Última atualização: 25/04/2020
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- Prólogo -

Jul 2000, 19 anos atrás
Everett Ross estava cansado, não havia dormido a noite toda. Ficou revirando de um lado ao outro em sua poltrona, inquieto. Não podia relaxar o corpo e muito menos a mente, que insistia em trabalhar com uma velocidade absurda. Ele estava ansioso, com medo e incerto sobre a decisão que tinha tomado, exatamente como na noite de 23 de agosto de 1999, pouco menos de um ano atrás, quando ganhou uma filha. Everett respirou fundo, observando a garotinha que dormia abraçada ao seu fiel dinossauro de pelúcia na poltrona ao lado da sua. Ao longo de sua vida Everett nunca havia cogitado a ideia de ser pai, de ter uma família e construir um lar. Nunca se imaginou tendo um lugar para voltar todos os dias. Sempre focou seus esforços de uma vida inteira a trabalhar, a estudar e a dedicar-se a sua tão amada profissão. Acreditava que, para ser o melhor no que fazia, não teria tempo para construir laços profundos com as pessoas, tampouco pensar em família. Mas a vida tem dessas surpresas, às vezes.
Em 1990 Ross ganhou um trabalho realmente sério e importante do departamento de defesa dos Estados Unidos. Mudou-se para o interior da França e durante algum tempo sua vida estava estável e calma. Mas, o que ele não previa era que nove anos depois, com o final trágico e malsucedido do trabalho - que lhe custou o emprego e dois bons amigos - ganharia a maior e mais caótica missão de sua vida e, desde então, tem se dedicado profundamente a ela.

- Everett, acho que chegamos - O outro homem no avião com ele e a garotinha comentou alto, cortando os devaneios de Everett, que se aproximou do painel de controle do avião.
Ross estava surpreso com a vista. Não era a primeira vez que visitava aquele lugar, mas sempre se surpreendia com o que via. Sem dúvidas estava em um dos lugares mais bonitos do mundo. Sorriu verdadeiramente para o outro homem ao seu lado, que também tinha uma expressão impressionada. Diferente de Ross, Karl nunca havia estado ali, mas observando ao seu redor de perto, sentia que tudo que havia lido e ouvido sobre aquele lugar era verdade.
- Ual, isso é absolutamente… - Karl começou a falar.
- Maravilhoso? - Everett completou sorrindo, sem tirar os olhos da vista a sua frente. Karl riu baixo e concordou com a cabeça.
- Definitivamente não vou reclamar de passar um tempo aqui - Karl comentou, indo se sentar em seu lugar.
- Eu disse para virmos antes, mas o senhor "não-vivo-sem-asfalto" nunca quis - Everett rebateu divertido enquanto sentava-se e apertava seu cinto.
Karl revirou os olhos e recostou-se em sua poltrona ao lado, sentindo as leves quedas de pressão que o avião sofria enquanto descia. Não mais do que dez minutos depois, o avião estava no solo e os dois homens já estavam em pé, pegando suas malas do bagageiro. O único barulho que podiam ouvir era um sussurro baixo e infantil vindo de uma das poltronas mais atrás. Os dois homens pararam por um instante para observar a menina que se esforçava em pegar seu dinossauro de pelúcia caído no chão.
- Senhor Dino! O que conversamos sobre o senhor se jogar no chão? - a garotinha reclamava ligeiramente brava, até que conseguiu finalmente alcançar seu amigo - Já disse para se comportar bem. Só podemos viajar com os papais se nos comportarmos bem.
Everett e Karl se entreolharam e riram, chamando a atenção da garotinha, que desviou os olhos do dinossauro até eles, sem entender. Notando os homens em pé, a menina saltou de sua poltrona, colocou sua mochila nas costas e pegou o senhor Dino, indo rapidamente até eles. Algo parecia estranho para ela, não soava como uma das viagens que estava acostumada a fazer com seus pais, quando tinham que trabalhar. O clima era diferente agora e a menina podia sentir uma força estranha dentro de si, como se conseguisse controlar o que estava se movendo ao seu redor.
- Papai, onde estamos? - A garotinha perguntou confusa, trocando seu olhar de Everett para Karl. Everett pegou a menina no colo enquanto esperava pela porta do pequeno avião abrir. Karl parou ao lado deles, respirando fundo e confiante. Estava ansioso.
- Na nossa nova casa - Karl respondeu passando a mão no cabelo de sua filha que olhava para fora do avião.
- Mas eu gostava da outra - A garotinha respondeu fazendo uma careta para Karl que sorriu.
- Eu sei, querida. Mas lá era muito perigoso para nós e não gostamos de perigo, lembra? - Karl respondeu carinhoso. Sabia que sua filha era muito curiosa e perguntaria tudo até se sentir confortável com o fato.
- Eu lembro. Lá não pode brincar no quintal, é frio - A menina comentou para si mesma, pensativa.
A porta do avião terminou de abrir, lentamente, e os três caminharam até o lado de fora. Um campo aberto e verde gigantesco se estendia na frente deles. Podiam ver a cidade de um lado e grandes florestas a cercando. A menina olhava para aquilo atônita. Sentia-se conectada com o lugar, protegida e confortável. Algo dentro de si podia sentir a presença do lugar. Everett, que observava a reação da menina, sorria terno. Por um momento, todo seu medo e insegurança foram embora e deram espaço para uma sensação de certeza, de dever cumprido. Sabia que estava tomando a decisão correta. Sabia que sua filha estaria, finalmente, segura. Sem mais fugas, sem mais perigos.
Lentamente o homem colocou a menina no chão e quando seus pequenos pés encostaram na grama, centenas de ixoras vermelhas cresceram no campo ao redor dela, de uma só vez, em um piscar de olhos. A menina, já no chão, olhou para seu pai que agachava ao seu lado ao meio as pequenas flores, sorrindo abertamente.
- , bem-vinda a Wakanda - Everett comentou confiante, olhando da menina ao casal que estava parado logo a frente deles. acompanhou o olhar do pai, ainda sorrindo.


- Capítulo 1 -

Lagos, Nigéria


- Eu disse oeste, e isso quer dizer “vire à esquerda” – A voz de Shuri saiu pelo ponto eletrônico no ouvido direito de , que bufou e virou-se, indo na direção oposta.

- Não tem como saber o que é leste ou oeste daqui, seja mais clara – rebateu impaciente. Já era a terceira ou quarta vez que virava na rua errada.

Sua caminhada estava mais longa do que havia planejado, não deveria perder tanto tempo assim. Pelo pequeno relógio de pulso que usava, notou que seu ponto de localização já estava próximo ao centro. cruzou a rua a sua frente com certa pressa e, dobrando a esquina próxima, alcançou a avenida principal da cidade. Agora só faltavam alguns metros. A mulher observou alguns policiais caminhando entre os comércios aglomerados e uma cafeteria, logo ao lado, mais cheia do que de costume. Continuou a caminhar, em seus passos firmes, mantendo a atenção ao seu redor. Lagos não era uma cidade organizada, manter a vigília em lugares como aquele poderia ser um pouco difícil e ela não podia chamar muita atenção. Não podia parecer perdida, desesperada ou ficar olhando loucamente para todos os lados. Não podia parecer suspeita. Duas semanas atrás, em ação parecida no Cairo, tinha sido perseguida e atacada, por descuido seu, ela sabia. Dezenas de pessoas se machucaram no ataque e isso lhe custou alguns dias de treinamento extra, uma retratação em público, que a expos mais do que ela gostaria, e horas do batido discurso do Rei T’Chaka, sobre como suas atividades deveriam ser oficialmente supervisionadas, assim como as de outros como ela.
sorriu sozinha ao avistar o Instituto de Doenças Infecciosas, do outro lado da rua, e avisou Shuri pelo ponto eletrônico, enquanto se aproximava do lugar. O instituto não parecia muito grande: tinha uma entrada maior do que o necessário e um único edifício, quadrado, de poucos andares, ao centro do terreno. Alguns homens com armas pesadas estavam no portão principal de entrada, como se fosse um quartel general. Na menor das hipóteses, aquilo era mais do que um simples instituto. Talvez fosse um laboratório militar. passou pela guarita na entrada, atraindo atenção de alguns dos guardas, e seguiu até a portaria do instituto. Caminhava com tanta confiança que parecia já ter estado ali muitas e muitas vezes. Dias antes havia feito um crachá falso e, naquele momento, pareceu suficiente para enganar os guardas.

- Entrei – murmurou baixo, para que Shuri pudesse ouvir, e olhou para o lugar a sua frente.

- Certo. O que tem aí? – Shuri perguntou curiosa, digitando alguns comandos em seu computador, na tentativa de encontrar alguma imagem do lugar.

- Não sei ainda, parece um instituto científico militar, a segurança é reforçada – comentou, olhando as câmeras espalhadas por diferentes lugares do ambiente.

- Algum sinal de Rumlow? – Shuri parecia ansiosa.

- Ainda não, vou entrar agora no prédio – Respondeu , encarando a porta de entrada a poucos metros de si.

- Tome cuidado. Qualquer problema mande o sinal – Shuri desligou rapidamente o acesso do ponto, antes que alguém pudesse interceptar, e voltou a se focar nos computadores à sua volta.

De seu laboratório, em Wakanda, Shuri podia acompanhar onde estava e observar, por mapa de calor, o que acontecia ao seu redor. Sabia que aquilo era importante para ; que há anos ela dedicava seu tempo e força para montar o quebra-cabeça de sua vida e que, depois de tantos esforços, descobriu que as principais peças estavam com a HIDRA. Shuri tinha muito conhecimento, tecnologia e uma grande admiração pela irmã francesa que a vida lhe deu. Não se lembrava sequer de uma única vez em que não a tivesse defendido ou que não a tivesse ajudado no que ela precisava. Ela sempre esteve lá. E talvez ajudá-la com essas missões fosse a forma que Shuri encontrou de mostrar que também estaria ali, por ela. Shuri virou, em sua cadeira giratória, para pegar seu copo com suco, próximo a um outro computador cuja imagem de Rumlow estava projetada. Deu uma rápida olhada na imagem antes de voltar-se para o mapa em que acompanhava a localização de . Esperava que ela voltasse logo e, dessa vez, sem quase ser morta.
Dias atrás, Shuri rastreou um alerta anônimo sobre a ida de membros da fadada HIDRA para Lagos. As coordenadas geográficas, codificadas no alerta, levavam até aquele lugar, naquele dia e naquela hora, contudo, ainda não sabia o porquê. Certamente alguma coisa, em algum lugar, estaria esperando pela HIDRA. Já dentro do prédio, subiu as escadas, no intuito de reconhecer os lugares antes que pudesse, de fato, procurar por algo. O primeiro andar tinha apenas salas de conferência e reunião; o segundo estava repleto de mesas e tinha um pequeno café, como um espaço de convivência. O terceiro andar, por outro lado, estava cheio de laboratórios. Ali, provavelmente, teria algo interessante. Os cientistas, ocupados em seus trabalhos, não prestaram muita atenção em , que seguiu caminhando pelos corredores e olhando dentro dos laboratórios, como se os inspecionasse. Na porta de entrada de cada um havia uma placa vermelha, com o número da fase de periculosidade de contágio referente aos materiais que ali dentro eram trabalhados. Biossegurança 1, 2, 3, 4 e, finalmente, 5.
Sem cerimônias, deu uma rápida olhada ao redor, estourou a trava da porta, que pedia uma senha, e entrou no último laboratório, de nível 5, encostando a pesada porta de vidro atrás de si. Se houvesse algo realmente perigoso naquele instituto, certamente estaria ali. O cientista, que antes trabalhava ali dentro, levantou-se e a encarou, meio assustado. Ele trajava uma roupa vermelha de proteção à contaminação e indicou o corpo de , como se a dissesse que corria perigo ali, que estava exposta. Ela sorriu para ele em resposta, sem muita emoção. Não podia se infectar com nada, nunca pode. Não ficava doente e nem reagia a vacinas, não poderia se contaminar com nenhum tipo de essência biológica, vírus, bactérias ou fungos, nem mesmo veneno, e, por isso, não se preocupou em ir laboratório adentro, observando ao redor com cuidado, para localizar o que procurava.
Não demorou muito para ela notar um pequeno freezer ao fundo da sala, com apenas um único frasco dentro, e caminhou a passos largos até ele. Só podia ser aquilo. Ela pegou alguns papéis que estavam jogados pela bancada ao lado do pequeno freezer, identificando alguns códigos que batiam com os que estavam na etiqueta do frasco. Aquilo era uma arma biológica em potencial. O cientista na sala não falou nada, ficou a observando em silêncio, enquanto dava discretos passos em direção ao telefone em cima da mesa, por onde poderia pedir ajuda ou, ao menos, perguntar quem era ela e o que ela estava fazendo ali. Contudo, antes que qualquer um deles pudesse fazer algo, um forte barulho de exploração ecoou pelo ambiente, fazendo a estrutura do prédio tremer por alguns segundos. Alguma coisa havia acontecido do lado de fora.
virou-se para a porta do laboratório, a tempo de observar as pessoas começarem a correr para todos os lados, assustadas, tentando desesperadamente sair daquele andar ou verem, pelas janelas, o que tinha acontecido. Alguns instantes depois, os vidros das janelas de todo o andar foram quebrados, quase que todos ao mesmo tempo, por pequenas bombas que, ao explodirem, liberavam um gás amarelado, provavelmente tóxico. Aqueles que ainda não tinham tentado sair do prédio começaram a correr desesperados sentido a escada. franziu o cenho intrigada, sentindo sua ansiedade aumentar, enquanto observava pacientemente tudo acontecer de dentro do laboratório. Isso não lhe parecia nada bom, mas, ao menos, sabia que estava no lugar exato onde deveria estar. Em menos de um minuto, vários homens trajando roupas pretas, máscaras e segurando grandes armas invadiram o andar. A mulher desviou seu olhar dos homens armados, que se espalhavam pelos laboratórios, até o cientista, que ainda se mantinha na sala, aproximando-se alguns passos dele.

- Se esconde – sussurrou para o cientista, mas assim que ele se virou para responder algo, três homens quebraram a porta de acesso ao laboratório que estavam, sem qualquer dificuldade, e encararam os dois. Um deles, o do meio, usava uma roupa diferente, como se fosse uma armadura, acinzentada e bruta. Rumlow.

