow Mule? — Bucky e Karl riram baixo, observando o garçom assentir com a cabeça e aproximar-se deles, entregando a Everett um dos copos de metal. Próximo a eles era possível ver uma mesa elegante com uma das pirâmides de taças de cristais cheias de bebida sendo terminada de ser montada.
— Como conseguiu segurar esse tempo todo? Onde ela está? — Karl perguntou intrigado. Conhecia bem sua filha, sabia que ela não era fácil de enganar.
Ele e Everett tinham ligado para a filha mais cedo naquele dia, assim que ela acordou, para desejar-lhe feliz aniversário e, como de costume, enviar um café da manhã na cama. nem desconfiou de que eles estavam a caminho de Wakanda. O casal agiu com a maior naturalidade que podiam e, junto com ela, James pareceu entrar na atuação. Com pais agentes secretos e um namorado como Bucky, guardar segredo era a coisa mais fácil do mundo. O difícil, contudo, era driblar a animação e a expansividade de no dia de seu próprio aniversário.
— Passei a tarde com ela fora do Palácio, enquanto Shuri arrumava tudo e depois disse a ela que a levaria para jantar — Bucky explicou contente, seus olhos intercalando entre os homens à sua frente que, abrindo ainda mais seus sorrisos, prestavam atenção nele e, estranhamente, em algo atrás de Bucky — Ela deve estar se arrumando, mas como o bolo atrasou um pouco, mandamos Okoye dar um jeito de segurá-la no quarto por mais algum tempo.
Karl achou tudo muito fofo e carinhoso. Detalhadamente pensado, como uma missão a ser bem cumprida, um sucesso que não podia falhar. Bucky estava se importando com detalhes e, para Karl, aquilo era o mais importante. Apesar de tudo, de todos os medos e receios, das ressalvas que tinha com ele no começo, quando soube que estava de fato apaixonada por James, Karl gostava dele. Gostava da confiança que ele transmitia sobre , gostava do jeito que ela a olhava, do jeito que ele a cuidava. Ele era, inteiramente, fofo e carinhoso com . Mas mais fofo do que isso foi o que aconteceu logo em seguida.
— Acho que Okoye foi a única escolha errada que você fez hoje — A voz suave de vindo de trás de Bucky fez ele fechar os olhos por um segundo. Fechando as mãos em punhos na frente de seu corpo, ainda de costas para a dona da voz delicada e suave, a única coisa que ele conseguiu pensar naquele instante foi “puta merda”.

não conseguiu segurar a risada baixa, seus ouvidos sendo inundados por Let me love you (DJ Snake). De felicidade, de surpresa, de encantamento. A alegria que sentiu assim que colocou os pés naquela sala foi absurda e ela mal podia descrever. Diante de si, a enorme sala principal do Palácio, a mesma sala que teve a conversa com Bucky no dia em que abriram o jogo um para o outro, estava totalmente diferente. Com os móveis reorganizados, o centro estava livre, sem mais o tapete milenar, uma pista de dança intimista e espaçosa no lugar. Ao canto, e ao centro, uma cabine pequena e tecnológica trazia música com uma mulher animada de DJ. Havia balões e flores espalhadas pelos cantos, elegante e luxuosamente decorando todo o lugar. As mesas com comidas que só lembrava de ver em sua verdadeira casa, na França, espalhavam-se pelos cantos e, uma delas, em especial, chamou sua atenção. A mesa de doces, repleta de macarons. Macarons. E o bolo cor-de-rosa tão lindo que ela certamente teria dó de cortar.
Os sofás já estavam sendo ocupados por pessoas que participaram de alguma forma da vida de . Ex-colegas da escola, funcionários do Palácio, pessoas que dividiam o dia a dia com ela, a família vizinha ao chalé da fronteira onde ela ficava às vezes com Bucky, o casal de velhinhos que estavam sempre no Boogie quanto ela e James iam lá dançar. As pessoas olharam animadas para assim que ela chegou de repente ao lugar, mas ela sequer notou. Seus olhos passaram pela sala com ternura e emoção, com surpresa e muita felicidade até cair nos três homens do exato outro lado de onde ela estava. De frente para ela, muitos metros à frente, perto da porta que dava acesso à recepção, viu o que mais amava ver no mundo. Seus pais. Bucky. E aquilo foi o suficiente para que ela entendesse de fato o que acontecia ali.
Caminhando lentamente em direção a eles, sentia seu coração bater acelerado. Tinham feito tudo aquilo para ela, tinham pensado tanto nela e aquele era o resultado. Muito mais e muito melhor do que ela havia imaginado para si mesma naqueles vinte e cinco anos. Naquela noite que já se consolidava, ela tinha muito mais do que motivos para celebrar sua própria vida. Ela tinha motivos para agradecer a sorte. Aquilo era inesperado, era uma surpresa como deveria ser e era tão lindo, que se sentia realizada. De costas para ela, Bucky não tinha notado sua presença ainda. Estava concentrado em conversar com Karl e Everett que, naquela altura, já tinham visto sua filha chegar. Apesar de ter sido chamada por algumas pessoas no caminho, a música alta abafava a animação repentina da chegada da aniversariante que, só foi notada, porque se fez notar.
Bucky virou-se de frente para ela lentamente. Um sorriso sem graça, um tanto frustrado, mas feliz em seu rosto. Não era exatamente aquele o momento para chegar, não era bem daquele jeito que ele tinha planejado mostrar a ela a surpresa. Mas já estava feito. E ali estava a mulher mais linda de todo o mundo.
Vestindo um conjunto de duas peças preto e dourado, sorriu ainda mais assim que seus olhos encontraram os de Bucky. O top de alças médias que vestia deixava a lateral abaixo de seus braços totalmente abertas e, com a exata mesma estampa, combinava com a saia de cintura alta que contornava perfeitamente seu quadril, indo até os joelhos e abria-se em uma fenda profunda e muito sensual até o começo da coxa direita. Bucky umedeceu os lábios. Os desenhos geométricos, como triângulos, espalhados pela estampa da roupa dela com lantejoulas brilhantes tão pequenas que pareciam areia, contrastavam com sua pele opaca. estava deslumbrante. Absurdamente linda. Sensual. E muito gostosa, ele tinha que dizer. Com uma sandália preta de salto alto e fino, ela parecia ainda mais glamourosa e seus cabelos soltos, perfeitamente ondulados e jogados para trás davam um ar tão sexy que Bucky achou que tinha morrido e ido aos céus.
Junto com toda a pele exposta dela na roupa mais linda que Bucky já a havia visto usar, era possível ver claramente as marcas, cicatrizes e lembranças de machucados tão profundos que carregava em seu corpo com orgulho, com firmeza e com segurança, sem vergonha ou receio algum de mostrar a quem quer que fosse. Desde que a viu completamente exposta para ele pela primeira vez, Bucky nunca mais havia esquecido nenhuma das marcas de . Muito mais do que um passado terrivelmente sombrio, aquelas eram cicatrizes curadas, cicatrizes da coragem, do enfrentamento e da resiliência. Marcas que deixavam ainda mais autêntica, ainda mais atraente para ele. E aquilo fazia Bucky ter vontade de ser quem ele era. Ter vontade de se aceitar, ter vontade de se expor para ela.
Se havia qualquer frustração por ter descoberto a surpresa antes do tempo, ela tinha acabado de morrer ali, assim que os olhos de James subiram até cair nos lábios rosados da mulher. Uma vez mais na vida, havia provado que o laudo vinte e cinco não podia estar mais errado. Não era exatamente apatia o que ele sentia encarando ali, daquele jeito, em sua frente.
— Surpresa...? — Bucky quebrou o breve silêncio abrindo seus braços levemente, tirando de nada além de uma risada gostosa. Absolutamente feliz, ela jogou-se nos braços de Bucky no instante seguinte. O cheiro inebriante do couro do perfume dele ao tempo em que sua mão de metal fria tocou a pele exposta da cintura dela causaram em um arrepio profundo.
— Eu não acredito que você fez tudo isso, Buck, está perfeito — Ela sussurrou no ouvido dele, espalhando alguns beijos empolgados pelo rosto do homem. Bucky sorriu charmoso, pegando o rosto dela com as duas mãos, seus corpos grudados feito um só, enquanto a encarava nos olhos.
— Não tão perfeito quanto você está hoje — Ele respondeu baixo, sua voz rouca tão sensual quanto os beijos leves que ele lhe deu.
deixou suas mãos caírem para a cintura dele e, feliz, o abraçou apertado outra vez.
— Obrigada — No mesmo de voz que ele, ela sussurrou — Obrigada mesmo.
— Te daria o mundo inteiro se você quisesse — Bucky comentou sincero, seus olhos caindo nos dela outra vez, fazendo sorrir tímida pela intensidade do comentário. Ele era perfeito.
— Mas se der um espaço para gente conseguir falar com ela também, já é o bastante — Shuri praticamente gritou por cima da música, vindo de algum lugar que Bucky não viu, cortando o clima. Karl e Everett riram.
— Você é insuportável — Bucky soltou , dando dois passos para trás a tempo de Shuri se enfiar no meio deles e abraçar a amiga, dizendo:
— Tá bom, tá bom, sai fora lobo grudento.
— Shuri — advertiu risonha, abraçando a garota de volta.
— Feliz aniversário, maninha — Ela se afastou ligeiramente de e, com um braço nos ombros da mulher enquanto apontava o outro para frente, ela a virou para ver o salão onde a festa acontecia — Só para constar, cinquenta por cento disso tudo fui eu quem fiz e os outros cinquenta, eu paguei alguém para fazer. Não acredite em tudo que o fóssil disser.
deixou-se rir uma vez mais, empurrando levemente Shuri para longe dela. De trás, Bucky revirou os olhos. Shuri era inacreditavelmente insuportável, era um fato. virou-se outra vez de frente para eles, indo em direção a seus pais. Como gostavam de fazer, e como sentiam tanta falta em seus dias rotineiros, Karl e Everett abriram os braços ao mesmo tempo abraçaram juntos. Nada no mundo, nunca, poderia se comparar a sensação de ter seus pais por perto, de estar ali, no abraço caloroso e tão aconchegante deles. permitiu-se abraçá-los pelo tempo que achou necessário, matando toda a saudade que sentia, depois de mais um ano longe de sua família. De todas as surpresas tão lindas e carinhosas daquele dia, ter seus pais ali também, para viver, celebrar e compartilhar aquele momento era, sem dúvidas, a mais especial delas.
— Feliz vida, meu amor — Carinhoso, Karl deixou um beijo em sua filha, vendo Everett fazer o mesmo, enquanto dizia sereno:
— É o dia da nossa florzinha! Estamos tão felizes de estar aqui.
— Obrigada por isso, por terem dado um jeito de vir, eu nem acredito — se afastou deles, segurando a mão de Karl enquanto mantinha-se abraçada de lado com Everett.
— Não iríamos perder a chance de te ver por nada nesse mundo — Karl apertou gentilmente a mão dela, que sorriu com a resposta doce.
— E James prometeu Moscow Mule a vontade e bolo de macaron. Todos os amores da minha vida em um lugar só? Perfeito — Levantando seu copo ao ar, Everett respondeu e tomou um gole em seguida, tirando risadas fracas dos dois.
— Mas a pergunta que não quer calar agora — Shuri deu alguns passos à frente, formando uma pequena roda com , Bucky e os pais da aniversariante — Você ia sair para jantar com essa roupa?
— Eu achei linda, básica — Karl comentou, puxando duas taças com martini de um dos garçons que passou ao lado e entregando uma delas a .
— Na verdade, não — aceitou a taça, bebericando um gole — Okoye deu com a língua nos dentes, eu sinto muito — Ela fez um biquinho para Bucky que, antes mesmo que pudesse dizer algo, ouviu a voz de Okoye se aproximando dizer:
— Eu avisei que não era a melhor pessoa para fazer isso.
— O que aconteceu? — Bucky perguntou curioso, olhando de para Okoye. A missão era simples: segurar no quarto por algum tempo. Não havia nada que a impedisse de fazer aquilo, era só inventar uma boa história.
consegue ser muito insistente, às vezes — Okoye disse impaciente, seu vestido preferido balançando em seu corpo com finesse enquanto ela tomava uma bebida qualquer — Ele perguntou mil vezes porque eu estava lá com ela e ficou insistindo em sair do quarto.
— A paciência em pessoa — Shuri revirou os olhos.
— Achei que fosse mais prático contar logo, assim podíamos aproveitar mais tempo de festa — Okoye deu com os ombros — E se me dão licença, é exatamente isso que vou fazer agora. Feliz noite, .
— Boa festa, Koye, se comporte — levantou sua taça ao ar, sendo retribuída pelo mesmo sinal de Okoye que, em seguida, afastou-se deles.
— Por que ela falou como se estivesse indo embora? — Com a testa franzida, Everett perguntou acompanhando a mulher se afastar.
— Espera só até ver o que três ou quatro copos de bebida fazem com ela — Shuri respondeu irônica, tirando de uma risada. Da última vez em que tiveram uma festa como aquela, Okoye terminou jogada no chão da cozinha, T’Challa dormiu no corredor porque não chegou a tempo em seu quarto e as câmeras de segurança tiveram que ser apagadas para sumir com os registros. Esperta, lembrando-se daquilo, Shuri já havia desligado todas as câmaras horas antes, assim que começaram a organizar o evento. Por segurança, era melhor não ter câmeras de segurança naquela noite.
E falando em segurança, no caminho até ali, não pode deixar de notar que os convidados, sem exceção, estavam tendo seus celulares e quaisquer outros aparelhos eletrônicos confiscados na entrada. Apesar de ser uma noite diferente, de ser um momento em que ficariam imersos a uma festa e um momento em que não tinham que se preocupar ou pensar em outras coisas, a segurança precisava estar em primeiro lugar. e Bucky ainda eram procurados internacionalmente, ainda eram tidos como criminosos. Corriam processos quilométricos sobre e não podia correr o risco de ter uma foto dela vazada na internet, um comentário em qualquer rede social e, pior ainda, sua localização. A.R.I.A. tinha sido programada por Shuri para fazer um monitoramento profundo de qualquer movimentação informacional que pudesse colocar ou James em perigo e, para se cercarem o máximo que podiam, a regra era clara: celulares desligados e guardados no guarda-volumes da entrada, detector de metal antes de efetivamente ingressar no salão e acesso à internet cortado em todo o Palácio.
Shuri estava pagando uma dúzia de fotógrafos para registrarem absolutamente tudo daquela noite. Não precisavam de telefones.
— Bom, o papo está ótimo, mas preciso pelo menos cumprimentar as pessoas que vieram — suspirou feliz, seus olhos caindo em mais um grupo de pessoas que chegava — Vem comigo? — Ela estendeu a mão para Bucky que, leve, aceitou e pediu licença a seus sogros.
O tempo em que passaram conversando entre eles desde a chegada de havia sido o suficiente para lotar a festa. Dizer que tinham convidado cem pessoas era um eufemismo e a cada pessoa nova que paravam para cumprimentar, agradecer a presença ou conversar um pouco Bucky tinha mais certeza daquilo. Shuri aparentemente havia se empolgado mais do que o normal e, por cima, parecia ter, no mínimo, o dobro de pessoas planejado. Por sorte, ou de propósito, Shuri havia contratado mais comida do que Bucky estimou, tinha mandado fazer mais doces do que a conta inicial que tinham combinado e triplicou o volume total de bebidas. A festa regada a álcool, comida e música boa estava sendo um sucesso, no final das contas, mas explodiu ainda mais assim que as luzes abaixaram de vez e que a cortina foi aberta, dando a eles a visão de Wakanda noturna pela parede gigantesca de vidro, que pegava a sala de fora a fora.
fez questão de ao menos dar um abraço em cada pessoa que encontrou pelo caminho. Estava muito feliz e muito emocionada por terem reunido tanta gente para celebrar o dia dela e, entre bebidas, petit fours, beijos rápidos e dancinhas, Bucky a acompanhou pelas quase duas horas em que demoraram para conversar com todos os presentes. fazia questão de apresentar as pessoas que conhecia para Bucky - e se apresentava simpática para aquelas que nem sabia quem eram, o que rendeu alguns momentos constrangedores e muitas risadas para os dois. Apesar de tímido, e bastante fechado, Bucky se esforçava em ser o mais simpático e amigável possível, afastando de sua mente qualquer insegurança que surgia vez ou outra.
Temia que as pessoas o temessem, o ciclo vicioso e infinito de qualquer situação social que precisava viver. Ele estava há semanas refletindo sobre aquilo, há semanas se preparando emocionalmente para tentar eliminar a ansiedade social daquele exato momento. E, felizmente, parecia mais controlado do que pensou que estaria. Carinhosa, seguia de mãos dadas com ele, o abraçando, de braços dados. Sempre perto, sempre em contato, sempre trocando olhares que dispensavam palavras, sorrisos que o acalmavam e ela sequer sabia disso. Tudo corria bem. Bem demais para ser verdade.
Perto das onze horas da noite, a pista de dança improvisada começava a ferver. Ao som de Wild Ones (Flo Rida ft. Sia), uma música que animou Bucky e que ele nunca tinha ouvido, as pessoas pareceram se agitar ainda mais e se aglomeravam umas com as outras, dançando e cantando festivas. Junto com elas, e T’Challa, de um jeito tão empolgado e espontâneo, dividindo o mesmo copo enquanto dançavam e cantavam seus pulmões afora. Pareciam melhores amigos que não se viam há anos. E eram, de certa forma. Melhores amigos que não faziam aquilo há muito, muito, tempo.