Eles empurraram o cientista contra a parede com facilidade, fazendo-o cair no chão zonzo, e foram em direção a menina. se manteve parada em frente ao pequeno freezer, tapando a visão deles da substância que, aparentemente, também os interessava. Rumlow tombou a cabeça para o lado a olhando, com um sorriso malicioso nos lábios, enquanto os outros dois apontavam suas armas para ela, até que, sem esperar qualquer comando, atiraram. desviou de algumas balas com agilidade, indo em direção à um dos homens armados, dando uma cotovelada certeira em sua arma, que caiu no chão ao lado e antes mesmo que ele pudesse revidar, deu uma joelhada em seu estômago, sendo seguida por um soco no rosto e uma outra cotovelada, de costas, no queixo do outro homem que agora vinha para cima dela. A garota deu um chute para trás atingindo o joelho do homem e se virou para golpear mais uma vez o primeiro, que caiu desacordado. Ainda assim, uma bala do segundo homem conseguiu atingir seu braço direito, de raspão, mas sem nem pensar duas vezes, meteu o pé no meio das pernas dele, fazendo-o soltar a arma no chão. Chutou a arma para longe e voltou novos socos e joelhadas nele, até ele cair também. passou as mãos sob o machucado da bala e sentiu seu braço fisgar de dor. Ela então se colocou novamente em frente ao freezer, protegendo o frasco que ainda permanecia lá dentro, intacto.

- Estou começando a achar que você é apaixonada por mim – Rumlow falou irônico, com a voz meio robótica; seu olhar foi de cima a baixo na mulher a sua frente, parando em seu braço, agora, sangrando - Continua previsível. Não aprendeu nada nos últimos anos?

- Talvez...Que você é o maior idiota que já cruzou meu caminho – Ela respondeu, olhando afrontosa para os movimentos de Rumlow.

- Você tem dez segundos para sair da minha frente, antes que aconteça de novo o que aconteceu no Cairo – O homem esbravejou impaciente, destravando a arma acoplada a armadura em um de seus braços.

- Você sabe o que eu quero. Me diga onde ele está – ordenou no mesmo tom autoritário, fechando suas mãos em punhos nas laterais de seu corpo.

- Não seja ansiosa, . Cedo ou tarde, ele virá até de você – Rumlow rebateu cínico, observando os olhos da mulher a sua frente escurecerem de raiva - Para fazer com você exatamente o que fizeram com seus pais.

não lidava bem seu com passado. Não sabia exatamente como deveria se sentir em relação a ele. Por isso, dificilmente falava sobre isso. Rumlow não tinha esse direito. Antes mesmo que pudesse tomar consciência, já estava empurrando o homem com toda sua força até sentir ele bater na parede mais próxima. Rumlow sequer se deu ao trabalho de lutar. Apenas pegou pelo pescoço, com uma única mão, e a jogou para o lado com uma força tão brutal que seu corpo passou pela porta de vidro quebrado do laboratório e deslizou até o outro lado do andar, parando quando atingiu algo. Ou alguém. Steve a segurou pela cintura, amortecendo a pancada.

- Você está bem? – Steve perguntou meio cansado. Achava que não havia mais civis dentro do prédio, o que ela fazia ali? E como estava acordada em meio a tanto gás tóxico?

sentia seu corpo doer e tentava processar o que tinha acabado de acontecer. Steve voltou-se de costas para ela, assim que se deu conta de que alguns homens vinham em sua direção. Ele se colocou na frente dela, como se a protegesse, e logo lançou seu escudo em direção aos homens, fazendo-os cair, um a um, como um boomerang. deu alguns passos parando ao lado de Steve, que a olhou de volta, também de lado.

- Estou...bem. Obrigada. – Ela respondeu, levemente impressionada por encontrar o Capitão América e por ele estar naquele lugar. O que ele fazia ali? Merda, não era o que ela havia planejado.

Pouco à frente de onde estavam, Rumlow saia apressadamente por uma das janelas. Steve e se entreolharam, mas não puderam correr até lá, pois outros homens armados chegavam. Sem tempo a perder, dois dos homens se colocaram a frente de . O gás amarelo estava magicamente sendo puxado para fora do prédio, por algo que ela não sabia identificar, mas que já era planejado por Steve. Ela avançou nos dois homens, lutando contra eles ao mesmo tempo. Deu uma rasteira em um e deslizou até atingir o tornozelo do outro que bateu a cabeça no chão. Antes de se levantar, ela pegou a arma do homem desacordado no chão e atirou, atingindo o outro que tinha acabado de levar uma rasteira. Menos dois, pensou ela jogando a arma com força em um terceiro que se aproximava, acertando precisamente seu rosto. Ou três.
Steve estava novamente afastado dela, sendo cercado por alguns novos homens armados, enquanto empunhava seu escudo, defendendo-se dos tiros que insistiam em cair sobre si. Estava preocupado em tirar a menina que acabou de conhecer dali, não podia deixar civis em zonas de conflito como aquela. Sem mais mortes inocentes. olhou ao seu redor rapidamente e correu em direção a eles. Quando chegou perto suficiente, se agarrou em um dos homens armados, mirando suas pernas em direção a outro, atingindo-o no peito. Em uma fração de segundos, colocou suas pernas no chão de volta e socou várias vezes seguidas o rosto do homem que havia se segurado segundos antes, até ele apagar. Ela balançou sua mão direita, para aliviar a dor das pancadas e voltou-se para o único homem que sobrou em pé. Steve a observava atônito, impressionado e curioso. Por um minuto, se sentiu envergonhado por achar que ela estava em perigo.

- Você não está em perigo, está? – Ele perguntou confuso a olhando, franzindo a testa levemente. sorriu para ele, achando aquilo muito fofo, e faz sinal de “mais ou menos” com a cabeça.

- Lamarck – A mulher se apresentou, assentindo brevemente com a cabeça para ele.

Ela parecia cansada, aos olhos de Steve, mas não era um rosto incomum. Ele tinha a sensação de já a ter encontrado antes, mas não sabia onde. Ela tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo perfeito e um olhar confiante, desafiador. Usava uma calça jeans apertada, um casaquinho escuro com estampa de pequenas flores e botas de cano curto. A tirar pelo braço que estava sangrando, o rosto com pequenos machucados e as mãos inchadas, ela parecia bem.

- Não estou com um traje adequado para a situação, não é? – Ela perguntou, notando o homem a encarar de cima a baixo discretamente, em completo silêncio.

- Desculpe. Eu sou o Steve – Ele respondeu, desviando seu olhar para o lado, envergonhado - Rogers. Já nos conhecemos, ?

- Talvez – Ela sorriu irônica, dando uns passos em direção a janela. Dali, não podia localizar Rumlow, mas pode notar que Steve não estava sozinho.

- SHIELD? – Steve tentou adivinhar, embora sua memória não tivesse nada consistente sobre ela. soltou uma risada nasalar e voltou-se para olhar para ele.

- Depende do ponto de vista – Ela respondeu mantendo o mistério, adorava estar no controle. Steve deu de ombros, olhando ao redor. Não tinha muito mais tempo para conversas, precisava sair dali logo e encontrar Rumlow. Ele era o único caminho para encontrar Bucky, não poderia perdê-lo novamente.

- O que faz aqui? – Steve perguntou curioso, desviando seu olhar até ela.

- Preciso de uma informação de Rumlow e estou seguindo seus movimentos há meses para consegui-la – Ela comentou séria, olhando-o de volta.

- Que tipo de informação? – Steve insistiu, desconfiado.

- Você é bem curioso, não é? – rebateu, cruzando seus braços. Steve bufou.

- Não é como se eu pudesse confiar em alguém que acabei de conhecer, em um cenário como este – Ele respondeu prontamente, insinuando sobre tudo que havia acontecido nos últimos vinte minutos.

revirou os olhos e esperou um minuto antes de responder. Não sabia direito como deveria dizer aquilo e tinha certeza de que se fosse completamente honesta teria que lidar com as consequências vindas de Steve. Afinal, ele estava procurando a mesma coisa que ela. Por que ele tinha que ser tão certinho?

- Rumlow sabe a localização de uma pessoa do meu passado. Preciso dessa informação para encontrar...meus pais – hesitou por um instante e engoliu seco - Preciso da localização da base central de treinamento da HIDRA. Duvido que ele saiba. Tenho certeza de que ele conhece alguém que sabe. Está bem assim?

Steve concordou com a cabeça. Aquilo pareceu suficiente para ele. parecia estar sendo sincera, a tirar pela mudança de humor ao tocar naquele assunto. Ela tinha o defendido de alguns dos homens de Rumlow e ele viu quando ela foi atirada por ele. Se tivessem do mesmo lado ou, ao menos, negociando algo, Rumlow não a trataria daquela forma. Conhecia Rumlow e conhecia seu jeito de fazer as coisas. E aquele era, definitivamente, um tratamento para pessoas que ele odiava. Violento, impaciente e cheio de homens para ajudá-lo, como se ele já a estivesse esperando ali, como se soubesse o que iria acontecer. Diante do silêncio dele, não soube o que pensar. Ficou hesitante por um segundo, mas não poderia deixar com que aquilo estragasse sua oportunidade de conseguir o que queria. E, no final, ela estava sendo honesta com ele. Acreditar ou não, não cabia a ela.

- Todos temos segredos, Capitão – completou meio cansada, quebrando o silêncio – E, para pessoas como nós, em maior ou menor grau, eles sempre envolvem a HIDRA.

Steve concordou novamente com a cabeça. Ela tinha razão, no final das contas algo sempre remetia a HIDRA. Mas o que ela queria dizer com “pessoas como nós”? Steve continuou ligeiramente intrigado, mas não teria mais tempo para conversas. O que importava era que não parecia uma ameaça para ele. Parecia alguém em que se podia confiar. Ao menos naquele momento.

- Temos que ir agora – Steve se deu por vencido, desviando seu olhar de para a janela, onde podia ver seus amigos travando uma batalha contra os homens de Rumlow.

- Quem chegar primeiro ao idiota do Rumlow tira a substância dele e todas as informações sobre a localização da HIDRA. Depois vemos a melhor forma de acabar com ele. Temos um acordo? – A mulher questionou dando as costas para Steve e indo em direção as escadas que há pouco subiu até o laboratório. Mas, antes que pudesse começar a descer, ouviu a voz grave do homem atrás de si.

- Temos um acordo. Você disse substância? – Perguntou Steve uma última vez, antes de novos homens entrarem pela janela e se aproximarem dele.

- Ele roubou uma arma biológica – respondeu e voltou-se para a escada. Atrás de si pode ouvir uma explosão forte, provavelmente destinada a Steve.

Como parte da escada fora danificada, não conseguiu voltar para ajudar o homem, então seguiu descendo as escadas o mais rápido que pode, parando logo abaixo da porta principal de entrada e saída do prédio, que estava toda destruída. O barulho alto de tiros por todos os lados não parecia assustar nenhuma das pessoas ali embaixo. Wanda estava próxima a porta de saída, movendo um homem para o céu enquanto Falcão acertava ele com algum tipo de dispositivo explosivo que saiu de suas costas. Steve tinha acabado de saltar do terceiro andar para o chão do lado de fora do prédio, enquanto Natasha era jogada para fora de um carro forte que explodiu por dentro. Aparentemente estava bem, apesar de sentir as dores da queda. Quando efetivamente saiu do prédio, todo mundo encarou por um único instante. Como se tivessem combinado, suas expressões eram de confusão e curiosidade. A mulher olhou Steve do outro lado do local, parecia bem, apesar da explosão. Depois, observou Natasha, que se levantava do chão mais ao lado, Wanda mais próxima dela e Sam pousando no chão.
Contudo, antes que qualquer um deles pudesse fazer ou falar algo, alguns homens se colocaram em frente a , indo para cima dela. deu um tapa tão forte no rosto de um deles que a máscara caiu no chão, enquanto chutava um de seus joelhos. Outro homem a pegou pelas costas, a puxando para trás com seu antebraço travado no pescoço da menina, a enforcando. insistia em puxar seu corpo em direção ao homem caído a sua frente. Sem pensar muito pela falta de ar que já a sufocava, deu uma cotovelada no estômago do grandão que a enforcava, girando seu corpo rápido suficiente para ficar de frente para ele. Deu um chute para trás acertando de vez o outro homem no chão e, em seguida, aproximou-se novamente do grandão. A menina tinha um sorriso irônico no rosto e a cada passo que dava na direção dele, acertava um soco diferente em seu rosto, um golpe em seu pescoço ou estômago ou um chute em suas pernas. Não demorou muito para que o homem não pudesse mais se defender e cair exausto, sangrando e desacordado no chão. Steve, Natasha, Wanda e Sam se encararam.

- Gostei dela. Onde achou? - Perguntou Natasha, olhando Steve.

- No terceiro andar – Steve respondeu honesto, fazendo Sam rir baixo da resposta.

- No terceiro andar do seu prédio em Washington, eu diria – Sam comentou curioso, andando até mais perto da mulher, que assentiu levemente com a cabeça para ele.

- Bom te ver, Wilson – sorriu sarcástica para ele e voltou sua atenção a seu redor, procurando qualquer sinal de Rumlow ou de algum de seus homens.

- Isso é muito estranho – Wanda murmurou para si mesma.

- Não importa agora. Ela está com a gente. Localize o Rumlow, Sam. Vamos pegar a arma dele.

Steve terminou de falar a tempo de correr apressadamente atrás de Rumlow, que já havia saído dali. Wanda assentiu e correu atrás dele, enquanto Sam levantava voo. Natasha olhou mais uma vez, enquanto a mulher corria atrás de onde os outros iam, e seguiu sentido a uma moto que estava perto de si, subindo com agilidade e dando partida. Seria mais útil usar algo mais rápido do que as próprias pernas. O plano era se espalhar para diferentes lados, já que não sabiam mais quem eram os homens de Rumlow em meio à multidão de pessoas que estava no centro comercial. Natasha passou pelos seus amigos, indo em direção a um dos homens que Sam havia acabado de apontar como suspeito, pelo comunicador, enquanto avisava que estava seguindo outro. Wanda misturou-se à multidão saindo da vista de seus amigos e Steve subiu correndo por cima de um carro, deu uma cambalhota e parou no chão agachado.
o seguiu, empurrando algumas pessoas que estavam em seu caminho, desviando de algumas barracas e mesas com agilidade e parando de correr ao se deparar com Steve, olhando algumas partes do que parecia ser a vestimenta de Rumlow, jogadas no chão. O homem se levantou, ofegante, olhou rapidamente e depois ao seu redor. Parecia impaciente e cauteloso, como se algo tivesse prestes a acontecer.