A maior graça daquele momento era, justamente, ver T’Challa dançando. O rei, a postura e a disciplina em pessoa. Se divertindo numa noite como se nada o pudesse segurar, como se as amarras das regras e da obediência ao Estado tivessem afrouxado. Tão animado e sorridente, tão espontâneo e expansivo, como Bucky nunca o tinha visto naquele ano e meio que passou vivendo no país. E o mais incrível, contudo, era a compreensão do que acontecia. T’Challa não estava sendo julgado por absolutamente ninguém. Pelo contrário, as pessoas ao seu redor dividiam o momento com ele como se não fossem governadas por ele. Dividiam aquilo, porque respeitavam e porque entendiam o momento, assim como faziam com .
Apesar de ter reunido todas aquelas pessoas ali e conhecer boa parte delas, ou ser conhecida por elas, no mínimo, não tinha contato cotidiano com a maioria deles. Se sentia confusa em relação ao país, não era exatamente bem recebida por todos e muitas pessoas ainda questionavam a permanência dela em Wakanda, apesar de tudo que fazia para manter o país operante, seguro e bem servido com a Erva-Coração. tinha se acostumado. E muitas pessoas também haviam se acostumado com ela. Mas em tempos não tão felizes e eufóricos quanto aquele, nada era exatamente daquele jeito. As pessoas que estavam ali estavam por . Algumas por pessoa, outras por protetora da natureza, como uma divindade. Outras estavam lá pela guerreira e muitas pela Vingadora. Mas, de fato, a respeitavam, a tratavam com dignidade e compreensão. E naquela noite, era só, exclusivamente, a aniversariante. Aquela era a regra.
Bucky, que estava conversando com algum outro convidado, e pouco tempo depois Nakia, logo se juntou a eles. Na festa, na dança, nas risadas e na empolgação que se perdeu no tempo, talvez duas ou três horas seguidas, talvez mais. Bucky definitivamente não sabia dançar aquelas músicas, não sabia cantar nenhuma delas, não estava familiarizado com aquele tipo de festa. Na verdade, com festa alguma. Bem diferente do pouco que se lembrava de seu tempo, as pessoas dançavam soltas, livres, gritavam alto as letras das músicas e trocavam movimentos próximos mais sensuais. Bucky queria se dar a chance de ser um homem do tempo corrente, um homem comum que fazia coisas de homens comuns, do tempo que era comum a todas as pessoas naquele lugar. E aprendendo com , T’Challa e Nakia, depois com Shuri, e até Karl a Everett, a como dançar o que tocava ali, ele pensou que nunca em sua vida havia se divertido tanto. Que nunca havia se dado a chance de verdadeiramente soltar-se, desamarrar-se.
Talvez pela letra profunda de The Nights (Avicii), talvez pela sensação que a música alta e animada trazia, a libertação, o infinito, todas as possibilidades, a noite. Seja lá o que era aquilo, o que representava e tudo o que estava experimentando pela primeira vez naquela noite, ele queria sentir. Ele queria tentar. Já tinha vivido mais de uma vida, já tinha tido mais tempo do que qualquer pessoa ao redor dele, mas ainda assim, dentro de si o velho James de vinte e cinco anos, do Brooklyn, ainda vivia. Reascendeu e o inundou naquela noite, feito uma onda. A vida que ele queria viver para sempre, a vida que ele sabia que gostaria de se lembrar. E lá estava ele, criando memórias novas, lembranças que o serviriam à alegria, que o dariam motivos suficientes para celebrar a sua própria vida.
ria alto dos movimentos desajeitados que Bucky fazia e, vez ou outra, dançando pertinho dele, trocando beijos, bebidas e chamegos, ela se sentia realizada. Como há muitos, muitos, anos não se sentia. sempre teve para si que a vida era um jogo para todo o mundo. Mas ali, naquela noite, naquele momento, observando James dançar e se divertir como nunca o viu, ela entendeu que o amor, o amor, era o prêmio. A magia, a realização. Pelo alto consumo de álcool, ou talvez pelo clima ridiculamente bom daquela festa, com aquela vista, aquelas músicas, aquela leveza, todo mundo parecia se divertir como se o dia seguinte nunca fosse chegar.
E Bucky desejava que ele não chegasse.
Como previsto, Okoye já estava baquetada em um dos sofás e, o mais engraçado daquilo, era que seu marido estava jogado ao lado. Bucky não soube dizer quem deles apagou primeiro, mas certamente eram perfeitos um para o outro. T’Challa beijava Nakia fervorosamente em um canto perto da sala de recepção, enquanto Karl e Everett, mais alegres do que de costume, dançavam com pessoas que nunca tinham visto na vida. Bucky observava a festa mais ao canto, tomando a décima ou décima quinta bebida da noite, ele não sabia dizer. A sorte do álcool não alterar seus sentidos nas mesmas proporções que um organismo normal dava a ele a tranquilidade de poder ter consciência de tudo que acontecia ao seu redor.
Ele estava amando tudo. Cada detalhe, cada momento, cada sensação.
Apesar de não ser o maior fã de multidões e de não ter muitas experiências em festas, tudo estava sendo bom. Bucky tinha conseguido ter conversas descontraídas e legais com pessoas que não conhecia, tinha provado uma porção de comidas novas, tinha conseguido tempo com , tinha dançado. Tudo estava correndo tão bem que não teve muito tempo para pensar demais, de se preocupar com outra coisa senão em se divertir. Passou uma boa parte da noite conversando e rindo com T’Challa, com Karl e Everett, tinha até se aproximado da DJ, para dar uma força para Shuri, sem ela saber, em uma hora que a viu pausar seu trabalho para comer e, em seu lugar, Everett passar a ser o DJ. Tudo era muito novo, muito diferente do que ele imaginava. Era melhor, muito melhor. Bucky estava experimentando naquela noite o que era uma festa de aniversário, o que a cultura mandava em regra fazerem, o que a vida celebrava em momentos como aquele. Era bom. E parado ali, sozinho, por um tempo curto enquanto foi buscar mais bebida para si mesmo e deixou dançando, Bucky se sentiu idiota por ter ficado inseguro.
Alguns metros à frente de onde ele estava, seus olhos caíram sobre a pessoa que mais atraía sua atenção naquela e em qualquer outra noite. A batida de I Follow Rivers (Lykke Li ft. The Magician) começava a tocar alta, enquanto , animada em ouvir aquela música, dançava graciosamente com Karl. Seu corpo balançava de um lado a outro, no ritmo da canção, enquanto ela e seu pai cantavam a letra um para o outro. Segurando uma taça com Vermute e um morango dentro, ela ria alto dos movimentos de dança de seu pai, enquanto ele a virava segurando uma de suas mãos no alto. Bucky sorriu sozinho. Aquilo tudo parecia um sonho. Um sonho tão bom que ele desejava repetir mais e mais vezes. Encarava ali, dançando, rindo, esbanjando beleza e felicidade como se quisesse guardar cada pedacinho dela em uma memória eterna.
Aquela era a meta da vida dele. Aquela liberdade, aquela felicidade, aquela alegria tão grande que transbordava pelos olhos. A sensação de infinitude, o coração que batia na intensidade, no mesmo ritmo que aquelas músicas. A leveza, a ignorância ao tempo. O tempo. Bucky pensou que a única vantagem de ter vivido tantos anos era, justamente, ter aprendido a ignorar o tempo. A sensação crescente de agarrar-se no agora era o que importava. E transmitia aquilo. Transmitia a liberdade, a alegria, o amor que ele queria ter para sempre. O amor que ele tinha a sorte de ter.
Tudo que ele queria estava em . Era . E ele só se deu conta da intensidade do que sentia por ela ali, a observando dançar de longe, livre, leve, feliz. Como todos os dias deveriam ser, como ela merecia viver. Bucky se pegou sorrindo sozinho mais uma vez. Contente de se lembrar que era o responsável por tudo aquilo. O responsável pelo sorriso que vestia desde que viu a sua própria festa começar.
Bucky então viu Ayo chegar por trás de e a abraçar pela cintura, com de costas para ela, e a acompanhar no ritmo da música nova que começava. Surpresa, virou-se brevemente para ver quem era e soltou um grito empolgado, intensificando os movimentos de dança que fazia. Everett conseguiu puxar Karl para dançar com ele e virou-se de frente para Ayo, dançando abraçada com ela de frente agora. Bucky parou de respirar por um momento e tomou toda sua bebida de uma vez só. A imagem de rebolando de costas para ele no ritmo daquele refrão não sairia de sua mente tão fácil. Talvez nunca mais.
Apatia. Ele riu sozinho e negou com a cabeça, trocando seu copo por um novo, cheio de whisky, na mesa mais próxima.