- Onde ele foi? – Perguntou.

observou ao redor desconfiada, mas antes mesmo que pudesse pensar em algo, o escudo de Steve foi atingido. Nele, uma pequena bomba apitava. Steve olhou para a bomba, pensando rápido, e virou-se para atirar seu escudo para o alto. virou-se também, observando o escudo explodir e cair no chão, segundos depois, fazendo-a se proteger com o braço acima do rosto. No instante em que o escudo explodiu, Steve sentiu um soco em suas costas o jogar para frente, alguns metros de onde estava. Ele levantou-se, rapidamente, virando-se de frente para Rumlow, que lhe deu uma cabeçada e um novo soco, fazendo-o ser jogado na porta de um comércio. Rumlow tratou logo de tentar acertá-lo outras vezes, mas Steve conseguiu desviar. Sem muita paciência, o homem o jogou para o lado, fazendo-o se desequilibrar em uma mesa de madeira.

- Isso é por ter jogado um prédio na minha cara – Rumlow murmurou furioso, indo até Steve com uma espécie de faca saindo em uma das mãos.

Mas antes que Rumlow pudesse atingi-lo novamente, correu e jogou toda a força de seu corpo nas costas de Rumlow, sentando-se sob seus ombros e o golpeando com os cotovelos. Em uma fração de segundos, conseguiu quebrar parte da armadura da mão direita dele, jogando o que parecia uma faca no chão. O homem cambaleou alguns passos para trás, afastando-se de Steve, e tentou jogar a mulher no chão, pegando suas pernas. manteve-se firme, segurando suas pernas no pescoço dele com força. Ela olhou rapidamente Steve, que chamou seu nome, e preparou-se para cair. Steve correu em direção a eles, acertando Rumlow nos joelhos, o fazendo cair no chão. jogou seu corpo para trás, dando uma cambalhota precisa, antes do homem acertar o chão, e parou agachada, segurando a terra abaixo de si. Sentia sua respiração descompassada.
As pessoas ao redor se aglomeravam para ver o que acontecia e, vez ou outra, saíam de perto assustadas. Rumlow ainda parecia disposto a atacar, como se houvesse planejado isso há tempos, e se colocou em pé. Steve não esperou mais e deu um chute nele, atirando-o para ainda mais perto de onde estava, caindo no chão outra vez. Rumlow manteve-se de joelhos e tirou seu capacete, pela primeira vez no dia. sabia que havia uma grande chance de aquilo não terminar bem. Observou todo o perímetro ao seu redor rapidamente, pensando em como amenizaria o estrago, caso ele acontecesse. Steve caminhou até Rumlow e notou fazer o mesmo, parando ao seu lado, de frente para o homem ajoelhado.

- FLORENCE – Rumlow gritou, rindo amargamente – Eu deveria saber que uma hora iria se juntar a ele para correr atrás do amiguinho.

Steve respirou fundo e segurou o homem pelo colete da armadura, chacoalhando-o, como se desse uma dura nele. Embora estivesse muito curioso sobre o que o homem tinha acabado de dizer, não seria hora de perguntar. franziu a testa, encarando Rumlow. Seu rosto estava completamente deformado, cheio de marcas e cicatrizes, não parecia humano. Rumlow sorriu e baixou seu olhar para o chão, exausto.

- Estou muito bonito, considerando tudo que aconteceu – Comentou com ironia, ainda sorrindo.

- Quem é seu comprador? – Steve questionou sério. deu um passo mais perto deles, encarando Rumlow com seriedade.

- Ele se lembrou de você, sabia? – Rumlow falou, olhando diretamente Steve – Seu amigo, seu parceiro, seu Bucky.

- O que você disse? – Steve perguntou, puxando Rumlow para mais perto de si, ficando a centímetros do rosto do homem. segurou a respiração por um instante. Ele se lembrava?

- Ele se lembrou de você – Rumlow respondeu simplesmente – Eu estava lá, ele ficou todo choroso por isso...até eles colocarem o cérebro dele de volta naquela máquina. Ele queria que você soubesse de algo...que vocês dois soubessem de algo.

Rumlow respirou fundo, demonstrando cansaço. Desviou seu olhar de Steve e olhou , por um minuto, antes de voltar ao homem que o segurava.

- Ele me disse... – Rumlow voltou a falar – “Diga ao Rogers que quando você tem que ir, você tem que ir”.

Aquilo não fazia o menor sentido. franziu a testa intrigada, olhando Rumlow como se o pudesse matar pelo olhar. Steve estava igualmente concentrado em sua fala, mal podia se mexer. Rumlow sorriu maquiavélico e voltou a olhar com atenção para o casal a sua frente.

- E vocês vão comigo – Rumlow completou e apertou um botão de sua armadura, ao tempo que Steve deu alguns passos para trás, soltando-o e puxando consigo para que saísse de perto.

Rumlow ficou em chamas em uma fração de segundos e não explodiu ali no chão, em suas frentes, graças a Wanda que, com seus poderes, conteve a explosão. Wanda não esperava por aquela situação e não havia sequer se preparado para algo do tipo. Sua cabeça começava a latejar e ela buscava se focar em conter as chamas, que lutavam contra seus poderes. Energia é expansiva e teria que ser dissipada de alguma forma. Wanda não tinha poderes para apagá-la. Precisava tirá-lo dali. Em um impulso, Wanda fez Rumlow, ainda vivo e em chamas, subir rapidamente no ar e, sem conseguir mais segurar a expansão da energia, ela o soltou. Rumlow explodiu com uma força brutal, indo prédio adentro e destruindo tudo que estava a sua frente.
Um barulho ensurdecedor de explosão inundou o lugar. e Steve viraram-se quase que em câmera lenta para onde o barulho saiu. Ambos levantaram a cabeça para olhar o estrago, tinham os olhos arregalados. sentia seu coração acelerar e um calor estranho subir pela sua espinha, de ansiedade e de nervosismo. As pessoas corriam e gritavam mais do que antes, desesperadas, para todos os lados, enquanto os policiais se separavam, meio perdidos, sem saber direito o que fazer diante daquilo. Nenhum deles sabia o que fazer. Wanda parecia querer chorar, estava tapando sua boca com as mãos. Ao lado, Steve estava desolado, chamando Sam pelo comunicador. Algumas pessoas gritavam por socorro pelas janelas de andares abaixo e acima de onde a explosão aconteceu e havia muita poeira invadindo o ar, que dificultava a visão do local. ficou sem reação por algum tempo, apenas olhando o prédio, Steve e Wanda, até que, finalmente, enviou seu sinal, pelo celular, para Shuri. Ela saberia o que fazer.
Antes que pudessem de fato chegar mais perto do prédio, outro barulho alto tomou conta do ambiente, forçando-os a voltar seus olhares, em sincronia, para o alto do edifício. Uma parte do concreto que estava pendendo devido a força da explosão desprendeu-se e começou a cair. notou Natasha e Sam no perímetro que seria atingido e soltou um suspiro pesado. A menina fechou as mãos em punhos ao lado de seu corpo, sentindo algo dentro de si crescer com rapidez e fúria. Em uma fração de segundo um galho de uma árvore próxima cresceu e engrossou até atingir com força a placa de concreto que caia, destruindo-a em pequenos pedaços, que se espalharam pelo chão sem machucar ninguém. passou então a se concentrar em todas as árvores e raízes que podia sentir ao seu redor, fazendo-as crescerem e se multiplicarem em uma velocidade absurda, e a seguirem, enquanto ela se aproximava rapidamente da estrutura do edifício. Perto o suficiente, a menina encostou as duas mãos no prédio, fazendo os galhos e raízes grudaram nele no mesmo instante, ainda se multiplicando e engrossando, de forma a segurar toda a estrutura para não ceder mais. Em menos de 2 minutos, todo o prédio estava envolto por troncos e galhos grossos. Ela se afastou lentamente da estrutura a sua frente, dando alguns passos para trás para checar se nada havia ficado descoberto a ponto de ceder outra vez.
Steve, Sam e Natasha a olhavam do mesmo modo que minutos antes, no instituto: atônitos, impressionado e curiosos. Revezavam seus olhares do edifício até a mulher. Se achavam que já haviam visto de tudo na vida, estavam errados. Wanda ainda estava sofrendo pela explosão que havia causado e, por isso, não reagiu.

- Como você fez...? – Sam tentou perguntar algo, mas não conseguia sequer formular uma questão que não parecesse irracional ou absurda. Aquilo era absurdo.

ignorou e voltou seu olhar para o prédio. Natasha deu um passo à frente, observando o mesmo ponto que a outra mulher.

- O prédio está estável agora? – Ela perguntou, sem desviar o olhar.

- Sim, vamos entrar – respondeu prontamente – Vocês pegaram a arma?

Natasha olhou para Sam, que assentiu, e seguiu a passos largos e apressados em direção ao prédio, sendo acompanhada por Steve.

- Já está a caminho de um local seguro – Sam respondeu, e passou a caminhar ao lado de sentido o prédio.

A imprensa começava a se tumultuar, enquanto a polícia passava uma faixa de isolamento a alguns metros do prédio, impedindo que curiosos e jornalistas adentrassem na área instável e com vítimas. Sam levantou voo e seguia de um lado para o outro, tentando mapear as pessoas que ainda estavam lá dentro, presas em escombros ou pedindo ajuda, enquanto Steve ajudava as pessoas dos andares mais baixos a saírem. Natasha se embrenhava dentro do prédio, pelos andares superiores, reunindo as pessoas em grupos perto de janelas, para que Sam as tirasse de lá em breve. Nenhum deles conseguia ordenar o que estava sentindo naquele momento: um misto de nervosismo, ansiedade, preocupação e culpa. Wanda continuava parada do lado de fora, olhando para o prédio com um olhar perdido, como se algo fosse mudar, mas já era tarde demais. O erro era dela, teria que lidar com isso. fez com que alguns troncos largos e grossos se contorcessem em algo que pareciam escorregadores, perto das janelas em que Natasha reunia grupos de pessoas. Uma a uma, as pessoas foram escorregando até o chão, sendo apoiadas por Sam e Natasha, enquanto escorregavam, e por e Steve quando atingiam o solo, até chegarem na ajuda médica local. Demoraram horas para retirar todas as pessoas do edifício e, finalmente, se sentirem moralmente livres para ir.
soltou a respiração pesadamente e encostou-se no banco do carro em que estava sentada. Seu celular, sob seu colo, não parava de tocar. Teria que ceder alguma hora, não podia adiar aquela conversa por muito mais tempo. Desde que saiu do local do acidente, não tinha conseguido ficar em paz sequer um minuto. Depois de muita insistência, Sam a acompanhou até o hotel em que estava hospedada e, embora tivesse tentado a convencer de que estaria mais segura com eles, tinha a deixado lá e ido embora. tomou banho, enfaixou seu braço machucado de qualquer jeito, arrumou suas coisas e foi ao aeroporto o mais rápido possível. Tinha que sair logo dali, antes que a imprensa a encontrasse. Seus pais já tinham ligado algumas vezes, Shuri tinha deixado mensagens e não sabia com quem conversar primeiro. Seu celular tocou mais uma vez, fazendo-a bufar impaciente e atender de uma vez por todas.


- Capítulo 2 -

Berlim, Alemanha


“Foi assustador e só nos deixa ainda mais amedrontados sabermos que, muito provavelmente, existem outras dezenas de pessoas com superpoderes por aí que simplesmente não conhecemos. E, pior, que eventualmente vão sair por aí fazendo o que acham certo fazer, sem pensar nas consequências. Essas pessoas precisam de controle, de supervisão. São diferentes dos outros e precisam ser tratadas com diferença. A humanidade foi longe demais nos experimentos com humanos e agora precisamos lidar com isso. Nenhum deles nasceu sabendo lutar, voar, controlar coisas com a mente ou a natureza, por exemplo. Nós os tornamos assim, perigosos e ameaçadores. E se nós os tornamos assim, podemos torná-los controlados. Devemos. Eu estou assustada. Quer dizer, de onde veio aquela mulher? E o que é aquilo? Uma fada?”.


Sharon soltou uma risada alta, carregando uma caixa pesada para a cozinha. desviou sua atenção, dos enfeites a sua frente, até a grande televisão da sala, que havia sido recém instalada. Ao fundo da tela, de onde uma mulher de meia idade e um homem pouco mais velho conversavam m programa jornalístico de televisão, havia um telão com uma foto de em Lagos. A menina revirou os olhos, bufou e tirou o último enfeita da caixa ao seu lado, colocando-o em cima do móvel mais próximo. De uma hora para outra tudo havia mudado. foi de uma pessoa completamente normal e pouco conhecida para uma das pessoas que mais despertavam curiosidade, admiração e talvez um pouco de medo. Estavam falando sobre ela em todos os lugares possíveis; na tv, no rádio, nas capas de jornais. Em poucos dias a mídia sabia onde ela tinha nascido, que tinha perdido seus pais cedo demais e que fora adotada; sabiam que estava vivendo em Wakanda há anos e que estava escondida; diversos vídeos seus em ação em diferentes cidades nos últimos anos estavam começando a ser compartilhados centenas de milhares de vezes. não gostava desse tipo de exposição. Não queria saber a opinião de ninguém sobre ela e não queria que ninguém ficasse investigando sobre sua vida. Seria pedir demais? Talvez.
- Eles vão esquecer logo, querida – A voz suave de Karl cortou os pensamentos de , que desviou seu olhar perdido, e meio triste, da tv até ele.

- Eles esqueceram o Capitão América? – questionou ainda olhando seu pai, que terminava de empilhar caixas vazias perto da porta.

- E tem como esquecer um homem daquele? – Karl respondeu divertido. riu levemente e Everett revirou os olhos, entregando uma caneca com café para seu companheiro, sentando-se no sofá da pequena antessala.

- Sharon que o diga – cutucou a amiga, que tirava alguns itens da caixa que havia acabado de levar para a cozinha. Sharon revirou os olhos, envergonhada.

- Para quem sempre gostou de atenção, você não parece bem com a fama. Precisa se acostumar – Sharon comentou sem desviar seu olhar, focada em retirar os utensílios da caixa com cuidado. levantou-se do chão da sala, onde estava sentada, e foi, com a caixa que acabara de esvaziar, até a porta de entrada do apartamento.

- Uma celebridade que ficou conhecida por um atentado que matou dezenas de pessoas inocentes, parece ótimo mesmo – Ela comentou baixo, deixando a caixa empilhada nas outras e voltando-se para se sentar na poltrona em frente ao sofá em que Everett estava, do outro lado da pequena mesa de centro.

- A culpa não foi sua, sabe disso – Karl respondeu prontamente, enquanto abria a porta da frente do apartamento, empurrando as caixas vazias para o corredor de fora.

- Foi uma casualidade e a situação saiu do controle; não tinha como saber o que aconteceria e você fez o melhor que podia fazer naquele momento. Fim – Everett completou ríspido. Já estava cansado daquele diálogo, que já tinha tido, ao menos, cem vezes nos últimos dias.

- Não foi o que T’Chaka me disse por telefone – A mulher suspirou, pegando sua caneca apoiada na mesinha de centro a frente – Ele foi bem claro quanto a responsabilidade de pessoas que, assim como eu, acham que podem sair por aí fazendo o que nos interessa, com recursos que nos foram dados. Porque é claro que nossas habilidades, como ele gosta de chamar, foram presentes que recebemos da vida.
- É realmente poético pensando assim – Karl comentou irônico, voltando para dentro do apartamento e fechando a porta atrás de si.
Quando estava indo embora de Lagos, recebeu uma ligação do Rei T’Chaka. O homem, de fato, estava preocupado com ela. Fez dezenas de perguntas sobre sua saúde e segurança e queria, inclusive, enviar uma equipe médica exclusivamente para tratá-la quando soube do tiro que levou. Mas, igualmente, ele estava consternado com toda a situação. Alguns wakandanos viviam no prédio que Wanda explodiu e isso gerou uma crise muito maior do que o esperado. Ele queria saber detalhes sobre tudo que tinha acontecido e, a cada palavra de , o rei expressava seu descontentamento. A conversa, então, passou para um tom desagradável. T’Chaka achou que aquela seria a hora perfeita para tirar suas ideias da gaveta e sugerir um novo tipo de supervisão a partir de um trabalho integrado, entre pessoas como e os governos do mundo que se interessassem por eles. Em sua visão, era uma decisão urgente, importante e o caminho mais seguro para e para todos os outros. Defendia que era uma solução pacífica, duradoura e a uma forma legal de atuação internacional de super pessoas. Tudo deveria ser feito dentro das normas internacionais, não por decisão pessoal ou por interesses, mas por uma tratativa, por um acordo. O que o rei desconsiderou, e que insistiu em dizer naquela ligação, é que eles eram, acima de qualquer coisa, seres humanos, e não armas. Não poderiam ser negociados como tal; não poderiam ficar disponíveis para uso quando e onde os governos achassem melhor. Não poderiam ser usados e descartados.
Mas T’Chaka discordava. Ele sempre se apegava apenas nas partes boas e bens construídas das histórias. Ele sempre acreditava na bondade das pessoas; sempre se mostrava ingênuo diante de decisões como aquela. Ele comentou, então, que assim que chegasse em Wakanda, deveria ler a proposta de acordo e assinar, pioneiramente, para então conversarem sobre suas consequências. Ela poderia ser o exemplo e mostrar aos outros o que deveria ser feito. A mulher, contudo, não gostou do tom daquilo. Sequer teve a chance de escolher se assinaria ou não, de levantar seu ponto de vista ou mesmo fora consultada sobre a redação de um acordo. Já estava pronto. A ideia estava fixa. Não tinha mais o que ser feito, senão dançar conforme a música. E T’Chaka contava com a assinatura dela como forma de retratação de algo que sequer teve culpa. Ela não iria assinar e não tinha interesse nem em ler aquilo. Parecia um absurdo. sempre fez de tudo para proteger Wakanda e seu povo; tinha muita gratidão por tudo que o rei e sua família tinham feito por ela. Mas eles não iriam controlá-la. E, eles não tinham o direito de afastá-la das verdades essenciais de sua vida. Não quando estava tão perto de chegar às respostas.
decidiu não voltar para Wakanda. Achou que seria melhor se afastar por um tempo. Se ela assinasse o acordo teria que o cumprir e, se não assinasse, certamente seria vigiada 24 horas por dia, de modo que não pudesse fazer mais nada que envolvesse suas habilidades. Perderia o poder de escolha, a individualidade e parte de sua liberdade; seria tratada como diferente. Preferiu sair de vista enquanto ainda podia escolher fazer isso. Dessa forma, só comunicou ao rei T’Chaka assim que chegou na Alemanha, sem detalhes de onde estava e porquê, e destruiu todo e qualquer equipamento que poderia localizá-la. Desde então, estava em Berlim, onde seus pais passaram a trabalhar há poucos meses e para onde Sharon tinha acabado de ser transferida. Sharon conseguiu um apartamento para a amiga no prédio em frente ao seu, onde ela poderia viver sozinha. Seria mais seguro para ela e, principalmente, para seus pais, caso alguém a procurasse.
Sharon terminou de acomodar os últimos utensílios de cozinha, exatamente onde sua amiga havia pedido, e bebericou seu café. De onde estava na cozinha podia ver a amiga do outro lado da espaçosa sala, preguiçosamente sentada em uma poltrona do pequeno cômodo ao lado. Sharon podia ver os machucados espalhados pelo corpo da menina, marcas do que tinha recentemente acontecido em Lagos. O apartamento já estava com a cara de . Espaçoso, elegante e na moda; estava decorado e tinham flores em vários ambientes. Tudo era novo, desde os móveis até a decoração, as roupas e os equipamento eletrônicos. Parecia que a vida estava começando do zero para ela. E, de certa forma, Sharon sabia que estava. Há uma semana estiveram, os quatro, cuidando de tudo, para que ficasse perfeitamente limpo, confortável e organizado, como ela gostava. Eles estavam felizes por tê-la de volta por perto, embora ligeiramente preocupados com o futuro próximo.

- Temos que convencê-los a não assinar – Karl quebrou o silêncio, sentando-se na poltrona ao lado da de .

- Eles irão impor o acordo de alguma forma. Vão forçá-los a isso – Sharon comentou caminhando até a antessala e sentando-se no sofá ao lado de Everett.

- Há restrições de atuação, que eu chamaria de impedimentos. Você assina ou se aposenta. – respondeu lembrando-se das dezenas de vezes que tinha discutido sobre isso com o Rei T’Chaka.

- E se não escolher nenhuma das opções? – Sharon perguntou encarando a amiga.

- O acordo prevê que os assinantes estejam disponíveis para usar sua habilidade apenas, e se, o governo de algum dos Estado signatários precisar ou achar que é conveniente uma ação de super-humanos. Não se pode agir em nenhuma outra hipótese – Everett começou explicando, intercalando seu olhar em cada um dos presentes ao seu redor – E para aqueles que ficarem de fora, é subentendido que não querem mais atuar, que renunciaram ao uso de suas habilidades e, portanto, são considerados oficialmente aposentados.

- E eles te vigiam. Caso você seja pego fazendo algo que eles não queiram que você faça ou usando algum de seus poderes, vai preso – concluiu e sorriu forçadamente para a amiga.

- Não acho que isso vá dar certo. Quer dizer, se a maioria não assinar, não há como eles prenderem todos vocês – Karl respondeu pensativo - Eles não teriam forças o suficiente para isso. Como eles iriam fazer para fiscalizá-los? Colocar uma tornozeleira de prisão domiciliar em cada um de vocês?

- Eles têm quase todos os países em favor deles – Everett observou calmamente, apoiando seu braço no apoio do sofá – É fácil quando se tem olhos em todos os lugares. E eles farão questão de expor para a sociedade cada um de vocês que se recusar a assinar.

- Com isso, ganham apoio da população para fiscalizá-los – Sharon completou o raciocínio do homem sentado ao seu lado. Estava mais preocupada do que gostaria com tudo aquilo.

- Legal. Vou ter que comprar uma peruca para ir ao mercado na esquina - disse com uma falsa animação, cruzando suas pernas na poltrona.

- Por que? Você vai usar seus poderes no mercado? – Everett perguntou divertido, fazendo sua filha rir e dar de ombros, murmurando um ‘nunca se sabe’.

Karl soltou uma risada fraca, apoiando sua caneca, agora vazia, sob a mesinha de centro. Estava com tantas saudades de sua menina, de sua família reunida daquele jeito novamente, que não podia mensurar. Quando ela ligou, dias atrás, dizendo que se mudaria para perto deles, Karl achou que iria enfartar de felicidade. Sabia que ela estaria mais segura em Wakanda, mas sabia, igualmente, que aquela era sua melhor opção diante desse novo cenário. Ela havia aprendido a se virar sozinha, era corajosa e estava pronta para o que fosse. Não teria grandes problemas vivendo ali. E, de todo modo, estando agora mais perto deles, tinha ganhado novos aliados.
- E vocês sabem que, possivelmente, eles virão atrás de vocês assim que eu não aparecer no eventinho de assinatura, certo? - perguntou retoricamente, olhando cada um deles em sua sala. Sharon e Everett assentiram com a cabeça.
- E virão atrás de você também. Logo eles irão começar a forçar a barra para ter certeza de que você estará dentro do acordo ou, ao menos, não interferindo nele – Everett disse franzindo a testa, encarando sua filha.

- Não se preocupem comigo, se preocupem em se manter internamente. Agora que perdemos os recursos de Wakanda, nossa única fonte de informações sobre a HIDRA e de acesso aos lugares são vocês – lembrou, apontando de Everett para Sharon.

- Se perdermos isso, já era – Karl comentou, concordando a filha e desviando seu olhar para os dois no sofá a sua frente – Vamos perder tudo que já fizemos até aqui.

- Sem pressão – Sharon murmurou, com os olhos forçadamente arregalados, mas logo se recompôs - E T’Challa? Talvez ele possa ajudar a flexibilizar o acordo.

- Não dá para envolver ele. Se o rei descobre que seu filho está jogando do outro lado, as coisas não vão ficar boas – Everett respondeu prontamente, olhando Sharon pelo canto de olho, enquanto apoiava sua caneca, também vazia, sob a mesinha de centro.

- T’Challa também não concordaria em se opor a seu pai. Ele não sabe sobre a história completa, ficaria dividido entre mim e o pai e isso dificilmente terminaria bem – lembrou, soltando um suspiro pesado.

- Não contou para ele o que fazia em Lagos? – Sharon questionou surpresa.

negou com a cabeça rapidamente e a recostou na poltrona. Karl e Everett desviaram seus olhares para o chão e para o teto, respectivamente. Nunca quiseram esconder nada da família que os acolheu todos esses anos, mas sabiam que, aquilo, era o melhor a ser feito. A história do acordo de supervisão já era antiga e nasceu com a primeira tentativa de de encontrar o Soldado Invernal, quando tinha quinze anos. Dois deles, homens, a seguiram até a fronteira de Wakanda e tentaram quebrar a barreira de proteção do país. Sem sucesso, eles desaparecem e a menina nunca mais os encontrou. O rei, então, entendeu que a menina não podia sair do país sempre que quisesse, para fazer o que bem entendesse. Precisava ter motivos oficiais para atuar e, assim, não se meteria em problemas como aquele. Já que estava sendo protegida e treinada por Wakanda, tinha a obrigação de, em retribuição, seguir as normas do país e fazer o que eles achavam correto. O espírito da supervisão estava ali.
e seus pais, contudo, não acharam a postura do rei correta e não ficaram felizes com a sugestão. Acharam melhor que a menina abandonasse oficialmente, em discurso, as atividades que envolvessem suas habilidades fora do país e que continuasse, contudo, a fazer o que tinha que fazer por fora, sem ajuda ou qualquer conhecimento do rei e de sua família. Em todos esses anos, então, conseguiu escapar da ideia de ser supervisiona pelo Rei T’Chaka. Ela justificava suas saídas de Wakanda por compromisso de família, para passar tempo com seus país ou mesmo fazer turismo. E, sempre que algo dava errado em alguma de suas viagens, tinha que inventar alguma história que se encaixasse no contexto que inventou para sair do país. Nenhum deles gostava daquilo, ainda mais quando Shuri também se envolveu na história, fornecendo tecnologia e acesso seguro aos lugares que precisava chegar. Mas aquela seria a única forma possível. Era aquilo ou passar o resto da vida servindo de guarda pessoal de Wakanda.

- Ele também não sabe sobre o Soldado Invernal, não é? – Voltou a perguntar Sharon, quebrando o silêncio um tanto quanto constrangedor que tomou conta do ambiente.

- Não, não contei. Eles sempre foram a favor da supervisão pela segurança que isso traria a mim, não acho que ficariam felizes em saber que usei todos os recursos possíveis de Wakanda para conseguir informações que me colocariam de frente com o maior perigo que poderia enfrentar e que, inclusive, coloquei diversas vezes a própria segurança de Wakanda em risco - respondeu séria e um pouco irônica – Só Shuri sabe de tudo e sei que ela não vai falar nada. Ela esteve me ajudando todos esses anos, não concorda com essa postura controladora de seu pai.
Sharon concordou com a cabeça, sua expressão era de surpresa e reflexão. Por essa ela não esperava. T’Chaka era um homem muito íntegro e confiante. Se sentiria traído antes mesmo de entender os motivos de . E T’Challa, seu filho, era realmente uma pessoa difícil de lidar. Havia sido criado para ser um líder e, portanto, colocava a segurança e proteção dos seus sempre em primeiro lugar. Custasse o que fosse, vingaria , seus pais e tudo que ela perdeu sem nem sequer considerar que, talvez, houvesse outro lado da história.
- De todo modo, por ora, ainda temos como rastrear a HIDRA – Comentou Everett, levantando-se da poltrona – Quer dizer, eu e Karl ainda temos acesso a informações importantes, porque o Departamento de Segurança dos EUA ainda rastreia, diariamente, as possíveis ações da HIDRA.

- E até mesmo de tudo que se pareça com a HIDRA – Karl completou, entregando a Everett sua caneca vazia. O homem em pé pegou também as canecas vazias das duas meninas.

- Só teremos um acesso mais restrito agora, por você estar fora do acordo – Everett acrescentou, caminhando em direção a cozinha, onde deixaria as canecas - E menos tecnologia disponível. Mas aí entra Sharon.

- O único detalhe é que não poderei fazer mais nada caso encontremos informações ou nos deparemos com algum deles, como em Washington – respondeu pensativa, respirando fundo – Pelo menos não legalmente.

- Nisso temos que ter cuidado. Nenhum de nós pode ser preso – Disse Sharon meio apreensiva, apoiando seus braços em seus joelhos.

- Quanto tempo temos antes do novo acordo entrar em vigor? – Karl perguntou olhando Everett, que, pela função que ocupava e pelo bom relacionamento com Wakanda, era quem mais poderia estar por dentro dos detalhes sobre o novo acordo.