A batida agressiva e absurdamente animada de Wild Thoughts (DJ Khaled ft. Rihanna) fez Bucky se desligar completamente do que acontecia a seu redor. Seus olhos ficaram cravados em como se nada mais no mundo importasse. Para ele, não importava. Era só ela, só ela ali, e mais ninguém. Ela, aquela música e o jeito sedutor que ela dançava, a roupa que ela vestia. Bucky já não sabia nem mais o que pensar. balançava seu corpo no ritmo da música, rebolando e, por vezes, jogando seu cabelo para trás. Naquele momento, como em muitos outros, ela pareceu demais para ele. Bucky não podia responder à pergunta, se fosse feita, de como foi que havia conseguido ter para si. O fato era que ele queria mais. Ele a queria. E tinha a sorte de ela, aquela mulher que ele secava com os olhos, também querer ele.
Bucky passou a língua pelos lábios, reparando que virou-se de frente para ele. Tomando um gole demorado de sua bebida, sem parar de dançar, os olhos dela encontraram exatamente os dele. O amor tão doce, tão íntimo e tão profundo que podiam se entender pelos olhos. A conexão que só se podia ter com poucas pessoas no mundo, com aquelas que realmente tocavam a alma. Bucky sorriu charmoso, de lado, dando um gole em seu whisky mais uma vez, sem desviar seus olhos dos dela. O tom da pista onde ela estava, contudo, havia mudado ligeiramente com o fim da música anterior. A batida mais amena, mas ainda assim extremamente animada, fez as pessoas diminuírem o ritmo da dança. Uma música que pareceu a Bucky mais intimista, perfeita para trazer só para ele por um minuto. Ou mais.
Tomada pela segurança que sentia sobre si mesma naquela noite e pela música que tanto amava, veio discreta e sedutoramente em direção a Bucky. Segurando seu copo com firmeza, ela dava passos lentos enquanto recitava a letra da música para ele, o encarando, gesticulando, como se o estivesse contando uma história. Cada palavra, cada frase, pareciam ter realmente sido escritas por , para ele. Só para ele. Risonho, encantado pela sensação vibrante que sentia vendo aquilo, Bucky acompanhava a mulher vindo em sua direção, os olhos dela divagando entre os dele e seus lábios, ele podia notar.

Captured effortlessly, that's the way it was. Happened so naturally I did not know it was love. The next thing I felt was you holding me close. What was I gonna do? I let myself go.

sorria divertida, cantando sem emitir som algum, acompanhando exatamente o tom e o ritmo da música com seu corpo e em suas palavras. Não sabia se pela letra da música parecer tão verdadeira, tão significativa, para ele, ou se pelo jeito que se aproximava, Bucky estava hipnotizado. A cada passo que ela dava, ele não sabia para onde, para que parte de , ele deveria olhar. Os olhos dela carregados de desejo, a sensualidade natural dos movimentos, as pernas que apareciam naquela saia que Bucky só queria tirar dela de uma vez por todas. O jeito que ela mexia no cabelo ou como passava os dentes pelos lábios enquanto cantava para ele. Bucky estava perdido. E não queria nunca mais se encontrar.

And now we're flyin' through the stars, I hope this night will last forever.

Já perto o suficiente dele, assistiu Bucky tomar um novo gole de sua bebida, o líquido passando por sua mandíbula bem definida, um dos charmes que mais gostava nele, descendo por sua garganta lentamente. se aproximou dele no exato tempo em que a música alcançava o refrão e, o empurrando levemente pelo peito, com uma única mão, para que ele se encostasse na parede logo atrás, ela encostou seu corpo no dele. Sem desviar seus olhos dos dela, Bucky deixou a mão esquerda descer pelas costas de até parar em seu quadril, que balançava lentamente de um lado a outro sobre seu corpo.

Ain't nobody loves me better. Makes me happy, makes me feel this way. Ain't nobody loves me better than you.

Com seus lábios a um milímetro de encostar nos dele, cantou o refrão da música, sem parar de encará-lo. Bucky deixou escapar o sorriso mais lindo que já tinha visto, assim que percebeu o tom das palavras que ela cantava para ele. conseguia ser absurdamente sedutora quando queria. Mas aquilo era diferente, tinha ido muito além. Bucky sentia que podia morrer ali. Naquele momento, naquelas palavras, nos movimentos leves que ela fazia propositalmente contra o corpo dele, no ritmo da música. Mas a vida, aparentemente, ainda tinha muito a oferecer a ele.
Sem cerimônia alguma, ainda com sua mão no quadril dela, ele puxou para mais perto de si, como se fosse possível senti-la ainda mais perto, e acompanhou os movimentos dela com o corpo. De um lado a outro, no ritmo da batida da música, eles dançavam levemente, encostando-se, sentindo-se, corpo a corpo, olhos nos olhos, como se estivessem desafiando um ao outro quem cederia primeiro. Estavam tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro. Mas já podiam sentir mais do que aquilo. Era gostoso, era sensual, era íntimo. A calmaria da batida contrastando a intensidade dos olhares, a música que parecia contar a história deles, o cheiro viciante do perfume de , o calor do corpo dela. A sensação de sentir ela passando seu corpo no dele, os lábios dela que roçavam nos seus conforme ela cantava a música para ele, mas que não ficavam muito tempo encostados.
Bucky passou a ponta de seu nariz no dela, provocativo, descendo sua mão um pouco mais no quadril dela. Não sabia direito por quanto tempo aguentaria aquilo, mas estava adorando. levantou ligeiramente seu queixo na direção dele, reagindo a qualquer toque mínimo que sentia. Calmo, ele quebrou o contato visual com ela, tomando de uma única vez todo o conteúdo de seu copo e o deixou de lado. observava cada movimento dele com atenção, com desejo, enquanto a música mudava uma vez mais. Imitando seus movimentos, ouviu Firestone (Kygo ft. Conrad Sewell) começar a tocar e, rindo sozinha, ela tomou o restante de seu Vermute, deixando o pequeno morango parado em seus lábios, assim que virou a taça de uma vez.
Bucky limpou o whisky de seus próprios lábios com a língua, não dando tempo sequer de pensar. Assim que ela baixou a taça, inesperadamente, ele colocou sua boca na dela, mordendo, sem pressa alguma, metade do morango nos lábios dela. deixou uma risada escapar, sem esperar por aquilo, enquanto comia o que lhe restava da fruta. James era muito mais charmoso, sedutor e gostoso quando queria. Bom, quando não queria também. A verdade é que não resistia a ele. De nenhuma forma.
Sem muitas cerimônias, totalmente guiado pela música calma, bastante sensual, e pela sensação que começava a arder dentro de si, James afastou os cabelos dela de seu pescoço, delicadamente, e passou seus lábios de baixo para cima na lateral do pescoço dela, tirando de um arrepio. Sorrindo sozinho, ele começou então a beijar seu pescoço, inebriado pelo cheiro adocicado que sentia na pele da mulher, contraindo seu abdômen levemente assim que sentiu as mãos dela pousaram ali. mordeu os próprios lábios e tombou a cabeça levemente para o lado, deixando-se sentir os lábios de Bucky subirem lentamente em seu pescoço, em beijos tão calmos que pareciam torturantes. queria mais do que aquilo.
Enquanto subia os beijos, Bucky começou a passar a mão esquerda sedutoramente na clavícula de , em seu colo e, em seguida, pela parte da frente de seu pescoço. A cada toque dele, um arrepio saía dela. A cada batida da música, um sentimento ainda mais seguro de querer sair dali, de querer mais. Bucky aproveitava o momento sem pressa, consciente do que estava fazendo, do que estava causando em . Mas foi passando a mão ali, no pescoço dela, que ele se lembrou de algo importante. E, como se respondesse aquele desejo, Bucky subiu seus lábios até parar no ouvido dela, a voz rouca e baixa sussurrando ali exatamente o que ele queria dizer. Exatamente o que ela queria ouvir.
— Tenho mais um presente para você — Ele parou um segundo, passando a língua em seus próprios lábios, colocando uma mecha do cabelo dela para trás — No quarto.
levou dois segundos para raciocinar aquela informação e mais dois segundos para começar a puxar Bucky dali, sentido o elevador. Sem perder tempo, sem vergonha alguma, sem cerimônias. Ir para um lugar mais tranquilo era, definitivamente, tudo o que ela queria naquele momento. E aquele convite veio na hora certa. De mãos dadas com James, deixou a taça que segurava em cima de uma das mesas pelo caminho e sorrindo para uma pessoa ou outra que encontrava, apressou-se em sair logo dali. Sabia que estava deixando sua própria festa de aniversário para trás. Mas, igualmente, imaginava que uma festa um pouco melhor estava prestes a começar.