- Três semanas, no máximo, talvez menos que isso – Everett respondeu, já de volta na sala, dando uma rápida olhada em seu celular – A reunião de Viena está marcada para o próximo mês. E é quando todos terão que assinar.

- Agora que Rumlow explodiu não vamos encontrar nenhum deles tão cedo. Voltamos ao estágio anterior: encontrar a HIDRA – Karl concluiu e se levantou da poltrona.

- Sim, vamos continuar rastreando e só esperar... a não ser que algum deles apareça em Berlim, nesse caso não posso prometer nada – disse, esticando suas pernas.

- Coloque sua vida em ordem aqui e seja discreta. Até o acordo passar, o melhor a ser feito é não fazer nada – Everett sugeriu, olhando sério para a filha a sua frente. sorriu sem graça para ele e concordou com a cabeça.

- Bom, voltamos então ao ponto inicial: não podemos deixar os vingadores assinarem o acordo – Sharon mudou o assunto, levantando-se também.

- Eles não irão – respondeu satisfeita, já em pé – Vou avisá-los sobre o acordo ainda hoje. Ao menos Sam e Steve. Eles ganharão tempo para conversar com os demais antes de Viena.

- Bom, acho que estamos conversados então. E a maior parte do apartamento está arrumada, acho que terminamos por hoje – Everett concluiu, olhando seu novamente celular de relance, meio sério.

- Quase, você ainda tem um closet para arrumar – Karl comentou indo em direção a e a abraçando apertado. A menina retribuiu sorrindo com ternura.

- Estou pagando Sharon para isso – comentou, separando-se de seu pai, que sorriu para ela.

- Pagando com o que? Um café? – Sharon questionou virando-se para ver a amiga dar de ombros.

- Com a minha presença – Respondeu fazendo uma cara sedutora para a amiga, que revirou os olhos em resposta.

- Temos que ir também. Tenho uma reunião para participar em poucas horas – Everett comentou ainda com a expressão séria, já caminhando até o porta-casacos – T’Chaka vai discutir os termos do acordo com outros chefes de Estado.

- Você nos mantém informadas assim que souber de novidades? – Sharon pediu para Everett, abraçando-o rapidamente para se despedir e indo até Karl.

- Claro, vamos nos falando, com cuidado e discrição. Eles podem chegar até você rastreando a gente – Everett confirmou abraçando sua filha e depositando um pequeno beijo em sua testa, antes de ir até a porta.

concordou com a cabeça e caminhou ao lado de Everett, o vendo ir chamar o elevador. Karl ainda terminava de vestir seu casaco. O homem virou-se para a filha, parando em frente a ela, e apontou para o pequeno porta-casacos.

- Você precisa de casacos novos. A Chanel já trocou a coleção, não aceito menos que isso – O homem comentou dando um beijo rápido na menina e saindo do apartamento – Deixei um Dolce&Gabbana de boas-vindas em seu nome.

- O casaco rosa? – A mulher perguntou animada, sorrindo abertamente.

- Com a devotion bag grande, que ainda está em pré-venda - Karl confirmou, dando uma piscada para a filha e entrando no elevador em que Everett já o esperava.

riu sozinha, gritou um ‘eu te amo’ e fechou a porta, assim que viu o elevador começar a descer. Karl sempre foi muito ligado a moda. se lembra de, quando pequena, sair para fazer compras com ele, de ter seu guarda-roupa em acordo com a última moda, em cada estação, com o melhor que cada marca tinha a oferecer. Everett, por outro lado, era mais ligado a outros tipos de arte, como cinema e a literatura. Eles se completavam até nesse sentido. No dia seguinte ao que chegou em Berlim, Karl chegou ao novo apartamento lotado de sacolas e caixas de roupas, sapatos e acessórios que comprou para sua menina. Everett já tinha feito suas assinaturas em streamings de filmes e trouxe meia dúzia de livros recém lançados. Como ela se mudou as pressas, deixou tudo que tinha em Wakanda e não seria seguro buscar ou pedir que enviassem. não tinha do que reclamar. Assim como Karl e Everett, amava aquilo.

- Nessas horas eu queria ter seus pais – Sharon comentou, acompanhando a amiga até o segundo andar o apartamento – Agentes secretos, entendidos de moda e arte.

riu do comentário e abraçou Sharon, agradecendo por tudo que tinha feito por ela nesses últimos dias. Ela sempre foi uma amiga e tanto. Era alguém em que podia confiar de olhos fechados. Sharon retribuiu o abraço, sorridente, e propôs que pedissem comida chinesa de um restaurante próximo. As duas passaram o final do dia rindo, terminando de arrumar o que faltava na nova casa de , como não faziam há muitos anos. Estavam felizes por ter uma a outra, apesar de tudo. Já era quase meia noite quando terminaram e Sharon foi embora para seu apartamento. então tomou um banho demorado e, sem muita pressa, jogou-se na cama em seu quarto novinho. Embora tudo fosse novo e meio desconhecido, ela se sentia confortável e feliz ali. Sentia que uma nova fase de sua vida estava começando, com mais independência, mais individualidade, mais de si mesma, do seu espaço e das suas vontades; com mais solidão e, ao mesmo tempo, mais de sua família. Ela prometeu a si mesma que seria a melhor fase de todas, independentemente de qualquer que fosse o futuro próximo. A mulher suspirou, lembrando-se brevemente da conversa que teve mais cedo com seus pais e Sharon. Estava mais preocupada do que gostaria, do que realmente demonstrou. Havia fortes chances de aquilo não terminar bem, nem para ela, nem para seus novos conhecidos. Ela então se esticou para pegar o novo aparelho de celular sob o móvel ao lado de sua cama e digitou algumas mensagens rapidamente em um aplicativo de conversas, bloqueando a tela em seguida. Teria que dar um jeito naquilo. E teria que ser rápida.
Do outro lado do mundo, em Nova York, Sam tentava digerir todas as informações que tinha acabado de receber em seu celular. Leu e releu as mensagens enormes várias vezes, tentando mapear o que havia nas entrelinhas e projetar as consequências. O homem levantou seu olhar ao perceber alguém adentrar a cozinha, onde estava fazendo um lanche. Steve passou tranquilo por trás de Sam, dando uma olhada de propósito em seu celular e notando uma conversa aberta.

- Quem é a da vez? – Steve perguntou sugestivo ao amigo, desviando seu olhar até o cesto de frutas de onde tirou uma maçã. Sam riu sem graça e negou com cabeça.

- Francesa, meio alta, deve ter uns vinte e cinco anos; foi sua vizinha por duas semanas em Washington, coincidentemente nos encontramos em Lagos. E, claro, o traço mais marcante: é amiga da natureza – Sam respondeu fazendo Steve rir.

- ? Aconteceu alguma coisa? – Capitão perguntou, franzindo o cenho. Sabia que Sam tinha deixado seu número de telefone com ela para caso precisasse de algo.

- Ainda não – Sam respondeu sério e entregou seu celular para Steve. Certamente ele saberia o que fazer.


- Capítulo 3 -

Londres, Inglaterra


Pouco mais de um mês havia se passado desde o ocorrido em Lagos e, consequentemente, desde a mudança de para Berlim. Os noticiários ainda falavam fervorosamente sobre o ocorrido e tinham, cada dia mais, detalhes sobre cada um dos envolvidos. T’Challa ligava recorrentemente para Karl ou Everett para saber dela. Estava preocupado com sua amiga e com o sumiço dela. seguia sua vida normalmente, sem grandes emoções. Ocupou-se bem, nas semanas seguintes a mudança, em colocar tudo em seu devido lugar, em reconhecer a cidade e se acostumar com tudo aqui. Embora não precisasse, passou a prestar atenção em anúncios de emprego e cogitou a possibilidade de abrir uma floricultura. Tinha uma loja para locação próxima ao seu novo prédio e seria muito fácil vender flores, considerando que podia fazer nascer tudo que fosse botânico - flores, frutos, árvores inteiras - e que podia, igualmente, reviver tudo de botânico que estivesse morto. Os clientes podiam levar flores já mortas para ela, por exemplo, e ganhar um desconto nas flores novas. Ela então revivia as flores mortas e as colocava novamente para vender. Parecia perfeito. Arrumar um emprego a deixaria distraída por algum tempo e longe das vistas da supervisão, pois pareceria que havia aposentado suas habilidades.
Contudo, antes que pudesse levar a frente suas novas ideias, as coisas saíram novamente do controle. Karl e Everett receberam em casa convites das Nações Unidas para comparecer ao evento de assinatura do acordo que aconteceria dali uma semana em Viena. Não apenas convites para eles, mas também o de . Junto com os convites, cópias do Tratado de Sokovia e passagens de ida e volta. Na verdade, chamar aquilo de convite era uma redundância; estava mais para viagem coercitiva. já tinha se preparado para enviar carta oficial, ao endereço da conferência, três dias antes de acontecer. Seria o tempo ideal para chegar até eles e atestar a sua não adesão ao tratado e, portanto, sua recusa em comparecer ao evento. Seria uma forma educada de se manifestar e no tempo correto. Mas, na noite anterior ao envio da carta, outra coisa aconteceu. Sharon precisou ir às pressas para Londres visitar sua tia Peggy, no hospital.
Sharon não voltou para casa no dia seguinte, como havia planejado. Tantas foram as vezes que ela ensaiou aquele momento em sua mente. Nunca imaginou que seria tão difícil, que fosse doer tanto. Margaret era a única parte boa de sua família que ainda restava. Foi mãe, foi tia, foi o modelo do que Sharon queria ser um dia. Sempre seria. Sharon jamais seria a mesma depois daquela noite. O hospital central de Londres estava frio, mais vazio do que nunca. Os corredores limpos, brancos, solitários. Sharon caminhava sozinha sem ter realmente para onde ir. Nunca tinha se sentindo tão vulnerável como naquele momento, nunca sentiu vontade de desaparecer, de chorar até não poder mais. As lágrimas escorriam por seu rosto suavemente, como se tentassem acalmá-la. Sua tia Peggy estava descansando agora.
Ela se sentou em um sofá qualquer na área de espera do hospital e tirou seu celular do bolso. Não sabia ao certo para quem deveria ligar, mas tinha certeza de que algumas poucas pessoas deveriam saber do ocorrido. Ela, contudo, não poderia fazer isso. Não estava pronta para lidar sozinha com as notícias. Sharon respirou fundo e, sem pensar muito, enviou uma mensagem para a única pessoa que sabia que poderia ajudá-la naquele momento. não tinha dormido naquela noite. Tinha falado rapidamente com Sharon, avisou seus pais sobre o ocorrido, que não poderiam a acompanhar ao velório em função do trabalho em Viena, fez uma mala para dois ou três dias e foi às pressas para o aeroporto. Em Nova Iorque, contudo, Steve estava em meio a uma discussão sobre o Tratado de Sokovia quando recebeu uma mensagem da casa de acolhimento de idosos em que Peggy vivia. Já tinha tomado sua decisão e, diante do novo acontecimento, não havia mais nada a ser conversado. Ele pediu para que Sam o acompanhasse e pegaram, assim como , o primeiro voo possível para Londres.
Assim que chegou em Londres, foi direto encontrar-se com Sharon, que parecia mais arrasada do que gostaria de demonstrar. não tinha o que fazer e nem o que dizer à amiga, sabia que nada a reconfortaria naquele momento. Então preferiu só ficar por lá, por perto. A abraçou várias vezes, deixou que ela contasse mais de uma vez o que tinha acontecido, a viu chorar, parar e recomeçar e ficou mexendo em seus cabelos enquanto ela estava deitada. não sabia quanto tempo esteve ali, no quarto do hotel em que Sharon estava hospedada, mas só saiu de perto quando ela finalmente dormiu. Decidiu então que também se hospedaria ali, no mesmo hotel e no mesmo andar, pois assim seria mais fácil caso Sharon precisasse de algo. Como já era tarde quando recebeu a notícia, não tinha tido tempo de dormir ainda e estava exausta. Ela deixou suas coisas em um canto qualquer do quarto, tomou um banho e se jogou na cama gigante e macia. Antes que pudesse efetivamente dormir, viu uma mensagem de Karl dizendo que ele e Everett haviam acabado de chegar a Viana para o evento da ONU. Parecia que o inferno tinha tomado conta da Terra naquele dia.
acordou horas depois, ainda exausta. Trocar a noite pelo dia nunca tinha sido muito fácil para ela. Espreguiçou-se e se levantou, indo em direção a janela enorme do quarto, que pegava toda a parede, constatando que já era noite. Ela então escovou os dentes, fez um rabo de cabelo nos cabelos, calçou um par de sapatilhas e seu casaco e foi checar se Sharon estava bem. Bateu duas vezes na porta da amiga, mas não teve resposta. Ela devia estar dormindo ainda, imaginava que estaria cansada demais para qualquer coisa que não fosse dormir. então voltou a seu quarto, pediu qualquer coisa para comer por ali mesmo e ligou a televisão. A maioria dos canais já estava informando sobre o evento da ONU e alguns jornalistas já faziam campanha na porta da sede em Viena, esperando por qualquer movimentação que pudesse virar notícia. Eles pareciam ansiosos para ver quem apareceria para assinar o Tratado. também estava. Queria conversar com seus pais, que já deveriam estar cheios de trabalho por lá. Mas não era seguro; não sabia quem poderia estar por perto para presenciar o contato, era melhor não arriscar. estava parcialmente tranquila, a tirar pela mensagem que Sam havia lhe enviado dizendo que uma parte deles, dos Vingadores, não iriam comparecer ao evento, mas ele não podia dizer muito mais, pois outro problema havia surgido e ele teria que resolvê-lo antes. Contudo, ela ainda temia pelo que poderia vir a seguir, dado que uma parte deles ainda assim assinaria o Tratado. Sem muito mais o que fazer, ela terminou de comer e decidiu ver um filme até pegar no sono.
Sam e Steve chegaram a Londres a tempo de deixarem suas malas no hotel, tomar banho e um café rápido e ir direto para a igreja em que Peggy seria velada. Quase não conversaram durante a viagem toda. Uma parte de Steve tinha morrido e Sam podia imaginar o quão doloroso aquilo estava sendo para ele. Steve não falava porque não conseguia falar. Tinha perdido tudo, tinha sido privado de ter a vida que sempre sonhou. E quando estava finalmente começando a se acostumar com a ideia de abandonar o passado para viver feliz no presente, tudo voltava à tona. Bucky ainda estava vivo, mas desaparecido; e Peggy, sua Peggy, tinha ido embora para sempre. O caminho até a igreja foi igualmente silencioso e assim que Steve a viu sob o caixão, chorou pela primeira vez. Sam ficou ao lado do amigo, tentando o reconfortar em silêncio, até a cerimônia começar, quando sentou-se em seu lugar na igreja e esperou por Steve, que ajudaria a carregar o caixão até o altar. A igreja estava completamente lotada, em silêncio, ouvindo o que o cerimonialista dizia com muito pesar e tristeza. Cerca de uma hora depois, ele convidou Sharon para dizer algumas palavras e finalizar o velório.
Sharon levantou-se ao tempo que observou todos os demais presentes se sentarem em seus bancos. Passou as mãos pelo seu vestido preto como se o arrumasse e respirou fundo. Se sentia mais segura e mais confortada diante do ocorrido, precisava seguir em frente e orgulhar sua tia onde quer que ela estivesse. passou por Sharon, a puxando delicadamente até o altar, onde teria que subir e discursar ao púlpito. Elas tomaram café da manhã juntas e tiveram uma longa conversa sobre aquele momento antes que ele chegasse. sabia bem o que era passar por aquilo e o que fazer para ajudá-la a atravessar aquela fase da vida. Sharon respirou fundo, olhou a amiga intensamente, que lhe retribuiu com um sorriso pesado, e seguiu até o altar. Terminaria logo com aquilo e seguiria em frente de uma vez.
ficou pouco atrás da amiga, mas ainda em pé, observando as pessoas ao redor. De onde estava pode observar Sam cutucar Steve na primeira fileira da igreja, sugerindo que ele olhasse para cima, de onde saia a voz que começava a discursar. Steve e Sharon trocaram um olhar sem graça, curto, mas muito profundo. E foi então que Sam e Steve viram , pouco mais ao fundo, em pé, com os braços para trás do corpo. Ela usava um vestido de mangas compridas, preto liso e até o joelho, com uma pequena fenda do lado esquerdo; um scarpin clássico preto de salto alto e tinhas os cabelos soltos levemente ondulados. Como se houvessem combinado, suas expressões mudaram de surpresa por ser Sharon quem estava discursando e, mais fundo, ser da família de Peggy, para confusão por também estar ali. Uma vez mais, em um lugar coincidente. Ela apenas arqueou as sobrancelhas, retribuindo o olhar aos dois homens há poucos passos a sua frente, e voltou a prestar atenção em Sharon que terminava de falar. Ela rapidamente agradeceu a presença de todos e saiu do altar a passos zelosos, levando sua amiga consigo para fora dali. Algumas pessoas a pararam para prestar condolências e decidiu que a esperaria a poucos passos dali, longe do aglomerado que se formava, até que estivesse livre para ir embora.

- Por essa eu não esperava...mais uma vez – Sam comentou aproximando-se de e parando a sua frente, assim que ela se virou para ele. Ela sorriu.
- Há muitas coisas pelas quais você não deve esperar, Wilson. E eu sou uma delas – rebateu docemente. Ele riu.
- Bom te ver também, fada – Sam respondeu revirando os olhos e sorrindo de volta. Estava com um terno muito bem recortado e lhe caiu muito bem, reparou. Parecia meio cansado.
- Até você? – Ela revirou os olhos assim que ouviu seu novo apelido carinhoso.
- É como estão te chamando por aí, achei que combinou com você – Sam falou calmamente, colocando suas mãos nos bolsos da calça social.
- Ao menos não estão dizendo por aí que me visto de pássaro – rebateu no mesmo tom divertido.
- Quem está dizendo isso? – Ele cruzou os braços enquanto falseava uma expressão séria.
- Eu – Ela respondeu simplesmente, sorrindo para o homem que soltou uma risada baixa.
- Não é válido – Sam respondeu simplesmente.
- Sinceramente estou aliviada em te ver. Pelo menos tenho certeza de que não está em Viena – A mulher comentou, mudando de assunto, desviando rapidamente seu olhar e baixando o tom de voz.
- Aparentemente ainda há tempo de voltar atrás – Ele respondeu apontando com a cabeça para a porta lateral da igreja, onde Natasha entrava discretamente.
- Ela vai assinar? – perguntou acompanhando o olhar do homem.
- Sim, ela acredita que estamos perdendo o controle, mas ainda podemos recuperá-lo – Sam respondeu olhando novamente a mulher a sua frente – E deve ter vindo tentar convencer Steve uma última vez.
- Ele já decidiu ou temos que nos preocupar em interferir? – questionou. Sam negou com a cabeça.
- É mais fácil ele convencer Natasha a não assinar – Ele deu de ombros.
- Além dela, quem mais vai assinar? – Ela voltou a perguntar, olhando ainda preocupada para Sam. Ele soltou um suspiro pesado.
- Tony, Rhodes, Visão – Sam respondeu revirando os olhos e cruzando os braços a sua frente.
- Visão pode assinar? Ele nem é humano – contestou confusa, fazendo Sam rir mais uma vez.
- Nessa altura de nossas vidas, você não deveria se impressionar com mais nada – Ele respondeu sarcástico. deu de ombros.
- Desculpe, não estou acostumada a conviver com coisas estranhas acontecendo – Ela comentou irônica, com uma expressão forçada.
- Eu imagino que não. Controlar a natureza é bastante comum mesmo, eu mesmo faço isso o tempo todo - Sam rebateu no mesmo tom e soltou uma risada alta.
- E Wanda? – perguntou curiosa, tombando a cabeça levemente para o lado, ainda risonha.
- Está incerta, mas acho que ela não assina. Por tudo que já passou até se juntar a nós, controle não parece uma boa ideia para ela – Sam respondeu vendo a mulher assentir.
- Não parece uma boa ideia para nenhum de nós. Vamos acabar ficando uns contra os outros, não acho que vai terminar bem – comentou sincera, olhando de Sam para algumas pessoas que passavam perto deles.
- Ao menos somos quatro contra quatro; estamos equilibrados – Ele também estava preocupado com essa divisão. Por isso, inclusive, achava importante manter por perto. A mulher sorriu com ternura, como se agradecesse por ter sido incluída.
- Equilibrados? Nós, Steve e Wanda contra Natasha, Tony, Rhodes, Visão e o resto do mundo – comentou pensativa, vendo Sam abrir um sorriso lateral.
- Você não está vendo o lado bom, . Podemos jogar cartas em dupla na nossa aposentadoria – Sam rebateu divertido fazendo a mulher soltar uma risada nasalar.
- Você acha mesmo que algum de nós irá se aposentar? – Ela questionou.
- Steve talvez. Ele é muito certinho – Sam disse dando de ombros. concordou com ele e olhou para a igreja.
- Falando em Steve... – Ela comentou baixo.
Sam olhou no mesmo sentido que a mulher apontou com o queixo. Ao lado da igreja, pela mesma porta lateral que entrou, Natasha saiu acompanhada de Steve, despediu-se e entrou em um carro que a esperava pouco a frente. Sam observou o amigo o procurar com os olhos e acenou para que ele o visse. Steve se aproximou dos dois sem grande emoção, embora tivesse esboçado um pequeno sorriso ao ver .
- O que faz aqui? – Ele perguntou a mulher, já perto o suficiente para abraçá-la rapidamente.
- Eu sinto muito por Peggy – sussurrou enquanto retribuía o abraço e logo se separou dele – Ela costumava falar bastante de você.
Steve a olhou com curiosidade. O que ela sabia sobre Peggy? E sobre ele? O que Peggy tinha a contar sobre ele? Sam acompanhou o olhar curioso do amigo até a mulher, que sorriu sincera para ele e voltou a falar com calma, gesticulando com as mãos.
- Sharon e eu somos amigas de infância. Meu pai era muito amigo da mãe dela e desde que ela se foi, nós e Peggy somos a única família que restou. Peggy sempre tinha boas história sobre você.
- Isso explica porque você estava em Washington – Steve respondeu olhando para Sam, que concordou com a cabeça.
- Você também estava espionando Steve? – Sam perguntou meio confuso. negou prontamente com a cabeça.
- Sharon tinha que fazer o trabalho dela com Steve e eu tinha que fazer o meu com a HIDRA. Rastreei Rumlow até lá e fui encontrar com ele – Ela comentou suspirando, olhando entre Sam e Steve.
- Como em Lagos – Steve completou o raciocínio, vendo-a concordar com a cabeça.
passou então a contar sobre maiores detalhes de sua ida para Washington. Como possivelmente seria recorrente seus encontros com Steve e Sam daqui para frente, ela achou melhor abrir o jogo com eles. Nem todos os detalhes, contudo, cabiam ser ditos naquele momento. Ela contou que havia rastreado membros da HIDRA por anos antes de finalmente começar a encontrar com eles de propósito nos lugares e, naquela altura, não sabia que estavam infiltrados na SHIELD e em outros grupos de segurança internacional. Descobriu isso por Sharon e quando já estava em Washington. Comentou ainda que nunca planejou encontrar-se com algum dos Vingadores, mas que desde o dia em que os encontrou em Washington, sabia que compartilhariam a busca pela HIDRA. comentou algumas coisas, pequenas e sem detalhes, sobre seu passado e seus pais terem trabalhado para a SHIELD por vinte anos.
Steve e Sam ouviam com atenção e fizeram as várias perguntas que tinham em mente desde o dia em que a encontraram em Lagos. Muitas dúvidas sobre ela puderam ser sanadas com ajuda da mídia, que passou a ter uma paixão intensa pela mulher no último mês. Eles sabiam de onde tinha vindo, sabiam de Wakanda e sabiam da trágica história de sua família. Com ajuda de Natasha, haviam revirado arquivos antigos da SHIELD em busca de e, de fato, ela estava lá; seus pais biológicos e o acidente que os matou também. Havia muito sobre eles e pouco sobre ela. O que faltava a Steve e Sam descobrirem era o que ela buscava de fato e de onde veio seus poderes, suas habilidades. Os arquivos que encontraram sobre isso eram todos ultrassecretos e, portanto, de conteúdos inacessíveis. achou graça no fato de terem desconfiado dela e por isso terem feito uma investigação completa. Ela sabia de todos aqueles arquivos, tinha cópias de tudo e já os tinha lido milhares de vezes. Ela confiava neles e sabia que eles não vazariam informações sobre ela e sua família a ninguém.

- Bom, agora que as coisas fazem mais sentido, se é que isso é possível, podemos sair daqui? É meio arriscado ficarmos no meio da rua, não? – Sam perguntou apontando para o outro lado da rua. e Steve concordaram com a cabeça.
- Queria conversar com Sharon antes – Steve comentou, olhando para onde Sharon abraçava uma última pessoa. e Sam o olharam sugestivamente, com sorrisos nos rostos. Steve os olhou de volta e revirou os olhos ao perceber a expressão dos dois, pediu licença e foi até ela.
- O que acha deles? – perguntou maliciosa para Sam, observando Steve abraçar Sharon por algum tempo enquanto falava algo para ela.
- Que pergunta é essa? Peggy acabou de morrer – Respondeu Sam meio histérico, fazendo a mulher revirar os olhos.
- Quero uma opinião, só isso – Insistiu , cruzando os braços. Sam pensou por um instante e decidiu responder sincero.
- Poderiam ficar juntos – Ele sorriu e deu de ombros - E já que sobramos, o que você acha de irmos almoçar?
O convite de Sam era despretensioso. Steve e Sharon iam demorar mais do que queriam para finalizar aquela conversa. Esperar por eles parecia pedir demais naquele momento. aceitou a sugestão, seu estômago já estava roncando, estava com muita fome. Seria bom dar um espaço para que Sharon e Steve conversassem tranquilos, sozinhos e sem pressa. Eles podiam se ajudar e passar um tempo juntos talvez fosse a melhor opção para os dois, tinham muito em comum e nunca tiveram tido esse tempo para notar compartilhar isso. pediu licença um minuto para buscar seu casaco e bolsa que ficaram dentro da igreja, avisou Sharon e Steve onde estavam indo e rumou, a pé, com Sam até o melhor restaurante francês de Londres. Sam havia dito no caminho que não conhecia a culinária francesa e estava com saudades de comer algo típico de sua infância.
Era fácil conversar com Sam; ele era atencioso, curioso e divertido. Tinha o mesmo jeito irônico que e isso tornava as coisas mais leves de serem ditas. se sentiu bem diante dele. Estava feliz pela amizade que surgia. Sam compartilhava desse sentimento, embora não dissesse. Ouvia as histórias sobre Wakanda com muita atenção e, vez ou outra, fazia perguntas ou comentários ácidos, que eram retribuídos do mesmo modo. Ele contou sobre o tempo que passou na guerra e sobre como havia conhecido Steve e se metido nisso tudo de ser um Vingador. soube dos relacionamentos pouco duradouros que ele teve na vida e se comprometeu a ajudá-lo a encontrar alguém que ficasse por mais de um ano. Ficaram quase duas horas e meia no restaurante antes de voltarem, levemente embriagados pelas risadas e pelos martinis que tomaram; cansados pelo dia longo que tinham vivido.
Steve e Sharon conversaram por uns vinte minutos na porta da igreja até fazerem como os dois outros amigos e irem almoçar juntos. Como queriam ter mais tempo para conversarem sobre Peggy e sobre suas vidas pessoais, decidiram não se juntar a eles e escolherem um outro restaurante mais próximo ao hotel onde Sharon e estavam hospedadas. O dia estava passando bem para eles, ao menos, melhor do que esperavam. Toda a angústia e o peso pela partida de Peggy já não os incomodava tanto e a tristeza que sentiam deu espaço para a pequena alegria que terem um ao outro por perto. Talvez compartilhar o momento e seus sentimentos fosse mesmo uma boa forma de aliviar as dores do coração. O almoço correu tranquilo, agradável e intenso. Conversaram sobre tudo que nunca tinham tido tempo de conversar e, como um encontro não oficial, tomaram vinho branco e dividiram a sobremesa.
O caminho até o hotel foi igualmente agradável. Steve fez questão de acompanhá-la. Chegaram primeiro, segundo antes de e Sam, que comentavam sobre o Tratado de Sokovia, enquanto passando pela porta de entrada. Àquelas horas o evento já deveria estar acontecendo e perto de acabar. No saguão do hotel puderam ver Steve e Sharon caminhando, lado a lado, até o elevador.

- E sobramos de novo – Sam murmurou e bufou em seguida.