Com seus dedos entrelaçados aos dela, Bucky passou a guiar para longe da multidão da festa. Deveria ser perto das duas da manhã, o bolo começava a ser servido, mas ele não se importava mais. Tinha algo ainda mais doce a provar. E a tirar pela quantidade de casais que encontraram pelo caminho, espalhados na sala em que a festa principal acontecia e pelos corredores, a maior parte deles também não se importava. Era hora de ir além. Era hora de curtir o que a madrugada tinha de melhor: o mistério, a intensidade e a entrega.
Bucky e cruzaram com Karl e Everett se beijando em um canto qualquer perto da porta de saída da sala principal. Eles se entreolharam risonhos e, tomando cuidado para não chamar atenção e atrapalhar o momento do casal, passaram por eles rapidamente. Alguns passos adiante, em direção ao elevador, encontraram Shuri e a DJ do mesmo jeito. Aparentemente, Wakanda estava só precisando de uma festa para liberar o espírito mais amoroso no ar. Bucky estava satisfeito, orgulhoso, por ter sido quem idealizou aquilo tudo. Não esperava, definitivamente não, que fosse terminar a noite daquele jeito, que uma festa poderia atiçar tanto as pessoas. Era diferente das festas que se lembrava, mas talvez, só talvez, fosse uma das vantagens da modernidade.
Não demoraram muito para chegar ao elevador e menos ainda para entrarem nele. Com os olhos novamente em cima da mulher, Bucky cercou contra a parede, apertando rapidamente o botão do andar que ele tanto queria chegar logo. Naquela noite, naquele momento, estava dançando a música dele, estava nadando na onda que ele queria que ela nadasse, provocativa, segura. Absurdamente atraente para Bucky. Uma vez mais, ele encostou seu corpo no dela, dessa vez com ela pressionada na parede, enquanto segurava sua cintura com as duas mãos. carregava um sorriso desafiador no rosto, seus olhos escurecidos pela luxúria, mas um ar diferente pairava nela. Um ar calmo, controlado e um tanto curioso. Um ar de quem queria descobrir logo qual era o presente, apesar de achar que já tinha um palpite. De quem queria agradecer a ele de alguma forma o que tinha feito por ela naquela noite.
e Bucky se encararam por algum tempo breve, até os olhos dela caírem sobre seus lábios e, em seguida, desceram até o peito dele. Como se tivesse sido tomada por uma ideia irresistível, Bucky sentiu as mãos dela pegarem o primeiro botão de sua camisa, o abrindo sem pressa. Manhosa, um tanto inocente, deixou sua cabeça cair ligeiramente para o lado, mordendo os lábios levemente enquanto suas mãos brincavam com os botões da camisa de Bucky, abrindo-os um a um, sem pressa nenhuma. Seu corpo levemente arqueado para frente mantinha seus quadris encostados, frente a frente.
Bucky acompanhou cada movimento delicado e tranquilo dela com os olhos. Gostava de encarar , porque gostava de encarar tudo aquilo que tinha pavor de se esquecer. Tudo aquilo que ele queria guardar em sua mente fodida, ele encarava. Com gosto, com vontade, com o desejo de nunca mais sair de sua mente. Gostava de ver como ela agia perto dele, como reagia, como se entregava. Gostava de ver os olhos, o jeito que mexia no cabelo, o sorriso. Gostava de como ela ria e de como mordia os lábios quando estava concentrada. Concentrada exatamente como naquele momento ela estava nele. Como ele estava nela. Bucky esperou paciente, seu corpo respondendo a cada botão de sua camisa que era aberto, respondendo aos dedos carinhosos dela que passavam em seu peito, em sua barriga, até finalmente abrir a camisa dele por completo.
— Ops — Ela sussurrou, subindo seu olhar de volta até o dele enquanto contornava delicadamente a cicatriz do ombro esquerdo de Bucky, no exato limite entre sua carne e o metal — Abriu.
A ironia tão leve e falsamente inocente dela fizeram Bucky sentir como se uma descarga elétrica tivesse acontecido em seu corpo. estava acabando com ele, no sentido mais prazeroso que aquela palavra poderia ter e ela ainda não tinha feito nada. Só o cuidado, a delicadeza, o toque, a provocação velada, o jeito que ela estava brincando com o imaginário dele, o jeito que os olhos dela o diziam que ela o queria, a forma com que ela estava conduzindo tudo aquilo, faziam James explodir de tesão. estava acabando com ele.
Mas se aquele era o jogo, James também sabia jogar.
Em um movimento rápido, sincronizado ao elevador ter parado no andar desejado, Bucky pegou a parte de trás da coxa direita de , a puxando para cima de forma que a colocasse encaixada na cintura dele. A próxima coisa que viu, contudo, foi o movimento rápido e assertivo de sua saia sendo rasgada pela profunda fenda que tinha na perna direita. Bucky não desviava seus olhos dos dela e, assim que ouviu a porta do elevador começar a abrir, ele deu dois passos para trás, afastando-se de enquanto levava consigo a saia rasgada que antes ela vestia, e disse, no exato mesmo tom que ela:

— Ops, abriu.

O sorriso provocativo que Bucky carregava nos lábios fez as pernas de tremerem por um momento. Ele tinha mesmo rasgado a roupa dela? Aquilo era inédito em muitos sentidos. Para ela e para ele. Bucky não era o homem mais seguro do mundo. Não se sentia confortável, na maioria das vezes, em fazer coisas ousadas demais, não tinha o perfil de dar muitos primeiros passos. Mas naquela noite ele estava em busca de algo mais. Naquela noite ele sentiu que podia ser quem quisesse ser com , sentiu que poderia seguramente fazer o queria fazer por ela. A festa tinha sido um sucesso, tinha agradado em muitos sentidos e aquilo o fez se sentir bem consigo mesmo. Talvez se render às vontades que sentia não era assim tão errado e nem tão ruim, não era difícil.
Se render era parte da entrega também. Era parte do que ele queria fazer por si mesmo, parte do que ele queria fazer por . A verdade é que não podia mais esconder nem reprimir o que sentia por ela. Bucky estava se rendendo ali, em gestos que podiam parecer cotidianos e normais, em ações que podiam ser típicas, mas que representavam muito para ele. Novos passos adiante, novas etapas, novos momentos, novas experiências. Bucky estava se rendendo naquela noite porque na verdade estava totalmente rendido por .
Vestindo apenas o top da roupa que usava antes, uma calcinha preta em renda fina, que fez Bucky engolir em seco e morder os lábios, e as sandálias de salto, semicerrou os olhos para ele e puxou sua saia rasgada de volta das mãos do homem, passando suavemente por ele e saindo do elevador em seguida. O carpete do amplo corredor que daria acesso aos quartos deles abafava o som dos saltos de enquanto ela dava passos lentos e manhosos, vez ou outra olhando por sob os ombros, como se convidasse Bucky a seguir adiante, a vir atrás dela.
Se ver dançando mais cedo já havia mexido com James de uma forma que nunca havia sentido, vê-la caminhar daquela forma, a frente e de costas para ele, vestindo apenas a calcinha e o top, arrastando a saia pelo chão do corredor pouco iluminado, foi a visão do paraíso. Bucky saiu do elevador a encarando, mal conseguia raciocinar direito. O ar já parecia começar a faltar-lhe nos pulmões e sua respiração estava ficando pesada, ao tempo que se sentia cada vez mais excitado, cada vez mais desejoso.
Do meio do corredor, virou de frente para ele, desapegada e sorridente, esperando que ele fosse logo até ela. Talvez estivesse sendo muito ousada naquela noite. Talvez Bucky não estivesse acostumado com tanto. Mas ele quem havia começado. Ele quem teria que terminar com aquela pressão, com todo aquele tesão que se acumulava no ar.
— Você não vem, James?
James.
sabia que era como ele gostava de ser chamado, sabia como aquilo mexia com ele, o impacto que seu nome tinha saindo da boca dela. Bucky sentia que estava perdendo tudo naquele momento. A sanidade, a racionalidade, a calma. Estava por um fio de deixar a urgência o dominar de vez, por um fio de agarrar aquela mulher e acabar com aquela tortura. Um fio que se rompeu assim que a viu abrir, pelo zíper nas costas, o top que vestia, deixando-o cair no chão junto com a saia que segurava.
Ela estava completamente exposta. Como sempre fazia primeiro, como sempre se sentia confortável em fazer com ele. não tinha qualquer ressalva com Bucky, não tinha inseguras mais, muito havia sido superado neste ano que passaram juntos. era aquilo. Era quem era. Aquela mulher forte, inteligente, corajosa, segura e ridiculamente linda que estava parada bem ali, vestindo apenas uma calcinha e um sorriso convidativo, um olhar intenso que não deixava o dele, o esperando paciente.
A passos largos, Bucky atravessou o corredor e, sem mais esperar por nada, a pegou em seus braços e a beijou. Um beijo intenso, profundo, cheio de vontade, cheio de desejo. O beijo que queria dar nela desde que começou a encarar dançando na festa. O beijo que costumavam trocar quando estavam sozinhos, mas já não importava mais. Bucky só queria ela. Toda calma, controle e provocação tinham sido rapidamente substituídos pela urgência, pela necessidade. O sabor amargo do whisky na boca dele misturava-se com o floral do Vermute na boca dela, suas línguas se entrelaçando como se tivessem saudades, como se dançassem em sincronia. O aniversário, de fato, era de . Mas Bucky pensou que ele é quem a tinha ganhado de presente. O melhor presente que podia ter na vida.
Não sabiam ao certo quanto tempo ficariam ali, no corredor, se beijando, sem a menor pressa ou preocupação de terminar logo, em hipótese alguma queriam parar. Pareciam viciados no sabor um do outro, nas sensações tão boas e profundas que transmitiam, naquela memória nova que criavam ali, juntos, despindo-se de qualquer preocupação que não fosse eles próprios ao tempo que se despiam de suas roupas. Era só eles naquele momento. E mais nada, mais ninguém. Não importava.
Bucky pegou no colo, a encaixando em sua cintura e a encostou de volta na parede, a poucos metros de seu quarto. Deixando suspiros pesados escaparem, às mãos de brincavam com os cabelos da nuca dele, vez ou outra acariciava sua barba bem-feita enquanto quebrava o beijo por segundos, deixando mordidas leves em seus lábios. Não demorou muito para que ela descesse seus beijos pelo pescoço dele, as mãos de Bucky explorando o corpo desnudo dela como se não a conhecesse, como se aquela fosse a primeira vez em que a tocava, que a sentia.
De certo, no meio do corredor, era a primeira vez. E pensar aquilo o deixou ainda mais desesperado por mais, ainda mais excitado.
logo voltou a ficar em pé no chão, tirando dele a jaqueta e a camisa aberta por ela, deixando as peças de roupa caírem jogadas junto com as suas. Estavam imersos em tudo que sentiam um pelo outro, em todas as sensações emocionantes e deliciosas que estavam experimentando ali, que queria mais. Não pareciam realmente se importar com o fato de alguém simplesmente poder chegar naquele andar ou sair de um dos quartos vizinhos. A adrenalina da possibilidade de serem vistos tornava tudo muito mais interessante, tudo muito mais novo. Bucky sentia como se ele próprio tivesse novamente vinte e cinco anos. E aquilo era indescritível, inédito e incomparável.
deixou algumas arfadas abafadas escaparem assim que sentiu os lábios dele percorrerem seu corpo, pararem em seus seios. Sua mente já havia se quebrado em dezenas de sensações que mal podia nomear, seu corpo parecia pulsar, como se uma energia estivesse saindo dela. Bucky sentiu as mãos de alcançarem o botão de sua calça e, com agilidade, sem qualquer tempo a ser perdido, ela logo o abriu. Continuando a beijá-la, sem parar nem por um instante, ele livrou-se dos sapatos e da própria calça em segundos.
Em um movimento rápido, trocou de lugar com ele, deixando Bucky encostado na parede onde antes ela estava e, carregada de sensualidade, ela se agachou em seus saltos. Os olhos de Bucky acompanharam os dela até ele entender o que realmente estava prestes a acontecer, sua mente já divagando até o infinito. Com as duas mãos, desceu a boxer dele de uma vez, sem pressa, transbordando desejo. A boca dela brincou pelas coxas dele, seus dedos subindo provocativamente pelas pernas do homem até sua mão alcançar o ponto mais sensível. Bucky deixou uma arfada baixa e pesada escapar, os movimentos tão lentos, propositalmente calmos e provocativos de o deixavam louco, ainda mais tentado.
Mas uma ligeira sensação de alívio tomou conta de si assim que sentiu os lábios dela o tocarem de uma vez por todas. Uma mão de James foi dirigida para os cabelos dela enquanto a outra segurou-se na parede. Seus olhos fecharam-se ao mesmo tempo em que pode começar a sentir os lábios de em si, o nome dela escapando de sua boca entre gemidos roucos e nem tão baixos. De todas as sensações carnais boas que aprendeu a sentir naquele ano em que dividiu com , aquela era, talvez, a melhor delas. Ou talvez o fosse. Talvez fosse inteiramente a melhor das sensações que ele já havia sentido em toda a vida.
seguiu por um tempo que não soube dizer até sentir a mão gelada de vibranium de Bucky em sua nuca, enroscando-se em seus cabelos e a puxando delicadamente de volta para cima. O homem então a encarou. Do jeito que só ele sabia fazer, os olhos mais lindos de todo o mundo. Bucky encarou os olhos de que se firmavam nos dele como se pudesse ver a alma dela, como se a pudesse despir da última camada que a via vestindo, a aura de ser quem ela era, o que ela representava.
Bucky pensou por um momento que era aquilo que ele queria para si mesmo. Aquilo que ele queria para o resto de sua vida, para o acompanhar no tempo que ainda o presenteava com anos. Ele queria . Queria vê-la exatamente como a estava vendo diante de si naquele instante. Queria se sentir tão apaixonado e ardente como se sentia naquele momento. Queria que todo aquele prazer, aquele tesão, aquela chama, durassem para sempre. Bucky queria ela. Queria aqueles olhos, aquele sorriso. Queria ter para si tudo o que o estava dando naquele ano. Queria ser dela o tanto que estava aprendendo a ser de si mesmo.
Na intimidade, o respeito. A conexão, a maturidade de entender que o amor transborda em cada detalhe mínimo quando se ama, no carinho cotidiano, na compreensão, no espaço, no acolhimento. Não precisavam continuar adiante, se não quisessem. Não precisavam nunca fazer nada. Bastavam os dois, suas presenças, seus olhares, a confiança, a amizade. Bastava o amor. A manifestação carinhosa e silenciosa em saber que a sorte os havia presenteado mais um dia. Tinham um no outro tudo o queriam, tudo o que um dia lhes faltou no amor, tudo o que jamais teriam fora de si mesmos. Bucky queria dar a ela tudo de si e, naquele momento, pensou, torceu, para que aquele amor os acompanhasse até o fim.
o encarou de volta. Sem segurar o sorriso, sem que o clima se cortasse, o calor que só parecia aumentar. O prazer em fazer, o prazer em imaginar, o prazer de se amar com os olhos, como estavam fazendo ali. Bucky sorriu de volta, sua mente latejando a excitação e a paixão, gritando no inconsciente que guardasse consigo para sempre aquela imagem, aquele momento, aquela mulher.
Completamente nu no corredor, segurando-a pela nuca, Bucky a puxou de volta para si, a beijando novamente. Seus lábios pareciam mais urgentes, mas, ainda assim, profundos, intensos, querendo beijar todos os cantinhos possíveis dela. O gosto dele mesmo na boca dela o fazia delirar e retribuía com a mesma intensidade, com a mesma vontade. Carinhosamente, a mão direita de James começou a viajar pelo corpo de até tirar, de uma vez por todas, sua calcinha. Torturada pelos dedos dele que brincavam nas cicatrizes de sua coxa direita, que ele conhecia tão bem, até chegar na parte interna da coxa e, enfim, em sua virilha, trocou de posição com ele, aproximando-os mais um pouco do quarto, encostando-se na parede outra vez com ele pela frente. Bucky deixou um sorriso um tanto safado escapar pela reação dela e, puxando sua coxa direita com a mão de metal, de modo que a perna dela passasse em sua cintura, ele deixou sua outra mão chegar até onde eles dois queriam.
Da boca de , a palavra James era repetida várias e várias vezes, tão baixo como um sussurro proibido. Bucky amava que ela o chamasse por seu primeiro nome, amava a sensação vertiginosa que lhe causava, os gemidos que tirava dela como suplícios por mais. Bucky não sabia como pode passar tantos anos sem sentir tudo aquilo, mas tinha certeza de que naquele ano já havia recuperado, e muito, o tempo perdido. A mão de apertava a mão esquerda dele em sua coxa, enquanto ela sentia os dedos despreocupados dele a tocar. tinha os olhos fechados, a cabeça encostada na parede atrás de si, os lábios entreabertos enquanto o nome dele era tudo que podiam ouvir entre arfadas e suspiros pesados. Bucky continuava a encarar. Sua língua umedecendo seus próprios lábios, enquanto assistia em quase um delírio, talvez dela, mas certamente dele, dominado pelo prazer que explodia em si mesmo, como se ele sentisse o próprio toque que acariciava ela.
Em muitos sentidos, de muitas formas, mas principalmente daquela, era uma delícia. O melhor dos doces, o mais gostoso dos sabores.