, contudo, não respondeu. Tinha os olhos vidrados na grande televisão da recepção do hotel. Sua expressão estava pesada, séria, sequer piscava. Ela deu alguns passos lentos até mais perto, o carpete do saguão abafando seus saltos altos. Tinha a boca levemente aberta e as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo. Sam a ouviu sussurrar seu nome, ainda com o olhar vidrado na televisão, como se chamasse sua atenção para o que ela estava vendo. Ele então se aproximou alguns passos dela, parando ao lado, e olhou a tela. O recepcionista aumentou um pouco o volume, curioso em ver vários hóspedes se aproximando da recepção para prestar atenção na tv. Demorou alguns instantes até Sam entender o que era aquilo tudo. Ele e então se entreolharam e, sem dizer nada, caminharam apressadamente até o elevador. Steve e Sharon ainda o esperavam no térreo.
- Ei – Sam falou alto, chamando atenção do casal próximo ao elevador e olhando diretamente para Steve – Tem algo que você precisa ver.
- Por aqui – passou apressada por Sam, enfiando-se no meio de Sharon e Steve para entrar no elevador.
Steve e Sam entraram, sendo seguidos por Sharon que passou seu cartão no leitor do elevador. Assim que as portas fecharam, sacou seu celular e mandou algumas mensagens para os seus pais. Eles tinham que estar bem; não tinha alternativa, eles tinham que estar bem. Ela sentia seu coração acelerar e com ele toda a vibração da natureza ao redor do prédio.
- O que aconteceu? – Steve perguntou aflito, odiava aquele silêncio.
Sam e não puderam dizer nada, pois a porta do elevador abriu, fazendo os quatro, em seguida, caminharam apressados pelo corredor até o quarto de . Assim que entraram, Sam ligou a grande televisão e Sharon foi atender seu celular que tocava, se afastando deles. Steve assistia as notícias com cuidado. Tinham explodido a sede da ONU em Viena. Alguma coisa naquela história estava estranha. Antes que pudesse pensar em fazer algo tinha que avaliar a situação; tinha que entender. aproximou-se de Steve, que se mantinha em pé com os braços cruzados, e se apoiou na mesa de frente para a televisão, ao lado de Sam. Observando atentamente as imagens, notou Karl passar apressado de um lado a outro, com uma equipe de seu trabalho em seu encalço. Ela suspirou aliviada e se desencostou da mesa, passando uma mão em sua testa. Se ele estava trabalhando, provavelmente Everett também estava bem. Mas seu alívio logo foi embora, assim que ouviu a jornalista anunciar a morte de Rei T’Chaka. Sam e Steve olharam para ela rapidamente, que abaixou a cabeça e suspirou fundo. Não podia se imaginar longe de T’Challa e Shuri nesse momento. O que tinha acontecido?
As imagens na televisão então mudaram para focalizar em um carro de reportagem, que teria sido o veículo usado para causar a explosão. A tela passou a ser dividida entre a apresentadora e a imagem pouco nítida de um homem usando uma bataclava. Sharon desligou o telefone a tempo de se aproximar e ouvir que o suspeito pelo atentado era James Buchanan Barnes. O Soldado Invernal. levantou seu olhar para a tela do televisor novamente, engolindo em seco. Ele tinha aparecido. Poderia ele ter ido atrás dela em Viena, depois de tantos anos desaparecido? Ou ele estaria atrás de Steve? Tinha que descobrir sua nova missão. Sam, ao mesmo tempo, olhou sério para Steve que manteve seu olhar paralisado e intenso na tv.

- Preciso ir trabalhar – Sharon comentou baixo, olhando preocupada para a TV. Ficaram todos em silêncio por alguns minutos.

- Vão matá-lo se não o encontrarmos primeiro, temos que correr – disse finalmente, afastando-se da tv e indo recolher suas coisas. Sharon assentiu com a cabeça e saiu para seu quarto para fazer o mesmo.

Steve parou por alguns segundos, encarando a mulher que ia de um lado a outro no quarto, recolhendo suas roupas e enfiando de qualquer jeito em sua mala. Todos esses anos ela esteve procurando por Rumlow não porque ele sabia de quaisquer informações sobre a HIDRA; mas porque ele sabia onde Bucky estava. A busca de era a mesma busca de Steve. E foi só, naquele momento, que ele percebeu isso. Assim como ele

- Ele é o que você procura na HIDRA todos esses anos – Steve concluiu curioso, vendo para o que fazia e olhar para ele. Ela suspirou pesadamente, fechou a mala com força e olhou novamente para Steve, mas agora com uma expressão mais séria.

- Os arquivos ultrassecretos que vocês encontraram sobre mim... – começou dizendo. Embora eles não tivessem comentado com ela sobre tais arquivos, ela sabia que eles tinham se deparado com eles - ...eu também não sei o que têm neles. Por isso não posso dizer muito mais do que vocês leram sobre meu passado, sobre meus pais e sobre... isso.

desviou seu olhar de Steve e Sam para um pequeno vaso de tulipas perto da janela. Ela estralou os dedos da mão direita rapidamente, fazendo com que todas as pétalas das flores caíssem e no lugar novas nascessem. Ela sorriu fracamente, voltando seu olhar para os dois homens a sua frente.

- Esses documentos estão com a HIDRA? – Sam perguntou incerto, cruzando seus braços. Steve deu alguns passos para mais perto da porta, prestando atenção na conversa.

- São relatórios de missões – concordou, pegando sua pequena mala em mãos.

- E Bucky pode nos levar até lá – Steve concluiu, olhando intensamente para a mulher a sua frente. Talvez esse fosse o tiro de misericórdia de seu amigo. O jeito de amenizar o caos que ele mesmo criou com a HIDRA todos esses anos. cortou seus breves pensamentos:

- Eu encontrei dezenas de bases da HIDRA ao longo da vida, mas nunca a central, que é onde são retidas todas as experiências e informações. Barnes viveu por anos nessa base, onde foi preso, torturado e treinado. Ele sabe me dizer tudo que aconteceu comigo. Mas ele provavelmente não se lembra, esteve sob controle mental por mais de cinquenta anos.

- E você acha que encontrar ele vai fazê-lo se lembrar de algo? – Sam perguntou, meio desconfortável com toda a conversa.

- Se ele puder se lembrar de qualquer informação que eu não ainda não tenha já é um ganho, não? – respondeu honesta. Sabia que aquilo tudo seria difícil de acontecer, mas não podia descartar a única chance que tinha.

Sam não disse mais nada, não gostava muito dessa história. Qual era a chance de um cara como ele se recuperar? De deixar de ser um assassino para virar um homem bom? Sabia que tudo aquilo era importante para , ainda mais depois de tudo que conversaram naquele dia; sabia também o que Bucky representava para Steve: uma parte fundamental da sua vida, a única pessoa que verdadeiramente amava, que fazia parte de seu passado, de sua história. Mas aquilo parecia um atestado de morte para ele. Sharon voltou para o quarto apressada, com uma mochila nas costas e uma pequena mala de mão, e comentou que os esperaria no carro que já havia chamado. Steve estava se sentindo ansioso. Estava novamente perto de encontrar seu amigo, seu Bucky. Em tempos de Acordo de Sokovia, estava receoso sobre o que aconteceria e sobre como lidaria com tudo isso. Mas, naquele dia, acima de tudo, Steve estava feliz. Feliz por, finalmente, encontrar alguém que via Bucky como Bucky. Não como uma arma ou um assassino. Só um homem que precisava de ajuda e que, no fundo, também poderia ajudar.

- Não podemos perder ele dessa vez, temos que ir – Steve concluiu olhando de para Sam, os vendo consentir com a cabeça brevemente.

sorriu em agradecimento para Steve, passando por ele para fora do quarto e indo em encontro a Sharon. Precisavam estar em Berlim em, no máximo, duas horas. Ou seria tarde demais para Bucky, Steve e .


- Capítulo 4 -

Berlim, Alemanha


O caminho até a Alemanha foi mais rápido do que imaginaram. Graças a tecnologia de Stark e o jatinho super veloz que levou Steve e Sam até a Europa, chegaram em cerca de uma hora até Berlim. Eles puderam se trocar no avião e traçar em conjunto uma estratégia. Mas, antes que pudessem de fato entrar em ação, precisavam de mais informações sobre o caso. Tinham que saber o que aconteceu, porque Bucky estava ali e para onde teria ido depois do acidente. Decidiram então se separar. Sharon tinha que trabalhar e, por isso, era a principal fonte de informações do grupo; precisava ver seus pais e, mais do que isso, precisava ver T’Challa para ao menos dar-lhe um abraço de consolo. Steve e Sam, por outro lado, acharam melhor ficar longe do movimento e do trabalho de busca por Bucky em Berlim. Eles sabiam que seus amigos, que assinaram o acordo, já podiam imaginar que, ao menos Steve, tentaria algo agora considerado ilegal para salvar seu amigo. Decidiram ficar próximos ao perímetro, caso as meninas precisassem de algo, mas discretamente afastados, ausentes. Steve queria conversar com Natasha. Tinha certeza de que ela o entenderia e que, possivelmente, faria algo para ajudá-lo, mesmo dentro das limitações do Tratado.
- Ligue para o MI6 e veja se podem apressar as coisas. Traga a equipe toda em duas horas ou será inútil - Sharon passou apressada por , com um dos outros agentes da CIA em seu encalço, enquanto dava ordens para prosseguir com a busca por Barnes. Tinha propositalmente ignorado a amiga, não podia deixar claro ou demonstrar qualquer proximidade dela.
caminhava lentamente, observando séria a movimentação a seu redor. Tinha receio de sofrer algum tipo de punição por estar ali sem ter assinado o Tratado, mas sabia que isso não seria justo. Afinal, em teoria, ela estava ali para ver seus pais e não para se envolver com o caso. A poucos metros de onde estava avistou T’Challa com um olhar apático. A gola de sua camisa tinha sangue e seu rosto estava levemente machucado pela explosão dos vidros. Ela podia imaginar a dor que ele estava sentindo naquele momento. O sentimento de injustiça e de frustração por ter podido salvar seu pai. Ela o conhecia, podia ler sua dor. Ele estava sentado em um banco, esperando por maiores informações para fazer o que tinha certeza de que ele faria: procurar Barnes até o inferno, se precisasse, e vingar a morte de seu pai. notou Natasha aproximar-se lentamente dele e se sentar no banco ao lado, ficando de frente para T’Challa. deu alguns passos na direção deles, parando pouco antes de onde pudesse ser vista.
- Eu sinto muito - Natasha comentou o encarando. T’Challa virou-se para ela com um olhar difícil de decifrar. Por um instante ela pareceu constrangida.
- Na minha cultura a morte não é o fim - T’Challa começou a responder, desviando seu olhar para frente. podia ver o anel de seu pai em suas mãos - É como um ponto de passagem. Você estende os braços e Bast e Sekhemet guiam você até o campo verdejante…
- Onde você pode correr para sempre - completou baixo, já perto o suficiente deles para ser ouvida.
T’Challa desviou seu olhar até a amiga em pé ao seu lado, assim que ouviu sua voz, ao mesmo tempo em que Natasha a olhou. Sua expressão se aliviou por um instante e reparou seus olhos marejarem, como se ele quisesse desabar ali, nela. T’Challa sentiu seu coração parar por um instante e toda preocupação que o estava matando desde que ela saiu de Wakanda e sumiu foi embora, como se nunca tivesse existido. então o abraçou, sentando-se ao seu lado no banco. Sentiu os braços do homem darem a volta em seu corpo por alguns minutos até se separarem. T’Challa limpou as lágrimas escorridas do rosto e voltou a encarar o nada a sua frente. manteve-se com uma mão em seu ombro. Consolar seus amigos tinha se tornado uma tarefa constante nos últimos três dias.
- Parece ser muito tranquilo - Natasha quebrou o silêncio, forçando um sorriso discreto, olhando T’Challa novamente.
- Meu pai pensava assim, eu não sou meu pai - Ele respondeu fechando novamente a expressão e colocando o anel de seu pai na mão direita.
franziu o cenho e se soltou levemente dele; sabia o que aquele gesto significava. Natasha olhou preocupada para , que retribuiu o olhar sério, em silêncio. Conhecia T’Challa há anos para ter certeza de que enquanto ele não vingasse a morte do pai, não sossegaria. nunca havia sido a favor dos métodos de justiça com as próprias mãos. Dizia que ninguém deveria decidir sozinho quem e como punir. Não tinham competências jurídicas para isso, não poderiam apelar sempre para violência, poderiam? T’Challa, por outro lado, sabia que estaria sozinho nessa; que tinha muita gratidão e amor por seu pai, mas se recusaria a caçar e matar outra pessoa. Desde pequena contestava situações como aquela e T’Challa nunca entendia porque ela sempre defendia as pessoas, mesmo se parecessem erradas.
- T’Challa… A força tarefa decidirá quem irá capturar o Barnes - Natasha tentou falar, ainda o olhando seriamente.
- Não se incomode, Srta. Romanoff, eu mesmo irei matá-lo - T’Challa levantou-se, com os punhos fechados e se virou para Natasha.
levantou quase que ao mesmo tempo, colocando-se ao lado do homem. Ele então virou as costas para as duas mulheres e caminhou lentamente para longe delas. Natasha franziu o cenho e jogou-se novamente sentada no banco, de frente para a outra mulher, onde T’Challa ocupava há pouco. Não adiantaria conversar com ele, nem perderia seu tempo tentando. Tinha que pensar em alguma coisa, tinha que fazer alguma coisa, antes que fosse tarde demais. Pelo olhar de Natasha, podia entender que ela também estava preocupada com as consequências daquilo tudo. Por mais que estivessem em lados opostos agora, confiava no juízo de Natasha; sabia que ela não faria nada que não fosse justo.
- Você assinou? - Natasha perguntou abaixando ainda mais a voz, olhando discretamente ao redor. negou com a cabeça.
- Teria me posicionado antes do evento, mas Peggy...você sabe - respondeu, observando a expressão tensa de Natasha.
Natasha assentiu com a cabeça e sorriu sem muita emoção, porém sincera, para a outra mulher a sua frente. Podia imaginar como ela se sentia diante de tudo que havia acontecido nos últimos tempos e, no fundo, concordava com ela. Não estava certa se tinha tomado a melhor das decisões, mas nunca seria tarde para se juntar ao outro lado. Como Steve e Sam, ela também havia investigado sobre . Sabia sobre ela e gostava dela; eram parecidas em algumas coisas, tinham tido experiências parecidas e tinham um jeito prático, decisivo, independente e charmoso de resolver as coisas.
- Temos que pará-lo, Nat - comentou, cortando os pensamentos de Natasha - Antes que algo pior aconteça.
- Não temos, , não podemos - Ela rebateu, mais séria que antes - Devemos deixar que a força-tarefa prenda ou faça o que tiverem que fazer com Barnes. Não podemos interferir.
- T’Challa está indo para matá-lo, Natasha - aumentou levemente o tom de voz, encarando Natasha nos olhos - Não existe opção para o Barnes, existe?
- Não podemos mais nos envolver. Isso deixou de ser uma decisão nossa e você sabe disso melhor do que nós - Ela respondeu no mesmo tom de voz, sério e incisivo.
- O que eu sei é que T’Challa não tem chance alguma contra o Barnes e nós vamos carregar mais culpa em nossas costas por não termos feito nada quando poderíamos - respondeu levemente nervosa.
- O Tratado já está em vigor. Em menos de 24 horas suas decisões passarão a jogar contra você. Você será presa, , não pode fazer nada sem se prejudicar. Vocês irão violar o Tratado - Natasha olhou intrigada para a outra mulher.
- T’Challa já está violando o tratado. Está indo atrás de Barnes por vingança e não por ordens as quais ele se submeteu - respondeu confiante e saiu de perto de Natasha, que apenas suspirou e acompanhou a mulher com os olhos.
Conforme caminhava em direção a seu pai, que havia acabado de chegar com alguns agentes, olhou discretamente Steve a alguns metros de onde estava, usando um boné e óculos de sol, atrás de uma árvore. Ela fez sinal de negativo com a cabeça, tão discreto que mal poderiam perceber, para avisá-lo que Natasha não estava com eles e, antes mesmo que pudesse alcançar seu pai, ouviu o celular da outra mulher tocar atrás de si. continuou até Karl a ver e vir até ela, na direção oposta, com um largo sorriso. Ele tinha alguns arranhões no rosto, discretos, porém visíveis. A mulher o abraçou com força, teve medo de o perder. Queria estar por perto dele quando tudo aconteceu.
Há alguns metros de distância, onde passava informações para alguns agentes, Everett observava a cena. Ele sorriu discretamente, notando sua filha o encarar e sorrir de volta, enquanto se separava de Karl. Natasha desligou o telefone intrigada a tempo de ver se separar do abraço de um dos agentes mais reconhecidos da inteligência da SHIELD, com o qual ela havia trabalhado há anos, e que desde sua queda estava trabalhando para a CIA. Ela sorriu sozinha discretamente e deu de ombros, voltando a encarar a tela de seu celular, em busca de alguma outra informação de Steve.