A necessidade de aliviar a tensão que sentia em esgotar o próprio prazer fez Bucky voltar a beijá-la, levando a mão dela até seu membro. abriu os olhos no mesmo instante, a pulsação dele chamando sua atenção, tirando dela um gemido abafado pelos lábios ofegantes do homem. Eles se encaravam, seus lábios roçando um no outro entre gemidos enquanto deixavam-se aproveitar o momento, aproveitar um ao outro, explorarem-se. E assim ficaram ali. Bucky não sabia exatamente o que estava sentindo quando deixou-se atingir pela onda ridiculamente boa que aliviou seus mais secretos desejos para aquela noite. Não sabia o que estava sentindo porque parecia sentir absolutamente tudo. E não demorou muito para compartilhar daquela sensação.
Incansáveis, contudo, trocando olhares cúmplices e excitados, eles se afastaram por um segundo. Bucky assistiu tirar as sandálias e, recolhendo em um movimento rápido as peças de roupa no chão ao redor deles, o lançar um olhar significativo em direção ao quarto dele, como se o convidasse a continuar lá dentro, a terminar de receber o que ela imaginava ser seu presente de aniversário. Sorrindo charmoso, James colocou seu corpo contra o dela, seus lábios distribuindo mordidas leves, enquanto a guiava de costas pelo corredor até finalmente entrarem no quarto.
No seio da intimidade a dois, finalmente, a ânsia pareceu explodir. jogou as roupas e suas sandálias no chão outra vez, em um canto qualquer, seus olhos focados no homem que fazia o mesmo. Bucky trancou a porta, mas manteve a luz apagada, o quarto iluminado pela lua e pela vida noturna de Wakanda que podia ser vista a quilômetros dali, pela parede em vidro. Sem desgrudar seu corpo do dela, seus lábios do dela, Bucky caminhou com até encontrarem a parede de vidro. Se estavam experimentando sensações novas, lugares novos, por que não tentar mais um?
sentiu suas costas quentes ficarem repentinamente geladas assim que encostou na parede de vidro, mas não conseguiu se importar muito com aquilo. Sua mente estava completamente tomada pelo tesão, pelo desejo que ardia em seu corpo, pela vontade. A língua de Bucky deixou a dela por um momento e acompanhou, pelas sensações, os lábios dele desceram pelo corpo dela com carinho, com cuidado e com calma. Cada centímetro de seu corpo, cada cicatriz que carregava, sendo beijada, sendo amada. deixou-se levar pelos sentimentos seguros e bonitos que tomaram conta dela naquele momento. A aceitação, o compartilhamento, a presença, a pertença, a doação, o reconhecimento, o tempo, o amor. Bucky era tantas coisas para ela. não conseguia sequer descrever. Amava aquele homem. Amava cada detalhe dele e cada sentimento que tinha despertado em si, por ele. amava Bucky em seu íntimo, como ele a amava naquele momento, em seu físico.
Os lábios de Bucky passaram a dar uma atenção especial onde antes seus dedos brincavam, parando ali, perdendo-se ali. Sua mente não conseguia mais acompanhar tudo o que sentia, parecia ter sido bloqueada em , em seu gosto, em seu cheiro, nos novos sons mais altos e agudos que saiam dela a cada toque da língua dele. Tudo era extremo, tudo era delicioso demais. Bucky tardou ali o tempo que foi preciso para fazer , uma vez mais, atingir seu ápice. Era seu aniversário, afinal. E se ela pudesse fazer um desejo naquela noite, ele certamente já estava se realizando.
Do mesmo modo que ele fez com ela antes, no corredor, segurava os cabelos dele para trás, seu corpo arqueado, suas pernas entreabertas. Bucky logo voltou a colocar-se em pé, seus olhos escurecidos pelo desejo, seus lábios sendo limpos pela própria língua, sensual, gostoso, como só ele era. A dois passos de onde estavam, suas respirações descompassadas, os peitos que subiam e desciam pela atividade intensa, Bucky tirou um preservativo de uma das gavetas e encarando sem resistir a ela, a vestiu.
Sem dizer absolutamente nada, virou-se de costas para ele. A visão inebriante e quente da cidade de madrugada à sua frente foi sentida pelo calor do corpo de James encostando-se no dela, por trás, encaixando-se. Os músculos perfeitamente desenhados dele podiam ser sentidos, o frio cortante do braço cibernético contrastando com o calor ardente do corpo de . Bucky afastou os cabelos dela para o lado, liberando o pescoço, nuca e parte das costas, brutalmente marcada pela maior cicatriz que tinha no corpo, para beijá-la ali. levou uma mão até a nuca de Bucky, deixando-lhe carinhos e afagos, arrepiada pelo toque da boca dele em sua região mais sensível, seus olhos fechando-se pela sensação irresistível.
Bucky dividia os beijos a esfregar levemente a barba ou o nariz no pescoço e nuca dela, suas mãos passando delicadamente entre a cintura e os seios da mulher, enquanto seu quadril fazia um movimento quase imperceptível por trás do dela. Bucky era provocativo. só não sabia se aquilo dava mais prazer a ela ou a ele próprio. Amoroso, ele deixou os últimos beijos na pele arrepiada e quente da mulher e empurrando levemente o tronco dela, reclinou-se para frente.
Tão calmo quanto antes, Bucky entrou em . Seus corpos encaixados, ela na frente dele, as duas mãos dela segurando o vidro da parede, as duas mãos dele segurando o corpo dela. Lentos, envolvidos na provocação e na vontade de fazer aquilo durar para sempre, eles trocavam gemidos altos e claros. O nome de saindo dos lábios de James quase como um mantra, no meio de frases baixas e roucas, frases incentivadoras, um tanto sujas, palavrões sussurrados.
Da mesma forma, arfava, seus gemidos aumentavam conforme a velocidade e a intensidade dos movimentos. Sua respiração já estava falha, seu corpo suado grudando no de James atrás de si, o vidro à frente embaçado pelo calor e pelas respirações descompassadas, os lábios dele deixando beijos urgentes e leves chupões no ombro dela. Mas foi a mão gelada de metal dele segurar sua barriga, a trazendo para ainda mais perto, e, em seguida, descer um pouco mais para a estimular pela frente, que fez explodir de uma vez por todas.
Bucky seguiu os movimentos em um ritmo nem tão calmo, por poucos segundos depois, e, satisfeito, sentiu-se explodindo também. Parecia ver estrelas. Talvez literalmente, diante da vista da noite à sua frente, talvez figuradamente, pela falta de palavras em conseguir descrever todas as sensações daquela noite. Sempre era bom como era. Cada noite diferente, cada manhã energizante, sempre parecia novo, sempre era bom para ele. era, sem dúvidas, a melhor parte de sua história, o melhor que tinha acontecido em cem anos de vida.
Abraçando-a pelas costas, feliz, realizado por cada detalhe daquela noite, de seu começo ao fim, Bucky sorriu. deu um beijo delicado no braço dele e deitou sua cabeça em seu peito, aconchegada, confortável como só ele a fazia sentir. E ali eles ficaram por algum tempo até decidirem ir tomar banho. Diferente da excitação e do fogo que os consumia momentos antes, deixaram-se apenas banhar-se em água e em carinho. Prestavam atenção um no outro como se pudessem se esquecer daquilo a qualquer momento, riram baixo, conversaram intimamente sobre tudo, sobre aquela noite, sobre si mesmos. Beijavam-se. E naquele cuidado e atenção toda, tomaram o banho mais demorado e relaxante de suas vidas.
Como sempre faziam, como gostavam de fazer.
Bucky se sentia verdadeiramente feliz. A paixão que aprendeu a arder em si, como uma pancada dura, o acertando conscientemente outra vez, enquanto caminhava de volta para seu quarto, vestindo apenas suas boxers e o perfume que gostava de usar para dormir, observando jogar-se na cama vestindo uma camiseta qualquer que havia pegado dele depois do banho. Ele não entendia o amor. Não em toda sua complexidade, não do jeito que gostaria de entender com a idade que tinha, com tudo o que viveu. Como ele poderia? Não poderia. Mas a vida seguia para James e seguia trazendo a redenção que ele tanto desejava. Já não era mais o mesmo e já não queria mais ser. Nem o Bucky de seu tempo, nem o Bucky da Hydra. Era um novo si mesmo. Tinha demorado para ser, mas agora era.
Onde ele tinha paixão, sabia que deveria seguir adiante.

— Esse foi o melhor aniversário de todos os tempos — comentou baixo, jogada na cama preguiçosamente, vendo Bucky deitar-se em cima dela como um urso — Bom, e o melhor presente também — Ela o abraçou risonha, tirando de Bucky um beijo em sua bochecha e um riso tímido abafado.