- Você está bem? Como está se sentindo? – perguntou preocupada olhando Karl. Ele sorriu com ternura.
- Estou bem, devastado por T’Chaka. Mas agora temos que entender direito o que aconteceu - Karl respondeu em um tom de voz baixo e entregou para a filha uma fina pasta com algumas folhas de papel dentro. Não tinha muito tempo para falar com ela; não podiam descobrir que ela estava coletando informações ali.
- O que é isso? - perguntou intrigada, vendo seu pai a impedir de abrir a pasta ali, na frente de tantas pessoas circulando. Ele fez um sinal discreto com a cabeça para que andassem até mais perto da tenda de campanha onde Sharon estava.
- Conseguimos pontuar dezessete áreas do rosto, com base nas imagens que temos do atentado - Karl comentou baixo, olhando ao redor discretamente para garantir que ninguém mais estivesse ouvindo.
- Não foi ele, não é? - concluiu, virando-se levemente para o lado para olhar seu pai.
- Mais de 40% de diferença, por enquanto. Mas isso ainda não prova muita coisa - O homem completou, colocando suas mãos nos bolsos do terno. Embora sua postura estivesse contida, seus olhos azuis transbordavam emoção.
- Encontrei um fio de cabelo no furgão - Everett murmurou entrando na tenda e passando por eles apressado. e Karl se encararam por um instante - Preciso de duas horas para análise.
- Se a análise for negativa para o Barnes, há outras possibilidades? - suspirou pesadamente. Não queria voltar a fugir da HIDRA novamente. Sharon desviou sua atenção dos papéis que lia para a amiga.
- Se não foi o Barnes, pode ter sido outro membro da HIDRA – Sharon comentou preocupada. Karl assentiu com a cabeça.
- Ou nossa hipótese de existir mais de um Soldado Invernal pode se confirmar – Everett comentou, passando de volta para fora da tenda.
- Temos que tomar cuidado - Karl respondeu preocupado - Você principalmente, .
Sharon ficou pensativa. A vida inteira de fazia sentido, como uma quebra-cabeça. Tantos anos escondida e justamente em Wakanda, que mal poderia ser encontrada no mapa; Karl trabalhando para a SHIELD e depois de sua queda, para a CIA, enquanto Everett seguia no Departamento de Segurança dos Estados Unidos, para manterem um fluxo de informações atualizadas e que cobrisse todo o globo; e a não supervisão, mais do que fazer o que era ético, era o plano perfeito para se envolver em tudo que fosse relacionado a HIDRA discretamente. podia ir para qualquer lugar caso algum deles fosse identificado e, se os encontrasse e conseguisse os resgatar, poderia finalmente saber sobre seus pais, sobre seu passado e sobre o que havia acontecido com ela. Sharon desviou seus pensamentos ainda olhando a amiga. Não podia imaginar tudo o que se passava pela cabeça dela, tudo que havia sofrido durante esses anos e as respostas que nunca encontrou. A busca desesperada por ter certeza de que não havia sido ela quem matou os próprios pais, que o acidente não havia sido sua culpa. Aquilo era íntimo demais para ela compartilhar, mas agora, com tudo isso acontecendo, Sharon entendia que sua amiga estava pedindo ajuda. Um pedido silencioso. abriu a pasta que seu pai havia lhe entregado e deu uma rápida olhada nos arquivos que constavam lá.
- Você acha que eles estão atrás de você novamente? - Sharon questionou observando a amiga, que levantou o olhar até ela. Karl estava tenso. Era por isso que estava ali.
- Não. Eles saberiam que ela estava em Londres e não em Viena. Eles não erram - O homem rebateu prontamente, como se já tivesse pensado naquilo antes.
- Então eles têm uma nova missão - Sharon seguiu tirando suas próprias conclusões.
- Ou alguém está levantando a HIDRA novamente. E precisamos ter certeza de que não foi o Barnes - especulou.
- Mas antes disso temos que encontrá-lo - Sharon suspirou observando seu telefone apitar em cima de uma pequena mesa próxima. Seu chefe havia enviado uma mensagem pedindo por um relatório detalhado e havia o sinal de atirar assim que localizassem Barnes - Temos um alerta B47.
sussurrou um ‘merda’, fechando a pasta e devolvendo-a para seu pai.
- Precisamos de ajuda. Não vamos conseguir identificar quem é o real assassino, localizar o Barnes e conter o T’Challa, que já está indo matá-lo. Não dou uma hora para ele aparecer com a cabeça de Barnes nas mãos - falou irônica. Karl bufou.
- Fico com a parte da identificação - Ele disse simplesmente, ajeitando suas coisas na tenda com pressa - Everett está trabalhando no DNA do cabelo. Assim que tivermos alguma resposta, avisarei.
- Certo. Steve e Sam contra T’Challa - completou - Não vou lutar contra ele.
- E nós duas vamos atrás de Barnes. Já tenho informações sobre a localização - Sharon colocou os papéis que antes lia dentro de uma pasta.
olhou para seu pai que também assentiu com a cabeça e saiu apressada, com Sharon em sua sombra. Teriam que correr contra o tempo. Elas tomaram caminhos diferentes para o mesmo sentido, com o intuito de não serem pegas. Há algumas ruas não tão distante de onde a força-tarefa estava alocada, Steve entrou em uma cafeteria. Foi direto ao balcão, onde encontrou discretamente com Sam comendo uma fatia de bolo. Sam também usava um boné e óculos escuros e ambos tinham seus olhares focados na parede a frente com o cardápio da cafeteria, como se estivessem apenas escolhendo o que comer, despretensiosamente. Uma atendente colocou uma xícara com café a frente de Steve, que agradeceu em silêncio.
- Ela mandou você não se envolver? - Sam perguntou, se referindo a conversa com Natasha. Ele olhou rapidamente para Steve enquanto mastigava mais um pedaço de seu bolo. Steve não respondeu nada - Pode ter razão.
- Ele faria isso por mim - Steve respondeu seco, olhando para o outro lado.
- Em 1945, talvez. Só quero garantir que analisamos todas as opções. Quem atira em você, acaba atirando em mim - Sam rebateu.
Steve desviou seu olhar até Sam, o encarando significativamente. soltou uma risada baixa, surgindo do nada e encostando-se no balcão ao lado de Sam.
- O passarinho está com medo de uns tiros? - Ela perguntou provocativa, pegando o garfo do prato do homem e dando uma garfada no bolo dele.
- Quem deixou você comer meu bolo, fada? - Sam a olhou sério, puxando o garfo de sua mão e terminando o bolo rapidamente. Steve revirou os olhos por baixo de seus óculos.
- Recebemos muitas denúncias depois da divulgação das imagens - Sharon comentou, encostando-se também no balcão, ao lado de Steve - Todo mundo achando que viu o Soldado Invernal por aí. A maioria é boato, exceto isso. Meu chefe espera um resumo, para ontem, então isso é tudo que posso adiantar.
Sharon empurrou levemente sob o balcão uma fina pasta, com algumas informações importantes da localização de Barnes. Steve a pegou curioso, olhando para sua frente para checar-se que ninguém mais estava por perto.
- Obrigado – Ele agradeceu simplesmente.
- Estão fazendo reconhecimento facial com base nas imagens do atentado. Por enquanto há 43% de clareza de que não foi ele - completou, pegando agora o café de Sam, que a olhou sério mais uma vez. Steve e Sam a olharam intrigados. podia dizer que, por um instante, viu alívio passar pelos olhos de Steve.
- Em quanto tempo teremos certeza? - Steve questionou, olhando de para, novamente, a parede a frente.
- Em 5 horas, mais ou menos, saberemos - respondeu olhando o relógio na parede a sua frente e respirou fundo.
- Vão ter que se apressar. Temos ordens de atirar para matar - Sharon comentou, meio exausta, olhando para os três de rabo de olho.
Eles não demonstraram qualquer reação, se não ficar em silêncio, pensando por alguns instantes no que fazer. Sharon deixou a cafeteria, era muito arriscado para ela ficar por perto deles. Se descobrissem que estava vazando informações seria demitida, processada e sabe-se lá mais o que fariam com ela. Não podia ser pega. Ela era uma peça central em tudo aquilo, precisavam dela e ela queria ajudar.
- Vamos atrás de Barnes; meus pais irão acelerar o processo de reconhecimento e Sharon nos dará novas informações - disse.
- Temos horas até sermos oficialmente presos - Sam comentou a olhando. Steve desviou seu olhar novamente para ela, tinha se esquecido das novas condições por um momento.
- Falando nisso, T’Challa já está a caminho para matar Bucky. Não vou lutar contra ele; isso é com vocês - respondeu simplesmente, sem ter qualquer resposta dos outros dois - E tem algo a mais. Provavelmente seremos pegos.
- Como sabe disso? - Steve perguntou intrigado. Ela encostou os cotovelos na bancada a sua frente, sem olhar para eles.
- Um homem descongelado, uma fada e um pássaro correndo atrás do assassino mais procurado da década? - sugeriu irônica, ouvindo Sam reclamar ao seu lado e sorriu divertida - Aposto que toda a segurança da União Europeia virá atrás da gente.
- Sem contar a CIA, o Conselho de Segurança Internacional, Tony e a Natasha - Sam completou, concordando com , e encarando Steve.
- Já entendi - Steve cortou o amigo, bufando.
- Primeiro o Barnes e depois pensamos em como sair da prisão, ou seja lá o que vão fazer conosco - comentou colocando-se em pé novamente e virando-se para os dois homens.
Sam assentiu e Steve deixou sair um pequeno sorriso, sussurrando um ‘obrigado’ sincero. Mais alguém, além dele, parecia preocupada com seu amigo. havia contado para eles, no caminho de Londres até Berlim, que esteve o rastreando há anos, depois do acidente na França, quando era criança. Ela imaginava que ele estava lá, na casa dela, naquele dia, embora não tivesse certeza. Ele a seguiu durante algum tempo, mas ela nunca tinha efetivamente o encontrado. Ela passou então a buscar por todas as informações e levantar todos os dados possíveis sobre ele; estudou sobre o soldado invernal todos esses anos. Ela tinha que entender o que acontecia com ele e o que fazer caso alguma hora o encontrasse pessoalmente. Sabia que não poderia enfrentá-lo fisicamente, mas mentalmente tinha uma chance. Por isso, dedicou boa parte de sua vida estudando a quebra do controle mental e torcendo para que, algum dia, pudesse resgatá-lo. Com a recalibração mental ela poderia tirá-lo do controle e o ajudar a se lembrar, quem sabe, de tudo aquilo que ela precisava saber.
- Se a coisa sair do controle, ficamos com T’Challa e você com Bucky. O que acontece se você for pega e nós não? - Steve questionou, levantando-se também e tirando algum dinheiro do bolso.
- Então vocês me resgatam - concluiu como se fosse óbvio, dando uma piscada para ele e sorrindo. Os três foram a passos rápidos sentido a saída da cafeteria.
- E desde quando você precisa ser resgata? - Sam sorriu divertido e Steve negou com a cabeça.
- Você achou mesmo que essa era uma opção? – Ela comentou com o rosto levemente virado para trás, para ver o homem por sob os ombros.


Continua...



Nota da autora: Oi gente, espero que todxs estejam bem e protegidxs. Em tempos tão difíceis como esses, uma das melhores coisas que podemos fazer por nossa saúde emocional é nos distrairmos com o que mais gostamos. Com bastante tempo livre e muito amor por essa história, decidi começar ela do zero. Espero de coração que vocês gostem (para quem leu a versão anterior, espero que não me matem e que também gostem dessa, e para quem está chegando hoje, que vivam bons momentos por aqui). Obrigada por lerem e pelos comentários, que me deixam imensamente feliz e engajada em continuar a escrever até o final. Nos vemos em breve – em breve mesmo, eu juro. Se cuidem, cuidem dos seus e vamos juntxs. Beijos, Ju S <3.

Outras Fanfics:
Care Bears (Avengers - Finalizada)


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