— Na verdade, ainda não te dei o presente — Ele comentou a olhando, esticando-se para alcançar a gaveta do móvel de beira de cama, tirando de lá uma caixinha pequena, em azul esverdeado com um laço branco — Estava literalmente aqui, no quarto.
deixou uma risada no ar, colocando as mãos no rosto envergonhada por ter entendido errado o convite para receber seu presente. Bom, no final das contas, foi muito melhor do que ela imaginou. Estava ganhando tantas coisas de Bucky naquela noite que sequer esperava, parecia um sonho. O melhor deles. Bucky sentou-se na cama, puxando junto com ele, de modo que ficassem frente a frente, com as pernas da mulher encaixadas na cintura dele. Um tanto nervoso, no segundo seguinte, ele entregou a ela a pequena caixa que segurava. Karl o havia ajudado a escolher, era exatamente como ele queria, mas, por um instante, teve receio de não gostar. Ele tinha ganhado Alpine de aniversário, de . O filhote de gato mais lindinho do mundo, sua nova companheira de vida e que, naquela noite, estava no quarto de , a fazendo companhia até que a hora da festa surpresa começasse. Não sabia que o que tinha comprado era tão simbólico quanto Alpine, mas já estava feito. Queria ver a reação dela.
Sem muitas cerimônias, curiosa como era, pegou a caixa das mãos dele e sorridente, esbanjando a mesma felicidade de quando viu que tinha ganhado uma festa surpresa, ela a abriu. No veludo preto refinado da Tiffany & Co, o colar fino em ouro rose trazia um pingente médio em formato de coração. Um coração bruto, maciço, elegante e muito delicado. Encantada com a delicadeza daquilo, tirou o colar da caixa e, olhando o pingente, encontrou as letras iniciais dela e de Bucky gravadas no ouro, do lado que ficaria encostado em seu corpo, quando o vestisse. Ela não soube o que dizer. Não soube por que não estava esperando por nada daquilo. Seus olhos emocionados, marejando, subiram do colar em suas mãos até os olhos claros e cheios de expectativas de Bucky. Aquilo era lindo. Delicado, amoroso, simbólico, fofo. Era um presente e tanto que um homem dos tempos de Bucky daria a uma mulher daqueles tempos. E para , representou muito.
Representou porque ela soube como ele se sentia em relação a ela.
E mais do que isso, como ele se sentia em relação a si mesmo. Bucky estava de volta. Talvez a melhor parte dele o estava tomando conta novamente, a parte que ele achou, por anos, que estivesse morta, que já voltaria mais. O Bucky dos anos trinta estava de volta. Aquele que se orgulharia, e muito, de si mesmo por comprar um colar como aquele de presente, por gravar letras nele e achar que enquanto aquelas letras durassem no metal mais nobre do mundo, o amor deles também duraria. só conseguia sorrir.
— Eu não acredito nisso, Buck — A voz de era suave, amorosa — Eu não acredito em nada do que você fez essa noite. Foi tudo perfeito. Tudo. Merci! Merci beaucoup! Pela festa, por ter trazido meus pais, todas essas pessoas… tinham comidas da França! Il y avait de la nourriture de France — Ela dizia animada, misturando idiomas na empolgação, seus olhos brilhando, sua mente divagando pela última vez em que comeu algo francês, em Londres, com Sam — Os macarons mais maravilhosos do mundo!
Bucky riu do jeito exageradamente feliz dela em dizer aquilo. Os braços de estavam entreabertos, gesticulando com euforia, enquanto ele, risonho, colocava seu próprio cabelo atrás da orelha. Gostava de vê-la daquele jeito, tão feliz, tão livre, expansiva.
— Você os comeu quando? — Bucky perguntou confuso, sorridente. Tinham saído da festa antes de servirem a sobremesa.
— Eu roubei alguns da cozinha quando fui pegar mais bebida com Shuri — sorriu amarelo, rindo em seguida pela cara de incrédulo que Bucky fez.
— Ah, mentira?
— Shuri que me induziu — levantou as mãos no ar. Era verdade.
— A maior das criminosas de Wakanda — Bucky falou irônico, tirando de uma risada — Eu esperei você o dia inteiro para comer os macarons… — A expressão dele fechou-se em falsa tristeza, tirando de um biquinho culpado, entrando na brincadeira — Vai me dizer que o…
— O bolo também — Ela completou pausadamente, forçando um sorriso culpado que logo se transformou em novas risadas altas — Me desculpa!
— Me sinto traído da pior forma possível, — Bucky negou com a cabeça.
— É meu aniversário, podia comer o bolo quando quisesse, eu tenho privilégios — Ela fez um biquinho, jogando seus braços nos ombros do homem que, manhoso, fechou a cara.
— Achei que eu tinha privilégios também.
— E tem — apontou para si mesma com as duas mãos, de um jeito que era para ter sido sensual, mas só foi engraçado no final das contas.
Sem conseguirem conter as risadas, Bucky a abraçou por um momento, sentindo os lábios de darem-lhe um beijinho rápido.
— Agora é sério, eu só… queria agradecer. Para sempre. Na verdade, eu nem sei o que dizer — Ela riu tímida, os olhos dele não deixando o rosto dela — Nunca foi tão… perfeito como foi hoje.
Bucky abriu um sorriso lindo, contente em vê-la feliz pelo presente, por tudo que veio dele naquela noite. então estendeu-lhe o colar, juntando seus cabelos como se fosse amarrá-los. Delicado, Bucky colocou nela o colar que, daquele dia em diante, ela nunca mais tirou. Juntando suas testas e passando a ponta de seu nariz no dela, ele sussurrou, sua voz transbordando sinceridade e certeza:
— Eu te disse, boneca, te daria o mundo inteiro se você quisesse. Le monde entier.
— Já tenho tudo o que eu quero — respondeu baixo, seu dedo batendo levemente no peito nu dele — Tenho o mundo inteiro bem aqui. Sorte a minha ele ser você.
Alguns dias, Bucky desejava que o mundo inteiro também sentisse o que ele sentia por . Momentos como aquele, momentos em que tão pouco parecia tanto, parecia muito mais do que o suficiente. Só sentir já era mais do que o suficiente. Para quem tinha convivido com a sentença eterna de ser uma pessoa apática, Bucky estava bem, bem, distante daquela vida. Uma vida que ele não voltaria mais. Nunca mais. Uma vida que tinha sido roubada, destruída e massacrada por de uma vez por todas. Substituída por uma nova que renascia a cada instante, a cada dia que estava passando ali, protegido, em segredo, em Wakanda, afastado da violência, da luta, do caos. Imerso no sonho que compartilhava com .
Puxando-a levemente junto consigo, para que se deitassem na cama de uma vez por todas, Bucky pensou que, na verdade, a sorte era dele. Tinha seu mundo inteiro bem em sua frente, puxando os cobertores até eles e sorrindo, como se não pudesse ser ainda mais feliz naquela vida.
— É você, . É você e sempre vai ser você para mim — Bucky sussurrou a encarando nos olhos, sua mão esquerda fazendo carinhos calmos na bochecha dela — Feliz vinte e cinco, boneca.
Bucky a assistiu dar-lhe um beijo calmo em agradecimento e ficar por ali, mais perto, abraçada com ele, os olhos dela nos seus sem desviar. Bucky trocaria o mundo inteiro por aqueles olhos mareados. Os olhos que o salvaram da solidão. Os olhos que tiraram dele qualquer que fosse o diagnóstico recebido pelo Laudo Vinte e Cinco. Ele observou fechar os olhos pesadamente, pronta para cair no sono e a aninhou ainda mais em seus braços. O cheiro do sabonete tomando conta de todo o quarto, misturando-se com o cheiro dos lençóis limpos em que se deitavam. Confortável, macio, puro, perfeito. Ele então virou-se ligeiramente de lado, esticando um de seus braços para atingir o pequeno botão que fecharia às cortinas automaticamente, mas seus olhos logo caíram sobre o relógio ao lado da cama. Bucky sorriu ao ver o aparelho marcar 3:25 da manhã.
Deixando um beijo no topo da cabeça de ele pensou que vinte e cinco foi o número que ele nunca esqueceu.
Vinte e cinco era um número a ser lembrado.
Vinte e cinco era, definitivamente, seu número da sorte.






FIM!



Nota da autora: A pedido das leitoras mais especiais de PN, aqui foi mais um pedacinho da história desse casal que tanto amo. Espero que tenham gostado e que também tenham sentido a mistura de emoções que senti escrevendo.
Queria deixar aqui um super obrigada a Aline, pela persistência com PN e por todo apoio e força que me deu para escrever essa história - e que continua me dando para tantas outras! Um beijo especial para Mari e para Manuzinha, por terem lido o teste da história com antecedência e trazido contribuições. E, enfim, um super agradecimento a Thaís, melhor scripter-escritora-pessoa desse mundo, por dar a Vingt-Cinq a magia da interatividade e da publicação, para além de todo apoio e carinho diários. Amo vocês!
E agora é sua vez: comenta aí o que achou da história, vou amar saber e vou ficar esperando! Nos vemos em breve, beijos :) x





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